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Departamento de Engenharia Civil 14 DIMENSIONAMENTO DE ESCADAS EM BETÃO ARMADO CARLOS FÉLIX / PAULO

Departamento de Engenharia Civil

14

DIMENSIONAMENTO DE ESCADAS EM

BETÃO ARMADO

Departamento de Engenharia Civil 14 DIMENSIONAMENTO DE ESCADAS EM BETÃO ARMADO CARLOS FÉLIX / PAULO GUEDES

CARLOS FÉLIX / PAULO GUEDES

JANEIRO / 2011

Departamento de Engenharia Civil TEXTO BASEADO NOS APONTAMENTOS DO PROF. JOAQUIM A. FIGUEIRAS DA FEUP

Departamento de Engenharia Civil

TEXTO BASEADO NOS APONTAMENTOS DO

PROF. JOAQUIM A. FIGUEIRAS DA FEUP

ÍNDICE

14

Dimensionamento de escadas em betão armado

14.1

14.1 Introdução

14.1

14.2 Quantificação de acções

14.2

14.3 Escadas com degraus activos

14.4

14.4 Lanço de escada apoiado na extremidade

14.9

14.5 Escada com lanço e patamar

14.10

 

14.5.1 Escadas com apoios que não mobilizam reacções horizontais

14.10

14.5.2 Escadas com apoios que mobilizam reacções horizontais

14.12

14.6 Escadas inseridas em caixas

14.14

14.7 Bibliografia

14.16

Departamento de Engenharia Civil 14 Dimensionamento de escadas em betão armado 14.1 Introdução As escadas

Departamento de Engenharia Civil

14 Dimensionamento de escadas em betão armado

14.1 Introdução

As escadas em betão armado desempenham o papel de comunicação vertical em edifícios. São em geral constituídas por uma estrutura laminar associada a degraus que lhe dão a forma desejada (altura e largura do degrau). Este tipo de escada é também designado por escada com degraus inactivos.

As escadas com degraus inactivos podem ter um ou mais lanços, constituídos por lajeta, degrau e patamar, conforme esquematizado na Figura 14.1. A lajeta é dimensionada com regras idênticas às estabelecidas para as lajes maciças enquanto os degraus são enchimento e por isso apenas considerados na quantificação das acções permanentes.

Patamar

b a Degrau Lajeta Espessura da lajeta Ângulo de inclinação
b
a
Degrau
Lajeta
Espessura da lajeta
Ângulo de inclinação

Figura 14.1 - Constituição de um lanço de escadas.

Nas escadas com degraus activos a geometria dos degraus é contabilizada para a resistência. Os apoios localizam-se sobre os contornos laterais da escada, a flexão tem lugar em direcção perpendicular à linha de apoio e os degraus fazem parte da secção resistente. Nestes casos a lajeta tem apenas um papel de solidarização dos degraus para cargas não uniformes e de absorção dos esforços gerados no plano do lanço.

As acções a considerar são em geral o peso próprio e sobrecarga de utilização, ainda que em situações especiais devam ser consideradas outras acções, como é o caso da neve em escadas exteriores, localizadas em regiões a certa altitude. As acções têm direcção vertical, actuando obliquamente em relação ao plano da estrutura gerando, além de momento flector, esforço transverso e esforço axial. No entanto, o momento flector é, em geral, o esforço condicionante no dimensionamento da escada, pelo que as regras já enunciadas para o cálculo de lajes são aplicáveis à análise de escadas.

Estruturas de Betão

O enquadramento das escadas no resto da estrutura leva muitas vezes a um

funcionamento estrutural pouco claro e a condições de apoio difíceis de caracterizar. O projectista tem então que optar por um esquema de cálculo simples, complementando o dimensionamento da escada com disposições de armadura secundária que lhe permita cobrir o funcionamento provável da estrutura em serviço.

14.2 Quantificação de acções

As

acções a considerar são em geral as acções permanentes e a sobrecarga de utilização.

