FORÇAS PARA RECOMEÇAR Eliana Machado Coelho Pelo espírito Schellida

Índice 1 Reunidos pelo destino 2 Sérgio e Débora se reencontram 3 Dificuldades em família 4 Débora hospitalizada por causa de uma mentira 5 Rita, uma grande amiga 6 Débora enfrenta a oposição do pai 7 Sérgio e Débora: do passado ao presente 8 Respeito e amor 9 Sérgio se deixa dominar pelo ciúme 10 Sérgio revela o assédio de sua irmã 11 A ação dos espíritos inimigos 12 Psicólogo Espiritual 13 O desespero de Rita 14 Terapia de uma evangélica, ex-espírita 15 O romance abalado pela influência espiritual 16 Rita tentada pelo suicídio 17 Débora flagra Sérgio dormindo com Rita 18 Os olhos de Deus 19 Fotos contra Sérgio destroem o romance com Débora 20 Breno aproxima-se de Débora 21 Opiniões do doutor Édison

22 A benfeitora Laryel interfere no suicídio de Sérgio 23 Cabe a Deus alterar o destino 24 Discussão entre Sérgio e o médico 25 Juntos, Tiago e Rita 26 Psicólogos de amor 27 Suicidas em sofrimento no Plano Espiritual 28 Conversando com Jesus 29 Reflexões de um Psicólogo 30 A elevada Laryel intervém na obsessão injusta 31 Débora fracassada, humilhada e submissa 32 Tiago sofrendo na prova do fogo e mutilação 33 Débora teme conseqüências do passado 34 É preciso força para recomeçar 1 - Reunidos pelo destino Ah!... Que droga! - protestou Débora vendo sua pasta ir ao chão. Uma das pontas d o elástico que servia de amarra escapou. Algumas folhas se soltaram, espalhando-se parcialmente, prestes a voarem por causa do vento. Rapidamente a moça se ajoelhou a fim de apanhar os papéis. Ao erguer sua bolsa de pertences pessoais e outra pasta com modelo de valise, ambas alçadas em seu ombro, escorregaram embaraçando-se e dificultando a agilidade para organizar os documentos que segurava com uma das mãos. Como se não bastasse iss o, sua roupa sujou na altura do joelho, deixando-a mais irritada. Era uma bela jovem, bem arrumada e, como todos os transeuntes, estava com pre ssa. Não queria se atrasar para uma reunião na biblioteca com suas colegas a fim de realizarem um trabalho para o curso universitário que faziam. Além disso, pretendia ainda estudar para uma prova. Mas naquele dia tudo parecia colaborar com o intui to de atrapalhá-la. Tentando ser rápida, ela juntou tudo. Arrumou a pasta e desembaraçou as bolsas la nçando as alças novamente ao ombro. Ao curvar-se para tentar limpar a roupa, não pôde de ixar de ver uma criança chorando. Aquilo lhe chamou muito a atenção. Débora estava impaciente, mas acabou sendo refém de um sentimento inexplicável. Ela olhou para um lado... Para outro... E apesar de muitas pessoas irem e vir em, ninguém parecia ver ou se importar com aquela criança. Se talvez a vissem, ignor avam sua presença e nítida necessidade de amparo. A jovem olhou para as escadarias do metrô, para onde pretendia ir, porém sentiu-s e como que envolvida por uma força maior. Algo naquela cena tocou seu coração generoso . Tratava-se de uma garotinha, aparentando pouca idade, sentada no degrau paral elo a uma vitrine, num cantinho em que mal se podia enxergá-la devido à floreira com arbusto que praticamente a escondia. Estava encolhida, com as perninhas dobrada s e as mãozinhas cobrindo o rosto abafando seguidos soluços dolorosos que os ruídos do grande centro financeiro não deixavam alguém ouvir. Atendendo ao chamado de sua bondade, Débora se aproximou perguntando meigamente : Oi, meu bem! O que aconteceu? - A menininha só chorava, enquanto a moça a observo u com atenção reparando que estava bem vestida e arrumadinha, não parecia se tratar de uma menina de rua. No braço, a menina trazia delicada pulseirinha que combinava c om suas sandálias, cujos detalhes da moda infantil eram iguais. Preocupada, a jove m insistiu com voz afável: Oi querida, onde está a sua mamãe? - Sem obter qualquer res posta, delicadamente, Débora tirou-lhe uma das mãozinhas do rosto para vê-la melhor. Lágrimas corriam ligeiras naquelas bochechas coradas e seus olhinhos esverdeado s mal podiam ser vistos pelas pálpebras avermelhadas. Com a outra mãozinha, a garotinha esfregou o rostinho e a moça aproveitou para ti rar-lhe os fios de cabelos colados em sua face úmida. Fazendo-lhe um carinho nos c abelos cacheados, parcialmente presos por uma delicada tiara rosa, Débora sentou-s e a seu lado falando com brandura na voz: O meu nome é Débora. Qual é o seu? Cris... - respondeu em meio aos soluços. Cris!... - E então, Cris, onde está a mamãe?

A... Ma... Mãe... Su... Sumiu... - gaguejou a garotinha. Onde você estava com a sua mamãe? - A menina gesticulou com os ombrinhos insinuan do não saber e Débora perguntou: Quantos aninhos você tem, Cris? - A garotinha mostrou -lhe quatro dedos para responder a idade e a jovem tornou a questionar: Como a s ua mamãe se chama? Foi necessário Cris repetir algumas vezes para ser entendida, pois os soluços não a deixavam se expressar. Ah!... Elza! O nome da sua mamãe é Elza! - exclamou a moça ao compreender. E... E eu quero... Que... Ro a minha... Ma... Mãe... - chorou. A jovem estava atrapalhada com suas bolsas e pastas, mas deu um jeito de reco star Cris em si, avisando em seguida: Não chore, ta? Nós vamos encontrar a mamãe. Ela também está procurando por você. Eu te certeza disso. Sem se demonstrar apreensiva diante da situação e muito preocupada com o horário, Déb ora revirou sua bolsa, pegou o celular e decidiu ligar para a polícia. Afinal, não p oderia abandonar aquela garotinha tão indefesa. Atendida, após fornecer os dados e t erminar a ligação, Débora virou-se para Cris e pediu: Vem, meu bem. Dê-me sua mãozinha. Tem muita gente com pressa e eu não quero que se perca de mim, está bem? Precisavam ficar em um lugar visível aguardando a viatura da polícia que chegaria . Com dificuldade, a jovem segurava as bolsas, a pasta e o celular em uma só mão par a prender a mãozinha da menina com a outra. No instante em que olhava ansiosamente à procura do carro da polícia, sem esperar, Débora foi empurrada e teve o telefone ce lular furtado. Sem soltar a mão de Cris, ela gritou assustada e indignada e teve o impulso de seguir o agressor, mas a menininha começou a chorar novamente. Aturdida com o acontecido, a jovem não sabia o que fazer. Suspirando fundo, aba ixou-se perto de Cris, secou-lhe o rostinho com a mão trêmula e tentou ser simpática, falando amavelmente: Oh... Meu bem... Não fique assim. Vem cá - disse, pegando-a no braço, mesmo com tod o empecilho de carregar seus pertences. Cris debruçou-se em seu ombro e chamava ba ixinho pela mãe. Tentando não se exaltar, Débora procurava se refazer do susto e do ma l estar que sentia. Em fração de segundo, teve seu celular roubado e temia que suas bolsas fossem os próximos alvos. Angustiada, estava quase chorando pelo ato repuls ivo do furto, pela ausência de amparo e falta de segurança vivenciada. Em meio a tan ta gente que passava, ela e aquela menina estavam sozinhas. Se eu estou me sentindo assim, imagine essa pobre criança! , pensou entristecida e nquanto apertava a menininha contra o peito ao mesmo tempo em que olhava de um l ado para o outro. Não demorou muito e Débora avistou a viatura da Polícia Militar chegando à baixa velo cidade, parecendo procurá-la. Levando Cris firme em seu braço, segurando seus pertences mal ajeitados e quase caindo da outra mão, Débora, apesar do salto alto, correu em direção aos dois policiais , que de imediato, reconheceram tratar-se de quem havia solicitado os préstimos da polícia, pois a moça demonstrava nítida expressão assustada e enervante. Frente a um dos policiais que, educadamente, a cumprimentou, a jovem mal corr espondeu e relatou às pressas: Eu encontrei essa menininha ali! - exclamou apontando. Naquele momento a past a caiu de sua mão e querendo pegá-la, Débora viu suas bolsas caírem também. Oh, meu Deus! Hoje é dia!... - reclamou procurando conter as lágrimas. Abaixando-se para pegar os pertences tentou pôr a garotinha ao chão, mas Cris não quis e agarrou-se com seus brac inhos em volta do pescoço de Débora e, enlaçando as perninhas em sua cintura, chorou. Calma, senhora. Pode deixar - pediu brandamente o policial à sua frente que se abaixou, apanhou as folhas espalhadas da pasta, cujo elástico rompeu, e as bolsas caídas. A menininha começou a chorar, e Débora não conseguiu conter as lágrimas. Mas, entre s oluços, abraçando a garotinha, explicou: Eu fui roubada!... Como assim?! Poderia nos explicar melhor? - perguntou o outro policial, aprox imando-se.

Contorcendo o rosto pelo choro incontido, Débora pediu entre as lágrimas: Desculpe-me... E que tive um dia complicado e... Bem... Eu estava com pressa quando essa maldita pasta arrebentou... Como agora... - disse olhando para a mão e para o rosto do policial que segurava seus pertences. Depois de pegar minhas co isas que caíram, eu vi essa menininha ali - apontou , encolhidinha e chorando. Ela se perdeu de sua mãe. - Depois de breve pausa em que secou o rosto com a mão, contin uou: Disse que tem quatro anos e se chama Cris. Ah! Ela falou que o nome de sua mãe é Elza. Foi o que entendi... Eu não sabia o que fazer e... Nossa!... Nem pensei em deixá-la ali sozinha! Sabe lá, Deus, o que alguém poderia fazer com ela! Então... Liguei para a polícia e pediram para eu aguardar aqui. Assim que desliguei, um cara... Bandido, safado, sem verg onha... Passou correndo, me empurrou e roubou meu celular! Eu quase caí!... - As lág rimas corriam em seu rosto, mas ela prosseguiu emocionada. Tive de pegar a Cris no colo porque ela chorava muito! Fiquei aflita e sem saber o que fazer! Desculp e, mas estou confusa, com medo... Eu não poderia perder a hora da faculdade, tenho uma prova importante hoje e um trabalho para... Bem calmos, os policiais ouviram-na atentamente. Um deles ainda segurava os p ertences de Débora ao tempo em que ela trazia a menininha debruçada em seu ombro e a fagava-lhe as costinhas ao embalá-la levemente, pois a sentia chorando amedrontada . Tranqüilo e na primeira oportunidade, pois percebeu que a jovem estava bem angu stiada e sentia intensa necessidade de contar o ocorrido, com as bolsas e a past a da moça nas mãos, o policial perguntou educadamente: Qual o nome da senhora, por favor? - Após a resposta ele explicou: Dona Débora, a senhora encontrou uma criança perdida e, pela boa aparência da mesma podemos deduzi r que a mãe esteja tomando as devidas providências para encontrá-la. Além disso, a senho ra teve seu celular furtado. Diante das duas ocorrências, precisaremos encaminhá-la até o Distrito Policial a fim de elaborar um Boletim de Ocorrência para que a autori dade policial, que é o delegado, possa decidir quais as providências a serem tomadas . Certo? Lógico! Claro! - aceitou a jovem de imediato. Eu estou com dó da menininha... E.. . O meu celular pode ser usado por bandidos e... Tenho de prestar queixa. Percebendo-a nervosa pelo modo como aninhava a criança nos braços e o jeito amedr ontado que tentava disfarçar sua voz, o policial solicitou gentilmente ao ver o pa rceiro abrir a porta da viatura: Entre, por favor. - Ao vê-la sentada no interior da viatura aconchegando a meni ninha no colo, ele pediu educadamente: A senhora poderia pegar suas coisas, por favor? Claro!... Desculpe-me... Estou tão atordoada que me esqueci... - sem saber como se justificar, Débora ergueu o olhar para o policial e ofereceu um tímido sorriso s em qualquer brilho de alegria. Seus olhos se fixaram nele, por longos segundos, como se implorassem algo mais caloroso do que aquelas providências que a auxiliari am. Somente depois pegou os pertences de suas mãos. Ele correspondeu ao sorriso de modo amigável. Em seu íntimo admirou a beleza da j ovem, sua afabilidade e sensibilidade. No instante em que seus olhos pareciam im antados teve vontade de poder consolá-la com um abraço amistoso, mas não podia e mante ve a postura militar. Em seu íntimo estranhou, pois estava acostumado a situações seme lhantes e isso nunca havia acontecido. Sempre foi um profissional cumpridor de s eus deveres. * * * Chegando à Delegacia de Polícia, enquanto Débora aguardava o atendimento, o policia l anotava alguns de seus dados pessoais, procedimentos normais exigidos por seu serviço. Apesar de responder atentamente todas as perguntas, a moça demonstrava-se tímida, quase assustada pelo ambiente tóxico que imperava ali devido ao nível dos acusados e vítimas que também esperavam. Alguns falavam alto, brigavam, xingavam, enquanto ou tros acusavam ou choravam. A garotinha, amedrontada, apertava-se ao pescoço de Débora e escondia o rostinho

nos cabelos da moça, chorando baixinho. Controlando seus sentimentos, ela disfarçava a apreensão e o desconforto afagando a criança com carinho e procurando ficar atent a aos questionamentos do policial. Naquele plantão, tanto os policiais civis quanto os policiais militares estavam sobrecarregados e praticamente esgotados pelo tipo de trabalho exigente que os sugava. Havia muito a resolver e o nível moral da maioria dos que aguardavam atend imento era voltado ao mal, aos vícios e às piores mazelas da vida. Por suas palavras , linguagem de baixo nível e grosseria nos modos podia-se saber que tipo de espírito s se afinava a tudo aquilo. E ali estavam os mais vis e degradantes, repletos de vícios, sensualidade, hipocrisia, crueldade e sordidez. Na espiritualidade, para quem pudesse ver, o lugar era preenchido por uma den sa névoa escura, sombria, correspondente aos estados vibratórios e mentais de encarn ados e desencarnados. Uma forte energia invisível pairava como que um veneno espir itual maligno, impregnando os encarnados de caráter fraco que se deixavam envolver pelas sugestões de diversos espíritos impuros, que desejavam o mal por prazer e odi avam o bem. Entretanto, a ética e os bons princípios morais de alguns poucos encarnados prese ntes ali, por forças das circunstâncias ou do dever, permitiam a reunião de espíritos be nevolentes e sábios. Tais espíritos, às vezes, deixavam os encarnados que estavam sob sua proteção serem testados a se corromperem de alguma forma. Mas de acordo com a di gnidade apresentada, esses espíritos elevados os amparavam e protegiam a fim de não serem envolvidos por desencarnados tão insufladores da discórdia, da corrupção e do ódio, pois esses tinham o intuito de levá-los ao retardamento espiritual, fazendo-os suc umbir diante de provas tentadoras. O ambiente não era agradável. Quando menos esperavam, Débora e o policial se surpre enderam ao ver Cris que se sobressaltou gritando: É a minha mamãe! Mamãe! Onde, Cris?! Quem?! - quis saber a moça, segurando firmemente a garotinha que q ueria saltar de seu colo. Apesar de toda movimentação e aglomeração, a menina reconheceu a voz chorosa de sua mãe em desespero que a procurava com o olhar seguindo o som de seus gritos. Cris fo rçava-se a descer dos braços de Débora, mas a moça a segurou firme e junto com o policia l foi em direção da jovem mulher acompanhada de um rapaz muito bem vestido e alinhad o. Nada precisou ser explicado quando a mulher gritou em pranto: Cris! Minha filhinha! A menina se jogou nos braços da mãe. Entre o choro se beijavam enquanto a mulher a tocava como se não acreditasse que a tinha entre os braços. Algum tempo depois, Débora pôde explicar tudo a Elza, mãe de Cris, que abraçou e beij ou a jovem agradecendo-a diversas vezes. A forma como a menina agarrou-se a Elza , com um abraço apertado e as perninhas entrelaçadas em sua cintura, era inegável que a jovem mulher fosse sua mãe. Por aquele ser um plantão bem agitado, a autoridade policial foi consultada a f im de decidir se as partes envolvidas naquela ocorrência poderiam ou não ser liberad as. O comportamento de Cris não deixava dúvidas sobre Elza ser sua mãe, Embora a mulhe r apresentasse documentos e até fotos comprovando que a menininha era sua filha. A ssim sendo, o delegado as liberou. Enquanto o policial militar fazia algumas anotações para relatar a ocorrência, o ra paz que acompanhava Elza se apresentou para Débora. Prazer! Meu nome é Breno. Sou tio da Cris e irmão da Elza. Você não imagina como fica mos aflitos! Muito obrigado! Obrigado mesmo! Do jeito que algumas pessoas agem h oje... Nossa!... Mil coisas passaram pelos nossos pensamentos!... Muito obrigado , Débora! - nitidamente agradecido, sem se conter, deu um abraço emocionado na moça. Ora... Não fiz mais do que a minha obrigação - respondeu ela com um brilho emotivo no olhar. Ah! Fez sim! - afirmou Breno expressivo. O mínimo que podemos fazer por você é leváa para casa. Certo? Creio que não será possível, Breno. Agradeço de coração! Por que não?! Mora aqui perto? Não. É que... - Débora ficou sem jeito, mas precisou contar sobre o furto de seu ce lular e precisaria ficar ali para prestar queixa. Depois de fazer o Boletim de O

