O céu fala. A gente entende.

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Climatempo 2009 . A gente entende.Denise Góes O céu fala.

oliveira@globo.com Revisão (de acordo com a Nova Ortografia) Ana Lucia Sesso www.br Fotografias Acervo e clippings Climatempo Impressão Prol Gráfica www.610. 567 Vila Mariana – São Paulo – SP Telefone: (11)3736-4591 CEP 04011-061 www.nom.prolgrafica.Copyright © 2008 by Denise Trevisan de Góes Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.com.br Coordenação editorial Cesar Oliveira cesar.br .com. de 19 de fevereiro de 1998 Direitos desta edição cedidos ao GRUPO CLIMATEMPO Rua José Antonio Coelho.climatempo.revisaoporquenao.

até pedem para mudar de assunto. Eles cresceram ouvindo sobre a Climatempo em praticamente todas as refeições e reuniões familiares. jornalista Denise Góes. Carlos Magno e Ana Lucia Agradecimentos .A Alice Vieira (in memoriam) e Atala Frony de Macedo. mãe do Carlos e da Ana Lucia. a Juvenal de Macedo Filho. Isabel Cristina. Sem eles esta história não poderia ser escrita. A nossos filhos. eles foram verdadeiros anjos que ajudaram. Fernanda Bulhões e Ederaldo Kosa. com incentivo e apoio financeiro. Hoje. e talvez nem a Climatempo existiria. Obrigado pela confiança e amizade de todos vocês. Marcos Paulo e Victor Hugo. Josélia Pegorim. mais crescidinhos. ao longo destas décadas. pela paciência que tiveram. Renato Urbinder. Ao longo destes vinte anos. aos amigos Rogério Leite. Gilca Palma e Paulo Takeshi. Waldemar Stefan. Aos meteorologistas André e Patricia Madeira. todas as vezes que a Climatempo precisou. à escritora do livro comemorativo pelos vinte anos. pai da Ana Lucia.

uma realidade Uma bolha no ar Virando uma holding O céu fala.Sumário Apresentação Prefácio O começo de tudo Os primeiros passos Na telinha da Globo Abrindo espaço O homem do tempo Canal do tempo Um sonho. Depoimentos Fontes e bibliografia Caderno de fotos Climatempo na mídia 7 9 11 19 29 37 43 51 59 69 77 85 95 97 99 111 . A gente entende.

ao mesmo tempo. da nossa amiga. A Climatempo que completou vinte anos em 2008 é uma das consequências desta nossa paixão. Julio. Nas TVs. . rádios. Paulo. painéis em ônibus. na USP. sem modéstia nenhuma. recebemos um elogio público do Dr. no INPE. a gente entende mesmo. além de ser referência em consultoria e bom atendimento. o papo sempre acabava em como melhorar a previsão do tempo. O desafio de prever o futuro nos motivava e fazia parte das nossas conversas enquanto namorados. encantados com a sua argumentação de que a Climatempo ajudou a escrever algumas das páginas mais importantes da história da meteorologia moderna no Brasil. São histórias assim que a Denise conta.Além de uma grande paixão de um pelo outro. Boa leitura! Ana Lucia e Carlos Magno Apresentação 9 Q uando Ana Lucia e eu nos conhecemos já estávamos apaixonados pela meteorologia. fez questão de construir seus próprios meios de comunicação: o site e a TV Climatempo. A ideia de escrever um livro contando a história da Climatempo foi Ela sabia o que estava falando. Em maio de 1990. Vocês podem imaginar uma conversa entre namorados sobre as novas técnicas de fazer previsão do tempo? Pois a gente falava sobre isso o tempo todo. celulares. podcasts. A gente entende. Mas. Julio de Mesquita Neto. Internet. todas as formas possíveis de levar a informação meteorológica para o usuário têm a nossa assinatura. shoppings. A princípio. A cada nova descoberta nos estágios na FAB e na TASA e depois como meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura. ondas de calor. Não é meteorologia de forma genérica. enfim. Hoje a nossa estimativa é que mais de 50 milhões de brasileiros tenham contato com a previsão de tempo feita pela Climatempo todos os dias. a não ser para o próprio público. que divulgou que a neve não iria acontecer. Esta é a nossa vida. Depois que as primeiras notícias da neve começaram a chegar à redação. mas a Meteorologia Sinótica: a arte de fazer a previsão do tempo. aeroportos. Um furo enorme na Folha de S. a primeira página inteira com a previsão do tempo no Estadão e o trabalho pioneiro na Rede Globo de Televisão. por acertarmos a previsão de neve no sul do Brasil. Denise conta a história de uma equipe que. editor-chefe do Estadão. ficamos surpresos e. o Dr. explicando tornados em Ribeirão Preto ou no ABC. Nos dez primeiros anos da Climatempo nosso contato com a “Dê” foi quase diário. jornais. que nos reconhece como sinônimo de credibilidade. relembrando os primeiros dias como previsores da rádio Eldorado. geadas e tudo que acontecia com o tempo em cada canto do nosso País. A felicidade foi imensa para os jovens jornalistas e meteorologistas que estavam começando a colocar o tempo como destaque no caderno “Cidades” do Estadão. desenhou um boneco de neve e mandou entregar para a gente. Tem gente que acha que o nosso slogan é pretensioso: O céu fala. a meteorologia está no nosso sangue. jornalista Denise Goes. A Denise participou ativamente como testemunha e relatou o crescimento da meteorologia brasileira e mundial como jornalista da Agência Estado e do jornal O Estado de São Paulo. em todo lugar. com as devidas felicitações pelo acerto. com suas próprias mãos. divulgando a informação do tempo para o público sem ter que pedir autorização para ninguém. tempestades severas em São Paulo.

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transportes etc. tombos. chamado “clima”. para administrar. Neste livro. termos lições de ética. .A leitura deste livro permite aprendermos com o melhor do empreendedorismo. E o futuro? Crescer muito nos próximos dez anos. também na história da Climatempo. onde demonstrações valorosas da equipe estabeleceram ainda mais sinergia e alicerçaram com força superior a vida da empresa. A história em si é rica de exemplos de superação na vida real. reflexão e a ciência – é indispensável para guiar as paixões no rumo certo. para vender o seu trabalho. Climatempo é uma aula de empreendedorismo. colaboradores e seres humanos da virtude: gente com uma forte determinação pela prática do bem. real que inspira autores a desenharem na arte. Como uma quase utopia de dois meteorologistas consegue ir agre- Papéis novos. Os filhos criados lado a lado com o trabalho. De analistas de mapas. afirma Carlos Magno. A meteorologia quando era um “patinho feio”. Os infortúnios de resistir ao crime. arte. educação e diversão. na construção de grupos criativos como forma vital de gerenciar nos novos tempos e o encontro do “ócio criativo”. Ou seja: tudo o que amplifica a simpatia da alma – graça. dizia que gando e envolvendo valorosos e leais colaboradores e amigos ao longo da caminhada. conhecimentos de física. Mas. O enfrentamento de grandes grupos internacionais. do Tolkien. e poucos acreditavam nessa ciência. vibrações.a função do amor é criar. conservar. Não é uma fábula empresarial! Não se trata do “Senhor dos Anéis”. erros. no teatro e na literatura temas que se eternizam. filósofo lido por Albert Einstein e Monteiro Lobato. a batalha pelo canal do tempo. cruzamentos de dados.. desafios novos. É como se estivéssemos lendo as teses e exemplos do sociólogo Domenico de Masi. mas contêm a gênese das forças de coesão do organismo unitário da futura sociedade humana. nas ondas do rádio. para apresentar nas telas da televisão. Como o trabalho virtuoso vence barreiras e obstáculos. e acrescenta: “para construir uma empresa sólida “. A gente entende. fica cada vez mais controlável e disponível para todos os segmentos empresariais do mercado. de virtudes e de uma singular capacidade de reunir profissionais. a solidariedade amplifica. aquele aspecto incontrolável dos planejamentos empresariais. para empreender o progresso. De fato. aos dois assaltos sofridos. um casal que iniciava seus estudos na Universidade Federal do Rio de Janeiro via o esboçar de um cisne e o foi desenhando ponto a ponto nesta história que nos é revelada na publicação deste livro dos seus 20 anos. O resgate das paixões virtuosas. o de expandir a Climatempo para o universo internacional. que significa a paixão errada. Pietro Ubaldi. Ana Lucia diz ter um sonho. os momentos dos enganos ocorreram. proteger”. onde a arte imita a vida. a fidelidade de grandes clientes. quando integramos ao mesmo tempo o amor pelo trabalho. momentos difíceis. esporte. a sensação que se tem é que o coração também fala. desde locações de gravação de filmes até a logística de obras e de tomadas de decisões em momentos críticos. Ao ler este livro temos um demonstrativo de um caso real da modernidade da gestão. Como as pessoas conseguem criar papéis novos na vida profissional.. música. Climatempo teve isso sempre. A história que nasce do amor de Carlos Magno com Ana Lucia caminha ao longo de vinte anos recheada de exemplos de amores. como nos contos. mas é a escrita da vida Prefácio 11 A o ler O céu fala. a autocrítica fazem parte do seu precioso texto. a sensibilidade grita. a Climatempo pode ser olhada como um exemplo de construção do sentido mais evolutivo do significado de amor. E quem conhece e não perde a sua própria história mais apto fica ao inevitável mundo cheio de mudanças e suas danças em todos os estilos musicais e tecnológicos. Essas ascensões não são sonho estéril. passando pela agricultura. pelo estudo permanente e pelo divertimento no mesmo local. A distorção do foco.

Fiquei apaixonado pela leitura de O céu fala. os ideais e sonhos do agora Grupo Climatempo: “Comprometimento. Foi diretor da OESP Mídia do Grupo O Estado de São Paulo e da Agroceres. e honrado pelo convite para este prefácio. Talvez. É enriquecedoramente real. ética e respeito ao cliente externo e interno”.temos de adquirir conhecimento. do que sabíamos antes. Recomendo a todos a sua leitura. José Luiz Tejon Megido Professor de pós-graduação da Fundação Getulio Vargas. A gente entende. Diretor do núcleo de agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing. possamos tirar de um dos seus valores o núcleo essencial para todas as possibilidades de realizações. Autor de doze livros. Muitas vezes acertamos e outras tantas erramos”. liderança e empreendedorismo. pois saberemos ao seu final de muito mais aspectos da gestão. 12 .

Poucos alunos se aventuravam na matéria. foi graças à obstinação de dona Alice que ele. gostei do curso. Uma carreira muito em moda em 1979 por causa da construção da Usina Nuclear de Angra dos Reis e a abertura do mercado de trabalho para físicos. mas oportunidades. O que na época era apenas um desejo. a caçula. Ambos. Carlos Magno ficou em primeiro lugar no vestibular para o curso de Meteorologia. 13 anos mais velho. pois o meteorologista formado tinha como opção apenas dois caminhos: ser previsor do tempo ou dedicar-se a pesquisas acadêmicas.. então decidi que faria uma experiência”. 1 . “No final das contas. Percorrer os caminhos dessa viagem no tempo é conhecer um pouco da história da meteorologia brasileira. Ao olhar para o céu. um dos professores começou a conversar comigo. problemas do dia a dia. “mas ela queria nos ver formados e me deu força para continuar o curso. que ousaram seguir a carreira de previsor. Anos depois. não via apenas nuvens. Ele.. companheira de profissão. “Eu não me considerava um bom professor”. Ele queria crescer e sabia que podia contar com o apoio da mulher. ficaram em primeiro lugar nos respectivos vestibulares. “Eu adorava uma professora de geografia e fiquei em dúvida. Era o segundo filho de dona Alice e de seu Manoel do Nascimento. o irmão. relembra Magno. Carlos Magno e Ana Lucia foram dos poucos. A história da Climatempo é a história de um jovem casal. a possibilidade de virar professor afastou a ideia da sua cabeça. olhando pela janela de um pequeno apartamento da Vila Mariana.H á pouco mais de vinte anos. de crises econômicas. Alice vendia joias para sustentar a família e por isso lutava muito para dar aos três filhos uma boa forma- O começo de tudo 13 No início da década de 1980. era preciso também uma boa dose de audácia. porém. não foi a primeira opção do jovem carioca. Para o casal. Saber o que acontecia com o tempo. veterano. caloura. Carlos Magno do Nascimento nasceu na cidade do Rio de Janeiro. que com determinação e persistência criou uma empresa pioneira. dizendo que estavam precisando muito de meteorologistas jovens e talentosos. na época. no dia 22 de maio de 1961.” Com apenas o curso primário. um jovem sonhava em montar o seu próprio negócio e ter a sua própria empresa. Em 1980. na capital paulista. a carreira de meteorologista ainda era desconhecida para a maioria dos estudantes.] “Em princípio. Vinte anos se passaram nessa trajetória de sucesso. após a morte do pai. líder em seu segmento. “O departamento de Meteorologia ficava ao lado da Geografia. relembra. Ambos eram alunos de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O encanto durou pouco. Carlos. A minha única preocupação era com o mercado de trabalho. A possibilidade de prever o tempo fascinava os dois jovens meteorologistas. Além de gostar de física e de matemática. Ao longo do curso. Surgiu então a possibilidade de cursar Geografia. avalia Magno. e dizer que o sonho virou realidade é um chavão que se aplica bem nesse caso. fui vendo que havia uma grande necessidade de profissionais. e a irmã Angélica. as expectativas para o futuro eram maiores do que aqueles 50 m2 em que viviam. Aos cinco anos. “Sempre estudei em escola pública e desde cedo já me destacava em matemática”. prosseguiram nos estudos. minha mãe não entendeu muito a minha escolha”. alunos promissores. a balança profissional tenderia para outra matéria: a física nuclear. conta Magno.” Foi na visita que fez ao departamento de geografia da UFRJ que pela primeira vez Magno considerou a possibilidade de cursar Meteorologia. Foi uma escolha madura. Õ Carlos Magno do Nascimento e Ana Lucia Frony de Macedo eram muito jovens quando se conheceram na faculdade. contudo. d. Ele me convenceu. especialmente na área de previsão do tempo [. ao chegar na época do vestibular. O básico da meteorologia é a física. A grande maioria optava por permanecer na universidade e seguir carreira acadêmica. agora é fato. comecei e não quis mais sair. ela.

Haroldo. e vivia sendo transferido pelo Brasil ao lado de sua mãe.ção para não viver na mesma situação de insegurança daquela época. Gaúcha de nascimento. Falaram tanto que eu peguei a ficha de inscrição e coloquei: primeira opção Edificações. Acho que vendi bem o curso: dos quinze da minha turma. Para ela. Manifestações atmosféricas como chuvas.” Então quando chegou a hora.” Ana Lucia Frony de Macedo nasceu no dia 19 de março de 1964. era militar. batendo papo. terá um ano de chuvas se cair água do céu no dia de São José. natural do Rio Grande do Norte. Durante a infância e a adolescência morou em várias partes do Brasil e hoje até brinca: “sou climatologista por experiência. “Eu e duas amigas fomos para a fila no último dia de prorrogação para a inscrição no concurso. relembra Ana Lucia. Passou em primeiro lugar e tornou-se uma das calouras da turma da qual Carlos Magno já era veterano. éramos uma turma de quinze pessoas e nos perguntávamos o que iríamos fazer depois do terceiro ano. que significa “elevado no ar”. porque nasci em Porto Alegre. caso do Colégio Militar. atual C EFET . esperando. enfim. “Minha família sempre achou que eu seria arquiteta”. Quando o pai foi enviado para Roraima. auxiliares para verificação e ordenação de dados. a carioca dona Atala. interior de São Paulo. técnicos em manutenção de equipamentos meteorológicos e também no rastreamento de fotos de satélite e plotagem de cartas sinóticas. a alternativa era a Escola Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca. Dezenove de março é dia de São José. Essas andanças todas têm explicação: seu pai. voltei para o Rio”.” Em 1981. Ana Lucia guarda na memória essa fase da adolescência no Rio de Janeiro. Ana Lucia prestou vestibular na UFRJ. em especial a camada mais próxima da superfície na qual ocorre a maior parte das atividades humanas. meteoros. “estudo”. Acabei passando em Meteorologia e gostei. “Ela conseguiu. Dessa vez para São Paulo. só entrava nerd. tenente-coronel da Aeronáutica. principalmente na agricultura. tempestades. Conhecer o comportamento do tempo e do clima é fundamental para o desenvolvimento e o planejamento econômico de qualquer sociedade.” Na área de Meteorologia. Reza a cultura popular que a região. Ana Lucia ficou no Rio e dali só saiu anos mais tarde. O C EFET era uma escola con- siderada difícil. furacões. Ana Lucia é a mais velha de quatro irmãos. segunda opção: Meteorologia. cada um foi para o lado que mais lhe interessava. A meteorologia apareceu por acaso em sua vida. tanto na cidade quanto no campo. Em meados da década de 1970. a meteorologia pode ser definida como ciência que estuda a atmosfera terrestre. Eles queriam nos convencer a fazer o curso técnico para meteorologia. Ela aplica leis da física e da matemática para descrever. uma série de informações que davam bem a ideia do que fazia um meteorologista. Recife. ter um filho com curso superior já era uma vitória. constantemente castigada pela seca. porém. a escola formava observadores de bases meteorológicas. Ana Cristina e Paulo Henrique. Juvenal. entender e predizer o estado do tempo. muitas pessoas prestavam concursos para escolas fe- derais. Naquela época era uma escola altamente masculina. um santo muito respeitado no Nordeste do Brasil. aceitavam mulheres. horas na fila. A primeira opção era fazer o curso técnico para Edificações. “A gente se reunia para conversar e ver os programas dos cursos. uma data curiosa para a futura meteorologista. em casa todos nós concluímos a faculdade. Aí. Por isso a grande necessidade de estudar os processos que causam determinadas condições climáticas para depois aplicar esse conhecimento na previsão do tempo. e logos. Também denominada Ciências At- 14 . Ana Lucia decidiu pelo curso superior também em Meteorologia. Õ Do grego. oito foram para a Meteorologia. depois Natal. pequenininha fui para Pirassununga. já casada. Ficamos lá. geadas podem provocar incontáveis prejuízos. depois para o Rio. nem todas. “Já no segundo ano. chegaram uns garotos e ficaram conversando. quando enfrentou fila para se inscrever na Escola Técnica Federal.

como os modelos numéricos. que permitiram juntar muitas informações rapidamente. em Sergipe. assumindo a atual denominação apenas em 1965. o meteorologista avalia as condições diárias do tempo ao longo de anos. tratando essas questões de forma especulativa. na Ilha do Fundão. a meteorologia lida hoje com novos desafios. Aliadas a isso. mas foram aceitas por quase dois mil anos. desenvolvidos na década de 1950. por volta de 1700. Já o clima pode ser definido como “um conjunto de condições normais que dominam uma região obtidas das médias das observações durante um certo intervalo de tempo. solucionaram equações e permitiram entender o comportamento da atmosfera.” 15 . porém. nem sempre foi assim. sol e calor. e também as descobertas feitas pela física melhoraram a qualidade das observações. o filósofo explica os fenômenos atmosféricos com um enfoque filosófico. em 1967. na antiga Universidade do Brasil. Contudo. as imagens do primeiro satélite meteorológico. O filósofo grego Aristóteles (384322 AC) já falava em meteorologia ao editar o tratado Meteorológica. Para estudar o clima. Nesse ano. Em 1937. Ao longo do século XIX . a matéria foi ganhando contornos mais científicos. A descoberta dos primeiros instrumentos meteorológicos possibilitou o estudo dos fenômenos naturais de forma mais precisa. Os primeiros programas de computadores de alta velocidade. o departamento fazia parte do Instituto de Geociências (IGEO) da universidade. o efeito estufa. fazia parte do Departamento de Física da Faculdade Nacional de Filosofia. Se hoje o cientista conta com uma série de recursos técnicos como imagens de satélite. ele líder estudantil e eu péssima de voto. e o higrômetro. muitos deles provocados pela ação do homem na natureza. com o desenvolvimento de alguns conceitos básicos como massas de ar e frentes frias na década de 1920 e o início das observações diárias da temperatura. o Tiros 1. Em 2008. por volta do ano 340 AC. Õ A Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ) foi criada no dia 7 de setembro de 1920 com o nome de Universidade do Rio de Janeiro. foi no século XX que a ciência ganhou impulso com os meios de comunicação como telégrafo e rádio.a meteorologia progrediu e os primeiros mapas meteorológicos foram desenhados.mosféricas. Mesmo com todo o progresso tecnológico. ou seja. as modificações na camada de ozônio. em 1643. foi constituído o primeiro Departamento de Meteorologia do País. Eu era caloura dele e começamos a namorar já no segundo mês de aula. as explicações religiosas foram as primeiras dadas pelo homem na tentativa de entender os fenômenos atmosféricos. dando à meteorologia o status de ciência natural. Há milênios o homem tenta decifrar o funcionamento do tempo. Muitas das suas observações sobre o tempo estavam erradas. após uma reforma universitária. umidade do ar e pressão nos anos 1940. O tempo é o estado da atmosfera em um determinado momento e em lugar específico – pode estar chovendo em São Paulo e. as noções de tempo e de clima são muito diferentes. Em face da precariedade de dados científicos. relembra Ana. informações de radares. O primeiro grupo de meteorologistas formou-se quatro anos depois. quando. “Até hoje brinco com ele: passei pela porta e ele me pegou pelo braço. lançado em 1960. é o conjunto de toda informação estatística sobre o tempo em um determinado local”. para então estabelecer critérios para a área analisada. tornaram a previsão do tem- po mais confiável. O curso de Meteorologia da UFRJ foi criado em 1964. Foi no campus da UFRJ. que Carlos Magno e Ana Lucia se conheceram em 1981.o barômetro. Contudo. a meteorologia tem como objeto de estudo desde o frio intenso que atingiu determinada região até as mudanças climáticas globais. no fim do século XVI. “Conheci o Magno na faculdade. em pleno século XXI. Instrumentos como o termômetro. No livro. foi reorganizada e passou a chamar-se Universidade do Brasil. como o aquecimento global. Tinha acabado de fazer 17 anos”. Éramos muito diferentes. Com o avanço das observações empíricas. mapas e programas específicos de computador.

especializações que não têm mercado de trabalho. recorda Magno. empresa que hoje não existe mais e foi incorporada pela Infraero. Ele dizia sempre que fazer previsão não era um bicho de sete cabeças”. a previsão do tempo. que o ajudaria a custear as despesas com o estudo. Naquele tem- 16 . que precisam de apoio para superar as matérias básicas ou que precisam trabalhar durante o período em que estão cursando a universidade ou que não querem ir para a pós-graduação após concluir o curso. era porque não era bom aluno. Magno aprendeu o dia a dia de um previsor: plotar. gostei dos professores e principalmente da ideia de trabalhar seis horas por dia. Começava como técnico e ia aprendendo até poder fazer previsão.Além do encontro que iria mudar a vida dos dois jovens. fez está- gio no Centro de Previsão do Tempo da Torre de Controle da Aeronáutica. “Em 1980. Magno foi trabalhar na TASA (Telecomunicações Aeronáuticas S/A). tanto atazanar o povo de lá foi que conseguiu o estágio e ainda remunerado!”. Estados Unidos e África. Ana Lucia também se lembra do entusiasmo com que o mestre falava sobre a importância do previsor. matéria do professor Fábio de Alcântara. “Foi um período interessante em que comecei a conviver com vários meteorologistas. “Existia uma cultura na universidade em que ser da área acadêmica era o crème de la crème e. Ele ia todo dia lá para pedir o trabalho. “O cara para ser meteorologista tinha de analisar mapas uns cinco anos para ter certa autonomia e ser previsor. Ele era um gênio. avalia Magno. o mais novinho tinha 30 anos de experiência na área de meteorologia aeronáutica. Waldemar Stefan. em que pôde acompanhar o trabalho de um meteorologista operacional da Força Aérea Brasileira ( FAB ). expressava com isso o desejo de ser mãe. As universidades estão retendo por mais tempo o aluno. Dentre as possibilidades do universo meteorológico. criando novos conhecimentos para essas pessoas e. Entre os meteorologistas mais experientes. Isso era uma coisa do outro mundo. “Não foi nada simples. Era fascinado pelo poder de saber qual seria o tempo no dia seguinte. Várias vezes ele chegou para mim e disse: “estou quase conseguindo. Waldemar. acredita Ana. em busca de capacitação profissional. prever o tempo naquela época exigia muita capacidade. se você escolhia ir para a operação. O amigo e mais tarde sócio. A maioria preferia ficar na universidade e dedicar-se às pesquisas. por isso poucos seguiam essa área. Eu já acreditava que tínhamos de ser os agentes transformadores desse conceito”. mas também a possibilidade de informar. Pouco antes de terminar a faculdade. Ainda na faculdade os dois começaram a procurar trabalho e estágios como previsores.” Ana Lucia. A TASA captava a base de dados usada para fazer a previsão. ao entrar para o curso da UFRJ me apaixonei pela meteorologia sinótica. Com poucos recursos técnicos em mãos. Não foi só ele a ficar fascinado com as aulas do professor. E de tanto insistir. Carlos Magno e Ana Lucia logo descobriram o melhor caminho: ambos queriam fazer previsão de tempo. Não estimulam os “maus” alunos. a faculdade e a convivência com alunos e professores fortaleceu no casal a certeza de que a escolha do curso havia sido correta. sem deixar de lado a maternidade. Ensinava e dizia que eu era um dos seus melhores alunos”.” A previsão da Aeronáutica era de muita responsabilidade. Para enfrentar as dificuldades financeiras. ter essa capacidade não só de saber. “Eu queria fazer previsão do tempo. Não era – como não é até hoje – o filé mignon da profissão. conta Ana. também. já nessa época. empenho para lidar com números e modelos matemáticos e uma boa dose de ousadia para passar a credibilidade necessária. no Aeroporto do Galeão. Ter uma profissão. “Além disso. Além disso. estou quase conseguindo”. Magno tentou e conseguiu uma bolsa de iniciação científica. lembra até hoje como Magno conseguiu esse estágio. servindo de apoio às rotas de aviões que saíam daqui para a Europa. analisar cartas. “Foi o professor Fábio Alcântara quem estimulou a maior parte da minha geração. Durante a faculdade já existia uma vontade de um grupo pequeno de tentar mudar a visão de que a previsão do tempo sempre errava. os metares.

mas já com alguma experiência. Um desses lugares que se deve evitar andar.” Se o lugar não era o ideal. o Inmet estava precisando de previsores do tempo. eram poucas as turmas de meteorologistas que saíam das universidades e. Já Ana Lucia teve mais sorte e muita cara de pau. Arquitetura e Agronomia ( CREA). Cheguei na cara dura e perguntei: ‘posso morar com você?’. Uma boa colocação garantiu o direito de escolher o local em que iriam trabalhar. o Paraná passou a fazer parte do 8º. o trabalho era animador. por causa do concurso. “A gente poderia ter ficado no Rio. Carlos Magno continuou trabalhando na TASA enquanto Ana Lucia concluía os estudos. A rua Vitória faz parte da região formada pelas ruas Aurora e Santa Efigênia. As condições do lugar. feito para receber os ‘estrangeiros’. que morava sozinha e trabalhava no distrito. uma área degradada e com pouca segurança. gente de várias partes do País que vinha trabalhar em São Paulo”. e era isso justamente o que gostávamos de fazer”. o que aconteceu um ano depois. Na década de 1980. Não foi bem isso o que aconteceu.” Após terminar a faculdade. Era uma boa oportunidade para dois meteorologistas recém-formados. “Além disso. mudaram-se de “mala e cuia” para São Paulo. ela dependia muito da experiência do meteorologista.” Ana Lucia também procurou aplicar a teoria aprendida na faculdade e no terceiro ano começou a estagiar. Rosângela. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é formado por dez distritos espalhados pelo Brasil. pesou na decisão de deixar o Rio. em 1985. que era feita até então por muitos geógrafos – isso porque a maioria dos meteorologistas concentrava-se na sede em Brasília. Ana e Magno decidiram prestar o concurso e foram dois dos 40 meteorologistas aprovados. Ela topou e fiquei morando com ela até eu e o Magno nos casarmos. em um local pouco adequado e de fama duvidosa. uma pós-graduação em centros importantes como a Universidade de São Paulo e o Instituto Nacional de Pesquisas ambientais (Inpe). e não queríamos ficar perto dos pais”. “Eu fiquei em um dos quartinhos nos fundos. conta Magno. Em São Paulo. A cidade não chegou a assustar os dois cariocas. “Fiz estágio no Aeroporto do Galeão. foram logo conhecer o novo espaço. órgão ligado ao Ministério da Agricultura. Como ainda eram solteiros. em pleno centro da cidade. revela Magno. como diz o dito popular. Nesse período. Distrito de Porto Alegre). especialmente à noite. mas o jovem quer sempre novidade. que até há pouco tempo era responsável pela elaboração de previsões para os Estados de São Paulo. Como a casa era bem antiga. Paraná e Mato Grosso do Sul (atualmente. Então. Neide de Oliveira foi uma das “es- 17 . em 1983.po. sim. no Ministério da Aeronáutica. não havia ainda as modelagens numéricas. Ao desembarcarem. A impressão imediata não foi nada agradável. tiveram de arranjar algum lugar provisório para ficar. especializadas na previsão do tempo. “Eu tinha uma amiga. no Centro Meteorológico e depois na TASA . a sede do Inmet em São Paulo ficava numa casa da rua Vitória. tinha vários quartinhos. Distrito. Poderiam ter ido para qualquer parte do Brasil ou mesmo ficar no Rio de Janeiro. e dependia da análise com base em observações do tempo presente e do seu conhecimento da física para projetar aquele tempo presente para o futuro. Magno ficou pelo distrito mesmo. Não tinham parentes. Quando saí da faculdade já era uma previsora com certa experiência. Ambos já pensavam em casamento e no rumo que dariam a suas vidas. naquela época. mas o lugar em que iriam trabalhar. A ideia de que São Paulo oferecia maiores oportunidades e de que poderiam também continuar os estudos. ainda por cima. entretanto. não desencorajaram o casal. vários meteorologistas chegaram à cidade para assumir a previsão do tempo. funciona o 7º. A profissão de meteorologista havia sido regulamentada em 1980 e passara a fazer parte do quadro do Conselho Regional de Engenharia. nem amigos mais íntimos. Isso porque. perto da fa- mília e dos amigos. O primeiro desafio da nova empreitada era fixar residência na capital paulista. “Queríamos saber onde ficava a rua do distrito”. Foi quando surgiu o primeiro concurso em muitos anos para previsor do tempo no Instituto Nacional de Meteorologia.

e assim como Ana e Magno. “Era um grupo jovem. identificaram as principais dificuldades de um meteorologista em um órgão público. Logo depois vieram os outros do Rio. O dia a dia no distrito. preferiu deixar a terra natal em busca de maior campo de trabalho e realização profissional. na Ilha do Governador. Expressões que consideravam muito toscas. Poucos acreditavam na previsão do tempo. e a gente formou uma verdadeira legião estrangeira”. estavam fazendo o que gostavam. De volta a São Paulo foram viver em um apartamento mobiliado no aristocrático bairro de Higienópolis.trangeiras” que assumiram o posto no distrito paulista. “porque no fundo a gente tinha algum traquejo com o público. da Paraíba. porém muito bonita e emocionante. era nossa chance de iniciar um trabalho no distrito. como agricultores. A linguagem muito técnica era outro fator que atrapalhava essa interface com o público. O meteorologista contava com poucos recursos tecnológicos. Estava na hora de colocar em prática todo o conhecimento adquirido e a estrutura do distrito era um bom começo. As previsões eram elaboradas com base em dados levantados por observadores nas estações meteorológicas do instituto espalhadas pelo Brasil. não encontraram igreja com data disponível para o casamento. para a gente era predomínio do sol”. nos dados e mapas da previsão do tempo. Esses dados eram desenhados por técnicos em grandes mapas e em seguida analisados pelos meteorologistas. em geral. procurar igreja. pois o grupo não gostava muito disso. ou melhor. “Nós começamos a atender jornalistas. Logo. na casa dos pais da Ana Lucia. “A gente vivia brigando. os dois voltaram ao Rio para organizar tudo. havia pouco jogo de cintura para atender a essa demanda. vista como pouco confiável e que. Esse choque entre a realidade e a modernização era compreensível. Magno e Ana rápido compreenderam que havia uma grande procura por dados e informações meteorológicas. O trabalho lá dentro do distrito era muito de preencher formulários e mapas. uma delas era como lidar com a informação. em São José dos Campos. na- turalmente. completa a meteorologista. presas a jargões de difícil compreensão para alguém do outro lado do balcão.” Foi então que. relembra Neide. apenas uma cerimônia em São Paulo. Afinal. “A Ana não queria festa. Foi preciso uma enorme dose de paciência para tentar quebrar um pouco o ranço burocrático. do tempo em que trabalhamos na TASA e atendíamos alguns clientes. “Eu cheguei a São Paulo em 1983. por outro lado. não demorou muito para definirem a data do casamento e alugarem um apartamento para morar. passaram a intermediar o contato entre o distrito e o público. Mas era complicado mudar o padrão do que já estava instituído. conta Magno. Os dois logo se integraram ao grupo e puseram as mãos na massa. No dia seguinte seguiram de ônibus para a lua de mel em Campos do Jordão. os dois se casaram no dia 13 de abril de 1985. Eles faziam a leitura dos instrumentos. relembra Magno. dizendo que poucos entendiam aquele palavreado: parcialmente nublado para o jornalista era nublado. A solução veio dos pais da Ana. Em uma cerimônia simples. Estabelecidos no distrito. que praticamente organizou o distrito”. que ofereceram a casa para a realização da festa. Os primeiros meses foram de adaptação ao ritmo de vida paulistano e também o tempo de acertar a vida a dois. não dava muito certo. mas fiz questão de fazer as coisas direitinho”. Ana e Magno assumiram o posto no Inmet em 12 de fevereiro de 1985 com a perspectiva de muito trabalho pela frente. e o início do curso de pós-graduação no Inpe. anotavam em um caderno e depois transmitiam para os distritos. do Rio Grande do Sul. Por pouco tempo. com plantões até nos fins de semana. agricultores. O casamento foi realizado por um capelão da Aeronáutica na presença das famílias e de muitos amigos. Como tudo foi muito rápido. e a gente questionava muito isso”. Fotos de saté- 18 . “Foi um aprendizado interessante”. praticamente passaram a tomar conta da rotina do casal. tanto do público quanto da mídia e de setores mais especializados. no Rio de Janeiro. Neide é de Belém do Pará. aos 23 anos. convidar os amigos. explica Magno. relembra Magno. recém-formado.

Ela estava certa. Para realizar esse desejo. Ana Lucia alimentava o desejo de ser mãe. enfermeira. conta Ana. pais de Ana Lucia. que para mim foi antológica. que foi aprendendo as melhores maneiras de passar as informações elaboradas no distrito e a lidar com as saias justas causadas pelo tenso equilíbrio entre a credibilidade e a descrença. como professora. Se a gente errava. captadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). granizo. elas estavam enganadas. “Uma vez eu dei uma entrevista para o programa da Claudete Troiano e Ione Borges. Esse relacionamento com o público e com a imprensa deu maior visibilidade ao casal. Mas não posso acertar todas as previsões. Uma das coisas que eu sempre quis era ser mãe. faz parte da profissão. Afinal. precisando de informações confiáveis sobre o tempo e o clima estava no ar. fiquei pensando sobre as vantagens e desvantagens de partir para essa profissão. Algumas pessoas chegavam. e por isso poucos meteorologistas no distrito gostavam de falar à imprensa. e foi lá que a primeira filha do casal. na Vila Mariana.. ainda inexplorado. cobrando. o previsor era muito cobrado pelo público e pelos jornalistas. só não erra previsão quem não faz”.” 19 . “Ainda moça. dona Atala e seu Juvenal. conversar com as pessoas. e algumas outras informações vindas da Aeronáutica ou órgãos internacionais completavam o quadro que dava suporte ao profissional. vai pedir demissão e virar gerente de butique’. avalia Ana Lucia. Os erros eram muito mais lembrados do que os acertos. relembra Magno. frio intenso. forte geada. A percepção de que havia um mercado. Por causa disso. nasceu.. a Ana não tem estilo de funcionário público. Tudo isso ao vivo”.. Depois de seis meses em São Paulo já foi possível pensar em ter um canto próprio para viver. em São José dos Campos. elas continuavam a falar mal da meteorologia. No fim dos anos 1980. Comecei com paciência a explicar como funcionava a previsão para tentar mudar essa ideia. especialmente quando ocorria alguma catástrofe: tempestade. compraram um pequeno apartamen- to na rua Nicolau de Souza Queiroz. A gente erra até hoje. “No começo da carreira eu passava noites em claro acompanhando as frentes frias para saber se estava acontecendo o que eu previ”. disse que elas estavam usando o poder da comunicação para passar uma ideia errada. errava. Aí eu parti para a discussão e fui duro. Você trabalha meio expediente e tem meio expediente para ficar com os filhos”. Cabia ao meteorologista a responsabilidade de interpretar os dados e cravar a previsão. do distrito que uma ideia começou a germinar na cabeça do casal. conheciam bem a filha. E foi na rotina. acenando com milhares de possibilidades. relembra Magno. Era só amadurecer um pouco mais. até agressivas. ou Bebel. Estava ao vivo.lite. Isabel. Eu falava ao telefone dando informações sobre alguma previsão. “Meus pais estranharam eu ter ido estudar meteorologia. E nada. Então elas começaram a dizer que a meteorologia sempre errava e eu argumentava que não.. Notei que existiam profissões que eram legais. profissões que trabalhavam meio expediente. Minha mãe dizia: ‘Ela não vai aguentar. “Não tínhamos medo de nos expor. vai desistir’. eles sabiam o que estavam fazendo. no dia 11 de agosto de 1986. O índice de acerto diminuía para períodos mais longos. o índice de acerto de uma previsão variava de 85% a 90% para o período de 24 horas. não aguentei ser funcionária pública por muito tempo. Meteorologista também era assim. quando decidi fazer meteorologia. Disseram: ‘Meu Deus. interior de São Paulo. da TV Gazeta. Apesar da ansiedade. nem sempre tranquila.

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os telefones do Inmet não paravam de tocar: eram agricultores. o meteorologista Antonio Divino Moura. No Inmet. Pecuária e Abastecimento ( MAPA). 2 . Salvador.C Õ Nesse início do século XXI. mas de forma descentralizada. A coluna de previsão do tempo para o antigo Distrito Federal passaria a ser constantemente publicada a partir de 1917. Cuiabá e Goiânia. o novo diretor. há indicações de que os primeiros estudos científicos aconteceram a partir da criação do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro. Em 1871. buscava espaço para a modernização do órgão. com novas perspectivas para todos os setores do País. Talvez reflexo da redemocratização do Brasil. A repartição passou a ser responsável pela emissão de avisos meteorológicos para os portos. sem uma organização geral dos dados coletados. os primeiros postos de observação meteorológica datam do século XVII. publicado em 1889 com o título Esboço da Climatologia do Brazil. posteriormente. em que fez uma tentativa de previsão para o Rio de Janeiro. Indústria e Comércio. Já Sampaio Ferraz foi o responsável pela publicação do artigo “Previsão do tempo”. Na Marinha brasileira. com a proclamação da República. Belo Horizonte. em 1913. dentro do Ministério da Agricultura. Com sede em Brasília. Mattos é considerado o primeiro estudioso do clima de São Paulo e ficou por 24 anos à frente do serviço de meteorologia da Secretaria de Agricultura do Estado. e dá início à implantação das bases teóricas das ciências atmosféricas no Brasil. com observações meteorológicas das zonas costeiras. durante a ocupação holandesa em Pernambuco. todos procurando as preciosas informações Õ No Brasil. Porto Alegre. No que diz respeito à climatologia. que unificou as redes de observações da Marinha e do Telégrafo Nacional. no Jornal do Commercio. o astrônomo Emmanuel Liais é contratado pelo Observatório Astronômico. São Paulo. o trabalho em equipe dos meteorologistas do Inmet começou a engrenar. Instituto Nacional de Meteorologia. o órgão é desmembrado do Observatório Nacional. é renomeado para Diretoria de Meteorologia e. já então denominado Observatório Imperial. Belém. E no fim do século XIX. o climatologista Henrique Morize produziu o primeiro estudo sobre o clima brasileiro. o órgão conta com uma rede de 500 estações em processo de automação e dez distritos regionais: Manaus. Na década de 1980. Recife. Nesse mesmo ano. Além do progresso representado pelas pesquisas científicas e tecnológicas e com a formação de quadros de alto nível tanto na academia quanto na área operativa. em 1827. Em 1921. industriais. Agricultura. quando foi criada a Diretoria de Meteorologia e Astronomia. os navios hidrográficos já realizavam um trabalho sistemático. nha. duas figuras despontaram como grandes nomes da meteorologia brasileira: Belfort de Mattos e Sampaio Ferraz. em São Paulo. produtores. para a agricultura e também para os navegantes. Rio de Janeiro. nesses 20 anos. a meteorologia brasileira apresentou grande desenvolvimento com a implementação da previsão numérica e a incorporação de informações de satélites nas análises dos dados que alimentam os modelos. quase todo o País contava com serviço de meteorologia ligado a órgãos governamentais. Os dados levantados por meio desse trabalho serviram de base para a criação da Repartição Central Meteorológica da Mari- Nos primeiros anos do século XX. O embrião do que hoje é o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) surgiu em 1909. Para ele. em 1862. Desde 2008. O interesse por informações meteorológicas parecia ter aumentado naqueles últimos anos da década de 1980. ligada ao Ministério da Os primeiros passos 21 om o passar do tempo. em 1888. o Inmet é o responsável pela elaboração e divulgação da previsão de clima e tempo em todo o Brasil e representa o País na Organização Meteorológica Mundial ( OMM). Divino Moura está novamente à frente da direção do Inmet. Anos depois. o Observatório Imperial tornou-se Observatório Nacional. mas apenas em 1844 teriam aparecido as primeiras observações meteorológicas nos arquivos do órgão.

