O céu fala. A gente entende.

.

Climatempo 2009 . A gente entende.Denise Góes O céu fala.

567 Vila Mariana – São Paulo – SP Telefone: (11)3736-4591 CEP 04011-061 www.oliveira@globo.com Revisão (de acordo com a Nova Ortografia) Ana Lucia Sesso www.br Fotografias Acervo e clippings Climatempo Impressão Prol Gráfica www.610.Copyright © 2008 by Denise Trevisan de Góes Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9. de 19 de fevereiro de 1998 Direitos desta edição cedidos ao GRUPO CLIMATEMPO Rua José Antonio Coelho.com.prolgrafica.com.br Coordenação editorial Cesar Oliveira cesar.nom.revisaoporquenao.br .climatempo.

A Alice Vieira (in memoriam) e Atala Frony de Macedo. Renato Urbinder. Carlos Magno e Ana Lucia Agradecimentos . Obrigado pela confiança e amizade de todos vocês. Waldemar Stefan. mais crescidinhos. Isabel Cristina. Josélia Pegorim. Gilca Palma e Paulo Takeshi. Fernanda Bulhões e Ederaldo Kosa. aos amigos Rogério Leite. até pedem para mudar de assunto. jornalista Denise Góes. Sem eles esta história não poderia ser escrita. A nossos filhos. todas as vezes que a Climatempo precisou. ao longo destas décadas. pela paciência que tiveram. com incentivo e apoio financeiro. eles foram verdadeiros anjos que ajudaram. pai da Ana Lucia. Hoje. Eles cresceram ouvindo sobre a Climatempo em praticamente todas as refeições e reuniões familiares. Marcos Paulo e Victor Hugo. mãe do Carlos e da Ana Lucia. e talvez nem a Climatempo existiria. Ao longo destes vinte anos. a Juvenal de Macedo Filho. Aos meteorologistas André e Patricia Madeira. à escritora do livro comemorativo pelos vinte anos.

Sumário Apresentação Prefácio O começo de tudo Os primeiros passos Na telinha da Globo Abrindo espaço O homem do tempo Canal do tempo Um sonho. Depoimentos Fontes e bibliografia Caderno de fotos Climatempo na mídia 7 9 11 19 29 37 43 51 59 69 77 85 95 97 99 111 . A gente entende. uma realidade Uma bolha no ar Virando uma holding O céu fala.

a meteorologia está no nosso sangue. Julio de Mesquita Neto. todas as formas possíveis de levar a informação meteorológica para o usuário têm a nossa assinatura. Internet. Depois que as primeiras notícias da neve começaram a chegar à redação. divulgando a informação do tempo para o público sem ter que pedir autorização para ninguém. Nas TVs. em todo lugar. painéis em ônibus. encantados com a sua argumentação de que a Climatempo ajudou a escrever algumas das páginas mais importantes da história da meteorologia moderna no Brasil. com suas próprias mãos. que divulgou que a neve não iria acontecer. . Mas. São histórias assim que a Denise conta. Denise conta a história de uma equipe que. a gente entende mesmo. podcasts. a primeira página inteira com a previsão do tempo no Estadão e o trabalho pioneiro na Rede Globo de Televisão. sem modéstia nenhuma. Tem gente que acha que o nosso slogan é pretensioso: O céu fala. na USP. A ideia de escrever um livro contando a história da Climatempo foi Ela sabia o que estava falando. por acertarmos a previsão de neve no sul do Brasil. Nos dez primeiros anos da Climatempo nosso contato com a “Dê” foi quase diário. Julio. da nossa amiga. que nos reconhece como sinônimo de credibilidade. A felicidade foi imensa para os jovens jornalistas e meteorologistas que estavam começando a colocar o tempo como destaque no caderno “Cidades” do Estadão. Boa leitura! Ana Lucia e Carlos Magno Apresentação 9 Q uando Ana Lucia e eu nos conhecemos já estávamos apaixonados pela meteorologia. Esta é a nossa vida. A cada nova descoberta nos estágios na FAB e na TASA e depois como meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura. mas a Meteorologia Sinótica: a arte de fazer a previsão do tempo. A princípio. relembrando os primeiros dias como previsores da rádio Eldorado. além de ser referência em consultoria e bom atendimento. jornais. jornalista Denise Goes. a não ser para o próprio público. O desafio de prever o futuro nos motivava e fazia parte das nossas conversas enquanto namorados. fez questão de construir seus próprios meios de comunicação: o site e a TV Climatempo. geadas e tudo que acontecia com o tempo em cada canto do nosso País.Além de uma grande paixão de um pelo outro. desenhou um boneco de neve e mandou entregar para a gente. Vocês podem imaginar uma conversa entre namorados sobre as novas técnicas de fazer previsão do tempo? Pois a gente falava sobre isso o tempo todo. A Climatempo que completou vinte anos em 2008 é uma das consequências desta nossa paixão. tempestades severas em São Paulo. editor-chefe do Estadão. ao mesmo tempo. A gente entende. shoppings. Não é meteorologia de forma genérica. Um furo enorme na Folha de S. A Denise participou ativamente como testemunha e relatou o crescimento da meteorologia brasileira e mundial como jornalista da Agência Estado e do jornal O Estado de São Paulo. ficamos surpresos e. explicando tornados em Ribeirão Preto ou no ABC. o papo sempre acabava em como melhorar a previsão do tempo. enfim. celulares. o Dr. ondas de calor. recebemos um elogio público do Dr. no INPE. Hoje a nossa estimativa é que mais de 50 milhões de brasileiros tenham contato com a previsão de tempo feita pela Climatempo todos os dias. rádios. com as devidas felicitações pelo acerto. Em maio de 1990. Paulo. aeroportos.

.

esporte. também na história da Climatempo. para vender o seu trabalho. E quem conhece e não perde a sua própria história mais apto fica ao inevitável mundo cheio de mudanças e suas danças em todos os estilos musicais e tecnológicos. aos dois assaltos sofridos. Como uma quase utopia de dois meteorologistas consegue ir agre- Papéis novos. o de expandir a Climatempo para o universo internacional. a solidariedade amplifica. pelo estudo permanente e pelo divertimento no mesmo local. A gente entende. Pietro Ubaldi. e acrescenta: “para construir uma empresa sólida “. a fidelidade de grandes clientes. real que inspira autores a desenharem na arte. do Tolkien. erros. quando integramos ao mesmo tempo o amor pelo trabalho. A história que nasce do amor de Carlos Magno com Ana Lucia caminha ao longo de vinte anos recheada de exemplos de amores. arte. Neste livro. dizia que gando e envolvendo valorosos e leais colaboradores e amigos ao longo da caminhada. proteger”. Climatempo teve isso sempre. onde demonstrações valorosas da equipe estabeleceram ainda mais sinergia e alicerçaram com força superior a vida da empresa. tombos. colaboradores e seres humanos da virtude: gente com uma forte determinação pela prática do bem. afirma Carlos Magno. Ana Lucia diz ter um sonho. reflexão e a ciência – é indispensável para guiar as paixões no rumo certo. para apresentar nas telas da televisão. É como se estivéssemos lendo as teses e exemplos do sociólogo Domenico de Masi. transportes etc. os momentos dos enganos ocorreram. momentos difíceis. fica cada vez mais controlável e disponível para todos os segmentos empresariais do mercado. na construção de grupos criativos como forma vital de gerenciar nos novos tempos e o encontro do “ócio criativo”. no teatro e na literatura temas que se eternizam. um casal que iniciava seus estudos na Universidade Federal do Rio de Janeiro via o esboçar de um cisne e o foi desenhando ponto a ponto nesta história que nos é revelada na publicação deste livro dos seus 20 anos. Os filhos criados lado a lado com o trabalho. a sensibilidade grita.. mas contêm a gênese das forças de coesão do organismo unitário da futura sociedade humana.. de virtudes e de uma singular capacidade de reunir profissionais. que significa a paixão errada. cruzamentos de dados. Não é uma fábula empresarial! Não se trata do “Senhor dos Anéis”. nas ondas do rádio. vibrações. conservar.A leitura deste livro permite aprendermos com o melhor do empreendedorismo.a função do amor é criar. conhecimentos de física. filósofo lido por Albert Einstein e Monteiro Lobato. e poucos acreditavam nessa ciência. a Climatempo pode ser olhada como um exemplo de construção do sentido mais evolutivo do significado de amor. para empreender o progresso. termos lições de ética. A distorção do foco. Mas. De analistas de mapas. Ou seja: tudo o que amplifica a simpatia da alma – graça. Como as pessoas conseguem criar papéis novos na vida profissional. Essas ascensões não são sonho estéril. educação e diversão. onde a arte imita a vida. Climatempo é uma aula de empreendedorismo. Os infortúnios de resistir ao crime. Ao ler este livro temos um demonstrativo de um caso real da modernidade da gestão. A história em si é rica de exemplos de superação na vida real. desde locações de gravação de filmes até a logística de obras e de tomadas de decisões em momentos críticos. De fato. aquele aspecto incontrolável dos planejamentos empresariais. chamado “clima”. O enfrentamento de grandes grupos internacionais. desafios novos. a batalha pelo canal do tempo. passando pela agricultura. Como o trabalho virtuoso vence barreiras e obstáculos. . como nos contos. a autocrítica fazem parte do seu precioso texto. música. a sensação que se tem é que o coração também fala. A meteorologia quando era um “patinho feio”. E o futuro? Crescer muito nos próximos dez anos. para administrar. O resgate das paixões virtuosas. mas é a escrita da vida Prefácio 11 A o ler O céu fala.

Muitas vezes acertamos e outras tantas erramos”. Foi diretor da OESP Mídia do Grupo O Estado de São Paulo e da Agroceres. Recomendo a todos a sua leitura. A gente entende. liderança e empreendedorismo. do que sabíamos antes. Diretor do núcleo de agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing. ética e respeito ao cliente externo e interno”. e honrado pelo convite para este prefácio. 12 . José Luiz Tejon Megido Professor de pós-graduação da Fundação Getulio Vargas. Autor de doze livros.temos de adquirir conhecimento. Talvez. pois saberemos ao seu final de muito mais aspectos da gestão. os ideais e sonhos do agora Grupo Climatempo: “Comprometimento. Fiquei apaixonado pela leitura de O céu fala. É enriquecedoramente real. possamos tirar de um dos seus valores o núcleo essencial para todas as possibilidades de realizações.

“O departamento de Meteorologia ficava ao lado da Geografia. Carlos Magno ficou em primeiro lugar no vestibular para o curso de Meteorologia. então decidi que faria uma experiência”. no dia 22 de maio de 1961.H á pouco mais de vinte anos. d. as expectativas para o futuro eram maiores do que aqueles 50 m2 em que viviam. 13 anos mais velho. companheira de profissão. Ao longo do curso. após a morte do pai. não via apenas nuvens. Aos cinco anos. “Eu adorava uma professora de geografia e fiquei em dúvida. na época. que ousaram seguir a carreira de previsor. que com determinação e persistência criou uma empresa pioneira. Foi uma escolha madura. prosseguiram nos estudos. Carlos Magno do Nascimento nasceu na cidade do Rio de Janeiro. contudo. a caçula. a possibilidade de virar professor afastou a ideia da sua cabeça. ficaram em primeiro lugar nos respectivos vestibulares. alunos promissores. “mas ela queria nos ver formados e me deu força para continuar o curso.. porém. Vinte anos se passaram nessa trajetória de sucesso. de crises econômicas. foi graças à obstinação de dona Alice que ele. Em 1980. Carlos Magno e Ana Lucia foram dos poucos. A minha única preocupação era com o mercado de trabalho. o irmão. Carlos. olhando pela janela de um pequeno apartamento da Vila Mariana. Alice vendia joias para sustentar a família e por isso lutava muito para dar aos três filhos uma boa forma- O começo de tudo 13 No início da década de 1980. um jovem sonhava em montar o seu próprio negócio e ter a sua própria empresa. Ele me convenceu. Para o casal. Anos depois.” Foi na visita que fez ao departamento de geografia da UFRJ que pela primeira vez Magno considerou a possibilidade de cursar Meteorologia. Era o segundo filho de dona Alice e de seu Manoel do Nascimento. a balança profissional tenderia para outra matéria: a física nuclear. A história da Climatempo é a história de um jovem casal. mas oportunidades. Ambos eram alunos de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). ao chegar na época do vestibular. A possibilidade de prever o tempo fascinava os dois jovens meteorologistas. “Sempre estudei em escola pública e desde cedo já me destacava em matemática”. Ele. problemas do dia a dia. não foi a primeira opção do jovem carioca. A grande maioria optava por permanecer na universidade e seguir carreira acadêmica. Saber o que acontecia com o tempo.. minha mãe não entendeu muito a minha escolha”. Além de gostar de física e de matemática. era preciso também uma boa dose de audácia. O básico da meteorologia é a física. gostei do curso. veterano. conta Magno. Ele queria crescer e sabia que podia contar com o apoio da mulher. Surgiu então a possibilidade de cursar Geografia. agora é fato. caloura. avalia Magno. Percorrer os caminhos dessa viagem no tempo é conhecer um pouco da história da meteorologia brasileira.] “Em princípio. 1 . pois o meteorologista formado tinha como opção apenas dois caminhos: ser previsor do tempo ou dedicar-se a pesquisas acadêmicas. um dos professores começou a conversar comigo. especialmente na área de previsão do tempo [. “No final das contas. O encanto durou pouco.” Com apenas o curso primário. relembra Magno. relembra. líder em seu segmento. e a irmã Angélica. Õ Carlos Magno do Nascimento e Ana Lucia Frony de Macedo eram muito jovens quando se conheceram na faculdade. comecei e não quis mais sair. Ao olhar para o céu. a carreira de meteorologista ainda era desconhecida para a maioria dos estudantes. O que na época era apenas um desejo. ela. fui vendo que havia uma grande necessidade de profissionais. “Eu não me considerava um bom professor”. na capital paulista. e dizer que o sonho virou realidade é um chavão que se aplica bem nesse caso. Uma carreira muito em moda em 1979 por causa da construção da Usina Nuclear de Angra dos Reis e a abertura do mercado de trabalho para físicos. Ambos. Poucos alunos se aventuravam na matéria. dizendo que estavam precisando muito de meteorologistas jovens e talentosos.

Falaram tanto que eu peguei a ficha de inscrição e coloquei: primeira opção Edificações. e logos. entender e predizer o estado do tempo. Ana Lucia prestou vestibular na UFRJ. “Eu e duas amigas fomos para a fila no último dia de prorrogação para a inscrição no concurso. Ana Lucia é a mais velha de quatro irmãos. em especial a camada mais próxima da superfície na qual ocorre a maior parte das atividades humanas. Eles queriam nos convencer a fazer o curso técnico para meteorologia. que significa “elevado no ar”. horas na fila. Reza a cultura popular que a região. batendo papo. Ana Lucia decidiu pelo curso superior também em Meteorologia. Juvenal. meteoros. uma data curiosa para a futura meteorologista. caso do Colégio Militar.ção para não viver na mesma situação de insegurança daquela época. cada um foi para o lado que mais lhe interessava. Recife. porém. muitas pessoas prestavam concursos para escolas fe- derais. “Minha família sempre achou que eu seria arquiteta”. aceitavam mulheres. atual C EFET . constantemente castigada pela seca. “estudo”. auxiliares para verificação e ordenação de dados. Conhecer o comportamento do tempo e do clima é fundamental para o desenvolvimento e o planejamento econômico de qualquer sociedade. Também denominada Ciências At- 14 . só entrava nerd. relembra Ana Lucia.” Ana Lucia Frony de Macedo nasceu no dia 19 de março de 1964. Gaúcha de nascimento. nem todas. Acho que vendi bem o curso: dos quinze da minha turma.” Na área de Meteorologia. técnicos em manutenção de equipamentos meteorológicos e também no rastreamento de fotos de satélite e plotagem de cartas sinóticas. Ana Lucia ficou no Rio e dali só saiu anos mais tarde. ter um filho com curso superior já era uma vitória. em casa todos nós concluímos a faculdade. já casada. Ana Cristina e Paulo Henrique. principalmente na agricultura. Haroldo. “A gente se reunia para conversar e ver os programas dos cursos. Em meados da década de 1970. tanto na cidade quanto no campo. pequenininha fui para Pirassununga. oito foram para a Meteorologia. Passou em primeiro lugar e tornou-se uma das calouras da turma da qual Carlos Magno já era veterano. terá um ano de chuvas se cair água do céu no dia de São José. Para ela. Naquela época era uma escola altamente masculina. tempestades. voltei para o Rio”. esperando. uma série de informações que davam bem a ideia do que fazia um meteorologista. Manifestações atmosféricas como chuvas. furacões. éramos uma turma de quinze pessoas e nos perguntávamos o que iríamos fazer depois do terceiro ano. Durante a infância e a adolescência morou em várias partes do Brasil e hoje até brinca: “sou climatologista por experiência. a escola formava observadores de bases meteorológicas. Quando o pai foi enviado para Roraima. depois Natal. segunda opção: Meteorologia. chegaram uns garotos e ficaram conversando. “Já no segundo ano. um santo muito respeitado no Nordeste do Brasil. “Ela conseguiu. quando enfrentou fila para se inscrever na Escola Técnica Federal. Dessa vez para São Paulo. a carioca dona Atala. Ana Lucia guarda na memória essa fase da adolescência no Rio de Janeiro. a alternativa era a Escola Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca. depois para o Rio. tenente-coronel da Aeronáutica. Õ Do grego. Ela aplica leis da física e da matemática para descrever. era militar.” Em 1981.” Então quando chegou a hora. Ficamos lá. e vivia sendo transferido pelo Brasil ao lado de sua mãe. enfim. interior de São Paulo. Aí. Acabei passando em Meteorologia e gostei. O C EFET era uma escola con- siderada difícil. porque nasci em Porto Alegre. Por isso a grande necessidade de estudar os processos que causam determinadas condições climáticas para depois aplicar esse conhecimento na previsão do tempo. A primeira opção era fazer o curso técnico para Edificações. geadas podem provocar incontáveis prejuízos. a meteorologia pode ser definida como ciência que estuda a atmosfera terrestre. A meteorologia apareceu por acaso em sua vida. natural do Rio Grande do Norte. Dezenove de março é dia de São José. Essas andanças todas têm explicação: seu pai.

o departamento fazia parte do Instituto de Geociências (IGEO) da universidade. foi reorganizada e passou a chamar-se Universidade do Brasil. para então estabelecer critérios para a área analisada. Em 2008. com o desenvolvimento de alguns conceitos básicos como massas de ar e frentes frias na década de 1920 e o início das observações diárias da temperatura. O curso de Meteorologia da UFRJ foi criado em 1964. por volta do ano 340 AC. umidade do ar e pressão nos anos 1940. muitos deles provocados pela ação do homem na natureza. foi no século XX que a ciência ganhou impulso com os meios de comunicação como telégrafo e rádio. assumindo a atual denominação apenas em 1965. o Tiros 1. em 1643. as explicações religiosas foram as primeiras dadas pelo homem na tentativa de entender os fenômenos atmosféricos. Eu era caloura dele e começamos a namorar já no segundo mês de aula. dando à meteorologia o status de ciência natural. “Até hoje brinco com ele: passei pela porta e ele me pegou pelo braço. nem sempre foi assim.a meteorologia progrediu e os primeiros mapas meteorológicos foram desenhados. Mesmo com todo o progresso tecnológico. O primeiro grupo de meteorologistas formou-se quatro anos depois. tratando essas questões de forma especulativa. a meteorologia tem como objeto de estudo desde o frio intenso que atingiu determinada região até as mudanças climáticas globais. ou seja. mas foram aceitas por quase dois mil anos.mosféricas. no fim do século XVI. a matéria foi ganhando contornos mais científicos. em Sergipe. em pleno século XXI. após uma reforma universitária. e o higrômetro. Se hoje o cientista conta com uma série de recursos técnicos como imagens de satélite. Nesse ano. Para estudar o clima. Éramos muito diferentes. Ao longo do século XIX . tornaram a previsão do tem- po mais confiável. informações de radares.o barômetro. a meteorologia lida hoje com novos desafios. que Carlos Magno e Ana Lucia se conheceram em 1981. lançado em 1960. as noções de tempo e de clima são muito diferentes. Õ A Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ) foi criada no dia 7 de setembro de 1920 com o nome de Universidade do Rio de Janeiro.” 15 . Em face da precariedade de dados científicos. Há milênios o homem tenta decifrar o funcionamento do tempo. Tinha acabado de fazer 17 anos”. as modificações na camada de ozônio. em 1967. solucionaram equações e permitiram entender o comportamento da atmosfera. No livro. Em 1937. como o aquecimento global. o meteorologista avalia as condições diárias do tempo ao longo de anos. O tempo é o estado da atmosfera em um determinado momento e em lugar específico – pode estar chovendo em São Paulo e. sol e calor. fazia parte do Departamento de Física da Faculdade Nacional de Filosofia. Aliadas a isso. o efeito estufa. A descoberta dos primeiros instrumentos meteorológicos possibilitou o estudo dos fenômenos naturais de forma mais precisa. na antiga Universidade do Brasil. e também as descobertas feitas pela física melhoraram a qualidade das observações. ele líder estudantil e eu péssima de voto. desenvolvidos na década de 1950. Muitas das suas observações sobre o tempo estavam erradas. o filósofo explica os fenômenos atmosféricos com um enfoque filosófico. Foi no campus da UFRJ. porém. Contudo. por volta de 1700. na Ilha do Fundão. as imagens do primeiro satélite meteorológico. como os modelos numéricos. quando. Instrumentos como o termômetro. mapas e programas específicos de computador. Com o avanço das observações empíricas. que permitiram juntar muitas informações rapidamente. Contudo. é o conjunto de toda informação estatística sobre o tempo em um determinado local”. O filósofo grego Aristóteles (384322 AC) já falava em meteorologia ao editar o tratado Meteorológica. “Conheci o Magno na faculdade. foi constituído o primeiro Departamento de Meteorologia do País. relembra Ana. Os primeiros programas de computadores de alta velocidade. Já o clima pode ser definido como “um conjunto de condições normais que dominam uma região obtidas das médias das observações durante um certo intervalo de tempo.

ao entrar para o curso da UFRJ me apaixonei pela meteorologia sinótica. conta Ana. já nessa época. “Existia uma cultura na universidade em que ser da área acadêmica era o crème de la crème e. “Em 1980. Era fascinado pelo poder de saber qual seria o tempo no dia seguinte. especializações que não têm mercado de trabalho. “Foi um período interessante em que comecei a conviver com vários meteorologistas. As universidades estão retendo por mais tempo o aluno. a faculdade e a convivência com alunos e professores fortaleceu no casal a certeza de que a escolha do curso havia sido correta. em busca de capacitação profissional. Além disso. mas também a possibilidade de informar. Estados Unidos e África. tanto atazanar o povo de lá foi que conseguiu o estágio e ainda remunerado!”. A TASA captava a base de dados usada para fazer a previsão. Entre os meteorologistas mais experientes. E de tanto insistir. Carlos Magno e Ana Lucia logo descobriram o melhor caminho: ambos queriam fazer previsão de tempo. empresa que hoje não existe mais e foi incorporada pela Infraero. Ana Lucia também se lembra do entusiasmo com que o mestre falava sobre a importância do previsor. recorda Magno. criando novos conhecimentos para essas pessoas e. se você escolhia ir para a operação. Começava como técnico e ia aprendendo até poder fazer previsão. Ensinava e dizia que eu era um dos seus melhores alunos”. empenho para lidar com números e modelos matemáticos e uma boa dose de ousadia para passar a credibilidade necessária. Waldemar Stefan. Não era – como não é até hoje – o filé mignon da profissão. Magno tentou e conseguiu uma bolsa de iniciação científica. Ele ia todo dia lá para pedir o trabalho. A maioria preferia ficar na universidade e dedicar-se às pesquisas. Pouco antes de terminar a faculdade. era porque não era bom aluno. analisar cartas. “O cara para ser meteorologista tinha de analisar mapas uns cinco anos para ter certa autonomia e ser previsor.Além do encontro que iria mudar a vida dos dois jovens. Ainda na faculdade os dois começaram a procurar trabalho e estágios como previsores. prever o tempo naquela época exigia muita capacidade. a previsão do tempo. Durante a faculdade já existia uma vontade de um grupo pequeno de tentar mudar a visão de que a previsão do tempo sempre errava. Ter uma profissão. avalia Magno. que o ajudaria a custear as despesas com o estudo. Magno foi trabalhar na TASA (Telecomunicações Aeronáuticas S/A). os metares. por isso poucos seguiam essa área. Eu já acreditava que tínhamos de ser os agentes transformadores desse conceito”.” Ana Lucia. Ele era um gênio. expressava com isso o desejo de ser mãe. “Eu queria fazer previsão do tempo. “Além disso. Não foi só ele a ficar fascinado com as aulas do professor. Ele dizia sempre que fazer previsão não era um bicho de sete cabeças”. ter essa capacidade não só de saber. Magno aprendeu o dia a dia de um previsor: plotar. Com poucos recursos técnicos em mãos. “Não foi nada simples. Dentre as possibilidades do universo meteorológico. servindo de apoio às rotas de aviões que saíam daqui para a Europa. matéria do professor Fábio de Alcântara. “Foi o professor Fábio Alcântara quem estimulou a maior parte da minha geração. em que pôde acompanhar o trabalho de um meteorologista operacional da Força Aérea Brasileira ( FAB ). Isso era uma coisa do outro mundo. sem deixar de lado a maternidade. Waldemar. também. Naquele tem- 16 . que precisam de apoio para superar as matérias básicas ou que precisam trabalhar durante o período em que estão cursando a universidade ou que não querem ir para a pós-graduação após concluir o curso. no Aeroporto do Galeão. Para enfrentar as dificuldades financeiras. estou quase conseguindo”. acredita Ana. Várias vezes ele chegou para mim e disse: “estou quase conseguindo.” A previsão da Aeronáutica era de muita responsabilidade. lembra até hoje como Magno conseguiu esse estágio. O amigo e mais tarde sócio. fez está- gio no Centro de Previsão do Tempo da Torre de Controle da Aeronáutica. o mais novinho tinha 30 anos de experiência na área de meteorologia aeronáutica. gostei dos professores e principalmente da ideia de trabalhar seis horas por dia. Não estimulam os “maus” alunos.

Distrito de Porto Alegre). Cheguei na cara dura e perguntei: ‘posso morar com você?’. “Queríamos saber onde ficava a rua do distrito”. o trabalho era animador. Rosângela. Ao desembarcarem. funciona o 7º. Como a casa era bem antiga. nem amigos mais íntimos.” Se o lugar não era o ideal. Então. naquela época. órgão ligado ao Ministério da Agricultura. que até há pouco tempo era responsável pela elaboração de previsões para os Estados de São Paulo. o Paraná passou a fazer parte do 8º. Já Ana Lucia teve mais sorte e muita cara de pau. As condições do lugar. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é formado por dez distritos espalhados pelo Brasil. uma pós-graduação em centros importantes como a Universidade de São Paulo e o Instituto Nacional de Pesquisas ambientais (Inpe). Como ainda eram solteiros. “Eu fiquei em um dos quartinhos nos fundos. ela dependia muito da experiência do meteorologista. em 1985. “Eu tinha uma amiga. foram logo conhecer o novo espaço. mas o lugar em que iriam trabalhar. Um desses lugares que se deve evitar andar. “Além disso. em pleno centro da cidade. Nesse período. que era feita até então por muitos geógrafos – isso porque a maioria dos meteorologistas concentrava-se na sede em Brasília. uma área degradada e com pouca segurança. revela Magno. O primeiro desafio da nova empreitada era fixar residência na capital paulista. a sede do Inmet em São Paulo ficava numa casa da rua Vitória. “A gente poderia ter ficado no Rio. Ela topou e fiquei morando com ela até eu e o Magno nos casarmos. Carlos Magno continuou trabalhando na TASA enquanto Ana Lucia concluía os estudos. Neide de Oliveira foi uma das “es- 17 . Quando saí da faculdade já era uma previsora com certa experiência. por causa do concurso. Não foi bem isso o que aconteceu.po. conta Magno. “Fiz estágio no Aeroporto do Galeão. mudaram-se de “mala e cuia” para São Paulo. Na década de 1980. não havia ainda as modelagens numéricas. e era isso justamente o que gostávamos de fazer”. A cidade não chegou a assustar os dois cariocas. Ambos já pensavam em casamento e no rumo que dariam a suas vidas. Isso porque. feito para receber os ‘estrangeiros’. Ana e Magno decidiram prestar o concurso e foram dois dos 40 meteorologistas aprovados. e não queríamos ficar perto dos pais”. mas já com alguma experiência. Era uma boa oportunidade para dois meteorologistas recém-formados. Uma boa colocação garantiu o direito de escolher o local em que iriam trabalhar. tiveram de arranjar algum lugar provisório para ficar. mas o jovem quer sempre novidade.” Ana Lucia também procurou aplicar a teoria aprendida na faculdade e no terceiro ano começou a estagiar. Magno ficou pelo distrito mesmo. A ideia de que São Paulo oferecia maiores oportunidades e de que poderiam também continuar os estudos. especializadas na previsão do tempo. que morava sozinha e trabalhava no distrito. o que aconteceu um ano depois. em um local pouco adequado e de fama duvidosa. o Inmet estava precisando de previsores do tempo. como diz o dito popular. especialmente à noite. Não tinham parentes. no Ministério da Aeronáutica. entretanto. vários meteorologistas chegaram à cidade para assumir a previsão do tempo. perto da fa- mília e dos amigos. Poderiam ter ido para qualquer parte do Brasil ou mesmo ficar no Rio de Janeiro. ainda por cima. Distrito. A rua Vitória faz parte da região formada pelas ruas Aurora e Santa Efigênia. Arquitetura e Agronomia ( CREA). no Centro Meteorológico e depois na TASA . não desencorajaram o casal. Em São Paulo. e dependia da análise com base em observações do tempo presente e do seu conhecimento da física para projetar aquele tempo presente para o futuro. Paraná e Mato Grosso do Sul (atualmente.” Após terminar a faculdade. pesou na decisão de deixar o Rio. A impressão imediata não foi nada agradável. Foi quando surgiu o primeiro concurso em muitos anos para previsor do tempo no Instituto Nacional de Meteorologia. em 1983. sim. eram poucas as turmas de meteorologistas que saíam das universidades e. gente de várias partes do País que vinha trabalhar em São Paulo”. tinha vários quartinhos. A profissão de meteorologista havia sido regulamentada em 1980 e passara a fazer parte do quadro do Conselho Regional de Engenharia.

praticamente passaram a tomar conta da rotina do casal. estavam fazendo o que gostavam. e a gente formou uma verdadeira legião estrangeira”. anotavam em um caderno e depois transmitiam para os distritos. As previsões eram elaboradas com base em dados levantados por observadores nas estações meteorológicas do instituto espalhadas pelo Brasil. O dia a dia no distrito. No dia seguinte seguiram de ônibus para a lua de mel em Campos do Jordão. Neide é de Belém do Pará. Os primeiros meses foram de adaptação ao ritmo de vida paulistano e também o tempo de acertar a vida a dois. Logo. do Rio Grande do Sul. A linguagem muito técnica era outro fator que atrapalhava essa interface com o público. “A gente vivia brigando. havia pouco jogo de cintura para atender a essa demanda. que ofereceram a casa para a realização da festa. por outro lado. Em uma cerimônia simples. Ana e Magno assumiram o posto no Inmet em 12 de fevereiro de 1985 com a perspectiva de muito trabalho pela frente. na Ilha do Governador. relembra Magno. Eles faziam a leitura dos instrumentos. conta Magno. A solução veio dos pais da Ana. na- turalmente. com plantões até nos fins de semana. Estava na hora de colocar em prática todo o conhecimento adquirido e a estrutura do distrito era um bom começo. O trabalho lá dentro do distrito era muito de preencher formulários e mapas. pois o grupo não gostava muito disso. não encontraram igreja com data disponível para o casamento. Como tudo foi muito rápido. Magno e Ana rápido compreenderam que havia uma grande procura por dados e informações meteorológicas. “Era um grupo jovem. os dois se casaram no dia 13 de abril de 1985. Expressões que consideravam muito toscas. Logo depois vieram os outros do Rio. completa a meteorologista. “Foi um aprendizado interessante”. para a gente era predomínio do sol”. preferiu deixar a terra natal em busca de maior campo de trabalho e realização profissional. vista como pouco confiável e que. presas a jargões de difícil compreensão para alguém do outro lado do balcão. uma delas era como lidar com a informação.” Foi então que. recém-formado. na casa dos pais da Ana Lucia. no Rio de Janeiro. agricultores. apenas uma cerimônia em São Paulo. que praticamente organizou o distrito”. relembra Neide. Por pouco tempo. Esse choque entre a realidade e a modernização era compreensível. O casamento foi realizado por um capelão da Aeronáutica na presença das famílias e de muitos amigos. mas fiz questão de fazer as coisas direitinho”. relembra Magno. do tempo em que trabalhamos na TASA e atendíamos alguns clientes. ou melhor. De volta a São Paulo foram viver em um apartamento mobiliado no aristocrático bairro de Higienópolis. e assim como Ana e Magno. “porque no fundo a gente tinha algum traquejo com o público. “Nós começamos a atender jornalistas. “A Ana não queria festa. procurar igreja. Fotos de saté- 18 . em geral. Estabelecidos no distrito. Afinal. aos 23 anos. tanto do público quanto da mídia e de setores mais especializados. não demorou muito para definirem a data do casamento e alugarem um apartamento para morar. os dois voltaram ao Rio para organizar tudo. explica Magno. Foi preciso uma enorme dose de paciência para tentar quebrar um pouco o ranço burocrático. e a gente questionava muito isso”. “Eu cheguei a São Paulo em 1983. nos dados e mapas da previsão do tempo.trangeiras” que assumiram o posto no distrito paulista. O meteorologista contava com poucos recursos tecnológicos. Os dois logo se integraram ao grupo e puseram as mãos na massa. convidar os amigos. era nossa chance de iniciar um trabalho no distrito. em São José dos Campos. porém muito bonita e emocionante. identificaram as principais dificuldades de um meteorologista em um órgão público. dizendo que poucos entendiam aquele palavreado: parcialmente nublado para o jornalista era nublado. Mas era complicado mudar o padrão do que já estava instituído. Poucos acreditavam na previsão do tempo. da Paraíba. passaram a intermediar o contato entre o distrito e o público. Esses dados eram desenhados por técnicos em grandes mapas e em seguida analisados pelos meteorologistas. e o início do curso de pós-graduação no Inpe. como agricultores. não dava muito certo.

“Uma vez eu dei uma entrevista para o programa da Claudete Troiano e Ione Borges. Disseram: ‘Meu Deus. Estava ao vivo. faz parte da profissão. No fim dos anos 1980. e por isso poucos meteorologistas no distrito gostavam de falar à imprensa. Uma das coisas que eu sempre quis era ser mãe.. frio intenso. granizo. vai pedir demissão e virar gerente de butique’. ou Bebel.. “Não tínhamos medo de nos expor. Cabia ao meteorologista a responsabilidade de interpretar os dados e cravar a previsão. elas estavam enganadas. Aí eu parti para a discussão e fui duro. Apesar da ansiedade. do distrito que uma ideia começou a germinar na cabeça do casal. Tudo isso ao vivo”.. Os erros eram muito mais lembrados do que os acertos. Comecei com paciência a explicar como funcionava a previsão para tentar mudar essa ideia. Você trabalha meio expediente e tem meio expediente para ficar com os filhos”. Eu falava ao telefone dando informações sobre alguma previsão. avalia Ana Lucia. relembra Magno. disse que elas estavam usando o poder da comunicação para passar uma ideia errada. nasceu. Esse relacionamento com o público e com a imprensa deu maior visibilidade ao casal. A percepção de que havia um mercado. vai desistir’. dona Atala e seu Juvenal. Depois de seis meses em São Paulo já foi possível pensar em ter um canto próprio para viver. profissões que trabalhavam meio expediente. eles sabiam o que estavam fazendo. que foi aprendendo as melhores maneiras de passar as informações elaboradas no distrito e a lidar com as saias justas causadas pelo tenso equilíbrio entre a credibilidade e a descrença. Notei que existiam profissões que eram legais. forte geada. em São José dos Campos.” 19 . conta Ana. “Ainda moça. enfermeira. não aguentei ser funcionária pública por muito tempo. no dia 11 de agosto de 1986. relembra Magno. errava. quando decidi fazer meteorologia. Afinal. Algumas pessoas chegavam. Se a gente errava.lite. elas continuavam a falar mal da meteorologia. Isabel. pais de Ana Lucia. Meteorologista também era assim. O índice de acerto diminuía para períodos mais longos.. captadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). só não erra previsão quem não faz”. até agressivas. compraram um pequeno apartamen- to na rua Nicolau de Souza Queiroz. ainda inexplorado. na Vila Mariana. especialmente quando ocorria alguma catástrofe: tempestade. Por causa disso. conheciam bem a filha. interior de São Paulo. acenando com milhares de possibilidades. conversar com as pessoas. E nada. o previsor era muito cobrado pelo público e pelos jornalistas. como professora. que para mim foi antológica. nem sempre tranquila. “Meus pais estranharam eu ter ido estudar meteorologia. Minha mãe dizia: ‘Ela não vai aguentar. cobrando. a Ana não tem estilo de funcionário público. Para realizar esse desejo. e foi lá que a primeira filha do casal. E foi na rotina. e algumas outras informações vindas da Aeronáutica ou órgãos internacionais completavam o quadro que dava suporte ao profissional. da TV Gazeta. o índice de acerto de uma previsão variava de 85% a 90% para o período de 24 horas. Era só amadurecer um pouco mais. Ela estava certa. precisando de informações confiáveis sobre o tempo e o clima estava no ar. Mas não posso acertar todas as previsões. A gente erra até hoje. “No começo da carreira eu passava noites em claro acompanhando as frentes frias para saber se estava acontecendo o que eu previ”. Ana Lucia alimentava o desejo de ser mãe. Então elas começaram a dizer que a meteorologia sempre errava e eu argumentava que não. fiquei pensando sobre as vantagens e desvantagens de partir para essa profissão.

.

já então denominado Observatório Imperial. São Paulo. Agricultura. em 1888. Indústria e Comércio. dentro do Ministério da Agricultura. o climatologista Henrique Morize produziu o primeiro estudo sobre o clima brasileiro. O interesse por informações meteorológicas parecia ter aumentado naqueles últimos anos da década de 1980. 2 . mas de forma descentralizada. buscava espaço para a modernização do órgão. quase todo o País contava com serviço de meteorologia ligado a órgãos governamentais. nesses 20 anos.C Õ Nesse início do século XXI. em 1827. E no fim do século XIX. é renomeado para Diretoria de Meteorologia e. Em 1871. o órgão conta com uma rede de 500 estações em processo de automação e dez distritos regionais: Manaus. no Jornal do Commercio. para a agricultura e também para os navegantes. Os dados levantados por meio desse trabalho serviram de base para a criação da Repartição Central Meteorológica da Mari- Nos primeiros anos do século XX. No Inmet. ligada ao Ministério da Os primeiros passos 21 om o passar do tempo. em São Paulo. Nesse mesmo ano. Desde 2008. Rio de Janeiro. os primeiros postos de observação meteorológica datam do século XVII. Já Sampaio Ferraz foi o responsável pela publicação do artigo “Previsão do tempo”. Porto Alegre. os telefones do Inmet não paravam de tocar: eram agricultores. posteriormente. Cuiabá e Goiânia. todos procurando as preciosas informações Õ No Brasil. Talvez reflexo da redemocratização do Brasil. Recife. o astrônomo Emmanuel Liais é contratado pelo Observatório Astronômico. A coluna de previsão do tempo para o antigo Distrito Federal passaria a ser constantemente publicada a partir de 1917. Na Marinha brasileira. o órgão é desmembrado do Observatório Nacional. os navios hidrográficos já realizavam um trabalho sistemático. o Inmet é o responsável pela elaboração e divulgação da previsão de clima e tempo em todo o Brasil e representa o País na Organização Meteorológica Mundial ( OMM). Divino Moura está novamente à frente da direção do Inmet. com observações meteorológicas das zonas costeiras. há indicações de que os primeiros estudos científicos aconteceram a partir da criação do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro. mas apenas em 1844 teriam aparecido as primeiras observações meteorológicas nos arquivos do órgão. Anos depois. publicado em 1889 com o título Esboço da Climatologia do Brazil. Com sede em Brasília. o novo diretor. industriais. em 1862. Em 1921. com novas perspectivas para todos os setores do País. quando foi criada a Diretoria de Meteorologia e Astronomia. nha. Pecuária e Abastecimento ( MAPA). O embrião do que hoje é o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) surgiu em 1909. em 1913. Salvador. o trabalho em equipe dos meteorologistas do Inmet começou a engrenar. duas figuras despontaram como grandes nomes da meteorologia brasileira: Belfort de Mattos e Sampaio Ferraz. com a proclamação da República. a meteorologia brasileira apresentou grande desenvolvimento com a implementação da previsão numérica e a incorporação de informações de satélites nas análises dos dados que alimentam os modelos. em que fez uma tentativa de previsão para o Rio de Janeiro. produtores. o Observatório Imperial tornou-se Observatório Nacional. Belém. A repartição passou a ser responsável pela emissão de avisos meteorológicos para os portos. Instituto Nacional de Meteorologia. e dá início à implantação das bases teóricas das ciências atmosféricas no Brasil. Para ele. No que diz respeito à climatologia. que unificou as redes de observações da Marinha e do Telégrafo Nacional. Belo Horizonte. Além do progresso representado pelas pesquisas científicas e tecnológicas e com a formação de quadros de alto nível tanto na academia quanto na área operativa. durante a ocupação holandesa em Pernambuco. sem uma organização geral dos dados coletados. Mattos é considerado o primeiro estudioso do clima de São Paulo e ficou por 24 anos à frente do serviço de meteorologia da Secretaria de Agricultura do Estado. Na década de 1980. o meteorologista Antonio Divino Moura.