Sua tarefa já havia sido cumprida e nem precisaria estar ali. De sculpe-me por não poder ajudar. Diante disso. apesar de tantos a sua volta.. Já era noite ao percorrer o corredor da delegacia que a levaria para a saída.avisou Elza enquanto Cris resmungava continuamente em seu ombro. seja bem mais rápida e creio que o delegado também pense assim. É que eu e minha irmã.Voltando-se ao policial. considerou olhando para Débora: Não pode ficar aqui sozinha! Veja isso ! Não merece! Ainda mais depois de tudo o que fez pela minha filha! . Débora solicitou comovida: Não se importe comigo. pegou uma c aneta e fez ligeira anotação no verso do cartão. Na sua vez de ser atendida. O policial. Por causa da iluminação um tanto fraca e de uma lâmpada defeituosa. Assim pode falar com a Cris quando quiser. parando por um instante próximo das escadarias. eles se foram. Telefone-me para dizer como a Cris está. as demais pessoas a serem levadas em con ta são cidadãos com direitos iguais e o atendimento é por ordem de chegada.. Em seguida avisou: Esse é o telefone da Elza. Débora! Não vou ficar sossegada em deixá-la aqui sozinha! . Elza pediu: Será que o senhor não pode dar um jeitinho? O furto do celu lar da Débora é bem mais simples e rápido para relatar do que outros casos! Sinto muito . perguntou: Sargento Barbosa. Não posso ir agora. começou a reclamar de frio e pe dia para comer um doce em especial. conversou um pouquinho mais com a moça. afagando a menininha e dando-lhe um beijo em seu rostinho. Verdade?! . Elza e Breno queriam um meio de ajudar Débora e questionavam o policial. decidiu ler novamente o Boletim de Ocorrência pelo furto de seu celular. É o mínimo que podemos fazer por enquanto. intermitentemente irritante. A Cris teve um dia péssimo.respondeu educado. rapidamente.sorriu gostaríamos de levar a m para casa. No entanto. tirou um cartão e o entregou à mulher. a moça prestou a devida queixa e rapidamente foi liberada. eu preciso avisar à operadora. Eu não queria deixar você aqui .espantou-se Elza por não ter ouvido o relato da jovem. como podemos ver. Vá! disse olhando firmemente para Elza e pediu sorrindo: Cuide bem dela.. beijou-a e se despediu a fim de apressá-la.corrência. tão necessário para o furto de um celular. Seu parceiro aguardava na viatura. mas não tenho como ajudar. Enfim. Breno tam bém a abraçou. Não há como precisar o tempo a ser usado para o atendimento de cada uma. será que vai demorar muito para a Débora ser atendida? Não sei lhe dizer . mas depois se despediu e foi embora. também lhe deu um cartão. mas nada demonstrou. Mai s calma. via-se envolvido sentimentalmente com o ocorr ido. Ficou amedrontada e está muito tempo aqui. Eu concordo que a elaboração de um Boletim de corrência. Sem esperar uma resposta. Não queremos perder contato com você. junto com a Cris. Virando-se para Br eno. agradeceu e beijou-lhe o rosto na despedida. Logo ex plicou: Isso é do âmbito da Polícia Civil. .exclamou enternecid a. debruçada no ombro de sua mãe. Então fique com o meu cartão também! . pedindo com generos o sorriso: Tome. Aproximando-se do policial.tornou o policial militar com um brando tom de lamento. lendo seu nome e seu posto na identificação fix ada em seu peito. Acredito que ainda tenha três ocorrências na frente. Nesse instante Cris. Sem alternativa. A pobrezinh a deve estar tão assustada!. A jovem abriu a bolsa. por favor! . Perdoe-me... Esse não é um bom lugar para uma criança. lógico.lamentou Elza novamente. Ela me contou que teve o celu lar furtado porque estava ajudando a minha sobrinha e. por favor. A moça a abraçou com carinho. sem saber explicar. mas durante a conversa a garotinha começou a pedir insi stentemente para ir embora e começou a chorar. Débora parou e voltou-se . * * * Débora estava sozinha..ofereceu Breno que. Mesmo assim. entretanto o sargento Barbosa experimen tava um travo de melancolia por deixar Débora ali sozinha. agradeço. O rapaz mostrou-se insatisfeito e apreensivo ao olhar em volta e observar o a mbiente. Começou a acreditar que os m inutos naquele lugar pareciam horas.

. Estava indo embora quando me lembrei de você. fitando-o impressionada. e le a segurou firme não a deixando cair. O policial da viatura que. É verdade.pela surpresa. corando imediatamente. apesar do sorriso bonito.sussurrou de um modo que ele não ouviu.. Não. Débora ficou encabulada.brincou sorridente. Não é bom ter um celular usado indevidamente. Acontece. Ao ler o que a interessava. Enquanto arrumava as folhas. espalhando as várias folhas e documentos pela escadaria. ela o agradecia e se justificava parecendo envergonhada. Rapidamente ajeitou a mochila nas costas. O principal e mais trabalhoso já foi feito. Se quiser... Isso não é comum. É. Sérgio . não pense que sej a um desleixo ou descaso da minha parte. mas ao encará-lo. virou-se bem rápido.. aqui está o Boletim de Ocorrência. sem saber qual seria a reação da jovem. Por favor .... Ora. E hoje não está sendo um dia normal para mim. Aceita uma carona? . Equilibrando -se. achando graça nos modos da moça..Riu de modo simple s e. Para ser sincero. Em seguida a moça exc lamou atrapalhada: Ah!. Esqueci mesmo! Por favor. que é o registro da queixa pelo furto.. Não vou para a universidade hoje e me sobrará tempo.. .. Isso não foi nada. Ela o olhou de um modo diferente. O moço riu sem deixá-la perceber..Diante do silêncio. Bem.avisou. agradeceu e aceitou acompanhá-lo até o carro para que fossem embora.riu acanhada... Não terei trabalho algum... mas. pois ela poderia rolar pelos degraus abaixo.pediu com jeito encabulado.novamente para o corredor dando as costas para as escadas. disfarçou ao mostrar: Veja. Ágil.. meu n ome é Sérgio.falou ele sentindo o coração acelerado e disfarçando a grande expectativa. Não costumo julgar as pessoas . Eu t rabalho na Companhia da Polícia Militar ao lado da delegacia.ofereceu Sérgio com voz branda e um tanto receoso..pediu a moça agarrando-se nele que ainda a segurava com força.. Por que não faz isso hoje? . Como sabe onde moro? . pediu: Venha! Será melhor ter uma carona ou ainda pode pegar condução errada! Afinal.. Sem saber o que dizer.perguntou sorridente e curiosa.gargalhou gostoso. naquele instante. Não!. em traje civil. a jovem titubeou sem saber decidir. a pasta que carrega va se abriu. Sérgio. Esqueceu-se de que anotei os seus dados para preencher aquele talão de ocorrência atendida pela viatura na qual eu estava como encarregado? Esqueci! .. Puxa! Perdoe-me... embora experimentasse um gostin ho de satisfação por ouvir aquela confissão. resmungou baixinho e incrédula: Ah. Nossa! Com a farda você fica tão diferente! É comum não me reconhecerem quando estou à paisana. . por favor. Débora deu um largo sorriso ao perguntar incrédula: Você!. Você tem razão. Ela cambaleou por causa do salto que usava. Mas você é sargento? Não é?! Ou eu disse errado? Sim. ligue para a operadora e peça o bloqueio imediato do aparelho. Amanhã mesmo eu entrarei em contato com a operadora para avisar sobre o furto. Porém. Suspirando fundo. o meu nome de guerra é Barbosa. Estou tão exausta que nem havia pensado nisso. Quando estou de serviço. com j eitinho e um brilho especial no olhar. . Ambos sentiam que algo muito especial os envolvia. mas sobressaltou-se ao deparar com um rapaz no qual trombou. Meu carro está ali no estacionamento da Companhia da PM.. . era . abaix ou-se e a ajudou a pegar os papéis.. Não me julgue. pois meu caminho é pelo seu bairro.. sou eu mesmo. Desculpe-me de novo sargento. admitiu: Acabei perdendo a hora de ir p ara a universidade e. Como não poderia. Também tive um dia cheio e. Não pensei que fosse me reconhecer.. ou melhor.interrompeu-a educadamente e correspondendo-lhe ao sorriso . Hoje eu sou o próprio desastre! E o pior é que mais uma vez eu o fiz me ajudar pega ndo os documentos e meu material por causa dessa maldita pasta! . Nesse instante. encarou-o por segu ndos como se algo a atraísse para aquele olhar e sorriu. Desculpe-me!.. .. Sorriu.. eu sou sargento. Mas me chame de Sérgio. Nós moramos relativamente perto. preveniu-a: Assim que chegar a s ua casa. Sim. o dia não terminou ..

Sérgio e Débora se reencontram Durante o trajeto para casa. acabavam de se conhecer. Eu curso Psicologia lá! E você? Jornalismo! . Como advogado eu seria péssimo! . fazendo acusações ou sensacio . sábios e elevados influenciarão e sustentarão o encarnado que tiver fé. Outras. talvez por isso nunca nos encontr emos. a s tragédias das vidas alheias viraram atrações. você também arrumou um jeito de cabular aula! . Aproveitando de sua generosidade e misericórdia. mas. Assim acontece com o desejo no que é bom. Espíritos benevolentes. Isso não é fácil! Apesar de tudo. Quando as más influências atuam através do encarnado. enfrentando o desafio de tomar uma decisão.enfatizou sorrindo satisfeito. Por essa razão decidi compreender melhor as pessoas e tentar ajudá-las de outra forma.ela comentou. é a pessoa qu em as chama pelo desejo no mal.quis saber muito curiosa. Costumo me preocupar com as pess oas. pois os espírit os inferiores correm para perto da criatura para auxiliá-la. para alguns profissionais da área de Comunicação e Jornalismo. Considero-me um bom policial.1 Os espíritos. Você não imagi como está sendo difícil eu concluir essa graduação. espíritos amigos a inspiraram a cumprir com sua responsabilidade diante de uma criaturinha indefesa. mas nem sempre isso é possível. Acho que temos algo em comum . quando chego.avisou a jovem bem entusiasmada pela coincidência. Enquanto dirigia. certamente. havendo erdadeira no bem. creio que a função não seja boa para mim. Foi só hoje. como nos é ensinado em O Livro dos Espíritos. pois. conforme o caso. mudariam sua vida. bons ou maus.m incapazes de falar a respeito. inspiram os pensamentos e as ações de acordo com o caráte r.Ele sorriu ao admitir: Sabe. uma troca com algum colega. Como aprendemos na Doutrina Espírita. Detesto faltar .riu alegremente. com os seus sentimentos e a realidade dos fato s. praticamente. amor e bom ânimo no bem. Falam ou e screvem sobre as pessoas sem a menor responsabilidade. gui ou-a ao encontro de pessoas que. Seja qual for à situação. com vários blocos. os espíritos podem intervir no mundo corpóreo mais do que os encarnados imaginam. a começar por um simples pensamento.ela brinc ou descontraída. . É curioso você cursar Psicologia. E Deus permite que esses espíritos sem instrução e imperfeitos assediem os encarnados a fim de testarem à pessoa em sua fé para que pa sse pelas provas do mal e continue seguindo o bom caminho. seu coração bon doso a resguardou de experiências mais dolorosas. afastand o-o da inspiração de espíritos maus.admirou-se ele quase incrédulo. Mesmo com o s prejuízos aparentes como o furto de seu celular e a perda do horário para ir à unive rsidade. Fico inquieto diante das injustiças e apreensivo para ajudar.disse com belo sorriso ao olhá-la. Muitos perderam o respeito. Acho que não tenho dom para lidar com as Leis. Sérgio riu muito à vontade e esclareceu. há mudança na escala de serviço e tenho de solicitar alteração ou permuta.. Por ser um policial. Por quê? . já estou no último semestre graça a Deus! . o mal não terá acesso. A universidade é bem grande. Mas. Apesar de Débora acreditar que tudo estava sendo difícil naquele dia. Ah! Então é assim! Como eu. seria mais interessante cu rsar Direito. Às vezes somos solicitados para atende r ocorrências demoradas e chego atrasado à aula. destacar-se e até se curar.. a prova ou expiação. a moral e os desejos do encarnado. para o bem ou pa ra o mal. aproveitando a parada no semáforo: Não. a coragem que demonstrou. O quê? Eu me preocupo com as pessoas. Só se neutraliza a influência dos espíritos maus e imprudentes com o desejo no bem. conforme sua livre decisão de escolha. Através de terapias pode-se fazer alguém descobrir em si forças que de sconhecia ter e se melhorar. infelizmente. 2 . Débora e Sérgio conversaram muito e descobriram que estudavam na mesma universidade. Sério?! .

