O céu fala. A gente entende.

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Denise Góes O céu fala. Climatempo 2009 . A gente entende.

610.Copyright © 2008 by Denise Trevisan de Góes Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.prolgrafica.revisaoporquenao.br .nom.oliveira@globo.com. 567 Vila Mariana – São Paulo – SP Telefone: (11)3736-4591 CEP 04011-061 www.br Coordenação editorial Cesar Oliveira cesar.br Fotografias Acervo e clippings Climatempo Impressão Prol Gráfica www. de 19 de fevereiro de 1998 Direitos desta edição cedidos ao GRUPO CLIMATEMPO Rua José Antonio Coelho.climatempo.com Revisão (de acordo com a Nova Ortografia) Ana Lucia Sesso www.com.

à escritora do livro comemorativo pelos vinte anos. eles foram verdadeiros anjos que ajudaram. A nossos filhos. Gilca Palma e Paulo Takeshi. Ao longo destes vinte anos. Hoje. jornalista Denise Góes. mais crescidinhos. até pedem para mudar de assunto. Fernanda Bulhões e Ederaldo Kosa. pai da Ana Lucia. todas as vezes que a Climatempo precisou. Isabel Cristina. ao longo destas décadas. Waldemar Stefan. Renato Urbinder. e talvez nem a Climatempo existiria. Obrigado pela confiança e amizade de todos vocês. Aos meteorologistas André e Patricia Madeira. Sem eles esta história não poderia ser escrita. Josélia Pegorim. Marcos Paulo e Victor Hugo. mãe do Carlos e da Ana Lucia. a Juvenal de Macedo Filho. com incentivo e apoio financeiro. pela paciência que tiveram.A Alice Vieira (in memoriam) e Atala Frony de Macedo. Eles cresceram ouvindo sobre a Climatempo em praticamente todas as refeições e reuniões familiares. Carlos Magno e Ana Lucia Agradecimentos . aos amigos Rogério Leite.

Sumário Apresentação Prefácio O começo de tudo Os primeiros passos Na telinha da Globo Abrindo espaço O homem do tempo Canal do tempo Um sonho. uma realidade Uma bolha no ar Virando uma holding O céu fala. Depoimentos Fontes e bibliografia Caderno de fotos Climatempo na mídia 7 9 11 19 29 37 43 51 59 69 77 85 95 97 99 111 . A gente entende.

a meteorologia está no nosso sangue. todas as formas possíveis de levar a informação meteorológica para o usuário têm a nossa assinatura. aeroportos. ao mesmo tempo. A princípio. Mas. relembrando os primeiros dias como previsores da rádio Eldorado. que nos reconhece como sinônimo de credibilidade. Hoje a nossa estimativa é que mais de 50 milhões de brasileiros tenham contato com a previsão de tempo feita pela Climatempo todos os dias. Um furo enorme na Folha de S. Internet. Em maio de 1990. Denise conta a história de uma equipe que. a não ser para o próprio público. Vocês podem imaginar uma conversa entre namorados sobre as novas técnicas de fazer previsão do tempo? Pois a gente falava sobre isso o tempo todo. São histórias assim que a Denise conta. A gente entende. da nossa amiga. com suas próprias mãos. explicando tornados em Ribeirão Preto ou no ABC. a primeira página inteira com a previsão do tempo no Estadão e o trabalho pioneiro na Rede Globo de Televisão. editor-chefe do Estadão. em todo lugar. fez questão de construir seus próprios meios de comunicação: o site e a TV Climatempo. tempestades severas em São Paulo. rádios. geadas e tudo que acontecia com o tempo em cada canto do nosso País. Esta é a nossa vida. que divulgou que a neve não iria acontecer. Não é meteorologia de forma genérica. mas a Meteorologia Sinótica: a arte de fazer a previsão do tempo. desenhou um boneco de neve e mandou entregar para a gente. podcasts. Julio. Depois que as primeiras notícias da neve começaram a chegar à redação. além de ser referência em consultoria e bom atendimento. sem modéstia nenhuma. com as devidas felicitações pelo acerto. Boa leitura! Ana Lucia e Carlos Magno Apresentação 9 Q uando Ana Lucia e eu nos conhecemos já estávamos apaixonados pela meteorologia. o Dr. Julio de Mesquita Neto. o papo sempre acabava em como melhorar a previsão do tempo. O desafio de prever o futuro nos motivava e fazia parte das nossas conversas enquanto namorados. A ideia de escrever um livro contando a história da Climatempo foi Ela sabia o que estava falando. divulgando a informação do tempo para o público sem ter que pedir autorização para ninguém. A felicidade foi imensa para os jovens jornalistas e meteorologistas que estavam começando a colocar o tempo como destaque no caderno “Cidades” do Estadão. Nas TVs. jornalista Denise Goes. por acertarmos a previsão de neve no sul do Brasil. no INPE. shoppings. ondas de calor. enfim. . celulares. Paulo. Tem gente que acha que o nosso slogan é pretensioso: O céu fala. A cada nova descoberta nos estágios na FAB e na TASA e depois como meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura.Além de uma grande paixão de um pelo outro. painéis em ônibus. encantados com a sua argumentação de que a Climatempo ajudou a escrever algumas das páginas mais importantes da história da meteorologia moderna no Brasil. recebemos um elogio público do Dr. A Climatempo que completou vinte anos em 2008 é uma das consequências desta nossa paixão. ficamos surpresos e. a gente entende mesmo. na USP. Nos dez primeiros anos da Climatempo nosso contato com a “Dê” foi quase diário. jornais. A Denise participou ativamente como testemunha e relatou o crescimento da meteorologia brasileira e mundial como jornalista da Agência Estado e do jornal O Estado de São Paulo.

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também na história da Climatempo. tombos. momentos difíceis. E quem conhece e não perde a sua própria história mais apto fica ao inevitável mundo cheio de mudanças e suas danças em todos os estilos musicais e tecnológicos. aquele aspecto incontrolável dos planejamentos empresariais. A meteorologia quando era um “patinho feio”. erros. conhecimentos de física. Mas. na construção de grupos criativos como forma vital de gerenciar nos novos tempos e o encontro do “ócio criativo”. . Como uma quase utopia de dois meteorologistas consegue ir agre- Papéis novos. A história em si é rica de exemplos de superação na vida real.A leitura deste livro permite aprendermos com o melhor do empreendedorismo. De fato. colaboradores e seres humanos da virtude: gente com uma forte determinação pela prática do bem.. Climatempo é uma aula de empreendedorismo. onde a arte imita a vida. Climatempo teve isso sempre. cruzamentos de dados. mas é a escrita da vida Prefácio 11 A o ler O céu fala. afirma Carlos Magno. chamado “clima”. mas contêm a gênese das forças de coesão do organismo unitário da futura sociedade humana. passando pela agricultura. Ao ler este livro temos um demonstrativo de um caso real da modernidade da gestão. quando integramos ao mesmo tempo o amor pelo trabalho. no teatro e na literatura temas que se eternizam. Neste livro.. a autocrítica fazem parte do seu precioso texto. pelo estudo permanente e pelo divertimento no mesmo local. aos dois assaltos sofridos. para administrar. Ana Lucia diz ter um sonho. a batalha pelo canal do tempo. desde locações de gravação de filmes até a logística de obras e de tomadas de decisões em momentos críticos. do Tolkien. reflexão e a ciência – é indispensável para guiar as paixões no rumo certo. para apresentar nas telas da televisão.a função do amor é criar. fica cada vez mais controlável e disponível para todos os segmentos empresariais do mercado. e acrescenta: “para construir uma empresa sólida “. termos lições de ética. desafios novos. onde demonstrações valorosas da equipe estabeleceram ainda mais sinergia e alicerçaram com força superior a vida da empresa. a solidariedade amplifica. E o futuro? Crescer muito nos próximos dez anos. transportes etc. Não é uma fábula empresarial! Não se trata do “Senhor dos Anéis”. um casal que iniciava seus estudos na Universidade Federal do Rio de Janeiro via o esboçar de um cisne e o foi desenhando ponto a ponto nesta história que nos é revelada na publicação deste livro dos seus 20 anos. educação e diversão. A história que nasce do amor de Carlos Magno com Ana Lucia caminha ao longo de vinte anos recheada de exemplos de amores. arte. que significa a paixão errada. vibrações. Os filhos criados lado a lado com o trabalho. a Climatempo pode ser olhada como um exemplo de construção do sentido mais evolutivo do significado de amor. dizia que gando e envolvendo valorosos e leais colaboradores e amigos ao longo da caminhada. real que inspira autores a desenharem na arte. A gente entende. Como as pessoas conseguem criar papéis novos na vida profissional. O resgate das paixões virtuosas. e poucos acreditavam nessa ciência. A distorção do foco. Como o trabalho virtuoso vence barreiras e obstáculos. filósofo lido por Albert Einstein e Monteiro Lobato. Pietro Ubaldi. É como se estivéssemos lendo as teses e exemplos do sociólogo Domenico de Masi. conservar. proteger”. Ou seja: tudo o que amplifica a simpatia da alma – graça. de virtudes e de uma singular capacidade de reunir profissionais. a sensação que se tem é que o coração também fala. os momentos dos enganos ocorreram. De analistas de mapas. para empreender o progresso. a fidelidade de grandes clientes. como nos contos. Essas ascensões não são sonho estéril. esporte. Os infortúnios de resistir ao crime. O enfrentamento de grandes grupos internacionais. a sensibilidade grita. o de expandir a Climatempo para o universo internacional. nas ondas do rádio. para vender o seu trabalho. música.

Recomendo a todos a sua leitura. Muitas vezes acertamos e outras tantas erramos”. José Luiz Tejon Megido Professor de pós-graduação da Fundação Getulio Vargas. Talvez. Diretor do núcleo de agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Autor de doze livros. e honrado pelo convite para este prefácio. os ideais e sonhos do agora Grupo Climatempo: “Comprometimento. 12 . É enriquecedoramente real. ética e respeito ao cliente externo e interno”. possamos tirar de um dos seus valores o núcleo essencial para todas as possibilidades de realizações.temos de adquirir conhecimento. Foi diretor da OESP Mídia do Grupo O Estado de São Paulo e da Agroceres. liderança e empreendedorismo. Fiquei apaixonado pela leitura de O céu fala. A gente entende. do que sabíamos antes. pois saberemos ao seu final de muito mais aspectos da gestão.

líder em seu segmento. 1 . após a morte do pai. “Eu não me considerava um bom professor”. Aos cinco anos. a carreira de meteorologista ainda era desconhecida para a maioria dos estudantes.H á pouco mais de vinte anos. Uma carreira muito em moda em 1979 por causa da construção da Usina Nuclear de Angra dos Reis e a abertura do mercado de trabalho para físicos. companheira de profissão.. O que na época era apenas um desejo. A minha única preocupação era com o mercado de trabalho. contudo. Surgiu então a possibilidade de cursar Geografia. Ele. ao chegar na época do vestibular. Carlos. “Sempre estudei em escola pública e desde cedo já me destacava em matemática”. Carlos Magno ficou em primeiro lugar no vestibular para o curso de Meteorologia. d. Ele queria crescer e sabia que podia contar com o apoio da mulher. especialmente na área de previsão do tempo [. o irmão. de crises econômicas. Ao olhar para o céu. Era o segundo filho de dona Alice e de seu Manoel do Nascimento. caloura.” Com apenas o curso primário. A história da Climatempo é a história de um jovem casal. Poucos alunos se aventuravam na matéria. a caçula. Õ Carlos Magno do Nascimento e Ana Lucia Frony de Macedo eram muito jovens quando se conheceram na faculdade. ela. que ousaram seguir a carreira de previsor. um dos professores começou a conversar comigo. as expectativas para o futuro eram maiores do que aqueles 50 m2 em que viviam. foi graças à obstinação de dona Alice que ele. pois o meteorologista formado tinha como opção apenas dois caminhos: ser previsor do tempo ou dedicar-se a pesquisas acadêmicas. na capital paulista. “Eu adorava uma professora de geografia e fiquei em dúvida. relembra. Foi uma escolha madura. que com determinação e persistência criou uma empresa pioneira. “mas ela queria nos ver formados e me deu força para continuar o curso. não foi a primeira opção do jovem carioca. minha mãe não entendeu muito a minha escolha”.] “Em princípio. Carlos Magno e Ana Lucia foram dos poucos. conta Magno. um jovem sonhava em montar o seu próprio negócio e ter a sua própria empresa. Ao longo do curso. Anos depois. A possibilidade de prever o tempo fascinava os dois jovens meteorologistas. Carlos Magno do Nascimento nasceu na cidade do Rio de Janeiro. alunos promissores. gostei do curso. avalia Magno. agora é fato. a balança profissional tenderia para outra matéria: a física nuclear.” Foi na visita que fez ao departamento de geografia da UFRJ que pela primeira vez Magno considerou a possibilidade de cursar Meteorologia. Além de gostar de física e de matemática.. dizendo que estavam precisando muito de meteorologistas jovens e talentosos. “No final das contas. e a irmã Angélica. a possibilidade de virar professor afastou a ideia da sua cabeça. e dizer que o sonho virou realidade é um chavão que se aplica bem nesse caso. não via apenas nuvens. então decidi que faria uma experiência”. Vinte anos se passaram nessa trajetória de sucesso. era preciso também uma boa dose de audácia. 13 anos mais velho. Para o casal. no dia 22 de maio de 1961. na época. relembra Magno. A grande maioria optava por permanecer na universidade e seguir carreira acadêmica. Alice vendia joias para sustentar a família e por isso lutava muito para dar aos três filhos uma boa forma- O começo de tudo 13 No início da década de 1980. O encanto durou pouco. “O departamento de Meteorologia ficava ao lado da Geografia. Ele me convenceu. Ambos eram alunos de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). comecei e não quis mais sair. problemas do dia a dia. Em 1980. veterano. olhando pela janela de um pequeno apartamento da Vila Mariana. mas oportunidades. prosseguiram nos estudos. O básico da meteorologia é a física. Ambos. porém. Percorrer os caminhos dessa viagem no tempo é conhecer um pouco da história da meteorologia brasileira. ficaram em primeiro lugar nos respectivos vestibulares. Saber o que acontecia com o tempo. fui vendo que havia uma grande necessidade de profissionais.

um santo muito respeitado no Nordeste do Brasil. natural do Rio Grande do Norte.” Em 1981. Em meados da década de 1970. Haroldo. Por isso a grande necessidade de estudar os processos que causam determinadas condições climáticas para depois aplicar esse conhecimento na previsão do tempo. enfim. Acabei passando em Meteorologia e gostei. quando enfrentou fila para se inscrever na Escola Técnica Federal. uma data curiosa para a futura meteorologista. voltei para o Rio”. “Já no segundo ano.” Na área de Meteorologia.” Ana Lucia Frony de Macedo nasceu no dia 19 de março de 1964. aceitavam mulheres. Conhecer o comportamento do tempo e do clima é fundamental para o desenvolvimento e o planejamento econômico de qualquer sociedade. muitas pessoas prestavam concursos para escolas fe- derais. Eles queriam nos convencer a fazer o curso técnico para meteorologia. depois para o Rio. Dessa vez para São Paulo. Falaram tanto que eu peguei a ficha de inscrição e coloquei: primeira opção Edificações. relembra Ana Lucia. a meteorologia pode ser definida como ciência que estuda a atmosfera terrestre. Ana Lucia prestou vestibular na UFRJ. Recife. Juvenal. A meteorologia apareceu por acaso em sua vida. Acho que vendi bem o curso: dos quinze da minha turma. já casada. oito foram para a Meteorologia. Gaúcha de nascimento. em especial a camada mais próxima da superfície na qual ocorre a maior parte das atividades humanas. furacões. a alternativa era a Escola Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca. em casa todos nós concluímos a faculdade. porque nasci em Porto Alegre. esperando. meteoros. batendo papo. Naquela época era uma escola altamente masculina. Ana Lucia ficou no Rio e dali só saiu anos mais tarde. porém. éramos uma turma de quinze pessoas e nos perguntávamos o que iríamos fazer depois do terceiro ano. auxiliares para verificação e ordenação de dados.ção para não viver na mesma situação de insegurança daquela época. só entrava nerd. Também denominada Ciências At- 14 . interior de São Paulo. depois Natal. era militar. Ana Cristina e Paulo Henrique. principalmente na agricultura. e logos. Dezenove de março é dia de São José. Ficamos lá. cada um foi para o lado que mais lhe interessava. Ana Lucia decidiu pelo curso superior também em Meteorologia. terá um ano de chuvas se cair água do céu no dia de São José. horas na fila. “A gente se reunia para conversar e ver os programas dos cursos. geadas podem provocar incontáveis prejuízos. tenente-coronel da Aeronáutica. tanto na cidade quanto no campo. Durante a infância e a adolescência morou em várias partes do Brasil e hoje até brinca: “sou climatologista por experiência. chegaram uns garotos e ficaram conversando. a escola formava observadores de bases meteorológicas.” Então quando chegou a hora. segunda opção: Meteorologia. e vivia sendo transferido pelo Brasil ao lado de sua mãe. Quando o pai foi enviado para Roraima. Passou em primeiro lugar e tornou-se uma das calouras da turma da qual Carlos Magno já era veterano. O C EFET era uma escola con- siderada difícil. atual C EFET . “Eu e duas amigas fomos para a fila no último dia de prorrogação para a inscrição no concurso. nem todas. “Minha família sempre achou que eu seria arquiteta”. “Ela conseguiu. tempestades. Ana Lucia é a mais velha de quatro irmãos. constantemente castigada pela seca. pequenininha fui para Pirassununga. Ela aplica leis da física e da matemática para descrever. Essas andanças todas têm explicação: seu pai. caso do Colégio Militar. ter um filho com curso superior já era uma vitória. que significa “elevado no ar”. entender e predizer o estado do tempo. A primeira opção era fazer o curso técnico para Edificações. Para ela. Manifestações atmosféricas como chuvas. a carioca dona Atala. Aí. uma série de informações que davam bem a ideia do que fazia um meteorologista. “estudo”. Õ Do grego. Reza a cultura popular que a região. técnicos em manutenção de equipamentos meteorológicos e também no rastreamento de fotos de satélite e plotagem de cartas sinóticas. Ana Lucia guarda na memória essa fase da adolescência no Rio de Janeiro.

foi reorganizada e passou a chamar-se Universidade do Brasil. em 1967. as imagens do primeiro satélite meteorológico. Aliadas a isso. Já o clima pode ser definido como “um conjunto de condições normais que dominam uma região obtidas das médias das observações durante um certo intervalo de tempo. por volta de 1700. lançado em 1960. muitos deles provocados pela ação do homem na natureza. o efeito estufa. mas foram aceitas por quase dois mil anos. foi no século XX que a ciência ganhou impulso com os meios de comunicação como telégrafo e rádio. porém. Mesmo com todo o progresso tecnológico. solucionaram equações e permitiram entender o comportamento da atmosfera. após uma reforma universitária. para então estabelecer critérios para a área analisada. e também as descobertas feitas pela física melhoraram a qualidade das observações. ele líder estudantil e eu péssima de voto. Contudo. por volta do ano 340 AC. Instrumentos como o termômetro. Muitas das suas observações sobre o tempo estavam erradas. Õ A Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ) foi criada no dia 7 de setembro de 1920 com o nome de Universidade do Rio de Janeiro. é o conjunto de toda informação estatística sobre o tempo em um determinado local”. O primeiro grupo de meteorologistas formou-se quatro anos depois. mapas e programas específicos de computador. Éramos muito diferentes. Nesse ano.a meteorologia progrediu e os primeiros mapas meteorológicos foram desenhados. e o higrômetro. em Sergipe. Em 1937. no fim do século XVI. umidade do ar e pressão nos anos 1940. na antiga Universidade do Brasil. como os modelos numéricos. desenvolvidos na década de 1950. relembra Ana. como o aquecimento global. O tempo é o estado da atmosfera em um determinado momento e em lugar específico – pode estar chovendo em São Paulo e. o meteorologista avalia as condições diárias do tempo ao longo de anos. Contudo.” 15 . em 1643. Tinha acabado de fazer 17 anos”. nem sempre foi assim. o Tiros 1. o departamento fazia parte do Instituto de Geociências (IGEO) da universidade. tratando essas questões de forma especulativa. fazia parte do Departamento de Física da Faculdade Nacional de Filosofia. Para estudar o clima. dando à meteorologia o status de ciência natural. O curso de Meteorologia da UFRJ foi criado em 1964. A descoberta dos primeiros instrumentos meteorológicos possibilitou o estudo dos fenômenos naturais de forma mais precisa. a meteorologia lida hoje com novos desafios. o filósofo explica os fenômenos atmosféricos com um enfoque filosófico.mosféricas. na Ilha do Fundão. Foi no campus da UFRJ. “Até hoje brinco com ele: passei pela porta e ele me pegou pelo braço. Eu era caloura dele e começamos a namorar já no segundo mês de aula. as noções de tempo e de clima são muito diferentes. informações de radares. O filósofo grego Aristóteles (384322 AC) já falava em meteorologia ao editar o tratado Meteorológica. em pleno século XXI. assumindo a atual denominação apenas em 1965. a meteorologia tem como objeto de estudo desde o frio intenso que atingiu determinada região até as mudanças climáticas globais. Se hoje o cientista conta com uma série de recursos técnicos como imagens de satélite. “Conheci o Magno na faculdade. com o desenvolvimento de alguns conceitos básicos como massas de ar e frentes frias na década de 1920 e o início das observações diárias da temperatura. as explicações religiosas foram as primeiras dadas pelo homem na tentativa de entender os fenômenos atmosféricos. a matéria foi ganhando contornos mais científicos. Há milênios o homem tenta decifrar o funcionamento do tempo.o barômetro. as modificações na camada de ozônio. No livro. Os primeiros programas de computadores de alta velocidade. que permitiram juntar muitas informações rapidamente. Com o avanço das observações empíricas. Em face da precariedade de dados científicos. Em 2008. ou seja. sol e calor. foi constituído o primeiro Departamento de Meteorologia do País. quando. Ao longo do século XIX . que Carlos Magno e Ana Lucia se conheceram em 1981. tornaram a previsão do tem- po mais confiável.

“Eu queria fazer previsão do tempo. “Foi um período interessante em que comecei a conviver com vários meteorologistas. Ele era um gênio. Para enfrentar as dificuldades financeiras. gostei dos professores e principalmente da ideia de trabalhar seis horas por dia. Além disso. também. Ainda na faculdade os dois começaram a procurar trabalho e estágios como previsores. a faculdade e a convivência com alunos e professores fortaleceu no casal a certeza de que a escolha do curso havia sido correta. Magno tentou e conseguiu uma bolsa de iniciação científica. os metares. o mais novinho tinha 30 anos de experiência na área de meteorologia aeronáutica. que o ajudaria a custear as despesas com o estudo. Naquele tem- 16 . Magno aprendeu o dia a dia de um previsor: plotar. prever o tempo naquela época exigia muita capacidade. Começava como técnico e ia aprendendo até poder fazer previsão. Eu já acreditava que tínhamos de ser os agentes transformadores desse conceito”. ao entrar para o curso da UFRJ me apaixonei pela meteorologia sinótica. Não foi só ele a ficar fascinado com as aulas do professor.” A previsão da Aeronáutica era de muita responsabilidade. acredita Ana. analisar cartas. Com poucos recursos técnicos em mãos.Além do encontro que iria mudar a vida dos dois jovens. lembra até hoje como Magno conseguiu esse estágio. Não estimulam os “maus” alunos. A maioria preferia ficar na universidade e dedicar-se às pesquisas. Várias vezes ele chegou para mim e disse: “estou quase conseguindo. recorda Magno. a previsão do tempo. avalia Magno. empresa que hoje não existe mais e foi incorporada pela Infraero.” Ana Lucia. Pouco antes de terminar a faculdade. O amigo e mais tarde sócio. “Existia uma cultura na universidade em que ser da área acadêmica era o crème de la crème e. Carlos Magno e Ana Lucia logo descobriram o melhor caminho: ambos queriam fazer previsão de tempo. Entre os meteorologistas mais experientes. era porque não era bom aluno. As universidades estão retendo por mais tempo o aluno. ter essa capacidade não só de saber. especializações que não têm mercado de trabalho. “Não foi nada simples. Waldemar. em que pôde acompanhar o trabalho de um meteorologista operacional da Força Aérea Brasileira ( FAB ). fez está- gio no Centro de Previsão do Tempo da Torre de Controle da Aeronáutica. Ensinava e dizia que eu era um dos seus melhores alunos”. E de tanto insistir. Ter uma profissão. empenho para lidar com números e modelos matemáticos e uma boa dose de ousadia para passar a credibilidade necessária. estou quase conseguindo”. Magno foi trabalhar na TASA (Telecomunicações Aeronáuticas S/A). A TASA captava a base de dados usada para fazer a previsão. Durante a faculdade já existia uma vontade de um grupo pequeno de tentar mudar a visão de que a previsão do tempo sempre errava. tanto atazanar o povo de lá foi que conseguiu o estágio e ainda remunerado!”. Era fascinado pelo poder de saber qual seria o tempo no dia seguinte. Não era – como não é até hoje – o filé mignon da profissão. Waldemar Stefan. “Além disso. expressava com isso o desejo de ser mãe. Dentre as possibilidades do universo meteorológico. por isso poucos seguiam essa área. mas também a possibilidade de informar. sem deixar de lado a maternidade. “O cara para ser meteorologista tinha de analisar mapas uns cinco anos para ter certa autonomia e ser previsor. matéria do professor Fábio de Alcântara. Estados Unidos e África. Ele ia todo dia lá para pedir o trabalho. Ele dizia sempre que fazer previsão não era um bicho de sete cabeças”. Isso era uma coisa do outro mundo. servindo de apoio às rotas de aviões que saíam daqui para a Europa. se você escolhia ir para a operação. que precisam de apoio para superar as matérias básicas ou que precisam trabalhar durante o período em que estão cursando a universidade ou que não querem ir para a pós-graduação após concluir o curso. conta Ana. “Foi o professor Fábio Alcântara quem estimulou a maior parte da minha geração. “Em 1980. em busca de capacitação profissional. no Aeroporto do Galeão. criando novos conhecimentos para essas pessoas e. já nessa época. Ana Lucia também se lembra do entusiasmo com que o mestre falava sobre a importância do previsor.

ela dependia muito da experiência do meteorologista. Rosângela. Paraná e Mato Grosso do Sul (atualmente. uma pós-graduação em centros importantes como a Universidade de São Paulo e o Instituto Nacional de Pesquisas ambientais (Inpe). Ana e Magno decidiram prestar o concurso e foram dois dos 40 meteorologistas aprovados. Isso porque. e não queríamos ficar perto dos pais”. o Inmet estava precisando de previsores do tempo. sim. Já Ana Lucia teve mais sorte e muita cara de pau. “Queríamos saber onde ficava a rua do distrito”. Como a casa era bem antiga. no Ministério da Aeronáutica. “Além disso. o trabalho era animador. no Centro Meteorológico e depois na TASA . Ambos já pensavam em casamento e no rumo que dariam a suas vidas. revela Magno. que morava sozinha e trabalhava no distrito. que era feita até então por muitos geógrafos – isso porque a maioria dos meteorologistas concentrava-se na sede em Brasília. A ideia de que São Paulo oferecia maiores oportunidades e de que poderiam também continuar os estudos. tiveram de arranjar algum lugar provisório para ficar. mudaram-se de “mala e cuia” para São Paulo.” Ana Lucia também procurou aplicar a teoria aprendida na faculdade e no terceiro ano começou a estagiar. em 1985. e dependia da análise com base em observações do tempo presente e do seu conhecimento da física para projetar aquele tempo presente para o futuro. conta Magno. As condições do lugar. naquela época. Foi quando surgiu o primeiro concurso em muitos anos para previsor do tempo no Instituto Nacional de Meteorologia. “Eu fiquei em um dos quartinhos nos fundos. especializadas na previsão do tempo. por causa do concurso. “A gente poderia ter ficado no Rio. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é formado por dez distritos espalhados pelo Brasil. ainda por cima. Carlos Magno continuou trabalhando na TASA enquanto Ana Lucia concluía os estudos. Ao desembarcarem. feito para receber os ‘estrangeiros’. o que aconteceu um ano depois. Ela topou e fiquei morando com ela até eu e o Magno nos casarmos. e era isso justamente o que gostávamos de fazer”. perto da fa- mília e dos amigos. uma área degradada e com pouca segurança. Então. em 1983. “Fiz estágio no Aeroporto do Galeão. Não foi bem isso o que aconteceu. Não tinham parentes. Em São Paulo. entretanto. A cidade não chegou a assustar os dois cariocas. A rua Vitória faz parte da região formada pelas ruas Aurora e Santa Efigênia. como diz o dito popular. especialmente à noite.” Se o lugar não era o ideal. que até há pouco tempo era responsável pela elaboração de previsões para os Estados de São Paulo. mas o lugar em que iriam trabalhar. “Eu tinha uma amiga. Era uma boa oportunidade para dois meteorologistas recém-formados. A profissão de meteorologista havia sido regulamentada em 1980 e passara a fazer parte do quadro do Conselho Regional de Engenharia. Na década de 1980. Nesse período. Distrito. Distrito de Porto Alegre). nem amigos mais íntimos. a sede do Inmet em São Paulo ficava numa casa da rua Vitória. Magno ficou pelo distrito mesmo. Um desses lugares que se deve evitar andar. Uma boa colocação garantiu o direito de escolher o local em que iriam trabalhar. O primeiro desafio da nova empreitada era fixar residência na capital paulista. tinha vários quartinhos. Quando saí da faculdade já era uma previsora com certa experiência. não havia ainda as modelagens numéricas. Arquitetura e Agronomia ( CREA). vários meteorologistas chegaram à cidade para assumir a previsão do tempo. em pleno centro da cidade. o Paraná passou a fazer parte do 8º.” Após terminar a faculdade. não desencorajaram o casal. Como ainda eram solteiros. funciona o 7º. A impressão imediata não foi nada agradável. Poderiam ter ido para qualquer parte do Brasil ou mesmo ficar no Rio de Janeiro. mas já com alguma experiência. em um local pouco adequado e de fama duvidosa.po. foram logo conhecer o novo espaço. mas o jovem quer sempre novidade. órgão ligado ao Ministério da Agricultura. eram poucas as turmas de meteorologistas que saíam das universidades e. pesou na decisão de deixar o Rio. gente de várias partes do País que vinha trabalhar em São Paulo”. Neide de Oliveira foi uma das “es- 17 . Cheguei na cara dura e perguntei: ‘posso morar com você?’.

A linguagem muito técnica era outro fator que atrapalhava essa interface com o público. com plantões até nos fins de semana. estavam fazendo o que gostavam. Logo. no Rio de Janeiro. Os primeiros meses foram de adaptação ao ritmo de vida paulistano e também o tempo de acertar a vida a dois. que ofereceram a casa para a realização da festa. não demorou muito para definirem a data do casamento e alugarem um apartamento para morar. Magno e Ana rápido compreenderam que havia uma grande procura por dados e informações meteorológicas. relembra Neide. que praticamente organizou o distrito”. na Ilha do Governador. relembra Magno. porém muito bonita e emocionante. No dia seguinte seguiram de ônibus para a lua de mel em Campos do Jordão. e o início do curso de pós-graduação no Inpe. “porque no fundo a gente tinha algum traquejo com o público. Estabelecidos no distrito. identificaram as principais dificuldades de um meteorologista em um órgão público. Em uma cerimônia simples. Estava na hora de colocar em prática todo o conhecimento adquirido e a estrutura do distrito era um bom começo. Como tudo foi muito rápido. Expressões que consideravam muito toscas. vista como pouco confiável e que. não dava muito certo. “Nós começamos a atender jornalistas. Afinal. na- turalmente. do Rio Grande do Sul. Fotos de saté- 18 . recém-formado. era nossa chance de iniciar um trabalho no distrito. A solução veio dos pais da Ana. e assim como Ana e Magno. convidar os amigos.trangeiras” que assumiram o posto no distrito paulista. e a gente formou uma verdadeira legião estrangeira”. relembra Magno. os dois voltaram ao Rio para organizar tudo. Foi preciso uma enorme dose de paciência para tentar quebrar um pouco o ranço burocrático. presas a jargões de difícil compreensão para alguém do outro lado do balcão. apenas uma cerimônia em São Paulo. explica Magno. da Paraíba. na casa dos pais da Ana Lucia. ou melhor. As previsões eram elaboradas com base em dados levantados por observadores nas estações meteorológicas do instituto espalhadas pelo Brasil. “A Ana não queria festa. “Eu cheguei a São Paulo em 1983. “Foi um aprendizado interessante”. mas fiz questão de fazer as coisas direitinho”. em São José dos Campos. praticamente passaram a tomar conta da rotina do casal. como agricultores. Os dois logo se integraram ao grupo e puseram as mãos na massa. do tempo em que trabalhamos na TASA e atendíamos alguns clientes. dizendo que poucos entendiam aquele palavreado: parcialmente nublado para o jornalista era nublado. conta Magno. completa a meteorologista. O trabalho lá dentro do distrito era muito de preencher formulários e mapas. não encontraram igreja com data disponível para o casamento. O casamento foi realizado por um capelão da Aeronáutica na presença das famílias e de muitos amigos. Esse choque entre a realidade e a modernização era compreensível. procurar igreja. De volta a São Paulo foram viver em um apartamento mobiliado no aristocrático bairro de Higienópolis. aos 23 anos. “Era um grupo jovem. por outro lado. agricultores. e a gente questionava muito isso”. havia pouco jogo de cintura para atender a essa demanda. Ana e Magno assumiram o posto no Inmet em 12 de fevereiro de 1985 com a perspectiva de muito trabalho pela frente. pois o grupo não gostava muito disso. Mas era complicado mudar o padrão do que já estava instituído. preferiu deixar a terra natal em busca de maior campo de trabalho e realização profissional. em geral. para a gente era predomínio do sol”. nos dados e mapas da previsão do tempo. Poucos acreditavam na previsão do tempo. Neide é de Belém do Pará. tanto do público quanto da mídia e de setores mais especializados.” Foi então que. Eles faziam a leitura dos instrumentos. O dia a dia no distrito. anotavam em um caderno e depois transmitiam para os distritos. O meteorologista contava com poucos recursos tecnológicos. Logo depois vieram os outros do Rio. Esses dados eram desenhados por técnicos em grandes mapas e em seguida analisados pelos meteorologistas. os dois se casaram no dia 13 de abril de 1985. “A gente vivia brigando. uma delas era como lidar com a informação. Por pouco tempo. passaram a intermediar o contato entre o distrito e o público.

até agressivas. interior de São Paulo. “Uma vez eu dei uma entrevista para o programa da Claudete Troiano e Ione Borges. Disseram: ‘Meu Deus. quando decidi fazer meteorologia. e algumas outras informações vindas da Aeronáutica ou órgãos internacionais completavam o quadro que dava suporte ao profissional. relembra Magno. Mas não posso acertar todas as previsões. conheciam bem a filha. que para mim foi antológica. Comecei com paciência a explicar como funcionava a previsão para tentar mudar essa ideia. Os erros eram muito mais lembrados do que os acertos. “Não tínhamos medo de nos expor. Isabel.. enfermeira. e por isso poucos meteorologistas no distrito gostavam de falar à imprensa. Se a gente errava. Apesar da ansiedade. granizo. o índice de acerto de uma previsão variava de 85% a 90% para o período de 24 horas. Notei que existiam profissões que eram legais. precisando de informações confiáveis sobre o tempo e o clima estava no ar. O índice de acerto diminuía para períodos mais longos. Minha mãe dizia: ‘Ela não vai aguentar. da TV Gazeta.. “Meus pais estranharam eu ter ido estudar meteorologia. dona Atala e seu Juvenal. elas estavam enganadas. ou Bebel. cobrando. Depois de seis meses em São Paulo já foi possível pensar em ter um canto próprio para viver. Algumas pessoas chegavam. conversar com as pessoas. nem sempre tranquila. Então elas começaram a dizer que a meteorologia sempre errava e eu argumentava que não. Cabia ao meteorologista a responsabilidade de interpretar os dados e cravar a previsão. o previsor era muito cobrado pelo público e pelos jornalistas. Para realizar esse desejo. frio intenso. Uma das coisas que eu sempre quis era ser mãe. elas continuavam a falar mal da meteorologia. fiquei pensando sobre as vantagens e desvantagens de partir para essa profissão. forte geada. como professora. especialmente quando ocorria alguma catástrofe: tempestade. Aí eu parti para a discussão e fui duro. E foi na rotina. pais de Ana Lucia. No fim dos anos 1980. do distrito que uma ideia começou a germinar na cabeça do casal. vai pedir demissão e virar gerente de butique’. Estava ao vivo. Meteorologista também era assim. “Ainda moça.. no dia 11 de agosto de 1986. que foi aprendendo as melhores maneiras de passar as informações elaboradas no distrito e a lidar com as saias justas causadas pelo tenso equilíbrio entre a credibilidade e a descrença. Por causa disso. só não erra previsão quem não faz”. E nada. Ana Lucia alimentava o desejo de ser mãe. A percepção de que havia um mercado. em São José dos Campos. ainda inexplorado. profissões que trabalhavam meio expediente. A gente erra até hoje. relembra Magno. Você trabalha meio expediente e tem meio expediente para ficar com os filhos”. e foi lá que a primeira filha do casal. Afinal. não aguentei ser funcionária pública por muito tempo. na Vila Mariana. a Ana não tem estilo de funcionário público. eles sabiam o que estavam fazendo. “No começo da carreira eu passava noites em claro acompanhando as frentes frias para saber se estava acontecendo o que eu previ”. Esse relacionamento com o público e com a imprensa deu maior visibilidade ao casal. Tudo isso ao vivo”. Era só amadurecer um pouco mais. compraram um pequeno apartamen- to na rua Nicolau de Souza Queiroz. conta Ana. faz parte da profissão. acenando com milhares de possibilidades.lite.” 19 . vai desistir’.. avalia Ana Lucia. disse que elas estavam usando o poder da comunicação para passar uma ideia errada. nasceu. Ela estava certa. Eu falava ao telefone dando informações sobre alguma previsão. captadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). errava.

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No que diz respeito à climatologia. em 1862. Belém. com a proclamação da República. Rio de Janeiro. os telefones do Inmet não paravam de tocar: eram agricultores. publicado em 1889 com o título Esboço da Climatologia do Brazil. Para ele. durante a ocupação holandesa em Pernambuco. São Paulo. Com sede em Brasília. o Observatório Imperial tornou-se Observatório Nacional. Agricultura. já então denominado Observatório Imperial. em São Paulo. o órgão conta com uma rede de 500 estações em processo de automação e dez distritos regionais: Manaus. E no fim do século XIX. duas figuras despontaram como grandes nomes da meteorologia brasileira: Belfort de Mattos e Sampaio Ferraz. produtores. 2 . No Inmet. é renomeado para Diretoria de Meteorologia e. Na década de 1980. A repartição passou a ser responsável pela emissão de avisos meteorológicos para os portos. quase todo o País contava com serviço de meteorologia ligado a órgãos governamentais. A coluna de previsão do tempo para o antigo Distrito Federal passaria a ser constantemente publicada a partir de 1917. o órgão é desmembrado do Observatório Nacional. os navios hidrográficos já realizavam um trabalho sistemático. em 1827. no Jornal do Commercio. Salvador. Em 1871. os primeiros postos de observação meteorológica datam do século XVII. Belo Horizonte. posteriormente. Cuiabá e Goiânia. Pecuária e Abastecimento ( MAPA). Na Marinha brasileira. O embrião do que hoje é o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) surgiu em 1909. sem uma organização geral dos dados coletados. a meteorologia brasileira apresentou grande desenvolvimento com a implementação da previsão numérica e a incorporação de informações de satélites nas análises dos dados que alimentam os modelos. nha. dentro do Ministério da Agricultura. Indústria e Comércio. mas apenas em 1844 teriam aparecido as primeiras observações meteorológicas nos arquivos do órgão. Já Sampaio Ferraz foi o responsável pela publicação do artigo “Previsão do tempo”. Instituto Nacional de Meteorologia. Divino Moura está novamente à frente da direção do Inmet. que unificou as redes de observações da Marinha e do Telégrafo Nacional. industriais. Porto Alegre. Desde 2008. em 1913. ligada ao Ministério da Os primeiros passos 21 om o passar do tempo. com novas perspectivas para todos os setores do País. para a agricultura e também para os navegantes. o astrônomo Emmanuel Liais é contratado pelo Observatório Astronômico. o Inmet é o responsável pela elaboração e divulgação da previsão de clima e tempo em todo o Brasil e representa o País na Organização Meteorológica Mundial ( OMM). Anos depois. o novo diretor. buscava espaço para a modernização do órgão. O interesse por informações meteorológicas parecia ter aumentado naqueles últimos anos da década de 1980. Mattos é considerado o primeiro estudioso do clima de São Paulo e ficou por 24 anos à frente do serviço de meteorologia da Secretaria de Agricultura do Estado. há indicações de que os primeiros estudos científicos aconteceram a partir da criação do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro. o trabalho em equipe dos meteorologistas do Inmet começou a engrenar. com observações meteorológicas das zonas costeiras. em que fez uma tentativa de previsão para o Rio de Janeiro. todos procurando as preciosas informações Õ No Brasil. Recife. nesses 20 anos. Talvez reflexo da redemocratização do Brasil. Além do progresso representado pelas pesquisas científicas e tecnológicas e com a formação de quadros de alto nível tanto na academia quanto na área operativa. o meteorologista Antonio Divino Moura.C Õ Nesse início do século XXI. Nesse mesmo ano. Os dados levantados por meio desse trabalho serviram de base para a criação da Repartição Central Meteorológica da Mari- Nos primeiros anos do século XX. Em 1921. e dá início à implantação das bases teóricas das ciências atmosféricas no Brasil. mas de forma descentralizada. o climatologista Henrique Morize produziu o primeiro estudo sobre o clima brasileiro. em 1888. quando foi criada a Diretoria de Meteorologia e Astronomia.