Era um entra e sai de jornalistas repercutindo fenômenos climáticos que afetavam a população. Distrito de Meteorologia do Ministério da Agricultura. porque foram conhecendo a meteorologia e como a previsão poderia ajudá-los. Em 1987.. esse fenômeno deve provocar o aumento de nebulosidade e chuvas em pontos isolados na capital paulista (. Não conseguimos”.. Era o pequeno embrião do que no futuro seria a Climatempo. relembra Neide de Oliveira. (. (O Estado de S. abalada durante décadas por previsões imprecisas. pouco a pouco.) Para o meteorologista Carlos Magno do Nascimento. Minha voz era muito infantil. bloqueando todos os sistemas de frente fria provenientes do Polo Sul. a onda de calor verificada estes dias em São Paulo deve-se à massa de ar subtropical localizada em toda a região Centro-Sul. Isso aconteceu. Paulo. 27/9/1988) “Segundo Carlos Magno. mas classifica o deste ano como ‘extremamente seco’”. por meio do distrito. isto atua como um bloqueio para as condições que favorecem a ocorrência de chuvas nas regiões Sul e Sudeste do País. Tudo indicava que. a meteorologia ganhava. mesmo com recursos ainda precários. disse ele”. Eram várias cabeças. a demanda já era muito grande.. Estava sem um pingo de maquiagem. o calor é provocado por uma massa de ar subtropical. os meios de comunicação davam cada vez mais espaço para divulgar notícias do tempo. Sim.. E Carlos Magno como chefe do grupo de previsores passou a ser muito assediado pela mídia: “A frente fria que provocou chuvas no Rio Grande do Sul. O Inmet. 14/9/1988) “Com a temperatura entre 20 e 30 graus. isso sem falar nos enormes prejuízos em diversos setores da economia que um inverno mais rigoroso ou uma chuva mais intensa podia causar..) Segundo Magno... cabelo com rabo de cavalo. mas a empresa mal saiu do papel. “Era comum algumas pessoas virem até nós para pedir algum trabalho. especialmente em São Paulo. Depois disso. Em 1987. mas foi complicado gerir. Segundo Carlos Magno. uns seis ou sete. ficou difícil para todos. passou a ser mais conhecido e procurado. O nome nasceu ali.) Magno afirma que a falta de umidade é característica do inverno. só melhorou quando a mídia começou a divulgar mais a previsão. responsável tanto pelas altas temperaturas como bela baixa umidade do ar. parecia mais jovem do que era realmente.. chove no Rio Grande do Sul. Enquanto isso. nunca mais deixei me fotografarem sem usar batom e com cabelo preso. safras quebradas. eu mesma me perguntava: ‘quem vai acreditar na previsão do tempo que uma menina faz?’. Eu era muito jovem. De acordo com ele.sobre o tempo. oferecer o serviço. porque negócios podiam ser desfeitos. até juntaram um grupo e formaram a empresa. acabei a faculdade com 20 anos.. cabeças novas sem entender de empresa. que está há quatro meses na região Centro-Sul do País. Santa Catarina e sudoeste do Paraná avança lentamente e deve chegar hoje a São Paulo. Chegou uma hora que isso começou a ganhar volume”. conta Ana Lucia. que fez parte do grupo que criou a Climatempo. um grupo de sete meteorologistas decidiu montar uma empresa. provocando o desvio de massas polares para o oceano. Crescia a procura por informações específicas que saíam um pouco da rotina e eram difíceis de ser atendidas. Quando a gente respondia que não tinha pessoal para isso eles diziam que podiam pagar e que compravam os dados. São Paulo está sob a ação de um sistema de massa de ar de alta pressão subtropical que domina o Atlântico sul. e há tempo seco e quente em São Paulo’.) ‘O calor deve 22 . Paulo. Até aquela época ninguém acreditava muito. 27.” Toda essa efervescência era sentida pelo pessoal do distrito. para aproveitar esse mercado potencialmente em ebulição e incentivado por Carlos Magno. ‘Quando isso acontece. (. Distrito de Meteorologia. do 7º. Quando me olhei na televisão. “No primeiro mês no Distrito dei uma entrevista para a TV Globo. eu acho. Começamos a montar a Climatempo. aí a gente sentiu uma procura maior. (Folha de S. Tinha de passar alguma confiança. “O Magno e a Ana Lucia começaram a organizar o distrito. Era preciso buscar clientes.. São Paulo viveu ontem um dos dias mais quentes do ano. (. por exemplo. do 7º. maior credibilidade.

não.56%. como ficou mais conhecido e cuja alcunha foi registrada em seu nome – “Quem quiser usar tem de pagar os direitos” –. chegando a 1. Foi quando. em contraste com o calor da capital. surgiu uma grande oportunidade. que congrega os jornais O Estado de S. Vernizzi nunca deixou de prestar um valioso serviço à população. Era um locutor esportivo apaixonado por meteorologia. fundado pela família Mesquita. Seria um diferencial da Nova Eldorado. devem-se à circulação de ar marítimo.com. que nasceu em 12 de novembro de 1987. e com isso as despesas ficaram maiores. Uma rotina diária que conquistou um público cativo durante mais de 40 anos. Os funcionários públicos sentiam no bolso a situação e o pessoal do distrito não era exceção. e lá o povo não parava de ouvir as previsões do tempo. Só para ter uma ideia. em 1988. eram muito bem feitas.” João Lara Mesquita tinha razão. “A sugestão de colocar dois profissionais no ar foi minha”. que impedia qualquer tentativa de crescimento econômico. o rádio sempre reconheceu a importância de boletins em sua programação diária. A essa altura. Inaugurada em 1958. Autodidata. em 1988. tanto Ana Lucia quanto Magno foram adquirindo uma certa prática para lidar com a imprensa e conseguiam passar as informações numa linguagem mais clara. jornal ou TV. amigos” o jornalista iniciava as transmissões dos boletins do tempo. avalia João Lara Mesquita. Eis que em um belo dia aparece no distrito Ademar Altieri. o empurrãozinho que faltava para uma grande mudança na vida do casal. a rádio Eldorado faz parte do Grupo Estado. que se interessava pela aviação. O tempo nublado e a temperatura amena verificados no litoral. “Havia o Ministério da Agricultura. “Foi uma ideia pioneira. na época diretor da rádio e um dos responsáveis pela contratação do casal. Nessa época. Por atingir áreas re- motas. O nome de Narciso Vernizzi era sinônimo de previsão do tempo. “Eu acabava de voltar dos Estados Unidos. Ademar Altieri. rádios e tevês começaram a abrir os olhos para esse tipo de conteúdo. como a hiperinflação. chefe de redação da rádio Eldorado AM/FM.diminuir bastante nos próximos dias. não tinha ninguém que falasse”. O rádio foi um dos primeiros veículos de distribuição das informações meteorológicas. Havia a Força Aérea Brasileira ( FAB ). feita com base científica. Todas as manhãs. muito comum e respeitado em boa parte do mundo e pouco valorizado no Brasil. O “Homem do Tempo”. Recorria a dados do 23 . Esse cenário tão promissor não escondia. A ideia de colocar no ar meteorologistas era nova. aliás.037. a dona de casa. Paulo e o Jornal da Tarde. estadao. o portal www. que aumenta a nebulosidade e faz cair a temperatura’”. a inflação acumulada no ano de 1987 foi de 415. relembra João Lara. além de ser um grande divulgador e incentivador da meteorologia. a Agência Estado. pela chuva. com um estilo mais jornalístico. Então encarreguei o chefe de redação. Jornais. porém. relatava Vernizzi quando perguntavam a ele qual era o seu público. 83%. levou seus conhecimentos para a Jovem Pan em 1963. Vernizzi começou sua carreira jornalística no esporte. pela rádio Jovem Pan de São Paulo. que. 28/9/1988) Aos poucos. e desde então foi ganhando espaço. havia em São Paulo um jornalista que conhecia muito do assunto. não havia nada comparável em rádio. com uma proposta inovadora: queria contratar dois meteorologistas que seriam responsáveis pela divulgação da previsão do tempo pela rádio. Para o homem e a mulher da rua. com o bordão “Bom dia. prevê Carlos Magno. Ao mesmo tempo admirado e alvo de deboche. No rádio brasileiro daquela década não havia uma previsão de tempo confiável. que se interessava muito pelo plantio. os problemas econômicos crônicos pelos quais o País passava. especialmente em São Paulo. (Jornal da Tarde. Por isso foi um retumbante sucesso quando entrou no ar”. sofria os reflexos da falta de estrutura da previsão no Brasil. Ana Lucia já tivera seu segundo filho. mas previsão do tempo na rádio. pelos fazendeiros.br e a Oesp Mídia e é um dos mais importantes grupos de mídia do País. de achar uma previsão de tempo bem feita no Brasil. Marcos.

Foi então que começamos a dar mais atenção aos dados históricos. conta João Lara. como explica João Lara Mesquita. aeroportos. Como Ana não usava o sobrenome Nascimento. de onde fazia suas entradas na rádio. que a gente tinha todos os dados ali e não aproveitava. é previsão”. claro. ninguém está te olhando por um vidro. No início. mas o velho homem do tempo já era uma referência para o jovem meteorologista que em breve seguiria pelo mesmo caminho do rádio. “Aí. Ele era chefe dos previsores e não tinha interesse em falar na rádio. um texto e fui para a cabine de gravação. almejava chegar um dia a diretor do distrito e quem sabe até do Inmet. “A essa altura do campeonato todos eram funcionários públicos e todos estavam ralados”. O projeto ainda demorou um pouco para ser implantado. Foi Ana Lucia quem insistiu para que ele fizesse o teste.” A proposta feita pela rádio Eldorado agitou o distrito. Porque ele era jornalista e sabia o que interessava para o público: por exemplo ‘essa tarde foi a mais fria do ano’. o pessoal da Eldorado voltou ao distrito para anunciar os escolhidos. com qualidade de informações”. uma cabine fechada. como as informações eram sempre insuficientes. com uma linguagem popular. como radioamadores. Ironia do destino.. O Magno é tímido e ele não queria ir de jeito nenhum. porém.. Para ele não havia erros: “O nome já diz: previsão não é fato. Fiquei satisfeito ao ouvir o Narciso e em saber que tinha um serviço desse em São Paulo. e o salário era alto para a época. “Eu tinha bastante prática. Risos constrangidos foram ouvidos. conta Ana Lucia. o acordo para o trabalho foi feito entre o Inmet e a Rádio Eldorado. Eu achava fabuloso ter um jornalista falando de meteorologia. Preparei uma ideia. Os dois nunca se conheceram pessoalmente. Sem saber. aí o pessoal falava que ele estava ocupando o nosso espaço. e foi só quando Marco Antônio Gomes. Queria seguir uma carreira política dentro do distrito. a média de acertos não era muito grande e os erros eram muito cobrados. cumulus nimbus. Magno relutou. Fomos lá e testamos todos. Todos no distrito participaram dos testes. o novo diretor de jornalismo da rádio. é você. dá o seu recado e acabou. em 1985. Feitos os testes. eram dois salários para uma mesma casa e tantos outros precisando de um “ex- 24 . com muita simpatia e. Não tinha jornalista assim no Rio. Eu disse ao Magno: ‘ninguém está te vendo. usando frases curtas.Inmet. afinal. que estava divulgando a nossa profissão”. tinha noção do que um meteorologista falava nos Estados Unidos. O pior que pode acontecer é a gente não passar’”. porém. 24 horas no ar de informação e prestação de serviço. ninguém da rádio desconfiou e acabou mantendo a escolha. até que procuramos o Ministério da Agricultura e este nos sugeriu o 7º. foi ouvir o Narciso Vernizzi pelo rádio. Você chega lá.. relembra Magno. dizia. Passados alguns dias. Vernizzi passou a fazer parte do folclore da cidade. Era natural que a situação ficasse um pouco desconfortável para o casal. e fazia parte de uma reformulação que criaria a Nova Rádio Eldorado AM.. o microfone. Aeronáutica. ‘O cara é bom’. agradável. e chegou a instalar uma estação meteorológica em São Roque. ainda no distrito. De qualquer forma. disse Ana Lucia. todos aguardaram os resultados. Naquele primeiro momento. eu percebi que o Narciso furava a gente. coisa de cinco mil dólares para cada um deles. Eu dizia que não. “A primeira coisa que fiz ao mudar para São Paulo. ordem direta. Ensinamos a falar no rádio de forma coloquial. Distrito. E eu pensei: isso é notícia? Aí chegou no distrito uma chuva de jornalistas perguntando se real- mente era a mais fria e eu percebi que isso interessava. Ambas. A ideia era colocar um meteorologista pela manhã e outro à tarde. “Procuramos em dezenas de lugares: na Universidade de São Paulo ( USP). “A AM era uma emissora jornalística e a FM uma rádio musical com coberturas especiais de esportes. Isto é. eram voltadas para formadores de opinião”. Contudo.. consultava todas as fontes disponíveis. aprovou a ideia é que recomeçaram as negociações. os dois meteorologistas selecionados eram exatamente Ana Lucia de Macedo e Carlos Magno do Nascimento. popularizou a meteorologia. a direção da rádio havia escolhido o casal. interior de São Paulo.

Silvio de Oliveira. porém. distribuindo as tarefas de casa e o acompanhamento dos filhos: Bebel e Marcos Paulo. No distrito. O serviço era para o setor cafeeiro da Nestlé. Um desses modelos foi desenvolvido pela Universidade de São Paulo ( USP ). Com a efetivação da empresa. com base em dados gerados por equações matemáticas ainda rudimentares. O novo processo implicava em uma análise mais objetiva. para montar um centro de previsão. mas não de fato”. para que Ana Lucia e Magno prestassem serviços de consultoria em meteorologia. uma das maiores empresas de alimentação e nutrição infantil. A Nova Eldorado ganhava cada vez maior audiência. O trabalho realizado é considerado um marco pelo casal. a primeira nota fiscal da nova empresa seria emitida no dia 20 de setembro de 1988. De acordo com Magno. Ana Lucia pela manhã e Magno à tarde e à noite. trabalhar na rádio e ainda prospectar novos caminhos. Eles não tinham a complexidade de modelos numéricos mais avançados. lembra que esses modelos eram usados como uma ferramenta a mais para a elaboração da previsão do tempo. “Foi um período conturbado e começamos a pensar se iríamos pular para a iniciativa privada ou arrumar outro emprego. Magno e Ana tomaram contato com essas tecnologias durante o período em que cursaram o mestrado na USP e foi ali que. retirar 30% do salário pago pela rádio e dividi-lo entre os outros meteorologistas. todos gostaram e aceitaram a ideia. Foi o ponto de partida para a existência legal da Climatempo. o que elevaria o valor da colheita. mas foram muito importantes na época para a modernização da meteorologia brasileira. mas que representavam um grande avanço para melhorar a previsão do tempo. relembra Magno. Os computadores começavam a fazer parte do trabalho dos previsores e os primeiros modelos de previsão numérica eram utilizados. Para tentar diminuir a tensão entre o grupo. Magno tinha certeza de que o momento certo de alçar voo solo aproximava-se. Foi então que surgiu um pedido da multinacional suíça Nestlé. Agora eles tinham um cliente. tinham uma empresa real. os diretores queriam saber se o ano seria de geadas. existia juridicamente. Esse acerto possibilitou também um arranjo doméstico. as coisas não andavam tão bem. mas logo outros centros o adotaram. a modernização chegava lentamente à meteorologia. Felizmente. Aí eu comecei a pensar em reviver a Climatempo. Uma novidade para uma época que dependia apenas das cartas e dos mapas elaborados e da avaliação do meteorologista. A situação conspirava para isso. captaram no ar um clima de mudança. que estava só no papel e não tinha nenhuma nota. Carlos Magno sugeriu ao então diretor do distrito. ao acompanharem esse processo. em Piracicaba. Seria de lá que transmitiriam os boletins. Não dava para fazer tudo ao mesmo tempo: chefiar previsores. Aquele era o momento. Maria Assunção Faus da Silva Dias. um novo cenário se desenhava. Novos ares para a meteorologia e também para quem vivia da previsão do tempo. Segundo Magno. “A Ana iria estudar na universidade e fazer pós-graduação em agrometeo- 25 . não tinha cliente. e muita vontade de conquistar o mercado que se abria a sua frente. Resolvida essa questão. Aquele foi o momento. A professora e hoje diretora do Centro de Previsões de Tempo e Estudos Climáticos ( C PTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Cachoeira Paulista (SP). Afinal. a consultoria se estendeu para a área de sorvetes e as previsões passaram a ser usadas para acompanhar a produção e estoque do produto. Depois de três meses no ar. um dos diretores da Nestlé ouvia com frequência a Rádio Eldorado e teria ficado muito impressionado com a segurança das informações transmitidas pelo casal por meio dos boletins.tra”. uma cabine foi instalada no distrito. Magno viu seu projeto de seguir carreira no Inmet distanciar-se. os dois já eram bem conhecidos do público ouvinte. A certeza de que deviam investir no novo negócio era tão grande que Magno decidiu recusar um convite da Cooperativa de Produtores de Cana-de-Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (C OPERSUCAR).

o que aumentava a credibilidade na previsão. Preferimos ficar para montar a Climatempo a ser empregado. Com Rodrigo Mesquita como diretor. Se não acertavam sempre era pela falta de recursos técnicos mais modernos para elaborar o prognóstico. ao mesmo tempo segura. Marquinhos. Magno tinha consciência de que era preciso ir devagar. foi contratada a jornalista Patrícia Ferraz. Enquanto isso. Distrito de Meteorologia. da Rede Globo. Magno um dia sonhou com um lugar próprio para a Climatempo. a Agência Estado deu início à modernização dos seus serviços. Magno e Ana. pelas ruas próximas ao apartamento.rologia. Magno usava as manhãs – enquanto Ana estava de plantão no distrito e a filha mais velha Bebel na escolinha – para passear com o filho mais novo. Em abril. Pelo menos por enquanto. com o desenvolvimento do projeto de modernização da previsão do tempo na AE. mas seria pioneira na implantação de uma nova filosofia nesse novo nicho de mercado: oferecer uma previsão de tempo diferenciada. Eram eles que todos os dias divulgavam a previsão para São Paulo e também passavam as informações para eventuais matérias. Com os olhos voltados para fora da janela. contudo. assim como a Eldorado. Magno e Ana Lucia não eram exclusivos da AE. Como as coisas ainda estavam apenas no começo. ainda uma pedra no caminho da meteorologia brasileira. finalmente encontrou uma casa que atendia às suas expectativas: ali poderia instalar a mulher e os filhos. direta. Vale lembrar que o momento era da meteorologia e os fatos que envolviam o tempo e o clima despertavam cada vez maior interesse da imprensa. em 1982. também sofria um profundo processo de reformulação. a Climatempo. a Climatempo já era uma realidade. Além de distrair o filho. Trabalhando em regime de escala no Inmet. Outras mídias passaram a demonstrar interesse pela meteorologia. São Paulo. Assessoria. aliás. Paulo e Jornal da Tarde. mas sem estrutura física. coube a ela o pioneirismo de ser a primeira mulher do tempo do programa Bom Dia. Elói Gertel e Sandro Vaia como diretores de conteúdo. Uma das propostas era oferecer uma coluna de previsão do tempo. inclusive a filha mais nova. a Climatempo não seria a primeira empresa privada de prestação de serviço em meteorologia. conta Magno. um novo gru- po de jornalistas assumia a direção da agência. reformulando suas colunas e investindo no conhecimento da previsão do tempo. Projetos e Serviços. Nesse primeiro momento. Em 1988. mais voltada para levantamento de dados e assessoria técnica. Eles conseguiam explicar os termos técnicos com uma linguagem clara. Queríamos montar uma empresa diferente. que ficaria responsável não só pelo serviço para os clientes. além disso. em 1977. Magno aproveitava para procurar um local que pudesse ser a nova sede da empresa. Chegara o momento de encontrar esse lugar. Antes dela. já escolados pela rádio Eldorado. Aos poucos. 26 . Vera. No fim de 1988. teve também um papel importante na moderna meteorologia brasileira: foi a primeira meteorologista com curso superior a trabalhar no 7º. em São Paulo. Era puro sonho de dois jovens que já tinham alguma experiência profissional e conhecimento da demanda do mercado de meteorologia”. tinham maior facilidade de comunicação. a necessidade de ter informações mais individualizadas começou a pesar nessa relação. O apartamento de 50m 2 que o casal havia comprado na Vila Mariana era pequeno demais para comportar uma empresa com grandes possibilidades. Naquele momento. mas pouco a pouco o atendimento passou a ser dado principalmente por Carlos Magno e Ana Lucia. a AE. outro braço do Grupo Estado. Foi o caso da Agência Estado ( AE). a presta- ção de serviços era feita pelo Inmet e o casal falava em nome do distrito. Para isso. a meteorologista Vera Malfa Pereira fundara a Tropical Meteorologia. mas também pela mudança nas colunas do tempo nos jornais da casa: O Estado de S. a Eldorado tornava Magno e Ana cada vez mais conhecidos. os dados eram fornecidos diretamente pelos meteorologistas do Inmet. No início. específica para os clientes interessados. Depois de muito procurar. sem um grande capital nas mãos para grandes voos.

Um dia em que a crendice popular no Nordeste diz que. Para o seu lugar. Victor. Josélia não tinha noção do que era um curso de meteorologia. uma pisciana. que nada mais era do que usar a técnica e os conceitos matemáticos e transformar isso em equações. Uma linha telefônica era caríssima. acompanhando também a evolução da Climatempo. Magno convidou outra meteorologista. Ela fazia meteorologia”. quando chegou a hora de prestar vestibular. em uma sala. Josélia Pegorim trabalhava na TV Cultura. e começou aí uma duradoura parceria. “Na rádio. Ela é a segunda de seis irmãos. mas passados esses anos todos. Josélia. Entrou na Universidade de São Paulo e foi lá que começou a estudar matemática aplicada. Pequeno. um sofá. Por ele recebiam os dados e as fotos de satélites que compravam do Inpe. um computador. mas jeitoso. Nele. Coincidência ou não. Silvio de Oliveira. “É. o 132. Ana Lucia. O serviço incluía previsões do tempo para a tevê e para a rádio Cultura. Magno. foi no coral da USP que uma amiga lhe falou de uma cobertura de férias na central de meteorologia da TV Cultura. Mas o período ainda era de incerteza econômica e nem o projeto vitorioso da Nova Eldorado conseguiu sobreviver à hiperinflação. conta Magno. de uma forma que as pes- 27 . Ana decidiu deixar a Eldorado e ficar como previsora do Inmet e da Agência Estado. substituiu outra pisciana. “Você é louca”. Eles pediram para renegociar o contrato. foi assistir a algumas aulas. Era a primeira vez que entrava em um centro de previsão e foi ali que. Josélia não sabia quanto esse conhecimento seria útil. E fizeram isso já diretamente com a Climatempo. que tinha alguma noção de informática. Filha de arquiteto. e com sua voz potente e clara logo conquistou um público fiel. Em casa. artigo raro naquele momento. uma rua de comércio atacadista de materiais e acessórios eletrônicos. também na Vila Mariana. uma mesa e a grande aquisição: um computador. Ela assumiu o lugar de Ana Lucia durante as manhãs em 1989. Naquela época. Nos fundos. Chegou um momento em que a rádio não tinha como sustentar os altos salários pagos. Mesmo assim. Distrito. “Um dia eu estava andando pelo campus e dei de cara com uma amiga. 19 de março. sua primeira ideia de profissão estava ligada à arquitetura. mas era um investimento”. no centro de São Paulo. quando chove. custava em média 4 mil dólares. outra paixão em sua vida. foi montada a infraestrutura básica para a Climatempo. tinha espaço para todos os filhos. ou seja. se juntam. disseram os pais. de repente.O sobrado ficava na Rua da União. com o grupo que fazia o serviço de previsão de tempo por telefone da antiga Telesp. começou a instalar programas. além do serviço telefônico do 132. modelagem numérica. Contudo. Quando Ana Lucia resolveu deixar a rádio Eldorado. Magno comprou um fax de segunda mão da NEC. ninguém entendeu. Ali tudo começou. aprendeu a elaborar a previsão de tempo. Na Santa Ifigênia. sugeriu seu nome para Magno. Até aí.” Josélia começou a transmitir seus boletins direto do 7º. a gente brinca que eu sou a louca que deu certo. equipamento fundamental para trabalhar. e que fazem aniversário no mesmo dia. outra grande novidade na época e que também passou a fazer parte da estrutura. E aos poucos foram comprando a mobília: uma estante. Dia de São José.” Apaixonada pelo canto. o inverno vai ser bom. Grávida do terceiro filho. As dificuldades iniciais para trabalhar eram enormes. a profissão ainda é uma coisa rara: duas mulheres e duas meteorologistas. numa mesma empresa. porém. duas pessoas meteorologistas. Josélia tomou gosto pela previsão. fui aprendendo com o Magno a contar uma historinha. o diretor do distrito. analisar o currículo e chegou à conclusão que era muito interessante. O Inmet havia se afastado do negócio e a rádio passara a ser mais um cliente da nova empresa. início da década de 1980. com os meteorologistas mais antigos. decidiu mesmo pela matemática. “Eu lembro que a gente pagava 30% de tudo que recebia em aluguel da casa. Pediu transferência e não se arrependeu. Josélia veio do Rio de Janeiro com a família aos 11 anos. “A estatística jamais vai conseguir explicar como nesse mundo. relembra.

as informações chegavam por meio de um modem e um sistema de transmissão chamado Procon. das nuvens. sempre solicitada quando o assunto era meteorologia. Queriam que eu entrasse ao vivo porque estava caindo uma tempestade em São Paulo.” Por isso que uma previsão errada podia ser muito dolorida. “Quando começou a Climatempo. mesmo quando a transmissão não era gravada. Foi com o Jô Soares. “Eu faço parte de uma geração de profissionais. as nuvens que estavam em Mato Grosso do Sul não iriam chegar a São Paulo. “O meteorologista que trabalha com previsão tem relações delicadas. toda a prática do mundo não afastava os riscos de erro na previsão. conta Josélia. As imagens eram recebidas por um fax. O meteorologista não podia culpar máquinas. Por outro lado. Em destaque. Nesse momento eram três jovens meteorologistas trabalhando basicamente para dois clientes. Vale lembrar que se está falando ainda do final da década de 1980. estampava a manchete “Detetives do tempo”. Ele convive e vai conviver o resto da vida com o erro. A prática dos boletins trouxe também o traquejo de uma boa locução e a segurança necessária. o nome Josélia Pegorim tornou-se conhecido. a parceria com a Agência Estado ganhou fôlego. a Cli- 28 . computadores e modelos. uma modernidade para a época. Eu estava saindo da faculdade. Eu estava tremendo que nem uma louca. A transformação do céu. assim como Carlos Magno e Ana Lucia. É olhando para o céu. da Agência Estado. Nós aprendemos a fazer previsão na mão. que é uma fotografia. quando “o tempo” virou notícia de caderno de polícia. Josélia acumulou os dois trabalhos. Com o tempo. era um sábado. Ainda bem que deu tudo certo. mas prática nenhuma”. Faz parte do dia a dia. “Eu lembro a primeira vez que entrei ao vivo. Era ele o principal intérprete do céu. na TV Cultura e na rádio Eldorado. uma novidade.” Josélia tem consciência da responsabilidade de fazer uma previsão. Já na Agência Estado. que também se faz uma previsão. escrita por Patrícia Ferraz. na ponta do lápis e na borracha. começou a chover no sábado. eles passaram também a abastecer o noticiário dos jornais para os quais trabalhavam. E muito mais do que fazer previsões de tempo. uma foto do meteorologista Carlos Magno no papel de Sherlock Holmes e o subtítulo: “Os meteorologistas ajudan- Õ Em 1989. nada a ver com a forma que faço hoje. como eu errei tanto’. Durante um bom período. Eu olhava para o céu e chorava: ‘Meu Deus. sugerindo pautas com temas inimagináveis nas redações. Entretanto. pois até então as fotos vinham de ônibus de São José dos Campos para a Agência Estado. ainda mais quando é divulgada pela rádio. fiz a entrevista pelo telefone. informa muito sobre a condição do tempo. e choveu o domingo inteiro a ponto de inundar a cidade.” matempo fechou um acordo em que cabia à agência levantar os dados. A reportagem.soas entendessem. a bela voz da rádio Eldorado. Um erro pode prejudicar muitas pessoas que confiaram nela. comprando-os de empresas estrangeiras ou por meio de convênios com as instituições governamentais como Inmet e Inpe. Eu estava de plantão na TV Cultura e na rádio. Nós aprendemos a olhar e muito bem para o céu. mas elas existem e vão continuar a existir até o fim. após 20 anos de aprendizado. Todas as pesquisas e estudos que são feitos servem para diminuir as margens do erro. Foi o que aconteceu na edição do dia 12 de maio de 1989 do Jornal da Tarde. com um poder enorme de difusão. e eu dei uma previsão de que não iria chover. até a compra do fax”. que não tinha computadores nas nossas vidas. Para poder suprir todas as necessidades da AE com os jornais da casa e também com seus clientes. mas ainda baseados no distrito. o processo era bem rudimentar: duas imagens por dia vinham de ônibus. “Lembro que chorei uma vez por conta de uma previsão errada. que fazia um programa na rádio sobre jazz. No começo era uma história muito quadrada. Bom. via Pássaro Marrom. relembra Magno. a Climatempo ficaria responsável pela recepção de fotos do satélite enviadas pelo Inpe. Sorte que não era tão conhecida ainda”. Uma época frutífera em que adquiriu a tão necessária experiência. tinha algumas coisas na cabeça.

. Muitas vezes. no dia 8 de novembro de 1986. Beltran disse à polícia que no segundo dia do sequestro ele ouviu um barulho de trovões.) A polícia acreditava que ele. havia ficado escondido na Grande São Paulo. na Grande São Paulo. as condições do tempo numa determinada hora ou local podem ser decisivas para esclarecer um caso ”. Logo no início da matéria a explicação sobre o trabalho desconhecido dos meteorologistas: “Consultando mapas e fotos de satélite. 29 . eles ajudam a resolver casos complicados. seria preciso uma estação meteorológica em cada bairro para ter essa informação. (. segundo o meteorologista. Mas não era só nos jornais ligados à Agência Estado que Carlos Magno e Ana Lucia davam seus pitacos. Com certeza. sem chover”. Magno foi um dos meteorologistas ouvidos pela reportagem e lembrou-se de um caso marcante em sua carreira.do a combater o crime”. Revistas especializadas – desde publicações destinadas a velejadores até revistas de cooperativas de laticínios –.. o sequestro do banqueiro Antonio Beltran Martinez: “Quando foi libertado. conta Magno. havia trovejado. Magno e Ana Lucia sentiram que era hora de largar de vez o serviço público e apostar todas as fichas na Climatempo. além de jornais de todo o estado de São Paulo cada vez mais incluíam a previsão do tempo em suas edições. Mais experientes e com dois clientes na carteira da empresa. o banqueiro. sem chuva. pois. Nesse caso foi impossível obter uma resposta. e queria saber onde. poucos leitores deveriam saber que o trabalho de um meteorologista pudesse estar ligado a intrincados inquéritos policiais.

.

não deixaria passar em branco uma data especial para os meteorologistas. ele estava cansado. O Magno saiu primeiro. No mínimo. ao mesmo tempo. ciclones e anticiclones. a melhor prestação de serviço chega a você. altas e baixas pressões. Com a cabeça voltada somente para a Climatempo foi a hora de prospectar novos mercados. “Eu saí primeiro e um mês depois a Ana saiu também”. As amizades. Depois de analisarem fotos de satélites. segurando as pontas com um emprego fixo. dava a resposta: “Com que roupa eu vou?” Os meteorologistas Carlos Magno e Josélia Pegorim transmitem para os ouvintes da Nova Eldorado AM os mais precisos boletins do tempo. afinal eles foram com a cara e com a coragem. Além disso. o alagoano Fernando Collor de Melo. A rádio. 3 . lembra Magno. tanto que havíamos alugado uma casa maior”. 3 de março. depois de vários anos de ditadura militar e de um lento processo de redemocratização. no sobradinho da rua da União. que a demanda estava aumentando. Rádios e tevês também passaram a se interessar mais sobre o assunto. lembra Ana. foram mantidas. aliás. Em casa. é o Dia do Meteorologista. porém. Fernando Collor afastaria mais de 100 mil funcionários. em 1990. A exemplo do Estadão e do JT. Apesar das boas relações cultivadas ao longo dos anos. Collor prometia uma verdadeira limpeza em vários setores. principalmente no serviço público. Ouça. Magno dividia com Josélia os boletins diários na Eldorado. eles mantiveram contato. A Climatempo já existia de fato atendendo à rádio Eldorado e à Agência Estado. Paulo para prestar uma homenagem aos meteorologistas de todo o País. você vai saber com que roupa sair”. era para a Ana Lucia ter ficado mais um ano no Inmet. A gente sabia que era o momento e que a tendência era de o mercado crescer”. eles sentem a torcida para que não apareçam cumulus. Foi nesse momento Ambos sentiram. as condições políticas de trabalho no distrito estavam mais difíceis e ficava cada vez mais complicada essa dupla jornada. mais jornais demonstravam interesse em modernizar suas colunas de previsão do tempo. Nós respeitávamos a empresa. Por causa disso. ano em que sofreria o impeachment. trabalhando muito. Em meados de 1990. Ensaiando já há algum tempo a saída do distrito. “Nossa saída foi uma contingência. o Inmet era um órgão do Ministério da Agricultura. Hoje. os brasileiros elegeriam pelo voto direto o novo presidente do País. “Na verdade.” A agricultura era uma opção natural. Como consultores do Grupo Estado. Collor deu início a uma série de demissões no serviço público. Eles sabiam das possibilidades dessa área.N Para Carlos Magno e Ana Lucia também foi um período conturbado. A saída do Inmet foi de certa forma um pouco traumática para ambos. porém. Com fama de “caçador de marajás”. a determinação do Governo Federal foi o empurrão que faltava. Foram bem ousados. o Brasil vivia momentos de forte movimentação política. Magno e Ana viram as portas se fecharem no que dizia respeito à obtenção de dados. do INMET. a Eldorado comprou três quartos de página do caderno de esportes do jornal O Estado de S. “Quando o Magno e a Ana saíram. o outro ficava responsável pelos serviços de casa e também pelas três crianças. Por outro lado. afinal. muito menos com os nimbus. Em dezembro. leia e veja o trabalho deles. nesse tempo. Na sexta-feira. no setor de comunicação a demanda já estava aquecida. O informe perguntava e. Ana e Magno deixaram de ser Na telinha da Globo 31 o fim de 1989. Essa foi a deixa para Ana e Magno. massas de ar frio vindas da Patagônia. a rotina familiar era dividida pelo casal: enquanto um estava no distrito. Ao assumir. conta a meteorologista Neide de Oliveira. Até 1992. que eles decidiram pedir demissão do Inmet e investir no próprio negócio. A gente já estava se preparando para sair. No dia 3 de março. Outra determinação foi a de impedir que servidores públicos exercessem outra atividade na iniciativa privada. eles já tinham um fluxo de caixa para montar um pequeno centro de previsão do tempo. tanto na parte técnica quanto em volume de informação para a elaboração das previsões para o atendimento aos clientes.

30/11/ 1990). Paulo. “Em julho de 1990. o São Paulo Já. O SP-JÁ. O novo formato permitiu algumas inovações importantes. Carlos Nascimento. responsável pelo Bom Dia. do 7º. em média. informou o meteorologista Carlos Magno do Nascimento. e a previsão do tempo. nasceu em 24 de setembro de 1989 e já estava com seis meses em 1990. ‘Foram 14 dias com temperaturas acima dos 30 graus’. como as entradas ao vivo de vários pontos da capital e do interior. disse Magno”. da Agência Estado.” Carlos Nascimento tinha em mente o modelo norte-americano. pediu que Patrícia apresentasse um projeto de meteorologia ou indicasse um bom serviço. 07/4/1990). com uma linha editorial mais descontraída. mas com abrangência nacional. Na época. assim como eu. O meteorolo- gista se baseou na média das temperaturas máximas observadas no Mirante de Santana. Soares lembra que foi um período de grande efervescência criativa na Globo e credita ao jornalista Carlos Nascimento o entusiasmo para encaixar no projeto o quadro do tempo. uma tradição norte-americana. No começo. a divulgação da previsão do tempo pela tevê começou em 1941. o uso do helicóptero para acompanhar não só o trânsito da cidade. ‘Ela chegou quente e úmida e agora está seca. Naquele momento. o formato era uma experiência inovadora que a emissora pretendia implantar em toda a rede nacional. Distrito de Meteorologia. O quadro seria apresentado por uma moça do tempo. em 1944. Eu estava com 29 anos e Ana com 26”. Éramos meteorologistas previsores e era com orgulho que a gente via a nossa previsão ser difundida.. Paulo. o jornalismo da Rede Globo passava por uma profunda reformulação com a criação de um novo telejornal local. Foi fabuloso. mas por um homem do tempo. pioneiras e que foram incorporadas definitivamente ao padrão global. e este ano os termômetros chegaram a marcar 28. com quadros. foram feitos vários pilotos para serem apresentados ao mercado televisivo. da Agência Estado. Na verdade. o que dificulta ainda mais a penetração de frentes frias’.identificados como previsores do distrito e começaram a ficar conhecidos como meteorologistas da Agência Estado nas matérias dos jornais da casa. e à noite um resumo das principais notícias do dia.” Para a edição executiva do projeto foi chamado o jornalista Amauri Soares.. que nessa época ainda fazia parte da emissora. a cidade contava com seis 32 . O contato foi feito por meio de Patrícia Ferraz. quando o casal foi procurado pela Rede Globo. Distrito de Meteorologia de São Paulo” (. uma edição de 20 minutos. mas todo e qualquer evento de destaque. uma moça do tempo e uma meteorologia que já na década de 1990 estava bem à frente da brasileira.) (O Estado de S.. São Paulo.) O meteorologista Carlos Magno explicou que a massa de ar quente que está sobre o Sudeste veio do Oceano Atlântico e entrou pelo Nordeste. conseguimos o contrato com a Rede Globo.4 graus. e como todo bom caipira gostava de acompanhar a previsão do tempo. Segundo o meteorologista Carlos Magno. Nos Estados Unidos. Victor. isso indica que o verão poderá ser um dos mais quentes da última década. em Nova York. “Nascimento era do interior. relembra Magno. Centro-Oeste e agora está sobre o Sudeste. registrada às 15 horas de ontem no Mirante de Santana. a temperatura de ontem chegou bem perto do recorde do último verão na capital: 32 graus.8 graus. Ela trabalhara durante anos na tevê e conhecia muitos jornalistas de lá. do 7º. Passou pela Região Norte. Segundo ele. o filho mais novo. no dia 25 de janeiro. tinha duas edições diárias e à tarde cobriria o espaço do Jornal Hoje. (O Estado de S. mapas. As máximas registradas normalmente nesse mês são de 25. de São Paulo. “Este foi o novembro mais quente dos últimos 30 anos na cidade.. Magno foi então procurado para elaborar a previsão dos telejornais paulistas e mais tarde também dos jornais Hoje e Nacional. Como os dados utilizados pela AE eram da Climatempo. (. foi a mais alta já ocorrida no outono paulistano desde a fundação da estação de Santana. como ficou mais conhecido. em um período em que crescia o espaço para esse tipo de informação: “A temperatura de 31.4 graus.