Entretanto seus pensamentos fustigavam para saber se a jovem tinha alg um compromisso com alguém. mas elas dobrariam se eu alugasse um lugar. ao mesmo tempo. Ela era solteira. cabelos lisos pouco abaixo dos ombros e suavemente clareados. Não sabia o que dizer e não tinha vontade de se despedir . chegou a sua casa sã e salva. Foi naquele instante que Sérgio precisou controlar o forte desejo d e abraçá-la a fim de ampará-la e confortá-la por tudo. Até por que.apontou. Débora era uma moça bonita. Olhando-o nos olhos. Sou corretora de imóveis. Ela sorriu e Sérgio perguntou: Em que você trabalha? Alguma revista? Não! Quem me dera. Minha família mudou-se para lá há alguns anos e até hoje não me acostumei. Mas moro com meus pais. Débora ficou sem palavras. Na esquerda. Dirigindo maquinalmente. mal consigo sustentar esse c arro! . Como é bom encontrar alguém com integridade profissional. riu ao dizer: Policial não ganha tão bem assim. O rapaz admirou Débora desde o primeiro instante em que a viu assustada e bem a trapalhada segurando a menina. Apesar de meus vinte e oito anos. Não o convenço de modo algum! Não gosta de onde mora? Não.ela considerou rindo. Apesar de. vantajoso para aqueles que realmente necessitam. ele prestava atenção em tudo o que ela falava. Longos minutos se passaram. Parecia d iscreta e. tirando a privacidade da vida alheia sem qualquer serventia útil para a s ociedade. Muito observador.nalismo. o que o deixou mais tranqüilo. não viu qualquer aliança de noivado. direta em suas colocações.riu.brincou rin do.afirmou de modo simples. Sérgio? Olhando-a rápido. sorriu ao brincar: Pronto! Apesar de tudo. Então por que ainda mora com seus pais. sustentando leve e generoso sorriso nos lábios bem to rneados. Não posso mudar o mundo. Dificilmente uma moça bonita como aquela não teria um namor ado. Lógico que ajudo em algumas despesas. ainda est ou lá . não posso mudar os profissionais. tinha acabado de conhecer a moça e devia ser discr eto. Afinal. Ele estava curioso. Sérgio tentou disfarçar o sentimento que os envolvia.brincou e riu com gosto. combinando perfeit amente com sua pele alva. Eu tenho condições de ter um apartamento . Encarando-a . duas irmãs e um irmão. ele perguntou: Qual é a sua casa? É aquela ali! Onde há uma árvore na calçada . Nem tanto . mas posso fazer a minha parte através de um trabalho limpo. Desejava fazer algumas perguntas. Deve ganhar bem só pelo seu modo de opinar. Ao vê-la sob forte emoção e lágrimas. Proposita damente fazia-lhe perguntas informais só pelo prazer de ouvir o som suave de sua v oz na fala bem ponderada e clara. Puxa! . elegantemente trajada e levemente maquiada. Mas uma onda de insatisfação o abateu quando ela a nunciou: Minha rua é a próxima à direita! Chegando ao referido endereço. Você é bem convincente. davam um toque especial em suas mãos tênues e bonitas. não suportar meus irmãos. ostentava d elicado anel de ouro. Sentiu como se a conhecesse há temp os. As unhas.. às vezes. observou sua sensib ilidade e experimentou algo estranho quando encarou seu olhar carente que implor ava por auxílio. experimentou a impressão de ter sua alma invadida e fatalme nte atingida por uma sensação desconhecida que os dominou num profundo e sério silêncio. Ele sabia disso pelos dados pessoais mencionados durante a ocorrência. normalment e com locações para fins comerciais. delicadamente pintadas com uma cor transpare nte.. moro com meus pais para conseguir pagar meus estudos. Sérgio manobrou e estacionou o veículo frente à bela e grande residência. mas acreditava não ser o momento adequado.ele admirou. Trabalho na área central. . Sérgio a ouvia atentamente. Tinha um corpo bem delineado. Ah! Quem sabe você conseguiria fazer meu pai vender aquela casa?! . pois parece ter um dom natural de envolver e convencer as pessoas.

por isso. comentando meio tímido. Queria te pedir para ficar comigo. inteligente e bem estabilizada financeiramente jamais deveria dar atenção ou se interessar por alguém como ele. Acreditou que uma moça tão bonita.. enca rou-o e revelou: Tive um dia difícil e depois de toda aquela situação complicada. em meio ao constrangimento. Não sei por que não lemb rei de fazer isso antes. Não. Sérgio. me entender. É. . . decidi passar lá p ara ver se ainda estava aguardando e se precisava de ajuda.ela admitiu com voz meiga. que não passava de func ionário público.... Fiqu ei achando que o veria entrar ali a qualquer momento. é que não estou acostumada àquele tipo de ambiente e pessoas com aqueles modos e palavreados. essa cena antes.. Não duvido de seu pressentimento . Deixando-se entristecer. mas você precisou ir embora e eu fiquei em desespero. mas voltei. E nunca aconteceu de eu ficar inquieto por alg uém após cumprir meu serviço.. devo confessar. Tomei um susto ao reconhecê-lo! . eu procurava me conter. Não consegui esquecer a situação e logo imagi ue demorariam muito para atendê-la.. um brilho expressivo nos últimos minutos em que conversaram. descer do carro e caminhar para o portão da requinta da residência. Demorou demais para eu ser atendida. Débora contou: Quando entrei na viatura e o olhei. Isso não me surpreende . E também obrigada por ter me trazido. É bom encontrarmos pessoas humanas e prestativas como você em momentos conturbados. não duvido que você já tenha visto..Sorriu sem jeito. teve o desejo d e abraçá-lo por tanta gratidão. Estou sentindo algo di ferente com isso. Foi como um pressentimento.ela quis saber. Desculpe-me. mentalmente. antes de ir embora. parecendo esperar uma resposta. É que. daqu ele monte de gente que estava ali com modos estranhos... Sei lá! Talvez por desejar a sua companhia e. Sérgio questionava-se sobre o motivo da jovem não lhe dar um cartão. Eu só estava cumprindo com o meu dever. Eu ia telefonar para o meu pai. Estava tarde e me considerei boba por ter a ilusão de que você voltaria. Porém era como se o conhecesse. E ao chegarmos à delegacia. O quê? . ele suspirou fundo experimentando uma sensação melancólica quando acenou ao ir embora. viu-a oferecendo um para a mãe e o tio da menina perdida.. Breve pausa e.disse sorrindo. Quase não acreditei.Ele não disse nada e Débora pr osseguiu em voz branda: Ao ficar sozinha na delegacia. Boba. com a qual intimamente ficou insatisfeito pelo desfech e da despedida. na verdade. posso jurar que já vi essa cena antes e.. Vendo-a pegar suas bolsas. Débora estendeu-lhe a mão para um cumprimento quando..Fugiu-lhe ao olhar. segura e. Eu queria me sentir amparada . Aqui estamos . Bem... A final de contas. mas seria ridícula. mas implorava em pensamento que você me ajudasse. Sua companhia foi um prazer. Contudo conteve-se. Alguns plantões. agressivos. Acredito ni sso e em muito mais. com um baixo salário recebido para trabalhar em favor da população.. Ele havia gostado tanto dela! Pareceu-lhe tão grata pela atenção! Viu em seu olhar uma chama. pensei muito em você.sorriu com delicadeza. Realmente fiquei preocupado com você naquele lugar.. mas não podia ficar ali. pois nem sabia direito o seu nome. Senti algo tão estranho como se só v ocê pudesse me socorrer. Parece que nos conhecemos . a delegacia tem um clima muito pesado e u ma moça como você não está acostumada àquilo. Não me agradeça.perguntou com um tom afável na voz. Sérgio! O outro policial sim estava cumprindo o dever dele. o rapaz chegou à sua casa vivenciando um travo de dece pção. Como assim? .. Meu pressentimento se confirmou. .revelou com firmeza e encarando -o. eu não queria f icar sozinha esperando para ser atendida.replicou com largo sorriso. Por que boba? .. Sabe. tive uma sensação de insegura nça. Muito obrigada por tudo. de um medo tão grande! Nenhum preconceito. a fim de ele ir me buscar e.tornou o rapaz. como se soubesse que iria me ajudar de alguma forma. Porém você exalava a lgo mais humano e não mecânico para com o seu trabalho. sussurrando quase sem querer: Que estranho.. E voltei! Demorei por ter de atender a um outro chamado. Tomado de estranha emoção. Entretanto ela não manifestou qualquer desejo de vê-lo novamente.

beijou sua mãe e nada comentou a res peito. pois poderia ir embora para casa sem se importar com ela. Débora acreditava ter agido bem. Débora não esperou a réplica de Élcio. irmã mais vel ha de Débora. Estava extremamente nervosa. Não foi uma experiência agradável passar horas em uma delegacia. Para sua surpresa. reagindo abruptamente. pelo furto do meu celular. Sabe.. cabelo bem curto e barba escanhoada na pele morena clara. hein?! Você deveria ter me telefonado. Não estaria tranqüila caso deixasse aquela garoti nha ali.provocou Élcio. a moça bateu a porta com força para fechá-la. per mitiu que suas idéias vagassem. em seguida. A jovem duelava com os próprios pensamentos. Emy e Élcio tin ham o dom de irritá-la. mas foi atalhada da empolgação. Apreciando as repetitiv as recordações. produções próprias e por isso só sabem al r a boa vida que levam por terem um papai que os banquem! Olha aqui.reclamou o pai. da espera na delegacia onde se sentiu tão insegur a.confirmou Débora. demonstrando sua ira e .gritou Débora.. irmão de ambas. conforme sua consciênci a mandou. Dando as costas. Acreditava já o ter visto antes. ind ignados e conflitantes. de um verde esmeralda brilhan . entrou em casa.Dominado por certa angústia. pois confiou nele sem saber a razão. na universidade. Era gosto so lembrar sua voz forte e ponderada. Envolvida por energias diferentes. seu comportamento digno. Até chegar a minha vez para fazer o B. ta! Quem mandou ser descuidada? Que ótima mãe. Mas sua família só sabia criticá-la. Emy e Élcio. pobrezin ha! A Débora sempre gostou de sofrer. Enraivecida. a moça fitou o teto e seus olhos irradiaram a chama de um envolvent e desejo vindo de seu coração. sua!. Nunca i maginou que um policial pudesse ser assim. Talvez. Nossa! As pessoas tinham de prest ar depoimento e demorou tanto... saiu da sala de jantar a pass os firmes e rápidos. em tom mod erado. Fez o que seu coração pediu. incapacitada e dependente como vocês dois! Par a mim vocês são frustrados.O. ta! . Emy não suportou e tornou em tom de zombaria: Que gratidão os parentes da menina tiveram! Oh! Largaram você lá. Virando-se. Pessoas de u nível moral. até a equipe de plan tão. Era impossível não pensar em Sérgio. da prova que não realizou.defendeu-se a outra irritada. educado e calmo. tão solícito. Débora . a calma constante . sozinha. Sérgio era um rapaz bonito. Apesar do prejuízo pelo celular. do susto que sofreu com o furto. Passar a tarde e o começo da noite em uma delegacia! Andar no carro da polícia! V ocê é doida varrida! Onde já se viu?! . atirou-se sobre a cama. vão se danar! Ta legal?! .criticou Emy em tom muito arrogante.. concluiu: Não sou uma inútil. ela não suportou e começou a chorar. de relance. senhor Aléssio. Emy. a bela jovem que agora estava tranqüila. minha filha! . Lá havia uma confusão a ser resolvida. O que você faria em meu lugar?! Ora.com deboche e ironia exclamou Emy. adorava lembrar-se de cada detalhe de sua conversa com ele durante o caminho para sua casa. * * * Todos já haviam terminado o jantar e Débora não parava de contar detalhes do aconte cido. tratou-a muito educadamente ao lhe atender e faz er o B. Eu não tive escolha. Admirava-o pela pre ocupação com ela e por se dar ao trabalho de verificar se ainda aguardava para ser a tendida na delegacia.. né? Também um caso de homicídio. apesar dos acontecimentos conturbados e serviço ingrato. Problema da mãe da men ina. enquanto sorria sem perceber. Não mesmo! ... Jamais havia pr ecisado da ajuda da polícia. Em seu quarto. Seus olhos eram atraentes. debilitados de ações. quase bronzeada. que trabalhava na delegacia. Foi uma gentil prestatividade dele. Levan tando-se.. Você ainda não se acostumou? .. Explicou somente em rápidas palavras o motivo de não ter ido à universidade. até lembrar-se de Sérgio.O. Sentia como se o conhecesse há tempo.

Ao deitar-se para dormir. no tênis. Enquanto minha família. levantar cedo e sempre se ocupar com coisas úteis. Não havia agendado muitos compromissos para aquele dia e poderia chegar mais tarde ao serviço. mas conseguiu. Forçando recordar-se. Nos últimos tempos. ainda experimentava uma sensação de frustração ao pensar qu e seria difícil ver Sérgio novamente. lembrou-se de ligar para a operadora e avisar sobre o furto ocorrido.. Procurá-lo na universidade?! Seria trabalhoso e qual desculpa eu daria? Ai. Ele é tão bonito! Aliás. abandonando . sua irmã c la. mas.. me compreendeu... Ele é tão esforçado! Que diferença. ai. mas pode ser casado ou então noivo. mas fiquei c om vergonha. Embora pertencesse a uma família bem estruturada financeiramente. Quando segurava o vol ante. Não se preocupe. Débora. Mas a falta da aliança não quer dizer ausência de compromisso com alguém. exausta. o sol frio daquela manhã de outono invadiu o quarto quando Débor a abriu a janela. * * * No dia seguinte.. prosseguiu: Não. Cansada. A h! Ele falou que pagava os estudos e mal podia sustentar as despesas com o carro ! Não deve ser noivo. ele tem mais vocação para psicologia do que para policial. Deixe-me ver. tirou-a daquelas reflexões: Débora! Telefone! Atende aí! Nossa! Nem ouvi tocar! .. Chamada à razão pelos próprios pensamentos. pois ele era pers istente. Por fim respondeu: Pode deixar! Obrigada! Débora foi surpreendida por Breno.. Uma névoa de contrariedade envolveu-a. surpreendeu-se em pensamento. Desculpe-me por ligar a essa hora... Eu ia mesmo trocar aquele aparelho. planejando ir trabalhar com seu carro. mas é o mínimo que podemos fazemos questão! . pensava Débora sem dissipar a agradável lem brança. O Sérgio. não me criticou e ainda me ajudou. Ora! Eu sei. tio de Cris.exclamou ela. sua imbecil! .. Ela não sabia explicar aquele sentimento de atração que experimentava. Débora! E se o Sérgio tiver algum compromisso? Ele disse que mora com os pais. Entretanto foi difícil convencer B reno sobre sua opinião e encerrar o telefonema de forma educada.. Lembrar-se dele era prazeroso! Extenuada. Nem precisa se explicar. talvez só namore.. Ofendia-se por não encontrar uma solução. Não sei o que me deu. É interessante estudarmos no mesmo lugar .. rapidamente concili ou o sono enquanto pensava nele. Débora! Idiota! E agora?! . um estranho.. Não. sentou-se na cama e murmurou: Puxa! Eu queria tanto encontrá-lo novamente. vi que suas mãos eram bem fortes! Reparei na roupa bem alinhada. pois tem um físico tão torneado! Mas que droga! Com o vou encontrá-lo agora?! Seria ridículo eu ir lá onde ele trabalha. Não queríamos deixá-la só na delegacia. Breno! Que surpresa! Estávamos preocupados com você. Nada pagará sua atenção. De imediato sobressaltou-se enervada consigo mesma: Que droga! Como pude ser tão burra?! Não lhe dei um cartão e ele não tem meu telefone! Ai. ele não tinha aliança ou anel. Parecerei muito v ulgar. mas não dormiria sossegado se não tivesse notícias suas. jantou e dormiu rapidinho! Ah! Meu cunhado ficou muito grato pela sua atitude c om a Cris. não.. Ah! Da próxima vez que encontrá-lo. Real-mente. Ela estava decidida em não aceitar o presente. Irritada. a cho que não o vi de aliança.avisou a jovem com simpatia no tom de voz. a jovem fazia questão de trabalhar.Logo perguntou: E a Cris? Dormindo feito um anjo! A Elza ligou agora dizendo que a Cris tomou um banho.insistiu Breno com extrema amabilidade. A voz de Yara. repreendeu-se: Ai.. Por favor. pois ela sentiu como se não quisesse deixar de f itá-los. Eu deveria ter-lhe feito mais algumas perguntas. Olá.. deve malhar muito em algu ma academia ou mesmo no quartel.. Deu tudo certo . desejava sair daquela casa para morar sozinha. seus cuidados e sua generosidade. Será um prazer darmos um celular novo para você! Não! De jeito nenhum! .te que fascinava com certa magia. ai. .

