O céu fala. A gente entende.

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A gente entende. Climatempo 2009 .Denise Góes O céu fala.

br .Copyright © 2008 by Denise Trevisan de Góes Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.br Coordenação editorial Cesar Oliveira cesar.com.com.br Fotografias Acervo e clippings Climatempo Impressão Prol Gráfica www.prolgrafica.revisaoporquenao.oliveira@globo. de 19 de fevereiro de 1998 Direitos desta edição cedidos ao GRUPO CLIMATEMPO Rua José Antonio Coelho. 567 Vila Mariana – São Paulo – SP Telefone: (11)3736-4591 CEP 04011-061 www.nom.climatempo.com Revisão (de acordo com a Nova Ortografia) Ana Lucia Sesso www.610.

A Alice Vieira (in memoriam) e Atala Frony de Macedo. Marcos Paulo e Victor Hugo. ao longo destas décadas. eles foram verdadeiros anjos que ajudaram. todas as vezes que a Climatempo precisou. Aos meteorologistas André e Patricia Madeira. Ao longo destes vinte anos. Waldemar Stefan. Carlos Magno e Ana Lucia Agradecimentos . com incentivo e apoio financeiro. jornalista Denise Góes. Josélia Pegorim. Sem eles esta história não poderia ser escrita. Renato Urbinder. Fernanda Bulhões e Ederaldo Kosa. Gilca Palma e Paulo Takeshi. aos amigos Rogério Leite. mais crescidinhos. Hoje. à escritora do livro comemorativo pelos vinte anos. pela paciência que tiveram. pai da Ana Lucia. Isabel Cristina. A nossos filhos. mãe do Carlos e da Ana Lucia. até pedem para mudar de assunto. a Juvenal de Macedo Filho. e talvez nem a Climatempo existiria. Obrigado pela confiança e amizade de todos vocês. Eles cresceram ouvindo sobre a Climatempo em praticamente todas as refeições e reuniões familiares.

Depoimentos Fontes e bibliografia Caderno de fotos Climatempo na mídia 7 9 11 19 29 37 43 51 59 69 77 85 95 97 99 111 . A gente entende.Sumário Apresentação Prefácio O começo de tudo Os primeiros passos Na telinha da Globo Abrindo espaço O homem do tempo Canal do tempo Um sonho. uma realidade Uma bolha no ar Virando uma holding O céu fala.

que divulgou que a neve não iria acontecer. por acertarmos a previsão de neve no sul do Brasil. editor-chefe do Estadão. painéis em ônibus. desenhou um boneco de neve e mandou entregar para a gente. A princípio.Além de uma grande paixão de um pelo outro. podcasts. celulares. A Denise participou ativamente como testemunha e relatou o crescimento da meteorologia brasileira e mundial como jornalista da Agência Estado e do jornal O Estado de São Paulo. Internet. fez questão de construir seus próprios meios de comunicação: o site e a TV Climatempo. A cada nova descoberta nos estágios na FAB e na TASA e depois como meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura. em todo lugar. Boa leitura! Ana Lucia e Carlos Magno Apresentação 9 Q uando Ana Lucia e eu nos conhecemos já estávamos apaixonados pela meteorologia. . com suas próprias mãos. O desafio de prever o futuro nos motivava e fazia parte das nossas conversas enquanto namorados. enfim. o papo sempre acabava em como melhorar a previsão do tempo. recebemos um elogio público do Dr. Tem gente que acha que o nosso slogan é pretensioso: O céu fala. Mas. Em maio de 1990. A Climatempo que completou vinte anos em 2008 é uma das consequências desta nossa paixão. encantados com a sua argumentação de que a Climatempo ajudou a escrever algumas das páginas mais importantes da história da meteorologia moderna no Brasil. Denise conta a história de uma equipe que. Julio. Não é meteorologia de forma genérica. mas a Meteorologia Sinótica: a arte de fazer a previsão do tempo. ao mesmo tempo. Paulo. rádios. A felicidade foi imensa para os jovens jornalistas e meteorologistas que estavam começando a colocar o tempo como destaque no caderno “Cidades” do Estadão. shoppings. explicando tornados em Ribeirão Preto ou no ABC. jornais. relembrando os primeiros dias como previsores da rádio Eldorado. na USP. A gente entende. Hoje a nossa estimativa é que mais de 50 milhões de brasileiros tenham contato com a previsão de tempo feita pela Climatempo todos os dias. Nos dez primeiros anos da Climatempo nosso contato com a “Dê” foi quase diário. ondas de calor. no INPE. jornalista Denise Goes. além de ser referência em consultoria e bom atendimento. São histórias assim que a Denise conta. a meteorologia está no nosso sangue. com as devidas felicitações pelo acerto. a gente entende mesmo. Julio de Mesquita Neto. Nas TVs. que nos reconhece como sinônimo de credibilidade. todas as formas possíveis de levar a informação meteorológica para o usuário têm a nossa assinatura. Um furo enorme na Folha de S. Esta é a nossa vida. Vocês podem imaginar uma conversa entre namorados sobre as novas técnicas de fazer previsão do tempo? Pois a gente falava sobre isso o tempo todo. A ideia de escrever um livro contando a história da Climatempo foi Ela sabia o que estava falando. tempestades severas em São Paulo. aeroportos. ficamos surpresos e. geadas e tudo que acontecia com o tempo em cada canto do nosso País. a não ser para o próprio público. Depois que as primeiras notícias da neve começaram a chegar à redação. divulgando a informação do tempo para o público sem ter que pedir autorização para ninguém. a primeira página inteira com a previsão do tempo no Estadão e o trabalho pioneiro na Rede Globo de Televisão. o Dr. sem modéstia nenhuma. da nossa amiga.

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quando integramos ao mesmo tempo o amor pelo trabalho.. Como o trabalho virtuoso vence barreiras e obstáculos. a autocrítica fazem parte do seu precioso texto. Mas. educação e diversão. afirma Carlos Magno. cruzamentos de dados. Não é uma fábula empresarial! Não se trata do “Senhor dos Anéis”. termos lições de ética. tombos. onde demonstrações valorosas da equipe estabeleceram ainda mais sinergia e alicerçaram com força superior a vida da empresa. Climatempo é uma aula de empreendedorismo. Climatempo teve isso sempre. esporte. os momentos dos enganos ocorreram. Ou seja: tudo o que amplifica a simpatia da alma – graça. A história que nasce do amor de Carlos Magno com Ana Lucia caminha ao longo de vinte anos recheada de exemplos de amores. Como as pessoas conseguem criar papéis novos na vida profissional. O enfrentamento de grandes grupos internacionais.A leitura deste livro permite aprendermos com o melhor do empreendedorismo. desafios novos. pelo estudo permanente e pelo divertimento no mesmo local. transportes etc. De analistas de mapas. de virtudes e de uma singular capacidade de reunir profissionais.a função do amor é criar. conhecimentos de física. arte. mas é a escrita da vida Prefácio 11 A o ler O céu fala. Pietro Ubaldi. nas ondas do rádio. aquele aspecto incontrolável dos planejamentos empresariais. proteger”. Ao ler este livro temos um demonstrativo de um caso real da modernidade da gestão. a Climatempo pode ser olhada como um exemplo de construção do sentido mais evolutivo do significado de amor. para administrar. filósofo lido por Albert Einstein e Monteiro Lobato. colaboradores e seres humanos da virtude: gente com uma forte determinação pela prática do bem. E o futuro? Crescer muito nos próximos dez anos. conservar. a fidelidade de grandes clientes. mas contêm a gênese das forças de coesão do organismo unitário da futura sociedade humana. erros. a batalha pelo canal do tempo. A distorção do foco. real que inspira autores a desenharem na arte. passando pela agricultura. vibrações. A meteorologia quando era um “patinho feio”. a sensibilidade grita. para vender o seu trabalho. É como se estivéssemos lendo as teses e exemplos do sociólogo Domenico de Masi. De fato.. música. do Tolkien. Os filhos criados lado a lado com o trabalho. que significa a paixão errada. dizia que gando e envolvendo valorosos e leais colaboradores e amigos ao longo da caminhada. Ana Lucia diz ter um sonho. desde locações de gravação de filmes até a logística de obras e de tomadas de decisões em momentos críticos. . A gente entende. para apresentar nas telas da televisão. também na história da Climatempo. E quem conhece e não perde a sua própria história mais apto fica ao inevitável mundo cheio de mudanças e suas danças em todos os estilos musicais e tecnológicos. a sensação que se tem é que o coração também fala. um casal que iniciava seus estudos na Universidade Federal do Rio de Janeiro via o esboçar de um cisne e o foi desenhando ponto a ponto nesta história que nos é revelada na publicação deste livro dos seus 20 anos. a solidariedade amplifica. O resgate das paixões virtuosas. fica cada vez mais controlável e disponível para todos os segmentos empresariais do mercado. Essas ascensões não são sonho estéril. momentos difíceis. na construção de grupos criativos como forma vital de gerenciar nos novos tempos e o encontro do “ócio criativo”. A história em si é rica de exemplos de superação na vida real. no teatro e na literatura temas que se eternizam. e poucos acreditavam nessa ciência. para empreender o progresso. chamado “clima”. como nos contos. Neste livro. reflexão e a ciência – é indispensável para guiar as paixões no rumo certo. aos dois assaltos sofridos. o de expandir a Climatempo para o universo internacional. onde a arte imita a vida. Os infortúnios de resistir ao crime. e acrescenta: “para construir uma empresa sólida “. Como uma quase utopia de dois meteorologistas consegue ir agre- Papéis novos.

pois saberemos ao seu final de muito mais aspectos da gestão. Muitas vezes acertamos e outras tantas erramos”. os ideais e sonhos do agora Grupo Climatempo: “Comprometimento. José Luiz Tejon Megido Professor de pós-graduação da Fundação Getulio Vargas. É enriquecedoramente real. possamos tirar de um dos seus valores o núcleo essencial para todas as possibilidades de realizações. e honrado pelo convite para este prefácio. Diretor do núcleo de agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing. liderança e empreendedorismo. ética e respeito ao cliente externo e interno”. Foi diretor da OESP Mídia do Grupo O Estado de São Paulo e da Agroceres. Recomendo a todos a sua leitura. do que sabíamos antes. Talvez. Autor de doze livros. 12 . A gente entende. Fiquei apaixonado pela leitura de O céu fala.temos de adquirir conhecimento.

Ao longo do curso. e a irmã Angélica. O que na época era apenas um desejo. “No final das contas. A história da Climatempo é a história de um jovem casal. veterano. e dizer que o sonho virou realidade é um chavão que se aplica bem nesse caso. “Sempre estudei em escola pública e desde cedo já me destacava em matemática”. Anos depois. comecei e não quis mais sair. Percorrer os caminhos dessa viagem no tempo é conhecer um pouco da história da meteorologia brasileira. no dia 22 de maio de 1961. ficaram em primeiro lugar nos respectivos vestibulares. ela. avalia Magno. relembra Magno. 13 anos mais velho. era preciso também uma boa dose de audácia. fui vendo que havia uma grande necessidade de profissionais. A possibilidade de prever o tempo fascinava os dois jovens meteorologistas. contudo. a carreira de meteorologista ainda era desconhecida para a maioria dos estudantes. a balança profissional tenderia para outra matéria: a física nuclear. a caçula. “mas ela queria nos ver formados e me deu força para continuar o curso. “Eu adorava uma professora de geografia e fiquei em dúvida. Ele.” Foi na visita que fez ao departamento de geografia da UFRJ que pela primeira vez Magno considerou a possibilidade de cursar Meteorologia. não foi a primeira opção do jovem carioca. Poucos alunos se aventuravam na matéria. Foi uma escolha madura. d. olhando pela janela de um pequeno apartamento da Vila Mariana. então decidi que faria uma experiência”. especialmente na área de previsão do tempo [. minha mãe não entendeu muito a minha escolha”.] “Em princípio. Uma carreira muito em moda em 1979 por causa da construção da Usina Nuclear de Angra dos Reis e a abertura do mercado de trabalho para físicos. relembra. de crises econômicas. Surgiu então a possibilidade de cursar Geografia. 1 . conta Magno. um jovem sonhava em montar o seu próprio negócio e ter a sua própria empresa. Ao olhar para o céu. Vinte anos se passaram nessa trajetória de sucesso. a possibilidade de virar professor afastou a ideia da sua cabeça.. que ousaram seguir a carreira de previsor. “O departamento de Meteorologia ficava ao lado da Geografia. alunos promissores.H á pouco mais de vinte anos. “Eu não me considerava um bom professor”. líder em seu segmento. gostei do curso. Ambos. dizendo que estavam precisando muito de meteorologistas jovens e talentosos. na época. agora é fato. Ele me convenceu. O básico da meteorologia é a física. A minha única preocupação era com o mercado de trabalho. Saber o que acontecia com o tempo. ao chegar na época do vestibular.” Com apenas o curso primário.. Õ Carlos Magno do Nascimento e Ana Lucia Frony de Macedo eram muito jovens quando se conheceram na faculdade. o irmão. mas oportunidades. porém. Carlos Magno ficou em primeiro lugar no vestibular para o curso de Meteorologia. na capital paulista. Carlos. Era o segundo filho de dona Alice e de seu Manoel do Nascimento. Carlos Magno e Ana Lucia foram dos poucos. problemas do dia a dia. Ele queria crescer e sabia que podia contar com o apoio da mulher. O encanto durou pouco. Para o casal. companheira de profissão. Alice vendia joias para sustentar a família e por isso lutava muito para dar aos três filhos uma boa forma- O começo de tudo 13 No início da década de 1980. foi graças à obstinação de dona Alice que ele. Ambos eram alunos de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). pois o meteorologista formado tinha como opção apenas dois caminhos: ser previsor do tempo ou dedicar-se a pesquisas acadêmicas. um dos professores começou a conversar comigo. Carlos Magno do Nascimento nasceu na cidade do Rio de Janeiro. as expectativas para o futuro eram maiores do que aqueles 50 m2 em que viviam. Aos cinco anos. após a morte do pai. A grande maioria optava por permanecer na universidade e seguir carreira acadêmica. Além de gostar de física e de matemática. não via apenas nuvens. Em 1980. prosseguiram nos estudos. caloura. que com determinação e persistência criou uma empresa pioneira.

relembra Ana Lucia. Õ Do grego. Ana Lucia decidiu pelo curso superior também em Meteorologia. tenente-coronel da Aeronáutica. “Ela conseguiu. Ela aplica leis da física e da matemática para descrever. Ana Lucia ficou no Rio e dali só saiu anos mais tarde. terá um ano de chuvas se cair água do céu no dia de São José. só entrava nerd. depois Natal. muitas pessoas prestavam concursos para escolas fe- derais. A primeira opção era fazer o curso técnico para Edificações. Também denominada Ciências At- 14 . horas na fila. Manifestações atmosféricas como chuvas. Naquela época era uma escola altamente masculina. natural do Rio Grande do Norte.” Então quando chegou a hora. geadas podem provocar incontáveis prejuízos. éramos uma turma de quinze pessoas e nos perguntávamos o que iríamos fazer depois do terceiro ano. chegaram uns garotos e ficaram conversando. tempestades. principalmente na agricultura. ter um filho com curso superior já era uma vitória. furacões. que significa “elevado no ar”. um santo muito respeitado no Nordeste do Brasil. Passou em primeiro lugar e tornou-se uma das calouras da turma da qual Carlos Magno já era veterano. oito foram para a Meteorologia. meteoros. Falaram tanto que eu peguei a ficha de inscrição e coloquei: primeira opção Edificações. Reza a cultura popular que a região. Eles queriam nos convencer a fazer o curso técnico para meteorologia. Juvenal. Quando o pai foi enviado para Roraima. porque nasci em Porto Alegre. “Já no segundo ano. Por isso a grande necessidade de estudar os processos que causam determinadas condições climáticas para depois aplicar esse conhecimento na previsão do tempo. Haroldo. técnicos em manutenção de equipamentos meteorológicos e também no rastreamento de fotos de satélite e plotagem de cartas sinóticas. a carioca dona Atala. O C EFET era uma escola con- siderada difícil. “estudo”. a escola formava observadores de bases meteorológicas. tanto na cidade quanto no campo. Acho que vendi bem o curso: dos quinze da minha turma. enfim. uma série de informações que davam bem a ideia do que fazia um meteorologista. depois para o Rio. e vivia sendo transferido pelo Brasil ao lado de sua mãe. Em meados da década de 1970. Ficamos lá. atual C EFET . interior de São Paulo. a meteorologia pode ser definida como ciência que estuda a atmosfera terrestre. Para ela. entender e predizer o estado do tempo.ção para não viver na mesma situação de insegurança daquela época. em casa todos nós concluímos a faculdade. Ana Lucia é a mais velha de quatro irmãos. “Minha família sempre achou que eu seria arquiteta”. Conhecer o comportamento do tempo e do clima é fundamental para o desenvolvimento e o planejamento econômico de qualquer sociedade. quando enfrentou fila para se inscrever na Escola Técnica Federal. constantemente castigada pela seca. Gaúcha de nascimento. já casada. Ana Lucia guarda na memória essa fase da adolescência no Rio de Janeiro. Essas andanças todas têm explicação: seu pai. Ana Cristina e Paulo Henrique. caso do Colégio Militar. Dezenove de março é dia de São José. voltei para o Rio”. Acabei passando em Meteorologia e gostei. Dessa vez para São Paulo. nem todas. Aí. A meteorologia apareceu por acaso em sua vida.” Em 1981. e logos. “Eu e duas amigas fomos para a fila no último dia de prorrogação para a inscrição no concurso.” Na área de Meteorologia. Ana Lucia prestou vestibular na UFRJ. em especial a camada mais próxima da superfície na qual ocorre a maior parte das atividades humanas.” Ana Lucia Frony de Macedo nasceu no dia 19 de março de 1964. “A gente se reunia para conversar e ver os programas dos cursos. porém. aceitavam mulheres. cada um foi para o lado que mais lhe interessava. a alternativa era a Escola Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca. era militar. pequenininha fui para Pirassununga. Recife. segunda opção: Meteorologia. uma data curiosa para a futura meteorologista. esperando. Durante a infância e a adolescência morou em várias partes do Brasil e hoje até brinca: “sou climatologista por experiência. batendo papo. auxiliares para verificação e ordenação de dados.

após uma reforma universitária. em 1967. Em 2008. as explicações religiosas foram as primeiras dadas pelo homem na tentativa de entender os fenômenos atmosféricos. por volta de 1700. Contudo. que Carlos Magno e Ana Lucia se conheceram em 1981. “Até hoje brinco com ele: passei pela porta e ele me pegou pelo braço. porém. as modificações na camada de ozônio. Muitas das suas observações sobre o tempo estavam erradas. ou seja. Õ A Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ) foi criada no dia 7 de setembro de 1920 com o nome de Universidade do Rio de Janeiro. e o higrômetro. Aliadas a isso. Contudo. como o aquecimento global. foi constituído o primeiro Departamento de Meteorologia do País. Já o clima pode ser definido como “um conjunto de condições normais que dominam uma região obtidas das médias das observações durante um certo intervalo de tempo. quando. o Tiros 1. Ao longo do século XIX . mapas e programas específicos de computador.o barômetro. Éramos muito diferentes. informações de radares. nem sempre foi assim. Nesse ano. foi no século XX que a ciência ganhou impulso com os meios de comunicação como telégrafo e rádio. que permitiram juntar muitas informações rapidamente. Para estudar o clima. na Ilha do Fundão. sol e calor. as noções de tempo e de clima são muito diferentes. A descoberta dos primeiros instrumentos meteorológicos possibilitou o estudo dos fenômenos naturais de forma mais precisa. Tinha acabado de fazer 17 anos”. Eu era caloura dele e começamos a namorar já no segundo mês de aula.” 15 . umidade do ar e pressão nos anos 1940. a matéria foi ganhando contornos mais científicos. tratando essas questões de forma especulativa. é o conjunto de toda informação estatística sobre o tempo em um determinado local”. ele líder estudantil e eu péssima de voto. dando à meteorologia o status de ciência natural.mosféricas. O primeiro grupo de meteorologistas formou-se quatro anos depois. desenvolvidos na década de 1950. “Conheci o Magno na faculdade. Se hoje o cientista conta com uma série de recursos técnicos como imagens de satélite. solucionaram equações e permitiram entender o comportamento da atmosfera. foi reorganizada e passou a chamar-se Universidade do Brasil. Instrumentos como o termômetro. e também as descobertas feitas pela física melhoraram a qualidade das observações. na antiga Universidade do Brasil. Mesmo com todo o progresso tecnológico. o departamento fazia parte do Instituto de Geociências (IGEO) da universidade. muitos deles provocados pela ação do homem na natureza. No livro. mas foram aceitas por quase dois mil anos. em 1643. O curso de Meteorologia da UFRJ foi criado em 1964. a meteorologia tem como objeto de estudo desde o frio intenso que atingiu determinada região até as mudanças climáticas globais. no fim do século XVI. Foi no campus da UFRJ. lançado em 1960. Em 1937. a meteorologia lida hoje com novos desafios. com o desenvolvimento de alguns conceitos básicos como massas de ar e frentes frias na década de 1920 e o início das observações diárias da temperatura. em Sergipe. O tempo é o estado da atmosfera em um determinado momento e em lugar específico – pode estar chovendo em São Paulo e. as imagens do primeiro satélite meteorológico. Em face da precariedade de dados científicos. para então estabelecer critérios para a área analisada.a meteorologia progrediu e os primeiros mapas meteorológicos foram desenhados. Os primeiros programas de computadores de alta velocidade. fazia parte do Departamento de Física da Faculdade Nacional de Filosofia. o meteorologista avalia as condições diárias do tempo ao longo de anos. O filósofo grego Aristóteles (384322 AC) já falava em meteorologia ao editar o tratado Meteorológica. assumindo a atual denominação apenas em 1965. o efeito estufa. como os modelos numéricos. Há milênios o homem tenta decifrar o funcionamento do tempo. Com o avanço das observações empíricas. o filósofo explica os fenômenos atmosféricos com um enfoque filosófico. em pleno século XXI. tornaram a previsão do tem- po mais confiável. relembra Ana. por volta do ano 340 AC.

“Além disso. conta Ana. “O cara para ser meteorologista tinha de analisar mapas uns cinco anos para ter certa autonomia e ser previsor. por isso poucos seguiam essa área. já nessa época. Isso era uma coisa do outro mundo. Não foi só ele a ficar fascinado com as aulas do professor. em busca de capacitação profissional. que o ajudaria a custear as despesas com o estudo. Pouco antes de terminar a faculdade. Naquele tem- 16 . Era fascinado pelo poder de saber qual seria o tempo no dia seguinte. Eu já acreditava que tínhamos de ser os agentes transformadores desse conceito”. expressava com isso o desejo de ser mãe. Estados Unidos e África. Entre os meteorologistas mais experientes. também. lembra até hoje como Magno conseguiu esse estágio. avalia Magno. fez está- gio no Centro de Previsão do Tempo da Torre de Controle da Aeronáutica. recorda Magno. Não era – como não é até hoje – o filé mignon da profissão. “Não foi nada simples. Além disso. Ainda na faculdade os dois começaram a procurar trabalho e estágios como previsores. empenho para lidar com números e modelos matemáticos e uma boa dose de ousadia para passar a credibilidade necessária. “Foi um período interessante em que comecei a conviver com vários meteorologistas. ter essa capacidade não só de saber. Ter uma profissão. A maioria preferia ficar na universidade e dedicar-se às pesquisas. “Eu queria fazer previsão do tempo. “Existia uma cultura na universidade em que ser da área acadêmica era o crème de la crème e. a faculdade e a convivência com alunos e professores fortaleceu no casal a certeza de que a escolha do curso havia sido correta. Durante a faculdade já existia uma vontade de um grupo pequeno de tentar mudar a visão de que a previsão do tempo sempre errava. criando novos conhecimentos para essas pessoas e. Carlos Magno e Ana Lucia logo descobriram o melhor caminho: ambos queriam fazer previsão de tempo. Ele era um gênio. especializações que não têm mercado de trabalho. estou quase conseguindo”. era porque não era bom aluno. Não estimulam os “maus” alunos. As universidades estão retendo por mais tempo o aluno. Waldemar. em que pôde acompanhar o trabalho de um meteorologista operacional da Força Aérea Brasileira ( FAB ). “Em 1980. servindo de apoio às rotas de aviões que saíam daqui para a Europa. Waldemar Stefan. no Aeroporto do Galeão.” Ana Lucia. mas também a possibilidade de informar. que precisam de apoio para superar as matérias básicas ou que precisam trabalhar durante o período em que estão cursando a universidade ou que não querem ir para a pós-graduação após concluir o curso. “Foi o professor Fábio Alcântara quem estimulou a maior parte da minha geração. Ele dizia sempre que fazer previsão não era um bicho de sete cabeças”. Ana Lucia também se lembra do entusiasmo com que o mestre falava sobre a importância do previsor. Para enfrentar as dificuldades financeiras. a previsão do tempo. sem deixar de lado a maternidade. tanto atazanar o povo de lá foi que conseguiu o estágio e ainda remunerado!”. gostei dos professores e principalmente da ideia de trabalhar seis horas por dia. Ele ia todo dia lá para pedir o trabalho. Começava como técnico e ia aprendendo até poder fazer previsão. se você escolhia ir para a operação. Magno tentou e conseguiu uma bolsa de iniciação científica. os metares. Várias vezes ele chegou para mim e disse: “estou quase conseguindo. ao entrar para o curso da UFRJ me apaixonei pela meteorologia sinótica. Magno foi trabalhar na TASA (Telecomunicações Aeronáuticas S/A). prever o tempo naquela época exigia muita capacidade.Além do encontro que iria mudar a vida dos dois jovens. A TASA captava a base de dados usada para fazer a previsão. Dentre as possibilidades do universo meteorológico. Ensinava e dizia que eu era um dos seus melhores alunos”. empresa que hoje não existe mais e foi incorporada pela Infraero. matéria do professor Fábio de Alcântara. O amigo e mais tarde sócio. Magno aprendeu o dia a dia de um previsor: plotar. E de tanto insistir.” A previsão da Aeronáutica era de muita responsabilidade. o mais novinho tinha 30 anos de experiência na área de meteorologia aeronáutica. acredita Ana. Com poucos recursos técnicos em mãos. analisar cartas.

nem amigos mais íntimos. Poderiam ter ido para qualquer parte do Brasil ou mesmo ficar no Rio de Janeiro. “Eu fiquei em um dos quartinhos nos fundos. especializadas na previsão do tempo.” Após terminar a faculdade. no Centro Meteorológico e depois na TASA . Ambos já pensavam em casamento e no rumo que dariam a suas vidas. Quando saí da faculdade já era uma previsora com certa experiência. gente de várias partes do País que vinha trabalhar em São Paulo”. O primeiro desafio da nova empreitada era fixar residência na capital paulista. A ideia de que São Paulo oferecia maiores oportunidades e de que poderiam também continuar os estudos. Magno ficou pelo distrito mesmo. que até há pouco tempo era responsável pela elaboração de previsões para os Estados de São Paulo. Não tinham parentes. eram poucas as turmas de meteorologistas que saíam das universidades e. As condições do lugar. Na década de 1980.po. ela dependia muito da experiência do meteorologista. tiveram de arranjar algum lugar provisório para ficar. Era uma boa oportunidade para dois meteorologistas recém-formados. Isso porque. o Paraná passou a fazer parte do 8º. Paraná e Mato Grosso do Sul (atualmente. Um desses lugares que se deve evitar andar. funciona o 7º. mas o jovem quer sempre novidade. Então. A impressão imediata não foi nada agradável. feito para receber os ‘estrangeiros’.” Ana Lucia também procurou aplicar a teoria aprendida na faculdade e no terceiro ano começou a estagiar. em 1983. uma área degradada e com pouca segurança. sim. perto da fa- mília e dos amigos. mas o lugar em que iriam trabalhar. Arquitetura e Agronomia ( CREA). “Fiz estágio no Aeroporto do Galeão. A cidade não chegou a assustar os dois cariocas. o que aconteceu um ano depois. no Ministério da Aeronáutica. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é formado por dez distritos espalhados pelo Brasil. Cheguei na cara dura e perguntei: ‘posso morar com você?’. A profissão de meteorologista havia sido regulamentada em 1980 e passara a fazer parte do quadro do Conselho Regional de Engenharia. Uma boa colocação garantiu o direito de escolher o local em que iriam trabalhar. conta Magno. como diz o dito popular. foram logo conhecer o novo espaço. Ana e Magno decidiram prestar o concurso e foram dois dos 40 meteorologistas aprovados. “Queríamos saber onde ficava a rua do distrito”. especialmente à noite. pesou na decisão de deixar o Rio. Como ainda eram solteiros. Rosângela. “Eu tinha uma amiga. por causa do concurso. o Inmet estava precisando de previsores do tempo. e era isso justamente o que gostávamos de fazer”. e dependia da análise com base em observações do tempo presente e do seu conhecimento da física para projetar aquele tempo presente para o futuro. revela Magno. Distrito. Não foi bem isso o que aconteceu. Neide de Oliveira foi uma das “es- 17 . que morava sozinha e trabalhava no distrito. naquela época. Foi quando surgiu o primeiro concurso em muitos anos para previsor do tempo no Instituto Nacional de Meteorologia. Carlos Magno continuou trabalhando na TASA enquanto Ana Lucia concluía os estudos. Ela topou e fiquei morando com ela até eu e o Magno nos casarmos. Como a casa era bem antiga. Ao desembarcarem. “Além disso. órgão ligado ao Ministério da Agricultura. em 1985. em pleno centro da cidade. Nesse período. ainda por cima. Distrito de Porto Alegre). A rua Vitória faz parte da região formada pelas ruas Aurora e Santa Efigênia. tinha vários quartinhos.” Se o lugar não era o ideal. mudaram-se de “mala e cuia” para São Paulo. em um local pouco adequado e de fama duvidosa. uma pós-graduação em centros importantes como a Universidade de São Paulo e o Instituto Nacional de Pesquisas ambientais (Inpe). mas já com alguma experiência. a sede do Inmet em São Paulo ficava numa casa da rua Vitória. que era feita até então por muitos geógrafos – isso porque a maioria dos meteorologistas concentrava-se na sede em Brasília. não havia ainda as modelagens numéricas. vários meteorologistas chegaram à cidade para assumir a previsão do tempo. “A gente poderia ter ficado no Rio. Já Ana Lucia teve mais sorte e muita cara de pau. e não queríamos ficar perto dos pais”. Em São Paulo. o trabalho era animador. entretanto. não desencorajaram o casal.

nos dados e mapas da previsão do tempo. do Rio Grande do Sul. O dia a dia no distrito.” Foi então que. em São José dos Campos. anotavam em um caderno e depois transmitiam para os distritos. Estabelecidos no distrito. Ana e Magno assumiram o posto no Inmet em 12 de fevereiro de 1985 com a perspectiva de muito trabalho pela frente. Logo. tanto do público quanto da mídia e de setores mais especializados. identificaram as principais dificuldades de um meteorologista em um órgão público. “Nós começamos a atender jornalistas. presas a jargões de difícil compreensão para alguém do outro lado do balcão. não encontraram igreja com data disponível para o casamento. Esses dados eram desenhados por técnicos em grandes mapas e em seguida analisados pelos meteorologistas. Mas era complicado mudar o padrão do que já estava instituído.trangeiras” que assumiram o posto no distrito paulista. A solução veio dos pais da Ana. Logo depois vieram os outros do Rio. O trabalho lá dentro do distrito era muito de preencher formulários e mapas. O casamento foi realizado por um capelão da Aeronáutica na presença das famílias e de muitos amigos. e assim como Ana e Magno. por outro lado. na Ilha do Governador. que ofereceram a casa para a realização da festa. Por pouco tempo. convidar os amigos. na- turalmente. O meteorologista contava com poucos recursos tecnológicos. Foi preciso uma enorme dose de paciência para tentar quebrar um pouco o ranço burocrático. e a gente formou uma verdadeira legião estrangeira”. mas fiz questão de fazer as coisas direitinho”. Afinal. com plantões até nos fins de semana. Em uma cerimônia simples. Magno e Ana rápido compreenderam que havia uma grande procura por dados e informações meteorológicas. como agricultores. Esse choque entre a realidade e a modernização era compreensível. Eles faziam a leitura dos instrumentos. era nossa chance de iniciar um trabalho no distrito. “A Ana não queria festa. que praticamente organizou o distrito”. completa a meteorologista. da Paraíba. apenas uma cerimônia em São Paulo. procurar igreja. e a gente questionava muito isso”. A linguagem muito técnica era outro fator que atrapalhava essa interface com o público. estavam fazendo o que gostavam. os dois voltaram ao Rio para organizar tudo. e o início do curso de pós-graduação no Inpe. para a gente era predomínio do sol”. “Foi um aprendizado interessante”. porém muito bonita e emocionante. relembra Neide. na casa dos pais da Ana Lucia. conta Magno. praticamente passaram a tomar conta da rotina do casal. agricultores. aos 23 anos. “porque no fundo a gente tinha algum traquejo com o público. dizendo que poucos entendiam aquele palavreado: parcialmente nublado para o jornalista era nublado. não dava muito certo. relembra Magno. Poucos acreditavam na previsão do tempo. em geral. “Eu cheguei a São Paulo em 1983. no Rio de Janeiro. Como tudo foi muito rápido. No dia seguinte seguiram de ônibus para a lua de mel em Campos do Jordão. do tempo em que trabalhamos na TASA e atendíamos alguns clientes. relembra Magno. passaram a intermediar o contato entre o distrito e o público. pois o grupo não gostava muito disso. Os dois logo se integraram ao grupo e puseram as mãos na massa. As previsões eram elaboradas com base em dados levantados por observadores nas estações meteorológicas do instituto espalhadas pelo Brasil. De volta a São Paulo foram viver em um apartamento mobiliado no aristocrático bairro de Higienópolis. os dois se casaram no dia 13 de abril de 1985. vista como pouco confiável e que. não demorou muito para definirem a data do casamento e alugarem um apartamento para morar. recém-formado. Estava na hora de colocar em prática todo o conhecimento adquirido e a estrutura do distrito era um bom começo. havia pouco jogo de cintura para atender a essa demanda. Os primeiros meses foram de adaptação ao ritmo de vida paulistano e também o tempo de acertar a vida a dois. Neide é de Belém do Pará. uma delas era como lidar com a informação. ou melhor. “Era um grupo jovem. Expressões que consideravam muito toscas. “A gente vivia brigando. Fotos de saté- 18 . preferiu deixar a terra natal em busca de maior campo de trabalho e realização profissional. explica Magno.

“No começo da carreira eu passava noites em claro acompanhando as frentes frias para saber se estava acontecendo o que eu previ”. Esse relacionamento com o público e com a imprensa deu maior visibilidade ao casal. E nada. A gente erra até hoje. na Vila Mariana. Uma das coisas que eu sempre quis era ser mãe. Comecei com paciência a explicar como funcionava a previsão para tentar mudar essa ideia. Meteorologista também era assim. elas estavam enganadas. que para mim foi antológica. quando decidi fazer meteorologia. conheciam bem a filha. ou Bebel. que foi aprendendo as melhores maneiras de passar as informações elaboradas no distrito e a lidar com as saias justas causadas pelo tenso equilíbrio entre a credibilidade e a descrença. eles sabiam o que estavam fazendo. granizo. da TV Gazeta. Notei que existiam profissões que eram legais. relembra Magno. profissões que trabalhavam meio expediente. Cabia ao meteorologista a responsabilidade de interpretar os dados e cravar a previsão. ainda inexplorado.” 19 . Afinal. faz parte da profissão. nasceu. “Ainda moça. nem sempre tranquila. Depois de seis meses em São Paulo já foi possível pensar em ter um canto próprio para viver. a Ana não tem estilo de funcionário público. avalia Ana Lucia. especialmente quando ocorria alguma catástrofe: tempestade. errava. Aí eu parti para a discussão e fui duro. forte geada. não aguentei ser funcionária pública por muito tempo. cobrando. compraram um pequeno apartamen- to na rua Nicolau de Souza Queiroz. vai desistir’. conta Ana. Eu falava ao telefone dando informações sobre alguma previsão. o previsor era muito cobrado pelo público e pelos jornalistas. Os erros eram muito mais lembrados do que os acertos. pais de Ana Lucia. Por causa disso. Disseram: ‘Meu Deus. o índice de acerto de uma previsão variava de 85% a 90% para o período de 24 horas. Então elas começaram a dizer que a meteorologia sempre errava e eu argumentava que não. Era só amadurecer um pouco mais. O índice de acerto diminuía para períodos mais longos. elas continuavam a falar mal da meteorologia. e algumas outras informações vindas da Aeronáutica ou órgãos internacionais completavam o quadro que dava suporte ao profissional. precisando de informações confiáveis sobre o tempo e o clima estava no ar.lite. Tudo isso ao vivo”. em São José dos Campos. no dia 11 de agosto de 1986. Mas não posso acertar todas as previsões. frio intenso. Minha mãe dizia: ‘Ela não vai aguentar. No fim dos anos 1980. Ana Lucia alimentava o desejo de ser mãe. do distrito que uma ideia começou a germinar na cabeça do casal. dona Atala e seu Juvenal. “Uma vez eu dei uma entrevista para o programa da Claudete Troiano e Ione Borges. Algumas pessoas chegavam... “Não tínhamos medo de nos expor. como professora. relembra Magno. só não erra previsão quem não faz”. Para realizar esse desejo. enfermeira. Se a gente errava. disse que elas estavam usando o poder da comunicação para passar uma ideia errada. Isabel. A percepção de que havia um mercado. Você trabalha meio expediente e tem meio expediente para ficar com os filhos”. fiquei pensando sobre as vantagens e desvantagens de partir para essa profissão. “Meus pais estranharam eu ter ido estudar meteorologia. e foi lá que a primeira filha do casal.. e por isso poucos meteorologistas no distrito gostavam de falar à imprensa. E foi na rotina. Ela estava certa. conversar com as pessoas. vai pedir demissão e virar gerente de butique’. interior de São Paulo.. captadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). até agressivas. Estava ao vivo. acenando com milhares de possibilidades. Apesar da ansiedade.

