O céu fala. A gente entende.

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A gente entende. Climatempo 2009 .Denise Góes O céu fala.

567 Vila Mariana – São Paulo – SP Telefone: (11)3736-4591 CEP 04011-061 www.com.br Fotografias Acervo e clippings Climatempo Impressão Prol Gráfica www.610.com. de 19 de fevereiro de 1998 Direitos desta edição cedidos ao GRUPO CLIMATEMPO Rua José Antonio Coelho.br Coordenação editorial Cesar Oliveira cesar.com Revisão (de acordo com a Nova Ortografia) Ana Lucia Sesso www.br .nom.oliveira@globo.revisaoporquenao.Copyright © 2008 by Denise Trevisan de Góes Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.climatempo.prolgrafica.

até pedem para mudar de assunto. Josélia Pegorim. Carlos Magno e Ana Lucia Agradecimentos . pai da Ana Lucia. Gilca Palma e Paulo Takeshi. ao longo destas décadas. jornalista Denise Góes. Fernanda Bulhões e Ederaldo Kosa. pela paciência que tiveram. à escritora do livro comemorativo pelos vinte anos. com incentivo e apoio financeiro. Eles cresceram ouvindo sobre a Climatempo em praticamente todas as refeições e reuniões familiares. Marcos Paulo e Victor Hugo. Sem eles esta história não poderia ser escrita. Isabel Cristina. todas as vezes que a Climatempo precisou. Hoje. Renato Urbinder. e talvez nem a Climatempo existiria. a Juvenal de Macedo Filho. Aos meteorologistas André e Patricia Madeira. Obrigado pela confiança e amizade de todos vocês. aos amigos Rogério Leite. mais crescidinhos. Ao longo destes vinte anos. mãe do Carlos e da Ana Lucia.A Alice Vieira (in memoriam) e Atala Frony de Macedo. A nossos filhos. eles foram verdadeiros anjos que ajudaram. Waldemar Stefan.

uma realidade Uma bolha no ar Virando uma holding O céu fala. A gente entende. Depoimentos Fontes e bibliografia Caderno de fotos Climatempo na mídia 7 9 11 19 29 37 43 51 59 69 77 85 95 97 99 111 .Sumário Apresentação Prefácio O começo de tudo Os primeiros passos Na telinha da Globo Abrindo espaço O homem do tempo Canal do tempo Um sonho.

com as devidas felicitações pelo acerto. a não ser para o próprio público. O desafio de prever o futuro nos motivava e fazia parte das nossas conversas enquanto namorados. o papo sempre acabava em como melhorar a previsão do tempo. sem modéstia nenhuma. encantados com a sua argumentação de que a Climatempo ajudou a escrever algumas das páginas mais importantes da história da meteorologia moderna no Brasil. ao mesmo tempo. geadas e tudo que acontecia com o tempo em cada canto do nosso País. que nos reconhece como sinônimo de credibilidade. editor-chefe do Estadão. com suas próprias mãos. ondas de calor. da nossa amiga. Em maio de 1990. A cada nova descoberta nos estágios na FAB e na TASA e depois como meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura. A Climatempo que completou vinte anos em 2008 é uma das consequências desta nossa paixão. todas as formas possíveis de levar a informação meteorológica para o usuário têm a nossa assinatura. a gente entende mesmo. Mas.Além de uma grande paixão de um pelo outro. Depois que as primeiras notícias da neve começaram a chegar à redação. . Nos dez primeiros anos da Climatempo nosso contato com a “Dê” foi quase diário. Vocês podem imaginar uma conversa entre namorados sobre as novas técnicas de fazer previsão do tempo? Pois a gente falava sobre isso o tempo todo. recebemos um elogio público do Dr. podcasts. em todo lugar. que divulgou que a neve não iria acontecer. no INPE. por acertarmos a previsão de neve no sul do Brasil. relembrando os primeiros dias como previsores da rádio Eldorado. jornais. celulares. o Dr. Julio de Mesquita Neto. rádios. Tem gente que acha que o nosso slogan é pretensioso: O céu fala. a meteorologia está no nosso sangue. ficamos surpresos e. jornalista Denise Goes. fez questão de construir seus próprios meios de comunicação: o site e a TV Climatempo. aeroportos. São histórias assim que a Denise conta. enfim. shoppings. A Denise participou ativamente como testemunha e relatou o crescimento da meteorologia brasileira e mundial como jornalista da Agência Estado e do jornal O Estado de São Paulo. Internet. Nas TVs. Esta é a nossa vida. Julio. A princípio. tempestades severas em São Paulo. A gente entende. Paulo. Hoje a nossa estimativa é que mais de 50 milhões de brasileiros tenham contato com a previsão de tempo feita pela Climatempo todos os dias. A felicidade foi imensa para os jovens jornalistas e meteorologistas que estavam começando a colocar o tempo como destaque no caderno “Cidades” do Estadão. Um furo enorme na Folha de S. explicando tornados em Ribeirão Preto ou no ABC. divulgando a informação do tempo para o público sem ter que pedir autorização para ninguém. a primeira página inteira com a previsão do tempo no Estadão e o trabalho pioneiro na Rede Globo de Televisão. desenhou um boneco de neve e mandou entregar para a gente. Boa leitura! Ana Lucia e Carlos Magno Apresentação 9 Q uando Ana Lucia e eu nos conhecemos já estávamos apaixonados pela meteorologia. A ideia de escrever um livro contando a história da Climatempo foi Ela sabia o que estava falando. Não é meteorologia de forma genérica. painéis em ônibus. mas a Meteorologia Sinótica: a arte de fazer a previsão do tempo. na USP. além de ser referência em consultoria e bom atendimento. Denise conta a história de uma equipe que.

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para administrar. desafios novos. a sensibilidade grita. transportes etc.a função do amor é criar. Mas. música. quando integramos ao mesmo tempo o amor pelo trabalho. do Tolkien. e acrescenta: “para construir uma empresa sólida “. erros. Pietro Ubaldi. aquele aspecto incontrolável dos planejamentos empresariais. E quem conhece e não perde a sua própria história mais apto fica ao inevitável mundo cheio de mudanças e suas danças em todos os estilos musicais e tecnológicos. conhecimentos de física. cruzamentos de dados. e poucos acreditavam nessa ciência. educação e diversão. dizia que gando e envolvendo valorosos e leais colaboradores e amigos ao longo da caminhada. a solidariedade amplifica. mas é a escrita da vida Prefácio 11 A o ler O céu fala. Os filhos criados lado a lado com o trabalho. Não é uma fábula empresarial! Não se trata do “Senhor dos Anéis”.A leitura deste livro permite aprendermos com o melhor do empreendedorismo. a batalha pelo canal do tempo. para empreender o progresso. que significa a paixão errada. real que inspira autores a desenharem na arte. no teatro e na literatura temas que se eternizam. Essas ascensões não são sonho estéril. O enfrentamento de grandes grupos internacionais. pelo estudo permanente e pelo divertimento no mesmo local. passando pela agricultura. nas ondas do rádio. para apresentar nas telas da televisão. esporte. Ana Lucia diz ter um sonho. A distorção do foco. também na história da Climatempo. A história em si é rica de exemplos de superação na vida real. É como se estivéssemos lendo as teses e exemplos do sociólogo Domenico de Masi. conservar. Os infortúnios de resistir ao crime. Como as pessoas conseguem criar papéis novos na vida profissional. Neste livro. termos lições de ética. desde locações de gravação de filmes até a logística de obras e de tomadas de decisões em momentos críticos. chamado “clima”. colaboradores e seres humanos da virtude: gente com uma forte determinação pela prática do bem. Climatempo teve isso sempre. . a Climatempo pode ser olhada como um exemplo de construção do sentido mais evolutivo do significado de amor. Como o trabalho virtuoso vence barreiras e obstáculos. a fidelidade de grandes clientes. Como uma quase utopia de dois meteorologistas consegue ir agre- Papéis novos. Ao ler este livro temos um demonstrativo de um caso real da modernidade da gestão. na construção de grupos criativos como forma vital de gerenciar nos novos tempos e o encontro do “ócio criativo”. momentos difíceis. onde demonstrações valorosas da equipe estabeleceram ainda mais sinergia e alicerçaram com força superior a vida da empresa. Climatempo é uma aula de empreendedorismo. afirma Carlos Magno. A meteorologia quando era um “patinho feio”. a sensação que se tem é que o coração também fala. A história que nasce do amor de Carlos Magno com Ana Lucia caminha ao longo de vinte anos recheada de exemplos de amores. De fato. Ou seja: tudo o que amplifica a simpatia da alma – graça. filósofo lido por Albert Einstein e Monteiro Lobato. de virtudes e de uma singular capacidade de reunir profissionais.. onde a arte imita a vida. De analistas de mapas. proteger”. E o futuro? Crescer muito nos próximos dez anos. fica cada vez mais controlável e disponível para todos os segmentos empresariais do mercado. o de expandir a Climatempo para o universo internacional. arte. reflexão e a ciência – é indispensável para guiar as paixões no rumo certo. um casal que iniciava seus estudos na Universidade Federal do Rio de Janeiro via o esboçar de um cisne e o foi desenhando ponto a ponto nesta história que nos é revelada na publicação deste livro dos seus 20 anos. como nos contos.. a autocrítica fazem parte do seu precioso texto. os momentos dos enganos ocorreram. para vender o seu trabalho. O resgate das paixões virtuosas. mas contêm a gênese das forças de coesão do organismo unitário da futura sociedade humana. aos dois assaltos sofridos. vibrações. tombos. A gente entende.

temos de adquirir conhecimento. Fiquei apaixonado pela leitura de O céu fala. os ideais e sonhos do agora Grupo Climatempo: “Comprometimento. Diretor do núcleo de agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing. e honrado pelo convite para este prefácio. liderança e empreendedorismo. pois saberemos ao seu final de muito mais aspectos da gestão. Recomendo a todos a sua leitura. A gente entende. 12 . José Luiz Tejon Megido Professor de pós-graduação da Fundação Getulio Vargas. Talvez. possamos tirar de um dos seus valores o núcleo essencial para todas as possibilidades de realizações. É enriquecedoramente real. ética e respeito ao cliente externo e interno”. Foi diretor da OESP Mídia do Grupo O Estado de São Paulo e da Agroceres. Autor de doze livros. do que sabíamos antes. Muitas vezes acertamos e outras tantas erramos”.

após a morte do pai. O básico da meteorologia é a física. ficaram em primeiro lugar nos respectivos vestibulares. Para o casal.. gostei do curso. caloura. Ao olhar para o céu. Saber o que acontecia com o tempo. d. então decidi que faria uma experiência”. pois o meteorologista formado tinha como opção apenas dois caminhos: ser previsor do tempo ou dedicar-se a pesquisas acadêmicas. Em 1980. A história da Climatempo é a história de um jovem casal. um dos professores começou a conversar comigo. era preciso também uma boa dose de audácia. minha mãe não entendeu muito a minha escolha”. A possibilidade de prever o tempo fascinava os dois jovens meteorologistas.H á pouco mais de vinte anos. comecei e não quis mais sair. e dizer que o sonho virou realidade é um chavão que se aplica bem nesse caso. fui vendo que havia uma grande necessidade de profissionais. no dia 22 de maio de 1961. a possibilidade de virar professor afastou a ideia da sua cabeça. conta Magno. Ele queria crescer e sabia que podia contar com o apoio da mulher. de crises econômicas. Carlos Magno do Nascimento nasceu na cidade do Rio de Janeiro. Carlos Magno ficou em primeiro lugar no vestibular para o curso de Meteorologia. Carlos Magno e Ana Lucia foram dos poucos. dizendo que estavam precisando muito de meteorologistas jovens e talentosos. a balança profissional tenderia para outra matéria: a física nuclear. “mas ela queria nos ver formados e me deu força para continuar o curso. ao chegar na época do vestibular. Era o segundo filho de dona Alice e de seu Manoel do Nascimento. Ambos.. 1 . “Sempre estudei em escola pública e desde cedo já me destacava em matemática”. Vinte anos se passaram nessa trajetória de sucesso. A grande maioria optava por permanecer na universidade e seguir carreira acadêmica. Uma carreira muito em moda em 1979 por causa da construção da Usina Nuclear de Angra dos Reis e a abertura do mercado de trabalho para físicos. que ousaram seguir a carreira de previsor. ela. O que na época era apenas um desejo.] “Em princípio. Foi uma escolha madura. porém. avalia Magno. Além de gostar de física e de matemática. não foi a primeira opção do jovem carioca.” Foi na visita que fez ao departamento de geografia da UFRJ que pela primeira vez Magno considerou a possibilidade de cursar Meteorologia. na época. “No final das contas. “Eu não me considerava um bom professor”. 13 anos mais velho. Anos depois. contudo. problemas do dia a dia. e a irmã Angélica. na capital paulista. Ambos eram alunos de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele. alunos promissores. “Eu adorava uma professora de geografia e fiquei em dúvida.” Com apenas o curso primário. relembra. Surgiu então a possibilidade de cursar Geografia. líder em seu segmento. Aos cinco anos. não via apenas nuvens. agora é fato. prosseguiram nos estudos. A minha única preocupação era com o mercado de trabalho. relembra Magno. que com determinação e persistência criou uma empresa pioneira. mas oportunidades. veterano. Carlos. O encanto durou pouco. especialmente na área de previsão do tempo [. Poucos alunos se aventuravam na matéria. Ao longo do curso. foi graças à obstinação de dona Alice que ele. a caçula. um jovem sonhava em montar o seu próprio negócio e ter a sua própria empresa. “O departamento de Meteorologia ficava ao lado da Geografia. Percorrer os caminhos dessa viagem no tempo é conhecer um pouco da história da meteorologia brasileira. o irmão. Alice vendia joias para sustentar a família e por isso lutava muito para dar aos três filhos uma boa forma- O começo de tudo 13 No início da década de 1980. Õ Carlos Magno do Nascimento e Ana Lucia Frony de Macedo eram muito jovens quando se conheceram na faculdade. companheira de profissão. as expectativas para o futuro eram maiores do que aqueles 50 m2 em que viviam. Ele me convenceu. a carreira de meteorologista ainda era desconhecida para a maioria dos estudantes. olhando pela janela de um pequeno apartamento da Vila Mariana.

principalmente na agricultura. Eles queriam nos convencer a fazer o curso técnico para meteorologia. Dessa vez para São Paulo. em casa todos nós concluímos a faculdade. segunda opção: Meteorologia. Haroldo.” Então quando chegou a hora. Õ Do grego. aceitavam mulheres. cada um foi para o lado que mais lhe interessava. “Já no segundo ano. Conhecer o comportamento do tempo e do clima é fundamental para o desenvolvimento e o planejamento econômico de qualquer sociedade. auxiliares para verificação e ordenação de dados. tanto na cidade quanto no campo. já casada. só entrava nerd. Durante a infância e a adolescência morou em várias partes do Brasil e hoje até brinca: “sou climatologista por experiência. “estudo”. esperando. Ana Lucia é a mais velha de quatro irmãos. tenente-coronel da Aeronáutica. Reza a cultura popular que a região. Ana Lucia ficou no Rio e dali só saiu anos mais tarde. pequenininha fui para Pirassununga. Acho que vendi bem o curso: dos quinze da minha turma. a carioca dona Atala. furacões. que significa “elevado no ar”. muitas pessoas prestavam concursos para escolas fe- derais. e logos. éramos uma turma de quinze pessoas e nos perguntávamos o que iríamos fazer depois do terceiro ano. horas na fila. depois Natal. chegaram uns garotos e ficaram conversando. Passou em primeiro lugar e tornou-se uma das calouras da turma da qual Carlos Magno já era veterano. Ana Cristina e Paulo Henrique. Ficamos lá. A primeira opção era fazer o curso técnico para Edificações.” Na área de Meteorologia. era militar. enfim. Juvenal. Aí. Ana Lucia decidiu pelo curso superior também em Meteorologia. tempestades. Falaram tanto que eu peguei a ficha de inscrição e coloquei: primeira opção Edificações.ção para não viver na mesma situação de insegurança daquela época. Dezenove de março é dia de São José. a meteorologia pode ser definida como ciência que estuda a atmosfera terrestre. batendo papo. a alternativa era a Escola Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca. interior de São Paulo. voltei para o Rio”. porque nasci em Porto Alegre. “Ela conseguiu. um santo muito respeitado no Nordeste do Brasil. a escola formava observadores de bases meteorológicas. em especial a camada mais próxima da superfície na qual ocorre a maior parte das atividades humanas. entender e predizer o estado do tempo. Ela aplica leis da física e da matemática para descrever. uma data curiosa para a futura meteorologista. Ana Lucia guarda na memória essa fase da adolescência no Rio de Janeiro. Acabei passando em Meteorologia e gostei. Para ela.” Em 1981. natural do Rio Grande do Norte. A meteorologia apareceu por acaso em sua vida. depois para o Rio. “Eu e duas amigas fomos para a fila no último dia de prorrogação para a inscrição no concurso. e vivia sendo transferido pelo Brasil ao lado de sua mãe. Em meados da década de 1970. Também denominada Ciências At- 14 . constantemente castigada pela seca. relembra Ana Lucia. oito foram para a Meteorologia.” Ana Lucia Frony de Macedo nasceu no dia 19 de março de 1964. Manifestações atmosféricas como chuvas. Naquela época era uma escola altamente masculina. caso do Colégio Militar. Essas andanças todas têm explicação: seu pai. Recife. porém. ter um filho com curso superior já era uma vitória. Gaúcha de nascimento. “Minha família sempre achou que eu seria arquiteta”. meteoros. geadas podem provocar incontáveis prejuízos. técnicos em manutenção de equipamentos meteorológicos e também no rastreamento de fotos de satélite e plotagem de cartas sinóticas. nem todas. terá um ano de chuvas se cair água do céu no dia de São José. quando enfrentou fila para se inscrever na Escola Técnica Federal. uma série de informações que davam bem a ideia do que fazia um meteorologista. Por isso a grande necessidade de estudar os processos que causam determinadas condições climáticas para depois aplicar esse conhecimento na previsão do tempo. atual C EFET . Ana Lucia prestou vestibular na UFRJ. Quando o pai foi enviado para Roraima. O C EFET era uma escola con- siderada difícil. “A gente se reunia para conversar e ver os programas dos cursos.

informações de radares. é o conjunto de toda informação estatística sobre o tempo em um determinado local”. foi reorganizada e passou a chamar-se Universidade do Brasil. por volta do ano 340 AC. as modificações na camada de ozônio. muitos deles provocados pela ação do homem na natureza. Os primeiros programas de computadores de alta velocidade. foi no século XX que a ciência ganhou impulso com os meios de comunicação como telégrafo e rádio. fazia parte do Departamento de Física da Faculdade Nacional de Filosofia. na antiga Universidade do Brasil. as noções de tempo e de clima são muito diferentes. Aliadas a isso. mas foram aceitas por quase dois mil anos. A descoberta dos primeiros instrumentos meteorológicos possibilitou o estudo dos fenômenos naturais de forma mais precisa. “Conheci o Magno na faculdade. Contudo. assumindo a atual denominação apenas em 1965. para então estabelecer critérios para a área analisada. como o aquecimento global. em 1967. O curso de Meteorologia da UFRJ foi criado em 1964. o meteorologista avalia as condições diárias do tempo ao longo de anos. Muitas das suas observações sobre o tempo estavam erradas. no fim do século XVI. o efeito estufa. solucionaram equações e permitiram entender o comportamento da atmosfera. Instrumentos como o termômetro. desenvolvidos na década de 1950. Já o clima pode ser definido como “um conjunto de condições normais que dominam uma região obtidas das médias das observações durante um certo intervalo de tempo. porém. em Sergipe.” 15 . lançado em 1960. Foi no campus da UFRJ. foi constituído o primeiro Departamento de Meteorologia do País. que permitiram juntar muitas informações rapidamente.mosféricas. umidade do ar e pressão nos anos 1940. e também as descobertas feitas pela física melhoraram a qualidade das observações. Nesse ano. nem sempre foi assim. ele líder estudantil e eu péssima de voto. e o higrômetro. as imagens do primeiro satélite meteorológico. em 1643. Ao longo do século XIX . o filósofo explica os fenômenos atmosféricos com um enfoque filosófico. relembra Ana. mapas e programas específicos de computador. com o desenvolvimento de alguns conceitos básicos como massas de ar e frentes frias na década de 1920 e o início das observações diárias da temperatura. dando à meteorologia o status de ciência natural. que Carlos Magno e Ana Lucia se conheceram em 1981. Há milênios o homem tenta decifrar o funcionamento do tempo. ou seja. Para estudar o clima. O filósofo grego Aristóteles (384322 AC) já falava em meteorologia ao editar o tratado Meteorológica. a meteorologia lida hoje com novos desafios. Com o avanço das observações empíricas. No livro. o departamento fazia parte do Instituto de Geociências (IGEO) da universidade. como os modelos numéricos.o barômetro. Mesmo com todo o progresso tecnológico. a matéria foi ganhando contornos mais científicos. quando. por volta de 1700. na Ilha do Fundão. “Até hoje brinco com ele: passei pela porta e ele me pegou pelo braço. Em face da precariedade de dados científicos. o Tiros 1. Em 2008. após uma reforma universitária. a meteorologia tem como objeto de estudo desde o frio intenso que atingiu determinada região até as mudanças climáticas globais. Tinha acabado de fazer 17 anos”. Em 1937. Eu era caloura dele e começamos a namorar já no segundo mês de aula. sol e calor. Õ A Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ) foi criada no dia 7 de setembro de 1920 com o nome de Universidade do Rio de Janeiro. Contudo. O tempo é o estado da atmosfera em um determinado momento e em lugar específico – pode estar chovendo em São Paulo e. Se hoje o cientista conta com uma série de recursos técnicos como imagens de satélite. em pleno século XXI. tornaram a previsão do tem- po mais confiável. O primeiro grupo de meteorologistas formou-se quatro anos depois. Éramos muito diferentes.a meteorologia progrediu e os primeiros mapas meteorológicos foram desenhados. as explicações religiosas foram as primeiras dadas pelo homem na tentativa de entender os fenômenos atmosféricos. tratando essas questões de forma especulativa.

também. As universidades estão retendo por mais tempo o aluno. mas também a possibilidade de informar. Ainda na faculdade os dois começaram a procurar trabalho e estágios como previsores. analisar cartas. avalia Magno. se você escolhia ir para a operação. tanto atazanar o povo de lá foi que conseguiu o estágio e ainda remunerado!”. prever o tempo naquela época exigia muita capacidade. a previsão do tempo. E de tanto insistir. Para enfrentar as dificuldades financeiras. Ana Lucia também se lembra do entusiasmo com que o mestre falava sobre a importância do previsor.Além do encontro que iria mudar a vida dos dois jovens. Dentre as possibilidades do universo meteorológico. empenho para lidar com números e modelos matemáticos e uma boa dose de ousadia para passar a credibilidade necessária. Além disso. recorda Magno. “Foi um período interessante em que comecei a conviver com vários meteorologistas. “Foi o professor Fábio Alcântara quem estimulou a maior parte da minha geração. em que pôde acompanhar o trabalho de um meteorologista operacional da Força Aérea Brasileira ( FAB ). que precisam de apoio para superar as matérias básicas ou que precisam trabalhar durante o período em que estão cursando a universidade ou que não querem ir para a pós-graduação após concluir o curso. sem deixar de lado a maternidade. gostei dos professores e principalmente da ideia de trabalhar seis horas por dia. matéria do professor Fábio de Alcântara. era porque não era bom aluno. Waldemar. Magno tentou e conseguiu uma bolsa de iniciação científica. “Não foi nada simples. no Aeroporto do Galeão. Magno foi trabalhar na TASA (Telecomunicações Aeronáuticas S/A). ter essa capacidade não só de saber. por isso poucos seguiam essa área. Estados Unidos e África. que o ajudaria a custear as despesas com o estudo. já nessa época.” Ana Lucia. empresa que hoje não existe mais e foi incorporada pela Infraero. “Existia uma cultura na universidade em que ser da área acadêmica era o crème de la crème e. Ele ia todo dia lá para pedir o trabalho. Não foi só ele a ficar fascinado com as aulas do professor. “O cara para ser meteorologista tinha de analisar mapas uns cinco anos para ter certa autonomia e ser previsor. Carlos Magno e Ana Lucia logo descobriram o melhor caminho: ambos queriam fazer previsão de tempo. os metares. lembra até hoje como Magno conseguiu esse estágio. Eu já acreditava que tínhamos de ser os agentes transformadores desse conceito”. Pouco antes de terminar a faculdade. Com poucos recursos técnicos em mãos. criando novos conhecimentos para essas pessoas e. Durante a faculdade já existia uma vontade de um grupo pequeno de tentar mudar a visão de que a previsão do tempo sempre errava. Entre os meteorologistas mais experientes. Magno aprendeu o dia a dia de um previsor: plotar. ao entrar para o curso da UFRJ me apaixonei pela meteorologia sinótica. A TASA captava a base de dados usada para fazer a previsão. “Em 1980. A maioria preferia ficar na universidade e dedicar-se às pesquisas. O amigo e mais tarde sócio. Ele dizia sempre que fazer previsão não era um bicho de sete cabeças”. Isso era uma coisa do outro mundo. acredita Ana. “Eu queria fazer previsão do tempo. o mais novinho tinha 30 anos de experiência na área de meteorologia aeronáutica. a faculdade e a convivência com alunos e professores fortaleceu no casal a certeza de que a escolha do curso havia sido correta. conta Ana.” A previsão da Aeronáutica era de muita responsabilidade. Era fascinado pelo poder de saber qual seria o tempo no dia seguinte. Waldemar Stefan. Não estimulam os “maus” alunos. Começava como técnico e ia aprendendo até poder fazer previsão. fez está- gio no Centro de Previsão do Tempo da Torre de Controle da Aeronáutica. Várias vezes ele chegou para mim e disse: “estou quase conseguindo. “Além disso. Ensinava e dizia que eu era um dos seus melhores alunos”. em busca de capacitação profissional. servindo de apoio às rotas de aviões que saíam daqui para a Europa. especializações que não têm mercado de trabalho. expressava com isso o desejo de ser mãe. Ter uma profissão. Não era – como não é até hoje – o filé mignon da profissão. estou quase conseguindo”. Ele era um gênio. Naquele tem- 16 .

A rua Vitória faz parte da região formada pelas ruas Aurora e Santa Efigênia. “Além disso. Distrito. em 1985. Paraná e Mato Grosso do Sul (atualmente. por causa do concurso. foram logo conhecer o novo espaço. “Eu fiquei em um dos quartinhos nos fundos. As condições do lugar. A profissão de meteorologista havia sido regulamentada em 1980 e passara a fazer parte do quadro do Conselho Regional de Engenharia. revela Magno. especialmente à noite. Uma boa colocação garantiu o direito de escolher o local em que iriam trabalhar. vários meteorologistas chegaram à cidade para assumir a previsão do tempo. feito para receber os ‘estrangeiros’. a sede do Inmet em São Paulo ficava numa casa da rua Vitória. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é formado por dez distritos espalhados pelo Brasil. Em São Paulo. não desencorajaram o casal. e era isso justamente o que gostávamos de fazer”. Neide de Oliveira foi uma das “es- 17 . Não foi bem isso o que aconteceu. Não tinham parentes. perto da fa- mília e dos amigos. tiveram de arranjar algum lugar provisório para ficar. que até há pouco tempo era responsável pela elaboração de previsões para os Estados de São Paulo. mas o jovem quer sempre novidade. não havia ainda as modelagens numéricas. Então. “Queríamos saber onde ficava a rua do distrito”. que era feita até então por muitos geógrafos – isso porque a maioria dos meteorologistas concentrava-se na sede em Brasília. Foi quando surgiu o primeiro concurso em muitos anos para previsor do tempo no Instituto Nacional de Meteorologia. o Paraná passou a fazer parte do 8º. órgão ligado ao Ministério da Agricultura. mas já com alguma experiência. pesou na decisão de deixar o Rio. Era uma boa oportunidade para dois meteorologistas recém-formados. O primeiro desafio da nova empreitada era fixar residência na capital paulista. em 1983. mudaram-se de “mala e cuia” para São Paulo. Quando saí da faculdade já era uma previsora com certa experiência. em um local pouco adequado e de fama duvidosa. Rosângela. naquela época.po. “A gente poderia ter ficado no Rio. ainda por cima. o Inmet estava precisando de previsores do tempo. e dependia da análise com base em observações do tempo presente e do seu conhecimento da física para projetar aquele tempo presente para o futuro. Isso porque.” Se o lugar não era o ideal. Como ainda eram solteiros. Arquitetura e Agronomia ( CREA).” Após terminar a faculdade. A impressão imediata não foi nada agradável. o trabalho era animador. Cheguei na cara dura e perguntei: ‘posso morar com você?’. eram poucas as turmas de meteorologistas que saíam das universidades e. tinha vários quartinhos. que morava sozinha e trabalhava no distrito.” Ana Lucia também procurou aplicar a teoria aprendida na faculdade e no terceiro ano começou a estagiar. Já Ana Lucia teve mais sorte e muita cara de pau. Poderiam ter ido para qualquer parte do Brasil ou mesmo ficar no Rio de Janeiro. Como a casa era bem antiga. funciona o 7º. conta Magno. A ideia de que São Paulo oferecia maiores oportunidades e de que poderiam também continuar os estudos. em pleno centro da cidade. Ela topou e fiquei morando com ela até eu e o Magno nos casarmos. Magno ficou pelo distrito mesmo. e não queríamos ficar perto dos pais”. Um desses lugares que se deve evitar andar. no Centro Meteorológico e depois na TASA . Nesse período. como diz o dito popular. gente de várias partes do País que vinha trabalhar em São Paulo”. uma área degradada e com pouca segurança. “Eu tinha uma amiga. no Ministério da Aeronáutica. entretanto. Carlos Magno continuou trabalhando na TASA enquanto Ana Lucia concluía os estudos. mas o lugar em que iriam trabalhar. A cidade não chegou a assustar os dois cariocas. Ambos já pensavam em casamento e no rumo que dariam a suas vidas. uma pós-graduação em centros importantes como a Universidade de São Paulo e o Instituto Nacional de Pesquisas ambientais (Inpe). Ana e Magno decidiram prestar o concurso e foram dois dos 40 meteorologistas aprovados. o que aconteceu um ano depois. sim. nem amigos mais íntimos. Na década de 1980. ela dependia muito da experiência do meteorologista. Distrito de Porto Alegre). Ao desembarcarem. especializadas na previsão do tempo. “Fiz estágio no Aeroporto do Galeão.

na Ilha do Governador. recém-formado. em geral. passaram a intermediar o contato entre o distrito e o público. “A gente vivia brigando. Eles faziam a leitura dos instrumentos. Estava na hora de colocar em prática todo o conhecimento adquirido e a estrutura do distrito era um bom começo. na casa dos pais da Ana Lucia. De volta a São Paulo foram viver em um apartamento mobiliado no aristocrático bairro de Higienópolis. apenas uma cerimônia em São Paulo. que praticamente organizou o distrito”. relembra Magno. na- turalmente. da Paraíba. “Nós começamos a atender jornalistas. completa a meteorologista. procurar igreja. O trabalho lá dentro do distrito era muito de preencher formulários e mapas. Esses dados eram desenhados por técnicos em grandes mapas e em seguida analisados pelos meteorologistas. Ana e Magno assumiram o posto no Inmet em 12 de fevereiro de 1985 com a perspectiva de muito trabalho pela frente. e assim como Ana e Magno. As previsões eram elaboradas com base em dados levantados por observadores nas estações meteorológicas do instituto espalhadas pelo Brasil. os dois se casaram no dia 13 de abril de 1985. Estabelecidos no distrito. que ofereceram a casa para a realização da festa. Como tudo foi muito rápido. vista como pouco confiável e que. O dia a dia no distrito. aos 23 anos.trangeiras” que assumiram o posto no distrito paulista. como agricultores. Afinal. Mas era complicado mudar o padrão do que já estava instituído. estavam fazendo o que gostavam. conta Magno.” Foi então que. Os primeiros meses foram de adaptação ao ritmo de vida paulistano e também o tempo de acertar a vida a dois. relembra Magno. e a gente formou uma verdadeira legião estrangeira”. agricultores. e o início do curso de pós-graduação no Inpe. Poucos acreditavam na previsão do tempo. para a gente era predomínio do sol”. Logo depois vieram os outros do Rio. relembra Neide. No dia seguinte seguiram de ônibus para a lua de mel em Campos do Jordão. Magno e Ana rápido compreenderam que havia uma grande procura por dados e informações meteorológicas. Esse choque entre a realidade e a modernização era compreensível. Por pouco tempo. O meteorologista contava com poucos recursos tecnológicos. convidar os amigos. “A Ana não queria festa. não demorou muito para definirem a data do casamento e alugarem um apartamento para morar. Os dois logo se integraram ao grupo e puseram as mãos na massa. Foi preciso uma enorme dose de paciência para tentar quebrar um pouco o ranço burocrático. praticamente passaram a tomar conta da rotina do casal. não encontraram igreja com data disponível para o casamento. mas fiz questão de fazer as coisas direitinho”. no Rio de Janeiro. A solução veio dos pais da Ana. identificaram as principais dificuldades de um meteorologista em um órgão público. preferiu deixar a terra natal em busca de maior campo de trabalho e realização profissional. do Rio Grande do Sul. tanto do público quanto da mídia e de setores mais especializados. “porque no fundo a gente tinha algum traquejo com o público. O casamento foi realizado por um capelão da Aeronáutica na presença das famílias e de muitos amigos. os dois voltaram ao Rio para organizar tudo. Em uma cerimônia simples. em São José dos Campos. porém muito bonita e emocionante. uma delas era como lidar com a informação. pois o grupo não gostava muito disso. Fotos de saté- 18 . anotavam em um caderno e depois transmitiam para os distritos. explica Magno. A linguagem muito técnica era outro fator que atrapalhava essa interface com o público. era nossa chance de iniciar um trabalho no distrito. nos dados e mapas da previsão do tempo. Neide é de Belém do Pará. Logo. Expressões que consideravam muito toscas. havia pouco jogo de cintura para atender a essa demanda. não dava muito certo. “Foi um aprendizado interessante”. do tempo em que trabalhamos na TASA e atendíamos alguns clientes. dizendo que poucos entendiam aquele palavreado: parcialmente nublado para o jornalista era nublado. por outro lado. e a gente questionava muito isso”. com plantões até nos fins de semana. ou melhor. presas a jargões de difícil compreensão para alguém do outro lado do balcão. “Eu cheguei a São Paulo em 1983. “Era um grupo jovem.

precisando de informações confiáveis sobre o tempo e o clima estava no ar. dona Atala e seu Juvenal. conheciam bem a filha. “Ainda moça. vai desistir’. No fim dos anos 1980. disse que elas estavam usando o poder da comunicação para passar uma ideia errada. frio intenso. Notei que existiam profissões que eram legais. “No começo da carreira eu passava noites em claro acompanhando as frentes frias para saber se estava acontecendo o que eu previ”. Depois de seis meses em São Paulo já foi possível pensar em ter um canto próprio para viver. Disseram: ‘Meu Deus. Minha mãe dizia: ‘Ela não vai aguentar.lite. Comecei com paciência a explicar como funcionava a previsão para tentar mudar essa ideia. da TV Gazeta. cobrando. Mas não posso acertar todas as previsões. forte geada. Ana Lucia alimentava o desejo de ser mãe. O índice de acerto diminuía para períodos mais longos.. avalia Ana Lucia.” 19 . “Meus pais estranharam eu ter ido estudar meteorologia. granizo. quando decidi fazer meteorologia. Os erros eram muito mais lembrados do que os acertos. vai pedir demissão e virar gerente de butique’. conversar com as pessoas. o previsor era muito cobrado pelo público e pelos jornalistas. em São José dos Campos. relembra Magno. como professora. “Não tínhamos medo de nos expor.. ainda inexplorado. nasceu. faz parte da profissão.. o índice de acerto de uma previsão variava de 85% a 90% para o período de 24 horas. eles sabiam o que estavam fazendo. Apesar da ansiedade. Ela estava certa. Eu falava ao telefone dando informações sobre alguma previsão. profissões que trabalhavam meio expediente. Se a gente errava. E foi na rotina. Então elas começaram a dizer que a meteorologia sempre errava e eu argumentava que não. errava. até agressivas. Tudo isso ao vivo”. não aguentei ser funcionária pública por muito tempo. a Ana não tem estilo de funcionário público. conta Ana. e foi lá que a primeira filha do casal. Por causa disso. elas continuavam a falar mal da meteorologia. Esse relacionamento com o público e com a imprensa deu maior visibilidade ao casal. Meteorologista também era assim. no dia 11 de agosto de 1986. compraram um pequeno apartamen- to na rua Nicolau de Souza Queiroz. Cabia ao meteorologista a responsabilidade de interpretar os dados e cravar a previsão. Isabel. nem sempre tranquila. relembra Magno. que foi aprendendo as melhores maneiras de passar as informações elaboradas no distrito e a lidar com as saias justas causadas pelo tenso equilíbrio entre a credibilidade e a descrença. do distrito que uma ideia começou a germinar na cabeça do casal. ou Bebel. Para realizar esse desejo. Uma das coisas que eu sempre quis era ser mãe. Afinal. Era só amadurecer um pouco mais. interior de São Paulo. só não erra previsão quem não faz”. na Vila Mariana. elas estavam enganadas. captadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). fiquei pensando sobre as vantagens e desvantagens de partir para essa profissão. A gente erra até hoje. Aí eu parti para a discussão e fui duro. Estava ao vivo. especialmente quando ocorria alguma catástrofe: tempestade. pais de Ana Lucia. enfermeira. “Uma vez eu dei uma entrevista para o programa da Claudete Troiano e Ione Borges. Algumas pessoas chegavam. que para mim foi antológica. Você trabalha meio expediente e tem meio expediente para ficar com os filhos”. e algumas outras informações vindas da Aeronáutica ou órgãos internacionais completavam o quadro que dava suporte ao profissional. A percepção de que havia um mercado. E nada.. e por isso poucos meteorologistas no distrito gostavam de falar à imprensa. acenando com milhares de possibilidades.