A figura da moça do tempo surgiu nos EUA . com um breve have a happy day (tenha um dia feliz). o quadro ganhou um visual moderno. Na década de 1970. que era responsável pela rádio. Outras moças do tempo viriam ocupar o seu lugar no decorrer dos anos. não havia nada. Aos poucos. nem aos jornalistas nem aos meteorologistas. o formato profissionalizou-se e ganhou espaço no jornalismo. da TV Cultura. com imagens do satélite. nos anos de 1980. agora misto de lar e de empresa. com Carol Reed. compreensível e ao mesmo tempo dinâmica. Na década de 1970. O resultado não agradou nem ao público. a primeira moça a apresentar um quadro na televisão brasileira teria sido Albina Mosqueiro. na CBS. a Globo fizera uma tentativa com a meteorologista Vera Malfa Pereira. Márcia ia para a Globo na parte da manhã e Ana Lucia entrava à tarde. na TV Cultura. Segundo Ana. guarda-chuvas e gorros para dar as informações que soavam superficiais demais. grafismos. tanto para os meteorologistas – que nunca haviam tido qualquer contato com os mecanismos da tevê – quanto para quem iria exibir o novo quadro. toda essa parte de computação gráfica da Globo de São Paulo começou com a previsão do tempo. O pessoal da Aeronáutica me dizia: ‘prefiro ver a animação da foto de satélite na Globo à que eu tenho aqui’”. Disseram-me: ‘você senta aqui. Além de Josélia. mas eu. Na Grã-Bretanha.mil aparelhos que recebiam as informações pelo canal NBT (atual NBC) por meio de cartoons animados pelo apresentador Woolly Lamb. está seco. Nessa nova fase. “Estava tudo por fazer: linguagem. sempre marcando suas despedidas diárias. “Até mesmo para os meteorologistas aquilo era um sonho. Reed tornou-se musa do tempo e reinou durante 12 anos nas telas. “Cheguei lá e não sabia nem quem era o meu chefe. O equipamento destinado à elaboração da previsão foi o primeiro do departamento. Era preciso que os conceitos da meteorologia fossem elaborados de forma clara. não havia ainda. A ideia inicial não era a de fazer um quadro hermético. seguindo até a noite. ex-apresentadora do programa infantil Bambalalão. Silvana interpretava um papel todos os dias: usava galochas. prejudicando a credibilidade. Em 1954. Ele sempre iniciava o quadro cantando: “Está quente. conta Ana. tudo ia se acomodando no sobradinho. Woolly Lamb. posso prever o tempo de amanhã”. um computador disponível para eles. e sim suavizar a forma de transmitir a previsão. a primeira moça do tempo foi a atriz Silvana Teixeira. “Aqui na área escura. os primeiros funcionários começaram a ser incorporados ao grupo para atender ao novo cliente. No Brasil. Isso significou dividir o mapa do Brasil e de São Paulo em faixas que compreendessem tempos correlatos. Na Climatempo. No começo. a tradicional BBC iniciou seu quadro do tempo com um homem no comando. Com as inovações tecnológicas. computação gráfica. George Cowling foi o primeiro apresentador da rede. foi pensado o conceito de faixas para a previsão do tempo. Outra preocupação inicial foi com o desenvolvimento do formato. em 1952. O quadro foi uma grande novidade para todos nós envolvidos nele”. em 1962 cerca de 460 emissoras tinham um profissional específico para cobrir essa área. Ana lembra que todo o pessoal envolvido no quadro do tempo teve de aprender a receber as fotos de satélite – que chegavam de três em três horas – e a fazer a animação em cima dos mapas. Graças ao seu sucesso várias emissoras passaram a ter a sua moça do tempo. está chovendo. no departamento de arte da TV Globo de São Paulo. e as garotas do tempo cederam espaço para os homens do tempo que então dividiam com elas a responsabilidade de apresentar a previsão do tempo. Assim. no departamento de arte’”. está frio. Absoluta novidade. que vai do 33 . Por incrível que possa parecer. Ana e Magno montaram um esquema que possibilitou a divisão de trabalho entre o grupo. foi contratada a meteorologista Márcia Costa. no Bom Dia São Paulo. Um período de experimentação. relembra Amauri. na visão de Amauri Soares. em 1969. Segundo o New York Times. Com a necessidade de adaptar a rotina da empresa. que trabalhava na Infraero.

falível. Quando compreendemos isso ficou mais fácil lidar com a imprevisibilidade da previsão”. mas dar ao público o direito de saber o que aconteceu e o que não aconteceu com o tempo em determinado dia. explica Amauri. o tempo não vai ajudar. a partir dali foi possível incorporar essa falibilidade.” Amauri Soares relembra um episódio típico dessa fase inicial. nesse período de implantação. “Passamos a explicar o tempo. o próprio Carlos Magno começou a participar dos jornais. portanto. era como se fosse um erro jornalístico. desses que toda a família se prepara para deixar São Paulo e aproveitar o tempo livre para descansar. Lógico que a gente errava. lembra Ana Lucia. Bom. para os meteorologistas era um choque ver aquele tipo de informação. confessa Soares. A criação de faixas de tempo começou pelo mapa de São Paulo. mesmo sendo um desafio. Não era questão de coragem. “Era um feriado prolongado. Na hora de divulgar a previsão. ao colocar frente a frente uma família que deixou de viajar porque acreditou na previsão de chuvas e o meteorologista. era muito prazeroso. eu como fechador do jornal tinha algumas preocupações em relação ao quadro do tempo”. no campo e em especial nos feriados.” Essa forma de apresentar as diferentes áreas foi desenvolvida na Globo e não se conhecia projeto semelhante em nenhuma outra televisão. afinal. “Eles diziam: ‘como vocês têm coragem de detalhar tanto a previsão?’. As pessoas se situavam naquele mapa sem precisar ficar detalhando cada ponto. Choveu. não aceitávamos o erro. perceberam o equívoco: não dava para exigir rigor e perfeição de uma previsão. Eu lembro que a gente bateu muito nisso: ‘olha só. e coisa e tal. assim como todo o pessoal da tevê. aproximando o conteúdo da previsão ao dia a dia das pessoas”. Aquilo foi crescendo.Rio de Janeiro até o Acre. e foi um trabalho de educação. O importante não era apenas divulgar uma previsão. queríamos alcançar a exatidão. sempre apresentado por uma moça do tempo. porém.” O trabalho diário na Globo. Teve uma catequese dentro da redação. abriu um sol intenso. “Era tudo muito criativo. cobrando explicações para o que realmente havia acontecido. Essa constatação mudou a percepção do quadro e. Além das moças do tempo. novo e divertido. tanto de conteúdo quanto do formato. dando maior dinâmica à apresentação. colocá-lo em uma camisa de força. que no norte do estado ia fazer sol e no resto o dia poderia começar com chuvas. “A primeira era que tínhamos uma visão jornalística da previsão. Mas era um jeito que a gente conseguiu de explicar com poucas palavras e uma boa imagem. O quadro deixou de ser engessado para ser dinâmico. Entendemos que o tempo faz parte da vida das pessoas e assim tentamos humanizar a informação. em especial. no primeiro dia do feriado. de repente começou a se interessar a escrever o texto da previsão. Com o passar dos meses. se desenvolvendo e a gente cativando o povo. relembra Ana Lucia. Ana tem razão ao lembrar como foi um lento processo de construção de credibilidade. um dia lindo. ”A previsão erra e o erro também é notícia. muito nítida. “Colocávamos ao vivo para falar do tempo na cidade. Nos Estados Unidos é assim. acredita Amauri. um balde de água fria: o feriado seria de muita chuva. sendo entrevistado ao vivo quando a situação exigia. mais do que isso. que a previsão do tempo tinha uma lógica e que eles não erravam tanto assim. “O Amauri Soares. nem precisar sair de casa’. porém. Pensar o mapa do Brasil e de São Paulo dessa maneira foi a solução para tentar passar o maior número de informações possível em um curto espaço de tempo. era uma previsão e. muito clara. mas foi de telefonemas para reclamar 34 . Segundo Ana Lucia. os erros e os acertos. Mas nós nunca nos metemos na linha editorial”. A gente errava uns cinco dias por mês. eles começaram a ver que Ana Lucia e Magno eram pessoas sérias. que era o editor. Com o tempo. Ficamos amigos nesse período. por exemplo.” Amauri também não conseguia admitir um quadro que pudesse engessar o jornal. “No começo. o tempo será chuvoso. ele. porque os jornalistas não acreditavam”. a gente tinha noção da correspondência de cada área para cada previsão. Ele ressalta que esse processo de assimilação acabou dando maior agilidade ao jornal.

. Distrito de Meteorologia. davam um panorama completo da situação. Na verdade. É fácil entender a opção da Rede Globo pela Climatempo. Em 1991. arte. estou aqui há três meses e nunca erraram uma previsão’. logo percebeu quais eram as informações que mais interessavam a cada órgão. registrava a matéria. Na reportagem ficava clara a estrutura precária do Inmet: “O distrito não conseguiu detectar a existência de uma linha pré-frontal. Paulo. No 8º. eles logo aproveitavam a deixa para ir além do factual. em outubro de 1990. atuando diretamente na área de comunicação. O equipamento receptor está quebrado em fase de manutenção. eles é que começaram a prestar mais atenção nelas”. dois verdadeiros ícones na rede. como mostra a reportagem publicada pelo jornal Folha de S. havia falta de pessoal e de material por causa da falta de pagamento. em Porto Alegre. um novo desafio para a equipe da Climatempo: elaborar a previsão do tempo para o sóbrio e aristocrático Jornal Nacional. No fim. “Começou tudo de novo: linguagem. que pegou todos de surpresa.” Por outro lado. no Vale do Paraíba”. que eram reproduzidas pelo Estadão e por uma rede de jornais em todo o Brasil. A situação do Inmet nesse período era crítica. Se a notícia era um tornado em Ribeirão Preto. Começamos com um minuto e vinte segundos. rádio ou tevê.. A credibilidade das previsões feitas pelos principais órgãos públicos andava em baixa. acreditando na previsão. relembra Ana Lucia. Aí colocamos o Magno ao vivo. que tinham deixado de viajar. as causas disso. O jornal era apresentado até então pelos locutores Cid Moreira e Sérgio Chapelin.da previsão. Além desse equipamento. relembra Ana. explicando como esse fenômeno se formara. de acordo com a reportagem. Ilustrações e infográficos nos jornais. “Começamos a desenvolver tudo. Com uma boa rede de dados e com a informação chegando com facilidade. O escritório de Curitiba não repassava informações confiáveis. 35 . na Eldorado e na Globo. Os equipamentos estavam com defeito e havia meses telefone e telex estavam cortados. O sucesso do quadro do tempo nos jornais regionais de São Paulo animou os executivos da emissora a implantá-lo também em outras praças (nas edições regionais de outros Estados) e no mais tradicional e influente telejornal daquela época: o Jornal Nacional. e no fim as pessoas foram entendendo o que tinha acontecido. apresentação. o instituto também está sem um papel especial que imprime a fotografia do satélite transmitida por telefone diretamente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). tínhamos de dar a previsão do Brasil todo em cinquenta segundos”. O mesmo caso quando nevava no Sul do País ou quando uma tempestade atrapalhava a vida do paulistano. Mais do que isso: perceberam que tudo o que estivesse ligado ao tempo era notícia e se fosse tratada de forma adequada virava destaque em jornal. Eis que para fazer companhia aos dois surge a jovem figura da apresentadora. para se explicar para uma porção de telespectadores irados. a polêmica: “Meteorologia erra e chuva surpreende paulistano”. Também logo assimilaram a linguagem jornalística e entenderam o que era notícia e o que era mera especulação. Problemas como esse não afetavam apenas a credibilidade da meteorologia brasileira. Nem Magno nem Ana estavam mais no distrito quando a matéria foi feita. Logo na manchete. O interessante é que o Magno explicou que a frente fria tinha se desviado. mas principalmente a população. o espaço destinado a elas rapidamente cresceu. A linguagem jornalística da previsão do tempo na tevê não existia no Brasil”. enfim. A introdução da previsão do tempo quebrou a hegemonia masculina do noticiário. entradas ao vivo na rádio tornaram-se cada vez mais frequentes. a equipe da Climatempo. depois caiu para um minuto. Por causa da seriedade das informações transmitidas ao público. chamado de Unidade de Análise de Imagem ( UAI). pois não recebe a fotografia do satélite meteorológico GOES desde sexta-feira passada. “A Globo começou a valorizar a meteorologia até um ponto em que as pessoas começaram a notar: viravam para a gente e diziam: ‘puxa. produziram boas matérias na Agência Estado. relembra Magno.

mas convincente: “En- quanto o Inmet garante 80% de acerto nas previsões meteorológicas. assumiu o quadro em julho e virou notícia em várias publicações. o formato do quadro no JN causou certo estranhamento à apresentadora por ter de ficar praticamente de costas para o vídeo. na qual Carlos Magno afirmou que já havia nevado em São Paulo: “Dez para a reportagem de Carlos Magno em que provou que já nevou na avenida Paulista. o quadro do tempo. o Inmet passava por dificuldades financeiras para manter os centros regionais. E Sandra. coleciona mais popularidade do que conseguiu com suas participações em vários programas e minisséries. “Nós não nos responsabilizamos pela previsão do tempo do Jornal Nacional. A informação factual e histórica também demonstrava a competência de seus principais integrantes. não chega a ser estranha a reação da direção do instituto ao progresso da iniciativa privada.” (O Estado de S. tinha uma resposta simples. responsável por um observatório meteorológico na avenida Paulista. Ela aparece três minutos por dia na tela da emissora. diz Ana Lucia de Macedo. não trabalha com dados oficiais”. Magno lembrou que. no JN. aos 23 anos. estocou o chefe do Inmet no Rio. décadas e décadas atrás. na época colunista do extinto Diário Popular. De fato. para espanto dos apresentadores Carlos Tramontina e Mariana Godoy. Em geral. A margem chega a 90% em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. a reportagem . com o passar dos anos já é possível dizer que não foi 36 Na mesma matéria sobre a moça do tempo da Globo. Carlos Magno. ninguém poderia imaginar!”. a Climatempo contra-ataca com a garantia de 85% de acerto. o meteorologista Belfort de Mattos. 27/7/1991) Enquanto novos caminhos se abriam para a Climatempo nos principais órgãos de comunicação do País.’ Ana Lucia garante que a precisão conseguida de 1989 para cá não é ideal.” Gravado em São Paulo e gerado para o Rio todos os dias. Na Globo. Também faz o máximo para dar as costas ao telespectador. por exemplo. Na verdade. tudo o que Carlos Magno sugeria como pauta parecia novidade até mesmo para os jornalistas da emissora. O Inmet nunca teria “digerido” muito bem a ideia de que uma empresa fosse a escolhida para elaborar a previsão do tempo da maior rede de televisão do Brasil e as críticas logo vieram. 27/7/1991) No início. passou a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. “Sandra Annenberg ganha a vida falando de um assunto que até recentemente só era lembrado nos elevadores. com aparições rápidas no SP-JÁ e no Jornal Nacional. Paulo. infelizmente. assim foi”. para o investimento que as emissoras faziam e para o retorno do público. que integra a equipe de meteorologistas da Globo. Sandra achava esquisito virar as costas para o telespectador. num quadro fixo. “Ela foi a primeira figura feminina a aparecer diariamente. táxis e velórios. Nesse dia. que eu tinha de levar o público até o mapa e mostrar onde estavam as coisas. Nela a experiente Sonia Abrão. A direção. “achava que não.’ Mesmo assim. mas já exibe 85% de chances de acerto. registrou em suas anotações a ocorrência de neve: “uma forte névoa ia descendo da encosta e a temperatura era de –3 graus”. ‘A notícia é o mapa. chamava a atenção para o fato de outras emissoras também abrirem espaço para a meteorologia. “A meteorologia se torna cada vez mais importante quando as pessoas têm de planejar sua vida”. em julho de 1925. não eu. Uma dessas “novidades” mereceu destaque até em uma coluna sobre televisão. edição. Paulo. em entrevista ao jornal O Globo. onde há mais informação”. Luís Carlos Austin. E não era apenas o acerto nas previsões que fazia da Climatempo uma empresa respeitada. como a TV Bandeirantes e a TV Cultura. porém.atriz e futura jornalista Sandra Annenberg. porém. usando termos como área de instabilidade e frentes frias. Então. A Globo. está com sóbrios trajes de aeromoça.” (O Estado de S. Por isso. antes restrito aos paulistas. ‘E de dois anos para cá aumentou a confiabilidade nesse tipo de informação. que já era a moça do tempo do SP-JÁ. sinal de que as informações meteorológicas estavam se tornando valiosas para o cotidiano. chamava a atenção para uma matéria do SP-JÁ – 1ª.

matou o deputado federal Ulisses Guimarães. conclui. o Brasil tinha outro presidente. um trágico acidente de helicóptero. higrômetro e termômetro. de forma semelhante à neve”. A partir daí. A estratégia montada no início era para que a empresa se firmasse como consultoria. que as primeiras informações dos radares meteorológicos foram ao ar. Por isso. descrevendo como teria sido a trajetória do helicóptero entrando em uma nuvem de CB s. como barômetro. as várias surpresas que o tempo reservava para os praticantes do esporte. Magno preparava os navegadores para ler corretamente os instrumentos de bordo. o senador Severo Gomes e sua esposa e o piloto. porém. entretanto. Itamar Franco assumiu o cargo após o impeachment de Fernando Collor de Melo. e associá-los às dicas que a própria natureza oferecia. “Para nós aquele momento não era importante. Uma das primeiras estratégias de marketing da Climatempo. No dia do acidente. Um adesivo que trazia estampado “Eu acredito em previsão do tempo” chamava a atenção em alguns carros de São Paulo. quando cheguei na Globo. com a ação.” Com três clientes de peso e os pés no chão era o momento de assentar as bases da Climatempo. Ana Lucia transmitia informações básicas que permitiam a um leigo prever. era tempo de muita esperança e muito trabalho. o pessoal veio logo para cima para saber. que era um profissional muito sério. atrair e cativar o público. 12 de outubro. em Angra dos Reis. e mostrava os locais onde chovia mais forte”. que na época pouca gente sabia que existiam. com turbulência. Então fizeram a reportagem. acabou abrindo espaço para assuntos que pouca gente conhecia. começaram a participar de outros eventos. no começo. No fim de 1992. isso foi. mas enriquecedor na vida política brasileira. No ano seguinte. com boas horas de antecedência. O helicóptero desapareceu no mar e o acidente comoveu o País. dona Mora. seria o candidato do PMDB para a Presidência da República. E aí falavam: ‘mas como vocês têm certeza disso?’ Eu dizia que o radar estava mostrando uma linha muito forte. entre elas a eleição direta para presidente da República. A chuva veio varrendo todo o litoral norte de São Paulo naquele dia. a empresa passou também a organizar cursos especiais para velejadores.” Com essas. segundo Carlos Magno. com gotinhas sólidas caindo no solo. como na cobertura da Fórmula 1 ou fazendo matérias para o Fantástico. O adesivo marcava. o Belfort de Mattos. Foi na telinha da Globo. Em outubro de 1992. “Tinha história de alagamentos e a gente pegava os mapas dos pontos críticos com os radares do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). por exemplo. entre muitas outras passagens. “Ao longo do tempo fomos fazendo grandes reportagens na área de meteorologia que eram reconhecidas pelo jornalismo da Globo. também ganhou destaque nos seus últimos anos de vida por atuar como presidente da Assembléia Constituinte de 1988. “Acredito que ele deve ter observado uma sublimação de nevoeiro. nas primeiras eleições diretas após o regime militar. Aos poucos. ainda éramos consultores. “Havia várias hipóteses. 37 . mas eu não tinha dúvida de que o piloto entrou num paredão de CB s (cumulus nimbus). Aí. Na Climatempo. ao atuar na Globo. não teria feito esse registro”. Ulisses Guimarães ficou conhecido como “Senhor Diretas” por sua exaustiva batalha pela volta das instituições democráticas. A partir de 1991. a Climatempo. a empresa tentava. Mas que foi muito parecido. por exemplo. com a Climatempo aparecendo apenas através de seus clientes mais ilustres. conta Magno. ficaram meio escondidos. então a queda foi um aci- dente com um elemento meteorológico. Carlos Magno ouviu a notícia no rádio logo cedo e comentou na Eldorado que ele poderia ter sido provocado pela chuva registrada no local.exatamente neve. e nossas necessidades eram pequenas”. Globo. um momento traumático. criando a ideia de que não dava mais para ficar sem esse tipo de informação. mostrei o mapa para ver o que estava acontecendo. Eldorado e Agência Estado. sua mulher. Em cinco aulas com duas horas de duração. a Climatempo foi se tornando referência na prestação de serviços meteorológicos. “Caso contrário.

como roupas.contudo. como seguradoras. afirmava Magno. Um fim de ano otimista para uma empresa que se preparava para voos ainda maiores. “A Climatempo investe 10% de seu faturamento em tecnologia”. Fase em que a Climatempo estendia sua consultoria para outras áreas. uma primeira fase de consolidação da empresa. 38 . e com isso podia atender melhor o mercado ainda em expansão. e já atingia um faturamento mensal de 7 mil dólares. comércio. navegadoras. indústria de produtos sazonais.

nem mesmo aos domingos. A mudança de rota. que dependem das condições do tempo. Marcos. deveu-se ao interesse por esportes náuticos. ficando pequena para as duas atividades. jantar. Na época. “A Ana dava atenção pela manhã e eu. mas fazia a Eldorado. Mas tinha de trabalhar até dez da noite na Globo e acordar de manhã para dar café para os filhos. pontuada pelo trabalho ininterrupto dos pais. a gente ficava meio escondido. O pequeno centro de previsão instala- Foi nessa época que um jovem meteorologista carioca veio se juntar ao time da Climatempo. An- Abrindo espaço 39 os primeiros quatro anos de vida. pegava os filhos na escola. Sinal de progresso. “O Magno estava precisando de gente para trabalhar e eu resolvi mudar para São Paulo.” A casa-empresa da rua da União foi. escalas e filhos para cuidar. Marcos. Já como meteorologista da Climatempo. mas queríamos uma empresa que fosse contínua e não dependesse apenas da Eldorado. relembra Ana. Magno acredita que.” Durante a faculdade estagiou na Diretoria de Hidrografia e Navegação ( DHN ). e depois de formado passou pelo Inmet do Rio. era um esquema bastante cômodo para os dois. relembra. Pela manhã. e Victor é estudante de Direito. apesar do esquema rigoroso. deixava-os na escola e ia para a Globo. Fim de semana a mesma coisa”. Fim de tarde. Ana cuidava dos filhos. com plantões. No fim de 1992. Queriam uma empresa forte que fizesse muito mais. trabalharam como boys. nenhum quis seguir a carreira dos dois. início de uma empresa com nome e endereço exclusivos. Eu vim para ajudar a atender a TV Globo”. afinal. segundo Madeira. Eu ia muito no piloto automático”. Bebel. Queriam mais. serviço de meteorologia da Marinha brasileira. “Meu expediente de mãe era bastante volumoso. relembra Magno. Entretanto. tudo era muito braçal. “Eles viram a empresa crescer. Vinte anos depois. pegava a criançada. o único meteorologista de uma família de médicos. era uma alternativa aos serviços meteorológicos governamentais que não tinham estrutura capaz de atender individualmente às necessidades específicas do mercado. De casa. eram dois meteorologistas na mesma casa. “Éramos bons consultores. chegou um momento que isso já não bastava. que um pouco mais tarde viria a fazer parte da equipe. ficava mais fácil. Carlos Magno era responsável por atender a Globo. André namorava uma outra futura meteorologista. Carlos Magno e Ana Lucia não queriam mais depender apenas de alguns clientes. era em casa. A gente costuma dizer que tem quatro filhos: Bebel. à tarde. com três filhos pequenos. não tinha concorrente. Quando cheguei a Josélia já trabalhava na empresa.N Ainda nesse período a vida familiar estava muito atrelada à empresa. Como empresa privada. engenharia ambiental. e descia para o nosso centrinho para terminar algum trabalho. Patrícia. colocava para ver tevê ou fazer lição. a Climatempo foi ganhando espaço na área de consultoria. Na hora do almoço. deu para educar bem os filhos. dava banho. do no sobradinho já não comportava a Climatempo. O jeito era fazer uma escalinha. Marcos e Victor nunca reclamaram da vida regrada. Climatempo e o Victor. conta Magno. o leitinho da noite e não terminava o expediente sem antes transmitir o último boletim da rádio. Segundo ele. “No colégio tinha um colega que gostava de barco à vela e falou do curso de meteorologia e eu me interessei. André Madeira formou-se em meteorologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ). Mesmo assim. Bebel foi fazer pedagogia. em 1991. cresceram junto com a empresa. aos poucos. da Agência Estado e da Globo”. Lembro que a empresa funcionava em uma sala pequena. Foi quando surgiu a oportunidade de trabalhar na Climatempo. e haveria tempo ainda para procurar mais clientes para a empresa. Como tudo Nos quatro primeiros anos da Climatempo praticamente não tiveram um dia de folga. Apesar da correria. Decidiram então voltar a morar no apartamento e deixar a casa apenas para a empresa. Foi preciso adequar a rotina. Magno entrava na Eldorado e atendia aos clientes da Agência Estado. 4 . Ia para a emissora e lá elaborava a previsão para o Bom Dia São Paulo e o SP-JÁ. Enquanto isso. perceberam que tinham de contratar mais gente.

que namorava André desde o Rio de Janeiro e passou a fazer parte do grupo depois de uma temporada na Alemanha. mas com sotaque carioca. No fim de 1993. Patrícia logo mudou seu foco de interesse para a previsão do tempo. sozinho. Não apareceu mais. A ideia era apenas acompanhar Magno.. ele foi embora e me deixou lá. foi a vez de Patrícia Madeira. não teve mais problemas.” Com o crescimento da empresa. chegamos lá. Quem não se interessava. o Magno estava envolvido na divulgação da empresa e na captação de novos clientes. Paulista.dré conta que mesmo no começo a empresa tinha um ritmo acelerado. Havia cobrança. como a implantação de um serviço de telefonia 0900. Para ele não era difícil atender a Globo. agora já não somos apenas eu e a Ana. “Nós escrevíamos um texto e gravávamos no telefone. “Cada vez mais. Foi ali que percebeu que aqueles que cobravam uma previsão acertada eram os que mais prestavam atenção ao trabalho do previsor e gostavam da meteorologia. coqueluche na época. “Atendíamos ao mercado cafeeiro.” A Climatempo já não era apenas uma empresa de fundo de quintal. Com o tempo ele mesmo fazia os textos que eram apenas revisados. alguns jornais. No período da tarde. passados mais de 15 anos na Climatempo. “Muitas produtoras precisavam de uma espécie de laudo. Acho que já confiava em mim. O embrião da Internet. A gente não parava. lembra Patrícia. sigla de Bulletin Board System. André ia de madrugada para a tevê e passava a previsão para os editores. disque 2 para Região Sul. e que fornecia previsão do tempo durante todo o dia.. agora dominava todo o sobradinho e contava com uma equipe de sete meteorologistas. Em 1994. sempre tinha coisa para fazer. As pessoas discavam o número e um menu interativo possibilitava que ela tivesse a previsão para a sua região: ‘Disque 1 para Região Sudeste. uma aposta feita por Magno. não ligava.. Outra ousadia foi investir numa nova tecnologia que engatinhava ainda no Brasil: o BBS. passava os dados para . Foi um sucesso: o custo da ligação era alto e por isso o retorno era lu- 40 No começo. e a previsão devia ser fácil naquele dia.’”.” Dali em diante.” Mas o serviço mais procurado era mesmo o 0900. mas isso fazia parte.” André Madeira guarda na memória o primeiro dia em que foi para a Globo para conhecer o local e se familiarizar com a elaboração do quadro. relembra Patrícia. a Globo passou a fazer parte da rotina. que nada mais era do que um computador ou vários ligados a um modem de linhas telefônicas para receber bancos de dados. Patrícia chegou em um momento de forte demanda por previsão do tempo e também às vésperas de um ano emblemático para a empresa. não fazia questão de saber se houve acerto ou erro. Madeira ficava responsável por clientes de vários setores e de vez em quando fazia a previsão para a Agência Estado.. fora os clientes principais. atualizada de três em três horas. precisava da gente para cuidar dos que já estavam lá. o Magno me apresentou para o pessoal e disse que ia tomar um cafezinho. uma documentação que comprovasse que a filmagem teve de ser adiada por causa do tempo. onde cursou o mestrado. “Aí. temos funcionários. Ele confessa que. que brigou para conseguir linhas de telefone para implantá-lo. As produtoras de vídeo começaram a perceber a utilidade da previsão para programar gravações. ainda fica deprimido quando erra a previsão e lembra uma frase que Ana Lucia sempre repetia: “Tempo bom para o meteorologista é quando acerta a previsão”. claro. o editor e ele escrevia o texto. ela e André se casaram. “Montamos um serviço para elas. Na equipe. “Bom. Foi aí que uma ficha caiu na cabeça de Magno. temos famílias que dependem da empresa. Com mestrado em poluição atmosférica. participava dos plantões montados para atender o serviço 0900 e também a clientes novos como agricultores e antigos como a Agência Estado. a gente mandava a previsão via fax com uma foto de satélite colada”. Magno e Ana já buscavam caminhos novos. Um novo filão também despontava nesse momento. mais gente foi integrada à equipe.

após a criação do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF). Ele jamais vai esquecer o carinho de dona Alice. Finalmente depois de anos de negociação e pesquisas o Brasil teria um moderno centro de previsão do tempo. já nessa época empenhava-se para contribuir para o sucesso da empresa. em relação à previsão do tempo. Com o BBS e o 0900. e o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (C EPAGRI/UNICAMP ). O próprio Magno montou a primeira versão do BBS. Foi ela quem deu o aporte financeiro para a montagem do BBS. comprou um livro e. o que impulsionou a Climatempo. os dados. Inicialmente. a Climatempo ainda precisava travar batalhas diárias para poder atender aos clientes. que fazia muito sucesso nos Estados Unidos e estava chegando ao Brasil. Quem for assinante desse serviço – operado pelo meteorologista Carlos Magno do Nascimento – ganha um soft-ware de animação de imagens que faz as nuvens literalmente caminharem sobre o campo. Õ O ano de 1994 seria emblemático para a meteorologia brasileira. Nessa época. precário em termos de tecnologia. A parceria com os principais órgãos do Governo. a Climatempo dava um enorme passo para deixar de ser apenas uma empresa de consultoria e passar a ser uma empresa de comunicação. porém. se um dia teve dúvidas sobre a meteorologia não ser muito segura. a comunidade científica e o governo brasileiro já tinham consciência da necessidade de tirar o atraso do País. Apesar de ter uma boa infraestrutura para captação da informação. a institutos universitários. não foi difícil im- plantar o sistema. “Minha mãe. Estava tão frio. Paulo. aviadores. 06/6/1994) Todo esse esquema. tão frio que mal conseguia falar. depois mais uma e depois mais três.” (O Estado de S. por exemplo. trouxe cinco mil dólares de ônibus do Rio de Janeiro a São Paulo e me entregou em mãos para comprar os computadores. e também a fontes estrangeiras de dados. que. Esse sistema também informa sobre o vento e a pressão do ar. atendendo a um pedido meu. como Inmet e Inpe. público ligado às produtoras passaram a ser assinantes. não seria possível sem a fonte primária para tudo. Para divulgar os novos serviços contaram com dois clientes mais antigos: anúncios da rádio Eldorado e também no Estadão. Para conseguir montar esse serviço Magno contou com dois parceiros muito especiais.crativo.” No início era um serviço simples. a pessoa interessada acessava pelo telefone esse banco de dados e escolhia o que mais lhe interessava. O BBS funcionava com um software que armazenava informações. Praticamente congelei”. Uma vez estava um frio de rachar e eu tinha de gravar o último boletim do 0900 faltando quinze minutos para a meia-noite. na tela de um computador. não assegurava a disponibilidade de dados no volume necessário. porque o maluco do filho dela tinha achado um sistema para a gente ‘pulverizar’ a informação meteorológica. Esse tipo de serviço era pago e logo agricultores. como era um bom programador. Logo virou notícia: “O canal Climatempo de BBS oferece imagens de satélite atualizadas de meia em meia hora. Os boletins eram gravados na própria empresa desde as seis horas da manhã até a meia-noite. Um deles foi sua mãe. O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos ( C PTEC) começou a ser gestado na década de 1980. “Nunca vou esquecer como era frio no sobradinho da rua da União. Países mais avançados já dominavam há anos a elaboração de prognósticos com o uso de supercomputadores. ou seja. as primeiras linhas telefônicas e colocar aquilo que viria a ser 30% do faturamento da empresa. e até um equipamento para recepção de imagens de satélite. como o Instituto de Astronomia. como a norte-americana AccuWeather. Primeiro comprou uma linha. dotado de um supercomputador capaz de realizar as complicadas equações numéricas. Geofísica e Ciências Atmosféricas ( IAG/USP ). lembra Patrícia. Era preciso recorrer a empresas como a TASA (aquela mesma em que Magno começou sua carreira). o C PTEC seria im- 41 . como fotos de satélite para a região Sudeste. Uma outra novidade foi o BBS.

teria início o programa de meteorologia por satélite. a maior parte dessas imagens é captada pelo satélite geoestacionário norte-americano Goes ou então pelo similar europeu Meteosat. com computadores e linhas telefônicas dedicadas ao serviço. Os ladrões entraram na empresa durante a noite e levaram tudo. houve um avanço espetacular. Quem não se lembra do astrólogo Walter Mercado. Em 1979. com a criação do Inpe. o objetivo não é competir com outros órgãos. toda a infraestrutura montada na Climatempo. A primeira a 42 . que era muito rentável para a empresa. avalia Maria Assunção. Como se isso não bastasse. mas contra esse tipo de serviço. A medida prejudicou alguns setores. com seu famoso “Ligue já!”. “Com o C PTEC. Foi um período desgastante. o embrião do que viria a ser o Inpe. Com ele. porém. E foi justamente pela sua posição de ponta na pesquisa científica espacial e ambiental que coube ao instituto a implantação do primeiro centro de previsão do tempo da América Latina. por causa da tecnologia dos supercomputadores. foi possível gerar previsão numérica. abusando da boa-fé de quem ligava para determinado número. Esses e outros casos levaram a Justiça brasileira a proibir o 0900. Enquanto o País crescia em progressão tecnológica. Ainda na década de 1960. Além disso. que exigiria maior qualificação para sua operação. o serviço 0900. com sede em São José dos Campos. com a proibição do 0900. quando foi criado o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Gocnae). No Brasil. Um assalto ao sobradinho da rua da União deixou a empresa praticamente no chão. responsável pela produção de ciência e tecnologia nas áreas espacial e do meio ambiente. no interior de São Paulo. a responsabilidade de instalação do centro ficou para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). com a recepção de imagens meteorológicas e as atividades em sensoriamento remoto. a Climatempo enfrentava seu primeiro grande revés. como a quebra de um encanto. Muitos se utilizavam dele para ganhar dinheiro ilicitamente. primeiro para os órgãos ligados ao governo e mais tarde também para o público interessado nesse tipo de informação. Não contra a Climatempo. precisou ser repensada. O Brasil venceu um atraso de mais de 20 anos e hoje somos procurados por centros do mundo inteiro em busca de informações”. em Brasília. que levava milhares de pessoas a acessar via 0900 suas previsões astrológicas? Ou então serviços de disque-sexo que se transformaram no terror de pais endividados. passou a sofrer uma série de ações na Justiça. manteve como uma de suas principais funções a pesquisa na área de meteorologia. Em 1986. devendo repassar os modelos rodados a todos os órgãos ligados à meteorologia brasileira. com seu supercomputador japonês. mas prover a sociedade da previsão numérica. outro duro golpe viria quase ao mesmo tempo. atual diretora do C PTEC.plantado ao lado do Instituto Nacional de Meteorologia. em que ocorreram as primeiras demissões. Na década de 1980. Tudo começara em 1961. o instituto passou a ser o responsável pelo desenvolvimento de satélites de coleta de dados e sensoriamento remoto. do ritmo seguro do crescimento. Ao longo de 1994. caso de agricultores e navegadores que só dispunham do serviço telefônico para obter uma previsão do tempo confiável. Dois anos depois. e um prédio em Cachoeira Paulista. o Gocnae virou a Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Cnae). é integrado ao Ministério de Ciência e Tecnologia ( MCT ). Aconteceu tudo ao mesmo tempo. inclusive da iniciativa privada. O fato é que. que só em 1971 seria extinta. um decreto editado pelo então presidente José Sarney deu ao Inpe a competência para atuar na área de modelagem numérica operativa. Do Inpe são geradas as imagens de satélite que ajudam a elaborar as previsões do tempo. O Inpe nos anos 1980 já era considerado um dos principais institutos de pesquisa brasileiros. Segundo Maria Assunção Faus da Silva Dias. O C PTEC inaugurou um novo período da previsão climática e do tempo com a chegada do primeiro supercomputador japonês ao Brasil.

softwares e programas que possibilitavam receber muitas informações ao mesmo tempo e processar esses dados de forma rápida e concisa. “Eles tinham o básico. As consequências do assalto só não foram mais desastrosas porque. Recebemos várias mensagens de apoio dos clientes”. indispensável naquela altura do campeonato. lembra Rogério. o mesmo que estava usando para escrever sua dissertação de mestrado. Sem saber o que fazer. Ele lembra como foi. e a Climatempo pôde manter uma fonte de renda. mas com o tempo vi que era fundamental ter alguém que entendesse do assunto. Aos poucos. relembra Magno. “Lembro que colocamos um aviso na telinha do BBS provisório. Rogério emprestou mais dois.notar algo de errado foi Patrícia Madeira. seu Juvenal e dona Atala. Por sorte. Ofereci uma quantia pelo serviço e ele topou. além de especialista em Tecnologia da Informação. Rogério passou a criar maneiras de facilitar a vida dos meteorologistas. lamenta Magno. Patrícia emprestou um computador pessoal. ouvindo a rádio Eldorado prestou atenção a uma chamada de divulgação da empresa. e com medo de que alguém ainda estivesse por lá. Outro que foi pego de surpresa foi Rogério Leite. “Uma coisa bem estranha. apenas o básico para gerar informações para uma clientela fixa. relembra. Viu também mesas reviradas na sala. sem nenhum computador para trabalhar. Rogério Leite conheceu a Climatempo por mero acaso. também. e ainda outros funcionários trouxeram seus computadores de casa. Ao tentar abrir a porta com a chave. a consultoria prestada para os três grandes clientes não foi afetada. que chegava às 6 horas da manhã. como eu fazia justamente isso. e o serviço oferecido pela Climatempo atiçou sua curiosidade. Ele estava justamente trabalhando no desenvolvimento de equipamentos para a recepção de imagens de satélite. computadores em que estavam instalados o BBS. mal perceberam as trovoadas e os raios que caíram sobre a Climatempo. o telefone fornecido pelo rádio indicava que eram praticamente vizinhos. Globo e Eldorado continuaram a ser atendidas normalmente.” Foi preciso muita garra e um esforço coletivo para recomeçar. bem ou mal. falando do assalto. os pais de Ana Lucia. Acabamos ficando amigos. Magno passou tempos dormindo na empresa. tratou de ligar para o Magno. passei a prestar um serviço sem compromisso. exigindo um desenvolvimento tecnológico cada vez maior. 43 . nos fez mais fortes ainda”. Com o tempo. Mas o mercado para o sistema BBS continuava muito aquecido. “Ver aquele cenário de fios revirados. Os novos computadores rodavam um software muito simples. pois a empresa não tinha seguro contra roubo. Uma vez. “O Rogério começou a dar toques importantes para deixar o nosso sistema mais eficiente. Perdemos praticamente tudo”. e aí logo cedo me ligam contando do assalto. Passou um tempo e eu comecei a desenvolver um sistema mais elaborado para o BBS”. Rogério foi conhecendo as pessoas. estavam na Inglaterra. Não demorou muito para Rogério ligar e agendar uma visita para conhecer sua infraestrutura. Por coincidência. “A Ana estava passando uma temporada com os pais em Natal e não chegou a ver o estado em que ficou a empresa. Em 1994 o satélite norte-americano sofreu uma pane. principalmente para reerguer o serviço de BBS. porque eu e o Magno tínhamos ficado até tarde na Climatempo. astronomia e meteorologia. em especial o BBS. Agência Estado. novos equipamentos foram comprados. notou que já estava aberta. Quem daria o suporte técnico necessário para alavancar novamente o BBS seria um aficionado por meio ambiente. No começo era sem compromisso. telefones. A palavra de ordem era recomeçar. fazendo parte do dia a dia da empresa e criando mecanismos que facilitaram e otimizaram o uso do BBS. fax. Era um excelente programador que começou na informalidade e tornou-se essencial”. Para reerguer a Climatempo. Toda a programação do BBS precisou ser refeita. avalia Magno. mexendo no BBS. mas precisavam de ajustes. Colocaram um caminhão na porta e levaram tudo. toda a Climatempo precisou ser reerguida.

Carlos Magno. “Quando seu Juvenal estava estudando na Inglaterra eu pedi a ele que comprasse um equipamento de recepção de satélites. sempre na Vila Mariana. informa Carlos Magno do Nascimento. Enquanto isso. Ana Lucia e Magno não descuidavam um só instante dos demais clientes. mais uma novidade. De resto. na rua Baltazar Lisboa.. a mudança foi para melhor. Em 1995.” Em 1994. “A mudança para a Baltazar Lisboa foi marcante para a gente. na França. África.” (O Estado de S. Em outro front.” Porém. Carlos Magno deu valiosas informações sobre a importância dos conhecimentos da previsão do tempo para o planejamento de um dos mais importantes momentos da guerra: o desembarque dos aliados na Normandia.. No dia 6 de junho de 1944. Aeronáutica. a emissora chegou a comprar um software de meteorologia para melhorar ainda mais a transmissão da previsão do tempo. dando início à libertação da Europa do domínio nazista. 44 . mas já éramos muitos. inclusive participando de outros trabalhos desenvolvidos pela agência. Apesar do trabalho interno para ampliar a Climatempo. o quadro do tempo ganhou tamanha credibilidade que foi definitivamente incorporado ao padrão Globo de qualidade. Segundo o sysop. relembra Patrícia. conta Carlos Magno. Oriente Médio e Austrália. A assinatura mensal é de R$30. “Montamos no quintal da casa da rua da União. ou BBS s. Na Agência Estado continuavam firmes no posto de meteorologistas. Era um sinal de que a empresa estava crescendo. que ficou conhecido como o Dia D. 10% são estúdios de fotografia e 20% são curiosos. chamava a atenção da mídia especializada em informática: “Graças a uma antena de recepção de imagens. boletins e fotos de satélite. O BBS Climatempo tem um serviço de meteorologia que cobre 80% do planeta. Josélia segurava os boletins e já começava a ser identificada como a “moça do tempo” da rádio e por fim. o BBS consolidava seu público e. a casa era menor. o BBS fornece a seus usuários fotografia de toda a América. Segundo ele. 13/02/1995) “Os sistemas de mensagens. além de uma antena parabólica. Naquele momento. na Globo. no Brasil estávamos utilizando o METEOSAT . pela novidade do serviço. O ataque rápido e certeiro só poderia acontecer durante o verão europeu. encontram novos nichos de mercado e oferecem agora serviços especializados. as previsões de tempo propriamente ditas são direcionadas às necessidades de seus usuários. 30% são navegadores. Um ano depois. e um sinal de que aquele ano turbulento tinha chegado ao fim foi a mudança da sede da Climatempo para uma outra casa. Na rua da União a casa era grande. Esse tipo de equipamento nos daria uma vantagem competitiva em relação a todo o mercado”. ‘Entre nossos 150 assinantes. mas tinha pouca gente. Era preciso voltar a crescer. nove funcionários e equipamento informatizado – cinco computadores dotados de sofwares para fax e telex –. 40% dos usuários são agricultores. o tempo no sobradinho da rua da União tinha se esgotado. estão pescadores.e Magno pediu que trouxessem uma estação de recepção do satélite europeu Meteosat. porque era tudo improvisado. Paulo. em 350 cadastrados. agricultores e agências de publicidade’. na Eldorado.” (Jornal da Tarde. como a produção de um CD- ROM contando a história da Segunda Guerra Mundial. Trabalha com informações cedidas pela Marinha. “Mas o grande problema da Baltazar foi mesmo o cigarro. 155 mil homens das forças aliadas desembarcaram nas praias da Normandia. sysop (operador de sistemas) da Climatempo. na Baltazar. a Climatempo tinha um faturamento anual de 150 mil dólares. Era divertido. 06/6/1995). o satélite norte-americano Goes havia entrado em colapso e. A Gilca Parma trabalhava em uma mesa atrás da porta!”. Europa. Canadá. A maior rede de televisão do País apostaria na credibilidade e no carisma de um meteorologista para apresentar o quadro do tempo do Jornal Nacional.

com o Renato Machado. inclusive no Jornal Nacional. o objetivo era colocar dois jornalistas profissionais. um rapaz de ar grave. substituídos por William Bonner e Lilian Witte Fibe. envolvidos diretamente com a produção e elaboração das matérias e. o consultor da Globo e ainda todo-poderoso José Bonifácio de Oliveira Sobrinho. para o qual fizera o teste. novo diretor de jornalismo. Ele queria mudar o jornalismo. Aí me chamaram para fazer um teste para o Bom Dia Brasil. colocando gente que entendesse do Quando foi convidado para ser o homem do tempo. de confiança.H Essa foi a descrição feita pelo jornal O Globo do novo homem do tempo do JN que. e posso dizer até imprescindíveis para o esquema da emissora. substituiria as belas moças do tempo. De acordo com a direção de jornalismo. da pauta até a edição. lembra Magno. O homem do tempo 45 á duas semanas. Éramos fonte de informação. me ligou dizendo que o Evandro [Carlos de Andrade]. mas está gostando da experiência. Na sexta-feira estreei no Jornal Nacional. não Segundo a revista Info (de setembro de 2005). aí um dia o diretor de operações do Rio de Janeiro. pois a Globo não pedia exclusividade. relembra Magno.” As reações foram imediatas. o Boni. em 1996. Fiz. No mesmo dia. Então a gente oferecia muitas matérias: vai chover forte no Rio Grande do Sul. tinha gostado muito de como eu explicava a previsão. aconteceu a troca das moças do tempo por um meteorologista profissional. eu dava muitas entrevistas para os jornais de São Paulo. A principal delas foi a troca de apresentadores. dois ícones do JN. Carlos Magno fez parte das profundas mudanças pelas quais passou o tradicional jornal da Rede Globo. diretor de jornalismo da Globo em São Paulo. dar maior credibilidade às notícias. “Como meteorologista da casa. assunto. e eles acionavam a RBS (afiliada da Globo no Sul do País). O meteorologista Carlos Magno. “Numa quinta-feira me chamaram para conversar com o Roberto Muller. 34 anos. apenas queria que eu e a Ana continuássemos como meteorologistas”. com o editor-chefe escrevendo o texto para mim.” enfrentou qualquer conflito com a Globo. “Nesse ponto já conhecíamos toda a estrutura da Globo. com isso. óculos de grau e uma calvície pré-acentuada revela aos telespectadores do Jornal Nacional se o dia seguinte será de sol ou de chuva. Não foi bem assim. 5 . ligou para a redação para saber quem era o “careca” que entrara Tanto é verdade que a Climatempo. Magno achou que seria para o Bom Dia Brasil. e eles gostaram”. ao fornecer a previsão do tempo para a Rede Bandeirantes. “A Josélia Pegorim passou a prestar serviço para a Bandeirantes. José Emílio Ambrósio. Seguindo essa mesma filosofia. Deixaram a bancada Cid Moreira e Sérgio Chapelin. Carlos Magno faz parte da elite da tecnologia. confessa que ainda não encara as câmeras com tranquilidade. O convite feito a Magno foi a coroação de um trabalho desenvolvido por ele e por toda a equipe da Climatempo ao longo de seis anos nos jornais locais da rede: o Bom Dia São Paulo e o São Paulo Já.

13/4/1996) “Satisfeito com a repercussão de seu trabalho. como donos da Climatempo. teria dito ele. acabou provocando situações constrangedoras. Tenho certeza de que nos últimos dez anos foi a melhor coisa que se fez para a meteorolo- 46 .’ A popularidade aumentou. Segundo Paulo Francis. reuniões que só ele e Ana. também não faltaram algumas críticas bem-humoradas: “Roupa estável. conta ele. mas garante que isso não mudou sua rotina.” A estreia do homem do tempo da Globo também repercutiu na mídia.no ar. 15/5/1996). Ele passa muita credibilidade. no calor. mas não deixava de ser engraçado. dava os parabéns pelo trabalho na previsão do tempo do Jornal Nacional. o coordenador do curso de graduação de meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. novos clientes para atender. há três semanas.” (Controle Remoto. reagiu Magno. Olhavam com estranheza. poderiam participar. ‘Já sei que na sexta-feira o importante é se vai ter sol ou não no fim de semana. a meteorologia foi muito estimulante. Estará Carlos Magno de bermudas e sandálias japonesas.” A falta de experiência e de traquejo para lidar com as exigências do vídeo.” Amauri Soares era o editor-chefe do JN e lembra que realmente foi preciso dar um “jeito” na calvície do meteorologista. tal como a maquiagem. Francisco Lourenço. foi difícil se acostumar com essas exigências do vídeo. “Peruca não”. revela que o difícil foi vencer o nervosismo diante das câmeras. Apesar da repercussão favorável na imprensa. que vem apresentando a previsão do tempo no Jornal Nacional. ‘Não me preparei para ser apresentador. “peruca eu não coloco. mas tenho o meu charme’. Minhas antecessoras eram bem mais interessantes.’ Casado com Ana Lucia e pai de três filhos. ‘A emissora está tentando profissionalizar cada vez mais. Depois que estreou no Jornal Nacional da Rede Globo. lá está ele sempre envergando um paletó cinza de gosto duvidoso. 12/5/1996). “Uma vez. Quando o assunto é a previsão do tempo.. Marcos Paulo e Victor Hugo. “Esse careca não pode ir ao ar. “O problema é que a careca brilha com a luz do estúdio. Magno virou notícia em vários jornais e colunas: “Nota 10 para o meteorologista Carlos Magno. Da calça. Magno perdeu a conta das vezes em que ele saiu da emissora direto para uma dessas reuniões devidamente. Mas não estou na emissora por causa da minha beleza. O Globo. Carta Capital. a chegada de um meteorologista na tevê foi considerada um estímulo para jovens estudantes.” (O Dia. Carlos Magno. Para Magno. ele é a cara do filho do general Colin Powell. chegando a afirmar que: “Estou longe de me enquadrar no padrão global. até porque sabe exatamente do que está falando..” (Diário Popular. o meteorologista Carlos Magno vem acumulando duas responsabilidades de peso: manter a margem de apenas 5% de erros nas previsões climáticas e esfriar o ânimo dos telespectadores saudosos das antigas meninas do tempo. com certeza. Carlos Leonam. sou uma autoridade’. pois além do Jornal Nacional também passou a apresentar o Jornal Hoje e por fim o Bom Dia Brasil. junho de 1996). Se na telinha ele era o homem do tempo da Globo. “Para os alunos da UFRJ . estava em uma reunião e senti a maquiagem escorrer pelo rosto. estreou. mas sabiam que eu era da Globo. Era desagradável. precisa melhorar seu guarda-roupa. o homem do tempo do Jornal Nacional. “Globo aposta na credibilidade e substitui as beldades da previsão pelo meteorologista Carlos Magno. fora dela tinha uma empresa para tocar. ‘Não sou tão bonito quanto elas. Chova ou faça sol. que não surgiu na telinha por acaso. De qualquer maneira. Amanhã vou mandar um maquiador para colocar uma peruca nesse cara”. por isso era preciso arranjar uma maneira de disfarçá-la. brinca ele. Na área acadêmica. maquiado.” A solução encontrada foi usar uma tinta para dar a impressão de que havia mais cabelo. Magno diz que sabe o que é notícia para o público. ninguém sabe. Isabel. como reza a lenda do Jornal Nacional?” (Planeta Rio. C EFET e muitos outros jovens candidatos. Em um fax enviado para a Climatempo. e vamos embora assim. pois o meteorologista não aparece de corpo inteiro.

Magno também se soltava ao começar a falar do que sabia. do Rio de Janeiro: “Ia escrever-lhe no princípio do mês. que escreveu: “No dia 10 de junho de 1996. (. Sem ter a exata dimensão do que era aparecer todos os dias em horário nobre e na Globo. Um cara que estava perto me viu.. Algumas delas pedindo orientação meteorológica. é muito simples: tenho 19 anos. em São Paulo. Desculpe a franqueza e a observação. julho de 1996).) Se já tivesse escrito ia achar que a minha observação tinha atingido o objetivo. assim como Paulinho se transformava ao começar a cantar. (São Paulo. Pode ter certeza de que melhorou muito. junho de 1996).. Magno sentia-se incomodado pelas constantes abordagens feitas pelo público fora da emissora.” Respostas do público vinham também por meio das cartas recebidas na Globo. Não se assuste. Francisco Lourenço”. (Uberlândia. Acontecia de estar em um parque com a Ana e as crianças e as pessoas chegarem para perguntar sobre o tempo. em São Paulo. O Jornal Nacional não deixava isso acontecer. se possível for.) vi o apresentador do serviço de meteorologia da rede CNN movimentar os dois braços e num anúncio na tevê local a apresentadora apresentando (sic) um quadro de propaganda movimentar os dois braços.” E assina: “Com a admiração do seu velho professor. senti que as pessoas me olhavam desconfiadas. relembra Amauri.Sª. Rufino A.. “Mas. E ainda algumas mais calorosas. como se diz. Magno tentou manter sua tranquila rotina de trabalho indo todos os dias de metrô para a emissora. encontrava-me no salão de embarque do aeroporto de Vitória. como a de um médico veterinário de São Paulo.gia nacional. sou ‘fissurada’ de uma forma positiva (e até curiosa). Outras sugerindo algumas mudanças de postura física na apresentação do quadro. de Uberlândia: “Você deve estar se perguntando o porquê desta carta. Magno não sabia lidar com o assédio. Fiquei muito envergonhado. quando divisei no horizonte nuvens carregadas e uma figura semelhante a um tornado. Quando você está no seu lazer quer passar despercebido. virou para mim e disse alto: ‘olha lá o homem do tempo!’. ele era conhecido como o Paulinho da Viola da meteorologia. além de uma certa semelhança com o compositor. eu já era parado para dar autógrafo.. e sim o princípio de um relacionamento tranquilo e. como a do telespectador Flávio Faria. poucas eram grosseiras ou negativas. Magno era muito introvertido. mas devido a uma viagem só agora o faço. outubro de 1996). pois agora houve uma modificação total na sua postura. da ocorrência no Brasil deste fenômeno e se algo foi detectado naquele estado. Toda vez que sentava no trem. cerca das 15h.) Antes a impressão que dava era de uma posição forçada ou de paralisia total do seu braço direito. “No primeiro mês. de Alencar Filho. Até que tive de parar de andar de metrô um dia em que estava na fila para comprar o bilhete. Indago a V. (. (Rio de Janeiro. aguardando o embarque para Fortaleza. Eu segui em frente e fui embora. começou a falar. Isso porque. No segundo. com o intuito de construir”. de uma forte e saudável amizade”. parecendo não se tratar de um canhoto. A figura do homem do tempo não era novidade no Brasil. Será uma forma bizarra de precipitação pluviométrica? Atenciosamente”. Ela foi feita no bom sentido. ficou muito conhecida na 47 . Depois que cheguei (. ficavam me olhando.. como a da estudante Cleide Graziely. curso o primeiro ano de jornalismo em uma faculdade local e sou ‘fissurada’ em você. com uma atitude muito mais natural. ninguém acreditava que o homem do tempo do Jornal Nacional andava de metrô!” Muito tímido. As abordagens sempre foram muito simpáticas. “Queria ter uma certa privacidade com a família e às vezes não dava. a previsão do tempo”. Aí todo mundo olhou para mim. Amauri Soares lembra que na Globo. Esta carta não pretende parecer um correio elegante. Ao contrário do jeito sério e tímido de Carlos Magno.. A popularidade alcançada no Jor- nal Nacional refletia-se em família. Nas ruas a visibilidade proporcionada pela tevê também repercutia. “na dele”. Apesar de realizado no trabalho.

Achei engraçado e li fazendo todas as palhaçadas que me vieram à cabeça. porém. em determinado momento. mas sim ator e comediante – tratava o quadro do tempo de forma descontraída. Amauri Soares. Em seu lugar entrou a jornalista e atriz Fabiana Scaranzi. o SPTV privilegiava as notícias da Região Metropolitana de São Paulo. dentro desse novo estilo. no horário do almoço. o quadro do tempo deixou de ficar preso a um formato. O humor e as excentricidades do ator. Sempre iniciava a previsão com uma frase: “Boa noite e tempos felizes!”. com Carlos Magno à frente. Foi escalado para apresentar os jornais vespertinos: Bom Dia Brasil e Jornal Hoje. Carlos Magno deu à meteorologia um caráter mais humano. como sobrou um resto de fita.” Nesse sentido. voltava para a emissora para fazer o SPTV e o Jornal Hoje. Assim. a Climatempo. não levei a sério e gosto mesmo é de humor”. E o final vinha seguido por uma expressão que virou o seu bordão mais conhecido: “E piriri e pororó!”. litoral de São Paulo. Feliz – que não era meteorologista. ele aparecia em frente a um quadro com o mapa do Brasil. Mais experiente e seguro. No curso. promover um diálogo mais solto e irreverente. Sem perder a seriedade.” Em 1996. não deixou a telinha. o São Paulo Já voltou a se chamar SPTV. fazia os textos e ajudava a fazer a arte. 4h30min da manhã. Na década de 1980. Feliz foi uma das atrações do jornal Aqui Agora. Magno passou a chegar a emissora às 48 . o Aqui Agora foi tirado do ar. como apresentar o programa debaixo de chuva no estúdio. Nesse ano. Afinal. assumiu a direção de jornalismo da emissora em São Paulo e implantou uma nova proposta de jornalismo. de 12 de maio de 1996. onde morava com a família. Humberto (Humberto Mesquita. jornalista da TVS) pediu de brincadeira que eu lesse o texto diante de um mapa. e não o contrário. Sua figura chegava a incomodar os meteorologistas que não queriam que a imagem humorística afetasse a seriedade da profissão. do SBT . segundo Amauri Soares. mais voltado para a comunidade. a ideia era aproximar o jornal da comunidade. fazia o Bom Dia. saía um pouco para fazer ginástica. e cada uma das afiliadas do interior mantinha um segmento dedicado exclusivamente a matérias da sua região. renderam-lhe muita popularidade. pesquisas feitas pela Globo indicaram a necessidade de voltar ao velho padrão das moças do tempo. na antiga TVS. Felisberto Duarte morreu em agosto de 2008. com as mesmas características para apresentar o quadro do tempo e os mesmos bordões. Na capital. No início da década de 1990. na verdade Felisberto Duarte. “Ia para lá de madrugada. quando a emissora paulista reviveu o telejornal. depois de comandar o Jornal Nacional. a previsão extrapolou os limites de um cenário fechado e aproximou-se do público. disse em entrevista ao Diário Popular.tevê a imagem do personagem Feliz. Por um breve período. Por meio de uma linguagem mais solta e da sua participação durante o jornal. aos 70 anos. voltou ao ar em 2008. na Praia Grande. e com uma antena apontava os decalques de sol e nuvens. Feliz foi escolhido na época porque decidiu dar à previsão um ar de brincadeira. Durante um ano Carlos Magno apresentou o Jornal Nacional. mas pouca credibilidade. “Eram muitas meninas sendo testadas e. Nova mudança de rotina. o aluno aprendia todas as etapas necessárias para chegar a uma previsão acima de qualquer suspeita. O destaque da primeira edição. Contudo. Magno. Por pouco tempo. pois. Para atender a Globo. como diz Soares: “é o conteúdo que dita o formato. que pode se considerado um dos precursores dos apresentadores do tempo. me- Õ Em 1996. o jornalismo tem lá a sua dinâmica e. era o tom informal e descontraído com que a notícia era tratada. passou a oferecer aulas de meteorologia para os jornalistas da Rede Globo interessados em se especializar no assunto. Para ele uma experiência fundamental em sua carreira. atual SBT . sem audiência.

” Essa dedicação à Globo não se restringia apenas a Carlos Magno e a Ana Lucia. da Cooperativa de Guaxupé. José Geraldo. foi Soares quem mudou o conceito de jornalismo participativo do SPTV e valorizou o quadro do tempo. Claro que a visibilidade conseguida por meio da emissora carioca deu à Climatempo maior credibilidade e. Tanto foi assim que nesse período Carlos Magno e Ana Lucia estavam preocupados em crescer de forma sustentável. a Climatempo desdobrava-se em duas: Climatempo Consultoria e Agência Climatempo. avulsos. se uma empresa como a Globo prestigiava os serviços da Climatempo. Em 1996. mais condições de crescimento e estabilidade como empresa. Os gráficos e os mapas que aparecem em jornais. “Ana e eu dávamos muita atenção para a Globo. e fazer muito sobre esse assunto. cantando ao vivo com o Paulinho da Viola. mesmo quando conseguem explicar. O que falta é saber como fazer. “Foi então que decidi montar uma outra empresa. pela oportunidade e honra de escrever para este jornal. sem dúvida. Na maior parte das vezes em que os agricultores ouvem falar sobre El Niño e La Niña. ou pelo próprio agricultor. como não acreditar na sua seriedade? Resultado: foi um período de grande crescimento da empresa. Imaginem quantas decisões poderiam ser tomadas com mais segurança e com pouco desperdício de dinheiro usando estas informações? Mas aí você pergunta: até aí tudo 49 . contribuir um pouco com os homens e mulheres que escrevem a história da cafeicultura nacional.nos formal. A Ana gostava muito disso e se deu muito bem lá. Carlos Magno foi convidado pela Cooperativa dos Agricultores de Guaxupé. também ajuda a prever o clima da sua região com boa confiabilidade. relembra Magno. interior de Minas Gerais. Montei a empresa e chamei o Rogério para ser sócio. De manhã. e inclusive outras ‘praças’. A agricultura. eu estava lá e à tarde ia a Ana. e até quem sabe. O tempo que Magno e Ana dedicavam à Globo não prejudicava a qualidade de serviço prestada a outros clientes. que ajuda a agricultura com aumento da produtividade. A Globo exigia demais da gente. Bom Dia Brasil. Toda a equipe da Climatempo estava envolvida no atendimento aos clientes. temperatura e outros elementos que definem o clima de uma região com índices de acerto superior a 60% até seis meses. La Niña e seus impactos no dia a dia do cafeicultor brasileiro. explica Magno. foi a que mais se interessou pelos serviços da empresa. especialmente. A previsão atendia várias editorias: Globo Rural. A prova de que a Climatempo consolidava-se a cada dia no mercado nacional era o interesse de setores da economia que até então desdenhavam a meteorologia brasileira. Para ele. Não queriam perder esse pessoal já experiente que estava junto na empresa. revistas e televisão pouco esclarecem ou. Mas não era fácil. tinham consciência de que era preciso pagar melhor os meteorologistas para mantê-los como um grupo coeso. Mas não é verdade!!! Podemos fazer. sobre dois fenômenos meteorológicos de nomes curiosos que confundiam a cabeça dos agricultores: “Antes de falar sobre o clima. Titãs e até cobrando do governador Mário Covas maior investimento na meteorologia de São Paulo”. O uso de supercomputadores que processam bilhões de informações por segundo permite aos climatologistas atuais prever o comportamento da chuva. A ideia era trazer todos os contratos que não eram de longo prazo. pouco se pode fazer sobre o assunto. Sinal de novos tempos e embrião do grupo. Bom Dia São Paulo. na escolha da semente. para a agência. gostaria de agradecer ao sr. Chamamos de Agência Climatempo e todos da equipe passaram a ter uma participação. é quando a seca ou a chuva é muito forte e suas consequências já estão sendo sentidas no País. a escrever um artigo sobre o clima e. Ao contrário. Fiquei mais solto no ar. no tratamento do solo. ou seja. na administração da fazenda. “Criamos um quadro de sucesso com as conversas ao vivo com o Chico Pinheiro. Para um mês o acerto é superior a 90% e 3 meses superior a 80%. sem que isso onerasse muito o meu fluxo de caixa. como Rio de Janeiro e Minas Gerais. A tecnologia. e fazíamos a distribuição dos lucros ali mesmo”. El Niño. com isso.

a situação das barragens e das produções com o monitoramento sistemático do clima. agronegócio. Uma das novidades que surgiram nesse período foi um software desenvolvido por Rogério Leite. A empresa paulista ficou então responsável pela produção dos boletins diários e da divulgação de todas as notícias de cunho meteorológico. porque seus efeitos no clima sobre o planeta algumas vezes são desastrosos. causando a seca”. que a cada dia estão mais precisos com o uso dos computadores. as frentes frias passam com mais facilidade na primavera. modificando a circulação dos ventos sobre o continente e mudando o clima de onde vivemos e plantamos. o Canal Rural decidiu contratar a Climatempo para implantar todo o serviço de meteorologia. que o observava durante o Natal. facilita a penetração de massas polares mais fortes durante o inverno. a década de 1990 ficaria marcada como o início das operações das televisões a cabo. é possível acompanhar com detalhes o deslocamento das manchas de temperatura sobre os oceanos e com o uso de computadores prever o comportamento do fenômeno nos próximos meses e. a relação do El Niño e o clima das regiões Sul e Nordeste é mais direta. consequentemente. o Pacífico equatorial deixava de ser quente e tendia a ser mais frio. 50 . entre 8 e 13 anos. com destaque para análises do mercado. enfim. com sede em São Paulo. que é o contrário – temperatura da água do oceano abaixo da média – e traz consequências mais diretas para o café. nasceu um novo canal voltado exclusivamente para o setor rural brasileiro: agricultura. Hoje em dia. (Carta de Carlos Magno à Cooperativa Agrícola de Guaxupé) que passaria a funcionar como órgão regulador dos serviços de telecomunicações. Sabia-se que naqueles anos a pesca ficava mais difícil no Pacífico equatorial. pecuária. a TVA e a Globosat. em contrapartida. Para a região cafeicultora não é o El Niño e sim o período de mudança para o La Niña. Para isso. O El Niño é a mais estudada e observada corrente oceânica. Em todos estes anos. pois o El Niño intensifica a massa de ar subtropical do Atlântico. surge a Agência Nacional de Telecomunicações ( ANATEL). Somente em 1995. associada à distribuidora NET . e a Globosat e começou a operar em novembro de 1996. Nos boletins eram dadas informações sobre as condições meteorológicas das principais lavouras em todo o Brasil. a tevê paga. a concessão de licenças para operação foi regulamentada. Em 1990 aconteceram as primeiras concessões de televisão por assinatura. grupo de comunicação do Sul do Brasil. o inverno é frio e ocorre seca na primavera. a temperatura da água do oceano Pacífico equatorial fica acima da média. O Canal Rural surgiu de uma parceria entre a RBS . Periodicamente. pesquisadores vêm desenvolvendo modelos ou maquetes que simulam matematicamente a circulação da atmosfera e sua interação com os oceanos. provocando enchentes e deixando o Nordeste seco por vários anos. 1985 e 1994. com a promulgação da lei de tevê a cabo. Em 1997. do clima na próxima estação.bem. com os satélites e estações de pesquisas. que por sua vez bloqueia as frentes frias no Sul. Ao longo das três últimas décadas. como foi observado em 1975. Nesse cenário de expansão das teles. fornecendo enorme quantidade de calor e umidade. Essa tendência. inclusive das tevês por assinatura. a Climatempo utilizava todos os dados disponíveis. o mesmo que modernizou o BBS e Õ Para a telecomunicação brasileira. Sua programação era totalmente voltada para o setor agropecuário. de alguma forma. com os olhos voltados para o interior do País. serviço de meteorologia específico para a área rural e programas dirigidos a agricultores. trazendo as temidas geadas para o café. os efeitos das chuvas. O nome El Niño foi dado há mais de um século pelos pescadores do Peru. mas o que é que o El Niño tem a ver com isso? É que os oceanos interagem com o movimento da atmosfera. No início de 1997. além da imagem de satélite NOAA-14. Nesses anos. No Brasil. um ano depois entrariam em operação as primeiras redes de tevê a cabo.

Segundo.que era responsável pela área de TI da empresa. praticamente nunca ficavam doentes. Aí começamos a pensar em ter a nossa própria TV”. eu consegui. Raul Costa Jr. não havia um local apropriado. Ana Lucia nunca escondeu que ao lado da meteorologia sua grande realização estava em ser mãe. mas trabalhou incansavelmente na formatação da meteorologia do Canal Rural. e mais. que o milho está formando sabugo. Várias pessoas no Canal Rural nos pediram para copiar essa caderneta. Denominado PREV PLAN. “Estamos mudando o conceito de tempo bom e tempo ruim. no Canal Rural tivemos de entrar em detalhes que nunca havíamos trabalhado. precisa chover. definiu as imagens e mapas. a emissora ainda estava passando por reformas. Ele facilitou a vida do previsor: bastava lançar os dados dos modelos no PREVPLAN para gerar a informação que era então avaliada pelo meteorologista. enquanto preparava os boletins. Meus filhos sempre foram colaborativos. Globonews. Para ele a previsão do tempo era de suma importância para atender aos objetivos da nova emissora. Bebel. esse programa gerava a previsão do tempo para todos os municípios brasileiros e mais tarde até para algumas vilas. No canal. Por isso procurei uma fonoaudióloga para cuidar da impostação de voz. a chuva é fundamental para uma boa safra. montou o padrão dos boletins. levou-a junto para a tevê. “Dois anos depois de uma forte crise. Era só o começo de mais uma longa jornada de aprendizado e crescimento da Climatempo.” A essa altura do campeonato. a ideia inicial era eu apresentar os boletins. a bichinha deitada no meio da poeira. O jeito foi acomodá-la da melhor maneira possível.. relembra Ana Lucia. além de propor o conteúdo da grade de programação. “Uma coisa que me marcou foi ter de levar a Isabel para dentro do Canal Rural em obras. No meio dessa história quando apareceu o Canal Rural.” “O Canal Rural envolveu toda a equipe da empresa. que na época ficou muito envolvida com esse novo desafio. sem querer deixar de cuidar da menina. do tipo: ‘não está chovendo agora. Um trabalho absolutamente minucioso. em 1996 já estávamos recuperados. Eu e o Magno já éramos bastante experientes na formatação de textos e apresentação de boletins de previsão. Ana Lucia não foi para a frente das câmeras. praticamente atuava em todo o mercado. As pessoas sempre me perguntam como eu conseguia trabalhar e cuidar de meus filhos. para deixar Bebel. quietinha e dormindo ao seu lado. Ana Lucia não se esquece de um dia em que precisava ir para o Canal Rural e sua filha mais velha. dominando o mercado e fornecendo informações para os mais importantes veículos: Canal Rural. 51 . “Um dia o Amauri Soares disse pra mim: ‘você podia ser uma moça do tempo.. fiz muitas aulas com ela. “Tínhamos uma caderneta com fontes para nos ajudar a juntar as informações de agricultura e meteorologia. que era de cinco minutos a cada meia hora. Sem ter com quem deixá-la. Por outro lado. porque do contrário a lagarta do caruncho vai aparecer’”. Primeiro. adoráveis. com muita febre não tinha ido para a escola. Eu me organizava com tudo isso. mas no final acabei não me tornando apresentadora”. era o diretor do canal em São Paulo. eles colaboraram. a Climatempo. relembra Magno. Dependendo do produto agrícola. Por isso. Naquele momento.” Trabalho cuidadoso e muita dedicação. TV Globo. Pior do que isso. sem poeira ou barulho. era só treinar sua voz’. Eu achava minha voz ridícula. falando do tempo no Brasil e no mundo e sua influência na agricultura. Ela e sua equipe fizeram um profundo levantamento de fontes e dados produzindo uma disputada agenda com nomes de todo o Brasil que pudessem fornecer informações sobre a área agrícola ou sobre as condições climáticas. consultoria e agência. era difícil se dividir nesses momentos.

.

românticas e tal. fizeram um planejamento estratégico e atingiram objetivos. trabalhar muito. eu e o Magno. na zona sul do Rio. ambos perderam os pais muito jovens e tinham consciência da necessidade de ajudar as mães. terminar por volta dos 20 anos. Waldemar acompanhou de perto a gestação da Climatempo. na casa dos 30 montamos as nossas empresas. e entre uma meta e outra montamos uma banda para tocar entre amigos”. a Climatempo já era uma realidade. nas peladas disputadas na praia. Atlântica. aí começamos com nosso som. entre um chopinho e outro. naquele momento. lá pelos idos dos anos 1970. já sabiam o que queriam. o Barboza Freitas. Vitória.” Essa identidade os aproximou ainda mais e era nas longas caminhadas pelo calçadão da praia à noite que discutiam o futuro. “Minha mãe era compradora de um grande magazine no Rio. por volta de 1995. A partir dali. estabeleceram metas. E mais. porém. montou sua empresa de comunicação corporativa e eventos. Como bom empreendedor.” palco depois de uma série de músicas calmas. “Aos 15 anos rogamos uma praga positiva e deu sorte. Em um desses encontros. com outros cinco amigos. formaram a Aves e Ovos. primeiro como Canal do Tempo e. Os dois tinham muito em comum: ambos vinham de famílias de classe média de Copacabana. É difícil imaginar que por trás do jeito tímido e sério do meteorologista Carlos Magno existiu um verdadeiro roqueiro. puro rock.” Enquanto isso.“Q uer saber de uma coisa? A Climatempo nasceu em uma caminhada pela Av. quando vimos. Waldemar e Magno cresceram juntos em Copacabana. fomos convidados para tocar em festinhas de amigos. Waldemar foi morar fora do Brasil e. Subimos no Logo. um sonho que Canal do tempo 53 “Foi uma caminhada histórica para mim e acho que para ele também. ida e volta. para lá. Conheceram-se ainda adolescentes. “Uma vez fomos tocar em um festival religioso. lembra Magno. “Em 1995 já estávamos com 188 funcionários espalhados pelo Rio. Magno seguiu a Meteorologia. chegou a hora de ir para a faculdade. Tudo muito discreto. Afinal. Os anos se passaram. Magno foi baterista e vocalista. O pessoal começou a se mexer e. Combinaram então. “O Rio nos anos 1970 era um outro Rio. Nesse dia. Waldemar passou pela Oceanografia antes de se definir pelo Desenho Industrial. Waldemar Stefan Barroso. Waldemar lembra que os dois. Na banda. relembra Waldemar. tínhamos por volta de 15 anos. trabalhadoras que batalhavam para educar os filhos. Ele foi nosso padrinho de casamento e depois padrinho da Isabel”. na volta. em um clube na Tijuca. os dois jamais deixaram de aproveitar a vida. fez da empresa uma potência. o que dá mais ou menos uns dez quilômetros. uma ideia começou a germinar na cabeça dos dois. “Ao longo do tempo acabamos nos encontrando várias vezes para conversar. mas não deu muito certo. A gente costumava andar de Copacabana ao Leblon. Quando chegava a época do Natal. Waldemar se lembra de uma em especial. que praticamente dominou o setor. estudavam em escola pública. crescer muito e aos 30 anos seriam donos da própria empresa.” Quem conta com tanta segurança essa história é o empresário e compadre do casal Ana Lucia e Carlos Magno.” 6 . Interesses diferentes separaram os dois. Os organizadores até que tentaram diminuir o entusiasmo. em São Paulo. “Tocávamos muito rock”. Foi um sucesso total. eles precisavam de gente para trabalhar e ela nos levava. tinham afastado cadeiras e mesas e dançavam feitos loucos. Na verdade. a Promeeting. São Paulo. Tínhamos pouca fama e muita grana. Curitiba e Belo Horizonte. e ali a amizade se fortaleceu. fez parte de um sonho que anos mais tarde se concretizaria na criação de um canal de televisão. TV Climatempo.” Como bons futuros empresários. Amigo de infância de Magno. o que a gente podia realmente fazer para não ficar naquela vidinha. em um bar do Rio. depois. A gente trabalhava então nas férias vendendo brinquedos. Bom. Nós dois. Apesar da seriedade com que encaravam o futuro. que os dois iriam fazer faculdade. começamos a pensar o que queríamos fazer da vida. recorda Waldemar.

Tudo parecia caminhar. O mercado é virgem. Com o mercado de tevê paga a todo o vapor. Desde 1982. e agora está maduro para receber o nosso projeto”. Em seis meses. Naquele período. praticamente inexplorado.” A certeza de que estavam no caminho certo. por que não juntar as duas coisas em um poderoso veículo e criar o próprio canal de televisão. que desenvolvia softwares de meteorologia para televisões dos Estados Unidos. “Cheguei até a sugerir que eles voltassem com o símbolo do guarda-chuva”. adiando por algum tempo a realização do negócio. Eles vieram para cá. mas não aguenta- ram. que fez com que a Time Warner passasse na frente de todo mundo. programas espe- 54 . Seu slogan era “nenhum lugar no mundo tem tempo melhor”. A experiência adquirida na Rede Globo e também no Canal Rural ajudou a abrir caminho. Foi uma época da maturação de um sonho. vários canais negociavam sua distribuição por operadoras no Brasil. montaram a Central Band de Tempo. o outro tinha um bom e pouco explorado conteúdo nas mãos. a TWC difundia informações meteorológicas 24 horas por dia a cerca de 80 milhões de residências nos Estados Unidos. veio com a notícia da chegada ao Brasil do canal norte-americano The Weather Channel. No Brasil. que também era dono do Travel Channel e na época na NET/Globosat. “Há anos planejamos um canal brasileiro. lembra ele. o Banco Nacional era um dos clientes da Promeeting. Um deles foi o The Weather Channel. canal de informações meteorológicas que vislumbrou a possibilidade de dominar a área na tevê a cabo brasileira. com anúncios em páginas de revistas especializadas e em jornais. Ana Lucia chegou a viajar para os EUA para conversar com os executivos da empresa.voltou a aproximar os velhos amigos. Um abraço. ainda em 1997. Mas no The Weather Channel temos previsões baseadas nas tecnologias mais avançadas. O entusiasmo com a nova empreitada transparecia nas mensagens enviadas a Magno: “De acordo com nosso engenheiro de software. com programação em português e que atinja vários segmentos da sociedade. mantinha contato constante com a Climatempo. Ao longo de 1997. a meteorologia é apenas conversa para passar o tempo. a busca por recursos para a implantação da nova tevê motivou Magno e Ana. o TWC já estava nas tevês do Peru e da Argentina. (08/6/1999) “A ideia era usá-los na nossa tevê. um Canal do Tempo? Em pessoas empreendedoras. as boas idéias não ficam apenas na imaginação. Ainda de propriedade do complexo Landmark Communications. E foi assim que conheceram a empresa norte-americana WSI (Weather Services International). primeiro registrando o nome Canal do Tempo. Contrataram em dólar. Estou pronto e decidido a entrar com essa tecnologia no Brasil. Imagens de satélites não eram suficientes. Ricardo Maldonado”. que viram ali um novo desafio para a Climatempo. Esta informação está sendo veiculada em todos os meios especializados de TV a cabo. é uma solução sem precedentes e única no mercado. fecharam. Ricardo Maldonado. inclusive em classificados para a contratação de pessoal: “Para a maioria dos profissionais. um dos executivos da WSI. Elas querem ação. o TWC preparou uma estratégia agressiva de divulgação na mídia. mas o que aconteceu é que nós acabamos abrindo os olhos deles para o mercado brasileiro. porém. e Waldemar não pensou duas vezes em propor ao cliente o bom negócio. De parceiros passaram a concorrentes. Enquanto um possuía toda a experiência em comunicação. E a Climatempo assumiu a central da Bandeirantes em 2001. Waldemar tratou de tornar real o sonho. quando ainda em 1995 o banco foi à falência. incentivando a parceria. dizia Ana Lucia. A opção para operar no Brasil fazia parte do objetivo de atuar na América Latina. contrataram todos os profissionais que a gente queria para a nossa tevê. Novas tecnologias eram avaliadas visando à possibilidade de gerar imagens meteorológicas com quali- dade para o veículo televisão. TWC (The Weather Channel) irá ter uma coisa parecida no próximo ano. Em 1997. Então. depois correndo atrás de patrocínio.

com experiência e pronto para fazer parte de uma organização de classe mundial em fase de expansão na América Latina. The Weather Channel se baseia em informações de um satélite com tecnologia da Nasa”. para os candidatos que possuam um diploma universitário em Meteorologia ou uma experiência equivalente. inclusive já caiu um raio ou uma faísca em uma delas. O anúncio pedia desde diretor de meteorologia para trabalhar em função executiva. até dentro de casa. Além da programação para a tevê. a operadora ainda não havia conquistado o público brasileiro. “Se eles entravam no nosso mercado. Apesar da contratação de brasileiros. A presença do TWC no Brasil deu novo estímulo à ideia de criar um canal do tempo nacional. mais ou menos. No momento. Para funcionar no Brasil. Na época. a empresa já era.. O canal oferecia ao Brasil praticamente a mesma programação veiculada em toda a América Latina. e ampliando sua carteira de clientes para indústrias. como a do senhor José Jordão. The Weather Channel estava disponível nas operadoras de tevê a cabo brasileiras Sky. “Formamos a equipe brasileira para The Weather Channel”. No vídeo. em São Paulo: “Prezado senhor Carlos. TECSAT e também na NET/Sul. Aqui em casa tenho dois pés de cedrinho.. vários setores da agropecuária. SPTV e Jornal Hoje. o nosso canal é assunto de conversa de todo o setor. mas hoje há tecnologia de ponta nesse setor. até apresentadores com fluência no inglês e também no português.5 bilhões de dólares. Ana e Magno mantinham a rotina de elaboração da previsão do tempo na Rede Globo. porque não fazer uma televisão brasileira voltada para brasileiros?”. A faísca estourou a coluna onde estava instalada a campainha. Os candidatos bilíngues (Inglês/Espanhol ou Inglês/Português) serão preferidos (. Em 1999. Geórgia. As cartas recebidas naquele período mostram bem isso. estou lhe escrevendo para um esclarecimento seu. dizia em entrevista ao jornal O Globo: “Nosso desafio é mudar o pensamento dos brasileiros em relação à meteorologia (. a poderosa rede de telecomunicação norteamericana NBC Universal comprou o TWC por um valor estimado em 3. e para isso precisava de conhecimentos tanto científicos quanto de comunicação televisiva.. além da oportunidade de trabalhar com um dos mais importantes empregadores do setor de TV a cabo” (. Os negócios na Climatempo iam muito bem. Apesar dos dois anos de Brasil.. em 1998. Eduardo Mack. e a ideia era criar uma programação exclusiva para o Brasil. Agência Estado. árvore de Natal.) Oferecemos salários e benefícios competitivos com o mercado. em torno de 10 milhões de dólares nos três primeiros anos por aqui. de Suzano. mantinha os contratos antigos com seus primeiros parceiros: Eldorado.). O TWC ainda iria ser um concorrente de peso ao longo dos anos. Rede Globo e Canal Rural. Carlos Magno ainda era o homem do tempo do Bom Dia Brasil. O resultado é que. lamenta Carlos Magno. Praticamente dominando o mercado.ciais e cobertura confiável em casos de emergências. Nelas. com investimentos altíssimos. há perguntas curiosas. queremos conhecê-lo. até sair definitivamente do Brasil por questões financeiras. perguntava-se Carlos Magno. veterana na área. Se você é um profissional de meteorologia. Em 2008. foi montado também um site em que eram transmitidas as condições meteorológicas em tempo real e a previsão para cidades do Brasil e do mundo. com uns sete metros de altura. eram grandes as expectativas. Ao completar dez anos.) Fomos acostumados a não acreditar em previsão do tempo. em dezembro de 2002.. agora. o TWC levou metade da equipe da Climatempo que trabalhava na produção do Canal Rural desde 1996. O que eu gostaria de saber é o se- 55 . além de pioneira. O editor-chefe da emissora na época.. toda a estrutura do TWC foi montada em Atlanta. danificando toda a instalação. As árvores ficam a seis metros da frente da casa. temos as seguintes oportunidades de contratação para o nosso escritório de Atlanta. conseguia manter a empatia com seu público. construtoras e produtoras de vídeo. Com a cabeça mais voltada para a própria tevê.

apresentada por vosmecê. Sem mais para o momento. 14/10/1998) Em outra carta. “Com relação ao coquetel dos dez anos da Climatempo. que seria a sétima. para se calcular a quantidade de água coletada. E. Toda a equipe já estava afinada para manter o fluxo de informação necessário para as colunas feitas diariamente para o Estadão. Ângela Maria”. Seria às oito da noite. mas vou escolher um bem bonito. não faltavam as cartas de fãs mais ardorosas que se encantavam com sua figura no vídeo: “Meu nome é Ângela Maria. O público básico deve ser o pessoal dos meios de comunicação mesmo. Paulo. da TV Globo. que um barulho muito maior iria lançar o novo canal brasileiro voltado para a meteorologia. Da sua fã. A data pode ser 6 de novembro”. sou sua admiradora número um. (Cachoeiro do Itapemirim. de onde assisto atento à previsão do tempo. respondendo minha carta ou telefonando para mim. Portanto. afirmou que ainda não foi registrado recorde de temperatura para o mês de agosto na capital. JT e demais clientes da AE e também para as matérias.1 graus (.” (O Estado de S. ficaria conhecido durante uma feira da Associação Brasileira de TV por Assinatura. recolhida pelo pluviômetro? 2) qual a relação existente entre a abertura do pluviômetro e a quantidade de água por ele captada? 3) a quantos metros cúbicos corresponde um milímetro de chuva? Faço tais perguntas porque se fala tanto em milímetro de chuva e nada se sabe sobre as regras para calculá-los. Nessa feira.guinte. Com toda pompa e cerimônia e ainda com direito a disputa na Justiça. quando chove. atenciosamente subscrevo-me”. Só que agora com uma sutil diferença: a Climatempo ganhara identidade própria. sua idade e de onde você é. é a grande massa de ar seco que atua sobre a maior parte do Brasil e impede a entrada de frentes frias e de massas polares vindas do Sul do País. 09/3/1998). da empresa Climatempo. assisto o Jornal Hoje só para te ver. planejava Magno. 20/3/1998). Pergunta: É possível que a claridade das latinhas possa atrair raios?” (Suzano. Já comecei a enfeitar a árvore com latinhas de refrigerantes e cervejas para o ano 2000. Os sistemas estão sendo desviados para o oceano antes de influenciarem o clima no Sudeste. em julho de 1998. antes denominados da Agência Estado. Paulo.. Mando beijos e abraços e desejo muito sucesso para você. Você me perdoa. a frente fria vinda do Sul deve atingir o leste e o sul do estado. A forma seria umas palavras minhas e da Ana e a apresentação da história da empresa e os novos desafios para o futuro. “A explicação da meteorologista Josélia Pegorim. mas eu acho você supersimpático e muito lindo.. 28/7/1998). provocando chuvas no sábado à tarde e no domingo. em 31 de agosto de 1995 a máxima chegou a 33. portanto. Gostaria de saber seu estado civil. aguardo ansiosa sua resposta. quando escreveu para o amigo Waldemar. O esquema armado para atender a Agência Estado funcionava maravilhosamente. os meteorologistas. Mais uma evidência de que o nome da empresa já ganhara luz e era conhecida e respeitada pelo público. 21/ 9/1997). a simplicidade do senhor Euvaldo Aragão. a meteorologista da empresa Climatempo. ainda não sei o lugar.” (O Estado de S. em função da quantidade de água. de Petrolina: “Sou assíduo telespectador do programa Jornal Hoje. passaram a ser identificados como da Climatempo. gostaria muito se você pudesse me dizer. futura TV Climatempo. o Canal do Tempo. estou imaginando um evento para 200 pessoas. Ana Lucia de Macedo. Mal sabia ele. (Petrolina. mais uma vez. Viu? Não é tão difícil assim. Gostaria que o amigo me explicasse as indagações abaixo: 1) qual a área que se leva em conta. a associação reuniu cerca de 300 expositores em uma área de 10 mil 56 . Ou seja. “Apesar do calor. A ABTA na época era a principal responsável pela divulgação da televisão paga no Brasil. a ABTA 98 – Feira e Congresso Internacionais da TV por Assinatura. Segundo ela.) Para Ana Lucia. Quem sabe podemos lançar o Canal do Tempo. Uma festa que estava sendo organizada para comemorar os dez anos da empresa seria o lugar perfeito para fazer o lançamento oficial do Canal do Tempo.

O lançamento de um canal de meteorologia foi notícia em vários jornais: “Carlos Magno. que era deles. já que a marca não é deles. deixando tudo mais bonito. resolveram virar o jogo. era uma ideia. também?”. quando perceberam que tinham subestimado a feira. O pessoal do TWC viu nessa publicação o nome Canal do Tempo. no centro de São Paulo. Por isso. o que aconteceria durante a feira.. que os outros estandes eram grandes e bem estruturados.. como Fox. estávamos fazendo o lançamento de um nada. negocia com diversas operadoras o lançamento do Canal do Tempo. e o da Climatempo.. os problemas despontaram antes mesmo do início da feira. durante as conversas em torno da tevê. que detinha o registro da marca no Brasil. Apesar do entusiasmo. Você pode colocar a vinheta da Climatempo na fita. que ocorre entre os dias 22 e 25 de setembro. Carlos Magno não pensou duas vezes quando soube do evento e viu que o TWC estava fazendo a maior propaganda. “A ABTA 98. São milhares de clientes em potencial. 31/8/1998) A boa receptividade da mídia. informando que a Climatempo e a Promeeting não poderiam usar a marca. haverá blocos voltados para os jovens que querem surfar. “Na verdade. que estava acostumado a organizar eventos e não teve muita dificuldade em criar um estande impecável. no sábado de manhã estávamos na rua do Gasômetro. e nós dois éramos vistos no local da feira pregando coisas. pequeno e improvisado. para os executivos que vão viajar e para os agricultores” (Revista da TV. como os verdadeiros detentores da marca. porém. um executivo. (. montamos uma grade de programação”. O projeto é da Climatempo Meteorologia.. Disney. o nosso é mais bem localizado. dono da Climatempo.” Quinze dias antes da feira saíram os catálogos destacando quem iria participar. quem é o verdadeiro Canal do Tempo? Nós ou eles? Estou encomendando uns banners para colocar logo na entrada. O aviso com tom de ameaça não intimidou os dois sócios. escreveu para Waldemar dizendo que estava na feira da ABTA e que queria retomar o projeto do canal de tevê. o Waldemar. Algum tempo antes. empresa de consultoria que tem como sócio o meteorologista e apresentador da Rede Globo.metros quadrados no Internacional Trade Center. “A feira seria aberta na segunda-feira. que presta serviços de previsão do tempo para veículos de comunicação. que ficava ao lado de grandes redes. E ficou bonito. Sony.) Afinal. Eles estão usando a marca Canal do Tempo. Ao contrário. Waldemar havia produzido uma fita-piloto para mostrar o que tinham em mente para o canal. “Imagine. Agora. lembra Magno. onde vi que o The Weather Channel vem com tudo para oferecer mapas para o Brasil. entrevistamos o Torben Grael. Waldemar e Rogério Leite passaram o fim de semana montando o novo estande. comprando acessórios e madeira para montar nosso estande. ela seria usada durante a feira para apresentar a nova emissora. dizia um animado Magno.. e isso certamente criará um certo rebuliço na feira. Tudo graças à experiência de Waldemar. Valeu a pena. chamando o público para visitar o nosso canal do tempo. na zona oeste de São Paulo. vamos começar a transformar um sonho em realidade.” Carlos Magno. O Globo.” (Meio & Mensagem. ainda em julho. A expectativa era grande. “Fizemos pilotos de alguns programas. em São Paulo. acho que poderíamos aparecer para o mercado. Além de boletins específicos para cada região do país. mas. e foi aí que a encrenca começou.” Parecia que Magno estava prevendo. Para ele era frustrante não participar. Não poderíamos nos apresentar daquela maneira. Eles mandaram uma notificação para Waldemar Stefan. A programação será segmentada. era maior. Queríamos ter feito prospecção para ver como o mercado brasileiro de tevê por assinatura encarava uma emissora nacional com esse tema. 20/9/1998).. Apesar de o estande deles ser maior. A animação. po- 57 . marcará o lançamento de um novo canal brasileiro: o Canal do Tempo. só isso. “A questão do Canal do Tempo me passou pela cabeça em um coquetel realizado na ABTA para o lançamento da feira. Eu era o homem do tempo da Globo.

edição 4. Magno já havia decidido mudar o nome da emissora para tentar acabar com a polêmica. ficariam bastante tristes”. Os trâmites da Justiça têm dessas coisas: a uma liminar segue-se uma contraliminar. por favor. especialmente em Atlanta. Segundo Waldemar Stefan Barroso. foi acionado. Paulo Parente. o advogado dr. desde esse episódio. essa briga repercutiu nos meios de comunicação. uma terça-feira. conta Magno. A Climatempo e a Promeeting receberam a notificação segunda-feira e. Do outro lado da linha procurava acalmar os ânimos.” Resultado: a TWC brigou com uma tevê que nem existia e ainda ajudou indiretamente a implantá-la. O boletim distribuído durante a feira dava a dimensão da disputa: “O tempo fecha nos canais do tempo. uma outra decisão anulou a primeira e o estande da Climatempo pôde enfim exibir o que seria o novo canal. primeiro dia de evento. “O resultado foi que nós cedemos o nome Canal do Tempo e passamos a usar a TV Climatempo. entraram com pedido de suspensão da proibição. Parente. que reivindica o nome. 25/9/1998). Isso fora o constrangimento diante de tantos expositores. diretor da Promeeting. Após o entrevero na feira. mas que para a feira não daria tempo de criar novas vinhetas para demonstração. Você. Mais do que isso. lembra Magno. no enorme estande destinado a eles. da 2ª Vara do Rio de Janeiro. retire-se do meu estande’”. O primeiro round estava ganho.rém. avalia Magno. deve ter atiçado ainda mais a ira do concorrente norte-americano. o jornal O Globo acompanhava a briga entre os canais: “Até agora. a surpresa: uma liminar da Justiça proibia a Climatempo de abrir o estande e acusava a empresa de usar a marca Canal do Tempo de forma ilegal. Os oficiais de Justiça não titubearam ao determinarem que o estande fosse lacrado. a TV Climatempo está vencendo a disputa pela marca Canal do Tempo. Pela decisão do juiz. Ao longo de 1998 e depois do epi- 58 . (Boletim ABTA 98. meu advogado conseguiu derrubar a sua liminar e agora são vocês que não podem usar a marca no Brasil. Ainda durante a feira.” (Revista da TV. dizendo que isso era um absurdo. Não foi nada fácil ver tudo sendo retirado ou coberto. no entanto. Em outubro de 1998. que ainda assistiu de camarote ao pessoal do canal norte-americano tapar a logomarca Canal do Tempo. A disputa pelo direito de usar a denominação Canal do Tempo acirrou-se durante a ABTA 98 entre o norte-americano The Weather Channel e o brasileiro TV Climatempo. acatou um pedido do The Weather Channel de obstruir a utilização da marca Canal do Tempo pela parceria entre a Promeeting e a empresa de previsão meteorológica Climatempo. “Foi um baque. “No mesmo instante veio o cara do TWC . finalmente chegou-se a um acordo. Segundo Carlos Magno. Virei para ele e disse: ‘Meu País tem lei. Na segunda-feira. assegurando que tudo iria se resolver. de verdade. no dia seguinte. Na mesma hora. ‘especialmente na ABTA 98’. “Acho que. O Weather Channel (Sky). Sentei na cadeira e me senti muito mal”. O sonho parecia estar indo por água abaixo. O Globo. a nova ordem era para que The Weather Channel deixasse de usar a marca Canal do Tempo. não deve deixar as coisas por isso mesmo. Carlos Magno esclareceu. 04/10/1998) Esse foi só o início de uma longa batalha judicial que duraria um ano. “Conversamos na semana passada com o The Weather Channel e lhes dissemos que pretendíamos adotar o nome TV Climatempo. Com o tempo ficou apenas TV Climatempo. Mateus Levi. a Promeeting ficava impedida de utilizar a marca. o pedido foi aca- tado ontem pelo desembargador Sérgio Feltrim Corrêa”.” Foi então que a tevê nacional passou a ser denominada TV Climatempo – Canal do Tempo. Agora era tocar adiante e tornar a TV Climatempo real. Na sexta-feira (antes do início da feira) o juiz Rogério Tobias de Carvalho. que deve nomear o canal que a empresa lançará em fevereiro. E foi isso que aconteceu. Por isso nos pagaram uma quantia que pôde financiar os primeiros equipamentos da tevê. no mesmo dia. sede do canal. Como bem previra o dr. se eles soubessem disso. Contudo. do Rio de Janeiro. A decisão revoltou os representantes do canal norte-americano.

sódio da ABTA. interior de São Paulo. Afinal. Para evitar qualquer tipo de problema. na época envolvidos no projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia. chegaram aos executivos da empresa de tecnologia Atech. diretor da TV Univap. então diretor de jornalismo da Rede Globo] sobre sua consulta do canal do tempo. Sivam.” No fim de 1998. Ana Lucia e Carlos Magno aproveitaram a oportunidade para marcar. professor Baptista Gargione Filho. Carlos Magno e Waldemar Stefan continuaram a busca por parceiros que pudessem viabilizar a emissora. porém seria ótimo para o trabalho com os alunos. então uma empresa de DTH (direct-to-home) brasileira controlada pelo grupo TECSAT . com equipamentos para recepção e transmissão dos sinais. Para tentar viabilizar o negócio. uma grande festa de confraternização. nos procuraram para apresentar a ideia de fazer um trabalho com a Climatempo. também em São José dos Campos. tudo bem? Falei com o Evandro [ Evandro Carlos de Andrade. a Promeeting e a Univap. os executivos da TECSAT logo se interessaram pelo canal. OK?”. Fomos então procurar o reitor da universidade. o lançamento oficial da TV Climatempo. pois envolveria a produção e exibição de uma programação atualizada de hora em hora. Amauri Soares respondeu: “Meu caro. Em uma mensagem. Foram eles que abriram o caminho para a TECSAT . “No fim de 1998. consultou a Globo sobre suas prospecções acerca do canal do tempo. os professores e o Magno. com sede em São José dos Campos. ela ainda era o ganha-pão. Magno também tratou de manter estáveis as relações de negócio da empresa Climatempo. Jojhy Sakuragi e Ana Catarina Parrela – que já conheciam o Carlos Magno –. Fernando Moreira. Achei que para a TV Univap seria um grande desafio. Por meio de amigos em comum. enfim. a TECSAT havia implantado um moderno complexo tecnológico na área de tevê por assinatura. em um bufê de São Paulo. Duzentos convidados lotaram o Buffet La Lunna. Sem problema. A ideia era treinar os alunos do curso para apresentação do tempo na tevê. Apenas se comprometeram em subir o sinal da TV Climatempo para o sa- télite e dali fazer a transmissão. 59 . porém não queriam e não poderiam gastar um centavo com a sua implantação. Você pode mandar brasa. Mais do que apenas comemorar a efeméride. lembra bem como foi feita essa aproximação. Recém-inaugurada. os professores do curso técnico de meteorologia. se entusiasmou com a ideia e autorizou o início de um projeto conjunto entre a Climatempo. tocar seus projetos. o pessoal da Tecsat apresentou Magno e Waldemar a professores da Universidade do Vale do Paraíba (Univap). eu. O reitor. Que eu tenha conhecimento. esse foi o primeiro e talvez o único projeto de incubação de um canal de tevê em uma universidade no Brasil. Ali. Ele não se opõe. marcaria os dez anos da Climatempo.

.

Magno comunicava a todos da Climatempo que o sonho estava bem perto da realidade: “Oi. ainda tinha de encontrar tempo para expandir a empresa-mãe: “Na semana que vem. o Jornal Hoje e o SPTV. Fernando Moreira. Ufa! e o negócio estava pegando mesmo. E com isso o projeto técnico foi tomando forma. Depois de várias reuniões. Eu contrataria os profissionais e com os alunos montaríamos uma redação para a parte da arte”. e no caso da TV Climatempo não foi exceção. e era essa motivação que ele tentava passar para toda a Climatempo. dia 15 de maio. “Eu topo fazer o negócio. diretor da TV Univap.”. A partir daí. Feira do Café Irrigado do Cerrado.) Para nossa surpresa. Carlos Magno estava entusiasmado “Estou mandando esse e-mail agora cedo por absoluta falta de tempo de enviar em outro horário. Lembro-me de o Waldemar trazer um orçamento baseado em arquivos digitais e na utilização de computadores. No final. pessoal. Em resumo: o negócio tá pegando. gostaria de atualizálos com relação às negociações do canal.” 7 61 . tenho a seguinte agenda: dia 23 apresentar uma proposta nova de modelagem para a Petrobras. nosso técnico que realmente pôs a mão na massa e fez as idéias saírem. (. conta Magno. Gargione foi marcada para março daquele ano. a parceria engrenou.. um bom contato e o interesse da Univap. ou o canal sai agora ou não sai mais. (. uma possibilidade de transmissão pela TECSAT. Por mim. De 24 a 27. Para dedicar-se em tempo integral ao canal do tempo. Fato: o momento é agora. Comercializar um canal novo não é nada fácil. A partir de 4 de abril começa a montagem do nosso espaço dentro da Univap. em um grupo de jovens estagiários dispostos a trabalhar no conteúdo gerado pela Climatempo. Ele sabia que podia contar com ela para tocar o negócio. e o reitor da Univap prof. o reitor está mais ansioso do que a gente para ver o canal dando certo. eu coloco esse Weather Channel para fora do Brasil”.)” Em outro trecho.. Por isso.. Magno que ainda apresentava o Bom Dia Brasil. Waldemar Stefan. lembra que no início a estrutura da nova tevê estava alicerçada nos equipamentos cedidos pela universidade. com a montagem de um estande para vender nosso projeto agrometeorológico na região. mas vocês vêm ou não vêm? Porque eu detesto conversa. sem custos para a produção dos programas. o projeto técnico foi uma colcha de retalhos. segundo Magno. em Macaé. mesmo com a atribulação da tevê. Magno deixa claro que. Montei um outro projeto. “Começamos a costurar a formatação do canal. No fim de março. fazia questão de deixar todos cientes dos passos da nova criação. que nos propõe participar de uma página na Internet com o balanço hídrico do Brasil e a montagem da página e assessoria na corrida de fórmula Indy. O encontro selou a parceria. Num primeiro momento ficou estabelecido que a universidade cederia os estúdios da TV Univap por um período de três meses. Magno jamais se esqueceu do ultimato dado pelo reitor. mas também tinha consciência da responsabilidade de manter a equipe informada e motivada. outras pelo Ruy Carlos Gomes. mas Magno jamais deixou de acompanhar de perto a empresa que ele e Ana Lucia criaram... calcado em VTs e um exibidor profissional. essa ideia havia amadurecido bastante: já tinham um projeto no papel. uma realidade esmo oficialmente lançada. algumas propostas por mim. com direito a festa e tudo mais. Eu e o Waldemar tivemos uma reunião com o reitor da Univap. “Aos poucos fomos trabalhando a questão técnica.M A primeira de uma série de reuniões entre Carlos Magno. A TV Climatempo era a menina dos olhos. com soluções caseiras. Ainda assim.. que sempre esbarrava no orçamento. teriam sido as palavras do prof. no início de 1999. a TV Climatempo continuava sendo apenas uma ideia na cabeça de meia dúzia de pessoas. tirou férias da Globo. Faltava mesmo era um planejamento de como ela funcionaria. Hoje (18 de março de 1999) mesmo estarei em Campinas para uma reunião na Embrapa. As coisas pareciam caminhar com sucesso. em um terreno mais real. Gargione. Haverá movimenta- Um sonho.

naquele momento. passou por algumas redações e por uma temporada fora do País. A criança estava prestes a nascer e. outros colegas tiveram de me ajudar. o que era melhor.) Preciso que haja um forte envolvimento de todos com relação aos produtos e clientes. porém. guarda na memória toda a agitação dessa época. profissionais um pouco mais experientes também acreditavam no projeto. quase pronto. No Clima do Esporte. além de todas as providências técnicas. quando se deu conta. Em clima de viagem. o gás era total. Formada na maioria por estagiários da própria universidade.. A pouca experiência do grupo. disse que gostaria de trabalhar com ele. Não sabia fazer nada. Paulo Polli. Paulista. Naquele segundo semestre. Ele estava no segundo ano de jor- nalismo e já trabalhava na TV Univap na parte técnica. transformando o clima em notícia. o único produzido inteiramente no Brasil. ouviu os comentários em torno do novo canal e viu Carlos Magno recrutando estagiários para ajudar na montagem da emissora. Também haverá uma preocupação frequente de propor programas baratos e bem criativos. que serão extremamente simples. Percebeu que era uma grande chance. Magno sentiu que. atraiu muita gente. não desanimou ninguém. Não era brincadeira. Contudo. “Um canal que vai falar a língua do seu assinante. uma novidade da qual queria fazer parte. fazer os mapas. “Eu conheci o Carlos Magno. como iniciante. Fui conversar com o Magno e consegui o trabalho. toda a arte. o desafio de colocá-lo no ar. Fiz um teste para apresentadora. informações meteorológicas. Ao contrário.. Era muita coisa de uma vez para iniciar o canal meteorológico. O Magno disse como queria. propondo soluções e pilotos. com o tempo peguei o jeito. redigiu o texto e eu passei.ção do pessoal da Promeeting. uma necessidade. Programa Silvana Teixeira. Comecei assim. a TV Climatempo anunciava sua chegada em breve e revelava um pouco do que seria o seu conteúdo. a guerra se ganha com criatividade e persistência. precisamos de sugestões. e a jornalista Ângela Ruiz foram os primeiros a se integrar ao time e continuam até hoje na empresa. Se o cliente não gostou do piloto. O estagiário Paulo Edson Aparecido de Oliveira. mas como todo mundo também estava aprendendo. alunos da universidade viam ali uma chance não só de aprender.” Ana Lucia idealizou uma grade de programação baseada no perfil de horário das tevês abertas. preciso que todos os previsores e técnicos se envolvam no fator venda. havia sobrado apenas uma vaga como editor de arte. durante sete dias por semana. Até montarmos um departamento de vendas. com informações regionalizadas. Paulo acompanhou uma movimentação nova na tevê. De outro. formou-se em Mogi das Cruzes. Ângela relembra que viu na inauguração da nova emissora uma oportunidade de crescer profissionalmente e. cargo para o qual não tinha a mínima experiência. o Paulo Polli. O cara não acreditou. um paulista de São José dos Campos. Assim. com a tevê incuba- 62 . era preciso uma boa injeção de ânimo e de garra no seu pessoal. ou melhor. junto com uma novidade no mercado. na equipe poucos tinham alguma noção de meteorologia. também era preciso pensar no conteúdo.(. montagem de cenário e adequando a operação com as condições reais de trabalho. chamadas de programas. “Foi com a maior carade-pau que pedi a um amigo uma força para conseguir o lugar.” Ângela Ruiz era a jornalista mais experiente do grupo. Tudo pronto. alguns programas compunham uma grade ainda provisória: O homem do tempo. Em uma página na revista segmentada para canais de assinatura Pay-TV. Ecoclima. antes de fazer parte da equipe da Climatempo. Enviem para mim qualquer estalo de ideia. testando equipamentos e preparando vinhetas. A abertura de um novo canal. precisamos saber e propor novas soluções”. De um lado. A equipe estava sendo montada em São José dos Campos e era preciso treiná-la. mas também a oportunidade de conquistar uma vaga no competitivo mercado de trabalho das telecomunicações. No começo foi complicado. Agrobusiness. Precisei aprender tudo. como o resto do pessoal. Tinham de produzir 24 horas. Deu na Internet.

explicando por que a meteorologia era importante para as pessoas. foi a ela que Magno recorreu para tornar pública a existência da nova TV Climatempo.” (Meio & Mensagem. (. de uma forma ou de outra. um educativo dirigido para crianças e outro com dicas específicas para os praticantes de esportes como vela. Fernanda Bulhões e sua recém-criada assessoria de imprensa Linhas & Laudas. “Lembro que a gente brincou muito com a história do homem do tempo. serviu para azeitar tecnicamente a máquina e também preparar a equipe para o que viria a seguir. com dicas e previsões para estradas... Fernan- da era responsável pela edição dos boletins do tempo durante a manhã. Carlos Magno contou com a ajuda de uma velha amiga. uma última e importante providência: divulgar o novo canal. “Um dia o Magno ligou falando da tevê e pediu que eu fizesse a divulgação. uma outra parceria foi feita com a Rede Vida. apresentava. por exemplo. A essa altura do campeonato a TV Climatempo tinha uma grade definida. ‘Primeiro estamos cuidando da formatação do canal. No dia 30 de agosto. a inauguração da TV Climatempo: “O novo canal poderá ser sintonizado pelos assinantes da TECSAT e alguns programas terão transmissão simultânea pela Rede Vida. (Jornal da Tarde. completa Magno. e a Climatempo. Fernanda conheceu Magno e boa parte da equipe da Climatempo no Canal Rural. se envolveu na implantação do canal. Eu redigia. Para Fernando Moreira. A parte comercial será uma decorrência da nossa qualidade’. criado e dirigido por Carlos Magno. chegara a hora de aplacar a ansiedade de todos. A um passo de entrar no ar. uma emissora ligada à Igreja católica e que transmitia em UHF. toda a equipe da Climatempo. na época.” Além deles e dos demais estagiários da Univap. O programa Tempo no Campo começou a ser veiculado diariamente na Rede Vida pouco antes de a TV Climatempo entrar no ar. na Linhas & Laudas. Canal começa a ser exibido dia 15 para assinantes da TECSAT. porém sem serem chatas’. contar para o resto do mundo que finalmente a TV Climatempo era uma realidade. Agora sim.da na Univap. o homem do tempo da Rede Globo. Faltava. explica Carlos Magno”. programa voltado para os agricultores e para o agrobusiness. no caderno Divirta-se. De tudo um pouco. em especial as revistas de tevê. seja atuando diretamente na produção de conteúdo. em duas edições. Em muitas delas o assunto foi a matéria principal e deu até capa de caderno. Às vésperas da inauguração. Como aperitivo do que seria a TV Climatempo. Além deles. ver como iria funcionar. o canal deverá contar também com parcerias de rádios. A programação começaria às 6h da manhã com o Tempo no Campo. contará com uma grade que reúne programas específicos sobre as condições do tempo nas estradas. Para cuidar de toda a divulgação. produzia. o Jornal da Tarde destacava. 30/8/1999). Ela conta que todos os jornais noticiaram. Como editora. entre um programa e outro. ‘A ideia é manter uma programação 24 horas no ar com informações úteis. Uma data oficial foi definida para a inauguração da TV Climatempo: 15 de setembro. Fizemos uma ação incisiva mostrando a tevê. A tarde estava reservada para o programa interativo Deu na Internet e o Clima no Esporte. na sequência viria uma atração para crianças de 4 a 8 anos. voo livre. “Climatempo entra no ar. 06/9/1999). Magno e alguns meteorologistas da Climatempo praticamente se instala- 63 . Eu e meu sócio Ederaldo Kosa. Os primeiros programas a oferecer espaço comercial são os transmitidos pela Rede Vida. e foi ali que se tornou uma boa amiga de Magno. O novo canal. Aceitei e fui conhecer São José dos Campos. a chegada da nova emissora. e o retorno foi tão grande que até Magno se assustou”.) Além da equipe de jornalistas e meteorologistas encarregada de apurar as informações.” O zunzunzum na mídia começou dias antes da inauguração. no campo. Aí começamos uma parceria. porém. seja simplesmente atendendo aos demais clientes da empresa. esse lance inicial da tevê foi muito importante para disseminar a marca. boletins informativos. e um outro para o público jovem. lembra-se Fernanda.

’. cientistas e membros da comunidade meteorológica da cidade. lembra Magno. passando-o por outro lugar para ficar melhor. entre elas o ministro de Ciência e Tecnologia da época Ronaldo Sardenberg. Para esse time só digo uma coisa: muito obrigado”. Eu estava supercansado e o Ruy mais ainda. da Climatempo. ou seja.. mas temos 24 horas de programação para preencher. poucos dias depois de o canal entrar no ar. radar e outros. Uma cerimônia na Univap reuniu autoridades da universidade... A tarefa era árdua. podem virar programas. a nova tevê finalmente entrou em operação. será a nossa cara. “Nesse momento. técnico da TV Univap. Faltando cinco minutos para rodar o VT de abertura do canal. tentando não atrapalhar a rotina que se torna mais densa a cada dia. Depois de umas vinte horas trabalhando direto.. fui para casa descansar e o Ruy quis ficar para fazer os últimos ajustes. Enquanto o Magno conta- va uma história sobre a inauguração de uma outra tevê na qual o cenário havia caído. Tanto é que. duas vezes. ao receber o clipping feito pela Linhas & Laudas. São quase 10 anos de bons conselhos e principalmente ótimas ações de comunicação dos nossos produtos e serviços. No dia 15 de setembro. a nenenzinho TV Climatempo nasceu e precisa ser cuidada com muito carinho. O reconhecimento pelo trabalho da assessoria pode ser lido no site da Linhas & Laudas. dá o play aí. Os produtos que a Jô [Josélia Pegorim] prepara para o Ilhabela (talvez um para o litoral Sudeste) e Café.. no dia 26 de setembro de 1999. A TV terá a nossa direção editorial. A aceitação no mercado tem sido fabulosa. que é o nosso ganha-pão. ele não tinha a real dimensão do fato. que nunca deixam a gente na mão. Ao longo deste processo de criação da tevê tentei manter isolados os problemas entre ela e a Climatempo. comandados por dois grandes jornalistas. Agora era tocar o barco para fren- te. mas era cômico ouvir o Ruy reclamar: ‘Por que você mexeu logo agora?’. que iríamos receber os visitantes na central técnica da TV Climatempo e que o espaço estava muito amador e feio.” Apesar dos contratempos. Apesar da falta de recursos. a tevê nasceu bem divulgada”. o Magno dá a deixa para rodar o VT e. Lá em São José a tempestade está se dissi- 64 . transformou-se em um documento precioso que demonstra o “clima” existente na empresa naquele momento e que se perpetuou ao longo dos anos: “Pessoal. Fernando Moreira certamente não vai esquecer a data. a assessoria Linhas & Laudas tinha feito uma divulgação em mais de 1. E eu respondia: ‘Mexi sim e não tem por que não funcionar. portanto.. “No dia anterior à inauguração oficial. em que Magno deixou um sincero depoimento: “O trabalho da Linhas & Laudas está ligado ao crescimento da marca Climatempo. O Ruy e eu começamos a discutir. por exemplo. falei com o Ruy Carlos Gomes. vamos usar e abusar da criatividade para ganhar essa guerra contra o TWC (The Weather Channel). Então ele topou desligarmos tudo e remontarmos até o dia seguinte em uns racks de metal que tínhamos no almoxarifado. Aceito sugestões. tudo correu bem. Vamos poder exercitar nela tudo que aprendemos nestes últimos dez anos e meio.ram em São José dos Campos. umas 200 pessoas. eu olhei um cabo de áudio que estava ligado no vídeo beta e vi que estava esticado e desliguei. preciso contar com a ajuda de vocês na construção do canal. Magno não acreditou no tamanho da exposição do novo canal. e foi então que aconteceu uma coisa muito engraçada. Uma. Fernanda Bulhões e Ederaldo Kosa. Aos meteorologistas venho pedindo ajuda a um e a outro. o áudio não sai. Realmente valeu a pena. Então. a central técnica ficou profissional e não passaríamos vergonha. pois já nem pensávamos direito por causa do cansaço.500 jornais em todo o Brasil. Até hoje não sei o que aconteceu. Contudo. Certamente um dos ingredientes do nosso sucesso. porque a prioridade tem de ser da Climatempo. Uma equipe de profissionais supercompetentes. Mesmo sabendo disso. A mensagem divulgada por Carlos Magno a todos da Climatempo. com o auditório da reitoria lotado. Assim como o Agrocast (pílulas de um minuto com informações internacionais). o Waldemar correu para ajudar a gente e ligou o cabo de áudio de outro jeito.

da forma como fizemos da outra vez.” Também entrou para a galeria de histórias a “dança do mapa”: um passinho para a frente. ia para São José dos Campos. viajando. Ângela. O jeito foi marcar com um xis os posicionamentos mais comuns durante a apresentação e aos poucos ganhar desenvoltura para indicar as regiões no mapa. mas. Um ano marcante para toda a Climatempo. André [André Madeira].” Com a carga de responsabilidade reduzida. à tarde. esses tropeços deram motivo a muita apreensão. e a Climatempo continuou fazendo a previsão. assumo o plantão na segunda e terça. montamos uma equipe valorosa. a editora ligava para mim e eu tinha de atender. que. por exemplo. Mag- 65 . Por conta disso. de meia em meia hora”. Ana Lucia e Carlos Magno que o digam! O acúmulo de serviço por pouco não causou um colapso administrativo na empresa. muito cansativo também. para os estúdios em São José dos Campos. mas o Magno sempre foi muito objetivo e garantiu que a gente ia aprender no instinto a fazer o certo”. produzidos ao vivo. Na quarta. A Climatempo entra em campo de batalha com Rogério. O ano estava chegando ao fim. Eu já não tinha mais condições de ser o homem do tempo e administrar a Climatempo”. “Aí senti que era hora de sair e cuidar do que era meu. muito intenso e produtivo. mesmo para os mais experientes. O que nos ajudou no início foi o aprendizado que tínhamos com os boletins do Canal Rural. se chovia no Rio. apesar de parecer pouco. perguntar e tirar dúvidas para evitar erros. acontece a Feira da ABTA. “Eu atendia o Bom Dia Brasil. onde os canais se expõem. à tarde. Vou precisar da ajuda do pessoal da manhã. Ângela. fico na Climatempo. só que extremamente inexperiente. todos os Bom Dias regionais. Jornal Hoje. A tevê funcionava 24 horas. conta que as previsões eram feitas em São Paulo e enviadas. O Globo Rural me pedia informações e se acontecia alguma coisa tinha de entrar ao vivo no Jornal Hoje. e de repente ligam da Globo pedindo que ele voltasse para cobrir a falta da apresentadora Fabiana Scaranzi em um dos telejornais. O Waldemar também saía do Rio para ir para a tevê. conte com a ajuda da Luciana para estes boletins da tarde. SPTV. conta Ângela. fez parte dessa primeira equipe que tinha muita garra. quem apresentava a previsão não tinha a visão do mapa. jornalista. “O mais engraçado dessa época era que a gente não sabia apontar o mapa.pando. era uma pauleira. Na semana entre 4 e 8 de outubro. Os erros fizeram parte desse primeiro momento da TV Climatempo e eles geravam fatos que agora fazem parte de um folclore interno. parecia um mimeógrafo lento. Que Deus nos ajude. Mas aconteciam muitos erros porque trabalhávamos com estagiários. E cansativo. lembra Magno. Não era raro apontar a Bahia ao falar da previsão do Rio de Janeiro. Como é possível perceber pelo e-mail. três dias por semana. via fax. Uma dificuldade natural. O fax sempre interrompia. com idade média de 19 anos. e depois de choros. e nos dias atuais também. “Eu fazia a TV Globo e então. indicar o Amazonas ao falar do Pará. Quando eu chegar. agora apenas como consultoria. “A gente recebia por fax e muitas vezes a folha saía ilegível. o cenário era um fundo azul no qual se aplicavam os mapas do tempo com a técnica do chroma-key. Na quinta. mas tínhamos três a quatro horas de produção. tinha de ligar para São Paulo. Naquele tempo. onde eram gravados os boletins. falhas. Magno continuava a ser o homem do tempo da Globo e por isso tinha de se desdobrar para cuidar da Climatempo Consultoria e manter a TV Climatempo. Com isso. A Ana Lucia vai ficar lá na segunda e terça para ajudar as moças na apresentação e na implantação do programa de esportes. irei para São José dos Campos. outro para trás e depois de novo para a frente. Abraços. relembra Magno. A gota d’água foi em um fim de semana. Magno decidiu então deixar de ser apresentador na TV Globo. Ariany e Carol. Essa era a coreografia dos apresentadores dos boletins do tempo para não errar na hora de indicar as regiões do mapa de que estavam falando. por favor. na época. Magno”. O André Madeira atendia a Globo no período da manhã e a Ana Lucia. quando Magno estava de folga. erros. Fiz um acordo com a emissora.

um servidor em que os dados que iam para o BBS iam também para a Internet. Por um lado. da Universidade de São Paulo ( USP ).” Rogério montou as páginas iniciais e o servidor. Lentamente foi começando a surgir. meio fechada. a Internet representou uma grande mudança na Climatempo no limiar do século XXI. Ao contrário do esperado. lançou um serviço de acesso comercial à Internet. Rogério Leite. A Internet deu uma visibilidade muito grande para a Climatempo. até que as pessoas passaram a acessar mais a Internet do que o BBS. uma rede de lojas no Rio de Janeiro. no Brasil.” A explosão da Internet estimulou a entrada de um novo personagem na equipe da Climatempo. e aos poucos começou a fazer a previsão para a Internet. Foi criado um Comitê Gestor para a Internet e a Embratel. trabalhou em quase tudo. A Climatempo não ficou de fora. Ao longo dos últimos anos. com a criação da Rede Nacional de Pesquisa ( RNP ). Em 1999. Os meteorologistas extremamente ligados ao meio acadêmico e conscientes da velocidade da informação na Internet fi- Magno em uma visita que fez à Rede Globo. que ajudou na montagem dos BBS s. inclusive para a exploração comercial. procurou Magno e conseguiu o estágio. foram contratadas novas pessoas para a recém-criada área de tecnologia. Renato Urbinder. mas não gostava disso e era mais ligado à área de Tecnologia da Informação. o “bug do milênio” que ameaçava trazer prejuízos para empresas virtuais não se concretizou. a nossa ideia era montar uma coisa que as pessoas pudessem acessar. e o dinheiro parecia jorrar em sites e portais. que acompanhou todo o desenvolvimento da Internet e o que ela representou para a empresa. engenheiro civil e empreendedor. Geofísica e Ciências Atmosféricas ( IAG). relembra que tudo começou bem devagarzinho: “A Internet não existia. o governo. A rede mundial de computadores chegou ao Brasil em 1991. com o negócio crescendo. ocorreram os grandes negócios da Internet. por outro auxiliou a vida dos meteorologistas ao facilitar a captação de dados. carioca. Interessada em trabalhar na Climatempo. Aqui. Começou como estagiária. Com uma voz doce e um sorriso tranquilo em um rosto de menina. como se fosse o BBS. caram plugados desde o começo.no começou a enxergar a Climatempo com outros olhos e passou a administrá-la melhor. assim. A chamada “bolha da Internet” começou em 1995. fazendo levantamento de dados. a rede mundial de computadores que viria a substituir os antigos BBS s. No início a rede era voltada para a área acadêmica e administrada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). uma pausa para um pequeno retorno ao início da década. Formada pelo Instituto de Astronomia. a empresa ficou mais conhecida do público. Montamos uma rede pequena. subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT ). na época tocava os negócios da família. Gilca conheceu Carlos Õ O fim do ano de 1999 trouxe apreensão em um setor que estava em franca expansão no Brasil: a Internet. a Internet já estava definitivamente instalada na Climatempo. Naquele ano. Somente em 1995. Então. com outros estudantes. A mudança para o ano 2000 criava a expectativa de um problema que poderia ser registrado em todos os sistemas informatizados e que ficou conhecido como “bug do milênio”. o auge da nova ferramenta aconteceu no ano 2000. por meio dos Ministérios da Comunicação e da Ciência e Tecnologia. mas. na época ainda uma estatal. tornaria possível a entrada do setor privado na Internet. Aí teve uma hora que ele não tinha mais sentido de existir. “Cada vez mais as pessoas acessavam o nosso site e ficavam conhecendo os nossos serviços. Renato conheceu Magno por meio 66 . as grandes fusões de empresas. Uma das primeiras meteorologistas a perceber o potencial da nova ferramenta foi Gilca Palma. Para Gilca. Gilca conta que chegou à Climatempo em outubro de 1999 para fazer um estágio. A alegria em ver a empresa crescendo é descrita por Gilca Palma. era só para acadêmicos.

como a America Online (AOL). Com parte desse dinheiro. a Climatempo Internet era um braço dentro da empresa. Mordido pelo bichinho da novidade. já estava mais do que na hora de ampliar as instalações da empresa. a Climatempo Internet. a Climatempo foi pioneira e é uma referência nesse segmento. lá estava a Climatempo como exemplo de sucesso: “Nesse período. grandes nomes. mais tarde Climanet”. E agora para um prédio novinho e. Universo Online ( UOL) e Globo. Um pequeno prédio na rua Muniz de Sousa. em 2000. Por isso. com o seu rápido crescimento. com o Magno. São 2. a empresa conseguiu terminar a construção de suas novas instalações. ser uma empresa confiável e com possibilidade de customizar uma página dependendo da necessidade do cliente”. a empresa dedicada à transmissão de informações meteorológicas. Renato não tinha noção de meteorologia. tinha de trabalhar em uma mesa atrás da porta de entrada. Renato entrou no negócio. Portanto. criamos. Em reportagem do jornal Gazeta Mercantil sobre empresas que começavam a explorar conteúdo diferenciado para a Internet.” (Gazeta Mercantil. Entre eles. patrimônio da empresa. conta Magno.com. A América Online (AOL) foi uma das primeiras empresas a receber os serviços da Climatempo. mas. “Ficamos muito orgulhosos em poder construir um prédio fruto do dinheiro que a gente trabalhava para ga- nhar”. “Eu digo que peguei a Internet no berçário. A previsão do tempo era um ótimo chamariz. “Quando veio aquele enorme desenvolvimento da Internet. na rua Muniz de Souza. adquiriu cem novos clientes. com exceção da TV Climatempo. eu decidi seguir esse caminho.5 mil novos visitantes por dia. “Tornou-se sócio da Climatempo na operação de Internet e entrou com 100 mil dólares de capital. e a Climatempo passou a oferecer bons conteúdos. o que era melhor. A avalanche de serviços prestados ainda surpreende o meteorologista Carlos Magno. No início do ano 2000. em outubro de 1999. ficando com 30% dos negócios. avalia Magno. dona Alice. em março. O crescimento de uma empresa pode ser medido também pelo espaço que ocupa. Renato aceitou o desafio de desenvolver a Internet na Climatempo. Novas oportunidades de negócio logo começaram a surgir no ano 2000. Próximo passo: mudança de endereço. A mudança para o novo prédio aconteceria em maio de 2000. e foi aí que.do amigo comum Waldemar Stefan e acompanhou a saga para a implantação da TV Climatempo. que investiu R$150 mil no desenvolvimento de produtos para o segmento. Quando a Climatempo passou a ser provedor de Internet. A partir de maio de 2000. Contando mais uma vez com a ajuda financeira da mãe. Mas por pouco tempo. afirma Renato. a casa na Baltazar Lisboa já ficara pequena e não comportava o número de funcionários da Climatempo. em um espaço bem apertado. na Vila Mariana. A grande vantagem da Climatempo era ter uma boa estrutura. dezenas de outros sites e portais procuraram a Clima- 67 . No início das operações de Internet. contudo o tino para o comércio indicava que ali estava um bom lugar para investir. Para se ter uma ideia. Com a entrada dos grandes portais como a AOL. Os resultados alcançados no período não poderiam ser melhores. voltada para esse novo mercado. logo houve a necessidade de desmembrá-la em uma empresa própria. a receita com a venda de conteúdo deslanchou e a empresa passou a atuar nos grandes portais e em boa parte dos sites em todo o Brasil. 27/3/2000). a empresa mudou para a rua Muniz de Sousa. com uma equipe capaz de entregar o pedido de cada cliente. os recém-criados portais precisavam de conteúdo para atrair os usuários. Carlos Magno e Ana Lucia finalmente puderam ter a primeira sede própria da Climatempo. a Climatempo havia completado seis meses de experiência no mercado Internet. No começo. Quer dizer. Dois meses antes. Logo. Gilca lembra que quando entrou. que ainda funcionava no galpão da TECSAT . conta Urbinder. “A área é promissora. Renato tornou-se a pessoa chave em novos negócios”.

O crescimento da Climatempo com o produto Internet deixava espantados os analistas da revista: “Empresa de consultoria criada por Carlos Magno.climatempo. Pelo título da reportagem percebe-se o excelente momento que a empresa atravessava: “Tempo é dinheiro – o meteorologista Carlos Magno lucra com o fornecimento de informações sobre o clima para a Internet brasileira”.tempo querendo comprar conteúdo.).” (ISTOÉ Gente. e o portal de seu ex-patrão. O número de consultas ao site mostra que demanda existe e futuro também. a Climatempo virou notícia na revista ISTOÉ Gente. números do crescimento da Climatempo no mercado. o tempo continuará bom para o meteorologista. 11/ 10/2000). pelo celular ou pela rede. portais e sites respondem por metade do 1. Tudo ia de vento em popa.br é um sucesso entre os internautas. ainda em São José dos Campos. Ao consultar o site da Globo. Magno vai lançar dois serviços a parte deste mês (outubro). Implantado no Brasil pela TELESP Celular (atualmente.. na sede da empresa. era fornecido pela Climatempo. ex-Rede Globo. é o Exposição Solar. Totalmente reformulado. O sistema WAP era a grande novidade do momento. convênios feitos para operação em banda larga e a participação da empresa nos principais portais da Internet. O Alerta já tem o Zip. faça chuva ou faça sol. Somados. A previsão do repórter estava correta. o The Weather Channel. Na mesma matéria. a Globo. o site registrou nada menos que um milhão de page-views no último mês (. ‘A previsão para a Internet é de tempo bom e amanhecer sem nuvens’. completa o carioca Carlos Magno.com e patrocinado pelo fabricante de cosméticos Natura. conta Magno. como diz o ditado. No mês de junho. o maior provedor de acesso do País. Rio de Janeiro e Brasília. Serão avisos gratuitos sobre mudanças de tempo. Um desses serviços. a Climatempo contra-atacava com novidades que a consagraram no mercado: “Para não perder terreno. Vivo). 10/ 07/2000) Em outubro. Nessa ocasião.5 milhão de reais que a Climatempo deve faturar neste ano. disponibilizava em seus celulares uma série de endereços já adaptados para o novo protocolo. Tudo por conta da explosão de acessos registrados no portal Climatempo: “O vento está soprando a favor do meteorologista Carlos Magno. a Telefônica e a TELESP Celular como parceiros. para anunciar a entrada no ar de um novo portal de meteorologia. a previsão do tempo. “Eu recebia mais ou menos 150 e-mails por dia de gente querendo receber material da Climatempo”. ele toca seus negócios à frente da TV por assinatura Climatempo e o site com o mesmo nome. desenvolvido em conjunto com a globo. O primeiro. em cada capital brasileira.com. O ClimaWap colocava no visor do celular informações sobre o tempo em 600 cidades brasileiras com previsão para quatro dias. sem riscos. algo como ‘vai chover forte em São Paulo dentro de meia hora’. vai pegar carona na temporada de chuvas de verão que atormentam capitais como São Paulo. como a entrada em funcionamento do sistema WAP (informações do tempo via celular). O “negócio” Internet crescia de forma veloz. Já a TV Climatempo. Previsão para amanhã: os negócios devem continuar crescendo”. o internauta informará o tom de sua pele e ficará sabendo por quanto tempo pode se expor ao sol. para rebater as investidas de seu maior concorrente. com previsão do tempo para 600 cidades no Brasil e 150 cidades no mundo. a Climatempo convocou uma coletiva de imprensa. hoje fornece informações para 350 clientes pontocom. O segundo serviço. WAP significa Protocolo de Aplicação sem Fio (Wireless Application Protocol) e foi criado para facilitar o acesso de celulares à Internet. batizado de Alerta.. Há oito meses fora da TV aberta. O endereço www.com. Pelo menos na Internet. caminhava 68 . entre eles o UOL. Carlos Magno também anunciou outras novidades. 38 anos. a Climatempo foi parar nas páginas da conceituada revista Forbes Brasil.” (Revista Forbes Brasil. Um mês após a entrada do novo portal.net. Pelo visto.

Pensando nisso hoje. André Catoto é designer visual na Rede Record. TV iG.” Mais um ano chegava ao fim e essa era a tradicional hora de fazer o balanço de atividades. Após um ano no ar. outras burocráticos. A operacionalização da tevê encontrava entraves. o David está na Band e o Denis na Rede Vida. Filipe e Roberta tornaram-se professores na área de comunicação. ao olhar para trás reconhece a importância daquele momento. a Climatempo fechou parcerias com todas as operadoras de telefonia do País. mas isso é normal em qualquer processo cria- tivo.500 links espalhados em médios e pequenos portais. Claro que tivemos dificuldades. Seu conteúdo passou também a ser explorado por canais a cabo. e quem via o produto final que colocávamos no ar não tinha a mínima ideia das ‘mágicas’ que só nós brasileiros sabemos fazer. Em dezembro de 2000. TV Globo. Climatempo Meteorologia e TV Climatempo. na prática. o diretor da TV Univap. 69 . como parceiras de sucesso. Com isso perdeu-se parte da estrutura e dos equipamentos.com e Ajato. Vânia. além dos estagiários da universidade. além dos 1.em busca da profissionalização. como a TV Filme (Brasília) e a Image TV (Uberlândia)”. principalmente quando a única referência que tínhamos era um modelo estrangeiro que tinha muito dinheiro. Como duas empresas distintas. para ser um canal do tempo profissional. Na banda larga. Os números revelados pela empresa no balanço de 2000 comprovaram: a Climatempo estava presente com suas previsões em 90% dos maiores portais do mercado. Enquanto centenas de empresas do mundo da Internet estavam prestes a fechar as portas. Fernando Moreira. em São José dos Campos. na Climatempo o céu era de brigadeiro. era o caminho natural para deixar de ser uma tevê experimental de universitários. a empresa estava operando na TV UOL. vejo que fomos pioneiros em uma área ainda inexplorada na tevê brasileira e que não dá para lembrar nada de ruim. a TV Climatempo era sucesso absoluto: “Desde o dia 31 de julho a TV Climatempo passou a prestar consultoria para o Canal 21 e a TV Bandeirantes. Foram esses entraves que levaram ao fim da parceria. funcionavam. O entusiasmo dos primeiros tempos já não era o mesmo por parte da Univap. No sistema WAP de informações. Por outro lado. que começavam a atrapalhar seu funcionamento. muitas vezes financeiros. Apesar de desfeita a parceria. E foi um desenho muito favorável que a Linhas & Laudas traçou da Climatempo em dezembro de 2000. a TV Climatempo deixou de funcionar na Univap e transferiu-se para um galpão alugado da própria TECSAT . Aline é dona de jornal e empresária. “É com muito orgulho que vejo hoje que a maioria dos alunos que passou pelo projeto da TV Climatempo está atuando no mercado de comunicação em diversas áreas. Celeste.

C

O ano de 2001 começou a todo vapor na Climatempo Internet. Logo em janeiro, a empresa anunciava uma parceria com o poderoso grupo Telemar para um serviço, na época, inédito no Brasil. Ele colocava à disposição dos usuários o Vocall, um sistema acionado por comando de voz de qualquer telefone, celular ou não. O serviço atendia seis capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. Um mês depois, duas outras importantes conquistas. Primeiro foi a parceria com a PSINet, empresa que era responsável pela hospedagem e serviço de acesso com link dedicado. Segundo Carlos Magno explicou à Linhas & Laudas, a razão da parceria era o grande número de acessos. “O site da Climatempo vem recebendo um número de internautas muito grande. Com a infraestrutura oferecida pela PSINet, nossos usuários podem navegar com mais agilidade.” A outra conquista foi o acordo com parte do Grupo RBS de Comunica-

Pioneira em praticamente tudo o que dizia respeito ao universo da informação meteorológica no Brasil, mais uma ação inovadora da Climatempo no carnaval de 2001. Em parceria inédita com a seguradora Sul-América, foi instalado na praça de pedágio da Ponte Rio–Niterói letreiro luminoso com a previsão do tempo para o Rio de Janeiro, Niterói, Campos, Cabo Frio e Arraial do Cabo. Com isso, os fluminenses puderam planejar melhor a folia. Mas se na Internet os negócios pegavam fogo, na TV Climatempo as dificuldades continuavam. Após a saída da Univap, a emissora começou a funcionar em um galpão, em São José dos Campos mesmo. As instalações eram muito precárias, e quando chovia o barulho de água caindo no teto era intenso. “Foi um período negro da TV porque deixamos de ter a estrutura da Univap. Tínhamos cinco câmeras beta e passamos a ter uma câmera beta e uma câmera VHS”, relembra Magno. Os jornalistas Paulo Polli e Ângela Ruiz continuaram na tevê depois

Nesse período, Rogério Leite percebeu que a transmissão via satélite encarecia demais as operações da tevê. Foi então que teve a ideia de adaptar um sistema que estava desenvolvendo para enviar informações para os aeroportos para a emissora. Em certo momento, viu que a mesma tecnologia poderia ser empregada para enviar, pela Internet, os dados para a tevê em São José dos Campos. “Por que a gente não manda pelo computador, por meio de um software? Com isso reduzimos o custo do satélite”, lembra Rogério. Esse software foi aperfeiçoado com o tempo e continua a ser usado. Para ter uma ideia, esse foi o embrião das tevês que começaram a surgir na Internet. Os solavancos na TV Climatempo não desanimaram a equipe, especialmente porque além da RBS outros canais procuravam a empresa em busca de conteúdo. Um e-mail da Patrícia Madeira, de 26 de feverei-

Uma bolha no ar
71

omo em todas as empresas, há períodos de vacas gordas e períodos de vacas magras. A Climatempo, no início do século XXI, era um grupo com quatro empresas distintas – Climatempo Assessoria, Agência Climatempo, Climatempo Internet e TV Climatempo –; às vezes, as duas coisas aconteciam simultaneamente, como numa balança, enquanto uma área assistia ao crescimento, outro enfrentava os percalços naturais de um empreendimento pioneiro.

ção. A Climatempo passou a fornecer informações para 17 emissoras de tevê do grupo, além de dez emissoras de rádio, cinco jornais impressos e também para o portal interativo RBS . Só nas emissoras de tevê, eram 99 inserções diárias sobre o clima nas regiões abrangidas pela emissora. Para atender ao novo cliente foi preciso montar uma estrutura específica na sede da Climatempo, em São Paulo.

da mudança de endereço. Eles também não esquecem as dificuldades enfrentadas num local com pouca infraestrutura para a gravação dos programas e sem os mesmos recursos técnicos, além do pessoal especializado que ajudava muito dentro da universidade. Apesar disso, a situação tinha lá seu lado engraçado. Paulo conta que, ao lado do estúdio em que estava a TV Climatempo, havia um estúdio de gravação de filmes pornográficos e não era incomum dar de cara com algum ator mais à vontade.

8

ro de 2001, deixava claro o interesse na previsão do tempo: “Olá, pessoal. Estamos estreando quatro novas tevês, já a partir de hoje: TVA – Grande São Paulo, dois boletins; TV Filme – Goiás e Brasília, dois boletins; Imagem TV – Triângulo Mineiro, dois boletins; e Rede Mulher, dois boletins. Para os três primeiros, tem interface pronta, com link pelo dia a dia. Os textos se referem a um mapa de ícones, com os valores de temperatura mínima e máxima. A parte de análise e previsão para a respectiva região é feita pelas meninas na TV Climatempo, depois entra o nosso texto e, então, previsão de quatro dias em sobe som. As temperaturas que aparecem na interface são do Prevplan e não podem ser mudadas para não bater com as telas de quatro dias que entram depois da previsão (...) Só para completar, a TV Pernambuco só entra no ar segunda-feira, dia 5. Até lá, não precisamos fazer os boletins”. O Prevplan de que fala Patrícia no e-mail foi mais uma das “invenções” do professor Pardal da Climatempo. “Professor Pardal” era o nome que Ana Lucia dava a Rogério Leite pelas soluções e idéias que sempre trazia para a empresa. O Prevplan foi outro software desenvolvido por Rogério que rodava automaticamente a previsão do tempo a partir de dados fornecidos pelos modelos de previsão climática. No início, 160 cidades estavam no programa; com o tempo, porém, foram incluídas cada vez mais cidades, até que se chegou a um número bem ra-

zoável de 15 mil, entre cidades, vilas, distritos de todo o Brasil. Uma inovação que ajudou muito os meteorologistas tanto da consultoria quanto da tevê. No começo do ano de 2001, um novo assalto iria provocar grandes aborrecimentos na Climatempo. Dessa vez, foi a própria seguradora quem avisou Ana Lucia e Carlos Magno da invasão. Era a segunda vez que entravam na empresa vazia e, apesar da experiência adquirida e do seguro que minimizaria as perdas, um assalto era sempre traumático. Os bandidos cortaram o cabo, na frente da sede, já na rua Muniz de Sousa, deixando a empresa sem comunicação com o mundo exterior. Gilca Palma, uma das primeiras a chegar pela manhã, estranhou as portas abertas, tudo revirado e Ana Lucia chorando, desconsolada. “Isso te pega de surpresa, você fica sem ação”, comenta Gilca. Ao ver as pessoas chorando, Ana Lucia disse para outra funcionária, Carol Chacon: “A gente se vira. Veja o lado bom, todo mundo vai ganhar computador novo.” Mais uma vez foi preciso uma grande mobilização para não interromper os trabalhos. Alguns meteorologistas trouxeram seus computadores, outros voltaram para casa para trabalhar até que a rede fosse novamente conectada. “É assustador você ter de parar rapidamente e dizer ‘ok, o que vamos fazer?’. O Magno já tinha know-how de ter feito uma vez. Ele pegou e distribuiu as tarefas. André e Patrícia Madeira, que estavam no primeiro

assalto, também já sabiam como trabalhar nessa situação. Então, simplesmente a gente separou o que tinha de ser feito, designou as coisas e tocou a bola para frente. Os clientes tinham o telefone de casa, ligavam para a gente dar uma posição. O pessoal corria, gravava o boletim de rádio do orelhão. Nos primeiros dias tinha de ser assim, até que voltassem a ligar os telefones da Climatempo”, relembra Ana Lucia. Foi um período bastante confuso e que terminou com um gesto que impressionaria muito Carlos Magno. Ele jamais vai se esquecer da atitude de uma meteorologista gaúcha que trabalhava na época na Climatempo. Débora Simões estava grávida e, por coincidência, no mesmo dia em que houve o assalto entrou em trabalho de parto. Ela fez questão de, antes de seguir para a maternidade, entregar a previsão que havia feito em casa e estava sob sua responsabilidade. Para Magno foi uma tremenda demonstração do espírito de equipe. Nem o triste episódio conseguiu abalar a energia positiva que fluía na empresa. No fim das contas, após o rescaldo de mais um assalto, o grupo estava novamente pronto para seguir em frente. Enquanto isso, correndo por fora, a Internet crescia cada vez mais. “Durante os anos de 2000 e 2001, acho que estive em todos os prédios da Vila Olímpia (região de São Paulo onde se concentrou a maioria dos escritórios ligados à Internet), visitando diversos portais.

72

a bolha explodiu. só para acompanhar os negócios. conta Magno. Por outro lado. com Josélia Pegorim. “Primeiro. houve uma retração de um pedaço do mercado. Havia. antes de a bolha estourar já estávamos no azul. Um outro contrato foi interrompido também nessa época. Também da noite para o dia. a Climatempo sofria os percalços comuns de um mercado competitivo. agora sem Carlos Magno. como o Canal Rural. Eram portais e sites vendidos por milhões de dólares. com um dos primeiros parceiros da Climatempo: o Grupo Estado. a empresa exibia imagens ao vivo de onze cidades. os custos com a transmissão de dados e a manutenção das informações inviabilizaram a parceria. “Nós vimos essa bolha passar. mas o modelo proposto era inviável e agressivo demais para o nosso jeito de ser. Uma euforia que havia começado no ano 2000 no Brasil e que. conseguiram consolidar seu espaço. com as nossas receitas. pois ficamos com uma boa fatia de mercado. As ações das chamadas empresas pontocom subiam sem parar. Começou então a estratégia de mudança de venda de conteúdo para a de ser espaço publicitário. algumas reuniões com bancos. com a mesma força que cresceu. Puf! E centenas de empresas simplesmente desapareceram. Para os que não queriam saber apenas dos aspectos técnicos da meteorologia. mas as empresas que estavam saudáveis ficaram e. André Madeira e Alexandre Nascimento para dar o suporte de conteúdo. lembra Renato Urbinder. Segundo Renato. mesmo a distância. Em segundo lugar. Contudo. a empresa registrou nesse ano algumas baixas importantes. em princípio. todos os nossos investimentos foram com recursos próprios. Um entusiasmo desmedido tomou conta de quem lidava com essa nova tecnologia. mantinham seus contratos fixos com a Climatempo. como a Climatempo. uma experiência que depois serviu de base para a própria TV Climatempo. A mudança. a emissora gaúcha transferiu sua sede para Porto Alegre em 1998. mais do que isso. mas com Ana Lucia. o site era o caminho certo. a Climatempo. Nos Estados Unidos foi criada uma bolsa de valores.Tínhamos que ser rápidos porque a Climatempo tinha de ocupar espaço. Não eram incomuns as notícias de sites que fechavam e deixavam de fora dezenas de desempregados. A Eldorado. ninguém sabia ainda onde iria parar. uma certa solidez. Dessa vez. O grupo passava por um período tur- 73 . Nesse momento. Fizemos. A Internet tornou-se um grande negócio e não foi só para a Climatempo. naquele momento. No meio da euforia Ana Lucia e Magno falaram: “Isso não vai durar muito”. Contudo. ganharam credibilidade. continuou responsável pela previsão do tempo do Canal Rural. De 1998 até 2001. Ele também conta que o sucesso da consolidação se deu por uma estratégia de venda de conteúdo. Em 2001. porém. voz cada vez mais conhecida e já uma referência na rádio. transmitia boletins de condições do voo e trazia a tabela das fases da lua para aqueles que se preocupavam com o regime ou o corte de cabelo.” A ferramenta Internet na Climatempo tornou-se referência nacional. Surgiram os grandes negócios. na consultoria o tempo era de muito movimento. Nesse período. por questões operacionais. De repente. as empresas mais sólidas no mercado praticamente saíram ilesas e. e o negócio foi desfeito. A Climatempo implantou toda a área de meteorologia da emissora em São Paulo. com receita de publicidade e com um portal mais conhecido”. e a Rede Globo. também percebemos a oportunidade de vender mais conteúdo para celulares”. Se na Internet a palavra de ordem era expansão. porém. e apostaram de seis meses a um ano para a festa acabar. Foi o que aconteceu com a Climatempo Internet. A cartela de clientes variava muito e o leque de segmentos atendidos pela Climatempo também. nós não estávamos ligados a nenhum grupo de investimento. foi até uma bolha positiva pela nossa competência. envolvendo cifras espetaculares. muita gente ficou rica da noite para o dia. sim. a NASDAQ . Apesar de ser a nave-mãe da em- presa. não havia interferido com o fornecimento de conteúdo de meteorologia.

Quem deu a dica foi Waldemar Stefan. Paulo. lembra Magno. depois de passar por outras experiências. e conquistou novamente a conta do jornal. mas sim como diretor da tevê. A reestruturação da tevê em São Paulo aconteceu ao mesmo tempo em que Carlos Magno já negociava a entrada do canal do tempo brasileiro na operadora Sky. Paulo Polli voltaria a integrar a equipe. braço de turismo da TAM Linhas Aéreas. que sabia das propriedades isolantes das caixinhas de ovos. todos os funcionários da Climatempo acabaram se envolvendo com as transmissões da emissora. com patrocínio da TAM Viagens. E mesmo parecendo puro folclore. o conteúdo era apenas informativo. lembra Maria do Carmo Fogaça. Contudo. na hora de levantar informações para matérias. a Cacau. relata Magno. “O Infotempo não era mais um concorrente. Foi então que. Paulo. a tevê entraria como um canal interativo e digital. nesse caso. não mais como estagiário. era o momento de trazer a TV Climatempo para São Paulo. A Climatempo fazia parte de um serviço de tevê interativa que a Sky colocou no ar no fim do ano. Na verdade.” (Meio & Mensagem. O serviço oferecia 74 . pelo jornal O Estado de S. e representou uma reconquista de um espaço que sempre foi da Climatempo. no Texas. pois trariam o patrocínio que bancaria as despesas. pois vimos que os modelos de negócios mudam e a gente tem de se adaptar. Todo mundo guarda na lembrança as caixinhas de ovos coloridas. Além disso. O novo parceiro. Os comentários serão escritos pela meteorologista Josélia Pegorim. Infotempo. reestruturar a tevê.bulento de mudanças. como o Jornal da Tarde. “O problema era que os dados vinham de Houston. secas). cheias. A negociação foi destaque na mídia pela sua inovação: “Um novo modelo de previsão do tempo será publicado diariamente a partir de segunda-feira. O estúdio construído na Muniz de Souza não tinha isolamento acústico e foi preciso recorrer a uma solução caseira e barata. Nesse primeiro momento. “Foi a primeira janela de abertura de negociação para entrar com o conteúdo da Climatempo numa grande operação de tevê por assinatura. “Eu e a Carol Chacon pintamos e colamos caixas de ovos nas paredes para servirem como protetor acústico”. em 2003. calor). deixamos de ter um serviço exclusivo e. dia 15. O início das transmissões em São Paulo foi complicado. in Linhas & Laudas) O novo acordo estendia-se também para outros jornais do grupo. e a gente recebia para isso”. Era preciso racionalizar as operações. Carlos Magno resolveu procurar a direção do grupo para tentar um novo acordo. isso significava repensar os custos. As informações serão fornecidas pela Climatempo Meteorologia. passamos a dar maior importância ao mercado publicitário”. perdemos uma fonte preciosa”. a Climatempo e a Sky foram desenvolvendo o novo formato. mas que funcionou perfeitamente. jornalista que durante mais de dez anos foi a responsável pela edição do serviço de previsão do grupo. Com ele levou um anunciante de peso. Agora em São Paulo. Com a Internet e a consultoria bem-estruturadas no novo prédio.E partiu da direção do jornal a ruptura com a Climatempo. Os dois principais diferenciais do serviço são a cobertura de todas as capitais brasileiras e os comentários sobre o impacto do tempo na agricultura (geadas. é bom dizer que elas funcionavam mesmo. não havia audiovisual. A oferta atraiu a direção do jornal. na indústria (racionamento) e no comércio (inverno rigoroso. sede da empresa. Isso complicava um pouco. lembra Magno. pois qualquer problema de transmissão ou na Internet atrasava o trabalho. em especial no jornal O Estado de S. com o tempo a promessa de trazer anunciantes para o jornal não se concretizou e a Infotempo não conseguiu cumprir a sua parte do trato. ofereceu uma nova forma de contrato: eles forneceriam a previsão para todos os jornais do grupo e para a Agência Estado e não receberiam por isso. Durante todo o ano de 2001. mas para a gente foi um aprendizado tremendo. Essa é uma das histórias lendárias da Climatempo e durante anos serviu de exemplo para incentivar o trabalho em equipe. 15/ 9/2003. o que houve foi uma mudança no padrão de negócios. a TAM .

a tarefa foi delegada a outro profissional da equipe. a Climatempo lançaria. A diretora-geral da Sky. a rádio Globo AM era outra cliente assídua. a dupla muitas vezes era solicitada por outras sucursais da rádio. Magno convenceu a meteorologista Patrícia Madeira a assumir a função e tornar-se uma “Josélia Pegorim da CBN”. apresentando a previsão do tempo para São Paulo. (. “mas inovar as formas de conteúdo”.. dividia os boletins e com o tempo a voz dos dois passou a ser reconhecida. André Madeira. nesse período. Um pedido especial do diretor da CBN ao fechar o contrato com a Climatempo. que fornecia conteúdo na época para 85% dos portais brasileiros e links para outros 2 mil sites. a Climatempo empregava 35 funcionários. Patrícia logo pegou gosto pelo rádio e também o jeito de transmitir a informação de forma confiável. tornando-se marca registrada da CBN. um canal de comunicação com a empresa. a Climatempo oferecia a previsão do tempo para três dias. e atingia um universo de 250 mil assinantes. games. Em 2002. A revista apontava o crescimento no faturamento da Climatempo nos últimos cinco anos: uma média anual de 30%. marés. “Teve um dia que eu ia entrar no show do Antonio Carlos. e como fornecedora de conteúdo para canais da TVA e TV Filme. Com o marido. como a de Belo Horizonte e do Rio. como futebol. uma delícia porque te exercita a falar direito. A matéria também destacava que a TV Climatempo. Sempre atenta a novidades. ouço uma voz forte ‘Acorda. A TV Climatempo também já era um sucesso. Além dos boletins para a CBN São Paulo. “O que acontecia é que muitas vezes a previsão ficava defasada e mesmo assim era lida na rádio. mais um serviço inédito na Internet: previsão do tempo para esportes terrestres. a tevê figurava nos line ups de operadoras independentes. relembra Patrícia Madeira. transmitida por várias operadoras de tevê a cabo do Brasil. Carlos Magno e Ana Lucia chegaram a voltar a suas origens. Aos poucos. O canal brasileiro. atualizadas a cada dez minutos. em abril de 2002. de manhã. de março de 2002. porém. De acordo com uma matéria da revista Pequenas empresas. Grandes negócios. todos trabalhando para os diversos serviços prestados pela empresa: desde Internet. que até então divulgava a previsão feita pelo The Weather Channel. Também da capital fluminense.cinco opções aos assinantes: previsão do tempo. 18/3/2002). afirma o empresário”. como a TECSAT. No começo. Patrícia Madeira’ e eu respondia de imediato ‘estou acordada há muito tempo’. mas não desistia de oferecer um serviço diferenciado do norte-americano para atrair as operadoras brasileiras: “As câmeras da Climatempo têm condições de mostrar instantaneamente o que está ocorrendo nas principais capitais do País. Rossana Fontenele. Rádio é muito bom..) (Meio & Mensagem. O sucesso obtido com a previsão do tempo divulgada pela rádio Eldorado de São Paulo levou outras emissoras de rádio a procurarem a Climatempo. para as maiores cidades do Brasil e do exterior. esoterismo e o Sky e você. Relutante no início. Até março de 2002. ainda sofria com a concorrência do The Weather Channel. esporte. De repente. Uma delas foi a CBN. 15 deles meteorologistas. 30 emissoras de televisão espalhadas pelo País. Além disso. tinha no total 150 mil assinantes. ventos e plantio. O locutor dizendo que o dia seria de sol e do lado de fora já estava chovendo”. O início da tevê interativa não impediu que as duas empresas mantivessem as negociações em torno da inclusão da TV Climatempo no line up da Sky. a não falar bobagem para 75 . e aquáticos. várias emissoras de rádio e companhias telefônicas. além de dados sobre a lua. a empresa fornecia dados para jornais. ‘Também podemos oferecer informações sobre as condições das estradas e a balneabilidade das praias em tempo real’. como iatismo. Nesse espaço. o site da Climatempo era acessado por 350 mil pessoas por mês. até informações exclusivas para outras mídias como o WAP e a tevê interativa. diz Nascimento. deixava claro na mídia que o objetivo da tevê interativa não era oferecer Internet na tevê. quando estou esperando para ser chamada.

Com isso. pouco tempo depois. no fim de 2002 a TV Climatempo enfrentava a saída de um dos seus sócios. Pecuaristas. a exportadora Costa Café aprovou o novo serviço. que apresenta há anos os boletins na rádio Eldorado. trigo e cana-de-açúcar.não perder a credibilidade. milho. além de informações sobre pastagens para a pecuária. A ideia do site voltado para os produtores de café deu tão certo que. Em entrevista para a revista A Lavoura. A previsão dá subsídios para anteciparmos nossas decisões”. a Climatempo decidiu lançar mais um produto inédito no mercado. se você sabe que o dólar vai valorizar. Sabe que chegaram vários e-mails me consolando? Isso é rádio”. produtores e todo o setor de agrobusinness. O serviço dará uma transparência maior ao mercado. Com o café é a mesma coisa. a NET/Sky. compradores e exportadores ganharam uma ferramenta poderosa no mundo do agronegócio. Mesmo com um pé na Sky. lá pelos idos de 1994. Seja pela situação econômica. na época. Já os corretores terão a chance de saber antes da abertura das negociações o que provavelmente irá acontecer.” Assim. o gerente comercial da Costa Café. o Milton Jung me perguntou se estava tudo bem e eu respondi na lata: ‘não tem nada bem. Oferecemos agora um serviço gratuito e de qualidade a todos aqueles que lidam com a agricultura e a pecuária”. A Climatempo sempre se preocupou em atender agricultores. às 9h da manhã.agroclima. feijão. o grande vilão dessa história é o erro. o risco é menor. um meteorologista tem menos chance de dizer alguma besteira sobre o tempo. e os assinantes tinham acesso a uma previsão do tempo gravada em áudio e vídeo pelo próprio Carlos Magno. Uma das primeiras empresas a contratar a Climatempo. soja. As previsões postadas no site www. usa seu dinheiro para comprar essa moeda e espera a valorização. Magno afirmava: “As previsões meteorológicas. entrei chateada no ar. Se a saída de Waldemar foi uma nota triste.com. Sempre antenados. são dirigidas às áreas urbanas. Por isso. coube a Carlos Magno a tarefa de continuar a empreitada e manter o sonho de uma tevê brasileira. de um modo geral. cítricos. o novo informativo preenchia uma lacuna que existia no mercado. Logo em novembro. abrindo espaço para um canal de previsão do tempo brasileiro na maior operadora de tevê a cabo. Fundador e grande incentivador do canal do tempo. eu errei 100% da previsão. café. arroz. seja pela falta de motivação. esclarecia Carlos Magno em uma das várias matérias que a novidade gerou na imprensa. “Uma vez.br abrangiam as principais áreas de cultivo do Brasil: algodão. “Os produtores poderão saber com antecedência a ocorrência de geadas para tomar as medidas necessárias. como na rádio sempre tem um bate-papo. Outra frente importante de negócios era a agricultura. pois sabia que acompanhar as condições climáticas era fundamental para o acompanhamento do plantio e da colheita e para a realização de negócios na área de commodities. por outro lado nova baixa levantaria o ânimo da TV Climatempo. Foi o primeiro site brasileiro voltado para a previsão do tempo na agricultura. de setembro de 2002. o AgroClima. afirmava. “É como o mercado financeiro. relembra Patrícia. Marco Antonio Jacob. como também acredita Josélia. no fim de maio. A proposta era oferecer um panorama climático do setor e o serviço foi batizado de Cybercafé. estava deixando de operar não só no País como em toda a América Latina. muitas vezes cobrado ao vivo pelos ouvintes mais atentos. Carlos Magno e Ana Lucia colocaram no site da Climatempo. não era para estar chovendo’. Aí. O boletim era postado todas as segundas-feiras. o fato é que o grande The Weather Channel. como em um telejornal. Waldemar Stefan decidiu se afastar para poder retomar seus negócios na empresa Promeeting. ele conhece mais seu ofício e. com grau de acerto superior a 90%”. um serviço semanal voltado para a cafeicultura. um alto executivo da Net entrou em contato 76 . que tanta dor de cabeça deu a Carlos Magno. Para Carlos Magno. A empresa nunca teve dúvida da eficiência e da importância desse tipo de informação para a agricultura.

como Em Clima de Viagem. Não estou a fim de que alguém desagradável ou implicante crie alguma saia justa e não quero que outra pessoa. E a credibilidade da empresa no mercado era tão grande que a revista Dinheiro. sobre as condições meteorológicas nas principais rodovias do País nas tardes de domingo e na volta dos feriados prolongados. que hoje (2003) tem 1. Jornalistas do Globo estarão sempre em contato com meteorologistas da Climatempo para decidirmos que explicações interessam aos leitores. pelo contrário.” (revista Dinheiro . O crescimento acelerado da empresa em todas as áreas. ‘Vamos dar destaque ao que estiver acontecendo de mais importante. A saída aconteceu em abril de 2003. O laboratório Roche consulta Magno para reforçar a distribuição de seus antigripais e vitaminas C nas regiões onde a previsão é de chuva. era um sábado de 2003.. um dos sócios da Climatempo. na edição de 30 de julho. feita pela empresa Climatempo. Após treze anos de contrato com a TV Globo. que dava dicas das condições do tempo nos pontos turísticos do País. No dia 2 de janeiro de 2003. a TV Climatempo. e Estradas. um infográfico explicará os motivos do fenômeno (.). quando a emissora não renovou o contrato que mantinha com a empresa. “Começou a correria. a não ser eu.. do mesmo grupo. lembra Magno. Além disso. fez com que em dado momento Ana Lucia percebesse a necessidade de 77 . Os clientes da empresa também se multiplicaram. Pelo menos nas páginas do Globo.5 milhão de assinantes. Eu disse: ‘Quem vai sou eu’. Já passam de mil e são cada vez mais parrudos – AMBEV (hoje é a INBEV) e Nestlé. voltado para o agronegócio e para a agricultura de todo o País. Uma das novidades será o enfoque jornalístico do espaço. Nela. a Climatempo seria contratada para prestar serviço para o jornal O Globo. in Linhas & Laudas). o Minuto Agrícola. avalia Magno.) Essa interatividade e esse dinamismo são inéditos no Brasil’. 30/7/2003. 06/7/ 2003. O canal entraria no ar a partir de março no formato interativo. Magno e sua empresa eram tratados como empreendedores vitoriosos: “O negócio cresceu tanto que em 1999 Magno investiu 200 mil dólares para criar um canal só dele. A saída da Globo não abalou os serviços da Climatempo. compramos o que era necessário e nos primeiros meses de 2003 conseguimos pagar as dívidas e equilibrar as contas da TV”. que dará destaque ás mudanças climáticas que estiverem ocorrendo no País. Internet.” (O Globo.. in Linhas & Laudas). trouxe Carlos Magno. à minha empresa”. que lançará no dia 13 uma nova seção de previsão meteorológica. como destaque da reportagem “De carona no sucesso”. A notícia foi destaque no jornal: “O tempo vai ficar melhor a partir do próximo domingo. a Climatempo deixava de prestar serviço para a rede. (. “A tevê deu credibilidade à previsão do tempo e. A prova de que a saída da Globo não deixaria traumas foi que logo depois. era o momento de enfrentar novos desafios.com Carlos Magno perguntando se a TV Climatempo estava pronta para entrar em operação. se uma intensa ressaca atingir as praias do Rio ou uma seca assolar a região Centro-Oeste. diretor da Climatempo. Pegamos dinheiro emprestado no banco. em julho daquele mesmo ano. a Climatempo dava adeus a uma de suas melhores e mais importantes parcerias. conta Ana Lucia sobre o último dia na emissora. A partir de então toda a parte de previsão do tempo dos telejornais passou a ser fornecido pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (C PETEC/ Inpe). Se nevar na região Sul. diz Carlos Magno. consultoria e agora também com a TV Climatempo sendo retransmitida por uma grande operadora.. consequentemente. encerre isso com chave de ouro”. jornais brasileiros anunciavam a entrada em operação do primeiro canal de meteorologia 100% nacional na Sky. A butique Daslu quer saber se vai chover ou fazer sol antes de decorar suas vitrines. Pouco tempo depois de conquistar um lugar na tevê por assinatura. A TV Climatempo começaria divulgando boletins de hora em hora sobre o tempo no Brasil e no mundo e alguns outros programas. “Fiquei até o último dia na Globo.

Separamos tudo. nas conversas nas filas dos elevadores. em 2003. Fiquei muito feliz. mas não se sabia quem dava lucro ou não.modernizar a administração da empresa. contadores especializados. Seja para divulgar novas parcerias com empresas aéreas como Varig e TAM . E foi ali que teve a real dimensão da importância da Climatempo. trabalhar direto com advogados. que começou de forma embrionária. programei o sistema e treinei o pessoal. O curso reforçou a vontade de Ana Lucia em posicionar a empresa à altura de sua importância diante do mercado. seja para anunciar o lançamento do discador que fazia da Climatempo um provedor da Internet. Ana assumiu a tarefa de colocar a empresa em ordem. o faturamento do setor de serviços meteorológicos saltou de seis milhões de dólares para 120 milhões de dólares. Segundo pesquisa feita pela Climatempo. de 1993 a 2003. logo após terminar o MBA . ou seja. Quando viu que as coisas já estavam andando de maneira mais organizada. as pessoas dos meios de comunicação conheciam. e a Climatempo estava sempre entre as empresas citadas. o Magno ficou mais confiante e me passou toda a administração. que ajudava no planejamento estratégico das empresas. Criei métodos para que o volume de trabalho que aparecia na administração fosse gerenciável. descobri que todo mundo conhecia a Climatempo. só que dessa vez dedicou-se aos prognósticos climáticos. Não tinha a menor ideia de que a Climatempo já estivesse nesse ponto”. conta Ana Lucia. . Naquele momento. Magno e Ana sabiam: o tempo na Climatempo era bom. Todas aquelas pessoas de várias empresas importantes conheciam a minha empresa. que era a Climatempo Consultoria. A indústria era o principal cliente desse tipo de serviço. Inúmeras matérias ao longo do ano registraram o impressionante crescimento na demanda por serviços de meteorologia.” “Sempre se soube quem ganhava o quê. arregacei as mangas. auditável. De repente. porque todos os lucros e débitos iam parar num lugar só. era fundamental ter outro departamento comercial. Mas era muito trabalho para uma pessoa só. para longos períodos. Assim. em dez anos. cobrança. “Depois de um ano. Ele ficou mais tranquilo para fazer os negócios. Segundo ela. a estrutura era ainda muito amadora e era preciso reorganizar tudo.” Ana Lucia trabalhou intensamente. Como bons previsores. 78 Foi um período de reestruturação de toda a parte administrativa. refiz os processos de emissão de notas. ali durante as aulas. Não teve dúvidas: entrou em um MBA de Administração Geral em 2002. mesmo que internamente. “Quando comecei a fazer o MBA . Ana Lucia deixou a administração e voltou para o que gostava de fazer: a previsão. Eu mesma estudei e criei um programa que fazia as notas fiscais do jeito que acho que deviam ser feitas. Meti a mão. O ano de 2003 ficaria marcado pela constatação de uma nova realidade na meteorologia brasileira. O programa gerava a nota fiscal e acompanhava todo o processo desde a hora em que chegava a ordem para ser emitida até a hora da cobrança. a Climatempo era uma empresa que as pessoas do ramo conheciam.

da Climatempo (. o site da Climatempo registrava uma impressionante marca: um milhão de pessoas utilizava alguma espécie de serviço da empresa via Internet. passaram a competir pelo mercado de previsão do tempo. por tabela. órgãos públicos. passou a ser respeitada. isto é. Magno comentava o crescimento da empresa nos últimos cinco anos: cerca de 30% ao ano. de março de 2004. farmacêutica. para opinar sobre as condições do tempo: “O outono chegou há três semanas. a tevê foi outro”. da Somar. ajudou a criar uma nova cultura meteorológica. da população no acompanhamento dos fenômenos meteorológicos. A reestruturação levada a cabo por Ana Lucia durante o ano de 2003 ajudou a organizar os vários setores da empresa. que colocava o nome Climatempo nas mais diversas mídias.” Também naquela época. por ex-funcionários do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). prestando serviço para a Rede Globo. porém. Grandes negócios. Santos Neto. compete basicamente no mesmo mercado da Climatempo. Índice que subiria para oito milhões de acessos ao mês em junho daquele mesmo ano. Duas razões. ainda enxergava e acreditava no grande potencial da meteorologia no Brasil. Foi o início da profissionalização que levaria à criação do Grupo Climatempo. A credibilidade. alvo de concorrência. Em matéria publicada na revista Pequenas empresas. porém. A outra razão era de ordem prática. por outro essa resposta positiva não aconteceria se Virando uma holding 79 m quinze anos a Climatempo consolidou-se como a primeira grande prestadora de serviços de meteorologia no Brasil. por sua vez. fundada em 1995. diz o meteorologista Luiz Alves dos No início de 2004. a empresa era procurada... define Magno. em especial de Carlos Magno. ao lado da Climatempo. agronegócio e mantém um portal na Internet. tevês. viria de empresas privadas nacionais que também perceberam o aumento de demanda por informações climáticas. passando pela Internet e pela consultoria. impediam essa acomodação. a Climatempo contabilizava como clientes quase 500 empresas ligadas às áreas agrícola. Ela oferece consultoria para jornais. Com isso. 9 . como o CPETEC. a partir do fim da década de 1980. por exemplo. in Linhas & Laudas). Segundo o meteorologista Celso Luís.) ‘Até quarta prevemos temperaturas máximas de 30 a 31 graus’. o mês de abril está com cara de verão.).E Conhecida e respeitada. Tanta notoriedade não era fruto do acaso. Com uma estratégia agressiva de preços. lá atrás.. No início. O trabalho pioneiro realizado pela Climatempo. “Tivemos um pico de expansão de 200% nos negócios em 2000. manter sua carteira de clientes e dominar seu segmento de mercado. A primeira delas era o espírito empreendedor do casal Ana e Magno. gerando maior interesse A concorrência mais séria. com o tempo. (. se por um lado era o resultado de um trabalho muito sério de divulgação feito pela Linhas & Laudas.. alvo de total descrédito. também se tornassem mais conhecidos.” (Jornal da Tarde. fez com que os órgãos públicos. a Climatempo já podia se dar ao luxo de andar com as próprias pernas. mas para o paulistano. Tanto era assim que logo. Aos poucos. a previsão do tempo. mesmo depois de tantos anos. 10/4/2005. Era preciso definir quem fazia o quê. decorrente de vários serviços lançados no nosso site. nas matérias de jornais. de confecção e de transporte que utilizavam regularmente as previsões da empresa para a tomada de decisões em seus negócios. o mês de abril deste ano está atipicamente quente. era inevitável que os serviços prestados por uma empresa privada fossem. os principais concorrentes da Climatempo foram empresas estrangeiras como a WSI e o The Weather Channel. Naquele momento era preciso definir as várias frentes de trabalho desde a operação da tevê. que. A Somar Meteorologia (Southern Marine Weather Services). A Climatempo foi um empreendimento. a Somar conseguiu conquistar uma fatia importante do mercado. “Sou um empreendedor nato. Uma boa razão para manter a Climatempo atenta e atuante.

ao empresário sul-mato-grossense Claudio Godoy. a Fox Films do Brasil. que movimentava cerca de 40% do Produto Interno Bruto ( PIB) brasileiro. O objetivo era claro: explorar o potencial da principal empresa de meteorologia privada do País. a Fox investiu na exposição de banners e popups. a ocorrência de um ciclone extratropical com ventos de até 150km/h arrasou o sul de Santa Catarina no fim de março e deixou três mortos. a Climatem- po ampliaria ainda mais a visibilidade de seus serviços com mais um produto. No ano de 2004.” E mais. André Madeira esclarecia: “Granizo e neve são como água e vinho. Em qualquer um desses episódios a análise dos meteorologistas era sempre requisitada. Naquele mesmo mês. lembra Magno. 76 feridos e milhares da casas danificadas. Foi o que aconteceu. Apostando na popularidade do site. por exemplo. na sua estrutura. gerando conteúdo para mais de 250 emissoras de rádio em todo o País. estiagens. Enchentes. Claro e Vivo. A equipe de meteorologistas era constantemente procurada para explicar fenômenos que intrigavam a população. Magno associou-se. quando uma tempestade de granizo. Nesse período. com ventos entre 120 e 150 km/h e surpreendeu os especialistas pela raridade do fenômeno no Brasil. isso não aconteceu”. a Climatempo já era referência para toda e qualquer informação climática. Com isso a emissora recebia a arte pronta para gravar e exibir. seguida por uma chuva forte. destaque para duas novidades. cerca de 35 milhões de telespectadores anualmente. em maio. No campo tecnológico. dono do Canal do Boi. mais adequadas ao perfil de cada cliente.. O Catarina foi mais tarde reconhecido como um furacão de categoria 1. onde a temperatura é baixa. racionamento de água. na época. “Na verdade foi uma parceria que não deu certo. já que o filme retratava os impactos de fenômenos da natureza nas principais cidades do mundo. semelhante a uma nevasca. distribuído em parcerias. Dessa vez. Mas nem tudo era só sucesso. A primeira ficaria por conta da mudança no sistema de envio de dados aos clientes. Na maioria das redações ouvir os especialistas da Climatempo tornou-se quase obrigação editorial. No fim. para tirar dúvida sobre a possibilidade de neve. A gente queria colocar a TV Climatempo como canal aberto e o Canal do Boi transmitia por parabólicas. Isso faz com que a água forme os cristais de neve”. A paisagem de verão deu lugar a uma grossa camada de gelo. A popularidade da Climatempo ficou evidente em uma parceria inédita que o portal fez. conge- lando a água. 80 . Pouco depois. em setembro de 2004. tanto financeiro quanto cultural.a empresa em si não conquistasse visibilidade por meio de ações e iniciativas inéditas no campo meteorológico e no investimento constante. O novo sistema permitiu apresentações personalizadas do audiovisual das previsões do tempo. cobriu de gelo boa parte da zona Norte da cidade de São Paulo. o mesmo de Independence Day. Segundo destacava matéria do Jornal da Tarde. do dia 13 de fevereiro. que atingia. O espírito empreendedor de Carlos Magno muitas vezes esbarrava no que popularmente se chama “canoa furada”. Com a expectativa de entrar na tevê aberta. a Climatempo esteve quase diariamente no noticiário dos principais jornais brasileiros por causa de uma série de eventos raros. com uma empresa cinematográfica. além de um link que permitia o acesso ao site oficial da produção. também associada a uma alta umidade do ar.. A explicação técnica do fenômeno ficou por conta da Climatempo: “O granizo é produzido por nuvens que alcançam altitudes elevadas. o gelo acumulado nas vias foi superior a 30 centímetros e foi preciso muito trabalho para retirá-lo das ruas. Essas nuvens se formam somente em dias bastante quentes. Sua programação era dirigida ao setor agropecuário. Um serviço mais uma vez inovador da Climatempo. em fevereiro. A neve se forma quando a temperatura é bastante baixa na superfície. do diretor Roland Emmerich. para a divulgação de uma superprodução O dia depois de amanhã. que passou a enviar as informações via satélite e não mais por arquivos de computador. A outra era a ampliação dos serviços para celulares para as operadoras Tim.

O processo de retomada passava pela modernização da empresa. surgiu a ideia de montar um canal de vendas. “Cluster” é o nome dado a um sistema montado com mais de um computador. Portanto. depois de reestruturar administrativamente a empresa. Isso possibilitava apontar as condições climáticas diferentes até mesmo entre bairros da capital. para a sua empresa de meteorologia. Como a Climatempo manteve seu padrão e seus preços.8 GHz. Juntas. e deixar de vender selas para cavalos. desligando-se do dia a dia para acompanhar o processo global da empresa. Magno então percebeu que era hora de voltar o foco para a consultoria. 2 GB de memória RAM e 120 GB de disco rígido. mas ainda sem transmitir a TV Climatempo. que também é um sujeito empreendedor. O Renato teve a ideia de vender selas para cavalo. Foi então. alguns clientes debandaram. que. porém. Os novos computadores eram capazes de processar 26 bilhões de operações por segundo. “Tinha estúdio. montamos uma equipe de telemarketing e começamos a fazer programa ao vivo para vender de madrugada. Os equipamentos permitiram à empresa fazer uma previsão para quinze dias no prazo de uma hora. Carlos Magno e Ana Lucia. contendo informações de temperatura. com o acordo. já em 2005. O MM5. a Climatempo passou a trabalhar com seis computadores de última geração na época: Pentium de 2. chegando a quatro quilômetros na região metropolitana de São Paulo. tinham consciência da importância das novas tecnologias e do que as novas mídias que despontavam com toda a força podiam representar para o desenvolvimento de novos negócios. passou a se ocupar da supervisão geral do grupo de previsão. O objetivo dessa associação era que todo o processamento das informações fosse distribuído aos computadores de forma que na prática todo o trabalho fosse feito por um único computador. Assim como Ana Lucia. sócio da Climatempo Internet. A Semp Toshiba entrava com os computadores em troca de espaço publicitário. Se antes era possível elaborar a previsão com maior precisão para um limite de 100 quilômetros. lembra Magno. o software usado pela Climatempo foi adaptado. Magno também concluiu que como diretor presidente da empresa era preciso cuidar do gerenciamento de todos os setores que compunham a Climatempo naquele momento. e isso teve suas consequências.” Esses pequenos desvios serviram de aprendizado e motivaram a retomada do caminho traçado para a empresa. as duas empresas desenvolveram um novo sistema que aumentava a precisão e a velocidade dos serviços de previsão. que voltamos a nos impor no mercado.” O que aconteceu foi o seguinte: com toda a estrutura montada dentro do Canal do Boi.que define o período como uma fase negra da Climatempo. em janeiro de 2005. Eu e o Renato Urbinder. Vendemos muitas selas e ganhamos muito dinheiro”. O preço dessa iniciativa foi que a concorrência percebeu o momento vulnerável da Climatempo e promoveu um verdadeiro ataque. Para dedicar-se totalmente à Climatempo. acabei desviando o foco da TV Climatempo. um link de satélite e um horário na madrugada para fazer qualquer coisa. com o novo sistema foi possível diminuir o campo para 40 quilômetros. assim como Renato Urbinder. “Ganhamos muito dinheiro. Carlos Magno deixou a rotina de previsão e de atendimento aos clientes para sua equipe. umidade e ventos. Todos rodando em um cluster GNU /Linux. Esse novo sistema deu à Climatempo uma qualidade ainda maior na prestação de serviços de previsão do tempo. “Eu tinha um diamante bruto em minhas mãos e precisava trabalhar para lapidá-lo. a Climatempo anunciou uma parceria com a empresa de tecnologia Semp Toshiba. Com as novas configurações. Pensando nisso. um modelo de previsão do tempo de pequena escala de código aberto que havia sido desenvolvido para o hemisfé- 81 . Também tornou possível prever com maior chance de acerto a ocorrência de chuvas. enquanto um computador normal realizava um bilhão de cálculos por segundo. antes esse trabalho levava mais de três dias. chuvas. baixando o valor dos serviços.

A mais conhecida e imediata era a previsão do tempo. Em setembro de 2005. uma loja programava a montagem de vitrines para atrair consumidores durante o fim de semana com base nesse prognóstico. um entusiasta do potencial dos pequenos telefones. como o da indústria têxtil. Para isso foram feitas algumas alterações no layout para facilitar a navegação e deixar o portal mais interativo. frio fora de época. Toda essa movimentação em busca da modernização não poderia resultar em outra coisa senão em reconhecimento. indústria e varejo tinham de recorrer aos meteorologistas. com a mesma qualidade. As instabilidades climáticas ocorridas no Brasil sempre foram um forte aliado do crescimento da Climatempo no mercado de meteorologia do País. Para enfrentar as mudanças bruscas dos termômetros.rio Norte. foi ajustado pela Climatempo para elaborar a previsão para o hemisfério Sul e para o Brasil. O que vai acontecer em dois ou três meses pode ser muito importante para alguns setores. Na Internet também era preciso acompanhar o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas e do perfil do internauta. O projeto contava com o respaldo científico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Já a previsão climática era uma área muito específica dentro da Climatempo que atendia a clientes que precisavam de um acompanhamento a longo prazo do clima. avalia Renato Urbinder. Diariamente eram enviadas informações com a previsão para quatro dias para até cinco cidades. Além de possibilitar o envio de fotografias de fatos ligados ao tempo pelos usuários. A Climatempo. Os serviços da empresa eram solicitados para esclarecer as “loucuras do tempo”: calor no inverno. professores universitários e consultores. como ferramentas estratégicas de negócios. criou um serviço especial para a indústria têxtil: a cada 30 dias fazia previsão para os próximos 12 meses. e dentre os nomes apontados como parte dessa elite estava o empreendedor Carlos Magno do Nascimento. “A Climatempo sempre esteve na ponta. desenvolvendo produtos para celular”. como os índices ultravioleta para sete dias. os celulares se consolidaram ... Primeiro. o que facilitou o trabalho dos meteorologistas. Por exemplo. qualidade do ar e das praias. escolhidas entre três mil municípios brasileiros e 350 no exterior. a revista Info elegia os 21 nomes mais importantes da tecnologia brasileira. por isso nosso empenho em produzir conteúdos cada vez mais interessantes para os celulares. fundador e presidente da Climatempo. Desde o início. os clientes podiam fazer um planejamento diário de suas ações. com um prazo de validade para um período de cinco dias. “Sempre estivemos empenhados em trazer para os celulares novas conexões. que fazia a avaliação estatística do novo sistema. Outra novidade: todos os dias os usuários de todo o País podiam solicitar. Era a partir das in- 82 Em outra ponta. a Climatempo colocou à disposição de seus clientes dois tipos de previsão. depois com informações via Internet e por fim com a expectativa de em breve transmitir programas de tevê pelo celular. Para a revista. De posse dessas informações. mapas e imagens do tempo em outros países. com simples torpedos que enviavam a previsão do tempo para o celular. Tudo para tentar minimizar os riscos de investimentos de um setor que gerava cerca de 20 bilhões de dólares por ano. pioneira em projetos. gerando gráficos mais precisos para a TV Climatempo. o serviço do Climamail. previsão do tempo via e-mail. As facilidades operacionais permitiram também que os técnicos da Climatempo conseguissem renderizar imagens e filmes mais rapidamente. cada vez mais exigente. A Elite Info de Tecnologia foi escolhida por presidentes de empresas. o site trazia mais informações. A velocidade cada vez maior com que novas tecnologias para celulares se desenvolviam significava novos negócios para empresas como a Climatempo. novos planos que permitam a navegação na Internet”.” Não era à toa que a Climatempo estava presente nas principais operadoras de celulares. na página da Climatempo. ainda na área de TI. Magno destacaria um dos objetivos da empresa: “Queremos colocar a informação na mão do usuário. temporais que arrasavam cidades. por exemplo.

entre elas a Hering e a Marisol. que passou a ter uma página com a previsão meteorológica para o mês elaborada pelo meteorologista André Madeira. se houver uma mudança radical. Pouco tempo depois. Os desenhos selecionados foram utilizados na publicidade do congresso e o vencedor ganhou uma câmera fotográfica digital. Fomos melhorando. O trabalho de previsão para o setor de moda começou com uma etiqueta de surfwear. Ninguém imagina o trabalho que é refazer setenta. Dividida em regiões brasileiras.500 clientes. direcionada à classe AA. oitenta previsões”. Um exemplo de cliente da previsão climática era a Daslu. no Rio de Janeiro. Para Carlos Magno e Ana Lucia. em 2004. isto é. Na empresa. varejo e indústria percebiam a necessidade de contratar uma empresa especializada em serviços meteorológicos. Ela tem outras raízes que são acadêmicas. que aconteceria em Florianópolis no ano seguinte. Tecelagem e Vestuário de Blumenau (Sintex). O detalhe é que eu fui estudando o que os acadêmicos diziam até encontrar uma solução que o mercado considera boa”. Cada vez mais. que por si só atraía o interesse de possíveis clientes. a Climatempo e a SBMET promoveram um Concurso de Marcas com Animação para divulgar o 14º. também passou a utilizar as previsões fornecidas pela Climatempo.formações da Climatempo que indústrias do setor têxtil definiam a gramatura do tecido que seria usado em determinada peça de roupa. era uma coisa muito incipiente. contudo. O prestígio podia ser avaliado pelo reconhecimento da marca. a gente simplesmente aborta o que está sendo feito e refaz tudo. O objetivo do concurso era chamar a atenção para a atuação da meteorologia na sociedade e no meio ambiente por intermédio de animações. Havia. em São Paulo. No início. a empresa já registrava uma base de 1. a participar da diretoria da Sociedade Brasileira de Meteorologia ( SBMET) para o período de 2004 a 2006. Em 2005. Ouvimos bastante os clientes. eles sabem se devem investir num tecido mais pesado ou mais leve para a estação seguinte”. Paulo. Em novembro de 2005. a previsão dava aos aficionados pelo mundo offroad a possibilidade de organizar 83 . explica Ana Lucia. como a Eldorado e a CBN e cerca de 50 tevês. melhorando. Por isso era importante manter contato com as entidades do setor e também com a comunidade científica. outro cliente de peso. entre elas a Rede Mulher e algumas retransmissoras regionais. porém. No outono de 2003. uma vez que prestígio e confiabilidade já estavam definitivamente associados ao nome da empresa em 2006. e O Estado de S. “O dono da marca me perguntou uma vez se era possível fazer uma previsão para estação e eu disse que era. a Climatempo conquistou um importante cliente: o Sindicado das Indústrias de Fiação. que reunia 42 empresas. por exemplo. muitos deles sazonais. e a confiabilidade se traduzia na quantidade de matérias em todas as mídias em que a Climatempo era fonte de informação. a loja solicitou uma previsão antes de selecionar o que iria expor na coleção de inverno. as previsões da empresa também eram fundamentais para definir as vitrines e o tamanho do estoque para a estação. os clientes fixos. a previsão do tempo e do clima era um negócio. como jornais do porte de O Globo e Extra. No varejo. afirma Magno. destaque para a revista Moto Adventure. montamos um formato que está até hoje e podemos fazer a previsão para qualquer lugar do Brasil”. Entre os novos clientes. os dois não deixaram de lado a raiz de tudo: que a meteorologia era uma ciência. “Com essa informação. rádios. “Não fui eu quem inventou a previsão climática. Congresso Brasileiro de Meteorologia. André e Patrícia Madeira são os responsáveis por esse tipo de serviço. Em 2006. Ana Lucia. a Camisaria Colombo. avalia Ana Lucia. A busca da profissionalização era a meta principal da Climatempo. “Elaboramos a previsão. explica Ana Lucia. famosa loja de grifes de São Paulo. Ana Lucia fora convidada. as indústrias farmacêuticas e da construção civil são as maiores interessadas nas previsões climáticas. Assim como a indústria têxtil. contratos por trabalho específico.

os agricultores eram um alvo evidente. Toda essa modernização contou com a direção do jornalista Paulo Polli. Com a nova estrutura ganhou também novos serviços. revelava o seu segredo: “Pela natureza do setor. como com site iG. Arquitetura e Agronomia de São Paulo ( CREA-SP). de alguma forma. até cadeia de restaurantes. empresas de prestação de serviços técnicos de previsão de tempo e clima: a Climanet direcionada para serviços de Tecnologia da Informação e Internet. na base das decisões das pessoas. quatro estúdios de gravação equipados com câmeras e aparelhos digitais.com antecedência viagens. em entrevista para a revista Exame. Carlos Magno. Essas empresas seguiam a legislação para o tipo de negócio prestado e por isso estavam registradas no Conselho Regional de Engenharia. que desde 2005 havia se reintegrado à equipe com o objetivo de dirigir toda a programação da tevê. oferecendo análises climáticas com projeção para até um ano. agências de viagens e parcerias importantes. de julho e agosto de 2006. que a partir de julho de 2006 passou a oferecer o acompanhamento da previsão do tempo para cinco mil cidades brasileiras e mais 350 cidades de outros países no boletim informativo do portal. criava situações confusas internamente. corridas e as demais atividades em duas rodas. a consultoria dedicando-se mais em abastecer a Internet do que seguir o seu objetivo de atender aos clientes. Os demais clientes setoriais eu consegui com um pouco de intuição. Entre as empresas. comprometendo a qualidade dos serviços prestados. a tevê atuando com a Internet e interferindo na consultoria. transformando a Climatempo em um grupo empresarial. realizar uma profunda alteração para poder atuar em todas essas frentes. assumindo toda a responsabilidade legal pelos trabalhos feitos junto a clientes. mídias. com cinco ilhas de edição não-linear. como o Habib’s. em abril de 2006. Do jeito que estava. Uma parceria com as concessionárias Ecovias. vale ressaltar a variedade de segmentos que procurava a Climatempo. em 1988. Para seduzir tantos e tão variados clientes. O novo serviço do tempo trazia também notícias atualizadas a cada 30 minutos. com cinco unidades de negócios. “Esta ação fez-se necessária pelo crescimento da empresa desde a sua criação. ônibus. Nesse momento. O Grupo Climatempo passou a ser formado pela Climatempo Consultoria e a Agência Climatempo. a TV Climatempo recebeu novos equipamentos. produtoras de filmes. Percebemos que a Climatempo já não comportava mais uma administração unificada. afirmava Magno em entrevista ao jornal Gazeta Mercantil. A Climatempo Meteorologia e a Agência Climatempo eram as empresas mais antigas do Grupo e respondiam pelo atendimento dire- to a grandes empresas. além de prejudicar o fluxo do trabalho. Na cartela de clientes havia malharias. desde lojas de varejo. como a C&A e o Magazine Luiza. e as novas mídias. AutoBan e Ponte Rio–Niterói. por exemplo. por isso a concepção do grupo solidifica o nosso objetivo de se apresentar ao mercado dessa maneira”. A Climanet era responsável pela manutenção do Portal Climatempo. empresas de telefonia. a TV Climatempo. o Último Segundo. E a empresa que souber como o tempo vai se comportar tem uma vantagem”. persuasão. lojas de departamento etc. e a Climatempo Produções. e um estúdio em que eram feitas entrevistas e a gravação de comentários. empresas de seguro. que recebeu uma nova injeção de investimentos. direto da redação da Climatempo. Para modernizá-la e torná-la mais competitiva. Surge então o Grupo Climatempo. Carlos Magno e Ana Lucia tomaram consciência de que era preciso reestruturar a em- presa. pelo desenvolvimento de novas 84 . e índice de acerto em torno de 70% e previsão do tempo mensal e diário com índice de acerto de 95% para indústrias. agronegócios. mas sempre convicto de que o clima está. como TVs indoor. shoppings. voltada para a realização de vídeos e documentários. como o boletim das estradas. permitia a visualização de imagens das câmeras das rodovias e com isso oferecer serviços meteorológicos atualizados. que usava a previsão para evitar congestionamento no serviço de entrega rápida.

Pelo site. o internauta tinha acesso a conteúdos transmitidos ao vivo em banda larga e podia trocar informações e opiniões com a equipe da tevê. Enfim. informações sobre vento. em andares diferentes. umidade. naquele momento. com a descrição de cada programa. A ideia era aproveitar a estrutura da TV Climatempo. novos conteúdos e maior agilidade. e ainda pelo envio de informações customizadas para outros sites e portais. Os novos estúdios e as demais empresas do grupo foram transferidos para um amplo prédio na rua José Antônio Coelho. com uma média de cem mil visitas diárias e mais de oito milhões de page-views por mês. além do desenvolvimento de produtos nas áreas de computação gráfica e multimídia. o da TV Climatempo e um institucional descrevendo as atividades do grupo. no bairro do Paraíso. atualização de três em três horas. o prédio da rua Muniz de Souza e a casa amarela ficaram pequenos. mas também com venda de publicidade por meio de banners e links patrocinados. Uma importante mudança de posicionamento da empresa fez com que a Internet gerasse receita não só na produção de conteúdo. foram criados grupos de trabalho. na mesma época em que foi criado o Grupo Climatempo. Um negócio interessante para empresas. além de novas imagens de satélite e de um banco de dados sobre chuvas e temperatura que serviriam como fonte de pesquisa ao internauta. desenvolvido pela empresa de comunicação Linhas & Laudas. antigas instalações da Rede Vida de Televisão. Com toda essa reestruturação. documentários. produzindo vídeos institucionais. o portal era um dos cem mais visitados em língua portuguesa. surgiu o conselho consultivo e foram nomeados gestores para cada unidade de negócios. era hora de mudar para poder crescer. O Portal Climatempo já estava no ar havia cinco anos e com as modificações ganhou nova identidade visual. era a profissionalização. uma nova empresa tornou-se parte da holding: a Climatempo Produções. Com a formação do Grupo Climatempo houve uma reformulação total no visual do portal e a criação de dois sites. Além disso. A repaginação do portal trouxe previsões do tempo para cinco dias. como estúdios e equipamentos para prestar serviços para terceiros. pois. 85 . diria Magno. No site da TV Climatempo era possível encontrar toda a grade de programação da tevê. Mais uma vez. ou pelo menos o início dela. todos obedecendo à filosofia e missão de cada empresa. Ali.tecnologias. especialmente aquelas voltadas para a transmissão de informações via celular. Por fim. pressão e raios ultravioleta para dois dias. “Cada uma delas com a sua vocação”. A Climatempo estava pronta para novos vôos. Isso foi possível graças a um acordo com a Microsoft para o desenvolvimento de um software que tornava viável assistir à TV Climatempo pela Internet. programas de tevê.

.

porém.” Climatempo estaria ligada a uma outra superprodução de Hollywood. primeira empresa privada do setor no Brasil. presidente do Grupo Climatempo. mais uma vez. Diante de uma concorrência acirrada. e foi um grande sucesso. de cada funcionário e as metas comerciais. Pelo menos era assim que Carlos Magno e Ana Lucia encaravam o ano de 2007.U Mesmo reconhecida nacionalmente como prestadora de serviços meteorológicos e prestigiada até em filmes norte-americanos. Carlos Magno foi surpreendido. a Fora das luzes do estrelato. (O Estado de S. perto de completar vinte anos. A Climanet. para aproximar o original da realidade brasileira. dirigido por Louis Leterrier e com Edward Norton no papel principal. Kate Winslet e Jack Black no elenco. torpedos. a Climatempo continuava crescendo. Era realmente preciso ficar alerta. A gente entende m ano decisivo. dona Alice sofreu um enfarte fulminante e não resistiu. formado por Kate Winslet e Jack Black. também! 10 87 . produção hollywoodiana com Cameron Diaz e Jude Law. era preciso marcar posição. a Climatempo. porém. parceira do Grupo Estado e líder no segmento. flashes sobre as condições do tempo que podiam ser acessados pelos usuários. mereceu mais do que a citação na legenda brasileira. Apoiando a distância o empreendedorismo do filho meteorologista. Carlos Magno. ainda tão recente. Ana Lucia e especialmente o sócio Renato Urbinder estavam sempre atentos às mídias que apontavam nichos importantes a serem conquistados. dona Alice acompanhou passo a passo. Carlos Magno nunca escondeu a admiração pela mãe. que desde a morte do pai. Em uma cena do filme. ficaria guardada no coração. Magno saiu satisfeito. uma das unidades do grupo. o par romântico. Quem conta essa história é César Giobbi. a norteamericana Marvel Comics. no Rio de Janeiro. por isso decidi me dedicar ainda mais à profissionalização da empresa e em seu futuro. Para a Climatempo. quando tinha apenas cinco anos. Dessa vez. quem solicitou à Climatempo a imagem reproduzida na tela. agora como Grupo Climatempo. teve cenas gravadas na favela da Rocinha. Mesmo morando do Rio. Paulo: “O meteorologista Carlos Magno. assiste à televisão em sua casa na favela. fala sobre previsão do tempo e acessa um site americano de meteorologia. O filme estreou no Brasil em junho de 2008. já estava presente em várias operadoras de telefonia celular com boletins. e que tem Cameron Diaz no elenco. representava um novo desafio: o posicionamento da empresa no mercado. inclusive ajudando financeiramente. porém. A prova de que o nome Climatempo tornara-se uma referência para a área meteorológica estava no filme “O amor não tira férias”. O filme “O Incrível Hulk”. zinha e que um dia saiu do Rio de Janeiro com cinco mil dólares na bolsa só para ajudar a construir o sonho de um deles. os celulares passa- O céu fala. A reestruturação da Climatempo. precisava definir os objetivos de cada núcleo do grupo. quando preciso. Em uma delas. Foi a própria produtora do filme. Ao trocar de canal. Nas legendas. o site é livremente traduzido para Climatempo. Com a atenção voltada para o momento pelo qual o grupo passava. então titular da coluna Persona no jornal O Estado de S. em cartaz na cidade. para com isso ganhar unidade e poder competir com maior profissionalismo em um mercado que ajudou a criar e agora se expandia. o crescimento da Climatempo. Um deles certamente era o da tecnologia celular. Paulo. lógico”. ele acessa rapidamente a TV Climatempo e acompanha um boletim climático. ainda no início de 2007. dona Alice sempre foi uma fonte de inspiração e respeito para Carlos Magno e seus irmãos. criou os três filhos so- Uma notícia bastante agradável daria um certo alívio à sensação de perda. Seria uma homenagem a minha mãe. o personagem Hulk. pois os avanços mostravam-se rápidos com várias gerações de celulares sucedendo-se num piscar de olhos. foi surpreendido ao assistir ao filme O amor não tira férias. 15/01/2007) Um ano depois. com a triste notícia da morte de sua mãe. Uma área que continuava em franca expansão. “Foi um momento complicado pessoalmente. interpretado por Norton. nos bastidores do grupo. A tristeza. Aos 77 anos. Logo.

A Fly TV. em São Paulo. uma variedade de anunciantes que percebeu que superar a marca de 100 mil visitas diárias e ser um dos 100 sites mais acessados em língua portuguesa não era para qualquer um. e um novo e importante processo rumo à profissionalização. como dizia Magno. um serviço por assinatura da Claro em parceria com a Móbil TV. criando as unidades de negócios. A visibilidade da marca Climatempo. sentimos que também era preciso profissionalizar esses núcleos. A direção do Grupo Climatempo também percebeu isso. E por falar em aeroportos. Dupont. na inauguração da TV Climatempo. A chance apareceu com o lançamento do Idéias TV. A primeira providência foi a contratação de um experiente profissional na área de treinamento e gestão e também comercial. Esse desafio foi proposto ao Violin”. As previsões eram atualizadas três vezes ao dia e feitas especialmente para a Fly TV. e Confins. A oportunidade de trabalharem juntos surgiu anos depois. e Vitória. o treinamento dos gestores de cada unidade e firmando parcerias que trariam diversos benefícios aos funcionários. Sua meta era vender os serviços do grupo. Instalada nos principais aeroportos do País – Congonhas. que até então estava mais acostumado a ser “comprado”. Violin era um dos diretores do jornal Vale Paraibano. no Rio de Janeiro. porém. podia ser mensurada pela quantidade de empresas que procuravam associar seu produto ao serviço da empresa pela Internet. organizar melhor a área administrativa e de recursos humanos. além de treinar os gestores. Pirelli. Renato Urbinder dizia que: “A entrada da TV Climatempo na programação da Fly TV nos aeroportos reforça a posição da empresa como referência no segmento de previsão meteorológica no País”. em 1999. desde a previsão do tempo e as condições climáticas para o esporte até detalhes sobre a situação dos aeroportos. Violin deu início a um trabalho focado na estruturação de uma área comercial competitiva. Em janeiro de 2007. as pessoas nos procuravam para comprar nossos serviços e então simplesmente vendíamos. provedora norte-americana de conteúdo multimídia. passando a chamar TV Aeroporto. “Quando fizemos a reestruturação da Climatempo. Rápidos no gatilho. Santos Dumont. Na época. como Magno prefere definir. continuou como um dos seus principais parceiros. relembra Magno. decidimos que era hora de montar um departamento comercial. Nivea. nesse momento. A TV Climatempo. com o dinamismo necessário para esse tipo de serviço e para um público apressado e de passagem.ram a comportar muito mais do que mensagens. Nissan. em São Paulo. posicionamento diante do mercado. TAM. foi neles que surgiu um outro nicho promissor captado pelo grupo: uma televisão exclusiva para os turistas. No Portal Climatempo era possível encontrar anúncios da Nestlé. Vick. passou a ser fundamental para o futuro do Grupo. e mudou de nome. em 2008. típico de aeroportos. entre eles a possibilidade de 88 . Carlos Magno e Vanderlei Violin conheceram-se em São José dos Campos. envolvendo a montagem de um organograma. Vanderlei Violin chegou ao grupo em fevereiro de 2007 com a missão de organizar os setores de recursos humanos e Marketing e implantar um departamento comercial compatível com o tamanho do grupo. Quando a concorrência passou a ser mais forte e percebemos que estávamos fechando menos negócios. em Belo Horizonte – a Fly TV desenvolveu uma programação com conteúdos diversificados. ampliou os serviços para os aeroportos de Guarulhos.” Outra questão urgente para o grupo e que ficou sob responsabilidade de Violin era a reorganização da área de RH. no Espírito Santo. ou. a TV Climatempo tornou-se o primeiro canal brasileiro a fazer parte da programação do novo serviço com um conteúdo repleto de informações. “Nós não sabíamos nos vender. entre eles os boletins climáticos fornecidos pela TV Climatempo. executivos e demais passageiros. os executivos da TV Climatempo perceberam a possibilidade de a emissora estar presente nos pequenos aparelhinhos. Na época.

A realização da primeira convenção interna do grupo. A nova e mais recente carta foi discutida internamente. especializada em MBA s. Nossa missão Elaborar para nossos clientes a melhor previsão do tempo.atualização por meio de cursos de idiomas e gestão. e o setor de operações. mas não comunica. com tratamento simpático e sem burocracia. surgiu a primeira carta de valores. capacitação técnica. Magno contava com a experiência de Violin no gerenciamento do departamento de RH para acabar com problemas básicos para uma empresa. caso do acordo feito com a escola de idiomas Cel Lep e com a Madia Marketing Scholl. ninguém vai saber qual é a sua filosofia”. ampliando as bases das primeiras e também alargando os horizontes da Climatempo: A nossa missão é ser o melhor centro de distribuição de informação meteorológica do Brasil. da missão e dos valores do Grupo Climatempo: Visão Sermos líderes no mercado nacional. Sorria sempre. por exemplo. E o resultado foi a divulgação da visão. impor suas metas. em fevereiro de 2007. acredita Magno.” Para Magno. software e hardware. Se o gestor pensa. essa falta de unidade. procurando sempre usar novas técnicas de pre- visão e tecnologias de comunicação. Missão Desenvolver e oferecer a melhor previsão do tempo com total independência. Postura O cliente tem que sentir que você está verdadeiramente interessado em resolver o problema. Em 1991. “Toda empresa precisa se divulgar. pois os dois estavam quebrados. A Climatempo já havia proposto anteriormente seus objetivos. Divulgar a que veio. Senti que a situação era grave quando um cliente tentou usar os banheiros de um dos andares da empresa e não conseguiu. Outra carta de valores foi elaborada em 2001. sem ter a mesma informação. cada vez mais prestar um serviço melhor para os nossos clientes e futuros clientes. Sermos a melhor empresa de meteorologia do mundo e permanecer no futuro como uma instituição sólida. A carta de valores foi um marco nesse processo. buscando todos os dias novas tendências e conhecimentos para superar as expectativas dos usuários. clientes e parceiros. primeiro no conselho de gestores formado pelos diretores da cada empresa do grupo e depois nos comitês. demonstrava o pouco entrosamento da equipe. Como vamos chegar lá? Trabalhando com confiança em nossa capacidade. clara e centrada para a sua necessidade. com tecnologia 89 . uma visão mais elaborada de suas propostas. Isso se dará através do fornecimento de conteúdo para os clientes e também através de nossos próprios meios de comunicação. como o fluxo de informação. Poucos anos depois. e isso precisava mudar. conhecimento e criatividade. crescer e investir para nos tornarmos o melhor centro de previsão do tempo do Brasil. lucrativa e inovadora. Eu não havia sido informado e ninguém se preocupou em avisar. do qual participavam os líderes de cada unidade. continuar enviando o serviço para o cliente. pois traduzia toda a nova mentalidade que Magno e Ana queriam introduzir no grupo. a dificuldade de fazer a informação circular. “Coisas como eu receber o cancelamento de um contrato de uma tevê. e a formatação de uma carta de valores do grupo deram início a esse trabalho. Simples e direta: Julho de 1991 Missão Sermos a melhor e a mais conhecida previsão do tempo do Brasil. Fornecer serviços e produtos de alta qualidade. Julho de 1994 O que querem os nossos clientes? Previsão do tempo com boa qualidade. Investir em máquinas e em conhecimento. abrangendo todas as tecnologias disponíveis. O que vamos conseguir com isso? Sobreviver.

foi mais além ao abrir caminho para uma tomada de posição do grupo. manteve uma base de assinantes em torno de dois milhões de pessoas distribuídas pelas principais operadoras. o publicitário Camilo Magalhães. E por fim. elevando em 30% o quadro de meteorologistas. 90 As empresas passaram por uma verdadeira repaginação: o site foi . maior empresa privada de meteorologia do País. mais leve. determinação. porém. e cada empresa ganhou vida própria. que caminham lado a lado. vontade de crescer e vencer. e promoveu um grande investimento em tecnologias. Na Internet. Esse sucesso se deve muito à consolidação da Climatempo Produções. algumas delas passando a transmitir a programação da O CÉU Assim é que em apenas um ano o Grupo Climatempo caminhava a passos largos em busca de suas novas metas. segundo o relatório. Esse dado por si só já dava uma ideia de quanto a procura pela previsão do tempo e especialmente de clima cresceu nesse período. mesmo sendo um executivo especializado na área comercial. FALA . NET Digital e outras 44 operadoras pelo País. atendeu ao pedido de Magno e Ana. Nivea. que trouxe para o grupo sua visão de como criar uma comunicação coorporativa eficiente e marcante. Dar ao cliente o mais alto nível de personalização. novas ideias e soluções. Valores Capacidade de perceber alternativas e buscar soluções criativas de qualidade. em tons claros de azul. Garra. que após a mudança na estrutura do grupo buscou novos conteúdos audiovisuais. um novo logotipo criado. Ótimo atendimento ao cliente. O resultado positivo entre o primeiro trimestre de 2006 e os três primeiros meses de 2007 é consequência da evolução de todos os setores da empresa. reformulado.” O relatório destacava ainda o crescimento da marca em todos os setores do mercado. além de oferecer um atendimento full-time aos clientes”. A partir da carta de valores. Constante espaço para discussões. em seus resultados. A TV Climatempo foi a que apresentou a maior elevação: 85%. Toyota. que há um ano estava em fase embrionária e já atua em diversos projetos. Violin. Foi aí que entrou em cena um outro importante personagem. e atraiu a atenção das principais empresas de telefonia móvel. bem como na Agência Climatempo. do organograma ao plano de metas. A GENTE ENTENDE . com nomes como Embratel. Sky. houve um significativo aumento de acessos ao Portal Climatempo e também aos novos sites da tevê e do grupo. respectivamente. destaque para a contratação de profissionais. enquanto a Climatempo Consultoria e a Agência Climatempo. afirmou Ana Lucia na época. obtiveram um incremento de 20% e 10%. braço da TV. Todo o grupo. em cada unidade do grupo. no qual fazia um balanço do primeiro ano do grupo. sempre com o objetivo de alcançar experiência. ponto para a TV Climatempo. o Grupo Climatempo completa um ano com um crescimento de 30% em seu faturamento. Isso ficou claro em um relatório divulgado pela empresa de comunicação Linhas & Laudas. ganhou uma nova comunicação visual e um slogan forte para reforçar a marca: C LIMATEMPO . sócio da empresa Btools. Com isso.avançada e clareza nas informações. Criado com o objetivo de estruturar as cinco unidades de negócios da Climatempo Meteorologia. Comprometimento. ética e respeito ao cliente externo e interno. Na consultoria. e como vice-presidente do grupo norteou sua atuação no planejamento estratégico de cada empresa. “Isso deu à Climatempo a oportunidade de ser proativa tanto no dia a dia quanto na criação de novos serviços. além da chegada de anunciantes de peso. Esse processo envolveu não só o RH e o departamento comercial. Busca permanente da confiança e credibilidade. O faturamento da Climatempo Internet subiu 30% no período.

O caminho. Até então. As entrevistas fizeram parte do programa Foco Ambiental e hoje são um documento importante para quem quer conhecer melhor esses temas. As inovações propostas pelo publicitário da BTOOLS atingiram em cheio a TV Climatempo. tenho para mim que ou o meu trabalho é útil para as pessoas para melhorar o seu dia a dia ou ele não serve para nada”. que. foi preciso encontrar um padrão Climatempo. A TV Climatempo também podia ser vista na Internet. Até a queda definitiva do seu sinal. como a súbita interrupção do sinal da TECSAT . com todo o seu profissionalismo e com a experiência adquirida ao longo de quase vinte anos de rádio Eldorado. certamente. teve seu ponto positivo. acho que eu sou muito boa naquilo que faço e cada vez mais. a TECSAT era a responsável pela distribuição da TV Climatempo para as demais operadoras. Durante o ano de 2007. em junho de 2007. outras com possibilidade de acessar todo o seu conteúdo. Além do programa na tevê. Além disso. por outro lado. e principalmente um novo formato. biodiversidade brasileira e aquecimento global eram. Pelotas. Meio ambiente. Outra boa novidade nesse ano foi a entrada no sistema NET Digital São Paulo. do Grupo Climatempo. com um logotipo estampado na tela e na roupa dos apresentadores. “Eu acompanho e oriento todo o conteúdo de meteorologia. passou a transmitir boletins específicos para a sua região. uma nova programação. a meteorologista Josélia Pegorim. passou a acompanhar de perto o conteúdo da tevê. biodiversidade. Com todas as mudanças implementadas no formato da TV Climatempo era natural o desejo de expandir a programação para além da previsão do tempo. uma identidade. Ângela ouviu os principais especialistas brasileiros em meio ambiente para discutir questões como mudanças climáticas. Sem modéstia. site. Uma primeira tentativa foi feita com o lançamento de um programa de entrevistas produzido e apresentado pela jornalista Ângela Ruiz. A gente fez uma opção de empacotar produtos de uma forma que seja bem visualizada na Internet. desde como se fala até o que se fala na televisão. digitais. novos clientes. Por meio desse novo processo foi possível gerar uma programação local para as diferentes operadoras. no celular. “Foi um contratempo para a operação da tevê. ligados de alguma forma à meteorologia. e no ano seguinte se tornaria parceira da embrionária TV Climatempo. assuntos obrigatórios em um canal do tempo. lembra Magno. além da programação nacional. avalia Carlos Magno. em agosto de 2007. tanto no portal quanto em seu próprio site. colocando computadores em várias operadoras”. “Você percebe que a Climatempo foi sempre muito pioneira. sem dúvida. banda larga. era tratar de temas atuais. dizia-se que a tevê apresentava um padrão do tipo Bloomberg – um visual parecido com o canal de notícias financeiras da tevê a cabo –. Continuo trabalhando em outras coisas. outra iniciativa que também partiu da constatação da importância das 91 . mas que. na tevê”. Esse seria um primeiro passo para entrar também com conteúdo audiovisual. Ao acessar o canal 211 era possível acompanhar a previsão para as principais capitais do País e do mundo. mas tem coisa que eu passei para a tevê que é exatamente a forma que eu aprendi a fazer na rádio. somos um canal que entra na Internet. a TV Climatempo passou a produzir conteúdo para o sistema interativo da operadora. Ainda estou aprendendo a fazer aquilo que funciona na telinha. nesses vinte anos de Climatempo. 24 horas por dia. Amazônia.tevê em tempo real. Um processo que gerou custos inesperados. em São José dos Campos. Hoje se fala em modernidade da tevê interativa. avalia com orgulho Josélia. O desafio de manter o pioneirismo enfrentou seus percalços. por download. A empresa havia sido fundada em 1998. A partir de fevereiro. Afinal era o primeiro e único canal brasileiro de meteorologia. mas diretamente ligada às meninas que trabalham na tevê. Tivemos de mudar todo o sistema para que as nossas parceiras continuassem a receber o sinal. por exemplo. nós já somos interativos. ganhou cara mais moderna.

Teríamos de vender publicidade e a tevê teria de se sustentar”. os serviços de meteorologia passaram a ser um insumo valioso para as empresas”. Na verdade. Começava aí mais uma partida desse jogo. bem como de outros fatores climáticos. Teremos de nos reinventar. análises a longo prazo na tentativa de definir estratégias para evitar os riscos e também as possíveis consequências provocadas pelo aquecimento global. foi preciso. Clientes de peso como Petrobrás e empresas geradoras de energia começavam a se programar para tentar minimizar os impactos das mudanças climáticas. Cada vez mais a Climatempo era procurada por empresas interessadas em diagnósticos mais profundos do clima. Toda a evolução de faturamento voltou um e meio para trás. base para o planejamento estratégico de várias indústrias. Carlos Magno define-se como uma pessoa obstinada: “Minha melhor qualidade é ser persistente”. “Houve uma redução do contrato em 50%. A preocupação com o meio ambiente podia ser percebida no perfil de novos clientes do grupo. talvez tivesse desanimado quando recebeu uma carta da Sky mudando as regras. que como membro do IPCC foi um dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz de 2007. teremos fortes consequências econômicas também. orçamentos separados. “Até o ano passado. mas nosso conteúdo era apenas mete- 92 . Para Carlos Magno. para no futuro não ser pega de surpresa por uma bola fora. em especial na área da telecomunicação. Segundo ele. “Ainda não está claro quais são os reais riscos que o Brasil corre com o problema do aquecimento global.questões ambientais foi a realização de um encontro. a Climatempo viria confirmar sua vocação de estar sempre à frente dos grandes temas globais.” Com esse objetivo em mente é que o Grupo Climatempo chega a 2008. reafirmar a necessidade de cada unidade do grupo ganhar espaço para poder se sustentar. o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas ( IPCC). “Com a instabilidade do clima. para que cada unidade de negócio tenha sua ação lucrativa no futuro. Naquele momento. Se a população de uma forma geral não se conscientizar sobre o assunto. O jogo do mercado.” Mais uma vez. Especialmente na unidade de consultoria. principalmente com relação à disponibilidade de recursos hídricos. era preciso ter muita garra para segurar os reveses e as mudanças de regras e ser muito persistente para seguir em frente. Nesse ano. promovido pelo Grupo Climatempo. As empresas do Grupo terão de trabalhar com missões separadas. também. Vale lembrar que em 2007 a preocupação com o aquecimento global dominou boa parte dos debates sobre meio ambiente. de abril de 2007. quando completa vinte anos de existência. Se não fosse por ela. que mediou o encontro. “A Climanet não pode contaminar a Climatempo e vice-versa. houve um aumento no faturamento do grupo por causa da procura por relatórios climáticos. a iniciativa era muito importante para esclarecer alguns aspectos econômicos da situação. e o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes debateram as causas e também as possíveis consequências do aquecimento global. havia a possibilidade de negociação: a TV Climatempo deixaria de receber por assinante e teria um faturamento fixo. Em outubro de 2007. nós passamos pela profissionalização da equipe. produzir um conteúdo para tevê que seja apetitoso para podermos crescer. em abril. Reunidos no fórum “Risco Ambiental”. apesar dos obstáculos encontrados no caminho. não era para principiantes e ingênuos. para discutir os problemas causados pelas mudanças climáticas. especialistas de renome internacional como o professor Pedro Dias Leite. conta Magno. divulgou documento sobre as consequências da elevação das temperaturas na Terra e sobre a responsabilidade da ação humana no meio ambiente. em São Paulo. mais uma vez. órgão da Organização das Nações Unidas ( ONU ) composto por representantes de 130 governos. a operadora de tevê a cabo simplesmente comunicou que a TV Climatempo estaria fora do line-up da Sky. e nossa meta é mostrar como isso terá efeito nas companhias. diria Carlos Magno em entrevista para o jornal O Globo. na economia mundial e mais especificamente no Brasil.

cada empresa do grupo tem seu plano de metas para os próximos cinco anos. a Internet busca o crescimento acompanhando as novas tendências de mídia. que integra tevê. uma das mais novas febres da Internet. reflete Magno. pois nossa linha é muito focada em meteorologia e meio ambiente. Para a consultoria. A grande vantagem dessa parceria é a interação que o site permite com os internautas. fizemos uma repaginação para mostrar as inovações e. fruto de uma época em constante mutação. No início de 2008. Todas essas inovações e parcerias. a participação da empresa nas mais modernas formas de comunicação.orologia. serviço criado pelo Google. A Climatempo marca presença como um gadget. como diz Carlos Magno. agora criamos um padrão para a TV Climatempo. as entidades públicas estaduais e as empresas privadas. que participam da página enviando vídeos caseiros e comentando as notícias postadas ao longo do dia. em que a TV Climatempo passou a ser o primeiro canal de notícias a fazer parte de uma nova ferramenta do Windows Vista. trouxemos parceiros para comercializar esse produto. utilizando cada vez mais a Climatempo Produções. sendo respeitada e atingindo um nível de credibilidade nunca antes visto. o governo pensou em um Sistema Nacional de Meteorologia e Climatologia. graças à ação da iniciativa privada.youtube.com. Em julho de 2003. “vieram para ficar”.br/climatempo. mas a unificação dos órgãos federais. criar redes de radares para contar com um maior nú- mero de informação. Por outro lado é preciso ter uma programação atrativa para que o público fique mais tempo”. Outras duas novidades são o acordo firmado com a Microsoft. como celulares e em sites espalhados por todo o Brasil. Internet. Tratada sempre como um serviço público. www. ainda em 2008. O projeto tinha como objetivo. estreamos 13 programas. e é preciso ter cuidado com o que vamos anunciar. nessa área. definindo o papel de cada um no processo de divulgação dos dados e informações climáticas. enquanto a tevê caminha para ter uma programação mais forte. Com duração média de um minuto e atualizados três vezes ao dia. por exemplo. Nessa época. aumentando a cartela de clientes. em parceria com o YouTube. como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). tramitava na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ ) do Senado Federal projeto de emenda constitucional de autoria do senador Osmar Dias ( PDT PR). à medida que amplia a conscientização para a importância da meteorologia. com recursos de interatividade e que atinja a expectativa do público. Segundo Magno. os boletins são produzidos pela equipe da TV Climatempo. porém. Cabe a essa empresa o crédito de contribuir para colocar a meteorologia brasileira em seu devido lugar. Diante desse cenário. Fruto do planejamento estratégico elaborado por Violin. A raiz. não a estatização da meteorologia. órgãos públicos e entidades da sociedade civil perceberam a necessidade de estabelecer uma política nacional. desse planejamento ainda é a meteorologia. Caso do I-Google. principalmente pela forma humanizada de transmitir a previsão do tempo. a informação meteorológica ganhou as ruas definitivamente. em que internautas criam páginas personalizadas. Em março de 2008. a Climatempo lançou uma página customizada. e a presença no site de compartilhamento de vídeos YouTube. O desafio interno é melhorar os modelos matemáticos. Muitas vezes é um risco trazer publicidade. base de todo o trabalho feito ao longo dos últimos vinte anos pela Climatempo. na área de documentários. fotos e vídeos. É importante destacar. o Windows Media Center. muito popular por divulgar variados tipos de vídeos que são postados e acessados por milhões de usuários. Nunca se falou tanto em meteorologia como dos anos 1980 para cá. A in- 93 . segundo o senador. Várias tentativas foram feitas para implementar uma direção para o setor. na qual é possível assistir a vídeos com previsão do tempo para todas as regiões do Brasil. ao longo dos três primeiros meses de 2008. o desafio é continuar crescendo. colocam a Climatempo à frente de seu tempo e. um miniaplicativo em que o usuário acessa diretamente as informações meteorológicas que mais lhe interessam.

eu deixo isso muito claro: ‘Olha. Não foi em vão que nomes como Josélia Pegorim se tornaram sinônimo de previsão na rádio Eldorado e também nas páginas do Estadão. o número de boletins é menor. resume Ana Lucia. O Globo. “Caso o texto seja aprovado. Um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. e também de entidades ligadas à meteorologia. oficializou a Comissão de Coordenação das Atividades de Meteorologia. ambos da Climatempo. afirmou Ana Lucia. mas também de vida. nunca tivemos a intenção de nos apropriar de méritos ou informações de nenhuma outra instituição. e Ana Lucia como suplente. que. tem um valor inestimável para o País. prestando serviço à sociedade e também à comunidade meteorológica e a parceiros fiéis. Mudei muito a forma de falar das questões do tempo para as pessoas. Os escolhidos foram Carlos Magno. divulgar de forma adequada é outra parte. a CBN. nesse contexto de criação de uma política para a meteorologia. nossos olhos alcançam outros horizontes que parecem sempre mais próximos”. Refletindo sobre o papel e a competência da iniciativa privada e dos órgãos públicos. quando eu sei que esse tipo de situação é possível. “Ao longo desses vinte anos amadureci como pessoa. eu entro de meia 94 . sempre baseado no seguinte: ‘O que as pessoas me perguntariam hoje? O que elas estão sentindo? O que elas querem saber?’. além de colocarmos a visão da iniciativa privada. Ana Lucia tem uma opinião bastante clara: “A previsão do tempo era uma criança feia. O número de entradas na Eldorado durante o dia é muito grande. Começaram a entender que fazer a previsão do tempo é uma parte do trabalho. afirma Magno. cerca de vinte vezes. Demoraram a entender isso. A novidade ficou por conta da inclusão de representantes das empresas privadas. onde tudo começou. titular. a partir de abril de 2008. Não era nossa intenção concorrer com o Ministério da Ciência e da Tecnologia ou com alguma universidade. Um funcionário público não vai vender um serviço de meteorologia ou climatologia. esses órgãos começaram a se interessar em fazer a previsão do tempo. como Inmet e Inpe. com a participação de representantes dos principais órgãos públicos. Nós sempre respeitamos todas as instituições. Ele não tem essa característica. Demoraram. Para isso contou não só com o casal que deu início a tudo. Arquitetura e Agronomia (Confea). Depois que a criança começou a ficar bonita.” O projeto. Nosso negócio não é academia. vender é outra parte. de novo pela janela do pequeno apartamento da Vila Mariana. Climatologia e Hidrologia ( CMCH). “Agora podemos ver outras janelas à frente. uma vez bem cumprida. acompanhamos o que está sendo pensado para a nossa área”. os jornais do Grupo Estado. prazo que a comissão tem para elaborar uma propos- ta de política para a meteorologia brasileira. caso da Sociedade Brasileira de Meteorologia. Na FM. mas entenderam. já se pode vislumbrar uma história que não é só empresarial. por indicação do Conselho Federal de Engenharia. “A proposta do governo é centralizadora”.tenção do projeto seria a reestruturação do sistema para promover a “democratização” das informações. O sujeito sai de casa sentindo calor e vai voltar sentindo frio. Um bom exemplo disso são as grandes viradas de tempo que acontecem no fim de tarde em São Paulo. como profissional. E hoje em dia todo mundo quer ser o pai da criança. mas com profissionais que encamparam o sonho de dar credibilidade à previsão do tempo. As discussões estão apenas começando e qualquer decisão só deve sair em 2010.” Vinte anos se passaram e a Climatempo é uma jovem empresa com muito gás e ainda com muito potencial de crescimento. muito cuidado com a roupa que você vai sair de casa’. Olhando para trás. de 21 de março de 2007. estabeleceu a criação de uma comissão especial para discutir mais a fundo a questão. “A participação é muito importante. o governo explorará um setor que se desenvolveu por meio da iniciativa privada. primeira edição. naquele momento. e tantos outros que acreditaram desde o início na competência da empresa. ainda em tramitação no Congresso Nacional. mas na AM. como a rádio Eldorado. dentro do jornal Eldorado. As primeiras reuniões aconteceram um ano depois.

Eu não tinha noção. Para Carlos Magno. na saúde e na doença. Um dia. o eterno homem do tempo. “Não consigo me desligar”. E assim também acontece com todos que. e entendê-lo. Casados há treze anos. caminhou lado a lado com a história da meteorologia. durante o tênis. cada dia é um novo desafio. Já no Estadão. casamos. A cada dia vemos mais setores que podem usar a meteorologia.” A Climatempo segue o seu destino pioneiro. construindo um novo modo de pensar. mas principalmente temos um carinho muito especial”. E o que espera para os próximos anos? “Crescer bastante em dez anos. espero não estar mais na direção. e a gente já estava na Climatempo. Já falo francês e inglês e agora estudo espanhol. Nesses vinte anos.” Ou então como aconteceu com outro casal que faz parte da história da Climatempo. a gente estava na Climatempo. Hoje temos sociedade na agência. fui dar uma entrevista na TV Gazeta e um médico chegou para mim e perguntou: ‘Você é a Patrícia Madeira? Eu ouço sempre você’. seu esporte preferido. pretendo contratar um profissional e ficar no conselho. cada um empresta sua voz a dois boletins diários. Funcionários da empresa Climatempo. Ela pela manhã e ele à tarde. Ambos estão mais experientes.em meia hora. direta ou indiretamente. André e Patrícia Madeira. Ele fez questão de dizer como o trabalho era legal. Mas eu continuo pensando. estudando relações sociais e culturais entre diversos países. Eu tenho um sonho de expandir a Climatempo para esses mercados. admite Magno. uma nova forma de olhar o céu. afirma Patrícia. Nem em suas horas de lazer. Eu e o André nos consideramos parte da Climatempo e não vemos nossa vida separada da empresa. na riqueza e na pobreza. Hoje em dia está tudo bem encaminhado aqui na Climatempo com as estruturas de planejamento estratégico criadas pelo Violin. Quando o Violin chegou e passou a transmitir os valores da empresa é que a ficha começou a cair. (Veja São Paulo. Respondi a ele: ‘Sabe do que eu sinto orgulho? É de a gente ter chegado até aqui.” “Como para fazer qualquer previsão. No fundo sou um empreendedor e quero empreender em outras áreas. Carinho é o sentimento comum de quem conhece a empresa. onde encontra tempo para ler. os dois são os responsáveis por apresentar a previsão do tempo da rádio CBN desde 2001. A criança feia está mais bonita agora. mas somos pouco conhecidos no Norte e Nordeste do Brasil. o importante é se preparar para o futuro”. estudar e principalmente pensar lá para frente. Em cinco anos. A Gabriela (filha de nove anos do casal) nasceu. nosso gerente de tecnologia entrou em minha sala dizendo que estava feliz por isso. tiveram alguma participação na construção da Climatempo. “Alguns dias depois de eu ter concluído o meu MBA em marketing. que hoje também é reconhecido nas ondas da rádio CBN: “Na alegria e na tristeza. nem na praia. mas nem por isso perderam o estímulo nem deixaram de sonhar. nem o dia de amanhã’. e Ana Lucia. A ciência evolui e a gente usa isso. Minha estratégia é pensar em uma Climatempo internacional. dos que ainda estão lá e dos que já saíram para seguir outros caminhos. 95 .” Ana Lucia hoje é a responsável pelos assuntos estratégicos do Grupo Climatempo. 13/8/2008). Quero conhecer métodos e idéias de como entender as culturas de outros países. diz Ana Lucia. Muitas vezes acertamos e outras tantas erramos. porque a gente não sabe o que vai acontecer. “Descobrimos há pouco tempo o tamanho da Climatempo. Sudeste e Centro-Oeste. a gente ainda vai atrás de novas propostas.” O casal de meteorologistas André e Patrícia Madeira poderia acrescentar “faça chuva ou faça sol” às suas juras de amor eterno. Para construir uma empresa sólida temos de adquirir conhecimento. “Eu tenho meus sonhos. marcando posição. tenho de ter boas idéias todos os dias para escrever cinco ou seis linhas precisas e diretas. Por enquanto. A gente é muito visto no Sul. Quero também ga- nhar a América Latina e estou me preparando. Ela também vê boas perspectivas para o futuro da empresa.

ANDRÉ MADEIRA
meteorologista

NEIDE DE OLIVEIRA
meteorologista do Inmet

RENATO URBINDER
sócio da Climatempo

A gente se considera parte da Climatempo. Não vejo a minha vida separada da empresa. Eu casei e já estava na Climatempo, a Gabriela, minha filha, nasceu e eu estava na Climatempo. Nesse período todo, teve altos e baixos, mas foi sempre muito bom. Tenho um carinho muito especial pela empresa. PATRÍCIA MADEIRA
meteorologista

Magno é muito focado no que ele quer e muito determinado. Hoje se a meteorologia cresceu foi por causa da Climatempo. ROGÉRIO LEITE
amigo e ex-sócio

Eu gosto muito de trabalhar aqui. Meu sonho é que a gente possa dominar a previsão do tempo oferecendo um serviço para a comunidade. Ter uma equipe de jornalismo e correspondentes para aumentar as notícias sobre o tempo. PAULO POLLI
diretor da TV Climatempo

O que mais me estimula, primeiro, são os sócios e depois também o negócio. Sócios que passem estímulo e confiança. Não existe negócio no mundo em que os sócios não tenham períodos de convergência e divergência. Na Climatempo, as divergências foram muito menores. Sempre tivemos uma li-

O negócio meteorologia ainda está escondido. Mostra a miopia dessa área de comunicação. É um negócio que dá muito dinheiro. Todo mundo conhece o site da Climatempo. O nome Climatempo. É preciso mostrar quanto as pessoas usam a meteorologia e não sabem. Eu aprendi a gostar, sempre usei muito, pois gosto de velejar, mergulhar. Meteorologia é um negócio e eu fiz parte desse negócio. O Magno me explicou, me ensinou por que a meteorologia do Brasil estava defasada, e eu entendi que era um bom negócio. WALDEMAR STEFAN BARROSO
amigo e ex-sócio

A Climatempo possibilitou a transformação da meteorologia em conteúdo jornalístico, técnico, científico e operacional na Rede Globo. Quando o quadro do tempo começou na [TV] Globo, não tinha nada, foi tudo uma inovação. Desde a linguagem, o grafismo, a computação. Tudo passou por uma experimentação. Na época eu sentava com a Ana Lucia e buscava a notícia, tentava aprender. Juntos conseguimos humanizar a previsão do tempo. AMAURI SOARES
diretor da Rede Globo

A Climatempo ajudou a divulgar a meteorologia e acho que não tem competição com o órgão público.

Um serviço meteorológico moderno deve efetuar três funções básicas: monitorar, elaborar produtos (aqui incluem-se as previsões de tempo e clima) e engajar os usuários. Como a tarefa é enorme, principalmente num país como o Brasil, a participação do setor privado é muito importante para melhorar o atendimento aos usuários, de forma customizada e mais especializada. Sua atuação deve, naturalmente, ser bem ligada com o serviço nacional para evitar redundâncias,

Depoimentos
97

Tenho muito carinho pela Climatempo, por fazer parte dela. É bom saber que a gente ajudou nesse crescimento e eu vejo o reconhecimento da empresa. O Magno é um cara inovador. A Climatempo abriu as portas da meteorologia. Espero continuar na empresa nos próximos dez anos.

berdade muito grande de falar. Sempre brinco com o Magno: desembaraça esses óculos. Poucas vezes tivemos divergências importantes: trazemos coisas positivas para a empresa. O nome Climatempo é muito maior do que todo o nosso faturamento. Tem.muita credibilidade. Não temos telhado de vidro, temos uma laje de concreto.

A empresa privada faz uma previsão diferenciada e o órgão do governo é mais geral. Por isso não há competição. Não vejo a Climatempo como concorrente do governo. O Magno tem o dom da palavra, sabe passar as coisas com credibilidade, e ele e a Ana formaram uma grande empresa.

propiciar economicidade, evitar atritos indevidos de competência. Vejo com muito bons olhos uma maior atuação do setor privado nesta parceria, mas deve ser bem coordenada para melhor atender aos usuários específicos a quem os produtos se destinam. ANTONIO DIVINO MOURA
diretor do INEMET

O trabalho da Climatempo na Eldorado foi fantástico; eles provaram que o “curandeirismo” estava com os dias contados. Os ouvintes mereciam mais respeito e qualidade de informação. Eles ofereceram um serviço essencial aos ouvintes. Foi uma parceria vitoriosa, da qual muito me orgulho. JOÃO LARA MESQUITA
ex-diretor da rádio Eldorado

A Climatempo, maior empresa de meteorologia do País, acaba de estabelecer mais um acordo com a Microsoft. Desde o dia 4 de julho de 2008, a TV Climatempo é o primeiro canal de notícias do Windows Media Center – uma ferramenta do Windows Vista que integra TV, Internet, música, fotos e vídeos. Para Ricardo Wagner, gerente de produto Windows Vista da Microsoft Brasil, a “parceria com a Climatempo traz um novo serviço de qualidade para os nossos usuários, que podem ter informação sobre a previsão do tempo on-demand, acessando do conforto de casa. Para as empresas, o Media Center ajuda a complementar a estratégia online por meio da exposição de conteúdo”.
Fonte: www.microsoft.com/ latam/presspass/brasil/2008/ julho/climatempo.mspx

98

1997 Revista Superinteressante.iag. 2008 Programa Negócios e Soluções. Alcir.org.gov. vários O Dia.shtml http://list. Paulo. Jornal Nacional: a notícia faz história.jsp?id=47792 http://br.php/ content/view/68391.org. 1988 Revista Ecologia e Desenvolvimento. 2007 Boletim ABTA. Paulo. 1998 Boletim Cable Report. 2004 Revista Pequenas empresas. vários Folha de S. vários Jornal da Tarde.mct. SITES http://fisica.gov. 2002 Revista Forbes Brasil. Convenção da Climatempo.html http://www.html http://www. Vera Malfa e SPINARDI.weather.html ARTIGOS E PERIÓDICOS Grande parte das informações teve como fonte a clipagem feita pela empresa Linhas & Laudas em boletins e releases produzidos entre os anos de 1999 e 2008.pdf http://www.co. PEREIRA. 1997 Revista Contigo.pdf Grandes negócios. da Silva Dias Maria do Carmo Fogaça Neide de Oliveira Patrícia Madeira Paulo Polli Rogério Leite Renato Urbinder Waldemar Stefan Barroso LIVROS MEMÓRIA GLOBO.br/grimm/aposmeteo/cap1/cap1-1.ufpr.edu/cgi-bin/ wa?A2=ind0209A&L= aejmc&P=18687 http://www.bbc.al.br/ arquivos/publicacoes/revistas/ cirrus_3. 1998 Caderno MBA – Madia Marketing School.msu. várias Revista Veja.sbmet. turma.edu/cgi-bin/ wa?A2=ind0209A&L= aejmc&P=18687 http://list.com/aboutus/ background.br/siae97/ meteo.htm http://www. Amauri Soares Ana Lucia Frony de Macedo André Madeira Ângela Ruiz Antonio Divino Moura Carlos Magno do Nascimento Fernando Moreira Fernanda Bulhões Gilca Palma Josélia Pegorim João Lara Mesquita Maria Assunção F.usp. 8ª. vários DVDs Clipping – Entrevista a João Dória TV Palestra de Carlos Magno – 2 ª. 2006 Revista Info Exame. 2003 Revista Dinheiro.Revista Tela Viva. São Paulo.jornaldaciencia.br/sbmet/ Assembleia/resolucoes/ politica_nacional/ Relatorio_sbmet_pnm_2002. várias . vários DCI. um livro sujeito a chuvas e trovoadas. 2007 Diário Popular.br/index. 1997 Revista Diálogo Médico. vários O Estado de S. TV Cultura Fontes e bibliografia 99 Os depoimentos dados a essa obra foram colhidos entre março e julho de 2008: http://cienciaetecnologia. vários Meio & Mensagem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 2003 Revista Exame.msu. Também foram consultados os seguintes jornais e revistas: Revista Brasileira de Tecnologia – RBT.br/ Detalhe. vários Valor Econômico. 2005. vários Gazeta Mercantil. Memórias do Tempo. 2003. vários O Globo.uk/weather/features/ weather_broadcasting.

.

em meio à parafernália de aparelhos usada nos boletins da rádio Eldorado. na Rua da União. Seu Juvenal e dona Atala. Ele chegou a trazer de Londres um moderno aparelho de recepção de satélite.Da janela de um pequeno apartamento da Vila Mariana. sonhavam em ter seu próprio negócio. Na foto. Alice. pais de Ana Lucia. Dª. Carlos Magno e Ana Lucia. Caderno de fotos 101 . terceiro filho do casal. contribuíram e incentivaram o crescimento da Climatempo. O primeiro escritório funcionava na mesma casa em que Carlos Magno e Ana Lucia moravam. o pequeno Victor Hugo. em São Paulo. mãe e amiga de Carlos Magno que deu apoio moral e financeiro nos primeiros anos da Climatempo. dois jovens empreendedores.

. amigo que virou colaborador. Rogério Leite instalando uma antena de recepção de satélite na sede da Climatempo.Em 1996. mas agora em uma casa só para ela. Na foto. a Climatempo já tem uma estrutura própria. Rogério Leite. ainda pequena. na Rua Baltazar Lisboa.

. A meteorologia é destaque no livro que conta a história do Jornal Nacional. a moça do tempo do JN. apresentando o quadro do tempo no Jornal Nacional. da Rede Globo. Em 1996. um dos primeiros colaboradores do Grupo Climatempo. Foi o impulso que precisava para divulgar a meteorologia e crescer como empresa. Na foto.A partir de 1990. Sandra Annemberg. O meteorologista André Madeira. a Climatempo passa a prestar inestimável serviço à Rede Globo. Carlos Magno tornase o primeiro homem do tempo da tevê brasileira.

em São Paulo. Já pensando em seu próprio canal de TV. À esq. Acima: os primeiros dez anos da Climatempo foram comemorados com uma grande festa em São Paulo. no Anhembi.André Madeira orienta a então “moça do tempo” da Globo. Maria Cândida. .: depois da disputa judicial. Carlos Magno compra briga com o Weather Channel pelo direito de usar Canal do Tempo na feira da ABTV de 1998. em São Paulo. o direito de usar o nome Canal do Tempo ainda na feira de 1998.

O amigo e sócio Waldemar Stefan Barroso ensaiando para um piloto do Canal do Tempo ainda em 1998. Durante a festa de dez anos da Climatempo. em 1999. os sócios Waldemar Stefan Barroso e Carlos Magno do Nascimento. Na foto. surge a TV Climatempo. Ana Lucia Frony de Macedo e Carlos Magno do Nascimento lançam a TV Climatempo. . em dezembro de 1998. Para evitar problemas. no ano seguinte.

A primeira equipe da TV Climatempo. . em São José dos Campos. aprenderam junto com Magno a fazer tevê.Waldemar Stefan Barroso e Carlos Magno do Nascimento na inauguração da tevê. no dia 15 de setembro de 1999. Muitos deles estagiários.

No início. empresa de comunicação que presta assessoria ao Grupo Climatempo. em 1999. uma parceria entre a Climatempo e a Univap. . amiga e profissional responsável pela Linhas & Laudas. de São José dos Campos ( SP). Baptista Gargione. Carlos Magno e Waldemar Stefan Barroso com Fernanda Bulhões. Acima: Carlos Magno e o Prof. selam o início das operações do Canal Climatempo. reitor da Univap. possibilitou a inauguração da primeira emissora de tevê voltada para a previsão do tempo.

. na Vila Mariana.Estúdio da TV Climatempo. O curioso é que foram usadas dezenas de caixas de ovos para forrar as paredes e vedar o som. já em São Paulo.

2000. em São Paulo.A apresentadora Laura Ferreira no quadro do tempo da Rede Mulher. Carlos Magno e Rogério Leite no estande da TV Climatempo. Carlos Magno e o “casseta” Hélio de la Peña. em 2000. na feira da ABTV. o Casseta & Planeta tinha um quadro que satirizava a previsão do tempo. na feira da ABTV. . em São Paulo. Na época em que Magno foi apresentador do Jornal Nacional.

Ariany Chacon de Campos.): Gilca Palma Fernandes. Amilis Delfino. na rua Muniz de Souza. Paulo Edson Aparecido de Oliveira. Priscila Iogóglia. Alexandre José do Nascimento Silva. Rafael Augusto Caetano Bruno. para a dir. Leandro Della Vedova de Oliveira Pinto e Josélia Moreno Pegorim. Ângela Ruiz Gonzales. Flávia Caroline Chacon de Campos e Ângela Ruiz Gonzáles. em 2001. para a dir. Equipe do Grupo Climatempo (da esq. . Da esq..Equipe da TV Climatempo.

Marcos Pontes e Renato Urbinder. Reunidos no fórum “Risco Ambiental”. Acima: Redação da TV Climatempo. e aos poucos passou a fazer a previsão para a Internet. em São Paulo. Na foto.A meteorologista Gilca Palma. Carlos Magno. debateram as causas e também as possíveis consequências do aquecimento global. trabalhou em quase tudo. ao longo dos últimos anos. especialistas de renome internacional. . em São Paulo. como o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes. no Paraíso. Começou como estagiária. fazendo levantamento de dados.

Maria Clara Machado. A jornalista Ângela Ruiz começou como estagiária na TV e há dez anos trabalha como apresentadora. uma das apresentadoras da TV Climatempo. repórter e redatora no Grupo Climatempo. .

Carlos Magno é destaque como novo homem do tempo do Jornal Nacional (Acima: O Globo,14/04/1996; abaixo: O Dia, 13/04/1996). Acima: TV Climatempo vence disputa com o Weather Channel (Folha de S. Paulo, 1º. de fevereiro de 2000)

Climatempo na mídia
113

Acima: a revista Pequenas empresas, Grandes negócios, de março de 2002, destaca o crescimento das empresas que oferecem serviços de meteorologia. Ao lado: Carlos Magno ainda no início das atividades da Climatempo. Desde o início, a empresa buscou oferecer serviços de meteorologia para os principais interessados. Aqui, os velejadores (revista Bordo, de 1991). Na outra página: A importância da meteorologia para o planejamento das empresas (O Globo, do dia 7 de abril de 2007).

de 11 de fevereiro de 2004. Matéria da Vejinha. Na foto menor. Ana Lucia e Carlos Magno.A importância da meteorologia no dia a dia das pessoas. à esquerda da matéria. .

Na reportagem do Jornal da Tarde. comprovando as condições do tempo em determinada hora e local. a meteorologia pode ajudar a solucionar casos intrincados. A meteorologia ajudando a combater crimes. Carlos Magno é o “detetive do tempo”. . na revista Pequenas empresas. de 12 de maio de 1989. Grandes negócios (agosto de 1994).O casal do tempo Carlos Magno e Ana Lucia. Segundo a matéria.

Na outra página: anúncio da TV Climatempo na revista Pay TV. de 2000. de outubro de 1998. Anúncio da TV Climatempo.Um dos primeiros serviços: o BBS (bulletin board system). . na revista Pay TV. ainda embrionária. que permitia a conexão via telefone a computadores que interagiam – tal como hoje se faz com a Internet.

.

.

.Na outra página: Carlos Magno é destaque da revista Forbes de outubro de 2000. janeiro de 1987). Nesta: ainda como meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (revista IstoÉ.

. pela Climatempo. em julho de 2009.Este livro foi editorado em Univers 11/15 e mandado imprimir em papel couchê fosco 115g. em comemoração aos 20 anos de fundação do Grupo.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful