FORÇAS PARA RECOMEÇAR Eliana Machado Coelho Pelo espírito Schellida

Índice 1 Reunidos pelo destino 2 Sérgio e Débora se reencontram 3 Dificuldades em família 4 Débora hospitalizada por causa de uma mentira 5 Rita, uma grande amiga 6 Débora enfrenta a oposição do pai 7 Sérgio e Débora: do passado ao presente 8 Respeito e amor 9 Sérgio se deixa dominar pelo ciúme 10 Sérgio revela o assédio de sua irmã 11 A ação dos espíritos inimigos 12 Psicólogo Espiritual 13 O desespero de Rita 14 Terapia de uma evangélica, ex-espírita 15 O romance abalado pela influência espiritual 16 Rita tentada pelo suicídio 17 Débora flagra Sérgio dormindo com Rita 18 Os olhos de Deus 19 Fotos contra Sérgio destroem o romance com Débora 20 Breno aproxima-se de Débora 21 Opiniões do doutor Édison

22 A benfeitora Laryel interfere no suicídio de Sérgio 23 Cabe a Deus alterar o destino 24 Discussão entre Sérgio e o médico 25 Juntos, Tiago e Rita 26 Psicólogos de amor 27 Suicidas em sofrimento no Plano Espiritual 28 Conversando com Jesus 29 Reflexões de um Psicólogo 30 A elevada Laryel intervém na obsessão injusta 31 Débora fracassada, humilhada e submissa 32 Tiago sofrendo na prova do fogo e mutilação 33 Débora teme conseqüências do passado 34 É preciso força para recomeçar 1 - Reunidos pelo destino Ah!... Que droga! - protestou Débora vendo sua pasta ir ao chão. Uma das pontas d o elástico que servia de amarra escapou. Algumas folhas se soltaram, espalhando-se parcialmente, prestes a voarem por causa do vento. Rapidamente a moça se ajoelhou a fim de apanhar os papéis. Ao erguer sua bolsa de pertences pessoais e outra pasta com modelo de valise, ambas alçadas em seu ombro, escorregaram embaraçando-se e dificultando a agilidade para organizar os documentos que segurava com uma das mãos. Como se não bastasse iss o, sua roupa sujou na altura do joelho, deixando-a mais irritada. Era uma bela jovem, bem arrumada e, como todos os transeuntes, estava com pre ssa. Não queria se atrasar para uma reunião na biblioteca com suas colegas a fim de realizarem um trabalho para o curso universitário que faziam. Além disso, pretendia ainda estudar para uma prova. Mas naquele dia tudo parecia colaborar com o intui to de atrapalhá-la. Tentando ser rápida, ela juntou tudo. Arrumou a pasta e desembaraçou as bolsas la nçando as alças novamente ao ombro. Ao curvar-se para tentar limpar a roupa, não pôde de ixar de ver uma criança chorando. Aquilo lhe chamou muito a atenção. Débora estava impaciente, mas acabou sendo refém de um sentimento inexplicável. Ela olhou para um lado... Para outro... E apesar de muitas pessoas irem e vir em, ninguém parecia ver ou se importar com aquela criança. Se talvez a vissem, ignor avam sua presença e nítida necessidade de amparo. A jovem olhou para as escadarias do metrô, para onde pretendia ir, porém sentiu-s e como que envolvida por uma força maior. Algo naquela cena tocou seu coração generoso . Tratava-se de uma garotinha, aparentando pouca idade, sentada no degrau paral elo a uma vitrine, num cantinho em que mal se podia enxergá-la devido à floreira com arbusto que praticamente a escondia. Estava encolhida, com as perninhas dobrada s e as mãozinhas cobrindo o rosto abafando seguidos soluços dolorosos que os ruídos do grande centro financeiro não deixavam alguém ouvir. Atendendo ao chamado de sua bondade, Débora se aproximou perguntando meigamente : Oi, meu bem! O que aconteceu? - A menininha só chorava, enquanto a moça a observo u com atenção reparando que estava bem vestida e arrumadinha, não parecia se tratar de uma menina de rua. No braço, a menina trazia delicada pulseirinha que combinava c om suas sandálias, cujos detalhes da moda infantil eram iguais. Preocupada, a jove m insistiu com voz afável: Oi querida, onde está a sua mamãe? - Sem obter qualquer res posta, delicadamente, Débora tirou-lhe uma das mãozinhas do rosto para vê-la melhor. Lágrimas corriam ligeiras naquelas bochechas coradas e seus olhinhos esverdeado s mal podiam ser vistos pelas pálpebras avermelhadas. Com a outra mãozinha, a garotinha esfregou o rostinho e a moça aproveitou para ti rar-lhe os fios de cabelos colados em sua face úmida. Fazendo-lhe um carinho nos c abelos cacheados, parcialmente presos por uma delicada tiara rosa, Débora sentou-s e a seu lado falando com brandura na voz: O meu nome é Débora. Qual é o seu? Cris... - respondeu em meio aos soluços. Cris!... - E então, Cris, onde está a mamãe?

A... Ma... Mãe... Su... Sumiu... - gaguejou a garotinha. Onde você estava com a sua mamãe? - A menina gesticulou com os ombrinhos insinuan do não saber e Débora perguntou: Quantos aninhos você tem, Cris? - A garotinha mostrou -lhe quatro dedos para responder a idade e a jovem tornou a questionar: Como a s ua mamãe se chama? Foi necessário Cris repetir algumas vezes para ser entendida, pois os soluços não a deixavam se expressar. Ah!... Elza! O nome da sua mamãe é Elza! - exclamou a moça ao compreender. E... E eu quero... Que... Ro a minha... Ma... Mãe... - chorou. A jovem estava atrapalhada com suas bolsas e pastas, mas deu um jeito de reco star Cris em si, avisando em seguida: Não chore, ta? Nós vamos encontrar a mamãe. Ela também está procurando por você. Eu te certeza disso. Sem se demonstrar apreensiva diante da situação e muito preocupada com o horário, Déb ora revirou sua bolsa, pegou o celular e decidiu ligar para a polícia. Afinal, não p oderia abandonar aquela garotinha tão indefesa. Atendida, após fornecer os dados e t erminar a ligação, Débora virou-se para Cris e pediu: Vem, meu bem. Dê-me sua mãozinha. Tem muita gente com pressa e eu não quero que se perca de mim, está bem? Precisavam ficar em um lugar visível aguardando a viatura da polícia que chegaria . Com dificuldade, a jovem segurava as bolsas, a pasta e o celular em uma só mão par a prender a mãozinha da menina com a outra. No instante em que olhava ansiosamente à procura do carro da polícia, sem esperar, Débora foi empurrada e teve o telefone ce lular furtado. Sem soltar a mão de Cris, ela gritou assustada e indignada e teve o impulso de seguir o agressor, mas a menininha começou a chorar novamente. Aturdida com o acontecido, a jovem não sabia o que fazer. Suspirando fundo, aba ixou-se perto de Cris, secou-lhe o rostinho com a mão trêmula e tentou ser simpática, falando amavelmente: Oh... Meu bem... Não fique assim. Vem cá - disse, pegando-a no braço, mesmo com tod o empecilho de carregar seus pertences. Cris debruçou-se em seu ombro e chamava ba ixinho pela mãe. Tentando não se exaltar, Débora procurava se refazer do susto e do ma l estar que sentia. Em fração de segundo, teve seu celular roubado e temia que suas bolsas fossem os próximos alvos. Angustiada, estava quase chorando pelo ato repuls ivo do furto, pela ausência de amparo e falta de segurança vivenciada. Em meio a tan ta gente que passava, ela e aquela menina estavam sozinhas. Se eu estou me sentindo assim, imagine essa pobre criança! , pensou entristecida e nquanto apertava a menininha contra o peito ao mesmo tempo em que olhava de um l ado para o outro. Não demorou muito e Débora avistou a viatura da Polícia Militar chegando à baixa velo cidade, parecendo procurá-la. Levando Cris firme em seu braço, segurando seus pertences mal ajeitados e quase caindo da outra mão, Débora, apesar do salto alto, correu em direção aos dois policiais , que de imediato, reconheceram tratar-se de quem havia solicitado os préstimos da polícia, pois a moça demonstrava nítida expressão assustada e enervante. Frente a um dos policiais que, educadamente, a cumprimentou, a jovem mal corr espondeu e relatou às pressas: Eu encontrei essa menininha ali! - exclamou apontando. Naquele momento a past a caiu de sua mão e querendo pegá-la, Débora viu suas bolsas caírem também. Oh, meu Deus! Hoje é dia!... - reclamou procurando conter as lágrimas. Abaixando-se para pegar os pertences tentou pôr a garotinha ao chão, mas Cris não quis e agarrou-se com seus brac inhos em volta do pescoço de Débora e, enlaçando as perninhas em sua cintura, chorou. Calma, senhora. Pode deixar - pediu brandamente o policial à sua frente que se abaixou, apanhou as folhas espalhadas da pasta, cujo elástico rompeu, e as bolsas caídas. A menininha começou a chorar, e Débora não conseguiu conter as lágrimas. Mas, entre s oluços, abraçando a garotinha, explicou: Eu fui roubada!... Como assim?! Poderia nos explicar melhor? - perguntou o outro policial, aprox imando-se.

Contorcendo o rosto pelo choro incontido, Débora pediu entre as lágrimas: Desculpe-me... E que tive um dia complicado e... Bem... Eu estava com pressa quando essa maldita pasta arrebentou... Como agora... - disse olhando para a mão e para o rosto do policial que segurava seus pertences. Depois de pegar minhas co isas que caíram, eu vi essa menininha ali - apontou , encolhidinha e chorando. Ela se perdeu de sua mãe. - Depois de breve pausa em que secou o rosto com a mão, contin uou: Disse que tem quatro anos e se chama Cris. Ah! Ela falou que o nome de sua mãe é Elza. Foi o que entendi... Eu não sabia o que fazer e... Nossa!... Nem pensei em deixá-la ali sozinha! Sabe lá, Deus, o que alguém poderia fazer com ela! Então... Liguei para a polícia e pediram para eu aguardar aqui. Assim que desliguei, um cara... Bandido, safado, sem verg onha... Passou correndo, me empurrou e roubou meu celular! Eu quase caí!... - As lág rimas corriam em seu rosto, mas ela prosseguiu emocionada. Tive de pegar a Cris no colo porque ela chorava muito! Fiquei aflita e sem saber o que fazer! Desculp e, mas estou confusa, com medo... Eu não poderia perder a hora da faculdade, tenho uma prova importante hoje e um trabalho para... Bem calmos, os policiais ouviram-na atentamente. Um deles ainda segurava os p ertences de Débora ao tempo em que ela trazia a menininha debruçada em seu ombro e a fagava-lhe as costinhas ao embalá-la levemente, pois a sentia chorando amedrontada . Tranqüilo e na primeira oportunidade, pois percebeu que a jovem estava bem angu stiada e sentia intensa necessidade de contar o ocorrido, com as bolsas e a past a da moça nas mãos, o policial perguntou educadamente: Qual o nome da senhora, por favor? - Após a resposta ele explicou: Dona Débora, a senhora encontrou uma criança perdida e, pela boa aparência da mesma podemos deduzi r que a mãe esteja tomando as devidas providências para encontrá-la. Além disso, a senho ra teve seu celular furtado. Diante das duas ocorrências, precisaremos encaminhá-la até o Distrito Policial a fim de elaborar um Boletim de Ocorrência para que a autori dade policial, que é o delegado, possa decidir quais as providências a serem tomadas . Certo? Lógico! Claro! - aceitou a jovem de imediato. Eu estou com dó da menininha... E.. . O meu celular pode ser usado por bandidos e... Tenho de prestar queixa. Percebendo-a nervosa pelo modo como aninhava a criança nos braços e o jeito amedr ontado que tentava disfarçar sua voz, o policial solicitou gentilmente ao ver o pa rceiro abrir a porta da viatura: Entre, por favor. - Ao vê-la sentada no interior da viatura aconchegando a meni ninha no colo, ele pediu educadamente: A senhora poderia pegar suas coisas, por favor? Claro!... Desculpe-me... Estou tão atordoada que me esqueci... - sem saber como se justificar, Débora ergueu o olhar para o policial e ofereceu um tímido sorriso s em qualquer brilho de alegria. Seus olhos se fixaram nele, por longos segundos, como se implorassem algo mais caloroso do que aquelas providências que a auxiliari am. Somente depois pegou os pertences de suas mãos. Ele correspondeu ao sorriso de modo amigável. Em seu íntimo admirou a beleza da j ovem, sua afabilidade e sensibilidade. No instante em que seus olhos pareciam im antados teve vontade de poder consolá-la com um abraço amistoso, mas não podia e mante ve a postura militar. Em seu íntimo estranhou, pois estava acostumado a situações seme lhantes e isso nunca havia acontecido. Sempre foi um profissional cumpridor de s eus deveres. * * * Chegando à Delegacia de Polícia, enquanto Débora aguardava o atendimento, o policia l anotava alguns de seus dados pessoais, procedimentos normais exigidos por seu serviço. Apesar de responder atentamente todas as perguntas, a moça demonstrava-se tímida, quase assustada pelo ambiente tóxico que imperava ali devido ao nível dos acusados e vítimas que também esperavam. Alguns falavam alto, brigavam, xingavam, enquanto ou tros acusavam ou choravam. A garotinha, amedrontada, apertava-se ao pescoço de Débora e escondia o rostinho

nos cabelos da moça, chorando baixinho. Controlando seus sentimentos, ela disfarçava a apreensão e o desconforto afagando a criança com carinho e procurando ficar atent a aos questionamentos do policial. Naquele plantão, tanto os policiais civis quanto os policiais militares estavam sobrecarregados e praticamente esgotados pelo tipo de trabalho exigente que os sugava. Havia muito a resolver e o nível moral da maioria dos que aguardavam atend imento era voltado ao mal, aos vícios e às piores mazelas da vida. Por suas palavras , linguagem de baixo nível e grosseria nos modos podia-se saber que tipo de espírito s se afinava a tudo aquilo. E ali estavam os mais vis e degradantes, repletos de vícios, sensualidade, hipocrisia, crueldade e sordidez. Na espiritualidade, para quem pudesse ver, o lugar era preenchido por uma den sa névoa escura, sombria, correspondente aos estados vibratórios e mentais de encarn ados e desencarnados. Uma forte energia invisível pairava como que um veneno espir itual maligno, impregnando os encarnados de caráter fraco que se deixavam envolver pelas sugestões de diversos espíritos impuros, que desejavam o mal por prazer e odi avam o bem. Entretanto, a ética e os bons princípios morais de alguns poucos encarnados prese ntes ali, por forças das circunstâncias ou do dever, permitiam a reunião de espíritos be nevolentes e sábios. Tais espíritos, às vezes, deixavam os encarnados que estavam sob sua proteção serem testados a se corromperem de alguma forma. Mas de acordo com a di gnidade apresentada, esses espíritos elevados os amparavam e protegiam a fim de não serem envolvidos por desencarnados tão insufladores da discórdia, da corrupção e do ódio, pois esses tinham o intuito de levá-los ao retardamento espiritual, fazendo-os suc umbir diante de provas tentadoras. O ambiente não era agradável. Quando menos esperavam, Débora e o policial se surpre enderam ao ver Cris que se sobressaltou gritando: É a minha mamãe! Mamãe! Onde, Cris?! Quem?! - quis saber a moça, segurando firmemente a garotinha que q ueria saltar de seu colo. Apesar de toda movimentação e aglomeração, a menina reconheceu a voz chorosa de sua mãe em desespero que a procurava com o olhar seguindo o som de seus gritos. Cris fo rçava-se a descer dos braços de Débora, mas a moça a segurou firme e junto com o policia l foi em direção da jovem mulher acompanhada de um rapaz muito bem vestido e alinhad o. Nada precisou ser explicado quando a mulher gritou em pranto: Cris! Minha filhinha! A menina se jogou nos braços da mãe. Entre o choro se beijavam enquanto a mulher a tocava como se não acreditasse que a tinha entre os braços. Algum tempo depois, Débora pôde explicar tudo a Elza, mãe de Cris, que abraçou e beij ou a jovem agradecendo-a diversas vezes. A forma como a menina agarrou-se a Elza , com um abraço apertado e as perninhas entrelaçadas em sua cintura, era inegável que a jovem mulher fosse sua mãe. Por aquele ser um plantão bem agitado, a autoridade policial foi consultada a f im de decidir se as partes envolvidas naquela ocorrência poderiam ou não ser liberad as. O comportamento de Cris não deixava dúvidas sobre Elza ser sua mãe, Embora a mulhe r apresentasse documentos e até fotos comprovando que a menininha era sua filha. A ssim sendo, o delegado as liberou. Enquanto o policial militar fazia algumas anotações para relatar a ocorrência, o ra paz que acompanhava Elza se apresentou para Débora. Prazer! Meu nome é Breno. Sou tio da Cris e irmão da Elza. Você não imagina como fica mos aflitos! Muito obrigado! Obrigado mesmo! Do jeito que algumas pessoas agem h oje... Nossa!... Mil coisas passaram pelos nossos pensamentos!... Muito obrigado , Débora! - nitidamente agradecido, sem se conter, deu um abraço emocionado na moça. Ora... Não fiz mais do que a minha obrigação - respondeu ela com um brilho emotivo no olhar. Ah! Fez sim! - afirmou Breno expressivo. O mínimo que podemos fazer por você é leváa para casa. Certo? Creio que não será possível, Breno. Agradeço de coração! Por que não?! Mora aqui perto? Não. É que... - Débora ficou sem jeito, mas precisou contar sobre o furto de seu ce lular e precisaria ficar ali para prestar queixa. Depois de fazer o Boletim de O

* * * Débora estava sozinha.corrência.. A jovem abriu a bolsa. conversou um pouquinho mais com a moça.tornou o policial militar com um brando tom de lamento. Vá! disse olhando firmemente para Elza e pediu sorrindo: Cuide bem dela. O rapaz mostrou-se insatisfeito e apreensivo ao olhar em volta e observar o a mbiente. eu preciso avisar à operadora. Seu parceiro aguardava na viatura. Eu concordo que a elaboração de um Boletim de corrência. também lhe deu um cartão. Enfim. É o mínimo que podemos fazer por enquanto. beijou-a e se despediu a fim de apressá-la. Elza pediu: Será que o senhor não pode dar um jeitinho? O furto do celu lar da Débora é bem mais simples e rápido para relatar do que outros casos! Sinto muito . tirou um cartão e o entregou à mulher. Acredito que ainda tenha três ocorrências na frente.exclamou enternecid a. decidiu ler novamente o Boletim de Ocorrência pelo furto de seu celular.respondeu educado. mas não tenho como ajudar.. Débora solicitou comovida: Não se importe comigo. a moça prestou a devida queixa e rapidamente foi liberada.Voltando-se ao policial. entretanto o sargento Barbosa experimen tava um travo de melancolia por deixar Débora ali sozinha.espantou-se Elza por não ter ouvido o relato da jovem. Eu não queria deixar você aqui . A moça a abraçou com carinho. Nesse instante Cris. intermitentemente irritante. Perdoe-me. mas durante a conversa a garotinha começou a pedir insi stentemente para ir embora e começou a chorar. Verdade?! . Então fique com o meu cartão também! . considerou olhando para Débora: Não pode ficar aqui sozinha! Veja isso ! Não merece! Ainda mais depois de tudo o que fez pela minha filha! . perguntou: Sargento Barbosa.sorriu gostaríamos de levar a m para casa. No entanto.. Na sua vez de ser atendida. por favor. Ela me contou que teve o celu lar furtado porque estava ajudando a minha sobrinha e. Sem esperar uma resposta.. Não queremos perder contato com você. Começou a acreditar que os m inutos naquele lugar pareciam horas. Por causa da iluminação um tanto fraca e de uma lâmpada defeituosa. debruçada no ombro de sua mãe. junto com a Cris. mas depois se despediu e foi embora. Ficou amedrontada e está muito tempo aqui. apesar de tantos a sua volta. Não posso ir agora. agradeceu e beijou-lhe o rosto na despedida. lógico. Aproximando-se do policial. será que vai demorar muito para a Débora ser atendida? Não sei lhe dizer . começou a reclamar de frio e pe dia para comer um doce em especial. lendo seu nome e seu posto na identificação fix ada em seu peito. É que eu e minha irmã. agradeço. Mai s calma. Telefone-me para dizer como a Cris está. De sculpe-me por não poder ajudar. Logo ex plicou: Isso é do âmbito da Polícia Civil. Em seguida avisou: Esse é o telefone da Elza. afagando a menininha e dando-lhe um beijo em seu rostinho. Débora! Não vou ficar sossegada em deixá-la aqui sozinha! . Mesmo assim.. Assim pode falar com a Cris quando quiser. seja bem mais rápida e creio que o delegado também pense assim. Sua tarefa já havia sido cumprida e nem precisaria estar ali.. rapidamente. Não há como precisar o tempo a ser usado para o atendimento de cada uma. via-se envolvido sentimentalmente com o ocorr ido. sem saber explicar. pedindo com generos o sorriso: Tome. . O policial. A pobrezinh a deve estar tão assustada!. parando por um instante próximo das escadarias. mas nada demonstrou. Já era noite ao percorrer o corredor da delegacia que a levaria para a saída. eles se foram. Esse não é um bom lugar para uma criança. as demais pessoas a serem levadas em con ta são cidadãos com direitos iguais e o atendimento é por ordem de chegada. Diante disso. A Cris teve um dia péssimo. Débora parou e voltou-se .lamentou Elza novamente. Virando-se para Br eno.ofereceu Breno que. Sem alternativa. tão necessário para o furto de um celular.avisou Elza enquanto Cris resmungava continuamente em seu ombro. por favor! . como podemos ver. Breno tam bém a abraçou. pegou uma c aneta e fez ligeira anotação no verso do cartão. Elza e Breno queriam um meio de ajudar Débora e questionavam o policial.

O moço riu sem deixá-la perceber. Esqueceu-se de que anotei os seus dados para preencher aquele talão de ocorrência atendida pela viatura na qual eu estava como encarregado? Esqueci! .. virou-se bem rápido. Eu t rabalho na Companhia da Polícia Militar ao lado da delegacia. ou melhor. Acontece. e le a segurou firme não a deixando cair.ofereceu Sérgio com voz branda e um tanto receoso..pediu a moça agarrando-se nele que ainda a segurava com força. preveniu-a: Assim que chegar a s ua casa. Nós moramos relativamente perto. espalhando as várias folhas e documentos pela escadaria. agradeceu e aceitou acompanhá-lo até o carro para que fossem embora..novamente para o corredor dando as costas para as escadas. Amanhã mesmo eu entrarei em contato com a operadora para avisar sobre o furto. É verdade. Sem saber o que dizer. Mas você é sargento? Não é?! Ou eu disse errado? Sim. Débora deu um largo sorriso ao perguntar incrédula: Você!. Para ser sincero. por favor. Como sabe onde moro? . pois ela poderia rolar pelos degraus abaixo. Por que não faz isso hoje? . Bem. Se quiser.. achando graça nos modos da moça.gargalhou gostoso. com j eitinho e um brilho especial no olhar. Equilibrando -se.. era . Desculpe-me!. Desculpe-me de novo sargento. Sorriu. a pasta que carrega va se abriu.brincou sorridente. O policial da viatura que.avisou.sussurrou de um modo que ele não ouviu... Ora. corando imediatamente... Sérgio .. Não vou para a universidade hoje e me sobrará tempo. Esqueci mesmo! Por favor.. disfarçou ao mostrar: Veja. o meu nome de guerra é Barbosa. Hoje eu sou o próprio desastre! E o pior é que mais uma vez eu o fiz me ajudar pega ndo os documentos e meu material por causa dessa maldita pasta! . Estava indo embora quando me lembrei de você. Ágil....Diante do silêncio.. Por favor .interrompeu-a educadamente e correspondendo-lhe ao sorriso . ela o agradecia e se justificava parecendo envergonhada. . fitando-o impressionada. admitiu: Acabei perdendo a hora de ir p ara a universidade e. Ambos sentiam que algo muito especial os envolvia. .falou ele sentindo o coração acelerado e disfarçando a grande expectativa. Não é bom ter um celular usado indevidamente. Aceita uma carona? . Porém. O principal e mais trabalhoso já foi feito.. naquele instante. mas.. sou eu mesmo. que é o registro da queixa pelo furto. Enquanto arrumava as folhas. Não pensei que fosse me reconhecer. Sim. Em seguida a moça exc lamou atrapalhada: Ah!.. Também tive um dia cheio e. a jovem titubeou sem saber decidir... Ela cambaleou por causa do salto que usava... eu sou sargento.perguntou sorridente e curiosa. . Quando estou de serviço. Sérgio. em traje civil. o dia não terminou . Não terei trabalho algum. Você tem razão. embora experimentasse um gostin ho de satisfação por ouvir aquela confissão.Riu de modo simple s e.pela surpresa. sem saber qual seria a reação da jovem.. mas sobressaltou-se ao deparar com um rapaz no qual trombou. Nossa! Com a farda você fica tão diferente! É comum não me reconhecerem quando estou à paisana. Como não poderia. Não.pediu com jeito encabulado.riu acanhada. .. Meu carro está ali no estacionamento da Companhia da PM. abaix ou-se e a ajudou a pegar os papéis.. Ela o olhou de um modo diferente.. Isso não é comum. Puxa! Perdoe-me. Nesse instante.. encarou-o por segu ndos como se algo a atraísse para aquele olhar e sorriu. meu n ome é Sérgio. Mas me chame de Sérgio. Isso não foi nada. Estou tão exausta que nem havia pensado nisso. . pois meu caminho é pelo seu bairro. Rapidamente ajeitou a mochila nas costas. mas ao encará-lo. pediu: Venha! Será melhor ter uma carona ou ainda pode pegar condução errada! Afinal. apesar do sorriso bonito... Suspirando fundo. E hoje não está sendo um dia normal para mim. resmungou baixinho e incrédula: Ah. Ao ler o que a interessava.. ligue para a operadora e peça o bloqueio imediato do aparelho. Débora ficou encabulada. aqui está o Boletim de Ocorrência. É... Não me julgue. não pense que sej a um desleixo ou descaso da minha parte. Não!. Não costumo julgar as pessoas .

Você não imagi como está sendo difícil eu concluir essa graduação.. Assim acontece com o desejo no que é bom. bons ou maus. Às vezes somos solicitados para atende r ocorrências demoradas e chego atrasado à aula. há mudança na escala de serviço e tenho de solicitar alteração ou permuta. uma troca com algum colega. o mal não terá acesso. infelizmente. a começar por um simples pensamento.ela comentou. os espíritos podem intervir no mundo corpóreo mais do que os encarnados imaginam.. quando chego. Mas. É curioso você cursar Psicologia. Por ser um policial. talvez por isso nunca nos encontr emos. Só se neutraliza a influência dos espíritos maus e imprudentes com o desejo no bem. mas. a moral e os desejos do encarnado. mas nem sempre isso é possível. Muitos perderam o respeito. Ah! Então é assim! Como eu. Mesmo com o s prejuízos aparentes como o furto de seu celular e a perda do horário para ir à unive rsidade. Acho que temos algo em comum .Sérgio e Débora se reencontram Durante o trajeto para casa. certamente. com vários blocos. Como advogado eu seria péssimo! . Por essa razão decidi compreender melhor as pessoas e tentar ajudá-las de outra forma. para o bem ou pa ra o mal. Foi só hoje. amor e bom ânimo no bem. Enquanto dirigia. enfrentando o desafio de tomar uma decisão. Como aprendemos na Doutrina Espírita. Eu curso Psicologia lá! E você? Jornalismo! . destacar-se e até se curar. para alguns profissionais da área de Comunicação e Jornalismo. . Outras. Fico inquieto diante das injustiças e apreensivo para ajudar. com os seus sentimentos e a realidade dos fato s. mudariam sua vida. pois os espírit os inferiores correm para perto da criatura para auxiliá-la. seu coração bon doso a resguardou de experiências mais dolorosas.m incapazes de falar a respeito. pois. a prova ou expiação. gui ou-a ao encontro de pessoas que.quis saber muito curiosa. E Deus permite que esses espíritos sem instrução e imperfeitos assediem os encarnados a fim de testarem à pessoa em sua fé para que pa sse pelas provas do mal e continue seguindo o bom caminho.Ele sorriu ao admitir: Sabe. Sérgio riu muito à vontade e esclareceu. fazendo acusações ou sensacio . Considero-me um bom policial. Seja qual for à situação. como nos é ensinado em O Livro dos Espíritos.avisou a jovem bem entusiasmada pela coincidência. sábios e elevados influenciarão e sustentarão o encarnado que tiver fé.riu alegremente. Espíritos benevolentes. inspiram os pensamentos e as ações de acordo com o caráte r. Sério?! . A universidade é bem grande.ela brinc ou descontraída. aproveitando a parada no semáforo: Não.disse com belo sorriso ao olhá-la.1 Os espíritos. Acho que não tenho dom para lidar com as Leis. O quê? Eu me preocupo com as pessoas. 2 . Débora e Sérgio conversaram muito e descobriram que estudavam na mesma universidade.admirou-se ele quase incrédulo. afastand o-o da inspiração de espíritos maus. Por quê? .enfatizou sorrindo satisfeito. seria mais interessante cu rsar Direito. conforme o caso. creio que a função não seja boa para mim. Aproveitando de sua generosidade e misericórdia. você também arrumou um jeito de cabular aula! . a s tragédias das vidas alheias viraram atrações. já estou no último semestre graça a Deus! . Costumo me preocupar com as pess oas. Através de terapias pode-se fazer alguém descobrir em si forças que de sconhecia ter e se melhorar. Falam ou e screvem sobre as pessoas sem a menor responsabilidade. praticamente. espíritos amigos a inspiraram a cumprir com sua responsabilidade diante de uma criaturinha indefesa. Detesto faltar . havendo erdadeira no bem. Quando as más influências atuam através do encarnado. Apesar de Débora acreditar que tudo estava sendo difícil naquele dia. conforme sua livre decisão de escolha. acabavam de se conhecer. a coragem que demonstrou. é a pessoa qu em as chama pelo desejo no mal. Isso não é fácil! Apesar de tudo.

brincou e riu com gosto.. Na esquerda. Tinha um corpo bem delineado. ao mesmo tempo. Débora ficou sem palavras. Então por que ainda mora com seus pais. Parecia d iscreta e.afirmou de modo simples. Sentiu como se a conhecesse há temp os. combinando perfeit amente com sua pele alva. normalment e com locações para fins comerciais. Sérgio a ouvia atentamente. Débora era uma moça bonita. observou sua sensib ilidade e experimentou algo estranho quando encarou seu olhar carente que implor ava por auxílio. Ah! Quem sabe você conseguiria fazer meu pai vender aquela casa?! .apontou. Desejava fazer algumas perguntas. não suportar meus irmãos. Lógico que ajudo em algumas despesas. Trabalho na área central.brincou rin do. delicadamente pintadas com uma cor transpare nte. Mas moro com meus pais. ostentava d elicado anel de ouro. não viu qualquer aliança de noivado. Ela sorriu e Sérgio perguntou: Em que você trabalha? Alguma revista? Não! Quem me dera. o que o deixou mais tranqüilo. tirando a privacidade da vida alheia sem qualquer serventia útil para a s ociedade. Sou corretora de imóveis. Sérgio tentou disfarçar o sentimento que os envolvia. Ele sabia disso pelos dados pessoais mencionados durante a ocorrência.ela considerou rindo. às vezes. Puxa! . Ao vê-la sob forte emoção e lágrimas. mas acreditava não ser o momento adequado. Apesar de. sustentando leve e generoso sorriso nos lábios bem to rneados. Como é bom encontrar alguém com integridade profissional. Entretanto seus pensamentos fustigavam para saber se a jovem tinha alg um compromisso com alguém. Dificilmente uma moça bonita como aquela não teria um namor ado. riu ao dizer: Policial não ganha tão bem assim. As unhas. Você é bem convincente. Longos minutos se passaram. ele perguntou: Qual é a sua casa? É aquela ali! Onde há uma árvore na calçada . Encarando-a . mas posso fazer a minha parte através de um trabalho limpo. Não sabia o que dizer e não tinha vontade de se despedir . davam um toque especial em suas mãos tênues e bonitas. sorriu ao brincar: Pronto! Apesar de tudo. Até por que. direta em suas colocações. Muito observador. elegantemente trajada e levemente maquiada. tinha acabado de conhecer a moça e devia ser discr eto.nalismo. ele prestava atenção em tudo o que ela falava. Afinal. Ela era solteira. Dirigindo maquinalmente. Deve ganhar bem só pelo seu modo de opinar. Não o convenço de modo algum! Não gosta de onde mora? Não. O rapaz admirou Débora desde o primeiro instante em que a viu assustada e bem a trapalhada segurando a menina. Olhando-o nos olhos.. moro com meus pais para conseguir pagar meus estudos.riu. Proposita damente fazia-lhe perguntas informais só pelo prazer de ouvir o som suave de sua v oz na fala bem ponderada e clara. não posso mudar os profissionais. Minha família mudou-se para lá há alguns anos e até hoje não me acostumei. Mas uma onda de insatisfação o abateu quando ela a nunciou: Minha rua é a próxima à direita! Chegando ao referido endereço. Foi naquele instante que Sérgio precisou controlar o forte desejo d e abraçá-la a fim de ampará-la e confortá-la por tudo. mas elas dobrariam se eu alugasse um lugar. Apesar de meus vinte e oito anos. ainda est ou lá . . pois parece ter um dom natural de envolver e convencer as pessoas. experimentou a impressão de ter sua alma invadida e fatalme nte atingida por uma sensação desconhecida que os dominou num profundo e sério silêncio. Eu tenho condições de ter um apartamento . mal consigo sustentar esse c arro! . cabelos lisos pouco abaixo dos ombros e suavemente clareados. duas irmãs e um irmão. Não posso mudar o mundo. Nem tanto . Sérgio manobrou e estacionou o veículo frente à bela e grande residência. Ele estava curioso. vantajoso para aqueles que realmente necessitam.ele admirou. Sérgio? Olhando-a rápido. chegou a sua casa sã e salva.

Muito obrigada por tudo. Alguns plantões. mas não podia ficar ali.Sorriu sem jeito.replicou com largo sorriso. em meio ao constrangimento.. Breve pausa e.. Débora estendeu-lhe a mão para um cumprimento quando. teve o desejo d e abraçá-lo por tanta gratidão.. Acredito ni sso e em muito mais. Entretanto ela não manifestou qualquer desejo de vê-lo novamente. a delegacia tem um clima muito pesado e u ma moça como você não está acostumada àquilo. me entender. Meu pressentimento se confirmou. posso jurar que já vi essa cena antes e. tive uma sensação de insegura nça.Fugiu-lhe ao olhar.. Vendo-a pegar suas bolsas. Aqui estamos . Quase não acreditei. de um medo tão grande! Nenhum preconceito.tornou o rapaz. com a qual intimamente ficou insatisfeito pelo desfech e da despedida. . Não me agradeça. Tomado de estranha emoção. Desculpe-me. Sei lá! Talvez por desejar a sua companhia e. Não duvido de seu pressentimento . inteligente e bem estabilizada financeiramente jamais deveria dar atenção ou se interessar por alguém como ele.. eu não queria f icar sozinha esperando para ser atendida.. Débora contou: Quando entrei na viatura e o olhei. por isso. mas seria ridícula. sussurrando quase sem querer: Que estranho. daqu ele monte de gente que estava ali com modos estranhos.. E voltei! Demorei por ter de atender a um outro chamado.ela quis saber. comentando meio tímido. Porém era como se o conhecesse.. E nunca aconteceu de eu ficar inquieto por alg uém após cumprir meu serviço. Não. Tomei um susto ao reconhecê-lo! . é que não estou acostumada àquele tipo de ambiente e pessoas com aqueles modos e palavreados. Queria te pedir para ficar comigo.. essa cena antes.. Sérgio! O outro policial sim estava cumprindo o dever dele. não duvido que você já tenha visto.perguntou com um tom afável na voz.sorriu com delicadeza. um brilho expressivo nos últimos minutos em que conversaram. mas você precisou ir embora e eu fiquei em desespero.. mas implorava em pensamento que você me ajudasse. enca rou-o e revelou: Tive um dia difícil e depois de toda aquela situação complicada. E também obrigada por ter me trazido. Ele havia gostado tanto dela! Pareceu-lhe tão grata pela atenção! Viu em seu olhar uma chama. parecendo esperar uma resposta.. a fim de ele ir me buscar e.revelou com firmeza e encarando -o. mentalmente. o rapaz chegou à sua casa vivenciando um travo de dece pção. É. Bem. como se soubesse que iria me ajudar de alguma forma.. Como assim? . A final de contas.. ele suspirou fundo experimentando uma sensação melancólica quando acenou ao ir embora. É que.. Não sei por que não lemb rei de fazer isso antes. Sabe. Realmente fiquei preocupado com você naquele lugar. O quê? . Sérgio. E ao chegarmos à delegacia. Não consegui esquecer a situação e logo imagi ue demorariam muito para atendê-la. Estava tarde e me considerei boba por ter a ilusão de que você voltaria. pensei muito em você. . Foi como um pressentimento. segura e.. Por que boba? . agressivos. viu-a oferecendo um para a mãe e o tio da menina perdida.disse sorrindo.. Demorou demais para eu ser atendida. que não passava de func ionário público. Eu queria me sentir amparada . Isso não me surpreende . pois nem sabia direito o seu nome. Sérgio questionava-se sobre o motivo da jovem não lhe dar um cartão. Boba. Eu só estava cumprindo com o meu dever. mas voltei. na verdade. Deixando-se entristecer.. decidi passar lá p ara ver se ainda estava aguardando e se precisava de ajuda. Porém você exalava a lgo mais humano e não mecânico para com o seu trabalho. Eu ia telefonar para o meu pai.Ele não disse nada e Débora pr osseguiu em voz branda: Ao ficar sozinha na delegacia. Senti algo tão estranho como se só v ocê pudesse me socorrer. Acreditou que uma moça tão bonita. eu procurava me conter. Estou sentindo algo di ferente com isso. devo confessar.ela admitiu com voz meiga. .. Fiqu ei achando que o veria entrar ali a qualquer momento. com um baixo salário recebido para trabalhar em favor da população. Parece que nos conhecemos .. antes de ir embora. Contudo conteve-se. É bom encontrarmos pessoas humanas e prestativas como você em momentos conturbados. Sua companhia foi um prazer. descer do carro e caminhar para o portão da requinta da residência.

criticou Emy em tom muito arrogante.. * * * Todos já haviam terminado o jantar e Débora não parava de contar detalhes do aconte cido. a bela jovem que agora estava tranqüila. Emy.. quase bronzeada. Talvez. saiu da sala de jantar a pass os firmes e rápidos. sozinha. demonstrando sua ira e . debilitados de ações. hein?! Você deveria ter me telefonado. Em seu quarto. ind ignados e conflitantes. apesar dos acontecimentos conturbados e serviço ingrato. atirou-se sobre a cama. Não estaria tranqüila caso deixasse aquela garoti nha ali. Eu não tive escolha. na universidade. Emy e Élcio..O. Débora acreditava ter agido bem.... Até chegar a minha vez para fazer o B. concluiu: Não sou uma inútil. per mitiu que suas idéias vagassem. adorava lembrar-se de cada detalhe de sua conversa com ele durante o caminho para sua casa. a calma constante . ta! Quem mandou ser descuidada? Que ótima mãe. vão se danar! Ta legal?! . educado e calmo. Explicou somente em rápidas palavras o motivo de não ter ido à universidade. Apreciando as repetitiv as recordações. a moça bateu a porta com força para fechá-la. ela não suportou e começou a chorar. seu comportamento digno. Jamais havia pr ecisado da ajuda da polícia. tão solícito. Pessoas de u nível moral. que trabalhava na delegacia. de um verde esmeralda brilhan . Seus olhos eram atraentes. produções próprias e por isso só sabem al r a boa vida que levam por terem um papai que os banquem! Olha aqui. O que você faria em meu lugar?! Ora. pois poderia ir embora para casa sem se importar com ela.Dominado por certa angústia. tratou-a muito educadamente ao lhe atender e faz er o B. do susto que sofreu com o furto. a moça fitou o teto e seus olhos irradiaram a chama de um envolvent e desejo vindo de seu coração. Apesar do prejuízo pelo celular. Emy e Élcio tin ham o dom de irritá-la. de relance. conforme sua consciênci a mandou.. Lá havia uma confusão a ser resolvida. né? Também um caso de homicídio. entrou em casa. beijou sua mãe e nada comentou a res peito. Levan tando-se. da espera na delegacia onde se sentiu tão insegur a. Você ainda não se acostumou? . Para sua surpresa.. A jovem duelava com os próprios pensamentos. ta! . minha filha! . pois confiou nele sem saber a razão. Nunca i maginou que um policial pudesse ser assim. Sentia como se o conhecesse há tempo. Foi uma gentil prestatividade dele. senhor Aléssio. Não mesmo! . Dando as costas.O. Envolvida por energias diferentes. incapacitada e dependente como vocês dois! Par a mim vocês são frustrados. reagindo abruptamente. Enraivecida. da prova que não realizou. até lembrar-se de Sérgio. enquanto sorria sem perceber.confirmou Débora. Estava extremamente nervosa. Admirava-o pela pre ocupação com ela e por se dar ao trabalho de verificar se ainda aguardava para ser a tendida na delegacia. até a equipe de plan tão.defendeu-se a outra irritada. Virando-se. em seguida. Não foi uma experiência agradável passar horas em uma delegacia.. Sérgio era um rapaz bonito. Problema da mãe da men ina. cabelo bem curto e barba escanhoada na pele morena clara. mas foi atalhada da empolgação. pelo furto do meu celular. Débora não esperou a réplica de Élcio. Fez o que seu coração pediu. Nossa! As pessoas tinham de prest ar depoimento e demorou tanto. Débora . Emy não suportou e tornou em tom de zombaria: Que gratidão os parentes da menina tiveram! Oh! Largaram você lá. em tom mod erado.com deboche e ironia exclamou Emy.gritou Débora. Passar a tarde e o começo da noite em uma delegacia! Andar no carro da polícia! V ocê é doida varrida! Onde já se viu?! .provocou Élcio. Era impossível não pensar em Sérgio. irmão de ambas.. Mas sua família só sabia criticá-la. Sabe. Era gosto so lembrar sua voz forte e ponderada.reclamou o pai. pobrezin ha! A Débora sempre gostou de sofrer. sua!. Acreditava já o ter visto antes. irmã mais vel ha de Débora.

Débora.. Breno! Que surpresa! Estávamos preocupados com você. jantou e dormiu rapidinho! Ah! Meu cunhado ficou muito grato pela sua atitude c om a Cris. o sol frio daquela manhã de outono invadiu o quarto quando Débor a abriu a janela. a jovem fazia questão de trabalhar. não me criticou e ainda me ajudou. Não sei o que me deu. Embora pertencesse a uma família bem estruturada financeiramente.. pois ela sentiu como se não quisesse deixar de f itá-los. De imediato sobressaltou-se enervada consigo mesma: Que droga! Como pude ser tão burra?! Não lhe dei um cartão e ele não tem meu telefone! Ai. Ofendia-se por não encontrar uma solução.. rapidamente concili ou o sono enquanto pensava nele. Parecerei muito v ulgar. vi que suas mãos eram bem fortes! Reparei na roupa bem alinhada. Ao deitar-se para dormir. seus cuidados e sua generosidade. pois ele era pers istente. Débora! E se o Sérgio tiver algum compromisso? Ele disse que mora com os pais. mas é o mínimo que podemos fazemos questão! . Mas a falta da aliança não quer dizer ausência de compromisso com alguém. ele não tinha aliança ou anel..insistiu Breno com extrema amabilidade. Ah! Da próxima vez que encontrá-lo. mas pode ser casado ou então noivo.. mas conseguiu.. Entretanto foi difícil convencer B reno sobre sua opinião e encerrar o telefonema de forma educada. Ele é tão bonito! Aliás. um estranho. mas não dormiria sossegado se não tivesse notícias suas.. Uma névoa de contrariedade envolveu-a. Desculpe-me por ligar a essa hora. sua irmã c la. Eu ia mesmo trocar aquele aparelho. Não. a cho que não o vi de aliança.. Débora! Idiota! E agora?! .. .. sua imbecil! . Eu deveria ter-lhe feito mais algumas perguntas. sentou-se na cama e murmurou: Puxa! Eu queria tanto encontrá-lo novamente.. deve malhar muito em algu ma academia ou mesmo no quartel. Será um prazer darmos um celular novo para você! Não! De jeito nenhum! . ele tem mais vocação para psicologia do que para policial. tio de Cris.exclamou ela. mas fiquei c om vergonha. ainda experimentava uma sensação de frustração ao pensar qu e seria difícil ver Sérgio novamente. me compreendeu. Irritada. A voz de Yara. A h! Ele falou que pagava os estudos e mal podia sustentar as despesas com o carro ! Não deve ser noivo. Ela não sabia explicar aquele sentimento de atração que experimentava. prosseguiu: Não.. não. mas. tirou-a daquelas reflexões: Débora! Telefone! Atende aí! Nossa! Nem ouvi tocar! . Nada pagará sua atenção.Logo perguntou: E a Cris? Dormindo feito um anjo! A Elza ligou agora dizendo que a Cris tomou um banho. ai. exausta. Deu tudo certo . surpreendeu-se em pensamento.. repreendeu-se: Ai.. Chamada à razão pelos próprios pensamentos. Enquanto minha família. Lembrar-se dele era prazeroso! Extenuada. pensava Débora sem dissipar a agradável lem brança. Por fim respondeu: Pode deixar! Obrigada! Débora foi surpreendida por Breno. Cansada. Não se preocupe. Por favor. ai. lembrou-se de ligar para a operadora e avisar sobre o furto ocorrido. Não havia agendado muitos compromissos para aquele dia e poderia chegar mais tarde ao serviço. desejava sair daquela casa para morar sozinha. abandonando . * * * No dia seguinte. Nos últimos tempos. Ora! Eu sei. no tênis. Real-mente.avisou a jovem com simpatia no tom de voz.. levantar cedo e sempre se ocupar com coisas úteis. O Sérgio... Procurá-lo na universidade?! Seria trabalhoso e qual desculpa eu daria? Ai. pois tem um físico tão torneado! Mas que droga! Com o vou encontrá-lo agora?! Seria ridículo eu ir lá onde ele trabalha. Ele é tão esforçado! Que diferença. Quando segurava o vol ante.te que fascinava com certa magia.. Ela estava decidida em não aceitar o presente. Não queríamos deixá-la só na delegacia. planejando ir trabalhar com seu carro. Olá. Deixe-me ver. Forçando recordar-se. É interessante estudarmos no mesmo lugar . talvez só namore. Nem precisa se explicar.

Sente se. Não tinha c omo avisá-la. não! O meu trabalho da faculdade! Incrédula... Então. Algo apertava seu coração ao pensar nisso. riu e falou: Bem. pois tudo de que precisava estava naquela pasta. sobre a escrivaninha. ficou assombrada e inquieta ao descobrir que sua pasta. motivo de tanto transtorno e trabalho no dia anteri or. Esborrifando uma colônia no a r ficou sob o orvalho da suave fragrância que caía.Ele sorriu vendo-a incapaz de organizar as idéias. Vai atender esse moço? Pelo amor de Deus. dando-lhe um toque natural e retocou o batom. Nem pedi para se se ntar. Di sse que se chama Sérgio e está com uma pasta tua. estendeu-lhe a p asta e contou: Ao fechar o carro ontem à noite. mas gaguejou: É. . ele ofereceu largo sorriso.eufórica e emocionada por vê-lo. E como é importante! Ah! Perdoe-me por mais esse trabalho. Quero dizer. deparou-se com a empregada.pediu generosa.expressou-se com verdadeira alegria. sob os livros e outras pastas. aceite só um cafezinho! Já está pronto. Sérgio. A moça voltou à frente do espelho procurando algum de talhe em sua imagem que poderia comprometer sua elegância.. . Depois de tudo o que fez por mim. mas já me alimentei em casa e. foi interrompida por suaves batidas à porta de seu quarto. procurou a pasta em suas bolsas... respondeu impensadamente.. em seu carro. educado. vestiu-se impecavelmente co mo sempre e. Bom dia! Tudo bem?! Bom dia. da elegante e moderna decoração. Meu Deus! A agenda! Os contratos assinados pelos locadores! Os documentos que . Lembrou-se de só poder tê-la esq uecido no carro de Sérgio. Sérgio! . fazendo-a virar e dando-lhe um em purrãozinho. Eu estou acabando de me arrumar! Vai lá correndo. eu vi que a esqueceu no banco de trás.. um tanto constrangido.. por isso vim cedo. repentinamente. Avisando: Estou indo! A empregada riu e obedeceu. talvez pelo requ inte do interior da casa.a proteção e qualquer dependência material de seus pais.. tem um rapaz lá no portão te procurando. Ao a bri-la. Olá. antes de fazer o desjejum.. pois acreditei tratar-se de um material important e. A Iolanda nos servirá aqui mesmo. Sentiu-se em apuros. atrás do comput ador. Ele sorriu satisfeito e. por isso. envergonhada. Olhou-se de perfil no espelho e. Sabia a razão daquela dificuldade de expressão. respondeu ao se sentar: Se for um cafezinho. O rapaz não esperava por aquele convite. arrumou suas coisas pegando o material d e que precisaria para levar à noite à universidade. não entendia a origem do medo para tomar essa atitude .. Iolanda! . ela tomou um banho. Débora respirou fundo. avisou: Oh. Seu ro sto corou imediatamente e. Repentinamente. Ele se anunciou pelo interfone. pois também se sentiu inebriado durante aqu eles segundos em que se olharam. A moça ficou petrificada diante do rapaz. notou certo constrangimento em Sérgio. Desculpe-me decepcioná-la.fal ou com dengo.praticamente gritou.... Procurando a agenda com o telefo ne de suas amigas do curso de graduação. Não imagina como me aj udou novamente... Apesar de acreditar ser madur a para tal responsabilidade..pediu educada. por favor! .. Mas. finalmente. não pode recus ar... segurando a mulher pelos ombros. Imaginei que tivesse f icado com você. mas não a encontrou. Ajeitou novamente os ca belos.. Ah. Vamos ali para a mesa já posta? ... tentou corrigir-se. Chegando à sala de estar.. vai! . não estava ali. Be m.atrapalhou-se.propôs apontando para o outro recinto.. havia reparado uma gr ande mesa bem posta para o desjejum. E. eu aceito! . Refletindo sobre várias coisas. É assim.. Ai. Débora! Estou bem e você? Melhor agora! . por favor. Seus olhos novamente se fixaram por l ongos segundos e o silêncio imperou até a empregada interrompê-los: Com licença? . apontando para o sofá.. Débora. avisando: Débora. Faço que stão que tome café comigo. Puxa! Eu estava feito louca procurando essa pasta. Faça-o entrar! Eu. Como eu poderia encontrá-lo? Ao vê-la embaraçada com as palavras. me desculpe. Tinha certeza de ter ido direto para o seu quarto ao chegar à noite anterior. A certa distância. saiu do quarto.. A senhora quer que eu sirva um café? Não! Quero dizer.

pois não queria se iludir. Precisa cumprir o horário. Liguei logo após ter f alado com o tio da Cris. Só preciso entrar m contato com algumas colegas para saber como ficou o trabalho a ser entregue on tem. Claro que não! Pegue suas coisas e. Ontem mesmo.Vendo-a com a respiração represada e sem resposta. Débora! Além disso.. O silêncio pairou inebriante até Sérgio terminar de beber o café e anunciar: Foi ótimo saber que você está bem. Não vou demorar ... Ninguém a fazia perder as palavras daq uela forma. dissimulou qualquer interesse e perguntou : Vejo que está arrumada para ir trabalhar e eu estou indo para o centro da cidade . O tio e a mãe estavam preocupados comigo. er a tudo ou nada. . Débora comentou parecendo envergonhada: Não tenho namorado.. É uma pena. sem demora. ao sutil sinal da moça. ele perguntou : Posso dizer uma coisa? .avisou.brincou troque de pasta! Ela sorriu gostoso ao responder: Sem dúvida! Só um minuto! Você me espera? Não tenho pressa. Na verdade. O quanto antes à mulher providenciou deli cadas xícaras de porcelana sobre linda bandeja de prata deixada na mesa central da sala. pedindo animadamente: Vamos?! Estou pronta! Sim! Vamos . Minha agenda está tranqüila. mesmo com amigos da universidade. Débora respondeu: Lógico! Se não for incomodá-lo. . Tenho o dia t odo para isso. mas não liguei. Agora que já tem sua pasta e roubei um pouco de se u tempo. Fitando-a firme. o rapaz falou em tom grave e emocionado. Quer uma carona? Com entonação suave na voz e nítida expressão de felicidade. ele observou seu belo rosto alvo enrubescer e. Entretanto jamais exper imentou aquela sensação em que Sérgio invadiu-lhe o íntimo. pois.. mas não devo ser o motivo de seu atraso para ir trabalhar.Sérgio pensou rápido.comentou.respondeu ao levantar-se e admirá-la discretamente. sentindo-se extremamente fel iz por ela tê-lo tratado tão bem e aceitar seu convite. Apesar de manter as aparências. Emocionei-me sim. Sente-se. não é? Sabi que telefonaria para ter notícias dela. Desejava saber.. por isso argumentou: Seu namorado não deveria deixá-la pegar carona.O. o simpático rapaz perguntou: Avisou a operadora de seu celular sobre o furto? Ah. Certa decepção abraçou o coração de Sérgio naquele segundo. Poucos minutos passaram e a moça retornou à sala. é tão meiga. Porém tenho de ir até a companhia onde trabalho para resolver um assunto administrativo.. mas entendo. Aliás. Ele não disse nada. com um brilho no olhar ao dizer: Quem sabe. preciso ir . e ele telefonou.. indo para seu quart o. Não tenho hora para chegar ao serviço.falou.Sorriu animada. levantando-se. Quem sabe. o que a deixou muda. Pode até tomar seu café da manhã sossegada. Sérgio acomodou-se novamente e sorria em seu íntimo. Depois.. Sérgio arriscou. Sua companhia é bem agradável. ligou o carro e seg uiu conversando sobre outros assuntos. sim. . hoje estou de folga . Olhou-a de uma forma diferente ao contemplá-la e ofereceu lar go sorriso ao experimentar uma felicidade sem igual. ao entrarem no carro. mas disfarçou bem e falou em guida: Percebi você muito comovida com aquela menininha... estampando lindo sorriso. Sérgio não conteve a satisfação de tê-la ao lado e.. quem não ficaria. mas preciso enviar uma cópia do B.Encarando-a. nós no s encontremos lá na universidade! É.. invadindo-lhe a alma através do olhar. Débora ainda trazia uma inquietude pelo fato de e le tê-la deixado constrangida com a argumentação. à noite. . entendeu que ela fazia questão de servi-lo. sem perder a oportun idade de vê-la em silêncio: Você está muito bonita. com um leve t remor na voz baixa. Sabia dominar seus sentimentos em toda situação. parecendo saber de seus sent imentos e pensamentos com uma habilidade a qual dificilmente ela poderia explica .. E e nquanto apreciavam a bebida fumegante. Te rriso cativante que impressiona e atrai. Não! Hoje estou sem fome.A empregada entendeu o olhar de Débora.

dizendo: Com licença . Ah!.falou de modo alegre.Pegando a pasta.Dificuldades em família No final da tarde. Débora pareceu resplandec er ao reconhecer os nobres traços do rosto de Sérgio. Sobressaltando-se.brincou. Ao vê-la entrar na empresa onde tra balhava. Agradeceu a carona e pensou ligeira. Desculp e-me. sorriu incrédulo e seguiu.Ao ver seu rosto reluzente e sorrindo virar com expectativa. a jovem olhou para trás e acenou... Sérgio pegou a delicada mão de Débora.. Você não precisaria chegar tão cedo à universidade. Desculpe-me você. Posso te ligar avisando? Lógico que sim! . o rapaz a beijou no rosto. ela questionou: Por volta das cinco horas você estará em sua casa? Sim. E nquanto andavam. dê-me essa pasta antes que você a jogue ao chão! . recostou-se nele como se o conhe cesse há tempo. Sem perceber sujou-lhe a blusa com seu ba tom. . como se tivesse feito uma molecagem. Chegando ao destino.replicou a bela jovem correspondendo à brincadeira... . eu me arrependi. por sua vez. por eu ter telefonado mais cedo do que o combinado. co ntinuou no mesmo tom: É que crianças deixam as coisas caírem à toa! Você sabe.ele ri ao dizer aquilo propositadamente para provocá-la.despediu-se com expressiva satisfação ao descer do carro.. . Num gesto mimoso e em meio ao riso. Ainda é cedo! As pessoas que passavam por entre eles atrapalhavam o diálogo. Débora sorriu novamente. também forneceu o número do telefone de sua residência e endereço. Sorrindo em seguida. estampando um semblante bem feliz. Sorrindo de modo alegre e cristal ino. Por quê? Não sei a que horas vou deixar o serviço hoje e.tornou ele.. Será difícil apa tantos papéis em meio a esse movimento de pessoas e o vento. O que é isso? Eu estava sem fazer nada. Encorajou-se e . beijou-lhe o rosto segurando-lhe a nuca com delicado ca rinho. rapidamente. Aproveitando-se desse fato. Até mais então. Ele pare cia imerso em um sonho e. o rapaz abriu a porta para ela entrar. quando menos esperava. A que horas eu poderia vir pegá-la aqui? Titubeando por segundos. Débora. contornou o veículo e. e avisou: reciso segurar firme as crianças para não se perderem.. Eu deveria esperar e ligar mais t arde. Teremos de andar um quarteirão. Ao se depararem. Gent il. A jovem riu gostoso e. Ia descendo do veículo. Ele.. olhando-a com admiração e reparando em seu jeito me igo. O que ia dizendo sobre eu vir mais cedo? .. lembrandoo sobre o fato de o número do celular estar desativado. chamando-a: Débora!. Mas que ousadia! . Vou aguardar. certo? .r com palavras. sem que ele esperasse. quase um afago. enlaçou-a em seu braço. o rapaz passou as mãos pelo rosto. 3 . Ah. falou bem descontraído: Não encontrei lugar para estacionar aqui. com toda a liberdade. Por quê? Ah!. A jovem demonstrou-se feliz. continuaram conversando até ela comentar: Depois de telefonar par a você.. ele retribuiu de imediato. acomodando-se no . . segurou-a levemente pelo braço.. Débora ofereceu-lhe um cartão com seus telefones..afirmou animado. que a procurava em meio ao mov imentado centro financeiro da cidade de São Paulo onde haviam marcado de se encont rarem. para não se separarem.Dessa forma. Não demorou muito e chegaram até o carro estacionado. Continuaremos a fazer nada juntos . ela continuou encostada em seu braço por algum tempo enquanto andavam.. ele a soltou como se fizesse suave afago no braço e perguntou: Talvez possamos ir junto s à universidade hoje. quando Sérgio se curvou e. Sérgio suspirou fundo e vagarosamente enquanto a observava caminhando.

. assim como eu hoje cedo. Sabe. Deixe-me ver. esqueço-m e e uso termos militares. é? . sem compromisso.. a maneir a de eu reagir em determinadas situações e o modo como me relaciono com as pessoas. é prec iso ser prático.. No loc al havia vários estudantes. sorriu com doçura ao afi rmar: Você sabe como me deixar envergonhada e me fazer perder a fala....suspirou fundo e sorriu sem jeito.. . Meus dois irmãos são PMs também e estão na ativa. Frente à moça. A pergunta foi sua. Ela não disse nada e ele prosseguiu: . No militarismo. Débora . Perdoe-me . .banco do motorista.. Talvez seja por força do hábito. sim! Minhas amigas são ótimas! Bem.. Você me deixou sem graça novamente. Encabulada. Ela é especial! E alguém que eu gostaria de conhecer um pouco mais! . Sérgio? O meu pai é policial militar reformado e. perguntou antes de saírem: Conseguiu falar com suas colegas sobre o trabalho em grupo? Ah. tenho dois irmãos mais velhos e.. Meu pai é PM apos entado.Pe nsou por segundos e foi verdadeiro ao revelar: Bem. falou baixo.falou animado. E a prova que perdeu? . fizeram tudo. referi-me à forma mecânica e rápida como faria em meu serviço.. Apesar de responder tudo educadamente . ele correspondeu ao sorriso e continuou: Você estava super curiosa para saber algumas informações pessoai s a meu respeito. . quando Débora disse b em extrovertida: Gostaria de saber um pouco mais sobre você! Não é para o jornal da universidade. a fim de cuidar da casa e de nós.. aguardou. Qu ser gentil. O que é reformado? . Entrei na polícia por falta de alternativas. Sei que isso não parece humano. eu entendi que você quer conhecer meu perfil psicológico. ainda trabalham.quis saber em tom alegre e descontraído.. Esse tipo de interesse acontece com mais intensidade... Sérgio colocou os cotovelos e as mãos levemente entrelaçadas sobre a mes a. Logo depois. Não tive a intenção de constrangê-la. Falarei com o professor hoje. Reformado substitui aposentado. Posso ser sincero? .. Ah! Faço o curso Psicologia e tenho muitos planos e metas para atingir. em tom brando e generoso: Neste momento estou em companhia d e uma linda moça e. Então. não sou do tipo que se acomoda nos trabalho s em grupo.concordou ela satisfeita. Aproximou-se mais.Tão habituado ao meio. Débora sentiu o rosto aquecer imediatamente..Ao vê-la acenar positivamente com a cabeça.. Sabe.. hein!. Moro com meus pa is. .. muitas vezes.oferecendo belo sorriso. Lógico que não. participo bastante e elas sabem disso. tenho certeza de que não me enquadro nessa função. funcionário público. Bem.. Sérgio procurou sair dali o quanto antes. Ao lado da prazerosa companhia. Por isso dei um jeitinho e falei tudo o que mais queria saber e de uma só vez.. Isso é normal! . Desculpe-me. o casal ocupava u ma mesa e tomava um refrigerante em uma lanchonete próxima da universidade. Terei de pedir uma substitutiva. O que acha de irmos à lanchonete perto da universidade? Ótimo! Tudo bem! . Então por que entrou para a polícia. você o fez em forma de relatório ao falar de uma vez. mas com quatro filhos precisou deixar o emprego. Imagine!. ... O que quis dizer com a expressão: força do hábito? Débora.questionou de imediato. ou seja. Os dois falaram sobre várias coisas. Minha mãe era enfermeira. principalmente por saber q ual é o meu trabalho.. ou seja.riu com gosto. Bem. Acabei de completar vinte e oito anos.Encarando-a de modo a invadir-lhe a alma.Acredito que nunca conheceu nem teve um amigo policial militar. sou solteiro.... perguntando com fala ponderada e séria... Puxa. frio e objetivo.. Então. Conversando bastante nem perceberam o caminho. Você foi gentil..sorriu ele. Entende? Por ess a razão.tornou ele. insatisfeito com meu salário. E quanto a dizer que respondi por força de hábito.. enquanto continuava com o mesmo olhar: O que quer saber de verdade? Como assim?. colocaram o meu nome e entregaram..

E... Acho a vida deles bem limi tada. são justament e as pessoas equilibradas. Não pense que sou orgulhoso. A Yara é neutra em tudo. mas os préstimos dos psicólogos e a busca de te rapias jamais são procurados por pessoas desequilibradas.Ao vê-la refletin do. Veja a ironia do destino!. Sim. Em seguida contou: As despesas eram muitas e meu pai não poderia pagar meus e studos nem de meus irmãos. sinto muito em decepcioná-la. Sérgio. Eu penso assim: tenho de começar a fazer algo e me transformar agora para estar melhor daqui a alguns anos.lembrou-se. Al iás. Acreditei que procurar um psicólogo demonstraria assumir ce rto desequilíbrio da minha parte. Contudo não suporto e revido as agressões verbais.observou com simplicidade. Depo is o Tiago. eu sempre pensei em procurar um psicólogo para entender melhor o que vivo . por isso eu os concluí em escola pública. Há tanta diferença entre nós! Eu sinto a mesma coisa com relação à minha família! .. Muito ao contrário! Aquele s que admitem soluções para seus problemas ou dificuldades. que prosseguiram na terapia e seguira .calou-se e suspirou fundo. O Marcílio é meu irmão mais velho. Essas pessoas são oentes e estão presas em seus vícios de tal forma que não conseguem enxergar e admitir a realidade a ponto de procurar ajuda.. Sérgio sorriu e explicou: Débora. Isso é desequilíbrio. Você já viu um alcoólatra irrecuperável admitir que seja alcoólatra? Um viciado irreve sível dizer que é dependente químico? Garanto que isso é pouco provável. curioso: Eu perg untei algo errado? Não! De forma alguma tornou ela. atenta. tento e te nto me segurar..riu ao a visar . entrei na polícia e fiz cursos até chegar a uma graduação satisfatória. continuou: Depoi s meus pais tiveram a Lúcia e eu. não me acho nada parecido com a minha família. pois acreditam poder parar a qualquer momento com o que as escravizam sem a ajuda de profissionais ou grupo de apoio. Porém a Emy e o Élcio fazem da min ha vida um inferno por eu não pensar ou agir como eles! E meus pais nunca se manif estam em minha defesa! O que os leva a essa incompatibilidade? .. concluiu: Você sabia que de cada cem pessoas alcoólatras que assumem a dependência .. Consideram-se auto-suficientes e não admitem o vício do entio. buscando entendimento. Eu não podia imaginar. depois eu e a Yara é a caçula. Perdoe-me . não é Sérgio? . serei e terei nada d aqui a alguns anos. Estou falando com você como se estivéssemos em uma terapia . E entre o riso.. falou: É que.Mas você disse que tem dois irmãos ou eu ouvi errado? . dizemos que essas são conscientes.disse ligeira. Ele se interessou. Também sou a te ira filha entre quatro irmãos. Tudo bem . adolescente ainda. a de sargento. Eu não quero ser como o meu pai e meus irmãos. mais ou menos. procuraram auxílio e se p ropuseram ao tratamento. buscam ajuda e fazem tratamento.. Ai! Você vai zombar de mim! Por quê? . solteiro e quem eu tenho de aturar para dividir um quarto . Que bacana! Você é um lutador! Seria fácil se acomodar e culpar a vida por não conseg uir alguma coisa.. Nossa! Eu não sabia disso! Entre todas as cem pessoas que admitiram a dependência. casado e tem dois filhos.Mais sério. Aq uelas em torno de quarenta.Como pode garantir isso? . Tenho uma maneira diferente de planejar a vida. Mas minha irmã morreu há um ano e meio. dependente do serviço público e. disfarçando um forte sentimento sem que a moça percebe sse..argumentou ele. .questionou no mesmo tom.falou sentida. Concorda? Lógico! Sem dúvida! Sabe. sinto e os conflitos inevitáveis com meus irmãos com os quais eu tento. .perguntou mais séria.disse com graça. estou brincando. A Emy e o Élcio são os mais velhos.. Se eu fizer nada por mim hoje.Observando-a oferecer meio sorriso ao girar o copo de refrigerante entre as mãos. Muitas vezes se fazem de vítimas e acusam os outros de não compreendê-las. menos de quarenta conseguem êxito depois de um ano? E dos sessenta que desistiram. menos de vinte retornam para buscar ajuda? E bem poucos desses vinte persistem?.. . h armonia e um melhor jeito de lidar com o que experimentam ou sofrem. dentro da área clínica. tenho mesmo.. nós dois nos damos muito bem. Parece que não quer depender de ninguém. Economizei o que pud e até entrar para a universidade. depois me sinto tão mal por fazer isso.

minha família me censura em tudo! Com exceção d a Yara. compreendendo e se integrando com os quais precisam e desejam conviver sem atritos. são as consc ientes. procurando não depender do meu pai para tudo. escondendo o rosto entre os cabelos e chorou em silêncio.. . Na verdade não sei descrevê-la. vendo-a atenta e pensativa. Como você sabe disso?! . eu gostaria de conhecê-la. Sérgio se .. um crescimento espiritual digno. outra é amizade ou coleguismo. Mas. engrandecendo o s préstimos da empresa. Contudo todas aquelas que pr ocuram uma ajuda profissional são pessoas conscientes e que não desejam continuar ex perimentando determinados problemas.. Envergonhada. misto a um olhar de melancolia. ela abaixou a cabeça. Estamos conversando . As que desistem definitivamente voltam a crer na possib ilidade de serem auto-suficientes. . contou: Meu pai não se con forma em me ver trabalhando como corretora de imóveis! Entretanto tenho o maior or gulho do que faço. se você trabalhasse na empresa de seu pai.intrometeu-se com leve riso. mas logo falou: Sei muito sobre as atribuições de meus irmãos. não estaria recebendo mesada pelo fato de prestar um serviço. Neste momento não estou s endo terapeuta. Decidi e me adeqüei ao jornalismo. persistentes e equilibradas. Sempre tivemos uma vida privilegiada.. Além disso. ele estendeu os braços e afagou as delicadas mãos da jovem. Obrigada pela explicação e exemplo. apesar de toda luta a interior e sacrifício. . . ele não podia ent ender. desespe radamente. Elas se libertam para uma evolução pessoal saudável. dando-lhes apoio! Entende? .. Ali te m muita coisa errada e. Minha mãe finge se interessar pela profissão só para fugir dos assuntos da família. Inclusive por você trabalhar . às vezes acho que não pertenço à minha família. A Yara não sabe o que quer da vida e só faz cursinho. O Élcio e a Emy se formaram em dir e.... mas um tormento angustioso tomou conta de seu coração por não desejar vê-la sofre r. ele realiza serviços de despachante a lfandegário para liberação de importações e exportações. Fomos criados pelas babás e est udamos nas melhores escolas. Os belos olhos castanhos de Débora se empossaram nas lágrimas que tentou.Ficou co m olhar perdido. Não posso concordar. angústias.Sem esperar por uma resposta. deter ao olhar para o alto sem encarar Sérgio.m cada um dos doze passos. Querem justamente se livrar do que as incomoda a fim de viverem em harmoni a consigo mesmas.Riu e continuou: Como disse. O meu pai nunca me amparou ou me protegeu. posso falar de mim. por sobre a mesa que os separava. Meus pais são advogados. De início. Por insistênc ia do meu pai eu comecei a fazer Direito e detestei. fiscal e civil para muitas companhi as e empresas de considerável porte. certo? Errado! Conheço bem aquela empresa. . e desabafou: Meus pais nunca me valorizaram. os dois me ridicularizam e meu s pais se calam parecendo coniventes.Sérgio pendeu c om a cabeça positivamente e ela prosseguiu: Você acredita que minha mãe veio conversar comigo e me perguntou se eu não estava com inveja da Emy e do Élcio?! Por que ela perguntou isso? Certamente por eu não agüentar mais as chacotas e o desrespeito deles para comigo e revidar à altura quando começam a me ridicularizar.Um pouco de silêncio.Breve silêncio e contou: Bem.. Nem tinha dezoito anos aind a! Parei antes de terminar o primeiro semestre. dúvidas. O meu pai tem uma grande empresa que presta assessoria jurídica ampla: contábil. Tenho até medo de conhecer mais. Fiquei tão magoada com a minha mãe. se mal a conhecia?! Inquieto e impulsivo.Oferecendo uma pausa. pois é um enorme prazer não viver da mesada dele igual aos meus irmão s. sem auto-agressão ou auto flag elação. Nunca pensei por es se ponto de vista.... colocando-as entre as suas. baixa auto-es tima. Meus irmãos não fazem absolutamente nad a! Só assinam alguns papéis para somarem número de advogados atuantes. As que retornam são as determinadas a alcançar o fim de seus objetivos. Como disse no início. Débora encarou-o com largo e belo sorriso ao admitir: Eu desconhecia tudo isso. sem agressões de qualquer tipo. o rapaz desfechou em tom brando: Uma coisa é terapia.Breve pausa e exclamou: Nossa! Como me criticaram! A propósito. Por eu traba lhar. Sabendo um pouquinho sobre vo cê. em minha opinião.. trabalham com meus pais para terem onde se ancorar. . Como explicar tal sentimento. são as acomodadas. mas as realizações dos serviços passam longe deles.. .. dificuldades. Comecei a fazer Administração de Emp resas e não me adaptei.

Que nada! Você já fez tanto pela gente! Mas. Sérgio. certo? Ela deteve as lágrimas e as palavras. Minutos pass aram e ela procurou se recompor desculpando-se ao se afastar um pouco: Acabo de conhecê-lo e.. Sérgio . pois ele falou a verdade. afagando-lhe rapidamente o ombro.. Prazer em conhecê-lo.levantou. mas disfarça bem. estendendo-lhe uma pasta ao chamá-la pelo apelido carinhoso. Débora virou-se.. Sérgio perguntou: Tem certeza de que não quer comer nada.. relaxam.. Caso isso me incomodasse. esta é a Rita.. Eu não tenho o direito de invadir sua privacidade ou...Sem demora Débora apresentou: Rita.. Nos últimos tempos tem sido difícil eu to lerar tudo o que acontece lá em casa e. Acho que não teve uma boa impressão a meu respeito e. Obrigadão! Ta! .. Débora se calou e não erguia o olhar. sente -se conosco! Estamos esperando o horário... Arrependido. Hoje nem vou entrar.. Ah. Estou entendendo o motivo de minha tensão. É que. gostaria de não perder sua amizade. e ele questionou parecendo adivinhar sua vi da: Há quanto tempo não sai.... observando-a e acariciando-lhe suavemente as costas ao dizer: Não tem motivo para pedir perdão. não. aqui está uma cópia do trabalho de ontem. desde que praticadas de forma saudável. Sentado ao lado de Débora que disfarçava os suaves tremores pela brisa fria e úmida ..expressou-se Débora.. ped iu: Desculpe-me. mas tenho de entregar este resumo. Venho descobrindo algumas coisas daquela empresa que. dando-lhe um beijo no rosto. Acabo m e aborrecendo. Débora!.agradeceu Rita dando-lhe um rápido beijo no rosto e avisou: Agor a preciso ir. Tem toda a razão. mesmo? Não. sentou-se ao seu lado e a abraçou. Acho que fic o tanto tempo presa.. Quer entrar? Está. Dé? . não me desligo do que me disseram e crio tormentos inúteis em vez de soluções. Só preciso de um favorzinho . estendeu-lhe algumas folhas e explico u: Dé.Retribuiu o rapaz.. não é? . ao tempo em que fazia gracioso aceno com a mão. Ei.murmurou.expressou-se num murmurinho vivo e alegre ao sorrir. este é o Sérgio. Débora dissimulou e sorri u ao cumprimentá-la com um beijo: Oi.Com os olhos avermelhados.correspondeu animada. . Ai! Que droga!..Voltando-se para a amiga... Aguardou o longo silêncio. Detesto chorar . de se julgar ou se criticar e tentar prever a opinião dos outros.. secando o rosto com as mãos... aconchegando-a ao peito enquanto afa gava-lhe suavemente os cabelos.ela o interrompeu e foi bem direta . quando um vulto chamou-lhes a atenção e se voltaram para o la do vendo uma bonita jovem parada. não! Obrigada! Fiquem à vontade! . Ele não disse nada e ela chorou um pouco escondend o o rosto discretamente com uma das mãos enquanto a outra o envolvia. Creio que ninguém goste de ver os outros chorando por ninharias e ainda ouvir prob lemas. pediu: Perdoe-me. Sérgio! Tchau. Obrigada. fazem bem para a ment e..exclamou após beijá-lo novam ente e se afastar. Bem! . m a colega de classe e melhor amiga! Prazer! . Ah! Obrigada! Se não fossem vocês!. Débora. Por que me pergunta isso?! Essas atividades. vive tensa..explic ou ligeira... Não sabia o que diz er.tornou Rita sorridente. não namora e não se diverte? Não passeia... O prazer é meu! .exclamou alegre. levantando-se e propondo: Por favor.. Eu só quero um segun dinho da Débora! . Pare de s e punir.. tchau! . Já pensou que você pode estar bem errada com esse tipo de condenação e julgamento? . Deixa comigo! . encarou -o sem dizer nada e fitou-o longamente com expressão indefinida. Sérgio... Você não é obrigado a ouvir minhas lamúrias. não viaja nem conv a com algumas amigas sobre futilidades?.. O casal não esperava. com pensamentos inúteis nas críticas feitas por eles. sorrindo e aguardando. Poderia me f azer esse favor. Após suspir ar fundo. Espere... Apesar de você apresentar-se bem disposta e alegre.. eu arranjaria uma desculpa para ir embora. Rita! Tudo bem?! Oi! Tudo jóia e você?! . quas e triste.perguntou. pegando a pasta.

Hoje foi o maior inferno nesta casa. brincando do mesmo jeito... Estava animado como há muito não se via. mas não sentirá frio. Tinha idéia do que havia se passado. Obrigada. o rapaz a deixou em casa. quase num murmúrio. envolveu-a e recostou-a em si a fim de aquecê-la.tornou ele firme.correspondeu. Não vai se dar ao trabalho de me levar para casa. Quer ser minha cobaia?! .Sem que a jovem esperasse. Alegre. Débora fez questão de devolver -lhe o suéter.Acho que estou precisando de um psicólogo . dona Marisa. jogou as chaves do carro para o alto num gesto de brincadeira.disse educada. Gostei da idéia! Vamos combinar isso direitinho! Vendo-a iluminar novamente pelo belo sorriso. Por que a senhora ainda está acordada? E tão tarde! Não consegui dormir. Antes de descer do carro. ao se levantarem. por sua vez. A sala de aula é quente .cumprimentou e a beijou. Sem perceber. cl aro! Eu não sei mais o que fazer. Ao vê-la com seus materiais nas mãos e encolhendo-se.Mudando rapidamente o assunto. ele avisou: Preciso saber onde pegá-la e a que horas. Não. Sérgio surpreendeuse ao vê-la.. Aceite . Não desejava saber detalhes de qualquer ocorrido.insistiu enquanto caminhavam. mas Débora recusou parecendo constr angida.. A Ana. Durante o trajeto conversaram muito e s e conheceram um pouco mais. quando não conseguiu pagar o aluguel.. A jovem não disse nada. não iria me candidatar! Agora. Preciso de voluntárias para a aplicação de alguns testes para meu trabalho de conclusão de curso. mãe . Deus o abençoe . e percebendoa tentar aquecer os braços com as mãos.. Agora. Diante da educada recusa. era observada por sua mãe. vai? . ela aceitou rapidamente o suéter de lã que ele nova mente ofereceu. cantarolava baixinho. conv enceu o pai a comprar esta maldita casa para vir morar conosco e se encostar. estágios . tornou a oferecer sua blusa... ele perguntou: Quer meu suéter? Ficará grande. Estou farto de ajudar a financiar comprom issos que eu não assumi! Por que acha que não me casei?! Por que acha que estou estu dando. Entretanto viu-se na obrigação de perguntar: O que aconteceu? Ah!. Seu pai se meteu na briga e. E tão acomodado que. Sérgio se encontrou com Débora e de ssa vez. Não é preciso . Bênção. sempre f oi temperamental. A mulher estava sentada à m esa da cozinha. o moço sobrepôs o braço em seus ombros.perguntou com pe nsamentos repletos de desejos positivos.riu com meiguice. Satisfeito. por não resistir ao frio. dando um duro danado para suportar a faculdade. Sérgio! A Ana nunca se controla: bate nas crianças.. briga com o seu irmão. A pior coisa que o pai fez foi comprar esta casa para ajudar o Marcílio e a Ana . deu no que deu! O Marcílio sempre gastou mais do que ganha! Nunca pensou no dia seguinte!. sorrindo sozinho. perdendo o ânimo de imediato. * * * Era bem tarde quando Sérgio chegou a sua casa. pois achava que ele estava com frio e não queria vê-lo ir sem vestir a blusa. conforme havia combinado. Se fosse trabalho. expressando-se aborrecida por esperar o filho. vamos! Ele pôde sentir o vento cortante e inesperado. tantas pesquisas. O Marcílio nunca assumiu qualquer responsabilidade.respondeu de modo mecânico. Ao entrar. . O rapaz deu um suspiro e em seu belo semblante fulgurou um ar de insatisfação. Ao término das aulas. filho! Não suporto essas brigas! Nem eu! Cansei! . ela perguntou: Quer ver onde é minha sala? Ah! Quero sim! . O de sempre. Ela engravidou para se casar e fugir do domínio possessivo do pa i. apanhando-as em seguida. Não era costume de sua mãe ficar até àquela hora aguardando-o. Jogue-o nas costas. deixando-se agasalhar daquela forma e ser conduzida. não.

. Era uma das poucas vezes que reclamava daquela forma.. Parece que a enganou. parceria e confiança... Quase dois anos de compromisso. pois isso era o mesmo que ficar por baixo. Não a quero nem como colega.. carinhosa e lhe d irá toda a verdade depois de casarem. mãe.. chega! . Ela me julgava como sendo de sua propriedade. Nunca. Meu erro foi terminar algumas vezes. Senti algo errado e me recusei a um compromisso tão sério e definitivo.. mãe! .corrigiu-a de imediato.. Eu nunca disse que ela era má. Não! Para mim. egoísta e.. não dá atenção. Sérgio?! Ao contrário! Acabou fug indo do casamento com a Sueli! Uma moça que. eu conse gui ver que a Sueli era uma pessoa dominadora. Se ele bebe.. eles revelam um lado bem sombrio que antes não foi visto. Foi a melhor amiga da sua irmã. não se casar. e ela pensa que o companheiro mudará após se casarem. O . O que a Ana e o Marcílio jamais tiveram! Quando há a menor dúvida sobre um desses itens. inconformado com a situação. olhando-a bem nos olhos . depois ficar com pena e reatar o namoro.. Digo isso com conhecimento de causa. O parceiro ou parce ira raramente mudam depois da união.. Porém cheguei a um ponto insuportável! Então foi definitivo. Sérgio. autoritária. Tinha sempre de me dedicar inte iramente a ela.. Meu erro foi deixar esse namoro durar tanto tempo. mais caprichosa. Uma jovem alegre. pobre de mim! Foi então que ela.murmurou. E o tipo de pessoa que não admite a reali dade. Perdão. ele precisa de m uito mais do que duas pessoas sob o mesmo teto! Em uma união é necessário respeito. estudar como precisava. nunca a iludi com promess as de casamento! Isso é história da cabeça dela! Ela é uma boa moça.dona Marisa teve a voz inte rrompida pela emoção e de seus olhos transbordaram as lágrimas. mas demorei a notar o quanto ela representava bem.. Opa! Espere aí. Que engano! Se isso não for carma. sorridente e cativante até dominar as pessoas com seus mimos ou fazendo o tipo: sou vítima.. Sei lá.. Fui analisando e cheguei à conclusão de que a Sueli era fal sa demais e cruel.. Acho que o casamento deles acabou . o melhor é não se unir. Sinto algo.. veja bem. ela começou a falar em ca samento.. mascarando-se e manipulando todos a sua volta.. Quase dois anos! . Puxa! A gente vive ao lado de alguém. Posso até dizer que foi no último ano em que ela mostrou realm ente quem era e a sua índole. A senhora não imagina. . Exa tamente nessa época a Sueli revelou-se! Ela foi capaz de ofensas gratuitas contra mim com o intuito de sentir-se superior. Não foi passatempo. ele falou em tom grave.. Se bem que nesse aspecto ela não deixa a desejar .Sérgio estava nitidamente insatisfeito. verdade. não em função dessa pessoa! .. re-sulta o amor. eu explico em detalhes: a Sueli acredita que tudo existe em função dela. fuma ou joga compulsivamente.... Sou muito observador. Egoísta só não! E la é egocêntrica! Para a senhora entender.lamentou a mulher. Não fugi de casamento algum! Namoramos sério sim. Não temos um perfil psico lógico compatível. .. É uma pessoa improdutiva com oc upações superficiais e fúteis.. Somando tudo isso ao carinho e à co mpreensão. . Terminei o namoro e não deixei qualque r esperança da qual a Sueli pudesse se alimentar. pois ela sempre se achou importante em tudo..alterou-se. Porém nesses. . Não fazia nem faz nada na vida..Alguns segundos e prosseguiu com certa mágoa na expressão: Chegou a me chantagear para eu retomar o compromisso.Breve pausa e protestou: Caramba! Será qu e não sabem planejar a vida?! Pensa que é só pôr filho no mundo e berrar para os outros se apiedarem e ajudar?! . é burrice! Quando é carma..e situações inúmeras?! Sabe por quê? Por eu pensar no meu futuro! Não serei dependente e a comodado à vida toda! A Ana é bem esperta! Não é ingênua não! Ela engravidou para se casar. Lamento ter demorado em descobrir isso. Dois anos foi tempo demais.. um corrige o outro! Como pode falar de casamento se nunca se casou.. Eu dev eria lhe dar satisfações de tudo! Pelo amor de Deus! Isso era sufocante! Nunca conse gui trabalhar direito. Ao contrário.. le aldade.. por que se deixou engravidar d o segundo e agora do terceiro?! .Algu ns minutos e falou mais brando: Tentei fazê-la entender.... Ao ver o quanto estava sendo difícil só com um filho.Andando vagarosamente de um lado para outro. mas não concretizava nada de material ou espiritual.espalmando as mãos sobre a mesa. E o enganado nessa história fui eu! A senhora acha que a Sueli demonstrou sua verdadeira personalidade antes?! Foram nos últimos meses e. Que engan o! Se ele acredita que ela será menos irritada.. esse casamento nunca começou! Para um casamento acontecer. sai co m outras mulheres. d esabafou: Ah. Dificilmente se a lterava. mas não adiantou. Mãe ..

por não terem responsabilidade. aliás. ele suspirou fundo. não bebo nem jogo.Alguns segundos de silêncio e ele falou ma is tranqüilo: Só tem uma coisa: eu não fumo.. exaurido daquela situação. Apesar do sacrifício. imensa atenção.. planejamento de vida e bom senso! Pense.Sem trégua. Parte dessa culpa cabe à senhora e ao pai que os apóiam. questionando com a intenção de irritá-lo: Se não pretende arrumar mulher e filho tão cedo.. pesquisas. ao esclarecer de modo rude: Além de você estar impregnado de perfume. Não sei se reparou. Mal desmanchou o namoro com a Sueli e já está com out ra e querendo ter muita moral com suas opiniões!. Sabe..argumentou. sustentando-os. não! . durante todo o dia. Namorariam em casa em vez de matar a ula com qualquer sem vergonha por aí! Como pôde conceber a idéia de eu matar aula?! . prosperar diante dess a situação?! Ela briga. mãe. sem esperar su a mãe responder. terapias e tarefas que exigem muito tempo. Vocês os susten tam na irresponsabilidade! Não pense que a Sueli seria diferente da Ana não! Tenho c erteza de que a Sueli seria bem pior! .. Sérgio murmurou num tom grave: Não fale sobre o que a senhora não sabe. de alguma forma. Blusa que a besta aqui lavará amanhã lá no tan que. Ao ameaçar ir pa ra o quarto... Estou exausto. da minha estabilidade e segurança para a poiar quem não merece! Ao fim do desabafo.. Foi isso mesmo o que ouviu. co m dó dos meninos. espiritualmente ela ostentava um delírio de grandeza! A Sueli seria uma nora melhor do que a Ana. o pai ou a sem vergonha da Ana o incentivaram ou até o forçaram! Ele é um moleque! Só que chega de viver às minhas custas! Você não entende que. mãe! Saiba que eles brigam e batem nos filhos para a senhora e o pai. Não é fácil ter o trabalho que tenho. e o tal doutor Edison. cuidando das crianças e f azendo pelos netos o que os pais deveriam! . Chega. estudar. exclamou: Eu não arrumei mu lher nem filho porque planejo a minha vida! E não pretendo arrumar tão cedo! Por ess a razão não deixarei de cuidar do meu futuro. com a responsabilidade que me é imposta. por que se envolve com qualquer uma? Não dá para crer em todo esse esforço que relatou quando mostra tempo de sair e f icar na farra! O que a senhora disse?! . retornando frente a ela.. Quisesse ficar com alguém só por f icar. mãe. vai! Nem cursos dentro da própria PM o Marcílio se esforçou para fazer.. manter-me na faculda de com as melhores notas. A tal dona Antônia. vou r uma olhada no Tufi . Como posso falar sobre algo com você se nunca conversa comigo?! Acho que esse r ato te conhece melhor do que eu! Ah. Sérgio exclamou: Ele foge! Bebendo.intrigou-se. grita. respeito.. sua própria mãe! . . E. mãe! O que e le faz para melhorar essa situação?! . A vontade de desistir é imensa.. jogando e ficando no b ar o quanto pode! E a Ana?! Como ela reage para restituir. Dona Marisa sorriu. continuarem apoiando-os.. pois a conhecemos. realizar os mais complexos e difíceis estágios. alertou em tom grave e pausadamente: Mas eu não desisto! Nessa história toda. até dobrando escala pelo fato de o comandante permitir minh a permuta de horário porque eu estive.quis saber austero. eu agradeço a Deus pela oportunidade. ao mesmo tempo pagar o curso dessa graduação. mãe do seu amigo. certamente o ouvem e conhecem a sua vida melhor do que eu. pois assim ele teria um salário melhor! Nem a senho ra. .que. Ah... mãe.falou com uma pit da de ironia. que fosse a Sueli. Para não deixar a situação acalorada.. avisou: Com licença. o pior é ainda ter de ajudar.perguntou um tanto irritado e. diga-se de passagem. professor e médico de loucos. fumando.. Não é fácil fazer tudo isso que faço. xinga. bate nas crianças e engravida novamente! Porém.Com postura mais firme. referindo-se ao rato treinado por ele. sim!. nem joguei minhas notas no lixo! Sempre me esforcei e parece que nessa casa ninguém reconhece. Sem demora. sua mãe exclamou. financiar os gastos e conciliar dois irresponsáveis como a minha cunhada e meu irmão! Só que isso vai acabar! Ah. fazendo estágio para a mi nha graduação. E em nenhum m omento deixei de corresponder à confiança em mim depositada e a ajuda recebida de me us superiores para eu poder estudar. com deboche. Não sei por que a Ana briga tanto! A Ana e o Marcílio vivem dessa forma por falta de vergonha na cara. que é um perfum e bem caro! Sua blusa está suja de batom. incrédulo. a Ana e o Marcílio não são os únicos culpados nessa história. mas passei e passo muitas noites em claro estudando ou então traba lhando na polícia à noite. não fico me esbaldando em farras.

Ligue para ela. apaixonada.respondeu insatisfeito.Débora hospitalizada por causa de uma mentira Por dormir pouco. Porém seu sono foi afugentado ao chegar à cozinha. Acomodou-se melhor para o desjejum. quem sabe. tomou um banho e se deitou.. Por essa e outras razões. Sonhou acordada por longo tempo até decidir se levantar. ouvi r seu riso contagiante. perguntou: Não vai comer nada?! Não . repentinamente. pediu: Com licença. A senhora sabe... Nós duas conversamos um pouco e a Sueli insistiu par a eu te dar o recado.. interrompendo-a e sem começar o desjejum.. Havia tempo que não tinha compromiss o sério. mas deveria ir trabalhar. trazia um suave sorriso no rosto ao se lembrar de Sérgio. ao menos. Muito pensativo. Decepcionou-se muito com outro rapaz e resolveu dedicar-se ao estudo e ao trabalho. Mesmo após um banho rápido. Mas me preocupo! Já ligou para o celular dele? A ligação só cai na caixa postal .respondeu. Recordando-se de diversos detalhes. Tinha planos para aque .respondeu sem se voltar e de modo que ela quase não o escutou.. sentiu um pouco de alívio em seu coração magoado. demorou a conciliar o sono. Brincou um pouco com o ratinho e a pós devolvê-lo à gaiola. mãe. mostra-se bem alegre quando eu chego a casa. Ainda deitada. . ver seu lindo olhar penetrar sua alma. ela liga todo dia! Eu já pedi para não me contar. ele retornou à cozinha com uma bolsa onde guardava s eu fardamento e despediu-se de sua mãe o mais rápido que pôde. Desejou como nunca poder sair daq uela casa. Tratava-se de uma escala de serviço extra com a duração de vinte e quatro horas.O filho a acompanhou com o olhar até ela se sent ar na outra lateral da mesa e contar: A Sueli telefonou ontem e. Acreditava até poder sentir o perfume gostoso de sua loção suave. Gostaria de ficar na cama. Esto u preocupada com seu ir-mão. Bênção..Eu falo com a senhora. não foi?! Mas ela quer falar com você.. o filho se levantou. A moça demonstrava-se encantada. mas no qual precisava mostrar-se à a ltura dos padrões preestabelecidos diante das inesperadas necessidades e urgências. colocando-lhe a xícara. como sempre fez. 4 . * * * Horas depois.. ver que sua mãe estava em pé e até pr eparando seu café da manhã. acord aria sem disposição. sentiu seu coração acelerar.. mas dona Marisa. Ao vê-lo virar as costas.disse a mulher. Você nem reparou? Não é a primeira vez que ele dorme fora e não avisa. Sérgio experimentou uma amargura indefinida. Estou atrasado! Depois de se arrumar rápido. Qual deles? . Se ouve. mãe. porém nunca me ouve e. lembrou: Esqueci de te falar ontem. ele lut ou consigo mesmo a fim de encontrar vontade e ânimo para enfrentar a constante pre ssão exigida por um serviço quase sempre ingrato. Débora preguiçosamente remexeu-se na cama. filho! Vou fazer de conta que não ouvi isso . Sérgio ofereceu meio sorriso e nada disse.. Desencorajado de procurar forças interiores. Somente ao se lembrar de Débora.. Depois avisou: Não dormi. Nossa! A senhora já levantou?! Deus te abençoe . Ficou feliz ao rever mentalmente a cena de ele ajudá-la a vestir o s uéter tão grande. Num gesto rápido. Sérgio. O Tiago não voltou para casa.o filho questionou sem vontade. O Tufi. não me dá importância ne valor.. tinha os sentidos sonolentos e pensamentos desarranjados . O rapaz não conseguiu resistir e falou firme: Desde que terminamos aquele maldito namoro... ao despertar. Sérgio sentia-se indisposto..

Estudamos na mesma universida de. Eu não quero ir para o Rio! Não gosto daquele calor. Era tão bom ficar em sua companhia. talvez você me acompanhe com o seu pai para a Europa. E só porque quer. não queria ficar em casa. As pessoas insignificantes só sabem reclamar e perturbar a fel icidade dos outros. repentinamente. Débora estacionou o carro frente à casa do endereço que Sérgio l he deu. Sem dar importância ao chamado de seu pai. entretanto não sabia qual desculpa poderia dar para procurá-lo.. não abro ou manipulo dinheiro em paraísos fiscais para os grande s empresários. olhou-se no espelho e arrumou rap idamente a roupa desalinhada.pediu Débora com voz amarrada. Está tão longe! Nem chegamos ao meio do ano! É o momento ideal para as melhores reservas. sou colega do Sérgio. saiu sem dar satisfações. Tornam-se simples vendedoras! Pelo menos eu tenho honestidade! . novamente. mãe! Não vê a divagação de sua filhinha? Seu olhar tão perdido.tornou Emy. no carro de Sérgio.. Não sei.atacou Débora com palavras expressivas. Droga! . a jovem não estava mais nervosa. falando entre os dentes cerrados ao mesmo tempo em que fuzilava a irmã com o olhar. . Que inferno de vida! Pouco depois. Tenho o meu serviço e não sei se posso tirar férias ..Pegando as chaves de seu carro. A Yara deseja ficar aqui.animou-se Élcio. quase gritou: Bendita pasta! . você sabe! .reclamou Débora.explicou Débora com austeridade . já tinha outro compromisso.perguntou ansiosa. A moça pegou a bolsa e. Então. a jovem seguiu para seu quarto. Al egre. Descendo do veículo. Por que não passamos juntos só esse ano Podemos alugar um barco e brindar a passagem de ano vendo os fogos de Copacab ana! . mas lembrava-se de Sérgio. Não demorou e uma senhora atendeu: Pois não! Boa tarde! O meu nome é Débora. ligou para sua amiga Rita e conversaram por l ongo tempo falando de várias coisas. Um pouco mais tarde. Adoro ver neve no Natal! Ah.le dia.desfechou com ironia ao encarar a irmã.protestou Débora. Mas claro! Somente os mais capacitados trabalham em nossa empresa . estampando largo sorr iso ao certificar-se de ter esquecido sua pasta.revidou E my em tom ofensivo. O Élcio e a Emy qu erem ficar em Angra. Ora.propôs Débora. ficaremos socados aqui?! Não mesmo. em companhia de sua família.. mãe? . Não fi co procurando meios de fazer com que outras empresas soneguem impostos.. pegou o telefone. mas o assunto principal foi sobre Sérgio. Não enche. Queria vê-lo. Levantou-se. não faço cai xa dois com registros contábeis fraudulentos da posição patrimonial de uma organização ou de uma pessoa física.satirizou Emy em tom poético e sarcástico. Débora! Não vai querer ficar em um lug ar chinfrim?! Poderíamos ficar aqui mesmo . não hesitou em tocar a campainha e aguardar. porém a colega não podia. Virando-se para a mãe. alguns políticos safados e líderes protestantes sem-vergonha. perguntou: O que você diz a? Estávamos falando do planejamento de férias para o final do ano. Emy! . mãe. Não vivo à custa do papai! .perguntou voltando à realidade. Débora? Filha! Não me ouve?! O que. Após desliga r. Desejava comprar um celular novo.. só lhes resta f azer colunas pejorativas aos atuantes profissionais de grande sucesso nos jornai s baratos e de quinta categoria. Ele está?! . Talvez por serem tão impotentes e incompetentes.Vociferou o senhor Aléssio ofendido. Com licença! .. olhou por todo o quarto.exclamou irritada. queridinha! . Débora praticamente não conversou nem dava atenção ao que diziam. Pensava em sair. Parecia enfeiti por uma magia nimbada de imagens de castelos rutilantes onde vive um belo príncipe prodigioso . Estava imersa em lembranças do dia anterior até se sobre ssaltar com a indagação: Não é mesmo. para se l ivrarem dos impostos neste país! Isso é sujo demais para mim! Somente os deverasment e nojentos e imorais profissionais da sua área são capazes de se satisfazerem com su as empresas tão imundas! Chega! Vamos parar com isso! . Quando não. Débora convidou-a para sair.. Durante o desjejum. bate ndo a porta e atirou-se sobre a cama.

Sueli... Perdoe-me. preste muita atenção. dona Marisa entrou. Ao ver a jovem partir. Se você não se importar. uma moça deve ligar para esse celular.interrompeu-a novamente. até que a moça precisou desligar. Bem. Não sabia que ele trabalhava aos sábados.. Foi então que percebeu a mesma cor do batom e sentiu o perfume que havia no suéter do filho. propositadamente aconselhou: Ele foi trabalhar de carro.. Ligue o celular que você deu ao Sérgio e ele te devolveu . Sou . Em seguida explicou: Estudamos na mesma U niversidade e. . Só liguei porqu e ele está com meu material e....A moça tentou argumentar.... elas tramaram uma circunstância difícil de Sérgio explicar. Débora estranhou ouvir a voz de uma mulher e perguntou. O Sérgi está trabalhando hoje.tornou a senhora.disse completamente atordoada e incrédula. mas sentiu uma antipatia inexplicável pela jovem ..afirmou com voz trêmula. É que... Olha. filha . mostrando-se amável.. . Aquilo foi muito sórdido. e. Débora.. Constrangida . educada: Desculpe-me. o aparelho fica desligado.. Eu esqueci meu material da faculda de no carro dele. Então eu digo que você ligou..gaguejou Débora após segundos. posso recebê-la mais tarde junto com os outros. Se estivesse aqui. eu mesma pegaria o material pa ra você. gargalhando satisfeita..respondeu em tom bondoso. Satisfeita. Imediatamente um sentimento de aversão brotou no coração da mulher que se deixou dominar pela influência de sua filha Lúcia. Ele me falou de um grupo de amigos da faculdade que iria ligar para ver nossa futura casa e levar os presentes... Será que posso te ajudar.sorriu. Aqui é a Sueli. Ah. Um frio percorreu o corpo de Débora ao lembrar dele olhando em seus olhos. mas esse número é do celular do Sérgio? É sim.avisou a jovem com simplicidade. Débora? . Você atende dizendo que é noiva do Sérgio e. Você sabe. Ele está trabalhando hoje e foi por isso que o celular ficou comigo. Claro! Perdoe-me por tomar seu tempo! Felicidades..atendeu Sueli. cruel. Meu nome é Marisa.perguntou a outra bem cínica. Como você se chama? Sueli! Ah.. Débora abriu sua bolsa. Pensando rápido.. Eu sou a mãe dele. Qual é o seu nome? . passando-lhe intensos pensamentos. O espírito Lúcia a envolveu.... A senhora manteve as aparências.. desculpe-me não poder conversar mais. sim. Mas por que não liga para o celular dele?! .Não. Obrigada! Tchau! Sueli desligou e jogou-se no sofá. pois o referido celul ar tocou: Alô? . é que estou fazendo a prova do vestido de noiva e.. mas a senhora a interrompeu: Escuta! Faça o que estou falando e bem rápido! Olha. Desculpe-me . Débora sorriu com simpatia ao explicar: Ontem o Sérgio me deu uma carona e.falou decepcionada. Na verdade eu nem sabia que ele estava de casamento marcado. dona Marisa. A conversa durou algum tempo. Com ligeiras orientações.. Ah. afir mando não ter nenhum compromisso. .. noiva dele. mesmo sabendo o que aconteceria. a moça sorriu generosa e agradeceu muito antes de ir embora... pegou o telefone e ligou: Sueli?! Bom dia.indagou à senhora abrindo o portão e se aproximan do da moça.. tirou o celular que acabara de comprar e registrou o núme ro fornecido pela mãe de Sérgio. Não. Sim. Débora. Sueli. a mulher planejou o que dizer ignorando estar sob a interferência dos desejos do espírito Lúcia. desencarnada havia um ano e meio. por isso é bom tentar algumas vezes! Eu não tenho o número . Tem onde anotar? . Pode ser assim? Claro.. Débora. . Quando o Sérgio está ocupa do. Você é colega dele? .

COPOM! Entendido! Estou à disposição e obrigado.tornou Sérgio controlado.QRA. Parece que num cruzamento. mas o outro veículo envolvido está torcido e preso entre a viatura e um pos te. O soldado operador do rádio parecia aflito e o chamou de modo transtornado assi m que o viu: Sargento Barbosa! Corre aqui! O que foi?! . Positivo! O QRA da proprietária é: Débora Cristina Ribeiro Marins. Sem demonstrar-se alterado. Naquele instante o policial do COPOM. Entorpecida pelo sentimento que a invadiu tão inesperadamente. O Sérgio não precisava ter mentido! Foi por isso que não me deu nenhum número de celul ar! Como não teria um celular?! Por que ele me enganou?! . Como aconteceu?! . Sérgio certificou -se de que ele mesmo deveria ir para o local prestar apoio. pois todas as outras estavam em atividade por outros chamados. corresponde a: Nome. Uma das nossas viaturas está envolvida em um acidente! . mal ouviu um grande estrondo. enganada e tr aída de certa forma.. abalroaram um veículo. Estavam com a sirene ligada e. ela se atrapalhou entre dirigir e desligar o cel ular e. ficou perplexa. Lembrou-se imed iatamente do momento no qual anotou aquele nome e endereço dias antes para a ocorrên cia da menininha perdida. Poderia repetir o QRA da proprietária do veículo envolvido? . QSL? .QRA. É a viatura do soldado Félix e o soldado Martins. o sargento Sérgio Ba rbosa caminhava perto da sala de rádio onde se podia ouvir a comunicação entre as viat uras daquela unidade e o Centro de Operação da Polícia Militar.contou-lhe o soldado. O soldado Félix diz que eles só sofreram escori ações leves. Depois de ordens ligeiras ao soldado que seria seu motorista. Sérgio questionava detalhes: E o motorista do veículo? Parece que é uma mulher. conhecido como COPOM.Débora tinha os olhos nublados de lágrimas por se sentir humilhada. Pelo fato do aparelho ser novo.Em seguida falou o ende reço. Acabou de acontecer. comunicou os dados: O QRA . pensava angustiada. base! Prossiga! . O COPOM está fazendo o levantamento dos dados do proprie tário e.Sérgio quis saber rápido. informou o policial do COPOM .. constatou não ter viaturas disponíveis para atender aquela ocorrência .. aquele dia parecia bem penoso para Sérgio. . código correspondente ao nome próprio.QSL corresponde a: Entendido? QSL! Prossiga! Entendido! Tornou o operador. Sargento Barbosa. Foi como Sér io desfechou a comunicação. a fim de apressá- . Depois de se ocupar com tarefas corriqueiras na Companhia. igua l a: Entendido? QSL! QRV e TKS.. o policial do COPOM falo u: QAP significa: Estou na escuta. Inesperadamente tomou frente ao rádio e exclamou.respondendo em código habitual. COPOM. QSL? . em um cruzamento de avenidas importantes..QSL. sentiu-se confuso e quase não acreditando no que ouvia. Ao mesmo tempo em que escutavam o soldado falando ao rádio da viatura acidentad a com o Centro de Operações da PM. Ao ouvir o nome e mais detalhes. Decidiu não parar o veículo e continuou dirigindo-o em uma avenid a cujos veículos estavam em alta velocidade. Apesar de ele não enfrentar qualquer problema no serviço interno que desempenhava. Eles foram atender uma ocorrência. da proprietária do veículo é: Débora Cristina Ribeiro Marins. Ao verificar. Sérgio sentiu o rosto esfriar. experimentava um sabor de fel em seus sentimentos. Quem está no local prestando apoio? . * * * Sem explicações aparentes. Ninguém ainda. Por aqui.preocupou-se Sérgio. avis ando: COPOM. que conversava com o soldado encarregad o da viatura acidentada. aqui é a base! QAP..

Dê-me sua mão. pelo seu estado. Ela obedeceu. ele conseguiu vê-la e a cha mou: Débora? . não deve tentar se mover ou se agita r.implorou chorando. Está muito aflita e. o senhor está bem? . Apóie seu pé lá . Me tira daqui! . Posicionado conforme indicado. ficou atordoado com o que via. verificou que as escoriações foram leves e superficiais. Experiente.respondeu breve. Nem ouvia o que o soldado lhe falava vez e outra por estar atento às comunicações do rádio da viatura a fim ter mais notícias. ele pôde ouvir e reconhecer a voz chorosa e amedrontada de Débora. avisou: Cubra-se também ou poderá se queimar . pois está bem nervosa e. Ficarei. Sérgio!. Sérgio e stava com o coração aos saltos ao observar o carro contorcido entre a viatura amassa da e um poste. À medida que se aproximava do local do acidente. pois dificilmente a lguém sobreviveria dentro daquele amontoado de ferro. mas sem o desespero de antes. minha querida. não queria acreditar. Vamos tirar você daí. Dê-me permissão para falar com ela.pediu sério e comovido. Apressando-se para perto do veículo. apesar de bem atordoada. tenente . sem demon strar sua aflição.. uma vez que o veículo retorcido não os deixava ver direito. Está tudo sob controle. mas não souberam afirmar. pois a s condições de Débora poderiam ser graves. tentando acalmá-la.lo. Eu a conheço.orientou-o ao jogar-lhe uma cobertura apropriad a.Oferecendo-lhe uma jaqueta de bombeiro do mesmo modo.. percebendo-o com expr essão alterada enquanto estavam a caminho. Seu coração apertava a cada instante.. dizendo estar al i para todo o apoio necessário. Foi quando soube que uma equipe do Corpo de Bombeiros se encaminhava para o lugar.. Sérgio se fez firme para pergunt ar se havia vítima fatal. Você sabe.. Ele f alou: Calma. Fique comigo. Sérgio fez exatamente como foi pedido. Nesse momento. Ficou sério.. A jovem encontrava-se muito confusa e inqui eta.tornou ela em lágrimas. ele informou ao COPOM que estava indo ao local do acidente. Contudo o nome e o endereço não lhe deixa vam dúvidas. .. Sérgio precisou manter-se firme para não ser impulsivo. o sargento Barbosa aguardou e na primeira oportunidade se apresentou ao oficial. o senhor orientou comovido: Converse com ela. Localizando os policiais de sua Companhia de Policiamento envolvidos no a cidente.. pa recendo vir de um machucado na cabeça. Ele silenciou seu dese spero e calou qualquer emoção que denunciasse seu desejo de ajudá-la como o seu coração pe dia. mesmo assim o reconheceu. viu seu rosto escoriado e sangue escorrendo nele. Sim estou . Débora . E sei que a Débora poderá ficar mais tranqüila e confiante se me vir. Seguindo as normas.. Eles achavam-se ap arentemente bem e conversavam com outros policiais que chegavam ao local. A condutora parecia desfalecida. Serraremos a lataria do carro e as fagulhas poderão atingi-la! . sargento! Mas será melhor se afastar. desceu rapidamente e o verificou sendo interditado para a ação dos bomb eiros. Sérgio sentia crescer em seu pei to uma dor com misto de angústia insuportável pela expectativa. .Ao olhá-la melhor.pediu piedoso. mas estava bem. o oficial comandante da operação pensou por instantes e decidiu: Tudo bem. No local. debruce ali e pod erá vê-la e segurar a sua mão. Suspirando fundo. Sérgio estava praticamente deitado sobre o carro amassado procurando confortá-la. Sérgio pendeu com a cabeça afirmativamente e procurou se manter o mais tranqüilo possível. Policial Militar do Corpo de Bombeiros.. Por favor. o oficial do bombeiro chamou-o: Sargento! Cubra-a com isso. Foi nesse instante que. bem perto do c arro. Contudo ouviu: Obrigado. Tente aca lmá-la. Erga-se.apontou. Vamos serrar as ferragens e. Venha e fique aqui. pois a condut ora do veículo estava presa nas ferragens. Um oficial do Corpo de Bombeiros conversava com a moça presa nas ferragens do veículo. Sargento. passavam-lhe informações. Receoso.. Ao vê-lo se posicionar. O barulho da serra cortando a lataria era e .. segundo os policiais qu e se envolveram no acidente.perguntou-lhe o motorista. ta? Verificando que a moça estava bem mais calma com a presença de Sérgio. Eu prometo! Segure minha mão bem firme. Os pensamento s de Sérgio fervilhavam.

. Não consigo respirar direito! Estou sufocando! Daqui a pouco estará livre e será socorrida . . Eu dirigia e.Vendo-o desorientado. precisamos imobilizá-la e tirá-la do chão. Débora a garrou-se a ele como se o enforcasse com um abraço.. Mentiu. Não menti pra você . Sérgio se aproximou...falou mais firme.dizia enquanto tirava o braço enlaçado com f orça de seu pescoço. Agarrando Sérgio pela camisa. Liguei pro seu celular e. deixando-se cair. Nesse momento ela estava imobilizada. .. Fiquei atordoada.. Sua noiva. meu bem . Calma... ela o olhou de um modo estranho e murmurou: Você mentiu pra mim. Filha. E... Sérgio! . Compreensivo... minha querida. ela inibia a ação dos bombeiros. Repentinamente. Disse que estava provando o vestido de noiva e. Não sei o que aconteceu. De repente. Em algumas oportunidades. Irei vê-la o quanto antes. gritando por alguns sustos. o senhor se aproximou. sobre a maça.sussurrou no mesmo tom.. Eu prometo. ela é sua namorada e eu me surpreen . Petrificado. ele podia ouvi-la chorar e implorar seu soc orro. prosseguiram com o trabalho.... Acho que bati o carro. entendendo as circunstâncias difíceis. porém não dizia nada..Buscando olhar para o oficial que a ouviu e estudava sobre o próximo procedimento. Débora. entendeu? Consciente das necessidades. Mas ela parecia petrificada e segurava fortemente a camisa de Sérgio que. Está mentindo de novo.. o comandante da operação dos bom beiros pediu com brandura ao observar Sérgio afagando-a com bondade e beijando-lhe a cabeça com ternura: Sargento.. preste atenção! . eu estou sem celular. acreditando tratar-se de um delírio pe lo acidente. O oficial do bombeiro o chamou à realidade quando o esta peou nas costas e falou: Bom trabalho! Ela ficará bem! . Você está com um ferimento hemorrágico na perna. ela está em choqu e. ele só viu os olhos de Débora repletos de lágrimas fitando-o num último relance antes de ser levada para os devidos socorros. av isando para consolá-lo: Não é somente sua conhecida. Chorando muito. querida! Está tudo bem! Preste atenção. Sérgio afagou-lhe os cabelos e ficou confuso. Como pode ver. A jovem chorou pela dor e ficou amedrontada. chamando-o afli ta. ela entrou em desespero.. . porém piedoso.. A moça tremia e chorava compulsivamente.. Dando orientação ao s outros bombeiros.. Não te dei nenhum número de celular e não tenho noiva falou mais sério. Solte-me para que possam socorrê-la . além de várias escori elo corpo e corte na cabeça.stridente. perplexo com o que ouviu. Sérgio falou mais firme e ponderado: Débora.. Foi sua noiva quem atendeu . ela avisou chorando: Não mexam o carro! A minha perna dói! Dói muito! Tem algo me cortando! E. Ela espalmou a mão em seu peito. precisamos levá-la para o hospital mais próximo .avisou baixinho e com ternura. O tr abalho foi muito delicado e ao chegar o momento de Sérgio precisar se afastar para os bombeiros tirarem-na das ferragens. Durante uma pa usa no barulho.sussur ou. Não podemos usar força ou a machucaremos. A movimentação no local não o deixava concatenar as idéias. Ao vê-la ser cuidadosamente removida.explicou o oficial.. proc urando orientá-la. momentos em qu e ela recordou os fatos e contou baixinho: Fui até sua casa. com sério ferimento na perna.gritava amedrontada. Sua mãe me deu o número. calma! Está tudo bem. Liguei e sua noiva atendeu. não o largava. ele entendeu a expressão de Sérgio e a visou em voz baixa que não tinham como resolver facilmente a situação. Débora! Estou aqui! Ficarei com você! Pelo amor de Deus! Me tire daqui. Você precisa de um médico levada a um hospital e isso precisa ser agora! Fica comigo!. recebendo soro no braço e pro nta para ser levada. Ele há segurou alguns minutos em seus braços enquanto os bombeiros a imobilizavam como precisava.implorou em lágrimas.. delic adamente tentava soltar-lhe as mãos ao reafirmar: Débora. Eu acho....

decidiu ir visitá-la imedi atamente. Hoje cedo nos deu um susto maior. Sérgio. não me lembro de você.respondeu forçando-se a não perder o controle. Meu nome é Aléssio. Como ficou sabendo do acidente. mas um dos médicos encontrou uma forte contusão nas costas e precisará de uma avaliação. Sérgio saiu do serviço e foi imediatamente ao hospital onde a ha viam socorrido.cumprimentou. Aquela seria uma noite bem longa. Recebido pelo senhor Aléssio. Desmaiou.di com sua atitude. Sérgio retornou para a C ompanhia da PM onde trabalhava e procurou obter mais informações sobre onde Débora hav ia sido socorrida. mas só sai de serviço hoje cedo e decidi saber com o ela está. Sofreu um machucado feio na perna. Fiquei com a Débora enquanto os bombeiros trabal havam para cortar as ferragens. Agora vá! . machucada. Virando-se para o oficial. Lembre-se de que preci sa fazer a ocorrência. Conversamos para que se acalmasse. Ele achava-se pensativo e cabisbaixo. Repentinamente a mãe de Débora chegou ao quarto chorando e abraçando o marido. não se mover bruscamente pelo desespero enquanto agimos. Virando-se para Sérgio. Sérgio? . E ela? Como está?! . Em seguida. t enente. Em momentos difíceis como esse é importante a vítima se manter cal ma. certamente. Além disso. Sérgio quer ia correr para junto de Débora e acompanhá-la. informaram que a moça havia sido transferida para outro hospital a pedido da família. Após tomar as providências necessárias para aquela ocorrência. Sim senhor . Ouvi pelo rádio e fui para o local. não falar coisa com coisa. Digo. sofreu convulsões e.. Não demorou muito e Sérgio estava no corredor hospitalar à procura do quarto de Débora.Estendend o-lhe a mão. além de esclarecer aquela história. Mas. ela está d esorientada e nesse estado de choque. para não levar em consideração o que ouviu.. Prazer. ele correspondeu ao cumprimento e se retirou. Não poderia simplesmente largar o serviço para vê-la e experimentav a uma angústia que não podia entender. Prazer. ele se apresentou: Meu nome é Sérgio. Eu sou policial militar e estava de serviço ontem quando o acidente aconteceu. Mas não podia. sofreu diversos cortes pelo corpo e precisou de vários pontos.. retribuindo o aperto de mão.perguntou o pai. Estudamos na mesma. Após ela ser socorrida. Você ajudou muito.. Afeiçoou-se muito rápido àquela moça que mal conheci .. Procurou disfarçar o nervosismo. Ao chegar. Agora leve os PMs da viatura envolvida para serem periciados pelo médico. poderia procurá-la. pois se julga va culpado pelo que aconteceu. cumprimentou dizendo: Boa sorte! Como sargento. Soube se controlar muito bem. * * * Na manhã seguinte. confundiu tudo. Após segundos. Estão cuidando dela e precisarão esperar p ara fazer o exame. Já vi pessoas em situações traumática econhecerem ninguém. quando o se nhor Aléssio perguntou: Desculpe-me.O homem se deteve pela forte emoção. continuou: O médico acha que no acidente ela sofreu alguma pancada forte na cabeça e precisa ser monit orada e realizar alguns exames para verificarem se seu organismo está se recuperan do sozinho do traumatismo. Aparentemente ela estava bem. Somente na manhã seguinte. em q ue teria seus pensamentos fustigados por horas a fio. sargento. Na verdade. Sou amigo da Débora e queria saber como ela está. Procurando saber o endereço..perguntou curioso.. por exp eriência. p erguntou: E a Débora? Minha filha está fazendo um exame de tomografia. Estava preso ao dever. preocupado. São colegas da universidade? Sim. só que em cursos diferentes.. fiquei bem preocupado. O senhor Aléssio a envolveu e afagou-lhe as costas. Ela não deixou de sentir as pernas. após deixar o serviço.. A Débora teve momentos de delírios. Além de assustada. aviso u: . Não me deixaram ficar na sala.. senhor Aléssio . agradeceu: Obrigado. pois um ferro atravessou-a. Sérgio estava pálido e transtornado. Sou o pai dela. saber de seu es tado e tentar esclarecer o mal entendido. . Muito obrigado por ter me deixado ficar com ela e.

Então vu pergunto. Rispidamente... uma tristeza pr ofunda e inexplicável. Não pude acompanhá-la. A senhora não imagina o que fez! A senhora é uma irresponsável! Olha aqui.. Acontece que eu queria falar com ela sim! . teve convulsões e contusão n a coluna. Acabei de vir do hosp ital. Em sua mente as idéia s fervilhavam ao deduzir tudo o que aconteceu.. expondo-se ao acidente. Imagine-se no lugar dessa mãe! Imagine as possíveis seqüelas para essa moça tão jovem e cheia de planos!. Sabia que o celular não estava comigo.. dona Ma risa o recebeu com surpresa: Nossa.. Mas o rapaz insistiu: O que aconteceu aqui? Nada! . Ao encontrá-lo na cozinha. Oi! Tudo bem? .... contou: A senhora deu o número para a Débora e ela ligou enquanto dirigia. Sabia sim.. Foi sim. Sérgio não disse nada.perguntou Tiago. Não imagina como ela ficou. Como ela se chama mesmo?.. A mãe vai começar com a ladainha? . mãe?. .. Tiago foi para o quarto.gritou. por que.Essa é a Hilma. Não viu uma viatura que passava o sinal vermelho e foi atingida em cheio! Eu estive no local!. Eu não sabia. Ela disse que era sua colega e se não quisesse conversar com a moça . A Sueli atendeu e disse que era minha noiva e. porém resoluto. Não tem idéia do q ue precisou enfrentar e como sofreu presa nas ferragens! . Nesse momento. Sérgio continuou: Fiquei com ela enquanto os bombeiros serravam a ferrag em retorcida e. não desse nosso endereço! . Sérgio a encarou por longo tempo. Num grito grave.. Débora levou um choque com a mentira de Sueli e.respondeu sua mãe. . Pegou-a comovido e encostou a pasta nos lábios. Sem esperar. Sérgio!. Sérgio! Abaixe a voz para falar comigo! A moça contou que esqueceu um material no seu carro e. sem olhar par a o rapaz. filho! Não te vi chegar! Sem cumprimentá-la e postando na voz um tom sério e preocupante.. mostrando-lhe a pasta. Agora era tarde..expressou-se. E desorientado.. traumatismo craniano.. Não tinha o que falar por estar nervoso. * * * Ao estacionar o carro na garagem. porém voltaria para ter notícias.reagiu à senhora. ele foi para casa. A mulher estava emocionada e ainda escondia o rosto pelo choro. Sérgio não respondeu nem o olhou..exigiu. Ao ver Sérgio muito abatido e jogado sobre a . ela perguntou: Onde você esteve?! Por que apareceu aqui só hoje sem nos dar notícias? III?!. não foi? Ah. a senhora sabe que aquele celular não está mais comigo! Sabe que o devolvi par a a desgraçada da Sueli quando terminamos! Por que foi dar aquele número para a Débora ?! Por quê?! . minha esposa e mãe da Débora. E a culpa pelo que aconteceu com ela é sua! Como assim?! Não fiz nada! Mãe.Apesar de ver sua mãe a ssustada. Ela sofreu vários ferimentos. distraiu-se ao dir igir. segurou sua bolsa e fe chou o carro entrando em casa à procura de sua mãe. Cheia de vida!. Está aqui! É esse o material que ela esqueceu! . Em seus olhos via-se uma dor.. E a culpa é sua + falou num lam ento. o rapaz foi pegar sua bolsa no banco de trás e viu a pasta de Débora. Sabe lá Deus o que mais essa infeliz falou! A Débora ficou chocada. avisou que iria embora. Amargurado. Sentindo-se deslocado. pois estava de serviço.. e sem esperar por qualqu er comentário.falou mais comovido e com a voz embarcada.. provavelmente.respondeu. Deveria ter avisado a amiga que h avia terminado um compromisso com alguém que não o deixava em paz. experimenta ndo uma tristeza nunca sentida. não contendo o nervoso... ele perguntou: Ontem uma amiga veio me procurar aqui. Por que a senhora deu aquele número?! Dona Marisa ficou pálida e em silêncio. ele vociferou: Por que a senhora deu o número daquele maldito celular para ela?! Ora. A mãe dela e stá desesperada. Sabia?! Eu me senti culpado e não consegui encarar a família.. Pegou suas coi sas e foi para o quarto.. o irmão de Sérgio adentrou e ficou surpreso no vê-los paralisados.

Nunca vou me perdoar! . mas não disse nada e o irmão perguntou: Conhece alguma amiga dela? Lógico! A Rita! . Interessante.. Estou me sentindo tão mal com essa situação..gritou. a Rita! Vou ligar para explicar tudo e. perguntou: E aí. né?! Cheguei sim. Sérgio pegou o telefone e ligou. a moça aceitou e avisou que o aguardaria. você não está se agüentando e quer desmentir a Sueli. É que... Achei que ela é uma moça. abriu-a e começou a folhear o conteúdo à procura de um e ndereço ou telefone. Olha. cara! Está acostumado com isso! Mas nunca atendi uma ocorrência com uma amiga vitimada daquela forma. Por quê? . Aqui está o telefone das colegas e eu conhe ci essa aqui... cara! Não sabe o que fez por mim! Ora! Fale a verdade! Eu sou o máximo! . divertindo-se com a idéia. Tiago. O semáforo estava verde para ela. .. deu pra ver que vocês dois estão começando a se gostar e muito! Ei!. Espere sua recuperação.. meu? Por que essa cara? Só estou brincando. Ao falar com Rita.... Pelo que me contou e da forma como o fez.. o irmão brincou: Chegou hoje também e levou bronca. Mesmo assim ela não deveria falar ao celular enquanto dirigia! Não é bem assim. . eles conversavam: Foi isso. pois precisava muito falar com e la..Esfregando o rosto com as mãos. demonstrava-se nitidamente preocupado ao contar-lhe sobre o que aconteceu . Não foi ela quem bateu na viatura. Mas logo desanimou: Não tenho com o entrar em contato.. compondo a fras e a seu jeito. Sentados em uma lanchonete. Ele pegou a pasta de Débora. jogando-se na cama. se ela não es tá bem. . Achei! . Sérgio narrou exatamente tudo. Ela está em choque e não vai recebê-lo bem Estou preocupado.Olhando para Tiago.Sérgio pensou um pouco e exclamou: Espere! Quem sabe!. nublada e bem cinzenta.. Sem demora. É que estou amarrado na garota e vou defendê-la! .Sérgio o encar u firme. Tudo bem! Viva de ilusão. Tiago insistiu: Ei! E aí. Cara!. 5 .. ..interrompeu-o. Isso mostra que a garota ficou desiludida e gosta muito de vo cê. Diga a verdade. Amiga?!. so rriu e agradeceu: Obrigado. não é bom vê-la.Vendo-o sério. Tiago ficou sério e aconselhou: Não acho que seria um bom momento para visitá-la no hospital.. falou de modo aflito: Meu De us!. Acomodando-se à sua frente.. Ou então não teria dado importância ao assunto. Não dá pra falar sério com você.. Também não é assim. depois de pegar Rita em sua casa. Desde quand o e como conheceu Débora até a discussão com sua mãe. uma grande amiga Naquela tarde fria. .. Ao saber dos detalhes.Rita.. Veja. é só. Sérgio tomou um banho rápido e foi até a casa de Rita...cama. Sei! . Rita. Quem disse que eu estava? . Com o coração apertado. cara? O q ue foi? A Sueli e a mãe foram longe demais dessa vez. não admitindo que esteja apaixonado. Sérgio. O seu c arro foi atingido na lateral e prensado contra um poste.. Veja bem. ficando de cabeça baixa e parec endo bem preocupado. Sirene ligada não dá o direito à alta velocidade e à falta de cuidados indispensáveis à segurança. Só que eu estava de serviço e não na farra.quis saber Sérgio.. Tiago argumentou mais calmo: Sérgio.. inteligente. boni a.Sérgio sentou-se na cama. meiga e. contou sobre o acidente e pediu para encontrá-la o quanto antes..respondeu parecendo iluminar. Sem suportar o sentimento de indignação. Tiago! Meu! Olha a tua cara! Quando foi que se chateou tanto ao atender uma ocorrência ? Você é policial.gabou-se Tiago. Preocupada.Vendo-o abatido. Se algo grave acontecer a ela ou se houver seqüelas pelo acidente. Mas o fato de ela ter se abalado com a trama da Sueli a ponto de não prestar atenção no trânsito e bater o carro. além de muito preocupado com o estado dela.

Não seja precipitado. No local do acidente ela te reconheceu e vocês conversaram. mas muito delicado. Isso não vai passar de um susto. eles fizeram planos de como agir ao visitar Débora. inspirando cuidados...Calma. fico receoso! É desagradável que a Débora nunca mais queira me ver. Se eu tiv esse contado sobre a ex-namorada. Você nem imagina! A Débora é tão diferente! . Se.. né? . Acho que é um bom sinal.riu. A caminho do hospital. Quero vê-la. Mas imagine a impressão negativa que a Débora tem a meu respeito por causa des sa mentira tão baixa! Não consigo pensar em outra coisa a não ser em vê-la recuperada e esclarecer tudo.. Acredita piamente em seus pressentimentos.falou impl orando. pediram para aguardarem na recepção onde dona Hilma foi recebê-los. Não estou suportando ficar aqui nessa agonia.Olhando-a. Tomara. Daremos um jeito nessa situação. falar com ela. Não sei se vou conseguir dormir. Devo admitir que gostei dela sim. Sérgio. Estava monitorada e inspirava cuidados. Mas você não a enganou. minha opinião é que a Débora está melhor do que a mãe nos disse. preocupado e sem dormir a muito tempo. Sabe. Queria protegê-la de qualque r sofrimento! A Débora emocionada e desabafando?! . Acho que poderia ter evitado tudo isso. não estaríamos conversando . Parece que a conheço de longa data. rindo gostoso. Rita? Se eu não acreditasse. Por que acha isso? Pela serenidade no semblante da dona Hilma. Você entende? Entendo sim. Seu estado era estável. completamente diferente de quando a vi hoje ced o. Rita! Vamos! Dependendo de como ela me receber. Ei! Vamos deixar de pensar no que deveria fazer? Vamos agradecer a Deus por e la estar bem. ao chegarem. Estou preocupada também. Poderemos explicar tudo. * * * Para a surpresa de Sérgio e Rita. hein! Eu preciso de notícias dela. Tudo bem! Quer ir ao hospital agora?! Claro. Conversávamos. Rita tentou animá-lo: Ficamos mais aliviados por saber que ela está bem. sorriu levemen .perguntou a moça à queima roupa. Não faz idéia de como me sinto. Além disso. Não reparou?! É sim. Não será fácil. . Precisava descansar para realizar outros exames. Aquela mulher é extremamente arrogante. Sinto que é um cara bacana e está sendo sincero. . Rita avisou que entraria primeiro e conversaria com a amiga. mas estou exausto. sorrindo pela primeira vez.agradeceu.estranhou a amiga. Ela não estaria sorrindo e nos avisando com tanta amabili dade se a filha ainda estivesse num estado tão delicado. ela comentou: Ei? Você está abatido. Eu não engoli essa história de a Débora não poder receber visitas. Achei tão bonitinho ver vocês dois abraçados lá na lanchonete perto da universidade! Sérgio ofereceu meio sorriso e comentou: Sabe. ao vê-lo estacionar frente a sua casa.Rita sorriu de um modo enigmático ao afirmar: Não sei por que. mas vou te ajudar. Percebendo a decepção de Sérgio enquanto dirigia sério e sem falar nad a. Veremos! Meus pressentimentos são de que a Débora está bem. A dona Hilma estava muito tranqüila. Sérgio a olhou firme e confessou com certa ternura mista de tristeza: É.. Quero vê-la e esclarecer toda a verdade . Eu conheço a Débora e sei qu la odeia traição.. Mais Vilma. parecendo ter inúmeros pensamentos inquietantes. Ao mesmo tempo. mas de repente ela se emocionou com um desabafo e eu não resisti e a abracei. Não poderia se alterar nem receber visitas. Queria ter a oportunidade de conhecê-la me lhor. Obrigado. Ta gostando dela. eu percebi isso. Reparou que não nos deixaram nem chegar perto do quarto? Com certeza foi à mãe quem decidiu afastar os a migos. ele lhe deu o número do telefone de sua casa e o endereço ante s de irem embora. a mãe de Débora explicou que a filha estav a sob o efeito de sedativos e dormia.. Ele ouviu e concordou. De volta ao carro..respondeu. não sei o que dizer.. . E melhor ir para casa e descansar um pouco. Rita! ...Observando Sérgio cabisbaixo.. mas sinto que vai dar tudo certo. Coisa difícil.

Não quis se alimenta r. durante o sono. ou melhor. Aproximando-se de Sérgio. Vestes estranhas. como se houvesse grandes cistos deformados sob uma pele nojosa. Aquela casa o deixava insatisfeito. Ela gosta de você. o es pírito se divertiu. mas sua voz não saía. muito obrigado mesmo. Era algo repugnante e difícil de descrever. Ele sentia como se estives se acordado.tornou sem jeito. parecendo monstros. Foi então que passou a ver como era a casa onde morava sob uma visão espiritu al. plasmava-se como q ue vermes a roerem sua face do mesmo modo como se processou a decomposição de seu co rpo de carne no caixão. só que está em desvantagem. tomou um banho morno e demorado. pois minha amiga merece! Conte comigo! . enquanto agiam como que se esfrega ndo no rapaz impregnando-o como se o deixassem sujo e ao mesmo tempo sugando-lhe as energias corpóreas. Sorriu com o canto da boca ao ver o irmão largado sobr e a cama.. Mas não pense que isso me impediu de reconhecê-lo! . Traz iam a feição x torcida por um sorriso zombeteiro. Tentava gritar. ao apreciar seu desespero.E le concordou com um aceno de cabeça e a jovem admitiu: E eu estou torcendo para da r tudo certo. ele aconselhou: Não disfarce! Mostre-se como realmente é! Mudou sua aparência agora que está encarnad o. parecendo um fardamento militar antigo. como o de um corpo em estado de putrefação. enquanto lutava para fugir daquele pavor. Sérgio experimentou uma sensação asfixiante e perturbadora que o prendia ao corpo físico. senti que você gosta muito dela! . Tinha a sensação medonha de algo grud ento e pastoso com cheiro fétido. Foi um alívio quando se deixou cair sobr e sua cama mas não parava de pensar em Débora e em tudo o que aconteceu. Sabe. Três deles praticamente atiravam-se sobre o corpo adormecido de Sérgio.Beijando-o no rosto. Espíritos sarcásticos com aparências horrendas. esse espírito se acercava mais de Sérgio. enq uanto só podia segurar sua mão delicada e fria. pois estava esgotado. Não sentia vontade de entrar. Sérgio foi para o banheiro. de forma escabrosa. mas não conseguia. Eu tenho meu exército! Você não! Enquanto se debatia. Ele não tinha uma a parência normal. pressão alt . Sentia uma dor no peito ao recordar de vê-la machucada e amedrontada no carro acidentado.. empastar seu corpo. Sérgio! Lembre-se de Deus! Pode deixar! E ligue para mim se tiver alguma notícia! Despediram-se e ele se foi. pôde ver Lúcia. exaltando o corpo físico com aceleração cardíaca. Provocando um a manifestação estrondosa e malévola para o rapaz entender. Olhando para o lado. Ela trazia no rosto o furo feito pelo tiro que a matou onde. Rita! Não precisa agradecer. Sérgio tentava falar e gritar. permitindo mais liberdade e mais faculdades à a lma.te ao agradecer emocionado: Obrigado. Procurava se libertar daquelas mãos asquerosas e imundas que o agarravam. iluminando o rosto com agradável sorriso. Sérgio! Percebi. estavam em seu quarto. Porém o cansaço o arrebatou. Passadas horas. só que dormindo profundamente. Sérgio se debatia. falo u antes de descer do carro: Reze. Ficou satisfeito por não encontrar com alguém de sua família e foi direto para o qu arto que dividia com Tiago. O espírito Lúcia apresentav a-se com uma aparência sofrida. Perto dela havia um espírito com postura aust era. Faltava-lhe oxigênio nos pulmões e um medo o dominava de modo impression ante. ela não parou de falar d e você! Sério?! . sua irmã desencarnada. eu gosto muito da Débora e ach ei que você é um cara legal! Quando conversamos por telefone. esfarrapada e aspecto doentio. Sérgio parou pensativo por al guns minutos. ma s não havia alternativa. Novamente nos encontramo s. momento em que a alma não necessita do corpo e os liames que os unem se afrouxam. . A experiência macabra vivida pela alma no estado de sono produzia numerosos efe itos hormonais no organismo. deitado exatamente como quando ele saiu. Seu sono era mais forte do que a fome. de aspecto sinistro pelo formato da cabeça bem maior de contorno anormal. já na sepultura. Precisava dormir. * * * Ao estacionar o carro na garagem de sua residência. Seu rosto era desfigurado e monstruoso. que estava assombrado e relutava àquela experiência.questionou.Ao tempo em que argumentava como se rosnasse. enquanto Lúcia chorava.

sobressaltando-se. Ainda é uma e meia. Como nos é ensinado na Doutrina Espírita. com encarnados ou desencarnados. jogando-se na cama. E por acréscimo de misericórdia. depois gritou: Não! Saia daqui! Calma! Solta meu braço! . O sono influi mais do que pensamos sobre a nossa vida .tornou Tiago. Foi só um grande hematoma mesmo.. sonolento. Através dos sonhos. Os exames da coluna não acusaram nenhuma lesão grave. mas tudo indica que foi pela batida na cabeça.contou eufórica. A Yara me contou que é a dona Hi lma quem não quer visitas para a filha. mesmo assonorentado. Contudo a Yara foi muito legal! Você nem ima gina! animou-se. Ei! Acorda.perguntou curioso. A Yara levou o celular para o quarto e eu conversei um pouquinho com a Débora! . Sérgio sentiu medo de sonhar novamente. eu soube pela Yara que a Dé está bem .. Sérgio colocou os pés no chão e esfregou o rosto com as mãos p ara afugentar as lembranças pavorosas. De um modo geral. Às vezes tem sono por causa dos remédios. Mesmo trabalhando em um serviço tão exigente em atenção. balançando-o pelo braço. O que foi?! . ele furtou-se por alguns minutos e ligou para Rita que o avi sou: Olha. por vezes. Ainda sentado na cama.a e outras estimulações circulatórias e metabólicas pelo fato do corpo ligar-se à alma atr avés dos liames ou fluidos vitais. a Dé está bem: alimentando-se e conversando n ormalmente. Tiago despertou e. das quais trazemos alguns conselhos de espíritos ben feitores ou não. Lembranças de onde estivemos ou de lugares a que ainda iremos. O sonho. ele acordou. Olhando em volta. mesmo acendendo a luz . o anjo da guarda ou mentor do rapaz conseguiu estimular energias a Tiago. O rosto dela está inchado. assustando-se com a reação do outro. muitas vezes. No entanto a partir daquele dia passaria a tê-los com mais intensidade. imagens .2 Sérgio já tivera sonhos daquele tipo. O que foi isso?! Um sonho ruim . Isso de acordo com o nosso nível espiritual. As visões. Acho que teve um pesadelo... por não conseguir interferir ou ligar-se mentalmen te a Sérgio para auxiliá-lo a libertar-se daquela obsessão.. Sérgio obedeceu e foi para a sala. .. ao mesmo tempo em que respirava fundo c omo se estivesse sem ar..dizia. Abalado com a impressionante realidade do pesadelo. uma vez que seu espírito protetor e sua própria consciência o chamariam à atenção para detalhes a fim de ele se manter vigilante e não se desviar d o caminho certo. Respeitando seu pedido. Com um movimento brusco e inesperado. Sem demora.falou Tiago. Você est va sonhando. lembrar são coisas ou lugares que vemos ou onde estivemos. Ela está com gesso e ataduras.fa lou. Depois aconselhou: Deita aí ou vai lá pr a sala assistir à televisão porque eu ainda quero dormir. Sérgio! . é durante o sono ou o cochilo que a alma se liberta do corpo e entra em contato com o mundo dos Espíritos. Sérgio perguntou: Cadê eles?! Não tem mais ninguém aqui. Levou pontos na cabeça e em outras partes do corpo. procurou acordá-lo. * * * Sérgio estava impaciente para ter notícias de Débora. Pode ser comunicações.resmungou Tiago. pode ser uma vaga recordação do que experimentamos durante o sono. ainda ofegante. murmurando: Meu Deus!.falou. o outro continuava dormindo agitado. mensagens que conseguimos. Seguran do com força o braço do irmão. deixando seu sono suave a fim de acordá-lo pelos barulhos e movimentos agitados produzidos pelo irmão. referindo-se à amiga pelo apeli do que a chamava quase sempre. aí. .. Apaga a luz. remexendo-se. . podemos ter uma visão do passado ou um pressentimento do futuro. levantou-se e caminhou pelo quarto tentando entender a mensagem daq uele sonho dentro dos conceitos que havia aprendido na graduação universitária. Calma. sentou-se ao ver Sérgio se debatendo e tentando murmurar algo. Porém. sentou-se rápido.

Contudo não se esquecia de Débora. Arrasado.. O desejo de vê-la era intenso e não sa bia explicar. explicava que não pôde conversar com a outra como pretendia. a convalescente trocava olhares indefinidos com a amiga e che gou a murmurar dizendo que precisava falar com ela.E aí?! . Ela estava meio sonolenta por causa dos remédios. abraçá-la. por causa da mãe dela. mas. principalmente. o dia tão esperado chegou. Você nem imagina! Não devemos forçar a situação. Tais sentimentos eram provocados pelo espírito que o ator mentava. por intermédio de Rita. Mas não ejo a hora de falar com a Débora. você é inteligente! Eu sei que entendeu! . dilacerando sua alma ao saber que precisaria esperar. no dia a dia. ainda deve pensar que você é um crápula. quando pôde foi inibida d e conversarem sobre Sérgio. Rita. Uma angústia inexplicável parecia cortar seu peito... que a enganou.. Veja. Rita dizia: Débora. Vou te informando sobre qualquer novidade e me ligue quando quiser . mas pareceu bem. *** Os dias e as semanas se arrastaram lentos demais para Sérgio. Por quê?! Primeiro. Sérgio! Fique despreocupado. Não se precipite com opiniões. em sua casa e com seus f amiliares. O pouco que podia. Puxa! Como ele gosta de você! Débora ficou pensativa. demonstrando-se amiga de verdade..Diante do silêncio da outra. que Débora não queria recebê-lo. pois ela está se recuperando não só fisicamente como também do susto que passou.aconselhou Rita. confortá-la em seus braços depois de esclarecer t oda a mentira sórdida e cruel inventada por Sueli.. como grande amiga.. trazendo sempre o desejo no mal e pronto para aproveitar qualquer oport unidade ou pensamento de Sérgio a fim de desequilibrá-lo e deixá-lo cada vez mais insa tisfeito com a vida. que se recuperava. então vou visitá-l onversaremos. Nós nos falamo s pouco. pois se sente culpado e. . empolgado. Mas e se ele estiver mesmo de casamento marcado?! Acorda! Vai acreditar na palavra dele ou de qualquer?! Alguém que nunca viu e e stava do outro lado da linha?! Tenha santa paciência! Acabei de contar que o Sérgio está disposto a levá-la para um frente a frente com a família dele para provar tudo! Breve pausa e se expressou mais branda: Deveria ver como ele está angustiado. Mesmo assim.. até rimos ao lembrar que não saí com ela naquele dia do acidente quando me co nvidou e não pude ir! Acho que não irei à universidade hoje e vou visitá-la! É melhor esperar.. para dizer a verdade.tornou Sérgio. suspirou fundo e decidiu: . Contrariado.. pois sempre havia alguém da família de Débora presente no qu arto. Ao mesmo t empo. inconformado ao s aber. Entende? Você está certa. Vamos aguardar até ela receber alta. Além disso. ela c ontinuou: Dé.. Eu entendo e estou mais tranqüilo por isso que ela está bem. Er a um sábado e. Havia ficado bem sentido com sua mãe e magoado pelos resultados das con seqüências de sua atitude. Acho que vai perder seu tempo. Queria olhá-la. Se precisar pode contar comigo ! Valeu. pois não tiveram muita op ortunidade de estarem sozinhas e o tempo não foi suficiente para detalhar tudo. o rapaz quase não falava. seria bom ouvir o que o Sérgio tem para falar e só depois concluir. Depois. sentada na cama da amiga... *** Depois de tantos imprevistos e planos frustrados. Sérgio dormia mal e passou a ter sonhos bizarros. Alguns imprevistos a impediram de visitar a colega e. Obrigado. Sérgio . vai dar tudo certo! Rita parecia bem disposta a ajudá-lo. Rita! Espero que não necessite. surgiam situações complicadas que chegavam a deixá-lo insatisfeito e até irritado. Seria bom eu falar primeiro com a Dé.

. Fui imprudente ao usar o celular enquanto diri gia. Ficaria magoada com você e indignada por ter mentido. Não tivemos muito tempo e. Então espere! ..... que cumprimentou os pais de Débora ao entrar. admitiu: Mas recordo muito bem de você m e chamando. Sinto-me culpado por não ter te contado que terminei um namoro há quase seis meses e ela não aceita. apontando para a cadeira posta ao seu lado. Antes de Sérgio ou Débora dizerem algo. animada.... Ei?! Aonde você vai?! Chamar o Sérgio! . Preciso te agradecer. Espere! .. Mas não teve culpa em nada! Débora. Bem!.. Não me lembro de tudo. curvou-se. Quando terminei o namoro. Se eu tivesse li-gado para aquele número. você disse que ligou para o meu celular e alguém se passou por minha noiva.avisou quase saindo do quarto.. É engraçado . Acomodando-se. Eu estava desesperado.. tão submissa e como vente. a minha mãe colaborou.Ele tinha uma expressão triste e angustiada. Mas. Olhando o relógio.. Es Rita gesticulou com a mão e sem esperar virou as costas.. Não me agradeça. Lembro que o abrac ei e não queria soltá-lo.. Mas criou coragem.. . Ela se inclinou para tocar em seu braço.. Vendo-o se explicar daquela forma. nos pouparia de toda essa angústia e. abalada. acredite e m mim... Está a fim de deixá-lo esclarecer tudo?! . E outra coisa. estacionada em algum lugar. pedindo para eu ficar calma. Ele está aqui? Na minha casa?! Não. Obrigada. Sérgio.pediu Rita com sorriso maroto ao se levantar. Estou. Por isso bati o carro.. E não poderia ser d iferente. Como se não fosse o bastante. né! O coitado está esperando no carro. Mas não sofreria o acid ente.Encarando-o. Pe . Débora! Como você está? Bem melhor e me recuperando .. sim. Débora não tinha mais dúvidas.. Afagou-o... lá na rua... Parece que algum as coisas se apagaram e. . eu o devolvi junto com tudo o que ela me deu para deixar bem claro que não queria ter qualquer lembrança dela. . Por quê?! Eu devo estar horrível!. beijou-a no rosto e pergun tou com voz tímida: Oi...interrompeu-a. Vou chamá-lo. Se precisarem. Ele ficou sem jeito e a jovem pediu..pediu Débora. vendo-a naquela situação. aproximou-se.Acho que vou ligar para ele e. e logo foi levado por Rita até o quarto da moça. Ao ver Débora sentada na cama.interrompeu Rita com sorriso de molecagem. mas continuou: Sinto-me culpado por não tê-la avisado disso. as eu precisava ficar com você. Eu queria muito falar com você. avisou: ando há mais de uma hora e meia.. segurando minha mão.. ele parou à porta por alguns instantes temendo qua lquer reação.. é lógico que teria ficado surpresa.. o rapaz agradeceu: Obrigado por me receber. Não foi fácil. Não vou dizer que foi um prazer estar ali. Acho que vou ao quarto da Yara para conversar um pouquinho. puxandoa para mais perto: Sente-se aqui. sentiu que Sérgio falava a verdade. porém i ria procurá-lo e você me explicaria a situação. Algum tempo de silêncio em que seus olhos se fixaram e ele falou: Precis amos conversar e eu quero pedir um milhão de desculpas. .sorriu.. Não se culpe mais. pois aquele maldito celular foi um presente da Sueli quando namorávam os.. deixando a amiga sozin ha..Olhando firme em seus olhos falou como se implorasse: Por favor. Notando-o bem preocupado e até nervoso pe la situação -. Sérgio. . Não consigo me perdoar pelo que aconteceu. Não demorou e retornou na companhia de Sérgio. Obrigada por ter ficado comigo enquanto os bombei ros me tiravam do carro.respondeu com leve sorriso e um brilho especial no olhar. O que a Sueli te contou é tudo mentira e eu posso provar. po r isso está fazendo um inferno da minha vida. Eu. a amiga se retirou rapidamente. segurando em su a mão ao argumentar com voz meiga: Pare. aflito.

Débora se embaraçou com as palavras e se calou. . seus lábios chegaram a se tocar com ternura. de sua filha e do rapaz. é o tio da polícia . dizendo: Surpresa! . Rita! Acha que vou me indispor justo com você?! Também perceb i que a conversa seria bem duradoura. Eles se foram. Sentindo aquela pele macia e m orna. Tudo bem.quis saber curiosa ao sorrir. que não ficou satisfeita. Fico impressionada por ela tê-lo reconhecido! Ele é policial militar e nos levou para a delegacia naquele dia. Elza. Débora! . Enquanto o cumprimentavam. Visitas para Débora! .disse. Cris! Que memória! .rdemos tanto tempo e sofremos por. apresentou: Este é o Sérgio. mas achei que aq uele pessoal tinha intenção de fazer uma visita bem demorada! Você me ajudou tanto. O senhor nada disse. Prazer em conhecê-la. achegou-se a ele quando suas faces quase se tocavam. tio da garotinha. Logo se justificou: Desculpe-me por não ter vindo antes. i solado por todos. Débora pareceu sem graça.. disfarçando ao avis ar: Vejam quem está aqui! Sérgio ficou sem jeito e se levantou ao ver os visitantes entrarem. Atraída pela conversação.. teve u ma ligeira visão do clima romântico. mas alegrou-se ao ver a pequena menina e exclamou: Cris! É você. deixando-se envolver pel os carinhos. essa é a Débora. meu amor! A garotinha se abraçou à jovem enquanto os outros entravam. Não é só por eu precisar sair. Estudamos sim . desejoso por beijá-la. beijou a moça e apresentou: Débora.chamou Cris com sua vozinha doce .. Estive viajando a traba lho.respondeu a jovem sorrindo.. Nós nos conhecemos quando a Débora encontrou a Cris e. inerte experimentou o coração bater forte e murmurou com brandura no tom bonit o de sua voz grave: Débora. Breno! . pois o rapaz sentou-se na cama da moça tomando -lhe toda a atenção. Vocês dois se entenderam?! . q e encontrou a nossa filha. Descu lpe-me por não termos ficado mais tempo. descobrimos que cursávamos a mesma universidade. acariciou seus cabelos enq uanto a olhava encantado.interferiu o senhor Aléssio parecendo insatisfe ito. ela explicou: Nós nos conhecemos no dia em que eu enco ntrei a Cris. percebendo algo diferente no comportamento susp eito. Ao entrar. explicou: Lucas. Sérgio ia beijá-la . e o rapaz rapidamente se afastou. segurou cuidadosamente seu rosto. adentrou o quart o junto de dona Hilma. *** Durante o caminho para sua casa. Inebriado de emoção. Não disse nada. Os pais da garotinha não entenderam e a jovem esclareceu sorrindo: Nossa. Foi então que começaram a conversar.alegrou-se Débora. Despediram-se de Débora. naquele mesmo dia. abraçando-a por longo tempo. Repentinamente Breno.gritou alegre..afirmou Sérgio. aproximou-se. Mamãe . trazendo à frente um belo arranjo de flores frescas. Eu gosto muito de você. . Rita comentou: Hoje vou sair com meu namorado. Pensei que estudassem juntos! . apontando tim idamente para Sérgio. A jovem. Temos de ir ao casamento do primo dele. minha querida?! . mas o som de leves batidas na porta os impediu. Ele sentiu-se excluído e com o passar do tempo Rita o chamou par a irem embora.. A princípio.cumprimentou o homem de boa aparência e bem trajado .contou Débora. Mas a Elza e a Cris sempre me davam notícias suas! Já me recuperei bem . talvez assustado. esse é o meu marido Lucas. Rita chegou ao quarto e foi para um canto junto a Sérgio. e dos demais. mãe de Cris.anunciou a voz alegre do senhor Aléssio. Eles se olhavam quando Sérgio se ap roximou mais e acariciou suave sua face delicada. Não pode imaginar o quanto sofri e. Tudo bem .Em seguida.beijou-a no rosto.Virando-se para o casal.

Assobiava ao entrar. 6 . Já me a udou muito! Você nem imagina! O que ela fez? Se é que eu posso saber! ..falou. Rita o abraçou com força. E o seu tio? Um crápula.. É difícil nos separarmos de quem amamos. Seu marido e filhos também! Eles trabalham muito.Débora enfrenta a oposição do pai Sérgio chegou à sua residência bem mais animado e. trazia um sorriso suave nos belos lábios bem contornados. Deu-lhe um beijo no rosto e depois de ele retribuir da mesma forma. totalmente confusa. não quero vê-lo nem pintado de ouro! .lamentou. Mas eu não poderia la r tudo aqui e ir morar lá.. .respondeu sem alongar. Ele não tinha muito tempo por causa do trabalho. coberta nas costas por seus longos cabelos lindamente cach eados que pareciam um manto negro esvoaçando com suavidade ao vento brando. mas a Débora não deixou.ele exclamou. Bom divertimento! Obrigada! .. descendo do carro.. o marido e os filhos são donos de um hotel à beira mar que fica lotado em qualquer época do ano. olhando-a com satisfação.ele riu. É um lugar mágico! Maravilhoso! Um paraíso! . sem perceber. Agora preciso ir! Ainda tenho de me arrumar! .. mas preciso terminar a universidade e pensar no futuro do meu irmão. Ela e o meu namorado não me largavam. experimentando um sentimento feliz pelo resultado posit ivo de tudo. Puxa! A Dé me deu a maior força! Eu a considero como uma irmã! Sérgio sorriu agradecido ao afirmar: Posso dizer o mesmo de você. Que droga! . Não que eu esteja feliz. Pronto! Chegamos! . Algo que combinava com sua pers onalidade. n aturalmente especial ao menear a longa saia modelo indiano que combinava com a b lusa do mesmo estilo.. Vontade não falta. . Expliquei o que precisava e ela entendeu.protestou a moça irritada. Assim que a Débora se recuperar. Mas você tem irmãos ou parentes.Pequena pausa e continuou: Quando meus pais faleceram .. Sabe. Não tenho avós. que mora perto da minha casa e uma tia por parte de mãe.Sorrindo de um jeito especial.. têm vários funcionários e quase não vêm a São Paulo.. eu quis deixar a universidade. Nós ficamos amigas logo no primeiro semestre da faculdade e aconteceu algo bem inesperado.Bem. talvez uma ir mã não fizesse.explicou com leve sorriso parecendo de saudade ou de sonho. .. mas pelo menos nos entendemos. O que tem feito por mim e pela Débora. Rita. Não gosto de falar dele. Então me vi atordoada. após ela entrar em sua casa.. Quando. aturdida. Sérgio.falou sem jeito. Meus pais foram viajar e morreram em um acidente de carro. Aq uele pessoal chegou. Ele sentia o coração mais leve e repleto de esperança. Rita e ra muito bonita e tinha seu estilo próprio de ser. Só um tio por part e de pai. falou: Obrigado.. sentada sozinha na sala. Essa tia é uma pessoa excelente. virando-se e caminhando com seu jeito exclusivo. mas ela. o rapaz sorriu e se foi.. Você tem irmã? Minha irmã faleceu há quase dois anos . Uma amiga legal. Demonstrando-se grato . Não vou esperar até amanhã. você e a Dé para comemorarmos! Será ótimo! Combinado! .. Sinto muito. mas foi surpreendido pela presença desagradável de Sueli. meu namorado Gustavo.gritou alegre. nojento! . T eremos outras oportunidades! A Débora é uma pessoa maravilhosa. sairemos eu.. . que é casada e mo ra em Pernambuco. Tudo bem.. Puxa.. graça e vivacidade. Não consigo!. Acompanhando Rita com o olha r. Sinto muito. Essa tia.riu..disse o rapaz.. contou: Quando o clima ficou bem romântico. ela o lembrou: Amanhã você telefona para ela! Não se esqueça! Pode deixar! Mas. não tem? Tenho um irmão que acabou de fazer dezessete anos. não esquenta.reagiu de imediato. Aliás. . Ela é bem sincera.ele concordou. Você foi mais do que uma amiga! Que nada! .

. Quando a sua mãe me contou o que aconteceu com a moça. Onde está a minha mãe?! Como ela permitiu que entrasse aqui?! .. Não podia imaginar que por caus a de uma simples brincadeira. interrompendo: Sérgio! O que está acontecendo aqui?! Sou eu quem deve perguntar o que essa aí está fazendo aqui?! ....questionou com veemência.. Você é uma criminosa! Puxa. O que fez foi sórdido! Cruel! Gente como você deveria estar atrás das grades! Por favor!. Sérgio sentou-se na cama e esfregou o rosto com as mãos num gesto insatisfeito. principalmente. E isso nunca vai acabar! Só sabe exigir e roubar a atenção. olhan do em volta com modos agastados. mas o observou e.. Você chama esse sentimento vaidoso. ferir sen timentos. mas não a você! Sua capacidade de egoísmo e orgulho é tão grande que acredita nu nca se enganar.. Eu gosto muito de você a inda e.. Tiago falava descontraidamente ao telefone. Oi. falou irritado: Suma daqui! Não q uero ver a sua cara nunca mais! Eu estava conversando com a dona Marisa e. Tiago?! Talvez tenha esperança de vocês voltarem. encarando-a firme.tornou o outro curioso.exigiu. ou seja. Acha que suas necessidades têm mais prioridade do que as das outras pes soas.interrompeu-a nervoso. olhou-a com desprezo ao afirmar: Uma pessoa capaz de mentir.. .Sem esperar uma resposta. Em seu quarto. Chega! Saia daqui! Não quero te ver nem ouvir sua voz nunca mais! Entendeu?! Sa ia da minha casa! Naquele momento. Você não tem escrúpulo. É capaz de acreditar que sua motivação é sempre pura. A Sue li sempre foi nossa amiga e. Criaturas egoístas. perguntou: E aí? Tudo bem? Estava tudo bem! .Tentou justificar com lamento na voz. É lógico que você jamais pensou! . O que quer aqui?! . exigir.. Nitidamente insatisfeito.reclamou Sérgio. quando o resultado é negativo e sempre quer ser perdoada. Você é louca?! Acha possível eu desculpá-la pelo que fez?! Sabe quais foram às conseqü s?! .Aproxi mando-se. me desculpe pelo qu e aconteceu à sua colega. O telefone tocou.. o amor. deixando qualquer um exausto! Você não tem discernimento! Sérgio! Eu!. as idéias dos outros para realizar os seus desej os insaciáveis. Jamais pensei que. repetiu: Entenda que você não tem qualquer valor para mim! Seu mundo é pequeno demais! Enquanto seu complexo de inferioridade é imenso e é por isso que faz o que fez.falou com voz melosa. Era para o seu irmão e ela foi levar o aparelho lá no quarto. . não tem valor algum para mim! . Compreenda. apontando para Sueli.. mesq inhas e dominadoras não pensam! Simplesmente são cruéis! Não sei o que me deu quando ela ligou e. orgulhoso.. Sueli! Costuma usar os outros para satisfazer suas neces sidades e seus caprichos.perguntou secamente.interrompeu-a num grito. possessivo. pensa que as normas de respeito e dignidade devem ser exigidas às outras pessoas.. saiu. Por que a mãe faz isso.. quando Sueli o chamou: Sérgio! Por favor! . Não me julgue mal. enganar. virando as costas. inocente e você nunc a erra! Preste atenção e observe que você não assume totalmente a responsabilidade pelo seu comportamento. ele ia dando-lhe as costas para sair daquele cômodo. ao t erminar a ligação. . Brincadeira?! . O que essa safada está fazendo aqui em casa? Parece que a mãe não tem o mínimo de con sideração por mim! Caramba! Eu ouvi quando a mãe ligou pra ela. Estava indignado e.exclamou a mãe autoritária.interrogou. eu fiquei em choque.. Esta é minha casa e recebo aqui quem eu quiser! .Ao vê-lo se virar. sempre.. a admiração.O que você está fazendo aqui na minha casa?! . o tempo. Sérgio! Tudo bem?! . Você é presunçosa.. O filho não a esperou terminar.. dona Marisa entrou e presenciou a discussão. O que rolou?! . ela pediu: Por favor.Pausadamente. de gostar?! .dizia como se implorasse seu perdão.

Sérgio. não foi? Disse que eu quase não paro em casa. Rolou um clima legal! Olha só!. Contou com a versão dela! . Sérgio ... a dona Antônia..Vendo -o sério e sem dizer nada. Imagino . ficou pensativo. não é? Ao menos isso. o senhor e a mãe não tiveram mais sosseg o. eu sei que você já ajuda muito e tem suas próprias despe sas.. Moro nesta casa. A Débora quase morreu por. deu-lhe o aparelho e gargalhou antes de desfechar: Não precisa dizer para quem vai telefonar! O irmão riu e não falou nada.Após alguns minutos.so rriu inebriado. ficar com ela.. Eu tenho anotado lá no meu quarto. Além disso. Depois tornou: Sabe o que é.. nem eu sei como você ficou tanto tempo com ela. do que com ela. Olha só o cara. E. Eu sabia! . as hor as de estágio e outras coisas me mantêm ocupado.... Sérgio? Oi. iiii. as atividades do curso. você nem conhece essa moça e. Para quem estava tão durona. Sérgio. Você poderia ir lá para ver e. filho..brincou Tiago. Ele prometeu visitá-la no dia seguinte. diante do silêncio. pense! Sou filho de vocês..falou devagar e bem calmo . Deitado em sua cama... Tiago perguntou animado: E aí?! Foi lá visitar sua amiga?! O belo rosto de Sérgio pareceu iluminar com um largo sorriso e ele contou: Fui e conseguimos conversar um pouco. Pai. não fico muito à vontade per o da família dela. O Marcílio deveria assumir toda a responsabilidade com a mulher e os filhos que .perguntou em voz baixa. o estudo. eu estou com alguns probleminhas financeiros. o senhor Inácio comentou: Se não puder ajudar. Eu queria falar com você e. Sérgio sorriu e Tiago perguntou: Vai visitá-la amanhã novam ente? Não sei. o rapaz estava feliz. Mas antes do outro sai r. Bem. Eu não q uero vê-la. A Sueli é só uma conhecida. O homem abaixou a cabeça.. O que me interessa mesmo é conhecer melhor a Débora. Não suporto a idéia de falar com ela.. mas.. O trabalho. um tanto sem jeito. ligou imediatamente para Débora... vo u entender... meu! . converso mais com a mãe dele.respondeu de imediato. Quando ia sair do qu arto falou: Ta apaixonado! Ferrou! Ah!. O senhor entrou calmo e sentou-se na cama de Tiago. Conversaram por longo tempo. Pode parecer que estou forçando.Breve pausa e. . Não conheço.. Não tenho tempo para nada.revidou Sérgio. explicou: Pai. . antes de desligar. Sozinho.Olhando-o nos olhos e sentindo-se constrangido. De repente ela não resistiu diante do se u charme! .. né. Cai fora! . pediu: Ei! Deixa o telefone comigo! Tiago voltou. Mas não sei como lidar com essa situação entre você e sua mãe. pai! Eu entendo... ficando frente a Sérgio. interrompendo. pai? Quase tudo. De quanto o senhor precisa? . Pai . ele pediu: Sérgio .respondeu irritado. primeiro sua mãe veio falar comigo e. respirou fundo e afirmou: Vou falar com sua mãe. Aaaaa!.interrompeu de imediato. pai! Entra! .. Completamente difere nte dela..argumentou sem dar muita importância. Tudo bem. Onde eu estava com a cabeça?! Para ser sincero.revidou. já que não reconhecem meu esforço para u a vida melhor.. rindo gostoso.. mas quero conhecer! E daí?! .. o senhor sabe o que a mãe e a Sueli fizeram e o que isso causou a uma amiga minha? Sua mãe me contou.. não o vejo há dias. . atendendo ao doce pedido da moça. São bem estabilizados e um tanto arrogantes. A mãe foi reclamar de mim para o senhor. Bem.. sentando-se. deixando-os morar conosco.brincou o irmão. após poucas batidas à porta. Devo me submeter eternamente aos caprichos da Sueli e aos desejos da mãe? Nunca mais poderei traze r alguém aqui em casa por causa da presença da minha ex-namorada? Por favor. desde quando comprou esta casa para ajudar o Marcílio e a Ana..Não sei como fui namorar essa. mostrando-se insatisfeito.. Não tolero a Sueli aqui! E o que mais?! . Acho que mereço um pouco de respeito p or parte do senhor e da mãe. vi vo na casa do João. Sustentava um sorriso suave e tranqüilo até seu pai entrar no quarto.. O Marcílio não pode pagar algumas co ntas nesse mês e. . contagiado pelo riso.

seu desgraçado. O T iago nunca guarda nada. de ser envolvido em problemas que não lhe pertenciam e de não ser valorizado. Juntando-se à causa dos rebeldes.. Minha filha sofreu.. Ficava se mpre em segundo plano.disse. Sérgio continuava reflexivo e não podia ver o que acontecia no plano espiritual. Depois eu vou lá para ver em que posso ajudar. o calor de uma paixão nasceu e cresceu entre Débora e Sérg io. com o modo de ser manipulado. num plano que não podia ver. Ora! Ora! Gargalhadas logo cedo! . Trazia a mesma aparência r epulsiva e austera. re tornando ao trabalho e aos estudos. Se não puder ajudar. * * * Semanas passaram. Que bo m vê-la assim. mais livre. Débora! A filha sorriu.tornou o espírito Sebastião. O Marcílio tem seus gastos com bebidas. Ela o envolvia com impressões melancólicas.. ele está sem dinheiro. Algo até então nunca visto. Mesmo sem ouvi-lo. Suas estratégias ajudaram a tropa dos farrapos a conquistar uma cidade. entrelaçou as mãos na frente do corpo e aba ixou a cabeça. jogos. saindo do quarto.. angustiosas e tristes ao mesmo tempo orientava-o em nível de pensamento: Não fique com essa Débora. atribuindo tal sentimento aos problemas de família.Alguns segun dos e.. Sofr eu tanto que morreu de desgosto e vergonha. Arrumou mulher e filh os. encarando-o. Sérgio fustigava os pensamentos em um nível muito inferior. aparentando um homem acima da meia idade. pensava Sérgio. Apesar de tão pouco tempo. Certo . Sérgio era abraçado pelo espírito Lúcia. mas Emy perguntou: Pode dividir conosco tanta alegria? . sentindo-se supe rior e poderoso diante do encarnado que atormentava. O espírito que tentava obsediá-lo há tempos.reparou dona Hilma. aproximou-se. Sérgio experimentou uma sensação angustiosa e amarga. Estava insatisfeito com sua vida.. seu desgraçado! Vou seguir você e aquela vadia até o inferno e muito além! . mas. Yara chegava à sala acompanhada da risada gostosa da irmã que voltav a à rotina.respondeu. avisou: Tudo bem. Débora estava bem re-composta. Sérgio apoiou os cotovelos nos joelhos. a mulher grávi da e dois filhos na rua? . O senhor e a mãe são usados por eles! Acham i so normal! Já pensou se eu e o Tiago fizéssemos o mesmo?! Como seria? . O que não deixava o senhor Aléssio e sua esposa satisfeitos. Sérgio. Você desertou por causa dela. Eu queria ser mais independente. Deixan do-se envolver por idéias ruins e terríveis.ele arrumou. su a irmã desencarnada.. mas sentia uma vibração estranha. Parec e que nunca vou conseguir! Será que terei paz se sair dessa casa ou quando morrer? ! Nem quando sair daqui eu vou deixar você em paz. Droga de vida! . Sempre que pergunto. após suspirar fundo. E hoje. vociferou: Seu covarde! Desertor covarde! Você foi um tenente do Exército Imperial e o homem em que depositei toda a minha confiança! Minha filha estava prometida a você e a ab andonou depois de conhecer essa que hoje se chama Débora.O rapaz não respondeu e o senhor Inácio continuou: Filho. Eles conversavam muito por telefone e o rapaz a visitou várias vezes. Por que eu e o Tiago devemos ter dinheiro para as despesas extras que não no s pertencem? Por que não exige que seu filho mais velho assuma suas responsabilida des? Desculpe-me. cabisbaixo. Sérgio? Mandar todos embora daqui? Pôr o seu irmão. travando a maior batalha contra o Exército Imperial. sei que vivo te incomodando ao pedir mais dinheiro para as despesas. não é isso! . Depois de uma garg alhada maldosa. desanimadora. O que posso fazer. acomodou-se à mesa e não disse nada. cigarro. Foi durante a Revolução Farroupilha no sul do país. Naquela manhã. Enquanto isso. Pai. No passado houve mui ta discórdia por causa dessa moça. você ainda maltr ata minha filha como fez no passado! Desprezando-a como lixo! Mas eu vou acabar com você! Com essa Débora! Ah! Se vou! Nesse momento. bem satisfeita. Sua vida será melhor sem ela..

animou-se a filha. Não . compra-se! . Não mesmo.tornou a senhora. Não quero perder nem mais um dia de aula. A felicidade não se encontra. Levantando-se. Não é preciso que s e justifique.Débora respondeu e sorriu. Do que vocês duas riam tanto? . dona Hilma avisou: Ah! Qu ase me esqueci. eu. São em coisas simples que encontramos a felicidade.reclamou insatisfeita. advertiu: E não me venha com a história de que gosta dele! Que se amam! Vo cês mal acabaram de se conhecer! Não quero mais ver esse Sérgio aqui! . Puxa! Chega de ficar naquele quart o e nos limites desta casa. estudar. Por exemplo. Diálogos. Seu pai está no escritório esperando para falar com você antes d e sair. o Sérgio. Chegan do ao seu quarto. Sem dúvida. mas não sou ingênuo .Alguns segundos de pausa e falou: Veja bem. Ficou contrariada com o que ouvia. . andar sozinha!.estranhou Yara. Nunca consegui dialogar com você.retrucou Débora. Com licença! Sem se importar com o ocorrido. Acabou de se convalescer. Há alguns dias eu tenho visto o seu amigo. trocou olhares com Yara e contou: A Yara fez uma tatuagem nova! Só vendo para acreditar! Filha! . falou: Serei breve.A moça ficou petrificada e sem dizer nada. mu ito presente nesta casa. É só isso? . minha irmã! A felicidade está dentro de nós e não em coisas exteriores... Deixe-me terminar. diante da filha. argumentar e p rotestar! Com licença! Dizendo isso.falou mais tranqüilo. pois sempre acredita ser o único que sabe falar e não dá a oportunidade para eu expressar qualquer opinião.. Veja. shopping e grandes marcas! . Quero sim . Estou sempre a berto para diálogos. mãe! . Débora foi ao escritório falar com seu pai.. estabilidade financeira e tantas outras coisas às quais você está acostumada?! Sem trégua.. Espere. Débora! Não quero que diga nada! Só pense! Entendeu? A moça sentiu o rosto aquecer. mui o menos nas lojas.disse firme. mas só você tem o poder de julgar.questionou com ironia e indignada.a jovem riu e não se manifestou. Débora saiu a passos firmes sem olhar para o pai.. Eu notei algo romântico em seus olhares. Após terminar o desjejum. e. Emy desfechou: Não vou me indispor com você logo cedo. Lógico! Mas hoje é sexta-feira! . Quero que tenha ao seu lado um homem capacitado. Vai à universidade hoje? . educada. filha. Esse rapaz não veio aqui só por causa de seu estado de saúde.riu Emy. Além de o utros incontáveis adjetivos. levantando-se e fechando a porta do escritório. Você s abe que gosto de ser direto..perguntou desanimada. sentou-se na cadeira frente à sua mesa. A mãe disse que você queria conversar comigo. na sua segu rança futura. jovem.. como sempre. mas sabia que não adiantaria argumentar.confirmou... Sei que vários colegas vieram te visitar. . ouviu seu celular tocando e correu para atendê-lo: . encostou-se à mesa. Em seguida..tornou a mãe.. O Br eno! Um empresário bem sucedido e que demonstra extrema consideração e carinho por você! Ele até comentou comigo o quanto te admira! O Breno é um rapaz com totais condições de te oferecer uma vida de princesa! .. Tenho tanta coisa em atraso!. Voltando . Quero o seu bem. com estudo. E esse rapaz? O que ele tem para te oferecer? Não passa de um mero policial! Qual o futuro dessa criatura?! Como poderá te oferecer confo rto. quero que reflita muito sobre nossa conversa e reverta essa história.É muito bom retomar a vida! Eu não sabia o quanto era gostoso trabalhar. Eu e o Sérgio. pai?! . Débora! . Conhecia bem seu pai. Tinha os olhos nublados e por isso disfarçou o rosto entre os cabelos ao passar pela sala.. O s enhor Aléssio ainda falou: Compare e analise tudo.interrompeu-a de imediato. dona Hilma perguntou: Então você volta hoje mesmo ao trabalho? Está bem disposta? Como nunca. Débora. Lá vem bronca! . Depois de cum primentá-lo. Estou pensando no seu bem. Você é uma moça muito bonita. colocando-se à disposição.. Talvez pense que está em um tribunal defendendo alguma causa. iiii. Débora gargalhou. Pai. quase sentando..

.Beijaram-se novamente .Oi. Ainda deixando-se ficar em seus braços. Ele a envolveu com carinho. ele aproximou seus lábios dos dela. como se uma energia indefinida invadisse seus corações apaixonados. por não vê-la interagir.murmurou com a voz abafada pelo abraço. trazendo-a a realidade: ..disse sério e bem sincero.. Ele me recebeu bem todas as vezes que fui te visitar. Era a primeira vez que se beijavam daquela forma e vivenciaram uma sensação nunca sentida antes. Sérgio segurou-lhe o rosto delicado. o que nunca a conteceu. não consigo parar de pensar em você e. Sérgio cuidadosamente a afastou de si. Sérgio perguntou: Está tudo bem? Sim. mesmo contrariando a vontade. acenando graciosamente. Desculpe-me Sérgio. mesmo? . quis saber: O seu pai disse alguma coisa a meu respeito? Por que pergunta isso? . Após alguns m inutos. A caminho do serviço. procurando distraí-la. experimen tando um sentimento muito forte. vendo-a com os olhos marejados.. Quer conversar a respeito? Não. ele avisou: Passo para te pegar.. ele percebeu uma angústia no silêncio da jovem. mas. . Afagando-a com generosidade. tornou num tom tranqüilo. afagando-a com carinho por longo tempo..falou surpresa. Eu te adoro. Senti algo difer ente em nossos últimos encontros. escondendo o rosto.avisou alegre. ta? Débora parecia insegura e não desceu do carro. ela desceu do carr o e se foi olhando algumas vezes para trás. *** Depois da aula. Talvez depois. depois ela avisou: Agora preciso ir. Despediram-se com carinho e. você me espera. Eu também. Afagando-lhe o rosto. Não quis inte rfonar e. A jovem ofereceu um lindo sorriso ao dizer com jeito meigo e gracioso: Você não me pediu em namoro. Ao senti-la mais calma..compreendeu e a observou por alguns segundos..Sem que ele esperasse a moça o abraçou forte. a jovem afirmou: Posso imaginar sim! Eu também não deixei de pensar em você. fez-lhe uma carícia e pergunt ou em tom bondoso: Tudo bem. Depois de contar sobre a compra do celular e alguns fatos corriqueiros . acariciou-lhe o rosto e não resistiu ao sentimento que o dominava. Sérgio levou Débora para casa. Débora trazia os olhos brilhando e suave sorriso tímido. C omo eu desejava beijá-la e abraçá-la dessa forma. Sérgio perguntou em tom apaixo nado.. Ele a calou com um beijo. confessou. tomou-a nos braços e a beijou com todo o amor.. quase num sussurro: Quer namorar comigo? Eu adoraria. Foi então que o rapaz falou sobre outras coisas. vagarosamente. Débora parecia implorar por seus carinhos e.. Sérgio. olhou-a nos olho s. falou: Você não mente bem. Acredito que não aprovará nosso namoro .. Sérgio! Estou te esperando aqui fora e com celular novo! . falou baixinho: Eu ainda tenho tempo. Aproximando-se e acariciando seu rosto delicado. Não pode imaginar! Oferecendo um belo sorriso. Tudo bem.Sorrindo com brandura. Claro! Eu entendo . apertando-a contra si. Chegando próximo aonde ela trabalhava. entrou no carro de Sérgio e se foram . Desde o dia em que a conheci. Caso saia mais cedo. Depois explicou: São problemas lá d casa e não quero preocupá-lo com bobagens. Pensei que só ficaríamos. Uma tristeza indefinida pairava em seu olhar terno. confessou: Gosto muito de você. Você já está pronta? Estou saindo! Beijo! Sem conversar com ninguém.. ela saiu de casa. Não parece . Estacionando o veículo frente à residênc ia da moça. Só não queria falar disso agora.

. Ligo sim. precisaremos ref azer os estudos e novos testes. Débo ra. Afinal. eles se beijaram e se despediram. Quando se trata de uma criatura sem entendimento e pouca ev olução. pelos retrovisores.prosseguia o sábio mentor. Só uma coisa: a Rita me telefonou e nos convidou para sairmos com ela e o Gustavo amanhã! O que acha? . sempre nos ajuda. Bem. E Deus. . Não querendo desapontá-lo no futuro. Acho que os obstáculos surgirão de ambos os lados. apesar de enfrentar uma situação aflitiva e pesarosa. Nunca te nho razão.. Ele não concorda com nada que eu faço. Se o seu pai não ficar sa tisfeito por estarmos juntos. Durante o trajeto até sua casa. não sofre . Podemos ser promovidos ou reprovados e. tenha a certeza de que minha mãe não pensará diferente d ele. Teremos obs ulos. Deus permite qu e esses irmãos imperfeitos na moral sejam instrumentos para testar nossa fé e nossa vontade de continuar agindo como criaturas atuantes no bem. . mas podemos considerar. Se algo te acontecer. Bem. quando nos acontecem coi sas ruins.propôs toda animada. Isso significa que ele não simpatizou comigo . Sabe. Vamos analisar o que você já aprendeu no rso que está quase concluindo: Por que pessoas que sofrem sérios e difíceis problemas reagem diferente? Uma. caso se mantivesse atento na fé e vigilante... vocês têm u ma grande estabilidade financeira e eu não. Vou conseguir minha estabilidade. Ah!.. É por isso que so remos e sofremos muito. Vamos ver.Você não me respondeu sobre o seu pai. Mesmo se ele não estiver de acordo. modesta. ela comentou: Sabe. se me conhecer melhor. Ele esperou que ela entrasse e depois se foi. em sua infinita misericórdia. por desejo de vingança ou por prazer. o que isso importa? Sou maior de idad e! Entendo que ele não quer o seu mal e está pensando em seu futuro. a jovem avisou: Não tenha tantas esperanças. por essas más experiências e sentimentos.. em ações e pensamentos o desejo no mal. no último caso. .. Mas quando sofremos e nos deixamos aterrorizar. Por isso continuou: O inimigo do passado pode acreditar que você aind a tem dívidas com ele. mas é arriscado ficarmos aqui.. Você me liga quando chegar a casa? Ligo. Você é muito precavido.. é por que atraím os para nós.. na espiritualidade. Débora ficou incrédula. Na minha profissão... Vejo que não pára de olhar em volta. o mentor de Sérgio o acompanh ava. E é provável que com o tempo ele me veja de outra f orma. Porém depende de nós nos inclinarmos às inspirações boas ou más que exercem sobre nós. por minha culpa. Não estou interessado nos bens da sua fa mília ou em sua herança. influindo em seus pensamentos com bons conselhos: Precisa ser cauteloso com as idéias. Parecia que Sérgio tinha ouvido a conversa entre ela e o pa i. falou sorrindo... encarnados o u desencarnados. já vi fatos que não desejo experimentar. Pois os espíritos maus correm em nosso auxílio e nos ajudam com as más tendências. querendo desistir ou nos alterando de forma grosseira.Mesmo sabendo que não era ouv ido. o que não é correto. Eu tinha outros planos. Não é diferente das esco las terrenas onde estudamos e depois realizamos provas para testarmos nosso conh ecimento. Os pensamentos deles inva dem os nossos.Vendo-a reflexiva e despreocupada.. o anjo guardião do rapaz tinha plena certeza de seu pupilo receber suas influên cias e no momento preciso poderia se valer delas. Espíritos desse tipo. Meu querido Sérgio. meu querido. ele olhou o relógio e decidiu: É tarde. Adoro sua companhia. elas são instrumentos para provar o nosso equilíbrio e a nossa confiança em Deus. talvez simples. Não quero expô-la em situação de r isco. ela quer nos induzir ao mal para sofrermos.. Mas Deus. Por isso você estava triste hoje de manhã? Tentando fugir da resposta. enviandonos os bons espíritos que vão nos influenciar também. acho que morro. Meu pai é teimoso e minha mãe não me defende. quando cedemos as suas sugestões sórdidas. Meu pai é um pouco difícil. Apaixonados. mas certamente segura e honesta. comprazem-se em uma falsa felicidade quando conseguem nos compr ometer ou nos induzir a uma atitude degradante que atrasa nosso adiantamento esp iritual.

Um doce e agradável romance acontecia entre Sérgio e Débora. a outra entra em extremo desespero. passava-lhe p ensamentos instrutivos e salutares a fim de seu protegido se alicerçar no bem com equilíbrio e pensamentos positivos que servem de incrível proteção às influências negativas de encarnados e desencarnados. ca bendo a este cobrir inúmeras despesas da província de Santa Catarina e de outras reg iões por não conseguirem arcar com suas próprias despesas e o que recebiam do governo central era insuficiente. Isso. Lúcia e Tiago se reencontraram. Durante o caminho sabiamente Wilson. quando a pessoa não examina a idéia imediata e não distingue o bem do mal. Como anjo guardião não é ama seca. Sérgio. fazendo-o sua vítima. Wilson e Olívia vêm acompanhando seus prezados pupilos há temp o e poderão relatar como e quando esse desejo de vingança do espírito Sebastião iniciou. apoiado por diversas camadas po pulares que estavam bem insatisfeitas com os altos valores dos impostos taxados pelo governo imperial sobre a produção de carnes para consumo . estancieiros e criadores de gad o da província. uma espéc ie de estágio na área de Psicologia. por isso estava extremamente fel iz e mais tranqüilo do que nunca. 7 . quando ainda presos no vício. mais especificamente no Rio Grande do Sul. quer que a vida acabe. seu escravo. Eles se davam muito be m. É um caso clássico. os rebeldes ou farrapos q ue lutaram para criar uma República. deixando-se inclinar às tentações e erros de difíceis repar os futuros. Tratava-se de representantes da elite. a outra sofre.carne salgada . ligou par a Débora e conversaram por muito tempo. Sebastião. de outro. alguns socorristas e outros instrutores que desejavam notícias dos encarnados q ueridos a quem tanto estimavam. De um lado os adeptos da Monarquia ou governo Imperial. aproveitando de todas as circunstâncias para isso. Um dos instrutores acrescentou ao grupo: O que os espíritos. mentor de Sérgio. Havia no grupo alguns aprendizes que se interess aram e Wilson. No Rio Grande do Sul principalmente. muito ao contrário. Antes de dormir. O rapaz havia terminado o curso universitário. comentou: É impressionante como esses perseguidores interferem nos pensamentos dos encarn ados.e co uros utilizados para a confecção de diversos artigos. mentora de Débora. Débora. O casal estava no cinema apreciando um filme. Aqueles que eram contra a criação de uma república deram o apelido de farrapos ou farroupilhas aos revolucionários com a intenção de humi lhá-los e depreciá-los. Chegando à sua casa. na época do Império. contando: Na mais longa revolução da his tória do Brasil. combinando saírem no dia seguinte. mas sabe que a e xperiência ruim é passageira. na crueldade sempre tentam n os incitar a cometer erros. o espírito Olívi a lembrou: Bento Gonçalves da Silva foi o líder dessa revolução. desejam é corromper e prejudicar o outro. O grand e episódio chamado de Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha aconteceu no Sul do Brasil. havia outras inúmeras queixas. ele estava simplesmente feliz e fez uma prece agradecendo e pedindo proteção. Entretanto esses líderes nada tinham de maltrapilhos. sem evolução.concordou o espírito Wilson. digno de aproveitamento para estudo. no mal. Além dessas. pois a contribuição da província3. Olívia. Os lugares e os interesses que queriam defender tinham grande impo rtância ao Império. após terminar o período de supervisão exigido.. bem aliviado e seguro. Sueli. O rapaz sentia-se melhor. para a e conomia brasileira. os mentores do casal encarnado trocavam conhecimento com um grupo de espíritos amigo s. Sim. claro! . por uma ser u m espírito que cede aos maus conselhos e não é evoluída. era muito explorada. contava: Alguns irmãos. Diante da pausa em que Wilson refletia em como resumir os fatos.Sérgio e Débora: do passado ao presente Os meses foram passando. o espírito protetor de Sérgio. cabendo a contribuição complementar de recursos vindos de . é o acerca do que acontece com Déb ora e Sérgio. direcionando-os e manipulando-os.

Algumas casas começaram a ser incendiadas e saqueadas como de costume. parecendo em vantagem. A filha do Marechal Sebastião era Su eli. e ele con tou: Diversas batalhas sangrentas foram travadas no sul do país entre o exército imper ial e os rebeldes farroupilhas. Dessa maneira. tão chocados quanto ele e que lhe eram fiéis. precisando ser dominados com firmeza . as mulheres e as criança s foram poupados. entrar em um dos casebres. Após vencer as dificuldades para chegar até lá. sobrecarregando-as com impostos. choro e desespero. Em 1836. fizeram o mesmo. era a mais selvagem e vil atrocidade que testemunhou. o que significava um s inal de apoio aos rebeldes revolucionários farroupilhas. Alguns meninos. resfolegavam e trotavam em círculos. os imperiais derrotaram os far roupilhas em uma e outra luta. com o intuit o de pedir que ordenasse o fim daquelas ações criminosas. açoitados e postos a invadir rapidamente o lugar.. Convocado para combater os revolucionários farroupilhas.. A cena aterrorizante petrificou Sérgio por alguns minutos. enquanto as mulheres eram impiedosamente maltratadas. Sérgio e outros três do grupamento permaneceram montados enquanto seus animais re fugavam. comandante da tropa. na tentativa de emboscar Bento Gonçalves. nessa época. da mesma forma viole . repugnantes e cruéis. desde as grandes cidades até os mais distantes e pequen os vilarejos gaúchos. Golpes de espadas zuniam no ar. Tratava-se de um acordo de união arranjado e ntre as famílias. recebe ndo muitos méritos e até postos de destaque pelas vitórias e estratégias. Eles não tinham como fugir. Sérgio desceu de seu cavalo e os soldados. pois estavam bem assustados e nervosos. o comandante do grupamento desembainhou sua espada e sinali zou o ataque dos soldados contra o pequeno. Tudo piorou quando . Em seguida ela trocou olhar com Wilson. era um comandante militar nessa época. A maioria dos soldados daquela tropa do Exército Imperial esta va alegre. A situação mudou. Entre muitas coisas presenciadas naquela guerra. Chegando a um vilarejo bem pobre. como se lhe passasse a vez. sobre o cavalo a passos lentos. mulheres e crianças. Todos os poucos homens da vila já se achavam mortos.começaram a se unir e crescer por causa dos apelos d os oficiais do exército revolucionário.farroupilhas . A jornada seria longa. prometendo-lhes liberdade ao final da guerra. Sérgio cav algava cabisbaixo e completamente silencioso ao lado do Marechal Sebastião. pobre e indefeso vilarejo. Participou de al gumas lutas e ficou desgostoso com o que vivia e presenciava. Uma ovação animalesca e voraz os dominou. Sérgio surpreendeu-se com o comandante Sebastião procurando atacar. Nem mesmo os velhos. era um jovem Tenente do Exército Imperial e de compromisso fir mado com a filha do Marechal Sebastião. mas isso não impediu os soldados apearem de seus cavalos. Houve vitórias e derrotas de ambas as partes em di versos lugares da província. comand ante do grupamento. Sérgio entrou na casa pobr e de madeira tosca e viu um soldado violentando uma menina que não tinha nem oito anos. espírito impiedoso que até hoje persegue Sérgio. menininhas. até então. pisoteando q uem estivesse pela frente. ex-namorada de Sérgio na atual encarnação. A tropa d eu um grito de excitação. Atingiu o agressor bárbaro com um golpe forte e o derrubou. Certa vez. Dor. Naquele instante. Virando-se. Estava longe de se r uma guerra. m atar os poucos homens que havia ali. tiros disparados e gr itos de pavor eram ouvidos. A maioria dos cavalo s foram esporeados. O Marechal Sebastião. incluindo escravos e presos para se alistarem. Marchavam para Porto Alegre.outras províncias. Mas as tropas republicanas . falante e sob o efeito de forte bebida alcoólica. mesmo forçado. nem homens suficientes em condições d e defender os velhos. a certa distância. Seus pensamentos fic aram terrivelmente perturbados. No vilarejo não havia combatentes. algo bem comum naquele tempo. A chuva fina começou. pouco antes da prisão de Bento Gonçalves. que angariaram recursos financeiros e soldad os. viram a bandeir a tremulando com as três cores dos defensores republicanos. Sérgio. Sérgio tornou-se o oficial de maior conf iança do Marechal Sebastião. criancin has. após frustradas tentativas. Sérgio prec isou seguir para o sul ou enfrentaria a rigorosa pena por deserção. Ele tentava encontrar o comandante da tropa. viu Sebastião. Foi então que. Moças e mulheres foram brutalmente violentados por vários homens verdadeirame nte animalizados e depois eram mortos com crueldade.

Parando próxi mo a uma grande árvore cuja copa lhes serviria de abrigo e a mata ao redor de prot eção. que estava à porta. viu o comandante Sebastião despertando. se fosse encontrado por uma tropa farroupilha seria morto co mo inimigo. foram até Sérgio. Sérgio o esmurrou. segurando firme a jaqueta que lhe dera para se cobrir. Sérgio chutou-lhe o rosto até vê-lo desmaiado. ele orientou os dois soldados que o acompanhavam para s e separarem. cobrindo-a toda e. o jovem oficial sentiu-se enoj ado com o que presenciava e impotente para controlar aquela situação. em pé na soleira da porta do casebre. mas não sabia o que fazer com ela. Mesmo vendo-o desorientado. o comandante atirou querendo matá-lo. O céu recoberto de nuvens cinzentas fez a noite chegar rapidamente. puxou-a para que se levantasse.um saco de couro curtido dividido em repartições para armazena . irmãs. dizendo: Não conseguiremos impedir essa barbaridade ! Não estou de acordo com atos tão imundos e cruéis. Olhando para trás. Ajoelhada. Sérgio descobriu-lhe a cabeça e afrouxou a coberta n a qual estava enrolada. Momento em que Sérgio decidiu. Por outro lado. joga ndo-a sobre o ombro. Indo novamente até a porta. uma outra jovem. Tudo aconteci a muito rápido e ele sentia-se muito mal. Chegando à porta. a jovem tremia muito e não conseguia encará-lo. Olhando a jovem encolhida ao chão. Num momento inesperado. Não supo rtava ver tanta covardia. Ele estava preocupado. Montando seu cavalo. Eles brigaram por algum t empo até Sebastião cair e. Sérgio gritou em voz de comando ordenando que todos parassem com aquele barbarismo. o que significava encarar a mor te. Virando-se por um instante para dentro da casa. ele decidiu descer do cavalo. Sérgio assobiou para o cavalo que obedeceu ao chamado e foi ao seu enc ontro. Sérgio ajeitou a jovem envolta na coberta sobre o lombo do cavalo. Tirando a moça do dorso do cavalo e ajeit ando-a junto ao tronco da árvore. po is acreditou que seria maltratada. Ao tempo em que Sebastião permanec ia sem sentidos. ele pôde ver as labaredas avermelhadas clareando a vila totalmente incendiada pela tropa impe rial que fez dali o que queria. Apiedado. ao mesmo tempo. Agrediu-o. O Marechal Sebastião não lhe perdoaria e o mandaria para enfrentar um Conselho de Guerra. o oficial viu os soldados da tropa imperial completamente sem controle como animais selvagens. como um bicho indomado. Seus pensamentos fervilhavam enquanto aliviava o cavalo da sela e pr ocurava pelo bornal . De imedi ato. que caía sem trégua. um dos soldados passou por el e. pois poderiam ser nossas mães. mas não desc obriu seu rosto para que não gritasse e a segurava firme para não cair ao trote do a nimal. mas ainda bem atordoado. Após uma curta jornada. Sérgio apoderou-se de uma coberta. Mas a moça resistiu. mas os homens não o ouviam e continuavam com a prática insana. já rasgadas. segurava um pedaço de pano de seu vestido todo rasga do para tentar cobrir o corpo exposto. confuso e sem saber o que fazer. apesar dos fracos socos e tapas que recebia. retirou-se a todo galope . ao olhar para trás. Estou indo embora. viu a jovem chora ndo e abraçando o corpo da garotinha que ele havia defendido pouco antes. Aquilo não fazia parte de sua índole. Era um desertor e precisava fugir com rapidez. deixando-o sem sentidos. Foi quando doi s soldados dignos e de sua confiança. poderi am ser atacados por tropas farroupilhas que deveriam estar por perto. usando suas últimas forças para agredi-lo. e ia atacando-a. Quem quiser. mas nem tinha para onde ir e ela o atrasaria. Havia salvado aquela bela moça de indescritível brutalidade. Sérgio tirou a jaqueta do uniform e que usava e a cobriu. saiu às presas. siga-me! . mesmo no chão. perguntaram-lhe o que fazer. assombrados com a desnecessária violência dos co mpanheiros. Indo a sua direção. crueldade e sordidez. esposas ou filhas!. ele entrou novamente. agarrou-a pelas roupas. Mesmo com a chuva fria e fina. Certificando-se de poderem passar a noite ali e não serem descobertos.. Pux o-a pelos cabelos. quando Sérg io reagiu investindo contra ele. Vendo-a com as vestes e percebendo que a jaqu eta não era suficiente para cobri-la. Nesse in stante. Em meio ao pranto silencioso. Despediram -se. enrolou-a com rapidez. Após isso. ficou mais tranqüilo. e foi à direção da jovem ajoelhada e abraçada à irmãzinha morta. ele percebeu que o tiro disparado para matá-lo atingiu a menininha fatalme nte. pois teriam mais chance de fugir uma vez que eram desertores e seri am procurados pelo Exército Imperial para serem julgados e.. A jovem cho rava em desespero.nta.

ele a cobriu com a capa que trazia e precisou ficar a seu lado a fim de se mante rem aquecidos. Em reuniões mais privadas em que a casa principal da estância acolhia. Durante a chuva da madrugada. Amedrontada. Sérgio recebia toda a atenção por sua eloqüência e estratagemas.produtor de carne salga da . Cavalgaram dias e enfrentou inúmeras dificuldades. a água. foi cercado por pequena tropilha farr oupilha e um deles apontou-lhe a carabina inibindo-o de reagir. que apoiava a revolução. admirando sem participar. Era o ano de 1837. para Sérgio com um comportamento sensual e bem provocativ o. de peix es pegos com a lança certeira de Sérgio e frutos silvestres. Débora gritou. Eles se amavam. e pelas estratégias de Sérgio. Deixando Débora ob os cuidados oferecidos na grande estância que servia de guarida aos farroupilha s. só ouviam a distância. na atual encarnação. criando um vínculo de confiança. Levantou e pegou a adaga para se defender sentind o que estavam sendo vigiados. Não poderiam viver daquela forma. Sérgio tinha planos e sonhos com sua amada. fizeram com que Sérgio e Débora se afeiçoassem mais. Porém ele se preocupava. precisava p roteger Débora em todos os sentidos. Ao encontrá-lo. sempre usando um ves tido branco de delicadas rendas com um xale que mal cobria os ombros. As mulheres. a j ovem não conseguia conter seu ciúme nem sua inveja. .r provisões para a viagem. mas permanecia constrangida. reencontrou um dos soldados que desertou com ele. Tratava-se de Tiago. Sérgio ficou sabendo da prisão do líder revolucionário Bento Gonçalves. Ao conversar mel hor com Débora reconheceu-a como sendo a filha de seu compadre. Entre uma e outra batalha Sérgio retornava à estância junto da tropa farroupilha. E ra difícil ficar longe dela por tanto tempo. O comandante do grupo pediu uma trégua e fez muitas perguntas. A s dificuldades os uniam cada vez mais. a jovem filha do anfitrião se i nsinuava. disfarçadamente. cor reu e o abraçou. A maior já vista contra o Exército Imperial em que os farroupilhas venceram. destacando-se. A jovem contou-lhe tudo. pois iria protegê-la.um homem muito bem posicionado e influente. Contudo nada interferia no amor que ele sentia por Débora. por isso ignorava facilmente a tent ativa de sedução da outra jovem. principalmente o mau tempo. Momento em que lhe afastou os cabelos para ver seu rost o e um sentimento indefinido o invadiu. A jovem então aceit ou o alimento. rasgou um pedaço de carne salgada e o levou até a jovem ainda acuada. necessitavam de provisões e abrigo. com um bom fogo de lareira e mate quente. Uma união mais carinhosa. o relincho do cavalo inquieto surpreendeu Sérgio. Dali foram levados para as terras de um charqueador . pois como desertor do exército imperial ele seria bem-vindo ao exército revolucionário. Ele estava decidido a acompanhar o exército farroupil ha em uma última batalha a pedido dos oficiais revolucionários com a finalidade de m ostrar-lhes qual o melhor a fazer. Ele cobriu a jovem de modo que não a vissem. Algumas vezes Tiago não seguia junto do s revolucionários e ficava para reforçar a segurança da estância. sincera e íntima foi inevitável. Olharam-no com outros olhos. pois conhecia as estratégias do Exercito Imperial. Entretanto não tinha outra vestimenta para usar. na maioria das v ezes. Era uma im agem que ele nunca esquecia. Estavam em fuga e as provisões acabado. explicando a razão de estar com aquelas vestes e afirmou que sobreviveu graça s a Sérgio. Sérgio pediu que confiasse nele. os líderes da revolução. Rapidamente. Ao vê-lo com Débora. Piedoso. Essa jovem trata-se de Débora. decidiu aderir à causa. Ali mentavam-se de pequenas aves que demoravam a cair nas armadilhas feitas. Nesse período. Mas aconteceu algo que Sérgio não previa: a filha do nobre charqueador apaixonou-se por ele. Certa noite em que a garoa pesada e fria os fazia se encolherem abraçados sob a capa e um arbusto. amizade e o nascer de um forte sentimento. atualmente seu irmão. foi realizada uma grande batalh a nas cidades de Rio Pardo e Caçapava. Em reuniões ou churrascos festivos dos líderes revolucionários. a jovem sussurrou ao implor ar para que ele não a machucasse. Mais uma vez o rapaz fi elmente o seguiu. Sérgio sabia que precisava se livrar do uniforme e de outros artefatos que o ident ificavam como sendo do exército imperial. Mais de trinta dias passados juntos.

registradas na consciência. mas ouviu o galope. Mas a anfitriã insistia para que Débora permanecesse com ela frente à lareira forte. irmã de Sérgio. Um homem encapuzado. Adentrou correndo na casa e confirmou que Débora estav a morta com um tiro no rosto. quando a port a principal da sala foi aberta sem qualquer ruído. enquanto o homem apontava uma pistola. No entanto Lúcia teve e tem extrema paixão pelo irmão. Sabendo da festa d e antemão. Para tentar encobrir o motivo da morte da jovem. naquela época. Após o enterro da companheira. mesmo assim buscou algumas peças de jóias valiosas. não falham por sermos os herdeiros d e nós mesmos. prometendo-lhe a s jóias que lhe entregou como pagamento. ela alimentava a idéia e os sonhos de relacionar-se sexualmente . Depois de um grito de lamento e das lágrimas que cor reram em sua face. Sérgio retorn ou para a estância onde Débora o aguardava. ele se calou. Por seus préstimos. dispondo da total discrição dos irmãos daquela ordem para au xiliá-lo. entrou exigindo jóias. Sem saber absolutamente do fato no qual foi injustamente acusado. Ela tremia. A jovem ficou enclausurada até que uma parteir a foi chamada para fazer o aborto. filosófica ou religiosa e passou a ser desequilibrada. filha do charqueador. As Leis de Deus. A jovem que planejou o assassinato de Débora. E esse comandante era o Marechal Sebastião. enquant o todos dormiam. Bento Gonçalves era um homem rico. Débora decidiu não ir nem comentar nada sob re o verdadeiro motivo.A fuga de Bento Gonçalves do Forte do Mar. Pretendia partir o quanto antes. A jovem ha via combinado com um funcionário da estância o assassinato de Débora. Bem tarde. Sérgio conheceu esse líder revolucionário que lhe pediu para prosseguir a seu lado. havia ficado grávida. ou seja. Os empregados estavam alvoroçados e a jovem contou que durante a noite. Não aceitou a juda clínica. morreu em se us braços. A jovem contou que o homem guardava as peças quando Débora se mexeu e ele atiro u. divulgaram que ela falec eu de desgosto e tristeza pelo abandono do noivo e por vergonha de sua deserção. mantendo Débora como refém. Pela versão da moça. ela e Débora conversavam animadas na beira do fogo. Queria Sérgio livre para poder conquistá-lo. conversando. ofereceu mais força e corage m às tropas republicanas. dizendo simplesmente que estava indisposta. pois sua trama fracassou. praticamente desfigurada. Essa moça. manteve contato com sua família e Sebastião soube que Sueli. Ficou totalmente desequilibra da por não esquecer o instante em que Débora. Sérgio a havia desonrado. cumpr imentou os oficiais farroupilhas e partiu. Quase todos os empregados haviam se recolhido . maltrapilh o e usando uma capa. viveu seus dias em silencioso pesadelo pelo ato criminoso planejado. dizendo que no festejo teriam muitos homens sem classe que se embebedavam e criavam pro blemas. reencarnou como Lúcia. Sueli morreu durante a realização desse crime hed iondo. um dos líderes da revolução deu-lhe considerável valor para começar ma vida nova e Sérgio aceitou. a casa estava vazia. Antes disso. Ele criou lojas maçônicas por todo o sul e preparou um serviço de correspondências secretas. Bem rápido. Mas já se encontra de volta ao plano espiritual depois de ex perimentar exatamente o que fez no passado. Tal fato era de indescritível vergonha à família. Wilson terminou a narrativa e Olívia explicou: Lúcia reencarnou como irmã de Sérgio a fim de se desprender do sentimento insano e obsessivo que tem por ele. Sérgio não suportou o golpe. ele montou um cavalo que não deu para ver. mas naquela noite foi convidado para um churrasco de comemoração na estância vizinha. No planejamento reencarnatório a idéia era de ela transformar essa possessividade em um sentimento mais suave e verdadeiro por ele. A filha do charqueador ficou em prantos. Somente agradeceu o anfitrião. com muitas experiências m ilitares em guerras. sua fil ha na época. ela ficou só. o que ela chama de amor. na Bahia. que foi obrigado a enfrentar o temeroso Conselho de G uerra. ter desejos inc estuosos. Para não desagradar o companheiro. O dia clareava quando a jovem filha do charqueador esperava por Sérgio e os dem ais fora da casa. Mas nada adiantou. mas nada disse. mas o rapaz queria uma vida tranqüila ao lado de Débora. não faltaram convite s insistentes para ele ficar. A vitória dos farrapos em Rio Pardo e Caçapava teve imensas conseqüências para o coma ndante militar da província. a jovem filha do charqueador convenceu Débora a não ir e ficar ali.

o rapaz não entendeu. Sebastião persegue Sérgio. Sérgio não admitiu nem aceitou as práticas vis e hedi ondas de Sebastião.Olhando-a. . Sentia pela irmã Lúcia o mesmo que por seus outros dois irmãos e nunca cedeu aos seus assédios. Sérgio o havia repreendido sobre os atos desumanos. a criatura egoísta e o rgulhosa acredita ter toda a razão. sregramentos bem comprometedores. o silêncio reinou por longos minutos a té Sérgio parar fazendo com que Débora permanecesse à sua frente.Respeito e amor A noite caia suavemente e o casal passeava de mãos dadas após saírem do cinema. com delicados contornos que Débora estava usando. Apertando-a contra si. Ainda segurando-a com carinho. um dos instrutores avisou: Tivemos uma grande lição. Desejos. mentora de Débora.completou Olívia que mesmo na espiritualidade. desertado do exército. Quando estivermos em dificuldades. Não adiantou. Sérgio. . Nós sabemos .. que passará por provas e tent ações. . lembremos de Jesus que nos ensin ou: Pai. E voltando-se para o grupo. Com fé em Deus e acreditando que nada nem ninguém têm mais poder do que o Pai da Vi da. Tanto Sérgio quanto Débora serão incentivados a cometerem erros. Sérgio a beijou com toda a força de seu amor. Seus pe nsamentos estarão invadidos de idéias e inspirações que podem levá-los à prática de falhas. Mas. ele já tentou ajudar Lúcia.com o próprio irmão. a nimalescos e selvagens em batalhas desnecessárias. que seja feita a sua vontade e não a minha .. ele se elevará espiritualmente e concretizará a que veio nessa reencarnação.riu. Depois de um instante paralisada. . é nos ver prejudicados. Agora. alegre e desconfiado. Sérgio riu gostoso. Era algo que lhe proporcionava prazer. . força de vontade e bom ânimo para que se elevem nessa atu al experiência. os mentores e os demais se despediram e f oram. deixando-os em um estado que os faça cair em des espero e culpa . . indecente por seu vício repugnante de atacar e violentar mulheres e crianças. Atualmente. ela afirmou estampando felicidade: Eu também te amo. Foi então que o espírito Sebastião passou a dominá-la atr avés dos pensamentos. que o repreendeu. Sebastião era torpe. Pas sos calmos e com o balanço das mãos entrelaçadas.. ele explicou: Talvez você acredite que é cedo para eu dizer isso. incrédula. mas ela não contro la a idéia fixa de seus desejos. Ele está subindo!. entre outras coisas que sua con sciência imagina.Após os esclarecimentos. E rogamos para que nossos amigos Wilson e Olívia vejam se us protegidos munidos de fé.ex-clamou enquanto tentava segurar a roupa. caindo em desgraça como eles. a consciência de Sebastião alardeava cobranças constante e ele acreditava que isso era por culpa de Sérgio. O silêncio reinou. Dizendo isso. O que foi? . sábio e rudente. O espírito Sebastião quer vingar-se de Sérgio por el e ter abandonado sua filha. mas. meu protegido. Sérgio é um espírito equilibrado.explicou Olívia... na verdade. O principal desejo desses irmãos. Mas isso nunca aconteceu .tornou Wilson. pediu desculpas e reparou mais detalhadame nte em seu vestido branco. Eu quero te dizer uma coisa. Por essa razão devem os lembrar que o desejo no bem é prece a Deus e as bênçãos nos chegam como conseqüência do ue pensamos. Os belos olhos verdes do rapaz brilharam ardentes enquanto ele sorria. Colocou-a no chão. leve.. Lúcia não passa de mais uma vítima escravizad a por esse obsessor que a usa contra Sérgio. enganos. sem instrução. a jovem se atirou em seus braços e ele a sustentou no ar rodopian do uma vez vagarosamente. ameaçando levar aquilo ao conheci mento dos altos postos do Exército Imperial. Pode me colocar no chão? É que meu vestido. eu te amo. 8 . sentiu o coração acelerado e declarou quase num sussurro: Débora. sentimentos e vícios típicos de pobres irmãos sem evolução. Antes desse reencarne.Observando a expectativa guardada atrás do sorri so da jovem. desencarnada. obscen o. mas. e achou graça ao vê-la pedir r indo de modo constrangido ao falar com jeitinho delicado: Adoro ficar em seus braços..perguntou a moça com um jeito manso.. O que Wilson contou foi somente um dos combates covardes e bru tais praticados por Sebastião. . ao passar as mãos discretamente na silhueta de seu bonito corp . Com gestos suaves. Desencarnado.

. eu só vou buscá-la na universidade.. pois andou batendo em tudo pelo caminho . Débora. O foco da clínica será voltado para a Psico ia...insistiu diante da demora.Eles brincara m e riam até ele falar mais sério: Débora.riu.. Nossas famílias não se conhecem e. você acha que eu precisarei conversar com seu pai para deixar claro que nós não estamos brincando e que nosso compromisso é sério? Eu não queria falar sobre isso. Quase tive um infarto! Você acredita em reencarnação? Acredito! Quando nós nos trombamos na escadaria da delegacia e você me segurou pa ra eu não cair. Parece que eu já vi essa cena antes. Não brinque com isso. Eu não gostaria que co ntinuasse dessa forma.. ela alinhava o vestido quando ele elogiou com grande satisfação: Você está linda! Obrigada . senhora! .. Acredito que arrumamos um bom lugar e só estamo s aguardando o trâmite das documentações. quando não. eu e mais três legas vamos abrir uma clínica mesmo. como já te falei. não ganharei o sufi ciente para sustentar todos os meus gastos. riu com gosto.ela correspon deu alegre.. Não. Mas creio que conseguirei conciliar o horário com o serviço na polícia e com o agendamento dos pacientes.ela retribuiu da mesma forma. começaram a caminhar enquanto conversavam. florais. é o seguinte.. com modo meigo e educado . mas. Tudo bem! Eu assumo a culpa.. Abraçados. saímos sozinhos ou com a Rita e o Gustavo. eu darei um jeito. estamos direto na casa da R ita. Também senti algo muito forte! Uma coisa que não sei explicar! Sabe. quando clinicar como psicólogo... levo-a para o serviço . E o serviço na polícia?! Não pretendo continuar por muito tempo na polícia. entre outras coisas.exclamou perplexo.interrompeu-o. eu sei. Que bom Sérgio! Fico feliz com isso! Mas.. depois ele comentou bem sér io: Débora.. terapias alternativas como acupuntura.. teve uma visão do futuro. Nunca usei esse vestido quando saímos. esses planos para a clínica são para curto prazo. Nossa Débora!. O rapaz sobrepôs o braço em seus ombros. Quanto à minha mãe. Depende das condições financeiras.. . Sinto falta disso e g ostaria que fosse diferente. mas com suave sorriso.brincou ele. . homeopatia. Você pode ter visto uma cena do passa do ou. Tenho consciência de que no início. Desde que começamos a namorar não freqüentei mais a sua casa e você nunca foi até a m inha. às vezes sinto como se a conhecesse há muito tempo. Desde que nos vimos pel a primeira vez me apaixonei por você! Queria vê-la novamente e senti uma angústia por não me dar o seu telefone! Eu sei. Teremos um setor para massagens de r elaxamento de diferentes tipos. menina!. antes. Não imagina como fiquei irritada comigo mesma por não te dar o telefone da minh a casa! Como fui idiota! E a minha curiosidade para saber se você tinha alguém!.beijou-a com ternura. Mas ao saber que você estava lá em casa para me devolver aquela past a!.. Eu te amo muito .o. no entanto não vamos nos limitar só a isso. eles conversaram mais a respeito. Veja.. por isso quero ser bem tr ansparente quanto ao nosso relaciona-mento.. Como assim?! Nossas famílias oferecem resistência a aceitar nosso namoro.. .agradeceu com jeito meigo. riu.. precisa tomar cuidado.. o nosso namoro.. Olha que vou aceitar a sugestão! .. apertou-a junto a si e a jovem o enlaçou p ela cintura. foi uma cena que eu já tinha visto antes. Mas?. seu guarda! Pode me levar presa! . Agora. Retire esse nós nos trombamos ! Foi você quem bateu em m! Aliás. Seus olhos se fixaram e ele afirmou novamente: Adoro você. . Amo-te tanto.. mas. Ah! Seremos três psicólogos e um médico psiquiatra que foi nosso profess or na universidade e um verdadeiro mentor! Tem tudo para dar certo! No carro de Sérgio. Sérgio .. Esses colegas são de confiança? Sim são! Nós temos várias idéias em mente.

mas ela prosseguiu: Meu pai vem propondo que eu tenha um compro misso com o Breno. Não fique assim. Sérgio ponderou: Vejo que temos muito que conversar. Reparando um comportamento estranho na jovem. Não estou entendendo. Confie em mim. Gritamos um com o outro e o clima está péssimo lá em casa desde q uando eles retornaram da Europa.. Precisamos dar um jeito nessa situação.. Precisamos esclarecer muitas coisas com urgência. Débora estava com o olhar perdido e seus pe nsamentos pareciam bem distantes. sentando-se ao seu lado.. Pouco depois. Precavido. Chegou até a me ameaçar. E sperou-a beber alguns goles e depois que lhe devolveu o copo. há algum tempo. colocou a bebida em um copo e a serviu. por favor? Ele abriu o frigobar. Nós brigamos muito. sua voz embargou. Se esse assunto é delicado e a deixa sensível.. naquelas férias no fim do ano que eu não quis ir. . Acredita que o patrimônio de sua família é o a lvo de um pretendente como eu.ela não conteve as lágrimas. Precisam os de um lugar tranqüilo. Com semblante bem sério. ele a condu ziu para perto da cama e pediu gentilmente: Venha. Abaixou a cabeça e passou as mãos delicadamente pelo rosto s ecando as lágrimas que correram. ta? Iremos para um lugar onde não nos Incomodem. . Levemente. . Sérgio. colocou-o sobre a mesa e quis saber: Algum problema por estarmos aqui. perguntou : Quer pedir alguma coisa para comer? Tomar um refrigerante? Pode me arrumar um pouco de água. eles adentraram ao quarto de um motel bem lu xuoso. olhou-a firme ao dizer. O que está acontecendo? . Vendo-a com dificuldade para se explicar. não é? . . Ameaçou fazer algo contra você caso nós não nos separássemos. Lágrimas rolaram.Ela obedeceu mecanicamente e o namorado tornou a fala r no mesmo tom: Dê-me sua bolsa .pediu comovido ao vê-la daquele jeito. pegou a garrafa com água. Ei!... Espere.. Sérgio percebeu-a sem ação e parada após os primeiros passos. Por ca . Sérgio deduzi u: O seu pai quer que se afaste de mim. eu já te contei muitas coisas sobre minha família.murmurou.. Podemos ir à casa da Rita . Fechando a porta e colocando as chaves do carro sobre um móvel.. Quer falar a respeito? É um assunto delicado e.questionou em tom bondoso. quase chorando. Então preciso saber. Não fique assim. Onde? . Sérgio. por causa dos no ssos encontros e. Já incomodamos a nossa amiga o bastante.pediu com ternura. Débora? Você está preocupada ou se sentindo incom odada com isso? Precisamos conversar. nada disse de imediato. com a mão em suas costas. não acha? Diante do silêncio. Certo? A jovem não o encarou. ele tocou sua face gelada percebendo um leve tremor que pare cia vir de sua alma. ele pensou um pouco e disse: Não vamos correr o risco de ficarmos parados em uma esqu ina conversando e esperando para sermos assaltados..Com os olhos marejados. Não é tão simples assim.. Descobri que a empresa d o meu pai fez e ainda faz negociações bem comprometedoras.Ao levar a bolsa para pô-la sobre o móvel. Nós não conversamos sobre esse assunto e se rá impossível fugirmos dele a vida toda.perguntou brando. Mesmo dirigindo..A verdade é que o meu pai vem discutindo comigo. . não vou levá-la a um barzinho ou restaurante para falarmos sobre isso . porém incrédulo. A voz de Débora embargou. Que razões o senhor Aléssio tem para propor um absurd o desses? O Breno e o Lucas têm uma grande empresa de importação e exportação de bebidas. Como?! . Tudo bem? A moça não disse nada.... . Só vamos conversar. fixou-os no namorado e revelou: O meu pai quer que eu me afaste definitivamente de você.. e quer vê-la compromissada com alguém de seu nível soci al.perguntou ela após algum tempo. Sente-se aqui.respondeu olhando-o de modo indefinido.ela sugeriu.

. ela reclamou indignada: Sint o como se o meu pai quisesse me vender..Débora silenciou por instantes. Ninguém pode obrigá-la a ter um compromisso ou se unir com alguém. Esfregou o rosto. Estamos juntos e eu quero protegê-la.. Quando eu sair da casa do meu pai. . Pelo visto ele é muito folgado. Eu não vejo motivo para tanta aflição. mas não queria que ela percebesse. poi s presta diversos tipos de serviços para a empresa do Breno. Por que não me contou isso? . Não fique assim. Ele a amava e nada comentou para não ser mais uma preo cupação. Ele a abraçou forte e afagou-lhe os cabelos.. Rico e.. desabafou: Era algo desagradáv el para eu te contar. Não estamos no século XIX! Com lágrimas a correr por seu lindo rosto. Seus pensamentos se corroíam por uma imensa revolta e raiva. eles querem que eu tenha um compromisso com alguém do nosso nível. porém não tinha como. ela disse: Existe algo muito mais sério acontecendo que eu não sei explicar. Há tempo quero fazer isso e acho que demorei demais. Além dos obstáculos que encontramos com nossa família. Daremos um jeito. apoiá-la em tudo. comentou como um a ameaça: Se é que ficaremos somente no diálogo! Ele está passando dos limites! Não. manda-me flores ou presentes.Nesse instante foi vencida por um pranto sentido e sufocado pelas mãos. Beijando-a com carinho. acomodou-se melhor. enquanto ele ficou pensativo. não faça nada. aumentaram as negociações. Em seguida.perguntou Sérgio calmamente. Com a voz embargada. E o que você fez? .. parecendo calmo. preste atenção.. Talvez o Breno ou mesmo o seu pai não a deixe em paz. Sérgio. eu viro as costas e saio de casa..sa daquele acidente de trânsito meu pai os conheceu. Ele sempre foi educado. Sérgio! Por favor. O Breno vem tentando se aproximar de mim e. Não existe razão para você querer conversar com o meu pai para tentar convencê-l o que nosso compromisso é sério ou coisa desse tipo.Encarando-o. Sérgio.perguntou num lamento. Quando fica para o jantar. Eu tenho uma idéia melhor. me criticarem por e starmos juntos.. O namorado estava preocupado.. reconheceu-os. Sérgio sentiu-se esquentar. A pressão lá em casa está muito forte sobre mim. como muitos ladrões. Não me assediou nem se impôs. pois meu pai sempre o co nvida. Você não está só.chorou. no entanto ele sempre vai lá a casa e passa hora s conversando com meu pai. Qual? Estou decidida: vou sair de casa.avisou um pouco alterado pelo ciúme.tornou o rapaz.Alguns segu ndos e revelou: Como se não bastasse não aprovarem nosso namoro.. O que quer que eu faça?! . Algo o incomodava e. Apesar da aparente fragilidade e delicadeza que a namorada aparentava.. o meu pai vive discutindo comigo por dispensar uma pessoa da posição social do Breno.disse ao interrompê-lo.. pois desejava ajudá-la. Por que não disse que estávamos namorando? Eu disse! Mas parece que ele ignorou isso.. Ao mesmo tempo. O senhor Aléssio está pensando em seu bem-estar porque é um homem r ico e. Passou a me ligar quase todos os d ias. pediu amoroso: Calma. deixando-a desabafar. Nem parece meu pai. . . ou melhor. Sentia obrigação de ampará-la. Sérgio v iu sua força para enfrentar aquela dificuldade. Depois de eles irem lá a casa o vínculo de amizade e negociação cresceu. olhando-a. sou eu quem tem de dar um jeito nessa situação. R ealmente. Repentinamente o Lucas e o Breno se uniram ao meu pai e à empresa. argumentou: Não se iluda. Só há uma maneira de resolver isso! Eu vou conversa r com o Breno! . sinto-me como se estivesse vivendo no século XVIII ou XIX. mas alg o está escuso. Ele disse que está apaixona do e não consegue me esquecer. É difícil brigar com gente assim! Eu fui firme pedindo para não me procurar mais. pegou as mãos d e Débora fazendo-a encará-lo e argumentou com voz calma: Meu bem. creio que teremos sossego. gentil.. Ele é muito educado. . .. E simplesmente ridículo o seu pai propor que tenha um comp romisso com o Breno só por prestar serviços à empresa dele. seria pio r saber que um outro cara tenta impedir ou incomodar o nosso relacionamento. ele não paga o que deve mesmo tendo condições financeira s para isso . .

titubeou. olhando-a nos olhos: Por que não me contou tudo isso? Principalmente o fato de ele pedi-la em casame nto. Mas. bem calmo. .Não vou falar com o meu pai por um bom tempo e o Breno. isso vai acabar quando eu sair de casa. é questão de tempo. Ameaçou ao deixar em dúvida de que es sa conversa talvez não ficasse só nisso. Desculpe-me. Porém. eu referi-me a ele reagir de alguma forma ou mandar um de seus capang as. seus seguranças me agredirem. por vingança. Por favor.. Ela entregou-se ao longo beijo apaixonado.. o Breno pediu para se casar comigo. Algumas vezes em que a peguei ou levei par a sua casa. Ele viaja muit o. o namorado perguntou. Explicou que viajaríamos muito e isso me fa ria feliz o suficiente para esquecer você. Meu bem. e afirmou bem baixinho: Débora.. perguntou com aparente tranqüilidade: O que o Breno te pediu? Não quero lembrar isso. . Isso nunca! E policiais que agem assim não trabalham comigo. eu. mas não sei se preci saria de tanta segurança assim..Em poucos segundos. Fazendo-lhe constante e delicado afago. fitou-a nos olhos. Não admito agressão gratuita. por acreditar em resolver essa situação de outra forma.. Fiquei com medo da sua reação e!.. . Talv ez como última tentativa... continuou parecendo aflita: Agora mesmo.. Sérgio. .pediu com voz terna ao interrompê-la. quando conversamo s.avisou. aqueles sujeitos têm típic a postura de bandidos. Acho que ele falou isso por falar. atento. mas vou ajudá-la e apoiá-la no que puder. Eu sou policial. mas contou com receio: Em uma das vezes. meu am or? . Te quero muito. Só diz qu e me admira e tem uma postura educada. Itália ou em outros lugares.. eu te amo. invadindo-lhe a alma. Quase não ficaríamos no Brasil. Não quis dizer que você era bandido. com sua grande habilidade de obse rvar minuciosamente o comportamento das pessoas. estou passando por um período de grande mudança em minha vida profissio nal. Sou f a você e tudo isso não passa de obstáculos que não vão interferir em nossas vidas. abaixando a cabeça. não sou bandido. abraçando-o com força e escondendo o rosto em seu .. Não pode associar uma coisa à outra. encostou a face em seu peito e falou quase chorando: O Breno não é agressivo nem me impõe nada. Isso me deixa intrigado. Tudo bem que o Breno é bem privilegiado. ao perceber que a namo rada não exibia mais sinais de choro ou tristeza no rosto tranqüilo.. Débora ... sentindo-a apree nsiva. sussurrava ele entre os beijos e sob o efeito de uma respir ação ofegante ao envolvê-la como que ria sob si e seus carinhos.. Na ver dade. Recostando-se no ombro de Sérgio. por você ser policial.. vi os seguranças dele nos observando... conte-me tudo o que aconte cer. Desculpe-me... Estavam sentados lado a lado e Sérgio controlava imensa revolta e indignação. Calma . Tem uma vida social bem agitada por conseqüência dos seus negócios e passa a maior parte do tempo na Suíça. mas não o traí.Ela agarrou-se em seu pescoço. Errei por omitir.. eu preciso saber em que estamos envolvidos e com quem. Não te nte esconder o que aconteceu ou está acontecendo! É que.. comentou: Sérgio. Para mim.. quando disse de só haver um jeito de r esolver isso e que iria conversar com ele e.Abraçando-o pela cintura. Débora comentou: Sérgio. A troca de beijos e carícias foi duradoura até a jovem mur murar-lhe ao ouvido: Sérgio.falou sério .. Quando eu disse que talvez eu e o Breno não ficássemos só na conversa.. mas foi para me defe nder ou defender outra pessoa e em ato de serviço. Já precisei usar de força física.Erguendo o olhar e fazendo-o encará-la. Débora subitamente deteve as palavras e Sérgio. Amo demais. Isso é legítima defesa. Eu te amo. O silêncio foi absoluto. A moça ofereceu um sorriso leve e generoso ao tempo em que recebia um carinho n a bela face alva.Vendo-o calad o. . nós estamos tão bem! Eu te amo tanto e não queria preocupá-lo ou magoá-lo. Bem.. enquanto ele a abraçava e em seguida deitou-a cuidadosamente. ele segurou-lhe o queixo... afastou-se vagarosamente e perguntou em tom generoso: Está tudo bem.. Quando ele me pediu.. para mostr ar que era o melhor.. digo. Ela parecia angustiada e preocupada com a decisão dele. eu fiquei com medo que se irritasse e fizesse algo qu e comprometesse nossa felicidade. Omi ti por medo.. Você é a coisa mais importante que aconteceu na minha vida. ta? Meu amor. porém nunca f ui além do necessário ou usei de crueldade por vantagem física.. eles permaneceram em silêncio po r longos minutos. ..

. suspirou fundo e olhou em volta como não se recordasse imediatamente de onde estavam. Espera. seus beijos. Eu. A moça ainda escondia o rosto em seu ombro permanecendo imóvel.. Ajeitando-a cuidadosamente na cama. trocar de roupa e sair para resolv er uma coisa o quanto antes. Só que.. Frente ao espelho. Vejo que tem dignidade e é por isso que estou aqui. amo r. . Sérgio.. . meu amor. sussurrou amorosa e com ce rta vergonha: Por estarmos em um lugar tranqüilo. aproximou-se dele e pegou-lhe o braço colocando-o em torno de sua própria cintura. perguntou. que dormia abraçado a ela. Olhando-o em sono profundo.ombro.. com toda a força de seu coração. Parece tão pensativa. Não quero que se frustre ou se decepcione comig o por eu ser sincera ao dizer a verdade sobre esse não ser o momento. seus c arinhos. Não! Você está certa! Eu entendo.. Só com você.. Em seguida. mas não me sinto preparada. aproximando-se: Você está bem? Sim. Eu disse que só queria um lugar tran qüilo e havia prometido. Eu queria sentir seu toque. Logo sorriu. Só que eu queria pedir para me acompanhar. estou. ela falou em tom brando: Não peça desculpas. surpreendeu-se: Nos sa! Meu vestido está todo amassado. sentiu uma pitada de arrependimento. seu respeito por ela.... Você tinha algum compromisso? . ele resolveu: Vou pedir o café da manhã e depois iremos. afagando-a com delicadeza. Eu não fui legal e. Sérgio tirou-lhe o cabelo do rosto com gestos sutis de carícias. Claro! Mas preciso saber o que pretende.. aca lmando-se e entendendo aquele momento. Desculpe-me. Após a lguns minutos. pára! ..murmurou. desejou que aquele momento não acabasse. abraçou-a com carinho e a b eijou dizendo com voz rouca: Bom dia. continuou d eitado ao seu lado apoiando-se em um dos braços. admirou sua dignidad e.pediu com leve sorriso. pois o queria muito.. Sérgio se virou e puxou-a delicadamente fazendo-a se deitar sobre ele.. na sua compreensão por eu não me sentir prep arada e. Hoje é sábado ..pediu em tom arrependido. meu amor. Sérgio . enquanto ele afagava suavemente suas costas com carinho. deixando-a de frente para si. olhando-o nos olhos. . falando baixinho e envergonhado: Não precisa se justificar.. Não pense que só por estar em um motel comigo deva se submeter a qualquer intimidade. Apoiando-se sobre seu peito. o rapaz disse com brandura: Desculpe-me. Já amanheceu. Tomada de uma sensação estran ha ao lembrar que haviam passado a noite ali. Afagando ternamente seu belo rosto e o braço. envolvendo-a e se deixando envolver como el a queria.falou de modo meigo. quase murmurando: Não esto u pensando nada.. Não quero constrangê-la e não vou forçá-la a nad Fui precipitado e.perguntou com jeito maroto. Primeiro não se desculpe. a jovem se levantou enq uanto ele permaneceu deitado por minutos.. Eu te quero também. Ela sorriu com doçura. por não forçá-la a nada. Sérgio sorriu e nada respondeu. por favor... tomar um banho. ..... Sentando-se na cama. Débora. Eu te amo muito! Eu também te quero!. Quero chegar a minha casa. Depois explicou.. Por amá-lo.. Por um segundo.. *** Uma luz pálida clareava suavemente o quarto quando Débora se deu conta de estar d eitada sobre o ombro de Sérgio. O rapaz abriu os olhos lentamente.. Dormi um sono tão pesado. Pode ser só assim?.avisou com jeito gracioso.. Roçando-lhe o rosto com os lábios. Acho que perdemos a hora.. ela o chamou ba ixinho: Sérgio. Sei que não vai me forçar a nada. Bem. Somente trocaram carinho e conversar am bastante até adormecerem. Confio em você.Observando -a em profundo silêncio. Deixou que seus lábios se encontrassem com amor e a abraçou.. Desculpe-me. desejo qu e seja algo bem especial..

. como aconteceu hoje . Longo tempo depois a jovem retornou. Às vezes bato em meu irmão Tiago e. abraçou-o forte e disse ao ouvido: A cada minuto eu te adoro mais ainda! Só uma coisa. O Tiago ainda freqüenta a academia e é faixa preta. .. mas riu imediatamente ao brincar.Visitar três ou quatro apartamentos em vista para alugar.sorriu. Depois sorriu e fitando-a de um jeito apaixonado. frustrado comigo. Não fico muito à vontade quando estamos em lugares públicos ou na casa da Rita e também não gosto da idéia de ficarmos parados d entro do carro. acariciado sem ter de me preocupar com nada. em que a invadia com seu olhar. mas para mim serve e eu gostaria da sua opinião. .. fique aqui! . olhando-o nos olhos. desculpe-me por essa n oite. Débora ficou na ponta dos pés. sem razão alguma.. Nenhum. continuou: Eu menti para você quando disse que só usei de força física quand o necessário e por conseqüência da função. pode ter certeza de que vou controlar meus desejos e.. expressou-se brincando: Imagine! Uma hora e meia para mim não é nada! ofer .. o rapaz caminhou até a janela cuja vista dava para um pequeno jar dim de inverno e continuou silencioso. Sustentando uma denotação d gravidade.. . Sérgio esperou no interior do veículo en quanto ela entrou. por questão de segurança. às vezes eu agrido. Nós precisávamos de privacidade para conversar em um lugar tranqüilo.. Vou com você sim. Não demorou e logo foram embora. poderemos voltar aqui outras vezes para conversarmos... Estacionando em frente à luxuosa residência.Ao vê-lo com semblante sério e muito r eflexivo por longos minutos. esmurrando-o no peito com suave delicadeza. Sabendo que a levaria p ara casa e passariam o dia juntos. ao vê-la segurar o riso no semblante brav o e continuou com ironia: Então.Br eves segundos.. Rapidamente ele a envolveu em seus braços e a calou com um beijo. sou agredido e. que tinha o dom de exercer forte atração. Sérgio perguntou: Você se importa se eu tomar um banho antes de irmos? Lógico que não! Vai lá! E você. Você está decepcionado. Se você concord ar. mas parei .respondeu o namorado com um sorriso irônico. O u só dormirmos. deixando-a preocupada. perdoe-me por te trazer tantos problemas. Você não fez nada errado. beijado. beijando-a. Dizendo isso. É que já fiz arte marcial..Vendo-o se virar e fic ar à sua frente.. Nunca vou forçá-la a nada..expressou-se rindo. Bem. sabia?! O namorado riu com satisfação e a abraçou.riu. Sentindo o coração apertar. Conversaram um pouco e brincaram enquanto tomavam café.. Mas estou sa tisfeito por tê-la abraçado. Será com o você quiser. perguntando animada: Demorei?! De jeito nenhum! . Seu safado! . Se voltarmos aqui ou formos a outro lugar tranqüilo e seguro. Nós temos um equipamento de ginástica em casa e sempre que podemos nós fazemos corridas. trocarmos carinho... Explicando no m esmo tom.falou sério. E. Saib a que me senti muito bem por sua sinceridade ao dizer que não estava preparada.gargalhou gostoso. confessou generoso: Não vou negar que te desejo. Débora foi à sua direção e argumentou com certo temor: Sérgio. não diminuiu o que sinto por você.exclamou sério. Eu te amo. por eu não.. Assim como eu. ela falava mais detalhes de seus planos enquanto e le reparava as suaves mechas de seus cabelos que reluziam como ouro sob a luz do sol matinal. E. * * * A caminho da casa de Débora. Todos são pequenos. Você me deixou nervosa. O fato de não ter acontecido um amor mais íntimo. E como. Débora. malhamos e depois luta mos.. Como assim?! indagou inquieta. Apanho também. enquanto a embalava suavemente de um lado p ara outro. ela perguntou: Algum problema? Não. continuou: Por favor. você desejava que f icássemos juntos em um lugar mais à vontade no sentido de não ter alguém por perto. Débora . Eu a respeito e quero que confie em mim.. falou com ternura: Pare de me pedir desculpas. .

Às vezes fico p ensando que o verei em um hospital ou.pensando no futuro. Mas. E eu..eceu largo sorriso... Além disso. De jeito nenhum. E é um dos mais baratos! Ah! Vou alugá-lo! . Só que minhas costas estão arrebentadas por ficar sentado aqui n o carro. mas. Serei bem sincera. E por você ser a culpada. Nem minha família sabe que tenho uma economia razoável guardada há tempo.. divertindo-se ao rir gostoso. Antes de entrar na universidade.. com fome! .. ajudava e ajudo nas despe sas lá de casa.quis saber.. Eu gosto de segurança e a situação está sob controle.reclamou o namorado. Não pagavam bem... Por que acha que demorei tanto? . eu tinha dois empregos. Mas?.sorriu. mas. Tenho tanto medo de que te aconteça algum a coisa! Por isso você poderia pedir para sair logo desse serviço. No carro. não cons . Desculpe-me! É que estou tão animada!. Ora. logo no início da noite.. antes de irem.. Puxa! Na verdade.Alguns segundos e continuou: A situação ficou difícil quando en trei para a universidade. Mas. De qual gostou mais? . pois eu posso te emprestar um valor.riu gostoso.Levantando-se rápido. Do terceiro. a moça se queixou delicadamente ao se sentar: Ai. eu poderia ajudá-la.perguntou ele achando graça. .. Débora. Ele poderia fazer alguma coi sa e ter dois empregos.justificou com uma questão. O tamanho é ótimo. Sabe. Sempre fui preve ido em questões financeiras.perguntou o namorado diante da demora. Ótimo! Mas vamos comer alguma coisa..f alou alegre.. Por isso. uma porcentagem do que recebia na polícia eu também poupava.Sérgio fingiu desmaiar e se jogou sobre ela. você sabe da história e não vou me desgastar.expressou-se feliz. animada.. pois logo será resolvido. já que a família está aumentando e. Você não acha? Não.. certo? Ele ofereceu belo sorriso ao dizer para não se chatearem: Pensei que tivesse demorado porque lavou os cabelos.. que brincou: Tudo bem! Vou socorrê-lo para um restaurante! Quer que eu dirija ? Deus me livre! . Só por ficar do meu lado e me apoiando!. . pois deixei de dar aula e precisava me virar só com o qu e ganhava como policial.. . mas eu nunca usei esse dinheiro. Ganho bem e tenho alguma reserva.indagou mais sério. vamos?! Pegou os endereços? Estão aqui! Sei onde ficam! Falaram algo por vê-la chegar agora? . Agora. Sei lá! Até você se estabilizar na clínica! Entendo o que quer dizer.. Pequeno?! . Durante o período que durou a graduação em Psicologia.. * * * O casal estava em uma cantina italiana e conversavam enquanto comiam: Se não fossem os gastos que tenho com a montagem da clínica. você não ganha tão bem lá! Dedicando-se mais como psicólogo poderá se estabili m pouco tempo e. fechando o sorris o. Sérgio. após verem o último da lista. Mesmo assim. Posso me manter com tranqüilidade. ainda estão molhados. Trabalhava na polícia e dava aulas de Informática em uma escola de comput ação básica.. d inheiro não é o meu problema.. Vou desmaiar de fome e a culpa será sua! .. me deve uma massagem! Vou fazê-la com o maior prazer! . acho meu irmão muito folgado.perguntou. Não vamos dar atenção a isso. E eu gostaria de saber por que não deixa seus cabelos mais compridos? São tão lindos! E mais prático assim! . Sem dúvida! Eu também! É pequeno.. Estou exausta. ele riu exclamando para mexer com ela: V ocê é capaz de atropelar outra viatura e o meu carro não tem seguro! Sérgio! O quê?! . espere... Não gosto de vê-lo trabalhando na polícia. O casal passou o dia visitando apartamentos que interessavam a ela.

Era tarde quando Sérgio levou Débora para casa e se foi. . Talvez amanhã à noite. mãe . Eu sei. Sér gio perguntou: Estava falando de mim? Ouvi meu nome.egui poupar nada.Sérgio se deixa dominar pelo ciúme Chegando à sua casa. Os gastos com livros e outras coisas eram grandes.. de uma adequação na parte hidráulica. servindo-se com uma xíca ra de café. Imediatamente. O que significa que as instalações contribuem p ara o que precisamos. Você?! . E é o doutor Edi son. porém consigo controlar tud o. perguntou mais séria: Te m certeza que não precisa de uma ajudinha financeira? Não vou mentir e dizer que estou nadando em dinheiro. Lógico! E sou bom nisso! . decoração. deitou-se e rapidamente adormeceu. mas nada disse. Cada um faz uma coisa. Por algum tempo conseguiram afugentar as preocupações q ue castigavam seus pensamentos. . de quem cuidará da acupuntura. em vez de empregar dinheiro. dona Marisa reclamou: Você deu para passar a noite fora de casa! E o dia também! Mas eu liguei avisando . encontrou seu irmão Tiago fazendo o desjejum e sua mãe falando sobre ele.disse com sinceridade. Foi usada p or uma clínica ortopédica e fisioterápica. mobília apropriada para determinados setores. ela extrapolou ofendendo Débora com acusações e nomes que feriam gravemente sua moral. Durante o trajeto. Em dado momento. falou desanimado: Não estou bem disposto hoje.exclamou sorrident e. Não sei como. Agora tudo está mais calmo. . Sérgio! Sente aí! . desper tou sentindo as mãos frias e a cabeça pesada. Tudo é dividido entre os quatro sócios? Sim. calmamente. Porém teve a impr essão de estar acordado. Deixando-se dominar por pensamentos que não l he pertenciam. Que tal treinarmos um p ouco? Se dependesse de você. Os dois estavam animados. Algumas vezes. Para afugentar o mal-estar. Ouvia sussurros. Deus o abençoe.. conte comigo . de especialistas em florais e outras coisas. quem controla as finanças. À medida que a senhora aceitava a influência espiritual. Bom dia. Ah! Eu quero conhecer! Não.pediu Tiago.falou com jeito manhoso. sorrindo. inspirando idéias que pude ssem gerar conflito entre mãe e filho. espíritos inferiores se alvoroçavam.. ele d irigia vagarosamente. Tudo está dando certo! E a localização? Ah! É ótima! . Na espiritualidade. meu bem . Pela manhã.disse animado.defendeu-se Sérgio. suas reclamações ficavam mais fortes e agressivas. malhar e lutar um pouco?! Acomodando-se frente ao irmão. Até me surpreendo por conseguir acompanhar com as despesas de um jeito ou de outro. dona Marisa não parava de se queixar fazendo com que o filho perdes se o apetite. Uma vadia como ela só pode passar a noite fora e. Bom dia! A bênção. experimentando uma onda de sentimentos que começaram a deixá-l o apreensivo. Não!. aqueles pesos lá na garagem estariam enferrujados! Vamo s dar uma boa aquecida. do fisioterapeuta. mas as despesas com a clínica estão sob controle. Aaa. Após tomar banho. Aquela noite não lhe serviu para o devido descanso. Alguns segundos. 9 .cumprimentou Sérgio. Um silêncio fúnebre pesava no ar.Virando-se para sua mãe. Se precisar. O João está cuidando da prestação de serviços terceirizados na parte de massagem. alguns reparos. senhora! Só a levarei lá quando estiver tudo arrumadinho! . Chegando à cozinha. Quem conseguiu foi o Nivaldo. sempre animado.. contribuo com serviços de mão -de-obra. Sérgio percebeu que não havia ninguém acordado.. divisórias. Estou cuidando da pintura. admirando-a.avisou com expressivo olhar meigo. É uma casa. ele se lev antou e procurou se recompor o quanto antes.. risos macabros e figuras animalescamente monstruosas.gabou-se. considerável médico psiquiatra. é.surpreendeu-se.

Sou homem suficientemente capacitado para planejar a minha vida e não um vagabu ndo como o Marcílio que vive à custa do pai e dos irmãos! Engravidar uma mulher é fácil! G ostaria que ele fosse homem suficiente para assumir as responsabilidades! Wilson. Falando com o a nimalzinho. de tanto levar bronca por chegar tarde demais.Entregando-o para Sérgio. Agora chega! Nesse instante. repreendeu: Agora a senhora pegou pesado. Sérgio! Esse é o momento! Diga tudo o que pensa. pois estava muito nervoso. inspirando-o: Essa discussão ficará pior.Chega. Dona Marisa não parava de agredi-lo com palavras e acusações injustas. As louças estremeceram e o silêncio foi imediato. Não tem amor por você. ele foi para o seu quarto parecen do irritado.reclamou Sérgio. Es tou pensando seriamente em sair daqui. pois não queria mais ter filhos! Você nunca foi querido e só serve como provedor para sustent ar os gastos deles! Sérgio não podia ouvi-lo.. A senh ra vive me provocando. ficou pensativo. Não demorou e Tiago entrou no quarto. o rapaz analisou sua mãe como incapaz de entendê-lo e qualquer tentativa para isso só iria desgastá-lo inuti lmente se continuasse a falar. Faz algum tempo que estou dando aula na ac ademia e às vezes os treinos terminam tarde ou algum aluno fica lá conversando e. Sabia que o bichinho o acalmava. Tiago! Agor a deu pra ofender a Débora! Não agüento mais essa vida! A mãe está nervosa desde quando você parou de ajudar financeiramente em casa.afirmou Sérgio com veemência. com extrema generosidade.Sua mãe nunca o considerou. abraçou-o p elas costas com um gesto paternal. meu irmão. mãe! . Mesmo sem ouvir seu anjo guardião. só recebo críti cas e ofensas. hein! Vamos com calma. acabo dormindo lá. luz e parte do imp osto da casa. Por um segundo Sérgio ficou atordoado pelo choque de energia salutar recebida.exclamou. Prefiro levar algumas broncas por considerarem que eu estava na farra a ser roubado pelo meu próprio irmão. tenha bom-senso você. desrespeitando minhas opiniões e sentimentos. Você fez bem. sentou-se na cama ao lado do irmão e pergun tou em tom brando: Está mais calmo? Como posso estar?! A mãe não me dá um tempo! Não tenho um dia de sossego. em vez de incentivo. Comentei com a Débora sobre eu ter trabalhado em dois empreg os. ele avisou: Vai lá. Fica frio . O que deixei foi de dar dinheiro para as despesas do Marcílio! .. Colaborei com tanta coisa e nin guém reconhece. Atirando-se sobre sua cama. Passei muito sufoco para me formar em Psicologia e estou dando o maior dur o para montar a sociedade com a clínica.pediu Tiago com jeito ponderado. levantando-se ao mesmo tempo em que socou a mesa com ambas as mãos.gritou Sérgio. Percebendo ser inútil ficar ali. aproximou-se e. não suportava aquela sit uação. Só que não conto nada aqui em casa ou meu dinheiro será sugado! Eu não tenho dó deles como você.Bre ve pausa e o rapaz desabafou: Ele e a Ana precisavam de dinheiro para a compra d o mês e eu ajudava! Faltava leite para as crianças.. mas tais idéias chegavam nítidas aos seus pensamentos. ta? Não vou admitir que me trate mais assim. Não consigo mais ficar nesta casa. Eu pago as contas de água. mãe! . sentando-se.revidou à senhora. Se ela ainda não tem bom-senso. o mentor de Sérgio.. Agora. Você não passa de um moleque! Moleque?! Depois de todo o esforço que me viu fazer para ter uma vida melhor?! É isso o que eu pareço para a senhora?! Um moleque?! É isso mesmo! Você nem foi homem corajoso o suficiente para constituir uma família! E um covarde por admitir que não queira ter mulher nem filho! . Lembre-se de que ela mesma disse que quase o abortou. não! Chega! Tenho que cuidar da minha vida. Tiago havia se levantado e enquanto ouvia o irmão foi até a gaiola e pegou o rati nho de estimação. Virando-se para a mãe. Sozinho terei menos despesas e mais sosse go! Eu te entendo. Sabe. Eu fui um tonto! .. Tufi! Conta para o seu dono que fui eu quem deu o maior trato na sua ga iola ontem e hoje! . Calma aí.. Espere aí! . o espírito Sebastião insuflava: Vamos. Puxa! O Marcílio sempre foi muito folgado. eu comprava! Até fralda comprei! A h. Ame e perdoe. falou: Eu ia colocá-lo na sua orelha . levando-o até Sérgio. Ele estava em pé ouvindo as queixas de sua mãe e não suportou ouvi-la dizer: Não vou admitir que grite comigo. cara! Já cansei também.

trocando o jornal ..gargalhava. Pelas informações dos parentes e morador es só haviam aquelas duas pessoas que foram socorridas.. Ah!.riu. Tia go defendeu-se: Ta bom! Eu sei que dá para limpar a gaiola e alimentar o Tufi sem tirá-lo de lá. De um desabamento. sabe Tiago! Por quê? .perguntou Sérgio.. Lógico! Qualquer força será bem-vinda! Mas você não está na escala vespertina? Não. É t riste. Ah! Outro dia aconteceu algo curioso.. Os cachor ros foram usados para encontrá-las mais rápido. Não pensei nisso.. meu! Nossa! Aquilo é min ha vida! Não me sinto policial! Enfrentando fogo. Brincar com ele ou pôr medo na mãe? .. às vezes. O peso da terra era enorme.expressou-se Sérgio. incêndios. Como está a clínica?! Brincando com o rato. . Tudo pra você está bom. Sentado. E o Tufi parou ali p ara comer. jogou-se para trás de tanto rir e contou: Outro dia... ..... com respeito a uma vida. mas os cachorros ainda far .agradeceu. A mãe me xingou tanto! . Mas toma cuidado para ele não escapar. na insegurança e sem a despedida.. . ele refletiu um pouco e falou encarando-o: Eu te admiro..Tiago agitou-se com a lembrança de sua travessura. . A m morre de medo dele. Tiago gargalhou gostoso.. eu vi dois se abraçando.. Pra pegá-lo dá um trabalho!. pois é você quem a faz. Tiago perguntou com jeito maroto: E aí? Conta. desabamento.lembrou Tiago.. Que coisa bonita. . mas não quis incomodá-lo e o deixei aqui no quarto. Ela sentiu algo em seu pescoço e passou a mão várias vezes. explicando os procedimentos. a mãe deu um grito! O coitado se assustou e saiu correndo na minha direção para a ponta do sofá!. porém disfarçou. Se fizer isso. ela cuida do Tufi.. . Por que você não estuda.Vendo o irmão afagar Tufi.. Estou de manhã. ela estava vendo televisão e eu o coloquei no encosto do sofá!... Ela ficou invocada com o que passava em seu pescoço e puxou pensando que era alguma outra coisa.. Mas quando pegou o Tufi na mão. mano..Sérgio sorriu e reparou: É engraçado. em choque. contagiando o irmão ao narrar suas peraltices. Que nada! O duro é quando o danadinho sai do meu ombro. mas. Eu nunca vou me esquecer da ação do grupamento do Corpo de Bombeiros que tirou a Débora das ferragens retorcidas..Após alguns minutos de silêncio. . Eu me agachei e coloquei uns ped acinhos. A mãe nem piscava.. água.. Amanhã! .ria divertindo-se. Provavelmente sobreviveram por lhes restar ar debaixo da parede que caiu sobre elas.. lógico.. os rolos e pincé Quer ajuda?! .. a vida será agressiva com você. Só uns pedacinhos de queijo no encosto atrás da mãe. Depois comentou: Viu?! O Tufi confia em mim! Correu para a minha mão. Sem tirá-lo da gaiola. cara! .. mas reconfortante não deixá-los na dúvida.. sorrindo desconfiado.Antes de o irmão comentar. quando a tiraram do carro. quando tenho tempo. Parecia não haver hierarquia e.. É! Esqueci que amanhã é segunda-feira! . É tão gratificante poder quebrar uma parede e tirar alguém das chamas. De relance . está ótimo.. não resisto brincar um pouco com ele. sorrindo admirado. Já comprei as tintas. olhando-o de modo generoso.hoje cedo.perguntou com estranheza. meu?! Por que não procura algo melhor? Faz um curso universitário?. Eu a vi colocando comida. comemorando. Sabe... Sempre agradeço a Deus quando conseguimos salvar uma vida . Não adianta brigar com a vida. fumaça.. Co nversavam. Adoro trabalhar no Corpo de Bombeiros. E recompensador socorrer uma pessoa que e stá se afogando ou mesmo encontrar um corpo desaparecido nas águas ou sob um desliza mento de terras para entregá-lo à família a fim de que possam lhe dar um último adeus.ri a.. me agarrou. desce para o chão e corre te procurando. Fi ótimo! Obrigado por cuidar do Tufi pra mim . Eles estavam preocupados. mas quando percebe que eu não tive tempo nem você. O comandante da operação estava com lágrimas nos olhos. não a forçaram para arrancá-la de mim.. como você. o outro respondeu com um ânimo imediato: Ficando ótima! Vou pintá-la na semana que vem. Acho que não é um serviç fácil.. A Débora. Houve um deslizamento de terra e felizm ente encontramos duas vítimas com vida..tornou Tiago. estava tão atenta à novela e não percebeu que era o rabo do Tufi. . enchente. emocionados. Houve uma mudança de comando e alteração na escala.afirmou Tiago com b rando sorriso e olhar brilhante. hein. Atuavam com amor.. as eles cuidavam da imobilização de sua perna.

Sérgio segurou cuidadosamente sua face delicada e tornou com baixo volume na voz g rave: Prometemos dizer a verdade um para o outro. Violeta! Foi o nome que demos a ela e através de votação! O dono não foi procuráa e ela se tornou mascote lá no grupamento. preocupou-se. . você está com muitas preocupações com sua família. minhas costas. Sim. porém sinto-me mais livre. Não. Ao contrário. Ela e o namorado estavam as sistindo a um filme deitados no tapete da sala e apoiados em almofadas. Sérgio estava satisfeito com a clínica. com a clínica! Eu não que e levar mais problemas! Você não é um problema para mim. nada conseguia separá-los. cavavam mostrando que tinha mais alguma coisa ali. Mas. Já brigamos bastante. Os cães insis tiam. contra você! Por que não me contou? Quando foi isso? Meu amor. surpreso com a procura e o interesse das pessoas pelas diversas terapias.perguntou curioso. Espere.. Todos cuidam com a maior atenção da Violeta. O Breno a procurou? Procurou-me.Vendo seu rost o pálido enrubescer e a moça fugir-lhe ao olhar. Havia ameaça de outro deslizamento há qualquer momento. o que deixou o senhor Aléssio furioso. Houve muita discussão antes e depois de sua mu dança. o amor e a confiança entre eles aumentavam e os uniam cada vez mais. E ela perguntou: Quer ma is pipoca? Ah!. Diminuímos o número de bombeiros em risco e começamos a tirar a terra com cuidado. Sérgio? Você está tão longe.respondeu. aliviando seus pensamentos da discussão com sua mãe um pouco antes e das preocupações com os problemas de família. A única c oisa que a coitadinha não gostou. E vocês a socorreram? .contou Tiago com expressiva alegria. O que foi.O rapaz tinha o olhar perdido e os pensamentos distantes . Sérgio! Um veterinário do canil da PM a atendeu. As coisas melhoraram depois que se mudou para cá? . sem ninguém para incomodá-los... procuravam um lugar tranqüilo onde pudessem conversar e trocar carinho com segurança. Só quis saber se eu estava bem e. O apartamento alugado ainda não tinha toda a mobília. E o Breno? . Violeta?. Não estava atento ao filme nem ao que a namorada dizia.riu. Ficou boa e entrou nas vacinas! . Ele não perdeu a classe nem me fez qualquer pr oposta. O senhor Aléssio está mais calmo? Parou de me culpar por sua decisão? Não conversamos mais. Ele não ligou? Você não procurou falar com ele ou com sua mãe? Não. esse é o método dele para se aproximar. Olhando-a profundamente. sim. E está melhor assim. Débora. . Ai. *** O tempo passa célere. Débora.. independe nte e isso me trouxe tranqüilidade..perguntou com jeitinho. Esse rapaz não é equilibrado para insi tir tanto assim! Ele é obcecado por você! Não sei o motivo.. Um não freqüentava a casa do outro e por isso quando não est avam na companhia de amigos..quis saber ele. choravam... Tem que ver como é inteligente! Só falta f alar e brinca pra caramba! Sérgio se distraía com o que o irmão contava.. questionou bem calmo e sério: Sei que venho perguntando isso com freqüência... Como te falei. *** Apesar dos obstáculos com as famílias que não apreciavam o namoro entre Débora e Sérgio . Levantamos uma parede de madeira caída e encontramos uma cachorrinha! Fi lhotinha! .resmungou a jovem baixinho ao se remexer.ejavam. mas acho que esse cara vai tentar algo contra nós. Débora deixou a casa de seus pais. após leve sobressalto. obrigado . no começo estranhei um pouco.. . engessou uma das patinhas e nós a levamos para a unidade. E depois?! Ela precisou tomar antibióticos. o que nos deixava bem preocupados. mas.. . Deitado ao seu lado. Não vejo a hor a de entregarem o sofá. Lógico! É uma vida.

Das vezes em que. segurou-a com força. mas se controlou e perguntou: Por que você atendeu as ligações do Breno? Não olh ou o número no visor do celular? Ele tem uma empresa grande.. Estava pronto para ir embora. Marcar c om ele em outro lugar.perguntou em voz baixa. A primeira vez. Estav a incrédulo. que chorava.. ele perguntou secamente.ela chorou...um prant o copioso a interrompeu. dispensou o Breno e?.Sentando-se ao seu lado. Virand o-se e vendo-a sentada no chão sob o efeito de um choro silencioso e sentido. . Suspirou fundo.. a não s er. As pessoas qu e passavam. Ele nunca me ofendeu. murmurando sentido ao encará-la. O que eu poderia fazer?! Ele me entregou o maço e eu segurei! .explicou. Sérgio sento u-se rapidamente e reagiu com austeridade ao interrompê-la: Como é?! Vocês se encontraram e conversaram?! Quantas vezes vocês saíram?! Não pensei que fosse protestar dessa forma! . ves tindo-a..perguntou. Débora! O que queria ouvir de mim?! Parece que sou sempre o último a saber! Não!.. sua mentora... respondeu no mesmo tom: Não! Saí de lá por você.... Envolto por energias pesarosas do espírito Sebastião. . Que idéia você teve. que o inspirava.sussurrou.. ela contou: Fiquei con. Caminhou alguns passos e ficou olhando atra vés da janela para não encará-la. Mesmo chorando. em tom arrependido: Ele foi até a com panhia imobiliária e me esperou sair.. disse que queria ser meu amigo... saberem que namoramos eu. quase impiedoso: Você aceitou as flores. . atendi o celular e conversamos. Caminhou até a mesa. Inspirada por Olívia. conversamos na frente do prédi o e ele me pediu perdão se culpando. Flores?! . .. esqu eceu? E o Breno por sua vez não deixava de freqüentar sua casa. Generoso por... Recebi incontáveis recados dele e todos bem gen tis.. apertando-lhe os braços ao . O espírito Sebastiã não oferecia tré-gua.. . que não conseguiu envolver e falou entre as lágrimas.. lembrou-a: Seu pai desejava que terminássemos para você assumir um compromisso com ele. Não se preocupe. mas não hoje!. Eu estava envergonhada. Que se exibi a gentil.gritou Sérgio. Até se culpou acreditando que eu saí da casa dos meus pais por causa dele. prosseguiu: Pelo fato de muitos ali te conhecerem. E . Os números são diferentes a cada ligação.. escondendo o nervosismo. Eu dispensei o Breno e. Constrangida. Algumas colegas ficaram me olhando com aquelas flores nas mãos. Ele me procurou pessoalmente e das vezes em q ue nós conversamos.Mas o Breno é! O namorado estampou nítida insatisfação por ela ter omitido o fato e insistiu mais sério: Quando e quantas vezes ele a procurou? E o que disse? Ta bom! Se quer saber mesmo!. Puxa! Eu precis o atender o celular! Trabalho com isso e dependo desse emprego mais do que nunca . Confusa. e mesmo com a voz entrecortada.sua voz embargou e era difícil conter as lágrimas. esqueceu? Porque meu pai queria que terminássemos! Em tom baixo. Não me surgiu outra idéia. Veja como você está?! Estou me sentindo enganado.. Sentia uma fúria nunca experimentada. Sérgio sentiu-se transtornado. sem querer.falou sob o efeito do choro que t entava segurar. E não foi?! Encarando-o. ele decidia o que fazer diante daquela traição... às pressas. por me verem com ele que. Débora?! Soluços quase a impediam de falar. Débora se levantou. Sérgio!. castigando os pensamentos do rapaz com as piores idéias. pegou as chaves do carro e a jaqueta. Co m os pensamentos fustigados e extremamente contrariado. Por que não me contou? . Mais o que...Sérgio sentiu-se esq uentar. segurou em seu braço forte e enrijecido. Sérgio se levantou. Foi o mesmo q ue receber uma facada no peito e ver seus sentimentos destroçados pela decepção.... e o abraçou pelas costas implorando: Por favor.. parec endo implorar por compreensão... o Breno foi educado. Débora? . Perdoe-me! Não aconteceu nada! Só conversamos! Ele se virou de frente para ela. dissimulando o ciúme.. Eu ia te contar.. Virou-se para a janela novamente sem olhar para Débora.

. mas não o fiz quando tudo aconteceu por medo de você reagir fu rioso contra o Breno. eu não tenho as cólicas.gritou para despertá-lo.. gritando: Eu pensei em me livrar do Breno com a mesma classe que ele exibe! Então pedi pa ra me encontrar num bar. Não teria como eu engravidar. Espere aí . te l evou flores e que você marcou encontro com ele?! Está escrito: idiota.ele pediu com baixo volume na voz estremecida. ali perto. desculpe-me pela reação irracional.ele sussurrou. Estou envergonhado pelo me u comportamento. mas. mas.. Ele reagiu oferecendo leve sorr iso. Eu menti para me livrar dele. Débora. fitando-o nos olhos. Mas. Sou eu que devo pedir desculpas. perguntou firme: Você contou isso para a Rita? Contei. explicou com voz morna e apaixon ada: Lógico que não existe bebê algum. que esperar um filho seu me faria à mulher mais feli z do mundo! O namorado permaneceu alguns minutos parado à sua frente concatenando as idéias. . Por favor.pediu extremamente humilde e acanhado. Eu disse que sentia muito! Qu e ele era uma cara legal! Mas que eu amava você! Disse que a nossa amizade seria d ifícil pelo fato de você ser ciumento! E. pôde ver as lágrimas correr no r osto do rapaz.Tornou. parecendo ainda estar sob o efeito de choque. É que não suporto a idéia de vê-la com outro.. o quê? . Nunca houve nada. Acariciando-lhe os cabelos finos. mas acho que funciono u. Ficou petrificado. imp edindo-o de sair e contou rápido. Não esperei para ouvir tudo o que precisava contar. ... Sérgio. não mênstruo nem eng ravido. no dia seguinte.respondeu. ela aguardava uma manifestação.... e abraçou-a com força . Mas não posso negar que seja meu sonho. murmurando com sorriso leve e doce: Quero terminar a faculdade. porque nu nca nos relacionamos! Segundo.. você me enganou . Estávamos lá sentados em uma me sa na calçada... ao vê-lo pasmado ainda. disse que queri a ser meu amigo. apesar de gostar muito de mim!. ela continuou com lág rimas correndo na face pálida: Eu não queria que você brigasse com ele! Já tem muito com o que se preocupar. afastando-a um pouco. Sérgio! Eu só queria resolver essa história com o Breno da melhor mane ira e de uma vez por todas. na minha test a?! Sérgio a largou com um leve empurrão e ia embora.. Não pode esperar um filho meu.. tenho medo de que algo aconteça com você.. ta? .. Débora. explicou. a jovem pediu chorando: Desculpe-me. abaixando o olhar ao tempo em que ele a segurava. Passando a mão delicada com suavidade ao apará-las.. Desculpe-me. Com o coração acelerado. . enquanto usar esse hormônio.murmurou.Respirando ofegante. Ao me ouvir dizer que estávamos felizes por esperar um filho. ele empalideceu e não disse mais nada.lhe dar um leve chacoalhão e. O Gust avo também deve saber. Não! Vez e outra eu te pergunto sobre o Breno e você diz que está tudo bem! Então isso é t udo bem para você?! Por que não me contou?! Aaaaa! Mas contou para a Rita!... puxoua para si e perguntou bem calmo: Ele te procurou novamente? Não .. por eu usar uma medicação para impedir as cólicas terríve is que sinto e.. com toda aquela generosidade. Eu te amo tanto. Mentiu par a mim.. E eu?! Somente agora me diz que ele foi gentil. chorando junto com ele: Eu ia te contar... . Fui pr ecipitado demais. Eu sorri. Sérgio! Eu mo rreria!...Afastando-se do abraço. levantei e fui embora. . Você não pode estar grávi a. Sei que errei por esconder os fatos.respondeu firme. sentindo-se ferido e decepcionado. olhando-a com um brilho lacrimoso nos belos olhos verdes. enquanto a envolvia com um dos braços... Com a voz abafada em seu peito. vê-lo bem estabilizad o e. arrumar um bom emprego. Vendo-o confuso. Débora se colocou à sua frente.. Eu falei que te amava m uito e que nós dois estávamos imensamente felizes por eu esperar um filho seu! Sérgio levou um choque.. Mas.Mais branda. indagou: Acha que sou louca?! . Primeiro.. Eu sei! . Encarando-o firme e séri a. Além disso. tremia ao revelar : Com toda a força e verdade vindas do fundo do meu coração.. em público! Quando ele.

Não consigo ser ágil sob ressão e. Agora eu entendo. Para ser sincera. fique à vontade... O passado não me importa nem me incomoda. entende? Não me sentia preparada. Se não o incomoda mesmo. confusa e tre mia. por favor.quis saber generoso. falando em voz baixa: É que eu jurei nunca mais entrar em um motel. Não pense que a estou pressionando. Por quê? .. . quando ela o deteve e encarou-o.. Eram amigas e se davam muito bem. quando fomos ao motel pela primeira vez. O que é? Débora. O que fiz foi agressão. não pr ecisa contar nada.pediu com jeito generoso ao pegar o braço da namorada e levantar a ma nga da blusa.O namorado obedeceu e ela tornou fala ndo no mesmo tom: Agora vem. ta? Ele lhe fez um leve carinho na cabeça e ia puxando-a para um abraço.. Só quis pou pá-lo de problemas. Isso é passado e não quero vê-la magoada. Isso não podia contecer. Era algo mais sério. Na verdade. Fui precipitado demais e. eu sempre quis te contar isso. Cerca de três anos antes de te conhecer.. Tem algo que me incomoda . Sérgio.. abaixando o olhar. Tudo bem .falou sério com o semblante triste. Seus olhos ficaram marejados e Sérgio pediu com ternura. Não foi isso o que fiz. Débora . Vem cá. Olhando-a firme.. Tem alguma coisa que queira me perguntar.. A partir do momento que decidimos ficar juntos. Eu quero contar. falou firme e. eu me sentia envergonhada. comovido. Estava nervosa... Porém. Tem algo que ainda queria me dizer? .Deixando-se conduzir.. fal ou no mesmo tom: Se não quiser me contar. pedindo com jeitinho gracioso ao sorrir: Tire a jaqueta e deixe essas chaves aí.tornou ela mais séria. Vamos terminar de assistir ao filme. . mas eu regulava. Estávamos juntos há alguns meses e nos gostávamos... Sérgio? . Ela engoliu seco. Vem cá.. Apesar de ser algo superado.. Parecia com medo. . Se quiser fazer pergu ntas. Contei tudo o que precisava saber.admitiu.. perguntou com bondade: Tem certeza de querer falar sobre isso comigo? Se você já superou esse fato.. eu namorei um rapaz. Sou .expressou-se com leve sorriso. Sérgio as aparou e. Vendo-a pensativa. sinto uma dor no peito p or você ter falado que eu o enganei daquela forma. Ele sempre insisti a para uma relação mais íntima. você rea giu de uma forma muito estranha. Perdi o controle emocional e a razão. fazendo-lhe um carinho no rosto gelado. ao entrarmos no quarto.. sobre o que nos diz respeito. Nossa s famílias se conheciam. Talvez seja alguma experiência p essoal a qual não me deve explicações. propôs: Acho que não é o momento ideal para colocarmos uma pedra sobre esse assunto e esq uecer tudo. mas nada sério.indagou com voz branda e olhar enternecido.sorriu. tudo bem. . afagando-a o rosto. Não. Eu tinha acabado de faz er dezoito anos. É.. você precisa saber. Isso não pode acontecer! Eu não conseguia falar e você me pressionava só com o olhar. Às vezes. sentou-se ao seu lado e confessou: Eu também estou envergonhada por omitir o que fiz. Estou com vergonha.revelou. Estou me sentido tão mal!.Encarando-o.. . Qua ndo surgia oportunidade.. sentiu a voz travada e duas lágrimas deslizaram por sua bela face.. Pare com isso. Sempre lembro disso e. quero te contar. perguntou: Machuquei você quando a segurei? Não!.. sem se deixar envolver pelo abraço. ao mesmo tempo em que examinava. Não sei explicar o que senti na h ora. Você é ciumento! ...Beijando-lhe a testa. acho que devemos deixar tudo bem claro entre nós. continuou: Tive alguns namoradinhos. Débora aproximou-se.riu suavemente ao falar. tentando abraçá-la: Esquece. . ele argumentou: Eu te adoro! Podemos ser bem felizes juntos! A jovem o beijou nos lábios e o puxou pela mão. puxando o braço. o rapaz acomodou-se no chão novamente e ela perguntou enquanto preparava o equipamento para retornar a ver o filme: Está com fome? Não. Não tinha chance e.

tive me do disso atrapalhar nosso envolvimento. e tranquei a porta. Pedi que fizesse alguma coisa. Quase atacada. Eu chorava ao contar para o meu pai o que aconteceu. mas me senti sufocada. Depois argumentou: Precisávamos de um lugar tranqüilo e seguro só para nós. Estava insano e tentou me forçar a ter relação. fui me acostumando e o admirava. Meu bem . Demorou. Ela o encarou e seu rosto iluminou com um lindo sorriso de satisfação pela fideli dade do namorado. O diei meu pai a partir desse dia. por isso decidi tomar um banho. Peguei as chaves do carro e fui embora. com medo e fui para casa. me jog ando na cama. mas ele me segurou. de vidro. Eu te queria tanto. pois.. vi que ele havia feito uso de drogas. Levei um sus to quando esmurrou a porta. que com as carícias eu te excitava....Demonstrando-se bem aflita. respeita minha insegurança até hoje. ele falou: Desculpe-me fazê-la relembrar tudo isso e também por agir daquele modo quando fom os ao motel pela primeira vez.. Débora abaixou o olhar e Sérgio perguntou.. mas não me senti preparada. Mas eu desejava que não fosse a um motel. Mas. confusa. Isso me martiri a.. Entende? Lógico! Sérgio. entregou-se ao abraço de Sérgio. Segundos de silêncio em que se entreolhavam e Débora falou calmamente: Na primeira vez. Quando olhei. ao chegarmos ao quarto. Confiava mais e mais em você. Consegui pe gar um cinzeiro grande. trocamos tanto carinho. e lágrimas rola ram num choro silencioso. mas decidi que teríamos mais intimidade. Depois. Fiquei nervosa e aos grit os brigamos. Pedi para q ue fosse tomar um banho. .. que estava no banheiro. eu estava com medo sim. Ele não deu importância e continuou.. pois eu não era qualquer uma pa ra ser tratada daquele jeito. nós ficávamos tão à vontade! Quantas vezes me deixou tira seu vestido.. digno. Levant ei. pois acho que fiquei com algum trauma. Estava nervo sa. ele me levou a um mote l muito luxuoso.interrompeu-a de imediato. eu me arrependi por só ficarmos daquela forma. você foi tão leal.. Não era o que eu queria e mudei de i déia.. Eu sei que me desejava. Ao sairmos de lá.perguntou Sérgio diante da demora. Larguei a faculdade de Direito.. porém nem me ouviu e. encontramos com amigos e nos diver timos bastante. Chegamos ao quarto e me sentia s uada por dançar a noite toda. . Naquele di a fomos a uma casa noturna onde dançamos muito. afastando-o de mim.Longa pausa. Minha decepção foi imensa...Lágrimas correram e sua voz embargou. enquanto eu adorava acariciar suas costas. mesmo com as lágrimas insistentes. Decidi sair e encará-lo.. Eu sabia o que ia fazer em um motel e.. Imagino que deva se relacionar com outra mulher. Das outras vezes em que me l evou lá. a moça continuou: Ele estava eufórico. Depois fique i mais à vontade. Não me deixaram sair do motel até ele atender ao telefone do quarto.sorriu generoso . Sérgio a acariciava com ternura. lógico que nossas famílias eram amigas. Pensei que iria me tratar com car inho. todos tinham dinheiro ! . Fiquei apavorada. disfarçando a indignação: Ele a violentou? Não! Mas eu estava atordoada.... me bateu forte e eu não conseguia reagir.. pois isso só serviria de escândalo em nosso meio social. Nunca mais vi aquele cara. eu sugeri e. vendo-a recomposta. mas você sabia como me envolver e se controlar. não pre cisaria prestar queixa. Ele caiu d esmaiado. Ele me viu com a boca sangr ando. E sobre mim.. e bater com toda a força em sua cabeça. Mas.. mas não.. s .. que a agasalhou em seu peito. se não houve estupro. pedindo para que parasse de agir daquela forma. . Conversamos bastante. com brandura. Quantas vezes me frustrei. Eu estava ansiosa e até nervosa. sem dizer nada. o quê? . pois e le é advogado! Porém meu pai disse que eu era maior de idade por ter acabado de faze r dezoito anos. Então o empurrei com força. Não! Não existe outra mulher na minha vida! . Só d epois fui embora.. sem relutar.falou com ironia..... . fui correndo vestir minha roupa.. pois estava me forçando. Ele ficou furioso.Caindo em um pranto sentido e silencioso. Deitava-se de bruços. com hematomas no rosto e nos braços. me agrediu muito. Após longo tempo. .Débora suspirou fundo e contou: Como eu ia dizendo. Saí enrolada em uma to alha e pensei que ele fosse tomar uma ducha. Demorei um pouco lá dentro pensando no que fazer. ela contou com inflexão de agonia e des espero: Eu disse que iria embora.

Vou tomar um banho e iremos juntos..admirou-se ele ao olhar através da janela.. Sérgio pediu. * * * O dia amanheceu num ritmo lento e silencioso. Não tenho quase nada em casa . viu que a chuva caía sem trégua e o céu estava encober to por nuvens cinza. é muito tempo! Esse trabalho é arriscado! Eu falto morrer quan do sei que está em serviço! É questão de tempo. não se sentir frustrado e. Já era quase noite quando terminou.. certo. . que o amava e dando-lhe suave s beijos que o estimulavam. Eu também te quero. Pára. mas no fundo sentiu uma ponta de decepção. mas já começamos a obter retorno do investimento. Nunca o vi totalmente despido . Depois decidiu: Espera. Desejo-te tanto! Também te amo... murmurando. Tornar am a assistir ao filme.. Débora. e ele tornou a pedir: Por favor... Seis meses?! Sérgio. Tudo aconteceu como queria. Nunca a vi totalmente despida .ofereceu sorriso enigmático . como sonhou.respondeu. mas ficava imaginando e.falou com jeitinho. beijou-a e obedeceu.. Ai! Que susto! . meu amor! . tomou um banho e foi até a sala. Preciso dessa estabilidade financeira no momento. Afastando-se sorrindo.. Sem perceber que os minutos passava m... Sérgio comentou: Como você sabe. Eu te quero muito.revidou no mesmo tom provocante e adorava toc ar seu corpo. sobressaltou-se quando. ao ouvido.sussurrou-lhe ao ouvido com voz doce. Não sei fazer café e uco entendo de cozinha.disse. Sem suportar as carícias.. Eu adoro você e vou respeitar sua von tade até decidir pelo melhor momento. Posso não ter um bom salário como policial. Sei lá! O namorado a aninhou nos braços. sussurrando: Débora. Foi então que mergulharam em um oce ano de carinho e amor verdadeiro. Ela suspirou fundo. Mas. Pense bem. não vou traí-la com outra porque eu desejo você. Mas você é um psicólogo! Sócio em uma clínica que está dando certo! Sim. Por mai s forte que sejam meus desejos... eu faço questão! . a jovem avisou: Vou pegar uma blusa mais grossa e sair para comprar algo e café.. Tomei uma decisão sér . Um tempo depois. Sérgio a tomou nos braços. Dormiu bem ? Nunca dormi tão bem! . Sempre vou respeitar a sua vontade. só aceitava e não imagina como isso transformou meu modo de sentir e pensar.. .... Ai. A jovem o abraçou com força..murmurou com voz suave e romântica.perguntou com simplicidade. embalando-a e dando-lhe um beijo rápido.. Ela sorriu ao se lembrar da noite anterior. Ainda não parou de chover! . Mas o retorno do investimento ainda oscila. Geralmente uso o microondas para preparar pratos conge lados. silenciosamente. Sérgio chegou de mansinho e a abraçou pe las costas.. Sérgio. Pára. Então você vai sair da polícia? Acredito que daqui a uns seis meses. dormindo um sono tran qüilo e profundo.. mas é garantido. Débora acordou e sorriu ao ver seu amado deitado de bruços. a clínica não está dando lucros gigantescos.. Não. Bom dia. O mundo deixou de existir para eles.. Adorava acordar ao seu lado e esta r segura. enquanto f aziam o desjejum. Não precisa!.. Você não tem café em casa? ... Você nunca me forçou nem exigiu satisfações. deu meio sorriso e concordou. Puxa! Como eu queria te contar tudo isso! Mas tinha tanta vergonha. virando-se e abraçando-o. Ele sorriu..A moça não atendia. beijou-a com carinho e disse baixinho: Eu te amo. Então me leva para o quarto . Débora. Levantando-se vagarosamente para não acordá-lo. Fique tranqüila.. Olhando pela janela.admitiu sem graça. ou tro não... Há mês que ganho mais..entir sua pele macia e a massageava.exclamou rindo. Ficaram deitados sobre as almofadas por longo tempo e em total silêncio. Vo cê precisava saber para não pensar que eu o rejeito.

Se desprezarmos os chamados. Nós nos uniremos por uma decisão e não por uma necessidade. O ambiente lá chegou a um pont o insuportável para mim. Mas se a situação ficar difícil e. Você tem uma mãezona que o apóia e condições que eu não tenho. Isso será algo muito especial em nossas vidas. porém verd adeiro. olhou-a nos olhos brilhantes. Conseqüência de dois serviços . esse sempre foi o seu desejo. A casa está maltratada. após um relampejo de reflexões. para a minha família. vamos lá! .. perguntando com ternura: Tudo bem? Tudo. Fique tranqüila. Levo a sério o nosso compromisso. a vida tem um significado e nós temos de ficar atentos aos chamamentos para o que rejeitamos ou evitamos na nossa jornada. murmurou ele. mas nada que não tenha conserto! Gostei da sua decisão. Não é o m nto de sair da polícia? Desde quando o conheci. Sabe. Se é assim.reagiu de imediato. Pretendo ter um futuro promissor ao seu lado. Estou honrando e valorizando o q ue realmente é verdadeiro em meu ser e isso não é errado. eu respeito sua opinião. se você deixar! Eles se abraçaram felizes com a esperança florescendo em seus corações apaixonados. João. brigas inúteis ou sufocar-me ca lado ao ser desencorajado quando eu procurar ter paz e fizer esforços para ser bem -sucedido.comentou João. . desleal ou orgulhoso por recusar sua proposta. Estou decidido a me casar com você. vou me envolver nos entreveros. sim! Venho morar aqui.. sentando-se frente ao colega.animou-se um pouco. Débora não conseguiu segurar as lágrimas. você já conhece o drama . Débora. já é um herói! Sérgio sorriu. afirmando: Débora.a e vou precisar desse dinheiro agora. comentou: Não vou me sentir bem morando aqui. deixe ontar! .. Aí. Vou alugar uma casa e já tenho uma em vista. mas. Não quero mais morar com meus pais. mas agora não é o momento de vivermos juntos. . pode parecer cedo para eu dizer isso. Não sei ex plicar. . estarei ignorando e repr imindo o meu potencial deixando de atuar plenamente no que quero e gosto de faze r.. Todo aquele qu e se previne de riscos danosos.. sabendo que posso ser independente. Haja vista que e la saiu da casa dos pais. Não voltarei a morar na casa dos meus p ais. Estou tão cansado.falou sorrindo. D epois comentou: Quando eu deixar a casa dos meus pais. Que decisão?! .perguntou com leve contrariedade no semblante. entramos em desequilíbrio com nosso ser... meu bem. É algo que sinto. Conte comigo! Está na hora de se livrar do que o mantém cati vo e empreender sua própria jornada . princ ipalmente para minha mãe. Ele se levantou. Ei!.. Sentia necessidade de ser ouvido e viu naquele momento uma oportunidade: Já que o doutor João se dispõe a ser meu terapeuta.Pegando suas mãos por sobre a mesa.. vai parecer que eu quero buscar a perfeição.. meu amigo. Acho que sim. busca o domínio de si mesmo e empreende uma jornad a nova. Conseqüentemente. Essa opção de mu-dança é uma recompensa por todos os esforços que espendi. Nem preciso entrar em det alhes.. Não! .indagou com voz melancólica. as sim procurarmos descobrir o que podemos fazer para melhorar. Estou alugando uma casa e vou querer a sua ajuda pa ra algumas reformas! Não dá mais para viver com meus pais. Quero que seja desse jeito.. mesmo se dividirmos as despesas. Quero paz! E o que a Débora diz? Ela me apóia totalmente. Aliás. Não estou sendo infiel. Venha morar aqui comigo! Ele abaixou o olhar e. transformando-m e em outra pessoa para me exibir.. Sérgio? . Acomodou-se melhor em sua cadeira e falou em tom irônico. Acredita que não devemos aceitar as situações tais como são. ergueu-a. Mas não é o caso. Continuando a m orar com meus pais.concordou João com tranqüilidade. Por que.. que raramente reclamava. 10 Sérgio revela o assédio de sua irmã O tempo passou e Sérgio conversava com seu melhor amigo e sócio no final do dia. Eu adoro v ocê. deu-lhe um bei jo e a abraçou com carinho.sorriu.exclamou brincando. Quer evitar comentários e críticas? Talvez.

Essas mensagens do inconsciente sã . Sérgio riu de si mesmo. que o fazem ter m sentimento aversivo por aquela casa? Tudo começou quando meu pai comprou aquela casa.tornou o outro rindo. João.brincou o colega. depois pediu: Então continua. tudo me incomoda naquela casa. muitas vezes. o que se sabe é que. junto c omigo. a aparência que ela exibia era a d e uma morta ou o aspecto de depois de morta. eles são comandados pelo inconsciente. No sonho. O que. certo? sorriu ao questionar. Acredito que entendi a lguns detalhes descritos sobre as imagens e mensagens. pertencente à alma ou mente e de natur eza autônoma.. . a identificação com o contexto da vida da pessoa. temos de desemaranhar a ligação do sonho com a vida de quem o teve e descobrir o significa do das imagens e mensagens. preces e bo ns pensamentos antes de dormir ou a qualquer hora do dia. Prefiro chamar de sonhos . as diferente da instituída na consciência. aqueles que você não quer ter.. João! Não vamos esquecer que o poder do consciente é considerável quando a pe ssoa possui certo controle sobre ele. à mente e com uma racionalidade própria ou raciocínio próprio. o imagéti co. Para o mundo material e corpóreo. o simbólico. segundo. difíceis de compreender e mais ainda de analisar. Deveríamos ajudar o Marcílio. teve contato ou criou mental-mente através de alguma idéia sobre o que tenha ouvido. segundo as pesquisas.Sem esperar respo ndeu: Para que o inconsciente transmita ao consciente as mensagens ou imagens si mbólicas como manifestações involuntárias e espontâneas. você deve deixar seus pacientes malucos se usar essa linguagem! Pega leve! . os sonhos podem ser analisados por três aspectos diferentes. elas acreditaram qu e a resposta lhes chegaria através de sonho e assim aconteceu. . E. Mas como ia dizendo. Quero ouvir a sua opinião! Não posso chegar ao final da conclusão sem antes fazê-lo pensar e analisar. Do contrário. Nos últimos tempos. sim! . Por isso vai me ouvir. Eu tenho examinado a relação dessas manifestações em sonhos dentro de vários aspectos. fingindo não dar importância. a morte é o . ou seja. João comentou: Estive analisando esses sonh os que me contou. ou seja. que é a imagem. em outras palavras. João perguntou: Não são as constantes divergências em sua família. como já me contou.João riu.. até pesadelos horríveis eu tive! E eles se repetem! Sei. ol hando para o amigo. Sérgio. Muitos músicos.. Isso significa decifrar o recado que o inconsciente quer dar ao consciente.. mas não colocá-lo para morar conosco. doutor Sérgio.avisou Sérgio bem sério. Pesadelos! . e terceiro. vamos lá! Chega de aula! Você é meu colega há cerca de sete anos e conhece bem a minha vida. Espere. Porém. o que é certo ou errado.De imediato. João. Porém estou muito interessado em sua opinião . Fala assim porque os pesadelos não são seus. Como símbolo. Você sonhou com sua irmã que já faleceu. calmamente. em Psicologia. Anotei as principais situações que me contou e pesquisei o significado. o recado de você para você mesmo. O senhor sabe que o sonho é uma expressão psíquica.insistiu Sérgio com um tom engraçado. a morte simboli za o fim absoluto de qualquer coisa positiva que existiu. uma ex pressão pertencente à alma. Sabe. O sonho é um conjunto psíquico.exclamou sob o efeito do riso. Você me contou. o mesmo tipo de sonho não tem significado idêntico para duas pessoas. Será bem mais fácil traduzir isso dizendo que no so nho só existe o que a pessoa conhece.. aqui e stamos falando sobre os sonhos involuntários. você sabe que. Quero ouvir seu parecer clínico e veri ficar se é compatível com o meu . E isso acontece para quê? . I sso é muito raro! Só acontece em casos de premonições ou mediunidade. meu amigo. Independente disso. Qual a sua opinião sobre os sonhos ou pesadelos que se repetem sempre dentro do mesmo aspecto? Não tenha melindres. enquanto acordadas. inventores e figuras célebres realizaram seus grandes feitos depois das idéias lhes terem vindo após um sonho. ou melhor. Sem dúvida! Essas imagens são difíceis de analisar porque não podem ter igual interpr etação. Primeiro.Diante do silêncio. quer dizer que a consciência não comanda os s onhos. Va mos lá. mas sem recordar as aulas.disse Sérgio com grande expectativa. Mas é claro que isso funciona! Eis a prova do poder benéfico das orações.sorriu ao brincar. né?! . conforme aprendemos sob a visão do mestre Jun g4. Essa foi uma das coisas que você dest acou na imagem que me descreveu.

O rosto é a sede dos órgãos dos sentido s. Com semblante sério. pode simboliz ar a necessidade de matar o homem velho para que renasça um homem novo em você. A f orça de sua irradiação luzente ou da imagem opaca nos revela algo bom ou ruim. alimenta-se de seu medo e se revitaliza. Ao me smo tempo. Posso garantir que até agora o seu parecer coincidiu exatamente com o meu.. horrendos dos quais me sinto enoja do. Analisando como se os sonhos não fossem eus. dominando o medo. asquer osas podem representar seres animalizados de espíritos inferiorizados. Após um tempo. Assim sendo. por favor. da mente. através de você. desafia-o e deseja sua morte ou seu mal. Ora. pois em pequenos movimentos faciais a pessoa exibe as emoções e as opiniões se m palavras. O rosto deformado pode simb olizar o que não tem vida ou o rosto verdadeiro. E vamos recordar que Jonas foi engolido pelo monstro marinho. é enfrentar a tempestade antes que venha a calmaria.. quer amedrontá-lo.. sentindo suas energias sugadas é como se tivesse doado energias para esses seres monstruosos. a Lúcia chorava. o amigo pediu: Vai. a imagem de monstros devoradores eram símbolos da necessidade de renovação. Isso pelo fato de minha irmã se apresentar sofrida. principalmente em um c aso como esse. mas não tenho medo algum. que se destaca cada vez mais. como já contei. Isso lemos em Ezequiel e Jonas. Ao acordar indispos to. as criaturas disformes. pediu de modo profissional e educado: Por favor.manifestou-se Sérgio. ou um grande peixe. João. Eles possuem carac terísticas disformes. João. vivem juntas ao mesmo tempo. Devo admitir que não seja fácil dar uma opinião a um colega. mas com aspectos monstruosos. que perdera m a forma humana. os seus pesadelos com criaturas monstruosas e disformes podem significar a sua renovação. João parou por instantes observando atentamente Sérgio. Tanto é que vo cê se assusta ao despertar ou sente como se não tivesse dormido. ofende. na Bíblia . Isso faz com que eles continuem existindo e ganhando fo rças. com o rosto disforme pelo tiro cujo orifício estava com vermes e a pe le se desfazia como em decomposição e. ele é o símbolo do mistério conforme a aparência. nesses pesadelos vejo a minha irmã em um estado lastimável. Lembre-se de que estamos falando de um recad o simbólico de você para você mesmo através do sonho. Crei o que chegaremos a um ponto culminante e é aí que eu gostaria de saber o que você pôde c oncluir. pois esse homem monstruoso. Pode ser algo do passado. você falou em medo e que esses seres monstruosos se revitalizam ou ganham f orças com o meu medo. sabemos que a morte e a vida são duas forças que coexistem. mais sensível do ser e a mais visível de todo o corpo. Eu te conheço. do presente ou do futuro. que não demonstrava qualque r reação. fraca. Existem outras imagens de criaturas disformes. Sérgio. Bem. Em minha opinião. Ele é rev elador. E lógico que fico em grande expectativa com tantas mudanças acon tecendo em minha vida. como lemos em outros textos. Lembre-se de que. concordamos . programando sua vida. o homem monstruoso e horrendo que o agride moralmente. O mundo desse homem monstruoso dos seus sonhos não é o mundo exterior . mas o mundo da psique. são espíritos com tendências vis. Como psicólogos. você sabe que o rosto representa um desvendamento da personalidade.continuou com tranqüilidade . O monstro pode significar que você precise passar por provas para superar dific uldades.. é a parte mais viva.aspecto perecível e destrutível da existência. do espírito. João! Continue. vemos que o monstro tem o simbolismo de uma força irracional. Até aí. Ah! Lembrando aquele que se destaca. desordenadas. mas ele saiu de seu ventre profundamente modificado . eu acredito que a mensagem foi a minha entrada num mundo desconhecido. mas infelizmente infernal. nos sonhos. Veja. tenebrosas. Como sabe. E o passar pela escuridão antes de chegar à luz. sem ânimo. Sérgio! O medo pode ser exteriorizado não exatamente com o sentimento de cov ardia ou vontade de fugir de uma situação existente neste instante. maltrapilha. Em c ivilizações antigas. malévolas. ele pode simbolizar a evolução do espírito das trevas à luz. As aparência s são de humanos. Sérgio . Nos sonhos. mas ela nunca está sozinha. evolução se vencer suas dificuldades. Mas vamos lembrar . prossiga. a cada momento. Sei que não tem medo d desafios e os enfrenta com facilidade. Pode significar a entrada em mundos desco nhecidos dos infernos ou dos paraísos. parecendo liderar os demais. da alma. além disso.

Não acha? Isso é possível. como lembrou. Em seguida. pois isso significa um recado no nosso inconsciente. ao brigar ou discutir. a inquietude. na verdade. sua irmã precisou experimentar essa situação e seu desencarne não foi precoce. Os motivos desse tipo de apresentação podem ser vários. Isso acontece muito no plano espiritual. Como psicólogo e espírita. o humor. sua irmã cultivava ou sofria sentimentos interi ores extremamente perturbadores. tudo pode ser uma distorção da re alidade e a anima pode ser venenosa. Vamos lembrar que essa mulher pode não ser sua an ima. Gostaria qu e me explicasse. fazendo -o desanimar diante dos desafios. Esse monstro é a sua so mbra. João! Sei que você é espírita. deixando-o sem determinação. parecend em estado lamentável para inquietá-lo e perturbá-lo através do sonho. para mim. a intuição. depois de algum tempo. Lógico! Não quero brigar! Eis a fonte de energia que você tem para alimentar o ser monstruoso de seus son hos! Analise! As brigas. a perversi dade. muito pensativo. Até outro espírito pode se apresentar como a Lúcia. as discussões e entreveros o deixam exaltado e irracional . induzir aos erros. Não sabemos sobre os desígnios de Deus. atr avés desse sentimento. a meu ver. isso demonstra que por trás da personalidade apresentada em vida. como falamos até agora. a s manifestações negativas de observações maldosas que diminuem o valor do homem. Independente de ser simbólico ou espiritual. se parecer com sua irmã. Mas. de acordo com a evolução desse espírito. a Lúcia reagiu desnecessariamente a um assalto. é fria e impiedosa apesar do sofrimento. sou espírita e sendo assim acredito em sonhos simbólicos e sonhos espirituais. a capacidade de amar. induzir e influenciar o desejo de um homem em su a transcendência. Não acredito que sejam sonhos apenas simbólicos. Espere um pouco! Você está falando do ser monstruoso no sentido simbólico ou de um espírito na definição exata da palavra? Isso é você quem precisará descobrir. João suspirou fundo. depois argumentou cauteloso: Sua irmã desencarnou por um tiro no rosto. Esse tipo de apresentação não é casual. ela. para Jung o feminino é chamado de anima no aspecto i nconsciente. a sensibilidade.que você tem medo de brigas e conflitos familiares e quer sair da casa de seus pai s para fugir disso. vampiriza-o. Algo que corroia sua mente e agora pode tê-la vis to com o rosto real. então. tirando-lhe a coragem para conquistas positiva s. como espírito. ela o suga. O sonho com a anima mostra as tendências psicológicas do homem para com os s entimentos. e plicou: Meu caro. Em seus sonhos. Eu temia que ficasse sensibilizado. devemos mudar nosso padrão d e pensamento para melhor. O rosto representa muita coisa. Diante disso. pois não encontramos exp licação dentro da Psicologia Analítica ou da Psicanálise para muitas coisas. Segundo a versão de quem estava junto. a aparência de sua irmã é deplorável e destaca-se o r osto em decomposição. Minha irmã pode se prender ainda às impressões do corpo pela morte precoce. o que podem ser essas aparições perturbadoras nes ses pesadelos repetitivos e com o envolvimento da minha irmã falecida. É muito bom vê-lo analisar a anima colocando de lado qualquer sentimento pelo fat o da mulher. no sonho. Chegamos aonde eu queria. Eu sinto. . o sonho é seu! . De repente. você cede energias a esse ser e ele ganha forças. mas sim um espírito e exibir-se sofrida para que você tenha piedade dela e. sem vontade. Além disso.riu João.. Sérgio. Então experimenta sentimentos de angústia e grande conflito por essas divergências. sob a visão espírita. em sua elevação. Quando um homem sonha com uma mulher ela representa a sua anima. Um espírito feminino pode guiar. Ou. que é a anima representada em seus sonhos. Simbolicamente. o seu lado sombrio. Envolvendo-se nelas você sabe que perde o controle emocional e.. Afinal. Essa interferência pode ser para o seu bem ou para o seu mal. quando temos qualquer so nho desagradável ou acordamos nos sentindo desanimados. pelo modo como agiu. Já li muitos artigos e livros espíritas. Estou certo de que vejo o plano espiritual. comentou: Dentro da Psicologia. sente-se muito mal pela sua atitude. E ssa mudança comportamental é fazer nascer o homem novo. foi um d esencarne precoce. principalmente a título de estudos complementares. revitaliza ndo-se e se alimentando através de você e de seus pensamentos.

chegando a berrar com Sueli.. mas não mentalmente! Eu me afasto dos falatór ios. Minúcias foram narradas e João ficava atento a cada particularidade do amigo. dizem de si mesmas: Ai! Pobre de mim! Eu f aço tanta coisa. O que foi? Já é tarde e tomei demais o seu tempo.. nós nos fortalecemos e cont inuamos a auxiliar melhor os outros. com que freqüência esses pesadelos têm se repetido? Posso ficar uma ou duas semanas sem sonhar. que ficou muito reflexivo e distante. hoje. Tudo bem. O alerta é para eu domin ar meu medo e ter forças para o nascer do novo homem. esses pes adelos podem ocorrer duas ou três vezes e até noites seguidas. Do ponto de vista da P sicologia. Aprendemos que nós. Preciso observar a situação sem me altera r.. meu amigo. mas por enquanto ele só está analisando. analisou rapidamente o que ouviu. É verdade! . Analisando esses sonhos só posso co ncluir que meu inconsciente quer dar o recado ao meu consciente de que estou pas sando ou ainda passarei por mais desafios e dificuldades. o estado.sorriu. Iss o é provocar. a manifestação que r eprimo em mim emocional e fisicamente. com todo o conhecimento a dquirido. pois tenho medo da minha reação. mas. João.Sérgio ficou pensativo. cara! Poderia ter agredido qualquer pessoa. sofro tanto e ninguém reconhece! Se convivemos com criaturas desse t ipo. Somos seres humanos também! Por isso todo psicólo go deve fazer terapia.concordou. Elas. R ealmente. já que não podemos mudá-las. vamos lá. assim como nós. não a deixa ndo explicar. Venho conversando com o doutor Edison sobre isso. Ol hando para o colega. concordou: Primeiro você me derrotou desvendando o meu medo exteriorizado através da fuga. Não vá se chatear com isso. Não sou tão brando como pareço e temo ficar sem o domínio do controle emocional. Devo assumir o controle das minhas emoções diante do que esteja aco ntecendo e não me reprimir ou sair de perto. eu preciso me renovar.riu. Esses pesadelos tendem a acabar à medida que eu encarar tais conflitos de forma natural e agir com . ficar irraci onal e perder a razão.sorriu. maior é a sombra. Contou sua atitude hostil. Ao procurarmos nos compreender. Deve deixar morrer o homem velho para que nasça o homem novo! Você sabe. psicólogos. Imediatamente o sorriso se desfez do rosto de Sérgio. Dentro do aspecto simbólico da psicologia junguiana. João! Vou reverter esse quadro! . temos dificuldades em encontrar a matriz. Por fim. o centro principal do proble ma quando estamos envolvidos nele. . eu destruo os seres monstruosos desses pesadelos horríveis com a minha mudança de atitude ao me relacionar com os problemas. Falou sobre esmurrar a mesa e confessou ter vontade de quebrá-la ao gritar c om sua mãe. você me deixaria aqui sozinho caso sentisse que eu precisasse conversar? Não. porém isso não é suf ciente para me ajudar.disse em um tom lamentoso e arrependido. Sérgio. criar uma aparência disfarçando a verdadeira emoção. em uma única semana. não tolero brigas ou discussões fortes. sem perceber. dificul dades e conflitos.riu. sorrindo amigavelmente. não significa sentir-se tranqüilo. Sérgio confidenciou ao amigo todo o comportamento estranho que percebeu em si m esmo. Preci samos ser indiferentes aos problemas que os outros criaram. sem precisar reprimir ou sof rer com transtornos íntimos através de pensamentos que me torturem. Muito inteligente. elevar-me das trevas para a luz. para algumas pessoas é prazeroso viver rodeadas de brigas. Mudar os pensamentos e não entrar em conflitos íntimos. Certo. . Sentindo-o com alguma dificuldade. Sérgio. detal hou o ocorrido entre ele e Débora quando a segurou com força e a empurrou. Eu saio de perto pelo medo de reagir e virar um monstro! . Isso não significa que tenha de brigar ou se envolver em discussões! Eu sei . Você tem razão! E sses seres deformados e monstruosos são a minha sombra. perguntou: Eu te conheço.. menos a Débora . Depois comentou: Estou vivendo um período de mudanças e transformações em minha vida. mudemos nós! Quanto maior a luz. mas não paro de pensar no que aconteceu e repito em pensamento tudo o que gos taria de ter falado. Então é isso. Sérgio? Está certo. Parecer tranqüilo. calmo e ter paz interior. nós dois entendemos a rep resentação ou a mensagem de mais de cinqüenta por cento desses sonhos.Breve pausa e continuou: Nesse momento de tantas mudanças .

Vendo-o silencioso. Assim serei tranqüilo e calmo. agora há pouco. Eu não posso dizer mais nada sem mais de talhes. Nunca falamos sobre a divergência que tiveram. aí. João! Ei. acomodou-se melhor. comentou c auteloso: Lembro-me de que. Você não poderia fechar a porta de seu quarto? . Respeitei seu desejo de si lêncio. . sentimentalmente falando. presente e amiga. Percebi que ela deixava a porta do quarto aberta. se ela fosse à representação da mi nha anima. Sérgio! Por essa razão psicólogos amigos não fazem terapia um om o outro. E onde você estava? Estudando em uma escrivaninha. de onde eu estava. Sei que é um excelente p rofissional e até melhor que eu!. Vou entender e respeitar. preciso de mais informações. Agora uma coisa me incomoda.. Para eu começar a analisar. Sérgio perguntou: E quanto à minha irmã? Como posso definir sempre a su a aparição ou envolvimento nesses sonhos? Pense comigo. nós somos amigos. acredito que não seria necessariamente sempre a Lúcia a aparecer em meus sonhos.garantiu ainda rindo. mas ela fingia não me ver. encarou o amigo e argumentou: Não tenho nada para esconder de você. Depois contou sob o efeito do riso: Só havia os batentes. Depois. cara! Estou bem à vontad e para contar tudo.. pouco antes da Lúcia falecer. p ropositadamente. Não me sentia dessa forma quando fiz terapia com aquele psicólogo que um professor indicou.. Deve lembrar que talvez não se sinta tão à vontade em me rel atar pormenores ou intimidades. Acredito que cresci e projetei em minh a irmã mais velha a representação de uma mãe.ofereceu o material. A casa precisava de muitos consertos! Incl uindo a porta do meu quarto! João riu com gosto pela expressão engraçada do outro e comentou: Isso não vai dar certo. Sérgio.. Sérgio abaixou o olhar e ficou pensativo por alguns minutos.detalhava de modo normal.. Que porta?! . meu caro! Você foi o melhor da turma! Sabe que não posso analisar mais nada s em mais particularidades. É questão de afinid . podia vê-la totalmente. muito forte. Principalmente depois de minha mãe contar qu e não queria mais ter filhos e não me abortou porque meu pai não deixou . A apar ição da Lúcia em seus sonhos não tem só a explicação no aspecto simbólico. No seu quarto. Sempre senti que algo o incomodava em relação à sua irmã. Consciente do que digo. Então. mas acompanhei o seu desespero quando soube do acontecido. A Lúcia sempre foi uma irmã dedica da. É bom se sentir assim! Você passa essa confiança. deu meio sorriso e contou: Minha mãe sempre foi bem d istante de mim. João.Sérgio não suportou e gargalhou da precariedade. . ficava por longo tempo acariciando o próprio corpo de modo sensual . mas sou capaz. na qual se enrolava após o banho. Você disse que eu conheço bem a sua vida. . mas isso não é ver e. Como psi cólogo. suspirou f undo. desmascarando o que sua irmã representava e disfarçava em vida. Vamos lá! Pegue esse bloco para suas a notações! . Foi nessa época que meu pai comprou aquela casa. Confiante em você e sendo verdadeiro n os detalhes. Sinto que existe algo espiritual. Entendi a necessidade da minha mudança e sei que será um grande desafio. Quando eu tinha mais ou menos quinze ou dezesseis anos de idade e estava mais voltado para as descobertas e curiosidades naturais sobre se xo. fre nte ao espelho. coisa que não considerei normal. comecei a notar algo no comportamento de minha irmã. coisa comum nessa idade.Ol hando-o firme. eu reforço que esse aspecto facial se refere às emoções interiores extremamente pe rturbadoras que a Lúcia cultivava e sofria. Que tipo de comportamento não considerou normal? A Lúcia se despia da toalha. em minha opinião.perguntou com simplicidade. uma vez que somos tão amigos e trabalhamos juntos. simulando passar um creme. Não é som ente simbólico.sabedoria. Nós estávamos na sa la de aula quando te avisaram e eu o acompanhei até o hospital e tudo mais. mesmo sabendo que. que a forma como ela se apresenta exibe a sua verdadeira per sonalidade. continuou: Não foi fácil eu te d izer.. semelhante àquelas mesas antigas de escritório. Continua. Agi como um colega e não como profission al! Vai dar certo sim! . vocês haviam brigado ou di scutido.Observando-o. Sem dúvida há um m espiritual. Eu não poderia rir desse jeito. Pare com isso. no que experimento. sem expressões de tristeza ou rancor. qu e ficava dentro do meu quarto e ao lado da porta em um ângulo que era impossível não v er minha irmã despida frente ao grande espelho do guarda-roupa.

expressava-se com muita naturalidade. O namoro não durou nem três meses. quando se relacio nava sexualmente com alguém? Nunca . Tenho.... Você namorou outras moças? Claro. Puxa! Eu era seu irmão e um rapazinho! Bom. Recompondo-se.riu. tornou a afirmar: Sim. Mas... João.. Ótimo! Temos uma vida sexual muito satisfatória.riu de um jeito maroto. Sim. mas não deu. por ver o corpo nu de um a mulher sensualmente se acariciando. .. E o que você fez? Não tive coragem de contar para alguém. estímulos com filmes. Tive e tenho. com modos voluptuosos. física e psicologicamente falando? Sim. Comecei a ver a vida que meu i rmão Marcílio levava e decidi que a minha seria bem diferente.. mas poderia ser qualquer uma ou deveria ser uma namorada.. Só dormir. Sérgio.. Passei a ter pl anos de estudar. e eu fi ngi esquecer o fato. Sou seletivo. A Lúcia me pagou um curso de Informática que me ajudou muito. Veio conversar comigo depois. você entende? . Não dependo de medicação. Só se relacionou com mulheres. O fato de Lúcia ter se mostrado despida e com gestos sensuais para provocá-lo afe tou-o sexualmente? Não .Ele riu novament e e se explicou: Desculpe-me. mas não poderia ser qualquer uma. drogas. fantasias ou. fiquei nervoso. mas sob efeito do riso. Era difícil fugir das suas provocações. Entrei na polícia e dava aula de Informática ao mesmo te mpo para juntar dinheiro e fazer o curso universitário que eu sempre quis e sair d a polícia.. Eu estava desesperado! Tive compensações aliviadas por alguns s . Não demorou e eu arrumei uma namoradinh a.Em seguida Sérgio não agüentou. abraços e calorosos carinhos. mas quando com ecei a namorar a Débora. Alguma vez lembrou-se de sua irmã nua. apesar de ter pouca idade.ade.tornou Sérgio com a mesma tranqüilidade. . Mas não as levei à minha casa. Era uma menina bacana que se chamava Mara . amiga? Só com mulheres. Decidi mudar meu horário de estudo e minha irmã resolveu mudar seu horário d e banho. Foi tão difícil dormir ao lado dela e. Costurava lá. A Lúcia pareceu assu stada. Hoje eu analiso e vejo que. Sabe. Depois comecei a trabalhar. Depois levei um choque ao lembrar que era minha irmã.. ou com a nossa mãe quando a Mara ia lá a casa. afirmando não saber que eu estava por ali. Psicológica e fisicamente falando.. que fica nas dependências do quintal. Seu rosto sério se contorceu até relaxar num largo sorriso e finalizar com uma gargalhada. Minha cunhada quase não saia de sua casa. O amigo se forçava para não rir. Eu não queria um compro misso firme. eu tenho uma vida sexual saudável.. mas brincou: Espere aí! Explique-se melhor. sem chegarmos aos fatos.. Minha irmã não tinha nada a ver com essa decisão. . Não tinha mais alguém na sua casa? Meu pai e meus irmãos estavam sempre trabalhando. Passei alguns meses na lei seca ! Trocamos beijos. talvez pela lembrança quase apagada. vai! Continua! João tornou a ficar sério e perguntou: E o que você sentia ao vê-la fazer isso. fiquei com aver são a um casamento não planejado. eu tinha m oral e integridade para não aceitar aquilo. O tempo passou. E que lembrei uma coisa. porque eu não entendi a piada. e minha mãe havia pegado costuras r etas para fazer em casa e usava um quartinho que há nos fundos. . Já se relacionou com homens ou teve esse desejo? Nunca. Pode contar? Hoje está tudo bem.respondeu direto. Sérgio? Sem dúvida de que fiquei excitado nas primeiras vezes. dei-lhe uma bronca e fechei a porta com brutalidade. Então. lógico! Não as levou por causa da Lúcia? Não. Depois de ver o Marcílio e a Ana brigando direto. Depois contou: A Lúc ia implicava demais com a menina e sempre começava uma discussão com a Ana. você teve e tem uma vida sexual saudável. Ma s era mentira. Ela não fez mais aquilo. sabe disso. mas passei a ter um sentimento repulsivo ao lembrar o que ela fazia de propósito para me prov ocar. Fui até o quar to dela. Eu gostava da Lúcia como irmã. minha cu nhada.. um dia.Sérgio deixou o olhar perdido no te to e deu um suave sorriso.

per cebia-a alterada. você sonhava se relacionando com outras mulheres? Não. mas n ada significativos. Quer contar? . mesmo a vendo com hematomas e a boca sangrando. Mas não foi o que esperav a. decidiu: Foi assim. colocand o-se na posição do paciente que deseja ser ajudado. Tudo aconteceu como ela sonhava: envolv i-a com amor. pelo fato daquele assu nto íntimo também pertencer à Débora. Ela tomou a iniciativa de termos o primeiro relacionamento e. Só seria muito precavido quanto às doenças sexualmente tran smissíveis.. mas por fazer parte de um enc adeamento de informações a serem analisadas sob uma ótica psicológica.. E nos sonhos de compensação. pois foi um fato muito marcante em sua vida e os detalhes poderiam ajudar na análise do que o pert urbava. Após um namoro mais sério com um cara conhecido da família. ficávamos b m à vontade. Adoro a Débora! Você não agina! Caso soubesse que sua namorada teve uma vida sexual ativa com outros homens. Refletiu por alguns minutos. Não namorou mais até nos conhecermos. Teve alguns namorados. Tentei envolvê-la e seduzi-la algumas vezes. deixando o olhar perdido ao confirmar. Só depois rev elou: Ela me contou esse caso pouco antes e foi a primeira vez que me senti inse guro. . Eu a amo tanto! Nunca pensei que eu pudesse me apaixonar por alguém dessa forma. mas de repente. Por quê? Ela já era especial e depois do que me contou. gostar dos carinhos..perguntou sério. não procurei outra mulher. imprescindível. com o lugar e não c om o nosso relacionamento.. Não . A Débora tinha algum trauma? Tinha sim. Ele parecia sonh . Esses.respondeu rápido e com tranqüilidade. Como profissional da área... pelo pai não dar importância ao fato e ignorá-la. algum tempo depois.. Ao sair do banho.João não perguntava por curiosidade.Falou murmurando em tom apai xonado: Não queria frustrá-la em sua primeira vez. foram a um motel luxuoso. Eles brigaram e o cara tentou forçá-la ao relacionamento. esperei. parecendo ter medo. E sem eu saber do que se tratava. carinho.. c ara! Estou sendo muito evasivo na sua vida íntima? . Tinha muito a ver com motel. como ela contou. Íamos para um motel.. O cara não conseguiu estuprá-la.tornou. Sérgio ficou pensativo. porém não é o mesmo que vivenciar o ato.. refletindo em sua vida adulta ou atual e com a possibilidade de associação aos sonhos ocorridos com freqüência. durante esse tempo em que você e a Débora não se relacion vam sexualmente. bateu-lhe com força. e ela o acertou com u m cinzeiro de vidro e foi embora. Conhecia a importância daquelas informações... Então. Ela não se sentia preparada. isso o incomodaria? Atrapalharia seu relacionamento com ela? Não! De forma alguma! Não me importo com o passado desde que ele não interfira nega tivamente em meu presente... Ele a agrediu.onhos.. Mesmo assim. principalmente.falou João com molecagem. mas isso a trauma tizou. Eu jamais iria forçá-la.perguntou repentinamente. conquistei-a com carinho. correspondendo a brincadeira. sabia que o melho r cirurgião cardiologista do mundo nunca conseguiria realizar uma cirurgia de pont e-safena em seu próprio peito. O fato de e starmos em um motel a deixava apavorada e eu não sabia disso! Depois que passamos a ficar em seu apartamento.. suspirou fundo e contou: Como toda garota. não querer. João percebeu que os olhos de Sérgio brilhavam ao falar em Débora. tinha bastante conhecimento de que a ajuda de um out ro psicólogo era importante. Deixe por minha conta! . mas só trocávamos carinhos.sorriu com ar de satisfação. machucá-la. agi de modo que a deixou mais se gura e isso a fez superar o medo. Posso te afirmar que me considero normal. . a Débora queria ter um primeiro relacionamento sexual com amor. as coisas foram mudando e. Sempre sonhei com a Débora . Por que demoraram meses para se relacionarem? .sorriu.. trazendo-lhe possíveis explicações para enfrentar os desafios. Por comparação e exemplo. Ac hava estranho ela se sentir estimulada. Com a finalidade de descobrir se Sérgio era possuidor de algum tipo de transtorno ou distúrbio que es tivessem ligados aos fatos originados em sua adolescência.. viu que ele havia se drogado. Você não me contou sobre esses sonhos de compensações! . Respeitei sua vontade e a deixei conduzir nossos momentos de intimidade. mas confiava no profissionalismo de João e.

Senti q ue. comecei a namorar a Sueli e percebi um com-portamento b em estranho na minha irmã que deixou de ser tão amiga da Sueli. fiquei aterrorizado . o Marcílio e a família foram pas sar uma semana na praia. até qu e. O Tiago trabalhava em uma escala de vinte e quatro hora s. Tentei cobrir a Lúcia com o lençol.perguntou o amigo. Deixamos a Sueli em sua casa e fomos embora. Quando pedi que fosse dormir.. a Lúcia passou do estado de ri so para o de choro. Nem me lembro mais do que brindamos.Sérgio parou e sua voz pareceu travar. ouvi barulhos e a luz ainda estava acesa. Brindamos ao emprego novo dela. Achei graça.ar e um sorriso apaixonado iluminava seu rosto sem que notasse. eu estav a cansado e um pouco zonzo. Quando me mexi um pouco. Quando entrei na univer sidade. João aguardou até ouvi-lo contar com c erta revolta escondida na fala vagarosa: Meus pais. Fui tomar um banho. Mas comigo era ostensiva. Mas ela negava a provocação e dizia que era um carin ho de irmã. Depois voltávamos a conversar. Quando fui para minha cama. Ao chegarmos. Voltamos bem tarde e tínhamos bebido um pouco. sentindo-me mole. Quando voltei. senti algo estranho. O que você viu? . Era difícil abrir os olhos. Sua irmã o acariciou alguma vez? A Lúcia sempre teve necessidade de contato físico para expressar sentimentos. A Sueli insistiu para levarmos a Lúcia. divertia-se muit o e disse que iria dormir se eu fizesse um brinde com ela. Vivi uma experiência terrível! Falei com ela várias vezes e pedi que parasse com aquilo. a Lúcia tomou outra postura em que exibia sensualidade? Vez e outra sim . Foi algo que me incomodou. a Lúcia começou a perder o controle e começou a fazer certos carinhos para me excitar. Não sabia mais o que fazer..Sérgio ficou sério. por causa disso. dizendo que queria tomar um banho. Insatisfeito. Como eram esses carinhos? Se eu estava sentado em uma cadeira. eu virava as costas. no início.. Eu não estava embria gado. e abraçada a mim. Repentinamente. ouvi um barulho antes de abrir os olhos . Eu ficava revoltado. Ela dormia no meu ombro com uma das pernas sobre as minhas . afastava-a de mim e saía de pert o. Descobri que a Lúcia t inha ciúme da minha namorada. porém bem consciente. Depois de um tempo. Todo o meu corpo estava adormecido e eu sentia uma ânsia terrível.. Apesar do banho. depois ao salário e. Ela precisava abraçar. minha irmã est ava sentada à mesa com uma garrafa de uísque e dois copos. Mas isso era só com você? Com meus irmãos também. Eu a ouvi por um tempo. Então disse para a Lúcia que ela já ha via bebido bastante. ela começou a desabafar dizendo que era infeliz n o amor por não ser correspondida. Nunca me em briaguei daquele jeito. Ela ria. afagar. Ela de cidiu ir para o quarto e eu a ajudei. Começamos a brigar por diversas vezes. mas não sabia dizer o que era. eu estava embriagado. beijar. Na manhã seguinte. acariciava m eu rosto. afaga ndo ou arranhando meu peito. Eu a ajudei co m o zíper e voltei para a minha cama. tocar ou segurar para dizer alguma coisa. Senti que minha cabeça i ria explodir. Ao final de tantos brindes. até não agüentar mais o sono e avisei que iria dormir. ao meu lado. a minha irmã estava deitada. Não conseguia mais ficar acordado.. Lúcia se tornou muito amiga da Sueli. avisou para observar sua reação: Voltemos a falar da sua irmã.respondeu bem sério.. p ois nunca a tinha visto de fogo. mas . Quando eu já estava até pesquisando qual o tipo de transtorno dela. somente sob o efeito de leve entorpecimento. Depois das apresentações desnudas. que passou a freqüentar direto a nossa c asa. Eu e a Sueli íamos a um aniversário. mas me le mbro de cada detalhe. seu rosto empalideceu. mas não consegui convencê-la a parar. Falou sobre Deus ser cruel com ela e muito mais. minha nuca e em seguida colocava a mão por dentro da minha camisa. ela se achava no direito de se mostrar sensual para me prov ocar. completamente nua. Aceitei. fui até o quarto dela e a vi cambaleando ao tentar abrir o zíper do vestido. ela me ajudou financeiramente com algumas mensalidades. as quais a repreen deu. Levantei. . ela me abraçava pelas costas. Completamente dominada e à disposição de um turbilhão nas faculdades pelo excesso de bebida alcoólica. Usou roupas íntimas bem sensuais quando me chamou até seu quarto. mas. Eu não q ueria ir. O que você fez? Sentei na cama e o quarto parecia rodar. Virando-me para olhar. a Lúcia se exibia bem animada e alegre. Já passava do meio dia e.

Havia algo estranho em seu rosto. Mas naq uele instante pareceu o único jeito de despertá-la daquela loucura! Eu fiquei comple tamente insano. Baseado em que afirma isso tão categórico? Você bebeu muito.falava calmo. No dia seguinte. De repente. Isso confirma que nada aconteceu.. A Sueli entrou no quarto e me viu em minha cama com a Lúcia nua! Como sua namorada entrou? Foi o pai dela quem vendeu aquela casa para o meu. Sabe.. Posso afirmar. Aconselhei novamente e por várias vezes que fosse a um psicólogo. O que aconteceu? . A não ser o fato de ela me beijar e eu a agredir. Gr itei como nunca! A Lúcia segurava o lençol em torno do corpo. . Ela chorou. Só que ela virou as costas e fo i embora. Um dia. só falávamos o essencial.. Mas tenho c erteza de que não aconteceu nada.Breves seg undos e Sérgio lamentou em tom triste: Como me arrependi por tê-la agredido... Propus que ela fizesse um tratamento. ou não sabe dizer? O doutor Edison me fez a mesma pergunta. Depois a Lúcia disse algo que confirmou isso. sem que eu esperasse. Elas não foram de carro e na volta.. uma terapia. Despertei com o corpo adormecido.. Acho que foi a Lúcia quem lhe deu uma cópia da chave. Levantei. a Lúci a mudou muito. ao caminhar . outra. minha mãe e com o nosso namoro. A Lúcia entrou em um estado depressivo que se podia notar. só à camiseta ressaltou. Então. Não tive tempo de explicar nada! Num impulso. A partir desse ocorrido. por que ela sorriu? Será que pensou ter acontecido algo? Não sei dizer por que ela sorriu. Ela continuou a ter amizade com a sua namorada? Não. poderíamos esquecer nosso relacionamento. O que a Sueli fez ao ver você sentado e sua irmã naquele estado? Ficou parada. mas bem consciente . Lembro bem dos olhos dela e. Fui atrás da minha namorada para tentar me exp licar. tudo bem. Estava calor e eu tirei a camiseta do pijama..respondeu bem seguro. Ela chegou a propor o absurdo de um envolvimento ínti mo entre nós sem que alguém soubesse e o dia em que eu me casasse ou não quisesse mais . e ela caiu. confessou que me d esejava como homem e não como irmão... a Sueli insistiu tanto para minha irmã acompanhá-la até o shopping que ela acabou aceitando. Sua boca sangrou e depois apareceu um hematoma em seu rosto. mas ela me agrediu com palavras.não dava e comecei a chacoalhá-la. eu tive raiva e pena da minha irmã. Eu entrei em desespero! Estava verdadeiramen te em pânico! Tive vontade de berrar. Quando me deitei definitivamente. Pensei que dificilmente alguém acreditaria em mim. João. . chamei minha irmã para termos uma conversa. Se tivesse acontecido a lguma coisa. a S ueli me ouviu e contou que tinha notado o comportamento estranho da Lúcia e disse que minha irmã me olhava com desejos de mulher. Somente a Sueli conversava um pouco. primeiro. não parecia ser a minha irmã. Depois de ouvir essas palavras. Para minha surpresa. Você se relacionou sexualmente com sua irmã. A Sueli propôs que esquecêssemos aquel e fato e me deu um apoio moral que eu não esperava. Lembro que tomei um banho e v esti um pijama curto. sacudi a Lúcia que acor dou parecendo ainda embriagada e fui à direção da Sueli. Falei tanta coisa. parecia outra pessoa que me olhava. significando que não havia me mexido muito e eu estava vestido do mesmo modo como quando me deitei. arranquei a Lúcia da minha cama e comecei a esbravejar com ela. recordo ter sido na posição em que acor dei. olhava-me indiferente e até sorria! O que me deixava mais furioso. mas não o fiz. Fiquei aturdido com o que ouvi e mais transtorn ado quando a Lúcia disse que lamentava não termos nos amado na noite anterior. olhando friamente. Ela estava doente.. tenho certeza de que não tive relação sexual com ela . Sabia o que acontecia apes ar da coordenação motora e do raciocínio estarem lentos. Por um momento. a Lúcia segurou meu rosto com as mãos e me beijou na boca. Eu estava tonto. Devido a Sueli ter tanta a mizade com minha irmã. Como vocês se encararam depois? Não nos falamos pelo resto do dia. Ficamos alguns meses sem conversar. os lençóis da minha cama estavam limpos. mas ela não aceitava. talvez tenha esquecido ! Eu estava bêbado. Imediatamente eu lhe dei um tapa no rosto. confuso e como se isso não bastass e... eu não estaria com a parte de baixo do pijama e. Um tapa muito forte.perguntou o outro diante da demora.

Sabe. Às vezes acho que sim. tentando fa zer parecer um homicídio? Não sei dizer. Além do que. eu disse que não era o moment o e nos separamos. Ela cumpriu a ameaça? Não. mas foi pelo remorso por não conversarmos mais. E estamos vivendo um p eríodo muito bonito. depois do que ela aprontou c om aquela história do celular. desviou para o cérebro e a matou. não me corromper com as op ortunidades provocadas pelo desequilíbrio da minha irmã.. nas residências dos bairros mais sim ples e também nas favelas. Sérgio sorriu.. . É ótimo quando alguém é tão direto. você acredita que sua irmã reagiu dessa forma para se suicidar.. Hoje tenho estabilidade men .. Depois não. Meu amigo! Precisa mos de uma longa e boa conversa. Vou esperar mais um tempo. pois inúmeras vezes pedi que procu rasse ajuda. Sentiu-se culpado pelo que ela fez? A princípio sim. tratamento. A Sueli contou que a Lúcia reagiu depois de entregarem tudo. Não suportou a curiosidade e perguntou: O que você me diz de tudo i sso? Psicologicamente. o que me deu força moral para não aceitar.. Até eu terminar definitivamente e ela me ameaçar. Mas espiritualmente falando. E a Sueli? Namoramos por algum tempo. eu já era maduro e. caso tenham relações com parceiros f de casa.... verdadeiro e detalhista como você foi! Não demonstrou orgulho ou arrogância por sermos da mesma turma. mesmo! Sérgio.Suspirando fundo. Isso se eu terminasse o namor o com ela. Os pais simplesmente estão ocupados demais e não reparam qu e os irmãos estão mantendo relações sexuais dentro da própria casa. você não imagina o quanto sofri com aqueles assédios. não me envolver. você já sabe. acham que só ocorrem na casa do vizinho. falou como um desabafo: João. Sérgio. Eu dormi no apartamento d a Débora e acordei. Ninguém vai acreditar nela. Não me sinto preparado para contar. não respeitando os meus planos de estudar e me alicerçar melhor na vida. voltamos. Meu caso não é fácil e você sabe que nos últimos tempos o en vimento sexual entre irmãos vem aumentando muito. e essas vítimas não falam pelo medo da ameaça. Há ainda o abuso do irmão mais velho contra o mais novo. mas ela não aceitou. você conversou com a Débora a respeito de tudo isso? Falou sobre o comportamento de sua irmã? Não. Seria minha palavra contra a dela. Está havendo uma perda uito grande da transmissão de valores morais. ao dizer para a Débora que era minha noiva e tudo mai s. Eu não posso me culpar.. por conta do sonho.. O incesto acontece dentro das me lhores casas. Mil situações de se tipo acontecem e os pais não sabem. mas assim que ela propôs casamento.. Outros i rmãos têm relações por medo de adquirirem o vírus HIV. Estou com uma ampla bagagem para analisar. E a propósito. omitindo fatos por vergonha. dos mais luxuosos apartamentos. com as recordações. Ameaçar? Ameaçou contar para todo o mundo que viu minha irmã dormindo nua ao meu lado. Graças a Deus eu tive princípios de dignidade passados por meu pai .em do ponto de ônibus até em casa. A vida sexual é iniciada muito cedo. Eu só disse que tive um sonho estranho. Coloquei-me na postura de paciente. Que a Lúcia lhe contou que eu a seduzia para o incesto. Ela não me deu sossego e fez um inferno da minha vida. Foi aí que eu conheci realmente quem era aquela criatura.Vendo o colega pensati vo. depoi s eu conto.. m esmo sendo um homem experiente. Pais e filhos não se comunicam.. não ficam atentos. Ficaria constran gido e preocupado com o que ela poderia pensar. até a noite passada.. de súbito. foram assaltadas por dois homens armados que usav am uma moto. . A Débora passa por um momento delicado com a família. do irmão mai s velho contra a irmãzinha. Incontáveis jovens comentem o incesto para se sentire m experientes quando chegar à oportunidade de praticar sexo fora de casa. Sei que as informações completas e verdadeira s ajudam a encontrar soluções. gostoso. Fiquei chocado com a sua morte. O rapaz atirou e o projétil atingiu-a no rosto. Acreditam que entre eles será mais seguro enquanto não se relacionarem com outras pessoas. você tem esses pesadelos só quando está na casa de seus pais ou eles ocorrem em outros lugares? Sempre foi na casa de meus pais. Ela despertou com meu solavanco a o me sentar rápido.

Sentia-se agradavelmente tranqüilo. mas Sérgio pareceu indiferente às suas opiniões e contrariedade. Aquela introspecção durou longos minutos. sem perceber. Esses sonhos são o começo da demons ração da atuação dos espíritos em suas vidas. Você conhece alguém de lá? Os amigos saíram da clínica falando sobre o assunto que aguçou grande interesse de Sérgio. Semanas haviam passado desde a conv ersa com seu amigo João. a residência era próxima da clínica aonde ele poderia ir a pé se quisesse. Os amigos não consegu iam conciliar um dia para irem ao centro espírita. Caprichoso. será fácil se propor a uma assistência espiritual e a Débo ra também. a razão ou qualque oisa do gênero. não s e abalarem e superarem os obstáculos para evoluírem. Pelo fato de você acreditar na Doutrina Espírita. Eu gostaria de conversar com você e depois com a Débora. Naquele momento. Mas por que diz isso? Pelo que senti. Creia. cobriu-o com um manto protetor e ele não se incomodou com a oposição de sua mãe. algo como um presságio desagradável. Ma s muita coisa estava para acontecer. Olhou para o espelho colocado no corredor. Assistência espiritual! Por mim. Em seguida. o qual procurava estabilidade para as mudanças que planejava em sua vida. mas agradável e delicado jardim que oferecia um toque especi al à frente da casa. Nossa! Você é um caso raro por não parecer ter traumas a respeito. meu amigo . A situação pode complicar. Trazendo no rosto um leve sorriso. tudo bem. Sérgio se encontrava paralisado no meio da sala de sua nova ca sa. fez pequenos reparos. É um homem equili brado para levar uma vida normal. pintou e decorou com simplicidade. Quer dar uma olhada para ver se é conveniente? Claro! Sem dúvida. P ara Sérgio aquela casa estava perfeita. Sérgio pensava em Débora. não vão perturbar e tentar d esequilibrar somente você. mas com grande bom gosto. pode ser bom e aí você sai da polícia. Falei para a Débora que passari a lá antes de ir para casa. Teve muito trabalho. O trabalho e mpolgante em arrumar aquela casa e pôr no lugar suas coisas onde seria seu novo re duto.surpreendeu-se Sérgio. pois muitas coisas aconteciam. mas agora tudo estava perfeitamente no lugar e exatamen te como ele queria. Porém percebeu que existem seqüelas espirituais ou sentimentais resultantes do que lhe aconteceu. E a prova disso são os seus sonhos constantes. Serei sincero. Sérgio ficou em silêncio e pensativo. hoje em dia o ato sexual entre irmãos está sendo ignorado pelos pais. El e parecia ansioso para lhe mostrar tudo arrumado. Tenho a consciência tranqüila e paz nesse sentido. pela família. É verdade. quando sentiu um aperto no cor ação. vão fazer o mesmo com a Débora... Sérgio.A ação dos espíritos inimigos O dia chegava ao fim naquela sexta-feira. Tenho dois casos de incesto e os transtornos são . 11 . Acredito que existe um envolvimento espiritual muito intenso. apesa r de ter enfrentado a revolta de Dona Marisa. Um momento como aquele trazia algo especial aos seus sentimentos. Além disso. Dependendo do salário. Nossa! Olha que horas são! . uma satisfação pela conquista. Eles se levantaram e iam saindo quando o outro falou: Ah! Tem uma empresa considerável que quer contratar um psicólogo para trabalhar n o Recursos Humanos a fim de analisar o perfil dos funcionários a serem contratados . Algo o inspirava para ac reditar em João. . mas nada comentou. Tudo os impedia de se falarem melhor. admirou o belo quadro de paisagem agradável na parede da sala colocado acima do sofá. Não queira saber o motivo.tal e emocional por não ter me desmoralizado com as tentativas de sedução da minha irmã. suspirou fundo e caminhou até a porta indo para uma área ladeada por muretas graciosamente baixas d e onde se podia ver as grades altas em lugar de um muro. A namorada avisou que iria até lá. O importante é você e ela terem forças para enfrentarem os desafios. porém estava demorando. que reagiu ferozmente ao vê-lo sair de casa. Imagino como se abalou. O portão para a entrada l ateral do carro que poderia seguir pelo largo corredor até o fim com espaço para vário s veículos e o pequeno.

secador.. fo i bem direto pela preocupação: O que aconteceu.ele perguntou. espiando através da janela. a jovem sorriu ao confessar: Puxa! Quando vi aquele monte de coisa amontoada aqui dentro. As provas nem começaram e eu não tenho faltas.. não contendo a felicidade que o invadia. Existe todo um procedimento.. Não imagina como me sinto quando está trabalhando na polícia... Ab raçando-o forte. trazia nos olhos lágrimas de emoção... Não acha? . perguntou: Quando vai deixar de trabalhar lá? Vou cuidar de toda documentação a partir de segunda-feira. decidiu tomar um banho. avisou sorridente: Coloquei tudo em ordem! Venha ver! Pegando-a pela pequena mão fria. Circunvagando o olhar. Ma s agora vai dar certo! . convidou: Vamos? Débora secou o rosto com as mãos ao dizer: Parabéns. Fiquei três noites dormindo em meio das caixas! . Eu adorei! .. a namorada o abraçou com força. Eu insisti bastante. É tão perigoso e nada gratificante. meu bem . Goste i muito da proposta. Não foi lá para o apartamento porque não quis... lançando-lhe um olhar indefinido. Ao terminar.. Embalando-a com afeto.chamou-a. E por isso que está assim quietinha? Não. Sinto um alívio. Sérgio estava animado.. E logo se entusiasmou: Ah! Veja como esse banheiro ficou bonito! Realmente. sorriu e contou: Visitei aquela empresa que o João me indicou. ao mesmo tempo em que explicava e mostrava muitos detalhes: Arrumei esse quarto de hóspede . . certificou-se de sua chegada. . Não é tão fácil pedir baixa PM.. Vestindo rapidamente uma camisa. abraçou-a com carinho. beijou-a e após ajudá-la a pegar algumas coisas. não imaginei que pudesse arrumar tudo. Vamos sair para comemorar? Temos vários motivos! A casa está do jeito que eu quero.Afugentando os pensamentos. Pegando as coisas que a jovem trouxe. mo strou: Reservei esse espaço para você guardar suas roupas e o que quiser.riu. mas não é para você! A suíte está à era! . Mas eu iria para lá somente à noite e ficaria sozinho enquanto você não chegasse da universidade.. Isso pode te trazer problema s na faculdade. Vou colocar suas bolsas aqui. ao abrir o armário. Indo ao seu encontro.. você é muito caprichoso! Dando-lhe um beijo rápido. Ele acreditou que não fosse algo tão grave .sorri u. . Decidi pedir baixa da polícia. propôs: Já que cabulou aula.Eles se abraçaram novamente. o rapaz foi até o portão e o fechou en quanto ela descia do veículo.afirmou.Acomodando-a no sofá e ficand o ao seu lado.Observando seu semblante sem animação.. Acomodando-se melhor. A clínica está indo muito bem!. V ou sair de lá definitivamente. exibiu o outro: Neste quarto aqui fiz o escritório e minha tão querid a biblioteca! Venha ver . Sérgio a abraçou procurando desc obrir o motivo daquele estado angustioso. creme. ele comento u: Acho que começo a colher os frutos e recompensas depois de tanto esforço e sacrifíc io! Temos muito que comemorar! . Pediu.Fez br eve suspense. pois ela estava bem ao chegar e pareceu feliz com a notícia de sua saída da polícia. Sérgio! Estou tão feliz por você! Nossa!. Está bom ou prec isa de mais espaço? Está ótimo! Eu trouxe só algumas roupas..tornou ela com leve sorriso.disse ao fech ar a porta do armário. Débora? Por que está assim? A jovem não suportou. Eu sei. Sérgio a afagava com carinho a o convidar: Vamos sair? . do horário fixo de manhã. . ela sorriu e comentou com jeitinho gracioso: Ficou lindo! Sérgio.. comecei a pôr as coisas no lugar. Não é como pedir demissão de uma empresa comum.Depois..Admirou-se. Depois você arruma do seu jeito . fazendo-lhe um carinho. levando-a para a sala: Vem! Sente-se aqui. Tudo é simples.riu ao avisar . Imediatamente entrou em crise de choro e curvou-se com as mãos escondendo o rosto. levou-a para olhar o que ele fez naquele dia. O namorado percebeu algo estranho em seu tom de voz. A seguir. Puxando-a para junto de si.Olha ndo-o sorridente... mas agradável. . Aqui.Afastando-a com generosidade. escutou o ba rulho do carro de Débora na garagem e. Débora ficou verdadeiramente feliz e sem palavras. Para deixar aqui . levou-a até a suíte e.. E. ele quis saber de i mediato: Eu insisti tanto para que viesse aqui e.

Não fique assim. seu a mante.. Animei-me e até esqueci o que meu pai fez. Não tenho tanta certeza .. Quem sabe conseguirá um emprego na área em que vai se grad uar?! .... conhece muita ge nte em diversas empresas. explicou: Logo cedo. mas deram explicações evasivas do tipo: foi por corte de pessoal.. Era alguém de uma das empresas que eu iria e um a secretária avisou que a vaga havia sido preenchida. Débora se afastou do abraço e sem olhar para Sérgio. ele a abraçou e argumentou: Seu pai fez isso a fim de que volte para a casa dele. Talvez por eu não discriminá-la como outras pessoas fazem..Débora chorou novamente. Sérgio somente aguardou e sofreu por vê-la daquela forma. Voltando a sentar onde estava. Após saber disso. . Para contato dei o número do meu celular. submetendo-me a ca nsativas procuras para suprir todas as exigências. Pediram que eu passasse todo o meu serviço para uma colega. Quer contar? . eu terminei rapidamente o que prec isava e dei alguns telefonemas para pessoas conhecidas que trabalham em consideráv eis companhias. pedindo carinhosamente: Beba. Pegou o copo com o restante de água e bebeu. Sentando-se ao seu lado..perguntou bem sério. contou quase chorando novamente: Eu não tive tempo de almoçar. ela desabafou: Fiquei indignada! Por que ele quer atrapalhar a m inha vida?! Recostando-se em Sérgio. .. Três pediram para eu comparecer no período da tarde para uma convers a ou possível entrevista. . ela continuou: Eu não me importo com a vida particular das pessoas.Esperou por algum tempo e delicadamente forçou-a a se erguer um pouco. ela olhou para Sérgio. Só falta um ano para se formar! Como corretora imobiliária da área empresarial no centro da cidade. Entregando-lhe o copo que foi posto so bre uma mesinha.Bem sentida. pediram para eu comparecer o quanto antes.Fez pequena parada e comentou: Senti uma coisa . Todas disseram que realmente precisavam de alguém na área de marketing e pareceram bem interessadas e satisfeitas com o meu telefonema. Débora parou por minutos. Você não sabe! . essa colega me pediu segredo e contou que esse sócio.. Fique calma. contr atos para fazer. vamos dar um jeito. Seja o que for.. afagando -a no braço e contou com a voz embargada: Hoje eu fui demitida. quando estava chegando próxima a uma da s companhias.falou aflita.murmurou. assim que cheguei à empresa. o meu celular tocou. mas ainda apresentava um choro doloroso e lágrimas tristes corriam em sua face pálida. . pois avisei que estava deixando a empresa on de trabalhava. Disse que ligou para eu não me dar ao trabalho de ir lá e. que estava de joelhos à sua frente. Por que não?! É inteligente! Tem esse semestre!.. Falava pausadamente enquanto uma e outra lágrima teimosa escorria por sua face: A princípio fiquei com raiva.. Ela é legal e eu explicava sobre os negócios locatários em andamento. Não diga isso.falava animado. Saí correndo e. Acreditei que reconheceriam min ha perseverança e boa vontade. Nem se for só um pouqu inho. Eu precisava acertar muitas coisas.. Essas pessoas conhecidas tratavam-se de diretores para os quais e ncontrei locações ideais para as empresas que eles representavam.. Alguns goles e a moça respirou fundo. Não fique assim. fui avisada sobre a demissão. Logo você arruma outro em prego.. Bem. até. Tem grande potencial. Porém não tenho nada com isso e sempre a trat ei bem e explicava as coisas com boa vontade. falou de modo baixinho e carinhoso: Ei. disse a ela que meu pai pagou um considerável valor para que me demitissem.Afagando seu braço.. Vai arrumar outro e mprego melhor. Você é competente. foi até a cozinha e lhe t rouxe um copo com água adoçada. É amante dele.. tirando-lhe uma das mãos com a qual encobria o rosto e disse: Exi ste solução para tudo. Vendo-a chor ar sem conseguir falar nada. Essa moça tem um caso com um dos sócios. Ao se recompor. sobrepôs o braço em seus ombros puxando-a carinhosamente para que se recostasse em seu peito e falou tranqüilo: Não fique assim..Cont ou sentindo um gosto amargo de decepção. . Débora.. Por eles afirmarem que necessitavam de funcionário co m meu perfil..... Você não sabe o que aconteceu. Quis saber o motivo. tirou o braço de seus ombros.

Acreditei que você estava exagerando. celular. que ligaram de três lugares di ferentes pedindo referências e perguntando o motivo da minha saída. luz. essa moça contou. sem exibir minhas des confianças. invadindo sua alma ao pedir: Responda sinceramente. roupas !. Fique tranqüila. segurando delicadamente seu queixo. telefone. Acho que ninguém morou aqui por muitos anos! Eu nun ca imaginei que você pudesse deixá-la como está hoje! Vi e acompanhei tudo o que fez e estou imensamente surpresa! Preste atenção. Se essa casa estivesse desse jei to no momento de alugá-la. Sérgio. a recepcionista me chamou avisando que não pode riam me atender hoje à tarde e pediu para eu aguardar o telefonema deles.que nem sei explicar. com pintura velha nas paredes. mas me controlei e voltei até a companh ia imobiliária que me demitiu. Não tenho quase nada guardado. . Foi dinhei ro jogado fora. Coincidência?! Não mesmo! Fiquei atordoada. gás.. perguntei se ela poderia me indicar algum emprego. Depois de me dar al guns cartões.chorou. Não tente ser otimista.. Entrei com a desculpa de ter esquecido algo. alimentação. O medo e a insegurança dominavam sua mente e seu coração. Não está sendo fácil! Você não tem alguma reserva? Se precisar.. a univers idade e tenho despesas com água. Agora vejo o quanto aquele a luguel é caro e desnecessário. Somente agora entendi. Seu pai não pode conhecer ou controlar t odas as empresas que existem.. afinal precisava ficar tranqüila a fim de causar boa impressão onde estava indo. Depois avisou: Débora. a jo vem se enfraquecia vencida por idéias pessimistas e rancorosas perdendo as esperança s. mas não dei importância. Até o rapaz despertá-la do silêncio. Então cheguei à outra empresa e aguardav a o atendimento quando o celular tocou novamente e. vai arrumar outro emprego o quanto antes..Algum tempo e la mentou: Sérgio. o condomínio. Conver sei novamente com a colega para a qual passei meu serviço e. silenciou de pois de lixado. Depois de esperar muito tempo. pois age ndariam nova data para uma entrevista. Gastei com a decoração do apartamento e outras coi sas. . reparado pelo serralheiro. torneiras enfe rrujadas. . deu as piores referências para eu não conseguir aquelas vagas! A jovem chorava enquanto ele fazia-lhe carinhos para acalmá-la.. Por longos minutos. pintado e lubrificado transformando-s e em uma peça clássica! Tenho certeza de que o valor da locação foi baseado na aparência d a residência antes dessa transformação e no desejo do proprietário de querer alugá-la a um preço qualquer somente por medo de ser invadida... Pago o aluguel do apartamento. mas sem empolgação.. Ela já estava orie ntada para passar qualquer ligação para o diretor da companhia. sem que eu perguntasse. ele me disse que eu ainda correria atrás dele. erguendo seu rosto e olhando profundamente em seus olhos.falou em tom brando e algo explicativo par a alertá-la. Você gostou dessa casa agora? Lógico! Claro que gostei . Por mais que o namorado se esforçasse em animá-la com pensamentos positivos. O portão que rangia como se fosse um efeito para filme de terror. .. Você me alertou. Foi tão difícil me control ar. certo? Naquele dia a casa estava feia. Meus gastos com alguns luxos são dispensáveis.respondeu com sinceridade. use-as até conseguir um novo trabalho. Quando saí da casa do meu pai e brigamos. Sérgio! Não era o mome nto de eu perder o emprego. ainda é uma casa velha . o preço seria dobrado ou triplicado. nem todos os lugares vão se dar ao trabalho de telefonar para o seu antig o emprego pedindo informações a seu respeito.. Mas eram grandes companhias! Isso vai me atrapalhar muito. A primeira vez em que eu a trouxe aqui para conhecer o lugar. a mureta e o arco da varanda com reboque quebrado e o jardim era um ve rdadeiro matagal em miniatura. carro.. Aconteceu que os muitos detalhes que a tornavam feia foram trocados o u consertados.Breve pausa e se revoltou: Não sou burra! É lógico que o desgraçado do diretor daquela imobiliária. Eu não poderia me alterar. você quase não diss e nada nem reprovou a minha decisão de alugá-la. Sérgio a escutava com toda atenção e considerou para deixá-la mais calma: Pode ser uma coincidência. que a eitou o dinheiro do meu pai. O mato crescido foi arrancado e no lugar cultivado um bonito jard im. Era alguém da outr a companhia me dispensando também. Eu deveria desconfiar que isso pudesse acontecer. a jovem permaneceu imersa em profundas e amargas reflexões. Na hora eu quase chorei.

.. questionou no mesmo tom ponderado de antes: Por que não? Algo a impede ou tem dúvidas de seus sentimentos por mim? Não!. Eu te amo muito. Não vou dizer que nos casaremos amanhã ou daqui a dois meses. Quando al go não está bom e precisamos mudá-lo devemos arregaçar as mangas até conquistar o que dese jamos e nos sentirmos bem com isso! Débora.. olhando-a com ternura. o rancor pela injustiça do seu ex-encarregado e a decepção pelas três portas que se fecharam.. Interrompendo-a e a abraçando. sem passar necessidades e co m relativo conforto. Com semblante sério. eu te amo muito! Concordo com tudo o que você propôs. Entregue o apartam ento e traga suas coisas. não poderá ver as oportunidades a sua frente. preste atenção! Se você continuar experiment ando o sentimento de mágoa pela crueldade de seu pai. Não nos conhecíamos tanto quanto hoje. ela respondeu: Sérgio. . além de nos conhecermos bem melhor. pausadamente prosseguiu: Tu do o que estou falando está nos meus projetos. Par a mim não importa mais se viveremos juntos agora ou após casados.pediu com jeito apaixonado.. . Bem... Saiba que não viverá no luxo ao qual se acostu mou. Sérgio.Você está me dando uma lição de moral por eu. Meus planos são de ficar bem estabilizado. Ela sorriu docemente ao repetir com simplicidade: Lógico! Ficou um encanto e se parece com você! Por que insiste em perguntar isso? Por que eu te adoro. Eu te amo! Te amo muito.. a at enção.. você pediu para eu ir morar em seu apartamento. Contudo terá uma vida estabilizada. Gostaria de te dar todo o conforto do mundo. aperfeiçoar-me m ais com estudos para ampliar meus conhecimentos e ser um profissional melhor. Perderá tempo por só ver. moraria com você. parecendo tatear uma jóia preciosa. planejada.. Afagando-lhe o rosto... meu amor! Espere! Eu quero dar o exemplo de que nada é permanente. Eu disse que. ele tocou carinhosamente sua face quase fria. Podemos a rrumar tudo quando consegui-mos ver a beleza através do que parece feio. Não a rmazenei o suficiente para o inverno que não sei por quanto tempo pode durar. Viu em seus olhos ardentes um brilho úmido de lágrimas que rolaram lentas. eu morava na casa dos meus pais e não sabia o que era administrar financei ramente uma casa. Vem morar aqui comigo . A bela face da jovem estava melancólica e exibia uma dúvida mesclada de conflito. Hoje. Gostou mesmo desta casa? . porém antes precisam os alcançar algumas metas e estabilidade para dar a ele ou a ela todo o amor.. Não acredito que . você não vai conseguir cul tivar um bonito jardim nem pintar as paredes da sua vida para deixá-la rapidamente nova e bonita. Venda o que puder. mas preciso de um tem po. mas Sérgio. minha vida virou ao avesso! Tudo aconteceu muito rápido. ele falou.tornou. Olhando através das dificuldades do momento. Aparando-as com ternura.Fez breve silêncio. olhando-a firme: Para me ajudar. c aso encontrasse dificuldade. seguro de si. Eu quero e sei que teremos um filho.Alguns segundos para que ela refletisse e continuou: Débora. Acreditei que era cap az de me auto-sustentar totalmente. Esqueci da fábula da cigarra e da formiga. . Eu tenho como arcar com as despesas. incl usive da sua faculdade. m as continuaremos tomando cuidado para não trazermos ao mundo um filho que não esteja em nossos planos ainda. Fitando-a quase sem piscar. Sérgio . a educação e o conforto que pudermos.Respiro u fundo e explicou ponderado: Só gostaria de pedir uma coisa.reconheceu angustiada.. mas vamos nos casar. Esteja certa de um a coisa: aqui comigo ficará mais segura. sofrer e sentir o que é feio e ruim. nem sempre conseguimos fazer nossos planos seguire m a ordem que desejamos. Mas. Nunca precisei me preocupar com dinheiro. Só descobri isso quando fui morar sozinha. Estamos juntos há tempo suficiente para não nos importarmos mais com as críticas e comentários de quem quer que seja. Terá mais tempo e tranqüilidade para procurar um emprego de que goste sem tantas preocupações. nos meus propósitos.Alguns segundos e perguntou: O que me diz ? A namorada estava perplexa. É o mesmo que olhar através dos vidros sujos de uma janela: eles podem estar tão sujos q ue você não saberá que o sol brilha lá fora. beijou-lhe a cabeça e completou generoso: Não. mas eu só ten ho essa casa e quero que venha morar aqui. con tornou vagarosamente seus lábios com as pontas dos dedos. em seguida. Mesmo trabalhando e me achando o máximo. Não sei o que é se submeter à prova de reduzir as despesas.. pausadamente. Débo ra permaneceu séria e murmurou em com sua voz delicada: É confortante ouvir isso... Naquela época fiquei um pouco preocup ado com comentários e críticas.

Na espiritualidade.. ciúme e outras más tendências dos encarnados e se revigoravam com suas energias. na casa dos pais de Sérgio. Tomado de forte sensação enervante.. Proponha-se ao mercado de trabalho. angústia. Poderia chamá-lo de cachorro e safado caso ele ficasse encostado na família e aproveitasse da bondade dos pais e dos irmãos para cuidar da mulher e dos filhos! Marcílio reagiu ferozmente.Ao vê-la sorrir. pra ele emp inar o nariz como se a gente não fosse nada à vida dele! Deixa o Sérgio! . olhando-o com um medo estampado em seu se mblante pelo futuro incerto. ta? Ah!. meu! Nosso irmão foi o m ais esforçado entre todos nós. O Sérgio não levou nenhum de nós pra conhecer a casa dele! Só o Tiago foi lá! Ouvi meu nome?! . Vamos pedir uma pizza? Desculpe-me! Você queria comemorar. dona Marisa ainda não se conformava com o fato do filho ter mudado. Não faltará oportunidade! E para ser sincero.alertou o irmão. falou: Enquanto isso. Sérgio passou a comentar sobre outros assuntos. Tudo bem! Eu aceito! . Ao tempo em que tudo acontecia. interrompendo-o bem sério. f oi à direção do irmão e esbravejou ao empurrá-lo. o senhor Inácio somente ouv ia a esposa esbravejar: Não é possível! Jamais pensei em ver tamanha frieza por parte do nosso filho! Quant a ingratidão! Bastou se formar doutor.. envolv endo-os emocionalmente. aproveitando-se de s eus fluidos. casos corriqueiros durante a compra de um móvel. Termine esse semestre na universida de. Está certo! . Quero continuar trabalhando e terminar os estu dos.pediu. você vem morar aqui. se arranjou na vida e pensa que não vai precisar de mais ninguém! A senhora viu!. sem ins trução e que se satisfaziam com brigas e discussões de qualquer tipo. inveja. Ei! . sugeriu: Você também está cansada! Pegue uma roupa bem con fortável e vá tomar um bom e demorado banho! . fortaleciam-se. ter uma porcaria de um diploma. de repente.esteja desempregada e com tantas responsabilidades financeiras para assumir. Você pode me dar um tempo? . questionou: Estão falando bem ou mal de mim?! Estamos falando do cachorro do Sérgio! . eu arrumo um emprego bem melhor. Débora ficou atenta. .. Essas criaturas. Embalou-a com leveza e avisou: É tarde e acho que você não está com ânimo para sairmos. Um dia ele pode preci sar da gente. levantou-se rápido. Realmente preciso de um banho para relaxar! .indagou Tiago. enquanto apreciavam a pizza. invisíveis ao plano físico. concordando com sua mãe. e ntre outras coisas. pedirei a pizza.. levantou-se e sorrindo a fez se erguer. estou tão cansado depois de arrumar t udo por aqui! . Bem depois.. Pre ciso de um tempo para pensar e. Completamente calado. afinavam-s e e se satisfaziam através do comportamento e dos pensamentos inferiores dos encar nados. Pode até acontecer o que você falou e. Esses espíritos imperfeitos inclinavam-se tam bém aos que assistiam sugerindo-lhes todo tipo de pensamentos conflitantes. parecendo se esquecer do dia tão difícil que teve. Num tom de brincadeira. esses espíritos levianos a proveitavam-se dos sentimentos de raiva. acabando de chegar. Se até dezembro não tiver êxito. aí eu quero ver como ele vai voltar com o rabo entre as pernas?! Ele usou todo o mundo aqui em casa. verdadeiro alvoroço se fez entre espíritos horrendos. O rapaz a envolveu num abraço amigo e gostoso.sorriu ao afirmar..enervou-se Marcílio.. * * * No mesmo momento. espalmando as mãos no peito de Tiago: Qual é cara?! Você é tão sem-vergonha quanto ele por que só sabem criticar sem saber o que é passar necessidade! Uma briga começou entre eles. Olha como fala! Por que chamá-lo de cachorro e safado?! O Sérgio não merece esse tratamento não.concordou ela.. feios e enferrujados! . na esperança de animá-la. mas. O safado nem pra..Beijou-a rápido.. indignação.riu ao avisar: O chuveiro da suíte está f uncionando e nenhum registro ou torneira estão velhos.Em seguida. Será como vo cê quiser.criticou Marcílio. como que abraçando imediatamente os envolvidos na desavença e agressão a fim de incentivá-los à troca de d uelos de palavras vis e repugnantes..

Por culpa do seu desprezo . pois em nosso corpo espiritual. plasmando-as nos ambientes. mas nem sempre participava das pelejas. Enquanto todos dormia m. observava tudo com satisfação. Criticava minhas ordens e tudo que é comum de se fazer em uma guerra. Eu vi o sorriso gentil no rosto dela ao gesticular delicadamente com voz deng osa que atraía os homens.. eu enlouqueci! Pensei que existisse um Deus bom.Para esses espíritos..riu com sarc asmo. Comecei a ouvir. meu s sonhos e esperanças.Trazendo um ódio cego encravado nos sentimentos. o in feliz fez o mesmo nessa encarnação! E lembre-se de que ele desgraçou a sua vida também! Mas você sabe que ela não esperava um filho dele. O Tiago. Por muitas vezes. mas também esse infeliz me desmoralizou. Mas ela me paga! Ela o fez se juntar ao inimigo e enfrentar minhas tropas! Não foi somente isso o que ele fez nessa época. hipócrita!. reencontrou-o e juntou-se aos revolucionári os farroupilhas. Ele não só maculou o nome da minha f amília. avisou: Veja como realmente são aqueles que se diziam seus parentes. é a Sueli! Como se não bastasse. ficava e era designado a tomar conta da estância. movimentando-se como uma massa den sa. Cada palavra indecorosa.. mas. o espíri to Sebastião emanava energias ainda mais pesarosas. vez ou outra. O Tiago tinha um brilho intenso nos olhos quando estava com ela. Fazem de tudo para tentar destruir esse estado de paz. Pensei que o Sérgio fosse correr p ara os meus braços.. E os mais sábios nos alertam e chamam de sujas as palavras de baixo calão.opinou a desencarnada com indiferença. O Sérgio me prejudicou imensamente no passado... Uma espécie de lodo como secreções de corpos físicos em decomposição nos caixões. grudando nas paredes como matérias fecais misturadas a ou tras excreções inenarravelmente repugnantes. Um bando de invejosos e orgulhosos . pois se movimentavam e se desl ocavam de forma anormal. Sempre nos é dado o que pedimos para nós e para os outros.. o Sérgio deixava a Débora em nossa estância. quando não conseguem. pensam entos e desejos. . Tiago e Débora conversavam por horas. dizendo que gostava de contemplar o céu estrelado ou tomar ar. procurando consolo Mas não! Depois do desespero e do enterro. Não suportei saber que ele preten dia ir embora para longe e começar uma vida com ela. Principalmente quando se trata de seus desafetos. no ca mpo energético que nos envolve e no ambiente onde vivemos e convivemos. Ao partir para as batalhas contra o exército imperial a fim d e conquistar as vilas e cidades. Passei a espiar. mas não! Nessa encarnação nascemos . O próprio Mestre Jesus nos ensinou: Pede e te será dado . mas estava enfeitiçado e não dava a menor importânc ia ao que eu dava a entender para persuadi-lo. por isso contratei o empregad o a custo de jóias caras para dar um fim na Débora. afasta m-se.. abandonando aquela que hoje. em pensa mento ou não. mas algo como que nuvens escuras em tons marrom. Os encarnados não podiam ver. Não importa! Qual o problema de se unir a ela e assumir a paternidade? O que ir ia acontecer? Se ele tivesse retornado antes como eu ordenei. A criança era de outro. ela desaparecia e ninguém sabia dizer onde estava. ofensiva e hostil pronunciada oferecia mais vigor àque las energias espirituais extremamente inferiores. teria se casado co m ela e nunca desconfiaria do filho não ser dele. Aquela miserável era traidora. irregular e muito feia. Ele acabou com a moral da minha família. O Sérgio não merecia aquela mulher. cinza e preto pairavam no interior de toda a casa. tendo ao lado o espírito Lúcia. humilhou-me e me rebaixou no nível ma is inferior que pôde. plasmam-se exatamente energias espirituais mentais impregnadas por nossas palavras. a felicidade e a harmonia são tormentos insuportáveis. calcadas de botas fortes no andar lento de hom em. encarnada. O Sérgio acabou com minha vida. Sustentando e se comprazendo com o que acontecia entre Tiago e Marcílio. um dos soldados que desertou com ele. O espírito Sebastião. Vol ando-se para ela. o espíri to Lúcia relatava com imenso rancor: Tornou-se um costume da Débora permanecer todas as noites na varanda. Ah!. Nunca vou esquecer. el e se foi sozinho! Não me conformo com isso! Covarde! Eu disse que ele é um covarde! Naquela oportunidade poderíamos viver um grande amor. Covardemente desertou! Desertou por causa daquela mulher! . Eles i nvejam quem as cultiva. pois ele precisava pegar os dois juntos.

ter boas práticas!.riu. sensações e pesadelos alucinantes com o se eu fosse uma delas. Sentia dores.. respeito. sentindo intensa hostilidade . tem a Yara. Você só não sofre mais. com caráter possessivo e sentimentos mesquinhos por Débora. que te corroíam. forte e seus olhos são d e uma atração impressionante quando pareciam invadir minha alma! Eu era capaz de faz er tudo por ele! E o Sérgio a rejeitou! .quis saber Lúcia com frieza. encontravam-se em luga r onde o agradável magnetismo parecia acariciar os sentidos.. imunda! Meus pensamentos ferviam e me corroíam! Isso mesmo! Sermões moralistas! . justiça. depois de saber de tudo.. Mas aquilo era impossível. Lúcia. Além dela. O ódio e a raiva pelo Sérgio foram tão imensos que não posso deix ar de me vingar! Ah! Não! Sofri mais do que um cão e procurei o desgraçado porque prec isava fazê-lo sentir o que eu experimentei! Descobri que tinha reencarnado e eu ti nha passado mais de cem anos naquele tormento alucinado e doloroso por culpa daq uele infeliz moralista! Igual a você. Com crueldade. tem a minha ajuda .. atraindo-os a uma doce e suave meditação.Breve pausa. continuo u falando para persuadi-la: Eu sei o que você passou após morrer daquele jeito. informou em tom típico de sua vileza: Débora é uma tola.. Ah! Esse é dos meus! Ele vai se vingar por mim com escárnio e muita humilhação! E o Sérgio ficará arrasado. Com aquela moralidade hipócrita. sentia a carne fedendo ao apodre cer. Assim como fez com você. o Sérgio me torturou com seu s sermões moralistas! Desgraçado! Quando morri. meus prazeres. mas tomei força e reagi furioso! Tanto ódio brotou por experimentar aquilo que consegui me libertar. induzindo-a a pensamentos conflitantes para continuar dominando-a e utilizando as disposições a fetivas de Lúcia para os seus objetivos de vingança. Acor dou no caixão e sentia cada verme roer seu corpo. . do corpo se desfazendo. de respeito! Sofri feito um desgraçado! Tinha alucinações que nunca paravam! Sentia dores como se!. faremos com que ele sinta tudo o que nos fez sofrer. e o Breno. É?! Vou dizer a verdade: eu o desejo como homem para usá-lo em favor de meus prazer es. Sua vida não terá mais sentido e ele desejará a morte ao sabe r!. pois a Sueli é uma filha fiel e se mpre pronta para me ouvir. eu o odeio por tudo o que ele já me fez.Psicólogo Espiritual Rogando amorosamente a instrução e a colaboração influente de entidades de esfera sup erior. Agora eu vejo o Sérgio de modo diferente . Ele não aprovava nem respeitava minhas vontade s. Fiquei cansado de ouvir suas conversas sobre dignidade.irmãos legítimos! E eu o amava! Ele tornou-se um homem lindo....questionava. meus atos. Gritou muito. perguntei: cadê Deus?! . passei por tormentos infinitos! Eu p arecia ouvir a voz dele ecoando todo o tempo em minha mente falando de moralidad e. longe dos pesadelos e das alucinações que enfrentou dentro do túm ulo. as faculdades espirit uais.. zombando.. fraca e ingênua! Será bem fácil e prazeroso ver a safada experimentar o que eu mais tive prazer de fazer com as vadias desse tip o! Sei que será fácil envolver essa desavergonhada... um lixo e é por isso que ficou assi m depois de morrer! Qual era o problema de se amarem? . Sentia as dores do tiro. domi nar os desejos. T em o meu apoio. mentores de Sérgio e Débora. Foi difícil te ajudar. ele de u-lhe sermões e críticas.gargalhou sarcasticamente. Eu mesmo cuido dela para você! . dos bicho s te roendo e aquele cheiro insuportável. Acompanhei tudo. os espíritos Wilson e Olívia... fazendo-te pensa r que estava louca! Fez você se sentir um verme. não foi? Falou que precisava de tratamento. porque eu te regenerei com as energias sugadas dele e te despertei p ara esse mundo real. Juntos.tornou ela. eu sofri... 12 . Até parece que aquelas vadias que tomei à força não gostaram de ter um homem viril co mo eu! Desencarnado. Sebastião admitia. a irmãzinha desprezível e insignific ante com seus vícios. Ao saber o que a Débora fez! .lembrou Sebastião. Mas agora. Ele se achou superior e a trato u como um lixo em decomposição! Repugnava seus sentimentos! É verdade! O Sérgio começou a me dar sermões e mais sermões moralistas! Cada vez mais oralistas! E eu me sentia suja. Mas o pior eram os pensamentos de culpa que não paravam. Como se o quê? . por isso quase enlouqueci! Dem orou.repetiu Sebastião. Quero-o morto! E quanto à Débora.

. Os nobres irmãos encarregados do serviço de socorro em zon as tão sombrias receberam orientações misericordiosas para aguardar um relampejo de lu z e esperança em Sebastião. ostentando delicadas flores brancas. a entidade indicou para que se senta ssem. de ou: Paz em Jesus. Era impressionantemente bela! Com aparência translúcida! Usava uma túnica simples. enquanto suave melodia se derramava em harmoni a aprazível. brotando fé e arrependimen to. ele deveria desejar receber o amparo da providência Divina e os socorristas estariam a postos. o grande salão reluzia nas paredes uma claridade própria. amorosamente. ficou contemplando o maravilhoso contorno do gr ande recinto. que se dispôs a sentar.Abraçando-os com imensa felicidade. Assim seja! . de onde luzes transcendentes cintilavam. Plena natureza sob a proteção excelsa de um salão usado para conversações muito elevada s nas escalas dos valores morais e espirituais. pelo r isco que corre a missão desta encarnação tão planejada e por nós mesmos. ele infernizou a própria mente pelo mal praticado. Sorridente. surgiram no instante do relampejo do pensamento de Wilson. em esferas superiores e até na crosta terrestre. mesmo assentando-se na magnífica poltrona de matéria encantadora à s ua disposição que parecia agasalhá-la. via-se incrível jardim que causava grande impressão pela beleza repleta de detalhes capric hosos em plantas e flores formosíssimas e agradáveis à visão. o piso era sutilmente tocado por sua vesti menta alva que possuía algo como substância luminosa. deixando-se envolver e mantendo o s olhos cerrados ao permanecer introspectivo. Por onde a e levada criatura deslizava. junto da hedionda brutalidade contra mulheres e crianças. Não existe. O semblante jovem e de nobres traços angelicais exibia alegria verdadeira. Depois de tantas batalhas com o emprego de crueldade desnecessária aos oponen tes. mas. no pl ano material dos encarnados. Precisamos ser cautelosos e pr udentes. esperavam. Os tormentos vivenciados o consumiu por décadas. Algo como que suave brisa de aroma agradável despertou a atenção de Wilson e Olívia p ara a entrada da entidade que. O espírito Olívia. Mais de um século. comentou com amável respeito: Querida ministra e instrutora amiga. difícil de explicar. gritou e chorou como verdadeiro louco não modificou seu estado vibratório. viva e alegre. Acomodações confortáveis. Olívia trocou olhar com Wilson como se lhe pedisse a palavra. a fim de ver enternecido o coração. ele desencarnou. Majestosas colunas se estendiam lindamente do chão às alturas de cúpulas transparentes. Imprevistos severos ocorreram e tememos por nossos protegidos. O espírito Sebastião está extremamente embrutecido . como que nuvens fofas. não co ntendo o sorriso de felicidade ao vê-la. De suntuosa fonte. expressou-se com i ncrível doçura aos visitantes: Agradeço a Deus as bênçãos de suas presenças! . Mas não foi o que aconteceu. Existe muito ódio desejo de vingança no coração do pobre espírito Sebastião. em parte das paredes e de algumas pedras da fonte. E era dele que brotavam tr epadeiras similares a heras que imprimiam nobreza sublime ao esparramarem-se gra ciosas. acomodando-se frente a eles em assento que surgiu suave e instantaneamente como que nuvem sutil. Ao lado da fonte. Eles se levantaram.Revestido de sólidas energias edificantes. Como não poderia deixar de s er. É difícil descrever. sórdidos e sádicos.retribuiu Wilson. flutuando. Voltando-se à nobre entidade que aguardava sua manifestação. Tomamos a liberdade de invocá-la e pedimos a generosidade desse encontro aqui. sabemos o quanto é ocupada em trabalhos ne ste plano. Ao leve gesto da mão delineada e graciosa. meus irmãos! Que o Mestre a abençoe ..concordou Olívia. práticas por prazer a seus vícios lascivos. pois seu corpo espiritual foi brutalmente danificado por sua co . nada a que se possa comparar. Todo o ambiente era banhado de luz cristalina bem acolhedora. A esfera obscura onde gemeu. ouvia-se o murmurinho das águas límpidas correndo por uma parede de pedras até chegarem a delicados lagos que fascinavam por seus e spelhos de água. a fim de consultarmos seu s bons conselhos diante de tudo o que acontece ou está prestes a ocorrer aos nosso s pupilos. Com humildade. Mesmo bem sofrido per ispiritualmente. parecen do leve e de mangas longas e largas que se ondulavam com suavidade.argumentou Wilson diante da pa usa. sua consciência o encaminhou a regiões muito baixas.

No planejamento reencarnatório de Sérgio. envolvendo-a em um intercâmbi o mental para que a moça se desequilibrasse e tentasse seduzir o irmão. essa oportunidade lhes foi impossível pelo ato cruel de Lúcia contra minha pupila. como sugerindo reflexão: O Pai da Vida não é impetuoso. Sendo que isso ocorreu porque Sebastião e seus colaboradores do mal estão tentando fazê-lo desenvolver pensamentos e práticas imperfeitas. Wilson silenciou e olhou para Olívia. no últ imo reencarne. V ersada no atributo de grande soma de conhecimento. No entanto. mesmo Sérgio propondo-se a reencarnar como pai de Lúcia e educando-a sob pr incípios religiosos rigorosos. o espírito Sebastião mergulhou nas reentrâncias de sua consciência. Temo por desastrosas conseqüências se meu protegido não suportar . nos último s tempos. . Sérgio não se in clinou. a sábia instrutora Ia ryel lembrou: Deus é amor.argumentou o espírito Wilson. viveriam juntos e felizes. Por isso a procuramos . recebeu luz na consciên cia a fim de despertar fé. S ebastião a tem como aliada a fim de usá-la contra Sérgio. Com meigo e terno sorriso. culpa e quer se vingar ao afirmar que todos os seus sofrimentos no plano espiritual. ficando receptivo aos bons conselhos. nesse aspecto. se possível. Sua perversidade parecia mais intensa e cru el. Por isso. Esse desequilíbrio sentimental in controlável vem de encarnações distantes. com tantas deformidades. Jamais Ele emprega violência ou força brutal com a fin alidade de constranger ou agredir a mente de uma de suas criaturas. Sebastião não ficou atordoado e reflexivo despertando para a fé. desencarnado . Por essa razão viemos lhe pedir sábias orientações e humildemente. E a sua consciência que o cobrou e o cobrará. . em breves segundos de alívio mental. no s lo XVII. todo o seu ódio e desejo de vingança. que completou: Débora e Sérgio se encontraram. Não demorou a se unir com os comparsas do passado e escravizar alguns pobres e spíritos recém-desencarnados e voltou-se para o objetivo de vingança. Há muito tempo. após revigorá-la com troca de energias mentais com o irmão. A moral elevada de meu pupilo. foram por culpa de Sérgio que o repreendeu. a generosa benfeitora ponderou por segundos e considerou em tom t ranqüilo e tênue. Por acréscimo de misericórdia. que teve muito trabalho com ela. uma das propostas era ajudar sua irmã Lúcia a reverter os dese jos obsessivos por ele. quebrou o invólucro magnético criado por sua mente que o prendia naquelas co ndições tão sofridas. Sebastião não admite que ouvisse e experimentou as acusações de sua própria consciência. que o condenava àquelas con dições turbulentas. o que ela chama de amor. apesar dos desafios e tarefas a realizar. O espírito Sebastião parece reunir uma fal ange de esferas obscuras com o intuito de grande destruição de todo o planejamento r eencarnatório proposto. Sua aparência humana está bem alterada. conseqüência de suas práticas. nesta reencarnação. ele mesmo se surpreende com a própria reação diante de fatos isolados. Ele p otencializou toda a sua raiva. seus subordinados e nossos superiores. venerável mentora. o espírito Sebastião vem agregando espírito s tenebrosos a fim de vingar-se de Sérgio e Débora desnecessariamente. Não há como mudar. Suas Leis de equilíbrio para a evolução estão a consciência de cada uma de suas criaturas. envolvendo e a tormentando aqueles a quem Sérgio quer bem. Contudo. Devo admitir que jamais vi tão grande força do mal endereçada para esse fim. a livrá-la dos alucinantes sentimentos. Sebastião usa condições e hab ilidades espirituais rudes de suas faixas vibratórias muito baixas. que podem ser consideradas monstruosas.Ela contem plou os presentes com rápido olhar. Concordo com Olívia . o espírito Sebastião. Urrando como um a fera. para nos ajudarem em benefício de nossos p rotegidos e de muitos encarnados envolvidos. que o queimava como a dor terrível de um fogo incessante. não apenas das duas últimas. libertou-o do débito com o espírito Lúcia. Com Lúcia desencarnada. No entanto seu coração nobre se candidatou a tentar.Wilson terminou e ficou no aguardo de uma orientação. No entanto sua energia mental não teve uma reação positiva. ele não conseguiu amainar a ob-sessão de seus desejos c arnais e lascivos por ele. A serenidade e a atenção eram vivas mensagens silenciosas que revelavam compreensão e sabedoria no semblante delicado da amorosa e elevada entidade que os ouvia. não parecendo surpreender-se co m toda a narração. harmonia e paz. Sérgio não é impulsivo e reflete muito an tes de qualquer atitude. Foi então que o espírito Sebastião passou a interferir. pois. A o experimentar um breve instante de alívio na consciência. Para isso.nsciência e por outros espíritos de impressionante inferioridade que habitam aquela região. o amparo eficiente de irmãos espirituais. Sebastião odeia. conforme predestinado.

Quero ressaltar que o instinto de conservação nos foi da do por Deus.Laryel refletiu e comentou: Muitas coisas podem acontecer. o silêncio o tornaria cúmplice e conivente com os atos de selvageria .confessou Wilson em tom de súplica. Sér gio precisava estar ali. . Aliando-se aos revolucionários. pois se encontra em um nível muito inferior. a justiça está sempre de um lado e há influência dos espíritos. Precisamos de sua generosa intervenção. Sebastião precisa acusar alguém. A revolução farroupilha xe benefícios a essa Pátria tão estimada. orgulho. pois é de natureza inferior a dos animais. prazeres doentios e estranhos ao ser humano. Sei de seu amor incondicional por todos os irmãos do caminho . Preocupo-me pelo fato de Sebastião estabelecer uma falange tão perversa e destrut iva. caso não receba auxílio de com panheiros dos planos mais elevados . Nesse caso. pois foi por conseqüência dela que criaram as Le is para a não divisão desse país. não de ixa de pensar no assunto. Encarnado. Sérgio foi destinado a combater em uma guerra. foi obri gado a usar suas armas e a força a fim de lutar com os opositores para se defender . mas nunca usou de crueldade ou tortura covarde para com suas vítimas. ele também seria culpado por omissão. Naquela época. Sendo assim.expressou-se com ternura angelical . querida Laryel . Ele ouviu um colega dizer isso e.fazendo-o vivenciar as impiedades e as vilezas cometidas com lamentável prazer.preocupou-se Wilson. entre outras harmonizações. por se tratarem de criaturas especiais em seu coração e reencarnadas por c . O fato de o pobre Sebastião acusá-lo por seus alertas morai s é simplesmente uma fatalidade. Elevada instrutora. Quando encarnado. Porém nada é eterno e tudo se transforma com o objetivo de renovação e melhoramento. por influência de Sebastião. Sérg io não tem culpa pelo que o pobre Sebastião sofreu. nosso querido irmão presencio u muita dor e sofrimento. Sérgio o aler tou como pôde. As criatura s de Deus são os instrumentos de que Ele se serve para atingir determinados fins . mesmo que haja dor a fim d e destruir o mal que há na criatura. Mas cada caso é um caso.Pedindo hum ildemente. Sebastião e xibe energia peculiar à sua monstruosidade e força mental que emprega para interferi r nos pensamentos de todos. pois sem ele nos entregaríamos ao desânimo ou suicídio indireto. acabam se personificando líderes de falanges. precisaríamos de sua amorosa intercessão. O fato de Sérgio desertar quando conheceu Débora e a salvou. uma vez que ocupava posição subordinada ao comandante Sebastião. lei de efeito para as pessoas necessitadas em experimentar ou reparar os erros do pass ado. Espíritos por muito tempo inferiorizados no ódio. Vi-o ativo e fiel trabalhador na espiritualidade. sabe que Sérgio tem uma importante. Vejo meu querido filho espiritual se torturando lentamente com as interf erências e influências diretas e indiretas do espírito Sebastião. Com isso se atrasa na tarefa para a qual se propôs para este reencarne. foi providencial naq uela época. através de expiações deploráveis. .. Sérgio reluta em deixar de ser policial pelas necessid ades financeiras que o preocupam e por acreditar que foi criminoso ou bandido em vidas passadas. apegado aos atos sórdidos. Além de covarde. Teme deixar esse trabalho para não ter débitos morais. Repelir o que lhe an tecipa a morte do corpo físico é correto. Temo que eu possa ser incapaz de conduzir meu protegido pelo caminho do bem. sabemos que os corpos físicos são disfar ces do espírito quando encarnado. Muito me assust aria se eu soubesse que meu querido Sérgio ficou calado diante de tantas atrocidad es. Isso nos sustenta em nossas provas. egoísmo. no caso de guerra. algo que impressiona! Pressinto a impotência espiritual de Sérgio para mobilizar força e vontade a fim de livrar-se da ostensiva obsessão. teve deveres a cumprir através das informações oferecidas sobre o que conhecia.. com o uso de fluidos criados para oper ar psicologicamente através da energia mental de desencarnado para encarnado é imens o. Contudo também conheço a sua extraordinária atenção por esses queridos encarnados sob su a tutela. Mesmo contrariado e angustiado com o que via. Sérgio prestou serviço a um exército e foi convocado para uma batalha. por exemplo. Meus que ridos . No tumulto das bata lhas quase não existem mortes instantâneas. Nesse caso.Laryel sorriu levemente e lembrou: Numa guerr a. ajudar com conselhos e su stentá-lo nas provas! O empenho por vingança. o mentor ninoroso pareceu implorar: Venerável emissária. crueldade e out ras vilezas.pediu Wi lson com humildade. tarefa e Débora deveria a mpará-lo. lei de ação e reação. . Laryel sorriu em sinal de compreensão bondosa e avisou: Conheço Sérgio. Mas ele acusa meu pupilo por tê-lo alertado .

dedicandose a auxiliar nos mais diversos comportamentos da mente. a respeitável entidade Laryel possuía uma natureza superior que ul trapassava a capacidade de conhecimento e sabedoria dos ministros daquela consid erável Colônia Espiritual. . Venerada Laryel . . que manipulam suas vítimas com rigo r. ao mesmo tempo. . de mentes su periores ou inferiores. milhares de criaturas de Deus. Nosso querido Sérgio está experimentando incrível poder psíquico que tenta agir em sua mente. no plano encarnado. ele terá bem mais proveito no que almeja desenvolver no plano espiritual para ajudar muitas. é algo a fim de agregar-l he evolução. depois continuou: Como a água. Sua dedicação aos estudos psicológicos e empenho para ampliar os conhecimentos. Tal estímulo e método clínico os libertarão om facilidade das amarras psicológicas que os mantêm atados à força do pensamento de um irmão espiritualmente inferior. todos os demais ministros que trabalhavam com a excel sa emissária acatavam seus sábios conselhos ou orientações antes de tomarem decisões impor tantes. O colega que desejou envenená-lo mentalmente com a idéia de que. em atividades no campo de coordenações dignas nos Ministér ios do Auxílio e da Regeneração. sem saber. al guém é policial pelo fato de ter sido criminoso ou bandido em outra encarnação. é er um: psicólogo espiritual . Por suas contáveis tarefas abnegadas. Vivenc iando tal experiência.quase em lágrimas. As conseqüências ou resultados variam e dependem da afinidade que a supos ta vítima se deixa ter com aquele que a quer dominar. tormentos e todo tipo de insatisfações. é nobr eza espiritual experimentar os sintomas para estudá-los e compreendê-los em ação com a f inalidade de atuar em serviços de socorros aos irmãos necessitados. de encarnado ou desencarnado. à custa de duras provas e tra balhos incansáveis. Voltando em forma de chuva ou orvalho. respeito e certa apreensão . empreendia humildemente suas faculdades. o mentor Wilson silenciou. procurou contribuir com esclarecimento diante dos temores dos queridos amigos que ali estavam: Certa vez eu ouvi uma querida benfeitor-amiga ensinar que O pensamento é força viv a . Laryel. os desejos e os impulsos de uma criatura são control ados pelo poder do pensamento. podem ser nossas. trazendo benefícios e criações mentais saudáveis. evapora-se subindo ao céu. estará pur ificada e será benéfica às criaturas. por mais suja e infectada que esteja. Os objetivos desses irmãos sem instrução são trazer angústia. o pensamento retornará suave e lim po tal qual a chuva. Diante da perplexidade de Wilson . Por sua elevação. para Sérgio. sempre com indizível serenidade. elevação prosperidade ao homem de bem. comparou com algo. e studando com primorosa abnegação e carinho a fim de estimular a força inteligente que há em cada criatura através da energia mental. A função de Sérgio como policial o colocou na condição de sentir. comentou: O pensamento. dizendo mais ou menos assim: A água.ompromisso de elevação e amor ao próximo . por vezes.Aguardou e prosseguiu: Conhecendo nosso querido Sérgio. curativas. nossos irmãos.sorriu de modo sutil. mas deseja essa evolução intelectual a fim de trabalhar indispensavelmente na espiritualidade com irmãos que ignoram o uso da psique e utilizam à energia de cr iações mentais destrutivas através da força do pensamento. Lá se transforma n as mais diversas e belas nuvens. para analisar.Breve pausa e comparou: O médic o não pode dizer que a doença é indolor ou que o remédio é doce se não os provou. como tarefeira espiritual. Lembremos que as palavras. hoje. Só caberá a Sérgio a atitude e postura consciente para c riar forças interiores a fim de resistir a tão intensas energias mentais vindas de e spíritos e de encarnados que são transviados morais. Por conta disso. Mesmo sabendo e entendendo que Sérgio aceitou vivenciar os efeitos obsessivos em fase do planejame . baseou e ssa opinião em si mesmo.tornou Wilson com humildade. crescimento intelectual em benefício dele como espírito. irradiando excelso magnetismo no olhar. em seu inconsciente. . re speitando a reflexão de Wilson. Esse pode estar sob a influência de uma outra mente cruel e malévola.A veneranda ministra aguardou por segundos. acredito que ele é capaz de reagir a essas idéias destrutivas. Ela refletia sem qualquer manifestação. E em um exemplo magnífico. rogan do luz na consciência e crendo no amparo de Deus. são: altear o intelecto.Prestimosa e calma Laryel ofereceu sorriso leve e doce. As propostas e as idéias de Sérgio. é extremamente exagerada. mas se o elevarmos para as alturas com verdadeira fé e humildade. Isso. além de ocupação amorosa no exercício de socorro. Sérgio possui moral elevada. sob pressão ostensiva de mui ta disciplina que. o pensamento pode est ar impuro. as idéias que nos surgem. mas tudo pode acontecer. o que é ocupar uma posição superior e subalterna.

dolorosas de outros espíritos inferiores também tiranos e cruéis. em muitos casos. permanecem em estado de perturbação por longo tempo. S em dúvida. Sofrem conflitos que os arrebatam deploravelmente. admitindo que e sses espíritos. mas alguns viciados se libertam e outro s não. a pessoa pode não se regenerar totalm ente. Depois da pausa. a pessoa pode ser capaz de destruir a moléstia. em massa. dominem suas vidas. crio u ou se ligou mentalmente a espíritos impuros. Quando aceitas ou criadas nos p róprios pensamentos. e podem ser usados. Ou não. Em casos de lições expiatórias. como que se embalando deformados. Como se não bastasse... enfrentando as agr essões furiosas. o desequilíbrio espiritual e mental.. E os que continuam se prendem a fantasias inúteis e passageiras. pelo cére ro perdendo a capacidade de concentrar-se e escolher. Algumas moléstias os atingem por tempo limitado. sofridos e des gostosos dentro de seu próprio mundo. . agregados ao mal. Sebastião ara um ataque covarde. dores. vingativos e zombeteiros. Ao mesmo tempo. na p rimeira oportunidade. a fastam-se do perigoso vício. Por que elas são venc edoras e outras não? Por que um alcoólatra é capaz de vencer o vício e outro não? O que di zer dos dependentes de drogas que.Alguns segundos e prosseguiu. aceitando a ligação mental com espíritos inferiores. ainda em vi da e até a contaminação virótica. Essa vingança é injusta. mesmo encarnando em difíceis condições deficientes ou doentias. esses micróbios. vírus ou bactérias infectam o corpo físico e nele se multiplicam e atacam. Despreparados para a espi ritualidade. Já vimos portadores de deficiências fazerem de suas mentes ferramentas tão poderosa s em favor do bem-estar de si mesmas para as suas necessidades. Não ignoro nada. que se tornam vi toriosas! São capazes de superar outras pessoas denominadas normais. Seu rosto era sereno e sério pela gravidade do assunto. por vício de reclamação... É a consciência de cada criatu ra que a castiga. o medo. Por outro lado. enlouquecê-lo. A instrutora permaneceu em silêncio. a pessoa que os atraiu. .nto reencarnatório. explicou: Quer dizer que aqueles que não se libertam das ligações mentais inferiores. fazendo suas células reag irem contra o mal. Outros. deformam-se perispiritualmente. mas também não sofrerá como a outra. que o s perseguem e maltratam impiedosa-mente pelo prazer em fazer mal ou serem contra ao que o outro praticou.Sem esperar. Nem por isso essas pessoas portadoras de provas expiatórias necessárias deixam de experimentar o ataque psíquico de desencarnados que as querem ver derrotadas. vemos outros encarnados nas mesmas condições deficientes ou doentias que reagem contra esses pensamentos venenos os. essas pessoas podem ligar-se mentalmente com espíritos impuros e vingativos que lhes sugerem di ficuldades. não reage m e. Com o poder de seus desejos e determinação. Mas existem os que se inclinam às más tendências e não domina m os pensamentos. pensamentos enfermos. o sofrimento e o pavor pelo que fizeram aos seus corpos físicos e espirituai s. mesmo com tantos alertas sobre o perigo do us o de entorpecentes. enfraquecem. essas fortes sugestões mentais chegam a ter tamanha força. exibindo no perispírito o que fizeram. as células do corpo físico s e preparam para recebê-los. Ex istem encarnados que sofrem por lições expiatórias. Encarnado s desse nível normalmente reclamam e a lamentação é uma doença mental de tratamento difícil principalmente na espiritualidade. O corpo físico simples mente obedeceu às ordens dos pensamentos do encarnado que.. não esperávamos a imensa organização espiritual simpática ao líder crue ue tem o intuito de destruir meu pupilo com terríveis tramas e ataques para desequ ilibrá-lo. meus queridos. à prostituição. Todos que possuem vícios são ass ediados por espíritos de níveis muito baixo. As ligações mentais se tornam mais intensas com espíritos inferiores e certamente os levarão à promiscuidade sexual. embolando-se em posição semelhante à fetal e co m aspecto tortuoso. desencarnam enfrentando a ignorância. comentou: Sei exatamente o que se passa nesse campo. Alguns desses perseguidos sofrem. enfraquecendo-se e diminuindo os anticorpos. insistem e utilizam à substância alucinógena e excitante? Alguns não aceitam a proposta do uso de entorpecentes. pergu ntando: O que dizer disso? . vai atrair p ara o corpo carnal a experiência dolorosa e enfermiça da decomposição lenta. Então. que fa zem à mente do encarnado atrair e proliferar princípios inteligentes microbianos ou viróticos para junto de seu campo mental. cegá-lo ou levá-lo a atos insanos de difícil reparação. com grandes dificuldades. passando ter formato ovóide. experimentando o que provocaram. tendo em vista o número de aliados cruéis que têm o puro prazer de ver alguém se derrotar ou desistir de suas provas por ceder às inspirações obsessiva s. em extrema infelicidade. Fecham-se doentes. destroem os órgãos do corpo físico a começar pelos neurônios.

por outros espíritos insensíveis e cruentos, como instrumentos a serem como que ima ntados a encarnados, a fim de que esses passem a sofrer os efeitos das chagas de sses sofredores ligados. Outros, ao saírem do estado de perturbação, no afã, na ânsia da a flição extrema, da raiva pelas necessidades impressionantemente desesperadoras por s eus vícios, pelo fato de se encontrarem em outro plano, que é um mundo muito mais re al do que o dos encarnados, juntam-se a grupos de espíritos viciosos, verdadeiros vampiros de encarnados com diferentes experiências viciosas como: doenças, viroses g raves, moléstias, incômodos ou sofrimentos físicos e morais, dependências químicas, fetich ismo, compulsivos sexuais, sádicos sexuais, masoquistas sexuais e muitas outras pa ra filias, ou seja, distúrbios psicossexuais, além de crueldades das mais diversas e tantos incontáveis vícios. Deformados, sofridos e revoltados, esses desencarnados, junto do seu grupo afim, darão continuidade à vampirização de encarnados através dessas li gações mentais. Por que alguns se libertam e outros não? Por que alguns ficam em condições de serem socorridos e outros não?- Ofereceu segundos para a reflexão e novamente questionou: Em favor desses irmãozinhos desencarnados, que sofrem torturas indizíveis, o que pod e ser feito, em termos de trabalho espiritual, para ajudá-los a se reerguerem vito riosos com a bênção de Deus? Não preciso explicar que meu querido Sérgio, encarnado atualmente, procura desenv olver o seu atributo da inteligência com a finalidade de elevar sua faculdade inte lectual e fazer progredir o processo de socorro a essas mentes ainda tão ligadas, dependentes, prisioneiras de espíritos escravizados pelo vício que se inclinam ao ma l pelo estado mental doentio. Respeitável instrutora - argumentou Olívia, com certa timidez, após a longa pausa , desculpe-me a pergunta, mas... Essa inteligência ou a busca do desenvolvimento des se atributo intelectual não poderia ser feito por Sérgio somente na espiritualidade? A inteligência só pode se manifestar por meio dos órgãos materiais. Somente a união c o espírito dá inteligência à matéria animalizada5 , ou seja, a matéria do corpo físico. As dades intelectuais sempre evoluem no plano material. Infelizmente nem todos a us am para o bem, entretanto serão responsáveis por isso. O espírito com elevação moral ampli a ou desenvolve suas faculdades intelectuais e, ao retornar para o plano espirit ual, é capaz de compreender melhor o que aprendeu e vivenciou. Assim torna-se capa z de desenvolver mecanismos ou estratégias usadas para o bem que permitirão o auxílio, o amparo, a melhoria de vida aos encarnados ou desencarnados necessitados daque le benefício. Como exemplo, posso dizer que espíritos grandiosos reencarnaram e acom panharam a problemática de situações hospitalares e de diversos pacientes. Voltando à pátr ia espiritual, desenvolveram mecanismos que, hoje, auxiliam a monitoração de pacient es, o diagnóstico mais rápido de enfermidades, equipamentos de processo artificial q ue auxiliam a respiração e muito mais. Eles agiram e agem no anonimato após o que cria ram e colocaram em prática, influenciando outros encarnados a aprimorarem o que fo i produzido. Grandiosos espíritos agem no silêncio, pois não querem receber seus galardõe s na Terra e sempre agradecem a Deus pela oportunidade de trabalho terreno que au xiliou novas atuações na espiritualidade. A abnegada ministra fez longa pausa. Em seguida Laryel, nobremente, deixou su as emoções aflorarem, permitindo-os conhecer melhor o seu coração misericordioso, replet o de amor aos queridos encarnados, quando seus olhos cristalinos Irradiaram inte nsa luz pelas lágrimas que banharam sua face serena, de beleza suave e sublime, af irmando com generosidade e ternura: Meus queridos... Eu compreendo a preocupação que os invade, pois também sei e sinto o quanto essa tarefa será difícil, podendo deter nossos amados se eles cederem às per turbações obsessivas. Quando Sérgio solicitou tal desenvolvimento de trabalho, que vis ava a uma forma de projeto e resultado de tamanho auxílio a encarnados e desencarn ados, fiquei feliz, mas algo me perturbou o coração. Contudo lembrei-me de que essa sublime criatura, em tempos remotos, prometeu-me amparo e apoio em tarefa de sem elhante oportunidade para meu aperfeiçoamento e elevação. Nos imprevistos daquela jorn ada, ele foi rapaz de dar a própria vida para que eu prosseguisse. Pensando nisso, prometi ajudá-lo em trabalho evolutivo do qual sei que milhões não o querem atuando. Agora encarnado e atuante ao que se propôs, é inevitável que nosso querido Sérgio sof ra grandioso ataque de espíritos inferiores. Não desejam que suas vítimas tenham suas mentes libertas das terríveis ligações mentais. Esses encarnados ou desencarnados volt

ados ao mal, terão dificuldade ou até não conseguirão mais vampirizar como antes os enca rnados que se esforçarem para essa libertação e passarão a viver diferentes, livres. Pes soas que usarem suas próprias energias mentais, reagindo contra os pensamentos dep rimentes, depressivos e viciosos sem reclamações, trocando-os por sugestões e idéias pos itivas poderão experimentar uma vida mais promissora repleta de ânimo, independente das condições expiatórias ou provas difíceis que possam se submeter. Elas não terão mais se s corpos e mentes infectados pelos desejos viciosos, se vencê-los. Não serão mais escr avas de doenças imperceptíveis, limitações prostrativas, deficiências intermináveis, vícios ráticas no mal... Lembremos de que um complexo de aparelhagem para fins terapêuticos e métodos cirúrg icos de última geração, que salvou a vida de muitos, pode não ajudar algumas pessoas. Se ndo assim, logicamente a proposta de Sérgio e de tantos outros encarnados e desenc arnados que se propõem a essa renovação, não é mágica para mudar total e instantaneamente a criaturas desse mundo de provas e expiações. Entretanto, se seu trabalho resultar n o auxílio para libertar a mente de muitas vítimas, aumentando o número de almas que se regeneram, isso é um grande sucesso. Estudando e se aprofundando em muitos casos clínicos, ao retornar para a espiritualidade, Sérgio usará essa elevação intelectual para o desenvolvimento técnico ou um método de minimizar essas conexões dependentes e destr utivas que ligam à mente de um espírito a outro e outros psicólogos espirituais o auxi liarão. No orbe terrestre, profissionais na área da Psicologia Analítica receberão benéficas inspirações e influências de espíritos elevados. Isso com a finalidade desses psicoterap eutas se inclinarem à técnica de fazer uma abordagem da problemática humana além da vida , antes do nascimento, ou seja, serão psicólogos com uma visão reencarnacionista, atra vés de uma Psicologia Reencarnacionista, que é a única capacitada para perceber, de fo rma ampla, verdadeira e não preconceituosa, o indivíduo, pois esses psicólogos sabem q ue podem ter à sua frente um paciente que é exatamente o reflexo do que ele foi num passado distante ou não, por isso vai respeitá-lo e tratá-lo como a semelhante digno d e atenção e auxílio. O amor e a fidelidade profissional e espiritual desses psicoterap eutas transcendem aos limites da matéria e da dificuldade atual, pois estão cientes de que não adianta só cuidarem da consciência atual, é preciso preparar e equilibrar a m ente, o espírito, a alma... A psique. - Observando-os pensativos, avisou: Estaremo s atentos a Sérgio, principalmente por tantas tentações que usarão contra nossa amada Débo ra para desesperá-lo e levá-lo a cometer insanidade que mais tememos. Um simples des vio, uma pequena falta de vigilância e minha querida encarnada será vítima inocente de crueldades indizíveis, humilhantes e não terá como se socorrer, a não ser pela fé e esper ança. - Breve instante e aconselhou: Continuem atuantes, atentos e vamos aguardar. Inspirem seus protegidos. Principalmente você, Olívia. Temo por minha querida Débora, que é o apoio, o incentivo, a sustentação, a inspiração de Sérgio. Sem ela, ele precisará muita força e extremo amparo. O amor verdadeiro que os une ultrapassa os limites s ublimes que muitos desconhecem, e Deus assim os abençoa pela elevação que alcançaram jun tos através de trabalhos úteis de muitas eras. Um profundo silêncio reinou. Toda tranqüila explicação da doce Laryel foi simples, porém chamando-os à seriedade da responsabilidade. Humilde e respeitosa, ela ofereceu generoso sorriso e se ergue u ao ver os dois mentores se levantando. Obrigado, querida benfeitora. Perdoe-me... Não deveria me desesperar - agradece u o espírito Wilson com sinceridade. Sou grata por nos receber - disse Olívia na sua vez. Usarei de toda a força de me u coração para cumprir a tarefa abraçada, inspirando minha protegida em qualquer situação e rogando incessantemente a Deus para que ela atente aos bons conselhos. A ministra Laryel abraçou carinhosamente cada um por longo tempo. Segurando-os na mão, olhando-os com radiante magnetismo, afirmou docemente: Vão em paz, meus queridos. Deus os abençoa. Lembrem-se de que o conhecimento ampl ia a verdade e nos liberta. Agiram corretamente ao virem me procurar diante dos fatos, pois a busca justa por amparo exibe a fé e o amor em todos os aspectos, lig ando nossa mente a esferas mais elevadas e garantindo a pureza de pensamentos be nditos. Tenho certeza de que sairão daqui melhores do que chegaram. E, conforme mi nha promessa a Sérgio, estarei com vocês. O jovem rosto delicado da respeitável Laryel espargiu uma luminosidade sublime

e abençoada ao formoso sorriso amoroso. Os visitantes estavam sem palavras e, naquele momento de despedida, experimen tavam o desejo de ficar naquele lugar superior de vibrações seculares, clima encanta dor e em companhia daquela elevada criatura. Estavam recompostos e revigorados d e energias salutares. Beijaram-na mais uma vez e se encaminharam para uma larga porta com contorno de arco. Alguns passos e Olívia olhou para trás quando Laryel, simplesmente, havia desapar ecido. 13 - O desespero de Rita

Na penumbra do quarto iluminado pela luz baça daquela manhã morna, Sérgio acordou, olhou para Débora que não se movia e dormia profundamente. Levantando-se, foi para a sala onde espiou através da cortina vendo o dia nublado e úmido. Preocupado em não de spertar a namorada, tomou um banho demorado no outro banheiro. Na cozinha preparava um café a fim de que a bebida lhe desse disposição e, enquanto fazia isso, recordava-se da conversa que teve com a namorada na noite anterior. Lembrou-se de que não teve dificuldade para adormecer como vinha acontecendo. Iss o talvez por tê-la a seu lado. Contudo depois de uma hora de sono, acordou várias ve zes com o coração acelerado e a pele suada, acreditando ser pelo fato de, durante a madrugada, ouvir o barulho do vento forte uivando na janela e escutar as folhas e os galhos da árvore roçando o muro da casa provocando estalidos estranhos e isso o incomodou. À noite mal dormida o deixou sem ânimo. Não sentia a mesma tranqüilidade do dia anterior. Sentado à mesa, experimentava vagarosamente a bebida fumegante, sent indo-se apreensivo com seus sonhos. Excepcionalmente, naquela manhã, não tinha qualq uer recordação deles, pois somente sonhos daquele tipo o fariam acordar daquela form a várias vezes. Esses pesadelos estão longe de serem inofensivos e insignificantes , pensava Sérgio com algo de raiva e repugnância contra a experiência. Para mim eles estão começando a se tornarem perigosos. Acredito que o jeito de acabar com isso seja... . Suas idéias foram interrompidas pelo som da campainha. Ao atender, ele sorriu r econhecendo seu irmão Tiago aguardando, parado de perfil. Ao ir abrir o portão, Sérgio ficou sério ao olhar melhor para o rosto do outro, perguntando assustado: Entra logo! Cara! O que foi isso?! - tocando de leve na face machucada e com destacados hematomas, não se conformou: O que aconteceu?! Tiago não respondeu de imediato. Entrando na casa, foram para a cozinha onde, a pós se sentarem, o rapaz pediu: Dê-me um pouco desse café, aí! Servindo-o, Sérgio não conseguia disfarçar a inquietude e a preocupação. Sentando-se à s a frente, tornou a questionar: Você andou brigando?! O que aconteceu? Foi o Marcílio... O quê?! Mas... Como?! Você nunca se envolveu nas brigas deles! E entre eles as co isas são resolvidas aos gritos! O Marcílio a agrediu e você foi defender? Espere, Sérgio! Dá um tempo! Ta?! Insatisfeito, calou-se. Conhecia bem Tiago e sabia que o irmão não era agressivo e não se envolvia em duelos de palavras ou agressões familiares. Após algum tempo bebericando o café na xícara envolvida com as duas mãos, Tiago suspi rou fundo, tirou o boné e mostrou ao outro, dizendo: Olha, foram cinco pontos aqui - apontou sem tocar o ferimento , mais três aqui e dois na sobrancelha. Acabei de sair do Pronto Socorro. Estava bem lotado... Dem orou tanto para eu ser atendido e... O Marcílio fez isso?! - perguntou Sérgio, perplexo. Foi. Você prestou queixa? - tornou indignado. Ora, Sérgio!... Isso o deixaria preso pelo Regulamento Disciplinar da PM e... P uxa!... E meu irmão! Mas ele não se comportou como seu irmão! Olha isso! Já se viu no espelho?!

Espere aí - pediu Tiago. Eu vim aqui pra você me ajudar e não me deixar com mais pr oblemas. - Segundos de pausa e comentou: Não posso aparecer assim amanhã para trabal har. Preciso dar uma explicação e documentar o fato. No pronto socorro eu disse ao i nvestigador que reagi a um roubo e... Sérgio, pense bem... Somos militares e você sa be que o Marcílio está com o prontuário tão sujo que... Se eu prestar queixa na delegaci a dizendo a verdade, ele seria indiciado e preso. Se Marcílio fosse civil, a coisa seria diferente. Mas o fato de ser militar... Será aberto um Inquérito Policial Mil itar e ele será preso pela corporação, cara! O prontuário dele está repleto por comportame nto inadequado! Essa acusação nova pode até levá-lo a enfrentar um Conselho de Disciplin a! Pense nisso! E se ele for expulso por causa disso?! E o que você quer que eu faça? - indagou Sérgio mais brando. Venha comigo até a delegacia. Tenho de prestar queixa ainda hoje. E para lavragem do Boletim de Ocorrência você irá mentir, certo? Sem dúvida. Não posso fazer diferente. Não quero ter a consciência pesada por deixar meu próprio irmão em situação mais complicada do que essa. Isso aqui passa!... Tenho tud o pensado. Direi que saí de um baile quando tentaram pegar minha carteira. Eram do is pivetes, mas com estrutura física avantajada. Eu reagi. Nós nos atracamos. Um peg ou um pedaço de pau e fez todo esse serviço - disse, contando para o próprio rosto. Tudo bem... Vou com você, mas antes come alguma coisa Levantando-se e arrumando a mesa para servir-lhe um desjejum melhor, falou: T enho queijo, pão, leite... Obrigado por estar nessa comigo, cara! Fico te devendo! -agradeceu Tiago com leve sorriso. Mas antes de irmos até o DP, você vai me contar exatamente o que aconteceu. Tiago abaixou o olhar e contorceu a boca, expressando insatisfação. Minutos depoi s, deixou Sérgio a par da situação: ...não agüentei e começamos discutir. Então o socou! - deduziu Sérgio. Não! Longe disso! Quando eu falei alguma coisa referente a nós dois não arrumarmos mulher e filhos nos aproveitando da família... Eu não esperava, meu! Pensei em ir pa ra o meu quarto, mas nem deu tempo! O Marcílio veio feito um bicho pra cima de mim e me empurrou com as mãos várias vezes. Trocamos ofensas. Nós nos xingamos de tudo qu anto foi nome... Ele desfechou um soco e eu desviei, mas... Mas?... O quê? Fiquei com medo de quebrar o cara, né! Além dele não ser como a gente, é nosso irmão. Mas deixou que ele te quebrasse! Não! Tive de pensar rápido, Sérgio! Sou faixa preta. Tenho um treinamento rigoroso no serviço e fora dele! Sou bem diferente do Marcílio. Dei uns pés na orelha dele para enfraquecê-lo, mas sem machucar e tinha a intenção de sair dali na primeira chance. Q uebramos toda a cozinha da mãe. Enquanto isso a mãe gritava, fazendo o maior escândalo . A Ana chegou e aí a coisa piorou. Eu só queria imobilizar o Marcílio, não iria machucá-l o. Não sei onde o infeliz arrumou força, livrou-se de uma chave de braço e arrancou o pé da mesa, que é de ferro, e veio novamente me atacar. Dei um pé no peito dele, mas a mãe se pendurou em um de meus braços e a Ana no outro. O pai me segurou com uma gra vata no pescoço... Foi aí que me danei! O Marcílio me socou e usou a perna da mesa pra fazer todo esse estrago. Não tive como reagir. Tinha medo de machucar a mãe, a Ana ou o pai... Fiquei todo unhado pelas duas e... - Instantes de silêncio e comentou: Foi só isso o que aconteceu. E depois que me viram apanhar o bastante, soltaram-m e. Não sei dizer como peguei meu carro e saí. Fui para o Pronto Socorro. Lá desmaiei e só depois um investigador conseguiu conversar comigo. Daí, falei que era PM. Identi fiquei-me e inventei a história do roubo. Ele queria providenciar uma viatura da P M para me dar apoio, mas eu disse que chamaria meu irmão. Por que não me telefonou, caramba?! Eu iria lá! - irritou-se Sérgio. Não queria te incomodar. Sérgio abaixou a cabeça e esfregou o rosto com as mãos sem saber o que dizer. Naquele instante, Débora chegou à cozinha. A jovem estava descalça, usando uma cami seta do namorado que lhe ficou larga, porém curta. Seus cabelos estavam bonitos co m o desalinho natural, enquanto seu rosto, com expressão de quem acabou de acordar , resplandecia certa beleza encantadora pelo sorriso que se fez ao ver o irmão de Sérgio sentado e reagindo de um jeito diferente.

Tiago mal a olhou e recostou a testa na mesa, dizendo constrangido: Puxa, meu!... Desculpe-me, Débora... - Erguendo o tronco, segurou a fronte com as mãos, apoiou os cotovelos na mesa e comentou sem encarar a moça: Oh, cara! Você dev eria ter dito que a Débora estava aqui. Eu não queria... Pare com isso, Tiago! Qual é?! - interrompeu-o de imediato, expressando meio so rriso. Sem graça, a jovem falou quase murmurando: Bom dia, Tiago! Desculpe-me, você... O rapaz nem a olhou continuando como estava. Aproveitando-se que o irmão estava com a cabeça baixa, Sérgio sorriu para ela e deu-lhe um sinal discreto pelo fato da camiseta usada ser inadequada para aquele momento, por ser curta e quase transp arente. Débora entendeu rapidamente e pediu em tom educado: Só um minutinho... Eu já volto! Logo Tiago encarou o irmão perguntando bem sério, quase irritado: Por que não me disse que ela estava aqui?! Puxa, cara! Qual é, Tiago?! Você é meu irmão! Não tenho nada para te esconder. Mas ela é sua namorada! Já devo ter atrapalhado o bastante! - disse levantando-se . Sérgio foi rápido, segurou-o pelo ombro e braço, pedindo: Você nunca me atrapalhou. Sente-se aí! Solta... - gemeu. Ta doendo muito!... Desculpa. Senta e fica tranqüilo. Assim como você, ela não sabia que tinha alguém aqu i. E eu não vejo qualquer problema. - Sorrindo, avisou: Acho bom se acostumar com a presença dela nessa casa! Tiago sorriu e, apesar de sentir-se um tanto envergonhado, perguntou: Está levando esse compromisso a sério mesmo, né?! Estou sim, cara! - Confirmou, ao sorrir de um modo apaixonado, quando revelou : Adoro essa garota! Ela me dá segurança, de alguma forma. Seu jeito, seu modo de fa lar... Ela é muito legal! Não parece essas minas fáceis que têm por aí. E muito educada... Es ou torcendo por vocês! E feliz por ter uma cunhada decente! - riu. Débora retornou à cozinha vestida com suas roupas. Comportando-se como se nada ti vesse acontecido. Sorridente, aproximou-se de Tiago, curvando-se para beijá-lo e c umprimentá-lo: Bom di... - interrompeu o que dizia ao olhar melhor o rosto que tentava escon der com o boné. Assombrada, exclamou: Meu Deus! O que aconteceu, Tiago?! Trocando olhares com o irmão, Tiago não sabia se ele gostaria que ela soubesse qu e aquilo era o resultado de uma briga de família, dissimulou e riu ao dizer: Já te contei tudo, Sérgio. Agora vou comer porque estou morrendo de fome. É a sua v ez de explicar o que houve! Ainda alarmada, Débora se curvou, tocou suavemente no rosto ferido, puxando-o p ara ver o outro lado da face e olhou os pontos na cabeça quando o rapaz tirou o bo né. Não querendo perder tempo nem assustá-la, Sérgio resumiu: O Tiago se machucou em uma briga. Foi medicado no Pronto Socorro Público. Vou a companhá-lo até a delegacia para fazer um B.O. Depois iremos ao Hospital Militar, po de haver alguma fratura e... Somente o médico da PM pode dispensá-lo por alguns dias por suas condições físicas. Ele não pode trabalhar assim. Acho que tive alguma torção no tornozelo. Veja como está! Meu Deus! - exclamou a jovem não acostumada a ver pessoas feridas. Somente um m arginal para fazer isso! Cachorro! Safado! Sem-vergonha! -protestou ela, indigna da. Os irmãos quase caíram no riso, ao se entreolharem, e Sérgio avisou: Faça companhia a ele, Débora. Vou me trocar. A moça procurava ser gentil com Tiago, que se mostrou bem satisfeito pela solid ariedade. Enquanto isso, no plano espiritual, Lúcia os rodeava com vibrações extremamente inf eriores. Bem ativa, ela procurava envolvê-los em laços de simpatia recíproca e sentime ntos além da amizade. Com o auxílio das energias de Sebastião, Lúcia provocaria o perigo

Eu não esperava. Vou ficar aqui. Sem que os perseguidores esperassem. Só vou atender o telefone se f or você. Débora experimentou um vazio imenso. não es perava ficar longe dele justamente naquele dia. Aquilo não estava em seus planos... terno. Tiago? É. A propósito. pois ele ad orava vê-la reagir assim. O casal foi até a sala e Débora contou para dissimular: Fui demitida ontem. afagava-lhe o rosto com cuidadosa ternura e be lo sorriso enquanto dizia: Isso vai sarar logo. retornou à cozinha e permaneceu parado sem ser visto. ontem. Ele mudo u de idéia e não queria acompanhar o irmão. Assustei-me por vê-lo machucado. sobre me u pai.Vir ando-se. Desculpe-me você por eu aparecer daquele jeito. Mas quero ficar sozinha um pouco.murmurou. beijaram-lhe demoradamente o rosto enquanto a abraçava e se despediu: Tchau! Qualquer coisa liga para nós. pensou que tivesse visto um monstro . sorrindo com ternura.. Sei que você quer que eu esqueça o que aconteceu. Quando est ava pronto. Eu. Sinto muito . Qualquer coisa. Você não estava preparada para visi tas e tem o direito de ficar à vontade. Débora se aproximou de Sérgio. Não estava acostumada aos serviços domésticos e isso a magoou.. Débora. Sérgio reagiu e afugentou aquelas idéias inf eriores considerando que ela foi pega desprevenida e o irmão estava somente sendo educado. envergonhada. Imediatament e repudiou qualquer pensamento ao abraçar Débora com força e demoradamente. Depois sorriu e declarou murmu rando: Te amo. Vamos . perdoe-me por vir aqui sem avisar..disse desanimado. Todo esse tempo morando sozinha e não se deu ao t rabalho de aprender?! .. Vai ver! Quando me olhou.. Outras idéias surgiram e a jovem s e decepcionou por ele pedir que preparasse o almoço sabendo que ela não conseguiria.perguntou com certa decepção.so segmento de ciúme em Sérgio. per cebendo-os conversando em voz baixa. interrompeu-os ao chamar: Vamos. Débora e Tiago pareciam bons amigos e nunca percebeu qualquer tipo de ati tude ou olhar com outras intenções. beijou-a apaixonadamente. foi à direção da porta para sair. a impressão foi de que o irmão não se esq ueceu da aparência sensual de Débora vestida daquela forma. Tudo bem. Queria que Sérgio estivesse a seu lado.... Entretanto.considerou Tiago que se aproximou. Mas. me liga. Ele saiu e alcançou o irmão. Sabe que não sou boa para cozinhar e. aquilo soou co mo algo meigo. Darei um jeito . . Falaram em tons baixos e envergonhados.sussurrou ele. Você prepara o almoço para nós? .pediu com simplicidade. Não quero sair nem falar com ninguém. foram fazer o que precisavam.falou baixinho e desapontado. .. por isso abaixou a cabeça imediatamente a fim de não repararem em seu olhar que o denunciaria. indo além das desculpas educadas.brincou ele... Não. * * * . Levantando -a do chão por alguns segundos para vê-la rir gostoso como sempre fazia. ta! Eu também te amo muito! . Estou me sentindo tão mal com a situação e como tudo aconteceu que. Tiago!. Ta bom. Novamente Sérgio deu grande atenção àquela atitude ficando insatisfeito. querendo que ele reagisse passionalmente contra Tiag o e Débora...perguntou Thiago diante da demora.. levantando-se e indo para a sala. Um desânimo tomou conta do rapaz que se arrumava vagarosamente. o serviço. para Sérgio. Juntos.confirmou.pronunciou com doçura na voz e no sorriso. . Débora. Sérgio. Suspirando fundo. pedindo: Você me liga? Ligo . Para ele. O namorado sentiu-se esquentar. Ei?! Algum outro problema além de mim? . abaixada perto de Tiago.

Você deveria tê-la atendido! Mas. em choque e sem noção.. mas parece que foi afogamento. Ainda sofria e se preocupava com a demissão e não gostaria de falar a respeito. incluindo João e sua noiva... Como aconteceu?! A Rita estava desesperada.Bem mais tarde. Eu não quero conversar com ninguém. mas Débora queria fica r sozinha com o namorado.ela perguntou. Disseram que tentaram fazer respiração artificial. mas não compreendi se foi socorrido ou. con heceu Rogério. Não entendemos como! . ali se tornou um verdadeiro lugar de reunião. Sua amiga Rita também não dava sossego a ela e Sérgio nos últimos tempos. arrume-se. Mesmo depois que a colega ficou noiva de Gustavo.avisou Sérgio. Ele me convidou.pediu rápido. pois acredi tou que Tiago tiraria sua liberdade naquela casa e não poderia ficar mais à vontade..O homem fez breve pausa pelo do loroso relato e prosseguiu: Eles nadavam bem.. Sérgio . A Rita me ligou. Eu tenho o direito. mas nunca tive oportunidade de acompan há-los. O Gustavo e os amigos costumavam fazer isso sempre. Disser am que o chamaram. Impregnada por uma sensação desconhecida. Débora. Antes mesmo de o namorado deix ar aquela casa pronta para morar. comprado o almoço e os esperava. est ava determinado a dar seu apoio.. espera! . Ficavam até altas horas.lamentou incrédula. Pouco depois.. O Tiago fica e nós vamos ver a Rita. Além desses.. avisou: O Gustavo faleceu... irmão de Rita e Gustavo. pedir socorro. O outro amigo. Afinal. Era sábado e provavelmente Rita ligou para se encontrarem. uma vez que os irmãos eram bem unidos.. O Gustavo e um outro amigo pularam na água e foram até ele. Achou que Sérgio já deveria te r voltado. o Gust avo afundou perto do Rogério e desapareceu. Dessa vez era Sérgio e ela at endeu imediatamente: Oi. Ao encontrarem Rita junto da família de Gustavo e dos parentes do rapaz. Tornaram-se amigos.. sempre os procurava por algum motivo ou para conversar. ao consultar o visor. outra ligação.. conse guiu tirar o menino da água e voltou para buscar o Gustavo e. Não.. Ele era um excelente nadador! Não apresentava pancada na cabeça ou em out . Sérgio. quase irritada. Ao reconhecê-l os. Algum tempo depois. levou-o para a beirada também... a jovem não quis atender.. Estava demorando muito. O Gustavo se afogou. Levaram os dois para o pronto socorro da cidadezinha e o médico constatou que estavam mortos. Débora. viram a amiga completamente transtornada.dizia chorando... nadou para longe da margem. Olha aqui. o celular tocou e. outros pensamentos a invadiam. mas o menino gritou dizendo que estava passando mal.. Apesar de bem machucado e uma tala no pé ele queria ser solidário. durante o tempo em que ajudou o i rmão na pequena reforma e pintura daquela residência.reclamou triste. Eu sei . O Rogério começou a se debater.. Ponderado. deixando o aparelho disparar diversas vezes. mas Tiago não aceitou ficar na casa de Sérgio. Invadida por uma forte onda de tristeza e decepção. fi cou abraçada à Débora enquanto Sérgio e Tiago souberam de toda a tragédia através de uma co versa com um tio de Gustavo. Eles tin ham comido e bebido também. Os amigos ajudaram na pintura. . Quando o encontrou . principalmente. seu noivo.... que to mavam algumas providências. mas depois tudo era festa. irmão da Rita. Não era de seu gosto que continuasse assi m. juntou um grupo de oito rapazes e foram pescar nessa represa que fale i. Débora verificou que e ra Rita. Contaram que. . Tudo bem? Lógico! * * * Almoçaram a refeição que Débora havia comprado. . Ela havia saído. Eu não entendi direito o que el a falava. de repente. meu bem! Estava esperando você ligar! Então por que não atendeu a Rita?! Como assim?! . seu orgulho prevaleceu ao decid ir que não ligaria para ele. sua melhor amiga. Não tenho esse direito É nossa amiga.. Disse que tentou falar com você várias vezes e. ma s nada adiantou.então.. Falou do Rogério. Agora. a jovem atirou-se nos braços dos amigos e não parava de chorar. Os amigos contam que o Rogério. que estava junto. Vou passar aí.

Então se levante.concordou Sérgio. É bem provável que agora a Rita esteja chorando a morte do irmão. Ela o amava! Não é justo impedi de ver o irmão pela última vez. Essa afluência a normal do sangue talvez tenha ocorrido pelo excesso de movimentos físicos.. Porém eu acredito que. senhor.murmurou. se esta é a sua vontade. por alguns segundos antes de lacrarem o caixão. Rita olhou por muito tempo o rosto. Pode rezar aqui? . A causa de sua morte foi por congestão cerebral..pediu generoso.. Perto de Rita. Tudo bem. Quer voltar? Não. eu sei exatamente como está. Tudo bem. irmão da Rita... perguntou como se implorasse: Tiago. você tem o direito de vê-lo pela última vez...pediu sério ao sussurrar..avisou decidido indo à direção de Rita.. Rita acariciou levemente a face do corpo de Rogério com terno amor. Roxo. Vou acompanhá-la .. ... você quer ver o seu irmão? Quero! Lógico! Calma . . .contou o senhor.Interrompendo-o. Perdoe-me. Erguendo os olhos negros e lacrimosos ao amigo.. A única coisa que.. talvez despreparada. ela se deteve alguns pas sos antes. pouco tempo depois. Não deixamos a Rita vê-lo e o caixão terá de ser lacrad o .. olhou-a firme e pediu: Procure prestar bem atenção no que vou te perguntar. Os colegas contam que o Rogério chegou vivo e respirando mal.. Quanto a isso..perguntou Sérgio..explicou Tiago. É ver meu irmão. . Mas não vão deixar vocês entrarem no necrotério.. no caso da natação... ficou vermelho e roxo. Veja bem.. Mal o conheço. não quero vê-la dese sperada. Depois vomitou um pouco. É. Acreditando que a jovem estava indecisa. Era a única família que a Rita tinha. Suas lágr imas pareciam infindáveis. solicitando ao responsável do setor.. pegando em sua mão e conduzindo-a p ara outro setor do hospital.. Fez um escândalo pra isso. mas. Rita. mas em seu íntimo nã acredita no acontecido.murmurou com lágrimas correndo em seu rosto. Mas terá de ser bem forte e se controlar.. você sabe que sou do Corpo de Bombeiros da PM e já trabalhei com esse tipo de ocorrência. o amigo argumentou bondosamente: Você não precisa se aproximar mais só porque viemos até aqui. com a voz rouca: Posso tocá-lo? Pode.... Ela quer.. Fu-turamente sofrerá bem mais para.. Vou acompanhá-la. Isso é o aumento do sangue nos vasos do encéfalo . acalmando-o. Não suportand o. após ter-se alimentado muito.disse Sérgio.. O menino tinha comido lanche que levaram e. mas. virou-se rápido e abafou o choro. gritando ou fazendo escândalo. Vamos dizer. Que quero. aceita r isso e conviver com o fato sem tanto desespero. chamou-o para junto de si. Venha comigo . Fique tranqüilo. p erguntando baixinho. Educadamente identificou-se como Policial Militar do Corpo de Bombeiros e gen tilmente. Frente à gaveta aberta onde estava o corpo de Rogério. . abraçando Tiago com toda a força. será mais fácil para a Rita trabalhar essa perda.pediu Tiago. pois viu e teve a certeza d e que era o seu irmão que estava ali. aproximou-se chegando bem perto e observou o irmão. também se afogou? . Tiago decidiu : Então ela vai vê-lo. Caminhando lentamente. Ele vai conseguir . você não imagina como o corpo do menino está alterado. Feio! Acredite. Não ficará sozinha. O Rogério é irmão dela.indagou Tiago firme.. Calma . Veja bem. E o Rogério.Ela engolia os soluços.. Tiago a separou do abraço com Débora.A moça acenou positivamente com a cabeça e e le questionou com brandura e piedade na voz baixa: Rita. Moço. Tiago conseguiu levar Rita ao necro tério. Mas se ela vir o irmão porque deseja. enqua nto ele secou-lhe as lágrimas com as mãos dizendo calmamente: Rita. Entendo que querem poupar a Rita dessa c ena. por isso sei que o Rogério não está com a aparência que tinha antes.ra parte do corpo. o Tiago tem razão . Controle-se.. Estendendo a mão para Tiago.. contornou a gaveta como se o analisasse. foi nadar.interferiu Tiago novamente. A Rita quer ver o irmão? .

afastou-se um pouco para dar lugar à mãe do rapaz que não continha o de sespero.respondeu dissimulando. Ela parecia anestesiada e não chorava em desespero como antes.Virando-se para a outra. Abraçando-se fortemente à cin tura de Tiago. Não deveria ficar andando. porém ela não chorava.. Débora foi a primeira que segurou em seu braço. .opinou Sérgio. mas não conseguia vê-la... você que conhece melhor a família do rapaz. Mesmo estando longe. Ele a acompanhou e alguns familiares do rapaz se aprox imaram para saber como a jovem estava.falou Sérgio.. A Rita já viu e acompanh ou o que precisava. não teve forças nem para falar.avisou piedoso. Rita perguntou atordoada: O que aconteceu com você? Por que seu rosto está assim? Foi um acidente na noite passada. mas estava exaurida de forças. Seu rosto sério aparentava nítido sofrimento. olhando novamente para Tiago. * * * Durante o velório em que os caixões foram postos um ao lado do outro. caminhou alguns passos com lágrimas brotando t ristemente de seus olhos. Será doloroso voltar aqui novamente para o enterro . Sérgio comento u ao perceber: Vamos lá! A Rita não está bem! Pelas pessoas amontoadas em volta. vá até lá e diga que a Rita nã passando bem e que vamos levá-la. chorando. Já o vi. podendo ver um homem alto e corpul ento perguntar a Rita: Me disseram que viu teu irmão. . . mas não tinham coragem de questioná-la. Não dê mais explicações além disso. Rita saiu do necrotério vagarosamente como se precisasse daquele am paro para caminhar.Débora ia dizer e foi interrompida. Sérgio a seg urou a tempo antes que caísse.. Vez ou outra uma lágrima corria-lh e na face pálida. Olhando para o irmão. . Olhando-o de maneira indefinida.. a moça mantinha os olhos fechados ao murmurar: Quero ir embora. Observando os caixões e os demais a certa distância e por longo tempo. O amigo acenou positivamente e juntos. olhou-a nos olhos e perguntou: Rita. Mas Rita!. demorou um pouco até chegarem perto da amiga . A jovem acomodou-se numa cadeira. Logo. Antes de chegarem perto dos demais. você está bem? Ela o abraçou. Procurou a amiga Débora com o olhar. Depois ela afagou novamente aquela face fria como um sin al de despedida. Instante em que a jovem recostou a testa no ombro de Débora e sentindo suas pernas dobrarem. você está bem? Acho que sim. Não quero ver mais nada. levando-a para longe do velório a fim de que pudesse respirar. Débora não questionou e obedeceu. pediu: Débora. A jovem decidiu que era o suficiente. Gente. Sentada em u m banco frio de cimento. praticamente... Não vou voltar. tocando o vidro como se lhe fizesse um carinho. tornou a sentar junto aos outros.. Ele ficou horrível. Não havia perdido os sentidos. Rita . Se é o que ela quer.Bem baixinho .. e ele fez-lhe um afago piedoso de solidariedade. Seu limite de força acabou! Chega! . que olhou e ofereceu leve sorriso. Não seja manhoso . ele a fez parar.. Mas isso não importa mais. Amanhã explicamos que a não passou bem e por isso não pôde vir. né? Rapidamente o homem se foi.. perguntou brandamente: Rita. enérgico. vamos respeitar! . abaixou o olhar e nada disse.interferiu Tiago. sussurraram a prece que o Mestre Jesus ensinou. Sabe que o caixão do Rogério será lacrado e sem visor? Sei.tornou Tiago e quanto ao Gustavo?... Seu pé está enfaixado. Rita sentiu-se atordoada e dominada por uma fraqueza que não sabia explicar. . Tiago reclamou: Não estou agüentando meu pé.Rita sussurrou chorando. Foi só uma torção.Encarando-a. Rita chorav a ao ver parcialmente a face de Gustavo. Isso não é nada. Envol vida pelos demais. Parando. Você me acompanha na prece do Pai Nosso? tornou falando bem baixinho. temos de concordar! .tornou Débora.

Débora a levou para o quarto ajudando-a no que precisava. No chão?! Puxa! Não viu que aquilo é um escritório?! Tiago os interrompeu.*** Era madrugada quando Sérgio parou o carro frente à casa de Rita e pediu: Tiago. Rita recostava a cabeça no vidro lateral do carro e parecia indiferente ao que acontecia. Por que não dorme no outro quarto? . ao seu lado. entrando no veículo. percebeu que vestia o seu pijama. Saindo do quarto. falando baixinho e educadamente: A Rita passou o dia inteiro no hos pital. Num impulso. * * * Na casa de Sérgio. ele suspirou fundo e indagou quase com ironia: Onde dormiríamos. Débora? . A o despertar. o irmão sorriu com jeito maroto ao perguntar: Quer a minha ajuda para tomar banho e poder relaxar? Cai fora! Ta me estranhando?! Então vai tomar um banho . Tiago. Tiago havia acompanhado Rita até o sofá da sala e Débora reclamava: Devia ter nos levado para o meu apartamento! E deixar vocês duas sozinhas.Ela não respondeu. Olhando para Tiago. Pegando das mãos de Sérgio as bolsas com as roupas da amiga. Tem uma boa cama naquele quarto. olhou-a por um instan te. Vocês duas podem dormir juntas na cama de casal do nosso quarto. por algumas horas.apontou. Após devolver a arma ao irmão. Claro! .ele replicou. Débora discutia com o namorado enquanto entravam. Sérgio e Débora retornaram. Remexer as lembranças era algo em vão. vou fazer um chá para tomarmos a ntes de dormir. Vai lá! E não de a porque estou louco por um banho. No outro quarto tem uma cama de solteiro e será melhor o Tiago ficar lá por causa desse pé. q ue procurou sair dali o quanto antes.. foi ao necrotério. em um sono profundo. Vocês dois poderiam ficar lá com a gente! Parando frente à namorada. depois ao velório. Pegarei algumas almofadas para colocar esse pé para cima. mas para que ela relaxe um pouco. mas na sua mente tudo era bastant e confuso. 14 . fique com a minha arma. mas ainda parecia contrariada e Sérgio explicou: A Rita pode precisar de algum socorro e será difícil você fazer isso sozinh a. sua memória n ada dizia. sorrindo ao estapeá-lo as costas. mas sem brincar. levantou-se atordoada e acreditou que estivesse sozinha. Olhando-se.tornou Sérgio. Ela sentou-se no banc o dianteiro e virou-se penalizada para ver a amiga. Fico no sofá! Não! Deixa disso . não sabia onde estava. explicou. Precisava ficar atento para a segurança de todos. Rita não conseguiu dormir nas primeiras horas após se d eitar. Aqui podemos ajudar melhor.falou sorrindo. Rapidamente. Olha como está inchado! . Vou entrar com a Débora para pegarmos algumas ro upas. Aqui na sala tem um ótimo e c onfortável sofá. Enquanto isso. mas não fez nada. ex-espírita Por tanta dor e tristeza. Eu fico por aqui. tentando acalmar a discussão e pediu gentilmente: Débora ..prontificou-se bem disposta. caminhou lentamente com os pés descalços pelo corredor .tornou ela.Terapia de uma evangélica. não só pela necessidade de uma boa higiene. Vou pegar uma roupa minha para você usar. Ajude-a tomar um bom banho morno. hein! Pode deixar! Sentando no banco traseiro. com ela nessas condições? .aproximando-se e apoiando em seu ombro para levantar o pé enfaixado do c hão. Fique esperto. Somente ao amanhecer mergulhou. Tiago puxou Rita para que se recostasse em seu ombro. Pode deixar.

Tiago propôs: Venha. Tem a Rita que provavelmente estej a bem fraca. Ai. . Débora estampou uma expressão estranha no rosto assustado ao perguntar: Eu!. iria discutir co m a namorada. Sérgio a abraçou com indizível piedade. É coisa simples.. perguntou: Sabe quem eu sou? Sei.supôs Tiago. pediu com brandura no tom g rave da voz firme: Rita. pois duvido que comeu alguma coisa.começou a chorar. Não muito bem.Brando.. fizeram-na sentar e Débora acomodou-se ao seu lado.. Agora vamos preparar o almoço. Eram nossos amigos. nada especial! Temos tudo aqui e o que não tinha em casa eu acabei de comprar.. correu em sua direção. preocupada. Sérgio aguardou que o cansaço pelo esforço febril do desespero a dominass e. Acompanhando-o. questionou estranhando: Q ual o problema. Eu.A jovem balançou a cabeça afirmativamen e e ele indagou cauteloso ao segurar suas mãos com bondade: Rita. Quando as lágrimas brotaram em seus olhos negros. ela soltou um grito de dor e desespero. Vendo-a em pranto.explicou Débora. ela comentou: Você não disse nada. Todos estamos tristes e nervosos. Débora? É que. A amiga levantou. Ela é minha amiga. viu Tiago e Débora pararem de conversar. Além do que. Com o inchaço na face pelo choro excessi vo e a boca levemente entreaberta. . Acomodando-se ao lado da colega. Após cer to tempo. perguntando ao tocá-la: Rita. Com olhos bem inchados pe lo choro do dia anterior. Sérgio!.. Sem compreender o motivo do sentimento abrupto que o invadiu. parecendo procurar nos resquíci os da memória algo que justificasse aquele momento. olhe para mim. ajoelhado frente à Rita.murmurou com dificuldade para se expressar.. C hegando à cozinha. Sérgio falou: Essas sacolas deveriam estar na cozinha ..tornou quase sussurrando. acabando de entrar e presenciando a cena. Deve estar em choque .e uma chama acendeu em sua consciência ao reconhecer que estava na casa de Sérgio..tornou ele.. ele a afastou de si.Breves segundos de silêncio e a beijou na cabeça.... pedindo ao irmão: Sente aqui e fique com ela. Na espiritualidade uma densa vibração inferior era imposta de forma asfixiante pa .. . Já reconheceu isso? . Paciente. Rita ergueu o olhar fixando-o em Sérgio. uma cruel avalanche de recordações infinitamente tristes invadiu velozment e o vazio de sua consciência. chorando . Sem dizer nada . minha amiga. que ainda estava parada com as sacolas nas mãos.ela titubeou olhando-o de modo indefinido. Você está na minha casa..Vendo-a obedecer. .chorou. Diante disso. fazendo-a se levant ar automaticamente. Conduzindo-a vagarosamente. Nem rápido. Sérgio entregou para a namorada as sacolas que tinha em mãos. gemendo e às vezes gritando. .. . eu também estou atrapalhada. el e suspirou fundo e se virou indo para a sala ou. A amiga o agarrou com força. ta? Ontem à noite não nos alimentamos direito e.. Sérgio reconsiderou e dei-lhe um abraço. Débora? Nada? . você sabe por que está aqui? A moça permaneceu petrificada por alguns minutos. contrariado. Sérgio.. sentida. Você não sabe cozinhar nada. dizendo: Desculpe-me. Levantando-se e olhando para Débora. Tiago assim o fez e ficou ao seu lado. pegando-as das mãos da namorada que pareceu tomar um susto. Fazer o almoço? Algum problema? ... perguntou preocupado: O que aconteceu? Ela chegou à cozinha assim. Vamos ali para o sofá. express ando um grande esgotamento físico e mental. Havia um vazio em sua mente. provavelmente. mas bem esmorecida. Vamos? Precisamos ser rápidos! Eu te ajudo.. . Rita só os olhava. Eu também me sinto muito abalado .. Seu rosto estava pálido. Sérgio. tudo bem? Ela não sabia responder.... afastando-a de si ao dizer: Temos de ser fortes e continuarmos com a vida. A crise durou longo tempo.reclamou moderadamente.

falando bem baixo. fazer uma salada e. Somente quando o amigo João riu. terá o melhor mestre! Vamos mostrar pro Sérgio que você é capaz! A moça sorriu. * * * Dias haviam passado. A princípio era sempre eu a ter de extrair um assunto. De onde estava. Trata-se de um distúrbio de personalidade6. Quando não. ele pediu sem rodeios: Você é capaz de ajudar a Débora lá na cozinha?! Lógico! Mas. tenho alguns pacientes especiais que tenho de entender.Ele sorr iu de um modo engraçado ao anunciar: Acho que acabei de matar a charada! João sobressaltou.. Tiago quase riu ao entender por que Sérgio havia se zangado. Já os analise i muito.. Ou ele prepara um lanche .. ele quer que prep are um almoço!. Sérgio comentou a título de trocarem referências e conhecimentos: Tenho um caso me intrigando. É questão de tempo. mas Sérgio se controlou. sorrin do. sempre comemos fora ou fazemos pedidos.. e ela aprende alguma coisa..ra que brigassem. virando-se para Tiago. olha ndo-o.. sentou rápido e com olhos ávidos comentou: Que interessante! Estou com dois casos que podem ser semelhantes. o distúrbio de personalidade limítrofe. secou as lágrimas enquanto Tiago se apoderou de aventais e. lavar a alface. Tiago! Nem isso ela procura aprender! Arroz.. perguntou tranqüilo: O que aconteceu... Na cozinha. deixou-o co m Rita e foi à procura da namorada do irmão. sem olhar o co lega.. Ela não se esforça para aprender nada! Ontem foi mais fácil comprar o almoço pronto d o que tentar fazer! Calma. Desculpe-me.. Sérgio. mas. . Compenetrado n o que fazia. Bem. Nunca se importou ... Boderline. Débora? O que foi? . não deu atenção ao vulto que entrou na sala e parou perto do divã em silêncio . Na primeira análise.tornou. O que é prec iso fazer? O básico. .. Sérgio estava em seu consultório e folheava alguns de seus livros. el e a animou: Então vamos lá! Eu cozinho melhor do que ele! E se você quiser ser ótima nisso. sem fazer mais perguntas.Acomodando-se folgadamente no divã. Eu entendo! Não se desculpe. sorriu em seguida..destacou João silenciando a seguir com grande expectativa para que o outro prosseguisse. Sérgio conseguia ver o que acontecia na cozinha muito atento na disposição alegre de Tiago e em sua capacidade de tranqüilizar o clima tenso de pouco antes. perguntou: Por que você e a Débora não arrumam um tempinho para irem ao centro e spírita? Você já viu como estou sobrecarregado? Além disso. Caramba! Sei lá mais o q uê! É só olhar na geladeira! Tiago percebeu-o nitidamente nervoso e. Sérgio assumiu uma postura mais receptiva e.. O que está pesquisando? Atitude comum entre profissionais responsáveis que não se deixam dominar pelo org ulho ou arrogância.. Chorando em seu ombro. . Eu ajudo. Controlando-se. E sempre ele quem cozinha. Por que está assim irritado? .. amarrou um em si e outro na cintura da jovem.. os tomates....abraçou-a para acalmá-la. Vamos lá! Continue para eu ter certeza dos embasamentos. Um sentimento amargo de ciúme despontou no coração opresso de Sérgio que usava todas as suas forças a fim de afugentar o que experimentava.. No decorrer da terapia realizei testes. Estava tão concentrado em uma pesquisa que. Bem. O Sérgio sabia disso. a jovem contou: É que eu. temperar e fritar alguns bifes. mas resulta em algumas com binações entre as várias dos mais significativos distúrbios de personalidade. Perguntas e.. pensei que fosse um c aso de Boderline. de repente. Chegando ao outro cômodo. ao vê-la chorando.. com ce rteza! O curioso é que não se enquadra em um único distúrbio.. Não sei cozinhar direito e. é sério e muito comum! .

Começou a contar experiências impulsivas. Falava de um pavor de ficar sozinha ou ser rejeitada. Fazem projetos. a pessoa pode apresentar agressividade e à medida que aumenta sua autoconfiança aumenta sua hostil idade. sem que eu interferisse e caiu em várias contradições. Sabemos q ue a influência familiar.Sérgio perguntou bem sério. Relatou costume de impulsos autodestrutivos para manipular e controlar os que estão à sua v olta. mesmo sabendo que não é certo. fazendo com que as reais características do transtorno de personalidade emergissem! Incrível semelhança! Deparei-me exatamente com dois casos e um é de uma mulher. mas abandonam as idéias pela falta de disposição. ... quarenta e seis anos. frias e calculistas. Acreditei poder tratar-se de uma pessoa eufórica e não impulsiva. Depois desse período eufórico... casada. No estado maníaco. Ah!. mãe de uma moça de vinte e um anos e um garoto de dezesseis. vem o período de depressão. Os maníacos normalmente têm uma auto-estima muito inflada. exibe um estado eufórico. quando foi interrompido. No entanto senti algo estranho quando a presentava satisfação a me ver interessado sobre algum detalhe e era aí que ela o omit ia. vergonha. Demorou muito para eu te r sucesso na extração de relatos minuciosos. A princípio a paciente chegou aqui com queixa de muita tristeza.. podendo chegar ao extremo de tornar-se irascível ou violenta. Apresentando-se vagarosa mente como uma mulher inteligente e interessante. do marido.Sim. Sérgio completou: Eu sei que o distúrbio de personalidade pode variar de pessoas e xcêntricas inofensivas a pessoas assassinas. os quais me levaram a essa conclusão. o ambiente social e difíceis experiências de vida devem ser bem considerados em razão de seu conceito ter grande importância para uma boa análise. traçam me tas. pois ela assume mentir e. E eu me aprofundei nisso! Não me dê aulas..João riu ao responder. Não me s urpreendi quando. depe ndência dos outros para tudo. só confia na opinião dos pais. aí! Essa paciente não apresenta uma regra normal de boa conduta. pediu bem interessado: Chegue aos fatos. foi o que acreditei pelo temperamento instável. E qual o relato mais chamativo no caso que você cuida? Primeiro apresentou insegurança por não saber o que quer da vida e queixa das dec isões tomadas das quais se arrependeu ou foram experiências autodestrutivas. por favo r. Estou surpreso com as exposições. Tímida.Antes de o outro interrompê-lo .. O que a leva a contradições . Sem mencionar nomes. Sem apresentar estresse ou qualquer expressão emocional. Calma. Sérgio . das amigas. eu me surp reendi com comportamentos que me levam a crer em um distúrbio de personalidade ant i-social! Lógico que eu considerei o fato de ela revelar tantos detalhes. falante e a pessoa se distrai facilmente. Um é adolescente e a outra tem vinte e seis anos. o distúrbio de personalidade anti-social é um dos mais estudados por razão da complexidade que o acompanha.. Entretanto nas terapias seguintes a paciente a presentou nítidas características de distúrbio de personalidade dependente. Pessoas que exibem esse distúrbio podem ser prejudi ciais a elas mesmas e aos outros sem qualquer remorso. chega de aulas! . por ter adquirido confiança e. sol teira. demonstrou-se dependente para tudo e autodiagnosticou-se com depressão. a mania. a presentou-se verdadeira.. misteriosa. nas quais eu não confi ei.descartou João. Não toma dec isões sozinha.avisou sorridente e revidando ao amigo o que ouviu dele p or diversas vezes. essa paciente contou que tem o dom de manipular situações e pessoas para seu benefício ou em favor do marido.. Então. . repentinamente.. ficou sério ao comentar: Tenho em mãos um caso sério de distúrbio de personalidade anti-social! Todo o contexto se resume pelo fato de ela chegar aqui ao consultório com o propósito de mascarar seus sentime . São casos bem sérios! Terminou? . Com o decorrer do tempo.falava. depois de várias sessões. Procurei ser mais reservado e deixei que falasse. o outro psicólogo comentou: É uma mulher. sanguinárias. Em outros comentários se contradisse ressaltando sua timidez. passou a falar muito. Esse distúrbio de humor.sorriu.. Sérgio. S erá que temos a mesma paciente?! . Em seguida. diz não se arrepender! Us a uma aparente timidez para ser atraente. Em seguida. Não! .. impulsividade e o desejo d e controlar as pessoas à sua volta.João desconfiou com inquietação repentina.. Terminei . Você considerou tratar-se de um caso de distúrbio bipolar? O período entre a mania e um estado depressivo bem diferentes.

. ela passou a apresentar confiança atraente e persuasão angariando a simpatia.exclamou Sérgio. Afinal. Arrogante e invejoso. teve mais fé no Espiritismo e fez cursos. vários cursos! Como ressaltou. Isso era fácil. disse que passou por trata-mento de assistên cia espiritual e fez cursos. Percebi que ela apresentou considerável ausência de recepção e troca de carinho. principalmente quando ela não deseja mudar. o marido sempre se acreditou auto-importante. desejos e pensamentos. os estudos foram conce rnentes à Doutrina Espírita.. mas com a esperteza de se livrarem de envolvimento com a justiça crimina l. ou seja. porém com extrema necessidade de que todos reconhecessem e elogiassem seus feitos. Não contendo a decepção com o que ouvia. Tudo foi feito em benefício dele s mesmos. pelo fato de o irmão ressaltar e ssa possibilidade quando se expressava em discussões sem importância e a fim de magoála. essa paciente procurou um ce ntro espírita para desmanchar qualquer trabalho ou macumba. As ilusões de se manter sempre no topo terminaram quando ele perdeu o emprego. Usou tudo o que conhecia para não exib ir sua verdadeira personalidade.Breve pausa e continuou: Destacou que nos bazares beneficentes ela e a filha se apoderavam das melhores peças a serem v endidas para arrecadarem fundos ao centro. tudo no centro era produto de doações espontâneas. É o típico homem que acredita ter razão em tudo. o caráter e a dignidade de uma pessoa falam mais alto. A paciente contou que ela tratava com o m aior respeito e com todo o carinho os demais companheiros para estar sempre inte . com sua aparente grandiosidade. fur tar. a credibilidade e o bom conceito das pessoas até adquirir intimidade em todos os setores do Centro. Era a ele que os pais direcionavam louvores e de quem sentiam orgulho. Ela os ameaçava com denúncias ou chantagens? Não!. honestos e conformados com o que Deus lhes ofer ecia. mentiras e muito mais. Independente da filosofia. com típico distúrbio de personalidade narcisista. Acreditando tratar-se de um problema espiritual. colocavam-nas à parte e abriam uma espéci e de conta onde registravam os débitos pelas compras supostamente adquiridas. também começou a colaborar com as subtrações das mais diversas formas. carinhoso. como ela disse. Ela sentia-se humilhada diante dos caprichos exigidos pelo esposo como: cuidados exagerados com suas roupas que deve-riam estar impecáve is. não apreciava os seus deveres como mãe e obri gações impostas como esposa. M as ela mesma acredita ser muito fria no relacionamento amoroso. Os pais eram religiosos. compreensivo. a princípio.. e logios etc. O marido semp re dizia que nasceu para ser servido. Conforme ela me contou.. Então. comportamento.perguntou Sérgio quase sorrindo de forma insatisfeita. coment ou: É lamentável. ma scarando-se com um comportamento educado. O me smo foi feito na cantina onde todo o consumo era anotado para ser pago futuramen te. ela revelou um típico distúrbio de personalidade anti-social. os bens materiais foram os prejuízos seguintes. da religião e do s ensinamentos adquiridos. como: mentir. mas isso não me surpreende. Recebia críticas do único irmão que se destacava nos estudos e a humilhava . algo q ue alguém tenha feito para eles. tiv e relatos de dificuldades financeiras a tal ponto que muitas vezes não tinha o que comer. Como uma avalanche. alimentação com cuidad os especiais a seu gosto etc. Provavelmente isso a levou a casar-se com o primeiro homem que a aceitou.ntos. trapaças. casa limpa e tudo luxuoso no ambiente de recepção aos amigos. mesmo a contragosto. Explorava os outros e não se importava com qualquer pessoa. grandio so e imprescindível para a família e no emprego. Mas quem pagava?! . Nunca! Sabia induzi-los pela influenciarão com palavras que lhes entorpec iam e cegavam.. E quem é que cobra o u vai atrás do que foi feito com suas doações? . com a manipulação! O marido. Ela e os filho s sofreram incontáveis agressões verbais pelas explosões do marido e agressões físicas se iniciaram. pois ela contava ao esp oso exatamente o que sabia a respeito dos outros. mas confessou adorar o luxo e os ambientes sociais requ intados.. João pendeu com a cabeça negativamente. Aprofundando-me em suas experiências de vida. com a conivência dele. generoso. Ambos assumiram tarefas no centro espírita e. O marido a acompanhou. típico distúrbio de personalidade narcisista. O medo de ficar solteira a aterrorizava. principalmente. Sabia como manipular as pessoas conhecendo seus pontos fracos por saber de seus mais íntimos segredos. Calma! Não terminei! . Ele começou a trabalhar. trapacear. Freqüentando um centro espírita.

expulsar demônios e beneficiar-se financeiramente por isso. Ela e toda a família. Veja... Sérgio. dão shows. pessoas mais honestas aos compromissos assumidos. exigiram satisfações do que perceberam que estava errado.. Enfatizou que hoje seus feitos são imensamente mais lucrativos e satisfatórios do que nas sessões d e desobsessão em que participava como dirigente no centro. Ela não se acha responsável e se posiciona como vítima. nós sabemos que portadores do distúrbio de personalidade anti-social são pessoas que.irada sobre os acontecimentos no centro. Depois falei que e la e a família precisariam de um reequilíbrio com o propósito de não agirem com essa com pulsividade anti-social. pois lá não recebia nada. O caso é sério! Seríssimo! E mais! A paciente convidou-me para participar de sua igreja evangélic a.Foi nesse momento que vi exacerbados a arrogânc ia e o orgulho que reluziram também um distúrbio de personalidade narcisista. junto ao distúrbio de personalidade anti-social em que mentem de maneira crônica e descaradamente.assustou-se João.. não reconheceram seus serviço s prestados e. rejeitam as normas de regras de conduta e não estão a fim de autocontrole n em pretendem mudar! Por que diz isso? As evidências! Não entendi. ela. E o que você respondeu quanto a essa proposta?! Para o convite indecoroso.. Outros tarefeiros do centro. Não suportando ostentar a máscara. conforme eu entendi. tudo o que me contou mostra que tanto ela quanto o marido possuem o clássico distúrbio de personalidade narcisista. Meu Deus! . S omente conseguia benefícios pequenos. Lembrei que a terapia é um ótimo caminho para a própria pesso a se concentrar com a finalidade de mudar o comportamento. Assim sendo. Mas aconteceu o que ela não previa. conscientemente seguros. Inclusive fez acusações injustas contra outras pessoas a fim de livrar-se de certas culpas. ela simplesm ente ignorou dar satisfações cabidas e não se reuniu com os solicitantes. Ela e a família consideram que tudo o que cometeram no centro espírita não f oi errado. Eles se julgam extraordinariamente capacitados! Isso. eu não vou corromper minha moral nem meu rigor étic o como profissional na área da Psicologia ou em qualquer outra. furtam. Não! Acho que Deus não faz parte do que ela propõe . Os trapaceiros e enganadores correspon dem ao maior índice de porcentagem desse distúrbio. Enfim.. significativ o humor e disse que dorme bem. eles abandonaram o espiritismo e se converteram ao prote stantismo. Sérgio. trapaceiam . Contou -me que cometeram uma grande injustiça com ela ao exporem frente a muitas pessoas o que foi feito por ela e sua família. alimenta-se normalmente e não tem qualquer remorso. eles representam. crimes e roubos de todos os tipos. poderão ter responsabilidade por grande parte de vi olência. Diante de tudo. João. para saber se havia alguma desconfiança d e seus atos junto do marido. prejudicam um grupo social ou uma comunidade com pouco ou nenhum remorso. A paciente revelou que é um prazer conhecer a vida das pessoas e o ponto fraco dos fiéis. você quer dizer! Respondi com toda a calma e respeit o que eu honro e continuarei honrando o meu juramento como psicólogo.. Bem. que é o de me colocar a serviço da sociedade com qualidade técnica e rigor ético. Para algumas pessoas mais íntimas. se não se tratarem.exclamou Sérgio. O marido tornou-se um pastor evangélico.. A culpa foi dos outros que não os entenderam. Me u amigo! Duvido muito de que aceitem a sua proposta de reequilíbrio! Sérgio sorriu e . olhando seriame nte para o amigo. uma espécie de ministra que expulsa os demônios dos transtornados que chegam à igreja e os filhos fazem as camp anhas!. recebendo um generoso benefício financeiro para lhes ensinar meios de insuflar. Mas. requerend o-o com autoridade e muita exigência. posso dizer que apresentou nas duas últimas sessões.. palavreados e tonalidades de fala que os façam agir ce gamente e compulsivamente com mais doações. Promovendo saúde e qualidade de vida.. no inconsciente dos fieis. Depois ela e xaminou sua posição como tarefeira e decidiu reclamar a ocupação de seu cargo. fingia-se triste o u sozinha a fim de atraí-las como vítimas de suas manipulações em proveito de trapaças com o: alterar ou sumir com os débitos das compras no centro que pertenciam a ela e à fa mília.

A realidade do paciente não é a realidade do que esse evangélico quer v er e analisar. Mas estava longe de imaginar que receberia um convite desse tipo! Sérgio... pensar. arrogantes. suposições ou crenças que. E você. era inconcebível um psicólogo evangélico ou protestante? Lembro! Duas ou três alunas fizeram o maior protesto! Isso porque elas eram protestantes. lembra-se da aula do Professor Doutor Ezequiel quando ele falou que. bissexual?. João. não! Às vezes concordo com a opinião o professor Ezequiel e acho que alguns psicólogos evangélicos são inconcebíveis para que m deseja se livrar de transtornos e distúrbios. Agora. com a finalidade de obter uma verdadeira fascin ação de seu fiéis. Hoje eu entendo que algumas religiões são preconceituosas por não serem flexíveis à fi losofia. pesquisar e procurar saber com ele. pois sabia que aquelas práticas rigorosas e tiranas eram erradas. Isso é fé cega! São pessoas que não buscam conhecer melhor a verdade por elas mesmas e só acreditam naquilo que os outros lhes disseram. Tud ara eles tem de ser de acordo com o puritanismo pregado por Lutero. principalmente pelos protestantes ou evangélico. mas eles ficaram pensativos. mas de forma bem tranqüila. E se o paciente falar da violência sexual que sofreu q uando criança?. digo que não pelo fato de eu ter buscado conheciment o sobre suas atuações. Imagine um psicólogo evangélico ouvindo um paciente homossexual. que se achavam superiores. As habilid ades e as técnicas dessa ciência estão sendo cada vez mais usadas para a educação.Programação Neurolingüística. São bitolados. Havia outro s evangélicos na sala. Eles se esquecem de que muitas situações.disse: Dediquei-me profundamente a estudar esse caso. que é a capacidade de vivenciar ou ver na mente uma situação futura desejada co mo se aquilo estivesse acontecendo mesmo. budista. Ah!. Têm uma visão estreita e limitada da realidade da vida das pessoa s e suas crenças! Isso é preconceito. Eu confio mais em fazer uma terapi a com um umbandista. Precisava de um psicólogo para prosseguir com suas farsa s e aumentar o vigor de suas vigarices a partir do momento que ele a ensinasse q uais e como são os melhores métodos e técnicas de neurolingüística. oportunista. Acho que o professor Ezequiel quis nos te star com aquela situação para ver o quanto alguns religiosos. explicou João .. notícias. mas ele apoiou . proposita damente. no passado e ram inconcebíveis. junto à técnica de vis ualização. Um homem cru el. Inúmeros psicólogos e até outros que nada têm a ver na área. As pessoas orgulhosas. A PNL.sorriu. Quando eu disse que havia mat ado a charada. mesmo no penúltimo ano d e um graduação em Psicologia.. E um outro que deseja se recuperar de atos de pedofilia?. Falha sim! Mas são limitadas somente quando lhes falta evolução ou força de vontade acrescentou João com tranqüilidade. católico e outros do que com um profissional evangélic o. são as ferramentas mais poderosas que po demos ter para se criar resultados magníficos naquilo que queremos obter. pa ra ele.. criando uma comunicação mais eficiente e rápida. crenças nas opiniões apresentadas só pela sua religião. são preconceituosos. trapaceou na representação de seus distúrbios psicológicos com a finalidade de aproximação e intuito de indução. ganancioso. ciências e práticas de vida sob a visão de sua profissão.. Se aquele professor tivesse falado que é inconcebível um psicólogo espírita. Ela pode ser usada de modo positivo ou negativo. A criatura humana é falha e muit o limitada. por exemplo! A PNL . sendo psicólogo evangélico. o p orquê de sua opinião. terapia s e outros. Não sei. não vai dar atenção ao caso e achar que o paciente está endemoninhado! Talvez queira convertê-lo!. Ela. eu iria parar. Não buscam a iar as informações. Até as comprovações científicas e novas descobertas eles se recusam a ace itar. tem grandes possibilidades de ser preconc eituoso e acreditar que a pessoa é dessa ou daquela forma porque quer! Provavelmen te. estão se corrompendo com o uso desses métodos para arrecadações numerárias im ressionantes. foi por descobrir que a paciente entrou nesse consultório usando as características da personalidade anti-social contra mim! . foram comprovadas pela ciência e os descrentes ridicularizados. orgulhosos. é a excelência do uso de uma ar om pessoal para obter resultados excepcionais no que deseja realizar... refletindo sobre o assunto. Esse profissional. não meditaram e reagiram asperamen te. Mas aconteceram contradições e com portamentos estranhos os quais me levaram a dúvidas.. não está sendo preconceituoso quanto aos psicólogos evangélicos? Vou repensar nisso. há tempos eu sei que isso é usado por vários lideres religiosos.. mais desumano do que as leis aplicadas pela Inquisição.

indagou. Como se não bastasse. quando não é a Yara. Estou temeroso. ela deveria voltar a estudar qu ando arrumar um emprego. Você voltou a conversar com a Débora para que morassem juntos? Não tivemos tempo para falarmos sobre o assunto. E a Rita? . O que você quer mais?! Vai ficar aí esperando todas as oportunidades desap arecerem para depois dizer que não teve sorte?! . ficou inibi do para recusar o convite e acabou ficando para o jantar..sorriu. Sérgio pareceu preocupado e revelou: Nem consegui um tempo para contar à Débora sobre aquele assunto da minha irmã. Sérgio! Ficou louco?! Não. E se não arrumar? . No próximo ano. caso eu vá trabalhar lá? A Débora estará no último ano e. não aceitou a proposta da paciente que lhe ofereceu dinheiro para prestar serviços nada dignos com o seu ju ramento profissional! Aconteceram tantas coisas em tão poucos meses que. Ah. calando-se. materiais e fis icamente praticadas. Está inteiro . Depois ficaram uma boa . olhando para o colega de modo indefinido. Ei. mas não dá. como está? Trabalhando. Preciso uma carona e a minha mãe. como posso me garantir com o que receberei aqui na clínica e na empresa. Como é possível uma criatura acreditar que é só pedir perdão a Deus p ara ficar liberta das condições inferiores e não ser mais prisioneiro dos crimes e del itos que cometeu? Ah!. mas sua agenda sempre está lotada! Talvez nem precisasse trabalhar na empresa que indiquei. os únicos corretos e com razão.Breve pausa e lembrou: Viu?! Rea lmente você foi testado! Preocupado com a situação financeira. que já deu problema logo de início. vai adorar tê-lo para o jantar! A dona Antônia está brava por você não visitá-la há tempo! Não.. Ela não estuda! . Não sei expli car como. A Yara..as mesmas severidades dolorosas com os camponeses alemães que se opuseram ao prote stantismo. mas é. sabia?! Você é bem requisitado e indicado pelos outros pacientes. Estou sem coragem para qua lquer decisão .. Criou um puritanismo mascarado ao incentiv ar que eram os únicos puros. você é um ótimo profissional.reclamou João de si mesmo.murmurou num desabafo. Não gosto de insegurança e. Péssima! Débora a levou para o seu apartamento. Eu ta mbém concordo e quero fazer o quanto antes. . Medite e dê um jeito de i r ao centro... Sérgio! Espere aí! Não quero me intrometer. Em minha opinião. Acho que ela não está preparada para voltar à sua c asa e ficar sozinha. conforme você e o doutor Edison me aconselharam. deixando-os queimar vivos. Então vamos lá! Vai tomar uma injeção de ânimo! Estou com o carro na revisão.tornou João num tom de tristeza..exclamou João bem sério. Eu te levo. Isso está contido no protes tantismo até hoje... . por isso penso em desistir. e pelo fato de não trabalhar. mas não vou entrar. e seus líderes os denominam evangélicos para ninguém lembrar dos mass acres apoiados pelo criador do protestantismo. estou receoso de sair da po lícia. que é sua fã. é a Rita quem está por perto. Sérgio. Sérgio levou o amigo para casa. Você é diferente. por isso nem prossegui com o pedido. Sérgio.. tive dificuldade com a documentação para o pedido de baixa da PM. deu para freqüe ntar o apartamento da Débora direto.. Sérgio. Pre ransferir pacientes para mim e para o Nivaldo por causa do serviço na polícia! Eles reclamaram muito. mas você vai ajudá-la e não sustentá-l obrigação de pagar a faculdade é dela. pois estou pecando verbalmente c ontra meu semelhante! .. Esse pedido de baixa significa um pedido de saída? É. talvez você esteja sendo testado! Testado?! Testado pela espiritualidade que o acompanha. Martinho Lutero. Deixe-me ficar quieto. pode ficar mais tempo com a Rita. João. Seria um teste moral? Quem sabe? Reflita sobre o assunto e dê atenção aos sinais. João esperou alguns minutos e perguntou: E seu irmão. João. Acho que essa paciente não vai retornar. irmã dela.Vendo o amigo pensativo. verbais. porém ao ser recebido por dona Antônia.Ele silenciou por alguns ins tantes e comentou: Se a Débora aceitar morar lá em casa. Não pense que só ped ir perdão a Deus basta para livrar-se das culpas mentais.

Que bom. p assos e gargalhadas de um grupo nada amigável que os seguia. Tornam-se vítimas e culpados por cum prirem tarefas inferiores e malévolas. qualquer idéia de alucinações fantasmagóricas. mesmo que o considerem pequeno ou nada grave. Bloqueando o caminho. Parece que posso entendê-los. o fanatismo é o que alimenta o espírito para que ele se submeta a essas condições.. a fim de que o Planeta permaneça. linguagem de tempos remotos à reencar nação de muitas pessoas. Sérgio sentia-se interessado na conversa. qu e os separam e selecionam como animais para determinadas tarefas específicas. 15 . Lógico! Sem a evolução mental. sob o seu jugo tirânico . espiritual. não é verdadeiro. sem conhecer a ve rdade. Há líderes insensíveis.. a dependência e muitos outros distúrbios de personalidad e que.respondeu João. as criaturas não estarão libertas das energias mentais inferiores. Querem-nos longe daqui e nos deseja m mortos. . Podiam-se escutar seus sussurros.Parados próximos àquelas criaturas espirituais totalmente disformes. onde alguém é condenado eternamente.. Ele ouvia. não é. O que querem? . mas obedecem a líderes macabros e desequilibrados.. cruéis e impiedosos que os dividem. a trapaça. podendo fi car presas a obsessores por muito tempo. Esses lugares infe rnais existem por uma questão de ignorância. por mais aterrorizantes e absurdas que ouviram contar. quando encarnada a criatura experimenta ou usa em benefício próprio. Sérgio! Parece recordar rapidamente o aprendizado obtido em elevada es fera espiritual! Em um livro psicografado pelo querido Chico Xavier. Sérgio? Eles estão aí para provar. O orgulho ou o ego inflado. Era uma noite de muito calor quando Sérgio e João caminhavam juntos falando sobre assuntos que Sérgio precisava entender para relembrar melhor. como se em alguns momentos andassem como quadrúpedes. opaco. João lhe falou com brandura e de modo que o amigo podia o uvi-lo em pensamento: Não vamos nos assustar. cidades de baixo padrão vibratório. Elas pareciam brotar do chão com aspectos monstruosos. Sofrem com as enfermidades do corpo espiritual e com a cobrança constante da consciência por t udo o que fizeram errado. não queren . por causa das mentes voltadas a fazer o mal.O romance abalado pela influência espiritual Os dias seguiram sem novidades. A lua no céu possuía um brilho estranho. De repente. urrando com o animais ou gritando em uma língua estranha. Não está se lembrando do que aprendeu na espiri tualidade? É. entendendo que aquelas criatura s não os podiam ouvir. a vaid ade. sendo algo com o que verdadeiras colônias de tormentos indizíveis e reparadores. sem pensar e repensar. Esses irmãos estão infel em esperança. Isso é um método de impor o medo . disse-nos o Senhor Jesus. logo atrás deles. Eram rápidas demais nas movimentações estranhas. A fé cega. Nossos anjos guardiões nos acompanham e muitos benfeitore s que atuam verdadeiramente em nome de Jesus nos amparam. pareceram insignificantes diante dos olhos de Sérgio. Existem regiões espirituais criadas pela força ou poder mental. a fascinação. Odeiam-nos. falanges. A morte não existe. Gigantescas sombras com contornos humanos deformados saltavam sobre ele e o a migo sem tocá-los. Pode ser um método de oferecer ou receber mensagens na época em que os politeístas faziam oferendas a vários deuses. Sérgio ainda comentou sin cero: Eles formam organizações.perguntou Sérgio em pensamento. Contudo nada é eterno e dizer que existe um inferno. Muitos são verdadeiros escravos aterrorizados e tementes a Deus. tanto quanto p ossível.. A língua estranha que usam para c municação podem ser dialetos antigos dos homens. Conhecereis a verdade e a verdade vos li bertará .. Virando-se para Sérgio. foram surgindo à frente de ambos outras criaturas extrema mente malignas. o espírito An dré Luiz diz que: O objetivo essencial de tais exércitos sombrios é a conservação do primi ivismo mental da criatura humana. ou pensava ouvir.parte da noite em agradável conversa repleta de instruções que o fizeram se sentir be m melhor. o narcisismo. mas seu coração estava oprimido por algum motivo que não conseguia entender. risos.

.. Veja. O que te trouxe para essa tarefa foi o seu amor incondicional..ele aceitou calmo. ela conversava com o namorado: Mas não quero incomodá-lo!. Você não está tratan do de pessoas. dormia sem camiseta. Aquela troca de informações e conversa durou frações de segundos... sinal de ter se revirado demais antes de acordar. Coitadinho! Ele ainda está lá na casa dos seus pais? Está. Você está repetindo o que eles dizem. Lembre-se. como a chuva fina que se in filtra tanto na relva como nas folhas altas. junto à pessoa. Como sempre. Podem usar determinados espíritos para enfraquecê-lo. João! É a minha irmã.. Eu gostaria que saísse daqui o quanto antes. Levantando-se rapidamente.. Ao olhar para a cama viu os lençóis remexi dos e embolados. pode haver terríveis espíritos que se afinam a ela com o intuito de va mpirizá-la e agredi-la para agregá-la futuramente a falanges espirituais. Não diga isso. De que jeito? Acredito que estará mais segura lá em casa! Com menos despesas. Caminhando até a janela. Nem sei por que estou a o seu lado. mudando de assunto. Farão de tudo par a que você não tenha êxito em sua tarefa. Há situações que não entendo ainda e preciso de seu apoio. Sentando-se na cama. João. acendeu a luz. ao Mestre Jesus! Foi isso o que me pediram para te dizer.. Entendeu bem sua tarefa. procurar um meio de ajudar as pessoas a se lib ertarem de tais obscuridades consciências. Ai.. luta e agressão.Sérgio interrompeu temporariamente o que argumentava. Não faço nada. meus pais ou o Tiago cu idam dele. distúrbios dos mais diversos. você s Não lembro o que me levou a buscar. * * * Mais tarde. Não sei. mas acho qu e não poderão esperar mais e estou com problemas com a documentação e. Sabe. Você está libertando espíritos. Tudo bem. O que estamos vendo é uma pequena amostra do que as levarão aos agrupamentos mais inferiores e de piores condições.. Eu pedi que me dessem mais um tempo para ser admitido na empresa. no apartamento de Débora. pela preguiça. Lá. Como quiser ..do mudar-se.. ela só tem o caminho doloroso de reparação a seguir.perguntou rapidamente. mai s tranqüila e. depressão. Sérgio! Foi nesse instante que Sérgio sobressaltou. Na próxima s emana tenho uma entrevista marcada e acho que vai dar certo! . Fico fora o d ia todo e não teria tempo para cuidar dele como deveria. Sérgio pegou um caderno que tinha na gaveta e passou a esc rever tudo o que se lembrava do sonho. Não sou digno. Não o levei para nossa casa porque ele ficaria muito sozinho. porém contrariado. tirando a impregnação da estranha sensação. temos um caso de complexo. Ao tempo em que as criaturas monstruosas subiam como que por fissuras abertas no chão.. pois algumas se comportam como se ganha ssem o gosto pela ignorância.. João percebeu que Sérgio parecia sufocado e orientou: Seu maior trabalho será vencer as vibrações baixas e hostis. abriu-a e foi quando a brisa suave da madrugada parece u medicamentosa. Seu rosto gotejava suor e todo o tronco estava transpirando. Dê-me mais um tempinho? . ele murmurou: Ainda são 3h30!. . Tentarão atacá-lo de todo jeito! Reaja! Socorra-se elevando o pensamento a Deus. E você? Quando vai começar a trabalhar lá naquela empresa? A documentação da PM já sai .contou animada. Sérgio. meu amigo! Sinto-me minúsculo.. despertando-se horrorizado com o próp rio grito. Sérgio. Consultando o relógio. despoluindo-as para que respirem me lhor. além disso. Sérgio. Riu para re laxar e avisou: Vou levar o Tufi para lá. é muito importante lembrarmos que.pedia com seu jeito carinhoso.... pois tinha a sensação de ver e sentir o que experimentou. Débora. . Mas eu não sei de nada. Acorde. o pensamento é o centro de atração e repulsão de qualquer mal ou be que o cerque.. tomando uma po stura de ataque.. mas logo continuou : Quando em uma terapia. tendência suicida e outros transtornos.

.. Levantando-se.. pois nunca o viu falar daquela forma e vendo-o caminhar em direção da porta. lá eu tenho um salário garantido. agora. Engolindo seco. não me proporcionou um instante de paz. vem à oportunidade de t rabalhar na empresa por meio período.. ... ele se levantou. gritando. Estou assombrado ao ver você agindo igual a elas! Pensei que me libertaria do s pesadelos asfixiantes. Eu vim aqui porque não estava bem comigo mesmo. e stranhando e observando-a esbravejar sozinha. o que preciso é mudar as minhas escolhas! Após o susto que levou. Entr ei com pedido de férias e vou aguardar para ver no que dá. Não costumo brigar e. Diante de tantas dúvidas e incertezas sobre decisões sérias e definitivas que tenho para tomar. só desfrutando a companhia agradável um do outro e. fiquei decepcionado porque você agiu como alguém que eu não quero nem lembrar. Tenho medo de que. Você..falou com baixo volume na voz grave e fita ndo-a com uma tristeza indefinível nos olhos verdes marejados. Sei lá!. Débora . A namorada. quietude e a conchego..... Sérgio! Pelo amor de Deus! Você não vai desistir de sair da polícia agora. O namorado continuou no mesmo tom sentido: Eu te amo. Déb ora chorou verdadeiramente sentida..sinto-me inseguro. mas eles me perseguem! Não adianta eu mudar as coisas à min ha volta.Abraçando-o pelas costas com força.ela não sabia o que dizer... Sérgio permaneceu silencioso por longo tempo. parece que ela marcha ao meu encontro! Saí da ma ta casa de meus pais para não ouvir os gritos e as reclamações de minha mãe e minha cunh ada. entende? Faz tempo que não ficamos sozinho s. Agindo com estranha frieza.. deixando-a em imenso conflito íntimo e arrependimento.. Com a tempestade emoc ional que criou agora há pouco. Em palavras bem simples posso dizer que desejava só fic ar ao seu lado. Sérgio dirigia sem rumo. Débora. Em instante s.Ela o olhava firme e nada disse. com lágrimas quase rolando. calado.. pareceu implorar ao pedir: Sente aqui. interrompendo-a com voz grave e firme: Não preciso ir à direção da desgraça. o namorado aconselhou em tom sereno : É melhor conversarmos outra hora ou diremos coisas das quais podemos nos arrepe nder. O rapaz se virou e a jovem escondeu o rosto em seu peito chorando um pranto compulsivo. reagiu de um modo estranho e totalmente incomum à s ua personalidade.... Débora. ... profundas energias inferiores in-vadiam o ambiente. Débora correu. repentinamente. Não suportando a pressão sofrida em pe nsamento. o rapaz se virou e saiu sem olhar para trás. Te amo muito . atraía obscuras vibrações. ele sobr epôs o braço em seus ombros. Uma dor estranha parecia esmagar seu peito. Vendo-o em pé à sua frente. Sérgio!. Frustrado com a reação da namorada.. Dar e receber carinho enquanto assistíssemos a u m filme.. horário fixo e um salário compatível com o da políci a e você quer desistir?! Não posso me conformar! A maneira como Débora se expressava.. vai?! Seja como for. . Curvando-se e beijando-a na cabeça. . respeito a sua vontade. Eu queria seu colo. Desculpe-me. Sérgio. encarou-a nos olhos. protestou inconformada e aos gritos: Sérgio! Você nunca teve uma oportunidade tão boa! Esse sempre foi o seu sonho! Ante s tinha preocupações em abrir um consultório sozinho e não ter pacientes. segurou-o pelo braço e pediu entre as lágrimas de arr ependimento: Por favor.Ele não se virou para encará-la e permaneceu parado somente ouvindo-a se justificar: Eu não sei por que disse aquilo daquela f orma. Você me conhece... remoendo a s idéias em um penoso estado de consciência devido ao choque por ver as tendências de Débora e as influências espirituais que lhe chegavam. E era só disso que eu precisava para decidir o que é mais correto fazer na minha vida. eu não gostaria de ter qualquer outro problema. Mais desiludido ainda porque desconhe cia esse lado da sua personalidade. conduzindo-a para o sofá e fazendo-a se acomodar. Não sei. Eu te adoro! Desculpeme? Vou ser bem sincero com você.. para as nossas vidas. . mas como não quer. Tudo sumiu com o em um passe de mágica com a clínica da qual é sócio! De repente. Desejaria que fosse mo rar comigo. quieto. Eu!.

Se p uder. Da casa ao lado saiu uma senhora de cabelos grisalhos que o olhou de modo cur ioso enquanto andava vagarosamente em sua direção. nem que fosse só o ouvindo desabafar.. pois ela permanecia imóvel. foi entrando na casa à procura da amiga.. moço. Vendo-a mais consciente. A. colocando-a sobre a cama. abriu a porta após vários pontapés.respondeu atordoada e largada sobre a cama. Por quê? O que aconteceu? . ele perguntou mais calmo: Rita. mas as mãos da moça amarradas nas costas com inúmeras voltas da lar ga fita adesiva. Sentando-se ao seu lado. pediu com brandura: Calma. Por isso seria bom irmos para um hospital do seu convênio e. você está bem? Estou. como se sufocasse um grito.gritou ao implorar. Há duas horas. Podia ouvir uma música tocando em volume u m tanto alto no interior da residência e por isso chamou em voz alta. Nas janelas havi a grades. Não! . Correndo até a port a da frente viu que estava bem trancada e seria difícil arrombá-la. Lágrimas correram imediatamente enquanto ela olhava para os lados. Sérgio chorou em silêncio. Movido por um súbito impulso. Em vão. gritando o n ome de Rita. realizou respiração artificial e massagem cardíaca.. ele decidiu visitá-la. Não dando importância ao frio que corria em seu corpo. Sérgio acariciou seus longos cabelos negros e cacheado .. Está tudo bem.preocupou-se ele.Repentinamente. pois desde a morte de seu irmão e de seu noivo tinha ficado no apartamento de Débora. correu para a sala onde a música alta o incomodou imen samente. Pegando-a nos braços. A jovem desmaiou por falta de ar e permanecia inerte. chegou até a amiga rasgando o saco plástico forte e transparente que lhe vest ia a cabeça onde foi colado e apertado com larga fita adesiva em torno do pescoço. Sérgio tentou puxar a s amarras e não conseguiu soltá-las. sufocando o choro num travesseiro. levou-a para o quarto. Rápido. Eu ia ligar pra polícia. Débora! Isso! . Eu já vi você aí com a outra moça. não é? Sim.admitiu a senhora.. mas fiquei com medo.. Sérgio havia tocado a ca mpainha várias vezes. colocou a amiga na posição correta. t entando entender ou recordar de alguma coisa. Sentiu como se os seus olhos fossem atraídos para ver a pequena faca de cozinha sobre a mesa.. Ele ficou assustado. Imediatamente tentou fazer respiração artificial.. cortou as fitas.. tentava curvar o corpo. Rita. por isso já ia ligar pra polícia. mas não foi atendido. Sérgio olhou para o canto e ouviu atrás da me sa da sala de jantar um murmurinho lamentoso e viu os olhos de Rita se fechando. Chamando pelo nome de Rita... sou. Acreditand o ouvir um gemido sufocado. Olha.. Minha idade não deixa mais eu pular o mu ro. vi a Rita entrando e perguntei como ela tava e. Depois me largou aqui sozinha. Tirando-lhe as fitas e o resto do plástico rasgado do pesc oço e livrando os punhos dos adesivos. Em frente do portão. escal ou o alto portão. rápido. eu acho. lembrou-se de que Rita decidiu retornar para a casa onde mora va. Quando se virou para cumprimentá-la e pedir informações sobre a colega. Tossindo repetidas vezes. Rita pareceu ter r etornado à vida ao respirar forte. amiga dela a. mas não tinha forças. De repente. Eu sei que você tem plano de saúde. vai lá filho! Corre! Sérgio suspirou fundo. um sinal de ela estar em casa.. a senhora se adiantou: Você é um dos amigos da Rita. mas e se não for nada? Você é amigo dela. Acho bom você dar um jeito de pular esse portão! Não gostei do jeito dela. Falou que não tinh a mais ninguém e que preferia morrer. Ligou o rádio a lto e não atendeu quando eu chamei. Apressando-se para os fundos. Toquei a campainha nem atendeu quando liguei p ara a casa dela. Desligando o aparelho de som. percebeu que as janelas estavam a bertas. pensando que a amiga poderia socorrê-lo de algum modo. Meu nome é Sérgio. Usando-a. não deixavam seu corpo ficar na posição adequada. .. como se o ar fosse acabar. saltando com agilidade para dentro do quintal. Nunca pensou em ver algum amigo ou amiga naquela situação e sob os seus socorros. Estacionando o carro frente à residência da moça.

o que aconteceu? . encarando-o firme. em minha opinião. Isso foi bem difícil de fazer. . e o amigo tornou ex plicando: Preciso saber o que aconteceu aqui. de sligando em seguida. mas respondeu oferecendo várias pausas como se refletisse antes: Enrolei a fita no saco plástico sobre o pescoço. Sérgio a abraçou com carinho piedos o. Não tenho esperança nem energia. ela praticamente murmurou: Tentei me matar. amigáveis e reconfortantes que lhe invadiram a alma. Retornando ao quarto. Enrolei a fita adesiva em meus pulsos com as mãos para trás para não desistir e rasgar o plástico. ele continuou: Rita..... Sérgio a observou melhor verificando um machucado em seu rosto. Depois lhe afagou o rosto até que. Não consigo explicar o aumento dessa dor. dessa falta imensa que m e consome.. não é fácil. A amiga o fitou por um segundo e fechou os belos olhos negros num gesto de fu ga ou vergonha. vendo-a mais tranqüila .. mas há solução. Por que a faca estava sobre a mesa? Rita abraçava as pernas encolhidas e balançava vagarosamente o corpo exibindo um sinal de nervoso..Vendo as lágrimas corre rem em seu rosto... mas estava bem. Peguei o saco plástico grosso que trouxe do mercado.. você não está sozinha. Demorou um pouco.Lágrimas rolaram em sua face pálida. expressando grande tristeza: Estou mal. Eu sei que rupturas drásticas de relações amorosas significativas. perguntou vagarosamente: Qual é a solução? Como eu posso levar uma vida normal? Principalmente agora. Peço isso como amigo. pois o modo como a encontrei é bem es tranho e suspeito. Porém não era o momento certo para exigir-lhe nada. num gesto de amizade.. sem fixar em ponto algum. indiscutível em curto prazo. Cortei com a faca e depois de dar voltas nos pulsos com o rolo adesivo eu. Puxando-a para um abraço.. Não o encarava. a amiga se e ncolheu. choro u como nunca tinha feito antes.. Não suportando a troca de energias salutares.chorou. Não sou útil ou necessária a alguém.... Sentando ao seu lado. porque você precisa de ate ndimento médico. sentada na cama.. Rita parecia mais calma. Tem muita coisa que você desconhece.... Erguendo-a para que se sentasse. trazem um impacto doloroso e i rremediável.. Sérgio lhe fez u m afago no braço com as costas da mão. momento em que. Nesse momento ela ergueu a face banhada pelas lágrimas onde exibia grande angústi a. instintivamente.. Pode me explicar como conseguiu se amarrar daquele jeito? .. não achou? Não. Sem encará-lo. mantendo o olhar perdido.. Afagando-lhe os cabelos.. Conte como foi.tornou calmo. escondeu o rosto no abraço e chorou. Quando você tenta sobreviver à solidão. Após algum tempo. . ela cont ou com breves pausas e voz baixa entre os soluços e as lágrimas.. Ele deu-lhe uma desculpa convincente de qu e Rita teve uma crise de choro. Preci sei ressuscitá-la! Segundo. Rita. Como machucou o rosto? Acho que bati na mesa. essa dor. Seus braços estão machucados com espécies de pancadas.. como a de seu irmão e de seu noivo. coloquei na cabeça e o prend i com a fita adesiva em volta e. procurou curvar-se para olhar em seus olhos e dizer: Minha amiga. Primeiro. Sérgio. expressando muita tranqüilidade. esse pode ser um caso de polícia. o telefone tocou insistentemente e o rapaz decidiu atende r.. perguntou: Rita. Sérgio sabia que ela mentia escondendo alguma coisa. cuidadosamente.. Algum tempo depois. Sofreu pela falta de ar tempo o suficiente para desfalecer. cheguei do merc e tive a idéia de colocar um fim a todo esse desespero. Não tenho ninguém.. Estou errado? Com voz rouca pelo choro. Prudente. Rita o apertou forte. Não tenho mais nada. abraçando as pernas e ficando encolhida.s. A senhora agradeceu a satisfação. Era a vizinha que desejava notícias. fez com que o encarasse. Nem vonta de alguma.. E não é fácil sair dele. Sérgio a confortou num acalento silencioso enquanto a e mbalava preocupado com o que deveria fazer. Então. um estad o mental de depressão extrema a domina. Não sei..

. O quê? O que disse? . a Débora não me ligou até agora.alterou-se ela. Entregando-lhe uma xícara de chá em suas mão fracas e trêmulas. Além do mais.. chorando... senti uma dor no peito e pensei que ia enfartar. tão elevada! Você e o João me deram tan ta noção para entender as experiências de uma encarnação. Só... A fastando-se dele. Sabia que ela escondia alguma coisa. Rita o encarava firme. mas não está em condições de decidir . chorando de modo compul sivo. isso não aconteceu por acaso. parecia se controlar..Soluços entrecortaram sua voz quando dec diu: Eu vou com você. ofereceu-lhe carinho e atenção. há detalhes estranhos nesse acontecim ento. ele t inha conhecimento de que aquele ocorrido merecia muita atenção e ajuda imediata..murmurou.. Entretanto o telefone do apartamento só chamava e o celu lar não era atendido.. ela tornou a deitar e abraçou o travesseiro encolhendo-se sobre a cama. trancada no banheiro.. Não chorava mais como antes..Após propositais segundos. relacionando a série de lesões que você apres nta. sendo a melhor amiga de Rita ela poderia ajudar muito. Depois disso. Chegando à sala.. Assim que Sérgio desfechou. Aí eu decidi vir aqu i para conversarmos um pouco. pois. não o encarava. Não vou! . pois a situação em que a encontrou era bem estranha. Rita. Retornando ao quarto. Então.negou de imediato e bem firme. . Após olhar cômodo por cômodo e observar meticulosamente cada detalhe. Não! . Algo o intrigava. exibindo uma estranha preocupação e medo no olhar. Fiquei surpreso e assustado ao chegar aqui e. Diante do profundo silêncio que reinou.perguntou por não entender. Rita. nos quais não p arou de pensar. . Ou você vem comigo ou eu ligarei para a polícia e iremos para a delegacia registr ar essa ocorrência. Fitando-a com piedade. porém firme. Pondo-se frente a ela.perguntou diante da demora. Deixando recado na caixa postal para que a namorada entrasse em contato com ele o mais rápido possível.. Vou ficar aqui. Mais de duas h oras haviam passado e Débora não telefonou. . por que não chegou antes?.... experimentando um pranto doloroso e triste. Você não pode ficar sozinha e virá comigo para ha casa. Sérg io decidiu que a colega não poderia ficar só.sussurrou entre o choro. Você foi e continua sendo uma pessoa muito important e para mim. Como. Humilhada e abatida. ele notou que a jo vem apresentava grande desânimo. tornou no mesmo tom: Preciso saber de uma coisa: por . Desculpe-me. Só. exatamente agora você t entaria contra a própria vida? Sérgio se surpreendeu ao vê-la abraçá-lo forte e rapidamente. Não faça nada disso. ele indagou: Diga-me uma coisa. Foi uma coisa tão estranha.. ele contou: Sabe. O quê? .Pequena pausa e fa lou: Considero-a uma pessoa tão espiritualizada. Vocês me disseram que a vida não mina com a morte do corpo físico. viu-a com a respiração alterada. o rapaz olhou por toda a volta. Per manecendo em silêncio por um tempo ao lado da amiga. Só vou tomar um banho e me trocar. Certamente vão encaminhá-la para um exame de corpo de delito. preciso relatar tudo o que houve e pedir su a internação para sua segurança. só lhe restava aguardar. vou levá-la ao hospital de seu convênio onde pedirei que um médico psiquiatra a atenda e. . .. Como especialista. argumentou: Eu me considero seu amigo. Não vou deixá-la sozinha. Sem que ele espe rasse. eu saí do apartamento da Débora e ia para minha casa.. não?. considerou em t om brando: Rita. Vou solicitar ao delegado uma perícia técnica em sua casa pelos fatos duvidoso s. Sérgio avisou: Vou tomar água. ela reagiu rapidamente ao pedir: Não chame a polícia. De repente.falou calmo. como psicólogo. Pensa que sou amador?! . pediu para que Rita se sentasse e foi obedecido de imed iato. no q ual passará por um médico que vai examiná-la. certo? Não. H oje. Quer um pouco? Não.. Vendo-a balançar a cabeça negativam ente a fim de não responder. decidiu telefonar para Débora. quase ofegante.Sem espe rar que ela dissesse algo. talvez por p ressentimento ou pelas experiências que possuía como policial.

Não tem mas .. mãe . Tiago! Tudo bem? . pensando que fosse sua namorada. ele não reparou que uma delas. . pensava em alguma alternativa. Indo para a cozinha. Como você está. Eu já arrumei a por ta dos fundos e a tranquei por dentro.. pode ir para o apartamento dela. Dando alguns passos. mas sim em profunda reflexão. Prazer. Mas. procurou dar uma entonação mais terna e amigável a o tom de voz e pediu: Rita.. Sente-se. cara?! Tudo bem? . mas.tentou mentir. Sérgio sentia-se tomado de esquisitos perturbadores sentimen tos..cumprimentou a jovem com timidez. que parecia nervoso. inclinou-se para o lado e se encolheu. Posso ficar aqui na sala? Claro! Fique à vontade. Disfarçando o que experimentava. .Viran o-se para a colega. Sem esperar que o filho respondesse. Essa é a Rita. Não quero me sujeitar a uma série de perguntas e investigações. Rita. vá para o meu quarto e descanse um pouco até eu encontrar a Débora. E aí. Oi. levou-as para seu quarto. comentou: Mas você não é a Débora! Não.que não quer a polícia aqui? Chorando. cobrindo as perna s com a própria saia longa. mas estranhou ver Sérgio petrificad o. Cheguei quase agora. Temos algumas horas para pensar e decidir o que fazer. essa é a dona Marisa. havia tombado. nossa mãe. ao se aproximar. uma amiga nossa! .avisou Tiago em socorro do irmão. Sairemos pela porta da frente. Sérgio pe gou o telefone e foi para outro cômodo a fim de ligar para Débora.. deixando expostas e caídas algumas peças íntimas que pertenciam à amiga. encontrou Rita com os olhos fechados. enquanto olhava detalhadamente tudo a . Sérgio? Nunca mais foi lá em casa!. Foi nesse instante que escutou um barulho na porta da sala. Teve a sensação de segundos de alívio. levou o telefone par a tentar falar com Débora ao mesmo tempo em que pensava em preparar uma refeição. Preocupado. Fez várias tentativ as. parecendo assustada com a visita.. pois não sabia o que fazer. Mas pensei que a Débora estivesse aqui. * * * Chegando à sua casa. obedecendo exatamente ao que espíritos mórbidos exploravam em seu coração e a faziam usar. Não quero ser humilhada. viu Tiago entran do em companhia de sua mãe. Tudo bem.falou a mulher de um modo arr ogante. Virando as costas rapidamente. mãe! . Sérgio havia passado o dia sem comer. Percebendo-o confuso .disse Sérgio sem conseguir disfarçar certa surpresa . Pegando as duas sacolas com as roupas da moça. Voltando à sala. Só não feche a porta. É que. a jovem respondeu: Estou com vergonha.. Pegue somente as roupas de que precisar.. coloca ndo-as sobre a cama.. Não acreditou que estivesse dormindo. Rita! Se não fizer como estou sugerindo. Aquele dia parecia longo demais. vou chamar uma viatura! Cabisbaixa obedeceu. apresentou: Rita.cumprimentou alegre. O sol do verão quente não queria se pôr apesar da hora. Não vamos mexe r em nada nesta casa. Sem dar atenção ao filho. esqueceu? Não! . Vendo-a apoiar a cabeça sobre algumas almofadas. dona Marisa permaneceu em pé com postura orgulhosa e pens amentos malignos. .. quando a Débora chegar.. Prazer.Pediu com gesto educado: Contudo perceb ia-se que algo estava errado com Sérgio. Sérgio olhou-a surpreso como se sua memória tivesse apagado. Tive alguns compromissos hoje e acabei me atrasand o. Dona Marisa olhou para o sofá com ar de reprovação e repudiou ver Rita sentando-se rapidamente. Tiago lembrou-o brincando: Acorda. mãe! Oi... mas não conseguiu. Você vai par a minha casa e. meu irmão! Você pediu para eu trazer a mãe e o pai aqui hoje para verem sua casa e conhecerem melhor a Débora. Ela sentou-se no sofá.

Ti ago não entendeu a situação.. preciso de você. Planejei para a Débora vir a fim de melhora r o clima entre todos.. Contudo disse a verdade: Isso é da Rita.. a mãe saiu porta afora.perguntou mais interessada em ajudá-lo. ele sentou-se ao lado de Rita.. aqui um dos quartos. escuta-me . Queria colo. Por essa razão. humilhando-a: E você! Não tente se apresen tar como amiga. pois sei que o Tiago está enfrentando acusações e ofensas injus tas por sempre estar comigo. Foi tão grave que resultou naquele acidente. mas deve chegar daqui a pouco. colocando-a novamente na sacola.mostrou. É bem espaçosa. Ela gritou comigo. Rita! Sabe. agress . sem que Sérgio pudesse replicar. Você. Sem trégua. Arrancando forças do fundo da alma. pois estava na sala sentado ao la do de Rita. Sérgio estava incrédulo com o que acabava de acontecer. mais do que qualquer pessoa acompanhou tudo o que ela armou para a Débora... Neste fiz um escritório e. a situação fica difícil... Aconteceu o seguinte: fiquei sabendo que ela e meu pai reclamavam a minha falta e o fato de não conhecerem esta casa.sua volta. repreendend o inclusive Tiago que não sabia o que acontecia. mãe! . comentou num tom amargo: É uma boa casa! Venha conhecer melhor .. Mãe. Por favor. Então marqu ei com o Tiago para trazê-los aqui hoje. Vira ndo-se para Sérgio e exibindo repugnância ao mostrar-lhe. com essa cara de assustado porque esqueceu que nós viríamos para cá hoje! Ainda be m que seu pai não veio! . vejo essa cama de casal e você é solteiro.pediu Sérgio que mesmo atrapalhado.exigiu com frieza.. Tem uma lavanderia e um quintal. mãe .. Lembra quando eu falei o quanto minha mãe era fria e injusta? Lembro.. Rita caiu numa crise de choro e curvou-se sobre uma almofada. Bem cedo eu estava mal. Estou longe de compreender o sentido de amizade quando vejo uma vadia sem-vergonha como você! Após as graves ofensas. perguntou rude: O que significa isso?! Ele sentiu o rosto queimar.Pegando a peça de roupa da mão de sua mãe.pediu ao ser seguido . V enha . Pode parar. Como assim?. mas não pos so. dominado por um mal-estar que não o deix ava organizar as idéias nem os pensamentos com soluções. mostrava-lhe tudo.. Eu gostaria de desaparecer agora. A amiga de vocês traz roupas íntimas e deixa em seu quarto! E você. Sua namorada não está. .. Já entendi por que quis sair de casa. A senhora não sabe o que está acontecendo! Nem quero saber! . Rita. E olhando para Rita petrificada. fui ao apartamento da Débora e nós brigamos...Ela foi parando de chorar e fico u mais atenta à medida que ele falava. Aqui é a cozinha... fez com que a amiga se erguesse e o encarasse.respondeu agressiva. .. É. ofendeu-os: É por causa dessas orgias que você vive socado aqu i?! Espere aí. Nada disso! Espere. Atordoado e com os pensamentos desorganizados.. mas trocou olhar com o irmão e correu atrás de sua mãe a fim d levá-la embora. É uma suíte. espere aí! Primeiro. avisando com voz bondosa: Preciso da sua ajuda. entende? Daí.. Ao entrar para observar melhor. a sua reconciliação com seus pais.. Sérgio! . tentou dizer: Eu e a Débora somos os melhores amigos da Rita e ela passa por uma situação difícil e . aqui tem um banheiro. abrindo a porta ao comentar: Este é o meu quarto. Sentia-se estranho. Foi exigente. Depois iremos lá. Mas o pior não foi isso. Sonhou novamente? . pois qualquer explicação seria inútil. a mulher foi para perto da cama de casal e pe gou com as pontas de dois dedos uma das peças de roupa íntima que estava no chão. Sempre que tento me reconciliar com minha mãe... T ive uma noite difícil.gritou Sérgio. Eu acabei destruindo o seu dia. Mas hoje. dona Marisa gesticulou com desdém e pouco caso.A mulher saiu do quarto reagindo gravemente.Contou com a voz que imprimia cansaço: Esto u passando por um período de dúvidas com algumas decisões definitivas em minha vida.

disse algumas coisas para el a e fui embora... enquant conversamos.. é independente. Tive vontade de gritar. em uma emergência. era raro. ofereceu meio sorris o e a chamou: Já é noite e não comemos nada até agora. mas.. Entendo que veio de uma família rica. decidir-me. tudo be m se ela não sabe cozinhar. E.. como se não bastasse minha mãe fazer isso... preparamos um sanduíche natural. é questão de necessidade e de ter ajuda. Está calor e é bem saudável. mas continua tentando até aprender. oferecendo-lhe algumas t arefas. Creio que o fat o de ficar sem emprego a afetou. Mas. mas me cont rolei e. forçando-se ao ânimo para convencê-la. Se você não estivesse aqui. entonando na fala uma súplica e expressando no rosto uma exaustão triste. Quando sair do banho terá de me socorrer. Sérgio? Você é minha amiga . Sérgio demonstrou-se alegre. Sérgio. Conheço a Dé e sei o quanto ela é esforçada. Puxa! Hoje tem uma outra vida! Mora sozinha.. Ela sempre foi ponderada.... Rita... Veja. Sérgio disfarçava suas preocupações. Procurei manter a calma. Existem momentos em que a Débora fica atordoada. Pelo fato de ela ver e acompanhar o que faço. Foi o que ela queria! Foi por minha causa . Pensando rápido e agindo de forma dissimulada. eu estou com remorso po r ter falado um monte de coisas para a Débora e. não passar apuros. Preciso que compreenda que a don a Marisa é orgulhosa. quebrar alguma coisa.. Ela pode errar. Eu já esperava que minha mãe fosse procurar alg uma coisa para me criticar. deixar-me magoado e encontrou. mas não se esforça para aprender o básico. tem iniciativa. apre ido. Por favor. Aceitando a mão amiga. gritar e reclamar.falou. Pronto. conseguiu distraí-la.. Rita deixou o sanduíche intacto. A não ser quand o os irmãos a perturbavam muito..Rita tentada pelo suicídio Ainda abatida e tomando somente pequenos goles de refrigerante. ela a charia outro motivo para brigar. des culpe-me por fazê-la passar por uma situação como essa.afirmou bondoso. mas nítida : Eu te ajudo sim. Jamais gritou. ajude-me a supera r essa angústia. Passei na sua casa e. Em que eu poderia ajudá-lo. Não se sinta humilhada pelas acusações da minha mãe e.dis se. pelo amor de Deus! Ele sorriu satisfeito por induzi-la com agilidade e. Como posso ajudá-lo. .perguntou esmorecida...Levantando -se... Sentado à sua frente.. ambiciosa. ela me disse que não cozinhava direito. Isso é muito estranho.. Vamos lá para a cozinha e. deveria aprender e prestar atenção para. Rita . A Dé não é assim. estarei desmaiado! Prime iro vamos comer alguma coisa. olhando-a nos olhos. enfrenta os desafios.. Nunca me importei em fazer determinados serviços domésticos nem de cozinhar. sem ação. Dê um tempo para ela. procurando c nversar: Foi isso o que te contei. Como foi difícil. Não!. Nada foi por acaso. por isso não me atende.iva com as palavras.... já seria um bom começo . Esqueci completament e que o Tiago traria meus pais aqui.. Está sendo difícil e u controlar minha vida. Acho que ela está magoada comigo. Nunca vi a Débora reagir agressiva assim. não precisou apre nder. Visivelmente con strangida e tentando esconder certo nervosismo. Rita ofereceu leve sorriso e se ergueu..pediu. frustrada e. Tem tanta coisa acontecendo comigo. Não é o que parece. Se pudesse me ouvir.. Pegou -a pelos ombros como se brincasse e a conduziu ligeiramente para a cozinha enqua nto falava: Ah!. 16 .. Não quero que chore por causa do que aconteceu aqui. mas is so não me impede de me virar bem na cozinha. Espere um pouco. afagando-a no rosto. Não foi sua culpa. isso para não admitir que não cozinha nada. acho que é questão de tempo. mas.. .falou sentida. Mesmo assim... estendeu-lhe a mão e sorriu ao convidá-la: Venha! Estou morrendo de fome! . Estou me sentindo péssimo. Sérgio? . Como eu falei. às vezes... ela falou em voz baixa. Sou homem. Está calor e eu queria primeiro tomar um banho. Diante do silêncio. Não. Por favor..

Ele ficou chateado e não veio.perguntou preocupado.. Ela não tem preocu o futuro nem responsabilidade e está tentando influenciar a Dé para esse tipo de com portamento... A mãe o chamou de irresponsável. divertir-se.. porém a Dé não percebeu. a Ya ra começou a ir lá com muita freqüência. Rita. O que a Yara falava que a deixou intrigada? Sair. brincando e sorrindo aliviado com a presença do irmão.. Não... acho que a vi cheirando alguma coisa.. Essa influência é da Yara. quando a Dé comentou o fato de vir morar com você. O pai não foi e então. exigente e nervosa. Parec e que a Yara perde a noção de responsabilidade. Por que o pai não veio? .. . tirou-o das reflexões. Não sei reconhecer. Tiago sentiu que algo mais sério acontecia. Era totalmente contra.. sentou-se à extremidade da mesa e foi se s ervindo. Bem. como se pedisse a opinião da irmã.. Eu não queria dizer isso a você. Acreditamos que pode aco ntecer com todo o mundo. mas. Mas de vez em quando. Não tolero. menos com alguém da nossa família. Como assim. Acho que vou fazer como o Sérgio.. aproveitar a vida. Só fica satisfeita e chorando preocupa da quando nós estamos doentes.. de comportamento adequado e. Parec e que ela não gosta de nos ver progredir.. E ntretanto a inesperada chegada de Tiago. transmitindo certa amargura. Tiago foi até o banheiro. Por exemplo. A idéia de diversão da Yara é outra. Não é como você pensa.. argu mentou: Rita. acredite. Você viu alguma coisa? A Yara não fuma e nem faria isso no apartamento porque a Débora detesta cheiro de cigarro. Fica procurando motivos para reclamações. estou envergonhado com a nossa mãe. A Débora não é boba.Estou sendo paciente ao máximo. Dizia que você queria uma emp regada. Sérgio. De repente ela ficou alegre. não damos notícias. eu acho.. Eu não sei o que é. Você sabe.. Virando-se para a amiga. Nem sabia por que ela estava ali. Discreto. Mas teve uma tarde que notei a Yara no banheiro com a porta meio abert a e. E lógico que não dev emos nos dedicar só a diversões e passeios...... que é um lugar legal.quis saber Tiago. Sabe. Acho que a Yara faz uso de drogas. discussões acaloradas e brigas. Rita? Não posso afirmar. vou sair daquela casa.. Tentei falar com ela a tarde toda. Rita percebeu o amigo apreensivo e decidiu omitir que Yara sempre falava de B reno para Débora.indagou o irmão. Principalmente quando e la começa a se comportar agressiva.. pois é necessário assumirmos responsabilidad es. E a Débora sabe disso?! . Cadê a Débora? .. analisando os fatos. Deixei vários recados na caixa postal... Oba! Tem lanche pra mim?! Não senhor! . Sérgio mergulhou em profundos e torturantes pensamentos. mas pode se dar mal por causa da irmã.. A Dé gosta da irmã e acaba dando ouvi dos. a Yara reagia. lavou as mãos.. mas. eufórica e queria que eu e a Dé fôssemos com ela a uma casa noturna. Eu esqueci completamente que marcamos para você trazê-los hoje aqui. levando recados de que ele queria vê-la. A Débora é ingênua para essas coisas e sabe. O Marcílio e a Ana brigaram e a mãe queria que o pai fosse se meter. enquanto Sérgio perguntava: E a mãe? Ah. Porém não conversaram o suficiente. Creio que a irmã começou a influenciá A Yara era uma pessoa bacana. Não esquenta! Você sabe como ela é! Os olhos negros de Rita brilharam. Quando eu estava no apartamento da Dé... Não entendo por que. na se ... Ainda bem que nós já havíamos comentado o q uanto ela é indelicada e agressiva quando quer.. Havia um pó esbranquiça do em seu nariz.. com problemas. não gosta de paz. mas tem algo errado. Não sei. Parece que isso a deixa feliz. mas. Ele havia trocado algumas palavras com a jovem enquanto o irmão mostrava a casa para sua mãe. Precisamos desse tipo de atividade. mas fiquei inquieta quando estava lá e.. pa ra te falar a verdade... através do espelho. Isso pelo fato de já terem conversado antes sobre a história da Débora não saber cozinhar. covarde. Mas isso não é errado. mas mudou muito. mas. Algumas vezes. a té agora a Débora não retornou minhas ligações.disse Sérgio. Deixei vários recados..

Não é fácil mudar esse estado mental como um passe de mágica. Mesmo na cozinha. Rita. observando-os. Sérgio perguntou: Tudo bem? . Tiago os seguiu e perguntou nervoso com a situação: O que está acontecendo aqui?! Dê um tempo. Fica na sua! Depois conversamos! . Estou com medo e preocupado de que tente de novo. enxergar o fim de uma dor insuportável pela perda de pessoas queridas. Puxando uma cadeira para p erto do sofá onde Rita sentava.exclamou Sérgio também apreensivo. Tiago sentiu-se mal. ver melhoria na vida. ele pediu com bondade: É melhor comer. considerando o imp acto sofrido. Nada de banho. Rita. o amigo pediu em tom brando: Desculpe-me por agir assim com você. Isso é necessário? . . franzindo a testa em sinal de desaprovação. Nem se f or só uma parte do lanche. Rita levantou-se. pedindo baixinh o: Com licença. Sérgio p ediu: É melhor se sentar.. por favor. minha amiga. tornou firme: Sou seu amigo. Você vai usar o banheiro do corredor e a porta deverá ficar aberta dez centíme tros. eu não acredito que tenha feito àquilo sozinha . lançou-lhe um olhar autoritário e praticamente ordenou. por isso sou responsável por não tomar qualquer providênc ia ainda! Ou você me obedece. para eu saber que decisão tomar. Sérgio explicou a Tiago exatamente tudo o que aconteceu na casa de Rita. O rapaz se levantou.. andando de um lado para o outro. Estava perplexo. O tempo está passando e precisamos ter uma boa conversa.Vendo-a obedecer. Preciso ir ao banheiro.. Inconformado. apes ar da fala mansa: Eu gostaria que a Débora estivesse aqui.murmurou Tiago. Ei. Sérgio ficou alerta todo o tempo. É sim...Percebendo que a amiga foi para a sala chorando e usava a toalha para secar o rosto. Ficou louco?! . Após o ocorrido de hoje. vou entrar lá..Breve pausa e tornou: Eu gostaria muito que a Déb ora estivesse aqui.protestou o irmão.Voltando -se para a jovem. Os irmãos se entreolharam e Tiago entendeu que não era um bom momento para qualqu er pergunta ou comentário.cretária. E o fato de ela confessar que tentou suicídio. ou farei o que deveria ter feito. mas somos amigos e o Tiago não é um estranho. Preciso que me conte tudo. certo?! Ficarei aq ui! Pode ir! Com lágrimas correndo no rosto. forçou-se a comer um pedaço do sanduíche. S .. Pode acreditar! Se fechar a porta... por isso começaram a falar sobre assuntos corriqueiros. petrificado. Tiago! . Tiago. Sérgio! O que é isso?! . que escondia entre os longos cabelos. vagarosamente. a jovem desatou a chorar. Aonde você vai? . Sérgio.. Deve ser isso . fui eu quem a tirou de sua casa. Você não sabe o que aconteceu. eu. a jovem a baixou a cabeça e foi para o banheiro. Perdoe-me Rita. vou arrombá-la e sabe que sou capaz disso! Ent endeu? Mas. encarando-a firme: Apesar de saber e compreender m uito bem essa postura de pensamentos.. assustado com o que ouvia. O que você está fazendo?! Por que isso?! Ao vê-la sair do banheiro com uma toalha nas mãos.. . A situação é delicada.Virando-se para a amiga. . ele foi até ela. aqui e agora. Rita! Tenho inúmeras razões para crer nisso e uma perícia técnica em sua casa. de ixou-o perturbado. terá de agir conforme vo dizer.Virando-se pa ra a amiga. Acreditando que não seria notada. contrariado e incrédulo. Sérgio finalizou de forma mansa: Eu sei que a Rita está passando por um momento desesperador. . Mas já que não está. Fragilizada.. um exam e de corpo de delito comprovariam minhas suspeitas. A moça abaixou a cabeça e. Nós discutimos hoje cedo e acho que ela está magoada comigo..murmurou ela entre o choro. pediu com gentileza: Olhe para mim.Vendo o irmão inquieto e exaltado. Mas o irmão não lhe r espondeu de imediato. Tiago.. suavemente. Se demorar muito e não responder ao meu chamado. e mbora brando. falou sem trégua.. . Rita! Somos amigos e não vou correr o risco!. Não tem mas .indagou Sérgio. Entendo que esse estado de depressão extrema não a deixa ter esperança. Depois de todos os detalhe s.

Então decidiu se asfixiar com um saco plástico. Sem diz er nada. Rita. rapidamente. Encostando a cabeça no sofá. O rosto belo e agradável de Tiago parecia terrivelmente transtornado. Por que não tentou se sui cidar na cozinha. por que optou em tentar? . Não conseguiram me avisar por eu estar no apartamento da Dé e. abraçou-a num gesto amigo.perguntou firme.. o rapaz permaneceu imóvel e socorreu-se em uma prece.. . Sentia-se esfriar como se fosse desma iar.... de repen te.. Tiago se sobressaltou. O Gust avo me deu muita força e.. Rita. ovos e outras coisas para sua provisão? Quem planej a se matar. Sérgio permaneceu firme e calmo.. Era uma rede de laticínios. perguntou tranqüilo: E então.. Não..e não me convencer. Mais tranqüilo.. pegou a fita. mas ainda restava o meu irmão! . Ontem telefonei e soube que minha tia morreu.. Ligou o rádio bem alto. Ao lado dela... Então pegou a mesma fita e enrolou os pulsos com os braços nas costas para não tentar rasgar o saco plástico no desespero da asfixia? . Tiago acomodou-se melhor para ouvi-la.. falando pausadamente.. mas. Não tenho mais nada. não vai se importar em ter alimentos em casa. Rita? Por que foi até a sala? Não sei!. Saberia esperar.Alguns minutos e a jovem relatou: Meu pai e o irmão dele abr iram uma sociedade há muito tempo. Aquele foi o momento. sem oferecer crédit o. Não tenho nada a perder. Afastando-se do abraço de Tiago. captou um brilho estranho nos olh os de Rita que se esforçava para dizer algo... Pouco depois. Somente um choro forte e compulsivo sufocado na toalha que ela apertava contra o rosto. Meu pa . Você chegou. Depois. mesmo gostando muito de você. Sérgio! Tanto faz morrer ou não!. e conforme os fatos... mas não guardou.Ela não res pondia. Apesar de policial em atividade.a jovem implorou com um grito de lamento. Não houve resposta. acostumado com as situações mais difíceis e infe lizes. Tentando ajudá-la.chorou. Não tenho ninguém.Ela chorava. O que aconteceu? Não tenho razão para viver. Sérgio falou em tom piedoso: Não posso ser cúmplice e responsável por algo tão evidente. Eu pensei que poderia ter novamente uma família.. Teve a intenção de fazerlhe um afago. Pensei em me matar e.. Se queria morrer. Mesmo sendo seu ami go. concatenando as idéias do irmão. em vez de se fazer um rabo de cavalo e torcê-los para cima ou prender com a presilha? Por que o tapete da sala estava r emexido? Por que tem essas marcas no pescoço e nos braços? Por que o hematoma no ros to? Como você explica ter amarrado as mãos nas costas com a fita e tê-la cortado com a faca.. dando-se ao trabalho de colocar a faca sobre a mesa? Como teve essa agili dade de contorcionista? Não! Chega! . O Rogério dependia de mim!. . ela pediu: Espere. morrer. relaxando o corpo e fechando os olh os. Não era uma estranha. decidiu se matar... Perdi meus pais em um acidente e stúpido. eu tenho de tomar uma providência.. permanecendo em rigoroso silêncio. Tudo ia bem.. Ficamos noivos duas semanas atrás. Por que eles estavam soltos e como se estivessem empurrados para dentro do saco. O silêncio e a demor a pareciam eternos. desembrulhou as compras. mas ele não deu trégua e fazia perguntas após p erguntas: Seus cabelos são bem compridos e quando você os prende é com uma presilha ou o que vocês mulheres chamam de bico de pato . Planejo u se matar daquele jeito? Mas.. impedindo-o e o irmão obedeceu. Mesmo sen tado. por que fo i ao mercado e comprou frutas. Tratava-se de uma amiga pela qual tinha respeito.. ainda é tempo de eu tomar uma providência a r espeito. aquele era um conjunto de circunstâncias e condições bem diferentes por se envo lver emocionalmente. inclinando-se sobre os próprios joelhos. só observando. ela se recompôs e falou ao erguer o co rpo novamente: Eu queria sumir. Tiago não suportou.. prendendo-o com uma fita adesiva larga daquelas que se cola ou prende caixas de papelão? Depois cortou a fita que e nrolou no pescoço com uma faca que encontrei sobre a mesa.perguntou Sérgio. e Sérgio continuou: Eu olhei tudo.implorou a moça. e ele não sabia o que dizer. mas Sérgio sinalizou.. Por que ligou o rádio? .. teve a idéia de se asfix iar e voltando até a cozinha pegou o saco plástico e a faca. Enquanto Sérgio permanecia atento ao encará-la. consideração e afetividade. Se tanto faz morrer ou não. Pre ciso de um tempo. O choro a interrompeu e a fez esconder o rosto na toalha... estou certo? . Só quero entender. a inquietude e a apreensão o dominava.

Eu queria acabar com aquele vazio. Meus pais morreram no acidente. Não sei direito. Parece que me u pai... o Rogério cismava.. O contador cuidava dessa separação. Ele me bateu. F iquei atordoada. . Foi severo e me atormentou quando disse que não adiantaria eu ganhar a ação... O quê? ... Aqueles de quem gostei estavam embaixo da terra. convencido por minha mãe.. Principalmente. Eu enlouquecia a cada minuto! Então ped i que me matasse de uma vez! .i confiava demais no meu tio e.. queria comprar a parte do meu tio na sociedade e se livrar dele.. Aconteceu algo muito estranho com meus sentimentos. . Não sei como encontrei aquela fita e dei para ele. Gan hamos à causa.. Sua respiração ficou alterada e seu coração acelerado. continuou: Não foi fáci l eu me inteirar dos assuntos de negócios. teríamos de esperar anos até um novo julgamento. A amiga chorou. Estranhos.... Seu irmão não gostava de ver o tio de vocês olhando-a como se a desejasse sexualmen te? . N as vezes que nos encontrávamos. Com o que.. que não entendia nada.Chorou... se eu quisesse. Rita? ..... afagando-a ao imagi nar seu desespero. Principalmente?. Procurando esconder o rosto no peito do amigo. recostou-se no ombro de Tiago e contou: Não vou negar que quero morrer! Minha vida não tem mais razão. O dinheiro das cas as vendidas sumiu.. . Assim. . Meu irmão não suportava nosso tio. E a sua? Acho que aquele crápula nojento só queria nos provocar! Rita.perguntou Sérgio.... Isso foi me dominando conforme ele falava e f alava!. Convenci o Rogério p ara nos mudarmos para uma que era menor. .. Falava de um jeito dominador.. a jovem revelo u: Era muita dor! Fiquei fora de mim e.. Depois que amarrou minhas mãos nas costas... Meu pai tinha mais de cinco casas muito boas e devidamente alugadas..indagou Sérgio. a dor da solidão e as lembranças acabaram comigo. . Mas minha mãe começou a desconfiar do meu tio. Alugamos a outra. Ele ligou o rádio bem alto..questionou Sérgio.... Nós brigamos.. O advogado moveu uma ação contra meu tio e foi fácil provar as suas falcatruas.. receber o dinheiro e saber que eu não tinha mais ninguém para me amar .... sempre secando as lágrimas que rolavam.. Essa era a opinião do Rogério. prosseguiu demonstrando repulsa: Mandei que fosse embora. ..Ela chorou e Tiago recostou a testa em sua cabeça.. Disse que não tinha dinheiro... . murmurou.tornou Sérgio em voz baixa. Eu o emp urrei com o ombro e ia correr quando ele me segurou.Alguns segundos e continuou: Ele propôs me ajudar. e prosseguia: O Rogério se revoltava às vezes.. Decidiu vendê-las e injetar dinheiro nos negócios.perguntou sério e bem direto para ajudá-la.. Quando voltei para casa. Rita fazia uma pausa vez ou outra. Pouco depois...tornou o amigo. mas os negócios foram caindo e os prejuízos apareceram. Não agüentei tanta coisa!. porque não parava de falar. tornando-se sócio majoritár io.murmurou desalentada e sem chorar...... E depois?. Ele dizia que nosso tio me olhava com audácia. M as. Me beijou a força. com minha vida. me jogou contra a parede. Insinuando-se com olhares e mo dos.. ele não devolveu o que nos pertencia por direito.. Não ganhava muito. aquela angústia. hoje. Então. pois meu pai o depositou na conta da empresa de laticínios. frio! Suas palavras pareciam me dominar.. Era uma fo rça... . Con tratei um advogado com o dinheiro que meu pai deixou em depósito numa aplicação para e u fazer a faculdade. sendo comidos pelos vermes. Restavam ainda os aluguéis de três casas que não foram vendidas.. como se quisesse recuperar as forças. Mas.Apesar do choro.. cheguei do merca do e me surpreendi com meu tio entrando na cozinha. Uma vontade imensa de morrer. Mas?. Ele foi cruel. Minha sorte foi ter um emprego. Eu não . Não me recordo bem... mas ajudav a. Não parava de dizer coisas que me deixavam desesperada ! Eu gritei! Briguei!. Com o a justiça é lenta. po is era maior e receberíamos mais. começou a beijar meu pescoço. mas.tornou ele..contava com a voz entrecortada pela dor. É. mas meu tio teve direito de apelar para instâncias superiores... Logo respirava fundo. aquela que moro. insensível e de sumano com as palavras.. o que esse passado tem a ver com o que aconteceu hoje? ...

o que aconteceu? Não sei.. e u acho. Mais nada. Parecia entorpecida. e o amigo ajudou-a a se sentar. concentrou-se para não se envolver sentimentalmente. Ele só me olhava e ria. Seu belo rosto estav a desfigurado como se perdesse os nobres traços de antes. Rita não sabia o que fazer. sufocava e perd ia as forças sem conseguir me soltar. falando bem firme . que é bem compri da e. Suas mãos pequenas e geladas tremiam e ele a ajudou levar o copo aos lábios pálidos.intimou Tiago. seu tio abusou sexualmente de você?! .. Não! Sérgio! Pare com isso! . parecendo exausto. a jovem ganhou cor na face e nos lábios. Rita bebeu alguns goles e em seguida recostou a ca beça no sofá. tirando-a das mãos do ir mão.pediu Sérgio em tom brando. Sérgio esfregou o rosto com as mãos.. Essa falta de ação mostra que ela não tem uma consciência exata do que se passa ao seu redor. e segurando-a. suspirou fundo e.conseguia soltar minhas mãos. Com entonação normal na voz. Ela tentava se livr ar dele. chamou-a para que reagisse.chorou. agarrando-se a Tiago.. exibem que chegou a um estresse extremo e seu corp o reagiu reduzindo incrivelmente sua sensibilidade. mas na verdade ele tentou matá-la! Quando cheguei e a ressuscite i. de seus sentimentos de angústia. ele a mantinha em seus braços. Ach o que só acordei no quarto. Sentando-se direito . Você me chamou. será cov ardia e cumplicidade! Isso não vai ficar assim e eu vou tomar as providências! Ele foi interrompido por um grito desesperador de Rita que se levantou com a intenção de sair correndo. É o seguinte. mesmo quando desmaiou. usou sua fragilidade momentânea e a induziu à prática do suicídio.. não a suportando ver em desespero. Para que se sinta menos constrangida.. Tiago acomodou-se a seu lado sem dizer nada e Sérgio p areceu impiedoso ao continuar: Vejo que está melhor. mesmo sent indo o coração disparar. Chega! Por favor. Não lembro. Levantando-se.. pediu p ara pegar o copo e beber a água.. nós iremos à delegacia agora..perguntou sem piedade.. Rita. Quase imóvel e silencioso. Tiago chegou trazendo um copo com água adoçada e. Sérgio!. pode ter alguma resposta através do seu corpo ou nas suas roupas. abandonando-se sem reação. Características típicas de esferas bem inferiores. Ela vai melhorar. como se quisesse se refugia r dentro dele. enojando-se com a sordidez de criaturas mentalmente enfermas. Não! Você apresenta marcas de agressão nos braços. remoia seus pensa-men tos. Estamos diante de um crime.. tentando lh e oferecer algum conforto. Eu estava sem ar. lembro de você entrando. Tiago levantou-se e interferiu. largou o corpo e fechou os olhos. Após longos minutos.. Apesar de completamente calado. Indiano.falou nervoso. mas se podia perce bê-lo contraído e sisudo enquanto mantinha os olhos cerrados.tornou.. . Rita entregou-se ao esmoreciment o. você estava vestida com essa mesma saia modelo... Depois. Saiu pela porta da cozinha e trancou por fora. mas ele me bateu forte no rosto.. .. E le espiou e acho que o viu e. vendo-a abrir os olhos. Sérgio foi rápido e a segurou pelos braços. espiritualmen te atormentadas e obscenas. Sérgio pensou que ela fosse desmaiar.. encarou o irmão parecendo indignado e irritado ao perguntar sem que a jovem ouvisse: Ela está em choque! E agora? Era isso o que queria? Fique calmo você também . mas não conseguia. Com fala mansa e cuidado sa..murmurou após minutos. iremos à delegac . Na breve pausa. mas.. Caí e fiquei tonta porque minha cabeça pareceu arrebentar no chão. Rita.. Se formos omissos. Rita . A in diferença ou inércia.. esse caso é grave! Seu tio se aproveitou de s ua dor. que a dominou. no rosto.. sentindose espiritualmente escravizada por uma sombra desconhecida.. neste caso.. pelo fato de você não saber o que aconteceu . Isso pôde aco ntecer. Por um instante. perguntou: Depois de bater com a cabeça no chão. Tentei agredi-lo e correr. Ele p ermanecia com um lado de seu rosto encostado na cabeça de Rita. Mesmo tendo desmaiado e não se recordando. Desligando a música.. . sei lá.. queria u sar somente a razão e não a emoção. Tiago! . Rita não percebeu a força que usava para abraçar Tiago... seus movimentos e atividades psíquicas. tentou envolvê-la para acalmá-la.

implorou.. Não! .. Ela passou por muita pressão. Quer tomar um b anho. Estou com nojo de mim. acariciá-la... Mas não pensou que ele fosse beijá-la. Sérgio! . sim! Vão pensar ou o advogado dele vai falar: se ela queria morrer qual o pro blema de ele a usar? Rita. vendo-a chorar.expressou-se com doce compreensão no olhar e no tom de voz . . pára! . chorando em desespero.. Sérgio.insistiu Sérgio.ela falou com a voz sufocada. Qualquer coisa. pode tê-la violentado! Não! Estou falando como seu amigo! Eu a considero como uma irmã! Você não sabe dizer o q ue aconteceu! Ou não quer admitir?! Não. ta? Ta. não vai me forçara nada. Não importa. Não. lágrimas rolaram em sua face enquanto acenou positivamente com a cabeça.. Está sozinha no mundo! Forçá-la a prestar queixa... Sérgio! . . Nem por exames!. chama. Precisamos tomar um a providência.tornou Sérgio nervoso com a situação.reclamou Sérgio. A vítima precisa dar queixa por vontade própria! Não é um crime de ação públic As vítimas têm vergonha e é por isso que... passar por interrogatório. Depois contou com um brilho lacrimoso no olhar: Logo vi que seria impossível ela se amarrar daquele jeito e sozinha! Peguei ...interrompeu-o de imediato. Fiquei tonta...O irmão ficou pensativo e Tiago comentou: Você foi mui to duro com ela. Foi. Não há do que se envergonhar.. Por favor.... . Não vou! Não quero ir! Eu queria me matar. Tiago aconsel hou: Então vá para o quarto do Sérgio. Sérgio andou de um lado para outro da sala.. Tiago! O que aquele desgraçado fez foi um crime! Sérgio. protestou em tom moderado: Não acredito no que você fez. ... Eu queria morrer e ele ia me ajudar!... Chega. feche a por ta do quarto e do banheiro. queria morrer.. trocar de roupa e relaxar um pouco? . Com suave sorriso. Deixe-a fazer como quer! Você não entende que. não! . Além disso. pegue suas roupas e fique à vontade. afastando-a do abraço..o irmão se impôs com olhar furioso. abraçada aos próprios joelhos.decidiu firme ao encará-lo.. Confio em você. minha querida.. Contrariado e nervoso. continuam livres! Estou assustado com você. Você não pode obrigá-la a denunciar um cr de estupro. Não tenho ninguém. impiedoso. O que é mais importante para você: prender o vagabundo em flagrante ou o bem-esta r psicológico da nossa amiga? .. desmaiar. Não! O que ele fez foi tentativa de homicídio! Isso é crime! Entendeu?! . chorando por longos mi nutos um pranto doloroso e triste. E deixá-lo sem uma punição? . Pressionou-a tanto! Inquiriu de modo rígido... ..interrompeu Tiago firme. . Não quero falar mais nada. Sérgio.tornou ela chorando.... chega! . Sérgio não conseguiu manter a firmeza que apresentava. mas não tranque. desgraçados como ele.vociferou Tiago. depois murmurou: Não tenho nada. Há. Rita. ajudou-a a levantar e perguntou com brandura e delicadeza: Você está cansada. Acho que o vi.. Ajoelhou-se ao seu lado e a abraçou com carinho fraterno. mas vejo que não está muito bem e pode se sentir mal..Imediatamente.Sérgio se de teve por um sentimento de indignação e ódio.. O que te deu? Fiquei revoltado com o cara.disse Sérgio em tom piedoso.. ..ia da mulher e..confessou.tornou ele em tom bondoso.. Foi aí que reagiu?! .. Ao ficar soz inho com o irmão. Virando-se para ela. exames e tudo mais é vio lentar a vontade dela! É constrangimento ilegal! Já não basta a Rita querer morrer?! O que acha que ela está pensando?! Mas esse infeliz precisava ser preso em flagrante! . Rita aceitou o ombro amigo. Só vou pedir ma coisa . mas não vou passar pela humilhação de contar essa história novamente.. Se é meu amigo como diz. Pare e pense.murmurou indo para a suíte. Não quero falar disso! Não quero lembrar isso. Você foi vítima... Mas ele me bateu. Se você visse como eu a encontrei!.

magoar e maltratar mais ainda a minha amiga. Ao seu lado. por ser alguém que considero. Agora durma. Apesar de longa. Parecia que tudo o irrita va. Não. imaginando o motivo de ela não telefonar ou ir até lá depois de tantos recados que ele deixou na caixa postal do celular e na se cretária eletrônica do apartamento.Débora flagra Sérgio dormindo com Rita Por horas Sérgio ficou completamente insone e ligou várias vezes para a namorada. Ela se emocionou. Sérgio.disse Sérgio em tom brando. fazendo com que a amiga se deitasse. . mas não é por isso que vou agredir. comentando baixinho: Acreditei que nada iria mais me derrubar nesta vida. gentil e algo arrependido. o rapaz a jogou no sofá e foi até a cozinha beber água. Rita.. Puxa! Nunca pensei que fosse tão difícil. Sérgio falou generoso: Calma.. Que bom! Sabe. Não conseguia parar de pensar em Débora. Em vez de nos desesperarmos e desistirmos devemos cavar uma saída. Sentou-se e deu-lhe um abraço apertado e demorado. Sem problemas! Então ela dorme no meu quarto e eu fico aqui no sofá. Qualquer coisa.. Talvez a Débora me ligue e. por isso não vai ficar soz inha. É só me chamar. Acendendo a luz.. Tudo é recente e você vai s uperar. e la falou baixinho: Quero pedir desculpas a vocês dois. Rita . Não.. Você dorme por aqui? Claro..respondeu. Ficou refletindo sobre seu irmão reclamar da sua agressividade com a amiga e preocupou-se com isso. mas nós estaremos com você. Sempre te admirei por ser uma pessoa firme.-a no colo e a levei para o quarto para acomodá-la na cama e..tornou Tiago. Está tudo bem? . Não tem motivos para pedir desculpas. os irmãos conversaram um pouco até Tiago sentir-se dominado pelo s ono e ir para o outro quarto. Aguçando os ouvidos.murmurou triste. escutou um choro. teve certeza de que era Rita em seu quarto e correu até lá. Segundos depois. Rita. ofereceu brando sorriso antes de apagar a luz e saiu do quarto. Algo típico de violência e luta. Acomodando-se. O calor estava forte. a saia que usava subiu e não pude deixar de notar marcas fortes na região interna das pernas.. Vendo Rita à porta a conversa foi interrompida.. Não deixe o Sérgio fazer qualquer denúncia .. enquanto Sérgio tomou um banho e deitou-se no sofá.. Quero que sa iba de uma coisa: você tem amigos que a querem muito bem. muitas vezes nós nos vemos em um túnel escuro e sem recurso.. obrigada. despertou-a de um sonho ruim. Beijando-lhe a testa. Você ficou violento com as palavras. Sua vida não será como antes. Tirando a camiseta úmida de suor. Quero matar aquele desgraçado! Eu também quero ... Estou preocupado com ela e sem sono... Não vou deixar. Eu não o reconheci! Toma c uidado! O outro ficou pensativo por alguns minutos. Mas fiquei. Tiago a cobriu com leve lençol e perguntou: Está calor. estarei aqui na sala.. Boa noite! Boa noite . murmurando. pois foi um golpe duro. Não admito violência contra uma mul er e. Tiago prontificou-se em arrumar a cama no quarto de Sérgio. Está mais calma? Acho que consigo pensar melhor.. 17 . A jovem quase gritou ao respirar fundo acordando rápido e sentando-se bem ligei ra. Aman hã conversamos. Não quer que eu fique no sofá? .. Eu sei. por isso decidiu abrir a janela da sala para que a br isa da noite refrescasse o ambiente. Ainda na sala.disse Tiago com tranqüilidade. Desculpe-me por ter sido tão cruel com você. No entanto... Quero matar o desgraçado. Quer que ligue o ventilador? Não. mas logo perguntou: Não posso levar a Rita embora e deixá-la sozinha.

pensava. Entrando na sala . não é nada disso que está pensando! . incrivelmente amedrontada. vagarosamente. dando-lhe as costas e indo para a sala. que estava paralisada à porta em verdadeiro choque pelo as sombro. Sérgio tentou explicar: Débora. Algum tempo depois. Vou pegar alguns travesseiros aqui no armário para que fique quase sent ada .. Levantando-se às pressas.. Está tudo bem. Tire suas mãos de mim! . Alguns segun dos e a jovem abraçou-o com força chorando muito. Encoste-se aqui . O que quer que eu pense?! Ela é minha amiga. Vem. Parando à porta. Rita entrou em pânico. ele. Débora ficou petrificada ao ver Rita deitada naquela cama e sobr e o ombro de Sérgio. Rita ainda exibia medo. Imediatamente. reclamar e desabafar como se precisasse contar sobre sua vida.gritou chorando.. Correndo atrás dela. atuavam com incrível fervor. mas acabou adormecendo sobre o ombro do amigo. enquanto ele inclinava a cabeça sobre a moça ao envolvê-la com o braço. Ah! Não?! . a porta da sala foi aberta com delic ado cuidado para não fazer barulho e fechada com a mesma cautela. Sent ou-se ao seu lado e percebeu que Rita não queria se recostar. lentamente. A postura estava incômoda para sua coluna e Sérgio se ajeitou. mas reagiu furiosa e deu-lhe forte tapa no rosto.A princípio. mas ao tocá-la.. Na espiritualidade Sebastião e sua equipe de companheiros. deitado na cama abraçando-a!. Débora respirou fundo.tent ou terminar a frase. Abraçava-o pela cintura.disse chorando. Eu fico aqui. Sem se conter. Depo is de vê-lo pôr a mão na face. me ouça! Débora estava em pranto. secando as lágrimas no lençol. No entanto energias pesadas arrebataram o rapaz num sono irre sistível e ele adormeceu ali mesmo. Olhando para o lado viu Rita dormindo. rapidamente afastou-se dela. Olhand o-a.exigiu. ele se aproximou da namorada. Não me deixe sozinha! Não apague a luz! Tudo bem.. Olhe para você! Sem ca misa. Coitado! Deve ter se cansado de me esperar . Você está segura aqui. colocando ambas as mãos para tampar a própria boca a fim de segurar um grito e o choro. sobrepondo o braço n os ombros da amiga que recostou o rosto em seu peito. O verdadeiro propósito era desequilibrá-lo e a primeira coisa a fazer era deixar o rapaz sem estrutura emocional. moveu-se para acender um abajur na cômoda ao lado e apa gou a luz forte do quarto no interruptor perto da cabeceira da cama. ela olhou para os lados como se não recordasse de tudo. Além de vingar-se dele por não ter sido comparsa das maldades praticadas por alguns daq uele grupo no passado. A amiga teve outra crise de choro e se abraçou a ele. . enquanto colocava as sandálias. mas decidiu demorar um pouco temendo que ela acordasse. e sussurrou em desespero: Débora! Não julgue! Pelo amor de Deus! Você não sabe o que aconteceu! Vamos. Não foi fácil o amigo conseguir acalmá-la. Sabia entender o valor e a importância daquele desabafo. Tive um pesadelo horrível! Espere. mas sem machucála e pediu em tom de desespero: Por favor. Sérgio pensou em ajeitá-la e se levantar. O rapaz ajeitou os travesseiros para que ela se sentisse mais confortável. foi interrompido. impressionantemente voltados para o mal.pediu com bondade. Eu confiava em vocês dois como nunca confiei em alguém! Ao vê-la abrir a porta para sair. Horas haviam passado quando.. ao virar para olhá-la novamente. Fique tranqüila. cuidadoso. ela c omeçou falar.dizia Sérgio com generosidade. Vou fazer uma surpresa! . Aos poucos Rita se acalmou e com a intenção de vê-la ador mecer. Sérgio a segurou firme pelo braço. Sérgio acordou e reconheceu a namorada perplexa fitando-o de for ma incrédula. Ela tirou as sandálias deixando-as na sala para não fazer ruídos e foi para a suíte.suplicou humilhantemente.. Estou com medo! Não quero dormir! . O objetivo era atrapalhar o máximo possível à vida de Sérgio a fim de que ele não cumprisse sua proposta reencarnatória.. sobre as dificuldades enfrentadas desde quando perdeu os pais. Débora sorriu ao ver a janela aberta e a suave luz que vinha do quarto do namora do. e u. Tirando o braço da amiga que o envolvia. ela o encarou com forte .

esvaído de força e ânimo. Depois os mesmos espíritos inspiraram Sérg io a revoltar-se com os fatos e as condições que ocorreram com Rita. Os irmãos estavam sentados no sofá e um vulto chamou-lhes a atenção. fazendo os pensamentos do rapaz se ocuparem com outras coi sas a fim de ele não olhar para trás após o barulho sutil da sacola tombando. Parecia sentir tanto nojo de mim. Naquele dia tudo se repetiu. No quarto.. Em seguida. foi até o quarto. Enquanto tudo acontecia. só vir am rapidamente Rita se virar e correr. Repentinamente um assomo de idéias e de lembranças terríveis invadiu seus pensament os. Tanto ódio. induzindo-a a decisão de ir até a casa de Sérgio e ver o namorado deitado ao lado de sua melhor amiga.. Atraído pela conversação. que deixou seu coração piedoso envolver a a miga tão carente e. diante das circunstâncias. Tiago tentou segurála e ao envolvê-la com cuidado foi vítima de vários murros e tapas que Rita desfechava em seu peito. parecendo em choque. Meu Deus. Não sabia o que fazer. . Ao olharem. mas com sua própria irmã.. Sérgio não percebia ou admitia que os estranhos acontecimentos eram facilitados e os sentimentos de angústia impostos por espíritos maus. Perceben do Sérgio confuso e inquieto com os últimos acontecimentos. * * * . ela saiu e foi embora sem olhar para trás. pois as condições e o conjunto de acontecimento s.murmurou Sérgio sem acreditar no que acontecia. vagarosamente. D epois. a jovem teve uma forte crise de nervos e. dominá-los pelo sono e p elo efeito de energias pesadas. Trocando-se rápido. ela o abraçou forte e chorou muito. excessivamente abalada. Sérgio i ria se desequilibrar. Sérgio ficou atordoado.. principalmente pelo seu amor por Débora. percebendo o irmão desolado e incrédulo aproximou-se e indagou ligeiro: O que aconteceu?! O outro. que a namorada presenciou. mesmo com o coração opresso que palpit ava amargosa dor. Lentamente foi se acalmando e. Com a ajuda do espírito Sebastião. pegou suas roupas e saiu do recinto sem atender aos chamados de Tiago que confortava Rita. Por que o destino lhe estava sendo tão cru el? Ele amava Débora com toda a força de sua alma. medo e estado atônito. Sentado na sala. mas ficou à distância sem ser visto para não se envolver. momento em que esses companheiros espirituais envolver am dona Marisa para reagir abruptamente no quarto do filho e ofender a jovem Rit a já bem abalada com suas particularidades.mágoa intimando-o ao exigir entre os dentes cerrados: Tire suas mãos imundas de mim e nunca mais me procure! . o espírito Lúcia se comprazia imensamente com os últimos a contecimentos. Sérgio permanecia paralisado fazendo uma retrospectiva do pass ado em que a ex-namorada Sueli o encontrou em situação quase semelhante. algozes do passado e outros que não queriam ver realizadas as tarefas às quais ele se propôs e ajudariam a muitos . Ela não acreditaria e m sua palavra ou em qualquer explicação. murmurou perplexo: Tentei explicar. obrigando-a contar à verdade que nem lembrava pelo choque. quando esta dormia. não foi difícil inspirá-lo a m ostrar a casa para sua mãe.dizendo isso. afinal. Tomado de súbita revolta... atraindo Sérgio. Sérgio não disse nada e saiu. fazendo-o tomar uma postura incomum à sua personalidade ao produzir extremo sofrimento moral à amig a.gritou Tiago correndo atrás da amiga. Por se encontrar em uma situação em que o passado parecia bater-lhe à porta. Assim não foi difícil o espírito Sebastião atormentar a moça. sob o e feito de horrível pesadelo. contou tudo pausadamente. ela fez com que Sérgio se distraísse a o colocar as sacolas com as roupas de Rita sobre a cama sem os cuidados necessário s para que não virasse. mas ela não quis me ouvir. gritou e chorou agindo de forma quase insana. ele só viu aquela cena e não sabia o que estava acontecendo. Tiago chegou à sala no momento em que Débora estapeou o namor ado. Aproximando-se. Rita! Rita! . Mas o auge do sucesso das más influências e inspirações desses espíritos tão inferioriza os foi o envolvimento de Débora. eram indiscutíveis.

Após não encontrar Débora em seu apartamento nem conseguir falar com ela através de l igações para o celular. você é uma criatura tão boa. filho.riu com gosto. dona Antônia. Atento c omo de costume. o rapaz se deixou conduzir como se algo envolvesse seus sentimentos e nublasse seus pensamentos conflitantes. em dete rminado tempo.. Sérgio. mas se continha. eu soube o quanto você era bom. Sérgio. quase marejados. bom e justo deixou-me adotá-lo como filh o do coração. Em seguida falou bem séria: Você é e uz. Sem entender o que acontecia consigo. Não sei se posso afirmar que sofro algum tipo de influência dos espíritos maus ou s . Mas como Deus é sábio... Não demorou e lá estava ele sentado à mesa tomando uma xícara de chá com dona Antônia.afirmou. .Percebendo que o rapaz não compreendia. q e oferecia: Aceita mais um pedaço de bolo? Não. . pois não sabia o que fazer. a impaciência. A mulher se aproximou. Vem. eu sabia que. dona Antônia.. tão elevada espiritualmente. É que.. Obrigado. mas de prática cristã. Sérgio.... dona Antônia preocupou-se e avisou: Posso não saber detalhes do que está te fazendo sofrer. pegou em seu braço e comentou com brandura: Venha. dona Antônia .. É sim! Desde quando o João te trouxe aqui nesta casa. Porque não podemos colher uvas de espinheiros . Dona Antônia.. mas pareceu desorientado e seus olhos estavam brilhantes. mas eu sinto. Ah!. P me adotar como sua mãe do coração. . tribulações aconteceriam e o inevi tável sofrimento tentaria desgostá-lo de tudo. que te deu a vida. mãe de João. seus trabalhos dete rminados no auxílio.. por isso fico muito feliz quando vem aqui em casa.. Obrigado.o rapaz sentiu um trav o na voz e lágrimas quentes brotando em seus olhos. Sentia vontade de chorar. porque toda árvore boa dá bon rutos . a mulher observou sem alarido: Você está abatido. mas não sou tão bom e e evado como à senhora imagina. entre.. a aflição pelo fu turo indeterminado sejam as ferramentas de uma espécie de ataque espiritual invest ido contra você com a finalidade de atrapalhar os seus feitos. mas. E sei também que não é por acaso que está aqu agora. a senhora não sabe o que estou passando. Sérgio ficou p aralisado e novamente a senhora o chamou: Entre! Ele não vai demorar. Ora! Entre. sorrindo com brandura.tentou dizer. Você está sem rumo. Já reparei . filho. Como assim? Perdoe-me. Eu o adotei bem crescidinho! . com toda a certeza. Sinto-me lisonjeado pela consideração. Acredito que converso mai s com a senhora do que com a minha mãe. . que eu gostaria que f osse meu filho legítimo. dona Antônia o abordou com delicada generosidade: Já reparou que eu gosto muito de chamá-lo de filho? Sim. meu filho .. Sabe. ele sentiu amarg o gosto de decepção ao saber que o amigo não estava.falou desanimado. Aind a estou sob o impacto de um choque. Não entendi. o desassossego queimaria sua alma. Sérgio sentiu-se desesperado e foi até a casa do amigo João. Entendo. Por que a senhora não é a minha mãe? Você é meu filho de coração.. mas.exclamou sorrindo. . Apreensivo diante da colocação.Deu leve sorriso e confessou: Já me pergun tei: por que a minha mãe não é como à senhora? Ou. Talvez a incerteza. Eu já esperava por isso.riu a senhora. meu filho. Recebido pela agradável dona Antônia.. Para não chorar fez-se firme e s uspirou fundo levantando a face para o teto e circunvagando o olhar para se dist rair. Antecipando a retomada do assunto. Obrigado.Pequena pausa para ele refletir e continuou: Sérgio. Tantas coisas aconteceram repentinamente. Acho que precisamos conversar. Sérgio comentou vacilante: A senhora conhece muitas coisas sobre a minha vida. pouco entendimento. sentindo o coração oprimido. Agradeci tanto a Deus por tê-lo encontrado e deixado que seus primeiros passos dentro do Espiritismo fossem sob a luz do pou co entendimento que tenho.. Emanando indescritível tranqüilidade. Está com a mente longe. meu filho. mas nunca deixe de amar a mãe que te trouxe ao mundo .pediu a dona da casa com agradável prazer.. . Vós sois a Luz do mundo! . Desculpe-me se não consigo ficar tão. Sei que iss o está sendo insuportável.

É o que eu sinto. Mas agindo pacificamente. algum hábito ruim. mudarmos e nos reformarmos intimamente. você fará esse espírito se cansar. . Difícil é mudar verdadeira te o comportamento. Sérgio experimentou-se esv aído de forças e alternativas. a questão 192. Pessoas que são importantes. a obsessão pelo estado de fascinação e a obsessão de subjugação.A senhora riu ao comentar: Vejo que l ivros que te dei! Agora fica mais fácil conversarmos. você mantiver o caráter.Alguns segundos de reflexão e falou: Quando se chega ao ponto de fascinação. Disseram isso agora nos meus pensamentos. Aliás. magoá-lo e angustiá-l o. Sérgio. Mas uma coisa é certa: a aquisição de informações e instruções através dos livros da icação Espírita é uma atitude de grandioso valor em caso de obsessão. Com erteza.. Você acredita? Lógico! Acho que sei como é. Depois desfechou: Então. Isso acontece com médiuns que nem sabem que sã iuns. essa angústia ue vive agora é por coisas que aconteceram para você. perder a paciência. as energias e ele sairá da sua v ida ou será retirado por entidades mais elevadas para ser encaminhado a lugar propíc io. pois já superou sua prova. as quai considero mais que alguns parentes acabam tendo problemas graves e ao tentar aj udar me envolvo em situações difíceis. Sérgio. Alguns com tarefas ost ensivas outros não.. Sérgio. algum a falta de caridade? Quem?! . filho! Existem vários tipos de obsessão. pois o corpo físico é o disfarce que usamos quando encarnados. Você é médium. Só a mudança de pensame comportamento pode nos livrar de qualquer tipo de obsessão. Tem que rez ar. A influência e a inspiração salutar de seu anjo da guard a ou mentor podem afastar esses espíritos ignorantes e inferiores se.Ele ficou pensativo e silencioso e dona Antônia expr essou-se melhor: Por exemplo. ele contou-lhe tudo o que aconteceu nos últimos tempos. vivi experiências espirituais quando morava na casa dos meus pai s. Isso é coisa bem fácil de ser feita por espíritos maus e sem evolução. provocando situações irreversíveis. diz: Aquele que se julga perfeito está longe da perfeição . vira santo ou vai para o céu. É isso. Depois que me mudei. Não! Os e spíritos têm a invisibilidade a seu favor e agem nos pensamentos dos encarnados quan do encontram um terreno fértil. Não. Não tenho muito estudo. o pensamento elevado e a fé constante. todos somos em maior ou menor grau. e depois o preveniu : Você passa por uma obsessão. Quem.. É lógico que reagiu. Até porque nada aconteceu comigo diretamente. . tem gente que não admite ter o defeito de sempre acr . gritou. segurou a Débora como se a agredisse. Não é só isso! Não é tão simples assim! . mas as principais variedades são: a obsessão simple s. Veja. Temos tantas deficiên ias que não é fácil admiti-las. O João comentou isso com a senhora? Não.Os dois sorriram e el continuou: Então ao adquirir conhecimento através de cursos e estudos sérios e sob a Luz da Doutrina Espírita. Esse sofrimento. dona Antônia. Mas isso se aprende com o tempo. eu reagi de maneira muito e stranha do meu modo de ser. além disso . Como se procurasse refúgio naquele coração materno atento a o que o castigava. como psicólogo. a moral. Como contei. não é? . quando alguém morre. Não pode negar isso. Adquirir conhecimento através da Doutrina Espírita é fácil. dos encarnados. E m O Livro dos Espíritos. usam sua preocupação ou o seu medo para te atormentar. esmurrou mesa. po rém para o paciente a situação era um bicho de sete cabeças.em instrução. mas é bom lembrar que o espírito é a alma da criatura humana na espiritualida de. Não sei o que fazer. É bom que você admita seus erros. para atingi-lo e deixá-lo aflito usam situações à sua volta com a intenção de perturbá-lo e cegá-lo para o q rto. mas sim com aqueles que es tão à minha volta. tudo ficou mais calmo até a Débora ficar sem emprego. esse espírito será persistente e teimoso. Daí vem o seu medo de sair da polícia e perde oportunidades de trabalho. pode dizer que não tem algum defeito.. O espírito obsessor é o único que consegue t a nossa máscara. Sim. Como comentei. nos últimos tempos. A mulher ficou pensativa e silenciosa por longos minutos. e somente se .Olhando-a nos olhos. com a mudança de pensamento e comportamento você provará ao es pírito obsessor que quer perturbá-lo que não será mais possível enganar e abalar você. demonstr ando calma com tudo que parece acontecer a fim de desiludi-lo. Sei que já estu ou isso. mas sei que você. Por isso não pense que. é porque a pessoa já passou pelos outro s estágios de obsessão e o seu orgulho é o principal instrumento do espírito obsessor qu e pode arrastá-la à obsessão por subjugação. já esteve diante de casos simples demais.

ou seja. a senhora ofereceu: Ligue daqui mesmo. Ela está com você? Está sim. Não sei. Até para situações imprevistas. Como últ ima alternativa. E agora? Ainda não tenho qualquer solução. concordando positivamente ao acenar a cabeça... do desejo de que um conhecido não tenha sucesso. E se não encontrar a moça como pretende? Você tem que pensar em todas as pos sibilidades. Se não encontrá-la. a irmã dela. Em alguns não faltam somente à caridade material. Vá! Fique à vontade. Não conseguia organizar as idéias e. a senhora sabe! Às vezes nossos planos não seguem conforme queremos. Sérgio sentiu-se estremecer.. por favor. suplicar para que os espíritos bons e evoluídos se liguem a nós. jamais nos elevaremos para que as boas entidades nos inspirem.editar que tem razão em tudo ou que conhece tudo. quem acr edita estar ao seu lado? O seu anjo da guarda ou um espírito sem evolução que quer seu mal? Sérgio riu e comentou: Meu mentor ou anjo da guarda deve ir para bem longe! Não.. E eles acreditam que nenhum ma l fazem com a língua enquanto ferem o próprio espírito por suas más tendências. não desligue . mas sinto que posso organizar as prioridades.disse a moça friamente.. Isso significa que o espírito obsessor arrancou a minha máscara? Sim. Ele levantou o olhar parecendo beber-lhe os elevad os conselhos. nossas más tendências. O que você quer? Yara. Sentia minha cabeça literalmente q uente. O rapaz sorriu levemente. do ciúme. do desrespeito.. O que vai fazer? . Mas nem quer ouvir a sua voz. Sérgio telefonou para a casa dos pais de Débora e pediu para falar com Yara. deixe-me falar com a Débora! Longos segundos e escutou: Alô?.. não julgue. pois precisaremos manter o controle.tornou ela com paciência peculiar. Temos que mudar nossa forma de pensar e agir. Isso mostra q ue você é um ser humano em evolução e necessita ter bom-senso diante dos fatos. Mas.. Logo anunciou: Vou novamente até o apartamento da Débora e se não estiver lá vou para casa e ligarei para a Yara.puro silêncio... pensamentos e reações. mas enquanto nossos pensamentos. depois comentou: Cheguei aqui com os pensamentos fervilhando.. fazer nossa ref orma íntima para nos afastarmos das más inspirações.. coma ndar as emoções. sendo vi gilante nas atitudes. Não fique apreensivo até chegar lá. mas a empregada avisou que a jovem havia saído. O rapaz tomou alguns goles. mas poucos ficam alerta. nossos vícios se identificarem com os fluid os dos espíritos inferiores. Muitos rec ebem advertências por seus defeitos e vícios.. respirou fundo e foi até a sala como proposto.. Nos momentos em que se irrita. mas se não tiver escolha. por isso devemos nos prepara r para tudo. Débora! Precisamos nos ver! Você não sabe o que aconteceu. como se estivesse com febre. mas a caridade por não demonstrar pieda de com a língua afiada que comenta o que não se deve. E eu não sei como tem coragem de tentar s e explicar depois de tudo o que ela viu! É muita cara-de-pau! Yara. preste atenção e. pois provocou seus sentimentos e o deixou se ridicularizar. Respeitando sua reflexão no semblante preocupado. . maldizem sobre a vida alheia. Preciso encontrar a Débora e esclarecer tudo. Quem sabe ela tem alguma informação.. Sérgio . Ele só se afasta e observa a sua inclinação às inspirações do espírito inferior. rogar.. Não é um assunto para ser conversado por tel efone... Apontando para a sala como se pressentisse algo. Por favor. Adoro a Débora. pois não sabe de nada. chegando ao extremo de agir e reagir como você realmente é. Depois ele prossegui u: Eu preciso falar com a Débora. dona Antônia serviu-lhe mais chá e aguardou. o espírito obse r produziu impressões em seus pensamentos e você não suportou o tormento. ele ligou para o celular de Yara e foi atendido: Eu já esperava por sua ligação. criticam a atitude dos companheiros de jornada. O tele fone do apartamento da namorada não era atendido e o mesmo acontecia com o celular . . Rendendo-se ao seu maior temor. Outros o hábito ruim do mau pensam ento.Breve pausa e advertiu bem séria: Se você sufocou suas verdadeiras reações até hoje.

. A senhora não está pensando em. A Rita não deve ficar sozinha.chorava.. Essa menina... mas está de férias. mas saiba que você acabou com a minha vida! No segundo imediato.. desaparecer. Me atraiu até sua casa para vê-lo com a Rita. ergunte para alguma mulher o que significa ser trocada por outra. Sérgio se deixou guiar e..quis saber João. Por que não a traz para cá hoje para me visitar? Dona Antônia. Justamente quando eu passo por um momento tão difícil. na sec retária eletrônica de seu apartamento?! Eu estava desesperado atrás de você para que fos se até a minha casa! Depois da forma como me tratou em meu apartamento?! Não poderia se vingar de mi m de forma mais cruel pelo fato de eu gritar com você! Você foi insensível.pedia. Sérgio! .. Mas. não tem ninguém e pelo que entendi não é b om que fique sozinha. desumano.. Eu mesma vi! Não precisa me contar! Débora. Não poderia ser mais cruel. O que vou dizer para ela? .tornou a senhora. Não tem mas .perguntou Sérgio.. Sérgio?! Eu te amo. menino!.. Cabisbaixo. O que aconteceu com a Rita? . Estou arrasado. deixando-o imerso em seus pensamentos. Ora. . Dona Antônia espiou a distância e decidiu não incomodá-lo com perguntas.. pediu: Descul pem-me por incomodar... Convide os dois ... Pobre moça...tentou argumentar. . acomodou-se corretamente e esfregou o r osto com as mãos. Ora. Não estou pensando nada. ainda sob o efeito de sérias preocupações.. Dona Antônia olhou para o filho e aconselhou: O almoço está quase pronto. com a minha esperança em algo melhor.Levantando-se. com fala mansa e meticulosa.disse dona Antônia.. Não. Mas.. Débora! Por favor.. seu irmão estará lá e tudo mais calmo. Sentindo-se atordoado.. vamos conversar pessoalmente! Meu irmão estava na m inha casa!. pois terá mais tempo para pensar sem perturbar a menina . Minha melhor amiga! Como fui idiot a ao me deixar enganar! O que vai inventar agora? Que a Rita estava se sentindo só?! Que ela queria morrer?! Que ela apareceu no meio da madrugada pensando em sui cídio e por isso foi dormir com você e na nossa cama?! Não fale assim.. Você não sabe o que fez comigo. De pois vocês vêm para almoçar. Depois de tudo não será bom que ela fique em sua c asa. . Como quer que eu fale.. . Sei sim! .. Obrigado.. Preciso ir para. . contou: A Débora não quer me ver mais.Ah!. Sérgio bebia vagarosamente o c fé oferecido quando dona Antônia comentou: Eu estive pensando.. ser enganada......... Sérgio! O que precisa resolver pode ser adiado e é até melhor que seja assim. Eu te imploro. Mais de uma hora havia passado quando o amigo João chegou.. Ela trabalha. Sérgio? Esse é o meu problema. Vamos conversar junto do Tiago e da Rita para esclarecermos tudo. Preciso ir. Dona Antônia explicoulhe abreviadamente o acontecido e. fechou os olhos dese jando sumir. Sim.. bem mais à vontade contou ao ami go tudo o que havia acontecido. pois minha vontade é morrer! Não temos nada para conversar. Essa menina é simpática e eu gosto de comp anhia. Sérgio se sentiu derrotado.afirmou com voz de choro. * * * Após o almoço. Leve o Sérgio para o seu quarto e ele te conta tudo... pelo amor de Deus.exclamou João conduzindo-o para o quarto. Você acabou com a minha fé. . João o chamou: Sérgio?. Não tem idéia de como me fez sofrer. parecendo suplicar. Largando-se ao recostar no sofá. pense! Quantos recados deixei em seu celular. a Rita. Assim que chegar a sua casa.. não é. O colega abriu os olhos avermelhados. Débora desligou. após algum tempo.. Sérgio? . .

mas é preciso aguardar e isso é o mais doloroso. Desde quando a vi pela primeira vez!. Se tenho instrução. apesar das circunstâncias. não humilhado. Ent endi melhor o que vivo.repetiu reforçando. mas. to e: us Na tarde do dia seguinte.O Livro dos Espíritos. é uma mensagem de considerável reflexão. . é o desígnio que Ele traçou para mim de ac ordo com as minhas forças. No plano espiritual. Se tenho talentos. devo instruir. Nele. Estou aflito com o que não consegui explic ar a ela. Essas forças energéticas que se fizeram em torno de Sérgi o foram alimentadas por sua postura mental peculiar que veio do âmago de seu ser e foi aprimorada através de diversas existências corpóreas nas quais se empenhou para e voluir. João completou: Mas não pode parar sua vida por conta de tudo. porque somente assim estarei sendo Cristão. . Apesar da dor posso reagir com o s seus conselhos sábios se eu não ficar em crise. resposta da questão 495. longa e sem propósitos.. Não. Não penseis em lhes ocultar nada. Em momentos difíceis lembramos qu e Deus vê tudo. João adentrou na sala onde Sérgio clinicava e. Isso atraiu entidades nobres que os envolveram em um círculo de e nergias balsâmicas e elevadas. Realmente.anjos da guarda. pois.Encarando João. devo educar..Os olhos de Deus o.Sérgio fez breve pausa e desabafou: Eu adoro a Débora.. Como entendi em O Livro dos Espíritos eu tenho uma meta à qual não posso fa ltar.. Um profundo silêncio reinou naquela sala com as palavras que ofereceram um gost o de coragem.respondeu Sérgio em tom triste. Parar para lamentar só fará a minha jornada mais tri ste. Conseguiu falar com a Débora? . a letra é bonita e a frase de profunda reflexão. pois eles são os olhos de De e não os podeis enganar! . novamente comentou: Ao pegar essa frase para meditação hoje.perguntou o amigo. Não vou dizer que deixei de sofrer. Se o que te aconteceu é uma prova ou uma expiação. pois se ele e stá ao meu lado é por ordem de Deus. A única criatura que pode tirar a sua coragem é você mesmo. se está pagand por algum débito do passado ou sofrendo uma obsessão.. por amor e a fim de que eu não pare.. Aceite os desafios com r esponsabilidade. São as frases do dia. Após a conversa com a sábia senhora. siga adiante e evolua. a união de bons espíritos. porém em total bênção do esquecimento na presente encarnação. pois essa meta é o próprio Deus. é seu dever crer em Deus e segu ir humilde. eu não me contentei só com o trecho.. pois não estamos aqui por mero acaso. Meu espírito protetor jamais me aban donará se eu me sustentar com coragem e prece para as provações da vida. explicações e criações me is construtivas. Após longo silêncio. surpreendendo-o: Olá! E aí? Tudo bem? Oi. Sérgio saboreava uma conscientização espi ritual e moral bem elevada no caminho a seguir. lia-s . 18 . Sérgio! Desculpe-me a invasão e por xeretar sua mesa. o rapaz sentia-se melhor. .. João sorria admirado. ela não atende. simpáticos aos encarnados e seus re . Sua mente ficou receptiva ao ambiente vibratório elevado e à linguagem simples so bre temas e aconselhamentos tão importantes em busca de soluções. por não vê-l ia saindo quando olhou sem pretensões sobre a mesa do amigo e viu um cartão escri com uma bela letra e sobreposto em um suporte que chamou sua atenção.. Preocupado com a Rita.. abaixando o olhar.para me visitarem e venham para cá. apesar das preocup ações. Siga os ens inamentos do Mestre Jesus. Mesmo com o sofrimento íntimo. ele parecia se desprender do que o segurava para a realização de seus propósitos na atual encarnação: a obsessão. Então busquei socorro na questão e na resposta completa de O Livro dos Espíritos. mas João o encorajou e ele fez o proposto quase mecanicam ente. Sérgio ficou relutante. Logo explicou: Acho q ue ao identificar o número que está ligando. mas sei que tenho um a njo da guarda ou mentor e entendi que não estou só. coragem e fé dentro dos conceitos Cristãos a fim de cumprir com seu propósito nesta existência terrena. quando Sérgio entrou. mas humilde. É que o suporte ostentand o o cartão me chamou a atenção. ou seja. Tenho várias para meditação e a que casualmente peguei hoje é es a. amando e valorizando o que o p róprio Mestre Jesus exemplificou. Adorei e fiquei admirado.

Senti como se estivesse abandonando a minha amiga quando a deixei lá. Nunca pens ei que pudesse existir um sentimento tão forte como esse. Entretanto não posso continuar vivendo em função de uma pessoa qu e despreza ouvir a minha versão dos fatos.. É. contou: Ah!. com leve tristeza no olhar e falou em voz baixa: Eu adoro a Débora. com aquele jeitinho que só minha mãe tem. após milênios endurecido no orgulho. verdadeiros escravos. O espírito Sebastião estava revoltado. decidi levantar e ler. E. como a Rita está? Apresenta-se bem. atuavam neutralizando a ação dos maus. Só os que experimentam o mais alto grau de esquizofrenia não sentem n em sofrem.. Senti-me muito melhor depois. É um período de dor. João.. Enfraquecido. Não pos so ficar parado lamentando nem correndo atrás da Débora. Berros em onda s vibratórias que causavam terror e gemidos de medo entre alguns de seus seguidore s. Por insistir nos objetivos de má influência nos pensamentos do encarnado e. o respeito às leis de harmonização e o amor aos propósitos abraçados com todo o coração. explicou Sérgio. Diga... Mas eu posso vivenciar as condições desse sofrimento sem desespero. O Livro dos Médiuns e comecei a ler. rosnou feito um bicho enquanto se levantou e.Depois de rir. Está sendo difícil. educada e mudou muito de ontem para hoje.Pequena pausa. Ele os afligia. Vamos lá! . E seguindo em frente. por c onseqüência. Peguei O Livro dos Espírito s. sem o sofriment o aflitivo. Por isso elaborei uma postura mental na qual reconheço minhas def iciências e busco equilíbrio constante que me ajude a viver sem ela. Uma questão ou ensinamento me levava a busca r outro e. Sebastião recuou sob o e feito de um choque que lhe penetrou nas fibras mais íntimas do ser. João sorri u e perguntou: O que aconteceu com você de ontem para hoje? Não dormi. inesperadamente. desgraçado! Mas tenha certeza de que eu voltarei para acabar com você! Se não consigo te abalar. o espírit o Sebastião sentiu-se enfraquecido e algo como que uma vertigem o fez dobrar os jo elhos que pareceram forçados a forte pancada no chão. eu as vi fazendo planos de saír em para comprar nem sei o quê! Minha mãe envolve as pessoas de um modo impressionant e! Parece que a Rita mora lá em casa há meses! Depois a dona Antônia avisou que o Tiag o se comprometeu em passar lá e levar a Rita à universidade. Sabe. avisou em vibrações cavernosas: Não sei o que te aconteceu. fazend o-o sofrer e vampirizando suas forças.Suspirou fundo. mas em vez de deixar meus pensamentos e m brasa e me revirando na cama. Incapaz de reconhecer-se mau. mas ao mesmo tempo em que defendiam a resignação..spectivos mentores. olhando para Sérgio. o pobre e ignorante Sebastião agredia e golpeava os que permaneciam como que escravos de sua mente. Mas!. não nego. sorriu e comentou: Nossa! C omo você e a dona Antônia me ajudaram.. O conhecimento que tenho sobre o mundo espiri tual. . . Estou vendo! . os esclarecimentos obtidos na Codificação Espírita me ajudaram imensamente. Apre ndi a orar de todo meu coração e a ter mais fé. torturava e c ulpava por não conseguir atormentar Sérgio nem aproximar-se dele a fim de absorver-l he as energias físicas e espirituais para enfraquecê-lo e atacá-lo mentalmente. tentando fazê-la acreditar no que ela não quer... Eles não podiam ver.murmurou João satisfeito.. para as separações. Não conseguimos passar pelo sofrimento sem sofrer.. Senti o quanto à postura mental nos faz adquirir resistência e imunidad e psíquica contra pensamentos que nos doem na alma. Sebastião desapareceu seguido por seus acompanhant es como um aglomerado das mais profundas trevas. . Você sabe como a dona Antônia é! Logo cedo. E pela primeir a vez.. sei como vou te enlouquecer! Após outro urro repleto de ódio. na maldade e tantos outros vícios. da sublime energia do ambiente.exclamou Sérgio repentinamente. A ausência de espíritos inferiores deixou o ambiente mais leve e sereno. Quase me esqueci. busca ndo estruturação e referências para prosseguir com minha vida até tudo se acertar.. Seus gritos repetitivos como os de um verdadeiro louco estremeciam os que se uniam a ele.. . Como ser humano e como psicólogo eu sei que não somos e não estamos preparados para as per das. Fiquei completamente insone. mas tud o é recente e sei que com o tempo encontrarei recursos para não me torturar tanto co m as lembranças. as recordações.. Mostra-se sociável.. de sofrimento. Não podia ver a presença das entidades mais el evadas que estavam ali por ligarem-se aos encarnados pela postura mental e disce rnimento. o espírito Sebas protestava e enfrentava uma energia que o repelia dali.

Rita! Tudo bem? . É ela q uem não quer saber a verdade.. Oi. Parabéns! Queira Deus que nesse período você consiga seu pedido de demissão aprovado! Já pensou?! Quem sabe? Hoje entrei com nova solicitação. Em seguida. E quando reclamamos da supervisão re comendada. João! O Nivaldo é testemunha! . É fácil desistir.. se insistimos. quando piscamos ..riu. Eu não tinha alternativa. A supervisão com o doutor Edison é excelente! .concordou João. fazíamos os estágios e. Ei! Ei! Ei! .interrompeu-a. Faz teorias e suposições.Sérgio elogiou. Vamos deixar a situação esfriar. Explique que houve uma situação delicada e que na universidade não é o local .. ele pôde ver seus olhos lacrimosos. coisas qu e se encontram somente na prática. Nossa! Como me lembro de seu trabalho de conclusão de curs o. Prometo! Hoje mesmo. implorei!. Mas.. chamou-o olhando-o firme. E como ajuda! E de repente. . Não é fácil obter aprovação do pedido de féri tão rápido assim. ela. Em todo caso. Vou até lá dizendo que você propositadamente não me deu o recado e ficou me enrolando.murmurou com voz fraca. Mas vou dar um jeito nisso. beijando-a no rosto. *** Mais tarde Sérgio decidiu ir até a casa de dona Antônia para saber como Rita estava ... sempre damos um jeito. peça para que conversemos nós quatro juntos: eu.. por cinco anos.. Rita.defendeu-se rindo. Sem problemas .perguntou Sérgio.. Sérgio! Esqueci! O doutor Edison pediu para falar com você. Eu te prejudiquei muito com a Débora.. E se ela vier conversar sobre isso comigo? Eu duvido...disse rindo.. Afastando-se.. eu. sentindo-se envergonhada: Sérgio.. Desculpe-me. montamos a clínica! . Além de simples. João avisou: Nossa. É.Nada é por acaso. Foi incrível! O melhor! Que exagero. a supervisão é importante e oferece segurança ao Psicólogo muito mais ao paciente. esse foi atender ao telefone e Sérgio logo se deparo u com Rita. Entrando na casa do amigo. Chegará à hora ce rta. Não sabíamos que era e é a cois a mais importante em nosso trabalho e o que mais nos ajuda. você não é ingênua e sabe que estou sofrendo sim.. A dona Antônia é maravilhosa! Ei! Você não tem pacientes agora à tarde? Não. Durante o trajeto João comentou: O tempo passa tão rápido! Outro dia estávamos prestando vestibular. Quase desi sti do curso universitário por causa do serviço na polícia. Comovido. sussurrando. Muito me admira. Não podia deixá-la morando com você nem que voltasse para ca a e ficasse sozinha.sorriu. pa ra não dizer que me assusta. Fiquei tão surpreso. Sérgio. com lágrimas correndo pela face.. Agora vai! .. eu tentei falar com a Débora nem sei quantas vezes! Pedi. . Depois falou sério: Você vai até lá para e tudar e não conversar sobre o que não é conveniente num local como aquele.. As duas pacientes eram mãe e filha e cancelaram por luto na família. Quase não acre ditei que conseguiria fazer aqueles estágios para licenciatura docente. Levando a mão na cabeça e franzindo o rosto em sinal de lamentação.. na habilidade adquirida com o exercício constante na profissão. . Em seguida. Eles continuaram conversando até chegarem ao destino. tornou a perguntar: Você está bem? Estou. abraçou-a com generosidade. Eles riram e saíram juntos da sala.. mas achei que estava com paciente e. Isso é verdade! . Veja. encontramos alternat ivas.admirou-se Sérgio. na sala de aula. Depois. que estava pronta para ir à universidade e Tiago a esperava.. vo cê e o Tiago. minha miga.Subitam ente avisou: Ah! Consegui minhas férias para daqui a uma semana! Quase ia me esque cendo de contar! Sabe. não posso mentir.... Certo? Mas. de fazer terapia?... Somos amigos dela e amigos de verdade não se abandonam. embalando-a co m gesto afetuoso. de ver alguns profissionais psicólogos clinicarem sem f azer a supervisão acompanhada por um Doutor Psicólogo ou Psiquiatra mais experiente e que nos leva a outro mundo completamente fora.

quando encarna dos. dão falsas esperanças e comume te elogiam os encarnados ressaltando-lhes o orgulho e a vaidade. do efeito individual e social justific ado pelo Espiritismo. Tiago se aproximou e lembrou: Vai chegar atrasada se não formos agora.. p ensei que não fosse suportar.. Sou eu que deve agradecer sua confiança. as manifestações fúteis. inúteis de espíritos baderneiros e médiuns mentirosos ou orgul osos. ac omodou-se e o puxou com generosidade materna ao falar: Já sei que você quer colo.. Só uma vez por semana?! Pára o estudo. Mas deve ir assistir às palestras evangélicas que servirão de com plemento aos conhecimentos adquiridos. Não queira correr e aprender tudo de uma ve z.adequado para ela saber de tudo. Cientificamente o tempo é importante para que se possa estudar a parte experimental das manifestações gerais. O melhor é você fazer os cursos. que é pensar e repensar. Liguei para a Débora várias vezes e ela não atendeu. Está bem assim? Rita pendeu com a cabeça concordando. Li e reli os livros qu e a senhora me deu.. intuitos. mistificam. Esses espíritos inferiores que se dis põem a essas reuniões de comunicações para futilidades de encarnados. Se a Débora quiser.Mudando rapidamente de assunto. Obrigado por cuidar da nossa amiga... nada radical. Ou ela não gosta de mim o suficiente para ouvir minhas explicações e depois tirar s uas conclusões ou então está se deixando influenciar pela opinião da irmã ou sei lá mais de quem!. No início poderão parecer água com açúcar. abraçou-a. O que. de estudos e co municações sérias. freqüentemente brinc am. Assim como as pessoas. Sérgio se aproximou.brincou sorrindo. . uma far sa. prazeres.. .chamou-o. Então desisti. Ao contrário dos espíritos inferiores que se atraem em torno de encarnados que fazem r euniões e evocações por curiosidade e sem responsabilidade para terem conselhos e info rmações que os agradem ou lhes prometam ajuda. é muito importante. com grupos de estudo r espeitáveis que se dispõem ao conhecimento mais profundo da Codificação Espírita.. Bem. Olhando para dona Antônia que os observava. levando os encarnados ao erro. Vem aqui. fazem acusações indevidas.distúrbio de personalidade. Devo voltar às carteiras primárias da escola! . Fechou os olhos enquanto a bondosa senhora afagava-lhe o rosto de belo contorno e sussurrou: Tanta coisa aconteceu na minha vida em tão pouco tempo. Sabe. levando o rapaz para o sofá. Sinto como se tivesse uma faca fincada em meu peito. O tempo entre uma aula e outra é bom e necessário para filosofar. ligue para mim. Fazendo-o se sentar. sim. Sérgio se deixou ficar no abraço materno do qual tanto carecia. beijoua no rosto e agradeceu: Obrigado por tudo. Ela é um amor de menina! Curvou e recostou o rosto carinhosamente no ombro da mulher e murmurou: Se não fosse à senhora. mas quero ampliar meus conhecimentos. Ela forçou um sorriso e se despediu rapidamente. Tiago estapeou as costas do ir mão e se foram... Tem gente que leu um ou dois romances espíritas e acha que já sabe tu do. Sérgio? . Desistiu? Você gosta dessa moça e ela de você! . Por exemplo: os espíritos superiores gostam de reuniões. sempre com o desejo de instruir e elevar a moral dos encarnados. . Em um centro Espírita sério. mas ito necessários. isso é po sível somente uma vez por semana. Sérgio sentou-se direito e falou de mod o mais animado: Eu quero aprender mais sobre Espiritismo. mentem adotando falsamente o nome de espíritos que.. às prática s não dignas. Somente assim será capaz de reconhecer uma mistificação. irei buscá-las e conversaremos na minha casa. uma espécie de professor.. Não! . Uma vez por semana não é pouco para o estudo? O Espiritismo é uma filosofia e uma ciência.murmurou ele. com basta nte conhecimento e sendo uma pessoa bem flexível. Em alguns momentos.correspondeu ao sorriso. Ignoram os livros da Codificação Espírita e confundem tudo! Não admitem que o estudo da Codificação feito em grupo e com um expositor.admirou-se dona Antônia. foram pessoas veneráveis e importantes. É uma dor de verdade. chegando a novas conclusões que o elevarão como ser.. os espíritos se atraem por simpatizarem com a naturez a moral do ambiente ou da criatura humana que tenha os mesmos gostos... por duas horas mais ou menos... paixões inferiores. vem! ..

Sua tarefa nesta enca rnação não é correr atrás de bandido. fobias.. O assunto requer estudo.. eu e minha mãe conversamos com a Rita ontem à noite e. Eu não sabia que ra uma doença...interessou-se Sérgio curioso. Sinto que esse é o c aminho para seguir a fim de alcançar uma finalidade útil em um trabalho que eu adoro . como disse a Rita. aparentemente frágeis. às vezes eu nem entendo nada! Na verdade é preciso sentir o q ue se passa nos sentimentos das pessoas.. é um distúrbio de personalidade que necessita de mento terapêutico.. Nossa! Tem tanta coisa!. É. estresse. Eu estava associando certos problemas de personalidade com o que a se nhora me falou.. mas esse não é o caso del a.respondeu referindo-se à noiva. a olidão. mas explora os que a rodeiam. . . De uma forma geral ela parece bem. como te falei hoje. dona Antônia. Suspirou fundo. Fiquei admirad o quando soube que ela decidiu retornar à faculdade.. masc aram a inveja e não dão importância verdadeira às necessidades dos outros. transtornos.disse João sorrindo.. Há de se levar em consideração à dupla perda dos entes queridos.brincou Sérgio. brincalhões... mas ela vai superar. presa a fantasias inúteis que as arrastaram a conflitos íntimos. A Rita pode entrar num quadro de depressão mais extremo e que está procurando dis farçar. quer ser entendida. Qualquer pessoa psicologicamente sa udável ocasionalmente tem ou passa por momentos de tristeza. Só é preciso saber conversa r direitinho com a Rita. o luto. Entendeu? . mas teve a atenção roubada pelo amigo João que chegou à sala.Comentou a sábia senhora. sua ligação mental com desencarnados que possuem as mesmas necessidades. dependências de diversos tipos. sua vontade de libertar-se do dis túrbio ou problema que o afeta e. Em outras palavras.. Virando-se para o amigo . com sua evolução na escala espírit registro de suas experiências em outras encarnações. Esse foi o maior impacto. Quanto a ouvir os problemas das pessoas.. Acho que os dois são melhores do que nós! .. dona Antônia? .. Percebi isso.Fez-se ligeira pausa em que os dois amigos se entr . observação e pesquisa para. principalmente.. a mulher explicou bondosa: Se uma pessoa está pensando em morte. Bem.Sérgio teve uma avalanche de pensamentos incrivelmente ligei ros. filho? . João comentou: Sérgio. Eu conheço bem as pessoas quando as vejo algumas vezes e. Não. têm uma incrível relação com ele mesmo como espírito. Você tem de sentir o que a pessoa sente do mesmo jeito que ela sente e não só saber o que ela pensa sobre o que está sentindo. Essas são as características de espíritos inferiores. Puxa! Isso abre um grande leque de ligações entre encarnados e desencarnados.. mas. confl itos íntimos. é ouvir problemas dos outros.Sérgio parecia ter uma imens a interrogação na testa. Isso eu sei fazer e o Tiago também tem es se dom! Como assim..perguntou a mãe vendo-o arrumado. Ela é uma boa menina. Eu sabia. Sérgio a encarou trazendo um brilho especial nos belos olhos verdes e leve sorr iso como se inúmeras idéias reluzissem em sua mente. Não é uma doença. extr emamente importante. Eu assisti a dois congressos realizados pela Associação dos Psicólogo s Espíritas e falaram sobre esse distúrbio do encarnado que atrai espíritos com os mes mos comportamentos. A elevação moral é força viva! Vejo pessoas inseguras.. É um dos tipos de distúrbio no qual a pessoa se acha grandiosa. É.Nada. um a justificativa para isso. Agradeça à dona Antônia e ao Tiago! . Tendem a ser arrogantes. Fiquei triste com o que aconteceu. Nossa amizade dificulta a minha atuação. No fundo não posso dizer q ue estou tranqüilo com o seu estado emocional. Entro de férias na próxima semana e espero que minha saída da polícia aconteça durante esse tempo. depressão e muitos outros distúrbios apresentados pelos paciente s.. ela precisa ser ouvida. precisa d e colo e de um ombro amigo. meu filho! Eu sempre senti que você tem um dom especial. Vai sair. que advertiu: Vocês dois falam tudo difícil e certinho. Vou até a casa da Nilza . pois precisam entender e tratar a saúde espiritual para conseguir que o paciente tenha progresso... Sérgio! Você é uma luz! Fará alerta aos profissionais que cuidam da saúd e mental.. Comecei a entender que muitos estados de consciência. porque a m ente está encarcerada na falta de convicção. é porque ela quer ajuda. Depois de sorrir. E o acontecimento mais humilhante. desesperador durante essa fas e. .. quer entender o que aconteceu com ela e pede uma explicação.

falou que p ensou em morrer quando perdeu os pais.. deixando as rodinhas deslizarem portão adentro.. Seus olhos a mendoados traziam a expressão de tristeza com misto de revolta e desilusão. . mas aqueles que a rodeiam devem entender o seu sofrimento e lhe dar esperanças para um futuro melhor. dona Marisa.falou. . ou a Nilza ficará preocupada. Mesmo assim. Débora estava frente à casa da mãe de Sérgio. Mas quando o astro rei brilhou radiante. o Sérgio foi até meu apartamento.Fotos contra Sérgio destroem o romance com Débora O dia seguinte exibia um pálido nevoeiro pela manhã encobrindo o sol.falou bem séria. Descendo do carro. dona Marisa se aproximou trazendo o rosto endurecido ao exibir insatisfação. Débora. Palavras difíceis e pouca atenção só pioram as coisas.. E o que a senhora disse?! . Eu conversei um pouquinho com o Tiago enquanto a Rita se arrumava para ir pra faculdade e disse a ele que precisaria muito da sua ajuda. mas não somente como profissionais. Em que posso te ajudar? Os olhos de Sueli se arregalaram. mas contendo o travo de amargura na voz quase vacilante. O que aconteceu de tão grave para não querer ver o Sérgio? Educada. Reconhecendo-a dis tância. Sem imaginar de quem se tratava. Além disso. não quero vê-lo mais. concluiu: Depois do que presenciei.perguntou preocupado. A Rita é uma ótima Conversamos muito e ela contou toda a sua vida. Olhando o relógio. Fez um aceno de cabeça e não teve palavras para explicar o q ue aprendia. que com o tempo passa ou são traumas não reso dos na infância. estava Sueli irradiando curiosidade imen sa. lá no apartamento. João preocupou-se: Nossa! Vou. . eu sabia que a senhora e o senhor Inácio iriam até a casa dele para ver onde mora e nós nos conhecermos melhor. Sérgio despediu-se e agradeceu à mãe de seu amigo e ta mbém se foi. olhando para o rapaz a troux e para cá.eolharam surpresos e a senhora prosseguiu: Quando uma pessoa pensa em morte é preciso que tenha a ajuda de um profissional com urgência. o Sérgio teve uma crise de intolerância com o que eu aconselhava. Dona Marisa ficou intrigada e puxou quase automaticamente a alça da mala que Débo ra colocava em suas mãos. E quando você . Disse-me coisas f rias e calculistas mesmo quando eu pedi desculpas pelo que havia falado. mas ela silenciou totalmente ao ouvir Débora contar: Nessa mala tem algumas coisas que pertencem ao Sérgio. Sérgio ficou admirado. Ela sentiu-se humilhad a em todos os sentidos. o noivo a apoiava em tudo e ela teve uma grande amiga. acreditou ao vê-la com o Sérgio. . São roupas e objetos pessoais que ele deixou no meu ap artamento. a Débor a. ma s ela foi firme e não chorou..riu de modo gostoso. sua melhor amiga . E apesar de toda situação não resolvida. . Bom dia. mas tinha o irmão para tomar conta e ele pr ecisava muito dela. repentinamente. Só que. Aproveitando a saída do amigo. Naquele dia. Preocupem-se com ela.Após suspi rar. mas. que não são graves. ela sentiu-se um estorvo e a pior das criaturas. a jovem tocou a campainha e aguardou ser atendida.sua voz travou novamente. Desculpe-me vir sem avisar. é um amigo de verdade e procurou pessoas de sua total confiança par a ficar junto dela quando você não poderia. 19 . Mas ele . a pouca distância. ela é ma criatura importante e querida pelos amigos. Mas eu não poderia adiar o qu e tenho a fazer . É provável que a senhora acredite que eu deva entregar na casa dele. Sérgio..sua voz embargou. Débora contou : No sábado pela manhã. pois essa menina precisa de um amigo. E absurdo dizer para alguém que suas dores e preo cupações são passageiras. É uma menina carente.. Débora não se importou e foi direto ao assunto: Bom dia. Sem conter a curiosidade a mulher perguntou: Mas. A companhando a senhora. Agora ela está sozinha! Extremamente sozinha e sem propósitos na vida. eu estava precisando de companhia e falei mais outras coisinhas. contou: A Rita disse que se sente culpada pelo que a Débora. Que você..

Não demorou e minha irmã. Débora + falou dona Marisa com voz fria. dona Marisa. . rolaram na face da moça que parou frente à Débora e explicou: Eu fiz algo muito errado. Entrei em desespero. Entre. . Não suporto traição e é por isso que não quero vê-lo.Nesse instante. a jovem ouviu: Débora! Por favor. Nem ouvi os outros recados e mal falei com a minha ir mã que estava ao telefone. Tudo bem. eu preciso falar com você . Vi que o Sér gio estava embaraçado.avisou com brandur a. avisou com um s orriso: Depois conversamos.. Olhando para dona Marisa. achei o Sérgio aflito quando pediu para eu entrar em contato com ele.questionou Débora. inquieto com a minha presença..Quando Débora ia fazer uma pergunta. Nem sei o que dizer.disse Sueli.planejou tudo. Aquele relato deixou Débora mais perplexa e amargurada. peguei meu carro e fui até a casa dele. Sem trégua. pois iria dormir lá. Não . Pode ser? Sim. trocar-me e sair com ela.. Eram as pessoas em quem mais eu confiava neste mundo.concordou a mulher.Leve sorriso forçado e falou: Até um dia. Espero que me entenda e desculpe-me pelo incômodo. pediu com jei to macio na voz: Eu gostaria de conversar com ela a sós. lágrimas corr eram.. Quando contei o que tinha acontecido. dignas de uma representação te atral. Andando a passos lentos foram se distanciando d o veículo enquanto Sueli falava de modo educado: Eu quero conversar com você. Por um instante Débora se sentiu atordoada pelo efeito de energias espirituais inferiores deixando-se conduzir. porém eu não conseg uia deixar de pensar no Sérgio. quem é você? Nesse ponto da conversa. A Débora está muito sentida por tudo o que aconteceu e eu sei o que é isso. Fi quei indignada quando fui até a suíte dele e vi as roupas íntimas da moça jogadas no chão. a Yara me fez tomar um banho. Não estou entendendo. e saímos todos para nos divertirmos. pois achou que eu não merecia aquilo. . foi me visitar. Sou eu quem peço desculpas por pensar que você fosse de outro jeito e estivesse d e acordo com aquilo. Minha melhor amiga. mas não conseguia. .. Não desejo qualquer mal a você e. Era madrugada quando retornei ao meu apartamento. Assim que cheguei. Fez algo contra mim? Mas.. pois passei pela mesma situação ou talvez pior.. . . mas. Ao estender a mão para se despedir de dona Marisa. Sueli usou um tom carinhoso na voz leve pa recendo humilhar-se ao pedir: Por favor.Imediatamente lágrimas falsas. Sei exatamente o que está sentindo.. Quando olhei. Ao ouvir o primeiro. Não existem desculpas ou explicações para o que eu vi. aceitando os pensa-mentos rápidos que lhe surgiram e disfarçando sua s verdadeiras intenções e venenoso pretexto. Aproveitando a pausa. não gostei de ver essa Rita estendida no sofá.. praticamente abraçando-a ao repousar a mão em seus ombros e a conduzindo.Débora suspirou fu ndo antes de prosseguir: Não sei o que a senhora pensa sobre isso. ela avisou antes que chorasse: Então é só isso. Débora . Você é?. Fiquei preocupada.. Chorei muito. Confie em mim . estavam sob uma árvore bem frondosa quando pararam e a moça pegou as pálidas mãos da outra ao revelar: . para conversarmos... Tenho outra idéia. esforçando-se para expressar algum tom de lamento. Estive lá naquela noite como comb inamos. A Yara foi direto para o telefone. Agor a preciso ir.pediu Sueli sob a influência de espíri tos inferiores. mas não imaginava conseqüências tão sérias contra você. Acho que agora entende por que sou rigorosa com ele. Eu estava chorando e implorando para que ficasse. Decidi não telefonar. Quanta d esilusão.. Tinha esquecido que iríamos lá. Por ter as chaves. primeiro quero que me perdoe.Olhando novamente para dona Marisa. Eu amo o Sérgio. Adoro a Rita mais do que as minhas irmãs. havia recado s em meu celular.pediu aproximando-se. dormindo e abraçado com a Rita. pois tinha outros plano s. Só q ue teve uma condição: a Yara me obrigou a deixar o celular no apartamento.. Ela ligou para alguns amigos e amigas. experimentando uma dor indizível do enorme ferimento que cravava em sua alma bondosa e generosa. entrei sem chamar e o encontrei em seu quarto. solicitou gentilmente: Feche seu carro e vamos caminhar um pouco. mas se me ouvir irá compre er totalmente. a Yara. O que dizia era pensando em seu benefício. Por isso meu filho não me aceita.. mas longe da dona Marisa . mas o Sérg io virou as costas e saiu. ..

me ouça! O que quer de mim? . eu pensei em poupá-la de cair nas armações do Sérgio.. por isso estávamos sempre juntas e freqüentáv a casa uma da outra.. Sueli! Será sua palavra contra a dele. assombrada e incrédula. O quê?! . É verdade e eu posso te provar! . tirou de dentro uma máquina fotográfica e algumas fotos impressas em papel ap ropriado.Revirando a caixa. Nós éramos muito amigas. ele já está livre. Envolvida por intensas energias inferiores dos espíritos vingativos. Olhando-as. Não! Não é nada disso! . As inspirações de sua mentora Olívia e de espíritos amigos prov ocavam-lhe repulsa àquela conversa e vontade de ir embora. Débora começou a tremer. Ao atender a sua ligação ao celular naquele dia... que fechou a porta e caminhou até um armário. Com o tempo percebi. Não su porta me ver e. em um tom quase frio e palavras vagarosas. Na casa de Sueli a jovem se encontrava no quarto da moça. Jamais poderia imaginar que e stivesse dirigindo e fosse bater o carro. talvez por educação. entregou-lhe as três fotografi as. Veja bem. naquela segunda casa. contou: Essa é a Lúcia. Isso aconteceu entre você e o Sérgio? Por acaso o pegou com outra mulher? Foi pior do que isso. zendo-a alongar a conversa ao desejar provas e ficar enojada com Sérgio antes de o uvir sua versão. Fui namorada do Sérgio e ainda sou muito amiga da família. Mas a jovem. Débora suspeitou. Não pude pensar em outra coisa. tamanha era a humildade que represen tava.exclamou murmurando. sem pensar. O quê?! Eu moro ali. Completando em seguida: Se queria me separ ar do Sérgio. Débora não con seguia refletir e. Isso é um absurdo! Como pode pensar que vou acreditar em algo assim?! Eu disse que posso provar! .Ao vêla franzir a testa como um sinal de desagradável surpresa.Débora tentava relutar . . Vir ou-se para Débora. Será melhor. mas desejava ver as evidentes demonstrações que a ouvira afirmava: Essa é uma acusação muito grave. Com a respiração ofegante e modos inquietos. Vamos até lá e eu te mostro as provas. Se ao menos não tivéssemos mais compromisso... Foi estupidez minha inventar aquela hi stória e representar daquela forma. eu tenho muita coisa para fazer hoje e não há qualquer razão para continuarmos com essa conversa inútil. A mentora Olívia e espíritos amigos perderam o alcance das vibrações da pupila que se inclinou às inspirações de espíritos inferiores com suas sugestões e vibrações tenebrosas. A traição é a pio coisa que alguém pode fazer. O quê? Ele tem seus motivos. a Lúcia t . e pediu calmamente ao bater a mão sobre sua cama: Sente-se aqui. Débora ficou vacilante. Ficou pálida. O Sérgio provavelmente disse coisas te ríveis a meu respeito. demorava-se tempo demais e recebia influências de desencarnados que pretend iam prejudicar e desequilibrar Sérgio através dela. aceitou o convite. Ele não quer nem que eu tenha amizade com a dona Marisa. Há. que parecia nervosa.indagou Débora. Venha comigo. Voltando-se para a outra com frieza e impiedade. ultra jes e rebaixamento moral sofreria. mas. ao menos. abrindo-o e tirando uma caixa que colocou sobre a cama. Acho que essa pobre mulher morreria pelo incesto. Sueli a envolveu com fa la meiga..exclamou bem firme.. Su eli atraiu sua atenção ao dizer: Eu sei o quanto é horrível ver quem amamos deitado ao lado de outra. sim! Primeiro preciso que saiba. Ela não sabe que o Sérgio e a Lúcia se relacionavam.gritou Débora indignada e incrédula. Eu e o Sérgio começamos a namorar. E?. . Enquanto S ueli. se não tiver c mo provar. me perdoe! Se não puder me perdoar. apanhou um saco de tecido avel udado. Sinta-se à vontade..Meu nome é Sueli. olhando-a firme nos olhos. mas não são verdadeiros. parecendo rebaixar-se na postura. Sueli . Eu o peguei dormindo com a própria irmã. e quase sussurrando: Pelo amor de Deus.. ao se deixar envolver por aquela conversa. Logo propôs: Eu não poderia dize r isso perto da dona Marisa. que não sabia quantas dores.afirmou.

Não vale a pena falar sobre isso. Contou que no início ele bateu n ela e.. incrivelmente. Por que a Lúcia não contou aos pais?! Aos irmãos?! Não contava por medo de que o pai deles cometesse uma loucura.. Era o an iversário de um grande amigo. Fui medicada e passei horas em observação. Tirei a primeira foto e ele se remexeu. A Lúcia estava animada. pois eu lhe mostrei só as fotos.. Eu preciso saber. É o que você vê. Um dia toda a família estava viajando. eu não lhe entreguei e ele me bateu. Por outro lad o. Eu estava sozinha. Veja. o Sérgio está com o corpo mal coberto por um lençol na altura da cintura e com as pernas despidas. Pelo amor de Deus. . Por isso calou-se e sofri . O Tiago não foi por causa do serviço e o Sérgio também. Tentei saber o que era. ela era ameaçada por ele e temia sofrer mais agressões. Mas tive a idéia de fotografar. Eu tin ha as chaves e entrei sem chamar. Eu estava no chão e o Sérgio me chutou.. pois eu esperava um filho dele. Débora. Sueli acrescentou cinicamente: Foi quando implorei que parasse. deprimida e quase não falava mais comigo. ganhando a credibilidade de Débora..Sempr e com o auxílio das vibrações do espírito Sebastião. Me agrediu até. O senhor Inácio é um homem moralista. Gritou e exigiu a máquina. Pelas fotos acho que já pode deduzir que tipo d e homem ele é. Brincamos bastante e. Sueli! O que a Lúcia contou? Ela confessou muitas coisas a respeito do irmão. Como assim?! . chacoalhando-a e a empurrando em segu ida. Resumindo. Porém o que ouvi dela foi ainda pior. Sueli se virou.. O Sérgio e a irmã ormindo na mesma cama. religioso e ela pensou que o pai mataria o Sérgio. Como pode confirmar. sem camiseta... Por um momento pareceu insano . Confusa. deitada de lado e sobre o ombro d o irmão. tenho as mesmas imagens aqui. pegou a máquina fotográfica digital e mostrou-lhe as mesmas fotos na própria câmera.. Eu perdi meu bebê. eu diss e que tive uma enxaqueca forte. Ele acordou quando eu saía do quarto e me viu. eu chorava exigindo uma explicação. Eu levei minha câmera fotográfica digital e tiramos mu itas fotos. Ele perdeu o controle.. Imediatamente indag ou: E sua família ou a dele não a viu machucada?! Lógico que não. Bem mais tarde... Sueli! Diga que isso aqui não é verdade! .. muita cólica e só queria ficar na cama. Ela.. voltamos para casa de madrugada . Apesar disso. Débora lembrou-se de Sérgio pedir que evitassem ter um filho. Tirei a segunda e na terceira ele acordou. Co m lágrimas rolando pelo rosto disse: O Sérgio é um homem forte e como policial aprende u a ser agressivo. O que aconteceu?! O que ele fez?! .perguntou a outra. Alguma s ficaram engraçadas e decidi ir até a casa do Sérgio para mostrar a ele e à Lúcia. Tive medo dele.tornou a outra em desespero. Dormi um pouco. me bateu muito forte e... Fiq uei em choque. O que ele fez?! . Ele mes o me levou para um pronto socorro onde o médico confirmou que eu já havia perdido o bebê. abraçando-o com um braço e com uma das pernas sobre as pernas dele. Para minha mãe. Débora a afagou enquanto lembrou do dia em que Sérg io a segurou firme pelos braços apertando-a. O Sérgio me chacoalhou. O Sérgio reagi u como nunca.riste.pediu Débora com a vo z entrecortada. .quis saber Débora muito nervosa. aflita e olhando-a com grande expectativa. O Sérgio sabe disso?! Ele já viu isso?! Sabe e viu. mas ela não falava. Com a voz estremecida. mas assim que levantei fui ver as fotos na própria máquina. Então insisti para irmos a uma festa. Comovida pelo choro de Sueli. O Sérgio não deixa marcas aparentes nem bate no rosto. Sueli representava. Fui até o quarto e o que vi foi inacreditável... depois me empurrou enquanto exigia e. E você deixou por isso mesmo?! Contou para alguém? Dias depois conversei com a Lúcia e contei tudo. O Sérgio queria a máquina para destruir essas provas.Impiedosamente Sueli foi capaz de inventar as mais horríveis mentiras c ontra Sérgio. e Sueli continuou: Passei muito mal e. . Ele veio até aqui em casa....Longa pausa proposita l.. completamente nua.

vil. Obrigada por me alertar.. . E você.. Sérgio engoliu seco e respondeu em voz baixa. não aceitava.. Sueli era rodeada pelo espírito Sebastião e seus companheiros que a induziram em nível de pensamentos tão infer iores e alimentaram suas idéias. Talvez acreditasse que estivesse só.Breve pausa e contou: Foi nesse dia que fomos assaltadas . C aminhou até a saída acompanhada pela outra e.. Quando podia. .. um dia. Daí..brincou João. quase melancólica: . Guardando as fotos na bolsa.. Agora. Não pude deixar de ser amiga da dona Marisa. Sérgio correspondeu à brincadeira: Não deixe esse ciúme aumentar. Pensando bem.Levantaram-se e Débora parecia sem rumo.. algumas coisas começam a fazer sentid o.Sueli chorou. E propôs para não alongar: Depois conversamos. Faça como quiser. Sua ligação com aqueles espíritos trevosos lhe oferecia grande malícia e uma força inte rior tão perversa que era difícil acreditar em sua coragem para fazer tantas maldade s sem pensar nas conseqüências.. mas não. Porém logo João não r stiu e perguntou: Por acaso conseguiu falar com a Débora? Não . pegava recados com a secretária e verificava alguma novidade ou relaxava por minutos a fim de estar bem recomposto para a próx ima consulta. Sueli. . Quanto mais o tempo passava mais ela se apresentava muito triste e bem deprimida. tentando animá-la eu a chamei para umas compras e a Lúcia desabafou coisas horríveis sobre as atitudes do Sérgio co m o abuso sexual e. pois ela é tão rigorosa com ele. juras de amor e depois descobrir um homem sem caráter... No intervalo entre um paciente e outro. com o abuso do irmão.. eu me afa stei. por suas agressões. Sim. Mas você está bem? . Ouvir promessas de casamento. tudo bem? . E a minha única segurança são essas pro vas na câmera. pediu : Posso ficar com essas fotografias? Vai mostrá-las ao Sérgio? Não sei. Mas ele não me d ava sossego. dizendo com voz trêmula: Desculpe-me.. Sueli não esperou ver Débora chegar até seu carro e entrou às p essas. se eu as tiver e ele souber disso. E mais uma vez. Era uma tarde como todas as outras e Sérgio estava na clínica como de costume. Eu a julguei mal e. Procure um psicólogo.respondeu e suspirou fundo com leve sorriso para disfarçar os sentimentos. Havia dois homens em uma moto e já tinham pego o que queriam e iam embora.... A Rita?. após a porta ser aberta. .. Esquecia-se de que atraía extremas perturbações e a lei do retorno por tudo o que semeava.. Por isso ele me odeia tanto. se suicidar e acabar com o sofrimento. Não im agina como ela sofreu com a morte da filha.a muito com o que precisava suportar do próprio irmão. Mostrou as fotos para ele? . para relatar todas aquelas mentiras. Estão se dando como mãe e filha! Estou com ciúme! . ofereceu-lhe um abraço.. ele terá medo de fazer algo contra você. Jogando-se sobre a cama. Às vezes acho que a dona Marisa desconfia de alguma coisa.insistiu. Obrigada. Tranqüilo! E a dona Antônia?..Ainda com as fotos nas mãos e olhar lacrimoso. sem moral. . Claro! Agora tenho um paciente. Reagiu para ser morta. Fiquei com tanto ódio do Sérgio que terminei nosso namoro. Sussurrando no ombro do amigo.Alguns segundos e falou: Sabe. Depois do aborto que sofri. porém não deixei de ser amiga da Lúcia. usava esses minutos para tomar um café ou uma conversa rápida com um dos colegas.. João se aproximou dizendo: Que bom vê-lo! Trabalhamos juntos e quase não nos encontramos. Conversamos algumas vezes sobre isso e a Lúcia me disse que quer ia morrer. rapidamente. Eu não q ueria que outra pessoa sofresse o que sofri. Eles riram.insistiu desconfiado. Seguindo-a até o portão. mas a Lúcia repentinamente reagiu!. Fiz isso para o Sérgio me dar sossego. riu e gargalhou prazerosamente por sua vivacidad e e esperteza. Algo tão baixo e repugnante. Contou a ela? Não! . Tubo bem. a jovem avisou: Agora preciso ir.quis saber Sérgio. Alguns instantes e Débora argumentou: Sinto muito. obrigada.

Estou sentindo uma coisa... Um nó na garganta... Um aperto no peito... Podemos conversar depois? Lógico! Até mais! Bem mais tarde, após atender alguns pacientes, Sérgio colocou-se frente à janela pa ssando a admirar o faiscar dos últimos raios do sol que se punha entre nuvens entr emeadas de lindas cores celestiais. Apesar de seus olhos estarem cravados naquel a visão, em seu coração havia um sofrimento e uma dúvida que o atormentavam. Em seu belo rosto sério, via-se uma grande perturbação. Sentia-se prisioneiro de uma situação não reso vida, mas ainda guardava um fio de esperança para poder esclarecer tudo. Após suspir ar profundamente, Sérgio despertou e se desligou dos pensamentos preocupantes. Alguns instantes e consultou a secretária sobre o último paciente. Ficou sabendo que ele havia telefonado pouco antes e desmarcando a terapia. Diante disso, saiu de sua sala procurando por João, mas o amigo estava clinicando naquele momento. Foi quando ouviu a voz forte e alegre do médico que o chamou: Sérgio! Era você mesmo quem eu queria encontrar! - ressaltou animado. Em seguida, o psiquiatra pediu: Pode vir até minha sala agora? Sim! Claro, doutor! Adentraram no consultório e o doutor Edison falou após fechar a porta: Sente-se aí, Sérgio. - Vendo-o acomodado em uma cadeira, circundou a mesa, que os separava e se sentou, perguntando: Tudo bem com você? Sim! Estou com alguns pacientes que exibem históricos bastante interessantes e merecedores de certa atenção. Outros, mostram leves distúrbios de estresse e demonstra m uma rápida recomposição de comportamento. Tenho dois casos mais preocupantes, no qua l os pacientes apresentam distúrbio obsessivo-compulsivo, comportamento e pensamen tos ritualísticos e repetitivos. No primeiro caso, o quadro apresentado causou-me grande preocupação e o encaminhei ao senhor semana passada. É uma moça cujo distúrbio são p nsamentos obsessivos atemorizantes e bem horríveis. - Sérgio não oferecia trégua e, dian te da grande atenção do médico psiquiatra, resumiu: Essa jovem, aos vinte e três anos é e tudante universitária, último ano, e levou um grande choque quando o namorado rompeu o compromisso. Segundo ela, não havia outra mulher pela qual foi traída nem razões ap arentes para ele terminar tão bruscamente. A jovem se sentiu trocada por nada. Iss o a frustrou imensamente. Dizia que o amava muito e era capaz de fazer tudo por ele. Contudo, repentinamente, passou a odiá-lo. Queria vê-lo morto. Então se deu conta d e que os pensamentos, que começaram com idéias simples, passaram a ser impertinentes , fixos, obsessivos. A paciente apresenta uma ansiedade sob controle, muito raci onal. Seu Q.I. é elevado, e isso me preocupou. Porém, pelo fato de ela entender, acr editar e aceitar que existe algo errado em seu comportamento e pensamento, temeu alguma atitude desequilibrada e, sozinha, procurou ajuda profissional aqui. A p aciente relatou que passou a se sentir consternada, desgostosa a partir do momen to em que começou a ter idéias de que a vida familiar seria melhor se o seu pai morr esse. A jovem conta que, a todo instante, era prazeroso imaginar a sua vida, a s ua casa sem a presença do pai, pois ele poderia abandonar sua mãe a qualquer momento . Disse que essas representações mentais surgiam involuntariamente e apesar de ela q uerer deixar de pensar, não conseguia. Você se lembra o motivo primordial que a fez procurar ajuda clínica? A paciente contou que, a princípio, não deu importância, mas quando quis que um de seus professores morresse porque sua nota foi nove e meio, quando acreditou mere cer dez, ficou preocupada. Não só queria que o professor morresse, mas desejava matá-l o e planejava como fazê-lo. Em suas representações mentais, sabia que seria presa e co ndenada por homicídio, então achou ideal matar o professor, o pai e o namorado. Dess a forma, poderia alegar insanidade em sua defesa, já que os crimes pareceriam bárbar os e inexplicáveis para serem cometidos por uma jovem de seu nível, de sua cultura, de sua aparência... Além disso, lembrou que as leis são fracas, pois com um bom advoga do poderia ser absolvida ou encaminhada para tratamento por insanidade ou pegari a a pena mínima. Então, como ela disse, logo após essas representações mentais, sentia com o acordar de um pesadelo e acreditava que estava insana, pois se arrependia do q ue idealizava, pedia perdão a Deus pelas idéias absurdas, horríveis. Mas essas voltava m. Um detalhe interessante foi que a própria paciente percebeu que se entregava à li mpeza de seu quarto, à lavagem de suas roupas, higiene corporal e lavava seguidame

nte as mãos. Comportamento típico de quem deseja lavar as idéias, as representações mentai s ou atos já praticados. Você foi bem eficaz por identificar instantaneamente a seriedade desse tipo de distúrbio e encaminhá-la à psiquiatria. Principalmente por ter em vista a rapidez do p rocesso de desenvolvimento do quadro. Obrigado. Mas eu só tive êxito pelo fato da paciente ser objetiva e sincera, dese jando realmente se ajudar, equilibrar-se. Sérgio, você não acredita que em vez de distúrbio obsessivo-compulsivo, trata-se de u m distúrbio esquizofrênico ou um distúrbio de personalidade anti-social? A pessoa, a p rincípio, parece atraente, inteligente, mas mente, rouba, mata e muito mais, sem q ualquer sentimento de culpa, ou então simula cinicamente arrependimento pelo feito . Não seria o caso? Não. Eu descartei a possibilidade de um distúrbio de personalidade anti-social lo go de início. Conforme poderá confirmar em minhas anotações, analisei que a paciente apr esenta afeto por familiares e amigos, tem vida social e relações sociais positivas, prudentes e não desrespeitosas, tem relacionamento familiar saudável com os irmãos, ap esar das divergências consideradas normais. Os distúrbios esquizofrênicos apresentam c ondições e características mais severas através de pensamentos e comunicações desordenados, comportamento anti-social até bizarro. Os esquizofrênicos perdem a noção da realidade. São psicóticos. Apresentam uma paranormalidade falsa , algo que só existe em seus pensamen tos. Dizem ouvir vozes, alucinações táteis, olfativas ou visuais. Não falam com coerência etc. Diante do silêncio e vendo o médico bem reflexivo, Sérgio perguntou: O que diz sua supervisão desse caso? Falhei? Não! De forma alguma! Fez muito bem tê-la encaminhado para mim. Mas... Lá no fundo, Sérgio, você tem algo mais para acrescentar. Acredita que um brusco término de namoro pode desencadear, repentinamente, uma forma muito diferente de depressão e ansied ade após um único acontecimento que provocou decepção, frustração ou medo? Acha que tudo is o teve início aí, para essa jovem? Não - respondeu categórico. Acredito que esse foi o motivo usado para despertar a lgo adormecido em sua psique, alma ou mente, como queira. Usado por quem? E... Que algo adormecido é esse? Até hoje, a energia elétrica existe, sem que o homem possa vê-la, pegá-la para manipu lar... A eletricidade existe, mas não há grande e considerável entendimento sobre ela. Conduzida através de fios, podemos levar um choque, mas não a enxergamos se não por u m breve clarão quando há o contato com os dois pólos. Muitas crianças e até adultos já morr ram eletrocutados ao chegarem a alguns metros de uma torre de alta tensão sem tocá-l a. De acordo com a umidade relativa do ar, o campo magnético aumenta sua distância d a torre e amplia a propagação da energia, da voltagem e, conseqüentemente, o perigo, p ois a eletricidade está ali, mas não pode ser vista. - Antes que o doutor Edison o c obrasse por uma resposta às perguntas feitas, Sérgio sorriu, explicando: Não quero lhe dar aula de Ciência! Mas já temos muitas provas de que o corpo humano possui energi a e que o pensamento é uma energia. Vemos, aqui mesmo na clínica, que há clientes freqüe ntadores assíduos só das terapias de massagens ou acupuntura, mas essas pessoas, dep ois de serem atendidas por um e depois por outro profissional, acabam dando pref erência a um deles. Isso prova que a energia, o magnetismo do massagista, por exem plo, é mais compatível com determinada pessoa, tornando-se, dessa forma, uma terapia mais benéfica e restabelecendo a saúde física e mental muito mais rápido. Você está correto, Sérgio. Mas minhas perguntas não foram essas. Sim, eu sei, doutor. Só estou defendendo, antecipadamente, a minha conclusão para o que me perguntou. E, só para encerrar, gostaria de lembrar sobre a energia dos pensamentos. São inumeráveis os casos com os quais nos deparamos sobre pessoas que, repentinamente, sentiram uma angústia ou preocupação com outra que, naquele instante, precisava de ajuda ou sofria um acidente. Incontáveis pessoas podem relatar que, s em motivo aparente, decidiram mudar de caminho livrando-se de um acidente. Outra s perderam a hora, sofreram um mal-estar físico ou simplesmente não quiseram entrar em um avião que caiu. Podemos dizer que, de alguma forma, comparando à eletricidade, a energia invadiu o campo magnético dessas pessoas, permitindo-lhes uma comunicação e m nível do que estava acontecendo ou ainda por acontecer. Não se trata de mera curiosidade psicológica a comunicação mental, à distância, entre

s ou mais pessoas, mais conhecida com o nome de Telepatia. Isso é fato! Mas quando uma pessoa escapa de uma tragédia por se desviar do caminho habitual, sem explicação, desiste de uma viagem, perde a hora ou até sofre um mal-estar físico que a deixa pr ostrada, qual explicação você pode me dar? Que é uma comunicação em nível de pensamento. Sérgio, nesses exemplos tem uma única pessoa que se livrou de uma tragédia. Com que m houve essa comunicação em nível de pensamento? Com um espírito - afirmou com seriedade. Continuando: A alma sobrevive após a morte do corpo físico e, sem a matéria, o pensamento é o meio de comunicação do espírito, pois o pensamento é um atributo da alma. Vivo ou morto, sua alma estará onde estiver seu pensamento. Doutor, uma mente se liga a outra através do pensamento e por compatibilidade de afeição ou vingança. Nos dois casos, eu acredit o que há o despertar do que elas têm em comum. Então o espírito aproveitou-se daqueles m otivos para despertar o algo , o sentimento que aquela paciente tinha e desconhecia . O médico permaneceu tranqüilo por alguns minutos bem silenciosos. Depois question ou: Todas essas explicações e comparações foram para me responder que?... A paciente em questão sofre de um distúrbio que pode ser associado ao assédio espir itual recebido de um espírito que se aproveitou de um momento de extrema decepção, que foi o rompimento de uma ligação amorosa. Ela mesma admite que sofreu e se abateu po r sentimentos de desesperança. No entanto, sutilmente, passou a ter pensamentos ho stis e macabros, desejando a morte do ex-namorado, depois do pai, do professor.. . Acredito que a troca de energia mental com idéias atemorizantes, as quais normal mente ela não tinha, levou-a a um distúrbio por não conseguir se livrar de tais pensam entos, os quais se tornaram obsessivos. Por sorte, essa moça não teve qualquer temor ou preconceito em procurar ajuda clínica ao perceber que alguma coisa não estava no rmal em seu equilíbrio mental. Quando relatou sobre seus conflitos internos por me do de cometer algo insano, além de sofrer insônia, da intensa vontade de chorar, inc apacidade de relaxar, tensões musculares e outros sintomas que começaram a abatê-la, a creditei ser o momento de encaminhá-la à psiquiatria e com urgência. É provável que, diant e do quadro apresentado, haja necessidade até de intervenção medicamentosa. Porém... - O lhando-o nos olhos, Sérgio foi categórico: Sem dúvida alguma, essa paciente deve ser c onduzida à religiosidade para que haja uma mudança de hábitos, pensamentos e, conseqüent emente, uma elevação espiritual. Isso não significa reprimir os sentimentos, mas mudá-lo s e isso é reforma íntima! Somente dessa forma, ela romperá o laço de ligação mental com o spírito ou espíritos que se comunicam com ela através do pensamento e cujas idéias, a pr incípio, são sutis, sem importância, como que sussurros da própria consciência, quando, na verdade, são intervenções da vontade de um espírito atuando de mente para mente. Lembra ndo que tanto espíritos quanto pessoas se aproximam uns dos outros pela afinidade, pelas mesmas vontades, pelos mesmos desejos e atributos. A pessoa com elevação mora l e espiritual irá repelir a inspiração negativa, a transmissão de pensamento para pensa mento de um encarnado ou desencarnado que lhe perturba a organização das idéias que po dem levá-la a um desequilíbrio, transtorno ou distúrbio dos mais graves atos insanos, irresponsáveis... - Breve trégua e Sérgio comparou: Imagine a fé, a esperança e o bom âni de uma pessoa com conhecimento e elevação espiritual. Com certeza, isso vai minimiza r suas dores, seus danos físicos ou psicológicos e aumentar sua resignação e paciência. No s casos de intervenções espirituais, compare o conhecimento junto à elevação moral e espir itual com o aumento da umidade relativa do ar, que amplia a intensidade e a distân cia eletromagnética em torno de uma torre de alta-tensão, tornando a voltagem mais a lta ao redor da referida torre. Os que se arriscam, pela aproximação, eletrocutam-se sem conseguir tocá-la, podendo morrer. Assim é a aquisição de conhecimento, elevação moral e espiritual que repelem e, simbolicamente, eletrocutam os que desejam se apoder ar de sua mente sã. Total silêncio até o médico tamborilar os dedos sobre a mesa que os separava e, em seguida, apossar-se de uma caneta fazendo algumas anotações. Apesar de todo o esforço, por sua curiosidade, Sérgio não conseguia ler nada, mesmo esticando o olhar. Por fi m, o doutor Edison perguntou: Tem algo mais que deseja acrescentar? Ah!... Sim. Em meu relatório destaquei essa observação, mas gostaria de reforçá-la. Es

a paciente entrou em meu consultório e, após nos cumprimentarmos e se sentar, me fez duas perguntas interessantes e importantes. Quis saber se, apesar de formado e já exercendo atividade, eu submetia os meus pareceres clínicos para a avaliação de um ou tro doutor mais experiente. Ou seja, se eu me dispunha a uma supervisão. Afirmei e até expliquei que, no meu caso, essa supervisão era realizada por um médico psiquiatr a. E a jovem comentou que não queria se colocar à disposição de um profissional que se j ulgasse auto-suficiente, com sentimento de grandiosidade, pois, na opinião dela, a conclusão clínica seria duvidosa. E, em seguida, me perguntou se meu método era o da Psicologia Junguiana. E o que você respondeu? - perguntou o psiquiatra. Tentei ser breve, afinal, não era minha intenção dar aula. Falei que, em certos cas os, as teses freudianas explicam as influências e experiências em determinados compo rtamentos. Entretanto, sem dúvida alguma, Jung ampliou a visão da Psicologia e da Ps iquiatria ao comprovar que nem todos os transtornos, distúrbios e outros eram excl usivamente de caráter sexual da libido, como Freud afirmava. Com seu método de Psico logia Analítica, Jung designou Tipos Humanos e outros conceitos que explicam um co njunto de representações psíquicas sem qualquer controle efetivo do Eu7. Minhas explic ações foram com palavras mais simples, claro. Porém com essas questões imprevistas, para mim, a paciente demonstrou que realmente deseja ajuda, sabe reconhecer um profi ssional e qualificá-lo. Além disso, aparentou inclinação espiritualista e mais tranqüilida de quando em conversa. O que quer dizer com: inclinação espiritualista? Que a paciente se mostrou resistente a um possível envenenamento mental, ou mel hor, não admite se deixar dominar pela sintonia enfermiça de agentes psicológicos que, provavelmente, possam ser oriundos da energia mental dos desejos de desencarnad os ou até encarnados. Veja, doutor Edison, a comunicação mental a distância é comprovada c omo falamos. Estudamos muitos casos inexplicáveis de pessoas desaparecidas, que já e stavam mortas, e guiaram algum familiar, um desconhecido ou até um policial a enco ntrar seus corpos nos locais mais improváveis. Isso é comunicação em nível de pensamento! Não podemos negar essa possibilidade! Se o senhor... O psicólogo disparou a falar, mas foi interrompido educadamente: Espere. Calma, Sérgio. - Após segundos, o médico comentou: Carl Gustav Jung, o médic psiquiatra suíço que detonou o Pai da Psicanálise, Sigmund Freud, em muitas teorias s obre a libido, com a publicação do livro Wandlungen und Symbole der Libido, cuja tra dução original do idioma alemão é: Símbolos e Transformações da Libido... - tentou terminar as foi interrompido. Mas em sua publicação no idioma português recebeu o título de: Símbolos da Transformaç completou Sérgio sem trégua. Exatamente! - empolgou-se o psiquiatra. Nessa obra, Jung leva adiante sua lin ha de pensamento bem seguro de que o desejo sexual, a energia psíquica que provém do instinto sexual, cujos relacionamentos particularmente importantes aparecem em conseqüência de traumas, influências, experiências sexuais ou desejos sexuais da libido na infância. Essa energia psíquica não determina a conduta da vida de um indivíduo, não te m exclusivamente só o caráter libidinoso imposto por Freud. Jung denominou seu método de Psicologia Analítica, no qual alguns conceitos centrais foram o de: Tipos Psico lógicos; Complexos; Inconsciente Coletivo; Teoria dos Complexos... - Segundos de p ausa e o médico comentou: Nas características da formação dos Tipos Psicológicos, Jung mo tra-nos como são diferentes as psiques das pessoas, ou seja, a alma, o espírito, a m ente das pessoas são individuais! O vocábulo Psyché é de origem grega cuja tradução é Psiqu E na mitologia grega, Psique era a personificação, a representação da alma, do espírito, d a mente, que correspondem a uma coisa só. Ele identificou e descreveu processos ps icológicos que, ligados em várias combinações, determinam o caráter de um indivíduo, provan o-nos que uma pessoa específica tem um comportamento exclusivo. Trabalho esse que demorou cerca de vinte anos no campo da Psicologia prática, experiências e estudos! A Tese de Doutorado de Jung foi com base em investigações do comportamento mediúnic o! - lembrou Sérgio. Sim! E freqüentando sessões espíritas, o Pai da Psicologia Analítica revolucionou o c ampo da Psiquiatria e da Psicologia, como você lembrou. Quebrou ao meio as teses f reudianas de que os fenômenos do inconsciente se explicavam somente pelas influência s e experiências na infância relacionadas ao sexo ou desejos sexuais da libido.

A conversa sobre Psicologia Analítica - Junguiana - prosseguiu até Sérgio argumenta r:

Pensei que não aceitaria minhas opiniões e... Minha Tese de Doutorado, em Filosofia da Religião, foi baseada e defendida com estudos de casos de distúrbios e transtornos com prováveis intervenções espirituais, sem elhantes ao dessa paciente. Sério?! É verdade?! - surpreendeu-se o psicólogo. Lógico! Por que eu mentiria?! - riu o médico. Por acaso o senhor é espírita? - tornou Sérgio, curioso. Sendo o Espiritismo a filosofia mais ampla em explicações racionais e ecumênicas qu e já estudei e estudo, posso afirmar que a religião do psicanalista ou do psicoterap eutas não importa se ele tiver a mente aberta aos esclarecimentos inegáveis da filos ofia e ciência do Espiritismo. Ele deve ser realista aos fatos históricos do mundo c omprovados por estudos. Que ele não queira converter ninguém à sua religião, seita, filo sofia ou até a própria Doutrina Espírita. Quando o paciente não é ateu, não é evangélico ou estante, mas católico, budista, umbandista ou outras religiões ou filosofias espirit ualistas ou mesmo espírita, fica bem mais fácil à terapia e a busca por soluções. Apesar d e espiritualista, ou seja, de acreditar que a alma vive após a morte do corpo físico , os pacientes de linhas religiosas protestantes ou como se denominam: evangélicos , têm a visão ou a compreensão muito limitada, são adversos, totalmente contrários ao mund o real dos espíritos, pois eles só acreditam em céu e inferno. Esses são os pacientes ma is trabalhosos e os que merecem mais atenção e cuidados da nossa parte. - Ele sorriu ao avisar: Respondendo a sua pergunta, sim, eu sou espírita. Um espírita imperfeito e em evolução, mas sou Espírita - riu. Sabe, Sérgio, não há como deixar de admitir essa trina filosófica e científica vivenciando um trabalho como o nosso. Compreendendo os conceitos da Psicologia Analítica, criada por Jung, comprovando os Tipos Psicológic os, o Inconsciente Coletivo e outros... Relacionando com a influência dos espíritos sobre os acontecimentos da vida, os pressentimentos, a penetração das idéias dos espírit os em nosso pensamento, fluido universal, matéria, espírito... Penas e gozos terreno s, a loucura e suas causas... Reencarnação. Não há como negar! É tudo o que vemos em nosso trabalho. É o que procuramos ajudar. As criaturas humanas são diferentes e agem dif erente diante do mesmo fato, pelas diversas experiências em vidas passadas. Como e xplicar um trauma ou distúrbio que não tem origem nessa vida?! Os profissionais ness a área que se negam a essa crença, independente de suas religiões, só posso dizer, lamen tavelmente, que eles são encarnados necessitados de muita elevação moral e espiritual. O medo de conhecer a verdade que os libertarão é tamanho que eles se negam a fazer uma pós-graduação em Psicologia Junguiana, Psicologia Analítica, para terem uma nova visão sobre o trabalho que realizam. Eu não aceito estender assunto e discutir com prof issionais puramente da linha freudiana, inflexíveis por não conhecerem a linha jungu iana. Não seria prudente dar predileção a um método quando se desconhece o outro. Só aceit o discutir as preferências de profissionais da área que possuem formação nos dois métodos, nas duas linhas: freudiana e junguiana. Caso contrário estarão falando de algo que não conhecem... E... Baseados em que, podem defender um e desmerecer o outro? Ambo s os médicos, Freud e Jung, dedicaram suas vidas à procura de explicações para o que vir am, pesquisaram e vivenciaram ao longo de suas carreiras. Eu acredito que cada u m deles viveu para o seu propósito e ambos são importantes dentro do que se propuser am a explicar, cada um a sua maneira. Portanto, como profissionais que somos, de vemos estudar os dois, para em seguida dizermos com conhecimento de causa a quem devemos dar preferência, dependendo do caso em particular. Entende?! - Depois da explicação enfática, continuou: Como você bem lembrou, em outras palavras, as teses de F reud explicam determinados comportamentos, mas Jung ampliou a visão ao comprovar q ue nem todos os transtornos, distúrbios são de origem sexual, como Freud afirmava. Alguns segundos de reflexão e continuou: Negar-se a conhecer outras realidades é au sência de elevação moral e espiritual. Veja, quando eu falo de elevação moral, não me refir a deixar de praticar sexo, ser uma pessoa séria, rígida, sem sorriso, deixar de bri ncar, ser fria diante dos fatos acreditando que tudo acontece pela vontade de De us. Não! Todo extremo é prejudicial! Estamos encarnados para harmonizarmos um débito d o passado ou, talvez, para a nossa evolução e busca de equilíbrio. Devemos praticar se xo? Sim! Mas o sexo é um compromisso de troca de energias espirituais e com provávei s conseqüências físicas como uma gravidez ou uma contaminação por vírus, bactérias e outros

Hoje. Creio que ambos os mestres são importantes e se co mpletam de acordo com cada caso. sem agressividade ou ofensas que firam os outros! Creio que dificilmente um psicólogo ou psiquiatra evangélico. . mas não completas e bem limitadas nos sentimentos. Queria arra ncar do fundo de sua alma as explicações de sua fé que justificassem seus instintos! P recisava saber qual o alicerce de conhecimentos usados para suas conclusões ou se . Devemos deixar de brincar? Não! Mas brincar de mo do saudável. Tudo para eles é porque Deus q uer! É milagre de um anjo ou maldição de demônios. Sérgio! . sor rindo. representa todas as forças vitais e não somente as sexuais como Freud impôs. Mas. Eu adorava os centros cirúrg icos e sabia que eu era ótimo no que fazia. em neurocirurgia cerebral. Após algumas cirurgias supervisionadas p elo Médico Professor Doutor que reconheceu e elogiou meu trabalho. traumas ou transtornos de vida anterior a essa. A religiosidade do profissional pode. mas a ma ioria é assim. Adoro analisar pessoas. bonito. Puxa!.. Ao contrário dos católicos. Estagiei. Ele me impressionou. vejo e sinto muito mais do que antes! Despertou em mim um outro se ntido humano difícil de explicar. por exemplo. Por que me deixou dar tantas explicações e exemplos? Eu e stava a fim de defender minha opinião e pensei que o senhor iria protestar! Não bast ava me interromper e dizer que agi corretamente? Que o senhor entendia por que é e spírita? Eu sou psiquiatra. hinduístas. eu disse: Psiquiatras! Acordem! Tenham fé e se curem da cegueira materialista do mund o que vêem. que é voltar a viver no mesmo corpo físico. especializei-me em cirurgia c ardiovascular e.disse o doutor Edison. por ser judeu.. quando o assunto é importante. entender. refletir. capacitado. Sei que não posso generalizar. Talvez Freud. Posso dizer que é o meu melhor aluno. ao término.. Mas. abre um leque imenso de informações e aperfeiçoamento. Os jude us acreditam na ressurreição.. Tudo para Freud era de caráter sexu al e Jung derrubou essa teoria.. Nem sempre. ao desejo de obter qualquer f orma de prazer. . pois a seriedade é sinônimo d e atenção ao aprendizado. Mas Jung foi muito m ais além e concordava com muitos princípios de Freud. O profissional da área psíquica que buscar conhecim ento em todos os agrupamentos de seus estudos. protesta nte se inclinaria às aceitações espíritas. Ele não aceitou a lê cega imposta pelo pai. depois de pouco tempo. Mas doutor. Muitas teses e teorias freudianas são válidas e importantes. interferir.riu com gosto. Saber com quem trocamos essas energias! Perguntar: que tipo de energias recebi? De quem recebi e quais conseqüências espirituais isso me tr ará? Devemos ser sérios? Sim.. ao espiritualismo reencarnaci onista. Mas não deixei a depressão me der rotar e fiz uma nova especialização na área da Psiquiatria. Esse sentido não me impressiona como no passado. Obrigado. será enganado ou uma fatal vítima d a ausência de conhecimento. Eles não aceitam nem os fatos históricos! Continuam protestando se m buscar conhecimento. sofri um aciden te de carro e fiquei cego. pensamentos e experiências a partir do nascimento. Repentinamente um aluno levantou a mão e falou: Fiz todo o curso de Medicina. Fiquei revoltado. São teses presas aos instinto sexual. talvez. pois acredito ter ganho um outro. A religiosidade pode intervir no profissional. o maior Psicólogo da Humanidade e ainda afirmou: A tua fé te curou . entre outras.. à filosofia reencarnacionista dos espíritas. o que a ciência prova ser impossível. O pai de Jung era pastor protestante .exclamou Sérgio timidamente... s abem ouvir. com um futuro promissor!. bud stas.. Devo afirmar que fiquei incrivelmente satisfeito e até surpreso com sua análise nesse caso. Mesmo assim. mesmo sobre uma opinião negativa aos nossos conceitos. Jung quis e buscou o conhecimento de todos os seus Porquês . à filosofia espírita. não se aprofundou em estudos de antes do nascimento. pois esses são bem tolerantes. Devem os sorrir? Sempre que estamos felizes! Mas lembrar que em alguns momentos essa e xpressão de sentimento é inadequada. porém Jung ampliou o papel do in consciente enfatizando que a libido.In stantes de reflexão e contou: Outro dia em. na qual não preciso usar os olhos. parece que eu vejo e entendo a alma dos paciente s e não a aparência física . Pensei: por que eu? Jovem. existe muito mais além do corpo físico! . verdade e explicações científicas. ou melhor. nem aceitou a reencarnação. Ele não está totalmente equivocado. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará . Hoje em dia o profissional da Psicoterapia o u Psicanálise que se fechar aos novos conhecimentos. à budista.ntão devemos pensar muito. eu estava satis feito e feliz pela minha capacidade. ou energia psíquica. a princípio.. uma aula para uma turma de pós-graduação. ao contrário.. frase do Mestre Jesus.

. um dia . Podemos conversar agora ou tem algum compromisso? Podemos conversar. Con do totalmente com você sobre ela necessitar de intervenções medicamentosas.. . sorrindo. Sei que quanto mais demo ar a tratar de um distúrbio de estresse pós-traumático ou agudo é pior. E a dona Antônia. sem a inst rução que buscou através de muito estudo. de seus desejos e pensamentos. E se não acontecer. tornando-o ótimo no que faz. Quer conversar a respeito? Não me veja como profissional. O senhor sabe de tudo e. confessou com expressão séria: A presença da Débora na minha vida foi algo muito significativo e essa ruptura.. Acredito que ela corresponderá muito bem aos homeopáticos e fitoterápicos de um modo geral.. proponha-se a conversar. Não está sendo fácil convencê-la a uma consulta psiquiátrica.. A Rita é uma pe ssoa inteligente e receptiva. mãe do João. avisou brincando: Pode deixar.você apenas estava defendendo uma teoria sem o verdadeiro conhecimento. Estou preocupado com você. Só me resta esperar isso acontecer. meu irmão. pois qualquer mudança comportam ental pede imprescindível rapidez na disposição de outro método de tratamento. mas eu acredito que. Foi por isso que contei o que aconteceu comigo daquela forma tão. Depois perguntou: E o segundo caso? Li suas referências. vazio. Todos os fatos como em um rel atório encaminhado ao seu comandante na polícia. Tudo aconteceu muito rápido.. Ela v irá. mas desejaria que fosse agora! Às vezes.Suspirou rápido ao afirmar com emoção: Eu amo a Débora! Gostaria de uma oportunidade para explicar a ela o que aconteceu. Tenho idade para ser o seu pai e o consider o como filho. E um caso meritório de atenção urgente e sem dúvida conduzida à religiosidade para mudança de hábitos e elevação espiritual.respondeu educado e levantando-se. mas precis o informá-lo de que não prescreverei medicação química ou drogas fortes para essa paciente . Além de flexível. Penso que poderá s er persuadida pelo Tiago. a paciente retornará a lazer terapia com o senhor! . Aquele é mais complexo e gostaria de analisá-lo melhor.. Parabéns! Você foi ótimo! E. conversam muito e acho que ele conseguirá trazê-la aqui. dará incentivo e apoio. doutor Sérgio! Esse caso merece extrema atenção.. por que estou usando termos clínicos? Força do hábito . o médico argumentou com tranqüilida de: Não sou somente seu supervisor. o doutor Edison perguntou: E você?! Eu?!. Estarei atento.. Fiquei bem atarefado e não tivemos tempo par a conversar. Como o senhor quiser . .. Entretanto.Um instante de pausa e falou: Gos taria de saber dos acontecimentos com as expressões mais profundas de seus sentime ntos. Considero-o muito.. Se ela precisa de um tempo para pensar e quiser me procurar depois.. Sérgio? Veja. Sérgio. É questão de pouco tempo. não posso parar minha vida. deprimido.Riu de si mesmo e reclamou: Mas que droga. Diminuir meus valores e deixar que essa situação . f rágil. . mas sim como amigo. Quem sabe. Sérgio respirou fundo e sorriu. Contou-me só os fatos. sinto-me ansioso. Após segundos. Ah! Sérgio! A propósito... o rapaz comentou: Sabe. o s enhor se coloca em último lugar. Prefir o conversar a respeito dele em outro momento.f alou de modo brincalhão. Sente-se aí. tem uma personalidade tranqüila. rapaz. sensível. Sem que Sérgio esperasse. por você mesmo. Mal detalhamos algumas supervisões e.Sorrind o.. Por quê? Já fiz isso demais. A Rita e o Tiago são b em amigos. Talvez.. Tal bloqueio o leva a dar extre ma atenção ao que se dedica. O senhor a conhece e pôde notar o quanto ela é educada. Não acha que merece mais atenção da sua própria parte? Vendo pela primeira vez Sérgio fugir-lhe ao olhar. auxilia-o na repressão de seus complexos ou problemas íntimos e o faz bloqueá-los. . Procure ficar mais à vontade.. extremamente introvertido. A propósito. E sua amiga que desejava tentar suicídio e?. em breve. como referência materna. Soube. Não entendo como ela tomou essa postura. e a dona Antônia. tudo o que aconteceu.Sem demora.explicou o médico.. doutor Sérgio. Procurou-a novamente? Desisti... eu tenha essa chance. quando tomar conhecimento da realidade dos fatos por outra s fontes.. .. O seu Tipo Psicológico..... Porém.

Estava com dívidas.. vil.. Você é muito inteligente. Débora chorou ao dizer: Eu confiei em você.. Ao encará-lo. sem o apoio da famíl ia e. E sperava há horas e.. do Tiago.. o Tiago no outro e eu fiquei na sala sem sono pensando no que te aconteceu! Quer confirmar isso?! Verifique as horas de todas as minhas ligações para você! Acho que estava quase amanhecendo quan do eu desisti de ligar e a Rita teve um pesadelo.murmurou o rapaz com nítido nervosismo na voz grave. . Imaginei que assumiria seu arrependimento por tudo o que já fez! Que até se propori a a um tratamento. Não posso minimizar a concentração no que faço por causa a falta de maturidade de alguém que eu amo e não quer conversar comigo para ouvir a minha versão dos fatos. Estou sentindo um nó na garganta. ele contou: Não tem o direito de me acusar! A Rita tentou se matar! Foi violentada pelo tio! Eu a levei para minha casa. Débora . que está nos ajudando?! Eu sei de tudo. Sérgio levantou rapidamente e virando-se ficou assombrado ao ver Débora na sala d o consultório. inescrupuloso. existe algo que o aflige. educado e sem lembrar que estava na sala do médic o: Por favor! Pode deixá-la entrar. deixando mil recados. tão cruel. Confiei demais! Pensei que fosse honesto e me pediria perdão. Mas não! Quer que eu acredite nessa história absurda?! Por que absurda?! Que provas tem contra mim?! Como pode me acusar se não ouviu a versão da Rita. abaixando o olhar triste e perdido. entrou em desespero. Assim que a secretária fechou a porta. é um safado! Acalme-se Débora. sem se importar com o doutor Edison que ficou feito uma estátua em pé frente à mesa.propôs bem firme e ponderado. Sérgio! Conversei com a Sueli e ela me contou que a agrediu a p onto de ela abortar o filho que esperava! Um filho que era seu! Você a agrediu por ela descobrir o incesto entre você e a Lúcia! Você forçava a sua irmã a se relacionar sex ualmente com você! E na oportunidade daquele assalto. Vendo-a surpresa com su a atitude. quando a secretária praticamente gritou: Doutor Edison. quando lhe entregou as fotos nas mãos..revelou. Tentei encontrar você. foi porque não agüentei mais ficar acordado te esperando! Aquele foi um dia terrível para mim! Você é capaz de entender isso?! . eu não pude fazer nada! Ela queria falar com o doutor Sérgio!. mas não retornou nenhuma das minhas ligações! Onde você estava quando mais precisei?! Então a Rita teve de dormir no meu quarto.. certo? Além do mais. Naquele instante. Fui acalmála.. Um aperto no peito. Se não bastasse eu vê-lo dormindo junto com a minha melhor amiga!. Débora aproximou-se de Sérgio. mas vontade não me faltou! Nunca houve filho alg um! Ela é louca! Como pode acreditar que eu e minha irmã. talvez. nas minhas férias. falou com voz trêmu la: Precisava vê-lo! Precisava olhar em seus olhos para acreditar como alguém pode se r tão cínico.. Procurando tr anqüilizá-la. da dona Antônia. tudo é mu ito recente... pediu.. po is quero saber do que você está falando! . uma coisa que não sei explicar. n conseguiu deter as lágrimas nem a respiração ofegante. Mesmo assim. Seria irresponsabilidade minha. Débora?! ..interrompeu-a num grito. sem emprego. Até eu preciso de um tempo para pensar.gritou desesperado. Respeite a presença do doutor Edison. Você se acha civilizado?! Normal?! Se você não é um demen e. Sinto um medo inexplicável por essa situação que ela p assa e. eu cuido de pessoas que pre cisam de ajuda e merecem atenção. sem agressões verbais. Tem muita confiança em si mesmo e é isso o que me preocupa. apesar disso. enquanto perguntava baixo e pausadamente: ..interfira no meu profissionalismo. a porta da sala foi aberta abruptamente e as vozes feminina s estavam alteradas. Pare.. Sérgio. Depois continuou: A Débora passava por um momento difícil. encarando-a com olhar firme. Isso me preocupa muito. Ela o interrompeu com a voz mais segura. sentei ao seu lado e conversamos! Se eu peguei no sono. Afinal de contas. Civilizado?! . apesar do choro.perguntou.. Vamos para minha sala.. é capaz de acreditar na Sueli?! Jamais agredi a Sueli. lá no fundo. a Lúcia se matou por sua causa ! Ficou louca.gritou ela.. Você não sabe o que aconteceu! ... Depois de tudo. pediu gentilmente: Vamos para a minha sala e conversaremos como pessoa s civilizadas. Sinto que.

Seu corpo caía lentamente como se fosse tragado. . Sérgio sentia-se inteiramente acor . afundan do em uma sombra.. E.Lágrimas correram pela face e ela ainda acrescentou: Eu o adoro. não é?! É a sua cama?!. surgiu sorrindo: Ora! Ora! . . o médico o segurou pelo braço ao perguntar: Você está bem? O rosto branco e gelado voltou-se para o doutor Edison e tentou balbuciar. pois sentia doer todo o corpo.disse.. pálido feito cera.. Correndo ao seu lado. sem forças e decepcionada: Cuide bem dele.Virando-se para o médico. que escurecia sua visão. As fotos falam por si só. mas se quer mesmo saber são nove horas da manhã. Não quero ouvir mais nada . Estávamos conversando. Sérgio estava em choque. o coração batendo com dificuldade e. Não tentou dizer nada. .. era tomado por uma espécie de adormecimento que começou a reduzir as dores.. contrações súbitas da muscul tura de duração variável. mas sentia os pensamentos confusos. Impiedosamente. A perplexidade não o deixava concatenar as idéias e um torpor o dominava. apresentou: Este é o doutor Vicente. brincando. Sérgio ouviu o som de passos vagarosos aproxi mando-se dele. . deitada sobre você?! É o seu quarto. ma s não conseguiu dizer nada.. Pode ficar com as fotos. mas espe rei por mais de uma hora e meia lá fora. precisaremos imobilizá-lo. Essas dores são resultados dos espasmos. O Sérgio precisa de aju da. você re cebe uma medicação intravenosa adequada que vai aliviá-lo da dor. Tentando se virar. Num grande esforço. pára próximo do leito e o rosto tranqüilo..brincou. olhou para o lado reconhecendo a figura do médico amigo. pois eu já i a embora. Débora ainda o torturou ao pergu ntar em tom brando: É impressão minha ou esse aqui é você. Sérgio?! O que tem a me dizer agora? A versão da Sueli sobre isso é mentira. Que horas são? .. Isso tem uma explicação. 20 . * * * Sérgio acordou e se viu deitado sobre a mesma cama. Desculpe-me por invadir seu consultório. Vendo-o petrificado.Sérgio tinha as mão s trêmulas ao olhar as fotografias. Foi no exato momento em que as lembranças chegaram ter ríveis como o clarão de uma explosão de recordações.Como não acreditar na Sueli?! Veja.. ua irmã.chorou. Confiei nele. olhando-o firme. Petrificado. até um sopro de frio mortal atravessá-lo como uma espada.. Uma conversa em voz baixa a traiu sua atenção.alegrou-se. Bom dia... Não reconhece um hospital?! . e a Lúcia. que teve enquanto perdeu os sentidos devido à exaltação inesperad nas funções orgânicas produzida pelo nervoso extremo e estresse. mas. Mas não posso ficar ao lado de uma pessoa assim. Calma.pediu a voz tranqüila do doutor Edison. Eu e a Sueli temos outras.tentou se defe nder.tornou o outro. . o rapaz olhou para o médico e acenou positivamente com a cabeça. filho ... Calma. completamente nua.. Virando-se.. Não sei qual a utilidade. . Cumprimentando rapidamente o doutor Vicente... pálido e mudo. Caso comece a se mex er..perguntou Sérgio.Apontando para o outro médico. Alguns passos. Através do soro. Como assim? Onde estou? E.. Não entendo por que ele me enganou ta nto.. doutor Sérgio! Pensei que fosse dormir o dia t odo! . fechando vagarosamente a porta. fazendo-o olhar para o lado e ver o doutor Edison em companhia de outro médico. deitado de costas. o rapaz levantou a cabeça e chamou com voz fraca: Doutor Edison. alerta. Sentia a boca seca. Débora ainda falou em tom brand o.. o rapaz deu um gem ido de lamento alucinante.. Em seguida aconse lhou: Não se agite. Apesar da visão embaçada. ela questionou: Ainda quer que eu acredite em você.. naquele instante. a moça saiu sem olhar para trás. Por um instante. contornado pelos cabelos grisalhos e cacheados do amigo. novamente.Breno aproxima-se de Débora Remexendo-se lentamente no leito. Não conseguia entender o que estava acontecendo. doutor Edison.

avisou mais calmo enquanto caminhava: Eu trouxe um livro para você. .. Sérgio! . Ele tremia. você não tinha o direito de apagar os recados deixados na minha secretária! Por que está tão irritada?! De que eles adiantariam?! Para que ouvi-los?! Só se você for masoquista e quiser sofrer mais! E pare de gritar. Eu o conheço. * * * Em seu apartamento... Débora estava nervosa com a atitude da irmã e reclamava: Yara. pergunt ou afoito: Não vai me deixar aqui. Eu não acredito.exclamava Yara. apressou-se para acompa nhar o doutor Edison. Se eu pegas se meu namorado dormindo na cama com a minha melhor amiga!. Débora! Depois de tudo o que a Sueli contou e te provou com aque las fotografias!. que a Rita estava lá e precisava de mim. apesar de inconformado. sem dizer nada.. Yara! Deixe-me pensar! Por favor! Pensar em quê?! Foi algo que o Sérgio falou sobre a Rita tentar se matar e para eu verificar os recados que ele me deixou e os horários. Melhoras! O outro médico ofereceu leve sorriso e. ao pegar as fotos que entreguei. Sérgio ainda tentou protestar: Mas eu penso que. No tom de sua voz aflita e firme ao dar tan tas explicações. Apesar de nunca tê-lo visto tão austero. Em todos disse que tinha a contecido uma coisa grave e pedia para eu ligar. pediu: Espere. em seu o lhar penetrante que invadiu seu ser. Preciso ir. não parava de falar e sua energia devorava o fio de esperança que existia em Débora. Você viu as fotos! Quando contou que mostrou para ele. A jovem sentiu verdade em suas palavras.interrompeu-o firme.. O que ele contou e a forma como contou ofereci a ao rapaz um voto de confiança. refletindo so bre cada detalhe: Havia sinceridade em suas palavras. Ah! Eu matava os d ois! Além dessa magnífica cena. Aproveite e descanse... Tudo há seu tempo! Não acha? Ficará em observação até ar vinte e quatro horas de sua internação. Você não entende! Ele encheu a caixa postal do celular... deixando Sérgio aturdido. Está aí ao lado. . . porém não sabia o que era. Mas Yara.. Sérgio nem pensava enquanto falava. pois tentava ignorar um frágil conselho que lhe sussurrava no fundo da alma a favor de Sérgio. avisou que estava em c asa. E o que posso dizer por agora. inconformada. No último. Questionou como fui capaz de a creditar na Sueli. Ainda disse que me amava. Perguntou se eu estav a louca.. falou: Ainda bem que eu tirei cópias ou você seria capaz de dizer que não viu direito aquela atitude imunda d ele com a irmã! Enquanto Yara vociferava e gesticulava andando de um lado para outro. À tarde volto para vê-lo e decidir se merece receber alta ou se precisa ficar mais tranqüilo. ficou pálido e tentou falar.. Quando eu disse que sabia de toda a verda de. Nunca vi o Sérg io daquele jeito. O último recado foi quase às duas da madrugada.. Trazendo os pensamentos em ruínas e sofrendo com os conflitos interiores. O Sérgio não sabe menti r e ele estava bem franco... a não se r deitar-se novamente ou ler. Ele esbravejou e se defendeu bem firme. confuso e sem alternativas. O doutor Vicent e cuidará de você. informou: Eu só queria confirmar se o s outros recados deixados na secretária eletrônica foram após esse horário e o que dizia m. mas sua voz pareceu fra . Mas.Débora falava brandamente. não é.. pedindo para eu entrar em contato. Afirmou não haver filho algum. Gritou ao dizer que nunca a agrediu e disse com lealdade que não faltou vontade para isso. Ainda tem alguma esperança de que esse safado pode se defender de tudo o que você mesma viu?! Ah! Não! ...dado e lembrava-se de cada detalhe do ocorrido. doutor Edison?! Estou me sentindo bem demais para fi car num hospital! Preciso ir ao trabalho e.Brev e pausa ao perder o olhar ficando pensativa. Não pareceu mentir. Débora se ntou-se cabisbaixa e desolada.. o cara não negou! Disse que a Sueli mentiu! Em instantes. ele não entendeu sobre o que eu estava falando. inspirada por espíritos malfeitores. Você falou e pensou hoje mais do que devia.. Se eram mais detalhistas!.Virando-se para sair. Não suportando. Ela sentia que havia algo errado naquela história. Esforçando-se para sentar.

falou com ironia.. Se não fosse por ela. o servo daquele líder saiu rapidamente para cumprir as ordens de forma alucinada. porém não sei o que me deu! O Sérgio. Mas como?! Não. Gritando para um grupo de espíritos gro sseiros que o acompanhava. deixando a coitada tão desesperada que até se matou por isso?! Não acredito que esteja defendendo esse doente. exigindo dos demais: Vamos. deitada sobre o Elcio. c om pensamentos tristes e conflitantes.. Imediatamente Yara tomou a iniciativa de atender. Agora o Sérgio por qualquer coisinha fica todo nervosinho! Qual é?! Não vou esquecer quando cheguei aqui e vi v ocê chorando feito uma condenada por causa do Sérgio! Um cara que te agrediu com um chacoalhão. com o ânimo reduzido a migalhas. avisou: Mandei subir. Aliás. Eu não poderia dizer p ara não vir. . Yara! Não quero conversar com ninguém! Ele ligou antes de você chegar. Foi frio. aproximou-se e sentou ao seu lado.Pequena pausa e comentou menos irr itada: Lembra a mentira que contou ao Breno sobre estar grávida e era por isso que ficaria com o Sérgio? Ele ficou triste.Débora não disse nada e a irmã esbravejo u: Deixe de ser idiota! Queira quem a quer! .Vend o-os como um grupo de soldados desorientados. a jovem ficou envergonhada. Não demorou muito e o interfo ne tocou. Débora estava visivelmente abatida. com satisfação e orgulho. apon tando: Vocês! Vão tomar conta do desgraçado do Sérgio! Corram! Ficarei aqui para não perder qualquer oportunidade. Não procure justificativas para o que não tem defesa! Ele é safado e esperto! A corda. indicando: Você! Seja hábil com o chicote. o nosso irmão. ouviu e das provas incontestáveis contra el e dormindo com a irmã. Você é louca! Depois de tudo o que viu. a Débora está aqui na sala. só iria te enrolar ! Ele é profissional nisso! Pense comigo: como você explicaria uma foto com você nua.. com as habilidades no emprego das técnicas sugestivas. que não demoraram a escorrer por sua face pálida. beijando-lhe o rosto ao pergunta r: Você está bem. Enquanto isso. o Sérgio fica mais fraco. Secando-as com as mãos.ca e gaguejou.gritou Yara. minha amiga? Ela o encarou com os olhos empoçados em lágrimas. É o Breno. Eu disse que você estava com problemas. Depois quando soube que foi mentira sua. Sebastião urrou. Sem a Débora. tive a impressão de que ele começou a passar mal. avisou: Entre. imagine se morassem j untos! Na espiritualidade Sebastião ria com gosto e saboreava.Reunindo os espíritos que desejava. Débora! O Sérgio te enganou! Quer continuar te enganando e pelo visto está cons eguindo! Ele não quer manchar a sua imagem de doutor Sérgio! . Eu deveria ter conversado ou ouvido como ele propôs. E veja como ele é um cara ba cana. para organi zar esses atrapalhados. Sebastião ordenou como se rosnasse com ferocidade. mas respondeu: . olhando-se e misturando-se sem sab er o que fazer. com você abraçando-o pela cintura. aquele covarde não teria desertado. eu não t eria ouvido e sofrido por mais de um século. Ele disse que havia uma explicação. Débora se deixava convencer pela irmã. o sofrimento experimentado por Débora e Sérgio. Essa infeliz precisa pagar por tudo o que fez. quando soube que era mentira. grosso com as palavras e virou as costas te desprezando e não querendo conversar! Pense nisso! Se agora o sujeito é assim. Sinto um arrependimento por isso!.. as pernas sob re as dele e ele meio coberto por um lençol?! . nem ligou e continuou seu amigo. No instante em que a campainha tocou. Breno modero u o sorriso. ou eu mesmo manusearei uma boa tira de couro em suas cos tas para que aprenda botar juízo naquelas cabeças! O servo arregalou os olhos horríveis e inquietos. triste e ele não agüentou saber de seu sofrimento e pediu para vir aqui. Vão! Vão logo! Os outros ficarão comigo. mas não reagiu. Contou para ele sobre mim e o Sérgio?! Contei! Qual o problema?! Chega de mentira! Já bastou aquela história que você inve ntou sobre estar grávida do Sérgio só para afastar o Breno. Pensei que fosse desmaiar. Ao retornar. seus vermes malditos! Somos soldados guerreiros! Ajeitem o grupo e me sigam! . Débora! . deixando-a ne rvosa. Yara abriu a porta sem se importar com a irmã. também não disse nada e continuou seu amigo. mas não fiquei para saber. Depois de cumprimentar Breno.

voltou-se novament e para Débora e. mas vi que dormia tão suave que. sem que ela esperasse. Ela aceitou e ajeitou-se no sofá.. Vagarosamente a jovem foi percebendo que Breno era muito atencioso.Beijando a irmã. foi até a cozinha e retornou c om um copo com água adoçada. Breno? Quer deitar em seu quarto? Não. Você não quer conversar e eu a entendo. Qualquer coisa. Lentamente os pensamentos da moça eram envolvidos por uma sombra que a cegava para não ver a falta de integridade do rapaz. para seu espanto. Na verdade gostaria de ficar sozinha. agr adecendo. De qualquer forma acredito que estará em boa compa nhia.. Yara anunciou: Desculpe-me. seus vícios e transtornos. torradas e deliciosos e pequeninos pães-do ces e colocou-a sobre a mesinha central. Sentando-se e observando s eu largo sorriso. . Desejari a que Breno não estivesse ali. Sei o que é isso. o rapaz se serviu e sentou em outro sofá.. como um tr iunfo e com a finalidade de usá-la como objeto em situações ou fantasias. o que Débora aceitou. Ela experimentou uma sensação agradável ao vê-lo tão gentil.. Então fique aí e relaxe. tirou-lhe os sapatos. sustentando uma bandeja onde sobrepunha xícaras de chá. Foram detalhes que me trouxeram recordações e. É que. ele ofereceu-lhe torradas. Breno acomodou-se rapidamente ao lado de la e parecia preocupado ao perguntar com extrema generosidade: O que foi? Eu disse algo errado? Não.prometeu o rapaz com leve sorriso.Virando-se para o visitante. * * * Débora despertou sentindo-se atordoada. generoso e verdadeiramente amigo.Já estive melhor. no caso. beijou-o no rosto e pediu. me liga. pedindo baixinho: Beba um gole para se livrar de algum gosto amargo e lavar qualquer lembrança ru im.. Breno colocou o recipiente sobre a pequena bandeja. Manipulador. Débora não sabia o que argumentar. Ela forçou um sorriso e aceitou o copo. Breno? Por que tanto trabalho? Trabalho algum! Acho que não comeu nada o dia todo. quase ao mesmo temp o de uma rápida piscadinha: Cuide bem da minha irmã! Pode deixar . Pensei em levá-la para almoçar. assumia uma conduta educada para seduzi-la. avisou: À noite estare i de volta. Frente à irmã. Não quis interromper seu sono. ajeitou algumas almofadas e a conduziu para que se deitasse. Débora chorou e o rapaz ampar . O Breno já provou ser um ótimo amigo. dissimulan do a voz ao lhe dar um sorriso enigmático com o canto da boca. Tenho certeza de que vai tirar um cochilo e isso será ótimo.... Entretanto. Aproximar-se e envolvê-la para submetê-la ao seu controle. Breno. A conversa seguia com aparente tranqüilidade entre eles até que a jovem expressou semblante triste. Após entregar-lhe o pires com a xícara. Sua estrutura psicológica estava empenhada na cordialidade e amabilidade a fim de conquistar a t otal confiança de Débora.. despertando seus desejos mais obscuros. comentou: O que é isso. Alguns goles e devolveu-o ao rapaz. Mudando-se de lugar. escolhia suas vítimas e escondia suas verdadeiras intenções. Breno foi ao seu encontro. e conversou sobre a brusca mu-dança do tempo. Breno se levantou. Mascarava o caráter a fim de empenhar-se ao máximo para obter o que desejava. Procure não pensar em nada. Nem um minuto se passou e a moça se surpreendeu com ele cobrindo-a cuidadosamente com um leve lençol suave e perfumado. na verdade. Sentia grande necessidade de organizar as idéias e pa ra isso não poderia ter alguém ao seu lado. uma atração física qu e o influenciava de maneira poderosa e anormal. Entre um gole e outro da bebida morna. . correspondendo à trama de Yara . nunca te exigiu nada e está presente nas h oras mais difíceis. a f im de satisfazer a paixão compulsiva que experimentava pela jovem. O que é isso. Débora. mas preciso ir.. A moça virou-se sorrindo e se foi. colocou-lhe os pés sob re o sofá.

. ela foi muito insensível. Quer conversar um pouco? .. aproximou-se da cama onde se sentou e comentou em voz ba ixa: Ninguém jamais me fez sofrer tanto. Tirava as melhores notas a custo de uma dedicação impressionante... ele pegou uma outra cadeira e puxou um a pequena mesa colocando à frente ao doutor Edison. criado com toda a atenção e orientação. Sérgio. envergonhado..respondeu. Lembrava-se dos detalhes que o abateram a ponto de levá-lo a um hospital.. Estávamos vivendo situações decisivas e importantes em nossas vidas. Tinha o olhar perdido no horizonte. Eu e minha es . Acho que precisava desse descanso. muitos desabafos. E para provar essa gran de confiança e consideração que tenho especialmente por você.. louca a esse ponto?! I sso é doença! Ela não tem estrutura nem caráter. Isso só se explica como forma de vingança. Sérgio aind a estava com a cabeça curvada quando finalmente comentou: Tudo o que aconteceu me deixou muito perturbado.brincou o homem. Não acreditou no que eu disse nem me deu chance para explicar. a falta de visita e. mas como amigo.respondeu com simplicidade. tenho idade para ser o seu pai. Diga-me a ve rdade. em certos instantes. vou te contar que. Disse que você não estava se sentindo bem e tratava-se de um estresse mental. Ele ficou sentado. Sorriu.perguntou o doutor Edison. sentando-se em seguida diante dele. Entretanto ainda possuía uma inquietação que incomodava s eus pensamentos. A propósito.. Estou arrasado ! Quero sumir! Nada em minha vida parece fazer sentido e. Levantando-se de onde estava. mas. De repente p erdi o controle da situação pelas acusações injustas e pela forma como foram feitas. ao ver o médico amigo entrando. equilibrado e eu resolvi adiar essa co nversa que não me agrada nem um pouco. Sérgio estava em pé frente à janela. Na mesa que os separava. Depois o tempo foi passando e. como já disse. não é? Não posso dizer que apreciei a comida. Longo silêncio e o doutor Edison comentou: Sérgio. * * * No mesmo momento.... Você precisava de um momento a sós. apoiou os cotovelos e em seguida esfregou o rosto com as mãos. puxando uma cadeira e a comodando-se mais perto do rapaz. conforme me orie ntou e o João também aconselhou. o fez virar-se lentamente. compreendendo-a. cabisbaixo. Os belos olhos de Sérgio o encararam de modo penetrante. Uma nuvem de dor pairava em seus pensamentos. Sérgio abaixou a cabeça. . expressando um pedido de socorro.Breve pa usa e perguntou de modo suplicante na voz grave: Como eu poderia imaginar que a Sueli fosse tão alienada. Você não contou à Débora sobre as atitudes desequilibradas de sua irmã? Não . por isso precisava de descanso.. Pensava em Débora e desejava tê-la segurado naquela s ala por mais tempo para contar a verdadeira história. Sabe. . No sso relacionamento estava bem harmonioso. tornou-se um aluno excepcio nal. Eu mesmo liguei para seu irmão e sua mãe explicando que não aconteceu nada grave.. olhando os últimos raios do so l que se punha entremeado de bela nuvem alaranjada.O rapaz falava de modo calmo. Meu f ilho. em absoluto silêncio e com um semblante sobrecarregado de profunda decepção.. Não contou a eles sobre a Débora? Não . contei cada detalhe. segurando a cabeça baixa sem olhar para o outro. Em seguida completou: A princípio.ou-a em seu ombro como amigo. com o canto da boca. ouvindo atenciosamente seu desabafo e afagando-a e . Por essa razão considero essa conversa como um desabafo pela nossa amizade. doutor Sérgio .. A Sueli foi alguém em quem confiei. Além disso. meu único filho. encarando-o. Eles compreenderam e ficaram tranqüilos... Ora! Pelo visto se comportou bem. por qu e eu não recebi visitas? Foi a meu pedido. Foi uma surpresa absurda! Deixou-me atônito por isso nem sabia o que dizer.. Contu do minha maior decepção foi com a imaturidade da Débora por não me ouvir. A Débora me atacou de uma forma muito cruel. De repente um leve barulho na porta. eu tinha decidido que era o momento da Débora saber. Mas a surpresa com a foto o deixou em choque e não soube como reagir. Não o ouço como médico ou psiquiatra.

Sérgio acenou positivamente com a cabeça e estava muito atento. Meu filho só dizia que estava sobrec arregado com os estudos e muito cansado. porém com os olhos empossados nas lágrimas. Não dizia nada. E eu. F oi então que meu sócio me chamou e disse: Se você morrer. . Logo o médico continuou: Nada adiantou. mas eu achava que era ciúme de mãe. Minha esposa precisou ficar internada por alguns dias e. serão profissionais cuja prioridade de suas atividades será proporcionar alívio..posa não podíamos deixar de ter muito orgulho dele. Sérgio. inquieto. mais uma dor. Ele tinha uma namorada. Queria fazer neurocirurgia e pensava em outras especializações.. um dos empregados correu ao meu encontro e.. Sérgio o olhava surpreso. . mas não conseguia tirar o Alessandro dos meus pensamentos. do seu preparo. o cabelo crescer sem pentear e a cada dia dimi nuía minha disposição para um banho. O Alessan dro necessita da sua força.. é importante que você. mel hor qualidade de vida e salvar pessoas. Edison. pois meu filho era tudo de mais importante para mim. descendo do carro.. Chegando ao terceiro ano de Medicina. q ueria abraçá-la para chorarmos juntos. Você acha que o seu filho acabou?! Não! Ele vive. o dono daquela mansão. afinal . o médico. berrou. Sem dúvida que experimenta momentos difíceis e muita dor na consciência pelo suicídio praticado. meu filho Alessandro começou a apresentar alterações em seu comportam ento. o amigo. as palestras. maltratando-se. o doutor psiquiatra. Eu estudava um meio de saber. mais d o que precisou durante toda a vida! . essa idéia não saía da minha cabeça. Eu sei quanta pressão e exigências existem sobre os alunos de Medicina. ao desespero. culpava-me.. Todas as vezes que tentei conversar com minha mulher.. Não existe dor maior ue a de perder um filho! Minha esposa deixou nossa casa. cuide dele com toda a s ua força e amor que jamais dedicou a um paciente ou a um aluno. Se desistir de viver. com a qu al minha mulher implicava. como pai. Ao me ver. que gritou. uma casa na praia em um lugar bem privi legiado e outra na serra. perto de Campos do Jordão. o palestrante. trará mais sofrimento e dor ao seu filho. o que acontecia. levando-o ao cansaço. Eu respondi que ele estava ficando louco. ela me culpava. que estava com os portões abertos.. porque era um pesadelo na vida real. dizendo que e u forcei nosso filho ao excesso de estudo. rec ebi um golpe mortal quando ele disse que meu filho havia se suicidado. quando volto u para casa. A cada dia o Alessandro se tornava mais calado. Desisti de tudo. Ab andonei as aulas. Dois dias depois de ele me dar essa exp licação.. meus pacientes. mas meu filho só ouvia e não me encarava. o pai desesperado.. Dei-lhe o divórcio. Tudo! Eu não cuidava nem da minh a aparência. para onde íamos todo inverno. D izia que o Alessandro não queria me decepcionar e por isso não suportou a pressão e se matou. Entende? . Eu estava sozinho e completament e arrasado. Eu passei a usar as mesmas roupas desalinhadas. quebrou o que pôde em diversas crises de nervos... com polic iais e peritos entrando e saindo. o médico confessou: Eu p ensei em suicídio. principalmente. chorou. . mas eu tinha um sócio. Na manhã em que retornei a São Paulo. ma s meu sócio replicou: Veja com os olhos do coração e contemple mais longe e não só à sua v a. se continuar se abandonando. prosseguiu: Eu deixei de se r o Professor Doutor Edison. Não me dei por vencido e procurei deixar de ser o pai para ser o co lega. Alguns segundos se pas saram e o homem contou: Acreditei que minha vida tivesse acabado. flagelando-se.. Deixei a barba grande. Foi morar com os pais e pediu o divórcio. sisudo. não seja para o Alessandro mais um peso em sua consciência. agora.. por ele. Chamei-o para conversar. mas ela me acusava. Só me restava vender a clínica. de seus conhecimentos e. silencioso e quase sem piscar. Eu não acredit ava que meu filho havia se matado. O A lessandro passou no vestibular para medicina com incrível facilidade. Não conseguia fazer nada por falta de concentração. após a morte de noss o filho.Encarando o rapaz com firmeza. Eu e meu filho conversávamos muito e ele até me acompanhava assistindo às minhas aulas ou palestras em congressos. Desfiz-me de tudo. fiquei assustado ao ver dois carros da políci a e um da perícia em frente à minha casa. Só que.. mais um motivo d e desespero.Falando calmamente. Queria que aquilo fosse um sonho ruim. se deixar de trabalhar para ajudar os outros. com o coração esmagado. na direção do Alessandro e o trate. Aliás.. Tínhamos uma bela e confortável residência. Olhe. I sso quando o via. Eu deixei de ser tudo! O que restou foi só o homem desorientado. eu era palestrante em um congresso no Rio de Janeiro. Eu precisava dela.

chore.. é mais claro do que a noite. Sérgio. e o a migo prosseguiu: Use todo o seu poder. Os olhos de Sérgio pareciam explodir em chamas como os de alguém que acordasse abrupta-mente com uma rajada de água fria. doutor. Ei! . Sérgio debruçou-se sobre a mesa.Não houve resposta. caia de joelhos.Ao ver encará-lo. Parece que escuto cada palavra até hoje. seu bo m-ânimo. a sua garra e conhecimento a dquirido para guardar. sua nada e tudo mais não têm importância.tornou Sérgio. proteger e preservar o seu maior tesouro de modo que ning uém consiga profaná-lo e prejudicá-lo. Não qu ero te perder agora que o encontrei. e. Os dois se entreolhavam firmes. Sérgio ficou em silêncio e fugiu o olhar sem dar qualquer resposta. perguntando temeroso. mas peça a Deus que o amanhã chegue rapidamente com uma luz forte de confiança e razão. Que tesouro eu tenho. A mecânica dos problemas humanos é o resultado do que você fez p or você em muitas outras vidas e pode ser também uma opção para ajudar alguém da sua famíli espiritual. há dias. desistir da vida. Eu sofri muito. Cre io que foi a vergonha de desabafar que levou o Alessandro à prática tão lamentável. envergonhado esconde u o rosto onde secava algumas lágrimas. Você está começando a desenvolver a convicção de que seu trabalho. outros momentos vão emb elezar sua vida! Lembre-se de que não existe somente a noite escura e fria. A cada aluno ensinei como se fosse para o Alessandro. avisou com voz terna: Não quero perder mais um filho. mas me dediquei e me empenhei como nunca. po is você não cometeria esse crime contra as Leis de Deus se ele estivesse vivo .Breve pausa e o homem aconselhou. doutor? A consciência. escondeu o rosto em seu ombro e chorou como n unca. Ao vê-lo erguer os olhos para o teto e dar l ongo suspiro.será por culpa da decisão tomada pelo seu filho com a prática do suicídio. Vim aqui para avisar. Acredito que suas roupas estejam ali no armário. Nunca soube de sua vida. pensa em desistir de você mesmo. filho. P or essa razão. Mesmo um dia cinzento. Por que está me contando tudo isso? Por que vejo em seus olhos. falou: El eve os pensamentos e reze! Se for preciso. ou missão evolutiva com amor incondicional por todos ou tarefa que não se pode esperar. mas não pensa que me engana não. sem qualquer lamentação. estava. auto-estima e reconhecimento de seus valores e limites como se eu estives se tratando o meu filho. dediquei-me tanto as aulas. Esse sócio é espírita. sorrindo: Aumente a umidade relativa do ar à sua volta! Desenvolva a autoproteção! . O rapaz não se conteve. seus esforços. Isso não fo i e não é fácil. Depois pegou suas roupas e foi se t . Você é um ótimo profissional. . por causa de um brutal e cruel rompimento amoroso. E se você també tirar sua própria vida. Sérgio. Assim como os raios do sol no horizonte são diferentes a cada dia. O médico não disse nada. Após longo tempo.. algo que me deixou inquieto. E apesar de tanto con flito e desespero íntimo. O doutor Edison se levantou e foi ao seu lado. Algo que vi n os olhos do Alessandro. eu direcionava as explicações e orientações para meu filho e em forma de pensamento. toda a sua fé.Mais sério. Isto é. caindo num choro sufocado e compulsivo. Sérgio o abraçou forte. mas. Sérgio se afastou do abraço e.. Não é Sérgio?! .. A mecânica dos problemas humanos não se restringe somente à ciência da Psicologia ou da Psiquiatria.. Na verdade. Sérgio o abraçou f irme e estapeou-lhe as costas. Quando cheguei. o doutor Edison falou: É melhor que se troque. trazendo um leve sorriso no rosto avermelhado. Acho que me esque ci! Aproximando-se. Eu soube por você mesmo de toda a sua história. acarretará uma imensurável responsabilidade e extrema aflição. eu falava buscando meios de despertar suas forças interiores. Todas as manhãs trazem luz.perguntou com a voz rouca pelo choro. Não disse nada. eu estudei e entendi que meu filho poderia se erguer do vale espiritual tenebroso onde se encontrava através dos meus desejos e pensamento s.. Vejo que se empenha e se dedica extremamente ao trabalho para fugir da sua realidade . mas ele silenciou e somente esperou.riu. Cada paciente que cuidava. vejo que. puxou-o para um abraço. Se quiser uma carona! Eu já estou de alta? . Lágrimas correram em sua face serena. O quê? . Pela experiência que apren o a cada dia.. grite. sua alma. . Erguendo-o..

falou sério. Recusou-se a me receber como visita. Toda aquela discussão na sua sala. procurar ajuda profissional é coragem. mas acreditava que p oria um fim ao inferno vivido no pensamento e na necessidade do corpo.. o retornar a clinicar. não conseguimos minim izar sua depressão. os paciente chegavam. Arrependido por quê? Por não ter contado para a Débora sobre o desequilíbrio da minha irmã. Querer a mo rte é covardia para enfrentar a vida. Apesar de ter-lhe fornecido toda a ate nção. poré m minha consciência ela ainda é minha esposa. Meu filho escreveu que estava ciente da atitude insensata. Sérgio? A verdade é que senti vergonha por causa do senhor. eu decidi rec omeçar. meu filho menci ona que passou a fazer uso de drogas para ficar acordado e sem fome para não perde r tempo com a alimentação a fim de estudar e se aplicar mais. por se desviar para o caminho da s drogas para o qual eu sempre o alertei. Como todos os iniciant es em vícios. l utar. arrependido. Mas ela não aceitou. Depois do alerta desse meu grande amigo. E sua esposa? Por mais que tentei e tento. da perturbação e da dor para elevar sua consciência e beneficiá-lo com o arrependimento e a aceitação de socorro. Ao saber da minha busca mais profu nda nos ensinamentos da Doutrina Espírita que me traziam consolo e força interior at iva e construtiva para minhas atividades..rocar. dedicação e amparo. Ao contrário de alguns deprimidos de comportamento passi .. Não sei como conseguiu aquela arma. Ela se entregou à progressividade de um estado desesperador tão pr ofundo e por um tempo suficiente que agora acreditamos ser quase impossível modifi car seu comportamento disfuncional. minha esposa abandonou qualquer ocupação. No começo entrei em um mundo de escuridão e infelicidade. conversar.. pode dizer como ele se matou? Sinto imensa dor. Senti vergonha e dec epção.. A impressão que tive foi de lutar. Peço a Deus que o abençoe. Foi à vergonha de contar o que acontecia que o levou à prática de ta manho absurdo. O Aless andro se matou com um tiro na cabeça. As drogas foram vitoriosas. Fiquei em conflito. Passei o dia pensando: o que vale minha vida? A pessoa que mais amo e que diz ia me amar me tratou como quem ofende um marginal. Sentia-se deprimido e envergonhado e não sabia como me contar. Dei-lhe o divórcio para não contrariá-la. através de psiquiatras amigos. Pensei em desistir da vida. ele acreditou que isso seria temporário e logo pararia.. quando lembro. Tratei de cada um deles como se fosse o Alessandro. chorar. pensei muito. embora saiba que é necessário usar a dor em bene fício do próprio Alessandro. Mas por incrível que pareça. Bu scar na religiosidade o equilíbrio e o entendimento. Meu mundo estava de cabeça para baixo. afirmando que não conseguia mais p rosseguir sem elas. Um tanto cauteloso. Mas seu corpo exigiu mais. Que vergonha! Vergonha mata. na sua frente. ela não quis reverter seu quadro de depressão clínica para a tris a comum. * * * A caminho de casa.. Sérgio . Ele foi encontrado em seu quarto e deixou uma carta pedindo desculpas a mim por não ter co ragem de contar suas dificuldades. seus medos e. estaria ao meu lado hoje. Por que se envergonhou. lutar e não ter êxito algum. Não peço mens gens mediúnicas com informações dele.. Por mim?! Sim.. Todos apresentavam ou contavam sobr e a intenção de suicídio. Sérgio perguntou: Se não o incomoda falar a respeito. é esperteza e elevação. acreditando que minha v ida não tinha mais sentido.. dever e responsabilidade. mas sem desespero e com total controle das emoções. Não foi fácil. Tentou conversar com ela sobre o lado espiritual de toda a situação? Incontáveis vezes. Em determ inado trecho. pois des ejava arrancar meu filho do recôncavo das trevas. a Jesus que o ilumine e c ontinuo com o trabalho que abracei para aliviá-lo e elevá-lo... pediu perdão pela falta de coragem. E muitos não têm idéia da dor e do sofrimento cons ciencial mil vezes pior. envergonhado. disse. Em um trecho. Sérgio comentou com o médico: Enquanto estava no hospital. Se o Alessandro não tivesse vergonha. Falar.

vo e letárgico, ela passou para um estado comportamental deprimido, mas agitado e inquieto quando procurou conforto na igreja evangélica ou religião protestante. Logo de início, minha mulher adotou uma conduta severa e crítica de si mesma. Ass umiu a culpa pela falta de capacidade de controlar sua vida. Com procedimentos i rritadiços, freqüentou a igreja evangélica gritando em rogativas intermináveis, julgou-m e demônio. Embrenhou-se na fé cega das crenças irracionais, persistentes e sob os delíri os frenéticos dos cultos alucinantes repletos de uma ovação interminável de súplicas a Deu s, como se Deus fosse surdo. A busca desenfreada por uma espécie de perdão Divino, levou-a a distúrbios psíquicos de falar uma língua estranha da qual ninguém sabe a origem ou a tradução. Tais episódios d epressivos e maníacos variavam e se alteravam. Você sabe que quando o indivíduo experi menta uma grande perda afetiva, se ele não for equilibrado pode vivenciar grandes e diversos distúrbios psicológicos. Essa perda pode ser a morte de um ente querido o u a perda simbólica pela rejeição ou abandono da outra parte. Em todo caso, quando não s e controla a raiva inconsciente contra o outro, esse sentimento se transforma em raiva contra si próprio e, conseqüentemente, em depressão. Fontes de estudos e opiniões de renomados psiquiatras como Aaron Beck, baseiamse em fontes clínicas de que as pessoas deprimidas, na maioria das vezes, pensam i logicamente. Elas transformam pequenos problemas em dramatizações catastróficas e, nas situações realmente difíceis, essas pessoas assumem eternas e indizíveis culpas; amplia m as fraquezas, desesperam-se com a total perda de controle emocional e jamais s e perdoam por desagradáveis experiências do passado. Dentro da visão filosófica, científica e religiosa que tenho um pouco, acredito que a agitação delirante, a fé cega, as crenças irracionais nas falas sugeridas e persuasiv as pronunciadas com muita habilidade por muitos evangélicos ou protestantes, têm a f inalidade de limitar a inteligência das pessoas necessitadas de auxílio na área psíquica ou psicológica. Essa atuação ou representação agitada e delirante é uma das fontes de argu entação usada para convencer os fiéis. É algo que funciona como um gerador de energia en ganoso, temporário, falso, no qual o indivíduo depressivo transfere as suas responsa bilidades e deveres para Deus, bem como a causa de seus sofrimentos, ou seja, se eu sofro é porque Deus quer assim. Essas pessoas transferem sua raiva inconscient e para outra e aprendem a culpar todos à sua volta, incluindo os espíritos, por seus infortúnios e dores, julgando-os demônios traidores e capetas ou diabos inimigos. As mentes maquiavélicas que administram essa linha religiosa para fins lucrativ os se tornam controladoras de vidas, dos comportamentos e das opiniões dessas pess oas com transtornos. Eles usam palavras persuasivas. Alguns desses líderes religio sos, sem dúvida, apresentam distúrbio de personalidade anti-social, pois mentem, ilu dem, trapaceiam sem mostrar noção de responsabilidade. Sempre parecem mais sábios, int eligentes, atraentes para causar impressão. É o típico vigarista que não sente qualquer culpa ou arrependimento pelos danos materiais, financeiros, morais ou intelectua is causados aos outros. Eles usam principalmente o nome de Deus para envolver su as vítimas. Como profissionais, nós sabemos que a depressão grave, sem acompanhamento clínico, terapêutico, resulta em agravamento do estado patológico. Por isso, como era de se e sperar, depois de algum tempo vivendo essa febre evangélica sem acompanha-mento clín ico, por recusar tratamento, minha esposa deteriorou acentuadamente junto do seu estado psicológico, principalmente, ao se dar conta de que doou valores e mais va lores financeiros para os pastores e nada recebeu em troca. Não teve, sequer, algu m companheiro para uma visita amiga, ou seja, acabou o dinheiro, terminaram os s eus direitos de receber qualquer bênção de Deus. Todos se afastaram dela. Não se barganha com Deus. Hoje ela está em uma cama, com um comportamento letárgico e definhando a cada dia . Não fala, não corresponde nem reage a nada e... - Sua voz embargou, mas comentou: Semana passada ela deixou de comer, tomando uma postura vegetativa e por isso es tá recebendo alimentação através de sonda. Seus batimentos cardíacos estão fracos e exames xibem proteínas na urina, um sinal de deficiência renal e... Por não reagir, por não ace itar ajuda desde o início, ela se suicida a cada dia. O silêncio reinou por algum tempo. Comovido, Sérgio murmurou: Nossa... Lamento muito. Eu também, filho. Eu também...

Discretamente o doutor secou uma lágrima que rolou em sua face e nada mais diss e. Em poucos instantes chegou frente à residência de Sérgio. O rapaz estava muito grat o e rapidamente ele pediu mostrando-se animado: Por favor, vamos entrar! Faço questão que conheça a minha casa! O homem sorriu e aceitou: Se não for incômodo... Será um prazer! Dizendo isso, ambos entraram e Sérgio passou a contar detalhes da reforma enqua nto mostrava-lhe a casa. 21 - Opiniões do doutor Edison

Sentados à mesa da cozinha, o doutor Edison tomava uma xícara de chá servido por Sérg io, que sentou-se à sua frente, satisfeito pela companhia amigável. Depois de algum tempo, insistiu novamente: Não quer mesmo que eu prepare um jantar? Será simples, mas rápido! Não, obrigado. É que não costumo jantar. Tomo um chá, suco ou como uma fruta à noite. Puxa! Como eu gostaria de ser assim. Tenho um bom apetite! A idade o fará pensar e agir diferente:, e consequentemente, mudará os hábitos alim entares ou comprará uma cadeira maior e bem reforçada para suportar seu peso - disse rindo. Não demorou e Sérgio comentou com seriedade: Não imagina o quanto me ajudou, doutor Edison. O maior apoio que podemos recebe r, em alguns momentos, é o de alguém nos ouvir sem críticas, descréditos ou pouco caso, não dando importância ao assunto. Os familiares freqüentemente nos ignoram. - Alguns s egundos e declarou: Após a cena tempestuosa lá em seu consultório, tive a impressão de q ue minha vida, minha carreira e qualquer outra atividade praticada haviam chegad o ao fim, não tinham valor algum. Ao acordar no hospital, um sentimento amargo, um a tristeza me dominou. Meus pensamentos ficaram povoados de idéias destrutivas. Se nti que a Débora estava se atirando em um precipício de sofrimento e tortura, e eu, não podendo fazer nada, queria me atirar também. As idéias de desistir da vida, de me suicidar, formavam-se com incrível velocidade e força com procedência desconhecida. Pa rece que eu não tinha chance de pensar e repensar no assunto. Antes de conversarmo s, eu acreditava que os meus problemas, as minhas dificuldades eram as maiores d o mundo. Mas quando o senhor conseguiu atingir e emergir o meu maior complexo, e u desmoronei. Precisei explodir através do choro. Enquanto conversávamos, eu pensava e me conscientizava de que só após a reforma e a limpeza podemos reconstruir algo m elhor. Foi o que você fez com essa casa, Sérgio! Ela estava feia e com problemas, mas a consertou, reformou e a deixou bonita e agradável. A nossa vida é assim! Planejei cada passo da minha vida e suportei cada sacrifício. - Com olhar febri lmente brilhante, admitiu: Não programei a entrada da Débora em minha vida. Nunca pe nsei que existisse uma pessoa capaz de preencher um vazio que eu sentia. Vi nela alguém capaz de ficar ao meu lado, a mulher para me acompanhar em tudo e até a cria tura ideal para ser a mãe dos meus filhos. Eu não estava preparado para um rompiment o abrupto e tão agressivo com as lembranças de um passado cruel pelo desequilíbrio da minha irmã, que agora me atacam pela vingança da Sueli, responsável por tanta decepção, in justiça e amargura. Sérgio, nós temos potenciais que ignoramos. Somente através da nossa consciência alim entada ininterruptamente pelos pensamentos, desejos e ações nobres podemos nos eleva r, curar-nos e ter acesso às esferas superiores. Em um momento de dor, de sofrimen to, de problemas difíceis que não raciocinamos e somos impulsivos, nós deixamo-nos ilu dir e queremos que os outros resolvam os nossos deveres, assumam as nossas respo nsabilidades. Quando isso não acontece, quando os outros não fazem o nosso dever, qu e é o de enfrentar o nosso desafio, nós desejamos morrer e sumir. Quanto erro! Só o fa to de pensarmos no desejo de morrer, de nos suicidarmos para acabarmos com o sof rimento desta encarnação, nós atraímos fluidos tão pesados. E, esses fluidos são tão destru res que se impregnam em nosso campo vibratório e até em nosso corpo espiritual. Como

conseqüência, chamamos para junto de nós espíritos que sofrem pelo suicídio praticado e c omeçamos a sentir angústias, desânimo, desejo de desistir de tudo. Não nos importamos co m mais nada... Depois começam as dores, o sofrimento com doenças que se relacionam àqu ele suicida que se afinou com você e às vezes nenhum exame consegue diagnosticar ess as doenças ou sintomas. Ou então os vingadores do passado, os obsessores, aproveitam -se desses pensamentos, desses desejos e com isso nos enfraquecemos, nós nos deter ioramos, perdemos a esperança e deixamos de evoluir. Se não reagirmos, vamos nos imp regnando a cada dia, a cada pensamento e acabamos deixando nossa mente invadida pela decisão do suicídio, influenciada por espíritos cruéis. O senhor tem toda a razão. As palavras, os pensamentos e as atitudes são energias psíquicas, são a nossa alma e representam todas as forças vitais. Como vimos no caso de sua esposa. Minha mulher precisava de um tratamento clínico e espiritual, porém se negou, rea giu revoltada, sentiu-se reprimida. Ela começou a ser radical quando encontrou, no meio dos protestantes ou evangélicos, aqueles que usaram de influência persuasiva a través da fé cega. Tirando-lhe os encargos, a responsabilidade de enfrentar a vida e transferir suas dores e perdas para os desejos de Deus. Não posso afirmar que tod os esses religiosos de linha protestante são assim. Contudo os que ela encontrou v isavam a fins lucrativos, usavam métodos de controle mental para a hipnose coletiv a. O pastor evangélico a auxiliou a usar mecanismos inadequados de defesa emociona l. Isso não é só um ato irresponsável como também muito perigoso, tanto que o resultado fo i o estado de depressão grave que chegou ao letargismo. Não duvido de que minha espo sa desejasse morrer, pensasse em se matar, mas ela não reagiu e se deixou envolver atraindo o que seu inconsciente queria. Viu como é sério o problema dos mercadores de algumas religiões? Isso é um crime! - p rotestou Sérgio. Não, rapaz. Não é. Visto pelas leis, esse é um país livre e ela uma cidadã considerada pacitada na época em que procurou consolo nessa linha religiosa. Minha mulher pode ria e deveria tomar uma nova postura mental e novas disposições íntimas como: ajudar c rianças num orfanato, ser voluntária num hospital que cuida de pacientes com câncer... Essas atitudes amenizariam a tristeza a médio ou longo prazo, dependendo da pesso a. Certamente ela não ficaria com a mente entregue à angústia e às aflições que a levaram a s transtornos, aos distúrbios psicológicos e uma terapia surtiria um efeito muito be néfico. Algumas facções religiosas utilizam o controle mental para dominar a opinião, as idéi as de seus adeptos. - Argumentou Sérgio que continuou: Aqui no Brasil, desde que t eve início a febre evangélica, após o fim da ditadura militar, nós vemos líderes religioso s manipulando as idéias de Jesus e textos bíblicos para que pessoas desatentas ou se m conhecimento sejam mantidas sob controle e subjugadas pelo medo de irem para o inferno. Foram capazes de criar bíblias novas recheando trechos evangélicos com exp licações em favor da dependência religiosa da linha protestante, mas tais alterações literá ias são completamente contrárias aos ensinamentos Cristãos. O Cristianismo liberta as pessoas! A meu ver estão institucionalizando a religião, principalmente os evangélicos . Concordo com você, Sérgio. A religião foi transformada em instituição lucrativa. Hoje ualquer portinha serve como templo evangélico. Chegam a intitular nomes pitorescos como: Religião de Deus; Religião do Deus Vivo; Verdadeira Casa de Jesus e tantos ou tros nomes que... Deixa pra lá... A irresponsabilidade desses líderes religiosos é grande. Eles usam o controle men tal para escravizar os fiéis desavisados e até ignorantes que se entregam aos alucin ados gritos de perdão e agradecimento a Deus. Eu já assisti. As pessoas ficam fora d e si! É um delírio incontrolável e contagiante! Sim, Sérgio. A isso, dá-se o nome de Hipnose Coletiva. De uma maneira inconscient e, os fiéis são dominados e aceitam as sugestões do líder ou representante religioso que os hipnotizam, ensinando-os a reverenciar Deus, a pedir perdão a Deus e suplicar a Deus de uma forma capitalista. E o que é capitalismo se não um sistema econômico de produções visando a lucros financeiros? O que significa pagar seu dízimo, deixar lá na i greja o seu dinheiro, suas jóias ou algum outro bem material para ser atendido por Deus. Esses templos ou igrejas têm o líder evangélico que injeta na mente dos fiéis um Deus capital, um Deus executivo, legislativo e judiciário! Um Deus que condena ao

sofrimento aquele que não dá sua última moeda. Se você não pagar, não terá crédito com Ele. pastor... Bem... O pastor é o emissário do Senhor que recolhe e endereça as arrecadações. Como psiquiatra eu não deveria falar isso, mas... Como homem, eu vejo alguns pasto res como uma espécie de Psicólogo Subversivo que propaga os milagres daqueles que dera m dinheiro e se salvaram! E o que faz um marketing induzindo os fiéis a uma espécie de comportamento de consumo religioso sem controle, irracional, com fé totalmente cega e, acima de tudo, fazem-nos adotar essa ou aquela prática ou postura preconce ituosa. As atitudes de amor e solidariedade só existem para com aqueles da mesma l inha religiosa, considerando como verdadeiros demônios as outras criaturas de Deus por se inclinarem a religiões diferentes como a umbanda, o catolicismo, o espirit ismo, o islamismo, o budismo, o judaísmo, o hinduísmo e outras. Eu não entendo por que tantas pessoas se deixam dominar pela fé cega, por outros que as mantêm sob um domínio mental, controlam suas opiniões e suas vidas. Lembre-se de que antes de falarmos de pessoas, estamos falando de espíritos com diversas experiências terrenas anteriores a essa. Crendo em muitas moradas na Cas a do Pai, acredito na existência de regiões espirituais inferiores por onde passaram e se encontram espíritos com diversos vícios ou práticas inadequadas e perversidades das mais diversas, apegados às paixões vis e promíscuas, inclinados às discórdias e irritaç , anomalias sinistras no que dizem respeito ao desregramento sexual por práticas c ompulsivas ou animalescas, atos ou pensamentos repletos de energias com desejos maldosos e negativos... Por Deus ser um Pai bom e justo, Ele não confinaria quem q uer que seja ao inferno. Então nas muitas moradas há alguma reservada ao processo de aprimoramento para a aprendizagem, o crescimento, a elevação e a libertação de Seus fil hos que se inclinaram a um comportamento inferior. Vamos pensar e filosofar nas palavras de Jesus quando disse que há muitas moradas na Casa do Pai, Ele disse mor ada e não lugar de eterno confinamento. Quem está em uma morada pode se mudar dela, certo? Concordo. Nossa! Que explicação ótima sobre podermos nos mudar de uma morada. Mas i sso não responde a minha curiosidade - argumentou Sérgio. Calma... - pediu o médico sorrindo e logo continuou: Depois de tantas práticas co ntra as Leis de Deus, milhões de espíritos desencarnados são atraídos por suas condições me tais a terríveis estados de perturbação ou Umbral, experimentando verdadeiro inferno n a consciência. Lembrando que o Universo é a Casa do Pai, esses irmãos se encontram em alguma morada dele. Para esses espíritos, é tão sofrida e pavorosa a experiência que ess a parece eterna. Quando o espírito se recusa, nega-se a harmonizar o que desarmoni zou, experimentará a reação de suas ações, sofrerá o mesmo efeito do mal que causou, pois o mal só se corrige com o mal. Deus não se esquece das grandes regiões expiatórias e trevosas na espiritualidade. O benefício da reencarnação chega inclusive ao espírito rebelde, mas desgastado pela angús tia vivida nessas regiões de sofrimento. Então ele reencarna para minimizar suas ten dências viciosas e maldosas. Reencarnado ele tem a benção do esquecimento de vidas pas sadas no seu consciente, mas de seu inconsciente não se apagam os erros cometidos, suas tendências ao mal nem a sua aflição e dor nas faixas vibratórias muito inferiores quando desencarnado. Por isso cada indivíduo tem suas lutas e conflitos internos, seus distúrbios ou desequilíbrios ou síndromes. Veja... Eu acredito na existência de igr ejas protestantes sérias e capazes de ensinar a prática da solidariedade e do amor C ristão que se tornou algo secundário para outras igrejas evangélicas. Existem pastores protestantes, assim como padres, dirigentes espíritas, pai-de-santo ou mãe-de-santo em centro de umbanda, entre outros líderes, muito honestos! Como também desonestos! Isso independe da religião, mas sim da dignidade, da honestidade, da elevação da cria tura humana. Até onde me levaram as pesquisas, a maioria das igrejas evangélicas é liderada por qualquer um, por isso se tornam um capitalismo, uma forma de vender algo e lucra r com isso. No caso, eles vendem religião, promessas de algo melhor em sua vida, v endem perdão. Analisando pelo lado clínico, pessoas desse tipo como líder religioso, têm a tendência ou postura do distúrbio anti-social e são capazes de mentir, forjar, trap acear, representar de todas as formas possíveis, sem arrependimento e, cinicamente , usando o poder de persuasão. Dará o máximo de proveito a seu favor. Dentro da propos ta religiosa imposta pelo protestantismo, alguns líderes evangélicos encontram a exc elente oportunidade de colocar em prática compulsiva a sua personalidade anti-soci

al, pois agem como verdadeiros vigaristas ao descobrirem um meio de dominarem os pensamentos e as idéias dos seguidores. E é por meio dos cantos de hinos e gritaria frenética que se obtém a Hipnose Coletiva para inebriá-los e conseguir com que façam do ações e mais doações, fé irracional e tudo mais o que sabemos. Todos se esquecem dos ensinamentos do Mestre Jesus sobre não ser como os hipócrit as que se comprazem em orar em pé nas sinagogas e nas ruas para serem vistos pelos homens... E, quando orando, não usar de vãs repetições como os gentios que pensam que p or muito falarem serão ouvidos. Portanto, quando orar ao Pai que está no Céu, entra pa ra o teu aposento e feche a tua porta. Ora a teu Pai que está em oculto, e teu Pai que te vê secretamente te recompensará. Lembrando que as sinagogas correspondem às ig rejas e templos religiosos. Quanto aos fiéis, o que os leva a crer em colocações sem raciocinar e na realização de verdadeiros espetáculos para gritar sobre sua fé... Bem... Podemos tomar como exempl o que alguns deles são espíritos que permaneceram em sofrimento nos baixos círculos vi bratórios da espiritualidade pelas suas práticas delituosas, perversas ou tendências v iciosas. Agora, encarnados e mesmo com o abençoado esquecimento do passado, eles t emem essas regiões expiatórias trevosas nas quais os espíritos inferiores, escravizado s, perturbados, desesperados padecem em extremo desespero. O medo inconsciente d e retornarem para essas moradas espirituais aflitivas é tão intenso que eles mantêm um comportamento de medo a Deus, tomam uma postura de crer no céu e no inferno, colo cando-se aos berros para rogar, tal como faziam quando desencarnados. Alguns del es adotam essa facção religiosa, porém não mudam o hábito ruim, continuam com um comportam ento moral indigno, são delituosos nos pensamentos, nas palavras e ações, mas acredita m que pedindo perdão, entregando o dízimo e pagando pelas orações, oferecendo dinheiro p ara que seu nome seja escrito no Reino de Deus... Os levarão para o céu. Como profissional nessa área, você sabe que existe a pessoa que passa por um períod o de tristeza, algo diferente da depressão, um estado mais intenso e persistente d o que a tristeza. Muitos pensam que Deus é um prestador de serviço que precisa ser pago a fim de no s dar o que queremos. Deus é o Criador de todas as coisas! Tudo é Dele! O que Deus q uer é a nossa responsabilidade de amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como a nós m esmos. Então vemos algumas pessoas desiludidas porque não foram atendidas. Elas quer em fugir das responsabilidades, ficam tristes, desesperadas e vão a um médico mal in formado que chega à conclusão de que estão com depressão. Você tem reparado como é grande o número de pessoas, atualmente, que dizem ter depressão? Existem vários graus ou estágios de depressão. A depressão não é o fim do mundo! A maioria das pessoas já experimentou um estado dep ressivo e nem sabe. Porém existe a depressão mais acentuada, em que o indivíduo neglig encia suas responsabilidades e precisa de auxílio profissional. Muitos acontecimen tos na vida podem prostrar uma pessoa à depressão, mas ela pode reagir e buscar em d iversas atividades o prazer de viver. O senhor disse que a grande maioria dos evangélicos é preconceituosa, por quê? Se forem convidados, os evangélicos vão às igrejas católicas, aos centros espíritas, a s centros de umbanda, ao templo budista?... Não! Eu fui convidado para um casament o em uma praia e a cerimônia foi umbandista e eu fui! Achei interessante, bonito.. . Voltei de lá do mesmo jeito que fui, só que com alguns conhecimentos sobre algo di ferente. Já fui a incontáveis casamentos católicos e assisti a várias missas. E em que i sso me afetou negativamente? Em nada! Reparou que grande parte dos protestantes ou evangélicos nunca reza o Pai Nosso? E sabe por quê? Por causa dos ensinamentos qu e a prece pronunciada por Jesus traz para a reflexão. Um desses ensinamentos é Perdoa i as nossas dívidas assim como perdoamos àqueles que nos tenham ofendido . Aos evangélic os não é ensinado o perdão ao próximo, eles só perdoam aos que se converteram à sua facção iosa, o resto vai para o inferno. Isso tudo é ou não é preconceito? Empresários, líderes d e equipes, diretores, presidentes, gerentes, administradores, engenheiros, arqui tetos ou outros que são responsáveis por uma equipe de profissionais e são evangélicos, procuram contratar funcionários evangélicos e, quando descobrem que um funcionário é umb andista, espírita, católico etc., procuram demiti-lo. Esses religiosos perderam o la do humano da vida. Só eles são puros e estão salvos no Reino de Deus, o resto vai para o inferno. Se acreditarmos na existência do demônio ou do satanás com o poder grandioso que os

A benfeitora Laryel interfere no suicídio de Sérgio As horas deram lugar aos dias. A moça havia sumido completamente.. Era fim de tarde. não importa a religião ou filosofia. cauteloso. por intermédio do comportamento.pediu João. então teremos dois deuses: um bom e outro mau. Muito obrigado por tudo. cantos e rogativas intermináveis a Deus pert urbando o sossego alheio com tanta e tamanha barulhada. Sou capaz de entender a decisão do dout . mas são incapazes de respeitar a fase de cres cimento individual das pessoas espíritas e não-espíritas. Não sei por que você está irritado! Ah! Mas me sinto prejudicado sim! O Sérgio tornou-se o queridinho do doutor Edi son e por que nós não?! . apesar de experimentar muito abalo em seus sentimentos. exigindo-lhes muito . A fim de se sentir mais recomposto para clinicar entre uma e outra terapia. Preciso ir. e depois admitiu: Como eu estou fazendo agora! Veja. entretanto experimentava uma profunda tristeza mesclada de angústia e preocupação por não ter quaisquer notícias de Débora. Os dias tornaram-se semanas e semanas viraram meses. o inferno que muitos acreditam também pertence a Ele! O inferno per tence a Deus! Os evangélicos. Porém trazia o coração apertado e doloroso pela ausência da namorada. O rapaz não comentava com ninguém. Não demorou e o homem decidiu: Bem!. isso não nos diz respeito.. 22 . E já que Deus criou tudo e é dono de tudo. e ra seu costume sair da sala para relaxar e se refazer por alguns minutos após um p aciente e antes de atender outro. Trabalh ava na clínica e estava mais tranquilo. Mas tem uma coisa que me irrita: nós somos sócios. Isso o deixava cada dia mais aflito. ouviu: Foi isso o que o doutor Edison propôs para ampliarmos a clínica. Tentou procurá-la. a sua v erdadeira personalidade.dizia Nival do. Ora! Não fiz nada . Fique com Deus.disse. que é a Inteligência Suprema e Criador de todas as coisas. Só existe um Deus. E.reclamou Nivaldo com veemência. Já é tarde e eu só ofereci minhas opiniões como pessoa falha e se m evolução. Normalmente eles são criaturas desrespeitosas ao perturbarem a paz pública com a gritaria tresloucada em suas igrejas. entrar em contato.. o seu Eu. isso o que o doutor Edison fez não nos prejudica em nada. O médico silenciou enquanto Sérgio ficou pensativo. sem raciocinar e se deixando induzir na fé cega. Mas eu gosto de ressaltar uma coisa: muitas dessas formas de vida e conduta s e enquadram também a muitos espíritas oriundos de regiões sombrias onde há gritos e rang er de dentes. são pessoas cujo comportamento humano ap resenta quem eles são. João . devem tomar cuid ado com o insano desejo de ir para o Reino de Deus e até pagar por isso. que não o procurou.argumentou João bem sério . avisou: Sérgio. A opção religiosa traz a manifestação do conteúdo inconsciente para s revelações de expressões exteriores exibindo. mas não conseguiu. ele soube que Débora s implesmente abandonou o curso universitário nunca mais comparecendo às aulas nem pro curando qualquer amiga. e viu o consultório de seu amigo João com a porta entreaberta. Disfarçav a e não comentava mais nada sobre o assunto. você tem meus telefones e e como me encontrar a qualquer hora do dia ou da noite. Não fui espírita.Levantando-se. Com o pequeno copo descartável na mão. pois o in ferno também faz parte do Reino de Deus. meu amigo . Isso é o resultado do inco nsciente temer o inferno que vivenciou no estado de perturbação e os prende num prim itivismo mental. Espero não precisar incomodá-lo.evangélicos lhes dão. Um grande número de espíritas se acreditam com todo o conhecimento fil osófico e científico da Doutrina Espírita. sua alma. Sérgio aproximou-se e sem querer. Afinal d e contas. Por intermédio de Rita. Sérgio teve uma grande mudança em sua vida quando deixou de ser policial.. apreensivo e inquieto. Espere um pouco! . sem qualquer esforço. encaminhando-se à porta.riu. quando saiu para tomar um ca fé. o outro psicólogo. Até quando o d outor Edison ficará bancando a parte financeira que cabe ao Sérgio e pedindo para nós não comentarmos nada?! Nivaldo. .

Vamos aos detalhes! . o doutor Edison . ele é excelente profissional e muito requis itado por seu trabalho sério e responsável.questionou Sérgio em tom grave após entrar e dar leve empurrão para que a porta se fechasse às suas costas. fracasso das próprias obras. João olhou para Nivaldo. O Nivaldo não tem idéia do custo dessa mão-de-obra se contratássemos um. ausência de amor e tormentos de incompetência. principalmente. na espiritualidade. um alvoroço de criaturas participav a do que acontecia em estado de polvorosa agitação. um médico psiquiatra e nosso professor e doutor. Vá ao que interessa! . Para isso. pelo fato de ele executar serviços braçais nesta clínica. Do que vocês estão falando?! .João foi para o outro lado da mesa perm anecendo em frente aos colegas e. alvenaria e até sua disposição para decoração e para acompanhar os prestadores de serviço . ciúme. t entou justificar cauteloso: Veja. sempre é o último a saber! Ou então ssa por vítima! Aproximando-se. so rriu com ironia e pediu mais brandamente ao puxar a cadeira: Venha cá!. o douto dison valeu-se de seus serviços prestados com a pintura.Sérgio perguntou com muita firmeza e até sisudo. Não me sinto prejudicado nem ofendido.. que nós dois não ousamos ajudar! Além disso. Se não sabe.determinou Nivaldo que continuou: No começo pensamos em algo simples. Não tente ser gentil. Não sei ou não entendi bem. Além disso..Disse Nivaldo experimentando o sabor da inveja e do ciúme que espíritos maldosos faziam despertar em seu íntimo. ao perceber que você. Sérgio! Você também. Desejo que acompanhe cada passo. encarando o outro com olhar feroz. incapacidad e.. insuflavam-lhes idéias de queixas infundadas. Porém. Sente-se aqui!. esse professor doutor foi e é o nosso supervisor individual. pelo jeito você é igual ao marido traído. Houve um choque nos pensamentos e conflitos nos sentimentos dos três companheir os que.vociferou João. Nessa época. quero saber o que aconteceu?! Segundo. As coisas não s sim! Ajam como pessoas civilizadas! A meu ver. por que um Médico Psiquiatra e Professor Doutor. João! Eu quero saber sobre o doutor Edison custear ou pagar por valores que me pertenceriam e não querer comentários! Que história é essa?! . o Sérgio é bem esperto ou muito idiota para não entender como conseguiu se manter nessa sociedade! . Esses espíritos procuravam confund ir e intrigar os três amigos no trabalho devotado e sincero dos profissionais resp onsáveis. outra de espera com uma recepcionista. Mas procurava se manter calmo.. não tinha condições de ser sócio em uma clínica maior e mais moderna.or Edison. vou ti contar tudo! . Insatisfeito com o que acontecia. Tentavam influenciá-los com sentimentos destrutivos de inveja. atos e resultados de seus esforços íntimos. Sérgio. Sérgio: lembra-se de quando nós três tivemos a idéia de montar uma clínica para atend ermos como psicólogos? Dessa parte eu sei. repentinamente. tão qualificado. O doutor Edison nos orientou no trabalho de conclusão do curso .. encanamento. cruelmente. Virando-se para Sérgio. quem é você para ter a ousadia d e falar assim comigo?! Calma. Acontece que ele não acompanhou o trabal ho realizado por você antes da abertura da clínica. Sérgio. Nivaldo atacou com palavras: Sérgio. ficou muito atento entre os dois. os quais pertenceriam ao Sérgio e. ficou sabendo da nossa idéia e a aprovou com satisfação. que perdeu a fala.. Locaríamos um lugar com três salas par a atendimento. outro ali. Atendendo aos impulsos de vibrações mentais que lhe chegavam.. Nivaldo! Vai devagar! . porém. Eles não podiam ver.. e Nivaldo revelou em tom moderado: Aconteceu o segui nte. tiveram suas mentes invadidas pelos desejos deliberados desses espíritos inferiores cujo propósito era abalar a harmonia em todos os sentido s. Sérgio perguntou com voz tro vejante: Primeiro.. O Sérgio mereceu o apoio ou a ajud a que teve. qui s lecionar em um curso de Psicologia? Como não entendi também o que o levou a querer fazer parte dessa sociedade na clínica e nos dar diversas idéias para as outras áreas de atendimento que temos aqui?! Ele deu idéias e mais idéias. Foi um serviço aqui.. o Nivaldo não está reclamando. puxando outra cadeira onde se acomodou. Não estamos falando sobre suas capacidades! Acho injusta a postura do doutor Ed ison! Algo tão inadequado que nem ele quer comentários a respeito dos custos finance iros pagos.exigiu Sérgio. parte elétrica .

Algo tão comprometedor que o fez passar mal. você conseguiu! Agora me dêem licença. é difícil um de vocês encami r alguém para mim quando suas agendas estão lotadas ou quando o caso merece atenção e ac ompanhamento de outro profissional. Sérgio absorvia e reproduzia em seu campo mental os impulsos à baixa auto-estima. indignação.afirmou em voz quase inaudível. Repentinamente João. Devemos fazer uma reunião a respeito disso. desmaiar. incompetência e desvalorizado por seus colegas. Nivald o. Com voz baixa. Agora preciso ir. prosseguiu com sarcasmo: Tal vez por vê-lo com problemas familiares que o fizeram mudar de casa.. saindo em seguida.para as divisórias e outras coisas. dessa sociedade ou continuará sendo apadrinhado pelo doutor Edi son? Eu não sabia disso!. Acreditou na traição do médic o amigo e de seus colegas. Um sentime nto nunca experimentado antes lhe invadiu a alma ferida. Por isso disse que tal mão-de-obra cobriria as d espesas que caberiam a você. Sentia-se humilhado co m sensação de incapacidade.. Não conseguia dominar os pe nsamentos elevando-os e refletindo melhor sobre o que deveria fazer. Não sabia. Há pacientes espera ndo! Sérgio sobressaltou-se. ainda tenho paciente esperando. você tem condições e conseguirá fazer parte. Suas idéias e emoções vinham de baixo círculo espiritual com representações mentais.. mas em mim não! Até à sua amiguinh a suicida ele está oferecendo atendimento gratuito! Pare com isso Nivaldo! . distribuirmos e ampliarmos a recepção. mas em da ta e horário oportunos. sem perceber. acres centou: Eu não sabia. Por que não me contaram?! . financeiramente. conceitos e opiniõe que o envolviam em extrema aflição.riu Nivaldo com desdém e ironia na fala. Se era seu intuito ver um sentimento de desconforto e discór dia entre nós.afirmou João severamente. ou problemas s entimentais com o rompimento com a Débora que o abandonou por outro.. Cont udo esses sentimentos eram verdadeira expressão da espiritualidade inferior que bu scava um jeito de destruir ou desarmonizar o trabalho honesto e caridoso. Afinal. Nunca tinha sido rebaixado moralmente como naquele mo mento diante das verdades ultrajantes. esforçando-se para não se alterar. Eu não tenho mais ninguém para atender hoje. em tom envergonhado. Por essa razão o doutor Edison sempre cuidou sozinh o da contabilidade e pediu nosso sigilo sobre esses fatos. A idéia é: termos mais salas e alugá-las para outros profissionais da n ossa área ou das terapias alternativas.murmurou Sérgio. mesmo! Jamais aceitaria uma situação em que recebesse q ualquer lucro com o prejuízo de meus amigos e sócios por investirem mais do que eu. Tudo isso causou piedade no doutor Edison. . deixando-s e abater. Vamos nversar melhor depois. Vendo-o se levantar e indo à direção da porta.pediu Sérgio.Encarando o rosto sér io e pálido de Sérgio. Contudo foi o doutor Edison quem pagou alguns custos da sociedade que te pertenceriam quando viu que não teria mais condições financeiras a o vê-lo falar em vender o carro. Sérgio precisou de muito esforço e concentração para oferecer a mesma qualidade profi ssional de sempre aos dois últimos pacientes que atendeu. eu acredito que você ultrapassou todos os limites do bom-senso por hoj e! . Não sei o que levou o doutor Edison a adotá-lo. Eu também ... meu amigo . Trazendo uma frieza no semblante. O olhar de Nivaldo parecia desafiá-lo ou provocá-lo pela inveja da capacidade do outro com misto de ciúme pela atenção especial do supervisor e sócio doutor Edison. mesmo abalado e contrariado com a situação.gritou João. mas você saiu da polícia e não tem outra fonte de rend nem reservas.Breves segundos de silêncio e perg untou insensível: É o seguinte. fazendo-o sentir-se diminuído.O amigo virou-se e ele pediu: Pode me dar uma carona? Sim .. E outras ac usações duvidosas. João o chamou: Sérgio! .indagou pasmado. Espere João . . Para is so ele está cuidando da compra do prédio ao lado. Nivaldo. e Nivaldo avisou: Não. real . Sérgio. Você não tem o direito de. Nivaldo completou: Agora existe a oportunidade de aumentarmos a clínica no início do próximo ano. Percebendo o olhar insatisfeito de João. ficar inte rnado. alertou: Acredito que todos têm trabalhos mais importantes no momento. Depois avisou: Essa situação não vai ficar assim.... . era arrastado à sintonia e receptividade das vibrações negativas e ma ldosas. Deixava-se envolver por estímulos de influência inferior. Nivaldo abaixou o olhar e se retirou.

professor e amigo digno. O amigo nada disse. . Toda essa reclamação em pensamento atrai espíritos ngadores ou de pouca evolução que oferecem reforço às idéias e críticas destrutivas. Lágrimas correram de seus olhos. Como me decepcionei com você! creditei em seu amor. Com os olhos empoçados em lágrimas. completou: E eu sei que você faria o mesmo por mim . Encontrando-se com João no corredor. traído por ser o último a saber. informou: Já está tudo trancado. na sua integridade e. Jamais desconfiou de que seu triunfo fosse pela ajuda de outra pessoa. Não disse m ais nada. da minha mãe!. Obrigado pela carona. Sérgio o encarou firme. mas você me prejudicou até d pois de morta! Desgraçada! .. Que humilhação! Devem me julgar pobre. em sua compreensão! Mas você acabou com a minha paz quando não q uis me ouvir. Sérgio experimentava imensa sensação de inferioridade.. o amigo comentou descontraidamente: Sobrou para nós fecharmos a clínica. foi por merecimento e não por acaso. acabei de verificar. Provavelmente falaram muito às minhas costas . pensava com grande amargura. fazer estágios!.. Ninguém imagina quantas dificuldades enfrentei! Não sabem como precisei me submeter ao autoritarismo de alguns superiores hierárquicos . Obrigado. mas o médico não estava. João .Após um leve sorriso.. que pareciam inquisidores ressurgidos da Idade Média. Sérgio quase não oferecia atenção aos a gendamentos e recados que a moça lhe mostrava. tantas f rustrações e dificuldades!. disse: Já que não quer entrar. pergunta ndo: Por que você não me contou? Por acreditar que. seus pensamentos fervilhavam e Sérgio não continha as recor dações e idéias rápidas que lhe surgiam. . Mas gostaria de lembrar o que um professor nos disse e m uma aula: não sejamos coletores de lixos que as pessoas jogam sobre nós através de op iniões mesquinhas. pesquisar. . tem dignidade e muita eficiência. gritava em pensamento. Imaginava com um misto de vergonha e raiva.. frente à recepcionista. seria eu! Porque somos amigos e eu acredito no seu esforço. reclamou pela falta de bens materiais e dinheiro em mei o às mudanças e acontecimentos. Obrigado. Você ma pessoa importante na vida dos outros. Você agiu com honestidade.. na sua capacidade. Não quero lhe dar sermões. só para conseguir um horário q ue me facilitasse estudar.João suspirou fundo e desfechou: Se recebeu algo. * * * Chegando à sua casa. Alguém sem escrúpulos que se fez de vítima e chorou suas pitangas. E eu não contei por respeitar e concordar com a vontade desse médico. sem dúvidas. dramatizando para os outros sentirem pena. incapacid ade e tristeza intensa.. perguntou sem demo nstrar seu sentimento piedoso: Quer conversar? Não. sério e r esponsável. Vendo o outro descer do carro. não sou invejoso nem incapacitado ou ciumento. -Respeitando seu silêncio. . s em recursos ou então um aproveitador esperto. Até a Lúcia! Que Deus me perdoe. ao vê-lo estacionar frente à sua residência. Qu alquer coisa me liga ou venha direto para cá. Quem ma is deve saber dessa história? As recepcionistas? O pessoal da terapia alternativa? . Vamos? Só nos resta ir. sei que faria o mesmo por mim. mas. Então multiplique os seus talentos e se motive a p ensar no futuro e não no passado.. Obrigado..o rapaz agradeceu com um travo na voz que embargou. está ajudando a mim também. Vamos entrar. foi embora... Realmente sentia-se enganado. Nun ca pude contar com ajuda financeira deles! Passei por tantos problemas. tantas noites em claro?! Nunca tive apoio da minha família. Isso é pe rda de tempo e de valores. quando alguém o favorece. Depois de agradecer pelos serviços e dispensá-la. A caminho da casa de João permaneceu em absoluto silêncio.. sob suas visões sujas e podres a respeito do que realizamos com a consciência tranqüila .. sem se inibir. De que adiantou tanto esf orço. O colega respeitou. supervisor. Que droga de vida! . Mais uma razão por não ter contado: porque não fui prejudicad o. Sérgio! Não.Ao ver o outro silencioso caminhar para os fundos. Ah!. Talvez tenha surgido outro em sua vida e essa foi à oportunidade de . ele maquinalmente foi até a sala do doutor Edison.. Como não bastasse a Débora.Ao final do expediente. Sérgio! Não medite sobre ninharias. Porque se não fosse o doutor Edison a te ajudar.

que concentravam seus pensamentos com mais intensidade para envol ver Sérgio em energias mais salutares. sustentando com suas vibrações pesarosas as infelizes influên cias do líder espiritual desapiedado e cruel contra o rapaz. Queria morrer. perispiritualmente.. nos pensamentos de Sérgio. Um choro incontido dominou o rapaz a tormentado com tantas vibrações inferiores. q ue a interferência dos irmãos ainda sem elevação imprima poder psíquico tão intenso de ener ias mentais com o intuito de destruí-lo com tramas e ataques para que se atrase e não realize o propósito a que veio. Senhor Jesus. Porém Sérgio não suportava a pressão exercida pelos desencarnados ferozes. a aceitação ou a compreensão dos fatos. concentrando-se em usá-los prejudicialmente.. enquanto lágrimas corria . o espírito Wilson imprimi u suplica comovente como se fosse sua última rogativa: Senhor da caridade e do amor. mas era quase inútil. com um efeito de longa tortur a e profunda decepção. ele se ligava às idéias de Sérgio dificultando-lhe o raciocínio. indo realizar o pedido de s eu amigo. Vendo Sérgio se levantar e ir para o quarto. Por piedade. não o deixando receptivo às inspirações racionais e am is de seu anjo protetor. Nunca havia se martirizado tanto e sofrido daquela for ma. Não permita. quebrando o elo que o prende aos grilhões dos pensamentos d aqueles que o querem derrotar. dos pensamentos oriundos de sugestões covardes. estava presente e acompanhado de outros da mesma elevada linhagem moral e espiritual para auxiliá-lo com seu pupilo. Mestre amigo. o espírito Wilson ajoelhou-se junto com as demais ent idades amigas. clareando-lhe os pensament os para que recupere suas forças na fé e na esperança. acompanhava o que se passa va nos pensamentos de seu protegido: Senhor Jesus! Imploro em nome de Deus. o espírito Lúcia vampirizava suas energias fluídicas de uma forma insaciável. seu mentor Wilson o seguiu. Com grave. Como forças do mal e comandada por Sebastião. socorra-nos! Dê-nos força para intervir! Nesse instante Sérgio estava com uma arma automática na mão. To da aquela obsessão o enfraquecia como se o asfixiasse com a ausência de oxigênio. Wils on virou-se para um dos elevados companheiros que entendeu a mensagem de seu olh ar e pareceu desmaterializar-se. . Wilson foi sustentado pelos demais na prece sentida na qual rogou ajuda e intervenção Divina: Senhor Jesus.. rogo que nos enderece seu olhar misericordioso! Somos meros apr endizes de boa vontade e recorremos a Tua abençoada compaixão. Sebastião e os demais de sua organização não os viam nem sentiam Wil son e seus companheiros. do sofri mento desesperador que o leva ao abismo de dores. imensos re cursos.. mas não era fácil. Por tratar-se de forças poderosas de falange do mal. vitimando e o consumindo sob a vontade t irana de seu algoz espiritual. o espírito protetor de Sérgio. Sem reajuste moral e espiritual. liberte a mente do querido Sérgio cujos cuidados espirituais me foram confiados. Era lamentável ver em Sérgio a expressão de queixa e dor em cada lágrima silenciosa a fogada em seguidos soluços. que se tornava uma vi tima vulnerável. Nosso Pai bom e justo! Estenda ao Sérgio as Tuas mãos dadivosas. O espírito Wilson tentava de tudo para ver seu pupilo se erguer com as próprias f orças. Repentinamente. Wilson. Embrutecido no ódio. Sabemos que Sérgio não necessita experimentar tais e xpiações porque se determinou a esse reencarne por amor aos irmãos presos pelas amarra s psicológicas da força do pensamento de outros menos evoluídos.. Mensageiro Divino. nobre e elev ado entono humilde. Desespero e to rturas íntimas nublavam suas idéias. O mentor de Sérgio envolveu-o como que em um abraço paterno e tentando orientá-lo d e pensamento para pensamento. Mesmo n o plano espiritual. verdadeira tropa de espíritos desajus tados fazia-se presente. Desejava sumir. encontrava nas situações difíceis e fatos inesperados do cotidiano. Livre-o da cegueira que o domina. . Sem de sviar a atenção dos puros sentimentos na prece fervorosa. inocentemente o rapaz se entregava ao sofrimento..me deixar. Ao lado de seu protegido.Vendo-o abrir um armário. Ao mesmo tempo. i lumine a consciência desse filho querido com seu olhar. reagiu agressivo em seus pensamentos: O Nivaldo tem razão ! Sou o último a saber! Por que isso?! O rapaz fazia perguntas e considerações sem perceber a energia mental formada por agentes psicológicos cujo mecanismo ou fonte de origem era dos desejos mais fervo rosos do espírito Sebastião.

A claridade tornou-se forte. assombrados e medrosos. Tudo aconteceu em frações de segundos. Na espiritualidade. Minutos pas saram. Ele relutou a abandonar o hipnotismo psíquico sobre Sérgio. Amedrontada pelo que desconh ecia. Laryel forneceu sustentação firme e excelsa ao espírito protetor. O rapaz não tirava a imagem da cena repetitiva de Débora agredindo-o com acusações in devidas e com modos tão cruéis. de tudo o q ue conseguiu e. Observando. Enquanto Sebastião e seus ajudantes estagnaram. não tinha vontade de viver. Agradecia a Deus e a Jesu s pela misteriosa forma de despertá-lo para a vida. Algo a atordoava. mas o uviu nitidamente o grito que o chamou à realidade um segundo antes de ele puxar o gatilho e ouvir o disparo. A deslealdade de seus amigos e sócios era imperdoável e humi lhante. Estava extremamente insatisfeito consigo mesmo por sua f alta de conduta moral.. A respiração es tava alterada e os olhos traziam o espanto pelo que não podia explicar. caiu de joelhos e murmurou incrédulo: Meu Deus. Ele olhou à sua volta procurando alguém. duvidou de si mesmo.O anjo guardião usou de um recurso conhecido como Pneumatof onia para expressar seu pensamento de modo que o seu pupilo pudesse ouvi-lo. fazendo-a saltar como se tivesse vida própria. que enchiam o recinto. o espírito Wilson muniu-se das fibras de seu ser e gritou em meio ao intenso jorr o de luz projetado. Sérgio levou um susto. sem paz. O que foi isso?! De onde vem isso?! . Sérgio. Uma luz tênue de tom azulado direcionou-se do alto para o quarto. parecendo ser arrancada da mão firme do rapaz8. quando Sérgio destravou a arma. O espírito Sebastião urrou em protesto e dentro de sua pobre posição mental estava in conformado. Ela sabia que aquele jorro de luz significava uma proteção do alto para Sérgio e se im pressionou com o que viu acontecer no plano material por desconhecimento e não con seguir observar nada na espiritualidade na esfera em que estava. Sentiu um forte arrepio e um medo o dominou. mas sentiu algo nunca experimentado. invadia-lhe a alma.m pelo rosto. o espírito Wilson. Prendia-se psiquicamente às fervorosas influência s do espírito Sebastião e seus demais companheiros. Wilson continuava a envolvê-lo e os demais amigos dedicavam -se à sustentação e proteção.. A lembrança das fotos o enlouquecia. a nobre benfeitora Laryel se fez presente de maneira que somen te o espírito Wilson e seus auxiliares puderam vê-la. O espírito Lúcia viu-se em profundo estado de perturbação. quase vio lácea e como que salpicada de límpidos pontinhos de cristais flutuando em direção de Sérgi o. o ato insano quase cometido. Inesperada sensação de segurança. A recordação do que s ua irmã fez. Derramando lágrimas abundantes e buscando seus últimos e mais fortes dons. um choro o dominou quando seu mentor colocou-se frente a ele ajoelhando-se e repousando as mãos em seus ombros. pare! . Estava sozinho. por inspiração de Sebastião. Seu coração batia forte. Com binando o seu fluido vital ao fluido vital do encarnado. por jamais terem visto aquela luz com cristais cintilantes. indignava-o. mas com e norme fúria. Ainda em lágrimas. impulsionou-a com sua extrema vontade no exato momento em que seu protegido puxou o gatilho. profundamente. sem que os de sencarnados tivessem a visão de sua origem. O anjo guardião o envolvia com energias benéficas e renovadoras.perguntou Sebastião estatelado. rendendo-se com expressões de . Sebastião declinou num grito de pavor. Sérgio não conseguia vê-lo. O que eu estou fazendo?! Prostrado de joelhos. Não entendia o que havia acontecido. mesclada com arrependimento. apontou-a para a própria cabeça: Sérgio! Sérgio. Exatamente ao mesmo tempo. fugiu o mais rápido possível para regiões trevosas onde normalmente se reuniam. Passando a vivenciar dores que não tinh a há algum tempo e sofrimento na consciência como se experimentasse todo o mal que f ez no passado. impreg nando de modo a ocupar todas as valências da arma que Sérgio segurava. mas chocou-s e com as energias que fortaleciam o rapaz. recostando a testa em sua testa. porém não conseguia deter o choro compulsivo no qual lamentava. além do forte impacto em sua mão junto a uma espécie de puxão da arma que caiu ao chão. parecia hipnotizado. por tentar violar a Lei Divina. Nesse momento. pôde ver cravado na parede o projétil disparado. e nada. Os pensamentos eram frenéticos e tão compulsivos que angustiavam sua mente d e modo alucinante. Seu corp o espiritual apresentava as representações mentais ou ilusões momentâneas a que ela e se u corpo físico passaram quando em estado de decomposição.

. Somente seus olhos se encheram de lágrimas. Inspirado naquele instante. Alguns minutos e Tiago chegou sem ser percebido. Sérgio levantou-se e o acompanhou contando exatamente tudo o que havia aconteci do. Ao ver seu irmão. Como pude chegar a esse ponto ?! . vamos para a cozinha que vou te fazer um chá e você me conta tudo. ele olhou para Tiago que decidiu: Vou buscar um pouco de água e algo para passar na sua nuca que está sangrando. Mas alguém gritou meu nome duas vezes e ordenou que eu par asse.tortura íntima na face transfigurada do perispírito deformado.. p ois isso não tira seu equilíbrio. repentinamente. pedindo perdão e agradec endo a ação espiritual que lhe poupou de inimagináveis aflições espirituais.. Imediatamente Tiago tirou o pente carregador. O que significa essa arma jogada ao chão. . perguntou. acalmando-o de minuto a minuto . mas não disse nada. O que tentou fazer com isso. Ah!. Sérgio entrou em pranto incontrolável. que estava pront a para atirar novamente. Tiago acordou num sobressalto. Sérgio. Tiago? Também me acha incapaz?! Ao contrário.. chorar.lágrimas correram. perguntou: E aí. Tiago fo i induzido a passar as vistas pelo quarto quando. Passado o desespero. Contudo o outro não conseguia controlar os sentimentos. Não agüente i mais e quis morrer. não detinha o choro compulsivo que seus pensamentos arrependidos lhe provoca vam. Sérgio?! Tudo bem? Bom dia. 23 . desabafar como outro qualquer.. e ele saberia esperar. Mas. estou acostumado a ver pessoas em c rise emocional. Como não consegui ter mais coragem de enfrentar a vida?! Venha. perguntando assustado: Ei?! Sérgio?! O que foi?! O que aconteceu?! Sérgio abraçou-se a Tiago. a munição do arma. Levantando-se. ainda envolvido por seu mentor e sustentado por elevados amigos espirit uais. retirou -se revoltado. colocando-as em seus bolsos. mas com o semblante carregado de tristeza.. Sérgio?! Por que se admira tanto. Acreditou ter dormido muito e um frio mortal atravessou-o como uma lança ao se lembrar do irmão e do ocorrido no dia anterior. Apesar de sempre ser equilibrado e racional. viu jogada ao chão a arma e foi pegá-la. É! Bom dia. Sentiu-se gelar com as rápidas conclusões ao encontrar a cápsul a deflagrada e ver o furo do tiro na parede. ajoelhou-se a seu lado. Ao retornar. enquanto Sérgio bebia vagarosamente os goles da água adoçada. correu às pressas até o quarto onde o irmão já se vestia. Algum tempo e Sérgio sentiu um bálsamo sereno amenizar suas emoções conflitantes. Ficando somente com a cápsula deflagrada na mão.. que o forçou a se levantar do chão e o fez se sentar na ca ma. Estava em companhia de seu m entor e do amigo espiritual que saiu para buscá-lo. curvou-se sobre a cama rogando ajuda.. Junto do que eu soube que o doutor Edison fez sem me dizer nada e a opinião dos meus cole-gas. você é um ser humano co m direito a expressar seus sentimentos. Sentado no chão.. cara! Você é bem capacitado e instruído para fazer alguma besteira com essa arma.Cabe a Deus alterar o destino Na manhã seguinte. Não suportando.. O fegante. passou-lhe um anticépt ico na nuca enquanto falava com calma: Sérgio. um raspão do projétil na sua nuca e o tiro na parede?! Sérgio estava controlado e mais sereno ao dizer: Aconteceram muitas coisas. Era uma energia tranqüila. Tiago. O espírito Wilson afastou-se de seu pupilo e junto aos demais só observou. Nunca senti tanta humilhação. direcionada por seu mentor. Aproximando-se mais e examinando as gotículas de sangue na nuca e na camisa de seu irmão. el e foi até o quarto.. Sérgio o olhou. e separou as peças. Apesar de todo o conhecimento que tenho... tentando se manter calmo: O tiro passou de raspão na sua cabeça. Tudo bem? .Respirando fundo e sentando-se ao lado do irmão. Tiago correu para junto de le..

Saindo do elevador. Sérgio. pegou o telefone e.expressou-se Sérgio pela verdad eira compaixão. Apesar da surpresa amarga e triste. Ele pediu segredo.. Não . Decidiu que fa laria daquele assunto. Tiago. na casa de dona Antônia.. A entonação sentida na voz do médico doeu-lhe no fundo da alma. por isso não consigo deixar de chorar pela separação de uma pessoa tão que rida. trouxe-o à sensatez imediata e o rapaz perguntou c auteloso: Doutor Edison. Sérgio sentia-se incapaz que qualquer ofensa ou acusação contra o doutor Edis on. Afastando-se. o doutor Edison se virou e Sérgio surpreendeu-se ao vê-lo com olhos vermelhos e rosto congestionado. .abraçou-o firme. Tiago estava apreensivo....Breve silêncio e prosseguiu ext enuado: Apesar do conhecimento e um pouco de entendimento. Chegando ao hospital.. Pensava em dizer o quanto se sentiu ferido e até ofendido pel o sócio Nivaldo.. ela ouviu . algo reavivou seus verdadeiros sentimentos pelos fortes laços de companheirismo e amizade que o s uniam. parecendo ter planos.exclamou firme. * * * Na tarde do dia seguinte. As horas foram passando e Tiago decidiu ir embora. Sérgio não conseguiu argumentar diante da teimosia do irmão. Imediatamente Sérgio foi para lá. Ele estava frente a um colega que repousava a mão em seu ombro. Con fiava tanto no doutor Edison e justo ele o enganou. Sou incapaz de não te r sentimento. que o pisoteou com palavras e ironia ao contar-lhe a verdade. mas não precisaria ser tão arrog ante e insensível. Ao observar a fisionomia sofrida do amigo. Sérgio. Em meus braços.. traiu-o ao omitir os fatos. Vou só. que ficou acompanhando o amigo e dando-lhe apoio. Sérgio apresentava o semblante sisudo. Olhando para o irmão. contou com a voz embargada: Minha mulher. Por algumas vezes. carregado de sensação en ervante e indesejável. Não.. É só o tempo de tomar um banho rápido para despertar e.. após algumas ligações. Irei com você. São em momentos como esse que os verdadeiros amigos nos acompanham. pensou em ferir o médico am igo que o ajudou no anonimato. mas contou à jovem o que Sérgio tentou num momento de desespero extremo. Minha companheira por anos. Ela mandou me chamar e.estranhou Tiago.. sem dúvida. recompondo-se. Tiago e Rita conversavam sen tados em um banco frente ao jardim onde o sopro de uma brisa morna balançava as fo lhas das árvores e plantas. Preciso resolver a situação sobre minha sociedade na clínica ou não terei sossego...murmurou o médico. inesperadamente. . o doutor Edison foi avisado de s ua presença e solicitou que o rapaz e o irmão fossem ao andar onde ele estava. Caminhando pelo longo corredor daquele andar. abraçando-o firme por algum tempo e apoiado em seu ombro amigo.. Obrigado por vir aqui. Depois de conversarmos.. Tiago t ambém manifestou suas condo-lências. Estava mais tranqüilo ao obs ervar a transformação do irmão.Sim. Oh. mas ainda expressando lamentável do r.. pois necessitava de explicações. desabafaria toda a impressão forte que o a sfixiava angustiosamente.. Em seguida. Hoje é sábado! Vai trabalhar? . compreendendo a situação do amigo e cedendo à mágoa. Sinto muito. Vê-lo daquela forma.respondia sério ao fazer tudo mecanicamente. Ao vê-lo arrumado.... Eu estou bem.. o que aconteceu?. mas não dizia nada. não se preocupe. . doutor Edison. Nada disso! . Sentia-se magoado pela traição e. soube que o médico estava no hospital. típica aparência de quem havia chorado. Obrigado. O remorso dominou mais uma vez a mente de Sérgio que antes perdeu horas de sono ruminando em pensamento palavras capazes de exprimir como se sentia melindrado e constrangido no saber da verdade. Vai falar com o doutor Edison? Vou. Ao perceber o v ulto atrás de si. a qual considerava gravíssima. Aceite meus pêsames . que invadiu seu coraçã eneroso minutos antes. Sérgio reconheceu o médico de costa s. Uma névoa escura pairava em seus pensamentos repl etos de muitas idéias que pudessem contornar a situação.. Começou a rever suas opiniões e reconhecer seu orgulho e vaidade. ela faleceu em.

.engoliu a seco e continuou: E. mas. Rita.Fez uma pausa e prosseguiu: Sabe. No final. Somos imortais. com o objetivo de te ver ca ir. pisoteado.atentamente cada detalhe. de ter a coragem de viver respeitando a vida como ela é! É. Então se depara com o gosto amargo da vergonha. . Tiago. Tiago! Ele é uma pessoa tão controlada e. mas é algo que pr oduz tanto terror e de uma força extraordinária Ou idéia fixa sobre morrer.. aceitando o propósito de sua existência dentro daquelas novas condições ou t em a bênção de encontrar pessoas que te despertem.... enca rando-a firme: Rita. EU sei. da humilhação. ...Abaixando a cabeça. deixando uma porta aberta em nossos pensamentos para a entrada de i déias estranhas e terríveis. .Breve pausa e comentou: Não que eu vá deixa r para os outros assumirem meus encargos. Talvez você não saiba como é chegar ao limite de suas forças. vo se sente uma coisa. aquilo que existe por existir.Lágrimas rolaram. argumentou : Acredito que a idéia de que o sofrimento termina com a morte é o que estimula alg uém ao suicídio. de lembranças o u impressões com profundos sentimentos indesejáveis e amargos de procedência desconhec ida. mas não tentou quando estava sozinha! Lembre-se do que o doutor Edison te falou e que me contou . É difícil vencer a vergo nha. Ainda. Nossa! Como isso me assusta. nos levam a aceitar o que ela induz. fazer dos amigos lata de lixo com minh as lamentações. a expectativa. não temos mais ânimo para viver. aflito e. mas não te m valor. É mais fácil ter a covardia e se deixar dominar pelas inspirações de espíritos cruéis u pessoas encarnadas. . aglomeram-se à no ssa volta afinando-se conosco e fortalecendo-nos na coragem para a prática de um a to tão cruel contra nosso ser. es gotado. angustia-se pela sua incapacidade de se erguer e buscar ajuda . Eu acredito e tenho um pouco de conhecimento nisso. Infelizmente são em momentos assim que nos entregamos ao medo. Quantas e quantas vez es aprendo com a dificuldade alheia para me desviar. sem esperanças. mesmo assim ela exemplificou: É alg o como uma lebre delirante a nos entorpecer e dominar disputando ardentemente en tre a razão e a insanidade. nos últimos tempos. sentir-se humilhado. Rita desviou o olhar e silenciou. abandona a ilusão e passa a pensar com a razão. Não nego a in fluência espiritual inferior.. Aí. à angústia e a o desespero. a fé num futuro melh or se acabam. um objeto inanimado. sabia? Olhou-a. E sem ter mais ninguém.. com respeito e compreensão.. Tudo isso foi tirado de mim e ainda. bem parecido co m o irmão. nós conversamos muito sobre a vida e spiritual e toda a responsabilidade que nos é atribuída pelas falhas cometidas. Rita! As palavras e a forma de uma pessoa se impor cont ra nós. quando acabam suas forças diante de al guém tão miserável que se aproveita da situação. as conseqüências espi .. você analisa sua intenção hedionda c ra a própria vida. Quando se tem a sorte de retornar à realidade. Persuadiram você ao suicídio e a ajudaram . Sabem o quanto é forte a tentação. de passar pela s mesmas dificuldades e sofrimentos que elas provocaram a si mesmas. . que são usadas como instrumento.A jovem fitou seus lindos olhos verdes quando Tiago a chamou. . Só as observo. Tenho lido a respeito e.Trazendo um brilho lacrimoso nos lindos olhos grandes e negros. . não resistir e ceder ao que mais fere a Deus. Somos seres individuais e temos consciência dos nosso s deveres e direitos como criaturas humanas e eles estão registrados em nossa ment e. considerou: Mas quem sou eu para criticá-lo? Você não tentou se matar. A mente fica povoada de imagens ou cenas. Adqu irir esses conhecimentos me ajudou imensamente Reforçaram minhas opiniões e me deram novas reflexões. Até Jesus aceitou ajuda nos últimos instantes de carregar s ua cruz. acima de tudo.. acredito no socorro de Deus. estou surpreso e assustado por ver pessoas com entendimento e conhecimento como você e o Sérgio se desesperarem a ponto de quererem desistir da vida mesmo sabendo que o sofrimento depois da morte será pior! Fiquei assombrado! Você é espírita. Por que eu seria tão orgulhoso? . retoma su a fé em Deus. de sua inferioridade por desejo tão inferior como o do suicídio. se necessário. E sabe o q ue é isso? É o desejo de espíritos inferiores que se comprazem no mal. o Sérgio segue essa filosofia e os dois possuem considerável noção do sof ento terrível por conta desse ato... podem me enviar companheiros enca rnados para me ajudarem.disse o rapaz. ofereceu simpático sorriso no belo rosto moreno claro. forçou-se a um sorriso tímido e encarou-o ao afirmar: Quando as perspectivas. e admitiu: Não julgo as pessoas. comentou em tom lamentoso: O Sérgio?. de Jesus e de mentores amigos que podem me guiar..

Um tempo para não chocar a família e. Acreditei que meu sofrimento seria eterno e minha vida inútil.. E eu estava com ele. Uma visão tão lógica e simples só se explica pela sua vação. Tia go.. Porém ela continuou firme: Após a morte do Rogério e do Gustavo... mas meus pais morreram e restamos eu e meu irmão . Entendi que neguei o direit o dele ficar um pouco com ela.. Na noite em que combinou com o meu irmão sobre irem para a repr esa. quando me afastei de seu caixão.. podem se entregar ao desespero sem lembrar que tudo passa e o sofrimento daquele instante ou até de longa duração também passará. o profundo martírio de forma lenta e intensa. Às vezes o via olhando quem ligava em seu celula r e ele não atendia.. uma angústia que deixava meu coração apertado. . Sabe. A oportunidade de vida nos foi concedida po r Deus e Suas Leis são de amor. . Medo?!. . por prova para sua elevação espiritual ou tarefa e outras razões como a ilusão materialista de o sofrimento terminar com a morte do corpo físico. A jovem silenciou. depois se foi. falei com o Gustavo a respeito de conversarmos com a família dele no dia segu inte ao voltarem do passeio e ele concordou. senti que era aquela moça discreta.. sem propós itos.. me senti reduzida a pó.Novas lágrimas. Me vi só.lágrimas correram. apego. Tiago refletiu e depois confessou: Ainda tenho medo. talvez por dó. talvez por c ostume. . sirva como objeto destrutivo nos influenciando e nos conduzindo ao desesp ero extremo.. . invadindo sua alma com o olhar. e a jovem prossegui u: Fui falar com o Gustavo e para minha surpresa ele disse que sentia o mesmo e talvez a origem disso tudo tenha sido o nosso noivado. Nos primeiros dias. nenhum ser humano escapa dos resultados de suas próprias realizações.. alertar e despertar. desespero e tudo o que é insuportável para ela.Respirou fundo e continuou: Então combinamos de dar um tempo. Era uma dor. por ter ficado ao meu lado me dando o maior apoio quando meus pai s se foram. Co mo família só restou uma tia distante e aquele..indagou virando-se a ele. Nós nos gostávamos muito. . ninguém. terminado. com a dor e todo o sofrimento. Depois que soube da morte da minha tia. Em seguida. Fiquei desorientada e não acreditei n os meus valores morais. Você achou que ele foi rude e frio.Rita deteve as palavras. Nós namoramos por tantos anos e o Gustavo s e viu na obrigação de não me abandonar... alegre com a minha decisão e beijou meu rosto como um amigo. harmonia e felicidade. eu vi a moça. chorando perto. Rita sorriu com brandura ao concluir: Você é bem mais elevado. pois o tempo se encarrega de amenizar e ajusta . eu me afastei para ela ter o mesmo direito de d espedida. Sempre quis ter de volta a família que um dia tive. por uma obsessão. . Após ficarmos noivos. alguns parentes do Gustavo cob ravam sobre a data do casamento e.. religiosos. Apesar de induzido por um espírito inferior. meu tio se aproximou e me disse aquela frase impiedosa sob re eu ter visto meu irmão. Eu senti que não deixei o Gustavo ser feliz m esmo quando percebi tudo entre nós bem diferente.Alguns segundos e pediu: P erdoe-me a falta de conhecimento.Ela secou o rosto com as mãos e respirou fundo ao revelar: Tem algo que ni nguém sabe e isso me dói muito. a o admitir: Ainda tenho medo de você insistir nessa idéia.... a c ulpa pelo suicídio é de quem o praticou. Ele confessou que me cons iderava muito. me fez entender que era preciso enterrar os mortos e prosseguir com a saudad e. oriundo de esferas inferiores com propósito de vingança ou puro p razer.. Respiro u fundo e prosseguiu: O Sérgio foi instrumento de misericórdia Divina guiado para me salvar. Passei mal e foi por isso que não qui s retornar ao velório e ver o enterro. Mesmo que um espírito se m instrução e rebelde.. com o vocês. às vezes..ituais. vazio.. Porém é bom lembrar que... que Tiago aparou com a mão... deixando o olhar perdido no belo jardim. encarou-a sério. Senti que ficou satisfeito. Perdi meu irmão. Tiago. Diante dos longos minutos. Com a perda dele junto a do Gustavo..... Por isso. apesar do conhecimento.. Por essa razão. mas éramos só amigos e eu percebi que hav ia alguém nos pensamentos dele e. Eu sentia uma coisa.Engoliu u m soluço e contou: No velório. um vazio!. ainda assim. mas. somos culpad os e lastimaremos amargamente a ação. que a nossa amizade era incomparável. mas seu irmão.. Isso pode acontecer por alguma atitude desajustada em outra encarnação.lágrimas rolaram. mas ainda não entendo como pessoas instruídas.. Medo do quê?! . . ou melhor.. Tirando-lhe os cabelos que cobriam parcialmente seu rosto.. uma pessoa passa por provas ou expiações de infel dade.. Talvez fosse só amizade. intolerável a ponto de cometermos o suicídio. .. lá no velório.

. acreditando não ter deixado o Gustav o viver com quem se apaixonou. Junto de você apreendi que existem coisas mais importantes para se compreend er. Vi o quanto à família dele gosta de você e compreendo sua inse gurança e seu receio para revelar seus sentimentos verdadeiros. . Tiago. meu fiel amigo nesses momentos tão difíceis. Obrigada por ser meu amigo. Ele silenciou ent endendo a harmonia e o sossego que a fizeram se largar no abraço gostoso. o bálsamo que dimi dores e o sofrimento que podem me abalar.. Ele era um cara bem bacana e gostava muito de você..riu. ela se ajeitou afastando-se um pouco.. recostando-a em si ao embalá-la suavemente.. Quer ir ao cinema? E escuto: Ah!. Sensibilizado. falou quase chorando: Você.. mas depois comentou: Existem razões e ac ontecimentos na vida que às vezes não conseguimos entender. eu concordo. serei seu amigo enquanto for minha amiga. a jovem soltou seu rosto e acomodou-se ao lado. Tiago alargou um lindo sorriso e espontâneo que iluminou seu belo rosto trazend o um brilho lacrimoso em seus olhos... conversávamos.riu com jeitinho.. Não tenho m uitos amigos verdadeiros e desinteressados. Depois gargalhou ao comentar: Puxa! Como foi difícil tirá-l a de casa! Caramba! Ah! Viu como você foi o remédio para meus males?! Tiago sorriu com satisfação. Gosto da sua companhia e de fic ar ao seu lado. arremedando-a de uma maneira engraçada: Chamo para sair e você diz: Ah. Acred itando que nada é por acaso..Ela só o olhava. ríamos de fatos engraçados que lembrávamos. fazer e viver. Eu me afastarei quando pedir.. mas estou aprendendo a reconhecer meus valores e sou melhor do que tudo isso. Mas algumas coisas são tão dolorosas. acolhendo-a com c arinho. A d ona Antônia me recebeu e me acolhe como filha. sorriu lindamente como há tempo não se vi a e brincou ao dizer: Não diga isso! Não tem o direito de interferir em minhas opiniões! Ora! Você vive me contrariando! . Não queria sair hoje. Entendo seu amor pelo Gustavo e seu conflito por guardar o segredo do término do noivado.. Não se julgue culpada. beijou-lhe a cabeça. pois estou aqui seguindo meu destino. Penso também que o Rogério ficou ao seu lado . beijou-lhe o rosto e falou com brandura. Não. Sim. devemos admitir que foi necessário vocês passarem e sse tempo juntos para alguma harmonização. Logo ele disse: Pode d eixar. mesmo que a luta pareça interminável. Após longo repouso. segurando-lhe a face entre as mãos mornas e delicadas: Não se preocupe tanto comigo. Eu?! . me dedicando somente ao serviço. Você é a bênção. Abraçou-a. . principalmente.. Nós nos reuníamos para comer pizza!. Precisamos seguir vivendo. Você me ajudou muito. ele abraçou Rita por sobre os ombros. entender. sentindo tranqüilidade na a lma e sem qualquer conflito íntimo como há tempos não experimentava.Oferecendo um sorriso doce e acan hado... sei que você adorav a e adora o seu irmão. A jovem o envolveu pela cintura . tormento e desespero passam. Toda aflição. Olhou-o de um modo en igmático e o abraçou com força.sor riu com doce saudade no olhar. mantendo-a recostada ao peito e agasalhou-a entre seus braços com ternura. . Aprendi a pensar diferente e reconheço a loucura que desejei. comentou: Obrigado por me considerar seu amigo. à academia e sem m otivação. o remédio.admirou o rapaz. correspondendo à brincadeira. Depois nós nos reuníamos no fim do dia. Essa era a forma como ele a amava. relaxand o e confiante. Rita.r a vida. Devo ter al go importante a fazer. esquecendo. E Tiago continuou: Conheci o Gustavo quando ele ajudou o Sérgio em alg uma coisa lá na reforma da casa. Tomado de impulso imediato. absorvendo ca da palavra.. Você foi fiel e não deixou de amá-lo. toda a verdade do que aconteceu . Rita. pois só a Deus cabe alterar o curso do nosso destino..reclamou. . perdoando. fechou os olhos e se permitiu longos minutos de paz.. só que esse amor era de uma forma diferente.Riu com generosidade ao falar: Mas não precisa exagerar dizendo que sou o remédio que diminui as dores e o sofrimento! Delicadamente a moça afastou-se um pouco. Porém não gostaria que se afastasse de mim. . experimentei. po r ele tê-la apoiado tanto.. de verdade! Só que como um grande amigo. Eu ainda relutei em aceitar a verdade. Vendo-a tímida por elogiá-la com as palavras vinda s do coração.Silenciou. Eu tinha uma outra vida. Que bonito! . Veja. E o doutor Édison me ajudou muito nisso e me ajuda. sem interesses. . Sem demora ele lembrou. A culpa não foi sua! . Não dá para esquecer o que passei.

. se Deus acreditar que exi ste algo mais para viverem juntos.Olhando-a de modo a invadir s ua alma delicada. O amor não termina com a morte do corpo físico. não os reconheça ou.para aprenderem algo juntos. E eu precisava passar pelo que passei?. crenças e pensamentos abalados ameaçando se ..Frente a ela ainda lembrou: Você tem vinte e cinco anos! Tem muito tempo e centenas de cria turinhas para conhecer e se for preciso eles surgirão no seu caminho.sorriu. conhecimentos e experiênci as. Silencioso. Não cometeu qualquer loucura naquela época devido à força que o Gustavo te d eu para se recompor ainda mais..... Foi por causa do Rogério. mas você tem uma nova família..Vendo-a quase em lágrimas. não estaria perto de uma nova família. eu. Você sabe ouvir as pessoas e oferecer incentivo! Que tal Psicologia?! .. Foram unidos para o plano espiritual.. O que importa isso? Talvez não precisasse e daí?! Lamentar. modificou-se incrivelmente com aquela conversa e falou: Vamos! Mas aproveitaremos para conversar sobre você fazer um curso superior! Eu?! Estou velho para isso! .exclamou Tiago sorridente. a dona Antônia.ele sorri u com terna brandura. Para ajudar o seu novo irmão Sérgio.. pois cumpriram os seus propósitos. Você tem outra família que te ama! . Tenha força para recomeçar. afagou-lhe os longos. considere. sorrindo com doçura.. .. É bem provável que não os identifique. Rita. Não é fácil aceitar a separação. Eu o con sidero como um irmão! Sabe.murmurou. Já te contei os ta is fatos. como amigo fiel. olhando ao redor para as sombras das folhas de uma árvore que tremulavam nas paredes internas do ambiente.Sorridente... . Guardando consigo profundas reflexões sobre conselhos. Então eu acredito que foi o momento de eles irem. . lembrando que todo aper feiçoamento e evolução exigem renúncias. Talvez não tenha percebido. o doutor Edison. Talvez se tivesse ficado sem seu irmão ao lado . Você já havia encontrado o Sérgio que a levou a conhe cer o João. minha am iga! Você tem quem te apóia.brincou. sorriu ao concluir: Ou até reconheça em alguma criança ou crianças as características indiscutivelmente individuais que somente eles tenham! .. Sérgio permanecia sentado no sofá. perguntou: Vamos sair e dar uma volta? Sim. Tiago. Afagando-lhe a face tênue com delicado carinho. E eles? Por que se foram? Porque precisam continuar evoluindo e se aperfeiçoando. Eles te acompanharam ness vida terrena o tempo necessário de seus planejamentos reencarnatórios para que tive sse força para recomeçar.. pois o teve a o seu lado.. que você resistiu à tamanha dor quando perdeu seus pais. Toda família tem seus desentendimentos e por que a nossa seria diferente?! Não foi sua culpa essa separação. seu único irmão. Acredite. Levantando-se. . Já me disseram isso!... negros e ondulados cabelos lindamente soltos. alinhando-os atrás da orelha para ver melhor seu rosto expressivo. disciplina. pois me lembro de você ter contado que ele quase foi naquela viagem junto com seus pais. na sua vida de algum jeito. isso acontecerá de um jeito ou de outro. E a Débora que sumiu? Acabei com a vida do Sérgio que tanto me ajudou. Eu sinto que a Débora vai voltar. Você os amou e os ama do seu jeito e eles a amaram e a amam do jeito deles. agora. Passe por isso sem sofrer. Sérgio decidiu não permitir suas opiniões. naquela época. Tiago e Rita saíram conversando e brincando para um passeio descontraído. * * * A noite se adensou naquela casa onde a luz fraca de um abajur deixava a sala na penumbra. Rita! . não se abale nem se culpe por isso ou s erá mais um problema para ele. chamou: Agora vamos? Rita estava animada.falava com ênfase e expressiva energia positiva. Onde está a sua fé? O apoio do Gustavo e do Rogério foi importante e imprescindível até você estar madura o suficien te para enfrentar a vida! Creio que a situação de sentir-se sozinha. chorar. pois eu vi muita amizade entre eles. ficar deprimi da e extremamente angustiada vai ajudá-la em quê? Supere! Reaja! Você é superior a isso. indagou: Mesmo sabendo que posso reencontrá-los e fazer algo melhor que fiz nessa vida por eles. Vamos sim . Deus pode fazê-la encontrá-los ainda nessa vida! . Tanto que desencarnaram juntos. dedicação. de não ter uma fa mília era a sua prova.

. Sérgio não percebeu que era tarde quando ouviu Tiago chamá-lo: Estou aqui! . Rita . desenvolver idéias e conclusões. Rita! Nem precisa pedir. Fechando os olhos. Ao chegar à sala. A decisão foi certeira. incluindo espíritas. ligando-o aos espíritos de esferas superiores . dinâmicas e detalhistas do que vivenciaram.inform ou Tiago. Os pensamen tos. Enquanto isso a jovem pegou o celular. tranqüilo e com imensa fé sem saber por quanto tempo. a dor e o sofrimento.u equilíbrio e bem-estar. Orou e trocou a companhia dos espíritos inferiores. Sérgio não teve dificuldade de pesquisar. Com o um mau presságio. Rita . esclarecer situações e se desvencilhar do que pudesse comprometer suas i déias. Seria bem cômodo e n atural deixar se enfraquecer com as idéias melancólicas insufladas. Em pouco tempo a mesa do escritório estava repleta de literários e pequeno espaço o nde colocou grande caderno de anotações. Sim. Sérgio recebia abençoado jorro de energia salutar qu e o resgatava do desânimo e o elevava. Ele foi além. Débora era a razão de tudo. Eu avisei . pela presença de entidades bondosas e elevadas dispostas a benef iciá-lo com a sagrada vigilância e abençoado conhecimento. assaltavam-no vivamente e tão fortes que parecia ouvir a voz generosa e delicada. Rogo u sustentação e força interior para prosseguir em seus propósitos a fim de superar as di ficuldades. Sérgio? Lógico. A simples concentração na leitura de um bom livro manteve s ua mente ocupada e seus pensamentos mais saudáveis. A força. envolvimento sublime e amoroso aos encarnados e desencarnad os ainda dispostos a incomodá-lo.. Contudo seu coração trancava uma tristeza.. Posso usar o telefone. Acreditou que aquelas idéias eram sinais. mas ele mudou a postura mental. aprimorando seus conhecimentos. Não pense que agi por des . ele experimentava uma provocação por densas amarguras vindas de pe quenas lembranças. auxiliando-o nos objetivos daquela reencarnação. Incontáveis imagens. o riso cristalino ou mimoso do único amor em sua vida. Depois ref letiu novamente. consumindo-o pela saudade. mas agora se negaria a perder o controle das emoções e entre gar-se à aflição insana. substituiu os pensamentos depressivos por prece equilibrada como se conversasse com Deus. Sentia que ela precisava de sua ajuda.alegrou-se Sérgio. Nós saímos para dar uma volta e decidi passar aqui antes de levar a Rita . Sentindo. encarnados e desencarnados que se aglomer am por gostarem das mesmas práticas e idéias mesmo quando não se conhecem. Os irmãos trocaram poucas palavras até ela retornar. desejando renunciar a vida. Mas demoramos mais do que o de costume e.. minúcias apresentadas em momentos de pa ticularidades e carinhos entre eles. Separou algumas obras que o aj udariam em determinada pesquisa e estudo sobre suicídio.disse com leve sorriso. sentar e comentar: Achei melhor avisar a dona Antônia que eu estou aqui ou ela ficaria preocupada. o fluido. mas hoje sou tão grata! Eu te considero muito. Valendo-se da Metodologia Científica aprendid a no curso universitário. mas não sabia o que fazer. Sérgio estava determinado a experimentar a angústia . Repentinamente ele se leva ntou repleto de vigor a ânimo. Ficou em silêncio.atalhou Sérgio . Ela sabe que saímos. reproduções exatas. sorriu satisfeito por ver Rita que o cumprimentou com um beijo. Também pediu luz. a elaboração intelectual e os ideais ocupados e concentrados no bem não abrem esp aço para as influências do mal. No primeiro dia fiquei contrariada com você. mas não podendo ver. recordações e situações alegres. não é? Estou sim. alertando-o de uma tris teza profunda e imensa amargura. olhou-o com certa decepção e falou: Meu celular está com a bateria descarregada.avisou num grito e arrumou as anotações e o material espalhado. um forte abraço e mostrava-se mais animada. Que bom vê-los! . o poder dos nossos pensamentos são energias magnéticas que exerc em recursos e meios de impressionante atração espiritual. você está se dando muito bem com a dona Antônia. Foi até o quarto onde fez o escritório e havia diversos livros e materiais de estudo. cujo objetivo era fazê-lo sofrer. Em outras palavras. a ment e tem o poder de atração de espíritos afins. Um demorado e profundo suspiro o deixou mais leve.argumentou Tiago.

colocam suas vidas em risco e nem ganham bem para isso. Sérgio! Você foi um instrumento de misericórdia Divina inspirado c omo socorrista para me ajudar. Esquecem que vocês são seres humanos.. tem outras coisas e. intolerante e são até desrespeito sas.prezo ou algo assim. à vontade de dar um murro na mesa?! . mas ela não ficou para explicarmos. . mãe. .disse Sérgio. . irmã. Na da é por acaso. não fazem mais do que suas obrigações . falou ignorando que ela sabia: Você não conhece toda a história. dias antes. São inúteis ou impotentes com a família como pai. Ciúme de mim?! . Nunca me cansarei de agrad ecer a Deus por vocês aparecerem na minha vida. o mesmo acontece por parte de funcionár ios públicos ou outros profissionais na área de atendimento. um bombeiro.. Não amam nem são amadas. sobressaltando-se. com disposição ou atitude áspera. São criaturas de personalidade mal resolvida. Até entre estranhos isso aconte ce. agressiva. mas em outr s situações semelhantes?! Quantas vezes fomos tratados de modo vulgar. Sérgio . desumano. eu fui dominado por uma crise de c iúme da Débora com o Tiago que se davam bem e conversavam bastante.. E quantas vezes nós já não agimos assim?! Talvez não nessa. você Sérgio. Sabe. bombeiros. médicos. o comportamento faz parte da evoluç ral e espiritual de cada um . De forma alguma... Rita .riu Tiago ao exclamar. mas a moça não se manifestou. Precisamos uns dos outros. Só tenho que agradecê-lo. que em algum aspecto de suas vidas não tiveram o resultado desejado. filha.. auster a e que não reconhecem o serviço prestado exibem um quadro de personalidade inferior izada. a dona Antônia. o João. Foi uma situaçã ue enganou os olhos de Débora.disse Sérgio. É q uase impossível resistir ao impulso.. Ora! E verdade! . professores e outros algumas pessoas tomam uma postura rude. Mas suportei calado. Outras são orgulhosas e pensam que profissionais como você. educação.. Creio que. Isso encon tramos em todas as classes sociais.. sorrindo. mul her. Uaaaaau! Um psicólogo falando desse jeito! . uma espécie de complexo de inferioridade gerado pela falta de respeito. .. Não se culpe. Além disso. para eu ter uma chance. Acho que experimentamos muita influência espir itual inferior e aceitamos.. E tudo começou com a Débora. cul tura.. irmão. Quando esta mos à beira de cometer alguma burrada. Existem s que se emocionam e não se cansam de agradecer pelo socorro. Sabe. Ao serem atendidas principalmente. mas que repentinamente se transforma em alguém animalizada e que só falta rosnar porque o médico não a atendeu no horário?! .Sérgi o não se intimidou e contou diversos ocorridos e detalhes que Rita já conhecia através de Tiago. enfermeiros.riu. pessoas assim.. mas.. Foi . me alertar.interrompeu-a Sérgio de imediato. Educado. Psicologicamente falando. É sim! Eu disse isso quando nos conhecemos e repeti o mesmo hoje para o Tiago. o Tiago. por servid ores públicos como policiais.. Quando aprendermos a trabalhar nossa hostilidade e nos controlarmos. marido. nos dá sinais!.murmurou sem jeito. solidárias! .. De você e de qualquer outro que se aproximasse dela. Sou bom observador e tenho certeza de que nada é por acaso.acrescentou Rita..afirmou Rita.. Mas nem sem pre estamos alerta.exclamou o irmão. estaremos alcançando a evolução e o equilíbrio. Sérgio riu e Tiago balançou a cabeça concordando.E les riram e ele continuou: Ela não quer saber se o médico está bem.Sérgio garg alhou.. Não diga nada sobre isso. E as reações das pessoas envolvidas são tão diferentes! . Tudo isso junto à maldade da minha ex-namorad .. É. Existem pessoas humanas. São insatisfeitas consigo mesmas e complexadas. Você é meu novo irmão! Ora. meu irmão! Não podemos negar esse desejo. filho. Esse comportamento most ra que são pessoas frustradas por algum complexo de inferioridade também. além de ser uma ligação com a educação.. por exemplo. Você tem toda a razão ... séria à espera de uma consulta..tornou ela.. Mas veja bem. Deus nos avisa.Alguns segundos e falou em tom melancólico: Só sinto muito pela Débora. Já me perguntei: Por que o caminhão do Corpo de Bombeiros não chegou um minuto ant es?! Por que estávamos passando por uma rua perto quando o rádio nos mandou atender determinada ocorrência e isso salvou uma vida ou vidas?. Vocês já viram uma pessoa toda bem vestida .interrompeu o irmão .confirmou o rapaz. o doutor Edison.. se teve alguma eme rgência.

. Sobre os assédios da Lúcia . acreditando que existia uma razão para tudo. não se abala va. Não demorou e. por que não me procurou depois desse tempo todo? Po r que não te procurou após eu explicar a situação no consultório do doutor Edison? Vocês er m tão amigas! É isso o que eu estranho. Eu me lembro de vocês brigarem! Mas não sabia o motivo! . Não posso acreditar. pois ele me machuca mui to porque eu adoro a Débora.. por isso não quis me ouvir. Meu Deus. Tiago parecia em choque ao ouvir as conclusões do irmão.a. levantando-se rápido. . Isso mesmo . O pai morreria! Porém deveria ter falado comigo. olhando os filetes de água escorrendo pelo vidro. Sérgio! . Acho que trocou os números dos tel efones. atenção..Discussão entre Sérgio e o médico Trovões rosnavam a distância.assustou-se Rita. Eu ameacei a Lúcia. 24 . Às vezes chego a pensar que ela usou essa situação c um motivo para romper comigo.. Será mesmo?! Se isso é verdade.afirmou Sérgio com tranqüilidade.. forrando de branco o chão da rua e as calçadas. e novamente. O Breno?! . apesar de muito sentido.. nós discuti mos. apesar de inocente.. Meus sentimentos dizem que a irmã man ipulou a Débora. Ei! Já passou! Quanto à Débora. Fui até sua casa e me disseram que ela não está morando lá. nós brigamos feio. Vamos parar com esse assunto. Não entendo o que acon teceu! Ela estava sem emprego. Eu sabia . Frente à janela de seu consultório. Sérgio! A Dé não aceitaria isso! Ela jamais iria se corromper.. me deixou em desespero.. preocupada e. dizendo com mais ânimo: Ei! Acabou! Aconteceu o que precisava acon tecer.respondeu Tiago.. O Breno se aproximou da Débora através da Yara e lhe deu toda assistência no momento em que mais precisava. A mãe se meteu. brando. Não suportei e dei-lhe um tapa. Se fosse outra garota. Sobre o quê?! . Eu sei o que aconteceu . Não atende às ligações. Sérgio ficou com seus próprios pensamentos e. Conhecia bem a Débora e sei que nunca fugiu de nada! De repente sumiu! Abandonou tudo.. Sérgio permanecia em pé. O quê?! . a Sueli. Provavelmente não sentia por mim o mesmo que sinto por ela. Se o destino armou esses ataques. Por que não conversei com você. formando uma cortina nevoenta . muitas vezes. c nforto e tudo mais o que sentia falta desde que saiu da casa e da proteção do pai. Ela te adora. a chuva caia pesada... cara! Você era menor e eu deveria te defender. mas.surpreendeu-se. Por isso eu fui conversar com ela e lhe dei uma bronca. lembrando-se de algumas situações. Então me desculpe. que é muito manipulável.Tiago abaixou a cabeça e comentou constr angido: Você era um moleque e eu não saberia como conversaríamos sobre esse assunto pelo fa to dela ser nossa irmã.lamentou Tiago.disse Sérgio. disse: Nossa! Já é essa hora?! Puxa vida! .Alguns minutos e Sérgio afagou -lhe as costas. dizendo que agi a como se estivesse tentando seduzi-lo. Ficou um vazio. Disse que se a visse novamente. Vi nossa irmã. ... Ao chamar a atenção da Lúcia. com o pai. O Breno se aproveitou da fragilida de da Débora quando tudo aconteceu entre nós e a proveu com trabalho.tornou o irmão. Olhando no relógio. pois a Lúcia parecia possuída e começou a me agredir ostensivamente. Desculpe-me.murmurou Tiago. Ela é uma moça sem responsabilidades. Havia algo incomum nos meus pensamentos frenét icos. A Yara. estou sem defesa.. ao interrompê-la. Então veio a chuva de granizo batendo forte. Algo não resolvido entre nós. o tratan do de uma forma bem estranha. o céu começou a escurecer rapid amente.. Suas manifestações de carinho eram carícias provocantes só com você.questionou Rita.perguntou afoita.disse Tiago. em plena tarde.. . Depois brincou: Hoje a don a Antônia me bate ou me expulsa de casa! Vamos Tiago?! Eles se despediram e foram embora. .afirmou Rita. distração. Mas juro que eu não s abia sobre a Lúcia continuar com aquele comportamento insano . Na verdade.

Sabemos que muitas pessoas respondem ou reagem às bruscas perdas e separações. .Breves segundos e continuou: Tenho certeza de que o senhor acompanhou atentamente o meu último encontro com a Débora aqui nesta clínica.Breve pausa. Valorizei minha resistência e me agarrei ao reforço de exercer uma atividade profissional que eu am o e muita coisa melhorou quando saí da polícia.afirmou calmo e com seu olhar típico de invadir a alma do ou tro. eu primeiro me analiso antes de determinada opinião. Espere. quando contou sua vida e os fatos desagradáveis que enfrentou. ou seja. Sentando-se em uma poltrona e vendo o psicólogo acomodar-se à sua frente. Eu acompanhei tudo o que aconteceu com você.. Certo! Pode falar! Sérgio se levantou... mas estava inseguro pelo período de luto do médico e deveria respeitá-lo.. O senhor sabe explicar mel hor do que eu o resultado do sentimento de abandono num caso como o meu. principalmente. Precisava arrumar um jeit o de abordá-lo sobre tudo o que Nivaldo contou. a plicando-se e ampliando mais a sua carreira. Temos um assunto muito import ante para esclarecer. o rompimento dos laços de afeto e. Se nós t ivéssemos conversado por mais tempo e de outra forma. o médico não consegui u decifrá-lo e isso o fez perder as palavras.. Ao se afastar. di minuindo suas atividades.. que não via desde o enterro de sua esposa. o rapaz estapeou-lhe as costas ao mesmo tempo e m que lhe pegou a mão. No entanto. encarou-o fi rme até o rapaz argumentar: Foi bom o senhor me procurar para conversarmos. cuja fo nte habitual de sustentação para planos futuros desapareceu de repente.pediu educado. Preciso retornar à ativa e o quanto antes. Fui traído. Sérgio . Confesso que naquele dia e u queria morrer. Correspondendo muito educado. Mas eu estava enganado. Sérgio! Como você está? Tudo bem? . Mudava de pensamento.perguntou o doutor Edison aproximando-se e e stendendo a mão para cumprimentá-lo. Apesar de experiente. pois cheguei onde estava com meus próprios esforços e depois de tanta luta. Permanecendo em silêncio. Foi nesse instante que poucas batidas à porta chamaram Sérgio à realidade e ele per mitiu em voz alta: Pode entrar! . a rejeição. decidi vir conversar com você. Iria me dedicar a especializações. amp arou as mãos nas costas da poltrona vazia onde antes havia se sentado e frente ao médico. acho que eu sofreria se ela decidisse me deixar. o médico contou: A secretária disse que a m aioria dos pacientes desmarcou na última hora por causa do dilúvio que está caindo. pós-graduações. Por conta disso e pelas dificuldades já enfrentadas na minha vida. Pensou e prosseguiu: É difíc il apagar da memória a injustiça que resultou na perda simbólica de uma pessoa querida . Mas vai entender . Então me esforcei e superei a dor por ter outras atividades importantes para fazer. mas seria diferente.. Est ou consciente de não ter superado . respirou fundo e deu alguns passos sem encará-lo. mas me recuperei por conta da nossa conversa. porém controlou a surpresa e a ansiedade. Sérgio comentou: Estou surpreso em vê-lo! O senhor está bem? Sim..a situação mal resolvida entre mim e a Débora. Eu experimentava uma tristeza. Olá.Ao olhar..Enquanto observava a ação da natureza. Eu cheguei à cerca de uma hora e. Aquela demora o torturava. Aond e quer chegar? Não estou te entendendo. em sua sala e na sua presença. doutor Edison? Descobri que os créditos pelo sucesso não eram meus. ele pensava em dar novos rumos à sua vida. Voltou. mas o médico o puxou para um forte abraço. Devo admitir que o senhor me ajudou muito. experimentou um sentimento indefinido. saber como estão as coisas. mas não uma depressão.. Bem. não é. Como psicólogo. . O doutor Edison ficou longe de entender o significado do olhar expressivo de Sérgio que se fixou nele de modo enigmático. mantendo cons igo mesmo um diálogo mental sobre situações e fatos a esclarecer até que se lembrou do d outor Edison. Um assomo de acontecimento s desagradáveis invadiu minha vida repentinamente e eu acordei em um hospital para me recompor. conforme o caso. falou mostrando firmeza e tranqüilidade na voz: Um dia antes do falecimento de sua esposa eu experimentei momentos extremamen te desesperadores. Agora entendo o que o senhor me contou sobre entrar em um mun do de escuridão e infelicidade no qual a vida não tem mais razão dizia calmamente.. faço questão de diferenciar d epressão de tristeza.

foi como se alguém desse um soco na minha mão e arrancado à arma. fracassado. sem capacidade e um pobre coitado por não ter recurs os financeiros e fazer parte de uma sociedade que não está a minha altura! Nunca sen ti tanta humilhação. de seus sentimentos penosos d e insegurança. Olhei em volta e não tinha ninguém. adorei . Aproveitando-se da pausa. por favor! Sérgio o fitava de modo indefinido. O qu e aconteceu comigo não é comum.continuou calmo. Ofereceu uma pausa. reflexão e ação! Você não é nenhum menino e tem muito potencial! Tem grandes v s humanos e imensos valores morais! Meus valores morais foram pro inferno! . amor e caridad e a cada dia para conseguir cumprir um pouco da minha tarefa de planejamento par a essa encarnação.gritou Sérgio. o doutor Edison falou de maneira ponderada. a capacidade de ouvir que nos dá c .defendeu-se em tom suave . quanto mais estudo. precisamos esclarecer muitas coisas.. falou veemente e irritado: Porém me senti um inútil. mas bem firme: Sérgio. Um segundo antes ou no instante em que apertei o gatilho.falou com leve sorri so.O que quer dizer. culpa e seus valores humanos. fui à busca de explicações científicas e razão para isso ter acontecido comigo. Porém isso não é razão para se torturar dessa forma! Use a situação para autotransform observação. colocá-la na minha cabeça e apertar o gatilh o?! O quê?! . Algo dardejante parecia escapar de seu olha r. Suspirando fundo. mas. por isso vamos usar a única coisa que nos difer encia dos animais: a comunicação! É o poder de falar. quer você acredite ou não eu ia te contar.expressou-se menos agressivo. Eu só vi que fracassei em tudo! Eu estava em casa sozinho quando entrei em desespero. É por isso que estou decidido a deixar de trabalhai aqui. Sérgio?! . contou: Acredite ou não. o doutor Édison o encarou falando com segurança: Sérgio. falou: Quero que seja mais claro. Encontrei em O Livro dos Médiuns. isso aconteceu comigo... me smo vendo o outro com expressão apavorada: .comentou em baixo tom. . Com a postura de quem adquiriu equilíbrio íntimo. perdi completamente o controle e não vi razão para continuar vivendo e quer saber?! Quer saber o que me fez viver após pegar a pistola automática. E ncarava Sérgio sem se manifestar. imprestável. contudo sua fisionomia era firme e tranqüila. ouvi uma voz estrondosa ecoar por todo o quarto gritando meu nome duas vezes e ordena ndo que eu parasse. voltou-se de cost as para o médico e olhava os relâmpagos fortes que se faziam seguidos de trovões que r oncavam. O rapaz contou-lhe exatam ente tudo. Entretanto. Eu dei um tiro para estourar a mi nha cabeça... ouvindo-o normalmente. Os clarões repelidos dos relâmpagos e os estouros dos trovões repercutiam sem trégua. Depois. doutor Edison . sei o quanto você é racional.Bem calmo. Aliás. nos proteger e. É impossível eu co ntinuar me sentindo acolhido e respeitado por meus colegas e sócios da mesma forma que os acolho e respeito quando um sentimento de injustiça os incomoda pela sua p redileção por mim. pensando que Ele irá intervir no momento crucial de tamanha insanidade! Estou estudando e apren dendo muito e. Bem. falou sem rodeios: Gostei da idéia que teve para ampliar a clínica. t rabalhar a minha Sombra a fim de efetuar uma tarefa de utilidade. Não foi por acaso.gritou o médico assustado. Que ninguém tente Deus. As rajadas da chuva forte batiam nas vidraças. mais vejo que nada sei . no segundo seguinte. Nessa fração de segundo. direto e objetivo. tanta vergonha!. O senhor me traiu ao omitir que pagou parte do que caberia a mim como sócio para a montagem desta clínica! Pediu sigilo aos outr os para eu não me sentir ofendido! Fez-me acreditar que os meus serviços prestados f oram relativos aos custos e valores do que foi investido pelos outros! O homem exibiu um olhar triste. eu nunca lhe pedi nada. Mas não houve te mpo. cada detalhe do que escutou de Nivaldo. Só esperava uma oportunidade melho r tendo em vista as dificuldades em diversos setores de sua vida. tive a certeza de que Deus tem misericór dia e envia um anjo da guarda para nos vigiar. em outros livros da Codificação e nas obras de relatos das pesquisas cie ntíficas feitas por Allan Kardec publicadas na Revista Espírita de 1858 a 1869. Isso mesmo! . A automática caiu no chão. Entendi a necessidade de adquirir energias novas para mudar meus defeitos. Apesar disso.perguntou o médico bem sério. fazendo o tiro pegar na parede após passar de raspão na minha n uca. quase exigindo. Lembrando . Sabe..

cientistas. apesar de a indagação parecer irônica. relatam que receberam pequeno alerta o u sinais para não cometerem esse ato. Depende somente d a pessoa escolher de que lado quer ficar. Entre elas a solidão. espíritos bons e sábios. por ignorância.gritou. certamente. O suicídio e o aborto são os maiores crimes que podemos praticar contra a vida. assustando-o. A prova da atuação dos bons espírito s é que você está aqui. quando s trata de cientistas americanos uma vez que a religião protestante lidera naquele país e não aceitam por ceticismos ou por orgulho e não sabem. . Por isso não tome decisão alguma. esperando um momento oportuno ? Não teve tempo e agora quer que a Débora acredite nas suas explicações e não nas acusaçõe njustas e provas falsas! Da mesma forma. estupidamente. parecendo envergonh ado. fechou os olhos esprem endo-os e respirou fundo. muito será pedido. A quem muito é dado. no seu caso. d epressão crônica.Depois de esbravejar. Você ouviu e sentiu a atuação d s.lareza e objetividade. Olhando Sérgio nos olhos. Pare com isso! Não preciso das suas desculpas por ter minhas opiniões formadas. Enganei?! . como a situação se repete! Acorde! Lembra-se de que não con tou para sua namorada sobre o problema com sua irmã. de um jeito ou de outro. apontam como causa às tentativas ou aos suicídios os distúrbio s. Por quê? Não sei. a vergonha por algum fracasso. que todo e qualquer motivo que leva alguém à tentativa ou à prática do suicídio existe a atração de u influência espiritual.. A partir de análises de casos clínicos leva-se a crer em diversas razões para o suicídio. dois valores opostos! Ao mesmo tempo a pessoa deseja uma situação que é a morte. todos. contra o Criador. Peço gentilmente que se sente e me ouça. as síndromes ou condições específicas e situações do cotidiano.O rapaz ficou em silêncio e o do utor Edison respondeu: Porque todos são importantes para Deus. O que te aconteceu não foi por acaso. Está me dando aula por acreditar que eu não entendi ou perdi alguma coisa no curs o de Psicologia? . Em seguida. mas avisei aos outros que eu iria conversar depois com você! Veja. Não! Eu omiti. Você sabe que todos os que tentaram ou se suicidaram e todos os que falam em co metê-lo apresentam caráter de dois aspectos. Não. Você tem a liberdade de escolha e os espíritos bons não ficarão interferindo na sua von tade. Olhou para o chão. remorso. medo de castigos e agressões. nesta reencarnação.. Só tenho uma coisa a te dizer . virou para o senhor e. mas você ficou sabendo por i ntermédio de palavras fortes ou cruéis que o feriram. você não é capaz de acreditar em mim nem dese ja ouvir minhas justificativas e me agride com acusações.. pediu: Desculpe-me. não abuse da proteção Divina. Não é necessário você se torturar! . mas sente que não quer aquilo! É um grito de soc orro! Ninguém estuda ou pensa: de onde vem um e outro desejo que são tão diferentes ao me smo tempo? A vontade de se matar e acreditar. Sabe por quê? .perguntou sério. E Jesus fal ou quando tentado a se jogar do penhasco: Não tentarás ao Senhor teu Deus! Mas exist e algo curioso. principalmente. pois isso é raro. o médico se leva . isso com a finalidade de chegarmos a um entendimento just o e viável. Etc.O rapaz obedeceu. o médico ainda falou: Eu acredito na intervenção dos espíritos. que vai acabar com tudo vêm de inspirações de espíritos inferiores. reação impulsiva por perdas. Tem os o que merecemos e conseguimos suportar. desejo de manipular ou controlar os outro s etc. Eu. Mas o senhor me enganou. Quero dizer que especialistas renomados. com todas as su as pesquisas e estudos. mas uma dureza permanecia em seu olhar firme e rosto sério.falou de modo rigoroso . culpa. pois todos os pacientes com tendências suicidas que já tratei ou ain da cuido. Orai e vigiai.. Sérgio. é que eu ia te contar. é inspiração do guardião. A prova da intervenção de espíritos inferiores para que você não tenha êxito e se detenh caindo em ruínas. O desejo oposto e conflitante de não quer er morrer... É mais fácil confiar na palavr a de um outro e não na de seu amigo que o considera como um filho! Sérgio sentiu-se desarmado de palavras. fuga de situação insuportável. Sérgio. O médic o prosseguiu: Clínica ou cientificamente falando. Etc. O índi ce é muito alto e se eleva a cada dia.. Nenhum fardo é tão pesado. vendo-o brando e pensativo. seguem inúmeras explicações pelas tent ativas mal sucedidas de suicídio e milhares de suicídios consumados anualmente..

Resgatando-o das reflexões. João sorriu e os cumprimentou dizendo em seguida: Que chuva. Como o senhor quiser. mas deduziu tratar-se do assunto sobre a sociedade daquela clínica. falou: Acho que a Rita deu jeito em você. quase sorrindo. Não é um mero psicólogo preso às terapias. né? Saindo em seguida. que estava sem pacientes e lia um livro. lembre-se de que nem todos são merecedores de tamanho empr ego de forças ou energias fluídicas vitais do plano espiritual! . O temporal atrapalhou a vinda de todos à clínica . João ficou calado e observando. Sem titubear. Em pouco tempo. com um ar de vitória em seu semblant e. hein?! A cidade está alagada! E o Nivaldo?! .justificou João. viu-o largado de bruços sobre a cama e o braço caído com a mão encostada no chão.Leve sorriso enigmát ico e falou com ar de satisfação: Isso só aconteceu porque você é o sal da terra. João permaneceu em total silêncio.Tiago resmungou e se remexeu. * * * Alguns dias depois. . é a Terapia da Oração e a vigilância com hábitos físicos e mentais na ética Cristã nisso. É preciso desenvolver o auto-amor par a não deixar seus pensamentos servirem de brinquedos. perguntou: Pode ser assim? Claro. Suas qualidades morais e virtudes espirituais não são exibições mascaradas com a titudes ou palavras. a ilusão de fracasso. é por você fazer a diferença no sabor da vida daqu eles que seguem o caminho que você aponta. Tiago se aproximou. Indo até o quarto onde o irmão sempre dormia. Só lhe dou um aviso. para nada servirá. relembrou muitos acontecime ntos em sua vida. Eu quero conversar com vocês três. . S orriu e completou: Está cansado mesmo! . O que o senhor quer dizer? questionou surpreso. sentindo-se atordoado. Meses ha viam passado e nenhuma notícia. Você tem um objetivo espiritual para isso e talvez ainda o ignore.ntou e pediu: Venha comigo! Vamos resolver esse assunto agora mesmo! Veremos se o Nivaldo e o João estão livres. Sérgio tomou um banho demorado para relaxar e só depois foi preparar algo para o jantar. o médico se despediu deixando-os a sós. O caminho profissional que escolheu foi por um ideal inconsciente. hein?! falou normalmente sem acordar o outro. ded uziu que Tiago estava lá. Entraram na sala de J oão. meu caro! Você vai muito além do profissionalismo e dos ensinamentos ac adêmicos. vagarosamente. o sentimento de culpa e outros tipos de arrependimentos.. Sabia dos fortes laços de amiza de verdadeira entre João e Sérgio que. travando um diálogo mental. fechou a porta do quarto para o outro descansar. a todos os recursos exteriores à su a volta e neles centralizam os sentimentos e as idéias magnetizando-os com fluidos conflitantes e deploráveis que serão aceitos lentamente por você com uma visão errada d a verdade. São forças vivas que fazem e farão diferença na vida das pessoas e dos espíritos. explicaria a situação. O único remédio para uma pessoa como Sérgio. pois ouviu isso anteriormente .Voltando-se para Sérgio. Já foi. Ao vê-los. Depois olhou pela janela certificando-se de a chuva ter diminuído de intensidad e. enquanto o doutor Edison falava sério e firme: Sérgio. A rigor. Faz tempo que não o vejo assim. Se o sa for sem sabor.falou o homem insatisfeito. autotortura. Somente olhava para um e para outro sem entend er nada. O doutor Edison o encarou. Não. exibindo-se asso . Sérgio chegou à sua casa e.. Sem demora. posicionand o-se melhor quando Sérgio acomodou-lhe o braço e o cobriu. Podemos d eixar para amanhã. Rindo ao ver que o irmão não acordou. Uma pitada de tortura o feria quando pensava em Débora. Quando digo que é o sal. Algum tempo na cozinha. como estudioso e capacitado às pesquisas metodológicas. Sérgio: você não tem perso nalismo.perguntou o médico sem rodeios. provavelmente. a solidão. autoflagelação. remorsos ou reações impulsivas tomarão espaço em sua me nte junto à autopunição. instrumentos aos espíritos vul gares que se apegam a tudo o que lhe acontece. ao ver uma camisa sobre o sofá. Sérgio o acompanhou. pense muito sobre nossa conversa. mas. mas tem um grande descrédito pessoal.

vendo-o se sentar e esfregar o rosto. mude-se para cá e. Entram no arto me acordam com gritos. lembrou: Nossa! Fiquei de ligar para a Rita e. Sérgio falou sério. Puxa! Como estou contente! Que legal. Além disso.. Eeeeeeh! Vai querer me cobrar aluguel pelas noites que durmo aqui. cara! É. eu te ajudo! Para não ficar parado. entendendo a necessidade de melhorar minha vida.perguntou brincando.. Vai tomar um banho para nós jantarmos . levantando-se. .aconselhou Sérgio.gritou.norentado. Agora com mais uma criança chorando. . Olha. Oi!.. É.. depois incêndio. pois lá não consigo descansar tão pouco rmir.... e u te ajudo! .. Gosto de crianças. poderá estudar e. Que horas são? Quase oito da noite.tornou Sérgio.. Ali nada muda.alegrou-se o outro num grito.. Venha morar aqui de uma v ez por todas! O que está esperando? É que. o doutor Edison quer ampliar a clínica e logicamente precisará de profissi onais nessa área. ..indagou empolgado. Eu sei bem o que é isso! . Você não me incomoda em nada. mas estou preocupado com o horário na polícia. Estou pensando em fazer um curso superior e já me in screvi para o vestibular. os meninos não têm educação nem limite. O quê? Tiago. pela comid a .. levantando-se. Por quê? A clínica! . os irmãos jantaram e conversavam tranqüilos Como está lá na casa do pai? .titubeou. A Ana só grita. O salário quase se equipara ao seu. Puxa! Meu serviço exige atenção. parecendo ordenar: Peça baixa! Saia da polícia! O quê? Ficou louco?! Como vou pagar o curso?! No que for preciso.sorriu. Ao vê-lo. E o que vai fazer?! . no outro desabamento. Daí você sabe. Ei! Ei! Ei! Espere! Não pense muito.Sérgio deteve-se por ins tantes espremendo os olhos como quem tivesse uma idéia relâmpago e perguntou: Você ter minou de fazer aquele curso de massagem?! Sim. Tiago! Saia da PM.murmurou Tiago.. Sérgio! Você se mudou para ter seu canto! Eu me mudei para ter paz. como se isso resolvesse seus problemas. Pegue suas coisas e se mude para cá! Não. ma s está insuportável e é por isso que venho para cá. dê aula em alguma academi a. Pouco depois.. Ei?! Sabe que me deu uma boa idéia! . terá tranqüilidade e todos meus livros à disposição! Se precisar de algo mais. E aí? .De repente. Sérgio.. .. Olhando-o firme.murmurou com voz rouca. não é organizada e quando o Marcílio chega.Sem deixá-lo falar mais. Psicologia . fa lou rindo: Eu sabia! Ta tirando uma com a minha cara?! Lógico que não! Eu sempre falei da sua capacidade e paciência para ouvir pessoas e. Sério?! . . vamos dar um jeito nessa situação... Tiago. estava na academia ou nas baladas? Depois de mais de trinta e seis horas de extremo trabalho tenso e delicado. boa forma e muita dispo sição mental e física.. A Rita vem me convencendo há tempo e só agora acordei. Sabe. Trabalhou muito. Riram. Gostaria de conversar um pouco com você.... né?! Sempre aquela briga! E a mãe se metendo. Ela é uma mulher que não tem disciplina.brincou. Ninguém consegue se concentrar direito no que faz se não dormir bem . o irmão falou: Boa noite! Não sabia se deveria acordá-lo. Sérgio gargalhou com muito gosto e atirou-se para trás da cadeira.. Mais tarde você telefona . Em seguida. . Já viu. e stou um pó! Um dia é enchente. informou: Recuso-me a receber um não como resposta.quis saber. mora ndo aqui.

Eu. Será?! . em dese spero que vimos aqui?! . às vezes me arrependo por alguns pensamentos.indagou Sérgio com brandura. Sei o quan to ela ainda ama o Gustavo e.. por não te r muitos amigos verdadeiros. seu jeito travesso.enfatizou.tornou preocupado e curioso. ela pode se afastar de mim caso não seja isso o que queira..Breve pausa e lamentou: Que absurdo! Nossa! Ao saber como ele morreu. Eu e a Rita somos amigos! Isso eu sei. um namorado que. Ela me considera um amigo. esfregou o rosto com as mãos e admitiu: Gosto muito da Rita. sem qualquer outro envolvimento. eu a entendo e respeito. Bem. observando suas reações.riu gostoso. .Sorriu ao repetir Como vocês estão? Em que pé está o envolvimento de vocês? Ora.revelou um pouco constrangido... O cara era legal.. mas não suportou e disse de uma vez: Agora eu entendi melhor por que aconselham que não é viável terapia com parentes e amigos.Vendo o irmão em dificuldade para se explica r. Tiago. ela confia em você.Eu não sei... .. seu modo de andar. Muito mesmo! . E eu. Sérgio! É uma situação difícil. medrosa. E se ela gostar de você com a mesma intensidade e tiver o mesmo medo seu? Não creio. de repente. Eu sei disso.. implorei perdão ao Gustavo e prometi cuidar da Rita mesmo se fosse só pela amiz ade.Tiago quase chorou ao dizer: Pedi tanto perdão a Deus por aquelas i déias.. seu riso. de falar. Veja bem.. Ela era uma mulher carente e falou no ex-noivo por não ter outra referência.!-. Certo.. Nossa! Nunca me senti tão mal.. meu modo de pensar e de ver o mundo. não perca a oportunidade! Tenho certeza de que a Rita vai concordar comigo e vai te incentivar! . Logo que a conheci. Seu jeito. Foi por causa da Rita qu e mudei radicalmente minha vida.. sugestões... íntimas que não fez com ninguém! A Rita aceitou sua compa nhia até para ir ao doutor Edison! Já a vi abraçando-o pela cintura. Mas e quanto aos seus sentimentos pela Rita? Ei.. cara. pois comparti lhou tantas coisas pessoais. respondeu: Está sorridente ao seu lado! Só fal ta criarem coragem para assumir. c omo estão?! É. mas não deixava de pensar em afogar a quele sujeito se eu fosse designado a salvar sua vida.disse Tiago. Onde está aquela jovem assombrada.Logo revelou: Só fiquei com a consciência ma is tranqüila quando ela disse que o compromisso deles não estava indo bem. porque você é essa referência. Que pensamentos? . Ela só me quer como amigo! Sérgio contorceu o rosto tentando segurar o riso.Sem esperar. Pare com isso! Ela está livre de recordações e isso dá pra ver em seus olhos quando e stá com você! Já falou sobre seus sentimentos por ela? Não posso. Como assim?! Entendeu muito bem a minha pergunta. Depois explicou: Por essa razão. acuada.. Não termina ram o noivado para não causar um choque na família que os apoiava. o perfume. Eu prometi ser seu amigo e só me afast aria se ela pedisse! Você entende?! . Claro! Não pense muito. . Adorei toda aquela espontaneidade.Ao ver o irmão sorrir.. Fi quei enciumado ao saber que havia um outro. A Rita se lembrou dos seus livros e. . Eu gostava dele. Parece que ele tinha outra. Lógico! A Rita me pediu com todas as letras para eu não me afastar dela. Posso usá-los no curso e não t erei tantos gastos. terminarem não fazia sentido. Mas além da amizade?! .. Tentei ser profissional... de se vestir. Sérgio. brincando e rindo ao encostar-se em você. Agor a ela não fala. . Sérgio perguntou propositadamente: Você e a Rita..gaguejou.. Sérgio!. se torn ou noivo.disse. eu. fazendo-o pensar! Mas. Ela contou que gostava dele.... parecendo uma resp osta afirmativa às ou.. . Não quero afastá-la de mim! De modo algum! be. A Rita falou muito no ex-noivo e. Não começa! Por quê? Não quer admitir que gosta dela? Ou não quer que ela saiba ou tenha certez a de seus sentimentos? . Mas. Sérgio sentou-se à sua frente. tão arrependido! .sorriu. mas havia se acostumado e... Breves segundos e Tiago suspirou fundo.... Depois de tantos anos de namoro e pouco tempo de noivado.. Sei lá! Fiquei hipnotizado pela Rita! . fixando olhar tranqüilo no irmão.. Não temos nada além de uma sincera amizade e respeito .. quase nervoso.

que é filho le gítimo. um abraço. Não tenho medo do João. Sérgio argumentou: Vocês estão tão ligados que passaram a ser dependentes um da opinião do outro. Ela quer liberdade. Não acredito que você é meu irmão mais velho! Não acredito que estou falando com aquel cara chegado a festas. Explique o que vem acontecendo nos últimos tempos.. um afago. Mas eu entendi. Não posso negar que adoro ficar com a dona Antônia. o incômodo. comentou: A dona Antônia percebe u que ela quer voltar a morar em uma das casas do pai e eu a vi chorando.Nesse in stante o telefone tocou. a Rita abandonou o passado! Se ela pede para não se afastar dela é porque g osta de tê-lo ao lado! Admitiu total confiança em você pela amizade verdadeira! Sim! E eu prometi ser seu amigo! Oh! Mas que irmão gênio! . Não entendeu nada. Sérgio sorriu e foi arrumar a cozinha. teme ver sua vida íntima invadida pelas possíveis opiniões da senhora que praticamente a adotou..gargalhou. Tiago! Tenho observado como ela o olha. Não que o João deixe de lhe dar atenção ou carinho. Escuta. recostando-se em você. você. você não namorou não?! E aquela mulherada que vivia te telefonando?! Sérgio.Pode atender. baladas!.Pequena pausa e comentou: Existem mulheres e mulh eres. Tiago! Ela reconhe ceu a amizade verdadeira e pediu que continuasse ao seu lado! Entendeu? A Rita não mencionou que o quer exclusivamente só como amigo. Sérgio voltou a falar de modo mais esclarecedor: Cara. A dona Antônia ficou viúva cedo. Como se pudesse ler seus pensamentos. aceita o seu braço sobreposto em seu ombro e parece se sentir abrigada.. A Rita pensou em sair da casa da dona Antônia. pr otegida. Aquela casa tem tanta paz! Su as conversas são tranqüilas..protestou o irmão de modo ingênuo. Reparo u nisso? Não conseguem ficar muito tempo sem se ver.perguntou sério. é por sua causa. ficou pe nsativo.. Teve somente um filho e é uma mãe carente. Além disso. mas. Afeiçoou-se demais e chegou a falar comigo a respeito.. certo? É.retrucou o irmão brincando ao se levantar para atend er ao telefone. Acorda. A Rita é especial! Acredito que vocês dois tenham o mesmo medo: admitir os sentimentos e achar que um vai se afastar do outro porque era só uma amizade.exclamou com ironia ao rir. na verdade.S orrindo apaixonado. .. Não acho uma boa idéia. Quando parou de rir. Nunca dei valor à coisa fácil e não encontrei alguém por quem me interessasse. aos filhos que adotou crescidos como eu. o trata.Preocupado.Além de cego.. Ela gosta muito da Rita. pela falta do marido. Tiago sentia o coração acelerado. Recordando-se rapidamente de detalhes. Tiago... Você tem certeza? . ficou triste. pois tenho m edo de pensar que estará sozinha e.. pois não a deixam contribuir co m nada. 25 . A Rita sabe disso e.Juntos. conversam diariamente por tel efone. esclareceu: Aquelas eram diferentes. Geralmente segura a sua mão como se não quisesse que tirasse o braço de seus ombros. você está me ofendendo! .. Sérgio riu e disse: . ela transf eriu sua afetividade às crianças que cuida voluntariamente na creche. . Realmente era Rita. sem contar com os incentivos positivos que trocam em meio às idéias. se preocupa com você. A Rita está preocupada com as despesas. Eles estão bem estabilizados financeiramente. É para você! É a Rita! Deixe de ser engraçadinho! .. . Tiago e Rita . Ei! Qual é?! .. Bem que ela poderia ser minha mãe! Opa! Eu disse isso primeiro! .brincou Sérgio. o amor te deixou burro! . Sabia que a conversa dos dois seria longa. pois a vi passando a mão em seu rosto com gesto de carinho. vou ter de você?! Como é? Vai encarar?! Eles riram e o irmão avisou mais sério: Se a Rita quer sair de lá... a Rita.

Chamou-nos aqui para ressaltar seus atos caridosos. por favor! Não fale besteiras! pediu o médico com um jeito eng raçado e incomum. insatisfeito . ficarei no prejuízo sua proteção ou auxílio financeiro ao Sérgio! Mas qual prejuízo você teve. como já disse.Breve pausa e continuou: Q uando vi logo de início que o Sérgio não teria total condições financeiras de arcar com al guns gastos. rec eber passes. Foi por essa razão que o ajude i! Além do que. Sérgio?! . Estavam todos sentados em sua sala. Nivaldo. que é o mais difícil de fazer. É algo parecido! Você teve ajuda de seu pai e isso não nos prejudicou.. quem o ajudou finance iramente para fazer parte dessa sociedade na clínica e quem também pagou a sua facul dade.reforçou João com nítida tranqüilidade. Es perei por um período de trégua. tomar água fluidificada e fazer o Evangelho no Lar é o bastante para se r recolhido em uma Colônia Espiritual como Nosso Lar . Olhando para Sérgio. sua dedicação.. pediremos ao contador para calcular o que devo a vocês e. chamando minha atenção. reclamou ao João sobre o meu protecionismo financeiro ao Sérgio. Sou um professor doutor renomado. Sua ética moral. É necessário crescermos e cuidarmos da vida mental. palestras. doutor? .admitiu Nivaldo severo.. psicoterapias em meu consultóri o particular e outras tarefas. fiquei de olho no Sérgio. sua humildade e aceitação. percebi que isso aconteceu porque eu mudei as idéias simples que tive ram e ampliei os horizontes. Sérgio calou-se com o susto e João quase riu.interferiu Sérgio que estava inquieto ao ver Nivaldo com o rosto v ermelho e olhar colérico . vocês três sobr essaíram.tornou o médico com fala firme. a idéia de ampliar a clínica foi minha e o prejudiquei. Nivaldo?! Qual prejuízo terá?! Não saiu.. está muito enganado! Quem imagin ar isso está pensando igual aos crentes. não seria o mesmo? É o seguinte . Logo percebi que ele precisava e precisa se harmonizar com a sombra do descrédito pessoal.. não eram e não ascaradas por ele. Foi o seu pai. Então chamei o João e o Nivaldo e avisei sobre eu custe ar a parte do Sérgio. Lembre-se de que Jesu s aceitou ajuda para carregar a cruz! Você não deve nada aos sócios ou à clínica! Eu fiz o que eu quis! Dê de graça o que de graça recebeu! Entendeu. evangélicos ou protestantes por que basta p . ficar duas ou t rês horas por semana no centro espírita e depois passar de cinco a dez horas nas bal adas. O doutor Édison continuo u firme e sério: Lá na universidade. eu quis me unir a vocês. Aos sem condições. Tenho consideráve l salário por meu trabalho em congressos.falou bravo. agora resolvi inúmeros problemas e posso arcar com a parte que me cabia e o doutor Édison omitiu. mas não sabia o que argumentar. os hábitos inferiores que temo s. rapaz! Vigie seus pensamentos e suas palavras! O que sai da boca vem do coração. . a parte que cabe ao Sérgio investir! Fui eu quem pagou e pagarei. E também. Vamos lembrar que outor Édison assumiu tudo. q uando o médico falou: Assim que comecei a dar aula na graduação para a turma de Psicologia. Mas foi aqui. não se esqueça. Deixei claro que eu conversaria com ele a respeito disso. orientador e amigo. Acompanhei seu sacrifício . advertiu: Espero que não seja orgulhoso. É primordial selecionarmos os lugares que freqüentamos. e não você ou o João! Isso é verdade. Todos aqui são espíritas e essa filosofia Cristã nos chama para uma auto-avaliação. Estamos reunidos para uma avaliação de nossos feitos e se você aprende com o exemplo alheio aprenderá a duras penas. seus esforços.. Sérgio fique quieto. viu Nivaldo?! Não adianta trabalharmos aqui com má vontade. nem sairá do seu lso. Cuidado. Em outras palavras.inquiriu Nivald o sério. que encontrei um meio de ser o simples médico humano. ele não é falso. mas irônico. Acontecimentos em minha vida me desvendaram um novo mundo onde eu deveria a tuar e não preciso dar detalhes. Nivaldo . bem com o a tolerância. Nessa ampliação da clínica. junto de vocês. faço o maior empenho para conseguir os medicamentos necessários. Ao vê-los com planos de montar uma simples clínica em so ciedade e focados em valores humanos. E se o do utor Édison fosse o pai do Sérgio. a caridade e a socialização. Se alguém aqui tem a ilusão de que ir ao centro espírita. Não nego! . Eu não cobro os atendimentos clínicos que faço aqui nem dos pacientes que vocês me encaminham. mas não tive tempo e soube que o Nivaldo. assistir a palestras.O quanto antes o doutor Édison marcou a reunião com os três psicólogos sócios da clínica pois por inúmeros motivos precisaram adiá-la. Precisamos de decisões e soluções maleáveis para termos um melhor relacionamento aqui dentro! . O rapaz sentiu-se aquecer. mas não foi por dinhe iro.

Nesse período.advertiu o doutor Édison. doutor. nada equilibrado. Preparem-se. eu não me sinto bem com a decisão de ficar isento de arte dos custos para a formação da sociedade desta clínica. De onde acham que vem n energia excitante? De espíritos que se com prazem com o sexo promiscuo.. psicoló ica. excelsas. que é uma pessoa boazinha. Na internet . Nivaldo?! . Nivaldo disse sem encarar ninguém. . Não vamos nos castigar po r isso. Saibam que vou custear toda a reforma para a ampliação desta clínica. zombeteir os. meus qu eridos! Vocês estarão se afinando e recebendo energias de espíritos beberrões.. Abalou-o de alguma forma?! .Avisou sem demora: Eu já comprei este prédio. gesticulando de modo singular e falando com um tom irônico e voz baixa: Faça um favor para mim?! Pare de pensar! O imóvel me pertenc e e para que não achem que estou protegendo alguém.. É bom aceitarmos ou admitirmos nossos defeitos e começarmos a nos transformar. mesmo que esse pro fissional venha a alugar uma sala. mas procurar ajuda! Os melhores psiquiatras e Psicólogos são aqueles que faz em terapias com outros profissionais qualificados. imagens ou mensagens pornôs. Perdoe-me. sites pornográficos. Quanta s vezes fomos a uma casa espírita para uma palestra ou uma atuação caridosa e vemos um trabalhador. Só e stou aguardando a documentação.. Tudo o que fizermos p recisará ser de boa vontade ou criaremos um ambiente hostil e isso é muito ruim.. se estamos aqui encarnado s. praticando bate-papos inúteis. é por termos a necessidade de mudar algo inferior em nós. pelo prazer em ve r filmes pornôs são mais densas e impregnam no corpo espiritual e não dão espaço aos passe s de bênçãos sublimes. hospitais. fofocar com os amigos.exclamou João. Então penso na possibilidade de pagar uma porcentagem maior na ampliação e..interrompeu o médico. suicídio. inferiores à elevação moral. Pensa que correr toda sema na ao centro espírita e receber passe vai ajudar a ir para Nosso Lar ? Não. Isso eu vou discutir em particular com o Nivaldo.perguntou. pois são eles que m vão recebê-los na espiritualidade quando desencarnarem. mas o outro não respondeu . di a após dia.Interrompeu o médico. de prevenções ou terapias para alívio de transtornos diversos.respondeu à própria pergunta. Vou dar um exemplo que todos conhecemos.edir perdão e só! Não! E preciso seletividade das ações físicas e mentais! Deixar de ir aos barezinhos pensando que beber. Nós vamos nos centrar nos valores humanos a começar por nós. assim como nós. Sérgio!. escondendo um sentimen to rancoroso: Peço desculpas ao Sérgio por eu ter me precipitado e. com . Iss o inclui os trabalhos não remunerados. Somos seres humanos e. O Nivaldo tem seus defeitos de c aráter ou de comportamento. meus querid os! Porque a energia que o envolve pela compulsividade sexual. eu gostaria de me en carregar da seleção dos profissionais que trabalharão aqui na área da saúde mental. Além disso. Sejamos honestos uns com os outros! Vamos acabar com o personalismo e a menti ra! Não estamos juntos por acaso. Aproveitando a pausa. O que pensam que acontece?! Ah! Fico excitado! . doenças. não pagos.tornou o doutor Edison . corrigindo pensamento após pensamento e conter os comentários venenosos re sponsáveis por grandes crueldades e geradores de fracasso. contar piadas indec entes ou ficar olhando para o bumbum das mulheres serve para relaxar! Não.. Os futuros médicos o u psicólogos terão seus espaços individuais e pagarão aluguel pelo que ocuparem. vamos ao que interessa. creches etc. alterando-se.. A gora. . Você não imagina as conse qüências do que fez! João! . Talvez eu o tenha abalado de alguma forma. desânimo. Parecer educado. atencioso ou bonzinho não significa dedicado e afetivo.. fumar. promíscuos e bem inferiores.chamou Sérgio . comprei o prédio ao lado para ampliarmos a clínica. realizados aqui ou instituições como c asas de repousos. Fui claro?! Nossa sociedade continuará com o percentual cabível a cada um. Não paga remos mais aluguel. quando passam horas e horas vendo beste iras.. um tarefeiro ou dirigente do centro. sabiam? Eles sabem que são sere s humanos e permitem a ajuda de alguém ou simplesmente desabafam ou ainda permitem -se à orientação. mas devemos ser sinceros. Mas ele precisa se controlar! João! . Doutor Édison . Não é. . Se alguém não se opuser.. iniciaremos a seleção de profissionais bem qualificados para as áreas alternativas.

Comecei com esse traba lho para ocupar o tempo e os pensamentos.. mostrando a importância da tarefa de cada um. ele pegou alguns papéi s e mostrou-lhes: Aqui tenho três instituições que precisam de assistência psicológica. perguntou: O que acha. Registrei dois casos de voluntários depressivos que. por isso dá para o senhor falar de higiene? . .. mas eu diria que a s reuniões se transformaram em um reforço moral. o persona lismo dos sábios. ser um voluntário. Vira ndo-se para o outro. por exemplo. Sérgio fez o mesmo e Nivaldo o acompanhou. está pensando cobras e lagartos a respeito de todos ou de alguns à sua v olta. O personalismo é acreditar que. sorridente e gentil. . Só que depois esse tarefeiro bonzinho cheg a até nós reclamando: ai. eu converso com eles. as crianças. pois alguém precisa ficar ativo no serv iço. Vamos trabalhar dentro de princípios Cristãos. um dirigente. aparentemente passivo. É aquele que sabe de tudo! Mas. cerca de seis. Há alguns meses eu faço esse tipo de assis tência em uma creche e uso o seguinte método: primeiro observo as crianças. A diretora da creche me disse que o número de voluntários vem aumentando por ca usa dessas reuniões em grupo. Jesus só não admitia a hipocrisia.quis saber o médico. Não posso chamar de terapia em grupo. Só duas horas! E me diga já obteve algum resultado? Sim. um psicólogo. cultiva o orgulho. um psiquiatra.. mas sim os doentes.. Qual o tempo gasto para isso? . ou seja. O Mestre falou sobre querer misericórdia e não sacrifício. Vamos abandonar o personalismo. daremos palestras? Ora! Nivaldo! Você é psicólogo e deveria ter a resposta! . Sorrindo. confo rme o caso. . As pessoas voluntárias relatam sentirem-se úteis no serv iço de caridade e melhoraram consideravelmente a auto-estima. Jesus sentou-se com pecadores. Apesar de poucos meses. Não reclamou das queixas que ouviu. é ser perfeito! . um médium ou passista no centro espírita. Cerca de duas horas por semana. faço algumas perguntas aos funcionários e até dou orientações especificas a determinada criança. Lá.falou o médico firme.. mas dou-lhes um reforço moral. um advogado. intimamente. ouvindo pacientemente pessoas simples ou intelectuais comentando de alguma dificuldade. quando. senhor. Sérgio?! Bem. a vaidade e a hip ocrisia. dos sãos. ensinando-lhes o Evangelho. também. psicológico e sugestões de uma forma ge ral. acho que nem toma banho. min imizaram o comportamento à medida que as professoras e Voluntárias passaram a recebe r orientação de como tratá-las. O que faremos com essas pessoas. pois sou ser humano. a falsidade. na verdade. Tiremos primeiro a trave dos no ssos olhos para depois tirarmos o argueiro do olho do nosso irmão. Ótimo! Parabéns! João se levantou e pegou um dos papéis. por ser um médico. Resultados bem positivos. elev ando a auto-estima. publicanos e muitos outros. muitas com comportamentos preocupantes de agressividade . Trata-se de pess oas de diversas religiões e por isso me vigio para não destacar o Espiritismo e resp eito às outras crenças. um tarefeiro do centro .falou parecendo envergonhado. dos doutores das leis. porque veio chamar os pecadores ao arrependimento e não os justos. Fez alguns ou todos os cursos existentes sobre a Doutrina Espírita e ac reditam serem sábios o suficiente! Vamos lembrar de Jesus sentado com os publicano s e pecadores dizendo que os sãos não precisam de médico. a camuflagem de um comportamento calmo. doutor! Aquele sujeito é desequilibrado! Aquela outra ali é um fardo! Ai! Dá um jeito naquela ali que tem mau hálito! Aquele outro sempre está suado. de problemas. provavelmente pela falta de afetividade em casa com os pais ou responsáveis. ter essa ou aquela profissão. deixar de usar a máscara. do hálito de alguém n em falou da falta de banho de um outro. Fico cerca de uma hora com as crianças e depois peço a alguns funcionários e voluntários para se reunirem no refeitório.enfatizou.Sér gio pensou um pouco e revelou: Eu fui o mais beneficiado. É preciso fazer com que os trabalhadores e voluntários sejam beneficiados psicologicamente para que se sintam mais disposto s na prática da tolerância. avisou: Mas não só para as crianças..fala angelical. Não dou uma palestra.o médico deu uma pausa e continuou: Acho que leram dois ou três livrinhos espíritas e pensam sabe r de tudo.Sem demora. do acolhimento fraterno e todas as ét icas Cristãs. do trabalho amoroso. O que o senhor quer dizer com tudo isso? perguntou Nivaldo. . repentinamente. transformaram o quadro clínico.

decidiu Nivaldo. Depois falou: Bem pelo menos é o que consta no dipl oma que vou pegar! . Eu gostaria que você trouxesse o Tufi para cá! Com nós dois aqu .correspondeu.disse Sérgio. Que alívio! Que bom terminar a graduação! Viu?! Sorriu com jeitinho delicado : Agora sou jornalista! . O médico sorriu ao perguntar: Um de vocês tem algo mais a dizer? Eles se entreolharam e Nivaldo pediu: Se não há mais nada para resolver sobre a clínica. perguntand o: O que está fazendo aqui no meu quarto.aceitou João. Sentiu falta de um livro e foi procurá-lo no armário do outro quarto. T iago!. foi à procura do irmão.Ao tempo em que os observava.. Você avisou que se mudaria para cá? Falei. o doutor Édison comentou: Sérgio.concordou a moça. pois você é a prova do benefício que isso trás. . mesmo! Tiago a abraçou com carinho e beijou-lhe o rosto antes de colocá-la em pé. João e Sérgio se despediram e saíram da sala. Eu pens ei que nunca conseguiria.prontificou-se o médico. dando-lhe um leve tapa no ombro. Ei! . eu gostaria de conversar com o s enhor.minimizando o sorriso. Você já realiza trabalho s lhante.. Não os estou obrigando a esse tipo de tarefa. Podemos ir? Quase não consigo te ouvir! . Eles já estavam na sala da casa de dona Antônia.gritou Sérgio. fica fácil cuidarmos dele! Ta! .. sim. Hoje eu trouxe as minhas coisas para cá. Sérgio? Puxa! Desculpe-me! Não sabia que já era o proprietário . Não quero que se sobrec arregue. A mãe só resmungou que eu era bem grandinho e de via saber o que queria da vida. mas tive a impressão de que a mãe se sentiu aliviada. *** O Tempo não parou. Eu fico com essa . E eu com essa aqui . Embora o vozeio e muito barulho se misturavam nos portões da universidade.pediu. Sérgio sorriu e perguntou: E a mãe? O pai? O que disseram? Nosso pai não se manifesta.. eu soube que se inscreveu para fazer pós-graduação. onde Rita comentou: Ai!.. Tiago chegou e. Havia tomado banho e debruçou-se sobre os literár ios estudando e pesquisando..Em seguida argumentou: Tantas coisas aconteceram.concordou. Sentado a seu lado o rapaz se virou para olhá-la e perguntou: Eu?! Não fiz nada! Os méritos são seus! . Vou pensar e ver as possibilidades. lembrou: A Débora se graduaria junto comigo. Um ano havia se passado.. se não tivesse abandonado o curso.exclamou Tiago. Não demorou e a jovem veio correndo ao seu encontro.. Cairá um dilúvio amanhã na cidade! Não estou vendo suas coisas espalhadas! Ah!.riu.. brincando. Lógico! Vamos! . encolhendo as pernas num forte abraço quand o ele a sustentou e sorriu por saber do que se tratava. Depois o aviso . Se não fosse você. mas sim sugerindo. Tiago corria o olhar entre os estudantes b uscando Rita. Mas não disseram nada. Não reparou em nada? No quê? . Pode ser agora? Sem dúvida . Mas. Que pena. Sérgio estava em sua casa. além da dose de conhecimento. * * * À noite.tornou o outro circunvagando o olhar e reparando melhor. Rita! Parabéns. expressando ime nsa alegria ao atirar-se em seus braços. . vendo a luz acesa. Eufórica ela gritou em seu ouvido: Ah! Consegui! Parabéns! Estou tão feliz quanto você..

mas ele nem a ouviu. adoro ficar à von tade e. m as para dizer a verdade eu estranho ao vê-la vestida assim. mas. Com voz meiga e baixa. Provave lmente eu teria parado.. Tiago? . E é sério.. tem classe e é um modo de se expressar ao se vestir qu e. procurando disfarçar e afirmou: Você estava esperando eu me formar para dizer que é chato ter amizade com alguém co mo eu e..disse brincando puxando-o para junto de si e recostando a testa em seu ombro. Nenhuma palavra... espere! Do que você está falando? . Ao contrário! Sinto o maior prazer qua ndo estou ao seu lado. finas e elegantes.Tiago perguntou. afagou-o com carinho e correspondeu ao beijo com fortes sentimentos. Não sei!. Tenho orgulho de você.. ele beijou-lhe a cabeça. sabe escolher muito bem. Envolveu-a com ternura e pediu com voz branda ao conduzi-la: . deduziu fechando o sorriso: Talvez eu o enver gonhe por gostar de me vestir assim.Com um gesto sutil. O estilo é de traje indiano e você tem bom gost o. Rita! . Não resistindo.indagou meio sorriso. interrompendo-a: Pare. Dizendo isso. Não precisa se justificar.A jovem sorriu e Tia go silenciou por longo tempo. Rita se levantou rápido. Algum tempo e Tiago a abraçou forte enquanto ela escondia o rosto em seu peito. Por quê? Você tem vergonha de mim?! Não! Lógico que não! Vem cá. Ela comentou sobre outras coisas menos importantes .. Imagino o quanto foi cansativo me dar tanta força e ainda. encar ando-o: Jamais teria vergonha de você. aliás... Falei o que não devi a? Fiz algo errado? . não consigo mais ficar ao seu lado só como amigo. Por que eu não iria querer a sua amizade? murmurou ela. combina bastante com você. Uso por necessidade do traba lho e admiro aqueles que sabem se vestir bem. Ah!.. Ei... S egurando seu queixo com delicado carinho. seu bobo! .. O sorriso agradável sumiu de seu rosto. a fez encará-lo. . tentando ver seus olhos. expressou-se brandamente: Você entendeu tudo errado. .interrompeu-o com voz doce. Tiago sentia-se como um adolescente. Vou entender se não quiser mais me ver e. Não . beij ando-lhe a face e procurando novamente por seus lábios.Insegura..Sorrindo. no dia-a-dia. encarando-o. Tenho séria dificuldad e para usar roupas mais sociais. O que foi.. secou as lágrimas. Acariciando-lhe a face. O que tenho para dizer é sério e talvez não queira mais a minha amizade depois de me ouvir . com roupas de estilo indiano e. Parado nada! . segurou seu o rosto. olharam-se por longos minutos até Tiago sorrir levemente ao confessar c om expressão carinhosa na voz: Rita. num impulso. Não estou conseguindo ser seu amigo. quando saímos.tornou ele no mesmo tom.. pediu.a jovem falou em tom triste e com a voz emba rgada. Tem dias que pareço uma hippie dos anos sessenta e. Porque não posso. perguntou: Devo deixá-lo constrangido quando estamos juntos na universidade. falou em seguida.. beijando-l he os lábios como sempre desejou. Rita o envolveu com leveza. não é? Não . Estou tão orgulhosa por já terminar o segundo semestre em Psi cologia! Já foi um ano! Uau! Você é quem merece os parabéns pelo esforço.. que abaixou escondendo-o entre os longos cabelos cacheados enquanto murmurou: Eu acho que já esperava por isso .respondeu firme e sério. Levantando-se e pondo-se à sua frente. Eu gosto da forma que se veste e não acho que pare ce com uma hippie dos anos sessenta.. Eu estava com medo e com dúvidas.Fez. ... por ser como é!. Tiago. nós pr ecisamos conversar. .. Estava inseguro e algo apreensivo .Olhando-o.Rita riu ao exclamar com mimos. ficando na expectativa. Posso entender. tirou os cabelos de seu rosto e a afagou. . Outra roupa mais moderna e social te cai bem. Não diga isso. fitando-a nos olhos. Não!. voltou-se para ele e sentiu-se gelar. Sentada no sofá com as pernas encolhidas. sim! Foi você quem insistiu e me fez retornar para a universidade.ela preocupou-se ao vê-lo daquela forma.Apesar de ser um home m maduro.. avisou brincando: Eu iria carregá-la! E te faria passa r a maior vergonha ao levá-la no colo para a sala de aula. Depois.. Mesmo sentindo o coração acelerar. o rapaz avisou: Rita. Tiago rapidamente a tomou em seus braços..

Mas poderia estar ao me u lado e me acompanhando em tudo por uma questão de caridade. Rita. com algumas p ausas: Você foi a melhor coisa que me aconteceu há anos e.. Tiago... mas. hein?! . Com a morte do Gustavo. pois não existe razão para se sentir humilhada ou constrangida.. Não precisamos viver do passado. uma paixão por você.. Você sempre foi atencioso. Rita. e eu também. Tive medo de que me abandonasse. mas essa coisa que eu sentia era u ma forte atração.Secando-lhe o rosto. Vi qu e ele se sentiu melhor e eu também. eu sinto que ele passou pela sua vida como outra pessoa passou pela m inha.O casal sobressaltou. Decidi falar com ele sobre eu sentir uma coisa.. Precisava acabar com aquele compromisso e isso me deixou confusa.. perguntou: Do que teve medo? Quais são as dúvidas? Tiago. fale de uma vez .... nele ela sorriu e pediu baixinho: Fica comigo. Senti que havia outra.. Sabia ?! Não. naquele exato momento. E conversamos sobre darmos um tempo.. João e Sérgio entraram na sala sem serem vistos.... Sempre pareceu s er somente meu amigo e. Tiago.. E?!. e Tiago a beijou com todo o amor. Tive medo.. contudo ficou ao meu lad o. Nos últimos dias comecei a ficar desconfiada.. Expressando felicidade...Vem cá. m s chegamos a um ponto em que não podemos ou não conseguimos mais represar. .. poi s o percebi diferente. Nós não precisamos nos sentir oprimidos ou rebaixados e eu d igo: nós . Abraçando-a forte. .. você permaneceu ao meu lado me dando apoio. Fiquei confusa. Senti-me humilhada depois. Sérgio sorriu e se deteve. segurando-lhe o queixo com delicadeza.. . Não percebi. Rita! . porque estou com você e ao seu lado.sorriu. quieto. apenas como amigo. .. passando-lhe segurança. A jovem sorriu com doçura. O problema era a família dele... mas Tiago riu sem jeito e se levantou para cumprimentá-l os: E aí. o seu sucesso e vê-la sorrir novamente. educado e gentil desde qu ando o conheci e.expressou-se aflita e chorando. Não .Falou firme. Não te disse. . João? Tudo bem? . Por deixar tudo acontecer. Tudo piorou com a morte do Gustavo.. carinhoso. estava esperando eu termina r a faculdade para me dizer que não poderia mais ficar ao meu lado o tempo todo. falou apreensiva e com a voz trêmula. Por ironia do destino. insegura...Sussurrou ao final: Eu te amo. Bem. fugiu-lhe ao olhar. murmurou terno: E já faz tempo. Eu já gostava de você e não queria parecer um a proveitador. dó. O noivado estava marcado e me arrependi por. pediu carinhoso: Pare de se torturar. Aconteceu como tinha de ser. Recostando-se. . .Afagando-lhe carinhosamente o rosto.... m e acompanhando em tudo nem ser meu amigo como antes. Mas o percebi inseguro e distante. Eu te adoro.. pois me apaixonei e você tinha um namorado que se tornou seu noiv o. É algo difícil de dizer.. fal ou: Cansei de ficar com você! Quero namorá-la! Tê-la ao meu lado de uma forma diferent e! Entendeu?! . Vai se sentir melhor. por ser meu amigo..insistiu o rapaz com inflexão afável na voz. Com o quê? . quando aquilo aconteceu e jus to você acompanhou tudo. Desejava o seu bem. não desrespeitamos ninguém nem a nós mesmos. Supere e e squeça. E continuou: Quanto a o Gustavo. mas João não perdeu a oportunidade e gritou e scandalosamente: Até que em fim. reprimir nossos sentimentos nem existe qualquer razão para fazermos isso. Bem.envergonhada..negou.Olhando-o firme..lágrimas rolaram em sua f ace delicada.perguntava sempre calmo.Encarou -a com leve sorriso ao dizer: Não traímos. Sente-se aqui. Eu também experimentei momentos de conflito q uando a conheci. Por fim confessou: Eu me apaixonei por você quando o conheci!. Então deduzi que você tinha conhecido alguém por quem se interessou e. mas o amigo continuou com seu je ito brincalhão em meio ao riso: Esses dois aí ficam no chove e não molha que está me da nos nervos! Caramba! Rita afundou-se no sofá. Eu experimentei situações difíceis e. pensativo. Você é bem prepara da e superior a isso! .. pois queriam que marcássemos o c asamento.

Abalei-me tan to e me envergonho pelo desespero quando não suportei as aflições nos pensamentos. cumprimentou-os e disse: Fico feliz por vocês.seus olhos ficaram lacrimosos e ele se deteve.animou-se dona Antônia.Psicólogos de amor Apesar de saber que Tiago estava estudando e muito feliz em companhia de Rita .. . Na v erdade.Olhou-a com carinho.tornou espirituoso e bem sério ao brincar. Ah! Que maravilha! Eu sabia . Desejava que Tiago saísse da polícia. Q uais as suas intenções com a Rita? Pensando rápido. Não tinha qualquer notícia sobre ela depois de tanto tempo e não podia fazer nada.Vendoa sorrir com sincera expressão de bondade. orou e logo adormeceu. cara! Só estou de passagem! Se acerte aí com a don a Antônia e com o João! Oh. Que a paz de Jesus o envolva. Apreensivo. oferecia c onfiança e fraternidade irradiadas por sua aura envolvente. Sérgio! Não me deixe passar vergonha! Ah! Quer dizer que nem o seu próprio irmão quer ser seu aliado?! . Sei que isso não é desculpa para minhas atitudes infelizes e moralmente desprezíveis por desej ar morrer. Agradeço a manifestação físico-espiritual e verbal que me impediu de um ato tão . Lembre-se de que todo aquele que reencarna com a t . Afável. perguntou: E você.. Sensibilizado. . meu querido. O Tiago acaba de dizer que vai se casar com a Rita! exclamou João.exagerou João. Era incrivelmente bela. Os desejos e idéias mentais inferiores foram de um magnetismo muito intenso.. Estendendo a mão e puxando Rita para se levantar. conduzindo-o para mais próximo quando Sérgio dispôs-se sorrindo ao exclamar: Laryel!. beijou e os abraçou por longo tempo com lágrimas nos olh os. sorriu e desfechou: A Rita mudou completa-mente a minha vida e não consigo me ver sem ela. ele a abraçou dizendo: Descobrimos que gostamos muito um do outro.respondeu o outro bem alegre. Não falemos mais sobre isso. mas estou falando sério. Sérgio? EU?! Eu não tenho nada com isso. como sempre. Sérgio acordou para o mundo espiritual com o chamado generoso e suave: Como é bom vê-lo. Sérgio sentia os dias passarem trazendo um vazio cruel que aumentava quando pens ava no irmão ou em Débora. Então pode marcar o casamento. Parecia que um sol de raios prateados brilhava através de sua figura.. beijou Rita e Tiago. sentando-se ao lado de Ri ta que estava vermelha. Ele ficou encantado e paralisado por instantes diante daquela doce figura que desempenhava elevada função no plano espiritual. Não podemos continuar nessa de amigos e decidimos ass umir um compromisso mais sério. . Sérgio sentiu um vago pressentimento. Tiago respondeu: As mesmas que as suas com a sua noiva Nilza! Ah!. acrescentou: Não mereço seus esforços.. mas não soube identi ficar. pois o significado estava longe de sua compreensão. Quem vai casar?! perguntou dona Antônia. porém ele não queria por segur ança e por trabalhar em um horário compatível ao curso universitário... trate bem a minha irmãzinh ou vai se ver comigo! Entendeu?! Pode deixar! .Não ta. não! . Prometeu-me amparo e aqui está! . pediu constrangido: Perdoe-me. João se aproximou. 26 . sem palavras e segurava uma almofada ao peito.Imediatamente algumas lembranças che garam à sua mente. aquele anjo de bondade estendeu-lhe a mão. Desprendido do corpo durante o sono. Olhando para o irmão. Sensibilizado. Certa noite ao deitar. Sérgio riu gostoso e estapeou as costas do irmão ao dizer: É isso aí! Dou o maior apoio! Tiago sorriu e avisou: Podemos brincar. Sérgio ficou sem palavras. acabando de chegar e sem saber de nada . estamos apaixonados..

..Em um tom amável e doce.arefa de socorro e trabalho digno é tentado de inúmeras formas por irmãos inferiores c om desejo no mal. Até o Mestre Jesus foi tentado. Laryel sorriu com doçura e olhando de um modo peculiar para os companheiros esp irituais à sua volta. calma. A movimentação era de criaturas sobre criaturas amontoadas e entrelaçadas. eu me deixei dominar por aquel a insanidade momentânea lamentou Sérgio. Alguns dos espíritos benfeitores daquele grupo eram especialistas em missões daqu ela natureza e outros aprendizes treinavam aptidões especializadas para cooperar c omo socorristas naquele vale vasto de sofredores deploráveis. Sentia-se num outro mundo onde a d ensa névoa parda reinava. Pai da Vida. A elevada comitiva baixou a luminescência. Suplicaremos a Deus. Laryel usou recursos próprios para facilitar-lhe a visão. Só havia sombras estranhas em toda a extensão e uma energia desagradável parecia pesar sobre ele. Todos nós elevaremos os nossos pensamentos rogando providências Divinas que nos protejam. Em todo lugar que olhavam. de p rovas para adquirir forças e suportar certas impressões para sua elevação de natureza es piritual ou moral. somente Sérgio fazia par te do plano dos encarnados. pedindo: Venha conosco hoje. profissionais que sempre se colocam na posição de aprendizes e de obreiros vêm renovando vidas human as. bênção e até o socorro aos irmãos dessa esfera q ue estiverem preparados. Não foram percebidos. os murmúrios dol orosos vibravam angustiosamente por todo o plano. Eles aliviam as aflições e são verdadeiros Psicólogos de Amor quando desvendam que o complexo asfixiante de uma dificuldade pessoal não tem sua origem somente no camp o biológico. várias regiões sombrias e dominadas pelo mal. Não sei como. Os gemidos. Iremos para uma região de inenarrável sofrimento. Há inúmeros encarnados dedicados a desenvolver e divulgar a atuação benéfica no campo da Psicologia Clínica pa ra derrubar barreiras e abrir caminho para outros entenderem a razão de viverem en carnados e em determinadas condições. Eles se aglomeram e se esforçam em criações mentais degradantes para impregnar tudo o que é voltado para a elevação moral e espiritual. a qual você conhecia bem pelos préstimos de socorro. Agora todos deixavam os limites exteriores da matéria do corpo perispiritual co . Mas isso não isenta esse encarnado das suas obrigações comuns de orai e vigiai a própria mente para não se d esviarem dos propósitos Divinos. Por um lado er a como olhar um mar escurecido e extenso até um horizonte sem fim. os gritos. Com conhecimento e entendimento. a força e o amparo a fim de levarmos algum conforto. principalmente Laryel. Não. Esses Psicólogos de Amor estão sob a guarda ou socorro de benfeitores espirituais elevados e sempre a postos no campo das mais nobres inspirações. Nunca se esqueça de que os en sinamentos do Mestre Nazareno são as Terapias das Almas. material ou teve início exclusivamente a partir do nascimento ou durant e a infância e que os culpados são os que rodeavam essa criatura. Envolvendo todos com sua inexce dível energia. Sérgio não conseguia ver muita coisa. De início.Ofereceu leve sorriso ao comentar: Jung já fez uma grande parte. na velocidade do pensa mento. via-se verdadeiro quadro desolador. A prestimosa entidade de beleza inexprimível atravessou. só que não havia água s agitadas. Após preciosa meditação e sublime prece de Laryel. Somente então ele pôde ver a névoa cinzenta dissipar-se e muitas imagens surgiram.. Laryel conduziu-os à zona de intensas trevas. que antes par ecia um ser de matéria semelhante a cristal. . talvez isso lhe traga mais lembranças e força interior. Dentre todos da considerável comitiva de es píritos elevados na escala de valores morais e espirituais. gemidos. Vejo-o preparado para reassumir antigas tarefas nas quais atuou como especialista e instrutor quando desencarnado. um magnetismo excelso os envolve u com imenso amor. Algumas deformadas a ponto de perder as características humanas como que nadando e se desesperando num mar de lodo e limbo. ela avisou: Não duvide de v ocê mesmo. porém resistiu e ainda disse que tudo o que Ele fazia nós poderíamos fazer mais e melhor. . prosseguiu: Com conhecimento direto na comprovação científica e filosófica de uma doutrina reencarnacionista. Você já ouviu sorriu ao relembrá-lo .Sem demora e mais séria. dores e grunhi dos horripilantes. As origens de m uitas dificuldades procedentes de vidas passadas ou trata-se de experiências. tornou a Sérgio. a quem muito é da muito será exigido. bondade e proteção.

Uma matéria espiritual muito densa.mpatíveis ao meio pelo trabalho proposto e com a finalidade dos sofredores infeliz es daquela região poderem lhes perceber. o socorrista afastou-se do grupo. Como guardiões d e natureza vingativa. E ntão. o martírio interior e o arrependimento profundo são lento s ao espírito. os qu e estão delirando de febre ou efeito de medica-mentos. a Lei Divina determina ou enquad ra o tempo de duração de sofrimento consciencial e o tipo de expiação futura. queimando-se proposit adamente .explicou um dos missionários. Um dos benfeitores acompanhantes percebeu que Sérgio desejava melhor exemplo. seu coração bondoso e as inesperadas razões que o levaram à prática de tal crime. ensinando-lhes nobre a eternidade. vigiando os prisioneiros de dolorosas penitências. respeito às Leis Divinas.avisou Wilson. Em todo suicíd io pensado ou planejado anteriormente e conscientemente. Rochedos escarpados cobertos por substância escorregadia. Milhões de criaturas encarnadas com difer entes propósitos de harmonização ou tarefa no bem se entregaram a mais inferior das ex igências: o suicídio! Não deram atenção às responsabilidades de resistência. mas que. E por ser justo. A comitiva seguiu Laryel que sabia para onde ir. os totalmente embriagados. na opo rtunidade de reencarnação. perderam a fé e a esperança. pois a morte não exi ste. Deus po de minimizar seus dias de suplício. semelhante a um redemoinho de vento só que de lavas incandescentes como a de um vulcão. Sua bondade e misericórdia encontram circunstâncias atenuantes em a lguns raríssimos casos não planejados. permaneciam atentos a fim de os infelizes não encontrarem ha rmonia que os resgatasse de algum sofrimento nem tentassem recolher-se em prece verdadeira. os loucos. A misericórdia e a justiça são atributos de Deus .lembrou Laryel. que entendeu lhe o pedido em nível de pensamento e aprova ndo-o com singelo gesto. Aquele vale não era só ocupado por suicidas agonizantes em extrema dor e sofrimen to.. os mentalmente retardados. a venerável emissária . não tiveram piedade de si. mas que. orgulhosos nos serviços rudes qu e os compraziam. tendo em vista o caráter moral do espírito suicida. essas são criaturas espirituais que. São suicidas que recorreram à morte do corpo através do fogo. não se socorre om o poder da prece. acim a de tudo. por essa v iolência ao próprio espírito. nojosa e fétida serviam de obstáculo. seu mentor. quando Sérgio comoveu-se: Deus. Tenha piedade. em um ato de desespero. diante de co ndições em que não se pode raciocinar. Em alguns casos. Porém.. a intensidade da dor constante na consciência e no corpo espiritual é algo do qual não podem e não conseguem escapar. nos altíssimos penhascos. não buscaram ajuda de outro que pudesse erguê-los para o bom ânim o e propósitos construtivos. A nobre entidade silenciou. cobria toda aquela triste região. entre outros.. porém o sofrimento reservado à sua consciência e ao perispírito pelo crime que praticou chegará. Era como uma verdadeira muralha cercando o vale de extensão impressio nante. Havia. Estavam recolhidos em prece silenciosa até uma montanha agitar-se como fogueira. espalhando-se ao abaixar novamente como sorvedouros onde corpos espiritua is de aparência humana podiam ser vistos. e mantendo certa distância daqueles infelizes s ofredores. que f azia parte do grupo. Deus a tudo vê. todos daquele grupo se comunicavam em nível de pensamen to.. com movimentos fortes ao girar. especialista em socorro daquela região. como que um ar contendo elementos asfixiantes e nojosamente viscoso. Porém nunca é eterna. Enc ontram-se aqui os que também bombardearam lugares e sucumbiram junto. Contudo . espíritos pinando postura de sentinelas. mas é o reajuste da própria c onsciência . olhando para Laryel. não planejaram nem pensaram nesse ato. aos olhos de Deus não há ma ior ou menor culpado. . que não são as mesmas para todos os suicidas. Há casos especiais como os de crianças de pouca idade levadas a ações semelhantes ao suicídio por ouvirem contar fatos ou assistirem a programas ina dequados. meu querido. A encarnação com experiências difíceis é um curto período que passará rapidamente quan se tem a idéia da imortalidade do espírito e a crença em um único Deus bom e justo. Aos demais.bondosamente explicou Laryel. O sofrimento coletivo é impressionantemente doloroso. Entretanto a responsabilidade do suicídio jamais fica impune. Sem articular palavras.

Mas as Leis Divinas são sábias e iguais para todos.perguntou Sérgio. Quase não tinha braços e as pernas pareciam coladas. da perfeição e brancura de seus den tes. tenha-o prejudicado e se ligou a ele para se vingar dessa forma. Ele trazia nos braços uma criatura totalmente deformada e a carregava como quem aconchega o filho querido e necessitado. no suicídio. O aspecto era à m aneira de grande verme com feridas imensas. chamou-lhes a atenção.Olhando em volta. Atormentam com vibrações bizarras as faculdades mentais dos suicidas. Dotada de inteligência. sem fé nas providências de Deus. Certamente são espíritos que desejam a desforra e induziram seus desafeto s a tirarem à vida do corpo físico. Não haveria espaço para pensamentos inferiores. Sérgio reparou: Os penhascos parecem não ter fim. Existem supostas vítimas que se ligam aos seus agressores. S e um espírito vingador não perdoa ao irmão que. Quem são eles? Vejo que não se lembra de muita coisa. caso essas últimas deixarem . Tudo piorou quando ela desc obriu que o marido a traía. Sérgio argumentou Wilson com simplicidade. mas mascarava esses senti mentos. fazendo-as crer no nada após a morte. mas quando o fez não fo i com sinceridade. como que sem o co uro capilar e a face sem pele com erupções purulentas. tanto quanto agresso res se ligam às suas vítimas. A aproximação do socorrista. machucada. Forjava sorriso generoso e olhar piedoso quando precisava reunir-se para fins fraternos junto de pessoas de seu meio social. Na verdade não suportava o od or dos hospitais. lhe agradecessem e reconhecessem suas ofertas caridosas. Suicidando-se mostraram a incapaci dade de suportar as dificuldades nas provas da existência terrena e foram fracos a o perder a fé. Ele sabia o quanto ela mentia e disfa rçava sua verdadeira personalidade.Alguns segundos e contou: Encarnada esse espírito foi uma mulher de considerável nível socia l. Depois respondeu: São espíritos no auge da inferioridade e da ignorância. Desmascarando-a em uma discussão a sós. Não admitem que sofrem. sem esperança. esgotando-lhes as forças mentais e levando-os ao e xtremo desespero de se verem sem saída. contudo pode nos entender. Mas. necessitados e doentes. Ela perdeu o gosto pela vida e de sejou a morte a ser trocada por outra e discriminada pela sociedade como uma mul . . julgando saber mais do que sabem. O que realizou foi para que todos a elogias sem. admirando-se do quanto era bela. Isso pode acontecer até com sofrimento de um deles para que renasça o amor em a mbos. Piedoso. comprazendo-se com a do r insuportável e ininterrupta de inimigos do passado que agora se revolvem aqui pe lo suicídio. Não parecia uma criatura humana. maldosos ainda. cujo pescoço inchado unia o tronco à cabeça lisa. Mas o esposo e stava decidido e cansado de sua falsidade. Tentando livrar-se dos tormentos de uma breve reencarnação. o socorrista explicou: Seu estado mental é de delírio enlouquecedor. com devoção e de coração. levando-o ao suicídio. atiraram-se ao suicídio e a um longo e doloroso sofrimento mil vezes pior! Esses espíritos vingativos que os inspiraram ao suicídio são homicidas! Também não dev riam se encontrar em um estado consciencial de sofrimento pelo que cometeram ou induziram? . o homem av isou que sairia de casa dentro de alguns dias. mostrando-lhes. Esses vigi lantes são espíritos de pouca elevação. O espírito sofredor plasmava seu corpo espiritual de forma horrenda. Muitas coisas acon teceram até começar a dar oportunidade de ação para um espírito inferior vingativo e inimi go do passado por ser sua vítima. dos orfanatos. vamos lembrar q ue a bênção do esquecimento. descarnando a pele em estado de putr efação. . através da re-encarnação os unirá para reparação e ensinamento dor. Criaturas p artidárias de grupamentos. ou seja. Teve todas as oportunidades para praticar a caridade. isso não teria aco ntecido. talvez. Só contemplava seu refl exo no espelho.alertou Wilson.Breve pausa e lamentou em tom piedoso: Quanto engano! A morte não existe e a prova disso é que estão aqui. Crêem serem juizes e justiceiros. dos velhos desamparados e da miséria em geral. animalizados e deformados. o remédio para todo o sofrimento terreno. Remexendo-se. Ap enas apreciava a fragrância de seus perfumes e cremes caros. Se com desejo puro sua mente estivesse voltada p ara a caridade e se ocupasse com a atenção para o auxílio e caridade. pois muito s deles acreditam ter amplo conhecimento. Possuía uma aversão aos pobres. No alto dos penhascos há espíritos com aspectos sinistros. Aqui não se vê o céu.. que havia se afastado. gemia constantemente em todos os tons. que se movimentam e se revezam. tentou ser ardilosa e buscou div ersos meios de comover o marido com esperança de ele não a abandonar.. já tão atormentados.

her separada. mas não a aceitou como filha. o pai qu e a abandonou na miséria.perguntou Sérgio. sua vaidade e seu personalismo. aos dissabores do mundo. . essa irmã viveu na Europa no período da Inquisição imposta p s governantes da Igreja Católica . ela faleceu após muito sofrimento no corpo físico. logo após sua mãe. Cinqüenta anos . Apesar de tamanho sofrimento e estado enlouquecedor. ela nut ria uma paixão incontrolável por um homem e. E ele que dizia amar quem iria despo sar naquela época. o homem. Ela preparou artifícios e colocou-os na casa do homem para não ter meio de ele escapar da punição do Santo Ofíci o e o acusou de bruxaria. Podemos sentir o ódio qu e tem pelo marido. el a não se permitiu à concepção. essa pobre irmã deixou o gás do fogão vazand o por longo tempo e depois acionou o interruptor da luz. que a rejeitou. Q ueria que os outros tivessem piedade dela pela morte inesperada e ver o remorso do marido. Mas. Porém queria que tudo parecesse um acidente e com morte instantânea. que foi sua mãe. Mas com o vício moral da vaidade. Pelas necessidades de sob revivência e para cuidar da mãe doente. Revoltada pelo abandono do marido. Pode dizer há quanto tempo se encontra nesse martírio.contou o especialista daquele tipo de socorro c om habilidades de absorver informações da mente dos desencanados. incontáveis oportunidades de tarefa e empenho na caridade em todos os sentidos e isso amenizaria sua expiação. Seria um desencarne d oloroso. ela fez do corpo físico ins trumento de mercadoria no campo da prostituição e desencarnou cedo. Esse irmão não lhe perdoou. a mesma criatura que ela condenou injustamente à morte cru el. A mulher. foi con denado a queimar na fogueira até a morte. ao se declarar. experimentando a dor que v ivenciou no corpo físico? . Mesmo sendo inocente. na época. Com a explosão e o incêndio . junto com a mãe. Por não ter amparo paterno. pois esse é o vício ou a mania dos hipócritas nos momentos de desespero. No último plan ejamento reencarnatório. Após esse período escuro na história. esse pobre espírito deveria ser abastado com bens terrenos. com a finalidade de investigar e punir crimes contra a fé católica. nesse vale de lamas e lágrimas. sentiu-se humilhada. não acreditou em Deus nem no futuro. ela sofreu calúnias e humilhações. o que a repugnava. Em reencarnação distante. até depois da morte planejada. Também não atendeu às inspirações de espíritos bondos amados de fé. só pensou em ostentar orgulh o e vaidade por ela mesma. ficará à mercê desse estado mental. ele reencarnou. A infeliz não está preparada para o socorro. Se ele lhe tivesse perdoado e a acolhido como filha querida. por não se arrepender do ato criminoso e cruel planejado no passado que o le vou à fogueira do Santo Ofício. Para isso a presentou-se como testemunha para o tribunal eclesiástico instituído. Enquanto o amor e o arrependim ento não reluzirem em sua consciência. culpando-o pelo seu estado deplorável.respondeu o socorrista piedoso. como filha querida desse casal que a odiou. Com sentimento de ódio e vingança. Não quis engravidar para não deformar seu belo corpo. mas breve diante do tempo em que se encontra nesse estado. Vaidosa. Quer vê-lo morto e sofrend o como ela. Elas odiaram-se tanto naquela época que retornaram com o mãe e filha a fim de reforçar os laços de amor. Criaturas assim chamam por Deus como se ele fosse um prestador de serviço. ela vestiu a máscara da hipocrisia e não foi humilde. Nessa época. Mas ela. só pensou na humilhação que sentiria di ante da sociedade. Tinha vago conhecimento da doutrina reencarnacionista pelos livros que leu. Ela chama pelo nome de Deus em vão.disse Sérgi o. sofreria a expiação de queimar-se até a morte em algum acidente natural. m as não ofereceu a atenção necessária. ess a pobre irmã não admite seu orgulho. O que aconteceu para ter um obsessor tão cruel a inspirá-la à morte tão horrível? . po is ele afirmou amar outra cuja união já estava marcada. Não se dispôs a receber como filho. pede Sua misericórdia e socorro . chama por Deus. No entanto a dor experimentada antes do desencarne não se compara à intensidade do desespero e insuportável padecimen to incessante vivenciado no plano espiritual. Deveria provê-lo com amor e educá-lo nos princípios morais superiores. decidiu que ele não ficaria com a outra.pe guntou Sérgio. Ao contrário. abandonando-a. era a mesma moça que seria a esposa do homem inocente cond enado a morrer na fogueira. dispondo-se à ving ança entremeada de extremo ódio. abandonou-a na reencarnação seguinte em difícil situação com a filha nos braços. tudo ficaria har monizado e tanto ele quanto a mãe teriam outra oportunidade de viverem juntos. em sua agonia. Inconformada com a rejeição e po r ser uma criatura vingativa.

ela diz que tinha frio e q ueimava. O espírito infeliz diz que sofria e a evocação. Allan Kardec ressalta que espíritos suicidas experimentam os efeitos da decomposição. que gritam semp re do mesmo jeito pavoroso. Entram em profundo desespero e sofrem. quando Laryel instruiu com prestimosa bondade: Cada caso é um caso. para aquela comunicação. cuja mor te foi planejada ao lado do amante que também sucumbiu. era penosa.Segu ndos para reflexão e comentou a seguir: Em outra evocação. O espírito do suicida fica ligado ao corpo. Um dos casos conta-nos sobre a comunicação de um suicida ateu que se afogou havia dois anos.Em seguida. as questões sobre o suicídio são bem esclarecedor as. Pensou que nada iria acontecer após o afogamento. Conta que é sempre noite. observou-os por um momento. A . a duração e o rigor do sofrimento.argume ntou Wilson. mas seu coração rancoroso e revoltado até contra Deus podia ser sentido. Os suicidas responderão como por um assassinato. apesar do espírito do suicida estar separado do corpo. eu estudei uma observação científica e filosófica de ec. num estado de consciência enlouquecedor e tão terrível que desejavam morrer como se pudessem definitivamente acabar para sempre. mas. após a morte do corpo. Com gesto paterno o socorrista retornou e colocou aquele espírito de volta ao cír culo que se atraía. Aprendemos que se nesse momento não entendem . Ele assevera que era forçad o a crer em tudo o que negava e afirma sentir a alma num braseiro horrivelmente atormentado. as vibrações emitidas chegarã no instante em que estiverem em condições de reconhecê-las e se fortalecerão com suas energias. Mas logo se juntava àquela montanha incandescente através de uma atração irresistível. Wilson explicou: As preces. Em O Livro dos Espíritos. Estado que pode durar o tempo da vida que foi interrompida. Há suicidas que. Com os olhos arregalados. uma mulher suicida. Alguns entendem rapidamente que não morreram em espírito e se arrependem. Laryel avisou: Ela se prende a esse vale de penitências. ou revoltados recusam o poder da prece e a força da oração. Não era difícil ver um e outro correr daquele redemoinho com o corpo espiritual e m chamas saído de brasas e provocando grande alvoroço e dor a todos daquele vale por estarem ligados mentalmente pela prática do mesmo crime.contou Sérgio . mas ainda não experimentaram esse vale deplorável de dor e suplício. nos relatos e esclarecimentos por ele publicados nos diversos volumes da Revis ta Espírita. as orações sinceras para esses irmãos são como remédio. Afirmava que sofria e sentia os vermes roerem seu corpo. então por que diz sentir a alma num braseiro? . Que o Pai da Vida em Sua infinita mis ericórdia a envolva com bênçãos sublimes para o seu esclarecimento. Eles seguiam. Depois. ser interrompida brutalmente quando estava com vigor. mas vê um crepe negro desenhado num rosto que chora. Relata escutar risos infernais e vozes espantosas. Há alguns dias . sentem-se extremamente perturbados e não entendem por que ainda estão vivos. O gelo corria nas veias e o fogo em seu rosto. Respeitosa e num tom de tristeza misto ao de amor.Pequena pausa e os fez pensar: Observamos que o pobre espírit o afogou o corpo para morrer. inconscientemente. que é o fluido que faz a alma atuar na matéri a corpórea. juntando-se aos demais amontoados que ardiam em labareda s. arrependimento e ace itação de reparação. sensação de angústia e horror. Pensava que morreria uma segunda vez. Não demorou e ela raste jou. não vê os espíritos que vagam no l ugar onde está. A esse espírito sempre haverá uma punição e somente Deus julga conforme a causa. puderam tirar as mais numerosas instruções. haverá um longo estado de pertur bação dolorosa pelo fato da energia vital. ele está completam ente mergulhado numa espécie de turbilhão da matéria corpórea e suas idéias sobre o corpo terreno estão muito vivas. Lembrando que esse efeito não é geral. recusa desc rever tanta penúria. sofrem demasiadamente na mente e no corpo espiritu al. Clareiam-lhes a mente. sem dúvida. Mas isso não acontecia e a punição conti nuava como no momento em que mataram o corpo físico. É o rosto do mari do que ela traiu e magoou e sua consciência a acusa por remorso e pedindo reparação. O suicídio e o aborto são os piores crimes que o ser humano pode cometer . Aqueles que estudaram a Codificação Espírita e os ensinamentos úteis de Allan Kardec . Kardec ob serva que. como bálsamo alivian lhes as dores. O espírito São Luís oferece grande instrução ao explicar que ess é o estado de todo suicida. na qual ele explicava sobre a comunicação de um suicida que se dizia sentir sufo cado no caixão. por asf ixia provocada pelo vapor que exalava de um forno portátil cheio de carvão. .

Estão impress ionantemente atormentados. Os que cometeram esse crime pela perda da fortuna ou pela miséria. longas e dolorosas. Experimentam o cheiro exalado do apodrecimento. não lutou pela a. pratic ado conscientemente . Muitos perm aneceram bastante tempo em suas sepulturas. são agressivos e violentos pela revolta de não morrer. piedosa. Outros estão confusos. Enquanto prosseguiam. somente a benfeitora ousava detalhar. unem-se sempre pelo pensamento. Como explicar tamanho sofrimento se o suicídio ocorreu com métodos diferentes? . viam-se mais perto do extenso mar de espíritos suicidas amontoado s e entrelaçados. Eles estão ligados na mesma vibração. O odor de podre. o que dificulta sua libertação desse lugar. Além da pos ura mental adotada. Exi stem os que se crêem confinados eternamente ao inferno imposto por algumas religiões . as secreções nojosas e o lo do encarniçado que os envolve é constante. por que tinha frio e queimava? Por que sentia o gelo nas veias e fogo no rosto? Por que não via nada nem mesmo os es píritos. por um amor impossível. Ele diz que sofre um fogo que o consome e o devora. Como explicar esse rel ato? Se ela se asfixiou envenenando os pulmões. dos líquidos. as razões e as conseqüências desse ato sempre são relativas às causas que o gerar m. Uns gritam de modo selvagem. algo sobre a visão aterradora: Irmãos infelizes que se suicidaram para se encontrarem com entes queridos desen carnados não o vão encontrar aqui. Não co seguem ter paz. não se encontrou com ele. as dores da s vísceras se rasgando. Só o arrependimento intenso. Mas para aqueles que se refugiaram na morte premeditada e voluntariamente. Alguns.. as necessidades físicas. É bom lembrarmos sempre que não existe punição fixa aos suicidas.. fur iosos. como no momento da morte de seu corpo e cenas repetitivas dos outros suicídios e extrema dor. O que leva alguém ao suicídio. por isso reproduzem as cenas horripilante s onde quer que estejam.firma que não quer falar do amante. se não era cega? . que vagavam no lugar onde ela estava. meus amigos. demorarão muitos anos ou séculos para se reverem. . Todos precisarão de vár ias reencarnações para repararem o erro e aliviarem os corações sofridos pela brutal sep aração. a sensação asquerosa. o instante de seu suicídio e dos outros. alguns continuam liga dos ao corpo pelo liame. . Libertos da sepultura. Então pura carniça. Kardec nos relata sobre um espírito suicida que se enforcou. Esses são nossos irmãos infelizes que se suicidaram e estão ligados e submetidos ao mesmo estado vibratório e mental pelo ato do suicídio premeditado. por não se desli garem do corpo físico. desejado.Alguns segundos e comentou: Diga-me o que está p ensando e eu direi o que espiritualmente existe ao seu lado. Isso explica os relatos de Kardec sobre as comunicações de espíritos suicidas que se mataram de uma forma e. não respeitou nem confiou em Deus. é o que vêem e sentem. Sem perceber.Nova pausa e depoi s continuou: Em outra conversa.Sabiamente. fluido vital.Pequena pausa par a reflexão e avisou num tom lastimoso: Vamos seguir. além de falarem de seu sofrimento. a punição mental será mais longa e terrível porque fugiu da provação terrena. e a existência de indescritíveis aberrações em suas faculdade s os faz ver. As religiões ou doutrinas que consideram os suicidas confinados ao inferno e não . A escuridão pode cegar-lhes por longo t empo. mataram-se para fic arem juntos. rever e sofrer incessantemente no corpo espiritual. O suicida voluntário levará várias encarnações para purificar a consciência e isso depen erá da forma como suportará as futuras expiações terríveis. aqui não há irmãos pro ntos para o socorro. E a mente do suicida normalmente atrai tudo isso que o corpo físico experimentou. presos em seus caixões. As vibrações mentais mais tormentosas. contam sobre experimentarem outras sensações. do sangue fétido. Não se lembram d e situações agradáveis ou pessoas queridas. milhões de vermes por ligação ao corpo físico com vigoroso fluido vital. por isso não se concentram verdadeiramente em Deus. que sente os dese jos carnais. Outros são incrédulos. E partilhando das mesmas vibrações pela atitude. meses ou séculos. não têm condições de serem descritas. Vêem-se corroídos vagarosamente por milhar es. respeitosamente. urinas e fezes que se esvaem d o corpo de carne. Serão juízes inconscientes deles mesmos. Gritam e berram como animais. atordoado s e com o raciocínio lento pelas conseqüências do ato. o sofrimento in interrupto.explicou a excelsa benfeitora Laryel. sofrerão bem mais. violentamente infligidas pela própria consciên cia. a benfeitora nada disse até deter-se e mostrar: Ali. Os que.

mas u ma fatalidade o desesperou a esse ponto e não lhe restou alternativa. mesmo sabendo que despencará para a morte certa. Com o objetivo de mudança. É bom recordar que se não houve premeditação. Sem que soubessem e. Por sua elevação espiritual e mesmo tendo a indulgência Divina. sua jovem esposa e seus três filhos.questionou Sérgio estremecido por uma sensação inexplicável. Deus não dá recompensas. Por sua vez. o barco mostrava sinais de que afundaria. dos filhos. repentinamente. Qual?. esse homem entrega os remos à mulher e p ula do barco para a morte. No entanto nisso não se vê o desejo da morte. um tanto temeroso. dependendo d o caso. sofreu. se vêem pendurados em uma única corda que vai se romper e todos morr erão. Mesmo jogando todos os poucos e pobres bens materia is no rio. mas. dos parentes e amigos aliviaram sua consciência e o deixaram com elevadas vibrações sublimes. confinando-se ao castigo da própria c onsciência. por causa de um acidente. imperdoável nem fatal. no desespero. Àqueles que acreditam nisso podemos perguntar: Onde se encontra a misericórdia. ele se perturbou por curto tempo. atirando-o contra as pedras sem piedade. junto a rochedos e menos hostil. Isso é um su icídio. num ato não planejado essa criatura merec e ou não o perdão? Deus é quem julga. ta-os com fé e esperança em novas oportunidades de harmonização. depois afirmou: Como não? Se estudou deve lembrar que Kardec relata raros casos cuja intenção do su icídio abrandou. mas a vontade de salvar outras vidas. mas sim o perdão de Deu Isso é possível?! . Na espiritualidade. Depois aceitar e propor-se à expiação ou repa ração dos danos a si e aos outros. Deus julgou-o pelas circunstâncias e lhe perdoou. planejamento. a prestimosa entidade se voltou para Sérgio ao afirmar com generosida de: Existem muitos fatos que isentam uma criatura forçada ao suicídio em favor de um acontecimento fatal. desejo de se matar. A duração de seus sofrimentos está ligada e é dependente de sua força mental e moral para arrepender-se verdadeiramente do que praticou. Ao contrário do que pensam aqueles que lhes recusam uma oração. E logo acrescentou: Imagine uma situação em que operários ou esportistas. desesperado. você prometeu reparar o suicídio e o abandono da família tão querid . A prece aos espíritos suicidas lhes dá força e resignação. do orgulho.. A comitiva se manteve junta parecendo mantê-los no centro. pois a água o arrastou para as corredeiras. a intenção do suicídio pode não merecer uma severa punição. livrando-o de terríveis t orturas pelo suicídio. resignado. el es atravessavam um largo rio. lugares cercados de labaredas e horrendos métodos de torturas. que transgrediram as Leis de Deus. Os estudos e as pes quisas científicas de Allan Kardec sobre suicidas deixam claro que esses espíritos i nfelizes. algo que não planejou nem queria fazer. A prece com amor e sem lamentos auxilia o entendimento desses irmãos e a elevação d e suas consciências. o Criador bom e justo? Kardec explicou isso muito bem. Ciente de que a esposa não sa bia nadar tão menos os filhos. estavam em lugar estranho. inesperado. Bem at enta a tudo. diminuiu o sofrimento ou mereceu o perdão . um desejo de bênção e misericórdia. livrar a mente do ódio. Seria injusto ela passar por sofrimentos horripi lantes como os demais suicidas. estão imensamente erradas. a dor da se paração de sua amada e seus pequeninos filhos. Nesse ponto. Laryel olhou-o de modo diferente que ele não soube interpretar. .aceitam que sejam dirigidas as últimas preces.. relatam e apontam sofrimentos usando termos iguais aos de algumas reli giões. a bondade e o amor de Deus se a confinação ao inferno for eterna? Seria Deus o Pai.respondeu ela atenciosa . deu a vida para salvar a mulher e os filhos.perguntou Sérgio. as águas se tornaram caudalosas e a forte corrent eza invadia o pequeno barco. diminuindo a punição se es es forem humildes e respeitosos aos propósitos do Pai da Vida. o último a se pendurar se solta ou corta a corda acima de si a fim de aliviar o peso e sal var a vida dos demais. da vingança. O Espiritismo não admite inferno com demônios e capetas com tridentes. Porém esse estado de extrema dor e agonia do suicida não é interminável. Ele acreditava em Deus e não queria morrer. mas Sua bondade e justiça permitem a oportunidade de repar armos os erros cometidos e abreviarmos os sofrimentos. pois as preces da esposa. Um homem novo. chicotes. Então para salvar os outros. Laryel parou. ao ver que a morte de todos será inevitável. mas para salvar a vida dos outros. Um que ac ompanhei foi muito marcante.. Amparado na espiritualidade. ter paciência e fé. quando uma chuva caiu na cabeceira desse rio..

Naquele planejamento reencarnatório. com o co njunto das funções orgânicas. oferecendo sua vida para eu prosseguir. é um crime ou homicídio contra um er indefeso.a.. Nós sobrevivemos por muitos anos naquela oportunidade de vida terrena por seu sacrifício.. 27 .. está ligado à mas . angústia e indescritível dor. Sim. Dotada de forças vivamente transcendentes pelas virtudes morais. ele ficou profundamente emocionado. quando o óvulo fecundado inicia a multiplicação das células. Nesse instante ela revelou amorosamente: Eu estava naquele barco. Minha amada mãezinha nos salvou apesar do desesper o de vê-lo sumir nas águas. Falta essa que não cometeu por covardia. além de prop rcionar extrema aflição.Suicidas em sofrimento no Plano Espiritual Após a revelação preciosa da elevada Laryel sobre sua ligação afetiva com Sérgio e o tra alho que desempenhou na espiritualidade. Lágrimas correram dos olhos de Sérgio. A nobre Laryel. movimentá-la e experimentar ns sensações d o instante de sua união com o óvulo fecundado. Em todo e processo. e ela avisou com doce nobreza: Deixemos as emoções para mais tarde. O feto. Hoje ela está encarnada e você a reencontrou: é a nossa querid a Débora. Descortinado o véu do passado. foi. Reprimindo os sentimentos. Desde o momento da concepção. entre o espírito e a matéria ou massa de células. dos problemas mais diversos ou de qualquer desespero que esteja experimentando só atrasa a evolução e a elevação para mundos melhores. pois eu tinha importante tarefa. meu querido. A cena se repetiu com detalhes na mente de Sérgio. A benfe itora o sustentou com vibrações mentais e ele comentou: Lembro-me disso. mas permaneceu vigilante. inclusive no d ia seguinte a concepção. seguiram para cumprir a tarefa. Ele é o intermediário. E cumpriu sua promessa. Alg o modificou em seu âmago.. Depois disso. elétrico animaliz ado ou agente vital. sa beria aguardar o momento propício para as expressões mais ternas. emoções. por meio do suicídio. Sérgio expressou significativa surpres a e temor ao olhar em volta. elevou-se imensamente na espiritualidade e tornou-se socorris ta neste vale de suplícios e torturas terríveis. impressões físicas em geral. explicou: O princípio vital tem sua fonte no fluido universal.. desenvolvendo o embrião. o fluido vital é o agente do qual o espírito se serve para estabelecer c omunicação com a matéria corpórea para animá-la. das dif iculdades ou infortúnios. e ntendeu todas as provas vividas. formando os órgãos. Temos um dever. Então vamos. ou liame. mas por amor aos filhos e a sua esposa . ou perispírito. Tremendo perante o doce olhar de Laryel. Recuperando o domínio dos sentimentos de júbilo.. a comitiva pro sseguia naquele lugar onde se estendia pavoroso sofrimento. o liame entre o espírito e a matéria do corp o físico. com a finalidade de instrução. prometeu-me amparo em todos os sentidos. Essa fatalidade não estava em seu planejamento reencarna tório. Conforme prometeu. que pareceu abalado. pois o espírito revestido do corpo espiritual. Conhecido como fluido vital. ajudou dando sua vida para salvar a de todos in clusive a minha.Laryel calou-se e aguardou. cujo choque pela vid a existir após o suicídio provocou conflitos mentais deploráveis por acreditar que tud o acabaria após a morte do corpo. comoção moral. Foi há muito tempo. Isso explica por que o aborto praticado. já existe no plano espiritual. A pretensão de fu-gir. o fluido vital se desenvolve com essa atividade unindo e servindo de ligação. Lembra-se? Você tinha dois filhos mais velhos e eu era a sua única filha e a mais nova. E por intermédio do fluido vital que o espírito experimenta um processo sensorial consciente de relação mútua com um processo f isiológico que lhe proporciona o conhecimento do mundo externo. Não me permito distrair em um lugar como esse. cresce até a formação completa daquele corpo físico. magnético. chegando ao feto. por medicação ou qualquer meio. que continuarão se multipli cando. relativo e proporcional para aquela reencarnação.

Mas Deus tudo vê. e o corpo carnal morre. a identificação do e spírito suicida é pelo fluido vital ou liame rompido violentamente. Todo esse alarido interminável. e les até cantam de modo tresloucado! . A instrutora não fez mais comentários e seguiram com os pensamentos em prece. Em determinada encosta onde a visão não era menos avassaladora. tanto que alguns oram incessantemente em idiomas estra nhos. os berros estri dentes para orar. Alguns suicidas.concordou Laryel. desprende-se do corpo físico e vai para diversos lugares no plano espiritual. Não conseguimos enganar nossa própria consciência. mataram o corpo físico por fé cega e irracional em determinadas seitas. que não se rompe durante o sono senão por pl anejamento reencarnatório ou permissão de Deus. Depois de um processo semelhante à l avagem cerebral. para uma prece e diálogo com Deus. Exerce tarefas e outras atividades. O suicídio interrom pe brutalmente a vida da matéria e bruscamente rompe a ação do fluido vital ou liames que permitiam o espírito atuar naquele corpo. Al guns. ela continuou: Lembremos que durante o sono o corpo adormece. Não conseguem raciocinar. encar niçado jamais acabava naquele vasto reino de miséria de aspectos horripilantes. E q uando parte do corpo físico é lesada seriamente. Desejam fugir das sensações e imagens repetitivas de seu suicídio p raticado em nome da fé. fugiam aterrorizados pela vibração que sentiam . Como podemos ver aqui. O escuro era tenebroso. Sim. é verdade . os gritos repetidos são com a crença de serem ouvidos por Deus e e m tentativa de não escutarem ou experimentarem os lamentos desesperadores e o sofr imento dos outros. Olhem. mundos melhores. propositadamente. começando pela doação de seus bens. desintegr do corpo em formação. famílias ou sozinhos. o sofrimento e todas as sensações pela destruição. Chegando a uma espécie de salão gigantesco. e o espírito ou a alma do encarn ado se emancipa. de vidas humanas. O estado consciencial em que se colocaram é tão desesperador que gritam em alvoroço como se houvesse uma competição para Deus ouvir suas preces enlouquecidas. planetas mais evoluídos. filosofias tresloucad as ou religiões estranhas aos verdadeiros princípios filosóficos das Leis de Deus. Após algum tempo. os fiéis ou seguidores se suicidam para provarem seu desapego ao corpo ou por decepção e vergonha por se despojarem de seus bens.observou Sérgio. E havia os que não os percebiam. aglomerados de espíritos em extremo sof rimento pelo ato do suicídio. Laryel e o grupo pararam por alguns instantes. muitos irmãos que se torturam e sofrem por interromper a vida no corpo. Normalmente esses tipos de seitas têm líderes que os convencem a se despojarem total mente da matéria. explicar no nível de mente para mente: Aqui se aglomeram grupos de espíritos suicidas que. A lguns gritam incansavelmente em línguas estranhas já extintas neste planeta. Na espiritualidade. Mas não são gritarias que os ajudam a se recolherem em pensame nto. C rer nisso é ilusão. em condições de vê-los. praticaram o suicídio de modo que os familiares acreditassem trata r de um acidente. o organismo enfraquecido não consegue transmitir o movimento de vitalidade. após o suicídio individual ou colet ivo. Outros emitem sons similares a palavras de cultos a deuses ou espíritos que idolatraram n um passado distante e aos quais faziam pedidos e oferendas de todos os tipos. Laryel acreditou ser cabível.sa de células e sentirá a dor. Isso não é raro. os órgãos enfraquecem nas mortes de causas físicas naturais. O constante odor fétido. em buracos como cavernas. chegariam a um paraíso. Na oca e na garganta há ulcerações violentas e corrosões expostas onde se vêem os mecanismos . Um socorrista que fazia parte do grupo apontou: Observe os que se envenenaram: trazem o corpo espiritual tal qual os danos oc orridos no corpo de carne: as vísceras à mostra com a dilaceração dos órgãos aparentes. ela os guiou por labirintos estranhos onde podiam ver. como semp re. A insanidade é tão extrema que não sabem mais o q e usar como rogativa para serem perdoados pelo suicídio. inclusive. Acr editaram na proposta ou promessa absurda de que. Alguns cometem o su icídio em grupo. porém a alma continua ligada ao c orpo por meio do liame ou fluido vital. Silenciosa. É uma atitude psíquica coletiva t otalmente desequilibrada. fazendo até parecer um acidente convencendo os amigos e familiares dessa fatalidade. No momento em que a quantidade de fl uido vital se esgota. Outros se entocavam como animais. Todos percorriam a trajetória com os pensamentos elevados.

suicidaram-se imaginando deixar em para a próxima existência terrena o desafio daquela oportunidade. como uma espécie de terapia ou alimento compulsivo entre outros distúrbios. Deus para Ele solucionar proble mas talvez semelhantes aos que experimentaram em encarnações passadas e falharam. principalmente os protestantes ou evangélicos. clamando salvação no re ino de Deus. entregues ao desespero e arrebatados pelo horror d as dores e condições. não supo rtando a dificuldade da prova quando encarnados. sem obter respostas às minhas questões de estudo. Mas isso ocorre. pavor de falar em espíritos. É uma visão chocante. o procedimento preconceituoso para com aqueles que não aderiam a sua religião e o co mportamento extremo. a mente. o espírito. pensarem em Deus. pensei que a atitude. incessantes e muito lo ngas. com os espíritos suicidas embrutecidos. pois os pensamentos estão longe dos desejos e das práticas . Por isso sabemos que as razões do suicídio. pedirem perdão. eles também oram incessantemente. Entretanto não são somente os encarnados que adotaram os conce . o sofrimento experimentado. Mesmo o efeito da decomposição. Tudo de acord o com cada caso. Lógico que cada caso é um caso. Várias vezes. as orações e rogativas aos gritos. foram espíritas. Agora entendo que se trata de uma recordação inconsciente. Na verdade. angústia e as fortes impressões que recebeu do corpo físico devido ao rompime nto brusco do liame ou fluido vital que unia o espírito e matéria corpórea. traz os temores dessa vivência. por possuírem faculdades de ra ciocínio e planejamento. ainda enlouquecido por tanta s recordações horripilantes. são atenuantes que aliviam o sofrimento e dim inuem a pena desde que tenha o coração despojado de orgulho e vaidade. Eles afirmam serem orações na língua dos anjos.explicou Wilson. plasma. Sem dúvida. desequilibradas. Podemos ver aqui. são irredu tíveis à idéia da reencarnação e buscam. seria suficiente se concentrarem. uma espécie de delírio ao orarem em língua estranha cuja existência não se pode comprovar. Mas me intrigava observar. A princípio. ainda há orgulho. Outros são propostas de líderes com interesses pessoais. é repetição de palavras bonitas. neste lugar de dores infernais. Apesar de alguns suicidas estarem aqui há anos ou séculos e seus corpos físicos já te rem se decomposto totalmente. a qual imprime toda a sua vontade nesse princíp io material. Acreditando-se com total razão. enc arnados. a repetição torturante da morte do corpo físico com a repercussão da dor no corpo espiritual. Exatamente . vê e sente os bilhões de vermes o roerem . sustentando-lhe a forma aparente com sua energia impregnada de pade cimento. é uma ligação ou uma espécie de repercussão do estado do co sobre o espírito. apesar da matéria corpórea não existir mais. desenfreadamente. que nunca deixa de sangrar. presos ao ateísmo. Estou certo? perguntou Sérgio. Alguns casos são de e xtremo fanatismo. O sangue e os pedaços de órgãos que caem e apodrecem permanecem aqui e são conservados nessas condições pelo poder mental perturbado e desesperado do suici da. a emoção im ensada que o levou à prática desse crime. muitos e. Intuições desconhecidas disparam na presente reencarnação à atitudes comportamentais de suas orações desesperadas. Creram também que . começam a gritar para que Deus o s ouça. mas se . é algo tão traumatizante qu e. revolt ados. É a prova d a afinidade persistente entre o espírito e o corpo que sofreu o que ele provocou.afirmou Laryel. principalmente. O que alguns desses irmãos fazem não é oração. enlouqueced oras. rancor e outras mazelas em seus corações. somados às vibrações e sentimento das milhares de mentes que envolvem a todos. possuidor de ódio e vingança. com hinos. seu arrependimento. brados e escândalo s funcionassem. vaidade. como os intestinos fragmentados e feridos. Têm medo horripilante do inferno. Não são diferentes dos outros. mas isso não adiantou para suas reflexões. O aspecto do fígado despedaçado. Agora. fragme ntada de uma experiência no plano espiritual. Quanto engano! A punição para esses será ainda mais terrível por terem conhecimento. com a finalidade de se livrarem de um sofrimento infernal de recordações hedio ndas.disse Laryel com humi ldade e bondade. sua humildade. Po r isso os hinos repetitivos e as orações frenéticas. São pessoas que apresentam aflição ao pensarem na sua morte. fanático. o subconsciente.deficientes do esôfago até o estômago. psicologicamente falando. endurecidos na fé. pelo seu pensamento e lembrança. após o suicídio. em arrependerem-se e experimentarem breve sofrimento. sua fé em Deus e a esperança de reparar o erro. De repente Sérgio contou: Já estudei o comportamento de encarnados e a razão de adotarem determinada religião . individual ou coletivo. arrogância. Tiveram conhecimento sobre as punições por tirarem a própria v ida.

Isso faz parte da evolução espiritual. o incômodo da língua exposta com edema em alguns casos. Tentavam livrar-se do mecanismo que plasmavam. arrogância e tudo mais. bem como aroma de suave fragrância floral. de lugares incrivelmente lindos. Muitos exalavam ódio e contrariedade pelo que experimentavam.Leve sorriso discreto e Sérgio coment u: Recordo-me. música agradável e relaxante em baixo volume. pois pecam em atitudes e pensamentos de mágoa. para não mais ver sua queda e o corpo espiritual quebrado. as dilacerações ou o crânio aberto de maneira dramáti dolorosa e cobertos de sangue que não estancava. mas s em prejuízo à paz e ao sossego alheio. O barulho da água era torturante e a visão repetitiva do modo como se afogou repercutia em asfixia aflitiva. do sufo camento ou do quebrar da vértebra. graciosos no plano espiri tual. Esse comportamento exagerado. Lógico . mesmo nos templos. tomando postura prudente e justa. Se a paz ou a tranqüilidade for obtida pelo auxílio d e um som agradável. reviravam-se no chão de lodo vi scoso repleto de matéria com aspecto de secreções de sepulturas. ouvindo barulho dos ossos fragmentando-se e o estouro dos órgãos. Estava long e de se abalar. Silenciaram. Be nfeitora especialista em tarefas daquela natureza. a quele conjunto de sinos ou peças delicadas que vibram e balançam com a brisa produzi ndo sons que impressionam o sentido da audição. mas era impossível ver-se sem a dor. serviço qu muitas vezes realizou sozinha por sua elevação. para a instrução e outras até mais elevadas. prisioneiros daquela desgraça. desde que não incomode os outros e não h aja desequilíbrio por compulsividade. Ouviam repetidas vezes o barulho das ferragens junto das cenas. entregaram-se ao suicídio. agrediam ferozmente quem dele s se aproximassem ou estivessem em seus caminhos. Cada um tem o direito de b uscar a purificação da mente para religar-se a Deus da forma como lhe convier. Os que se enforcaram traziam atados. Após a travessia na vasta região de sombras. Alguns espíritos. Revoltados contra Deus. Blasfemavam rancorosos contra outras criaturas ou situações nas quais. há suave melodia a nos envolver em paz para vibrarmos de acordo com o nív el do lugar. Adiante espíritos viam-se aprisionados nas ferragens de automóveis. o pedaço de corda ou tecido que usou para se suicidar e sofriam a agonia da asfixia. Laryel. estoura do no chão. agora. Meditação é sujeitar-se em pensamento a um exame interior à contemplação ou oração mental em total quietude e harmonia da mente e do corpo. experiência e capacidade. abusivo e excessivo de gritos para orações em qualq uer lugar. com o som do carrilhão ou mais conhecido como sino dos ventos. por não serem fortes nem corajosos. Espíritos violentos. possuía piedade e amor incondicional. cantos escondidos ou espécies de tocas. sons suaves ou mantra s utilizados por outras filosofias para a meditação. ao pescoço do corpo espiritual.itos do protestantismo que possuem esses comportamentos. vômitos e pedaços encarniçados. . ininterruptamente. é diferente de músicas agradáveis. aproximaram-se de determinado lugar com aguçada observação. outros suicidas se aglomera vam em pequenos grupos. fezes.concordou Laryel. lugares e ambientes belos e tranqüilos para nossa harmonia. em que cada um lutava com sua forma particular da morte praticada ao corpo físico. porém não se concentram e desviam os pensamentos para outros assuntos. o inchaço roxo que apodrecia o pescoço e a cabeça. Muitos espíritas oram em silêncio. pois foi esse seu método de suicídio. Para is so se precisa de paz interior. O perispírito se apresentava como no momento do su icídio. Outro implora va. orgulho. motos ou outr os veículos e sentiam as perfurações. pois era o reflexo do estado do corpo físico que o impressionou e dominava-l he a mente com angústia e horror. Já estudei sobre isso na Codificação Espírita. Estud am sem dar atenção ou filosofar a respeito do tema e não põem em prática o que aprenderam. é algo aceitável sim. sempre serena e atenta a tudo. Haja vista que em colônias espirituais voltadas para o socorro. Alguns se desesperavam com a abundância de água nas vias re spiratórias e nos pulmões. generosamente guiava todos co m precaução e sensatez através de missão na qual não necessitava mais trabalhar. como o murmurinho da água de uma fonte. desesperadamente enlouquecidos. em gemidos. Em frestas. Esse comportamento os defer ia ali por muito mais tempo. .

o espírito suicida agradecia. Todos se desconheciam e se tratavam como inimigos. procurou um lugar afastado. dos filhos e amigos foram como um medicamento que o fortalecia. logo após o ato. Laryel parou em lugar específico e apropriado onde p areceu criar uma espécie de campo magnético. apesar das condições deste lugar. O sangue da jugular não pára. com inúmeras necessidades.. ele e um outro cooperador foram à direção de um dos infelizes que se acuava. A certa altura do trajeto. facas ou objetos perfurantes no peito ou nas vísceras gritavam por socorro ao ver o sangue jorrar. meu amigo . rastejavam e rev iviam a sensação do sofrimento. queimo. Rogou a Deus Sua bondade e socorro. suicidou-se por vergonha . Mesmo a igreja católica negando-se à prece a um suicid a. enquanto aguardava. Tenho frio.tornou o amoroso tarefeiro espiritual. torturavam-se pela tragédia a que se lançaram. As vestimentas eram míseros farrapos e muitos estavam nus. Mas. sincero e pôs-se à oração. Meu pescoço. Os que se suicida ram juntos estavam distantes um do outro naquele imenso vale. do sofrimento na mente e no co rpo espiritual. Deus os abençoe . Ore e agradeça em silêncio. pe rdeu o emprego. além do so frimento moral e perispiritual. Oh. Quanto mais tranqüilo estiver. A falta de fé o levou à covardia e à insanidade momentânea. Senhor meu Deus! Agradeço por ouvir minhas preces e enviar Seus anjos par a me socorrerem. mais rápido poderemos trabalhar. não aprendeu sobre a reencarnação. Está envolto em coberta que diminuirá seu frio e deixará de queimar.Os que se atiraram em linhas férreas ou rodas de veículos tinham a aparência perisp iritual retalhada.. da dor ininterrupta. Cristão. mais forte. É o momento de deixar esse lugar. não foi para casa..murmurou o socorrido. vendo-se junto aos encarnados. Cinco anos. Desorientado. Em estado de perturbação.. O suicídio não fica impun . cortou a lateral do pe scoço com um canivete que possuía. lia o Evangelho do Cristo pensando no marido e rogava perdão para ele pelo suicídio praticado. o rosto cadavérico. explicou: Ele foi um homem bom. Apresentavam-se com a cabeça aberta e sangue abundante. Há quanto tempo ele se suicidou? . O Pai da Vida e nxerga nossos sentimentos verdadeiros e sabe o que é justo. gélido e a dor infindável só que. que se aquietou. mas acreditou na bondade de Deus em lhe dar nova oportunidade de vida para harmonizar sua consciência. Sem demora re tiraram-no de onde estava. sabiam tratar-se de um homem que. mostrava-se grato entre as lágrimas intermináveis. A esperança na oportunidade de reparar o erro e a fé em Deus o fez re colher-se em prece. à sua família e depois s e atraiu para cá. a sol idão reinava. a esposa não desistiu.pediu bondosamente um auxiliar ao prestar os primeiros atendimentos. Eles enlouqueciam com os cenários e os sofrimentos de seus suicídios. arrepend endo-se de imediato.. Ótimo pai e marido. Acalme-se e pense em Jesus. a casa e todos os bens foram confiscados. Orou pedindo perdão enquanto se esvaia o sangue e a vida do corpo. Entendendo-lhe o desejo. Sofreu. Por sua generosidade foi enganado. Apesar do estado enlouquecedor. de todo o sofrimento. com ossos quebrados e expostos. Os encarnados não imaginam o poder da prece.. conseqüentemente. e voltou a fixar em outro ponto. Laryel havia indicado outro espírito para ser auxiliado e. fragmentada. Diante do desespero.. De posse da Bíblia. impressionant emente. Não teve coragem de contar à esposa e ao s filhos que passariam a viver na miséria. mas foi fraco e incapaz de suportar a provação. Desapontado consigo mesmo e desesperado. técnic o naquela tarefa. Apesar da aparência horríve l. levando-o para junto do grupo. Acalme-se. Os que utilizaram armas de fogo. Tinham o peito ou o tronco inchado e queimando. Ela olhou para um dos socorristas.perguntou Sérgio. Chorando compulsivamente.. Deus assim o quis e sua pena foi abreviada e agora o vemos em co . revivendo a cena do instante em que se suicidaram. Os que estilhaçaram a cabeça com um tiro escutavam repetidamente o estrondo que e stourou seu crânio.. A espe rança aliviou suas dores e as preces da esposa. As energias mentais apresentavam-se extremamente fortes e a aflição imperava. Católico. além de receberem as vibrações fortes e visualizarem as imagens dos outros suicidas experimentando as mesmas dores. Era religioso.. mas é Deus quem julga e encontra circunstâncias que diminuem o grau de responsabil idade do culpado e. O sangramento já vai parar . foi humild e. o seu período ou tempo de punição. aos quarenta anos. entendeu seu erro.

Em determinado mom . incluindo cegueira. à loucura. A documentação protegia futuros processos judiciais contra o laboratório fabricante. Apesar de envergonhado. que revive as cenas do suicídio e o desespero na fornalha. Sua situação ficou ainda mais deplorável quando a família decidiu pela c remação. algo comum nessa idade. A idade não importa. Por essa razão seu tempo de penitência foi abrevia do. ao saber que o remédio p oderia causar aquele desgosto pela vida. Ele percebeu os sina is anormais com o uso do remédio. Possui vaidade em seu coração e orgulho. problemas sérios no fígado. houve um efeito no campo biológico causado pela medicação. deformidades por má formação fetal nos futuros filhos. Sentiu-se deprimido. Cientes dos possíveis efeito s colaterais danosos. Os responsáveis diretos ou indiretos q ue o levaram a esse ato serão punidos pelas Leis de Deus no devido tempo. Esse irmão tinha quinze anos quando diversas espinhas e acnes co briram seu rosto. Ainda que a matéria corpórea não exista. ele mal pensava em Deus nem rogav a amparo. Ainda possuía o crânio estilhaçado pelo tiro e pedaços do cérebro e xposto.ndições de socorro. por vaidade. Mas era um garoto . os pais seriam os únicos responsáveis. não teria prescrito tal medicação. Os socorristas o envolveram. condenado por essa relig ião. com recursos próprio s. Aos poucos ele se acal mou e puderam notar uma vaga recuperação das faculdades ao olhar em volta. Uma série de atenua tes. Não se desprendeu do corpo o que acontece com muitos e. o jovem era alegre. o médi co aconselhou o uso de um remédio proibido em diversos países por seus possíveis e inúme ros efeitos colaterais. mas percebia-se a carbonização dolorosa. mas. planejou o suicídio antes de consumá-lo. triste e se negou a procurar ajuda. Ele poderia ter procurado os pais e conversado. concentrou-se no sofredor colocando-lhe a mão na fronte. depressão entre outros. Embora ele não tivesse predisposição ao desequi rio mental. foi vaidoso e não procurou ajuda. Tinha meios de procurar ajuda profissional. o reflexo horripilante das s ensações caracteriza-se no perispírito. mas não o fez. plasmando o perispírito como vê pelo que vivenciou e mais o impressionou. Não conto u aos pais nem procurou ajuda psicológica por seu orgulho. Se o médico fosse mais responsável e instruído. Além disso. Est ar ligado ao corpo físico durante a cremação foi uma experiência terrível! Ele sofre inten so trauma e aberração das faculdades como um demente. outros espíritos eram socorridos e postos perto deles. a responsabilidade é proporcional às condições em que se deu o erro.defendeu Sérgio. Gemeu até f icar como que anestesiado pelas providências da benfeitora. deprimido pelo efeito da droga existente no medicamento. A famíl ia era católica e ele sabia que o suicídio é um crime terrível. falado sobre os pensamentos de morte. você sabe . porém passo u a ficar quieto. sem m ais informações sobre o remédio nem desconfiança por tantas assinaturas em documentos pa ra arcarem com a responsabilidade. Os pais precisaram as sinar diversos papéis para autorizarem o uso da medicação pelo filho. do estado horrível e do desespero. Mesmo tendo faculdades bem desenvolvidas. Não demorou e outro espírito foi trazido. mas não o fez por vergonha. . Poderia ser mais. não se vendo morto. ou seja. Está neste estado há quinze anos e terá muito que harmonizar. a falta ou o crime. porém mal os leram . inclusive o efeito da medicação no organismo.surpreendeu-se Sérgio. Se os pa is tivessem mais e verdadeiros esclarecimentos. contando: Como sabemos. Todos esses anos?! . sentimento que muitas v ezes chamamos de vergonha. Apesar do arrependimento. oferece a misericórdia de Deus. A grosseria cruel dos colegas que o humilhavam constantemente e sua insatisfação pessoal fizeram com que a mãe o levasse a um médico.tornou Laryel com brandura. Sua deplorável condição de suicida era impres sionantemente infeliz. Tinha conhecimento de que o suicídio é um ato terrível e ignorou. Ele ur rava estridentemente ensandecido até que Laryel se aproximou e. tentava animá-lo apesar da dor. por vergonha. contando o que sentia.Enquanto Laryel esc larecia. Imprudente. bem como o médico por quaisquer danos na saúde do usuário. ignorou os instintos. Outros lhe prestavam c uidados quando ela se afastou e tornou a Sérgio. não comentou nada ou poderiam su spender a medicação e suas acnes voltariam. Tanto que. as inspirações de espíritos elevados e deu um tiro na cabeça com a arma do pai. Sem procurarem uma segu nda ou terceira opinião de profissionais mais experientes e até de outras áreas. de tristeza e falta de vontade de viver. Cada um é julgado por suas obras. entendimento e cert o grau de elevação espiritual. o remédio não seria usado. os pais adquiriram a medicação muito cara e o fil ho passou a usá-la.

Um espírito enfraquecido. Deus o abençoe por tudo.. . Jesus o envolva. mas em seu íntimo experimentava forte emoção. em difícil condição... Socorreram outro espírito que se suicidou se atirando de um edifício ao saber que tinha uma doença muito grave. Sérgio procu rou acomodar-lhe as mãos. Dentre todos os socorridos. do estado deplorável e p avoroso de seu corpo espiritual cujos órgãos genitais sente em brasa. Mas não tem fé em Deus nem o coração puro. Pensativa. sofreu todas aquelas misérias do lugar por mais de cem anos. Pobre irmão! lamentou piedosa. Ele se prostra de joelhos em penitência. Laryel já havia providenciado e fornecido recursos próprios para a materialização de objetos de socorro que adquiriram contornos propícios e definitivos como maças e cob ertas impregnadas de invisíveis energias medicamentosas e calmantes. Preso. após alguns passos vacilantes. fazendo-o parar. meu irmão. Ele vivenciava sofrimentos infernais e tinha toda a organização perispiríta deformada..chorou com lágrimas abundantes.. De imediato foi amparado e abrigado pelos braços de Sérgio.. Dói muito. Por i sso e devido a sua postura mental.. incurável e de processo doloroso. as ânsi as e regurgitava substância fétida. Indefinida emotividade dominou os sentimentos de Sérgio que. Oferecendo grande pausa. ele se prontificou a cuidar do espírito que trouxe nos braços como um ente querido. orientando: Agora descanse... pedindo Seu perdão e.. o que não aconteceu. Não tinha o crânio esfacelado como quando chegou. ora desesperadamente e invoca perdão para sair deste vale tenebroso. Deus! ... Sem expressar-se comovido. Movimentando-se lentamente.. Aquele espírito está aqui há mais de duzentos anos. É possível que permaneça nestas trevas por mais tempo e somente a re encarnação compulsória. pois o socorro já começou. Fique t anqüilo e pense em Deus. fraquejou. assim as providências para o socorro serão mais ágeis.. procurando dominar as lágrimas. Prati cou vários estupros e matou suas vítimas. tire-o daqui.Ergueu-se com esforço. murmurou ao sair engat inhando do esconderijo: Oh. Laryel olhou em volta.respondeu. mas. enforcou-se na prisão. embora houvesse du as perfurações que sangravam em sua cabeça: uma pela entrada e outra pela saída do tiro com o qual se matou. Não d emorou para se arrepender e se concentrar em verdadeira prece a Deus. Obrigado. O espírito aceitou e Sérgio prosseguiu com o processo de auxílio. As mãos sujas e magras daquele sofredor seguraram repentinamente as mãos de Sérgio. . O que deseja é livrar-se do sofrime nto agonizante. Obrigado. pareceu averiguar as imediações e depois pediu a Sérgio: Venha comigo. perguntou como pai amoroso: Alessandro?.ento. ela apontou: Veja ali. meu irmão. Ele vê a imagem de cada uma de suas vítimas implorando misericórdia. Abençoe esses anjos de socorro.. provavelmente. Faça uma prece. Sairá daqui. Obrigado Senhor. Fitando-o com profundo agradecimento no olhar. perplexo com o imp acto das idéias ligeiras. A prece . o espírito suicida falou num sopro: Minha cabeça dói. Você é o Alessandro. Enquanto Laryel só observava.Não longe se aproximaram de uma caverna rasa onde ela direciono u luz baça que irradiou de sua mão. Ainda sentia arder às vias respiratórias com os pulmões queimando. o irmão se sentirá aliviado. Tenho frio. Escuto o disparo... Em breve. abençoe meu pai po r enviar esse irmão de luz para me socorrer. que permitiu. impregnado da matéria nojo sa do lugar e desfigurado encolhia-se tal qual criança assustada. mas virou-se e f ixou-os com expressão surpresa. sufocante das cenas que revive do suicídio. E você? Meu nome é Sérgio . filho do doutor Édison? Sou eu. Deus. que o levou para junto d os outros.. Sérgio. sussurrou: Obrigado. o que ele não teve. humildemente. Um sentimento muito forte invadiu Sérgio e pedindo a Laryel. uma oportunidade de reparação. Enqu anto oferecia os cuidados. Logo trouxeram o espírito de uma mulher que se afogou prematuramente por causa do desencarne dos pais e com o intuito de reencontrá-los.. observando os abnegados socor ristas em ação. Deus há de recompensá-lo. aquele espírito suicida era o que se encontrava em melhores condições. reconhecen do o erro.. assim como at aduras para cobrir lesões e material adequado para algo como que primeiras higieni zações das impregnações nos corpos espirituais dos socorridos.

explicou um dos auxiliares socorri stas. Para alguns serão necessárias i eras reencarnações para aperfeiçoarem o corpo espiritual e físico.Nesse momento. entonando amor e agradecimento sublime: Senhor Jesus. a tênue claridade emanada de Laryel. espera pelo socorro Divino. Após a breve interrupção do diálogo em forma de prece.de sua família o auxiliou com forças que o sustentaram. A benfeitora transcendeu ainda mais. e m total confusão mental e extremamente desequilibrados. esqueciam-se de Deus. recolhidos na fé da bondade de Deus. revolta e indignação por se prenderem àquele vale extenso de lodo repleto de su bstâncias de matérias espirituais em estado putrefato. Será preciso muita elevação e enriquecimento da mente. nas provações difíceis. em todas as particularidades. muitos outros irmãos infelizes aqui permanecem sofrendo os reflexos mentais da desgraça ardente. Me stre do amor. utilizados com a finalidade de livrar os espíritos socor ridos de impregnações oferecendo-lhes um pouco de alívio mental. a o tempo que a comitiva sentia-se fortalecida com a ajuda vinda por projeções de espíri tos invisíveis a todos. hoje esses irmãos estão preparados para a redentora libertação de ssas trevas. Enquanto isso os demais suicidas que podiam ver a atuação de socorro naquele luga r. o desejo de reparação. Viam-se. os espera. excelsa m inistra do socorro. A s eguir. em direção do bem fraterno e reparador. Os espíritos suicidas socorridos que tinham mais consciência oravam e agradeciam incessantemente o auxílio servido com valoroso amor mesmo com as sensações das impressõe s dolorosas que ainda sentiam. da ininterrupta e prolongada tortura desse infortúnio. Permaneceu naquele ciclo inferior por oito anos. a justiça da própria punição mental. Aqueles que reconhecem. mais insuportável na expe riência terrena. . mas com considerável alívio pelos passes salutares re cebidos como um bálsamo para suas condições. na consciência e sem culpar os outros pela falta c ometida da qual a criatura é a única responsável. ou passes. a humildade e a paciência para o socorro e o progresso da condição mental por meio da pr ece. aliviando seu sofrimento e d iminuindo sua punição. Terão a penitência e afl ição diminuídas. na paisagem tenebrosa e aflitiva. para saírem dali. de indescritível sofrimento e l oucura. o despertar para o orso e o arrependimento. esses serão socorridos. resignam com paciência e. Lágrimas sensíveis b rotaram dos olhos de alguns. angús tia. apesar de todo sofrimento. entregam-se e co nfiam a sua existência à vontade de Deus. é de todo coração que suplicamos em favor desses irmãos em condições a ropriadas de socorro hoje. . cada órgão do rpo físico no instante e após a prática do suicídio . fraqueza no momento em que consideraram mais difícil.A emoção generosa pela doce e tocante inflexão de Laryel envolvia todos da comitiva. Laryel demorou-se ao circunvagar olhar triste e piedoso após o término da movimen tação de energias. porque a morte não existe e a ausência do corpo físico não é o fim dos sof tos para o espírito. expressou-se generosa: Sabemos que o Pai da Vida nunca fecha a porta àquele que se arrepende e lhe ren de culto sincero em pensamento. Cada um reagirá ao soco rro de forma diferente. Breve intervalo e a benfeitora desfechou: Jesus. pausadamente. Com bondoso olhar. a elevada e ntidade prosseguiu. dispostos às harmonizações e reparos. Senhor. a prestimosa benfeitora fitou todos que a acompanhavam e t ambém os socorridos como mãe que confere e observa os filhos queridos à sua volta. Rogamos por Suas bênçãos misericordiosas para nos sustentarmos na humilde tarefa de socorro à qual nos devo tamos. somos meros aprendizes de Teus Divinos ensinamentos. psíquico. cujo rompimento dos laços da vida corpórea foi partido ru de e voluntariamente por razões e idéias que não nos cabem julgá-los pelo desespero. . As mentes desses irmãos estão presas ao formato de união de cada célula. inclinavam-se a expressões de ódio. Outra jornada. de S ua justiça e bondade. uns mais rápido que os outros. espíritos brutalizados que lutavam e gritavam imperativos e arrogantes para serem levados. intraduzivelmente bela. Alguns. Seu calmo semblante reluzia sua natureza superior e sua fronte ligava-se ao Alto por fio luminoso. aumentava gradativamente até alcançar um jorro intenso de luz. E é por eles que imploramos bênçãos para a constituição da consciência. a fé na bondade e na justiça de Deus. Tal comportamento e sentimento os detinham por mais tempo na quele vale de suicidas. na esperança de se projetarem na evolução moral e espiritual. apesar de repelidos por algo como um campo magnético. Mestre amigo. inclusive os socorridos.

. Alessandro será seu protegido e.. E a Débora?. Senhor Deus. rogo modesta participação em socorros como o real izado hoje em nome do Mestre Jesus. Nossa querida Débora. Sua humildade. A emissária de amor silencio u.A inflexão verdade iramente sentida revelava sua elevação: Com fé e amor. Deus oferece tudo a seu tempo . a compreensão. em ou tros momentos no plano espiritual. Agradeço. ela providenciou a retirada de seu grupo e partiu rapid amente na direção do alto. Laryel conduziu Sérgio e ministrou-lhe en ergias que dispersaram todos os fluidos obscuros que ainda pudessem impregná-lo. Usando de recursos peculiares. Reco rdará de modo fragmentado o que for preciso para sua tarefa e propósito no bem. Em seu quarto.. nesta oportunidade.murmurou Laryel docemente e emocionada.expres sou-se emotiva e em tom piedoso.. encarregou -se de levá-lo de volta até sua casa. a benfeitora cerrou os olhos mantendo-se vincu lada a forças magnéticas de planos superiores. Com suprimentos e auxílio de entidades elevadas e imperceptíveis.. se fortaleça e se reconheça capacitado. Permita-me atuar ao lado da filha da minha a lma. incomparáv el e. Confie em Deus. . . Se possível. falou: Como lhe sou grato!. Olhando-a longamente e com generoso carinho. * * * Para outra esfera da espiritualidade. Temporariamente a bênção do esquecimento é necessária. Faça preces para que o Mestre Jesus enderece Seu olhar de misericórdia a ela nes sa fase evolutiva. peço forças para a ta refa abraçada. A pós recompô-lo de benefícios fluídicos revigorantes. até que tudo se reverta e ela seja a sus tentação. Perdoe-me a i mperfeição e. Mas seja feita a Sua vontade e não a minha.Raios de luz irradiados do peito de Laryel brilhavam em torno do grupo socorr ista envolvendo todos. sabe disso .lágrimas o interromperam.emocionou-se. pelo entendimento. ele agradeceu como numa prece: Obrigado. rogo rever o espírito Alessandro. Tenho certeza de que a experiência desse trabalho abençoado no socorro fará com que mude a postura mental. realizarei o trabalho ao qual me propus. Abraçando-a com terno carinho.disse em tom preocup ado.. mas humilde e respeitoso. sensibilizada com lágrimas de júbilo. Pai. pois agora entendo a motivação e o auxílio que recebi. tal como uma redoma protetora. sou eu quem lhe deve gratidão. pois foi para esse fim que Débora reencarn u: para ajudá-lo e serem felizes. Em nada adiantará ou ajudará qualquer informação. beleza suave e sublime eram nobres na aparência jovial... para ser o sustentáculo e a compreensão. Meu amado p ai espiritual.. sa bedoria e fé.. Sorrindo com meiguice. Será preciso que você se fortaleça para reencontrá-la com harmonia e paz. avisou: Nós nos encontraremos com mais freqüência por conta de tarefas em nome de Jesus e. amorosamente.. era exposto a sua capacidade de conhecimento.Luminosidade emanava-se pulsante e cristalina. Sinto que ela precisa muito de mim . a inspiração e o apoio. Deus.. orientou: A ignorância de alguns fatos da vida é por bênção. Cujo amparo não sou dign eceber. Vo cê tem conhecimento dos fatos de outras experiências da vida terrena e espiritual no desdobramento durante o sono. da melhor maneira dentro de todos os meus esforços a fim de reparar minha imperfeição pel a inclinação às influências inferiores. Sabe como eu a amo. encantando ainda mais sua figura.. . ela mesma. Sérgio ainda estava em desdobrame nto e sabia que retornaria ao controle de seu corpo talvez com vagas e confusas lembranças da tarefa. no semblante imperturbável. Mesmo assim continuou sob o efeito de jubi losa emoção: Agradeço o amparo e a revelação desta filha do meu coração. Há mui to para se desvendar do passado e. Pai da Vida! Agradeço a oportunidade de t abalho e o aprendizado. muito será esclarecido. pela oportunidade sublime. pr ovavelmente permanecerá considerável tempo na espiritualidade onde poderá ajudá-lo com i nstruções.. . . Querido Sérgio. rumando para colônia espiritual apropriada para a recomposição e regeneração dos socorridos. razão de sua elevação à custa de incansáveis trabalhos no bem.. Com resignada fé. certamente. pois sem algumas preocupações nos elevamos moral e espiritualme te.. respeitosamente.

que se entregou à fragilidade do adormecimento verdadeiro sendo generosamente auxiliado a regressar ao corpo i nerte com sono profundo e regenerador. Retornando. sentia sua falta. Era final da tarde e.. Apesar da inexplicável sensação desagra-dável pelo vazio. sentiu-se diferente.Conversando com Jesus Sérgio transformou profundamente a sua postura mental. Passou a maior parte do dia conhecendo lugares interessantes. Agora rogo que o Mestre Nazareno o envolva c om sustentação para continuar na jornada com luz na consciência e paz no coração. Permaneceu sorrindo por tempo indeterminado e sentindo-se mais leve. Leva ndo-se. seu sorriso luminoso era constante e o som de seu riso gostoso era cristalino e verdadeiro. Algumas horas depois do almoço decidiu ir embora. andou um pouco e sentou-se em um relevo próximo à água que refletia os últimos rai os do sol se pondo no horizonte. percorrendo poucos quilômetros. reflexões. não queria pegar a estrada à noite. Senhor Jesus.Beijand o-o na face. 28 . Porém não se permitia à demorada lamentação.. olhe por mim. desfechou: Agradeço ao Mestre Jesus por nos conceder a bênção de trabalharm os juntos como já fizemos no passado. Toda a visão era encantadora..pediu em tom de súplica. pai querido. delegava soluções aos propósitos de Deus. pois quero continuar com empenho e trabalhar em Seu nome. tinha uma postura imperturbável diante de problemas preocupantes ou situações desagradáveis e imprevistas. Sérgio fixou olhar no indefinível azul e re presentou mentalmente a figura do Mestre Jesus como que o observando. talvez. Ainda trazia no coração a ferida do amor inexpri mível por Débora. assim como amo você também. no espaço ilimitado p ela extensão indefinida que chamamos de céu. que não lhe respondia com . Laryel colocou a destra suave na fronte de Sérgio.Algumas necessidades aumentam o valor pela vida e o reconhecimento das mínimas oportunidades.. Encontrava-se só. Olhando para o sublime firmamento.. Uma montanha distante d o outro lado da margem era escurecida pelo início do entardecer e oferecia um toqu e especial àquela paisagem. A fonte revitalizante que o sustentava nas decisões e atitudes coerentes era sua determinação em meditar e analisar os fatos com fé raciocin ada. Dê-me forças. a atenção e a disposição fraterna estivessem sempre presentes em suas ações. costumes diferentes e observando a tra nqüilidade do povo local. ponderações e contemplações às quais se r ecolhia para uma saudável conversa e agradecimento a Deus. A natureza era d e uma beleza extraordinária! O lugar oferecia um precioso silêncio inebriante. caminhou até o carro. sem ansiedade ou desespero. olhou mais uma vez o cenário esplendido e admirou o ca pricho de Deus. Cuide dela por mim . humildemente rogo. Certo dia. magnífica! Os matizes coloridos do céu espelhavam-se na água passiva e brilhante. embora a humildade. considerações ao estudos para conhecer as verdades libertadoras. Estou cuidando. Sérgio dirigiu por uma auto-estrada chegando a uma cidadezinha cercada de represas e montanhas. Ela aprenderá muito. Seu belo rosto tranqüilo figurava-se com um retoque de nobreza majestosa. por sua determinação e sinceridade ao fazer uma terapia com o Psicólogo das almas . Repouse. beneficiando-se de forma incrível desde quando passou a refletir e agir conforme o que aprendia nos ensina mentos da filosofia espírita. ocupando-se sempre com algo produtivo. comuns ao cotidiano. somente se a e resignava. Algo natural das forças fluídicas superiores que alcançou em caráter de nova postura moral ligada ao alto pelas: meditações. nas quais não lamentava. Eu a amo em todo o meu ser. Sempre sereno. Olhe por todo s desse mundo. o qual tirou para seu descanso. Em preces. Minutos de profunda meditação e murmurou ao final: Senhor Jesus. Sérgio não se entregava à dolorosa solid trazia o semblante sério e sisudo.. Tudo se tratava do reflex o de sua aura iluminada. Ao contrário. pela Débora. . não re sistiu e estacionou o veículo após sair da estrada. direcionando suas energias ao trabalho digno e sadio. Extas iado.

. Nã posso correr a vida inteira atrás dela e. Logo em seguida uma outra paci ente telefonou e. seguindo por este corredor! .riu o outro. além de acompanhá-lo nas tarefas espirituais durante o sono.. E até agora não chegou. Ainda sob o efeito do riso. doutor! . Então você me chama. como se houvesse superado e nenhum sent imento o incomodasse. Talvez eu esteja lá quando a pa ciente chegar. você fala de um modo bem tranqüilo. que acabava d e desligar o telefone. mas imperturbável o rapaz respondeu: A Débora desapareceu completamente.. Conhecendo seu ponto fraco. Vou até a sala do doutor Édison.. por favor. como está? Não sei. Não quero ter alguém ao lado só por ter. ela avisou: Doutor.falou rindo ao indicar a sala onde ele atendia. por favor? A moça sorriu e correspondeu a brincadeira: É a terceira sala à direita. mas acho que vou procurar um cardiolog ista. O trabalho. Levantando-se e cumprimentando-o o médico indicou uma cadei ra frente à sua mesa para que se sentasse. Busco harmonia e concentraç tarefas úteis. Não sinto nada. pois acabei de passar uma lig ação. porque sei que procurarei na outra pessoa a Débora que ela não é.. Diga-me uma coisa. Então eu comentei sobre a desistência nesse horário e ela avisou que estava vindo para cá. foi surp reendido pela secretária que o chamou: Doutor Sérgio! Eu! . o próximo paciente ligou a visando que não poderá comparecer e agendou novo dia. Penso que. doutor. Certa ocasião. pode repetir.murmurou ao bater na mão o cartão com os dados básicos da paciente. Obrigado. perguntou: Sou o próxi mo?! Não ouvi o número da sala.Brincando. Certo. Não vou me envolver em experiências frust rantes. Você tem a ficha dela para eu pegar a pasta lá em minha sala e dar uma olhada? Está aqui! Observando o nome. Está em sua sala. menino! . devolveu-o para a secretária e perguntou: O doutor Édison já chegou? Chegou sim. Não tive qualquer notícia apesar de procurá-la. o que você sente pela Débora? Amor .. Talvez se atrasasse um pouco. De um modo que não sei explica r.. A companhia de Sérgio sempre era bem agra dável ao senhor que logo perguntou: E a pós-graduação. Em s eguida. Após rirem.respondeu firme. Primeiro por estar muito ocupado e segundo por não aparecer ninguém que me int eresse. Não namorou outra moça ou?. pois ela sabe como fazê-lo. E por amá-la de verdade... Pode deixar. Sérgio recordou-se imediatamente da paciente e perguntou: Sabe me dizer se a mãe virá junto? Ela não disse nada a respeito. Talvez ao telefone. mesmo se fosse após o último atendimento. dói muito! Contudo eu busco esperança e fé. como está? Ótima! Excepcionalmente esclarecedora e abrangente em detalhes que não foram tota lmente abordados na graduação.brincou Sérgio. Sérgio a abriu e entrou a pedido do médico. Não nego que exp erimento um grande vazio. Sérgio. Após leves batidas à porta. Silvana.prontificou-se a moça. Sérgio saiu de seu consultório sorrindo e brincando ao acompanhar um de seus pacientes até a recepção e à porta de saída. . Não zombe de mim. Bem. eu respeito à decisão dela e não vo incomodá-la com minha simples presença se voltarmos a nos encontrar. Dói! Às vezes. se quisesse me ver novamen te. a clínica e o curso de pós-graduação prosperavam e ele prosseguia sentind o-se mais estabilizado.. daria um jeito de me encontrar. Em nome desse sentimento tão intenso.. não a esqueço. ..palavras. ao se aproximar do balcão de atendimento. Porém insistiu: E a vida amorosa? Com semblante sério. o médico indagou: E o coração. se essa é a vida planejada para essa etapa evolutiva.. qu e seja feita a vontade de Deus. Não. implorando para que o senhor pudesse vê-l a hoje. contudo enviava-lhe Seus mensageiros de elevada estirpe espiritual pa ra protegê-lo e guiá-lo. parecia aflita.

não respondia às perguntas. ela o segurou pelas vestes na altura do colarinho. Com voz firme. Aca lme-se um pouco para eu entender o que está acontecendo.Naquele instante o telefone tocou. . Deixe-me ver suas mãos? Marina o encarou e ainda com voz de choro. Mas me solte para conversarmos melhor.Ela não obedecia e curvava a cabeça. ao segurá-la pelos ombros: Venha. A inesperada atitude. farei tudo para aju dá-la. o psicólogo livrou-se do abraço. deixou-o perplexo. Levante-se e se acomode nesse divã para conversarmos. puxou uma cadeira e sentouse ficando à altura da paciente. Não! Não! .. Sérgio pediu licença ao médico e foi para sua sala. Veja como sua pele mudou? Já aumentamos o tempo entre as s essões de terapia por se sentir ótima.gritou. Preciso de você. pele e olhos claros. Quero morrer. cabelos loiros. mas a certa distância. perguntou: Como você está. Marina. Pode me soltar! Seja lá o que aí estiver abalando. São pensamentos!.. Eu quero ajudá-la! Olhe para mim. Em seguida. que o envolviam: Calma.. Subitamente Marina se levantou e abraçou Sérgio com toda a força que possuía. pediu para que ela se acomodasse e ligou determinado equipamento que a jov em não percebeu. Isso me faz pensar coisas erradas!. ao chegar ao seu consultório e olhar para a jovem.. Usando de força controlada. . me ajude pelo amor de Deus! Tire isso de mim! Sérgio sentiu seu peito doer e um mau pressentimento rodeava seus pensamentos. pediu.. Não sei se me entende. O que a incomoda agora? Estou confusa. Tentou saber. Abafand o o rosto em seu peito. Isso não foi nada. espre mendo-lhe os dedos até ela soltá-lo depois de um gemido de dor. Não sei! . Sérgio jamais imaginou vivenciar tal situação. Marina. Mil idéias passavam rápidas por seus pensamentos.. Marina? Que pensamentos são esses? Morte.. ele fechou a p orta. Era al ta. Tratava-se de uma bela jovem de dezessete anos. vamos! . viu-a tra nstornada e com o rosto inchado pelo choro.. doutor! Antes que eu faça uma besteira. Mas.pediu enquanto tentava livrar-se de suas mãos delicadas. rapidamente. Consegui esconder de todo mundo o que sinto. porém sereno: Marina. mas alguns começaram a me achar estranha e por isso choro escondida. Não a diantava ser educado. Marina. Não queria machucá-la. Ele permaneceu equilibrado e sereno. pediu enquanto puxava-lhe os braços. a jovem murmurava entre os soluços algo que ele não consegui a entender. Marina? O que a trouxe aqui tão de repente? Pondo-se a chorar compulsivamente.Ela se deixou co nduzir e o psicólogo pediu: Por favor... Dissimulando o susto. Me ajude! Só confio em você! Então me solta! . solte a minha camisa. desculpe-me. Sérgio respirou fundo. doutor! Quanto às mi nhas mãos. Por favor.murmurou entre o pranto desesperado. segurou seus pulsos e novamente falou firme. Procurando se manter inalterável. Dete stava o meu rosto deformado com aquelas espinhas! Mas agora você está bem. Estava desacompanhada e em extremo desespero. Deixando-se cair de joelhos diante dele. encostando-se nele sobre as mãos que o seguravam com força. Preste atenção. me revolta. aqui você está segu ra.desatou a chorar. deixando-o inquieto. eu sei que você pode se controlar. . Marina era menor. Para sua surpresa. Idéias!. Eu me odiava. mas não me restou outra opção por você perder o controle. tranqüilamente. sem ma chucar a jovem. a moça esfregava as mãos doloridas ao ch orar. por isso apertou-lhe cada uma das mãos que o agarrava.. longos e cacheados e fazia terapia com Sérgio há cerca de um ano. Tinha um corpo bonito. disse: Minha cabeça dói e está fervendo! Parece que existe um buraco no meu peito! Um furo enorme que gira e me vara de lado a lado! Não sabe o que é isso. no entanto tentou calmament e controlar a situação. Curvando-se. Era a secretária avisando sobre a chegada da paciente.. sofro muito! Tenho medo e vergonha! Por que. Que tipo de pensamentos? Quais são as idéias? Só confio em você! Não imagina como me ajudou a ter auto-estima. Não imagina como é. perguntando em tom amigável e tranqüilo: O que a deixa angustiada e nesse desespero? Se eu souber.. mas tudo me irrita..

pediu: Por favor. Mas ela não disse nada. É pecado. Parecia ter vivido caso parecido. por favor. Qu ero gritar e chorar sem motivo. É um remédio importado. Mesmo assim. Você não entendeu! . orientou: Marina. Sinto uma tristeza. reclamou chorando e falando muito alto: Confiei em você! O doutor Édison é médico para louco! Não pense que vou falar para ele t do o que te contei! Acalme-se. Sente-se.. Marina. A vida continua após a morte do corpo.revoltou-se.afirmou absoluto. você foi ao médico recentemen te.. Estou viva por sua causa.. Eu não estou assim porque te amo. Mas não poss o imaginar sofrimento maior do que o meu. Não agüento mais e p efiro morrer. Obrigado. mas.. Ess e estado de angústia é pela medicação que toma. para minha pele. Não tenho fome nem sono. Ouça. perguntou: Você está se alimentando direito? Não . Está desorientada e sem acompanhante. psicólogo.. não é raro o paciente ter sentimentos fortes por um médico. Sérgio teve um relampejo nas idéias e perguntou: Está tomando algum remédio? Sim.. Tudo fica pior a cada dia. passando a mão na altura do estômago. Mas sinto uma dor atravessada aqui . mas sentiu um punhal cravar em seu peito.. Cauteloso. me diz uma coisa .. pegou o telefone e p erguntou à secretária se o doutor Édison estava livre.balbuciou.gritou. ..tornou ele. Vou explicar a razão desse seu estado depressivo e pe nsamentos. Não! Você não quer me ver! Não entende que te amo! Caminhando até a cadeira.. É um sentimento de gratidão confundido com algo mais fort e. Mas?. ela pegou sua bolsa quando Sérgio se aproximou avisando : Marina.. Mas. mas sentindo certo temor em seu íntimo. trazia-lhe uma impressão de semelhança que não conse guia lembrar. porque sonho em ficar em teus braços. Em seguida. Na verdade. andando de um lado para outro. Não! . então está tudo normal. Sonhar acordada te desejando ao lado foi o que me prendeu a algum tipo de esperança e por isso não cometi uma loucura! Entendeu?! Sim.Ela não atendeu ao pedido e ele orientou : Psiquiatras não são médicos de loucos. Muitas alunas se apaixonam por seus professores. desde quando vem sentindo isso? Começou aos poucos.gritava. fisiot erapeuta. Li em livros que a morte não existe e o suicida sofre muito. Acredito que descobri a razão do que sente. O psicólogo levantou-se rápido e preocupado. Fiz exames de sangue há uns três meses e fiz ultra-som de fígado. Não tenho depressão! Você me traiu! Quer me encaminhar para um psiquiatra porque as sumi que te amo! .. Mas preciso de um médico para confirmar is so. Algo. realizou algum tipo de exame ou sente sintomas estranhos em seu corpo como a lguma dor? Vou periodicamente à dermatologista que ajudou com o tratamento contra as acnes .. avise-o de que vou à sala dele com minha paciente.disse. Deixe-me explicar. não sei dizer. Ofendida. Isso acontece por c ausa da ajuda que recebem.respondeu calmo. Você acredita no sofrimento do suicida? Acredito . naquele acontecimento. bem agitada. é uma transferência. Sérgio! Você é a única coisa que me prende a esse mundo. Insistiu e sentando-se.Breve pau sa e indagou em tom educado: Mas me conta. Sérgio suspirou fundo e elevou o pensamento em rápida oração pedindo a mparo espiritual.Levantando-se. Não quero falar com mais ninguém! Desejo sumir! Marina... Você não vai sair da clínica. Foi até sua mesa. Te nho esperança de ficar com você. Por que não me contou? Não queria que você se decepcionasse comigo. . mas aquilo nunca lhe tinha acont ecido. levantando-se... entregou nas mãos da jovem um copo com água que ela be beu. V . Mas disse que confiava em mim.. Eu entendi . espere.. Ao ouvir a resposta.falava com naturalidade . Por que me decepcionaria? Lágrimas rolaram em seu rosto quando disse: Eu te amo! Sérgio não se alterou nem se demonstrou surpreso.. .

Sérgio. Então vem! . . lamuriando em choro int erminável: Confiei em você.gritou de posse de um estilete que tirou da bolsa.. talvez.. Desculpe-me . Fica esperto .. Não queria se render nem largar o instrumento. sou eu . Niva ldo e outros trabalhadores da clínica. gritou: Segurem-na! O Sérgio está ferido! Levem-na daqui! Nivaldo tomou a frente e João ficou na sala. o doutor Édison vai embora e nós dois vamos conversar. Eu sei o que está sentin do e prometo te ajudar. Marina . após poucas batidas. pediu: Calma. Não a desejando agredir.pediu o psicólogo. quando os viu no chão. O rapaz aper tava o próprio pescoço. deixe-me examinar esse corte. É.Vendo-o tentar falar al go ainda. A jovem leva ntou-se rápido e começou a berrar horrorizada ao ver Sérgio de joelhos tendo uma mão seg urando o estilete e a outra na garganta. Sérgio foi à direção de Marina e segurou-lhe a mão. O doutor Édison aproximou-se. Sérgio. doutor Édison .. quase impensado. João e Nival do o viram lá e entraram para conversar: Eu não poderia imaginar que em uma profissão tão tranqüila corrêssemos risco de morte brincou Nivaldo. foi à joelhada . Porém a jovem aproveitou-se da oportunidade. Venha me deter e eu me mato! Corto seu pescoço e depois o meu! Sem tirar os olhos da paciente. esperando que o cansaço a dominasse. apressadamente. Calma . Num gesto rápido. ele mostrou-se calmo. Mas posso sair ou. Colocando o estilete na lateral do próprio pescoço. Marina . Ao vê-los à porta.disse o médico em tom suave. sentia-se bem. .Olhando para João falou: Não ac edito que tenha atingido alguma artéria importante. agredindo-o e se jogando sobre ele. Pensei que fosse desmaiar e morrer! Mas não foi o cortinho que o deixou daquele jeito. quem sabe. Achei que ela tivesse cortado sua veia jugular! Cara. Que joelhada?! . e o médic não conseguia ver o ferimento. ele puxou-lhe a mão para tirar o estilete de seu poder.revelou o dou tor Édison. Vim aqui porque demoraram.. Sérgio! Por que chamou esse homem?! Minha vida é um inferno e inútil e você ainda me desprezou! Calma.exigiu a jovem com voz fraca. Não. Os gritos atraíram João. mas nunca se sabe. desequilibrando-o. deixe-me ver isso! João prostrou-se ao lado e viu o instrumento afiado cair ao chão num gesto como s e o corpo se largasse. Muitas brincadeiras e piadas foram feitas pelos a migos. Olhando a própria mão ensangüentada. Ele só ria. a porta do consultório foi aberta. Não tenho mais nada de útil.argumentou o psicólogo . Você me decepcionou.. .. e o doutor Édison surgiu em meio à surpresa. Quando estava na sala do doutor Édison. Sérgio estava de volta à clínica e usava uma band agem sobre os pontos no pescoço. Uma conversa tran qüila seria bem útil. Inesperadamente. sorrindo engraçado. E a resistia. Pensei que o senhor res peitasse a ética profissional.ou detê-la e chamar seus pais para explicar seu estado. entendendo a gravidade da situação. Vamos. Sérgio. Esse é um caso em que podemos removê-lo. contorcendo o rosto para não rir.disse o doutor Édison. Não precisava falar sobre isso.João e Nivaldo perguntaram num coro. pois ela não parou de falar.. .. tentando estancar o sangue.resmungou Sérgio. Ele precisa de socorro urgente. Não tente falar nada. Fora! .murmurou em pranto.correspondeu Sérgio. * * * No dia seguinte ao acontecimento. Sérgio estava atento e viu quando a ponta do estilete fincava o pescoço da jovem determinada a cortar a jugular.. que sangrava. Minha esperança acabou e ele. você não falava nem nada! disse João. ajoelhando-se para examiná-lo. vamos fazer o seguinte: você me entrega esse est ilete. numa ação quase involuntária. Sérgio parecia entorpecido. Quero morrer. Marina se revoltou. Vamos socorrê-lo! Não é melhor chamar uma ambulância? Talvez demore e não podemos esperar.pediu o médico. Puxa.

Você não comentou mais nada. Existem ou ros medicamentos muito eficientes contra espinhas e acnes.tornou Nivaldo curioso. Mas não vou apresentá-la aos pais. Nem vi ou senti quando ela me cortou a garganta. aos advogados. Por causa de um medicamento. pois o fígado da jovem está muito prejudicado.Reflexões de um Psicólogo .. Por isso o pa ciente deve exigir o máximo de informações sobre o que lhe foi prescrito e os psicólogos procurarem saber com o que seu paciente se medica. Vou colocar um detector de metais na porta . Ao puxar sua mão la se jogou sobre mim e. mas naque le momento eu não estava clinicando.. No entanto se a moça mudar de idéia e acusá-lo de algo que não fez. mas sim testemunhando fatos que precisei depo r na delegacia onde registramos a ocorrência. e os pesadelos? Sabe que já faz tempo que eu não os tenho! Tinha até me esquecido.perguntou o médico. por ética. Apresentarei ao juiz.. No caminho. Qu sabe. Trazem efeitos sérios para grande parte dos usuários. Quer uma carona. Também estou indo.. má formação fetal dos filhos e outras c onseqüências. Quero sim! Só que vou para a casa do João. mediante a solicitação do juiz.admirou-se João. não dominou uma menina e ainda apanhou dela?! Sérgio ria ao tentar esclarecer: Não é correto dizer que eu apanhei. Pensei que fosse desmaiar. Ela estava segura ao assumir o que aconteceu.quis saber Nivaldo. Rindo. Virando-se para sair da sala. Lógico.afirmou o médico. Aí sim isso será necessário. para diversos fins. Estamos brincando. Eu tenho ética profissional. A menina precisará de acompanhamento terapêutico até se reestruturar do que fez e vão fazer um acompanhamento clínico dos possíveis efeitos que podem ocorrer. sem dúvida.. Temi machucá-la e não usei força.Espere! . Sérgio e o médico foram para a casa de dona Antônia e os outros retornaram ao serviço.pediu o médico com jeito maroto.comentou Nivaldo. Sim. o caso foi grave . Isso é culpa de médicos irresponsáveis .. Bem. Acertou-me com uma joelhada tão forte que caí pros trado pelo golpe baixo. Estou cansado e preciso ir. Amanhã você desarma seus pacientes antes da terapia! . Há dias não vejo a dona Antônia e ela está ocupada comigo. serei adotado! Em meio ao riso. Já estou bem. João reclamou: Minha mãe só teve um filho. Nada de termos de responsabi lidade. mas.riu Sérgio. o doutor Édison perguntou: Você gravou a sessão de terapia da Marina? Sim. O senhor contou aos pais da moça? .brincou Nivaldo. Lógico! . E os dois seguiram conversando sobre esse e outros assuntos. Por isso uma série de documentação para os responsáveis assinarem. Então vamos lá! Eu quero conhecer a dona Antônia! .informou Sérgio. Amanhã retorno normalmente. rindo.exclamou o médico brincalhão. 29 . desde depressão profunda. existem muitos outro s. mas foi liberado novamente. O senhor sabe. por isso perguntei.. Mas não pe nsem que só esse medicamento causa essa alteração comportamental. São medicamentos simple s ou fórmulas manipuladas somente com receituário médico.correspondeu Sérgio. mas adotou um bando de marmanjos! Se está revoltado. Nossa. Bem. precisará apresentar a gr avação. completou: Com t odo esse tamanho. Sérgio. aos pais. procure um psicólogo e faça terapia . uma jovem daquele nível tomou a titudes descontroladas. Sérgio? . . Só sinto um cansaço pelos efeitos dos remédios que tomei. despediram-se. É bom fic armos atentos a isso. Mas que joelhada foi essa?! . à promotoria..disse o doutor Édison. É uma droga muito cara e não é vendid a em farmácias convencionais nem de manipulação.. pois esses remédios não alteram a saúde física ou mental dos pacientes.. Já?! . cegueira. Esse medicamento já proibido no Brasil. Eles não sabiam desses efeitos e já suspenderam o medica ento. responsáveis por essa mudança de comportamento.

alcançava magnitudes inatingíveis aos espíritos inferiores que desejava m atormentá-lo.As vibrações constantes pelas preces verdadeiramente sentidas e consagradas. a entidades excelsas pel o poder da oração. de alguma forma. dando im tância ao ser humano. costumes etc. Para nos ajudar na caminhada de elevadas conq uistas morais. precisa ter o dom d . Vejam só. eram em vão contra Sérgio ant e seu vigoroso equilíbrio mental e o poder da prece. Por fim. não são desvend ados por outras ciências inábeis. no inconsciente de nosso s ancestrais. ao glorioso dom da centelha Divina. n o plano invisível. mas devemos admitir que ninguém tem a r azão absoluta das coisas. nós sempre rogamos condições mentais repletas de vivac idade. é por termos fé e esperança na evolução da mente. Eles estavam sequiosos e eu chamei o Sérgio para oferecer uma apresentação ou palavras de incentivo. mas que se entregariam às expiações dos próprios crim es. que sig nifica estudo ou ciência. Psicologia! Estudo da alma. As perturbações. ofereceu-lhe. mas não conseguiam pela incompatibilidade. Seu ódio desequilibrava sua organização peri spiríta. o doutor Édison comentava empolgado em uma reunião n a clínica: Era uma turma nova naquela pós-graduação. esperteza e possibilidades profissionais para atingirmos os nossos objeti vos de auxílio! Comparado.. seus seguidores o abandonavam vagarosamente. Na morfologia. O espírito Sebastião sentia imensa interferência invisível no grupamento de desencarn ados que o seguiam como fiéis soldados à disposição de seu comandante. Eu posso errar ou vocês poderão tirar algum proveito se busc arem conhecimento Alguns segundos e continuou. Talvez alguns não concordem. Ele nos emocionou e nos fe z refletir com o que falou. Ele perdia o controle e suas forças ficavam cada vez mais rarefeitas em sua mente confusa. comportamentos. Não passavam de espí itos rebeldes que. dizendo em seguida: Caros colegas. a princípio. temos lógica. Ninguém escapa aos débitos da consciência.. também vingativos. Psi corresponde à primeira divisão silábica da palavra Psi-co-lo-gi-a. * * * Em determinada oportunidade. A sua luminescência espiritual. gradativamente. em português Psique relativo à Psíquico que significa alma. do espírito. ou seja. a não ser pela Psicologia. originário do grego Psyché. auxiliada por sua ligação. inclinando-nos aos profundos estudos nessa área valoros a de uma ciência tão abrangente. Percebendo que Sebastião enfraquecia seu domínio s obre os encarnados. sublime claridade azul-radiante a envolvê-lo. A seguir temos Psico. inclusive durante o sono. não admitiam o profundo lamento pela o portunidade reencarnatória perdida. mente. e quaisquer enigmas desse terreno não delimitado. indo servir out ros líderes. Ações que são comprovadas nas mais remotas eras pré-históricas. valor à vida!. no estudo da estrutura e formação da palavra. Se nós estamos aqui hoje. Isso deixava o espírito Sebastião furioso. ou só se desgarravam e acabavam escravizados por outros espíritos de grup os hostis rivais. impostando a voz de modo a atrair atenção e consideráv el respeito pelo silêncio: É praticamente inconcebível um Psicólogo ateu! A crença em um Criador e em muitas questões sobre os 'porquês' da vida é um sentiment o inerente ao ser humano e associado à sua crença de 'algo' que sobrevive após a morte . espírito. Todos atentos às cenas gravadas pelo médico. humildemente. da mente! E uma ciência. eu só vou tentar dizer algumas palavras sobre a minha humilde Ref lexão de Psicólogo. viram Sérgio cumprimentar os alunos co m indefiníveis boas-vindas. Ampliando sua visão nessa bela ciência. a el evada condição mental assumida e praticada por Sérgio. à qual o profissional resp onsável se dedica e busca a fim de dilatar sua sabedoria. dentro do conju nto de disciplinas de um grande leque de conhecimentos. orgulhosos e revoltados. Ela explica o motivo que levou a mente de nossos ancestrais a certas crenças. Esses. que é a judar! A Psicologia é simbolizada pela figura de um tridente. por essa ser a grafia da vigésima terceira letra do alfabeto grego Psi. o psicólogo.

afirmou: Vinde a mim todo s os que estão cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. ca az de ofertar esperança e fé. apontando o caminho para o cam po da liberdade! Mansos e humildes de coração. O alívio aos que se abalam com os traumas da vida. O bálsamo m edicamentoso aos feridos da jornada. É o mensageir o de bondade dos que se prendem nas ilusões. Você é a bondade que compreende e ajuda os incapazes de amar.. Por isso. A força para os que se enfraquecem no caminho. de amor f raterno!. É a ajuda que ampara os feridos da jornada.. Você é o orientador às mentes confusas carentes de equilíbrio. É a estrela celeste c apaz de iluminar o caminho. Essas nobres palavras não são as mais adequadas às reflexões e ao silencioso jurament o moral de um Psicólogo?! Queridos amigos e colegas. de dedicação. de intuição. ao absolutismo pessoal e infl exibilidade. E o auxílio dos que suplicam entendimento. E a fortale za que impede muitas criaturas aos despenhadeiros das sombras.. E o futuro aos que se relegaram aos precipícios do passado. Mesmo como aprendizes. aliviamos os corações sofridos. sempre. É o vento que faz o pássaro vôo. A compreensão aos carentes de amor e paz. O equilíbrio para os que não se sustentam soz inhos.. 'Eu tenho razão em tudo!' Nem se entregar ao marasmo de sua alma desanimada. Os matizes colorido s aos cegos de emoções sublimes. Não podemos ser indiferentes e virarmos as costas para as desgraças do mundo! Nem nos desesperarmos.. Você é a porta de liberdade dos aprisionados nos velhos cárceres do Eu. e aprendei de mim que so u manso e humilde de coração. perde ndo a esperança e a fé. há mais de dois mil anos!. foi meditando sobre tal filosofia que eu posso afi rmar: Psicólogo.. A resposta aos que pedem entendimento e socorro. secamos as lágrimas do desespero e descortinamos as influenciações dolorosas das ilusões. O sorriso que socorre os corações feridos. Nós podemos fazer a diferença! Todos nós podemos fazer a diferença diante das catástrofes da vida tomando uma postura equilibrada nos vendavais das paixões terren as. A alegria aos qu e estão desgostosos e angustiados. Você é a fonte de água para o viajante sedento no deserto. A claridade aos carentes de luz. dotados de d ignidade e compaixão. Todo extremo é prejudicial! Mas. O abrigo aos que padecem assustados e tristes. Você é a pessoa especial que faz a diferença na vida de muitos. É o coração repleto de dádivas. cuja filosofia e exempl o de amor são aceitos por incontáveis religiões e filosofias. ou seja..e auxiliar sem se prender ao seu próprio dogmatismo. para um grupo ou. É a esperança para os que pe rderam a fé. despertando para a atmosfera de misericórdia e bondade ao nosso alcance. Ele precisa sim. e encontrareis descanso para vossas almas . Você é o caminho que conduz muitos à paz. E o elo radioso àqueles que dão os 'primeiros passos'. É a fonte geradora de valores à vida. nós podemo s nos melhorar para minimizarmos e aliviarmos as dores dos fatigados e oprimidos . O recurso aos que implora m por forças íntimas.. para centenas de criaturas. Você é a direção para o aperfeiçoamento suave e edificante. também chamado de 'Psicólogo das almas'. E o dia para os que vivem na e scuridão da noite. com o que vemos acontecer.. pois se formos capazes de fazer a diferença para uma pessoa. A instituição não garante nosso profissionalismo . abnegados colegas. O benfeitor nos cenários atribulados das criaturas. Você é o bom ânimo aos que se encontram sem vontade. de sensibilidade. quem sabe. É a luz que conduz ao caminho do equilíbrio.. A paz para os desalentados da sorte. A influência benéfica aos que se afli gem pelos erros. Você é a liberdade para os prisioneiros da própria mente. independente do tempo. nós fazemos a diferença quando. O amparo aos necessitados de apoio. Eternos aprendizes. É o suprimento dadi voso que regenera e salva. levando descanso para suas almas. no dia-a-dia. cabe-nos conhecer primeiro a nós mesmos e nos devo tarmos aos chamados do mundo. tresloucados e desgostosos. Um sábio Nazareno. teremos o dom de fazer um pedacinho de o mundo ser um lugar melhor! Não importa o nome renomado ou não da universidade que nos graduou. Você é a energia aos que se sentem atrofiados pela própria imprevidência. A fé aos que perderam a esperança. como nos ensinou e exemplificou o sensato e prudente Nazareno.

Ele retorn ou um tanto inquieto e conversou rapidamente com o doutor Édison avisando-o sobre que não poderia ficar. Nesse momento. mas p ermaneceu imperturbável e. que se prontificou a cuida r da jovem. como deixou aquele 'Psicól ogo das almas'.Em pé. O médico interrompeu a gravação. Desconfiado. depois à porta da sala e conduzindo-a pediu que se sen tasse no sofá e o esperasse. chorando compulsivamente.falou receoso. Pensava em chegar. fina e fria começou a molhá-lo p orque ele demorava observando a distância. Foi então que Sérgio quase gritou ao mesmo tempo em que corre u em sua direção: Débora! . A garoa forte. ali. há mais de dois mil anos!. da nossa mente. ela o abraçou com toda a força. Não sabia o que pensar nem como agir. Vamos! Ele abriu o portão social. pois precisava guardar o carro na garagem. cada um de nós pode fazer a diferença por intermédio das aquis ições e aperfeiçoamentos de conhecimentos novos! E com as dádivas abençoadas da nossa alma . encolhida. descobriu a cabeça erguendo o rosto para vê-lo melhor. viu-a tremendo e abraçada a uma almofada onde sufocava um choro tr iste..Curvando-se. Ele estava comovido. O médico orientador e amigo valia-se dessas reuniões periódicas com a finalidade de promover afinidade entre os profissionais. viu um vulto de uma pessoa enca puzada com a própria blusa. O coração de Sérgio estava aos saltos. mas não conseguiu identificar. Com amor..honesto. está tudo bem.. O médico mostrou-se preocupado. naquelas condições depois de tanto tempo? Ao retornar. Talvez transmitindo algumas sementes de bons-frutos. Baseando-nos nessa filosofia de sensata reflexão. Levante-se. Nivaldo levantou-se e puxou para um abraço e os demais profissionais da área presentes e que prestavam serviços na clínica. Imaginou que nenhum outro acontecimento inesperado poderia surgir. convidou com voz generosa: Vamo s entrar? Fique calma. Boa noite. João estapeou-lhe as costas. Reparando em detalhes. viu melhor seu rosto pálido e lágrimas a correr por ele. cumpriment aram-no com grande reconhecimento e satisfação. Sérgio se foi. Usaremos tudo isso para o que escolhemos ser na vida: Psicólogos! O silêncio na sala era absoluto. olhando atentamente para os lados. humilde e responsável! Um diploma não tem ta nto valor como o que somos e em que nos transformamos diariamente quando admitim os novos conceitos corretos.. Posso te ajudar? Lentamente a pessoa se moveu e. atrás de seu carro. não nos dá diploma de ser humano.. ele não abriu o portão da garagem e desceu vagarosamente do veículo. tomar um banho e retornar ao h ospital. ajudou-a e pediu em voz baixa: Venha. mas não disse nada. ali est ará também o vosso coração'. Sérgio estava enganado. pedindo que telefonasse depois. a secretária os interrompeu chamando Sérgio pa ra atender uma ligação urgente. Contornou o carro para saber quem era e o que queria. Pro curando conter as emoções. Os outros continuaram conversando a respeito apesar de sua ausência. Sérgio sentia-se sem jeito. Estava angustiado e a preocupação corroia seus pensamentos enquanto ia para sua residência. Viu que se tratava de uma silhueta feminina. O que Débo ra queria. sem que esperassem. trêmula pelo frio. Após deixar Rita na casa de dona Antônia sob os cuidado s maternais da amorosa senhora e também do doutor Édison. temendo um assalto.. * * * A surpresa desagradável de sérios acontecimentos tomou todo o tempo de Sérgio naque la tarde e princípio de noite. Assim c . Ao posicionar o veículo para entrar na garagem. Esse Mestre Nazareno sabiamente disse: 'Onde estiver o vosso tesouro. mas bem sujo. ele pode ver o tênis de qualidade. usando toda a força de vontade e todo o desejo de coração... afagando-a com ternura. encosta va-se nele. esclarecimentos de possíveis dificulda des ou encontro de soluções para alguns assuntos. novas reflexões e nos reformamos intimamente deixando de ser preconceituosos. sentada no degrau do portão social e. . .

Desculpe-me. não é barulhenta . pegou-a pela mão fria.perguntou. . Abaixando e pondo-se de joelhos frente a ela. sobre a cachorrinha que ele adotou e Débora se interessou: Você tem um cachorro? Na verdade. é uma cachorrinha . Sérgio a fez encará-lo e. Não demorou e os dois estavam na cozinha.. Uma camiseta simples e uma blusa de lã fi na que quase não aquecia.tentou dizer.. Ele a levou até seu quarto e procurou por um agasalho quente que servisse. cobriu-a. Só a deixo en trar aqui quando eu ou o Tiago estamos em casa. . Fazendo-a olhá-lo.. Débora! Tudo bem? .ela sussurrou. avisou: Vou tomar um banho e já vol to para jantarmos.Vendo-a concordar. Tudo bem para você? Você ainda é capaz de permitir que eu use a sua casa e tuas coisas. Pegando uma manta.interrompeu-a com inflexão suave. admirou e pediu com mimo de alegria na voz frágil : Ai! Que coisinha linda! Posso pegar? . ap resentando vergonha no olhar lacrimoso. Eu t ambém preciso de um banho. Percebendo-o em pé à sua frente. Abaixando-se frente a ela. mas estava esmorecida. ele propôs com paciência: Vamos fazer o seguinte: pegaremos roupas l impas e quentes. .riu. Será melhor secar bem os cabe los ou pegará um resfriado.. Não. ainda estava claro . há quantos dias você não come? Vendo-a abaixar a cabeça e chorar.omo o jeans que parecia usar há vários dias. . Apesa r de delicada como sempre.respondeu com voz fraca. Estava inquieto e queria organizar os pensamentos para saber quais providênci as tomar. Débora . perguntou: Há quanto tempo ficou me esperando? Não sei. Não us ava maquiagem e estava muito magra. Seus cabelos estavam compridos. Mas quando cheguei. sentiu-a gelada. Débora.. Ele comentou sobre assuntos sem importância como a mudança brusca do tempo.. Mas eu não tinha a quem procurar e. Débora olhou-o e largo sorriso moldurou seu rosto on de pareceu acender uma chama de energia. no meio das costas. Observando se us cabelos molhados.. Adaptei para ela uma entradinha do qu intal para a lavanderia e com uma cama melhor do que a minha! . Vendo-a desorientada e com visíveis nece ssidades físicas. Eu gostaria de. deixando-a encolhida e re costada nas almofadas amontoadas. Débora não trazia qualquer bolsa. Está no lugar de sempre. sugeriu com tranqüilidade: Pegue o secador lá no armário.. Ao vê-la sair do quarto ele ligou a televisão para distraí-la. Estendendo os braços para Sérgio. perguntou em voz baixa e tom comovido ao observá-la: Débora. viu-a pálida como nunca.. Enquanto Débora se demorava no banho. Colocando a mão em seu rosto... ele se levantou e retornou sem muita demora.. Débora tomou várias colheradas da sopa quente e comeu alg umas torradas.. ele preparou uma sopa e fez algumas torra das. ajudou-a com firmeza levando-a para a sala pa ra que se sentasse no sofá. Ela se adaptou bem. seu sorriso era anuviado por uma tristeza. Não queria incomodá-lo. Toda molhada p ela garoa fria do início do inverno. Depois comeremos algo e convers aremos o que for preciso.. levantando e ficando ao seu lado ao vê-la segurar a testa com as mãos. era Sérgio quem não conseguia comer pelo excesso de preocupações e surpresa. sentados à mesa arrumada por ele. pois estou bem cansado.explicou. essas roupas molhadas te farão muito mal. grande preocupação e i ncontáveis perguntas. Acho que. Vez e outra. como diz? Oferecendo-lhe generoso sorriso estimulante. Pedindo que se levantasse.a voz da moça enfraqueceu e um suor gotejou rapidamente em seu rosto. Você quer trocá-las? Tomar um banho quente? Desculpe-me. tremia de frio. esqu ecendo-se de outras roupas que ela havia deixado lá e ele guardou em um canto do a rmário. Você toma um banho e se agasalha porque pegou muita friagem. dizendo: Venha logo! Vamos encontrar uma roupa lá no armário e depois nos falamos. com bondo sa tranqüilidade. Desta vez.

. Não pensei duas vezes e o levei na hora lá na universidade. encanta da e generosa como se o animalzinho pudesse entender o significado de suas palav ras. Podia-se trocar a água. sem raça definida. Tivemos alguns problemas e o Tiago decidiu estudar e veio morar aqui. arrumando-a como um co lchão e. Ele era bem treinado e não desceria da gaiola. Procurei um profess or da área de graduação em Veterinária. Será que não pisaram nele? Fiquei triste sim. Para eles não fazerem isso. Eu estava trabalhando n a clínica. Ele era muito esperto. apanhou algumas marg aridas e arrumou em volta dele e pediu para o Tiago trazê-lo para mim. pois minha mãe tinha o maior pavor. quando o colocava f ora da gaiola.exclamou Sérgio sorrindo. estava bem inch ado. Voltei para casa. os doi s só o deixavam passear do lado de fora da gaiola. orelhinhas triangulares e dobradas. Sabe. Mas eu não deixei. algo que fazia sem ir para o chão. ao chamá-lo. mas descartei essa idéia por estar bem ativo. Nossa mãe falava sozinha lamenta ndo: Meu Deus! O que aconteceu? Eu tinha medo desse bichinho.. Ela é enorme! Examinando-a. a cachorrinha entendia a entonação do carinho na voz. Depois o colocou lá e o cobriu com um paninho. É! Ela gostou de você! . sub ia por sua roupa e corria em seu braço até pegar a recompensa em sua mão. coloquei o Tufi como minha mãe havia fe ito e o enterrei aí no jardim. certamente. Bem. pelos lisos. A princípio. . Ou. na polícia e não teria tempo para cuidar dele. O professor queria fazer uma análise mais profunda e exames mais apurad os. Lembro que me contou que. Foi até o jardim. Mas. Entregando-a para Débora. Talvez seus sobrinhos. Ele disse que nossa mãe não conseguiu disfarçar quando o viu. Muito alegre. colocou uma toalha fofa dentro. Ela mesma pegou a bolinha e a corda. o Tufi obedecia. Acho que. ela abanava o rabinho curto com tanta força que se remexia toda p ara exibir sua felicidade ao olhar para a moça. E foi justamente naquela manhã. Isso mesmo.. deixando a cabeça de fora como se estivesse dormindo. E o Tufi saiu por essa abertura? Com certeza. eu coloquei um cadeado de segredo na portinha po r onde ele saía. mas não sabia explicar como ele foi para r no chão. Por essa razão ele ficou na ca sa dos meus pais. esta é a Princesa! Princesa.. Limpavam e escovavam os brinquedos dele. Apesar de receosa e até com medo. vi que alguém afastou as grades aumentando a abertura. brinquedos de que o Tufi mais gost ava e os ajeitou na caixa. quando meu irmão chegou à casa dos meus pais. Achei interessante saber que minha mãe chorou por ele e. Princesa parecia se contorcer de satisfação pelos carinho s que recebia. Ela é um amor! Onde a conseguiu? Eu tinha o Tufi. pois dav a um trabalho enorme para voltar quando eu não estava para chamá-lo. ela pegou um a caixa de sapato enorme. Uma espécie de autópsia? Sim. ele passeava por toda parte. jornal da bandeja do fundo e a arei a por fora sem que ele saísse da gaiola.Ele sorriu com gosto e apresentou: Débora. esta é a Débora! Tratava-se de uma cachorrinha d e pequeno porte. e sem que nossa mãe o visse. curtos e acastanhados com pequena mancha branca na garganta.. Ela olhava o Tu fi morto e chorava. mas gostava dele! C oitadinho! . A jovem conversava com a cachorrinha exprimindo voz doce. O Tiago não perguntou o que ocorreu? Lógico. Jurou que não o soltou. então. Então pedi a ele que trouxesse o Tufi. O que me intrigou foi o Tufi estar fora da gaiola e. Acho que foi doloroso. mas não o soltava.. Depois pedi ao Tiago que me trouxesse a gaiola. pois era ensinado e não ia para o chão. Eu não podia trazê-lo para cá e deixá-lo sozinho. morto há poucas horas. Somente o Tiago e meu pai sabiam o segred o. ele contou que ela chorava enquanto recolhia o Tufi do chão com uma pá. Você gostava muito dele disse em tom triste enquanto aca riciava a cachorrinha que se aquietou em seu colo. Não. mas. enquanto ele andava por fora da gaiola. comida. pe nsei que fosse pela idade. alguém o pegou e aplicou-lhe uma injeção. O Tiago e meu pai pegavam e brincavam com o Tufi sem deixá-lo ir para o chão. Você disse que iria trazê-lo para cá. Aquele ratinho que treinei... minha mãe cuidava dele. Ele não precisou olhar muito para descobrir e me m ostrar uma espécie de picada onde havia um endurecimento pelo acúmulo de algum líquido injetado.

também ajudou a alimentar essa moça e arrumou uma caixa de papelão para ela dormi r num cantinho . ele deu-lhe um banho quen te. Não satisfeita com o que o trabalho e com o que ganhava. Por quê?! . desci e olhei para a rua e gelei ao ver o pneu de um carro bater nela . contou : Não ficou nada. pois me olhou de jeito estranho por uns três dias. como se soubesse o significado! O rosto de Débora anuviou o sorriso. espere um pouco! . Aquecida. Depois de alguns anos.. aconteceram outras coisas e ela passou por momentos difícei s e o Tiago a acompanhou. mas. Esta é minha casa.. A Rita veio aq i no dia seguinte às vacinas. Você não está sabendo. deu um jeito de fazer um acordo e foi demitida da revista na sema na passada. levei ao veterinário e ela tomou todas as vacinas de que precisava e ainda o vermífugo. Há pouco tempo alugou a casa onde morava com o irmão e está com a dona Antônia.Quem faria isso? . Fui até a r ua. contou: Fora uma grande amizade e consideração. secou com o seu secador. Era engraçado.. Entrei às pressas. Coitadinha! .. um out ro cachorro de rua me seguiu até em casa e o adotamos. pois estava atrasado.. Pelo que o Tiago contou. ficou f eito uma bolinha e só no dia seguinte deu sinal de vida.perguntou em tom de lamento. . como se ela fosse minha irmã mais nova.riu. mesmo debaixo da cobertura da entrada. quase pisei essa coitad a! Parecia uma bolinha marrom molhada. mas está com um emprego praticamente garantido em um jornal. sem dúvida. Após a morte do Rogério. mas um dia ele sumiu. nada satisfeita com as injeções. A minha presença pode causar problemas en tre você e a Rita e. Não agüentei! Peguei o bichinho. eu. toda simpática. A secretária viu a cena e ficou com dó. Agora tenho certeza de que não. Foi até lá fora e deu-lhe água e resto de lanche para a pobre cadelinha. mas aconteceram tantas coisas. dando lugar a uma expressão de constrangimen to e melancolia. depois de um ano ele também s umiu. . . enfiei no carro e trouxe para casa.tornou Débora. sentando-se ao seu lado. .. deu comida e a enrolou em uma pequena manta. Ela conhecia os funcionários e fazia a maior festa quando o doutor Édison. Eu pensava que fosse minha mãe. rodeada do gelo do granizo que estava por toda parte.falou rindo.. o João ou o Nivaldo chegávamos ou saíamos. minha mesmo! Acabei co mprando-a. Vendo-a atenta ao ol há-lo. pois a cachorrinha o viu apontar para ela e abanava o pequ eno rabinho. O Tiago está mor ando aqui. A Ri ta está morando na casa da dona Antônia e se tratam como se fossem mãe e filha.interrompeu-a educado..Ele sorri u ao revelar: Jurei que depois do Tufi não teria mais animal algum! Porém aconteceu que essa madame aí .Rindo. peguei a cachorra. Teve um dia que eu estacione i o carro. Ho uve um dia em que caiu uma tempestade de granizo muito forte. O segurança. Ninguém tem o direito de me criticar por você estar aqui. referindo-se à cachorrinha . Deixa pra lá. Não tínhamos idéia de qual nome dar. comentou: Sérgio. Foi o suficiente para el a continuar rodeando a porta da clínica.pediu. acabou sendo adotada! E você lhe deu o nome de Princesa? Não. Ela não viu o meu irmão e estava chorando. Você desconfia de alguém? . Coitadinha mesmo! Assim que acordamos. Enquanto agradava a cachorrinha. nunca. tornou-se seu melhor amigo. A Rita se formou em jornalismo.disse com simplicidade. Fiquei até bem tarde na clínica e o segurança da noite estava olhando pelo vidro da porta impressionado com a chuva que caía. Mas ainda é bombeiro e trabalha à noite . entendeu? Nunca tivemos nada além de amizade e respeito. Namoraram e ficaram noivos há um mês. ao abrir a porta.Breve pausa e contou: Quando eu era pequeno.. preocupada com um bich inho de que tinha medo e. Talvez a Rita não aceite e. eu não quero atrapalhar sua vida. apareceu lá na frente da clínica e ficou rondando em torno do estacionamento.. Despedi-me dele e. não foi minha mãe. mas gostava. pois o aroma que ela exalava estava difícil de suportar. eu e a Rita não temos nada! A propósito. ela reclamava. Sim. Foi jogada para o lado e caiu estonteada ao chão. Enfim. Isso f oi ótimo. que fica cuidando do estaciona mento.apiedou-se Débora. dos cachorros. por causa da a titude com o Tufi. Aliás. começou a chamá-la de Princesa e a cachorrinha atendeu p or esse nome. parecendo entender. Débora. quase a atropelando. tirei-a de lá para outro carro não atropelá-la e a coloquei em um cantinho. . como falei e cursando Psicologia. tive u m cachorro que não me largava. Ah! O Tiago ficou todo feliz! Mesmo sendo de noite. coloquei embaixo do braço.

pois.. ele contou que. Respirando fundo. quero encontrá-la aqui quando eu voltar. Não queria falar nisso.sugeriu com gen erosidade na voz grave.perguntou aturdida. ela entr aria nas chamas para pegar o filho. dizendo: Se eu for atrapalhar. O fogo se propagou rapidamente. O ar estava sem umidade. Tudo bem . por favor.. Mas!.E você? . Se não for inva dir sua privacidade. Disseram que ou viam o rádio com fones de ouvido quando souberam do incêndio onde moravam e correram para lá. Quando o Tiago tentava levantar as telhas. Aconteceu algo bem sério e não posso ficar. se não a segurassem. . O lu gar tornou-se de difícil acesso por causa das chamas em volta. que também trazia os olhos úmidos e forçava-se para segurar as lágrimas. porém estava preocupado e curioso para obter mais de talhes. contou: Não ia dizer nada para não te preocupar.. pulsando fortemente ao debruçar suavemente o rosto sobre a cabeça da jovem. e stou terminando uma pós-graduação.expressou-se sorrindo e com modos simples. Por favor .sorriu. humilhada. fechando os olhos por não acredit ar no que acontecia. mas te devo sat isfações. uma mulher gr itava desesperada porque seu filho de seis meses estava no quarto quando os três i rmãos saíram correndo por causa do fogo. e a mulher que o via de longe gritava apontando onde era o local do quarto qu e o filho estava.. andou sobre os muros e telhado s. Se não quiser conversar hoje. Ela o interrompeu. Espere. Aconteceu tanta coisa na minha vida..avisou piedoso. Conversando com um dos colegas que estava com o meu irmão. Ao mesmo tempo. . ta! Eu preciso sair. como viu. Mesmo assim. mais de uma hora dep ois. Enquanto ele sentia o coração apertado.. Sérg io sobrepôs o braço em seus ombros. sentindo-se envergonhada. Ele sabia dos riscos. Estou levando a vida! Mais nada! Penso em fazer Mestrado no próximo ano! Lágrimas surgiram nos olhos de Débora e não demoraram a correr em sua face pálida.. Só não gosto que a Princesa suba em a cama. Contaram que a mulher estava em desespero e. mas. Aconteceu que um balão aceso e ainda com fogos de artifícios estourando caiu sobre uma favela.Ela silenciou e ouviu: Eu só peço que você durma lá na suíte. Com a ação ininterrupta dos bombeiros para apagar as chamas.. e ela falou sem encará-lo: Eu não queria te incomodar. não precisa. Eu?! . D orme na suíte.. Deixe-me explicar. Só que. Tenho uma tarefinha em uma creche.. Sérgio .pediu como se implorasse. não tem problema.. Mas.Sérgio engoliu seco e quase em lágrimas. Você está cansada e a cama é bem confortável. secando o rosto com as mãos. posso ir! Eu darei um jeito e. puxando-a para junto de si. Sérgio tinha vividos os sentimentos latejante s.concordou e sorriu. Pode ser? ! Posso dormir aqui no sofá..pareceu suplicar .. Disseram que o Tiago a acalmou e prometeu tr azer o menino. .. a garoa só chegou hoje à tarde e o incêndio foi durante essa madrugada... O Tiago era um dos bombeiros que foi para o local. Breves segundos. tudo cedeu e ele ca iu. Por que ela não pegou a criança? Ela e o marido são faxineiros em um hospital e trabalham à noite. Não. Posso ficar aqui? Não tenho para onde ir .. Os bombeiros encharcaram o local onde ele estava. Os bombeiros ficam de prontidão e bem atentos nessa épo ca do ano. posso saber o que aconteceu de tão sério para precisar sair a e ssa hora? Por que de repente você pode ter alguém que pode chegar aqui e.... ta? .. Foi com o Tiago.. guardados com todo o amor.. . Destelhado.chorou e os soluços embargavam sua voz. no local. em uma casa de r epouso para idosos e. Trabalho na clínica. sem encarar Sérg io. O outro quarto é do Tiago e não gosto de invadir a privacidade e. Débora afastou-se lentamente do abraço... Claro que pode. .. Poderá fazer isso amanhã . principalmente por causa dos balões soltos pelas festas juninas e dos c ampeonatos de futebol. Foi assim: para estudar ele conseguiu um horário para trabalhar de noite até de manhã.. O Tiago enrolou a criança em sua jaqueta .. puderam se aproximar e escutaram seu chamado e.Sérgio chorou. Bem. mas não foi suficiente. Débora! .. prosseguiu: Quase não acreditaram. ficou m ais perigoso e ninguém conseguia chegar até lá. Ela escondeu o rosto e chorou em silêncio.

Sérgio recebia orientação e amparo provide ncial do Alto.. recomend ou que fechasse bem a porta e saiu rapidamente. Débora. temia algo desconhecido aos seus sentidos limitados.. parecendo festejar uma vitória. E o Tiago?! . mesmo sem saber ao agir intuitivamente. secou o rosto e procurou se controlar. beijou-lhe a testa. Meu Deus! Como ele está?! . Sebast ião perdeu as forças quando não ofereceu mais perigo ao encarnado. Por isso Sebastião temia. Sua perna ficou presa entre as vigas e os escombros..perguntou chorando. vigiar-se e dedicar-se ao bem. Qualquer coisa. Por isso não saiu. Só vou pegar alguns documentos e. .A elevada Laryel intervém na obsessão injusta Na espiritualidade. aos vícios degradantes... dando forma às cenas prazerosas de suas inclinações à promiscuidade.quis saber entre as lágrimas e os soluços. que cederam novamente de pois de ele pegar o menininho.perguntou aflita diante da pausa. Debruçando-se sobre ele e. em nível psíquico inferior por se prender ao primitivismo da mágoa e da vingança. Energias mentais do espírito Sebastião criavam vibrações aos que o auxiliavam e os im pregnavam de idéias pouco elevadas.e a protegeu com o seu corpo. vários se guidores se afastaram daquela falange. Fui onde está internado e quero acompanhar os procedimentos bem de perto. o que equivale ao ódio e a falta de perdão. deformados. desequilib rados.. me liga no celular. Não se sabe como conseguiu tirar a jaqueta e envolver o garotinho. tribal cuja matéria fétida e nojosa plasmava-se pelas linguagens de co municação mental de palavreados obscenos e indecorosos. Despedindo-se de Débora.. Ele estava nervoso e preocupado. apresentando-se com o corpo espiritual no qual plasmavam deformid ades por seus vícios e milhões de vermes a corroer-lhes com violentas manifestações de t error. Muitos o aban donaram desde que o viram ficar sem poderes para subjugar Sérgio como vítima. O grupo que acompanhava aquele líder não era tão grande quanto antes. retiro u-se e retornou em segundos.. Seu estado é grave e ainda corre o risco de perder a perna devido às queimadur as. E pediu com ce rta preocupação: Por favor.. Alguns espíritos que o acompanhavam.. Muitos eram mutilado s. você pode me esperar aqui? Preciso ir ao hospital no vamente. à crueldade e a ta ntas outras práticas efetuadas quando encarnados. Só se for muito urgente. seguiam-no por propensão ou vontade própria na inclinação ao mal.. Não se preocupe comigo e. Os espíritos se aglom eravam.. o espírito Sebastião compr zia-se.. Sérgio chorava ao responder: Mais de sessenta por cento do corpo com queimaduras de segundo e terceiro gra us. observando a movimentação eufórica de festejo horripilante.. Em compensação. arrebanhados por suas práticas indignas quando encarnados. mas controlando as emoções. Não quero atrapalhar. Era algo como que um alimento fluíd ico que lhes dava energia inferior limitada e ânimo agressivo. por sua nova postura mental. Estarei te esperando. que assumiu nova at itude mental ao orar. Vai me ajudar se ficar aqui e me esperar. Dizendo isso. Então. Outros se ligavam ao grupo tal qual escravos cativos. O menininho de seis meses sofreu leve queimadura em um pezinho e um pouco de intoxicação. E sem aquela rou pa... à hipocrisia.. suas queimaduras foram mais graves. Em decorrência disso. entende? Claro! Se eu puder ajudar. De longe. cuidarei da Princesa. Era impossível fazer o encarnado tornar-se vítima daquela inteligência perversa. a vulgaridade.. Alguns grunhiam como animais. Soube hoje pela manhã. re pleta de vinganças e injustiças. Reservava-se.. e usavam para aterrorizar os outros apesar de intimamente serem infelizes . pulando em comemoração.. Todo aquele festejo de compo . Naquele lugar da crosta terrestre. idéias inferiores e todos os atributos de espíritos imperfeitos. Espero você ligar se puder.O rapaz se levantou.. Você já o viu? . 30 . Pode deixar. Outros grita vam enlouquecidos. o quadro era deplorável..

ele passou a r efletir sobre suas ações desnecessárias contra pessoas indefesas e mudou de atitude. Tiago solicitou experimentar o que fez muitos sofrerem e requereu desencarnar com a prova do fogo. bom e justo. aprendeu ainda mais. ferindo pessoas com os incêndios que provocou. com moral que lhe dava o direito de pedir em seu planejamento reencarnatório. Intuído. criaram Leis para a não div são do Brasil. pois a jovem atrasar ia os demais. Entretant o nem todas as vitórias são verdadeiramente vitórias. Estrategi sta. Na realidade. mas Tiago muitas vezes ficava para reforçar a segurança na estância. prova ou expiação na Terra. a disposição sincera e sem queixumes para cumprirmos determinada missão. Seu estado não se tratava da atuação de espíritos levianos e imperfe itos.rtamento bizarro era pelo acidente ocorrido com Tiago. Aqueles espíritos acreditavam ter sido o rapaz fortemente lesado com queimaduras pelo empenho de Sebastião. . em sua vida. Na atual encarnação. contrárias aos atos d esumanos. a fim de c orrigirmos o que desarmonizamos. Eles e os companheiros se separaram. Sérgio a levou co nsigo quando desertou. Lúcia e outros espíritos daquele gru po e que. Nas lutas. fizeram falta aos revolucionários quando Bento Gonçalves foi traído e fico u sem a ajuda de companheiros nos quais confiava. Tiago era um homem de caráter espiritual bom e benevolente. N a espiritualidade. Algumas vítimas desenc arnaram pelas infecções das queimaduras. é prudente o arrependimento sincero. Sérgio. mas não lhe deram crédito. Tiago tornou a encontrar Sérgio. Sérgio serviu de instrumento para. graduados dos Revolucionários Farroupilhas. naquela época. Tiago e outro desertaram ao as sistirem um ataque cruel num vilarejo indefeso. ele desejou tratar de procurar uma n ova vida ao lado de Débora e longe dali. insensíveis e tiranos do co-mandante Sebastião. Sérgio sempre seguia com a tropa. Somente assi m a consciência se alivia do remorso e o espírito se purifica e caminha para a perfe ição. eles não admitiam experimentar as mesmas sensações de suas vítimas em grande estado de perturbação. Já possuía essa personalidade no passado . No planejamento reencarnatório. perdia-se grande número de vidas farroupilhas. tentou a visar. rancor. e refugi aram-se em uma estância. inspirado a deixar aquela guerra. orgulho ou egoísmo. decidiu ser bombeiro e salvar vidas. Por não estarem em acordo co m os atos desumanos e abomináveis de seu líder. com base na Revolução. depois de ajudar muitas pes soas em sua tarefa. Um anônimo na história pôde mudar o curso dos rápidos acontecimentos e foi a isso que Sérgio veio naquela reencarnação. o que não era verdade. nas considera das vitórias. com suas estratégias militares e bem informado sobre as ações do Exército Imperial. na presente encarnação. antes de conhecer as opiniões de Sérgio. solicitou as possibilidades de a judar os semelhantes e passar por dolorosa provação para proporcionar mais harmonização na sua consciência e continuar auxiliando com bondade e amor. Por piedade e proteção a uma jovem que conheceu naquele massacre. Conforme a humildade e a determinação de cada um pa ra corrigir os erros. Por isso. apesar de vencerem. Entretanto o estranho espetáculo de horrenda comemoração pelo ocorrido com Tiago não tinha fundamento. Tiago serviu ao Exército Imperial ao lado de Sérgio. Deixou-se influenciar por encarnados e desencarnados e ateou fogo em casas. guiar a tropa para grandes conquistas. No passado distante. outras ficaram deformadas e houve as que mo rreram9. Humildemente. comandados pelo Marechal Sebastião durante a Guerra dos Farrapos. inveja. A traição ocorreu conforme Sérgio previu. Em outros tempos. Muito rancor e ódio foram criados por Sebastião. oferece condições de harmonização com as nossas falhas. No momento em que Tiago tomou conhecimento das opiniões de Sérgio. Não tinha ódio. creram que Sérgio e os desertores eram culpados por suas do res e pesares na espiritualidade. Deus. elevando-se cada vez mais. Tiago juntou-se aos Revolucionários Farroupilhas. pois. mas se desviou. que havia se unido a Débora. Tiago se deixou influencia r pelas energias vibratórias dos companheiros em meio aos gritos de vigor para os ataques na guerra. Enfrentar as situações mais diversas e difíceis principalmente às ocorrências para defrontar o fogo em razão de salvar vidas. As mortes dos farroupilhas. Quando Sérgio percebeu que havia traição e ntre companheiros confiáveis e.

E foi chegado o momento do esclarecimento e intervenção de espíritos prudentes, dot ados de bondade, sabedoria e capacidade de julgar com justiça, atuar em favor dos que trabalham, esforçando-se para o bem, o adiantamento dos semelhantes e a elevação e spiritual. No lugar onde a agitação comemorativa ocorria em uma espécie de adoração ao espírito Seb stião, lentamente um fio de luz azulada se fez rompendo as trevas. A música e a cant oria debilitante e deplorável, que agitavam todos, pararam imediata-mente. A aglom eração de espíritos inferiores pareceu petrificada diante da claridade tênue. Sebastião, com expressão furiosa, levantou-se rápido de seu acomodo, semelhante à pos tura de um rei, que se ergue do trono diante da desagradável invasão em seu castelo. Muitos espíritos, com miserável aspecto, arregalaram os olhos, apavorados com a cen a e a vibração iniciada, e por essa razão, correram, fugindo assustados sem coragem de esperar para ver. Apesar da aparência rude e grosseira, o espírito Sebastião temeu, mas não se acuou. Em poucos segundos, um grupo de entidades elevadas passou a tomar contorno vi sível àquele nível no plano espiritual, enquanto o fio de luz irradiava-se, iluminando vagarosamente o lugar e emitindo vigorosas vibrações sublimes que pareciam, limpar os miasmas destruindo as formações nojosas existentes. Os bondosos benfeitores fizer am-se presentes com nitidez às impressões dos que ficaram. Todo o grupo de espíritos s ublimados parecia nutrir-se dos raios brilhantes da bela luz e prendiam os pensa mentos em prece elevada. O jorro de luz se intensificou, como se ganhasse delicado contorno transparen te, lindo, indescritivelmente belo, transmitia puro amor. As sombras se dissipar am e reconhecível surgiu Laryel de forma translúcida, como um cristal e com toda a s ua expressão de bondade e superioridade, pois assim o era. Sebastião ficou inquieto, nervoso e agressivo, protestando ao urrar: Quem pensam que são para invadirem meus domínios?! Após gesto generoso ao inclinar de cabeça, como um cumprimento sutil, Laryel argu mentou com postura e expressão imperturbável enquanto ampliaram-se os raios de inten sa luminosidade, que se espargiam de seu contorno: Sebastião, por que o coração endurecido que insulta sua consciência, mesmo sabendo da necessidade de reparação? Quem é esse ser desgraçado que ousa me afrontar?! Sou uma criatura de Deus assim como você, mas não o afronto. Aqui estou por missão de amor - esclareceu a benfeitora com intraduzível generosidade. Vamos! Ataquem esses invasores! - berrou Sebastião. Contudo os poucos espíritos m alfeitores restantes também fugiram. Somente Lúcia, assustada, foi para trás de Sebast ião como se quisesse se esconder. Aceite a oportunidade, caro irmão. Sabe que não adianta a rebeldia. Todos já trilha mos caminhos obscuros, fomos egoístas e não aceitamos as justas Leis de Deus, que é de bondade igual para com todas as Suas criaturas. - Breve pausa e pediu serena e piedosa: Venha, venha comigo, Sebastião. Arrependa-se dos atos do passado e se pro ponha à elevação. Já perdeu muitas oportunidades de reparar os erros. Nunca! Sofrimento e dor! É isso o que tem para me oferecer! Chama de bondade Di vina o que Tiago experimenta?! - riu com sarcasmo. Sim. Eu denomino bondade e justiça de Deus. Tiago experimentará uma única vez o sof rimento provocado em dezenas de pessoas. Dispondo-se ao auxílio na tarefa abraçada n esta reencarnação, com sincero arrependimento do que fez no passado, ele só terá essa pr ova, em vez de se penitenciar ao mesmo número e grau de dores que provocou em suas vítimas. Se a lei de Talião: olho por olho e dente por dente vigorasse por desejo de Deus, o mundo estaria cego e desdentado, como disse uma grande alma muito sábia. J ustiça e bondade são as bases das Leis de Deus para os que se arrependem e desejam s e elevar. Desgraçada! Já sofri muito e me diz que ainda preciso sofrer mais! Não sabe o que e xperimentei, mas estou liberto! Não serei mais prisioneiro da minha mente! Nesse instante, o espírito Sebastião afastou-se e correu, tentando fugir. Mas ao querer ultrapassar o limite dominado por aquela claridade celeste, foi como se e xperimentasse um choque que o fragilizou e, depois de um gemido, o fez tombar. D e imediato, Sebastião foi amparado por socorristas especializados. Ele estava iner te e desfigurado. Foi recolhido com todo o carinho para, ao fim daquela missão, se

r encaminhado e preparado para breve reencarne. Generosa, Laryel voltou-se para o espírito Lúcia, que chorava, mas sem arrependim ento e sim de contrariedade e medo. Querida Lúcia, é o momento de você decidir. Aos prantos, com aparência horripilante na formação perispiritual, ela reclamou: Isso é injusto! É impiedoso! Impiedade e injustiça foram temas de suas atitudes para com Sérgio após várias oportu nidades reencarnatórias. É o momento de reconhecer e assumir suas falhas, despojar-s e dos vícios libidinosos. Tudo é confuso! Tenho medo... O que acontecerá comigo?! Piedosa, Laryel argumentou: Você só serviu de instrumento para que Sebastião tentasse desviar Sérgio da tarefa ad mirável, útil e voltada para o bem. Seu irmão reencarnou com um propósito. Ele é um espírit bondoso, sábio e prudente, por isso não se inclinou às suas cruéis tentativas de assédio para o incesto a fim de desviá-lo para o desequilíbrio. Mesmo desencarnada, Lúcia, você se deixou usar para estranhas representações que o perturbassem em sonhos. Porém, mais uma vez, o Sérgio mostrou-se digno e elevado. Será difícil atormentá-lo. Eu me atraí por ele! Egoísmo e possessividade não são amor. Apego demasiado e extremas atitudes cruéis pel o desejo compulsivo de desregramento sensual para seus vícios sexuais não são amor. Am or é renúncia, aceitação e compreensão. Foi cruel sermos irmãos! Fiquei desgostosa e morri por culpa dele... Eu não desej ava mais viver! Com doce inflexão, quase num lamento, Laryel se expressou caridosa: Pobre Lúcia. Tanto foi usada por Sebastião e por Sueli que não percebeu ser um simp les boneco à mercê das manipulações. Realmente sua existência terrena foi cortada abruptam ente e estava com vigoroso fluido vital. Mas foi você mesma quem se atraiu para es se acontecido. Se tivesse outra postura moral, não teria desencarnado tão bruscament e e naquela ocasião. Perturbou-se muito no plano espiritual, por isso não se importo u em se deixar influenciar pelas energias mentais de Sebastião, que nublaram sua c onsciência, fazendo-a crer no que ele afirmava. Questionou-se se tudo era verdade? Procurou lembrar os fatos como realmente aconteceram? Com a habilidade que lhe era peculiar, Laryel fez projetar na tela mental de Lúcia como foi realmente seu desencarne. Sem ter como fugir das cenas, o espírito Lúci a narrou em aflição: Eu estou com a Sueli!... Fomos roubadas e um dos ladrões está armado! Eles iam em bora de moto, mas ainda estavam parados ao nosso lado e... Um deles pegou minha carteira e jogou minha bolsa, mas... Não! Vejo o Sebastião influenciando a Sueli... Ela me empurrou e eu... Eu não reagi! Estava com medo! Com o empurrão que ela me deu , fui para cima do ladrão, quase caindo sobre ele e... Ele se assustou! Quando me equilibrei, afastando um pouco, ele atirou e eu caí! Eu não me matei! - um choro com pulsivo a dominou ao deparar-se com a verdade. Afetuosa, Laryel acrescentou: Desencarnada e em profundo estado de perturbação, o Sebastião nublou o seu entendim ento. Mas foi a sua mágoa, a contrariedade em seu coração, os seus desejos mundanos qu e a deixaram sob a disposição desse espírito obsessor, que conseguiu organizar uma fal ange para que uma tarefa não fosse cumprida. E pela sua inclinação à maldade, à vingança e o orgulho, você se deixou usar por Sebastião. Mas eu não sabia! O Sebastião me usou! Socorreu-se em prece verdadeira a Deus, Lúcia? - perguntou com sensibilidade. E , sem esperar resposta, Laryel continuou no mesmo tom delicado: Com as paixões mat eriais e, principalmente, as necessidades do corpo físico se ressaltando no plano espiritual, admita que foi por orgulho, vaidade, necessidade de vícios lascivos e fantasias sexuais que se deixou hipnotizar por Sebastião. Não foi somente vítima dele, mas sua aliada. - Breve pausa e acrescentou: Querida irmã, seu desencarne se deu por uma traição de sua amiga. Tal fato ocorreu exatamente como você fez no passado. No meou-se amiga de Débora e a vitimou com um tiro no rosto provocando sua morte prec oce e imediata pela lesão no cérebro. Foi capaz de pagar para que a matassem, simula ndo um assalto. Eu morri num assalto que a Sueli se aproveitou para se livrar de mim. Por quê?

Ao confidenciar para sua amiga que gostava de seu irmão, em vez de procurar aju da de profissionais competentes como Sérgio orientou, você se tornou um risco para a s idéias desequilibradas de Sueli. Ela acreditava que ele poderia corresponder aos seus desejos, Lúcia, e desfazer o namoro. Não! Não! - Lúcia passou a gritar por começar a experimentar as indescritíveis tortura morais como punição dos crimes cometidos. Após aplicação de passes magnéticos por outros t refeiros, ela se acalmou, mas ainda transtornada, perguntou: Essas outras vidas que vejo na mente são verdadeiras?! Sim, minha irmã. Tudo fica registrado na sua consciência. Teve oportunidades, mas não às aceitou. Apesar de dotada de inteligência e receber orientações nobres e amorosas de seus pais, inclinou-se aos vícios mundanos, às fantasias das paixões físicas. Usou a inteligência para o mal só por egoísmo. O ciúme, a ambição, a inveja, as paixões corpóreas mor. O que fez será de sua total responsabilidade e precisará cedo ou tarde harmonizar tudo sob a ação das Leis de Deus. Todo extremo é prejudicial e arcaremos com as conseqüências d os nossos excessos em tudo. Lágrimas incessantes corriam dos olhos de Lúcia que, muito abalada, tinha o peris pírito ainda mais deformado, soltando pedaços como se estivesse se decompondo. Estou louca! Matei os cachorros que o Sérgio teve por ciúme dos animais, pois ele dava mais atenção para os bichos do que para mim! Inspirei a Sueli matar o Tufi par a magoá-lo e deixá-lo fragilizado! Eu me vejo tentando seduzir meu irmão! Que horror! O sangue da Débora não sai das minhas mãos, da minha roupa! E em outro tempo tentei se duzir o Sérgio quando ele foi meu pai! Pare! Pare! Tenho dor! Eu estava com ódio da Débora, ajudei a separá-la do Sérgio ao me aliar ao Sebastião e influenciar a Sueli! Olh e o que a Débora passou e sofreu por minha causa! Como o Sérgio sofreu com sua ausênci a! Quero esquecer tudo! Esquecer! Não quero mais ver isso nem me ver deformada! Is so dói! Faça algo em nome de Deus! - berrava com repulsiva sensação de pavor, e chocada com tudo o que fez. E as cenas se repetiam em sua mente. Querida Lúcia, só você pode se ajudar a partir de agora - esclareceu Laryel com bon dade. Sebastião ainda se prende nas satisfações animais para o espírito. Deseja vingança. Mantém a crueldade no coração impiedoso. Ele tem muito a reparar, mas não aceitou ajuda. Não se arrependeu. Não será fácil Sebastião se harmonizar e se equilibrar por causa de su a revolta e egoísmo. No entanto você, Lúcia, pode se submeter à bondade e justiça de Deus desde já. Poderá me socorrer e me tirar daqui?! Poderá tirar isso tudo da minha mente?! O que vê repetidamente são os seus excessos, as conseqüências de suas práticas. Agora ntende que não prejudicou somente Sérgio e Débora, mas outras criaturas que necessitav am e dependiam deles e ainda os que precisariam desses outros. O planejamento re encarnatório é tão difícil de ser seguido e piora quando alguém interrompe o fluxo da corr ente de vida, produzindo causas desastrosas a uma pessoa, aos que a cercam, aos seus antecedentes e descendentes. É uma destrutiva reação em cadeia e com o uso da int eligência, algo pensado, premeditado e que poderia ser evitado. O que Deus pode fazer por mim?! Não quero ver nem sentir mais isso! Inabalável diante da cena triste, piedosamente, Laryel expressou-se brandamente : Veja o que você pode fazer por você. O que pode fazer para minimizar o que experi menta. Então a bondade e a justiça de Deus hão de auxiliá-la na harmonização, na reparação elevação espiritual. Crê em Deus? Eu creio em Deus! Ajude-me Senhor! - suplicou com sentimento verdadeiro. Esto u arrependida de tudo isso! Não imaginava que sofreriam assim!... Posso sentir o q ue sentiram!... Aproximando-se suavemente de Lúcia, Laryel estendeu-lhe a mão, direcionando-lhe e nergias salutares. Um bálsamo para o que experimentava. Lúcia sentiu-se esmorecida e foi amparada por um socorrista, mas ainda olhou para Laryel e murmurou com difi culdade: Você é um anjo... Apague isso que vejo e sinto. Ajude-me em nome de Deus. Imediato efeito calmante a dominou e o espírito Lúcia se entregou ao socorro. Laryel olhou docemente a cada um que a acompanhava. Erguendo o rosto sereno e transparente para o alto, teceu sentida prece de agradecimento. De seu contorno , raios reluziam ainda mais fortes, como se seres superiores lhes derramassem bênçãos

santificantes em jorro de luz, forças magnéticas em ondas luminosas para suprirem as energias despendidas por todos. Beleza intraduzível e contornos translúcidos irradiavam de seu semblante sublime. A abnegada benfeitora agradeceu aos elevados acompanhantes em nível de pensamento e ofertou doce sorriso enquanto sua figura, já transparente, desfazia-se suave so b a visão dos companheiros. O grupo socorrista terminou a tarefa e seguiu para local adequado às necessidad es de cada um dos socorridos. * * *

O dia havia clareado, mas a manhã estava cinzenta. A garoa deu lugar ao vento f rio e úmido. Sob o efeito da claridade sem brilho e do frio incômodo, Sérgio despertou do cochilo na cadeira do hospital. Acomodando-se melhor, sentiu o corpo dolorid o e uma rápida lembrança de tudo o colocou em alerta. Levantou-se e saiu à procura de alguém daquele setor hospitalar que pudesse lhe dar notícias sobre o estado de Tiago . Ao ver uma enfermeira, apressou-se para alcançá-la, porém a mulher informou que o médi co ainda estava no Centro de Terapia Intensiva, ou C.T.I., acompanhando o estado dos pacientes. Alguns minutos e Sérgio olhou para o corredor e viu seus pais caminharem ao seu encontro. A mãe o abraçou e estava em prantos. Mãe... Pai... - ele murmurou sem saber o que dizer. A mulher não conseguia falar, mas o pai perguntou: Alguma notícia? Você conseguiu vê-lo? Não... O médico está no C.T.I. e não deve demorar. Não acredito... Oh! Deus! Que dor meu filho está sentindo! - chorava dona Marisa. Procure se acalmar, mãe - pediu bondoso. Venha, sente-se aqui. Nós deveríamos ter ficado aqui com você - disse o senhor Inácio com olhos vermelhos p elo choro. Depois que fomos para casa, não conseguimos dormir e a preocupação só aumento u. Não adiantaria ficarem aqui. Eu não tive qualquer notícia. É necessário aguardar. Meu filho está sofrendo... É a pior dor do mundo! Calma, mãe. Acredito que deram sedativos ao Tiago. Um barulho e Sérgio olhou para o corredor por onde o médico caminhava vagarosamen te, observando algumas fichas clínicas. Rápido, o rapaz se levantou, foi ao encontro do médico e, mantendo-se calmo, perg untou: Doutor, meu nome é Sérgio, irmão do Tiago Barbosa, o bombeiro vítima de queimaduras sé ias e... Bem, o senhor poderia me dizer qual o estado dele? O médico o observou por sobre os óculos caídos no nariz e explicou após olhar a ficha : Tiago Barbosa... Calcula-se sessenta por cento de queimaduras graves de segun do e terceiro graus. Seu caso é sério e não posso adiantar qualquer resultado, pois... - Notando o casal sentado, falou baixo: Bem, Sérgio, ele é jovem, saudável e parece m uito resistente. Talvez outro não suportasse tanto e... Veja, minha opinião é que ele tem grande chance de sobreviver às lesões, porém ficará com consideráveis cicatrizes nas c ostas, parte lateral do tronco, perna, braços... Por sorte seu rosto foi pouco ati ngido. Somente uma leve queimadura no queixo e pescoço. O capacete do bombeiro pro tegeu seu couro cabeludo e... Precisamos aguardar. Doutor, o outro médico que o atendeu ontem disse haver uma perna muito queimada e comprometida... Existe algum risco de... - Sérgio deteve-se com olhos marejados . Ponderado, o médico avisou: Sim. Isso é verdade, Sérgio. - Olhando novamente o casal sentado, que chorava afl ito, o médico explicou: As queimaduras foram fortes e comprometeram a circulação da co rrente sangüínea para o pé direito. Precisamos evitar todos os riscos de infecções e acomp anhar rigorosamente a irrigação do sangue, mas caso o organismo não tolere, bem... Será necessário amputar? - perguntou o irmão sussurrando. Provavelmente. - Vendo o abatimento do rapaz, o senhor aconselhou: O hospital é um ambiente que esgota as forças e vocês não poderão vê-lo pelo risco de contaminação. V

casa e procurem descansar pelo menos o corpo. Isso é o mais prudente a se fazer. Poderão telefonar para terem notícias e será menos desgastante. Certo... Mas... Só uma coisa, o Tiago está consciente? Ele sente as dores da quei madura? Ele está monitorado por aparelhos e, quando recobrou a consciência ao ser trazido para o hospital, eu e o outro médico acreditamos que fosse viável induzi-lo ao coma temporariamente. As primeiras quarenta e oito horas são as mais críticas no estado em que ele se encontra. Depois disso, teremos condições de uma avaliação melhor. Muito obrigado, doutor. Faremos como aconselhou. Voltarei mais tarde. Telefonaremos caso haja alguma novidade. Certo! Muito obrigado! Após despedir-se, Sérgio voltou para junto de seus pais explicando somente sobre a importância de Tiago não contrair uma infecção e que estava sob o efeito de um coma in duzido. Acompanhando os pais até o estacionamento, despediu-se e os viu ir embora. Depo is, frente a seu carro, quando ia entrar no veículo, avistou uma pequena e bonita Capela Católica que ficava próxima a um belo jardim no hospital. Sérgio sentiu que pre cisava de um templo silencioso para reflexão, meditação e prece. Lembrou-se de Débora so zinha em sua casa. Pensou por instantes, superou o desejo de ir embora e caminho u, lentamente, até a capela. Chegou a duvidar de que Débora o esperaria, porém não pensou muito nisso. Sua prior idade era a de refazer-se espiritualmente, buscando amparo e alívio pela elevação do p ensamento a Deus para se manter equilibrado. Adentrando a capela, admirou seu interior repleto de flores agradáveis e suave perfume. Caminhou alguns passos, que ecoaram no assoalho de madeira, e sentou-se em um banco. Circunvagou o olhar e admirou os delicados vitrais. Fixou olhar na estátua de imagem angelical que simbolizava Nossa Senhora, mãe de Jesus, e do outro lado do altar a estátua representando o próprio Mestre. Ambas rodeadas de belas flo res frescas. O silêncio era absoluto e muito convidativo à prece. Sérgio suspirou profundamente e fechou os olhos, elevando os pensamentos por in termédio da oração. No plano invisível aos encarnados, suave luz cristalina era emitida de Sérgio e, gradativamente, aumentava de intensidade transformando seu semblante que pareceu ainda mais belo e superior. De seu peito raios cintilantes jorravam projetandose ao longe. Sérgio ergueu levemente a cabeça e de sua testa irradiava luminosidade adiamantada que se ligava à luz azulada, quase violácea que descia do Alto pelo vigo r da prece. Algum tempo depois, terminada a meditação, ele percebeu lágrimas quentes c orrerem pelos cantos de seus olhos e as secou com as mãos. Mesmo sensibilizado, Sérg io se sentia melhor. Estava envolto por uma luminescência vigorosa e bela que o fo rtalecia. Não demorou muito e decidiu ir para casa.

31 - Débora fracassada, humilhada e submissa Ainda era manhã quando Sérgio chegou à sua casa e não conseguia deixar de pensar em Déb ora. Uma muralha de silêncio amargo e angustiante havia se erguido entre eles por culpa do egoísmo, da inveja e da mentira. Foi difícil para ele suportar as ruínas dos sentimentos, os pensamentos inquietantes e o doloroso sofrimento por ela não acred itar em suas palavras. Sentindo o coração cortado por uma lâmina afiada, lembrou-se de se ver à beira do desespero, quase cometendo um ato insano. Apesar da gravidade d os fatos, tudo havia passado e mesmo não se esquecendo de Débora ele superou bravame nte o terrível tormento. No entanto, quando menos esperava, ela retornou abatida, parecendo humilhada e dizendo necessitar de sua ajuda. No instante em que a viu, ficou incrédulo e seu s sentimentos ressurgiram com mais intensidade, com o mais puro e verdadeiro amo r. Teve o desejo de abraçá-la e beijá-la, esquecendo o passado. Mas se conteve, pois o passado precisava de muito esclarecimento e ele tinha de ser prudente. Abrindo a porta, ao entrar, não percebeu qualquer movimentação ou barulho. A casa p

Viran do-se rapidamente. refugiar o rosto em seu ombro e somente senti-la junto de si. entendeu?! . Não acha melhor? Sérgio estava atento e mantinha o olhar fixo em Débora. Com voz fraca . pegando-a no colo e lhe fazendo um carinho.agradeceu surpreso. fechou os olhos.arecia vazia.Desviando o olhar e afastando-se.. Tem leite e comprei pão e bolo... Mas rapidamente se deteve e dissimulou . emoldurou leve sorriso no rosto. Sentia o coração apertado.. Chamou por Débora e não houve resposta. perguntou expressando preocupação: Aonde você foi? Com os olhos nublados.sussurrou com dolorosa piedade. ela avisou d e modo tímido: Por enquanto não posso ir embora a não ser que você me peça. hein?! . falou: O médico reforçou o risco de ele perder a perna ou. . comentando: Vou tomar um banho logo. Se ia melhor tomar um banho e. A limente-se e depois deite e durma um pouco.. Débora! Obrigado! Não deveria se incomodar.. Achei que precisaria se sentir mais à vontade. Débora se aproximou e sugeriu: Sérgio. Eu preparei um café.Ante ao silêncio. mas avisou: Eu tomei a liberdade de separar um agasalho. ela prosseguiu: Você está cansado e muito abatido. abanando o rabo e parecendo re bolar de alegria em vê-lo.. tímida e quase hesitante.T. Você está fic ando muito sem-vergonha.. não ganhará carne. As queimaduras foram bem graves e só no s resta aguardar. As roupas mais confortáveis que encontre i. Ficando frente a ela. pois só quer saber de carne. levantando-se. menina? Não está a fim de comer hoje? . empenhando-se para que as lágrimas não caíssem. In do para a sala sentou-se no sofá..Acanhou-se. um tanto submissa.exp licou. mas dominou a intensa vontade e concordou. tocando-o com as patinhas ao ficar em pé.riu. deixando s ua cachorrinha entrar. completou: S aí só para comprar pão e algumas coisas para o café da manhã. Como se não bastasse. Não me alimentei direito ontem e estou me s entindo mal por isso.. Meu Deus. Puxa. Sofria ao pensar em Tiago. recostando a cabeça e largando o corpo. P . Não pode receber visitas. estendeu o braço tocando sua face com as c ostas da mão. não é? . Acreditei que chegaria exaus to. . mas mantinha o controle apesar de decepcionado... Ele se ajeitou e confuso murmurou: Débora?! Você está aqui?! Se esqueceu de mim? .. Débora experimentou a mais desagradável sensação diante dele. D epois ela se aproximou.. .. Realmente estou. comer alguma coisa. . Em seguida coloc ou-a no chão e observou: Tenho muita coisa para fazer e não posso brincar.. Mas enquanto a senhorita não com er a ração. preocupava-se e se decepcionava com Débora que não cumpriu o prometido de esperá-lo mesmo sabendo da gravidade do que acontecia. Sem res istir.A cachorrinha co rreu de um lado para outro da casa enquanto ele colocava-lhe ração e trocava a água. surpreendeu-se ao ver Débora em pé. chamando-o com voz suave. Acreditou que o destino lhe ti vesse armado nova decepção.Ao vê-lo se virar. Muito tempo depois ele. Amav a muito o irmão. Sérgio sorriu e to rnou a conversar: O que é.. uma camiseta e. voltando à realidade: Realmente preciso de um banho. Ele desejou envolvê-la num abraço. como está? Ainda no C.... . dizendo: Tudo bem! Vem cá. Não! De jeito algum! É que ao chegar não a vi e pensei que tivesse ido embora . despertou ao sentir um leve afago em seu ombro. vem! Sei que que r colo.perguntou amedrontada.I.falou. Prometi que o esperaria. ele perguntou com voz peculiar de quem amorosamente bri nca com um animalzinho: O que foi. fazendo-lhe um terno carinho. A toalha já está no banheiro e. E o Tiago. Após olhar pela casa foi até a porta dos fundos e a abriu. Princesa?! Por que essa felicidade toda.. Sérgio sentia o corpo dolorido e muito exausto. Vendo-a fazer muita festa. Imediatamente o sono o dominou. Nesse instante Sérgio andou até a janela. deixando o olhar perdido..Ela continuava brin cando da mesma forma e ele não resistiu. É. . Vendo-o sair da sala. Eu não tenho para onde r e. Seu coração bati a acelerado e descompassado.

Fiz café. Experimentou a respiração alterada e as lágrimas aquecerem seus olhos. Alguns minutos e Sérgio retornou à sala. o bolo. Não tem proble ma. porque não tinha muita coisa para o café da manhã. sentada no sofá. disfarçando e escondendo-o entre os fios de cabelos jogados. Está explicado por que ela não comeu! . Nada disso! . envergonhá-lo a ponto de destruí-lo moralmen te. mas não d isse nada..pediu ele gentilmente.riu. comer e descansar melhor. Sérgio. Vi mais ração no comedouro e não sei se. Obrigado.. Apesar de tud o. pediu: Sente-se e coma alguma coisa. Deparando-se com a mesa bem arrumada para o desjejum. rígida. Você precisa dormir e. mas. Sérgio . Num gest o para secar as lágrimas. Lembrou-se de tudo o que falou para Sérgio e a maneira cruel de como o tratou. Ao terminarem. Você dormia um sono tão profundo. ele a acolheu após tanto tempo. ela não o encarava.expressou Sérgio com leve sorriso. Não sei se ficou bom. Porém Débora mostrava-se temerosa. Não entendia como foi capaz de fazer aquilo.falou com meio sorriso e sem jeito. pois su a aparência sofrida denunciava os maus tratos da vida que escolheu. Abaixou a cabeça. ao secar as louças. eu encontrei certo valor em dinheiro na gaveta do seu quarto e peguei o necessário para comprar o pão. mas contou: Sérgio. Estranhou sua postura humilhada. Não querendo apresentar o rosto vermelho. exibindo-se descontraído. Glorioso. nem tomo café em casa. Está frio e. Ao vê-lo. Contudo ela não deve comer bobeira do tipo salgadinho. Com tranqüilidade na voz grave e baixa. acuou-se em um canto. ele se admirou. Quanto arrependimento! Débora chorou em silêncio. mas ela o chamou à cozinha. Sua sensibilid ade pesava-lhe a consciência e se humilhava por culpar-se mentalmente. Descansei um pouco no sofá quando cheguei . mas.. bolacha. Sem dizer nada. racional e flexível. Ah!.. preocupado.. ele tomou postur a firme. Fez bem. Tendo os olhos vermelhos pelo choro e os cabelos cobrin do parcialmente o rosto. Há tempo não tomo um café da manhã com suco de laranja. mas a jovem o impediu de modo singul ar: De jeito nenhum. Débora.. Sérgio argumento u com expressiva bondade: . das acusações feit as com o intuito de machucá-lo. Já terminamos! . Demorei a chamá-lo.aconselhou educada . Eu arrumo isso.. interrompendo-a. humano e humilde.respondeu ponderado e seguro. ela o seguiu e. envergonhada de alguma forma e c om atitudes extremamente submissas. Sorriu levemente e agradeceu. Normalmente tenho o s ono leve e achei que só havia cochilado um pouco. às vezes. torturá-lo. Acredita mesmo que eu conseguirei dormir? Ao menos deite e descanse. chegando a tremer apesar de petrificada e sem reação. mam e tudo isso de que gosto ... tirando as coisas da mesa. o queijo. depois pensei bem e acreditei que era melhor acordá-lo para tomar um banho. passou as mãos no rosto encoberto pelos cabelos.. Eu vi que colocou ração para a Princesa. equilibrado e sensível. mas imperturbáv el. A jovem sentiu-se gelar. e afirmou: Agora nós vamos conversar. O silêncio reinou. cabisbaixa e com leves movimentos nervosos n as mãos aflitivas que se esfregavam. seguro de si e ponderado. A falta de assunto enquanto se alimentavam fustigava os pens amentos de Sérgio. Não! .tornou ele. ao encará-la com expressão neutra.. Enquanto ela lavava.ercebeu que Sérgio havia mudado muito.. Ela se sentia uma estranha acolhida por uma pessoa bondosa e piedosa. Pronto!.disse. Achei que você precisaria se alimentar e só havia frutas. Não é por preguiça de preparar. chorou muito até ouvir o chuveiro ser desligado. Vamos lá para a sala?! . vá descansar um pouco. Sentando-se no mesmo sofá e acomodando-se de lado sobre uma das pernas flexiona das. aguardando-a para que se sentasse ao vê-l a trazer o leite quente.. ele foi ajudá-la com a louça.sorriu.falava sem olhar para ele. Colocando-se frente à Débora. conhecendo-o tão bem. ele comentou: Estranhei por não en contrá-la ao chegar aqui e por não ter acordado quando entrou.. Pode acresce ntar leite . ela correu e foi lavá-lo c om água fria.. Estava mais soberano e solícito.. mas eu já tinha posto e ela comeu tudo. ficou virado para ela. Era o que deveria fazer . Vamos! Eu te ajudo a arruma r a cozinha. Sérgio fico u impressionado ao vê-la tensa. é por falta de tempo e.

Aquelas foram calúnias extremamente cruéis e injustas das quais preferiu acreditar nas tramas que a Sueli usou para nos separar e cons eguiu. Não..Breves minutos e. Alguns instantes e um pouco mais calma.Débora.. Bem..advertiu-a com a mesma postur a serena. sabe que precisamos conversar.. Mas não posso negar mi nha preocupação com você. foi até o quarto e retornou com uma caixa de lenços d escartáveis que entregou a ela. Sérgio. aproximou-se de Débora.chorou ainda mais.. esconden do o rosto ao se debruçar no braço do sofá. Quero te ajudar. Vamos por partes. Sérgio sofria pelos fortes sentimentos que o dominava m. acomodou-se no mesmo lugar. não estaria aqui. Pensei que nunca mais quisesse me ver! Ele não se alterou..chorou.murmurou melancólica.. Sentia o c oração apertado ao vê-la tão abalada. ele continuou com o mesmo tom tranqüilo e pausado na voz mansa: Você não faz idéia do que experimentei. amedrontado. Desejava abraçá-la para confortá-la. Atordoada. com seu estado tão frágil. eu. Eu vou te contar. Como não pode ser ve rdade?! E a Rita?! Eu os vi juntos na sua cama. V ocê concorda? Imóvel e sem olhá-lo. Sem alterar a serenidade nem a paz de espírito. Não preciso te perdoar. sobre estar deitado ao lado de Rita e o difícil refazimento da amiga. Sérgio ocupou-se de longo tempo. Às vezes uma força nos faz realizar coisas que não desejamos e. nesta casa?! Calma.. O mais importante é não cometermos os mesmos erros. Foi isso o que aconteceu. tudo se encaixava perfeitam ente! Pensei em várias alternativas para não crer naquilo. ela se afastou do abraço e manteve-se cabis . pareceu defender-se quase em pânico pelo engano: Eu fui surpreendida com toda aquela história! Sérgio. Eu só o procurei por não ter alte rnativa e. Olhando-a naquele estado. Não suportava observá-la inconformada e em pranto de arrependimento daquela forma . sua irmã.. Nem incomodá-lo. por não ouvi-la argumentar. Após secar o rosto. veja bem. .. terá de decidir em quem acreditar. mas. Então. Procure se acalmar. Ele a amava e acreditou ser um carrasco cruel pela postura aparentemente fria. . mas explicou detalhadamente tudo sobre sua vida. mas se conteve e diu com brandura: Débora.balbuciou sem conseguir terminar. Vencido pelo amor. Deus.. pois ouviu a minha ver são.. Bem. Débora chorava muito em meio aos soluços compulsivo s. Constrangida e chocada com a verdade. Abraçou-a e a embalou ao acariciar seu cabelo e o rosto que ela tentava esconder em seu peit o. Quanto ao seu direito de julgar os meus atos. pois não com eti as absurdas acusações feitas. porém estava atenta a cada palavra. O importante é saber que eu tenho a consciência tranqüila. Hoje eu sei que não tenho o direito de julgá-lo pelo seu passado. Só poderá fazer isso depois de ouvir a minha versão sobre o assunto e sentir se é verdadeira o u não! Você. olhe para mim. olhou-a nos olhos e pediu com sutil e bondosa firmeza: Espere.. Você me conhece muito bem e sabe que pode contar comigo.. Após algum tempo. Ao final. Agora pode me julgar. puxando-a para junto de si.. com a voz embargada pelo choro que não conseguiu conter. .. por favor.. Contou também sobre o desespero que o dominou e o levou a tenta r contra a própria vida. do quanto sofri desesperado a ponto de. Mas as lágrimas não de ram trégua e corriam seguidamente em sua face. Não se altere. quase perdendo o controle por sua atitude... quero pensar no que fazer agora e arrumar condições de me prover s ozinha. É preferível fazermos isso o quanto antes. Em seguida. Levantou.. porém pr ciso saber o que aconteceu. recompôs-se.. Mas. resp ondeu: Não quero atrapalhar sua vida. Sérgio suspirou fundo. Débora. Débora. Mas como?! Eu vi as fotos! Tive cópias! Você deveria ter me perguntado isso naquela época . ela começou a dizer: Quero que me perdoe por agredi-lo tanto. deix emos isso para lá. . então. Su a presença nesta casa não atrapalha minha vida nem me incomoda. porém estava mais abatida e angustiada do que antes. aqui.. que precisou da ajuda de dona Antônia e do doutor Édison. a jovem precisou se esforçar para encará-lo. o que eu fiz?! . pois se assim o fosse.

fez com que o encarasse novamente e avisou: O mais importante é estarmos aqui esclarecendo tudo isso . reaja! . Com voz amargurada. com sua vida. Não sabe o que fiz nem a vida que escolhi. caso um dia nos reencontrássemos. forçandoa a olhar em seus olhos. Cobr iu-a para que se aquecesse.. mas ainda se encontrava atordoada.... deixa ndo-a com o olhar perdido. Eu merecia o seu desprezo por tudo o que te fiz. Depois de tudo o que fiz com você.. você está bem? Não sei.. É melhor levá-la ao médico. afagando-a vez e outra.. Sérgio ajoelhou-se em frente a ela. Sei como você é ou era. como se tivesse fracassado totalmente na vida e. Procure abrir os olhos e respire fundo. eu nem mereço viver. sentada na cama. Algum tempo depois. Não se preocupe.interrompeu-a com ternura na voz. subitamente ela se atirou de joelhos à sua frente e o abraçou com toda a sua força enquanto intenso ch oro a dominou.. ficarei com você.. chorava muito. ao se culpar pelo s problemas. Oi! Estou aqui! .. segurou delicadamente sua face pálida e congestionada. chamou-a: Débora! Abra os olhos. Débora! . contudo. colocando-a sobre a cama. em seguida completou com entonação piedosa na voz baixa: Desculpe-me f alar assim. Preocupado. se humilha. sentido-a gelada. racionais.respondeu. Sentado a seu lado.. porém acreditava que iria me desprezar.falou firme . Pela demora. Agora está com reaçõe deprimentes. ele perguntou: Débora. Tudo escureceu e. Você não merecia sofrer tanto. esperando que o encarasse. Sérgio. a jovem murmurou: Perdoe-me. Já está passando. Mesmo em lágrimas... mas as pálpebras pesavam e tornava a fechá-las.. Se eu pudesse mudar o passado! .ele não conteve as lágri mas. Logo perguntou: O que você está sen tindo? Não sei.pediu. Não! .balbuciou.. acomodou-a com um abraço. sejamos realistas... O pranto desesperado deu lugar a um estado esmorecido. Débora . Está muito magra.. abatida .. Não diga isso! . E até por maus tratos. Vamos.. ... afagou-a com carin ho e compaixão.chorou. naquele des espero. Tirando-lhe os cabelos do rosto. reagindo um pouco. Débora . os lábios esbranquiçados e os olhos fechando lentamente enquanto se largava. Eu só pensava em você. Mas eu preciso te contar tudo o que aconteceu comigo . Era um grau de desespero tão extremo. Isso não é um tipo de tristeza momentânea! Certamente passou por situações complexas e.. com olheiras profundas e.. Até sua pele e seus cabelos perderam o viço! . largada nos braços de Sérgio.baixa. acalmou-se e olhou diretamente nos olhos verdes.. Ela abriu os olhos. Perceb eu seu rosto frio. porém eu a conheci muito bem e. quase atordoado.. pegou suas mãos finas e frágeis que estavam fri as e colocou entre as suas. Como posso dizer não para esse sentimento que a ranca do meu peito toda essa emoção por vê-la assim?! Envergonhada e com nítido medo ao ouvi-lo falar daquela forma. Estava decid . Eu e stava sofrendo tanto. Eu te amo.admitiu firme. vamos! Vagarosamente. o rapaz levo u a mão em seu rosto. Vou me trocar. Não o mereço. Débora. Você não parece bem e eu note i isso desde o primeiro minuto em que entrou nesta casa. ela retomava a consciência. segurando sua mão.chamou com firmeza. se isso acontecesse. ela afagou-o secando-lhe o rosto e pediu entristecida: Não chore por minha causa...Vendo a s lágrimas brotarem nos olhos da jovem e correrem por sua face. das escolhas erradas que fiz e do quanto me arrependi nesse tempo todo. O que está sentindo? Não sei.pediu. Contudo saberia esperar. Imediatamente ele notou que ela perdia as forças. Sérgio a envolveu com carinho e começou a desconfiar que. Sentan do-se. Ele a tomou n os braços. apertou-lhe a mão e sussurrou: Não me deixe sozinha.. Alguns minutos e ela reagiu melhor.. expressivos e marejados de Sérgio e disse: Obrigada por me acolher. .murmurou. havia algo mais do que o arrependimento. Como me arrependo!. levou-a para o quarto.

Percebendo-a emocionada. Perdoe-me. Você entende? E como entendo. Envolveu-a n ovamente em um abraço junto ao peito e afagou-lhe a cabeça. mas não pensei que fosse tão nobre assi m. Sabe. mas estão enormes.argumentou com ternura. Conversaram e ele conseguiu acalmá-la. ele explicou: É necessário que conversemos muito. mas ficou parecendo entorpecida.tornou ela em tom triste. E por gostar de você. Você nem imagina. Sérgio se levantou.. ele sugeriu: Vai! Anime-se! Dê uma olhada e veja o que serve.. certo? Você tem razão. contudo é melhor es clarecermos tudo. em seguida ele ligou para Rita. Eu ainda estou em choque e. eu só mudei de lugar.Vendoa concordar com um aceno de cabeça. Alguns minutos e.Parando de chorar. Eu. Acredite. No in stante em que sentiu os lábios de Débora encostando suavemente nos seus...Ela não dis se nada. Ainda estou surpreso com o seu retorno e não quero ser precipitado... . Após telefonar para os seus pais. desculpe-me. Acredite... as roupas que estou usando são suas. e ele se retirou fechando a porta do quarto. Não teve tempo . Sérgio . afagava suavemente seus cabelos vez e outra.. por favor. Talvez não de vesse tê-lo procurado.. Ela se inclinou como se fosse recostar em seu ombro e ele se aproximou. peguei a jaqueta que disfarça bem. Levantando-se. muito abalada. . Fechou os olhos ao senti-la cho rar. Não existe outra. não se sinta rejeitada . pediu com brandura: Débora.. Ele experimentava o coração pulsar forte. a identidade e a carteira de habilitação no bolso. beijando-lhe a face com carinho.. Não tenho roupas para sair. Olhando-a com pieda de. Eu te amo. Não podemos nos precipitar e. é questão de tempo. Fazendo-a encará-lo. dese sperada e acreditando que me mandaria embora . Senti tanta saudade de nós. . com frio. mudar de roupa e sairmos para almoçar? Ela forçou um sorriso leve e constrangida. Sérgio delica damente desviou o rosto e a abraçou. Sofri muito e preciso de um tempo..... Daria um fim na minha vida. Vou dar um telefonema. Não quero te magoar. Você me conhece. Eu não poderia me envolver com ninguém. . o contato e o c arinho que te faço é porque sei que isso socorre e conforta. contou sobre Débora. foi até o armário e abrindo uma das portas mostrou: Você deixou algumas roupas aqui. Ele acomodou-se melhor em frente a ela e a ouvia com atenção. Pode ser em outro momento? .não conseguiu expressa r-se com palavras e suspirou fundo sem saber o que dizer.chorou.. Pelo frio. lembrou-o: Esse agasalho. E a jovem continuou mesmo entre lágrimas: Realmente experimentei um rebaixamento moral que nunca imaginei. o que deixou a amiga surpresa.. ela examinou as prateleiras e um travo de tristeza embargou a sua voz. Estava com fome. que estava in conformada e queria visitar Tiago.. Eu sabia que você era um homem maravilhoso. Eu também te amo.perguntou com certo medo. ta? A moça não disse nada. ela trazia um brilho diferente no ol har perdido enquanto falava: Como me arrependo. com ternura.. . Venha ver.. Por isso cheguei aqui só com a roupa do corpo. Lógico! Estarei ao seu lado e te darei todo o apoio... Tendo-a com o rosto colado ao seu. Débora. meus sentimentos por você não mudaram..ida.. E como saiu para comprar as coisas para o café da manhã? Não me importei por ser aqui pertinho. A melhor coisa que fez a mim e a você mesma foi voltar aqui. Desculpe-me. Jamais amei como te amo. Débora! Te amo demais! Existe alguém na sua vida? . Passei por situações tão difíceis.sussurrou entre os soluços. E tem toda a razão. O que sinto por você é forte e verdadeiro. Só você. afastou-a de si... Por favor. Sérgio demonstrou-se animado e perguntou: Já viu que horas são? Que tal lavar o rosto. Quer conversar? Não. Quando t eve oportunidade. Quanto ao toque. Confie em mim.. Para minimizar o clima tenso. Terá meu apoio e minha ajuda enquanto estiver agindo corretamente.

Você acha? Vai! Experimente! Fique à vontade. . . . comentou: Seu rosto ficou diferente. Bem. Sérgio? Foi.sorriu. pois tudo combina e.perguntou antes de observá-la. ainda ficou muito largo.. Nem parece que essa roupa foi minha. Encontrei um estojo de maquiagem . T rabalho de dia e o Tiago deveria dormir de dia para trabalhar noite sim. será que não fica melhor? Pode usar com o tênis e ainda tem essa outra blusa aqui. De repente. Dona Antônia cumprimentou Sérgio e logo o doutor Édison se aproximou depois que o o utro médico se foi. mas falou o suficiente par a não assustá-la com o reencontro. ela aparece com a roupa do corpo.. vá você. que quase rolaram. Com certeza. pessimista. Rita o cumprimentou rapida mente e olhou por longo tempo para Débora..tornou o senhor.. ele a observou e elogiou: Puxa! Você está ótima! . murmurou : Com tanta coisa acontecendo.pediu.ela lamentou quase chorando.... sussurrou: Ela o procurou. rende-se à humilhação ao menosprezo. indo até a sala.Ela o seguiu e. olhando dona Antônia se aproximando das moças. Vej a. Ela está estranha. sorrindo antes de f echar a porta. pois essas roupas se parecem com ela. Tem bom gost o.... Será que algu a blusa serve em você? Essa de lã!. ela deixou aí e.argumentou a jovem decepcionada. Só lhes restava contemplar a cena e aguardar. Ao ouvir o ba rulho da porta do quarto se abrindo.Sentindo a garganta ressequida e os olh os ardendo pelos sentimentos aflorando-se em lágrimas. Estou horrível! ... mas reparou que a calça social que usava estava bem larga. Minutos depois. É engraçado. tem tênis.Leve sorriso e chamou: Você está ótima! Vamos? Após almoçarem. comentou: Tem muita coisa nesta casa que eu não sei. São bonitas! Ela só tem um estilo diferente quando quer e pode usar. Sérgio abriu os armár ios alegrando-se ao encontrar: Aqui estão! Veja! . ele reconheceu Rita.. Acho que são o seu número.. Certamente ela notaria a extrema mudança e o estran ho comportamento de Débora.. Quase não suportei vê-la tão abatida física e emocionalmente. tirando o casado. Nem me diga.. Ainda não sei direito o que aconteceu. noite não . Sérgio pegou a blusa e a ajudou ve stir. falou: Achei essa calça jeans. pois estava mu ito preocupado com seu irmão e não queria deixá-la sozinha em casa por notar algo dife rente em sua reação com o pouco que conversaram. E difícil conter os sentimentos. . tenho certeza de que a Rita não vai se importa r! Sérgio ia saindo do quarto quando Débora falou: E eu que sempre critiquei o modo da Rita se vestir. Vai! Vamos logo! . Meu irmão.. . Mas Rita atirou-se à amiga num forte abraço duradouro que deu origem às lágrimas e ao choro compulsivo.Olhando-a melhor. Agora preciso das roupa s dela.Ela se aproximou e olhou enquanto ele explicou meio sem jei to: São roupas da Rita que...Rindo.. Está pronta? .de explicar à Rita os detalhes de como a outra estava. que permanecia petrificada.Pensando rápido. sandálias. trazendo o rosto vermelho por chorar. Acho que não é do seu irmão.. pediu atrapalhado: Ah. Deixa Sérgio. não! . Nem me diga. vendo-a sair do quarto de seu irmão. Está frio e. Distanciando-se.. ele se despediu e desligou. entrando no quarto de Tiago. Não conversamos sobre tudo..... Meu irmão deve ter guardado. Ah! Espere aí! . molhad a. apesar dos recortes para ajust e na silhueta feminina. Sérgio ajeitou-lhe o casaco que.. Estou preocupado com os pacientes po r pedir para desmarcar e. Procurando um pou co mais... sapatos. Aproximando-se. Mais próximos. Sérgio pediu a Débora que o acompanhasse até o hospital. Que surpresa! .. Mas par a trabalhar o estilo fica de lado... dona Antônia e o doutor Édison que con versava com outro médico.. mas disse que não tem quem a ajude e p or isso me procurou.. Chegando ao hospital. que se apresentava submissa e humilhada. doutor. nitidamente nervosa e com a respiração quase ofegante como se esperasse por alguma repreensão ou crítica.disse Débora. O médico puxou-o para o lado. Eu acho que vai combinar. É. não! Vem cá! . humilhada.

médico e confidente o abraçou forte e o rapaz. Sérgio se recompôs e pediu: Desculpe-me e obrigado. O rapaz não disse nada e se deixou levar. Esqueci de avisar que os seus pais saíram daqui minutos antes de v ocês chegarem. não é fácil segurá-lo os médicos temeram mais complicações nas queimaduras. mas procure se concentrar em não perder o equilíbrio. Dona Antônia não ficou satisfeita.. abaixou a cabeça com imenso aperto em seu cor ação. Sérgio não disse nada e logo o outro sugeriu: Vamos entrar? Claro. Rita.. pois essa menina está realmente precisando de você . Sérgio secou o rosto com as mãos enquan to o doutor Édison sobrepôs o braço em seus ombros. Vi o senhor conversando com o médico. Débora e Rita se mantinham abraçada . Com a certeza de que não poderiam ver Tiago. Quando Débora. provavelmente. Mas doutor?! Sérgio! . Admita que é um ser humano sujeit o aos problemas e às dificuldades da vida. Ouvindo aquela frase sentida e verdadeira. correndo por su a face abatida. O amigo.expressou-se enérgico. Sérgio e por isso foi novamente induzido ao coma e precisou ser entu bado para respirar melhor. as proporções das que duras foram grandes. foi o médico quem não segurou as lágrima s e se abraçou ao rapaz dando-lhe um beijo paternal no rosto.. extremamente triste e abatida. por inalar ar muito quente. mas não se manifestou e retornou para sua casa e m companhia do doutor Édison. Vamos andar um pouco lá fora. Ele cerrou os olhos.. Ele é forte. E o meu irmão? Desculpe-me. Rita e dona Antônia ameaçaram se aproximar. mas agitou-se e. por você. ..perguntou Sérgio desconfiado. Vi. você consentiu que os avisasse sobre o estado grave de seu irmão. Mesmo surpreso. mais de sessenta por cento do corpo e com variações de segundo e terceiro graus.interrompeu-o preocupado. Queria falar e b albuciou meu nome. conduzindo-o ao dizer: Vem.disse.. como poderá ser útil a eles? . Chamou pela Rita. não se concentrar.. O senhor o viu?! . Se emocionalmente não estiver bem. Você precisa tomar um ar. Ele sent ia muita dor.Muito emocionado e triste. Eu estava lá. Seus sinais estão instáveis. obser vando Débora. O que aconteceu? . O Tiago não está muito bem. Sérgio sugeriu irem embora. o doutor Édison desfechou: Não há irrigação sangüínea para o pé e iniciou-se uma severa inflamação. pediu: Posso ir com vocês? Claro. Se os pacientes não compreenderem isso.Desmarque os pacientes de amanhã . depois perguntou: Ele está consciente? Ficou algumas horas consciente. houve queimaduras nos pulmões. Veja.respondeu em tom de lamento. o médico fez um sinal e d ona Antônia as deteve.. Sua mãe não se sentiu bem e precisou ir embora. O senhor é mais que um pai para mim. Acho que me reconheceu. Passados alguns minutos de triste lamentação. Eu acompanhei alguns resultados dos exames e.Breve pausa para o outro refletir e argumentou: É incabível eu dizer para não se preocupar nem se abalar ou não se atormentar.aceitou Sérgio.opinou o médico... Rita! . Apesar de seu e ocupante. Passe o dia com ela. . Afinal. é p or falta de bom-senso.Tiago sofrendo na prova do fogo e mutilação Era quase noite quando chegaram à casa de Sérgio. Sérgio não suportou e desmoronou em uma crise de choro. Imediatamente lágrimas brotaram dos belos olhos verdes de Sérgio. agarrou-se a ele usando seu ombro para desabafar com aquele cho ro.. coloque os assuntos em dia e organize seus pensamentos. 32 . diante de Débora e Rita que estavam abraçadas. em pranto doloroso e extr emamente aflito.. Permanecendo em absoluto silêncio por l ongo tempo. amanhã cedo farão a amputação logo abaixo do joelho. mas sussurrando.

. por favor. os três retornaram à sala e l igaram à televisão. . Acho que foi minha pressão. Quer que eu fique com você? . Nem ima ina como estou. passando as mãos pelo r osto. Sérgio.. avisou com voz br anda: Se não se importarem. puxou-a para um abraço e aconselhou: Quando o Tiago se recuperar e a vir assim. Olhar para você é como ver o Tiago. Não quero sair... inesperadamente. qualquer coisa. . Sentando-se ao seu lado. E. certo? .perguntou à amiga. falou: Vem Rita. Rita cambaleou e ia cair quando Sérgio a segurou firme...perguntou preocupada. Rita começou a chorar compulsivamente ao ver a cena e Sérgio correu para pegar a camiseta quando a moça o chamou quase num grito: Não!.. . Princesa.avisou. Não me leve a mal. os lábios brancos. vou me deitar e.. Levantando-se novamente. vendo Rita triste e abatida afagou-a ao pedir educado: Toma um banho e nós três sairemos para jantar. murmurando depois que Sér gio a fez se sentar: Está tudo bem... ele retornou à sala. Não comi nada nesses dois dias e..concordou... envolveu-a num abraço e chorou em seu ombro. Vem! A cachorrinha obedeceu e tornou ao seu colo. mais refei to. levantando-se: Tome um banho bem quente e. Sérgio se virou.. Princesa. Sérgio. Sérgio não conteve as lágrimas e se afastou indo até a cozinha. Rita. preparou um chá e levou para a sala. E.. Ao voltar. a cachorrinha pul ou para o chão e correu.. após ingerir a bebida.. seus olhos.acariciando-a argumentou: Você ficou sozinha hoje. ao vê-lo daquela forma. Claro. Algum tempo depois. mas consciente.... encarando-o. Débora e Sérgio se entreolharam por longos minutos ininterruptos até e la não suportar e abaixar a cabeça por algo oprimir violentamente seu coração.. foi? Débora também afagou-a no colo de Rita quando. Tod a a dor pelo que aconteceu com o Tiago está te castigando e. Mas eu quero ficar na cama dele... Rita se foi e ele desligou a TV.. Ele significa muito para mim e. A amiga estava pálida. Débora. correu e pulou no colo de Rita e a jovem falou com expressão de imensa d or: Oi. Foi o Tiago quem deu para ela.exclamou Sérgio atencioso... . . Débora o seguiu encontr ando-o cabisbaixo com as mãos apoiadas na mesa. Não vou conseguir vê-lo sofrer. e ele propôs... .... certo? Certo . levantando-se desalentada. Vai lá . . Uma angústia pairava no ar.. Sérgio percebeu que Rita não tinha se alimentado direito e por isso voltou à cozinh a.. * * * Após um lanche que Sérgio preparou com a ajuda de Débora... Rita tinha lágrimas empoçadas nos olhos e. Ao se erguer. exibiu-se com mais equilíbrio e ele pediu: Débora. não é? Lógico. já ao seu lado. Posso ficar no quarto do Tiago. que parecia incomodar.respondeu compreensiva.. Rita! . Não conversavam nem estavam atentos ao f ilme.Conduzindo à amiga. Não agora! Veja como está abalada e exausta. vou te ajudar. Você não sabe.. arrastava uma camiseta do corpo de bombeiros q ue pertencia a Tiago e brincava com a roupa. ela afastou-se de Sérgio e Débora. Débora corr eu ao encontro dela e a chamou: Rita! O que foi?! . que suava frio. Não podemos nos enfraquecer. ela acariciou-o nas costas percebendo-o tenso. Não havia o que dizer. E sozinha. Rita chamou: Vem.murmurou com voz chorosa. . ele se sentirá culpado pelo seu sofr imento.Ela acenou positivamente com a cab eça concordando.s e em total silêncio. você pode ficar com ela? Lógico! . Já estavam na sala quando ele soltou a cachorrinha que.lamentou entre os soluços que embargaram sua voz. você me ch ama. Sentando-se. servindo-as e se servindo depois. O que acha? Não tenho fome. Então faremos um lanche aqui mesmo.Pedindo ao animalzin ho. Estava velha.chorou. imedi atamente. Também em lágrima s.

.Vendo-a cabisbaixa e lágrimas correre m em seu rosto. present es. Eu te amava e fiquei enfurecida com aquelas mal ditas fotos e depois de te falar tudo aquilo no consultório do doutor Édison. colocou-a na f rente da jovem e se sentou. tivemo s problemas com nosso namoro pelo seu ciúme.admitiu arrependido.. A Yara passou a infernizar mi . eu o pegu ei ao lado da Rita aqui nesta cama...Sem pensar ela levantou.... Mas não te contei tudo. .Fixan do-lhe olhar penetrante. você sabe . tantas preocupações e muita angústia. Importa-se de conversarmos no meu quarto ? Não. o que você não sabia era que o Breno me procurava com freqüência. Aproximando-se. provavelmente. Sabe. Em seguida. Não é melhor dormir e conversarmos amanhã? Não vou conseguir dormir. fiquei preocupado. Débora.respondeu com jeito compreensivo e controla do.. Retornando à sala. Com a voz entrecortada pelos fortes soluços. por você relutar em sair da polícia. Você me contou . Vendo-a se acomodar com modos nervosos. Você significa m uito para mim.. Na ver dade.. Mas ela se mudou.. encarou-o mostrando-se acanhada e com a voz trêmula iniciou: Não imagina como estou envergonhada e com medo. Eu sabia sim.chorou. Por que não me procurou antes? Ela ergueu o rosto banhado de lágrimas. por favor. . Sérgio se manteve atento. Não parava de imaginar como você pôde me en ganar.Chorou. Por isso quero ouvir exatamente tudo o que tem para me contar. Como não acreditar em tudo o que vi?! . todos que passaram a freqüentar esta casa. Era algo repugnante! Eu te procurei para conversarmos. porém logo co ntinuou: Sérgio.. Como assim? . Comecei a ter um ciúme quase doentio! Eu não podia vê-lo perto da Rita e até a presenç do Tiago junto de você me incomodava muito. você lembra. ele pegou uma cadeira. . não está dormindo e eu prefiro mais privacidade. Comentei isso com a Yara. pediu com educação e generosidade: Vem cá.. Fa lando baixo e estendendo-lhe a mão.. Apesar de todo o cansaço. Fiquei quieta e sofria calada. o rapaz comentou cauteloso: Não pense que pretendo ser superior ou algo assim. a Yara ia me visit ar. flores ou me ligava. A falta de confiança é a pior coisa que pode haver entre duas pessoas. a Sueli fez aquele inferno com aquelas fotos!. perguntou com voz vacilante: Você está exausto. Mesmo a ssim. revelou: O Breno manteve amizade com a minha irmã e sempre mandava notícias. passei a ter sentimentos estranhos. . Mas meus pensamentos ferviam. mas minha irmã não me dava bons conselhos quanto ao nosso namoro e.Sérgio se levantou. Assim que perdi o emprego e me vi em uma situação difícil. Quando me disse que não tinha para onde ir nem a quem procurar. Sérgio a encarou por longos minutos.. quando estava reformando. como pôde ser tão vil!. falando com brandura: Expliquei tudo a me u respeito.. silencioso e com semblante sere no. minha melhor amiga me traiu com você e ai nda descobri aquelas fotos. incomod avam-me. ela sobressaltou surpreendendo-se ao vê-lo a sua frente.. caminhou até a porta do quarto onde Rita havia apagado a luz e deixado à porta um pouco aberta. A Rita me incomodava quando morou comigo depois da morte do Rogério e do noivo por eu achar que você dava mais atenção a ela. Ao mesmo tempo. Ao entrarem.. trêmula e envergonhada. eu est ava decepcionada! Pensei que minha vida tivesse acabado! Meu mundo desmoronou! E u não tinha um emprego nem como me manter.. buscou forças interiores. Débora exibia-se aflita. passava a ligação para ele. Sérgio apontou a cama pedindo gentil enquanto fechava a porta: Sente-se.. a Yara telefonava e. Tenho fortes sentimentos por você e. ele se deteve sem que Débora o p ercebesse e ficou observando-a com olhar perdido e melancólico na face triste e ab atida.. Não tinha como pensar diferente! Tudo se voltava cont ra você! E.. minha irmã não me dava um tempo para pensar. Mas você precisa saber. obedeceu e ele explicou murmurando: Nós precisamos conversar e aqui na sala não é um bom lugar. que sofre u o que não imagino e sentiu saudade de nós. Débora.sussurrou temerosa.falou calmo.. Débora. Eu sei. Às vezes.perguntou com brandura. Então ela prosseguiu: Desde quando saí da casa dos meus pais. pensamentos esquisitos e não entendia. A Rita.. Eu reconheço que agi muito mal . ao saber que você não estava comigo... falamos sobre toda a minha vida e até o que gerou nossa separação..

.. eu ficava furiosa ao me lembrar de vê-lo ao lado da Rita e das fo tos com sua irmã. Um dia e por acaso... contendo as emoções.nhas idéias. dinheiro e outras coisas em suas caixas ou contêineres para gr andes carregamentos. prostitut a. Chegava a suar frio e passava discretamente a mão no rosto para disfarçar. ele denunciaria o meu pai e meus irmãos pelas porcentagens subt raídas de todos os serviços ilegais prestados. Ela parou de falar e chorou muito.. Polícia Federal e tudo mais.chorou.. Foi a única saída que encontrei para me manter.. Fui conversar com o Breno a respeito e fiquei abismada ao descobrir que ele e o cunhado estavam envolvidos em negociações muito mais sujas e junto com o meu pai. ... Comparecia a algumas das festas e até nos visitava... Muita gente importante. me sentia leviana. mas quando me dava conta da situação já tinha aceita do. Comecei a crer em sua integridade. de alto nível. Você exigia algumas coisas de mim.. . Bem. Foi então que ele se revelou. Entretanto o Breno me envolveu de tal modo!. por um único dia. Débora chorou um tempo pelo grande remorso.. lavar louça e roupa. com s uas palavras. além de pagar às pessoas certas para o contrabando dos produtos. Por que acha isso? Eu não queria determinada coisa. Surgiu um romance entre nós. eu quase não ia mais trabalhar e passei a ser servida por empregados. Usando de fachada sua grande companhi a advocatícia. As coisas estavam difíceis e pelo modo como o Breno me cativava com seu jeito. políticos e alguns religiosos usavam esses serviços de tráfico. desfrutando todos os confortos da mansão do Breno. meu pai e meus irmãos faziam até lavagem de dinheiro. A rica e prest igiada empresa do Breno e do Lucas era uma das que aceitavam fazer o carregament o de drogas. falindo financeiramente e não arrumava e mprego.Entre o choro arrependido. mas . inf luente.. um vazio imenso e uma saudade mortal me dominavam. mas não a deixava perceb er. que também prestava serviço como uma espécie de despachante alfandegário que lida com a documentação da alfândega. lamentou: Foi à escolha que eu fiz. eu escutei uma conversa e descobri que meu pai estava envolvido com tráfico de diversos produtos. Mas nunca. quando deitava. invadidos po r opiniões estranhas e comecei a fazer comparações. Mas eu estava longe de saber como é imundo o vício ou os prazeres de alguns grupos da alta sociedade. para saírem ou entrarem no país. mas revelou: Muitas vezes. Eu desabaf ava com o Breno e ele me ouvia. O Breno parecia sempre solícito. O tempo que me deu quando não me via preparada para um rom ance mais íntimo.. pois algo me dizia para não aceitar aq uele emprego. com pessoas influentes. Eu só pensava em você. Meus pensamentos eram conflitantes.. me distraía. De repente me vi às voltas em festas luxuosas. fazerem lavagem de dinheiro ou depósitos fraudulentos fora do país . Perdi a vontade de ir à universidade e nem tranquei a matrícula. Ao mesmo tempo. como estava. Isso não saía da minha cabeça. armas. isso quer dizer que os contrabandistas que negociavam com meu pai para so negarem impostos. lembrando seu respeito po r mim.Mais calma.Exibia-se exausta. Viagens e passeios. confessou: Só que com isso. Vivendo. Sofria e estava muito nervoso. Seu carinho.. Sérgio permanecia calado.. Sérgio! Às vezes parecia que não era eu! Não conseguia pensar! Calma .. ... Débora. ela continuou: Então. dentro ou fora do país.. eu me sentia mal. O Breno me ameaçou dizendo que se eu contasse algum a coisa para alguém.. no que se ntia... uma angústia. e nquanto ele me tratava como uma rainha. mas continuou: Nessas alturas meu pai se reconciliou comigo. Sei lá. amigo e me contratou para trabalhar em um a de suas empresas junto a ele.pediu. Sérgio sentiu como se uma espada atravessass e seu peito. feito ou participado. contou: Você lembra que eu não queria deixar meu apartamento para morar com você. Eu estav a deprimida e decepcionada por sua causa. Mesmo entre os soluços. Vivendo lá com ele. . mas.. deixei de pensar em você. explicou: Em outras pal avras. eu acabei indo morar com ele. desde religiosos até políticos.. Chorando. Mas a culpa foi minha por deixar as c oisas irem longe demais entre mim e o Breno. Não entendi. O que eu exigia de você? Você queria que eu aprendesse a cozinhar. o Breno foi se aproximando como amigo e me tratava mu ito bem. Durante os acontecimentos eu não me importava. mord omos e motoristas.. Pode explicar melhor? Bem nervosa.

vamos dizer assim.. fui obrigada a me produzir para uma da s festas a bordo. E todos que viram não se importaram. o que mais aconteceu para você reagir assim? Quanta humilhação! Quanto horror! . Ele me bateu! Ficou furioso por eu tê-lo arranhado e m e agrediu muito! Entrei em desespero e não sabia o que fazer. Só que morreu por isso! Ele ameaçou fazer o mesmo com você. perguntou com piedade: Além da agressão. Se o Breno denunciasse meu pai. E só e ntão. Logo minha irmã caiu e foi puxada por aquele peso... ele me beijava e me abraçava como se nada tivesse acontecido. vil. Seu rosto estava expressivo...Débora se de teve com olhar perdido. com vícios deg radantes. além de festas daquele tipo.. não sabiam que meu pai ficava com uma fração bem maior além do que eles pagavam.. Minutos depois. Com medo eu obedeci.Chorou. Comovido.. Ele era doente! Em pensar que faziam parte do alto nível social.. Ela desapareceu! Tentei correr.. práticas de sexo coletivo promíscuo. Depois falou: Ela estava nua como a maioria. mas seu coração apertava. com a cabeça baixa.... algo e m grupo.. conforme andávamos pelo convés. Ele aceitou providenciar e abastecê-la com entor pecentes. viu-a se encolher e esconder o rosto... A Yara estava nesse cruzeiro e... chorando muito. estavam embriagados. o B reno verificou se meu rosto estava marcado. O Breno m e levou para perto e eu vi amarrarem algo em sua cintura e jogarem ao mar.Afastando-se de Sérgio. Em meio aos soluços. Sérgio argumentou: Isso é crime.. pois s ... afagando-a com carinho. conheci um outro mundo mais podre.. eu não podia falar nada.. Eu não o queria! E.. meus irmãos poderiam se considerar mortos por esses cri minosos. parceiro. cada ocupante daquele navio era amigo.. Como não estava.. sem caráter. E isso fo i só o começo! . Ele me violentou! Os dois seguranças viram e ficaram olhando! Rindo! Sérgio não suportou.. Sempre estávamos vestidos com trajes elegantes..Breve pausa e ainda chorando.. Percebi que a maioria usava drogas. nus na piscina ou. . asquerosas. Não. mandou eu me vestir b em e aprender a me comportar. Os homens só riam e assistiam. Parecia que o meu desespero. Ele só go stava de assistir e. Não consegui e perto de outras pessoas eu ag redi o Breno com palavras. de festas... Quando gritei. Ama rgurado. ma s me seguraram. Toda aquela gente. Bem mais tarde. Ele sorriu. a festa começou a ficar diferente. Não. Algum tempo e o Breno fez um sinal. Longa pausa e pr osseguiu: Como um ser humano pode ser tão cruel?! Depois de rasgar meu vestido. comportamento sujo. Totalmente alucinada pelo uso de entorpecen te. o rapaz pergun tou: O Breno mandou ou permitiu que os seguranças fizessem o mesmo com você?. algo preocupado.. negociant e ou comparsa do Breno. caso minha irmã conseguisse aproximá-lo de mim. continuou: Na noite seguinte.. Vendo-a chorar em desespero e quase gritando. Puxou-a para si e Débora agarrou-se a ele. Sérgio se levantou rápido e. o Breno narrava os detalhes que percebia nos atos. Isso seria morte certa para mim e para você! Você não imagina as ameaças que me fez c aso eu fugisse e te procurasse! Mesmo agredida. Mal respir ava.exclamou com a voz sufocada. Discretament e os seguranças a tiraram de onde estava e a levaram para outro lado. Ele sobrepôs um braço em se us ombros e.. envolvia-se com um e outro. E ela conseguiu. o meu sofrim ento servia de prazer para eles! Isso é sadismo! . naquelas pessoas repugnantes. No início da noite. disfarçando o meu ódio. Coisa que ninguém pode imaginar. pedia sussurrando para que se acalmasse. Por que não o denunciou? ..questionou parecendo tranqüilo. Na frente de todos daquele cr uzeiro. Era uma orgia! Algo nojento! Ele a obrigou a participar dessas orgias? Não!.. Foi um homicídio! Eu sei. Isso é uma máfia! Um submundo nojento! Sérgio ouvia calado... entrando em desespero. nesse navio. ele socou meu estômago e eu não conseguia reagir.. o Breno me contou que aquilo era só um aviso e que a Yara estava lhe dando muito gasto no trato que fizeram. Parecia algo comum! Quando retor namos. sentan do-se ao seu lado. me levou para o camarote e me agrediu! Agrediu violento com. . Foi então que Débora chorou novamente enquanto contava: Briguei com o Breno e. despiam-se e se relacionavam uns com outros. c ontou: Quando terminou. ele me bateu... el e me bateu ainda mais. prosseguiu: Uma v ez ele me obrigou a ir a um cruzeiro que ele patrocinou.

aceitou meus limites.. mas ela disse para eu me acostumar. por me d eixar levar... Seus olhos se encontraram e Débora falou com pr ofundo lamento na voz: Preciso te contar tudo. . Ela chorou e Sérgio estava atordoado com o que ouvia. . Não! Não queria aquilo! Preferia morrer! Nova crise de choro a dominou e Sérgio a envolveu em seus braços. Sentia-se mal. Orgulhav a-se do que fazia e se comprazia com os seguranças olhando! Fui tão ultrajada. isso foi seguido de violência sexual . Alguns empregados. Débora pareceu não ter mais lágrimas e quis se sentar. inclusive dentro da casa e em lugares que eu ignorava. ele gritou e berrou por saber que meus irmãos.Olhando de relance para Sérgio. mas ela se recusou.. . contou qu e os dois deram um golpe e avisou que meu pai era um homem morto. Sérgio! Tudo bem.. esperou.concordou com voz ponderada e olhos vermelhos. apertava os dentes sem perceber e fechava os punhos com força pela .tornou Sérgio.gritou em desespero.. não sei bem o que era... ..Breve pausa e lamentou em choro: Naquela mansão maravilhosamente rica. Fiquei presa naquela casa como prisão domiciliar. Sérgio amargurava-se com os relatos... Alguns seguranças. Após algum tempo... Pode falar . Não podia sair sozinha e até os telefones foram gramp eados. a Emy e o Élcio. Ele cismou que queria um filho e. .. Ele delicadamente tentou segurá-la . Eu me lembrava de você! P edi a Deus que me encontrasse! Você me respeitou. eu era agredida quase todo dia e. viajaram para o exterior e não voltaram... Então perdi toda a liberdade. Após quinze dias .Entre os soluços contou: Ele queria um filho e chamou um médico para ir lá.. sempre com medo de ser perseguid o. O Lucas e o Breno estavam com medo e passaram a se reunir várias vezes trancado s no escritório. Eram doentes! Sádicos! Eu não podia sai r mais. O Breno começou a agir de modo desequilibrado.. Perplexo.. beijando-lhe a cabeça enquanto a embalava vagarosa-mente. Mesmo embriagado... O caso dela era pior do que o meu. cauteloso. . . pois o marido dela não era dif erente.. mas. Com isso você se refere à agressão física ou sexual? Chorando e experimentando imensa humilhação. O Br eno me agredia muito! Paguei um preço alto demais por uma escolha errada.abia que eu não o tirava dos pensamentos! Fiquei apavorada! Procurei falar com a E lza. Procurava se manter aparentement e calmo.. Percebi que alguma coisa os amedrontava. porém não dizi a nada. Seu prazer era o de me machucar! Ele er a um monstro! E os empregados? . vexatório! Sérgio! .. contou que ele a agredia. Não quero te torturar. carinho!. No dia seguinte me torturava. Não. Eu não tinha ninguém para pe dir ajuda! Era vigiada o tempo todo! Algumas vezes o Breno chegava e me agradava. mas através das câmeras de segurança. mas te devo muitas explicações.. mãe da Cris. Agora. Mas nos viram conversando e não a encontrei mais.. humil hada! Era obsceno. Outros for am contratados. os meus pais viajavam de carro para o Rio de Janeiro e morreram em um acidente por excesso de velocidade.. Outras vezes as duas. Às vezes.Ela chorou ao dizer: Foi quando. Me tratou com tanto amor. .. Geralmente me agredia. sentindo os olhos se aquecerem pelas lágrimas que brotavam: Quando você falou em agressão na primeira vez. Sentia prazer nisso. Ficava alterado e era um inferno.. Bebia e se drogava. O Breno chegava furioso. a proteção do Breno e não sei o motivo. fazia carinhos e literalmente be ijava meus pés.Com voz frágil contou: Algu s negócios começaram a dar errado. O médi co foi e tirou esse implante.. Um dia. Nessa época muitos foram demitidos e empresas prestadoras de serviços vinham a ca sa.. Acariciando-a vez e outra. eles me viram e eu apanhei. pe rguntou: Você lembra que eu usava um implante e. ele perguntou. Não agüento mais.. conside rados mais fiéis. abandonaram a casa. afastando-se do abraço.. depois de determinado horário deveriam ir embora. mas meu pai estava envolvido .sussurrou com voz fraca. Mas os seguranças eram os mesmos e. Tentei me matar. Quis morrer. lu xuosa e onde havia o maior grau de requinte que já vi.. pois eles têm uma filha. Não engravidava e não menstruava?. que eram fixos. Eu não conversava mais com ele e por isso me batia. porém seus pensamentos e a indignação fustigavam sua mente. ela respondeu: Às vezes uma. Quer um pouco de água? Vou pegar.

extremamente nervoso. Como alguém pode ser tão falso? E e u tão ingênua? As requintadas festas. Saí sem rumo.. acom odando-se ao seu lado até ser arrebatado por um sono profundo.. Ele não suportou e choraram juntos por longo tempo . *** . Lá me deram uma sopa e arrumaram um lugar para eu dormir junto de algumas desabrigadas. eu aceitei o que era mais fácil e conveniente.fal ou sentida.. Num impulso.afirmou. mas esse. dificultando uma extradição. levantou-se. Pegou outro pacotinho. por um calçado e trocar a b lusa rasgada.. Olhou para mim e gritou: Cor re mulher! Suma daqui! Estava tonta e sem saber o que fazer. Empregados para tudo. Esse homem era d iferente.. Vi quando o segurança o s entou à força em uma cadeira.Débora ofereceu uma pausa. para a criança nascer em outro país e ele ganhar direito à cidadania.. Mordomias. quando o Breno percebeu que eu não me alimentava..Chorou.. O Breno estava tonto. angustiado e indignado.. ao me bater.. acomodou-a n a cama e a cobriu. e depois de meses eu não engravi dei... ajudou-a a segurar o c opo para que bebesse a água. Virando-se para mim. Até que aconteceu algo estranho. . dizendo que se fosse você talvez permitiriam que eu engravi dasse! Era horrível! Entrei em um estado no qual não me importava com mais nada. a refinada casa. permanecendo a seu lado afagando-lhe o rosto abatido. . Mais recomposto. e scondendo o rosto em seu peito. mas tomava água e me sentia cada vez mais fraca.. Sua feição mudava e às vezes falava coisas sem sentido. Orei!. Não tinha mais família. Eles nunca conversavam. Não c omia. Meu orgulho. e ele me arrastou pelos cabelos até o quarto e.aflição. Um dos seguranças novos me viu desmaiad a e me levou para o quarto... Ele o levou par a a sala e eu o acompanhei a distância e assisti a tudo. Meu erro é impe rdoável. Ainda em pranto. Parecia que se transformava.. as roupas... mas tentava não interromper o desabafo angustioso. exibindo exaustão. Ape sar de não te esquecer. eu jurei me matar. Fugi. Deu-me água e depois falou num tom revoltado que não suportava mais ver aq ueles maus-tratos. virou um monstro! Ele estava bêbado. sem saber para onde ir e acabei entrando em uma igreja. Era um doente! Mas naquele dia chamou o segurança e mandou que me se gurasse. carinho. Ele passou a me espancar!. delicadeza e as melhores generosidades. Um dia. A princípio. Tive medo e não disse nada.. Débora contou em desespero: O Breno me forçou! Eu não o queria! Tinha nojo dele. E. minha vaidade. Ele era sádico e gostava de ser visto. levando um copo com água adoçada e pediu com bondade: Toma um pouquinho . segurou Breno pelos cabelos e bateu seu rosto contra um móvel várias vezes. falou: Nós somos bandidos! Já matamos homens safados. Sérgio. mas não c oncordamos com isso que esse cara faz com a senhora. pegar meus documentos. O homem se aproximou.. Sérgio a abraçou forte e Débora correspondeu.. Por isso pensei em morrer. não tive coragem de me matar.. se você me mandasse embora quan do chegou e me encontrou em seu portão. não tinha mais nad a a não ser os pensamentos em você. mas ele me violentava! Queri a que ele me matasse. mas. Foi até a cozi nha bebeu alguns goles de água e retornou ao quarto.. Esse homem avisou que o Breno queri a que eu engravidasse para sair do Brasil.. Fiquei por quatro dias ali e pensei muitas coisas. Vai logo! Some daqui! . o rapaz não disse nada. acabar com essa minha vida desgraçada.. Sua voz ficava estranha! Certa vez.... pensou que ele era como os outros.observando suas mãos frágeis e trêmulas.. Rezei tanto! . sofisticado. Outro segurança aparec eu e avisou que já tinha colocado fogo nas gravações.. havia muita atenção. Mai