. Paulo. para aproveitar esse mercado potencialmente em ebulição e incentivado por Carlos Magno.” Toda essa efervescência era sentida pelo pessoal do distrito. bloqueando todos os sistemas de frente fria provenientes do Polo Sul. cabelo com rabo de cavalo. 14/9/1988) “Com a temperatura entre 20 e 30 graus. Minha voz era muito infantil. por exemplo. São Paulo está sob a ação de um sistema de massa de ar de alta pressão subtropical que domina o Atlântico sul. ficou difícil para todos. eu acho. passou a ser mais conhecido e procurado. (Folha de S. os meios de comunicação davam cada vez mais espaço para divulgar notícias do tempo. Tinha de passar alguma confiança.. que está há quatro meses na região Centro-Sul do País. chove no Rio Grande do Sul.) ‘O calor deve 22 . até juntaram um grupo e formaram a empresa. isso sem falar nos enormes prejuízos em diversos setores da economia que um inverno mais rigoroso ou uma chuva mais intensa podia causar. “Era comum algumas pessoas virem até nós para pedir algum trabalho. cabeças novas sem entender de empresa. disse ele”. parecia mais jovem do que era realmente. O Inmet. (. 27/9/1988) “Segundo Carlos Magno. safras quebradas. porque foram conhecendo a meteorologia e como a previsão poderia ajudá-los. Começamos a montar a Climatempo. Crescia a procura por informações específicas que saíam um pouco da rotina e eram difíceis de ser atendidas..) Segundo Magno. abalada durante décadas por previsões imprecisas. maior credibilidade. E Carlos Magno como chefe do grupo de previsores passou a ser muito assediado pela mídia: “A frente fria que provocou chuvas no Rio Grande do Sul. só melhorou quando a mídia começou a divulgar mais a previsão. 27.. “O Magno e a Ana Lucia começaram a organizar o distrito. mas classifica o deste ano como ‘extremamente seco’”. São Paulo viveu ontem um dos dias mais quentes do ano. (. Era preciso buscar clientes. aí a gente sentiu uma procura maior. nunca mais deixei me fotografarem sem usar batom e com cabelo preso. Enquanto isso. acabei a faculdade com 20 anos. o calor é provocado por uma massa de ar subtropical. Paulo. Em 1987. relembra Neide de Oliveira. uns seis ou sete. Distrito de Meteorologia. conta Ana Lucia. e há tempo seco e quente em São Paulo’.. isto atua como um bloqueio para as condições que favorecem a ocorrência de chuvas nas regiões Sul e Sudeste do País. Sim. esse fenômeno deve provocar o aumento de nebulosidade e chuvas em pontos isolados na capital paulista (. Santa Catarina e sudoeste do Paraná avança lentamente e deve chegar hoje a São Paulo. a onda de calor verificada estes dias em São Paulo deve-se à massa de ar subtropical localizada em toda a região Centro-Sul. a demanda já era muito grande. Tudo indicava que. mesmo com recursos ainda precários. Chegou uma hora que isso começou a ganhar volume”. Até aquela época ninguém acreditava muito. por meio do distrito.. Eu era muito jovem. eu mesma me perguntava: ‘quem vai acreditar na previsão do tempo que uma menina faz?’. De acordo com ele. do 7º.) Para o meteorologista Carlos Magno do Nascimento. Distrito de Meteorologia do Ministério da Agricultura. a meteorologia ganhava. Era o pequeno embrião do que no futuro seria a Climatempo. Não conseguimos”.sobre o tempo. mas foi complicado gerir. Depois disso. Segundo Carlos Magno.. Era um entra e sai de jornalistas repercutindo fenômenos climáticos que afetavam a população.. O nome nasceu ali. Isso aconteceu. provocando o desvio de massas polares para o oceano. (. que fez parte do grupo que criou a Climatempo.. Em 1987. Estava sem um pingo de maquiagem. do 7º.) Magno afirma que a falta de umidade é característica do inverno. mas a empresa mal saiu do papel. oferecer o serviço. (O Estado de S. porque negócios podiam ser desfeitos.. pouco a pouco. ‘Quando isso acontece. “No primeiro mês no Distrito dei uma entrevista para a TV Globo. especialmente em São Paulo. Eram várias cabeças. responsável tanto pelas altas temperaturas como bela baixa umidade do ar. um grupo de sete meteorologistas decidiu montar uma empresa. Quando me olhei na televisão. Quando a gente respondia que não tinha pessoal para isso eles diziam que podiam pagar e que compravam os dados.

diminuir bastante nos próximos dias. de achar uma previsão de tempo bem feita no Brasil. Uma rotina diária que conquistou um público cativo durante mais de 40 anos. e lá o povo não parava de ouvir as previsões do tempo. O rádio foi um dos primeiros veículos de distribuição das informações meteorológicas. A essa altura. Ana Lucia já tivera seu segundo filho. não tinha ninguém que falasse”. na época diretor da rádio e um dos responsáveis pela contratação do casal. Eis que em um belo dia aparece no distrito Ademar Altieri. sofria os reflexos da falta de estrutura da previsão no Brasil. “Foi uma ideia pioneira. O tempo nublado e a temperatura amena verificados no litoral. havia em São Paulo um jornalista que conhecia muito do assunto. “Havia o Ministério da Agricultura. Então encarreguei o chefe de redação. relatava Vernizzi quando perguntavam a ele qual era o seu público. especialmente em São Paulo. o portal www. a dona de casa. que nasceu em 12 de novembro de 1987. em 1988.com. que congrega os jornais O Estado de S. não havia nada comparável em rádio. eram muito bem feitas. como a hiperinflação. que se interessava muito pelo plantio. Só para ter uma ideia. prevê Carlos Magno. 83%. Havia a Força Aérea Brasileira ( FAB ). muito comum e respeitado em boa parte do mundo e pouco valorizado no Brasil. a rádio Eldorado faz parte do Grupo Estado. 28/9/1988) Aos poucos. jornal ou TV. Autodidata. em contraste com o calor da capital. chegando a 1. o rádio sempre reconheceu a importância de boletins em sua programação diária. Paulo e o Jornal da Tarde. Ademar Altieri. que impedia qualquer tentativa de crescimento econômico. Era um locutor esportivo apaixonado por meteorologia. estadao. relembra João Lara. Esse cenário tão promissor não escondia. Vernizzi começou sua carreira jornalística no esporte. Por isso foi um retumbante sucesso quando entrou no ar”. com o bordão “Bom dia. (Jornal da Tarde. O nome de Narciso Vernizzi era sinônimo de previsão do tempo. Vernizzi nunca deixou de prestar um valioso serviço à população. pela rádio Jovem Pan de São Paulo. pela chuva. a Agência Estado. tanto Ana Lucia quanto Magno foram adquirindo uma certa prática para lidar com a imprensa e conseguiam passar as informações numa linguagem mais clara. mas previsão do tempo na rádio. chefe de redação da rádio Eldorado AM/FM. avalia João Lara Mesquita. não. Inaugurada em 1958.br e a Oesp Mídia e é um dos mais importantes grupos de mídia do País. O “Homem do Tempo”. com uma proposta inovadora: queria contratar dois meteorologistas que seriam responsáveis pela divulgação da previsão do tempo pela rádio. Marcos. Por atingir áreas re- motas. em 1988. Recorria a dados do 23 . No rádio brasileiro daquela década não havia uma previsão de tempo confiável. Seria um diferencial da Nova Eldorado. o empurrãozinho que faltava para uma grande mudança na vida do casal. e desde então foi ganhando espaço. Jornais.” João Lara Mesquita tinha razão. a inflação acumulada no ano de 1987 foi de 415. que aumenta a nebulosidade e faz cair a temperatura’”. aliás. Para o homem e a mulher da rua. que. “A sugestão de colocar dois profissionais no ar foi minha”. rádios e tevês começaram a abrir os olhos para esse tipo de conteúdo. porém. devem-se à circulação de ar marítimo. como ficou mais conhecido e cuja alcunha foi registrada em seu nome – “Quem quiser usar tem de pagar os direitos” –. fundado pela família Mesquita. Ao mesmo tempo admirado e alvo de deboche. Todas as manhãs. A ideia de colocar no ar meteorologistas era nova. que se interessava pela aviação.56%. Os funcionários públicos sentiam no bolso a situação e o pessoal do distrito não era exceção. surgiu uma grande oportunidade. os problemas econômicos crônicos pelos quais o País passava. com um estilo mais jornalístico.037. “Eu acabava de voltar dos Estados Unidos. pelos fazendeiros. feita com base científica. Nessa época. Foi quando. além de ser um grande divulgador e incentivador da meteorologia. levou seus conhecimentos para a Jovem Pan em 1963. e com isso as despesas ficaram maiores. amigos” o jornalista iniciava as transmissões dos boletins do tempo.

que estava divulgando a nossa profissão”. que a gente tinha todos os dados ali e não aproveitava. aeroportos. Aeronáutica. ‘O cara é bom’.Inmet. eu percebi que o Narciso furava a gente. os dois meteorologistas selecionados eram exatamente Ana Lucia de Macedo e Carlos Magno do Nascimento. A ideia era colocar um meteorologista pela manhã e outro à tarde. o pessoal da Eldorado voltou ao distrito para anunciar os escolhidos. o acordo para o trabalho foi feito entre o Inmet e a Rádio Eldorado. Passados alguns dias. e foi só quando Marco Antônio Gomes. dizia. Eu disse ao Magno: ‘ninguém está te vendo. um texto e fui para a cabine de gravação. ninguém da rádio desconfiou e acabou mantendo a escolha. Queria seguir uma carreira política dentro do distrito. disse Ana Lucia. Fomos lá e testamos todos. porém. Preparei uma ideia. O projeto ainda demorou um pouco para ser implantado. popularizou a meteorologia. Feitos os testes. Era natural que a situação ficasse um pouco desconfortável para o casal. foi ouvir o Narciso Vernizzi pelo rádio. Magno relutou. Todos no distrito participaram dos testes. e chegou a instalar uma estação meteorológica em São Roque. Sem saber. Para ele não havia erros: “O nome já diz: previsão não é fato. e fazia parte de uma reformulação que criaria a Nova Rádio Eldorado AM. Risos constrangidos foram ouvidos. “Procuramos em dezenas de lugares: na Universidade de São Paulo ( USP). ainda no distrito. aí o pessoal falava que ele estava ocupando o nosso espaço. Contudo. relembra Magno. com qualidade de informações”. eram voltadas para formadores de opinião”. como explica João Lara Mesquita. No início. Eu achava fabuloso ter um jornalista falando de meteorologia. agradável. “A primeira coisa que fiz ao mudar para São Paulo. interior de São Paulo. almejava chegar um dia a diretor do distrito e quem sabe até do Inmet. claro. Eu dizia que não. conta João Lara. Ele era chefe dos previsores e não tinha interesse em falar na rádio. 24 horas no ar de informação e prestação de serviço. Foi então que começamos a dar mais atenção aos dados históricos. usando frases curtas. Não tinha jornalista assim no Rio. O pior que pode acontecer é a gente não passar’”. o novo diretor de jornalismo da rádio. Ensinamos a falar no rádio de forma coloquial. uma cabine fechada. Como Ana não usava o sobrenome Nascimento.. Ironia do destino. Isto é. consultava todas as fontes disponíveis. até que procuramos o Ministério da Agricultura e este nos sugeriu o 7º. porém. como as informações eram sempre insuficientes. Naquele primeiro momento. cumulus nimbus. Fiquei satisfeito ao ouvir o Narciso e em saber que tinha um serviço desse em São Paulo. com muita simpatia e. Vernizzi passou a fazer parte do folclore da cidade. “Aí. em 1985.. eram dois salários para uma mesma casa e tantos outros precisando de um “ex- 24 .. “A essa altura do campeonato todos eram funcionários públicos e todos estavam ralados”. coisa de cinco mil dólares para cada um deles.. Ambas. aprovou a ideia é que recomeçaram as negociações. “A AM era uma emissora jornalística e a FM uma rádio musical com coberturas especiais de esportes. é você. de onde fazia suas entradas na rádio. ordem direta. a direção da rádio havia escolhido o casal. como radioamadores. tinha noção do que um meteorologista falava nos Estados Unidos.” A proposta feita pela rádio Eldorado agitou o distrito. De qualquer forma. é previsão”. O Magno é tímido e ele não queria ir de jeito nenhum. “Eu tinha bastante prática. ninguém está te olhando por um vidro. E eu pensei: isso é notícia? Aí chegou no distrito uma chuva de jornalistas perguntando se real- mente era a mais fria e eu percebi que isso interessava. conta Ana Lucia. com uma linguagem popular. Distrito. Você chega lá. Porque ele era jornalista e sabia o que interessava para o público: por exemplo ‘essa tarde foi a mais fria do ano’. a média de acertos não era muito grande e os erros eram muito cobrados. todos aguardaram os resultados. o microfone. mas o velho homem do tempo já era uma referência para o jovem meteorologista que em breve seguiria pelo mesmo caminho do rádio. Os dois nunca se conheceram pessoalmente. afinal.. e o salário era alto para a época. dá o seu recado e acabou. Foi Ana Lucia quem insistiu para que ele fizesse o teste.

que estava só no papel e não tinha nenhuma nota. Novos ares para a meteorologia e também para quem vivia da previsão do tempo. Magno tinha certeza de que o momento certo de alçar voo solo aproximava-se. Foi então que surgiu um pedido da multinacional suíça Nestlé. distribuindo as tarefas de casa e o acompanhamento dos filhos: Bebel e Marcos Paulo. mas não de fato”. para montar um centro de previsão. um dos diretores da Nestlé ouvia com frequência a Rádio Eldorado e teria ficado muito impressionado com a segurança das informações transmitidas pelo casal por meio dos boletins. Um desses modelos foi desenvolvido pela Universidade de São Paulo ( USP ). Silvio de Oliveira. Felizmente. A situação conspirava para isso. os dois já eram bem conhecidos do público ouvinte. Não dava para fazer tudo ao mesmo tempo: chefiar previsores. mas foram muito importantes na época para a modernização da meteorologia brasileira. Esse acerto possibilitou também um arranjo doméstico. Maria Assunção Faus da Silva Dias. Afinal. a modernização chegava lentamente à meteorologia. relembra Magno. um novo cenário se desenhava. mas logo outros centros o adotaram. não tinha cliente. Uma novidade para uma época que dependia apenas das cartas e dos mapas elaborados e da avaliação do meteorologista. trabalhar na rádio e ainda prospectar novos caminhos. No distrito. a primeira nota fiscal da nova empresa seria emitida no dia 20 de setembro de 1988. Eles não tinham a complexidade de modelos numéricos mais avançados. as coisas não andavam tão bem. O novo processo implicava em uma análise mais objetiva. Carlos Magno sugeriu ao então diretor do distrito. Aquele foi o momento. Os computadores começavam a fazer parte do trabalho dos previsores e os primeiros modelos de previsão numérica eram utilizados. retirar 30% do salário pago pela rádio e dividi-lo entre os outros meteorologistas. com base em dados gerados por equações matemáticas ainda rudimentares. O trabalho realizado é considerado um marco pelo casal. em Piracicaba. todos gostaram e aceitaram a ideia. uma das maiores empresas de alimentação e nutrição infantil. Depois de três meses no ar. Magno e Ana tomaram contato com essas tecnologias durante o período em que cursaram o mestrado na USP e foi ali que. lembra que esses modelos eram usados como uma ferramenta a mais para a elaboração da previsão do tempo. De acordo com Magno. Magno viu seu projeto de seguir carreira no Inmet distanciar-se. o que elevaria o valor da colheita. Aquele era o momento. para que Ana Lucia e Magno prestassem serviços de consultoria em meteorologia. “A Ana iria estudar na universidade e fazer pós-graduação em agrometeo- 25 . A certeza de que deviam investir no novo negócio era tão grande que Magno decidiu recusar um convite da Cooperativa de Produtores de Cana-de-Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (C OPERSUCAR). Aí eu comecei a pensar em reviver a Climatempo. existia juridicamente. Segundo Magno. e muita vontade de conquistar o mercado que se abria a sua frente. A Nova Eldorado ganhava cada vez maior audiência. a consultoria se estendeu para a área de sorvetes e as previsões passaram a ser usadas para acompanhar a produção e estoque do produto. “Foi um período conturbado e começamos a pensar se iríamos pular para a iniciativa privada ou arrumar outro emprego. ao acompanharem esse processo. uma cabine foi instalada no distrito. Seria de lá que transmitiriam os boletins. Foi o ponto de partida para a existência legal da Climatempo. Agora eles tinham um cliente. captaram no ar um clima de mudança. tinham uma empresa real.tra”. O serviço era para o setor cafeeiro da Nestlé. A professora e hoje diretora do Centro de Previsões de Tempo e Estudos Climáticos ( C PTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Cachoeira Paulista (SP). os diretores queriam saber se o ano seria de geadas. Ana Lucia pela manhã e Magno à tarde e à noite. mas que representavam um grande avanço para melhorar a previsão do tempo. Resolvida essa questão. Com a efetivação da empresa. porém. Para tentar diminuir a tensão entre o grupo.

Magno aproveitava para procurar um local que pudesse ser a nova sede da empresa. O apartamento de 50m 2 que o casal havia comprado na Vila Mariana era pequeno demais para comportar uma empresa com grandes possibilidades. ainda uma pedra no caminho da meteorologia brasileira. assim como a Eldorado. Queríamos montar uma empresa diferente. finalmente encontrou uma casa que atendia às suas expectativas: ali poderia instalar a mulher e os filhos. Marquinhos. Distrito de Meteorologia. Em abril. pelas ruas próximas ao apartamento. que ficaria responsável não só pelo serviço para os clientes. Eram eles que todos os dias divulgavam a previsão para São Paulo e também passavam as informações para eventuais matérias. também sofria um profundo processo de reformulação. Pelo menos por enquanto. coube a ela o pioneirismo de ser a primeira mulher do tempo do programa Bom Dia. reformulando suas colunas e investindo no conhecimento da previsão do tempo. Projetos e Serviços. No fim de 1988. Enquanto isso. um novo gru- po de jornalistas assumia a direção da agência. teve também um papel importante na moderna meteorologia brasileira: foi a primeira meteorologista com curso superior a trabalhar no 7º. a AE. mas também pela mudança nas colunas do tempo nos jornais da casa: O Estado de S. Depois de muito procurar. conta Magno. Além de distrair o filho. Outras mídias passaram a demonstrar interesse pela meteorologia. Assessoria. em São Paulo. Chegara o momento de encontrar esse lugar. direta. a Climatempo não seria a primeira empresa privada de prestação de serviço em meteorologia. Uma das propostas era oferecer uma coluna de previsão do tempo.rologia. específica para os clientes interessados. a necessidade de ter informações mais individualizadas começou a pesar nessa relação. Vera. mas seria pioneira na implantação de uma nova filosofia nesse novo nicho de mercado: oferecer uma previsão de tempo diferenciada. em 1977. além disso. Trabalhando em regime de escala no Inmet. Preferimos ficar para montar a Climatempo a ser empregado. São Paulo. Antes dela. Com os olhos voltados para fora da janela. a Agência Estado deu início à modernização dos seus serviços. inclusive a filha mais nova. Paulo e Jornal da Tarde. Para isso. Se não acertavam sempre era pela falta de recursos técnicos mais modernos para elaborar o prognóstico. Foi o caso da Agência Estado ( AE). Naquele momento. sem um grande capital nas mãos para grandes voos. Nesse primeiro momento. a Eldorado tornava Magno e Ana cada vez mais conhecidos. Em 1988. Como as coisas ainda estavam apenas no começo. tinham maior facilidade de comunicação. os dados eram fornecidos diretamente pelos meteorologistas do Inmet. Magno tinha consciência de que era preciso ir devagar. a Climatempo. contudo. Magno um dia sonhou com um lugar próprio para a Climatempo. a Climatempo já era uma realidade. a meteorologista Vera Malfa Pereira fundara a Tropical Meteorologia. Vale lembrar que o momento era da meteorologia e os fatos que envolviam o tempo e o clima despertavam cada vez maior interesse da imprensa. 26 . ao mesmo tempo segura. aliás. Magno usava as manhãs – enquanto Ana estava de plantão no distrito e a filha mais velha Bebel na escolinha – para passear com o filho mais novo. Era puro sonho de dois jovens que já tinham alguma experiência profissional e conhecimento da demanda do mercado de meteorologia”. mas pouco a pouco o atendimento passou a ser dado principalmente por Carlos Magno e Ana Lucia. foi contratada a jornalista Patrícia Ferraz. No início. da Rede Globo. já escolados pela rádio Eldorado. com o desenvolvimento do projeto de modernização da previsão do tempo na AE. Eles conseguiam explicar os termos técnicos com uma linguagem clara. outro braço do Grupo Estado. o que aumentava a credibilidade na previsão. a presta- ção de serviços era feita pelo Inmet e o casal falava em nome do distrito. mas sem estrutura física. mais voltada para levantamento de dados e assessoria técnica. Magno e Ana Lucia não eram exclusivos da AE. Aos poucos. Elói Gertel e Sandro Vaia como diretores de conteúdo. Com Rodrigo Mesquita como diretor. em 1982. Magno e Ana.

porém. equipamento fundamental para trabalhar. Naquela época. foi no coral da USP que uma amiga lhe falou de uma cobertura de férias na central de meteorologia da TV Cultura. Filha de arquiteto. além do serviço telefônico do 132. o diretor do distrito. Coincidência ou não. outra paixão em sua vida. As dificuldades iniciais para trabalhar eram enormes. Ela assumiu o lugar de Ana Lucia durante as manhãs em 1989. e começou aí uma duradoura parceria. disseram os pais. 19 de março. foi montada a infraestrutura básica para a Climatempo. Chegou um momento em que a rádio não tinha como sustentar os altos salários pagos. Eles pediram para renegociar o contrato. Josélia veio do Rio de Janeiro com a família aos 11 anos. “Você é louca”. substituiu outra pisciana. acompanhando também a evolução da Climatempo. Uma linha telefônica era caríssima. Grávida do terceiro filho. Ela fazia meteorologia”. outra grande novidade na época e que também passou a fazer parte da estrutura. e com sua voz potente e clara logo conquistou um público fiel. Victor. ou seja. Contudo. conta Magno. a gente brinca que eu sou a louca que deu certo. no centro de São Paulo. o 132. duas pessoas meteorologistas. Dia de São José. uma rua de comércio atacadista de materiais e acessórios eletrônicos. Mesmo assim. Ana decidiu deixar a Eldorado e ficar como previsora do Inmet e da Agência Estado. de repente. o inverno vai ser bom. Era a primeira vez que entrava em um centro de previsão e foi ali que. sua primeira ideia de profissão estava ligada à arquitetura. relembra. fui aprendendo com o Magno a contar uma historinha. O Inmet havia se afastado do negócio e a rádio passara a ser mais um cliente da nova empresa. Um dia em que a crendice popular no Nordeste diz que. Magno comprou um fax de segunda mão da NEC. se juntam. quando chove. Distrito. decidiu mesmo pela matemática. de uma forma que as pes- 27 . aprendeu a elaborar a previsão de tempo. Silvio de Oliveira. Pediu transferência e não se arrependeu. com os meteorologistas mais antigos. Magno convidou outra meteorologista. Ali tudo começou. uma pisciana. em uma sala. “A estatística jamais vai conseguir explicar como nesse mundo. “Um dia eu estava andando pelo campus e dei de cara com uma amiga. mas jeitoso. Até aí. início da década de 1980. Josélia tomou gosto pela previsão. Mas o período ainda era de incerteza econômica e nem o projeto vitorioso da Nova Eldorado conseguiu sobreviver à hiperinflação. Magno. Para o seu lugar. foi assistir a algumas aulas. Ana Lucia. Josélia. custava em média 4 mil dólares. que nada mais era do que usar a técnica e os conceitos matemáticos e transformar isso em equações. um computador. Nos fundos. “Eu lembro que a gente pagava 30% de tudo que recebia em aluguel da casa. tinha espaço para todos os filhos. Pequeno. Josélia não sabia quanto esse conhecimento seria útil. numa mesma empresa. E aos poucos foram comprando a mobília: uma estante. quando chegou a hora de prestar vestibular. ninguém entendeu. Na Santa Ifigênia. “Na rádio. Em casa. mas era um investimento”. Josélia não tinha noção do que era um curso de meteorologia. O serviço incluía previsões do tempo para a tevê e para a rádio Cultura. artigo raro naquele momento. analisar o currículo e chegou à conclusão que era muito interessante. E fizeram isso já diretamente com a Climatempo. Josélia Pegorim trabalhava na TV Cultura.” Josélia começou a transmitir seus boletins direto do 7º. um sofá. a profissão ainda é uma coisa rara: duas mulheres e duas meteorologistas. e que fazem aniversário no mesmo dia. que tinha alguma noção de informática. começou a instalar programas. Nele. também na Vila Mariana. “É.” Apaixonada pelo canto. uma mesa e a grande aquisição: um computador. mas passados esses anos todos. Entrou na Universidade de São Paulo e foi lá que começou a estudar matemática aplicada. Ela é a segunda de seis irmãos. Por ele recebiam os dados e as fotos de satélites que compravam do Inpe. Quando Ana Lucia resolveu deixar a rádio Eldorado. com o grupo que fazia o serviço de previsão de tempo por telefone da antiga Telesp.O sobrado ficava na Rua da União. sugeriu seu nome para Magno. modelagem numérica.

era um sábado. “Lembro que chorei uma vez por conta de uma previsão errada. Com o tempo. conta Josélia. “Quando começou a Climatempo. Por outro lado. que fazia um programa na rádio sobre jazz. Para poder suprir todas as necessidades da AE com os jornais da casa e também com seus clientes. o processo era bem rudimentar: duas imagens por dia vinham de ônibus. Uma época frutífera em que adquiriu a tão necessária experiência. via Pássaro Marrom. Josélia acumulou os dois trabalhos. Era ele o principal intérprete do céu. na ponta do lápis e na borracha. as nuvens que estavam em Mato Grosso do Sul não iriam chegar a São Paulo. Queriam que eu entrasse ao vivo porque estava caindo uma tempestade em São Paulo. mas elas existem e vão continuar a existir até o fim. “Eu lembro a primeira vez que entrei ao vivo. uma novidade. sugerindo pautas com temas inimagináveis nas redações. Entretanto. Durante um bom período. eles passaram também a abastecer o noticiário dos jornais para os quais trabalhavam. O meteorologista não podia culpar máquinas. No começo era uma história muito quadrada. o nome Josélia Pegorim tornou-se conhecido. escrita por Patrícia Ferraz. a Climatempo ficaria responsável pela recepção de fotos do satélite enviadas pelo Inpe. Nós aprendemos a fazer previsão na mão. que não tinha computadores nas nossas vidas. fiz a entrevista pelo telefone. e eu dei uma previsão de que não iria chover. Eu estava saindo da faculdade. As imagens eram recebidas por um fax. relembra Magno.” Por isso que uma previsão errada podia ser muito dolorida. comprando-os de empresas estrangeiras ou por meio de convênios com as instituições governamentais como Inmet e Inpe. Eu estava de plantão na TV Cultura e na rádio. “Eu faço parte de uma geração de profissionais. Vale lembrar que se está falando ainda do final da década de 1980. a parceria com a Agência Estado ganhou fôlego. Nós aprendemos a olhar e muito bem para o céu. Em destaque. assim como Carlos Magno e Ana Lucia. E muito mais do que fazer previsões de tempo. com um poder enorme de difusão. estampava a manchete “Detetives do tempo”. Foi com o Jô Soares. mesmo quando a transmissão não era gravada. que é uma fotografia. Eu olhava para o céu e chorava: ‘Meu Deus. uma modernidade para a época. tinha algumas coisas na cabeça. como eu errei tanto’. mas prática nenhuma”. Nesse momento eram três jovens meteorologistas trabalhando basicamente para dois clientes. quando “o tempo” virou notícia de caderno de polícia. sempre solicitada quando o assunto era meteorologia. na TV Cultura e na rádio Eldorado. Bom.” Josélia tem consciência da responsabilidade de fazer uma previsão. Já na Agência Estado. até a compra do fax”. Todas as pesquisas e estudos que são feitos servem para diminuir as margens do erro. É olhando para o céu. informa muito sobre a condição do tempo. ainda mais quando é divulgada pela rádio. mas ainda baseados no distrito. a Cli- 28 . a bela voz da rádio Eldorado. Sorte que não era tão conhecida ainda”. começou a chover no sábado. Faz parte do dia a dia. A prática dos boletins trouxe também o traquejo de uma boa locução e a segurança necessária. “O meteorologista que trabalha com previsão tem relações delicadas.” matempo fechou um acordo em que cabia à agência levantar os dados. as informações chegavam por meio de um modem e um sistema de transmissão chamado Procon. A reportagem. Ainda bem que deu tudo certo. e choveu o domingo inteiro a ponto de inundar a cidade. Um erro pode prejudicar muitas pessoas que confiaram nela. após 20 anos de aprendizado. da Agência Estado. nada a ver com a forma que faço hoje. Foi o que aconteceu na edição do dia 12 de maio de 1989 do Jornal da Tarde.soas entendessem. Eu estava tremendo que nem uma louca. uma foto do meteorologista Carlos Magno no papel de Sherlock Holmes e o subtítulo: “Os meteorologistas ajudan- Õ Em 1989. pois até então as fotos vinham de ônibus de São José dos Campos para a Agência Estado. toda a prática do mundo não afastava os riscos de erro na previsão. Ele convive e vai conviver o resto da vida com o erro. das nuvens. que também se faz uma previsão. computadores e modelos. A transformação do céu.

Magno foi um dos meteorologistas ouvidos pela reportagem e lembrou-se de um caso marcante em sua carreira. Com certeza. na Grande São Paulo. segundo o meteorologista.do a combater o crime”. eles ajudam a resolver casos complicados. seria preciso uma estação meteorológica em cada bairro para ter essa informação. (.) A polícia acreditava que ele. Beltran disse à polícia que no segundo dia do sequestro ele ouviu um barulho de trovões. Magno e Ana Lucia sentiram que era hora de largar de vez o serviço público e apostar todas as fichas na Climatempo.. Mas não era só nos jornais ligados à Agência Estado que Carlos Magno e Ana Lucia davam seus pitacos. Logo no início da matéria a explicação sobre o trabalho desconhecido dos meteorologistas: “Consultando mapas e fotos de satélite. no dia 8 de novembro de 1986. 29 . poucos leitores deveriam saber que o trabalho de um meteorologista pudesse estar ligado a intrincados inquéritos policiais. o sequestro do banqueiro Antonio Beltran Martinez: “Quando foi libertado. além de jornais de todo o estado de São Paulo cada vez mais incluíam a previsão do tempo em suas edições. pois. o banqueiro. Muitas vezes. havia trovejado. e queria saber onde. Nesse caso foi impossível obter uma resposta. conta Magno. as condições do tempo numa determinada hora ou local podem ser decisivas para esclarecer um caso ”. Mais experientes e com dois clientes na carteira da empresa.. havia ficado escondido na Grande São Paulo. Revistas especializadas – desde publicações destinadas a velejadores até revistas de cooperativas de laticínios –. sem chuva. sem chover”.

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Como consultores do Grupo Estado. mais jornais demonstravam interesse em modernizar suas colunas de previsão do tempo. “Eu saí primeiro e um mês depois a Ana saiu também”. dava a resposta: “Com que roupa eu vou?” Os meteorologistas Carlos Magno e Josélia Pegorim transmitem para os ouvintes da Nova Eldorado AM os mais precisos boletins do tempo. o Inmet era um órgão do Ministério da Agricultura. Rádios e tevês também passaram a se interessar mais sobre o assunto. no setor de comunicação a demanda já estava aquecida. Ouça. Magno e Ana viram as portas se fecharem no que dizia respeito à obtenção de dados. afinal eles foram com a cara e com a coragem. Além disso. depois de vários anos de ditadura militar e de um lento processo de redemocratização. ano em que sofreria o impeachment. não deixaria passar em branco uma data especial para os meteorologistas. Hoje. Na sexta-feira. a Eldorado comprou três quartos de página do caderno de esportes do jornal O Estado de S. nesse tempo. A saída do Inmet foi de certa forma um pouco traumática para ambos.N Para Carlos Magno e Ana Lucia também foi um período conturbado. A rádio. ao mesmo tempo. Paulo para prestar uma homenagem aos meteorologistas de todo o País. altas e baixas pressões. foram mantidas. as condições políticas de trabalho no distrito estavam mais difíceis e ficava cada vez mais complicada essa dupla jornada. afinal. em 1990. O informe perguntava e. era para a Ana Lucia ter ficado mais um ano no Inmet. “Quando o Magno e a Ana saíram. conta a meteorologista Neide de Oliveira. porém. O Magno saiu primeiro. a rotina familiar era dividida pelo casal: enquanto um estava no distrito. é o Dia do Meteorologista. Fernando Collor afastaria mais de 100 mil funcionários. 3 de março. ciclones e anticiclones. o Brasil vivia momentos de forte movimentação política. o alagoano Fernando Collor de Melo. Até 1992. do INMET. principalmente no serviço público. tanto que havíamos alugado uma casa maior”. Ao assumir. Nós respeitávamos a empresa. Com fama de “caçador de marajás”. Magno dividia com Josélia os boletins diários na Eldorado. Depois de analisarem fotos de satélites. porém. leia e veja o trabalho deles. o outro ficava responsável pelos serviços de casa e também pelas três crianças. trabalhando muito. No mínimo. eles mantiveram contato. lembra Ana. Em dezembro. Em casa. No dia 3 de março. 3 . A gente já estava se preparando para sair. Por outro lado. Ensaiando já há algum tempo a saída do distrito. Essa foi a deixa para Ana e Magno. Collor deu início a uma série de demissões no serviço público.” A agricultura era uma opção natural. Foram bem ousados. Em meados de 1990. “Nossa saída foi uma contingência. muito menos com os nimbus. massas de ar frio vindas da Patagônia. Por causa disso. a melhor prestação de serviço chega a você. que a demanda estava aumentando. A exemplo do Estadão e do JT. A Climatempo já existia de fato atendendo à rádio Eldorado e à Agência Estado. lembra Magno. no sobradinho da rua da União. A gente sabia que era o momento e que a tendência era de o mercado crescer”. “Na verdade. Outra determinação foi a de impedir que servidores públicos exercessem outra atividade na iniciativa privada. As amizades. Apesar das boas relações cultivadas ao longo dos anos. você vai saber com que roupa sair”. segurando as pontas com um emprego fixo. Com a cabeça voltada somente para a Climatempo foi a hora de prospectar novos mercados. Ana e Magno deixaram de ser Na telinha da Globo 31 o fim de 1989. que eles decidiram pedir demissão do Inmet e investir no próprio negócio. Foi nesse momento Ambos sentiram. eles já tinham um fluxo de caixa para montar um pequeno centro de previsão do tempo. aliás. tanto na parte técnica quanto em volume de informação para a elaboração das previsões para o atendimento aos clientes. ele estava cansado. Collor prometia uma verdadeira limpeza em vários setores. a determinação do Governo Federal foi o empurrão que faltava. eles sentem a torcida para que não apareçam cumulus. os brasileiros elegeriam pelo voto direto o novo presidente do País. Eles sabiam das possibilidades dessa área.