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A repartição passou a ser responsável pela emissão de avisos meteorológicos para os portos. nesses 20 anos. O interesse por informações meteorológicas parecia ter aumentado naqueles últimos anos da década de 1980. Anos depois. Para ele. Já Sampaio Ferraz foi o responsável pela publicação do artigo “Previsão do tempo”. já então denominado Observatório Imperial. em 1888. nha. com novas perspectivas para todos os setores do País. os telefones do Inmet não paravam de tocar: eram agricultores. é renomeado para Diretoria de Meteorologia e. com a proclamação da República. Na Marinha brasileira. sem uma organização geral dos dados coletados. Belo Horizonte. Instituto Nacional de Meteorologia. com observações meteorológicas das zonas costeiras. dentro do Ministério da Agricultura. em 1862. que unificou as redes de observações da Marinha e do Telégrafo Nacional. 2 . São Paulo. em 1827.C Õ Nesse início do século XXI. A coluna de previsão do tempo para o antigo Distrito Federal passaria a ser constantemente publicada a partir de 1917. Os dados levantados por meio desse trabalho serviram de base para a criação da Repartição Central Meteorológica da Mari- Nos primeiros anos do século XX. produtores. Indústria e Comércio. para a agricultura e também para os navegantes. No Inmet. os primeiros postos de observação meteorológica datam do século XVII. o astrônomo Emmanuel Liais é contratado pelo Observatório Astronômico. No que diz respeito à climatologia. quase todo o País contava com serviço de meteorologia ligado a órgãos governamentais. o trabalho em equipe dos meteorologistas do Inmet começou a engrenar. ligada ao Ministério da Os primeiros passos 21 om o passar do tempo. Salvador. em São Paulo. quando foi criada a Diretoria de Meteorologia e Astronomia. Com sede em Brasília. buscava espaço para a modernização do órgão. os navios hidrográficos já realizavam um trabalho sistemático. mas apenas em 1844 teriam aparecido as primeiras observações meteorológicas nos arquivos do órgão. o Inmet é o responsável pela elaboração e divulgação da previsão de clima e tempo em todo o Brasil e representa o País na Organização Meteorológica Mundial ( OMM). no Jornal do Commercio. o novo diretor. Porto Alegre. todos procurando as preciosas informações Õ No Brasil. e dá início à implantação das bases teóricas das ciências atmosféricas no Brasil. há indicações de que os primeiros estudos científicos aconteceram a partir da criação do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro. Talvez reflexo da redemocratização do Brasil. O embrião do que hoje é o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) surgiu em 1909. Agricultura. posteriormente. Na década de 1980. publicado em 1889 com o título Esboço da Climatologia do Brazil. E no fim do século XIX. em que fez uma tentativa de previsão para o Rio de Janeiro. industriais. Rio de Janeiro. Cuiabá e Goiânia. Belém. Nesse mesmo ano. Em 1921. Desde 2008. o meteorologista Antonio Divino Moura. o climatologista Henrique Morize produziu o primeiro estudo sobre o clima brasileiro. o órgão conta com uma rede de 500 estações em processo de automação e dez distritos regionais: Manaus. o Observatório Imperial tornou-se Observatório Nacional. Divino Moura está novamente à frente da direção do Inmet. mas de forma descentralizada. duas figuras despontaram como grandes nomes da meteorologia brasileira: Belfort de Mattos e Sampaio Ferraz. em 1913. Pecuária e Abastecimento ( MAPA). durante a ocupação holandesa em Pernambuco. Em 1871. Além do progresso representado pelas pesquisas científicas e tecnológicas e com a formação de quadros de alto nível tanto na academia quanto na área operativa. Mattos é considerado o primeiro estudioso do clima de São Paulo e ficou por 24 anos à frente do serviço de meteorologia da Secretaria de Agricultura do Estado. o órgão é desmembrado do Observatório Nacional. Recife. a meteorologia brasileira apresentou grande desenvolvimento com a implementação da previsão numérica e a incorporação de informações de satélites nas análises dos dados que alimentam os modelos.

safras quebradas. Era o pequeno embrião do que no futuro seria a Climatempo. De acordo com ele. Crescia a procura por informações específicas que saíam um pouco da rotina e eram difíceis de ser atendidas. responsável tanto pelas altas temperaturas como bela baixa umidade do ar. Estava sem um pingo de maquiagem.. que está há quatro meses na região Centro-Sul do País. O nome nasceu ali. especialmente em São Paulo. porque negócios podiam ser desfeitos. Sim. Enquanto isso. porque foram conhecendo a meteorologia e como a previsão poderia ajudá-los. Em 1987. Eram várias cabeças. para aproveitar esse mercado potencialmente em ebulição e incentivado por Carlos Magno. do 7º.. 14/9/1988) “Com a temperatura entre 20 e 30 graus. Segundo Carlos Magno. Distrito de Meteorologia do Ministério da Agricultura.. acabei a faculdade com 20 anos. relembra Neide de Oliveira.) Magno afirma que a falta de umidade é característica do inverno. só melhorou quando a mídia começou a divulgar mais a previsão. São Paulo está sob a ação de um sistema de massa de ar de alta pressão subtropical que domina o Atlântico sul. Chegou uma hora que isso começou a ganhar volume”. Tinha de passar alguma confiança. Depois disso.. Quando me olhei na televisão. que fez parte do grupo que criou a Climatempo.. cabeças novas sem entender de empresa. (O Estado de S. uns seis ou sete.) ‘O calor deve 22 . isto atua como um bloqueio para as condições que favorecem a ocorrência de chuvas nas regiões Sul e Sudeste do País. O Inmet. Em 1987. eu acho. parecia mais jovem do que era realmente. 27/9/1988) “Segundo Carlos Magno. a meteorologia ganhava. a onda de calor verificada estes dias em São Paulo deve-se à massa de ar subtropical localizada em toda a região Centro-Sul. provocando o desvio de massas polares para o oceano. (. 27. passou a ser mais conhecido e procurado. abalada durante décadas por previsões imprecisas..” Toda essa efervescência era sentida pelo pessoal do distrito. ficou difícil para todos. conta Ana Lucia. mesmo com recursos ainda precários. Era um entra e sai de jornalistas repercutindo fenômenos climáticos que afetavam a população. pouco a pouco. Minha voz era muito infantil. chove no Rio Grande do Sul. isso sem falar nos enormes prejuízos em diversos setores da economia que um inverno mais rigoroso ou uma chuva mais intensa podia causar. a demanda já era muito grande. esse fenômeno deve provocar o aumento de nebulosidade e chuvas em pontos isolados na capital paulista (. “O Magno e a Ana Lucia começaram a organizar o distrito. Paulo. Paulo. os meios de comunicação davam cada vez mais espaço para divulgar notícias do tempo. o calor é provocado por uma massa de ar subtropical. Era preciso buscar clientes. por exemplo. aí a gente sentiu uma procura maior. até juntaram um grupo e formaram a empresa. São Paulo viveu ontem um dos dias mais quentes do ano. Distrito de Meteorologia. Quando a gente respondia que não tinha pessoal para isso eles diziam que podiam pagar e que compravam os dados. “Era comum algumas pessoas virem até nós para pedir algum trabalho. cabelo com rabo de cavalo. E Carlos Magno como chefe do grupo de previsores passou a ser muito assediado pela mídia: “A frente fria que provocou chuvas no Rio Grande do Sul. (. oferecer o serviço. Não conseguimos”. por meio do distrito. Eu era muito jovem. mas a empresa mal saiu do papel. Tudo indicava que. do 7º. (Folha de S. um grupo de sete meteorologistas decidiu montar uma empresa. eu mesma me perguntava: ‘quem vai acreditar na previsão do tempo que uma menina faz?’.. Isso aconteceu. bloqueando todos os sistemas de frente fria provenientes do Polo Sul.. disse ele”.) Segundo Magno.) Para o meteorologista Carlos Magno do Nascimento. Santa Catarina e sudoeste do Paraná avança lentamente e deve chegar hoje a São Paulo. mas classifica o deste ano como ‘extremamente seco’”.. nunca mais deixei me fotografarem sem usar batom e com cabelo preso. mas foi complicado gerir..sobre o tempo. maior credibilidade. Até aquela época ninguém acreditava muito. Começamos a montar a Climatempo. “No primeiro mês no Distrito dei uma entrevista para a TV Globo. e há tempo seco e quente em São Paulo’. ‘Quando isso acontece. (.

Por atingir áreas re- motas. Ana Lucia já tivera seu segundo filho. não. aliás. o empurrãozinho que faltava para uma grande mudança na vida do casal. chegando a 1. os problemas econômicos crônicos pelos quais o País passava. (Jornal da Tarde. que congrega os jornais O Estado de S. Uma rotina diária que conquistou um público cativo durante mais de 40 anos. o portal www. havia em São Paulo um jornalista que conhecia muito do assunto. Jornais. O nome de Narciso Vernizzi era sinônimo de previsão do tempo. O tempo nublado e a temperatura amena verificados no litoral. O rádio foi um dos primeiros veículos de distribuição das informações meteorológicas. pelos fazendeiros.037. a dona de casa. Recorria a dados do 23 . “Foi uma ideia pioneira. relatava Vernizzi quando perguntavam a ele qual era o seu público. que impedia qualquer tentativa de crescimento econômico. 83%. devem-se à circulação de ar marítimo. estadao. Então encarreguei o chefe de redação. prevê Carlos Magno. rádios e tevês começaram a abrir os olhos para esse tipo de conteúdo. Vernizzi nunca deixou de prestar um valioso serviço à população. avalia João Lara Mesquita. relembra João Lara. e desde então foi ganhando espaço. “Havia o Ministério da Agricultura. e lá o povo não parava de ouvir as previsões do tempo. jornal ou TV. tanto Ana Lucia quanto Magno foram adquirindo uma certa prática para lidar com a imprensa e conseguiam passar as informações numa linguagem mais clara. com um estilo mais jornalístico. em contraste com o calor da capital.56%. a Agência Estado. eram muito bem feitas. de achar uma previsão de tempo bem feita no Brasil. Todas as manhãs. 28/9/1988) Aos poucos. chefe de redação da rádio Eldorado AM/FM. Nessa época. Os funcionários públicos sentiam no bolso a situação e o pessoal do distrito não era exceção. pela rádio Jovem Pan de São Paulo.br e a Oesp Mídia e é um dos mais importantes grupos de mídia do País. muito comum e respeitado em boa parte do mundo e pouco valorizado no Brasil. com uma proposta inovadora: queria contratar dois meteorologistas que seriam responsáveis pela divulgação da previsão do tempo pela rádio. Paulo e o Jornal da Tarde. Só para ter uma ideia. na época diretor da rádio e um dos responsáveis pela contratação do casal. “Eu acabava de voltar dos Estados Unidos. Por isso foi um retumbante sucesso quando entrou no ar”. “A sugestão de colocar dois profissionais no ar foi minha”. O “Homem do Tempo”. não tinha ninguém que falasse”. Ao mesmo tempo admirado e alvo de deboche. feita com base científica.diminuir bastante nos próximos dias. A essa altura. que se interessava pela aviação. Inaugurada em 1958.” João Lara Mesquita tinha razão. sofria os reflexos da falta de estrutura da previsão no Brasil.com. não havia nada comparável em rádio. Era um locutor esportivo apaixonado por meteorologia. levou seus conhecimentos para a Jovem Pan em 1963. Foi quando. que aumenta a nebulosidade e faz cair a temperatura’”. surgiu uma grande oportunidade. Para o homem e a mulher da rua. em 1988. como ficou mais conhecido e cuja alcunha foi registrada em seu nome – “Quem quiser usar tem de pagar os direitos” –. A ideia de colocar no ar meteorologistas era nova. fundado pela família Mesquita. amigos” o jornalista iniciava as transmissões dos boletins do tempo. Vernizzi começou sua carreira jornalística no esporte. Esse cenário tão promissor não escondia. porém. como a hiperinflação. com o bordão “Bom dia. Marcos. No rádio brasileiro daquela década não havia uma previsão de tempo confiável. a inflação acumulada no ano de 1987 foi de 415. que se interessava muito pelo plantio. Eis que em um belo dia aparece no distrito Ademar Altieri. Havia a Força Aérea Brasileira ( FAB ). que nasceu em 12 de novembro de 1987. mas previsão do tempo na rádio. a rádio Eldorado faz parte do Grupo Estado. além de ser um grande divulgador e incentivador da meteorologia. e com isso as despesas ficaram maiores. Seria um diferencial da Nova Eldorado. que. o rádio sempre reconheceu a importância de boletins em sua programação diária. Ademar Altieri. pela chuva. em 1988. Autodidata. especialmente em São Paulo.

Contudo.. Eu achava fabuloso ter um jornalista falando de meteorologia. Foi Ana Lucia quem insistiu para que ele fizesse o teste. Ironia do destino. conta João Lara. relembra Magno. com uma linguagem popular. eu percebi que o Narciso furava a gente. “Procuramos em dezenas de lugares: na Universidade de São Paulo ( USP).” A proposta feita pela rádio Eldorado agitou o distrito. consultava todas as fontes disponíveis. ninguém da rádio desconfiou e acabou mantendo a escolha. Naquele primeiro momento. “Aí. A ideia era colocar um meteorologista pela manhã e outro à tarde. Isto é. a direção da rádio havia escolhido o casal. mas o velho homem do tempo já era uma referência para o jovem meteorologista que em breve seguiria pelo mesmo caminho do rádio. Os dois nunca se conheceram pessoalmente. conta Ana Lucia. de onde fazia suas entradas na rádio.Inmet. ‘O cara é bom’. ainda no distrito. um texto e fui para a cabine de gravação. Todos no distrito participaram dos testes. claro. Eu disse ao Magno: ‘ninguém está te vendo. afinal. dizia. aí o pessoal falava que ele estava ocupando o nosso espaço. o novo diretor de jornalismo da rádio. ninguém está te olhando por um vidro. o pessoal da Eldorado voltou ao distrito para anunciar os escolhidos. e chegou a instalar uma estação meteorológica em São Roque. usando frases curtas. Sem saber. Para ele não havia erros: “O nome já diz: previsão não é fato. Porque ele era jornalista e sabia o que interessava para o público: por exemplo ‘essa tarde foi a mais fria do ano’. e foi só quando Marco Antônio Gomes. Queria seguir uma carreira política dentro do distrito. E eu pensei: isso é notícia? Aí chegou no distrito uma chuva de jornalistas perguntando se real- mente era a mais fria e eu percebi que isso interessava. aprovou a ideia é que recomeçaram as negociações. como as informações eram sempre insuficientes. a média de acertos não era muito grande e os erros eram muito cobrados. agradável.. eram voltadas para formadores de opinião”. O projeto ainda demorou um pouco para ser implantado. O pior que pode acontecer é a gente não passar’”. Ambas. eram dois salários para uma mesma casa e tantos outros precisando de um “ex- 24 . em 1985. Distrito. Ele era chefe dos previsores e não tinha interesse em falar na rádio. o acordo para o trabalho foi feito entre o Inmet e a Rádio Eldorado. como explica João Lara Mesquita. almejava chegar um dia a diretor do distrito e quem sabe até do Inmet. No início. uma cabine fechada. é você. Não tinha jornalista assim no Rio. Feitos os testes.. com qualidade de informações”. interior de São Paulo. dá o seu recado e acabou. todos aguardaram os resultados. “A primeira coisa que fiz ao mudar para São Paulo. com muita simpatia e. é previsão”.. disse Ana Lucia. Vernizzi passou a fazer parte do folclore da cidade. Foi então que começamos a dar mais atenção aos dados históricos. ordem direta. Eu dizia que não. Como Ana não usava o sobrenome Nascimento. Risos constrangidos foram ouvidos. Magno relutou. coisa de cinco mil dólares para cada um deles.. “A AM era uma emissora jornalística e a FM uma rádio musical com coberturas especiais de esportes. Era natural que a situação ficasse um pouco desconfortável para o casal. Aeronáutica. os dois meteorologistas selecionados eram exatamente Ana Lucia de Macedo e Carlos Magno do Nascimento. porém. até que procuramos o Ministério da Agricultura e este nos sugeriu o 7º. foi ouvir o Narciso Vernizzi pelo rádio. que estava divulgando a nossa profissão”. que a gente tinha todos os dados ali e não aproveitava. como radioamadores. Preparei uma ideia. “A essa altura do campeonato todos eram funcionários públicos e todos estavam ralados”. e o salário era alto para a época. cumulus nimbus. Ensinamos a falar no rádio de forma coloquial. Passados alguns dias. O Magno é tímido e ele não queria ir de jeito nenhum. porém. Fomos lá e testamos todos. o microfone. popularizou a meteorologia. 24 horas no ar de informação e prestação de serviço. De qualquer forma. tinha noção do que um meteorologista falava nos Estados Unidos. aeroportos. “Eu tinha bastante prática. Você chega lá. Fiquei satisfeito ao ouvir o Narciso e em saber que tinha um serviço desse em São Paulo. e fazia parte de uma reformulação que criaria a Nova Rádio Eldorado AM.

Depois de três meses no ar. existia juridicamente. porém. com base em dados gerados por equações matemáticas ainda rudimentares. O serviço era para o setor cafeeiro da Nestlé. Com a efetivação da empresa. Maria Assunção Faus da Silva Dias. Agora eles tinham um cliente. A situação conspirava para isso. a modernização chegava lentamente à meteorologia. Esse acerto possibilitou também um arranjo doméstico. Não dava para fazer tudo ao mesmo tempo: chefiar previsores. mas foram muito importantes na época para a modernização da meteorologia brasileira. todos gostaram e aceitaram a ideia. em Piracicaba.tra”. “A Ana iria estudar na universidade e fazer pós-graduação em agrometeo- 25 . os diretores queriam saber se o ano seria de geadas. a primeira nota fiscal da nova empresa seria emitida no dia 20 de setembro de 1988. as coisas não andavam tão bem. Ana Lucia pela manhã e Magno à tarde e à noite. Carlos Magno sugeriu ao então diretor do distrito. Afinal. Felizmente. Silvio de Oliveira. a consultoria se estendeu para a área de sorvetes e as previsões passaram a ser usadas para acompanhar a produção e estoque do produto. captaram no ar um clima de mudança. Uma novidade para uma época que dependia apenas das cartas e dos mapas elaborados e da avaliação do meteorologista. Magno viu seu projeto de seguir carreira no Inmet distanciar-se. o que elevaria o valor da colheita. relembra Magno. para montar um centro de previsão. “Foi um período conturbado e começamos a pensar se iríamos pular para a iniciativa privada ou arrumar outro emprego. De acordo com Magno. No distrito. mas logo outros centros o adotaram. Aquele foi o momento. A Nova Eldorado ganhava cada vez maior audiência. tinham uma empresa real. retirar 30% do salário pago pela rádio e dividi-lo entre os outros meteorologistas. A certeza de que deviam investir no novo negócio era tão grande que Magno decidiu recusar um convite da Cooperativa de Produtores de Cana-de-Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (C OPERSUCAR). Seria de lá que transmitiriam os boletins. Magno e Ana tomaram contato com essas tecnologias durante o período em que cursaram o mestrado na USP e foi ali que. Para tentar diminuir a tensão entre o grupo. Foi então que surgiu um pedido da multinacional suíça Nestlé. uma das maiores empresas de alimentação e nutrição infantil. Novos ares para a meteorologia e também para quem vivia da previsão do tempo. O trabalho realizado é considerado um marco pelo casal. que estava só no papel e não tinha nenhuma nota. e muita vontade de conquistar o mercado que se abria a sua frente. um novo cenário se desenhava. Foi o ponto de partida para a existência legal da Climatempo. Segundo Magno. uma cabine foi instalada no distrito. ao acompanharem esse processo. Os computadores começavam a fazer parte do trabalho dos previsores e os primeiros modelos de previsão numérica eram utilizados. Aí eu comecei a pensar em reviver a Climatempo. os dois já eram bem conhecidos do público ouvinte. mas que representavam um grande avanço para melhorar a previsão do tempo. para que Ana Lucia e Magno prestassem serviços de consultoria em meteorologia. Resolvida essa questão. O novo processo implicava em uma análise mais objetiva. lembra que esses modelos eram usados como uma ferramenta a mais para a elaboração da previsão do tempo. Aquele era o momento. Eles não tinham a complexidade de modelos numéricos mais avançados. Um desses modelos foi desenvolvido pela Universidade de São Paulo ( USP ). A professora e hoje diretora do Centro de Previsões de Tempo e Estudos Climáticos ( C PTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Cachoeira Paulista (SP). um dos diretores da Nestlé ouvia com frequência a Rádio Eldorado e teria ficado muito impressionado com a segurança das informações transmitidas pelo casal por meio dos boletins. não tinha cliente. mas não de fato”. Magno tinha certeza de que o momento certo de alçar voo solo aproximava-se. distribuindo as tarefas de casa e o acompanhamento dos filhos: Bebel e Marcos Paulo. trabalhar na rádio e ainda prospectar novos caminhos.

a Eldorado tornava Magno e Ana cada vez mais conhecidos. mas sem estrutura física. além disso. Distrito de Meteorologia. um novo gru- po de jornalistas assumia a direção da agência. teve também um papel importante na moderna meteorologia brasileira: foi a primeira meteorologista com curso superior a trabalhar no 7º. No fim de 1988. finalmente encontrou uma casa que atendia às suas expectativas: ali poderia instalar a mulher e os filhos. contudo. Em 1988. direta. Com os olhos voltados para fora da janela. Era puro sonho de dois jovens que já tinham alguma experiência profissional e conhecimento da demanda do mercado de meteorologia”. 26 . Em abril. Magno aproveitava para procurar um local que pudesse ser a nova sede da empresa. mas pouco a pouco o atendimento passou a ser dado principalmente por Carlos Magno e Ana Lucia. Enquanto isso. Pelo menos por enquanto. Foi o caso da Agência Estado ( AE). a Climatempo. ainda uma pedra no caminho da meteorologia brasileira. em São Paulo. mas também pela mudança nas colunas do tempo nos jornais da casa: O Estado de S. a AE. em 1977. ao mesmo tempo segura. Como as coisas ainda estavam apenas no começo. coube a ela o pioneirismo de ser a primeira mulher do tempo do programa Bom Dia. Paulo e Jornal da Tarde. Aos poucos. Se não acertavam sempre era pela falta de recursos técnicos mais modernos para elaborar o prognóstico. O apartamento de 50m 2 que o casal havia comprado na Vila Mariana era pequeno demais para comportar uma empresa com grandes possibilidades. pelas ruas próximas ao apartamento. que ficaria responsável não só pelo serviço para os clientes. conta Magno. a necessidade de ter informações mais individualizadas começou a pesar nessa relação. Além de distrair o filho. Com Rodrigo Mesquita como diretor. sem um grande capital nas mãos para grandes voos. Antes dela. Queríamos montar uma empresa diferente. mas seria pioneira na implantação de uma nova filosofia nesse novo nicho de mercado: oferecer uma previsão de tempo diferenciada. aliás. assim como a Eldorado. São Paulo. a Climatempo não seria a primeira empresa privada de prestação de serviço em meteorologia. Vale lembrar que o momento era da meteorologia e os fatos que envolviam o tempo e o clima despertavam cada vez maior interesse da imprensa. Elói Gertel e Sandro Vaia como diretores de conteúdo. Assessoria. reformulando suas colunas e investindo no conhecimento da previsão do tempo. Magno e Ana. Vera. Preferimos ficar para montar a Climatempo a ser empregado. o que aumentava a credibilidade na previsão. Magno tinha consciência de que era preciso ir devagar. Eram eles que todos os dias divulgavam a previsão para São Paulo e também passavam as informações para eventuais matérias. em 1982. Uma das propostas era oferecer uma coluna de previsão do tempo. Trabalhando em regime de escala no Inmet. No início. a meteorologista Vera Malfa Pereira fundara a Tropical Meteorologia. a presta- ção de serviços era feita pelo Inmet e o casal falava em nome do distrito. inclusive a filha mais nova.rologia. os dados eram fornecidos diretamente pelos meteorologistas do Inmet. já escolados pela rádio Eldorado. Chegara o momento de encontrar esse lugar. foi contratada a jornalista Patrícia Ferraz. Nesse primeiro momento. também sofria um profundo processo de reformulação. tinham maior facilidade de comunicação. Outras mídias passaram a demonstrar interesse pela meteorologia. Magno e Ana Lucia não eram exclusivos da AE. a Climatempo já era uma realidade. outro braço do Grupo Estado. Naquele momento. Para isso. a Agência Estado deu início à modernização dos seus serviços. Projetos e Serviços. Magno usava as manhãs – enquanto Ana estava de plantão no distrito e a filha mais velha Bebel na escolinha – para passear com o filho mais novo. mais voltada para levantamento de dados e assessoria técnica. Depois de muito procurar. Magno um dia sonhou com um lugar próprio para a Climatempo. da Rede Globo. Eles conseguiam explicar os termos técnicos com uma linguagem clara. específica para os clientes interessados. com o desenvolvimento do projeto de modernização da previsão do tempo na AE. Marquinhos.

ninguém entendeu. As dificuldades iniciais para trabalhar eram enormes. relembra. um sofá. Entrou na Universidade de São Paulo e foi lá que começou a estudar matemática aplicada. Josélia. Chegou um momento em que a rádio não tinha como sustentar os altos salários pagos. fui aprendendo com o Magno a contar uma historinha. Por ele recebiam os dados e as fotos de satélites que compravam do Inpe. custava em média 4 mil dólares. mas jeitoso. Ela assumiu o lugar de Ana Lucia durante as manhãs em 1989. outra grande novidade na época e que também passou a fazer parte da estrutura. sua primeira ideia de profissão estava ligada à arquitetura. em uma sala. e com sua voz potente e clara logo conquistou um público fiel. Até aí. porém. Josélia não sabia quanto esse conhecimento seria útil. modelagem numérica. se juntam. “Eu lembro que a gente pagava 30% de tudo que recebia em aluguel da casa. numa mesma empresa. que tinha alguma noção de informática.” Josélia começou a transmitir seus boletins direto do 7º. Pediu transferência e não se arrependeu. além do serviço telefônico do 132. O Inmet havia se afastado do negócio e a rádio passara a ser mais um cliente da nova empresa. Na Santa Ifigênia. Josélia Pegorim trabalhava na TV Cultura. “A estatística jamais vai conseguir explicar como nesse mundo. com o grupo que fazia o serviço de previsão de tempo por telefone da antiga Telesp. duas pessoas meteorologistas. tinha espaço para todos os filhos. foi no coral da USP que uma amiga lhe falou de uma cobertura de férias na central de meteorologia da TV Cultura. acompanhando também a evolução da Climatempo. uma mesa e a grande aquisição: um computador. Era a primeira vez que entrava em um centro de previsão e foi ali que. Ela é a segunda de seis irmãos. a profissão ainda é uma coisa rara: duas mulheres e duas meteorologistas. Josélia não tinha noção do que era um curso de meteorologia. Magno comprou um fax de segunda mão da NEC. o 132. começou a instalar programas. foi montada a infraestrutura básica para a Climatempo. “Você é louca”. Uma linha telefônica era caríssima. Um dia em que a crendice popular no Nordeste diz que. Magno convidou outra meteorologista.O sobrado ficava na Rua da União. mas passados esses anos todos. Em casa. “É. Grávida do terceiro filho. uma rua de comércio atacadista de materiais e acessórios eletrônicos. o inverno vai ser bom. foi assistir a algumas aulas. Distrito. “Na rádio. de repente. Mas o período ainda era de incerteza econômica e nem o projeto vitorioso da Nova Eldorado conseguiu sobreviver à hiperinflação. disseram os pais. com os meteorologistas mais antigos. analisar o currículo e chegou à conclusão que era muito interessante. Coincidência ou não. Quando Ana Lucia resolveu deixar a rádio Eldorado. Josélia tomou gosto pela previsão. decidiu mesmo pela matemática. mas era um investimento”. a gente brinca que eu sou a louca que deu certo. O serviço incluía previsões do tempo para a tevê e para a rádio Cultura. também na Vila Mariana. um computador. E aos poucos foram comprando a mobília: uma estante. Mesmo assim. “Um dia eu estava andando pelo campus e dei de cara com uma amiga. Contudo. Ana Lucia. Ali tudo começou. quando chove. aprendeu a elaborar a previsão de tempo. Ela fazia meteorologia”. Nele. Dia de São José. Ana decidiu deixar a Eldorado e ficar como previsora do Inmet e da Agência Estado. equipamento fundamental para trabalhar. Silvio de Oliveira. quando chegou a hora de prestar vestibular. Josélia veio do Rio de Janeiro com a família aos 11 anos. e começou aí uma duradoura parceria. outra paixão em sua vida. E fizeram isso já diretamente com a Climatempo. Para o seu lugar. início da década de 1980. uma pisciana. sugeriu seu nome para Magno. o diretor do distrito. ou seja. que nada mais era do que usar a técnica e os conceitos matemáticos e transformar isso em equações. Victor. Filha de arquiteto. Nos fundos. Magno. conta Magno. Eles pediram para renegociar o contrato. Naquela época. Pequeno. e que fazem aniversário no mesmo dia. artigo raro naquele momento. substituiu outra pisciana. de uma forma que as pes- 27 . 19 de março. no centro de São Paulo.” Apaixonada pelo canto.

toda a prática do mundo não afastava os riscos de erro na previsão. que não tinha computadores nas nossas vidas. como eu errei tanto’. mas elas existem e vão continuar a existir até o fim. É olhando para o céu. sugerindo pautas com temas inimagináveis nas redações. Durante um bom período. As imagens eram recebidas por um fax. O meteorologista não podia culpar máquinas. Eu estava tremendo que nem uma louca. computadores e modelos. “Eu faço parte de uma geração de profissionais. na TV Cultura e na rádio Eldorado. comprando-os de empresas estrangeiras ou por meio de convênios com as instituições governamentais como Inmet e Inpe. a parceria com a Agência Estado ganhou fôlego. Por outro lado. a Climatempo ficaria responsável pela recepção de fotos do satélite enviadas pelo Inpe. da Agência Estado. quando “o tempo” virou notícia de caderno de polícia. estampava a manchete “Detetives do tempo”. Bom. na ponta do lápis e na borracha. mas prática nenhuma”.” Josélia tem consciência da responsabilidade de fazer uma previsão. pois até então as fotos vinham de ônibus de São José dos Campos para a Agência Estado. após 20 anos de aprendizado. Entretanto. Foi com o Jô Soares. A transformação do céu. uma modernidade para a época. Queriam que eu entrasse ao vivo porque estava caindo uma tempestade em São Paulo. “Eu lembro a primeira vez que entrei ao vivo. Faz parte do dia a dia.soas entendessem. até a compra do fax”. Com o tempo. Nós aprendemos a olhar e muito bem para o céu. uma foto do meteorologista Carlos Magno no papel de Sherlock Holmes e o subtítulo: “Os meteorologistas ajudan- Õ Em 1989. a Cli- 28 . conta Josélia. com um poder enorme de difusão. A prática dos boletins trouxe também o traquejo de uma boa locução e a segurança necessária. as informações chegavam por meio de um modem e um sistema de transmissão chamado Procon. assim como Carlos Magno e Ana Lucia. escrita por Patrícia Ferraz. sempre solicitada quando o assunto era meteorologia. informa muito sobre a condição do tempo. eles passaram também a abastecer o noticiário dos jornais para os quais trabalhavam. que fazia um programa na rádio sobre jazz. Josélia acumulou os dois trabalhos. começou a chover no sábado. fiz a entrevista pelo telefone. mesmo quando a transmissão não era gravada. No começo era uma história muito quadrada. “O meteorologista que trabalha com previsão tem relações delicadas. e choveu o domingo inteiro a ponto de inundar a cidade.” Por isso que uma previsão errada podia ser muito dolorida. relembra Magno. Nós aprendemos a fazer previsão na mão. “Lembro que chorei uma vez por conta de uma previsão errada. Foi o que aconteceu na edição do dia 12 de maio de 1989 do Jornal da Tarde. o processo era bem rudimentar: duas imagens por dia vinham de ônibus. “Quando começou a Climatempo. as nuvens que estavam em Mato Grosso do Sul não iriam chegar a São Paulo. Eu estava saindo da faculdade. Uma época frutífera em que adquiriu a tão necessária experiência. que também se faz uma previsão. que é uma fotografia. Eu olhava para o céu e chorava: ‘Meu Deus. Nesse momento eram três jovens meteorologistas trabalhando basicamente para dois clientes. Em destaque. ainda mais quando é divulgada pela rádio. das nuvens. a bela voz da rádio Eldorado. era um sábado. uma novidade. Já na Agência Estado. Eu estava de plantão na TV Cultura e na rádio. mas ainda baseados no distrito. Para poder suprir todas as necessidades da AE com os jornais da casa e também com seus clientes. Vale lembrar que se está falando ainda do final da década de 1980. nada a ver com a forma que faço hoje. Sorte que não era tão conhecida ainda”. Um erro pode prejudicar muitas pessoas que confiaram nela. A reportagem. via Pássaro Marrom. Ainda bem que deu tudo certo. Era ele o principal intérprete do céu. tinha algumas coisas na cabeça. E muito mais do que fazer previsões de tempo. o nome Josélia Pegorim tornou-se conhecido.” matempo fechou um acordo em que cabia à agência levantar os dados. e eu dei uma previsão de que não iria chover. Ele convive e vai conviver o resto da vida com o erro. Todas as pesquisas e estudos que são feitos servem para diminuir as margens do erro.

Magno e Ana Lucia sentiram que era hora de largar de vez o serviço público e apostar todas as fichas na Climatempo. Mais experientes e com dois clientes na carteira da empresa. na Grande São Paulo. segundo o meteorologista.. sem chover”. no dia 8 de novembro de 1986. as condições do tempo numa determinada hora ou local podem ser decisivas para esclarecer um caso ”. sem chuva. havia trovejado. conta Magno. além de jornais de todo o estado de São Paulo cada vez mais incluíam a previsão do tempo em suas edições. pois.. o sequestro do banqueiro Antonio Beltran Martinez: “Quando foi libertado. e queria saber onde. havia ficado escondido na Grande São Paulo. Magno foi um dos meteorologistas ouvidos pela reportagem e lembrou-se de um caso marcante em sua carreira. Beltran disse à polícia que no segundo dia do sequestro ele ouviu um barulho de trovões. Revistas especializadas – desde publicações destinadas a velejadores até revistas de cooperativas de laticínios –. poucos leitores deveriam saber que o trabalho de um meteorologista pudesse estar ligado a intrincados inquéritos policiais. (. eles ajudam a resolver casos complicados. 29 . seria preciso uma estação meteorológica em cada bairro para ter essa informação.do a combater o crime”. o banqueiro.) A polícia acreditava que ele. Muitas vezes. Mas não era só nos jornais ligados à Agência Estado que Carlos Magno e Ana Lucia davam seus pitacos. Nesse caso foi impossível obter uma resposta. Logo no início da matéria a explicação sobre o trabalho desconhecido dos meteorologistas: “Consultando mapas e fotos de satélite. Com certeza.

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afinal. do INMET. porém. Ao assumir. tanto na parte técnica quanto em volume de informação para a elaboração das previsões para o atendimento aos clientes. Em casa. eles mantiveram contato. Ana e Magno deixaram de ser Na telinha da Globo 31 o fim de 1989. A exemplo do Estadão e do JT. depois de vários anos de ditadura militar e de um lento processo de redemocratização. que eles decidiram pedir demissão do Inmet e investir no próprio negócio. “Quando o Magno e a Ana saíram. Por outro lado. no sobradinho da rua da União. Em meados de 1990. principalmente no serviço público. Rádios e tevês também passaram a se interessar mais sobre o assunto. O Magno saiu primeiro. massas de ar frio vindas da Patagônia. Essa foi a deixa para Ana e Magno. a Eldorado comprou três quartos de página do caderno de esportes do jornal O Estado de S. ano em que sofreria o impeachment. conta a meteorologista Neide de Oliveira. A saída do Inmet foi de certa forma um pouco traumática para ambos. o Inmet era um órgão do Ministério da Agricultura. O informe perguntava e. A gente já estava se preparando para sair. Magno dividia com Josélia os boletins diários na Eldorado. ele estava cansado. as condições políticas de trabalho no distrito estavam mais difíceis e ficava cada vez mais complicada essa dupla jornada. não deixaria passar em branco uma data especial para os meteorologistas. era para a Ana Lucia ter ficado mais um ano no Inmet. Paulo para prestar uma homenagem aos meteorologistas de todo o País. a rotina familiar era dividida pelo casal: enquanto um estava no distrito. Depois de analisarem fotos de satélites. No mínimo. Foram bem ousados. trabalhando muito.N Para Carlos Magno e Ana Lucia também foi um período conturbado. A gente sabia que era o momento e que a tendência era de o mercado crescer”. Apesar das boas relações cultivadas ao longo dos anos. altas e baixas pressões. Collor deu início a uma série de demissões no serviço público. ciclones e anticiclones. 3 . Eles sabiam das possibilidades dessa área. Magno e Ana viram as portas se fecharem no que dizia respeito à obtenção de dados. Collor prometia uma verdadeira limpeza em vários setores. Foi nesse momento Ambos sentiram. Em dezembro. Além disso. A Climatempo já existia de fato atendendo à rádio Eldorado e à Agência Estado. nesse tempo. Até 1992. dava a resposta: “Com que roupa eu vou?” Os meteorologistas Carlos Magno e Josélia Pegorim transmitem para os ouvintes da Nova Eldorado AM os mais precisos boletins do tempo. “Nossa saída foi uma contingência. ao mesmo tempo. lembra Magno. eles sentem a torcida para que não apareçam cumulus. “Eu saí primeiro e um mês depois a Ana saiu também”. porém. o alagoano Fernando Collor de Melo. Outra determinação foi a de impedir que servidores públicos exercessem outra atividade na iniciativa privada. muito menos com os nimbus. em 1990. 3 de março. leia e veja o trabalho deles. Como consultores do Grupo Estado. A rádio. a melhor prestação de serviço chega a você. As amizades. Por causa disso. aliás. Ouça. eles já tinham um fluxo de caixa para montar um pequeno centro de previsão do tempo. lembra Ana. é o Dia do Meteorologista. no setor de comunicação a demanda já estava aquecida. Na sexta-feira. foram mantidas. afinal eles foram com a cara e com a coragem. “Na verdade. Fernando Collor afastaria mais de 100 mil funcionários. a determinação do Governo Federal foi o empurrão que faltava. você vai saber com que roupa sair”. o Brasil vivia momentos de forte movimentação política. segurando as pontas com um emprego fixo. mais jornais demonstravam interesse em modernizar suas colunas de previsão do tempo. tanto que havíamos alugado uma casa maior”. Ensaiando já há algum tempo a saída do distrito. o outro ficava responsável pelos serviços de casa e também pelas três crianças. Com a cabeça voltada somente para a Climatempo foi a hora de prospectar novos mercados.” A agricultura era uma opção natural. que a demanda estava aumentando. Nós respeitávamos a empresa. os brasileiros elegeriam pelo voto direto o novo presidente do País. Hoje. No dia 3 de março. Com fama de “caçador de marajás”.

uma moça do tempo e uma meteorologia que já na década de 1990 estava bem à frente da brasileira. a cidade contava com seis 32 . O quadro seria apresentado por uma moça do tempo. 30/11/ 1990). (. Ela trabalhara durante anos na tevê e conhecia muitos jornalistas de lá. mapas. Distrito de Meteorologia. “Este foi o novembro mais quente dos últimos 30 anos na cidade. pioneiras e que foram incorporadas definitivamente ao padrão global. Carlos Nascimento. como as entradas ao vivo de vários pontos da capital e do interior.8 graus. o filho mais novo. No começo. e a previsão do tempo. informou o meteorologista Carlos Magno do Nascimento. conseguimos o contrato com a Rede Globo.4 graus. com quadros. o formato era uma experiência inovadora que a emissora pretendia implantar em toda a rede nacional. Paulo. Como os dados utilizados pela AE eram da Climatempo. mas por um homem do tempo. Nos Estados Unidos. registrada às 15 horas de ontem no Mirante de Santana. e este ano os termômetros chegaram a marcar 28. o que dificulta ainda mais a penetração de frentes frias’. como ficou mais conhecido. O meteorolo- gista se baseou na média das temperaturas máximas observadas no Mirante de Santana. Magno foi então procurado para elaborar a previsão dos telejornais paulistas e mais tarde também dos jornais Hoje e Nacional. As máximas registradas normalmente nesse mês são de 25. Segundo ele. o uso do helicóptero para acompanhar não só o trânsito da cidade. Victor. do 7º.) O meteorologista Carlos Magno explicou que a massa de ar quente que está sobre o Sudeste veio do Oceano Atlântico e entrou pelo Nordeste. Segundo o meteorologista Carlos Magno. isso indica que o verão poderá ser um dos mais quentes da última década. com uma linha editorial mais descontraída. em 1944. ‘Foram 14 dias com temperaturas acima dos 30 graus’. mas com abrangência nacional. do 7º.. Na época.. 07/4/1990). pediu que Patrícia apresentasse um projeto de meteorologia ou indicasse um bom serviço.. tinha duas edições diárias e à tarde cobriria o espaço do Jornal Hoje. Éramos meteorologistas previsores e era com orgulho que a gente via a nossa previsão ser difundida. disse Magno”. e à noite um resumo das principais notícias do dia. que nessa época ainda fazia parte da emissora. relembra Magno..” Carlos Nascimento tinha em mente o modelo norte-americano. de São Paulo. da Agência Estado. O contato foi feito por meio de Patrícia Ferraz. quando o casal foi procurado pela Rede Globo.4 graus. a temperatura de ontem chegou bem perto do recorde do último verão na capital: 32 graus. Soares lembra que foi um período de grande efervescência criativa na Globo e credita ao jornalista Carlos Nascimento o entusiasmo para encaixar no projeto o quadro do tempo. “Nascimento era do interior. em um período em que crescia o espaço para esse tipo de informação: “A temperatura de 31. da Agência Estado. foram feitos vários pilotos para serem apresentados ao mercado televisivo.” Para a edição executiva do projeto foi chamado o jornalista Amauri Soares. o jornalismo da Rede Globo passava por uma profunda reformulação com a criação de um novo telejornal local. Foi fabuloso. e como todo bom caipira gostava de acompanhar a previsão do tempo. foi a mais alta já ocorrida no outono paulistano desde a fundação da estação de Santana. no dia 25 de janeiro.) (O Estado de S. Distrito de Meteorologia de São Paulo” (. O novo formato permitiu algumas inovações importantes. Centro-Oeste e agora está sobre o Sudeste. mas todo e qualquer evento de destaque. responsável pelo Bom Dia. uma edição de 20 minutos. a divulgação da previsão do tempo pela tevê começou em 1941. o São Paulo Já. em Nova York. Passou pela Região Norte. Eu estava com 29 anos e Ana com 26”. nasceu em 24 de setembro de 1989 e já estava com seis meses em 1990. São Paulo. em média.identificados como previsores do distrito e começaram a ficar conhecidos como meteorologistas da Agência Estado nas matérias dos jornais da casa. Naquele momento. (O Estado de S. ‘Ela chegou quente e úmida e agora está seca. O SP-JÁ. assim como eu. Paulo. “Em julho de 1990. Na verdade. uma tradição norte-americana.

em 1952. Segundo Ana. prejudicando a credibilidade. na visão de Amauri Soares. não havia ainda. nos anos de 1980. na CBS. Na Climatempo. está chovendo. Isso significou dividir o mapa do Brasil e de São Paulo em faixas que compreendessem tempos correlatos. Em 1954. ex-apresentadora do programa infantil Bambalalão. não havia nada. Segundo o New York Times. o quadro ganhou um visual moderno. A figura da moça do tempo surgiu nos EUA . no departamento de arte da TV Globo de São Paulo. O quadro foi uma grande novidade para todos nós envolvidos nele”. George Cowling foi o primeiro apresentador da rede. Com a necessidade de adaptar a rotina da empresa. Na década de 1970. O resultado não agradou nem ao público. Absoluta novidade. a primeira moça do tempo foi a atriz Silvana Teixeira. Um período de experimentação. mas eu. No Brasil. compreensível e ao mesmo tempo dinâmica. a tradicional BBC iniciou seu quadro do tempo com um homem no comando. Por incrível que possa parecer. Ele sempre iniciava o quadro cantando: “Está quente. e sim suavizar a forma de transmitir a previsão. “Cheguei lá e não sabia nem quem era o meu chefe. Na Grã-Bretanha. no Bom Dia São Paulo. posso prever o tempo de amanhã”. No começo. com imagens do satélite. conta Ana. grafismos. Márcia ia para a Globo na parte da manhã e Ana Lucia entrava à tarde. Reed tornou-se musa do tempo e reinou durante 12 anos nas telas. Com as inovações tecnológicas. sempre marcando suas despedidas diárias.mil aparelhos que recebiam as informações pelo canal NBT (atual NBC) por meio de cartoons animados pelo apresentador Woolly Lamb. e as garotas do tempo cederam espaço para os homens do tempo que então dividiam com elas a responsabilidade de apresentar a previsão do tempo. Era preciso que os conceitos da meteorologia fossem elaborados de forma clara. guarda-chuvas e gorros para dar as informações que soavam superficiais demais. foi pensado o conceito de faixas para a previsão do tempo. tudo ia se acomodando no sobradinho. Assim. que vai do 33 . “Aqui na área escura. o formato profissionalizou-se e ganhou espaço no jornalismo. da TV Cultura. com um breve have a happy day (tenha um dia feliz). “Até mesmo para os meteorologistas aquilo era um sonho. tanto para os meteorologistas – que nunca haviam tido qualquer contato com os mecanismos da tevê – quanto para quem iria exibir o novo quadro. os primeiros funcionários começaram a ser incorporados ao grupo para atender ao novo cliente. Nessa nova fase. está seco. que trabalhava na Infraero. computação gráfica. A ideia inicial não era a de fazer um quadro hermético. um computador disponível para eles. Disseram-me: ‘você senta aqui. no departamento de arte’”. Woolly Lamb. relembra Amauri. na TV Cultura. Outra preocupação inicial foi com o desenvolvimento do formato. seguindo até a noite. O equipamento destinado à elaboração da previsão foi o primeiro do departamento. O pessoal da Aeronáutica me dizia: ‘prefiro ver a animação da foto de satélite na Globo à que eu tenho aqui’”. Ana e Magno montaram um esquema que possibilitou a divisão de trabalho entre o grupo. está frio. foi contratada a meteorologista Márcia Costa. Outras moças do tempo viriam ocupar o seu lugar no decorrer dos anos. a Globo fizera uma tentativa com a meteorologista Vera Malfa Pereira. Silvana interpretava um papel todos os dias: usava galochas. toda essa parte de computação gráfica da Globo de São Paulo começou com a previsão do tempo. Ana lembra que todo o pessoal envolvido no quadro do tempo teve de aprender a receber as fotos de satélite – que chegavam de três em três horas – e a fazer a animação em cima dos mapas. Além de Josélia. agora misto de lar e de empresa. Graças ao seu sucesso várias emissoras passaram a ter a sua moça do tempo. com Carol Reed. nem aos jornalistas nem aos meteorologistas. em 1969. em 1962 cerca de 460 emissoras tinham um profissional específico para cobrir essa área. Na década de 1970. Aos poucos. “Estava tudo por fazer: linguagem. que era responsável pela rádio. a primeira moça a apresentar um quadro na televisão brasileira teria sido Albina Mosqueiro.

“No começo. desses que toda a família se prepara para deixar São Paulo e aproveitar o tempo livre para descansar. ”A previsão erra e o erro também é notícia. que era o editor. porém. mas dar ao público o direito de saber o que aconteceu e o que não aconteceu com o tempo em determinado dia. para os meteorologistas era um choque ver aquele tipo de informação. Bom. a partir dali foi possível incorporar essa falibilidade. “Colocávamos ao vivo para falar do tempo na cidade. no primeiro dia do feriado. porém. “O Amauri Soares. era uma previsão e. O quadro deixou de ser engessado para ser dinâmico. explica Amauri. Eu lembro que a gente bateu muito nisso: ‘olha só. portanto. “Passamos a explicar o tempo. afinal. era muito prazeroso. novo e divertido. muito nítida. Com o tempo. era como se fosse um erro jornalístico. um dia lindo. de repente começou a se interessar a escrever o texto da previsão. Mas nós nunca nos metemos na linha editorial”. o próprio Carlos Magno começou a participar dos jornais. As pessoas se situavam naquele mapa sem precisar ficar detalhando cada ponto.Rio de Janeiro até o Acre. Essa constatação mudou a percepção do quadro e. Não era questão de coragem. muito clara. mas foi de telefonemas para reclamar 34 . mesmo sendo um desafio. sendo entrevistado ao vivo quando a situação exigia. A gente errava uns cinco dias por mês. nem precisar sair de casa’. e coisa e tal. Segundo Ana Lucia. Ficamos amigos nesse período.” O trabalho diário na Globo. Choveu. mais do que isso. que no norte do estado ia fazer sol e no resto o dia poderia começar com chuvas. em especial. por exemplo. A criação de faixas de tempo começou pelo mapa de São Paulo. “A primeira era que tínhamos uma visão jornalística da previsão. que a previsão do tempo tinha uma lógica e que eles não erravam tanto assim.” Essa forma de apresentar as diferentes áreas foi desenvolvida na Globo e não se conhecia projeto semelhante em nenhuma outra televisão. perceberam o equívoco: não dava para exigir rigor e perfeição de uma previsão. queríamos alcançar a exatidão. “Eles diziam: ‘como vocês têm coragem de detalhar tanto a previsão?’. Mas era um jeito que a gente conseguiu de explicar com poucas palavras e uma boa imagem. um balde de água fria: o feriado seria de muita chuva. Quando compreendemos isso ficou mais fácil lidar com a imprevisibilidade da previsão”. e foi um trabalho de educação. “Era tudo muito criativo. os erros e os acertos. relembra Ana Lucia. ao colocar frente a frente uma família que deixou de viajar porque acreditou na previsão de chuvas e o meteorologista. o tempo será chuvoso.” Amauri Soares relembra um episódio típico dessa fase inicial. Na hora de divulgar a previsão. a gente tinha noção da correspondência de cada área para cada previsão. acredita Amauri. Teve uma catequese dentro da redação. Nos Estados Unidos é assim. porque os jornalistas não acreditavam”. colocá-lo em uma camisa de força. não aceitávamos o erro. o tempo não vai ajudar. se desenvolvendo e a gente cativando o povo. sempre apresentado por uma moça do tempo.” Amauri também não conseguia admitir um quadro que pudesse engessar o jornal. Aquilo foi crescendo. no campo e em especial nos feriados. Ana tem razão ao lembrar como foi um lento processo de construção de credibilidade. tanto de conteúdo quanto do formato. ele. eles começaram a ver que Ana Lucia e Magno eram pessoas sérias. Com o passar dos meses. eu como fechador do jornal tinha algumas preocupações em relação ao quadro do tempo”. “Era um feriado prolongado. nesse período de implantação. lembra Ana Lucia. Ele ressalta que esse processo de assimilação acabou dando maior agilidade ao jornal. Além das moças do tempo. assim como todo o pessoal da tevê. cobrando explicações para o que realmente havia acontecido. confessa Soares. aproximando o conteúdo da previsão ao dia a dia das pessoas”. Pensar o mapa do Brasil e de São Paulo dessa maneira foi a solução para tentar passar o maior número de informações possível em um curto espaço de tempo. Entendemos que o tempo faz parte da vida das pessoas e assim tentamos humanizar a informação. Lógico que a gente errava. falível. O importante não era apenas divulgar uma previsão. dando maior dinâmica à apresentação. abriu um sol intenso.

A credibilidade das previsões feitas pelos principais órgãos públicos andava em baixa. Na verdade. O interessante é que o Magno explicou que a frente fria tinha se desviado. Aí colocamos o Magno ao vivo. a polêmica: “Meteorologia erra e chuva surpreende paulistano”.da previsão. “Começamos a desenvolver tudo. Por causa da seriedade das informações transmitidas ao público. produziram boas matérias na Agência Estado. relembra Magno. a equipe da Climatempo. explicando como esse fenômeno se formara. no Vale do Paraíba”. depois caiu para um minuto. O jornal era apresentado até então pelos locutores Cid Moreira e Sérgio Chapelin. Na reportagem ficava clara a estrutura precária do Inmet: “O distrito não conseguiu detectar a existência de uma linha pré-frontal.. mas principalmente a população. eles logo aproveitavam a deixa para ir além do factual. Além desse equipamento. Em 1991. e no fim as pessoas foram entendendo o que tinha acontecido. Se a notícia era um tornado em Ribeirão Preto. 35 . atuando diretamente na área de comunicação. Também logo assimilaram a linguagem jornalística e entenderam o que era notícia e o que era mera especulação. como mostra a reportagem publicada pelo jornal Folha de S. logo percebeu quais eram as informações que mais interessavam a cada órgão. Começamos com um minuto e vinte segundos. Eis que para fazer companhia aos dois surge a jovem figura da apresentadora. Logo na manchete. que eram reproduzidas pelo Estadão e por uma rede de jornais em todo o Brasil. chamado de Unidade de Análise de Imagem ( UAI). um novo desafio para a equipe da Climatempo: elaborar a previsão do tempo para o sóbrio e aristocrático Jornal Nacional. A linguagem jornalística da previsão do tempo na tevê não existia no Brasil”. havia falta de pessoal e de material por causa da falta de pagamento. relembra Ana Lucia. relembra Ana. tínhamos de dar a previsão do Brasil todo em cinquenta segundos”. davam um panorama completo da situação. entradas ao vivo na rádio tornaram-se cada vez mais frequentes. “Começou tudo de novo: linguagem. Problemas como esse não afetavam apenas a credibilidade da meteorologia brasileira. o instituto também está sem um papel especial que imprime a fotografia do satélite transmitida por telefone diretamente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). as causas disso. O sucesso do quadro do tempo nos jornais regionais de São Paulo animou os executivos da emissora a implantá-lo também em outras praças (nas edições regionais de outros Estados) e no mais tradicional e influente telejornal daquela época: o Jornal Nacional. Com uma boa rede de dados e com a informação chegando com facilidade. rádio ou tevê. Distrito de Meteorologia. enfim. É fácil entender a opção da Rede Globo pela Climatempo. arte. de acordo com a reportagem. estou aqui há três meses e nunca erraram uma previsão’. Ilustrações e infográficos nos jornais. que tinham deixado de viajar. acreditando na previsão. dois verdadeiros ícones na rede. Paulo. eles é que começaram a prestar mais atenção nelas”. na Eldorado e na Globo.. Nem Magno nem Ana estavam mais no distrito quando a matéria foi feita. Mais do que isso: perceberam que tudo o que estivesse ligado ao tempo era notícia e se fosse tratada de forma adequada virava destaque em jornal. No fim. “A Globo começou a valorizar a meteorologia até um ponto em que as pessoas começaram a notar: viravam para a gente e diziam: ‘puxa. em Porto Alegre. A situação do Inmet nesse período era crítica. Os equipamentos estavam com defeito e havia meses telefone e telex estavam cortados.” Por outro lado. No 8º. apresentação. que pegou todos de surpresa. pois não recebe a fotografia do satélite meteorológico GOES desde sexta-feira passada. A introdução da previsão do tempo quebrou a hegemonia masculina do noticiário. O mesmo caso quando nevava no Sul do País ou quando uma tempestade atrapalhava a vida do paulistano. em outubro de 1990. registrava a matéria. para se explicar para uma porção de telespectadores irados. O escritório de Curitiba não repassava informações confiáveis. o espaço destinado a elas rapidamente cresceu. O equipamento receptor está quebrado em fase de manutenção.

estocou o chefe do Inmet no Rio. A Globo. ninguém poderia imaginar!”. 27/7/1991) Enquanto novos caminhos se abriam para a Climatempo nos principais órgãos de comunicação do País. responsável por um observatório meteorológico na avenida Paulista. o Inmet passava por dificuldades financeiras para manter os centros regionais. décadas e décadas atrás. passou a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. o formato do quadro no JN causou certo estranhamento à apresentadora por ter de ficar praticamente de costas para o vídeo. Também faz o máximo para dar as costas ao telespectador. infelizmente. antes restrito aos paulistas. registrou em suas anotações a ocorrência de neve: “uma forte névoa ia descendo da encosta e a temperatura era de –3 graus”. não chega a ser estranha a reação da direção do instituto ao progresso da iniciativa privada. ‘A notícia é o mapa. Nesse dia. Paulo. está com sóbrios trajes de aeromoça. que integra a equipe de meteorologistas da Globo. chamava a atenção para o fato de outras emissoras também abrirem espaço para a meteorologia.” Gravado em São Paulo e gerado para o Rio todos os dias. onde há mais informação”.atriz e futura jornalista Sandra Annenberg. edição. por exemplo. em entrevista ao jornal O Globo. a reportagem . a Climatempo contra-ataca com a garantia de 85% de acerto. Por isso. diz Ana Lucia de Macedo. em julho de 1925. coleciona mais popularidade do que conseguiu com suas participações em vários programas e minisséries. Luís Carlos Austin. o quadro do tempo. usando termos como área de instabilidade e frentes frias. Nela a experiente Sonia Abrão. assim foi”. sinal de que as informações meteorológicas estavam se tornando valiosas para o cotidiano. “Nós não nos responsabilizamos pela previsão do tempo do Jornal Nacional. no JN. na época colunista do extinto Diário Popular. “Sandra Annenberg ganha a vida falando de um assunto que até recentemente só era lembrado nos elevadores. num quadro fixo. O Inmet nunca teria “digerido” muito bem a ideia de que uma empresa fosse a escolhida para elaborar a previsão do tempo da maior rede de televisão do Brasil e as críticas logo vieram. não eu. Em geral.” (O Estado de S. com o passar dos anos já é possível dizer que não foi 36 Na mesma matéria sobre a moça do tempo da Globo. na qual Carlos Magno afirmou que já havia nevado em São Paulo: “Dez para a reportagem de Carlos Magno em que provou que já nevou na avenida Paulista. como a TV Bandeirantes e a TV Cultura. Na Globo. “Ela foi a primeira figura feminina a aparecer diariamente.’ Mesmo assim. Na verdade. Então.” (O Estado de S. De fato. Sandra achava esquisito virar as costas para o telespectador. Paulo. o meteorologista Belfort de Mattos. E não era apenas o acerto nas previsões que fazia da Climatempo uma empresa respeitada. porém. “A meteorologia se torna cada vez mais importante quando as pessoas têm de planejar sua vida”. ‘E de dois anos para cá aumentou a confiabilidade nesse tipo de informação. aos 23 anos. para o investimento que as emissoras faziam e para o retorno do público. não trabalha com dados oficiais”. Ela aparece três minutos por dia na tela da emissora. porém. A informação factual e histórica também demonstrava a competência de seus principais integrantes. que eu tinha de levar o público até o mapa e mostrar onde estavam as coisas. 27/7/1991) No início. com aparições rápidas no SP-JÁ e no Jornal Nacional. Uma dessas “novidades” mereceu destaque até em uma coluna sobre televisão. Magno lembrou que. tudo o que Carlos Magno sugeria como pauta parecia novidade até mesmo para os jornalistas da emissora. E Sandra. Carlos Magno.’ Ana Lucia garante que a precisão conseguida de 1989 para cá não é ideal. mas já exibe 85% de chances de acerto. “achava que não. assumiu o quadro em julho e virou notícia em várias publicações. mas convincente: “En- quanto o Inmet garante 80% de acerto nas previsões meteorológicas. que já era a moça do tempo do SP-JÁ. para espanto dos apresentadores Carlos Tramontina e Mariana Godoy. A direção. táxis e velórios. tinha uma resposta simples. A margem chega a 90% em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. chamava a atenção para uma matéria do SP-JÁ – 1ª.

Na Climatempo. mas enriquecedor na vida política brasileira. a empresa tentava. “Ao longo do tempo fomos fazendo grandes reportagens na área de meteorologia que eram reconhecidas pelo jornalismo da Globo. higrômetro e termômetro. criando a ideia de que não dava mais para ficar sem esse tipo de informação. como barômetro. A estratégia montada no início era para que a empresa se firmasse como consultoria. que as primeiras informações dos radares meteorológicos foram ao ar. Aos poucos. que na época pouca gente sabia que existiam. Ana Lucia transmitia informações básicas que permitiam a um leigo prever. Globo. mas eu não tinha dúvida de que o piloto entrou num paredão de CB s (cumulus nimbus). Em outubro de 1992. Magno preparava os navegadores para ler corretamente os instrumentos de bordo. Uma das primeiras estratégias de marketing da Climatempo. entre muitas outras passagens. a Climatempo. E aí falavam: ‘mas como vocês têm certeza disso?’ Eu dizia que o radar estava mostrando uma linha muito forte. no começo. A partir de 1991. em Angra dos Reis. Em cinco aulas com duas horas de duração. O helicóptero desapareceu no mar e o acidente comoveu o País. com turbulência. Itamar Franco assumiu o cargo após o impeachment de Fernando Collor de Melo. então a queda foi um aci- dente com um elemento meteorológico. acabou abrindo espaço para assuntos que pouca gente conhecia. isso foi. conta Magno. 37 . A partir daí. “Caso contrário. por exemplo. atrair e cativar o público. era tempo de muita esperança e muito trabalho. o senador Severo Gomes e sua esposa e o piloto. começaram a participar de outros eventos. ao atuar na Globo. um trágico acidente de helicóptero. seria o candidato do PMDB para a Presidência da República. “Havia várias hipóteses. porém. Por isso. “Para nós aquele momento não era importante. e mostrava os locais onde chovia mais forte”. matou o deputado federal Ulisses Guimarães.” Com três clientes de peso e os pés no chão era o momento de assentar as bases da Climatempo. que era um profissional muito sério. e nossas necessidades eram pequenas”. o pessoal veio logo para cima para saber. a Climatempo foi se tornando referência na prestação de serviços meteorológicos. de forma semelhante à neve”. Aí. quando cheguei na Globo. ficaram meio escondidos. sua mulher. Um adesivo que trazia estampado “Eu acredito em previsão do tempo” chamava a atenção em alguns carros de São Paulo. No dia do acidente. Então fizeram a reportagem. 12 de outubro. as várias surpresas que o tempo reservava para os praticantes do esporte. com gotinhas sólidas caindo no solo. Foi na telinha da Globo. o Brasil tinha outro presidente. o Belfort de Mattos.” Com essas. entre elas a eleição direta para presidente da República. Ulisses Guimarães ficou conhecido como “Senhor Diretas” por sua exaustiva batalha pela volta das instituições democráticas. a empresa passou também a organizar cursos especiais para velejadores. conclui. “Acredito que ele deve ter observado uma sublimação de nevoeiro. como na cobertura da Fórmula 1 ou fazendo matérias para o Fantástico. não teria feito esse registro”. e associá-los às dicas que a própria natureza oferecia. também ganhou destaque nos seus últimos anos de vida por atuar como presidente da Assembléia Constituinte de 1988. Mas que foi muito parecido. com boas horas de antecedência. “Tinha história de alagamentos e a gente pegava os mapas dos pontos críticos com os radares do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). No ano seguinte.exatamente neve. ainda éramos consultores. por exemplo. A chuva veio varrendo todo o litoral norte de São Paulo naquele dia. O adesivo marcava. nas primeiras eleições diretas após o regime militar. com a ação. entretanto. Eldorado e Agência Estado. mostrei o mapa para ver o que estava acontecendo. um momento traumático. com a Climatempo aparecendo apenas através de seus clientes mais ilustres. segundo Carlos Magno. descrevendo como teria sido a trajetória do helicóptero entrando em uma nuvem de CB s. Carlos Magno ouviu a notícia no rádio logo cedo e comentou na Eldorado que ele poderia ter sido provocado pela chuva registrada no local. No fim de 1992. dona Mora.

afirmava Magno. “A Climatempo investe 10% de seu faturamento em tecnologia”. e já atingia um faturamento mensal de 7 mil dólares. e com isso podia atender melhor o mercado ainda em expansão.contudo. como seguradoras. navegadoras. Um fim de ano otimista para uma empresa que se preparava para voos ainda maiores. comércio. Fase em que a Climatempo estendia sua consultoria para outras áreas. uma primeira fase de consolidação da empresa. como roupas. 38 . indústria de produtos sazonais.

dava banho. com plantões. Mas tinha de trabalhar até dez da noite na Globo e acordar de manhã para dar café para os filhos. deu para educar bem os filhos. Marcos. Ia para a emissora e lá elaborava a previsão para o Bom Dia São Paulo e o SP-JÁ. André Madeira formou-se em meteorologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ). a Climatempo foi ganhando espaço na área de consultoria. A mudança de rota. deveu-se ao interesse por esportes náuticos. não tinha concorrente. An- Abrindo espaço 39 os primeiros quatro anos de vida. Foi preciso adequar a rotina. pegava os filhos na escola. o único meteorologista de uma família de médicos. “No colégio tinha um colega que gostava de barco à vela e falou do curso de meteorologia e eu me interessei. Enquanto isso. Carlos Magno era responsável por atender a Globo. aos poucos. Lembro que a empresa funcionava em uma sala pequena. deixava-os na escola e ia para a Globo. De casa. Foi quando surgiu a oportunidade de trabalhar na Climatempo. era uma alternativa aos serviços meteorológicos governamentais que não tinham estrutura capaz de atender individualmente às necessidades específicas do mercado. trabalharam como boys. era em casa. do no sobradinho já não comportava a Climatempo. e depois de formado passou pelo Inmet do Rio. mas fazia a Eldorado. relembra Magno. ficava mais fácil. Bebel. com três filhos pequenos. O jeito era fazer uma escalinha.” Durante a faculdade estagiou na Diretoria de Hidrografia e Navegação ( DHN ). Queriam mais. relembra Ana. Climatempo e o Victor. perceberam que tinham de contratar mais gente. Entretanto. O pequeno centro de previsão instala- Foi nessa época que um jovem meteorologista carioca veio se juntar ao time da Climatempo. Queriam uma empresa forte que fizesse muito mais. Fim de tarde. Patrícia. Vinte anos depois. Ana cuidava dos filhos. escalas e filhos para cuidar. Quando cheguei a Josélia já trabalhava na empresa. ficando pequena para as duas atividades. cresceram junto com a empresa. Marcos. Como empresa privada. pegava a criançada. serviço de meteorologia da Marinha brasileira. Como tudo Nos quatro primeiros anos da Climatempo praticamente não tiveram um dia de folga.” A casa-empresa da rua da União foi. engenharia ambiental. André namorava uma outra futura meteorologista. nem mesmo aos domingos. tudo era muito braçal. colocava para ver tevê ou fazer lição. Carlos Magno e Ana Lucia não queriam mais depender apenas de alguns clientes. segundo Madeira. Fim de semana a mesma coisa”. Marcos e Victor nunca reclamaram da vida regrada. Decidiram então voltar a morar no apartamento e deixar a casa apenas para a empresa. e descia para o nosso centrinho para terminar algum trabalho. Pela manhã. Mesmo assim. o leitinho da noite e não terminava o expediente sem antes transmitir o último boletim da rádio.N Ainda nesse período a vida familiar estava muito atrelada à empresa. à tarde. Apesar da correria. era um esquema bastante cômodo para os dois. a gente ficava meio escondido. “Éramos bons consultores. Eu vim para ajudar a atender a TV Globo”. “Eles viram a empresa crescer. “Meu expediente de mãe era bastante volumoso. conta Magno. Eu ia muito no piloto automático”. nenhum quis seguir a carreira dos dois. No fim de 1992. início de uma empresa com nome e endereço exclusivos. “A Ana dava atenção pela manhã e eu. apesar do esquema rigoroso. e Victor é estudante de Direito. Na época. Sinal de progresso. afinal. Já como meteorologista da Climatempo. e haveria tempo ainda para procurar mais clientes para a empresa. relembra. que dependem das condições do tempo. em 1991. que um pouco mais tarde viria a fazer parte da equipe. 4 . mas queríamos uma empresa que fosse contínua e não dependesse apenas da Eldorado. Magno acredita que. pontuada pelo trabalho ininterrupto dos pais. A gente costuma dizer que tem quatro filhos: Bebel. Bebel foi fazer pedagogia. Magno entrava na Eldorado e atendia aos clientes da Agência Estado. Na hora do almoço. da Agência Estado e da Globo”. Segundo ele. eram dois meteorologistas na mesma casa. “O Magno estava precisando de gente para trabalhar e eu resolvi mudar para São Paulo. chegou um momento que isso já não bastava. jantar.

e a previsão devia ser fácil naquele dia. mas com sotaque carioca. e que fornecia previsão do tempo durante todo o dia. “Atendíamos ao mercado cafeeiro. agora já não somos apenas eu e a Ana. o Magno estava envolvido na divulgação da empresa e na captação de novos clientes. Com o tempo ele mesmo fazia os textos que eram apenas revisados. mas isso fazia parte. sigla de Bulletin Board System. ele foi embora e me deixou lá. temos famílias que dependem da empresa. foi a vez de Patrícia Madeira. onde cursou o mestrado. No fim de 1993.’”. Na equipe.dré conta que mesmo no começo a empresa tinha um ritmo acelerado.” André Madeira guarda na memória o primeiro dia em que foi para a Globo para conhecer o local e se familiarizar com a elaboração do quadro. Magno e Ana já buscavam caminhos novos.. a Globo passou a fazer parte da rotina. participava dos plantões montados para atender o serviço 0900 e também a clientes novos como agricultores e antigos como a Agência Estado. Paulista. que namorava André desde o Rio de Janeiro e passou a fazer parte do grupo depois de uma temporada na Alemanha.. Foi ali que percebeu que aqueles que cobravam uma previsão acertada eram os que mais prestavam atenção ao trabalho do previsor e gostavam da meteorologia. Para ele não era difícil atender a Globo. Outra ousadia foi investir numa nova tecnologia que engatinhava ainda no Brasil: o BBS. chegamos lá. sempre tinha coisa para fazer. “Muitas produtoras precisavam de uma espécie de laudo.” A Climatempo já não era apenas uma empresa de fundo de quintal. ela e André se casaram.” Mas o serviço mais procurado era mesmo o 0900. claro. ainda fica deprimido quando erra a previsão e lembra uma frase que Ana Lucia sempre repetia: “Tempo bom para o meteorologista é quando acerta a previsão”. disque 2 para Região Sul. Com mestrado em poluição atmosférica. Madeira ficava responsável por clientes de vários setores e de vez em quando fazia a previsão para a Agência Estado. o Magno me apresentou para o pessoal e disse que ia tomar um cafezinho. “Nós escrevíamos um texto e gravávamos no telefone. Acho que já confiava em mim. passados mais de 15 anos na Climatempo. Não apareceu mais. o editor e ele escrevia o texto. Ele confessa que. que nada mais era do que um computador ou vários ligados a um modem de linhas telefônicas para receber bancos de dados. O embrião da Internet. “Bom. coqueluche na época. Em 1994. alguns jornais.. mais gente foi integrada à equipe. André ia de madrugada para a tevê e passava a previsão para os editores. lembra Patrícia. Foi um sucesso: o custo da ligação era alto e por isso o retorno era lu- 40 No começo. precisava da gente para cuidar dos que já estavam lá.. sozinho. fora os clientes principais. não ligava. relembra Patrícia. As pessoas discavam o número e um menu interativo possibilitava que ela tivesse a previsão para a sua região: ‘Disque 1 para Região Sudeste. No período da tarde. não teve mais problemas. a gente mandava a previsão via fax com uma foto de satélite colada”. uma documentação que comprovasse que a filmagem teve de ser adiada por causa do tempo. Um novo filão também despontava nesse momento. A ideia era apenas acompanhar Magno. Patrícia chegou em um momento de forte demanda por previsão do tempo e também às vésperas de um ano emblemático para a empresa. que brigou para conseguir linhas de telefone para implantá-lo.” Dali em diante. Foi aí que uma ficha caiu na cabeça de Magno. agora dominava todo o sobradinho e contava com uma equipe de sete meteorologistas. “Aí. “Montamos um serviço para elas. “Cada vez mais. As produtoras de vídeo começaram a perceber a utilidade da previsão para programar gravações. Patrícia logo mudou seu foco de interesse para a previsão do tempo. passava os dados para . não fazia questão de saber se houve acerto ou erro. atualizada de três em três horas. A gente não parava. Quem não se interessava. como a implantação de um serviço de telefonia 0900. Havia cobrança.” Com o crescimento da empresa. temos funcionários. uma aposta feita por Magno.

atendendo a um pedido meu. Esse sistema também informa sobre o vento e a pressão do ar. Para conseguir montar esse serviço Magno contou com dois parceiros muito especiais.crativo. Países mais avançados já dominavam há anos a elaboração de prognósticos com o uso de supercomputadores. por exemplo. que fazia muito sucesso nos Estados Unidos e estava chegando ao Brasil. depois mais uma e depois mais três. Para divulgar os novos serviços contaram com dois clientes mais antigos: anúncios da rádio Eldorado e também no Estadão. Quem for assinante desse serviço – operado pelo meteorologista Carlos Magno do Nascimento – ganha um soft-ware de animação de imagens que faz as nuvens literalmente caminharem sobre o campo. Com o BBS e o 0900. Era preciso recorrer a empresas como a TASA (aquela mesma em que Magno começou sua carreira).” No início era um serviço simples. Foi ela quem deu o aporte financeiro para a montagem do BBS. Apesar de ter uma boa infraestrutura para captação da informação. porém. Nessa época. lembra Patrícia. Uma outra novidade foi o BBS. se um dia teve dúvidas sobre a meteorologia não ser muito segura. como Inmet e Inpe. ou seja. os dados. a comunidade científica e o governo brasileiro já tinham consciência da necessidade de tirar o atraso do País. 06/6/1994) Todo esse esquema. Estava tão frio. tão frio que mal conseguia falar. Inicialmente. aviadores. A parceria com os principais órgãos do Governo. trouxe cinco mil dólares de ônibus do Rio de Janeiro a São Paulo e me entregou em mãos para comprar os computadores. “Minha mãe. dotado de um supercomputador capaz de realizar as complicadas equações numéricas. público ligado às produtoras passaram a ser assinantes. como o Instituto de Astronomia. que. Paulo. a Climatempo ainda precisava travar batalhas diárias para poder atender aos clientes. na tela de um computador. O próprio Magno montou a primeira versão do BBS. a Climatempo dava um enorme passo para deixar de ser apenas uma empresa de consultoria e passar a ser uma empresa de comunicação. Praticamente congelei”. e até um equipamento para recepção de imagens de satélite. após a criação do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF).” (O Estado de S. como era um bom programador. Logo virou notícia: “O canal Climatempo de BBS oferece imagens de satélite atualizadas de meia em meia hora. Primeiro comprou uma linha. O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos ( C PTEC) começou a ser gestado na década de 1980. O BBS funcionava com um software que armazenava informações. a institutos universitários. Õ O ano de 1994 seria emblemático para a meteorologia brasileira. Geofísica e Ciências Atmosféricas ( IAG/USP ). não assegurava a disponibilidade de dados no volume necessário. Esse tipo de serviço era pago e logo agricultores. Os boletins eram gravados na própria empresa desde as seis horas da manhã até a meia-noite. o C PTEC seria im- 41 . Ele jamais vai esquecer o carinho de dona Alice. precário em termos de tecnologia. porque o maluco do filho dela tinha achado um sistema para a gente ‘pulverizar’ a informação meteorológica. como a norte-americana AccuWeather. já nessa época empenhava-se para contribuir para o sucesso da empresa. e também a fontes estrangeiras de dados. Um deles foi sua mãe. Uma vez estava um frio de rachar e eu tinha de gravar o último boletim do 0900 faltando quinze minutos para a meia-noite. o que impulsionou a Climatempo. “Nunca vou esquecer como era frio no sobradinho da rua da União. e o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (C EPAGRI/UNICAMP ). em relação à previsão do tempo. Finalmente depois de anos de negociação e pesquisas o Brasil teria um moderno centro de previsão do tempo. como fotos de satélite para a região Sudeste. não seria possível sem a fonte primária para tudo. comprou um livro e. as primeiras linhas telefônicas e colocar aquilo que viria a ser 30% do faturamento da empresa. não foi difícil im- plantar o sistema. a pessoa interessada acessava pelo telefone esse banco de dados e escolhia o que mais lhe interessava.

em Brasília. com a criação do Inpe. com a proibição do 0900. atual diretora do C PTEC. manteve como uma de suas principais funções a pesquisa na área de meteorologia. avalia Maria Assunção. Esses e outros casos levaram a Justiça brasileira a proibir o 0900. inclusive da iniciativa privada. que era muito rentável para a empresa. Quem não se lembra do astrólogo Walter Mercado. outro duro golpe viria quase ao mesmo tempo. Tudo começara em 1961. Como se isso não bastasse. Ainda na década de 1960. o embrião do que viria a ser o Inpe. no interior de São Paulo. mas prover a sociedade da previsão numérica. toda a infraestrutura montada na Climatempo. precisou ser repensada. com seu famoso “Ligue já!”. O Inpe nos anos 1980 já era considerado um dos principais institutos de pesquisa brasileiros. o Gocnae virou a Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Cnae). Não contra a Climatempo. O C PTEC inaugurou um novo período da previsão climática e do tempo com a chegada do primeiro supercomputador japonês ao Brasil. e um prédio em Cachoeira Paulista. Na década de 1980. o instituto passou a ser o responsável pelo desenvolvimento de satélites de coleta de dados e sensoriamento remoto. O fato é que. Com ele. porém. com a recepção de imagens meteorológicas e as atividades em sensoriamento remoto. quando foi criado o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Gocnae). Em 1986. responsável pela produção de ciência e tecnologia nas áreas espacial e do meio ambiente. “Com o C PTEC. caso de agricultores e navegadores que só dispunham do serviço telefônico para obter uma previsão do tempo confiável. um decreto editado pelo então presidente José Sarney deu ao Inpe a competência para atuar na área de modelagem numérica operativa. com sede em São José dos Campos. do ritmo seguro do crescimento. o objetivo não é competir com outros órgãos. devendo repassar os modelos rodados a todos os órgãos ligados à meteorologia brasileira. que exigiria maior qualificação para sua operação. Em 1979. Enquanto o País crescia em progressão tecnológica. em que ocorreram as primeiras demissões. o serviço 0900. abusando da boa-fé de quem ligava para determinado número. A primeira a 42 . Além disso. No Brasil. primeiro para os órgãos ligados ao governo e mais tarde também para o público interessado nesse tipo de informação. Muitos se utilizavam dele para ganhar dinheiro ilicitamente. como a quebra de um encanto. E foi justamente pela sua posição de ponta na pesquisa científica espacial e ambiental que coube ao instituto a implantação do primeiro centro de previsão do tempo da América Latina. foi possível gerar previsão numérica. Foi um período desgastante. a maior parte dessas imagens é captada pelo satélite geoestacionário norte-americano Goes ou então pelo similar europeu Meteosat. teria início o programa de meteorologia por satélite. mas contra esse tipo de serviço. Dois anos depois. houve um avanço espetacular. Do Inpe são geradas as imagens de satélite que ajudam a elaborar as previsões do tempo. com computadores e linhas telefônicas dedicadas ao serviço. Segundo Maria Assunção Faus da Silva Dias. a responsabilidade de instalação do centro ficou para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). que levava milhares de pessoas a acessar via 0900 suas previsões astrológicas? Ou então serviços de disque-sexo que se transformaram no terror de pais endividados. com seu supercomputador japonês. Aconteceu tudo ao mesmo tempo. é integrado ao Ministério de Ciência e Tecnologia ( MCT ). A medida prejudicou alguns setores. que só em 1971 seria extinta. Os ladrões entraram na empresa durante a noite e levaram tudo. Um assalto ao sobradinho da rua da União deixou a empresa praticamente no chão. a Climatempo enfrentava seu primeiro grande revés. Ao longo de 1994. O Brasil venceu um atraso de mais de 20 anos e hoje somos procurados por centros do mundo inteiro em busca de informações”. passou a sofrer uma série de ações na Justiça. por causa da tecnologia dos supercomputadores.plantado ao lado do Instituto Nacional de Meteorologia.

computadores em que estavam instalados o BBS. notou que já estava aberta. 43 . mexendo no BBS. Ofereci uma quantia pelo serviço e ele topou. em especial o BBS. sem nenhum computador para trabalhar. mas com o tempo vi que era fundamental ter alguém que entendesse do assunto. mal perceberam as trovoadas e os raios que caíram sobre a Climatempo. principalmente para reerguer o serviço de BBS. e a Climatempo pôde manter uma fonte de renda. Perdemos praticamente tudo”. falando do assalto. Outro que foi pego de surpresa foi Rogério Leite. indispensável naquela altura do campeonato. Aos poucos. No começo era sem compromisso.” Foi preciso muita garra e um esforço coletivo para recomeçar. e aí logo cedo me ligam contando do assalto. e com medo de que alguém ainda estivesse por lá. softwares e programas que possibilitavam receber muitas informações ao mesmo tempo e processar esses dados de forma rápida e concisa. Mas o mercado para o sistema BBS continuava muito aquecido. bem ou mal. relembra Magno. apenas o básico para gerar informações para uma clientela fixa. os pais de Ana Lucia. Colocaram um caminhão na porta e levaram tudo. Passou um tempo e eu comecei a desenvolver um sistema mais elaborado para o BBS”. fazendo parte do dia a dia da empresa e criando mecanismos que facilitaram e otimizaram o uso do BBS. a consultoria prestada para os três grandes clientes não foi afetada. que chegava às 6 horas da manhã. “Eles tinham o básico. “O Rogério começou a dar toques importantes para deixar o nosso sistema mais eficiente. Toda a programação do BBS precisou ser refeita. avalia Magno. toda a Climatempo precisou ser reerguida. ouvindo a rádio Eldorado prestou atenção a uma chamada de divulgação da empresa. estavam na Inglaterra. pois a empresa não tinha seguro contra roubo. Rogério emprestou mais dois. Sem saber o que fazer. lembra Rogério. exigindo um desenvolvimento tecnológico cada vez maior. Por sorte. e o serviço oferecido pela Climatempo atiçou sua curiosidade. Magno passou tempos dormindo na empresa. novos equipamentos foram comprados. astronomia e meteorologia. porque eu e o Magno tínhamos ficado até tarde na Climatempo. Quem daria o suporte técnico necessário para alavancar novamente o BBS seria um aficionado por meio ambiente. Ao tentar abrir a porta com a chave. “A Ana estava passando uma temporada com os pais em Natal e não chegou a ver o estado em que ficou a empresa. passei a prestar um serviço sem compromisso. relembra. nos fez mais fortes ainda”. Ele estava justamente trabalhando no desenvolvimento de equipamentos para a recepção de imagens de satélite. Agência Estado. Não demorou muito para Rogério ligar e agendar uma visita para conhecer sua infraestrutura. “Lembro que colocamos um aviso na telinha do BBS provisório. Globo e Eldorado continuaram a ser atendidas normalmente. Por coincidência. lamenta Magno. Os novos computadores rodavam um software muito simples.notar algo de errado foi Patrícia Madeira. seu Juvenal e dona Atala. Uma vez. “Uma coisa bem estranha. tratou de ligar para o Magno. o telefone fornecido pelo rádio indicava que eram praticamente vizinhos. e ainda outros funcionários trouxeram seus computadores de casa. fax. Era um excelente programador que começou na informalidade e tornou-se essencial”. Para reerguer a Climatempo. Rogério Leite conheceu a Climatempo por mero acaso. As consequências do assalto só não foram mais desastrosas porque. mas precisavam de ajustes. Rogério foi conhecendo as pessoas. Em 1994 o satélite norte-americano sofreu uma pane. como eu fazia justamente isso. Acabamos ficando amigos. além de especialista em Tecnologia da Informação. Rogério passou a criar maneiras de facilitar a vida dos meteorologistas. também. o mesmo que estava usando para escrever sua dissertação de mestrado. “Ver aquele cenário de fios revirados. Ele lembra como foi. Viu também mesas reviradas na sala. A palavra de ordem era recomeçar. Patrícia emprestou um computador pessoal. Recebemos várias mensagens de apoio dos clientes”. Com o tempo. telefones.

Paulo. Um ano depois. A assinatura mensal é de R$30. Carlos Magno deu valiosas informações sobre a importância dos conhecimentos da previsão do tempo para o planejamento de um dos mais importantes momentos da guerra: o desembarque dos aliados na Normandia. 06/6/1995). ‘Entre nossos 150 assinantes. o satélite norte-americano Goes havia entrado em colapso e. Era divertido. pela novidade do serviço. além de uma antena parabólica.. encontram novos nichos de mercado e oferecem agora serviços especializados. inclusive participando de outros trabalhos desenvolvidos pela agência. Naquele momento. Ana Lucia e Magno não descuidavam um só instante dos demais clientes. a mudança foi para melhor. O ataque rápido e certeiro só poderia acontecer durante o verão europeu. que ficou conhecido como o Dia D. “Quando seu Juvenal estava estudando na Inglaterra eu pedi a ele que comprasse um equipamento de recepção de satélites. boletins e fotos de satélite. a casa era menor. Segundo o sysop. 30% são navegadores. Segundo ele. Apesar do trabalho interno para ampliar a Climatempo. De resto.” (O Estado de S. Europa. 155 mil homens das forças aliadas desembarcaram nas praias da Normandia. dando início à libertação da Europa do domínio nazista. e um sinal de que aquele ano turbulento tinha chegado ao fim foi a mudança da sede da Climatempo para uma outra casa. África. “A mudança para a Baltazar Lisboa foi marcante para a gente. Josélia segurava os boletins e já começava a ser identificada como a “moça do tempo” da rádio e por fim. o tempo no sobradinho da rua da União tinha se esgotado. nove funcionários e equipamento informatizado – cinco computadores dotados de sofwares para fax e telex –. O BBS Climatempo tem um serviço de meteorologia que cobre 80% do planeta. A maior rede de televisão do País apostaria na credibilidade e no carisma de um meteorologista para apresentar o quadro do tempo do Jornal Nacional. como a produção de um CD- ROM contando a história da Segunda Guerra Mundial. chamava a atenção da mídia especializada em informática: “Graças a uma antena de recepção de imagens. Canadá. mas já éramos muitos. a Climatempo tinha um faturamento anual de 150 mil dólares.” (Jornal da Tarde. a emissora chegou a comprar um software de meteorologia para melhorar ainda mais a transmissão da previsão do tempo. Aeronáutica. A Gilca Parma trabalhava em uma mesa atrás da porta!”. o quadro do tempo ganhou tamanha credibilidade que foi definitivamente incorporado ao padrão Globo de qualidade. o BBS consolidava seu público e. ou BBS s. 44 . estão pescadores. na rua Baltazar Lisboa. sempre na Vila Mariana. “Mas o grande problema da Baltazar foi mesmo o cigarro. na Baltazar. 40% dos usuários são agricultores. as previsões de tempo propriamente ditas são direcionadas às necessidades de seus usuários. o BBS fornece a seus usuários fotografia de toda a América. Em outro front. na França. no Brasil estávamos utilizando o METEOSAT . mais uma novidade.. na Globo. informa Carlos Magno do Nascimento. Era um sinal de que a empresa estava crescendo. Esse tipo de equipamento nos daria uma vantagem competitiva em relação a todo o mercado”. Em 1995. Trabalha com informações cedidas pela Marinha.” Porém. porque era tudo improvisado. 13/02/1995) “Os sistemas de mensagens. Carlos Magno. mas tinha pouca gente. Na rua da União a casa era grande. em 350 cadastrados. conta Carlos Magno. No dia 6 de junho de 1944. 10% são estúdios de fotografia e 20% são curiosos.” Em 1994. na Eldorado. Na Agência Estado continuavam firmes no posto de meteorologistas. Enquanto isso. Oriente Médio e Austrália. relembra Patrícia.e Magno pediu que trouxessem uma estação de recepção do satélite europeu Meteosat. Era preciso voltar a crescer. sysop (operador de sistemas) da Climatempo. “Montamos no quintal da casa da rua da União. agricultores e agências de publicidade’.

eu dava muitas entrevistas para os jornais de São Paulo. e posso dizer até imprescindíveis para o esquema da emissora. diretor de jornalismo da Globo em São Paulo. “Como meteorologista da casa. com o Renato Machado. De acordo com a direção de jornalismo. tinha gostado muito de como eu explicava a previsão. 34 anos. confessa que ainda não encara as câmeras com tranquilidade. em 1996. Na sexta-feira estreei no Jornal Nacional. No mesmo dia. envolvidos diretamente com a produção e elaboração das matérias e. ligou para a redação para saber quem era o “careca” que entrara Tanto é verdade que a Climatempo. o objetivo era colocar dois jornalistas profissionais.H Essa foi a descrição feita pelo jornal O Globo do novo homem do tempo do JN que. dar maior credibilidade às notícias. da pauta até a edição. de confiança. Aí me chamaram para fazer um teste para o Bom Dia Brasil. substituiria as belas moças do tempo.” enfrentou qualquer conflito com a Globo. “Nesse ponto já conhecíamos toda a estrutura da Globo. não Segundo a revista Info (de setembro de 2005). e eles acionavam a RBS (afiliada da Globo no Sul do País). com isso. Carlos Magno fez parte das profundas mudanças pelas quais passou o tradicional jornal da Rede Globo. dois ícones do JN. 5 . o Boni. José Emílio Ambrósio. substituídos por William Bonner e Lilian Witte Fibe. um rapaz de ar grave. O meteorologista Carlos Magno. Carlos Magno faz parte da elite da tecnologia. assunto. A principal delas foi a troca de apresentadores. mas está gostando da experiência. lembra Magno. com o editor-chefe escrevendo o texto para mim. óculos de grau e uma calvície pré-acentuada revela aos telespectadores do Jornal Nacional se o dia seguinte será de sol ou de chuva. inclusive no Jornal Nacional. Seguindo essa mesma filosofia.” As reações foram imediatas. Então a gente oferecia muitas matérias: vai chover forte no Rio Grande do Sul. “Numa quinta-feira me chamaram para conversar com o Roberto Muller. me ligou dizendo que o Evandro [Carlos de Andrade]. pois a Globo não pedia exclusividade. Não foi bem assim. O convite feito a Magno foi a coroação de um trabalho desenvolvido por ele e por toda a equipe da Climatempo ao longo de seis anos nos jornais locais da rede: o Bom Dia São Paulo e o São Paulo Já. novo diretor de jornalismo. aí um dia o diretor de operações do Rio de Janeiro. aconteceu a troca das moças do tempo por um meteorologista profissional. “A Josélia Pegorim passou a prestar serviço para a Bandeirantes. Deixaram a bancada Cid Moreira e Sérgio Chapelin. Ele queria mudar o jornalismo. Fiz. ao fornecer a previsão do tempo para a Rede Bandeirantes. Magno achou que seria para o Bom Dia Brasil. Éramos fonte de informação. O homem do tempo 45 á duas semanas. o consultor da Globo e ainda todo-poderoso José Bonifácio de Oliveira Sobrinho. para o qual fizera o teste. apenas queria que eu e a Ana continuássemos como meteorologistas”. colocando gente que entendesse do Quando foi convidado para ser o homem do tempo. relembra Magno. e eles gostaram”.

Marcos Paulo e Victor Hugo. Segundo Paulo Francis. Mas não estou na emissora por causa da minha beleza. mas tenho o meu charme’. pois o meteorologista não aparece de corpo inteiro. dava os parabéns pelo trabalho na previsão do tempo do Jornal Nacional. acabou provocando situações constrangedoras.” (Controle Remoto.” A estreia do homem do tempo da Globo também repercutiu na mídia. estreou.. o coordenador do curso de graduação de meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Peruca não”. tal como a maquiagem.’ A popularidade aumentou. que não surgiu na telinha por acaso. a chegada de um meteorologista na tevê foi considerada um estímulo para jovens estudantes. Magno perdeu a conta das vezes em que ele saiu da emissora direto para uma dessas reuniões devidamente.” A falta de experiência e de traquejo para lidar com as exigências do vídeo. 15/5/1996). “Globo aposta na credibilidade e substitui as beldades da previsão pelo meteorologista Carlos Magno. e vamos embora assim. junho de 1996). também não faltaram algumas críticas bem-humoradas: “Roupa estável. que vem apresentando a previsão do tempo no Jornal Nacional. o homem do tempo do Jornal Nacional. Era desagradável. brinca ele. o meteorologista Carlos Magno vem acumulando duas responsabilidades de peso: manter a margem de apenas 5% de erros nas previsões climáticas e esfriar o ânimo dos telespectadores saudosos das antigas meninas do tempo. revela que o difícil foi vencer o nervosismo diante das câmeras. Da calça. ‘Já sei que na sexta-feira o importante é se vai ter sol ou não no fim de semana. fora dela tinha uma empresa para tocar. ‘Não me preparei para ser apresentador. mas sabiam que eu era da Globo. ‘A emissora está tentando profissionalizar cada vez mais. com certeza.” (O Dia. Magno virou notícia em vários jornais e colunas: “Nota 10 para o meteorologista Carlos Magno. Em um fax enviado para a Climatempo. 12/5/1996). novos clientes para atender. ele é a cara do filho do general Colin Powell. por isso era preciso arranjar uma maneira de disfarçá-la.” A solução encontrada foi usar uma tinta para dar a impressão de que havia mais cabelo. Na área acadêmica. “Esse careca não pode ir ao ar. Quando o assunto é a previsão do tempo. conta ele.” Amauri Soares era o editor-chefe do JN e lembra que realmente foi preciso dar um “jeito” na calvície do meteorologista. precisa melhorar seu guarda-roupa. De qualquer maneira. até porque sabe exatamente do que está falando. mas não deixava de ser engraçado. Magno diz que sabe o que é notícia para o público. pois além do Jornal Nacional também passou a apresentar o Jornal Hoje e por fim o Bom Dia Brasil. como donos da Climatempo. no calor. 13/4/1996) “Satisfeito com a repercussão de seu trabalho. maquiado. sou uma autoridade’. Apesar da repercussão favorável na imprensa. foi difícil se acostumar com essas exigências do vídeo. estava em uma reunião e senti a maquiagem escorrer pelo rosto. chegando a afirmar que: “Estou longe de me enquadrar no padrão global. Isabel. Tenho certeza de que nos últimos dez anos foi a melhor coisa que se fez para a meteorolo- 46 . Olhavam com estranheza. Minhas antecessoras eram bem mais interessantes. poderiam participar. Amanhã vou mandar um maquiador para colocar uma peruca nesse cara”. ninguém sabe. lá está ele sempre envergando um paletó cinza de gosto duvidoso.’ Casado com Ana Lucia e pai de três filhos. ‘Não sou tão bonito quanto elas. mas garante que isso não mudou sua rotina. teria dito ele. Depois que estreou no Jornal Nacional da Rede Globo. Chova ou faça sol. O Globo. “peruca eu não coloco. Carta Capital. a meteorologia foi muito estimulante.” (Diário Popular. como reza a lenda do Jornal Nacional?” (Planeta Rio. C EFET e muitos outros jovens candidatos. Estará Carlos Magno de bermudas e sandálias japonesas. há três semanas. “Uma vez.no ar. Ele passa muita credibilidade. “O problema é que a careca brilha com a luz do estúdio. Carlos Magno. Carlos Leonam. Francisco Lourenço. Para Magno. reuniões que só ele e Ana. reagiu Magno. Se na telinha ele era o homem do tempo da Globo.. “Para os alunos da UFRJ .

Magno sentia-se incomodado pelas constantes abordagens feitas pelo público fora da emissora. Magno também se soltava ao começar a falar do que sabia. Aí todo mundo olhou para mim. (Uberlândia. No segundo. Rufino A. ficavam me olhando. “Mas. como a do telespectador Flávio Faria. “No primeiro mês. senti que as pessoas me olhavam desconfiadas. de Uberlândia: “Você deve estar se perguntando o porquê desta carta. Isso porque. em São Paulo. sou ‘fissurada’ de uma forma positiva (e até curiosa).. Francisco Lourenço”. Acontecia de estar em um parque com a Ana e as crianças e as pessoas chegarem para perguntar sobre o tempo. As abordagens sempre foram muito simpáticas. da ocorrência no Brasil deste fenômeno e se algo foi detectado naquele estado. Toda vez que sentava no trem. de uma forte e saudável amizade”. junho de 1996). (. do Rio de Janeiro: “Ia escrever-lhe no princípio do mês. como se diz. Até que tive de parar de andar de metrô um dia em que estava na fila para comprar o bilhete.. (.. Magno não sabia lidar com o assédio. “Queria ter uma certa privacidade com a família e às vezes não dava. Um cara que estava perto me viu. de Alencar Filho. se possível for. A popularidade alcançada no Jor- nal Nacional refletia-se em família. assim como Paulinho se transformava ao começar a cantar. Nas ruas a visibilidade proporcionada pela tevê também repercutia.” Respostas do público vinham também por meio das cartas recebidas na Globo. mas devido a uma viagem só agora o faço. Amauri Soares lembra que na Globo.) Antes a impressão que dava era de uma posição forçada ou de paralisia total do seu braço direito.. Fiquei muito envergonhado. a previsão do tempo”. e sim o princípio de um relacionamento tranquilo e. Ela foi feita no bom sentido. Indago a V. Pode ter certeza de que melhorou muito. Será uma forma bizarra de precipitação pluviométrica? Atenciosamente”. A figura do homem do tempo não era novidade no Brasil. encontrava-me no salão de embarque do aeroporto de Vitória. eu já era parado para dar autógrafo. Magno tentou manter sua tranquila rotina de trabalho indo todos os dias de metrô para a emissora. Magno era muito introvertido. relembra Amauri. cerca das 15h. “na dele”.gia nacional.” E assina: “Com a admiração do seu velho professor.) vi o apresentador do serviço de meteorologia da rede CNN movimentar os dois braços e num anúncio na tevê local a apresentadora apresentando (sic) um quadro de propaganda movimentar os dois braços. O Jornal Nacional não deixava isso acontecer. Apesar de realizado no trabalho. pois agora houve uma modificação total na sua postura. Outras sugerindo algumas mudanças de postura física na apresentação do quadro. Ao contrário do jeito sério e tímido de Carlos Magno. Depois que cheguei (. ficou muito conhecida na 47 . poucas eram grosseiras ou negativas. Sem ter a exata dimensão do que era aparecer todos os dias em horário nobre e na Globo. outubro de 1996). (Rio de Janeiro. Não se assuste. como a da estudante Cleide Graziely. como a de um médico veterinário de São Paulo. ele era conhecido como o Paulinho da Viola da meteorologia.. com uma atitude muito mais natural. com o intuito de construir”. ninguém acreditava que o homem do tempo do Jornal Nacional andava de metrô!” Muito tímido. julho de 1996). que escreveu: “No dia 10 de junho de 1996. Quando você está no seu lazer quer passar despercebido. é muito simples: tenho 19 anos.) Se já tivesse escrito ia achar que a minha observação tinha atingido o objetivo. Algumas delas pedindo orientação meteorológica. em São Paulo. Esta carta não pretende parecer um correio elegante. E ainda algumas mais calorosas. (São Paulo. curso o primeiro ano de jornalismo em uma faculdade local e sou ‘fissurada’ em você. virou para mim e disse alto: ‘olha lá o homem do tempo!’.Sª. parecendo não se tratar de um canhoto. começou a falar.. Eu segui em frente e fui embora. Desculpe a franqueza e a observação. aguardando o embarque para Fortaleza. além de uma certa semelhança com o compositor. quando divisei no horizonte nuvens carregadas e uma figura semelhante a um tornado.

depois de comandar o Jornal Nacional. não levei a sério e gosto mesmo é de humor”. renderam-lhe muita popularidade. Foi escalado para apresentar os jornais vespertinos: Bom Dia Brasil e Jornal Hoje. o quadro do tempo deixou de ficar preso a um formato. Por meio de uma linguagem mais solta e da sua participação durante o jornal. o São Paulo Já voltou a se chamar SPTV. passou a oferecer aulas de meteorologia para os jornalistas da Rede Globo interessados em se especializar no assunto. litoral de São Paulo. dentro desse novo estilo. mais voltado para a comunidade. pois. Magno passou a chegar a emissora às 48 . o jornalismo tem lá a sua dinâmica e. Na capital. aos 70 anos. fazia o Bom Dia. mas sim ator e comediante – tratava o quadro do tempo de forma descontraída. não deixou a telinha. Carlos Magno deu à meteorologia um caráter mais humano. na Praia Grande. Feliz foi uma das atrações do jornal Aqui Agora. assumiu a direção de jornalismo da emissora em São Paulo e implantou uma nova proposta de jornalismo. como diz Soares: “é o conteúdo que dita o formato. como apresentar o programa debaixo de chuva no estúdio. voltava para a emissora para fazer o SPTV e o Jornal Hoje. voltou ao ar em 2008. o aluno aprendia todas as etapas necessárias para chegar a uma previsão acima de qualquer suspeita. E o final vinha seguido por uma expressão que virou o seu bordão mais conhecido: “E piriri e pororó!”.” Em 1996. Amauri Soares. Nesse ano. Para atender a Globo.tevê a imagem do personagem Feliz. Assim. com as mesmas características para apresentar o quadro do tempo e os mesmos bordões. Na década de 1980. era o tom informal e descontraído com que a notícia era tratada. Por pouco tempo. porém. Feliz – que não era meteorologista. o SPTV privilegiava as notícias da Região Metropolitana de São Paulo. Sua figura chegava a incomodar os meteorologistas que não queriam que a imagem humorística afetasse a seriedade da profissão. que pode se considerado um dos precursores dos apresentadores do tempo. “Ia para lá de madrugada. mas pouca credibilidade. o Aqui Agora foi tirado do ar. quando a emissora paulista reviveu o telejornal. sem audiência. me- Õ Em 1996. Nova mudança de rotina. Felisberto Duarte morreu em agosto de 2008. Sem perder a seriedade. Durante um ano Carlos Magno apresentou o Jornal Nacional. do SBT . em determinado momento. ele aparecia em frente a um quadro com o mapa do Brasil. pesquisas feitas pela Globo indicaram a necessidade de voltar ao velho padrão das moças do tempo. na antiga TVS. atual SBT . O humor e as excentricidades do ator. onde morava com a família.” Nesse sentido. Mais experiente e seguro. a previsão extrapolou os limites de um cenário fechado e aproximou-se do público. Para ele uma experiência fundamental em sua carreira. e com uma antena apontava os decalques de sol e nuvens. como sobrou um resto de fita. com Carlos Magno à frente. Feliz foi escolhido na época porque decidiu dar à previsão um ar de brincadeira. a Climatempo. “Eram muitas meninas sendo testadas e. fazia os textos e ajudava a fazer a arte. Sempre iniciava a previsão com uma frase: “Boa noite e tempos felizes!”. e cada uma das afiliadas do interior mantinha um segmento dedicado exclusivamente a matérias da sua região. disse em entrevista ao Diário Popular. promover um diálogo mais solto e irreverente. saía um pouco para fazer ginástica. Humberto (Humberto Mesquita. Magno. na verdade Felisberto Duarte. segundo Amauri Soares. O destaque da primeira edição. No curso. no horário do almoço. No início da década de 1990. 4h30min da manhã. jornalista da TVS) pediu de brincadeira que eu lesse o texto diante de um mapa. Achei engraçado e li fazendo todas as palhaçadas que me vieram à cabeça. Afinal. Por um breve período. Contudo. Em seu lugar entrou a jornalista e atriz Fabiana Scaranzi. e não o contrário. a ideia era aproximar o jornal da comunidade. de 12 de maio de 1996.

Sinal de novos tempos e embrião do grupo. revistas e televisão pouco esclarecem ou. também ajuda a prever o clima da sua região com boa confiabilidade. mais condições de crescimento e estabilidade como empresa. A tecnologia. Os gráficos e os mapas que aparecem em jornais. gostaria de agradecer ao sr. na administração da fazenda. no tratamento do solo. “Foi então que decidi montar uma outra empresa. interior de Minas Gerais. explica Magno. Fiquei mais solto no ar. Em 1996. Claro que a visibilidade conseguida por meio da emissora carioca deu à Climatempo maior credibilidade e. A prova de que a Climatempo consolidava-se a cada dia no mercado nacional era o interesse de setores da economia que até então desdenhavam a meteorologia brasileira. contribuir um pouco com os homens e mulheres que escrevem a história da cafeicultura nacional. Ao contrário. Carlos Magno foi convidado pela Cooperativa dos Agricultores de Guaxupé. foi Soares quem mudou o conceito de jornalismo participativo do SPTV e valorizou o quadro do tempo. A previsão atendia várias editorias: Globo Rural. Não queriam perder esse pessoal já experiente que estava junto na empresa. José Geraldo. Na maior parte das vezes em que os agricultores ouvem falar sobre El Niño e La Niña. para a agência. pela oportunidade e honra de escrever para este jornal. Mas não é verdade!!! Podemos fazer. é quando a seca ou a chuva é muito forte e suas consequências já estão sendo sentidas no País. Chamamos de Agência Climatempo e todos da equipe passaram a ter uma participação. A ideia era trazer todos os contratos que não eram de longo prazo. O que falta é saber como fazer. sem que isso onerasse muito o meu fluxo de caixa. eu estava lá e à tarde ia a Ana.” Essa dedicação à Globo não se restringia apenas a Carlos Magno e a Ana Lucia. relembra Magno. ou pelo próprio agricultor. O tempo que Magno e Ana dedicavam à Globo não prejudicava a qualidade de serviço prestada a outros clientes. Bom Dia Brasil. “Criamos um quadro de sucesso com as conversas ao vivo com o Chico Pinheiro. De manhã. La Niña e seus impactos no dia a dia do cafeicultor brasileiro. Titãs e até cobrando do governador Mário Covas maior investimento na meteorologia de São Paulo”. Bom Dia São Paulo. a Climatempo desdobrava-se em duas: Climatempo Consultoria e Agência Climatempo. “Ana e eu dávamos muita atenção para a Globo. e até quem sabe. se uma empresa como a Globo prestigiava os serviços da Climatempo. a escrever um artigo sobre o clima e. pouco se pode fazer sobre o assunto. mesmo quando conseguem explicar. Mas não era fácil. sem dúvida. Imaginem quantas decisões poderiam ser tomadas com mais segurança e com pouco desperdício de dinheiro usando estas informações? Mas aí você pergunta: até aí tudo 49 . A Ana gostava muito disso e se deu muito bem lá. e inclusive outras ‘praças’. Para ele. ou seja. da Cooperativa de Guaxupé. Montei a empresa e chamei o Rogério para ser sócio. Para um mês o acerto é superior a 90% e 3 meses superior a 80%. que ajuda a agricultura com aumento da produtividade. El Niño. especialmente. como não acreditar na sua seriedade? Resultado: foi um período de grande crescimento da empresa. cantando ao vivo com o Paulinho da Viola. com isso. sobre dois fenômenos meteorológicos de nomes curiosos que confundiam a cabeça dos agricultores: “Antes de falar sobre o clima. Toda a equipe da Climatempo estava envolvida no atendimento aos clientes. O uso de supercomputadores que processam bilhões de informações por segundo permite aos climatologistas atuais prever o comportamento da chuva.nos formal. Tanto foi assim que nesse período Carlos Magno e Ana Lucia estavam preocupados em crescer de forma sustentável. e fazer muito sobre esse assunto. na escolha da semente. A agricultura. foi a que mais se interessou pelos serviços da empresa. tinham consciência de que era preciso pagar melhor os meteorologistas para mantê-los como um grupo coeso. e fazíamos a distribuição dos lucros ali mesmo”. A Globo exigia demais da gente. temperatura e outros elementos que definem o clima de uma região com índices de acerto superior a 60% até seis meses. como Rio de Janeiro e Minas Gerais. avulsos.

a temperatura da água do oceano Pacífico equatorial fica acima da média. que a cada dia estão mais precisos com o uso dos computadores. em contrapartida. Em todos estes anos. Sabia-se que naqueles anos a pesca ficava mais difícil no Pacífico equatorial. fornecendo enorme quantidade de calor e umidade. os efeitos das chuvas. associada à distribuidora NET . e a Globosat e começou a operar em novembro de 1996. Nos boletins eram dadas informações sobre as condições meteorológicas das principais lavouras em todo o Brasil. pesquisadores vêm desenvolvendo modelos ou maquetes que simulam matematicamente a circulação da atmosfera e sua interação com os oceanos. a concessão de licenças para operação foi regulamentada. do clima na próxima estação. com os satélites e estações de pesquisas. serviço de meteorologia específico para a área rural e programas dirigidos a agricultores. a TVA e a Globosat. O nome El Niño foi dado há mais de um século pelos pescadores do Peru. pois o El Niño intensifica a massa de ar subtropical do Atlântico. O Canal Rural surgiu de uma parceria entre a RBS . 50 . Ao longo das três últimas décadas. a tevê paga. a década de 1990 ficaria marcada como o início das operações das televisões a cabo. que o observava durante o Natal. Essa tendência. Em 1997. um ano depois entrariam em operação as primeiras redes de tevê a cabo. porque seus efeitos no clima sobre o planeta algumas vezes são desastrosos. A empresa paulista ficou então responsável pela produção dos boletins diários e da divulgação de todas as notícias de cunho meteorológico. modificando a circulação dos ventos sobre o continente e mudando o clima de onde vivemos e plantamos. de alguma forma. a situação das barragens e das produções com o monitoramento sistemático do clima. surge a Agência Nacional de Telecomunicações ( ANATEL). o mesmo que modernizou o BBS e Õ Para a telecomunicação brasileira. com os olhos voltados para o interior do País. Sua programação era totalmente voltada para o setor agropecuário. com a promulgação da lei de tevê a cabo. pecuária. como foi observado em 1975. o inverno é frio e ocorre seca na primavera. No Brasil. grupo de comunicação do Sul do Brasil. facilita a penetração de massas polares mais fortes durante o inverno. com destaque para análises do mercado. causando a seca”. Nesse cenário de expansão das teles. Para isso. nasceu um novo canal voltado exclusivamente para o setor rural brasileiro: agricultura. além da imagem de satélite NOAA-14. mas o que é que o El Niño tem a ver com isso? É que os oceanos interagem com o movimento da atmosfera. a Climatempo utilizava todos os dados disponíveis. Hoje em dia. provocando enchentes e deixando o Nordeste seco por vários anos. (Carta de Carlos Magno à Cooperativa Agrícola de Guaxupé) que passaria a funcionar como órgão regulador dos serviços de telecomunicações. que por sua vez bloqueia as frentes frias no Sul. trazendo as temidas geadas para o café. No início de 1997.bem. consequentemente. Nesses anos. Somente em 1995. Uma das novidades que surgiram nesse período foi um software desenvolvido por Rogério Leite. a relação do El Niño e o clima das regiões Sul e Nordeste é mais direta. enfim. o Canal Rural decidiu contratar a Climatempo para implantar todo o serviço de meteorologia. Em 1990 aconteceram as primeiras concessões de televisão por assinatura. agronegócio. Para a região cafeicultora não é o El Niño e sim o período de mudança para o La Niña. é possível acompanhar com detalhes o deslocamento das manchas de temperatura sobre os oceanos e com o uso de computadores prever o comportamento do fenômeno nos próximos meses e. o Pacífico equatorial deixava de ser quente e tendia a ser mais frio. que é o contrário – temperatura da água do oceano abaixo da média – e traz consequências mais diretas para o café. entre 8 e 13 anos. Periodicamente. com sede em São Paulo. O El Niño é a mais estudada e observada corrente oceânica. inclusive das tevês por assinatura. as frentes frias passam com mais facilidade na primavera. 1985 e 1994.

a emissora ainda estava passando por reformas. Eu me organizava com tudo isso. a Climatempo. enquanto preparava os boletins. Bebel. quietinha e dormindo ao seu lado. em 1996 já estávamos recuperados. Globonews. que era de cinco minutos a cada meia hora. praticamente nunca ficavam doentes. Naquele momento. para deixar Bebel. a chuva é fundamental para uma boa safra.. Para ele a previsão do tempo era de suma importância para atender aos objetivos da nova emissora. “Uma coisa que me marcou foi ter de levar a Isabel para dentro do Canal Rural em obras. adoráveis. era o diretor do canal em São Paulo. relembra Magno. porque do contrário a lagarta do caruncho vai aparecer’”.. com muita febre não tinha ido para a escola. relembra Ana Lucia. Meus filhos sempre foram colaborativos. não havia um local apropriado. a bichinha deitada no meio da poeira. Sem ter com quem deixá-la. além de propor o conteúdo da grade de programação. mas no final acabei não me tornando apresentadora”. mas trabalhou incansavelmente na formatação da meteorologia do Canal Rural. Um trabalho absolutamente minucioso. “Dois anos depois de uma forte crise. que o milho está formando sabugo. Eu e o Magno já éramos bastante experientes na formatação de textos e apresentação de boletins de previsão. eles colaboraram.” A essa altura do campeonato. no Canal Rural tivemos de entrar em detalhes que nunca havíamos trabalhado. “Um dia o Amauri Soares disse pra mim: ‘você podia ser uma moça do tempo. “Tínhamos uma caderneta com fontes para nos ajudar a juntar as informações de agricultura e meteorologia. Ana Lucia nunca escondeu que ao lado da meteorologia sua grande realização estava em ser mãe. era difícil se dividir nesses momentos. Ele facilitou a vida do previsor: bastava lançar os dados dos modelos no PREVPLAN para gerar a informação que era então avaliada pelo meteorologista. O jeito foi acomodá-la da melhor maneira possível. TV Globo. Ana Lucia não foi para a frente das câmeras.que era responsável pela área de TI da empresa. Primeiro. No meio dessa história quando apareceu o Canal Rural. sem querer deixar de cuidar da menina. levou-a junto para a tevê. falando do tempo no Brasil e no mundo e sua influência na agricultura. Dependendo do produto agrícola. Ela e sua equipe fizeram um profundo levantamento de fontes e dados produzindo uma disputada agenda com nomes de todo o Brasil que pudessem fornecer informações sobre a área agrícola ou sobre as condições climáticas. As pessoas sempre me perguntam como eu conseguia trabalhar e cuidar de meus filhos. Raul Costa Jr. eu consegui. era só treinar sua voz’. 51 . e mais. “Estamos mudando o conceito de tempo bom e tempo ruim. sem poeira ou barulho. Por outro lado. Por isso procurei uma fonoaudióloga para cuidar da impostação de voz. definiu as imagens e mapas. Por isso. dominando o mercado e fornecendo informações para os mais importantes veículos: Canal Rural. esse programa gerava a previsão do tempo para todos os municípios brasileiros e mais tarde até para algumas vilas. Segundo. fiz muitas aulas com ela. Ana Lucia não se esquece de um dia em que precisava ir para o Canal Rural e sua filha mais velha. Aí começamos a pensar em ter a nossa própria TV”. consultoria e agência. montou o padrão dos boletins. Várias pessoas no Canal Rural nos pediram para copiar essa caderneta. No canal. Denominado PREV PLAN.” Trabalho cuidadoso e muita dedicação. Era só o começo de mais uma longa jornada de aprendizado e crescimento da Climatempo. do tipo: ‘não está chovendo agora. precisa chover. que na época ficou muito envolvida com esse novo desafio. Eu achava minha voz ridícula. a ideia inicial era eu apresentar os boletins. praticamente atuava em todo o mercado.” “O Canal Rural envolveu toda a equipe da empresa. Pior do que isso.

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porém. Afinal. fez da empresa uma potência. em São Paulo. Waldemar Stefan Barroso. “Aos 15 anos rogamos uma praga positiva e deu sorte. tínhamos por volta de 15 anos. trabalhar muito. estabeleceram metas. lembra Magno. chegou a hora de ir para a faculdade. trabalhadoras que batalhavam para educar os filhos. Como bom empreendedor. Na banda. E mais. começamos a pensar o que queríamos fazer da vida.” Enquanto isso. Ele foi nosso padrinho de casamento e depois padrinho da Isabel”. e entre uma meta e outra montamos uma banda para tocar entre amigos”. puro rock. Os dois tinham muito em comum: ambos vinham de famílias de classe média de Copacabana. em um bar do Rio. formaram a Aves e Ovos. terminar por volta dos 20 anos. Subimos no Logo. Atlântica.” Essa identidade os aproximou ainda mais e era nas longas caminhadas pelo calçadão da praia à noite que discutiam o futuro. TV Climatempo. recorda Waldemar. crescer muito e aos 30 anos seriam donos da própria empresa. lá pelos idos dos anos 1970. “Tocávamos muito rock”. mas não deu muito certo.” Como bons futuros empresários. “O Rio nos anos 1970 era um outro Rio. Curitiba e Belo Horizonte. Waldemar foi morar fora do Brasil e. e ali a amizade se fortaleceu. por volta de 1995. naquele momento. em um clube na Tijuca. nas peladas disputadas na praia. A partir dali. “Em 1995 já estávamos com 188 funcionários espalhados pelo Rio. Combinaram então. depois. É difícil imaginar que por trás do jeito tímido e sério do meteorologista Carlos Magno existiu um verdadeiro roqueiro. Vitória.” 6 . Waldemar lembra que os dois. o que dá mais ou menos uns dez quilômetros. Nesse dia. que praticamente dominou o setor. entre um chopinho e outro. O pessoal começou a se mexer e. montou sua empresa de comunicação corporativa e eventos. já sabiam o que queriam. Waldemar passou pela Oceanografia antes de se definir pelo Desenho Industrial. São Paulo. Quando chegava a época do Natal. Conheceram-se ainda adolescentes. “Uma vez fomos tocar em um festival religioso. aí começamos com nosso som. Foi um sucesso total. Bom. na casa dos 30 montamos as nossas empresas. Waldemar acompanhou de perto a gestação da Climatempo. Magno seguiu a Meteorologia. relembra Waldemar. A gente costumava andar de Copacabana ao Leblon. que os dois iriam fazer faculdade.“Q uer saber de uma coisa? A Climatempo nasceu em uma caminhada pela Av. Tudo muito discreto. a Promeeting. um sonho que Canal do tempo 53 “Foi uma caminhada histórica para mim e acho que para ele também. Os organizadores até que tentaram diminuir o entusiasmo. uma ideia começou a germinar na cabeça dos dois. o que a gente podia realmente fazer para não ficar naquela vidinha.” palco depois de uma série de músicas calmas. Nós dois. quando vimos. fez parte de um sonho que anos mais tarde se concretizaria na criação de um canal de televisão. com outros cinco amigos. Os anos se passaram. tinham afastado cadeiras e mesas e dançavam feitos loucos. ida e volta. Apesar da seriedade com que encaravam o futuro. fizeram um planejamento estratégico e atingiram objetivos. estudavam em escola pública. primeiro como Canal do Tempo e. a Climatempo já era uma realidade. eu e o Magno. Waldemar e Magno cresceram juntos em Copacabana. “Ao longo do tempo acabamos nos encontrando várias vezes para conversar. Amigo de infância de Magno. fomos convidados para tocar em festinhas de amigos. para lá. Waldemar se lembra de uma em especial.” Quem conta com tanta segurança essa história é o empresário e compadre do casal Ana Lucia e Carlos Magno. ambos perderam os pais muito jovens e tinham consciência da necessidade de ajudar as mães. Em um desses encontros. os dois jamais deixaram de aproveitar a vida. Na verdade. românticas e tal. eles precisavam de gente para trabalhar e ela nos levava. o Barboza Freitas. Magno foi baterista e vocalista. “Minha mãe era compradora de um grande magazine no Rio. A gente trabalhava então nas férias vendendo brinquedos. Interesses diferentes separaram os dois. Tínhamos pouca fama e muita grana. na volta. na zona sul do Rio.

Ainda de propriedade do complexo Landmark Communications. que viram ali um novo desafio para a Climatempo. que também era dono do Travel Channel e na época na NET/Globosat. é uma solução sem precedentes e única no mercado. Naquele período. mas não aguenta- ram. veio com a notícia da chegada ao Brasil do canal norte-americano The Weather Channel. fecharam. que desenvolvia softwares de meteorologia para televisões dos Estados Unidos. dizia Ana Lucia. o Banco Nacional era um dos clientes da Promeeting. e Waldemar não pensou duas vezes em propor ao cliente o bom negócio. e agora está maduro para receber o nosso projeto”. Em 1997. Contrataram em dólar. Esta informação está sendo veiculada em todos os meios especializados de TV a cabo. Desde 1982. as boas idéias não ficam apenas na imaginação. Mas no The Weather Channel temos previsões baseadas nas tecnologias mais avançadas. Com o mercado de tevê paga a todo o vapor. vários canais negociavam sua distribuição por operadoras no Brasil. montaram a Central Band de Tempo. a busca por recursos para a implantação da nova tevê motivou Magno e Ana. Novas tecnologias eram avaliadas visando à possibilidade de gerar imagens meteorológicas com quali- dade para o veículo televisão. Seu slogan era “nenhum lugar no mundo tem tempo melhor”. Um deles foi o The Weather Channel. incentivando a parceria. programas espe- 54 . quando ainda em 1995 o banco foi à falência. Ricardo Maldonado. (08/6/1999) “A ideia era usá-los na nossa tevê. Elas querem ação. o outro tinha um bom e pouco explorado conteúdo nas mãos. A opção para operar no Brasil fazia parte do objetivo de atuar na América Latina. o TWC já estava nas tevês do Peru e da Argentina. O entusiasmo com a nova empreitada transparecia nas mensagens enviadas a Magno: “De acordo com nosso engenheiro de software. que fez com que a Time Warner passasse na frente de todo mundo. Tudo parecia caminhar. contrataram todos os profissionais que a gente queria para a nossa tevê. primeiro registrando o nome Canal do Tempo. De parceiros passaram a concorrentes. “Há anos planejamos um canal brasileiro. a meteorologia é apenas conversa para passar o tempo. O mercado é virgem.voltou a aproximar os velhos amigos. Waldemar tratou de tornar real o sonho. depois correndo atrás de patrocínio. Enquanto um possuía toda a experiência em comunicação. Estou pronto e decidido a entrar com essa tecnologia no Brasil. mas o que aconteceu é que nós acabamos abrindo os olhos deles para o mercado brasileiro. adiando por algum tempo a realização do negócio. praticamente inexplorado. a TWC difundia informações meteorológicas 24 horas por dia a cerca de 80 milhões de residências nos Estados Unidos. com programação em português e que atinja vários segmentos da sociedade.” A certeza de que estavam no caminho certo. Então. Ricardo Maldonado”. A experiência adquirida na Rede Globo e também no Canal Rural ajudou a abrir caminho. o TWC preparou uma estratégia agressiva de divulgação na mídia. um Canal do Tempo? Em pessoas empreendedoras. com anúncios em páginas de revistas especializadas e em jornais. um dos executivos da WSI. E a Climatempo assumiu a central da Bandeirantes em 2001. inclusive em classificados para a contratação de pessoal: “Para a maioria dos profissionais. Um abraço. TWC (The Weather Channel) irá ter uma coisa parecida no próximo ano. No Brasil. porém. canal de informações meteorológicas que vislumbrou a possibilidade de dominar a área na tevê a cabo brasileira. Imagens de satélites não eram suficientes. por que não juntar as duas coisas em um poderoso veículo e criar o próprio canal de televisão. Ana Lucia chegou a viajar para os EUA para conversar com os executivos da empresa. Em seis meses. E foi assim que conheceram a empresa norte-americana WSI (Weather Services International). Eles vieram para cá. “Cheguei até a sugerir que eles voltassem com o símbolo do guarda-chuva”. mantinha contato constante com a Climatempo. lembra ele. ainda em 1997. Foi uma época da maturação de um sonho. Ao longo de 1997.

estou lhe escrevendo para um esclarecimento seu. queremos conhecê-lo. mas hoje há tecnologia de ponta nesse setor. e para isso precisava de conhecimentos tanto científicos quanto de comunicação televisiva. foi montado também um site em que eram transmitidas as condições meteorológicas em tempo real e a previsão para cidades do Brasil e do mundo. Carlos Magno ainda era o homem do tempo do Bom Dia Brasil. O TWC ainda iria ser um concorrente de peso ao longo dos anos. Apesar da contratação de brasileiros. Os candidatos bilíngues (Inglês/Espanhol ou Inglês/Português) serão preferidos (. para os candidatos que possuam um diploma universitário em Meteorologia ou uma experiência equivalente.. lamenta Carlos Magno. vários setores da agropecuária. e a ideia era criar uma programação exclusiva para o Brasil. O editor-chefe da emissora na época. perguntava-se Carlos Magno. como a do senhor José Jordão. “Formamos a equipe brasileira para The Weather Channel”. Geórgia. A presença do TWC no Brasil deu novo estímulo à ideia de criar um canal do tempo nacional. Em 1999. Agência Estado. Rede Globo e Canal Rural. Os negócios na Climatempo iam muito bem. com experiência e pronto para fazer parte de uma organização de classe mundial em fase de expansão na América Latina. mais ou menos. The Weather Channel estava disponível nas operadoras de tevê a cabo brasileiras Sky. há perguntas curiosas. Para funcionar no Brasil.) Oferecemos salários e benefícios competitivos com o mercado. Praticamente dominando o mercado. Eduardo Mack.) Fomos acostumados a não acreditar em previsão do tempo. construtoras e produtoras de vídeo.. temos as seguintes oportunidades de contratação para o nosso escritório de Atlanta. As cartas recebidas naquele período mostram bem isso. Nelas. além de pioneira. O que eu gostaria de saber é o se- 55 . No momento. Aqui em casa tenho dois pés de cedrinho. de Suzano. e ampliando sua carteira de clientes para indústrias. O anúncio pedia desde diretor de meteorologia para trabalhar em função executiva.. veterana na área.ciais e cobertura confiável em casos de emergências. dizia em entrevista ao jornal O Globo: “Nosso desafio é mudar o pensamento dos brasileiros em relação à meteorologia (. O resultado é que. A faísca estourou a coluna onde estava instalada a campainha. SPTV e Jornal Hoje. toda a estrutura do TWC foi montada em Atlanta. em torno de 10 milhões de dólares nos três primeiros anos por aqui. com investimentos altíssimos. danificando toda a instalação. a poderosa rede de telecomunicação norteamericana NBC Universal comprou o TWC por um valor estimado em 3. Ao completar dez anos. a operadora ainda não havia conquistado o público brasileiro.. em dezembro de 2002. Na época. eram grandes as expectativas. O canal oferecia ao Brasil praticamente a mesma programação veiculada em toda a América Latina. inclusive já caiu um raio ou uma faísca em uma delas.). Ana e Magno mantinham a rotina de elaboração da previsão do tempo na Rede Globo... Com a cabeça mais voltada para a própria tevê. o nosso canal é assunto de conversa de todo o setor. TECSAT e também na NET/Sul. a empresa já era. até sair definitivamente do Brasil por questões financeiras. conseguia manter a empatia com seu público. em São Paulo: “Prezado senhor Carlos. As árvores ficam a seis metros da frente da casa. Em 2008. agora. “Se eles entravam no nosso mercado. até dentro de casa. Apesar dos dois anos de Brasil. com uns sete metros de altura. Além da programação para a tevê. No vídeo. em 1998.5 bilhões de dólares. porque não fazer uma televisão brasileira voltada para brasileiros?”. mantinha os contratos antigos com seus primeiros parceiros: Eldorado. o TWC levou metade da equipe da Climatempo que trabalhava na produção do Canal Rural desde 1996. The Weather Channel se baseia em informações de um satélite com tecnologia da Nasa”. árvore de Natal. além da oportunidade de trabalhar com um dos mais importantes empregadores do setor de TV a cabo” (. Se você é um profissional de meteorologia. até apresentadores com fluência no inglês e também no português.

