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A NATUREZA JURÍDICA DA AÇÃO PENAL NO CRIME DE LESÃO CORPORAL LEVE MEDIANTE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

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Published by: Cristiane Ribeiro on Oct 26, 2011
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AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO EM CASO DE CRIME DE LESÃO CORPORAL LEVE MEDIANTE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Texto escrito

por CRISTIANE MAGALHÃES RIBEIRO. Delegada de Polícia Civil/RN, Graduada em Direito pela Universidade Federal do Ceará, Ex-aluna da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra/Portugal, Especialista em Direito Processual Penal na UNIFOR/CE e Professora de Direito Penal da UnP em Mossoró/RN.

Desde o advento da festejada Lei Maria da Penha (Lei nº 11340/2006), operadores do Direito continuamente discutem se a lesão corporal mediante violência doméstica é de ação penal pública incondicionada ou condicionada à representação. É que a lei nº 11.340/2006 veda a aplicação Lei nº 9099/95 (Lei dos Juizados Especiais) aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher independentemente da pena prevista. Essa vedação implicou em atribuir ao crime de lesão corporal leve, mediante violência doméstica, estabelecido no art.129, par.9º, Código Penal brasileiro, a natureza de ação penal pública incondicionada, face à interpretação sistemática do artigo 100, caput, do Estatuto Penal pátrio. Controvérsias surgiram na doutrina sobre o assunto, tanto que, para alguns autores (Mauro Lessa Bastos, Luís Flávio Gomes e Alice Bianchini) a ação penal do crime de lesão corporal com violência doméstica passou a ser pública incondicionada, em face da proibição da aplicação da lei dos Juizados Especiais. Entretanto, para outros autores (Damásio de Jesus, Emanuel Lutz Pinto e Maria Berenice Dias) a ação continuou sendo pública condicionada à representação, sob o fundamento de que atribuir essa forma de lesão corporal como incondicionada seria contrariar a tendência brasileira da admissão do Direito Penal Mínimo e dela retiraria meios de restauração da paz no lar. A jurisprudência dos Tribunais também diverge sobre esse tema, sendo que julgados apontam para as duas posições. A esse respeito, o Superior Tribunal de Justiça, através da 6ª Turma, vinha firmando o entendimento que a violência doméstica contra a mulher constituía delito de ação penal pública incondicionada, afirmando com isso que Ministério Público poderia mover ação por violência doméstica contra a mulher. Ressaltava o STJ que o crime de lesão corporal mediante violência doméstica deixou de ser considerado infração penal de menor potencial ofensivo, ficando sujeito ao acionamento incondicional Em decisão de março de 2009, a 6ª Turma do STJ, por maioria, mudou o entendimento quanto à representação prevista no art. 16 da Lei n. 11.340/2006

possibilitando a vítima buscar a Polícia como recurso para fazer cessar a violência que sofre e auxílio na Justiça para encontrar a paz no lar. para a propositura da ação penal pelo Ministério Público. a ação penal é condicionada. mediante a interpretação teleológica. em 24/02/2010.672/2008).(Lei Maria da Penha). por maioria. no recurso especial proposto pelo Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e julgado pelo rito da Lei dos Recursos Repetitivos (Lei n. apresentou posicionamento salutar com base na ratio legis. Diante do polêmico assunto. julgado em 5/3/2009. 11. . creio que o STJ. sem ter que obrigatoriamente processar o agressor. O entendimento foi contrário ao do relator do processo. A 6ª Turma do STJ justificou a mudança de opinião.608-MG. Informativo 385). salientando que a dispensa de representação significa que a ação penal teria prosseguimento e impediria a reconciliação de muitos casais (HC 113. Considerou que. decorrentes de violência doméstica. a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu ser necessária a representação da vítima no casos de lesões corporais de natureza leve. Para encerrar de vez o polêmico assunto. ministro Napoleão Nunes Maia Filho. se a vítima só pode retratar-se da representação perante o juiz.

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