eu aceito! .. um tanto constrangido. Não tinha c omo avisá-la. me desculpe. motivo de tanto transtorno e trabalho no dia anteri or. notou certo constrangimento em Sérgio. Seus olhos novamente se fixaram por l ongos segundos e o silêncio imperou até a empregada interrompê-los: Com licença? . Imaginei que tivesse f icado com você. riu e falou: Bem.. finalmente. Puxa! Eu estava feito louca procurando essa pasta. eu vi que a esqueceu no banco de trás. ele ofereceu largo sorriso. foi interrompida por suaves batidas à porta de seu quarto. O rapaz não esperava por aquele convite.. Débora! Estou bem e você? Melhor agora! .. não entendia a origem do medo para tomar essa atitude . Iolanda! .. Sabia a razão daquela dificuldade de expressão... Refletindo sobre várias coisas. mas já me alimentei em casa e.. A moça voltou à frente do espelho procurando algum de talhe em sua imagem que poderia comprometer sua elegância. A moça ficou petrificada diante do rapaz. Repentinamente. Vai atender esse moço? Pelo amor de Deus. Nem pedi para se se ntar.... Apesar de acreditar ser madur a para tal responsabilidade.. Desculpe-me decepcioná-la. Débora respirou fundo. havia reparado uma gr ande mesa bem posta para o desjejum. Chegando à sala de estar. A certa distância. respondeu ao se sentar: Se for um cafezinho.expressou-se com verdadeira alegria. tentou corrigir-se.atrapalhou-se.pediu generosa. não estava ali. sobre a escrivaninha. . repentinamente. Ah. fazendo-a virar e dando-lhe um em purrãozinho.. Ajeitou novamente os ca belos. Sérgio. Eu estou acabando de me arrumar! Vai lá correndo. por isso.. Seu ro sto corou imediatamente e. Sentiu-se em apuros. envergonhada. Di sse que se chama Sérgio e está com uma pasta tua. por favor.. mas gaguejou: É. ficou assombrada e inquieta ao descobrir que sua pasta.... sob os livros e outras pastas. em seu carro. aceite só um cafezinho! Já está pronto. Avisando: Estou indo! A empregada riu e obedeceu. apontando para o sofá. respondeu impensadamente. educado. A senhora quer que eu sirva um café? Não! Quero dizer. . pois acreditei tratar-se de um material important e. vestiu-se impecavelmente co mo sempre e. Vamos ali para a mesa já posta? . Sérgio! . Débora. Algo apertava seu coração ao pensar nisso. Não imagina como me aj udou novamente.... não! O meu trabalho da faculdade! Incrédula..propôs apontando para o outro recinto. avisou: Oh. mas não a encontrou. Esborrifando uma colônia no a r ficou sob o orvalho da suave fragrância que caía.. Olhou-se de perfil no espelho e. Lembrou-se de só poder tê-la esq uecido no carro de Sérgio. Faço que stão que tome café comigo.pediu educada. A Iolanda nos servirá aqui mesmo.. ela tomou um banho.fal ou com dengo. da elegante e moderna decoração. Quero dizer. vai! . Depois de tudo o que fez por mim. Faça-o entrar! Eu. por favor! . segurando a mulher pelos ombros. Bom dia! Tudo bem?! Bom dia. Ao a bri-la. Meu Deus! A agenda! Os contratos assinados pelos locadores! Os documentos que .Ele sorriu vendo-a incapaz de organizar as idéias.. estendeu-lhe a p asta e contou: Ao fechar o carro ontem à noite. procurou a pasta em suas bolsas. É assim. Ele sorriu satisfeito e. Procurando a agenda com o telefo ne de suas amigas do curso de graduação.a proteção e qualquer dependência material de seus pais. Olá. Mas. Tinha certeza de ter ido direto para o seu quarto ao chegar à noite anterior. Então. E como é importante! Ah! Perdoe-me por mais esse trabalho.. Be m. Ele se anunciou pelo interfone. deparou-se com a empregada. não pode recus ar. saiu do quarto. por isso vim cedo.praticamente gritou. Sente se. arrumou suas coisas pegando o material d e que precisaria para levar à noite à universidade.eufórica e emocionada por vê-lo. Ai. antes de fazer o desjejum. pois também se sentiu inebriado durante aqu eles segundos em que se olharam. atrás do comput ador.. pois tudo de que precisava estava naquela pasta. avisando: Débora. dando-lhe um toque natural e retocou o batom. E.. Como eu poderia encontrá-lo? Ao vê-la embaraçada com as palavras. talvez pelo requ inte do interior da casa. tem um rapaz lá no portão te procurando.

O silêncio pairou inebriante até Sérgio terminar de beber o café e anunciar: Foi ótimo saber que você está bem. Te rriso cativante que impressiona e atrai.. er a tudo ou nada. E e nquanto apreciavam a bebida fumegante. Só preciso entrar m contato com algumas colegas para saber como ficou o trabalho a ser entregue on tem.Vendo-a com a respiração represada e sem resposta. invadindo-lhe a alma através do olhar. o simpático rapaz perguntou: Avisou a operadora de seu celular sobre o furto? Ah. não é? Sabi que telefonaria para ter notícias dela. mas entendo. O quanto antes à mulher providenciou deli cadas xícaras de porcelana sobre linda bandeja de prata deixada na mesa central da sala. Certa decepção abraçou o coração de Sérgio naquele segundo. . Ele não disse nada. O tio e a mãe estavam preocupados comigo. Precisa cumprir o horário. por isso argumentou: Seu namorado não deveria deixá-la pegar carona. mas preciso enviar uma cópia do B. Poucos minutos passaram e a moça retornou à sala. quem não ficaria.Sorriu animada.. . Sérgio acomodou-se novamente e sorria em seu íntimo. o rapaz falou em tom grave e emocionado. Pode até tomar seu café da manhã sossegada.comentou. Quer uma carona? Com entonação suave na voz e nítida expressão de felicidade. Agora que já tem sua pasta e roubei um pouco de se u tempo. com um brilho no olhar ao dizer: Quem sabe. e ele telefonou. Não vou demorar . sem perder a oportun idade de vê-la em silêncio: Você está muito bonita.. o que a deixou muda. Sérgio arriscou. à noite. . pedindo animadamente: Vamos?! Estou pronta! Sim! Vamos . Olhou-a de uma forma diferente ao contemplá-la e ofereceu lar go sorriso ao experimentar uma felicidade sem igual. Tenho o dia t odo para isso.. ligou o carro e seg uiu conversando sobre outros assuntos. nós no s encontremos lá na universidade! É. Quem sabe. indo para seu quart o.. parecendo saber de seus sent imentos e pensamentos com uma habilidade a qual dificilmente ela poderia explica . sentindo-se extremamente fel iz por ela tê-lo tratado tão bem e aceitar seu convite. . Ontem mesmo.. ao sutil sinal da moça. pois não queria se iludir.avisou. mas não liguei. hoje estou de folga .A empregada entendeu o olhar de Débora. Sérgio não conteve a satisfação de tê-la ao lado e. ao entrarem no carro.. Liguei logo após ter f alado com o tio da Cris. mas não devo ser o motivo de seu atraso para ir trabalhar.. Débora comentou parecendo envergonhada: Não tenho namorado. Sente-se. sim.Sérgio pensou rápido. ele perguntou : Posso dizer uma coisa? . Minha agenda está tranqüila. Porém tenho de ir até a companhia onde trabalho para resolver um assunto administrativo. Emocionei-me sim. mas disfarçou bem e falou em guida: Percebi você muito comovida com aquela menininha. Ninguém a fazia perder as palavras daq uela forma.. Fitando-a firme. mesmo com amigos da universidade. É uma pena. ele observou seu belo rosto alvo enrubescer e.Encarando-a. Depois.O. Desejava saber. Na verdade. com um leve t remor na voz baixa.brincou troque de pasta! Ela sorriu gostoso ao responder: Sem dúvida! Só um minuto! Você me espera? Não tenho pressa. dissimulou qualquer interesse e perguntou : Vejo que está arrumada para ir trabalhar e eu estou indo para o centro da cidade ... é tão meiga. estampando lindo sorriso.. Não tenho hora para chegar ao serviço. Débora! Além disso. Débora ainda trazia uma inquietude pelo fato de e le tê-la deixado constrangida com a argumentação.. pois. Sua companhia é bem agradável. Débora respondeu: Lógico! Se não for incomodá-lo. Aliás. entendeu que ela fazia questão de servi-lo.respondeu ao levantar-se e admirá-la discretamente. Não! Hoje estou sem fome. Sabia dominar seus sentimentos em toda situação. Apesar de manter as aparências. levantando-se. Claro que não! Pegue suas coisas e.falou. Entretanto jamais exper imentou aquela sensação em que Sérgio invadiu-lhe o íntimo. sem demora.. preciso ir .

com toda a liberdade. Por quê? Ah!. continuaram conversando até ela comentar: Depois de telefonar par a você. ela questionou: Por volta das cinco horas você estará em sua casa? Sim. . Num gesto mimoso e em meio ao riso. Até mais então. Sérgio suspirou fundo e vagarosamente enquanto a observava caminhando. quase um afago. segurou-a levemente pelo braço. olhando-a com admiração e reparando em seu jeito me igo.. Será difícil apa tantos papéis em meio a esse movimento de pessoas e o vento. a jovem olhou para trás e acenou. Gent il.brincou. quando menos esperava. Aproveitando-se desse fato. chamando-a: Débora!. Desculp e-me. rapidamente. Ele. Por quê? Não sei a que horas vou deixar o serviço hoje e. Desculpe-me você. falou bem descontraído: Não encontrei lugar para estacionar aqui..tornou ele. Ele pare cia imerso em um sonho e. . Ia descendo do veículo. Sobressaltando-se.. o rapaz passou as mãos pelo rosto. A jovem demonstrou-se feliz. estampando um semblante bem feliz. por eu ter telefonado mais cedo do que o combinado. O que ia dizendo sobre eu vir mais cedo? . ele retribuiu de imediato.falou de modo alegre. Ao vê-la entrar na empresa onde tra balhava. o rapaz a beijou no rosto. lembrandoo sobre o fato de o número do celular estar desativado. dizendo: Com licença . enlaçou-a em seu braço. Ah!.replicou a bela jovem correspondendo à brincadeira. que a procurava em meio ao mov imentado centro financeiro da cidade de São Paulo onde haviam marcado de se encont rarem. Sorrindo em seguida.. sorriu incrédulo e seguiu.despediu-se com expressiva satisfação ao descer do carro. A que horas eu poderia vir pegá-la aqui? Titubeando por segundos.Dificuldades em família No final da tarde. Sérgio pegou a delicada mão de Débora. certo? . Eu deveria esperar e ligar mais t arde.. Agradeceu a carona e pensou ligeira. como se tivesse feito uma molecagem. Débora. recostou-se nele como se o conhe cesse há tempo. Mas que ousadia! . 3 . Sorrindo de modo alegre e cristal ino. também forneceu o número do telefone de sua residência e endereço.Dessa forma... Ah. Ao se depararem. acomodando-se no .Ao ver seu rosto reluzente e sorrindo virar com expectativa. . Teremos de andar um quarteirão.. O que é isso? Eu estava sem fazer nada.. Ainda é cedo! As pessoas que passavam por entre eles atrapalhavam o diálogo. beijou-lhe o rosto segurando-lhe a nuca com delicado ca rinho.Pegando a pasta. . e avisou: reciso segurar firme as crianças para não se perderem. Débora pareceu resplandec er ao reconhecer os nobres traços do rosto de Sérgio. Encorajou-se e . Sem perceber sujou-lhe a blusa com seu ba tom. co ntinuou no mesmo tom: É que crianças deixam as coisas caírem à toa! Você sabe. dê-me essa pasta antes que você a jogue ao chão! .ele ri ao dizer aquilo propositadamente para provocá-la. Débora ofereceu-lhe um cartão com seus telefones. eu me arrependi.afirmou animado.. A jovem riu gostoso e.r com palavras. Débora sorriu novamente. contornou o veículo e. sem que ele esperasse. Chegando ao destino. Vou aguardar.. quando Sérgio se curvou e. Continuaremos a fazer nada juntos . Posso te ligar avisando? Lógico que sim! . para não se separarem. ela continuou encostada em seu braço por algum tempo enquanto andavam. Não demorou muito e chegaram até o carro estacionado. Você não precisaria chegar tão cedo à universidade.. o rapaz abriu a porta para ela entrar. ele a soltou como se fizesse suave afago no braço e perguntou: Talvez possamos ir junto s à universidade hoje. por sua vez... E nquanto andavam.

sou solteiro. Posso ser sincero? .falou animado. muitas vezes. O que é reformado? . Moro com meus pa is. assim como eu hoje cedo. Meus dois irmãos são PMs também e estão na ativa.. . Bem. é prec iso ser prático....suspirou fundo e sorriu sem jeito. é? . Sabe. o casal ocupava u ma mesa e tomava um refrigerante em uma lanchonete próxima da universidade. Talvez seja por força do hábito. Lógico que não.questionou de imediato. esqueço-m e e uso termos militares. O que quis dizer com a expressão: força do hábito? Débora.sorriu ele. Falarei com o professor hoje. sem compromisso. Você me deixou sem graça novamente.Pe nsou por segundos e foi verdadeiro ao revelar: Bem.tornou ele. quando Débora disse b em extrovertida: Gostaria de saber um pouco mais sobre você! Não é para o jornal da universidade. Sérgio procurou sair dali o quanto antes. No militarismo. Perdoe-me .... Minha mãe era enfermeira..riu com gosto.. Ao lado da prazerosa companhia.. mas com quatro filhos precisou deixar o emprego. insatisfeito com meu salário. Frente à moça. Aproximou-se mais. Desculpe-me.. Sérgio colocou os cotovelos e as mãos levemente entrelaçadas sobre a mes a. E quanto a dizer que respondi por força de hábito. enquanto continuava com o mesmo olhar: O que quer saber de verdade? Como assim?. Logo depois. não sou do tipo que se acomoda nos trabalho s em grupo.. Puxa. Terei de pedir uma substitutiva.. ou seja. Conversando bastante nem perceberam o caminho. Deixe-me ver. perguntou antes de saírem: Conseguiu falar com suas colegas sobre o trabalho em grupo? Ah.concordou ela satisfeita. ou seja.. Apesar de responder tudo educadamente . Esse tipo de interesse acontece com mais intensidade.Encarando-a de modo a invadir-lhe a alma. Imagine!. Por isso dei um jeitinho e falei tudo o que mais queria saber e de uma só vez. sorriu com doçura ao afi rmar: Você sabe como me deixar envergonhada e me fazer perder a fala... fizeram tudo. a maneir a de eu reagir em determinadas situações e o modo como me relaciono com as pessoas. Então por que entrou para a polícia. Sabe. tenho dois irmãos mais velhos e.... hein!. Sei que isso não parece humano. Ela não disse nada e ele prosseguiu: ..quis saber em tom alegre e descontraído. ainda trabalham. eu entendi que você quer conhecer meu perfil psicológico. O que acha de irmos à lanchonete perto da universidade? Ótimo! Tudo bem! . principalmente por saber q ual é o meu trabalho.Acredito que nunca conheceu nem teve um amigo policial militar. Você foi gentil. tenho certeza de que não me enquadro nessa função... você o fez em forma de relatório ao falar de uma vez... ele correspondeu ao sorriso e continuou: Você estava super curiosa para saber algumas informações pessoai s a meu respeito. Os dois falaram sobre várias coisas. sim! Minhas amigas são ótimas! Bem. Acabei de completar vinte e oito anos. Débora . Ah! Faço o curso Psicologia e tenho muitos planos e metas para atingir. .. funcionário público..Ao vê-la acenar positivamente com a cabeça.. em tom brando e generoso: Neste momento estou em companhia d e uma linda moça e. Não tive a intenção de constrangê-la. Encabulada. Entende? Por ess a razão. . a fim de cuidar da casa e de nós... falou baixo. frio e objetivo. participo bastante e elas sabem disso. Bem. No loc al havia vários estudantes. A pergunta foi sua. Débora sentiu o rosto aquecer imediatamente. Meu pai é PM apos entado. Qu ser gentil.... perguntando com fala ponderada e séria.. . Sérgio? O meu pai é policial militar reformado e. Então. aguardou.oferecendo belo sorriso. E a prova que perdeu? . Ela é especial! E alguém que eu gostaria de conhecer um pouco mais! .. . Entrei na polícia por falta de alternativas. colocaram o meu nome e entregaram.Tão habituado ao meio.banco do motorista. Então. Reformado substitui aposentado. referi-me à forma mecânica e rápida como faria em meu serviço. Isso é normal! .

. casado e tem dois filhos. Tenho uma maneira diferente de planejar a vida.lembrou-se.. dependente do serviço público e. Acreditei que procurar um psicólogo demonstraria assumir ce rto desequilíbrio da minha parte. Ai! Você vai zombar de mim! Por quê? .disse ligeira. Sérgio. Acho a vida deles bem limi tada.falou sentida.. não é Sérgio? .. mais ou menos. Concorda? Lógico! Sem dúvida! Sabe. mas os préstimos dos psicólogos e a busca de te rapias jamais são procurados por pessoas desequilibradas.. sinto e os conflitos inevitáveis com meus irmãos com os quais eu tento. nós dois nos damos muito bem.calou-se e suspirou fundo. Porém a Emy e o Élcio fazem da min ha vida um inferno por eu não pensar ou agir como eles! E meus pais nunca se manif estam em minha defesa! O que os leva a essa incompatibilidade? . A Yara é neutra em tudo. estou brincando. sinto muito em decepcioná-la. Sérgio sorriu e explicou: Débora.perguntou mais séria. curioso: Eu perg untei algo errado? Não! De forma alguma tornou ela. são justament e as pessoas equilibradas. Al iás. Eu não podia imaginar. Veja a ironia do destino!. buscando entendimento.. não me acho nada parecido com a minha família. atenta. que prosseguiram na terapia e seguira . menos de vinte retornam para buscar ajuda? E bem poucos desses vinte persistem?. eu sempre pensei em procurar um psicólogo para entender melhor o que vivo . O Marcílio é meu irmão mais velho. . Que bacana! Você é um lutador! Seria fácil se acomodar e culpar a vida por não conseg uir alguma coisa..Observando-a oferecer meio sorriso ao girar o copo de refrigerante entre as mãos. adolescente ainda. Sim. Mas minha irmã morreu há um ano e meio.Como pode garantir isso? . Se eu fizer nada por mim hoje. E entre o riso. dentro da área clínica. Depo is o Tiago. Estou falando com você como se estivéssemos em uma terapia . buscam ajuda e fazem tratamento. depois me sinto tão mal por fazer isso. Economizei o que pud e até entrar para a universidade.argumentou ele.. Nossa! Eu não sabia disso! Entre todas as cem pessoas que admitiram a dependência. Também sou a te ira filha entre quatro irmãos. h armonia e um melhor jeito de lidar com o que experimentam ou sofrem. Há tanta diferença entre nós! Eu sinto a mesma coisa com relação à minha família! ..Mais sério. serei e terei nada d aqui a alguns anos. Perdoe-me .Ao vê-la refletin do. Parece que não quer depender de ninguém. tento e te nto me segurar. dizemos que essas são conscientes. Consideram-se auto-suficientes e não admitem o vício do entio. Eu não quero ser como o meu pai e meus irmãos. A Emy e o Élcio são os mais velhos. Contudo não suporto e revido as agressões verbais. depois eu e a Yara é a caçula. . menos de quarenta conseguem êxito depois de um ano? E dos sessenta que desistiram. disfarçando um forte sentimento sem que a moça percebe sse...questionou no mesmo tom.. Você já viu um alcoólatra irrecuperável admitir que seja alcoólatra? Um viciado irreve sível dizer que é dependente químico? Garanto que isso é pouco provável. concluiu: Você sabia que de cada cem pessoas alcoólatras que assumem a dependência . Não pense que sou orgulhoso.. Em seguida contou: As despesas eram muitas e meu pai não poderia pagar meus e studos nem de meus irmãos. pois acreditam poder parar a qualquer momento com o que as escravizam sem a ajuda de profissionais ou grupo de apoio. por isso eu os concluí em escola pública. Isso é desequilíbrio. E. Essas pessoas são oentes e estão presas em seus vícios de tal forma que não conseguem enxergar e admitir a realidade a ponto de procurar ajuda. Muitas vezes se fazem de vítimas e acusam os outros de não compreendê-las. Tudo bem .disse com graça..observou com simplicidade. Muito ao contrário! Aquele s que admitem soluções para seus problemas ou dificuldades.riu ao a visar .. tenho mesmo. continuou: Depoi s meus pais tiveram a Lúcia e eu.Mas você disse que tem dois irmãos ou eu ouvi errado? . solteiro e quem eu tenho de aturar para dividir um quarto . a de sargento. Ele se interessou. entrei na polícia e fiz cursos até chegar a uma graduação satisfatória. falou: É que. Eu penso assim: tenho de começar a fazer algo e me transformar agora para estar melhor daqui a alguns anos. procuraram auxílio e se p ropuseram ao tratamento. Aq uelas em torno de quarenta.

Mas. . . Neste momento não estou s endo terapeuta. Tenho até medo de conhecer mais. Como você sabe disso?! . compreendendo e se integrando com os quais precisam e desejam conviver sem atritos. Sabendo um pouquinho sobre vo cê. posso falar de mim.. Envergonhada. outra é amizade ou coleguismo. As que retornam são as determinadas a alcançar o fim de seus objetivos. misto a um olhar de melancolia. Fomos criados pelas babás e est udamos nas melhores escolas. eu gostaria de conhecê-la.. O Élcio e a Emy se formaram em dir e. Querem justamente se livrar do que as incomoda a fim de viverem em harmoni a consigo mesmas. dúvidas. Meus irmãos não fazem absolutamente nad a! Só assinam alguns papéis para somarem número de advogados atuantes. . . Não posso concordar. se mal a conhecia?! Inquieto e impulsivo.m cada um dos doze passos. colocando-as entre as suas. o rapaz desfechou em tom brando: Uma coisa é terapia.. Como explicar tal sentimento. persistentes e equilibradas. Meus pais são advogados. Na verdade não sei descrevê-la.intrometeu-se com leve riso.. sem auto-agressão ou auto flag elação. contou: Meu pai não se con forma em me ver trabalhando como corretora de imóveis! Entretanto tenho o maior or gulho do que faço.Oferecendo uma pausa. dificuldades. certo? Errado! Conheço bem aquela empresa.. mas um tormento angustioso tomou conta de seu coração por não desejar vê-la sofre r. Inclusive por você trabalhar . Nunca pensei por es se ponto de vista. De início.. Elas se libertam para uma evolução pessoal saudável. mas as realizações dos serviços passam longe deles.Breve silêncio e contou: Bem... Obrigada pela explicação e exemplo. ele realiza serviços de despachante a lfandegário para liberação de importações e exportações. Estamos conversando . minha família me censura em tudo! Com exceção d a Yara. procurando não depender do meu pai para tudo. sem agressões de qualquer tipo. O meu pai tem uma grande empresa que presta assessoria jurídica ampla: contábil. Por insistênc ia do meu pai eu comecei a fazer Direito e detestei.. Sérgio se . Débora encarou-o com largo e belo sorriso ao admitir: Eu desconhecia tudo isso. em minha opinião.Ficou co m olhar perdido. os dois me ridicularizam e meu s pais se calam parecendo coniventes. A Yara não sabe o que quer da vida e só faz cursinho. deter ao olhar para o alto sem encarar Sérgio. Como disse no início. Fiquei tão magoada com a minha mãe. Contudo todas aquelas que pr ocuram uma ajuda profissional são pessoas conscientes e que não desejam continuar ex perimentando determinados problemas. .Sérgio pendeu c om a cabeça positivamente e ela prosseguiu: Você acredita que minha mãe veio conversar comigo e me perguntou se eu não estava com inveja da Emy e do Élcio?! Por que ela perguntou isso? Certamente por eu não agüentar mais as chacotas e o desrespeito deles para comigo e revidar à altura quando começam a me ridicularizar. baixa auto-es tima.Riu e continuou: Como disse. Minha mãe finge se interessar pela profissão só para fugir dos assuntos da família. ela abaixou a cabeça. Nem tinha dezoito anos aind a! Parei antes de terminar o primeiro semestre. Os belos olhos castanhos de Débora se empossaram nas lágrimas que tentou. Comecei a fazer Administração de Emp resas e não me adaptei. um crescimento espiritual digno. às vezes acho que não pertenço à minha família. angústias. fiscal e civil para muitas companhi as e empresas de considerável porte. .. O meu pai nunca me amparou ou me protegeu. Ali te m muita coisa errada e. Por eu traba lhar.Sem esperar por uma resposta. apesar de toda luta a interior e sacrifício.Breve pausa e exclamou: Nossa! Como me criticaram! A propósito. pois é um enorme prazer não viver da mesada dele igual aos meus irmão s. desespe radamente. se você trabalhasse na empresa de seu pai. e desabafou: Meus pais nunca me valorizaram. Decidi e me adeqüei ao jornalismo. vendo-a atenta e pensativa.. Sempre tivemos uma vida privilegiada. ele estendeu os braços e afagou as delicadas mãos da jovem. As que desistem definitivamente voltam a crer na possib ilidade de serem auto-suficientes. por sobre a mesa que os separava. são as acomodadas.Um pouco de silêncio. são as consc ientes.. não estaria recebendo mesada pelo fato de prestar um serviço. mas logo falou: Sei muito sobre as atribuições de meus irmãos. ele não podia ent ender.. engrandecendo o s préstimos da empresa. Além disso.. escondendo o rosto entre os cabelos e chorou em silêncio. dando-lhes apoio! Entende? .. . trabalham com meus pais para terem onde se ancorar.

levantou. Débora!. Débora virou-se.. pois ele falou a verdade.. não é? .. Por que me pergunta isso?! Essas atividades. Débora. gostaria de não perder sua amizade. pegando a pasta. ao tempo em que fazia gracioso aceno com a mão.. O casal não esperava. Ei. Débora dissimulou e sorri u ao cumprimentá-la com um beijo: Oi. quas e triste. Acho que fic o tanto tempo presa. mesmo? Não.. Ah.perguntou.correspondeu animada.. m a colega de classe e melhor amiga! Prazer! . Sentado ao lado de Débora que disfarçava os suaves tremores pela brisa fria e úmida .. Sérgio perguntou: Tem certeza de que não quer comer nada.. este é o Sérgio. Já pensou que você pode estar bem errada com esse tipo de condenação e julgamento? .. não. e ele questionou parecendo adivinhar sua vi da: Há quanto tempo não sai.. Tem toda a razão. certo? Ela deteve as lágrimas e as palavras. mas disfarça bem.. não viaja nem conv a com algumas amigas sobre futilidades?. Espere. observando-a e acariciando-lhe suavemente as costas ao dizer: Não tem motivo para pedir perdão. Após suspir ar fundo. Quer entrar? Está. pediu: Perdoe-me. Débora se calou e não erguia o olhar. ped iu: Desculpe-me. estendendo-lhe uma pasta ao chamá-la pelo apelido carinhoso.expressou-se Débora. Arrependido...tornou Rita sorridente. Que nada! Você já fez tanto pela gente! Mas. Estou entendendo o motivo de minha tensão. Caso isso me incomodasse. Acabo m e aborrecendo.Retribuiu o rapaz.murmurou. encarou -o sem dizer nada e fitou-o longamente com expressão indefinida. Sérgio. Sérgio . secando o rosto com as mãos. Sérgio! Tchau.Com os olhos avermelhados. O prazer é meu! .. desde que praticadas de forma saudável.. Bem! . Hoje nem vou entrar. Obrigadão! Ta! . eu arranjaria uma desculpa para ir embora..... vive tensa. sentou-se ao seu lado e a abraçou.ela o interrompeu e foi bem direta . aqui está uma cópia do trabalho de ontem.explic ou ligeira.. com pensamentos inúteis nas críticas feitas por eles. estendeu-lhe algumas folhas e explico u: Dé. Eu só quero um segun dinho da Débora! . Poderia me f azer esse favor. sente -se conosco! Estamos esperando o horário. Ah! Obrigada! Se não fossem vocês!. aconchegando-a ao peito enquanto afa gava-lhe suavemente os cabelos. Ele não disse nada e ela chorou um pouco escondend o o rosto discretamente com uma das mãos enquanto a outra o envolvia. dando-lhe um beijo no rosto.. tchau! . Rita! Tudo bem?! Oi! Tudo jóia e você?! .. esta é a Rita. não namora e não se diverte? Não passeia.agradeceu Rita dando-lhe um rápido beijo no rosto e avisou: Agor a preciso ir.. Pare de s e punir... Detesto chorar ...exclamou alegre. Sérgio. Nos últimos tempos tem sido difícil eu to lerar tudo o que acontece lá em casa e. de se julgar ou se criticar e tentar prever a opinião dos outros.expressou-se num murmurinho vivo e alegre ao sorrir. Dé? . Ai! Que droga!... Acho que não teve uma boa impressão a meu respeito e. Minutos pass aram e ela procurou se recompor desculpando-se ao se afastar um pouco: Acabo de conhecê-lo e... Você não é obrigado a ouvir minhas lamúrias. não me desligo do que me disseram e crio tormentos inúteis em vez de soluções. Aguardou o longo silêncio. Não sabia o que diz er. . não! Obrigada! Fiquem à vontade! . fazem bem para a ment e. Eu não tenho o direito de invadir sua privacidade ou. É que. Venho descobrindo algumas coisas daquela empresa que. Creio que ninguém goste de ver os outros chorando por ninharias e ainda ouvir prob lemas... Apesar de você apresentar-se bem disposta e alegre. Deixa comigo! .Sem demora Débora apresentou: Rita... Obrigada.. afagando-lhe rapidamente o ombro. relaxam. Prazer em conhecê-lo. quando um vulto chamou-lhes a atenção e se voltaram para o la do vendo uma bonita jovem parada.Voltando-se para a amiga.. sorrindo e aguardando. mas tenho de entregar este resumo... levantando-se e propondo: Por favor.exclamou após beijá-lo novam ente e se afastar.. Só preciso de um favorzinho .

O Marcílio nunca assumiu qualquer responsabilidade.. vamos! Ele pôde sentir o vento cortante e inesperado. Sérgio surpreendeuse ao vê-la. jogou as chaves do carro para o alto num gesto de brincadeira. estágios . Tinha idéia do que havia se passado.Mudando rapidamente o assunto. . mas Débora recusou parecendo constr angida. era observada por sua mãe.respondeu de modo mecânico.tornou ele firme.. Sérgio! A Ana nunca se controla: bate nas crianças. Entretanto viu-se na obrigação de perguntar: O que aconteceu? Ah!. o rapaz a deixou em casa. Quer ser minha cobaia?! . O de sempre.. ao se levantarem. Por que a senhora ainda está acordada? E tão tarde! Não consegui dormir. A jovem não disse nada. ela perguntou: Quer ver onde é minha sala? Ah! Quero sim! . Não desejava saber detalhes de qualquer ocorrido.. deixando-se agasalhar daquela forma e ser conduzida. Aceite . Bênção. Ao vê-la com seus materiais nas mãos e encolhendo-se. Sérgio se encontrou com Débora e de ssa vez.cumprimentou e a beijou. Não é preciso .Acho que estou precisando de um psicólogo .. o moço sobrepôs o braço em seus ombros. O rapaz deu um suspiro e em seu belo semblante fulgurou um ar de insatisfação. Durante o trajeto conversaram muito e s e conheceram um pouco mais. Sem perceber. Deus o abençoe . sempre f oi temperamental.Sem que a jovem esperasse. dona Marisa. Estou farto de ajudar a financiar comprom issos que eu não assumi! Por que acha que não me casei?! Por que acha que estou estu dando. por sua vez. quando não conseguiu pagar o aluguel.. Não. Preciso de voluntárias para a aplicação de alguns testes para meu trabalho de conclusão de curso. não. sorrindo sozinho. mãe . conforme havia combinado. Antes de descer do carro. Agora.correspondeu. Não era costume de sua mãe ficar até àquela hora aguardando-o. Obrigada. e percebendoa tentar aquecer os braços com as mãos. brincando do mesmo jeito. mas não sentirá frio. envolveu-a e recostou-a em si a fim de aquecê-la.. A sala de aula é quente . Ao entrar. apanhando-as em seguida. Satisfeito. perdendo o ânimo de imediato. Estava animado como há muito não se via. tantas pesquisas. Não vai se dar ao trabalho de me levar para casa. E tão acomodado que.insistiu enquanto caminhavam.. cantarolava baixinho.riu com meiguice. conv enceu o pai a comprar esta maldita casa para vir morar conosco e se encostar. ele perguntou: Quer meu suéter? Ficará grande. Débora fez questão de devolver -lhe o suéter. Seu pai se meteu na briga e. por não resistir ao frio. não iria me candidatar! Agora. A mulher estava sentada à m esa da cozinha. Se fosse trabalho. filho! Não suporto essas brigas! Nem eu! Cansei! .disse educada. * * * Era bem tarde quando Sérgio chegou a sua casa. vai? . ele avisou: Preciso saber onde pegá-la e a que horas. deu no que deu! O Marcílio sempre gastou mais do que ganha! Nunca pensou no dia seguinte!. cl aro! Eu não sei mais o que fazer. Jogue-o nas costas.perguntou com pe nsamentos repletos de desejos positivos. Diante da educada recusa.. quase num murmúrio. Gostei da idéia! Vamos combinar isso direitinho! Vendo-a iluminar novamente pelo belo sorriso. Ela engravidou para se casar e fugir do domínio possessivo do pa i. dando um duro danado para suportar a faculdade. A pior coisa que o pai fez foi comprar esta casa para ajudar o Marcílio e a Ana . ela aceitou rapidamente o suéter de lã que ele nova mente ofereceu. pois achava que ele estava com frio e não queria vê-lo ir sem vestir a blusa. briga com o seu irmão. Ao término das aulas. Alegre. Hoje foi o maior inferno nesta casa. A Ana. tornou a oferecer sua blusa. expressando-se aborrecida por esperar o filho.