Ou seja. Segundo ela. a ABTA 98 – Feira e Congresso Internacionais da TV por Assinatura. 09/3/1998). a associação reuniu cerca de 300 expositores em uma área de 10 mil 56 . mas vou escolher um bem bonito.1 graus (. respondendo minha carta ou telefonando para mim. Uma festa que estava sendo organizada para comemorar os dez anos da empresa seria o lugar perfeito para fazer o lançamento oficial do Canal do Tempo. A data pode ser 6 de novembro”. Ana Lucia de Macedo.. 28/7/1998). sou sua admiradora número um.) Para Ana Lucia. Mal sabia ele. provocando chuvas no sábado à tarde e no domingo. Gostaria que o amigo me explicasse as indagações abaixo: 1) qual a área que se leva em conta. da empresa Climatempo. ficaria conhecido durante uma feira da Associação Brasileira de TV por Assinatura. Mando beijos e abraços e desejo muito sucesso para você. Da sua fã. Só que agora com uma sutil diferença: a Climatempo ganhara identidade própria. que um barulho muito maior iria lançar o novo canal brasileiro voltado para a meteorologia. Já comecei a enfeitar a árvore com latinhas de refrigerantes e cervejas para o ano 2000. Com toda pompa e cerimônia e ainda com direito a disputa na Justiça. em função da quantidade de água. a simplicidade do senhor Euvaldo Aragão. não faltavam as cartas de fãs mais ardorosas que se encantavam com sua figura no vídeo: “Meu nome é Ângela Maria. 20/3/1998). 21/ 9/1997). Você me perdoa. ainda não sei o lugar. os meteorologistas. passaram a ser identificados como da Climatempo. Sem mais para o momento. quando escreveu para o amigo Waldemar. que seria a sétima. A ABTA na época era a principal responsável pela divulgação da televisão paga no Brasil. para se calcular a quantidade de água coletada. aguardo ansiosa sua resposta. futura TV Climatempo. antes denominados da Agência Estado. O esquema armado para atender a Agência Estado funcionava maravilhosamente. Gostaria de saber seu estado civil. Portanto. “Apesar do calor. da TV Globo. de Petrolina: “Sou assíduo telespectador do programa Jornal Hoje. atenciosamente subscrevo-me”. mas eu acho você supersimpático e muito lindo. planejava Magno.. em julho de 1998. estou imaginando um evento para 200 pessoas. “Com relação ao coquetel dos dez anos da Climatempo. “A explicação da meteorologista Josélia Pegorim. Nessa feira. sua idade e de onde você é. E. A forma seria umas palavras minhas e da Ana e a apresentação da história da empresa e os novos desafios para o futuro. de onde assisto atento à previsão do tempo. (Cachoeiro do Itapemirim. Seria às oito da noite. O público básico deve ser o pessoal dos meios de comunicação mesmo.” (O Estado de S. a meteorologista da empresa Climatempo. mais uma vez. quando chove. é a grande massa de ar seco que atua sobre a maior parte do Brasil e impede a entrada de frentes frias e de massas polares vindas do Sul do País. Quem sabe podemos lançar o Canal do Tempo. recolhida pelo pluviômetro? 2) qual a relação existente entre a abertura do pluviômetro e a quantidade de água por ele captada? 3) a quantos metros cúbicos corresponde um milímetro de chuva? Faço tais perguntas porque se fala tanto em milímetro de chuva e nada se sabe sobre as regras para calculá-los. afirmou que ainda não foi registrado recorde de temperatura para o mês de agosto na capital. (Petrolina. 14/10/1998) Em outra carta.” (O Estado de S.guinte. gostaria muito se você pudesse me dizer. apresentada por vosmecê. Pergunta: É possível que a claridade das latinhas possa atrair raios?” (Suzano. o Canal do Tempo. Mais uma evidência de que o nome da empresa já ganhara luz e era conhecida e respeitada pelo público. portanto. JT e demais clientes da AE e também para as matérias. Toda a equipe já estava afinada para manter o fluxo de informação necessário para as colunas feitas diariamente para o Estadão. em 31 de agosto de 1995 a máxima chegou a 33. assisto o Jornal Hoje só para te ver. Paulo. Paulo. Ângela Maria”. Os sistemas estão sendo desviados para o oceano antes de influenciarem o clima no Sudeste. a frente fria vinda do Sul deve atingir o leste e o sul do estado. Viu? Não é tão difícil assim.

Eles estão usando a marca Canal do Tempo. O Globo.. 31/8/1998) A boa receptividade da mídia. na zona oeste de São Paulo. “Imagine. onde vi que o The Weather Channel vem com tudo para oferecer mapas para o Brasil.” (Meio & Mensagem. Disney. e foi aí que a encrenca começou. que detinha o registro da marca no Brasil. São milhares de clientes em potencial. como Fox. o Waldemar. Eu era o homem do tempo da Globo.. e isso certamente criará um certo rebuliço na feira. que presta serviços de previsão do tempo para veículos de comunicação. ela seria usada durante a feira para apresentar a nova emissora. A expectativa era grande. que os outros estandes eram grandes e bem estruturados. comprando acessórios e madeira para montar nosso estande. para os executivos que vão viajar e para os agricultores” (Revista da TV. o nosso é mais bem localizado. Além de boletins específicos para cada região do país. porém. que ocorre entre os dias 22 e 25 de setembro. O pessoal do TWC viu nessa publicação o nome Canal do Tempo. Você pode colocar a vinheta da Climatempo na fita. A animação. Apesar de o estande deles ser maior. informando que a Climatempo e a Promeeting não poderiam usar a marca. no sábado de manhã estávamos na rua do Gasômetro. Waldemar e Rogério Leite passaram o fim de semana montando o novo estande. também?”.metros quadrados no Internacional Trade Center. o que aconteceria durante a feira. (.” Quinze dias antes da feira saíram os catálogos destacando quem iria participar.” Parecia que Magno estava prevendo. Ao contrário. Apesar do entusiasmo.. que ficava ao lado de grandes redes. montamos uma grade de programação”. po- 57 . negocia com diversas operadoras o lançamento do Canal do Tempo. 20/9/1998). um executivo. lembra Magno. E ficou bonito..) Afinal.. Por isso. vamos começar a transformar um sonho em realidade. Para ele era frustrante não participar. como os verdadeiros detentores da marca. acho que poderíamos aparecer para o mercado. O lançamento de um canal de meteorologia foi notícia em vários jornais: “Carlos Magno. quando perceberam que tinham subestimado a feira. haverá blocos voltados para os jovens que querem surfar. A programação será segmentada. Algum tempo antes. resolveram virar o jogo. “A feira seria aberta na segunda-feira. chamando o público para visitar o nosso canal do tempo. que era deles. os problemas despontaram antes mesmo do início da feira. empresa de consultoria que tem como sócio o meteorologista e apresentador da Rede Globo. estávamos fazendo o lançamento de um nada. Agora. que estava acostumado a organizar eventos e não teve muita dificuldade em criar um estande impecável. era uma ideia. durante as conversas em torno da tevê. O projeto é da Climatempo Meteorologia. escreveu para Waldemar dizendo que estava na feira da ABTA e que queria retomar o projeto do canal de tevê. “A ABTA 98. já que a marca não é deles. ainda em julho. Queríamos ter feito prospecção para ver como o mercado brasileiro de tevê por assinatura encarava uma emissora nacional com esse tema. “Fizemos pilotos de alguns programas. marcará o lançamento de um novo canal brasileiro: o Canal do Tempo. Valeu a pena. entrevistamos o Torben Grael. “A questão do Canal do Tempo me passou pela cabeça em um coquetel realizado na ABTA para o lançamento da feira. Carlos Magno não pensou duas vezes quando soube do evento e viu que o TWC estava fazendo a maior propaganda. “Na verdade. Waldemar havia produzido uma fita-piloto para mostrar o que tinham em mente para o canal. em São Paulo. mas. Não poderíamos nos apresentar daquela maneira. deixando tudo mais bonito. Eles mandaram uma notificação para Waldemar Stefan. dizia um animado Magno.. era maior.” Carlos Magno. dono da Climatempo. Tudo graças à experiência de Waldemar. pequeno e improvisado. e nós dois éramos vistos no local da feira pregando coisas. O aviso com tom de ameaça não intimidou os dois sócios. e o da Climatempo. Sony. só isso. no centro de São Paulo. quem é o verdadeiro Canal do Tempo? Nós ou eles? Estou encomendando uns banners para colocar logo na entrada.

desde esse episódio.” Foi então que a tevê nacional passou a ser denominada TV Climatempo – Canal do Tempo. dizendo que isso era um absurdo. no mesmo dia. Paulo Parente. Virei para ele e disse: ‘Meu País tem lei. não deve deixar as coisas por isso mesmo. Ao longo de 1998 e depois do epi- 58 . que ainda assistiu de camarote ao pessoal do canal norte-americano tapar a logomarca Canal do Tempo. Carlos Magno esclareceu. 25/9/1998). a nova ordem era para que The Weather Channel deixasse de usar a marca Canal do Tempo. mas que para a feira não daria tempo de criar novas vinhetas para demonstração. Segundo Waldemar Stefan Barroso. o pedido foi aca- tado ontem pelo desembargador Sérgio Feltrim Corrêa”. Em outubro de 1998. o jornal O Globo acompanhava a briga entre os canais: “Até agora. Na mesma hora. entraram com pedido de suspensão da proibição. que deve nomear o canal que a empresa lançará em fevereiro. ficariam bastante tristes”. Contudo. ‘especialmente na ABTA 98’. Você. Não foi nada fácil ver tudo sendo retirado ou coberto. no entanto. sede do canal. Ainda durante a feira. diretor da Promeeting. O Weather Channel (Sky). “Acho que. Sentei na cadeira e me senti muito mal”. assegurando que tudo iria se resolver. “O resultado foi que nós cedemos o nome Canal do Tempo e passamos a usar a TV Climatempo. a surpresa: uma liminar da Justiça proibia a Climatempo de abrir o estande e acusava a empresa de usar a marca Canal do Tempo de forma ilegal. a Promeeting ficava impedida de utilizar a marca. o advogado dr. primeiro dia de evento. Na segunda-feira. A Climatempo e a Promeeting receberam a notificação segunda-feira e. acatou um pedido do The Weather Channel de obstruir a utilização da marca Canal do Tempo pela parceria entre a Promeeting e a empresa de previsão meteorológica Climatempo. O Globo. Na sexta-feira (antes do início da feira) o juiz Rogério Tobias de Carvalho. E foi isso que aconteceu. Magno já havia decidido mudar o nome da emissora para tentar acabar com a polêmica. no dia seguinte. de verdade.” (Revista da TV. avalia Magno. “Foi um baque. Os trâmites da Justiça têm dessas coisas: a uma liminar segue-se uma contraliminar. Isso fora o constrangimento diante de tantos expositores. Do outro lado da linha procurava acalmar os ânimos.rém. uma terça-feira. edição 4. finalmente chegou-se a um acordo. uma outra decisão anulou a primeira e o estande da Climatempo pôde enfim exibir o que seria o novo canal. Parente. Mateus Levi. (Boletim ABTA 98. 04/10/1998) Esse foi só o início de uma longa batalha judicial que duraria um ano. Mais do que isso. Por isso nos pagaram uma quantia que pôde financiar os primeiros equipamentos da tevê. conta Magno. Como bem previra o dr. O sonho parecia estar indo por água abaixo. essa briga repercutiu nos meios de comunicação. Agora era tocar adiante e tornar a TV Climatempo real.” Resultado: a TWC brigou com uma tevê que nem existia e ainda ajudou indiretamente a implantá-la. O boletim distribuído durante a feira dava a dimensão da disputa: “O tempo fecha nos canais do tempo. Os oficiais de Justiça não titubearam ao determinarem que o estande fosse lacrado. se eles soubessem disso. Após o entrevero na feira. que reivindica o nome. retire-se do meu estande’”. da 2ª Vara do Rio de Janeiro. deve ter atiçado ainda mais a ira do concorrente norte-americano. “Conversamos na semana passada com o The Weather Channel e lhes dissemos que pretendíamos adotar o nome TV Climatempo. lembra Magno. por favor. Segundo Carlos Magno. foi acionado. Pela decisão do juiz. no enorme estande destinado a eles. A decisão revoltou os representantes do canal norte-americano. A disputa pelo direito de usar a denominação Canal do Tempo acirrou-se durante a ABTA 98 entre o norte-americano The Weather Channel e o brasileiro TV Climatempo. “No mesmo instante veio o cara do TWC . O primeiro round estava ganho. Com o tempo ficou apenas TV Climatempo. meu advogado conseguiu derrubar a sua liminar e agora são vocês que não podem usar a marca no Brasil. a TV Climatempo está vencendo a disputa pela marca Canal do Tempo. especialmente em Atlanta. do Rio de Janeiro.

então diretor de jornalismo da Rede Globo] sobre sua consulta do canal do tempo. os professores e o Magno. Fernando Moreira. Foram eles que abriram o caminho para a TECSAT . uma grande festa de confraternização. em um bufê de São Paulo. Duzentos convidados lotaram o Buffet La Lunna. O reitor. diretor da TV Univap. pois envolveria a produção e exibição de uma programação atualizada de hora em hora. Ali. os executivos da TECSAT logo se interessaram pelo canal. se entusiasmou com a ideia e autorizou o início de um projeto conjunto entre a Climatempo. consultou a Globo sobre suas prospecções acerca do canal do tempo. nos procuraram para apresentar a ideia de fazer um trabalho com a Climatempo. professor Baptista Gargione Filho. interior de São Paulo. Por meio de amigos em comum. então uma empresa de DTH (direct-to-home) brasileira controlada pelo grupo TECSAT . OK?”. Em uma mensagem. o pessoal da Tecsat apresentou Magno e Waldemar a professores da Universidade do Vale do Paraíba (Univap). tocar seus projetos. chegaram aos executivos da empresa de tecnologia Atech. os professores do curso técnico de meteorologia. 59 . Magno também tratou de manter estáveis as relações de negócio da empresa Climatempo. Afinal. A ideia era treinar os alunos do curso para apresentação do tempo na tevê.sódio da ABTA. Apenas se comprometeram em subir o sinal da TV Climatempo para o sa- télite e dali fazer a transmissão. tudo bem? Falei com o Evandro [ Evandro Carlos de Andrade. Amauri Soares respondeu: “Meu caro. porém seria ótimo para o trabalho com os alunos. a TECSAT havia implantado um moderno complexo tecnológico na área de tevê por assinatura. eu. Mais do que apenas comemorar a efeméride. porém não queriam e não poderiam gastar um centavo com a sua implantação. Ana Lucia e Carlos Magno aproveitaram a oportunidade para marcar. marcaria os dez anos da Climatempo. esse foi o primeiro e talvez o único projeto de incubação de um canal de tevê em uma universidade no Brasil. Para tentar viabilizar o negócio. Ele não se opõe. Carlos Magno e Waldemar Stefan continuaram a busca por parceiros que pudessem viabilizar a emissora. com equipamentos para recepção e transmissão dos sinais. Sivam. Que eu tenha conhecimento. Fomos então procurar o reitor da universidade.” No fim de 1998. Achei que para a TV Univap seria um grande desafio. na época envolvidos no projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia. Jojhy Sakuragi e Ana Catarina Parrela – que já conheciam o Carlos Magno –. também em São José dos Campos. enfim. a Promeeting e a Univap. ela ainda era o ganha-pão. Você pode mandar brasa. Sem problema. Recém-inaugurada. lembra bem como foi feita essa aproximação. “No fim de 1998. com sede em São José dos Campos. o lançamento oficial da TV Climatempo. Para evitar qualquer tipo de problema.

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. Em resumo: o negócio tá pegando. mas também tinha consciência da responsabilidade de manter a equipe informada e motivada. gostaria de atualizálos com relação às negociações do canal. e era essa motivação que ele tentava passar para toda a Climatempo. A partir de 4 de abril começa a montagem do nosso espaço dentro da Univap. com a montagem de um estande para vender nosso projeto agrometeorológico na região. Comercializar um canal novo não é nada fácil. E com isso o projeto técnico foi tomando forma. Fato: o momento é agora.)” Em outro trecho. Feira do Café Irrigado do Cerrado. Ufa! e o negócio estava pegando mesmo. “Eu topo fazer o negócio. Magno que ainda apresentava o Bom Dia Brasil. fazia questão de deixar todos cientes dos passos da nova criação. a TV Climatempo continuava sendo apenas uma ideia na cabeça de meia dúzia de pessoas. mas vocês vêm ou não vêm? Porque eu detesto conversa. uma realidade esmo oficialmente lançada. calcado em VTs e um exibidor profissional. pessoal. com direito a festa e tudo mais. “Aos poucos fomos trabalhando a questão técnica. A TV Climatempo era a menina dos olhos.”. Por isso. em um terreno mais real. Ainda assim. Gargione foi marcada para março daquele ano.) Para nossa surpresa. Waldemar Stefan. a parceria engrenou. Haverá movimenta- Um sonho. com soluções caseiras. um bom contato e o interesse da Univap. Magno deixa claro que. em um grupo de jovens estagiários dispostos a trabalhar no conteúdo gerado pela Climatempo. que sempre esbarrava no orçamento. Gargione. No fim de março. Ele sabia que podia contar com ela para tocar o negócio. “Começamos a costurar a formatação do canal. teriam sido as palavras do prof. uma possibilidade de transmissão pela TECSAT. o projeto técnico foi uma colcha de retalhos. algumas propostas por mim. em Macaé.M A primeira de uma série de reuniões entre Carlos Magno. diretor da TV Univap. (. As coisas pareciam caminhar com sucesso... Por mim. A partir daí. Magno jamais se esqueceu do ultimato dado pelo reitor... lembra que no início a estrutura da nova tevê estava alicerçada nos equipamentos cedidos pela universidade. ainda tinha de encontrar tempo para expandir a empresa-mãe: “Na semana que vem. Depois de várias reuniões. No final. que nos propõe participar de uma página na Internet com o balanço hídrico do Brasil e a montagem da página e assessoria na corrida de fórmula Indy. mesmo com a atribulação da tevê. segundo Magno. Num primeiro momento ficou estabelecido que a universidade cederia os estúdios da TV Univap por um período de três meses.” 7 61 .. (. De 24 a 27. conta Magno. Para dedicar-se em tempo integral ao canal do tempo. Fernando Moreira. eu coloco esse Weather Channel para fora do Brasil”. tenho a seguinte agenda: dia 23 apresentar uma proposta nova de modelagem para a Petrobras. Magno comunicava a todos da Climatempo que o sonho estava bem perto da realidade: “Oi. o Jornal Hoje e o SPTV. no início de 1999. sem custos para a produção dos programas. tirou férias da Globo. e o reitor da Univap prof. mas Magno jamais deixou de acompanhar de perto a empresa que ele e Ana Lucia criaram. Faltava mesmo era um planejamento de como ela funcionaria. e no caso da TV Climatempo não foi exceção. Lembro-me de o Waldemar trazer um orçamento baseado em arquivos digitais e na utilização de computadores. Carlos Magno estava entusiasmado “Estou mandando esse e-mail agora cedo por absoluta falta de tempo de enviar em outro horário. O encontro selou a parceria. ou o canal sai agora ou não sai mais. Eu e o Waldemar tivemos uma reunião com o reitor da Univap. nosso técnico que realmente pôs a mão na massa e fez as idéias saírem. Hoje (18 de março de 1999) mesmo estarei em Campinas para uma reunião na Embrapa. Montei um outro projeto. outras pelo Ruy Carlos Gomes. Eu contrataria os profissionais e com os alunos montaríamos uma redação para a parte da arte”. o reitor está mais ansioso do que a gente para ver o canal dando certo. essa ideia havia amadurecido bastante: já tinham um projeto no papel. dia 15 de maio.

Deu na Internet. fazer os mapas. preciso que todos os previsores e técnicos se envolvam no fator venda. alunos da universidade viam ali uma chance não só de aprender. disse que gostaria de trabalhar com ele. na equipe poucos tinham alguma noção de meteorologia. atraiu muita gente. Tinham de produzir 24 horas. Não era brincadeira. No Clima do Esporte.” Ana Lucia idealizou uma grade de programação baseada no perfil de horário das tevês abertas. porém. De outro. Ao contrário. Agrobusiness. Em clima de viagem.. Enviem para mim qualquer estalo de ideia. Em uma página na revista segmentada para canais de assinatura Pay-TV. uma novidade da qual queria fazer parte. redigiu o texto e eu passei. junto com uma novidade no mercado. Fiz um teste para apresentadora. como iniciante. Se o cliente não gostou do piloto. havia sobrado apenas uma vaga como editor de arte. A equipe estava sendo montada em São José dos Campos e era preciso treiná-la. “Um canal que vai falar a língua do seu assinante. uma necessidade. Ele estava no segundo ano de jor- nalismo e já trabalhava na TV Univap na parte técnica. e a jornalista Ângela Ruiz foram os primeiros a se integrar ao time e continuam até hoje na empresa. Tudo pronto.. a guerra se ganha com criatividade e persistência. formou-se em Mogi das Cruzes. mas como todo mundo também estava aprendendo. O Magno disse como queria. chamadas de programas. Magno sentiu que. O estagiário Paulo Edson Aparecido de Oliveira. Naquele segundo semestre. transformando o clima em notícia. o que era melhor. que serão extremamente simples. também era preciso pensar no conteúdo. alguns programas compunham uma grade ainda provisória: O homem do tempo. ouviu os comentários em torno do novo canal e viu Carlos Magno recrutando estagiários para ajudar na montagem da emissora. com o tempo peguei o jeito. “Foi com a maior carade-pau que pedi a um amigo uma força para conseguir o lugar. a TV Climatempo anunciava sua chegada em breve e revelava um pouco do que seria o seu conteúdo. Assim. Programa Silvana Teixeira. toda a arte. naquele momento. um paulista de São José dos Campos. durante sete dias por semana. testando equipamentos e preparando vinhetas.(. quase pronto. Comecei assim. além de todas as providências técnicas. A pouca experiência do grupo. cargo para o qual não tinha a mínima experiência. Paulista. Fui conversar com o Magno e consegui o trabalho. como o resto do pessoal. Paulo acompanhou uma movimentação nova na tevê. ou melhor. De um lado. precisamos de sugestões. Ecoclima.ção do pessoal da Promeeting. o único produzido inteiramente no Brasil. com informações regionalizadas.) Preciso que haja um forte envolvimento de todos com relação aos produtos e clientes. passou por algumas redações e por uma temporada fora do País. não desanimou ninguém. montagem de cenário e adequando a operação com as condições reais de trabalho. Percebeu que era uma grande chance. Contudo. o gás era total. Precisei aprender tudo. com a tevê incuba- 62 . era preciso uma boa injeção de ânimo e de garra no seu pessoal. outros colegas tiveram de me ajudar. informações meteorológicas. guarda na memória toda a agitação dessa época. profissionais um pouco mais experientes também acreditavam no projeto. A abertura de um novo canal. A criança estava prestes a nascer e. Não sabia fazer nada. O cara não acreditou. Também haverá uma preocupação frequente de propor programas baratos e bem criativos. No começo foi complicado. Formada na maioria por estagiários da própria universidade. precisamos saber e propor novas soluções”. Paulo Polli.” Ângela Ruiz era a jornalista mais experiente do grupo. propondo soluções e pilotos. mas também a oportunidade de conquistar uma vaga no competitivo mercado de trabalho das telecomunicações. Até montarmos um departamento de vendas. o desafio de colocá-lo no ar. Ângela relembra que viu na inauguração da nova emissora uma oportunidade de crescer profissionalmente e. Era muita coisa de uma vez para iniciar o canal meteorológico. “Eu conheci o Carlos Magno. antes de fazer parte da equipe da Climatempo. o Paulo Polli. quando se deu conta.

” Além deles e dos demais estagiários da Univap. (. porém sem serem chatas’. na Linhas & Laudas. ver como iria funcionar. entre um programa e outro. 06/9/1999). no campo. apresentava. seja simplesmente atendendo aos demais clientes da empresa. Ela conta que todos os jornais noticiaram. Eu e meu sócio Ederaldo Kosa. toda a equipe da Climatempo. A tarde estava reservada para o programa interativo Deu na Internet e o Clima no Esporte. Em muitas delas o assunto foi a matéria principal e deu até capa de caderno. A programação começaria às 6h da manhã com o Tempo no Campo. O novo canal.” (Meio & Mensagem. Para Fernando Moreira. produzia. a chegada da nova emissora. Fernan- da era responsável pela edição dos boletins do tempo durante a manhã. se envolveu na implantação do canal. porém. programa voltado para os agricultores e para o agrobusiness. Fernanda conheceu Magno e boa parte da equipe da Climatempo no Canal Rural. A essa altura do campeonato a TV Climatempo tinha uma grade definida. o homem do tempo da Rede Globo. Fernanda Bulhões e sua recém-criada assessoria de imprensa Linhas & Laudas. Para cuidar de toda a divulgação. lembra-se Fernanda. em duas edições. no caderno Divirta-se. (Jornal da Tarde. Como aperitivo do que seria a TV Climatempo. “Um dia o Magno ligou falando da tevê e pediu que eu fizesse a divulgação. 30/8/1999). Fizemos uma ação incisiva mostrando a tevê. chegara a hora de aplacar a ansiedade de todos. Canal começa a ser exibido dia 15 para assinantes da TECSAT. Os primeiros programas a oferecer espaço comercial são os transmitidos pela Rede Vida. Aí começamos uma parceria. com dicas e previsões para estradas. seja atuando diretamente na produção de conteúdo. o canal deverá contar também com parcerias de rádios. O programa Tempo no Campo começou a ser veiculado diariamente na Rede Vida pouco antes de a TV Climatempo entrar no ar. explicando por que a meteorologia era importante para as pessoas. ‘Primeiro estamos cuidando da formatação do canal. uma emissora ligada à Igreja católica e que transmitia em UHF. Aceitei e fui conhecer São José dos Campos. No dia 30 de agosto. e foi ali que se tornou uma boa amiga de Magno. criado e dirigido por Carlos Magno. completa Magno. o Jornal da Tarde destacava. A um passo de entrar no ar. esse lance inicial da tevê foi muito importante para disseminar a marca.da na Univap. De tudo um pouco. Como editora. voo livre.) Além da equipe de jornalistas e meteorologistas encarregada de apurar as informações. Além deles. na sequência viria uma atração para crianças de 4 a 8 anos.. “Climatempo entra no ar. explica Carlos Magno”. e o retorno foi tão grande que até Magno se assustou”. serviu para azeitar tecnicamente a máquina e também preparar a equipe para o que viria a seguir. uma última e importante providência: divulgar o novo canal. Faltava. por exemplo. contar para o resto do mundo que finalmente a TV Climatempo era uma realidade. Magno e alguns meteorologistas da Climatempo praticamente se instala- 63 . uma outra parceria foi feita com a Rede Vida.” O zunzunzum na mídia começou dias antes da inauguração. foi a ela que Magno recorreu para tornar pública a existência da nova TV Climatempo. Eu redigia. contará com uma grade que reúne programas específicos sobre as condições do tempo nas estradas. Carlos Magno contou com a ajuda de uma velha amiga.. em especial as revistas de tevê. na época. um educativo dirigido para crianças e outro com dicas específicas para os praticantes de esportes como vela. “Lembro que a gente brincou muito com a história do homem do tempo. Uma data oficial foi definida para a inauguração da TV Climatempo: 15 de setembro. e a Climatempo. a inauguração da TV Climatempo: “O novo canal poderá ser sintonizado pelos assinantes da TECSAT e alguns programas terão transmissão simultânea pela Rede Vida. de uma forma ou de outra. Às vésperas da inauguração. boletins informativos. Agora sim. A parte comercial será uma decorrência da nossa qualidade’. e um outro para o público jovem. ‘A ideia é manter uma programação 24 horas no ar com informações úteis.

Fernando Moreira certamente não vai esquecer a data. Lá em São José a tempestade está se dissi- 64 . lembra Magno. no dia 26 de setembro de 1999.500 jornais em todo o Brasil. A mensagem divulgada por Carlos Magno a todos da Climatempo. tentando não atrapalhar a rotina que se torna mais densa a cada dia. vamos usar e abusar da criatividade para ganhar essa guerra contra o TWC (The Weather Channel). por exemplo. ou seja. dá o play aí. a nenenzinho TV Climatempo nasceu e precisa ser cuidada com muito carinho. Ao longo deste processo de criação da tevê tentei manter isolados os problemas entre ela e a Climatempo. o Waldemar correu para ajudar a gente e ligou o cabo de áudio de outro jeito. comandados por dois grandes jornalistas. ao receber o clipping feito pela Linhas & Laudas. passando-o por outro lugar para ficar melhor. entre elas o ministro de Ciência e Tecnologia da época Ronaldo Sardenberg. a nova tevê finalmente entrou em operação. ele não tinha a real dimensão do fato. “Nesse momento. Uma equipe de profissionais supercompetentes. que iríamos receber os visitantes na central técnica da TV Climatempo e que o espaço estava muito amador e feio. cientistas e membros da comunidade meteorológica da cidade. umas 200 pessoas. Faltando cinco minutos para rodar o VT de abertura do canal. duas vezes. No dia 15 de setembro. Os produtos que a Jô [Josélia Pegorim] prepara para o Ilhabela (talvez um para o litoral Sudeste) e Café. Depois de umas vinte horas trabalhando direto. Enquanto o Magno conta- va uma história sobre a inauguração de uma outra tevê na qual o cenário havia caído.ram em São José dos Campos. Então ele topou desligarmos tudo e remontarmos até o dia seguinte em uns racks de metal que tínhamos no almoxarifado.” Apesar dos contratempos. porque a prioridade tem de ser da Climatempo. Fernanda Bulhões e Ederaldo Kosa. Realmente valeu a pena. Então. Eu estava supercansado e o Ruy mais ainda. Mesmo sabendo disso. a tevê nasceu bem divulgada”. podem virar programas. Magno não acreditou no tamanho da exposição do novo canal. o áudio não sai. e foi então que aconteceu uma coisa muito engraçada. transformou-se em um documento precioso que demonstra o “clima” existente na empresa naquele momento e que se perpetuou ao longo dos anos: “Pessoal. da Climatempo. a central técnica ficou profissional e não passaríamos vergonha.’. O Ruy e eu começamos a discutir. será a nossa cara... técnico da TV Univap. mas era cômico ouvir o Ruy reclamar: ‘Por que você mexeu logo agora?’. a assessoria Linhas & Laudas tinha feito uma divulgação em mais de 1. Uma cerimônia na Univap reuniu autoridades da universidade. São quase 10 anos de bons conselhos e principalmente ótimas ações de comunicação dos nossos produtos e serviços. mas temos 24 horas de programação para preencher.. Uma. portanto.. eu olhei um cabo de áudio que estava ligado no vídeo beta e vi que estava esticado e desliguei. fui para casa descansar e o Ruy quis ficar para fazer os últimos ajustes. Tanto é que. o Magno dá a deixa para rodar o VT e.. Contudo. A aceitação no mercado tem sido fabulosa. poucos dias depois de o canal entrar no ar.. com o auditório da reitoria lotado. Vamos poder exercitar nela tudo que aprendemos nestes últimos dez anos e meio. Para esse time só digo uma coisa: muito obrigado”. Assim como o Agrocast (pílulas de um minuto com informações internacionais). “No dia anterior à inauguração oficial. que é o nosso ganha-pão. preciso contar com a ajuda de vocês na construção do canal. Aceito sugestões. tudo correu bem. Apesar da falta de recursos. em que Magno deixou um sincero depoimento: “O trabalho da Linhas & Laudas está ligado ao crescimento da marca Climatempo. E eu respondia: ‘Mexi sim e não tem por que não funcionar. A tarefa era árdua. Até hoje não sei o que aconteceu. O reconhecimento pelo trabalho da assessoria pode ser lido no site da Linhas & Laudas. falei com o Ruy Carlos Gomes. Aos meteorologistas venho pedindo ajuda a um e a outro. A TV terá a nossa direção editorial. Certamente um dos ingredientes do nosso sucesso. radar e outros. Agora era tocar o barco para fren- te. pois já nem pensávamos direito por causa do cansaço. que nunca deixam a gente na mão.

se chovia no Rio. Magno decidiu então deixar de ser apresentador na TV Globo. “Aí senti que era hora de sair e cuidar do que era meu. “O mais engraçado dessa época era que a gente não sabia apontar o mapa. e depois de choros. O jeito foi marcar com um xis os posicionamentos mais comuns durante a apresentação e aos poucos ganhar desenvoltura para indicar as regiões no mapa. da forma como fizemos da outra vez. Que Deus nos ajude. Na semana entre 4 e 8 de outubro. só que extremamente inexperiente. conte com a ajuda da Luciana para estes boletins da tarde. muito cansativo também. e de repente ligam da Globo pedindo que ele voltasse para cobrir a falta da apresentadora Fabiana Scaranzi em um dos telejornais. Jornal Hoje. Como é possível perceber pelo e-mail. Não era raro apontar a Bahia ao falar da previsão do Rio de Janeiro. à tarde. O que nos ajudou no início foi o aprendizado que tínhamos com os boletins do Canal Rural. por exemplo. esses tropeços deram motivo a muita apreensão. quem apresentava a previsão não tinha a visão do mapa. Abraços. apesar de parecer pouco. Vou precisar da ajuda do pessoal da manhã. Fiz um acordo com a emissora. lembra Magno. André [André Madeira]. Eu já não tinha mais condições de ser o homem do tempo e administrar a Climatempo”. na época. mesmo para os mais experientes. à tarde. O Globo Rural me pedia informações e se acontecia alguma coisa tinha de entrar ao vivo no Jornal Hoje. Ana Lucia e Carlos Magno que o digam! O acúmulo de serviço por pouco não causou um colapso administrativo na empresa. mas o Magno sempre foi muito objetivo e garantiu que a gente ia aprender no instinto a fazer o certo”. por favor. conta Ângela. O fax sempre interrompia. onde eram gravados os boletins. “Eu atendia o Bom Dia Brasil. Magno continuava a ser o homem do tempo da Globo e por isso tinha de se desdobrar para cuidar da Climatempo Consultoria e manter a TV Climatempo. ia para São José dos Campos. era uma pauleira. o cenário era um fundo azul no qual se aplicavam os mapas do tempo com a técnica do chroma-key. conta que as previsões eram feitas em São Paulo e enviadas. “Eu fazia a TV Globo e então. Uma dificuldade natural. acontece a Feira da ABTA. falhas.” Também entrou para a galeria de histórias a “dança do mapa”: um passinho para a frente. parecia um mimeógrafo lento. a editora ligava para mim e eu tinha de atender. todos os Bom Dias regionais. Um ano marcante para toda a Climatempo. Por conta disso. e nos dias atuais também. Mag- 65 . Com isso. e a Climatempo continuou fazendo a previsão. Os erros fizeram parte desse primeiro momento da TV Climatempo e eles geravam fatos que agora fazem parte de um folclore interno.” Com a carga de responsabilidade reduzida. Ângela. com idade média de 19 anos. que. tinha de ligar para São Paulo. agora apenas como consultoria. produzidos ao vivo. três dias por semana. fico na Climatempo. E cansativo. O ano estava chegando ao fim. Mas aconteciam muitos erros porque trabalhávamos com estagiários. erros. quando Magno estava de folga.pando. fez parte dessa primeira equipe que tinha muita garra. outro para trás e depois de novo para a frente. Ângela. mas. irei para São José dos Campos. A gota d’água foi em um fim de semana. Naquele tempo. assumo o plantão na segunda e terça. O André Madeira atendia a Globo no período da manhã e a Ana Lucia. A tevê funcionava 24 horas. perguntar e tirar dúvidas para evitar erros. O Waldemar também saía do Rio para ir para a tevê. A Climatempo entra em campo de batalha com Rogério. indicar o Amazonas ao falar do Pará. Ariany e Carol. Magno”. via fax. Essa era a coreografia dos apresentadores dos boletins do tempo para não errar na hora de indicar as regiões do mapa de que estavam falando. montamos uma equipe valorosa. de meia em meia hora”. Quando eu chegar. jornalista. SPTV. para os estúdios em São José dos Campos. onde os canais se expõem. “A gente recebia por fax e muitas vezes a folha saía ilegível. viajando. relembra Magno. A Ana Lucia vai ficar lá na segunda e terça para ajudar as moças na apresentação e na implantação do programa de esportes. Na quinta. mas tínhamos três a quatro horas de produção. muito intenso e produtivo. Na quarta.

Interessada em trabalhar na Climatempo.” A explosão da Internet estimulou a entrada de um novo personagem na equipe da Climatempo. a Internet representou uma grande mudança na Climatempo no limiar do século XXI. o auge da nova ferramenta aconteceu no ano 2000. a empresa ficou mais conhecida do público. na época ainda uma estatal. A mudança para o ano 2000 criava a expectativa de um problema que poderia ser registrado em todos os sistemas informatizados e que ficou conhecido como “bug do milênio”. o governo. A rede mundial de computadores chegou ao Brasil em 1991. carioca. mas. procurou Magno e conseguiu o estágio. Os meteorologistas extremamente ligados ao meio acadêmico e conscientes da velocidade da informação na Internet fi- Magno em uma visita que fez à Rede Globo. Em 1999. Formada pelo Instituto de Astronomia. como se fosse o BBS. a Internet já estava definitivamente instalada na Climatempo. Renato conheceu Magno por meio 66 . por outro auxiliou a vida dos meteorologistas ao facilitar a captação de dados. assim. e o dinheiro parecia jorrar em sites e portais. que ajudou na montagem dos BBS s. o “bug do milênio” que ameaçava trazer prejuízos para empresas virtuais não se concretizou. com outros estudantes. Somente em 1995. Geofísica e Ciências Atmosféricas ( IAG). fazendo levantamento de dados. trabalhou em quase tudo. até que as pessoas passaram a acessar mais a Internet do que o BBS. que acompanhou todo o desenvolvimento da Internet e o que ela representou para a empresa. com a criação da Rede Nacional de Pesquisa ( RNP ). No início a rede era voltada para a área acadêmica e administrada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Para Gilca. no Brasil. subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT ). A Internet deu uma visibilidade muito grande para a Climatempo. a rede mundial de computadores que viria a substituir os antigos BBS s. “Cada vez mais as pessoas acessavam o nosso site e ficavam conhecendo os nossos serviços. A chamada “bolha da Internet” começou em 1995. Foi criado um Comitê Gestor para a Internet e a Embratel. uma pausa para um pequeno retorno ao início da década. Rogério Leite. tornaria possível a entrada do setor privado na Internet. Gilca conta que chegou à Climatempo em outubro de 1999 para fazer um estágio. caram plugados desde o começo. as grandes fusões de empresas.” Rogério montou as páginas iniciais e o servidor. foram contratadas novas pessoas para a recém-criada área de tecnologia. Então. uma rede de lojas no Rio de Janeiro. Aí teve uma hora que ele não tinha mais sentido de existir. ocorreram os grandes negócios da Internet. e aos poucos começou a fazer a previsão para a Internet. era só para acadêmicos. Naquele ano. relembra que tudo começou bem devagarzinho: “A Internet não existia. um servidor em que os dados que iam para o BBS iam também para a Internet. engenheiro civil e empreendedor. na época tocava os negócios da família. Uma das primeiras meteorologistas a perceber o potencial da nova ferramenta foi Gilca Palma. meio fechada. Renato Urbinder. por meio dos Ministérios da Comunicação e da Ciência e Tecnologia. Lentamente foi começando a surgir. inclusive para a exploração comercial. da Universidade de São Paulo ( USP ). Gilca conheceu Carlos Õ O fim do ano de 1999 trouxe apreensão em um setor que estava em franca expansão no Brasil: a Internet. Aqui. A alegria em ver a empresa crescendo é descrita por Gilca Palma. Ao contrário do esperado. A Climatempo não ficou de fora. Por um lado.no começou a enxergar a Climatempo com outros olhos e passou a administrá-la melhor. Ao longo dos últimos anos. mas não gostava disso e era mais ligado à área de Tecnologia da Informação. com o negócio crescendo. lançou um serviço de acesso comercial à Internet. a nossa ideia era montar uma coisa que as pessoas pudessem acessar. Montamos uma rede pequena. Com uma voz doce e um sorriso tranquilo em um rosto de menina. Começou como estagiária.

a Climatempo Internet era um braço dentro da empresa. Novas oportunidades de negócio logo começaram a surgir no ano 2000. Renato aceitou o desafio de desenvolver a Internet na Climatempo. No começo. dona Alice. patrimônio da empresa. como a America Online (AOL). o que era melhor. Quando a Climatempo passou a ser provedor de Internet. “Ficamos muito orgulhosos em poder construir um prédio fruto do dinheiro que a gente trabalhava para ga- nhar”. logo houve a necessidade de desmembrá-la em uma empresa própria. em outubro de 1999. tinha de trabalhar em uma mesa atrás da porta de entrada. que investiu R$150 mil no desenvolvimento de produtos para o segmento. Próximo passo: mudança de endereço. avalia Magno. Em reportagem do jornal Gazeta Mercantil sobre empresas que começavam a explorar conteúdo diferenciado para a Internet. a empresa conseguiu terminar a construção de suas novas instalações. em 2000. a casa na Baltazar Lisboa já ficara pequena e não comportava o número de funcionários da Climatempo. São 2. Para se ter uma ideia. Quer dizer. A América Online (AOL) foi uma das primeiras empresas a receber os serviços da Climatempo. 27/3/2000). ficando com 30% dos negócios. “Quando veio aquele enorme desenvolvimento da Internet.5 mil novos visitantes por dia. Por isso. eu decidi seguir esse caminho. que ainda funcionava no galpão da TECSAT . Universo Online ( UOL) e Globo. A grande vantagem da Climatempo era ter uma boa estrutura. lá estava a Climatempo como exemplo de sucesso: “Nesse período. Renato entrou no negócio. Logo. Com a entrada dos grandes portais como a AOL. O crescimento de uma empresa pode ser medido também pelo espaço que ocupa. com o seu rápido crescimento. e a Climatempo passou a oferecer bons conteúdos. E agora para um prédio novinho e. com o Magno. criamos. dezenas de outros sites e portais procuraram a Clima- 67 . A previsão do tempo era um ótimo chamariz. a empresa mudou para a rua Muniz de Sousa. a empresa dedicada à transmissão de informações meteorológicas. Com parte desse dinheiro. na rua Muniz de Souza. “A área é promissora. a Climatempo foi pioneira e é uma referência nesse segmento. contudo o tino para o comércio indicava que ali estava um bom lugar para investir. em março. conta Urbinder. grandes nomes. voltada para esse novo mercado. Renato não tinha noção de meteorologia. ser uma empresa confiável e com possibilidade de customizar uma página dependendo da necessidade do cliente”. Entre eles. adquiriu cem novos clientes. mais tarde Climanet”. A mudança para o novo prédio aconteceria em maio de 2000. mas. “Tornou-se sócio da Climatempo na operação de Internet e entrou com 100 mil dólares de capital. No início das operações de Internet. A partir de maio de 2000. a Climatempo havia completado seis meses de experiência no mercado Internet. Os resultados alcançados no período não poderiam ser melhores. os recém-criados portais precisavam de conteúdo para atrair os usuários. Mordido pelo bichinho da novidade. No início do ano 2000. Mas por pouco tempo. “Eu digo que peguei a Internet no berçário. a Climatempo Internet. afirma Renato. Um pequeno prédio na rua Muniz de Sousa. Renato tornou-se a pessoa chave em novos negócios”. conta Magno. Gilca lembra que quando entrou. Carlos Magno e Ana Lucia finalmente puderam ter a primeira sede própria da Climatempo. com exceção da TV Climatempo. e foi aí que. A avalanche de serviços prestados ainda surpreende o meteorologista Carlos Magno. a receita com a venda de conteúdo deslanchou e a empresa passou a atuar nos grandes portais e em boa parte dos sites em todo o Brasil.do amigo comum Waldemar Stefan e acompanhou a saga para a implantação da TV Climatempo. em um espaço bem apertado. já estava mais do que na hora de ampliar as instalações da empresa. Contando mais uma vez com a ajuda financeira da mãe. com uma equipe capaz de entregar o pedido de cada cliente.com. na Vila Mariana. Portanto. Dois meses antes.” (Gazeta Mercantil.

para anunciar a entrada no ar de um novo portal de meteorologia. vai pegar carona na temporada de chuvas de verão que atormentam capitais como São Paulo. Carlos Magno também anunciou outras novidades. Vivo). O endereço www. a Telefônica e a TELESP Celular como parceiros. O segundo serviço. a previsão do tempo. com previsão do tempo para 600 cidades no Brasil e 150 cidades no mundo. como a entrada em funcionamento do sistema WAP (informações do tempo via celular). Rio de Janeiro e Brasília. Magno vai lançar dois serviços a parte deste mês (outubro). ele toca seus negócios à frente da TV por assinatura Climatempo e o site com o mesmo nome. completa o carioca Carlos Magno. hoje fornece informações para 350 clientes pontocom.. Totalmente reformulado. O ClimaWap colocava no visor do celular informações sobre o tempo em 600 cidades brasileiras com previsão para quatro dias. Já a TV Climatempo. pelo celular ou pela rede. o internauta informará o tom de sua pele e ficará sabendo por quanto tempo pode se expor ao sol. O crescimento da Climatempo com o produto Internet deixava espantados os analistas da revista: “Empresa de consultoria criada por Carlos Magno. Pelo menos na Internet. ainda em São José dos Campos. a Climatempo foi parar nas páginas da conceituada revista Forbes Brasil. 11/ 10/2000). números do crescimento da Climatempo no mercado. a Climatempo virou notícia na revista ISTOÉ Gente. sem riscos. O Alerta já tem o Zip.” (ISTOÉ Gente. Pelo visto. convênios feitos para operação em banda larga e a participação da empresa nos principais portais da Internet. Somados. WAP significa Protocolo de Aplicação sem Fio (Wireless Application Protocol) e foi criado para facilitar o acesso de celulares à Internet. A previsão do repórter estava correta.br é um sucesso entre os internautas.. Um desses serviços. O número de consultas ao site mostra que demanda existe e futuro também. O “negócio” Internet crescia de forma veloz.climatempo.” (Revista Forbes Brasil. Implantado no Brasil pela TELESP Celular (atualmente. caminhava 68 . é o Exposição Solar. faça chuva ou faça sol. era fornecido pela Climatempo. O primeiro.com. portais e sites respondem por metade do 1. o site registrou nada menos que um milhão de page-views no último mês (. e o portal de seu ex-patrão. ex-Rede Globo. Nessa ocasião. Previsão para amanhã: os negócios devem continuar crescendo”. Na mesma matéria. para rebater as investidas de seu maior concorrente. Serão avisos gratuitos sobre mudanças de tempo. o tempo continuará bom para o meteorologista. algo como ‘vai chover forte em São Paulo dentro de meia hora’. Tudo por conta da explosão de acessos registrados no portal Climatempo: “O vento está soprando a favor do meteorologista Carlos Magno. Ao consultar o site da Globo. batizado de Alerta. em cada capital brasileira. 10/ 07/2000) Em outubro. a Climatempo contra-atacava com novidades que a consagraram no mercado: “Para não perder terreno. na sede da empresa. como diz o ditado. disponibilizava em seus celulares uma série de endereços já adaptados para o novo protocolo. Tudo ia de vento em popa. Pelo título da reportagem percebe-se o excelente momento que a empresa atravessava: “Tempo é dinheiro – o meteorologista Carlos Magno lucra com o fornecimento de informações sobre o clima para a Internet brasileira”.). 38 anos. a Globo.5 milhão de reais que a Climatempo deve faturar neste ano. desenvolvido em conjunto com a globo. entre eles o UOL. Há oito meses fora da TV aberta. o The Weather Channel. Um mês após a entrada do novo portal.com e patrocinado pelo fabricante de cosméticos Natura. “Eu recebia mais ou menos 150 e-mails por dia de gente querendo receber material da Climatempo”. No mês de junho. a Climatempo convocou uma coletiva de imprensa. ‘A previsão para a Internet é de tempo bom e amanhecer sem nuvens’. o maior provedor de acesso do País. conta Magno.com. O sistema WAP era a grande novidade do momento.tempo querendo comprar conteúdo.net.

Na banda larga. outras burocráticos. Pensando nisso hoje. O entusiasmo dos primeiros tempos já não era o mesmo por parte da Univap. muitas vezes financeiros.em busca da profissionalização. E foi um desenho muito favorável que a Linhas & Laudas traçou da Climatempo em dezembro de 2000. Filipe e Roberta tornaram-se professores na área de comunicação. Em dezembro de 2000. como a TV Filme (Brasília) e a Image TV (Uberlândia)”. Claro que tivemos dificuldades. como parceiras de sucesso. Enquanto centenas de empresas do mundo da Internet estavam prestes a fechar as portas. Celeste. e quem via o produto final que colocávamos no ar não tinha a mínima ideia das ‘mágicas’ que só nós brasileiros sabemos fazer. para ser um canal do tempo profissional. 69 .com e Ajato. André Catoto é designer visual na Rede Record. vejo que fomos pioneiros em uma área ainda inexplorada na tevê brasileira e que não dá para lembrar nada de ruim. mas isso é normal em qualquer processo cria- tivo. em São José dos Campos. além dos estagiários da universidade. “É com muito orgulho que vejo hoje que a maioria dos alunos que passou pelo projeto da TV Climatempo está atuando no mercado de comunicação em diversas áreas. Os números revelados pela empresa no balanço de 2000 comprovaram: a Climatempo estava presente com suas previsões em 90% dos maiores portais do mercado. Foram esses entraves que levaram ao fim da parceria. na Climatempo o céu era de brigadeiro. na prática. Como duas empresas distintas. Climatempo Meteorologia e TV Climatempo. No sistema WAP de informações. a Climatempo fechou parcerias com todas as operadoras de telefonia do País. A operacionalização da tevê encontrava entraves. ao olhar para trás reconhece a importância daquele momento. Seu conteúdo passou também a ser explorado por canais a cabo.” Mais um ano chegava ao fim e essa era a tradicional hora de fazer o balanço de atividades. TV iG. Vânia. Com isso perdeu-se parte da estrutura e dos equipamentos. a empresa estava operando na TV UOL. que começavam a atrapalhar seu funcionamento. Aline é dona de jornal e empresária. Apesar de desfeita a parceria. principalmente quando a única referência que tínhamos era um modelo estrangeiro que tinha muito dinheiro. funcionavam. o diretor da TV Univap. a TV Climatempo era sucesso absoluto: “Desde o dia 31 de julho a TV Climatempo passou a prestar consultoria para o Canal 21 e a TV Bandeirantes. o David está na Band e o Denis na Rede Vida. a TV Climatempo deixou de funcionar na Univap e transferiu-se para um galpão alugado da própria TECSAT . TV Globo.500 links espalhados em médios e pequenos portais. Fernando Moreira. Por outro lado. era o caminho natural para deixar de ser uma tevê experimental de universitários. Após um ano no ar. além dos 1.

C

O ano de 2001 começou a todo vapor na Climatempo Internet. Logo em janeiro, a empresa anunciava uma parceria com o poderoso grupo Telemar para um serviço, na época, inédito no Brasil. Ele colocava à disposição dos usuários o Vocall, um sistema acionado por comando de voz de qualquer telefone, celular ou não. O serviço atendia seis capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. Um mês depois, duas outras importantes conquistas. Primeiro foi a parceria com a PSINet, empresa que era responsável pela hospedagem e serviço de acesso com link dedicado. Segundo Carlos Magno explicou à Linhas & Laudas, a razão da parceria era o grande número de acessos. “O site da Climatempo vem recebendo um número de internautas muito grande. Com a infraestrutura oferecida pela PSINet, nossos usuários podem navegar com mais agilidade.” A outra conquista foi o acordo com parte do Grupo RBS de Comunica-

Pioneira em praticamente tudo o que dizia respeito ao universo da informação meteorológica no Brasil, mais uma ação inovadora da Climatempo no carnaval de 2001. Em parceria inédita com a seguradora Sul-América, foi instalado na praça de pedágio da Ponte Rio–Niterói letreiro luminoso com a previsão do tempo para o Rio de Janeiro, Niterói, Campos, Cabo Frio e Arraial do Cabo. Com isso, os fluminenses puderam planejar melhor a folia. Mas se na Internet os negócios pegavam fogo, na TV Climatempo as dificuldades continuavam. Após a saída da Univap, a emissora começou a funcionar em um galpão, em São José dos Campos mesmo. As instalações eram muito precárias, e quando chovia o barulho de água caindo no teto era intenso. “Foi um período negro da TV porque deixamos de ter a estrutura da Univap. Tínhamos cinco câmeras beta e passamos a ter uma câmera beta e uma câmera VHS”, relembra Magno. Os jornalistas Paulo Polli e Ângela Ruiz continuaram na tevê depois

Nesse período, Rogério Leite percebeu que a transmissão via satélite encarecia demais as operações da tevê. Foi então que teve a ideia de adaptar um sistema que estava desenvolvendo para enviar informações para os aeroportos para a emissora. Em certo momento, viu que a mesma tecnologia poderia ser empregada para enviar, pela Internet, os dados para a tevê em São José dos Campos. “Por que a gente não manda pelo computador, por meio de um software? Com isso reduzimos o custo do satélite”, lembra Rogério. Esse software foi aperfeiçoado com o tempo e continua a ser usado. Para ter uma ideia, esse foi o embrião das tevês que começaram a surgir na Internet. Os solavancos na TV Climatempo não desanimaram a equipe, especialmente porque além da RBS outros canais procuravam a empresa em busca de conteúdo. Um e-mail da Patrícia Madeira, de 26 de feverei-

Uma bolha no ar
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omo em todas as empresas, há períodos de vacas gordas e períodos de vacas magras. A Climatempo, no início do século XXI, era um grupo com quatro empresas distintas – Climatempo Assessoria, Agência Climatempo, Climatempo Internet e TV Climatempo –; às vezes, as duas coisas aconteciam simultaneamente, como numa balança, enquanto uma área assistia ao crescimento, outro enfrentava os percalços naturais de um empreendimento pioneiro.

ção. A Climatempo passou a fornecer informações para 17 emissoras de tevê do grupo, além de dez emissoras de rádio, cinco jornais impressos e também para o portal interativo RBS . Só nas emissoras de tevê, eram 99 inserções diárias sobre o clima nas regiões abrangidas pela emissora. Para atender ao novo cliente foi preciso montar uma estrutura específica na sede da Climatempo, em São Paulo.

da mudança de endereço. Eles também não esquecem as dificuldades enfrentadas num local com pouca infraestrutura para a gravação dos programas e sem os mesmos recursos técnicos, além do pessoal especializado que ajudava muito dentro da universidade. Apesar disso, a situação tinha lá seu lado engraçado. Paulo conta que, ao lado do estúdio em que estava a TV Climatempo, havia um estúdio de gravação de filmes pornográficos e não era incomum dar de cara com algum ator mais à vontade.

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ro de 2001, deixava claro o interesse na previsão do tempo: “Olá, pessoal. Estamos estreando quatro novas tevês, já a partir de hoje: TVA – Grande São Paulo, dois boletins; TV Filme – Goiás e Brasília, dois boletins; Imagem TV – Triângulo Mineiro, dois boletins; e Rede Mulher, dois boletins. Para os três primeiros, tem interface pronta, com link pelo dia a dia. Os textos se referem a um mapa de ícones, com os valores de temperatura mínima e máxima. A parte de análise e previsão para a respectiva região é feita pelas meninas na TV Climatempo, depois entra o nosso texto e, então, previsão de quatro dias em sobe som. As temperaturas que aparecem na interface são do Prevplan e não podem ser mudadas para não bater com as telas de quatro dias que entram depois da previsão (...) Só para completar, a TV Pernambuco só entra no ar segunda-feira, dia 5. Até lá, não precisamos fazer os boletins”. O Prevplan de que fala Patrícia no e-mail foi mais uma das “invenções” do professor Pardal da Climatempo. “Professor Pardal” era o nome que Ana Lucia dava a Rogério Leite pelas soluções e idéias que sempre trazia para a empresa. O Prevplan foi outro software desenvolvido por Rogério que rodava automaticamente a previsão do tempo a partir de dados fornecidos pelos modelos de previsão climática. No início, 160 cidades estavam no programa; com o tempo, porém, foram incluídas cada vez mais cidades, até que se chegou a um número bem ra-

zoável de 15 mil, entre cidades, vilas, distritos de todo o Brasil. Uma inovação que ajudou muito os meteorologistas tanto da consultoria quanto da tevê. No começo do ano de 2001, um novo assalto iria provocar grandes aborrecimentos na Climatempo. Dessa vez, foi a própria seguradora quem avisou Ana Lucia e Carlos Magno da invasão. Era a segunda vez que entravam na empresa vazia e, apesar da experiência adquirida e do seguro que minimizaria as perdas, um assalto era sempre traumático. Os bandidos cortaram o cabo, na frente da sede, já na rua Muniz de Sousa, deixando a empresa sem comunicação com o mundo exterior. Gilca Palma, uma das primeiras a chegar pela manhã, estranhou as portas abertas, tudo revirado e Ana Lucia chorando, desconsolada. “Isso te pega de surpresa, você fica sem ação”, comenta Gilca. Ao ver as pessoas chorando, Ana Lucia disse para outra funcionária, Carol Chacon: “A gente se vira. Veja o lado bom, todo mundo vai ganhar computador novo.” Mais uma vez foi preciso uma grande mobilização para não interromper os trabalhos. Alguns meteorologistas trouxeram seus computadores, outros voltaram para casa para trabalhar até que a rede fosse novamente conectada. “É assustador você ter de parar rapidamente e dizer ‘ok, o que vamos fazer?’. O Magno já tinha know-how de ter feito uma vez. Ele pegou e distribuiu as tarefas. André e Patrícia Madeira, que estavam no primeiro

assalto, também já sabiam como trabalhar nessa situação. Então, simplesmente a gente separou o que tinha de ser feito, designou as coisas e tocou a bola para frente. Os clientes tinham o telefone de casa, ligavam para a gente dar uma posição. O pessoal corria, gravava o boletim de rádio do orelhão. Nos primeiros dias tinha de ser assim, até que voltassem a ligar os telefones da Climatempo”, relembra Ana Lucia. Foi um período bastante confuso e que terminou com um gesto que impressionaria muito Carlos Magno. Ele jamais vai se esquecer da atitude de uma meteorologista gaúcha que trabalhava na época na Climatempo. Débora Simões estava grávida e, por coincidência, no mesmo dia em que houve o assalto entrou em trabalho de parto. Ela fez questão de, antes de seguir para a maternidade, entregar a previsão que havia feito em casa e estava sob sua responsabilidade. Para Magno foi uma tremenda demonstração do espírito de equipe. Nem o triste episódio conseguiu abalar a energia positiva que fluía na empresa. No fim das contas, após o rescaldo de mais um assalto, o grupo estava novamente pronto para seguir em frente. Enquanto isso, correndo por fora, a Internet crescia cada vez mais. “Durante os anos de 2000 e 2001, acho que estive em todos os prédios da Vila Olímpia (região de São Paulo onde se concentrou a maioria dos escritórios ligados à Internet), visitando diversos portais.

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Dessa vez. Foi o que aconteceu com a Climatempo Internet. Começou então a estratégia de mudança de venda de conteúdo para a de ser espaço publicitário. As ações das chamadas empresas pontocom subiam sem parar. Surgiram os grandes negócios. Por outro lado. Um outro contrato foi interrompido também nessa época. “Nós vimos essa bolha passar. a Climatempo sofria os percalços comuns de um mercado competitivo. Também da noite para o dia. ganharam credibilidade. sim. A mudança. envolvendo cifras espetaculares. Segundo Renato. Para os que não queriam saber apenas dos aspectos técnicos da meteorologia. com receita de publicidade e com um portal mais conhecido”. A Eldorado. André Madeira e Alexandre Nascimento para dar o suporte de conteúdo. naquele momento. Ele também conta que o sucesso da consolidação se deu por uma estratégia de venda de conteúdo. houve uma retração de um pedaço do mercado. o site era o caminho certo. na consultoria o tempo era de muito movimento. Apesar de ser a nave-mãe da em- presa. Fizemos. mais do que isso. Nesse momento. A Internet tornou-se um grande negócio e não foi só para a Climatempo. Contudo. ninguém sabia ainda onde iria parar. “Primeiro. as empresas mais sólidas no mercado praticamente saíram ilesas e. algumas reuniões com bancos. Uma euforia que havia começado no ano 2000 no Brasil e que. voz cada vez mais conhecida e já uma referência na rádio. e a Rede Globo. transmitia boletins de condições do voo e trazia a tabela das fases da lua para aqueles que se preocupavam com o regime ou o corte de cabelo. porém. com as nossas receitas. uma experiência que depois serviu de base para a própria TV Climatempo. Contudo. mesmo a distância. a bolha explodiu. A Climatempo implantou toda a área de meteorologia da emissora em São Paulo. a NASDAQ . De repente. Em segundo lugar. não havia interferido com o fornecimento de conteúdo de meteorologia.Tínhamos que ser rápidos porque a Climatempo tinha de ocupar espaço. No meio da euforia Ana Lucia e Magno falaram: “Isso não vai durar muito”. nós não estávamos ligados a nenhum grupo de investimento. continuou responsável pela previsão do tempo do Canal Rural. A cartela de clientes variava muito e o leque de segmentos atendidos pela Climatempo também. a Climatempo. mas as empresas que estavam saudáveis ficaram e. com um dos primeiros parceiros da Climatempo: o Grupo Estado. por questões operacionais. Nesse período. Um entusiasmo desmedido tomou conta de quem lidava com essa nova tecnologia. pois ficamos com uma boa fatia de mercado. Em 2001. os custos com a transmissão de dados e a manutenção das informações inviabilizaram a parceria. Eram portais e sites vendidos por milhões de dólares. mas o modelo proposto era inviável e agressivo demais para o nosso jeito de ser. como a Climatempo. conseguiram consolidar seu espaço. todos os nossos investimentos foram com recursos próprios. Se na Internet a palavra de ordem era expansão. antes de a bolha estourar já estávamos no azul. também percebemos a oportunidade de vender mais conteúdo para celulares”. e apostaram de seis meses a um ano para a festa acabar. conta Magno. e o negócio foi desfeito. mantinham seus contratos fixos com a Climatempo. agora sem Carlos Magno. O grupo passava por um período tur- 73 . uma certa solidez. lembra Renato Urbinder. com Josélia Pegorim. muita gente ficou rica da noite para o dia. só para acompanhar os negócios. Não eram incomuns as notícias de sites que fechavam e deixavam de fora dezenas de desempregados. como o Canal Rural. mas com Ana Lucia. a empresa exibia imagens ao vivo de onze cidades. Havia.” A ferramenta Internet na Climatempo tornou-se referência nacional. a empresa registrou nesse ano algumas baixas importantes. Puf! E centenas de empresas simplesmente desapareceram. com a mesma força que cresceu. De 1998 até 2001. porém. em princípio. a emissora gaúcha transferiu sua sede para Porto Alegre em 1998. foi até uma bolha positiva pela nossa competência. Nos Estados Unidos foi criada uma bolsa de valores.

é bom dizer que elas funcionavam mesmo. nesse caso. Paulo. Além disso. depois de passar por outras experiências. a Climatempo e a Sky foram desenvolvendo o novo formato. lembra Maria do Carmo Fogaça. pois qualquer problema de transmissão ou na Internet atrasava o trabalho. secas). dia 15. Quem deu a dica foi Waldemar Stefan. O serviço oferecia 74 . Na verdade. As informações serão fornecidas pela Climatempo Meteorologia. isso significava repensar os custos. Carlos Magno resolveu procurar a direção do grupo para tentar um novo acordo. na indústria (racionamento) e no comércio (inverno rigoroso. A oferta atraiu a direção do jornal. sede da empresa. Todo mundo guarda na lembrança as caixinhas de ovos coloridas. e conquistou novamente a conta do jornal. mas que funcionou perfeitamente. Nesse primeiro momento. a Cacau. braço de turismo da TAM Linhas Aéreas. Foi então que. “Foi a primeira janela de abertura de negociação para entrar com o conteúdo da Climatempo numa grande operação de tevê por assinatura. lembra Magno. cheias. O estúdio construído na Muniz de Souza não tinha isolamento acústico e foi preciso recorrer a uma solução caseira e barata. com o tempo a promessa de trazer anunciantes para o jornal não se concretizou e a Infotempo não conseguiu cumprir a sua parte do trato. Com a Internet e a consultoria bem-estruturadas no novo prédio. “O problema era que os dados vinham de Houston. A negociação foi destaque na mídia pela sua inovação: “Um novo modelo de previsão do tempo será publicado diariamente a partir de segunda-feira. o que houve foi uma mudança no padrão de negócios. A reestruturação da tevê em São Paulo aconteceu ao mesmo tempo em que Carlos Magno já negociava a entrada do canal do tempo brasileiro na operadora Sky. a tevê entraria como um canal interativo e digital. pois vimos que os modelos de negócios mudam e a gente tem de se adaptar. na hora de levantar informações para matérias.” (Meio & Mensagem.E partiu da direção do jornal a ruptura com a Climatempo. Paulo Polli voltaria a integrar a equipe. a TAM . Com ele levou um anunciante de peso. 15/ 9/2003. com patrocínio da TAM Viagens. perdemos uma fonte preciosa”. Contudo. Os comentários serão escritos pela meteorologista Josélia Pegorim. Essa é uma das histórias lendárias da Climatempo e durante anos serviu de exemplo para incentivar o trabalho em equipe. O novo parceiro. o conteúdo era apenas informativo. ofereceu uma nova forma de contrato: eles forneceriam a previsão para todos os jornais do grupo e para a Agência Estado e não receberiam por isso. relata Magno. pelo jornal O Estado de S. in Linhas & Laudas) O novo acordo estendia-se também para outros jornais do grupo. e representou uma reconquista de um espaço que sempre foi da Climatempo. “O Infotempo não era mais um concorrente. A Climatempo fazia parte de um serviço de tevê interativa que a Sky colocou no ar no fim do ano. no Texas. Era preciso racionalizar as operações. como o Jornal da Tarde. reestruturar a tevê. passamos a dar maior importância ao mercado publicitário”. E mesmo parecendo puro folclore. em 2003. Isso complicava um pouco. Paulo. Infotempo. todos os funcionários da Climatempo acabaram se envolvendo com as transmissões da emissora. Agora em São Paulo. O início das transmissões em São Paulo foi complicado. era o momento de trazer a TV Climatempo para São Paulo. jornalista que durante mais de dez anos foi a responsável pela edição do serviço de previsão do grupo. não mais como estagiário.bulento de mudanças. mas sim como diretor da tevê. Durante todo o ano de 2001. que sabia das propriedades isolantes das caixinhas de ovos. Os dois principais diferenciais do serviço são a cobertura de todas as capitais brasileiras e os comentários sobre o impacto do tempo na agricultura (geadas. lembra Magno. calor). não havia audiovisual. “Eu e a Carol Chacon pintamos e colamos caixas de ovos nas paredes para servirem como protetor acústico”. mas para a gente foi um aprendizado tremendo. em especial no jornal O Estado de S. deixamos de ter um serviço exclusivo e. e a gente recebia para isso”. pois trariam o patrocínio que bancaria as despesas.

No começo. afirma o empresário”. esporte. esoterismo e o Sky e você. de manhã.cinco opções aos assinantes: previsão do tempo.) (Meio & Mensagem. A revista apontava o crescimento no faturamento da Climatempo nos últimos cinco anos: uma média anual de 30%. A matéria também destacava que a TV Climatempo. de março de 2002. além de dados sobre a lua. ‘Também podemos oferecer informações sobre as condições das estradas e a balneabilidade das praias em tempo real’. “mas inovar as formas de conteúdo”. Nesse espaço. Até março de 2002. marés. De acordo com uma matéria da revista Pequenas empresas. O locutor dizendo que o dia seria de sol e do lado de fora já estava chovendo”. A diretora-geral da Sky. André Madeira. a empresa fornecia dados para jornais. Além disso. a Climatempo lançaria. todos trabalhando para os diversos serviços prestados pela empresa: desde Internet. e atingia um universo de 250 mil assinantes. “Teve um dia que eu ia entrar no show do Antonio Carlos. diz Nascimento. atualizadas a cada dez minutos. Sempre atenta a novidades. dividia os boletins e com o tempo a voz dos dois passou a ser reconhecida. Uma delas foi a CBN.. a Climatempo empregava 35 funcionários. relembra Patrícia Madeira. 15 deles meteorologistas. deixava claro na mídia que o objetivo da tevê interativa não era oferecer Internet na tevê. Com o marido. Aos poucos. O sucesso obtido com a previsão do tempo divulgada pela rádio Eldorado de São Paulo levou outras emissoras de rádio a procurarem a Climatempo. O canal brasileiro. tinha no total 150 mil assinantes. tornando-se marca registrada da CBN. que fornecia conteúdo na época para 85% dos portais brasileiros e links para outros 2 mil sites. games. transmitida por várias operadoras de tevê a cabo do Brasil. o site da Climatempo era acessado por 350 mil pessoas por mês. 18/3/2002). a tevê figurava nos line ups de operadoras independentes. quando estou esperando para ser chamada. e aquáticos. um canal de comunicação com a empresa. a tarefa foi delegada a outro profissional da equipe. Além dos boletins para a CBN São Paulo. uma delícia porque te exercita a falar direito. 30 emissoras de televisão espalhadas pelo País. que até então divulgava a previsão feita pelo The Weather Channel. como iatismo. Magno convenceu a meteorologista Patrícia Madeira a assumir a função e tornar-se uma “Josélia Pegorim da CBN”. até informações exclusivas para outras mídias como o WAP e a tevê interativa. como futebol. ventos e plantio. “O que acontecia é que muitas vezes a previsão ficava defasada e mesmo assim era lida na rádio. Patrícia logo pegou gosto pelo rádio e também o jeito de transmitir a informação de forma confiável. porém. como a de Belo Horizonte e do Rio. Patrícia Madeira’ e eu respondia de imediato ‘estou acordada há muito tempo’. De repente. apresentando a previsão do tempo para São Paulo. para as maiores cidades do Brasil e do exterior. a Climatempo oferecia a previsão do tempo para três dias. várias emissoras de rádio e companhias telefônicas. a rádio Globo AM era outra cliente assídua. (. mais um serviço inédito na Internet: previsão do tempo para esportes terrestres. a não falar bobagem para 75 . A TV Climatempo também já era um sucesso. Um pedido especial do diretor da CBN ao fechar o contrato com a Climatempo. Carlos Magno e Ana Lucia chegaram a voltar a suas origens. Grandes negócios. Em 2002. e como fornecedora de conteúdo para canais da TVA e TV Filme. Relutante no início. ouço uma voz forte ‘Acorda. mas não desistia de oferecer um serviço diferenciado do norte-americano para atrair as operadoras brasileiras: “As câmeras da Climatempo têm condições de mostrar instantaneamente o que está ocorrendo nas principais capitais do País. O início da tevê interativa não impediu que as duas empresas mantivessem as negociações em torno da inclusão da TV Climatempo no line up da Sky. Rádio é muito bom. Também da capital fluminense.. em abril de 2002. como a TECSAT. ainda sofria com a concorrência do The Weather Channel. Rossana Fontenele. nesse período. a dupla muitas vezes era solicitada por outras sucursais da rádio.

o Milton Jung me perguntou se estava tudo bem e eu respondi na lata: ‘não tem nada bem.agroclima. se você sabe que o dólar vai valorizar. Pecuaristas. o novo informativo preenchia uma lacuna que existia no mercado. ele conhece mais seu ofício e. A previsão dá subsídios para anteciparmos nossas decisões”. não era para estar chovendo’. como na rádio sempre tem um bate-papo. de setembro de 2002. como em um telejornal. Logo em novembro. Oferecemos agora um serviço gratuito e de qualidade a todos aqueles que lidam com a agricultura e a pecuária”. milho. Se a saída de Waldemar foi uma nota triste. além de informações sobre pastagens para a pecuária. na época.com. por outro lado nova baixa levantaria o ânimo da TV Climatempo. café. Outra frente importante de negócios era a agricultura. Carlos Magno e Ana Lucia colocaram no site da Climatempo. A proposta era oferecer um panorama climático do setor e o serviço foi batizado de Cybercafé. afirmava. o fato é que o grande The Weather Channel. a exportadora Costa Café aprovou o novo serviço.” Assim. pouco tempo depois. Já os corretores terão a chance de saber antes da abertura das negociações o que provavelmente irá acontecer. eu errei 100% da previsão. seja pela falta de motivação. Por isso. são dirigidas às áreas urbanas. Sempre antenados. o risco é menor. coube a Carlos Magno a tarefa de continuar a empreitada e manter o sonho de uma tevê brasileira. esclarecia Carlos Magno em uma das várias matérias que a novidade gerou na imprensa. o grande vilão dessa história é o erro. o gerente comercial da Costa Café. e os assinantes tinham acesso a uma previsão do tempo gravada em áudio e vídeo pelo próprio Carlos Magno. Uma das primeiras empresas a contratar a Climatempo. O boletim era postado todas as segundas-feiras. Marco Antonio Jacob. Fundador e grande incentivador do canal do tempo. A ideia do site voltado para os produtores de café deu tão certo que. Com o café é a mesma coisa.br abrangiam as principais áreas de cultivo do Brasil: algodão. estava deixando de operar não só no País como em toda a América Latina. trigo e cana-de-açúcar. produtores e todo o setor de agrobusinness. feijão. Sabe que chegaram vários e-mails me consolando? Isso é rádio”. um meteorologista tem menos chance de dizer alguma besteira sobre o tempo. A Climatempo sempre se preocupou em atender agricultores. Com isso. um alto executivo da Net entrou em contato 76 . compradores e exportadores ganharam uma ferramenta poderosa no mundo do agronegócio.não perder a credibilidade. que tanta dor de cabeça deu a Carlos Magno. “Os produtores poderão saber com antecedência a ocorrência de geadas para tomar as medidas necessárias. a NET/Sky. Foi o primeiro site brasileiro voltado para a previsão do tempo na agricultura. um serviço semanal voltado para a cafeicultura. “Uma vez. de um modo geral. Aí. arroz. soja. no fim de maio. o AgroClima. que apresenta há anos os boletins na rádio Eldorado. abrindo espaço para um canal de previsão do tempo brasileiro na maior operadora de tevê a cabo. usa seu dinheiro para comprar essa moeda e espera a valorização. A empresa nunca teve dúvida da eficiência e da importância desse tipo de informação para a agricultura. com grau de acerto superior a 90%”. pois sabia que acompanhar as condições climáticas era fundamental para o acompanhamento do plantio e da colheita e para a realização de negócios na área de commodities. cítricos. Waldemar Stefan decidiu se afastar para poder retomar seus negócios na empresa Promeeting. como também acredita Josélia. As previsões postadas no site www. Em entrevista para a revista A Lavoura. Para Carlos Magno. Seja pela situação econômica. muitas vezes cobrado ao vivo pelos ouvintes mais atentos. O serviço dará uma transparência maior ao mercado. entrei chateada no ar. Magno afirmava: “As previsões meteorológicas. relembra Patrícia. no fim de 2002 a TV Climatempo enfrentava a saída de um dos seus sócios. Mesmo com um pé na Sky. lá pelos idos de 1994. às 9h da manhã. “É como o mercado financeiro. a Climatempo decidiu lançar mais um produto inédito no mercado.

diretor da Climatempo. do mesmo grupo.. Eu disse: ‘Quem vai sou eu’. a Climatempo deixava de prestar serviço para a rede. A notícia foi destaque no jornal: “O tempo vai ficar melhor a partir do próximo domingo. Uma das novidades será o enfoque jornalístico do espaço. conta Ana Lucia sobre o último dia na emissora. O laboratório Roche consulta Magno para reforçar a distribuição de seus antigripais e vitaminas C nas regiões onde a previsão é de chuva. consequentemente. na edição de 30 de julho. e Estradas.5 milhão de assinantes. Internet. Pouco tempo depois de conquistar um lugar na tevê por assinatura. No dia 2 de janeiro de 2003. “Fiquei até o último dia na Globo. como Em Clima de Viagem. a não ser eu. lembra Magno.com Carlos Magno perguntando se a TV Climatempo estava pronta para entrar em operação. que dará destaque ás mudanças climáticas que estiverem ocorrendo no País. Os clientes da empresa também se multiplicaram. a Climatempo seria contratada para prestar serviço para o jornal O Globo. era o momento de enfrentar novos desafios. Magno e sua empresa eram tratados como empreendedores vitoriosos: “O negócio cresceu tanto que em 1999 Magno investiu 200 mil dólares para criar um canal só dele.” (revista Dinheiro . Pelo menos nas páginas do Globo. se uma intensa ressaca atingir as praias do Rio ou uma seca assolar a região Centro-Oeste. A partir de então toda a parte de previsão do tempo dos telejornais passou a ser fornecido pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (C PETEC/ Inpe). Nela. consultoria e agora também com a TV Climatempo sendo retransmitida por uma grande operadora. E a credibilidade da empresa no mercado era tão grande que a revista Dinheiro. O crescimento acelerado da empresa em todas as áreas. (. A saída aconteceu em abril de 2003. Além disso. a Climatempo dava adeus a uma de suas melhores e mais importantes parcerias. “Começou a correria. um dos sócios da Climatempo. “A tevê deu credibilidade à previsão do tempo e.).. in Linhas & Laudas). Não estou a fim de que alguém desagradável ou implicante crie alguma saia justa e não quero que outra pessoa.” (O Globo. A prova de que a saída da Globo não deixaria traumas foi que logo depois. Após treze anos de contrato com a TV Globo. compramos o que era necessário e nos primeiros meses de 2003 conseguimos pagar as dívidas e equilibrar as contas da TV”. voltado para o agronegócio e para a agricultura de todo o País. que hoje (2003) tem 1.) Essa interatividade e esse dinamismo são inéditos no Brasil’. um infográfico explicará os motivos do fenômeno (. que dava dicas das condições do tempo nos pontos turísticos do País. pelo contrário. a TV Climatempo. como destaque da reportagem “De carona no sucesso”. A butique Daslu quer saber se vai chover ou fazer sol antes de decorar suas vitrines. 06/7/ 2003. Já passam de mil e são cada vez mais parrudos – AMBEV (hoje é a INBEV) e Nestlé. feita pela empresa Climatempo. Se nevar na região Sul. era um sábado de 2003. em julho daquele mesmo ano. in Linhas & Laudas). diz Carlos Magno. O canal entraria no ar a partir de março no formato interativo. que lançará no dia 13 uma nova seção de previsão meteorológica. à minha empresa”. sobre as condições meteorológicas nas principais rodovias do País nas tardes de domingo e na volta dos feriados prolongados.. fez com que em dado momento Ana Lucia percebesse a necessidade de 77 . encerre isso com chave de ouro”. Pegamos dinheiro emprestado no banco.. avalia Magno. o Minuto Agrícola. quando a emissora não renovou o contrato que mantinha com a empresa. A saída da Globo não abalou os serviços da Climatempo. trouxe Carlos Magno. 30/7/2003. ‘Vamos dar destaque ao que estiver acontecendo de mais importante. Jornalistas do Globo estarão sempre em contato com meteorologistas da Climatempo para decidirmos que explicações interessam aos leitores. jornais brasileiros anunciavam a entrada em operação do primeiro canal de meteorologia 100% nacional na Sky. A TV Climatempo começaria divulgando boletins de hora em hora sobre o tempo no Brasil e no mundo e alguns outros programas.

O curso reforçou a vontade de Ana Lucia em posicionar a empresa à altura de sua importância diante do mercado. 78 Foi um período de reestruturação de toda a parte administrativa. auditável. cobrança. O ano de 2003 ficaria marcado pela constatação de uma nova realidade na meteorologia brasileira. Magno e Ana sabiam: o tempo na Climatempo era bom. A indústria era o principal cliente desse tipo de serviço. só que dessa vez dedicou-se aos prognósticos climáticos. Como bons previsores. que começou de forma embrionária. “Depois de um ano. o faturamento do setor de serviços meteorológicos saltou de seis milhões de dólares para 120 milhões de dólares. Ana assumiu a tarefa de colocar a empresa em ordem. Ele ficou mais tranquilo para fazer os negócios. Não tinha a menor ideia de que a Climatempo já estivesse nesse ponto”. descobri que todo mundo conhecia a Climatempo. de 1993 a 2003. Inúmeras matérias ao longo do ano registraram o impressionante crescimento na demanda por serviços de meteorologia.” “Sempre se soube quem ganhava o quê. Naquele momento. que era a Climatempo Consultoria. mas não se sabia quem dava lucro ou não. “Quando comecei a fazer o MBA . as pessoas dos meios de comunicação conheciam. Segundo pesquisa feita pela Climatempo. Ana Lucia deixou a administração e voltou para o que gostava de fazer: a previsão. programei o sistema e treinei o pessoal. ou seja. trabalhar direto com advogados. que ajudava no planejamento estratégico das empresas. porque todos os lucros e débitos iam parar num lugar só.modernizar a administração da empresa.” Ana Lucia trabalhou intensamente. contadores especializados. era fundamental ter outro departamento comercial. Assim. Fiquei muito feliz. logo após terminar o MBA . ali durante as aulas. mesmo que internamente. De repente. Não teve dúvidas: entrou em um MBA de Administração Geral em 2002. a estrutura era ainda muito amadora e era preciso reorganizar tudo. para longos períodos. Segundo ela. nas conversas nas filas dos elevadores. O programa gerava a nota fiscal e acompanhava todo o processo desde a hora em que chegava a ordem para ser emitida até a hora da cobrança. Criei métodos para que o volume de trabalho que aparecia na administração fosse gerenciável. Eu mesma estudei e criei um programa que fazia as notas fiscais do jeito que acho que deviam ser feitas. em dez anos. conta Ana Lucia. Seja para divulgar novas parcerias com empresas aéreas como Varig e TAM . em 2003. e a Climatempo estava sempre entre as empresas citadas. Todas aquelas pessoas de várias empresas importantes conheciam a minha empresa. E foi ali que teve a real dimensão da importância da Climatempo. Mas era muito trabalho para uma pessoa só. Meti a mão. . a Climatempo era uma empresa que as pessoas do ramo conheciam. arregacei as mangas. o Magno ficou mais confiante e me passou toda a administração. refiz os processos de emissão de notas. Quando viu que as coisas já estavam andando de maneira mais organizada. seja para anunciar o lançamento do discador que fazia da Climatempo um provedor da Internet. Separamos tudo.

a Climatempo contabilizava como clientes quase 500 empresas ligadas às áreas agrícola. Segundo o meteorologista Celso Luís. manter sua carteira de clientes e dominar seu segmento de mercado. A reestruturação levada a cabo por Ana Lucia durante o ano de 2003 ajudou a organizar os vários setores da empresa. viria de empresas privadas nacionais que também perceberam o aumento de demanda por informações climáticas. com o tempo. A primeira delas era o espírito empreendedor do casal Ana e Magno. Grandes negócios. define Magno. Índice que subiria para oito milhões de acessos ao mês em junho daquele mesmo ano. ao lado da Climatempo. nas matérias de jornais. se por um lado era o resultado de um trabalho muito sério de divulgação feito pela Linhas & Laudas. in Linhas & Laudas). para opinar sobre as condições do tempo: “O outono chegou há três semanas. fundada em 1995. ajudou a criar uma nova cultura meteorológica.E Conhecida e respeitada.. a empresa era procurada. lá atrás. impediam essa acomodação. que. Aos poucos. da Somar.) ‘Até quarta prevemos temperaturas máximas de 30 a 31 graus’.). Tanta notoriedade não era fruto do acaso.” (Jornal da Tarde. os principais concorrentes da Climatempo foram empresas estrangeiras como a WSI e o The Weather Channel. órgãos públicos. mas para o paulistano. Era preciso definir quem fazia o quê. alvo de concorrência. em especial de Carlos Magno. farmacêutica. a previsão do tempo. prestando serviço para a Rede Globo. por exemplo. Naquele momento era preciso definir as várias frentes de trabalho desde a operação da tevê. porém. A credibilidade. “Tivemos um pico de expansão de 200% nos negócios em 2000. fez com que os órgãos públicos. Foi o início da profissionalização que levaria à criação do Grupo Climatempo. o mês de abril deste ano está atipicamente quente. No início. a partir do fim da década de 1980. Magno comentava o crescimento da empresa nos últimos cinco anos: cerca de 30% ao ano. diz o meteorologista Luiz Alves dos No início de 2004.” Também naquela época. tevês. mesmo depois de tantos anos. “Sou um empreendedor nato. compete basicamente no mesmo mercado da Climatempo. decorrente de vários serviços lançados no nosso site. passaram a competir pelo mercado de previsão do tempo. Duas razões. da Climatempo (. como o CPETEC. 10/4/2005.. porém. o mês de abril está com cara de verão. passando pela Internet e pela consultoria. também se tornassem mais conhecidos. Em matéria publicada na revista Pequenas empresas. a tevê foi outro”. 9 . a Somar conseguiu conquistar uma fatia importante do mercado. Uma boa razão para manter a Climatempo atenta e atuante. A Somar Meteorologia (Southern Marine Weather Services). A outra razão era de ordem prática. o site da Climatempo registrava uma impressionante marca: um milhão de pessoas utilizava alguma espécie de serviço da empresa via Internet. ainda enxergava e acreditava no grande potencial da meteorologia no Brasil. por sua vez. isto é.. Com isso. Ela oferece consultoria para jornais. passou a ser respeitada. de março de 2004. por tabela. a Climatempo já podia se dar ao luxo de andar com as próprias pernas. Com uma estratégia agressiva de preços. Santos Neto. A Climatempo foi um empreendimento. agronegócio e mantém um portal na Internet. Tanto era assim que logo. gerando maior interesse A concorrência mais séria. era inevitável que os serviços prestados por uma empresa privada fossem. alvo de total descrédito. por outro essa resposta positiva não aconteceria se Virando uma holding 79 m quinze anos a Climatempo consolidou-se como a primeira grande prestadora de serviços de meteorologia no Brasil. que colocava o nome Climatempo nas mais diversas mídias. de confecção e de transporte que utilizavam regularmente as previsões da empresa para a tomada de decisões em seus negócios. por ex-funcionários do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O trabalho pioneiro realizado pela Climatempo.. (. da população no acompanhamento dos fenômenos meteorológicos.

distribuído em parcerias. a Fox investiu na exposição de banners e popups.a empresa em si não conquistasse visibilidade por meio de ações e iniciativas inéditas no campo meteorológico e no investimento constante.” E mais. a Climatempo já era referência para toda e qualquer informação climática. Com isso a emissora recebia a arte pronta para gravar e exibir. André Madeira esclarecia: “Granizo e neve são como água e vinho. com ventos entre 120 e 150 km/h e surpreendeu os especialistas pela raridade do fenômeno no Brasil. Enchentes. semelhante a uma nevasca. Mas nem tudo era só sucesso. A explicação técnica do fenômeno ficou por conta da Climatempo: “O granizo é produzido por nuvens que alcançam altitudes elevadas. que movimentava cerca de 40% do Produto Interno Bruto ( PIB) brasileiro. lembra Magno. 80 . Essas nuvens se formam somente em dias bastante quentes. o gelo acumulado nas vias foi superior a 30 centímetros e foi preciso muito trabalho para retirá-lo das ruas. O objetivo era claro: explorar o potencial da principal empresa de meteorologia privada do País. para tirar dúvida sobre a possibilidade de neve. Um serviço mais uma vez inovador da Climatempo. Na maioria das redações ouvir os especialistas da Climatempo tornou-se quase obrigação editorial... O novo sistema permitiu apresentações personalizadas do audiovisual das previsões do tempo. O espírito empreendedor de Carlos Magno muitas vezes esbarrava no que popularmente se chama “canoa furada”. em setembro de 2004. na sua estrutura. A equipe de meteorologistas era constantemente procurada para explicar fenômenos que intrigavam a população. mais adequadas ao perfil de cada cliente. A gente queria colocar a TV Climatempo como canal aberto e o Canal do Boi transmitia por parabólicas. ao empresário sul-mato-grossense Claudio Godoy. Apostando na popularidade do site. Foi o que aconteceu. por exemplo. Segundo destacava matéria do Jornal da Tarde. a Climatem- po ampliaria ainda mais a visibilidade de seus serviços com mais um produto. onde a temperatura é baixa. A primeira ficaria por conta da mudança no sistema de envio de dados aos clientes. com uma empresa cinematográfica. o mesmo de Independence Day. Com a expectativa de entrar na tevê aberta. Dessa vez. Magno associou-se. do dia 13 de fevereiro. a Climatempo esteve quase diariamente no noticiário dos principais jornais brasileiros por causa de uma série de eventos raros. Isso faz com que a água forme os cristais de neve”. No campo tecnológico. do diretor Roland Emmerich. na época. Claro e Vivo. seguida por uma chuva forte. a ocorrência de um ciclone extratropical com ventos de até 150km/h arrasou o sul de Santa Catarina no fim de março e deixou três mortos. A popularidade da Climatempo ficou evidente em uma parceria inédita que o portal fez. isso não aconteceu”. que passou a enviar as informações via satélite e não mais por arquivos de computador. Sua programação era dirigida ao setor agropecuário. dono do Canal do Boi. Pouco depois. tanto financeiro quanto cultural. cerca de 35 milhões de telespectadores anualmente. a Fox Films do Brasil. Naquele mesmo mês. já que o filme retratava os impactos de fenômenos da natureza nas principais cidades do mundo. No fim. 76 feridos e milhares da casas danificadas. A paisagem de verão deu lugar a uma grossa camada de gelo. quando uma tempestade de granizo. racionamento de água. conge- lando a água. que atingia. em fevereiro. além de um link que permitia o acesso ao site oficial da produção. destaque para duas novidades. cobriu de gelo boa parte da zona Norte da cidade de São Paulo. Nesse período. em maio. gerando conteúdo para mais de 250 emissoras de rádio em todo o País. “Na verdade foi uma parceria que não deu certo. Em qualquer um desses episódios a análise dos meteorologistas era sempre requisitada. também associada a uma alta umidade do ar. No ano de 2004. A neve se forma quando a temperatura é bastante baixa na superfície. para a divulgação de uma superprodução O dia depois de amanhã. A outra era a ampliação dos serviços para celulares para as operadoras Tim. estiagens. O Catarina foi mais tarde reconhecido como um furacão de categoria 1.

chegando a quatro quilômetros na região metropolitana de São Paulo.8 GHz. O processo de retomada passava pela modernização da empresa. Vendemos muitas selas e ganhamos muito dinheiro”. já em 2005. Se antes era possível elaborar a previsão com maior precisão para um limite de 100 quilômetros. Carlos Magno deixou a rotina de previsão e de atendimento aos clientes para sua equipe. as duas empresas desenvolveram um novo sistema que aumentava a precisão e a velocidade dos serviços de previsão. montamos uma equipe de telemarketing e começamos a fazer programa ao vivo para vender de madrugada. surgiu a ideia de montar um canal de vendas. “Eu tinha um diamante bruto em minhas mãos e precisava trabalhar para lapidá-lo. o software usado pela Climatempo foi adaptado. em janeiro de 2005. assim como Renato Urbinder. Os novos computadores eram capazes de processar 26 bilhões de operações por segundo. Foi então. que também é um sujeito empreendedor. Carlos Magno e Ana Lucia.que define o período como uma fase negra da Climatempo. “Tinha estúdio. baixando o valor dos serviços. mas ainda sem transmitir a TV Climatempo. umidade e ventos. passou a se ocupar da supervisão geral do grupo de previsão. lembra Magno. alguns clientes debandaram. “Ganhamos muito dinheiro. 2 GB de memória RAM e 120 GB de disco rígido. A Semp Toshiba entrava com os computadores em troca de espaço publicitário. antes esse trabalho levava mais de três dias.” O que aconteceu foi o seguinte: com toda a estrutura montada dentro do Canal do Boi. desligando-se do dia a dia para acompanhar o processo global da empresa. Todos rodando em um cluster GNU /Linux. O objetivo dessa associação era que todo o processamento das informações fosse distribuído aos computadores de forma que na prática todo o trabalho fosse feito por um único computador. a Climatempo anunciou uma parceria com a empresa de tecnologia Semp Toshiba. Eu e o Renato Urbinder. a Climatempo passou a trabalhar com seis computadores de última geração na época: Pentium de 2. Juntas. Também tornou possível prever com maior chance de acerto a ocorrência de chuvas. e isso teve suas consequências. O MM5. Como a Climatempo manteve seu padrão e seus preços. Magno também concluiu que como diretor presidente da empresa era preciso cuidar do gerenciamento de todos os setores que compunham a Climatempo naquele momento. Os equipamentos permitiram à empresa fazer uma previsão para quinze dias no prazo de uma hora. que. Assim como Ana Lucia. porém. com o acordo. Pensando nisso. Portanto. chuvas. O Renato teve a ideia de vender selas para cavalo. Isso possibilitava apontar as condições climáticas diferentes até mesmo entre bairros da capital. O preço dessa iniciativa foi que a concorrência percebeu o momento vulnerável da Climatempo e promoveu um verdadeiro ataque. acabei desviando o foco da TV Climatempo. para a sua empresa de meteorologia. um modelo de previsão do tempo de pequena escala de código aberto que havia sido desenvolvido para o hemisfé- 81 . com o novo sistema foi possível diminuir o campo para 40 quilômetros. “Cluster” é o nome dado a um sistema montado com mais de um computador. enquanto um computador normal realizava um bilhão de cálculos por segundo. Magno então percebeu que era hora de voltar o foco para a consultoria. Esse novo sistema deu à Climatempo uma qualidade ainda maior na prestação de serviços de previsão do tempo. sócio da Climatempo Internet. tinham consciência da importância das novas tecnologias e do que as novas mídias que despontavam com toda a força podiam representar para o desenvolvimento de novos negócios. um link de satélite e um horário na madrugada para fazer qualquer coisa. contendo informações de temperatura. Para dedicar-se totalmente à Climatempo. e deixar de vender selas para cavalos. Com as novas configurações. depois de reestruturar administrativamente a empresa.” Esses pequenos desvios serviram de aprendizado e motivaram a retomada do caminho traçado para a empresa. que voltamos a nos impor no mercado.

O que vai acontecer em dois ou três meses pode ser muito importante para alguns setores. Em setembro de 2005. desenvolvendo produtos para celular”. por exemplo. O projeto contava com o respaldo científico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). com um prazo de validade para um período de cinco dias.. Era a partir das in- 82 Em outra ponta. frio fora de época. a Climatempo colocou à disposição de seus clientes dois tipos de previsão. gerando gráficos mais precisos para a TV Climatempo. Para a revista. uma loja programava a montagem de vitrines para atrair consumidores durante o fim de semana com base nesse prognóstico. Outra novidade: todos os dias os usuários de todo o País podiam solicitar. cada vez mais exigente. o site trazia mais informações. como os índices ultravioleta para sete dias. ainda na área de TI. A Elite Info de Tecnologia foi escolhida por presidentes de empresas. “A Climatempo sempre esteve na ponta. avalia Renato Urbinder. Diariamente eram enviadas informações com a previsão para quatro dias para até cinco cidades. De posse dessas informações. na página da Climatempo. As instabilidades climáticas ocorridas no Brasil sempre foram um forte aliado do crescimento da Climatempo no mercado de meteorologia do País. novos planos que permitam a navegação na Internet”. Toda essa movimentação em busca da modernização não poderia resultar em outra coisa senão em reconhecimento. Tudo para tentar minimizar os riscos de investimentos de um setor que gerava cerca de 20 bilhões de dólares por ano. As facilidades operacionais permitiram também que os técnicos da Climatempo conseguissem renderizar imagens e filmes mais rapidamente.rio Norte. um entusiasta do potencial dos pequenos telefones. e dentre os nomes apontados como parte dessa elite estava o empreendedor Carlos Magno do Nascimento. criou um serviço especial para a indústria têxtil: a cada 30 dias fazia previsão para os próximos 12 meses. depois com informações via Internet e por fim com a expectativa de em breve transmitir programas de tevê pelo celular. Por exemplo. Magno destacaria um dos objetivos da empresa: “Queremos colocar a informação na mão do usuário. os celulares se consolidaram . como o da indústria têxtil. mapas e imagens do tempo em outros países. A mais conhecida e imediata era a previsão do tempo. qualidade do ar e das praias. fundador e presidente da Climatempo.. Além de possibilitar o envio de fotografias de fatos ligados ao tempo pelos usuários. com a mesma qualidade. “Sempre estivemos empenhados em trazer para os celulares novas conexões. o que facilitou o trabalho dos meteorologistas. A velocidade cada vez maior com que novas tecnologias para celulares se desenvolviam significava novos negócios para empresas como a Climatempo. por isso nosso empenho em produzir conteúdos cada vez mais interessantes para os celulares. temporais que arrasavam cidades. Os serviços da empresa eram solicitados para esclarecer as “loucuras do tempo”: calor no inverno. foi ajustado pela Climatempo para elaborar a previsão para o hemisfério Sul e para o Brasil. como ferramentas estratégicas de negócios. o serviço do Climamail. Já a previsão climática era uma área muito específica dentro da Climatempo que atendia a clientes que precisavam de um acompanhamento a longo prazo do clima. Para isso foram feitas algumas alterações no layout para facilitar a navegação e deixar o portal mais interativo. Desde o início. Na Internet também era preciso acompanhar o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas e do perfil do internauta. a revista Info elegia os 21 nomes mais importantes da tecnologia brasileira. escolhidas entre três mil municípios brasileiros e 350 no exterior. os clientes podiam fazer um planejamento diário de suas ações. indústria e varejo tinham de recorrer aos meteorologistas. Primeiro. A Climatempo.” Não era à toa que a Climatempo estava presente nas principais operadoras de celulares. previsão do tempo via e-mail. Para enfrentar as mudanças bruscas dos termômetros. professores universitários e consultores. com simples torpedos que enviavam a previsão do tempo para o celular. que fazia a avaliação estatística do novo sistema. pioneira em projetos.

destaque para a revista Moto Adventure. entre elas a Rede Mulher e algumas retransmissoras regionais. Paulo. contudo. as previsões da empresa também eram fundamentais para definir as vitrines e o tamanho do estoque para a estação. a empresa já registrava uma base de 1. No varejo. também passou a utilizar as previsões fornecidas pela Climatempo. Tecelagem e Vestuário de Blumenau (Sintex). Fomos melhorando. que aconteceria em Florianópolis no ano seguinte. Em 2006. famosa loja de grifes de São Paulo. Um exemplo de cliente da previsão climática era a Daslu. explica Ana Lucia. a previsão dava aos aficionados pelo mundo offroad a possibilidade de organizar 83 . em São Paulo. Em 2005. Ninguém imagina o trabalho que é refazer setenta. e O Estado de S. os dois não deixaram de lado a raiz de tudo: que a meteorologia era uma ciência. avalia Ana Lucia. a loja solicitou uma previsão antes de selecionar o que iria expor na coleção de inverno. as indústrias farmacêuticas e da construção civil são as maiores interessadas nas previsões climáticas. isto é. “Elaboramos a previsão. melhorando. a previsão do tempo e do clima era um negócio. O detalhe é que eu fui estudando o que os acadêmicos diziam até encontrar uma solução que o mercado considera boa”. no Rio de Janeiro. Assim como a indústria têxtil. direcionada à classe AA. rádios. que reunia 42 empresas. se houver uma mudança radical. André e Patrícia Madeira são os responsáveis por esse tipo de serviço. explica Ana Lucia. Congresso Brasileiro de Meteorologia. Pouco tempo depois. “O dono da marca me perguntou uma vez se era possível fazer uma previsão para estação e eu disse que era. contratos por trabalho específico. como a Eldorado e a CBN e cerca de 50 tevês. era uma coisa muito incipiente. Havia. Em novembro de 2005. muitos deles sazonais. a Climatempo e a SBMET promoveram um Concurso de Marcas com Animação para divulgar o 14º. varejo e indústria percebiam a necessidade de contratar uma empresa especializada em serviços meteorológicos. uma vez que prestígio e confiabilidade já estavam definitivamente associados ao nome da empresa em 2006. afirma Magno. Ouvimos bastante os clientes.500 clientes. entre elas a Hering e a Marisol. A busca da profissionalização era a meta principal da Climatempo. os clientes fixos. por exemplo. O prestígio podia ser avaliado pelo reconhecimento da marca. a gente simplesmente aborta o que está sendo feito e refaz tudo. Entre os novos clientes. No início. montamos um formato que está até hoje e podemos fazer a previsão para qualquer lugar do Brasil”. “Com essa informação. e a confiabilidade se traduzia na quantidade de matérias em todas as mídias em que a Climatempo era fonte de informação. a participar da diretoria da Sociedade Brasileira de Meteorologia ( SBMET) para o período de 2004 a 2006. em 2004. que passou a ter uma página com a previsão meteorológica para o mês elaborada pelo meteorologista André Madeira. oitenta previsões”. Ela tem outras raízes que são acadêmicas. “Não fui eu quem inventou a previsão climática. Ana Lucia. Cada vez mais. outro cliente de peso. Ana Lucia fora convidada. Dividida em regiões brasileiras. a Camisaria Colombo. Para Carlos Magno e Ana Lucia. eles sabem se devem investir num tecido mais pesado ou mais leve para a estação seguinte”. porém. Os desenhos selecionados foram utilizados na publicidade do congresso e o vencedor ganhou uma câmera fotográfica digital. O objetivo do concurso era chamar a atenção para a atuação da meteorologia na sociedade e no meio ambiente por intermédio de animações. No outono de 2003. que por si só atraía o interesse de possíveis clientes. Por isso era importante manter contato com as entidades do setor e também com a comunidade científica. O trabalho de previsão para o setor de moda começou com uma etiqueta de surfwear. a Climatempo conquistou um importante cliente: o Sindicado das Indústrias de Fiação. como jornais do porte de O Globo e Extra. Na empresa.formações da Climatempo que indústrias do setor têxtil definiam a gramatura do tecido que seria usado em determinada peça de roupa.

vale ressaltar a variedade de segmentos que procurava a Climatempo. empresas de telefonia. agências de viagens e parcerias importantes. por isso a concepção do grupo solidifica o nosso objetivo de se apresentar ao mercado dessa maneira”. E a empresa que souber como o tempo vai se comportar tem uma vantagem”. agronegócios. Carlos Magno. como com site iG. realizar uma profunda alteração para poder atuar em todas essas frentes. shoppings. direto da redação da Climatempo. produtoras de filmes. AutoBan e Ponte Rio–Niterói. Surge então o Grupo Climatempo. lojas de departamento etc. O Grupo Climatempo passou a ser formado pela Climatempo Consultoria e a Agência Climatempo. como o boletim das estradas. Entre as empresas. Nesse momento. como o Habib’s. Na cartela de clientes havia malharias. persuasão. permitia a visualização de imagens das câmeras das rodovias e com isso oferecer serviços meteorológicos atualizados. na base das decisões das pessoas. e a Climatempo Produções. criava situações confusas internamente. Arquitetura e Agronomia de São Paulo ( CREA-SP). com cinco unidades de negócios. em abril de 2006. transformando a Climatempo em um grupo empresarial. de julho e agosto de 2006. que desde 2005 havia se reintegrado à equipe com o objetivo de dirigir toda a programação da tevê. o Último Segundo. os agricultores eram um alvo evidente. Uma parceria com as concessionárias Ecovias. por exemplo. até cadeia de restaurantes. a consultoria dedicando-se mais em abastecer a Internet do que seguir o seu objetivo de atender aos clientes. A Climatempo Meteorologia e a Agência Climatempo eram as empresas mais antigas do Grupo e respondiam pelo atendimento dire- to a grandes empresas. empresas de prestação de serviços técnicos de previsão de tempo e clima: a Climanet direcionada para serviços de Tecnologia da Informação e Internet. mas sempre convicto de que o clima está. que a partir de julho de 2006 passou a oferecer o acompanhamento da previsão do tempo para cinco mil cidades brasileiras e mais 350 cidades de outros países no boletim informativo do portal. quatro estúdios de gravação equipados com câmeras e aparelhos digitais. a tevê atuando com a Internet e interferindo na consultoria. pelo desenvolvimento de novas 84 . A Climanet era responsável pela manutenção do Portal Climatempo. Toda essa modernização contou com a direção do jornalista Paulo Polli. desde lojas de varejo. O novo serviço do tempo trazia também notícias atualizadas a cada 30 minutos. que usava a previsão para evitar congestionamento no serviço de entrega rápida. Para seduzir tantos e tão variados clientes. Para modernizá-la e torná-la mais competitiva. Do jeito que estava. voltada para a realização de vídeos e documentários. Com a nova estrutura ganhou também novos serviços. que recebeu uma nova injeção de investimentos. além de prejudicar o fluxo do trabalho. como a C&A e o Magazine Luiza.com antecedência viagens. em entrevista para a revista Exame. Carlos Magno e Ana Lucia tomaram consciência de que era preciso reestruturar a em- presa. e as novas mídias. como TVs indoor. revelava o seu segredo: “Pela natureza do setor. Os demais clientes setoriais eu consegui com um pouco de intuição. assumindo toda a responsabilidade legal pelos trabalhos feitos junto a clientes. corridas e as demais atividades em duas rodas. e um estúdio em que eram feitas entrevistas e a gravação de comentários. e índice de acerto em torno de 70% e previsão do tempo mensal e diário com índice de acerto de 95% para indústrias. com cinco ilhas de edição não-linear. a TV Climatempo. comprometendo a qualidade dos serviços prestados. empresas de seguro. mídias. em 1988. Percebemos que a Climatempo já não comportava mais uma administração unificada. ônibus. de alguma forma. a TV Climatempo recebeu novos equipamentos. afirmava Magno em entrevista ao jornal Gazeta Mercantil. Essas empresas seguiam a legislação para o tipo de negócio prestado e por isso estavam registradas no Conselho Regional de Engenharia. oferecendo análises climáticas com projeção para até um ano. “Esta ação fez-se necessária pelo crescimento da empresa desde a sua criação.

mas também com venda de publicidade por meio de banners e links patrocinados. Além disso. todos obedecendo à filosofia e missão de cada empresa. o internauta tinha acesso a conteúdos transmitidos ao vivo em banda larga e podia trocar informações e opiniões com a equipe da tevê. atualização de três em três horas. A ideia era aproveitar a estrutura da TV Climatempo. o prédio da rua Muniz de Souza e a casa amarela ficaram pequenos. 85 . no bairro do Paraíso. novos conteúdos e maior agilidade. além do desenvolvimento de produtos nas áreas de computação gráfica e multimídia. Uma importante mudança de posicionamento da empresa fez com que a Internet gerasse receita não só na produção de conteúdo. naquele momento. Ali. desenvolvido pela empresa de comunicação Linhas & Laudas. na mesma época em que foi criado o Grupo Climatempo. surgiu o conselho consultivo e foram nomeados gestores para cada unidade de negócios. o da TV Climatempo e um institucional descrevendo as atividades do grupo. diria Magno. Com a formação do Grupo Climatempo houve uma reformulação total no visual do portal e a criação de dois sites. era hora de mudar para poder crescer. programas de tevê. pressão e raios ultravioleta para dois dias. era a profissionalização. uma nova empresa tornou-se parte da holding: a Climatempo Produções. “Cada uma delas com a sua vocação”. como estúdios e equipamentos para prestar serviços para terceiros. No site da TV Climatempo era possível encontrar toda a grade de programação da tevê. Com toda essa reestruturação. O Portal Climatempo já estava no ar havia cinco anos e com as modificações ganhou nova identidade visual. A repaginação do portal trouxe previsões do tempo para cinco dias. antigas instalações da Rede Vida de Televisão. Enfim. Os novos estúdios e as demais empresas do grupo foram transferidos para um amplo prédio na rua José Antônio Coelho. Isso foi possível graças a um acordo com a Microsoft para o desenvolvimento de um software que tornava viável assistir à TV Climatempo pela Internet.tecnologias. foram criados grupos de trabalho. Pelo site. especialmente aquelas voltadas para a transmissão de informações via celular. Por fim. Mais uma vez. umidade. com uma média de cem mil visitas diárias e mais de oito milhões de page-views por mês. o portal era um dos cem mais visitados em língua portuguesa. documentários. ou pelo menos o início dela. informações sobre vento. e ainda pelo envio de informações customizadas para outros sites e portais. produzindo vídeos institucionais. com a descrição de cada programa. A Climatempo estava pronta para novos vôos. em andares diferentes. pois. além de novas imagens de satélite e de um banco de dados sobre chuvas e temperatura que serviriam como fonte de pesquisa ao internauta. Um negócio interessante para empresas.

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A prova de que o nome Climatempo tornara-se uma referência para a área meteorológica estava no filme “O amor não tira férias”. e foi um grande sucesso. teve cenas gravadas na favela da Rocinha. Ana Lucia e especialmente o sócio Renato Urbinder estavam sempre atentos às mídias que apontavam nichos importantes a serem conquistados. formado por Kate Winslet e Jack Black. A Climanet. Em uma delas. Nas legendas. A gente entende m ano decisivo. porém. a Climatempo. também! 10 87 . Carlos Magno nunca escondeu a admiração pela mãe. precisava definir os objetivos de cada núcleo do grupo. Paulo: “O meteorologista Carlos Magno. “Foi um momento complicado pessoalmente. presidente do Grupo Climatempo. (O Estado de S. Com a atenção voltada para o momento pelo qual o grupo passava. Logo. criou os três filhos so- Uma notícia bastante agradável daria um certo alívio à sensação de perda. inclusive ajudando financeiramente. então titular da coluna Persona no jornal O Estado de S. Um deles certamente era o da tecnologia celular. dirigido por Louis Leterrier e com Edward Norton no papel principal. Seria uma homenagem a minha mãe. a Fora das luzes do estrelato. Era realmente preciso ficar alerta. Pelo menos era assim que Carlos Magno e Ana Lucia encaravam o ano de 2007. interpretado por Norton. Magno saiu satisfeito. 15/01/2007) Um ano depois. lógico”. dona Alice sofreu um enfarte fulminante e não resistiu. O filme “O Incrível Hulk”. para aproximar o original da realidade brasileira. que desde a morte do pai. ficaria guardada no coração. quando tinha apenas cinco anos. assiste à televisão em sua casa na favela. foi surpreendido ao assistir ao filme O amor não tira férias. fala sobre previsão do tempo e acessa um site americano de meteorologia. os celulares passa- O céu fala. o personagem Hulk. quem solicitou à Climatempo a imagem reproduzida na tela. a Climatempo continuava crescendo. o par romântico. ele acessa rapidamente a TV Climatempo e acompanha um boletim climático. ainda tão recente.U Mesmo reconhecida nacionalmente como prestadora de serviços meteorológicos e prestigiada até em filmes norte-americanos.” Climatempo estaria ligada a uma outra superprodução de Hollywood. Paulo. Foi a própria produtora do filme. no Rio de Janeiro. já estava presente em várias operadoras de telefonia celular com boletins. Ao trocar de canal. representava um novo desafio: o posicionamento da empresa no mercado. para com isso ganhar unidade e poder competir com maior profissionalismo em um mercado que ajudou a criar e agora se expandia. o site é livremente traduzido para Climatempo. pois os avanços mostravam-se rápidos com várias gerações de celulares sucedendo-se num piscar de olhos. Uma área que continuava em franca expansão. por isso decidi me dedicar ainda mais à profissionalização da empresa e em seu futuro. Mesmo morando do Rio. porém. agora como Grupo Climatempo. Carlos Magno. Dessa vez. O filme estreou no Brasil em junho de 2008. dona Alice sempre foi uma fonte de inspiração e respeito para Carlos Magno e seus irmãos. produção hollywoodiana com Cameron Diaz e Jude Law. flashes sobre as condições do tempo que podiam ser acessados pelos usuários. Para a Climatempo. de cada funcionário e as metas comerciais. Carlos Magno foi surpreendido. dona Alice acompanhou passo a passo. zinha e que um dia saiu do Rio de Janeiro com cinco mil dólares na bolsa só para ajudar a construir o sonho de um deles. primeira empresa privada do setor no Brasil. ainda no início de 2007. a norteamericana Marvel Comics. Apoiando a distância o empreendedorismo do filho meteorologista. A tristeza. A reestruturação da Climatempo. em cartaz na cidade. mais uma vez. perto de completar vinte anos. Quem conta essa história é César Giobbi. parceira do Grupo Estado e líder no segmento. Kate Winslet e Jack Black no elenco. porém. e que tem Cameron Diaz no elenco. quando preciso. Aos 77 anos. nos bastidores do grupo. com a triste notícia da morte de sua mãe. mereceu mais do que a citação na legenda brasileira. torpedos. Diante de uma concorrência acirrada. era preciso marcar posição. Em uma cena do filme. uma das unidades do grupo. o crescimento da Climatempo.

como dizia Magno. Esse desafio foi proposto ao Violin”. ou. Na época. em São Paulo. nesse momento. porém. TAM. provedora norte-americana de conteúdo multimídia. A chance apareceu com o lançamento do Idéias TV. os executivos da TV Climatempo perceberam a possibilidade de a emissora estar presente nos pequenos aparelhinhos. o treinamento dos gestores de cada unidade e firmando parcerias que trariam diversos benefícios aos funcionários. que até então estava mais acostumado a ser “comprado”. organizar melhor a área administrativa e de recursos humanos. envolvendo a montagem de um organograma. A visibilidade da marca Climatempo. com o dinamismo necessário para esse tipo de serviço e para um público apressado e de passagem. Violin era um dos diretores do jornal Vale Paraibano. entre eles os boletins climáticos fornecidos pela TV Climatempo. podia ser mensurada pela quantidade de empresas que procuravam associar seu produto ao serviço da empresa pela Internet. passando a chamar TV Aeroporto. e Confins. Nissan. no Espírito Santo. em São Paulo. relembra Magno. em Belo Horizonte – a Fly TV desenvolveu uma programação com conteúdos diversificados. Carlos Magno e Vanderlei Violin conheceram-se em São José dos Campos. Vanderlei Violin chegou ao grupo em fevereiro de 2007 com a missão de organizar os setores de recursos humanos e Marketing e implantar um departamento comercial compatível com o tamanho do grupo. e mudou de nome. “Quando fizemos a reestruturação da Climatempo. ampliou os serviços para os aeroportos de Guarulhos. Dupont. passou a ser fundamental para o futuro do Grupo. uma variedade de anunciantes que percebeu que superar a marca de 100 mil visitas diárias e ser um dos 100 sites mais acessados em língua portuguesa não era para qualquer um. No Portal Climatempo era possível encontrar anúncios da Nestlé. Sua meta era vender os serviços do grupo. desde a previsão do tempo e as condições climáticas para o esporte até detalhes sobre a situação dos aeroportos. Em janeiro de 2007. Quando a concorrência passou a ser mais forte e percebemos que estávamos fechando menos negócios. A oportunidade de trabalharem juntos surgiu anos depois. no Rio de Janeiro. Pirelli. criando as unidades de negócios. executivos e demais passageiros. Rápidos no gatilho. “Nós não sabíamos nos vender. A primeira providência foi a contratação de um experiente profissional na área de treinamento e gestão e também comercial. Nivea. Santos Dumont. As previsões eram atualizadas três vezes ao dia e feitas especialmente para a Fly TV. um serviço por assinatura da Claro em parceria com a Móbil TV. A Fly TV. Vick. a TV Climatempo tornou-se o primeiro canal brasileiro a fazer parte da programação do novo serviço com um conteúdo repleto de informações. sentimos que também era preciso profissionalizar esses núcleos. Violin deu início a um trabalho focado na estruturação de uma área comercial competitiva. A direção do Grupo Climatempo também percebeu isso. Instalada nos principais aeroportos do País – Congonhas. em 2008. e Vitória. e um novo e importante processo rumo à profissionalização.” Outra questão urgente para o grupo e que ficou sob responsabilidade de Violin era a reorganização da área de RH. posicionamento diante do mercado. foi neles que surgiu um outro nicho promissor captado pelo grupo: uma televisão exclusiva para os turistas. típico de aeroportos. entre eles a possibilidade de 88 . continuou como um dos seus principais parceiros.ram a comportar muito mais do que mensagens. como Magno prefere definir. as pessoas nos procuravam para comprar nossos serviços e então simplesmente vendíamos. E por falar em aeroportos. em 1999. decidimos que era hora de montar um departamento comercial. A TV Climatempo. além de treinar os gestores. Renato Urbinder dizia que: “A entrada da TV Climatempo na programação da Fly TV nos aeroportos reforça a posição da empresa como referência no segmento de previsão meteorológica no País”. Na época. na inauguração da TV Climatempo.

pois traduzia toda a nova mentalidade que Magno e Ana queriam introduzir no grupo. Sorria sempre. a dificuldade de fazer a informação circular. Como vamos chegar lá? Trabalhando com confiança em nossa capacidade. abrangendo todas as tecnologias disponíveis. surgiu a primeira carta de valores. O que vamos conseguir com isso? Sobreviver.” Para Magno. Julho de 1994 O que querem os nossos clientes? Previsão do tempo com boa qualidade. Missão Desenvolver e oferecer a melhor previsão do tempo com total independência. cada vez mais prestar um serviço melhor para os nossos clientes e futuros clientes. da missão e dos valores do Grupo Climatempo: Visão Sermos líderes no mercado nacional. e isso precisava mudar. software e hardware. Em 1991. “Coisas como eu receber o cancelamento de um contrato de uma tevê. Outra carta de valores foi elaborada em 2001. Isso se dará através do fornecimento de conteúdo para os clientes e também através de nossos próprios meios de comunicação. do qual participavam os líderes de cada unidade. demonstrava o pouco entrosamento da equipe. e a formatação de uma carta de valores do grupo deram início a esse trabalho. Poucos anos depois. caso do acordo feito com a escola de idiomas Cel Lep e com a Madia Marketing Scholl. E o resultado foi a divulgação da visão. como o fluxo de informação. Se o gestor pensa. crescer e investir para nos tornarmos o melhor centro de previsão do tempo do Brasil. pois os dois estavam quebrados. Eu não havia sido informado e ninguém se preocupou em avisar. ampliando as bases das primeiras e também alargando os horizontes da Climatempo: A nossa missão é ser o melhor centro de distribuição de informação meteorológica do Brasil. por exemplo. uma visão mais elaborada de suas propostas. A Climatempo já havia proposto anteriormente seus objetivos. e o setor de operações. com tratamento simpático e sem burocracia. procurando sempre usar novas técnicas de pre- visão e tecnologias de comunicação. essa falta de unidade. “Toda empresa precisa se divulgar. A carta de valores foi um marco nesse processo. Fornecer serviços e produtos de alta qualidade. com tecnologia 89 . primeiro no conselho de gestores formado pelos diretores da cada empresa do grupo e depois nos comitês. Divulgar a que veio. clientes e parceiros. Senti que a situação era grave quando um cliente tentou usar os banheiros de um dos andares da empresa e não conseguiu. Postura O cliente tem que sentir que você está verdadeiramente interessado em resolver o problema. especializada em MBA s. buscando todos os dias novas tendências e conhecimentos para superar as expectativas dos usuários. acredita Magno. clara e centrada para a sua necessidade. ninguém vai saber qual é a sua filosofia”. capacitação técnica. Investir em máquinas e em conhecimento. Nossa missão Elaborar para nossos clientes a melhor previsão do tempo.atualização por meio de cursos de idiomas e gestão. A realização da primeira convenção interna do grupo. sem ter a mesma informação. impor suas metas. mas não comunica. conhecimento e criatividade. Sermos a melhor empresa de meteorologia do mundo e permanecer no futuro como uma instituição sólida. A nova e mais recente carta foi discutida internamente. continuar enviando o serviço para o cliente. lucrativa e inovadora. Magno contava com a experiência de Violin no gerenciamento do departamento de RH para acabar com problemas básicos para uma empresa. Simples e direta: Julho de 1991 Missão Sermos a melhor e a mais conhecida previsão do tempo do Brasil. em fevereiro de 2007.

Dar ao cliente o mais alto nível de personalização. afirmou Ana Lucia na época. Esse sucesso se deve muito à consolidação da Climatempo Produções. determinação. ganhou uma nova comunicação visual e um slogan forte para reforçar a marca: C LIMATEMPO . Esse dado por si só já dava uma ideia de quanto a procura pela previsão do tempo e especialmente de clima cresceu nesse período. O faturamento da Climatempo Internet subiu 30% no período. destaque para a contratação de profissionais. Valores Capacidade de perceber alternativas e buscar soluções criativas de qualidade. e cada empresa ganhou vida própria. obtiveram um incremento de 20% e 10%. bem como na Agência Climatempo. NET Digital e outras 44 operadoras pelo País. que caminham lado a lado. A GENTE ENTENDE . o Grupo Climatempo completa um ano com um crescimento de 30% em seu faturamento. vontade de crescer e vencer. respectivamente. manteve uma base de assinantes em torno de dois milhões de pessoas distribuídas pelas principais operadoras. Ótimo atendimento ao cliente. Na Internet. Isso ficou claro em um relatório divulgado pela empresa de comunicação Linhas & Laudas. reformulado. braço da TV. além de oferecer um atendimento full-time aos clientes”. com nomes como Embratel. “Isso deu à Climatempo a oportunidade de ser proativa tanto no dia a dia quanto na criação de novos serviços.avançada e clareza nas informações. elevando em 30% o quadro de meteorologistas. houve um significativo aumento de acessos ao Portal Climatempo e também aos novos sites da tevê e do grupo. Com isso. em cada unidade do grupo. porém. maior empresa privada de meteorologia do País. mesmo sendo um executivo especializado na área comercial. Foi aí que entrou em cena um outro importante personagem. FALA . novas ideias e soluções. Nivea. e atraiu a atenção das principais empresas de telefonia móvel. ponto para a TV Climatempo. sempre com o objetivo de alcançar experiência. do organograma ao plano de metas. Comprometimento. A TV Climatempo foi a que apresentou a maior elevação: 85%. foi mais além ao abrir caminho para uma tomada de posição do grupo. atendeu ao pedido de Magno e Ana. A partir da carta de valores. em tons claros de azul. Toyota. e como vice-presidente do grupo norteou sua atuação no planejamento estratégico de cada empresa. além da chegada de anunciantes de peso. um novo logotipo criado. o publicitário Camilo Magalhães. 90 As empresas passaram por uma verdadeira repaginação: o site foi . que trouxe para o grupo sua visão de como criar uma comunicação coorporativa eficiente e marcante. O resultado positivo entre o primeiro trimestre de 2006 e os três primeiros meses de 2007 é consequência da evolução de todos os setores da empresa. Sky. algumas delas passando a transmitir a programação da O CÉU Assim é que em apenas um ano o Grupo Climatempo caminhava a passos largos em busca de suas novas metas. enquanto a Climatempo Consultoria e a Agência Climatempo. ética e respeito ao cliente externo e interno. Violin. sócio da empresa Btools. Busca permanente da confiança e credibilidade. em seus resultados. que após a mudança na estrutura do grupo buscou novos conteúdos audiovisuais. Criado com o objetivo de estruturar as cinco unidades de negócios da Climatempo Meteorologia.” O relatório destacava ainda o crescimento da marca em todos os setores do mercado. mais leve. no qual fazia um balanço do primeiro ano do grupo. Esse processo envolveu não só o RH e o departamento comercial. Garra. segundo o relatório. que há um ano estava em fase embrionária e já atua em diversos projetos. Na consultoria. Todo o grupo. E por fim. e promoveu um grande investimento em tecnologias. Constante espaço para discussões.

Até então. Ângela ouviu os principais especialistas brasileiros em meio ambiente para discutir questões como mudanças climáticas. Sem modéstia. “Eu acompanho e oriento todo o conteúdo de meteorologia. e principalmente um novo formato. Continuo trabalhando em outras coisas. passou a acompanhar de perto o conteúdo da tevê. banda larga. foi preciso encontrar um padrão Climatempo. era tratar de temas atuais. Um processo que gerou custos inesperados. somos um canal que entra na Internet. Ainda estou aprendendo a fazer aquilo que funciona na telinha. por exemplo. sem dúvida. ligados de alguma forma à meteorologia. biodiversidade brasileira e aquecimento global eram. avalia com orgulho Josélia. Hoje se fala em modernidade da tevê interativa. mas diretamente ligada às meninas que trabalham na tevê. ganhou cara mais moderna. como a súbita interrupção do sinal da TECSAT . passou a transmitir boletins específicos para a sua região. no celular. Meio ambiente. mas tem coisa que eu passei para a tevê que é exatamente a forma que eu aprendi a fazer na rádio. por outro lado. assuntos obrigatórios em um canal do tempo. nós já somos interativos. Outra boa novidade nesse ano foi a entrada no sistema NET Digital São Paulo. “Você percebe que a Climatempo foi sempre muito pioneira. Com todas as mudanças implementadas no formato da TV Climatempo era natural o desejo de expandir a programação para além da previsão do tempo. a TECSAT era a responsável pela distribuição da TV Climatempo para as demais operadoras. Além do programa na tevê. por download. novos clientes. em junho de 2007. a TV Climatempo passou a produzir conteúdo para o sistema interativo da operadora. A partir de fevereiro. lembra Magno. Esse seria um primeiro passo para entrar também com conteúdo audiovisual. certamente. Além disso. Amazônia. As inovações propostas pelo publicitário da BTOOLS atingiram em cheio a TV Climatempo.tevê em tempo real. A TV Climatempo também podia ser vista na Internet. em agosto de 2007. uma identidade. acho que eu sou muito boa naquilo que faço e cada vez mais. com todo o seu profissionalismo e com a experiência adquirida ao longo de quase vinte anos de rádio Eldorado. A gente fez uma opção de empacotar produtos de uma forma que seja bem visualizada na Internet. digitais. tenho para mim que ou o meu trabalho é útil para as pessoas para melhorar o seu dia a dia ou ele não serve para nada”. outras com possibilidade de acessar todo o seu conteúdo. que. uma nova programação. na tevê”. outra iniciativa que também partiu da constatação da importância das 91 . desde como se fala até o que se fala na televisão. As entrevistas fizeram parte do programa Foco Ambiental e hoje são um documento importante para quem quer conhecer melhor esses temas. A empresa havia sido fundada em 1998. Tivemos de mudar todo o sistema para que as nossas parceiras continuassem a receber o sinal. além da programação nacional. nesses vinte anos de Climatempo. “Foi um contratempo para a operação da tevê. Até a queda definitiva do seu sinal. Pelotas. O caminho. colocando computadores em várias operadoras”. tanto no portal quanto em seu próprio site. Uma primeira tentativa foi feita com o lançamento de um programa de entrevistas produzido e apresentado pela jornalista Ângela Ruiz. a meteorologista Josélia Pegorim. dizia-se que a tevê apresentava um padrão do tipo Bloomberg – um visual parecido com o canal de notícias financeiras da tevê a cabo –. avalia Carlos Magno. Durante o ano de 2007. e no ano seguinte se tornaria parceira da embrionária TV Climatempo. Por meio desse novo processo foi possível gerar uma programação local para as diferentes operadoras. do Grupo Climatempo. biodiversidade. mas que. site. 24 horas por dia. com um logotipo estampado na tela e na roupa dos apresentadores. O desafio de manter o pioneirismo enfrentou seus percalços. em São José dos Campos. Afinal era o primeiro e único canal brasileiro de meteorologia. teve seu ponto positivo. Ao acessar o canal 211 era possível acompanhar a previsão para as principais capitais do País e do mundo.

que mediou o encontro. Especialmente na unidade de consultoria. diria Carlos Magno em entrevista para o jornal O Globo. nós passamos pela profissionalização da equipe. “Com a instabilidade do clima. divulgou documento sobre as consequências da elevação das temperaturas na Terra e sobre a responsabilidade da ação humana no meio ambiente. havia a possibilidade de negociação: a TV Climatempo deixaria de receber por assinante e teria um faturamento fixo. Naquele momento. de abril de 2007. Nesse ano. Toda a evolução de faturamento voltou um e meio para trás. talvez tivesse desanimado quando recebeu uma carta da Sky mudando as regras. a Climatempo viria confirmar sua vocação de estar sempre à frente dos grandes temas globais. Cada vez mais a Climatempo era procurada por empresas interessadas em diagnósticos mais profundos do clima. órgão da Organização das Nações Unidas ( ONU ) composto por representantes de 130 governos. não era para principiantes e ingênuos. mais uma vez. e nossa meta é mostrar como isso terá efeito nas companhias. “Até o ano passado. para discutir os problemas causados pelas mudanças climáticas. Segundo ele. bem como de outros fatores climáticos. O jogo do mercado. A preocupação com o meio ambiente podia ser percebida no perfil de novos clientes do grupo. em especial na área da telecomunicação. em São Paulo. para no futuro não ser pega de surpresa por uma bola fora. principalmente com relação à disponibilidade de recursos hídricos. especialistas de renome internacional como o professor Pedro Dias Leite. Carlos Magno define-se como uma pessoa obstinada: “Minha melhor qualidade é ser persistente”. conta Magno. análises a longo prazo na tentativa de definir estratégias para evitar os riscos e também as possíveis consequências provocadas pelo aquecimento global. era preciso ter muita garra para segurar os reveses e as mudanças de regras e ser muito persistente para seguir em frente. teremos fortes consequências econômicas também. Vale lembrar que em 2007 a preocupação com o aquecimento global dominou boa parte dos debates sobre meio ambiente. promovido pelo Grupo Climatempo. Reunidos no fórum “Risco Ambiental”. quando completa vinte anos de existência. Se a população de uma forma geral não se conscientizar sobre o assunto. apesar dos obstáculos encontrados no caminho. para que cada unidade de negócio tenha sua ação lucrativa no futuro. Para Carlos Magno. mas nosso conteúdo era apenas mete- 92 . “Ainda não está claro quais são os reais riscos que o Brasil corre com o problema do aquecimento global. base para o planejamento estratégico de várias indústrias. “A Climanet não pode contaminar a Climatempo e vice-versa.” Mais uma vez. a iniciativa era muito importante para esclarecer alguns aspectos econômicos da situação. Clientes de peso como Petrobrás e empresas geradoras de energia começavam a se programar para tentar minimizar os impactos das mudanças climáticas. produzir um conteúdo para tevê que seja apetitoso para podermos crescer. As empresas do Grupo terão de trabalhar com missões separadas. Se não fosse por ela. “Houve uma redução do contrato em 50%. o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas ( IPCC). que como membro do IPCC foi um dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz de 2007. orçamentos separados. na economia mundial e mais especificamente no Brasil. a operadora de tevê a cabo simplesmente comunicou que a TV Climatempo estaria fora do line-up da Sky. em abril. houve um aumento no faturamento do grupo por causa da procura por relatórios climáticos. Começava aí mais uma partida desse jogo.” Com esse objetivo em mente é que o Grupo Climatempo chega a 2008. os serviços de meteorologia passaram a ser um insumo valioso para as empresas”. também. Em outubro de 2007. e o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes debateram as causas e também as possíveis consequências do aquecimento global. Teremos de nos reinventar. Teríamos de vender publicidade e a tevê teria de se sustentar”. Na verdade. foi preciso. reafirmar a necessidade de cada unidade do grupo ganhar espaço para poder se sustentar.questões ambientais foi a realização de um encontro.

Todas essas inovações e parcerias. fizemos uma repaginação para mostrar as inovações e. segundo o senador. desse planejamento ainda é a meteorologia. www. Várias tentativas foram feitas para implementar uma direção para o setor. Diante desse cenário. em que internautas criam páginas personalizadas. que participam da página enviando vídeos caseiros e comentando as notícias postadas ao longo do dia. base de todo o trabalho feito ao longo dos últimos vinte anos pela Climatempo. O projeto tinha como objetivo. tramitava na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ ) do Senado Federal projeto de emenda constitucional de autoria do senador Osmar Dias ( PDT PR). pois nossa linha é muito focada em meteorologia e meio ambiente. como celulares e em sites espalhados por todo o Brasil.orologia. enquanto a tevê caminha para ter uma programação mais forte. o desafio é continuar crescendo. órgãos públicos e entidades da sociedade civil perceberam a necessidade de estabelecer uma política nacional. em parceria com o YouTube.youtube. fruto de uma época em constante mutação. Com duração média de um minuto e atualizados três vezes ao dia. na área de documentários. não a estatização da meteorologia. os boletins são produzidos pela equipe da TV Climatempo. graças à ação da iniciativa privada. a Internet busca o crescimento acompanhando as novas tendências de mídia. o Windows Media Center. O desafio interno é melhorar os modelos matemáticos. Nunca se falou tanto em meteorologia como dos anos 1980 para cá. É importante destacar. “vieram para ficar”. reflete Magno. a participação da empresa nas mais modernas formas de comunicação. na qual é possível assistir a vídeos com previsão do tempo para todas as regiões do Brasil. e a presença no site de compartilhamento de vídeos YouTube. colocam a Climatempo à frente de seu tempo e. em que a TV Climatempo passou a ser o primeiro canal de notícias a fazer parte de uma nova ferramenta do Windows Vista. Muitas vezes é um risco trazer publicidade. porém. Internet. muito popular por divulgar variados tipos de vídeos que são postados e acessados por milhões de usuários. criar redes de radares para contar com um maior nú- mero de informação. o governo pensou em um Sistema Nacional de Meteorologia e Climatologia. Em julho de 2003. a informação meteorológica ganhou as ruas definitivamente. No início de 2008. e é preciso ter cuidado com o que vamos anunciar. Cabe a essa empresa o crédito de contribuir para colocar a meteorologia brasileira em seu devido lugar. utilizando cada vez mais a Climatempo Produções. Para a consultoria. como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A in- 93 . um miniaplicativo em que o usuário acessa diretamente as informações meteorológicas que mais lhe interessam. Outras duas novidades são o acordo firmado com a Microsoft. mas a unificação dos órgãos federais. Em março de 2008.com. a Climatempo lançou uma página customizada. trouxemos parceiros para comercializar esse produto. aumentando a cartela de clientes. Segundo Magno. nessa área. serviço criado pelo Google. Nessa época. como diz Carlos Magno. agora criamos um padrão para a TV Climatempo. A Climatempo marca presença como um gadget. Caso do I-Google. uma das mais novas febres da Internet. as entidades públicas estaduais e as empresas privadas. ao longo dos três primeiros meses de 2008. estreamos 13 programas. A grande vantagem dessa parceria é a interação que o site permite com os internautas. definindo o papel de cada um no processo de divulgação dos dados e informações climáticas. A raiz. Por outro lado é preciso ter uma programação atrativa para que o público fique mais tempo”. que integra tevê. cada empresa do grupo tem seu plano de metas para os próximos cinco anos. principalmente pela forma humanizada de transmitir a previsão do tempo. Fruto do planejamento estratégico elaborado por Violin. Tratada sempre como um serviço público. ainda em 2008. com recursos de interatividade e que atinja a expectativa do público.br/climatempo. por exemplo. fotos e vídeos. sendo respeitada e atingindo um nível de credibilidade nunca antes visto. à medida que amplia a conscientização para a importância da meteorologia.

o governo explorará um setor que se desenvolveu por meio da iniciativa privada. prestando serviço à sociedade e também à comunidade meteorológica e a parceiros fiéis. O sujeito sai de casa sentindo calor e vai voltar sentindo frio. ambos da Climatempo. muito cuidado com a roupa que você vai sair de casa’. prazo que a comissão tem para elaborar uma propos- ta de política para a meteorologia brasileira. Os escolhidos foram Carlos Magno. e também de entidades ligadas à meteorologia. Refletindo sobre o papel e a competência da iniciativa privada e dos órgãos públicos. As discussões estão apenas começando e qualquer decisão só deve sair em 2010. “Ao longo desses vinte anos amadureci como pessoa.” O projeto. uma vez bem cumprida. sempre baseado no seguinte: ‘O que as pessoas me perguntariam hoje? O que elas estão sentindo? O que elas querem saber?’. como Inmet e Inpe. como profissional. Na FM. vender é outra parte. Para isso contou não só com o casal que deu início a tudo. Demoraram. acompanhamos o que está sendo pensado para a nossa área”. estabeleceu a criação de uma comissão especial para discutir mais a fundo a questão. nunca tivemos a intenção de nos apropriar de méritos ou informações de nenhuma outra instituição. e tantos outros que acreditaram desde o início na competência da empresa. tem um valor inestimável para o País. Depois que a criança começou a ficar bonita. Demoraram a entender isso. Não era nossa intenção concorrer com o Ministério da Ciência e da Tecnologia ou com alguma universidade. com a participação de representantes dos principais órgãos públicos. “Agora podemos ver outras janelas à frente. Nosso negócio não é academia. caso da Sociedade Brasileira de Meteorologia. “Caso o texto seja aprovado. nossos olhos alcançam outros horizontes que parecem sempre mais próximos”. Começaram a entender que fazer a previsão do tempo é uma parte do trabalho. que. naquele momento. o número de boletins é menor. Mudei muito a forma de falar das questões do tempo para as pessoas. a partir de abril de 2008. já se pode vislumbrar uma história que não é só empresarial. afirmou Ana Lucia. onde tudo começou. esses órgãos começaram a se interessar em fazer a previsão do tempo. de novo pela janela do pequeno apartamento da Vila Mariana. como a rádio Eldorado. os jornais do Grupo Estado. eu deixo isso muito claro: ‘Olha. Olhando para trás. Não foi em vão que nomes como Josélia Pegorim se tornaram sinônimo de previsão na rádio Eldorado e também nas páginas do Estadão. Um funcionário público não vai vender um serviço de meteorologia ou climatologia. As primeiras reuniões aconteceram um ano depois. ainda em tramitação no Congresso Nacional. a CBN. A novidade ficou por conta da inclusão de representantes das empresas privadas. Arquitetura e Agronomia (Confea). Climatologia e Hidrologia ( CMCH). quando eu sei que esse tipo de situação é possível. primeira edição. mas entenderam. mas na AM.tenção do projeto seria a reestruturação do sistema para promover a “democratização” das informações. Nós sempre respeitamos todas as instituições. Ana Lucia tem uma opinião bastante clara: “A previsão do tempo era uma criança feia. dentro do jornal Eldorado.” Vinte anos se passaram e a Climatempo é uma jovem empresa com muito gás e ainda com muito potencial de crescimento. “A participação é muito importante. divulgar de forma adequada é outra parte. “A proposta do governo é centralizadora”. Um bom exemplo disso são as grandes viradas de tempo que acontecem no fim de tarde em São Paulo. O número de entradas na Eldorado durante o dia é muito grande. eu entro de meia 94 . oficializou a Comissão de Coordenação das Atividades de Meteorologia. mas também de vida. nesse contexto de criação de uma política para a meteorologia. e Ana Lucia como suplente. mas com profissionais que encamparam o sonho de dar credibilidade à previsão do tempo. E hoje em dia todo mundo quer ser o pai da criança. cerca de vinte vezes. afirma Magno. Um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. titular. de 21 de março de 2007. por indicação do Conselho Federal de Engenharia. além de colocarmos a visão da iniciativa privada. O Globo. resume Ana Lucia. Ele não tem essa característica.

Quero também ga- nhar a América Latina e estou me preparando. A ciência evolui e a gente usa isso. uma nova forma de olhar o céu. Ela pela manhã e ele à tarde. os dois são os responsáveis por apresentar a previsão do tempo da rádio CBN desde 2001. Para Carlos Magno. Carinho é o sentimento comum de quem conhece a empresa.em meia hora. o eterno homem do tempo. espero não estar mais na direção. Ele fez questão de dizer como o trabalho era legal. porque a gente não sabe o que vai acontecer. “Eu tenho meus sonhos. onde encontra tempo para ler. diz Ana Lucia. Já falo francês e inglês e agora estudo espanhol. tenho de ter boas idéias todos os dias para escrever cinco ou seis linhas precisas e diretas. durante o tênis. nosso gerente de tecnologia entrou em minha sala dizendo que estava feliz por isso. Hoje temos sociedade na agência. “Descobrimos há pouco tempo o tamanho da Climatempo. cada um empresta sua voz a dois boletins diários. estudando relações sociais e culturais entre diversos países. Em cinco anos. casamos. e Ana Lucia. Eu tenho um sonho de expandir a Climatempo para esses mercados. e entendê-lo. afirma Patrícia. construindo um novo modo de pensar. nem na praia. A criança feia está mais bonita agora. Mas eu continuo pensando. admite Magno. 95 . Respondi a ele: ‘Sabe do que eu sinto orgulho? É de a gente ter chegado até aqui. marcando posição. Ela também vê boas perspectivas para o futuro da empresa. Por enquanto. Nem em suas horas de lazer. “Não consigo me desligar”. 13/8/2008). No fundo sou um empreendedor e quero empreender em outras áreas. estudar e principalmente pensar lá para frente. fui dar uma entrevista na TV Gazeta e um médico chegou para mim e perguntou: ‘Você é a Patrícia Madeira? Eu ouço sempre você’. Já no Estadão.” Ana Lucia hoje é a responsável pelos assuntos estratégicos do Grupo Climatempo. direta ou indiretamente. na saúde e na doença. o importante é se preparar para o futuro”. E assim também acontece com todos que. cada dia é um novo desafio. seu esporte preferido. André e Patrícia Madeira. mas principalmente temos um carinho muito especial”. A cada dia vemos mais setores que podem usar a meteorologia.” A Climatempo segue o seu destino pioneiro. Nesses vinte anos.” O casal de meteorologistas André e Patrícia Madeira poderia acrescentar “faça chuva ou faça sol” às suas juras de amor eterno. a gente estava na Climatempo. que hoje também é reconhecido nas ondas da rádio CBN: “Na alegria e na tristeza. Casados há treze anos. mas somos pouco conhecidos no Norte e Nordeste do Brasil. Eu e o André nos consideramos parte da Climatempo e não vemos nossa vida separada da empresa. Quero conhecer métodos e idéias de como entender as culturas de outros países. Muitas vezes acertamos e outras tantas erramos. e a gente já estava na Climatempo. mas nem por isso perderam o estímulo nem deixaram de sonhar. Quando o Violin chegou e passou a transmitir os valores da empresa é que a ficha começou a cair. Eu não tinha noção. Para construir uma empresa sólida temos de adquirir conhecimento.” “Como para fazer qualquer previsão. a gente ainda vai atrás de novas propostas. (Veja São Paulo. Hoje em dia está tudo bem encaminhado aqui na Climatempo com as estruturas de planejamento estratégico criadas pelo Violin. Funcionários da empresa Climatempo. Ambos estão mais experientes. pretendo contratar um profissional e ficar no conselho. “Alguns dias depois de eu ter concluído o meu MBA em marketing. nem o dia de amanhã’. caminhou lado a lado com a história da meteorologia. Minha estratégia é pensar em uma Climatempo internacional. A Gabriela (filha de nove anos do casal) nasceu. A gente é muito visto no Sul. dos que ainda estão lá e dos que já saíram para seguir outros caminhos. na riqueza e na pobreza. tiveram alguma participação na construção da Climatempo.” Ou então como aconteceu com outro casal que faz parte da história da Climatempo. Um dia. E o que espera para os próximos anos? “Crescer bastante em dez anos. Sudeste e Centro-Oeste.

ANDRÉ MADEIRA
meteorologista

NEIDE DE OLIVEIRA
meteorologista do Inmet

RENATO URBINDER
sócio da Climatempo

A gente se considera parte da Climatempo. Não vejo a minha vida separada da empresa. Eu casei e já estava na Climatempo, a Gabriela, minha filha, nasceu e eu estava na Climatempo. Nesse período todo, teve altos e baixos, mas foi sempre muito bom. Tenho um carinho muito especial pela empresa. PATRÍCIA MADEIRA
meteorologista

Magno é muito focado no que ele quer e muito determinado. Hoje se a meteorologia cresceu foi por causa da Climatempo. ROGÉRIO LEITE
amigo e ex-sócio

Eu gosto muito de trabalhar aqui. Meu sonho é que a gente possa dominar a previsão do tempo oferecendo um serviço para a comunidade. Ter uma equipe de jornalismo e correspondentes para aumentar as notícias sobre o tempo. PAULO POLLI
diretor da TV Climatempo

O que mais me estimula, primeiro, são os sócios e depois também o negócio. Sócios que passem estímulo e confiança. Não existe negócio no mundo em que os sócios não tenham períodos de convergência e divergência. Na Climatempo, as divergências foram muito menores. Sempre tivemos uma li-

O negócio meteorologia ainda está escondido. Mostra a miopia dessa área de comunicação. É um negócio que dá muito dinheiro. Todo mundo conhece o site da Climatempo. O nome Climatempo. É preciso mostrar quanto as pessoas usam a meteorologia e não sabem. Eu aprendi a gostar, sempre usei muito, pois gosto de velejar, mergulhar. Meteorologia é um negócio e eu fiz parte desse negócio. O Magno me explicou, me ensinou por que a meteorologia do Brasil estava defasada, e eu entendi que era um bom negócio. WALDEMAR STEFAN BARROSO
amigo e ex-sócio

A Climatempo possibilitou a transformação da meteorologia em conteúdo jornalístico, técnico, científico e operacional na Rede Globo. Quando o quadro do tempo começou na [TV] Globo, não tinha nada, foi tudo uma inovação. Desde a linguagem, o grafismo, a computação. Tudo passou por uma experimentação. Na época eu sentava com a Ana Lucia e buscava a notícia, tentava aprender. Juntos conseguimos humanizar a previsão do tempo. AMAURI SOARES
diretor da Rede Globo

A Climatempo ajudou a divulgar a meteorologia e acho que não tem competição com o órgão público.

Um serviço meteorológico moderno deve efetuar três funções básicas: monitorar, elaborar produtos (aqui incluem-se as previsões de tempo e clima) e engajar os usuários. Como a tarefa é enorme, principalmente num país como o Brasil, a participação do setor privado é muito importante para melhorar o atendimento aos usuários, de forma customizada e mais especializada. Sua atuação deve, naturalmente, ser bem ligada com o serviço nacional para evitar redundâncias,

Depoimentos
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Tenho muito carinho pela Climatempo, por fazer parte dela. É bom saber que a gente ajudou nesse crescimento e eu vejo o reconhecimento da empresa. O Magno é um cara inovador. A Climatempo abriu as portas da meteorologia. Espero continuar na empresa nos próximos dez anos.

berdade muito grande de falar. Sempre brinco com o Magno: desembaraça esses óculos. Poucas vezes tivemos divergências importantes: trazemos coisas positivas para a empresa. O nome Climatempo é muito maior do que todo o nosso faturamento. Tem.muita credibilidade. Não temos telhado de vidro, temos uma laje de concreto.

A empresa privada faz uma previsão diferenciada e o órgão do governo é mais geral. Por isso não há competição. Não vejo a Climatempo como concorrente do governo. O Magno tem o dom da palavra, sabe passar as coisas com credibilidade, e ele e a Ana formaram uma grande empresa.

propiciar economicidade, evitar atritos indevidos de competência. Vejo com muito bons olhos uma maior atuação do setor privado nesta parceria, mas deve ser bem coordenada para melhor atender aos usuários específicos a quem os produtos se destinam. ANTONIO DIVINO MOURA
diretor do INEMET

O trabalho da Climatempo na Eldorado foi fantástico; eles provaram que o “curandeirismo” estava com os dias contados. Os ouvintes mereciam mais respeito e qualidade de informação. Eles ofereceram um serviço essencial aos ouvintes. Foi uma parceria vitoriosa, da qual muito me orgulho. JOÃO LARA MESQUITA
ex-diretor da rádio Eldorado

A Climatempo, maior empresa de meteorologia do País, acaba de estabelecer mais um acordo com a Microsoft. Desde o dia 4 de julho de 2008, a TV Climatempo é o primeiro canal de notícias do Windows Media Center – uma ferramenta do Windows Vista que integra TV, Internet, música, fotos e vídeos. Para Ricardo Wagner, gerente de produto Windows Vista da Microsoft Brasil, a “parceria com a Climatempo traz um novo serviço de qualidade para os nossos usuários, que podem ter informação sobre a previsão do tempo on-demand, acessando do conforto de casa. Para as empresas, o Media Center ajuda a complementar a estratégia online por meio da exposição de conteúdo”.
Fonte: www.microsoft.com/ latam/presspass/brasil/2008/ julho/climatempo.mspx

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co. turma. 1997 Revista Diálogo Médico.edu/cgi-bin/ wa?A2=ind0209A&L= aejmc&P=18687 http://www.br/index. Memórias do Tempo.uk/weather/features/ weather_broadcasting.sbmet. Alcir. várias .bbc. vários O Dia. 2005. 2003 Revista Dinheiro.gov. vários O Globo. Também foram consultados os seguintes jornais e revistas: Revista Brasileira de Tecnologia – RBT. Convenção da Climatempo.br/grimm/aposmeteo/cap1/cap1-1.htm http://www.weather. Jornal Nacional: a notícia faz história.php/ content/view/68391.br/ arquivos/publicacoes/revistas/ cirrus_3. vários DCI. 1997 Revista Superinteressante. vários Gazeta Mercantil. várias Revista Veja. SITES http://fisica. 1998 Boletim Cable Report.org. 2007 Diário Popular. 2003. PEREIRA. um livro sujeito a chuvas e trovoadas. vários DVDs Clipping – Entrevista a João Dória TV Palestra de Carlos Magno – 2 ª.msu. TV Cultura Fontes e bibliografia 99 Os depoimentos dados a essa obra foram colhidos entre março e julho de 2008: http://cienciaetecnologia.pdf Grandes negócios. 2007 Boletim ABTA.shtml http://list.org. vários Jornal da Tarde.Revista Tela Viva. 8ª.iag.mct. São Paulo. vários Valor Econômico. vários Folha de S.edu/cgi-bin/ wa?A2=ind0209A&L= aejmc&P=18687 http://list.br/siae97/ meteo. 1998 Caderno MBA – Madia Marketing School.al.jsp?id=47792 http://br.br/ Detalhe.gov. da Silva Dias Maria do Carmo Fogaça Neide de Oliveira Patrícia Madeira Paulo Polli Rogério Leite Renato Urbinder Waldemar Stefan Barroso LIVROS MEMÓRIA GLOBO. Paulo. 2002 Revista Forbes Brasil. 2006 Revista Info Exame. Vera Malfa e SPINARDI.msu. 2004 Revista Pequenas empresas.jornaldaciencia. 2003 Revista Exame. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.html ARTIGOS E PERIÓDICOS Grande parte das informações teve como fonte a clipagem feita pela empresa Linhas & Laudas em boletins e releases produzidos entre os anos de 1999 e 2008.usp. 1988 Revista Ecologia e Desenvolvimento.html http://www. 2008 Programa Negócios e Soluções.pdf http://www.ufpr. Amauri Soares Ana Lucia Frony de Macedo André Madeira Ângela Ruiz Antonio Divino Moura Carlos Magno do Nascimento Fernando Moreira Fernanda Bulhões Gilca Palma Josélia Pegorim João Lara Mesquita Maria Assunção F. 1997 Revista Contigo. vários Meio & Mensagem.html http://www.com/aboutus/ background. Paulo. vários O Estado de S.br/sbmet/ Assembleia/resolucoes/ politica_nacional/ Relatorio_sbmet_pnm_2002.

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pais de Ana Lucia. Na foto. terceiro filho do casal. o pequeno Victor Hugo. O primeiro escritório funcionava na mesma casa em que Carlos Magno e Ana Lucia moravam. Seu Juvenal e dona Atala. Carlos Magno e Ana Lucia. contribuíram e incentivaram o crescimento da Climatempo.Da janela de um pequeno apartamento da Vila Mariana. Dª. em meio à parafernália de aparelhos usada nos boletins da rádio Eldorado. dois jovens empreendedores. na Rua da União. mãe e amiga de Carlos Magno que deu apoio moral e financeiro nos primeiros anos da Climatempo. Caderno de fotos 101 . sonhavam em ter seu próprio negócio. em São Paulo. Alice. Ele chegou a trazer de Londres um moderno aparelho de recepção de satélite.

na Rua Baltazar Lisboa.Em 1996. Na foto. amigo que virou colaborador. mas agora em uma casa só para ela. a Climatempo já tem uma estrutura própria. Rogério Leite instalando uma antena de recepção de satélite na sede da Climatempo. . ainda pequena. Rogério Leite.

Carlos Magno tornase o primeiro homem do tempo da tevê brasileira. apresentando o quadro do tempo no Jornal Nacional. um dos primeiros colaboradores do Grupo Climatempo. O meteorologista André Madeira.A partir de 1990. . da Rede Globo. A meteorologia é destaque no livro que conta a história do Jornal Nacional. a moça do tempo do JN. Foi o impulso que precisava para divulgar a meteorologia e crescer como empresa. Sandra Annemberg. Na foto. a Climatempo passa a prestar inestimável serviço à Rede Globo. Em 1996.

no Anhembi.André Madeira orienta a então “moça do tempo” da Globo. em São Paulo. À esq.: depois da disputa judicial. o direito de usar o nome Canal do Tempo ainda na feira de 1998. Acima: os primeiros dez anos da Climatempo foram comemorados com uma grande festa em São Paulo. Já pensando em seu próprio canal de TV. . em São Paulo. Carlos Magno compra briga com o Weather Channel pelo direito de usar Canal do Tempo na feira da ABTV de 1998. Maria Cândida.

no ano seguinte. . Ana Lucia Frony de Macedo e Carlos Magno do Nascimento lançam a TV Climatempo. em 1999. surge a TV Climatempo. os sócios Waldemar Stefan Barroso e Carlos Magno do Nascimento.O amigo e sócio Waldemar Stefan Barroso ensaiando para um piloto do Canal do Tempo ainda em 1998. Durante a festa de dez anos da Climatempo. Para evitar problemas. em dezembro de 1998. Na foto.

aprenderam junto com Magno a fazer tevê. A primeira equipe da TV Climatempo. no dia 15 de setembro de 1999. Muitos deles estagiários. em São José dos Campos.Waldemar Stefan Barroso e Carlos Magno do Nascimento na inauguração da tevê. .

amiga e profissional responsável pela Linhas & Laudas. uma parceria entre a Climatempo e a Univap. possibilitou a inauguração da primeira emissora de tevê voltada para a previsão do tempo. Acima: Carlos Magno e o Prof. selam o início das operações do Canal Climatempo. . em 1999. reitor da Univap.No início. Baptista Gargione. empresa de comunicação que presta assessoria ao Grupo Climatempo. de São José dos Campos ( SP). Carlos Magno e Waldemar Stefan Barroso com Fernanda Bulhões.

Estúdio da TV Climatempo. na Vila Mariana. O curioso é que foram usadas dezenas de caixas de ovos para forrar as paredes e vedar o som. . já em São Paulo.

Na época em que Magno foi apresentador do Jornal Nacional. o Casseta & Planeta tinha um quadro que satirizava a previsão do tempo. 2000. em 2000. em São Paulo. na feira da ABTV. . Carlos Magno e o “casseta” Hélio de la Peña. na feira da ABTV.A apresentadora Laura Ferreira no quadro do tempo da Rede Mulher. Carlos Magno e Rogério Leite no estande da TV Climatempo. em São Paulo.

Alexandre José do Nascimento Silva.. Rafael Augusto Caetano Bruno. Paulo Edson Aparecido de Oliveira. Flávia Caroline Chacon de Campos e Ângela Ruiz Gonzáles. Ângela Ruiz Gonzales.Equipe da TV Climatempo. para a dir. Equipe do Grupo Climatempo (da esq. em 2001. para a dir. Leandro Della Vedova de Oliveira Pinto e Josélia Moreno Pegorim. na rua Muniz de Souza. Amilis Delfino.): Gilca Palma Fernandes. Ariany Chacon de Campos. Priscila Iogóglia. Da esq. .

em São Paulo. Marcos Pontes e Renato Urbinder. debateram as causas e também as possíveis consequências do aquecimento global. Carlos Magno. em São Paulo. Na foto.A meteorologista Gilca Palma. Reunidos no fórum “Risco Ambiental”. no Paraíso. especialistas de renome internacional. como o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes. fazendo levantamento de dados. trabalhou em quase tudo. ao longo dos últimos anos. Acima: Redação da TV Climatempo. e aos poucos passou a fazer a previsão para a Internet. . Começou como estagiária.

uma das apresentadoras da TV Climatempo. . A jornalista Ângela Ruiz começou como estagiária na TV e há dez anos trabalha como apresentadora.Maria Clara Machado. repórter e redatora no Grupo Climatempo.

Carlos Magno é destaque como novo homem do tempo do Jornal Nacional (Acima: O Globo,14/04/1996; abaixo: O Dia, 13/04/1996). Acima: TV Climatempo vence disputa com o Weather Channel (Folha de S. Paulo, 1º. de fevereiro de 2000)

Climatempo na mídia
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Acima: a revista Pequenas empresas, Grandes negócios, de março de 2002, destaca o crescimento das empresas que oferecem serviços de meteorologia. Ao lado: Carlos Magno ainda no início das atividades da Climatempo. Desde o início, a empresa buscou oferecer serviços de meteorologia para os principais interessados. Aqui, os velejadores (revista Bordo, de 1991). Na outra página: A importância da meteorologia para o planejamento das empresas (O Globo, do dia 7 de abril de 2007).

de 11 de fevereiro de 2004. Matéria da Vejinha. . Na foto menor.A importância da meteorologia no dia a dia das pessoas. à esquerda da matéria. Ana Lucia e Carlos Magno.

Grandes negócios (agosto de 1994). a meteorologia pode ajudar a solucionar casos intrincados. Segundo a matéria. de 12 de maio de 1989. na revista Pequenas empresas. A meteorologia ajudando a combater crimes. .O casal do tempo Carlos Magno e Ana Lucia. comprovando as condições do tempo em determinada hora e local. Na reportagem do Jornal da Tarde. Carlos Magno é o “detetive do tempo”.

Anúncio da TV Climatempo.Um dos primeiros serviços: o BBS (bulletin board system). que permitia a conexão via telefone a computadores que interagiam – tal como hoje se faz com a Internet. . de 2000. Na outra página: anúncio da TV Climatempo na revista Pay TV. de outubro de 1998. ainda embrionária. na revista Pay TV.

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Na outra página: Carlos Magno é destaque da revista Forbes de outubro de 2000. janeiro de 1987). . Nesta: ainda como meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (revista IstoÉ.

Este livro foi editorado em Univers 11/15 e mandado imprimir em papel couchê fosco 115g. em julho de 2009. em comemoração aos 20 anos de fundação do Grupo. . pela Climatempo.

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