. disse ele”. por meio do distrito. porque foram conhecendo a meteorologia e como a previsão poderia ajudá-los. Eu era muito jovem.. até juntaram um grupo e formaram a empresa. O Inmet. 14/9/1988) “Com a temperatura entre 20 e 30 graus.. do 7º. eu mesma me perguntava: ‘quem vai acreditar na previsão do tempo que uma menina faz?’. Enquanto isso. conta Ana Lucia.) Segundo Magno. do 7º. Estava sem um pingo de maquiagem. acabei a faculdade com 20 anos. Sim. Paulo.. chove no Rio Grande do Sul.” Toda essa efervescência era sentida pelo pessoal do distrito. mas foi complicado gerir. relembra Neide de Oliveira. os meios de comunicação davam cada vez mais espaço para divulgar notícias do tempo. uns seis ou sete. Minha voz era muito infantil. Paulo. Chegou uma hora que isso começou a ganhar volume”. Eram várias cabeças. São Paulo está sob a ação de um sistema de massa de ar de alta pressão subtropical que domina o Atlântico sul. cabeças novas sem entender de empresa. bloqueando todos os sistemas de frente fria provenientes do Polo Sul. abalada durante décadas por previsões imprecisas. Era o pequeno embrião do que no futuro seria a Climatempo. isto atua como um bloqueio para as condições que favorecem a ocorrência de chuvas nas regiões Sul e Sudeste do País. Distrito de Meteorologia do Ministério da Agricultura. especialmente em São Paulo. (Folha de S. (. Quando a gente respondia que não tinha pessoal para isso eles diziam que podiam pagar e que compravam os dados. ‘Quando isso acontece. oferecer o serviço. que fez parte do grupo que criou a Climatempo. Começamos a montar a Climatempo. aí a gente sentiu uma procura maior. “No primeiro mês no Distrito dei uma entrevista para a TV Globo.sobre o tempo. Segundo Carlos Magno. por exemplo. um grupo de sete meteorologistas decidiu montar uma empresa. nunca mais deixei me fotografarem sem usar batom e com cabelo preso... Era preciso buscar clientes.. safras quebradas. Tinha de passar alguma confiança. que está há quatro meses na região Centro-Sul do País. responsável tanto pelas altas temperaturas como bela baixa umidade do ar. “Era comum algumas pessoas virem até nós para pedir algum trabalho.) Para o meteorologista Carlos Magno do Nascimento. 27. só melhorou quando a mídia começou a divulgar mais a previsão. São Paulo viveu ontem um dos dias mais quentes do ano. (. isso sem falar nos enormes prejuízos em diversos setores da economia que um inverno mais rigoroso ou uma chuva mais intensa podia causar. 27/9/1988) “Segundo Carlos Magno. e há tempo seco e quente em São Paulo’. cabelo com rabo de cavalo. parecia mais jovem do que era realmente. Até aquela época ninguém acreditava muito. Santa Catarina e sudoeste do Paraná avança lentamente e deve chegar hoje a São Paulo. Em 1987. Não conseguimos”. E Carlos Magno como chefe do grupo de previsores passou a ser muito assediado pela mídia: “A frente fria que provocou chuvas no Rio Grande do Sul. (. porque negócios podiam ser desfeitos. O nome nasceu ali. Distrito de Meteorologia. passou a ser mais conhecido e procurado. pouco a pouco. mas classifica o deste ano como ‘extremamente seco’”. mesmo com recursos ainda precários. (O Estado de S. a demanda já era muito grande... Quando me olhei na televisão. Depois disso. Era um entra e sai de jornalistas repercutindo fenômenos climáticos que afetavam a população. “O Magno e a Ana Lucia começaram a organizar o distrito. Crescia a procura por informações específicas que saíam um pouco da rotina e eram difíceis de ser atendidas. provocando o desvio de massas polares para o oceano. esse fenômeno deve provocar o aumento de nebulosidade e chuvas em pontos isolados na capital paulista (.) Magno afirma que a falta de umidade é característica do inverno. Em 1987. ficou difícil para todos. o calor é provocado por uma massa de ar subtropical. mas a empresa mal saiu do papel. a meteorologia ganhava.. De acordo com ele. Tudo indicava que.) ‘O calor deve 22 . Isso aconteceu. maior credibilidade. para aproveitar esse mercado potencialmente em ebulição e incentivado por Carlos Magno. a onda de calor verificada estes dias em São Paulo deve-se à massa de ar subtropical localizada em toda a região Centro-Sul. eu acho.

que se interessava pela aviação. Uma rotina diária que conquistou um público cativo durante mais de 40 anos. não. o empurrãozinho que faltava para uma grande mudança na vida do casal. de achar uma previsão de tempo bem feita no Brasil. estadao. Ao mesmo tempo admirado e alvo de deboche. Inaugurada em 1958. havia em São Paulo um jornalista que conhecia muito do assunto. na época diretor da rádio e um dos responsáveis pela contratação do casal. Marcos. devem-se à circulação de ar marítimo. sofria os reflexos da falta de estrutura da previsão no Brasil. chegando a 1.56%. que nasceu em 12 de novembro de 1987. prevê Carlos Magno. aliás. Autodidata. feita com base científica. que aumenta a nebulosidade e faz cair a temperatura’”. que impedia qualquer tentativa de crescimento econômico. muito comum e respeitado em boa parte do mundo e pouco valorizado no Brasil. amigos” o jornalista iniciava as transmissões dos boletins do tempo. que congrega os jornais O Estado de S. que se interessava muito pelo plantio. rádios e tevês começaram a abrir os olhos para esse tipo de conteúdo. surgiu uma grande oportunidade. Recorria a dados do 23 . “Foi uma ideia pioneira. Jornais. que. não tinha ninguém que falasse”. e com isso as despesas ficaram maiores. “A sugestão de colocar dois profissionais no ar foi minha”. “Eu acabava de voltar dos Estados Unidos. (Jornal da Tarde. a dona de casa.” João Lara Mesquita tinha razão. Vernizzi nunca deixou de prestar um valioso serviço à população. Esse cenário tão promissor não escondia. O nome de Narciso Vernizzi era sinônimo de previsão do tempo. os problemas econômicos crônicos pelos quais o País passava. jornal ou TV. 83%. Foi quando. e lá o povo não parava de ouvir as previsões do tempo. e desde então foi ganhando espaço. Ana Lucia já tivera seu segundo filho. A essa altura. a inflação acumulada no ano de 1987 foi de 415. levou seus conhecimentos para a Jovem Pan em 1963. com um estilo mais jornalístico. eram muito bem feitas. o rádio sempre reconheceu a importância de boletins em sua programação diária. Paulo e o Jornal da Tarde. Então encarreguei o chefe de redação. Só para ter uma ideia. especialmente em São Paulo. pela rádio Jovem Pan de São Paulo. Todas as manhãs. pelos fazendeiros. com uma proposta inovadora: queria contratar dois meteorologistas que seriam responsáveis pela divulgação da previsão do tempo pela rádio.br e a Oesp Mídia e é um dos mais importantes grupos de mídia do País. Por isso foi um retumbante sucesso quando entrou no ar”. como a hiperinflação. em 1988.diminuir bastante nos próximos dias. Eis que em um belo dia aparece no distrito Ademar Altieri. pela chuva. o portal www. relembra João Lara. Por atingir áreas re- motas. Havia a Força Aérea Brasileira ( FAB ). relatava Vernizzi quando perguntavam a ele qual era o seu público. chefe de redação da rádio Eldorado AM/FM. Os funcionários públicos sentiam no bolso a situação e o pessoal do distrito não era exceção. não havia nada comparável em rádio. Vernizzi começou sua carreira jornalística no esporte. avalia João Lara Mesquita. No rádio brasileiro daquela década não havia uma previsão de tempo confiável. como ficou mais conhecido e cuja alcunha foi registrada em seu nome – “Quem quiser usar tem de pagar os direitos” –. Ademar Altieri. A ideia de colocar no ar meteorologistas era nova. a Agência Estado. Era um locutor esportivo apaixonado por meteorologia. em 1988. Para o homem e a mulher da rua. 28/9/1988) Aos poucos. além de ser um grande divulgador e incentivador da meteorologia. O “Homem do Tempo”. O rádio foi um dos primeiros veículos de distribuição das informações meteorológicas. em contraste com o calor da capital. O tempo nublado e a temperatura amena verificados no litoral. mas previsão do tempo na rádio.com. porém. Seria um diferencial da Nova Eldorado.037. “Havia o Ministério da Agricultura. a rádio Eldorado faz parte do Grupo Estado. Nessa época. com o bordão “Bom dia. tanto Ana Lucia quanto Magno foram adquirindo uma certa prática para lidar com a imprensa e conseguiam passar as informações numa linguagem mais clara. fundado pela família Mesquita.

De qualquer forma. e chegou a instalar uma estação meteorológica em São Roque. afinal. tinha noção do que um meteorologista falava nos Estados Unidos. “A primeira coisa que fiz ao mudar para São Paulo. “Aí. 24 horas no ar de informação e prestação de serviço. agradável. uma cabine fechada. o acordo para o trabalho foi feito entre o Inmet e a Rádio Eldorado. Contudo. coisa de cinco mil dólares para cada um deles. Vernizzi passou a fazer parte do folclore da cidade. Risos constrangidos foram ouvidos. O pior que pode acontecer é a gente não passar’”. Feitos os testes. eram dois salários para uma mesma casa e tantos outros precisando de um “ex- 24 . ninguém está te olhando por um vidro. aeroportos. Eu dizia que não. “A AM era uma emissora jornalística e a FM uma rádio musical com coberturas especiais de esportes. Era natural que a situação ficasse um pouco desconfortável para o casal. claro. em 1985. e fazia parte de uma reformulação que criaria a Nova Rádio Eldorado AM. Ele era chefe dos previsores e não tinha interesse em falar na rádio. Todos no distrito participaram dos testes. No início. e o salário era alto para a época. todos aguardaram os resultados. aprovou a ideia é que recomeçaram as negociações. como explica João Lara Mesquita. o pessoal da Eldorado voltou ao distrito para anunciar os escolhidos. eu percebi que o Narciso furava a gente. o novo diretor de jornalismo da rádio. de onde fazia suas entradas na rádio. O projeto ainda demorou um pouco para ser implantado. Foi Ana Lucia quem insistiu para que ele fizesse o teste. Eu disse ao Magno: ‘ninguém está te vendo. Os dois nunca se conheceram pessoalmente. com qualidade de informações”. como radioamadores. consultava todas as fontes disponíveis.. “A essa altura do campeonato todos eram funcionários públicos e todos estavam ralados”. Ambas. E eu pensei: isso é notícia? Aí chegou no distrito uma chuva de jornalistas perguntando se real- mente era a mais fria e eu percebi que isso interessava. almejava chegar um dia a diretor do distrito e quem sabe até do Inmet. Preparei uma ideia. Ironia do destino. Fiquei satisfeito ao ouvir o Narciso e em saber que tinha um serviço desse em São Paulo. um texto e fui para a cabine de gravação. popularizou a meteorologia. Eu achava fabuloso ter um jornalista falando de meteorologia. mas o velho homem do tempo já era uma referência para o jovem meteorologista que em breve seguiria pelo mesmo caminho do rádio. e foi só quando Marco Antônio Gomes. ‘O cara é bom’.. que estava divulgando a nossa profissão”. Aeronáutica. dizia. o microfone. porém. os dois meteorologistas selecionados eram exatamente Ana Lucia de Macedo e Carlos Magno do Nascimento.. usando frases curtas. é você.” A proposta feita pela rádio Eldorado agitou o distrito. ordem direta. até que procuramos o Ministério da Agricultura e este nos sugeriu o 7º. cumulus nimbus. interior de São Paulo. a média de acertos não era muito grande e os erros eram muito cobrados. aí o pessoal falava que ele estava ocupando o nosso espaço. como as informações eram sempre insuficientes. relembra Magno. conta Ana Lucia. que a gente tinha todos os dados ali e não aproveitava. é previsão”. ainda no distrito. Naquele primeiro momento. Isto é. dá o seu recado e acabou. conta João Lara. foi ouvir o Narciso Vernizzi pelo rádio. a direção da rádio havia escolhido o casal. eram voltadas para formadores de opinião”. “Eu tinha bastante prática.. Porque ele era jornalista e sabia o que interessava para o público: por exemplo ‘essa tarde foi a mais fria do ano’. porém. A ideia era colocar um meteorologista pela manhã e outro à tarde. Distrito. O Magno é tímido e ele não queria ir de jeito nenhum. Você chega lá. Magno relutou. Fomos lá e testamos todos. Ensinamos a falar no rádio de forma coloquial. disse Ana Lucia. com uma linguagem popular. com muita simpatia e. “Procuramos em dezenas de lugares: na Universidade de São Paulo ( USP). Queria seguir uma carreira política dentro do distrito. Sem saber.Inmet. Para ele não havia erros: “O nome já diz: previsão não é fato. Não tinha jornalista assim no Rio. Passados alguns dias. Como Ana não usava o sobrenome Nascimento. ninguém da rádio desconfiou e acabou mantendo a escolha. Foi então que começamos a dar mais atenção aos dados históricos..

Resolvida essa questão. a modernização chegava lentamente à meteorologia. mas que representavam um grande avanço para melhorar a previsão do tempo. O trabalho realizado é considerado um marco pelo casal. Ana Lucia pela manhã e Magno à tarde e à noite. os diretores queriam saber se o ano seria de geadas. Esse acerto possibilitou também um arranjo doméstico. uma cabine foi instalada no distrito. a primeira nota fiscal da nova empresa seria emitida no dia 20 de setembro de 1988.tra”. mas logo outros centros o adotaram. Segundo Magno. para que Ana Lucia e Magno prestassem serviços de consultoria em meteorologia. captaram no ar um clima de mudança. Não dava para fazer tudo ao mesmo tempo: chefiar previsores. A situação conspirava para isso. Aquele foi o momento. existia juridicamente. A certeza de que deviam investir no novo negócio era tão grande que Magno decidiu recusar um convite da Cooperativa de Produtores de Cana-de-Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (C OPERSUCAR). Para tentar diminuir a tensão entre o grupo. uma das maiores empresas de alimentação e nutrição infantil. “Foi um período conturbado e começamos a pensar se iríamos pular para a iniciativa privada ou arrumar outro emprego. Os computadores começavam a fazer parte do trabalho dos previsores e os primeiros modelos de previsão numérica eram utilizados. a consultoria se estendeu para a área de sorvetes e as previsões passaram a ser usadas para acompanhar a produção e estoque do produto. as coisas não andavam tão bem. “A Ana iria estudar na universidade e fazer pós-graduação em agrometeo- 25 . que estava só no papel e não tinha nenhuma nota. Magno e Ana tomaram contato com essas tecnologias durante o período em que cursaram o mestrado na USP e foi ali que. trabalhar na rádio e ainda prospectar novos caminhos. distribuindo as tarefas de casa e o acompanhamento dos filhos: Bebel e Marcos Paulo. Silvio de Oliveira. Felizmente. porém. Com a efetivação da empresa. Magno tinha certeza de que o momento certo de alçar voo solo aproximava-se. Novos ares para a meteorologia e também para quem vivia da previsão do tempo. para montar um centro de previsão. relembra Magno. O serviço era para o setor cafeeiro da Nestlé. um dos diretores da Nestlé ouvia com frequência a Rádio Eldorado e teria ficado muito impressionado com a segurança das informações transmitidas pelo casal por meio dos boletins. com base em dados gerados por equações matemáticas ainda rudimentares. um novo cenário se desenhava. Foi o ponto de partida para a existência legal da Climatempo. e muita vontade de conquistar o mercado que se abria a sua frente. os dois já eram bem conhecidos do público ouvinte. todos gostaram e aceitaram a ideia. Afinal. Agora eles tinham um cliente. o que elevaria o valor da colheita. Eles não tinham a complexidade de modelos numéricos mais avançados. mas não de fato”. O novo processo implicava em uma análise mais objetiva. Seria de lá que transmitiriam os boletins. Maria Assunção Faus da Silva Dias. não tinha cliente. Carlos Magno sugeriu ao então diretor do distrito. ao acompanharem esse processo. Magno viu seu projeto de seguir carreira no Inmet distanciar-se. No distrito. em Piracicaba. De acordo com Magno. A professora e hoje diretora do Centro de Previsões de Tempo e Estudos Climáticos ( C PTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Cachoeira Paulista (SP). Um desses modelos foi desenvolvido pela Universidade de São Paulo ( USP ). Foi então que surgiu um pedido da multinacional suíça Nestlé. mas foram muito importantes na época para a modernização da meteorologia brasileira. A Nova Eldorado ganhava cada vez maior audiência. lembra que esses modelos eram usados como uma ferramenta a mais para a elaboração da previsão do tempo. Depois de três meses no ar. Uma novidade para uma época que dependia apenas das cartas e dos mapas elaborados e da avaliação do meteorologista. Aí eu comecei a pensar em reviver a Climatempo. Aquele era o momento. retirar 30% do salário pago pela rádio e dividi-lo entre os outros meteorologistas. tinham uma empresa real.

Para isso. Uma das propostas era oferecer uma coluna de previsão do tempo. em São Paulo. Magno e Ana. foi contratada a jornalista Patrícia Ferraz. Chegara o momento de encontrar esse lugar. O apartamento de 50m 2 que o casal havia comprado na Vila Mariana era pequeno demais para comportar uma empresa com grandes possibilidades. Foi o caso da Agência Estado ( AE). Magno e Ana Lucia não eram exclusivos da AE. tinham maior facilidade de comunicação. o que aumentava a credibilidade na previsão. a Climatempo. No início. Em 1988. também sofria um profundo processo de reformulação. No fim de 1988.rologia. Aos poucos. ainda uma pedra no caminho da meteorologia brasileira. outro braço do Grupo Estado. Outras mídias passaram a demonstrar interesse pela meteorologia. a Eldorado tornava Magno e Ana cada vez mais conhecidos. reformulando suas colunas e investindo no conhecimento da previsão do tempo. mais voltada para levantamento de dados e assessoria técnica. ao mesmo tempo segura. a AE. Eram eles que todos os dias divulgavam a previsão para São Paulo e também passavam as informações para eventuais matérias. 26 . Nesse primeiro momento. finalmente encontrou uma casa que atendia às suas expectativas: ali poderia instalar a mulher e os filhos. pelas ruas próximas ao apartamento. Naquele momento. Trabalhando em regime de escala no Inmet. Como as coisas ainda estavam apenas no começo. os dados eram fornecidos diretamente pelos meteorologistas do Inmet. Queríamos montar uma empresa diferente. inclusive a filha mais nova. Paulo e Jornal da Tarde. conta Magno. a presta- ção de serviços era feita pelo Inmet e o casal falava em nome do distrito. específica para os clientes interessados. já escolados pela rádio Eldorado. que ficaria responsável não só pelo serviço para os clientes. mas sem estrutura física. Preferimos ficar para montar a Climatempo a ser empregado. assim como a Eldorado. com o desenvolvimento do projeto de modernização da previsão do tempo na AE. coube a ela o pioneirismo de ser a primeira mulher do tempo do programa Bom Dia. além disso. um novo gru- po de jornalistas assumia a direção da agência. Magno aproveitava para procurar um local que pudesse ser a nova sede da empresa. mas também pela mudança nas colunas do tempo nos jornais da casa: O Estado de S. Assessoria. a meteorologista Vera Malfa Pereira fundara a Tropical Meteorologia. Com Rodrigo Mesquita como diretor. a necessidade de ter informações mais individualizadas começou a pesar nessa relação. Com os olhos voltados para fora da janela. aliás. São Paulo. Antes dela. contudo. em 1977. Vale lembrar que o momento era da meteorologia e os fatos que envolviam o tempo e o clima despertavam cada vez maior interesse da imprensa. Era puro sonho de dois jovens que já tinham alguma experiência profissional e conhecimento da demanda do mercado de meteorologia”. teve também um papel importante na moderna meteorologia brasileira: foi a primeira meteorologista com curso superior a trabalhar no 7º. em 1982. da Rede Globo. Depois de muito procurar. a Climatempo já era uma realidade. Em abril. Eles conseguiam explicar os termos técnicos com uma linguagem clara. mas seria pioneira na implantação de uma nova filosofia nesse novo nicho de mercado: oferecer uma previsão de tempo diferenciada. Se não acertavam sempre era pela falta de recursos técnicos mais modernos para elaborar o prognóstico. sem um grande capital nas mãos para grandes voos. Enquanto isso. a Agência Estado deu início à modernização dos seus serviços. Marquinhos. Magno usava as manhãs – enquanto Ana estava de plantão no distrito e a filha mais velha Bebel na escolinha – para passear com o filho mais novo. Pelo menos por enquanto. Distrito de Meteorologia. Magno um dia sonhou com um lugar próprio para a Climatempo. Elói Gertel e Sandro Vaia como diretores de conteúdo. Magno tinha consciência de que era preciso ir devagar. direta. Vera. mas pouco a pouco o atendimento passou a ser dado principalmente por Carlos Magno e Ana Lucia. Além de distrair o filho. a Climatempo não seria a primeira empresa privada de prestação de serviço em meteorologia. Projetos e Serviços.

“Eu lembro que a gente pagava 30% de tudo que recebia em aluguel da casa. Josélia. sua primeira ideia de profissão estava ligada à arquitetura. Magno. Uma linha telefônica era caríssima. decidiu mesmo pela matemática. ou seja. com os meteorologistas mais antigos. Josélia Pegorim trabalhava na TV Cultura. outra paixão em sua vida. aprendeu a elaborar a previsão de tempo. Entrou na Universidade de São Paulo e foi lá que começou a estudar matemática aplicada. mas jeitoso. substituiu outra pisciana. e começou aí uma duradoura parceria. uma pisciana. foi assistir a algumas aulas. Contudo.” Josélia começou a transmitir seus boletins direto do 7º. Pequeno. uma rua de comércio atacadista de materiais e acessórios eletrônicos. As dificuldades iniciais para trabalhar eram enormes.” Apaixonada pelo canto. início da década de 1980. mas era um investimento”. Filha de arquiteto. tinha espaço para todos os filhos. Magno convidou outra meteorologista. Naquela época. “É. ninguém entendeu. também na Vila Mariana. disseram os pais. uma mesa e a grande aquisição: um computador. equipamento fundamental para trabalhar. Eles pediram para renegociar o contrato. Ana Lucia. além do serviço telefônico do 132. e que fazem aniversário no mesmo dia. o inverno vai ser bom. “Na rádio. Silvio de Oliveira. relembra. O serviço incluía previsões do tempo para a tevê e para a rádio Cultura. outra grande novidade na época e que também passou a fazer parte da estrutura. Em casa. Quando Ana Lucia resolveu deixar a rádio Eldorado. a profissão ainda é uma coisa rara: duas mulheres e duas meteorologistas. Um dia em que a crendice popular no Nordeste diz que. Josélia tomou gosto pela previsão. Grávida do terceiro filho. o diretor do distrito. acompanhando também a evolução da Climatempo. e com sua voz potente e clara logo conquistou um público fiel. Distrito. quando chove. foi no coral da USP que uma amiga lhe falou de uma cobertura de férias na central de meteorologia da TV Cultura. Por ele recebiam os dados e as fotos de satélites que compravam do Inpe. E aos poucos foram comprando a mobília: uma estante. um sofá. “Você é louca”. Coincidência ou não. fui aprendendo com o Magno a contar uma historinha. O Inmet havia se afastado do negócio e a rádio passara a ser mais um cliente da nova empresa. Ela é a segunda de seis irmãos. Ana decidiu deixar a Eldorado e ficar como previsora do Inmet e da Agência Estado. Ela fazia meteorologia”. um computador. mas passados esses anos todos. a gente brinca que eu sou a louca que deu certo. Nele. porém. no centro de São Paulo.O sobrado ficava na Rua da União. sugeriu seu nome para Magno. Ela assumiu o lugar de Ana Lucia durante as manhãs em 1989. Magno comprou um fax de segunda mão da NEC. Até aí. 19 de março. Pediu transferência e não se arrependeu. Josélia não sabia quanto esse conhecimento seria útil. analisar o currículo e chegou à conclusão que era muito interessante. Na Santa Ifigênia. de repente. E fizeram isso já diretamente com a Climatempo. começou a instalar programas. numa mesma empresa. artigo raro naquele momento. em uma sala. modelagem numérica. Nos fundos. Para o seu lugar. o 132. que tinha alguma noção de informática. Victor. Josélia não tinha noção do que era um curso de meteorologia. Era a primeira vez que entrava em um centro de previsão e foi ali que. “A estatística jamais vai conseguir explicar como nesse mundo. Dia de São José. “Um dia eu estava andando pelo campus e dei de cara com uma amiga. Ali tudo começou. Josélia veio do Rio de Janeiro com a família aos 11 anos. Mesmo assim. de uma forma que as pes- 27 . com o grupo que fazia o serviço de previsão de tempo por telefone da antiga Telesp. Mas o período ainda era de incerteza econômica e nem o projeto vitorioso da Nova Eldorado conseguiu sobreviver à hiperinflação. foi montada a infraestrutura básica para a Climatempo. se juntam. custava em média 4 mil dólares. quando chegou a hora de prestar vestibular. duas pessoas meteorologistas. que nada mais era do que usar a técnica e os conceitos matemáticos e transformar isso em equações. conta Magno. Chegou um momento em que a rádio não tinha como sustentar os altos salários pagos.

o processo era bem rudimentar: duas imagens por dia vinham de ônibus. conta Josélia. Para poder suprir todas as necessidades da AE com os jornais da casa e também com seus clientes. No começo era uma história muito quadrada. Bom. A prática dos boletins trouxe também o traquejo de uma boa locução e a segurança necessária. toda a prática do mundo não afastava os riscos de erro na previsão. mesmo quando a transmissão não era gravada.” matempo fechou um acordo em que cabia à agência levantar os dados. assim como Carlos Magno e Ana Lucia. Todas as pesquisas e estudos que são feitos servem para diminuir as margens do erro. que é uma fotografia. era um sábado.” Josélia tem consciência da responsabilidade de fazer uma previsão.soas entendessem. que fazia um programa na rádio sobre jazz.” Por isso que uma previsão errada podia ser muito dolorida. Uma época frutífera em que adquiriu a tão necessária experiência. A transformação do céu. Com o tempo. estampava a manchete “Detetives do tempo”. Em destaque. o nome Josélia Pegorim tornou-se conhecido. Entretanto. Foi o que aconteceu na edição do dia 12 de maio de 1989 do Jornal da Tarde. nada a ver com a forma que faço hoje. computadores e modelos. e eu dei uma previsão de que não iria chover. escrita por Patrícia Ferraz. sempre solicitada quando o assunto era meteorologia. “Lembro que chorei uma vez por conta de uma previsão errada. “Quando começou a Climatempo. ainda mais quando é divulgada pela rádio. relembra Magno. Era ele o principal intérprete do céu. uma novidade. “Eu faço parte de uma geração de profissionais. a parceria com a Agência Estado ganhou fôlego. Já na Agência Estado. Eu estava saindo da faculdade. a bela voz da rádio Eldorado. Josélia acumulou os dois trabalhos. pois até então as fotos vinham de ônibus de São José dos Campos para a Agência Estado. Por outro lado. comprando-os de empresas estrangeiras ou por meio de convênios com as instituições governamentais como Inmet e Inpe. quando “o tempo” virou notícia de caderno de polícia. as informações chegavam por meio de um modem e um sistema de transmissão chamado Procon. “Eu lembro a primeira vez que entrei ao vivo. mas prática nenhuma”. As imagens eram recebidas por um fax. com um poder enorme de difusão. Eu estava tremendo que nem uma louca. na ponta do lápis e na borracha. das nuvens. tinha algumas coisas na cabeça. que não tinha computadores nas nossas vidas. mas elas existem e vão continuar a existir até o fim. A reportagem. O meteorologista não podia culpar máquinas. Foi com o Jô Soares. a Cli- 28 . fiz a entrevista pelo telefone. Sorte que não era tão conhecida ainda”. Eu olhava para o céu e chorava: ‘Meu Deus. que também se faz uma previsão. Faz parte do dia a dia. Vale lembrar que se está falando ainda do final da década de 1980. Nós aprendemos a olhar e muito bem para o céu. sugerindo pautas com temas inimagináveis nas redações. Queriam que eu entrasse ao vivo porque estava caindo uma tempestade em São Paulo. a Climatempo ficaria responsável pela recepção de fotos do satélite enviadas pelo Inpe. como eu errei tanto’. Nós aprendemos a fazer previsão na mão. uma modernidade para a época. “O meteorologista que trabalha com previsão tem relações delicadas. uma foto do meteorologista Carlos Magno no papel de Sherlock Holmes e o subtítulo: “Os meteorologistas ajudan- Õ Em 1989. E muito mais do que fazer previsões de tempo. da Agência Estado. as nuvens que estavam em Mato Grosso do Sul não iriam chegar a São Paulo. Ele convive e vai conviver o resto da vida com o erro. começou a chover no sábado. e choveu o domingo inteiro a ponto de inundar a cidade. Nesse momento eram três jovens meteorologistas trabalhando basicamente para dois clientes. informa muito sobre a condição do tempo. É olhando para o céu. Ainda bem que deu tudo certo. via Pássaro Marrom. na TV Cultura e na rádio Eldorado. Eu estava de plantão na TV Cultura e na rádio. Durante um bom período. Um erro pode prejudicar muitas pessoas que confiaram nela. eles passaram também a abastecer o noticiário dos jornais para os quais trabalhavam. mas ainda baseados no distrito. até a compra do fax”. após 20 anos de aprendizado.

o banqueiro. eles ajudam a resolver casos complicados. (. 29 . Beltran disse à polícia que no segundo dia do sequestro ele ouviu um barulho de trovões. Magno foi um dos meteorologistas ouvidos pela reportagem e lembrou-se de um caso marcante em sua carreira. Mais experientes e com dois clientes na carteira da empresa. Com certeza. Logo no início da matéria a explicação sobre o trabalho desconhecido dos meteorologistas: “Consultando mapas e fotos de satélite.. segundo o meteorologista.. Nesse caso foi impossível obter uma resposta. Magno e Ana Lucia sentiram que era hora de largar de vez o serviço público e apostar todas as fichas na Climatempo. sem chuva. Revistas especializadas – desde publicações destinadas a velejadores até revistas de cooperativas de laticínios –. o sequestro do banqueiro Antonio Beltran Martinez: “Quando foi libertado.do a combater o crime”. no dia 8 de novembro de 1986. pois.) A polícia acreditava que ele. seria preciso uma estação meteorológica em cada bairro para ter essa informação. havia trovejado. Muitas vezes. as condições do tempo numa determinada hora ou local podem ser decisivas para esclarecer um caso ”. havia ficado escondido na Grande São Paulo. e queria saber onde. Mas não era só nos jornais ligados à Agência Estado que Carlos Magno e Ana Lucia davam seus pitacos. sem chover”. conta Magno. além de jornais de todo o estado de São Paulo cada vez mais incluíam a previsão do tempo em suas edições. poucos leitores deveriam saber que o trabalho de um meteorologista pudesse estar ligado a intrincados inquéritos policiais. na Grande São Paulo.

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a Eldorado comprou três quartos de página do caderno de esportes do jornal O Estado de S. leia e veja o trabalho deles. Nós respeitávamos a empresa. tanto na parte técnica quanto em volume de informação para a elaboração das previsões para o atendimento aos clientes. Ensaiando já há algum tempo a saída do distrito. nesse tempo. o alagoano Fernando Collor de Melo. no sobradinho da rua da União. mais jornais demonstravam interesse em modernizar suas colunas de previsão do tempo. muito menos com os nimbus. as condições políticas de trabalho no distrito estavam mais difíceis e ficava cada vez mais complicada essa dupla jornada. A exemplo do Estadão e do JT.N Para Carlos Magno e Ana Lucia também foi um período conturbado. “Nossa saída foi uma contingência. é o Dia do Meteorologista. A Climatempo já existia de fato atendendo à rádio Eldorado e à Agência Estado. “Eu saí primeiro e um mês depois a Ana saiu também”. Por causa disso. 3 . Paulo para prestar uma homenagem aos meteorologistas de todo o País. Em meados de 1990. aliás. foram mantidas. Em casa. o outro ficava responsável pelos serviços de casa e também pelas três crianças. que eles decidiram pedir demissão do Inmet e investir no próprio negócio. A gente já estava se preparando para sair. Ana e Magno deixaram de ser Na telinha da Globo 31 o fim de 1989. Foram bem ousados. ele estava cansado. Como consultores do Grupo Estado. eles mantiveram contato. Com fama de “caçador de marajás”. “Quando o Magno e a Ana saíram. conta a meteorologista Neide de Oliveira. era para a Ana Lucia ter ficado mais um ano no Inmet. ano em que sofreria o impeachment. o Inmet era um órgão do Ministério da Agricultura. Hoje. não deixaria passar em branco uma data especial para os meteorologistas. os brasileiros elegeriam pelo voto direto o novo presidente do País. Apesar das boas relações cultivadas ao longo dos anos. ciclones e anticiclones. O informe perguntava e. “Na verdade. Magno dividia com Josélia os boletins diários na Eldorado. a rotina familiar era dividida pelo casal: enquanto um estava no distrito. no setor de comunicação a demanda já estava aquecida. No dia 3 de março. Por outro lado. Com a cabeça voltada somente para a Climatempo foi a hora de prospectar novos mercados. trabalhando muito. Foi nesse momento Ambos sentiram. Collor prometia uma verdadeira limpeza em vários setores. o Brasil vivia momentos de forte movimentação política. ao mesmo tempo. a determinação do Governo Federal foi o empurrão que faltava. O Magno saiu primeiro. A rádio. lembra Magno. No mínimo. eles já tinham um fluxo de caixa para montar um pequeno centro de previsão do tempo. A gente sabia que era o momento e que a tendência era de o mercado crescer”. tanto que havíamos alugado uma casa maior”. Além disso. massas de ar frio vindas da Patagônia. Ao assumir. em 1990. Até 1992. você vai saber com que roupa sair”. afinal eles foram com a cara e com a coragem. Eles sabiam das possibilidades dessa área. A saída do Inmet foi de certa forma um pouco traumática para ambos. do INMET. a melhor prestação de serviço chega a você. altas e baixas pressões. porém. eles sentem a torcida para que não apareçam cumulus. 3 de março. As amizades. dava a resposta: “Com que roupa eu vou?” Os meteorologistas Carlos Magno e Josélia Pegorim transmitem para os ouvintes da Nova Eldorado AM os mais precisos boletins do tempo. porém. Rádios e tevês também passaram a se interessar mais sobre o assunto. Outra determinação foi a de impedir que servidores públicos exercessem outra atividade na iniciativa privada. Collor deu início a uma série de demissões no serviço público. que a demanda estava aumentando. afinal. principalmente no serviço público. lembra Ana. Depois de analisarem fotos de satélites. Em dezembro. Ouça. Magno e Ana viram as portas se fecharem no que dizia respeito à obtenção de dados.” A agricultura era uma opção natural. Fernando Collor afastaria mais de 100 mil funcionários. Essa foi a deixa para Ana e Magno. Na sexta-feira. depois de vários anos de ditadura militar e de um lento processo de redemocratização. segurando as pontas com um emprego fixo.

a divulgação da previsão do tempo pela tevê começou em 1941. 30/11/ 1990). Magno foi então procurado para elaborar a previsão dos telejornais paulistas e mais tarde também dos jornais Hoje e Nacional. no dia 25 de janeiro.” Para a edição executiva do projeto foi chamado o jornalista Amauri Soares.. 07/4/1990). mas todo e qualquer evento de destaque. em Nova York. informou o meteorologista Carlos Magno do Nascimento. O meteorolo- gista se baseou na média das temperaturas máximas observadas no Mirante de Santana. e como todo bom caipira gostava de acompanhar a previsão do tempo. relembra Magno. O quadro seria apresentado por uma moça do tempo. No começo. São Paulo. Passou pela Região Norte. conseguimos o contrato com a Rede Globo.4 graus. Carlos Nascimento. e à noite um resumo das principais notícias do dia. mas por um homem do tempo. a cidade contava com seis 32 . pediu que Patrícia apresentasse um projeto de meteorologia ou indicasse um bom serviço. Ela trabalhara durante anos na tevê e conhecia muitos jornalistas de lá. com uma linha editorial mais descontraída. tinha duas edições diárias e à tarde cobriria o espaço do Jornal Hoje. o São Paulo Já. do 7º. Distrito de Meteorologia. Soares lembra que foi um período de grande efervescência criativa na Globo e credita ao jornalista Carlos Nascimento o entusiasmo para encaixar no projeto o quadro do tempo. Victor. “Este foi o novembro mais quente dos últimos 30 anos na cidade. Naquele momento. o jornalismo da Rede Globo passava por uma profunda reformulação com a criação de um novo telejornal local.” Carlos Nascimento tinha em mente o modelo norte-americano. em média. Nos Estados Unidos. em um período em que crescia o espaço para esse tipo de informação: “A temperatura de 31.) (O Estado de S. a temperatura de ontem chegou bem perto do recorde do último verão na capital: 32 graus. que nessa época ainda fazia parte da emissora. da Agência Estado.8 graus. ‘Foram 14 dias com temperaturas acima dos 30 graus’. “Em julho de 1990. “Nascimento era do interior. Como os dados utilizados pela AE eram da Climatempo. mapas. disse Magno”. nasceu em 24 de setembro de 1989 e já estava com seis meses em 1990. uma tradição norte-americana. Centro-Oeste e agora está sobre o Sudeste. o uso do helicóptero para acompanhar não só o trânsito da cidade. (O Estado de S. e este ano os termômetros chegaram a marcar 28. foi a mais alta já ocorrida no outono paulistano desde a fundação da estação de Santana. o formato era uma experiência inovadora que a emissora pretendia implantar em toda a rede nacional.. em 1944. com quadros. Eu estava com 29 anos e Ana com 26”. O contato foi feito por meio de Patrícia Ferraz. o filho mais novo. de São Paulo. mas com abrangência nacional. foram feitos vários pilotos para serem apresentados ao mercado televisivo. Na verdade. registrada às 15 horas de ontem no Mirante de Santana. como as entradas ao vivo de vários pontos da capital e do interior. do 7º. O SP-JÁ. ‘Ela chegou quente e úmida e agora está seca. e a previsão do tempo. como ficou mais conhecido. Paulo. (. Éramos meteorologistas previsores e era com orgulho que a gente via a nossa previsão ser difundida.4 graus..identificados como previsores do distrito e começaram a ficar conhecidos como meteorologistas da Agência Estado nas matérias dos jornais da casa. o que dificulta ainda mais a penetração de frentes frias’. pioneiras e que foram incorporadas definitivamente ao padrão global. O novo formato permitiu algumas inovações importantes. Foi fabuloso. assim como eu.) O meteorologista Carlos Magno explicou que a massa de ar quente que está sobre o Sudeste veio do Oceano Atlântico e entrou pelo Nordeste. Segundo o meteorologista Carlos Magno. Distrito de Meteorologia de São Paulo” (. quando o casal foi procurado pela Rede Globo.. Paulo. da Agência Estado. Segundo ele. As máximas registradas normalmente nesse mês são de 25. isso indica que o verão poderá ser um dos mais quentes da última década. uma edição de 20 minutos. responsável pelo Bom Dia. Na época. uma moça do tempo e uma meteorologia que já na década de 1990 estava bem à frente da brasileira.

que vai do 33 . em 1952. o formato profissionalizou-se e ganhou espaço no jornalismo. nos anos de 1980. Além de Josélia. seguindo até a noite. O equipamento destinado à elaboração da previsão foi o primeiro do departamento. Márcia ia para a Globo na parte da manhã e Ana Lucia entrava à tarde. Graças ao seu sucesso várias emissoras passaram a ter a sua moça do tempo. que era responsável pela rádio. O pessoal da Aeronáutica me dizia: ‘prefiro ver a animação da foto de satélite na Globo à que eu tenho aqui’”. compreensível e ao mesmo tempo dinâmica. está chovendo. tudo ia se acomodando no sobradinho. Um período de experimentação. “Estava tudo por fazer: linguagem. na TV Cultura. Ele sempre iniciava o quadro cantando: “Está quente. Por incrível que possa parecer. ex-apresentadora do programa infantil Bambalalão. na CBS. prejudicando a credibilidade. Na década de 1970. Outras moças do tempo viriam ocupar o seu lugar no decorrer dos anos. Segundo o New York Times. A figura da moça do tempo surgiu nos EUA . a tradicional BBC iniciou seu quadro do tempo com um homem no comando. foi contratada a meteorologista Márcia Costa. na visão de Amauri Soares. Com a necessidade de adaptar a rotina da empresa. Em 1954. está seco. no departamento de arte da TV Globo de São Paulo. Na década de 1970. Com as inovações tecnológicas. em 1969. Reed tornou-se musa do tempo e reinou durante 12 anos nas telas. não havia nada. em 1962 cerca de 460 emissoras tinham um profissional específico para cobrir essa área. com um breve have a happy day (tenha um dia feliz). mas eu. A ideia inicial não era a de fazer um quadro hermético. e sim suavizar a forma de transmitir a previsão. toda essa parte de computação gráfica da Globo de São Paulo começou com a previsão do tempo. conta Ana. nem aos jornalistas nem aos meteorologistas. No começo. está frio. Silvana interpretava um papel todos os dias: usava galochas. posso prever o tempo de amanhã”. um computador disponível para eles. “Até mesmo para os meteorologistas aquilo era um sonho. Isso significou dividir o mapa do Brasil e de São Paulo em faixas que compreendessem tempos correlatos. da TV Cultura. agora misto de lar e de empresa. computação gráfica. Disseram-me: ‘você senta aqui. e as garotas do tempo cederam espaço para os homens do tempo que então dividiam com elas a responsabilidade de apresentar a previsão do tempo. relembra Amauri. Aos poucos. os primeiros funcionários começaram a ser incorporados ao grupo para atender ao novo cliente. Ana e Magno montaram um esquema que possibilitou a divisão de trabalho entre o grupo. Outra preocupação inicial foi com o desenvolvimento do formato. Woolly Lamb. Segundo Ana. no departamento de arte’”. sempre marcando suas despedidas diárias. Era preciso que os conceitos da meteorologia fossem elaborados de forma clara. que trabalhava na Infraero. tanto para os meteorologistas – que nunca haviam tido qualquer contato com os mecanismos da tevê – quanto para quem iria exibir o novo quadro. com imagens do satélite. Assim. a primeira moça do tempo foi a atriz Silvana Teixeira. George Cowling foi o primeiro apresentador da rede. no Bom Dia São Paulo. não havia ainda. Na Grã-Bretanha. O quadro foi uma grande novidade para todos nós envolvidos nele”. Nessa nova fase. a Globo fizera uma tentativa com a meteorologista Vera Malfa Pereira. a primeira moça a apresentar um quadro na televisão brasileira teria sido Albina Mosqueiro. Absoluta novidade. foi pensado o conceito de faixas para a previsão do tempo. Ana lembra que todo o pessoal envolvido no quadro do tempo teve de aprender a receber as fotos de satélite – que chegavam de três em três horas – e a fazer a animação em cima dos mapas. No Brasil.mil aparelhos que recebiam as informações pelo canal NBT (atual NBC) por meio de cartoons animados pelo apresentador Woolly Lamb. “Aqui na área escura. O resultado não agradou nem ao público. com Carol Reed. o quadro ganhou um visual moderno. “Cheguei lá e não sabia nem quem era o meu chefe. grafismos. Na Climatempo. guarda-chuvas e gorros para dar as informações que soavam superficiais demais.

assim como todo o pessoal da tevê. mais do que isso. de repente começou a se interessar a escrever o texto da previsão. era como se fosse um erro jornalístico.Rio de Janeiro até o Acre. dando maior dinâmica à apresentação. queríamos alcançar a exatidão. muito clara. relembra Ana Lucia. Mas era um jeito que a gente conseguiu de explicar com poucas palavras e uma boa imagem. “Era um feriado prolongado. portanto. Com o passar dos meses. “No começo. Essa constatação mudou a percepção do quadro e. Choveu. que era o editor. Quando compreendemos isso ficou mais fácil lidar com a imprevisibilidade da previsão”. explica Amauri. acredita Amauri. aproximando o conteúdo da previsão ao dia a dia das pessoas”. “Passamos a explicar o tempo. Ana tem razão ao lembrar como foi um lento processo de construção de credibilidade. tanto de conteúdo quanto do formato. Nos Estados Unidos é assim. era uma previsão e. Ele ressalta que esse processo de assimilação acabou dando maior agilidade ao jornal. Segundo Ana Lucia. eu como fechador do jornal tinha algumas preocupações em relação ao quadro do tempo”. para os meteorologistas era um choque ver aquele tipo de informação. Teve uma catequese dentro da redação. não aceitávamos o erro. um dia lindo. Lógico que a gente errava.” Essa forma de apresentar as diferentes áreas foi desenvolvida na Globo e não se conhecia projeto semelhante em nenhuma outra televisão. muito nítida. eles começaram a ver que Ana Lucia e Magno eram pessoas sérias. um balde de água fria: o feriado seria de muita chuva. e foi um trabalho de educação. Com o tempo. Não era questão de coragem. abriu um sol intenso. porém. confessa Soares. o tempo não vai ajudar. perceberam o equívoco: não dava para exigir rigor e perfeição de uma previsão. sempre apresentado por uma moça do tempo. O quadro deixou de ser engessado para ser dinâmico.” Amauri Soares relembra um episódio típico dessa fase inicial. em especial. o próprio Carlos Magno começou a participar dos jornais. afinal. A gente errava uns cinco dias por mês. As pessoas se situavam naquele mapa sem precisar ficar detalhando cada ponto. Mas nós nunca nos metemos na linha editorial”. Entendemos que o tempo faz parte da vida das pessoas e assim tentamos humanizar a informação. mas dar ao público o direito de saber o que aconteceu e o que não aconteceu com o tempo em determinado dia. o tempo será chuvoso. Além das moças do tempo. falível. “Eles diziam: ‘como vocês têm coragem de detalhar tanto a previsão?’. por exemplo. ao colocar frente a frente uma família que deixou de viajar porque acreditou na previsão de chuvas e o meteorologista. Na hora de divulgar a previsão. porque os jornalistas não acreditavam”.” O trabalho diário na Globo. os erros e os acertos. mas foi de telefonemas para reclamar 34 . desses que toda a família se prepara para deixar São Paulo e aproveitar o tempo livre para descansar.” Amauri também não conseguia admitir um quadro que pudesse engessar o jornal. nesse período de implantação. que a previsão do tempo tinha uma lógica e que eles não erravam tanto assim. “A primeira era que tínhamos uma visão jornalística da previsão. sendo entrevistado ao vivo quando a situação exigia. ”A previsão erra e o erro também é notícia. A criação de faixas de tempo começou pelo mapa de São Paulo. Ficamos amigos nesse período. “O Amauri Soares. se desenvolvendo e a gente cativando o povo. Aquilo foi crescendo. O importante não era apenas divulgar uma previsão. lembra Ana Lucia. porém. era muito prazeroso. ele. “Era tudo muito criativo. no primeiro dia do feriado. novo e divertido. Bom. Pensar o mapa do Brasil e de São Paulo dessa maneira foi a solução para tentar passar o maior número de informações possível em um curto espaço de tempo. Eu lembro que a gente bateu muito nisso: ‘olha só. a partir dali foi possível incorporar essa falibilidade. e coisa e tal. a gente tinha noção da correspondência de cada área para cada previsão. nem precisar sair de casa’. cobrando explicações para o que realmente havia acontecido. “Colocávamos ao vivo para falar do tempo na cidade. mesmo sendo um desafio. colocá-lo em uma camisa de força. que no norte do estado ia fazer sol e no resto o dia poderia começar com chuvas. no campo e em especial nos feriados.

em outubro de 1990. no Vale do Paraíba”.” Por outro lado. Aí colocamos o Magno ao vivo. Nem Magno nem Ana estavam mais no distrito quando a matéria foi feita. Na reportagem ficava clara a estrutura precária do Inmet: “O distrito não conseguiu detectar a existência de uma linha pré-frontal. que eram reproduzidas pelo Estadão e por uma rede de jornais em todo o Brasil. eles logo aproveitavam a deixa para ir além do factual. Eis que para fazer companhia aos dois surge a jovem figura da apresentadora. tínhamos de dar a previsão do Brasil todo em cinquenta segundos”. havia falta de pessoal e de material por causa da falta de pagamento. que pegou todos de surpresa. Paulo. Se a notícia era um tornado em Ribeirão Preto. Os equipamentos estavam com defeito e havia meses telefone e telex estavam cortados. relembra Magno. Ilustrações e infográficos nos jornais. registrava a matéria. logo percebeu quais eram as informações que mais interessavam a cada órgão. a polêmica: “Meteorologia erra e chuva surpreende paulistano”. O interessante é que o Magno explicou que a frente fria tinha se desviado. dois verdadeiros ícones na rede. O escritório de Curitiba não repassava informações confiáveis. O mesmo caso quando nevava no Sul do País ou quando uma tempestade atrapalhava a vida do paulistano. Com uma boa rede de dados e com a informação chegando com facilidade. É fácil entender a opção da Rede Globo pela Climatempo. O jornal era apresentado até então pelos locutores Cid Moreira e Sérgio Chapelin. um novo desafio para a equipe da Climatempo: elaborar a previsão do tempo para o sóbrio e aristocrático Jornal Nacional. o espaço destinado a elas rapidamente cresceu. relembra Ana Lucia. “A Globo começou a valorizar a meteorologia até um ponto em que as pessoas começaram a notar: viravam para a gente e diziam: ‘puxa. Em 1991. mas principalmente a população. acreditando na previsão. O sucesso do quadro do tempo nos jornais regionais de São Paulo animou os executivos da emissora a implantá-lo também em outras praças (nas edições regionais de outros Estados) e no mais tradicional e influente telejornal daquela época: o Jornal Nacional. e no fim as pessoas foram entendendo o que tinha acontecido. apresentação.. em Porto Alegre. Também logo assimilaram a linguagem jornalística e entenderam o que era notícia e o que era mera especulação. Problemas como esse não afetavam apenas a credibilidade da meteorologia brasileira. produziram boas matérias na Agência Estado. eles é que começaram a prestar mais atenção nelas”. de acordo com a reportagem.da previsão. na Eldorado e na Globo. as causas disso. Além desse equipamento. A credibilidade das previsões feitas pelos principais órgãos públicos andava em baixa. que tinham deixado de viajar. No fim. “Começou tudo de novo: linguagem. como mostra a reportagem publicada pelo jornal Folha de S. entradas ao vivo na rádio tornaram-se cada vez mais frequentes. explicando como esse fenômeno se formara. O equipamento receptor está quebrado em fase de manutenção. Mais do que isso: perceberam que tudo o que estivesse ligado ao tempo era notícia e se fosse tratada de forma adequada virava destaque em jornal. A introdução da previsão do tempo quebrou a hegemonia masculina do noticiário. depois caiu para um minuto.. estou aqui há três meses e nunca erraram uma previsão’. A linguagem jornalística da previsão do tempo na tevê não existia no Brasil”. No 8º. Na verdade. atuando diretamente na área de comunicação. pois não recebe a fotografia do satélite meteorológico GOES desde sexta-feira passada. Distrito de Meteorologia. o instituto também está sem um papel especial que imprime a fotografia do satélite transmitida por telefone diretamente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Por causa da seriedade das informações transmitidas ao público. Começamos com um minuto e vinte segundos. 35 . arte. rádio ou tevê. “Começamos a desenvolver tudo. chamado de Unidade de Análise de Imagem ( UAI). a equipe da Climatempo. davam um panorama completo da situação. A situação do Inmet nesse período era crítica. para se explicar para uma porção de telespectadores irados. Logo na manchete. enfim. relembra Ana.

edição. “Sandra Annenberg ganha a vida falando de um assunto que até recentemente só era lembrado nos elevadores. está com sóbrios trajes de aeromoça. E não era apenas o acerto nas previsões que fazia da Climatempo uma empresa respeitada.” (O Estado de S. ‘A notícia é o mapa. na época colunista do extinto Diário Popular. Paulo. Ela aparece três minutos por dia na tela da emissora. Paulo. ‘E de dois anos para cá aumentou a confiabilidade nesse tipo de informação. a reportagem . chamava a atenção para uma matéria do SP-JÁ – 1ª. usando termos como área de instabilidade e frentes frias. “Nós não nos responsabilizamos pela previsão do tempo do Jornal Nacional. O Inmet nunca teria “digerido” muito bem a ideia de que uma empresa fosse a escolhida para elaborar a previsão do tempo da maior rede de televisão do Brasil e as críticas logo vieram. mas já exibe 85% de chances de acerto. sinal de que as informações meteorológicas estavam se tornando valiosas para o cotidiano. registrou em suas anotações a ocorrência de neve: “uma forte névoa ia descendo da encosta e a temperatura era de –3 graus”. mas convincente: “En- quanto o Inmet garante 80% de acerto nas previsões meteorológicas. Nela a experiente Sonia Abrão. antes restrito aos paulistas. em julho de 1925. num quadro fixo. no JN.atriz e futura jornalista Sandra Annenberg. De fato. não chega a ser estranha a reação da direção do instituto ao progresso da iniciativa privada. Carlos Magno. assim foi”. ninguém poderia imaginar!”. Também faz o máximo para dar as costas ao telespectador. na qual Carlos Magno afirmou que já havia nevado em São Paulo: “Dez para a reportagem de Carlos Magno em que provou que já nevou na avenida Paulista. A margem chega a 90% em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. onde há mais informação”. A Globo. táxis e velórios. Uma dessas “novidades” mereceu destaque até em uma coluna sobre televisão. que eu tinha de levar o público até o mapa e mostrar onde estavam as coisas. porém. “A meteorologia se torna cada vez mais importante quando as pessoas têm de planejar sua vida”. diz Ana Lucia de Macedo. Por isso. Sandra achava esquisito virar as costas para o telespectador.’ Mesmo assim. infelizmente. 27/7/1991) Enquanto novos caminhos se abriam para a Climatempo nos principais órgãos de comunicação do País. “Ela foi a primeira figura feminina a aparecer diariamente. por exemplo. com aparições rápidas no SP-JÁ e no Jornal Nacional. aos 23 anos. não eu. A direção. “achava que não.’ Ana Lucia garante que a precisão conseguida de 1989 para cá não é ideal. para espanto dos apresentadores Carlos Tramontina e Mariana Godoy. o quadro do tempo. não trabalha com dados oficiais”. chamava a atenção para o fato de outras emissoras também abrirem espaço para a meteorologia. o meteorologista Belfort de Mattos. Luís Carlos Austin.” (O Estado de S. o formato do quadro no JN causou certo estranhamento à apresentadora por ter de ficar praticamente de costas para o vídeo. A informação factual e histórica também demonstrava a competência de seus principais integrantes. Na Globo. porém. o Inmet passava por dificuldades financeiras para manter os centros regionais. responsável por um observatório meteorológico na avenida Paulista. décadas e décadas atrás. que já era a moça do tempo do SP-JÁ. E Sandra. que integra a equipe de meteorologistas da Globo. como a TV Bandeirantes e a TV Cultura. em entrevista ao jornal O Globo. com o passar dos anos já é possível dizer que não foi 36 Na mesma matéria sobre a moça do tempo da Globo. 27/7/1991) No início.” Gravado em São Paulo e gerado para o Rio todos os dias. Então. passou a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. assumiu o quadro em julho e virou notícia em várias publicações. para o investimento que as emissoras faziam e para o retorno do público. Magno lembrou que. tudo o que Carlos Magno sugeria como pauta parecia novidade até mesmo para os jornalistas da emissora. coleciona mais popularidade do que conseguiu com suas participações em vários programas e minisséries. tinha uma resposta simples. estocou o chefe do Inmet no Rio. a Climatempo contra-ataca com a garantia de 85% de acerto. Em geral. Na verdade. Nesse dia.

exatamente neve. O helicóptero desapareceu no mar e o acidente comoveu o País. em Angra dos Reis. “Acredito que ele deve ter observado uma sublimação de nevoeiro. o Brasil tinha outro presidente. Na Climatempo. por exemplo. Então fizeram a reportagem. segundo Carlos Magno. Globo. sua mulher. as várias surpresas que o tempo reservava para os praticantes do esporte. Mas que foi muito parecido. com boas horas de antecedência. por exemplo. porém. acabou abrindo espaço para assuntos que pouca gente conhecia. “Tinha história de alagamentos e a gente pegava os mapas dos pontos críticos com os radares do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). No dia do acidente. O adesivo marcava. o pessoal veio logo para cima para saber. Magno preparava os navegadores para ler corretamente os instrumentos de bordo. ao atuar na Globo. um trágico acidente de helicóptero. com gotinhas sólidas caindo no solo. mas eu não tinha dúvida de que o piloto entrou num paredão de CB s (cumulus nimbus). Aí. de forma semelhante à neve”. E aí falavam: ‘mas como vocês têm certeza disso?’ Eu dizia que o radar estava mostrando uma linha muito forte. e nossas necessidades eram pequenas”. que as primeiras informações dos radares meteorológicos foram ao ar. Um adesivo que trazia estampado “Eu acredito em previsão do tempo” chamava a atenção em alguns carros de São Paulo. começaram a participar de outros eventos. um momento traumático. A partir daí. “Ao longo do tempo fomos fazendo grandes reportagens na área de meteorologia que eram reconhecidas pelo jornalismo da Globo. ficaram meio escondidos. Aos poucos. Em cinco aulas com duas horas de duração. conta Magno. mostrei o mapa para ver o que estava acontecendo. e mostrava os locais onde chovia mais forte”. A estratégia montada no início era para que a empresa se firmasse como consultoria. Carlos Magno ouviu a notícia no rádio logo cedo e comentou na Eldorado que ele poderia ter sido provocado pela chuva registrada no local. com turbulência. com a ação. descrevendo como teria sido a trajetória do helicóptero entrando em uma nuvem de CB s. que era um profissional muito sério. a Climatempo. Por isso. No ano seguinte. higrômetro e termômetro. a Climatempo foi se tornando referência na prestação de serviços meteorológicos. no começo. também ganhou destaque nos seus últimos anos de vida por atuar como presidente da Assembléia Constituinte de 1988. criando a ideia de que não dava mais para ficar sem esse tipo de informação. quando cheguei na Globo. como barômetro. que na época pouca gente sabia que existiam. dona Mora. o senador Severo Gomes e sua esposa e o piloto. não teria feito esse registro”.” Com três clientes de peso e os pés no chão era o momento de assentar as bases da Climatempo. Ana Lucia transmitia informações básicas que permitiam a um leigo prever. isso foi. 12 de outubro. “Caso contrário. A chuva veio varrendo todo o litoral norte de São Paulo naquele dia. então a queda foi um aci- dente com um elemento meteorológico. seria o candidato do PMDB para a Presidência da República. era tempo de muita esperança e muito trabalho. Itamar Franco assumiu o cargo após o impeachment de Fernando Collor de Melo. Foi na telinha da Globo.” Com essas. a empresa passou também a organizar cursos especiais para velejadores. mas enriquecedor na vida política brasileira. 37 . Uma das primeiras estratégias de marketing da Climatempo. entretanto. nas primeiras eleições diretas após o regime militar. a empresa tentava. entre elas a eleição direta para presidente da República. o Belfort de Mattos. Em outubro de 1992. com a Climatempo aparecendo apenas através de seus clientes mais ilustres. matou o deputado federal Ulisses Guimarães. conclui. atrair e cativar o público. Ulisses Guimarães ficou conhecido como “Senhor Diretas” por sua exaustiva batalha pela volta das instituições democráticas. “Havia várias hipóteses. como na cobertura da Fórmula 1 ou fazendo matérias para o Fantástico. “Para nós aquele momento não era importante. e associá-los às dicas que a própria natureza oferecia. Eldorado e Agência Estado. No fim de 1992. A partir de 1991. entre muitas outras passagens. ainda éramos consultores.

uma primeira fase de consolidação da empresa. 38 . como roupas. navegadoras.contudo. Um fim de ano otimista para uma empresa que se preparava para voos ainda maiores. e com isso podia atender melhor o mercado ainda em expansão. comércio. indústria de produtos sazonais. afirmava Magno. e já atingia um faturamento mensal de 7 mil dólares. Fase em que a Climatempo estendia sua consultoria para outras áreas. como seguradoras. “A Climatempo investe 10% de seu faturamento em tecnologia”.

Quando cheguei a Josélia já trabalhava na empresa. Como tudo Nos quatro primeiros anos da Climatempo praticamente não tiveram um dia de folga. “No colégio tinha um colega que gostava de barco à vela e falou do curso de meteorologia e eu me interessei. Bebel. Ia para a emissora e lá elaborava a previsão para o Bom Dia São Paulo e o SP-JÁ. Fim de semana a mesma coisa”. dava banho. a gente ficava meio escondido. Mesmo assim. era uma alternativa aos serviços meteorológicos governamentais que não tinham estrutura capaz de atender individualmente às necessidades específicas do mercado. Na época. apesar do esquema rigoroso. pontuada pelo trabalho ininterrupto dos pais. ficava mais fácil. perceberam que tinham de contratar mais gente. Já como meteorologista da Climatempo. pegava a criançada. Queriam uma empresa forte que fizesse muito mais. conta Magno. Eu vim para ajudar a atender a TV Globo”. “Eles viram a empresa crescer. Mas tinha de trabalhar até dez da noite na Globo e acordar de manhã para dar café para os filhos. “Meu expediente de mãe era bastante volumoso. 4 . relembra Magno. Magno entrava na Eldorado e atendia aos clientes da Agência Estado. deveu-se ao interesse por esportes náuticos. o único meteorologista de uma família de médicos. eram dois meteorologistas na mesma casa. Entretanto. Foi quando surgiu a oportunidade de trabalhar na Climatempo. e Victor é estudante de Direito. e depois de formado passou pelo Inmet do Rio. A mudança de rota. A gente costuma dizer que tem quatro filhos: Bebel. o leitinho da noite e não terminava o expediente sem antes transmitir o último boletim da rádio. Na hora do almoço. nenhum quis seguir a carreira dos dois. Foi preciso adequar a rotina. Lembro que a empresa funcionava em uma sala pequena. relembra. em 1991. “O Magno estava precisando de gente para trabalhar e eu resolvi mudar para São Paulo. colocava para ver tevê ou fazer lição. e haveria tempo ainda para procurar mais clientes para a empresa. pegava os filhos na escola. An- Abrindo espaço 39 os primeiros quatro anos de vida. O pequeno centro de previsão instala- Foi nessa época que um jovem meteorologista carioca veio se juntar ao time da Climatempo. serviço de meteorologia da Marinha brasileira. O jeito era fazer uma escalinha. era em casa. deu para educar bem os filhos. Ana cuidava dos filhos. Eu ia muito no piloto automático”. com plantões. mas fazia a Eldorado. nem mesmo aos domingos. mas queríamos uma empresa que fosse contínua e não dependesse apenas da Eldorado. afinal. não tinha concorrente. Fim de tarde. No fim de 1992. Enquanto isso. De casa. Marcos. deixava-os na escola e ia para a Globo. cresceram junto com a empresa. Carlos Magno era responsável por atender a Globo. Decidiram então voltar a morar no apartamento e deixar a casa apenas para a empresa.” A casa-empresa da rua da União foi. Bebel foi fazer pedagogia. chegou um momento que isso já não bastava. à tarde. Sinal de progresso. jantar. Apesar da correria. Magno acredita que. aos poucos. escalas e filhos para cuidar. “A Ana dava atenção pela manhã e eu. início de uma empresa com nome e endereço exclusivos. do no sobradinho já não comportava a Climatempo. Carlos Magno e Ana Lucia não queriam mais depender apenas de alguns clientes. ficando pequena para as duas atividades. Patrícia. com três filhos pequenos. Pela manhã. relembra Ana. da Agência Estado e da Globo”. André Madeira formou-se em meteorologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ). era um esquema bastante cômodo para os dois. que dependem das condições do tempo. trabalharam como boys. Marcos. e descia para o nosso centrinho para terminar algum trabalho. Segundo ele. Como empresa privada. engenharia ambiental. que um pouco mais tarde viria a fazer parte da equipe. André namorava uma outra futura meteorologista.” Durante a faculdade estagiou na Diretoria de Hidrografia e Navegação ( DHN ). Marcos e Victor nunca reclamaram da vida regrada. Climatempo e o Victor. segundo Madeira. tudo era muito braçal. a Climatempo foi ganhando espaço na área de consultoria.N Ainda nesse período a vida familiar estava muito atrelada à empresa. “Éramos bons consultores. Vinte anos depois. Queriam mais.

’”. temos famílias que dependem da empresa. não ligava. Acho que já confiava em mim.. ele foi embora e me deixou lá.. Havia cobrança. onde cursou o mestrado. A ideia era apenas acompanhar Magno. o editor e ele escrevia o texto. “Bom. Paulista. alguns jornais. mas isso fazia parte. André ia de madrugada para a tevê e passava a previsão para os editores. foi a vez de Patrícia Madeira. Com mestrado em poluição atmosférica. Foi ali que percebeu que aqueles que cobravam uma previsão acertada eram os que mais prestavam atenção ao trabalho do previsor e gostavam da meteorologia. que namorava André desde o Rio de Janeiro e passou a fazer parte do grupo depois de uma temporada na Alemanha. Magno e Ana já buscavam caminhos novos. mais gente foi integrada à equipe.” Mas o serviço mais procurado era mesmo o 0900. “Nós escrevíamos um texto e gravávamos no telefone.” A Climatempo já não era apenas uma empresa de fundo de quintal. “Aí. Foi aí que uma ficha caiu na cabeça de Magno. coqueluche na época. sozinho. Foi um sucesso: o custo da ligação era alto e por isso o retorno era lu- 40 No começo. Quem não se interessava. atualizada de três em três horas. ela e André se casaram. como a implantação de um serviço de telefonia 0900.. precisava da gente para cuidar dos que já estavam lá. chegamos lá. Não apareceu mais.” Com o crescimento da empresa. o Magno me apresentou para o pessoal e disse que ia tomar um cafezinho. As pessoas discavam o número e um menu interativo possibilitava que ela tivesse a previsão para a sua região: ‘Disque 1 para Região Sudeste.. No período da tarde. participava dos plantões montados para atender o serviço 0900 e também a clientes novos como agricultores e antigos como a Agência Estado. O embrião da Internet. que brigou para conseguir linhas de telefone para implantá-lo. disque 2 para Região Sul. Outra ousadia foi investir numa nova tecnologia que engatinhava ainda no Brasil: o BBS. mas com sotaque carioca. “Cada vez mais. temos funcionários. fora os clientes principais. Para ele não era difícil atender a Globo. As produtoras de vídeo começaram a perceber a utilidade da previsão para programar gravações. a Globo passou a fazer parte da rotina. Um novo filão também despontava nesse momento. Com o tempo ele mesmo fazia os textos que eram apenas revisados. que nada mais era do que um computador ou vários ligados a um modem de linhas telefônicas para receber bancos de dados. A gente não parava.” Dali em diante. claro. Madeira ficava responsável por clientes de vários setores e de vez em quando fazia a previsão para a Agência Estado. uma aposta feita por Magno.dré conta que mesmo no começo a empresa tinha um ritmo acelerado. ainda fica deprimido quando erra a previsão e lembra uma frase que Ana Lucia sempre repetia: “Tempo bom para o meteorologista é quando acerta a previsão”. não teve mais problemas. a gente mandava a previsão via fax com uma foto de satélite colada”. Ele confessa que. sigla de Bulletin Board System. Patrícia chegou em um momento de forte demanda por previsão do tempo e também às vésperas de um ano emblemático para a empresa. o Magno estava envolvido na divulgação da empresa e na captação de novos clientes. “Atendíamos ao mercado cafeeiro. agora dominava todo o sobradinho e contava com uma equipe de sete meteorologistas. relembra Patrícia. “Montamos um serviço para elas. passava os dados para . Patrícia logo mudou seu foco de interesse para a previsão do tempo. e a previsão devia ser fácil naquele dia. lembra Patrícia. Na equipe. e que fornecia previsão do tempo durante todo o dia. agora já não somos apenas eu e a Ana.” André Madeira guarda na memória o primeiro dia em que foi para a Globo para conhecer o local e se familiarizar com a elaboração do quadro. uma documentação que comprovasse que a filmagem teve de ser adiada por causa do tempo. não fazia questão de saber se houve acerto ou erro. sempre tinha coisa para fazer. Em 1994. “Muitas produtoras precisavam de uma espécie de laudo. No fim de 1993. passados mais de 15 anos na Climatempo.

Estava tão frio. a comunidade científica e o governo brasileiro já tinham consciência da necessidade de tirar o atraso do País. Os boletins eram gravados na própria empresa desde as seis horas da manhã até a meia-noite. como fotos de satélite para a região Sudeste. que. a pessoa interessada acessava pelo telefone esse banco de dados e escolhia o que mais lhe interessava. e o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (C EPAGRI/UNICAMP ). não seria possível sem a fonte primária para tudo. e também a fontes estrangeiras de dados. depois mais uma e depois mais três. Quem for assinante desse serviço – operado pelo meteorologista Carlos Magno do Nascimento – ganha um soft-ware de animação de imagens que faz as nuvens literalmente caminharem sobre o campo.” (O Estado de S. Praticamente congelei”. Paulo. O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos ( C PTEC) começou a ser gestado na década de 1980. na tela de um computador. Finalmente depois de anos de negociação e pesquisas o Brasil teria um moderno centro de previsão do tempo. O BBS funcionava com um software que armazenava informações. já nessa época empenhava-se para contribuir para o sucesso da empresa. Esse tipo de serviço era pago e logo agricultores. os dados. não assegurava a disponibilidade de dados no volume necessário. Nessa época. o que impulsionou a Climatempo. não foi difícil im- plantar o sistema. porém. atendendo a um pedido meu. lembra Patrícia. como Inmet e Inpe. como o Instituto de Astronomia. 06/6/1994) Todo esse esquema.” No início era um serviço simples. comprou um livro e. precário em termos de tecnologia. como a norte-americana AccuWeather. Foi ela quem deu o aporte financeiro para a montagem do BBS. ou seja. as primeiras linhas telefônicas e colocar aquilo que viria a ser 30% do faturamento da empresa. após a criação do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF). “Minha mãe. Uma outra novidade foi o BBS. Para conseguir montar esse serviço Magno contou com dois parceiros muito especiais. Para divulgar os novos serviços contaram com dois clientes mais antigos: anúncios da rádio Eldorado e também no Estadão. Esse sistema também informa sobre o vento e a pressão do ar.crativo. Primeiro comprou uma linha. a Climatempo dava um enorme passo para deixar de ser apenas uma empresa de consultoria e passar a ser uma empresa de comunicação. “Nunca vou esquecer como era frio no sobradinho da rua da União. O próprio Magno montou a primeira versão do BBS. porque o maluco do filho dela tinha achado um sistema para a gente ‘pulverizar’ a informação meteorológica. em relação à previsão do tempo. Uma vez estava um frio de rachar e eu tinha de gravar o último boletim do 0900 faltando quinze minutos para a meia-noite. Apesar de ter uma boa infraestrutura para captação da informação. público ligado às produtoras passaram a ser assinantes. por exemplo. Inicialmente. a institutos universitários. o C PTEC seria im- 41 . Geofísica e Ciências Atmosféricas ( IAG/USP ). se um dia teve dúvidas sobre a meteorologia não ser muito segura. Õ O ano de 1994 seria emblemático para a meteorologia brasileira. Ele jamais vai esquecer o carinho de dona Alice. Um deles foi sua mãe. Países mais avançados já dominavam há anos a elaboração de prognósticos com o uso de supercomputadores. trouxe cinco mil dólares de ônibus do Rio de Janeiro a São Paulo e me entregou em mãos para comprar os computadores. que fazia muito sucesso nos Estados Unidos e estava chegando ao Brasil. Logo virou notícia: “O canal Climatempo de BBS oferece imagens de satélite atualizadas de meia em meia hora. dotado de um supercomputador capaz de realizar as complicadas equações numéricas. e até um equipamento para recepção de imagens de satélite. tão frio que mal conseguia falar. a Climatempo ainda precisava travar batalhas diárias para poder atender aos clientes. como era um bom programador. Com o BBS e o 0900. aviadores. A parceria com os principais órgãos do Governo. Era preciso recorrer a empresas como a TASA (aquela mesma em que Magno começou sua carreira).

O C PTEC inaugurou um novo período da previsão climática e do tempo com a chegada do primeiro supercomputador japonês ao Brasil. atual diretora do C PTEC. primeiro para os órgãos ligados ao governo e mais tarde também para o público interessado nesse tipo de informação. O Brasil venceu um atraso de mais de 20 anos e hoje somos procurados por centros do mundo inteiro em busca de informações”. inclusive da iniciativa privada. Em 1986. o embrião do que viria a ser o Inpe. que só em 1971 seria extinta. Em 1979. O Inpe nos anos 1980 já era considerado um dos principais institutos de pesquisa brasileiros. Na década de 1980. Esses e outros casos levaram a Justiça brasileira a proibir o 0900. com seu famoso “Ligue já!”. com seu supercomputador japonês. Segundo Maria Assunção Faus da Silva Dias. Aconteceu tudo ao mesmo tempo. Dois anos depois. com sede em São José dos Campos. é integrado ao Ministério de Ciência e Tecnologia ( MCT ). como a quebra de um encanto. Como se isso não bastasse. Muitos se utilizavam dele para ganhar dinheiro ilicitamente. com a recepção de imagens meteorológicas e as atividades em sensoriamento remoto. Não contra a Climatempo. o objetivo não é competir com outros órgãos. Ainda na década de 1960. teria início o programa de meteorologia por satélite. foi possível gerar previsão numérica. o serviço 0900. responsável pela produção de ciência e tecnologia nas áreas espacial e do meio ambiente. a responsabilidade de instalação do centro ficou para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). que era muito rentável para a empresa. mas contra esse tipo de serviço. Ao longo de 1994. outro duro golpe viria quase ao mesmo tempo. que levava milhares de pessoas a acessar via 0900 suas previsões astrológicas? Ou então serviços de disque-sexo que se transformaram no terror de pais endividados. quando foi criado o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Gocnae). houve um avanço espetacular. no interior de São Paulo. abusando da boa-fé de quem ligava para determinado número. A medida prejudicou alguns setores. devendo repassar os modelos rodados a todos os órgãos ligados à meteorologia brasileira. precisou ser repensada. em Brasília. No Brasil. “Com o C PTEC. um decreto editado pelo então presidente José Sarney deu ao Inpe a competência para atuar na área de modelagem numérica operativa. A primeira a 42 . caso de agricultores e navegadores que só dispunham do serviço telefônico para obter uma previsão do tempo confiável. Tudo começara em 1961. com a criação do Inpe. O fato é que. Do Inpe são geradas as imagens de satélite que ajudam a elaborar as previsões do tempo.plantado ao lado do Instituto Nacional de Meteorologia. toda a infraestrutura montada na Climatempo. Os ladrões entraram na empresa durante a noite e levaram tudo. Além disso. com a proibição do 0900. Enquanto o País crescia em progressão tecnológica. Um assalto ao sobradinho da rua da União deixou a empresa praticamente no chão. Quem não se lembra do astrólogo Walter Mercado. E foi justamente pela sua posição de ponta na pesquisa científica espacial e ambiental que coube ao instituto a implantação do primeiro centro de previsão do tempo da América Latina. do ritmo seguro do crescimento. que exigiria maior qualificação para sua operação. e um prédio em Cachoeira Paulista. avalia Maria Assunção. manteve como uma de suas principais funções a pesquisa na área de meteorologia. com computadores e linhas telefônicas dedicadas ao serviço. a Climatempo enfrentava seu primeiro grande revés. a maior parte dessas imagens é captada pelo satélite geoestacionário norte-americano Goes ou então pelo similar europeu Meteosat. o Gocnae virou a Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Cnae). o instituto passou a ser o responsável pelo desenvolvimento de satélites de coleta de dados e sensoriamento remoto. mas prover a sociedade da previsão numérica. Foi um período desgastante. em que ocorreram as primeiras demissões. passou a sofrer uma série de ações na Justiça. porém. Com ele. por causa da tecnologia dos supercomputadores.

os pais de Ana Lucia. Toda a programação do BBS precisou ser refeita. e ainda outros funcionários trouxeram seus computadores de casa. “Uma coisa bem estranha. ouvindo a rádio Eldorado prestou atenção a uma chamada de divulgação da empresa. Viu também mesas reviradas na sala. falando do assalto.” Foi preciso muita garra e um esforço coletivo para recomeçar. Recebemos várias mensagens de apoio dos clientes”. notou que já estava aberta. No começo era sem compromisso. Os novos computadores rodavam um software muito simples. Ao tentar abrir a porta com a chave. telefones. softwares e programas que possibilitavam receber muitas informações ao mesmo tempo e processar esses dados de forma rápida e concisa. Rogério emprestou mais dois. apenas o básico para gerar informações para uma clientela fixa. e aí logo cedo me ligam contando do assalto. Sem saber o que fazer. sem nenhum computador para trabalhar. estavam na Inglaterra. seu Juvenal e dona Atala. Ele lembra como foi. principalmente para reerguer o serviço de BBS. bem ou mal. Perdemos praticamente tudo”. “O Rogério começou a dar toques importantes para deixar o nosso sistema mais eficiente. Com o tempo. exigindo um desenvolvimento tecnológico cada vez maior. 43 . relembra. computadores em que estavam instalados o BBS. Patrícia emprestou um computador pessoal. toda a Climatempo precisou ser reerguida. fazendo parte do dia a dia da empresa e criando mecanismos que facilitaram e otimizaram o uso do BBS. “Ver aquele cenário de fios revirados. Ofereci uma quantia pelo serviço e ele topou. Uma vez. Aos poucos. lamenta Magno. Por sorte. A palavra de ordem era recomeçar. Outro que foi pego de surpresa foi Rogério Leite. Em 1994 o satélite norte-americano sofreu uma pane. a consultoria prestada para os três grandes clientes não foi afetada. o mesmo que estava usando para escrever sua dissertação de mestrado. Mas o mercado para o sistema BBS continuava muito aquecido. como eu fazia justamente isso. “Eles tinham o básico. Acabamos ficando amigos. porque eu e o Magno tínhamos ficado até tarde na Climatempo. o telefone fornecido pelo rádio indicava que eram praticamente vizinhos. Por coincidência. mal perceberam as trovoadas e os raios que caíram sobre a Climatempo. avalia Magno. fax. em especial o BBS. lembra Rogério. tratou de ligar para o Magno. além de especialista em Tecnologia da Informação. Rogério passou a criar maneiras de facilitar a vida dos meteorologistas. que chegava às 6 horas da manhã. Ele estava justamente trabalhando no desenvolvimento de equipamentos para a recepção de imagens de satélite. Colocaram um caminhão na porta e levaram tudo. Rogério foi conhecendo as pessoas. As consequências do assalto só não foram mais desastrosas porque. mas com o tempo vi que era fundamental ter alguém que entendesse do assunto. Rogério Leite conheceu a Climatempo por mero acaso. Era um excelente programador que começou na informalidade e tornou-se essencial”. nos fez mais fortes ainda”. “Lembro que colocamos um aviso na telinha do BBS provisório. passei a prestar um serviço sem compromisso. Não demorou muito para Rogério ligar e agendar uma visita para conhecer sua infraestrutura. relembra Magno. mas precisavam de ajustes. e a Climatempo pôde manter uma fonte de renda. Quem daria o suporte técnico necessário para alavancar novamente o BBS seria um aficionado por meio ambiente. Para reerguer a Climatempo. Globo e Eldorado continuaram a ser atendidas normalmente. novos equipamentos foram comprados. Passou um tempo e eu comecei a desenvolver um sistema mais elaborado para o BBS”. Agência Estado. indispensável naquela altura do campeonato. astronomia e meteorologia.notar algo de errado foi Patrícia Madeira. Magno passou tempos dormindo na empresa. mexendo no BBS. e o serviço oferecido pela Climatempo atiçou sua curiosidade. também. pois a empresa não tinha seguro contra roubo. e com medo de que alguém ainda estivesse por lá. “A Ana estava passando uma temporada com os pais em Natal e não chegou a ver o estado em que ficou a empresa.

na Eldorado. O BBS Climatempo tem um serviço de meteorologia que cobre 80% do planeta. “Montamos no quintal da casa da rua da União. 40% dos usuários são agricultores. Carlos Magno deu valiosas informações sobre a importância dos conhecimentos da previsão do tempo para o planejamento de um dos mais importantes momentos da guerra: o desembarque dos aliados na Normandia. 10% são estúdios de fotografia e 20% são curiosos.” Em 1994. na Baltazar. mas já éramos muitos. o quadro do tempo ganhou tamanha credibilidade que foi definitivamente incorporado ao padrão Globo de qualidade. Naquele momento. Segundo ele. informa Carlos Magno do Nascimento. “Quando seu Juvenal estava estudando na Inglaterra eu pedi a ele que comprasse um equipamento de recepção de satélites. Carlos Magno. Paulo. boletins e fotos de satélite. na rua Baltazar Lisboa. estão pescadores. Canadá.” (Jornal da Tarde.” (O Estado de S. A Gilca Parma trabalhava em uma mesa atrás da porta!”. Ana Lucia e Magno não descuidavam um só instante dos demais clientes. Esse tipo de equipamento nos daria uma vantagem competitiva em relação a todo o mercado”. Era preciso voltar a crescer. Europa. o satélite norte-americano Goes havia entrado em colapso e. chamava a atenção da mídia especializada em informática: “Graças a uma antena de recepção de imagens. sysop (operador de sistemas) da Climatempo. encontram novos nichos de mercado e oferecem agora serviços especializados. no Brasil estávamos utilizando o METEOSAT . 44 . a mudança foi para melhor. nove funcionários e equipamento informatizado – cinco computadores dotados de sofwares para fax e telex –. A maior rede de televisão do País apostaria na credibilidade e no carisma de um meteorologista para apresentar o quadro do tempo do Jornal Nacional. África. Oriente Médio e Austrália. 30% são navegadores. “Mas o grande problema da Baltazar foi mesmo o cigarro. Enquanto isso. Era divertido. Segundo o sysop. como a produção de um CD- ROM contando a história da Segunda Guerra Mundial. agricultores e agências de publicidade’. o BBS consolidava seu público e. a Climatempo tinha um faturamento anual de 150 mil dólares. ou BBS s. na França. “A mudança para a Baltazar Lisboa foi marcante para a gente. A assinatura mensal é de R$30. conta Carlos Magno. O ataque rápido e certeiro só poderia acontecer durante o verão europeu. Em 1995. dando início à libertação da Europa do domínio nazista. Na Agência Estado continuavam firmes no posto de meteorologistas. que ficou conhecido como o Dia D. Aeronáutica. Em outro front. a casa era menor.” Porém. ‘Entre nossos 150 assinantes. a emissora chegou a comprar um software de meteorologia para melhorar ainda mais a transmissão da previsão do tempo. 06/6/1995).. em 350 cadastrados. No dia 6 de junho de 1944. na Globo. 155 mil homens das forças aliadas desembarcaram nas praias da Normandia. as previsões de tempo propriamente ditas são direcionadas às necessidades de seus usuários. mas tinha pouca gente. porque era tudo improvisado. Trabalha com informações cedidas pela Marinha. sempre na Vila Mariana. Um ano depois. mais uma novidade. o tempo no sobradinho da rua da União tinha se esgotado. Josélia segurava os boletins e já começava a ser identificada como a “moça do tempo” da rádio e por fim. De resto. pela novidade do serviço.. 13/02/1995) “Os sistemas de mensagens. inclusive participando de outros trabalhos desenvolvidos pela agência. relembra Patrícia. além de uma antena parabólica.e Magno pediu que trouxessem uma estação de recepção do satélite europeu Meteosat. Era um sinal de que a empresa estava crescendo. Apesar do trabalho interno para ampliar a Climatempo. e um sinal de que aquele ano turbulento tinha chegado ao fim foi a mudança da sede da Climatempo para uma outra casa. o BBS fornece a seus usuários fotografia de toda a América. Na rua da União a casa era grande.

lembra Magno. um rapaz de ar grave. com isso. Seguindo essa mesma filosofia. e eles gostaram”. óculos de grau e uma calvície pré-acentuada revela aos telespectadores do Jornal Nacional se o dia seguinte será de sol ou de chuva. “Numa quinta-feira me chamaram para conversar com o Roberto Muller. inclusive no Jornal Nacional. aí um dia o diretor de operações do Rio de Janeiro. Aí me chamaram para fazer um teste para o Bom Dia Brasil. dar maior credibilidade às notícias. o consultor da Globo e ainda todo-poderoso José Bonifácio de Oliveira Sobrinho. com o editor-chefe escrevendo o texto para mim. “Nesse ponto já conhecíamos toda a estrutura da Globo. e posso dizer até imprescindíveis para o esquema da emissora. mas está gostando da experiência. Fiz. tinha gostado muito de como eu explicava a previsão. “A Josélia Pegorim passou a prestar serviço para a Bandeirantes. da pauta até a edição. o Boni. diretor de jornalismo da Globo em São Paulo. colocando gente que entendesse do Quando foi convidado para ser o homem do tempo. Na sexta-feira estreei no Jornal Nacional. No mesmo dia. assunto. confessa que ainda não encara as câmeras com tranquilidade. substituiria as belas moças do tempo. envolvidos diretamente com a produção e elaboração das matérias e. para o qual fizera o teste. “Como meteorologista da casa. 34 anos. eu dava muitas entrevistas para os jornais de São Paulo. O convite feito a Magno foi a coroação de um trabalho desenvolvido por ele e por toda a equipe da Climatempo ao longo de seis anos nos jornais locais da rede: o Bom Dia São Paulo e o São Paulo Já. A principal delas foi a troca de apresentadores. relembra Magno. me ligou dizendo que o Evandro [Carlos de Andrade]. apenas queria que eu e a Ana continuássemos como meteorologistas”. Magno achou que seria para o Bom Dia Brasil. Carlos Magno fez parte das profundas mudanças pelas quais passou o tradicional jornal da Rede Globo. em 1996. de confiança. Não foi bem assim. Ele queria mudar o jornalismo. Carlos Magno faz parte da elite da tecnologia. substituídos por William Bonner e Lilian Witte Fibe. José Emílio Ambrósio. Então a gente oferecia muitas matérias: vai chover forte no Rio Grande do Sul. Éramos fonte de informação. e eles acionavam a RBS (afiliada da Globo no Sul do País). O meteorologista Carlos Magno.H Essa foi a descrição feita pelo jornal O Globo do novo homem do tempo do JN que. com o Renato Machado. o objetivo era colocar dois jornalistas profissionais.” As reações foram imediatas. pois a Globo não pedia exclusividade. aconteceu a troca das moças do tempo por um meteorologista profissional. dois ícones do JN. ligou para a redação para saber quem era o “careca” que entrara Tanto é verdade que a Climatempo. não Segundo a revista Info (de setembro de 2005). Deixaram a bancada Cid Moreira e Sérgio Chapelin. 5 . O homem do tempo 45 á duas semanas. De acordo com a direção de jornalismo. novo diretor de jornalismo. ao fornecer a previsão do tempo para a Rede Bandeirantes.” enfrentou qualquer conflito com a Globo.

como reza a lenda do Jornal Nacional?” (Planeta Rio. Em um fax enviado para a Climatempo. “O problema é que a careca brilha com a luz do estúdio. De qualquer maneira. ‘Não sou tão bonito quanto elas.” Amauri Soares era o editor-chefe do JN e lembra que realmente foi preciso dar um “jeito” na calvície do meteorologista. Amanhã vou mandar um maquiador para colocar uma peruca nesse cara”.” A falta de experiência e de traquejo para lidar com as exigências do vídeo. tal como a maquiagem. Na área acadêmica. pois além do Jornal Nacional também passou a apresentar o Jornal Hoje e por fim o Bom Dia Brasil. e vamos embora assim. no calor. o coordenador do curso de graduação de meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para Magno. Carlos Leonam. C EFET e muitos outros jovens candidatos. conta ele.. reagiu Magno. poderiam participar. Apesar da repercussão favorável na imprensa. sou uma autoridade’. Marcos Paulo e Victor Hugo. Olhavam com estranheza. como donos da Climatempo. Da calça. ninguém sabe.no ar. Chova ou faça sol. Minhas antecessoras eram bem mais interessantes. até porque sabe exatamente do que está falando. com certeza. mas sabiam que eu era da Globo. Estará Carlos Magno de bermudas e sandálias japonesas. foi difícil se acostumar com essas exigências do vídeo. ‘Não me preparei para ser apresentador. brinca ele. estava em uma reunião e senti a maquiagem escorrer pelo rosto. por isso era preciso arranjar uma maneira de disfarçá-la. também não faltaram algumas críticas bem-humoradas: “Roupa estável.” A solução encontrada foi usar uma tinta para dar a impressão de que havia mais cabelo. dava os parabéns pelo trabalho na previsão do tempo do Jornal Nacional. Quando o assunto é a previsão do tempo. mas não deixava de ser engraçado.” (Controle Remoto. Segundo Paulo Francis. lá está ele sempre envergando um paletó cinza de gosto duvidoso. o meteorologista Carlos Magno vem acumulando duas responsabilidades de peso: manter a margem de apenas 5% de erros nas previsões climáticas e esfriar o ânimo dos telespectadores saudosos das antigas meninas do tempo.. “Uma vez. Magno diz que sabe o que é notícia para o público.’ A popularidade aumentou.” (Diário Popular. Tenho certeza de que nos últimos dez anos foi a melhor coisa que se fez para a meteorolo- 46 . o homem do tempo do Jornal Nacional. mas tenho o meu charme’. chegando a afirmar que: “Estou longe de me enquadrar no padrão global. Magno perdeu a conta das vezes em que ele saiu da emissora direto para uma dessas reuniões devidamente. que vem apresentando a previsão do tempo no Jornal Nacional. pois o meteorologista não aparece de corpo inteiro. a chegada de um meteorologista na tevê foi considerada um estímulo para jovens estudantes. 12/5/1996). “Esse careca não pode ir ao ar. teria dito ele. Se na telinha ele era o homem do tempo da Globo. Mas não estou na emissora por causa da minha beleza. mas garante que isso não mudou sua rotina. 15/5/1996). Era desagradável. O Globo. há três semanas. maquiado. Francisco Lourenço. Isabel. ‘Já sei que na sexta-feira o importante é se vai ter sol ou não no fim de semana. precisa melhorar seu guarda-roupa.’ Casado com Ana Lucia e pai de três filhos. ‘A emissora está tentando profissionalizar cada vez mais. “Globo aposta na credibilidade e substitui as beldades da previsão pelo meteorologista Carlos Magno. acabou provocando situações constrangedoras. que não surgiu na telinha por acaso.” A estreia do homem do tempo da Globo também repercutiu na mídia. a meteorologia foi muito estimulante. Depois que estreou no Jornal Nacional da Rede Globo. 13/4/1996) “Satisfeito com a repercussão de seu trabalho. ele é a cara do filho do general Colin Powell. estreou. Carlos Magno. Magno virou notícia em vários jornais e colunas: “Nota 10 para o meteorologista Carlos Magno. fora dela tinha uma empresa para tocar. reuniões que só ele e Ana. “Peruca não”. junho de 1996). Carta Capital. “peruca eu não coloco. “Para os alunos da UFRJ . revela que o difícil foi vencer o nervosismo diante das câmeras. Ele passa muita credibilidade. novos clientes para atender.” (O Dia.

Magno sentia-se incomodado pelas constantes abordagens feitas pelo público fora da emissora.) vi o apresentador do serviço de meteorologia da rede CNN movimentar os dois braços e num anúncio na tevê local a apresentadora apresentando (sic) um quadro de propaganda movimentar os dois braços. E ainda algumas mais calorosas. julho de 1996). da ocorrência no Brasil deste fenômeno e se algo foi detectado naquele estado. ele era conhecido como o Paulinho da Viola da meteorologia.. No segundo.Sª. encontrava-me no salão de embarque do aeroporto de Vitória. (Rio de Janeiro. Amauri Soares lembra que na Globo. em São Paulo. além de uma certa semelhança com o compositor. Rufino A. A popularidade alcançada no Jor- nal Nacional refletia-se em família. Ela foi feita no bom sentido. Toda vez que sentava no trem. Nas ruas a visibilidade proporcionada pela tevê também repercutia. mas devido a uma viagem só agora o faço. Indago a V. A figura do homem do tempo não era novidade no Brasil. (Uberlândia.. e sim o princípio de um relacionamento tranquilo e.) Se já tivesse escrito ia achar que a minha observação tinha atingido o objetivo. cerca das 15h. Francisco Lourenço”. poucas eram grosseiras ou negativas. senti que as pessoas me olhavam desconfiadas. é muito simples: tenho 19 anos. Até que tive de parar de andar de metrô um dia em que estava na fila para comprar o bilhete. assim como Paulinho se transformava ao começar a cantar. “Queria ter uma certa privacidade com a família e às vezes não dava. Pode ter certeza de que melhorou muito. Magno não sabia lidar com o assédio.. Outras sugerindo algumas mudanças de postura física na apresentação do quadro. eu já era parado para dar autógrafo. relembra Amauri. Eu segui em frente e fui embora. “Mas. curso o primeiro ano de jornalismo em uma faculdade local e sou ‘fissurada’ em você.gia nacional. parecendo não se tratar de um canhoto. (São Paulo. Acontecia de estar em um parque com a Ana e as crianças e as pessoas chegarem para perguntar sobre o tempo. virou para mim e disse alto: ‘olha lá o homem do tempo!’. Esta carta não pretende parecer um correio elegante. de uma forte e saudável amizade”. Depois que cheguei (. Magno era muito introvertido. ficavam me olhando. como a de um médico veterinário de São Paulo. “na dele”. Magno tentou manter sua tranquila rotina de trabalho indo todos os dias de metrô para a emissora. Sem ter a exata dimensão do que era aparecer todos os dias em horário nobre e na Globo. se possível for. com uma atitude muito mais natural. Fiquei muito envergonhado. em São Paulo. (. a previsão do tempo”. Ao contrário do jeito sério e tímido de Carlos Magno.” Respostas do público vinham também por meio das cartas recebidas na Globo. como a da estudante Cleide Graziely. O Jornal Nacional não deixava isso acontecer. quando divisei no horizonte nuvens carregadas e uma figura semelhante a um tornado. com o intuito de construir”. Algumas delas pedindo orientação meteorológica. Apesar de realizado no trabalho. Não se assuste. que escreveu: “No dia 10 de junho de 1996. Isso porque. outubro de 1996). Um cara que estava perto me viu. começou a falar.” E assina: “Com a admiração do seu velho professor. de Uberlândia: “Você deve estar se perguntando o porquê desta carta. Será uma forma bizarra de precipitação pluviométrica? Atenciosamente”. aguardando o embarque para Fortaleza. Aí todo mundo olhou para mim. sou ‘fissurada’ de uma forma positiva (e até curiosa). ficou muito conhecida na 47 . “No primeiro mês.) Antes a impressão que dava era de uma posição forçada ou de paralisia total do seu braço direito.. como a do telespectador Flávio Faria. ninguém acreditava que o homem do tempo do Jornal Nacional andava de metrô!” Muito tímido. de Alencar Filho.. Magno também se soltava ao começar a falar do que sabia. do Rio de Janeiro: “Ia escrever-lhe no princípio do mês. como se diz.. Quando você está no seu lazer quer passar despercebido. Desculpe a franqueza e a observação. As abordagens sempre foram muito simpáticas. junho de 1996). pois agora houve uma modificação total na sua postura. (.

renderam-lhe muita popularidade. o jornalismo tem lá a sua dinâmica e. no horário do almoço. em determinado momento. na Praia Grande. fazia o Bom Dia. de 12 de maio de 1996. o quadro do tempo deixou de ficar preso a um formato. o aluno aprendia todas as etapas necessárias para chegar a uma previsão acima de qualquer suspeita. Para atender a Globo. Magno. voltava para a emissora para fazer o SPTV e o Jornal Hoje. litoral de São Paulo. voltou ao ar em 2008. não levei a sério e gosto mesmo é de humor”. Feliz foi uma das atrações do jornal Aqui Agora. Na capital. pois. na antiga TVS. Carlos Magno deu à meteorologia um caráter mais humano. na verdade Felisberto Duarte. disse em entrevista ao Diário Popular. a ideia era aproximar o jornal da comunidade. aos 70 anos. fazia os textos e ajudava a fazer a arte.tevê a imagem do personagem Feliz. a Climatempo. Sem perder a seriedade. Em seu lugar entrou a jornalista e atriz Fabiana Scaranzi. porém. Feliz – que não era meteorologista. Foi escalado para apresentar os jornais vespertinos: Bom Dia Brasil e Jornal Hoje. mais voltado para a comunidade. o São Paulo Já voltou a se chamar SPTV.” Em 1996.” Nesse sentido. promover um diálogo mais solto e irreverente. segundo Amauri Soares. como sobrou um resto de fita. Felisberto Duarte morreu em agosto de 2008. sem audiência. Sempre iniciava a previsão com uma frase: “Boa noite e tempos felizes!”. Nesse ano. Magno passou a chegar a emissora às 48 . No início da década de 1990. como diz Soares: “é o conteúdo que dita o formato. era o tom informal e descontraído com que a notícia era tratada. Sua figura chegava a incomodar os meteorologistas que não queriam que a imagem humorística afetasse a seriedade da profissão. pesquisas feitas pela Globo indicaram a necessidade de voltar ao velho padrão das moças do tempo. assumiu a direção de jornalismo da emissora em São Paulo e implantou uma nova proposta de jornalismo. mas pouca credibilidade. Afinal. do SBT . Feliz foi escolhido na época porque decidiu dar à previsão um ar de brincadeira. Durante um ano Carlos Magno apresentou o Jornal Nacional. Por meio de uma linguagem mais solta e da sua participação durante o jornal. Achei engraçado e li fazendo todas as palhaçadas que me vieram à cabeça. Por um breve período. “Ia para lá de madrugada. No curso. ele aparecia em frente a um quadro com o mapa do Brasil. como apresentar o programa debaixo de chuva no estúdio. “Eram muitas meninas sendo testadas e. saía um pouco para fazer ginástica. que pode se considerado um dos precursores dos apresentadores do tempo. depois de comandar o Jornal Nacional. E o final vinha seguido por uma expressão que virou o seu bordão mais conhecido: “E piriri e pororó!”. e cada uma das afiliadas do interior mantinha um segmento dedicado exclusivamente a matérias da sua região. Por pouco tempo. jornalista da TVS) pediu de brincadeira que eu lesse o texto diante de um mapa. Contudo. e não o contrário. com as mesmas características para apresentar o quadro do tempo e os mesmos bordões. quando a emissora paulista reviveu o telejornal. o Aqui Agora foi tirado do ar. a previsão extrapolou os limites de um cenário fechado e aproximou-se do público. Mais experiente e seguro. Assim. Nova mudança de rotina. O humor e as excentricidades do ator. e com uma antena apontava os decalques de sol e nuvens. não deixou a telinha. Para ele uma experiência fundamental em sua carreira. mas sim ator e comediante – tratava o quadro do tempo de forma descontraída. Na década de 1980. passou a oferecer aulas de meteorologia para os jornalistas da Rede Globo interessados em se especializar no assunto. 4h30min da manhã. atual SBT . dentro desse novo estilo. onde morava com a família. me- Õ Em 1996. Humberto (Humberto Mesquita. o SPTV privilegiava as notícias da Região Metropolitana de São Paulo. com Carlos Magno à frente. Amauri Soares. O destaque da primeira edição.

sem dúvida. Não queriam perder esse pessoal já experiente que estava junto na empresa. como Rio de Janeiro e Minas Gerais. no tratamento do solo. mesmo quando conseguem explicar. Para ele. ou pelo próprio agricultor. A ideia era trazer todos os contratos que não eram de longo prazo. tinham consciência de que era preciso pagar melhor os meteorologistas para mantê-los como um grupo coeso. mais condições de crescimento e estabilidade como empresa. da Cooperativa de Guaxupé. El Niño. A Globo exigia demais da gente. e fazer muito sobre esse assunto. Mas não era fácil. na escolha da semente. a Climatempo desdobrava-se em duas: Climatempo Consultoria e Agência Climatempo. Tanto foi assim que nesse período Carlos Magno e Ana Lucia estavam preocupados em crescer de forma sustentável. pela oportunidade e honra de escrever para este jornal. que ajuda a agricultura com aumento da produtividade. José Geraldo.nos formal. O uso de supercomputadores que processam bilhões de informações por segundo permite aos climatologistas atuais prever o comportamento da chuva. Toda a equipe da Climatempo estava envolvida no atendimento aos clientes. Na maior parte das vezes em que os agricultores ouvem falar sobre El Niño e La Niña. também ajuda a prever o clima da sua região com boa confiabilidade. Chamamos de Agência Climatempo e todos da equipe passaram a ter uma participação. como não acreditar na sua seriedade? Resultado: foi um período de grande crescimento da empresa. Montei a empresa e chamei o Rogério para ser sócio. “Criamos um quadro de sucesso com as conversas ao vivo com o Chico Pinheiro. Bom Dia São Paulo. Claro que a visibilidade conseguida por meio da emissora carioca deu à Climatempo maior credibilidade e. na administração da fazenda. explica Magno. La Niña e seus impactos no dia a dia do cafeicultor brasileiro. gostaria de agradecer ao sr. relembra Magno. a escrever um artigo sobre o clima e. cantando ao vivo com o Paulinho da Viola. A previsão atendia várias editorias: Globo Rural. O tempo que Magno e Ana dedicavam à Globo não prejudicava a qualidade de serviço prestada a outros clientes. foi a que mais se interessou pelos serviços da empresa. Bom Dia Brasil. é quando a seca ou a chuva é muito forte e suas consequências já estão sendo sentidas no País. “Ana e eu dávamos muita atenção para a Globo. De manhã. Imaginem quantas decisões poderiam ser tomadas com mais segurança e com pouco desperdício de dinheiro usando estas informações? Mas aí você pergunta: até aí tudo 49 . sobre dois fenômenos meteorológicos de nomes curiosos que confundiam a cabeça dos agricultores: “Antes de falar sobre o clima. O que falta é saber como fazer. foi Soares quem mudou o conceito de jornalismo participativo do SPTV e valorizou o quadro do tempo. “Foi então que decidi montar uma outra empresa. para a agência. e inclusive outras ‘praças’. sem que isso onerasse muito o meu fluxo de caixa. A Ana gostava muito disso e se deu muito bem lá. interior de Minas Gerais. Sinal de novos tempos e embrião do grupo. Carlos Magno foi convidado pela Cooperativa dos Agricultores de Guaxupé. e fazíamos a distribuição dos lucros ali mesmo”. Titãs e até cobrando do governador Mário Covas maior investimento na meteorologia de São Paulo”. pouco se pode fazer sobre o assunto. ou seja. A agricultura. Mas não é verdade!!! Podemos fazer. especialmente.” Essa dedicação à Globo não se restringia apenas a Carlos Magno e a Ana Lucia. avulsos. Os gráficos e os mapas que aparecem em jornais. revistas e televisão pouco esclarecem ou. A tecnologia. contribuir um pouco com os homens e mulheres que escrevem a história da cafeicultura nacional. Em 1996. Ao contrário. e até quem sabe. A prova de que a Climatempo consolidava-se a cada dia no mercado nacional era o interesse de setores da economia que até então desdenhavam a meteorologia brasileira. se uma empresa como a Globo prestigiava os serviços da Climatempo. Fiquei mais solto no ar. eu estava lá e à tarde ia a Ana. temperatura e outros elementos que definem o clima de uma região com índices de acerto superior a 60% até seis meses. Para um mês o acerto é superior a 90% e 3 meses superior a 80%. com isso.

com os satélites e estações de pesquisas. pesquisadores vêm desenvolvendo modelos ou maquetes que simulam matematicamente a circulação da atmosfera e sua interação com os oceanos. 1985 e 1994. Para isso. Uma das novidades que surgiram nesse período foi um software desenvolvido por Rogério Leite. a concessão de licenças para operação foi regulamentada. Nos boletins eram dadas informações sobre as condições meteorológicas das principais lavouras em todo o Brasil. os efeitos das chuvas. A empresa paulista ficou então responsável pela produção dos boletins diários e da divulgação de todas as notícias de cunho meteorológico. agronegócio. com destaque para análises do mercado. do clima na próxima estação. pecuária. o Pacífico equatorial deixava de ser quente e tendia a ser mais frio. provocando enchentes e deixando o Nordeste seco por vários anos. inclusive das tevês por assinatura. Para a região cafeicultora não é o El Niño e sim o período de mudança para o La Niña. a relação do El Niño e o clima das regiões Sul e Nordeste é mais direta. Em 1997. enfim. a tevê paga. O Canal Rural surgiu de uma parceria entre a RBS . a situação das barragens e das produções com o monitoramento sistemático do clima. O El Niño é a mais estudada e observada corrente oceânica. Em 1990 aconteceram as primeiras concessões de televisão por assinatura. serviço de meteorologia específico para a área rural e programas dirigidos a agricultores. Hoje em dia. que o observava durante o Natal. Periodicamente. de alguma forma. com sede em São Paulo. Sua programação era totalmente voltada para o setor agropecuário.bem. que a cada dia estão mais precisos com o uso dos computadores. a temperatura da água do oceano Pacífico equatorial fica acima da média. Em todos estes anos. grupo de comunicação do Sul do Brasil. como foi observado em 1975. o inverno é frio e ocorre seca na primavera. mas o que é que o El Niño tem a ver com isso? É que os oceanos interagem com o movimento da atmosfera. 50 . associada à distribuidora NET . fornecendo enorme quantidade de calor e umidade. consequentemente. facilita a penetração de massas polares mais fortes durante o inverno. um ano depois entrariam em operação as primeiras redes de tevê a cabo. e a Globosat e começou a operar em novembro de 1996. além da imagem de satélite NOAA-14. porque seus efeitos no clima sobre o planeta algumas vezes são desastrosos. Ao longo das três últimas décadas. é possível acompanhar com detalhes o deslocamento das manchas de temperatura sobre os oceanos e com o uso de computadores prever o comportamento do fenômeno nos próximos meses e. a Climatempo utilizava todos os dados disponíveis. a década de 1990 ficaria marcada como o início das operações das televisões a cabo. No Brasil. surge a Agência Nacional de Telecomunicações ( ANATEL). (Carta de Carlos Magno à Cooperativa Agrícola de Guaxupé) que passaria a funcionar como órgão regulador dos serviços de telecomunicações. a TVA e a Globosat. Nesses anos. Somente em 1995. O nome El Niño foi dado há mais de um século pelos pescadores do Peru. que por sua vez bloqueia as frentes frias no Sul. o mesmo que modernizou o BBS e Õ Para a telecomunicação brasileira. com a promulgação da lei de tevê a cabo. modificando a circulação dos ventos sobre o continente e mudando o clima de onde vivemos e plantamos. com os olhos voltados para o interior do País. causando a seca”. que é o contrário – temperatura da água do oceano abaixo da média – e traz consequências mais diretas para o café. No início de 1997. trazendo as temidas geadas para o café. nasceu um novo canal voltado exclusivamente para o setor rural brasileiro: agricultura. Essa tendência. entre 8 e 13 anos. Sabia-se que naqueles anos a pesca ficava mais difícil no Pacífico equatorial. Nesse cenário de expansão das teles. em contrapartida. pois o El Niño intensifica a massa de ar subtropical do Atlântico. as frentes frias passam com mais facilidade na primavera. o Canal Rural decidiu contratar a Climatempo para implantar todo o serviço de meteorologia.

no Canal Rural tivemos de entrar em detalhes que nunca havíamos trabalhado. a chuva é fundamental para uma boa safra. “Dois anos depois de uma forte crise. Globonews. Ana Lucia não se esquece de um dia em que precisava ir para o Canal Rural e sua filha mais velha. Aí começamos a pensar em ter a nossa própria TV”. adoráveis. Eu me organizava com tudo isso. “Estamos mudando o conceito de tempo bom e tempo ruim. a bichinha deitada no meio da poeira. praticamente atuava em todo o mercado. com muita febre não tinha ido para a escola. Dependendo do produto agrícola. Um trabalho absolutamente minucioso. Denominado PREV PLAN. esse programa gerava a previsão do tempo para todos os municípios brasileiros e mais tarde até para algumas vilas. Bebel. “Tínhamos uma caderneta com fontes para nos ajudar a juntar as informações de agricultura e meteorologia. porque do contrário a lagarta do caruncho vai aparecer’”. As pessoas sempre me perguntam como eu conseguia trabalhar e cuidar de meus filhos. levou-a junto para a tevê. Era só o começo de mais uma longa jornada de aprendizado e crescimento da Climatempo. era difícil se dividir nesses momentos. eu consegui. Ela e sua equipe fizeram um profundo levantamento de fontes e dados produzindo uma disputada agenda com nomes de todo o Brasil que pudessem fornecer informações sobre a área agrícola ou sobre as condições climáticas. No meio dessa história quando apareceu o Canal Rural. Por isso procurei uma fonoaudióloga para cuidar da impostação de voz. No canal. era só treinar sua voz’. eles colaboraram. não havia um local apropriado. Eu e o Magno já éramos bastante experientes na formatação de textos e apresentação de boletins de previsão.” A essa altura do campeonato. e mais. Para ele a previsão do tempo era de suma importância para atender aos objetivos da nova emissora.” Trabalho cuidadoso e muita dedicação. Naquele momento. Ele facilitou a vida do previsor: bastava lançar os dados dos modelos no PREVPLAN para gerar a informação que era então avaliada pelo meteorologista. Pior do que isso. “Uma coisa que me marcou foi ter de levar a Isabel para dentro do Canal Rural em obras. enquanto preparava os boletins. definiu as imagens e mapas. Por isso. além de propor o conteúdo da grade de programação. relembra Ana Lucia. que era de cinco minutos a cada meia hora. Meus filhos sempre foram colaborativos. a emissora ainda estava passando por reformas.. Ana Lucia não foi para a frente das câmeras. Várias pessoas no Canal Rural nos pediram para copiar essa caderneta. TV Globo. O jeito foi acomodá-la da melhor maneira possível. do tipo: ‘não está chovendo agora. que o milho está formando sabugo. quietinha e dormindo ao seu lado.” “O Canal Rural envolveu toda a equipe da empresa. dominando o mercado e fornecendo informações para os mais importantes veículos: Canal Rural. Sem ter com quem deixá-la. que na época ficou muito envolvida com esse novo desafio. falando do tempo no Brasil e no mundo e sua influência na agricultura. Por outro lado. a ideia inicial era eu apresentar os boletins. a Climatempo. fiz muitas aulas com ela. mas trabalhou incansavelmente na formatação da meteorologia do Canal Rural. Ana Lucia nunca escondeu que ao lado da meteorologia sua grande realização estava em ser mãe. Eu achava minha voz ridícula. montou o padrão dos boletins. consultoria e agência. Segundo.. Primeiro. relembra Magno. sem poeira ou barulho. 51 . sem querer deixar de cuidar da menina. para deixar Bebel. “Um dia o Amauri Soares disse pra mim: ‘você podia ser uma moça do tempo. precisa chover. em 1996 já estávamos recuperados. Raul Costa Jr. praticamente nunca ficavam doentes.que era responsável pela área de TI da empresa. era o diretor do canal em São Paulo. mas no final acabei não me tornando apresentadora”.

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estudavam em escola pública. puro rock. montou sua empresa de comunicação corporativa e eventos. São Paulo. Em um desses encontros. “O Rio nos anos 1970 era um outro Rio. trabalhar muito. E mais. Interesses diferentes separaram os dois. fez parte de um sonho que anos mais tarde se concretizaria na criação de um canal de televisão. Na verdade. Waldemar acompanhou de perto a gestação da Climatempo. estabeleceram metas. que praticamente dominou o setor. Waldemar se lembra de uma em especial. formaram a Aves e Ovos. Subimos no Logo. Nós dois.” 6 . quando vimos. Os organizadores até que tentaram diminuir o entusiasmo. Magno foi baterista e vocalista. eles precisavam de gente para trabalhar e ela nos levava. tinham afastado cadeiras e mesas e dançavam feitos loucos. Afinal. porém. “Aos 15 anos rogamos uma praga positiva e deu sorte. Os dois tinham muito em comum: ambos vinham de famílias de classe média de Copacabana. trabalhadoras que batalhavam para educar os filhos. fez da empresa uma potência. Como bom empreendedor. “Em 1995 já estávamos com 188 funcionários espalhados pelo Rio. com outros cinco amigos. naquele momento.” Como bons futuros empresários. chegou a hora de ir para a faculdade. na volta. o Barboza Freitas. Tínhamos pouca fama e muita grana. na casa dos 30 montamos as nossas empresas. Waldemar e Magno cresceram juntos em Copacabana.” Quem conta com tanta segurança essa história é o empresário e compadre do casal Ana Lucia e Carlos Magno. Waldemar foi morar fora do Brasil e. É difícil imaginar que por trás do jeito tímido e sério do meteorologista Carlos Magno existiu um verdadeiro roqueiro. fomos convidados para tocar em festinhas de amigos. Atlântica. Os anos se passaram. “Minha mãe era compradora de um grande magazine no Rio. o que dá mais ou menos uns dez quilômetros.” Enquanto isso. Tudo muito discreto. depois. Amigo de infância de Magno. uma ideia começou a germinar na cabeça dos dois. ambos perderam os pais muito jovens e tinham consciência da necessidade de ajudar as mães. Bom. primeiro como Canal do Tempo e. Magno seguiu a Meteorologia. O pessoal começou a se mexer e. TV Climatempo. mas não deu muito certo. o que a gente podia realmente fazer para não ficar naquela vidinha. A gente trabalhava então nas férias vendendo brinquedos. românticas e tal. tínhamos por volta de 15 anos. aí começamos com nosso som. já sabiam o que queriam. Combinaram então. Conheceram-se ainda adolescentes. recorda Waldemar. Nesse dia. em um clube na Tijuca. A partir dali. terminar por volta dos 20 anos. lá pelos idos dos anos 1970. fizeram um planejamento estratégico e atingiram objetivos. em São Paulo. a Climatempo já era uma realidade. e ali a amizade se fortaleceu. eu e o Magno. Na banda. Ele foi nosso padrinho de casamento e depois padrinho da Isabel”. Apesar da seriedade com que encaravam o futuro. um sonho que Canal do tempo 53 “Foi uma caminhada histórica para mim e acho que para ele também. na zona sul do Rio. que os dois iriam fazer faculdade. em um bar do Rio.” Essa identidade os aproximou ainda mais e era nas longas caminhadas pelo calçadão da praia à noite que discutiam o futuro. a Promeeting. por volta de 1995. ida e volta.“Q uer saber de uma coisa? A Climatempo nasceu em uma caminhada pela Av.” palco depois de uma série de músicas calmas. Waldemar Stefan Barroso. começamos a pensar o que queríamos fazer da vida. relembra Waldemar. lembra Magno. os dois jamais deixaram de aproveitar a vida. “Uma vez fomos tocar em um festival religioso. entre um chopinho e outro. Quando chegava a época do Natal. nas peladas disputadas na praia. Curitiba e Belo Horizonte. “Ao longo do tempo acabamos nos encontrando várias vezes para conversar. crescer muito e aos 30 anos seriam donos da própria empresa. Waldemar passou pela Oceanografia antes de se definir pelo Desenho Industrial. A gente costumava andar de Copacabana ao Leblon. Waldemar lembra que os dois. e entre uma meta e outra montamos uma banda para tocar entre amigos”. Foi um sucesso total. para lá. Vitória. “Tocávamos muito rock”.

a meteorologia é apenas conversa para passar o tempo. Naquele período. Eles vieram para cá. Ricardo Maldonado”. Em seis meses. um dos executivos da WSI. com programação em português e que atinja vários segmentos da sociedade. fecharam. Em 1997. (08/6/1999) “A ideia era usá-los na nossa tevê. “Cheguei até a sugerir que eles voltassem com o símbolo do guarda-chuva”.voltou a aproximar os velhos amigos. Estou pronto e decidido a entrar com essa tecnologia no Brasil. incentivando a parceria. um Canal do Tempo? Em pessoas empreendedoras. TWC (The Weather Channel) irá ter uma coisa parecida no próximo ano. o TWC já estava nas tevês do Peru e da Argentina. Então. “Há anos planejamos um canal brasileiro. Mas no The Weather Channel temos previsões baseadas nas tecnologias mais avançadas. canal de informações meteorológicas que vislumbrou a possibilidade de dominar a área na tevê a cabo brasileira. Waldemar tratou de tornar real o sonho. que desenvolvia softwares de meteorologia para televisões dos Estados Unidos. o Banco Nacional era um dos clientes da Promeeting. Contrataram em dólar. a busca por recursos para a implantação da nova tevê motivou Magno e Ana.” A certeza de que estavam no caminho certo. Um abraço. Elas querem ação. lembra ele. com anúncios em páginas de revistas especializadas e em jornais. quando ainda em 1995 o banco foi à falência. Novas tecnologias eram avaliadas visando à possibilidade de gerar imagens meteorológicas com quali- dade para o veículo televisão. e Waldemar não pensou duas vezes em propor ao cliente o bom negócio. A opção para operar no Brasil fazia parte do objetivo de atuar na América Latina. o TWC preparou uma estratégia agressiva de divulgação na mídia. dizia Ana Lucia. mas não aguenta- ram. que também era dono do Travel Channel e na época na NET/Globosat. Seu slogan era “nenhum lugar no mundo tem tempo melhor”. Tudo parecia caminhar. Ainda de propriedade do complexo Landmark Communications. Foi uma época da maturação de um sonho. que viram ali um novo desafio para a Climatempo. veio com a notícia da chegada ao Brasil do canal norte-americano The Weather Channel. Enquanto um possuía toda a experiência em comunicação. Ao longo de 1997. Esta informação está sendo veiculada em todos os meios especializados de TV a cabo. No Brasil. Com o mercado de tevê paga a todo o vapor. adiando por algum tempo a realização do negócio. é uma solução sem precedentes e única no mercado. De parceiros passaram a concorrentes. mas o que aconteceu é que nós acabamos abrindo os olhos deles para o mercado brasileiro. a TWC difundia informações meteorológicas 24 horas por dia a cerca de 80 milhões de residências nos Estados Unidos. Um deles foi o The Weather Channel. O entusiasmo com a nova empreitada transparecia nas mensagens enviadas a Magno: “De acordo com nosso engenheiro de software. porém. E foi assim que conheceram a empresa norte-americana WSI (Weather Services International). montaram a Central Band de Tempo. por que não juntar as duas coisas em um poderoso veículo e criar o próprio canal de televisão. inclusive em classificados para a contratação de pessoal: “Para a maioria dos profissionais. O mercado é virgem. Ana Lucia chegou a viajar para os EUA para conversar com os executivos da empresa. Ricardo Maldonado. depois correndo atrás de patrocínio. A experiência adquirida na Rede Globo e também no Canal Rural ajudou a abrir caminho. as boas idéias não ficam apenas na imaginação. mantinha contato constante com a Climatempo. programas espe- 54 . ainda em 1997. e agora está maduro para receber o nosso projeto”. Desde 1982. vários canais negociavam sua distribuição por operadoras no Brasil. praticamente inexplorado. E a Climatempo assumiu a central da Bandeirantes em 2001. primeiro registrando o nome Canal do Tempo. Imagens de satélites não eram suficientes. que fez com que a Time Warner passasse na frente de todo mundo. o outro tinha um bom e pouco explorado conteúdo nas mãos. contrataram todos os profissionais que a gente queria para a nossa tevê.

queremos conhecê-lo. estou lhe escrevendo para um esclarecimento seu. mas hoje há tecnologia de ponta nesse setor. vários setores da agropecuária. em dezembro de 2002. Nelas. porque não fazer uma televisão brasileira voltada para brasileiros?”. Agência Estado. até sair definitivamente do Brasil por questões financeiras. e ampliando sua carteira de clientes para indústrias. O TWC ainda iria ser um concorrente de peso ao longo dos anos. como a do senhor José Jordão. Em 1999... Os candidatos bilíngues (Inglês/Espanhol ou Inglês/Português) serão preferidos (. Além da programação para a tevê.ciais e cobertura confiável em casos de emergências. construtoras e produtoras de vídeo. perguntava-se Carlos Magno. além da oportunidade de trabalhar com um dos mais importantes empregadores do setor de TV a cabo” (. eram grandes as expectativas. para os candidatos que possuam um diploma universitário em Meteorologia ou uma experiência equivalente. TECSAT e também na NET/Sul. Apesar da contratação de brasileiros. a empresa já era. O anúncio pedia desde diretor de meteorologia para trabalhar em função executiva. O canal oferecia ao Brasil praticamente a mesma programação veiculada em toda a América Latina. Ana e Magno mantinham a rotina de elaboração da previsão do tempo na Rede Globo. Se você é um profissional de meteorologia. Rede Globo e Canal Rural. Com a cabeça mais voltada para a própria tevê. inclusive já caiu um raio ou uma faísca em uma delas. o TWC levou metade da equipe da Climatempo que trabalhava na produção do Canal Rural desde 1996. Geórgia.. com experiência e pronto para fazer parte de uma organização de classe mundial em fase de expansão na América Latina. veterana na área. Apesar dos dois anos de Brasil. árvore de Natal. temos as seguintes oportunidades de contratação para o nosso escritório de Atlanta. danificando toda a instalação. No momento. e a ideia era criar uma programação exclusiva para o Brasil.). “Formamos a equipe brasileira para The Weather Channel”. O que eu gostaria de saber é o se- 55 . Na época. dizia em entrevista ao jornal O Globo: “Nosso desafio é mudar o pensamento dos brasileiros em relação à meteorologia (. o nosso canal é assunto de conversa de todo o setor. Em 2008. mantinha os contratos antigos com seus primeiros parceiros: Eldorado. conseguia manter a empatia com seu público.) Fomos acostumados a não acreditar em previsão do tempo. Carlos Magno ainda era o homem do tempo do Bom Dia Brasil. foi montado também um site em que eram transmitidas as condições meteorológicas em tempo real e a previsão para cidades do Brasil e do mundo. O editor-chefe da emissora na época. em torno de 10 milhões de dólares nos três primeiros anos por aqui. até apresentadores com fluência no inglês e também no português. Os negócios na Climatempo iam muito bem.5 bilhões de dólares. Praticamente dominando o mercado. Eduardo Mack. além de pioneira. de Suzano. com investimentos altíssimos.. “Se eles entravam no nosso mercado. toda a estrutura do TWC foi montada em Atlanta. A presença do TWC no Brasil deu novo estímulo à ideia de criar um canal do tempo nacional. lamenta Carlos Magno.) Oferecemos salários e benefícios competitivos com o mercado. em São Paulo: “Prezado senhor Carlos. a poderosa rede de telecomunicação norteamericana NBC Universal comprou o TWC por um valor estimado em 3. A faísca estourou a coluna onde estava instalada a campainha. O resultado é que. No vídeo. e para isso precisava de conhecimentos tanto científicos quanto de comunicação televisiva. Aqui em casa tenho dois pés de cedrinho. até dentro de casa. agora.. em 1998. mais ou menos. The Weather Channel estava disponível nas operadoras de tevê a cabo brasileiras Sky. As cartas recebidas naquele período mostram bem isso. Ao completar dez anos. As árvores ficam a seis metros da frente da casa. a operadora ainda não havia conquistado o público brasileiro. com uns sete metros de altura. The Weather Channel se baseia em informações de um satélite com tecnologia da Nasa”. SPTV e Jornal Hoje. há perguntas curiosas. Para funcionar no Brasil..

Paulo. futura TV Climatempo. Gostaria que o amigo me explicasse as indagações abaixo: 1) qual a área que se leva em conta. estou imaginando um evento para 200 pessoas. respondendo minha carta ou telefonando para mim. Você me perdoa. planejava Magno. sou sua admiradora número um. de onde assisto atento à previsão do tempo. Pergunta: É possível que a claridade das latinhas possa atrair raios?” (Suzano. afirmou que ainda não foi registrado recorde de temperatura para o mês de agosto na capital. “Com relação ao coquetel dos dez anos da Climatempo. Ângela Maria”. Mando beijos e abraços e desejo muito sucesso para você. em julho de 1998.. Com toda pompa e cerimônia e ainda com direito a disputa na Justiça. Seria às oito da noite. “Apesar do calor. antes denominados da Agência Estado. Portanto. quando chove. a meteorologista da empresa Climatempo. Mal sabia ele. assisto o Jornal Hoje só para te ver. em função da quantidade de água. Sem mais para o momento. a associação reuniu cerca de 300 expositores em uma área de 10 mil 56 . Quem sabe podemos lançar o Canal do Tempo. em 31 de agosto de 1995 a máxima chegou a 33. O esquema armado para atender a Agência Estado funcionava maravilhosamente. O público básico deve ser o pessoal dos meios de comunicação mesmo.” (O Estado de S. Só que agora com uma sutil diferença: a Climatempo ganhara identidade própria. sua idade e de onde você é. é a grande massa de ar seco que atua sobre a maior parte do Brasil e impede a entrada de frentes frias e de massas polares vindas do Sul do País. da TV Globo. de Petrolina: “Sou assíduo telespectador do programa Jornal Hoje. aguardo ansiosa sua resposta. Os sistemas estão sendo desviados para o oceano antes de influenciarem o clima no Sudeste.) Para Ana Lucia. 14/10/1998) Em outra carta. para se calcular a quantidade de água coletada. Mais uma evidência de que o nome da empresa já ganhara luz e era conhecida e respeitada pelo público. que seria a sétima. 28/7/1998). Toda a equipe já estava afinada para manter o fluxo de informação necessário para as colunas feitas diariamente para o Estadão. ficaria conhecido durante uma feira da Associação Brasileira de TV por Assinatura. Já comecei a enfeitar a árvore com latinhas de refrigerantes e cervejas para o ano 2000. A forma seria umas palavras minhas e da Ana e a apresentação da história da empresa e os novos desafios para o futuro. recolhida pelo pluviômetro? 2) qual a relação existente entre a abertura do pluviômetro e a quantidade de água por ele captada? 3) a quantos metros cúbicos corresponde um milímetro de chuva? Faço tais perguntas porque se fala tanto em milímetro de chuva e nada se sabe sobre as regras para calculá-los. Gostaria de saber seu estado civil. a simplicidade do senhor Euvaldo Aragão. Da sua fã. não faltavam as cartas de fãs mais ardorosas que se encantavam com sua figura no vídeo: “Meu nome é Ângela Maria. atenciosamente subscrevo-me”. JT e demais clientes da AE e também para as matérias. Segundo ela. Ou seja. Viu? Não é tão difícil assim. mais uma vez. gostaria muito se você pudesse me dizer. Nessa feira. A ABTA na época era a principal responsável pela divulgação da televisão paga no Brasil. o Canal do Tempo. que um barulho muito maior iria lançar o novo canal brasileiro voltado para a meteorologia.” (O Estado de S. apresentada por vosmecê. Uma festa que estava sendo organizada para comemorar os dez anos da empresa seria o lugar perfeito para fazer o lançamento oficial do Canal do Tempo.guinte. “A explicação da meteorologista Josélia Pegorim. portanto. a ABTA 98 – Feira e Congresso Internacionais da TV por Assinatura. A data pode ser 6 de novembro”. quando escreveu para o amigo Waldemar. 20/3/1998). 21/ 9/1997). Paulo. os meteorologistas. Ana Lucia de Macedo. da empresa Climatempo. passaram a ser identificados como da Climatempo. (Petrolina. E. 09/3/1998). provocando chuvas no sábado à tarde e no domingo. (Cachoeiro do Itapemirim.1 graus (. mas vou escolher um bem bonito. ainda não sei o lugar. a frente fria vinda do Sul deve atingir o leste e o sul do estado.. mas eu acho você supersimpático e muito lindo.

Agora. e foi aí que a encrenca começou. já que a marca não é deles.” Carlos Magno. A expectativa era grande. o que aconteceria durante a feira. na zona oeste de São Paulo. marcará o lançamento de um novo canal brasileiro: o Canal do Tempo. que detinha o registro da marca no Brasil. Eu era o homem do tempo da Globo. que estava acostumado a organizar eventos e não teve muita dificuldade em criar um estande impecável. O aviso com tom de ameaça não intimidou os dois sócios.) Afinal. mas.” Quinze dias antes da feira saíram os catálogos destacando quem iria participar. empresa de consultoria que tem como sócio o meteorologista e apresentador da Rede Globo. E ficou bonito. no sábado de manhã estávamos na rua do Gasômetro. Eles estão usando a marca Canal do Tempo. que era deles. quem é o verdadeiro Canal do Tempo? Nós ou eles? Estou encomendando uns banners para colocar logo na entrada. só isso. A programação será segmentada. O projeto é da Climatempo Meteorologia.” (Meio & Mensagem. que os outros estandes eram grandes e bem estruturados. lembra Magno. o nosso é mais bem localizado.. Por isso. pequeno e improvisado. Waldemar e Rogério Leite passaram o fim de semana montando o novo estande. vamos começar a transformar um sonho em realidade. “Imagine.. Você pode colocar a vinheta da Climatempo na fita. informando que a Climatempo e a Promeeting não poderiam usar a marca. ela seria usada durante a feira para apresentar a nova emissora. para os executivos que vão viajar e para os agricultores” (Revista da TV. no centro de São Paulo. acho que poderíamos aparecer para o mercado. estávamos fazendo o lançamento de um nada. Tudo graças à experiência de Waldemar. era uma ideia. “Na verdade. Valeu a pena. haverá blocos voltados para os jovens que querem surfar. São milhares de clientes em potencial. Carlos Magno não pensou duas vezes quando soube do evento e viu que o TWC estava fazendo a maior propaganda... Disney. era maior. Além de boletins específicos para cada região do país. Não poderíamos nos apresentar daquela maneira. que ficava ao lado de grandes redes. e nós dois éramos vistos no local da feira pregando coisas. em São Paulo. porém. negocia com diversas operadoras o lançamento do Canal do Tempo. “Fizemos pilotos de alguns programas. Para ele era frustrante não participar. dono da Climatempo. dizia um animado Magno. Apesar do entusiasmo.” Parecia que Magno estava prevendo.. po- 57 . Waldemar havia produzido uma fita-piloto para mostrar o que tinham em mente para o canal. como Fox. Ao contrário. que ocorre entre os dias 22 e 25 de setembro. os problemas despontaram antes mesmo do início da feira. que presta serviços de previsão do tempo para veículos de comunicação. 31/8/1998) A boa receptividade da mídia. escreveu para Waldemar dizendo que estava na feira da ABTA e que queria retomar o projeto do canal de tevê. como os verdadeiros detentores da marca. deixando tudo mais bonito. o Waldemar. A animação. Sony. onde vi que o The Weather Channel vem com tudo para oferecer mapas para o Brasil.. montamos uma grade de programação”. (. entrevistamos o Torben Grael. quando perceberam que tinham subestimado a feira. um executivo. O lançamento de um canal de meteorologia foi notícia em vários jornais: “Carlos Magno. “A ABTA 98. durante as conversas em torno da tevê. e isso certamente criará um certo rebuliço na feira. ainda em julho. Queríamos ter feito prospecção para ver como o mercado brasileiro de tevê por assinatura encarava uma emissora nacional com esse tema. Apesar de o estande deles ser maior. “A questão do Canal do Tempo me passou pela cabeça em um coquetel realizado na ABTA para o lançamento da feira. e o da Climatempo. Algum tempo antes. também?”. Eles mandaram uma notificação para Waldemar Stefan. resolveram virar o jogo. “A feira seria aberta na segunda-feira. comprando acessórios e madeira para montar nosso estande. chamando o público para visitar o nosso canal do tempo. O pessoal do TWC viu nessa publicação o nome Canal do Tempo. O Globo.metros quadrados no Internacional Trade Center. 20/9/1998).

diretor da Promeeting. ‘especialmente na ABTA 98’. Como bem previra o dr. 04/10/1998) Esse foi só o início de uma longa batalha judicial que duraria um ano. o pedido foi aca- tado ontem pelo desembargador Sérgio Feltrim Corrêa”. 25/9/1998). conta Magno.rém. ficariam bastante tristes”. essa briga repercutiu nos meios de comunicação. mas que para a feira não daria tempo de criar novas vinhetas para demonstração. Carlos Magno esclareceu. O Weather Channel (Sky). o jornal O Globo acompanhava a briga entre os canais: “Até agora. “Acho que. Do outro lado da linha procurava acalmar os ânimos. Ainda durante a feira. deve ter atiçado ainda mais a ira do concorrente norte-americano. Ao longo de 1998 e depois do epi- 58 . sede do canal. que ainda assistiu de camarote ao pessoal do canal norte-americano tapar a logomarca Canal do Tempo. E foi isso que aconteceu. Não foi nada fácil ver tudo sendo retirado ou coberto. A disputa pelo direito de usar a denominação Canal do Tempo acirrou-se durante a ABTA 98 entre o norte-americano The Weather Channel e o brasileiro TV Climatempo. desde esse episódio. assegurando que tudo iria se resolver. da 2ª Vara do Rio de Janeiro. Parente. no mesmo dia. Os trâmites da Justiça têm dessas coisas: a uma liminar segue-se uma contraliminar. Os oficiais de Justiça não titubearam ao determinarem que o estande fosse lacrado. que deve nomear o canal que a empresa lançará em fevereiro. Na sexta-feira (antes do início da feira) o juiz Rogério Tobias de Carvalho. a TV Climatempo está vencendo a disputa pela marca Canal do Tempo. O sonho parecia estar indo por água abaixo. primeiro dia de evento. uma terça-feira. Pela decisão do juiz.” Resultado: a TWC brigou com uma tevê que nem existia e ainda ajudou indiretamente a implantá-la. Mais do que isso. Isso fora o constrangimento diante de tantos expositores. foi acionado. O Globo. avalia Magno. se eles soubessem disso. edição 4. “Conversamos na semana passada com o The Weather Channel e lhes dissemos que pretendíamos adotar o nome TV Climatempo. meu advogado conseguiu derrubar a sua liminar e agora são vocês que não podem usar a marca no Brasil. retire-se do meu estande’”. o advogado dr. “Foi um baque. Sentei na cadeira e me senti muito mal”. Na mesma hora. do Rio de Janeiro. (Boletim ABTA 98. Você. O primeiro round estava ganho. Na segunda-feira. a Promeeting ficava impedida de utilizar a marca. Após o entrevero na feira. “No mesmo instante veio o cara do TWC . O boletim distribuído durante a feira dava a dimensão da disputa: “O tempo fecha nos canais do tempo. “O resultado foi que nós cedemos o nome Canal do Tempo e passamos a usar a TV Climatempo. a surpresa: uma liminar da Justiça proibia a Climatempo de abrir o estande e acusava a empresa de usar a marca Canal do Tempo de forma ilegal. Magno já havia decidido mudar o nome da emissora para tentar acabar com a polêmica. por favor. especialmente em Atlanta.” (Revista da TV. não deve deixar as coisas por isso mesmo. Agora era tocar adiante e tornar a TV Climatempo real. Virei para ele e disse: ‘Meu País tem lei. Contudo. no entanto. Paulo Parente. Segundo Carlos Magno. de verdade. Com o tempo ficou apenas TV Climatempo. no enorme estande destinado a eles. entraram com pedido de suspensão da proibição. Mateus Levi. Segundo Waldemar Stefan Barroso. A Climatempo e a Promeeting receberam a notificação segunda-feira e. A decisão revoltou os representantes do canal norte-americano. lembra Magno. que reivindica o nome. acatou um pedido do The Weather Channel de obstruir a utilização da marca Canal do Tempo pela parceria entre a Promeeting e a empresa de previsão meteorológica Climatempo.” Foi então que a tevê nacional passou a ser denominada TV Climatempo – Canal do Tempo. dizendo que isso era um absurdo. Por isso nos pagaram uma quantia que pôde financiar os primeiros equipamentos da tevê. finalmente chegou-se a um acordo. no dia seguinte. Em outubro de 1998. a nova ordem era para que The Weather Channel deixasse de usar a marca Canal do Tempo. uma outra decisão anulou a primeira e o estande da Climatempo pôde enfim exibir o que seria o novo canal.

Fomos então procurar o reitor da universidade. Duzentos convidados lotaram o Buffet La Lunna. na época envolvidos no projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia. com sede em São José dos Campos. porém seria ótimo para o trabalho com os alunos. esse foi o primeiro e talvez o único projeto de incubação de um canal de tevê em uma universidade no Brasil. Você pode mandar brasa. Sem problema. O reitor. Ali. Jojhy Sakuragi e Ana Catarina Parrela – que já conheciam o Carlos Magno –. lembra bem como foi feita essa aproximação. eu. uma grande festa de confraternização. Para evitar qualquer tipo de problema. porém não queriam e não poderiam gastar um centavo com a sua implantação. a TECSAT havia implantado um moderno complexo tecnológico na área de tevê por assinatura. marcaria os dez anos da Climatempo. Para tentar viabilizar o negócio. OK?”. se entusiasmou com a ideia e autorizou o início de um projeto conjunto entre a Climatempo. tudo bem? Falei com o Evandro [ Evandro Carlos de Andrade. os executivos da TECSAT logo se interessaram pelo canal. em um bufê de São Paulo. Ele não se opõe. o lançamento oficial da TV Climatempo. chegaram aos executivos da empresa de tecnologia Atech. Por meio de amigos em comum. então diretor de jornalismo da Rede Globo] sobre sua consulta do canal do tempo. com equipamentos para recepção e transmissão dos sinais. Magno também tratou de manter estáveis as relações de negócio da empresa Climatempo. Sivam. nos procuraram para apresentar a ideia de fazer um trabalho com a Climatempo. Mais do que apenas comemorar a efeméride. enfim. Achei que para a TV Univap seria um grande desafio. Carlos Magno e Waldemar Stefan continuaram a busca por parceiros que pudessem viabilizar a emissora. Recém-inaugurada. interior de São Paulo. ela ainda era o ganha-pão. Fernando Moreira. também em São José dos Campos. Em uma mensagem. A ideia era treinar os alunos do curso para apresentação do tempo na tevê. então uma empresa de DTH (direct-to-home) brasileira controlada pelo grupo TECSAT . os professores e o Magno. a Promeeting e a Univap. Foram eles que abriram o caminho para a TECSAT . consultou a Globo sobre suas prospecções acerca do canal do tempo. o pessoal da Tecsat apresentou Magno e Waldemar a professores da Universidade do Vale do Paraíba (Univap). 59 .” No fim de 1998. pois envolveria a produção e exibição de uma programação atualizada de hora em hora. Ana Lucia e Carlos Magno aproveitaram a oportunidade para marcar. diretor da TV Univap.sódio da ABTA. tocar seus projetos. Afinal. Que eu tenha conhecimento. professor Baptista Gargione Filho. “No fim de 1998. Apenas se comprometeram em subir o sinal da TV Climatempo para o sa- télite e dali fazer a transmissão. os professores do curso técnico de meteorologia. Amauri Soares respondeu: “Meu caro.

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tirou férias da Globo. Eu contrataria os profissionais e com os alunos montaríamos uma redação para a parte da arte”. Comercializar um canal novo não é nada fácil. “Eu topo fazer o negócio. gostaria de atualizálos com relação às negociações do canal.. dia 15 de maio. conta Magno. mas vocês vêm ou não vêm? Porque eu detesto conversa. um bom contato e o interesse da Univap. Ufa! e o negócio estava pegando mesmo. a parceria engrenou. Feira do Café Irrigado do Cerrado. e era essa motivação que ele tentava passar para toda a Climatempo. outras pelo Ruy Carlos Gomes. e no caso da TV Climatempo não foi exceção. Faltava mesmo era um planejamento de como ela funcionaria. Depois de várias reuniões. no início de 1999. segundo Magno. (. lembra que no início a estrutura da nova tevê estava alicerçada nos equipamentos cedidos pela universidade. algumas propostas por mim. Em resumo: o negócio tá pegando. E com isso o projeto técnico foi tomando forma. ainda tinha de encontrar tempo para expandir a empresa-mãe: “Na semana que vem. em um terreno mais real. pessoal.. Magno deixa claro que. tenho a seguinte agenda: dia 23 apresentar uma proposta nova de modelagem para a Petrobras. Magno que ainda apresentava o Bom Dia Brasil. Haverá movimenta- Um sonho. De 24 a 27. teriam sido as palavras do prof. “Aos poucos fomos trabalhando a questão técnica. No fim de março..M A primeira de uma série de reuniões entre Carlos Magno. ou o canal sai agora ou não sai mais. Ainda assim. A TV Climatempo era a menina dos olhos. Num primeiro momento ficou estabelecido que a universidade cederia os estúdios da TV Univap por um período de três meses.) Para nossa surpresa. diretor da TV Univap.”. Eu e o Waldemar tivemos uma reunião com o reitor da Univap. uma possibilidade de transmissão pela TECSAT. em Macaé. “Começamos a costurar a formatação do canal. nosso técnico que realmente pôs a mão na massa e fez as idéias saírem. Para dedicar-se em tempo integral ao canal do tempo. essa ideia havia amadurecido bastante: já tinham um projeto no papel. Gargione foi marcada para março daquele ano. sem custos para a produção dos programas.. e o reitor da Univap prof.. Lembro-me de o Waldemar trazer um orçamento baseado em arquivos digitais e na utilização de computadores. Magno jamais se esqueceu do ultimato dado pelo reitor. mesmo com a atribulação da tevê. que sempre esbarrava no orçamento. O encontro selou a parceria. mas Magno jamais deixou de acompanhar de perto a empresa que ele e Ana Lucia criaram. As coisas pareciam caminhar com sucesso. em um grupo de jovens estagiários dispostos a trabalhar no conteúdo gerado pela Climatempo. com direito a festa e tudo mais. No final.)” Em outro trecho. Magno comunicava a todos da Climatempo que o sonho estava bem perto da realidade: “Oi. o projeto técnico foi uma colcha de retalhos. Waldemar Stefan. Ele sabia que podia contar com ela para tocar o negócio. Gargione. Fato: o momento é agora. o reitor está mais ansioso do que a gente para ver o canal dando certo. o Jornal Hoje e o SPTV.” 7 61 . Por mim.. fazia questão de deixar todos cientes dos passos da nova criação. Montei um outro projeto. com a montagem de um estande para vender nosso projeto agrometeorológico na região. a TV Climatempo continuava sendo apenas uma ideia na cabeça de meia dúzia de pessoas. Por isso. com soluções caseiras. Fernando Moreira. A partir de 4 de abril começa a montagem do nosso espaço dentro da Univap. que nos propõe participar de uma página na Internet com o balanço hídrico do Brasil e a montagem da página e assessoria na corrida de fórmula Indy. mas também tinha consciência da responsabilidade de manter a equipe informada e motivada. A partir daí. uma realidade esmo oficialmente lançada. calcado em VTs e um exibidor profissional. Hoje (18 de março de 1999) mesmo estarei em Campinas para uma reunião na Embrapa. (. eu coloco esse Weather Channel para fora do Brasil”. Carlos Magno estava entusiasmado “Estou mandando esse e-mail agora cedo por absoluta falta de tempo de enviar em outro horário.

junto com uma novidade no mercado. formou-se em Mogi das Cruzes. a guerra se ganha com criatividade e persistência. “Um canal que vai falar a língua do seu assinante. o único produzido inteiramente no Brasil. outros colegas tiveram de me ajudar. guarda na memória toda a agitação dessa época. chamadas de programas.. “Foi com a maior carade-pau que pedi a um amigo uma força para conseguir o lugar. durante sete dias por semana. Paulo acompanhou uma movimentação nova na tevê. Paulista. o Paulo Polli. quase pronto. propondo soluções e pilotos. uma necessidade. cargo para o qual não tinha a mínima experiência. Tinham de produzir 24 horas. Assim. Em uma página na revista segmentada para canais de assinatura Pay-TV. ou melhor. De outro. Tudo pronto. a TV Climatempo anunciava sua chegada em breve e revelava um pouco do que seria o seu conteúdo. Programa Silvana Teixeira. o gás era total. A criança estava prestes a nascer e. redigiu o texto e eu passei. como iniciante. Contudo. como o resto do pessoal. Precisei aprender tudo. precisamos de sugestões.” Ângela Ruiz era a jornalista mais experiente do grupo. porém. Ecoclima. Em clima de viagem. além de todas as providências técnicas. ouviu os comentários em torno do novo canal e viu Carlos Magno recrutando estagiários para ajudar na montagem da emissora. um paulista de São José dos Campos. disse que gostaria de trabalhar com ele. preciso que todos os previsores e técnicos se envolvam no fator venda. Não sabia fazer nada. O Magno disse como queria. precisamos saber e propor novas soluções”. A abertura de um novo canal. quando se deu conta. testando equipamentos e preparando vinhetas. Enviem para mim qualquer estalo de ideia. Fiz um teste para apresentadora. No Clima do Esporte. Magno sentiu que. na equipe poucos tinham alguma noção de meteorologia. informações meteorológicas.. o que era melhor. Ele estava no segundo ano de jor- nalismo e já trabalhava na TV Univap na parte técnica. passou por algumas redações e por uma temporada fora do País. No começo foi complicado. mas também a oportunidade de conquistar uma vaga no competitivo mercado de trabalho das telecomunicações. Agrobusiness. com informações regionalizadas. uma novidade da qual queria fazer parte. e a jornalista Ângela Ruiz foram os primeiros a se integrar ao time e continuam até hoje na empresa. Deu na Internet. Formada na maioria por estagiários da própria universidade. O cara não acreditou. naquele momento. com a tevê incuba- 62 . o desafio de colocá-lo no ar. Naquele segundo semestre. alguns programas compunham uma grade ainda provisória: O homem do tempo. não desanimou ninguém. Ao contrário. Comecei assim. que serão extremamente simples. fazer os mapas. Se o cliente não gostou do piloto. atraiu muita gente. “Eu conheci o Carlos Magno. A equipe estava sendo montada em São José dos Campos e era preciso treiná-la.) Preciso que haja um forte envolvimento de todos com relação aos produtos e clientes. O estagiário Paulo Edson Aparecido de Oliveira. antes de fazer parte da equipe da Climatempo. Ângela relembra que viu na inauguração da nova emissora uma oportunidade de crescer profissionalmente e. havia sobrado apenas uma vaga como editor de arte. A pouca experiência do grupo. Até montarmos um departamento de vendas. com o tempo peguei o jeito. Não era brincadeira. De um lado. Fui conversar com o Magno e consegui o trabalho. alunos da universidade viam ali uma chance não só de aprender. toda a arte. mas como todo mundo também estava aprendendo. Era muita coisa de uma vez para iniciar o canal meteorológico.” Ana Lucia idealizou uma grade de programação baseada no perfil de horário das tevês abertas.(. profissionais um pouco mais experientes também acreditavam no projeto.ção do pessoal da Promeeting. montagem de cenário e adequando a operação com as condições reais de trabalho. era preciso uma boa injeção de ânimo e de garra no seu pessoal. Paulo Polli. transformando o clima em notícia. Percebeu que era uma grande chance. também era preciso pensar no conteúdo. Também haverá uma preocupação frequente de propor programas baratos e bem criativos.

Aí começamos uma parceria. esse lance inicial da tevê foi muito importante para disseminar a marca. Fernanda conheceu Magno e boa parte da equipe da Climatempo no Canal Rural. lembra-se Fernanda. uma outra parceria foi feita com a Rede Vida. contar para o resto do mundo que finalmente a TV Climatempo era uma realidade. apresentava. voo livre.. Carlos Magno contou com a ajuda de uma velha amiga. 06/9/1999). se envolveu na implantação do canal. foi a ela que Magno recorreu para tornar pública a existência da nova TV Climatempo. explicando por que a meteorologia era importante para as pessoas. porém sem serem chatas’. e a Climatempo. um educativo dirigido para crianças e outro com dicas específicas para os praticantes de esportes como vela. toda a equipe da Climatempo. Agora sim. ‘A ideia é manter uma programação 24 horas no ar com informações úteis. Canal começa a ser exibido dia 15 para assinantes da TECSAT. entre um programa e outro. no caderno Divirta-se. Magno e alguns meteorologistas da Climatempo praticamente se instala- 63 . Às vésperas da inauguração. a inauguração da TV Climatempo: “O novo canal poderá ser sintonizado pelos assinantes da TECSAT e alguns programas terão transmissão simultânea pela Rede Vida. no campo. Uma data oficial foi definida para a inauguração da TV Climatempo: 15 de setembro. o Jornal da Tarde destacava. ‘Primeiro estamos cuidando da formatação do canal. 30/8/1999). uma última e importante providência: divulgar o novo canal. Em muitas delas o assunto foi a matéria principal e deu até capa de caderno. e um outro para o público jovem. No dia 30 de agosto. Eu e meu sócio Ederaldo Kosa. explica Carlos Magno”. De tudo um pouco. O programa Tempo no Campo começou a ser veiculado diariamente na Rede Vida pouco antes de a TV Climatempo entrar no ar. Fizemos uma ação incisiva mostrando a tevê. em especial as revistas de tevê. na época. por exemplo. seja atuando diretamente na produção de conteúdo. Aceitei e fui conhecer São José dos Campos.” O zunzunzum na mídia começou dias antes da inauguração. Fernanda Bulhões e sua recém-criada assessoria de imprensa Linhas & Laudas. (Jornal da Tarde. Ela conta que todos os jornais noticiaram. A tarde estava reservada para o programa interativo Deu na Internet e o Clima no Esporte. boletins informativos. na Linhas & Laudas. e o retorno foi tão grande que até Magno se assustou”. Os primeiros programas a oferecer espaço comercial são os transmitidos pela Rede Vida. “Lembro que a gente brincou muito com a história do homem do tempo. Para cuidar de toda a divulgação. contará com uma grade que reúne programas específicos sobre as condições do tempo nas estradas. em duas edições. e foi ali que se tornou uma boa amiga de Magno. A parte comercial será uma decorrência da nossa qualidade’. completa Magno. Para Fernando Moreira. ver como iria funcionar.da na Univap. o homem do tempo da Rede Globo. Eu redigia. de uma forma ou de outra. uma emissora ligada à Igreja católica e que transmitia em UHF. “Climatempo entra no ar. A essa altura do campeonato a TV Climatempo tinha uma grade definida. A programação começaria às 6h da manhã com o Tempo no Campo. Como aperitivo do que seria a TV Climatempo. com dicas e previsões para estradas. “Um dia o Magno ligou falando da tevê e pediu que eu fizesse a divulgação. criado e dirigido por Carlos Magno. Faltava. Como editora. chegara a hora de aplacar a ansiedade de todos. Fernan- da era responsável pela edição dos boletins do tempo durante a manhã.” (Meio & Mensagem. porém. O novo canal.) Além da equipe de jornalistas e meteorologistas encarregada de apurar as informações. produzia. Além deles. a chegada da nova emissora. programa voltado para os agricultores e para o agrobusiness. na sequência viria uma atração para crianças de 4 a 8 anos. serviu para azeitar tecnicamente a máquina e também preparar a equipe para o que viria a seguir.. seja simplesmente atendendo aos demais clientes da empresa.” Além deles e dos demais estagiários da Univap. o canal deverá contar também com parcerias de rádios. (. A um passo de entrar no ar.

técnico da TV Univap. que nunca deixam a gente na mão. transformou-se em um documento precioso que demonstra o “clima” existente na empresa naquele momento e que se perpetuou ao longo dos anos: “Pessoal. será a nossa cara. a nova tevê finalmente entrou em operação. Uma cerimônia na Univap reuniu autoridades da universidade. Uma. Então. Fernando Moreira certamente não vai esquecer a data. a tevê nasceu bem divulgada”. tentando não atrapalhar a rotina que se torna mais densa a cada dia. e foi então que aconteceu uma coisa muito engraçada. ou seja. Magno não acreditou no tamanho da exposição do novo canal. Para esse time só digo uma coisa: muito obrigado”.. São quase 10 anos de bons conselhos e principalmente ótimas ações de comunicação dos nossos produtos e serviços. eu olhei um cabo de áudio que estava ligado no vídeo beta e vi que estava esticado e desliguei. O reconhecimento pelo trabalho da assessoria pode ser lido no site da Linhas & Laudas. Aos meteorologistas venho pedindo ajuda a um e a outro. por exemplo. Certamente um dos ingredientes do nosso sucesso. No dia 15 de setembro. podem virar programas. a nenenzinho TV Climatempo nasceu e precisa ser cuidada com muito carinho. Uma equipe de profissionais supercompetentes. vamos usar e abusar da criatividade para ganhar essa guerra contra o TWC (The Weather Channel). A mensagem divulgada por Carlos Magno a todos da Climatempo. Assim como o Agrocast (pílulas de um minuto com informações internacionais). cientistas e membros da comunidade meteorológica da cidade. Realmente valeu a pena. ele não tinha a real dimensão do fato. tudo correu bem. A tarefa era árdua. Mesmo sabendo disso. que é o nosso ganha-pão.’. Contudo. Tanto é que. Ao longo deste processo de criação da tevê tentei manter isolados os problemas entre ela e a Climatempo. Agora era tocar o barco para fren- te. poucos dias depois de o canal entrar no ar.ram em São José dos Campos. o Magno dá a deixa para rodar o VT e. no dia 26 de setembro de 1999. a assessoria Linhas & Laudas tinha feito uma divulgação em mais de 1. fui para casa descansar e o Ruy quis ficar para fazer os últimos ajustes. passando-o por outro lugar para ficar melhor. “No dia anterior à inauguração oficial. mas temos 24 horas de programação para preencher. Vamos poder exercitar nela tudo que aprendemos nestes últimos dez anos e meio. portanto. falei com o Ruy Carlos Gomes. radar e outros. ao receber o clipping feito pela Linhas & Laudas. Faltando cinco minutos para rodar o VT de abertura do canal. o Waldemar correu para ajudar a gente e ligou o cabo de áudio de outro jeito. Apesar da falta de recursos. porque a prioridade tem de ser da Climatempo. Eu estava supercansado e o Ruy mais ainda. dá o play aí. entre elas o ministro de Ciência e Tecnologia da época Ronaldo Sardenberg..” Apesar dos contratempos. Lá em São José a tempestade está se dissi- 64 . da Climatempo. A TV terá a nossa direção editorial. A aceitação no mercado tem sido fabulosa.. que iríamos receber os visitantes na central técnica da TV Climatempo e que o espaço estava muito amador e feio. “Nesse momento. com o auditório da reitoria lotado. O Ruy e eu começamos a discutir. mas era cômico ouvir o Ruy reclamar: ‘Por que você mexeu logo agora?’. preciso contar com a ajuda de vocês na construção do canal. Fernanda Bulhões e Ederaldo Kosa. Depois de umas vinte horas trabalhando direto. umas 200 pessoas. Enquanto o Magno conta- va uma história sobre a inauguração de uma outra tevê na qual o cenário havia caído..500 jornais em todo o Brasil. Os produtos que a Jô [Josélia Pegorim] prepara para o Ilhabela (talvez um para o litoral Sudeste) e Café. Aceito sugestões. Até hoje não sei o que aconteceu.. o áudio não sai. a central técnica ficou profissional e não passaríamos vergonha. lembra Magno. Então ele topou desligarmos tudo e remontarmos até o dia seguinte em uns racks de metal que tínhamos no almoxarifado. comandados por dois grandes jornalistas.. E eu respondia: ‘Mexi sim e não tem por que não funcionar. duas vezes. pois já nem pensávamos direito por causa do cansaço. em que Magno deixou um sincero depoimento: “O trabalho da Linhas & Laudas está ligado ao crescimento da marca Climatempo.

o cenário era um fundo azul no qual se aplicavam os mapas do tempo com a técnica do chroma-key. A tevê funcionava 24 horas. três dias por semana. Ângela. mas. “O mais engraçado dessa época era que a gente não sabia apontar o mapa. Essa era a coreografia dos apresentadores dos boletins do tempo para não errar na hora de indicar as regiões do mapa de que estavam falando. perguntar e tirar dúvidas para evitar erros. conta Ângela. O Globo Rural me pedia informações e se acontecia alguma coisa tinha de entrar ao vivo no Jornal Hoje. da forma como fizemos da outra vez. Na semana entre 4 e 8 de outubro. “Aí senti que era hora de sair e cuidar do que era meu. Magno”. à tarde. muito cansativo também. Naquele tempo. a editora ligava para mim e eu tinha de atender. Com isso. Magno continuava a ser o homem do tempo da Globo e por isso tinha de se desdobrar para cuidar da Climatempo Consultoria e manter a TV Climatempo. e nos dias atuais também. via fax. quando Magno estava de folga. assumo o plantão na segunda e terça. era uma pauleira. produzidos ao vivo. Que Deus nos ajude. tinha de ligar para São Paulo. Ângela. Os erros fizeram parte desse primeiro momento da TV Climatempo e eles geravam fatos que agora fazem parte de um folclore interno. esses tropeços deram motivo a muita apreensão. indicar o Amazonas ao falar do Pará. Mag- 65 . SPTV. com idade média de 19 anos. André [André Madeira]. por favor. montamos uma equipe valorosa. Mas aconteciam muitos erros porque trabalhávamos com estagiários. E cansativo. fico na Climatempo. conta que as previsões eram feitas em São Paulo e enviadas.pando. de meia em meia hora”. Fiz um acordo com a emissora. Não era raro apontar a Bahia ao falar da previsão do Rio de Janeiro. “A gente recebia por fax e muitas vezes a folha saía ilegível. ia para São José dos Campos. “Eu atendia o Bom Dia Brasil. agora apenas como consultoria. irei para São José dos Campos. Magno decidiu então deixar de ser apresentador na TV Globo. por exemplo. O André Madeira atendia a Globo no período da manhã e a Ana Lucia. Um ano marcante para toda a Climatempo. viajando. O que nos ajudou no início foi o aprendizado que tínhamos com os boletins do Canal Rural. se chovia no Rio. todos os Bom Dias regionais. O jeito foi marcar com um xis os posicionamentos mais comuns durante a apresentação e aos poucos ganhar desenvoltura para indicar as regiões no mapa. Na quarta. só que extremamente inexperiente. e de repente ligam da Globo pedindo que ele voltasse para cobrir a falta da apresentadora Fabiana Scaranzi em um dos telejornais. mas tínhamos três a quatro horas de produção. Na quinta. quem apresentava a previsão não tinha a visão do mapa. acontece a Feira da ABTA. apesar de parecer pouco. Abraços. A Climatempo entra em campo de batalha com Rogério. parecia um mimeógrafo lento. Vou precisar da ajuda do pessoal da manhã. muito intenso e produtivo. onde os canais se expõem. Jornal Hoje. A Ana Lucia vai ficar lá na segunda e terça para ajudar as moças na apresentação e na implantação do programa de esportes. conte com a ajuda da Luciana para estes boletins da tarde. fez parte dessa primeira equipe que tinha muita garra. Ana Lucia e Carlos Magno que o digam! O acúmulo de serviço por pouco não causou um colapso administrativo na empresa. à tarde.” Com a carga de responsabilidade reduzida. onde eram gravados os boletins. relembra Magno.” Também entrou para a galeria de histórias a “dança do mapa”: um passinho para a frente. Quando eu chegar. Eu já não tinha mais condições de ser o homem do tempo e administrar a Climatempo”. O ano estava chegando ao fim. erros. falhas. A gota d’água foi em um fim de semana. O fax sempre interrompia. jornalista. lembra Magno. mas o Magno sempre foi muito objetivo e garantiu que a gente ia aprender no instinto a fazer o certo”. Por conta disso. mesmo para os mais experientes. que. para os estúdios em São José dos Campos. e a Climatempo continuou fazendo a previsão. O Waldemar também saía do Rio para ir para a tevê. Uma dificuldade natural. na época. e depois de choros. outro para trás e depois de novo para a frente. “Eu fazia a TV Globo e então. Como é possível perceber pelo e-mail. Ariany e Carol.

relembra que tudo começou bem devagarzinho: “A Internet não existia. meio fechada. Ao contrário do esperado. por meio dos Ministérios da Comunicação e da Ciência e Tecnologia.no começou a enxergar a Climatempo com outros olhos e passou a administrá-la melhor. as grandes fusões de empresas. por outro auxiliou a vida dos meteorologistas ao facilitar a captação de dados. Aqui. que ajudou na montagem dos BBS s. até que as pessoas passaram a acessar mais a Internet do que o BBS. Montamos uma rede pequena. Por um lado. a Internet representou uma grande mudança na Climatempo no limiar do século XXI. ocorreram os grandes negócios da Internet. Naquele ano.” A explosão da Internet estimulou a entrada de um novo personagem na equipe da Climatempo. Interessada em trabalhar na Climatempo. uma rede de lojas no Rio de Janeiro. no Brasil. assim. Gilca conheceu Carlos Õ O fim do ano de 1999 trouxe apreensão em um setor que estava em franca expansão no Brasil: a Internet.” Rogério montou as páginas iniciais e o servidor. A mudança para o ano 2000 criava a expectativa de um problema que poderia ser registrado em todos os sistemas informatizados e que ficou conhecido como “bug do milênio”. a Internet já estava definitivamente instalada na Climatempo. na época ainda uma estatal. carioca. e aos poucos começou a fazer a previsão para a Internet. um servidor em que os dados que iam para o BBS iam também para a Internet. como se fosse o BBS. fazendo levantamento de dados. o auge da nova ferramenta aconteceu no ano 2000. na época tocava os negócios da família. A rede mundial de computadores chegou ao Brasil em 1991. Ao longo dos últimos anos. com a criação da Rede Nacional de Pesquisa ( RNP ). Uma das primeiras meteorologistas a perceber o potencial da nova ferramenta foi Gilca Palma. Geofísica e Ciências Atmosféricas ( IAG). A Internet deu uma visibilidade muito grande para a Climatempo. Começou como estagiária. Rogério Leite. A Climatempo não ficou de fora. Foi criado um Comitê Gestor para a Internet e a Embratel. a empresa ficou mais conhecida do público. caram plugados desde o começo. o governo. era só para acadêmicos. mas. uma pausa para um pequeno retorno ao início da década. procurou Magno e conseguiu o estágio. foram contratadas novas pessoas para a recém-criada área de tecnologia. tornaria possível a entrada do setor privado na Internet. Em 1999. trabalhou em quase tudo. a rede mundial de computadores que viria a substituir os antigos BBS s. com o negócio crescendo. Somente em 1995. com outros estudantes. subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT ). Gilca conta que chegou à Climatempo em outubro de 1999 para fazer um estágio. A chamada “bolha da Internet” começou em 1995. Os meteorologistas extremamente ligados ao meio acadêmico e conscientes da velocidade da informação na Internet fi- Magno em uma visita que fez à Rede Globo. a nossa ideia era montar uma coisa que as pessoas pudessem acessar. Lentamente foi começando a surgir. Formada pelo Instituto de Astronomia. “Cada vez mais as pessoas acessavam o nosso site e ficavam conhecendo os nossos serviços. lançou um serviço de acesso comercial à Internet. No início a rede era voltada para a área acadêmica e administrada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). da Universidade de São Paulo ( USP ). Com uma voz doce e um sorriso tranquilo em um rosto de menina. inclusive para a exploração comercial. e o dinheiro parecia jorrar em sites e portais. mas não gostava disso e era mais ligado à área de Tecnologia da Informação. Aí teve uma hora que ele não tinha mais sentido de existir. que acompanhou todo o desenvolvimento da Internet e o que ela representou para a empresa. engenheiro civil e empreendedor. Então. o “bug do milênio” que ameaçava trazer prejuízos para empresas virtuais não se concretizou. A alegria em ver a empresa crescendo é descrita por Gilca Palma. Renato conheceu Magno por meio 66 . Renato Urbinder. Para Gilca.

conta Magno.do amigo comum Waldemar Stefan e acompanhou a saga para a implantação da TV Climatempo. Com a entrada dos grandes portais como a AOL. em um espaço bem apertado. No início das operações de Internet. Um pequeno prédio na rua Muniz de Sousa. avalia Magno. com exceção da TV Climatempo. dona Alice. já estava mais do que na hora de ampliar as instalações da empresa. a Climatempo Internet era um braço dentro da empresa. São 2. “Quando veio aquele enorme desenvolvimento da Internet. O crescimento de uma empresa pode ser medido também pelo espaço que ocupa. contudo o tino para o comércio indicava que ali estava um bom lugar para investir. Quando a Climatempo passou a ser provedor de Internet. A mudança para o novo prédio aconteceria em maio de 2000. em outubro de 1999. Os resultados alcançados no período não poderiam ser melhores. No início do ano 2000. na Vila Mariana. ficando com 30% dos negócios. como a America Online (AOL).5 mil novos visitantes por dia. tinha de trabalhar em uma mesa atrás da porta de entrada. criamos. a Climatempo foi pioneira e é uma referência nesse segmento. a Climatempo Internet. Contando mais uma vez com a ajuda financeira da mãe. 27/3/2000). Por isso. mas. logo houve a necessidade de desmembrá-la em uma empresa própria. Em reportagem do jornal Gazeta Mercantil sobre empresas que começavam a explorar conteúdo diferenciado para a Internet. em março. que investiu R$150 mil no desenvolvimento de produtos para o segmento. eu decidi seguir esse caminho. “Ficamos muito orgulhosos em poder construir um prédio fruto do dinheiro que a gente trabalhava para ga- nhar”. na rua Muniz de Souza. com uma equipe capaz de entregar o pedido de cada cliente. Renato entrou no negócio. Logo. e a Climatempo passou a oferecer bons conteúdos. com o Magno. Com parte desse dinheiro. No começo. Novas oportunidades de negócio logo começaram a surgir no ano 2000. voltada para esse novo mercado. o que era melhor. afirma Renato. Carlos Magno e Ana Lucia finalmente puderam ter a primeira sede própria da Climatempo. Para se ter uma ideia. A previsão do tempo era um ótimo chamariz. a empresa conseguiu terminar a construção de suas novas instalações. lá estava a Climatempo como exemplo de sucesso: “Nesse período. Gilca lembra que quando entrou. com o seu rápido crescimento. A América Online (AOL) foi uma das primeiras empresas a receber os serviços da Climatempo. dezenas de outros sites e portais procuraram a Clima- 67 . grandes nomes. Quer dizer. “Tornou-se sócio da Climatempo na operação de Internet e entrou com 100 mil dólares de capital. Mordido pelo bichinho da novidade. a Climatempo havia completado seis meses de experiência no mercado Internet. a empresa mudou para a rua Muniz de Sousa. “Eu digo que peguei a Internet no berçário. Mas por pouco tempo. “A área é promissora. A partir de maio de 2000. Dois meses antes. Entre eles. A avalanche de serviços prestados ainda surpreende o meteorologista Carlos Magno. patrimônio da empresa. Renato aceitou o desafio de desenvolver a Internet na Climatempo. e foi aí que. A grande vantagem da Climatempo era ter uma boa estrutura. os recém-criados portais precisavam de conteúdo para atrair os usuários. a empresa dedicada à transmissão de informações meteorológicas. conta Urbinder. adquiriu cem novos clientes. Próximo passo: mudança de endereço. a receita com a venda de conteúdo deslanchou e a empresa passou a atuar nos grandes portais e em boa parte dos sites em todo o Brasil. em 2000. que ainda funcionava no galpão da TECSAT . Renato tornou-se a pessoa chave em novos negócios”. Renato não tinha noção de meteorologia. E agora para um prédio novinho e. Universo Online ( UOL) e Globo. ser uma empresa confiável e com possibilidade de customizar uma página dependendo da necessidade do cliente”. a casa na Baltazar Lisboa já ficara pequena e não comportava o número de funcionários da Climatempo. mais tarde Climanet”. Portanto.” (Gazeta Mercantil.com.

10/ 07/2000) Em outubro. a previsão do tempo. ele toca seus negócios à frente da TV por assinatura Climatempo e o site com o mesmo nome. faça chuva ou faça sol.. convênios feitos para operação em banda larga e a participação da empresa nos principais portais da Internet. para anunciar a entrada no ar de um novo portal de meteorologia. na sede da empresa. o site registrou nada menos que um milhão de page-views no último mês (. O ClimaWap colocava no visor do celular informações sobre o tempo em 600 cidades brasileiras com previsão para quatro dias.br é um sucesso entre os internautas. Pelo título da reportagem percebe-se o excelente momento que a empresa atravessava: “Tempo é dinheiro – o meteorologista Carlos Magno lucra com o fornecimento de informações sobre o clima para a Internet brasileira”. Implantado no Brasil pela TELESP Celular (atualmente. em cada capital brasileira. disponibilizava em seus celulares uma série de endereços já adaptados para o novo protocolo.com. Serão avisos gratuitos sobre mudanças de tempo. com previsão do tempo para 600 cidades no Brasil e 150 cidades no mundo. Ao consultar o site da Globo.climatempo. batizado de Alerta. a Climatempo foi parar nas páginas da conceituada revista Forbes Brasil. Tudo por conta da explosão de acessos registrados no portal Climatempo: “O vento está soprando a favor do meteorologista Carlos Magno.com. sem riscos. pelo celular ou pela rede. o The Weather Channel.com e patrocinado pelo fabricante de cosméticos Natura. o tempo continuará bom para o meteorologista. Um mês após a entrada do novo portal. O “negócio” Internet crescia de forma veloz. “Eu recebia mais ou menos 150 e-mails por dia de gente querendo receber material da Climatempo”. 38 anos. O número de consultas ao site mostra que demanda existe e futuro também. caminhava 68 . Tudo ia de vento em popa. vai pegar carona na temporada de chuvas de verão que atormentam capitais como São Paulo. ainda em São José dos Campos. era fornecido pela Climatempo. hoje fornece informações para 350 clientes pontocom. O segundo serviço. WAP significa Protocolo de Aplicação sem Fio (Wireless Application Protocol) e foi criado para facilitar o acesso de celulares à Internet. Magno vai lançar dois serviços a parte deste mês (outubro). O crescimento da Climatempo com o produto Internet deixava espantados os analistas da revista: “Empresa de consultoria criada por Carlos Magno. A previsão do repórter estava correta. portais e sites respondem por metade do 1. Já a TV Climatempo. desenvolvido em conjunto com a globo. entre eles o UOL.” (ISTOÉ Gente.). Totalmente reformulado. o internauta informará o tom de sua pele e ficará sabendo por quanto tempo pode se expor ao sol. conta Magno. como diz o ditado. Vivo). O primeiro. ‘A previsão para a Internet é de tempo bom e amanhecer sem nuvens’. e o portal de seu ex-patrão. completa o carioca Carlos Magno. ex-Rede Globo. Na mesma matéria. Pelo menos na Internet. Pelo visto..tempo querendo comprar conteúdo. a Climatempo convocou uma coletiva de imprensa. o maior provedor de acesso do País. a Globo. como a entrada em funcionamento do sistema WAP (informações do tempo via celular).5 milhão de reais que a Climatempo deve faturar neste ano. No mês de junho. Somados. para rebater as investidas de seu maior concorrente. Há oito meses fora da TV aberta. a Climatempo virou notícia na revista ISTOÉ Gente. a Telefônica e a TELESP Celular como parceiros. Um desses serviços.” (Revista Forbes Brasil. números do crescimento da Climatempo no mercado. a Climatempo contra-atacava com novidades que a consagraram no mercado: “Para não perder terreno. Carlos Magno também anunciou outras novidades. O sistema WAP era a grande novidade do momento. Rio de Janeiro e Brasília.net. O endereço www. Nessa ocasião. algo como ‘vai chover forte em São Paulo dentro de meia hora’. é o Exposição Solar. 11/ 10/2000). O Alerta já tem o Zip. Previsão para amanhã: os negócios devem continuar crescendo”.

na prática. TV iG. em São José dos Campos. como a TV Filme (Brasília) e a Image TV (Uberlândia)”. funcionavam.500 links espalhados em médios e pequenos portais. No sistema WAP de informações. Enquanto centenas de empresas do mundo da Internet estavam prestes a fechar as portas. como parceiras de sucesso. Filipe e Roberta tornaram-se professores na área de comunicação. 69 . TV Globo. a empresa estava operando na TV UOL. a TV Climatempo deixou de funcionar na Univap e transferiu-se para um galpão alugado da própria TECSAT . A operacionalização da tevê encontrava entraves. a TV Climatempo era sucesso absoluto: “Desde o dia 31 de julho a TV Climatempo passou a prestar consultoria para o Canal 21 e a TV Bandeirantes. Celeste. na Climatempo o céu era de brigadeiro. Foram esses entraves que levaram ao fim da parceria. muitas vezes financeiros. Após um ano no ar. O entusiasmo dos primeiros tempos já não era o mesmo por parte da Univap. a Climatempo fechou parcerias com todas as operadoras de telefonia do País. vejo que fomos pioneiros em uma área ainda inexplorada na tevê brasileira e que não dá para lembrar nada de ruim. além dos 1. além dos estagiários da universidade. outras burocráticos. o David está na Band e o Denis na Rede Vida. Os números revelados pela empresa no balanço de 2000 comprovaram: a Climatempo estava presente com suas previsões em 90% dos maiores portais do mercado. E foi um desenho muito favorável que a Linhas & Laudas traçou da Climatempo em dezembro de 2000. André Catoto é designer visual na Rede Record. principalmente quando a única referência que tínhamos era um modelo estrangeiro que tinha muito dinheiro. Fernando Moreira. Vânia. Apesar de desfeita a parceria. Claro que tivemos dificuldades. Em dezembro de 2000. e quem via o produto final que colocávamos no ar não tinha a mínima ideia das ‘mágicas’ que só nós brasileiros sabemos fazer. para ser um canal do tempo profissional. Climatempo Meteorologia e TV Climatempo. que começavam a atrapalhar seu funcionamento. Pensando nisso hoje. Aline é dona de jornal e empresária. ao olhar para trás reconhece a importância daquele momento. era o caminho natural para deixar de ser uma tevê experimental de universitários.em busca da profissionalização. Seu conteúdo passou também a ser explorado por canais a cabo. Como duas empresas distintas. Com isso perdeu-se parte da estrutura e dos equipamentos. o diretor da TV Univap. “É com muito orgulho que vejo hoje que a maioria dos alunos que passou pelo projeto da TV Climatempo está atuando no mercado de comunicação em diversas áreas. mas isso é normal em qualquer processo cria- tivo.com e Ajato. Por outro lado. Na banda larga.” Mais um ano chegava ao fim e essa era a tradicional hora de fazer o balanço de atividades.

C

O ano de 2001 começou a todo vapor na Climatempo Internet. Logo em janeiro, a empresa anunciava uma parceria com o poderoso grupo Telemar para um serviço, na época, inédito no Brasil. Ele colocava à disposição dos usuários o Vocall, um sistema acionado por comando de voz de qualquer telefone, celular ou não. O serviço atendia seis capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. Um mês depois, duas outras importantes conquistas. Primeiro foi a parceria com a PSINet, empresa que era responsável pela hospedagem e serviço de acesso com link dedicado. Segundo Carlos Magno explicou à Linhas & Laudas, a razão da parceria era o grande número de acessos. “O site da Climatempo vem recebendo um número de internautas muito grande. Com a infraestrutura oferecida pela PSINet, nossos usuários podem navegar com mais agilidade.” A outra conquista foi o acordo com parte do Grupo RBS de Comunica-

Pioneira em praticamente tudo o que dizia respeito ao universo da informação meteorológica no Brasil, mais uma ação inovadora da Climatempo no carnaval de 2001. Em parceria inédita com a seguradora Sul-América, foi instalado na praça de pedágio da Ponte Rio–Niterói letreiro luminoso com a previsão do tempo para o Rio de Janeiro, Niterói, Campos, Cabo Frio e Arraial do Cabo. Com isso, os fluminenses puderam planejar melhor a folia. Mas se na Internet os negócios pegavam fogo, na TV Climatempo as dificuldades continuavam. Após a saída da Univap, a emissora começou a funcionar em um galpão, em São José dos Campos mesmo. As instalações eram muito precárias, e quando chovia o barulho de água caindo no teto era intenso. “Foi um período negro da TV porque deixamos de ter a estrutura da Univap. Tínhamos cinco câmeras beta e passamos a ter uma câmera beta e uma câmera VHS”, relembra Magno. Os jornalistas Paulo Polli e Ângela Ruiz continuaram na tevê depois

Nesse período, Rogério Leite percebeu que a transmissão via satélite encarecia demais as operações da tevê. Foi então que teve a ideia de adaptar um sistema que estava desenvolvendo para enviar informações para os aeroportos para a emissora. Em certo momento, viu que a mesma tecnologia poderia ser empregada para enviar, pela Internet, os dados para a tevê em São José dos Campos. “Por que a gente não manda pelo computador, por meio de um software? Com isso reduzimos o custo do satélite”, lembra Rogério. Esse software foi aperfeiçoado com o tempo e continua a ser usado. Para ter uma ideia, esse foi o embrião das tevês que começaram a surgir na Internet. Os solavancos na TV Climatempo não desanimaram a equipe, especialmente porque além da RBS outros canais procuravam a empresa em busca de conteúdo. Um e-mail da Patrícia Madeira, de 26 de feverei-

Uma bolha no ar
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omo em todas as empresas, há períodos de vacas gordas e períodos de vacas magras. A Climatempo, no início do século XXI, era um grupo com quatro empresas distintas – Climatempo Assessoria, Agência Climatempo, Climatempo Internet e TV Climatempo –; às vezes, as duas coisas aconteciam simultaneamente, como numa balança, enquanto uma área assistia ao crescimento, outro enfrentava os percalços naturais de um empreendimento pioneiro.

ção. A Climatempo passou a fornecer informações para 17 emissoras de tevê do grupo, além de dez emissoras de rádio, cinco jornais impressos e também para o portal interativo RBS . Só nas emissoras de tevê, eram 99 inserções diárias sobre o clima nas regiões abrangidas pela emissora. Para atender ao novo cliente foi preciso montar uma estrutura específica na sede da Climatempo, em São Paulo.

da mudança de endereço. Eles também não esquecem as dificuldades enfrentadas num local com pouca infraestrutura para a gravação dos programas e sem os mesmos recursos técnicos, além do pessoal especializado que ajudava muito dentro da universidade. Apesar disso, a situação tinha lá seu lado engraçado. Paulo conta que, ao lado do estúdio em que estava a TV Climatempo, havia um estúdio de gravação de filmes pornográficos e não era incomum dar de cara com algum ator mais à vontade.

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ro de 2001, deixava claro o interesse na previsão do tempo: “Olá, pessoal. Estamos estreando quatro novas tevês, já a partir de hoje: TVA – Grande São Paulo, dois boletins; TV Filme – Goiás e Brasília, dois boletins; Imagem TV – Triângulo Mineiro, dois boletins; e Rede Mulher, dois boletins. Para os três primeiros, tem interface pronta, com link pelo dia a dia. Os textos se referem a um mapa de ícones, com os valores de temperatura mínima e máxima. A parte de análise e previsão para a respectiva região é feita pelas meninas na TV Climatempo, depois entra o nosso texto e, então, previsão de quatro dias em sobe som. As temperaturas que aparecem na interface são do Prevplan e não podem ser mudadas para não bater com as telas de quatro dias que entram depois da previsão (...) Só para completar, a TV Pernambuco só entra no ar segunda-feira, dia 5. Até lá, não precisamos fazer os boletins”. O Prevplan de que fala Patrícia no e-mail foi mais uma das “invenções” do professor Pardal da Climatempo. “Professor Pardal” era o nome que Ana Lucia dava a Rogério Leite pelas soluções e idéias que sempre trazia para a empresa. O Prevplan foi outro software desenvolvido por Rogério que rodava automaticamente a previsão do tempo a partir de dados fornecidos pelos modelos de previsão climática. No início, 160 cidades estavam no programa; com o tempo, porém, foram incluídas cada vez mais cidades, até que se chegou a um número bem ra-

zoável de 15 mil, entre cidades, vilas, distritos de todo o Brasil. Uma inovação que ajudou muito os meteorologistas tanto da consultoria quanto da tevê. No começo do ano de 2001, um novo assalto iria provocar grandes aborrecimentos na Climatempo. Dessa vez, foi a própria seguradora quem avisou Ana Lucia e Carlos Magno da invasão. Era a segunda vez que entravam na empresa vazia e, apesar da experiência adquirida e do seguro que minimizaria as perdas, um assalto era sempre traumático. Os bandidos cortaram o cabo, na frente da sede, já na rua Muniz de Sousa, deixando a empresa sem comunicação com o mundo exterior. Gilca Palma, uma das primeiras a chegar pela manhã, estranhou as portas abertas, tudo revirado e Ana Lucia chorando, desconsolada. “Isso te pega de surpresa, você fica sem ação”, comenta Gilca. Ao ver as pessoas chorando, Ana Lucia disse para outra funcionária, Carol Chacon: “A gente se vira. Veja o lado bom, todo mundo vai ganhar computador novo.” Mais uma vez foi preciso uma grande mobilização para não interromper os trabalhos. Alguns meteorologistas trouxeram seus computadores, outros voltaram para casa para trabalhar até que a rede fosse novamente conectada. “É assustador você ter de parar rapidamente e dizer ‘ok, o que vamos fazer?’. O Magno já tinha know-how de ter feito uma vez. Ele pegou e distribuiu as tarefas. André e Patrícia Madeira, que estavam no primeiro

assalto, também já sabiam como trabalhar nessa situação. Então, simplesmente a gente separou o que tinha de ser feito, designou as coisas e tocou a bola para frente. Os clientes tinham o telefone de casa, ligavam para a gente dar uma posição. O pessoal corria, gravava o boletim de rádio do orelhão. Nos primeiros dias tinha de ser assim, até que voltassem a ligar os telefones da Climatempo”, relembra Ana Lucia. Foi um período bastante confuso e que terminou com um gesto que impressionaria muito Carlos Magno. Ele jamais vai se esquecer da atitude de uma meteorologista gaúcha que trabalhava na época na Climatempo. Débora Simões estava grávida e, por coincidência, no mesmo dia em que houve o assalto entrou em trabalho de parto. Ela fez questão de, antes de seguir para a maternidade, entregar a previsão que havia feito em casa e estava sob sua responsabilidade. Para Magno foi uma tremenda demonstração do espírito de equipe. Nem o triste episódio conseguiu abalar a energia positiva que fluía na empresa. No fim das contas, após o rescaldo de mais um assalto, o grupo estava novamente pronto para seguir em frente. Enquanto isso, correndo por fora, a Internet crescia cada vez mais. “Durante os anos de 2000 e 2001, acho que estive em todos os prédios da Vila Olímpia (região de São Paulo onde se concentrou a maioria dos escritórios ligados à Internet), visitando diversos portais.

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a Climatempo. De repente. André Madeira e Alexandre Nascimento para dar o suporte de conteúdo. O grupo passava por um período tur- 73 . uma experiência que depois serviu de base para a própria TV Climatempo. A Eldorado. Nos Estados Unidos foi criada uma bolsa de valores. mais do que isso. Nesse momento. a empresa exibia imagens ao vivo de onze cidades. As ações das chamadas empresas pontocom subiam sem parar. foi até uma bolha positiva pela nossa competência. todos os nossos investimentos foram com recursos próprios. naquele momento. mantinham seus contratos fixos com a Climatempo. conseguiram consolidar seu espaço. nós não estávamos ligados a nenhum grupo de investimento. “Nós vimos essa bolha passar. Ele também conta que o sucesso da consolidação se deu por uma estratégia de venda de conteúdo. uma certa solidez. Um outro contrato foi interrompido também nessa época. conta Magno. a emissora gaúcha transferiu sua sede para Porto Alegre em 1998. Em 2001. houve uma retração de um pedaço do mercado. Dessa vez. No meio da euforia Ana Lucia e Magno falaram: “Isso não vai durar muito”. na consultoria o tempo era de muito movimento. A Climatempo implantou toda a área de meteorologia da emissora em São Paulo. A mudança. “Primeiro. lembra Renato Urbinder. Segundo Renato. continuou responsável pela previsão do tempo do Canal Rural. Surgiram os grandes negócios.” A ferramenta Internet na Climatempo tornou-se referência nacional. e apostaram de seis meses a um ano para a festa acabar. Se na Internet a palavra de ordem era expansão. Apesar de ser a nave-mãe da em- presa.Tínhamos que ser rápidos porque a Climatempo tinha de ocupar espaço. Por outro lado. Começou então a estratégia de mudança de venda de conteúdo para a de ser espaço publicitário. com Josélia Pegorim. a NASDAQ . muita gente ficou rica da noite para o dia. a bolha explodiu. Fizemos. envolvendo cifras espetaculares. e a Rede Globo. com receita de publicidade e com um portal mais conhecido”. Não eram incomuns as notícias de sites que fechavam e deixavam de fora dezenas de desempregados. mas as empresas que estavam saudáveis ficaram e. o site era o caminho certo. agora sem Carlos Magno. Nesse período. a empresa registrou nesse ano algumas baixas importantes. não havia interferido com o fornecimento de conteúdo de meteorologia. porém. transmitia boletins de condições do voo e trazia a tabela das fases da lua para aqueles que se preocupavam com o regime ou o corte de cabelo. Contudo. A Internet tornou-se um grande negócio e não foi só para a Climatempo. mas com Ana Lucia. mas o modelo proposto era inviável e agressivo demais para o nosso jeito de ser. só para acompanhar os negócios. Também da noite para o dia. como o Canal Rural. também percebemos a oportunidade de vender mais conteúdo para celulares”. como a Climatempo. De 1998 até 2001. Puf! E centenas de empresas simplesmente desapareceram. Eram portais e sites vendidos por milhões de dólares. Havia. pois ficamos com uma boa fatia de mercado. a Climatempo sofria os percalços comuns de um mercado competitivo. Uma euforia que havia começado no ano 2000 no Brasil e que. e o negócio foi desfeito. Para os que não queriam saber apenas dos aspectos técnicos da meteorologia. sim. porém. mesmo a distância. as empresas mais sólidas no mercado praticamente saíram ilesas e. ganharam credibilidade. Um entusiasmo desmedido tomou conta de quem lidava com essa nova tecnologia. em princípio. com um dos primeiros parceiros da Climatempo: o Grupo Estado. voz cada vez mais conhecida e já uma referência na rádio. Em segundo lugar. os custos com a transmissão de dados e a manutenção das informações inviabilizaram a parceria. por questões operacionais. algumas reuniões com bancos. com a mesma força que cresceu. com as nossas receitas. antes de a bolha estourar já estávamos no azul. Contudo. A cartela de clientes variava muito e o leque de segmentos atendidos pela Climatempo também. ninguém sabia ainda onde iria parar. Foi o que aconteceu com a Climatempo Internet.

pois qualquer problema de transmissão ou na Internet atrasava o trabalho. e a gente recebia para isso”. Os comentários serão escritos pela meteorologista Josélia Pegorim. Quem deu a dica foi Waldemar Stefan. em 2003. e conquistou novamente a conta do jornal. pois trariam o patrocínio que bancaria as despesas.bulento de mudanças. a tevê entraria como um canal interativo e digital. Os dois principais diferenciais do serviço são a cobertura de todas as capitais brasileiras e os comentários sobre o impacto do tempo na agricultura (geadas. cheias. Foi então que. Na verdade.E partiu da direção do jornal a ruptura com a Climatempo. em especial no jornal O Estado de S. O estúdio construído na Muniz de Souza não tinha isolamento acústico e foi preciso recorrer a uma solução caseira e barata. a TAM . “Eu e a Carol Chacon pintamos e colamos caixas de ovos nas paredes para servirem como protetor acústico”. ofereceu uma nova forma de contrato: eles forneceriam a previsão para todos os jornais do grupo e para a Agência Estado e não receberiam por isso. com o tempo a promessa de trazer anunciantes para o jornal não se concretizou e a Infotempo não conseguiu cumprir a sua parte do trato.” (Meio & Mensagem. Além disso. na indústria (racionamento) e no comércio (inverno rigoroso. Agora em São Paulo. que sabia das propriedades isolantes das caixinhas de ovos. Era preciso racionalizar as operações. Infotempo. A reestruturação da tevê em São Paulo aconteceu ao mesmo tempo em que Carlos Magno já negociava a entrada do canal do tempo brasileiro na operadora Sky. secas). a Climatempo e a Sky foram desenvolvendo o novo formato. A Climatempo fazia parte de um serviço de tevê interativa que a Sky colocou no ar no fim do ano. O serviço oferecia 74 . o conteúdo era apenas informativo. jornalista que durante mais de dez anos foi a responsável pela edição do serviço de previsão do grupo. no Texas. Carlos Magno resolveu procurar a direção do grupo para tentar um novo acordo. reestruturar a tevê. sede da empresa. não havia audiovisual. A oferta atraiu a direção do jornal. não mais como estagiário. Paulo. lembra Maria do Carmo Fogaça. passamos a dar maior importância ao mercado publicitário”. in Linhas & Laudas) O novo acordo estendia-se também para outros jornais do grupo. como o Jornal da Tarde. mas que funcionou perfeitamente. Durante todo o ano de 2001. braço de turismo da TAM Linhas Aéreas. pois vimos que os modelos de negócios mudam e a gente tem de se adaptar. todos os funcionários da Climatempo acabaram se envolvendo com as transmissões da emissora. As informações serão fornecidas pela Climatempo Meteorologia. Paulo. perdemos uma fonte preciosa”. era o momento de trazer a TV Climatempo para São Paulo. calor). Contudo. Nesse primeiro momento. Com a Internet e a consultoria bem-estruturadas no novo prédio. O início das transmissões em São Paulo foi complicado. pelo jornal O Estado de S. depois de passar por outras experiências. relata Magno. 15/ 9/2003. dia 15. Essa é uma das histórias lendárias da Climatempo e durante anos serviu de exemplo para incentivar o trabalho em equipe. Todo mundo guarda na lembrança as caixinhas de ovos coloridas. com patrocínio da TAM Viagens. o que houve foi uma mudança no padrão de negócios. na hora de levantar informações para matérias. deixamos de ter um serviço exclusivo e. “Foi a primeira janela de abertura de negociação para entrar com o conteúdo da Climatempo numa grande operação de tevê por assinatura. mas para a gente foi um aprendizado tremendo. lembra Magno. é bom dizer que elas funcionavam mesmo. A negociação foi destaque na mídia pela sua inovação: “Um novo modelo de previsão do tempo será publicado diariamente a partir de segunda-feira. E mesmo parecendo puro folclore. mas sim como diretor da tevê. lembra Magno. Isso complicava um pouco. “O Infotempo não era mais um concorrente. a Cacau. Paulo Polli voltaria a integrar a equipe. nesse caso. e representou uma reconquista de um espaço que sempre foi da Climatempo. Com ele levou um anunciante de peso. “O problema era que os dados vinham de Houston. isso significava repensar os custos. O novo parceiro.

Além disso. relembra Patrícia Madeira. de manhã. esporte. ventos e plantio. mais um serviço inédito na Internet: previsão do tempo para esportes terrestres. porém. a dupla muitas vezes era solicitada por outras sucursais da rádio. a tarefa foi delegada a outro profissional da equipe. como a de Belo Horizonte e do Rio. até informações exclusivas para outras mídias como o WAP e a tevê interativa. a não falar bobagem para 75 . quando estou esperando para ser chamada. Carlos Magno e Ana Lucia chegaram a voltar a suas origens. (. A diretora-geral da Sky. 30 emissoras de televisão espalhadas pelo País. a empresa fornecia dados para jornais. Nesse espaço. todos trabalhando para os diversos serviços prestados pela empresa: desde Internet. mas não desistia de oferecer um serviço diferenciado do norte-americano para atrair as operadoras brasileiras: “As câmeras da Climatempo têm condições de mostrar instantaneamente o que está ocorrendo nas principais capitais do País. nesse período. Sempre atenta a novidades. Rádio é muito bom. Rossana Fontenele. marés. ainda sofria com a concorrência do The Weather Channel. “O que acontecia é que muitas vezes a previsão ficava defasada e mesmo assim era lida na rádio. e atingia um universo de 250 mil assinantes. Com o marido. O locutor dizendo que o dia seria de sol e do lado de fora já estava chovendo”. um canal de comunicação com a empresa. e como fornecedora de conteúdo para canais da TVA e TV Filme. André Madeira. De repente. Relutante no início.cinco opções aos assinantes: previsão do tempo. a rádio Globo AM era outra cliente assídua. em abril de 2002. tinha no total 150 mil assinantes.) (Meio & Mensagem.. atualizadas a cada dez minutos. uma delícia porque te exercita a falar direito. deixava claro na mídia que o objetivo da tevê interativa não era oferecer Internet na tevê. De acordo com uma matéria da revista Pequenas empresas. e aquáticos. O início da tevê interativa não impediu que as duas empresas mantivessem as negociações em torno da inclusão da TV Climatempo no line up da Sky. a Climatempo lançaria. além de dados sobre a lua. O canal brasileiro. Em 2002.. de março de 2002. como a TECSAT. 15 deles meteorologistas. para as maiores cidades do Brasil e do exterior. A matéria também destacava que a TV Climatempo. Além dos boletins para a CBN São Paulo. No começo. “Teve um dia que eu ia entrar no show do Antonio Carlos. dividia os boletins e com o tempo a voz dos dois passou a ser reconhecida. que fornecia conteúdo na época para 85% dos portais brasileiros e links para outros 2 mil sites. tornando-se marca registrada da CBN. “mas inovar as formas de conteúdo”. esoterismo e o Sky e você. 18/3/2002). ‘Também podemos oferecer informações sobre as condições das estradas e a balneabilidade das praias em tempo real’. a Climatempo empregava 35 funcionários. a tevê figurava nos line ups de operadoras independentes. Grandes negócios. diz Nascimento. apresentando a previsão do tempo para São Paulo. a Climatempo oferecia a previsão do tempo para três dias. como iatismo. A TV Climatempo também já era um sucesso. Uma delas foi a CBN. Patrícia Madeira’ e eu respondia de imediato ‘estou acordada há muito tempo’. Aos poucos. Também da capital fluminense. O sucesso obtido com a previsão do tempo divulgada pela rádio Eldorado de São Paulo levou outras emissoras de rádio a procurarem a Climatempo. que até então divulgava a previsão feita pelo The Weather Channel. Patrícia logo pegou gosto pelo rádio e também o jeito de transmitir a informação de forma confiável. games. como futebol. ouço uma voz forte ‘Acorda. Até março de 2002. várias emissoras de rádio e companhias telefônicas. o site da Climatempo era acessado por 350 mil pessoas por mês. A revista apontava o crescimento no faturamento da Climatempo nos últimos cinco anos: uma média anual de 30%. Um pedido especial do diretor da CBN ao fechar o contrato com a Climatempo. transmitida por várias operadoras de tevê a cabo do Brasil. Magno convenceu a meteorologista Patrícia Madeira a assumir a função e tornar-se uma “Josélia Pegorim da CBN”. afirma o empresário”.

Waldemar Stefan decidiu se afastar para poder retomar seus negócios na empresa Promeeting. Fundador e grande incentivador do canal do tempo. um serviço semanal voltado para a cafeicultura. estava deixando de operar não só no País como em toda a América Latina. cítricos. esclarecia Carlos Magno em uma das várias matérias que a novidade gerou na imprensa. milho. como também acredita Josélia. pouco tempo depois. Marco Antonio Jacob. Sabe que chegaram vários e-mails me consolando? Isso é rádio”. “Os produtores poderão saber com antecedência a ocorrência de geadas para tomar as medidas necessárias.br abrangiam as principais áreas de cultivo do Brasil: algodão. o fato é que o grande The Weather Channel. de setembro de 2002. um alto executivo da Net entrou em contato 76 . A Climatempo sempre se preocupou em atender agricultores. o AgroClima. e os assinantes tinham acesso a uma previsão do tempo gravada em áudio e vídeo pelo próprio Carlos Magno. A empresa nunca teve dúvida da eficiência e da importância desse tipo de informação para a agricultura. como em um telejornal. o novo informativo preenchia uma lacuna que existia no mercado. Se a saída de Waldemar foi uma nota triste. não era para estar chovendo’. a NET/Sky. Sempre antenados. Pecuaristas. que tanta dor de cabeça deu a Carlos Magno. Oferecemos agora um serviço gratuito e de qualidade a todos aqueles que lidam com a agricultura e a pecuária”. Por isso. lá pelos idos de 1994. abrindo espaço para um canal de previsão do tempo brasileiro na maior operadora de tevê a cabo. no fim de maio. usa seu dinheiro para comprar essa moeda e espera a valorização. “É como o mercado financeiro. soja. arroz. a exportadora Costa Café aprovou o novo serviço. eu errei 100% da previsão. no fim de 2002 a TV Climatempo enfrentava a saída de um dos seus sócios. Seja pela situação econômica. de um modo geral. compradores e exportadores ganharam uma ferramenta poderosa no mundo do agronegócio. A ideia do site voltado para os produtores de café deu tão certo que. pois sabia que acompanhar as condições climáticas era fundamental para o acompanhamento do plantio e da colheita e para a realização de negócios na área de commodities. Foi o primeiro site brasileiro voltado para a previsão do tempo na agricultura. O serviço dará uma transparência maior ao mercado. um meteorologista tem menos chance de dizer alguma besteira sobre o tempo. coube a Carlos Magno a tarefa de continuar a empreitada e manter o sonho de uma tevê brasileira. o grande vilão dessa história é o erro. relembra Patrícia. Já os corretores terão a chance de saber antes da abertura das negociações o que provavelmente irá acontecer.” Assim. feijão.não perder a credibilidade. Outra frente importante de negócios era a agricultura. o risco é menor. Uma das primeiras empresas a contratar a Climatempo. Aí.com. seja pela falta de motivação. como na rádio sempre tem um bate-papo. trigo e cana-de-açúcar. afirmava. são dirigidas às áreas urbanas. às 9h da manhã.agroclima. Logo em novembro. A previsão dá subsídios para anteciparmos nossas decisões”. na época. O boletim era postado todas as segundas-feiras. Carlos Magno e Ana Lucia colocaram no site da Climatempo. com grau de acerto superior a 90%”. produtores e todo o setor de agrobusinness. ele conhece mais seu ofício e. As previsões postadas no site www. A proposta era oferecer um panorama climático do setor e o serviço foi batizado de Cybercafé. café. Com isso. o gerente comercial da Costa Café. a Climatempo decidiu lançar mais um produto inédito no mercado. Mesmo com um pé na Sky. muitas vezes cobrado ao vivo pelos ouvintes mais atentos. Para Carlos Magno. que apresenta há anos os boletins na rádio Eldorado. se você sabe que o dólar vai valorizar. entrei chateada no ar. Magno afirmava: “As previsões meteorológicas. o Milton Jung me perguntou se estava tudo bem e eu respondi na lata: ‘não tem nada bem. Com o café é a mesma coisa. por outro lado nova baixa levantaria o ânimo da TV Climatempo. Em entrevista para a revista A Lavoura. “Uma vez. além de informações sobre pastagens para a pecuária.

. encerre isso com chave de ouro”. A saída aconteceu em abril de 2003. consultoria e agora também com a TV Climatempo sendo retransmitida por uma grande operadora. a Climatempo deixava de prestar serviço para a rede. 30/7/2003. avalia Magno. A butique Daslu quer saber se vai chover ou fazer sol antes de decorar suas vitrines.5 milhão de assinantes. A TV Climatempo começaria divulgando boletins de hora em hora sobre o tempo no Brasil e no mundo e alguns outros programas. como destaque da reportagem “De carona no sucesso”. Pegamos dinheiro emprestado no banco. E a credibilidade da empresa no mercado era tão grande que a revista Dinheiro. diretor da Climatempo. Não estou a fim de que alguém desagradável ou implicante crie alguma saia justa e não quero que outra pessoa. Além disso. Já passam de mil e são cada vez mais parrudos – AMBEV (hoje é a INBEV) e Nestlé. a não ser eu. Eu disse: ‘Quem vai sou eu’. Magno e sua empresa eram tratados como empreendedores vitoriosos: “O negócio cresceu tanto que em 1999 Magno investiu 200 mil dólares para criar um canal só dele. que dava dicas das condições do tempo nos pontos turísticos do País. A prova de que a saída da Globo não deixaria traumas foi que logo depois. à minha empresa”. diz Carlos Magno.) Essa interatividade e esse dinamismo são inéditos no Brasil’. Pelo menos nas páginas do Globo. A notícia foi destaque no jornal: “O tempo vai ficar melhor a partir do próximo domingo. que dará destaque ás mudanças climáticas que estiverem ocorrendo no País. jornais brasileiros anunciavam a entrada em operação do primeiro canal de meteorologia 100% nacional na Sky. “Começou a correria. “Fiquei até o último dia na Globo.. pelo contrário. in Linhas & Laudas). Após treze anos de contrato com a TV Globo. ‘Vamos dar destaque ao que estiver acontecendo de mais importante.” (O Globo. A saída da Globo não abalou os serviços da Climatempo. como Em Clima de Viagem. um dos sócios da Climatempo. quando a emissora não renovou o contrato que mantinha com a empresa.com Carlos Magno perguntando se a TV Climatempo estava pronta para entrar em operação. que lançará no dia 13 uma nova seção de previsão meteorológica. do mesmo grupo. O laboratório Roche consulta Magno para reforçar a distribuição de seus antigripais e vitaminas C nas regiões onde a previsão é de chuva. se uma intensa ressaca atingir as praias do Rio ou uma seca assolar a região Centro-Oeste.. 06/7/ 2003. sobre as condições meteorológicas nas principais rodovias do País nas tardes de domingo e na volta dos feriados prolongados. Uma das novidades será o enfoque jornalístico do espaço.. a Climatempo dava adeus a uma de suas melhores e mais importantes parcerias. a Climatempo seria contratada para prestar serviço para o jornal O Globo. em julho daquele mesmo ano. in Linhas & Laudas). fez com que em dado momento Ana Lucia percebesse a necessidade de 77 . um infográfico explicará os motivos do fenômeno (. compramos o que era necessário e nos primeiros meses de 2003 conseguimos pagar as dívidas e equilibrar as contas da TV”. A partir de então toda a parte de previsão do tempo dos telejornais passou a ser fornecido pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (C PETEC/ Inpe). conta Ana Lucia sobre o último dia na emissora. na edição de 30 de julho. O canal entraria no ar a partir de março no formato interativo. era o momento de enfrentar novos desafios. Jornalistas do Globo estarão sempre em contato com meteorologistas da Climatempo para decidirmos que explicações interessam aos leitores. “A tevê deu credibilidade à previsão do tempo e. lembra Magno. Pouco tempo depois de conquistar um lugar na tevê por assinatura. era um sábado de 2003. Se nevar na região Sul. o Minuto Agrícola. (. O crescimento acelerado da empresa em todas as áreas. No dia 2 de janeiro de 2003. consequentemente. trouxe Carlos Magno. Internet. e Estradas.” (revista Dinheiro .). a TV Climatempo. feita pela empresa Climatempo. Os clientes da empresa também se multiplicaram. que hoje (2003) tem 1. voltado para o agronegócio e para a agricultura de todo o País. Nela.

“Quando comecei a fazer o MBA . em 2003. mas não se sabia quem dava lucro ou não. descobri que todo mundo conhecia a Climatempo. Todas aquelas pessoas de várias empresas importantes conheciam a minha empresa. O curso reforçou a vontade de Ana Lucia em posicionar a empresa à altura de sua importância diante do mercado. mesmo que internamente. as pessoas dos meios de comunicação conheciam. E foi ali que teve a real dimensão da importância da Climatempo. o Magno ficou mais confiante e me passou toda a administração. Não teve dúvidas: entrou em um MBA de Administração Geral em 2002. e a Climatempo estava sempre entre as empresas citadas. de 1993 a 2003. que era a Climatempo Consultoria. nas conversas nas filas dos elevadores. Mas era muito trabalho para uma pessoa só. Segundo ela. Seja para divulgar novas parcerias com empresas aéreas como Varig e TAM . Naquele momento. . ou seja. a Climatempo era uma empresa que as pessoas do ramo conheciam. De repente. que começou de forma embrionária. O programa gerava a nota fiscal e acompanhava todo o processo desde a hora em que chegava a ordem para ser emitida até a hora da cobrança. A indústria era o principal cliente desse tipo de serviço. conta Ana Lucia. “Depois de um ano. 78 Foi um período de reestruturação de toda a parte administrativa. trabalhar direto com advogados.” Ana Lucia trabalhou intensamente. Meti a mão. O ano de 2003 ficaria marcado pela constatação de uma nova realidade na meteorologia brasileira. Criei métodos para que o volume de trabalho que aparecia na administração fosse gerenciável. Não tinha a menor ideia de que a Climatempo já estivesse nesse ponto”. seja para anunciar o lançamento do discador que fazia da Climatempo um provedor da Internet. refiz os processos de emissão de notas.modernizar a administração da empresa. só que dessa vez dedicou-se aos prognósticos climáticos. Eu mesma estudei e criei um programa que fazia as notas fiscais do jeito que acho que deviam ser feitas. Inúmeras matérias ao longo do ano registraram o impressionante crescimento na demanda por serviços de meteorologia. logo após terminar o MBA . Assim. que ajudava no planejamento estratégico das empresas. cobrança. contadores especializados. Quando viu que as coisas já estavam andando de maneira mais organizada.” “Sempre se soube quem ganhava o quê. Como bons previsores. Separamos tudo. Ana Lucia deixou a administração e voltou para o que gostava de fazer: a previsão. em dez anos. o faturamento do setor de serviços meteorológicos saltou de seis milhões de dólares para 120 milhões de dólares. porque todos os lucros e débitos iam parar num lugar só. auditável. Ele ficou mais tranquilo para fazer os negócios. ali durante as aulas. arregacei as mangas. Magno e Ana sabiam: o tempo na Climatempo era bom. a estrutura era ainda muito amadora e era preciso reorganizar tudo. Segundo pesquisa feita pela Climatempo. Ana assumiu a tarefa de colocar a empresa em ordem. programei o sistema e treinei o pessoal. era fundamental ter outro departamento comercial. Fiquei muito feliz. para longos períodos.

impediam essa acomodação. da Climatempo (. a tevê foi outro”. No início. A reestruturação levada a cabo por Ana Lucia durante o ano de 2003 ajudou a organizar os vários setores da empresa. Grandes negócios. isto é. alvo de total descrédito. os principais concorrentes da Climatempo foram empresas estrangeiras como a WSI e o The Weather Channel. Uma boa razão para manter a Climatempo atenta e atuante. passaram a competir pelo mercado de previsão do tempo. mas para o paulistano. Era preciso definir quem fazia o quê. A Climatempo foi um empreendimento. como o CPETEC. “Tivemos um pico de expansão de 200% nos negócios em 2000.) ‘Até quarta prevemos temperaturas máximas de 30 a 31 graus’. de confecção e de transporte que utilizavam regularmente as previsões da empresa para a tomada de decisões em seus negócios. manter sua carteira de clientes e dominar seu segmento de mercado. Tanto era assim que logo. era inevitável que os serviços prestados por uma empresa privada fossem. A outra razão era de ordem prática. nas matérias de jornais. por outro essa resposta positiva não aconteceria se Virando uma holding 79 m quinze anos a Climatempo consolidou-se como a primeira grande prestadora de serviços de meteorologia no Brasil. por tabela.. Segundo o meteorologista Celso Luís. porém. por exemplo. passando pela Internet e pela consultoria. 10/4/2005.” (Jornal da Tarde. por ex-funcionários do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). viria de empresas privadas nacionais que também perceberam o aumento de demanda por informações climáticas. diz o meteorologista Luiz Alves dos No início de 2004. prestando serviço para a Rede Globo. a empresa era procurada. Santos Neto.E Conhecida e respeitada. em especial de Carlos Magno. Naquele momento era preciso definir as várias frentes de trabalho desde a operação da tevê. órgãos públicos. decorrente de vários serviços lançados no nosso site. O trabalho pioneiro realizado pela Climatempo. A credibilidade. Magno comentava o crescimento da empresa nos últimos cinco anos: cerca de 30% ao ano. 9 . fez com que os órgãos públicos. mesmo depois de tantos anos. se por um lado era o resultado de um trabalho muito sério de divulgação feito pela Linhas & Laudas. ao lado da Climatempo. Tanta notoriedade não era fruto do acaso. (. a Climatempo contabilizava como clientes quase 500 empresas ligadas às áreas agrícola. fundada em 1995. “Sou um empreendedor nato. também se tornassem mais conhecidos. Em matéria publicada na revista Pequenas empresas. a Climatempo já podia se dar ao luxo de andar com as próprias pernas. tevês. que. de março de 2004. o mês de abril deste ano está atipicamente quente. que colocava o nome Climatempo nas mais diversas mídias. alvo de concorrência. com o tempo. ajudou a criar uma nova cultura meteorológica. passou a ser respeitada. a partir do fim da década de 1980. a previsão do tempo. o mês de abril está com cara de verão. a Somar conseguiu conquistar uma fatia importante do mercado. farmacêutica.. Aos poucos. por sua vez. Com uma estratégia agressiva de preços. ainda enxergava e acreditava no grande potencial da meteorologia no Brasil. gerando maior interesse A concorrência mais séria. o site da Climatempo registrava uma impressionante marca: um milhão de pessoas utilizava alguma espécie de serviço da empresa via Internet.” Também naquela época. A primeira delas era o espírito empreendedor do casal Ana e Magno.. da Somar. define Magno.). Foi o início da profissionalização que levaria à criação do Grupo Climatempo. Índice que subiria para oito milhões de acessos ao mês em junho daquele mesmo ano. in Linhas & Laudas). A Somar Meteorologia (Southern Marine Weather Services). lá atrás. porém. Com isso. para opinar sobre as condições do tempo: “O outono chegou há três semanas. Ela oferece consultoria para jornais.. Duas razões. agronegócio e mantém um portal na Internet. da população no acompanhamento dos fenômenos meteorológicos. compete basicamente no mesmo mercado da Climatempo.

Essas nuvens se formam somente em dias bastante quentes. O Catarina foi mais tarde reconhecido como um furacão de categoria 1. Foi o que aconteceu. a Climatempo esteve quase diariamente no noticiário dos principais jornais brasileiros por causa de uma série de eventos raros. a Climatem- po ampliaria ainda mais a visibilidade de seus serviços com mais um produto. 76 feridos e milhares da casas danificadas. semelhante a uma nevasca. Magno associou-se.a empresa em si não conquistasse visibilidade por meio de ações e iniciativas inéditas no campo meteorológico e no investimento constante. seguida por uma chuva forte. conge- lando a água. que passou a enviar as informações via satélite e não mais por arquivos de computador. o gelo acumulado nas vias foi superior a 30 centímetros e foi preciso muito trabalho para retirá-lo das ruas. onde a temperatura é baixa. para a divulgação de uma superprodução O dia depois de amanhã. Segundo destacava matéria do Jornal da Tarde.” E mais. com ventos entre 120 e 150 km/h e surpreendeu os especialistas pela raridade do fenômeno no Brasil. mais adequadas ao perfil de cada cliente. que movimentava cerca de 40% do Produto Interno Bruto ( PIB) brasileiro. isso não aconteceu”. do dia 13 de fevereiro. A outra era a ampliação dos serviços para celulares para as operadoras Tim.. 80 . ao empresário sul-mato-grossense Claudio Godoy. Pouco depois. quando uma tempestade de granizo. lembra Magno. também associada a uma alta umidade do ar. No fim. No campo tecnológico. na época. além de um link que permitia o acesso ao site oficial da produção. destaque para duas novidades. Enchentes. a Fox investiu na exposição de banners e popups. Sua programação era dirigida ao setor agropecuário. A equipe de meteorologistas era constantemente procurada para explicar fenômenos que intrigavam a população. que atingia. a Fox Films do Brasil. racionamento de água. na sua estrutura. Nesse período. A gente queria colocar a TV Climatempo como canal aberto e o Canal do Boi transmitia por parabólicas. André Madeira esclarecia: “Granizo e neve são como água e vinho. dono do Canal do Boi. Na maioria das redações ouvir os especialistas da Climatempo tornou-se quase obrigação editorial. com uma empresa cinematográfica. Um serviço mais uma vez inovador da Climatempo. A neve se forma quando a temperatura é bastante baixa na superfície. Claro e Vivo. estiagens. A explicação técnica do fenômeno ficou por conta da Climatempo: “O granizo é produzido por nuvens que alcançam altitudes elevadas. Apostando na popularidade do site. O espírito empreendedor de Carlos Magno muitas vezes esbarrava no que popularmente se chama “canoa furada”. do diretor Roland Emmerich. O novo sistema permitiu apresentações personalizadas do audiovisual das previsões do tempo. A primeira ficaria por conta da mudança no sistema de envio de dados aos clientes. o mesmo de Independence Day. A paisagem de verão deu lugar a uma grossa camada de gelo. tanto financeiro quanto cultural. Com a expectativa de entrar na tevê aberta. em maio. cobriu de gelo boa parte da zona Norte da cidade de São Paulo. em setembro de 2004. a Climatempo já era referência para toda e qualquer informação climática. No ano de 2004. A popularidade da Climatempo ficou evidente em uma parceria inédita que o portal fez. a ocorrência de um ciclone extratropical com ventos de até 150km/h arrasou o sul de Santa Catarina no fim de março e deixou três mortos. para tirar dúvida sobre a possibilidade de neve. gerando conteúdo para mais de 250 emissoras de rádio em todo o País.. Isso faz com que a água forme os cristais de neve”. “Na verdade foi uma parceria que não deu certo. Naquele mesmo mês. distribuído em parcerias. Com isso a emissora recebia a arte pronta para gravar e exibir. por exemplo. já que o filme retratava os impactos de fenômenos da natureza nas principais cidades do mundo. cerca de 35 milhões de telespectadores anualmente. Em qualquer um desses episódios a análise dos meteorologistas era sempre requisitada. O objetivo era claro: explorar o potencial da principal empresa de meteorologia privada do País. em fevereiro. Mas nem tudo era só sucesso. Dessa vez.

A Semp Toshiba entrava com os computadores em troca de espaço publicitário. acabei desviando o foco da TV Climatempo. Portanto. O MM5. e deixar de vender selas para cavalos. Como a Climatempo manteve seu padrão e seus preços. Esse novo sistema deu à Climatempo uma qualidade ainda maior na prestação de serviços de previsão do tempo. O Renato teve a ideia de vender selas para cavalo. alguns clientes debandaram. em janeiro de 2005. tinham consciência da importância das novas tecnologias e do que as novas mídias que despontavam com toda a força podiam representar para o desenvolvimento de novos negócios. sócio da Climatempo Internet. com o acordo. Para dedicar-se totalmente à Climatempo. enquanto um computador normal realizava um bilhão de cálculos por segundo. depois de reestruturar administrativamente a empresa.” Esses pequenos desvios serviram de aprendizado e motivaram a retomada do caminho traçado para a empresa. umidade e ventos. Carlos Magno deixou a rotina de previsão e de atendimento aos clientes para sua equipe. a Climatempo anunciou uma parceria com a empresa de tecnologia Semp Toshiba. o software usado pela Climatempo foi adaptado. passou a se ocupar da supervisão geral do grupo de previsão. “Ganhamos muito dinheiro. Se antes era possível elaborar a previsão com maior precisão para um limite de 100 quilômetros. Todos rodando em um cluster GNU /Linux. porém. “Eu tinha um diamante bruto em minhas mãos e precisava trabalhar para lapidá-lo. desligando-se do dia a dia para acompanhar o processo global da empresa. O objetivo dessa associação era que todo o processamento das informações fosse distribuído aos computadores de forma que na prática todo o trabalho fosse feito por um único computador. que voltamos a nos impor no mercado. Os equipamentos permitiram à empresa fazer uma previsão para quinze dias no prazo de uma hora. Com as novas configurações. a Climatempo passou a trabalhar com seis computadores de última geração na época: Pentium de 2. para a sua empresa de meteorologia. assim como Renato Urbinder. Foi então. Também tornou possível prever com maior chance de acerto a ocorrência de chuvas. as duas empresas desenvolveram um novo sistema que aumentava a precisão e a velocidade dos serviços de previsão. Carlos Magno e Ana Lucia. chegando a quatro quilômetros na região metropolitana de São Paulo. surgiu a ideia de montar um canal de vendas. chuvas. Isso possibilitava apontar as condições climáticas diferentes até mesmo entre bairros da capital.que define o período como uma fase negra da Climatempo. O preço dessa iniciativa foi que a concorrência percebeu o momento vulnerável da Climatempo e promoveu um verdadeiro ataque. montamos uma equipe de telemarketing e começamos a fazer programa ao vivo para vender de madrugada. que também é um sujeito empreendedor. Os novos computadores eram capazes de processar 26 bilhões de operações por segundo. Assim como Ana Lucia. antes esse trabalho levava mais de três dias. contendo informações de temperatura.” O que aconteceu foi o seguinte: com toda a estrutura montada dentro do Canal do Boi. e isso teve suas consequências.8 GHz. Magno também concluiu que como diretor presidente da empresa era preciso cuidar do gerenciamento de todos os setores que compunham a Climatempo naquele momento. Magno então percebeu que era hora de voltar o foco para a consultoria. “Tinha estúdio. O processo de retomada passava pela modernização da empresa. Pensando nisso. lembra Magno. Eu e o Renato Urbinder. baixando o valor dos serviços. mas ainda sem transmitir a TV Climatempo. 2 GB de memória RAM e 120 GB de disco rígido. com o novo sistema foi possível diminuir o campo para 40 quilômetros. Vendemos muitas selas e ganhamos muito dinheiro”. que. “Cluster” é o nome dado a um sistema montado com mais de um computador. um link de satélite e um horário na madrugada para fazer qualquer coisa. um modelo de previsão do tempo de pequena escala de código aberto que havia sido desenvolvido para o hemisfé- 81 . já em 2005. Juntas.

avalia Renato Urbinder. temporais que arrasavam cidades. A Elite Info de Tecnologia foi escolhida por presidentes de empresas. Os serviços da empresa eram solicitados para esclarecer as “loucuras do tempo”: calor no inverno. Na Internet também era preciso acompanhar o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas e do perfil do internauta. o que facilitou o trabalho dos meteorologistas. a Climatempo colocou à disposição de seus clientes dois tipos de previsão. Já a previsão climática era uma área muito específica dentro da Climatempo que atendia a clientes que precisavam de um acompanhamento a longo prazo do clima. “Sempre estivemos empenhados em trazer para os celulares novas conexões. por exemplo. mapas e imagens do tempo em outros países. como os índices ultravioleta para sete dias. pioneira em projetos.” Não era à toa que a Climatempo estava presente nas principais operadoras de celulares. Toda essa movimentação em busca da modernização não poderia resultar em outra coisa senão em reconhecimento. Desde o início. Outra novidade: todos os dias os usuários de todo o País podiam solicitar.. fundador e presidente da Climatempo. e dentre os nomes apontados como parte dessa elite estava o empreendedor Carlos Magno do Nascimento. Para isso foram feitas algumas alterações no layout para facilitar a navegação e deixar o portal mais interativo. A Climatempo. Para enfrentar as mudanças bruscas dos termômetros. escolhidas entre três mil municípios brasileiros e 350 no exterior. “A Climatempo sempre esteve na ponta. foi ajustado pela Climatempo para elaborar a previsão para o hemisfério Sul e para o Brasil. A velocidade cada vez maior com que novas tecnologias para celulares se desenvolviam significava novos negócios para empresas como a Climatempo. A mais conhecida e imediata era a previsão do tempo. como ferramentas estratégicas de negócios. os celulares se consolidaram . previsão do tempo via e-mail. Para a revista. Primeiro. com simples torpedos que enviavam a previsão do tempo para o celular. qualidade do ar e das praias. por isso nosso empenho em produzir conteúdos cada vez mais interessantes para os celulares. com um prazo de validade para um período de cinco dias. o site trazia mais informações. gerando gráficos mais precisos para a TV Climatempo. Em setembro de 2005. O projeto contava com o respaldo científico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). com a mesma qualidade. frio fora de época. Magno destacaria um dos objetivos da empresa: “Queremos colocar a informação na mão do usuário. Tudo para tentar minimizar os riscos de investimentos de um setor que gerava cerca de 20 bilhões de dólares por ano. desenvolvendo produtos para celular”. cada vez mais exigente. como o da indústria têxtil.. As instabilidades climáticas ocorridas no Brasil sempre foram um forte aliado do crescimento da Climatempo no mercado de meteorologia do País. De posse dessas informações. Diariamente eram enviadas informações com a previsão para quatro dias para até cinco cidades. As facilidades operacionais permitiram também que os técnicos da Climatempo conseguissem renderizar imagens e filmes mais rapidamente. Por exemplo. novos planos que permitam a navegação na Internet”. a revista Info elegia os 21 nomes mais importantes da tecnologia brasileira. que fazia a avaliação estatística do novo sistema. depois com informações via Internet e por fim com a expectativa de em breve transmitir programas de tevê pelo celular. criou um serviço especial para a indústria têxtil: a cada 30 dias fazia previsão para os próximos 12 meses. indústria e varejo tinham de recorrer aos meteorologistas. Era a partir das in- 82 Em outra ponta. o serviço do Climamail. uma loja programava a montagem de vitrines para atrair consumidores durante o fim de semana com base nesse prognóstico. um entusiasta do potencial dos pequenos telefones. O que vai acontecer em dois ou três meses pode ser muito importante para alguns setores. professores universitários e consultores.rio Norte. ainda na área de TI. Além de possibilitar o envio de fotografias de fatos ligados ao tempo pelos usuários. os clientes podiam fazer um planejamento diário de suas ações. na página da Climatempo.

varejo e indústria percebiam a necessidade de contratar uma empresa especializada em serviços meteorológicos. Um exemplo de cliente da previsão climática era a Daslu. Assim como a indústria têxtil. a previsão do tempo e do clima era um negócio. que reunia 42 empresas. eles sabem se devem investir num tecido mais pesado ou mais leve para a estação seguinte”. Em novembro de 2005. explica Ana Lucia. porém. a loja solicitou uma previsão antes de selecionar o que iria expor na coleção de inverno. como jornais do porte de O Globo e Extra. os clientes fixos. entre elas a Rede Mulher e algumas retransmissoras regionais. que passou a ter uma página com a previsão meteorológica para o mês elaborada pelo meteorologista André Madeira. No outono de 2003. que aconteceria em Florianópolis no ano seguinte. uma vez que prestígio e confiabilidade já estavam definitivamente associados ao nome da empresa em 2006. por exemplo. “Não fui eu quem inventou a previsão climática. montamos um formato que está até hoje e podemos fazer a previsão para qualquer lugar do Brasil”. e O Estado de S. Pouco tempo depois. “Elaboramos a previsão. Ana Lucia fora convidada. André e Patrícia Madeira são os responsáveis por esse tipo de serviço. “O dono da marca me perguntou uma vez se era possível fazer uma previsão para estação e eu disse que era. Ana Lucia. como a Eldorado e a CBN e cerca de 50 tevês. e a confiabilidade se traduzia na quantidade de matérias em todas as mídias em que a Climatempo era fonte de informação. Em 2005. oitenta previsões”. direcionada à classe AA. avalia Ana Lucia. as indústrias farmacêuticas e da construção civil são as maiores interessadas nas previsões climáticas. que por si só atraía o interesse de possíveis clientes. famosa loja de grifes de São Paulo. Paulo. Os desenhos selecionados foram utilizados na publicidade do congresso e o vencedor ganhou uma câmera fotográfica digital. no Rio de Janeiro. “Com essa informação. a previsão dava aos aficionados pelo mundo offroad a possibilidade de organizar 83 . outro cliente de peso. isto é. a gente simplesmente aborta o que está sendo feito e refaz tudo. contudo. Fomos melhorando. rádios. a Climatempo conquistou um importante cliente: o Sindicado das Indústrias de Fiação. Cada vez mais. contratos por trabalho específico. os dois não deixaram de lado a raiz de tudo: que a meteorologia era uma ciência. melhorando. destaque para a revista Moto Adventure. a Camisaria Colombo. O detalhe é que eu fui estudando o que os acadêmicos diziam até encontrar uma solução que o mercado considera boa”. Ouvimos bastante os clientes. se houver uma mudança radical. O objetivo do concurso era chamar a atenção para a atuação da meteorologia na sociedade e no meio ambiente por intermédio de animações. O trabalho de previsão para o setor de moda começou com uma etiqueta de surfwear. Ninguém imagina o trabalho que é refazer setenta. Congresso Brasileiro de Meteorologia. Entre os novos clientes. também passou a utilizar as previsões fornecidas pela Climatempo. em 2004. No início. No varejo. Por isso era importante manter contato com as entidades do setor e também com a comunidade científica. as previsões da empresa também eram fundamentais para definir as vitrines e o tamanho do estoque para a estação. Tecelagem e Vestuário de Blumenau (Sintex). Havia. entre elas a Hering e a Marisol. era uma coisa muito incipiente. afirma Magno. a Climatempo e a SBMET promoveram um Concurso de Marcas com Animação para divulgar o 14º. a empresa já registrava uma base de 1. O prestígio podia ser avaliado pelo reconhecimento da marca. Em 2006. Ela tem outras raízes que são acadêmicas. muitos deles sazonais. A busca da profissionalização era a meta principal da Climatempo. Na empresa. em São Paulo.500 clientes. explica Ana Lucia. a participar da diretoria da Sociedade Brasileira de Meteorologia ( SBMET) para o período de 2004 a 2006. Para Carlos Magno e Ana Lucia.formações da Climatempo que indústrias do setor têxtil definiam a gramatura do tecido que seria usado em determinada peça de roupa. Dividida em regiões brasileiras.

mídias. persuasão. oferecendo análises climáticas com projeção para até um ano. como o Habib’s. AutoBan e Ponte Rio–Niterói. com cinco unidades de negócios. voltada para a realização de vídeos e documentários. pelo desenvolvimento de novas 84 . por exemplo. Do jeito que estava. O novo serviço do tempo trazia também notícias atualizadas a cada 30 minutos. Toda essa modernização contou com a direção do jornalista Paulo Polli. comprometendo a qualidade dos serviços prestados. além de prejudicar o fluxo do trabalho. criava situações confusas internamente. Entre as empresas. “Esta ação fez-se necessária pelo crescimento da empresa desde a sua criação. shoppings. direto da redação da Climatempo. revelava o seu segredo: “Pela natureza do setor. Percebemos que a Climatempo já não comportava mais uma administração unificada. como TVs indoor. E a empresa que souber como o tempo vai se comportar tem uma vantagem”. Arquitetura e Agronomia de São Paulo ( CREA-SP). transformando a Climatempo em um grupo empresarial. O Grupo Climatempo passou a ser formado pela Climatempo Consultoria e a Agência Climatempo. em entrevista para a revista Exame. o Último Segundo. e índice de acerto em torno de 70% e previsão do tempo mensal e diário com índice de acerto de 95% para indústrias. Com a nova estrutura ganhou também novos serviços. que usava a previsão para evitar congestionamento no serviço de entrega rápida. quatro estúdios de gravação equipados com câmeras e aparelhos digitais. empresas de telefonia. Uma parceria com as concessionárias Ecovias. que a partir de julho de 2006 passou a oferecer o acompanhamento da previsão do tempo para cinco mil cidades brasileiras e mais 350 cidades de outros países no boletim informativo do portal. de alguma forma. em 1988. Essas empresas seguiam a legislação para o tipo de negócio prestado e por isso estavam registradas no Conselho Regional de Engenharia. corridas e as demais atividades em duas rodas. Carlos Magno e Ana Lucia tomaram consciência de que era preciso reestruturar a em- presa. afirmava Magno em entrevista ao jornal Gazeta Mercantil. mas sempre convicto de que o clima está. lojas de departamento etc. e as novas mídias.com antecedência viagens. e a Climatempo Produções. e um estúdio em que eram feitas entrevistas e a gravação de comentários. como com site iG. a TV Climatempo. Na cartela de clientes havia malharias. até cadeia de restaurantes. produtoras de filmes. de julho e agosto de 2006. A Climatempo Meteorologia e a Agência Climatempo eram as empresas mais antigas do Grupo e respondiam pelo atendimento dire- to a grandes empresas. por isso a concepção do grupo solidifica o nosso objetivo de se apresentar ao mercado dessa maneira”. na base das decisões das pessoas. Surge então o Grupo Climatempo. agências de viagens e parcerias importantes. a tevê atuando com a Internet e interferindo na consultoria. empresas de seguro. Nesse momento. desde lojas de varejo. Os demais clientes setoriais eu consegui com um pouco de intuição. que desde 2005 havia se reintegrado à equipe com o objetivo de dirigir toda a programação da tevê. empresas de prestação de serviços técnicos de previsão de tempo e clima: a Climanet direcionada para serviços de Tecnologia da Informação e Internet. como a C&A e o Magazine Luiza. a TV Climatempo recebeu novos equipamentos. que recebeu uma nova injeção de investimentos. realizar uma profunda alteração para poder atuar em todas essas frentes. com cinco ilhas de edição não-linear. A Climanet era responsável pela manutenção do Portal Climatempo. os agricultores eram um alvo evidente. agronegócios. permitia a visualização de imagens das câmeras das rodovias e com isso oferecer serviços meteorológicos atualizados. a consultoria dedicando-se mais em abastecer a Internet do que seguir o seu objetivo de atender aos clientes. Para modernizá-la e torná-la mais competitiva. Carlos Magno. assumindo toda a responsabilidade legal pelos trabalhos feitos junto a clientes. em abril de 2006. como o boletim das estradas. Para seduzir tantos e tão variados clientes. vale ressaltar a variedade de segmentos que procurava a Climatempo. ônibus.

o prédio da rua Muniz de Souza e a casa amarela ficaram pequenos. além de novas imagens de satélite e de um banco de dados sobre chuvas e temperatura que serviriam como fonte de pesquisa ao internauta. 85 . era a profissionalização. Uma importante mudança de posicionamento da empresa fez com que a Internet gerasse receita não só na produção de conteúdo. na mesma época em que foi criado o Grupo Climatempo. Com toda essa reestruturação. especialmente aquelas voltadas para a transmissão de informações via celular. e ainda pelo envio de informações customizadas para outros sites e portais. foram criados grupos de trabalho. atualização de três em três horas.tecnologias. diria Magno. Além disso. pressão e raios ultravioleta para dois dias. com uma média de cem mil visitas diárias e mais de oito milhões de page-views por mês. o internauta tinha acesso a conteúdos transmitidos ao vivo em banda larga e podia trocar informações e opiniões com a equipe da tevê. Com a formação do Grupo Climatempo houve uma reformulação total no visual do portal e a criação de dois sites. documentários. informações sobre vento. mas também com venda de publicidade por meio de banners e links patrocinados. umidade. Pelo site. o portal era um dos cem mais visitados em língua portuguesa. Ali. produzindo vídeos institucionais. Mais uma vez. programas de tevê. como estúdios e equipamentos para prestar serviços para terceiros. antigas instalações da Rede Vida de Televisão. desenvolvido pela empresa de comunicação Linhas & Laudas. Enfim. naquele momento. era hora de mudar para poder crescer. todos obedecendo à filosofia e missão de cada empresa. A repaginação do portal trouxe previsões do tempo para cinco dias. A Climatempo estava pronta para novos vôos. com a descrição de cada programa. no bairro do Paraíso. Um negócio interessante para empresas. Por fim. além do desenvolvimento de produtos nas áreas de computação gráfica e multimídia. A ideia era aproveitar a estrutura da TV Climatempo. Os novos estúdios e as demais empresas do grupo foram transferidos para um amplo prédio na rua José Antônio Coelho. ou pelo menos o início dela. o da TV Climatempo e um institucional descrevendo as atividades do grupo. “Cada uma delas com a sua vocação”. Isso foi possível graças a um acordo com a Microsoft para o desenvolvimento de um software que tornava viável assistir à TV Climatempo pela Internet. surgiu o conselho consultivo e foram nomeados gestores para cada unidade de negócios. novos conteúdos e maior agilidade. O Portal Climatempo já estava no ar havia cinco anos e com as modificações ganhou nova identidade visual. pois. em andares diferentes. uma nova empresa tornou-se parte da holding: a Climatempo Produções. No site da TV Climatempo era possível encontrar toda a grade de programação da tevê.

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representava um novo desafio: o posicionamento da empresa no mercado.” Climatempo estaria ligada a uma outra superprodução de Hollywood. A reestruturação da Climatempo. porém. ainda tão recente. o crescimento da Climatempo. Magno saiu satisfeito. foi surpreendido ao assistir ao filme O amor não tira férias. de cada funcionário e as metas comerciais. e que tem Cameron Diaz no elenco. A Climanet. os celulares passa- O céu fala. a norteamericana Marvel Comics. em cartaz na cidade. agora como Grupo Climatempo. teve cenas gravadas na favela da Rocinha. Ao trocar de canal. a Climatempo continuava crescendo. torpedos. Pelo menos era assim que Carlos Magno e Ana Lucia encaravam o ano de 2007. Mesmo morando do Rio. Dessa vez. mais uma vez. Paulo. no Rio de Janeiro. era preciso marcar posição. uma das unidades do grupo. ele acessa rapidamente a TV Climatempo e acompanha um boletim climático. zinha e que um dia saiu do Rio de Janeiro com cinco mil dólares na bolsa só para ajudar a construir o sonho de um deles. então titular da coluna Persona no jornal O Estado de S. Quem conta essa história é César Giobbi. o site é livremente traduzido para Climatempo. Carlos Magno foi surpreendido. para aproximar o original da realidade brasileira. Para a Climatempo. Com a atenção voltada para o momento pelo qual o grupo passava. O filme estreou no Brasil em junho de 2008. Kate Winslet e Jack Black no elenco. Nas legendas. já estava presente em várias operadoras de telefonia celular com boletins. Paulo: “O meteorologista Carlos Magno. dona Alice acompanhou passo a passo. também! 10 87 . assiste à televisão em sua casa na favela. Ana Lucia e especialmente o sócio Renato Urbinder estavam sempre atentos às mídias que apontavam nichos importantes a serem conquistados. dirigido por Louis Leterrier e com Edward Norton no papel principal. para com isso ganhar unidade e poder competir com maior profissionalismo em um mercado que ajudou a criar e agora se expandia. produção hollywoodiana com Cameron Diaz e Jude Law. Diante de uma concorrência acirrada. formado por Kate Winslet e Jack Black. Carlos Magno. O filme “O Incrível Hulk”. a Fora das luzes do estrelato. 15/01/2007) Um ano depois. inclusive ajudando financeiramente. o personagem Hulk. ficaria guardada no coração. fala sobre previsão do tempo e acessa um site americano de meteorologia. Em uma delas. ainda no início de 2007. com a triste notícia da morte de sua mãe. a Climatempo. dona Alice sempre foi uma fonte de inspiração e respeito para Carlos Magno e seus irmãos. Apoiando a distância o empreendedorismo do filho meteorologista. Logo. Foi a própria produtora do filme. interpretado por Norton. presidente do Grupo Climatempo. quem solicitou à Climatempo a imagem reproduzida na tela. flashes sobre as condições do tempo que podiam ser acessados pelos usuários. A prova de que o nome Climatempo tornara-se uma referência para a área meteorológica estava no filme “O amor não tira férias”. quando tinha apenas cinco anos. Em uma cena do filme. mereceu mais do que a citação na legenda brasileira. lógico”. “Foi um momento complicado pessoalmente. Carlos Magno nunca escondeu a admiração pela mãe. quando preciso. por isso decidi me dedicar ainda mais à profissionalização da empresa e em seu futuro. Era realmente preciso ficar alerta. criou os três filhos so- Uma notícia bastante agradável daria um certo alívio à sensação de perda. primeira empresa privada do setor no Brasil. Uma área que continuava em franca expansão. parceira do Grupo Estado e líder no segmento. porém. nos bastidores do grupo. perto de completar vinte anos. Um deles certamente era o da tecnologia celular. porém. A gente entende m ano decisivo. (O Estado de S. e foi um grande sucesso. dona Alice sofreu um enfarte fulminante e não resistiu. Aos 77 anos. o par romântico. A tristeza. que desde a morte do pai.U Mesmo reconhecida nacionalmente como prestadora de serviços meteorológicos e prestigiada até em filmes norte-americanos. pois os avanços mostravam-se rápidos com várias gerações de celulares sucedendo-se num piscar de olhos. Seria uma homenagem a minha mãe. precisava definir os objetivos de cada núcleo do grupo.

relembra Magno. Rápidos no gatilho. podia ser mensurada pela quantidade de empresas que procuravam associar seu produto ao serviço da empresa pela Internet. Vanderlei Violin chegou ao grupo em fevereiro de 2007 com a missão de organizar os setores de recursos humanos e Marketing e implantar um departamento comercial compatível com o tamanho do grupo. e mudou de nome. Violin era um dos diretores do jornal Vale Paraibano. os executivos da TV Climatempo perceberam a possibilidade de a emissora estar presente nos pequenos aparelhinhos. passou a ser fundamental para o futuro do Grupo. decidimos que era hora de montar um departamento comercial. Instalada nos principais aeroportos do País – Congonhas. A chance apareceu com o lançamento do Idéias TV. envolvendo a montagem de um organograma. Vick. e um novo e importante processo rumo à profissionalização. A TV Climatempo. Carlos Magno e Vanderlei Violin conheceram-se em São José dos Campos. Na época. Santos Dumont. Na época. além de treinar os gestores. organizar melhor a área administrativa e de recursos humanos. As previsões eram atualizadas três vezes ao dia e feitas especialmente para a Fly TV. A Fly TV. e Vitória. entre eles a possibilidade de 88 . foi neles que surgiu um outro nicho promissor captado pelo grupo: uma televisão exclusiva para os turistas. nesse momento. Violin deu início a um trabalho focado na estruturação de uma área comercial competitiva. posicionamento diante do mercado. TAM. A direção do Grupo Climatempo também percebeu isso. Nivea. “Nós não sabíamos nos vender. criando as unidades de negócios. Em janeiro de 2007. Esse desafio foi proposto ao Violin”. Pirelli. um serviço por assinatura da Claro em parceria com a Móbil TV. em São Paulo. executivos e demais passageiros. que até então estava mais acostumado a ser “comprado”. típico de aeroportos. em 1999. Renato Urbinder dizia que: “A entrada da TV Climatempo na programação da Fly TV nos aeroportos reforça a posição da empresa como referência no segmento de previsão meteorológica no País”. entre eles os boletins climáticos fornecidos pela TV Climatempo. Sua meta era vender os serviços do grupo. A visibilidade da marca Climatempo. a TV Climatempo tornou-se o primeiro canal brasileiro a fazer parte da programação do novo serviço com um conteúdo repleto de informações.” Outra questão urgente para o grupo e que ficou sob responsabilidade de Violin era a reorganização da área de RH. as pessoas nos procuravam para comprar nossos serviços e então simplesmente vendíamos. e Confins. sentimos que também era preciso profissionalizar esses núcleos. em 2008. como dizia Magno. na inauguração da TV Climatempo. em São Paulo. A primeira providência foi a contratação de um experiente profissional na área de treinamento e gestão e também comercial. ou. E por falar em aeroportos. porém. no Rio de Janeiro. uma variedade de anunciantes que percebeu que superar a marca de 100 mil visitas diárias e ser um dos 100 sites mais acessados em língua portuguesa não era para qualquer um.ram a comportar muito mais do que mensagens. Nissan. No Portal Climatempo era possível encontrar anúncios da Nestlé. como Magno prefere definir. A oportunidade de trabalharem juntos surgiu anos depois. provedora norte-americana de conteúdo multimídia. passando a chamar TV Aeroporto. Dupont. continuou como um dos seus principais parceiros. Quando a concorrência passou a ser mais forte e percebemos que estávamos fechando menos negócios. desde a previsão do tempo e as condições climáticas para o esporte até detalhes sobre a situação dos aeroportos. no Espírito Santo. o treinamento dos gestores de cada unidade e firmando parcerias que trariam diversos benefícios aos funcionários. “Quando fizemos a reestruturação da Climatempo. em Belo Horizonte – a Fly TV desenvolveu uma programação com conteúdos diversificados. com o dinamismo necessário para esse tipo de serviço e para um público apressado e de passagem. ampliou os serviços para os aeroportos de Guarulhos.

cada vez mais prestar um serviço melhor para os nossos clientes e futuros clientes. primeiro no conselho de gestores formado pelos diretores da cada empresa do grupo e depois nos comitês. como o fluxo de informação. Sorria sempre. Em 1991. sem ter a mesma informação. Como vamos chegar lá? Trabalhando com confiança em nossa capacidade. Divulgar a que veio. “Coisas como eu receber o cancelamento de um contrato de uma tevê. essa falta de unidade. Postura O cliente tem que sentir que você está verdadeiramente interessado em resolver o problema. especializada em MBA s. com tratamento simpático e sem burocracia. crescer e investir para nos tornarmos o melhor centro de previsão do tempo do Brasil. impor suas metas. Magno contava com a experiência de Violin no gerenciamento do departamento de RH para acabar com problemas básicos para uma empresa. Sermos a melhor empresa de meteorologia do mundo e permanecer no futuro como uma instituição sólida. clientes e parceiros. por exemplo. A nova e mais recente carta foi discutida internamente. demonstrava o pouco entrosamento da equipe. A carta de valores foi um marco nesse processo. continuar enviando o serviço para o cliente. a dificuldade de fazer a informação circular. procurando sempre usar novas técnicas de pre- visão e tecnologias de comunicação. mas não comunica. Senti que a situação era grave quando um cliente tentou usar os banheiros de um dos andares da empresa e não conseguiu. pois os dois estavam quebrados. Investir em máquinas e em conhecimento. Outra carta de valores foi elaborada em 2001. clara e centrada para a sua necessidade. software e hardware. ninguém vai saber qual é a sua filosofia”. Isso se dará através do fornecimento de conteúdo para os clientes e também através de nossos próprios meios de comunicação. Nossa missão Elaborar para nossos clientes a melhor previsão do tempo. surgiu a primeira carta de valores. e o setor de operações. A Climatempo já havia proposto anteriormente seus objetivos. O que vamos conseguir com isso? Sobreviver. Poucos anos depois. em fevereiro de 2007. Se o gestor pensa. e a formatação de uma carta de valores do grupo deram início a esse trabalho.atualização por meio de cursos de idiomas e gestão. lucrativa e inovadora. A realização da primeira convenção interna do grupo. caso do acordo feito com a escola de idiomas Cel Lep e com a Madia Marketing Scholl. Fornecer serviços e produtos de alta qualidade. E o resultado foi a divulgação da visão. Eu não havia sido informado e ninguém se preocupou em avisar. ampliando as bases das primeiras e também alargando os horizontes da Climatempo: A nossa missão é ser o melhor centro de distribuição de informação meteorológica do Brasil. uma visão mais elaborada de suas propostas. conhecimento e criatividade.” Para Magno. buscando todos os dias novas tendências e conhecimentos para superar as expectativas dos usuários. da missão e dos valores do Grupo Climatempo: Visão Sermos líderes no mercado nacional. do qual participavam os líderes de cada unidade. “Toda empresa precisa se divulgar. Julho de 1994 O que querem os nossos clientes? Previsão do tempo com boa qualidade. pois traduzia toda a nova mentalidade que Magno e Ana queriam introduzir no grupo. e isso precisava mudar. Missão Desenvolver e oferecer a melhor previsão do tempo com total independência. com tecnologia 89 . acredita Magno. abrangendo todas as tecnologias disponíveis. Simples e direta: Julho de 1991 Missão Sermos a melhor e a mais conhecida previsão do tempo do Brasil. capacitação técnica.

que trouxe para o grupo sua visão de como criar uma comunicação coorporativa eficiente e marcante. maior empresa privada de meteorologia do País. respectivamente. 90 As empresas passaram por uma verdadeira repaginação: o site foi . enquanto a Climatempo Consultoria e a Agência Climatempo.” O relatório destacava ainda o crescimento da marca em todos os setores do mercado. segundo o relatório. Nivea. A partir da carta de valores. um novo logotipo criado. afirmou Ana Lucia na época. A TV Climatempo foi a que apresentou a maior elevação: 85%. atendeu ao pedido de Magno e Ana. reformulado. além de oferecer um atendimento full-time aos clientes”. E por fim. Violin. Garra. mais leve. com nomes como Embratel. Busca permanente da confiança e credibilidade. Esse processo envolveu não só o RH e o departamento comercial. no qual fazia um balanço do primeiro ano do grupo. ética e respeito ao cliente externo e interno. e como vice-presidente do grupo norteou sua atuação no planejamento estratégico de cada empresa. Criado com o objetivo de estruturar as cinco unidades de negócios da Climatempo Meteorologia. e atraiu a atenção das principais empresas de telefonia móvel. Sky. Na Internet. e promoveu um grande investimento em tecnologias. destaque para a contratação de profissionais. ponto para a TV Climatempo. novas ideias e soluções. Dar ao cliente o mais alto nível de personalização. determinação. Toyota. do organograma ao plano de metas.avançada e clareza nas informações. foi mais além ao abrir caminho para uma tomada de posição do grupo. mesmo sendo um executivo especializado na área comercial. Ótimo atendimento ao cliente. em seus resultados. Esse dado por si só já dava uma ideia de quanto a procura pela previsão do tempo e especialmente de clima cresceu nesse período. Todo o grupo. o Grupo Climatempo completa um ano com um crescimento de 30% em seu faturamento. que caminham lado a lado. Isso ficou claro em um relatório divulgado pela empresa de comunicação Linhas & Laudas. que há um ano estava em fase embrionária e já atua em diversos projetos. Com isso. Comprometimento. porém. em cada unidade do grupo. Esse sucesso se deve muito à consolidação da Climatempo Produções. elevando em 30% o quadro de meteorologistas. o publicitário Camilo Magalhães. além da chegada de anunciantes de peso. Na consultoria. vontade de crescer e vencer. Foi aí que entrou em cena um outro importante personagem. que após a mudança na estrutura do grupo buscou novos conteúdos audiovisuais. O resultado positivo entre o primeiro trimestre de 2006 e os três primeiros meses de 2007 é consequência da evolução de todos os setores da empresa. braço da TV. ganhou uma nova comunicação visual e um slogan forte para reforçar a marca: C LIMATEMPO . houve um significativo aumento de acessos ao Portal Climatempo e também aos novos sites da tevê e do grupo. manteve uma base de assinantes em torno de dois milhões de pessoas distribuídas pelas principais operadoras. Valores Capacidade de perceber alternativas e buscar soluções criativas de qualidade. algumas delas passando a transmitir a programação da O CÉU Assim é que em apenas um ano o Grupo Climatempo caminhava a passos largos em busca de suas novas metas. NET Digital e outras 44 operadoras pelo País. sócio da empresa Btools. em tons claros de azul. obtiveram um incremento de 20% e 10%. sempre com o objetivo de alcançar experiência. bem como na Agência Climatempo. Constante espaço para discussões. A GENTE ENTENDE . “Isso deu à Climatempo a oportunidade de ser proativa tanto no dia a dia quanto na criação de novos serviços. e cada empresa ganhou vida própria. FALA . O faturamento da Climatempo Internet subiu 30% no período.

As entrevistas fizeram parte do programa Foco Ambiental e hoje são um documento importante para quem quer conhecer melhor esses temas. dizia-se que a tevê apresentava um padrão do tipo Bloomberg – um visual parecido com o canal de notícias financeiras da tevê a cabo –. Por meio desse novo processo foi possível gerar uma programação local para as diferentes operadoras. na tevê”. uma nova programação. no celular. com todo o seu profissionalismo e com a experiência adquirida ao longo de quase vinte anos de rádio Eldorado. desde como se fala até o que se fala na televisão. Até a queda definitiva do seu sinal. do Grupo Climatempo. digitais. avalia com orgulho Josélia. a TECSAT era a responsável pela distribuição da TV Climatempo para as demais operadoras. Esse seria um primeiro passo para entrar também com conteúdo audiovisual. Até então. banda larga. Outra boa novidade nesse ano foi a entrada no sistema NET Digital São Paulo. teve seu ponto positivo. A TV Climatempo também podia ser vista na Internet. com um logotipo estampado na tela e na roupa dos apresentadores. outras com possibilidade de acessar todo o seu conteúdo. Ângela ouviu os principais especialistas brasileiros em meio ambiente para discutir questões como mudanças climáticas. Um processo que gerou custos inesperados. A empresa havia sido fundada em 1998. foi preciso encontrar um padrão Climatempo. Continuo trabalhando em outras coisas. A partir de fevereiro. além da programação nacional. “Eu acompanho e oriento todo o conteúdo de meteorologia. biodiversidade. 24 horas por dia. biodiversidade brasileira e aquecimento global eram. Afinal era o primeiro e único canal brasileiro de meteorologia. a meteorologista Josélia Pegorim. As inovações propostas pelo publicitário da BTOOLS atingiram em cheio a TV Climatempo.tevê em tempo real. em agosto de 2007. Meio ambiente. Tivemos de mudar todo o sistema para que as nossas parceiras continuassem a receber o sinal. Com todas as mudanças implementadas no formato da TV Climatempo era natural o desejo de expandir a programação para além da previsão do tempo. Além disso. colocando computadores em várias operadoras”. assuntos obrigatórios em um canal do tempo. que. tanto no portal quanto em seu próprio site. nesses vinte anos de Climatempo. mas que. uma identidade. e principalmente um novo formato. avalia Carlos Magno. Ainda estou aprendendo a fazer aquilo que funciona na telinha. era tratar de temas atuais. mas diretamente ligada às meninas que trabalham na tevê. e no ano seguinte se tornaria parceira da embrionária TV Climatempo. Ao acessar o canal 211 era possível acompanhar a previsão para as principais capitais do País e do mundo. lembra Magno. A gente fez uma opção de empacotar produtos de uma forma que seja bem visualizada na Internet. “Foi um contratempo para a operação da tevê. acho que eu sou muito boa naquilo que faço e cada vez mais. Pelotas. O desafio de manter o pioneirismo enfrentou seus percalços. Durante o ano de 2007. Amazônia. nós já somos interativos. como a súbita interrupção do sinal da TECSAT . Sem modéstia. a TV Climatempo passou a produzir conteúdo para o sistema interativo da operadora. ligados de alguma forma à meteorologia. Uma primeira tentativa foi feita com o lançamento de um programa de entrevistas produzido e apresentado pela jornalista Ângela Ruiz. outra iniciativa que também partiu da constatação da importância das 91 . em junho de 2007. passou a acompanhar de perto o conteúdo da tevê. tenho para mim que ou o meu trabalho é útil para as pessoas para melhorar o seu dia a dia ou ele não serve para nada”. por exemplo. site. certamente. sem dúvida. Além do programa na tevê. “Você percebe que a Climatempo foi sempre muito pioneira. por download. Hoje se fala em modernidade da tevê interativa. passou a transmitir boletins específicos para a sua região. somos um canal que entra na Internet. novos clientes. ganhou cara mais moderna. O caminho. por outro lado. em São José dos Campos. mas tem coisa que eu passei para a tevê que é exatamente a forma que eu aprendi a fazer na rádio.

especialistas de renome internacional como o professor Pedro Dias Leite. Em outubro de 2007. A preocupação com o meio ambiente podia ser percebida no perfil de novos clientes do grupo. Na verdade. era preciso ter muita garra para segurar os reveses e as mudanças de regras e ser muito persistente para seguir em frente. base para o planejamento estratégico de várias indústrias. orçamentos separados. não era para principiantes e ingênuos. teremos fortes consequências econômicas também. “Houve uma redução do contrato em 50%. de abril de 2007. Toda a evolução de faturamento voltou um e meio para trás. o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas ( IPCC). Reunidos no fórum “Risco Ambiental”. Especialmente na unidade de consultoria. “Com a instabilidade do clima. na economia mundial e mais especificamente no Brasil. Teremos de nos reinventar. apesar dos obstáculos encontrados no caminho. Vale lembrar que em 2007 a preocupação com o aquecimento global dominou boa parte dos debates sobre meio ambiente. havia a possibilidade de negociação: a TV Climatempo deixaria de receber por assinante e teria um faturamento fixo. “A Climanet não pode contaminar a Climatempo e vice-versa. em especial na área da telecomunicação. que como membro do IPCC foi um dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz de 2007. a operadora de tevê a cabo simplesmente comunicou que a TV Climatempo estaria fora do line-up da Sky. talvez tivesse desanimado quando recebeu uma carta da Sky mudando as regras. que mediou o encontro. órgão da Organização das Nações Unidas ( ONU ) composto por representantes de 130 governos. reafirmar a necessidade de cada unidade do grupo ganhar espaço para poder se sustentar. O jogo do mercado. Se não fosse por ela. Começava aí mais uma partida desse jogo. mais uma vez. foi preciso. quando completa vinte anos de existência. Cada vez mais a Climatempo era procurada por empresas interessadas em diagnósticos mais profundos do clima.” Com esse objetivo em mente é que o Grupo Climatempo chega a 2008. em São Paulo. conta Magno. também. Para Carlos Magno. Nesse ano. Segundo ele. Se a população de uma forma geral não se conscientizar sobre o assunto. As empresas do Grupo terão de trabalhar com missões separadas. para discutir os problemas causados pelas mudanças climáticas. os serviços de meteorologia passaram a ser um insumo valioso para as empresas”. principalmente com relação à disponibilidade de recursos hídricos. Clientes de peso como Petrobrás e empresas geradoras de energia começavam a se programar para tentar minimizar os impactos das mudanças climáticas. Carlos Magno define-se como uma pessoa obstinada: “Minha melhor qualidade é ser persistente”. a Climatempo viria confirmar sua vocação de estar sempre à frente dos grandes temas globais. para no futuro não ser pega de surpresa por uma bola fora. e o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes debateram as causas e também as possíveis consequências do aquecimento global. para que cada unidade de negócio tenha sua ação lucrativa no futuro. análises a longo prazo na tentativa de definir estratégias para evitar os riscos e também as possíveis consequências provocadas pelo aquecimento global. e nossa meta é mostrar como isso terá efeito nas companhias. mas nosso conteúdo era apenas mete- 92 . divulgou documento sobre as consequências da elevação das temperaturas na Terra e sobre a responsabilidade da ação humana no meio ambiente.questões ambientais foi a realização de um encontro. bem como de outros fatores climáticos. Naquele momento. Teríamos de vender publicidade e a tevê teria de se sustentar”. em abril. “Ainda não está claro quais são os reais riscos que o Brasil corre com o problema do aquecimento global. promovido pelo Grupo Climatempo.” Mais uma vez. a iniciativa era muito importante para esclarecer alguns aspectos econômicos da situação. nós passamos pela profissionalização da equipe. produzir um conteúdo para tevê que seja apetitoso para podermos crescer. diria Carlos Magno em entrevista para o jornal O Globo. houve um aumento no faturamento do grupo por causa da procura por relatórios climáticos. “Até o ano passado.

com recursos de interatividade e que atinja a expectativa do público. Caso do I-Google. o Windows Media Center. a participação da empresa nas mais modernas formas de comunicação. a informação meteorológica ganhou as ruas definitivamente. na qual é possível assistir a vídeos com previsão do tempo para todas as regiões do Brasil. em que internautas criam páginas personalizadas. O desafio interno é melhorar os modelos matemáticos. Todas essas inovações e parcerias. tramitava na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ ) do Senado Federal projeto de emenda constitucional de autoria do senador Osmar Dias ( PDT PR). agora criamos um padrão para a TV Climatempo. as entidades públicas estaduais e as empresas privadas. que participam da página enviando vídeos caseiros e comentando as notícias postadas ao longo do dia. desse planejamento ainda é a meteorologia. enquanto a tevê caminha para ter uma programação mais forte. Nessa época. ao longo dos três primeiros meses de 2008. “vieram para ficar”. Em março de 2008. muito popular por divulgar variados tipos de vídeos que são postados e acessados por milhões de usuários. que integra tevê. colocam a Climatempo à frente de seu tempo e. fizemos uma repaginação para mostrar as inovações e. Internet. aumentando a cartela de clientes. definindo o papel de cada um no processo de divulgação dos dados e informações climáticas. Nunca se falou tanto em meteorologia como dos anos 1980 para cá. fotos e vídeos. e a presença no site de compartilhamento de vídeos YouTube. Cabe a essa empresa o crédito de contribuir para colocar a meteorologia brasileira em seu devido lugar. A grande vantagem dessa parceria é a interação que o site permite com os internautas. um miniaplicativo em que o usuário acessa diretamente as informações meteorológicas que mais lhe interessam. www. a Climatempo lançou uma página customizada. na área de documentários.youtube. Fruto do planejamento estratégico elaborado por Violin. Com duração média de um minuto e atualizados três vezes ao dia. não a estatização da meteorologia. O projeto tinha como objetivo. ainda em 2008. serviço criado pelo Google. A in- 93 . nessa área. como diz Carlos Magno. à medida que amplia a conscientização para a importância da meteorologia. como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Para a consultoria. mas a unificação dos órgãos federais. Outras duas novidades são o acordo firmado com a Microsoft. órgãos públicos e entidades da sociedade civil perceberam a necessidade de estabelecer uma política nacional. cada empresa do grupo tem seu plano de metas para os próximos cinco anos. Diante desse cenário. Por outro lado é preciso ter uma programação atrativa para que o público fique mais tempo”. principalmente pela forma humanizada de transmitir a previsão do tempo. porém. sendo respeitada e atingindo um nível de credibilidade nunca antes visto. o governo pensou em um Sistema Nacional de Meteorologia e Climatologia. segundo o senador. utilizando cada vez mais a Climatempo Produções. É importante destacar. como celulares e em sites espalhados por todo o Brasil. o desafio é continuar crescendo. uma das mais novas febres da Internet. Segundo Magno. estreamos 13 programas. Muitas vezes é um risco trazer publicidade. por exemplo. em parceria com o YouTube. a Internet busca o crescimento acompanhando as novas tendências de mídia. fruto de uma época em constante mutação. graças à ação da iniciativa privada. em que a TV Climatempo passou a ser o primeiro canal de notícias a fazer parte de uma nova ferramenta do Windows Vista.orologia. No início de 2008. A Climatempo marca presença como um gadget. Tratada sempre como um serviço público. criar redes de radares para contar com um maior nú- mero de informação. pois nossa linha é muito focada em meteorologia e meio ambiente. A raiz.br/climatempo. base de todo o trabalho feito ao longo dos últimos vinte anos pela Climatempo. reflete Magno. e é preciso ter cuidado com o que vamos anunciar. os boletins são produzidos pela equipe da TV Climatempo.com. Em julho de 2003. Várias tentativas foram feitas para implementar uma direção para o setor. trouxemos parceiros para comercializar esse produto.

Ana Lucia tem uma opinião bastante clara: “A previsão do tempo era uma criança feia. onde tudo começou. mas entenderam. nunca tivemos a intenção de nos apropriar de méritos ou informações de nenhuma outra instituição. Mudei muito a forma de falar das questões do tempo para as pessoas. Climatologia e Hidrologia ( CMCH). afirmou Ana Lucia. estabeleceu a criação de uma comissão especial para discutir mais a fundo a questão. quando eu sei que esse tipo de situação é possível. Um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. com a participação de representantes dos principais órgãos públicos. que. dentro do jornal Eldorado. mas na AM. acompanhamos o que está sendo pensado para a nossa área”. “A proposta do governo é centralizadora”. E hoje em dia todo mundo quer ser o pai da criança. Ele não tem essa característica. “Ao longo desses vinte anos amadureci como pessoa. o governo explorará um setor que se desenvolveu por meio da iniciativa privada. naquele momento. nossos olhos alcançam outros horizontes que parecem sempre mais próximos”. nesse contexto de criação de uma política para a meteorologia. tem um valor inestimável para o País. além de colocarmos a visão da iniciativa privada. a CBN. As discussões estão apenas começando e qualquer decisão só deve sair em 2010. As primeiras reuniões aconteceram um ano depois. já se pode vislumbrar uma história que não é só empresarial. “Agora podemos ver outras janelas à frente. Para isso contou não só com o casal que deu início a tudo. afirma Magno. Demoraram a entender isso. Demoraram. resume Ana Lucia.tenção do projeto seria a reestruturação do sistema para promover a “democratização” das informações. Refletindo sobre o papel e a competência da iniciativa privada e dos órgãos públicos. esses órgãos começaram a se interessar em fazer a previsão do tempo. Nosso negócio não é academia. O Globo. O número de entradas na Eldorado durante o dia é muito grande. vender é outra parte. “A participação é muito importante. muito cuidado com a roupa que você vai sair de casa’. A novidade ficou por conta da inclusão de representantes das empresas privadas. Olhando para trás. ainda em tramitação no Congresso Nacional. os jornais do Grupo Estado. de novo pela janela do pequeno apartamento da Vila Mariana. oficializou a Comissão de Coordenação das Atividades de Meteorologia. mas também de vida. Começaram a entender que fazer a previsão do tempo é uma parte do trabalho. eu deixo isso muito claro: ‘Olha. Um bom exemplo disso são as grandes viradas de tempo que acontecem no fim de tarde em São Paulo. prazo que a comissão tem para elaborar uma propos- ta de política para a meteorologia brasileira. mas com profissionais que encamparam o sonho de dar credibilidade à previsão do tempo. prestando serviço à sociedade e também à comunidade meteorológica e a parceiros fiéis. Nós sempre respeitamos todas as instituições. e tantos outros que acreditaram desde o início na competência da empresa. Na FM. o número de boletins é menor. Os escolhidos foram Carlos Magno. Arquitetura e Agronomia (Confea). e Ana Lucia como suplente. Depois que a criança começou a ficar bonita. cerca de vinte vezes. Não foi em vão que nomes como Josélia Pegorim se tornaram sinônimo de previsão na rádio Eldorado e também nas páginas do Estadão. divulgar de forma adequada é outra parte. eu entro de meia 94 .” Vinte anos se passaram e a Climatempo é uma jovem empresa com muito gás e ainda com muito potencial de crescimento. O sujeito sai de casa sentindo calor e vai voltar sentindo frio. sempre baseado no seguinte: ‘O que as pessoas me perguntariam hoje? O que elas estão sentindo? O que elas querem saber?’. uma vez bem cumprida. como Inmet e Inpe. como profissional. primeira edição. de 21 de março de 2007. caso da Sociedade Brasileira de Meteorologia. Um funcionário público não vai vender um serviço de meteorologia ou climatologia. Não era nossa intenção concorrer com o Ministério da Ciência e da Tecnologia ou com alguma universidade. a partir de abril de 2008. “Caso o texto seja aprovado. por indicação do Conselho Federal de Engenharia. e também de entidades ligadas à meteorologia. titular. ambos da Climatempo.” O projeto. como a rádio Eldorado.

tiveram alguma participação na construção da Climatempo. nem o dia de amanhã’. Carinho é o sentimento comum de quem conhece a empresa. A ciência evolui e a gente usa isso. Hoje temos sociedade na agência. Quero também ga- nhar a América Latina e estou me preparando. André e Patrícia Madeira. A cada dia vemos mais setores que podem usar a meteorologia. Hoje em dia está tudo bem encaminhado aqui na Climatempo com as estruturas de planejamento estratégico criadas pelo Violin. Um dia. Nem em suas horas de lazer.” “Como para fazer qualquer previsão. fui dar uma entrevista na TV Gazeta e um médico chegou para mim e perguntou: ‘Você é a Patrícia Madeira? Eu ouço sempre você’. Minha estratégia é pensar em uma Climatempo internacional. A gente é muito visto no Sul. na saúde e na doença. onde encontra tempo para ler.” A Climatempo segue o seu destino pioneiro. uma nova forma de olhar o céu. que hoje também é reconhecido nas ondas da rádio CBN: “Na alegria e na tristeza. porque a gente não sabe o que vai acontecer. espero não estar mais na direção. E assim também acontece com todos que. Ela pela manhã e ele à tarde. (Veja São Paulo. estudar e principalmente pensar lá para frente. Eu não tinha noção. mas nem por isso perderam o estímulo nem deixaram de sonhar. Sudeste e Centro-Oeste. e a gente já estava na Climatempo. Ela também vê boas perspectivas para o futuro da empresa. e entendê-lo. Em cinco anos.” O casal de meteorologistas André e Patrícia Madeira poderia acrescentar “faça chuva ou faça sol” às suas juras de amor eterno.em meia hora. admite Magno. Funcionários da empresa Climatempo. os dois são os responsáveis por apresentar a previsão do tempo da rádio CBN desde 2001. Ambos estão mais experientes. Respondi a ele: ‘Sabe do que eu sinto orgulho? É de a gente ter chegado até aqui. Já no Estadão. a gente estava na Climatempo. mas somos pouco conhecidos no Norte e Nordeste do Brasil. E o que espera para os próximos anos? “Crescer bastante em dez anos. o eterno homem do tempo. Eu tenho um sonho de expandir a Climatempo para esses mercados. Nesses vinte anos. Mas eu continuo pensando. A Gabriela (filha de nove anos do casal) nasceu. Para Carlos Magno. A criança feia está mais bonita agora. Já falo francês e inglês e agora estudo espanhol. estudando relações sociais e culturais entre diversos países. seu esporte preferido. nosso gerente de tecnologia entrou em minha sala dizendo que estava feliz por isso. construindo um novo modo de pensar. dos que ainda estão lá e dos que já saíram para seguir outros caminhos. tenho de ter boas idéias todos os dias para escrever cinco ou seis linhas precisas e diretas. Quando o Violin chegou e passou a transmitir os valores da empresa é que a ficha começou a cair. “Eu tenho meus sonhos. na riqueza e na pobreza. mas principalmente temos um carinho muito especial”. o importante é se preparar para o futuro”. durante o tênis. a gente ainda vai atrás de novas propostas. nem na praia. Eu e o André nos consideramos parte da Climatempo e não vemos nossa vida separada da empresa. Ele fez questão de dizer como o trabalho era legal. afirma Patrícia. cada dia é um novo desafio. 95 . pretendo contratar um profissional e ficar no conselho. direta ou indiretamente. Para construir uma empresa sólida temos de adquirir conhecimento.” Ana Lucia hoje é a responsável pelos assuntos estratégicos do Grupo Climatempo. diz Ana Lucia. 13/8/2008). “Alguns dias depois de eu ter concluído o meu MBA em marketing. casamos. Quero conhecer métodos e idéias de como entender as culturas de outros países. caminhou lado a lado com a história da meteorologia. “Não consigo me desligar”. Casados há treze anos. e Ana Lucia. cada um empresta sua voz a dois boletins diários. “Descobrimos há pouco tempo o tamanho da Climatempo. Muitas vezes acertamos e outras tantas erramos. marcando posição. No fundo sou um empreendedor e quero empreender em outras áreas. Por enquanto.” Ou então como aconteceu com outro casal que faz parte da história da Climatempo.

ANDRÉ MADEIRA
meteorologista

NEIDE DE OLIVEIRA
meteorologista do Inmet

RENATO URBINDER
sócio da Climatempo

A gente se considera parte da Climatempo. Não vejo a minha vida separada da empresa. Eu casei e já estava na Climatempo, a Gabriela, minha filha, nasceu e eu estava na Climatempo. Nesse período todo, teve altos e baixos, mas foi sempre muito bom. Tenho um carinho muito especial pela empresa. PATRÍCIA MADEIRA
meteorologista

Magno é muito focado no que ele quer e muito determinado. Hoje se a meteorologia cresceu foi por causa da Climatempo. ROGÉRIO LEITE
amigo e ex-sócio

Eu gosto muito de trabalhar aqui. Meu sonho é que a gente possa dominar a previsão do tempo oferecendo um serviço para a comunidade. Ter uma equipe de jornalismo e correspondentes para aumentar as notícias sobre o tempo. PAULO POLLI
diretor da TV Climatempo

O que mais me estimula, primeiro, são os sócios e depois também o negócio. Sócios que passem estímulo e confiança. Não existe negócio no mundo em que os sócios não tenham períodos de convergência e divergência. Na Climatempo, as divergências foram muito menores. Sempre tivemos uma li-

O negócio meteorologia ainda está escondido. Mostra a miopia dessa área de comunicação. É um negócio que dá muito dinheiro. Todo mundo conhece o site da Climatempo. O nome Climatempo. É preciso mostrar quanto as pessoas usam a meteorologia e não sabem. Eu aprendi a gostar, sempre usei muito, pois gosto de velejar, mergulhar. Meteorologia é um negócio e eu fiz parte desse negócio. O Magno me explicou, me ensinou por que a meteorologia do Brasil estava defasada, e eu entendi que era um bom negócio. WALDEMAR STEFAN BARROSO
amigo e ex-sócio

A Climatempo possibilitou a transformação da meteorologia em conteúdo jornalístico, técnico, científico e operacional na Rede Globo. Quando o quadro do tempo começou na [TV] Globo, não tinha nada, foi tudo uma inovação. Desde a linguagem, o grafismo, a computação. Tudo passou por uma experimentação. Na época eu sentava com a Ana Lucia e buscava a notícia, tentava aprender. Juntos conseguimos humanizar a previsão do tempo. AMAURI SOARES
diretor da Rede Globo

A Climatempo ajudou a divulgar a meteorologia e acho que não tem competição com o órgão público.

Um serviço meteorológico moderno deve efetuar três funções básicas: monitorar, elaborar produtos (aqui incluem-se as previsões de tempo e clima) e engajar os usuários. Como a tarefa é enorme, principalmente num país como o Brasil, a participação do setor privado é muito importante para melhorar o atendimento aos usuários, de forma customizada e mais especializada. Sua atuação deve, naturalmente, ser bem ligada com o serviço nacional para evitar redundâncias,

Depoimentos
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Tenho muito carinho pela Climatempo, por fazer parte dela. É bom saber que a gente ajudou nesse crescimento e eu vejo o reconhecimento da empresa. O Magno é um cara inovador. A Climatempo abriu as portas da meteorologia. Espero continuar na empresa nos próximos dez anos.

berdade muito grande de falar. Sempre brinco com o Magno: desembaraça esses óculos. Poucas vezes tivemos divergências importantes: trazemos coisas positivas para a empresa. O nome Climatempo é muito maior do que todo o nosso faturamento. Tem.muita credibilidade. Não temos telhado de vidro, temos uma laje de concreto.

A empresa privada faz uma previsão diferenciada e o órgão do governo é mais geral. Por isso não há competição. Não vejo a Climatempo como concorrente do governo. O Magno tem o dom da palavra, sabe passar as coisas com credibilidade, e ele e a Ana formaram uma grande empresa.

propiciar economicidade, evitar atritos indevidos de competência. Vejo com muito bons olhos uma maior atuação do setor privado nesta parceria, mas deve ser bem coordenada para melhor atender aos usuários específicos a quem os produtos se destinam. ANTONIO DIVINO MOURA
diretor do INEMET

O trabalho da Climatempo na Eldorado foi fantástico; eles provaram que o “curandeirismo” estava com os dias contados. Os ouvintes mereciam mais respeito e qualidade de informação. Eles ofereceram um serviço essencial aos ouvintes. Foi uma parceria vitoriosa, da qual muito me orgulho. JOÃO LARA MESQUITA
ex-diretor da rádio Eldorado

A Climatempo, maior empresa de meteorologia do País, acaba de estabelecer mais um acordo com a Microsoft. Desde o dia 4 de julho de 2008, a TV Climatempo é o primeiro canal de notícias do Windows Media Center – uma ferramenta do Windows Vista que integra TV, Internet, música, fotos e vídeos. Para Ricardo Wagner, gerente de produto Windows Vista da Microsoft Brasil, a “parceria com a Climatempo traz um novo serviço de qualidade para os nossos usuários, que podem ter informação sobre a previsão do tempo on-demand, acessando do conforto de casa. Para as empresas, o Media Center ajuda a complementar a estratégia online por meio da exposição de conteúdo”.
Fonte: www.microsoft.com/ latam/presspass/brasil/2008/ julho/climatempo.mspx

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br/index. Memórias do Tempo.usp.br/grimm/aposmeteo/cap1/cap1-1.html ARTIGOS E PERIÓDICOS Grande parte das informações teve como fonte a clipagem feita pela empresa Linhas & Laudas em boletins e releases produzidos entre os anos de 1999 e 2008. um livro sujeito a chuvas e trovoadas. São Paulo. PEREIRA. 1997 Revista Diálogo Médico. 1998 Caderno MBA – Madia Marketing School.br/sbmet/ Assembleia/resolucoes/ politica_nacional/ Relatorio_sbmet_pnm_2002. várias Revista Veja.iag.htm http://www.com/aboutus/ background. 2003 Revista Exame.ufpr.br/ arquivos/publicacoes/revistas/ cirrus_3. várias .html http://www. vários O Globo. vários O Estado de S.msu.sbmet. 2003 Revista Dinheiro. 2002 Revista Forbes Brasil.php/ content/view/68391.org. 1997 Revista Superinteressante.gov. vários Meio & Mensagem.org. 2005.jornaldaciencia. turma.pdf http://www. Também foram consultados os seguintes jornais e revistas: Revista Brasileira de Tecnologia – RBT.br/siae97/ meteo.jsp?id=47792 http://br. vários Valor Econômico.gov. 1997 Revista Contigo. Vera Malfa e SPINARDI. vários DCI. 2008 Programa Negócios e Soluções.shtml http://list. 2006 Revista Info Exame.edu/cgi-bin/ wa?A2=ind0209A&L= aejmc&P=18687 http://list. SITES http://fisica.uk/weather/features/ weather_broadcasting.co. vários Jornal da Tarde.al.bbc.Revista Tela Viva. 2003.html http://www. Jornal Nacional: a notícia faz história.br/ Detalhe. 1988 Revista Ecologia e Desenvolvimento. 8ª. da Silva Dias Maria do Carmo Fogaça Neide de Oliveira Patrícia Madeira Paulo Polli Rogério Leite Renato Urbinder Waldemar Stefan Barroso LIVROS MEMÓRIA GLOBO. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 1998 Boletim Cable Report.edu/cgi-bin/ wa?A2=ind0209A&L= aejmc&P=18687 http://www. vários O Dia. Alcir. TV Cultura Fontes e bibliografia 99 Os depoimentos dados a essa obra foram colhidos entre março e julho de 2008: http://cienciaetecnologia. 2004 Revista Pequenas empresas. vários DVDs Clipping – Entrevista a João Dória TV Palestra de Carlos Magno – 2 ª. Paulo. Convenção da Climatempo. 2007 Boletim ABTA. Paulo.msu. vários Folha de S. Amauri Soares Ana Lucia Frony de Macedo André Madeira Ângela Ruiz Antonio Divino Moura Carlos Magno do Nascimento Fernando Moreira Fernanda Bulhões Gilca Palma Josélia Pegorim João Lara Mesquita Maria Assunção F.pdf Grandes negócios. vários Gazeta Mercantil.weather.mct. 2007 Diário Popular.

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Da janela de um pequeno apartamento da Vila Mariana. Seu Juvenal e dona Atala. Alice. na Rua da União. Dª. o pequeno Victor Hugo. contribuíram e incentivaram o crescimento da Climatempo. Na foto. dois jovens empreendedores. O primeiro escritório funcionava na mesma casa em que Carlos Magno e Ana Lucia moravam. Caderno de fotos 101 . terceiro filho do casal. pais de Ana Lucia. mãe e amiga de Carlos Magno que deu apoio moral e financeiro nos primeiros anos da Climatempo. em São Paulo. Ele chegou a trazer de Londres um moderno aparelho de recepção de satélite. sonhavam em ter seu próprio negócio. Carlos Magno e Ana Lucia. em meio à parafernália de aparelhos usada nos boletins da rádio Eldorado.

Rogério Leite. na Rua Baltazar Lisboa. amigo que virou colaborador. a Climatempo já tem uma estrutura própria. Rogério Leite instalando uma antena de recepção de satélite na sede da Climatempo. ainda pequena. Na foto.Em 1996. . mas agora em uma casa só para ela.

apresentando o quadro do tempo no Jornal Nacional. a Climatempo passa a prestar inestimável serviço à Rede Globo. Na foto. um dos primeiros colaboradores do Grupo Climatempo. O meteorologista André Madeira. a moça do tempo do JN.A partir de 1990. da Rede Globo. Em 1996. Foi o impulso que precisava para divulgar a meteorologia e crescer como empresa. Carlos Magno tornase o primeiro homem do tempo da tevê brasileira. A meteorologia é destaque no livro que conta a história do Jornal Nacional. Sandra Annemberg. .

em São Paulo. Carlos Magno compra briga com o Weather Channel pelo direito de usar Canal do Tempo na feira da ABTV de 1998.: depois da disputa judicial. em São Paulo. Maria Cândida. o direito de usar o nome Canal do Tempo ainda na feira de 1998.André Madeira orienta a então “moça do tempo” da Globo. . Acima: os primeiros dez anos da Climatempo foram comemorados com uma grande festa em São Paulo. À esq. no Anhembi. Já pensando em seu próprio canal de TV.

no ano seguinte. Ana Lucia Frony de Macedo e Carlos Magno do Nascimento lançam a TV Climatempo. em dezembro de 1998. em 1999. os sócios Waldemar Stefan Barroso e Carlos Magno do Nascimento.O amigo e sócio Waldemar Stefan Barroso ensaiando para um piloto do Canal do Tempo ainda em 1998. Durante a festa de dez anos da Climatempo. Para evitar problemas. surge a TV Climatempo. . Na foto.

Muitos deles estagiários.Waldemar Stefan Barroso e Carlos Magno do Nascimento na inauguração da tevê. no dia 15 de setembro de 1999. . A primeira equipe da TV Climatempo. aprenderam junto com Magno a fazer tevê. em São José dos Campos.

amiga e profissional responsável pela Linhas & Laudas. selam o início das operações do Canal Climatempo.No início. Baptista Gargione. possibilitou a inauguração da primeira emissora de tevê voltada para a previsão do tempo. . Carlos Magno e Waldemar Stefan Barroso com Fernanda Bulhões. empresa de comunicação que presta assessoria ao Grupo Climatempo. uma parceria entre a Climatempo e a Univap. em 1999. reitor da Univap. de São José dos Campos ( SP). Acima: Carlos Magno e o Prof.

O curioso é que foram usadas dezenas de caixas de ovos para forrar as paredes e vedar o som.Estúdio da TV Climatempo. já em São Paulo. . na Vila Mariana.

em São Paulo. o Casseta & Planeta tinha um quadro que satirizava a previsão do tempo. na feira da ABTV. na feira da ABTV. em São Paulo. Carlos Magno e Rogério Leite no estande da TV Climatempo. . Na época em que Magno foi apresentador do Jornal Nacional. Carlos Magno e o “casseta” Hélio de la Peña.A apresentadora Laura Ferreira no quadro do tempo da Rede Mulher. em 2000. 2000.

Leandro Della Vedova de Oliveira Pinto e Josélia Moreno Pegorim. Da esq. Ariany Chacon de Campos. para a dir. Amilis Delfino. em 2001.Equipe da TV Climatempo. Priscila Iogóglia. Alexandre José do Nascimento Silva. Rafael Augusto Caetano Bruno. Paulo Edson Aparecido de Oliveira.. para a dir. Equipe do Grupo Climatempo (da esq.): Gilca Palma Fernandes. Ângela Ruiz Gonzales. na rua Muniz de Souza. . Flávia Caroline Chacon de Campos e Ângela Ruiz Gonzáles.

ao longo dos últimos anos. como o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes. Começou como estagiária. Reunidos no fórum “Risco Ambiental”. em São Paulo. fazendo levantamento de dados. Carlos Magno. especialistas de renome internacional. Marcos Pontes e Renato Urbinder. Acima: Redação da TV Climatempo.A meteorologista Gilca Palma. trabalhou em quase tudo. Na foto. . em São Paulo. e aos poucos passou a fazer a previsão para a Internet. no Paraíso. debateram as causas e também as possíveis consequências do aquecimento global.

uma das apresentadoras da TV Climatempo.Maria Clara Machado. repórter e redatora no Grupo Climatempo. A jornalista Ângela Ruiz começou como estagiária na TV e há dez anos trabalha como apresentadora. .

Carlos Magno é destaque como novo homem do tempo do Jornal Nacional (Acima: O Globo,14/04/1996; abaixo: O Dia, 13/04/1996). Acima: TV Climatempo vence disputa com o Weather Channel (Folha de S. Paulo, 1º. de fevereiro de 2000)

Climatempo na mídia
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Acima: a revista Pequenas empresas, Grandes negócios, de março de 2002, destaca o crescimento das empresas que oferecem serviços de meteorologia. Ao lado: Carlos Magno ainda no início das atividades da Climatempo. Desde o início, a empresa buscou oferecer serviços de meteorologia para os principais interessados. Aqui, os velejadores (revista Bordo, de 1991). Na outra página: A importância da meteorologia para o planejamento das empresas (O Globo, do dia 7 de abril de 2007).

Na foto menor. Ana Lucia e Carlos Magno. à esquerda da matéria. Matéria da Vejinha.A importância da meteorologia no dia a dia das pessoas. . de 11 de fevereiro de 2004.

. comprovando as condições do tempo em determinada hora e local.O casal do tempo Carlos Magno e Ana Lucia. Grandes negócios (agosto de 1994). Na reportagem do Jornal da Tarde. Carlos Magno é o “detetive do tempo”. de 12 de maio de 1989. a meteorologia pode ajudar a solucionar casos intrincados. na revista Pequenas empresas. Segundo a matéria. A meteorologia ajudando a combater crimes.

Na outra página: anúncio da TV Climatempo na revista Pay TV. de 2000. que permitia a conexão via telefone a computadores que interagiam – tal como hoje se faz com a Internet. Anúncio da TV Climatempo. na revista Pay TV. de outubro de 1998. .Um dos primeiros serviços: o BBS (bulletin board system). ainda embrionária.

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janeiro de 1987). Nesta: ainda como meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (revista IstoÉ. .Na outra página: Carlos Magno é destaque da revista Forbes de outubro de 2000.

pela Climatempo. em julho de 2009. em comemoração aos 20 anos de fundação do Grupo. .Este livro foi editorado em Univers 11/15 e mandado imprimir em papel couchê fosco 115g.

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