dona Marisa teve a voz inte rrompida pela emoção e de seus olhos transbordaram as lágrimas. A senhora não imagina. Não foi passatempo. mas não concretizava nada de material ou espiritual. .. veja bem... le aldade.Breve pausa e protestou: Caramba! Será qu e não sabem planejar a vida?! Pensa que é só pôr filho no mundo e berrar para os outros se apiedarem e ajudar?! .. pobre de mim! Foi então que ela. Parece que a enganou. por que se deixou engravidar d o segundo e agora do terceiro?! .. Eu nunca disse que ela era má. Se ele bebe.corrigiu-a de imediato. mãe.. E o tipo de pessoa que não admite a reali dade. Sérgio.. parceria e confiança. Que engan o! Se ele acredita que ela será menos irritada.. Mãe .. Meu erro foi terminar algumas vezes. verdade.. O que a Ana e o Marcílio jamais tiveram! Quando há a menor dúvida sobre um desses itens. . mas demorei a notar o quanto ela representava bem.espalmando as mãos sobre a mesa. nunca a iludi com promess as de casamento! Isso é história da cabeça dela! Ela é uma boa moça. egoísta e... Posso até dizer que foi no último ano em que ela mostrou realm ente quem era e a sua índole. Uma jovem alegre..Sérgio estava nitidamente insatisfeito.. mas não adiantou. . Opa! Espere aí. Não fugi de casamento algum! Namoramos sério sim. O . Que engano! Se isso não for carma.. ele falou em tom grave. Egoísta só não! E la é egocêntrica! Para a senhora entender. Não temos um perfil psico lógico compatível.. Acho que o casamento deles acabou . Digo isso com conhecimento de causa.Alguns segundos e prosseguiu com certa mágoa na expressão: Chegou a me chantagear para eu retomar o compromisso. Porém cheguei a um ponto insuportável! Então foi definitivo.. mais caprichosa. Fui analisando e cheguei à conclusão de que a Sueli era fal sa demais e cruel. um corrige o outro! Como pode falar de casamento se nunca se casou.. Era uma das poucas vezes que reclamava daquela forma. Quase dois anos! . d esabafou: Ah. É uma pessoa improdutiva com oc upações superficiais e fúteis. Exa tamente nessa época a Sueli revelou-se! Ela foi capaz de ofensas gratuitas contra mim com o intuito de sentir-se superior. mãe! .. re-sulta o amor. Eu dev eria lhe dar satisfações de tudo! Pelo amor de Deus! Isso era sufocante! Nunca conse gui trabalhar direito. não se casar. não dá atenção. O parceiro ou parce ira raramente mudam depois da união. Dois anos foi tempo demais. Sou muito observador. pois isso era o mesmo que ficar por baixo. pois ela sempre se achou importante em tudo.Algu ns minutos e falou mais brando: Tentei fazê-la entender.. Não! Para mim. Somando tudo isso ao carinho e à co mpreensão. Nunca.alterou-se.. é burrice! Quando é carma.e situações inúmeras?! Sabe por quê? Por eu pensar no meu futuro! Não serei dependente e a comodado à vida toda! A Ana é bem esperta! Não é ingênua não! Ela engravidou para se casar. eu conse gui ver que a Sueli era uma pessoa dominadora. Foi a melhor amiga da sua irmã. Não a quero nem como colega.. mascarando-se e manipulando todos a sua volta. Ela me julgava como sendo de sua propriedade. chega! . eles revelam um lado bem sombrio que antes não foi visto. Lamento ter demorado em descobrir isso.. Dificilmente se a lterava.... Ao contrário. Ao ver o quanto estava sendo difícil só com um filho. depois ficar com pena e reatar o namoro. Não fazia nem faz nada na vida. e ela pensa que o companheiro mudará após se casarem. o melhor é não se unir.. autoritária. Terminei o namoro e não deixei qualque r esperança da qual a Sueli pudesse se alimentar. estudar como precisava. fuma ou joga compulsivamente. E o enganado nessa história fui eu! A senhora acha que a Sueli demonstrou sua verdadeira personalidade antes?! Foram nos últimos meses e. Se bem que nesse aspecto ela não deixa a desejar . carinhosa e lhe d irá toda a verdade depois de casarem.. não em função dessa pessoa! . inconformado com a situação. Perdão.. esse casamento nunca começou! Para um casamento acontecer.Andando vagarosamente de um lado para outro. Quase dois anos de compromisso. Puxa! A gente vive ao lado de alguém... olhando-a bem nos olhos . .. Tinha sempre de me dedicar inte iramente a ela.. sai co m outras mulheres.. eu explico em detalhes: a Sueli acredita que tudo existe em função dela.. ela começou a falar em ca samento. Meu erro foi deixar esse namoro durar tanto tempo. ele precisa de m uito mais do que duas pessoas sob o mesmo teto! Em uma união é necessário respeito. Sérgio?! Ao contrário! Acabou fug indo do casamento com a Sueli! Uma moça que..lamentou a mulher.. Sei lá. Sinto algo..murmurou. sorridente e cativante até dominar as pessoas com seus mimos ou fazendo o tipo: sou vítima. Porém nesses. Senti algo errado e me recusei a um compromisso tão sério e definitivo..

mãe. Sabe. com deboche. mãe do seu amigo.. pois assim ele teria um salário melhor! Nem a senho ra... espiritualmente ela ostentava um delírio de grandeza! A Sueli seria uma nora melhor do que a Ana. que é um perfum e bem caro! Sua blusa está suja de batom. Para não deixar a situação acalorada. Sérgio exclamou: Ele foge! Bebendo. Chega. aliás. mãe. sim!. sua mãe exclamou. realizar os mais complexos e difíceis estágios. não bebo nem jogo. sua própria mãe! . Sérgio murmurou num tom grave: Não fale sobre o que a senhora não sabe. Não é fácil fazer tudo isso que faço. Dona Marisa sorriu. durante todo o dia.falou com uma pit da de ironia. a Ana e o Marcílio não são os únicos culpados nessa história. cuidando das crianças e f azendo pelos netos o que os pais deveriam! . fazendo estágio para a mi nha graduação. Namorariam em casa em vez de matar a ula com qualquer sem vergonha por aí! Como pôde conceber a idéia de eu matar aula?! . sem esperar su a mãe responder. ele suspirou fundo. alertou em tom grave e pausadamente: Mas eu não desisto! Nessa história toda. Não é fácil ter o trabalho que tenho. manter-me na faculda de com as melhores notas.Alguns segundos de silêncio e ele falou ma is tranqüilo: Só tem uma coisa: eu não fumo. não fico me esbaldando em farras. estudar. Sem demora. bate nas crianças e engravida novamente! Porém. Quisesse ficar com alguém só por f icar. .. com a responsabilidade que me é imposta.. questionando com a intenção de irritá-lo: Se não pretende arrumar mulher e filho tão cedo. mas passei e passo muitas noites em claro estudando ou então traba lhando na polícia à noite. professor e médico de loucos. financiar os gastos e conciliar dois irresponsáveis como a minha cunhada e meu irmão! Só que isso vai acabar! Ah.Com postura mais firme.... Mal desmanchou o namoro com a Sueli e já está com out ra e querendo ter muita moral com suas opiniões!.. planejamento de vida e bom senso! Pense. A vontade de desistir é imensa. Blusa que a besta aqui lavará amanhã lá no tan que. ao mesmo tempo pagar o curso dessa graduação. Não sei se reparou. diga-se de passagem. até dobrando escala pelo fato de o comandante permitir minh a permuta de horário porque eu estive. terapias e tarefas que exigem muito tempo. pesquisas.quis saber austero.. nem joguei minhas notas no lixo! Sempre me esforcei e parece que nessa casa ninguém reconhece. referindo-se ao rato treinado por ele. respeito. e o tal doutor Edison.. E em nenhum m omento deixei de corresponder à confiança em mim depositada e a ajuda recebida de me us superiores para eu poder estudar. mãe! Saiba que eles brigam e batem nos filhos para a senhora e o pai. imensa atenção. incrédulo. Ao ameaçar ir pa ra o quarto. de alguma forma.intrigou-se. A tal dona Antônia. xinga. que fosse a Sueli.perguntou um tanto irritado e. pois a conhecemos. certamente o ouvem e conhecem a sua vida melhor do que eu. ao esclarecer de modo rude: Além de você estar impregnado de perfume.. mãe. prosperar diante dess a situação?! Ela briga. avisou: Com licença. por que se envolve com qualquer uma? Não dá para crer em todo esse esforço que relatou quando mostra tempo de sair e f icar na farra! O que a senhora disse?! . continuarem apoiando-os. Ah. mãe! O que e le faz para melhorar essa situação?! . fumando. não! . por não terem responsabilidade.. sustentando-os. exclamou: Eu não arrumei mu lher nem filho porque planejo a minha vida! E não pretendo arrumar tão cedo! Por ess a razão não deixarei de cuidar do meu futuro. jogando e ficando no b ar o quanto pode! E a Ana?! Como ela reage para restituir.. Parte dessa culpa cabe à senhora e ao pai que os apóiam. vou r uma olhada no Tufi . retornando frente a ela. .. Apesar do sacrifício. Vocês os susten tam na irresponsabilidade! Não pense que a Sueli seria diferente da Ana não! Tenho c erteza de que a Sueli seria bem pior! .Sem trégua. da minha estabilidade e segurança para a poiar quem não merece! Ao fim do desabafo.. E.argumentou. Foi isso mesmo o que ouviu.que. grita. Como posso falar sobre algo com você se nunca conversa comigo?! Acho que esse r ato te conhece melhor do que eu! Ah. co m dó dos meninos. exaurido daquela situação. vai! Nem cursos dentro da própria PM o Marcílio se esforçou para fazer. Estou exausto.. o pai ou a sem vergonha da Ana o incentivaram ou até o forçaram! Ele é um moleque! Só que chega de viver às minhas custas! Você não entende que. Não sei por que a Ana briga tanto! A Ana e o Marcílio vivem dessa forma por falta de vergonha na cara. eu agradeço a Deus pela oportunidade. o pior é ainda ter de ajudar.

repentinamente. Tinha planos para aque . Mas me preocupo! Já ligou para o celular dele? A ligação só cai na caixa postal .. porém nunca me ouve e. Mesmo após um banho rápido. mãe. ele lut ou consigo mesmo a fim de encontrar vontade e ânimo para enfrentar a constante pre ssão exigida por um serviço quase sempre ingrato. sentiu um pouco de alívio em seu coração magoado. mas deveria ir trabalhar. acord aria sem disposição. demorou a conciliar o sono. Porém seu sono foi afugentado ao chegar à cozinha. não foi?! Mas ela quer falar com você. A moça demonstrava-se encantada. tomou um banho e se deitou. Se ouve.Débora hospitalizada por causa de uma mentira Por dormir pouco.. Somente ao se lembrar de Débora. Tratava-se de uma escala de serviço extra com a duração de vinte e quatro horas. Num gesto rápido. tinha os sentidos sonolentos e pensamentos desarranjados ..Eu falo com a senhora.. Desencorajado de procurar forças interiores.. Sérgio ofereceu meio sorriso e nada disse.respondeu sem se voltar e de modo que ela quase não o escutou.. ele retornou à cozinha com uma bolsa onde guardava s eu fardamento e despediu-se de sua mãe o mais rápido que pôde. Sérgio... Havia tempo que não tinha compromiss o sério..respondeu insatisfeito. Sonhou acordada por longo tempo até decidir se levantar. Recordando-se de diversos detalhes. lembrou: Esqueci de te falar ontem. ouvi r seu riso contagiante. O Tiago não voltou para casa. o filho se levantou. Ligue para ela. trazia um suave sorriso no rosto ao se lembrar de Sérgio.. mãe. Acreditava até poder sentir o perfume gostoso de sua loção suave. Esto u preocupada com seu ir-mão.disse a mulher. sentiu seu coração acelerar.. Ainda deitada.. não me dá importância ne valor. Brincou um pouco com o ratinho e a pós devolvê-lo à gaiola. Por essa e outras razões. mas dona Marisa. ver que sua mãe estava em pé e até pr eparando seu café da manhã. 4 . * * * Horas depois. Você nem reparou? Não é a primeira vez que ele dorme fora e não avisa. mostra-se bem alegre quando eu chego a casa. como sempre fez. O rapaz não conseguiu resistir e falou firme: Desde que terminamos aquele maldito namoro. colocando-lhe a xícara. interrompendo-a e sem começar o desjejum.o filho questionou sem vontade. Acomodou-se melhor para o desjejum. Qual deles? ..respondeu. Nós duas conversamos um pouco e a Sueli insistiu par a eu te dar o recado. quem sabe. Desejou como nunca poder sair daq uela casa. Estou atrasado! Depois de se arrumar rápido. Sérgio experimentou uma amargura indefinida. ela liga todo dia! Eu já pedi para não me contar. Bênção. Gostaria de ficar na cama. mas no qual precisava mostrar-se à a ltura dos padrões preestabelecidos diante das inesperadas necessidades e urgências.. Ao vê-lo virar as costas. apaixonada. filho! Vou fazer de conta que não ouvi isso . . ao menos.. Sérgio sentia-se indisposto. O Tufi. Muito pensativo. Ficou feliz ao rever mentalmente a cena de ele ajudá-la a vestir o s uéter tão grande. Nossa! A senhora já levantou?! Deus te abençoe . Débora preguiçosamente remexeu-se na cama. perguntou: Não vai comer nada?! Não .O filho a acompanhou com o olhar até ela se sent ar na outra lateral da mesa e contar: A Sueli telefonou ontem e. Depois avisou: Não dormi. pediu: Com licença.. ao despertar. Decepcionou-se muito com outro rapaz e resolveu dedicar-se ao estudo e ao trabalho. ver seu lindo olhar penetrar sua alma. A senhora sabe.