‘Foram 14 dias com temperaturas acima dos 30 graus’. pioneiras e que foram incorporadas definitivamente ao padrão global. Centro-Oeste e agora está sobre o Sudeste. Soares lembra que foi um período de grande efervescência criativa na Globo e credita ao jornalista Carlos Nascimento o entusiasmo para encaixar no projeto o quadro do tempo. do 7º. o que dificulta ainda mais a penetração de frentes frias’.” Para a edição executiva do projeto foi chamado o jornalista Amauri Soares. a divulgação da previsão do tempo pela tevê começou em 1941. o filho mais novo. Segundo ele. (. o uso do helicóptero para acompanhar não só o trânsito da cidade. disse Magno”. Naquele momento. isso indica que o verão poderá ser um dos mais quentes da última década. registrada às 15 horas de ontem no Mirante de Santana. ‘Ela chegou quente e úmida e agora está seca. uma edição de 20 minutos. Distrito de Meteorologia de São Paulo” (. “Nascimento era do interior. Victor. Carlos Nascimento. Paulo.8 graus.4 graus. e este ano os termômetros chegaram a marcar 28. Foi fabuloso. O novo formato permitiu algumas inovações importantes. de São Paulo. uma tradição norte-americana. em um período em que crescia o espaço para esse tipo de informação: “A temperatura de 31. Ela trabalhara durante anos na tevê e conhecia muitos jornalistas de lá.) O meteorologista Carlos Magno explicou que a massa de ar quente que está sobre o Sudeste veio do Oceano Atlântico e entrou pelo Nordeste. em Nova York. a cidade contava com seis 32 ..” Carlos Nascimento tinha em mente o modelo norte-americano.. com uma linha editorial mais descontraída.4 graus. Magno foi então procurado para elaborar a previsão dos telejornais paulistas e mais tarde também dos jornais Hoje e Nacional. Segundo o meteorologista Carlos Magno. relembra Magno. Éramos meteorologistas previsores e era com orgulho que a gente via a nossa previsão ser difundida. quando o casal foi procurado pela Rede Globo. nasceu em 24 de setembro de 1989 e já estava com seis meses em 1990. responsável pelo Bom Dia. como as entradas ao vivo de vários pontos da capital e do interior. e a previsão do tempo. da Agência Estado. (O Estado de S. como ficou mais conhecido. pediu que Patrícia apresentasse um projeto de meteorologia ou indicasse um bom serviço. tinha duas edições diárias e à tarde cobriria o espaço do Jornal Hoje. que nessa época ainda fazia parte da emissora.. Como os dados utilizados pela AE eram da Climatempo. Eu estava com 29 anos e Ana com 26”. e como todo bom caipira gostava de acompanhar a previsão do tempo. em 1944. 07/4/1990). Paulo. Nos Estados Unidos. mas todo e qualquer evento de destaque. foram feitos vários pilotos para serem apresentados ao mercado televisivo. em média. Na verdade. e à noite um resumo das principais notícias do dia. do 7º. O quadro seria apresentado por uma moça do tempo. a temperatura de ontem chegou bem perto do recorde do último verão na capital: 32 graus. O contato foi feito por meio de Patrícia Ferraz.. o jornalismo da Rede Globo passava por uma profunda reformulação com a criação de um novo telejornal local. conseguimos o contrato com a Rede Globo. O meteorolo- gista se baseou na média das temperaturas máximas observadas no Mirante de Santana.) (O Estado de S. Na época. 30/11/ 1990). “Este foi o novembro mais quente dos últimos 30 anos na cidade. com quadros. o São Paulo Já. São Paulo. o formato era uma experiência inovadora que a emissora pretendia implantar em toda a rede nacional. foi a mais alta já ocorrida no outono paulistano desde a fundação da estação de Santana. As máximas registradas normalmente nesse mês são de 25. uma moça do tempo e uma meteorologia que já na década de 1990 estava bem à frente da brasileira. No começo. “Em julho de 1990. informou o meteorologista Carlos Magno do Nascimento. da Agência Estado. Passou pela Região Norte. mas com abrangência nacional. no dia 25 de janeiro. assim como eu. Distrito de Meteorologia. O SP-JÁ. mas por um homem do tempo.identificados como previsores do distrito e começaram a ficar conhecidos como meteorologistas da Agência Estado nas matérias dos jornais da casa. mapas.

computação gráfica. no Bom Dia São Paulo. o formato profissionalizou-se e ganhou espaço no jornalismo. Ele sempre iniciava o quadro cantando: “Está quente. Na Climatempo. posso prever o tempo de amanhã”. Woolly Lamb.mil aparelhos que recebiam as informações pelo canal NBT (atual NBC) por meio de cartoons animados pelo apresentador Woolly Lamb. Em 1954. compreensível e ao mesmo tempo dinâmica. no departamento de arte da TV Globo de São Paulo. O equipamento destinado à elaboração da previsão foi o primeiro do departamento. na visão de Amauri Soares. foi pensado o conceito de faixas para a previsão do tempo. Márcia ia para a Globo na parte da manhã e Ana Lucia entrava à tarde. com Carol Reed. Reed tornou-se musa do tempo e reinou durante 12 anos nas telas. que trabalhava na Infraero. em 1952. Graças ao seu sucesso várias emissoras passaram a ter a sua moça do tempo. O resultado não agradou nem ao público. grafismos. “Até mesmo para os meteorologistas aquilo era um sonho. No Brasil. A figura da moça do tempo surgiu nos EUA . Com as inovações tecnológicas. Absoluta novidade. Era preciso que os conceitos da meteorologia fossem elaborados de forma clara. com um breve have a happy day (tenha um dia feliz). o quadro ganhou um visual moderno. Segundo Ana. os primeiros funcionários começaram a ser incorporados ao grupo para atender ao novo cliente. “Cheguei lá e não sabia nem quem era o meu chefe. ex-apresentadora do programa infantil Bambalalão. da TV Cultura. a Globo fizera uma tentativa com a meteorologista Vera Malfa Pereira. está chovendo. e sim suavizar a forma de transmitir a previsão. seguindo até a noite. Na Grã-Bretanha. no departamento de arte’”. está frio. tudo ia se acomodando no sobradinho. com imagens do satélite. na CBS. Ana lembra que todo o pessoal envolvido no quadro do tempo teve de aprender a receber as fotos de satélite – que chegavam de três em três horas – e a fazer a animação em cima dos mapas. Disseram-me: ‘você senta aqui. que era responsável pela rádio. Outra preocupação inicial foi com o desenvolvimento do formato. nem aos jornalistas nem aos meteorologistas. não havia ainda. Na década de 1970. está seco. foi contratada a meteorologista Márcia Costa. Aos poucos. toda essa parte de computação gráfica da Globo de São Paulo começou com a previsão do tempo. a tradicional BBC iniciou seu quadro do tempo com um homem no comando. Por incrível que possa parecer. guarda-chuvas e gorros para dar as informações que soavam superficiais demais. agora misto de lar e de empresa. que vai do 33 . “Aqui na área escura. Outras moças do tempo viriam ocupar o seu lugar no decorrer dos anos. George Cowling foi o primeiro apresentador da rede. tanto para os meteorologistas – que nunca haviam tido qualquer contato com os mecanismos da tevê – quanto para quem iria exibir o novo quadro. um computador disponível para eles. e as garotas do tempo cederam espaço para os homens do tempo que então dividiam com elas a responsabilidade de apresentar a previsão do tempo. Um período de experimentação. Com a necessidade de adaptar a rotina da empresa. O pessoal da Aeronáutica me dizia: ‘prefiro ver a animação da foto de satélite na Globo à que eu tenho aqui’”. a primeira moça do tempo foi a atriz Silvana Teixeira. Na década de 1970. Isso significou dividir o mapa do Brasil e de São Paulo em faixas que compreendessem tempos correlatos. em 1962 cerca de 460 emissoras tinham um profissional específico para cobrir essa área. em 1969. sempre marcando suas despedidas diárias. nos anos de 1980. No começo. Assim. Silvana interpretava um papel todos os dias: usava galochas. prejudicando a credibilidade. a primeira moça a apresentar um quadro na televisão brasileira teria sido Albina Mosqueiro. Ana e Magno montaram um esquema que possibilitou a divisão de trabalho entre o grupo. O quadro foi uma grande novidade para todos nós envolvidos nele”. na TV Cultura. conta Ana. relembra Amauri. mas eu. não havia nada. “Estava tudo por fazer: linguagem. Nessa nova fase. Segundo o New York Times. Além de Josélia. A ideia inicial não era a de fazer um quadro hermético.

dando maior dinâmica à apresentação. desses que toda a família se prepara para deixar São Paulo e aproveitar o tempo livre para descansar. Além das moças do tempo. mais do que isso. Choveu. os erros e os acertos. era uma previsão e. perceberam o equívoco: não dava para exigir rigor e perfeição de uma previsão. no primeiro dia do feriado. A gente errava uns cinco dias por mês. falível. era como se fosse um erro jornalístico. que a previsão do tempo tinha uma lógica e que eles não erravam tanto assim. e foi um trabalho de educação. ele. Ana tem razão ao lembrar como foi um lento processo de construção de credibilidade. “No começo. confessa Soares. ao colocar frente a frente uma família que deixou de viajar porque acreditou na previsão de chuvas e o meteorologista. o próprio Carlos Magno começou a participar dos jornais.” Amauri Soares relembra um episódio típico dessa fase inicial. afinal. Lógico que a gente errava. O quadro deixou de ser engessado para ser dinâmico. Aquilo foi crescendo. mesmo sendo um desafio. relembra Ana Lucia. “Era um feriado prolongado. porém. a partir dali foi possível incorporar essa falibilidade. As pessoas se situavam naquele mapa sem precisar ficar detalhando cada ponto. no campo e em especial nos feriados. o tempo não vai ajudar. que era o editor. um balde de água fria: o feriado seria de muita chuva. por exemplo. O importante não era apenas divulgar uma previsão. “Era tudo muito criativo. cobrando explicações para o que realmente havia acontecido. “Passamos a explicar o tempo. acredita Amauri. Segundo Ana Lucia. Ele ressalta que esse processo de assimilação acabou dando maior agilidade ao jornal. Com o tempo. lembra Ana Lucia. de repente começou a se interessar a escrever o texto da previsão. aproximando o conteúdo da previsão ao dia a dia das pessoas”. Não era questão de coragem. ”A previsão erra e o erro também é notícia. Essa constatação mudou a percepção do quadro e. e coisa e tal. novo e divertido. Mas era um jeito que a gente conseguiu de explicar com poucas palavras e uma boa imagem. “O Amauri Soares. que no norte do estado ia fazer sol e no resto o dia poderia começar com chuvas. Teve uma catequese dentro da redação. queríamos alcançar a exatidão. portanto. o tempo será chuvoso. tanto de conteúdo quanto do formato. Eu lembro que a gente bateu muito nisso: ‘olha só. Nos Estados Unidos é assim. se desenvolvendo e a gente cativando o povo. era muito prazeroso.Rio de Janeiro até o Acre. Entendemos que o tempo faz parte da vida das pessoas e assim tentamos humanizar a informação. Ficamos amigos nesse período. Mas nós nunca nos metemos na linha editorial”. porém. para os meteorologistas era um choque ver aquele tipo de informação. a gente tinha noção da correspondência de cada área para cada previsão. em especial. Pensar o mapa do Brasil e de São Paulo dessa maneira foi a solução para tentar passar o maior número de informações possível em um curto espaço de tempo. colocá-lo em uma camisa de força. não aceitávamos o erro.” O trabalho diário na Globo. Na hora de divulgar a previsão. Com o passar dos meses. muito clara. um dia lindo. nem precisar sair de casa’.” Essa forma de apresentar as diferentes áreas foi desenvolvida na Globo e não se conhecia projeto semelhante em nenhuma outra televisão. “Colocávamos ao vivo para falar do tempo na cidade. “Eles diziam: ‘como vocês têm coragem de detalhar tanto a previsão?’. A criação de faixas de tempo começou pelo mapa de São Paulo. mas foi de telefonemas para reclamar 34 . mas dar ao público o direito de saber o que aconteceu e o que não aconteceu com o tempo em determinado dia. sendo entrevistado ao vivo quando a situação exigia. eles começaram a ver que Ana Lucia e Magno eram pessoas sérias. muito nítida. explica Amauri. sempre apresentado por uma moça do tempo. abriu um sol intenso. “A primeira era que tínhamos uma visão jornalística da previsão.” Amauri também não conseguia admitir um quadro que pudesse engessar o jornal. porque os jornalistas não acreditavam”. eu como fechador do jornal tinha algumas preocupações em relação ao quadro do tempo”. Bom. assim como todo o pessoal da tevê. Quando compreendemos isso ficou mais fácil lidar com a imprevisibilidade da previsão”. nesse período de implantação.

da previsão. Mais do que isso: perceberam que tudo o que estivesse ligado ao tempo era notícia e se fosse tratada de forma adequada virava destaque em jornal. Os equipamentos estavam com defeito e havia meses telefone e telex estavam cortados. Na reportagem ficava clara a estrutura precária do Inmet: “O distrito não conseguiu detectar a existência de uma linha pré-frontal. e no fim as pessoas foram entendendo o que tinha acontecido. “A Globo começou a valorizar a meteorologia até um ponto em que as pessoas começaram a notar: viravam para a gente e diziam: ‘puxa. no Vale do Paraíba”. apresentação. que tinham deixado de viajar. O interessante é que o Magno explicou que a frente fria tinha se desviado. que pegou todos de surpresa. davam um panorama completo da situação. Começamos com um minuto e vinte segundos. Também logo assimilaram a linguagem jornalística e entenderam o que era notícia e o que era mera especulação. para se explicar para uma porção de telespectadores irados. um novo desafio para a equipe da Climatempo: elaborar a previsão do tempo para o sóbrio e aristocrático Jornal Nacional. depois caiu para um minuto. atuando diretamente na área de comunicação. A situação do Inmet nesse período era crítica. chamado de Unidade de Análise de Imagem ( UAI). relembra Ana Lucia. havia falta de pessoal e de material por causa da falta de pagamento. A linguagem jornalística da previsão do tempo na tevê não existia no Brasil”. em outubro de 1990. que eram reproduzidas pelo Estadão e por uma rede de jornais em todo o Brasil. pois não recebe a fotografia do satélite meteorológico GOES desde sexta-feira passada. Em 1991. Além desse equipamento. a equipe da Climatempo. em Porto Alegre. eles é que começaram a prestar mais atenção nelas”. No 8º. logo percebeu quais eram as informações que mais interessavam a cada órgão. enfim. Paulo. Com uma boa rede de dados e com a informação chegando com facilidade. Aí colocamos o Magno ao vivo. arte. A introdução da previsão do tempo quebrou a hegemonia masculina do noticiário. O equipamento receptor está quebrado em fase de manutenção. na Eldorado e na Globo. 35 . relembra Magno. o espaço destinado a elas rapidamente cresceu. entradas ao vivo na rádio tornaram-se cada vez mais frequentes. No fim. o instituto também está sem um papel especial que imprime a fotografia do satélite transmitida por telefone diretamente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Logo na manchete. rádio ou tevê. O escritório de Curitiba não repassava informações confiáveis.” Por outro lado. É fácil entender a opção da Rede Globo pela Climatempo. O sucesso do quadro do tempo nos jornais regionais de São Paulo animou os executivos da emissora a implantá-lo também em outras praças (nas edições regionais de outros Estados) e no mais tradicional e influente telejornal daquela época: o Jornal Nacional. dois verdadeiros ícones na rede. Nem Magno nem Ana estavam mais no distrito quando a matéria foi feita. relembra Ana. Na verdade. acreditando na previsão. Por causa da seriedade das informações transmitidas ao público.. de acordo com a reportagem. produziram boas matérias na Agência Estado. tínhamos de dar a previsão do Brasil todo em cinquenta segundos”. a polêmica: “Meteorologia erra e chuva surpreende paulistano”. “Começamos a desenvolver tudo. Distrito de Meteorologia. explicando como esse fenômeno se formara. eles logo aproveitavam a deixa para ir além do factual. como mostra a reportagem publicada pelo jornal Folha de S.. O mesmo caso quando nevava no Sul do País ou quando uma tempestade atrapalhava a vida do paulistano. Se a notícia era um tornado em Ribeirão Preto. A credibilidade das previsões feitas pelos principais órgãos públicos andava em baixa. Eis que para fazer companhia aos dois surge a jovem figura da apresentadora. registrava a matéria. estou aqui há três meses e nunca erraram uma previsão’. Ilustrações e infográficos nos jornais. as causas disso. O jornal era apresentado até então pelos locutores Cid Moreira e Sérgio Chapelin. Problemas como esse não afetavam apenas a credibilidade da meteorologia brasileira. mas principalmente a população. “Começou tudo de novo: linguagem.

Luís Carlos Austin. está com sóbrios trajes de aeromoça. “Sandra Annenberg ganha a vida falando de um assunto que até recentemente só era lembrado nos elevadores. coleciona mais popularidade do que conseguiu com suas participações em vários programas e minisséries. Por isso. Também faz o máximo para dar as costas ao telespectador. a reportagem . Paulo. tinha uma resposta simples. E não era apenas o acerto nas previsões que fazia da Climatempo uma empresa respeitada. assim foi”. na qual Carlos Magno afirmou que já havia nevado em São Paulo: “Dez para a reportagem de Carlos Magno em que provou que já nevou na avenida Paulista. Magno lembrou que. “Nós não nos responsabilizamos pela previsão do tempo do Jornal Nacional.’ Mesmo assim. porém. a Climatempo contra-ataca com a garantia de 85% de acerto. E Sandra. diz Ana Lucia de Macedo. Nesse dia. Na Globo. De fato. ‘E de dois anos para cá aumentou a confiabilidade nesse tipo de informação. Ela aparece três minutos por dia na tela da emissora. 27/7/1991) No início. o quadro do tempo. chamava a atenção para o fato de outras emissoras também abrirem espaço para a meteorologia. Nela a experiente Sonia Abrão. A direção.” (O Estado de S. edição. para espanto dos apresentadores Carlos Tramontina e Mariana Godoy. mas já exibe 85% de chances de acerto.” (O Estado de S. que já era a moça do tempo do SP-JÁ. Sandra achava esquisito virar as costas para o telespectador. num quadro fixo. estocou o chefe do Inmet no Rio. não chega a ser estranha a reação da direção do instituto ao progresso da iniciativa privada. não trabalha com dados oficiais”. mas convincente: “En- quanto o Inmet garante 80% de acerto nas previsões meteorológicas. Paulo. ‘A notícia é o mapa. A informação factual e histórica também demonstrava a competência de seus principais integrantes. Na verdade. em entrevista ao jornal O Globo. Carlos Magno. táxis e velórios. onde há mais informação”. Uma dessas “novidades” mereceu destaque até em uma coluna sobre televisão. como a TV Bandeirantes e a TV Cultura. O Inmet nunca teria “digerido” muito bem a ideia de que uma empresa fosse a escolhida para elaborar a previsão do tempo da maior rede de televisão do Brasil e as críticas logo vieram. na época colunista do extinto Diário Popular. com aparições rápidas no SP-JÁ e no Jornal Nacional.” Gravado em São Paulo e gerado para o Rio todos os dias. A margem chega a 90% em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. A Globo. porém. tudo o que Carlos Magno sugeria como pauta parecia novidade até mesmo para os jornalistas da emissora. o formato do quadro no JN causou certo estranhamento à apresentadora por ter de ficar praticamente de costas para o vídeo. com o passar dos anos já é possível dizer que não foi 36 Na mesma matéria sobre a moça do tempo da Globo. passou a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. infelizmente. 27/7/1991) Enquanto novos caminhos se abriam para a Climatempo nos principais órgãos de comunicação do País. “achava que não. em julho de 1925. chamava a atenção para uma matéria do SP-JÁ – 1ª. Em geral. no JN. aos 23 anos. que eu tinha de levar o público até o mapa e mostrar onde estavam as coisas. “A meteorologia se torna cada vez mais importante quando as pessoas têm de planejar sua vida”.atriz e futura jornalista Sandra Annenberg. para o investimento que as emissoras faziam e para o retorno do público. décadas e décadas atrás. assumiu o quadro em julho e virou notícia em várias publicações. responsável por um observatório meteorológico na avenida Paulista. registrou em suas anotações a ocorrência de neve: “uma forte névoa ia descendo da encosta e a temperatura era de –3 graus”. Então. que integra a equipe de meteorologistas da Globo. o meteorologista Belfort de Mattos. ninguém poderia imaginar!”. por exemplo. sinal de que as informações meteorológicas estavam se tornando valiosas para o cotidiano. o Inmet passava por dificuldades financeiras para manter os centros regionais.’ Ana Lucia garante que a precisão conseguida de 1989 para cá não é ideal. não eu. usando termos como área de instabilidade e frentes frias. “Ela foi a primeira figura feminina a aparecer diariamente. antes restrito aos paulistas.

também ganhou destaque nos seus últimos anos de vida por atuar como presidente da Assembléia Constituinte de 1988. mostrei o mapa para ver o que estava acontecendo. Aí. “Acredito que ele deve ter observado uma sublimação de nevoeiro. mas enriquecedor na vida política brasileira. começaram a participar de outros eventos. Aos poucos. por exemplo. isso foi. nas primeiras eleições diretas após o regime militar. no começo. ao atuar na Globo.” Com três clientes de peso e os pés no chão era o momento de assentar as bases da Climatempo. No ano seguinte. que na época pouca gente sabia que existiam. Magno preparava os navegadores para ler corretamente os instrumentos de bordo. como barômetro. 12 de outubro. um trágico acidente de helicóptero. E aí falavam: ‘mas como vocês têm certeza disso?’ Eu dizia que o radar estava mostrando uma linha muito forte. matou o deputado federal Ulisses Guimarães. Então fizeram a reportagem. “Para nós aquele momento não era importante. e mostrava os locais onde chovia mais forte”. o Brasil tinha outro presidente. com gotinhas sólidas caindo no solo. era tempo de muita esperança e muito trabalho. e nossas necessidades eram pequenas”. Na Climatempo. não teria feito esse registro”. a Climatempo. Por isso. o senador Severo Gomes e sua esposa e o piloto. dona Mora. porém. mas eu não tinha dúvida de que o piloto entrou num paredão de CB s (cumulus nimbus). “Havia várias hipóteses. Eldorado e Agência Estado.exatamente neve. com a ação. conclui. Ulisses Guimarães ficou conhecido como “Senhor Diretas” por sua exaustiva batalha pela volta das instituições democráticas. entre muitas outras passagens. 37 . Em outubro de 1992. que as primeiras informações dos radares meteorológicos foram ao ar. No fim de 1992. higrômetro e termômetro. um momento traumático. como na cobertura da Fórmula 1 ou fazendo matérias para o Fantástico. com a Climatempo aparecendo apenas através de seus clientes mais ilustres. descrevendo como teria sido a trajetória do helicóptero entrando em uma nuvem de CB s. atrair e cativar o público. A chuva veio varrendo todo o litoral norte de São Paulo naquele dia. A partir de 1991. com boas horas de antecedência. segundo Carlos Magno. A estratégia montada no início era para que a empresa se firmasse como consultoria. o Belfort de Mattos. “Ao longo do tempo fomos fazendo grandes reportagens na área de meteorologia que eram reconhecidas pelo jornalismo da Globo. ficaram meio escondidos. ainda éramos consultores. a Climatempo foi se tornando referência na prestação de serviços meteorológicos. “Tinha história de alagamentos e a gente pegava os mapas dos pontos críticos com os radares do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). então a queda foi um aci- dente com um elemento meteorológico.” Com essas. Foi na telinha da Globo. Em cinco aulas com duas horas de duração. o pessoal veio logo para cima para saber. de forma semelhante à neve”. O adesivo marcava. a empresa tentava. por exemplo. seria o candidato do PMDB para a Presidência da República. A partir daí. entre elas a eleição direta para presidente da República. e associá-los às dicas que a própria natureza oferecia. que era um profissional muito sério. Ana Lucia transmitia informações básicas que permitiam a um leigo prever. No dia do acidente. Carlos Magno ouviu a notícia no rádio logo cedo e comentou na Eldorado que ele poderia ter sido provocado pela chuva registrada no local. as várias surpresas que o tempo reservava para os praticantes do esporte. a empresa passou também a organizar cursos especiais para velejadores. Mas que foi muito parecido. criando a ideia de que não dava mais para ficar sem esse tipo de informação. sua mulher. entretanto. conta Magno. O helicóptero desapareceu no mar e o acidente comoveu o País. em Angra dos Reis. “Caso contrário. Globo. Itamar Franco assumiu o cargo após o impeachment de Fernando Collor de Melo. Um adesivo que trazia estampado “Eu acredito em previsão do tempo” chamava a atenção em alguns carros de São Paulo. acabou abrindo espaço para assuntos que pouca gente conhecia. com turbulência. Uma das primeiras estratégias de marketing da Climatempo. quando cheguei na Globo.

como seguradoras. afirmava Magno. navegadoras. Um fim de ano otimista para uma empresa que se preparava para voos ainda maiores. indústria de produtos sazonais. “A Climatempo investe 10% de seu faturamento em tecnologia”. e com isso podia atender melhor o mercado ainda em expansão.contudo. 38 . e já atingia um faturamento mensal de 7 mil dólares. comércio. uma primeira fase de consolidação da empresa. Fase em que a Climatempo estendia sua consultoria para outras áreas. como roupas.

Magno entrava na Eldorado e atendia aos clientes da Agência Estado. André namorava uma outra futura meteorologista. Apesar da correria. a Climatempo foi ganhando espaço na área de consultoria. nem mesmo aos domingos. apesar do esquema rigoroso.” Durante a faculdade estagiou na Diretoria de Hidrografia e Navegação ( DHN ). Fim de semana a mesma coisa”. e Victor é estudante de Direito. e depois de formado passou pelo Inmet do Rio. Pela manhã. Carlos Magno era responsável por atender a Globo. jantar. que um pouco mais tarde viria a fazer parte da equipe. Já como meteorologista da Climatempo. eram dois meteorologistas na mesma casa. e haveria tempo ainda para procurar mais clientes para a empresa. Marcos. Ia para a emissora e lá elaborava a previsão para o Bom Dia São Paulo e o SP-JÁ. Queriam mais. “No colégio tinha um colega que gostava de barco à vela e falou do curso de meteorologia e eu me interessei. Decidiram então voltar a morar no apartamento e deixar a casa apenas para a empresa. início de uma empresa com nome e endereço exclusivos. Como tudo Nos quatro primeiros anos da Climatempo praticamente não tiveram um dia de folga. O jeito era fazer uma escalinha. trabalharam como boys. deixava-os na escola e ia para a Globo. De casa. Como empresa privada. Mesmo assim. Eu ia muito no piloto automático”. tudo era muito braçal. Bebel. No fim de 1992. André Madeira formou-se em meteorologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ). An- Abrindo espaço 39 os primeiros quatro anos de vida. Eu vim para ajudar a atender a TV Globo”. deveu-se ao interesse por esportes náuticos. chegou um momento que isso já não bastava.” A casa-empresa da rua da União foi. Marcos e Victor nunca reclamaram da vida regrada. era um esquema bastante cômodo para os dois. pontuada pelo trabalho ininterrupto dos pais. mas queríamos uma empresa que fosse contínua e não dependesse apenas da Eldorado. Foi preciso adequar a rotina. Patrícia. afinal. colocava para ver tevê ou fazer lição. Climatempo e o Victor. conta Magno. com plantões. em 1991. “Éramos bons consultores. deu para educar bem os filhos. Sinal de progresso. Carlos Magno e Ana Lucia não queriam mais depender apenas de alguns clientes. relembra Magno. Quando cheguei a Josélia já trabalhava na empresa. A gente costuma dizer que tem quatro filhos: Bebel. engenharia ambiental. 4 . ficava mais fácil. pegava os filhos na escola. o leitinho da noite e não terminava o expediente sem antes transmitir o último boletim da rádio. à tarde. o único meteorologista de uma família de médicos. Ana cuidava dos filhos. do no sobradinho já não comportava a Climatempo. Queriam uma empresa forte que fizesse muito mais. a gente ficava meio escondido. cresceram junto com a empresa. Na hora do almoço. Lembro que a empresa funcionava em uma sala pequena. Fim de tarde. O pequeno centro de previsão instala- Foi nessa época que um jovem meteorologista carioca veio se juntar ao time da Climatempo. Magno acredita que. relembra Ana. Enquanto isso. serviço de meteorologia da Marinha brasileira. aos poucos. “Meu expediente de mãe era bastante volumoso. segundo Madeira. ficando pequena para as duas atividades. Segundo ele. que dependem das condições do tempo. era uma alternativa aos serviços meteorológicos governamentais que não tinham estrutura capaz de atender individualmente às necessidades específicas do mercado. não tinha concorrente. perceberam que tinham de contratar mais gente. era em casa. nenhum quis seguir a carreira dos dois. e descia para o nosso centrinho para terminar algum trabalho. A mudança de rota.N Ainda nesse período a vida familiar estava muito atrelada à empresa. “Eles viram a empresa crescer. mas fazia a Eldorado. Entretanto. “A Ana dava atenção pela manhã e eu. da Agência Estado e da Globo”. Na época. com três filhos pequenos. dava banho. relembra. Mas tinha de trabalhar até dez da noite na Globo e acordar de manhã para dar café para os filhos. “O Magno estava precisando de gente para trabalhar e eu resolvi mudar para São Paulo. pegava a criançada. Vinte anos depois. Marcos. Bebel foi fazer pedagogia. escalas e filhos para cuidar. Foi quando surgiu a oportunidade de trabalhar na Climatempo.

a gente mandava a previsão via fax com uma foto de satélite colada”. foi a vez de Patrícia Madeira. Quem não se interessava. Madeira ficava responsável por clientes de vários setores e de vez em quando fazia a previsão para a Agência Estado. “Bom. Havia cobrança. agora já não somos apenas eu e a Ana. agora dominava todo o sobradinho e contava com uma equipe de sete meteorologistas. não fazia questão de saber se houve acerto ou erro. o Magno estava envolvido na divulgação da empresa e na captação de novos clientes. ainda fica deprimido quando erra a previsão e lembra uma frase que Ana Lucia sempre repetia: “Tempo bom para o meteorologista é quando acerta a previsão”. a Globo passou a fazer parte da rotina. Com o tempo ele mesmo fazia os textos que eram apenas revisados. disque 2 para Região Sul. sozinho. Ele confessa que. Patrícia chegou em um momento de forte demanda por previsão do tempo e também às vésperas de um ano emblemático para a empresa. alguns jornais. sempre tinha coisa para fazer. precisava da gente para cuidar dos que já estavam lá. mas isso fazia parte. não ligava. lembra Patrícia. e a previsão devia ser fácil naquele dia. Em 1994. Foi aí que uma ficha caiu na cabeça de Magno. relembra Patrícia. ela e André se casaram. não teve mais problemas. No fim de 1993. que nada mais era do que um computador ou vários ligados a um modem de linhas telefônicas para receber bancos de dados. onde cursou o mestrado. o Magno me apresentou para o pessoal e disse que ia tomar um cafezinho. mas com sotaque carioca. Magno e Ana já buscavam caminhos novos.. claro.dré conta que mesmo no começo a empresa tinha um ritmo acelerado. Não apareceu mais. O embrião da Internet.” Dali em diante. como a implantação de um serviço de telefonia 0900. “Nós escrevíamos um texto e gravávamos no telefone. participava dos plantões montados para atender o serviço 0900 e também a clientes novos como agricultores e antigos como a Agência Estado.’”. “Aí. “Atendíamos ao mercado cafeeiro. Para ele não era difícil atender a Globo.” Com o crescimento da empresa. Na equipe. e que fornecia previsão do tempo durante todo o dia. Foi um sucesso: o custo da ligação era alto e por isso o retorno era lu- 40 No começo. A gente não parava. “Muitas produtoras precisavam de uma espécie de laudo. No período da tarde. Patrícia logo mudou seu foco de interesse para a previsão do tempo.. Acho que já confiava em mim. Outra ousadia foi investir numa nova tecnologia que engatinhava ainda no Brasil: o BBS. mais gente foi integrada à equipe.. “Montamos um serviço para elas. atualizada de três em três horas. As pessoas discavam o número e um menu interativo possibilitava que ela tivesse a previsão para a sua região: ‘Disque 1 para Região Sudeste. Paulista.” André Madeira guarda na memória o primeiro dia em que foi para a Globo para conhecer o local e se familiarizar com a elaboração do quadro. A ideia era apenas acompanhar Magno. passados mais de 15 anos na Climatempo. André ia de madrugada para a tevê e passava a previsão para os editores. passava os dados para ..” Mas o serviço mais procurado era mesmo o 0900. chegamos lá. Com mestrado em poluição atmosférica. temos famílias que dependem da empresa. fora os clientes principais. ele foi embora e me deixou lá. Foi ali que percebeu que aqueles que cobravam uma previsão acertada eram os que mais prestavam atenção ao trabalho do previsor e gostavam da meteorologia. que brigou para conseguir linhas de telefone para implantá-lo. temos funcionários. sigla de Bulletin Board System. Um novo filão também despontava nesse momento. “Cada vez mais. coqueluche na época. o editor e ele escrevia o texto.” A Climatempo já não era apenas uma empresa de fundo de quintal. uma documentação que comprovasse que a filmagem teve de ser adiada por causa do tempo. uma aposta feita por Magno. que namorava André desde o Rio de Janeiro e passou a fazer parte do grupo depois de uma temporada na Alemanha. As produtoras de vídeo começaram a perceber a utilidade da previsão para programar gravações.

Geofísica e Ciências Atmosféricas ( IAG/USP ). ou seja. lembra Patrícia.crativo. porém. Uma outra novidade foi o BBS. e até um equipamento para recepção de imagens de satélite. a comunidade científica e o governo brasileiro já tinham consciência da necessidade de tirar o atraso do País. não foi difícil im- plantar o sistema. a pessoa interessada acessava pelo telefone esse banco de dados e escolhia o que mais lhe interessava. Finalmente depois de anos de negociação e pesquisas o Brasil teria um moderno centro de previsão do tempo. Praticamente congelei”. em relação à previsão do tempo. Uma vez estava um frio de rachar e eu tinha de gravar o último boletim do 0900 faltando quinze minutos para a meia-noite. porque o maluco do filho dela tinha achado um sistema para a gente ‘pulverizar’ a informação meteorológica. “Minha mãe. a Climatempo dava um enorme passo para deixar de ser apenas uma empresa de consultoria e passar a ser uma empresa de comunicação. se um dia teve dúvidas sobre a meteorologia não ser muito segura. Paulo. como o Instituto de Astronomia. Para conseguir montar esse serviço Magno contou com dois parceiros muito especiais. a institutos universitários. como era um bom programador. que fazia muito sucesso nos Estados Unidos e estava chegando ao Brasil. Quem for assinante desse serviço – operado pelo meteorologista Carlos Magno do Nascimento – ganha um soft-ware de animação de imagens que faz as nuvens literalmente caminharem sobre o campo. Õ O ano de 1994 seria emblemático para a meteorologia brasileira. Logo virou notícia: “O canal Climatempo de BBS oferece imagens de satélite atualizadas de meia em meia hora. tão frio que mal conseguia falar. Nessa época. a Climatempo ainda precisava travar batalhas diárias para poder atender aos clientes. os dados. as primeiras linhas telefônicas e colocar aquilo que viria a ser 30% do faturamento da empresa. já nessa época empenhava-se para contribuir para o sucesso da empresa. público ligado às produtoras passaram a ser assinantes. O BBS funcionava com um software que armazenava informações. aviadores. O próprio Magno montou a primeira versão do BBS.” No início era um serviço simples. trouxe cinco mil dólares de ônibus do Rio de Janeiro a São Paulo e me entregou em mãos para comprar os computadores. atendendo a um pedido meu. comprou um livro e. dotado de um supercomputador capaz de realizar as complicadas equações numéricas. Ele jamais vai esquecer o carinho de dona Alice. Países mais avançados já dominavam há anos a elaboração de prognósticos com o uso de supercomputadores. 06/6/1994) Todo esse esquema. o que impulsionou a Climatempo. Esse tipo de serviço era pago e logo agricultores. e o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (C EPAGRI/UNICAMP ). Um deles foi sua mãe. Esse sistema também informa sobre o vento e a pressão do ar. como a norte-americana AccuWeather. não assegurava a disponibilidade de dados no volume necessário. como fotos de satélite para a região Sudeste. por exemplo. e também a fontes estrangeiras de dados. Primeiro comprou uma linha. após a criação do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF). precário em termos de tecnologia. Os boletins eram gravados na própria empresa desde as seis horas da manhã até a meia-noite. na tela de um computador. Era preciso recorrer a empresas como a TASA (aquela mesma em que Magno começou sua carreira). que. como Inmet e Inpe. “Nunca vou esquecer como era frio no sobradinho da rua da União. Apesar de ter uma boa infraestrutura para captação da informação. Com o BBS e o 0900. Foi ela quem deu o aporte financeiro para a montagem do BBS. depois mais uma e depois mais três. O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos ( C PTEC) começou a ser gestado na década de 1980. não seria possível sem a fonte primária para tudo. Estava tão frio. Para divulgar os novos serviços contaram com dois clientes mais antigos: anúncios da rádio Eldorado e também no Estadão.” (O Estado de S. A parceria com os principais órgãos do Governo. Inicialmente. o C PTEC seria im- 41 .

devendo repassar os modelos rodados a todos os órgãos ligados à meteorologia brasileira. mas contra esse tipo de serviço. caso de agricultores e navegadores que só dispunham do serviço telefônico para obter uma previsão do tempo confiável. E foi justamente pela sua posição de ponta na pesquisa científica espacial e ambiental que coube ao instituto a implantação do primeiro centro de previsão do tempo da América Latina. com seu supercomputador japonês. e um prédio em Cachoeira Paulista. quando foi criado o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Gocnae). Do Inpe são geradas as imagens de satélite que ajudam a elaborar as previsões do tempo. abusando da boa-fé de quem ligava para determinado número. Ainda na década de 1960. mas prover a sociedade da previsão numérica. Um assalto ao sobradinho da rua da União deixou a empresa praticamente no chão. Não contra a Climatempo. em Brasília. responsável pela produção de ciência e tecnologia nas áreas espacial e do meio ambiente. que levava milhares de pessoas a acessar via 0900 suas previsões astrológicas? Ou então serviços de disque-sexo que se transformaram no terror de pais endividados. toda a infraestrutura montada na Climatempo. Segundo Maria Assunção Faus da Silva Dias. Na década de 1980. “Com o C PTEC. a Climatempo enfrentava seu primeiro grande revés. A primeira a 42 . em que ocorreram as primeiras demissões. O C PTEC inaugurou um novo período da previsão climática e do tempo com a chegada do primeiro supercomputador japonês ao Brasil. que exigiria maior qualificação para sua operação. avalia Maria Assunção. Dois anos depois. outro duro golpe viria quase ao mesmo tempo. do ritmo seguro do crescimento. houve um avanço espetacular. a maior parte dessas imagens é captada pelo satélite geoestacionário norte-americano Goes ou então pelo similar europeu Meteosat. é integrado ao Ministério de Ciência e Tecnologia ( MCT ). Como se isso não bastasse. Aconteceu tudo ao mesmo tempo. com computadores e linhas telefônicas dedicadas ao serviço. O fato é que. como a quebra de um encanto. No Brasil. O Inpe nos anos 1980 já era considerado um dos principais institutos de pesquisa brasileiros. que era muito rentável para a empresa. no interior de São Paulo. Ao longo de 1994. atual diretora do C PTEC. com a proibição do 0900. porém. Enquanto o País crescia em progressão tecnológica. por causa da tecnologia dos supercomputadores. inclusive da iniciativa privada. A medida prejudicou alguns setores. Tudo começara em 1961. passou a sofrer uma série de ações na Justiça. Além disso. precisou ser repensada. o serviço 0900. manteve como uma de suas principais funções a pesquisa na área de meteorologia. a responsabilidade de instalação do centro ficou para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). o Gocnae virou a Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Cnae). Foi um período desgastante. com a criação do Inpe. que só em 1971 seria extinta. foi possível gerar previsão numérica. o embrião do que viria a ser o Inpe. um decreto editado pelo então presidente José Sarney deu ao Inpe a competência para atuar na área de modelagem numérica operativa. Em 1979.plantado ao lado do Instituto Nacional de Meteorologia. primeiro para os órgãos ligados ao governo e mais tarde também para o público interessado nesse tipo de informação. Os ladrões entraram na empresa durante a noite e levaram tudo. o instituto passou a ser o responsável pelo desenvolvimento de satélites de coleta de dados e sensoriamento remoto. Esses e outros casos levaram a Justiça brasileira a proibir o 0900. com a recepção de imagens meteorológicas e as atividades em sensoriamento remoto. com sede em São José dos Campos. Com ele. O Brasil venceu um atraso de mais de 20 anos e hoje somos procurados por centros do mundo inteiro em busca de informações”. Em 1986. o objetivo não é competir com outros órgãos. Muitos se utilizavam dele para ganhar dinheiro ilicitamente. teria início o programa de meteorologia por satélite. com seu famoso “Ligue já!”. Quem não se lembra do astrólogo Walter Mercado.

Mas o mercado para o sistema BBS continuava muito aquecido. fax. Ofereci uma quantia pelo serviço e ele topou. e a Climatempo pôde manter uma fonte de renda. “O Rogério começou a dar toques importantes para deixar o nosso sistema mais eficiente. e com medo de que alguém ainda estivesse por lá. Recebemos várias mensagens de apoio dos clientes”. Ele estava justamente trabalhando no desenvolvimento de equipamentos para a recepção de imagens de satélite. Por coincidência.notar algo de errado foi Patrícia Madeira. Ao tentar abrir a porta com a chave. mexendo no BBS. Perdemos praticamente tudo”. 43 . Os novos computadores rodavam um software muito simples. ouvindo a rádio Eldorado prestou atenção a uma chamada de divulgação da empresa. notou que já estava aberta. Quem daria o suporte técnico necessário para alavancar novamente o BBS seria um aficionado por meio ambiente.” Foi preciso muita garra e um esforço coletivo para recomeçar. “Uma coisa bem estranha. passei a prestar um serviço sem compromisso. exigindo um desenvolvimento tecnológico cada vez maior. “A Ana estava passando uma temporada com os pais em Natal e não chegou a ver o estado em que ficou a empresa. No começo era sem compromisso. e ainda outros funcionários trouxeram seus computadores de casa. Rogério emprestou mais dois. lamenta Magno. bem ou mal. porque eu e o Magno tínhamos ficado até tarde na Climatempo. Colocaram um caminhão na porta e levaram tudo. Era um excelente programador que começou na informalidade e tornou-se essencial”. Por sorte. o mesmo que estava usando para escrever sua dissertação de mestrado. sem nenhum computador para trabalhar. “Ver aquele cenário de fios revirados. os pais de Ana Lucia. astronomia e meteorologia. Para reerguer a Climatempo. Globo e Eldorado continuaram a ser atendidas normalmente. Rogério Leite conheceu a Climatempo por mero acaso. Rogério foi conhecendo as pessoas. fazendo parte do dia a dia da empresa e criando mecanismos que facilitaram e otimizaram o uso do BBS. Rogério passou a criar maneiras de facilitar a vida dos meteorologistas. Toda a programação do BBS precisou ser refeita. relembra. seu Juvenal e dona Atala. As consequências do assalto só não foram mais desastrosas porque. o telefone fornecido pelo rádio indicava que eram praticamente vizinhos. “Lembro que colocamos um aviso na telinha do BBS provisório. falando do assalto. telefones. estavam na Inglaterra. apenas o básico para gerar informações para uma clientela fixa. Ele lembra como foi. pois a empresa não tinha seguro contra roubo. indispensável naquela altura do campeonato. e aí logo cedo me ligam contando do assalto. mas com o tempo vi que era fundamental ter alguém que entendesse do assunto. nos fez mais fortes ainda”. Agência Estado. além de especialista em Tecnologia da Informação. relembra Magno. avalia Magno. em especial o BBS. Aos poucos. mal perceberam as trovoadas e os raios que caíram sobre a Climatempo. Viu também mesas reviradas na sala. mas precisavam de ajustes. Patrícia emprestou um computador pessoal. e o serviço oferecido pela Climatempo atiçou sua curiosidade. tratou de ligar para o Magno. a consultoria prestada para os três grandes clientes não foi afetada. como eu fazia justamente isso. Uma vez. Passou um tempo e eu comecei a desenvolver um sistema mais elaborado para o BBS”. A palavra de ordem era recomeçar. Em 1994 o satélite norte-americano sofreu uma pane. Sem saber o que fazer. que chegava às 6 horas da manhã. Magno passou tempos dormindo na empresa. Não demorou muito para Rogério ligar e agendar uma visita para conhecer sua infraestrutura. “Eles tinham o básico. Acabamos ficando amigos. toda a Climatempo precisou ser reerguida. Com o tempo. Outro que foi pego de surpresa foi Rogério Leite. softwares e programas que possibilitavam receber muitas informações ao mesmo tempo e processar esses dados de forma rápida e concisa. lembra Rogério. também. novos equipamentos foram comprados. computadores em que estavam instalados o BBS. principalmente para reerguer o serviço de BBS.