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São Paulo. Na Marinha brasileira. os navios hidrográficos já realizavam um trabalho sistemático. durante a ocupação holandesa em Pernambuco. ligada ao Ministério da Os primeiros passos 21 om o passar do tempo. buscava espaço para a modernização do órgão. o meteorologista Antonio Divino Moura. Em 1871. quando foi criada a Diretoria de Meteorologia e Astronomia. quase todo o País contava com serviço de meteorologia ligado a órgãos governamentais. com a proclamação da República. o Observatório Imperial tornou-se Observatório Nacional. há indicações de que os primeiros estudos científicos aconteceram a partir da criação do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro. Para ele. O embrião do que hoje é o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) surgiu em 1909. Os dados levantados por meio desse trabalho serviram de base para a criação da Repartição Central Meteorológica da Mari- Nos primeiros anos do século XX. o astrônomo Emmanuel Liais é contratado pelo Observatório Astronômico. publicado em 1889 com o título Esboço da Climatologia do Brazil. E no fim do século XIX. nha. os telefones do Inmet não paravam de tocar: eram agricultores. dentro do Ministério da Agricultura. é renomeado para Diretoria de Meteorologia e. o novo diretor. Anos depois. mas apenas em 1844 teriam aparecido as primeiras observações meteorológicas nos arquivos do órgão. Porto Alegre. Salvador. Nesse mesmo ano. com novas perspectivas para todos os setores do País. Belo Horizonte. Cuiabá e Goiânia. No Inmet. o Inmet é o responsável pela elaboração e divulgação da previsão de clima e tempo em todo o Brasil e representa o País na Organização Meteorológica Mundial ( OMM). a meteorologia brasileira apresentou grande desenvolvimento com a implementação da previsão numérica e a incorporação de informações de satélites nas análises dos dados que alimentam os modelos. posteriormente. em que fez uma tentativa de previsão para o Rio de Janeiro. Agricultura. Talvez reflexo da redemocratização do Brasil. para a agricultura e também para os navegantes. em São Paulo. A repartição passou a ser responsável pela emissão de avisos meteorológicos para os portos. em 1913. em 1888. Instituto Nacional de Meteorologia. 2 . Indústria e Comércio.C Õ Nesse início do século XXI. em 1827. já então denominado Observatório Imperial. todos procurando as preciosas informações Õ No Brasil. o órgão conta com uma rede de 500 estações em processo de automação e dez distritos regionais: Manaus. Belém. Divino Moura está novamente à frente da direção do Inmet. que unificou as redes de observações da Marinha e do Telégrafo Nacional. os primeiros postos de observação meteorológica datam do século XVII. Na década de 1980. Desde 2008. em 1862. o órgão é desmembrado do Observatório Nacional. A coluna de previsão do tempo para o antigo Distrito Federal passaria a ser constantemente publicada a partir de 1917. Rio de Janeiro. duas figuras despontaram como grandes nomes da meteorologia brasileira: Belfort de Mattos e Sampaio Ferraz. Já Sampaio Ferraz foi o responsável pela publicação do artigo “Previsão do tempo”. Além do progresso representado pelas pesquisas científicas e tecnológicas e com a formação de quadros de alto nível tanto na academia quanto na área operativa. nesses 20 anos. Mattos é considerado o primeiro estudioso do clima de São Paulo e ficou por 24 anos à frente do serviço de meteorologia da Secretaria de Agricultura do Estado. Recife. Em 1921. Com sede em Brasília. no Jornal do Commercio. Pecuária e Abastecimento ( MAPA). mas de forma descentralizada. industriais. O interesse por informações meteorológicas parecia ter aumentado naqueles últimos anos da década de 1980. o climatologista Henrique Morize produziu o primeiro estudo sobre o clima brasileiro. sem uma organização geral dos dados coletados. produtores. e dá início à implantação das bases teóricas das ciências atmosféricas no Brasil. com observações meteorológicas das zonas costeiras. No que diz respeito à climatologia. o trabalho em equipe dos meteorologistas do Inmet começou a engrenar.

o calor é provocado por uma massa de ar subtropical. eu acho. O nome nasceu ali. (. “No primeiro mês no Distrito dei uma entrevista para a TV Globo.) ‘O calor deve 22 . cabeças novas sem entender de empresa. que está há quatro meses na região Centro-Sul do País. porque foram conhecendo a meteorologia e como a previsão poderia ajudá-los..) Para o meteorologista Carlos Magno do Nascimento. os meios de comunicação davam cada vez mais espaço para divulgar notícias do tempo. Não conseguimos”. São Paulo está sob a ação de um sistema de massa de ar de alta pressão subtropical que domina o Atlântico sul.sobre o tempo. uns seis ou sete. Paulo. Sim. até juntaram um grupo e formaram a empresa.. Crescia a procura por informações específicas que saíam um pouco da rotina e eram difíceis de ser atendidas. Eram várias cabeças.. Em 1987. a demanda já era muito grande. E Carlos Magno como chefe do grupo de previsores passou a ser muito assediado pela mídia: “A frente fria que provocou chuvas no Rio Grande do Sul. Começamos a montar a Climatempo. só melhorou quando a mídia começou a divulgar mais a previsão. O Inmet. (. 27/9/1988) “Segundo Carlos Magno. esse fenômeno deve provocar o aumento de nebulosidade e chuvas em pontos isolados na capital paulista (. aí a gente sentiu uma procura maior. Chegou uma hora que isso começou a ganhar volume”. Enquanto isso. isto atua como um bloqueio para as condições que favorecem a ocorrência de chuvas nas regiões Sul e Sudeste do País. 14/9/1988) “Com a temperatura entre 20 e 30 graus. Eu era muito jovem. Tudo indicava que. relembra Neide de Oliveira. Era preciso buscar clientes. Santa Catarina e sudoeste do Paraná avança lentamente e deve chegar hoje a São Paulo. abalada durante décadas por previsões imprecisas. por meio do distrito. acabei a faculdade com 20 anos.. mas foi complicado gerir. para aproveitar esse mercado potencialmente em ebulição e incentivado por Carlos Magno.. bloqueando todos os sistemas de frente fria provenientes do Polo Sul. Segundo Carlos Magno.. por exemplo. especialmente em São Paulo. Isso aconteceu. Minha voz era muito infantil. que fez parte do grupo que criou a Climatempo. chove no Rio Grande do Sul. safras quebradas. a meteorologia ganhava. porque negócios podiam ser desfeitos. pouco a pouco. Quando a gente respondia que não tinha pessoal para isso eles diziam que podiam pagar e que compravam os dados. “Era comum algumas pessoas virem até nós para pedir algum trabalho. Era um entra e sai de jornalistas repercutindo fenômenos climáticos que afetavam a população. parecia mais jovem do que era realmente. (. Distrito de Meteorologia. Tinha de passar alguma confiança... Quando me olhei na televisão. (O Estado de S. eu mesma me perguntava: ‘quem vai acreditar na previsão do tempo que uma menina faz?’. Até aquela época ninguém acreditava muito. mas classifica o deste ano como ‘extremamente seco’”. conta Ana Lucia..) Segundo Magno. do 7º. passou a ser mais conhecido e procurado. cabelo com rabo de cavalo. nunca mais deixei me fotografarem sem usar batom e com cabelo preso. São Paulo viveu ontem um dos dias mais quentes do ano. disse ele”. maior credibilidade. Em 1987.) Magno afirma que a falta de umidade é característica do inverno. 27.” Toda essa efervescência era sentida pelo pessoal do distrito. mesmo com recursos ainda precários. mas a empresa mal saiu do papel. responsável tanto pelas altas temperaturas como bela baixa umidade do ar. (Folha de S. e há tempo seco e quente em São Paulo’. De acordo com ele.. Era o pequeno embrião do que no futuro seria a Climatempo. provocando o desvio de massas polares para o oceano. isso sem falar nos enormes prejuízos em diversos setores da economia que um inverno mais rigoroso ou uma chuva mais intensa podia causar. a onda de calor verificada estes dias em São Paulo deve-se à massa de ar subtropical localizada em toda a região Centro-Sul. ficou difícil para todos. Paulo. do 7º. “O Magno e a Ana Lucia começaram a organizar o distrito. oferecer o serviço. Depois disso. um grupo de sete meteorologistas decidiu montar uma empresa. Estava sem um pingo de maquiagem. ‘Quando isso acontece. Distrito de Meteorologia do Ministério da Agricultura.

que.diminuir bastante nos próximos dias. pela chuva.com. Eis que em um belo dia aparece no distrito Ademar Altieri. O tempo nublado e a temperatura amena verificados no litoral. de achar uma previsão de tempo bem feita no Brasil. porém. 83%. Ana Lucia já tivera seu segundo filho. amigos” o jornalista iniciava as transmissões dos boletins do tempo. relatava Vernizzi quando perguntavam a ele qual era o seu público. A essa altura. “Foi uma ideia pioneira. Havia a Força Aérea Brasileira ( FAB ). estadao. aliás. 28/9/1988) Aos poucos. pelos fazendeiros.037. a Agência Estado. como a hiperinflação. chegando a 1. Todas as manhãs. Ao mesmo tempo admirado e alvo de deboche. que se interessava muito pelo plantio. que congrega os jornais O Estado de S.56%. eram muito bem feitas. Era um locutor esportivo apaixonado por meteorologia. que se interessava pela aviação. pela rádio Jovem Pan de São Paulo. chefe de redação da rádio Eldorado AM/FM. rádios e tevês começaram a abrir os olhos para esse tipo de conteúdo. devem-se à circulação de ar marítimo. em contraste com o calor da capital. avalia João Lara Mesquita. jornal ou TV. Seria um diferencial da Nova Eldorado. Vernizzi começou sua carreira jornalística no esporte. Então encarreguei o chefe de redação. relembra João Lara. Jornais. os problemas econômicos crônicos pelos quais o País passava. Por isso foi um retumbante sucesso quando entrou no ar”. Marcos. especialmente em São Paulo. não. e desde então foi ganhando espaço. Ademar Altieri. (Jornal da Tarde. e com isso as despesas ficaram maiores. prevê Carlos Magno. não tinha ninguém que falasse”. não havia nada comparável em rádio. o portal www. tanto Ana Lucia quanto Magno foram adquirindo uma certa prática para lidar com a imprensa e conseguiam passar as informações numa linguagem mais clara. No rádio brasileiro daquela década não havia uma previsão de tempo confiável. Vernizzi nunca deixou de prestar um valioso serviço à população. a inflação acumulada no ano de 1987 foi de 415. Por atingir áreas re- motas. Esse cenário tão promissor não escondia. com o bordão “Bom dia. O nome de Narciso Vernizzi era sinônimo de previsão do tempo. Paulo e o Jornal da Tarde. mas previsão do tempo na rádio. a rádio Eldorado faz parte do Grupo Estado.br e a Oesp Mídia e é um dos mais importantes grupos de mídia do País. O “Homem do Tempo”. A ideia de colocar no ar meteorologistas era nova. O rádio foi um dos primeiros veículos de distribuição das informações meteorológicas. a dona de casa. com um estilo mais jornalístico. surgiu uma grande oportunidade. levou seus conhecimentos para a Jovem Pan em 1963. o rádio sempre reconheceu a importância de boletins em sua programação diária. Só para ter uma ideia. Inaugurada em 1958.” João Lara Mesquita tinha razão. Os funcionários públicos sentiam no bolso a situação e o pessoal do distrito não era exceção. em 1988. Para o homem e a mulher da rua. além de ser um grande divulgador e incentivador da meteorologia. como ficou mais conhecido e cuja alcunha foi registrada em seu nome – “Quem quiser usar tem de pagar os direitos” –. Foi quando. muito comum e respeitado em boa parte do mundo e pouco valorizado no Brasil. o empurrãozinho que faltava para uma grande mudança na vida do casal. “Havia o Ministério da Agricultura. com uma proposta inovadora: queria contratar dois meteorologistas que seriam responsáveis pela divulgação da previsão do tempo pela rádio. Autodidata. havia em São Paulo um jornalista que conhecia muito do assunto. Recorria a dados do 23 . que aumenta a nebulosidade e faz cair a temperatura’”. feita com base científica. fundado pela família Mesquita. Uma rotina diária que conquistou um público cativo durante mais de 40 anos. que nasceu em 12 de novembro de 1987. “Eu acabava de voltar dos Estados Unidos. “A sugestão de colocar dois profissionais no ar foi minha”. na época diretor da rádio e um dos responsáveis pela contratação do casal. e lá o povo não parava de ouvir as previsões do tempo. em 1988. que impedia qualquer tentativa de crescimento econômico. Nessa época. sofria os reflexos da falta de estrutura da previsão no Brasil.

disse Ana Lucia. eram voltadas para formadores de opinião”. Ambas. ordem direta. dizia. aí o pessoal falava que ele estava ocupando o nosso espaço. Como Ana não usava o sobrenome Nascimento. claro. como explica João Lara Mesquita. Porque ele era jornalista e sabia o que interessava para o público: por exemplo ‘essa tarde foi a mais fria do ano’. “A essa altura do campeonato todos eram funcionários públicos e todos estavam ralados”. com qualidade de informações”.Inmet. Para ele não havia erros: “O nome já diz: previsão não é fato. de onde fazia suas entradas na rádio. “Aí. Queria seguir uma carreira política dentro do distrito. afinal. Magno relutou. interior de São Paulo. foi ouvir o Narciso Vernizzi pelo rádio. Ironia do destino. como as informações eram sempre insuficientes. uma cabine fechada. como radioamadores. Contudo. Eu dizia que não.” A proposta feita pela rádio Eldorado agitou o distrito. e chegou a instalar uma estação meteorológica em São Roque. Os dois nunca se conheceram pessoalmente. Foi Ana Lucia quem insistiu para que ele fizesse o teste. Eu disse ao Magno: ‘ninguém está te vendo. Passados alguns dias. com muita simpatia e. dá o seu recado e acabou. todos aguardaram os resultados. e fazia parte de uma reformulação que criaria a Nova Rádio Eldorado AM. Feitos os testes. que a gente tinha todos os dados ali e não aproveitava. coisa de cinco mil dólares para cada um deles. “A AM era uma emissora jornalística e a FM uma rádio musical com coberturas especiais de esportes. o novo diretor de jornalismo da rádio. tinha noção do que um meteorologista falava nos Estados Unidos. No início. 24 horas no ar de informação e prestação de serviço. os dois meteorologistas selecionados eram exatamente Ana Lucia de Macedo e Carlos Magno do Nascimento. E eu pensei: isso é notícia? Aí chegou no distrito uma chuva de jornalistas perguntando se real- mente era a mais fria e eu percebi que isso interessava. Todos no distrito participaram dos testes.. A ideia era colocar um meteorologista pela manhã e outro à tarde. o microfone. Preparei uma ideia. em 1985. um texto e fui para a cabine de gravação. aeroportos. cumulus nimbus. usando frases curtas. Naquele primeiro momento. Isto é. relembra Magno. eram dois salários para uma mesma casa e tantos outros precisando de um “ex- 24 . é previsão”.. O Magno é tímido e ele não queria ir de jeito nenhum. Sem saber. “A primeira coisa que fiz ao mudar para São Paulo. ninguém está te olhando por um vidro. Foi então que começamos a dar mais atenção aos dados históricos. é você. Risos constrangidos foram ouvidos. Não tinha jornalista assim no Rio. O projeto ainda demorou um pouco para ser implantado. consultava todas as fontes disponíveis. De qualquer forma. porém. O pior que pode acontecer é a gente não passar’”. Aeronáutica. e foi só quando Marco Antônio Gomes. Era natural que a situação ficasse um pouco desconfortável para o casal. com uma linguagem popular. “Eu tinha bastante prática. até que procuramos o Ministério da Agricultura e este nos sugeriu o 7º. agradável. Vernizzi passou a fazer parte do folclore da cidade. almejava chegar um dia a diretor do distrito e quem sabe até do Inmet. porém. conta João Lara. Ensinamos a falar no rádio de forma coloquial. popularizou a meteorologia. ninguém da rádio desconfiou e acabou mantendo a escolha. a média de acertos não era muito grande e os erros eram muito cobrados. o acordo para o trabalho foi feito entre o Inmet e a Rádio Eldorado. o pessoal da Eldorado voltou ao distrito para anunciar os escolhidos. mas o velho homem do tempo já era uma referência para o jovem meteorologista que em breve seguiria pelo mesmo caminho do rádio. ainda no distrito. aprovou a ideia é que recomeçaram as negociações. Eu achava fabuloso ter um jornalista falando de meteorologia. conta Ana Lucia. Ele era chefe dos previsores e não tinha interesse em falar na rádio. e o salário era alto para a época. “Procuramos em dezenas de lugares: na Universidade de São Paulo ( USP). Fiquei satisfeito ao ouvir o Narciso e em saber que tinha um serviço desse em São Paulo. a direção da rádio havia escolhido o casal. eu percebi que o Narciso furava a gente. que estava divulgando a nossa profissão”.. Você chega lá. Distrito.. Fomos lá e testamos todos. ‘O cara é bom’..

A certeza de que deviam investir no novo negócio era tão grande que Magno decidiu recusar um convite da Cooperativa de Produtores de Cana-de-Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (C OPERSUCAR). Magno e Ana tomaram contato com essas tecnologias durante o período em que cursaram o mestrado na USP e foi ali que. Magno viu seu projeto de seguir carreira no Inmet distanciar-se. as coisas não andavam tão bem. Seria de lá que transmitiriam os boletins. Um desses modelos foi desenvolvido pela Universidade de São Paulo ( USP ). Não dava para fazer tudo ao mesmo tempo: chefiar previsores. mas foram muito importantes na época para a modernização da meteorologia brasileira. O novo processo implicava em uma análise mais objetiva. os diretores queriam saber se o ano seria de geadas. não tinha cliente. para montar um centro de previsão. um dos diretores da Nestlé ouvia com frequência a Rádio Eldorado e teria ficado muito impressionado com a segurança das informações transmitidas pelo casal por meio dos boletins. existia juridicamente. distribuindo as tarefas de casa e o acompanhamento dos filhos: Bebel e Marcos Paulo. De acordo com Magno. Maria Assunção Faus da Silva Dias. e muita vontade de conquistar o mercado que se abria a sua frente. mas não de fato”.tra”. O trabalho realizado é considerado um marco pelo casal. relembra Magno. ao acompanharem esse processo. “Foi um período conturbado e começamos a pensar se iríamos pular para a iniciativa privada ou arrumar outro emprego. A situação conspirava para isso. mas logo outros centros o adotaram. Com a efetivação da empresa. Ana Lucia pela manhã e Magno à tarde e à noite. Aí eu comecei a pensar em reviver a Climatempo. em Piracicaba. o que elevaria o valor da colheita. a consultoria se estendeu para a área de sorvetes e as previsões passaram a ser usadas para acompanhar a produção e estoque do produto. Segundo Magno. mas que representavam um grande avanço para melhorar a previsão do tempo. a modernização chegava lentamente à meteorologia. Depois de três meses no ar. lembra que esses modelos eram usados como uma ferramenta a mais para a elaboração da previsão do tempo. um novo cenário se desenhava. Foi então que surgiu um pedido da multinacional suíça Nestlé. Aquele era o momento. Silvio de Oliveira. Resolvida essa questão. trabalhar na rádio e ainda prospectar novos caminhos. Os computadores começavam a fazer parte do trabalho dos previsores e os primeiros modelos de previsão numérica eram utilizados. que estava só no papel e não tinha nenhuma nota. Magno tinha certeza de que o momento certo de alçar voo solo aproximava-se. com base em dados gerados por equações matemáticas ainda rudimentares. Para tentar diminuir a tensão entre o grupo. uma cabine foi instalada no distrito. uma das maiores empresas de alimentação e nutrição infantil. retirar 30% do salário pago pela rádio e dividi-lo entre os outros meteorologistas. Esse acerto possibilitou também um arranjo doméstico. Felizmente. A Nova Eldorado ganhava cada vez maior audiência. “A Ana iria estudar na universidade e fazer pós-graduação em agrometeo- 25 . captaram no ar um clima de mudança. Uma novidade para uma época que dependia apenas das cartas e dos mapas elaborados e da avaliação do meteorologista. tinham uma empresa real. Afinal. os dois já eram bem conhecidos do público ouvinte. A professora e hoje diretora do Centro de Previsões de Tempo e Estudos Climáticos ( C PTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Cachoeira Paulista (SP). todos gostaram e aceitaram a ideia. porém. Novos ares para a meteorologia e também para quem vivia da previsão do tempo. Aquele foi o momento. Carlos Magno sugeriu ao então diretor do distrito. Foi o ponto de partida para a existência legal da Climatempo. Agora eles tinham um cliente. O serviço era para o setor cafeeiro da Nestlé. No distrito. Eles não tinham a complexidade de modelos numéricos mais avançados. para que Ana Lucia e Magno prestassem serviços de consultoria em meteorologia. a primeira nota fiscal da nova empresa seria emitida no dia 20 de setembro de 1988.

Queríamos montar uma empresa diferente. Além de distrair o filho. mais voltada para levantamento de dados e assessoria técnica. Magno um dia sonhou com um lugar próprio para a Climatempo. teve também um papel importante na moderna meteorologia brasileira: foi a primeira meteorologista com curso superior a trabalhar no 7º. a necessidade de ter informações mais individualizadas começou a pesar nessa relação. Assessoria. em 1982. Era puro sonho de dois jovens que já tinham alguma experiência profissional e conhecimento da demanda do mercado de meteorologia”. Naquele momento. além disso. tinham maior facilidade de comunicação. O apartamento de 50m 2 que o casal havia comprado na Vila Mariana era pequeno demais para comportar uma empresa com grandes possibilidades. Projetos e Serviços. a Agência Estado deu início à modernização dos seus serviços. inclusive a filha mais nova. Eles conseguiam explicar os termos técnicos com uma linguagem clara. ainda uma pedra no caminho da meteorologia brasileira. conta Magno. Trabalhando em regime de escala no Inmet. mas pouco a pouco o atendimento passou a ser dado principalmente por Carlos Magno e Ana Lucia. Magno aproveitava para procurar um local que pudesse ser a nova sede da empresa. Uma das propostas era oferecer uma coluna de previsão do tempo. Eram eles que todos os dias divulgavam a previsão para São Paulo e também passavam as informações para eventuais matérias. Paulo e Jornal da Tarde. Vale lembrar que o momento era da meteorologia e os fatos que envolviam o tempo e o clima despertavam cada vez maior interesse da imprensa. pelas ruas próximas ao apartamento.rologia. em São Paulo. a AE. finalmente encontrou uma casa que atendia às suas expectativas: ali poderia instalar a mulher e os filhos. os dados eram fornecidos diretamente pelos meteorologistas do Inmet. Foi o caso da Agência Estado ( AE). Em 1988. Magno e Ana. 26 . sem um grande capital nas mãos para grandes voos. mas seria pioneira na implantação de uma nova filosofia nesse novo nicho de mercado: oferecer uma previsão de tempo diferenciada. a Climatempo já era uma realidade. específica para os clientes interessados. Magno e Ana Lucia não eram exclusivos da AE. mas também pela mudança nas colunas do tempo nos jornais da casa: O Estado de S. Preferimos ficar para montar a Climatempo a ser empregado. a Climatempo não seria a primeira empresa privada de prestação de serviço em meteorologia. a presta- ção de serviços era feita pelo Inmet e o casal falava em nome do distrito. Distrito de Meteorologia. Para isso. aliás. Antes dela. contudo. Depois de muito procurar. assim como a Eldorado. o que aumentava a credibilidade na previsão. que ficaria responsável não só pelo serviço para os clientes. Enquanto isso. já escolados pela rádio Eldorado. Magno tinha consciência de que era preciso ir devagar. ao mesmo tempo segura. a Eldorado tornava Magno e Ana cada vez mais conhecidos. Chegara o momento de encontrar esse lugar. Com os olhos voltados para fora da janela. em 1977. No início. a Climatempo. Com Rodrigo Mesquita como diretor. Como as coisas ainda estavam apenas no começo. Pelo menos por enquanto. Elói Gertel e Sandro Vaia como diretores de conteúdo. Em abril. Magno usava as manhãs – enquanto Ana estava de plantão no distrito e a filha mais velha Bebel na escolinha – para passear com o filho mais novo. a meteorologista Vera Malfa Pereira fundara a Tropical Meteorologia. Marquinhos. Se não acertavam sempre era pela falta de recursos técnicos mais modernos para elaborar o prognóstico. coube a ela o pioneirismo de ser a primeira mulher do tempo do programa Bom Dia. Aos poucos. direta. Vera. um novo gru- po de jornalistas assumia a direção da agência. Nesse primeiro momento. Outras mídias passaram a demonstrar interesse pela meteorologia. foi contratada a jornalista Patrícia Ferraz. No fim de 1988. São Paulo. também sofria um profundo processo de reformulação. reformulando suas colunas e investindo no conhecimento da previsão do tempo. outro braço do Grupo Estado. com o desenvolvimento do projeto de modernização da previsão do tempo na AE. da Rede Globo. mas sem estrutura física.

o inverno vai ser bom. e começou aí uma duradoura parceria. uma rua de comércio atacadista de materiais e acessórios eletrônicos. Chegou um momento em que a rádio não tinha como sustentar os altos salários pagos. “É. Victor. fui aprendendo com o Magno a contar uma historinha. E aos poucos foram comprando a mobília: uma estante. duas pessoas meteorologistas. Entrou na Universidade de São Paulo e foi lá que começou a estudar matemática aplicada. “Na rádio. em uma sala. Por ele recebiam os dados e as fotos de satélites que compravam do Inpe. As dificuldades iniciais para trabalhar eram enormes. substituiu outra pisciana. Coincidência ou não. Josélia. a gente brinca que eu sou a louca que deu certo. E fizeram isso já diretamente com a Climatempo. modelagem numérica. Silvio de Oliveira. que tinha alguma noção de informática.” Apaixonada pelo canto. Naquela época. o 132. começou a instalar programas. Era a primeira vez que entrava em um centro de previsão e foi ali que. com os meteorologistas mais antigos. que nada mais era do que usar a técnica e os conceitos matemáticos e transformar isso em equações. uma pisciana. Em casa. Quando Ana Lucia resolveu deixar a rádio Eldorado. mas passados esses anos todos. de repente. Dia de São José. ninguém entendeu. O serviço incluía previsões do tempo para a tevê e para a rádio Cultura. mas jeitoso. O Inmet havia se afastado do negócio e a rádio passara a ser mais um cliente da nova empresa. quando chegou a hora de prestar vestibular. Ela fazia meteorologia”. Josélia veio do Rio de Janeiro com a família aos 11 anos. Nos fundos. acompanhando também a evolução da Climatempo. Magno convidou outra meteorologista. Magno. se juntam. decidiu mesmo pela matemática. além do serviço telefônico do 132. Josélia não sabia quanto esse conhecimento seria útil. Josélia não tinha noção do que era um curso de meteorologia. a profissão ainda é uma coisa rara: duas mulheres e duas meteorologistas. “Você é louca”. o diretor do distrito. Grávida do terceiro filho. Ali tudo começou. quando chove. Um dia em que a crendice popular no Nordeste diz que.” Josélia começou a transmitir seus boletins direto do 7º. Josélia tomou gosto pela previsão. analisar o currículo e chegou à conclusão que era muito interessante. aprendeu a elaborar a previsão de tempo. ou seja. Pequeno. Para o seu lugar. disseram os pais. Mas o período ainda era de incerteza econômica e nem o projeto vitorioso da Nova Eldorado conseguiu sobreviver à hiperinflação. tinha espaço para todos os filhos. Josélia Pegorim trabalhava na TV Cultura. Ela assumiu o lugar de Ana Lucia durante as manhãs em 1989. equipamento fundamental para trabalhar. de uma forma que as pes- 27 . Magno comprou um fax de segunda mão da NEC. Pediu transferência e não se arrependeu. outra paixão em sua vida. conta Magno. Distrito. mas era um investimento”. 19 de março. uma mesa e a grande aquisição: um computador. outra grande novidade na época e que também passou a fazer parte da estrutura. Eles pediram para renegociar o contrato. foi assistir a algumas aulas.O sobrado ficava na Rua da União. também na Vila Mariana. com o grupo que fazia o serviço de previsão de tempo por telefone da antiga Telesp. foi montada a infraestrutura básica para a Climatempo. “Eu lembro que a gente pagava 30% de tudo que recebia em aluguel da casa. porém. Filha de arquiteto. foi no coral da USP que uma amiga lhe falou de uma cobertura de férias na central de meteorologia da TV Cultura. início da década de 1980. relembra. Ana Lucia. numa mesma empresa. e que fazem aniversário no mesmo dia. sua primeira ideia de profissão estava ligada à arquitetura. Até aí. Uma linha telefônica era caríssima. Ela é a segunda de seis irmãos. custava em média 4 mil dólares. um computador. artigo raro naquele momento. Contudo. no centro de São Paulo. e com sua voz potente e clara logo conquistou um público fiel. sugeriu seu nome para Magno. Nele. Na Santa Ifigênia. Ana decidiu deixar a Eldorado e ficar como previsora do Inmet e da Agência Estado. “A estatística jamais vai conseguir explicar como nesse mundo. Mesmo assim. um sofá. “Um dia eu estava andando pelo campus e dei de cara com uma amiga.

” matempo fechou um acordo em que cabia à agência levantar os dados. A transformação do céu. “O meteorologista que trabalha com previsão tem relações delicadas. Eu estava de plantão na TV Cultura e na rádio. “Lembro que chorei uma vez por conta de uma previsão errada. a parceria com a Agência Estado ganhou fôlego. uma novidade. Ainda bem que deu tudo certo. Sorte que não era tão conhecida ainda”. na ponta do lápis e na borracha. mesmo quando a transmissão não era gravada. a bela voz da rádio Eldorado. o processo era bem rudimentar: duas imagens por dia vinham de ônibus. assim como Carlos Magno e Ana Lucia. toda a prática do mundo não afastava os riscos de erro na previsão. o nome Josélia Pegorim tornou-se conhecido. como eu errei tanto’. quando “o tempo” virou notícia de caderno de polícia. fiz a entrevista pelo telefone. sempre solicitada quando o assunto era meteorologia. Eu olhava para o céu e chorava: ‘Meu Deus. Todas as pesquisas e estudos que são feitos servem para diminuir as margens do erro. tinha algumas coisas na cabeça. uma foto do meteorologista Carlos Magno no papel de Sherlock Holmes e o subtítulo: “Os meteorologistas ajudan- Õ Em 1989. via Pássaro Marrom. Já na Agência Estado. até a compra do fax”. Para poder suprir todas as necessidades da AE com os jornais da casa e também com seus clientes. as informações chegavam por meio de um modem e um sistema de transmissão chamado Procon. e eu dei uma previsão de que não iria chover. que não tinha computadores nas nossas vidas. escrita por Patrícia Ferraz. na TV Cultura e na rádio Eldorado. mas elas existem e vão continuar a existir até o fim. relembra Magno. pois até então as fotos vinham de ônibus de São José dos Campos para a Agência Estado. Em destaque. Um erro pode prejudicar muitas pessoas que confiaram nela. das nuvens. e choveu o domingo inteiro a ponto de inundar a cidade. Vale lembrar que se está falando ainda do final da década de 1980. eles passaram também a abastecer o noticiário dos jornais para os quais trabalhavam. Era ele o principal intérprete do céu. a Climatempo ficaria responsável pela recepção de fotos do satélite enviadas pelo Inpe. “Quando começou a Climatempo. começou a chover no sábado. informa muito sobre a condição do tempo. Bom. É olhando para o céu. O meteorologista não podia culpar máquinas. Por outro lado.” Por isso que uma previsão errada podia ser muito dolorida. que é uma fotografia. Josélia acumulou os dois trabalhos. da Agência Estado. com um poder enorme de difusão. ainda mais quando é divulgada pela rádio. conta Josélia. Foi com o Jô Soares. “Eu lembro a primeira vez que entrei ao vivo. mas ainda baseados no distrito. mas prática nenhuma”. a Cli- 28 . as nuvens que estavam em Mato Grosso do Sul não iriam chegar a São Paulo. nada a ver com a forma que faço hoje. Ele convive e vai conviver o resto da vida com o erro. Nós aprendemos a fazer previsão na mão. Eu estava saindo da faculdade. Foi o que aconteceu na edição do dia 12 de maio de 1989 do Jornal da Tarde. As imagens eram recebidas por um fax. após 20 anos de aprendizado. Durante um bom período. “Eu faço parte de uma geração de profissionais. sugerindo pautas com temas inimagináveis nas redações. A prática dos boletins trouxe também o traquejo de uma boa locução e a segurança necessária. No começo era uma história muito quadrada. computadores e modelos. E muito mais do que fazer previsões de tempo. Queriam que eu entrasse ao vivo porque estava caindo uma tempestade em São Paulo. Entretanto. estampava a manchete “Detetives do tempo”. que fazia um programa na rádio sobre jazz. era um sábado. Uma época frutífera em que adquiriu a tão necessária experiência. Nós aprendemos a olhar e muito bem para o céu. Faz parte do dia a dia. uma modernidade para a época. Com o tempo. Nesse momento eram três jovens meteorologistas trabalhando basicamente para dois clientes. A reportagem. que também se faz uma previsão.soas entendessem. comprando-os de empresas estrangeiras ou por meio de convênios com as instituições governamentais como Inmet e Inpe.” Josélia tem consciência da responsabilidade de fazer uma previsão. Eu estava tremendo que nem uma louca.

Beltran disse à polícia que no segundo dia do sequestro ele ouviu um barulho de trovões. Mas não era só nos jornais ligados à Agência Estado que Carlos Magno e Ana Lucia davam seus pitacos. além de jornais de todo o estado de São Paulo cada vez mais incluíam a previsão do tempo em suas edições.. o sequestro do banqueiro Antonio Beltran Martinez: “Quando foi libertado. no dia 8 de novembro de 1986. Magno e Ana Lucia sentiram que era hora de largar de vez o serviço público e apostar todas as fichas na Climatempo. Logo no início da matéria a explicação sobre o trabalho desconhecido dos meteorologistas: “Consultando mapas e fotos de satélite.) A polícia acreditava que ele. Com certeza.. (.do a combater o crime”. havia ficado escondido na Grande São Paulo. Mais experientes e com dois clientes na carteira da empresa. havia trovejado. eles ajudam a resolver casos complicados. o banqueiro. 29 . na Grande São Paulo. as condições do tempo numa determinada hora ou local podem ser decisivas para esclarecer um caso ”. Nesse caso foi impossível obter uma resposta. conta Magno. poucos leitores deveriam saber que o trabalho de um meteorologista pudesse estar ligado a intrincados inquéritos policiais. sem chuva. seria preciso uma estação meteorológica em cada bairro para ter essa informação. pois. Magno foi um dos meteorologistas ouvidos pela reportagem e lembrou-se de um caso marcante em sua carreira. Revistas especializadas – desde publicações destinadas a velejadores até revistas de cooperativas de laticínios –. Muitas vezes. segundo o meteorologista. e queria saber onde. sem chover”.

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Em meados de 1990. lembra Magno. Nós respeitávamos a empresa. os brasileiros elegeriam pelo voto direto o novo presidente do País. O informe perguntava e.” A agricultura era uma opção natural. As amizades.N Para Carlos Magno e Ana Lucia também foi um período conturbado. Com a cabeça voltada somente para a Climatempo foi a hora de prospectar novos mercados. No dia 3 de março. o outro ficava responsável pelos serviços de casa e também pelas três crianças. Em casa. afinal eles foram com a cara e com a coragem. as condições políticas de trabalho no distrito estavam mais difíceis e ficava cada vez mais complicada essa dupla jornada. Essa foi a deixa para Ana e Magno. O Magno saiu primeiro. eles já tinham um fluxo de caixa para montar um pequeno centro de previsão do tempo. A exemplo do Estadão e do JT. Depois de analisarem fotos de satélites. eles sentem a torcida para que não apareçam cumulus. Hoje. Por causa disso. “Na verdade. A gente já estava se preparando para sair. Na sexta-feira. depois de vários anos de ditadura militar e de um lento processo de redemocratização. Magno dividia com Josélia os boletins diários na Eldorado. Como consultores do Grupo Estado. Collor prometia uma verdadeira limpeza em vários setores. A Climatempo já existia de fato atendendo à rádio Eldorado e à Agência Estado. Paulo para prestar uma homenagem aos meteorologistas de todo o País. Além disso. a rotina familiar era dividida pelo casal: enquanto um estava no distrito. principalmente no serviço público. Foi nesse momento Ambos sentiram. 3 . que a demanda estava aumentando. ciclones e anticiclones. Magno e Ana viram as portas se fecharem no que dizia respeito à obtenção de dados. que eles decidiram pedir demissão do Inmet e investir no próprio negócio. você vai saber com que roupa sair”. ano em que sofreria o impeachment. o Inmet era um órgão do Ministério da Agricultura. a melhor prestação de serviço chega a você. afinal. Eles sabiam das possibilidades dessa área. a determinação do Governo Federal foi o empurrão que faltava. a Eldorado comprou três quartos de página do caderno de esportes do jornal O Estado de S. Outra determinação foi a de impedir que servidores públicos exercessem outra atividade na iniciativa privada. “Nossa saída foi uma contingência. tanto na parte técnica quanto em volume de informação para a elaboração das previsões para o atendimento aos clientes. “Eu saí primeiro e um mês depois a Ana saiu também”. eles mantiveram contato. aliás. Apesar das boas relações cultivadas ao longo dos anos. mais jornais demonstravam interesse em modernizar suas colunas de previsão do tempo. o alagoano Fernando Collor de Melo. é o Dia do Meteorologista. ele estava cansado. no sobradinho da rua da União. Collor deu início a uma série de demissões no serviço público. Foram bem ousados. nesse tempo. leia e veja o trabalho deles. do INMET. A rádio. lembra Ana. Ouça. A gente sabia que era o momento e que a tendência era de o mercado crescer”. “Quando o Magno e a Ana saíram. massas de ar frio vindas da Patagônia. Rádios e tevês também passaram a se interessar mais sobre o assunto. Ao assumir. no setor de comunicação a demanda já estava aquecida. em 1990. Em dezembro. segurando as pontas com um emprego fixo. Ana e Magno deixaram de ser Na telinha da Globo 31 o fim de 1989. dava a resposta: “Com que roupa eu vou?” Os meteorologistas Carlos Magno e Josélia Pegorim transmitem para os ouvintes da Nova Eldorado AM os mais precisos boletins do tempo. foram mantidas. Ensaiando já há algum tempo a saída do distrito. o Brasil vivia momentos de forte movimentação política. ao mesmo tempo. A saída do Inmet foi de certa forma um pouco traumática para ambos. muito menos com os nimbus. 3 de março. porém. era para a Ana Lucia ter ficado mais um ano no Inmet. Por outro lado. conta a meteorologista Neide de Oliveira. trabalhando muito. não deixaria passar em branco uma data especial para os meteorologistas. Com fama de “caçador de marajás”. No mínimo. tanto que havíamos alugado uma casa maior”. porém. altas e baixas pressões. Fernando Collor afastaria mais de 100 mil funcionários. Até 1992.

Soares lembra que foi um período de grande efervescência criativa na Globo e credita ao jornalista Carlos Nascimento o entusiasmo para encaixar no projeto o quadro do tempo. o uso do helicóptero para acompanhar não só o trânsito da cidade. O meteorolo- gista se baseou na média das temperaturas máximas observadas no Mirante de Santana. O quadro seria apresentado por uma moça do tempo. a temperatura de ontem chegou bem perto do recorde do último verão na capital: 32 graus.. e este ano os termômetros chegaram a marcar 28. mas por um homem do tempo. responsável pelo Bom Dia. em média. isso indica que o verão poderá ser um dos mais quentes da última década. em um período em que crescia o espaço para esse tipo de informação: “A temperatura de 31. O SP-JÁ. “Nascimento era do interior. (. Eu estava com 29 anos e Ana com 26”. em Nova York. Passou pela Região Norte. o filho mais novo. Como os dados utilizados pela AE eram da Climatempo. disse Magno”. o jornalismo da Rede Globo passava por uma profunda reformulação com a criação de um novo telejornal local. O novo formato permitiu algumas inovações importantes. no dia 25 de janeiro.. registrada às 15 horas de ontem no Mirante de Santana. No começo.) O meteorologista Carlos Magno explicou que a massa de ar quente que está sobre o Sudeste veio do Oceano Atlântico e entrou pelo Nordeste.. ‘Foram 14 dias com temperaturas acima dos 30 graus’. mapas. da Agência Estado. 07/4/1990). Segundo o meteorologista Carlos Magno. e como todo bom caipira gostava de acompanhar a previsão do tempo. Nos Estados Unidos. com quadros. a cidade contava com seis 32 . São Paulo.) (O Estado de S. Paulo. Paulo. uma tradição norte-americana. a divulgação da previsão do tempo pela tevê começou em 1941. uma edição de 20 minutos. com uma linha editorial mais descontraída. tinha duas edições diárias e à tarde cobriria o espaço do Jornal Hoje..” Para a edição executiva do projeto foi chamado o jornalista Amauri Soares. de São Paulo. Distrito de Meteorologia de São Paulo” (. pediu que Patrícia apresentasse um projeto de meteorologia ou indicasse um bom serviço. uma moça do tempo e uma meteorologia que já na década de 1990 estava bem à frente da brasileira. mas todo e qualquer evento de destaque. mas com abrangência nacional. quando o casal foi procurado pela Rede Globo. assim como eu. Éramos meteorologistas previsores e era com orgulho que a gente via a nossa previsão ser difundida. Victor. o São Paulo Já. Foi fabuloso. conseguimos o contrato com a Rede Globo. da Agência Estado. Segundo ele.4 graus.identificados como previsores do distrito e começaram a ficar conhecidos como meteorologistas da Agência Estado nas matérias dos jornais da casa. pioneiras e que foram incorporadas definitivamente ao padrão global. O contato foi feito por meio de Patrícia Ferraz. (O Estado de S. nasceu em 24 de setembro de 1989 e já estava com seis meses em 1990. Carlos Nascimento.4 graus. Magno foi então procurado para elaborar a previsão dos telejornais paulistas e mais tarde também dos jornais Hoje e Nacional. como as entradas ao vivo de vários pontos da capital e do interior. em 1944. foi a mais alta já ocorrida no outono paulistano desde a fundação da estação de Santana. “Este foi o novembro mais quente dos últimos 30 anos na cidade. relembra Magno.” Carlos Nascimento tinha em mente o modelo norte-americano. 30/11/ 1990). Na época. “Em julho de 1990. que nessa época ainda fazia parte da emissora. o que dificulta ainda mais a penetração de frentes frias’. como ficou mais conhecido. As máximas registradas normalmente nesse mês são de 25. do 7º. Distrito de Meteorologia. e à noite um resumo das principais notícias do dia.8 graus. ‘Ela chegou quente e úmida e agora está seca. Ela trabalhara durante anos na tevê e conhecia muitos jornalistas de lá. Na verdade. foram feitos vários pilotos para serem apresentados ao mercado televisivo. e a previsão do tempo. Naquele momento. Centro-Oeste e agora está sobre o Sudeste. o formato era uma experiência inovadora que a emissora pretendia implantar em toda a rede nacional. informou o meteorologista Carlos Magno do Nascimento. do 7º.