As

acções têm direcção vertical e são em geral quantificadas em projecção horizontal.

Acções permanentes

Peso próprio da lajeta

b a h
b
a
h

Figura 14.2 – Geometria do lanço da escada.

O peso próprio da lajeta, em projecção horizontal, é dado pela expressão (ver Figura

14.2):

g

p

=

h

cos

sendo o peso específico do betão armado.

O

peso próprio dos degraus, em projecção horizontal, é dado pela expressão:

(14.1)

g

d

=

a

2

(14.2)

O

necessária e do peso dos revestimentos a adoptar. Em geral adopta-se:

peso dos revestimentos depende da espessura da argamassa de regularização

g

r

depende da espessura da argamassa de regularização g r = 1.0 a 1.5 kN m 2

= 1.0 a 1.5 kN m

2

(14.3)

Acções variáveis

As acções variáveis a considerar em escadas correspondem em geral apenas à

sobrecarga

sobrecarga

de

utilização

que,

segundo

o

EC1,

deve

ser

idêntica

à

Dimensionamento de escadas em betão armado

uniformemente distribuída prevista para o pavimento adjacente, com o mínimo de

prevista para o pavimento adjacente, com o mínimo de 2 3 kN m . No que

2

3 kN m . No que diz respeito à carga concentrada, para as verificações locais da

segurança, esta deve coincidir com a considerada para o pavimento adjacente, portanto sem qualquer definição de valor mínimo. Seguindo esta regra, resume-se no Quadro 14.1 os valores a adoptar para a sobrecarga em escadas.

Quadro 14.1 – Sobrecargas a considerar em escadas de edifícios (EC1).

 

Utilização específica

q k [kN/m 2 ]

Q k [kN]

A

Actividades domésticas e residenciais

3.0

2.0

B

Escritórios

3.0

4.0

   

C1 – Zonas com mesas

3.0

4.0

C2 – Zonas com assentos fixos

4.0

4.0

Locais de reunião (com excepção das

utilizações correspondentes às categorias A, B e D)

C3 – Zonas sem obstáculos para a

5.0

4.0

C

movimentação de pessoas

C4 – Zonas em que são possíveis actividades físicas

5.0

7.0

 

C5 – Zonas de possível acolhimento de multidões

6.0

4.5

 

Actividades

D1 – Zonas de lojas em geral

4.0

4.0

D

comerciais

D2 – Zonas de grandes armazéns

5.0

6.0

Exemplo de aplicação

Quantificar as acções no lanço e no patamar da escada representada na Figura 14.3, admitindo que se insere num edifício destinado à habitação.

0.28

0.18 0.15
0.18
0.15

0.15

Figura 14.3 – Lanço de escada: exemplo de aplicação.

Inclinação da escada:

tg

=

0.18

=

0.28

0.64

=

32.7º e cos

=

0.84

(14.4)

Estruturas de Betão

Peso próprio da lajeta:

g

p

25

=

0.15

=

0.84

Peso próprio dos degraus:

g

d

=

25

0.18

2

=

2 4.46 kN m 2 2.25 kN m
2
4.46 kN m
2
2.25 kN m

Admitindo para peso dos revestimentos:

g

r

m 2 2.25 kN m Admitindo para peso dos revestimentos: g r = 1.5 kN m

= 1.5 kN m

2

(14.5)

(14.6)

(14.7)

as acções permanentes no lanço de escada totalizam:

g

k

as acções permanentes no lanço de escada totalizam: g k = 4.46 + 2.25 + 1.5

= 4.46 + 2.25 + 1.5 = 8.21 kN m

2

(14.8)

As acções permanentes no patamar são dadas pela expressão:

g

k

permanentes no patamar são dadas pela expressão: g k = 0.15 25 + 1.5 = 5.25

= 0.15 25+ 1.5= 5.25 kN m

2

A sobrecarga, quer no lanço quer no patamar, é de

kN m 2 A sobrecarga, quer no lanço quer no patamar, é de 3 kN m

3 kN m

2 (ver Quadro 14.1).