Segundo ele. chamava a atenção da mídia especializada em informática: “Graças a uma antena de recepção de imagens. o satélite norte-americano Goes havia entrado em colapso e. o quadro do tempo ganhou tamanha credibilidade que foi definitivamente incorporado ao padrão Globo de qualidade. agricultores e agências de publicidade’. em 350 cadastrados. na Eldorado. conta Carlos Magno. nove funcionários e equipamento informatizado – cinco computadores dotados de sofwares para fax e telex –. pela novidade do serviço. boletins e fotos de satélite. ‘Entre nossos 150 assinantes. “Montamos no quintal da casa da rua da União. A Gilca Parma trabalhava em uma mesa atrás da porta!”. mas já éramos muitos. mas tinha pouca gente. Era um sinal de que a empresa estava crescendo. encontram novos nichos de mercado e oferecem agora serviços especializados. que ficou conhecido como o Dia D. Josélia segurava os boletins e já começava a ser identificada como a “moça do tempo” da rádio e por fim. na Baltazar.” (Jornal da Tarde. sysop (operador de sistemas) da Climatempo.” Em 1994. 13/02/1995) “Os sistemas de mensagens. O ataque rápido e certeiro só poderia acontecer durante o verão europeu. Em outro front. a emissora chegou a comprar um software de meteorologia para melhorar ainda mais a transmissão da previsão do tempo. além de uma antena parabólica. A maior rede de televisão do País apostaria na credibilidade e no carisma de um meteorologista para apresentar o quadro do tempo do Jornal Nacional. o BBS fornece a seus usuários fotografia de toda a América. a Climatempo tinha um faturamento anual de 150 mil dólares. Carlos Magno. informa Carlos Magno do Nascimento. relembra Patrícia. Canadá. No dia 6 de junho de 1944. na França. estão pescadores. inclusive participando de outros trabalhos desenvolvidos pela agência. na Globo. como a produção de um CD- ROM contando a história da Segunda Guerra Mundial. 30% são navegadores..” (O Estado de S. e um sinal de que aquele ano turbulento tinha chegado ao fim foi a mudança da sede da Climatempo para uma outra casa. 155 mil homens das forças aliadas desembarcaram nas praias da Normandia. 10% são estúdios de fotografia e 20% são curiosos.” Porém. Oriente Médio e Austrália. porque era tudo improvisado. Na rua da União a casa era grande. 40% dos usuários são agricultores. Na Agência Estado continuavam firmes no posto de meteorologistas. na rua Baltazar Lisboa. Paulo. as previsões de tempo propriamente ditas são direcionadas às necessidades de seus usuários.e Magno pediu que trouxessem uma estação de recepção do satélite europeu Meteosat. A assinatura mensal é de R$30. Segundo o sysop. Naquele momento. Em 1995. “Mas o grande problema da Baltazar foi mesmo o cigarro. o tempo no sobradinho da rua da União tinha se esgotado.. Carlos Magno deu valiosas informações sobre a importância dos conhecimentos da previsão do tempo para o planejamento de um dos mais importantes momentos da guerra: o desembarque dos aliados na Normandia. Apesar do trabalho interno para ampliar a Climatempo. Era divertido. ou BBS s. Aeronáutica. dando início à libertação da Europa do domínio nazista. 06/6/1995). África. Enquanto isso. Esse tipo de equipamento nos daria uma vantagem competitiva em relação a todo o mercado”. no Brasil estávamos utilizando o METEOSAT . o BBS consolidava seu público e. De resto. “A mudança para a Baltazar Lisboa foi marcante para a gente. Um ano depois. O BBS Climatempo tem um serviço de meteorologia que cobre 80% do planeta. Era preciso voltar a crescer. Trabalha com informações cedidas pela Marinha. 44 . sempre na Vila Mariana. Europa. mais uma novidade. Ana Lucia e Magno não descuidavam um só instante dos demais clientes. a casa era menor. “Quando seu Juvenal estava estudando na Inglaterra eu pedi a ele que comprasse um equipamento de recepção de satélites. a mudança foi para melhor.

apenas queria que eu e a Ana continuássemos como meteorologistas”. ao fornecer a previsão do tempo para a Rede Bandeirantes. dar maior credibilidade às notícias. inclusive no Jornal Nacional.H Essa foi a descrição feita pelo jornal O Globo do novo homem do tempo do JN que. com o editor-chefe escrevendo o texto para mim. Carlos Magno fez parte das profundas mudanças pelas quais passou o tradicional jornal da Rede Globo. No mesmo dia. colocando gente que entendesse do Quando foi convidado para ser o homem do tempo. Deixaram a bancada Cid Moreira e Sérgio Chapelin.” enfrentou qualquer conflito com a Globo. O convite feito a Magno foi a coroação de um trabalho desenvolvido por ele e por toda a equipe da Climatempo ao longo de seis anos nos jornais locais da rede: o Bom Dia São Paulo e o São Paulo Já. aconteceu a troca das moças do tempo por um meteorologista profissional. Então a gente oferecia muitas matérias: vai chover forte no Rio Grande do Sul. Aí me chamaram para fazer um teste para o Bom Dia Brasil. novo diretor de jornalismo. em 1996. envolvidos diretamente com a produção e elaboração das matérias e. dois ícones do JN. Éramos fonte de informação. de confiança. assunto. e eles gostaram”. o Boni. Seguindo essa mesma filosofia. diretor de jornalismo da Globo em São Paulo. para o qual fizera o teste. substituiria as belas moças do tempo. eu dava muitas entrevistas para os jornais de São Paulo. Na sexta-feira estreei no Jornal Nacional. Ele queria mudar o jornalismo. o objetivo era colocar dois jornalistas profissionais. não Segundo a revista Info (de setembro de 2005). Fiz. óculos de grau e uma calvície pré-acentuada revela aos telespectadores do Jornal Nacional se o dia seguinte será de sol ou de chuva. Magno achou que seria para o Bom Dia Brasil. tinha gostado muito de como eu explicava a previsão. “A Josélia Pegorim passou a prestar serviço para a Bandeirantes. A principal delas foi a troca de apresentadores. com o Renato Machado. “Nesse ponto já conhecíamos toda a estrutura da Globo.” As reações foram imediatas. José Emílio Ambrósio. ligou para a redação para saber quem era o “careca” que entrara Tanto é verdade que a Climatempo. “Numa quinta-feira me chamaram para conversar com o Roberto Muller. Carlos Magno faz parte da elite da tecnologia. De acordo com a direção de jornalismo. substituídos por William Bonner e Lilian Witte Fibe. 5 . e posso dizer até imprescindíveis para o esquema da emissora. o consultor da Globo e ainda todo-poderoso José Bonifácio de Oliveira Sobrinho. me ligou dizendo que o Evandro [Carlos de Andrade]. um rapaz de ar grave. 34 anos. confessa que ainda não encara as câmeras com tranquilidade. com isso. da pauta até a edição. “Como meteorologista da casa. e eles acionavam a RBS (afiliada da Globo no Sul do País). aí um dia o diretor de operações do Rio de Janeiro. mas está gostando da experiência. Não foi bem assim. lembra Magno. relembra Magno. pois a Globo não pedia exclusividade. O meteorologista Carlos Magno. O homem do tempo 45 á duas semanas.

Olhavam com estranheza. revela que o difícil foi vencer o nervosismo diante das câmeras. 12/5/1996).” (Diário Popular. conta ele.’ Casado com Ana Lucia e pai de três filhos. até porque sabe exatamente do que está falando.” A falta de experiência e de traquejo para lidar com as exigências do vídeo. pois além do Jornal Nacional também passou a apresentar o Jornal Hoje e por fim o Bom Dia Brasil. por isso era preciso arranjar uma maneira de disfarçá-la. Em um fax enviado para a Climatempo. o coordenador do curso de graduação de meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Para os alunos da UFRJ . Ele passa muita credibilidade.” (O Dia. Da calça. teria dito ele. Para Magno. fora dela tinha uma empresa para tocar. Magno diz que sabe o que é notícia para o público.no ar. Amanhã vou mandar um maquiador para colocar uma peruca nesse cara”. Magno perdeu a conta das vezes em que ele saiu da emissora direto para uma dessas reuniões devidamente. C EFET e muitos outros jovens candidatos. o homem do tempo do Jornal Nacional. Magno virou notícia em vários jornais e colunas: “Nota 10 para o meteorologista Carlos Magno. Na área acadêmica. tal como a maquiagem. que vem apresentando a previsão do tempo no Jornal Nacional.” (Controle Remoto. Tenho certeza de que nos últimos dez anos foi a melhor coisa que se fez para a meteorolo- 46 . Francisco Lourenço. sou uma autoridade’. mas sabiam que eu era da Globo. mas garante que isso não mudou sua rotina. ‘Já sei que na sexta-feira o importante é se vai ter sol ou não no fim de semana.” A estreia do homem do tempo da Globo também repercutiu na mídia. brinca ele. acabou provocando situações constrangedoras. que não surgiu na telinha por acaso. chegando a afirmar que: “Estou longe de me enquadrar no padrão global. De qualquer maneira. dava os parabéns pelo trabalho na previsão do tempo do Jornal Nacional. 15/5/1996). estava em uma reunião e senti a maquiagem escorrer pelo rosto. O Globo. ele é a cara do filho do general Colin Powell. no calor. como donos da Climatempo.’ A popularidade aumentou. 13/4/1996) “Satisfeito com a repercussão de seu trabalho. Quando o assunto é a previsão do tempo. poderiam participar. o meteorologista Carlos Magno vem acumulando duas responsabilidades de peso: manter a margem de apenas 5% de erros nas previsões climáticas e esfriar o ânimo dos telespectadores saudosos das antigas meninas do tempo. Marcos Paulo e Victor Hugo. a meteorologia foi muito estimulante. a chegada de um meteorologista na tevê foi considerada um estímulo para jovens estudantes. Carta Capital. Carlos Magno.” A solução encontrada foi usar uma tinta para dar a impressão de que havia mais cabelo. também não faltaram algumas críticas bem-humoradas: “Roupa estável. “Globo aposta na credibilidade e substitui as beldades da previsão pelo meteorologista Carlos Magno. e vamos embora assim. “Esse careca não pode ir ao ar. Era desagradável. maquiado. Mas não estou na emissora por causa da minha beleza. com certeza. mas tenho o meu charme’.. “O problema é que a careca brilha com a luz do estúdio. reagiu Magno. Chova ou faça sol. novos clientes para atender. Segundo Paulo Francis. “Peruca não”. Estará Carlos Magno de bermudas e sandálias japonesas.. mas não deixava de ser engraçado. ‘A emissora está tentando profissionalizar cada vez mais. Minhas antecessoras eram bem mais interessantes. lá está ele sempre envergando um paletó cinza de gosto duvidoso. há três semanas. Depois que estreou no Jornal Nacional da Rede Globo. ninguém sabe. Carlos Leonam. ‘Não me preparei para ser apresentador. ‘Não sou tão bonito quanto elas. Apesar da repercussão favorável na imprensa. Isabel. pois o meteorologista não aparece de corpo inteiro.” Amauri Soares era o editor-chefe do JN e lembra que realmente foi preciso dar um “jeito” na calvície do meteorologista. reuniões que só ele e Ana. “peruca eu não coloco. estreou. precisa melhorar seu guarda-roupa. “Uma vez. junho de 1996). foi difícil se acostumar com essas exigências do vídeo. como reza a lenda do Jornal Nacional?” (Planeta Rio. Se na telinha ele era o homem do tempo da Globo.

Não se assuste. Algumas delas pedindo orientação meteorológica. Ao contrário do jeito sério e tímido de Carlos Magno. As abordagens sempre foram muito simpáticas.Sª. Magno era muito introvertido.” Respostas do público vinham também por meio das cartas recebidas na Globo. Acontecia de estar em um parque com a Ana e as crianças e as pessoas chegarem para perguntar sobre o tempo. O Jornal Nacional não deixava isso acontecer. (. Sem ter a exata dimensão do que era aparecer todos os dias em horário nobre e na Globo. Outras sugerindo algumas mudanças de postura física na apresentação do quadro. Até que tive de parar de andar de metrô um dia em que estava na fila para comprar o bilhete. Rufino A. a previsão do tempo”. E ainda algumas mais calorosas. parecendo não se tratar de um canhoto. Amauri Soares lembra que na Globo. senti que as pessoas me olhavam desconfiadas. “Mas. (Uberlândia. em São Paulo. cerca das 15h.. A figura do homem do tempo não era novidade no Brasil. Pode ter certeza de que melhorou muito. de Uberlândia: “Você deve estar se perguntando o porquê desta carta.) Antes a impressão que dava era de uma posição forçada ou de paralisia total do seu braço direito.) vi o apresentador do serviço de meteorologia da rede CNN movimentar os dois braços e num anúncio na tevê local a apresentadora apresentando (sic) um quadro de propaganda movimentar os dois braços. Eu segui em frente e fui embora. se possível for. “No primeiro mês. Um cara que estava perto me viu. do Rio de Janeiro: “Ia escrever-lhe no princípio do mês. Depois que cheguei (. (. (Rio de Janeiro. A popularidade alcançada no Jor- nal Nacional refletia-se em família. Magno sentia-se incomodado pelas constantes abordagens feitas pelo público fora da emissora. curso o primeiro ano de jornalismo em uma faculdade local e sou ‘fissurada’ em você. eu já era parado para dar autógrafo. junho de 1996). No segundo. e sim o princípio de um relacionamento tranquilo e. Magno tentou manter sua tranquila rotina de trabalho indo todos os dias de metrô para a emissora. Quando você está no seu lazer quer passar despercebido. Nas ruas a visibilidade proporcionada pela tevê também repercutia. ninguém acreditava que o homem do tempo do Jornal Nacional andava de metrô!” Muito tímido. Francisco Lourenço”. Apesar de realizado no trabalho. com o intuito de construir”. ficou muito conhecida na 47 . assim como Paulinho se transformava ao começar a cantar. Fiquei muito envergonhado. além de uma certa semelhança com o compositor.” E assina: “Com a admiração do seu velho professor.) Se já tivesse escrito ia achar que a minha observação tinha atingido o objetivo. como se diz. julho de 1996). como a de um médico veterinário de São Paulo. quando divisei no horizonte nuvens carregadas e uma figura semelhante a um tornado. poucas eram grosseiras ou negativas. de Alencar Filho. com uma atitude muito mais natural. Desculpe a franqueza e a observação. relembra Amauri. mas devido a uma viagem só agora o faço. da ocorrência no Brasil deste fenômeno e se algo foi detectado naquele estado. Indago a V.. é muito simples: tenho 19 anos.gia nacional. ficavam me olhando. ele era conhecido como o Paulinho da Viola da meteorologia.. começou a falar. Esta carta não pretende parecer um correio elegante.. como a da estudante Cleide Graziely. de uma forte e saudável amizade”. outubro de 1996). (São Paulo. Magno também se soltava ao começar a falar do que sabia. Aí todo mundo olhou para mim. virou para mim e disse alto: ‘olha lá o homem do tempo!’. Isso porque. pois agora houve uma modificação total na sua postura. encontrava-me no salão de embarque do aeroporto de Vitória. em São Paulo. como a do telespectador Flávio Faria. aguardando o embarque para Fortaleza. Magno não sabia lidar com o assédio.. sou ‘fissurada’ de uma forma positiva (e até curiosa). Toda vez que sentava no trem. “Queria ter uma certa privacidade com a família e às vezes não dava. Ela foi feita no bom sentido.. Será uma forma bizarra de precipitação pluviométrica? Atenciosamente”. que escreveu: “No dia 10 de junho de 1996. “na dele”.

e com uma antena apontava os decalques de sol e nuvens. atual SBT . Nova mudança de rotina. Humberto (Humberto Mesquita. O humor e as excentricidades do ator. onde morava com a família. o aluno aprendia todas as etapas necessárias para chegar a uma previsão acima de qualquer suspeita. Nesse ano. voltou ao ar em 2008. disse em entrevista ao Diário Popular. Para atender a Globo. quando a emissora paulista reviveu o telejornal. assumiu a direção de jornalismo da emissora em São Paulo e implantou uma nova proposta de jornalismo. como diz Soares: “é o conteúdo que dita o formato. Carlos Magno deu à meteorologia um caráter mais humano. Na década de 1980. o São Paulo Já voltou a se chamar SPTV. O destaque da primeira edição. Felisberto Duarte morreu em agosto de 2008. na antiga TVS. Em seu lugar entrou a jornalista e atriz Fabiana Scaranzi. “Ia para lá de madrugada. Mais experiente e seguro. pois. saía um pouco para fazer ginástica. “Eram muitas meninas sendo testadas e. e não o contrário. Sempre iniciava a previsão com uma frase: “Boa noite e tempos felizes!”. em determinado momento. que pode se considerado um dos precursores dos apresentadores do tempo. Feliz foi uma das atrações do jornal Aqui Agora. Afinal. Por um breve período. não deixou a telinha. como sobrou um resto de fita. Sem perder a seriedade. Por pouco tempo. Durante um ano Carlos Magno apresentou o Jornal Nacional. promover um diálogo mais solto e irreverente. na verdade Felisberto Duarte. na Praia Grande. Foi escalado para apresentar os jornais vespertinos: Bom Dia Brasil e Jornal Hoje. aos 70 anos.” Nesse sentido. litoral de São Paulo. Feliz – que não era meteorologista. E o final vinha seguido por uma expressão que virou o seu bordão mais conhecido: “E piriri e pororó!”. Achei engraçado e li fazendo todas as palhaçadas que me vieram à cabeça. Sua figura chegava a incomodar os meteorologistas que não queriam que a imagem humorística afetasse a seriedade da profissão. Feliz foi escolhido na época porque decidiu dar à previsão um ar de brincadeira. como apresentar o programa debaixo de chuva no estúdio. No início da década de 1990. o jornalismo tem lá a sua dinâmica e. pesquisas feitas pela Globo indicaram a necessidade de voltar ao velho padrão das moças do tempo. do SBT . dentro desse novo estilo. ele aparecia em frente a um quadro com o mapa do Brasil. mais voltado para a comunidade. jornalista da TVS) pediu de brincadeira que eu lesse o texto diante de um mapa. Na capital. depois de comandar o Jornal Nacional. renderam-lhe muita popularidade. mas sim ator e comediante – tratava o quadro do tempo de forma descontraída. passou a oferecer aulas de meteorologia para os jornalistas da Rede Globo interessados em se especializar no assunto. mas pouca credibilidade.tevê a imagem do personagem Feliz. sem audiência. voltava para a emissora para fazer o SPTV e o Jornal Hoje. e cada uma das afiliadas do interior mantinha um segmento dedicado exclusivamente a matérias da sua região. com as mesmas características para apresentar o quadro do tempo e os mesmos bordões. a Climatempo. de 12 de maio de 1996. porém. Por meio de uma linguagem mais solta e da sua participação durante o jornal. o quadro do tempo deixou de ficar preso a um formato. o SPTV privilegiava as notícias da Região Metropolitana de São Paulo.” Em 1996. no horário do almoço. No curso. me- Õ Em 1996. Magno passou a chegar a emissora às 48 . não levei a sério e gosto mesmo é de humor”. o Aqui Agora foi tirado do ar. a previsão extrapolou os limites de um cenário fechado e aproximou-se do público. fazia os textos e ajudava a fazer a arte. a ideia era aproximar o jornal da comunidade. fazia o Bom Dia. Assim. com Carlos Magno à frente. Para ele uma experiência fundamental em sua carreira. segundo Amauri Soares. era o tom informal e descontraído com que a notícia era tratada. Contudo. Magno. 4h30min da manhã. Amauri Soares.

sem que isso onerasse muito o meu fluxo de caixa. Montei a empresa e chamei o Rogério para ser sócio. interior de Minas Gerais. como não acreditar na sua seriedade? Resultado: foi um período de grande crescimento da empresa. Fiquei mais solto no ar. Chamamos de Agência Climatempo e todos da equipe passaram a ter uma participação. El Niño. contribuir um pouco com os homens e mulheres que escrevem a história da cafeicultura nacional.nos formal. O que falta é saber como fazer. eu estava lá e à tarde ia a Ana. e até quem sabe. De manhã. Não queriam perder esse pessoal já experiente que estava junto na empresa. “Criamos um quadro de sucesso com as conversas ao vivo com o Chico Pinheiro. O tempo que Magno e Ana dedicavam à Globo não prejudicava a qualidade de serviço prestada a outros clientes. “Ana e eu dávamos muita atenção para a Globo. Bom Dia Brasil. “Foi então que decidi montar uma outra empresa. Em 1996. avulsos. revistas e televisão pouco esclarecem ou. A prova de que a Climatempo consolidava-se a cada dia no mercado nacional era o interesse de setores da economia que até então desdenhavam a meteorologia brasileira. sem dúvida. também ajuda a prever o clima da sua região com boa confiabilidade. ou pelo próprio agricultor. da Cooperativa de Guaxupé. é quando a seca ou a chuva é muito forte e suas consequências já estão sendo sentidas no País. Mas não era fácil. Sinal de novos tempos e embrião do grupo. temperatura e outros elementos que definem o clima de uma região com índices de acerto superior a 60% até seis meses. foi Soares quem mudou o conceito de jornalismo participativo do SPTV e valorizou o quadro do tempo. A previsão atendia várias editorias: Globo Rural. Os gráficos e os mapas que aparecem em jornais. A tecnologia. especialmente. Titãs e até cobrando do governador Mário Covas maior investimento na meteorologia de São Paulo”. A Globo exigia demais da gente. mais condições de crescimento e estabilidade como empresa. se uma empresa como a Globo prestigiava os serviços da Climatempo. e fazíamos a distribuição dos lucros ali mesmo”. Na maior parte das vezes em que os agricultores ouvem falar sobre El Niño e La Niña. Tanto foi assim que nesse período Carlos Magno e Ana Lucia estavam preocupados em crescer de forma sustentável. e fazer muito sobre esse assunto. e inclusive outras ‘praças’. que ajuda a agricultura com aumento da produtividade. A ideia era trazer todos os contratos que não eram de longo prazo. no tratamento do solo. cantando ao vivo com o Paulinho da Viola. José Geraldo. sobre dois fenômenos meteorológicos de nomes curiosos que confundiam a cabeça dos agricultores: “Antes de falar sobre o clima. a Climatempo desdobrava-se em duas: Climatempo Consultoria e Agência Climatempo. A agricultura. Para um mês o acerto é superior a 90% e 3 meses superior a 80%.” Essa dedicação à Globo não se restringia apenas a Carlos Magno e a Ana Lucia. Para ele. tinham consciência de que era preciso pagar melhor os meteorologistas para mantê-los como um grupo coeso. Bom Dia São Paulo. como Rio de Janeiro e Minas Gerais. explica Magno. Carlos Magno foi convidado pela Cooperativa dos Agricultores de Guaxupé. gostaria de agradecer ao sr. mesmo quando conseguem explicar. a escrever um artigo sobre o clima e. na administração da fazenda. Claro que a visibilidade conseguida por meio da emissora carioca deu à Climatempo maior credibilidade e. ou seja. O uso de supercomputadores que processam bilhões de informações por segundo permite aos climatologistas atuais prever o comportamento da chuva. na escolha da semente. relembra Magno. foi a que mais se interessou pelos serviços da empresa. para a agência. Imaginem quantas decisões poderiam ser tomadas com mais segurança e com pouco desperdício de dinheiro usando estas informações? Mas aí você pergunta: até aí tudo 49 . com isso. Mas não é verdade!!! Podemos fazer. Toda a equipe da Climatempo estava envolvida no atendimento aos clientes. La Niña e seus impactos no dia a dia do cafeicultor brasileiro. pouco se pode fazer sobre o assunto. A Ana gostava muito disso e se deu muito bem lá. pela oportunidade e honra de escrever para este jornal. Ao contrário.

Em todos estes anos. a Climatempo utilizava todos os dados disponíveis. do clima na próxima estação. enfim. em contrapartida. Ao longo das três últimas décadas. Periodicamente. O Canal Rural surgiu de uma parceria entre a RBS . com sede em São Paulo. modificando a circulação dos ventos sobre o continente e mudando o clima de onde vivemos e plantamos. Nesses anos. Nesse cenário de expansão das teles. Hoje em dia. os efeitos das chuvas. Somente em 1995. grupo de comunicação do Sul do Brasil. e a Globosat e começou a operar em novembro de 1996. de alguma forma. trazendo as temidas geadas para o café. Uma das novidades que surgiram nesse período foi um software desenvolvido por Rogério Leite. a década de 1990 ficaria marcada como o início das operações das televisões a cabo. pecuária. Sua programação era totalmente voltada para o setor agropecuário. é possível acompanhar com detalhes o deslocamento das manchas de temperatura sobre os oceanos e com o uso de computadores prever o comportamento do fenômeno nos próximos meses e. Essa tendência. além da imagem de satélite NOAA-14. associada à distribuidora NET . inclusive das tevês por assinatura.bem. a concessão de licenças para operação foi regulamentada. O nome El Niño foi dado há mais de um século pelos pescadores do Peru. a situação das barragens e das produções com o monitoramento sistemático do clima. 1985 e 1994. surge a Agência Nacional de Telecomunicações ( ANATEL). causando a seca”. que por sua vez bloqueia as frentes frias no Sul. que é o contrário – temperatura da água do oceano abaixo da média – e traz consequências mais diretas para o café. a temperatura da água do oceano Pacífico equatorial fica acima da média. mas o que é que o El Niño tem a ver com isso? É que os oceanos interagem com o movimento da atmosfera. com a promulgação da lei de tevê a cabo. (Carta de Carlos Magno à Cooperativa Agrícola de Guaxupé) que passaria a funcionar como órgão regulador dos serviços de telecomunicações. provocando enchentes e deixando o Nordeste seco por vários anos. O El Niño é a mais estudada e observada corrente oceânica. Sabia-se que naqueles anos a pesca ficava mais difícil no Pacífico equatorial. a TVA e a Globosat. porque seus efeitos no clima sobre o planeta algumas vezes são desastrosos. serviço de meteorologia específico para a área rural e programas dirigidos a agricultores. com os satélites e estações de pesquisas. o Pacífico equatorial deixava de ser quente e tendia a ser mais frio. um ano depois entrariam em operação as primeiras redes de tevê a cabo. Em 1997. agronegócio. A empresa paulista ficou então responsável pela produção dos boletins diários e da divulgação de todas as notícias de cunho meteorológico. com os olhos voltados para o interior do País. a tevê paga. com destaque para análises do mercado. fornecendo enorme quantidade de calor e umidade. o Canal Rural decidiu contratar a Climatempo para implantar todo o serviço de meteorologia. o inverno é frio e ocorre seca na primavera. 50 . No início de 1997. Nos boletins eram dadas informações sobre as condições meteorológicas das principais lavouras em todo o Brasil. que a cada dia estão mais precisos com o uso dos computadores. consequentemente. o mesmo que modernizou o BBS e Õ Para a telecomunicação brasileira. pesquisadores vêm desenvolvendo modelos ou maquetes que simulam matematicamente a circulação da atmosfera e sua interação com os oceanos. pois o El Niño intensifica a massa de ar subtropical do Atlântico. entre 8 e 13 anos. como foi observado em 1975. que o observava durante o Natal. Para a região cafeicultora não é o El Niño e sim o período de mudança para o La Niña. nasceu um novo canal voltado exclusivamente para o setor rural brasileiro: agricultura. Para isso. facilita a penetração de massas polares mais fortes durante o inverno. as frentes frias passam com mais facilidade na primavera. Em 1990 aconteceram as primeiras concessões de televisão por assinatura. No Brasil. a relação do El Niño e o clima das regiões Sul e Nordeste é mais direta.

montou o padrão dos boletins.” Trabalho cuidadoso e muita dedicação. eles colaboraram. Para ele a previsão do tempo era de suma importância para atender aos objetivos da nova emissora. Pior do que isso. Por outro lado. fiz muitas aulas com ela.. dominando o mercado e fornecendo informações para os mais importantes veículos: Canal Rural. Segundo. Raul Costa Jr. relembra Ana Lucia. era o diretor do canal em São Paulo. Naquele momento. porque do contrário a lagarta do caruncho vai aparecer’”. sem querer deixar de cuidar da menina. “Dois anos depois de uma forte crise. As pessoas sempre me perguntam como eu conseguia trabalhar e cuidar de meus filhos. a emissora ainda estava passando por reformas. Um trabalho absolutamente minucioso. No canal. No meio dessa história quando apareceu o Canal Rural. esse programa gerava a previsão do tempo para todos os municípios brasileiros e mais tarde até para algumas vilas. Sem ter com quem deixá-la. “Um dia o Amauri Soares disse pra mim: ‘você podia ser uma moça do tempo. levou-a junto para a tevê. e mais. Aí começamos a pensar em ter a nossa própria TV”. era só treinar sua voz’. Globonews. a bichinha deitada no meio da poeira. praticamente nunca ficavam doentes. não havia um local apropriado. praticamente atuava em todo o mercado. Por isso procurei uma fonoaudióloga para cuidar da impostação de voz. enquanto preparava os boletins. Ana Lucia nunca escondeu que ao lado da meteorologia sua grande realização estava em ser mãe. Dependendo do produto agrícola. para deixar Bebel. eu consegui. Eu me organizava com tudo isso. Ana Lucia não se esquece de um dia em que precisava ir para o Canal Rural e sua filha mais velha. que era de cinco minutos a cada meia hora. sem poeira ou barulho. “Estamos mudando o conceito de tempo bom e tempo ruim. em 1996 já estávamos recuperados. no Canal Rural tivemos de entrar em detalhes que nunca havíamos trabalhado.que era responsável pela área de TI da empresa. Ela e sua equipe fizeram um profundo levantamento de fontes e dados produzindo uma disputada agenda com nomes de todo o Brasil que pudessem fornecer informações sobre a área agrícola ou sobre as condições climáticas. Ele facilitou a vida do previsor: bastava lançar os dados dos modelos no PREVPLAN para gerar a informação que era então avaliada pelo meteorologista. a chuva é fundamental para uma boa safra. Ana Lucia não foi para a frente das câmeras. 51 . TV Globo. Por isso. Meus filhos sempre foram colaborativos.” A essa altura do campeonato. Várias pessoas no Canal Rural nos pediram para copiar essa caderneta. O jeito foi acomodá-la da melhor maneira possível. “Uma coisa que me marcou foi ter de levar a Isabel para dentro do Canal Rural em obras. Eu e o Magno já éramos bastante experientes na formatação de textos e apresentação de boletins de previsão. era difícil se dividir nesses momentos. Era só o começo de mais uma longa jornada de aprendizado e crescimento da Climatempo. mas no final acabei não me tornando apresentadora”. do tipo: ‘não está chovendo agora. “Tínhamos uma caderneta com fontes para nos ajudar a juntar as informações de agricultura e meteorologia. mas trabalhou incansavelmente na formatação da meteorologia do Canal Rural. Primeiro. Eu achava minha voz ridícula. Denominado PREV PLAN. que na época ficou muito envolvida com esse novo desafio. relembra Magno. Bebel.. adoráveis. falando do tempo no Brasil e no mundo e sua influência na agricultura. precisa chover. além de propor o conteúdo da grade de programação. definiu as imagens e mapas. que o milho está formando sabugo.” “O Canal Rural envolveu toda a equipe da empresa. quietinha e dormindo ao seu lado. consultoria e agência. a ideia inicial era eu apresentar os boletins. a Climatempo. com muita febre não tinha ido para a escola.

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Como bom empreendedor. fez da empresa uma potência. “O Rio nos anos 1970 era um outro Rio. Em um desses encontros. ida e volta. É difícil imaginar que por trás do jeito tímido e sério do meteorologista Carlos Magno existiu um verdadeiro roqueiro.” Quem conta com tanta segurança essa história é o empresário e compadre do casal Ana Lucia e Carlos Magno. e ali a amizade se fortaleceu. O pessoal começou a se mexer e. nas peladas disputadas na praia. Tudo muito discreto. Waldemar lembra que os dois. Waldemar Stefan Barroso. A gente trabalhava então nas férias vendendo brinquedos. fomos convidados para tocar em festinhas de amigos. “Uma vez fomos tocar em um festival religioso. estabeleceram metas. porém. Conheceram-se ainda adolescentes. Curitiba e Belo Horizonte. um sonho que Canal do tempo 53 “Foi uma caminhada histórica para mim e acho que para ele também. Interesses diferentes separaram os dois. Na verdade. Os organizadores até que tentaram diminuir o entusiasmo. A partir dali.” Essa identidade os aproximou ainda mais e era nas longas caminhadas pelo calçadão da praia à noite que discutiam o futuro. tinham afastado cadeiras e mesas e dançavam feitos loucos. para lá. uma ideia começou a germinar na cabeça dos dois. “Ao longo do tempo acabamos nos encontrando várias vezes para conversar. já sabiam o que queriam. relembra Waldemar. ambos perderam os pais muito jovens e tinham consciência da necessidade de ajudar as mães. Os dois tinham muito em comum: ambos vinham de famílias de classe média de Copacabana. em um clube na Tijuca. Waldemar passou pela Oceanografia antes de se definir pelo Desenho Industrial. em São Paulo. românticas e tal. tínhamos por volta de 15 anos.“Q uer saber de uma coisa? A Climatempo nasceu em uma caminhada pela Av. “Minha mãe era compradora de um grande magazine no Rio. Amigo de infância de Magno. Foi um sucesso total. Na banda. crescer muito e aos 30 anos seriam donos da própria empresa. formaram a Aves e Ovos. puro rock. estudavam em escola pública. recorda Waldemar. na volta. a Promeeting. que praticamente dominou o setor. montou sua empresa de comunicação corporativa e eventos. Magno seguiu a Meteorologia. Combinaram então. depois. primeiro como Canal do Tempo e. eu e o Magno. fizeram um planejamento estratégico e atingiram objetivos. trabalhadoras que batalhavam para educar os filhos. por volta de 1995.” 6 .” Enquanto isso. naquele momento. na zona sul do Rio. “Aos 15 anos rogamos uma praga positiva e deu sorte. “Em 1995 já estávamos com 188 funcionários espalhados pelo Rio. aí começamos com nosso som. na casa dos 30 montamos as nossas empresas. o Barboza Freitas. Magno foi baterista e vocalista. os dois jamais deixaram de aproveitar a vida. Bom. Apesar da seriedade com que encaravam o futuro. fez parte de um sonho que anos mais tarde se concretizaria na criação de um canal de televisão. Waldemar foi morar fora do Brasil e. Afinal. TV Climatempo. Os anos se passaram. Waldemar acompanhou de perto a gestação da Climatempo. Quando chegava a época do Natal. Tínhamos pouca fama e muita grana. E mais. o que dá mais ou menos uns dez quilômetros. eles precisavam de gente para trabalhar e ela nos levava. São Paulo.” Como bons futuros empresários. Ele foi nosso padrinho de casamento e depois padrinho da Isabel”. Vitória. e entre uma meta e outra montamos uma banda para tocar entre amigos”. Nós dois. Waldemar se lembra de uma em especial. Subimos no Logo. o que a gente podia realmente fazer para não ficar naquela vidinha. quando vimos. “Tocávamos muito rock”. lembra Magno. começamos a pensar o que queríamos fazer da vida. que os dois iriam fazer faculdade. com outros cinco amigos. lá pelos idos dos anos 1970. Atlântica. terminar por volta dos 20 anos. chegou a hora de ir para a faculdade. trabalhar muito. a Climatempo já era uma realidade. entre um chopinho e outro.” palco depois de uma série de músicas calmas. A gente costumava andar de Copacabana ao Leblon. mas não deu muito certo. Nesse dia. em um bar do Rio. Waldemar e Magno cresceram juntos em Copacabana.

o TWC preparou uma estratégia agressiva de divulgação na mídia. quando ainda em 1995 o banco foi à falência. (08/6/1999) “A ideia era usá-los na nossa tevê. as boas idéias não ficam apenas na imaginação. A opção para operar no Brasil fazia parte do objetivo de atuar na América Latina. Ricardo Maldonado”. um dos executivos da WSI. e agora está maduro para receber o nosso projeto”. mantinha contato constante com a Climatempo. inclusive em classificados para a contratação de pessoal: “Para a maioria dos profissionais. Ainda de propriedade do complexo Landmark Communications. Contrataram em dólar. programas espe- 54 . primeiro registrando o nome Canal do Tempo. No Brasil. adiando por algum tempo a realização do negócio. dizia Ana Lucia. o Banco Nacional era um dos clientes da Promeeting. vários canais negociavam sua distribuição por operadoras no Brasil. Em seis meses. E foi assim que conheceram a empresa norte-americana WSI (Weather Services International). Elas querem ação. A experiência adquirida na Rede Globo e também no Canal Rural ajudou a abrir caminho. Um abraço. praticamente inexplorado. Estou pronto e decidido a entrar com essa tecnologia no Brasil. Seu slogan era “nenhum lugar no mundo tem tempo melhor”. a TWC difundia informações meteorológicas 24 horas por dia a cerca de 80 milhões de residências nos Estados Unidos. E a Climatempo assumiu a central da Bandeirantes em 2001. De parceiros passaram a concorrentes. Tudo parecia caminhar. “Cheguei até a sugerir que eles voltassem com o símbolo do guarda-chuva”. a busca por recursos para a implantação da nova tevê motivou Magno e Ana. canal de informações meteorológicas que vislumbrou a possibilidade de dominar a área na tevê a cabo brasileira. O entusiasmo com a nova empreitada transparecia nas mensagens enviadas a Magno: “De acordo com nosso engenheiro de software. veio com a notícia da chegada ao Brasil do canal norte-americano The Weather Channel. com programação em português e que atinja vários segmentos da sociedade.voltou a aproximar os velhos amigos. ainda em 1997. Imagens de satélites não eram suficientes. e Waldemar não pensou duas vezes em propor ao cliente o bom negócio. Desde 1982. porém. Um deles foi o The Weather Channel. fecharam. lembra ele. mas o que aconteceu é que nós acabamos abrindo os olhos deles para o mercado brasileiro. Foi uma época da maturação de um sonho. que viram ali um novo desafio para a Climatempo. com anúncios em páginas de revistas especializadas e em jornais. depois correndo atrás de patrocínio. incentivando a parceria. Esta informação está sendo veiculada em todos os meios especializados de TV a cabo. um Canal do Tempo? Em pessoas empreendedoras. montaram a Central Band de Tempo. Eles vieram para cá. contrataram todos os profissionais que a gente queria para a nossa tevê. Então. O mercado é virgem. é uma solução sem precedentes e única no mercado.” A certeza de que estavam no caminho certo. mas não aguenta- ram. Waldemar tratou de tornar real o sonho. Novas tecnologias eram avaliadas visando à possibilidade de gerar imagens meteorológicas com quali- dade para o veículo televisão. TWC (The Weather Channel) irá ter uma coisa parecida no próximo ano. a meteorologia é apenas conversa para passar o tempo. Em 1997. “Há anos planejamos um canal brasileiro. que também era dono do Travel Channel e na época na NET/Globosat. por que não juntar as duas coisas em um poderoso veículo e criar o próprio canal de televisão. Com o mercado de tevê paga a todo o vapor. Naquele período. Enquanto um possuía toda a experiência em comunicação. que fez com que a Time Warner passasse na frente de todo mundo. o outro tinha um bom e pouco explorado conteúdo nas mãos. Ao longo de 1997. Ricardo Maldonado. que desenvolvia softwares de meteorologia para televisões dos Estados Unidos. o TWC já estava nas tevês do Peru e da Argentina. Ana Lucia chegou a viajar para os EUA para conversar com os executivos da empresa. Mas no The Weather Channel temos previsões baseadas nas tecnologias mais avançadas.

No vídeo. O que eu gostaria de saber é o se- 55 . em 1998. SPTV e Jornal Hoje.5 bilhões de dólares. No momento. Praticamente dominando o mercado. Ana e Magno mantinham a rotina de elaboração da previsão do tempo na Rede Globo.). em São Paulo: “Prezado senhor Carlos. além da oportunidade de trabalhar com um dos mais importantes empregadores do setor de TV a cabo” (. e para isso precisava de conhecimentos tanto científicos quanto de comunicação televisiva. Ao completar dez anos. o nosso canal é assunto de conversa de todo o setor. até sair definitivamente do Brasil por questões financeiras. veterana na área. O editor-chefe da emissora na época. mas hoje há tecnologia de ponta nesse setor. mais ou menos. inclusive já caiu um raio ou uma faísca em uma delas. com investimentos altíssimos. além de pioneira. porque não fazer uma televisão brasileira voltada para brasileiros?”. árvore de Natal. com experiência e pronto para fazer parte de uma organização de classe mundial em fase de expansão na América Latina. Aqui em casa tenho dois pés de cedrinho. Eduardo Mack. The Weather Channel se baseia em informações de um satélite com tecnologia da Nasa”. lamenta Carlos Magno. The Weather Channel estava disponível nas operadoras de tevê a cabo brasileiras Sky... Apesar da contratação de brasileiros.. vários setores da agropecuária. de Suzano. construtoras e produtoras de vídeo. A faísca estourou a coluna onde estava instalada a campainha. para os candidatos que possuam um diploma universitário em Meteorologia ou uma experiência equivalente. Os negócios na Climatempo iam muito bem. O TWC ainda iria ser um concorrente de peso ao longo dos anos. Além da programação para a tevê. Na época. Nelas. danificando toda a instalação. O anúncio pedia desde diretor de meteorologia para trabalhar em função executiva. com uns sete metros de altura. O canal oferecia ao Brasil praticamente a mesma programação veiculada em toda a América Latina. temos as seguintes oportunidades de contratação para o nosso escritório de Atlanta. Os candidatos bilíngues (Inglês/Espanhol ou Inglês/Português) serão preferidos (. até dentro de casa. agora. TECSAT e também na NET/Sul. Agência Estado. Com a cabeça mais voltada para a própria tevê. Apesar dos dois anos de Brasil. perguntava-se Carlos Magno. O resultado é que. toda a estrutura do TWC foi montada em Atlanta. Para funcionar no Brasil. a empresa já era. Geórgia... em torno de 10 milhões de dólares nos três primeiros anos por aqui. a poderosa rede de telecomunicação norteamericana NBC Universal comprou o TWC por um valor estimado em 3. foi montado também um site em que eram transmitidas as condições meteorológicas em tempo real e a previsão para cidades do Brasil e do mundo. mantinha os contratos antigos com seus primeiros parceiros: Eldorado. Carlos Magno ainda era o homem do tempo do Bom Dia Brasil. há perguntas curiosas..ciais e cobertura confiável em casos de emergências. queremos conhecê-lo. As cartas recebidas naquele período mostram bem isso. e ampliando sua carteira de clientes para indústrias.) Fomos acostumados a não acreditar em previsão do tempo.) Oferecemos salários e benefícios competitivos com o mercado. Em 2008. o TWC levou metade da equipe da Climatempo que trabalhava na produção do Canal Rural desde 1996. em dezembro de 2002. estou lhe escrevendo para um esclarecimento seu. eram grandes as expectativas. Em 1999. Rede Globo e Canal Rural. “Se eles entravam no nosso mercado. dizia em entrevista ao jornal O Globo: “Nosso desafio é mudar o pensamento dos brasileiros em relação à meteorologia (. até apresentadores com fluência no inglês e também no português. “Formamos a equipe brasileira para The Weather Channel”. e a ideia era criar uma programação exclusiva para o Brasil. Se você é um profissional de meteorologia. As árvores ficam a seis metros da frente da casa. A presença do TWC no Brasil deu novo estímulo à ideia de criar um canal do tempo nacional. a operadora ainda não havia conquistado o público brasileiro. como a do senhor José Jordão. conseguia manter a empatia com seu público.

Sem mais para o momento. a meteorologista da empresa Climatempo. 20/3/1998). Pergunta: É possível que a claridade das latinhas possa atrair raios?” (Suzano. Mal sabia ele. mas eu acho você supersimpático e muito lindo. gostaria muito se você pudesse me dizer. 21/ 9/1997). sua idade e de onde você é. A forma seria umas palavras minhas e da Ana e a apresentação da história da empresa e os novos desafios para o futuro. respondendo minha carta ou telefonando para mim. sou sua admiradora número um. Os sistemas estão sendo desviados para o oceano antes de influenciarem o clima no Sudeste. O público básico deve ser o pessoal dos meios de comunicação mesmo. que um barulho muito maior iria lançar o novo canal brasileiro voltado para a meteorologia. assisto o Jornal Hoje só para te ver. mas vou escolher um bem bonito.” (O Estado de S. Portanto. Ou seja. em função da quantidade de água. futura TV Climatempo. Da sua fã. passaram a ser identificados como da Climatempo. quando escreveu para o amigo Waldemar. A ABTA na época era a principal responsável pela divulgação da televisão paga no Brasil. planejava Magno. Você me perdoa. “Apesar do calor. Nessa feira. não faltavam as cartas de fãs mais ardorosas que se encantavam com sua figura no vídeo: “Meu nome é Ângela Maria. apresentada por vosmecê. Quem sabe podemos lançar o Canal do Tempo. recolhida pelo pluviômetro? 2) qual a relação existente entre a abertura do pluviômetro e a quantidade de água por ele captada? 3) a quantos metros cúbicos corresponde um milímetro de chuva? Faço tais perguntas porque se fala tanto em milímetro de chuva e nada se sabe sobre as regras para calculá-los. de Petrolina: “Sou assíduo telespectador do programa Jornal Hoje. A data pode ser 6 de novembro”. Com toda pompa e cerimônia e ainda com direito a disputa na Justiça. de onde assisto atento à previsão do tempo.. ficaria conhecido durante uma feira da Associação Brasileira de TV por Assinatura. portanto. em 31 de agosto de 1995 a máxima chegou a 33. 09/3/1998). Paulo. “Com relação ao coquetel dos dez anos da Climatempo. a ABTA 98 – Feira e Congresso Internacionais da TV por Assinatura. E. Já comecei a enfeitar a árvore com latinhas de refrigerantes e cervejas para o ano 2000. é a grande massa de ar seco que atua sobre a maior parte do Brasil e impede a entrada de frentes frias e de massas polares vindas do Sul do País.1 graus (. Gostaria que o amigo me explicasse as indagações abaixo: 1) qual a área que se leva em conta. o Canal do Tempo. O esquema armado para atender a Agência Estado funcionava maravilhosamente. da TV Globo. 14/10/1998) Em outra carta. afirmou que ainda não foi registrado recorde de temperatura para o mês de agosto na capital. Gostaria de saber seu estado civil. (Cachoeiro do Itapemirim. a frente fria vinda do Sul deve atingir o leste e o sul do estado. em julho de 1998. JT e demais clientes da AE e também para as matérias.guinte. Toda a equipe já estava afinada para manter o fluxo de informação necessário para as colunas feitas diariamente para o Estadão. Viu? Não é tão difícil assim. a associação reuniu cerca de 300 expositores em uma área de 10 mil 56 . da empresa Climatempo. “A explicação da meteorologista Josélia Pegorim. Ana Lucia de Macedo. Paulo. que seria a sétima. a simplicidade do senhor Euvaldo Aragão. estou imaginando um evento para 200 pessoas. antes denominados da Agência Estado. provocando chuvas no sábado à tarde e no domingo.. Uma festa que estava sendo organizada para comemorar os dez anos da empresa seria o lugar perfeito para fazer o lançamento oficial do Canal do Tempo.) Para Ana Lucia. (Petrolina. para se calcular a quantidade de água coletada. os meteorologistas. Só que agora com uma sutil diferença: a Climatempo ganhara identidade própria. Mais uma evidência de que o nome da empresa já ganhara luz e era conhecida e respeitada pelo público. Mando beijos e abraços e desejo muito sucesso para você. 28/7/1998). Seria às oito da noite. atenciosamente subscrevo-me”. quando chove. Ângela Maria”. ainda não sei o lugar. mais uma vez. Segundo ela.” (O Estado de S. aguardo ansiosa sua resposta.

vamos começar a transformar um sonho em realidade.) Afinal. Você pode colocar a vinheta da Climatempo na fita. O projeto é da Climatempo Meteorologia. era maior. empresa de consultoria que tem como sócio o meteorologista e apresentador da Rede Globo. durante as conversas em torno da tevê. O Globo. deixando tudo mais bonito. “Imagine. negocia com diversas operadoras o lançamento do Canal do Tempo.. Valeu a pena. em São Paulo.” (Meio & Mensagem. “A questão do Canal do Tempo me passou pela cabeça em um coquetel realizado na ABTA para o lançamento da feira. só isso. ela seria usada durante a feira para apresentar a nova emissora. no centro de São Paulo. Algum tempo antes. no sábado de manhã estávamos na rua do Gasômetro. um executivo. na zona oeste de São Paulo. comprando acessórios e madeira para montar nosso estande. montamos uma grade de programação”. dono da Climatempo. ainda em julho. 20/9/1998). já que a marca não é deles. o que aconteceria durante a feira. mas. quando perceberam que tinham subestimado a feira. Além de boletins específicos para cada região do país. O aviso com tom de ameaça não intimidou os dois sócios. que ficava ao lado de grandes redes.. era uma ideia. que os outros estandes eram grandes e bem estruturados. quem é o verdadeiro Canal do Tempo? Nós ou eles? Estou encomendando uns banners para colocar logo na entrada. escreveu para Waldemar dizendo que estava na feira da ABTA e que queria retomar o projeto do canal de tevê. marcará o lançamento de um novo canal brasileiro: o Canal do Tempo. “Fizemos pilotos de alguns programas.. Waldemar e Rogério Leite passaram o fim de semana montando o novo estande. A animação. e foi aí que a encrenca começou. para os executivos que vão viajar e para os agricultores” (Revista da TV.metros quadrados no Internacional Trade Center. Eu era o homem do tempo da Globo. também?”. Para ele era frustrante não participar. e nós dois éramos vistos no local da feira pregando coisas. como Fox. Agora. estávamos fazendo o lançamento de um nada. Disney. Apesar do entusiasmo. que detinha o registro da marca no Brasil. Waldemar havia produzido uma fita-piloto para mostrar o que tinham em mente para o canal.” Carlos Magno. que estava acostumado a organizar eventos e não teve muita dificuldade em criar um estande impecável. entrevistamos o Torben Grael. 31/8/1998) A boa receptividade da mídia. resolveram virar o jogo. chamando o público para visitar o nosso canal do tempo. e isso certamente criará um certo rebuliço na feira. Apesar de o estande deles ser maior. onde vi que o The Weather Channel vem com tudo para oferecer mapas para o Brasil. o nosso é mais bem localizado. E ficou bonito. Eles mandaram uma notificação para Waldemar Stefan. (. Ao contrário. Tudo graças à experiência de Waldemar.. como os verdadeiros detentores da marca. Sony. Queríamos ter feito prospecção para ver como o mercado brasileiro de tevê por assinatura encarava uma emissora nacional com esse tema. “Na verdade. O pessoal do TWC viu nessa publicação o nome Canal do Tempo. A programação será segmentada.” Quinze dias antes da feira saíram os catálogos destacando quem iria participar.. O lançamento de um canal de meteorologia foi notícia em vários jornais: “Carlos Magno. Por isso. Eles estão usando a marca Canal do Tempo. pequeno e improvisado. “A feira seria aberta na segunda-feira. dizia um animado Magno. porém.” Parecia que Magno estava prevendo. São milhares de clientes em potencial. que presta serviços de previsão do tempo para veículos de comunicação. informando que a Climatempo e a Promeeting não poderiam usar a marca. haverá blocos voltados para os jovens que querem surfar. os problemas despontaram antes mesmo do início da feira. po- 57 . Carlos Magno não pensou duas vezes quando soube do evento e viu que o TWC estava fazendo a maior propaganda. que ocorre entre os dias 22 e 25 de setembro. lembra Magno. acho que poderíamos aparecer para o mercado. o Waldemar. e o da Climatempo. Não poderíamos nos apresentar daquela maneira. que era deles.. “A ABTA 98. A expectativa era grande.

não deve deixar as coisas por isso mesmo. mas que para a feira não daria tempo de criar novas vinhetas para demonstração. Agora era tocar adiante e tornar a TV Climatempo real. o advogado dr. que deve nomear o canal que a empresa lançará em fevereiro. a nova ordem era para que The Weather Channel deixasse de usar a marca Canal do Tempo. Como bem previra o dr. a surpresa: uma liminar da Justiça proibia a Climatempo de abrir o estande e acusava a empresa de usar a marca Canal do Tempo de forma ilegal. por favor. “Foi um baque. primeiro dia de evento. A decisão revoltou os representantes do canal norte-americano. Ainda durante a feira.” Resultado: a TWC brigou com uma tevê que nem existia e ainda ajudou indiretamente a implantá-la. essa briga repercutiu nos meios de comunicação. uma terça-feira. 04/10/1998) Esse foi só o início de uma longa batalha judicial que duraria um ano. no enorme estande destinado a eles. assegurando que tudo iria se resolver. Pela decisão do juiz. “Acho que. Mais do que isso. Ao longo de 1998 e depois do epi- 58 . conta Magno. da 2ª Vara do Rio de Janeiro. O Weather Channel (Sky). desde esse episódio. 25/9/1998). (Boletim ABTA 98. retire-se do meu estande’”. acatou um pedido do The Weather Channel de obstruir a utilização da marca Canal do Tempo pela parceria entre a Promeeting e a empresa de previsão meteorológica Climatempo.” (Revista da TV. Em outubro de 1998. diretor da Promeeting. a Promeeting ficava impedida de utilizar a marca. Contudo. Mateus Levi. A Climatempo e a Promeeting receberam a notificação segunda-feira e. que reivindica o nome. Você. Parente. avalia Magno. finalmente chegou-se a um acordo. Segundo Carlos Magno. O primeiro round estava ganho. Os oficiais de Justiça não titubearam ao determinarem que o estande fosse lacrado. meu advogado conseguiu derrubar a sua liminar e agora são vocês que não podem usar a marca no Brasil. Com o tempo ficou apenas TV Climatempo. a TV Climatempo está vencendo a disputa pela marca Canal do Tempo. especialmente em Atlanta. Após o entrevero na feira. O Globo. O sonho parecia estar indo por água abaixo. “Conversamos na semana passada com o The Weather Channel e lhes dissemos que pretendíamos adotar o nome TV Climatempo. sede do canal. dizendo que isso era um absurdo. do Rio de Janeiro. no entanto. lembra Magno. ficariam bastante tristes”.” Foi então que a tevê nacional passou a ser denominada TV Climatempo – Canal do Tempo. entraram com pedido de suspensão da proibição. foi acionado. o pedido foi aca- tado ontem pelo desembargador Sérgio Feltrim Corrêa”. Isso fora o constrangimento diante de tantos expositores. de verdade. A disputa pelo direito de usar a denominação Canal do Tempo acirrou-se durante a ABTA 98 entre o norte-americano The Weather Channel e o brasileiro TV Climatempo. Na sexta-feira (antes do início da feira) o juiz Rogério Tobias de Carvalho. Não foi nada fácil ver tudo sendo retirado ou coberto. o jornal O Globo acompanhava a briga entre os canais: “Até agora. Os trâmites da Justiça têm dessas coisas: a uma liminar segue-se uma contraliminar. “O resultado foi que nós cedemos o nome Canal do Tempo e passamos a usar a TV Climatempo. edição 4. se eles soubessem disso. no mesmo dia. “No mesmo instante veio o cara do TWC . E foi isso que aconteceu.rém. O boletim distribuído durante a feira dava a dimensão da disputa: “O tempo fecha nos canais do tempo. no dia seguinte. que ainda assistiu de camarote ao pessoal do canal norte-americano tapar a logomarca Canal do Tempo. Virei para ele e disse: ‘Meu País tem lei. Segundo Waldemar Stefan Barroso. Sentei na cadeira e me senti muito mal”. ‘especialmente na ABTA 98’. Na mesma hora. uma outra decisão anulou a primeira e o estande da Climatempo pôde enfim exibir o que seria o novo canal. Do outro lado da linha procurava acalmar os ânimos. Magno já havia decidido mudar o nome da emissora para tentar acabar com a polêmica. deve ter atiçado ainda mais a ira do concorrente norte-americano. Na segunda-feira. Paulo Parente. Carlos Magno esclareceu. Por isso nos pagaram uma quantia que pôde financiar os primeiros equipamentos da tevê.

os professores do curso técnico de meteorologia. esse foi o primeiro e talvez o único projeto de incubação de um canal de tevê em uma universidade no Brasil. então uma empresa de DTH (direct-to-home) brasileira controlada pelo grupo TECSAT . Carlos Magno e Waldemar Stefan continuaram a busca por parceiros que pudessem viabilizar a emissora. uma grande festa de confraternização. em um bufê de São Paulo. a Promeeting e a Univap. Recém-inaugurada. Achei que para a TV Univap seria um grande desafio. tudo bem? Falei com o Evandro [ Evandro Carlos de Andrade. ela ainda era o ganha-pão. tocar seus projetos. Foram eles que abriram o caminho para a TECSAT . na época envolvidos no projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia. eu. Fernando Moreira. Fomos então procurar o reitor da universidade. Mais do que apenas comemorar a efeméride. Que eu tenha conhecimento. OK?”. Ele não se opõe. então diretor de jornalismo da Rede Globo] sobre sua consulta do canal do tempo. 59 . nos procuraram para apresentar a ideia de fazer um trabalho com a Climatempo. também em São José dos Campos. enfim. Para evitar qualquer tipo de problema. os executivos da TECSAT logo se interessaram pelo canal. Amauri Soares respondeu: “Meu caro.sódio da ABTA. interior de São Paulo. com equipamentos para recepção e transmissão dos sinais. Duzentos convidados lotaram o Buffet La Lunna. Jojhy Sakuragi e Ana Catarina Parrela – que já conheciam o Carlos Magno –. professor Baptista Gargione Filho. porém seria ótimo para o trabalho com os alunos. A ideia era treinar os alunos do curso para apresentação do tempo na tevê. Por meio de amigos em comum. a TECSAT havia implantado um moderno complexo tecnológico na área de tevê por assinatura. Sem problema. pois envolveria a produção e exibição de uma programação atualizada de hora em hora.” No fim de 1998. Apenas se comprometeram em subir o sinal da TV Climatempo para o sa- télite e dali fazer a transmissão. O reitor. Ana Lucia e Carlos Magno aproveitaram a oportunidade para marcar. consultou a Globo sobre suas prospecções acerca do canal do tempo. o lançamento oficial da TV Climatempo. marcaria os dez anos da Climatempo. os professores e o Magno. Você pode mandar brasa. Em uma mensagem. Afinal. porém não queriam e não poderiam gastar um centavo com a sua implantação. se entusiasmou com a ideia e autorizou o início de um projeto conjunto entre a Climatempo. Ali. “No fim de 1998. Para tentar viabilizar o negócio. chegaram aos executivos da empresa de tecnologia Atech. Magno também tratou de manter estáveis as relações de negócio da empresa Climatempo. o pessoal da Tecsat apresentou Magno e Waldemar a professores da Universidade do Vale do Paraíba (Univap). com sede em São José dos Campos. lembra bem como foi feita essa aproximação. diretor da TV Univap. Sivam.

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Magno jamais se esqueceu do ultimato dado pelo reitor.” 7 61 . As coisas pareciam caminhar com sucesso. mesmo com a atribulação da tevê.. com soluções caseiras. segundo Magno. o Jornal Hoje e o SPTV. Fato: o momento é agora. em um grupo de jovens estagiários dispostos a trabalhar no conteúdo gerado pela Climatempo. fazia questão de deixar todos cientes dos passos da nova criação. E com isso o projeto técnico foi tomando forma. uma realidade esmo oficialmente lançada. Waldemar Stefan. tenho a seguinte agenda: dia 23 apresentar uma proposta nova de modelagem para a Petrobras.. mas Magno jamais deixou de acompanhar de perto a empresa que ele e Ana Lucia criaram. “Aos poucos fomos trabalhando a questão técnica. outras pelo Ruy Carlos Gomes.. Magno que ainda apresentava o Bom Dia Brasil. nosso técnico que realmente pôs a mão na massa e fez as idéias saírem. lembra que no início a estrutura da nova tevê estava alicerçada nos equipamentos cedidos pela universidade. A TV Climatempo era a menina dos olhos. Ele sabia que podia contar com ela para tocar o negócio. sem custos para a produção dos programas. Comercializar um canal novo não é nada fácil. “Eu topo fazer o negócio. Faltava mesmo era um planejamento de como ela funcionaria. e o reitor da Univap prof. (. conta Magno. Gargione foi marcada para março daquele ano. Fernando Moreira. Montei um outro projeto. calcado em VTs e um exibidor profissional. que sempre esbarrava no orçamento.. que nos propõe participar de uma página na Internet com o balanço hídrico do Brasil e a montagem da página e assessoria na corrida de fórmula Indy. Magno deixa claro que. e era essa motivação que ele tentava passar para toda a Climatempo. com a montagem de um estande para vender nosso projeto agrometeorológico na região. Carlos Magno estava entusiasmado “Estou mandando esse e-mail agora cedo por absoluta falta de tempo de enviar em outro horário. pessoal. Para dedicar-se em tempo integral ao canal do tempo.. no início de 1999. ainda tinha de encontrar tempo para expandir a empresa-mãe: “Na semana que vem. mas vocês vêm ou não vêm? Porque eu detesto conversa. dia 15 de maio. a TV Climatempo continuava sendo apenas uma ideia na cabeça de meia dúzia de pessoas. essa ideia havia amadurecido bastante: já tinham um projeto no papel. Num primeiro momento ficou estabelecido que a universidade cederia os estúdios da TV Univap por um período de três meses. Ainda assim. e no caso da TV Climatempo não foi exceção. uma possibilidade de transmissão pela TECSAT. No final. eu coloco esse Weather Channel para fora do Brasil”. em um terreno mais real. gostaria de atualizálos com relação às negociações do canal. Hoje (18 de março de 1999) mesmo estarei em Campinas para uma reunião na Embrapa. diretor da TV Univap.)” Em outro trecho. Feira do Café Irrigado do Cerrado.M A primeira de uma série de reuniões entre Carlos Magno..) Para nossa surpresa. Magno comunicava a todos da Climatempo que o sonho estava bem perto da realidade: “Oi. No fim de março. A partir de 4 de abril começa a montagem do nosso espaço dentro da Univap. Ufa! e o negócio estava pegando mesmo. tirou férias da Globo. O encontro selou a parceria. Gargione. algumas propostas por mim. o reitor está mais ansioso do que a gente para ver o canal dando certo. com direito a festa e tudo mais. (. Eu e o Waldemar tivemos uma reunião com o reitor da Univap. Por mim. Haverá movimenta- Um sonho. “Começamos a costurar a formatação do canal. A partir daí. mas também tinha consciência da responsabilidade de manter a equipe informada e motivada. Em resumo: o negócio tá pegando. De 24 a 27. a parceria engrenou. o projeto técnico foi uma colcha de retalhos. Depois de várias reuniões. em Macaé. teriam sido as palavras do prof. Eu contrataria os profissionais e com os alunos montaríamos uma redação para a parte da arte”. Lembro-me de o Waldemar trazer um orçamento baseado em arquivos digitais e na utilização de computadores. ou o canal sai agora ou não sai mais.”. um bom contato e o interesse da Univap. Por isso.

quase pronto. O estagiário Paulo Edson Aparecido de Oliveira. uma novidade da qual queria fazer parte. precisamos saber e propor novas soluções”. cargo para o qual não tinha a mínima experiência. como iniciante. Não era brincadeira. profissionais um pouco mais experientes também acreditavam no projeto. ou melhor. Agrobusiness. quando se deu conta. Em clima de viagem. atraiu muita gente. mas também a oportunidade de conquistar uma vaga no competitivo mercado de trabalho das telecomunicações. como o resto do pessoal. Em uma página na revista segmentada para canais de assinatura Pay-TV. “Foi com a maior carade-pau que pedi a um amigo uma força para conseguir o lugar. Assim. a TV Climatempo anunciava sua chegada em breve e revelava um pouco do que seria o seu conteúdo. A abertura de um novo canal. não desanimou ninguém. durante sete dias por semana. junto com uma novidade no mercado. havia sobrado apenas uma vaga como editor de arte. o desafio de colocá-lo no ar. Não sabia fazer nada.” Ana Lucia idealizou uma grade de programação baseada no perfil de horário das tevês abertas. redigiu o texto e eu passei. O cara não acreditou. passou por algumas redações e por uma temporada fora do País. propondo soluções e pilotos. a guerra se ganha com criatividade e persistência. outros colegas tiveram de me ajudar. o Paulo Polli. Ao contrário. Também haverá uma preocupação frequente de propor programas baratos e bem criativos. Comecei assim. Formada na maioria por estagiários da própria universidade. chamadas de programas.” Ângela Ruiz era a jornalista mais experiente do grupo. Até montarmos um departamento de vendas. Precisei aprender tudo. o único produzido inteiramente no Brasil. Naquele segundo semestre. De outro. um paulista de São José dos Campos. naquele momento. porém. na equipe poucos tinham alguma noção de meteorologia. disse que gostaria de trabalhar com ele. formou-se em Mogi das Cruzes. o que era melhor.ção do pessoal da Promeeting. Ângela relembra que viu na inauguração da nova emissora uma oportunidade de crescer profissionalmente e. Paulista. era preciso uma boa injeção de ânimo e de garra no seu pessoal.) Preciso que haja um forte envolvimento de todos com relação aos produtos e clientes. precisamos de sugestões. toda a arte. Fiz um teste para apresentadora. Ecoclima.(. O Magno disse como queria. Tinham de produzir 24 horas. Programa Silvana Teixeira. Era muita coisa de uma vez para iniciar o canal meteorológico. além de todas as providências técnicas. No começo foi complicado. Percebeu que era uma grande chance. alguns programas compunham uma grade ainda provisória: O homem do tempo. Enviem para mim qualquer estalo de ideia. Tudo pronto. “Um canal que vai falar a língua do seu assinante. Deu na Internet. “Eu conheci o Carlos Magno. mas como todo mundo também estava aprendendo. preciso que todos os previsores e técnicos se envolvam no fator venda. o gás era total. fazer os mapas. guarda na memória toda a agitação dessa época. De um lado. também era preciso pensar no conteúdo. Se o cliente não gostou do piloto. Paulo acompanhou uma movimentação nova na tevê. e a jornalista Ângela Ruiz foram os primeiros a se integrar ao time e continuam até hoje na empresa. montagem de cenário e adequando a operação com as condições reais de trabalho. Ele estava no segundo ano de jor- nalismo e já trabalhava na TV Univap na parte técnica. alunos da universidade viam ali uma chance não só de aprender. ouviu os comentários em torno do novo canal e viu Carlos Magno recrutando estagiários para ajudar na montagem da emissora. Paulo Polli. informações meteorológicas. testando equipamentos e preparando vinhetas. com o tempo peguei o jeito. A equipe estava sendo montada em São José dos Campos e era preciso treiná-la. No Clima do Esporte. A criança estava prestes a nascer e. Contudo. com informações regionalizadas. A pouca experiência do grupo... Fui conversar com o Magno e consegui o trabalho. uma necessidade. Magno sentiu que. que serão extremamente simples. transformando o clima em notícia. antes de fazer parte da equipe da Climatempo. com a tevê incuba- 62 .

com dicas e previsões para estradas. A programação começaria às 6h da manhã com o Tempo no Campo. a inauguração da TV Climatempo: “O novo canal poderá ser sintonizado pelos assinantes da TECSAT e alguns programas terão transmissão simultânea pela Rede Vida. Fizemos uma ação incisiva mostrando a tevê. esse lance inicial da tevê foi muito importante para disseminar a marca. Como editora. Fernanda Bulhões e sua recém-criada assessoria de imprensa Linhas & Laudas. criado e dirigido por Carlos Magno. produzia. foi a ela que Magno recorreu para tornar pública a existência da nova TV Climatempo. “Um dia o Magno ligou falando da tevê e pediu que eu fizesse a divulgação. serviu para azeitar tecnicamente a máquina e também preparar a equipe para o que viria a seguir. Para cuidar de toda a divulgação. e o retorno foi tão grande que até Magno se assustou”. Eu redigia. Como aperitivo do que seria a TV Climatempo. chegara a hora de aplacar a ansiedade de todos. Fernanda conheceu Magno e boa parte da equipe da Climatempo no Canal Rural. toda a equipe da Climatempo. (. ‘A ideia é manter uma programação 24 horas no ar com informações úteis. em especial as revistas de tevê. boletins informativos. em duas edições. voo livre. na sequência viria uma atração para crianças de 4 a 8 anos. A essa altura do campeonato a TV Climatempo tinha uma grade definida. uma emissora ligada à Igreja católica e que transmitia em UHF. Aceitei e fui conhecer São José dos Campos. e um outro para o público jovem. e foi ali que se tornou uma boa amiga de Magno.. 06/9/1999). A tarde estava reservada para o programa interativo Deu na Internet e o Clima no Esporte. Aí começamos uma parceria. ver como iria funcionar. A parte comercial será uma decorrência da nossa qualidade’. Além deles. Em muitas delas o assunto foi a matéria principal e deu até capa de caderno. na Linhas & Laudas. 30/8/1999). (Jornal da Tarde.” Além deles e dos demais estagiários da Univap. O programa Tempo no Campo começou a ser veiculado diariamente na Rede Vida pouco antes de a TV Climatempo entrar no ar. no caderno Divirta-se. Agora sim. programa voltado para os agricultores e para o agrobusiness. explicando por que a meteorologia era importante para as pessoas. de uma forma ou de outra. Magno e alguns meteorologistas da Climatempo praticamente se instala- 63 .da na Univap. e a Climatempo. Canal começa a ser exibido dia 15 para assinantes da TECSAT. o canal deverá contar também com parcerias de rádios. seja simplesmente atendendo aos demais clientes da empresa. contará com uma grade que reúne programas específicos sobre as condições do tempo nas estradas. No dia 30 de agosto. “Lembro que a gente brincou muito com a história do homem do tempo. o homem do tempo da Rede Globo. Eu e meu sócio Ederaldo Kosa. apresentava. porém. se envolveu na implantação do canal. ‘Primeiro estamos cuidando da formatação do canal.” (Meio & Mensagem. Às vésperas da inauguração. porém sem serem chatas’. Ela conta que todos os jornais noticiaram. completa Magno. uma outra parceria foi feita com a Rede Vida. na época. lembra-se Fernanda. contar para o resto do mundo que finalmente a TV Climatempo era uma realidade. o Jornal da Tarde destacava. “Climatempo entra no ar. no campo. por exemplo.” O zunzunzum na mídia começou dias antes da inauguração. Uma data oficial foi definida para a inauguração da TV Climatempo: 15 de setembro. Carlos Magno contou com a ajuda de uma velha amiga. explica Carlos Magno”.. uma última e importante providência: divulgar o novo canal. O novo canal. Os primeiros programas a oferecer espaço comercial são os transmitidos pela Rede Vida. Faltava. a chegada da nova emissora. um educativo dirigido para crianças e outro com dicas específicas para os praticantes de esportes como vela. De tudo um pouco. Para Fernando Moreira. entre um programa e outro.) Além da equipe de jornalistas e meteorologistas encarregada de apurar as informações. Fernan- da era responsável pela edição dos boletins do tempo durante a manhã. seja atuando diretamente na produção de conteúdo. A um passo de entrar no ar.

Apesar da falta de recursos. Então. passando-o por outro lugar para ficar melhor. Uma equipe de profissionais supercompetentes. entre elas o ministro de Ciência e Tecnologia da época Ronaldo Sardenberg. No dia 15 de setembro. Ao longo deste processo de criação da tevê tentei manter isolados os problemas entre ela e a Climatempo. comandados por dois grandes jornalistas.” Apesar dos contratempos. Realmente valeu a pena. que iríamos receber os visitantes na central técnica da TV Climatempo e que o espaço estava muito amador e feio. Eu estava supercansado e o Ruy mais ainda. a nova tevê finalmente entrou em operação. Fernanda Bulhões e Ederaldo Kosa. em que Magno deixou um sincero depoimento: “O trabalho da Linhas & Laudas está ligado ao crescimento da marca Climatempo. mas temos 24 horas de programação para preencher. tudo correu bem. preciso contar com a ajuda de vocês na construção do canal. Depois de umas vinte horas trabalhando direto. portanto. Tanto é que. pois já nem pensávamos direito por causa do cansaço. E eu respondia: ‘Mexi sim e não tem por que não funcionar. que nunca deixam a gente na mão. Assim como o Agrocast (pílulas de um minuto com informações internacionais). falei com o Ruy Carlos Gomes. A aceitação no mercado tem sido fabulosa. duas vezes. técnico da TV Univap. Mesmo sabendo disso. com o auditório da reitoria lotado. e foi então que aconteceu uma coisa muito engraçada. Faltando cinco minutos para rodar o VT de abertura do canal.ram em São José dos Campos. no dia 26 de setembro de 1999. mas era cômico ouvir o Ruy reclamar: ‘Por que você mexeu logo agora?’. Uma. lembra Magno.. Enquanto o Magno conta- va uma história sobre a inauguração de uma outra tevê na qual o cenário havia caído. “Nesse momento. a assessoria Linhas & Laudas tinha feito uma divulgação em mais de 1. Fernando Moreira certamente não vai esquecer a data. A tarefa era árdua.. A mensagem divulgada por Carlos Magno a todos da Climatempo. tentando não atrapalhar a rotina que se torna mais densa a cada dia. a nenenzinho TV Climatempo nasceu e precisa ser cuidada com muito carinho. que é o nosso ganha-pão.. a tevê nasceu bem divulgada”. Lá em São José a tempestade está se dissi- 64 . Os produtos que a Jô [Josélia Pegorim] prepara para o Ilhabela (talvez um para o litoral Sudeste) e Café. eu olhei um cabo de áudio que estava ligado no vídeo beta e vi que estava esticado e desliguei. O Ruy e eu começamos a discutir. ao receber o clipping feito pela Linhas & Laudas. podem virar programas. ele não tinha a real dimensão do fato. poucos dias depois de o canal entrar no ar. Para esse time só digo uma coisa: muito obrigado”. Aos meteorologistas venho pedindo ajuda a um e a outro. o Waldemar correu para ajudar a gente e ligou o cabo de áudio de outro jeito. radar e outros. Uma cerimônia na Univap reuniu autoridades da universidade.. cientistas e membros da comunidade meteorológica da cidade.500 jornais em todo o Brasil. Então ele topou desligarmos tudo e remontarmos até o dia seguinte em uns racks de metal que tínhamos no almoxarifado. Contudo. Magno não acreditou no tamanho da exposição do novo canal.. umas 200 pessoas. por exemplo. O reconhecimento pelo trabalho da assessoria pode ser lido no site da Linhas & Laudas. ou seja. Até hoje não sei o que aconteceu. da Climatempo. Vamos poder exercitar nela tudo que aprendemos nestes últimos dez anos e meio. porque a prioridade tem de ser da Climatempo.. “No dia anterior à inauguração oficial. dá o play aí. o áudio não sai. Aceito sugestões.’. a central técnica ficou profissional e não passaríamos vergonha. Agora era tocar o barco para fren- te. transformou-se em um documento precioso que demonstra o “clima” existente na empresa naquele momento e que se perpetuou ao longo dos anos: “Pessoal. será a nossa cara. vamos usar e abusar da criatividade para ganhar essa guerra contra o TWC (The Weather Channel). A TV terá a nossa direção editorial. o Magno dá a deixa para rodar o VT e. São quase 10 anos de bons conselhos e principalmente ótimas ações de comunicação dos nossos produtos e serviços. Certamente um dos ingredientes do nosso sucesso. fui para casa descansar e o Ruy quis ficar para fazer os últimos ajustes.

Naquele tempo. acontece a Feira da ABTA. Ariany e Carol. “Aí senti que era hora de sair e cuidar do que era meu. “Eu fazia a TV Globo e então. de meia em meia hora”. Mas aconteciam muitos erros porque trabalhávamos com estagiários. muito cansativo também. indicar o Amazonas ao falar do Pará. Fiz um acordo com a emissora. a editora ligava para mim e eu tinha de atender. e nos dias atuais também. Vou precisar da ajuda do pessoal da manhã. se chovia no Rio. fico na Climatempo. SPTV. apesar de parecer pouco. Quando eu chegar. quem apresentava a previsão não tinha a visão do mapa. relembra Magno. que. O Globo Rural me pedia informações e se acontecia alguma coisa tinha de entrar ao vivo no Jornal Hoje. “O mais engraçado dessa época era que a gente não sabia apontar o mapa. Abraços. onde eram gravados os boletins. Com isso. era uma pauleira. O fax sempre interrompia.” Também entrou para a galeria de histórias a “dança do mapa”: um passinho para a frente. Que Deus nos ajude. Eu já não tinha mais condições de ser o homem do tempo e administrar a Climatempo”. fez parte dessa primeira equipe que tinha muita garra. esses tropeços deram motivo a muita apreensão. “Eu atendia o Bom Dia Brasil. Por conta disso. irei para São José dos Campos. muito intenso e produtivo. A tevê funcionava 24 horas. outro para trás e depois de novo para a frente. jornalista. da forma como fizemos da outra vez. O jeito foi marcar com um xis os posicionamentos mais comuns durante a apresentação e aos poucos ganhar desenvoltura para indicar as regiões no mapa. mas o Magno sempre foi muito objetivo e garantiu que a gente ia aprender no instinto a fazer o certo”. com idade média de 19 anos. “A gente recebia por fax e muitas vezes a folha saía ilegível. e depois de choros. viajando. três dias por semana. produzidos ao vivo. Não era raro apontar a Bahia ao falar da previsão do Rio de Janeiro. agora apenas como consultoria. Ana Lucia e Carlos Magno que o digam! O acúmulo de serviço por pouco não causou um colapso administrativo na empresa. A gota d’água foi em um fim de semana. Na quarta. Essa era a coreografia dos apresentadores dos boletins do tempo para não errar na hora de indicar as regiões do mapa de que estavam falando. Um ano marcante para toda a Climatempo. O que nos ajudou no início foi o aprendizado que tínhamos com os boletins do Canal Rural. só que extremamente inexperiente. conte com a ajuda da Luciana para estes boletins da tarde. via fax. Na quinta. tinha de ligar para São Paulo. Magno continuava a ser o homem do tempo da Globo e por isso tinha de se desdobrar para cuidar da Climatempo Consultoria e manter a TV Climatempo. Magno decidiu então deixar de ser apresentador na TV Globo. montamos uma equipe valorosa. e a Climatempo continuou fazendo a previsão. Ângela. na época. mesmo para os mais experientes. Como é possível perceber pelo e-mail.” Com a carga de responsabilidade reduzida. O ano estava chegando ao fim. parecia um mimeógrafo lento. Na semana entre 4 e 8 de outubro. quando Magno estava de folga. conta Ângela. O André Madeira atendia a Globo no período da manhã e a Ana Lucia. erros. Os erros fizeram parte desse primeiro momento da TV Climatempo e eles geravam fatos que agora fazem parte de um folclore interno. Mag- 65 . lembra Magno. à tarde. todos os Bom Dias regionais. O Waldemar também saía do Rio para ir para a tevê. Ângela. A Ana Lucia vai ficar lá na segunda e terça para ajudar as moças na apresentação e na implantação do programa de esportes. André [André Madeira]. assumo o plantão na segunda e terça. perguntar e tirar dúvidas para evitar erros. conta que as previsões eram feitas em São Paulo e enviadas. falhas. e de repente ligam da Globo pedindo que ele voltasse para cobrir a falta da apresentadora Fabiana Scaranzi em um dos telejornais. onde os canais se expõem. à tarde. Jornal Hoje. mas tínhamos três a quatro horas de produção. mas. ia para São José dos Campos. por exemplo.pando. Uma dificuldade natural. para os estúdios em São José dos Campos. E cansativo. Magno”. A Climatempo entra em campo de batalha com Rogério. por favor. o cenário era um fundo azul no qual se aplicavam os mapas do tempo com a técnica do chroma-key.

a nossa ideia era montar uma coisa que as pessoas pudessem acessar. Os meteorologistas extremamente ligados ao meio acadêmico e conscientes da velocidade da informação na Internet fi- Magno em uma visita que fez à Rede Globo. procurou Magno e conseguiu o estágio. a Internet representou uma grande mudança na Climatempo no limiar do século XXI. por outro auxiliou a vida dos meteorologistas ao facilitar a captação de dados. a Internet já estava definitivamente instalada na Climatempo. que ajudou na montagem dos BBS s. Geofísica e Ciências Atmosféricas ( IAG). na época tocava os negócios da família.” Rogério montou as páginas iniciais e o servidor. engenheiro civil e empreendedor. assim. Lentamente foi começando a surgir. uma pausa para um pequeno retorno ao início da década. Foi criado um Comitê Gestor para a Internet e a Embratel. era só para acadêmicos. relembra que tudo começou bem devagarzinho: “A Internet não existia. Naquele ano. mas. No início a rede era voltada para a área acadêmica e administrada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). o auge da nova ferramenta aconteceu no ano 2000.” A explosão da Internet estimulou a entrada de um novo personagem na equipe da Climatempo. a empresa ficou mais conhecida do público. da Universidade de São Paulo ( USP ). Aqui. que acompanhou todo o desenvolvimento da Internet e o que ela representou para a empresa. Gilca conheceu Carlos Õ O fim do ano de 1999 trouxe apreensão em um setor que estava em franca expansão no Brasil: a Internet. meio fechada. Ao contrário do esperado. com o negócio crescendo. a rede mundial de computadores que viria a substituir os antigos BBS s. as grandes fusões de empresas. A mudança para o ano 2000 criava a expectativa de um problema que poderia ser registrado em todos os sistemas informatizados e que ficou conhecido como “bug do milênio”. A Climatempo não ficou de fora. até que as pessoas passaram a acessar mais a Internet do que o BBS. Rogério Leite. A chamada “bolha da Internet” começou em 1995. Interessada em trabalhar na Climatempo. Com uma voz doce e um sorriso tranquilo em um rosto de menina. Somente em 1995. Ao longo dos últimos anos. o “bug do milênio” que ameaçava trazer prejuízos para empresas virtuais não se concretizou. Para Gilca. Montamos uma rede pequena. Aí teve uma hora que ele não tinha mais sentido de existir. trabalhou em quase tudo. Então. Começou como estagiária. por meio dos Ministérios da Comunicação e da Ciência e Tecnologia. uma rede de lojas no Rio de Janeiro. A alegria em ver a empresa crescendo é descrita por Gilca Palma. e aos poucos começou a fazer a previsão para a Internet. e o dinheiro parecia jorrar em sites e portais. no Brasil. A rede mundial de computadores chegou ao Brasil em 1991. caram plugados desde o começo. Formada pelo Instituto de Astronomia. Renato conheceu Magno por meio 66 . ocorreram os grandes negócios da Internet. Gilca conta que chegou à Climatempo em outubro de 1999 para fazer um estágio. Em 1999. mas não gostava disso e era mais ligado à área de Tecnologia da Informação. Renato Urbinder. na época ainda uma estatal. com a criação da Rede Nacional de Pesquisa ( RNP ). um servidor em que os dados que iam para o BBS iam também para a Internet. como se fosse o BBS. lançou um serviço de acesso comercial à Internet. o governo. subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT ). Uma das primeiras meteorologistas a perceber o potencial da nova ferramenta foi Gilca Palma. tornaria possível a entrada do setor privado na Internet. inclusive para a exploração comercial. fazendo levantamento de dados. Por um lado. “Cada vez mais as pessoas acessavam o nosso site e ficavam conhecendo os nossos serviços. com outros estudantes.no começou a enxergar a Climatempo com outros olhos e passou a administrá-la melhor. A Internet deu uma visibilidade muito grande para a Climatempo. carioca. foram contratadas novas pessoas para a recém-criada área de tecnologia.

dezenas de outros sites e portais procuraram a Clima- 67 . na rua Muniz de Souza. Gilca lembra que quando entrou. Renato aceitou o desafio de desenvolver a Internet na Climatempo.” (Gazeta Mercantil. Mas por pouco tempo. lá estava a Climatempo como exemplo de sucesso: “Nesse período. conta Magno. Mordido pelo bichinho da novidade.com. A mudança para o novo prédio aconteceria em maio de 2000. os recém-criados portais precisavam de conteúdo para atrair os usuários. ficando com 30% dos negócios. e foi aí que. “A área é promissora. A previsão do tempo era um ótimo chamariz. o que era melhor. Entre eles. adquiriu cem novos clientes. a Climatempo Internet. Por isso. Com a entrada dos grandes portais como a AOL. contudo o tino para o comércio indicava que ali estava um bom lugar para investir. Um pequeno prédio na rua Muniz de Sousa. A partir de maio de 2000. Universo Online ( UOL) e Globo. Os resultados alcançados no período não poderiam ser melhores. Em reportagem do jornal Gazeta Mercantil sobre empresas que começavam a explorar conteúdo diferenciado para a Internet. Dois meses antes.do amigo comum Waldemar Stefan e acompanhou a saga para a implantação da TV Climatempo. No começo. 27/3/2000). Para se ter uma ideia. Quando a Climatempo passou a ser provedor de Internet. em 2000. ser uma empresa confiável e com possibilidade de customizar uma página dependendo da necessidade do cliente”. já estava mais do que na hora de ampliar as instalações da empresa. mas. Próximo passo: mudança de endereço.5 mil novos visitantes por dia. Renato entrou no negócio. a empresa conseguiu terminar a construção de suas novas instalações. O crescimento de uma empresa pode ser medido também pelo espaço que ocupa. patrimônio da empresa. conta Urbinder. “Eu digo que peguei a Internet no berçário. tinha de trabalhar em uma mesa atrás da porta de entrada. Quer dizer. Renato tornou-se a pessoa chave em novos negócios”. grandes nomes. afirma Renato. a Climatempo foi pioneira e é uma referência nesse segmento. Logo. com o seu rápido crescimento. avalia Magno. na Vila Mariana. em março. a casa na Baltazar Lisboa já ficara pequena e não comportava o número de funcionários da Climatempo. com uma equipe capaz de entregar o pedido de cada cliente. Renato não tinha noção de meteorologia. eu decidi seguir esse caminho. em outubro de 1999. São 2. a Climatempo Internet era um braço dentro da empresa. a Climatempo havia completado seis meses de experiência no mercado Internet. com o Magno. voltada para esse novo mercado. mais tarde Climanet”. Com parte desse dinheiro. em um espaço bem apertado. Portanto. Carlos Magno e Ana Lucia finalmente puderam ter a primeira sede própria da Climatempo. “Ficamos muito orgulhosos em poder construir um prédio fruto do dinheiro que a gente trabalhava para ga- nhar”. “Tornou-se sócio da Climatempo na operação de Internet e entrou com 100 mil dólares de capital. como a America Online (AOL). que investiu R$150 mil no desenvolvimento de produtos para o segmento. e a Climatempo passou a oferecer bons conteúdos. Novas oportunidades de negócio logo começaram a surgir no ano 2000. logo houve a necessidade de desmembrá-la em uma empresa própria. No início das operações de Internet. a receita com a venda de conteúdo deslanchou e a empresa passou a atuar nos grandes portais e em boa parte dos sites em todo o Brasil. A avalanche de serviços prestados ainda surpreende o meteorologista Carlos Magno. “Quando veio aquele enorme desenvolvimento da Internet. a empresa dedicada à transmissão de informações meteorológicas. A grande vantagem da Climatempo era ter uma boa estrutura. A América Online (AOL) foi uma das primeiras empresas a receber os serviços da Climatempo. com exceção da TV Climatempo. que ainda funcionava no galpão da TECSAT . E agora para um prédio novinho e. Contando mais uma vez com a ajuda financeira da mãe. dona Alice. No início do ano 2000. criamos. a empresa mudou para a rua Muniz de Sousa.

faça chuva ou faça sol. a previsão do tempo. O ClimaWap colocava no visor do celular informações sobre o tempo em 600 cidades brasileiras com previsão para quatro dias. Carlos Magno também anunciou outras novidades.br é um sucesso entre os internautas. ele toca seus negócios à frente da TV por assinatura Climatempo e o site com o mesmo nome. é o Exposição Solar. Pelo título da reportagem percebe-se o excelente momento que a empresa atravessava: “Tempo é dinheiro – o meteorologista Carlos Magno lucra com o fornecimento de informações sobre o clima para a Internet brasileira”. No mês de junho. hoje fornece informações para 350 clientes pontocom. a Telefônica e a TELESP Celular como parceiros.com. o The Weather Channel. Pelo menos na Internet. A previsão do repórter estava correta.tempo querendo comprar conteúdo. Serão avisos gratuitos sobre mudanças de tempo. O segundo serviço. portais e sites respondem por metade do 1. Já a TV Climatempo. O “negócio” Internet crescia de forma veloz. em cada capital brasileira. a Climatempo contra-atacava com novidades que a consagraram no mercado: “Para não perder terreno. entre eles o UOL. Um mês após a entrada do novo portal. desenvolvido em conjunto com a globo. Tudo ia de vento em popa.climatempo. Somados. completa o carioca Carlos Magno. Magno vai lançar dois serviços a parte deste mês (outubro).). Totalmente reformulado. Tudo por conta da explosão de acessos registrados no portal Climatempo: “O vento está soprando a favor do meteorologista Carlos Magno. o tempo continuará bom para o meteorologista. Pelo visto. O sistema WAP era a grande novidade do momento.5 milhão de reais que a Climatempo deve faturar neste ano. Previsão para amanhã: os negócios devem continuar crescendo”. e o portal de seu ex-patrão. a Climatempo virou notícia na revista ISTOÉ Gente. Rio de Janeiro e Brasília. como diz o ditado. era fornecido pela Climatempo. Um desses serviços. números do crescimento da Climatempo no mercado. Vivo). com previsão do tempo para 600 cidades no Brasil e 150 cidades no mundo. para rebater as investidas de seu maior concorrente. Na mesma matéria. O Alerta já tem o Zip. conta Magno. vai pegar carona na temporada de chuvas de verão que atormentam capitais como São Paulo. O número de consultas ao site mostra que demanda existe e futuro também. ‘A previsão para a Internet é de tempo bom e amanhecer sem nuvens’. Há oito meses fora da TV aberta. Ao consultar o site da Globo. Implantado no Brasil pela TELESP Celular (atualmente. 38 anos. O crescimento da Climatempo com o produto Internet deixava espantados os analistas da revista: “Empresa de consultoria criada por Carlos Magno. “Eu recebia mais ou menos 150 e-mails por dia de gente querendo receber material da Climatempo”. a Climatempo foi parar nas páginas da conceituada revista Forbes Brasil. caminhava 68 . ainda em São José dos Campos. na sede da empresa. o site registrou nada menos que um milhão de page-views no último mês (.” (ISTOÉ Gente. como a entrada em funcionamento do sistema WAP (informações do tempo via celular).com e patrocinado pelo fabricante de cosméticos Natura. batizado de Alerta. O endereço www. sem riscos.net. 10/ 07/2000) Em outubro. a Climatempo convocou uma coletiva de imprensa.com. convênios feitos para operação em banda larga e a participação da empresa nos principais portais da Internet.” (Revista Forbes Brasil. 11/ 10/2000). Nessa ocasião. ex-Rede Globo. WAP significa Protocolo de Aplicação sem Fio (Wireless Application Protocol) e foi criado para facilitar o acesso de celulares à Internet. o internauta informará o tom de sua pele e ficará sabendo por quanto tempo pode se expor ao sol.. a Globo. algo como ‘vai chover forte em São Paulo dentro de meia hora’. para anunciar a entrada no ar de um novo portal de meteorologia. disponibilizava em seus celulares uma série de endereços já adaptados para o novo protocolo. o maior provedor de acesso do País. pelo celular ou pela rede. O primeiro..

Apesar de desfeita a parceria. Pensando nisso hoje. como parceiras de sucesso. O entusiasmo dos primeiros tempos já não era o mesmo por parte da Univap. E foi um desenho muito favorável que a Linhas & Laudas traçou da Climatempo em dezembro de 2000. além dos estagiários da universidade. Enquanto centenas de empresas do mundo da Internet estavam prestes a fechar as portas. Como duas empresas distintas. Os números revelados pela empresa no balanço de 2000 comprovaram: a Climatempo estava presente com suas previsões em 90% dos maiores portais do mercado.” Mais um ano chegava ao fim e essa era a tradicional hora de fazer o balanço de atividades. “É com muito orgulho que vejo hoje que a maioria dos alunos que passou pelo projeto da TV Climatempo está atuando no mercado de comunicação em diversas áreas. na Climatempo o céu era de brigadeiro. a Climatempo fechou parcerias com todas as operadoras de telefonia do País. mas isso é normal em qualquer processo cria- tivo. Claro que tivemos dificuldades. a empresa estava operando na TV UOL. Em dezembro de 2000. Climatempo Meteorologia e TV Climatempo. Celeste.com e Ajato.em busca da profissionalização. Após um ano no ar. o diretor da TV Univap. a TV Climatempo deixou de funcionar na Univap e transferiu-se para um galpão alugado da própria TECSAT . Por outro lado. No sistema WAP de informações. outras burocráticos. TV iG. Filipe e Roberta tornaram-se professores na área de comunicação. muitas vezes financeiros. que começavam a atrapalhar seu funcionamento.500 links espalhados em médios e pequenos portais. funcionavam. Seu conteúdo passou também a ser explorado por canais a cabo. André Catoto é designer visual na Rede Record. vejo que fomos pioneiros em uma área ainda inexplorada na tevê brasileira e que não dá para lembrar nada de ruim. TV Globo. a TV Climatempo era sucesso absoluto: “Desde o dia 31 de julho a TV Climatempo passou a prestar consultoria para o Canal 21 e a TV Bandeirantes. em São José dos Campos. além dos 1. A operacionalização da tevê encontrava entraves. Aline é dona de jornal e empresária. era o caminho natural para deixar de ser uma tevê experimental de universitários. Fernando Moreira. principalmente quando a única referência que tínhamos era um modelo estrangeiro que tinha muito dinheiro. ao olhar para trás reconhece a importância daquele momento. 69 . como a TV Filme (Brasília) e a Image TV (Uberlândia)”. na prática. Vânia. e quem via o produto final que colocávamos no ar não tinha a mínima ideia das ‘mágicas’ que só nós brasileiros sabemos fazer. Na banda larga. Com isso perdeu-se parte da estrutura e dos equipamentos. para ser um canal do tempo profissional. o David está na Band e o Denis na Rede Vida. Foram esses entraves que levaram ao fim da parceria.

C

O ano de 2001 começou a todo vapor na Climatempo Internet. Logo em janeiro, a empresa anunciava uma parceria com o poderoso grupo Telemar para um serviço, na época, inédito no Brasil. Ele colocava à disposição dos usuários o Vocall, um sistema acionado por comando de voz de qualquer telefone, celular ou não. O serviço atendia seis capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. Um mês depois, duas outras importantes conquistas. Primeiro foi a parceria com a PSINet, empresa que era responsável pela hospedagem e serviço de acesso com link dedicado. Segundo Carlos Magno explicou à Linhas & Laudas, a razão da parceria era o grande número de acessos. “O site da Climatempo vem recebendo um número de internautas muito grande. Com a infraestrutura oferecida pela PSINet, nossos usuários podem navegar com mais agilidade.” A outra conquista foi o acordo com parte do Grupo RBS de Comunica-

Pioneira em praticamente tudo o que dizia respeito ao universo da informação meteorológica no Brasil, mais uma ação inovadora da Climatempo no carnaval de 2001. Em parceria inédita com a seguradora Sul-América, foi instalado na praça de pedágio da Ponte Rio–Niterói letreiro luminoso com a previsão do tempo para o Rio de Janeiro, Niterói, Campos, Cabo Frio e Arraial do Cabo. Com isso, os fluminenses puderam planejar melhor a folia. Mas se na Internet os negócios pegavam fogo, na TV Climatempo as dificuldades continuavam. Após a saída da Univap, a emissora começou a funcionar em um galpão, em São José dos Campos mesmo. As instalações eram muito precárias, e quando chovia o barulho de água caindo no teto era intenso. “Foi um período negro da TV porque deixamos de ter a estrutura da Univap. Tínhamos cinco câmeras beta e passamos a ter uma câmera beta e uma câmera VHS”, relembra Magno. Os jornalistas Paulo Polli e Ângela Ruiz continuaram na tevê depois

Nesse período, Rogério Leite percebeu que a transmissão via satélite encarecia demais as operações da tevê. Foi então que teve a ideia de adaptar um sistema que estava desenvolvendo para enviar informações para os aeroportos para a emissora. Em certo momento, viu que a mesma tecnologia poderia ser empregada para enviar, pela Internet, os dados para a tevê em São José dos Campos. “Por que a gente não manda pelo computador, por meio de um software? Com isso reduzimos o custo do satélite”, lembra Rogério. Esse software foi aperfeiçoado com o tempo e continua a ser usado. Para ter uma ideia, esse foi o embrião das tevês que começaram a surgir na Internet. Os solavancos na TV Climatempo não desanimaram a equipe, especialmente porque além da RBS outros canais procuravam a empresa em busca de conteúdo. Um e-mail da Patrícia Madeira, de 26 de feverei-

Uma bolha no ar
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omo em todas as empresas, há períodos de vacas gordas e períodos de vacas magras. A Climatempo, no início do século XXI, era um grupo com quatro empresas distintas – Climatempo Assessoria, Agência Climatempo, Climatempo Internet e TV Climatempo –; às vezes, as duas coisas aconteciam simultaneamente, como numa balança, enquanto uma área assistia ao crescimento, outro enfrentava os percalços naturais de um empreendimento pioneiro.

ção. A Climatempo passou a fornecer informações para 17 emissoras de tevê do grupo, além de dez emissoras de rádio, cinco jornais impressos e também para o portal interativo RBS . Só nas emissoras de tevê, eram 99 inserções diárias sobre o clima nas regiões abrangidas pela emissora. Para atender ao novo cliente foi preciso montar uma estrutura específica na sede da Climatempo, em São Paulo.

da mudança de endereço. Eles também não esquecem as dificuldades enfrentadas num local com pouca infraestrutura para a gravação dos programas e sem os mesmos recursos técnicos, além do pessoal especializado que ajudava muito dentro da universidade. Apesar disso, a situação tinha lá seu lado engraçado. Paulo conta que, ao lado do estúdio em que estava a TV Climatempo, havia um estúdio de gravação de filmes pornográficos e não era incomum dar de cara com algum ator mais à vontade.

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ro de 2001, deixava claro o interesse na previsão do tempo: “Olá, pessoal. Estamos estreando quatro novas tevês, já a partir de hoje: TVA – Grande São Paulo, dois boletins; TV Filme – Goiás e Brasília, dois boletins; Imagem TV – Triângulo Mineiro, dois boletins; e Rede Mulher, dois boletins. Para os três primeiros, tem interface pronta, com link pelo dia a dia. Os textos se referem a um mapa de ícones, com os valores de temperatura mínima e máxima. A parte de análise e previsão para a respectiva região é feita pelas meninas na TV Climatempo, depois entra o nosso texto e, então, previsão de quatro dias em sobe som. As temperaturas que aparecem na interface são do Prevplan e não podem ser mudadas para não bater com as telas de quatro dias que entram depois da previsão (...) Só para completar, a TV Pernambuco só entra no ar segunda-feira, dia 5. Até lá, não precisamos fazer os boletins”. O Prevplan de que fala Patrícia no e-mail foi mais uma das “invenções” do professor Pardal da Climatempo. “Professor Pardal” era o nome que Ana Lucia dava a Rogério Leite pelas soluções e idéias que sempre trazia para a empresa. O Prevplan foi outro software desenvolvido por Rogério que rodava automaticamente a previsão do tempo a partir de dados fornecidos pelos modelos de previsão climática. No início, 160 cidades estavam no programa; com o tempo, porém, foram incluídas cada vez mais cidades, até que se chegou a um número bem ra-

zoável de 15 mil, entre cidades, vilas, distritos de todo o Brasil. Uma inovação que ajudou muito os meteorologistas tanto da consultoria quanto da tevê. No começo do ano de 2001, um novo assalto iria provocar grandes aborrecimentos na Climatempo. Dessa vez, foi a própria seguradora quem avisou Ana Lucia e Carlos Magno da invasão. Era a segunda vez que entravam na empresa vazia e, apesar da experiência adquirida e do seguro que minimizaria as perdas, um assalto era sempre traumático. Os bandidos cortaram o cabo, na frente da sede, já na rua Muniz de Sousa, deixando a empresa sem comunicação com o mundo exterior. Gilca Palma, uma das primeiras a chegar pela manhã, estranhou as portas abertas, tudo revirado e Ana Lucia chorando, desconsolada. “Isso te pega de surpresa, você fica sem ação”, comenta Gilca. Ao ver as pessoas chorando, Ana Lucia disse para outra funcionária, Carol Chacon: “A gente se vira. Veja o lado bom, todo mundo vai ganhar computador novo.” Mais uma vez foi preciso uma grande mobilização para não interromper os trabalhos. Alguns meteorologistas trouxeram seus computadores, outros voltaram para casa para trabalhar até que a rede fosse novamente conectada. “É assustador você ter de parar rapidamente e dizer ‘ok, o que vamos fazer?’. O Magno já tinha know-how de ter feito uma vez. Ele pegou e distribuiu as tarefas. André e Patrícia Madeira, que estavam no primeiro

assalto, também já sabiam como trabalhar nessa situação. Então, simplesmente a gente separou o que tinha de ser feito, designou as coisas e tocou a bola para frente. Os clientes tinham o telefone de casa, ligavam para a gente dar uma posição. O pessoal corria, gravava o boletim de rádio do orelhão. Nos primeiros dias tinha de ser assim, até que voltassem a ligar os telefones da Climatempo”, relembra Ana Lucia. Foi um período bastante confuso e que terminou com um gesto que impressionaria muito Carlos Magno. Ele jamais vai se esquecer da atitude de uma meteorologista gaúcha que trabalhava na época na Climatempo. Débora Simões estava grávida e, por coincidência, no mesmo dia em que houve o assalto entrou em trabalho de parto. Ela fez questão de, antes de seguir para a maternidade, entregar a previsão que havia feito em casa e estava sob sua responsabilidade. Para Magno foi uma tremenda demonstração do espírito de equipe. Nem o triste episódio conseguiu abalar a energia positiva que fluía na empresa. No fim das contas, após o rescaldo de mais um assalto, o grupo estava novamente pronto para seguir em frente. Enquanto isso, correndo por fora, a Internet crescia cada vez mais. “Durante os anos de 2000 e 2001, acho que estive em todos os prédios da Vila Olímpia (região de São Paulo onde se concentrou a maioria dos escritórios ligados à Internet), visitando diversos portais.

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pois ficamos com uma boa fatia de mercado. A Eldorado. A Climatempo implantou toda a área de meteorologia da emissora em São Paulo. voz cada vez mais conhecida e já uma referência na rádio. porém. só para acompanhar os negócios. Nesse momento. na consultoria o tempo era de muito movimento.Tínhamos que ser rápidos porque a Climatempo tinha de ocupar espaço. Nesse período. Contudo. Em segundo lugar. Em 2001. De repente. “Primeiro. continuou responsável pela previsão do tempo do Canal Rural. O grupo passava por um período tur- 73 . Por outro lado. foi até uma bolha positiva pela nossa competência. mantinham seus contratos fixos com a Climatempo. Se na Internet a palavra de ordem era expansão. a empresa registrou nesse ano algumas baixas importantes. Segundo Renato. os custos com a transmissão de dados e a manutenção das informações inviabilizaram a parceria. não havia interferido com o fornecimento de conteúdo de meteorologia. De 1998 até 2001. com a mesma força que cresceu. Um outro contrato foi interrompido também nessa época. Para os que não queriam saber apenas dos aspectos técnicos da meteorologia. Fizemos. Um entusiasmo desmedido tomou conta de quem lidava com essa nova tecnologia. ganharam credibilidade. a Climatempo sofria os percalços comuns de um mercado competitivo. a bolha explodiu. conta Magno. todos os nossos investimentos foram com recursos próprios. Havia. as empresas mais sólidas no mercado praticamente saíram ilesas e. Começou então a estratégia de mudança de venda de conteúdo para a de ser espaço publicitário. lembra Renato Urbinder. mesmo a distância. com receita de publicidade e com um portal mais conhecido”. As ações das chamadas empresas pontocom subiam sem parar. Também da noite para o dia. houve uma retração de um pedaço do mercado. e apostaram de seis meses a um ano para a festa acabar. antes de a bolha estourar já estávamos no azul. em princípio. também percebemos a oportunidade de vender mais conteúdo para celulares”. A cartela de clientes variava muito e o leque de segmentos atendidos pela Climatempo também. No meio da euforia Ana Lucia e Magno falaram: “Isso não vai durar muito”. a empresa exibia imagens ao vivo de onze cidades. envolvendo cifras espetaculares. Ele também conta que o sucesso da consolidação se deu por uma estratégia de venda de conteúdo. Puf! E centenas de empresas simplesmente desapareceram. transmitia boletins de condições do voo e trazia a tabela das fases da lua para aqueles que se preocupavam com o regime ou o corte de cabelo. uma certa solidez. com um dos primeiros parceiros da Climatempo: o Grupo Estado. A Internet tornou-se um grande negócio e não foi só para a Climatempo. Eram portais e sites vendidos por milhões de dólares. Nos Estados Unidos foi criada uma bolsa de valores. Contudo. naquele momento. mais do que isso. como o Canal Rural. a Climatempo. sim. mas as empresas que estavam saudáveis ficaram e. “Nós vimos essa bolha passar. mas o modelo proposto era inviável e agressivo demais para o nosso jeito de ser. muita gente ficou rica da noite para o dia. Surgiram os grandes negócios. algumas reuniões com bancos. nós não estávamos ligados a nenhum grupo de investimento. uma experiência que depois serviu de base para a própria TV Climatempo. e o negócio foi desfeito. com as nossas receitas. como a Climatempo. André Madeira e Alexandre Nascimento para dar o suporte de conteúdo. mas com Ana Lucia. e a Rede Globo. agora sem Carlos Magno. conseguiram consolidar seu espaço.” A ferramenta Internet na Climatempo tornou-se referência nacional. Uma euforia que havia começado no ano 2000 no Brasil e que. Foi o que aconteceu com a Climatempo Internet. a emissora gaúcha transferiu sua sede para Porto Alegre em 1998. A mudança. o site era o caminho certo. por questões operacionais. Não eram incomuns as notícias de sites que fechavam e deixavam de fora dezenas de desempregados. Dessa vez. Apesar de ser a nave-mãe da em- presa. ninguém sabia ainda onde iria parar. a NASDAQ . porém. com Josélia Pegorim.

Foi então que. 15/ 9/2003. com patrocínio da TAM Viagens. Durante todo o ano de 2001. O início das transmissões em São Paulo foi complicado. calor). reestruturar a tevê. Essa é uma das histórias lendárias da Climatempo e durante anos serviu de exemplo para incentivar o trabalho em equipe. depois de passar por outras experiências. cheias. é bom dizer que elas funcionavam mesmo. As informações serão fornecidas pela Climatempo Meteorologia. sede da empresa. nesse caso. Com ele levou um anunciante de peso. no Texas. Nesse primeiro momento. e conquistou novamente a conta do jornal. Os comentários serão escritos pela meteorologista Josélia Pegorim.bulento de mudanças. pois trariam o patrocínio que bancaria as despesas. A Climatempo fazia parte de um serviço de tevê interativa que a Sky colocou no ar no fim do ano. Carlos Magno resolveu procurar a direção do grupo para tentar um novo acordo. Isso complicava um pouco. dia 15. pois qualquer problema de transmissão ou na Internet atrasava o trabalho. Paulo. Os dois principais diferenciais do serviço são a cobertura de todas as capitais brasileiras e os comentários sobre o impacto do tempo na agricultura (geadas. “Foi a primeira janela de abertura de negociação para entrar com o conteúdo da Climatempo numa grande operação de tevê por assinatura. era o momento de trazer a TV Climatempo para São Paulo. pelo jornal O Estado de S. Paulo Polli voltaria a integrar a equipe. isso significava repensar os custos.” (Meio & Mensagem. jornalista que durante mais de dez anos foi a responsável pela edição do serviço de previsão do grupo. Com a Internet e a consultoria bem-estruturadas no novo prédio. como o Jornal da Tarde. todos os funcionários da Climatempo acabaram se envolvendo com as transmissões da emissora. lembra Magno. O serviço oferecia 74 . perdemos uma fonte preciosa”. a Cacau. braço de turismo da TAM Linhas Aéreas. e representou uma reconquista de um espaço que sempre foi da Climatempo. pois vimos que os modelos de negócios mudam e a gente tem de se adaptar. Quem deu a dica foi Waldemar Stefan. não mais como estagiário. passamos a dar maior importância ao mercado publicitário”. com o tempo a promessa de trazer anunciantes para o jornal não se concretizou e a Infotempo não conseguiu cumprir a sua parte do trato. na hora de levantar informações para matérias. ofereceu uma nova forma de contrato: eles forneceriam a previsão para todos os jornais do grupo e para a Agência Estado e não receberiam por isso. Infotempo. não havia audiovisual. lembra Maria do Carmo Fogaça. e a gente recebia para isso”. Todo mundo guarda na lembrança as caixinhas de ovos coloridas. E mesmo parecendo puro folclore. Na verdade. mas que funcionou perfeitamente. “O Infotempo não era mais um concorrente.E partiu da direção do jornal a ruptura com a Climatempo. secas). A negociação foi destaque na mídia pela sua inovação: “Um novo modelo de previsão do tempo será publicado diariamente a partir de segunda-feira. O estúdio construído na Muniz de Souza não tinha isolamento acústico e foi preciso recorrer a uma solução caseira e barata. mas sim como diretor da tevê. Era preciso racionalizar as operações. deixamos de ter um serviço exclusivo e. “Eu e a Carol Chacon pintamos e colamos caixas de ovos nas paredes para servirem como protetor acústico”. Paulo. “O problema era que os dados vinham de Houston. na indústria (racionamento) e no comércio (inverno rigoroso. que sabia das propriedades isolantes das caixinhas de ovos. em 2003. em especial no jornal O Estado de S. o que houve foi uma mudança no padrão de negócios. A reestruturação da tevê em São Paulo aconteceu ao mesmo tempo em que Carlos Magno já negociava a entrada do canal do tempo brasileiro na operadora Sky. o conteúdo era apenas informativo. A oferta atraiu a direção do jornal. relata Magno. a Climatempo e a Sky foram desenvolvendo o novo formato. a TAM . Além disso. Contudo. mas para a gente foi um aprendizado tremendo. Agora em São Paulo. in Linhas & Laudas) O novo acordo estendia-se também para outros jornais do grupo. lembra Magno. a tevê entraria como um canal interativo e digital. O novo parceiro.

a Climatempo lançaria. para as maiores cidades do Brasil e do exterior. “mas inovar as formas de conteúdo”. A matéria também destacava que a TV Climatempo. games. diz Nascimento. a tevê figurava nos line ups de operadoras independentes. deixava claro na mídia que o objetivo da tevê interativa não era oferecer Internet na tevê. 15 deles meteorologistas. todos trabalhando para os diversos serviços prestados pela empresa: desde Internet. Carlos Magno e Ana Lucia chegaram a voltar a suas origens. quando estou esperando para ser chamada. de manhã. Rossana Fontenele. Patrícia Madeira’ e eu respondia de imediato ‘estou acordada há muito tempo’. mas não desistia de oferecer um serviço diferenciado do norte-americano para atrair as operadoras brasileiras: “As câmeras da Climatempo têm condições de mostrar instantaneamente o que está ocorrendo nas principais capitais do País. tinha no total 150 mil assinantes. afirma o empresário”. Até março de 2002. porém. “O que acontecia é que muitas vezes a previsão ficava defasada e mesmo assim era lida na rádio. Aos poucos. No começo. até informações exclusivas para outras mídias como o WAP e a tevê interativa. Nesse espaço. como a TECSAT. Com o marido. Relutante no início. O locutor dizendo que o dia seria de sol e do lado de fora já estava chovendo”. relembra Patrícia Madeira. como a de Belo Horizonte e do Rio. um canal de comunicação com a empresa. e atingia um universo de 250 mil assinantes. que até então divulgava a previsão feita pelo The Weather Channel. 18/3/2002). Sempre atenta a novidades. como iatismo.) (Meio & Mensagem. apresentando a previsão do tempo para São Paulo. atualizadas a cada dez minutos. Magno convenceu a meteorologista Patrícia Madeira a assumir a função e tornar-se uma “Josélia Pegorim da CBN”. transmitida por várias operadoras de tevê a cabo do Brasil. dividia os boletins e com o tempo a voz dos dois passou a ser reconhecida. e como fornecedora de conteúdo para canais da TVA e TV Filme. nesse período. a tarefa foi delegada a outro profissional da equipe. a rádio Globo AM era outra cliente assídua. Em 2002. a dupla muitas vezes era solicitada por outras sucursais da rádio. (. além de dados sobre a lua. Grandes negócios. várias emissoras de rádio e companhias telefônicas. que fornecia conteúdo na época para 85% dos portais brasileiros e links para outros 2 mil sites. O sucesso obtido com a previsão do tempo divulgada pela rádio Eldorado de São Paulo levou outras emissoras de rádio a procurarem a Climatempo.. de março de 2002. esporte. como futebol. esoterismo e o Sky e você.cinco opções aos assinantes: previsão do tempo. 30 emissoras de televisão espalhadas pelo País. O início da tevê interativa não impediu que as duas empresas mantivessem as negociações em torno da inclusão da TV Climatempo no line up da Sky. a Climatempo empregava 35 funcionários. uma delícia porque te exercita a falar direito. a Climatempo oferecia a previsão do tempo para três dias. ouço uma voz forte ‘Acorda. ‘Também podemos oferecer informações sobre as condições das estradas e a balneabilidade das praias em tempo real’. Patrícia logo pegou gosto pelo rádio e também o jeito de transmitir a informação de forma confiável. Além disso. e aquáticos.. “Teve um dia que eu ia entrar no show do Antonio Carlos. Rádio é muito bom. O canal brasileiro. Um pedido especial do diretor da CBN ao fechar o contrato com a Climatempo. a não falar bobagem para 75 . De acordo com uma matéria da revista Pequenas empresas. Além dos boletins para a CBN São Paulo. mais um serviço inédito na Internet: previsão do tempo para esportes terrestres. ventos e plantio. A diretora-geral da Sky. Também da capital fluminense. Uma delas foi a CBN. a empresa fornecia dados para jornais. em abril de 2002. tornando-se marca registrada da CBN. marés. A revista apontava o crescimento no faturamento da Climatempo nos últimos cinco anos: uma média anual de 30%. o site da Climatempo era acessado por 350 mil pessoas por mês. ainda sofria com a concorrência do The Weather Channel. A TV Climatempo também já era um sucesso. André Madeira. De repente.

que tanta dor de cabeça deu a Carlos Magno. o gerente comercial da Costa Café. estava deixando de operar não só no País como em toda a América Latina. ele conhece mais seu ofício e. e os assinantes tinham acesso a uma previsão do tempo gravada em áudio e vídeo pelo próprio Carlos Magno. Uma das primeiras empresas a contratar a Climatempo. Logo em novembro. eu errei 100% da previsão. um serviço semanal voltado para a cafeicultura. a NET/Sky. produtores e todo o setor de agrobusinness. o grande vilão dessa história é o erro. milho. de setembro de 2002. coube a Carlos Magno a tarefa de continuar a empreitada e manter o sonho de uma tevê brasileira. como em um telejornal.não perder a credibilidade. Magno afirmava: “As previsões meteorológicas. usa seu dinheiro para comprar essa moeda e espera a valorização. Fundador e grande incentivador do canal do tempo. A empresa nunca teve dúvida da eficiência e da importância desse tipo de informação para a agricultura. Mesmo com um pé na Sky. abrindo espaço para um canal de previsão do tempo brasileiro na maior operadora de tevê a cabo.agroclima. pois sabia que acompanhar as condições climáticas era fundamental para o acompanhamento do plantio e da colheita e para a realização de negócios na área de commodities. muitas vezes cobrado ao vivo pelos ouvintes mais atentos. seja pela falta de motivação. O serviço dará uma transparência maior ao mercado. Sempre antenados. Já os corretores terão a chance de saber antes da abertura das negociações o que provavelmente irá acontecer. não era para estar chovendo’. A Climatempo sempre se preocupou em atender agricultores. Seja pela situação econômica. o Milton Jung me perguntou se estava tudo bem e eu respondi na lata: ‘não tem nada bem. se você sabe que o dólar vai valorizar. O boletim era postado todas as segundas-feiras. entrei chateada no ar. A previsão dá subsídios para anteciparmos nossas decisões”. a exportadora Costa Café aprovou o novo serviço. Por isso. como na rádio sempre tem um bate-papo. arroz. no fim de maio. Outra frente importante de negócios era a agricultura. afirmava. compradores e exportadores ganharam uma ferramenta poderosa no mundo do agronegócio. por outro lado nova baixa levantaria o ânimo da TV Climatempo. Waldemar Stefan decidiu se afastar para poder retomar seus negócios na empresa Promeeting. “Uma vez. pouco tempo depois. esclarecia Carlos Magno em uma das várias matérias que a novidade gerou na imprensa. Carlos Magno e Ana Lucia colocaram no site da Climatempo. Marco Antonio Jacob. Oferecemos agora um serviço gratuito e de qualidade a todos aqueles que lidam com a agricultura e a pecuária”. Sabe que chegaram vários e-mails me consolando? Isso é rádio”. um meteorologista tem menos chance de dizer alguma besteira sobre o tempo. Aí. às 9h da manhã. que apresenta há anos os boletins na rádio Eldorado. no fim de 2002 a TV Climatempo enfrentava a saída de um dos seus sócios. Com o café é a mesma coisa. “Os produtores poderão saber com antecedência a ocorrência de geadas para tomar as medidas necessárias. As previsões postadas no site www. soja. na época. são dirigidas às áreas urbanas. Com isso. café. o fato é que o grande The Weather Channel. A proposta era oferecer um panorama climático do setor e o serviço foi batizado de Cybercafé. como também acredita Josélia. além de informações sobre pastagens para a pecuária. Em entrevista para a revista A Lavoura.br abrangiam as principais áreas de cultivo do Brasil: algodão. o novo informativo preenchia uma lacuna que existia no mercado. de um modo geral. o risco é menor. lá pelos idos de 1994. um alto executivo da Net entrou em contato 76 . A ideia do site voltado para os produtores de café deu tão certo que. com grau de acerto superior a 90%”. relembra Patrícia. “É como o mercado financeiro.” Assim. o AgroClima. Foi o primeiro site brasileiro voltado para a previsão do tempo na agricultura. feijão. a Climatempo decidiu lançar mais um produto inédito no mercado. Pecuaristas. cítricos.com. Se a saída de Waldemar foi uma nota triste. Para Carlos Magno. trigo e cana-de-açúcar.

. um infográfico explicará os motivos do fenômeno (.. à minha empresa”. A TV Climatempo começaria divulgando boletins de hora em hora sobre o tempo no Brasil e no mundo e alguns outros programas. fez com que em dado momento Ana Lucia percebesse a necessidade de 77 . in Linhas & Laudas). que dava dicas das condições do tempo nos pontos turísticos do País. quando a emissora não renovou o contrato que mantinha com a empresa. como Em Clima de Viagem. a Climatempo dava adeus a uma de suas melhores e mais importantes parcerias.” (O Globo. Uma das novidades será o enfoque jornalístico do espaço. diretor da Climatempo. A saída da Globo não abalou os serviços da Climatempo. “A tevê deu credibilidade à previsão do tempo e. Jornalistas do Globo estarão sempre em contato com meteorologistas da Climatempo para decidirmos que explicações interessam aos leitores. A notícia foi destaque no jornal: “O tempo vai ficar melhor a partir do próximo domingo. encerre isso com chave de ouro”. Além disso. a Climatempo seria contratada para prestar serviço para o jornal O Globo. em julho daquele mesmo ano. como destaque da reportagem “De carona no sucesso”. O laboratório Roche consulta Magno para reforçar a distribuição de seus antigripais e vitaminas C nas regiões onde a previsão é de chuva. “Fiquei até o último dia na Globo. Eu disse: ‘Quem vai sou eu’. A butique Daslu quer saber se vai chover ou fazer sol antes de decorar suas vitrines.” (revista Dinheiro . compramos o que era necessário e nos primeiros meses de 2003 conseguimos pagar as dívidas e equilibrar as contas da TV”. a não ser eu. Nela. O crescimento acelerado da empresa em todas as áreas. pelo contrário. 06/7/ 2003. diz Carlos Magno. A prova de que a saída da Globo não deixaria traumas foi que logo depois.) Essa interatividade e esse dinamismo são inéditos no Brasil’. que dará destaque ás mudanças climáticas que estiverem ocorrendo no País. lembra Magno. a TV Climatempo. A partir de então toda a parte de previsão do tempo dos telejornais passou a ser fornecido pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (C PETEC/ Inpe). se uma intensa ressaca atingir as praias do Rio ou uma seca assolar a região Centro-Oeste. o Minuto Agrícola. sobre as condições meteorológicas nas principais rodovias do País nas tardes de domingo e na volta dos feriados prolongados. era um sábado de 2003. in Linhas & Laudas). Pelo menos nas páginas do Globo. O canal entraria no ar a partir de março no formato interativo. E a credibilidade da empresa no mercado era tão grande que a revista Dinheiro. Se nevar na região Sul. e Estradas. No dia 2 de janeiro de 2003.com Carlos Magno perguntando se a TV Climatempo estava pronta para entrar em operação. A saída aconteceu em abril de 2003. que lançará no dia 13 uma nova seção de previsão meteorológica. 30/7/2003. Já passam de mil e são cada vez mais parrudos – AMBEV (hoje é a INBEV) e Nestlé. jornais brasileiros anunciavam a entrada em operação do primeiro canal de meteorologia 100% nacional na Sky. ‘Vamos dar destaque ao que estiver acontecendo de mais importante.5 milhão de assinantes. Não estou a fim de que alguém desagradável ou implicante crie alguma saia justa e não quero que outra pessoa. voltado para o agronegócio e para a agricultura de todo o País. a Climatempo deixava de prestar serviço para a rede. consequentemente. (. era o momento de enfrentar novos desafios.. do mesmo grupo.. feita pela empresa Climatempo. um dos sócios da Climatempo.). Pegamos dinheiro emprestado no banco. trouxe Carlos Magno. Magno e sua empresa eram tratados como empreendedores vitoriosos: “O negócio cresceu tanto que em 1999 Magno investiu 200 mil dólares para criar um canal só dele. conta Ana Lucia sobre o último dia na emissora. Internet. “Começou a correria. avalia Magno. na edição de 30 de julho. consultoria e agora também com a TV Climatempo sendo retransmitida por uma grande operadora. Após treze anos de contrato com a TV Globo. que hoje (2003) tem 1. Pouco tempo depois de conquistar um lugar na tevê por assinatura. Os clientes da empresa também se multiplicaram.

era fundamental ter outro departamento comercial. e a Climatempo estava sempre entre as empresas citadas. Separamos tudo.modernizar a administração da empresa. cobrança. O ano de 2003 ficaria marcado pela constatação de uma nova realidade na meteorologia brasileira. nas conversas nas filas dos elevadores. O programa gerava a nota fiscal e acompanhava todo o processo desde a hora em que chegava a ordem para ser emitida até a hora da cobrança. Fiquei muito feliz. refiz os processos de emissão de notas. Mas era muito trabalho para uma pessoa só. “Quando comecei a fazer o MBA . contadores especializados. que ajudava no planejamento estratégico das empresas. Assim. a Climatempo era uma empresa que as pessoas do ramo conheciam. Quando viu que as coisas já estavam andando de maneira mais organizada. a estrutura era ainda muito amadora e era preciso reorganizar tudo. Seja para divulgar novas parcerias com empresas aéreas como Varig e TAM . . Naquele momento. arregacei as mangas. Não tinha a menor ideia de que a Climatempo já estivesse nesse ponto”. só que dessa vez dedicou-se aos prognósticos climáticos. ali durante as aulas. logo após terminar o MBA .” Ana Lucia trabalhou intensamente. que começou de forma embrionária. as pessoas dos meios de comunicação conheciam. Eu mesma estudei e criei um programa que fazia as notas fiscais do jeito que acho que deviam ser feitas. Ana assumiu a tarefa de colocar a empresa em ordem. Não teve dúvidas: entrou em um MBA de Administração Geral em 2002. descobri que todo mundo conhecia a Climatempo. Magno e Ana sabiam: o tempo na Climatempo era bom. Ele ficou mais tranquilo para fazer os negócios. Segundo ela. Todas aquelas pessoas de várias empresas importantes conheciam a minha empresa. Como bons previsores. mesmo que internamente. que era a Climatempo Consultoria. A indústria era o principal cliente desse tipo de serviço. auditável. o Magno ficou mais confiante e me passou toda a administração. trabalhar direto com advogados. programei o sistema e treinei o pessoal. Inúmeras matérias ao longo do ano registraram o impressionante crescimento na demanda por serviços de meteorologia. para longos períodos. Ana Lucia deixou a administração e voltou para o que gostava de fazer: a previsão. porque todos os lucros e débitos iam parar num lugar só. Criei métodos para que o volume de trabalho que aparecia na administração fosse gerenciável. conta Ana Lucia. Segundo pesquisa feita pela Climatempo.” “Sempre se soube quem ganhava o quê. o faturamento do setor de serviços meteorológicos saltou de seis milhões de dólares para 120 milhões de dólares. de 1993 a 2003. mas não se sabia quem dava lucro ou não. E foi ali que teve a real dimensão da importância da Climatempo. Meti a mão. em dez anos. em 2003. O curso reforçou a vontade de Ana Lucia em posicionar a empresa à altura de sua importância diante do mercado. seja para anunciar o lançamento do discador que fazia da Climatempo um provedor da Internet. 78 Foi um período de reestruturação de toda a parte administrativa. De repente. “Depois de um ano. ou seja.

passou a ser respeitada. Ela oferece consultoria para jornais. Tanto era assim que logo. A outra razão era de ordem prática. a Climatempo contabilizava como clientes quase 500 empresas ligadas às áreas agrícola. Duas razões. Com uma estratégia agressiva de preços. 10/4/2005. Aos poucos. a empresa era procurada. a partir do fim da década de 1980. tevês. gerando maior interesse A concorrência mais séria. a Climatempo já podia se dar ao luxo de andar com as próprias pernas. Era preciso definir quem fazia o quê. para opinar sobre as condições do tempo: “O outono chegou há três semanas. O trabalho pioneiro realizado pela Climatempo. por tabela. Uma boa razão para manter a Climatempo atenta e atuante. define Magno. ao lado da Climatempo.. se por um lado era o resultado de um trabalho muito sério de divulgação feito pela Linhas & Laudas. prestando serviço para a Rede Globo. era inevitável que os serviços prestados por uma empresa privada fossem. da Climatempo (. agronegócio e mantém um portal na Internet. a tevê foi outro”. os principais concorrentes da Climatempo foram empresas estrangeiras como a WSI e o The Weather Channel. também se tornassem mais conhecidos. Magno comentava o crescimento da empresa nos últimos cinco anos: cerca de 30% ao ano. a Somar conseguiu conquistar uma fatia importante do mercado. 9 . da população no acompanhamento dos fenômenos meteorológicos. porém. in Linhas & Laudas). No início. em especial de Carlos Magno. A Climatempo foi um empreendimento. farmacêutica. por ex-funcionários do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).). por outro essa resposta positiva não aconteceria se Virando uma holding 79 m quinze anos a Climatempo consolidou-se como a primeira grande prestadora de serviços de meteorologia no Brasil. manter sua carteira de clientes e dominar seu segmento de mercado. compete basicamente no mesmo mercado da Climatempo. “Sou um empreendedor nato.) ‘Até quarta prevemos temperaturas máximas de 30 a 31 graus’. mesmo depois de tantos anos. passando pela Internet e pela consultoria. Índice que subiria para oito milhões de acessos ao mês em junho daquele mesmo ano. ainda enxergava e acreditava no grande potencial da meteorologia no Brasil.. A credibilidade. nas matérias de jornais. A Somar Meteorologia (Southern Marine Weather Services). Em matéria publicada na revista Pequenas empresas. de março de 2004. fundada em 1995. diz o meteorologista Luiz Alves dos No início de 2004. Grandes negócios. decorrente de vários serviços lançados no nosso site. órgãos públicos. Com isso. lá atrás.. mas para o paulistano. isto é.” (Jornal da Tarde. da Somar. porém. o mês de abril deste ano está atipicamente quente. o mês de abril está com cara de verão. Tanta notoriedade não era fruto do acaso. Santos Neto. “Tivemos um pico de expansão de 200% nos negócios em 2000. alvo de concorrência. com o tempo. que colocava o nome Climatempo nas mais diversas mídias. por sua vez. Naquele momento era preciso definir as várias frentes de trabalho desde a operação da tevê.” Também naquela época. como o CPETEC. (. ajudou a criar uma nova cultura meteorológica. A primeira delas era o espírito empreendedor do casal Ana e Magno. por exemplo.. a previsão do tempo. o site da Climatempo registrava uma impressionante marca: um milhão de pessoas utilizava alguma espécie de serviço da empresa via Internet. impediam essa acomodação. A reestruturação levada a cabo por Ana Lucia durante o ano de 2003 ajudou a organizar os vários setores da empresa. de confecção e de transporte que utilizavam regularmente as previsões da empresa para a tomada de decisões em seus negócios. viria de empresas privadas nacionais que também perceberam o aumento de demanda por informações climáticas. Segundo o meteorologista Celso Luís.E Conhecida e respeitada. fez com que os órgãos públicos. alvo de total descrédito. Foi o início da profissionalização que levaria à criação do Grupo Climatempo. que. passaram a competir pelo mercado de previsão do tempo.

Dessa vez. Enchentes. A neve se forma quando a temperatura é bastante baixa na superfície. distribuído em parcerias.. na sua estrutura. com ventos entre 120 e 150 km/h e surpreendeu os especialistas pela raridade do fenômeno no Brasil. destaque para duas novidades. em maio. além de um link que permitia o acesso ao site oficial da produção. A explicação técnica do fenômeno ficou por conta da Climatempo: “O granizo é produzido por nuvens que alcançam altitudes elevadas. o gelo acumulado nas vias foi superior a 30 centímetros e foi preciso muito trabalho para retirá-lo das ruas. Isso faz com que a água forme os cristais de neve”. Naquele mesmo mês. Um serviço mais uma vez inovador da Climatempo. do dia 13 de fevereiro. A gente queria colocar a TV Climatempo como canal aberto e o Canal do Boi transmitia por parabólicas. André Madeira esclarecia: “Granizo e neve são como água e vinho. mais adequadas ao perfil de cada cliente.. por exemplo. também associada a uma alta umidade do ar. que passou a enviar as informações via satélite e não mais por arquivos de computador. Pouco depois. em setembro de 2004. seguida por uma chuva forte. O novo sistema permitiu apresentações personalizadas do audiovisual das previsões do tempo. que movimentava cerca de 40% do Produto Interno Bruto ( PIB) brasileiro. cerca de 35 milhões de telespectadores anualmente. Na maioria das redações ouvir os especialistas da Climatempo tornou-se quase obrigação editorial. 76 feridos e milhares da casas danificadas. 80 . em fevereiro. Mas nem tudo era só sucesso. isso não aconteceu”. para a divulgação de uma superprodução O dia depois de amanhã. A popularidade da Climatempo ficou evidente em uma parceria inédita que o portal fez. do diretor Roland Emmerich. A outra era a ampliação dos serviços para celulares para as operadoras Tim. na época. tanto financeiro quanto cultural. a Climatem- po ampliaria ainda mais a visibilidade de seus serviços com mais um produto. cobriu de gelo boa parte da zona Norte da cidade de São Paulo. Sua programação era dirigida ao setor agropecuário. semelhante a uma nevasca. Segundo destacava matéria do Jornal da Tarde. que atingia. Foi o que aconteceu.a empresa em si não conquistasse visibilidade por meio de ações e iniciativas inéditas no campo meteorológico e no investimento constante. o mesmo de Independence Day.” E mais. a Fox Films do Brasil. ao empresário sul-mato-grossense Claudio Godoy. Apostando na popularidade do site. Com isso a emissora recebia a arte pronta para gravar e exibir. a Climatempo já era referência para toda e qualquer informação climática. a ocorrência de um ciclone extratropical com ventos de até 150km/h arrasou o sul de Santa Catarina no fim de março e deixou três mortos. Em qualquer um desses episódios a análise dos meteorologistas era sempre requisitada. a Climatempo esteve quase diariamente no noticiário dos principais jornais brasileiros por causa de uma série de eventos raros. Claro e Vivo. Magno associou-se. com uma empresa cinematográfica. O espírito empreendedor de Carlos Magno muitas vezes esbarrava no que popularmente se chama “canoa furada”. a Fox investiu na exposição de banners e popups. Nesse período. O Catarina foi mais tarde reconhecido como um furacão de categoria 1. lembra Magno. Com a expectativa de entrar na tevê aberta. A paisagem de verão deu lugar a uma grossa camada de gelo. quando uma tempestade de granizo. “Na verdade foi uma parceria que não deu certo. No ano de 2004. A equipe de meteorologistas era constantemente procurada para explicar fenômenos que intrigavam a população. conge- lando a água. A primeira ficaria por conta da mudança no sistema de envio de dados aos clientes. No campo tecnológico. dono do Canal do Boi. estiagens. para tirar dúvida sobre a possibilidade de neve. No fim. já que o filme retratava os impactos de fenômenos da natureza nas principais cidades do mundo. racionamento de água. O objetivo era claro: explorar o potencial da principal empresa de meteorologia privada do País. onde a temperatura é baixa. Essas nuvens se formam somente em dias bastante quentes. gerando conteúdo para mais de 250 emissoras de rádio em todo o País.

montamos uma equipe de telemarketing e começamos a fazer programa ao vivo para vender de madrugada. Isso possibilitava apontar as condições climáticas diferentes até mesmo entre bairros da capital. assim como Renato Urbinder. Pensando nisso. Portanto.” O que aconteceu foi o seguinte: com toda a estrutura montada dentro do Canal do Boi. O Renato teve a ideia de vender selas para cavalo. Os equipamentos permitiram à empresa fazer uma previsão para quinze dias no prazo de uma hora. passou a se ocupar da supervisão geral do grupo de previsão. O MM5. “Eu tinha um diamante bruto em minhas mãos e precisava trabalhar para lapidá-lo. um link de satélite e um horário na madrugada para fazer qualquer coisa. enquanto um computador normal realizava um bilhão de cálculos por segundo. Juntas. “Tinha estúdio. o software usado pela Climatempo foi adaptado.que define o período como uma fase negra da Climatempo. Vendemos muitas selas e ganhamos muito dinheiro”. 2 GB de memória RAM e 120 GB de disco rígido. as duas empresas desenvolveram um novo sistema que aumentava a precisão e a velocidade dos serviços de previsão. umidade e ventos. desligando-se do dia a dia para acompanhar o processo global da empresa. a Climatempo anunciou uma parceria com a empresa de tecnologia Semp Toshiba. alguns clientes debandaram. Eu e o Renato Urbinder. em janeiro de 2005. porém. Como a Climatempo manteve seu padrão e seus preços. Também tornou possível prever com maior chance de acerto a ocorrência de chuvas. tinham consciência da importância das novas tecnologias e do que as novas mídias que despontavam com toda a força podiam representar para o desenvolvimento de novos negócios. Para dedicar-se totalmente à Climatempo. Os novos computadores eram capazes de processar 26 bilhões de operações por segundo. com o novo sistema foi possível diminuir o campo para 40 quilômetros. com o acordo. acabei desviando o foco da TV Climatempo. “Ganhamos muito dinheiro. surgiu a ideia de montar um canal de vendas. Assim como Ana Lucia. “Cluster” é o nome dado a um sistema montado com mais de um computador. Se antes era possível elaborar a previsão com maior precisão para um limite de 100 quilômetros. Todos rodando em um cluster GNU /Linux. sócio da Climatempo Internet. Com as novas configurações. chegando a quatro quilômetros na região metropolitana de São Paulo. um modelo de previsão do tempo de pequena escala de código aberto que havia sido desenvolvido para o hemisfé- 81 . antes esse trabalho levava mais de três dias. e isso teve suas consequências.” Esses pequenos desvios serviram de aprendizado e motivaram a retomada do caminho traçado para a empresa. Magno também concluiu que como diretor presidente da empresa era preciso cuidar do gerenciamento de todos os setores que compunham a Climatempo naquele momento. que voltamos a nos impor no mercado. já em 2005. depois de reestruturar administrativamente a empresa. Esse novo sistema deu à Climatempo uma qualidade ainda maior na prestação de serviços de previsão do tempo. O processo de retomada passava pela modernização da empresa. Carlos Magno deixou a rotina de previsão e de atendimento aos clientes para sua equipe. Foi então. que também é um sujeito empreendedor. e deixar de vender selas para cavalos. para a sua empresa de meteorologia. A Semp Toshiba entrava com os computadores em troca de espaço publicitário. lembra Magno. Magno então percebeu que era hora de voltar o foco para a consultoria. a Climatempo passou a trabalhar com seis computadores de última geração na época: Pentium de 2. O preço dessa iniciativa foi que a concorrência percebeu o momento vulnerável da Climatempo e promoveu um verdadeiro ataque. que. O objetivo dessa associação era que todo o processamento das informações fosse distribuído aos computadores de forma que na prática todo o trabalho fosse feito por um único computador. contendo informações de temperatura. Carlos Magno e Ana Lucia. mas ainda sem transmitir a TV Climatempo. baixando o valor dos serviços.8 GHz. chuvas.

O que vai acontecer em dois ou três meses pode ser muito importante para alguns setores. por isso nosso empenho em produzir conteúdos cada vez mais interessantes para os celulares. Tudo para tentar minimizar os riscos de investimentos de um setor que gerava cerca de 20 bilhões de dólares por ano. um entusiasta do potencial dos pequenos telefones. “Sempre estivemos empenhados em trazer para os celulares novas conexões. na página da Climatempo. os clientes podiam fazer um planejamento diário de suas ações.. As facilidades operacionais permitiram também que os técnicos da Climatempo conseguissem renderizar imagens e filmes mais rapidamente. frio fora de época. Já a previsão climática era uma área muito específica dentro da Climatempo que atendia a clientes que precisavam de um acompanhamento a longo prazo do clima. cada vez mais exigente. fundador e presidente da Climatempo. criou um serviço especial para a indústria têxtil: a cada 30 dias fazia previsão para os próximos 12 meses.” Não era à toa que a Climatempo estava presente nas principais operadoras de celulares. Primeiro. gerando gráficos mais precisos para a TV Climatempo. por exemplo. foi ajustado pela Climatempo para elaborar a previsão para o hemisfério Sul e para o Brasil. mapas e imagens do tempo em outros países. Para enfrentar as mudanças bruscas dos termômetros.. Os serviços da empresa eram solicitados para esclarecer as “loucuras do tempo”: calor no inverno. a revista Info elegia os 21 nomes mais importantes da tecnologia brasileira. pioneira em projetos. como ferramentas estratégicas de negócios. novos planos que permitam a navegação na Internet”. o site trazia mais informações. Para isso foram feitas algumas alterações no layout para facilitar a navegação e deixar o portal mais interativo. As instabilidades climáticas ocorridas no Brasil sempre foram um forte aliado do crescimento da Climatempo no mercado de meteorologia do País.rio Norte. Era a partir das in- 82 Em outra ponta. escolhidas entre três mil municípios brasileiros e 350 no exterior. De posse dessas informações. e dentre os nomes apontados como parte dessa elite estava o empreendedor Carlos Magno do Nascimento. A mais conhecida e imediata era a previsão do tempo. Para a revista. Diariamente eram enviadas informações com a previsão para quatro dias para até cinco cidades. A Climatempo. com um prazo de validade para um período de cinco dias. indústria e varejo tinham de recorrer aos meteorologistas. a Climatempo colocou à disposição de seus clientes dois tipos de previsão. temporais que arrasavam cidades. Magno destacaria um dos objetivos da empresa: “Queremos colocar a informação na mão do usuário. Além de possibilitar o envio de fotografias de fatos ligados ao tempo pelos usuários. como os índices ultravioleta para sete dias. previsão do tempo via e-mail. desenvolvendo produtos para celular”. como o da indústria têxtil. Na Internet também era preciso acompanhar o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas e do perfil do internauta. com simples torpedos que enviavam a previsão do tempo para o celular. ainda na área de TI. que fazia a avaliação estatística do novo sistema. o que facilitou o trabalho dos meteorologistas. avalia Renato Urbinder. o serviço do Climamail. Toda essa movimentação em busca da modernização não poderia resultar em outra coisa senão em reconhecimento. os celulares se consolidaram . O projeto contava com o respaldo científico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). uma loja programava a montagem de vitrines para atrair consumidores durante o fim de semana com base nesse prognóstico. Desde o início. Outra novidade: todos os dias os usuários de todo o País podiam solicitar. professores universitários e consultores. “A Climatempo sempre esteve na ponta. depois com informações via Internet e por fim com a expectativa de em breve transmitir programas de tevê pelo celular. com a mesma qualidade. Em setembro de 2005. Por exemplo. qualidade do ar e das praias. A velocidade cada vez maior com que novas tecnologias para celulares se desenvolviam significava novos negócios para empresas como a Climatempo. A Elite Info de Tecnologia foi escolhida por presidentes de empresas.

Cada vez mais. no Rio de Janeiro. Para Carlos Magno e Ana Lucia. explica Ana Lucia. os dois não deixaram de lado a raiz de tudo: que a meteorologia era uma ciência. “Com essa informação. Assim como a indústria têxtil. No varejo. porém. montamos um formato que está até hoje e podemos fazer a previsão para qualquer lugar do Brasil”. “Não fui eu quem inventou a previsão climática. Ana Lucia fora convidada. muitos deles sazonais. Ela tem outras raízes que são acadêmicas. contratos por trabalho específico. outro cliente de peso. melhorando. Tecelagem e Vestuário de Blumenau (Sintex). O trabalho de previsão para o setor de moda começou com uma etiqueta de surfwear.500 clientes. Havia. oitenta previsões”. que passou a ter uma página com a previsão meteorológica para o mês elaborada pelo meteorologista André Madeira. se houver uma mudança radical. direcionada à classe AA. Congresso Brasileiro de Meteorologia. Em 2006. Em 2005. que reunia 42 empresas. entre elas a Hering e a Marisol. isto é. “O dono da marca me perguntou uma vez se era possível fazer uma previsão para estação e eu disse que era.formações da Climatempo que indústrias do setor têxtil definiam a gramatura do tecido que seria usado em determinada peça de roupa. as indústrias farmacêuticas e da construção civil são as maiores interessadas nas previsões climáticas. eles sabem se devem investir num tecido mais pesado ou mais leve para a estação seguinte”. a previsão dava aos aficionados pelo mundo offroad a possibilidade de organizar 83 . Os desenhos selecionados foram utilizados na publicidade do congresso e o vencedor ganhou uma câmera fotográfica digital. a Climatempo conquistou um importante cliente: o Sindicado das Indústrias de Fiação. Pouco tempo depois. Na empresa. em 2004. que aconteceria em Florianópolis no ano seguinte. a previsão do tempo e do clima era um negócio. O prestígio podia ser avaliado pelo reconhecimento da marca. avalia Ana Lucia. Dividida em regiões brasileiras. era uma coisa muito incipiente. contudo. André e Patrícia Madeira são os responsáveis por esse tipo de serviço. “Elaboramos a previsão. No início. destaque para a revista Moto Adventure. Por isso era importante manter contato com as entidades do setor e também com a comunidade científica. as previsões da empresa também eram fundamentais para definir as vitrines e o tamanho do estoque para a estação. por exemplo. os clientes fixos. afirma Magno. explica Ana Lucia. que por si só atraía o interesse de possíveis clientes. e a confiabilidade se traduzia na quantidade de matérias em todas as mídias em que a Climatempo era fonte de informação. a loja solicitou uma previsão antes de selecionar o que iria expor na coleção de inverno. O objetivo do concurso era chamar a atenção para a atuação da meteorologia na sociedade e no meio ambiente por intermédio de animações. A busca da profissionalização era a meta principal da Climatempo. Ninguém imagina o trabalho que é refazer setenta. também passou a utilizar as previsões fornecidas pela Climatempo. como a Eldorado e a CBN e cerca de 50 tevês. varejo e indústria percebiam a necessidade de contratar uma empresa especializada em serviços meteorológicos. O detalhe é que eu fui estudando o que os acadêmicos diziam até encontrar uma solução que o mercado considera boa”. em São Paulo. famosa loja de grifes de São Paulo. Fomos melhorando. a gente simplesmente aborta o que está sendo feito e refaz tudo. a empresa já registrava uma base de 1. Em novembro de 2005. No outono de 2003. Um exemplo de cliente da previsão climática era a Daslu. Ouvimos bastante os clientes. e O Estado de S. como jornais do porte de O Globo e Extra. Ana Lucia. uma vez que prestígio e confiabilidade já estavam definitivamente associados ao nome da empresa em 2006. rádios. a Climatempo e a SBMET promoveram um Concurso de Marcas com Animação para divulgar o 14º. Entre os novos clientes. Paulo. entre elas a Rede Mulher e algumas retransmissoras regionais. a Camisaria Colombo. a participar da diretoria da Sociedade Brasileira de Meteorologia ( SBMET) para o período de 2004 a 2006.

os agricultores eram um alvo evidente. a tevê atuando com a Internet e interferindo na consultoria. criava situações confusas internamente. Para seduzir tantos e tão variados clientes. assumindo toda a responsabilidade legal pelos trabalhos feitos junto a clientes. shoppings. pelo desenvolvimento de novas 84 . com cinco ilhas de edição não-linear. que a partir de julho de 2006 passou a oferecer o acompanhamento da previsão do tempo para cinco mil cidades brasileiras e mais 350 cidades de outros países no boletim informativo do portal. vale ressaltar a variedade de segmentos que procurava a Climatempo. Nesse momento. agronegócios. que recebeu uma nova injeção de investimentos. Carlos Magno e Ana Lucia tomaram consciência de que era preciso reestruturar a em- presa. empresas de telefonia. e índice de acerto em torno de 70% e previsão do tempo mensal e diário com índice de acerto de 95% para indústrias. Entre as empresas. desde lojas de varejo. como com site iG. transformando a Climatempo em um grupo empresarial. e as novas mídias. revelava o seu segredo: “Pela natureza do setor. Percebemos que a Climatempo já não comportava mais uma administração unificada. Essas empresas seguiam a legislação para o tipo de negócio prestado e por isso estavam registradas no Conselho Regional de Engenharia. Do jeito que estava. “Esta ação fez-se necessária pelo crescimento da empresa desde a sua criação. de alguma forma. como a C&A e o Magazine Luiza. a TV Climatempo recebeu novos equipamentos. Surge então o Grupo Climatempo. E a empresa que souber como o tempo vai se comportar tem uma vantagem”. Toda essa modernização contou com a direção do jornalista Paulo Polli.com antecedência viagens. com cinco unidades de negócios. agências de viagens e parcerias importantes. mas sempre convicto de que o clima está. que usava a previsão para evitar congestionamento no serviço de entrega rápida. o Último Segundo. Arquitetura e Agronomia de São Paulo ( CREA-SP). voltada para a realização de vídeos e documentários. que desde 2005 havia se reintegrado à equipe com o objetivo de dirigir toda a programação da tevê. como o Habib’s. afirmava Magno em entrevista ao jornal Gazeta Mercantil. Carlos Magno. mídias. em entrevista para a revista Exame. como o boletim das estradas. Os demais clientes setoriais eu consegui com um pouco de intuição. e a Climatempo Produções. Uma parceria com as concessionárias Ecovias. ônibus. Com a nova estrutura ganhou também novos serviços. a TV Climatempo. de julho e agosto de 2006. na base das decisões das pessoas. em 1988. Na cartela de clientes havia malharias. além de prejudicar o fluxo do trabalho. por exemplo. direto da redação da Climatempo. e um estúdio em que eram feitas entrevistas e a gravação de comentários. A Climanet era responsável pela manutenção do Portal Climatempo. corridas e as demais atividades em duas rodas. empresas de seguro. O Grupo Climatempo passou a ser formado pela Climatempo Consultoria e a Agência Climatempo. Para modernizá-la e torná-la mais competitiva. em abril de 2006. oferecendo análises climáticas com projeção para até um ano. até cadeia de restaurantes. permitia a visualização de imagens das câmeras das rodovias e com isso oferecer serviços meteorológicos atualizados. a consultoria dedicando-se mais em abastecer a Internet do que seguir o seu objetivo de atender aos clientes. comprometendo a qualidade dos serviços prestados. persuasão. como TVs indoor. empresas de prestação de serviços técnicos de previsão de tempo e clima: a Climanet direcionada para serviços de Tecnologia da Informação e Internet. O novo serviço do tempo trazia também notícias atualizadas a cada 30 minutos. lojas de departamento etc. A Climatempo Meteorologia e a Agência Climatempo eram as empresas mais antigas do Grupo e respondiam pelo atendimento dire- to a grandes empresas. quatro estúdios de gravação equipados com câmeras e aparelhos digitais. realizar uma profunda alteração para poder atuar em todas essas frentes. AutoBan e Ponte Rio–Niterói. produtoras de filmes. por isso a concepção do grupo solidifica o nosso objetivo de se apresentar ao mercado dessa maneira”.

O Portal Climatempo já estava no ar havia cinco anos e com as modificações ganhou nova identidade visual. umidade. surgiu o conselho consultivo e foram nomeados gestores para cada unidade de negócios. Enfim. A ideia era aproveitar a estrutura da TV Climatempo. Por fim. documentários. o prédio da rua Muniz de Souza e a casa amarela ficaram pequenos. ou pelo menos o início dela. No site da TV Climatempo era possível encontrar toda a grade de programação da tevê. como estúdios e equipamentos para prestar serviços para terceiros. era hora de mudar para poder crescer. Os novos estúdios e as demais empresas do grupo foram transferidos para um amplo prédio na rua José Antônio Coelho. A Climatempo estava pronta para novos vôos. 85 . novos conteúdos e maior agilidade. no bairro do Paraíso. era a profissionalização. com a descrição de cada programa. foram criados grupos de trabalho. em andares diferentes. mas também com venda de publicidade por meio de banners e links patrocinados. com uma média de cem mil visitas diárias e mais de oito milhões de page-views por mês. Mais uma vez. atualização de três em três horas. diria Magno. Além disso. o portal era um dos cem mais visitados em língua portuguesa. Um negócio interessante para empresas. Com toda essa reestruturação. Isso foi possível graças a um acordo com a Microsoft para o desenvolvimento de um software que tornava viável assistir à TV Climatempo pela Internet. Com a formação do Grupo Climatempo houve uma reformulação total no visual do portal e a criação de dois sites. o da TV Climatempo e um institucional descrevendo as atividades do grupo. na mesma época em que foi criado o Grupo Climatempo. produzindo vídeos institucionais. o internauta tinha acesso a conteúdos transmitidos ao vivo em banda larga e podia trocar informações e opiniões com a equipe da tevê. A repaginação do portal trouxe previsões do tempo para cinco dias. e ainda pelo envio de informações customizadas para outros sites e portais. desenvolvido pela empresa de comunicação Linhas & Laudas. Uma importante mudança de posicionamento da empresa fez com que a Internet gerasse receita não só na produção de conteúdo. Pelo site. além de novas imagens de satélite e de um banco de dados sobre chuvas e temperatura que serviriam como fonte de pesquisa ao internauta.tecnologias. pois. Ali. além do desenvolvimento de produtos nas áreas de computação gráfica e multimídia. “Cada uma delas com a sua vocação”. antigas instalações da Rede Vida de Televisão. naquele momento. especialmente aquelas voltadas para a transmissão de informações via celular. programas de tevê. pressão e raios ultravioleta para dois dias. informações sobre vento. uma nova empresa tornou-se parte da holding: a Climatempo Produções. todos obedecendo à filosofia e missão de cada empresa.

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“Foi um momento complicado pessoalmente. Foi a própria produtora do filme. torpedos. mais uma vez. o par romântico. com a triste notícia da morte de sua mãe. o site é livremente traduzido para Climatempo. Kate Winslet e Jack Black no elenco. a Fora das luzes do estrelato. zinha e que um dia saiu do Rio de Janeiro com cinco mil dólares na bolsa só para ajudar a construir o sonho de um deles. primeira empresa privada do setor no Brasil. A tristeza. ainda no início de 2007. Carlos Magno. porém. quando preciso. o crescimento da Climatempo. interpretado por Norton. Para a Climatempo. A prova de que o nome Climatempo tornara-se uma referência para a área meteorológica estava no filme “O amor não tira férias”. presidente do Grupo Climatempo. flashes sobre as condições do tempo que podiam ser acessados pelos usuários. ainda tão recente. porém. nos bastidores do grupo. Quem conta essa história é César Giobbi. ele acessa rapidamente a TV Climatempo e acompanha um boletim climático. produção hollywoodiana com Cameron Diaz e Jude Law. já estava presente em várias operadoras de telefonia celular com boletins. A reestruturação da Climatempo. quando tinha apenas cinco anos. e foi um grande sucesso. para com isso ganhar unidade e poder competir com maior profissionalismo em um mercado que ajudou a criar e agora se expandia. dirigido por Louis Leterrier e com Edward Norton no papel principal. Um deles certamente era o da tecnologia celular. ficaria guardada no coração. o personagem Hulk. criou os três filhos so- Uma notícia bastante agradável daria um certo alívio à sensação de perda. Carlos Magno foi surpreendido. Em uma delas. quem solicitou à Climatempo a imagem reproduzida na tela. Ana Lucia e especialmente o sócio Renato Urbinder estavam sempre atentos às mídias que apontavam nichos importantes a serem conquistados. Em uma cena do filme. Nas legendas. então titular da coluna Persona no jornal O Estado de S. Mesmo morando do Rio. de cada funcionário e as metas comerciais. Seria uma homenagem a minha mãe. mereceu mais do que a citação na legenda brasileira. Diante de uma concorrência acirrada. Com a atenção voltada para o momento pelo qual o grupo passava. A gente entende m ano decisivo. representava um novo desafio: o posicionamento da empresa no mercado. Aos 77 anos. também! 10 87 . 15/01/2007) Um ano depois. A Climanet. lógico”. inclusive ajudando financeiramente. uma das unidades do grupo.U Mesmo reconhecida nacionalmente como prestadora de serviços meteorológicos e prestigiada até em filmes norte-americanos. e que tem Cameron Diaz no elenco. a norteamericana Marvel Comics. Ao trocar de canal. Pelo menos era assim que Carlos Magno e Ana Lucia encaravam o ano de 2007. no Rio de Janeiro. teve cenas gravadas na favela da Rocinha. Apoiando a distância o empreendedorismo do filho meteorologista. os celulares passa- O céu fala. para aproximar o original da realidade brasileira. dona Alice acompanhou passo a passo. foi surpreendido ao assistir ao filme O amor não tira férias. Uma área que continuava em franca expansão. por isso decidi me dedicar ainda mais à profissionalização da empresa e em seu futuro. fala sobre previsão do tempo e acessa um site americano de meteorologia. a Climatempo. O filme estreou no Brasil em junho de 2008. porém. Paulo. assiste à televisão em sua casa na favela. que desde a morte do pai. O filme “O Incrível Hulk”. pois os avanços mostravam-se rápidos com várias gerações de celulares sucedendo-se num piscar de olhos. Carlos Magno nunca escondeu a admiração pela mãe.” Climatempo estaria ligada a uma outra superprodução de Hollywood. em cartaz na cidade. perto de completar vinte anos. dona Alice sempre foi uma fonte de inspiração e respeito para Carlos Magno e seus irmãos. formado por Kate Winslet e Jack Black. (O Estado de S. parceira do Grupo Estado e líder no segmento. precisava definir os objetivos de cada núcleo do grupo. Logo. Era realmente preciso ficar alerta. a Climatempo continuava crescendo. Magno saiu satisfeito. Dessa vez. era preciso marcar posição. dona Alice sofreu um enfarte fulminante e não resistiu. agora como Grupo Climatempo. Paulo: “O meteorologista Carlos Magno.

que até então estava mais acostumado a ser “comprado”.” Outra questão urgente para o grupo e que ficou sob responsabilidade de Violin era a reorganização da área de RH. em São Paulo. A oportunidade de trabalharem juntos surgiu anos depois. e um novo e importante processo rumo à profissionalização. nesse momento. decidimos que era hora de montar um departamento comercial. A visibilidade da marca Climatempo. como dizia Magno. Rápidos no gatilho. Santos Dumont. Instalada nos principais aeroportos do País – Congonhas. Renato Urbinder dizia que: “A entrada da TV Climatempo na programação da Fly TV nos aeroportos reforça a posição da empresa como referência no segmento de previsão meteorológica no País”. As previsões eram atualizadas três vezes ao dia e feitas especialmente para a Fly TV. TAM. Pirelli. sentimos que também era preciso profissionalizar esses núcleos. e mudou de nome. executivos e demais passageiros. entre eles os boletins climáticos fornecidos pela TV Climatempo.ram a comportar muito mais do que mensagens. Na época. provedora norte-americana de conteúdo multimídia. como Magno prefere definir. posicionamento diante do mercado. A TV Climatempo. e Vitória. as pessoas nos procuravam para comprar nossos serviços e então simplesmente vendíamos. passou a ser fundamental para o futuro do Grupo. A Fly TV. porém. na inauguração da TV Climatempo. além de treinar os gestores. o treinamento dos gestores de cada unidade e firmando parcerias que trariam diversos benefícios aos funcionários. envolvendo a montagem de um organograma. podia ser mensurada pela quantidade de empresas que procuravam associar seu produto ao serviço da empresa pela Internet. relembra Magno. em 1999. Esse desafio foi proposto ao Violin”. e Confins. em São Paulo. A direção do Grupo Climatempo também percebeu isso. Dupont. Quando a concorrência passou a ser mais forte e percebemos que estávamos fechando menos negócios. Em janeiro de 2007. no Espírito Santo. “Nós não sabíamos nos vender. Na época. com o dinamismo necessário para esse tipo de serviço e para um público apressado e de passagem. Vanderlei Violin chegou ao grupo em fevereiro de 2007 com a missão de organizar os setores de recursos humanos e Marketing e implantar um departamento comercial compatível com o tamanho do grupo. uma variedade de anunciantes que percebeu que superar a marca de 100 mil visitas diárias e ser um dos 100 sites mais acessados em língua portuguesa não era para qualquer um. típico de aeroportos. criando as unidades de negócios. passando a chamar TV Aeroporto. Nivea. Violin era um dos diretores do jornal Vale Paraibano. ampliou os serviços para os aeroportos de Guarulhos. no Rio de Janeiro. foi neles que surgiu um outro nicho promissor captado pelo grupo: uma televisão exclusiva para os turistas. continuou como um dos seus principais parceiros. em Belo Horizonte – a Fly TV desenvolveu uma programação com conteúdos diversificados. entre eles a possibilidade de 88 . Sua meta era vender os serviços do grupo. a TV Climatempo tornou-se o primeiro canal brasileiro a fazer parte da programação do novo serviço com um conteúdo repleto de informações. Violin deu início a um trabalho focado na estruturação de uma área comercial competitiva. E por falar em aeroportos. ou. organizar melhor a área administrativa e de recursos humanos. Nissan. A chance apareceu com o lançamento do Idéias TV. Vick. em 2008. No Portal Climatempo era possível encontrar anúncios da Nestlé. “Quando fizemos a reestruturação da Climatempo. desde a previsão do tempo e as condições climáticas para o esporte até detalhes sobre a situação dos aeroportos. Carlos Magno e Vanderlei Violin conheceram-se em São José dos Campos. A primeira providência foi a contratação de um experiente profissional na área de treinamento e gestão e também comercial. os executivos da TV Climatempo perceberam a possibilidade de a emissora estar presente nos pequenos aparelhinhos. um serviço por assinatura da Claro em parceria com a Móbil TV.

essa falta de unidade. Como vamos chegar lá? Trabalhando com confiança em nossa capacidade. Magno contava com a experiência de Violin no gerenciamento do departamento de RH para acabar com problemas básicos para uma empresa. Investir em máquinas e em conhecimento. Divulgar a que veio. especializada em MBA s. uma visão mais elaborada de suas propostas. e isso precisava mudar. sem ter a mesma informação. Outra carta de valores foi elaborada em 2001. crescer e investir para nos tornarmos o melhor centro de previsão do tempo do Brasil. Julho de 1994 O que querem os nossos clientes? Previsão do tempo com boa qualidade. “Toda empresa precisa se divulgar. capacitação técnica. Se o gestor pensa. do qual participavam os líderes de cada unidade. A nova e mais recente carta foi discutida internamente. com tecnologia 89 . e a formatação de uma carta de valores do grupo deram início a esse trabalho. impor suas metas. como o fluxo de informação. ninguém vai saber qual é a sua filosofia”. com tratamento simpático e sem burocracia. demonstrava o pouco entrosamento da equipe. mas não comunica. procurando sempre usar novas técnicas de pre- visão e tecnologias de comunicação. Senti que a situação era grave quando um cliente tentou usar os banheiros de um dos andares da empresa e não conseguiu.atualização por meio de cursos de idiomas e gestão.” Para Magno. A realização da primeira convenção interna do grupo. E o resultado foi a divulgação da visão. pois os dois estavam quebrados. lucrativa e inovadora. Sorria sempre. Postura O cliente tem que sentir que você está verdadeiramente interessado em resolver o problema. em fevereiro de 2007. clientes e parceiros. conhecimento e criatividade. acredita Magno. e o setor de operações. caso do acordo feito com a escola de idiomas Cel Lep e com a Madia Marketing Scholl. O que vamos conseguir com isso? Sobreviver. A Climatempo já havia proposto anteriormente seus objetivos. A carta de valores foi um marco nesse processo. Simples e direta: Julho de 1991 Missão Sermos a melhor e a mais conhecida previsão do tempo do Brasil. buscando todos os dias novas tendências e conhecimentos para superar as expectativas dos usuários. Fornecer serviços e produtos de alta qualidade. clara e centrada para a sua necessidade. Eu não havia sido informado e ninguém se preocupou em avisar. Sermos a melhor empresa de meteorologia do mundo e permanecer no futuro como uma instituição sólida. cada vez mais prestar um serviço melhor para os nossos clientes e futuros clientes. a dificuldade de fazer a informação circular. Nossa missão Elaborar para nossos clientes a melhor previsão do tempo. Isso se dará através do fornecimento de conteúdo para os clientes e também através de nossos próprios meios de comunicação. abrangendo todas as tecnologias disponíveis. da missão e dos valores do Grupo Climatempo: Visão Sermos líderes no mercado nacional. surgiu a primeira carta de valores. por exemplo. Em 1991. primeiro no conselho de gestores formado pelos diretores da cada empresa do grupo e depois nos comitês. continuar enviando o serviço para o cliente. Poucos anos depois. “Coisas como eu receber o cancelamento de um contrato de uma tevê. pois traduzia toda a nova mentalidade que Magno e Ana queriam introduzir no grupo. software e hardware. Missão Desenvolver e oferecer a melhor previsão do tempo com total independência. ampliando as bases das primeiras e também alargando os horizontes da Climatempo: A nossa missão é ser o melhor centro de distribuição de informação meteorológica do Brasil.

e como vice-presidente do grupo norteou sua atuação no planejamento estratégico de cada empresa. do organograma ao plano de metas. em tons claros de azul. porém. Ótimo atendimento ao cliente. Foi aí que entrou em cena um outro importante personagem. além de oferecer um atendimento full-time aos clientes”. Na consultoria.avançada e clareza nas informações. E por fim. em cada unidade do grupo. Isso ficou claro em um relatório divulgado pela empresa de comunicação Linhas & Laudas. sempre com o objetivo de alcançar experiência. maior empresa privada de meteorologia do País. Valores Capacidade de perceber alternativas e buscar soluções criativas de qualidade. “Isso deu à Climatempo a oportunidade de ser proativa tanto no dia a dia quanto na criação de novos serviços. houve um significativo aumento de acessos ao Portal Climatempo e também aos novos sites da tevê e do grupo. A GENTE ENTENDE . 90 As empresas passaram por uma verdadeira repaginação: o site foi . manteve uma base de assinantes em torno de dois milhões de pessoas distribuídas pelas principais operadoras. que caminham lado a lado. A partir da carta de valores. respectivamente. FALA . que trouxe para o grupo sua visão de como criar uma comunicação coorporativa eficiente e marcante. vontade de crescer e vencer. destaque para a contratação de profissionais. e promoveu um grande investimento em tecnologias. Esse sucesso se deve muito à consolidação da Climatempo Produções. que há um ano estava em fase embrionária e já atua em diversos projetos. elevando em 30% o quadro de meteorologistas. afirmou Ana Lucia na época. Esse processo envolveu não só o RH e o departamento comercial. mesmo sendo um executivo especializado na área comercial. enquanto a Climatempo Consultoria e a Agência Climatempo. Na Internet. Violin. um novo logotipo criado. mais leve. Garra. obtiveram um incremento de 20% e 10%. e cada empresa ganhou vida própria. ética e respeito ao cliente externo e interno. O resultado positivo entre o primeiro trimestre de 2006 e os três primeiros meses de 2007 é consequência da evolução de todos os setores da empresa. Todo o grupo. foi mais além ao abrir caminho para uma tomada de posição do grupo. no qual fazia um balanço do primeiro ano do grupo. ganhou uma nova comunicação visual e um slogan forte para reforçar a marca: C LIMATEMPO . novas ideias e soluções. com nomes como Embratel. reformulado. e atraiu a atenção das principais empresas de telefonia móvel. Sky. Comprometimento. Toyota. Busca permanente da confiança e credibilidade. NET Digital e outras 44 operadoras pelo País. Constante espaço para discussões. o Grupo Climatempo completa um ano com um crescimento de 30% em seu faturamento. sócio da empresa Btools. O faturamento da Climatempo Internet subiu 30% no período. atendeu ao pedido de Magno e Ana. segundo o relatório. que após a mudança na estrutura do grupo buscou novos conteúdos audiovisuais. determinação. Com isso. Criado com o objetivo de estruturar as cinco unidades de negócios da Climatempo Meteorologia. Dar ao cliente o mais alto nível de personalização. algumas delas passando a transmitir a programação da O CÉU Assim é que em apenas um ano o Grupo Climatempo caminhava a passos largos em busca de suas novas metas. ponto para a TV Climatempo. A TV Climatempo foi a que apresentou a maior elevação: 85%. bem como na Agência Climatempo. o publicitário Camilo Magalhães.” O relatório destacava ainda o crescimento da marca em todos os setores do mercado. Esse dado por si só já dava uma ideia de quanto a procura pela previsão do tempo e especialmente de clima cresceu nesse período. além da chegada de anunciantes de peso. em seus resultados. braço da TV. Nivea.

foi preciso encontrar um padrão Climatempo. no celular. Continuo trabalhando em outras coisas. e principalmente um novo formato. A TV Climatempo também podia ser vista na Internet. com um logotipo estampado na tela e na roupa dos apresentadores. “Você percebe que a Climatempo foi sempre muito pioneira. colocando computadores em várias operadoras”. outras com possibilidade de acessar todo o seu conteúdo. Com todas as mudanças implementadas no formato da TV Climatempo era natural o desejo de expandir a programação para além da previsão do tempo. Uma primeira tentativa foi feita com o lançamento de um programa de entrevistas produzido e apresentado pela jornalista Ângela Ruiz. Ainda estou aprendendo a fazer aquilo que funciona na telinha. Ângela ouviu os principais especialistas brasileiros em meio ambiente para discutir questões como mudanças climáticas. como a súbita interrupção do sinal da TECSAT . nesses vinte anos de Climatempo. ligados de alguma forma à meteorologia. na tevê”. avalia com orgulho Josélia. O caminho. Amazônia. As inovações propostas pelo publicitário da BTOOLS atingiram em cheio a TV Climatempo. passou a acompanhar de perto o conteúdo da tevê. Pelotas. Até a queda definitiva do seu sinal. Um processo que gerou custos inesperados. mas tem coisa que eu passei para a tevê que é exatamente a forma que eu aprendi a fazer na rádio. sem dúvida. Hoje se fala em modernidade da tevê interativa. uma nova programação. assuntos obrigatórios em um canal do tempo. dizia-se que a tevê apresentava um padrão do tipo Bloomberg – um visual parecido com o canal de notícias financeiras da tevê a cabo –. tanto no portal quanto em seu próprio site. Meio ambiente. mas diretamente ligada às meninas que trabalham na tevê. a meteorologista Josélia Pegorim. a TECSAT era a responsável pela distribuição da TV Climatempo para as demais operadoras. a TV Climatempo passou a produzir conteúdo para o sistema interativo da operadora. era tratar de temas atuais. Esse seria um primeiro passo para entrar também com conteúdo audiovisual. em agosto de 2007. biodiversidade. por exemplo. “Foi um contratempo para a operação da tevê. em junho de 2007. A partir de fevereiro. biodiversidade brasileira e aquecimento global eram. digitais. Outra boa novidade nesse ano foi a entrada no sistema NET Digital São Paulo. somos um canal que entra na Internet. outra iniciativa que também partiu da constatação da importância das 91 . em São José dos Campos. lembra Magno. ganhou cara mais moderna. passou a transmitir boletins específicos para a sua região. mas que. uma identidade. do Grupo Climatempo. teve seu ponto positivo. 24 horas por dia. O desafio de manter o pioneirismo enfrentou seus percalços. tenho para mim que ou o meu trabalho é útil para as pessoas para melhorar o seu dia a dia ou ele não serve para nada”. que. acho que eu sou muito boa naquilo que faço e cada vez mais. nós já somos interativos. além da programação nacional. desde como se fala até o que se fala na televisão. Sem modéstia. Tivemos de mudar todo o sistema para que as nossas parceiras continuassem a receber o sinal. por download. “Eu acompanho e oriento todo o conteúdo de meteorologia. Além disso. Afinal era o primeiro e único canal brasileiro de meteorologia. Por meio desse novo processo foi possível gerar uma programação local para as diferentes operadoras. site. A gente fez uma opção de empacotar produtos de uma forma que seja bem visualizada na Internet. por outro lado. A empresa havia sido fundada em 1998. As entrevistas fizeram parte do programa Foco Ambiental e hoje são um documento importante para quem quer conhecer melhor esses temas.tevê em tempo real. banda larga. e no ano seguinte se tornaria parceira da embrionária TV Climatempo. Até então. Além do programa na tevê. certamente. com todo o seu profissionalismo e com a experiência adquirida ao longo de quase vinte anos de rádio Eldorado. avalia Carlos Magno. Durante o ano de 2007. novos clientes. Ao acessar o canal 211 era possível acompanhar a previsão para as principais capitais do País e do mundo.

reafirmar a necessidade de cada unidade do grupo ganhar espaço para poder se sustentar. nós passamos pela profissionalização da equipe. os serviços de meteorologia passaram a ser um insumo valioso para as empresas”. órgão da Organização das Nações Unidas ( ONU ) composto por representantes de 130 governos. Toda a evolução de faturamento voltou um e meio para trás. Carlos Magno define-se como uma pessoa obstinada: “Minha melhor qualidade é ser persistente”. Para Carlos Magno. “Houve uma redução do contrato em 50%. para que cada unidade de negócio tenha sua ação lucrativa no futuro. Teremos de nos reinventar. de abril de 2007. A preocupação com o meio ambiente podia ser percebida no perfil de novos clientes do grupo. na economia mundial e mais especificamente no Brasil. “Ainda não está claro quais são os reais riscos que o Brasil corre com o problema do aquecimento global. conta Magno. “Com a instabilidade do clima. Teríamos de vender publicidade e a tevê teria de se sustentar”. Se a população de uma forma geral não se conscientizar sobre o assunto. em São Paulo. em especial na área da telecomunicação. houve um aumento no faturamento do grupo por causa da procura por relatórios climáticos. Vale lembrar que em 2007 a preocupação com o aquecimento global dominou boa parte dos debates sobre meio ambiente. Na verdade. mas nosso conteúdo era apenas mete- 92 . As empresas do Grupo terão de trabalhar com missões separadas. e nossa meta é mostrar como isso terá efeito nas companhias. produzir um conteúdo para tevê que seja apetitoso para podermos crescer. a Climatempo viria confirmar sua vocação de estar sempre à frente dos grandes temas globais. era preciso ter muita garra para segurar os reveses e as mudanças de regras e ser muito persistente para seguir em frente. promovido pelo Grupo Climatempo. em abril. “Até o ano passado. Cada vez mais a Climatempo era procurada por empresas interessadas em diagnósticos mais profundos do clima. que mediou o encontro. bem como de outros fatores climáticos. a operadora de tevê a cabo simplesmente comunicou que a TV Climatempo estaria fora do line-up da Sky. talvez tivesse desanimado quando recebeu uma carta da Sky mudando as regras. Começava aí mais uma partida desse jogo. o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas ( IPCC). que como membro do IPCC foi um dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz de 2007.” Com esse objetivo em mente é que o Grupo Climatempo chega a 2008. para discutir os problemas causados pelas mudanças climáticas. Nesse ano. apesar dos obstáculos encontrados no caminho. Reunidos no fórum “Risco Ambiental”. para no futuro não ser pega de surpresa por uma bola fora. teremos fortes consequências econômicas também. Se não fosse por ela. a iniciativa era muito importante para esclarecer alguns aspectos econômicos da situação. O jogo do mercado. e o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes debateram as causas e também as possíveis consequências do aquecimento global. foi preciso. análises a longo prazo na tentativa de definir estratégias para evitar os riscos e também as possíveis consequências provocadas pelo aquecimento global. mais uma vez. Especialmente na unidade de consultoria. “A Climanet não pode contaminar a Climatempo e vice-versa. Naquele momento. Clientes de peso como Petrobrás e empresas geradoras de energia começavam a se programar para tentar minimizar os impactos das mudanças climáticas. não era para principiantes e ingênuos.questões ambientais foi a realização de um encontro. diria Carlos Magno em entrevista para o jornal O Globo.” Mais uma vez. base para o planejamento estratégico de várias indústrias. Em outubro de 2007. principalmente com relação à disponibilidade de recursos hídricos. havia a possibilidade de negociação: a TV Climatempo deixaria de receber por assinante e teria um faturamento fixo. também. especialistas de renome internacional como o professor Pedro Dias Leite. quando completa vinte anos de existência. Segundo ele. orçamentos separados. divulgou documento sobre as consequências da elevação das temperaturas na Terra e sobre a responsabilidade da ação humana no meio ambiente.

www. Por outro lado é preciso ter uma programação atrativa para que o público fique mais tempo”. Outras duas novidades são o acordo firmado com a Microsoft. criar redes de radares para contar com um maior nú- mero de informação. “vieram para ficar”. colocam a Climatempo à frente de seu tempo e. à medida que amplia a conscientização para a importância da meteorologia. por exemplo. aumentando a cartela de clientes. o Windows Media Center. A Climatempo marca presença como um gadget. Fruto do planejamento estratégico elaborado por Violin. na qual é possível assistir a vídeos com previsão do tempo para todas as regiões do Brasil. Segundo Magno. a participação da empresa nas mais modernas formas de comunicação. reflete Magno. O projeto tinha como objetivo. porém. não a estatização da meteorologia. A raiz. como diz Carlos Magno. definindo o papel de cada um no processo de divulgação dos dados e informações climáticas. em parceria com o YouTube. ainda em 2008. Nunca se falou tanto em meteorologia como dos anos 1980 para cá. a Internet busca o crescimento acompanhando as novas tendências de mídia. um miniaplicativo em que o usuário acessa diretamente as informações meteorológicas que mais lhe interessam. É importante destacar. sendo respeitada e atingindo um nível de credibilidade nunca antes visto. estreamos 13 programas. em que internautas criam páginas personalizadas. agora criamos um padrão para a TV Climatempo. e é preciso ter cuidado com o que vamos anunciar. a Climatempo lançou uma página customizada. Para a consultoria. utilizando cada vez mais a Climatempo Produções.orologia. Cabe a essa empresa o crédito de contribuir para colocar a meteorologia brasileira em seu devido lugar. os boletins são produzidos pela equipe da TV Climatempo. cada empresa do grupo tem seu plano de metas para os próximos cinco anos. órgãos públicos e entidades da sociedade civil perceberam a necessidade de estabelecer uma política nacional. enquanto a tevê caminha para ter uma programação mais forte. base de todo o trabalho feito ao longo dos últimos vinte anos pela Climatempo. A in- 93 . o desafio é continuar crescendo. Tratada sempre como um serviço público. fotos e vídeos. pois nossa linha é muito focada em meteorologia e meio ambiente. as entidades públicas estaduais e as empresas privadas. tramitava na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ ) do Senado Federal projeto de emenda constitucional de autoria do senador Osmar Dias ( PDT PR). a informação meteorológica ganhou as ruas definitivamente. nessa área. mas a unificação dos órgãos federais. No início de 2008. com recursos de interatividade e que atinja a expectativa do público. na área de documentários. graças à ação da iniciativa privada. Internet. em que a TV Climatempo passou a ser o primeiro canal de notícias a fazer parte de uma nova ferramenta do Windows Vista. como celulares e em sites espalhados por todo o Brasil.br/climatempo. Várias tentativas foram feitas para implementar uma direção para o setor. trouxemos parceiros para comercializar esse produto. Nessa época. A grande vantagem dessa parceria é a interação que o site permite com os internautas. e a presença no site de compartilhamento de vídeos YouTube. que integra tevê. que participam da página enviando vídeos caseiros e comentando as notícias postadas ao longo do dia. Diante desse cenário. ao longo dos três primeiros meses de 2008. segundo o senador. uma das mais novas febres da Internet. Caso do I-Google. fizemos uma repaginação para mostrar as inovações e. Em julho de 2003. como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Todas essas inovações e parcerias. principalmente pela forma humanizada de transmitir a previsão do tempo. Em março de 2008. Muitas vezes é um risco trazer publicidade. fruto de uma época em constante mutação.youtube.com. o governo pensou em um Sistema Nacional de Meteorologia e Climatologia. Com duração média de um minuto e atualizados três vezes ao dia. desse planejamento ainda é a meteorologia. serviço criado pelo Google. O desafio interno é melhorar os modelos matemáticos. muito popular por divulgar variados tipos de vídeos que são postados e acessados por milhões de usuários.

Refletindo sobre o papel e a competência da iniciativa privada e dos órgãos públicos. caso da Sociedade Brasileira de Meteorologia. e também de entidades ligadas à meteorologia. dentro do jornal Eldorado. prazo que a comissão tem para elaborar uma propos- ta de política para a meteorologia brasileira. Demoraram. O número de entradas na Eldorado durante o dia é muito grande. Mudei muito a forma de falar das questões do tempo para as pessoas. por indicação do Conselho Federal de Engenharia. Para isso contou não só com o casal que deu início a tudo. como a rádio Eldorado. e Ana Lucia como suplente. primeira edição. como profissional. “A participação é muito importante. Demoraram a entender isso. ambos da Climatempo. Climatologia e Hidrologia ( CMCH). muito cuidado com a roupa que você vai sair de casa’. eu deixo isso muito claro: ‘Olha. Depois que a criança começou a ficar bonita. esses órgãos começaram a se interessar em fazer a previsão do tempo. O Globo. os jornais do Grupo Estado. vender é outra parte. Os escolhidos foram Carlos Magno. Ana Lucia tem uma opinião bastante clara: “A previsão do tempo era uma criança feia. oficializou a Comissão de Coordenação das Atividades de Meteorologia. Um bom exemplo disso são as grandes viradas de tempo que acontecem no fim de tarde em São Paulo. a CBN. titular.” O projeto. uma vez bem cumprida. Um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. quando eu sei que esse tipo de situação é possível. Um funcionário público não vai vender um serviço de meteorologia ou climatologia. resume Ana Lucia. A novidade ficou por conta da inclusão de representantes das empresas privadas. ainda em tramitação no Congresso Nacional. nesse contexto de criação de uma política para a meteorologia. mas com profissionais que encamparam o sonho de dar credibilidade à previsão do tempo. nunca tivemos a intenção de nos apropriar de méritos ou informações de nenhuma outra instituição. prestando serviço à sociedade e também à comunidade meteorológica e a parceiros fiéis. de 21 de março de 2007. que. Não era nossa intenção concorrer com o Ministério da Ciência e da Tecnologia ou com alguma universidade. como Inmet e Inpe. Nós sempre respeitamos todas as instituições. naquele momento. Na FM.tenção do projeto seria a reestruturação do sistema para promover a “democratização” das informações. divulgar de forma adequada é outra parte. o governo explorará um setor que se desenvolveu por meio da iniciativa privada. onde tudo começou. eu entro de meia 94 . “Ao longo desses vinte anos amadureci como pessoa. Não foi em vão que nomes como Josélia Pegorim se tornaram sinônimo de previsão na rádio Eldorado e também nas páginas do Estadão. acompanhamos o que está sendo pensado para a nossa área”. tem um valor inestimável para o País. mas na AM. O sujeito sai de casa sentindo calor e vai voltar sentindo frio. Arquitetura e Agronomia (Confea).” Vinte anos se passaram e a Climatempo é uma jovem empresa com muito gás e ainda com muito potencial de crescimento. Começaram a entender que fazer a previsão do tempo é uma parte do trabalho. E hoje em dia todo mundo quer ser o pai da criança. mas entenderam. a partir de abril de 2008. “Agora podemos ver outras janelas à frente. Ele não tem essa característica. o número de boletins é menor. já se pode vislumbrar uma história que não é só empresarial. Olhando para trás. cerca de vinte vezes. de novo pela janela do pequeno apartamento da Vila Mariana. nossos olhos alcançam outros horizontes que parecem sempre mais próximos”. As discussões estão apenas começando e qualquer decisão só deve sair em 2010. “Caso o texto seja aprovado. e tantos outros que acreditaram desde o início na competência da empresa. além de colocarmos a visão da iniciativa privada. sempre baseado no seguinte: ‘O que as pessoas me perguntariam hoje? O que elas estão sentindo? O que elas querem saber?’. com a participação de representantes dos principais órgãos públicos. afirmou Ana Lucia. “A proposta do governo é centralizadora”. Nosso negócio não é academia. As primeiras reuniões aconteceram um ano depois. afirma Magno. mas também de vida. estabeleceu a criação de uma comissão especial para discutir mais a fundo a questão.

nosso gerente de tecnologia entrou em minha sala dizendo que estava feliz por isso. caminhou lado a lado com a história da meteorologia. direta ou indiretamente. mas somos pouco conhecidos no Norte e Nordeste do Brasil. Quero conhecer métodos e idéias de como entender as culturas de outros países. e a gente já estava na Climatempo. porque a gente não sabe o que vai acontecer. “Não consigo me desligar”. marcando posição. E o que espera para os próximos anos? “Crescer bastante em dez anos. Eu não tinha noção. cada dia é um novo desafio. estudando relações sociais e culturais entre diversos países. a gente ainda vai atrás de novas propostas. mas principalmente temos um carinho muito especial”. nem o dia de amanhã’. Nem em suas horas de lazer. diz Ana Lucia. Para Carlos Magno. tiveram alguma participação na construção da Climatempo. Um dia. A criança feia está mais bonita agora. que hoje também é reconhecido nas ondas da rádio CBN: “Na alegria e na tristeza. uma nova forma de olhar o céu. o importante é se preparar para o futuro”. “Descobrimos há pouco tempo o tamanho da Climatempo. Para construir uma empresa sólida temos de adquirir conhecimento. A cada dia vemos mais setores que podem usar a meteorologia. na saúde e na doença. Quando o Violin chegou e passou a transmitir os valores da empresa é que a ficha começou a cair. Funcionários da empresa Climatempo. André e Patrícia Madeira. nem na praia. 13/8/2008). (Veja São Paulo. Em cinco anos. Quero também ga- nhar a América Latina e estou me preparando. tenho de ter boas idéias todos os dias para escrever cinco ou seis linhas precisas e diretas. No fundo sou um empreendedor e quero empreender em outras áreas.” O casal de meteorologistas André e Patrícia Madeira poderia acrescentar “faça chuva ou faça sol” às suas juras de amor eterno. Casados há treze anos. estudar e principalmente pensar lá para frente. os dois são os responsáveis por apresentar a previsão do tempo da rádio CBN desde 2001. Minha estratégia é pensar em uma Climatempo internacional. Ele fez questão de dizer como o trabalho era legal. A Gabriela (filha de nove anos do casal) nasceu. “Alguns dias depois de eu ter concluído o meu MBA em marketing. E assim também acontece com todos que. dos que ainda estão lá e dos que já saíram para seguir outros caminhos. construindo um novo modo de pensar. “Eu tenho meus sonhos. pretendo contratar um profissional e ficar no conselho. e Ana Lucia. Hoje em dia está tudo bem encaminhado aqui na Climatempo com as estruturas de planejamento estratégico criadas pelo Violin. Eu e o André nos consideramos parte da Climatempo e não vemos nossa vida separada da empresa. A ciência evolui e a gente usa isso.” “Como para fazer qualquer previsão. Mas eu continuo pensando.” Ou então como aconteceu com outro casal que faz parte da história da Climatempo.” Ana Lucia hoje é a responsável pelos assuntos estratégicos do Grupo Climatempo. na riqueza e na pobreza. Ambos estão mais experientes. Já falo francês e inglês e agora estudo espanhol. Muitas vezes acertamos e outras tantas erramos. casamos. Ela também vê boas perspectivas para o futuro da empresa. fui dar uma entrevista na TV Gazeta e um médico chegou para mim e perguntou: ‘Você é a Patrícia Madeira? Eu ouço sempre você’.” A Climatempo segue o seu destino pioneiro. Ela pela manhã e ele à tarde. seu esporte preferido. Já no Estadão.em meia hora. onde encontra tempo para ler. Nesses vinte anos. o eterno homem do tempo. mas nem por isso perderam o estímulo nem deixaram de sonhar. A gente é muito visto no Sul. admite Magno. a gente estava na Climatempo. espero não estar mais na direção. Carinho é o sentimento comum de quem conhece a empresa. Respondi a ele: ‘Sabe do que eu sinto orgulho? É de a gente ter chegado até aqui. Sudeste e Centro-Oeste. Hoje temos sociedade na agência. e entendê-lo. Eu tenho um sonho de expandir a Climatempo para esses mercados. 95 . cada um empresta sua voz a dois boletins diários. Por enquanto. afirma Patrícia. durante o tênis.

ANDRÉ MADEIRA
meteorologista

NEIDE DE OLIVEIRA
meteorologista do Inmet

RENATO URBINDER
sócio da Climatempo

A gente se considera parte da Climatempo. Não vejo a minha vida separada da empresa. Eu casei e já estava na Climatempo, a Gabriela, minha filha, nasceu e eu estava na Climatempo. Nesse período todo, teve altos e baixos, mas foi sempre muito bom. Tenho um carinho muito especial pela empresa. PATRÍCIA MADEIRA
meteorologista

Magno é muito focado no que ele quer e muito determinado. Hoje se a meteorologia cresceu foi por causa da Climatempo. ROGÉRIO LEITE
amigo e ex-sócio

Eu gosto muito de trabalhar aqui. Meu sonho é que a gente possa dominar a previsão do tempo oferecendo um serviço para a comunidade. Ter uma equipe de jornalismo e correspondentes para aumentar as notícias sobre o tempo. PAULO POLLI
diretor da TV Climatempo

O que mais me estimula, primeiro, são os sócios e depois também o negócio. Sócios que passem estímulo e confiança. Não existe negócio no mundo em que os sócios não tenham períodos de convergência e divergência. Na Climatempo, as divergências foram muito menores. Sempre tivemos uma li-

O negócio meteorologia ainda está escondido. Mostra a miopia dessa área de comunicação. É um negócio que dá muito dinheiro. Todo mundo conhece o site da Climatempo. O nome Climatempo. É preciso mostrar quanto as pessoas usam a meteorologia e não sabem. Eu aprendi a gostar, sempre usei muito, pois gosto de velejar, mergulhar. Meteorologia é um negócio e eu fiz parte desse negócio. O Magno me explicou, me ensinou por que a meteorologia do Brasil estava defasada, e eu entendi que era um bom negócio. WALDEMAR STEFAN BARROSO
amigo e ex-sócio

A Climatempo possibilitou a transformação da meteorologia em conteúdo jornalístico, técnico, científico e operacional na Rede Globo. Quando o quadro do tempo começou na [TV] Globo, não tinha nada, foi tudo uma inovação. Desde a linguagem, o grafismo, a computação. Tudo passou por uma experimentação. Na época eu sentava com a Ana Lucia e buscava a notícia, tentava aprender. Juntos conseguimos humanizar a previsão do tempo. AMAURI SOARES
diretor da Rede Globo

A Climatempo ajudou a divulgar a meteorologia e acho que não tem competição com o órgão público.

Um serviço meteorológico moderno deve efetuar três funções básicas: monitorar, elaborar produtos (aqui incluem-se as previsões de tempo e clima) e engajar os usuários. Como a tarefa é enorme, principalmente num país como o Brasil, a participação do setor privado é muito importante para melhorar o atendimento aos usuários, de forma customizada e mais especializada. Sua atuação deve, naturalmente, ser bem ligada com o serviço nacional para evitar redundâncias,

Depoimentos
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Tenho muito carinho pela Climatempo, por fazer parte dela. É bom saber que a gente ajudou nesse crescimento e eu vejo o reconhecimento da empresa. O Magno é um cara inovador. A Climatempo abriu as portas da meteorologia. Espero continuar na empresa nos próximos dez anos.

berdade muito grande de falar. Sempre brinco com o Magno: desembaraça esses óculos. Poucas vezes tivemos divergências importantes: trazemos coisas positivas para a empresa. O nome Climatempo é muito maior do que todo o nosso faturamento. Tem.muita credibilidade. Não temos telhado de vidro, temos uma laje de concreto.

A empresa privada faz uma previsão diferenciada e o órgão do governo é mais geral. Por isso não há competição. Não vejo a Climatempo como concorrente do governo. O Magno tem o dom da palavra, sabe passar as coisas com credibilidade, e ele e a Ana formaram uma grande empresa.

propiciar economicidade, evitar atritos indevidos de competência. Vejo com muito bons olhos uma maior atuação do setor privado nesta parceria, mas deve ser bem coordenada para melhor atender aos usuários específicos a quem os produtos se destinam. ANTONIO DIVINO MOURA
diretor do INEMET

O trabalho da Climatempo na Eldorado foi fantástico; eles provaram que o “curandeirismo” estava com os dias contados. Os ouvintes mereciam mais respeito e qualidade de informação. Eles ofereceram um serviço essencial aos ouvintes. Foi uma parceria vitoriosa, da qual muito me orgulho. JOÃO LARA MESQUITA
ex-diretor da rádio Eldorado

A Climatempo, maior empresa de meteorologia do País, acaba de estabelecer mais um acordo com a Microsoft. Desde o dia 4 de julho de 2008, a TV Climatempo é o primeiro canal de notícias do Windows Media Center – uma ferramenta do Windows Vista que integra TV, Internet, música, fotos e vídeos. Para Ricardo Wagner, gerente de produto Windows Vista da Microsoft Brasil, a “parceria com a Climatempo traz um novo serviço de qualidade para os nossos usuários, que podem ter informação sobre a previsão do tempo on-demand, acessando do conforto de casa. Para as empresas, o Media Center ajuda a complementar a estratégia online por meio da exposição de conteúdo”.
Fonte: www.microsoft.com/ latam/presspass/brasil/2008/ julho/climatempo.mspx

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vários DVDs Clipping – Entrevista a João Dória TV Palestra de Carlos Magno – 2 ª. São Paulo. vários O Globo. 1997 Revista Superinteressante. um livro sujeito a chuvas e trovoadas.gov.msu.edu/cgi-bin/ wa?A2=ind0209A&L= aejmc&P=18687 http://www.br/grimm/aposmeteo/cap1/cap1-1. 2003 Revista Exame. Paulo.html http://www. vários Valor Econômico.mct. 1997 Revista Contigo.ufpr.html ARTIGOS E PERIÓDICOS Grande parte das informações teve como fonte a clipagem feita pela empresa Linhas & Laudas em boletins e releases produzidos entre os anos de 1999 e 2008. SITES http://fisica. 1988 Revista Ecologia e Desenvolvimento.org. 2007 Boletim ABTA.pdf http://www. TV Cultura Fontes e bibliografia 99 Os depoimentos dados a essa obra foram colhidos entre março e julho de 2008: http://cienciaetecnologia. vários DCI. 2008 Programa Negócios e Soluções. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 2007 Diário Popular. vários O Estado de S.org.msu.Revista Tela Viva. vários O Dia. Paulo. PEREIRA. vários Meio & Mensagem. vários Jornal da Tarde.html http://www. várias Revista Veja. Vera Malfa e SPINARDI. 1998 Caderno MBA – Madia Marketing School.sbmet.weather.bbc. 1997 Revista Diálogo Médico. 1998 Boletim Cable Report. Convenção da Climatempo.usp. várias .jsp?id=47792 http://br.br/ arquivos/publicacoes/revistas/ cirrus_3.pdf Grandes negócios. 2003 Revista Dinheiro. 2004 Revista Pequenas empresas. Jornal Nacional: a notícia faz história.jornaldaciencia.br/ Detalhe.edu/cgi-bin/ wa?A2=ind0209A&L= aejmc&P=18687 http://list.uk/weather/features/ weather_broadcasting.htm http://www. da Silva Dias Maria do Carmo Fogaça Neide de Oliveira Patrícia Madeira Paulo Polli Rogério Leite Renato Urbinder Waldemar Stefan Barroso LIVROS MEMÓRIA GLOBO.br/index. Amauri Soares Ana Lucia Frony de Macedo André Madeira Ângela Ruiz Antonio Divino Moura Carlos Magno do Nascimento Fernando Moreira Fernanda Bulhões Gilca Palma Josélia Pegorim João Lara Mesquita Maria Assunção F. 8ª. Também foram consultados os seguintes jornais e revistas: Revista Brasileira de Tecnologia – RBT. turma. 2006 Revista Info Exame.com/aboutus/ background. vários Folha de S.br/siae97/ meteo. 2002 Revista Forbes Brasil. Alcir. 2003. 2005. Memórias do Tempo.php/ content/view/68391.br/sbmet/ Assembleia/resolucoes/ politica_nacional/ Relatorio_sbmet_pnm_2002.iag.al.gov.shtml http://list. vários Gazeta Mercantil.co.

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sonhavam em ter seu próprio negócio. Caderno de fotos 101 . Carlos Magno e Ana Lucia. terceiro filho do casal. em meio à parafernália de aparelhos usada nos boletins da rádio Eldorado. Seu Juvenal e dona Atala. na Rua da União. contribuíram e incentivaram o crescimento da Climatempo. O primeiro escritório funcionava na mesma casa em que Carlos Magno e Ana Lucia moravam. Dª. em São Paulo. Na foto. mãe e amiga de Carlos Magno que deu apoio moral e financeiro nos primeiros anos da Climatempo.Da janela de um pequeno apartamento da Vila Mariana. Alice. pais de Ana Lucia. o pequeno Victor Hugo. dois jovens empreendedores. Ele chegou a trazer de Londres um moderno aparelho de recepção de satélite.

amigo que virou colaborador. Rogério Leite. a Climatempo já tem uma estrutura própria. mas agora em uma casa só para ela. Rogério Leite instalando uma antena de recepção de satélite na sede da Climatempo. Na foto. . na Rua Baltazar Lisboa. ainda pequena.Em 1996.

Sandra Annemberg. A meteorologia é destaque no livro que conta a história do Jornal Nacional. apresentando o quadro do tempo no Jornal Nacional. Em 1996. da Rede Globo. um dos primeiros colaboradores do Grupo Climatempo. Na foto. a moça do tempo do JN.A partir de 1990. a Climatempo passa a prestar inestimável serviço à Rede Globo. Carlos Magno tornase o primeiro homem do tempo da tevê brasileira. Foi o impulso que precisava para divulgar a meteorologia e crescer como empresa. . O meteorologista André Madeira.

em São Paulo. o direito de usar o nome Canal do Tempo ainda na feira de 1998.André Madeira orienta a então “moça do tempo” da Globo. Acima: os primeiros dez anos da Climatempo foram comemorados com uma grande festa em São Paulo. Já pensando em seu próprio canal de TV.: depois da disputa judicial. no Anhembi. Carlos Magno compra briga com o Weather Channel pelo direito de usar Canal do Tempo na feira da ABTV de 1998. À esq. . em São Paulo. Maria Cândida.

em dezembro de 1998. os sócios Waldemar Stefan Barroso e Carlos Magno do Nascimento. em 1999. Ana Lucia Frony de Macedo e Carlos Magno do Nascimento lançam a TV Climatempo. no ano seguinte. Para evitar problemas. surge a TV Climatempo.O amigo e sócio Waldemar Stefan Barroso ensaiando para um piloto do Canal do Tempo ainda em 1998. . Durante a festa de dez anos da Climatempo. Na foto.

no dia 15 de setembro de 1999. aprenderam junto com Magno a fazer tevê. A primeira equipe da TV Climatempo. . em São José dos Campos. Muitos deles estagiários.Waldemar Stefan Barroso e Carlos Magno do Nascimento na inauguração da tevê.

em 1999. empresa de comunicação que presta assessoria ao Grupo Climatempo. . Carlos Magno e Waldemar Stefan Barroso com Fernanda Bulhões. Baptista Gargione. uma parceria entre a Climatempo e a Univap. reitor da Univap. possibilitou a inauguração da primeira emissora de tevê voltada para a previsão do tempo. de São José dos Campos ( SP). Acima: Carlos Magno e o Prof.No início. selam o início das operações do Canal Climatempo. amiga e profissional responsável pela Linhas & Laudas.

Estúdio da TV Climatempo. O curioso é que foram usadas dezenas de caixas de ovos para forrar as paredes e vedar o som. já em São Paulo. . na Vila Mariana.

2000. na feira da ABTV. Carlos Magno e Rogério Leite no estande da TV Climatempo. na feira da ABTV.A apresentadora Laura Ferreira no quadro do tempo da Rede Mulher. Na época em que Magno foi apresentador do Jornal Nacional. em São Paulo. o Casseta & Planeta tinha um quadro que satirizava a previsão do tempo. Carlos Magno e o “casseta” Hélio de la Peña. . em 2000. em São Paulo.

Alexandre José do Nascimento Silva. na rua Muniz de Souza. Ângela Ruiz Gonzales. para a dir.. Flávia Caroline Chacon de Campos e Ângela Ruiz Gonzáles. para a dir. Ariany Chacon de Campos. em 2001. . Priscila Iogóglia. Leandro Della Vedova de Oliveira Pinto e Josélia Moreno Pegorim. Amilis Delfino.Equipe da TV Climatempo. Rafael Augusto Caetano Bruno. Equipe do Grupo Climatempo (da esq. Da esq.): Gilca Palma Fernandes. Paulo Edson Aparecido de Oliveira.

Carlos Magno. e aos poucos passou a fazer a previsão para a Internet.A meteorologista Gilca Palma. em São Paulo. Marcos Pontes e Renato Urbinder. . debateram as causas e também as possíveis consequências do aquecimento global. Acima: Redação da TV Climatempo. no Paraíso. trabalhou em quase tudo. Começou como estagiária. Na foto. Reunidos no fórum “Risco Ambiental”. especialistas de renome internacional. ao longo dos últimos anos. fazendo levantamento de dados. como o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes. em São Paulo.

repórter e redatora no Grupo Climatempo. uma das apresentadoras da TV Climatempo.Maria Clara Machado. . A jornalista Ângela Ruiz começou como estagiária na TV e há dez anos trabalha como apresentadora.

Carlos Magno é destaque como novo homem do tempo do Jornal Nacional (Acima: O Globo,14/04/1996; abaixo: O Dia, 13/04/1996). Acima: TV Climatempo vence disputa com o Weather Channel (Folha de S. Paulo, 1º. de fevereiro de 2000)

Climatempo na mídia
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Acima: a revista Pequenas empresas, Grandes negócios, de março de 2002, destaca o crescimento das empresas que oferecem serviços de meteorologia. Ao lado: Carlos Magno ainda no início das atividades da Climatempo. Desde o início, a empresa buscou oferecer serviços de meteorologia para os principais interessados. Aqui, os velejadores (revista Bordo, de 1991). Na outra página: A importância da meteorologia para o planejamento das empresas (O Globo, do dia 7 de abril de 2007).

Ana Lucia e Carlos Magno.A importância da meteorologia no dia a dia das pessoas. à esquerda da matéria. de 11 de fevereiro de 2004. Na foto menor. . Matéria da Vejinha.

Na reportagem do Jornal da Tarde. comprovando as condições do tempo em determinada hora e local.O casal do tempo Carlos Magno e Ana Lucia. na revista Pequenas empresas. a meteorologia pode ajudar a solucionar casos intrincados. A meteorologia ajudando a combater crimes. Grandes negócios (agosto de 1994). . Carlos Magno é o “detetive do tempo”. de 12 de maio de 1989. Segundo a matéria.

de 2000. que permitia a conexão via telefone a computadores que interagiam – tal como hoje se faz com a Internet. ainda embrionária. Anúncio da TV Climatempo. na revista Pay TV. de outubro de 1998. . Na outra página: anúncio da TV Climatempo na revista Pay TV.Um dos primeiros serviços: o BBS (bulletin board system).

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Nesta: ainda como meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (revista IstoÉ. janeiro de 1987).Na outra página: Carlos Magno é destaque da revista Forbes de outubro de 2000. .

em comemoração aos 20 anos de fundação do Grupo.Este livro foi editorado em Univers 11/15 e mandado imprimir em papel couchê fosco 115g. em julho de 2009. pela Climatempo. .