“Estava tudo por fazer: linguagem. com Carol Reed. “Cheguei lá e não sabia nem quem era o meu chefe. tudo ia se acomodando no sobradinho. em 1962 cerca de 460 emissoras tinham um profissional específico para cobrir essa área. a primeira moça do tempo foi a atriz Silvana Teixeira. ex-apresentadora do programa infantil Bambalalão. No começo. um computador disponível para eles. os primeiros funcionários começaram a ser incorporados ao grupo para atender ao novo cliente.mil aparelhos que recebiam as informações pelo canal NBT (atual NBC) por meio de cartoons animados pelo apresentador Woolly Lamb. Em 1954. Na década de 1970. na CBS. guarda-chuvas e gorros para dar as informações que soavam superficiais demais. Com as inovações tecnológicas. Era preciso que os conceitos da meteorologia fossem elaborados de forma clara. e as garotas do tempo cederam espaço para os homens do tempo que então dividiam com elas a responsabilidade de apresentar a previsão do tempo. Ana e Magno montaram um esquema que possibilitou a divisão de trabalho entre o grupo. nem aos jornalistas nem aos meteorologistas. posso prever o tempo de amanhã”. que vai do 33 . foi contratada a meteorologista Márcia Costa. Disseram-me: ‘você senta aqui. Com a necessidade de adaptar a rotina da empresa. Reed tornou-se musa do tempo e reinou durante 12 anos nas telas. Silvana interpretava um papel todos os dias: usava galochas. Assim. No Brasil. a tradicional BBC iniciou seu quadro do tempo com um homem no comando. O quadro foi uma grande novidade para todos nós envolvidos nele”. Márcia ia para a Globo na parte da manhã e Ana Lucia entrava à tarde. Ele sempre iniciava o quadro cantando: “Está quente. Woolly Lamb. e sim suavizar a forma de transmitir a previsão. Nessa nova fase. Ana lembra que todo o pessoal envolvido no quadro do tempo teve de aprender a receber as fotos de satélite – que chegavam de três em três horas – e a fazer a animação em cima dos mapas. da TV Cultura. Na Climatempo. A ideia inicial não era a de fazer um quadro hermético. sempre marcando suas despedidas diárias. não havia nada. com um breve have a happy day (tenha um dia feliz). Um período de experimentação. Isso significou dividir o mapa do Brasil e de São Paulo em faixas que compreendessem tempos correlatos. grafismos. Aos poucos. seguindo até a noite. compreensível e ao mesmo tempo dinâmica. foi pensado o conceito de faixas para a previsão do tempo. que trabalhava na Infraero. em 1952. mas eu. está frio. Segundo o New York Times. Por incrível que possa parecer. “Até mesmo para os meteorologistas aquilo era um sonho. Outras moças do tempo viriam ocupar o seu lugar no decorrer dos anos. agora misto de lar e de empresa. tanto para os meteorologistas – que nunca haviam tido qualquer contato com os mecanismos da tevê – quanto para quem iria exibir o novo quadro. O resultado não agradou nem ao público. está seco. a Globo fizera uma tentativa com a meteorologista Vera Malfa Pereira. O pessoal da Aeronáutica me dizia: ‘prefiro ver a animação da foto de satélite na Globo à que eu tenho aqui’”. a primeira moça a apresentar um quadro na televisão brasileira teria sido Albina Mosqueiro. no departamento de arte da TV Globo de São Paulo. que era responsável pela rádio. na visão de Amauri Soares. no Bom Dia São Paulo. no departamento de arte’”. “Aqui na área escura. Além de Josélia. em 1969. Absoluta novidade. Na década de 1970. nos anos de 1980. computação gráfica. Outra preocupação inicial foi com o desenvolvimento do formato. Graças ao seu sucesso várias emissoras passaram a ter a sua moça do tempo. o quadro ganhou um visual moderno. na TV Cultura. relembra Amauri. está chovendo. O equipamento destinado à elaboração da previsão foi o primeiro do departamento. conta Ana. George Cowling foi o primeiro apresentador da rede. A figura da moça do tempo surgiu nos EUA . o formato profissionalizou-se e ganhou espaço no jornalismo. toda essa parte de computação gráfica da Globo de São Paulo começou com a previsão do tempo. Na Grã-Bretanha. não havia ainda. com imagens do satélite. Segundo Ana. prejudicando a credibilidade.

um dia lindo. “Colocávamos ao vivo para falar do tempo na cidade. porque os jornalistas não acreditavam”. Mas nós nunca nos metemos na linha editorial”. um balde de água fria: o feriado seria de muita chuva. Segundo Ana Lucia.” O trabalho diário na Globo. Bom. Aquilo foi crescendo. em especial. que era o editor. os erros e os acertos. sendo entrevistado ao vivo quando a situação exigia. de repente começou a se interessar a escrever o texto da previsão. para os meteorologistas era um choque ver aquele tipo de informação. Nos Estados Unidos é assim.Rio de Janeiro até o Acre. dando maior dinâmica à apresentação. Teve uma catequese dentro da redação.” Amauri também não conseguia admitir um quadro que pudesse engessar o jornal. “Eles diziam: ‘como vocês têm coragem de detalhar tanto a previsão?’. O quadro deixou de ser engessado para ser dinâmico. “Passamos a explicar o tempo. Não era questão de coragem. Quando compreendemos isso ficou mais fácil lidar com a imprevisibilidade da previsão”. novo e divertido. Mas era um jeito que a gente conseguiu de explicar com poucas palavras e uma boa imagem. lembra Ana Lucia. Entendemos que o tempo faz parte da vida das pessoas e assim tentamos humanizar a informação. o tempo não vai ajudar. Lógico que a gente errava. Essa constatação mudou a percepção do quadro e. nem precisar sair de casa’. e foi um trabalho de educação. ele. nesse período de implantação. era como se fosse um erro jornalístico. abriu um sol intenso. A criação de faixas de tempo começou pelo mapa de São Paulo. eu como fechador do jornal tinha algumas preocupações em relação ao quadro do tempo”. desses que toda a família se prepara para deixar São Paulo e aproveitar o tempo livre para descansar. eles começaram a ver que Ana Lucia e Magno eram pessoas sérias. no primeiro dia do feriado. mas dar ao público o direito de saber o que aconteceu e o que não aconteceu com o tempo em determinado dia. confessa Soares. era muito prazeroso. perceberam o equívoco: não dava para exigir rigor e perfeição de uma previsão.” Essa forma de apresentar as diferentes áreas foi desenvolvida na Globo e não se conhecia projeto semelhante em nenhuma outra televisão. “O Amauri Soares. O importante não era apenas divulgar uma previsão. relembra Ana Lucia. porém. “Era tudo muito criativo. que a previsão do tempo tinha uma lógica e que eles não erravam tanto assim. afinal. tanto de conteúdo quanto do formato. era uma previsão e. sempre apresentado por uma moça do tempo.” Amauri Soares relembra um episódio típico dessa fase inicial. Com o tempo. portanto. Eu lembro que a gente bateu muito nisso: ‘olha só. e coisa e tal. Na hora de divulgar a previsão. Com o passar dos meses. o próprio Carlos Magno começou a participar dos jornais. mesmo sendo um desafio. aproximando o conteúdo da previsão ao dia a dia das pessoas”. Além das moças do tempo. ”A previsão erra e o erro também é notícia. “A primeira era que tínhamos uma visão jornalística da previsão. no campo e em especial nos feriados. explica Amauri. porém. muito nítida. colocá-lo em uma camisa de força. não aceitávamos o erro. por exemplo. assim como todo o pessoal da tevê. se desenvolvendo e a gente cativando o povo. Pensar o mapa do Brasil e de São Paulo dessa maneira foi a solução para tentar passar o maior número de informações possível em um curto espaço de tempo. mais do que isso. a gente tinha noção da correspondência de cada área para cada previsão. Ficamos amigos nesse período. “Era um feriado prolongado. “No começo. muito clara. Choveu. falível. mas foi de telefonemas para reclamar 34 . ao colocar frente a frente uma família que deixou de viajar porque acreditou na previsão de chuvas e o meteorologista. Ana tem razão ao lembrar como foi um lento processo de construção de credibilidade. cobrando explicações para o que realmente havia acontecido. o tempo será chuvoso. que no norte do estado ia fazer sol e no resto o dia poderia começar com chuvas. Ele ressalta que esse processo de assimilação acabou dando maior agilidade ao jornal. acredita Amauri. a partir dali foi possível incorporar essa falibilidade. queríamos alcançar a exatidão. As pessoas se situavam naquele mapa sem precisar ficar detalhando cada ponto. A gente errava uns cinco dias por mês.

arte. o espaço destinado a elas rapidamente cresceu. eles é que começaram a prestar mais atenção nelas”. Nem Magno nem Ana estavam mais no distrito quando a matéria foi feita. Começamos com um minuto e vinte segundos. estou aqui há três meses e nunca erraram uma previsão’. e no fim as pessoas foram entendendo o que tinha acontecido. chamado de Unidade de Análise de Imagem ( UAI). Mais do que isso: perceberam que tudo o que estivesse ligado ao tempo era notícia e se fosse tratada de forma adequada virava destaque em jornal. “Começamos a desenvolver tudo. A introdução da previsão do tempo quebrou a hegemonia masculina do noticiário. O equipamento receptor está quebrado em fase de manutenção. como mostra a reportagem publicada pelo jornal Folha de S. um novo desafio para a equipe da Climatempo: elaborar a previsão do tempo para o sóbrio e aristocrático Jornal Nacional. tínhamos de dar a previsão do Brasil todo em cinquenta segundos”. no Vale do Paraíba”.da previsão. que tinham deixado de viajar. rádio ou tevê. de acordo com a reportagem. depois caiu para um minuto. relembra Ana Lucia. o instituto também está sem um papel especial que imprime a fotografia do satélite transmitida por telefone diretamente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em 1991. “Começou tudo de novo: linguagem. Aí colocamos o Magno ao vivo. logo percebeu quais eram as informações que mais interessavam a cada órgão. Os equipamentos estavam com defeito e havia meses telefone e telex estavam cortados. “A Globo começou a valorizar a meteorologia até um ponto em que as pessoas começaram a notar: viravam para a gente e diziam: ‘puxa. em outubro de 1990.. Eis que para fazer companhia aos dois surge a jovem figura da apresentadora. em Porto Alegre. Na verdade. No fim. O interessante é que o Magno explicou que a frente fria tinha se desviado. explicando como esse fenômeno se formara. acreditando na previsão. É fácil entender a opção da Rede Globo pela Climatempo. Também logo assimilaram a linguagem jornalística e entenderam o que era notícia e o que era mera especulação. 35 . havia falta de pessoal e de material por causa da falta de pagamento. Na reportagem ficava clara a estrutura precária do Inmet: “O distrito não conseguiu detectar a existência de uma linha pré-frontal. Distrito de Meteorologia. A linguagem jornalística da previsão do tempo na tevê não existia no Brasil”. a equipe da Climatempo. No 8º. registrava a matéria. produziram boas matérias na Agência Estado. Por causa da seriedade das informações transmitidas ao público. O escritório de Curitiba não repassava informações confiáveis. dois verdadeiros ícones na rede. Ilustrações e infográficos nos jornais. Se a notícia era um tornado em Ribeirão Preto. as causas disso. mas principalmente a população. pois não recebe a fotografia do satélite meteorológico GOES desde sexta-feira passada. atuando diretamente na área de comunicação. eles logo aproveitavam a deixa para ir além do factual. A situação do Inmet nesse período era crítica. A credibilidade das previsões feitas pelos principais órgãos públicos andava em baixa. entradas ao vivo na rádio tornaram-se cada vez mais frequentes. a polêmica: “Meteorologia erra e chuva surpreende paulistano”. Com uma boa rede de dados e com a informação chegando com facilidade. O mesmo caso quando nevava no Sul do País ou quando uma tempestade atrapalhava a vida do paulistano. Além desse equipamento. Problemas como esse não afetavam apenas a credibilidade da meteorologia brasileira. enfim.” Por outro lado. Logo na manchete. apresentação. relembra Ana. que pegou todos de surpresa. O jornal era apresentado até então pelos locutores Cid Moreira e Sérgio Chapelin. na Eldorado e na Globo.. davam um panorama completo da situação. Paulo. O sucesso do quadro do tempo nos jornais regionais de São Paulo animou os executivos da emissora a implantá-lo também em outras praças (nas edições regionais de outros Estados) e no mais tradicional e influente telejornal daquela época: o Jornal Nacional. relembra Magno. que eram reproduzidas pelo Estadão e por uma rede de jornais em todo o Brasil. para se explicar para uma porção de telespectadores irados.

por exemplo. 27/7/1991) Enquanto novos caminhos se abriam para a Climatempo nos principais órgãos de comunicação do País. Nesse dia. assumiu o quadro em julho e virou notícia em várias publicações. na época colunista do extinto Diário Popular. Paulo. diz Ana Lucia de Macedo. A direção. passou a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. antes restrito aos paulistas. ‘E de dois anos para cá aumentou a confiabilidade nesse tipo de informação. A Globo. usando termos como área de instabilidade e frentes frias. ‘A notícia é o mapa. registrou em suas anotações a ocorrência de neve: “uma forte névoa ia descendo da encosta e a temperatura era de –3 graus”. ninguém poderia imaginar!”. não trabalha com dados oficiais”. não eu. para o investimento que as emissoras faziam e para o retorno do público. o meteorologista Belfort de Mattos. tinha uma resposta simples. para espanto dos apresentadores Carlos Tramontina e Mariana Godoy. “Ela foi a primeira figura feminina a aparecer diariamente.” (O Estado de S. Luís Carlos Austin. que já era a moça do tempo do SP-JÁ. Sandra achava esquisito virar as costas para o telespectador. como a TV Bandeirantes e a TV Cultura. está com sóbrios trajes de aeromoça. E Sandra. Magno lembrou que. em entrevista ao jornal O Globo.’ Mesmo assim. porém. o Inmet passava por dificuldades financeiras para manter os centros regionais.’ Ana Lucia garante que a precisão conseguida de 1989 para cá não é ideal. que integra a equipe de meteorologistas da Globo. 27/7/1991) No início. Por isso. “Sandra Annenberg ganha a vida falando de um assunto que até recentemente só era lembrado nos elevadores. E não era apenas o acerto nas previsões que fazia da Climatempo uma empresa respeitada. com aparições rápidas no SP-JÁ e no Jornal Nacional. Uma dessas “novidades” mereceu destaque até em uma coluna sobre televisão. em julho de 1925. assim foi”. décadas e décadas atrás. a reportagem . no JN. De fato. na qual Carlos Magno afirmou que já havia nevado em São Paulo: “Dez para a reportagem de Carlos Magno em que provou que já nevou na avenida Paulista. Paulo.atriz e futura jornalista Sandra Annenberg. sinal de que as informações meteorológicas estavam se tornando valiosas para o cotidiano. chamava a atenção para uma matéria do SP-JÁ – 1ª. com o passar dos anos já é possível dizer que não foi 36 Na mesma matéria sobre a moça do tempo da Globo. o formato do quadro no JN causou certo estranhamento à apresentadora por ter de ficar praticamente de costas para o vídeo.” (O Estado de S. tudo o que Carlos Magno sugeria como pauta parecia novidade até mesmo para os jornalistas da emissora. mas convincente: “En- quanto o Inmet garante 80% de acerto nas previsões meteorológicas. Carlos Magno. infelizmente. a Climatempo contra-ataca com a garantia de 85% de acerto. Em geral. mas já exibe 85% de chances de acerto. Nela a experiente Sonia Abrão. chamava a atenção para o fato de outras emissoras também abrirem espaço para a meteorologia. Também faz o máximo para dar as costas ao telespectador. táxis e velórios. A informação factual e histórica também demonstrava a competência de seus principais integrantes. Então. porém. estocou o chefe do Inmet no Rio.” Gravado em São Paulo e gerado para o Rio todos os dias. não chega a ser estranha a reação da direção do instituto ao progresso da iniciativa privada. “A meteorologia se torna cada vez mais importante quando as pessoas têm de planejar sua vida”. o quadro do tempo. Na Globo. O Inmet nunca teria “digerido” muito bem a ideia de que uma empresa fosse a escolhida para elaborar a previsão do tempo da maior rede de televisão do Brasil e as críticas logo vieram. “Nós não nos responsabilizamos pela previsão do tempo do Jornal Nacional. responsável por um observatório meteorológico na avenida Paulista. que eu tinha de levar o público até o mapa e mostrar onde estavam as coisas. edição. coleciona mais popularidade do que conseguiu com suas participações em vários programas e minisséries. onde há mais informação”. num quadro fixo. aos 23 anos. A margem chega a 90% em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. “achava que não. Na verdade. Ela aparece três minutos por dia na tela da emissora.

era tempo de muita esperança e muito trabalho. 12 de outubro. e nossas necessidades eram pequenas”. acabou abrindo espaço para assuntos que pouca gente conhecia. Carlos Magno ouviu a notícia no rádio logo cedo e comentou na Eldorado que ele poderia ter sido provocado pela chuva registrada no local. Uma das primeiras estratégias de marketing da Climatempo. higrômetro e termômetro. não teria feito esse registro”. entre muitas outras passagens. porém. mostrei o mapa para ver o que estava acontecendo. a Climatempo foi se tornando referência na prestação de serviços meteorológicos. “Havia várias hipóteses. dona Mora. criando a ideia de que não dava mais para ficar sem esse tipo de informação. A chuva veio varrendo todo o litoral norte de São Paulo naquele dia. e mostrava os locais onde chovia mais forte”. com gotinhas sólidas caindo no solo. no começo. o senador Severo Gomes e sua esposa e o piloto. o Belfort de Mattos. entretanto. “Para nós aquele momento não era importante. mas eu não tinha dúvida de que o piloto entrou num paredão de CB s (cumulus nimbus). Então fizeram a reportagem. No fim de 1992. que na época pouca gente sabia que existiam. entre elas a eleição direta para presidente da República. a empresa passou também a organizar cursos especiais para velejadores. o Brasil tinha outro presidente.” Com essas. como barômetro. A partir de 1991. ficaram meio escondidos. No ano seguinte. Foi na telinha da Globo. ao atuar na Globo. sua mulher. conclui. O adesivo marcava. Em outubro de 1992.exatamente neve. Em cinco aulas com duas horas de duração. por exemplo. Ulisses Guimarães ficou conhecido como “Senhor Diretas” por sua exaustiva batalha pela volta das instituições democráticas. e associá-los às dicas que a própria natureza oferecia. matou o deputado federal Ulisses Guimarães. A partir daí. Magno preparava os navegadores para ler corretamente os instrumentos de bordo. 37 . a Climatempo. quando cheguei na Globo. mas enriquecedor na vida política brasileira. que era um profissional muito sério. segundo Carlos Magno. então a queda foi um aci- dente com um elemento meteorológico. com a Climatempo aparecendo apenas através de seus clientes mais ilustres. com turbulência. em Angra dos Reis. Por isso. com a ação. Na Climatempo. começaram a participar de outros eventos. A estratégia montada no início era para que a empresa se firmasse como consultoria. conta Magno. Um adesivo que trazia estampado “Eu acredito em previsão do tempo” chamava a atenção em alguns carros de São Paulo. “Tinha história de alagamentos e a gente pegava os mapas dos pontos críticos com os radares do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). um trágico acidente de helicóptero. O helicóptero desapareceu no mar e o acidente comoveu o País. Itamar Franco assumiu o cargo após o impeachment de Fernando Collor de Melo. atrair e cativar o público. por exemplo. Aí. isso foi. um momento traumático. ainda éramos consultores. nas primeiras eleições diretas após o regime militar. como na cobertura da Fórmula 1 ou fazendo matérias para o Fantástico. Eldorado e Agência Estado. as várias surpresas que o tempo reservava para os praticantes do esporte. “Ao longo do tempo fomos fazendo grandes reportagens na área de meteorologia que eram reconhecidas pelo jornalismo da Globo.” Com três clientes de peso e os pés no chão era o momento de assentar as bases da Climatempo. também ganhou destaque nos seus últimos anos de vida por atuar como presidente da Assembléia Constituinte de 1988. Mas que foi muito parecido. “Caso contrário. descrevendo como teria sido a trajetória do helicóptero entrando em uma nuvem de CB s. Ana Lucia transmitia informações básicas que permitiam a um leigo prever. que as primeiras informações dos radares meteorológicos foram ao ar. E aí falavam: ‘mas como vocês têm certeza disso?’ Eu dizia que o radar estava mostrando uma linha muito forte. com boas horas de antecedência. No dia do acidente. a empresa tentava. “Acredito que ele deve ter observado uma sublimação de nevoeiro. Aos poucos. o pessoal veio logo para cima para saber. Globo. seria o candidato do PMDB para a Presidência da República. de forma semelhante à neve”.

navegadoras. indústria de produtos sazonais. afirmava Magno. comércio. “A Climatempo investe 10% de seu faturamento em tecnologia”. como roupas. e com isso podia atender melhor o mercado ainda em expansão. uma primeira fase de consolidação da empresa. e já atingia um faturamento mensal de 7 mil dólares. como seguradoras. 38 . Fase em que a Climatempo estendia sua consultoria para outras áreas. Um fim de ano otimista para uma empresa que se preparava para voos ainda maiores.contudo.

o leitinho da noite e não terminava o expediente sem antes transmitir o último boletim da rádio. ficando pequena para as duas atividades. Ia para a emissora e lá elaborava a previsão para o Bom Dia São Paulo e o SP-JÁ. A mudança de rota. Magno acredita que. Quando cheguei a Josélia já trabalhava na empresa. A gente costuma dizer que tem quatro filhos: Bebel. nem mesmo aos domingos. O pequeno centro de previsão instala- Foi nessa época que um jovem meteorologista carioca veio se juntar ao time da Climatempo. Marcos e Victor nunca reclamaram da vida regrada. “A Ana dava atenção pela manhã e eu. 4 . início de uma empresa com nome e endereço exclusivos. Foi preciso adequar a rotina. Fim de semana a mesma coisa”. Patrícia. Eu ia muito no piloto automático”. Decidiram então voltar a morar no apartamento e deixar a casa apenas para a empresa. Já como meteorologista da Climatempo. cresceram junto com a empresa. relembra Magno. afinal. Pela manhã. Ana cuidava dos filhos. chegou um momento que isso já não bastava. Mas tinha de trabalhar até dez da noite na Globo e acordar de manhã para dar café para os filhos. e haveria tempo ainda para procurar mais clientes para a empresa. o único meteorologista de uma família de médicos. Marcos. deixava-os na escola e ia para a Globo. engenharia ambiental. Mesmo assim. serviço de meteorologia da Marinha brasileira. Bebel foi fazer pedagogia. O jeito era fazer uma escalinha. Sinal de progresso. era em casa. Como tudo Nos quatro primeiros anos da Climatempo praticamente não tiveram um dia de folga. “O Magno estava precisando de gente para trabalhar e eu resolvi mudar para São Paulo. que um pouco mais tarde viria a fazer parte da equipe. De casa. em 1991. Marcos. deveu-se ao interesse por esportes náuticos. pegava os filhos na escola. “Éramos bons consultores. apesar do esquema rigoroso. “Meu expediente de mãe era bastante volumoso. segundo Madeira. com três filhos pequenos. Climatempo e o Victor. a Climatempo foi ganhando espaço na área de consultoria. à tarde. pegava a criançada. An- Abrindo espaço 39 os primeiros quatro anos de vida. Na hora do almoço. aos poucos. relembra. Lembro que a empresa funcionava em uma sala pequena. com plantões. pontuada pelo trabalho ininterrupto dos pais. Vinte anos depois. André namorava uma outra futura meteorologista. Eu vim para ajudar a atender a TV Globo”. da Agência Estado e da Globo”. Bebel. nenhum quis seguir a carreira dos dois. a gente ficava meio escondido.N Ainda nesse período a vida familiar estava muito atrelada à empresa. Queriam mais. eram dois meteorologistas na mesma casa. “Eles viram a empresa crescer. Queriam uma empresa forte que fizesse muito mais. Carlos Magno era responsável por atender a Globo. e depois de formado passou pelo Inmet do Rio.” A casa-empresa da rua da União foi. era um esquema bastante cômodo para os dois. do no sobradinho já não comportava a Climatempo. Como empresa privada. “No colégio tinha um colega que gostava de barco à vela e falou do curso de meteorologia e eu me interessei. Enquanto isso. Magno entrava na Eldorado e atendia aos clientes da Agência Estado. colocava para ver tevê ou fazer lição. que dependem das condições do tempo. dava banho. No fim de 1992. e Victor é estudante de Direito. ficava mais fácil. Entretanto. era uma alternativa aos serviços meteorológicos governamentais que não tinham estrutura capaz de atender individualmente às necessidades específicas do mercado. Carlos Magno e Ana Lucia não queriam mais depender apenas de alguns clientes. conta Magno. André Madeira formou-se em meteorologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ). Fim de tarde. Na época. Foi quando surgiu a oportunidade de trabalhar na Climatempo. Segundo ele. mas fazia a Eldorado. mas queríamos uma empresa que fosse contínua e não dependesse apenas da Eldorado. escalas e filhos para cuidar. Apesar da correria. não tinha concorrente. e descia para o nosso centrinho para terminar algum trabalho. deu para educar bem os filhos.” Durante a faculdade estagiou na Diretoria de Hidrografia e Navegação ( DHN ). jantar. tudo era muito braçal. perceberam que tinham de contratar mais gente. relembra Ana. trabalharam como boys.

Outra ousadia foi investir numa nova tecnologia que engatinhava ainda no Brasil: o BBS. Magno e Ana já buscavam caminhos novos. Foi ali que percebeu que aqueles que cobravam uma previsão acertada eram os que mais prestavam atenção ao trabalho do previsor e gostavam da meteorologia. “Montamos um serviço para elas.” Com o crescimento da empresa. As pessoas discavam o número e um menu interativo possibilitava que ela tivesse a previsão para a sua região: ‘Disque 1 para Região Sudeste. Acho que já confiava em mim. fora os clientes principais. Foi um sucesso: o custo da ligação era alto e por isso o retorno era lu- 40 No começo. ela e André se casaram. uma aposta feita por Magno. chegamos lá. As produtoras de vídeo começaram a perceber a utilidade da previsão para programar gravações. Com o tempo ele mesmo fazia os textos que eram apenas revisados.. como a implantação de um serviço de telefonia 0900.” Mas o serviço mais procurado era mesmo o 0900. ainda fica deprimido quando erra a previsão e lembra uma frase que Ana Lucia sempre repetia: “Tempo bom para o meteorologista é quando acerta a previsão”. mais gente foi integrada à equipe. e a previsão devia ser fácil naquele dia. que brigou para conseguir linhas de telefone para implantá-lo. mas isso fazia parte. passados mais de 15 anos na Climatempo. Havia cobrança. “Bom. Para ele não era difícil atender a Globo.” Dali em diante. “Atendíamos ao mercado cafeeiro. atualizada de três em três horas.. sigla de Bulletin Board System. o editor e ele escrevia o texto. Patrícia chegou em um momento de forte demanda por previsão do tempo e também às vésperas de um ano emblemático para a empresa. Foi aí que uma ficha caiu na cabeça de Magno. Com mestrado em poluição atmosférica. a Globo passou a fazer parte da rotina. O embrião da Internet. sempre tinha coisa para fazer. Um novo filão também despontava nesse momento. “Cada vez mais. o Magno me apresentou para o pessoal e disse que ia tomar um cafezinho. “Muitas produtoras precisavam de uma espécie de laudo. No período da tarde. não ligava. A ideia era apenas acompanhar Magno. Paulista. coqueluche na época. mas com sotaque carioca. temos famílias que dependem da empresa.” A Climatempo já não era apenas uma empresa de fundo de quintal. disque 2 para Região Sul.’”. uma documentação que comprovasse que a filmagem teve de ser adiada por causa do tempo. o Magno estava envolvido na divulgação da empresa e na captação de novos clientes. sozinho. alguns jornais. a gente mandava a previsão via fax com uma foto de satélite colada”. André ia de madrugada para a tevê e passava a previsão para os editores. Na equipe. relembra Patrícia. “Nós escrevíamos um texto e gravávamos no telefone. não fazia questão de saber se houve acerto ou erro.. temos funcionários. e que fornecia previsão do tempo durante todo o dia. A gente não parava. precisava da gente para cuidar dos que já estavam lá. No fim de 1993. Não apareceu mais. foi a vez de Patrícia Madeira.. que namorava André desde o Rio de Janeiro e passou a fazer parte do grupo depois de uma temporada na Alemanha. Quem não se interessava.dré conta que mesmo no começo a empresa tinha um ritmo acelerado. Ele confessa que. lembra Patrícia. Madeira ficava responsável por clientes de vários setores e de vez em quando fazia a previsão para a Agência Estado. Em 1994. participava dos plantões montados para atender o serviço 0900 e também a clientes novos como agricultores e antigos como a Agência Estado. ele foi embora e me deixou lá. agora dominava todo o sobradinho e contava com uma equipe de sete meteorologistas. que nada mais era do que um computador ou vários ligados a um modem de linhas telefônicas para receber bancos de dados.” André Madeira guarda na memória o primeiro dia em que foi para a Globo para conhecer o local e se familiarizar com a elaboração do quadro. “Aí. Patrícia logo mudou seu foco de interesse para a previsão do tempo. onde cursou o mestrado. agora já não somos apenas eu e a Ana. claro. não teve mais problemas. passava os dados para .

os dados.crativo. Inicialmente. Com o BBS e o 0900. a comunidade científica e o governo brasileiro já tinham consciência da necessidade de tirar o atraso do País. aviadores. Primeiro comprou uma linha. 06/6/1994) Todo esse esquema. na tela de um computador. porém. O BBS funcionava com um software que armazenava informações. Geofísica e Ciências Atmosféricas ( IAG/USP ). como Inmet e Inpe. Esse sistema também informa sobre o vento e a pressão do ar. já nessa época empenhava-se para contribuir para o sucesso da empresa. Õ O ano de 1994 seria emblemático para a meteorologia brasileira.” No início era um serviço simples. tão frio que mal conseguia falar. se um dia teve dúvidas sobre a meteorologia não ser muito segura. Ele jamais vai esquecer o carinho de dona Alice. como fotos de satélite para a região Sudeste. Apesar de ter uma boa infraestrutura para captação da informação. trouxe cinco mil dólares de ônibus do Rio de Janeiro a São Paulo e me entregou em mãos para comprar os computadores. que. “Nunca vou esquecer como era frio no sobradinho da rua da União. Estava tão frio. A parceria com os principais órgãos do Governo. ou seja. Nessa época. Para conseguir montar esse serviço Magno contou com dois parceiros muito especiais. dotado de um supercomputador capaz de realizar as complicadas equações numéricas. Um deles foi sua mãe. Quem for assinante desse serviço – operado pelo meteorologista Carlos Magno do Nascimento – ganha um soft-ware de animação de imagens que faz as nuvens literalmente caminharem sobre o campo. e o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (C EPAGRI/UNICAMP ). O próprio Magno montou a primeira versão do BBS. porque o maluco do filho dela tinha achado um sistema para a gente ‘pulverizar’ a informação meteorológica. e até um equipamento para recepção de imagens de satélite. Os boletins eram gravados na própria empresa desde as seis horas da manhã até a meia-noite. o que impulsionou a Climatempo. as primeiras linhas telefônicas e colocar aquilo que viria a ser 30% do faturamento da empresa. Paulo. a Climatempo dava um enorme passo para deixar de ser apenas uma empresa de consultoria e passar a ser uma empresa de comunicação. como era um bom programador. Foi ela quem deu o aporte financeiro para a montagem do BBS. precário em termos de tecnologia. Era preciso recorrer a empresas como a TASA (aquela mesma em que Magno começou sua carreira). Logo virou notícia: “O canal Climatempo de BBS oferece imagens de satélite atualizadas de meia em meia hora. como o Instituto de Astronomia. o C PTEC seria im- 41 . Uma outra novidade foi o BBS. a pessoa interessada acessava pelo telefone esse banco de dados e escolhia o que mais lhe interessava. Praticamente congelei”. depois mais uma e depois mais três. não seria possível sem a fonte primária para tudo. a institutos universitários. Uma vez estava um frio de rachar e eu tinha de gravar o último boletim do 0900 faltando quinze minutos para a meia-noite. “Minha mãe. Para divulgar os novos serviços contaram com dois clientes mais antigos: anúncios da rádio Eldorado e também no Estadão. após a criação do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF). O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos ( C PTEC) começou a ser gestado na década de 1980. Países mais avançados já dominavam há anos a elaboração de prognósticos com o uso de supercomputadores. que fazia muito sucesso nos Estados Unidos e estava chegando ao Brasil. como a norte-americana AccuWeather.” (O Estado de S. atendendo a um pedido meu. e também a fontes estrangeiras de dados. lembra Patrícia. comprou um livro e. em relação à previsão do tempo. por exemplo. a Climatempo ainda precisava travar batalhas diárias para poder atender aos clientes. não foi difícil im- plantar o sistema. não assegurava a disponibilidade de dados no volume necessário. Finalmente depois de anos de negociação e pesquisas o Brasil teria um moderno centro de previsão do tempo. Esse tipo de serviço era pago e logo agricultores. público ligado às produtoras passaram a ser assinantes.

Tudo começara em 1961.plantado ao lado do Instituto Nacional de Meteorologia. manteve como uma de suas principais funções a pesquisa na área de meteorologia. a maior parte dessas imagens é captada pelo satélite geoestacionário norte-americano Goes ou então pelo similar europeu Meteosat. Muitos se utilizavam dele para ganhar dinheiro ilicitamente. Em 1979. com computadores e linhas telefônicas dedicadas ao serviço. houve um avanço espetacular. A primeira a 42 . um decreto editado pelo então presidente José Sarney deu ao Inpe a competência para atuar na área de modelagem numérica operativa. E foi justamente pela sua posição de ponta na pesquisa científica espacial e ambiental que coube ao instituto a implantação do primeiro centro de previsão do tempo da América Latina. mas prover a sociedade da previsão numérica. abusando da boa-fé de quem ligava para determinado número. atual diretora do C PTEC. do ritmo seguro do crescimento. precisou ser repensada. com a criação do Inpe. e um prédio em Cachoeira Paulista. O C PTEC inaugurou um novo período da previsão climática e do tempo com a chegada do primeiro supercomputador japonês ao Brasil. inclusive da iniciativa privada. foi possível gerar previsão numérica. como a quebra de um encanto. em que ocorreram as primeiras demissões. Em 1986. por causa da tecnologia dos supercomputadores. Foi um período desgastante. que era muito rentável para a empresa. Quem não se lembra do astrólogo Walter Mercado. Esses e outros casos levaram a Justiça brasileira a proibir o 0900. Enquanto o País crescia em progressão tecnológica. passou a sofrer uma série de ações na Justiça. que levava milhares de pessoas a acessar via 0900 suas previsões astrológicas? Ou então serviços de disque-sexo que se transformaram no terror de pais endividados. Aconteceu tudo ao mesmo tempo. Os ladrões entraram na empresa durante a noite e levaram tudo. mas contra esse tipo de serviço. o embrião do que viria a ser o Inpe. o serviço 0900. devendo repassar os modelos rodados a todos os órgãos ligados à meteorologia brasileira. o instituto passou a ser o responsável pelo desenvolvimento de satélites de coleta de dados e sensoriamento remoto. responsável pela produção de ciência e tecnologia nas áreas espacial e do meio ambiente. Na década de 1980. a Climatempo enfrentava seu primeiro grande revés. quando foi criado o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Gocnae). No Brasil. O Brasil venceu um atraso de mais de 20 anos e hoje somos procurados por centros do mundo inteiro em busca de informações”. A medida prejudicou alguns setores. Um assalto ao sobradinho da rua da União deixou a empresa praticamente no chão. Dois anos depois. Do Inpe são geradas as imagens de satélite que ajudam a elaborar as previsões do tempo. primeiro para os órgãos ligados ao governo e mais tarde também para o público interessado nesse tipo de informação. com seu supercomputador japonês. Com ele. com a proibição do 0900. o Gocnae virou a Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Cnae). que só em 1971 seria extinta. com a recepção de imagens meteorológicas e as atividades em sensoriamento remoto. avalia Maria Assunção. Além disso. que exigiria maior qualificação para sua operação. Ainda na década de 1960. O fato é que. porém. a responsabilidade de instalação do centro ficou para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Com o C PTEC. teria início o programa de meteorologia por satélite. toda a infraestrutura montada na Climatempo. com sede em São José dos Campos. em Brasília. outro duro golpe viria quase ao mesmo tempo. O Inpe nos anos 1980 já era considerado um dos principais institutos de pesquisa brasileiros. no interior de São Paulo. o objetivo não é competir com outros órgãos. caso de agricultores e navegadores que só dispunham do serviço telefônico para obter uma previsão do tempo confiável. é integrado ao Ministério de Ciência e Tecnologia ( MCT ). Como se isso não bastasse. Segundo Maria Assunção Faus da Silva Dias. com seu famoso “Ligue já!”. Não contra a Climatempo. Ao longo de 1994.

falando do assalto. relembra Magno. notou que já estava aberta. relembra. “Ver aquele cenário de fios revirados. Ao tentar abrir a porta com a chave. Passou um tempo e eu comecei a desenvolver um sistema mais elaborado para o BBS”. Magno passou tempos dormindo na empresa. Em 1994 o satélite norte-americano sofreu uma pane. As consequências do assalto só não foram mais desastrosas porque. softwares e programas que possibilitavam receber muitas informações ao mesmo tempo e processar esses dados de forma rápida e concisa. e o serviço oferecido pela Climatempo atiçou sua curiosidade. a consultoria prestada para os três grandes clientes não foi afetada. “O Rogério começou a dar toques importantes para deixar o nosso sistema mais eficiente. mal perceberam as trovoadas e os raios que caíram sobre a Climatempo. Por sorte. Ele estava justamente trabalhando no desenvolvimento de equipamentos para a recepção de imagens de satélite. novos equipamentos foram comprados. Rogério passou a criar maneiras de facilitar a vida dos meteorologistas. Outro que foi pego de surpresa foi Rogério Leite. seu Juvenal e dona Atala. lembra Rogério. pois a empresa não tinha seguro contra roubo. Globo e Eldorado continuaram a ser atendidas normalmente. “A Ana estava passando uma temporada com os pais em Natal e não chegou a ver o estado em que ficou a empresa. Mas o mercado para o sistema BBS continuava muito aquecido. indispensável naquela altura do campeonato. Toda a programação do BBS precisou ser refeita.notar algo de errado foi Patrícia Madeira. Perdemos praticamente tudo”. apenas o básico para gerar informações para uma clientela fixa. e ainda outros funcionários trouxeram seus computadores de casa. os pais de Ana Lucia. Os novos computadores rodavam um software muito simples. como eu fazia justamente isso. mas precisavam de ajustes. mas com o tempo vi que era fundamental ter alguém que entendesse do assunto. bem ou mal. tratou de ligar para o Magno. estavam na Inglaterra. e aí logo cedo me ligam contando do assalto. toda a Climatempo precisou ser reerguida. e a Climatempo pôde manter uma fonte de renda. em especial o BBS. Não demorou muito para Rogério ligar e agendar uma visita para conhecer sua infraestrutura. ouvindo a rádio Eldorado prestou atenção a uma chamada de divulgação da empresa. computadores em que estavam instalados o BBS. porque eu e o Magno tínhamos ficado até tarde na Climatempo. principalmente para reerguer o serviço de BBS. sem nenhum computador para trabalhar. Agência Estado. Rogério Leite conheceu a Climatempo por mero acaso. o telefone fornecido pelo rádio indicava que eram praticamente vizinhos. Aos poucos. Ele lembra como foi. e com medo de que alguém ainda estivesse por lá. Recebemos várias mensagens de apoio dos clientes”. Era um excelente programador que começou na informalidade e tornou-se essencial”. No começo era sem compromisso. Colocaram um caminhão na porta e levaram tudo.” Foi preciso muita garra e um esforço coletivo para recomeçar. exigindo um desenvolvimento tecnológico cada vez maior. Para reerguer a Climatempo. Rogério emprestou mais dois. telefones. Sem saber o que fazer. lamenta Magno. Acabamos ficando amigos. astronomia e meteorologia. avalia Magno. fazendo parte do dia a dia da empresa e criando mecanismos que facilitaram e otimizaram o uso do BBS. “Lembro que colocamos um aviso na telinha do BBS provisório. Por coincidência. o mesmo que estava usando para escrever sua dissertação de mestrado. Patrícia emprestou um computador pessoal. Quem daria o suporte técnico necessário para alavancar novamente o BBS seria um aficionado por meio ambiente. “Eles tinham o básico. também. A palavra de ordem era recomeçar. Uma vez. Com o tempo. mexendo no BBS. nos fez mais fortes ainda”. Viu também mesas reviradas na sala. 43 . além de especialista em Tecnologia da Informação. Rogério foi conhecendo as pessoas. “Uma coisa bem estranha. fax. Ofereci uma quantia pelo serviço e ele topou. que chegava às 6 horas da manhã. passei a prestar um serviço sem compromisso.

na Baltazar. Era divertido. O BBS Climatempo tem um serviço de meteorologia que cobre 80% do planeta.” Em 1994. sysop (operador de sistemas) da Climatempo. no Brasil estávamos utilizando o METEOSAT . chamava a atenção da mídia especializada em informática: “Graças a uma antena de recepção de imagens.e Magno pediu que trouxessem uma estação de recepção do satélite europeu Meteosat. mas tinha pouca gente. relembra Patrícia. Paulo. Oriente Médio e Austrália. o tempo no sobradinho da rua da União tinha se esgotado. dando início à libertação da Europa do domínio nazista. Esse tipo de equipamento nos daria uma vantagem competitiva em relação a todo o mercado”. ‘Entre nossos 150 assinantes. boletins e fotos de satélite. No dia 6 de junho de 1944.. que ficou conhecido como o Dia D. Era preciso voltar a crescer. o BBS fornece a seus usuários fotografia de toda a América. estão pescadores. a casa era menor. nove funcionários e equipamento informatizado – cinco computadores dotados de sofwares para fax e telex –. Um ano depois. 10% são estúdios de fotografia e 20% são curiosos. Segundo o sysop. pela novidade do serviço. 30% são navegadores. O ataque rápido e certeiro só poderia acontecer durante o verão europeu. conta Carlos Magno. A Gilca Parma trabalhava em uma mesa atrás da porta!”. Ana Lucia e Magno não descuidavam um só instante dos demais clientes. Era um sinal de que a empresa estava crescendo. o quadro do tempo ganhou tamanha credibilidade que foi definitivamente incorporado ao padrão Globo de qualidade. o BBS consolidava seu público e. Em 1995. a Climatempo tinha um faturamento anual de 150 mil dólares. “Montamos no quintal da casa da rua da União. Enquanto isso. na rua Baltazar Lisboa. informa Carlos Magno do Nascimento. Aeronáutica. Canadá. A assinatura mensal é de R$30. porque era tudo improvisado. Carlos Magno deu valiosas informações sobre a importância dos conhecimentos da previsão do tempo para o planejamento de um dos mais importantes momentos da guerra: o desembarque dos aliados na Normandia. o satélite norte-americano Goes havia entrado em colapso e. Em outro front. Na Agência Estado continuavam firmes no posto de meteorologistas.. 155 mil homens das forças aliadas desembarcaram nas praias da Normandia. encontram novos nichos de mercado e oferecem agora serviços especializados. 06/6/1995). Segundo ele. Carlos Magno. ou BBS s. inclusive participando de outros trabalhos desenvolvidos pela agência.” (Jornal da Tarde. na França. “A mudança para a Baltazar Lisboa foi marcante para a gente. na Globo. mais uma novidade. sempre na Vila Mariana. e um sinal de que aquele ano turbulento tinha chegado ao fim foi a mudança da sede da Climatempo para uma outra casa. mas já éramos muitos. “Quando seu Juvenal estava estudando na Inglaterra eu pedi a ele que comprasse um equipamento de recepção de satélites. a emissora chegou a comprar um software de meteorologia para melhorar ainda mais a transmissão da previsão do tempo. A maior rede de televisão do País apostaria na credibilidade e no carisma de um meteorologista para apresentar o quadro do tempo do Jornal Nacional. em 350 cadastrados. como a produção de um CD- ROM contando a história da Segunda Guerra Mundial. além de uma antena parabólica. Na rua da União a casa era grande. a mudança foi para melhor. 13/02/1995) “Os sistemas de mensagens. África. 40% dos usuários são agricultores. Europa. agricultores e agências de publicidade’. “Mas o grande problema da Baltazar foi mesmo o cigarro. na Eldorado.” Porém. Josélia segurava os boletins e já começava a ser identificada como a “moça do tempo” da rádio e por fim. De resto. Naquele momento. Trabalha com informações cedidas pela Marinha. Apesar do trabalho interno para ampliar a Climatempo. as previsões de tempo propriamente ditas são direcionadas às necessidades de seus usuários. 44 .” (O Estado de S.

Seguindo essa mesma filosofia. com o Renato Machado. O convite feito a Magno foi a coroação de um trabalho desenvolvido por ele e por toda a equipe da Climatempo ao longo de seis anos nos jornais locais da rede: o Bom Dia São Paulo e o São Paulo Já. Não foi bem assim. confessa que ainda não encara as câmeras com tranquilidade. o Boni. assunto. “Nesse ponto já conhecíamos toda a estrutura da Globo. em 1996. apenas queria que eu e a Ana continuássemos como meteorologistas”. colocando gente que entendesse do Quando foi convidado para ser o homem do tempo. o objetivo era colocar dois jornalistas profissionais. Magno achou que seria para o Bom Dia Brasil. “A Josélia Pegorim passou a prestar serviço para a Bandeirantes. um rapaz de ar grave. mas está gostando da experiência. e eles acionavam a RBS (afiliada da Globo no Sul do País). não Segundo a revista Info (de setembro de 2005). eu dava muitas entrevistas para os jornais de São Paulo. com o editor-chefe escrevendo o texto para mim. “Numa quinta-feira me chamaram para conversar com o Roberto Muller. “Como meteorologista da casa. Éramos fonte de informação. lembra Magno. de confiança. e eles gostaram”. para o qual fizera o teste. dois ícones do JN.” As reações foram imediatas. inclusive no Jornal Nacional. 34 anos. Deixaram a bancada Cid Moreira e Sérgio Chapelin. Ele queria mudar o jornalismo. De acordo com a direção de jornalismo. Na sexta-feira estreei no Jornal Nacional. José Emílio Ambrósio. óculos de grau e uma calvície pré-acentuada revela aos telespectadores do Jornal Nacional se o dia seguinte será de sol ou de chuva. dar maior credibilidade às notícias. O homem do tempo 45 á duas semanas. novo diretor de jornalismo. tinha gostado muito de como eu explicava a previsão.” enfrentou qualquer conflito com a Globo. e posso dizer até imprescindíveis para o esquema da emissora. O meteorologista Carlos Magno. Então a gente oferecia muitas matérias: vai chover forte no Rio Grande do Sul. A principal delas foi a troca de apresentadores. aí um dia o diretor de operações do Rio de Janeiro. ao fornecer a previsão do tempo para a Rede Bandeirantes. da pauta até a edição. o consultor da Globo e ainda todo-poderoso José Bonifácio de Oliveira Sobrinho. 5 . me ligou dizendo que o Evandro [Carlos de Andrade]. Fiz. No mesmo dia. relembra Magno. pois a Globo não pedia exclusividade. diretor de jornalismo da Globo em São Paulo. Carlos Magno fez parte das profundas mudanças pelas quais passou o tradicional jornal da Rede Globo. Aí me chamaram para fazer um teste para o Bom Dia Brasil. Carlos Magno faz parte da elite da tecnologia.H Essa foi a descrição feita pelo jornal O Globo do novo homem do tempo do JN que. substituídos por William Bonner e Lilian Witte Fibe. com isso. envolvidos diretamente com a produção e elaboração das matérias e. ligou para a redação para saber quem era o “careca” que entrara Tanto é verdade que a Climatempo. substituiria as belas moças do tempo. aconteceu a troca das moças do tempo por um meteorologista profissional.

que vem apresentando a previsão do tempo no Jornal Nacional. “Para os alunos da UFRJ . Minhas antecessoras eram bem mais interessantes. mas não deixava de ser engraçado. Segundo Paulo Francis. Mas não estou na emissora por causa da minha beleza.” (O Dia.” (Diário Popular. foi difícil se acostumar com essas exigências do vídeo. Isabel. tal como a maquiagem. no calor. Depois que estreou no Jornal Nacional da Rede Globo. pois além do Jornal Nacional também passou a apresentar o Jornal Hoje e por fim o Bom Dia Brasil. até porque sabe exatamente do que está falando. Carta Capital. ninguém sabe. poderiam participar. Olhavam com estranheza. reagiu Magno. ‘Não me preparei para ser apresentador. C EFET e muitos outros jovens candidatos. Se na telinha ele era o homem do tempo da Globo. Carlos Magno. “Peruca não”. chegando a afirmar que: “Estou longe de me enquadrar no padrão global. Para Magno. o homem do tempo do Jornal Nacional. mas garante que isso não mudou sua rotina. teria dito ele. Em um fax enviado para a Climatempo. Magno perdeu a conta das vezes em que ele saiu da emissora direto para uma dessas reuniões devidamente. maquiado. “Globo aposta na credibilidade e substitui as beldades da previsão pelo meteorologista Carlos Magno. precisa melhorar seu guarda-roupa. Chova ou faça sol. ‘A emissora está tentando profissionalizar cada vez mais. dava os parabéns pelo trabalho na previsão do tempo do Jornal Nacional.” Amauri Soares era o editor-chefe do JN e lembra que realmente foi preciso dar um “jeito” na calvície do meteorologista. com certeza. De qualquer maneira. “Esse careca não pode ir ao ar.’ A popularidade aumentou. Quando o assunto é a previsão do tempo.’ Casado com Ana Lucia e pai de três filhos. por isso era preciso arranjar uma maneira de disfarçá-la. O Globo. Ele passa muita credibilidade. que não surgiu na telinha por acaso. Marcos Paulo e Victor Hugo. pois o meteorologista não aparece de corpo inteiro.” A falta de experiência e de traquejo para lidar com as exigências do vídeo. lá está ele sempre envergando um paletó cinza de gosto duvidoso. acabou provocando situações constrangedoras. a chegada de um meteorologista na tevê foi considerada um estímulo para jovens estudantes. 13/4/1996) “Satisfeito com a repercussão de seu trabalho. sou uma autoridade’. estreou.” (Controle Remoto. Estará Carlos Magno de bermudas e sandálias japonesas. o meteorologista Carlos Magno vem acumulando duas responsabilidades de peso: manter a margem de apenas 5% de erros nas previsões climáticas e esfriar o ânimo dos telespectadores saudosos das antigas meninas do tempo. fora dela tinha uma empresa para tocar. também não faltaram algumas críticas bem-humoradas: “Roupa estável. há três semanas.” A estreia do homem do tempo da Globo também repercutiu na mídia. brinca ele. reuniões que só ele e Ana. “Uma vez. revela que o difícil foi vencer o nervosismo diante das câmeras. mas tenho o meu charme’.. estava em uma reunião e senti a maquiagem escorrer pelo rosto. Magno virou notícia em vários jornais e colunas: “Nota 10 para o meteorologista Carlos Magno. ‘Não sou tão bonito quanto elas. “peruca eu não coloco. junho de 1996). “O problema é que a careca brilha com a luz do estúdio. Magno diz que sabe o que é notícia para o público. e vamos embora assim. mas sabiam que eu era da Globo.. Amanhã vou mandar um maquiador para colocar uma peruca nesse cara”. Na área acadêmica. Carlos Leonam. novos clientes para atender. como donos da Climatempo. 15/5/1996). ‘Já sei que na sexta-feira o importante é se vai ter sol ou não no fim de semana. conta ele. ele é a cara do filho do general Colin Powell. Era desagradável. 12/5/1996). o coordenador do curso de graduação de meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. como reza a lenda do Jornal Nacional?” (Planeta Rio. Apesar da repercussão favorável na imprensa. Tenho certeza de que nos últimos dez anos foi a melhor coisa que se fez para a meteorolo- 46 . Francisco Lourenço. Da calça.no ar.” A solução encontrada foi usar uma tinta para dar a impressão de que havia mais cabelo. a meteorologia foi muito estimulante.

Não se assuste. outubro de 1996). “Mas. “No primeiro mês. Pode ter certeza de que melhorou muito. Esta carta não pretende parecer um correio elegante. sou ‘fissurada’ de uma forma positiva (e até curiosa). Amauri Soares lembra que na Globo. (.” E assina: “Com a admiração do seu velho professor. Francisco Lourenço”.) vi o apresentador do serviço de meteorologia da rede CNN movimentar os dois braços e num anúncio na tevê local a apresentadora apresentando (sic) um quadro de propaganda movimentar os dois braços. Desculpe a franqueza e a observação. junho de 1996). Ao contrário do jeito sério e tímido de Carlos Magno. quando divisei no horizonte nuvens carregadas e uma figura semelhante a um tornado. Magno não sabia lidar com o assédio. de Alencar Filho. (Rio de Janeiro. julho de 1996). Rufino A. com uma atitude muito mais natural.Sª. de uma forte e saudável amizade”. que escreveu: “No dia 10 de junho de 1996. “na dele”. curso o primeiro ano de jornalismo em uma faculdade local e sou ‘fissurada’ em você. ele era conhecido como o Paulinho da Viola da meteorologia... Algumas delas pedindo orientação meteorológica. aguardando o embarque para Fortaleza. é muito simples: tenho 19 anos. Magno também se soltava ao começar a falar do que sabia.) Se já tivesse escrito ia achar que a minha observação tinha atingido o objetivo. ficavam me olhando. além de uma certa semelhança com o compositor. Será uma forma bizarra de precipitação pluviométrica? Atenciosamente”. começou a falar. se possível for. Magno sentia-se incomodado pelas constantes abordagens feitas pelo público fora da emissora. O Jornal Nacional não deixava isso acontecer. Depois que cheguei (. Indago a V. como a do telespectador Flávio Faria. Quando você está no seu lazer quer passar despercebido. parecendo não se tratar de um canhoto. mas devido a uma viagem só agora o faço. As abordagens sempre foram muito simpáticas. Eu segui em frente e fui embora. (. poucas eram grosseiras ou negativas. pois agora houve uma modificação total na sua postura. Outras sugerindo algumas mudanças de postura física na apresentação do quadro. de Uberlândia: “Você deve estar se perguntando o porquê desta carta. Fiquei muito envergonhado.. Até que tive de parar de andar de metrô um dia em que estava na fila para comprar o bilhete. Magno tentou manter sua tranquila rotina de trabalho indo todos os dias de metrô para a emissora. do Rio de Janeiro: “Ia escrever-lhe no princípio do mês. cerca das 15h.. Ela foi feita no bom sentido. como a de um médico veterinário de São Paulo. e sim o princípio de um relacionamento tranquilo e. em São Paulo. senti que as pessoas me olhavam desconfiadas. No segundo.. Isso porque.) Antes a impressão que dava era de uma posição forçada ou de paralisia total do seu braço direito. como se diz. encontrava-me no salão de embarque do aeroporto de Vitória. A figura do homem do tempo não era novidade no Brasil. ficou muito conhecida na 47 . Acontecia de estar em um parque com a Ana e as crianças e as pessoas chegarem para perguntar sobre o tempo. eu já era parado para dar autógrafo.. em São Paulo. a previsão do tempo”. relembra Amauri. como a da estudante Cleide Graziely. Nas ruas a visibilidade proporcionada pela tevê também repercutia. com o intuito de construir”. virou para mim e disse alto: ‘olha lá o homem do tempo!’. ninguém acreditava que o homem do tempo do Jornal Nacional andava de metrô!” Muito tímido. Um cara que estava perto me viu. Magno era muito introvertido.” Respostas do público vinham também por meio das cartas recebidas na Globo. Toda vez que sentava no trem. “Queria ter uma certa privacidade com a família e às vezes não dava. (Uberlândia. E ainda algumas mais calorosas. A popularidade alcançada no Jor- nal Nacional refletia-se em família. Aí todo mundo olhou para mim. Sem ter a exata dimensão do que era aparecer todos os dias em horário nobre e na Globo. assim como Paulinho se transformava ao começar a cantar.gia nacional. (São Paulo. Apesar de realizado no trabalho. da ocorrência no Brasil deste fenômeno e se algo foi detectado naquele estado.

o SPTV privilegiava as notícias da Região Metropolitana de São Paulo. a Climatempo. e cada uma das afiliadas do interior mantinha um segmento dedicado exclusivamente a matérias da sua região. Assim. Amauri Soares. depois de comandar o Jornal Nacional. litoral de São Paulo. o Aqui Agora foi tirado do ar. não deixou a telinha. me- Õ Em 1996. “Eram muitas meninas sendo testadas e. e com uma antena apontava os decalques de sol e nuvens. que pode se considerado um dos precursores dos apresentadores do tempo. Magno. Feliz – que não era meteorologista. com Carlos Magno à frente. Por um breve período. em determinado momento. dentro desse novo estilo. mas sim ator e comediante – tratava o quadro do tempo de forma descontraída. o aluno aprendia todas as etapas necessárias para chegar a uma previsão acima de qualquer suspeita. Feliz foi escolhido na época porque decidiu dar à previsão um ar de brincadeira. “Ia para lá de madrugada. na verdade Felisberto Duarte. No início da década de 1990. Humberto (Humberto Mesquita. voltava para a emissora para fazer o SPTV e o Jornal Hoje. Para ele uma experiência fundamental em sua carreira. Por meio de uma linguagem mais solta e da sua participação durante o jornal. assumiu a direção de jornalismo da emissora em São Paulo e implantou uma nova proposta de jornalismo. como sobrou um resto de fita. promover um diálogo mais solto e irreverente. segundo Amauri Soares. Nova mudança de rotina. com as mesmas características para apresentar o quadro do tempo e os mesmos bordões. Na década de 1980. jornalista da TVS) pediu de brincadeira que eu lesse o texto diante de um mapa. O humor e as excentricidades do ator. Em seu lugar entrou a jornalista e atriz Fabiana Scaranzi.tevê a imagem do personagem Feliz. Feliz foi uma das atrações do jornal Aqui Agora. pois. Na capital. ele aparecia em frente a um quadro com o mapa do Brasil. Durante um ano Carlos Magno apresentou o Jornal Nacional. voltou ao ar em 2008. 4h30min da manhã. Magno passou a chegar a emissora às 48 . Foi escalado para apresentar os jornais vespertinos: Bom Dia Brasil e Jornal Hoje. No curso. saía um pouco para fazer ginástica.” Nesse sentido. passou a oferecer aulas de meteorologia para os jornalistas da Rede Globo interessados em se especializar no assunto. onde morava com a família. a previsão extrapolou os limites de um cenário fechado e aproximou-se do público. pesquisas feitas pela Globo indicaram a necessidade de voltar ao velho padrão das moças do tempo. na Praia Grande. Sua figura chegava a incomodar os meteorologistas que não queriam que a imagem humorística afetasse a seriedade da profissão. O destaque da primeira edição. o quadro do tempo deixou de ficar preso a um formato. Achei engraçado e li fazendo todas as palhaçadas que me vieram à cabeça. Para atender a Globo. Contudo. mas pouca credibilidade. na antiga TVS. como apresentar o programa debaixo de chuva no estúdio. Carlos Magno deu à meteorologia um caráter mais humano. a ideia era aproximar o jornal da comunidade. Por pouco tempo. era o tom informal e descontraído com que a notícia era tratada. atual SBT . disse em entrevista ao Diário Popular. do SBT .” Em 1996. o São Paulo Já voltou a se chamar SPTV. Sempre iniciava a previsão com uma frase: “Boa noite e tempos felizes!”. o jornalismo tem lá a sua dinâmica e. sem audiência. Sem perder a seriedade. Nesse ano. porém. E o final vinha seguido por uma expressão que virou o seu bordão mais conhecido: “E piriri e pororó!”. fazia o Bom Dia. não levei a sério e gosto mesmo é de humor”. mais voltado para a comunidade. aos 70 anos. renderam-lhe muita popularidade. no horário do almoço. e não o contrário. de 12 de maio de 1996. quando a emissora paulista reviveu o telejornal. como diz Soares: “é o conteúdo que dita o formato. fazia os textos e ajudava a fazer a arte. Afinal. Felisberto Duarte morreu em agosto de 2008. Mais experiente e seguro.

A tecnologia. Mas não era fácil. é quando a seca ou a chuva é muito forte e suas consequências já estão sendo sentidas no País. A prova de que a Climatempo consolidava-se a cada dia no mercado nacional era o interesse de setores da economia que até então desdenhavam a meteorologia brasileira. Na maior parte das vezes em que os agricultores ouvem falar sobre El Niño e La Niña. avulsos. Sinal de novos tempos e embrião do grupo. sem dúvida. El Niño. Para ele. como Rio de Janeiro e Minas Gerais. sobre dois fenômenos meteorológicos de nomes curiosos que confundiam a cabeça dos agricultores: “Antes de falar sobre o clima. Em 1996. A ideia era trazer todos os contratos que não eram de longo prazo. cantando ao vivo com o Paulinho da Viola. foi Soares quem mudou o conceito de jornalismo participativo do SPTV e valorizou o quadro do tempo. Mas não é verdade!!! Podemos fazer. como não acreditar na sua seriedade? Resultado: foi um período de grande crescimento da empresa. tinham consciência de que era preciso pagar melhor os meteorologistas para mantê-los como um grupo coeso. Toda a equipe da Climatempo estava envolvida no atendimento aos clientes. Titãs e até cobrando do governador Mário Covas maior investimento na meteorologia de São Paulo”. pela oportunidade e honra de escrever para este jornal. Carlos Magno foi convidado pela Cooperativa dos Agricultores de Guaxupé. mais condições de crescimento e estabilidade como empresa.nos formal. José Geraldo. sem que isso onerasse muito o meu fluxo de caixa. a escrever um artigo sobre o clima e. A Globo exigia demais da gente. De manhã. e fazíamos a distribuição dos lucros ali mesmo”. interior de Minas Gerais. Claro que a visibilidade conseguida por meio da emissora carioca deu à Climatempo maior credibilidade e. O uso de supercomputadores que processam bilhões de informações por segundo permite aos climatologistas atuais prever o comportamento da chuva. “Foi então que decidi montar uma outra empresa. contribuir um pouco com os homens e mulheres que escrevem a história da cafeicultura nacional. “Criamos um quadro de sucesso com as conversas ao vivo com o Chico Pinheiro. Chamamos de Agência Climatempo e todos da equipe passaram a ter uma participação. Bom Dia Brasil. gostaria de agradecer ao sr. temperatura e outros elementos que definem o clima de uma região com índices de acerto superior a 60% até seis meses. que ajuda a agricultura com aumento da produtividade. Não queriam perder esse pessoal já experiente que estava junto na empresa. para a agência. Fiquei mais solto no ar. se uma empresa como a Globo prestigiava os serviços da Climatempo. mesmo quando conseguem explicar. Imaginem quantas decisões poderiam ser tomadas com mais segurança e com pouco desperdício de dinheiro usando estas informações? Mas aí você pergunta: até aí tudo 49 . especialmente. “Ana e eu dávamos muita atenção para a Globo. eu estava lá e à tarde ia a Ana. A agricultura. Montei a empresa e chamei o Rogério para ser sócio.” Essa dedicação à Globo não se restringia apenas a Carlos Magno e a Ana Lucia. O que falta é saber como fazer. A previsão atendia várias editorias: Globo Rural. La Niña e seus impactos no dia a dia do cafeicultor brasileiro. e fazer muito sobre esse assunto. Bom Dia São Paulo. pouco se pode fazer sobre o assunto. relembra Magno. Para um mês o acerto é superior a 90% e 3 meses superior a 80%. no tratamento do solo. A Ana gostava muito disso e se deu muito bem lá. ou seja. da Cooperativa de Guaxupé. com isso. na administração da fazenda. ou pelo próprio agricultor. a Climatempo desdobrava-se em duas: Climatempo Consultoria e Agência Climatempo. também ajuda a prever o clima da sua região com boa confiabilidade. Tanto foi assim que nesse período Carlos Magno e Ana Lucia estavam preocupados em crescer de forma sustentável. Os gráficos e os mapas que aparecem em jornais. O tempo que Magno e Ana dedicavam à Globo não prejudicava a qualidade de serviço prestada a outros clientes. revistas e televisão pouco esclarecem ou. e inclusive outras ‘praças’. Ao contrário. e até quem sabe. explica Magno. na escolha da semente. foi a que mais se interessou pelos serviços da empresa.

serviço de meteorologia específico para a área rural e programas dirigidos a agricultores. que a cada dia estão mais precisos com o uso dos computadores. provocando enchentes e deixando o Nordeste seco por vários anos. a Climatempo utilizava todos os dados disponíveis. e a Globosat e começou a operar em novembro de 1996. a TVA e a Globosat. fornecendo enorme quantidade de calor e umidade. O El Niño é a mais estudada e observada corrente oceânica. a relação do El Niño e o clima das regiões Sul e Nordeste é mais direta. pesquisadores vêm desenvolvendo modelos ou maquetes que simulam matematicamente a circulação da atmosfera e sua interação com os oceanos. com a promulgação da lei de tevê a cabo. o inverno é frio e ocorre seca na primavera. No início de 1997. mas o que é que o El Niño tem a ver com isso? É que os oceanos interagem com o movimento da atmosfera. a temperatura da água do oceano Pacífico equatorial fica acima da média. de alguma forma. Para isso. nasceu um novo canal voltado exclusivamente para o setor rural brasileiro: agricultura. Em todos estes anos.bem. causando a seca”. Em 1990 aconteceram as primeiras concessões de televisão por assinatura. O nome El Niño foi dado há mais de um século pelos pescadores do Peru. a situação das barragens e das produções com o monitoramento sistemático do clima. além da imagem de satélite NOAA-14. em contrapartida. O Canal Rural surgiu de uma parceria entre a RBS . a década de 1990 ficaria marcada como o início das operações das televisões a cabo. é possível acompanhar com detalhes o deslocamento das manchas de temperatura sobre os oceanos e com o uso de computadores prever o comportamento do fenômeno nos próximos meses e. Em 1997. Ao longo das três últimas décadas. um ano depois entrariam em operação as primeiras redes de tevê a cabo. 50 . as frentes frias passam com mais facilidade na primavera. com os satélites e estações de pesquisas. o mesmo que modernizou o BBS e Õ Para a telecomunicação brasileira. Periodicamente. porque seus efeitos no clima sobre o planeta algumas vezes são desastrosos. Para a região cafeicultora não é o El Niño e sim o período de mudança para o La Niña. Essa tendência. Uma das novidades que surgiram nesse período foi um software desenvolvido por Rogério Leite. associada à distribuidora NET . trazendo as temidas geadas para o café. Nesses anos. enfim. entre 8 e 13 anos. pecuária. A empresa paulista ficou então responsável pela produção dos boletins diários e da divulgação de todas as notícias de cunho meteorológico. (Carta de Carlos Magno à Cooperativa Agrícola de Guaxupé) que passaria a funcionar como órgão regulador dos serviços de telecomunicações. facilita a penetração de massas polares mais fortes durante o inverno. Nos boletins eram dadas informações sobre as condições meteorológicas das principais lavouras em todo o Brasil. que o observava durante o Natal. o Pacífico equatorial deixava de ser quente e tendia a ser mais frio. a tevê paga. a concessão de licenças para operação foi regulamentada. que por sua vez bloqueia as frentes frias no Sul. surge a Agência Nacional de Telecomunicações ( ANATEL). com sede em São Paulo. do clima na próxima estação. inclusive das tevês por assinatura. Nesse cenário de expansão das teles. Sua programação era totalmente voltada para o setor agropecuário. com os olhos voltados para o interior do País. grupo de comunicação do Sul do Brasil. Sabia-se que naqueles anos a pesca ficava mais difícil no Pacífico equatorial. com destaque para análises do mercado. modificando a circulação dos ventos sobre o continente e mudando o clima de onde vivemos e plantamos. o Canal Rural decidiu contratar a Climatempo para implantar todo o serviço de meteorologia. como foi observado em 1975. os efeitos das chuvas. consequentemente. pois o El Niño intensifica a massa de ar subtropical do Atlântico. agronegócio. Hoje em dia. Somente em 1995. No Brasil. que é o contrário – temperatura da água do oceano abaixo da média – e traz consequências mais diretas para o café. 1985 e 1994.

enquanto preparava os boletins. Primeiro. “Dois anos depois de uma forte crise. Denominado PREV PLAN. Meus filhos sempre foram colaborativos. praticamente nunca ficavam doentes. Sem ter com quem deixá-la. Várias pessoas no Canal Rural nos pediram para copiar essa caderneta. “Uma coisa que me marcou foi ter de levar a Isabel para dentro do Canal Rural em obras. relembra Ana Lucia. “Tínhamos uma caderneta com fontes para nos ajudar a juntar as informações de agricultura e meteorologia. que era de cinco minutos a cada meia hora.que era responsável pela área de TI da empresa. Naquele momento. para deixar Bebel. Ele facilitou a vida do previsor: bastava lançar os dados dos modelos no PREVPLAN para gerar a informação que era então avaliada pelo meteorologista. a chuva é fundamental para uma boa safra. levou-a junto para a tevê. Ela e sua equipe fizeram um profundo levantamento de fontes e dados produzindo uma disputada agenda com nomes de todo o Brasil que pudessem fornecer informações sobre a área agrícola ou sobre as condições climáticas. era o diretor do canal em São Paulo. No canal. Por isso. precisa chover. Bebel. era difícil se dividir nesses momentos. esse programa gerava a previsão do tempo para todos os municípios brasileiros e mais tarde até para algumas vilas. fiz muitas aulas com ela. Ana Lucia não se esquece de um dia em que precisava ir para o Canal Rural e sua filha mais velha. Ana Lucia nunca escondeu que ao lado da meteorologia sua grande realização estava em ser mãe. era só treinar sua voz’. relembra Magno. que o milho está formando sabugo. eu consegui. em 1996 já estávamos recuperados. Eu achava minha voz ridícula. As pessoas sempre me perguntam como eu conseguia trabalhar e cuidar de meus filhos.” Trabalho cuidadoso e muita dedicação. a ideia inicial era eu apresentar os boletins.. Globonews. Aí começamos a pensar em ter a nossa própria TV”.. falando do tempo no Brasil e no mundo e sua influência na agricultura.” “O Canal Rural envolveu toda a equipe da empresa. Segundo. além de propor o conteúdo da grade de programação. Raul Costa Jr. eles colaboraram. Ana Lucia não foi para a frente das câmeras. “Um dia o Amauri Soares disse pra mim: ‘você podia ser uma moça do tempo. definiu as imagens e mapas. 51 . com muita febre não tinha ido para a escola. a emissora ainda estava passando por reformas. e mais. TV Globo. no Canal Rural tivemos de entrar em detalhes que nunca havíamos trabalhado. mas trabalhou incansavelmente na formatação da meteorologia do Canal Rural. não havia um local apropriado. O jeito foi acomodá-la da melhor maneira possível. Para ele a previsão do tempo era de suma importância para atender aos objetivos da nova emissora. sem poeira ou barulho. Por outro lado. praticamente atuava em todo o mercado. a Climatempo. quietinha e dormindo ao seu lado. sem querer deixar de cuidar da menina. No meio dessa história quando apareceu o Canal Rural. montou o padrão dos boletins. Pior do que isso. Um trabalho absolutamente minucioso. Era só o começo de mais uma longa jornada de aprendizado e crescimento da Climatempo. a bichinha deitada no meio da poeira. do tipo: ‘não está chovendo agora. Por isso procurei uma fonoaudióloga para cuidar da impostação de voz. porque do contrário a lagarta do caruncho vai aparecer’”. “Estamos mudando o conceito de tempo bom e tempo ruim.” A essa altura do campeonato. Eu me organizava com tudo isso. Dependendo do produto agrícola. mas no final acabei não me tornando apresentadora”. adoráveis. que na época ficou muito envolvida com esse novo desafio. dominando o mercado e fornecendo informações para os mais importantes veículos: Canal Rural. consultoria e agência. Eu e o Magno já éramos bastante experientes na formatação de textos e apresentação de boletins de previsão.

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relembra Waldemar. Os anos se passaram. nas peladas disputadas na praia. “Tocávamos muito rock”. mas não deu muito certo. que praticamente dominou o setor. Nós dois. Amigo de infância de Magno. para lá. Apesar da seriedade com que encaravam o futuro. A gente trabalhava então nas férias vendendo brinquedos. Quando chegava a época do Natal. Como bom empreendedor. começamos a pensar o que queríamos fazer da vida. Tudo muito discreto. eu e o Magno. o que dá mais ou menos uns dez quilômetros. Combinaram então. em um bar do Rio. “Ao longo do tempo acabamos nos encontrando várias vezes para conversar. o Barboza Freitas. uma ideia começou a germinar na cabeça dos dois.” Quem conta com tanta segurança essa história é o empresário e compadre do casal Ana Lucia e Carlos Magno. chegou a hora de ir para a faculdade.” 6 . A gente costumava andar de Copacabana ao Leblon. TV Climatempo. Na verdade. já sabiam o que queriam. um sonho que Canal do tempo 53 “Foi uma caminhada histórica para mim e acho que para ele também. “Aos 15 anos rogamos uma praga positiva e deu sorte. Waldemar e Magno cresceram juntos em Copacabana. O pessoal começou a se mexer e. depois. com outros cinco amigos. e entre uma meta e outra montamos uma banda para tocar entre amigos”. fez parte de um sonho que anos mais tarde se concretizaria na criação de um canal de televisão. lá pelos idos dos anos 1970. ida e volta. por volta de 1995. lembra Magno. “Minha mãe era compradora de um grande magazine no Rio. a Promeeting. estabeleceram metas. românticas e tal. recorda Waldemar. Magno seguiu a Meteorologia. em São Paulo. “Em 1995 já estávamos com 188 funcionários espalhados pelo Rio. Atlântica. trabalhar muito.“Q uer saber de uma coisa? A Climatempo nasceu em uma caminhada pela Av. fizeram um planejamento estratégico e atingiram objetivos. primeiro como Canal do Tempo e. Em um desses encontros. A partir dali. montou sua empresa de comunicação corporativa e eventos. Conheceram-se ainda adolescentes. tínhamos por volta de 15 anos. Subimos no Logo. “Uma vez fomos tocar em um festival religioso. “O Rio nos anos 1970 era um outro Rio. aí começamos com nosso som. Os dois tinham muito em comum: ambos vinham de famílias de classe média de Copacabana. em um clube na Tijuca. eles precisavam de gente para trabalhar e ela nos levava. trabalhadoras que batalhavam para educar os filhos.” Como bons futuros empresários. puro rock.” palco depois de uma série de músicas calmas. na casa dos 30 montamos as nossas empresas. os dois jamais deixaram de aproveitar a vida. na volta. São Paulo. quando vimos. E mais. Waldemar foi morar fora do Brasil e. Waldemar passou pela Oceanografia antes de se definir pelo Desenho Industrial. Vitória. Waldemar acompanhou de perto a gestação da Climatempo. o que a gente podia realmente fazer para não ficar naquela vidinha. Bom. estudavam em escola pública. Magno foi baterista e vocalista. Tínhamos pouca fama e muita grana. que os dois iriam fazer faculdade. Ele foi nosso padrinho de casamento e depois padrinho da Isabel”. Os organizadores até que tentaram diminuir o entusiasmo. porém. É difícil imaginar que por trás do jeito tímido e sério do meteorologista Carlos Magno existiu um verdadeiro roqueiro. Waldemar Stefan Barroso. e ali a amizade se fortaleceu. entre um chopinho e outro. fomos convidados para tocar em festinhas de amigos. terminar por volta dos 20 anos. Curitiba e Belo Horizonte. Waldemar se lembra de uma em especial. Foi um sucesso total. a Climatempo já era uma realidade. fez da empresa uma potência. Afinal.” Enquanto isso. naquele momento. Na banda. ambos perderam os pais muito jovens e tinham consciência da necessidade de ajudar as mães.” Essa identidade os aproximou ainda mais e era nas longas caminhadas pelo calçadão da praia à noite que discutiam o futuro. crescer muito e aos 30 anos seriam donos da própria empresa. formaram a Aves e Ovos. tinham afastado cadeiras e mesas e dançavam feitos loucos. na zona sul do Rio. Interesses diferentes separaram os dois. Waldemar lembra que os dois. Nesse dia.

montaram a Central Band de Tempo. Com o mercado de tevê paga a todo o vapor. Foi uma época da maturação de um sonho. O mercado é virgem. a busca por recursos para a implantação da nova tevê motivou Magno e Ana. Elas querem ação. Desde 1982. TWC (The Weather Channel) irá ter uma coisa parecida no próximo ano. depois correndo atrás de patrocínio. Ao longo de 1997. A opção para operar no Brasil fazia parte do objetivo de atuar na América Latina. o TWC já estava nas tevês do Peru e da Argentina. dizia Ana Lucia. Em 1997. porém. e Waldemar não pensou duas vezes em propor ao cliente o bom negócio. E foi assim que conheceram a empresa norte-americana WSI (Weather Services International). canal de informações meteorológicas que vislumbrou a possibilidade de dominar a área na tevê a cabo brasileira. contrataram todos os profissionais que a gente queria para a nossa tevê. mas não aguenta- ram. é uma solução sem precedentes e única no mercado. adiando por algum tempo a realização do negócio. e agora está maduro para receber o nosso projeto”. Estou pronto e decidido a entrar com essa tecnologia no Brasil. Ricardo Maldonado. Em seis meses. um dos executivos da WSI. que viram ali um novo desafio para a Climatempo. Tudo parecia caminhar. a TWC difundia informações meteorológicas 24 horas por dia a cerca de 80 milhões de residências nos Estados Unidos. Então. vários canais negociavam sua distribuição por operadoras no Brasil. E a Climatempo assumiu a central da Bandeirantes em 2001. por que não juntar as duas coisas em um poderoso veículo e criar o próprio canal de televisão.voltou a aproximar os velhos amigos. Esta informação está sendo veiculada em todos os meios especializados de TV a cabo. programas espe- 54 . Eles vieram para cá. “Cheguei até a sugerir que eles voltassem com o símbolo do guarda-chuva”. Mas no The Weather Channel temos previsões baseadas nas tecnologias mais avançadas. De parceiros passaram a concorrentes. a meteorologia é apenas conversa para passar o tempo. quando ainda em 1995 o banco foi à falência. incentivando a parceria. Um abraço. fecharam. um Canal do Tempo? Em pessoas empreendedoras. praticamente inexplorado. as boas idéias não ficam apenas na imaginação. ainda em 1997. (08/6/1999) “A ideia era usá-los na nossa tevê. Contrataram em dólar. Ricardo Maldonado”. mantinha contato constante com a Climatempo. primeiro registrando o nome Canal do Tempo. “Há anos planejamos um canal brasileiro. que também era dono do Travel Channel e na época na NET/Globosat. Naquele período. com anúncios em páginas de revistas especializadas e em jornais. veio com a notícia da chegada ao Brasil do canal norte-americano The Weather Channel. com programação em português e que atinja vários segmentos da sociedade. Ana Lucia chegou a viajar para os EUA para conversar com os executivos da empresa. O entusiasmo com a nova empreitada transparecia nas mensagens enviadas a Magno: “De acordo com nosso engenheiro de software. mas o que aconteceu é que nós acabamos abrindo os olhos deles para o mercado brasileiro. o TWC preparou uma estratégia agressiva de divulgação na mídia. lembra ele. que desenvolvia softwares de meteorologia para televisões dos Estados Unidos. No Brasil. Um deles foi o The Weather Channel. Imagens de satélites não eram suficientes. o Banco Nacional era um dos clientes da Promeeting. Enquanto um possuía toda a experiência em comunicação. Novas tecnologias eram avaliadas visando à possibilidade de gerar imagens meteorológicas com quali- dade para o veículo televisão. inclusive em classificados para a contratação de pessoal: “Para a maioria dos profissionais. Waldemar tratou de tornar real o sonho. Ainda de propriedade do complexo Landmark Communications.” A certeza de que estavam no caminho certo. o outro tinha um bom e pouco explorado conteúdo nas mãos. Seu slogan era “nenhum lugar no mundo tem tempo melhor”. que fez com que a Time Warner passasse na frente de todo mundo. A experiência adquirida na Rede Globo e também no Canal Rural ajudou a abrir caminho.

O anúncio pedia desde diretor de meteorologia para trabalhar em função executiva. Se você é um profissional de meteorologia. a empresa já era. temos as seguintes oportunidades de contratação para o nosso escritório de Atlanta. em dezembro de 2002. com uns sete metros de altura. conseguia manter a empatia com seu público. o nosso canal é assunto de conversa de todo o setor. Rede Globo e Canal Rural. em São Paulo: “Prezado senhor Carlos.. Com a cabeça mais voltada para a própria tevê.. Praticamente dominando o mercado. mais ou menos.. As árvores ficam a seis metros da frente da casa. A faísca estourou a coluna onde estava instalada a campainha. em 1998. veterana na área. O que eu gostaria de saber é o se- 55 .) Oferecemos salários e benefícios competitivos com o mercado. árvore de Natal. de Suzano. Ao completar dez anos.. O TWC ainda iria ser um concorrente de peso ao longo dos anos. “Formamos a equipe brasileira para The Weather Channel”. danificando toda a instalação. TECSAT e também na NET/Sul.5 bilhões de dólares. o TWC levou metade da equipe da Climatempo que trabalhava na produção do Canal Rural desde 1996. e a ideia era criar uma programação exclusiva para o Brasil. Apesar dos dois anos de Brasil. Aqui em casa tenho dois pés de cedrinho. com investimentos altíssimos. até sair definitivamente do Brasil por questões financeiras. toda a estrutura do TWC foi montada em Atlanta. a poderosa rede de telecomunicação norteamericana NBC Universal comprou o TWC por um valor estimado em 3. mas hoje há tecnologia de ponta nesse setor.). lamenta Carlos Magno. agora. As cartas recebidas naquele período mostram bem isso. Carlos Magno ainda era o homem do tempo do Bom Dia Brasil.ciais e cobertura confiável em casos de emergências. dizia em entrevista ao jornal O Globo: “Nosso desafio é mudar o pensamento dos brasileiros em relação à meteorologia (. inclusive já caiu um raio ou uma faísca em uma delas. estou lhe escrevendo para um esclarecimento seu. construtoras e produtoras de vídeo. SPTV e Jornal Hoje. até dentro de casa. Na época. foi montado também um site em que eram transmitidas as condições meteorológicas em tempo real e a previsão para cidades do Brasil e do mundo. Os negócios na Climatempo iam muito bem. com experiência e pronto para fazer parte de uma organização de classe mundial em fase de expansão na América Latina. Além da programação para a tevê. e para isso precisava de conhecimentos tanto científicos quanto de comunicação televisiva. a operadora ainda não havia conquistado o público brasileiro. Os candidatos bilíngues (Inglês/Espanhol ou Inglês/Português) serão preferidos (. Em 1999. queremos conhecê-lo. O editor-chefe da emissora na época. O canal oferecia ao Brasil praticamente a mesma programação veiculada em toda a América Latina. Geórgia. Em 2008. Agência Estado. além de pioneira. além da oportunidade de trabalhar com um dos mais importantes empregadores do setor de TV a cabo” (. Nelas. The Weather Channel estava disponível nas operadoras de tevê a cabo brasileiras Sky. Ana e Magno mantinham a rotina de elaboração da previsão do tempo na Rede Globo.. até apresentadores com fluência no inglês e também no português. e ampliando sua carteira de clientes para indústrias. em torno de 10 milhões de dólares nos três primeiros anos por aqui. No momento. The Weather Channel se baseia em informações de um satélite com tecnologia da Nasa”. vários setores da agropecuária. Para funcionar no Brasil. Eduardo Mack. A presença do TWC no Brasil deu novo estímulo à ideia de criar um canal do tempo nacional. Apesar da contratação de brasileiros. há perguntas curiosas. porque não fazer uma televisão brasileira voltada para brasileiros?”. eram grandes as expectativas.. mantinha os contratos antigos com seus primeiros parceiros: Eldorado. “Se eles entravam no nosso mercado. para os candidatos que possuam um diploma universitário em Meteorologia ou uma experiência equivalente.) Fomos acostumados a não acreditar em previsão do tempo. O resultado é que. como a do senhor José Jordão. perguntava-se Carlos Magno. No vídeo.

Segundo ela. de Petrolina: “Sou assíduo telespectador do programa Jornal Hoje. 20/3/1998). mas eu acho você supersimpático e muito lindo. em função da quantidade de água. assisto o Jornal Hoje só para te ver.guinte. os meteorologistas. Mal sabia ele. ainda não sei o lugar. a frente fria vinda do Sul deve atingir o leste e o sul do estado. Gostaria que o amigo me explicasse as indagações abaixo: 1) qual a área que se leva em conta. Paulo. futura TV Climatempo. passaram a ser identificados como da Climatempo. a ABTA 98 – Feira e Congresso Internacionais da TV por Assinatura. A ABTA na época era a principal responsável pela divulgação da televisão paga no Brasil. em julho de 1998. atenciosamente subscrevo-me”. 14/10/1998) Em outra carta. Mando beijos e abraços e desejo muito sucesso para você. portanto. Gostaria de saber seu estado civil. Já comecei a enfeitar a árvore com latinhas de refrigerantes e cervejas para o ano 2000. Ana Lucia de Macedo. Só que agora com uma sutil diferença: a Climatempo ganhara identidade própria. para se calcular a quantidade de água coletada. ficaria conhecido durante uma feira da Associação Brasileira de TV por Assinatura. Seria às oito da noite. Da sua fã. Pergunta: É possível que a claridade das latinhas possa atrair raios?” (Suzano. respondendo minha carta ou telefonando para mim. Mais uma evidência de que o nome da empresa já ganhara luz e era conhecida e respeitada pelo público. aguardo ansiosa sua resposta. o Canal do Tempo. quando escreveu para o amigo Waldemar. Paulo. O público básico deve ser o pessoal dos meios de comunicação mesmo. antes denominados da Agência Estado. O esquema armado para atender a Agência Estado funcionava maravilhosamente. que um barulho muito maior iria lançar o novo canal brasileiro voltado para a meteorologia. provocando chuvas no sábado à tarde e no domingo. recolhida pelo pluviômetro? 2) qual a relação existente entre a abertura do pluviômetro e a quantidade de água por ele captada? 3) a quantos metros cúbicos corresponde um milímetro de chuva? Faço tais perguntas porque se fala tanto em milímetro de chuva e nada se sabe sobre as regras para calculá-los. “Com relação ao coquetel dos dez anos da Climatempo. Você me perdoa. gostaria muito se você pudesse me dizer. “Apesar do calor. estou imaginando um evento para 200 pessoas. Nessa feira. 28/7/1998). sou sua admiradora número um. a simplicidade do senhor Euvaldo Aragão. é a grande massa de ar seco que atua sobre a maior parte do Brasil e impede a entrada de frentes frias e de massas polares vindas do Sul do País. mais uma vez. Os sistemas estão sendo desviados para o oceano antes de influenciarem o clima no Sudeste. Toda a equipe já estava afinada para manter o fluxo de informação necessário para as colunas feitas diariamente para o Estadão. sua idade e de onde você é. de onde assisto atento à previsão do tempo. Uma festa que estava sendo organizada para comemorar os dez anos da empresa seria o lugar perfeito para fazer o lançamento oficial do Canal do Tempo. Ângela Maria”. A forma seria umas palavras minhas e da Ana e a apresentação da história da empresa e os novos desafios para o futuro. planejava Magno.” (O Estado de S. E. (Petrolina. (Cachoeiro do Itapemirim. “A explicação da meteorologista Josélia Pegorim. 09/3/1998).) Para Ana Lucia. não faltavam as cartas de fãs mais ardorosas que se encantavam com sua figura no vídeo: “Meu nome é Ângela Maria. mas vou escolher um bem bonito. apresentada por vosmecê. Ou seja.” (O Estado de S. A data pode ser 6 de novembro”. Viu? Não é tão difícil assim. a associação reuniu cerca de 300 expositores em uma área de 10 mil 56 .. Sem mais para o momento. da empresa Climatempo. Portanto. em 31 de agosto de 1995 a máxima chegou a 33. Quem sabe podemos lançar o Canal do Tempo. afirmou que ainda não foi registrado recorde de temperatura para o mês de agosto na capital. que seria a sétima. da TV Globo.. Com toda pompa e cerimônia e ainda com direito a disputa na Justiça. JT e demais clientes da AE e também para as matérias. quando chove.1 graus (. a meteorologista da empresa Climatempo. 21/ 9/1997).

acho que poderíamos aparecer para o mercado. que ficava ao lado de grandes redes. E ficou bonito. O Globo. quando perceberam que tinham subestimado a feira. e isso certamente criará um certo rebuliço na feira. dono da Climatempo. porém. Não poderíamos nos apresentar daquela maneira. empresa de consultoria que tem como sócio o meteorologista e apresentador da Rede Globo. na zona oeste de São Paulo. o Waldemar. Valeu a pena. montamos uma grade de programação”. Você pode colocar a vinheta da Climatempo na fita.. durante as conversas em torno da tevê.” (Meio & Mensagem. ainda em julho. que ocorre entre os dias 22 e 25 de setembro. entrevistamos o Torben Grael.. São milhares de clientes em potencial. ela seria usada durante a feira para apresentar a nova emissora. que os outros estandes eram grandes e bem estruturados. era uma ideia. onde vi que o The Weather Channel vem com tudo para oferecer mapas para o Brasil. Por isso. O lançamento de um canal de meteorologia foi notícia em vários jornais: “Carlos Magno. comprando acessórios e madeira para montar nosso estande. resolveram virar o jogo. O projeto é da Climatempo Meteorologia. Apesar do entusiasmo. Sony. e foi aí que a encrenca começou. 31/8/1998) A boa receptividade da mídia. Ao contrário. vamos começar a transformar um sonho em realidade.” Parecia que Magno estava prevendo. marcará o lançamento de um novo canal brasileiro: o Canal do Tempo. Waldemar e Rogério Leite passaram o fim de semana montando o novo estande. no sábado de manhã estávamos na rua do Gasômetro. em São Paulo. A expectativa era grande. o que aconteceria durante a feira. um executivo. era maior. “Na verdade.” Quinze dias antes da feira saíram os catálogos destacando quem iria participar. Algum tempo antes. como Fox..metros quadrados no Internacional Trade Center. dizia um animado Magno. escreveu para Waldemar dizendo que estava na feira da ABTA e que queria retomar o projeto do canal de tevê. A animação. deixando tudo mais bonito. negocia com diversas operadoras o lançamento do Canal do Tempo. só isso. pequeno e improvisado. O pessoal do TWC viu nessa publicação o nome Canal do Tempo. (. Apesar de o estande deles ser maior. estávamos fazendo o lançamento de um nada. “A feira seria aberta na segunda-feira. Eu era o homem do tempo da Globo. que estava acostumado a organizar eventos e não teve muita dificuldade em criar um estande impecável. os problemas despontaram antes mesmo do início da feira. Para ele era frustrante não participar. lembra Magno. “A ABTA 98. mas. O aviso com tom de ameaça não intimidou os dois sócios. e nós dois éramos vistos no local da feira pregando coisas. 20/9/1998). Além de boletins específicos para cada região do país. no centro de São Paulo.” Carlos Magno. “Imagine. também?”.) Afinal. Queríamos ter feito prospecção para ver como o mercado brasileiro de tevê por assinatura encarava uma emissora nacional com esse tema. como os verdadeiros detentores da marca. o nosso é mais bem localizado. quem é o verdadeiro Canal do Tempo? Nós ou eles? Estou encomendando uns banners para colocar logo na entrada. informando que a Climatempo e a Promeeting não poderiam usar a marca. que detinha o registro da marca no Brasil. para os executivos que vão viajar e para os agricultores” (Revista da TV. Eles mandaram uma notificação para Waldemar Stefan. Agora. “Fizemos pilotos de alguns programas. “A questão do Canal do Tempo me passou pela cabeça em um coquetel realizado na ABTA para o lançamento da feira. já que a marca não é deles. que era deles. e o da Climatempo. A programação será segmentada. Tudo graças à experiência de Waldemar.. Waldemar havia produzido uma fita-piloto para mostrar o que tinham em mente para o canal. Carlos Magno não pensou duas vezes quando soube do evento e viu que o TWC estava fazendo a maior propaganda. Disney. haverá blocos voltados para os jovens que querem surfar.. chamando o público para visitar o nosso canal do tempo. que presta serviços de previsão do tempo para veículos de comunicação. Eles estão usando a marca Canal do Tempo. po- 57 ..

E foi isso que aconteceu. Magno já havia decidido mudar o nome da emissora para tentar acabar com a polêmica. Pela decisão do juiz. de verdade. conta Magno. que ainda assistiu de camarote ao pessoal do canal norte-americano tapar a logomarca Canal do Tempo. A decisão revoltou os representantes do canal norte-americano. Do outro lado da linha procurava acalmar os ânimos. a TV Climatempo está vencendo a disputa pela marca Canal do Tempo. Na sexta-feira (antes do início da feira) o juiz Rogério Tobias de Carvalho. diretor da Promeeting. 25/9/1998). sede do canal. O boletim distribuído durante a feira dava a dimensão da disputa: “O tempo fecha nos canais do tempo. Segundo Waldemar Stefan Barroso. Os trâmites da Justiça têm dessas coisas: a uma liminar segue-se uma contraliminar. Parente. A Climatempo e a Promeeting receberam a notificação segunda-feira e. “Acho que. Ao longo de 1998 e depois do epi- 58 . ‘especialmente na ABTA 98’. especialmente em Atlanta. Contudo.” Resultado: a TWC brigou com uma tevê que nem existia e ainda ajudou indiretamente a implantá-la.rém. lembra Magno. O Globo. essa briga repercutiu nos meios de comunicação. no entanto. Com o tempo ficou apenas TV Climatempo. primeiro dia de evento. Mateus Levi. O Weather Channel (Sky). uma outra decisão anulou a primeira e o estande da Climatempo pôde enfim exibir o que seria o novo canal. no mesmo dia. Segundo Carlos Magno. retire-se do meu estande’”. do Rio de Janeiro. Os oficiais de Justiça não titubearam ao determinarem que o estande fosse lacrado. edição 4. (Boletim ABTA 98. Carlos Magno esclareceu. avalia Magno. deve ter atiçado ainda mais a ira do concorrente norte-americano. Você. Por isso nos pagaram uma quantia que pôde financiar os primeiros equipamentos da tevê. Após o entrevero na feira. foi acionado. A disputa pelo direito de usar a denominação Canal do Tempo acirrou-se durante a ABTA 98 entre o norte-americano The Weather Channel e o brasileiro TV Climatempo. Paulo Parente. dizendo que isso era um absurdo. Mais do que isso. a surpresa: uma liminar da Justiça proibia a Climatempo de abrir o estande e acusava a empresa de usar a marca Canal do Tempo de forma ilegal. O sonho parecia estar indo por água abaixo. finalmente chegou-se a um acordo. assegurando que tudo iria se resolver. desde esse episódio. que reivindica o nome. uma terça-feira. “No mesmo instante veio o cara do TWC . mas que para a feira não daria tempo de criar novas vinhetas para demonstração. Não foi nada fácil ver tudo sendo retirado ou coberto.” Foi então que a tevê nacional passou a ser denominada TV Climatempo – Canal do Tempo. “Foi um baque. Ainda durante a feira. O primeiro round estava ganho. o pedido foi aca- tado ontem pelo desembargador Sérgio Feltrim Corrêa”. por favor. “O resultado foi que nós cedemos o nome Canal do Tempo e passamos a usar a TV Climatempo. da 2ª Vara do Rio de Janeiro. “Conversamos na semana passada com o The Weather Channel e lhes dissemos que pretendíamos adotar o nome TV Climatempo. Como bem previra o dr. Virei para ele e disse: ‘Meu País tem lei. o jornal O Globo acompanhava a briga entre os canais: “Até agora. Isso fora o constrangimento diante de tantos expositores.” (Revista da TV. 04/10/1998) Esse foi só o início de uma longa batalha judicial que duraria um ano. a nova ordem era para que The Weather Channel deixasse de usar a marca Canal do Tempo. Em outubro de 1998. se eles soubessem disso. o advogado dr. Agora era tocar adiante e tornar a TV Climatempo real. meu advogado conseguiu derrubar a sua liminar e agora são vocês que não podem usar a marca no Brasil. Sentei na cadeira e me senti muito mal”. no enorme estande destinado a eles. entraram com pedido de suspensão da proibição. Na mesma hora. no dia seguinte. que deve nomear o canal que a empresa lançará em fevereiro. a Promeeting ficava impedida de utilizar a marca. não deve deixar as coisas por isso mesmo. ficariam bastante tristes”. acatou um pedido do The Weather Channel de obstruir a utilização da marca Canal do Tempo pela parceria entre a Promeeting e a empresa de previsão meteorológica Climatempo. Na segunda-feira.

Amauri Soares respondeu: “Meu caro. 59 . Você pode mandar brasa. tocar seus projetos. em um bufê de São Paulo. “No fim de 1998. Para tentar viabilizar o negócio. chegaram aos executivos da empresa de tecnologia Atech. interior de São Paulo. com equipamentos para recepção e transmissão dos sinais. eu. enfim. lembra bem como foi feita essa aproximação. Carlos Magno e Waldemar Stefan continuaram a busca por parceiros que pudessem viabilizar a emissora. Para evitar qualquer tipo de problema. Fernando Moreira. tudo bem? Falei com o Evandro [ Evandro Carlos de Andrade.sódio da ABTA. uma grande festa de confraternização. Que eu tenha conhecimento. então diretor de jornalismo da Rede Globo] sobre sua consulta do canal do tempo. o pessoal da Tecsat apresentou Magno e Waldemar a professores da Universidade do Vale do Paraíba (Univap). se entusiasmou com a ideia e autorizou o início de um projeto conjunto entre a Climatempo. pois envolveria a produção e exibição de uma programação atualizada de hora em hora. Achei que para a TV Univap seria um grande desafio. Fomos então procurar o reitor da universidade. Afinal. Sem problema. Jojhy Sakuragi e Ana Catarina Parrela – que já conheciam o Carlos Magno –. Duzentos convidados lotaram o Buffet La Lunna. o lançamento oficial da TV Climatempo. na época envolvidos no projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia. Magno também tratou de manter estáveis as relações de negócio da empresa Climatempo. os professores do curso técnico de meteorologia. Ali. diretor da TV Univap. a TECSAT havia implantado um moderno complexo tecnológico na área de tevê por assinatura. Sivam. OK?”. nos procuraram para apresentar a ideia de fazer um trabalho com a Climatempo. Foram eles que abriram o caminho para a TECSAT . a Promeeting e a Univap. O reitor. Apenas se comprometeram em subir o sinal da TV Climatempo para o sa- télite e dali fazer a transmissão. Ana Lucia e Carlos Magno aproveitaram a oportunidade para marcar. com sede em São José dos Campos. A ideia era treinar os alunos do curso para apresentação do tempo na tevê. professor Baptista Gargione Filho. porém não queriam e não poderiam gastar um centavo com a sua implantação. Recém-inaugurada. consultou a Globo sobre suas prospecções acerca do canal do tempo. então uma empresa de DTH (direct-to-home) brasileira controlada pelo grupo TECSAT . ela ainda era o ganha-pão. Ele não se opõe. Por meio de amigos em comum. porém seria ótimo para o trabalho com os alunos.” No fim de 1998. Em uma mensagem. os executivos da TECSAT logo se interessaram pelo canal. marcaria os dez anos da Climatempo. Mais do que apenas comemorar a efeméride. também em São José dos Campos. os professores e o Magno. esse foi o primeiro e talvez o único projeto de incubação de um canal de tevê em uma universidade no Brasil.

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Montei um outro projeto. Comercializar um canal novo não é nada fácil. dia 15 de maio. essa ideia havia amadurecido bastante: já tinham um projeto no papel. Feira do Café Irrigado do Cerrado. com direito a festa e tudo mais. o projeto técnico foi uma colcha de retalhos. Magno deixa claro que. Lembro-me de o Waldemar trazer um orçamento baseado em arquivos digitais e na utilização de computadores. Magno jamais se esqueceu do ultimato dado pelo reitor. Gargione foi marcada para março daquele ano. em Macaé.” 7 61 . mas também tinha consciência da responsabilidade de manter a equipe informada e motivada. (. lembra que no início a estrutura da nova tevê estava alicerçada nos equipamentos cedidos pela universidade. O encontro selou a parceria. um bom contato e o interesse da Univap. No fim de março. ainda tinha de encontrar tempo para expandir a empresa-mãe: “Na semana que vem. tirou férias da Globo. tenho a seguinte agenda: dia 23 apresentar uma proposta nova de modelagem para a Petrobras. Eu e o Waldemar tivemos uma reunião com o reitor da Univap. Eu contrataria os profissionais e com os alunos montaríamos uma redação para a parte da arte”. “Eu topo fazer o negócio.. algumas propostas por mim.)” Em outro trecho. A TV Climatempo era a menina dos olhos. e era essa motivação que ele tentava passar para toda a Climatempo. uma realidade esmo oficialmente lançada. Em resumo: o negócio tá pegando. com a montagem de um estande para vender nosso projeto agrometeorológico na região. ou o canal sai agora ou não sai mais.. e o reitor da Univap prof. a TV Climatempo continuava sendo apenas uma ideia na cabeça de meia dúzia de pessoas. “Começamos a costurar a formatação do canal. A partir daí. Fato: o momento é agora. mas Magno jamais deixou de acompanhar de perto a empresa que ele e Ana Lucia criaram.”. Carlos Magno estava entusiasmado “Estou mandando esse e-mail agora cedo por absoluta falta de tempo de enviar em outro horário. As coisas pareciam caminhar com sucesso. a parceria engrenou. mesmo com a atribulação da tevê. Gargione. e no caso da TV Climatempo não foi exceção. sem custos para a produção dos programas. o Jornal Hoje e o SPTV. segundo Magno. mas vocês vêm ou não vêm? Porque eu detesto conversa. Magno que ainda apresentava o Bom Dia Brasil. Ufa! e o negócio estava pegando mesmo.. teriam sido as palavras do prof. Fernando Moreira. Para dedicar-se em tempo integral ao canal do tempo. E com isso o projeto técnico foi tomando forma. em um grupo de jovens estagiários dispostos a trabalhar no conteúdo gerado pela Climatempo. Ele sabia que podia contar com ela para tocar o negócio. Hoje (18 de março de 1999) mesmo estarei em Campinas para uma reunião na Embrapa. calcado em VTs e um exibidor profissional.. pessoal. Faltava mesmo era um planejamento de como ela funcionaria. Por mim. (. que nos propõe participar de uma página na Internet com o balanço hídrico do Brasil e a montagem da página e assessoria na corrida de fórmula Indy.) Para nossa surpresa. Num primeiro momento ficou estabelecido que a universidade cederia os estúdios da TV Univap por um período de três meses. que sempre esbarrava no orçamento.. A partir de 4 de abril começa a montagem do nosso espaço dentro da Univap. Ainda assim. com soluções caseiras. Waldemar Stefan. uma possibilidade de transmissão pela TECSAT. conta Magno.M A primeira de uma série de reuniões entre Carlos Magno. diretor da TV Univap. Por isso. o reitor está mais ansioso do que a gente para ver o canal dando certo. “Aos poucos fomos trabalhando a questão técnica. no início de 1999. outras pelo Ruy Carlos Gomes. No final. De 24 a 27. em um terreno mais real. Haverá movimenta- Um sonho.. Magno comunicava a todos da Climatempo que o sonho estava bem perto da realidade: “Oi. fazia questão de deixar todos cientes dos passos da nova criação. nosso técnico que realmente pôs a mão na massa e fez as idéias saírem. eu coloco esse Weather Channel para fora do Brasil”. Depois de várias reuniões. gostaria de atualizálos com relação às negociações do canal.

com informações regionalizadas. com a tevê incuba- 62 . que serão extremamente simples. alunos da universidade viam ali uma chance não só de aprender. ou melhor.” Ângela Ruiz era a jornalista mais experiente do grupo. na equipe poucos tinham alguma noção de meteorologia. No começo foi complicado. Paulo Polli. quando se deu conta. montagem de cenário e adequando a operação com as condições reais de trabalho. testando equipamentos e preparando vinhetas. transformando o clima em notícia. “Um canal que vai falar a língua do seu assinante. Paulo acompanhou uma movimentação nova na tevê... formou-se em Mogi das Cruzes. porém. o gás era total. disse que gostaria de trabalhar com ele. um paulista de São José dos Campos. Fiz um teste para apresentadora. Em uma página na revista segmentada para canais de assinatura Pay-TV. Naquele segundo semestre. Percebeu que era uma grande chance. Ao contrário. com o tempo peguei o jeito. Fui conversar com o Magno e consegui o trabalho. como o resto do pessoal. Em clima de viagem. Formada na maioria por estagiários da própria universidade. quase pronto. como iniciante. Agrobusiness. Ângela relembra que viu na inauguração da nova emissora uma oportunidade de crescer profissionalmente e. a TV Climatempo anunciava sua chegada em breve e revelava um pouco do que seria o seu conteúdo. o único produzido inteiramente no Brasil. guarda na memória toda a agitação dessa época. cargo para o qual não tinha a mínima experiência. precisamos saber e propor novas soluções”. A pouca experiência do grupo. Magno sentiu que. redigiu o texto e eu passei. passou por algumas redações e por uma temporada fora do País. fazer os mapas. também era preciso pensar no conteúdo. “Eu conheci o Carlos Magno. Se o cliente não gostou do piloto. uma necessidade. O cara não acreditou. Enviem para mim qualquer estalo de ideia. ouviu os comentários em torno do novo canal e viu Carlos Magno recrutando estagiários para ajudar na montagem da emissora. Assim. A abertura de um novo canal. Contudo. Era muita coisa de uma vez para iniciar o canal meteorológico. mas também a oportunidade de conquistar uma vaga no competitivo mercado de trabalho das telecomunicações.ção do pessoal da Promeeting. A equipe estava sendo montada em São José dos Campos e era preciso treiná-la. “Foi com a maior carade-pau que pedi a um amigo uma força para conseguir o lugar. a guerra se ganha com criatividade e persistência. e a jornalista Ângela Ruiz foram os primeiros a se integrar ao time e continuam até hoje na empresa. De outro. junto com uma novidade no mercado. Programa Silvana Teixeira. profissionais um pouco mais experientes também acreditavam no projeto. o Paulo Polli. Não sabia fazer nada. uma novidade da qual queria fazer parte. Paulista. não desanimou ninguém.(. Ecoclima. antes de fazer parte da equipe da Climatempo. Também haverá uma preocupação frequente de propor programas baratos e bem criativos. mas como todo mundo também estava aprendendo. outros colegas tiveram de me ajudar. o que era melhor. toda a arte.) Preciso que haja um forte envolvimento de todos com relação aos produtos e clientes. precisamos de sugestões. além de todas as providências técnicas. era preciso uma boa injeção de ânimo e de garra no seu pessoal. Ele estava no segundo ano de jor- nalismo e já trabalhava na TV Univap na parte técnica. preciso que todos os previsores e técnicos se envolvam no fator venda. Tudo pronto. havia sobrado apenas uma vaga como editor de arte. propondo soluções e pilotos. No Clima do Esporte.” Ana Lucia idealizou uma grade de programação baseada no perfil de horário das tevês abertas. De um lado. O estagiário Paulo Edson Aparecido de Oliveira. o desafio de colocá-lo no ar. alguns programas compunham uma grade ainda provisória: O homem do tempo. Tinham de produzir 24 horas. informações meteorológicas. Comecei assim. Precisei aprender tudo. naquele momento. Não era brincadeira. chamadas de programas. durante sete dias por semana. Até montarmos um departamento de vendas. A criança estava prestes a nascer e. Deu na Internet. O Magno disse como queria. atraiu muita gente.

uma outra parceria foi feita com a Rede Vida. e um outro para o público jovem. produzia. na Linhas & Laudas. Fernan- da era responsável pela edição dos boletins do tempo durante a manhã. no caderno Divirta-se. Fernanda conheceu Magno e boa parte da equipe da Climatempo no Canal Rural. de uma forma ou de outra. um educativo dirigido para crianças e outro com dicas específicas para os praticantes de esportes como vela. A essa altura do campeonato a TV Climatempo tinha uma grade definida. por exemplo. Canal começa a ser exibido dia 15 para assinantes da TECSAT.” Além deles e dos demais estagiários da Univap.” (Meio & Mensagem. uma emissora ligada à Igreja católica e que transmitia em UHF. contará com uma grade que reúne programas específicos sobre as condições do tempo nas estradas.. e o retorno foi tão grande que até Magno se assustou”. Eu redigia. seja simplesmente atendendo aos demais clientes da empresa. No dia 30 de agosto. completa Magno. (Jornal da Tarde. “Um dia o Magno ligou falando da tevê e pediu que eu fizesse a divulgação. em especial as revistas de tevê. boletins informativos. A tarde estava reservada para o programa interativo Deu na Internet e o Clima no Esporte. (. foi a ela que Magno recorreu para tornar pública a existência da nova TV Climatempo. contar para o resto do mundo que finalmente a TV Climatempo era uma realidade. porém. porém sem serem chatas’. Faltava. Fernanda Bulhões e sua recém-criada assessoria de imprensa Linhas & Laudas. ‘A ideia é manter uma programação 24 horas no ar com informações úteis. O novo canal. ver como iria funcionar. Aí começamos uma parceria. Além deles. se envolveu na implantação do canal. com dicas e previsões para estradas.da na Univap. o canal deverá contar também com parcerias de rádios.) Além da equipe de jornalistas e meteorologistas encarregada de apurar as informações. 06/9/1999). na época. Carlos Magno contou com a ajuda de uma velha amiga. entre um programa e outro. 30/8/1999). e a Climatempo. no campo. uma última e importante providência: divulgar o novo canal. Eu e meu sócio Ederaldo Kosa. Para Fernando Moreira. programa voltado para os agricultores e para o agrobusiness. Em muitas delas o assunto foi a matéria principal e deu até capa de caderno. esse lance inicial da tevê foi muito importante para disseminar a marca. seja atuando diretamente na produção de conteúdo. Agora sim. voo livre. O programa Tempo no Campo começou a ser veiculado diariamente na Rede Vida pouco antes de a TV Climatempo entrar no ar. e foi ali que se tornou uma boa amiga de Magno. serviu para azeitar tecnicamente a máquina e também preparar a equipe para o que viria a seguir. Como aperitivo do que seria a TV Climatempo. A programação começaria às 6h da manhã com o Tempo no Campo. Fizemos uma ação incisiva mostrando a tevê. A parte comercial será uma decorrência da nossa qualidade’. explica Carlos Magno”. Os primeiros programas a oferecer espaço comercial são os transmitidos pela Rede Vida. A um passo de entrar no ar. o Jornal da Tarde destacava. a chegada da nova emissora. chegara a hora de aplacar a ansiedade de todos. Uma data oficial foi definida para a inauguração da TV Climatempo: 15 de setembro.” O zunzunzum na mídia começou dias antes da inauguração. Às vésperas da inauguração. o homem do tempo da Rede Globo. “Lembro que a gente brincou muito com a história do homem do tempo. Aceitei e fui conhecer São José dos Campos. lembra-se Fernanda. Ela conta que todos os jornais noticiaram. ‘Primeiro estamos cuidando da formatação do canal. a inauguração da TV Climatempo: “O novo canal poderá ser sintonizado pelos assinantes da TECSAT e alguns programas terão transmissão simultânea pela Rede Vida. na sequência viria uma atração para crianças de 4 a 8 anos. toda a equipe da Climatempo. criado e dirigido por Carlos Magno. em duas edições.. explicando por que a meteorologia era importante para as pessoas. Para cuidar de toda a divulgação. De tudo um pouco. Como editora. Magno e alguns meteorologistas da Climatempo praticamente se instala- 63 . apresentava. “Climatempo entra no ar.

que nunca deixam a gente na mão. Aceito sugestões. tudo correu bem. dá o play aí. A tarefa era árdua. Então ele topou desligarmos tudo e remontarmos até o dia seguinte em uns racks de metal que tínhamos no almoxarifado. radar e outros. poucos dias depois de o canal entrar no ar. Certamente um dos ingredientes do nosso sucesso. ou seja. podem virar programas. a tevê nasceu bem divulgada”. porque a prioridade tem de ser da Climatempo. Vamos poder exercitar nela tudo que aprendemos nestes últimos dez anos e meio. Apesar da falta de recursos. eu olhei um cabo de áudio que estava ligado no vídeo beta e vi que estava esticado e desliguei. lembra Magno. umas 200 pessoas.’. Uma equipe de profissionais supercompetentes. o Waldemar correu para ajudar a gente e ligou o cabo de áudio de outro jeito. Então. A aceitação no mercado tem sido fabulosa. e foi então que aconteceu uma coisa muito engraçada. tentando não atrapalhar a rotina que se torna mais densa a cada dia. Aos meteorologistas venho pedindo ajuda a um e a outro. Realmente valeu a pena. entre elas o ministro de Ciência e Tecnologia da época Ronaldo Sardenberg. Agora era tocar o barco para fren- te. pois já nem pensávamos direito por causa do cansaço. mas temos 24 horas de programação para preencher. com o auditório da reitoria lotado. Uma.. Contudo. em que Magno deixou um sincero depoimento: “O trabalho da Linhas & Laudas está ligado ao crescimento da marca Climatempo. ele não tinha a real dimensão do fato. Uma cerimônia na Univap reuniu autoridades da universidade. Mesmo sabendo disso. O Ruy e eu começamos a discutir. preciso contar com a ajuda de vocês na construção do canal. Fernando Moreira certamente não vai esquecer a data. Lá em São José a tempestade está se dissi- 64 . O reconhecimento pelo trabalho da assessoria pode ser lido no site da Linhas & Laudas. a assessoria Linhas & Laudas tinha feito uma divulgação em mais de 1. Para esse time só digo uma coisa: muito obrigado”. será a nossa cara.. duas vezes. Fernanda Bulhões e Ederaldo Kosa.. fui para casa descansar e o Ruy quis ficar para fazer os últimos ajustes..ram em São José dos Campos. que é o nosso ganha-pão.. “Nesse momento. no dia 26 de setembro de 1999. comandados por dois grandes jornalistas. falei com o Ruy Carlos Gomes.” Apesar dos contratempos. Os produtos que a Jô [Josélia Pegorim] prepara para o Ilhabela (talvez um para o litoral Sudeste) e Café. Até hoje não sei o que aconteceu. vamos usar e abusar da criatividade para ganhar essa guerra contra o TWC (The Weather Channel). Magno não acreditou no tamanho da exposição do novo canal. cientistas e membros da comunidade meteorológica da cidade. que iríamos receber os visitantes na central técnica da TV Climatempo e que o espaço estava muito amador e feio. Faltando cinco minutos para rodar o VT de abertura do canal. A mensagem divulgada por Carlos Magno a todos da Climatempo. Ao longo deste processo de criação da tevê tentei manter isolados os problemas entre ela e a Climatempo. o Magno dá a deixa para rodar o VT e. A TV terá a nossa direção editorial.. Enquanto o Magno conta- va uma história sobre a inauguração de uma outra tevê na qual o cenário havia caído. Assim como o Agrocast (pílulas de um minuto com informações internacionais). E eu respondia: ‘Mexi sim e não tem por que não funcionar. a nenenzinho TV Climatempo nasceu e precisa ser cuidada com muito carinho. da Climatempo.500 jornais em todo o Brasil. mas era cômico ouvir o Ruy reclamar: ‘Por que você mexeu logo agora?’. transformou-se em um documento precioso que demonstra o “clima” existente na empresa naquele momento e que se perpetuou ao longo dos anos: “Pessoal. por exemplo. passando-o por outro lugar para ficar melhor. São quase 10 anos de bons conselhos e principalmente ótimas ações de comunicação dos nossos produtos e serviços. Eu estava supercansado e o Ruy mais ainda. o áudio não sai. a central técnica ficou profissional e não passaríamos vergonha. ao receber o clipping feito pela Linhas & Laudas. Depois de umas vinte horas trabalhando direto. Tanto é que. “No dia anterior à inauguração oficial. portanto. técnico da TV Univap. a nova tevê finalmente entrou em operação. No dia 15 de setembro.

Magno continuava a ser o homem do tempo da Globo e por isso tinha de se desdobrar para cuidar da Climatempo Consultoria e manter a TV Climatempo. O André Madeira atendia a Globo no período da manhã e a Ana Lucia. lembra Magno. o cenário era um fundo azul no qual se aplicavam os mapas do tempo com a técnica do chroma-key. e a Climatempo continuou fazendo a previsão. perguntar e tirar dúvidas para evitar erros. A Ana Lucia vai ficar lá na segunda e terça para ajudar as moças na apresentação e na implantação do programa de esportes. quando Magno estava de folga. todos os Bom Dias regionais. falhas. Os erros fizeram parte desse primeiro momento da TV Climatempo e eles geravam fatos que agora fazem parte de um folclore interno. irei para São José dos Campos. Jornal Hoje. Que Deus nos ajude. Essa era a coreografia dos apresentadores dos boletins do tempo para não errar na hora de indicar as regiões do mapa de que estavam falando. jornalista. por favor. e de repente ligam da Globo pedindo que ele voltasse para cobrir a falta da apresentadora Fabiana Scaranzi em um dos telejornais. Abraços. mesmo para os mais experientes. Eu já não tinha mais condições de ser o homem do tempo e administrar a Climatempo”. montamos uma equipe valorosa. fico na Climatempo. e nos dias atuais também. Uma dificuldade natural. E cansativo. para os estúdios em São José dos Campos.” Com a carga de responsabilidade reduzida. A gota d’água foi em um fim de semana. só que extremamente inexperiente. Mas aconteciam muitos erros porque trabalhávamos com estagiários.” Também entrou para a galeria de histórias a “dança do mapa”: um passinho para a frente. SPTV. relembra Magno. Como é possível perceber pelo e-mail. O fax sempre interrompia. O Waldemar também saía do Rio para ir para a tevê. tinha de ligar para São Paulo. agora apenas como consultoria. Magno decidiu então deixar de ser apresentador na TV Globo. conta que as previsões eram feitas em São Paulo e enviadas. A tevê funcionava 24 horas. Por conta disso. à tarde. fez parte dessa primeira equipe que tinha muita garra. André [André Madeira]. e depois de choros. acontece a Feira da ABTA. Na quarta. assumo o plantão na segunda e terça. Na quinta. indicar o Amazonas ao falar do Pará. à tarde. de meia em meia hora”. outro para trás e depois de novo para a frente. O jeito foi marcar com um xis os posicionamentos mais comuns durante a apresentação e aos poucos ganhar desenvoltura para indicar as regiões no mapa. erros. via fax. apesar de parecer pouco. com idade média de 19 anos. Ângela. “Eu fazia a TV Globo e então. Mag- 65 .pando. mas. Quando eu chegar. conte com a ajuda da Luciana para estes boletins da tarde. Não era raro apontar a Bahia ao falar da previsão do Rio de Janeiro. muito cansativo também. viajando. O ano estava chegando ao fim. Magno”. “Aí senti que era hora de sair e cuidar do que era meu. esses tropeços deram motivo a muita apreensão. O que nos ajudou no início foi o aprendizado que tínhamos com os boletins do Canal Rural. mas tínhamos três a quatro horas de produção. “A gente recebia por fax e muitas vezes a folha saía ilegível. a editora ligava para mim e eu tinha de atender. da forma como fizemos da outra vez. “O mais engraçado dessa época era que a gente não sabia apontar o mapa. ia para São José dos Campos. onde eram gravados os boletins. Com isso. “Eu atendia o Bom Dia Brasil. Um ano marcante para toda a Climatempo. Na semana entre 4 e 8 de outubro. mas o Magno sempre foi muito objetivo e garantiu que a gente ia aprender no instinto a fazer o certo”. onde os canais se expõem. Fiz um acordo com a emissora. produzidos ao vivo. Ângela. Naquele tempo. por exemplo. Vou precisar da ajuda do pessoal da manhã. parecia um mimeógrafo lento. se chovia no Rio. conta Ângela. Ana Lucia e Carlos Magno que o digam! O acúmulo de serviço por pouco não causou um colapso administrativo na empresa. era uma pauleira. A Climatempo entra em campo de batalha com Rogério. que. na época. O Globo Rural me pedia informações e se acontecia alguma coisa tinha de entrar ao vivo no Jornal Hoje. Ariany e Carol. quem apresentava a previsão não tinha a visão do mapa. três dias por semana. muito intenso e produtivo.