(14.9)

No projecto de uma escada, como no dos restantes elementos estruturais, deve considerar-se a localização da sobrecarga que conduza às situações mais desfavoráveis (alternância da sobrecarga).

Admitindo que a situação mais desfavorável para toda a escada é a sobrecarga a actuar no lanço e no patamar, pode calcular-se a combinação fundamental de acções:

Lanço de escada:

Patamar:

p

p

Ed

Ed

= 1.35

= 1.35

8.21+

5.25+

1.5 3.0= 15.584

1.5 3.0= 11.586

2 kN m 2 kN m
2
kN m
2
kN m

14.3 Escadas com degraus activos

Degraus apoiados nas extremidades

(14.10)

(14.11)

A Figura 14.4 ilustra uma escada em que os apoios se localizam nas extremidades dos

degraus. A lajeta, que tem por função principal a de solidarizar os degraus, deve ter uma

espessura mínima de 5cm, recomendada sobretudo por razões construtivas.

Dimensionamento de escadas em betão armado

Apoio l Apoio
Apoio
l
Apoio
p (por degrau) p.cos Ângulo de inclinação Sistema
p (por degrau)
p.cos
Ângulo de inclinação
Sistema
de cálculo l
de cálculo
l

p.cos

Vão

efectivo

F c d F s
F c
d
F s

Zona comprimida

Armadura principal Armadura de
Armadura
principal
Armadura de
distribuição 1Ø6 4Ø6/m Armadura do degrau
distribuição
1Ø6
4Ø6/m
Armadura
do degrau

Figura 14.4 - Degraus apoiados nas suas extremidades.

O cálculo pode ser efectuado para a secção correspondente ao degrau, sendo no caso de

momento flector positivo a parte comprimida a aresta do degrau. A utilização do bloco

rectangular de tensões e de uma largura b eq , equivalente à largura da zona comprimida

permite obter a armadura principal. A armadura da escada é complementada com a

armadura de distribuição, superior a 20% da armadura principal, com o mínimo de

4Ø6/m e com a armadura do degrau que, nos casos correntes, pode ser tomada igual à

representada na Figura 14.4.

No caso da escada representada na Figura 14.5, os momentos actuantes são negativos

levando à compressão da lajeta e à disposição da armadura principal no vértice dos

degraus de forma a obter-se a maior altura útil, d. Na lajeta deve ser disposta uma

armadura de distribuição mínima de 4Ø6/m em cada direcção. No degrau, dada a

presença da armadura principal, bastará a utilização de estribos, de pelo menos 4Ø6/m.

Estruturas de Betão

Apoio de encastramento l Vão
Apoio de encastramento
l
Vão

Sistema de

cálculo l
cálculo
l

p.cos

efectivo

F s F c Armadura d principal 4Ø6/m Zona comprimida
F s
F c
Armadura
d
principal
4Ø6/m
Zona comprimida

Armadura de

distribuição

Figura 14.5 - Degraus encastrados numa das extremidades.

Viga central e degraus encastrados

A Figura 14.6 ilustra uma escada de degraus activos, com viga central recta e degraus

encastrados. Os degraus são dimensionados como vigas em consola, devendo adoptar-se

para localizar a secção de encastramento as mesmas regras que as preconizadas para as

vigas.

A A
A
A

Corte A-A

l
l

Alternância de sobrecargas para o cálculo da viga central

Acções para o cálculo dos degraus

1.35g k +1.5q k l
1.35g k +1.5q k
l

1.35g k +1.5q k

cálculo dos degraus 1.35g k +1.5q k l 1.35g k +1.5q k 1.35g k +1.5q k
cálculo dos degraus 1.35g k +1.5q k l 1.35g k +1.5q k 1.35g k +1.5q k
cálculo dos degraus 1.35g k +1.5q k l 1.35g k +1.5q k 1.35g k +1.5q k
1.35g k +1.5q k 1.35g k
1.35g k +1.5q k
1.35g k

Figura 14.6 – Escada com degraus activos e viga central.