. saiu sem dar satisfações. Mas claro! Somente os mais capacitados trabalham em nossa empresa . Adoro ver neve no Natal! Ah. estampando largo sorr iso ao certificar-se de ter esquecido sua pasta. repentinamente.. Quando não. Está tão longe! Nem chegamos ao meio do ano! É o momento ideal para as melhores reservas. sou colega do Sérgio. perguntou: O que você diz a? Estávamos falando do planejamento de férias para o final do ano. mãe. Tornam-se simples vendedoras! Pelo menos eu tenho honestidade! . mas o assunto principal foi sobre Sérgio. novamente. Ora. não queria ficar em casa. A moça pegou a bolsa e. Era tão bom ficar em sua companhia.Vociferou o senhor Aléssio ofendido. olhou-se no espelho e arrumou rap idamente a roupa desalinhada. Sem dar importância ao chamado de seu pai. não hesitou em tocar a campainha e aguardar. só lhes resta f azer colunas pejorativas aos atuantes profissionais de grande sucesso nos jornai s baratos e de quinta categoria. Débora estacionou o carro frente à casa do endereço que Sérgio l he deu. olhou por todo o quarto.. bate ndo a porta e atirou-se sobre a cama. Após desliga r. Não vivo à custa do papai! .. Descendo do veículo. Ele está?! .. talvez você me acompanhe com o seu pai para a Europa.. O Élcio e a Emy qu erem ficar em Angra. não faço cai xa dois com registros contábeis fraudulentos da posição patrimonial de uma organização ou de uma pessoa física. ligou para sua amiga Rita e conversaram por l ongo tempo falando de várias coisas. .animou-se Élcio. Débora convidou-a para sair. Débora praticamente não conversou nem dava atenção ao que diziam.tornou Emy. quase gritou: Bendita pasta! . Estava imersa em lembranças do dia anterior até se sobre ssaltar com a indagação: Não é mesmo. ficaremos socados aqui?! Não mesmo. Droga! . Com licença! . Levantou-se.revidou E my em tom ofensivo.pediu Débora com voz amarrada. Talvez por serem tão impotentes e incompetentes. Desejava comprar um celular novo. falando entre os dentes cerrados ao mesmo tempo em que fuzilava a irmã com o olhar. mãe! Não vê a divagação de sua filhinha? Seu olhar tão perdido.perguntou voltando à realidade.satirizou Emy em tom poético e sarcástico. a jovem não estava mais nervosa. Então. porém a colega não podia. a jovem seguiu para seu quarto. para se l ivrarem dos impostos neste país! Isso é sujo demais para mim! Somente os deverasment e nojentos e imorais profissionais da sua área são capazes de se satisfazerem com su as empresas tão imundas! Chega! Vamos parar com isso! . queridinha! . mãe? . Al egre.reclamou Débora. Tenho o meu serviço e não sei se posso tirar férias . você sabe! . Não fi co procurando meios de fazer com que outras empresas soneguem impostos.atacou Débora com palavras expressivas. Virando-se para a mãe.propôs Débora. pegou o telefone. Parecia enfeiti por uma magia nimbada de imagens de castelos rutilantes onde vive um belo príncipe prodigioso . Débora! Não vai querer ficar em um lug ar chinfrim?! Poderíamos ficar aqui mesmo .Pegando as chaves de seu carro. no carro de Sérgio. não abro ou manipulo dinheiro em paraísos fiscais para os grande s empresários. As pessoas insignificantes só sabem reclamar e perturbar a fel icidade dos outros. Emy! . entretanto não sabia qual desculpa poderia dar para procurá-lo. Queria vê-lo.. Durante o desjejum. Que inferno de vida! Pouco depois. E só porque quer. A Yara deseja ficar aqui. Por que não passamos juntos só esse ano Podemos alugar um barco e brindar a passagem de ano vendo os fogos de Copacab ana! . mas lembrava-se de Sérgio. Pensava em sair. Débora? Filha! Não me ouve?! O que.exclamou irritada. Não sei. Estudamos na mesma universida de. alguns políticos safados e líderes protestantes sem-vergonha. Um pouco mais tarde.perguntou ansiosa.le dia.. já tinha outro compromisso. Não enche. Não demorou e uma senhora atendeu: Pois não! Boa tarde! O meu nome é Débora. Eu não quero ir para o Rio! Não gosto daquele calor.desfechou com ironia ao encarar a irmã.protestou Débora. em companhia de sua família.explicou Débora com austeridade .

Como você se chama? Sueli! Ah.indagou à senhora abrindo o portão e se aproximan do da moça.. educada: Desculpe-me... elas tramaram uma circunstância difícil de Sérgio explicar. desencarnada havia um ano e meio.. Na verdade eu nem sabia que ele estava de casamento marcado. mostrando-se amável. Imediatamente um sentimento de aversão brotou no coração da mulher que se deixou dominar pela influência de sua filha Lúcia. Ao ver a jovem partir. Mas por que não liga para o celular dele?! . Ah..perguntou a outra bem cínica. Pensando rápido.. Não sabia que ele trabalhava aos sábados... Débora? .. Então eu digo que você ligou.. Sou . Você sabe. O espírito Lúcia a envolveu. Bem. . mas sentiu uma antipatia inexplicável pela jovem . posso recebê-la mais tarde junto com os outros.gaguejou Débora após segundos. a moça sorriu generosa e agradeceu muito antes de ir embora.. Sim..afirmou com voz trêmula. por isso é bom tentar algumas vezes! Eu não tenho o número .. eu mesma pegaria o material pa ra você.sorriu.... afir mando não ter nenhum compromisso. ... Pode ser assim? Claro. preste muita atenção. Tem onde anotar? . Você é colega dele? .disse completamente atordoada e incrédula. a mulher planejou o que dizer ignorando estar sob a interferência dos desejos do espírito Lúcia. Você atende dizendo que é noiva do Sérgio e.. passando-lhe intensos pensamentos.falou decepcionada. Perdoe-me. Foi então que percebeu a mesma cor do batom e sentiu o perfume que havia no suéter do filho. Ligue o celular que você deu ao Sérgio e ele te devolveu . Obrigada! Tchau! Sueli desligou e jogou-se no sofá.interrompeu-a novamente.. Ah. Débora abriu sua bolsa.. mas esse número é do celular do Sérgio? É sim.. sim. A conversa durou algum tempo. Constrangida . pegou o telefone e ligou: Sueli?! Bom dia... filha . É que. Qual é o seu nome? . Aqui é a Sueli. Um frio percorreu o corpo de Débora ao lembrar dele olhando em seus olhos. Ele me falou de um grupo de amigos da faculdade que iria ligar para ver nossa futura casa e levar os presentes.tornou a senhora. uma moça deve ligar para esse celular. Débora.. Ele está trabalhando hoje e foi por isso que o celular ficou comigo. Não. Aquilo foi muito sórdido. mesmo sabendo o que aconteceria.. tirou o celular que acabara de comprar e registrou o núme ro fornecido pela mãe de Sérgio. O Sérgi está trabalhando hoje. A senhora manteve as aparências. dona Marisa.atendeu Sueli. Eu esqueci meu material da faculda de no carro dele. .Não. propositadamente aconselhou: Ele foi trabalhar de carro.. Em seguida explicou: Estudamos na mesma U niversidade e. noiva dele. Com ligeiras orientações. gargalhando satisfeita..respondeu em tom bondoso. Débora sorriu com simpatia ao explicar: Ontem o Sérgio me deu uma carona e.. Meu nome é Marisa. Débora. Claro! Perdoe-me por tomar seu tempo! Felicidades. desculpe-me não poder conversar mais. e.. pois o referido celul ar tocou: Alô? . Sueli. Só liguei porqu e ele está com meu material e. até que a moça precisou desligar. . é que estou fazendo a prova do vestido de noiva e. Desculpe-me . Sueli. cruel. Olha.A moça tentou argumentar. Se estivesse aqui.. Eu sou a mãe dele. Débora... dona Marisa entrou.. Satisfeita.avisou a jovem com simplicidade. o aparelho fica desligado. Quando o Sérgio está ocupa do. Se você não se importar. Débora estranhou ouvir a voz de uma mulher e perguntou. Será que posso te ajudar. mas a senhora a interrompeu: Escuta! Faça o que estou falando e bem rápido! Olha.

Como aconteceu?! . em um cruzamento de avenidas importantes. Depois de se ocupar com tarefas corriqueiras na Companhia. Por aqui.respondendo em código habitual. experimentava um sabor de fel em seus sentimentos. igua l a: Entendido? QSL! QRV e TKS. Ninguém ainda. Naquele instante o policial do COPOM. Quem está no local prestando apoio? . O soldado operador do rádio parecia aflito e o chamou de modo transtornado assi m que o viu: Sargento Barbosa! Corre aqui! O que foi?! . COPOM. abalroaram um veículo.QSL corresponde a: Entendido? QSL! Prossiga! Entendido! Tornou o operador. o sargento Sérgio Ba rbosa caminhava perto da sala de rádio onde se podia ouvir a comunicação entre as viat uras daquela unidade e o Centro de Operação da Polícia Militar.QRA. Eles foram atender uma ocorrência. Parece que num cruzamento. Sérgio questionava detalhes: E o motorista do veículo? Parece que é uma mulher. a fim de apressá- . sentiu-se confuso e quase não acreditando no que ouvia. enganada e tr aída de certa forma. Ao mesmo tempo em que escutavam o soldado falando ao rádio da viatura acidentad a com o Centro de Operações da PM. Apesar de ele não enfrentar qualquer problema no serviço interno que desempenhava. QSL? . Poderia repetir o QRA da proprietária do veículo envolvido? . avis ando: COPOM. Foi como Sér io desfechou a comunicação. Ao ouvir o nome e mais detalhes..Em seguida falou o ende reço. Sargento Barbosa. da proprietária do veículo é: Débora Cristina Ribeiro Marins. Sérgio certificou -se de que ele mesmo deveria ir para o local prestar apoio. conhecido como COPOM.. O soldado Félix diz que eles só sofreram escori ações leves. que conversava com o soldado encarregad o da viatura acidentada. . mas o outro veículo envolvido está torcido e preso entre a viatura e um pos te.Débora tinha os olhos nublados de lágrimas por se sentir humilhada. aqui é a base! QAP.QSL.tornou Sérgio controlado. * * * Sem explicações aparentes.QRA. Lembrou-se imed iatamente do momento no qual anotou aquele nome e endereço dias antes para a ocorrên cia da menininha perdida. constatou não ter viaturas disponíveis para atender aquela ocorrência . É a viatura do soldado Félix e o soldado Martins. Sem demonstrar-se alterado. ela se atrapalhou entre dirigir e desligar o cel ular e...preocupou-se Sérgio. Depois de ordens ligeiras ao soldado que seria seu motorista. pois todas as outras estavam em atividade por outros chamados. ficou perplexa.. informou o policial do COPOM . Entorpecida pelo sentimento que a invadiu tão inesperadamente. pensava angustiada.contou-lhe o soldado. Decidiu não parar o veículo e continuou dirigindo-o em uma avenid a cujos veículos estavam em alta velocidade.Sérgio quis saber rápido. Pelo fato do aparelho ser novo. Positivo! O QRA da proprietária é: Débora Cristina Ribeiro Marins.. Uma das nossas viaturas está envolvida em um acidente! . Acabou de acontecer. corresponde a: Nome. código correspondente ao nome próprio. Sérgio sentiu o rosto esfriar. aquele dia parecia bem penoso para Sérgio. Inesperadamente tomou frente ao rádio e exclamou. o policial do COPOM falo u: QAP significa: Estou na escuta. mal ouviu um grande estrondo. Estavam com a sirene ligada e. Ao verificar. COPOM! Entendido! Estou à disposição e obrigado. comunicou os dados: O QRA . O Sérgio não precisava ter mentido! Foi por isso que não me deu nenhum número de celul ar! Como não teria um celular?! Por que ele me enganou?! . O COPOM está fazendo o levantamento dos dados do proprie tário e. base! Prossiga! . QSL? .

avisou: Cubra-se também ou poderá se queimar .Ao olhá-la melhor. Ela obedeceu. Ficou sério.pediu piedoso. Sérgio e stava com o coração aos saltos ao observar o carro contorcido entre a viatura amassa da e um poste. Você sabe. sem demon strar sua aflição. pois dificilmente a lguém sobreviveria dentro daquele amontoado de ferro. mas estava bem. Está tudo sob controle. .tornou ela em lágrimas. Apressando-se para perto do veículo. Erga-se.. Receoso. verificou que as escoriações foram leves e superficiais. Dê-me sua mão. Seguindo as normas. Sérgio pendeu com a cabeça afirmativamente e procurou se manter o mais tranqüilo possível. Ao vê-lo se posicionar. mas não souberam afirmar.. Nesse momento.implorou chorando. Serraremos a lataria do carro e as fagulhas poderão atingi-la! . Os pensamento s de Sérgio fervilhavam. Experiente. Me tira daqui! .. Seu coração apertava a cada instante. Sérgio estava praticamente deitado sobre o carro amassado procurando confortá-la. passavam-lhe informações. Ele f alou: Calma. tentando acalmá-la..respondeu breve. O barulho da serra cortando a lataria era e . E sei que a Débora poderá ficar mais tranqüila e confiante se me vir. ele pôde ouvir e reconhecer a voz chorosa e amedrontada de Débora. apesar de bem atordoada. Por favor. ficou atordoado com o que via. pois a s condições de Débora poderiam ser graves. mesmo assim o reconheceu. Sérgio precisou manter-se firme para não ser impulsivo. Sargento. Ficarei. À medida que se aproximava do local do acidente. . Contudo o nome e o endereço não lhe deixa vam dúvidas. mas sem o desespero de antes.apontou. o senhor orientou comovido: Converse com ela. Ele silenciou seu dese spero e calou qualquer emoção que denunciasse seu desejo de ajudá-la como o seu coração pe dia. Foi quando soube que uma equipe do Corpo de Bombeiros se encaminhava para o lugar. dizendo estar al i para todo o apoio necessário. segundo os policiais qu e se envolveram no acidente. Vamos serrar as ferragens e. Contudo ouviu: Obrigado. No local. o oficial do bombeiro chamou-o: Sargento! Cubra-a com isso. Um oficial do Corpo de Bombeiros conversava com a moça presa nas ferragens do veículo. Sim estou . bem perto do c arro. Nem ouvia o que o soldado lhe falava vez e outra por estar atento às comunicações do rádio da viatura a fim ter mais notícias. ele conseguiu vê-la e a cha mou: Débora? . não queria acreditar.. tenente . Fique comigo. pois a condut ora do veículo estava presa nas ferragens. Vamos tirar você daí. percebendo-o com expr essão alterada enquanto estavam a caminho. debruce ali e pod erá vê-la e segurar a sua mão. Eles achavam-se ap arentemente bem e conversavam com outros policiais que chegavam ao local. Foi nesse instante que.. Eu a conheço.. Eu prometo! Segure minha mão bem firme. Débora .. pois está bem nervosa e. Posicionado conforme indicado. o oficial comandante da operação pensou por instantes e decidiu: Tudo bem.orientou-o ao jogar-lhe uma cobertura apropriad a.. Sérgio fez exatamente como foi pedido.. desceu rapidamente e o verificou sendo interditado para a ação dos bomb eiros.lo.. o sargento Barbosa aguardou e na primeira oportunidade se apresentou ao oficial. Suspirando fundo.. Localizando os policiais de sua Companhia de Policiamento envolvidos no a cidente. Policial Militar do Corpo de Bombeiros.pediu sério e comovido. ele informou ao COPOM que estava indo ao local do acidente. não deve tentar se mover ou se agita r. minha querida. Dê-me permissão para falar com ela. Sérgio se fez firme para pergunt ar se havia vítima fatal. pelo seu estado. o senhor está bem? . Sérgio sentia crescer em seu pei to uma dor com misto de angústia insuportável pela expectativa.perguntou-lhe o motorista. sargento! Mas será melhor se afastar. Venha e fique aqui. A condutora parecia desfalecida. uma vez que o veículo retorcido não os deixava ver direito. Está muito aflita e. Sérgio!. Apóie seu pé lá .Oferecendo-lhe uma jaqueta de bombeiro do mesmo modo. ta? Verificando que a moça estava bem mais calma com a presença de Sérgio. A jovem encontrava-se muito confusa e inqui eta. viu seu rosto escoriado e sangue escorrendo nele. Tente aca lmá-la. pa recendo vir de um machucado na cabeça.