” Rogério montou as páginas iniciais e o servidor. Lentamente foi começando a surgir. era só para acadêmicos. a nossa ideia era montar uma coisa que as pessoas pudessem acessar. No início a rede era voltada para a área acadêmica e administrada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Formada pelo Instituto de Astronomia. com outros estudantes. trabalhou em quase tudo. da Universidade de São Paulo ( USP ). como se fosse o BBS. Renato conheceu Magno por meio 66 . Interessada em trabalhar na Climatempo. Com uma voz doce e um sorriso tranquilo em um rosto de menina. Para Gilca. até que as pessoas passaram a acessar mais a Internet do que o BBS. mas não gostava disso e era mais ligado à área de Tecnologia da Informação. A Internet deu uma visibilidade muito grande para a Climatempo. subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT ). fazendo levantamento de dados. Renato Urbinder. uma rede de lojas no Rio de Janeiro. que ajudou na montagem dos BBS s. Começou como estagiária. Uma das primeiras meteorologistas a perceber o potencial da nova ferramenta foi Gilca Palma. meio fechada. e o dinheiro parecia jorrar em sites e portais. a rede mundial de computadores que viria a substituir os antigos BBS s. A mudança para o ano 2000 criava a expectativa de um problema que poderia ser registrado em todos os sistemas informatizados e que ficou conhecido como “bug do milênio”. Aqui. com o negócio crescendo. Geofísica e Ciências Atmosféricas ( IAG). A rede mundial de computadores chegou ao Brasil em 1991. um servidor em que os dados que iam para o BBS iam também para a Internet. ocorreram os grandes negócios da Internet. Naquele ano. tornaria possível a entrada do setor privado na Internet. na época tocava os negócios da família. Rogério Leite. A chamada “bolha da Internet” começou em 1995. com a criação da Rede Nacional de Pesquisa ( RNP ). as grandes fusões de empresas. na época ainda uma estatal. foram contratadas novas pessoas para a recém-criada área de tecnologia. procurou Magno e conseguiu o estágio. Os meteorologistas extremamente ligados ao meio acadêmico e conscientes da velocidade da informação na Internet fi- Magno em uma visita que fez à Rede Globo.” A explosão da Internet estimulou a entrada de um novo personagem na equipe da Climatempo. lançou um serviço de acesso comercial à Internet. Somente em 1995. assim. por meio dos Ministérios da Comunicação e da Ciência e Tecnologia. Aí teve uma hora que ele não tinha mais sentido de existir. o auge da nova ferramenta aconteceu no ano 2000. por outro auxiliou a vida dos meteorologistas ao facilitar a captação de dados. Por um lado. Em 1999. A alegria em ver a empresa crescendo é descrita por Gilca Palma. carioca. uma pausa para um pequeno retorno ao início da década. a empresa ficou mais conhecida do público. Montamos uma rede pequena. inclusive para a exploração comercial. Foi criado um Comitê Gestor para a Internet e a Embratel. mas. a Internet já estava definitivamente instalada na Climatempo. caram plugados desde o começo. no Brasil. Então. “Cada vez mais as pessoas acessavam o nosso site e ficavam conhecendo os nossos serviços. o “bug do milênio” que ameaçava trazer prejuízos para empresas virtuais não se concretizou. A Climatempo não ficou de fora. o governo. relembra que tudo começou bem devagarzinho: “A Internet não existia. e aos poucos começou a fazer a previsão para a Internet. que acompanhou todo o desenvolvimento da Internet e o que ela representou para a empresa. Gilca conta que chegou à Climatempo em outubro de 1999 para fazer um estágio. engenheiro civil e empreendedor. a Internet representou uma grande mudança na Climatempo no limiar do século XXI. Ao longo dos últimos anos. Gilca conheceu Carlos Õ O fim do ano de 1999 trouxe apreensão em um setor que estava em franca expansão no Brasil: a Internet. Ao contrário do esperado.no começou a enxergar a Climatempo com outros olhos e passou a administrá-la melhor.

tinha de trabalhar em uma mesa atrás da porta de entrada. a casa na Baltazar Lisboa já ficara pequena e não comportava o número de funcionários da Climatempo. a Climatempo Internet. Próximo passo: mudança de endereço. e foi aí que. Por isso. a receita com a venda de conteúdo deslanchou e a empresa passou a atuar nos grandes portais e em boa parte dos sites em todo o Brasil. Dois meses antes. na rua Muniz de Souza. Portanto. a empresa dedicada à transmissão de informações meteorológicas. “A área é promissora. Os resultados alcançados no período não poderiam ser melhores. Com a entrada dos grandes portais como a AOL.5 mil novos visitantes por dia. com uma equipe capaz de entregar o pedido de cada cliente. A América Online (AOL) foi uma das primeiras empresas a receber os serviços da Climatempo. “Eu digo que peguei a Internet no berçário. Gilca lembra que quando entrou. conta Urbinder. na Vila Mariana. A mudança para o novo prédio aconteceria em maio de 2000.” (Gazeta Mercantil. com o Magno.do amigo comum Waldemar Stefan e acompanhou a saga para a implantação da TV Climatempo. afirma Renato. que investiu R$150 mil no desenvolvimento de produtos para o segmento. 27/3/2000). “Quando veio aquele enorme desenvolvimento da Internet. Um pequeno prédio na rua Muniz de Sousa. Renato aceitou o desafio de desenvolver a Internet na Climatempo. contudo o tino para o comércio indicava que ali estava um bom lugar para investir. “Tornou-se sócio da Climatempo na operação de Internet e entrou com 100 mil dólares de capital. lá estava a Climatempo como exemplo de sucesso: “Nesse período. adquiriu cem novos clientes. voltada para esse novo mercado. Renato não tinha noção de meteorologia. com o seu rápido crescimento. Para se ter uma ideia. a Climatempo havia completado seis meses de experiência no mercado Internet.com. o que era melhor. e a Climatempo passou a oferecer bons conteúdos. logo houve a necessidade de desmembrá-la em uma empresa própria. conta Magno. “Ficamos muito orgulhosos em poder construir um prédio fruto do dinheiro que a gente trabalhava para ga- nhar”. Universo Online ( UOL) e Globo. No início das operações de Internet. Em reportagem do jornal Gazeta Mercantil sobre empresas que começavam a explorar conteúdo diferenciado para a Internet. Quando a Climatempo passou a ser provedor de Internet. mas. Com parte desse dinheiro. ficando com 30% dos negócios. em março. patrimônio da empresa. Entre eles. os recém-criados portais precisavam de conteúdo para atrair os usuários. a empresa conseguiu terminar a construção de suas novas instalações. mais tarde Climanet”. O crescimento de uma empresa pode ser medido também pelo espaço que ocupa. eu decidi seguir esse caminho. dona Alice. No começo. a empresa mudou para a rua Muniz de Sousa. No início do ano 2000. A avalanche de serviços prestados ainda surpreende o meteorologista Carlos Magno. avalia Magno. em 2000. E agora para um prédio novinho e. criamos. A previsão do tempo era um ótimo chamariz. Logo. que ainda funcionava no galpão da TECSAT . Mas por pouco tempo. Renato tornou-se a pessoa chave em novos negócios”. Quer dizer. Carlos Magno e Ana Lucia finalmente puderam ter a primeira sede própria da Climatempo. em outubro de 1999. dezenas de outros sites e portais procuraram a Clima- 67 . ser uma empresa confiável e com possibilidade de customizar uma página dependendo da necessidade do cliente”. São 2. Novas oportunidades de negócio logo começaram a surgir no ano 2000. a Climatempo Internet era um braço dentro da empresa. a Climatempo foi pioneira e é uma referência nesse segmento. como a America Online (AOL). A grande vantagem da Climatempo era ter uma boa estrutura. Contando mais uma vez com a ajuda financeira da mãe. já estava mais do que na hora de ampliar as instalações da empresa. em um espaço bem apertado. Renato entrou no negócio. grandes nomes. com exceção da TV Climatempo. Mordido pelo bichinho da novidade. A partir de maio de 2000.

). 10/ 07/2000) Em outubro. O segundo serviço. Rio de Janeiro e Brasília.tempo querendo comprar conteúdo. Um desses serviços. com previsão do tempo para 600 cidades no Brasil e 150 cidades no mundo. Pelo título da reportagem percebe-se o excelente momento que a empresa atravessava: “Tempo é dinheiro – o meteorologista Carlos Magno lucra com o fornecimento de informações sobre o clima para a Internet brasileira”.. Somados. números do crescimento da Climatempo no mercado.” (ISTOÉ Gente. entre eles o UOL. Pelo visto. como diz o ditado. a Climatempo contra-atacava com novidades que a consagraram no mercado: “Para não perder terreno. e o portal de seu ex-patrão. ex-Rede Globo. era fornecido pela Climatempo.com. a Globo. Pelo menos na Internet. O crescimento da Climatempo com o produto Internet deixava espantados os analistas da revista: “Empresa de consultoria criada por Carlos Magno. disponibilizava em seus celulares uma série de endereços já adaptados para o novo protocolo. Vivo). No mês de junho. Previsão para amanhã: os negócios devem continuar crescendo”. para rebater as investidas de seu maior concorrente. pelo celular ou pela rede.. para anunciar a entrada no ar de um novo portal de meteorologia. completa o carioca Carlos Magno.climatempo. algo como ‘vai chover forte em São Paulo dentro de meia hora’. batizado de Alerta.5 milhão de reais que a Climatempo deve faturar neste ano. a Climatempo convocou uma coletiva de imprensa. ‘A previsão para a Internet é de tempo bom e amanhecer sem nuvens’. ele toca seus negócios à frente da TV por assinatura Climatempo e o site com o mesmo nome. desenvolvido em conjunto com a globo. a Climatempo virou notícia na revista ISTOÉ Gente. o site registrou nada menos que um milhão de page-views no último mês (. é o Exposição Solar. como a entrada em funcionamento do sistema WAP (informações do tempo via celular). o tempo continuará bom para o meteorologista. 38 anos. Serão avisos gratuitos sobre mudanças de tempo. hoje fornece informações para 350 clientes pontocom. Já a TV Climatempo. faça chuva ou faça sol. O ClimaWap colocava no visor do celular informações sobre o tempo em 600 cidades brasileiras com previsão para quatro dias. a previsão do tempo. caminhava 68 . O número de consultas ao site mostra que demanda existe e futuro também. Um mês após a entrada do novo portal. O “negócio” Internet crescia de forma veloz. convênios feitos para operação em banda larga e a participação da empresa nos principais portais da Internet. a Telefônica e a TELESP Celular como parceiros. sem riscos. Carlos Magno também anunciou outras novidades. o internauta informará o tom de sua pele e ficará sabendo por quanto tempo pode se expor ao sol. Totalmente reformulado. o maior provedor de acesso do País. O sistema WAP era a grande novidade do momento. ainda em São José dos Campos. conta Magno. Nessa ocasião. “Eu recebia mais ou menos 150 e-mails por dia de gente querendo receber material da Climatempo”. Tudo por conta da explosão de acessos registrados no portal Climatempo: “O vento está soprando a favor do meteorologista Carlos Magno. portais e sites respondem por metade do 1. O endereço www.net. a Climatempo foi parar nas páginas da conceituada revista Forbes Brasil. Ao consultar o site da Globo.com e patrocinado pelo fabricante de cosméticos Natura. o The Weather Channel. na sede da empresa. 11/ 10/2000). Implantado no Brasil pela TELESP Celular (atualmente. A previsão do repórter estava correta. O primeiro.” (Revista Forbes Brasil. WAP significa Protocolo de Aplicação sem Fio (Wireless Application Protocol) e foi criado para facilitar o acesso de celulares à Internet.com. Tudo ia de vento em popa. Na mesma matéria. Há oito meses fora da TV aberta. em cada capital brasileira. vai pegar carona na temporada de chuvas de verão que atormentam capitais como São Paulo. Magno vai lançar dois serviços a parte deste mês (outubro). O Alerta já tem o Zip.br é um sucesso entre os internautas.

a empresa estava operando na TV UOL. Climatempo Meteorologia e TV Climatempo. “É com muito orgulho que vejo hoje que a maioria dos alunos que passou pelo projeto da TV Climatempo está atuando no mercado de comunicação em diversas áreas. Aline é dona de jornal e empresária. o David está na Band e o Denis na Rede Vida. Fernando Moreira. muitas vezes financeiros. Apesar de desfeita a parceria.em busca da profissionalização. Os números revelados pela empresa no balanço de 2000 comprovaram: a Climatempo estava presente com suas previsões em 90% dos maiores portais do mercado.com e Ajato. TV iG. a TV Climatempo deixou de funcionar na Univap e transferiu-se para um galpão alugado da própria TECSAT . André Catoto é designer visual na Rede Record. em São José dos Campos. Filipe e Roberta tornaram-se professores na área de comunicação. e quem via o produto final que colocávamos no ar não tinha a mínima ideia das ‘mágicas’ que só nós brasileiros sabemos fazer. Como duas empresas distintas. a TV Climatempo era sucesso absoluto: “Desde o dia 31 de julho a TV Climatempo passou a prestar consultoria para o Canal 21 e a TV Bandeirantes. A operacionalização da tevê encontrava entraves. Vânia. principalmente quando a única referência que tínhamos era um modelo estrangeiro que tinha muito dinheiro. Na banda larga. O entusiasmo dos primeiros tempos já não era o mesmo por parte da Univap. que começavam a atrapalhar seu funcionamento. como parceiras de sucesso. Pensando nisso hoje. mas isso é normal em qualquer processo cria- tivo. era o caminho natural para deixar de ser uma tevê experimental de universitários. na Climatempo o céu era de brigadeiro. Após um ano no ar. Com isso perdeu-se parte da estrutura e dos equipamentos. Por outro lado. Em dezembro de 2000. para ser um canal do tempo profissional. 69 . Claro que tivemos dificuldades. TV Globo. o diretor da TV Univap. Enquanto centenas de empresas do mundo da Internet estavam prestes a fechar as portas. Seu conteúdo passou também a ser explorado por canais a cabo. além dos estagiários da universidade. além dos 1. a Climatempo fechou parcerias com todas as operadoras de telefonia do País. Foram esses entraves que levaram ao fim da parceria. No sistema WAP de informações. ao olhar para trás reconhece a importância daquele momento. funcionavam.500 links espalhados em médios e pequenos portais.” Mais um ano chegava ao fim e essa era a tradicional hora de fazer o balanço de atividades. vejo que fomos pioneiros em uma área ainda inexplorada na tevê brasileira e que não dá para lembrar nada de ruim. na prática. como a TV Filme (Brasília) e a Image TV (Uberlândia)”. outras burocráticos. E foi um desenho muito favorável que a Linhas & Laudas traçou da Climatempo em dezembro de 2000. Celeste.

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O ano de 2001 começou a todo vapor na Climatempo Internet. Logo em janeiro, a empresa anunciava uma parceria com o poderoso grupo Telemar para um serviço, na época, inédito no Brasil. Ele colocava à disposição dos usuários o Vocall, um sistema acionado por comando de voz de qualquer telefone, celular ou não. O serviço atendia seis capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. Um mês depois, duas outras importantes conquistas. Primeiro foi a parceria com a PSINet, empresa que era responsável pela hospedagem e serviço de acesso com link dedicado. Segundo Carlos Magno explicou à Linhas & Laudas, a razão da parceria era o grande número de acessos. “O site da Climatempo vem recebendo um número de internautas muito grande. Com a infraestrutura oferecida pela PSINet, nossos usuários podem navegar com mais agilidade.” A outra conquista foi o acordo com parte do Grupo RBS de Comunica-

Pioneira em praticamente tudo o que dizia respeito ao universo da informação meteorológica no Brasil, mais uma ação inovadora da Climatempo no carnaval de 2001. Em parceria inédita com a seguradora Sul-América, foi instalado na praça de pedágio da Ponte Rio–Niterói letreiro luminoso com a previsão do tempo para o Rio de Janeiro, Niterói, Campos, Cabo Frio e Arraial do Cabo. Com isso, os fluminenses puderam planejar melhor a folia. Mas se na Internet os negócios pegavam fogo, na TV Climatempo as dificuldades continuavam. Após a saída da Univap, a emissora começou a funcionar em um galpão, em São José dos Campos mesmo. As instalações eram muito precárias, e quando chovia o barulho de água caindo no teto era intenso. “Foi um período negro da TV porque deixamos de ter a estrutura da Univap. Tínhamos cinco câmeras beta e passamos a ter uma câmera beta e uma câmera VHS”, relembra Magno. Os jornalistas Paulo Polli e Ângela Ruiz continuaram na tevê depois

Nesse período, Rogério Leite percebeu que a transmissão via satélite encarecia demais as operações da tevê. Foi então que teve a ideia de adaptar um sistema que estava desenvolvendo para enviar informações para os aeroportos para a emissora. Em certo momento, viu que a mesma tecnologia poderia ser empregada para enviar, pela Internet, os dados para a tevê em São José dos Campos. “Por que a gente não manda pelo computador, por meio de um software? Com isso reduzimos o custo do satélite”, lembra Rogério. Esse software foi aperfeiçoado com o tempo e continua a ser usado. Para ter uma ideia, esse foi o embrião das tevês que começaram a surgir na Internet. Os solavancos na TV Climatempo não desanimaram a equipe, especialmente porque além da RBS outros canais procuravam a empresa em busca de conteúdo. Um e-mail da Patrícia Madeira, de 26 de feverei-

Uma bolha no ar
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omo em todas as empresas, há períodos de vacas gordas e períodos de vacas magras. A Climatempo, no início do século XXI, era um grupo com quatro empresas distintas – Climatempo Assessoria, Agência Climatempo, Climatempo Internet e TV Climatempo –; às vezes, as duas coisas aconteciam simultaneamente, como numa balança, enquanto uma área assistia ao crescimento, outro enfrentava os percalços naturais de um empreendimento pioneiro.

ção. A Climatempo passou a fornecer informações para 17 emissoras de tevê do grupo, além de dez emissoras de rádio, cinco jornais impressos e também para o portal interativo RBS . Só nas emissoras de tevê, eram 99 inserções diárias sobre o clima nas regiões abrangidas pela emissora. Para atender ao novo cliente foi preciso montar uma estrutura específica na sede da Climatempo, em São Paulo.

da mudança de endereço. Eles também não esquecem as dificuldades enfrentadas num local com pouca infraestrutura para a gravação dos programas e sem os mesmos recursos técnicos, além do pessoal especializado que ajudava muito dentro da universidade. Apesar disso, a situação tinha lá seu lado engraçado. Paulo conta que, ao lado do estúdio em que estava a TV Climatempo, havia um estúdio de gravação de filmes pornográficos e não era incomum dar de cara com algum ator mais à vontade.

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ro de 2001, deixava claro o interesse na previsão do tempo: “Olá, pessoal. Estamos estreando quatro novas tevês, já a partir de hoje: TVA – Grande São Paulo, dois boletins; TV Filme – Goiás e Brasília, dois boletins; Imagem TV – Triângulo Mineiro, dois boletins; e Rede Mulher, dois boletins. Para os três primeiros, tem interface pronta, com link pelo dia a dia. Os textos se referem a um mapa de ícones, com os valores de temperatura mínima e máxima. A parte de análise e previsão para a respectiva região é feita pelas meninas na TV Climatempo, depois entra o nosso texto e, então, previsão de quatro dias em sobe som. As temperaturas que aparecem na interface são do Prevplan e não podem ser mudadas para não bater com as telas de quatro dias que entram depois da previsão (...) Só para completar, a TV Pernambuco só entra no ar segunda-feira, dia 5. Até lá, não precisamos fazer os boletins”. O Prevplan de que fala Patrícia no e-mail foi mais uma das “invenções” do professor Pardal da Climatempo. “Professor Pardal” era o nome que Ana Lucia dava a Rogério Leite pelas soluções e idéias que sempre trazia para a empresa. O Prevplan foi outro software desenvolvido por Rogério que rodava automaticamente a previsão do tempo a partir de dados fornecidos pelos modelos de previsão climática. No início, 160 cidades estavam no programa; com o tempo, porém, foram incluídas cada vez mais cidades, até que se chegou a um número bem ra-

zoável de 15 mil, entre cidades, vilas, distritos de todo o Brasil. Uma inovação que ajudou muito os meteorologistas tanto da consultoria quanto da tevê. No começo do ano de 2001, um novo assalto iria provocar grandes aborrecimentos na Climatempo. Dessa vez, foi a própria seguradora quem avisou Ana Lucia e Carlos Magno da invasão. Era a segunda vez que entravam na empresa vazia e, apesar da experiência adquirida e do seguro que minimizaria as perdas, um assalto era sempre traumático. Os bandidos cortaram o cabo, na frente da sede, já na rua Muniz de Sousa, deixando a empresa sem comunicação com o mundo exterior. Gilca Palma, uma das primeiras a chegar pela manhã, estranhou as portas abertas, tudo revirado e Ana Lucia chorando, desconsolada. “Isso te pega de surpresa, você fica sem ação”, comenta Gilca. Ao ver as pessoas chorando, Ana Lucia disse para outra funcionária, Carol Chacon: “A gente se vira. Veja o lado bom, todo mundo vai ganhar computador novo.” Mais uma vez foi preciso uma grande mobilização para não interromper os trabalhos. Alguns meteorologistas trouxeram seus computadores, outros voltaram para casa para trabalhar até que a rede fosse novamente conectada. “É assustador você ter de parar rapidamente e dizer ‘ok, o que vamos fazer?’. O Magno já tinha know-how de ter feito uma vez. Ele pegou e distribuiu as tarefas. André e Patrícia Madeira, que estavam no primeiro

assalto, também já sabiam como trabalhar nessa situação. Então, simplesmente a gente separou o que tinha de ser feito, designou as coisas e tocou a bola para frente. Os clientes tinham o telefone de casa, ligavam para a gente dar uma posição. O pessoal corria, gravava o boletim de rádio do orelhão. Nos primeiros dias tinha de ser assim, até que voltassem a ligar os telefones da Climatempo”, relembra Ana Lucia. Foi um período bastante confuso e que terminou com um gesto que impressionaria muito Carlos Magno. Ele jamais vai se esquecer da atitude de uma meteorologista gaúcha que trabalhava na época na Climatempo. Débora Simões estava grávida e, por coincidência, no mesmo dia em que houve o assalto entrou em trabalho de parto. Ela fez questão de, antes de seguir para a maternidade, entregar a previsão que havia feito em casa e estava sob sua responsabilidade. Para Magno foi uma tremenda demonstração do espírito de equipe. Nem o triste episódio conseguiu abalar a energia positiva que fluía na empresa. No fim das contas, após o rescaldo de mais um assalto, o grupo estava novamente pronto para seguir em frente. Enquanto isso, correndo por fora, a Internet crescia cada vez mais. “Durante os anos de 2000 e 2001, acho que estive em todos os prédios da Vila Olímpia (região de São Paulo onde se concentrou a maioria dos escritórios ligados à Internet), visitando diversos portais.

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A mudança. na consultoria o tempo era de muito movimento. A cartela de clientes variava muito e o leque de segmentos atendidos pela Climatempo também. Ele também conta que o sucesso da consolidação se deu por uma estratégia de venda de conteúdo. No meio da euforia Ana Lucia e Magno falaram: “Isso não vai durar muito”. Nesse momento. Dessa vez. Contudo. André Madeira e Alexandre Nascimento para dar o suporte de conteúdo. Em 2001. De repente. antes de a bolha estourar já estávamos no azul.” A ferramenta Internet na Climatempo tornou-se referência nacional. e apostaram de seis meses a um ano para a festa acabar. Não eram incomuns as notícias de sites que fechavam e deixavam de fora dezenas de desempregados. Segundo Renato. não havia interferido com o fornecimento de conteúdo de meteorologia. transmitia boletins de condições do voo e trazia a tabela das fases da lua para aqueles que se preocupavam com o regime ou o corte de cabelo. Começou então a estratégia de mudança de venda de conteúdo para a de ser espaço publicitário. com um dos primeiros parceiros da Climatempo: o Grupo Estado. uma experiência que depois serviu de base para a própria TV Climatempo. a empresa registrou nesse ano algumas baixas importantes. o site era o caminho certo. De 1998 até 2001. A Internet tornou-se um grande negócio e não foi só para a Climatempo. Nos Estados Unidos foi criada uma bolsa de valores. e a Rede Globo. Puf! E centenas de empresas simplesmente desapareceram. a Climatempo sofria os percalços comuns de um mercado competitivo. a empresa exibia imagens ao vivo de onze cidades. os custos com a transmissão de dados e a manutenção das informações inviabilizaram a parceria. mas as empresas que estavam saudáveis ficaram e. com as nossas receitas. e o negócio foi desfeito. a NASDAQ . em princípio. a emissora gaúcha transferiu sua sede para Porto Alegre em 1998. foi até uma bolha positiva pela nossa competência. A Climatempo implantou toda a área de meteorologia da emissora em São Paulo. Também da noite para o dia. Apesar de ser a nave-mãe da em- presa. Se na Internet a palavra de ordem era expansão. todos os nossos investimentos foram com recursos próprios. houve uma retração de um pedaço do mercado. Havia. Foi o que aconteceu com a Climatempo Internet. Nesse período. Por outro lado. envolvendo cifras espetaculares. “Primeiro.Tínhamos que ser rápidos porque a Climatempo tinha de ocupar espaço. Um outro contrato foi interrompido também nessa época. com a mesma força que cresceu. a bolha explodiu. só para acompanhar os negócios. Contudo. mais do que isso. Fizemos. também percebemos a oportunidade de vender mais conteúdo para celulares”. Eram portais e sites vendidos por milhões de dólares. porém. “Nós vimos essa bolha passar. lembra Renato Urbinder. como o Canal Rural. muita gente ficou rica da noite para o dia. algumas reuniões com bancos. voz cada vez mais conhecida e já uma referência na rádio. nós não estávamos ligados a nenhum grupo de investimento. mantinham seus contratos fixos com a Climatempo. com Josélia Pegorim. naquele momento. As ações das chamadas empresas pontocom subiam sem parar. por questões operacionais. A Eldorado. sim. ganharam credibilidade. O grupo passava por um período tur- 73 . uma certa solidez. Surgiram os grandes negócios. agora sem Carlos Magno. Em segundo lugar. a Climatempo. ninguém sabia ainda onde iria parar. mesmo a distância. Uma euforia que havia começado no ano 2000 no Brasil e que. pois ficamos com uma boa fatia de mercado. mas com Ana Lucia. Para os que não queriam saber apenas dos aspectos técnicos da meteorologia. com receita de publicidade e com um portal mais conhecido”. as empresas mais sólidas no mercado praticamente saíram ilesas e. Um entusiasmo desmedido tomou conta de quem lidava com essa nova tecnologia. conseguiram consolidar seu espaço. porém. conta Magno. continuou responsável pela previsão do tempo do Canal Rural. como a Climatempo. mas o modelo proposto era inviável e agressivo demais para o nosso jeito de ser.

secas). lembra Magno. pois trariam o patrocínio que bancaria as despesas. 15/ 9/2003. em 2003. braço de turismo da TAM Linhas Aéreas. E mesmo parecendo puro folclore. Carlos Magno resolveu procurar a direção do grupo para tentar um novo acordo. Essa é uma das histórias lendárias da Climatempo e durante anos serviu de exemplo para incentivar o trabalho em equipe. O início das transmissões em São Paulo foi complicado. Com a Internet e a consultoria bem-estruturadas no novo prédio. na indústria (racionamento) e no comércio (inverno rigoroso. Na verdade. é bom dizer que elas funcionavam mesmo. Contudo. Isso complicava um pouco. a Cacau. A negociação foi destaque na mídia pela sua inovação: “Um novo modelo de previsão do tempo será publicado diariamente a partir de segunda-feira. dia 15.” (Meio & Mensagem. na hora de levantar informações para matérias. A oferta atraiu a direção do jornal. perdemos uma fonte preciosa”. pelo jornal O Estado de S. a TAM . A reestruturação da tevê em São Paulo aconteceu ao mesmo tempo em que Carlos Magno já negociava a entrada do canal do tempo brasileiro na operadora Sky. O estúdio construído na Muniz de Souza não tinha isolamento acústico e foi preciso recorrer a uma solução caseira e barata. Agora em São Paulo. não havia audiovisual. lembra Magno. Paulo Polli voltaria a integrar a equipe. Todo mundo guarda na lembrança as caixinhas de ovos coloridas. “O Infotempo não era mais um concorrente. reestruturar a tevê. como o Jornal da Tarde. mas para a gente foi um aprendizado tremendo. deixamos de ter um serviço exclusivo e. sede da empresa. Paulo. “O problema era que os dados vinham de Houston. passamos a dar maior importância ao mercado publicitário”. e a gente recebia para isso”. Era preciso racionalizar as operações. era o momento de trazer a TV Climatempo para São Paulo. e representou uma reconquista de um espaço que sempre foi da Climatempo. O novo parceiro. Nesse primeiro momento. mas sim como diretor da tevê. Infotempo. “Eu e a Carol Chacon pintamos e colamos caixas de ovos nas paredes para servirem como protetor acústico”. Além disso. in Linhas & Laudas) O novo acordo estendia-se também para outros jornais do grupo. calor). a tevê entraria como um canal interativo e digital. O serviço oferecia 74 . isso significava repensar os custos. nesse caso.bulento de mudanças. e conquistou novamente a conta do jornal. jornalista que durante mais de dez anos foi a responsável pela edição do serviço de previsão do grupo. Os comentários serão escritos pela meteorologista Josélia Pegorim. em especial no jornal O Estado de S. o que houve foi uma mudança no padrão de negócios. com patrocínio da TAM Viagens. Quem deu a dica foi Waldemar Stefan. no Texas. Os dois principais diferenciais do serviço são a cobertura de todas as capitais brasileiras e os comentários sobre o impacto do tempo na agricultura (geadas. Paulo. ofereceu uma nova forma de contrato: eles forneceriam a previsão para todos os jornais do grupo e para a Agência Estado e não receberiam por isso. a Climatempo e a Sky foram desenvolvendo o novo formato.E partiu da direção do jornal a ruptura com a Climatempo. Com ele levou um anunciante de peso. Durante todo o ano de 2001. pois qualquer problema de transmissão ou na Internet atrasava o trabalho. que sabia das propriedades isolantes das caixinhas de ovos. o conteúdo era apenas informativo. não mais como estagiário. com o tempo a promessa de trazer anunciantes para o jornal não se concretizou e a Infotempo não conseguiu cumprir a sua parte do trato. cheias. lembra Maria do Carmo Fogaça. pois vimos que os modelos de negócios mudam e a gente tem de se adaptar. Foi então que. depois de passar por outras experiências. mas que funcionou perfeitamente. A Climatempo fazia parte de um serviço de tevê interativa que a Sky colocou no ar no fim do ano. todos os funcionários da Climatempo acabaram se envolvendo com as transmissões da emissora. “Foi a primeira janela de abertura de negociação para entrar com o conteúdo da Climatempo numa grande operação de tevê por assinatura. relata Magno. As informações serão fornecidas pela Climatempo Meteorologia.

Nesse espaço. Rádio é muito bom. todos trabalhando para os diversos serviços prestados pela empresa: desde Internet. 18/3/2002). Além disso. como a de Belo Horizonte e do Rio. o site da Climatempo era acessado por 350 mil pessoas por mês. Sempre atenta a novidades. a empresa fornecia dados para jornais. O início da tevê interativa não impediu que as duas empresas mantivessem as negociações em torno da inclusão da TV Climatempo no line up da Sky. como futebol. Em 2002. deixava claro na mídia que o objetivo da tevê interativa não era oferecer Internet na tevê. a rádio Globo AM era outra cliente assídua. várias emissoras de rádio e companhias telefônicas. Relutante no início. De repente. afirma o empresário”. O sucesso obtido com a previsão do tempo divulgada pela rádio Eldorado de São Paulo levou outras emissoras de rádio a procurarem a Climatempo. Além dos boletins para a CBN São Paulo. tornando-se marca registrada da CBN. mais um serviço inédito na Internet: previsão do tempo para esportes terrestres. e aquáticos. Aos poucos. Patrícia Madeira’ e eu respondia de imediato ‘estou acordada há muito tempo’. A matéria também destacava que a TV Climatempo. Também da capital fluminense. e atingia um universo de 250 mil assinantes. a dupla muitas vezes era solicitada por outras sucursais da rádio. tinha no total 150 mil assinantes. marés. (. Até março de 2002. quando estou esperando para ser chamada. uma delícia porque te exercita a falar direito. A TV Climatempo também já era um sucesso. apresentando a previsão do tempo para São Paulo. que fornecia conteúdo na época para 85% dos portais brasileiros e links para outros 2 mil sites. a tevê figurava nos line ups de operadoras independentes.) (Meio & Mensagem. a Climatempo empregava 35 funcionários. O canal brasileiro. mas não desistia de oferecer um serviço diferenciado do norte-americano para atrair as operadoras brasileiras: “As câmeras da Climatempo têm condições de mostrar instantaneamente o que está ocorrendo nas principais capitais do País. a Climatempo lançaria. Um pedido especial do diretor da CBN ao fechar o contrato com a Climatempo. esporte. De acordo com uma matéria da revista Pequenas empresas. dividia os boletins e com o tempo a voz dos dois passou a ser reconhecida. em abril de 2002. Patrícia logo pegou gosto pelo rádio e também o jeito de transmitir a informação de forma confiável. “mas inovar as formas de conteúdo”. Uma delas foi a CBN. a não falar bobagem para 75 . e como fornecedora de conteúdo para canais da TVA e TV Filme. A diretora-geral da Sky. “Teve um dia que eu ia entrar no show do Antonio Carlos. de manhã. de março de 2002. relembra Patrícia Madeira. como a TECSAT. No começo. ‘Também podemos oferecer informações sobre as condições das estradas e a balneabilidade das praias em tempo real’.. ventos e plantio. 30 emissoras de televisão espalhadas pelo País.. “O que acontecia é que muitas vezes a previsão ficava defasada e mesmo assim era lida na rádio. O locutor dizendo que o dia seria de sol e do lado de fora já estava chovendo”. Carlos Magno e Ana Lucia chegaram a voltar a suas origens. um canal de comunicação com a empresa. como iatismo. Grandes negócios. até informações exclusivas para outras mídias como o WAP e a tevê interativa. esoterismo e o Sky e você. atualizadas a cada dez minutos. ouço uma voz forte ‘Acorda. para as maiores cidades do Brasil e do exterior. Magno convenceu a meteorologista Patrícia Madeira a assumir a função e tornar-se uma “Josélia Pegorim da CBN”. 15 deles meteorologistas. Rossana Fontenele. diz Nascimento. André Madeira. porém. Com o marido. a tarefa foi delegada a outro profissional da equipe. nesse período. que até então divulgava a previsão feita pelo The Weather Channel. além de dados sobre a lua. a Climatempo oferecia a previsão do tempo para três dias.cinco opções aos assinantes: previsão do tempo. ainda sofria com a concorrência do The Weather Channel. A revista apontava o crescimento no faturamento da Climatempo nos últimos cinco anos: uma média anual de 30%. games. transmitida por várias operadoras de tevê a cabo do Brasil.

lá pelos idos de 1994. um meteorologista tem menos chance de dizer alguma besteira sobre o tempo. além de informações sobre pastagens para a pecuária. pouco tempo depois. o risco é menor. Se a saída de Waldemar foi uma nota triste. e os assinantes tinham acesso a uma previsão do tempo gravada em áudio e vídeo pelo próprio Carlos Magno. ele conhece mais seu ofício e. feijão. Para Carlos Magno. que apresenta há anos os boletins na rádio Eldorado. usa seu dinheiro para comprar essa moeda e espera a valorização. relembra Patrícia. o Milton Jung me perguntou se estava tudo bem e eu respondi na lata: ‘não tem nada bem. milho. de setembro de 2002.br abrangiam as principais áreas de cultivo do Brasil: algodão. um alto executivo da Net entrou em contato 76 . entrei chateada no ar. Já os corretores terão a chance de saber antes da abertura das negociações o que provavelmente irá acontecer. estava deixando de operar não só no País como em toda a América Latina. às 9h da manhã. Marco Antonio Jacob. o novo informativo preenchia uma lacuna que existia no mercado. A empresa nunca teve dúvida da eficiência e da importância desse tipo de informação para a agricultura. “Os produtores poderão saber com antecedência a ocorrência de geadas para tomar as medidas necessárias. Em entrevista para a revista A Lavoura. no fim de maio.não perder a credibilidade. “É como o mercado financeiro. Foi o primeiro site brasileiro voltado para a previsão do tempo na agricultura. A previsão dá subsídios para anteciparmos nossas decisões”. com grau de acerto superior a 90%”. Aí. o grande vilão dessa história é o erro. Logo em novembro. como na rádio sempre tem um bate-papo. O boletim era postado todas as segundas-feiras. Fundador e grande incentivador do canal do tempo. arroz. no fim de 2002 a TV Climatempo enfrentava a saída de um dos seus sócios. Mesmo com um pé na Sky. soja. não era para estar chovendo’. o gerente comercial da Costa Café.” Assim. As previsões postadas no site www. Carlos Magno e Ana Lucia colocaram no site da Climatempo. Por isso. A ideia do site voltado para os produtores de café deu tão certo que. cítricos. Uma das primeiras empresas a contratar a Climatempo. Sabe que chegaram vários e-mails me consolando? Isso é rádio”. Sempre antenados. afirmava. Outra frente importante de negócios era a agricultura. abrindo espaço para um canal de previsão do tempo brasileiro na maior operadora de tevê a cabo. como em um telejornal. Magno afirmava: “As previsões meteorológicas. muitas vezes cobrado ao vivo pelos ouvintes mais atentos. eu errei 100% da previsão. a Climatempo decidiu lançar mais um produto inédito no mercado. na época. Oferecemos agora um serviço gratuito e de qualidade a todos aqueles que lidam com a agricultura e a pecuária”.com. produtores e todo o setor de agrobusinness. O serviço dará uma transparência maior ao mercado. a NET/Sky. Pecuaristas. café. de um modo geral. Waldemar Stefan decidiu se afastar para poder retomar seus negócios na empresa Promeeting. “Uma vez.agroclima. a exportadora Costa Café aprovou o novo serviço. se você sabe que o dólar vai valorizar. compradores e exportadores ganharam uma ferramenta poderosa no mundo do agronegócio. por outro lado nova baixa levantaria o ânimo da TV Climatempo. que tanta dor de cabeça deu a Carlos Magno. seja pela falta de motivação. A Climatempo sempre se preocupou em atender agricultores. Com isso. pois sabia que acompanhar as condições climáticas era fundamental para o acompanhamento do plantio e da colheita e para a realização de negócios na área de commodities. Com o café é a mesma coisa. o fato é que o grande The Weather Channel. o AgroClima. como também acredita Josélia. Seja pela situação econômica. são dirigidas às áreas urbanas. coube a Carlos Magno a tarefa de continuar a empreitada e manter o sonho de uma tevê brasileira. trigo e cana-de-açúcar. A proposta era oferecer um panorama climático do setor e o serviço foi batizado de Cybercafé. esclarecia Carlos Magno em uma das várias matérias que a novidade gerou na imprensa. um serviço semanal voltado para a cafeicultura.

um dos sócios da Climatempo. Além disso. Os clientes da empresa também se multiplicaram. como Em Clima de Viagem. “A tevê deu credibilidade à previsão do tempo e.” (O Globo. consultoria e agora também com a TV Climatempo sendo retransmitida por uma grande operadora. A notícia foi destaque no jornal: “O tempo vai ficar melhor a partir do próximo domingo. in Linhas & Laudas).) Essa interatividade e esse dinamismo são inéditos no Brasil’. Pegamos dinheiro emprestado no banco.. a Climatempo seria contratada para prestar serviço para o jornal O Globo. a não ser eu. Pouco tempo depois de conquistar um lugar na tevê por assinatura. se uma intensa ressaca atingir as praias do Rio ou uma seca assolar a região Centro-Oeste. 30/7/2003. A TV Climatempo começaria divulgando boletins de hora em hora sobre o tempo no Brasil e no mundo e alguns outros programas. Já passam de mil e são cada vez mais parrudos – AMBEV (hoje é a INBEV) e Nestlé. um infográfico explicará os motivos do fenômeno (.5 milhão de assinantes. A partir de então toda a parte de previsão do tempo dos telejornais passou a ser fornecido pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (C PETEC/ Inpe). que dava dicas das condições do tempo nos pontos turísticos do País. conta Ana Lucia sobre o último dia na emissora. 06/7/ 2003. a TV Climatempo. sobre as condições meteorológicas nas principais rodovias do País nas tardes de domingo e na volta dos feriados prolongados. que hoje (2003) tem 1. jornais brasileiros anunciavam a entrada em operação do primeiro canal de meteorologia 100% nacional na Sky. Se nevar na região Sul. A butique Daslu quer saber se vai chover ou fazer sol antes de decorar suas vitrines. E a credibilidade da empresa no mercado era tão grande que a revista Dinheiro. consequentemente. “Fiquei até o último dia na Globo.com Carlos Magno perguntando se a TV Climatempo estava pronta para entrar em operação. O laboratório Roche consulta Magno para reforçar a distribuição de seus antigripais e vitaminas C nas regiões onde a previsão é de chuva. era o momento de enfrentar novos desafios. A saída aconteceu em abril de 2003. diretor da Climatempo. do mesmo grupo. pelo contrário. No dia 2 de janeiro de 2003. Pelo menos nas páginas do Globo. Uma das novidades será o enfoque jornalístico do espaço. fez com que em dado momento Ana Lucia percebesse a necessidade de 77 . O crescimento acelerado da empresa em todas as áreas. e Estradas. Nela.” (revista Dinheiro .. trouxe Carlos Magno. compramos o que era necessário e nos primeiros meses de 2003 conseguimos pagar as dívidas e equilibrar as contas da TV”. A prova de que a saída da Globo não deixaria traumas foi que logo depois. o Minuto Agrícola. ‘Vamos dar destaque ao que estiver acontecendo de mais importante. A saída da Globo não abalou os serviços da Climatempo. Internet. Jornalistas do Globo estarão sempre em contato com meteorologistas da Climatempo para decidirmos que explicações interessam aos leitores. quando a emissora não renovou o contrato que mantinha com a empresa. a Climatempo deixava de prestar serviço para a rede. lembra Magno. Eu disse: ‘Quem vai sou eu’. que dará destaque ás mudanças climáticas que estiverem ocorrendo no País. voltado para o agronegócio e para a agricultura de todo o País. em julho daquele mesmo ano. era um sábado de 2003.. diz Carlos Magno. O canal entraria no ar a partir de março no formato interativo. Não estou a fim de que alguém desagradável ou implicante crie alguma saia justa e não quero que outra pessoa. que lançará no dia 13 uma nova seção de previsão meteorológica. avalia Magno. na edição de 30 de julho.. (. “Começou a correria. encerre isso com chave de ouro”. a Climatempo dava adeus a uma de suas melhores e mais importantes parcerias. in Linhas & Laudas). à minha empresa”. Após treze anos de contrato com a TV Globo. Magno e sua empresa eram tratados como empreendedores vitoriosos: “O negócio cresceu tanto que em 1999 Magno investiu 200 mil dólares para criar um canal só dele. como destaque da reportagem “De carona no sucesso”. feita pela empresa Climatempo.).

Fiquei muito feliz. O curso reforçou a vontade de Ana Lucia em posicionar a empresa à altura de sua importância diante do mercado. Ele ficou mais tranquilo para fazer os negócios. de 1993 a 2003. cobrança. Eu mesma estudei e criei um programa que fazia as notas fiscais do jeito que acho que deviam ser feitas. Meti a mão. E foi ali que teve a real dimensão da importância da Climatempo. mesmo que internamente. Magno e Ana sabiam: o tempo na Climatempo era bom. refiz os processos de emissão de notas. era fundamental ter outro departamento comercial. arregacei as mangas. Segundo ela. nas conversas nas filas dos elevadores. em 2003. Quando viu que as coisas já estavam andando de maneira mais organizada. “Depois de um ano. e a Climatempo estava sempre entre as empresas citadas. o faturamento do setor de serviços meteorológicos saltou de seis milhões de dólares para 120 milhões de dólares. ou seja. auditável. . só que dessa vez dedicou-se aos prognósticos climáticos. mas não se sabia quem dava lucro ou não. De repente. Como bons previsores. descobri que todo mundo conhecia a Climatempo.modernizar a administração da empresa. Não teve dúvidas: entrou em um MBA de Administração Geral em 2002. a estrutura era ainda muito amadora e era preciso reorganizar tudo. porque todos os lucros e débitos iam parar num lugar só. as pessoas dos meios de comunicação conheciam. Mas era muito trabalho para uma pessoa só. O ano de 2003 ficaria marcado pela constatação de uma nova realidade na meteorologia brasileira. seja para anunciar o lançamento do discador que fazia da Climatempo um provedor da Internet. conta Ana Lucia. que ajudava no planejamento estratégico das empresas. Ana assumiu a tarefa de colocar a empresa em ordem. Segundo pesquisa feita pela Climatempo. Naquele momento. 78 Foi um período de reestruturação de toda a parte administrativa. Seja para divulgar novas parcerias com empresas aéreas como Varig e TAM . trabalhar direto com advogados. programei o sistema e treinei o pessoal. para longos períodos. Assim. que era a Climatempo Consultoria. O programa gerava a nota fiscal e acompanhava todo o processo desde a hora em que chegava a ordem para ser emitida até a hora da cobrança. Separamos tudo. em dez anos. que começou de forma embrionária. Criei métodos para que o volume de trabalho que aparecia na administração fosse gerenciável. ali durante as aulas. A indústria era o principal cliente desse tipo de serviço. o Magno ficou mais confiante e me passou toda a administração. Todas aquelas pessoas de várias empresas importantes conheciam a minha empresa. logo após terminar o MBA . a Climatempo era uma empresa que as pessoas do ramo conheciam.” Ana Lucia trabalhou intensamente. “Quando comecei a fazer o MBA . Não tinha a menor ideia de que a Climatempo já estivesse nesse ponto”. Inúmeras matérias ao longo do ano registraram o impressionante crescimento na demanda por serviços de meteorologia. contadores especializados.” “Sempre se soube quem ganhava o quê. Ana Lucia deixou a administração e voltou para o que gostava de fazer: a previsão.

passou a ser respeitada. era inevitável que os serviços prestados por uma empresa privada fossem. por exemplo.. Em matéria publicada na revista Pequenas empresas. de confecção e de transporte que utilizavam regularmente as previsões da empresa para a tomada de decisões em seus negócios. “Sou um empreendedor nato. manter sua carteira de clientes e dominar seu segmento de mercado. nas matérias de jornais. também se tornassem mais conhecidos. gerando maior interesse A concorrência mais séria. Foi o início da profissionalização que levaria à criação do Grupo Climatempo.” Também naquela época. Grandes negócios. define Magno. impediam essa acomodação. Índice que subiria para oito milhões de acessos ao mês em junho daquele mesmo ano. o site da Climatempo registrava uma impressionante marca: um milhão de pessoas utilizava alguma espécie de serviço da empresa via Internet. por ex-funcionários do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).E Conhecida e respeitada. da Climatempo (. passando pela Internet e pela consultoria. O trabalho pioneiro realizado pela Climatempo.” (Jornal da Tarde. por tabela. da Somar. o mês de abril deste ano está atipicamente quente. A outra razão era de ordem prática. alvo de concorrência. ajudou a criar uma nova cultura meteorológica. a previsão do tempo. lá atrás. o mês de abril está com cara de verão. fez com que os órgãos públicos. órgãos públicos. mesmo depois de tantos anos.. compete basicamente no mesmo mercado da Climatempo. que colocava o nome Climatempo nas mais diversas mídias. “Tivemos um pico de expansão de 200% nos negócios em 2000. Com isso. A primeira delas era o espírito empreendedor do casal Ana e Magno. diz o meteorologista Luiz Alves dos No início de 2004. a Climatempo contabilizava como clientes quase 500 empresas ligadas às áreas agrícola. para opinar sobre as condições do tempo: “O outono chegou há três semanas. Com uma estratégia agressiva de preços. por outro essa resposta positiva não aconteceria se Virando uma holding 79 m quinze anos a Climatempo consolidou-se como a primeira grande prestadora de serviços de meteorologia no Brasil. tevês. os principais concorrentes da Climatempo foram empresas estrangeiras como a WSI e o The Weather Channel. a tevê foi outro”. A credibilidade. a Climatempo já podia se dar ao luxo de andar com as próprias pernas. porém. 10/4/2005. A Somar Meteorologia (Southern Marine Weather Services). prestando serviço para a Rede Globo. in Linhas & Laudas). se por um lado era o resultado de um trabalho muito sério de divulgação feito pela Linhas & Laudas. em especial de Carlos Magno. 9 .. A Climatempo foi um empreendimento. Era preciso definir quem fazia o quê. A reestruturação levada a cabo por Ana Lucia durante o ano de 2003 ajudou a organizar os vários setores da empresa. por sua vez. decorrente de vários serviços lançados no nosso site. de março de 2004. da população no acompanhamento dos fenômenos meteorológicos. a partir do fim da década de 1980. Magno comentava o crescimento da empresa nos últimos cinco anos: cerca de 30% ao ano. a Somar conseguiu conquistar uma fatia importante do mercado.). Ela oferece consultoria para jornais. ainda enxergava e acreditava no grande potencial da meteorologia no Brasil. Duas razões. que. alvo de total descrédito. Segundo o meteorologista Celso Luís. No início. a empresa era procurada. agronegócio e mantém um portal na Internet. porém. Aos poucos. mas para o paulistano. Tanta notoriedade não era fruto do acaso.) ‘Até quarta prevemos temperaturas máximas de 30 a 31 graus’. isto é. Tanto era assim que logo. passaram a competir pelo mercado de previsão do tempo. Naquele momento era preciso definir as várias frentes de trabalho desde a operação da tevê. com o tempo.. Santos Neto. fundada em 1995. (. ao lado da Climatempo. como o CPETEC. viria de empresas privadas nacionais que também perceberam o aumento de demanda por informações climáticas. Uma boa razão para manter a Climatempo atenta e atuante. farmacêutica.

“Na verdade foi uma parceria que não deu certo.” E mais. destaque para duas novidades. que movimentava cerca de 40% do Produto Interno Bruto ( PIB) brasileiro. o gelo acumulado nas vias foi superior a 30 centímetros e foi preciso muito trabalho para retirá-lo das ruas. a ocorrência de um ciclone extratropical com ventos de até 150km/h arrasou o sul de Santa Catarina no fim de março e deixou três mortos. Segundo destacava matéria do Jornal da Tarde. Com isso a emissora recebia a arte pronta para gravar e exibir. seguida por uma chuva forte. tanto financeiro quanto cultural. onde a temperatura é baixa. No fim. Apostando na popularidade do site. a Climatempo esteve quase diariamente no noticiário dos principais jornais brasileiros por causa de uma série de eventos raros. No campo tecnológico. A outra era a ampliação dos serviços para celulares para as operadoras Tim. O espírito empreendedor de Carlos Magno muitas vezes esbarrava no que popularmente se chama “canoa furada”. cerca de 35 milhões de telespectadores anualmente. em maio.a empresa em si não conquistasse visibilidade por meio de ações e iniciativas inéditas no campo meteorológico e no investimento constante. semelhante a uma nevasca. André Madeira esclarecia: “Granizo e neve são como água e vinho. do dia 13 de fevereiro. do diretor Roland Emmerich. O objetivo era claro: explorar o potencial da principal empresa de meteorologia privada do País. 80 . Mas nem tudo era só sucesso. Dessa vez. mais adequadas ao perfil de cada cliente. em setembro de 2004. a Climatempo já era referência para toda e qualquer informação climática. 76 feridos e milhares da casas danificadas. distribuído em parcerias. Magno associou-se. estiagens. isso não aconteceu”. que passou a enviar as informações via satélite e não mais por arquivos de computador. Enchentes. Um serviço mais uma vez inovador da Climatempo. também associada a uma alta umidade do ar. conge- lando a água. dono do Canal do Boi. além de um link que permitia o acesso ao site oficial da produção. Foi o que aconteceu. cobriu de gelo boa parte da zona Norte da cidade de São Paulo. A equipe de meteorologistas era constantemente procurada para explicar fenômenos que intrigavam a população. quando uma tempestade de granizo. a Fox Films do Brasil. ao empresário sul-mato-grossense Claudio Godoy. por exemplo. A gente queria colocar a TV Climatempo como canal aberto e o Canal do Boi transmitia por parabólicas. Na maioria das redações ouvir os especialistas da Climatempo tornou-se quase obrigação editorial. A paisagem de verão deu lugar a uma grossa camada de gelo. já que o filme retratava os impactos de fenômenos da natureza nas principais cidades do mundo. Pouco depois. Com a expectativa de entrar na tevê aberta. gerando conteúdo para mais de 250 emissoras de rádio em todo o País. com ventos entre 120 e 150 km/h e surpreendeu os especialistas pela raridade do fenômeno no Brasil. Isso faz com que a água forme os cristais de neve”. para tirar dúvida sobre a possibilidade de neve. Claro e Vivo. O Catarina foi mais tarde reconhecido como um furacão de categoria 1. A primeira ficaria por conta da mudança no sistema de envio de dados aos clientes. Nesse período. Em qualquer um desses episódios a análise dos meteorologistas era sempre requisitada. No ano de 2004. o mesmo de Independence Day. para a divulgação de uma superprodução O dia depois de amanhã. em fevereiro. com uma empresa cinematográfica. racionamento de água. A explicação técnica do fenômeno ficou por conta da Climatempo: “O granizo é produzido por nuvens que alcançam altitudes elevadas.. lembra Magno. A popularidade da Climatempo ficou evidente em uma parceria inédita que o portal fez. Essas nuvens se formam somente em dias bastante quentes. A neve se forma quando a temperatura é bastante baixa na superfície. Sua programação era dirigida ao setor agropecuário. que atingia. O novo sistema permitiu apresentações personalizadas do audiovisual das previsões do tempo. na sua estrutura. a Fox investiu na exposição de banners e popups. Naquele mesmo mês. a Climatem- po ampliaria ainda mais a visibilidade de seus serviços com mais um produto. na época..

tinham consciência da importância das novas tecnologias e do que as novas mídias que despontavam com toda a força podiam representar para o desenvolvimento de novos negócios. “Tinha estúdio. acabei desviando o foco da TV Climatempo. com o acordo. contendo informações de temperatura. “Eu tinha um diamante bruto em minhas mãos e precisava trabalhar para lapidá-lo. O preço dessa iniciativa foi que a concorrência percebeu o momento vulnerável da Climatempo e promoveu um verdadeiro ataque. um link de satélite e um horário na madrugada para fazer qualquer coisa. depois de reestruturar administrativamente a empresa. Os equipamentos permitiram à empresa fazer uma previsão para quinze dias no prazo de uma hora. passou a se ocupar da supervisão geral do grupo de previsão. mas ainda sem transmitir a TV Climatempo. Magno também concluiu que como diretor presidente da empresa era preciso cuidar do gerenciamento de todos os setores que compunham a Climatempo naquele momento. já em 2005. desligando-se do dia a dia para acompanhar o processo global da empresa.” Esses pequenos desvios serviram de aprendizado e motivaram a retomada do caminho traçado para a empresa. baixando o valor dos serviços. e isso teve suas consequências. enquanto um computador normal realizava um bilhão de cálculos por segundo. chegando a quatro quilômetros na região metropolitana de São Paulo. a Climatempo passou a trabalhar com seis computadores de última geração na época: Pentium de 2. para a sua empresa de meteorologia.” O que aconteceu foi o seguinte: com toda a estrutura montada dentro do Canal do Boi. Juntas. Magno então percebeu que era hora de voltar o foco para a consultoria. “Ganhamos muito dinheiro. Portanto. montamos uma equipe de telemarketing e começamos a fazer programa ao vivo para vender de madrugada. Isso possibilitava apontar as condições climáticas diferentes até mesmo entre bairros da capital. sócio da Climatempo Internet. porém. A Semp Toshiba entrava com os computadores em troca de espaço publicitário. que voltamos a nos impor no mercado. que. Para dedicar-se totalmente à Climatempo. Foi então. Pensando nisso. umidade e ventos. as duas empresas desenvolveram um novo sistema que aumentava a precisão e a velocidade dos serviços de previsão. 2 GB de memória RAM e 120 GB de disco rígido. o software usado pela Climatempo foi adaptado. Com as novas configurações. O MM5. O processo de retomada passava pela modernização da empresa. Como a Climatempo manteve seu padrão e seus preços. O Renato teve a ideia de vender selas para cavalo. Eu e o Renato Urbinder. Os novos computadores eram capazes de processar 26 bilhões de operações por segundo. que também é um sujeito empreendedor. Vendemos muitas selas e ganhamos muito dinheiro”. Também tornou possível prever com maior chance de acerto a ocorrência de chuvas. Todos rodando em um cluster GNU /Linux. assim como Renato Urbinder. lembra Magno. com o novo sistema foi possível diminuir o campo para 40 quilômetros.8 GHz. Carlos Magno deixou a rotina de previsão e de atendimento aos clientes para sua equipe. em janeiro de 2005. Assim como Ana Lucia. surgiu a ideia de montar um canal de vendas. Carlos Magno e Ana Lucia. antes esse trabalho levava mais de três dias.que define o período como uma fase negra da Climatempo. chuvas. “Cluster” é o nome dado a um sistema montado com mais de um computador. alguns clientes debandaram. um modelo de previsão do tempo de pequena escala de código aberto que havia sido desenvolvido para o hemisfé- 81 . Esse novo sistema deu à Climatempo uma qualidade ainda maior na prestação de serviços de previsão do tempo. O objetivo dessa associação era que todo o processamento das informações fosse distribuído aos computadores de forma que na prática todo o trabalho fosse feito por um único computador. e deixar de vender selas para cavalos. a Climatempo anunciou uma parceria com a empresa de tecnologia Semp Toshiba. Se antes era possível elaborar a previsão com maior precisão para um limite de 100 quilômetros.

Outra novidade: todos os dias os usuários de todo o País podiam solicitar. A velocidade cada vez maior com que novas tecnologias para celulares se desenvolviam significava novos negócios para empresas como a Climatempo.. qualidade do ar e das praias. por exemplo. criou um serviço especial para a indústria têxtil: a cada 30 dias fazia previsão para os próximos 12 meses. que fazia a avaliação estatística do novo sistema. previsão do tempo via e-mail.. A Climatempo. ainda na área de TI. escolhidas entre três mil municípios brasileiros e 350 no exterior. os clientes podiam fazer um planejamento diário de suas ações. professores universitários e consultores. Por exemplo. os celulares se consolidaram . a Climatempo colocou à disposição de seus clientes dois tipos de previsão. o que facilitou o trabalho dos meteorologistas. frio fora de época. como ferramentas estratégicas de negócios. A mais conhecida e imediata era a previsão do tempo. gerando gráficos mais precisos para a TV Climatempo. na página da Climatempo. avalia Renato Urbinder. As instabilidades climáticas ocorridas no Brasil sempre foram um forte aliado do crescimento da Climatempo no mercado de meteorologia do País. O que vai acontecer em dois ou três meses pode ser muito importante para alguns setores. Na Internet também era preciso acompanhar o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas e do perfil do internauta. com um prazo de validade para um período de cinco dias. fundador e presidente da Climatempo. Além de possibilitar o envio de fotografias de fatos ligados ao tempo pelos usuários. mapas e imagens do tempo em outros países. Toda essa movimentação em busca da modernização não poderia resultar em outra coisa senão em reconhecimento. Já a previsão climática era uma área muito específica dentro da Climatempo que atendia a clientes que precisavam de um acompanhamento a longo prazo do clima. “Sempre estivemos empenhados em trazer para os celulares novas conexões. Magno destacaria um dos objetivos da empresa: “Queremos colocar a informação na mão do usuário. o serviço do Climamail. foi ajustado pela Climatempo para elaborar a previsão para o hemisfério Sul e para o Brasil. Os serviços da empresa eram solicitados para esclarecer as “loucuras do tempo”: calor no inverno.” Não era à toa que a Climatempo estava presente nas principais operadoras de celulares. A Elite Info de Tecnologia foi escolhida por presidentes de empresas. e dentre os nomes apontados como parte dessa elite estava o empreendedor Carlos Magno do Nascimento.rio Norte. com a mesma qualidade. com simples torpedos que enviavam a previsão do tempo para o celular. como o da indústria têxtil. temporais que arrasavam cidades. o site trazia mais informações. cada vez mais exigente. a revista Info elegia os 21 nomes mais importantes da tecnologia brasileira. desenvolvendo produtos para celular”. Diariamente eram enviadas informações com a previsão para quatro dias para até cinco cidades. “A Climatempo sempre esteve na ponta. Em setembro de 2005. O projeto contava com o respaldo científico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). depois com informações via Internet e por fim com a expectativa de em breve transmitir programas de tevê pelo celular. por isso nosso empenho em produzir conteúdos cada vez mais interessantes para os celulares. De posse dessas informações. como os índices ultravioleta para sete dias. uma loja programava a montagem de vitrines para atrair consumidores durante o fim de semana com base nesse prognóstico. Primeiro. Desde o início. indústria e varejo tinham de recorrer aos meteorologistas. Tudo para tentar minimizar os riscos de investimentos de um setor que gerava cerca de 20 bilhões de dólares por ano. Para isso foram feitas algumas alterações no layout para facilitar a navegação e deixar o portal mais interativo. Para enfrentar as mudanças bruscas dos termômetros. pioneira em projetos. Para a revista. As facilidades operacionais permitiram também que os técnicos da Climatempo conseguissem renderizar imagens e filmes mais rapidamente. Era a partir das in- 82 Em outra ponta. um entusiasta do potencial dos pequenos telefones. novos planos que permitam a navegação na Internet”.

direcionada à classe AA. entre elas a Hering e a Marisol. Dividida em regiões brasileiras. Tecelagem e Vestuário de Blumenau (Sintex).formações da Climatempo que indústrias do setor têxtil definiam a gramatura do tecido que seria usado em determinada peça de roupa. afirma Magno. “Não fui eu quem inventou a previsão climática. também passou a utilizar as previsões fornecidas pela Climatempo. O trabalho de previsão para o setor de moda começou com uma etiqueta de surfwear. Por isso era importante manter contato com as entidades do setor e também com a comunidade científica. uma vez que prestígio e confiabilidade já estavam definitivamente associados ao nome da empresa em 2006. os dois não deixaram de lado a raiz de tudo: que a meteorologia era uma ciência. destaque para a revista Moto Adventure. A busca da profissionalização era a meta principal da Climatempo. contudo. O detalhe é que eu fui estudando o que os acadêmicos diziam até encontrar uma solução que o mercado considera boa”. que aconteceria em Florianópolis no ano seguinte. Pouco tempo depois. Ninguém imagina o trabalho que é refazer setenta. muitos deles sazonais. como a Eldorado e a CBN e cerca de 50 tevês. Em novembro de 2005. era uma coisa muito incipiente. Fomos melhorando.500 clientes. rádios. a participar da diretoria da Sociedade Brasileira de Meteorologia ( SBMET) para o período de 2004 a 2006. O objetivo do concurso era chamar a atenção para a atuação da meteorologia na sociedade e no meio ambiente por intermédio de animações. e a confiabilidade se traduzia na quantidade de matérias em todas as mídias em que a Climatempo era fonte de informação. No outono de 2003. No varejo. Um exemplo de cliente da previsão climática era a Daslu. “Com essa informação. No início. “Elaboramos a previsão. Entre os novos clientes. Ana Lucia. Os desenhos selecionados foram utilizados na publicidade do congresso e o vencedor ganhou uma câmera fotográfica digital. outro cliente de peso. melhorando. varejo e indústria percebiam a necessidade de contratar uma empresa especializada em serviços meteorológicos. a Climatempo e a SBMET promoveram um Concurso de Marcas com Animação para divulgar o 14º. entre elas a Rede Mulher e algumas retransmissoras regionais. oitenta previsões”. Paulo. contratos por trabalho específico. Cada vez mais. em São Paulo. Na empresa. no Rio de Janeiro. a Climatempo conquistou um importante cliente: o Sindicado das Indústrias de Fiação. que passou a ter uma página com a previsão meteorológica para o mês elaborada pelo meteorologista André Madeira. a loja solicitou uma previsão antes de selecionar o que iria expor na coleção de inverno. a empresa já registrava uma base de 1. André e Patrícia Madeira são os responsáveis por esse tipo de serviço. explica Ana Lucia. as previsões da empresa também eram fundamentais para definir as vitrines e o tamanho do estoque para a estação. porém. e O Estado de S. por exemplo. isto é. a gente simplesmente aborta o que está sendo feito e refaz tudo. se houver uma mudança radical. Havia. Para Carlos Magno e Ana Lucia. a previsão do tempo e do clima era um negócio. explica Ana Lucia. O prestígio podia ser avaliado pelo reconhecimento da marca. em 2004. Ana Lucia fora convidada. a previsão dava aos aficionados pelo mundo offroad a possibilidade de organizar 83 . as indústrias farmacêuticas e da construção civil são as maiores interessadas nas previsões climáticas. montamos um formato que está até hoje e podemos fazer a previsão para qualquer lugar do Brasil”. que reunia 42 empresas. a Camisaria Colombo. Ela tem outras raízes que são acadêmicas. avalia Ana Lucia. eles sabem se devem investir num tecido mais pesado ou mais leve para a estação seguinte”. como jornais do porte de O Globo e Extra. Assim como a indústria têxtil. Em 2006. Ouvimos bastante os clientes. famosa loja de grifes de São Paulo. “O dono da marca me perguntou uma vez se era possível fazer uma previsão para estação e eu disse que era. Congresso Brasileiro de Meteorologia. Em 2005. que por si só atraía o interesse de possíveis clientes. os clientes fixos.

Os demais clientes setoriais eu consegui com um pouco de intuição. como o boletim das estradas. de alguma forma. Uma parceria com as concessionárias Ecovias. Arquitetura e Agronomia de São Paulo ( CREA-SP). além de prejudicar o fluxo do trabalho. “Esta ação fez-se necessária pelo crescimento da empresa desde a sua criação. persuasão. por exemplo. como com site iG. mídias. realizar uma profunda alteração para poder atuar em todas essas frentes. por isso a concepção do grupo solidifica o nosso objetivo de se apresentar ao mercado dessa maneira”. como a C&A e o Magazine Luiza. Carlos Magno e Ana Lucia tomaram consciência de que era preciso reestruturar a em- presa. a tevê atuando com a Internet e interferindo na consultoria. empresas de seguro. direto da redação da Climatempo. desde lojas de varejo. agências de viagens e parcerias importantes. vale ressaltar a variedade de segmentos que procurava a Climatempo. Na cartela de clientes havia malharias. Surge então o Grupo Climatempo. pelo desenvolvimento de novas 84 . a consultoria dedicando-se mais em abastecer a Internet do que seguir o seu objetivo de atender aos clientes. A Climatempo Meteorologia e a Agência Climatempo eram as empresas mais antigas do Grupo e respondiam pelo atendimento dire- to a grandes empresas. Para modernizá-la e torná-la mais competitiva. e a Climatempo Produções. produtoras de filmes. ônibus. empresas de telefonia. e um estúdio em que eram feitas entrevistas e a gravação de comentários.com antecedência viagens. em abril de 2006. Carlos Magno. criava situações confusas internamente. quatro estúdios de gravação equipados com câmeras e aparelhos digitais. a TV Climatempo recebeu novos equipamentos. afirmava Magno em entrevista ao jornal Gazeta Mercantil. revelava o seu segredo: “Pela natureza do setor. em entrevista para a revista Exame. com cinco ilhas de edição não-linear. A Climanet era responsável pela manutenção do Portal Climatempo. de julho e agosto de 2006. transformando a Climatempo em um grupo empresarial. que a partir de julho de 2006 passou a oferecer o acompanhamento da previsão do tempo para cinco mil cidades brasileiras e mais 350 cidades de outros países no boletim informativo do portal. que desde 2005 havia se reintegrado à equipe com o objetivo de dirigir toda a programação da tevê. Do jeito que estava. Entre as empresas. O novo serviço do tempo trazia também notícias atualizadas a cada 30 minutos. comprometendo a qualidade dos serviços prestados. assumindo toda a responsabilidade legal pelos trabalhos feitos junto a clientes. voltada para a realização de vídeos e documentários. como TVs indoor. e índice de acerto em torno de 70% e previsão do tempo mensal e diário com índice de acerto de 95% para indústrias. corridas e as demais atividades em duas rodas. os agricultores eram um alvo evidente. em 1988. a TV Climatempo. Essas empresas seguiam a legislação para o tipo de negócio prestado e por isso estavam registradas no Conselho Regional de Engenharia. empresas de prestação de serviços técnicos de previsão de tempo e clima: a Climanet direcionada para serviços de Tecnologia da Informação e Internet. Percebemos que a Climatempo já não comportava mais uma administração unificada. o Último Segundo. com cinco unidades de negócios. Toda essa modernização contou com a direção do jornalista Paulo Polli. E a empresa que souber como o tempo vai se comportar tem uma vantagem”. permitia a visualização de imagens das câmeras das rodovias e com isso oferecer serviços meteorológicos atualizados. na base das decisões das pessoas. oferecendo análises climáticas com projeção para até um ano. Para seduzir tantos e tão variados clientes. agronegócios. que recebeu uma nova injeção de investimentos. como o Habib’s. mas sempre convicto de que o clima está. e as novas mídias. Com a nova estrutura ganhou também novos serviços. Nesse momento. shoppings. lojas de departamento etc. que usava a previsão para evitar congestionamento no serviço de entrega rápida. O Grupo Climatempo passou a ser formado pela Climatempo Consultoria e a Agência Climatempo. AutoBan e Ponte Rio–Niterói. até cadeia de restaurantes.

e ainda pelo envio de informações customizadas para outros sites e portais. naquele momento. era a profissionalização. A Climatempo estava pronta para novos vôos. especialmente aquelas voltadas para a transmissão de informações via celular. ou pelo menos o início dela. “Cada uma delas com a sua vocação”. pois. documentários. O Portal Climatempo já estava no ar havia cinco anos e com as modificações ganhou nova identidade visual. mas também com venda de publicidade por meio de banners e links patrocinados. Com a formação do Grupo Climatempo houve uma reformulação total no visual do portal e a criação de dois sites. novos conteúdos e maior agilidade. era hora de mudar para poder crescer. em andares diferentes. o portal era um dos cem mais visitados em língua portuguesa. umidade. antigas instalações da Rede Vida de Televisão. diria Magno. na mesma época em que foi criado o Grupo Climatempo. foram criados grupos de trabalho. atualização de três em três horas. com uma média de cem mil visitas diárias e mais de oito milhões de page-views por mês. Além disso. No site da TV Climatempo era possível encontrar toda a grade de programação da tevê. 85 . o prédio da rua Muniz de Souza e a casa amarela ficaram pequenos. todos obedecendo à filosofia e missão de cada empresa. no bairro do Paraíso. como estúdios e equipamentos para prestar serviços para terceiros. pressão e raios ultravioleta para dois dias. uma nova empresa tornou-se parte da holding: a Climatempo Produções. desenvolvido pela empresa de comunicação Linhas & Laudas. com a descrição de cada programa.tecnologias. Isso foi possível graças a um acordo com a Microsoft para o desenvolvimento de um software que tornava viável assistir à TV Climatempo pela Internet. Ali. Com toda essa reestruturação. além do desenvolvimento de produtos nas áreas de computação gráfica e multimídia. Uma importante mudança de posicionamento da empresa fez com que a Internet gerasse receita não só na produção de conteúdo. o internauta tinha acesso a conteúdos transmitidos ao vivo em banda larga e podia trocar informações e opiniões com a equipe da tevê. além de novas imagens de satélite e de um banco de dados sobre chuvas e temperatura que serviriam como fonte de pesquisa ao internauta. surgiu o conselho consultivo e foram nomeados gestores para cada unidade de negócios. Um negócio interessante para empresas. Mais uma vez. programas de tevê. Por fim. Os novos estúdios e as demais empresas do grupo foram transferidos para um amplo prédio na rua José Antônio Coelho. informações sobre vento. Enfim. A repaginação do portal trouxe previsões do tempo para cinco dias. o da TV Climatempo e um institucional descrevendo as atividades do grupo. Pelo site. produzindo vídeos institucionais. A ideia era aproveitar a estrutura da TV Climatempo.

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A reestruturação da Climatempo.” Climatempo estaria ligada a uma outra superprodução de Hollywood. que desde a morte do pai. Nas legendas. formado por Kate Winslet e Jack Black. nos bastidores do grupo. A gente entende m ano decisivo. Carlos Magno foi surpreendido. assiste à televisão em sua casa na favela. Ana Lucia e especialmente o sócio Renato Urbinder estavam sempre atentos às mídias que apontavam nichos importantes a serem conquistados. representava um novo desafio: o posicionamento da empresa no mercado. para com isso ganhar unidade e poder competir com maior profissionalismo em um mercado que ajudou a criar e agora se expandia. Paulo: “O meteorologista Carlos Magno. ele acessa rapidamente a TV Climatempo e acompanha um boletim climático. e foi um grande sucesso. com a triste notícia da morte de sua mãe. 15/01/2007) Um ano depois.U Mesmo reconhecida nacionalmente como prestadora de serviços meteorológicos e prestigiada até em filmes norte-americanos. inclusive ajudando financeiramente. Quem conta essa história é César Giobbi. produção hollywoodiana com Cameron Diaz e Jude Law. criou os três filhos so- Uma notícia bastante agradável daria um certo alívio à sensação de perda. Aos 77 anos. O filme estreou no Brasil em junho de 2008. Paulo. o site é livremente traduzido para Climatempo. Carlos Magno nunca escondeu a admiração pela mãe. dirigido por Louis Leterrier e com Edward Norton no papel principal. a norteamericana Marvel Comics. porém. quando preciso. Em uma cena do filme. flashes sobre as condições do tempo que podiam ser acessados pelos usuários. no Rio de Janeiro. Pelo menos era assim que Carlos Magno e Ana Lucia encaravam o ano de 2007. a Fora das luzes do estrelato. Dessa vez. e que tem Cameron Diaz no elenco. quem solicitou à Climatempo a imagem reproduzida na tela. (O Estado de S. porém. lógico”. por isso decidi me dedicar ainda mais à profissionalização da empresa e em seu futuro. dona Alice sempre foi uma fonte de inspiração e respeito para Carlos Magno e seus irmãos. Ao trocar de canal. Logo. “Foi um momento complicado pessoalmente. primeira empresa privada do setor no Brasil. O filme “O Incrível Hulk”. Foi a própria produtora do filme. já estava presente em várias operadoras de telefonia celular com boletins. Para a Climatempo. então titular da coluna Persona no jornal O Estado de S. A prova de que o nome Climatempo tornara-se uma referência para a área meteorológica estava no filme “O amor não tira férias”. quando tinha apenas cinco anos. Carlos Magno. teve cenas gravadas na favela da Rocinha. pois os avanços mostravam-se rápidos com várias gerações de celulares sucedendo-se num piscar de olhos. zinha e que um dia saiu do Rio de Janeiro com cinco mil dólares na bolsa só para ajudar a construir o sonho de um deles. dona Alice sofreu um enfarte fulminante e não resistiu. ainda tão recente. Diante de uma concorrência acirrada. também! 10 87 . agora como Grupo Climatempo. a Climatempo continuava crescendo. Apoiando a distância o empreendedorismo do filho meteorologista. mais uma vez. era preciso marcar posição. mereceu mais do que a citação na legenda brasileira. foi surpreendido ao assistir ao filme O amor não tira férias. para aproximar o original da realidade brasileira. parceira do Grupo Estado e líder no segmento. Kate Winslet e Jack Black no elenco. porém. fala sobre previsão do tempo e acessa um site americano de meteorologia. presidente do Grupo Climatempo. Mesmo morando do Rio. precisava definir os objetivos de cada núcleo do grupo. dona Alice acompanhou passo a passo. A tristeza. perto de completar vinte anos. torpedos. o par romântico. Magno saiu satisfeito. interpretado por Norton. Uma área que continuava em franca expansão. a Climatempo. os celulares passa- O céu fala. A Climanet. em cartaz na cidade. o personagem Hulk. Era realmente preciso ficar alerta. o crescimento da Climatempo. Com a atenção voltada para o momento pelo qual o grupo passava. ainda no início de 2007. Seria uma homenagem a minha mãe. uma das unidades do grupo. de cada funcionário e as metas comerciais. Um deles certamente era o da tecnologia celular. ficaria guardada no coração. Em uma delas.

ou. Renato Urbinder dizia que: “A entrada da TV Climatempo na programação da Fly TV nos aeroportos reforça a posição da empresa como referência no segmento de previsão meteorológica no País”. em São Paulo. Nissan. provedora norte-americana de conteúdo multimídia. a TV Climatempo tornou-se o primeiro canal brasileiro a fazer parte da programação do novo serviço com um conteúdo repleto de informações. Vick. que até então estava mais acostumado a ser “comprado”. relembra Magno. Instalada nos principais aeroportos do País – Congonhas. No Portal Climatempo era possível encontrar anúncios da Nestlé. executivos e demais passageiros. TAM. na inauguração da TV Climatempo. posicionamento diante do mercado.” Outra questão urgente para o grupo e que ficou sob responsabilidade de Violin era a reorganização da área de RH. continuou como um dos seus principais parceiros. Sua meta era vender os serviços do grupo. decidimos que era hora de montar um departamento comercial. entre eles a possibilidade de 88 . em 2008. As previsões eram atualizadas três vezes ao dia e feitas especialmente para a Fly TV. e Confins. com o dinamismo necessário para esse tipo de serviço e para um público apressado e de passagem. um serviço por assinatura da Claro em parceria com a Móbil TV. Esse desafio foi proposto ao Violin”. como dizia Magno. A primeira providência foi a contratação de um experiente profissional na área de treinamento e gestão e também comercial. Na época. A oportunidade de trabalharem juntos surgiu anos depois. “Nós não sabíamos nos vender. em 1999. podia ser mensurada pela quantidade de empresas que procuravam associar seu produto ao serviço da empresa pela Internet. o treinamento dos gestores de cada unidade e firmando parcerias que trariam diversos benefícios aos funcionários. uma variedade de anunciantes que percebeu que superar a marca de 100 mil visitas diárias e ser um dos 100 sites mais acessados em língua portuguesa não era para qualquer um. passando a chamar TV Aeroporto. além de treinar os gestores. típico de aeroportos. criando as unidades de negócios. como Magno prefere definir. Vanderlei Violin chegou ao grupo em fevereiro de 2007 com a missão de organizar os setores de recursos humanos e Marketing e implantar um departamento comercial compatível com o tamanho do grupo. Quando a concorrência passou a ser mais forte e percebemos que estávamos fechando menos negócios. Em janeiro de 2007. Na época.ram a comportar muito mais do que mensagens. porém. desde a previsão do tempo e as condições climáticas para o esporte até detalhes sobre a situação dos aeroportos. “Quando fizemos a reestruturação da Climatempo. A chance apareceu com o lançamento do Idéias TV. no Rio de Janeiro. A Fly TV. Carlos Magno e Vanderlei Violin conheceram-se em São José dos Campos. no Espírito Santo. em São Paulo. entre eles os boletins climáticos fornecidos pela TV Climatempo. ampliou os serviços para os aeroportos de Guarulhos. em Belo Horizonte – a Fly TV desenvolveu uma programação com conteúdos diversificados. Violin deu início a um trabalho focado na estruturação de uma área comercial competitiva. Nivea. organizar melhor a área administrativa e de recursos humanos. Santos Dumont. nesse momento. as pessoas nos procuravam para comprar nossos serviços e então simplesmente vendíamos. A TV Climatempo. foi neles que surgiu um outro nicho promissor captado pelo grupo: uma televisão exclusiva para os turistas. e um novo e importante processo rumo à profissionalização. A visibilidade da marca Climatempo. E por falar em aeroportos. os executivos da TV Climatempo perceberam a possibilidade de a emissora estar presente nos pequenos aparelhinhos. Pirelli. envolvendo a montagem de um organograma. Violin era um dos diretores do jornal Vale Paraibano. A direção do Grupo Climatempo também percebeu isso. sentimos que também era preciso profissionalizar esses núcleos. Dupont. passou a ser fundamental para o futuro do Grupo. e mudou de nome. e Vitória. Rápidos no gatilho.

Senti que a situação era grave quando um cliente tentou usar os banheiros de um dos andares da empresa e não conseguiu. Fornecer serviços e produtos de alta qualidade. E o resultado foi a divulgação da visão.” Para Magno. capacitação técnica. com tratamento simpático e sem burocracia. com tecnologia 89 . cada vez mais prestar um serviço melhor para os nossos clientes e futuros clientes. clara e centrada para a sua necessidade. caso do acordo feito com a escola de idiomas Cel Lep e com a Madia Marketing Scholl. clientes e parceiros. procurando sempre usar novas técnicas de pre- visão e tecnologias de comunicação. “Toda empresa precisa se divulgar. sem ter a mesma informação. a dificuldade de fazer a informação circular. A nova e mais recente carta foi discutida internamente. ninguém vai saber qual é a sua filosofia”. Eu não havia sido informado e ninguém se preocupou em avisar. Poucos anos depois. Em 1991. buscando todos os dias novas tendências e conhecimentos para superar as expectativas dos usuários. impor suas metas. mas não comunica. A Climatempo já havia proposto anteriormente seus objetivos. como o fluxo de informação. software e hardware. acredita Magno. lucrativa e inovadora.atualização por meio de cursos de idiomas e gestão. pois traduzia toda a nova mentalidade que Magno e Ana queriam introduzir no grupo. surgiu a primeira carta de valores. e a formatação de uma carta de valores do grupo deram início a esse trabalho. em fevereiro de 2007. A carta de valores foi um marco nesse processo. conhecimento e criatividade. Como vamos chegar lá? Trabalhando com confiança em nossa capacidade. da missão e dos valores do Grupo Climatempo: Visão Sermos líderes no mercado nacional. continuar enviando o serviço para o cliente. Sermos a melhor empresa de meteorologia do mundo e permanecer no futuro como uma instituição sólida. Outra carta de valores foi elaborada em 2001. e o setor de operações. ampliando as bases das primeiras e também alargando os horizontes da Climatempo: A nossa missão é ser o melhor centro de distribuição de informação meteorológica do Brasil. Julho de 1994 O que querem os nossos clientes? Previsão do tempo com boa qualidade. especializada em MBA s. uma visão mais elaborada de suas propostas. “Coisas como eu receber o cancelamento de um contrato de uma tevê. Simples e direta: Julho de 1991 Missão Sermos a melhor e a mais conhecida previsão do tempo do Brasil. Investir em máquinas e em conhecimento. Postura O cliente tem que sentir que você está verdadeiramente interessado em resolver o problema. abrangendo todas as tecnologias disponíveis. essa falta de unidade. e isso precisava mudar. O que vamos conseguir com isso? Sobreviver. Sorria sempre. do qual participavam os líderes de cada unidade. por exemplo. A realização da primeira convenção interna do grupo. demonstrava o pouco entrosamento da equipe. Isso se dará através do fornecimento de conteúdo para os clientes e também através de nossos próprios meios de comunicação. Magno contava com a experiência de Violin no gerenciamento do departamento de RH para acabar com problemas básicos para uma empresa. pois os dois estavam quebrados. Nossa missão Elaborar para nossos clientes a melhor previsão do tempo. crescer e investir para nos tornarmos o melhor centro de previsão do tempo do Brasil. Se o gestor pensa. Divulgar a que veio. primeiro no conselho de gestores formado pelos diretores da cada empresa do grupo e depois nos comitês. Missão Desenvolver e oferecer a melhor previsão do tempo com total independência.

em seus resultados. Esse dado por si só já dava uma ideia de quanto a procura pela previsão do tempo e especialmente de clima cresceu nesse período. além da chegada de anunciantes de peso. atendeu ao pedido de Magno e Ana. que há um ano estava em fase embrionária e já atua em diversos projetos. “Isso deu à Climatempo a oportunidade de ser proativa tanto no dia a dia quanto na criação de novos serviços. obtiveram um incremento de 20% e 10%. e cada empresa ganhou vida própria. A partir da carta de valores. um novo logotipo criado. e como vice-presidente do grupo norteou sua atuação no planejamento estratégico de cada empresa. ética e respeito ao cliente externo e interno. afirmou Ana Lucia na época. Violin. NET Digital e outras 44 operadoras pelo País. Nivea. Isso ficou claro em um relatório divulgado pela empresa de comunicação Linhas & Laudas. sempre com o objetivo de alcançar experiência. mesmo sendo um executivo especializado na área comercial. A TV Climatempo foi a que apresentou a maior elevação: 85%. porém. FALA . foi mais além ao abrir caminho para uma tomada de posição do grupo. determinação. Valores Capacidade de perceber alternativas e buscar soluções criativas de qualidade. braço da TV. Criado com o objetivo de estruturar as cinco unidades de negócios da Climatempo Meteorologia. vontade de crescer e vencer. respectivamente. Constante espaço para discussões. ganhou uma nova comunicação visual e um slogan forte para reforçar a marca: C LIMATEMPO . Comprometimento. Toyota. bem como na Agência Climatempo.” O relatório destacava ainda o crescimento da marca em todos os setores do mercado. o Grupo Climatempo completa um ano com um crescimento de 30% em seu faturamento. manteve uma base de assinantes em torno de dois milhões de pessoas distribuídas pelas principais operadoras. Ótimo atendimento ao cliente. com nomes como Embratel. Dar ao cliente o mais alto nível de personalização. O resultado positivo entre o primeiro trimestre de 2006 e os três primeiros meses de 2007 é consequência da evolução de todos os setores da empresa. o publicitário Camilo Magalhães. que após a mudança na estrutura do grupo buscou novos conteúdos audiovisuais. ponto para a TV Climatempo. em tons claros de azul. maior empresa privada de meteorologia do País. A GENTE ENTENDE . Garra. novas ideias e soluções. que caminham lado a lado. no qual fazia um balanço do primeiro ano do grupo. segundo o relatório. algumas delas passando a transmitir a programação da O CÉU Assim é que em apenas um ano o Grupo Climatempo caminhava a passos largos em busca de suas novas metas. Sky. do organograma ao plano de metas. reformulado.avançada e clareza nas informações. elevando em 30% o quadro de meteorologistas. Busca permanente da confiança e credibilidade. mais leve. Foi aí que entrou em cena um outro importante personagem. 90 As empresas passaram por uma verdadeira repaginação: o site foi . Com isso. Esse sucesso se deve muito à consolidação da Climatempo Produções. em cada unidade do grupo. que trouxe para o grupo sua visão de como criar uma comunicação coorporativa eficiente e marcante. Na consultoria. enquanto a Climatempo Consultoria e a Agência Climatempo. E por fim. O faturamento da Climatempo Internet subiu 30% no período. destaque para a contratação de profissionais. sócio da empresa Btools. Esse processo envolveu não só o RH e o departamento comercial. Na Internet. além de oferecer um atendimento full-time aos clientes”. houve um significativo aumento de acessos ao Portal Climatempo e também aos novos sites da tevê e do grupo. e atraiu a atenção das principais empresas de telefonia móvel. e promoveu um grande investimento em tecnologias. Todo o grupo.

tanto no portal quanto em seu próprio site. Até a queda definitiva do seu sinal. com todo o seu profissionalismo e com a experiência adquirida ao longo de quase vinte anos de rádio Eldorado. Até então. colocando computadores em várias operadoras”. “Eu acompanho e oriento todo o conteúdo de meteorologia. na tevê”. teve seu ponto positivo. A partir de fevereiro. A empresa havia sido fundada em 1998. em junho de 2007. por outro lado. como a súbita interrupção do sinal da TECSAT . Outra boa novidade nesse ano foi a entrada no sistema NET Digital São Paulo. do Grupo Climatempo. dizia-se que a tevê apresentava um padrão do tipo Bloomberg – um visual parecido com o canal de notícias financeiras da tevê a cabo –. A gente fez uma opção de empacotar produtos de uma forma que seja bem visualizada na Internet. Ainda estou aprendendo a fazer aquilo que funciona na telinha. Tivemos de mudar todo o sistema para que as nossas parceiras continuassem a receber o sinal. Por meio desse novo processo foi possível gerar uma programação local para as diferentes operadoras. Além disso. Hoje se fala em modernidade da tevê interativa. banda larga. A TV Climatempo também podia ser vista na Internet. passou a transmitir boletins específicos para a sua região. a TV Climatempo passou a produzir conteúdo para o sistema interativo da operadora. em São José dos Campos. “Você percebe que a Climatempo foi sempre muito pioneira. nesses vinte anos de Climatempo. ligados de alguma forma à meteorologia. mas diretamente ligada às meninas que trabalham na tevê. avalia Carlos Magno. e principalmente um novo formato. foi preciso encontrar um padrão Climatempo. passou a acompanhar de perto o conteúdo da tevê. outras com possibilidade de acessar todo o seu conteúdo. a meteorologista Josélia Pegorim. Além do programa na tevê.tevê em tempo real. lembra Magno. mas que. As entrevistas fizeram parte do programa Foco Ambiental e hoje são um documento importante para quem quer conhecer melhor esses temas. assuntos obrigatórios em um canal do tempo. desde como se fala até o que se fala na televisão. biodiversidade brasileira e aquecimento global eram. somos um canal que entra na Internet. Continuo trabalhando em outras coisas. site. Ao acessar o canal 211 era possível acompanhar a previsão para as principais capitais do País e do mundo. Amazônia. O caminho. uma identidade. era tratar de temas atuais. As inovações propostas pelo publicitário da BTOOLS atingiram em cheio a TV Climatempo. “Foi um contratempo para a operação da tevê. por exemplo. por download. e no ano seguinte se tornaria parceira da embrionária TV Climatempo. uma nova programação. no celular. biodiversidade. acho que eu sou muito boa naquilo que faço e cada vez mais. a TECSAT era a responsável pela distribuição da TV Climatempo para as demais operadoras. 24 horas por dia. digitais. certamente. tenho para mim que ou o meu trabalho é útil para as pessoas para melhorar o seu dia a dia ou ele não serve para nada”. Uma primeira tentativa foi feita com o lançamento de um programa de entrevistas produzido e apresentado pela jornalista Ângela Ruiz. Durante o ano de 2007. Pelotas. Sem modéstia. Ângela ouviu os principais especialistas brasileiros em meio ambiente para discutir questões como mudanças climáticas. Um processo que gerou custos inesperados. que. avalia com orgulho Josélia. ganhou cara mais moderna. além da programação nacional. Com todas as mudanças implementadas no formato da TV Climatempo era natural o desejo de expandir a programação para além da previsão do tempo. com um logotipo estampado na tela e na roupa dos apresentadores. Esse seria um primeiro passo para entrar também com conteúdo audiovisual. sem dúvida. Afinal era o primeiro e único canal brasileiro de meteorologia. mas tem coisa que eu passei para a tevê que é exatamente a forma que eu aprendi a fazer na rádio. Meio ambiente. em agosto de 2007. outra iniciativa que também partiu da constatação da importância das 91 . novos clientes. O desafio de manter o pioneirismo enfrentou seus percalços. nós já somos interativos.

principalmente com relação à disponibilidade de recursos hídricos. apesar dos obstáculos encontrados no caminho.” Mais uma vez. Reunidos no fórum “Risco Ambiental”. As empresas do Grupo terão de trabalhar com missões separadas. Se não fosse por ela. em São Paulo. A preocupação com o meio ambiente podia ser percebida no perfil de novos clientes do grupo. Naquele momento. não era para principiantes e ingênuos. orçamentos separados.questões ambientais foi a realização de um encontro. Carlos Magno define-se como uma pessoa obstinada: “Minha melhor qualidade é ser persistente”. para discutir os problemas causados pelas mudanças climáticas. Nesse ano. era preciso ter muita garra para segurar os reveses e as mudanças de regras e ser muito persistente para seguir em frente. Cada vez mais a Climatempo era procurada por empresas interessadas em diagnósticos mais profundos do clima. e o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes debateram as causas e também as possíveis consequências do aquecimento global. diria Carlos Magno em entrevista para o jornal O Globo. Vale lembrar que em 2007 a preocupação com o aquecimento global dominou boa parte dos debates sobre meio ambiente. de abril de 2007. análises a longo prazo na tentativa de definir estratégias para evitar os riscos e também as possíveis consequências provocadas pelo aquecimento global. que como membro do IPCC foi um dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz de 2007. também.” Com esse objetivo em mente é que o Grupo Climatempo chega a 2008. os serviços de meteorologia passaram a ser um insumo valioso para as empresas”. foi preciso. conta Magno. Teríamos de vender publicidade e a tevê teria de se sustentar”. Começava aí mais uma partida desse jogo. havia a possibilidade de negociação: a TV Climatempo deixaria de receber por assinante e teria um faturamento fixo. Toda a evolução de faturamento voltou um e meio para trás. órgão da Organização das Nações Unidas ( ONU ) composto por representantes de 130 governos. para no futuro não ser pega de surpresa por uma bola fora. e nossa meta é mostrar como isso terá efeito nas companhias. Especialmente na unidade de consultoria. houve um aumento no faturamento do grupo por causa da procura por relatórios climáticos. Se a população de uma forma geral não se conscientizar sobre o assunto. “A Climanet não pode contaminar a Climatempo e vice-versa. para que cada unidade de negócio tenha sua ação lucrativa no futuro. produzir um conteúdo para tevê que seja apetitoso para podermos crescer. mas nosso conteúdo era apenas mete- 92 . a operadora de tevê a cabo simplesmente comunicou que a TV Climatempo estaria fora do line-up da Sky. em abril. “Ainda não está claro quais são os reais riscos que o Brasil corre com o problema do aquecimento global. a Climatempo viria confirmar sua vocação de estar sempre à frente dos grandes temas globais. na economia mundial e mais especificamente no Brasil. mais uma vez. base para o planejamento estratégico de várias indústrias. Em outubro de 2007. Teremos de nos reinventar. “Houve uma redução do contrato em 50%. em especial na área da telecomunicação. teremos fortes consequências econômicas também. “Com a instabilidade do clima. reafirmar a necessidade de cada unidade do grupo ganhar espaço para poder se sustentar. O jogo do mercado. que mediou o encontro. “Até o ano passado. bem como de outros fatores climáticos. divulgou documento sobre as consequências da elevação das temperaturas na Terra e sobre a responsabilidade da ação humana no meio ambiente. especialistas de renome internacional como o professor Pedro Dias Leite. a iniciativa era muito importante para esclarecer alguns aspectos econômicos da situação. promovido pelo Grupo Climatempo. Clientes de peso como Petrobrás e empresas geradoras de energia começavam a se programar para tentar minimizar os impactos das mudanças climáticas. o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas ( IPCC). talvez tivesse desanimado quando recebeu uma carta da Sky mudando as regras. Para Carlos Magno. Na verdade. Segundo ele. quando completa vinte anos de existência. nós passamos pela profissionalização da equipe.

A grande vantagem dessa parceria é a interação que o site permite com os internautas. na qual é possível assistir a vídeos com previsão do tempo para todas as regiões do Brasil. fotos e vídeos. aumentando a cartela de clientes. o Windows Media Center. O projeto tinha como objetivo. A Climatempo marca presença como um gadget. Várias tentativas foram feitas para implementar uma direção para o setor. não a estatização da meteorologia. a informação meteorológica ganhou as ruas definitivamente. Nessa época. ao longo dos três primeiros meses de 2008.youtube. Nunca se falou tanto em meteorologia como dos anos 1980 para cá. fizemos uma repaginação para mostrar as inovações e. www. base de todo o trabalho feito ao longo dos últimos vinte anos pela Climatempo. É importante destacar. sendo respeitada e atingindo um nível de credibilidade nunca antes visto. em que a TV Climatempo passou a ser o primeiro canal de notícias a fazer parte de uma nova ferramenta do Windows Vista. graças à ação da iniciativa privada. Todas essas inovações e parcerias. como celulares e em sites espalhados por todo o Brasil. No início de 2008. a participação da empresa nas mais modernas formas de comunicação. tramitava na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ ) do Senado Federal projeto de emenda constitucional de autoria do senador Osmar Dias ( PDT PR). segundo o senador. Por outro lado é preciso ter uma programação atrativa para que o público fique mais tempo”. em parceria com o YouTube. Em julho de 2003. definindo o papel de cada um no processo de divulgação dos dados e informações climáticas. “vieram para ficar”. como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). o desafio é continuar crescendo. como diz Carlos Magno. A in- 93 . Muitas vezes é um risco trazer publicidade. agora criamos um padrão para a TV Climatempo. trouxemos parceiros para comercializar esse produto. Para a consultoria.br/climatempo. utilizando cada vez mais a Climatempo Produções. e é preciso ter cuidado com o que vamos anunciar. mas a unificação dos órgãos federais. com recursos de interatividade e que atinja a expectativa do público. a Climatempo lançou uma página customizada. as entidades públicas estaduais e as empresas privadas. Internet. Em março de 2008.com. uma das mais novas febres da Internet. nessa área. fruto de uma época em constante mutação. a Internet busca o crescimento acompanhando as novas tendências de mídia. os boletins são produzidos pela equipe da TV Climatempo. na área de documentários. pois nossa linha é muito focada em meteorologia e meio ambiente. enquanto a tevê caminha para ter uma programação mais forte. Cabe a essa empresa o crédito de contribuir para colocar a meteorologia brasileira em seu devido lugar. Com duração média de um minuto e atualizados três vezes ao dia. Outras duas novidades são o acordo firmado com a Microsoft. por exemplo. Tratada sempre como um serviço público. um miniaplicativo em que o usuário acessa diretamente as informações meteorológicas que mais lhe interessam. órgãos públicos e entidades da sociedade civil perceberam a necessidade de estabelecer uma política nacional. O desafio interno é melhorar os modelos matemáticos.orologia. em que internautas criam páginas personalizadas. à medida que amplia a conscientização para a importância da meteorologia. Diante desse cenário. ainda em 2008. estreamos 13 programas. criar redes de radares para contar com um maior nú- mero de informação. A raiz. que integra tevê. Segundo Magno. e a presença no site de compartilhamento de vídeos YouTube. reflete Magno. desse planejamento ainda é a meteorologia. o governo pensou em um Sistema Nacional de Meteorologia e Climatologia. principalmente pela forma humanizada de transmitir a previsão do tempo. porém. muito popular por divulgar variados tipos de vídeos que são postados e acessados por milhões de usuários. colocam a Climatempo à frente de seu tempo e. Caso do I-Google. serviço criado pelo Google. Fruto do planejamento estratégico elaborado por Violin. cada empresa do grupo tem seu plano de metas para os próximos cinco anos. que participam da página enviando vídeos caseiros e comentando as notícias postadas ao longo do dia.

O número de entradas na Eldorado durante o dia é muito grande. a partir de abril de 2008. mas na AM. titular. nossos olhos alcançam outros horizontes que parecem sempre mais próximos”. por indicação do Conselho Federal de Engenharia. além de colocarmos a visão da iniciativa privada. a CBN. Um bom exemplo disso são as grandes viradas de tempo que acontecem no fim de tarde em São Paulo. nunca tivemos a intenção de nos apropriar de méritos ou informações de nenhuma outra instituição. prestando serviço à sociedade e também à comunidade meteorológica e a parceiros fiéis. Nós sempre respeitamos todas as instituições. esses órgãos começaram a se interessar em fazer a previsão do tempo. “A participação é muito importante. Um funcionário público não vai vender um serviço de meteorologia ou climatologia.tenção do projeto seria a reestruturação do sistema para promover a “democratização” das informações. onde tudo começou. ainda em tramitação no Congresso Nacional. O sujeito sai de casa sentindo calor e vai voltar sentindo frio. Depois que a criança começou a ficar bonita. uma vez bem cumprida. dentro do jornal Eldorado. Ele não tem essa característica. e tantos outros que acreditaram desde o início na competência da empresa. acompanhamos o que está sendo pensado para a nossa área”. afirma Magno. “Agora podemos ver outras janelas à frente. de novo pela janela do pequeno apartamento da Vila Mariana. como profissional. prazo que a comissão tem para elaborar uma propos- ta de política para a meteorologia brasileira. que. vender é outra parte. mas também de vida. o governo explorará um setor que se desenvolveu por meio da iniciativa privada. “Caso o texto seja aprovado. Começaram a entender que fazer a previsão do tempo é uma parte do trabalho. Olhando para trás. Não era nossa intenção concorrer com o Ministério da Ciência e da Tecnologia ou com alguma universidade. Na FM. e também de entidades ligadas à meteorologia. e Ana Lucia como suplente.” O projeto. A novidade ficou por conta da inclusão de representantes das empresas privadas. Um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. como Inmet e Inpe. Arquitetura e Agronomia (Confea). estabeleceu a criação de uma comissão especial para discutir mais a fundo a questão. divulgar de forma adequada é outra parte. nesse contexto de criação de uma política para a meteorologia. E hoje em dia todo mundo quer ser o pai da criança. o número de boletins é menor. Climatologia e Hidrologia ( CMCH). O Globo. primeira edição. mas com profissionais que encamparam o sonho de dar credibilidade à previsão do tempo. já se pode vislumbrar uma história que não é só empresarial. sempre baseado no seguinte: ‘O que as pessoas me perguntariam hoje? O que elas estão sentindo? O que elas querem saber?’. de 21 de março de 2007. As primeiras reuniões aconteceram um ano depois. tem um valor inestimável para o País. As discussões estão apenas começando e qualquer decisão só deve sair em 2010. ambos da Climatempo. Nosso negócio não é academia. oficializou a Comissão de Coordenação das Atividades de Meteorologia. Não foi em vão que nomes como Josélia Pegorim se tornaram sinônimo de previsão na rádio Eldorado e também nas páginas do Estadão. como a rádio Eldorado. muito cuidado com a roupa que você vai sair de casa’. os jornais do Grupo Estado. Ana Lucia tem uma opinião bastante clara: “A previsão do tempo era uma criança feia. “Ao longo desses vinte anos amadureci como pessoa. naquele momento. eu entro de meia 94 . quando eu sei que esse tipo de situação é possível. Demoraram. resume Ana Lucia. afirmou Ana Lucia. mas entenderam. cerca de vinte vezes. Mudei muito a forma de falar das questões do tempo para as pessoas. Demoraram a entender isso. “A proposta do governo é centralizadora”. Para isso contou não só com o casal que deu início a tudo. eu deixo isso muito claro: ‘Olha.” Vinte anos se passaram e a Climatempo é uma jovem empresa com muito gás e ainda com muito potencial de crescimento. caso da Sociedade Brasileira de Meteorologia. Refletindo sobre o papel e a competência da iniciativa privada e dos órgãos públicos. Os escolhidos foram Carlos Magno. com a participação de representantes dos principais órgãos públicos.

diz Ana Lucia.” Ana Lucia hoje é a responsável pelos assuntos estratégicos do Grupo Climatempo. Hoje em dia está tudo bem encaminhado aqui na Climatempo com as estruturas de planejamento estratégico criadas pelo Violin. casamos. Sudeste e Centro-Oeste. Quero conhecer métodos e idéias de como entender as culturas de outros países. e a gente já estava na Climatempo. Quando o Violin chegou e passou a transmitir os valores da empresa é que a ficha começou a cair. Um dia. “Alguns dias depois de eu ter concluído o meu MBA em marketing. Casados há treze anos. a gente ainda vai atrás de novas propostas. A Gabriela (filha de nove anos do casal) nasceu. A ciência evolui e a gente usa isso. mas somos pouco conhecidos no Norte e Nordeste do Brasil. “Não consigo me desligar”. a gente estava na Climatempo. que hoje também é reconhecido nas ondas da rádio CBN: “Na alegria e na tristeza. Eu tenho um sonho de expandir a Climatempo para esses mercados. A cada dia vemos mais setores que podem usar a meteorologia. Nem em suas horas de lazer.” Ou então como aconteceu com outro casal que faz parte da história da Climatempo. Nesses vinte anos. Respondi a ele: ‘Sabe do que eu sinto orgulho? É de a gente ter chegado até aqui. estudar e principalmente pensar lá para frente. onde encontra tempo para ler.” “Como para fazer qualquer previsão. direta ou indiretamente. e entendê-lo. Ela pela manhã e ele à tarde. Hoje temos sociedade na agência. seu esporte preferido. e Ana Lucia. nosso gerente de tecnologia entrou em minha sala dizendo que estava feliz por isso. Ela também vê boas perspectivas para o futuro da empresa. afirma Patrícia. Em cinco anos. estudando relações sociais e culturais entre diversos países. Eu não tinha noção. 95 . nem na praia. o importante é se preparar para o futuro”. Muitas vezes acertamos e outras tantas erramos. André e Patrícia Madeira. Mas eu continuo pensando. o eterno homem do tempo. caminhou lado a lado com a história da meteorologia. (Veja São Paulo. pretendo contratar um profissional e ficar no conselho. mas nem por isso perderam o estímulo nem deixaram de sonhar. porque a gente não sabe o que vai acontecer. Para Carlos Magno. mas principalmente temos um carinho muito especial”. na riqueza e na pobreza. Ele fez questão de dizer como o trabalho era legal. dos que ainda estão lá e dos que já saíram para seguir outros caminhos. No fundo sou um empreendedor e quero empreender em outras áreas. durante o tênis. Eu e o André nos consideramos parte da Climatempo e não vemos nossa vida separada da empresa. Para construir uma empresa sólida temos de adquirir conhecimento. nem o dia de amanhã’. tenho de ter boas idéias todos os dias para escrever cinco ou seis linhas precisas e diretas. A gente é muito visto no Sul. Carinho é o sentimento comum de quem conhece a empresa. Funcionários da empresa Climatempo. Ambos estão mais experientes. admite Magno.” A Climatempo segue o seu destino pioneiro. cada um empresta sua voz a dois boletins diários. na saúde e na doença. “Eu tenho meus sonhos.em meia hora. os dois são os responsáveis por apresentar a previsão do tempo da rádio CBN desde 2001. Minha estratégia é pensar em uma Climatempo internacional. Quero também ga- nhar a América Latina e estou me preparando. cada dia é um novo desafio. Já no Estadão. uma nova forma de olhar o céu. tiveram alguma participação na construção da Climatempo. Por enquanto. E o que espera para os próximos anos? “Crescer bastante em dez anos. espero não estar mais na direção. construindo um novo modo de pensar. marcando posição. 13/8/2008). fui dar uma entrevista na TV Gazeta e um médico chegou para mim e perguntou: ‘Você é a Patrícia Madeira? Eu ouço sempre você’.” O casal de meteorologistas André e Patrícia Madeira poderia acrescentar “faça chuva ou faça sol” às suas juras de amor eterno. A criança feia está mais bonita agora. “Descobrimos há pouco tempo o tamanho da Climatempo. Já falo francês e inglês e agora estudo espanhol. E assim também acontece com todos que.

ANDRÉ MADEIRA
meteorologista

NEIDE DE OLIVEIRA
meteorologista do Inmet

RENATO URBINDER
sócio da Climatempo

A gente se considera parte da Climatempo. Não vejo a minha vida separada da empresa. Eu casei e já estava na Climatempo, a Gabriela, minha filha, nasceu e eu estava na Climatempo. Nesse período todo, teve altos e baixos, mas foi sempre muito bom. Tenho um carinho muito especial pela empresa. PATRÍCIA MADEIRA
meteorologista

Magno é muito focado no que ele quer e muito determinado. Hoje se a meteorologia cresceu foi por causa da Climatempo. ROGÉRIO LEITE
amigo e ex-sócio

Eu gosto muito de trabalhar aqui. Meu sonho é que a gente possa dominar a previsão do tempo oferecendo um serviço para a comunidade. Ter uma equipe de jornalismo e correspondentes para aumentar as notícias sobre o tempo. PAULO POLLI
diretor da TV Climatempo

O que mais me estimula, primeiro, são os sócios e depois também o negócio. Sócios que passem estímulo e confiança. Não existe negócio no mundo em que os sócios não tenham períodos de convergência e divergência. Na Climatempo, as divergências foram muito menores. Sempre tivemos uma li-

O negócio meteorologia ainda está escondido. Mostra a miopia dessa área de comunicação. É um negócio que dá muito dinheiro. Todo mundo conhece o site da Climatempo. O nome Climatempo. É preciso mostrar quanto as pessoas usam a meteorologia e não sabem. Eu aprendi a gostar, sempre usei muito, pois gosto de velejar, mergulhar. Meteorologia é um negócio e eu fiz parte desse negócio. O Magno me explicou, me ensinou por que a meteorologia do Brasil estava defasada, e eu entendi que era um bom negócio. WALDEMAR STEFAN BARROSO
amigo e ex-sócio

A Climatempo possibilitou a transformação da meteorologia em conteúdo jornalístico, técnico, científico e operacional na Rede Globo. Quando o quadro do tempo começou na [TV] Globo, não tinha nada, foi tudo uma inovação. Desde a linguagem, o grafismo, a computação. Tudo passou por uma experimentação. Na época eu sentava com a Ana Lucia e buscava a notícia, tentava aprender. Juntos conseguimos humanizar a previsão do tempo. AMAURI SOARES
diretor da Rede Globo

A Climatempo ajudou a divulgar a meteorologia e acho que não tem competição com o órgão público.

Um serviço meteorológico moderno deve efetuar três funções básicas: monitorar, elaborar produtos (aqui incluem-se as previsões de tempo e clima) e engajar os usuários. Como a tarefa é enorme, principalmente num país como o Brasil, a participação do setor privado é muito importante para melhorar o atendimento aos usuários, de forma customizada e mais especializada. Sua atuação deve, naturalmente, ser bem ligada com o serviço nacional para evitar redundâncias,

Depoimentos
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Tenho muito carinho pela Climatempo, por fazer parte dela. É bom saber que a gente ajudou nesse crescimento e eu vejo o reconhecimento da empresa. O Magno é um cara inovador. A Climatempo abriu as portas da meteorologia. Espero continuar na empresa nos próximos dez anos.

berdade muito grande de falar. Sempre brinco com o Magno: desembaraça esses óculos. Poucas vezes tivemos divergências importantes: trazemos coisas positivas para a empresa. O nome Climatempo é muito maior do que todo o nosso faturamento. Tem.muita credibilidade. Não temos telhado de vidro, temos uma laje de concreto.

A empresa privada faz uma previsão diferenciada e o órgão do governo é mais geral. Por isso não há competição. Não vejo a Climatempo como concorrente do governo. O Magno tem o dom da palavra, sabe passar as coisas com credibilidade, e ele e a Ana formaram uma grande empresa.

propiciar economicidade, evitar atritos indevidos de competência. Vejo com muito bons olhos uma maior atuação do setor privado nesta parceria, mas deve ser bem coordenada para melhor atender aos usuários específicos a quem os produtos se destinam. ANTONIO DIVINO MOURA
diretor do INEMET

O trabalho da Climatempo na Eldorado foi fantástico; eles provaram que o “curandeirismo” estava com os dias contados. Os ouvintes mereciam mais respeito e qualidade de informação. Eles ofereceram um serviço essencial aos ouvintes. Foi uma parceria vitoriosa, da qual muito me orgulho. JOÃO LARA MESQUITA
ex-diretor da rádio Eldorado

A Climatempo, maior empresa de meteorologia do País, acaba de estabelecer mais um acordo com a Microsoft. Desde o dia 4 de julho de 2008, a TV Climatempo é o primeiro canal de notícias do Windows Media Center – uma ferramenta do Windows Vista que integra TV, Internet, música, fotos e vídeos. Para Ricardo Wagner, gerente de produto Windows Vista da Microsoft Brasil, a “parceria com a Climatempo traz um novo serviço de qualidade para os nossos usuários, que podem ter informação sobre a previsão do tempo on-demand, acessando do conforto de casa. Para as empresas, o Media Center ajuda a complementar a estratégia online por meio da exposição de conteúdo”.
Fonte: www.microsoft.com/ latam/presspass/brasil/2008/ julho/climatempo.mspx

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2007 Diário Popular. Também foram consultados os seguintes jornais e revistas: Revista Brasileira de Tecnologia – RBT.br/index. 8ª. Paulo.pdf http://www. 2004 Revista Pequenas empresas.edu/cgi-bin/ wa?A2=ind0209A&L= aejmc&P=18687 http://www.iag.Revista Tela Viva. vários DVDs Clipping – Entrevista a João Dória TV Palestra de Carlos Magno – 2 ª.bbc. várias Revista Veja. da Silva Dias Maria do Carmo Fogaça Neide de Oliveira Patrícia Madeira Paulo Polli Rogério Leite Renato Urbinder Waldemar Stefan Barroso LIVROS MEMÓRIA GLOBO. Memórias do Tempo.usp.org.msu. 2007 Boletim ABTA. 1988 Revista Ecologia e Desenvolvimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. Alcir. 2005.jsp?id=47792 http://br.weather. um livro sujeito a chuvas e trovoadas. 2008 Programa Negócios e Soluções.php/ content/view/68391. vários Gazeta Mercantil. vários O Globo.shtml http://list.html http://www.uk/weather/features/ weather_broadcasting.html http://www. vários O Estado de S. vários Folha de S.ufpr.org.co. TV Cultura Fontes e bibliografia 99 Os depoimentos dados a essa obra foram colhidos entre março e julho de 2008: http://cienciaetecnologia. vários O Dia.edu/cgi-bin/ wa?A2=ind0209A&L= aejmc&P=18687 http://list. vários Valor Econômico. São Paulo.pdf Grandes negócios. Vera Malfa e SPINARDI. turma.br/siae97/ meteo. 1997 Revista Diálogo Médico. Paulo. 2002 Revista Forbes Brasil. Convenção da Climatempo. 2003 Revista Exame. Amauri Soares Ana Lucia Frony de Macedo André Madeira Ângela Ruiz Antonio Divino Moura Carlos Magno do Nascimento Fernando Moreira Fernanda Bulhões Gilca Palma Josélia Pegorim João Lara Mesquita Maria Assunção F.br/ arquivos/publicacoes/revistas/ cirrus_3. 2006 Revista Info Exame. PEREIRA. SITES http://fisica. 1997 Revista Superinteressante.jornaldaciencia.gov. 1998 Caderno MBA – Madia Marketing School.al.br/ Detalhe. vários Jornal da Tarde.mct.com/aboutus/ background.br/grimm/aposmeteo/cap1/cap1-1. 1997 Revista Contigo.html ARTIGOS E PERIÓDICOS Grande parte das informações teve como fonte a clipagem feita pela empresa Linhas & Laudas em boletins e releases produzidos entre os anos de 1999 e 2008. vários DCI.msu.gov.htm http://www. 2003 Revista Dinheiro. 2003.br/sbmet/ Assembleia/resolucoes/ politica_nacional/ Relatorio_sbmet_pnm_2002. vários Meio & Mensagem.sbmet. várias . 1998 Boletim Cable Report. Jornal Nacional: a notícia faz história.

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Da janela de um pequeno apartamento da Vila Mariana. Ele chegou a trazer de Londres um moderno aparelho de recepção de satélite. Alice. dois jovens empreendedores. contribuíram e incentivaram o crescimento da Climatempo. mãe e amiga de Carlos Magno que deu apoio moral e financeiro nos primeiros anos da Climatempo. o pequeno Victor Hugo. terceiro filho do casal. em meio à parafernália de aparelhos usada nos boletins da rádio Eldorado. Carlos Magno e Ana Lucia. em São Paulo. O primeiro escritório funcionava na mesma casa em que Carlos Magno e Ana Lucia moravam. na Rua da União. Seu Juvenal e dona Atala. Na foto. pais de Ana Lucia. Dª. Caderno de fotos 101 . sonhavam em ter seu próprio negócio.

amigo que virou colaborador. ainda pequena. Rogério Leite.Em 1996. mas agora em uma casa só para ela. Rogério Leite instalando uma antena de recepção de satélite na sede da Climatempo. Na foto. . a Climatempo já tem uma estrutura própria. na Rua Baltazar Lisboa.

da Rede Globo. um dos primeiros colaboradores do Grupo Climatempo. Sandra Annemberg. Foi o impulso que precisava para divulgar a meteorologia e crescer como empresa. a Climatempo passa a prestar inestimável serviço à Rede Globo. Carlos Magno tornase o primeiro homem do tempo da tevê brasileira. Em 1996. a moça do tempo do JN. O meteorologista André Madeira. Na foto. apresentando o quadro do tempo no Jornal Nacional. A meteorologia é destaque no livro que conta a história do Jornal Nacional. .A partir de 1990.

: depois da disputa judicial.André Madeira orienta a então “moça do tempo” da Globo. Já pensando em seu próprio canal de TV. em São Paulo. . em São Paulo. o direito de usar o nome Canal do Tempo ainda na feira de 1998. Carlos Magno compra briga com o Weather Channel pelo direito de usar Canal do Tempo na feira da ABTV de 1998. Maria Cândida. À esq. Acima: os primeiros dez anos da Climatempo foram comemorados com uma grande festa em São Paulo. no Anhembi.

surge a TV Climatempo. em 1999. no ano seguinte. . Na foto. Para evitar problemas. em dezembro de 1998.O amigo e sócio Waldemar Stefan Barroso ensaiando para um piloto do Canal do Tempo ainda em 1998. Ana Lucia Frony de Macedo e Carlos Magno do Nascimento lançam a TV Climatempo. Durante a festa de dez anos da Climatempo. os sócios Waldemar Stefan Barroso e Carlos Magno do Nascimento.

aprenderam junto com Magno a fazer tevê. Muitos deles estagiários. em São José dos Campos. no dia 15 de setembro de 1999. .Waldemar Stefan Barroso e Carlos Magno do Nascimento na inauguração da tevê. A primeira equipe da TV Climatempo.

de São José dos Campos ( SP). em 1999. uma parceria entre a Climatempo e a Univap.No início. Baptista Gargione. empresa de comunicação que presta assessoria ao Grupo Climatempo. Acima: Carlos Magno e o Prof. selam o início das operações do Canal Climatempo. Carlos Magno e Waldemar Stefan Barroso com Fernanda Bulhões. amiga e profissional responsável pela Linhas & Laudas. reitor da Univap. possibilitou a inauguração da primeira emissora de tevê voltada para a previsão do tempo. .

já em São Paulo. . na Vila Mariana. O curioso é que foram usadas dezenas de caixas de ovos para forrar as paredes e vedar o som.Estúdio da TV Climatempo.

Carlos Magno e Rogério Leite no estande da TV Climatempo.A apresentadora Laura Ferreira no quadro do tempo da Rede Mulher. na feira da ABTV. 2000. . em São Paulo. na feira da ABTV. Carlos Magno e o “casseta” Hélio de la Peña. em 2000. em São Paulo. Na época em que Magno foi apresentador do Jornal Nacional. o Casseta & Planeta tinha um quadro que satirizava a previsão do tempo.

para a dir. para a dir. Ariany Chacon de Campos. Amilis Delfino.. Ângela Ruiz Gonzales. Priscila Iogóglia.): Gilca Palma Fernandes. em 2001. na rua Muniz de Souza.Equipe da TV Climatempo. Da esq. Alexandre José do Nascimento Silva. . Rafael Augusto Caetano Bruno. Paulo Edson Aparecido de Oliveira. Flávia Caroline Chacon de Campos e Ângela Ruiz Gonzáles. Leandro Della Vedova de Oliveira Pinto e Josélia Moreno Pegorim. Equipe do Grupo Climatempo (da esq.

no Paraíso. ao longo dos últimos anos. em São Paulo. Carlos Magno. debateram as causas e também as possíveis consequências do aquecimento global.A meteorologista Gilca Palma. especialistas de renome internacional. . Na foto. como o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes. Reunidos no fórum “Risco Ambiental”. Acima: Redação da TV Climatempo. em São Paulo. Marcos Pontes e Renato Urbinder. e aos poucos passou a fazer a previsão para a Internet. Começou como estagiária. trabalhou em quase tudo. fazendo levantamento de dados.

. A jornalista Ângela Ruiz começou como estagiária na TV e há dez anos trabalha como apresentadora.Maria Clara Machado. repórter e redatora no Grupo Climatempo. uma das apresentadoras da TV Climatempo.

Carlos Magno é destaque como novo homem do tempo do Jornal Nacional (Acima: O Globo,14/04/1996; abaixo: O Dia, 13/04/1996). Acima: TV Climatempo vence disputa com o Weather Channel (Folha de S. Paulo, 1º. de fevereiro de 2000)

Climatempo na mídia
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Acima: a revista Pequenas empresas, Grandes negócios, de março de 2002, destaca o crescimento das empresas que oferecem serviços de meteorologia. Ao lado: Carlos Magno ainda no início das atividades da Climatempo. Desde o início, a empresa buscou oferecer serviços de meteorologia para os principais interessados. Aqui, os velejadores (revista Bordo, de 1991). Na outra página: A importância da meteorologia para o planejamento das empresas (O Globo, do dia 7 de abril de 2007).

à esquerda da matéria. Ana Lucia e Carlos Magno. Matéria da Vejinha. Na foto menor.A importância da meteorologia no dia a dia das pessoas. de 11 de fevereiro de 2004. .

O casal do tempo Carlos Magno e Ana Lucia. . Grandes negócios (agosto de 1994). A meteorologia ajudando a combater crimes. Segundo a matéria. a meteorologia pode ajudar a solucionar casos intrincados. de 12 de maio de 1989. comprovando as condições do tempo em determinada hora e local. Carlos Magno é o “detetive do tempo”. Na reportagem do Jornal da Tarde. na revista Pequenas empresas.

de 2000. Na outra página: anúncio da TV Climatempo na revista Pay TV.Um dos primeiros serviços: o BBS (bulletin board system). que permitia a conexão via telefone a computadores que interagiam – tal como hoje se faz com a Internet. de outubro de 1998. . Anúncio da TV Climatempo. ainda embrionária. na revista Pay TV.

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Nesta: ainda como meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (revista IstoÉ.Na outra página: Carlos Magno é destaque da revista Forbes de outubro de 2000. janeiro de 1987). .

em comemoração aos 20 anos de fundação do Grupo.Este livro foi editorado em Univers 11/15 e mandado imprimir em papel couchê fosco 115g. em julho de 2009. pela Climatempo. .

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