A Figura 14.7 esquematiza numa secção transversal a armadura a dispor no degrau e na

viga central. A armadura do degrau deve satisfazer os valores mínimos impostos para as

vigas, com o mínimo de 4Ø6/m. Transversalmente deve também ser disposta uma

armadura construtiva com idêntico espaçamento.

Dimensionamento de escadas em betão armado

Armadura do degrau

de escadas em betão armado Armadura do degrau Estribos da viga Arm. principal da viga Figura
de escadas em betão armado Armadura do degrau Estribos da viga Arm. principal da viga Figura
de escadas em betão armado Armadura do degrau Estribos da viga Arm. principal da viga Figura
de escadas em betão armado Armadura do degrau Estribos da viga Arm. principal da viga Figura

Estribos da viga

Arm. principal da viga

Figura 14.7 – Armadura do degrau e da viga central.

A viga central deve ser estudada para as duas hipóteses de disposição de sobrecarga (ver Figura 14.6) porquanto a assimetria de solicitação conduz a um momento torsor que pode ser condicionante. Se além do lanço recto a escada for dotada de patamar, deve ser dada especial atenção à disposição da armadura longitudinal da viga central para que não exista resultantes não compensadas para o exterior da secção (ver Figura 14.8).

Armadura longitudinal

l bd l bd
l bd
l bd

Armadura transversal

14.8). Armadura longitudinal l bd l bd Armadura transversal Figura 14.8 – Pormenor de armadura em

Figura 14.8 – Pormenor de armadura em ângulos reentrantes da viga central.

Nas escadas em curva, a viga é helicoidal e necessariamente encastrada em ambas as extremidades, para os esforços de flexão e de torção. Nestas condições existem métodos simplificados para o cálculo destes esforços (ver Gerrin et al, 1970).

Escada em caracol com degraus encastrados em pilar central

Este é um sistema que se adequa particularmente à pré-fabricação. Os degraus podem ser betonados in situ (ver Figura 14.9a) ou pré-fabricados e montados na obra, deixando um núcleo central oco no qual é colocada uma armadura e posteriormente betonado, constituindo o pilar central de apoio e de solidarização (ver Figura 14.9b). Os degraus funcionam em consola, encastrados no pilar central. O pilar central pode ser calculado como articulado em ambas as extremidades, estando sujeito a um momento flector com variação sinusoidal ao longo da altura e aos esforços axial e transverso (Figueiras, 1992).

Estruturas de Betão

Estruturas de Betão a) Degraus betonados in situ b) Degraus pré-fabricados Figura 14.9 - Geometria e

a) Degraus betonados in situ

Estruturas de Betão a) Degraus betonados in situ b) Degraus pré-fabricados Figura 14.9 - Geometria e

b) Degraus pré-fabricados

Figura 14.9 - Geometria e armadura do degrau em escadas em caracol.

Escada quebrada de um lanço recto

A Figura 14.10 ilustra um outro tipo de escada de degraus activos em que a face inferior

do lanço da escada acompanha a geometria da face superior. Sendo de um lanço só, esta

escada deve ser calculada como apoiada em cima e em baixo com condições de apoio de acordo com as conferidas pelos elementos estruturais envolventes (apoio simples, duplo ou de encastramento). A espessura destas escadas é em geral condicionada pelos esforços de flexão. Por motivos de execução, a armadura principal costuma ser interrompida em cada degrau, devendo haver especial cuidado para que esteja garantida

a respectiva continuidade (emenda da armadura principal por aderência). Se a espessura

for reduzida, será suficiente a disposição de armadura apenas junto de uma das faces, conforme se esquematiza na Figura 14.10b).

Armadura principal da escada
Armadura
principal
da escada

a) Sistema estrutural

b) Disposição de armadura

Figura 14.10 – Sistema estrutural e armadura de escada quebrada de um lanço.