momentos em qu e ela recordou os fatos e contou baixinho: Fui até sua casa. minha querida... Sérgio afagou-lhe os cabelos e ficou confuso. Dando orientação ao s outros bombeiros. Liguei e sua noiva atendeu.. não o largava. E. o senhor se aproximou. gritando por alguns sustos.. A jovem chorou pela dor e ficou amedrontada.. além de várias escori elo corpo e corte na cabeça. calma! Está tudo bem.. Débora! Estou aqui! Ficarei com você! Pelo amor de Deus! Me tire daqui. delic adamente tentava soltar-lhe as mãos ao reafirmar: Débora. Débora a garrou-se a ele como se o enforcasse com um abraço. ele só viu os olhos de Débora repletos de lágrimas fitando-o num último relance antes de ser levada para os devidos socorros.. ela entrou em desespero. entendeu? Consciente das necessidades. Fiquei atordoada. O oficial do bombeiro o chamou à realidade quando o esta peou nas costas e falou: Bom trabalho! Ela ficará bem! .implorou em lágrimas. o comandante da operação dos bom beiros pediu com brandura ao observar Sérgio afagando-a com bondade e beijando-lhe a cabeça com ternura: Sargento. precisamos imobilizá-la e tirá-la do chão. acreditando tratar-se de um delírio pe lo acidente. Nesse momento ela estava imobilizada. Petrificado. com sério ferimento na perna. Não consigo respirar direito! Estou sufocando! Daqui a pouco estará livre e será socorrida . Compreensivo. entendendo as circunstâncias difíceis. Eu prometo. eu estou sem celular. Acho que bati o carro.. Como pode ver. deixando-se cair. O tr abalho foi muito delicado e ao chegar o momento de Sérgio precisar se afastar para os bombeiros tirarem-na das ferragens. Não menti pra você . Solte-me para que possam socorrê-la . Agarrando Sérgio pela camisa. Débora.avisou baixinho e com ternura.sussurrou no mesmo tom.. porém piedoso. Liguei pro seu celular e. Mas ela parecia petrificada e segurava fortemente a camisa de Sérgio que... ela o olhou de um modo estranho e murmurou: Você mentiu pra mim.. .Vendo-o desorientado. prosseguiram com o trabalho. Ao vê-la ser cuidadosamente removida.sussur ou.gritava amedrontada. Não podemos usar força ou a machucaremos. Foi sua noiva quem atendeu . Sérgio! . Ele há segurou alguns minutos em seus braços enquanto os bombeiros a imobilizavam como precisava.. A moça tremia e chorava compulsivamente.. preste atenção! . Você precisa de um médico levada a um hospital e isso precisa ser agora! Fica comigo!.. Está mentindo de novo... av isando para consolá-lo: Não é somente sua conhecida. Repentinamente. Mentiu. sobre a maça.falou mais firme. De repente.stridente.explicou o oficial. querida! Está tudo bem! Preste atenção. ela é sua namorada e eu me surpreen . proc urando orientá-la.. meu bem . Ela espalmou a mão em seu peito. ela está em choqu e. ele entendeu a expressão de Sérgio e a visou em voz baixa que não tinham como resolver facilmente a situação.. Calma... A movimentação no local não o deixava concatenar as idéias. chamando-o afli ta. ela avisou chorando: Não mexam o carro! A minha perna dói! Dói muito! Tem algo me cortando! E. Sérgio falou mais firme e ponderado: Débora. Durante uma pa usa no barulho..Buscando olhar para o oficial que a ouviu e estudava sobre o próximo procedimento. porém não dizia nada. Sua noiva.. Não te dei nenhum número de celular e não tenho noiva falou mais sério. . Eu dirigia e. Sérgio se aproximou. Eu acho. recebendo soro no braço e pro nta para ser levada.. Sua mãe me deu o número. ele podia ouvi-la chorar e implorar seu soc orro. Irei vê-la o quanto antes. Não sei o que aconteceu. Filha... precisamos levá-la para o hospital mais próximo . .dizia enquanto tirava o braço enlaçado com f orça de seu pescoço. Chorando muito.. Disse que estava provando o vestido de noiva e. Em algumas oportunidades.. perplexo com o que ouviu. Você está com um ferimento hemorrágico na perna.. ela inibia a ação dos bombeiros.

perguntou o pai.respondeu forçando-se a não perder o controle. Digo.Estendend o-lhe a mão. Sérgio estava pálido e transtornado. A Débora teve momentos de delírios..O homem se deteve pela forte emoção. Agora vá! .. Sérgio quer ia correr para junto de Débora e acompanhá-la. E ela? Como está?! . Desmaiou. não me lembro de você. poderia procurá-la. p erguntou: E a Débora? Minha filha está fazendo um exame de tomografia. certamente. não falar coisa com coisa. Hoje cedo nos deu um susto maior.perguntou curioso. saber de seu es tado e tentar esclarecer o mal entendido. continuou: O médico acha que no acidente ela sofreu alguma pancada forte na cabeça e precisa ser monit orada e realizar alguns exames para verificarem se seu organismo está se recuperan do sozinho do traumatismo. t enente. Você ajudou muito. Estava preso ao dever. quando o se nhor Aléssio perguntou: Desculpe-me. mas um dos médicos encontrou uma forte contusão nas costas e precisará de uma avaliação. Sofreu um machucado feio na perna. ela está d esorientada e nesse estado de choque. Após ela ser socorrida. Já vi pessoas em situações traumática econhecerem ninguém. pois se julga va culpado pelo que aconteceu. Aparentemente ela estava bem. após deixar o serviço. São colegas da universidade? Sim. Recebido pelo senhor Aléssio. Além disso. Ele achava-se pensativo e cabisbaixo.di com sua atitude. informaram que a moça havia sido transferida para outro hospital a pedido da família. Em momentos difíceis como esse é importante a vítima se manter cal ma. Estudamos na mesma. . Não poderia simplesmente largar o serviço para vê-la e experimentav a uma angústia que não podia entender. Em seguida. Afeiçoou-se muito rápido àquela moça que mal conheci . Ouvi pelo rádio e fui para o local. Aquela seria uma noite bem longa. O senhor Aléssio a envolveu e afagou-lhe as costas. só que em cursos diferentes. sofreu convulsões e. Sérgio? . Sérgio retornou para a C ompanhia da PM onde trabalhava e procurou obter mais informações sobre onde Débora hav ia sido socorrida. além de esclarecer aquela história. Repentinamente a mãe de Débora chegou ao quarto chorando e abraçando o marido. Conversamos para que se acalmasse. Sou o pai dela. Procurando saber o endereço. Após segundos. Eu sou policial militar e estava de serviço ontem quando o acidente aconteceu. Muito obrigado por ter me deixado ficar com ela e. preocupado. Somente na manhã seguinte. retribuindo o aperto de mão. Mas... agradeceu: Obrigado.cumprimentou. Sou amigo da Débora e queria saber como ela está. ele se apresentou: Meu nome é Sérgio. Virando-se para o oficial. Após tomar as providências necessárias para aquela ocorrência. Além de assustada. Virando-se para Sérgio. Lembre-se de que preci sa fazer a ocorrência. sargento. Na verdade. confundiu tudo. Como ficou sabendo do acidente. Sérgio saiu do serviço e foi imediatamente ao hospital onde a ha viam socorrido. para não levar em consideração o que ouviu. não se mover bruscamente pelo desespero enquanto agimos.. Não demorou muito e Sérgio estava no corredor hospitalar à procura do quarto de Débora. por exp eriência. Agora leve os PMs da viatura envolvida para serem periciados pelo médico. Mas não podia. Estão cuidando dela e precisarão esperar p ara fazer o exame. decidiu ir visitá-la imedi atamente. fiquei bem preocupado.. machucada. aviso u: . Não me deixaram ficar na sala. Meu nome é Aléssio. cumprimentou dizendo: Boa sorte! Como sargento. sofreu diversos cortes pelo corpo e precisou de vários pontos. mas só sai de serviço hoje cedo e decidi saber com o ela está. Sim senhor .... Ao chegar. Ela não deixou de sentir as pernas. ele correspondeu ao cumprimento e se retirou.. senhor Aléssio . Fiquei com a Débora enquanto os bombeiros trabal havam para cortar as ferragens. Soube se controlar muito bem. Sérgio. pois um ferro atravessou-a. * * * Na manhã seguinte. Procurou disfarçar o nervosismo. Prazer. Prazer. em q ue teria seus pensamentos fustigados por horas a fio.

Então vu pergunto. distraiu-se ao dir igir. Ela disse que era sua colega e se não quisesse conversar com a moça .. ela perguntou: Onde você esteve?! Por que apareceu aqui só hoje sem nos dar notícias? III?!. não contendo o nervoso. segurou sua bolsa e fe chou o carro entrando em casa à procura de sua mãe.expressou-se. dona Ma risa o recebeu com surpresa: Nossa.. Como ela se chama mesmo?. expondo-se ao acidente.. Sabia sim... Sabia que o celular não estava comigo. pois estava de serviço. contou: A senhora deu o número para a Débora e ela ligou enquanto dirigia. Pegou-a comovido e encostou a pasta nos lábios. Num grito grave. ele vociferou: Por que a senhora deu o número daquele maldito celular para ela?! Ora..reagiu à senhora. Sem esperar. Em seus olhos via-se uma dor..respondeu sua mãe.. Sérgio a encarou por longo tempo. uma tristeza pr ofunda e inexplicável. Está aqui! É esse o material que ela esqueceu! . Ao encontrá-lo na cozinha. minha esposa e mãe da Débora. Foi sim.. Sérgio! Abaixe a voz para falar comigo! A moça contou que esqueceu um material no seu carro e. mãe?. filho! Não te vi chegar! Sem cumprimentá-la e postando na voz um tom sério e preocupante. a senhora sabe que aquele celular não está mais comigo! Sabe que o devolvi par a a desgraçada da Sueli quando terminamos! Por que foi dar aquele número para a Débora ?! Por quê?! .. não foi? Ah. A Sueli atendeu e disse que era minha noiva e. não desse nosso endereço! . Deveria ter avisado a amiga que h avia terminado um compromisso com alguém que não o deixava em paz.gritou. Nesse momento.. Sentindo-se deslocado. A senhora não imagina o que fez! A senhora é uma irresponsável! Olha aqui.falou mais comovido e com a voz embarcada. Em sua mente as idéia s fervilhavam ao deduzir tudo o que aconteceu. Acontece que eu queria falar com ela sim! . avisou que iria embora. Rispidamente.. traumatismo craniano. experimenta ndo uma tristeza nunca sentida. .Apesar de ver sua mãe a ssustada. E a culpa pelo que aconteceu com ela é sua! Como assim?! Não fiz nada! Mãe..perguntou Tiago. sem olhar par a o rapaz. Ela sofreu vários ferimentos. Não imagina como ela ficou.respondeu. Não tem idéia do q ue precisou enfrentar e como sofreu presa nas ferragens! . Acabei de vir do hosp ital.. Sérgio não respondeu nem o olhou. teve convulsões e contusão n a coluna. provavelmente.. Não pude acompanhá-la. Imagine-se no lugar dessa mãe! Imagine as possíveis seqüelas para essa moça tão jovem e cheia de planos!. A mãe vai começar com a ladainha? . Por que a senhora deu aquele número?! Dona Marisa ficou pálida e em silêncio. Tiago foi para o quarto. Oi! Tudo bem? . Não tinha o que falar por estar nervoso. Eu não sabia.. ele foi para casa. por que. Sérgio!. E desorientado. e sem esperar por qualqu er comentário. .exigiu. * * * Ao estacionar o carro na garagem.. mostrando-lhe a pasta. o irmão de Sérgio adentrou e ficou surpreso no vê-los paralisados. Não viu uma viatura que passava o sinal vermelho e foi atingida em cheio! Eu estive no local!. Mas o rapaz insistiu: O que aconteceu aqui? Nada! ... porém voltaria para ter notícias. Amargurado. o rapaz foi pegar sua bolsa no banco de trás e viu a pasta de Débora.... E a culpa é sua + falou num lam ento. Pegou suas coi sas e foi para o quarto. A mãe dela e stá desesperada. Débora levou um choque com a mentira de Sueli e. A mulher estava emocionada e ainda escondia o rosto pelo choro. Sabe lá Deus o que mais essa infeliz falou! A Débora ficou chocada. Ao ver Sérgio muito abatido e jogado sobre a .. Agora era tarde.Essa é a Hilma. Cheia de vida!. ele perguntou: Ontem uma amiga veio me procurar aqui.. Sérgio não disse nada.. porém resoluto. Sabia?! Eu me senti culpado e não consegui encarar a família. Sérgio continuou: Fiquei com ela enquanto os bombeiros serravam a ferrag em retorcida e.

interrompeu-o..Sérgio o encar u firme.. Se algo grave acontecer a ela ou se houver seqüelas pelo acidente. ficando de cabeça baixa e parec endo bem preocupado. é só. . meiga e. divertindo-se com a idéia.Vendo-o sério. Estou me sentindo tão mal com essa situação. perguntou: E aí. eles conversavam: Foi isso. .. Mas o fato de ela ter se abalado com a trama da Sueli a ponto de não prestar atenção no trânsito e bater o carro... a Rita! Vou ligar para explicar tudo e.. O seu c arro foi atingido na lateral e prensado contra um poste. o irmão brincou: Chegou hoje também e levou bronca... Ou então não teria dado importância ao assunto. boni a. Olha. Diga a verdade. a moça aceitou e avisou que o aguardaria. falou de modo aflito: Meu De us!. Achei! .. Nunca vou me perdoar! . meu? Por que essa cara? Só estou brincando. Tudo bem! Viva de ilusão. depois de pegar Rita em sua casa..Vendo-o abatido. demonstrava-se nitidamente preocupado ao contar-lhe sobre o que aconteceu .Rita. Também não é assim.cama. né?! Cheguei sim.. Rita. Com o coração apertado. Mas logo desanimou: Não tenho com o entrar em contato. Sérgio narrou exatamente tudo. É que estou amarrado na garota e vou defendê-la! . Sem demora. Sei! .. Tiago! Meu! Olha a tua cara! Quando foi que se chateou tanto ao atender uma ocorrência ? Você é policial.. Sentados em uma lanchonete. Sérgio pegou o telefone e ligou.. compondo a fras e a seu jeito. cara! Não sabe o que fez por mim! Ora! Fale a verdade! Eu sou o máximo! .. Achei que ela é uma moça.. . inteligente.respondeu parecendo iluminar.Esfregando o rosto com as mãos. uma grande amiga Naquela tarde fria. Tiago. Veja. cara! Está acostumado com isso! Mas nunca atendi uma ocorrência com uma amiga vitimada daquela forma. so rriu e agradeceu: Obrigado..gritou. contou sobre o acidente e pediu para encontrá-la o quanto antes.Sérgio pensou um pouco e exclamou: Espere! Quem sabe!. Não foi ela quem bateu na viatura. Ao falar com Rita.. Tiago argumentou mais calmo: Sérgio. Cara!. Isso mostra que a garota ficou desiludida e gosta muito de vo cê. Desde quand o e como conheceu Débora até a discussão com sua mãe. Interessante.. Tiago insistiu: Ei! E aí. Sirene ligada não dá o direito à alta velocidade e à falta de cuidados indispensáveis à segurança. Amiga?!... Preocupada. não é bom vê-la. Sem suportar o sentimento de indignação.Olhando para Tiago.. Acomodando-se à sua frente. Mesmo assim ela não deveria falar ao celular enquanto dirigia! Não é bem assim. abriu-a e começou a folhear o conteúdo à procura de um e ndereço ou telefone. Quem disse que eu estava? . se ela não es tá bem. Por quê? .. não admitindo que esteja apaixonado. Ela está em choque e não vai recebê-lo bem Estou preocupado. pois precisava muito falar com e la. você não está se agüentando e quer desmentir a Sueli. Espere sua recuperação. jogando-se na cama. nublada e bem cinzenta...quis saber Sérgio. além de muito preocupado com o estado dela. É que. Pelo que me contou e da forma como o fez. Não dá pra falar sério com você.. mas não disse nada e o irmão perguntou: Conhece alguma amiga dela? Lógico! A Rita! . Só que eu estava de serviço e não na farra. cara? O q ue foi? A Sueli e a mãe foram longe demais dessa vez. . Sérgio.Sérgio sentou-se na cama.. . Aqui está o telefone das colegas e eu conhe ci essa aqui.. Sérgio tomou um banho rápido e foi até a casa de Rita. Veja bem.gabou-se Tiago. 5 . Tiago ficou sério e aconselhou: Não acho que seria um bom momento para visitá-la no hospital. O semáforo estava verde para ela. Ao saber dos detalhes. Ele pegou a pasta de Débora. deu pra ver que vocês dois estão começando a se gostar e muito! Ei!.

. Coisa difícil. Devo admitir que gostei dela sim. No local do acidente ela te reconheceu e vocês conversaram. a mãe de Débora explicou que a filha estav a sob o efeito de sedativos e dormia. Conversávamos. Acredita piamente em seus pressentimentos. sorriu levemen . Veremos! Meus pressentimentos são de que a Débora está bem. Daremos um jeito nessa situação. Não estou suportando ficar aqui nessa agonia. Acho que poderia ter evitado tudo isso. Ao mesmo tempo. . Sabe. inspirando cuidados. Rita! . Tudo bem! Quer ir ao hospital agora?! Claro. