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Climatempo_20_anos

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O céu fala. A gente entende.

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Climatempo 2009 .Denise Góes O céu fala. A gente entende.

com.com.Copyright © 2008 by Denise Trevisan de Góes Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9. de 19 de fevereiro de 1998 Direitos desta edição cedidos ao GRUPO CLIMATEMPO Rua José Antonio Coelho.climatempo.br Coordenação editorial Cesar Oliveira cesar.br Fotografias Acervo e clippings Climatempo Impressão Prol Gráfica www.br .prolgrafica.com Revisão (de acordo com a Nova Ortografia) Ana Lucia Sesso www.oliveira@globo. 567 Vila Mariana – São Paulo – SP Telefone: (11)3736-4591 CEP 04011-061 www.610.revisaoporquenao.nom.

à escritora do livro comemorativo pelos vinte anos. mãe do Carlos e da Ana Lucia. A nossos filhos. Eles cresceram ouvindo sobre a Climatempo em praticamente todas as refeições e reuniões familiares. com incentivo e apoio financeiro. eles foram verdadeiros anjos que ajudaram. Josélia Pegorim. todas as vezes que a Climatempo precisou. a Juvenal de Macedo Filho. Hoje. Sem eles esta história não poderia ser escrita. pai da Ana Lucia. Marcos Paulo e Victor Hugo. Gilca Palma e Paulo Takeshi. pela paciência que tiveram. Isabel Cristina. Renato Urbinder. até pedem para mudar de assunto. Ao longo destes vinte anos. Fernanda Bulhões e Ederaldo Kosa. jornalista Denise Góes. Aos meteorologistas André e Patricia Madeira. Obrigado pela confiança e amizade de todos vocês. e talvez nem a Climatempo existiria. ao longo destas décadas. Waldemar Stefan. mais crescidinhos. aos amigos Rogério Leite.A Alice Vieira (in memoriam) e Atala Frony de Macedo. Carlos Magno e Ana Lucia Agradecimentos .

uma realidade Uma bolha no ar Virando uma holding O céu fala. A gente entende. Depoimentos Fontes e bibliografia Caderno de fotos Climatempo na mídia 7 9 11 19 29 37 43 51 59 69 77 85 95 97 99 111 .Sumário Apresentação Prefácio O começo de tudo Os primeiros passos Na telinha da Globo Abrindo espaço O homem do tempo Canal do tempo Um sonho.

rádios. em todo lugar. Tem gente que acha que o nosso slogan é pretensioso: O céu fala. a não ser para o próprio público. além de ser referência em consultoria e bom atendimento. jornais. fez questão de construir seus próprios meios de comunicação: o site e a TV Climatempo. sem modéstia nenhuma. com suas próprias mãos. Depois que as primeiras notícias da neve começaram a chegar à redação. tempestades severas em São Paulo. Em maio de 1990. todas as formas possíveis de levar a informação meteorológica para o usuário têm a nossa assinatura. A Denise participou ativamente como testemunha e relatou o crescimento da meteorologia brasileira e mundial como jornalista da Agência Estado e do jornal O Estado de São Paulo.Além de uma grande paixão de um pelo outro. o papo sempre acabava em como melhorar a previsão do tempo. aeroportos. Nas TVs. Mas. que divulgou que a neve não iria acontecer. divulgando a informação do tempo para o público sem ter que pedir autorização para ninguém. a gente entende mesmo. São histórias assim que a Denise conta. encantados com a sua argumentação de que a Climatempo ajudou a escrever algumas das páginas mais importantes da história da meteorologia moderna no Brasil. Julio de Mesquita Neto. enfim. Hoje a nossa estimativa é que mais de 50 milhões de brasileiros tenham contato com a previsão de tempo feita pela Climatempo todos os dias. recebemos um elogio público do Dr. geadas e tudo que acontecia com o tempo em cada canto do nosso País. A cada nova descoberta nos estágios na FAB e na TASA e depois como meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura. editor-chefe do Estadão. A gente entende. jornalista Denise Goes. Nos dez primeiros anos da Climatempo nosso contato com a “Dê” foi quase diário. ao mesmo tempo. relembrando os primeiros dias como previsores da rádio Eldorado. A Climatempo que completou vinte anos em 2008 é uma das consequências desta nossa paixão. A princípio. da nossa amiga. por acertarmos a previsão de neve no sul do Brasil. podcasts. o Dr. Esta é a nossa vida. na USP. Denise conta a história de uma equipe que. desenhou um boneco de neve e mandou entregar para a gente. mas a Meteorologia Sinótica: a arte de fazer a previsão do tempo. Não é meteorologia de forma genérica. A felicidade foi imensa para os jovens jornalistas e meteorologistas que estavam começando a colocar o tempo como destaque no caderno “Cidades” do Estadão. Julio. que nos reconhece como sinônimo de credibilidade. ficamos surpresos e. celulares. Boa leitura! Ana Lucia e Carlos Magno Apresentação 9 Q uando Ana Lucia e eu nos conhecemos já estávamos apaixonados pela meteorologia. O desafio de prever o futuro nos motivava e fazia parte das nossas conversas enquanto namorados. no INPE. painéis em ônibus. Um furo enorme na Folha de S. Internet. explicando tornados em Ribeirão Preto ou no ABC. ondas de calor. Vocês podem imaginar uma conversa entre namorados sobre as novas técnicas de fazer previsão do tempo? Pois a gente falava sobre isso o tempo todo. a meteorologia está no nosso sangue. shoppings. . A ideia de escrever um livro contando a história da Climatempo foi Ela sabia o que estava falando. a primeira página inteira com a previsão do tempo no Estadão e o trabalho pioneiro na Rede Globo de Televisão. Paulo. com as devidas felicitações pelo acerto.

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a sensibilidade grita. Como as pessoas conseguem criar papéis novos na vida profissional. Ou seja: tudo o que amplifica a simpatia da alma – graça. pelo estudo permanente e pelo divertimento no mesmo local. real que inspira autores a desenharem na arte. mas contêm a gênese das forças de coesão do organismo unitário da futura sociedade humana. o de expandir a Climatempo para o universo internacional. vibrações. também na história da Climatempo. proteger”. transportes etc. Como uma quase utopia de dois meteorologistas consegue ir agre- Papéis novos. e acrescenta: “para construir uma empresa sólida “. tombos. educação e diversão. na construção de grupos criativos como forma vital de gerenciar nos novos tempos e o encontro do “ócio criativo”. a batalha pelo canal do tempo. filósofo lido por Albert Einstein e Monteiro Lobato. desafios novos. Climatempo é uma aula de empreendedorismo. Como o trabalho virtuoso vence barreiras e obstáculos. A meteorologia quando era um “patinho feio”. dizia que gando e envolvendo valorosos e leais colaboradores e amigos ao longo da caminhada. afirma Carlos Magno. termos lições de ética. a Climatempo pode ser olhada como um exemplo de construção do sentido mais evolutivo do significado de amor. colaboradores e seres humanos da virtude: gente com uma forte determinação pela prática do bem. momentos difíceis. onde a arte imita a vida. um casal que iniciava seus estudos na Universidade Federal do Rio de Janeiro via o esboçar de um cisne e o foi desenhando ponto a ponto nesta história que nos é revelada na publicação deste livro dos seus 20 anos. De analistas de mapas. fica cada vez mais controlável e disponível para todos os segmentos empresariais do mercado. do Tolkien.A leitura deste livro permite aprendermos com o melhor do empreendedorismo. cruzamentos de dados. a fidelidade de grandes clientes. É como se estivéssemos lendo as teses e exemplos do sociólogo Domenico de Masi. de virtudes e de uma singular capacidade de reunir profissionais. O enfrentamento de grandes grupos internacionais. A história que nasce do amor de Carlos Magno com Ana Lucia caminha ao longo de vinte anos recheada de exemplos de amores.. Os infortúnios de resistir ao crime. conhecimentos de física. os momentos dos enganos ocorreram. esporte. O resgate das paixões virtuosas. chamado “clima”. música. Essas ascensões não são sonho estéril. E o futuro? Crescer muito nos próximos dez anos. a sensação que se tem é que o coração também fala. Pietro Ubaldi. a autocrítica fazem parte do seu precioso texto. aos dois assaltos sofridos. Neste livro. aquele aspecto incontrolável dos planejamentos empresariais. para empreender o progresso. passando pela agricultura. para administrar. mas é a escrita da vida Prefácio 11 A o ler O céu fala. Os filhos criados lado a lado com o trabalho. desde locações de gravação de filmes até a logística de obras e de tomadas de decisões em momentos críticos. para vender o seu trabalho. no teatro e na literatura temas que se eternizam. Ao ler este livro temos um demonstrativo de um caso real da modernidade da gestão. A história em si é rica de exemplos de superação na vida real. conservar. onde demonstrações valorosas da equipe estabeleceram ainda mais sinergia e alicerçaram com força superior a vida da empresa. e poucos acreditavam nessa ciência. De fato. E quem conhece e não perde a sua própria história mais apto fica ao inevitável mundo cheio de mudanças e suas danças em todos os estilos musicais e tecnológicos. a solidariedade amplifica. reflexão e a ciência – é indispensável para guiar as paixões no rumo certo. Climatempo teve isso sempre. Mas. nas ondas do rádio. A distorção do foco.. que significa a paixão errada. . A gente entende.a função do amor é criar. Não é uma fábula empresarial! Não se trata do “Senhor dos Anéis”. como nos contos. para apresentar nas telas da televisão. quando integramos ao mesmo tempo o amor pelo trabalho. arte. erros. Ana Lucia diz ter um sonho.

Diretor do núcleo de agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing. e honrado pelo convite para este prefácio. pois saberemos ao seu final de muito mais aspectos da gestão. Talvez. ética e respeito ao cliente externo e interno”. José Luiz Tejon Megido Professor de pós-graduação da Fundação Getulio Vargas. 12 . possamos tirar de um dos seus valores o núcleo essencial para todas as possibilidades de realizações. Autor de doze livros. É enriquecedoramente real. os ideais e sonhos do agora Grupo Climatempo: “Comprometimento. Muitas vezes acertamos e outras tantas erramos”. Recomendo a todos a sua leitura. A gente entende. do que sabíamos antes. liderança e empreendedorismo. Foi diretor da OESP Mídia do Grupo O Estado de São Paulo e da Agroceres. Fiquei apaixonado pela leitura de O céu fala.temos de adquirir conhecimento.

“Eu não me considerava um bom professor”. conta Magno. porém. e dizer que o sonho virou realidade é um chavão que se aplica bem nesse caso. contudo. a possibilidade de virar professor afastou a ideia da sua cabeça. “O departamento de Meteorologia ficava ao lado da Geografia. Ao olhar para o céu. na época. Além de gostar de física e de matemática. Alice vendia joias para sustentar a família e por isso lutava muito para dar aos três filhos uma boa forma- O começo de tudo 13 No início da década de 1980.] “Em princípio. Uma carreira muito em moda em 1979 por causa da construção da Usina Nuclear de Angra dos Reis e a abertura do mercado de trabalho para físicos. Ele. no dia 22 de maio de 1961. um dos professores começou a conversar comigo. O que na época era apenas um desejo. Surgiu então a possibilidade de cursar Geografia. Carlos Magno ficou em primeiro lugar no vestibular para o curso de Meteorologia. foi graças à obstinação de dona Alice que ele. a caçula. o irmão. olhando pela janela de um pequeno apartamento da Vila Mariana. Ele queria crescer e sabia que podia contar com o apoio da mulher. e a irmã Angélica.. Para o casal. Ao longo do curso. companheira de profissão. Foi uma escolha madura. Saber o que acontecia com o tempo. veterano. pois o meteorologista formado tinha como opção apenas dois caminhos: ser previsor do tempo ou dedicar-se a pesquisas acadêmicas. não foi a primeira opção do jovem carioca. A grande maioria optava por permanecer na universidade e seguir carreira acadêmica. “No final das contas. Vinte anos se passaram nessa trajetória de sucesso. especialmente na área de previsão do tempo [. líder em seu segmento. gostei do curso.H á pouco mais de vinte anos. Anos depois. Ambos eram alunos de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele me convenceu. um jovem sonhava em montar o seu próprio negócio e ter a sua própria empresa. “Eu adorava uma professora de geografia e fiquei em dúvida. fui vendo que havia uma grande necessidade de profissionais. O encanto durou pouco. Em 1980. A minha única preocupação era com o mercado de trabalho. então decidi que faria uma experiência”. ao chegar na época do vestibular.. mas oportunidades. Ambos. Percorrer os caminhos dessa viagem no tempo é conhecer um pouco da história da meteorologia brasileira. avalia Magno. não via apenas nuvens. que ousaram seguir a carreira de previsor. A história da Climatempo é a história de um jovem casal. Carlos. “Sempre estudei em escola pública e desde cedo já me destacava em matemática”.” Com apenas o curso primário. Carlos Magno e Ana Lucia foram dos poucos. d. comecei e não quis mais sair. na capital paulista. 1 . Aos cinco anos. relembra. “mas ela queria nos ver formados e me deu força para continuar o curso. relembra Magno. a balança profissional tenderia para outra matéria: a física nuclear. ela. que com determinação e persistência criou uma empresa pioneira.” Foi na visita que fez ao departamento de geografia da UFRJ que pela primeira vez Magno considerou a possibilidade de cursar Meteorologia. ficaram em primeiro lugar nos respectivos vestibulares. O básico da meteorologia é a física. as expectativas para o futuro eram maiores do que aqueles 50 m2 em que viviam. caloura. Era o segundo filho de dona Alice e de seu Manoel do Nascimento. A possibilidade de prever o tempo fascinava os dois jovens meteorologistas. de crises econômicas. alunos promissores. Õ Carlos Magno do Nascimento e Ana Lucia Frony de Macedo eram muito jovens quando se conheceram na faculdade. era preciso também uma boa dose de audácia. problemas do dia a dia. 13 anos mais velho. Poucos alunos se aventuravam na matéria. prosseguiram nos estudos. agora é fato. a carreira de meteorologista ainda era desconhecida para a maioria dos estudantes. Carlos Magno do Nascimento nasceu na cidade do Rio de Janeiro. dizendo que estavam precisando muito de meteorologistas jovens e talentosos. minha mãe não entendeu muito a minha escolha”. após a morte do pai.

a escola formava observadores de bases meteorológicas. Ana Cristina e Paulo Henrique. Recife. tempestades. porém. uma série de informações que davam bem a ideia do que fazia um meteorologista. pequenininha fui para Pirassununga. cada um foi para o lado que mais lhe interessava. Manifestações atmosféricas como chuvas.” Na área de Meteorologia. Também denominada Ciências At- 14 . batendo papo. Durante a infância e a adolescência morou em várias partes do Brasil e hoje até brinca: “sou climatologista por experiência. Haroldo. a meteorologia pode ser definida como ciência que estuda a atmosfera terrestre. relembra Ana Lucia. constantemente castigada pela seca. porque nasci em Porto Alegre. “A gente se reunia para conversar e ver os programas dos cursos. muitas pessoas prestavam concursos para escolas fe- derais. esperando. só entrava nerd. “Ela conseguiu. enfim. em casa todos nós concluímos a faculdade. e logos. Ana Lucia prestou vestibular na UFRJ. “Minha família sempre achou que eu seria arquiteta”. Passou em primeiro lugar e tornou-se uma das calouras da turma da qual Carlos Magno já era veterano. Ficamos lá.” Ana Lucia Frony de Macedo nasceu no dia 19 de março de 1964. era militar. Conhecer o comportamento do tempo e do clima é fundamental para o desenvolvimento e o planejamento econômico de qualquer sociedade. interior de São Paulo. Falaram tanto que eu peguei a ficha de inscrição e coloquei: primeira opção Edificações. “estudo”. e vivia sendo transferido pelo Brasil ao lado de sua mãe. a alternativa era a Escola Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca. éramos uma turma de quinze pessoas e nos perguntávamos o que iríamos fazer depois do terceiro ano. depois para o Rio.” Em 1981. caso do Colégio Militar. Eles queriam nos convencer a fazer o curso técnico para meteorologia. segunda opção: Meteorologia. terá um ano de chuvas se cair água do céu no dia de São José. tenente-coronel da Aeronáutica. voltei para o Rio”. Essas andanças todas têm explicação: seu pai. um santo muito respeitado no Nordeste do Brasil. Ana Lucia é a mais velha de quatro irmãos. depois Natal.ção para não viver na mesma situação de insegurança daquela época. Aí. Ana Lucia guarda na memória essa fase da adolescência no Rio de Janeiro. ter um filho com curso superior já era uma vitória. principalmente na agricultura.” Então quando chegou a hora. Naquela época era uma escola altamente masculina. furacões. A primeira opção era fazer o curso técnico para Edificações. “Eu e duas amigas fomos para a fila no último dia de prorrogação para a inscrição no concurso. técnicos em manutenção de equipamentos meteorológicos e também no rastreamento de fotos de satélite e plotagem de cartas sinóticas. já casada. Acabei passando em Meteorologia e gostei. entender e predizer o estado do tempo. Õ Do grego. Reza a cultura popular que a região. nem todas. que significa “elevado no ar”. A meteorologia apareceu por acaso em sua vida. Dessa vez para São Paulo. horas na fila. Juvenal. natural do Rio Grande do Norte. “Já no segundo ano. Por isso a grande necessidade de estudar os processos que causam determinadas condições climáticas para depois aplicar esse conhecimento na previsão do tempo. Gaúcha de nascimento. aceitavam mulheres. Ana Lucia ficou no Rio e dali só saiu anos mais tarde. auxiliares para verificação e ordenação de dados. uma data curiosa para a futura meteorologista. Acho que vendi bem o curso: dos quinze da minha turma. O C EFET era uma escola con- siderada difícil. Em meados da década de 1970. a carioca dona Atala. geadas podem provocar incontáveis prejuízos. Dezenove de março é dia de São José. chegaram uns garotos e ficaram conversando. em especial a camada mais próxima da superfície na qual ocorre a maior parte das atividades humanas. meteoros. Para ela. atual C EFET . tanto na cidade quanto no campo. Ela aplica leis da física e da matemática para descrever. Ana Lucia decidiu pelo curso superior também em Meteorologia. quando enfrentou fila para se inscrever na Escola Técnica Federal. oito foram para a Meteorologia. Quando o pai foi enviado para Roraima.

em 1643. nem sempre foi assim. sol e calor. em pleno século XXI. tornaram a previsão do tem- po mais confiável. o filósofo explica os fenômenos atmosféricos com um enfoque filosófico. O primeiro grupo de meteorologistas formou-se quatro anos depois. No livro. as noções de tempo e de clima são muito diferentes. Foi no campus da UFRJ. Mesmo com todo o progresso tecnológico. por volta de 1700. a meteorologia tem como objeto de estudo desde o frio intenso que atingiu determinada região até as mudanças climáticas globais.a meteorologia progrediu e os primeiros mapas meteorológicos foram desenhados. na Ilha do Fundão. Ao longo do século XIX . que permitiram juntar muitas informações rapidamente. Para estudar o clima. O tempo é o estado da atmosfera em um determinado momento e em lugar específico – pode estar chovendo em São Paulo e.o barômetro. para então estabelecer critérios para a área analisada. solucionaram equações e permitiram entender o comportamento da atmosfera. Com o avanço das observações empíricas. Já o clima pode ser definido como “um conjunto de condições normais que dominam uma região obtidas das médias das observações durante um certo intervalo de tempo. Em face da precariedade de dados científicos. porém. as imagens do primeiro satélite meteorológico. Em 2008. Em 1937. em 1967. informações de radares. por volta do ano 340 AC. a matéria foi ganhando contornos mais científicos. foi no século XX que a ciência ganhou impulso com os meios de comunicação como telégrafo e rádio. na antiga Universidade do Brasil. o efeito estufa. Éramos muito diferentes. mapas e programas específicos de computador. “Conheci o Magno na faculdade. foi reorganizada e passou a chamar-se Universidade do Brasil. Instrumentos como o termômetro. no fim do século XVI. “Até hoje brinco com ele: passei pela porta e ele me pegou pelo braço. Aliadas a isso. é o conjunto de toda informação estatística sobre o tempo em um determinado local”. relembra Ana. Eu era caloura dele e começamos a namorar já no segundo mês de aula. Muitas das suas observações sobre o tempo estavam erradas. o meteorologista avalia as condições diárias do tempo ao longo de anos. fazia parte do Departamento de Física da Faculdade Nacional de Filosofia. assumindo a atual denominação apenas em 1965.” 15 . mas foram aceitas por quase dois mil anos. foi constituído o primeiro Departamento de Meteorologia do País. as explicações religiosas foram as primeiras dadas pelo homem na tentativa de entender os fenômenos atmosféricos. o Tiros 1. Nesse ano. Õ A Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ) foi criada no dia 7 de setembro de 1920 com o nome de Universidade do Rio de Janeiro. como os modelos numéricos. desenvolvidos na década de 1950. lançado em 1960. O curso de Meteorologia da UFRJ foi criado em 1964. Se hoje o cientista conta com uma série de recursos técnicos como imagens de satélite. tratando essas questões de forma especulativa. que Carlos Magno e Ana Lucia se conheceram em 1981. muitos deles provocados pela ação do homem na natureza. as modificações na camada de ozônio. Contudo. como o aquecimento global. umidade do ar e pressão nos anos 1940. e o higrômetro. Os primeiros programas de computadores de alta velocidade. Contudo. ou seja. o departamento fazia parte do Instituto de Geociências (IGEO) da universidade. Tinha acabado de fazer 17 anos”. com o desenvolvimento de alguns conceitos básicos como massas de ar e frentes frias na década de 1920 e o início das observações diárias da temperatura. ele líder estudantil e eu péssima de voto. A descoberta dos primeiros instrumentos meteorológicos possibilitou o estudo dos fenômenos naturais de forma mais precisa. em Sergipe. e também as descobertas feitas pela física melhoraram a qualidade das observações. quando. a meteorologia lida hoje com novos desafios. após uma reforma universitária. dando à meteorologia o status de ciência natural. O filósofo grego Aristóteles (384322 AC) já falava em meteorologia ao editar o tratado Meteorológica. Há milênios o homem tenta decifrar o funcionamento do tempo.mosféricas.

os metares. se você escolhia ir para a operação. em que pôde acompanhar o trabalho de um meteorologista operacional da Força Aérea Brasileira ( FAB ). “Além disso. Durante a faculdade já existia uma vontade de um grupo pequeno de tentar mudar a visão de que a previsão do tempo sempre errava. Ele dizia sempre que fazer previsão não era um bicho de sete cabeças”. “Eu queria fazer previsão do tempo. Para enfrentar as dificuldades financeiras. Além disso. Magno foi trabalhar na TASA (Telecomunicações Aeronáuticas S/A). mas também a possibilidade de informar. gostei dos professores e principalmente da ideia de trabalhar seis horas por dia. conta Ana. tanto atazanar o povo de lá foi que conseguiu o estágio e ainda remunerado!”. “Foi o professor Fábio Alcântara quem estimulou a maior parte da minha geração. Com poucos recursos técnicos em mãos. Ensinava e dizia que eu era um dos seus melhores alunos”. estou quase conseguindo”. o mais novinho tinha 30 anos de experiência na área de meteorologia aeronáutica. empresa que hoje não existe mais e foi incorporada pela Infraero. prever o tempo naquela época exigia muita capacidade. sem deixar de lado a maternidade. recorda Magno. no Aeroporto do Galeão. E de tanto insistir. por isso poucos seguiam essa área. matéria do professor Fábio de Alcântara. Ainda na faculdade os dois começaram a procurar trabalho e estágios como previsores. Não era – como não é até hoje – o filé mignon da profissão. Ter uma profissão. servindo de apoio às rotas de aviões que saíam daqui para a Europa. Não foi só ele a ficar fascinado com as aulas do professor. Ana Lucia também se lembra do entusiasmo com que o mestre falava sobre a importância do previsor.” Ana Lucia. Várias vezes ele chegou para mim e disse: “estou quase conseguindo.” A previsão da Aeronáutica era de muita responsabilidade. Começava como técnico e ia aprendendo até poder fazer previsão. a previsão do tempo. Era fascinado pelo poder de saber qual seria o tempo no dia seguinte. “Em 1980. Waldemar Stefan. Pouco antes de terminar a faculdade. As universidades estão retendo por mais tempo o aluno. “Não foi nada simples. também. A TASA captava a base de dados usada para fazer a previsão. Ele era um gênio. em busca de capacitação profissional. Não estimulam os “maus” alunos. analisar cartas.Além do encontro que iria mudar a vida dos dois jovens. “Existia uma cultura na universidade em que ser da área acadêmica era o crème de la crème e. empenho para lidar com números e modelos matemáticos e uma boa dose de ousadia para passar a credibilidade necessária. Isso era uma coisa do outro mundo. fez está- gio no Centro de Previsão do Tempo da Torre de Controle da Aeronáutica. que o ajudaria a custear as despesas com o estudo. Carlos Magno e Ana Lucia logo descobriram o melhor caminho: ambos queriam fazer previsão de tempo. A maioria preferia ficar na universidade e dedicar-se às pesquisas. avalia Magno. ao entrar para o curso da UFRJ me apaixonei pela meteorologia sinótica. já nessa época. lembra até hoje como Magno conseguiu esse estágio. Dentre as possibilidades do universo meteorológico. acredita Ana. criando novos conhecimentos para essas pessoas e. Magno tentou e conseguiu uma bolsa de iniciação científica. ter essa capacidade não só de saber. Magno aprendeu o dia a dia de um previsor: plotar. Entre os meteorologistas mais experientes. Ele ia todo dia lá para pedir o trabalho. “Foi um período interessante em que comecei a conviver com vários meteorologistas. Estados Unidos e África. expressava com isso o desejo de ser mãe. O amigo e mais tarde sócio. era porque não era bom aluno. Naquele tem- 16 . a faculdade e a convivência com alunos e professores fortaleceu no casal a certeza de que a escolha do curso havia sido correta. que precisam de apoio para superar as matérias básicas ou que precisam trabalhar durante o período em que estão cursando a universidade ou que não querem ir para a pós-graduação após concluir o curso. Waldemar. Eu já acreditava que tínhamos de ser os agentes transformadores desse conceito”. especializações que não têm mercado de trabalho. “O cara para ser meteorologista tinha de analisar mapas uns cinco anos para ter certa autonomia e ser previsor.

que morava sozinha e trabalhava no distrito. A cidade não chegou a assustar os dois cariocas. nem amigos mais íntimos. o que aconteceu um ano depois. Não foi bem isso o que aconteceu. o trabalho era animador. em pleno centro da cidade. Foi quando surgiu o primeiro concurso em muitos anos para previsor do tempo no Instituto Nacional de Meteorologia. naquela época. Ambos já pensavam em casamento e no rumo que dariam a suas vidas.” Após terminar a faculdade. especialmente à noite. Uma boa colocação garantiu o direito de escolher o local em que iriam trabalhar. Distrito de Porto Alegre). A ideia de que São Paulo oferecia maiores oportunidades e de que poderiam também continuar os estudos. Nesse período. Era uma boa oportunidade para dois meteorologistas recém-formados. “A gente poderia ter ficado no Rio. Então. mas já com alguma experiência. Quando saí da faculdade já era uma previsora com certa experiência. que até há pouco tempo era responsável pela elaboração de previsões para os Estados de São Paulo. no Ministério da Aeronáutica. órgão ligado ao Ministério da Agricultura. em 1985.” Se o lugar não era o ideal. entretanto. em 1983. Carlos Magno continuou trabalhando na TASA enquanto Ana Lucia concluía os estudos. perto da fa- mília e dos amigos. Arquitetura e Agronomia ( CREA). feito para receber os ‘estrangeiros’. gente de várias partes do País que vinha trabalhar em São Paulo”. e dependia da análise com base em observações do tempo presente e do seu conhecimento da física para projetar aquele tempo presente para o futuro. eram poucas as turmas de meteorologistas que saíam das universidades e. tinha vários quartinhos. Na década de 1980. A rua Vitória faz parte da região formada pelas ruas Aurora e Santa Efigênia. ainda por cima. ela dependia muito da experiência do meteorologista. Neide de Oliveira foi uma das “es- 17 . o Paraná passou a fazer parte do 8º. Cheguei na cara dura e perguntei: ‘posso morar com você?’. e não queríamos ficar perto dos pais”. “Fiz estágio no Aeroporto do Galeão. Como a casa era bem antiga. vários meteorologistas chegaram à cidade para assumir a previsão do tempo. como diz o dito popular. “Além disso. Ela topou e fiquei morando com ela até eu e o Magno nos casarmos.” Ana Lucia também procurou aplicar a teoria aprendida na faculdade e no terceiro ano começou a estagiar. foram logo conhecer o novo espaço. O primeiro desafio da nova empreitada era fixar residência na capital paulista. Ana e Magno decidiram prestar o concurso e foram dois dos 40 meteorologistas aprovados. Distrito. por causa do concurso. Isso porque. funciona o 7º. mudaram-se de “mala e cuia” para São Paulo.po. uma área degradada e com pouca segurança. Já Ana Lucia teve mais sorte e muita cara de pau. Ao desembarcarem. não havia ainda as modelagens numéricas. Um desses lugares que se deve evitar andar. não desencorajaram o casal. Em São Paulo. “Queríamos saber onde ficava a rua do distrito”. a sede do Inmet em São Paulo ficava numa casa da rua Vitória. tiveram de arranjar algum lugar provisório para ficar. Não tinham parentes. Magno ficou pelo distrito mesmo. uma pós-graduação em centros importantes como a Universidade de São Paulo e o Instituto Nacional de Pesquisas ambientais (Inpe). sim. As condições do lugar. revela Magno. Poderiam ter ido para qualquer parte do Brasil ou mesmo ficar no Rio de Janeiro. no Centro Meteorológico e depois na TASA . mas o jovem quer sempre novidade. mas o lugar em que iriam trabalhar. que era feita até então por muitos geógrafos – isso porque a maioria dos meteorologistas concentrava-se na sede em Brasília. e era isso justamente o que gostávamos de fazer”. A profissão de meteorologista havia sido regulamentada em 1980 e passara a fazer parte do quadro do Conselho Regional de Engenharia. o Inmet estava precisando de previsores do tempo. A impressão imediata não foi nada agradável. Rosângela. “Eu fiquei em um dos quartinhos nos fundos. Paraná e Mato Grosso do Sul (atualmente. conta Magno. especializadas na previsão do tempo. Como ainda eram solteiros. “Eu tinha uma amiga. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é formado por dez distritos espalhados pelo Brasil. em um local pouco adequado e de fama duvidosa. pesou na decisão de deixar o Rio.

Como tudo foi muito rápido. Logo depois vieram os outros do Rio. em geral. na casa dos pais da Ana Lucia. praticamente passaram a tomar conta da rotina do casal. recém-formado. O trabalho lá dentro do distrito era muito de preencher formulários e mapas. que ofereceram a casa para a realização da festa. Foi preciso uma enorme dose de paciência para tentar quebrar um pouco o ranço burocrático. pois o grupo não gostava muito disso. “porque no fundo a gente tinha algum traquejo com o público. “Nós começamos a atender jornalistas. procurar igreja.” Foi então que.trangeiras” que assumiram o posto no distrito paulista. completa a meteorologista. O casamento foi realizado por um capelão da Aeronáutica na presença das famílias e de muitos amigos. uma delas era como lidar com a informação. O dia a dia no distrito. anotavam em um caderno e depois transmitiam para os distritos. não encontraram igreja com data disponível para o casamento. preferiu deixar a terra natal em busca de maior campo de trabalho e realização profissional. no Rio de Janeiro. dizendo que poucos entendiam aquele palavreado: parcialmente nublado para o jornalista era nublado. por outro lado. do tempo em que trabalhamos na TASA e atendíamos alguns clientes. Magno e Ana rápido compreenderam que havia uma grande procura por dados e informações meteorológicas. “Foi um aprendizado interessante”. havia pouco jogo de cintura para atender a essa demanda. convidar os amigos. relembra Magno. não dava muito certo. Poucos acreditavam na previsão do tempo. “Eu cheguei a São Paulo em 1983. mas fiz questão de fazer as coisas direitinho”. nos dados e mapas da previsão do tempo. “A Ana não queria festa. As previsões eram elaboradas com base em dados levantados por observadores nas estações meteorológicas do instituto espalhadas pelo Brasil. como agricultores. Afinal. os dois voltaram ao Rio para organizar tudo. da Paraíba. Ana e Magno assumiram o posto no Inmet em 12 de fevereiro de 1985 com a perspectiva de muito trabalho pela frente. era nossa chance de iniciar um trabalho no distrito. Fotos de saté- 18 . A solução veio dos pais da Ana. na- turalmente. os dois se casaram no dia 13 de abril de 1985. Estava na hora de colocar em prática todo o conhecimento adquirido e a estrutura do distrito era um bom começo. Expressões que consideravam muito toscas. Por pouco tempo. e a gente questionava muito isso”. com plantões até nos fins de semana. estavam fazendo o que gostavam. Eles faziam a leitura dos instrumentos. Em uma cerimônia simples. presas a jargões de difícil compreensão para alguém do outro lado do balcão. conta Magno. Os primeiros meses foram de adaptação ao ritmo de vida paulistano e também o tempo de acertar a vida a dois. “Era um grupo jovem. do Rio Grande do Sul. identificaram as principais dificuldades de um meteorologista em um órgão público. relembra Magno. relembra Neide. aos 23 anos. apenas uma cerimônia em São Paulo. explica Magno. na Ilha do Governador. e o início do curso de pós-graduação no Inpe. e assim como Ana e Magno. Os dois logo se integraram ao grupo e puseram as mãos na massa. A linguagem muito técnica era outro fator que atrapalhava essa interface com o público. e a gente formou uma verdadeira legião estrangeira”. tanto do público quanto da mídia e de setores mais especializados. No dia seguinte seguiram de ônibus para a lua de mel em Campos do Jordão. não demorou muito para definirem a data do casamento e alugarem um apartamento para morar. em São José dos Campos. para a gente era predomínio do sol”. O meteorologista contava com poucos recursos tecnológicos. De volta a São Paulo foram viver em um apartamento mobiliado no aristocrático bairro de Higienópolis. ou melhor. “A gente vivia brigando. Esse choque entre a realidade e a modernização era compreensível. vista como pouco confiável e que. Logo. Mas era complicado mudar o padrão do que já estava instituído. que praticamente organizou o distrito”. Esses dados eram desenhados por técnicos em grandes mapas e em seguida analisados pelos meteorologistas. agricultores. passaram a intermediar o contato entre o distrito e o público. Estabelecidos no distrito. Neide é de Belém do Pará. porém muito bonita e emocionante.

Eu falava ao telefone dando informações sobre alguma previsão. especialmente quando ocorria alguma catástrofe: tempestade. nasceu. disse que elas estavam usando o poder da comunicação para passar uma ideia errada. Meteorologista também era assim. Para realizar esse desejo. nem sempre tranquila.lite. e foi lá que a primeira filha do casal. quando decidi fazer meteorologia. Tudo isso ao vivo”.. da TV Gazeta. elas continuavam a falar mal da meteorologia. Mas não posso acertar todas as previsões. acenando com milhares de possibilidades. E foi na rotina. ou Bebel. ainda inexplorado. do distrito que uma ideia começou a germinar na cabeça do casal. vai pedir demissão e virar gerente de butique’. fiquei pensando sobre as vantagens e desvantagens de partir para essa profissão. Apesar da ansiedade. captadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). avalia Ana Lucia. “Não tínhamos medo de nos expor. Afinal. que foi aprendendo as melhores maneiras de passar as informações elaboradas no distrito e a lidar com as saias justas causadas pelo tenso equilíbrio entre a credibilidade e a descrença. o índice de acerto de uma previsão variava de 85% a 90% para o período de 24 horas. faz parte da profissão. Por causa disso. pais de Ana Lucia. interior de São Paulo. Isabel. “Meus pais estranharam eu ter ido estudar meteorologia. errava. Se a gente errava. na Vila Mariana. O índice de acerto diminuía para períodos mais longos. “Ainda moça. Ana Lucia alimentava o desejo de ser mãe. a Ana não tem estilo de funcionário público. até agressivas. forte geada. Estava ao vivo. “No começo da carreira eu passava noites em claro acompanhando as frentes frias para saber se estava acontecendo o que eu previ”. elas estavam enganadas. compraram um pequeno apartamen- to na rua Nicolau de Souza Queiroz. o previsor era muito cobrado pelo público e pelos jornalistas. Disseram: ‘Meu Deus. No fim dos anos 1980. granizo. enfermeira. Minha mãe dizia: ‘Ela não vai aguentar. Ela estava certa. só não erra previsão quem não faz”. Comecei com paciência a explicar como funcionava a previsão para tentar mudar essa ideia.” 19 .. Cabia ao meteorologista a responsabilidade de interpretar os dados e cravar a previsão. conversar com as pessoas. Esse relacionamento com o público e com a imprensa deu maior visibilidade ao casal. eles sabiam o que estavam fazendo. Você trabalha meio expediente e tem meio expediente para ficar com os filhos”. e por isso poucos meteorologistas no distrito gostavam de falar à imprensa. que para mim foi antológica. E nada. Então elas começaram a dizer que a meteorologia sempre errava e eu argumentava que não. Uma das coisas que eu sempre quis era ser mãe. A gente erra até hoje.. cobrando. e algumas outras informações vindas da Aeronáutica ou órgãos internacionais completavam o quadro que dava suporte ao profissional.. relembra Magno. conheciam bem a filha. Notei que existiam profissões que eram legais. profissões que trabalhavam meio expediente. precisando de informações confiáveis sobre o tempo e o clima estava no ar. conta Ana. em São José dos Campos. no dia 11 de agosto de 1986. frio intenso. não aguentei ser funcionária pública por muito tempo. Algumas pessoas chegavam. Era só amadurecer um pouco mais. como professora. vai desistir’. A percepção de que havia um mercado. “Uma vez eu dei uma entrevista para o programa da Claudete Troiano e Ione Borges. dona Atala e seu Juvenal. Aí eu parti para a discussão e fui duro. relembra Magno. Depois de seis meses em São Paulo já foi possível pensar em ter um canto próprio para viver. Os erros eram muito mais lembrados do que os acertos.

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durante a ocupação holandesa em Pernambuco. o astrônomo Emmanuel Liais é contratado pelo Observatório Astronômico. Rio de Janeiro. com observações meteorológicas das zonas costeiras. No Inmet. Além do progresso representado pelas pesquisas científicas e tecnológicas e com a formação de quadros de alto nível tanto na academia quanto na área operativa. Pecuária e Abastecimento ( MAPA).C Õ Nesse início do século XXI. dentro do Ministério da Agricultura. Recife. o climatologista Henrique Morize produziu o primeiro estudo sobre o clima brasileiro. todos procurando as preciosas informações Õ No Brasil. o órgão conta com uma rede de 500 estações em processo de automação e dez distritos regionais: Manaus. Salvador. A repartição passou a ser responsável pela emissão de avisos meteorológicos para os portos. que unificou as redes de observações da Marinha e do Telégrafo Nacional. Divino Moura está novamente à frente da direção do Inmet. produtores. Desde 2008. buscava espaço para a modernização do órgão. em que fez uma tentativa de previsão para o Rio de Janeiro. mas apenas em 1844 teriam aparecido as primeiras observações meteorológicas nos arquivos do órgão. a meteorologia brasileira apresentou grande desenvolvimento com a implementação da previsão numérica e a incorporação de informações de satélites nas análises dos dados que alimentam os modelos. em São Paulo. Em 1921. Na década de 1980. Os dados levantados por meio desse trabalho serviram de base para a criação da Repartição Central Meteorológica da Mari- Nos primeiros anos do século XX. São Paulo. A coluna de previsão do tempo para o antigo Distrito Federal passaria a ser constantemente publicada a partir de 1917. os primeiros postos de observação meteorológica datam do século XVII. Nesse mesmo ano. industriais. para a agricultura e também para os navegantes. posteriormente. já então denominado Observatório Imperial. No que diz respeito à climatologia. Mattos é considerado o primeiro estudioso do clima de São Paulo e ficou por 24 anos à frente do serviço de meteorologia da Secretaria de Agricultura do Estado. Belém. os telefones do Inmet não paravam de tocar: eram agricultores. E no fim do século XIX. o Observatório Imperial tornou-se Observatório Nacional. sem uma organização geral dos dados coletados. Agricultura. em 1888. Porto Alegre. em 1827. nha. duas figuras despontaram como grandes nomes da meteorologia brasileira: Belfort de Mattos e Sampaio Ferraz. nesses 20 anos. há indicações de que os primeiros estudos científicos aconteceram a partir da criação do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro. é renomeado para Diretoria de Meteorologia e. Belo Horizonte. Na Marinha brasileira. em 1862. ligada ao Ministério da Os primeiros passos 21 om o passar do tempo. Indústria e Comércio. com a proclamação da República. e dá início à implantação das bases teóricas das ciências atmosféricas no Brasil. Talvez reflexo da redemocratização do Brasil. os navios hidrográficos já realizavam um trabalho sistemático. o trabalho em equipe dos meteorologistas do Inmet começou a engrenar. quando foi criada a Diretoria de Meteorologia e Astronomia. no Jornal do Commercio. O embrião do que hoje é o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) surgiu em 1909. Para ele. Anos depois. Em 1871. o órgão é desmembrado do Observatório Nacional. O interesse por informações meteorológicas parecia ter aumentado naqueles últimos anos da década de 1980. Instituto Nacional de Meteorologia. Cuiabá e Goiânia. quase todo o País contava com serviço de meteorologia ligado a órgãos governamentais. em 1913. 2 . Com sede em Brasília. o novo diretor. o Inmet é o responsável pela elaboração e divulgação da previsão de clima e tempo em todo o Brasil e representa o País na Organização Meteorológica Mundial ( OMM). publicado em 1889 com o título Esboço da Climatologia do Brazil. mas de forma descentralizada. Já Sampaio Ferraz foi o responsável pela publicação do artigo “Previsão do tempo”. o meteorologista Antonio Divino Moura. com novas perspectivas para todos os setores do País.

a meteorologia ganhava. isso sem falar nos enormes prejuízos em diversos setores da economia que um inverno mais rigoroso ou uma chuva mais intensa podia causar. (Folha de S. ficou difícil para todos.. eu acho. do 7º. São Paulo viveu ontem um dos dias mais quentes do ano. mas classifica o deste ano como ‘extremamente seco’”. safras quebradas. Em 1987.. Paulo. 27/9/1988) “Segundo Carlos Magno. Tinha de passar alguma confiança. por meio do distrito. um grupo de sete meteorologistas decidiu montar uma empresa. que está há quatro meses na região Centro-Sul do País. parecia mais jovem do que era realmente. Segundo Carlos Magno.) Magno afirma que a falta de umidade é característica do inverno. Em 1987.sobre o tempo. Começamos a montar a Climatempo. uns seis ou sete. São Paulo está sob a ação de um sistema de massa de ar de alta pressão subtropical que domina o Atlântico sul..” Toda essa efervescência era sentida pelo pessoal do distrito. acabei a faculdade com 20 anos. Sim. Quando a gente respondia que não tinha pessoal para isso eles diziam que podiam pagar e que compravam os dados. Paulo. a onda de calor verificada estes dias em São Paulo deve-se à massa de ar subtropical localizada em toda a região Centro-Sul. ‘Quando isso acontece.. oferecer o serviço. eu mesma me perguntava: ‘quem vai acreditar na previsão do tempo que uma menina faz?’. chove no Rio Grande do Sul. Era preciso buscar clientes. e há tempo seco e quente em São Paulo’. Quando me olhei na televisão. relembra Neide de Oliveira. Distrito de Meteorologia. Minha voz era muito infantil. provocando o desvio de massas polares para o oceano. O Inmet. Eram várias cabeças. (. que fez parte do grupo que criou a Climatempo. bloqueando todos os sistemas de frente fria provenientes do Polo Sul. Era o pequeno embrião do que no futuro seria a Climatempo. conta Ana Lucia. os meios de comunicação davam cada vez mais espaço para divulgar notícias do tempo. De acordo com ele. isto atua como um bloqueio para as condições que favorecem a ocorrência de chuvas nas regiões Sul e Sudeste do País. só melhorou quando a mídia começou a divulgar mais a previsão. especialmente em São Paulo.. pouco a pouco. até juntaram um grupo e formaram a empresa. responsável tanto pelas altas temperaturas como bela baixa umidade do ar. para aproveitar esse mercado potencialmente em ebulição e incentivado por Carlos Magno..) ‘O calor deve 22 . Até aquela época ninguém acreditava muito. Enquanto isso. Depois disso. Eu era muito jovem. maior credibilidade. “Era comum algumas pessoas virem até nós para pedir algum trabalho.. Santa Catarina e sudoeste do Paraná avança lentamente e deve chegar hoje a São Paulo. E Carlos Magno como chefe do grupo de previsores passou a ser muito assediado pela mídia: “A frente fria que provocou chuvas no Rio Grande do Sul. “No primeiro mês no Distrito dei uma entrevista para a TV Globo. (. o calor é provocado por uma massa de ar subtropical. mas foi complicado gerir.. mesmo com recursos ainda precários. passou a ser mais conhecido e procurado. porque foram conhecendo a meteorologia e como a previsão poderia ajudá-los. mas a empresa mal saiu do papel. Chegou uma hora que isso começou a ganhar volume”. O nome nasceu ali. “O Magno e a Ana Lucia começaram a organizar o distrito. cabelo com rabo de cavalo. Crescia a procura por informações específicas que saíam um pouco da rotina e eram difíceis de ser atendidas. disse ele”.. porque negócios podiam ser desfeitos. Estava sem um pingo de maquiagem. Era um entra e sai de jornalistas repercutindo fenômenos climáticos que afetavam a população. cabeças novas sem entender de empresa. Isso aconteceu. esse fenômeno deve provocar o aumento de nebulosidade e chuvas em pontos isolados na capital paulista (. aí a gente sentiu uma procura maior. nunca mais deixei me fotografarem sem usar batom e com cabelo preso. (. (O Estado de S.) Para o meteorologista Carlos Magno do Nascimento. abalada durante décadas por previsões imprecisas.. 14/9/1988) “Com a temperatura entre 20 e 30 graus. do 7º. Distrito de Meteorologia do Ministério da Agricultura. Não conseguimos”. Tudo indicava que.) Segundo Magno. por exemplo. 27. a demanda já era muito grande.

Ao mesmo tempo admirado e alvo de deboche. fundado pela família Mesquita. Jornais. eram muito bem feitas. não tinha ninguém que falasse”. “Eu acabava de voltar dos Estados Unidos. A ideia de colocar no ar meteorologistas era nova. Recorria a dados do 23 . e lá o povo não parava de ouvir as previsões do tempo. que se interessava muito pelo plantio. porém. o portal www. a inflação acumulada no ano de 1987 foi de 415. devem-se à circulação de ar marítimo. chefe de redação da rádio Eldorado AM/FM. Os funcionários públicos sentiam no bolso a situação e o pessoal do distrito não era exceção. a rádio Eldorado faz parte do Grupo Estado. “Foi uma ideia pioneira. não. Por atingir áreas re- motas. A essa altura. Eis que em um belo dia aparece no distrito Ademar Altieri. Para o homem e a mulher da rua. como a hiperinflação. O tempo nublado e a temperatura amena verificados no litoral. O nome de Narciso Vernizzi era sinônimo de previsão do tempo. Ademar Altieri. Autodidata.56%. com uma proposta inovadora: queria contratar dois meteorologistas que seriam responsáveis pela divulgação da previsão do tempo pela rádio. relembra João Lara. pelos fazendeiros. tanto Ana Lucia quanto Magno foram adquirindo uma certa prática para lidar com a imprensa e conseguiam passar as informações numa linguagem mais clara. Então encarreguei o chefe de redação. a dona de casa. o empurrãozinho que faltava para uma grande mudança na vida do casal. jornal ou TV. Uma rotina diária que conquistou um público cativo durante mais de 40 anos. Seria um diferencial da Nova Eldorado. havia em São Paulo um jornalista que conhecia muito do assunto. na época diretor da rádio e um dos responsáveis pela contratação do casal. O “Homem do Tempo”. especialmente em São Paulo. muito comum e respeitado em boa parte do mundo e pouco valorizado no Brasil.com. chegando a 1. que nasceu em 12 de novembro de 1987. surgiu uma grande oportunidade.br e a Oesp Mídia e é um dos mais importantes grupos de mídia do País. o rádio sempre reconheceu a importância de boletins em sua programação diária. em 1988. que impedia qualquer tentativa de crescimento econômico. além de ser um grande divulgador e incentivador da meteorologia. não havia nada comparável em rádio. Ana Lucia já tivera seu segundo filho. Inaugurada em 1958. Vernizzi nunca deixou de prestar um valioso serviço à população. Havia a Força Aérea Brasileira ( FAB ). pela rádio Jovem Pan de São Paulo. avalia João Lara Mesquita. levou seus conhecimentos para a Jovem Pan em 1963. com o bordão “Bom dia. sofria os reflexos da falta de estrutura da previsão no Brasil. com um estilo mais jornalístico. 83%. Marcos. que se interessava pela aviação. pela chuva. que aumenta a nebulosidade e faz cair a temperatura’”. Esse cenário tão promissor não escondia.037. relatava Vernizzi quando perguntavam a ele qual era o seu público. prevê Carlos Magno. de achar uma previsão de tempo bem feita no Brasil. Vernizzi começou sua carreira jornalística no esporte. O rádio foi um dos primeiros veículos de distribuição das informações meteorológicas. em contraste com o calor da capital. 28/9/1988) Aos poucos. e com isso as despesas ficaram maiores.diminuir bastante nos próximos dias. os problemas econômicos crônicos pelos quais o País passava. mas previsão do tempo na rádio. como ficou mais conhecido e cuja alcunha foi registrada em seu nome – “Quem quiser usar tem de pagar os direitos” –. Por isso foi um retumbante sucesso quando entrou no ar”. Todas as manhãs. que congrega os jornais O Estado de S. Só para ter uma ideia. feita com base científica. a Agência Estado. Nessa época. estadao. rádios e tevês começaram a abrir os olhos para esse tipo de conteúdo. “Havia o Ministério da Agricultura. “A sugestão de colocar dois profissionais no ar foi minha”. aliás. No rádio brasileiro daquela década não havia uma previsão de tempo confiável. que. e desde então foi ganhando espaço. Paulo e o Jornal da Tarde. Foi quando.” João Lara Mesquita tinha razão. em 1988. (Jornal da Tarde. Era um locutor esportivo apaixonado por meteorologia. amigos” o jornalista iniciava as transmissões dos boletins do tempo.

” A proposta feita pela rádio Eldorado agitou o distrito. e fazia parte de uma reformulação que criaria a Nova Rádio Eldorado AM. Risos constrangidos foram ouvidos. coisa de cinco mil dólares para cada um deles. O pior que pode acontecer é a gente não passar’”. Passados alguns dias. Sem saber. “A essa altura do campeonato todos eram funcionários públicos e todos estavam ralados”. Ambas. Vernizzi passou a fazer parte do folclore da cidade. ninguém está te olhando por um vidro. Magno relutou. “Aí. De qualquer forma. Ironia do destino. Ele era chefe dos previsores e não tinha interesse em falar na rádio. “A primeira coisa que fiz ao mudar para São Paulo. disse Ana Lucia. um texto e fui para a cabine de gravação. os dois meteorologistas selecionados eram exatamente Ana Lucia de Macedo e Carlos Magno do Nascimento. em 1985. porém. como radioamadores. e o salário era alto para a época.. Era natural que a situação ficasse um pouco desconfortável para o casal. conta Ana Lucia.. O Magno é tímido e ele não queria ir de jeito nenhum. eram voltadas para formadores de opinião”. 24 horas no ar de informação e prestação de serviço. Não tinha jornalista assim no Rio. agradável. o acordo para o trabalho foi feito entre o Inmet e a Rádio Eldorado. usando frases curtas. Foi então que começamos a dar mais atenção aos dados históricos. Todos no distrito participaram dos testes. foi ouvir o Narciso Vernizzi pelo rádio. e chegou a instalar uma estação meteorológica em São Roque. popularizou a meteorologia. Distrito. Isto é. A ideia era colocar um meteorologista pela manhã e outro à tarde. Aeronáutica. a média de acertos não era muito grande e os erros eram muito cobrados. e foi só quando Marco Antônio Gomes. Porque ele era jornalista e sabia o que interessava para o público: por exemplo ‘essa tarde foi a mais fria do ano’. é você. com muita simpatia e. conta João Lara. Para ele não havia erros: “O nome já diz: previsão não é fato. E eu pensei: isso é notícia? Aí chegou no distrito uma chuva de jornalistas perguntando se real- mente era a mais fria e eu percebi que isso interessava. Eu dizia que não. “A AM era uma emissora jornalística e a FM uma rádio musical com coberturas especiais de esportes. Como Ana não usava o sobrenome Nascimento. o pessoal da Eldorado voltou ao distrito para anunciar os escolhidos. dizia. com uma linguagem popular. almejava chegar um dia a diretor do distrito e quem sabe até do Inmet.. O projeto ainda demorou um pouco para ser implantado. todos aguardaram os resultados. até que procuramos o Ministério da Agricultura e este nos sugeriu o 7º. ordem direta. Eu achava fabuloso ter um jornalista falando de meteorologia. uma cabine fechada. Preparei uma ideia. ‘O cara é bom’. Fiquei satisfeito ao ouvir o Narciso e em saber que tinha um serviço desse em São Paulo. eu percebi que o Narciso furava a gente. Naquele primeiro momento. Feitos os testes. “Eu tinha bastante prática. aprovou a ideia é que recomeçaram as negociações. Queria seguir uma carreira política dentro do distrito. a direção da rádio havia escolhido o casal. como as informações eram sempre insuficientes. ninguém da rádio desconfiou e acabou mantendo a escolha. como explica João Lara Mesquita. porém.Inmet. interior de São Paulo. com qualidade de informações”. Contudo. Foi Ana Lucia quem insistiu para que ele fizesse o teste. consultava todas as fontes disponíveis. mas o velho homem do tempo já era uma referência para o jovem meteorologista que em breve seguiria pelo mesmo caminho do rádio. Você chega lá. que a gente tinha todos os dados ali e não aproveitava. dá o seu recado e acabou. afinal. aí o pessoal falava que ele estava ocupando o nosso espaço.. Eu disse ao Magno: ‘ninguém está te vendo. “Procuramos em dezenas de lugares: na Universidade de São Paulo ( USP). Ensinamos a falar no rádio de forma coloquial.. aeroportos. claro. No início. de onde fazia suas entradas na rádio. relembra Magno. cumulus nimbus. o novo diretor de jornalismo da rádio. é previsão”. Fomos lá e testamos todos. eram dois salários para uma mesma casa e tantos outros precisando de um “ex- 24 . ainda no distrito. que estava divulgando a nossa profissão”. Os dois nunca se conheceram pessoalmente. tinha noção do que um meteorologista falava nos Estados Unidos. o microfone.

todos gostaram e aceitaram a ideia. a modernização chegava lentamente à meteorologia. Magno e Ana tomaram contato com essas tecnologias durante o período em que cursaram o mestrado na USP e foi ali que. mas que representavam um grande avanço para melhorar a previsão do tempo. Felizmente. Foi o ponto de partida para a existência legal da Climatempo. uma cabine foi instalada no distrito. Afinal. A Nova Eldorado ganhava cada vez maior audiência. ao acompanharem esse processo. um dos diretores da Nestlé ouvia com frequência a Rádio Eldorado e teria ficado muito impressionado com a segurança das informações transmitidas pelo casal por meio dos boletins. distribuindo as tarefas de casa e o acompanhamento dos filhos: Bebel e Marcos Paulo. O serviço era para o setor cafeeiro da Nestlé. Segundo Magno. Foi então que surgiu um pedido da multinacional suíça Nestlé. trabalhar na rádio e ainda prospectar novos caminhos. O novo processo implicava em uma análise mais objetiva. com base em dados gerados por equações matemáticas ainda rudimentares. retirar 30% do salário pago pela rádio e dividi-lo entre os outros meteorologistas. Resolvida essa questão. captaram no ar um clima de mudança.tra”. A professora e hoje diretora do Centro de Previsões de Tempo e Estudos Climáticos ( C PTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Cachoeira Paulista (SP). a consultoria se estendeu para a área de sorvetes e as previsões passaram a ser usadas para acompanhar a produção e estoque do produto. “A Ana iria estudar na universidade e fazer pós-graduação em agrometeo- 25 . Magno viu seu projeto de seguir carreira no Inmet distanciar-se. os diretores queriam saber se o ano seria de geadas. a primeira nota fiscal da nova empresa seria emitida no dia 20 de setembro de 1988. o que elevaria o valor da colheita. relembra Magno. Aí eu comecei a pensar em reviver a Climatempo. que estava só no papel e não tinha nenhuma nota. Depois de três meses no ar. Eles não tinham a complexidade de modelos numéricos mais avançados. No distrito. Não dava para fazer tudo ao mesmo tempo: chefiar previsores. Esse acerto possibilitou também um arranjo doméstico. Aquele foi o momento. Carlos Magno sugeriu ao então diretor do distrito. De acordo com Magno. para montar um centro de previsão. Ana Lucia pela manhã e Magno à tarde e à noite. mas não de fato”. lembra que esses modelos eram usados como uma ferramenta a mais para a elaboração da previsão do tempo. Para tentar diminuir a tensão entre o grupo. Magno tinha certeza de que o momento certo de alçar voo solo aproximava-se. A situação conspirava para isso. os dois já eram bem conhecidos do público ouvinte. Os computadores começavam a fazer parte do trabalho dos previsores e os primeiros modelos de previsão numérica eram utilizados. existia juridicamente. para que Ana Lucia e Magno prestassem serviços de consultoria em meteorologia. e muita vontade de conquistar o mercado que se abria a sua frente. Agora eles tinham um cliente. mas foram muito importantes na época para a modernização da meteorologia brasileira. Seria de lá que transmitiriam os boletins. A certeza de que deviam investir no novo negócio era tão grande que Magno decidiu recusar um convite da Cooperativa de Produtores de Cana-de-Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (C OPERSUCAR). não tinha cliente. O trabalho realizado é considerado um marco pelo casal. “Foi um período conturbado e começamos a pensar se iríamos pular para a iniciativa privada ou arrumar outro emprego. Silvio de Oliveira. porém. tinham uma empresa real. uma das maiores empresas de alimentação e nutrição infantil. as coisas não andavam tão bem. Novos ares para a meteorologia e também para quem vivia da previsão do tempo. Maria Assunção Faus da Silva Dias. Com a efetivação da empresa. Um desses modelos foi desenvolvido pela Universidade de São Paulo ( USP ). Aquele era o momento. Uma novidade para uma época que dependia apenas das cartas e dos mapas elaborados e da avaliação do meteorologista. em Piracicaba. mas logo outros centros o adotaram. um novo cenário se desenhava.

Vera. Projetos e Serviços. Para isso. a necessidade de ter informações mais individualizadas começou a pesar nessa relação. Chegara o momento de encontrar esse lugar. a Climatempo. Magno e Ana. inclusive a filha mais nova. Além de distrair o filho. a Agência Estado deu início à modernização dos seus serviços. Preferimos ficar para montar a Climatempo a ser empregado. Magno um dia sonhou com um lugar próprio para a Climatempo. o que aumentava a credibilidade na previsão. Enquanto isso. Aos poucos. Se não acertavam sempre era pela falta de recursos técnicos mais modernos para elaborar o prognóstico. a meteorologista Vera Malfa Pereira fundara a Tropical Meteorologia. Com os olhos voltados para fora da janela. Antes dela. No fim de 1988. a Eldorado tornava Magno e Ana cada vez mais conhecidos. Pelo menos por enquanto. O apartamento de 50m 2 que o casal havia comprado na Vila Mariana era pequeno demais para comportar uma empresa com grandes possibilidades. Com Rodrigo Mesquita como diretor. a Climatempo não seria a primeira empresa privada de prestação de serviço em meteorologia. finalmente encontrou uma casa que atendia às suas expectativas: ali poderia instalar a mulher e os filhos. os dados eram fornecidos diretamente pelos meteorologistas do Inmet. Assessoria. Magno usava as manhãs – enquanto Ana estava de plantão no distrito e a filha mais velha Bebel na escolinha – para passear com o filho mais novo. também sofria um profundo processo de reformulação. Foi o caso da Agência Estado ( AE). aliás. reformulando suas colunas e investindo no conhecimento da previsão do tempo. com o desenvolvimento do projeto de modernização da previsão do tempo na AE. conta Magno. Nesse primeiro momento. mas pouco a pouco o atendimento passou a ser dado principalmente por Carlos Magno e Ana Lucia. em 1982. Distrito de Meteorologia. Vale lembrar que o momento era da meteorologia e os fatos que envolviam o tempo e o clima despertavam cada vez maior interesse da imprensa. 26 . Eles conseguiam explicar os termos técnicos com uma linguagem clara. Queríamos montar uma empresa diferente. um novo gru- po de jornalistas assumia a direção da agência. contudo. a presta- ção de serviços era feita pelo Inmet e o casal falava em nome do distrito. mas também pela mudança nas colunas do tempo nos jornais da casa: O Estado de S. Marquinhos. que ficaria responsável não só pelo serviço para os clientes. coube a ela o pioneirismo de ser a primeira mulher do tempo do programa Bom Dia. direta. sem um grande capital nas mãos para grandes voos. mas seria pioneira na implantação de uma nova filosofia nesse novo nicho de mercado: oferecer uma previsão de tempo diferenciada. Elói Gertel e Sandro Vaia como diretores de conteúdo. em 1977. Magno tinha consciência de que era preciso ir devagar. mas sem estrutura física. Magno aproveitava para procurar um local que pudesse ser a nova sede da empresa. outro braço do Grupo Estado. Uma das propostas era oferecer uma coluna de previsão do tempo. São Paulo. Paulo e Jornal da Tarde. Eram eles que todos os dias divulgavam a previsão para São Paulo e também passavam as informações para eventuais matérias.rologia. Outras mídias passaram a demonstrar interesse pela meteorologia. específica para os clientes interessados. em São Paulo. Em 1988. Trabalhando em regime de escala no Inmet. Depois de muito procurar. No início. Em abril. teve também um papel importante na moderna meteorologia brasileira: foi a primeira meteorologista com curso superior a trabalhar no 7º. da Rede Globo. Como as coisas ainda estavam apenas no começo. ainda uma pedra no caminho da meteorologia brasileira. Naquele momento. tinham maior facilidade de comunicação. além disso. foi contratada a jornalista Patrícia Ferraz. ao mesmo tempo segura. assim como a Eldorado. a Climatempo já era uma realidade. Era puro sonho de dois jovens que já tinham alguma experiência profissional e conhecimento da demanda do mercado de meteorologia”. pelas ruas próximas ao apartamento. mais voltada para levantamento de dados e assessoria técnica. Magno e Ana Lucia não eram exclusivos da AE. a AE. já escolados pela rádio Eldorado.

mas passados esses anos todos. Josélia não sabia quanto esse conhecimento seria útil. Era a primeira vez que entrava em um centro de previsão e foi ali que. disseram os pais. Josélia Pegorim trabalhava na TV Cultura. “Você é louca”. o 132. com os meteorologistas mais antigos. o diretor do distrito. Ana decidiu deixar a Eldorado e ficar como previsora do Inmet e da Agência Estado. numa mesma empresa. O serviço incluía previsões do tempo para a tevê e para a rádio Cultura. Pediu transferência e não se arrependeu. Um dia em que a crendice popular no Nordeste diz que. ou seja. outra paixão em sua vida. porém. Filha de arquiteto.” Apaixonada pelo canto. além do serviço telefônico do 132. Josélia. Silvio de Oliveira. Chegou um momento em que a rádio não tinha como sustentar os altos salários pagos. Até aí. conta Magno.O sobrado ficava na Rua da União. aprendeu a elaborar a previsão de tempo. Josélia tomou gosto pela previsão. equipamento fundamental para trabalhar. e que fazem aniversário no mesmo dia. 19 de março. Pequeno. Para o seu lugar. Dia de São José. em uma sala. também na Vila Mariana. se juntam. Mas o período ainda era de incerteza econômica e nem o projeto vitorioso da Nova Eldorado conseguiu sobreviver à hiperinflação. Por ele recebiam os dados e as fotos de satélites que compravam do Inpe. modelagem numérica. Coincidência ou não. quando chegou a hora de prestar vestibular. Nos fundos. mas jeitoso. artigo raro naquele momento. O Inmet havia se afastado do negócio e a rádio passara a ser mais um cliente da nova empresa. a gente brinca que eu sou a louca que deu certo. “Um dia eu estava andando pelo campus e dei de cara com uma amiga. um sofá. uma rua de comércio atacadista de materiais e acessórios eletrônicos. As dificuldades iniciais para trabalhar eram enormes. “Eu lembro que a gente pagava 30% de tudo que recebia em aluguel da casa. uma pisciana. Grávida do terceiro filho. E fizeram isso já diretamente com a Climatempo. Uma linha telefônica era caríssima. começou a instalar programas. custava em média 4 mil dólares. Quando Ana Lucia resolveu deixar a rádio Eldorado. Magno comprou um fax de segunda mão da NEC. tinha espaço para todos os filhos. “É. Magno. Josélia veio do Rio de Janeiro com a família aos 11 anos. Ali tudo começou. relembra. que tinha alguma noção de informática. Magno convidou outra meteorologista. e começou aí uma duradoura parceria. Contudo. Josélia não tinha noção do que era um curso de meteorologia. Eles pediram para renegociar o contrato. a profissão ainda é uma coisa rara: duas mulheres e duas meteorologistas. Ela fazia meteorologia”. ninguém entendeu. mas era um investimento”. quando chove. Ana Lucia. de uma forma que as pes- 27 . sugeriu seu nome para Magno. fui aprendendo com o Magno a contar uma historinha. decidiu mesmo pela matemática. início da década de 1980. que nada mais era do que usar a técnica e os conceitos matemáticos e transformar isso em equações. Na Santa Ifigênia. uma mesa e a grande aquisição: um computador. Em casa. Ela assumiu o lugar de Ana Lucia durante as manhãs em 1989. Naquela época. Mesmo assim. Distrito. outra grande novidade na época e que também passou a fazer parte da estrutura. “A estatística jamais vai conseguir explicar como nesse mundo. com o grupo que fazia o serviço de previsão de tempo por telefone da antiga Telesp. e com sua voz potente e clara logo conquistou um público fiel. Entrou na Universidade de São Paulo e foi lá que começou a estudar matemática aplicada. foi assistir a algumas aulas. E aos poucos foram comprando a mobília: uma estante. foi no coral da USP que uma amiga lhe falou de uma cobertura de férias na central de meteorologia da TV Cultura. analisar o currículo e chegou à conclusão que era muito interessante. o inverno vai ser bom. “Na rádio. duas pessoas meteorologistas. Ela é a segunda de seis irmãos. Victor. acompanhando também a evolução da Climatempo. substituiu outra pisciana. um computador.” Josélia começou a transmitir seus boletins direto do 7º. sua primeira ideia de profissão estava ligada à arquitetura. no centro de São Paulo. de repente. foi montada a infraestrutura básica para a Climatempo. Nele.

Eu estava tremendo que nem uma louca. ainda mais quando é divulgada pela rádio.soas entendessem. uma novidade. Um erro pode prejudicar muitas pessoas que confiaram nela. a Climatempo ficaria responsável pela recepção de fotos do satélite enviadas pelo Inpe. Entretanto. até a compra do fax”. a Cli- 28 . Josélia acumulou os dois trabalhos. Eu estava de plantão na TV Cultura e na rádio. Todas as pesquisas e estudos que são feitos servem para diminuir as margens do erro. Bom. começou a chover no sábado. comprando-os de empresas estrangeiras ou por meio de convênios com as instituições governamentais como Inmet e Inpe. assim como Carlos Magno e Ana Lucia. e choveu o domingo inteiro a ponto de inundar a cidade. Durante um bom período. Nós aprendemos a olhar e muito bem para o céu. “Eu faço parte de uma geração de profissionais. Vale lembrar que se está falando ainda do final da década de 1980. uma modernidade para a época. tinha algumas coisas na cabeça. nada a ver com a forma que faço hoje. “Eu lembro a primeira vez que entrei ao vivo. É olhando para o céu. As imagens eram recebidas por um fax. Ele convive e vai conviver o resto da vida com o erro. as informações chegavam por meio de um modem e um sistema de transmissão chamado Procon. eles passaram também a abastecer o noticiário dos jornais para os quais trabalhavam. Nós aprendemos a fazer previsão na mão. Uma época frutífera em que adquiriu a tão necessária experiência. A prática dos boletins trouxe também o traquejo de uma boa locução e a segurança necessária. na ponta do lápis e na borracha. que também se faz uma previsão. como eu errei tanto’. conta Josélia. relembra Magno. que não tinha computadores nas nossas vidas. era um sábado. mas ainda baseados no distrito. O meteorologista não podia culpar máquinas. sugerindo pautas com temas inimagináveis nas redações. computadores e modelos. com um poder enorme de difusão. “Lembro que chorei uma vez por conta de uma previsão errada.” matempo fechou um acordo em que cabia à agência levantar os dados. após 20 anos de aprendizado. Já na Agência Estado. A reportagem. sempre solicitada quando o assunto era meteorologia. mas prática nenhuma”. estampava a manchete “Detetives do tempo”. fiz a entrevista pelo telefone.” Josélia tem consciência da responsabilidade de fazer uma previsão. Queriam que eu entrasse ao vivo porque estava caindo uma tempestade em São Paulo. o nome Josélia Pegorim tornou-se conhecido. Foi o que aconteceu na edição do dia 12 de maio de 1989 do Jornal da Tarde. mas elas existem e vão continuar a existir até o fim. uma foto do meteorologista Carlos Magno no papel de Sherlock Holmes e o subtítulo: “Os meteorologistas ajudan- Õ Em 1989. No começo era uma história muito quadrada. na TV Cultura e na rádio Eldorado. escrita por Patrícia Ferraz. Por outro lado. Eu olhava para o céu e chorava: ‘Meu Deus. Sorte que não era tão conhecida ainda”. a bela voz da rádio Eldorado. que é uma fotografia. Faz parte do dia a dia. e eu dei uma previsão de que não iria chover. informa muito sobre a condição do tempo. Foi com o Jô Soares. toda a prática do mundo não afastava os riscos de erro na previsão. Para poder suprir todas as necessidades da AE com os jornais da casa e também com seus clientes. as nuvens que estavam em Mato Grosso do Sul não iriam chegar a São Paulo. Era ele o principal intérprete do céu. “Quando começou a Climatempo.” Por isso que uma previsão errada podia ser muito dolorida. A transformação do céu. que fazia um programa na rádio sobre jazz. Com o tempo. Nesse momento eram três jovens meteorologistas trabalhando basicamente para dois clientes. mesmo quando a transmissão não era gravada. pois até então as fotos vinham de ônibus de São José dos Campos para a Agência Estado. via Pássaro Marrom. Em destaque. E muito mais do que fazer previsões de tempo. a parceria com a Agência Estado ganhou fôlego. quando “o tempo” virou notícia de caderno de polícia. “O meteorologista que trabalha com previsão tem relações delicadas. Eu estava saindo da faculdade. da Agência Estado. das nuvens. Ainda bem que deu tudo certo. o processo era bem rudimentar: duas imagens por dia vinham de ônibus.

o sequestro do banqueiro Antonio Beltran Martinez: “Quando foi libertado. segundo o meteorologista. pois. seria preciso uma estação meteorológica em cada bairro para ter essa informação. eles ajudam a resolver casos complicados. 29 . sem chover”. havia ficado escondido na Grande São Paulo. havia trovejado. Magno e Ana Lucia sentiram que era hora de largar de vez o serviço público e apostar todas as fichas na Climatempo.do a combater o crime”. Mais experientes e com dois clientes na carteira da empresa.. conta Magno. Mas não era só nos jornais ligados à Agência Estado que Carlos Magno e Ana Lucia davam seus pitacos. Magno foi um dos meteorologistas ouvidos pela reportagem e lembrou-se de um caso marcante em sua carreira. o banqueiro. Muitas vezes. Logo no início da matéria a explicação sobre o trabalho desconhecido dos meteorologistas: “Consultando mapas e fotos de satélite. poucos leitores deveriam saber que o trabalho de um meteorologista pudesse estar ligado a intrincados inquéritos policiais.) A polícia acreditava que ele. as condições do tempo numa determinada hora ou local podem ser decisivas para esclarecer um caso ”. no dia 8 de novembro de 1986.. Revistas especializadas – desde publicações destinadas a velejadores até revistas de cooperativas de laticínios –. (. sem chuva. Nesse caso foi impossível obter uma resposta. e queria saber onde. além de jornais de todo o estado de São Paulo cada vez mais incluíam a previsão do tempo em suas edições. Com certeza. Beltran disse à polícia que no segundo dia do sequestro ele ouviu um barulho de trovões. na Grande São Paulo.

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eles mantiveram contato. As amizades. no setor de comunicação a demanda já estava aquecida. Foi nesse momento Ambos sentiram. Até 1992. Ao assumir. 3 de março. nesse tempo. Apesar das boas relações cultivadas ao longo dos anos. Collor prometia uma verdadeira limpeza em vários setores. dava a resposta: “Com que roupa eu vou?” Os meteorologistas Carlos Magno e Josélia Pegorim transmitem para os ouvintes da Nova Eldorado AM os mais precisos boletins do tempo. O Magno saiu primeiro. Ana e Magno deixaram de ser Na telinha da Globo 31 o fim de 1989. Em dezembro. Nós respeitávamos a empresa. eles já tinham um fluxo de caixa para montar um pequeno centro de previsão do tempo. conta a meteorologista Neide de Oliveira. a determinação do Governo Federal foi o empurrão que faltava. o outro ficava responsável pelos serviços de casa e também pelas três crianças. A rádio. não deixaria passar em branco uma data especial para os meteorologistas. Eles sabiam das possibilidades dessa área. lembra Ana. afinal. Além disso. foram mantidas. Com a cabeça voltada somente para a Climatempo foi a hora de prospectar novos mercados. tanto que havíamos alugado uma casa maior”. depois de vários anos de ditadura militar e de um lento processo de redemocratização. Ensaiando já há algum tempo a saída do distrito. os brasileiros elegeriam pelo voto direto o novo presidente do País. Na sexta-feira. o Inmet era um órgão do Ministério da Agricultura. a melhor prestação de serviço chega a você. Rádios e tevês também passaram a se interessar mais sobre o assunto. leia e veja o trabalho deles. segurando as pontas com um emprego fixo. ao mesmo tempo. A exemplo do Estadão e do JT. “Eu saí primeiro e um mês depois a Ana saiu também”. Magno dividia com Josélia os boletins diários na Eldorado. Fernando Collor afastaria mais de 100 mil funcionários. A gente sabia que era o momento e que a tendência era de o mercado crescer”. porém. Foram bem ousados. muito menos com os nimbus. Como consultores do Grupo Estado. massas de ar frio vindas da Patagônia. No dia 3 de março. você vai saber com que roupa sair”. lembra Magno. no sobradinho da rua da União. eles sentem a torcida para que não apareçam cumulus. “Na verdade. Outra determinação foi a de impedir que servidores públicos exercessem outra atividade na iniciativa privada. a Eldorado comprou três quartos de página do caderno de esportes do jornal O Estado de S. as condições políticas de trabalho no distrito estavam mais difíceis e ficava cada vez mais complicada essa dupla jornada. Essa foi a deixa para Ana e Magno. aliás. em 1990. A Climatempo já existia de fato atendendo à rádio Eldorado e à Agência Estado. do INMET. é o Dia do Meteorologista. “Quando o Magno e a Ana saíram. Magno e Ana viram as portas se fecharem no que dizia respeito à obtenção de dados. principalmente no serviço público.N Para Carlos Magno e Ana Lucia também foi um período conturbado. porém. Com fama de “caçador de marajás”. Collor deu início a uma série de demissões no serviço público. Por outro lado. Em casa. ele estava cansado. era para a Ana Lucia ter ficado mais um ano no Inmet. A saída do Inmet foi de certa forma um pouco traumática para ambos. Em meados de 1990. a rotina familiar era dividida pelo casal: enquanto um estava no distrito. Ouça. ano em que sofreria o impeachment. mais jornais demonstravam interesse em modernizar suas colunas de previsão do tempo. Depois de analisarem fotos de satélites. tanto na parte técnica quanto em volume de informação para a elaboração das previsões para o atendimento aos clientes. “Nossa saída foi uma contingência. ciclones e anticiclones. trabalhando muito. o alagoano Fernando Collor de Melo. 3 . No mínimo. que eles decidiram pedir demissão do Inmet e investir no próprio negócio. altas e baixas pressões. que a demanda estava aumentando. afinal eles foram com a cara e com a coragem. Por causa disso. A gente já estava se preparando para sair. Hoje. Paulo para prestar uma homenagem aos meteorologistas de todo o País. O informe perguntava e. o Brasil vivia momentos de forte movimentação política.” A agricultura era uma opção natural.

Na época. e como todo bom caipira gostava de acompanhar a previsão do tempo. Paulo. 30/11/ 1990). Victor. Distrito de Meteorologia de São Paulo” (. ‘Ela chegou quente e úmida e agora está seca. a divulgação da previsão do tempo pela tevê começou em 1941. a temperatura de ontem chegou bem perto do recorde do último verão na capital: 32 graus. relembra Magno. da Agência Estado. uma tradição norte-americana. como as entradas ao vivo de vários pontos da capital e do interior. a cidade contava com seis 32 . informou o meteorologista Carlos Magno do Nascimento. o filho mais novo. Naquele momento. No começo. Distrito de Meteorologia. Segundo ele. uma moça do tempo e uma meteorologia que já na década de 1990 estava bem à frente da brasileira. do 7º. Carlos Nascimento. disse Magno”. Passou pela Região Norte. Ela trabalhara durante anos na tevê e conhecia muitos jornalistas de lá. em 1944. isso indica que o verão poderá ser um dos mais quentes da última década. mas por um homem do tempo. da Agência Estado. que nessa época ainda fazia parte da emissora. como ficou mais conhecido. do 7º. mas todo e qualquer evento de destaque.4 graus. (O Estado de S.. e a previsão do tempo. mapas. pediu que Patrícia apresentasse um projeto de meteorologia ou indicasse um bom serviço. tinha duas edições diárias e à tarde cobriria o espaço do Jornal Hoje. Centro-Oeste e agora está sobre o Sudeste. com quadros.. o São Paulo Já. O contato foi feito por meio de Patrícia Ferraz.) O meteorologista Carlos Magno explicou que a massa de ar quente que está sobre o Sudeste veio do Oceano Atlântico e entrou pelo Nordeste.identificados como previsores do distrito e começaram a ficar conhecidos como meteorologistas da Agência Estado nas matérias dos jornais da casa. Na verdade. (. com uma linha editorial mais descontraída. mas com abrangência nacional. quando o casal foi procurado pela Rede Globo. São Paulo..8 graus. e este ano os termômetros chegaram a marcar 28. O SP-JÁ. de São Paulo.4 graus. O novo formato permitiu algumas inovações importantes.) (O Estado de S. Soares lembra que foi um período de grande efervescência criativa na Globo e credita ao jornalista Carlos Nascimento o entusiasmo para encaixar no projeto o quadro do tempo.” Para a edição executiva do projeto foi chamado o jornalista Amauri Soares. pioneiras e que foram incorporadas definitivamente ao padrão global. “Em julho de 1990. conseguimos o contrato com a Rede Globo. o formato era uma experiência inovadora que a emissora pretendia implantar em toda a rede nacional. no dia 25 de janeiro. o jornalismo da Rede Globo passava por uma profunda reformulação com a criação de um novo telejornal local. nasceu em 24 de setembro de 1989 e já estava com seis meses em 1990. 07/4/1990). O quadro seria apresentado por uma moça do tempo. foram feitos vários pilotos para serem apresentados ao mercado televisivo. Segundo o meteorologista Carlos Magno. foi a mais alta já ocorrida no outono paulistano desde a fundação da estação de Santana. Magno foi então procurado para elaborar a previsão dos telejornais paulistas e mais tarde também dos jornais Hoje e Nacional. e à noite um resumo das principais notícias do dia. em média.. Eu estava com 29 anos e Ana com 26”. o uso do helicóptero para acompanhar não só o trânsito da cidade. “Este foi o novembro mais quente dos últimos 30 anos na cidade. ‘Foram 14 dias com temperaturas acima dos 30 graus’. Nos Estados Unidos. As máximas registradas normalmente nesse mês são de 25. em Nova York. Éramos meteorologistas previsores e era com orgulho que a gente via a nossa previsão ser difundida. registrada às 15 horas de ontem no Mirante de Santana. Paulo. assim como eu. uma edição de 20 minutos. o que dificulta ainda mais a penetração de frentes frias’. “Nascimento era do interior. responsável pelo Bom Dia. em um período em que crescia o espaço para esse tipo de informação: “A temperatura de 31. O meteorolo- gista se baseou na média das temperaturas máximas observadas no Mirante de Santana.” Carlos Nascimento tinha em mente o modelo norte-americano. Como os dados utilizados pela AE eram da Climatempo. Foi fabuloso.

mas eu. no departamento de arte da TV Globo de São Paulo. Segundo Ana. Segundo o New York Times. foi contratada a meteorologista Márcia Costa. relembra Amauri. O resultado não agradou nem ao público. compreensível e ao mesmo tempo dinâmica. Na Climatempo. Woolly Lamb. Na década de 1970. a primeira moça a apresentar um quadro na televisão brasileira teria sido Albina Mosqueiro. O pessoal da Aeronáutica me dizia: ‘prefiro ver a animação da foto de satélite na Globo à que eu tenho aqui’”. tanto para os meteorologistas – que nunca haviam tido qualquer contato com os mecanismos da tevê – quanto para quem iria exibir o novo quadro. Isso significou dividir o mapa do Brasil e de São Paulo em faixas que compreendessem tempos correlatos. em 1962 cerca de 460 emissoras tinham um profissional específico para cobrir essa área. Na Grã-Bretanha. que vai do 33 . Nessa nova fase. em 1952. o formato profissionalizou-se e ganhou espaço no jornalismo. toda essa parte de computação gráfica da Globo de São Paulo começou com a previsão do tempo. está seco. Com a necessidade de adaptar a rotina da empresa. Outra preocupação inicial foi com o desenvolvimento do formato. Por incrível que possa parecer. Com as inovações tecnológicas. agora misto de lar e de empresa. da TV Cultura. a Globo fizera uma tentativa com a meteorologista Vera Malfa Pereira. um computador disponível para eles. Um período de experimentação. com Carol Reed. prejudicando a credibilidade. Márcia ia para a Globo na parte da manhã e Ana Lucia entrava à tarde. “Até mesmo para os meteorologistas aquilo era um sonho. o quadro ganhou um visual moderno. que trabalhava na Infraero. os primeiros funcionários começaram a ser incorporados ao grupo para atender ao novo cliente. nos anos de 1980. está frio. Na década de 1970. Além de Josélia. conta Ana. Silvana interpretava um papel todos os dias: usava galochas. “Cheguei lá e não sabia nem quem era o meu chefe. Disseram-me: ‘você senta aqui. Ana e Magno montaram um esquema que possibilitou a divisão de trabalho entre o grupo. “Aqui na área escura. Graças ao seu sucesso várias emissoras passaram a ter a sua moça do tempo. foi pensado o conceito de faixas para a previsão do tempo. grafismos. Outras moças do tempo viriam ocupar o seu lugar no decorrer dos anos. Ana lembra que todo o pessoal envolvido no quadro do tempo teve de aprender a receber as fotos de satélite – que chegavam de três em três horas – e a fazer a animação em cima dos mapas. Ele sempre iniciava o quadro cantando: “Está quente. George Cowling foi o primeiro apresentador da rede. a tradicional BBC iniciou seu quadro do tempo com um homem no comando. e as garotas do tempo cederam espaço para os homens do tempo que então dividiam com elas a responsabilidade de apresentar a previsão do tempo. “Estava tudo por fazer: linguagem. em 1969. computação gráfica. ex-apresentadora do programa infantil Bambalalão. sempre marcando suas despedidas diárias. O equipamento destinado à elaboração da previsão foi o primeiro do departamento. No Brasil. Reed tornou-se musa do tempo e reinou durante 12 anos nas telas. no Bom Dia São Paulo. nem aos jornalistas nem aos meteorologistas. e sim suavizar a forma de transmitir a previsão. na CBS. que era responsável pela rádio. Em 1954. na visão de Amauri Soares. a primeira moça do tempo foi a atriz Silvana Teixeira. No começo. no departamento de arte’”. A figura da moça do tempo surgiu nos EUA . Assim. não havia nada. O quadro foi uma grande novidade para todos nós envolvidos nele”. Absoluta novidade. Aos poucos. com imagens do satélite. está chovendo. na TV Cultura. seguindo até a noite. Era preciso que os conceitos da meteorologia fossem elaborados de forma clara. guarda-chuvas e gorros para dar as informações que soavam superficiais demais. com um breve have a happy day (tenha um dia feliz). tudo ia se acomodando no sobradinho. posso prever o tempo de amanhã”. não havia ainda.mil aparelhos que recebiam as informações pelo canal NBT (atual NBC) por meio de cartoons animados pelo apresentador Woolly Lamb. A ideia inicial não era a de fazer um quadro hermético.

Ana tem razão ao lembrar como foi um lento processo de construção de credibilidade.Rio de Janeiro até o Acre. Bom. Choveu. explica Amauri. para os meteorologistas era um choque ver aquele tipo de informação. Mas era um jeito que a gente conseguiu de explicar com poucas palavras e uma boa imagem. os erros e os acertos. um balde de água fria: o feriado seria de muita chuva. lembra Ana Lucia. Na hora de divulgar a previsão. e coisa e tal. A criação de faixas de tempo começou pelo mapa de São Paulo. mais do que isso. mas foi de telefonemas para reclamar 34 . assim como todo o pessoal da tevê. sendo entrevistado ao vivo quando a situação exigia. Mas nós nunca nos metemos na linha editorial”. muito clara. no primeiro dia do feriado. novo e divertido. confessa Soares. Quando compreendemos isso ficou mais fácil lidar com a imprevisibilidade da previsão”. eles começaram a ver que Ana Lucia e Magno eram pessoas sérias. Não era questão de coragem. porém. Ficamos amigos nesse período. dando maior dinâmica à apresentação. um dia lindo. e foi um trabalho de educação. ele. o tempo será chuvoso. de repente começou a se interessar a escrever o texto da previsão. Entendemos que o tempo faz parte da vida das pessoas e assim tentamos humanizar a informação. Aquilo foi crescendo. ”A previsão erra e o erro também é notícia. Eu lembro que a gente bateu muito nisso: ‘olha só. no campo e em especial nos feriados. “Colocávamos ao vivo para falar do tempo na cidade.” Amauri Soares relembra um episódio típico dessa fase inicial. o tempo não vai ajudar.” Amauri também não conseguia admitir um quadro que pudesse engessar o jornal. o próprio Carlos Magno começou a participar dos jornais. As pessoas se situavam naquele mapa sem precisar ficar detalhando cada ponto. Teve uma catequese dentro da redação. Lógico que a gente errava. mas dar ao público o direito de saber o que aconteceu e o que não aconteceu com o tempo em determinado dia. nem precisar sair de casa’. se desenvolvendo e a gente cativando o povo. sempre apresentado por uma moça do tempo. Além das moças do tempo.” Essa forma de apresentar as diferentes áreas foi desenvolvida na Globo e não se conhecia projeto semelhante em nenhuma outra televisão. O importante não era apenas divulgar uma previsão. acredita Amauri. Com o tempo. O quadro deixou de ser engessado para ser dinâmico. “Era um feriado prolongado.” O trabalho diário na Globo. em especial. perceberam o equívoco: não dava para exigir rigor e perfeição de uma previsão. Com o passar dos meses. “No começo. afinal. “Passamos a explicar o tempo. A gente errava uns cinco dias por mês. cobrando explicações para o que realmente havia acontecido. por exemplo. “O Amauri Soares. Essa constatação mudou a percepção do quadro e. que a previsão do tempo tinha uma lógica e que eles não erravam tanto assim. porém. Nos Estados Unidos é assim. eu como fechador do jornal tinha algumas preocupações em relação ao quadro do tempo”. a gente tinha noção da correspondência de cada área para cada previsão. que no norte do estado ia fazer sol e no resto o dia poderia começar com chuvas. que era o editor. era muito prazeroso. portanto. tanto de conteúdo quanto do formato. “A primeira era que tínhamos uma visão jornalística da previsão. era uma previsão e. a partir dali foi possível incorporar essa falibilidade. Pensar o mapa do Brasil e de São Paulo dessa maneira foi a solução para tentar passar o maior número de informações possível em um curto espaço de tempo. Segundo Ana Lucia. não aceitávamos o erro. ao colocar frente a frente uma família que deixou de viajar porque acreditou na previsão de chuvas e o meteorologista. Ele ressalta que esse processo de assimilação acabou dando maior agilidade ao jornal. relembra Ana Lucia. porque os jornalistas não acreditavam”. aproximando o conteúdo da previsão ao dia a dia das pessoas”. queríamos alcançar a exatidão. “Era tudo muito criativo. nesse período de implantação. muito nítida. abriu um sol intenso. mesmo sendo um desafio. desses que toda a família se prepara para deixar São Paulo e aproveitar o tempo livre para descansar. colocá-lo em uma camisa de força. “Eles diziam: ‘como vocês têm coragem de detalhar tanto a previsão?’. era como se fosse um erro jornalístico. falível.

mas principalmente a população. “A Globo começou a valorizar a meteorologia até um ponto em que as pessoas começaram a notar: viravam para a gente e diziam: ‘puxa. a equipe da Climatempo. Na verdade. estou aqui há três meses e nunca erraram uma previsão’. um novo desafio para a equipe da Climatempo: elaborar a previsão do tempo para o sóbrio e aristocrático Jornal Nacional. O sucesso do quadro do tempo nos jornais regionais de São Paulo animou os executivos da emissora a implantá-lo também em outras praças (nas edições regionais de outros Estados) e no mais tradicional e influente telejornal daquela época: o Jornal Nacional. que tinham deixado de viajar. Mais do que isso: perceberam que tudo o que estivesse ligado ao tempo era notícia e se fosse tratada de forma adequada virava destaque em jornal. relembra Magno. A introdução da previsão do tempo quebrou a hegemonia masculina do noticiário. rádio ou tevê. Problemas como esse não afetavam apenas a credibilidade da meteorologia brasileira. depois caiu para um minuto. as causas disso. A situação do Inmet nesse período era crítica. em Porto Alegre.. produziram boas matérias na Agência Estado. o instituto também está sem um papel especial que imprime a fotografia do satélite transmitida por telefone diretamente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).” Por outro lado. arte. o espaço destinado a elas rapidamente cresceu. Paulo. chamado de Unidade de Análise de Imagem ( UAI). No 8º. É fácil entender a opção da Rede Globo pela Climatempo. No fim. O mesmo caso quando nevava no Sul do País ou quando uma tempestade atrapalhava a vida do paulistano. de acordo com a reportagem. como mostra a reportagem publicada pelo jornal Folha de S. O interessante é que o Magno explicou que a frente fria tinha se desviado. Os equipamentos estavam com defeito e havia meses telefone e telex estavam cortados. atuando diretamente na área de comunicação. eles logo aproveitavam a deixa para ir além do factual. 35 . Distrito de Meteorologia. relembra Ana. enfim. A credibilidade das previsões feitas pelos principais órgãos públicos andava em baixa. O escritório de Curitiba não repassava informações confiáveis. Se a notícia era um tornado em Ribeirão Preto. Em 1991. registrava a matéria.da previsão. em outubro de 1990. eles é que começaram a prestar mais atenção nelas”. na Eldorado e na Globo. Aí colocamos o Magno ao vivo. dois verdadeiros ícones na rede. “Começamos a desenvolver tudo. e no fim as pessoas foram entendendo o que tinha acontecido. havia falta de pessoal e de material por causa da falta de pagamento. relembra Ana Lucia. que eram reproduzidas pelo Estadão e por uma rede de jornais em todo o Brasil. Eis que para fazer companhia aos dois surge a jovem figura da apresentadora. explicando como esse fenômeno se formara. Com uma boa rede de dados e com a informação chegando com facilidade. tínhamos de dar a previsão do Brasil todo em cinquenta segundos”. apresentação. O equipamento receptor está quebrado em fase de manutenção. Logo na manchete. no Vale do Paraíba”. Além desse equipamento.. Começamos com um minuto e vinte segundos. davam um panorama completo da situação. Ilustrações e infográficos nos jornais. “Começou tudo de novo: linguagem. entradas ao vivo na rádio tornaram-se cada vez mais frequentes. Nem Magno nem Ana estavam mais no distrito quando a matéria foi feita. pois não recebe a fotografia do satélite meteorológico GOES desde sexta-feira passada. para se explicar para uma porção de telespectadores irados. Também logo assimilaram a linguagem jornalística e entenderam o que era notícia e o que era mera especulação. logo percebeu quais eram as informações que mais interessavam a cada órgão. acreditando na previsão. Na reportagem ficava clara a estrutura precária do Inmet: “O distrito não conseguiu detectar a existência de uma linha pré-frontal. Por causa da seriedade das informações transmitidas ao público. que pegou todos de surpresa. A linguagem jornalística da previsão do tempo na tevê não existia no Brasil”. a polêmica: “Meteorologia erra e chuva surpreende paulistano”. O jornal era apresentado até então pelos locutores Cid Moreira e Sérgio Chapelin.

chamava a atenção para uma matéria do SP-JÁ – 1ª. responsável por um observatório meteorológico na avenida Paulista. na qual Carlos Magno afirmou que já havia nevado em São Paulo: “Dez para a reportagem de Carlos Magno em que provou que já nevou na avenida Paulista. Por isso. Paulo. para espanto dos apresentadores Carlos Tramontina e Mariana Godoy. que eu tinha de levar o público até o mapa e mostrar onde estavam as coisas. Luís Carlos Austin. A informação factual e histórica também demonstrava a competência de seus principais integrantes. com o passar dos anos já é possível dizer que não foi 36 Na mesma matéria sobre a moça do tempo da Globo. ‘E de dois anos para cá aumentou a confiabilidade nesse tipo de informação. O Inmet nunca teria “digerido” muito bem a ideia de que uma empresa fosse a escolhida para elaborar a previsão do tempo da maior rede de televisão do Brasil e as críticas logo vieram. A Globo. por exemplo. com aparições rápidas no SP-JÁ e no Jornal Nacional. De fato. Ela aparece três minutos por dia na tela da emissora. o quadro do tempo. porém. em entrevista ao jornal O Globo.atriz e futura jornalista Sandra Annenberg. tudo o que Carlos Magno sugeria como pauta parecia novidade até mesmo para os jornalistas da emissora. Carlos Magno. A direção. “Ela foi a primeira figura feminina a aparecer diariamente. para o investimento que as emissoras faziam e para o retorno do público. que já era a moça do tempo do SP-JÁ. coleciona mais popularidade do que conseguiu com suas participações em vários programas e minisséries. edição. “achava que não. Também faz o máximo para dar as costas ao telespectador. Então. diz Ana Lucia de Macedo. mas já exibe 85% de chances de acerto. assim foi”. como a TV Bandeirantes e a TV Cultura. Na Globo. Paulo. não chega a ser estranha a reação da direção do instituto ao progresso da iniciativa privada. no JN. estocou o chefe do Inmet no Rio. 27/7/1991) Enquanto novos caminhos se abriam para a Climatempo nos principais órgãos de comunicação do País. Na verdade. não eu. num quadro fixo. E não era apenas o acerto nas previsões que fazia da Climatempo uma empresa respeitada. porém.’ Ana Lucia garante que a precisão conseguida de 1989 para cá não é ideal. Em geral. infelizmente. A margem chega a 90% em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. usando termos como área de instabilidade e frentes frias. E Sandra. Sandra achava esquisito virar as costas para o telespectador. a Climatempo contra-ataca com a garantia de 85% de acerto. a reportagem . não trabalha com dados oficiais”. “A meteorologia se torna cada vez mais importante quando as pessoas têm de planejar sua vida”. ninguém poderia imaginar!”.” Gravado em São Paulo e gerado para o Rio todos os dias. tinha uma resposta simples. mas convincente: “En- quanto o Inmet garante 80% de acerto nas previsões meteorológicas. “Nós não nos responsabilizamos pela previsão do tempo do Jornal Nacional. aos 23 anos. sinal de que as informações meteorológicas estavam se tornando valiosas para o cotidiano. registrou em suas anotações a ocorrência de neve: “uma forte névoa ia descendo da encosta e a temperatura era de –3 graus”. Nela a experiente Sonia Abrão. na época colunista do extinto Diário Popular. 27/7/1991) No início.” (O Estado de S. que integra a equipe de meteorologistas da Globo. ‘A notícia é o mapa. chamava a atenção para o fato de outras emissoras também abrirem espaço para a meteorologia.” (O Estado de S. está com sóbrios trajes de aeromoça. assumiu o quadro em julho e virou notícia em várias publicações. em julho de 1925. décadas e décadas atrás.’ Mesmo assim. táxis e velórios. o formato do quadro no JN causou certo estranhamento à apresentadora por ter de ficar praticamente de costas para o vídeo. antes restrito aos paulistas. “Sandra Annenberg ganha a vida falando de um assunto que até recentemente só era lembrado nos elevadores. Uma dessas “novidades” mereceu destaque até em uma coluna sobre televisão. Nesse dia. passou a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. onde há mais informação”. o meteorologista Belfort de Mattos. Magno lembrou que. o Inmet passava por dificuldades financeiras para manter os centros regionais.

12 de outubro. ao atuar na Globo. com gotinhas sólidas caindo no solo. e associá-los às dicas que a própria natureza oferecia. O helicóptero desapareceu no mar e o acidente comoveu o País. Um adesivo que trazia estampado “Eu acredito em previsão do tempo” chamava a atenção em alguns carros de São Paulo. com turbulência. a Climatempo. Em outubro de 1992. mostrei o mapa para ver o que estava acontecendo.” Com essas. no começo. segundo Carlos Magno. de forma semelhante à neve”. e nossas necessidades eram pequenas”. higrômetro e termômetro. por exemplo. Uma das primeiras estratégias de marketing da Climatempo. “Ao longo do tempo fomos fazendo grandes reportagens na área de meteorologia que eram reconhecidas pelo jornalismo da Globo. não teria feito esse registro”. e mostrava os locais onde chovia mais forte”. o senador Severo Gomes e sua esposa e o piloto. quando cheguei na Globo. um momento traumático. “Acredito que ele deve ter observado uma sublimação de nevoeiro. conta Magno. era tempo de muita esperança e muito trabalho. No dia do acidente. 37 . Aos poucos. ficaram meio escondidos. começaram a participar de outros eventos. seria o candidato do PMDB para a Presidência da República. a empresa passou também a organizar cursos especiais para velejadores. com a Climatempo aparecendo apenas através de seus clientes mais ilustres. um trágico acidente de helicóptero. a empresa tentava. Carlos Magno ouviu a notícia no rádio logo cedo e comentou na Eldorado que ele poderia ter sido provocado pela chuva registrada no local. Aí. nas primeiras eleições diretas após o regime militar. “Havia várias hipóteses. então a queda foi um aci- dente com um elemento meteorológico. que era um profissional muito sério. mas enriquecedor na vida política brasileira. E aí falavam: ‘mas como vocês têm certeza disso?’ Eu dizia que o radar estava mostrando uma linha muito forte. Foi na telinha da Globo. Itamar Franco assumiu o cargo após o impeachment de Fernando Collor de Melo. sua mulher. mas eu não tinha dúvida de que o piloto entrou num paredão de CB s (cumulus nimbus). como na cobertura da Fórmula 1 ou fazendo matérias para o Fantástico. entre elas a eleição direta para presidente da República. entre muitas outras passagens. “Para nós aquele momento não era importante. descrevendo como teria sido a trajetória do helicóptero entrando em uma nuvem de CB s. isso foi. Mas que foi muito parecido. “Caso contrário. No fim de 1992. criando a ideia de que não dava mais para ficar sem esse tipo de informação. entretanto. também ganhou destaque nos seus últimos anos de vida por atuar como presidente da Assembléia Constituinte de 1988. porém. como barômetro. por exemplo. matou o deputado federal Ulisses Guimarães. conclui. dona Mora. “Tinha história de alagamentos e a gente pegava os mapas dos pontos críticos com os radares do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). Eldorado e Agência Estado. Ana Lucia transmitia informações básicas que permitiam a um leigo prever. o Brasil tinha outro presidente. A chuva veio varrendo todo o litoral norte de São Paulo naquele dia. No ano seguinte. O adesivo marcava. Na Climatempo. o Belfort de Mattos. o pessoal veio logo para cima para saber. Em cinco aulas com duas horas de duração. ainda éramos consultores. com a ação. A partir daí.exatamente neve. que na época pouca gente sabia que existiam.” Com três clientes de peso e os pés no chão era o momento de assentar as bases da Climatempo. Globo. a Climatempo foi se tornando referência na prestação de serviços meteorológicos. atrair e cativar o público. com boas horas de antecedência. as várias surpresas que o tempo reservava para os praticantes do esporte. Magno preparava os navegadores para ler corretamente os instrumentos de bordo. A estratégia montada no início era para que a empresa se firmasse como consultoria. Ulisses Guimarães ficou conhecido como “Senhor Diretas” por sua exaustiva batalha pela volta das instituições democráticas. em Angra dos Reis. acabou abrindo espaço para assuntos que pouca gente conhecia. que as primeiras informações dos radares meteorológicos foram ao ar. Por isso. Então fizeram a reportagem. A partir de 1991.

“A Climatempo investe 10% de seu faturamento em tecnologia”. Um fim de ano otimista para uma empresa que se preparava para voos ainda maiores. uma primeira fase de consolidação da empresa. afirmava Magno. 38 . comércio. indústria de produtos sazonais. e já atingia um faturamento mensal de 7 mil dólares.contudo. como seguradoras. como roupas. navegadoras. Fase em que a Climatempo estendia sua consultoria para outras áreas. e com isso podia atender melhor o mercado ainda em expansão.

Mas tinha de trabalhar até dez da noite na Globo e acordar de manhã para dar café para os filhos.N Ainda nesse período a vida familiar estava muito atrelada à empresa. cresceram junto com a empresa. mas fazia a Eldorado. aos poucos. Marcos e Victor nunca reclamaram da vida regrada. Foi quando surgiu a oportunidade de trabalhar na Climatempo. dava banho. Climatempo e o Victor. Fim de semana a mesma coisa”. perceberam que tinham de contratar mais gente. serviço de meteorologia da Marinha brasileira. Quando cheguei a Josélia já trabalhava na empresa. O jeito era fazer uma escalinha. relembra. Vinte anos depois. Fim de tarde. nenhum quis seguir a carreira dos dois. Patrícia. ficava mais fácil. pontuada pelo trabalho ininterrupto dos pais. a Climatempo foi ganhando espaço na área de consultoria. An- Abrindo espaço 39 os primeiros quatro anos de vida. “No colégio tinha um colega que gostava de barco à vela e falou do curso de meteorologia e eu me interessei.” Durante a faculdade estagiou na Diretoria de Hidrografia e Navegação ( DHN ). Foi preciso adequar a rotina. era um esquema bastante cômodo para os dois. 4 . início de uma empresa com nome e endereço exclusivos. e depois de formado passou pelo Inmet do Rio. com três filhos pequenos. Pela manhã. Magno acredita que. do no sobradinho já não comportava a Climatempo. Já como meteorologista da Climatempo. Entretanto. nem mesmo aos domingos. colocava para ver tevê ou fazer lição. Marcos. Como tudo Nos quatro primeiros anos da Climatempo praticamente não tiveram um dia de folga. A mudança de rota. Na hora do almoço. tudo era muito braçal. “Eles viram a empresa crescer. Magno entrava na Eldorado e atendia aos clientes da Agência Estado. chegou um momento que isso já não bastava. A gente costuma dizer que tem quatro filhos: Bebel. O pequeno centro de previsão instala- Foi nessa época que um jovem meteorologista carioca veio se juntar ao time da Climatempo. o único meteorologista de uma família de médicos. Carlos Magno e Ana Lucia não queriam mais depender apenas de alguns clientes. trabalharam como boys. Eu ia muito no piloto automático”. e haveria tempo ainda para procurar mais clientes para a empresa. ficando pequena para as duas atividades. era em casa. Queriam mais. eram dois meteorologistas na mesma casa. pegava os filhos na escola. Enquanto isso. “Meu expediente de mãe era bastante volumoso. Mesmo assim. e Victor é estudante de Direito. deveu-se ao interesse por esportes náuticos. Eu vim para ajudar a atender a TV Globo”. jantar. Lembro que a empresa funcionava em uma sala pequena. Sinal de progresso. da Agência Estado e da Globo”.” A casa-empresa da rua da União foi. conta Magno. relembra Magno. Bebel. André Madeira formou-se em meteorologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ). e descia para o nosso centrinho para terminar algum trabalho. a gente ficava meio escondido. pegava a criançada. Como empresa privada. Queriam uma empresa forte que fizesse muito mais. com plantões. Carlos Magno era responsável por atender a Globo. que um pouco mais tarde viria a fazer parte da equipe. Apesar da correria. que dependem das condições do tempo. Na época. em 1991. Segundo ele. De casa. segundo Madeira. “A Ana dava atenção pela manhã e eu. “O Magno estava precisando de gente para trabalhar e eu resolvi mudar para São Paulo. apesar do esquema rigoroso. não tinha concorrente. engenharia ambiental. era uma alternativa aos serviços meteorológicos governamentais que não tinham estrutura capaz de atender individualmente às necessidades específicas do mercado. mas queríamos uma empresa que fosse contínua e não dependesse apenas da Eldorado. à tarde. o leitinho da noite e não terminava o expediente sem antes transmitir o último boletim da rádio. Decidiram então voltar a morar no apartamento e deixar a casa apenas para a empresa. Marcos. afinal. André namorava uma outra futura meteorologista. escalas e filhos para cuidar. deu para educar bem os filhos. relembra Ana. “Éramos bons consultores. deixava-os na escola e ia para a Globo. Ia para a emissora e lá elaborava a previsão para o Bom Dia São Paulo e o SP-JÁ. Ana cuidava dos filhos. No fim de 1992. Bebel foi fazer pedagogia.

Na equipe. não teve mais problemas. temos funcionários. que nada mais era do que um computador ou vários ligados a um modem de linhas telefônicas para receber bancos de dados. Patrícia chegou em um momento de forte demanda por previsão do tempo e também às vésperas de um ano emblemático para a empresa. ela e André se casaram. o Magno estava envolvido na divulgação da empresa e na captação de novos clientes.’”. Em 1994. “Bom. não ligava. e que fornecia previsão do tempo durante todo o dia. sozinho. Madeira ficava responsável por clientes de vários setores e de vez em quando fazia a previsão para a Agência Estado. passava os dados para . Quem não se interessava. lembra Patrícia. Não apareceu mais. alguns jornais. sigla de Bulletin Board System.” André Madeira guarda na memória o primeiro dia em que foi para a Globo para conhecer o local e se familiarizar com a elaboração do quadro. A gente não parava. Outra ousadia foi investir numa nova tecnologia que engatinhava ainda no Brasil: o BBS.” Mas o serviço mais procurado era mesmo o 0900.. a gente mandava a previsão via fax com uma foto de satélite colada”. não fazia questão de saber se houve acerto ou erro. “Montamos um serviço para elas. mais gente foi integrada à equipe. Foi um sucesso: o custo da ligação era alto e por isso o retorno era lu- 40 No começo. relembra Patrícia.dré conta que mesmo no começo a empresa tinha um ritmo acelerado. Com o tempo ele mesmo fazia os textos que eram apenas revisados..” Dali em diante. o editor e ele escrevia o texto. Ele confessa que. temos famílias que dependem da empresa. como a implantação de um serviço de telefonia 0900. uma documentação que comprovasse que a filmagem teve de ser adiada por causa do tempo. agora já não somos apenas eu e a Ana. “Cada vez mais. claro. No período da tarde. “Atendíamos ao mercado cafeeiro. ainda fica deprimido quando erra a previsão e lembra uma frase que Ana Lucia sempre repetia: “Tempo bom para o meteorologista é quando acerta a previsão”. Magno e Ana já buscavam caminhos novos. Para ele não era difícil atender a Globo.” A Climatempo já não era apenas uma empresa de fundo de quintal. e a previsão devia ser fácil naquele dia. atualizada de três em três horas. chegamos lá. Com mestrado em poluição atmosférica. Acho que já confiava em mim. disque 2 para Região Sul. ele foi embora e me deixou lá. As produtoras de vídeo começaram a perceber a utilidade da previsão para programar gravações. O embrião da Internet. “Aí. mas com sotaque carioca. que brigou para conseguir linhas de telefone para implantá-lo. fora os clientes principais.” Com o crescimento da empresa. agora dominava todo o sobradinho e contava com uma equipe de sete meteorologistas. foi a vez de Patrícia Madeira. mas isso fazia parte. o Magno me apresentou para o pessoal e disse que ia tomar um cafezinho. Foi ali que percebeu que aqueles que cobravam uma previsão acertada eram os que mais prestavam atenção ao trabalho do previsor e gostavam da meteorologia. “Muitas produtoras precisavam de uma espécie de laudo. a Globo passou a fazer parte da rotina. Paulista. Havia cobrança. A ideia era apenas acompanhar Magno. Patrícia logo mudou seu foco de interesse para a previsão do tempo. As pessoas discavam o número e um menu interativo possibilitava que ela tivesse a previsão para a sua região: ‘Disque 1 para Região Sudeste. uma aposta feita por Magno. André ia de madrugada para a tevê e passava a previsão para os editores. “Nós escrevíamos um texto e gravávamos no telefone. sempre tinha coisa para fazer. Um novo filão também despontava nesse momento. passados mais de 15 anos na Climatempo. participava dos plantões montados para atender o serviço 0900 e também a clientes novos como agricultores e antigos como a Agência Estado... No fim de 1993. que namorava André desde o Rio de Janeiro e passou a fazer parte do grupo depois de uma temporada na Alemanha. Foi aí que uma ficha caiu na cabeça de Magno. onde cursou o mestrado. precisava da gente para cuidar dos que já estavam lá. coqueluche na época.

tão frio que mal conseguia falar. dotado de um supercomputador capaz de realizar as complicadas equações numéricas. não foi difícil im- plantar o sistema. Os boletins eram gravados na própria empresa desde as seis horas da manhã até a meia-noite. Para divulgar os novos serviços contaram com dois clientes mais antigos: anúncios da rádio Eldorado e também no Estadão. Geofísica e Ciências Atmosféricas ( IAG/USP ). Para conseguir montar esse serviço Magno contou com dois parceiros muito especiais. que. lembra Patrícia. como o Instituto de Astronomia. 06/6/1994) Todo esse esquema. se um dia teve dúvidas sobre a meteorologia não ser muito segura. Paulo. Esse tipo de serviço era pago e logo agricultores. já nessa época empenhava-se para contribuir para o sucesso da empresa. Uma vez estava um frio de rachar e eu tinha de gravar o último boletim do 0900 faltando quinze minutos para a meia-noite. e o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (C EPAGRI/UNICAMP ). Com o BBS e o 0900. a Climatempo dava um enorme passo para deixar de ser apenas uma empresa de consultoria e passar a ser uma empresa de comunicação. “Nunca vou esquecer como era frio no sobradinho da rua da União. O BBS funcionava com um software que armazenava informações. na tela de um computador. e até um equipamento para recepção de imagens de satélite. Ele jamais vai esquecer o carinho de dona Alice. Inicialmente. Uma outra novidade foi o BBS. Finalmente depois de anos de negociação e pesquisas o Brasil teria um moderno centro de previsão do tempo. O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos ( C PTEC) começou a ser gestado na década de 1980. as primeiras linhas telefônicas e colocar aquilo que viria a ser 30% do faturamento da empresa. Quem for assinante desse serviço – operado pelo meteorologista Carlos Magno do Nascimento – ganha um soft-ware de animação de imagens que faz as nuvens literalmente caminharem sobre o campo. que fazia muito sucesso nos Estados Unidos e estava chegando ao Brasil. Logo virou notícia: “O canal Climatempo de BBS oferece imagens de satélite atualizadas de meia em meia hora. “Minha mãe. após a criação do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF). A parceria com os principais órgãos do Governo. Era preciso recorrer a empresas como a TASA (aquela mesma em que Magno começou sua carreira). Õ O ano de 1994 seria emblemático para a meteorologia brasileira. atendendo a um pedido meu. como era um bom programador. por exemplo. como Inmet e Inpe. como a norte-americana AccuWeather.crativo. trouxe cinco mil dólares de ônibus do Rio de Janeiro a São Paulo e me entregou em mãos para comprar os computadores. Praticamente congelei”. os dados.” No início era um serviço simples. Um deles foi sua mãe. depois mais uma e depois mais três. O próprio Magno montou a primeira versão do BBS. porque o maluco do filho dela tinha achado um sistema para a gente ‘pulverizar’ a informação meteorológica. o C PTEC seria im- 41 . não seria possível sem a fonte primária para tudo. não assegurava a disponibilidade de dados no volume necessário. em relação à previsão do tempo. Primeiro comprou uma linha.” (O Estado de S. a institutos universitários. Foi ela quem deu o aporte financeiro para a montagem do BBS. Estava tão frio. Esse sistema também informa sobre o vento e a pressão do ar. Países mais avançados já dominavam há anos a elaboração de prognósticos com o uso de supercomputadores. porém. como fotos de satélite para a região Sudeste. a Climatempo ainda precisava travar batalhas diárias para poder atender aos clientes. o que impulsionou a Climatempo. público ligado às produtoras passaram a ser assinantes. precário em termos de tecnologia. comprou um livro e. aviadores. a comunidade científica e o governo brasileiro já tinham consciência da necessidade de tirar o atraso do País. e também a fontes estrangeiras de dados. ou seja. a pessoa interessada acessava pelo telefone esse banco de dados e escolhia o que mais lhe interessava. Nessa época. Apesar de ter uma boa infraestrutura para captação da informação.

Muitos se utilizavam dele para ganhar dinheiro ilicitamente. o instituto passou a ser o responsável pelo desenvolvimento de satélites de coleta de dados e sensoriamento remoto. e um prédio em Cachoeira Paulista. caso de agricultores e navegadores que só dispunham do serviço telefônico para obter uma previsão do tempo confiável. inclusive da iniciativa privada. Em 1986. com a criação do Inpe. que só em 1971 seria extinta. Em 1979. outro duro golpe viria quase ao mesmo tempo. o embrião do que viria a ser o Inpe. em Brasília. A primeira a 42 . é integrado ao Ministério de Ciência e Tecnologia ( MCT ). Ainda na década de 1960. Segundo Maria Assunção Faus da Silva Dias. que exigiria maior qualificação para sua operação. Tudo começara em 1961. Dois anos depois. devendo repassar os modelos rodados a todos os órgãos ligados à meteorologia brasileira. porém. a maior parte dessas imagens é captada pelo satélite geoestacionário norte-americano Goes ou então pelo similar europeu Meteosat. O Brasil venceu um atraso de mais de 20 anos e hoje somos procurados por centros do mundo inteiro em busca de informações”. Aconteceu tudo ao mesmo tempo. houve um avanço espetacular. Esses e outros casos levaram a Justiça brasileira a proibir o 0900. atual diretora do C PTEC. Como se isso não bastasse. Com ele. por causa da tecnologia dos supercomputadores. no interior de São Paulo. com sede em São José dos Campos. responsável pela produção de ciência e tecnologia nas áreas espacial e do meio ambiente. foi possível gerar previsão numérica. O C PTEC inaugurou um novo período da previsão climática e do tempo com a chegada do primeiro supercomputador japonês ao Brasil. o objetivo não é competir com outros órgãos. Não contra a Climatempo. um decreto editado pelo então presidente José Sarney deu ao Inpe a competência para atuar na área de modelagem numérica operativa. com a proibição do 0900. teria início o programa de meteorologia por satélite. abusando da boa-fé de quem ligava para determinado número.plantado ao lado do Instituto Nacional de Meteorologia. O Inpe nos anos 1980 já era considerado um dos principais institutos de pesquisa brasileiros. mas prover a sociedade da previsão numérica. a Climatempo enfrentava seu primeiro grande revés. Ao longo de 1994. Um assalto ao sobradinho da rua da União deixou a empresa praticamente no chão. com seu supercomputador japonês. o serviço 0900. toda a infraestrutura montada na Climatempo. avalia Maria Assunção. a responsabilidade de instalação do centro ficou para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). com seu famoso “Ligue já!”. com a recepção de imagens meteorológicas e as atividades em sensoriamento remoto. do ritmo seguro do crescimento. Quem não se lembra do astrólogo Walter Mercado. passou a sofrer uma série de ações na Justiça. com computadores e linhas telefônicas dedicadas ao serviço. Na década de 1980. como a quebra de um encanto. primeiro para os órgãos ligados ao governo e mais tarde também para o público interessado nesse tipo de informação. que era muito rentável para a empresa. “Com o C PTEC. Foi um período desgastante. precisou ser repensada. mas contra esse tipo de serviço. o Gocnae virou a Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Cnae). Enquanto o País crescia em progressão tecnológica. O fato é que. manteve como uma de suas principais funções a pesquisa na área de meteorologia. Do Inpe são geradas as imagens de satélite que ajudam a elaborar as previsões do tempo. em que ocorreram as primeiras demissões. Além disso. quando foi criado o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Gocnae). que levava milhares de pessoas a acessar via 0900 suas previsões astrológicas? Ou então serviços de disque-sexo que se transformaram no terror de pais endividados. No Brasil. E foi justamente pela sua posição de ponta na pesquisa científica espacial e ambiental que coube ao instituto a implantação do primeiro centro de previsão do tempo da América Latina. Os ladrões entraram na empresa durante a noite e levaram tudo. A medida prejudicou alguns setores.

em especial o BBS. Mas o mercado para o sistema BBS continuava muito aquecido. Quem daria o suporte técnico necessário para alavancar novamente o BBS seria um aficionado por meio ambiente. Passou um tempo e eu comecei a desenvolver um sistema mais elaborado para o BBS”. Ofereci uma quantia pelo serviço e ele topou. relembra. Rogério passou a criar maneiras de facilitar a vida dos meteorologistas. Os novos computadores rodavam um software muito simples. Magno passou tempos dormindo na empresa. Outro que foi pego de surpresa foi Rogério Leite. Com o tempo. Recebemos várias mensagens de apoio dos clientes”. “O Rogério começou a dar toques importantes para deixar o nosso sistema mais eficiente. “Ver aquele cenário de fios revirados. principalmente para reerguer o serviço de BBS.notar algo de errado foi Patrícia Madeira. novos equipamentos foram comprados. Perdemos praticamente tudo”. seu Juvenal e dona Atala. relembra Magno. Toda a programação do BBS precisou ser refeita. Era um excelente programador que começou na informalidade e tornou-se essencial”. Rogério Leite conheceu a Climatempo por mero acaso. fazendo parte do dia a dia da empresa e criando mecanismos que facilitaram e otimizaram o uso do BBS. que chegava às 6 horas da manhã. a consultoria prestada para os três grandes clientes não foi afetada. softwares e programas que possibilitavam receber muitas informações ao mesmo tempo e processar esses dados de forma rápida e concisa. como eu fazia justamente isso. Ele lembra como foi. computadores em que estavam instalados o BBS. e ainda outros funcionários trouxeram seus computadores de casa. Rogério foi conhecendo as pessoas. e com medo de que alguém ainda estivesse por lá. “Eles tinham o básico. mas com o tempo vi que era fundamental ter alguém que entendesse do assunto. A palavra de ordem era recomeçar. estavam na Inglaterra. o telefone fornecido pelo rádio indicava que eram praticamente vizinhos. os pais de Ana Lucia. Agência Estado. notou que já estava aberta. passei a prestar um serviço sem compromisso. sem nenhum computador para trabalhar. bem ou mal. também. “Lembro que colocamos um aviso na telinha do BBS provisório.” Foi preciso muita garra e um esforço coletivo para recomeçar. exigindo um desenvolvimento tecnológico cada vez maior. 43 . Colocaram um caminhão na porta e levaram tudo. Ao tentar abrir a porta com a chave. Sem saber o que fazer. mexendo no BBS. e o serviço oferecido pela Climatempo atiçou sua curiosidade. pois a empresa não tinha seguro contra roubo. No começo era sem compromisso. Em 1994 o satélite norte-americano sofreu uma pane. e aí logo cedo me ligam contando do assalto. tratou de ligar para o Magno. falando do assalto. telefones. “Uma coisa bem estranha. “A Ana estava passando uma temporada com os pais em Natal e não chegou a ver o estado em que ficou a empresa. toda a Climatempo precisou ser reerguida. As consequências do assalto só não foram mais desastrosas porque. astronomia e meteorologia. Patrícia emprestou um computador pessoal. Acabamos ficando amigos. Viu também mesas reviradas na sala. o mesmo que estava usando para escrever sua dissertação de mestrado. Ele estava justamente trabalhando no desenvolvimento de equipamentos para a recepção de imagens de satélite. lamenta Magno. Por sorte. mal perceberam as trovoadas e os raios que caíram sobre a Climatempo. Aos poucos. Por coincidência. indispensável naquela altura do campeonato. avalia Magno. Não demorou muito para Rogério ligar e agendar uma visita para conhecer sua infraestrutura. além de especialista em Tecnologia da Informação. ouvindo a rádio Eldorado prestou atenção a uma chamada de divulgação da empresa. mas precisavam de ajustes. lembra Rogério. e a Climatempo pôde manter uma fonte de renda. porque eu e o Magno tínhamos ficado até tarde na Climatempo. Globo e Eldorado continuaram a ser atendidas normalmente. Para reerguer a Climatempo. Uma vez. Rogério emprestou mais dois. apenas o básico para gerar informações para uma clientela fixa. fax. nos fez mais fortes ainda”.

a Climatempo tinha um faturamento anual de 150 mil dólares. 44 . informa Carlos Magno do Nascimento. De resto. Aeronáutica. porque era tudo improvisado. na rua Baltazar Lisboa. que ficou conhecido como o Dia D. no Brasil estávamos utilizando o METEOSAT . “A mudança para a Baltazar Lisboa foi marcante para a gente. na Globo. “Quando seu Juvenal estava estudando na Inglaterra eu pedi a ele que comprasse um equipamento de recepção de satélites. Em 1995. e um sinal de que aquele ano turbulento tinha chegado ao fim foi a mudança da sede da Climatempo para uma outra casa. Carlos Magno deu valiosas informações sobre a importância dos conhecimentos da previsão do tempo para o planejamento de um dos mais importantes momentos da guerra: o desembarque dos aliados na Normandia.” (Jornal da Tarde.” (O Estado de S. Em outro front. 155 mil homens das forças aliadas desembarcaram nas praias da Normandia. inclusive participando de outros trabalhos desenvolvidos pela agência. o quadro do tempo ganhou tamanha credibilidade que foi definitivamente incorporado ao padrão Globo de qualidade. 06/6/1995). Trabalha com informações cedidas pela Marinha. conta Carlos Magno. sempre na Vila Mariana. Na rua da União a casa era grande. mais uma novidade. Segundo ele. ou BBS s. a mudança foi para melhor. Enquanto isso. 13/02/1995) “Os sistemas de mensagens. Apesar do trabalho interno para ampliar a Climatempo. na Baltazar. como a produção de um CD- ROM contando a história da Segunda Guerra Mundial. na França. Esse tipo de equipamento nos daria uma vantagem competitiva em relação a todo o mercado”. Era divertido.e Magno pediu que trouxessem uma estação de recepção do satélite europeu Meteosat. Paulo. Era um sinal de que a empresa estava crescendo. Oriente Médio e Austrália. 40% dos usuários são agricultores.. em 350 cadastrados.” Em 1994. O ataque rápido e certeiro só poderia acontecer durante o verão europeu. o tempo no sobradinho da rua da União tinha se esgotado. Canadá. “Mas o grande problema da Baltazar foi mesmo o cigarro. sysop (operador de sistemas) da Climatempo. além de uma antena parabólica. A assinatura mensal é de R$30. 30% são navegadores. estão pescadores. o BBS fornece a seus usuários fotografia de toda a América. a emissora chegou a comprar um software de meteorologia para melhorar ainda mais a transmissão da previsão do tempo. o BBS consolidava seu público e. Um ano depois. mas tinha pouca gente. Naquele momento. pela novidade do serviço. ‘Entre nossos 150 assinantes. A maior rede de televisão do País apostaria na credibilidade e no carisma de um meteorologista para apresentar o quadro do tempo do Jornal Nacional. Era preciso voltar a crescer. Carlos Magno. No dia 6 de junho de 1944. agricultores e agências de publicidade’. chamava a atenção da mídia especializada em informática: “Graças a uma antena de recepção de imagens. A Gilca Parma trabalhava em uma mesa atrás da porta!”. Na Agência Estado continuavam firmes no posto de meteorologistas. encontram novos nichos de mercado e oferecem agora serviços especializados. “Montamos no quintal da casa da rua da União. o satélite norte-americano Goes havia entrado em colapso e. boletins e fotos de satélite.” Porém. África. a casa era menor. Europa. relembra Patrícia. na Eldorado. mas já éramos muitos. Ana Lucia e Magno não descuidavam um só instante dos demais clientes. dando início à libertação da Europa do domínio nazista. 10% são estúdios de fotografia e 20% são curiosos.. Josélia segurava os boletins e já começava a ser identificada como a “moça do tempo” da rádio e por fim. Segundo o sysop. as previsões de tempo propriamente ditas são direcionadas às necessidades de seus usuários. nove funcionários e equipamento informatizado – cinco computadores dotados de sofwares para fax e telex –. O BBS Climatempo tem um serviço de meteorologia que cobre 80% do planeta.

O convite feito a Magno foi a coroação de um trabalho desenvolvido por ele e por toda a equipe da Climatempo ao longo de seis anos nos jornais locais da rede: o Bom Dia São Paulo e o São Paulo Já. De acordo com a direção de jornalismo. aí um dia o diretor de operações do Rio de Janeiro. 5 . com o Renato Machado. o Boni. A principal delas foi a troca de apresentadores. Deixaram a bancada Cid Moreira e Sérgio Chapelin. ligou para a redação para saber quem era o “careca” que entrara Tanto é verdade que a Climatempo. No mesmo dia. Éramos fonte de informação. 34 anos. mas está gostando da experiência. assunto. relembra Magno. Seguindo essa mesma filosofia. O homem do tempo 45 á duas semanas. Carlos Magno faz parte da elite da tecnologia. “Como meteorologista da casa. de confiança. e eles acionavam a RBS (afiliada da Globo no Sul do País). Aí me chamaram para fazer um teste para o Bom Dia Brasil.” As reações foram imediatas. com o editor-chefe escrevendo o texto para mim. O meteorologista Carlos Magno. pois a Globo não pedia exclusividade. apenas queria que eu e a Ana continuássemos como meteorologistas”. o objetivo era colocar dois jornalistas profissionais. confessa que ainda não encara as câmeras com tranquilidade. Não foi bem assim. para o qual fizera o teste. óculos de grau e uma calvície pré-acentuada revela aos telespectadores do Jornal Nacional se o dia seguinte será de sol ou de chuva. substituiria as belas moças do tempo. “A Josélia Pegorim passou a prestar serviço para a Bandeirantes.” enfrentou qualquer conflito com a Globo. envolvidos diretamente com a produção e elaboração das matérias e. José Emílio Ambrósio. lembra Magno. e eles gostaram”. tinha gostado muito de como eu explicava a previsão. Magno achou que seria para o Bom Dia Brasil. eu dava muitas entrevistas para os jornais de São Paulo. Ele queria mudar o jornalismo. em 1996. me ligou dizendo que o Evandro [Carlos de Andrade]. dois ícones do JN. um rapaz de ar grave. Fiz. não Segundo a revista Info (de setembro de 2005). e posso dizer até imprescindíveis para o esquema da emissora. Carlos Magno fez parte das profundas mudanças pelas quais passou o tradicional jornal da Rede Globo. aconteceu a troca das moças do tempo por um meteorologista profissional. Na sexta-feira estreei no Jornal Nacional. “Numa quinta-feira me chamaram para conversar com o Roberto Muller. inclusive no Jornal Nacional. da pauta até a edição. o consultor da Globo e ainda todo-poderoso José Bonifácio de Oliveira Sobrinho.H Essa foi a descrição feita pelo jornal O Globo do novo homem do tempo do JN que. substituídos por William Bonner e Lilian Witte Fibe. com isso. dar maior credibilidade às notícias. novo diretor de jornalismo. ao fornecer a previsão do tempo para a Rede Bandeirantes. colocando gente que entendesse do Quando foi convidado para ser o homem do tempo. diretor de jornalismo da Globo em São Paulo. Então a gente oferecia muitas matérias: vai chover forte no Rio Grande do Sul. “Nesse ponto já conhecíamos toda a estrutura da Globo.

C EFET e muitos outros jovens candidatos. com certeza. conta ele. há três semanas. “Esse careca não pode ir ao ar. Estará Carlos Magno de bermudas e sandálias japonesas. revela que o difícil foi vencer o nervosismo diante das câmeras. o coordenador do curso de graduação de meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Magno perdeu a conta das vezes em que ele saiu da emissora direto para uma dessas reuniões devidamente. “Peruca não”.” A solução encontrada foi usar uma tinta para dar a impressão de que havia mais cabelo. Era desagradável. ‘Já sei que na sexta-feira o importante é se vai ter sol ou não no fim de semana.” Amauri Soares era o editor-chefe do JN e lembra que realmente foi preciso dar um “jeito” na calvície do meteorologista.” (Diário Popular. Da calça. Mas não estou na emissora por causa da minha beleza. mas não deixava de ser engraçado. estava em uma reunião e senti a maquiagem escorrer pelo rosto. 15/5/1996). Em um fax enviado para a Climatempo. “Para os alunos da UFRJ . O Globo.” (O Dia. Quando o assunto é a previsão do tempo. o meteorologista Carlos Magno vem acumulando duas responsabilidades de peso: manter a margem de apenas 5% de erros nas previsões climáticas e esfriar o ânimo dos telespectadores saudosos das antigas meninas do tempo.” (Controle Remoto. mas sabiam que eu era da Globo. Isabel. ‘Não me preparei para ser apresentador. Minhas antecessoras eram bem mais interessantes. pois o meteorologista não aparece de corpo inteiro. Francisco Lourenço. e vamos embora assim. o homem do tempo do Jornal Nacional. De qualquer maneira. a meteorologia foi muito estimulante. foi difícil se acostumar com essas exigências do vídeo. chegando a afirmar que: “Estou longe de me enquadrar no padrão global. junho de 1996). a chegada de um meteorologista na tevê foi considerada um estímulo para jovens estudantes. “Globo aposta na credibilidade e substitui as beldades da previsão pelo meteorologista Carlos Magno. Se na telinha ele era o homem do tempo da Globo. Apesar da repercussão favorável na imprensa. Ele passa muita credibilidade. estreou.no ar. como donos da Climatempo. Depois que estreou no Jornal Nacional da Rede Globo. lá está ele sempre envergando um paletó cinza de gosto duvidoso.. que não surgiu na telinha por acaso. maquiado. fora dela tinha uma empresa para tocar. “Uma vez. também não faltaram algumas críticas bem-humoradas: “Roupa estável. no calor. sou uma autoridade’. tal como a maquiagem. precisa melhorar seu guarda-roupa. Carlos Magno. Tenho certeza de que nos últimos dez anos foi a melhor coisa que se fez para a meteorolo- 46 .” A estreia do homem do tempo da Globo também repercutiu na mídia. “peruca eu não coloco. Na área acadêmica. mas tenho o meu charme’. até porque sabe exatamente do que está falando. reuniões que só ele e Ana. Para Magno. ‘Não sou tão bonito quanto elas. Magno diz que sabe o que é notícia para o público. por isso era preciso arranjar uma maneira de disfarçá-la. Olhavam com estranheza. como reza a lenda do Jornal Nacional?” (Planeta Rio. mas garante que isso não mudou sua rotina. que vem apresentando a previsão do tempo no Jornal Nacional. acabou provocando situações constrangedoras. 13/4/1996) “Satisfeito com a repercussão de seu trabalho. teria dito ele. poderiam participar. Carlos Leonam. Carta Capital. Magno virou notícia em vários jornais e colunas: “Nota 10 para o meteorologista Carlos Magno.. Marcos Paulo e Victor Hugo. brinca ele.’ Casado com Ana Lucia e pai de três filhos. ‘A emissora está tentando profissionalizar cada vez mais. “O problema é que a careca brilha com a luz do estúdio.’ A popularidade aumentou. ninguém sabe. ele é a cara do filho do general Colin Powell. 12/5/1996). pois além do Jornal Nacional também passou a apresentar o Jornal Hoje e por fim o Bom Dia Brasil. Chova ou faça sol. reagiu Magno. Segundo Paulo Francis. dava os parabéns pelo trabalho na previsão do tempo do Jornal Nacional. Amanhã vou mandar um maquiador para colocar uma peruca nesse cara”.” A falta de experiência e de traquejo para lidar com as exigências do vídeo. novos clientes para atender.

Desculpe a franqueza e a observação. Acontecia de estar em um parque com a Ana e as crianças e as pessoas chegarem para perguntar sobre o tempo. além de uma certa semelhança com o compositor.Sª. como a do telespectador Flávio Faria.. Toda vez que sentava no trem. Fiquei muito envergonhado. em São Paulo. cerca das 15h. da ocorrência no Brasil deste fenômeno e se algo foi detectado naquele estado. eu já era parado para dar autógrafo. ele era conhecido como o Paulinho da Viola da meteorologia. Um cara que estava perto me viu. a previsão do tempo”.” E assina: “Com a admiração do seu velho professor. começou a falar. Indago a V. como se diz. Será uma forma bizarra de precipitação pluviométrica? Atenciosamente”. E ainda algumas mais calorosas. Não se assuste. (São Paulo. Depois que cheguei (. Quando você está no seu lazer quer passar despercebido. aguardando o embarque para Fortaleza. ficavam me olhando. Ao contrário do jeito sério e tímido de Carlos Magno. Magno não sabia lidar com o assédio. A popularidade alcançada no Jor- nal Nacional refletia-se em família. como a de um médico veterinário de São Paulo. quando divisei no horizonte nuvens carregadas e uma figura semelhante a um tornado. “Queria ter uma certa privacidade com a família e às vezes não dava. sou ‘fissurada’ de uma forma positiva (e até curiosa). Magno sentia-se incomodado pelas constantes abordagens feitas pelo público fora da emissora. Magno também se soltava ao começar a falar do que sabia. Outras sugerindo algumas mudanças de postura física na apresentação do quadro. pois agora houve uma modificação total na sua postura. ficou muito conhecida na 47 . Rufino A. “Mas.) Se já tivesse escrito ia achar que a minha observação tinha atingido o objetivo. Pode ter certeza de que melhorou muito. poucas eram grosseiras ou negativas. e sim o princípio de um relacionamento tranquilo e. O Jornal Nacional não deixava isso acontecer. encontrava-me no salão de embarque do aeroporto de Vitória. relembra Amauri.) vi o apresentador do serviço de meteorologia da rede CNN movimentar os dois braços e num anúncio na tevê local a apresentadora apresentando (sic) um quadro de propaganda movimentar os dois braços.gia nacional. curso o primeiro ano de jornalismo em uma faculdade local e sou ‘fissurada’ em você. Até que tive de parar de andar de metrô um dia em que estava na fila para comprar o bilhete. “No primeiro mês.. (Rio de Janeiro. (. As abordagens sempre foram muito simpáticas. Algumas delas pedindo orientação meteorológica. de uma forte e saudável amizade”. como a da estudante Cleide Graziely.. Aí todo mundo olhou para mim. do Rio de Janeiro: “Ia escrever-lhe no princípio do mês. Francisco Lourenço”. Nas ruas a visibilidade proporcionada pela tevê também repercutia. Sem ter a exata dimensão do que era aparecer todos os dias em horário nobre e na Globo. que escreveu: “No dia 10 de junho de 1996. é muito simples: tenho 19 anos. senti que as pessoas me olhavam desconfiadas. em São Paulo. virou para mim e disse alto: ‘olha lá o homem do tempo!’. Isso porque. (Uberlândia. Apesar de realizado no trabalho. Amauri Soares lembra que na Globo. Magno tentou manter sua tranquila rotina de trabalho indo todos os dias de metrô para a emissora. (. parecendo não se tratar de um canhoto. ninguém acreditava que o homem do tempo do Jornal Nacional andava de metrô!” Muito tímido. Magno era muito introvertido. A figura do homem do tempo não era novidade no Brasil.” Respostas do público vinham também por meio das cartas recebidas na Globo. Esta carta não pretende parecer um correio elegante. com o intuito de construir”. Eu segui em frente e fui embora. “na dele”.. com uma atitude muito mais natural. No segundo. outubro de 1996). mas devido a uma viagem só agora o faço. julho de 1996). Ela foi feita no bom sentido. junho de 1996). assim como Paulinho se transformava ao começar a cantar. de Uberlândia: “Você deve estar se perguntando o porquê desta carta.. de Alencar Filho. se possível for..) Antes a impressão que dava era de uma posição forçada ou de paralisia total do seu braço direito.

depois de comandar o Jornal Nacional. Nova mudança de rotina. Feliz – que não era meteorologista. e não o contrário. Foi escalado para apresentar os jornais vespertinos: Bom Dia Brasil e Jornal Hoje. No curso. renderam-lhe muita popularidade. mas sim ator e comediante – tratava o quadro do tempo de forma descontraída. Sempre iniciava a previsão com uma frase: “Boa noite e tempos felizes!”. No início da década de 1990. a previsão extrapolou os limites de um cenário fechado e aproximou-se do público. Achei engraçado e li fazendo todas as palhaçadas que me vieram à cabeça. Contudo. aos 70 anos. saía um pouco para fazer ginástica. ele aparecia em frente a um quadro com o mapa do Brasil. Por um breve período. em determinado momento. mais voltado para a comunidade. Assim. disse em entrevista ao Diário Popular. voltou ao ar em 2008. na antiga TVS. 4h30min da manhã. de 12 de maio de 1996. promover um diálogo mais solto e irreverente. O humor e as excentricidades do ator. Humberto (Humberto Mesquita. a Climatempo. Durante um ano Carlos Magno apresentou o Jornal Nacional. e cada uma das afiliadas do interior mantinha um segmento dedicado exclusivamente a matérias da sua região. “Eram muitas meninas sendo testadas e. o aluno aprendia todas as etapas necessárias para chegar a uma previsão acima de qualquer suspeita. mas pouca credibilidade. onde morava com a família. que pode se considerado um dos precursores dos apresentadores do tempo. sem audiência. O destaque da primeira edição. jornalista da TVS) pediu de brincadeira que eu lesse o texto diante de um mapa. quando a emissora paulista reviveu o telejornal. fazia os textos e ajudava a fazer a arte. o Aqui Agora foi tirado do ar. assumiu a direção de jornalismo da emissora em São Paulo e implantou uma nova proposta de jornalismo. o jornalismo tem lá a sua dinâmica e. Feliz foi uma das atrações do jornal Aqui Agora. Por pouco tempo. o São Paulo Já voltou a se chamar SPTV. não deixou a telinha. Afinal. Feliz foi escolhido na época porque decidiu dar à previsão um ar de brincadeira. Na década de 1980. a ideia era aproximar o jornal da comunidade. “Ia para lá de madrugada. fazia o Bom Dia. não levei a sério e gosto mesmo é de humor”. Sua figura chegava a incomodar os meteorologistas que não queriam que a imagem humorística afetasse a seriedade da profissão. na verdade Felisberto Duarte. Em seu lugar entrou a jornalista e atriz Fabiana Scaranzi. era o tom informal e descontraído com que a notícia era tratada. atual SBT . litoral de São Paulo. segundo Amauri Soares. Nesse ano. Felisberto Duarte morreu em agosto de 2008.” Nesse sentido. com Carlos Magno à frente. pois. Para atender a Globo. Mais experiente e seguro. do SBT . como sobrou um resto de fita. na Praia Grande. e com uma antena apontava os decalques de sol e nuvens. passou a oferecer aulas de meteorologia para os jornalistas da Rede Globo interessados em se especializar no assunto. porém. Na capital. dentro desse novo estilo. com as mesmas características para apresentar o quadro do tempo e os mesmos bordões. Para ele uma experiência fundamental em sua carreira. voltava para a emissora para fazer o SPTV e o Jornal Hoje.tevê a imagem do personagem Feliz. Carlos Magno deu à meteorologia um caráter mais humano.” Em 1996. o SPTV privilegiava as notícias da Região Metropolitana de São Paulo. Sem perder a seriedade. como apresentar o programa debaixo de chuva no estúdio. Magno passou a chegar a emissora às 48 . pesquisas feitas pela Globo indicaram a necessidade de voltar ao velho padrão das moças do tempo. Magno. me- Õ Em 1996. o quadro do tempo deixou de ficar preso a um formato. E o final vinha seguido por uma expressão que virou o seu bordão mais conhecido: “E piriri e pororó!”. como diz Soares: “é o conteúdo que dita o formato. no horário do almoço. Amauri Soares. Por meio de uma linguagem mais solta e da sua participação durante o jornal.

como Rio de Janeiro e Minas Gerais. Toda a equipe da Climatempo estava envolvida no atendimento aos clientes. tinham consciência de que era preciso pagar melhor os meteorologistas para mantê-los como um grupo coeso. Para um mês o acerto é superior a 90% e 3 meses superior a 80%. revistas e televisão pouco esclarecem ou. Sinal de novos tempos e embrião do grupo. foi a que mais se interessou pelos serviços da empresa. e fazer muito sobre esse assunto. A agricultura. A prova de que a Climatempo consolidava-se a cada dia no mercado nacional era o interesse de setores da economia que até então desdenhavam a meteorologia brasileira. ou seja. Para ele. A Ana gostava muito disso e se deu muito bem lá. com isso. Os gráficos e os mapas que aparecem em jornais. cantando ao vivo com o Paulinho da Viola.nos formal. também ajuda a prever o clima da sua região com boa confiabilidade. Em 1996. Carlos Magno foi convidado pela Cooperativa dos Agricultores de Guaxupé. O tempo que Magno e Ana dedicavam à Globo não prejudicava a qualidade de serviço prestada a outros clientes. “Ana e eu dávamos muita atenção para a Globo. La Niña e seus impactos no dia a dia do cafeicultor brasileiro. Titãs e até cobrando do governador Mário Covas maior investimento na meteorologia de São Paulo”. contribuir um pouco com os homens e mulheres que escrevem a história da cafeicultura nacional. sem que isso onerasse muito o meu fluxo de caixa. especialmente. Chamamos de Agência Climatempo e todos da equipe passaram a ter uma participação. foi Soares quem mudou o conceito de jornalismo participativo do SPTV e valorizou o quadro do tempo. Montei a empresa e chamei o Rogério para ser sócio. é quando a seca ou a chuva é muito forte e suas consequências já estão sendo sentidas no País. pela oportunidade e honra de escrever para este jornal. Mas não era fácil. A previsão atendia várias editorias: Globo Rural. Tanto foi assim que nesse período Carlos Magno e Ana Lucia estavam preocupados em crescer de forma sustentável. Imaginem quantas decisões poderiam ser tomadas com mais segurança e com pouco desperdício de dinheiro usando estas informações? Mas aí você pergunta: até aí tudo 49 . “Foi então que decidi montar uma outra empresa. O uso de supercomputadores que processam bilhões de informações por segundo permite aos climatologistas atuais prever o comportamento da chuva. De manhã. mais condições de crescimento e estabilidade como empresa. e até quem sabe. avulsos. como não acreditar na sua seriedade? Resultado: foi um período de grande crescimento da empresa. se uma empresa como a Globo prestigiava os serviços da Climatempo. e fazíamos a distribuição dos lucros ali mesmo”. na escolha da semente. explica Magno. Ao contrário. A Globo exigia demais da gente. para a agência. A tecnologia. mesmo quando conseguem explicar. pouco se pode fazer sobre o assunto. eu estava lá e à tarde ia a Ana.” Essa dedicação à Globo não se restringia apenas a Carlos Magno e a Ana Lucia. Claro que a visibilidade conseguida por meio da emissora carioca deu à Climatempo maior credibilidade e. Na maior parte das vezes em que os agricultores ouvem falar sobre El Niño e La Niña. O que falta é saber como fazer. a Climatempo desdobrava-se em duas: Climatempo Consultoria e Agência Climatempo. a escrever um artigo sobre o clima e. sem dúvida. José Geraldo. A ideia era trazer todos os contratos que não eram de longo prazo. Fiquei mais solto no ar. El Niño. da Cooperativa de Guaxupé. temperatura e outros elementos que definem o clima de uma região com índices de acerto superior a 60% até seis meses. no tratamento do solo. Mas não é verdade!!! Podemos fazer. sobre dois fenômenos meteorológicos de nomes curiosos que confundiam a cabeça dos agricultores: “Antes de falar sobre o clima. e inclusive outras ‘praças’. Não queriam perder esse pessoal já experiente que estava junto na empresa. ou pelo próprio agricultor. gostaria de agradecer ao sr. na administração da fazenda. Bom Dia Brasil. relembra Magno. Bom Dia São Paulo. “Criamos um quadro de sucesso com as conversas ao vivo com o Chico Pinheiro. interior de Minas Gerais. que ajuda a agricultura com aumento da produtividade.

nasceu um novo canal voltado exclusivamente para o setor rural brasileiro: agricultura. a tevê paga. associada à distribuidora NET . a relação do El Niño e o clima das regiões Sul e Nordeste é mais direta. a concessão de licenças para operação foi regulamentada. Em 1997. enfim. (Carta de Carlos Magno à Cooperativa Agrícola de Guaxupé) que passaria a funcionar como órgão regulador dos serviços de telecomunicações. trazendo as temidas geadas para o café. Essa tendência. além da imagem de satélite NOAA-14. causando a seca”. No Brasil. como foi observado em 1975. O El Niño é a mais estudada e observada corrente oceânica. Ao longo das três últimas décadas. pesquisadores vêm desenvolvendo modelos ou maquetes que simulam matematicamente a circulação da atmosfera e sua interação com os oceanos. Hoje em dia. Para isso. Uma das novidades que surgiram nesse período foi um software desenvolvido por Rogério Leite. o mesmo que modernizou o BBS e Õ Para a telecomunicação brasileira. com os satélites e estações de pesquisas. No início de 1997. inclusive das tevês por assinatura. Periodicamente. as frentes frias passam com mais facilidade na primavera. o Canal Rural decidiu contratar a Climatempo para implantar todo o serviço de meteorologia.bem. Nesse cenário de expansão das teles. agronegócio. mas o que é que o El Niño tem a ver com isso? É que os oceanos interagem com o movimento da atmosfera. Em 1990 aconteceram as primeiras concessões de televisão por assinatura. Para a região cafeicultora não é o El Niño e sim o período de mudança para o La Niña. em contrapartida. Somente em 1995. pois o El Niño intensifica a massa de ar subtropical do Atlântico. Nesses anos. o Pacífico equatorial deixava de ser quente e tendia a ser mais frio. a temperatura da água do oceano Pacífico equatorial fica acima da média. grupo de comunicação do Sul do Brasil. facilita a penetração de massas polares mais fortes durante o inverno. O nome El Niño foi dado há mais de um século pelos pescadores do Peru. modificando a circulação dos ventos sobre o continente e mudando o clima de onde vivemos e plantamos. Em todos estes anos. 50 . que a cada dia estão mais precisos com o uso dos computadores. consequentemente. a Climatempo utilizava todos os dados disponíveis. O Canal Rural surgiu de uma parceria entre a RBS . o inverno é frio e ocorre seca na primavera. a década de 1990 ficaria marcada como o início das operações das televisões a cabo. com os olhos voltados para o interior do País. com a promulgação da lei de tevê a cabo. que por sua vez bloqueia as frentes frias no Sul. que o observava durante o Natal. é possível acompanhar com detalhes o deslocamento das manchas de temperatura sobre os oceanos e com o uso de computadores prever o comportamento do fenômeno nos próximos meses e. de alguma forma. com sede em São Paulo. a situação das barragens e das produções com o monitoramento sistemático do clima. A empresa paulista ficou então responsável pela produção dos boletins diários e da divulgação de todas as notícias de cunho meteorológico. serviço de meteorologia específico para a área rural e programas dirigidos a agricultores. provocando enchentes e deixando o Nordeste seco por vários anos. com destaque para análises do mercado. Sabia-se que naqueles anos a pesca ficava mais difícil no Pacífico equatorial. que é o contrário – temperatura da água do oceano abaixo da média – e traz consequências mais diretas para o café. um ano depois entrariam em operação as primeiras redes de tevê a cabo. Nos boletins eram dadas informações sobre as condições meteorológicas das principais lavouras em todo o Brasil. e a Globosat e começou a operar em novembro de 1996. entre 8 e 13 anos. fornecendo enorme quantidade de calor e umidade. do clima na próxima estação. Sua programação era totalmente voltada para o setor agropecuário. 1985 e 1994. pecuária. a TVA e a Globosat. porque seus efeitos no clima sobre o planeta algumas vezes são desastrosos. surge a Agência Nacional de Telecomunicações ( ANATEL). os efeitos das chuvas.

Ana Lucia nunca escondeu que ao lado da meteorologia sua grande realização estava em ser mãe. Ele facilitou a vida do previsor: bastava lançar os dados dos modelos no PREVPLAN para gerar a informação que era então avaliada pelo meteorologista. Globonews. precisa chover. “Estamos mudando o conceito de tempo bom e tempo ruim. definiu as imagens e mapas. Primeiro. sem querer deixar de cuidar da menina. fiz muitas aulas com ela. era só treinar sua voz’. enquanto preparava os boletins. que era de cinco minutos a cada meia hora. que na época ficou muito envolvida com esse novo desafio. relembra Magno. Por outro lado. “Dois anos depois de uma forte crise. Meus filhos sempre foram colaborativos. eles colaboraram. não havia um local apropriado.” “O Canal Rural envolveu toda a equipe da empresa. a Climatempo. falando do tempo no Brasil e no mundo e sua influência na agricultura. Eu me organizava com tudo isso. “Um dia o Amauri Soares disse pra mim: ‘você podia ser uma moça do tempo. adoráveis. Segundo. Ana Lucia não foi para a frente das câmeras.. em 1996 já estávamos recuperados. 51 . Para ele a previsão do tempo era de suma importância para atender aos objetivos da nova emissora. Sem ter com quem deixá-la. relembra Ana Lucia. dominando o mercado e fornecendo informações para os mais importantes veículos: Canal Rural. No meio dessa história quando apareceu o Canal Rural. Era só o começo de mais uma longa jornada de aprendizado e crescimento da Climatempo.. Um trabalho absolutamente minucioso. esse programa gerava a previsão do tempo para todos os municípios brasileiros e mais tarde até para algumas vilas. era difícil se dividir nesses momentos. Aí começamos a pensar em ter a nossa própria TV”. do tipo: ‘não está chovendo agora. “Uma coisa que me marcou foi ter de levar a Isabel para dentro do Canal Rural em obras. Ela e sua equipe fizeram um profundo levantamento de fontes e dados produzindo uma disputada agenda com nomes de todo o Brasil que pudessem fornecer informações sobre a área agrícola ou sobre as condições climáticas. Raul Costa Jr. Eu e o Magno já éramos bastante experientes na formatação de textos e apresentação de boletins de previsão. Denominado PREV PLAN. Por isso. montou o padrão dos boletins. Dependendo do produto agrícola. e mais. a ideia inicial era eu apresentar os boletins. Por isso procurei uma fonoaudióloga para cuidar da impostação de voz. eu consegui. além de propor o conteúdo da grade de programação. TV Globo. consultoria e agência. com muita febre não tinha ido para a escola. Eu achava minha voz ridícula. que o milho está formando sabugo. Ana Lucia não se esquece de um dia em que precisava ir para o Canal Rural e sua filha mais velha. praticamente atuava em todo o mercado. Naquele momento. mas trabalhou incansavelmente na formatação da meteorologia do Canal Rural. a bichinha deitada no meio da poeira. porque do contrário a lagarta do caruncho vai aparecer’”. levou-a junto para a tevê. para deixar Bebel. era o diretor do canal em São Paulo. quietinha e dormindo ao seu lado. mas no final acabei não me tornando apresentadora”.que era responsável pela área de TI da empresa. No canal. Pior do que isso. O jeito foi acomodá-la da melhor maneira possível. “Tínhamos uma caderneta com fontes para nos ajudar a juntar as informações de agricultura e meteorologia. a chuva é fundamental para uma boa safra.” Trabalho cuidadoso e muita dedicação.” A essa altura do campeonato. sem poeira ou barulho. praticamente nunca ficavam doentes. Várias pessoas no Canal Rural nos pediram para copiar essa caderneta. a emissora ainda estava passando por reformas. As pessoas sempre me perguntam como eu conseguia trabalhar e cuidar de meus filhos. no Canal Rural tivemos de entrar em detalhes que nunca havíamos trabalhado. Bebel.

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” Quem conta com tanta segurança essa história é o empresário e compadre do casal Ana Lucia e Carlos Magno. e entre uma meta e outra montamos uma banda para tocar entre amigos”. “Minha mãe era compradora de um grande magazine no Rio. o que dá mais ou menos uns dez quilômetros. ambos perderam os pais muito jovens e tinham consciência da necessidade de ajudar as mães. Os dois tinham muito em comum: ambos vinham de famílias de classe média de Copacabana. que praticamente dominou o setor. Waldemar lembra que os dois. trabalhadoras que batalhavam para educar os filhos. primeiro como Canal do Tempo e. Na banda. Foi um sucesso total. na casa dos 30 montamos as nossas empresas. românticas e tal. que os dois iriam fazer faculdade. começamos a pensar o que queríamos fazer da vida. fez da empresa uma potência. Afinal. E mais. em um clube na Tijuca. crescer muito e aos 30 anos seriam donos da própria empresa.” Como bons futuros empresários. Waldemar foi morar fora do Brasil e. com outros cinco amigos. fizeram um planejamento estratégico e atingiram objetivos.” palco depois de uma série de músicas calmas. O pessoal começou a se mexer e. em São Paulo. mas não deu muito certo. “O Rio nos anos 1970 era um outro Rio. chegou a hora de ir para a faculdade. puro rock. A gente trabalhava então nas férias vendendo brinquedos. estudavam em escola pública. TV Climatempo. Os organizadores até que tentaram diminuir o entusiasmo. trabalhar muito. Waldemar Stefan Barroso. formaram a Aves e Ovos. lembra Magno. Nós dois. terminar por volta dos 20 anos. Os anos se passaram.“Q uer saber de uma coisa? A Climatempo nasceu em uma caminhada pela Av. um sonho que Canal do tempo 53 “Foi uma caminhada histórica para mim e acho que para ele também. a Promeeting.” 6 . fomos convidados para tocar em festinhas de amigos. na volta. Como bom empreendedor. porém. montou sua empresa de comunicação corporativa e eventos. e ali a amizade se fortaleceu. Tudo muito discreto. Nesse dia. Amigo de infância de Magno. “Uma vez fomos tocar em um festival religioso.” Essa identidade os aproximou ainda mais e era nas longas caminhadas pelo calçadão da praia à noite que discutiam o futuro. Curitiba e Belo Horizonte. Waldemar acompanhou de perto a gestação da Climatempo. a Climatempo já era uma realidade. Vitória. lá pelos idos dos anos 1970. por volta de 1995. uma ideia começou a germinar na cabeça dos dois. ida e volta. Conheceram-se ainda adolescentes. Waldemar e Magno cresceram juntos em Copacabana. fez parte de um sonho que anos mais tarde se concretizaria na criação de um canal de televisão. Em um desses encontros. Combinaram então. “Tocávamos muito rock”. tinham afastado cadeiras e mesas e dançavam feitos loucos. tínhamos por volta de 15 anos. Magno foi baterista e vocalista. naquele momento. Waldemar passou pela Oceanografia antes de se definir pelo Desenho Industrial. “Aos 15 anos rogamos uma praga positiva e deu sorte. depois. É difícil imaginar que por trás do jeito tímido e sério do meteorologista Carlos Magno existiu um verdadeiro roqueiro. Quando chegava a época do Natal. “Ao longo do tempo acabamos nos encontrando várias vezes para conversar. Na verdade. Apesar da seriedade com que encaravam o futuro. eu e o Magno. Subimos no Logo. relembra Waldemar. São Paulo. entre um chopinho e outro.” Enquanto isso. na zona sul do Rio. estabeleceram metas. já sabiam o que queriam. nas peladas disputadas na praia. Magno seguiu a Meteorologia. A gente costumava andar de Copacabana ao Leblon. aí começamos com nosso som. quando vimos. “Em 1995 já estávamos com 188 funcionários espalhados pelo Rio. em um bar do Rio. Interesses diferentes separaram os dois. Waldemar se lembra de uma em especial. Bom. Tínhamos pouca fama e muita grana. o que a gente podia realmente fazer para não ficar naquela vidinha. os dois jamais deixaram de aproveitar a vida. eles precisavam de gente para trabalhar e ela nos levava. A partir dali. o Barboza Freitas. Atlântica. Ele foi nosso padrinho de casamento e depois padrinho da Isabel”. recorda Waldemar. para lá.

Seu slogan era “nenhum lugar no mundo tem tempo melhor”. o Banco Nacional era um dos clientes da Promeeting. o outro tinha um bom e pouco explorado conteúdo nas mãos. Imagens de satélites não eram suficientes. depois correndo atrás de patrocínio. mas o que aconteceu é que nós acabamos abrindo os olhos deles para o mercado brasileiro. e agora está maduro para receber o nosso projeto”. lembra ele. Tudo parecia caminhar. Novas tecnologias eram avaliadas visando à possibilidade de gerar imagens meteorológicas com quali- dade para o veículo televisão. E a Climatempo assumiu a central da Bandeirantes em 2001. Desde 1982. e Waldemar não pensou duas vezes em propor ao cliente o bom negócio. fecharam. Estou pronto e decidido a entrar com essa tecnologia no Brasil. De parceiros passaram a concorrentes. TWC (The Weather Channel) irá ter uma coisa parecida no próximo ano. Ana Lucia chegou a viajar para os EUA para conversar com os executivos da empresa. Um abraço.voltou a aproximar os velhos amigos. um Canal do Tempo? Em pessoas empreendedoras. as boas idéias não ficam apenas na imaginação. adiando por algum tempo a realização do negócio. “Há anos planejamos um canal brasileiro. Ainda de propriedade do complexo Landmark Communications. inclusive em classificados para a contratação de pessoal: “Para a maioria dos profissionais. a busca por recursos para a implantação da nova tevê motivou Magno e Ana. No Brasil. Foi uma época da maturação de um sonho. Em 1997. mantinha contato constante com a Climatempo. veio com a notícia da chegada ao Brasil do canal norte-americano The Weather Channel. que viram ali um novo desafio para a Climatempo. a TWC difundia informações meteorológicas 24 horas por dia a cerca de 80 milhões de residências nos Estados Unidos. o TWC já estava nas tevês do Peru e da Argentina. Ricardo Maldonado”. dizia Ana Lucia. A experiência adquirida na Rede Globo e também no Canal Rural ajudou a abrir caminho. por que não juntar as duas coisas em um poderoso veículo e criar o próprio canal de televisão. vários canais negociavam sua distribuição por operadoras no Brasil. ainda em 1997. A opção para operar no Brasil fazia parte do objetivo de atuar na América Latina. a meteorologia é apenas conversa para passar o tempo. “Cheguei até a sugerir que eles voltassem com o símbolo do guarda-chuva”. Então. com programação em português e que atinja vários segmentos da sociedade. Em seis meses. praticamente inexplorado. que desenvolvia softwares de meteorologia para televisões dos Estados Unidos. mas não aguenta- ram. (08/6/1999) “A ideia era usá-los na nossa tevê. contrataram todos os profissionais que a gente queria para a nossa tevê. montaram a Central Band de Tempo. Contrataram em dólar. Ao longo de 1997. O mercado é virgem. Enquanto um possuía toda a experiência em comunicação. Eles vieram para cá. um dos executivos da WSI. que fez com que a Time Warner passasse na frente de todo mundo. Naquele período. Com o mercado de tevê paga a todo o vapor. canal de informações meteorológicas que vislumbrou a possibilidade de dominar a área na tevê a cabo brasileira. Mas no The Weather Channel temos previsões baseadas nas tecnologias mais avançadas. E foi assim que conheceram a empresa norte-americana WSI (Weather Services International). O entusiasmo com a nova empreitada transparecia nas mensagens enviadas a Magno: “De acordo com nosso engenheiro de software. Ricardo Maldonado. incentivando a parceria. Um deles foi o The Weather Channel.” A certeza de que estavam no caminho certo. quando ainda em 1995 o banco foi à falência. programas espe- 54 . o TWC preparou uma estratégia agressiva de divulgação na mídia. que também era dono do Travel Channel e na época na NET/Globosat. primeiro registrando o nome Canal do Tempo. é uma solução sem precedentes e única no mercado. Waldemar tratou de tornar real o sonho. Elas querem ação. com anúncios em páginas de revistas especializadas e em jornais. Esta informação está sendo veiculada em todos os meios especializados de TV a cabo. porém.

O canal oferecia ao Brasil praticamente a mesma programação veiculada em toda a América Latina. Em 2008. Se você é um profissional de meteorologia. o nosso canal é assunto de conversa de todo o setor. árvore de Natal. a empresa já era. Ana e Magno mantinham a rotina de elaboração da previsão do tempo na Rede Globo. com uns sete metros de altura. The Weather Channel estava disponível nas operadoras de tevê a cabo brasileiras Sky. o TWC levou metade da equipe da Climatempo que trabalhava na produção do Canal Rural desde 1996. Os candidatos bilíngues (Inglês/Espanhol ou Inglês/Português) serão preferidos (. Para funcionar no Brasil. Com a cabeça mais voltada para a própria tevê.. As cartas recebidas naquele período mostram bem isso. O anúncio pedia desde diretor de meteorologia para trabalhar em função executiva.). Praticamente dominando o mercado. com experiência e pronto para fazer parte de uma organização de classe mundial em fase de expansão na América Latina. Rede Globo e Canal Rural.ciais e cobertura confiável em casos de emergências.5 bilhões de dólares. queremos conhecê-lo. estou lhe escrevendo para um esclarecimento seu.. TECSAT e também na NET/Sul. como a do senhor José Jordão. A presença do TWC no Brasil deu novo estímulo à ideia de criar um canal do tempo nacional. em torno de 10 milhões de dólares nos três primeiros anos por aqui. toda a estrutura do TWC foi montada em Atlanta. a operadora ainda não havia conquistado o público brasileiro. As árvores ficam a seis metros da frente da casa. O resultado é que. A faísca estourou a coluna onde estava instalada a campainha.. de Suzano. mantinha os contratos antigos com seus primeiros parceiros: Eldorado. O editor-chefe da emissora na época. mas hoje há tecnologia de ponta nesse setor. No momento. temos as seguintes oportunidades de contratação para o nosso escritório de Atlanta. foi montado também um site em que eram transmitidas as condições meteorológicas em tempo real e a previsão para cidades do Brasil e do mundo.) Fomos acostumados a não acreditar em previsão do tempo. até sair definitivamente do Brasil por questões financeiras. com investimentos altíssimos. em dezembro de 2002. há perguntas curiosas. Apesar dos dois anos de Brasil. Agência Estado. vários setores da agropecuária. Nelas. a poderosa rede de telecomunicação norteamericana NBC Universal comprou o TWC por um valor estimado em 3. Apesar da contratação de brasileiros. em 1998. além de pioneira. lamenta Carlos Magno. “Formamos a equipe brasileira para The Weather Channel”. Aqui em casa tenho dois pés de cedrinho. Carlos Magno ainda era o homem do tempo do Bom Dia Brasil. e ampliando sua carteira de clientes para indústrias. conseguia manter a empatia com seu público. inclusive já caiu um raio ou uma faísca em uma delas. Geórgia. Ao completar dez anos. até dentro de casa.. além da oportunidade de trabalhar com um dos mais importantes empregadores do setor de TV a cabo” (. Na época. “Se eles entravam no nosso mercado. Além da programação para a tevê. eram grandes as expectativas.) Oferecemos salários e benefícios competitivos com o mercado. perguntava-se Carlos Magno. dizia em entrevista ao jornal O Globo: “Nosso desafio é mudar o pensamento dos brasileiros em relação à meteorologia (. Os negócios na Climatempo iam muito bem. até apresentadores com fluência no inglês e também no português. The Weather Channel se baseia em informações de um satélite com tecnologia da Nasa”. construtoras e produtoras de vídeo. Em 1999.. em São Paulo: “Prezado senhor Carlos. porque não fazer uma televisão brasileira voltada para brasileiros?”. O TWC ainda iria ser um concorrente de peso ao longo dos anos. SPTV e Jornal Hoje. para os candidatos que possuam um diploma universitário em Meteorologia ou uma experiência equivalente. e a ideia era criar uma programação exclusiva para o Brasil. No vídeo. e para isso precisava de conhecimentos tanto científicos quanto de comunicação televisiva. Eduardo Mack. agora. danificando toda a instalação. mais ou menos. veterana na área. O que eu gostaria de saber é o se- 55 ..

os meteorologistas. ficaria conhecido durante uma feira da Associação Brasileira de TV por Assinatura. Só que agora com uma sutil diferença: a Climatempo ganhara identidade própria. 09/3/1998). portanto. aguardo ansiosa sua resposta. quando chove. “Apesar do calor. 20/3/1998). afirmou que ainda não foi registrado recorde de temperatura para o mês de agosto na capital. Nessa feira. JT e demais clientes da AE e também para as matérias.) Para Ana Lucia. gostaria muito se você pudesse me dizer. Já comecei a enfeitar a árvore com latinhas de refrigerantes e cervejas para o ano 2000. O público básico deve ser o pessoal dos meios de comunicação mesmo. futura TV Climatempo. apresentada por vosmecê. que seria a sétima.1 graus (. planejava Magno. é a grande massa de ar seco que atua sobre a maior parte do Brasil e impede a entrada de frentes frias e de massas polares vindas do Sul do País. a associação reuniu cerca de 300 expositores em uma área de 10 mil 56 . Os sistemas estão sendo desviados para o oceano antes de influenciarem o clima no Sudeste. E. Seria às oito da noite. Com toda pompa e cerimônia e ainda com direito a disputa na Justiça. a meteorologista da empresa Climatempo. Paulo. da TV Globo. o Canal do Tempo. Gostaria de saber seu estado civil. sou sua admiradora número um. Portanto.. Gostaria que o amigo me explicasse as indagações abaixo: 1) qual a área que se leva em conta. Pergunta: É possível que a claridade das latinhas possa atrair raios?” (Suzano. atenciosamente subscrevo-me”. Ana Lucia de Macedo. assisto o Jornal Hoje só para te ver. estou imaginando um evento para 200 pessoas. O esquema armado para atender a Agência Estado funcionava maravilhosamente. Ângela Maria”. Toda a equipe já estava afinada para manter o fluxo de informação necessário para as colunas feitas diariamente para o Estadão. passaram a ser identificados como da Climatempo. A forma seria umas palavras minhas e da Ana e a apresentação da história da empresa e os novos desafios para o futuro. “A explicação da meteorologista Josélia Pegorim. 21/ 9/1997). Ou seja. Sem mais para o momento. ainda não sei o lugar.. mais uma vez. Mal sabia ele. Segundo ela.guinte. 14/10/1998) Em outra carta. A data pode ser 6 de novembro”. sua idade e de onde você é. que um barulho muito maior iria lançar o novo canal brasileiro voltado para a meteorologia. Você me perdoa. (Cachoeiro do Itapemirim. em 31 de agosto de 1995 a máxima chegou a 33. provocando chuvas no sábado à tarde e no domingo. respondendo minha carta ou telefonando para mim. recolhida pelo pluviômetro? 2) qual a relação existente entre a abertura do pluviômetro e a quantidade de água por ele captada? 3) a quantos metros cúbicos corresponde um milímetro de chuva? Faço tais perguntas porque se fala tanto em milímetro de chuva e nada se sabe sobre as regras para calculá-los. Paulo. mas vou escolher um bem bonito.” (O Estado de S. Viu? Não é tão difícil assim. Mando beijos e abraços e desejo muito sucesso para você. a ABTA 98 – Feira e Congresso Internacionais da TV por Assinatura. quando escreveu para o amigo Waldemar. da empresa Climatempo. (Petrolina. A ABTA na época era a principal responsável pela divulgação da televisão paga no Brasil. de Petrolina: “Sou assíduo telespectador do programa Jornal Hoje. mas eu acho você supersimpático e muito lindo. em julho de 1998. de onde assisto atento à previsão do tempo. Da sua fã. Mais uma evidência de que o nome da empresa já ganhara luz e era conhecida e respeitada pelo público. para se calcular a quantidade de água coletada. Quem sabe podemos lançar o Canal do Tempo. antes denominados da Agência Estado. 28/7/1998).” (O Estado de S. “Com relação ao coquetel dos dez anos da Climatempo. a simplicidade do senhor Euvaldo Aragão. não faltavam as cartas de fãs mais ardorosas que se encantavam com sua figura no vídeo: “Meu nome é Ângela Maria. em função da quantidade de água. a frente fria vinda do Sul deve atingir o leste e o sul do estado. Uma festa que estava sendo organizada para comemorar os dez anos da empresa seria o lugar perfeito para fazer o lançamento oficial do Canal do Tempo.

e nós dois éramos vistos no local da feira pregando coisas. resolveram virar o jogo. 31/8/1998) A boa receptividade da mídia. em São Paulo. e foi aí que a encrenca começou. Valeu a pena. E ficou bonito. Waldemar e Rogério Leite passaram o fim de semana montando o novo estande. “A ABTA 98. pequeno e improvisado. Tudo graças à experiência de Waldemar. e o da Climatempo. montamos uma grade de programação”. o nosso é mais bem localizado. negocia com diversas operadoras o lançamento do Canal do Tempo. na zona oeste de São Paulo. Carlos Magno não pensou duas vezes quando soube do evento e viu que o TWC estava fazendo a maior propaganda. no sábado de manhã estávamos na rua do Gasômetro. Apesar do entusiasmo. O pessoal do TWC viu nessa publicação o nome Canal do Tempo. comprando acessórios e madeira para montar nosso estande. O aviso com tom de ameaça não intimidou os dois sócios. “A questão do Canal do Tempo me passou pela cabeça em um coquetel realizado na ABTA para o lançamento da feira. “A feira seria aberta na segunda-feira. Algum tempo antes. os problemas despontaram antes mesmo do início da feira. era uma ideia. (. que ficava ao lado de grandes redes. lembra Magno. escreveu para Waldemar dizendo que estava na feira da ABTA e que queria retomar o projeto do canal de tevê. já que a marca não é deles. também?”. ainda em julho. vamos começar a transformar um sonho em realidade. durante as conversas em torno da tevê.” Quinze dias antes da feira saíram os catálogos destacando quem iria participar. dizia um animado Magno. O projeto é da Climatempo Meteorologia. dono da Climatempo. que ocorre entre os dias 22 e 25 de setembro. Queríamos ter feito prospecção para ver como o mercado brasileiro de tevê por assinatura encarava uma emissora nacional com esse tema. São milhares de clientes em potencial. informando que a Climatempo e a Promeeting não poderiam usar a marca. o que aconteceria durante a feira. que os outros estandes eram grandes e bem estruturados. como Fox. Sony. entrevistamos o Torben Grael. onde vi que o The Weather Channel vem com tudo para oferecer mapas para o Brasil.. empresa de consultoria que tem como sócio o meteorologista e apresentador da Rede Globo. Para ele era frustrante não participar. como os verdadeiros detentores da marca. “Imagine. Disney. Eu era o homem do tempo da Globo. O Globo. A programação será segmentada. estávamos fazendo o lançamento de um nada. O lançamento de um canal de meteorologia foi notícia em vários jornais: “Carlos Magno. para os executivos que vão viajar e para os agricultores” (Revista da TV. o Waldemar. A expectativa era grande.. era maior. Eles mandaram uma notificação para Waldemar Stefan. acho que poderíamos aparecer para o mercado.metros quadrados no Internacional Trade Center. A animação..) Afinal. “Na verdade. ela seria usada durante a feira para apresentar a nova emissora.” Parecia que Magno estava prevendo. Apesar de o estande deles ser maior. marcará o lançamento de um novo canal brasileiro: o Canal do Tempo. “Fizemos pilotos de alguns programas. Além de boletins específicos para cada região do país. Eles estão usando a marca Canal do Tempo. Ao contrário. que estava acostumado a organizar eventos e não teve muita dificuldade em criar um estande impecável. no centro de São Paulo. Não poderíamos nos apresentar daquela maneira. que era deles. deixando tudo mais bonito. mas. Por isso.. quando perceberam que tinham subestimado a feira.” (Meio & Mensagem. que presta serviços de previsão do tempo para veículos de comunicação. que detinha o registro da marca no Brasil. só isso. e isso certamente criará um certo rebuliço na feira. Agora.” Carlos Magno. quem é o verdadeiro Canal do Tempo? Nós ou eles? Estou encomendando uns banners para colocar logo na entrada. po- 57 . Você pode colocar a vinheta da Climatempo na fita. Waldemar havia produzido uma fita-piloto para mostrar o que tinham em mente para o canal.. chamando o público para visitar o nosso canal do tempo. um executivo. haverá blocos voltados para os jovens que querem surfar. 20/9/1998). porém..

04/10/1998) Esse foi só o início de uma longa batalha judicial que duraria um ano. Virei para ele e disse: ‘Meu País tem lei. Ao longo de 1998 e depois do epi- 58 .” Resultado: a TWC brigou com uma tevê que nem existia e ainda ajudou indiretamente a implantá-la. Carlos Magno esclareceu. sede do canal. da 2ª Vara do Rio de Janeiro. conta Magno. Contudo. edição 4.” Foi então que a tevê nacional passou a ser denominada TV Climatempo – Canal do Tempo.rém. Na segunda-feira. por favor. retire-se do meu estande’”. Os trâmites da Justiça têm dessas coisas: a uma liminar segue-se uma contraliminar. Por isso nos pagaram uma quantia que pôde financiar os primeiros equipamentos da tevê. que reivindica o nome. “Acho que. primeiro dia de evento. deve ter atiçado ainda mais a ira do concorrente norte-americano. (Boletim ABTA 98. Segundo Carlos Magno. no enorme estande destinado a eles. a Promeeting ficava impedida de utilizar a marca. A disputa pelo direito de usar a denominação Canal do Tempo acirrou-se durante a ABTA 98 entre o norte-americano The Weather Channel e o brasileiro TV Climatempo. no entanto. a TV Climatempo está vencendo a disputa pela marca Canal do Tempo. “No mesmo instante veio o cara do TWC . essa briga repercutiu nos meios de comunicação. finalmente chegou-se a um acordo. que deve nomear o canal que a empresa lançará em fevereiro. Os oficiais de Justiça não titubearam ao determinarem que o estande fosse lacrado. O boletim distribuído durante a feira dava a dimensão da disputa: “O tempo fecha nos canais do tempo. o pedido foi aca- tado ontem pelo desembargador Sérgio Feltrim Corrêa”. Na mesma hora. Pela decisão do juiz. Mais do que isso. de verdade. Do outro lado da linha procurava acalmar os ânimos. diretor da Promeeting.” (Revista da TV. a nova ordem era para que The Weather Channel deixasse de usar a marca Canal do Tempo. o jornal O Globo acompanhava a briga entre os canais: “Até agora. Magno já havia decidido mudar o nome da emissora para tentar acabar com a polêmica. assegurando que tudo iria se resolver. entraram com pedido de suspensão da proibição. O Globo. Mateus Levi. A decisão revoltou os representantes do canal norte-americano. Agora era tocar adiante e tornar a TV Climatempo real. Paulo Parente. Parente. Não foi nada fácil ver tudo sendo retirado ou coberto. O sonho parecia estar indo por água abaixo. foi acionado. especialmente em Atlanta. uma outra decisão anulou a primeira e o estande da Climatempo pôde enfim exibir o que seria o novo canal. desde esse episódio. 25/9/1998). dizendo que isso era um absurdo. se eles soubessem disso. a surpresa: uma liminar da Justiça proibia a Climatempo de abrir o estande e acusava a empresa de usar a marca Canal do Tempo de forma ilegal. O primeiro round estava ganho. Em outubro de 1998. O Weather Channel (Sky). avalia Magno. E foi isso que aconteceu. Segundo Waldemar Stefan Barroso. meu advogado conseguiu derrubar a sua liminar e agora são vocês que não podem usar a marca no Brasil. uma terça-feira. no dia seguinte. Na sexta-feira (antes do início da feira) o juiz Rogério Tobias de Carvalho. “Foi um baque. do Rio de Janeiro. A Climatempo e a Promeeting receberam a notificação segunda-feira e. lembra Magno. Com o tempo ficou apenas TV Climatempo. Você. “O resultado foi que nós cedemos o nome Canal do Tempo e passamos a usar a TV Climatempo. não deve deixar as coisas por isso mesmo. o advogado dr. Como bem previra o dr. Ainda durante a feira. Sentei na cadeira e me senti muito mal”. “Conversamos na semana passada com o The Weather Channel e lhes dissemos que pretendíamos adotar o nome TV Climatempo. acatou um pedido do The Weather Channel de obstruir a utilização da marca Canal do Tempo pela parceria entre a Promeeting e a empresa de previsão meteorológica Climatempo. Após o entrevero na feira. no mesmo dia. ficariam bastante tristes”. Isso fora o constrangimento diante de tantos expositores. que ainda assistiu de camarote ao pessoal do canal norte-americano tapar a logomarca Canal do Tempo. mas que para a feira não daria tempo de criar novas vinhetas para demonstração. ‘especialmente na ABTA 98’.

O reitor. com equipamentos para recepção e transmissão dos sinais. os professores do curso técnico de meteorologia. chegaram aos executivos da empresa de tecnologia Atech. marcaria os dez anos da Climatempo. em um bufê de São Paulo. Duzentos convidados lotaram o Buffet La Lunna. Que eu tenha conhecimento. Recém-inaugurada. Por meio de amigos em comum. Sem problema. Foram eles que abriram o caminho para a TECSAT .” No fim de 1998. os executivos da TECSAT logo se interessaram pelo canal. “No fim de 1998. OK?”. interior de São Paulo. Fernando Moreira. o pessoal da Tecsat apresentou Magno e Waldemar a professores da Universidade do Vale do Paraíba (Univap). uma grande festa de confraternização. porém seria ótimo para o trabalho com os alunos. Em uma mensagem. 59 . Apenas se comprometeram em subir o sinal da TV Climatempo para o sa- télite e dali fazer a transmissão. consultou a Globo sobre suas prospecções acerca do canal do tempo. Afinal. a Promeeting e a Univap. Carlos Magno e Waldemar Stefan continuaram a busca por parceiros que pudessem viabilizar a emissora. pois envolveria a produção e exibição de uma programação atualizada de hora em hora. na época envolvidos no projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia. o lançamento oficial da TV Climatempo. lembra bem como foi feita essa aproximação. Você pode mandar brasa. se entusiasmou com a ideia e autorizou o início de um projeto conjunto entre a Climatempo. ela ainda era o ganha-pão. tocar seus projetos. Ele não se opõe. Ana Lucia e Carlos Magno aproveitaram a oportunidade para marcar. a TECSAT havia implantado um moderno complexo tecnológico na área de tevê por assinatura. Fomos então procurar o reitor da universidade. eu. Magno também tratou de manter estáveis as relações de negócio da empresa Climatempo. Ali. então diretor de jornalismo da Rede Globo] sobre sua consulta do canal do tempo. porém não queriam e não poderiam gastar um centavo com a sua implantação. enfim. com sede em São José dos Campos. Amauri Soares respondeu: “Meu caro.sódio da ABTA. também em São José dos Campos. Mais do que apenas comemorar a efeméride. os professores e o Magno. Achei que para a TV Univap seria um grande desafio. professor Baptista Gargione Filho. esse foi o primeiro e talvez o único projeto de incubação de um canal de tevê em uma universidade no Brasil. Jojhy Sakuragi e Ana Catarina Parrela – que já conheciam o Carlos Magno –. Sivam. Para evitar qualquer tipo de problema. Para tentar viabilizar o negócio. nos procuraram para apresentar a ideia de fazer um trabalho com a Climatempo. diretor da TV Univap. tudo bem? Falei com o Evandro [ Evandro Carlos de Andrade. A ideia era treinar os alunos do curso para apresentação do tempo na tevê. então uma empresa de DTH (direct-to-home) brasileira controlada pelo grupo TECSAT .

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.” 7 61 . diretor da TV Univap. Ainda assim. Waldemar Stefan. algumas propostas por mim. Num primeiro momento ficou estabelecido que a universidade cederia os estúdios da TV Univap por um período de três meses. Ufa! e o negócio estava pegando mesmo. essa ideia havia amadurecido bastante: já tinham um projeto no papel. em um grupo de jovens estagiários dispostos a trabalhar no conteúdo gerado pela Climatempo. o reitor está mais ansioso do que a gente para ver o canal dando certo. Lembro-me de o Waldemar trazer um orçamento baseado em arquivos digitais e na utilização de computadores. conta Magno.. (. Fernando Moreira. em um terreno mais real. Gargione. mas também tinha consciência da responsabilidade de manter a equipe informada e motivada. O encontro selou a parceria. Gargione foi marcada para março daquele ano. pessoal. uma realidade esmo oficialmente lançada.. com a montagem de um estande para vender nosso projeto agrometeorológico na região. e o reitor da Univap prof. um bom contato e o interesse da Univap. ou o canal sai agora ou não sai mais. Por isso. E com isso o projeto técnico foi tomando forma. teriam sido as palavras do prof. tirou férias da Globo. outras pelo Ruy Carlos Gomes. Por mim. segundo Magno. mas vocês vêm ou não vêm? Porque eu detesto conversa. Montei um outro projeto. o projeto técnico foi uma colcha de retalhos.”. “Eu topo fazer o negócio. no início de 1999. Feira do Café Irrigado do Cerrado.) Para nossa surpresa. tenho a seguinte agenda: dia 23 apresentar uma proposta nova de modelagem para a Petrobras. a TV Climatempo continuava sendo apenas uma ideia na cabeça de meia dúzia de pessoas. Eu e o Waldemar tivemos uma reunião com o reitor da Univap. As coisas pareciam caminhar com sucesso. e era essa motivação que ele tentava passar para toda a Climatempo. Comercializar um canal novo não é nada fácil. A partir de 4 de abril começa a montagem do nosso espaço dentro da Univap. “Aos poucos fomos trabalhando a questão técnica. com direito a festa e tudo mais. nosso técnico que realmente pôs a mão na massa e fez as idéias saírem. Em resumo: o negócio tá pegando. Magno comunicava a todos da Climatempo que o sonho estava bem perto da realidade: “Oi. ainda tinha de encontrar tempo para expandir a empresa-mãe: “Na semana que vem.M A primeira de uma série de reuniões entre Carlos Magno. Depois de várias reuniões.. uma possibilidade de transmissão pela TECSAT. o Jornal Hoje e o SPTV. Eu contrataria os profissionais e com os alunos montaríamos uma redação para a parte da arte”. em Macaé. No fim de março. “Começamos a costurar a formatação do canal. Magno deixa claro que. mesmo com a atribulação da tevê. De 24 a 27. calcado em VTs e um exibidor profissional.. a parceria engrenou. Hoje (18 de março de 1999) mesmo estarei em Campinas para uma reunião na Embrapa. Haverá movimenta- Um sonho. fazia questão de deixar todos cientes dos passos da nova criação. (. Faltava mesmo era um planejamento de como ela funcionaria. Magno que ainda apresentava o Bom Dia Brasil. Para dedicar-se em tempo integral ao canal do tempo.)” Em outro trecho. Magno jamais se esqueceu do ultimato dado pelo reitor. A TV Climatempo era a menina dos olhos. Carlos Magno estava entusiasmado “Estou mandando esse e-mail agora cedo por absoluta falta de tempo de enviar em outro horário. que sempre esbarrava no orçamento. A partir daí. que nos propõe participar de uma página na Internet com o balanço hídrico do Brasil e a montagem da página e assessoria na corrida de fórmula Indy. e no caso da TV Climatempo não foi exceção. Fato: o momento é agora. dia 15 de maio. Ele sabia que podia contar com ela para tocar o negócio.. No final. sem custos para a produção dos programas. eu coloco esse Weather Channel para fora do Brasil”. lembra que no início a estrutura da nova tevê estava alicerçada nos equipamentos cedidos pela universidade. mas Magno jamais deixou de acompanhar de perto a empresa que ele e Ana Lucia criaram. gostaria de atualizálos com relação às negociações do canal. com soluções caseiras.

era preciso uma boa injeção de ânimo e de garra no seu pessoal.” Ana Lucia idealizou uma grade de programação baseada no perfil de horário das tevês abertas. outros colegas tiveram de me ajudar. antes de fazer parte da equipe da Climatempo. como o resto do pessoal. Naquele segundo semestre. No Clima do Esporte. e a jornalista Ângela Ruiz foram os primeiros a se integrar ao time e continuam até hoje na empresa. o único produzido inteiramente no Brasil. No começo foi complicado. A equipe estava sendo montada em São José dos Campos e era preciso treiná-la. montagem de cenário e adequando a operação com as condições reais de trabalho. Deu na Internet. atraiu muita gente. porém. Até montarmos um departamento de vendas. o desafio de colocá-lo no ar. não desanimou ninguém. fazer os mapas. Em clima de viagem. precisamos saber e propor novas soluções”. Tinham de produzir 24 horas. Ao contrário. De um lado.) Preciso que haja um forte envolvimento de todos com relação aos produtos e clientes. Precisei aprender tudo. testando equipamentos e preparando vinhetas. Tudo pronto. Em uma página na revista segmentada para canais de assinatura Pay-TV. ou melhor. alunos da universidade viam ali uma chance não só de aprender. passou por algumas redações e por uma temporada fora do País. com a tevê incuba- 62 . cargo para o qual não tinha a mínima experiência.” Ângela Ruiz era a jornalista mais experiente do grupo. De outro. uma novidade da qual queria fazer parte. Ecoclima.. alguns programas compunham uma grade ainda provisória: O homem do tempo. O cara não acreditou. informações meteorológicas. Formada na maioria por estagiários da própria universidade. Se o cliente não gostou do piloto. Ele estava no segundo ano de jor- nalismo e já trabalhava na TV Univap na parte técnica. com o tempo peguei o jeito. formou-se em Mogi das Cruzes. que serão extremamente simples. como iniciante. Não sabia fazer nada. Não era brincadeira. Paulo Polli. “Eu conheci o Carlos Magno. junto com uma novidade no mercado. Fiz um teste para apresentadora. Era muita coisa de uma vez para iniciar o canal meteorológico.ção do pessoal da Promeeting. com informações regionalizadas. o gás era total. Comecei assim. O estagiário Paulo Edson Aparecido de Oliveira. precisamos de sugestões. Agrobusiness. a TV Climatempo anunciava sua chegada em breve e revelava um pouco do que seria o seu conteúdo. uma necessidade. Paulo acompanhou uma movimentação nova na tevê. quando se deu conta. durante sete dias por semana. Ângela relembra que viu na inauguração da nova emissora uma oportunidade de crescer profissionalmente e.(. o Paulo Polli. Enviem para mim qualquer estalo de ideia. a guerra se ganha com criatividade e persistência. Assim. Contudo. chamadas de programas. Paulista. redigiu o texto e eu passei. A criança estava prestes a nascer e. Fui conversar com o Magno e consegui o trabalho. A abertura de um novo canal. Percebeu que era uma grande chance. Programa Silvana Teixeira. disse que gostaria de trabalhar com ele. havia sobrado apenas uma vaga como editor de arte. naquele momento. guarda na memória toda a agitação dessa época. Também haverá uma preocupação frequente de propor programas baratos e bem criativos. profissionais um pouco mais experientes também acreditavam no projeto.. um paulista de São José dos Campos. “Um canal que vai falar a língua do seu assinante. transformando o clima em notícia. na equipe poucos tinham alguma noção de meteorologia. “Foi com a maior carade-pau que pedi a um amigo uma força para conseguir o lugar. quase pronto. Magno sentiu que. mas também a oportunidade de conquistar uma vaga no competitivo mercado de trabalho das telecomunicações. também era preciso pensar no conteúdo. O Magno disse como queria. mas como todo mundo também estava aprendendo. preciso que todos os previsores e técnicos se envolvam no fator venda. propondo soluções e pilotos. toda a arte. além de todas as providências técnicas. ouviu os comentários em torno do novo canal e viu Carlos Magno recrutando estagiários para ajudar na montagem da emissora. A pouca experiência do grupo. o que era melhor.

porém sem serem chatas’. No dia 30 de agosto. programa voltado para os agricultores e para o agrobusiness. seja atuando diretamente na produção de conteúdo. Para cuidar de toda a divulgação. Carlos Magno contou com a ajuda de uma velha amiga. ‘Primeiro estamos cuidando da formatação do canal. O programa Tempo no Campo começou a ser veiculado diariamente na Rede Vida pouco antes de a TV Climatempo entrar no ar. esse lance inicial da tevê foi muito importante para disseminar a marca. porém. explicando por que a meteorologia era importante para as pessoas. Magno e alguns meteorologistas da Climatempo praticamente se instala- 63 . A parte comercial será uma decorrência da nossa qualidade’. De tudo um pouco. Aí começamos uma parceria. “Climatempo entra no ar. e a Climatempo. com dicas e previsões para estradas. Fernanda Bulhões e sua recém-criada assessoria de imprensa Linhas & Laudas.. Fernan- da era responsável pela edição dos boletins do tempo durante a manhã. 06/9/1999). uma outra parceria foi feita com a Rede Vida. (. produzia.) Além da equipe de jornalistas e meteorologistas encarregada de apurar as informações. um educativo dirigido para crianças e outro com dicas específicas para os praticantes de esportes como vela. uma última e importante providência: divulgar o novo canal. Além deles. na Linhas & Laudas. ‘A ideia é manter uma programação 24 horas no ar com informações úteis. contar para o resto do mundo que finalmente a TV Climatempo era uma realidade. Eu e meu sócio Ederaldo Kosa. seja simplesmente atendendo aos demais clientes da empresa. por exemplo. Às vésperas da inauguração. na sequência viria uma atração para crianças de 4 a 8 anos. Ela conta que todos os jornais noticiaram. no campo. Canal começa a ser exibido dia 15 para assinantes da TECSAT. e um outro para o público jovem. (Jornal da Tarde. O novo canal. Para Fernando Moreira. o canal deverá contar também com parcerias de rádios. entre um programa e outro.” Além deles e dos demais estagiários da Univap.” O zunzunzum na mídia começou dias antes da inauguração. “Um dia o Magno ligou falando da tevê e pediu que eu fizesse a divulgação. em duas edições. boletins informativos. ver como iria funcionar. toda a equipe da Climatempo.” (Meio & Mensagem. Uma data oficial foi definida para a inauguração da TV Climatempo: 15 de setembro. chegara a hora de aplacar a ansiedade de todos. serviu para azeitar tecnicamente a máquina e também preparar a equipe para o que viria a seguir. A tarde estava reservada para o programa interativo Deu na Internet e o Clima no Esporte. e foi ali que se tornou uma boa amiga de Magno. contará com uma grade que reúne programas específicos sobre as condições do tempo nas estradas. Fernanda conheceu Magno e boa parte da equipe da Climatempo no Canal Rural. Eu redigia. Faltava. no caderno Divirta-se. A programação começaria às 6h da manhã com o Tempo no Campo. Em muitas delas o assunto foi a matéria principal e deu até capa de caderno.da na Univap. Agora sim. apresentava. Como editora. Fizemos uma ação incisiva mostrando a tevê. A um passo de entrar no ar. e o retorno foi tão grande que até Magno se assustou”. completa Magno. Os primeiros programas a oferecer espaço comercial são os transmitidos pela Rede Vida. 30/8/1999). Aceitei e fui conhecer São José dos Campos. a chegada da nova emissora. A essa altura do campeonato a TV Climatempo tinha uma grade definida. a inauguração da TV Climatempo: “O novo canal poderá ser sintonizado pelos assinantes da TECSAT e alguns programas terão transmissão simultânea pela Rede Vida. Como aperitivo do que seria a TV Climatempo. voo livre. na época. uma emissora ligada à Igreja católica e que transmitia em UHF. lembra-se Fernanda. se envolveu na implantação do canal.. o Jornal da Tarde destacava. em especial as revistas de tevê. de uma forma ou de outra. o homem do tempo da Rede Globo. explica Carlos Magno”. foi a ela que Magno recorreu para tornar pública a existência da nova TV Climatempo. criado e dirigido por Carlos Magno. “Lembro que a gente brincou muito com a história do homem do tempo.

Para esse time só digo uma coisa: muito obrigado”. passando-o por outro lugar para ficar melhor. radar e outros. Lá em São José a tempestade está se dissi- 64 . falei com o Ruy Carlos Gomes.. duas vezes. O Ruy e eu começamos a discutir. A TV terá a nossa direção editorial. tudo correu bem.. preciso contar com a ajuda de vocês na construção do canal. Uma equipe de profissionais supercompetentes. ou seja. Aos meteorologistas venho pedindo ajuda a um e a outro. ao receber o clipping feito pela Linhas & Laudas. A aceitação no mercado tem sido fabulosa. Os produtos que a Jô [Josélia Pegorim] prepara para o Ilhabela (talvez um para o litoral Sudeste) e Café. a central técnica ficou profissional e não passaríamos vergonha. Magno não acreditou no tamanho da exposição do novo canal. a tevê nasceu bem divulgada”. “No dia anterior à inauguração oficial. Certamente um dos ingredientes do nosso sucesso. Faltando cinco minutos para rodar o VT de abertura do canal. podem virar programas. em que Magno deixou um sincero depoimento: “O trabalho da Linhas & Laudas está ligado ao crescimento da marca Climatempo. poucos dias depois de o canal entrar no ar. fui para casa descansar e o Ruy quis ficar para fazer os últimos ajustes. Até hoje não sei o que aconteceu. O reconhecimento pelo trabalho da assessoria pode ser lido no site da Linhas & Laudas. a assessoria Linhas & Laudas tinha feito uma divulgação em mais de 1. por exemplo. Depois de umas vinte horas trabalhando direto. portanto.” Apesar dos contratempos. Então ele topou desligarmos tudo e remontarmos até o dia seguinte em uns racks de metal que tínhamos no almoxarifado. ele não tinha a real dimensão do fato. mas era cômico ouvir o Ruy reclamar: ‘Por que você mexeu logo agora?’. no dia 26 de setembro de 1999. Realmente valeu a pena. pois já nem pensávamos direito por causa do cansaço. o Waldemar correu para ajudar a gente e ligou o cabo de áudio de outro jeito.. o Magno dá a deixa para rodar o VT e. lembra Magno. Mesmo sabendo disso. A tarefa era árdua. cientistas e membros da comunidade meteorológica da cidade. com o auditório da reitoria lotado. Assim como o Agrocast (pílulas de um minuto com informações internacionais). entre elas o ministro de Ciência e Tecnologia da época Ronaldo Sardenberg..500 jornais em todo o Brasil. Apesar da falta de recursos. E eu respondia: ‘Mexi sim e não tem por que não funcionar. Uma. Fernando Moreira certamente não vai esquecer a data. mas temos 24 horas de programação para preencher. eu olhei um cabo de áudio que estava ligado no vídeo beta e vi que estava esticado e desliguei. São quase 10 anos de bons conselhos e principalmente ótimas ações de comunicação dos nossos produtos e serviços.. da Climatempo. transformou-se em um documento precioso que demonstra o “clima” existente na empresa naquele momento e que se perpetuou ao longo dos anos: “Pessoal. Aceito sugestões. será a nossa cara. No dia 15 de setembro. Vamos poder exercitar nela tudo que aprendemos nestes últimos dez anos e meio. Enquanto o Magno conta- va uma história sobre a inauguração de uma outra tevê na qual o cenário havia caído. Uma cerimônia na Univap reuniu autoridades da universidade. técnico da TV Univap. Contudo. dá o play aí. comandados por dois grandes jornalistas. vamos usar e abusar da criatividade para ganhar essa guerra contra o TWC (The Weather Channel). e foi então que aconteceu uma coisa muito engraçada. Tanto é que. o áudio não sai. Agora era tocar o barco para fren- te. tentando não atrapalhar a rotina que se torna mais densa a cada dia. umas 200 pessoas. que é o nosso ganha-pão. a nova tevê finalmente entrou em operação.. porque a prioridade tem de ser da Climatempo. A mensagem divulgada por Carlos Magno a todos da Climatempo. que iríamos receber os visitantes na central técnica da TV Climatempo e que o espaço estava muito amador e feio. Então. Ao longo deste processo de criação da tevê tentei manter isolados os problemas entre ela e a Climatempo. “Nesse momento.’. Eu estava supercansado e o Ruy mais ainda. a nenenzinho TV Climatempo nasceu e precisa ser cuidada com muito carinho.ram em São José dos Campos. Fernanda Bulhões e Ederaldo Kosa. que nunca deixam a gente na mão.

só que extremamente inexperiente. agora apenas como consultoria. conta Ângela. E cansativo. Mas aconteciam muitos erros porque trabalhávamos com estagiários.pando. muito intenso e produtivo. Magno decidiu então deixar de ser apresentador na TV Globo. tinha de ligar para São Paulo. “Eu atendia o Bom Dia Brasil. mas o Magno sempre foi muito objetivo e garantiu que a gente ia aprender no instinto a fazer o certo”. Magno”. viajando. quando Magno estava de folga. O que nos ajudou no início foi o aprendizado que tínhamos com os boletins do Canal Rural. A Ana Lucia vai ficar lá na segunda e terça para ajudar as moças na apresentação e na implantação do programa de esportes. na época. “Eu fazia a TV Globo e então. onde os canais se expõem. indicar o Amazonas ao falar do Pará. Essa era a coreografia dos apresentadores dos boletins do tempo para não errar na hora de indicar as regiões do mapa de que estavam falando. O jeito foi marcar com um xis os posicionamentos mais comuns durante a apresentação e aos poucos ganhar desenvoltura para indicar as regiões no mapa. lembra Magno. Na semana entre 4 e 8 de outubro. se chovia no Rio. Por conta disso. por exemplo. Fiz um acordo com a emissora. O Globo Rural me pedia informações e se acontecia alguma coisa tinha de entrar ao vivo no Jornal Hoje. Não era raro apontar a Bahia ao falar da previsão do Rio de Janeiro. SPTV. “A gente recebia por fax e muitas vezes a folha saía ilegível. Eu já não tinha mais condições de ser o homem do tempo e administrar a Climatempo”. era uma pauleira. Ângela. à tarde. A tevê funcionava 24 horas. onde eram gravados os boletins. erros. O fax sempre interrompia. Abraços. mesmo para os mais experientes. O Waldemar também saía do Rio para ir para a tevê. à tarde. mas tínhamos três a quatro horas de produção. A Climatempo entra em campo de batalha com Rogério. conta que as previsões eram feitas em São Paulo e enviadas. Ângela. quem apresentava a previsão não tinha a visão do mapa. Na quinta. Que Deus nos ajude. Como é possível perceber pelo e-mail. irei para São José dos Campos. acontece a Feira da ABTA. o cenário era um fundo azul no qual se aplicavam os mapas do tempo com a técnica do chroma-key. Vou precisar da ajuda do pessoal da manhã.” Também entrou para a galeria de histórias a “dança do mapa”: um passinho para a frente. Na quarta. Mag- 65 . Ariany e Carol. jornalista. Naquele tempo. falhas. e a Climatempo continuou fazendo a previsão. A gota d’água foi em um fim de semana. fez parte dessa primeira equipe que tinha muita garra. três dias por semana. montamos uma equipe valorosa. e nos dias atuais também. Um ano marcante para toda a Climatempo. conte com a ajuda da Luciana para estes boletins da tarde. apesar de parecer pouco. Uma dificuldade natural. da forma como fizemos da outra vez. fico na Climatempo. ia para São José dos Campos. mas. para os estúdios em São José dos Campos. perguntar e tirar dúvidas para evitar erros. Quando eu chegar. “Aí senti que era hora de sair e cuidar do que era meu. e de repente ligam da Globo pedindo que ele voltasse para cobrir a falta da apresentadora Fabiana Scaranzi em um dos telejornais. O André Madeira atendia a Globo no período da manhã e a Ana Lucia. muito cansativo também. via fax. “O mais engraçado dessa época era que a gente não sabia apontar o mapa. produzidos ao vivo. a editora ligava para mim e eu tinha de atender. e depois de choros. Jornal Hoje. assumo o plantão na segunda e terça. Com isso. todos os Bom Dias regionais. que. Ana Lucia e Carlos Magno que o digam! O acúmulo de serviço por pouco não causou um colapso administrativo na empresa. outro para trás e depois de novo para a frente. O ano estava chegando ao fim. por favor. de meia em meia hora”. Magno continuava a ser o homem do tempo da Globo e por isso tinha de se desdobrar para cuidar da Climatempo Consultoria e manter a TV Climatempo. esses tropeços deram motivo a muita apreensão.” Com a carga de responsabilidade reduzida. parecia um mimeógrafo lento. relembra Magno. André [André Madeira]. com idade média de 19 anos. Os erros fizeram parte desse primeiro momento da TV Climatempo e eles geravam fatos que agora fazem parte de um folclore interno.

lançou um serviço de acesso comercial à Internet. A Climatempo não ficou de fora. na época ainda uma estatal. Aqui. a nossa ideia era montar uma coisa que as pessoas pudessem acessar. e o dinheiro parecia jorrar em sites e portais. A rede mundial de computadores chegou ao Brasil em 1991. era só para acadêmicos. da Universidade de São Paulo ( USP ). uma rede de lojas no Rio de Janeiro. engenheiro civil e empreendedor. até que as pessoas passaram a acessar mais a Internet do que o BBS. “Cada vez mais as pessoas acessavam o nosso site e ficavam conhecendo os nossos serviços. Começou como estagiária. e aos poucos começou a fazer a previsão para a Internet. uma pausa para um pequeno retorno ao início da década. Naquele ano. Aí teve uma hora que ele não tinha mais sentido de existir. A alegria em ver a empresa crescendo é descrita por Gilca Palma. Interessada em trabalhar na Climatempo. Rogério Leite. A mudança para o ano 2000 criava a expectativa de um problema que poderia ser registrado em todos os sistemas informatizados e que ficou conhecido como “bug do milênio”. Ao contrário do esperado. com a criação da Rede Nacional de Pesquisa ( RNP ). meio fechada. Por um lado. a Internet já estava definitivamente instalada na Climatempo. A chamada “bolha da Internet” começou em 1995. a rede mundial de computadores que viria a substituir os antigos BBS s. no Brasil. com outros estudantes. Ao longo dos últimos anos. Lentamente foi começando a surgir. assim. subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT ). procurou Magno e conseguiu o estágio. Montamos uma rede pequena.no começou a enxergar a Climatempo com outros olhos e passou a administrá-la melhor. a empresa ficou mais conhecida do público. com o negócio crescendo. como se fosse o BBS. A Internet deu uma visibilidade muito grande para a Climatempo. Os meteorologistas extremamente ligados ao meio acadêmico e conscientes da velocidade da informação na Internet fi- Magno em uma visita que fez à Rede Globo. relembra que tudo começou bem devagarzinho: “A Internet não existia. Renato Urbinder. mas não gostava disso e era mais ligado à área de Tecnologia da Informação. Foi criado um Comitê Gestor para a Internet e a Embratel. um servidor em que os dados que iam para o BBS iam também para a Internet. as grandes fusões de empresas. foram contratadas novas pessoas para a recém-criada área de tecnologia. por outro auxiliou a vida dos meteorologistas ao facilitar a captação de dados. Então.” A explosão da Internet estimulou a entrada de um novo personagem na equipe da Climatempo. No início a rede era voltada para a área acadêmica e administrada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Geofísica e Ciências Atmosféricas ( IAG).” Rogério montou as páginas iniciais e o servidor. o “bug do milênio” que ameaçava trazer prejuízos para empresas virtuais não se concretizou. por meio dos Ministérios da Comunicação e da Ciência e Tecnologia. Uma das primeiras meteorologistas a perceber o potencial da nova ferramenta foi Gilca Palma. Gilca conta que chegou à Climatempo em outubro de 1999 para fazer um estágio. carioca. na época tocava os negócios da família. Renato conheceu Magno por meio 66 . que acompanhou todo o desenvolvimento da Internet e o que ela representou para a empresa. Com uma voz doce e um sorriso tranquilo em um rosto de menina. a Internet representou uma grande mudança na Climatempo no limiar do século XXI. Em 1999. fazendo levantamento de dados. que ajudou na montagem dos BBS s. mas. tornaria possível a entrada do setor privado na Internet. o governo. Para Gilca. inclusive para a exploração comercial. ocorreram os grandes negócios da Internet. o auge da nova ferramenta aconteceu no ano 2000. caram plugados desde o começo. Gilca conheceu Carlos Õ O fim do ano de 1999 trouxe apreensão em um setor que estava em franca expansão no Brasil: a Internet. Somente em 1995. Formada pelo Instituto de Astronomia. trabalhou em quase tudo.

voltada para esse novo mercado. em outubro de 1999. E agora para um prédio novinho e. Contando mais uma vez com a ajuda financeira da mãe. O crescimento de uma empresa pode ser medido também pelo espaço que ocupa. Mas por pouco tempo. Portanto. Dois meses antes. A avalanche de serviços prestados ainda surpreende o meteorologista Carlos Magno. Com parte desse dinheiro. lá estava a Climatempo como exemplo de sucesso: “Nesse período. mais tarde Climanet”. Renato tornou-se a pessoa chave em novos negócios”. em 2000. avalia Magno. Quando a Climatempo passou a ser provedor de Internet. Renato não tinha noção de meteorologia. Universo Online ( UOL) e Globo. patrimônio da empresa. em março. No início das operações de Internet. dona Alice. como a America Online (AOL). com exceção da TV Climatempo. Novas oportunidades de negócio logo começaram a surgir no ano 2000. “Eu digo que peguei a Internet no berçário.do amigo comum Waldemar Stefan e acompanhou a saga para a implantação da TV Climatempo. logo houve a necessidade de desmembrá-la em uma empresa própria. Carlos Magno e Ana Lucia finalmente puderam ter a primeira sede própria da Climatempo. com uma equipe capaz de entregar o pedido de cada cliente. conta Urbinder. A mudança para o novo prédio aconteceria em maio de 2000. a Climatempo foi pioneira e é uma referência nesse segmento. afirma Renato. Para se ter uma ideia. Próximo passo: mudança de endereço. a Climatempo Internet era um braço dentro da empresa. Gilca lembra que quando entrou.com. a empresa mudou para a rua Muniz de Sousa. os recém-criados portais precisavam de conteúdo para atrair os usuários. já estava mais do que na hora de ampliar as instalações da empresa. a casa na Baltazar Lisboa já ficara pequena e não comportava o número de funcionários da Climatempo. São 2. que investiu R$150 mil no desenvolvimento de produtos para o segmento. grandes nomes. ficando com 30% dos negócios. Os resultados alcançados no período não poderiam ser melhores. A previsão do tempo era um ótimo chamariz. “A área é promissora. Quer dizer. eu decidi seguir esse caminho. adquiriu cem novos clientes. Com a entrada dos grandes portais como a AOL.” (Gazeta Mercantil. dezenas de outros sites e portais procuraram a Clima- 67 . Renato entrou no negócio. conta Magno. Entre eles. Renato aceitou o desafio de desenvolver a Internet na Climatempo. Mordido pelo bichinho da novidade. a receita com a venda de conteúdo deslanchou e a empresa passou a atuar nos grandes portais e em boa parte dos sites em todo o Brasil. A partir de maio de 2000. a Climatempo Internet. ser uma empresa confiável e com possibilidade de customizar uma página dependendo da necessidade do cliente”. em um espaço bem apertado. A grande vantagem da Climatempo era ter uma boa estrutura. “Ficamos muito orgulhosos em poder construir um prédio fruto do dinheiro que a gente trabalhava para ga- nhar”. e a Climatempo passou a oferecer bons conteúdos. a empresa conseguiu terminar a construção de suas novas instalações. “Tornou-se sócio da Climatempo na operação de Internet e entrou com 100 mil dólares de capital. e foi aí que. com o seu rápido crescimento. na rua Muniz de Souza. mas. a Climatempo havia completado seis meses de experiência no mercado Internet.5 mil novos visitantes por dia. que ainda funcionava no galpão da TECSAT . A América Online (AOL) foi uma das primeiras empresas a receber os serviços da Climatempo. o que era melhor. Um pequeno prédio na rua Muniz de Sousa. 27/3/2000). criamos. No início do ano 2000. a empresa dedicada à transmissão de informações meteorológicas. Em reportagem do jornal Gazeta Mercantil sobre empresas que começavam a explorar conteúdo diferenciado para a Internet. No começo. Por isso. Logo. com o Magno. contudo o tino para o comércio indicava que ali estava um bom lugar para investir. na Vila Mariana. “Quando veio aquele enorme desenvolvimento da Internet. tinha de trabalhar em uma mesa atrás da porta de entrada.

ainda em São José dos Campos. é o Exposição Solar. O número de consultas ao site mostra que demanda existe e futuro também. a Telefônica e a TELESP Celular como parceiros. Rio de Janeiro e Brasília. “Eu recebia mais ou menos 150 e-mails por dia de gente querendo receber material da Climatempo”. com previsão do tempo para 600 cidades no Brasil e 150 cidades no mundo.tempo querendo comprar conteúdo.com e patrocinado pelo fabricante de cosméticos Natura. desenvolvido em conjunto com a globo. O primeiro. O “negócio” Internet crescia de forma veloz. Na mesma matéria.” (Revista Forbes Brasil. Somados. Já a TV Climatempo. faça chuva ou faça sol. o site registrou nada menos que um milhão de page-views no último mês (. convênios feitos para operação em banda larga e a participação da empresa nos principais portais da Internet. como diz o ditado. Pelo menos na Internet. a previsão do tempo.5 milhão de reais que a Climatempo deve faturar neste ano. o The Weather Channel. 38 anos. para anunciar a entrada no ar de um novo portal de meteorologia. No mês de junho. caminhava 68 . Implantado no Brasil pela TELESP Celular (atualmente. hoje fornece informações para 350 clientes pontocom. algo como ‘vai chover forte em São Paulo dentro de meia hora’. Tudo por conta da explosão de acessos registrados no portal Climatempo: “O vento está soprando a favor do meteorologista Carlos Magno. O crescimento da Climatempo com o produto Internet deixava espantados os analistas da revista: “Empresa de consultoria criada por Carlos Magno. Serão avisos gratuitos sobre mudanças de tempo..com. disponibilizava em seus celulares uma série de endereços já adaptados para o novo protocolo.. para rebater as investidas de seu maior concorrente. Totalmente reformulado. 10/ 07/2000) Em outubro. ele toca seus negócios à frente da TV por assinatura Climatempo e o site com o mesmo nome. vai pegar carona na temporada de chuvas de verão que atormentam capitais como São Paulo. portais e sites respondem por metade do 1. Tudo ia de vento em popa. Pelo título da reportagem percebe-se o excelente momento que a empresa atravessava: “Tempo é dinheiro – o meteorologista Carlos Magno lucra com o fornecimento de informações sobre o clima para a Internet brasileira”. o internauta informará o tom de sua pele e ficará sabendo por quanto tempo pode se expor ao sol.climatempo. a Climatempo contra-atacava com novidades que a consagraram no mercado: “Para não perder terreno. a Climatempo foi parar nas páginas da conceituada revista Forbes Brasil. números do crescimento da Climatempo no mercado. e o portal de seu ex-patrão. Carlos Magno também anunciou outras novidades. pelo celular ou pela rede. o maior provedor de acesso do País. Ao consultar o site da Globo. a Climatempo convocou uma coletiva de imprensa. conta Magno. em cada capital brasileira. Vivo). sem riscos.com. era fornecido pela Climatempo. Nessa ocasião. batizado de Alerta. Magno vai lançar dois serviços a parte deste mês (outubro). A previsão do repórter estava correta. Um desses serviços. O segundo serviço. ‘A previsão para a Internet é de tempo bom e amanhecer sem nuvens’.). O Alerta já tem o Zip.br é um sucesso entre os internautas. Previsão para amanhã: os negócios devem continuar crescendo”. como a entrada em funcionamento do sistema WAP (informações do tempo via celular). WAP significa Protocolo de Aplicação sem Fio (Wireless Application Protocol) e foi criado para facilitar o acesso de celulares à Internet. a Globo. ex-Rede Globo. Pelo visto. entre eles o UOL. Um mês após a entrada do novo portal. 11/ 10/2000). O ClimaWap colocava no visor do celular informações sobre o tempo em 600 cidades brasileiras com previsão para quatro dias. completa o carioca Carlos Magno. a Climatempo virou notícia na revista ISTOÉ Gente. O endereço www. Há oito meses fora da TV aberta. o tempo continuará bom para o meteorologista.net. O sistema WAP era a grande novidade do momento.” (ISTOÉ Gente. na sede da empresa.

Em dezembro de 2000. mas isso é normal em qualquer processo cria- tivo. em São José dos Campos. Os números revelados pela empresa no balanço de 2000 comprovaram: a Climatempo estava presente com suas previsões em 90% dos maiores portais do mercado.500 links espalhados em médios e pequenos portais. a Climatempo fechou parcerias com todas as operadoras de telefonia do País. Apesar de desfeita a parceria. além dos 1. a TV Climatempo era sucesso absoluto: “Desde o dia 31 de julho a TV Climatempo passou a prestar consultoria para o Canal 21 e a TV Bandeirantes. Com isso perdeu-se parte da estrutura e dos equipamentos. André Catoto é designer visual na Rede Record. Como duas empresas distintas. Aline é dona de jornal e empresária. muitas vezes financeiros. para ser um canal do tempo profissional. “É com muito orgulho que vejo hoje que a maioria dos alunos que passou pelo projeto da TV Climatempo está atuando no mercado de comunicação em diversas áreas. E foi um desenho muito favorável que a Linhas & Laudas traçou da Climatempo em dezembro de 2000. o diretor da TV Univap. ao olhar para trás reconhece a importância daquele momento. Seu conteúdo passou também a ser explorado por canais a cabo. como parceiras de sucesso. A operacionalização da tevê encontrava entraves. funcionavam. Enquanto centenas de empresas do mundo da Internet estavam prestes a fechar as portas. outras burocráticos. Na banda larga. Claro que tivemos dificuldades. Fernando Moreira. Por outro lado. na prática.com e Ajato.em busca da profissionalização. a TV Climatempo deixou de funcionar na Univap e transferiu-se para um galpão alugado da própria TECSAT . TV iG. Celeste. No sistema WAP de informações. TV Globo. Climatempo Meteorologia e TV Climatempo. 69 . Filipe e Roberta tornaram-se professores na área de comunicação. como a TV Filme (Brasília) e a Image TV (Uberlândia)”. principalmente quando a única referência que tínhamos era um modelo estrangeiro que tinha muito dinheiro. que começavam a atrapalhar seu funcionamento. era o caminho natural para deixar de ser uma tevê experimental de universitários. a empresa estava operando na TV UOL. na Climatempo o céu era de brigadeiro. e quem via o produto final que colocávamos no ar não tinha a mínima ideia das ‘mágicas’ que só nós brasileiros sabemos fazer. Vânia.” Mais um ano chegava ao fim e essa era a tradicional hora de fazer o balanço de atividades. vejo que fomos pioneiros em uma área ainda inexplorada na tevê brasileira e que não dá para lembrar nada de ruim. o David está na Band e o Denis na Rede Vida. além dos estagiários da universidade. Pensando nisso hoje. Após um ano no ar. O entusiasmo dos primeiros tempos já não era o mesmo por parte da Univap. Foram esses entraves que levaram ao fim da parceria.

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O ano de 2001 começou a todo vapor na Climatempo Internet. Logo em janeiro, a empresa anunciava uma parceria com o poderoso grupo Telemar para um serviço, na época, inédito no Brasil. Ele colocava à disposição dos usuários o Vocall, um sistema acionado por comando de voz de qualquer telefone, celular ou não. O serviço atendia seis capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. Um mês depois, duas outras importantes conquistas. Primeiro foi a parceria com a PSINet, empresa que era responsável pela hospedagem e serviço de acesso com link dedicado. Segundo Carlos Magno explicou à Linhas & Laudas, a razão da parceria era o grande número de acessos. “O site da Climatempo vem recebendo um número de internautas muito grande. Com a infraestrutura oferecida pela PSINet, nossos usuários podem navegar com mais agilidade.” A outra conquista foi o acordo com parte do Grupo RBS de Comunica-

Pioneira em praticamente tudo o que dizia respeito ao universo da informação meteorológica no Brasil, mais uma ação inovadora da Climatempo no carnaval de 2001. Em parceria inédita com a seguradora Sul-América, foi instalado na praça de pedágio da Ponte Rio–Niterói letreiro luminoso com a previsão do tempo para o Rio de Janeiro, Niterói, Campos, Cabo Frio e Arraial do Cabo. Com isso, os fluminenses puderam planejar melhor a folia. Mas se na Internet os negócios pegavam fogo, na TV Climatempo as dificuldades continuavam. Após a saída da Univap, a emissora começou a funcionar em um galpão, em São José dos Campos mesmo. As instalações eram muito precárias, e quando chovia o barulho de água caindo no teto era intenso. “Foi um período negro da TV porque deixamos de ter a estrutura da Univap. Tínhamos cinco câmeras beta e passamos a ter uma câmera beta e uma câmera VHS”, relembra Magno. Os jornalistas Paulo Polli e Ângela Ruiz continuaram na tevê depois

Nesse período, Rogério Leite percebeu que a transmissão via satélite encarecia demais as operações da tevê. Foi então que teve a ideia de adaptar um sistema que estava desenvolvendo para enviar informações para os aeroportos para a emissora. Em certo momento, viu que a mesma tecnologia poderia ser empregada para enviar, pela Internet, os dados para a tevê em São José dos Campos. “Por que a gente não manda pelo computador, por meio de um software? Com isso reduzimos o custo do satélite”, lembra Rogério. Esse software foi aperfeiçoado com o tempo e continua a ser usado. Para ter uma ideia, esse foi o embrião das tevês que começaram a surgir na Internet. Os solavancos na TV Climatempo não desanimaram a equipe, especialmente porque além da RBS outros canais procuravam a empresa em busca de conteúdo. Um e-mail da Patrícia Madeira, de 26 de feverei-

Uma bolha no ar
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omo em todas as empresas, há períodos de vacas gordas e períodos de vacas magras. A Climatempo, no início do século XXI, era um grupo com quatro empresas distintas – Climatempo Assessoria, Agência Climatempo, Climatempo Internet e TV Climatempo –; às vezes, as duas coisas aconteciam simultaneamente, como numa balança, enquanto uma área assistia ao crescimento, outro enfrentava os percalços naturais de um empreendimento pioneiro.

ção. A Climatempo passou a fornecer informações para 17 emissoras de tevê do grupo, além de dez emissoras de rádio, cinco jornais impressos e também para o portal interativo RBS . Só nas emissoras de tevê, eram 99 inserções diárias sobre o clima nas regiões abrangidas pela emissora. Para atender ao novo cliente foi preciso montar uma estrutura específica na sede da Climatempo, em São Paulo.

da mudança de endereço. Eles também não esquecem as dificuldades enfrentadas num local com pouca infraestrutura para a gravação dos programas e sem os mesmos recursos técnicos, além do pessoal especializado que ajudava muito dentro da universidade. Apesar disso, a situação tinha lá seu lado engraçado. Paulo conta que, ao lado do estúdio em que estava a TV Climatempo, havia um estúdio de gravação de filmes pornográficos e não era incomum dar de cara com algum ator mais à vontade.

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ro de 2001, deixava claro o interesse na previsão do tempo: “Olá, pessoal. Estamos estreando quatro novas tevês, já a partir de hoje: TVA – Grande São Paulo, dois boletins; TV Filme – Goiás e Brasília, dois boletins; Imagem TV – Triângulo Mineiro, dois boletins; e Rede Mulher, dois boletins. Para os três primeiros, tem interface pronta, com link pelo dia a dia. Os textos se referem a um mapa de ícones, com os valores de temperatura mínima e máxima. A parte de análise e previsão para a respectiva região é feita pelas meninas na TV Climatempo, depois entra o nosso texto e, então, previsão de quatro dias em sobe som. As temperaturas que aparecem na interface são do Prevplan e não podem ser mudadas para não bater com as telas de quatro dias que entram depois da previsão (...) Só para completar, a TV Pernambuco só entra no ar segunda-feira, dia 5. Até lá, não precisamos fazer os boletins”. O Prevplan de que fala Patrícia no e-mail foi mais uma das “invenções” do professor Pardal da Climatempo. “Professor Pardal” era o nome que Ana Lucia dava a Rogério Leite pelas soluções e idéias que sempre trazia para a empresa. O Prevplan foi outro software desenvolvido por Rogério que rodava automaticamente a previsão do tempo a partir de dados fornecidos pelos modelos de previsão climática. No início, 160 cidades estavam no programa; com o tempo, porém, foram incluídas cada vez mais cidades, até que se chegou a um número bem ra-

zoável de 15 mil, entre cidades, vilas, distritos de todo o Brasil. Uma inovação que ajudou muito os meteorologistas tanto da consultoria quanto da tevê. No começo do ano de 2001, um novo assalto iria provocar grandes aborrecimentos na Climatempo. Dessa vez, foi a própria seguradora quem avisou Ana Lucia e Carlos Magno da invasão. Era a segunda vez que entravam na empresa vazia e, apesar da experiência adquirida e do seguro que minimizaria as perdas, um assalto era sempre traumático. Os bandidos cortaram o cabo, na frente da sede, já na rua Muniz de Sousa, deixando a empresa sem comunicação com o mundo exterior. Gilca Palma, uma das primeiras a chegar pela manhã, estranhou as portas abertas, tudo revirado e Ana Lucia chorando, desconsolada. “Isso te pega de surpresa, você fica sem ação”, comenta Gilca. Ao ver as pessoas chorando, Ana Lucia disse para outra funcionária, Carol Chacon: “A gente se vira. Veja o lado bom, todo mundo vai ganhar computador novo.” Mais uma vez foi preciso uma grande mobilização para não interromper os trabalhos. Alguns meteorologistas trouxeram seus computadores, outros voltaram para casa para trabalhar até que a rede fosse novamente conectada. “É assustador você ter de parar rapidamente e dizer ‘ok, o que vamos fazer?’. O Magno já tinha know-how de ter feito uma vez. Ele pegou e distribuiu as tarefas. André e Patrícia Madeira, que estavam no primeiro

assalto, também já sabiam como trabalhar nessa situação. Então, simplesmente a gente separou o que tinha de ser feito, designou as coisas e tocou a bola para frente. Os clientes tinham o telefone de casa, ligavam para a gente dar uma posição. O pessoal corria, gravava o boletim de rádio do orelhão. Nos primeiros dias tinha de ser assim, até que voltassem a ligar os telefones da Climatempo”, relembra Ana Lucia. Foi um período bastante confuso e que terminou com um gesto que impressionaria muito Carlos Magno. Ele jamais vai se esquecer da atitude de uma meteorologista gaúcha que trabalhava na época na Climatempo. Débora Simões estava grávida e, por coincidência, no mesmo dia em que houve o assalto entrou em trabalho de parto. Ela fez questão de, antes de seguir para a maternidade, entregar a previsão que havia feito em casa e estava sob sua responsabilidade. Para Magno foi uma tremenda demonstração do espírito de equipe. Nem o triste episódio conseguiu abalar a energia positiva que fluía na empresa. No fim das contas, após o rescaldo de mais um assalto, o grupo estava novamente pronto para seguir em frente. Enquanto isso, correndo por fora, a Internet crescia cada vez mais. “Durante os anos de 2000 e 2001, acho que estive em todos os prédios da Vila Olímpia (região de São Paulo onde se concentrou a maioria dos escritórios ligados à Internet), visitando diversos portais.

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” A ferramenta Internet na Climatempo tornou-se referência nacional. a NASDAQ . com as nossas receitas. e a Rede Globo. No meio da euforia Ana Lucia e Magno falaram: “Isso não vai durar muito”. De 1998 até 2001. “Nós vimos essa bolha passar. mas com Ana Lucia. o site era o caminho certo. agora sem Carlos Magno. mantinham seus contratos fixos com a Climatempo. Contudo. De repente. os custos com a transmissão de dados e a manutenção das informações inviabilizaram a parceria. Apesar de ser a nave-mãe da em- presa. nós não estávamos ligados a nenhum grupo de investimento. pois ficamos com uma boa fatia de mercado. Eram portais e sites vendidos por milhões de dólares. Nesse período. Foi o que aconteceu com a Climatempo Internet. mas as empresas que estavam saudáveis ficaram e. transmitia boletins de condições do voo e trazia a tabela das fases da lua para aqueles que se preocupavam com o regime ou o corte de cabelo. mesmo a distância. conta Magno. com um dos primeiros parceiros da Climatempo: o Grupo Estado. conseguiram consolidar seu espaço. Segundo Renato. Havia. a Climatempo sofria os percalços comuns de um mercado competitivo. A cartela de clientes variava muito e o leque de segmentos atendidos pela Climatempo também. em princípio. A mudança. Nesse momento. foi até uma bolha positiva pela nossa competência. André Madeira e Alexandre Nascimento para dar o suporte de conteúdo. A Internet tornou-se um grande negócio e não foi só para a Climatempo. muita gente ficou rica da noite para o dia. antes de a bolha estourar já estávamos no azul. e o negócio foi desfeito. Em 2001. Não eram incomuns as notícias de sites que fechavam e deixavam de fora dezenas de desempregados. com a mesma força que cresceu. Contudo. envolvendo cifras espetaculares. só para acompanhar os negócios. porém. uma certa solidez. a Climatempo. lembra Renato Urbinder. com receita de publicidade e com um portal mais conhecido”. Também da noite para o dia. a bolha explodiu. na consultoria o tempo era de muito movimento. Dessa vez. continuou responsável pela previsão do tempo do Canal Rural. Nos Estados Unidos foi criada uma bolsa de valores.Tínhamos que ser rápidos porque a Climatempo tinha de ocupar espaço. Puf! E centenas de empresas simplesmente desapareceram. naquele momento. a emissora gaúcha transferiu sua sede para Porto Alegre em 1998. houve uma retração de um pedaço do mercado. porém. Se na Internet a palavra de ordem era expansão. e apostaram de seis meses a um ano para a festa acabar. A Climatempo implantou toda a área de meteorologia da emissora em São Paulo. algumas reuniões com bancos. a empresa registrou nesse ano algumas baixas importantes. Surgiram os grandes negócios. não havia interferido com o fornecimento de conteúdo de meteorologia. As ações das chamadas empresas pontocom subiam sem parar. sim. Para os que não queriam saber apenas dos aspectos técnicos da meteorologia. por questões operacionais. com Josélia Pegorim. ninguém sabia ainda onde iria parar. voz cada vez mais conhecida e já uma referência na rádio. A Eldorado. todos os nossos investimentos foram com recursos próprios. Um entusiasmo desmedido tomou conta de quem lidava com essa nova tecnologia. como a Climatempo. Em segundo lugar. Ele também conta que o sucesso da consolidação se deu por uma estratégia de venda de conteúdo. como o Canal Rural. mas o modelo proposto era inviável e agressivo demais para o nosso jeito de ser. Por outro lado. uma experiência que depois serviu de base para a própria TV Climatempo. as empresas mais sólidas no mercado praticamente saíram ilesas e. Um outro contrato foi interrompido também nessa época. Uma euforia que havia começado no ano 2000 no Brasil e que. “Primeiro. O grupo passava por um período tur- 73 . Começou então a estratégia de mudança de venda de conteúdo para a de ser espaço publicitário. mais do que isso. ganharam credibilidade. também percebemos a oportunidade de vender mais conteúdo para celulares”. Fizemos. a empresa exibia imagens ao vivo de onze cidades.

calor). Era preciso racionalizar as operações. nesse caso. lembra Magno. é bom dizer que elas funcionavam mesmo. Paulo. Paulo. o que houve foi uma mudança no padrão de negócios. no Texas. na indústria (racionamento) e no comércio (inverno rigoroso. sede da empresa. Todo mundo guarda na lembrança as caixinhas de ovos coloridas. o conteúdo era apenas informativo. pois vimos que os modelos de negócios mudam e a gente tem de se adaptar. Com ele levou um anunciante de peso. mas sim como diretor da tevê. O serviço oferecia 74 . O início das transmissões em São Paulo foi complicado. mas para a gente foi um aprendizado tremendo. todos os funcionários da Climatempo acabaram se envolvendo com as transmissões da emissora. ofereceu uma nova forma de contrato: eles forneceriam a previsão para todos os jornais do grupo e para a Agência Estado e não receberiam por isso. Carlos Magno resolveu procurar a direção do grupo para tentar um novo acordo. mas que funcionou perfeitamente. relata Magno. com patrocínio da TAM Viagens. depois de passar por outras experiências. A reestruturação da tevê em São Paulo aconteceu ao mesmo tempo em que Carlos Magno já negociava a entrada do canal do tempo brasileiro na operadora Sky. como o Jornal da Tarde.bulento de mudanças. Com a Internet e a consultoria bem-estruturadas no novo prédio. Quem deu a dica foi Waldemar Stefan. Durante todo o ano de 2001. Paulo Polli voltaria a integrar a equipe.” (Meio & Mensagem. em 2003. e representou uma reconquista de um espaço que sempre foi da Climatempo.E partiu da direção do jornal a ruptura com a Climatempo. 15/ 9/2003. Os dois principais diferenciais do serviço são a cobertura de todas as capitais brasileiras e os comentários sobre o impacto do tempo na agricultura (geadas. era o momento de trazer a TV Climatempo para São Paulo. braço de turismo da TAM Linhas Aéreas. A negociação foi destaque na mídia pela sua inovação: “Um novo modelo de previsão do tempo será publicado diariamente a partir de segunda-feira. isso significava repensar os custos. Nesse primeiro momento. não mais como estagiário. O novo parceiro. e a gente recebia para isso”. passamos a dar maior importância ao mercado publicitário”. a Climatempo e a Sky foram desenvolvendo o novo formato. Infotempo. pois trariam o patrocínio que bancaria as despesas. que sabia das propriedades isolantes das caixinhas de ovos. jornalista que durante mais de dez anos foi a responsável pela edição do serviço de previsão do grupo. com o tempo a promessa de trazer anunciantes para o jornal não se concretizou e a Infotempo não conseguiu cumprir a sua parte do trato. a Cacau. “O Infotempo não era mais um concorrente. “O problema era que os dados vinham de Houston. deixamos de ter um serviço exclusivo e. Foi então que. E mesmo parecendo puro folclore. a tevê entraria como um canal interativo e digital. A Climatempo fazia parte de um serviço de tevê interativa que a Sky colocou no ar no fim do ano. não havia audiovisual. Além disso. dia 15. “Eu e a Carol Chacon pintamos e colamos caixas de ovos nas paredes para servirem como protetor acústico”. As informações serão fornecidas pela Climatempo Meteorologia. em especial no jornal O Estado de S. Essa é uma das histórias lendárias da Climatempo e durante anos serviu de exemplo para incentivar o trabalho em equipe. pois qualquer problema de transmissão ou na Internet atrasava o trabalho. reestruturar a tevê. Os comentários serão escritos pela meteorologista Josélia Pegorim. a TAM . in Linhas & Laudas) O novo acordo estendia-se também para outros jornais do grupo. A oferta atraiu a direção do jornal. lembra Maria do Carmo Fogaça. O estúdio construído na Muniz de Souza não tinha isolamento acústico e foi preciso recorrer a uma solução caseira e barata. Agora em São Paulo. “Foi a primeira janela de abertura de negociação para entrar com o conteúdo da Climatempo numa grande operação de tevê por assinatura. perdemos uma fonte preciosa”. Contudo. cheias. e conquistou novamente a conta do jornal. Na verdade. secas). lembra Magno. pelo jornal O Estado de S. na hora de levantar informações para matérias. Isso complicava um pouco.

apresentando a previsão do tempo para São Paulo. Além dos boletins para a CBN São Paulo. transmitida por várias operadoras de tevê a cabo do Brasil. diz Nascimento. De repente. tornando-se marca registrada da CBN. além de dados sobre a lua.. várias emissoras de rádio e companhias telefônicas. a empresa fornecia dados para jornais. Rossana Fontenele. Um pedido especial do diretor da CBN ao fechar o contrato com a Climatempo. que fornecia conteúdo na época para 85% dos portais brasileiros e links para outros 2 mil sites. Além disso. 15 deles meteorologistas. e aquáticos. a Climatempo lançaria. como futebol.. de março de 2002. Grandes negócios. um canal de comunicação com a empresa. e como fornecedora de conteúdo para canais da TVA e TV Filme. a não falar bobagem para 75 . A matéria também destacava que a TV Climatempo. 30 emissoras de televisão espalhadas pelo País. Rádio é muito bom. Também da capital fluminense. Patrícia logo pegou gosto pelo rádio e também o jeito de transmitir a informação de forma confiável. “Teve um dia que eu ia entrar no show do Antonio Carlos. como a de Belo Horizonte e do Rio. até informações exclusivas para outras mídias como o WAP e a tevê interativa. a Climatempo empregava 35 funcionários. games. A revista apontava o crescimento no faturamento da Climatempo nos últimos cinco anos: uma média anual de 30%. Em 2002. ‘Também podemos oferecer informações sobre as condições das estradas e a balneabilidade das praias em tempo real’. Relutante no início. quando estou esperando para ser chamada. A diretora-geral da Sky. “mas inovar as formas de conteúdo”. Patrícia Madeira’ e eu respondia de imediato ‘estou acordada há muito tempo’. (. marés. De acordo com uma matéria da revista Pequenas empresas. Sempre atenta a novidades. Com o marido.) (Meio & Mensagem. mais um serviço inédito na Internet: previsão do tempo para esportes terrestres. atualizadas a cada dez minutos. ainda sofria com a concorrência do The Weather Channel. André Madeira. “O que acontecia é que muitas vezes a previsão ficava defasada e mesmo assim era lida na rádio. em abril de 2002. a tevê figurava nos line ups de operadoras independentes. O locutor dizendo que o dia seria de sol e do lado de fora já estava chovendo”. O canal brasileiro. nesse período. como a TECSAT. Até março de 2002. Uma delas foi a CBN. a rádio Globo AM era outra cliente assídua. e atingia um universo de 250 mil assinantes. O início da tevê interativa não impediu que as duas empresas mantivessem as negociações em torno da inclusão da TV Climatempo no line up da Sky. esoterismo e o Sky e você. que até então divulgava a previsão feita pelo The Weather Channel. O sucesso obtido com a previsão do tempo divulgada pela rádio Eldorado de São Paulo levou outras emissoras de rádio a procurarem a Climatempo. relembra Patrícia Madeira.cinco opções aos assinantes: previsão do tempo. Aos poucos. como iatismo. o site da Climatempo era acessado por 350 mil pessoas por mês. mas não desistia de oferecer um serviço diferenciado do norte-americano para atrair as operadoras brasileiras: “As câmeras da Climatempo têm condições de mostrar instantaneamente o que está ocorrendo nas principais capitais do País. para as maiores cidades do Brasil e do exterior. No começo. porém. a tarefa foi delegada a outro profissional da equipe. de manhã. Nesse espaço. Magno convenceu a meteorologista Patrícia Madeira a assumir a função e tornar-se uma “Josélia Pegorim da CBN”. 18/3/2002). deixava claro na mídia que o objetivo da tevê interativa não era oferecer Internet na tevê. a Climatempo oferecia a previsão do tempo para três dias. todos trabalhando para os diversos serviços prestados pela empresa: desde Internet. afirma o empresário”. ouço uma voz forte ‘Acorda. Carlos Magno e Ana Lucia chegaram a voltar a suas origens. ventos e plantio. A TV Climatempo também já era um sucesso. a dupla muitas vezes era solicitada por outras sucursais da rádio. dividia os boletins e com o tempo a voz dos dois passou a ser reconhecida. uma delícia porque te exercita a falar direito. tinha no total 150 mil assinantes. esporte.

feijão. A Climatempo sempre se preocupou em atender agricultores. um alto executivo da Net entrou em contato 76 . pois sabia que acompanhar as condições climáticas era fundamental para o acompanhamento do plantio e da colheita e para a realização de negócios na área de commodities. um serviço semanal voltado para a cafeicultura.br abrangiam as principais áreas de cultivo do Brasil: algodão. Mesmo com um pé na Sky. Já os corretores terão a chance de saber antes da abertura das negociações o que provavelmente irá acontecer. Fundador e grande incentivador do canal do tempo. não era para estar chovendo’. se você sabe que o dólar vai valorizar. o grande vilão dessa história é o erro. como também acredita Josélia. Com isso. compradores e exportadores ganharam uma ferramenta poderosa no mundo do agronegócio. no fim de maio. Carlos Magno e Ana Lucia colocaram no site da Climatempo. “É como o mercado financeiro. Aí. Uma das primeiras empresas a contratar a Climatempo. que apresenta há anos os boletins na rádio Eldorado. a Climatempo decidiu lançar mais um produto inédito no mercado. soja. coube a Carlos Magno a tarefa de continuar a empreitada e manter o sonho de uma tevê brasileira. no fim de 2002 a TV Climatempo enfrentava a saída de um dos seus sócios. Outra frente importante de negócios era a agricultura. Waldemar Stefan decidiu se afastar para poder retomar seus negócios na empresa Promeeting. A empresa nunca teve dúvida da eficiência e da importância desse tipo de informação para a agricultura. Oferecemos agora um serviço gratuito e de qualidade a todos aqueles que lidam com a agricultura e a pecuária”. milho. usa seu dinheiro para comprar essa moeda e espera a valorização. são dirigidas às áreas urbanas. cítricos. eu errei 100% da previsão. de setembro de 2002. abrindo espaço para um canal de previsão do tempo brasileiro na maior operadora de tevê a cabo. entrei chateada no ar. Pecuaristas.” Assim. como em um telejornal. “Uma vez. o risco é menor. As previsões postadas no site www. O boletim era postado todas as segundas-feiras. produtores e todo o setor de agrobusinness. de um modo geral. que tanta dor de cabeça deu a Carlos Magno. por outro lado nova baixa levantaria o ânimo da TV Climatempo. a NET/Sky. Magno afirmava: “As previsões meteorológicas. Sempre antenados. A ideia do site voltado para os produtores de café deu tão certo que. Para Carlos Magno. a exportadora Costa Café aprovou o novo serviço. o novo informativo preenchia uma lacuna que existia no mercado. relembra Patrícia. o AgroClima. A proposta era oferecer um panorama climático do setor e o serviço foi batizado de Cybercafé. além de informações sobre pastagens para a pecuária. muitas vezes cobrado ao vivo pelos ouvintes mais atentos. Seja pela situação econômica. Marco Antonio Jacob. lá pelos idos de 1994. O serviço dará uma transparência maior ao mercado. pouco tempo depois. Em entrevista para a revista A Lavoura. café. o fato é que o grande The Weather Channel. Por isso. na época. com grau de acerto superior a 90%”. arroz. Com o café é a mesma coisa. A previsão dá subsídios para anteciparmos nossas decisões”. Logo em novembro. o gerente comercial da Costa Café.não perder a credibilidade. esclarecia Carlos Magno em uma das várias matérias que a novidade gerou na imprensa. “Os produtores poderão saber com antecedência a ocorrência de geadas para tomar as medidas necessárias.agroclima. às 9h da manhã. afirmava. seja pela falta de motivação. um meteorologista tem menos chance de dizer alguma besteira sobre o tempo. Sabe que chegaram vários e-mails me consolando? Isso é rádio”. o Milton Jung me perguntou se estava tudo bem e eu respondi na lata: ‘não tem nada bem. trigo e cana-de-açúcar. Foi o primeiro site brasileiro voltado para a previsão do tempo na agricultura. como na rádio sempre tem um bate-papo. ele conhece mais seu ofício e. Se a saída de Waldemar foi uma nota triste.com. e os assinantes tinham acesso a uma previsão do tempo gravada em áudio e vídeo pelo próprio Carlos Magno. estava deixando de operar não só no País como em toda a América Latina.

era um sábado de 2003. como destaque da reportagem “De carona no sucesso”. E a credibilidade da empresa no mercado era tão grande que a revista Dinheiro. “Fiquei até o último dia na Globo. Os clientes da empresa também se multiplicaram. (. em julho daquele mesmo ano. 30/7/2003.. conta Ana Lucia sobre o último dia na emissora.com Carlos Magno perguntando se a TV Climatempo estava pronta para entrar em operação. A notícia foi destaque no jornal: “O tempo vai ficar melhor a partir do próximo domingo. a Climatempo dava adeus a uma de suas melhores e mais importantes parcerias. diz Carlos Magno. Nela. in Linhas & Laudas). Eu disse: ‘Quem vai sou eu’. pelo contrário. 06/7/ 2003. encerre isso com chave de ouro”. jornais brasileiros anunciavam a entrada em operação do primeiro canal de meteorologia 100% nacional na Sky. Além disso.. trouxe Carlos Magno. A TV Climatempo começaria divulgando boletins de hora em hora sobre o tempo no Brasil e no mundo e alguns outros programas. a Climatempo deixava de prestar serviço para a rede. O laboratório Roche consulta Magno para reforçar a distribuição de seus antigripais e vitaminas C nas regiões onde a previsão é de chuva. Jornalistas do Globo estarão sempre em contato com meteorologistas da Climatempo para decidirmos que explicações interessam aos leitores. e Estradas. Internet. Pegamos dinheiro emprestado no banco. como Em Clima de Viagem. voltado para o agronegócio e para a agricultura de todo o País. na edição de 30 de julho. a não ser eu. “A tevê deu credibilidade à previsão do tempo e. lembra Magno.” (revista Dinheiro . O crescimento acelerado da empresa em todas as áreas.5 milhão de assinantes. era o momento de enfrentar novos desafios. Uma das novidades será o enfoque jornalístico do espaço. Magno e sua empresa eram tratados como empreendedores vitoriosos: “O negócio cresceu tanto que em 1999 Magno investiu 200 mil dólares para criar um canal só dele. do mesmo grupo. avalia Magno. sobre as condições meteorológicas nas principais rodovias do País nas tardes de domingo e na volta dos feriados prolongados. Pouco tempo depois de conquistar um lugar na tevê por assinatura. in Linhas & Laudas). a TV Climatempo. que lançará no dia 13 uma nova seção de previsão meteorológica. “Começou a correria.) Essa interatividade e esse dinamismo são inéditos no Brasil’. um infográfico explicará os motivos do fenômeno (. diretor da Climatempo. consultoria e agora também com a TV Climatempo sendo retransmitida por uma grande operadora. que dava dicas das condições do tempo nos pontos turísticos do País.” (O Globo. Já passam de mil e são cada vez mais parrudos – AMBEV (hoje é a INBEV) e Nestlé. compramos o que era necessário e nos primeiros meses de 2003 conseguimos pagar as dívidas e equilibrar as contas da TV”. O canal entraria no ar a partir de março no formato interativo.). que dará destaque ás mudanças climáticas que estiverem ocorrendo no País. o Minuto Agrícola. Se nevar na região Sul. que hoje (2003) tem 1. A butique Daslu quer saber se vai chover ou fazer sol antes de decorar suas vitrines. um dos sócios da Climatempo. A saída aconteceu em abril de 2003. consequentemente.. se uma intensa ressaca atingir as praias do Rio ou uma seca assolar a região Centro-Oeste. Não estou a fim de que alguém desagradável ou implicante crie alguma saia justa e não quero que outra pessoa. à minha empresa”. a Climatempo seria contratada para prestar serviço para o jornal O Globo. fez com que em dado momento Ana Lucia percebesse a necessidade de 77 . Pelo menos nas páginas do Globo. feita pela empresa Climatempo. A prova de que a saída da Globo não deixaria traumas foi que logo depois.. quando a emissora não renovou o contrato que mantinha com a empresa. A saída da Globo não abalou os serviços da Climatempo. Após treze anos de contrato com a TV Globo. ‘Vamos dar destaque ao que estiver acontecendo de mais importante. No dia 2 de janeiro de 2003. A partir de então toda a parte de previsão do tempo dos telejornais passou a ser fornecido pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (C PETEC/ Inpe).

ali durante as aulas. o Magno ficou mais confiante e me passou toda a administração. as pessoas dos meios de comunicação conheciam. Meti a mão. Ana assumiu a tarefa de colocar a empresa em ordem. o faturamento do setor de serviços meteorológicos saltou de seis milhões de dólares para 120 milhões de dólares. 78 Foi um período de reestruturação de toda a parte administrativa. Fiquei muito feliz. a estrutura era ainda muito amadora e era preciso reorganizar tudo. de 1993 a 2003. conta Ana Lucia. Seja para divulgar novas parcerias com empresas aéreas como Varig e TAM . .” “Sempre se soube quem ganhava o quê. logo após terminar o MBA . “Depois de um ano. mas não se sabia quem dava lucro ou não. Criei métodos para que o volume de trabalho que aparecia na administração fosse gerenciável. Inúmeras matérias ao longo do ano registraram o impressionante crescimento na demanda por serviços de meteorologia. descobri que todo mundo conhecia a Climatempo. A indústria era o principal cliente desse tipo de serviço. Como bons previsores. nas conversas nas filas dos elevadores. Segundo pesquisa feita pela Climatempo. Todas aquelas pessoas de várias empresas importantes conheciam a minha empresa. auditável. que começou de forma embrionária. arregacei as mangas. programei o sistema e treinei o pessoal. contadores especializados. Quando viu que as coisas já estavam andando de maneira mais organizada. Magno e Ana sabiam: o tempo na Climatempo era bom. que era a Climatempo Consultoria. O ano de 2003 ficaria marcado pela constatação de uma nova realidade na meteorologia brasileira. em 2003. só que dessa vez dedicou-se aos prognósticos climáticos. cobrança. mesmo que internamente. para longos períodos. refiz os processos de emissão de notas. Mas era muito trabalho para uma pessoa só. Naquele momento. “Quando comecei a fazer o MBA . trabalhar direto com advogados. Ana Lucia deixou a administração e voltou para o que gostava de fazer: a previsão. Ele ficou mais tranquilo para fazer os negócios. O curso reforçou a vontade de Ana Lucia em posicionar a empresa à altura de sua importância diante do mercado. Não tinha a menor ideia de que a Climatempo já estivesse nesse ponto”. e a Climatempo estava sempre entre as empresas citadas. Assim. Segundo ela. De repente. era fundamental ter outro departamento comercial.modernizar a administração da empresa.” Ana Lucia trabalhou intensamente. que ajudava no planejamento estratégico das empresas. Eu mesma estudei e criei um programa que fazia as notas fiscais do jeito que acho que deviam ser feitas. O programa gerava a nota fiscal e acompanhava todo o processo desde a hora em que chegava a ordem para ser emitida até a hora da cobrança. porque todos os lucros e débitos iam parar num lugar só. em dez anos. ou seja. a Climatempo era uma empresa que as pessoas do ramo conheciam. Não teve dúvidas: entrou em um MBA de Administração Geral em 2002. Separamos tudo. E foi ali que teve a real dimensão da importância da Climatempo. seja para anunciar o lançamento do discador que fazia da Climatempo um provedor da Internet.

a previsão do tempo. da população no acompanhamento dos fenômenos meteorológicos. fundada em 1995. a partir do fim da década de 1980. passaram a competir pelo mercado de previsão do tempo. “Sou um empreendedor nato. in Linhas & Laudas). de março de 2004.. diz o meteorologista Luiz Alves dos No início de 2004. por sua vez. Com isso. por outro essa resposta positiva não aconteceria se Virando uma holding 79 m quinze anos a Climatempo consolidou-se como a primeira grande prestadora de serviços de meteorologia no Brasil. impediam essa acomodação. órgãos públicos. a Somar conseguiu conquistar uma fatia importante do mercado. 9 . Aos poucos. por tabela. ao lado da Climatempo.. A outra razão era de ordem prática. A Climatempo foi um empreendimento. nas matérias de jornais. viria de empresas privadas nacionais que também perceberam o aumento de demanda por informações climáticas. 10/4/2005. em especial de Carlos Magno. o mês de abril deste ano está atipicamente quente. “Tivemos um pico de expansão de 200% nos negócios em 2000. Com uma estratégia agressiva de preços. O trabalho pioneiro realizado pela Climatempo.E Conhecida e respeitada. Santos Neto.) ‘Até quarta prevemos temperaturas máximas de 30 a 31 graus’. prestando serviço para a Rede Globo. isto é. se por um lado era o resultado de um trabalho muito sério de divulgação feito pela Linhas & Laudas. Grandes negócios. lá atrás. passou a ser respeitada.). Segundo o meteorologista Celso Luís. Magno comentava o crescimento da empresa nos últimos cinco anos: cerca de 30% ao ano. Ela oferece consultoria para jornais.. tevês. ajudou a criar uma nova cultura meteorológica. A primeira delas era o espírito empreendedor do casal Ana e Magno. que. passando pela Internet e pela consultoria.. de confecção e de transporte que utilizavam regularmente as previsões da empresa para a tomada de decisões em seus negócios. agronegócio e mantém um portal na Internet. da Climatempo (. alvo de total descrédito.” (Jornal da Tarde. Foi o início da profissionalização que levaria à criação do Grupo Climatempo. os principais concorrentes da Climatempo foram empresas estrangeiras como a WSI e o The Weather Channel. mesmo depois de tantos anos. Tanto era assim que logo. para opinar sobre as condições do tempo: “O outono chegou há três semanas. mas para o paulistano. ainda enxergava e acreditava no grande potencial da meteorologia no Brasil. também se tornassem mais conhecidos. gerando maior interesse A concorrência mais séria. Naquele momento era preciso definir as várias frentes de trabalho desde a operação da tevê.” Também naquela época. A credibilidade. era inevitável que os serviços prestados por uma empresa privada fossem. que colocava o nome Climatempo nas mais diversas mídias. Tanta notoriedade não era fruto do acaso. a tevê foi outro”. define Magno. A reestruturação levada a cabo por Ana Lucia durante o ano de 2003 ajudou a organizar os vários setores da empresa. a empresa era procurada. porém. decorrente de vários serviços lançados no nosso site. Em matéria publicada na revista Pequenas empresas. o site da Climatempo registrava uma impressionante marca: um milhão de pessoas utilizava alguma espécie de serviço da empresa via Internet. Índice que subiria para oito milhões de acessos ao mês em junho daquele mesmo ano. compete basicamente no mesmo mercado da Climatempo. Duas razões. com o tempo. alvo de concorrência. fez com que os órgãos públicos. Era preciso definir quem fazia o quê. A Somar Meteorologia (Southern Marine Weather Services). da Somar. a Climatempo já podia se dar ao luxo de andar com as próprias pernas. como o CPETEC. por exemplo. No início. porém. a Climatempo contabilizava como clientes quase 500 empresas ligadas às áreas agrícola. (. o mês de abril está com cara de verão. manter sua carteira de clientes e dominar seu segmento de mercado. por ex-funcionários do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). farmacêutica. Uma boa razão para manter a Climatempo atenta e atuante.

A explicação técnica do fenômeno ficou por conta da Climatempo: “O granizo é produzido por nuvens que alcançam altitudes elevadas. A neve se forma quando a temperatura é bastante baixa na superfície. A gente queria colocar a TV Climatempo como canal aberto e o Canal do Boi transmitia por parabólicas. do diretor Roland Emmerich. A popularidade da Climatempo ficou evidente em uma parceria inédita que o portal fez. a Climatem- po ampliaria ainda mais a visibilidade de seus serviços com mais um produto. Dessa vez. onde a temperatura é baixa. além de um link que permitia o acesso ao site oficial da produção. Apostando na popularidade do site. na sua estrutura. A paisagem de verão deu lugar a uma grossa camada de gelo. O objetivo era claro: explorar o potencial da principal empresa de meteorologia privada do País. Essas nuvens se formam somente em dias bastante quentes. dono do Canal do Boi. André Madeira esclarecia: “Granizo e neve são como água e vinho. seguida por uma chuva forte. No ano de 2004. Foi o que aconteceu. que atingia. que movimentava cerca de 40% do Produto Interno Bruto ( PIB) brasileiro. para tirar dúvida sobre a possibilidade de neve. Claro e Vivo. por exemplo. também associada a uma alta umidade do ar. Segundo destacava matéria do Jornal da Tarde. ao empresário sul-mato-grossense Claudio Godoy. mais adequadas ao perfil de cada cliente. gerando conteúdo para mais de 250 emissoras de rádio em todo o País. quando uma tempestade de granizo. conge- lando a água.a empresa em si não conquistasse visibilidade por meio de ações e iniciativas inéditas no campo meteorológico e no investimento constante. estiagens. 80 .” E mais. lembra Magno. a Fox Films do Brasil. já que o filme retratava os impactos de fenômenos da natureza nas principais cidades do mundo. distribuído em parcerias. com uma empresa cinematográfica. em setembro de 2004. cobriu de gelo boa parte da zona Norte da cidade de São Paulo. O Catarina foi mais tarde reconhecido como um furacão de categoria 1. A outra era a ampliação dos serviços para celulares para as operadoras Tim. Mas nem tudo era só sucesso. que passou a enviar as informações via satélite e não mais por arquivos de computador. Com isso a emissora recebia a arte pronta para gravar e exibir. isso não aconteceu”. destaque para duas novidades. Em qualquer um desses episódios a análise dos meteorologistas era sempre requisitada. Nesse período. A equipe de meteorologistas era constantemente procurada para explicar fenômenos que intrigavam a população. 76 feridos e milhares da casas danificadas. o mesmo de Independence Day. o gelo acumulado nas vias foi superior a 30 centímetros e foi preciso muito trabalho para retirá-lo das ruas. A primeira ficaria por conta da mudança no sistema de envio de dados aos clientes. na época. a Climatempo já era referência para toda e qualquer informação climática. em maio. com ventos entre 120 e 150 km/h e surpreendeu os especialistas pela raridade do fenômeno no Brasil. Isso faz com que a água forme os cristais de neve”. Enchentes. semelhante a uma nevasca. Magno associou-se.. cerca de 35 milhões de telespectadores anualmente. tanto financeiro quanto cultural. para a divulgação de uma superprodução O dia depois de amanhã. “Na verdade foi uma parceria que não deu certo. No campo tecnológico. Sua programação era dirigida ao setor agropecuário. O novo sistema permitiu apresentações personalizadas do audiovisual das previsões do tempo. Naquele mesmo mês. a Fox investiu na exposição de banners e popups. Na maioria das redações ouvir os especialistas da Climatempo tornou-se quase obrigação editorial. em fevereiro. O espírito empreendedor de Carlos Magno muitas vezes esbarrava no que popularmente se chama “canoa furada”. a Climatempo esteve quase diariamente no noticiário dos principais jornais brasileiros por causa de uma série de eventos raros. Um serviço mais uma vez inovador da Climatempo. Com a expectativa de entrar na tevê aberta. a ocorrência de um ciclone extratropical com ventos de até 150km/h arrasou o sul de Santa Catarina no fim de março e deixou três mortos. No fim. racionamento de água.. do dia 13 de fevereiro. Pouco depois.

Os equipamentos permitiram à empresa fazer uma previsão para quinze dias no prazo de uma hora. mas ainda sem transmitir a TV Climatempo. a Climatempo anunciou uma parceria com a empresa de tecnologia Semp Toshiba. Para dedicar-se totalmente à Climatempo. Vendemos muitas selas e ganhamos muito dinheiro”. 2 GB de memória RAM e 120 GB de disco rígido. Isso possibilitava apontar as condições climáticas diferentes até mesmo entre bairros da capital. e isso teve suas consequências. para a sua empresa de meteorologia. Os novos computadores eram capazes de processar 26 bilhões de operações por segundo. a Climatempo passou a trabalhar com seis computadores de última geração na época: Pentium de 2. sócio da Climatempo Internet. que. Juntas. “Eu tinha um diamante bruto em minhas mãos e precisava trabalhar para lapidá-lo. acabei desviando o foco da TV Climatempo. as duas empresas desenvolveram um novo sistema que aumentava a precisão e a velocidade dos serviços de previsão. O Renato teve a ideia de vender selas para cavalo. com o novo sistema foi possível diminuir o campo para 40 quilômetros.” O que aconteceu foi o seguinte: com toda a estrutura montada dentro do Canal do Boi. contendo informações de temperatura. que também é um sujeito empreendedor. Carlos Magno deixou a rotina de previsão e de atendimento aos clientes para sua equipe. depois de reestruturar administrativamente a empresa. porém. tinham consciência da importância das novas tecnologias e do que as novas mídias que despontavam com toda a força podiam representar para o desenvolvimento de novos negócios. o software usado pela Climatempo foi adaptado. “Cluster” é o nome dado a um sistema montado com mais de um computador. Também tornou possível prever com maior chance de acerto a ocorrência de chuvas. Com as novas configurações. Pensando nisso. umidade e ventos. Todos rodando em um cluster GNU /Linux. com o acordo. um modelo de previsão do tempo de pequena escala de código aberto que havia sido desenvolvido para o hemisfé- 81 . que voltamos a nos impor no mercado. O preço dessa iniciativa foi que a concorrência percebeu o momento vulnerável da Climatempo e promoveu um verdadeiro ataque. desligando-se do dia a dia para acompanhar o processo global da empresa. montamos uma equipe de telemarketing e começamos a fazer programa ao vivo para vender de madrugada. em janeiro de 2005. “Ganhamos muito dinheiro.que define o período como uma fase negra da Climatempo. passou a se ocupar da supervisão geral do grupo de previsão. O processo de retomada passava pela modernização da empresa. e deixar de vender selas para cavalos. lembra Magno. baixando o valor dos serviços. O MM5. um link de satélite e um horário na madrugada para fazer qualquer coisa. já em 2005. assim como Renato Urbinder. Carlos Magno e Ana Lucia. chuvas. “Tinha estúdio. Se antes era possível elaborar a previsão com maior precisão para um limite de 100 quilômetros.8 GHz. Esse novo sistema deu à Climatempo uma qualidade ainda maior na prestação de serviços de previsão do tempo. O objetivo dessa associação era que todo o processamento das informações fosse distribuído aos computadores de forma que na prática todo o trabalho fosse feito por um único computador.” Esses pequenos desvios serviram de aprendizado e motivaram a retomada do caminho traçado para a empresa. Como a Climatempo manteve seu padrão e seus preços. Magno também concluiu que como diretor presidente da empresa era preciso cuidar do gerenciamento de todos os setores que compunham a Climatempo naquele momento. chegando a quatro quilômetros na região metropolitana de São Paulo. antes esse trabalho levava mais de três dias. Assim como Ana Lucia. A Semp Toshiba entrava com os computadores em troca de espaço publicitário. enquanto um computador normal realizava um bilhão de cálculos por segundo. Eu e o Renato Urbinder. Magno então percebeu que era hora de voltar o foco para a consultoria. alguns clientes debandaram. Portanto. surgiu a ideia de montar um canal de vendas. Foi então.

ainda na área de TI. uma loja programava a montagem de vitrines para atrair consumidores durante o fim de semana com base nesse prognóstico. como os índices ultravioleta para sete dias. a Climatempo colocou à disposição de seus clientes dois tipos de previsão. por exemplo. como ferramentas estratégicas de negócios. Em setembro de 2005. O projeto contava com o respaldo científico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). na página da Climatempo. Os serviços da empresa eram solicitados para esclarecer as “loucuras do tempo”: calor no inverno. professores universitários e consultores. foi ajustado pela Climatempo para elaborar a previsão para o hemisfério Sul e para o Brasil. “A Climatempo sempre esteve na ponta. um entusiasta do potencial dos pequenos telefones. A velocidade cada vez maior com que novas tecnologias para celulares se desenvolviam significava novos negócios para empresas como a Climatempo. A Climatempo. Para enfrentar as mudanças bruscas dos termômetros. como o da indústria têxtil. A Elite Info de Tecnologia foi escolhida por presidentes de empresas. previsão do tempo via e-mail. o site trazia mais informações. Para a revista. pioneira em projetos. A mais conhecida e imediata era a previsão do tempo. que fazia a avaliação estatística do novo sistema. escolhidas entre três mil municípios brasileiros e 350 no exterior.. Já a previsão climática era uma área muito específica dentro da Climatempo que atendia a clientes que precisavam de um acompanhamento a longo prazo do clima. com um prazo de validade para um período de cinco dias. com a mesma qualidade. gerando gráficos mais precisos para a TV Climatempo. e dentre os nomes apontados como parte dessa elite estava o empreendedor Carlos Magno do Nascimento. Na Internet também era preciso acompanhar o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas e do perfil do internauta. Outra novidade: todos os dias os usuários de todo o País podiam solicitar.. Tudo para tentar minimizar os riscos de investimentos de um setor que gerava cerca de 20 bilhões de dólares por ano. desenvolvendo produtos para celular”.rio Norte. Além de possibilitar o envio de fotografias de fatos ligados ao tempo pelos usuários. temporais que arrasavam cidades. Desde o início. com simples torpedos que enviavam a previsão do tempo para o celular. Era a partir das in- 82 Em outra ponta. qualidade do ar e das praias. De posse dessas informações. o serviço do Climamail. “Sempre estivemos empenhados em trazer para os celulares novas conexões. os celulares se consolidaram . cada vez mais exigente. depois com informações via Internet e por fim com a expectativa de em breve transmitir programas de tevê pelo celular. Por exemplo. fundador e presidente da Climatempo. por isso nosso empenho em produzir conteúdos cada vez mais interessantes para os celulares. As instabilidades climáticas ocorridas no Brasil sempre foram um forte aliado do crescimento da Climatempo no mercado de meteorologia do País. As facilidades operacionais permitiram também que os técnicos da Climatempo conseguissem renderizar imagens e filmes mais rapidamente. Toda essa movimentação em busca da modernização não poderia resultar em outra coisa senão em reconhecimento. criou um serviço especial para a indústria têxtil: a cada 30 dias fazia previsão para os próximos 12 meses. Para isso foram feitas algumas alterações no layout para facilitar a navegação e deixar o portal mais interativo. a revista Info elegia os 21 nomes mais importantes da tecnologia brasileira.” Não era à toa que a Climatempo estava presente nas principais operadoras de celulares. Diariamente eram enviadas informações com a previsão para quatro dias para até cinco cidades. indústria e varejo tinham de recorrer aos meteorologistas. Magno destacaria um dos objetivos da empresa: “Queremos colocar a informação na mão do usuário. o que facilitou o trabalho dos meteorologistas. mapas e imagens do tempo em outros países. Primeiro. avalia Renato Urbinder. O que vai acontecer em dois ou três meses pode ser muito importante para alguns setores. os clientes podiam fazer um planejamento diário de suas ações. novos planos que permitam a navegação na Internet”. frio fora de época.

a Camisaria Colombo. explica Ana Lucia. os dois não deixaram de lado a raiz de tudo: que a meteorologia era uma ciência. Ouvimos bastante os clientes. entre elas a Rede Mulher e algumas retransmissoras regionais. No varejo. Ana Lucia. em São Paulo. “Elaboramos a previsão. No outono de 2003. “Não fui eu quem inventou a previsão climática. Em 2005. explica Ana Lucia. Dividida em regiões brasileiras. Assim como a indústria têxtil. Paulo. Tecelagem e Vestuário de Blumenau (Sintex). direcionada à classe AA. O trabalho de previsão para o setor de moda começou com uma etiqueta de surfwear. a Climatempo conquistou um importante cliente: o Sindicado das Indústrias de Fiação. O prestígio podia ser avaliado pelo reconhecimento da marca. avalia Ana Lucia. A busca da profissionalização era a meta principal da Climatempo. porém. no Rio de Janeiro. Fomos melhorando. a previsão do tempo e do clima era um negócio. a participar da diretoria da Sociedade Brasileira de Meteorologia ( SBMET) para o período de 2004 a 2006. varejo e indústria percebiam a necessidade de contratar uma empresa especializada em serviços meteorológicos. Congresso Brasileiro de Meteorologia. afirma Magno. muitos deles sazonais. Entre os novos clientes. rádios. Os desenhos selecionados foram utilizados na publicidade do congresso e o vencedor ganhou uma câmera fotográfica digital. contratos por trabalho específico. e a confiabilidade se traduzia na quantidade de matérias em todas as mídias em que a Climatempo era fonte de informação.formações da Climatempo que indústrias do setor têxtil definiam a gramatura do tecido que seria usado em determinada peça de roupa. que por si só atraía o interesse de possíveis clientes. André e Patrícia Madeira são os responsáveis por esse tipo de serviço. “Com essa informação. Ana Lucia fora convidada. a gente simplesmente aborta o que está sendo feito e refaz tudo. Em novembro de 2005. a loja solicitou uma previsão antes de selecionar o que iria expor na coleção de inverno. que aconteceria em Florianópolis no ano seguinte. as previsões da empresa também eram fundamentais para definir as vitrines e o tamanho do estoque para a estação. que passou a ter uma página com a previsão meteorológica para o mês elaborada pelo meteorologista André Madeira. a Climatempo e a SBMET promoveram um Concurso de Marcas com Animação para divulgar o 14º. oitenta previsões”. a previsão dava aos aficionados pelo mundo offroad a possibilidade de organizar 83 . se houver uma mudança radical. que reunia 42 empresas. e O Estado de S. famosa loja de grifes de São Paulo. Para Carlos Magno e Ana Lucia. eles sabem se devem investir num tecido mais pesado ou mais leve para a estação seguinte”.500 clientes. era uma coisa muito incipiente. Na empresa. a empresa já registrava uma base de 1. uma vez que prestígio e confiabilidade já estavam definitivamente associados ao nome da empresa em 2006. Por isso era importante manter contato com as entidades do setor e também com a comunidade científica. Ela tem outras raízes que são acadêmicas. O detalhe é que eu fui estudando o que os acadêmicos diziam até encontrar uma solução que o mercado considera boa”. entre elas a Hering e a Marisol. Havia. em 2004. Pouco tempo depois. as indústrias farmacêuticas e da construção civil são as maiores interessadas nas previsões climáticas. outro cliente de peso. Ninguém imagina o trabalho que é refazer setenta. Um exemplo de cliente da previsão climática era a Daslu. como jornais do porte de O Globo e Extra. melhorando. “O dono da marca me perguntou uma vez se era possível fazer uma previsão para estação e eu disse que era. por exemplo. também passou a utilizar as previsões fornecidas pela Climatempo. os clientes fixos. No início. Cada vez mais. O objetivo do concurso era chamar a atenção para a atuação da meteorologia na sociedade e no meio ambiente por intermédio de animações. montamos um formato que está até hoje e podemos fazer a previsão para qualquer lugar do Brasil”. Em 2006. contudo. isto é. como a Eldorado e a CBN e cerca de 50 tevês. destaque para a revista Moto Adventure.

Para modernizá-la e torná-la mais competitiva. Percebemos que a Climatempo já não comportava mais uma administração unificada. a TV Climatempo recebeu novos equipamentos. O Grupo Climatempo passou a ser formado pela Climatempo Consultoria e a Agência Climatempo. “Esta ação fez-se necessária pelo crescimento da empresa desde a sua criação. mas sempre convicto de que o clima está. agronegócios. que desde 2005 havia se reintegrado à equipe com o objetivo de dirigir toda a programação da tevê. AutoBan e Ponte Rio–Niterói. pelo desenvolvimento de novas 84 . em abril de 2006. Arquitetura e Agronomia de São Paulo ( CREA-SP). de alguma forma. os agricultores eram um alvo evidente. Do jeito que estava. desde lojas de varejo. Na cartela de clientes havia malharias. como o boletim das estradas. quatro estúdios de gravação equipados com câmeras e aparelhos digitais.com antecedência viagens. vale ressaltar a variedade de segmentos que procurava a Climatempo. corridas e as demais atividades em duas rodas. criava situações confusas internamente. direto da redação da Climatempo. Essas empresas seguiam a legislação para o tipo de negócio prestado e por isso estavam registradas no Conselho Regional de Engenharia. lojas de departamento etc. transformando a Climatempo em um grupo empresarial. mídias. shoppings. em 1988. ônibus. a tevê atuando com a Internet e interferindo na consultoria. como com site iG. realizar uma profunda alteração para poder atuar em todas essas frentes. permitia a visualização de imagens das câmeras das rodovias e com isso oferecer serviços meteorológicos atualizados. oferecendo análises climáticas com projeção para até um ano. como TVs indoor. comprometendo a qualidade dos serviços prestados. Nesse momento. na base das decisões das pessoas. que usava a previsão para evitar congestionamento no serviço de entrega rápida. que a partir de julho de 2006 passou a oferecer o acompanhamento da previsão do tempo para cinco mil cidades brasileiras e mais 350 cidades de outros países no boletim informativo do portal. voltada para a realização de vídeos e documentários. Com a nova estrutura ganhou também novos serviços. como o Habib’s. E a empresa que souber como o tempo vai se comportar tem uma vantagem”. Entre as empresas. o Último Segundo. e as novas mídias. afirmava Magno em entrevista ao jornal Gazeta Mercantil. Carlos Magno e Ana Lucia tomaram consciência de que era preciso reestruturar a em- presa. A Climatempo Meteorologia e a Agência Climatempo eram as empresas mais antigas do Grupo e respondiam pelo atendimento dire- to a grandes empresas. com cinco ilhas de edição não-linear. empresas de telefonia. com cinco unidades de negócios. Os demais clientes setoriais eu consegui com um pouco de intuição. de julho e agosto de 2006. Toda essa modernização contou com a direção do jornalista Paulo Polli. em entrevista para a revista Exame. e um estúdio em que eram feitas entrevistas e a gravação de comentários. a TV Climatempo. Surge então o Grupo Climatempo. até cadeia de restaurantes. e índice de acerto em torno de 70% e previsão do tempo mensal e diário com índice de acerto de 95% para indústrias. empresas de prestação de serviços técnicos de previsão de tempo e clima: a Climanet direcionada para serviços de Tecnologia da Informação e Internet. além de prejudicar o fluxo do trabalho. empresas de seguro. Carlos Magno. A Climanet era responsável pela manutenção do Portal Climatempo. que recebeu uma nova injeção de investimentos. Para seduzir tantos e tão variados clientes. revelava o seu segredo: “Pela natureza do setor. O novo serviço do tempo trazia também notícias atualizadas a cada 30 minutos. produtoras de filmes. Uma parceria com as concessionárias Ecovias. agências de viagens e parcerias importantes. como a C&A e o Magazine Luiza. a consultoria dedicando-se mais em abastecer a Internet do que seguir o seu objetivo de atender aos clientes. por isso a concepção do grupo solidifica o nosso objetivo de se apresentar ao mercado dessa maneira”. persuasão. assumindo toda a responsabilidade legal pelos trabalhos feitos junto a clientes. por exemplo. e a Climatempo Produções.

A repaginação do portal trouxe previsões do tempo para cinco dias. como estúdios e equipamentos para prestar serviços para terceiros. todos obedecendo à filosofia e missão de cada empresa. além de novas imagens de satélite e de um banco de dados sobre chuvas e temperatura que serviriam como fonte de pesquisa ao internauta.tecnologias. produzindo vídeos institucionais. desenvolvido pela empresa de comunicação Linhas & Laudas. era a profissionalização. 85 . Com a formação do Grupo Climatempo houve uma reformulação total no visual do portal e a criação de dois sites. o da TV Climatempo e um institucional descrevendo as atividades do grupo. atualização de três em três horas. diria Magno. pois. Com toda essa reestruturação. na mesma época em que foi criado o Grupo Climatempo. Enfim. umidade. Ali. antigas instalações da Rede Vida de Televisão. Uma importante mudança de posicionamento da empresa fez com que a Internet gerasse receita não só na produção de conteúdo. “Cada uma delas com a sua vocação”. era hora de mudar para poder crescer. no bairro do Paraíso. foram criados grupos de trabalho. Os novos estúdios e as demais empresas do grupo foram transferidos para um amplo prédio na rua José Antônio Coelho. A Climatempo estava pronta para novos vôos. O Portal Climatempo já estava no ar havia cinco anos e com as modificações ganhou nova identidade visual. o internauta tinha acesso a conteúdos transmitidos ao vivo em banda larga e podia trocar informações e opiniões com a equipe da tevê. pressão e raios ultravioleta para dois dias. mas também com venda de publicidade por meio de banners e links patrocinados. programas de tevê. No site da TV Climatempo era possível encontrar toda a grade de programação da tevê. especialmente aquelas voltadas para a transmissão de informações via celular. surgiu o conselho consultivo e foram nomeados gestores para cada unidade de negócios. A ideia era aproveitar a estrutura da TV Climatempo. ou pelo menos o início dela. e ainda pelo envio de informações customizadas para outros sites e portais. naquele momento. o portal era um dos cem mais visitados em língua portuguesa. além do desenvolvimento de produtos nas áreas de computação gráfica e multimídia. informações sobre vento. uma nova empresa tornou-se parte da holding: a Climatempo Produções. Pelo site. em andares diferentes. Por fim. com uma média de cem mil visitas diárias e mais de oito milhões de page-views por mês. com a descrição de cada programa. Além disso. o prédio da rua Muniz de Souza e a casa amarela ficaram pequenos. novos conteúdos e maior agilidade. documentários. Isso foi possível graças a um acordo com a Microsoft para o desenvolvimento de um software que tornava viável assistir à TV Climatempo pela Internet. Mais uma vez. Um negócio interessante para empresas.

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A gente entende m ano decisivo. Aos 77 anos. era preciso marcar posição. nos bastidores do grupo. pois os avanços mostravam-se rápidos com várias gerações de celulares sucedendo-se num piscar de olhos. Com a atenção voltada para o momento pelo qual o grupo passava. O filme estreou no Brasil em junho de 2008. os celulares passa- O céu fala. formado por Kate Winslet e Jack Black. ficaria guardada no coração. “Foi um momento complicado pessoalmente. quando preciso. Foi a própria produtora do filme. Paulo: “O meteorologista Carlos Magno. Ana Lucia e especialmente o sócio Renato Urbinder estavam sempre atentos às mídias que apontavam nichos importantes a serem conquistados. Apoiando a distância o empreendedorismo do filho meteorologista. dona Alice acompanhou passo a passo. assiste à televisão em sua casa na favela. Logo. ainda no início de 2007. de cada funcionário e as metas comerciais. ainda tão recente. a Climatempo continuava crescendo. e que tem Cameron Diaz no elenco. A Climanet. Diante de uma concorrência acirrada. Um deles certamente era o da tecnologia celular. teve cenas gravadas na favela da Rocinha. porém. representava um novo desafio: o posicionamento da empresa no mercado. inclusive ajudando financeiramente. A tristeza. porém. Pelo menos era assim que Carlos Magno e Ana Lucia encaravam o ano de 2007. Paulo. foi surpreendido ao assistir ao filme O amor não tira férias. a Climatempo.” Climatempo estaria ligada a uma outra superprodução de Hollywood. Nas legendas. a norteamericana Marvel Comics. Carlos Magno foi surpreendido. Magno saiu satisfeito. já estava presente em várias operadoras de telefonia celular com boletins. precisava definir os objetivos de cada núcleo do grupo. Quem conta essa história é César Giobbi. o par romântico. criou os três filhos so- Uma notícia bastante agradável daria um certo alívio à sensação de perda. perto de completar vinte anos. Kate Winslet e Jack Black no elenco. por isso decidi me dedicar ainda mais à profissionalização da empresa e em seu futuro. que desde a morte do pai. A reestruturação da Climatempo. 15/01/2007) Um ano depois. porém. para aproximar o original da realidade brasileira. O filme “O Incrível Hulk”. a Fora das luzes do estrelato.U Mesmo reconhecida nacionalmente como prestadora de serviços meteorológicos e prestigiada até em filmes norte-americanos. o personagem Hulk. mereceu mais do que a citação na legenda brasileira. lógico”. Dessa vez. Seria uma homenagem a minha mãe. para com isso ganhar unidade e poder competir com maior profissionalismo em um mercado que ajudou a criar e agora se expandia. flashes sobre as condições do tempo que podiam ser acessados pelos usuários. dona Alice sempre foi uma fonte de inspiração e respeito para Carlos Magno e seus irmãos. zinha e que um dia saiu do Rio de Janeiro com cinco mil dólares na bolsa só para ajudar a construir o sonho de um deles. produção hollywoodiana com Cameron Diaz e Jude Law. quando tinha apenas cinco anos. (O Estado de S. quem solicitou à Climatempo a imagem reproduzida na tela. Em uma delas. então titular da coluna Persona no jornal O Estado de S. Era realmente preciso ficar alerta. Em uma cena do filme. Para a Climatempo. no Rio de Janeiro. dona Alice sofreu um enfarte fulminante e não resistiu. primeira empresa privada do setor no Brasil. também! 10 87 . fala sobre previsão do tempo e acessa um site americano de meteorologia. interpretado por Norton. uma das unidades do grupo. presidente do Grupo Climatempo. com a triste notícia da morte de sua mãe. ele acessa rapidamente a TV Climatempo e acompanha um boletim climático. dirigido por Louis Leterrier e com Edward Norton no papel principal. Carlos Magno nunca escondeu a admiração pela mãe. e foi um grande sucesso. torpedos. mais uma vez. Ao trocar de canal. Mesmo morando do Rio. em cartaz na cidade. Carlos Magno. o site é livremente traduzido para Climatempo. o crescimento da Climatempo. agora como Grupo Climatempo. Uma área que continuava em franca expansão. parceira do Grupo Estado e líder no segmento. A prova de que o nome Climatempo tornara-se uma referência para a área meteorológica estava no filme “O amor não tira férias”.

como dizia Magno. A TV Climatempo. típico de aeroportos. em 2008. a TV Climatempo tornou-se o primeiro canal brasileiro a fazer parte da programação do novo serviço com um conteúdo repleto de informações.” Outra questão urgente para o grupo e que ficou sob responsabilidade de Violin era a reorganização da área de RH. “Nós não sabíamos nos vender. No Portal Climatempo era possível encontrar anúncios da Nestlé. um serviço por assinatura da Claro em parceria com a Móbil TV. ampliou os serviços para os aeroportos de Guarulhos. e Confins. As previsões eram atualizadas três vezes ao dia e feitas especialmente para a Fly TV. nesse momento. criando as unidades de negócios. Santos Dumont. TAM. executivos e demais passageiros. Nissan. e mudou de nome. A oportunidade de trabalharem juntos surgiu anos depois. Em janeiro de 2007. como Magno prefere definir. Esse desafio foi proposto ao Violin”. ou. em 1999. Nivea. além de treinar os gestores. A Fly TV. decidimos que era hora de montar um departamento comercial. A primeira providência foi a contratação de um experiente profissional na área de treinamento e gestão e também comercial. desde a previsão do tempo e as condições climáticas para o esporte até detalhes sobre a situação dos aeroportos. em São Paulo.ram a comportar muito mais do que mensagens. Violin deu início a um trabalho focado na estruturação de uma área comercial competitiva. Pirelli. envolvendo a montagem de um organograma. em Belo Horizonte – a Fly TV desenvolveu uma programação com conteúdos diversificados. e Vitória. o treinamento dos gestores de cada unidade e firmando parcerias que trariam diversos benefícios aos funcionários. com o dinamismo necessário para esse tipo de serviço e para um público apressado e de passagem. que até então estava mais acostumado a ser “comprado”. Na época. uma variedade de anunciantes que percebeu que superar a marca de 100 mil visitas diárias e ser um dos 100 sites mais acessados em língua portuguesa não era para qualquer um. provedora norte-americana de conteúdo multimídia. A visibilidade da marca Climatempo. relembra Magno. continuou como um dos seus principais parceiros. organizar melhor a área administrativa e de recursos humanos. passou a ser fundamental para o futuro do Grupo. Violin era um dos diretores do jornal Vale Paraibano. na inauguração da TV Climatempo. no Rio de Janeiro. A chance apareceu com o lançamento do Idéias TV. entre eles os boletins climáticos fornecidos pela TV Climatempo. Sua meta era vender os serviços do grupo. Quando a concorrência passou a ser mais forte e percebemos que estávamos fechando menos negócios. E por falar em aeroportos. em São Paulo. “Quando fizemos a reestruturação da Climatempo. porém. Instalada nos principais aeroportos do País – Congonhas. os executivos da TV Climatempo perceberam a possibilidade de a emissora estar presente nos pequenos aparelhinhos. passando a chamar TV Aeroporto. Rápidos no gatilho. Dupont. sentimos que também era preciso profissionalizar esses núcleos. entre eles a possibilidade de 88 . as pessoas nos procuravam para comprar nossos serviços e então simplesmente vendíamos. e um novo e importante processo rumo à profissionalização. A direção do Grupo Climatempo também percebeu isso. Carlos Magno e Vanderlei Violin conheceram-se em São José dos Campos. posicionamento diante do mercado. Renato Urbinder dizia que: “A entrada da TV Climatempo na programação da Fly TV nos aeroportos reforça a posição da empresa como referência no segmento de previsão meteorológica no País”. no Espírito Santo. Na época. podia ser mensurada pela quantidade de empresas que procuravam associar seu produto ao serviço da empresa pela Internet. foi neles que surgiu um outro nicho promissor captado pelo grupo: uma televisão exclusiva para os turistas. Vick. Vanderlei Violin chegou ao grupo em fevereiro de 2007 com a missão de organizar os setores de recursos humanos e Marketing e implantar um departamento comercial compatível com o tamanho do grupo.

demonstrava o pouco entrosamento da equipe. surgiu a primeira carta de valores. A carta de valores foi um marco nesse processo. a dificuldade de fazer a informação circular. Fornecer serviços e produtos de alta qualidade. primeiro no conselho de gestores formado pelos diretores da cada empresa do grupo e depois nos comitês. capacitação técnica. especializada em MBA s.” Para Magno. pois os dois estavam quebrados. do qual participavam os líderes de cada unidade. sem ter a mesma informação. A realização da primeira convenção interna do grupo. ninguém vai saber qual é a sua filosofia”. procurando sempre usar novas técnicas de pre- visão e tecnologias de comunicação. mas não comunica. e o setor de operações. Em 1991. impor suas metas. A Climatempo já havia proposto anteriormente seus objetivos. caso do acordo feito com a escola de idiomas Cel Lep e com a Madia Marketing Scholl. uma visão mais elaborada de suas propostas. Divulgar a que veio. crescer e investir para nos tornarmos o melhor centro de previsão do tempo do Brasil. buscando todos os dias novas tendências e conhecimentos para superar as expectativas dos usuários. abrangendo todas as tecnologias disponíveis. Se o gestor pensa. Sermos a melhor empresa de meteorologia do mundo e permanecer no futuro como uma instituição sólida. com tecnologia 89 . e a formatação de uma carta de valores do grupo deram início a esse trabalho. Julho de 1994 O que querem os nossos clientes? Previsão do tempo com boa qualidade. ampliando as bases das primeiras e também alargando os horizontes da Climatempo: A nossa missão é ser o melhor centro de distribuição de informação meteorológica do Brasil. Investir em máquinas e em conhecimento. Senti que a situação era grave quando um cliente tentou usar os banheiros de um dos andares da empresa e não conseguiu. Outra carta de valores foi elaborada em 2001. E o resultado foi a divulgação da visão. e isso precisava mudar. da missão e dos valores do Grupo Climatempo: Visão Sermos líderes no mercado nacional. Como vamos chegar lá? Trabalhando com confiança em nossa capacidade. Sorria sempre. conhecimento e criatividade. Isso se dará através do fornecimento de conteúdo para os clientes e também através de nossos próprios meios de comunicação. Simples e direta: Julho de 1991 Missão Sermos a melhor e a mais conhecida previsão do tempo do Brasil. “Toda empresa precisa se divulgar. lucrativa e inovadora. Postura O cliente tem que sentir que você está verdadeiramente interessado em resolver o problema. por exemplo. como o fluxo de informação. clientes e parceiros. “Coisas como eu receber o cancelamento de um contrato de uma tevê. pois traduzia toda a nova mentalidade que Magno e Ana queriam introduzir no grupo. Nossa missão Elaborar para nossos clientes a melhor previsão do tempo. software e hardware. cada vez mais prestar um serviço melhor para os nossos clientes e futuros clientes. Eu não havia sido informado e ninguém se preocupou em avisar. A nova e mais recente carta foi discutida internamente. Poucos anos depois. com tratamento simpático e sem burocracia. Magno contava com a experiência de Violin no gerenciamento do departamento de RH para acabar com problemas básicos para uma empresa. clara e centrada para a sua necessidade. Missão Desenvolver e oferecer a melhor previsão do tempo com total independência. acredita Magno.atualização por meio de cursos de idiomas e gestão. O que vamos conseguir com isso? Sobreviver. em fevereiro de 2007. continuar enviando o serviço para o cliente. essa falta de unidade.

que trouxe para o grupo sua visão de como criar uma comunicação coorporativa eficiente e marcante. mais leve. afirmou Ana Lucia na época. sempre com o objetivo de alcançar experiência. que após a mudança na estrutura do grupo buscou novos conteúdos audiovisuais. reformulado. elevando em 30% o quadro de meteorologistas. Garra. porém. maior empresa privada de meteorologia do País. além da chegada de anunciantes de peso. vontade de crescer e vencer. Foi aí que entrou em cena um outro importante personagem. atendeu ao pedido de Magno e Ana. Sky. Com isso. o Grupo Climatempo completa um ano com um crescimento de 30% em seu faturamento. em seus resultados. com nomes como Embratel. Esse dado por si só já dava uma ideia de quanto a procura pela previsão do tempo e especialmente de clima cresceu nesse período. e cada empresa ganhou vida própria. braço da TV. O resultado positivo entre o primeiro trimestre de 2006 e os três primeiros meses de 2007 é consequência da evolução de todos os setores da empresa. manteve uma base de assinantes em torno de dois milhões de pessoas distribuídas pelas principais operadoras. enquanto a Climatempo Consultoria e a Agência Climatempo. Dar ao cliente o mais alto nível de personalização. Violin. e atraiu a atenção das principais empresas de telefonia móvel. Busca permanente da confiança e credibilidade. Esse processo envolveu não só o RH e o departamento comercial. Esse sucesso se deve muito à consolidação da Climatempo Produções. além de oferecer um atendimento full-time aos clientes”.avançada e clareza nas informações. um novo logotipo criado. Na Internet. Toyota. bem como na Agência Climatempo. O faturamento da Climatempo Internet subiu 30% no período. e promoveu um grande investimento em tecnologias. que caminham lado a lado. Isso ficou claro em um relatório divulgado pela empresa de comunicação Linhas & Laudas. do organograma ao plano de metas. Constante espaço para discussões. A GENTE ENTENDE . o publicitário Camilo Magalhães.” O relatório destacava ainda o crescimento da marca em todos os setores do mercado. foi mais além ao abrir caminho para uma tomada de posição do grupo. Criado com o objetivo de estruturar as cinco unidades de negócios da Climatempo Meteorologia. determinação. Ótimo atendimento ao cliente. ponto para a TV Climatempo. E por fim. respectivamente. Todo o grupo. houve um significativo aumento de acessos ao Portal Climatempo e também aos novos sites da tevê e do grupo. segundo o relatório. algumas delas passando a transmitir a programação da O CÉU Assim é que em apenas um ano o Grupo Climatempo caminhava a passos largos em busca de suas novas metas. Nivea. sócio da empresa Btools. destaque para a contratação de profissionais. FALA . NET Digital e outras 44 operadoras pelo País. no qual fazia um balanço do primeiro ano do grupo. A partir da carta de valores. Comprometimento. 90 As empresas passaram por uma verdadeira repaginação: o site foi . em tons claros de azul. Valores Capacidade de perceber alternativas e buscar soluções criativas de qualidade. “Isso deu à Climatempo a oportunidade de ser proativa tanto no dia a dia quanto na criação de novos serviços. A TV Climatempo foi a que apresentou a maior elevação: 85%. Na consultoria. obtiveram um incremento de 20% e 10%. novas ideias e soluções. em cada unidade do grupo. que há um ano estava em fase embrionária e já atua em diversos projetos. ganhou uma nova comunicação visual e um slogan forte para reforçar a marca: C LIMATEMPO . mesmo sendo um executivo especializado na área comercial. e como vice-presidente do grupo norteou sua atuação no planejamento estratégico de cada empresa. ética e respeito ao cliente externo e interno.

Tivemos de mudar todo o sistema para que as nossas parceiras continuassem a receber o sinal. passou a transmitir boletins específicos para a sua região. nós já somos interativos. assuntos obrigatórios em um canal do tempo. mas diretamente ligada às meninas que trabalham na tevê. dizia-se que a tevê apresentava um padrão do tipo Bloomberg – um visual parecido com o canal de notícias financeiras da tevê a cabo –. uma identidade. Por meio desse novo processo foi possível gerar uma programação local para as diferentes operadoras. acho que eu sou muito boa naquilo que faço e cada vez mais. “Eu acompanho e oriento todo o conteúdo de meteorologia. por outro lado. como a súbita interrupção do sinal da TECSAT . teve seu ponto positivo. ganhou cara mais moderna. Uma primeira tentativa foi feita com o lançamento de um programa de entrevistas produzido e apresentado pela jornalista Ângela Ruiz. O desafio de manter o pioneirismo enfrentou seus percalços. avalia com orgulho Josélia. Pelotas. e no ano seguinte se tornaria parceira da embrionária TV Climatempo. ligados de alguma forma à meteorologia. no celular. sem dúvida. por exemplo. digitais. lembra Magno. passou a acompanhar de perto o conteúdo da tevê. Além disso. Ao acessar o canal 211 era possível acompanhar a previsão para as principais capitais do País e do mundo. era tratar de temas atuais. nesses vinte anos de Climatempo. com um logotipo estampado na tela e na roupa dos apresentadores. somos um canal que entra na Internet. além da programação nacional. As inovações propostas pelo publicitário da BTOOLS atingiram em cheio a TV Climatempo. A gente fez uma opção de empacotar produtos de uma forma que seja bem visualizada na Internet. com todo o seu profissionalismo e com a experiência adquirida ao longo de quase vinte anos de rádio Eldorado. na tevê”. Ângela ouviu os principais especialistas brasileiros em meio ambiente para discutir questões como mudanças climáticas. biodiversidade. mas tem coisa que eu passei para a tevê que é exatamente a forma que eu aprendi a fazer na rádio. outra iniciativa que também partiu da constatação da importância das 91 . a TECSAT era a responsável pela distribuição da TV Climatempo para as demais operadoras. Ainda estou aprendendo a fazer aquilo que funciona na telinha. colocando computadores em várias operadoras”. Esse seria um primeiro passo para entrar também com conteúdo audiovisual. Com todas as mudanças implementadas no formato da TV Climatempo era natural o desejo de expandir a programação para além da previsão do tempo. desde como se fala até o que se fala na televisão. Até então. certamente. uma nova programação. Sem modéstia.tevê em tempo real. site. O caminho. a meteorologista Josélia Pegorim. “Você percebe que a Climatempo foi sempre muito pioneira. Continuo trabalhando em outras coisas. tanto no portal quanto em seu próprio site. Hoje se fala em modernidade da tevê interativa. em São José dos Campos. “Foi um contratempo para a operação da tevê. Até a queda definitiva do seu sinal. que. Durante o ano de 2007. tenho para mim que ou o meu trabalho é útil para as pessoas para melhorar o seu dia a dia ou ele não serve para nada”. a TV Climatempo passou a produzir conteúdo para o sistema interativo da operadora. Outra boa novidade nesse ano foi a entrada no sistema NET Digital São Paulo. em agosto de 2007. A partir de fevereiro. Além do programa na tevê. As entrevistas fizeram parte do programa Foco Ambiental e hoje são um documento importante para quem quer conhecer melhor esses temas. banda larga. 24 horas por dia. outras com possibilidade de acessar todo o seu conteúdo. foi preciso encontrar um padrão Climatempo. do Grupo Climatempo. e principalmente um novo formato. mas que. A empresa havia sido fundada em 1998. Amazônia. por download. A TV Climatempo também podia ser vista na Internet. avalia Carlos Magno. Afinal era o primeiro e único canal brasileiro de meteorologia. Meio ambiente. Um processo que gerou custos inesperados. biodiversidade brasileira e aquecimento global eram. em junho de 2007. novos clientes.

“A Climanet não pode contaminar a Climatempo e vice-versa. Começava aí mais uma partida desse jogo. em São Paulo. produzir um conteúdo para tevê que seja apetitoso para podermos crescer. órgão da Organização das Nações Unidas ( ONU ) composto por representantes de 130 governos. Vale lembrar que em 2007 a preocupação com o aquecimento global dominou boa parte dos debates sobre meio ambiente. e nossa meta é mostrar como isso terá efeito nas companhias. Segundo ele. para discutir os problemas causados pelas mudanças climáticas. “Até o ano passado. conta Magno. houve um aumento no faturamento do grupo por causa da procura por relatórios climáticos. Cada vez mais a Climatempo era procurada por empresas interessadas em diagnósticos mais profundos do clima. diria Carlos Magno em entrevista para o jornal O Globo. e o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes debateram as causas e também as possíveis consequências do aquecimento global. para no futuro não ser pega de surpresa por uma bola fora.” Mais uma vez. base para o planejamento estratégico de várias indústrias. também. Se não fosse por ela. na economia mundial e mais especificamente no Brasil. os serviços de meteorologia passaram a ser um insumo valioso para as empresas”. mas nosso conteúdo era apenas mete- 92 . era preciso ter muita garra para segurar os reveses e as mudanças de regras e ser muito persistente para seguir em frente. análises a longo prazo na tentativa de definir estratégias para evitar os riscos e também as possíveis consequências provocadas pelo aquecimento global. especialistas de renome internacional como o professor Pedro Dias Leite. Para Carlos Magno. Reunidos no fórum “Risco Ambiental”. Toda a evolução de faturamento voltou um e meio para trás. Nesse ano. em especial na área da telecomunicação. o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas ( IPCC). de abril de 2007. foi preciso. Especialmente na unidade de consultoria. que como membro do IPCC foi um dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz de 2007. que mediou o encontro. mais uma vez. a Climatempo viria confirmar sua vocação de estar sempre à frente dos grandes temas globais. não era para principiantes e ingênuos. Em outubro de 2007. A preocupação com o meio ambiente podia ser percebida no perfil de novos clientes do grupo. a operadora de tevê a cabo simplesmente comunicou que a TV Climatempo estaria fora do line-up da Sky. Clientes de peso como Petrobrás e empresas geradoras de energia começavam a se programar para tentar minimizar os impactos das mudanças climáticas. para que cada unidade de negócio tenha sua ação lucrativa no futuro. “Houve uma redução do contrato em 50%. principalmente com relação à disponibilidade de recursos hídricos. quando completa vinte anos de existência. orçamentos separados. Teríamos de vender publicidade e a tevê teria de se sustentar”. promovido pelo Grupo Climatempo.questões ambientais foi a realização de um encontro. havia a possibilidade de negociação: a TV Climatempo deixaria de receber por assinante e teria um faturamento fixo. reafirmar a necessidade de cada unidade do grupo ganhar espaço para poder se sustentar. “Com a instabilidade do clima. talvez tivesse desanimado quando recebeu uma carta da Sky mudando as regras. nós passamos pela profissionalização da equipe. teremos fortes consequências econômicas também. Se a população de uma forma geral não se conscientizar sobre o assunto. Carlos Magno define-se como uma pessoa obstinada: “Minha melhor qualidade é ser persistente”. As empresas do Grupo terão de trabalhar com missões separadas. divulgou documento sobre as consequências da elevação das temperaturas na Terra e sobre a responsabilidade da ação humana no meio ambiente. “Ainda não está claro quais são os reais riscos que o Brasil corre com o problema do aquecimento global.” Com esse objetivo em mente é que o Grupo Climatempo chega a 2008. em abril. a iniciativa era muito importante para esclarecer alguns aspectos econômicos da situação. Naquele momento. apesar dos obstáculos encontrados no caminho. O jogo do mercado. Na verdade. bem como de outros fatores climáticos. Teremos de nos reinventar.

não a estatização da meteorologia. A Climatempo marca presença como um gadget. sendo respeitada e atingindo um nível de credibilidade nunca antes visto. e é preciso ter cuidado com o que vamos anunciar. como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). fotos e vídeos. os boletins são produzidos pela equipe da TV Climatempo. criar redes de radares para contar com um maior nú- mero de informação. nessa área.youtube.br/climatempo. órgãos públicos e entidades da sociedade civil perceberam a necessidade de estabelecer uma política nacional. trouxemos parceiros para comercializar esse produto. reflete Magno. Nunca se falou tanto em meteorologia como dos anos 1980 para cá. Tratada sempre como um serviço público. O desafio interno é melhorar os modelos matemáticos. Em julho de 2003. tramitava na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ ) do Senado Federal projeto de emenda constitucional de autoria do senador Osmar Dias ( PDT PR). que integra tevê. agora criamos um padrão para a TV Climatempo.com. Cabe a essa empresa o crédito de contribuir para colocar a meteorologia brasileira em seu devido lugar. pois nossa linha é muito focada em meteorologia e meio ambiente. uma das mais novas febres da Internet. mas a unificação dos órgãos federais. na qual é possível assistir a vídeos com previsão do tempo para todas as regiões do Brasil. a informação meteorológica ganhou as ruas definitivamente. Nessa época. estreamos 13 programas. a participação da empresa nas mais modernas formas de comunicação. por exemplo. em parceria com o YouTube. porém.orologia. Outras duas novidades são o acordo firmado com a Microsoft. fizemos uma repaginação para mostrar as inovações e. Com duração média de um minuto e atualizados três vezes ao dia. Por outro lado é preciso ter uma programação atrativa para que o público fique mais tempo”. em que internautas criam páginas personalizadas. ao longo dos três primeiros meses de 2008. serviço criado pelo Google. principalmente pela forma humanizada de transmitir a previsão do tempo. e a presença no site de compartilhamento de vídeos YouTube. É importante destacar. como celulares e em sites espalhados por todo o Brasil. A grande vantagem dessa parceria é a interação que o site permite com os internautas. colocam a Climatempo à frente de seu tempo e. a Climatempo lançou uma página customizada. Para a consultoria. No início de 2008. “vieram para ficar”. as entidades públicas estaduais e as empresas privadas. muito popular por divulgar variados tipos de vídeos que são postados e acessados por milhões de usuários. segundo o senador. graças à ação da iniciativa privada. www. base de todo o trabalho feito ao longo dos últimos vinte anos pela Climatempo. Várias tentativas foram feitas para implementar uma direção para o setor. a Internet busca o crescimento acompanhando as novas tendências de mídia. como diz Carlos Magno. Muitas vezes é um risco trazer publicidade. definindo o papel de cada um no processo de divulgação dos dados e informações climáticas. que participam da página enviando vídeos caseiros e comentando as notícias postadas ao longo do dia. o desafio é continuar crescendo. utilizando cada vez mais a Climatempo Produções. Todas essas inovações e parcerias. à medida que amplia a conscientização para a importância da meteorologia. em que a TV Climatempo passou a ser o primeiro canal de notícias a fazer parte de uma nova ferramenta do Windows Vista. Fruto do planejamento estratégico elaborado por Violin. cada empresa do grupo tem seu plano de metas para os próximos cinco anos. um miniaplicativo em que o usuário acessa diretamente as informações meteorológicas que mais lhe interessam. Segundo Magno. na área de documentários. A in- 93 . com recursos de interatividade e que atinja a expectativa do público. Em março de 2008. enquanto a tevê caminha para ter uma programação mais forte. desse planejamento ainda é a meteorologia. Caso do I-Google. aumentando a cartela de clientes. A raiz. ainda em 2008. Internet. Diante desse cenário. o governo pensou em um Sistema Nacional de Meteorologia e Climatologia. O projeto tinha como objetivo. o Windows Media Center. fruto de uma época em constante mutação.

e tantos outros que acreditaram desde o início na competência da empresa. Arquitetura e Agronomia (Confea). e também de entidades ligadas à meteorologia. “Caso o texto seja aprovado. o número de boletins é menor. Começaram a entender que fazer a previsão do tempo é uma parte do trabalho. oficializou a Comissão de Coordenação das Atividades de Meteorologia. afirma Magno. Um funcionário público não vai vender um serviço de meteorologia ou climatologia. As primeiras reuniões aconteceram um ano depois. Nosso negócio não é academia. Não era nossa intenção concorrer com o Ministério da Ciência e da Tecnologia ou com alguma universidade. Olhando para trás. Ana Lucia tem uma opinião bastante clara: “A previsão do tempo era uma criança feia. onde tudo começou. Nós sempre respeitamos todas as instituições. prazo que a comissão tem para elaborar uma propos- ta de política para a meteorologia brasileira. ainda em tramitação no Congresso Nacional. cerca de vinte vezes. “Ao longo desses vinte anos amadureci como pessoa. já se pode vislumbrar uma história que não é só empresarial. e Ana Lucia como suplente. Ele não tem essa característica. dentro do jornal Eldorado. eu deixo isso muito claro: ‘Olha. O número de entradas na Eldorado durante o dia é muito grande. eu entro de meia 94 . uma vez bem cumprida. titular. primeira edição. esses órgãos começaram a se interessar em fazer a previsão do tempo. Os escolhidos foram Carlos Magno. acompanhamos o que está sendo pensado para a nossa área”.tenção do projeto seria a reestruturação do sistema para promover a “democratização” das informações. tem um valor inestimável para o País. O sujeito sai de casa sentindo calor e vai voltar sentindo frio. As discussões estão apenas começando e qualquer decisão só deve sair em 2010. Refletindo sobre o papel e a competência da iniciativa privada e dos órgãos públicos. os jornais do Grupo Estado. Demoraram. Mudei muito a forma de falar das questões do tempo para as pessoas. Climatologia e Hidrologia ( CMCH). a CBN. A novidade ficou por conta da inclusão de representantes das empresas privadas. O Globo. “Agora podemos ver outras janelas à frente. “A participação é muito importante. Um bom exemplo disso são as grandes viradas de tempo que acontecem no fim de tarde em São Paulo. “A proposta do governo é centralizadora”. caso da Sociedade Brasileira de Meteorologia. de 21 de março de 2007. mas na AM. Demoraram a entender isso.” Vinte anos se passaram e a Climatempo é uma jovem empresa com muito gás e ainda com muito potencial de crescimento. nossos olhos alcançam outros horizontes que parecem sempre mais próximos”. divulgar de forma adequada é outra parte. a partir de abril de 2008. E hoje em dia todo mundo quer ser o pai da criança. que. sempre baseado no seguinte: ‘O que as pessoas me perguntariam hoje? O que elas estão sentindo? O que elas querem saber?’. Não foi em vão que nomes como Josélia Pegorim se tornaram sinônimo de previsão na rádio Eldorado e também nas páginas do Estadão. Na FM. nesse contexto de criação de uma política para a meteorologia. resume Ana Lucia. além de colocarmos a visão da iniciativa privada. mas também de vida. mas entenderam. mas com profissionais que encamparam o sonho de dar credibilidade à previsão do tempo. como Inmet e Inpe. ambos da Climatempo. como a rádio Eldorado. como profissional. afirmou Ana Lucia. de novo pela janela do pequeno apartamento da Vila Mariana. quando eu sei que esse tipo de situação é possível. Para isso contou não só com o casal que deu início a tudo. com a participação de representantes dos principais órgãos públicos. estabeleceu a criação de uma comissão especial para discutir mais a fundo a questão. muito cuidado com a roupa que você vai sair de casa’. por indicação do Conselho Federal de Engenharia. prestando serviço à sociedade e também à comunidade meteorológica e a parceiros fiéis. vender é outra parte. Depois que a criança começou a ficar bonita. naquele momento.” O projeto. nunca tivemos a intenção de nos apropriar de méritos ou informações de nenhuma outra instituição. o governo explorará um setor que se desenvolveu por meio da iniciativa privada. Um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A criança feia está mais bonita agora. Mas eu continuo pensando. porque a gente não sabe o que vai acontecer. nem o dia de amanhã’. o eterno homem do tempo. “Eu tenho meus sonhos. Hoje temos sociedade na agência. estudar e principalmente pensar lá para frente. A ciência evolui e a gente usa isso. Já falo francês e inglês e agora estudo espanhol. Já no Estadão. mas nem por isso perderam o estímulo nem deixaram de sonhar. espero não estar mais na direção. mas principalmente temos um carinho muito especial”. afirma Patrícia. Em cinco anos. na riqueza e na pobreza. Sudeste e Centro-Oeste.” A Climatempo segue o seu destino pioneiro. Ele fez questão de dizer como o trabalho era legal. Minha estratégia é pensar em uma Climatempo internacional. pretendo contratar um profissional e ficar no conselho. uma nova forma de olhar o céu. 95 . E assim também acontece com todos que. “Descobrimos há pouco tempo o tamanho da Climatempo. marcando posição. Respondi a ele: ‘Sabe do que eu sinto orgulho? É de a gente ter chegado até aqui. Um dia. Hoje em dia está tudo bem encaminhado aqui na Climatempo com as estruturas de planejamento estratégico criadas pelo Violin. Nem em suas horas de lazer. direta ou indiretamente. e Ana Lucia.” O casal de meteorologistas André e Patrícia Madeira poderia acrescentar “faça chuva ou faça sol” às suas juras de amor eterno. admite Magno.em meia hora. Quando o Violin chegou e passou a transmitir os valores da empresa é que a ficha começou a cair. Por enquanto. Ambos estão mais experientes. que hoje também é reconhecido nas ondas da rádio CBN: “Na alegria e na tristeza. 13/8/2008). “Alguns dias depois de eu ter concluído o meu MBA em marketing. Quero conhecer métodos e idéias de como entender as culturas de outros países. Eu e o André nos consideramos parte da Climatempo e não vemos nossa vida separada da empresa. E o que espera para os próximos anos? “Crescer bastante em dez anos. cada um empresta sua voz a dois boletins diários. André e Patrícia Madeira. nosso gerente de tecnologia entrou em minha sala dizendo que estava feliz por isso. diz Ana Lucia. Para Carlos Magno.” “Como para fazer qualquer previsão. estudando relações sociais e culturais entre diversos países. Ela também vê boas perspectivas para o futuro da empresa. o importante é se preparar para o futuro”. dos que ainda estão lá e dos que já saíram para seguir outros caminhos. nem na praia. a gente estava na Climatempo. Eu tenho um sonho de expandir a Climatempo para esses mercados. Carinho é o sentimento comum de quem conhece a empresa. Ela pela manhã e ele à tarde. (Veja São Paulo. cada dia é um novo desafio. Quero também ga- nhar a América Latina e estou me preparando. os dois são os responsáveis por apresentar a previsão do tempo da rádio CBN desde 2001.” Ou então como aconteceu com outro casal que faz parte da história da Climatempo. A cada dia vemos mais setores que podem usar a meteorologia. “Não consigo me desligar”. e a gente já estava na Climatempo. Casados há treze anos. e entendê-lo. tenho de ter boas idéias todos os dias para escrever cinco ou seis linhas precisas e diretas. seu esporte preferido. na saúde e na doença.” Ana Lucia hoje é a responsável pelos assuntos estratégicos do Grupo Climatempo. Muitas vezes acertamos e outras tantas erramos. mas somos pouco conhecidos no Norte e Nordeste do Brasil. Eu não tinha noção. casamos. durante o tênis. caminhou lado a lado com a história da meteorologia. A Gabriela (filha de nove anos do casal) nasceu. onde encontra tempo para ler. A gente é muito visto no Sul. a gente ainda vai atrás de novas propostas. fui dar uma entrevista na TV Gazeta e um médico chegou para mim e perguntou: ‘Você é a Patrícia Madeira? Eu ouço sempre você’. tiveram alguma participação na construção da Climatempo. Funcionários da empresa Climatempo. construindo um novo modo de pensar. Para construir uma empresa sólida temos de adquirir conhecimento. Nesses vinte anos. No fundo sou um empreendedor e quero empreender em outras áreas.

ANDRÉ MADEIRA
meteorologista

NEIDE DE OLIVEIRA
meteorologista do Inmet

RENATO URBINDER
sócio da Climatempo

A gente se considera parte da Climatempo. Não vejo a minha vida separada da empresa. Eu casei e já estava na Climatempo, a Gabriela, minha filha, nasceu e eu estava na Climatempo. Nesse período todo, teve altos e baixos, mas foi sempre muito bom. Tenho um carinho muito especial pela empresa. PATRÍCIA MADEIRA
meteorologista

Magno é muito focado no que ele quer e muito determinado. Hoje se a meteorologia cresceu foi por causa da Climatempo. ROGÉRIO LEITE
amigo e ex-sócio

Eu gosto muito de trabalhar aqui. Meu sonho é que a gente possa dominar a previsão do tempo oferecendo um serviço para a comunidade. Ter uma equipe de jornalismo e correspondentes para aumentar as notícias sobre o tempo. PAULO POLLI
diretor da TV Climatempo

O que mais me estimula, primeiro, são os sócios e depois também o negócio. Sócios que passem estímulo e confiança. Não existe negócio no mundo em que os sócios não tenham períodos de convergência e divergência. Na Climatempo, as divergências foram muito menores. Sempre tivemos uma li-

O negócio meteorologia ainda está escondido. Mostra a miopia dessa área de comunicação. É um negócio que dá muito dinheiro. Todo mundo conhece o site da Climatempo. O nome Climatempo. É preciso mostrar quanto as pessoas usam a meteorologia e não sabem. Eu aprendi a gostar, sempre usei muito, pois gosto de velejar, mergulhar. Meteorologia é um negócio e eu fiz parte desse negócio. O Magno me explicou, me ensinou por que a meteorologia do Brasil estava defasada, e eu entendi que era um bom negócio. WALDEMAR STEFAN BARROSO
amigo e ex-sócio

A Climatempo possibilitou a transformação da meteorologia em conteúdo jornalístico, técnico, científico e operacional na Rede Globo. Quando o quadro do tempo começou na [TV] Globo, não tinha nada, foi tudo uma inovação. Desde a linguagem, o grafismo, a computação. Tudo passou por uma experimentação. Na época eu sentava com a Ana Lucia e buscava a notícia, tentava aprender. Juntos conseguimos humanizar a previsão do tempo. AMAURI SOARES
diretor da Rede Globo

A Climatempo ajudou a divulgar a meteorologia e acho que não tem competição com o órgão público.

Um serviço meteorológico moderno deve efetuar três funções básicas: monitorar, elaborar produtos (aqui incluem-se as previsões de tempo e clima) e engajar os usuários. Como a tarefa é enorme, principalmente num país como o Brasil, a participação do setor privado é muito importante para melhorar o atendimento aos usuários, de forma customizada e mais especializada. Sua atuação deve, naturalmente, ser bem ligada com o serviço nacional para evitar redundâncias,

Depoimentos
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Tenho muito carinho pela Climatempo, por fazer parte dela. É bom saber que a gente ajudou nesse crescimento e eu vejo o reconhecimento da empresa. O Magno é um cara inovador. A Climatempo abriu as portas da meteorologia. Espero continuar na empresa nos próximos dez anos.

berdade muito grande de falar. Sempre brinco com o Magno: desembaraça esses óculos. Poucas vezes tivemos divergências importantes: trazemos coisas positivas para a empresa. O nome Climatempo é muito maior do que todo o nosso faturamento. Tem.muita credibilidade. Não temos telhado de vidro, temos uma laje de concreto.

A empresa privada faz uma previsão diferenciada e o órgão do governo é mais geral. Por isso não há competição. Não vejo a Climatempo como concorrente do governo. O Magno tem o dom da palavra, sabe passar as coisas com credibilidade, e ele e a Ana formaram uma grande empresa.

propiciar economicidade, evitar atritos indevidos de competência. Vejo com muito bons olhos uma maior atuação do setor privado nesta parceria, mas deve ser bem coordenada para melhor atender aos usuários específicos a quem os produtos se destinam. ANTONIO DIVINO MOURA
diretor do INEMET

O trabalho da Climatempo na Eldorado foi fantástico; eles provaram que o “curandeirismo” estava com os dias contados. Os ouvintes mereciam mais respeito e qualidade de informação. Eles ofereceram um serviço essencial aos ouvintes. Foi uma parceria vitoriosa, da qual muito me orgulho. JOÃO LARA MESQUITA
ex-diretor da rádio Eldorado

A Climatempo, maior empresa de meteorologia do País, acaba de estabelecer mais um acordo com a Microsoft. Desde o dia 4 de julho de 2008, a TV Climatempo é o primeiro canal de notícias do Windows Media Center – uma ferramenta do Windows Vista que integra TV, Internet, música, fotos e vídeos. Para Ricardo Wagner, gerente de produto Windows Vista da Microsoft Brasil, a “parceria com a Climatempo traz um novo serviço de qualidade para os nossos usuários, que podem ter informação sobre a previsão do tempo on-demand, acessando do conforto de casa. Para as empresas, o Media Center ajuda a complementar a estratégia online por meio da exposição de conteúdo”.
Fonte: www.microsoft.com/ latam/presspass/brasil/2008/ julho/climatempo.mspx

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vários DCI.msu. vários DVDs Clipping – Entrevista a João Dória TV Palestra de Carlos Magno – 2 ª. 2002 Revista Forbes Brasil.org. vários O Estado de S.br/grimm/aposmeteo/cap1/cap1-1. 2007 Boletim ABTA.ufpr. um livro sujeito a chuvas e trovoadas.al. 1988 Revista Ecologia e Desenvolvimento. Memórias do Tempo.htm http://www. 2003 Revista Exame.br/index. 1998 Boletim Cable Report. vários Folha de S. 1997 Revista Diálogo Médico. 2005. vários Valor Econômico.iag. da Silva Dias Maria do Carmo Fogaça Neide de Oliveira Patrícia Madeira Paulo Polli Rogério Leite Renato Urbinder Waldemar Stefan Barroso LIVROS MEMÓRIA GLOBO. 1997 Revista Superinteressante. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 2008 Programa Negócios e Soluções. 2003. 2003 Revista Dinheiro.html ARTIGOS E PERIÓDICOS Grande parte das informações teve como fonte a clipagem feita pela empresa Linhas & Laudas em boletins e releases produzidos entre os anos de 1999 e 2008.sbmet. Amauri Soares Ana Lucia Frony de Macedo André Madeira Ângela Ruiz Antonio Divino Moura Carlos Magno do Nascimento Fernando Moreira Fernanda Bulhões Gilca Palma Josélia Pegorim João Lara Mesquita Maria Assunção F. vários Meio & Mensagem. turma. 2006 Revista Info Exame. 8ª.bbc. São Paulo. Também foram consultados os seguintes jornais e revistas: Revista Brasileira de Tecnologia – RBT. Convenção da Climatempo. vários O Dia.usp.edu/cgi-bin/ wa?A2=ind0209A&L= aejmc&P=18687 http://list.gov.org.br/sbmet/ Assembleia/resolucoes/ politica_nacional/ Relatorio_sbmet_pnm_2002. Paulo.mct.gov.shtml http://list. vários Gazeta Mercantil. 2007 Diário Popular.php/ content/view/68391. Paulo. TV Cultura Fontes e bibliografia 99 Os depoimentos dados a essa obra foram colhidos entre março e julho de 2008: http://cienciaetecnologia.html http://www.br/siae97/ meteo. PEREIRA.co. vários Jornal da Tarde. várias Revista Veja.uk/weather/features/ weather_broadcasting.edu/cgi-bin/ wa?A2=ind0209A&L= aejmc&P=18687 http://www.br/ Detalhe.weather. 1998 Caderno MBA – Madia Marketing School. Vera Malfa e SPINARDI.jornaldaciencia.pdf http://www. 1997 Revista Contigo. 2004 Revista Pequenas empresas.Revista Tela Viva.br/ arquivos/publicacoes/revistas/ cirrus_3. Jornal Nacional: a notícia faz história. várias . Alcir.html http://www.jsp?id=47792 http://br. SITES http://fisica.msu.pdf Grandes negócios. vários O Globo.com/aboutus/ background.

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Alice. Ele chegou a trazer de Londres um moderno aparelho de recepção de satélite. contribuíram e incentivaram o crescimento da Climatempo. mãe e amiga de Carlos Magno que deu apoio moral e financeiro nos primeiros anos da Climatempo. Dª. o pequeno Victor Hugo. Seu Juvenal e dona Atala. terceiro filho do casal. dois jovens empreendedores. Carlos Magno e Ana Lucia. na Rua da União. em meio à parafernália de aparelhos usada nos boletins da rádio Eldorado. Na foto. sonhavam em ter seu próprio negócio. em São Paulo.Da janela de um pequeno apartamento da Vila Mariana. Caderno de fotos 101 . pais de Ana Lucia. O primeiro escritório funcionava na mesma casa em que Carlos Magno e Ana Lucia moravam.

ainda pequena. na Rua Baltazar Lisboa. mas agora em uma casa só para ela. . a Climatempo já tem uma estrutura própria. amigo que virou colaborador. Na foto.Em 1996. Rogério Leite. Rogério Leite instalando uma antena de recepção de satélite na sede da Climatempo.

A meteorologia é destaque no livro que conta a história do Jornal Nacional.A partir de 1990. O meteorologista André Madeira. Carlos Magno tornase o primeiro homem do tempo da tevê brasileira. Na foto. . a Climatempo passa a prestar inestimável serviço à Rede Globo. um dos primeiros colaboradores do Grupo Climatempo. a moça do tempo do JN. Foi o impulso que precisava para divulgar a meteorologia e crescer como empresa. apresentando o quadro do tempo no Jornal Nacional. Em 1996. Sandra Annemberg. da Rede Globo.

Carlos Magno compra briga com o Weather Channel pelo direito de usar Canal do Tempo na feira da ABTV de 1998. em São Paulo. o direito de usar o nome Canal do Tempo ainda na feira de 1998. no Anhembi. Maria Cândida. .André Madeira orienta a então “moça do tempo” da Globo.: depois da disputa judicial. Acima: os primeiros dez anos da Climatempo foram comemorados com uma grande festa em São Paulo. em São Paulo. Já pensando em seu próprio canal de TV. À esq.

. Durante a festa de dez anos da Climatempo. no ano seguinte. surge a TV Climatempo.O amigo e sócio Waldemar Stefan Barroso ensaiando para um piloto do Canal do Tempo ainda em 1998. os sócios Waldemar Stefan Barroso e Carlos Magno do Nascimento. Ana Lucia Frony de Macedo e Carlos Magno do Nascimento lançam a TV Climatempo. Para evitar problemas. em 1999. Na foto. em dezembro de 1998.

.Waldemar Stefan Barroso e Carlos Magno do Nascimento na inauguração da tevê. aprenderam junto com Magno a fazer tevê. em São José dos Campos. no dia 15 de setembro de 1999. Muitos deles estagiários. A primeira equipe da TV Climatempo.

Baptista Gargione. selam o início das operações do Canal Climatempo. Acima: Carlos Magno e o Prof. em 1999. Carlos Magno e Waldemar Stefan Barroso com Fernanda Bulhões. .No início. amiga e profissional responsável pela Linhas & Laudas. possibilitou a inauguração da primeira emissora de tevê voltada para a previsão do tempo. empresa de comunicação que presta assessoria ao Grupo Climatempo. reitor da Univap. de São José dos Campos ( SP). uma parceria entre a Climatempo e a Univap.

.Estúdio da TV Climatempo. O curioso é que foram usadas dezenas de caixas de ovos para forrar as paredes e vedar o som. já em São Paulo. na Vila Mariana.

na feira da ABTV. Carlos Magno e o “casseta” Hélio de la Peña. na feira da ABTV. . Carlos Magno e Rogério Leite no estande da TV Climatempo.A apresentadora Laura Ferreira no quadro do tempo da Rede Mulher. 2000. em São Paulo. Na época em que Magno foi apresentador do Jornal Nacional. em São Paulo. em 2000. o Casseta & Planeta tinha um quadro que satirizava a previsão do tempo.

Paulo Edson Aparecido de Oliveira. Ariany Chacon de Campos. Ângela Ruiz Gonzales. para a dir. em 2001. Leandro Della Vedova de Oliveira Pinto e Josélia Moreno Pegorim. na rua Muniz de Souza.. Da esq. Amilis Delfino.Equipe da TV Climatempo. Equipe do Grupo Climatempo (da esq. para a dir. Flávia Caroline Chacon de Campos e Ângela Ruiz Gonzáles. Priscila Iogóglia. Rafael Augusto Caetano Bruno.): Gilca Palma Fernandes. . Alexandre José do Nascimento Silva.

em São Paulo. Na foto. em São Paulo. como o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes.A meteorologista Gilca Palma. no Paraíso. Começou como estagiária. especialistas de renome internacional. fazendo levantamento de dados. e aos poucos passou a fazer a previsão para a Internet. trabalhou em quase tudo. Marcos Pontes e Renato Urbinder. Carlos Magno. Reunidos no fórum “Risco Ambiental”. debateram as causas e também as possíveis consequências do aquecimento global. ao longo dos últimos anos. . Acima: Redação da TV Climatempo.

repórter e redatora no Grupo Climatempo.Maria Clara Machado. uma das apresentadoras da TV Climatempo. . A jornalista Ângela Ruiz começou como estagiária na TV e há dez anos trabalha como apresentadora.

Carlos Magno é destaque como novo homem do tempo do Jornal Nacional (Acima: O Globo,14/04/1996; abaixo: O Dia, 13/04/1996). Acima: TV Climatempo vence disputa com o Weather Channel (Folha de S. Paulo, 1º. de fevereiro de 2000)

Climatempo na mídia
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Acima: a revista Pequenas empresas, Grandes negócios, de março de 2002, destaca o crescimento das empresas que oferecem serviços de meteorologia. Ao lado: Carlos Magno ainda no início das atividades da Climatempo. Desde o início, a empresa buscou oferecer serviços de meteorologia para os principais interessados. Aqui, os velejadores (revista Bordo, de 1991). Na outra página: A importância da meteorologia para o planejamento das empresas (O Globo, do dia 7 de abril de 2007).

A importância da meteorologia no dia a dia das pessoas. Na foto menor. de 11 de fevereiro de 2004. Ana Lucia e Carlos Magno. à esquerda da matéria. Matéria da Vejinha. .

na revista Pequenas empresas. comprovando as condições do tempo em determinada hora e local. Segundo a matéria.O casal do tempo Carlos Magno e Ana Lucia. Grandes negócios (agosto de 1994). Na reportagem do Jornal da Tarde. . Carlos Magno é o “detetive do tempo”. a meteorologia pode ajudar a solucionar casos intrincados. de 12 de maio de 1989. A meteorologia ajudando a combater crimes.

ainda embrionária. de outubro de 1998. Na outra página: anúncio da TV Climatempo na revista Pay TV. de 2000. que permitia a conexão via telefone a computadores que interagiam – tal como hoje se faz com a Internet. . Anúncio da TV Climatempo.Um dos primeiros serviços: o BBS (bulletin board system). na revista Pay TV.

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Nesta: ainda como meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (revista IstoÉ. janeiro de 1987). .Na outra página: Carlos Magno é destaque da revista Forbes de outubro de 2000.

em julho de 2009. .Este livro foi editorado em Univers 11/15 e mandado imprimir em papel couchê fosco 115g. em comemoração aos 20 anos de fundação do Grupo. pela Climatempo.

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