Dimensionamento de escadas em betão armado

14.4 Lanço de escada apoiado na extremidade

Quando a escada é apoiada nas suas extremidades (extremidades dos lanços ou dos

patamares) a sua segurança depende essencialmente da segurança da lajeta e das lajes,

que ficam submetidas a esforços de flexão, transversos e normais. Nestes casos os

degraus não contribuem para a resistência, designando-se, por isso, por escadas com

degraus inactivos.

O estudo do lanço de escada em plano inclinado, apoiado nas extremidades e sujeito a

acções verticais pode reduzir-se à análise da sua projecção horizontal, conforme se

ilustra na Figura 14.11.

l
l

q

Equivalente a

q 1 =q’.cos =q.cos 2 V + l 1 =l/cos V
q 1 =q’.cos =q.cos 2
V
+
l 1 =l/cos
V
Equivalente a q 1 =q’.cos =q.cos 2 V + l 1 =l/cos V q'=q.cos Equivalente a

q'=q.cos

Equivalente a

q 2 =q’.sen = =q.sen .cos N
q 2 =q’.sen =
=q.sen .cos
N
Equivalente a q 2 =q’.sen = =q.sen .cos N N Figura 14.11 – Vão de cálculo

N

Figura 14.11 – Vão de cálculo equivalente ao lanço de escada.

De acordo com a Figura 14.11, pode escrever-se:

M Ed,máx

=

 

2

q cos

2

l

2

q l

2

q l

1 1

=

 

=

8

8

cos

2

8

(14.12)

Estruturas de Betão

14.5 Escada com lanço e patamar

A aresta resultante da intersecção do plano do lanço com o do patamar interfere decididamente no funcionamento deste tipo de escada caso os apoios possam desenvolver reacção horizontal (ver Figura 14.12). Quando existe indefinição acerca do modo de funcionamento, deve considerar-se a envolvente dos esquemas de funcionamento possíveis para efeito da disposição de armaduras e considerar o esquema mais seguro para quantificação de armadura principal.

R H o? R H 0? Figura 14.12 – Capacidade de mobilização de reacção horizontal.
R H o?
R H 0?
Figura 14.12 – Capacidade de mobilização de reacção horizontal.

14.5.1 Escadas com apoios que não mobilizam reacções horizontais

Seja o lanço de escada associado ao patamar representada na Figura 14.13 para a qual o apoio inferior (fundação ligeira superficial) não recebe impulso horizontal. O esquema de cálculo neste caso consiste num simples tramo com um apoio de extremidade à esquerda e um apoio simples ou contínuo à direita (ver Figura 14.14). O comprimento dos vãos (do lanço e do patamar) e a altura do lanço, para efeitos de cálculo, são obtidos pela intersecção dos eixos de apoio com o plano médio da lajeta do lanço e da laje do patamar.

L l L p
L l
L p

H l

Figura 14.13 – Lanço de escada com fundação superficial e apoio simples.

Dimensionamento de escadas em betão armado

O cálculo dos esforços poderá, neste caso, fazer-se com recurso a um dos sistemas

estruturais indicados na Figura 14.14.

p Ed,l

p Ed,p

indicados na Figura 14.14. p E d , l p Ed,p l L l L p
indicados na Figura 14.14. p E d , l p Ed,p l L l L p

lindicados na Figura 14.14. p E d , l p Ed,p L l L p L

L l L p L l + L p Apoio de continuidade Apoio simples
L l
L p
L l + L p
Apoio de
continuidade
Apoio simples

Figura 14.14 – Esquema de cálculo de escada com lanço e patamar associado com

fundação superficial.

A disposição da armadura encontra-se esquematizada na Figura 14.15. Deve garantir-se

a continuidade da armadura principal (A s,1 e A s,2 , na face inferior) na zona de intersecção

entre o patamar e o lanço de forma a não ocorrer impulso em vazio. Daí a importância

em se cotar com detalhe os comprimentos de amarração a dar aos varões nesta zona de

amarração (Detalhe A). Ainda no que diz respeito à armadura principal, devem ser

observadas todas as disposições regulamentares relativas às lajes maciças,

nomeadamente, os limites relativos à área mínima e máxima e aos espaçamentos

máximos. Não haverá, em geral, lugar a interrupção da armadura no vão. Contudo, em

situações de lanço e patamar como a representada no esquema, admite-se que a solução

da armadura no lanço (A s,1 ) possa ser diferente da do patamar (A s,2 ). Nestes casos,

deverá haver uma verificação complementar, de modo a garantir que, pelo menos

metade da armadura máxima do vão é conduzida até ao apoio (A s,2 A s,1 /2).

O comprimento da armadura de apoio, a dispor superiormente em cada uma das

extremidades, deve ser de pelo menos 20% do vão, medido a partir da face interior do

apoio. Por facilidade de representação, na Figura 14.15, adopta-se o comprimento de

Estruturas de Betão

30% do vão, medido à face exterior ou ao eixo. Em termos de área, assumirá o valor de,

pelo menos, 15% da armadura máxima no vão.

A armadura de distribuição é obtida de acordo com as regras correntes das lajes

maciças, devendo ser localmente, em termos de área da secção transversal, pelo menos

20% da armadura principal, e respeitar as condições de espaçamento máximo.

Finalmente, uma referência à armadura do degrau, que tem por função solidarizar o

betão do degrau à lajeta, tornando o conjunto degrau e lajeta um elemento monolítico.

É, em geral, constituída por uma armadura transversal mínima de 4 6/m, com o traçado

indicado na figura, e 1 6 na aresta. A ≥0,3L Armadura do A s,ap A
indicado na figura, e 1 6 na aresta.
A ≥0,3L
Armadura do
A s,ap
A s,ap /5
degrau
1 6
/5
A s,2
A s,2
≥ A s,1 /2
4 6/m
≥0,3L
Detalhe A
A s,ap
A s,ap /5
≥l
bd
≥l bd
A
/5
s,1
A s,1
(A s,ap ≥ 15%A s,1 )

Figura 14.15 – Esquema da armadura em escada com fundação superficial.

14.5.2 Escadas com apoios que mobilizam reacções horizontais

Nas situações em que as lajes de escadas ligam dois pisos com elevadas rigidez em

relação a deslocamentos horizontais relativos, pode considerar-se que é possível a

mobilização de reacções horizontais ao nível dos pisos (ver Figura 14.16). Neste caso a

aresta de quebra do plano da escada vai funcionar como um apoio fictício, já que a

rigidez axial do lanço e patamar é substancialmente superior à correspondente rigidez à

flexão. O esquema de cálculo poderá então ser idealizado admitindo a existência de

apoios duplo em ambas as extremidades, conforme indicado na Figura 14.17.

Dimensionamento de escadas em betão armado

R H ≠0? H l R H ≠0? L l L p Figura 14.16 –
R
H ≠0?
H
l
R H ≠0?
L l
L p
Figura 14.16 – Escada com lanço e patamar com reacções horizontais nos apoios.
com lanço e patamar com reacções horizontais nos apoios. Figura 14.17 – Esquema de cálculo para

Figura 14.17 – Esquema de cálculo para escada com reacções horizontais nos apoios.

A Figura 14.18 esquematiza a correspondente distribuição de armadura principal, de distribuição e de apoio. As armaduras A s,1 e A s,3 resultam do cálculo da armadura para os momento máximos positivos no lanço e no patamar, A s,2 do momento máximo negativo. Em termos de solução de armadura devem ser observados os limites regulamentares relativos a áreas (mínimas e máximas) e a espaçamentos. Deve também ser verificado que pelo menos metade da armadura principal no vão é prolongada até aos apoios de

Estruturas de Betão

extremidade (A s, 3 50%A s,1 ), e aí convenientemente amarrada (de valor l db , medido a

partir da face interior do apoio). A interrupção da armadura de momentos negativos (a 1 )

é determinada a partir da secção onde os momentos flectores são nulos (x 1 +a
é determinada a partir da secção onde os momentos flectores são nulos (x 1 +a l +l b,min ).
a 1
A s,2 /5
A s,2
1 6
A s,3 /5
A s,3
4 6/m
≥0,3L
A s,ap
A s,1 – para
+
M
A s,ap
Ed,max
A s,ap /5
A s,1 /5
A s,2 – para
M
Ed,max
A
s,ap /5
A s,1
A s,2 ≥ 15%A s,1
A s, 3 ≥ 50%A s,1
A s,ap ≥ 15%A s,1
a 1 – calculado a partir do
diagrama dos M Ed

Figura 14.18 – Armadura em escada com possibilidade de serem geradas reacções

horizontais.

No que diz respeito à armadura de apoio, no apoio esquerdo, adopta-se uma armadura

(A s,ap ) que corresponde a 15% da armadura máxima no vão (A s,1 ). No apoio da direita,

dada a geometria do problema, admite-se que a armadura de momentos negativos (A s,2 )

cumpre essa função, desde que seja superior, em termos de área a 15% da armadura

máxima do vão (A s,2 15%A s,1 ).

14.6 Escadas inseridas em caixas

Em edifícios, as escadas são inseridas em caixas que vencem vários pisos sucessivos,

apresentando entre pisos dois lanços e um patamar intermédio, ou, eventualmente, três

lanços e dois patamares intermédios. O apoio efectiva-se em geral ao nível dos pisos e

do patamar intermédio, podendo ser materializado por vigas e pilares ou paredes

resistentes, conforme sistema construtivo adoptado.

A Figura 14.19 ilustra um exemplo de uma escada de um edifício, inserido numa caixa.

Neste exemplo, o elemento estrutural principal é a laje do patamar LE3, que se apoia

directamente em vigas na sua extremidade e serve de apoio às lajes dos lanços, LE1 e

Dimensionamento de escadas em betão armado

LE2. Neste esquema, as lajes LE1 e LE2 apoiam-se ao eixo do patamar (LE3) e, superiormente, numa viga existente ao nível do piso (V1).

superiormente, numa viga existente ao nível do piso ( V1 ). L 3 L 4 L

L 3

numa viga existente ao nível do piso ( V1 ). L 3 L 4 L 3

L 4

numa viga existente ao nível do piso ( V1 ). L 3 L 4 L 3

L 3

numa viga existente ao nível do piso ( V1 ). L 3 L 4 L 3
LE1 LE3 La V1 LE2 L L 1 2
LE1
LE3
La
V1
LE2
L
L
1
2

Figura 14.19 – Escada inserida em caixa.

Sendo a laje do piso uma laje aligeirada, armada na direcção indicada, a continuidade de momentos entre a laje do piso e as lajes dos lanços é reduzida, pelo que poder-se-á considerar estes apoios com simples (com capacidade de rotação).

A Figura 14.20 apresenta em sequência os esquemas a adoptar no cálculo dos esforços do exemplo em apreço. Os apoios serão simples ou duplos, consoante seja aceitável, ou não, admitir que é possível mobilizar a reacção horizontal ao nível dos pisos.

Nas lajes LE1 e LE2 são contabilizadas apenas as acções nos lanços (cargas distribuídas p Ed,1 e p Ed,2 ) resultantes das acções permanentes e variáveis, enquanto na laje LE3, além da carga distribuída (p Ed,3 ), se considera também as reacções de apoio das lajes LE1 e

LE2.

Estruturas de Betão

LE1

LE2

LE3

p Ed,1 R Ed,1 H 1 L 1 /2 L 2
p Ed,1
R Ed,1
H
1
L 1 /2
L
2
p Ed,2 H 2 R Ed,2 L 1 /2 L 2 p Ed,4 =R Ed,1
p Ed,2
H 2
R Ed,2
L 1 /2
L 2
p Ed,4 =R Ed,1 / L 1
p Ed,5 =R Ed,2 / L 1
p Ed,3
L 3
L 4
L 3

Figura 14.20 – Esquemas de cálculo.

14.7 Bibliografia

NP EN 1992-1-1 (2008) – Eurocódigo 2: Projecto de estruturas de betão. Parte 1-1:

Regras gerais e regras para edifícios. Instituto Português da Qualidade.

Traité de Génie Civil. Dimensionnement des Structures en Béton. Volume 7. Bases et technologie. René Walther e Manfred Miehlbradt. Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne. Presses Polytechniques et Universitaires Romandes. 1990.

Construções de Concreto. Volume 3: Princípios básicos sobre a armação de estruturas de concreto armado. F. Leonhardt e E. Mönnig. Editora Interciência, Lda. 1978.

Hormigón Armado. Jiménez Montoya/García Meseguer/Morán Cabré. 14ª Edição. Gustavo Gili, 2007.

Dimensionamento de escadas em betão armado

Tratado de Concreto Armado. Guerrin, A.; Lavaur, Roger-Claude. Hemus Editora Lda. S. Paulo, 1970.

Dimensionamento de Escadas em Betão Armado. Joaquim A. Figueiras. FEUP. Março,

1992.

Departamento de Engenharia Civil ANEXO DESENHOS DE PROJECTO DE LAJES DE ESCADAS JANEIRO / 2011

Departamento de Engenharia Civil

ANEXO

DESENHOS DE PROJECTO DE

LAJES DE ESCADAS

JANEIRO / 2011

Dimensionamento de escadas em betão armado

Apresenta-se neste anexo um excerto das peças desenhadas de Projecto de Estabilidade de Edifício de Betão Armado, da autoria de André Santos (1970780), Jorge Araújo (1060216) e Nuno Costa (1060222), realizado, sob a orientação da Eng.ª Isabel Alvim Teles, no âmbito da Unidade Curricular de Projecto da Licenciatura de Engenharia Civil do ISEP, Julho de 2010.

C D E 5.05 2.06
C
D
E
5.05
2.06

Figura 14.21 - Identificação dos lanços de escada num corte vertical com indicação das cotas no tosco.

Estruturas de Betão

Nas plantas estruturais (ver Figura 14.22) são indicados os alinhamentos (alinhamentos verticais 3 e 4 e horizontais C a E), são identificados os elementos estruturais e cotados os vãos.

Piso 1

Esc. 1:100

3 4 4.10 1.10 A C D E A 1.10 2.06 5.05
3
4
4.10
1.10
A
C
D
E
A
1.10
2.06
5.05

Piso 2 / 3

Esc. 1:100

3 4 4.10 1.10 A C D 1.10 A 5.05
3
4
4.10
1.10
A
C
D
1.10
A
5.05
2 / 3 Esc. 1:100 3 4 4.10 1.10 A C D 1.10 A 5.05 Figura

Figura 14.22 - Plantas estruturais: Piso 1 e Pisos 2 e 3.

0.30 0.30 C D 5.05 1.53 7x0.25=1.75 1.52 0.45 Ø6//0.30 Ø8//0.25 Ø10//0.20 #Ø10//0.20 VIGA 1Ø6
0.30
0.30
C
D
5.05
1.53
7x0.25=1.75
1.52
0.45
Ø6//0.30
Ø8//0.25
Ø10//0.20
#Ø10//0.20
VIGA
1Ø6 / degrau
Ø6//0.25 /
degrau
Ø12//0.20
0.25
Ø6//0.25
Ø8//0.25
Ø6//0.30
#Ø12//0.20
VIGA
1.23
2.00
1.57
0.25
0.15
0.18
0.25

Figura 14.23 - Armaduras no Lanço LE4: Corte longitudinal.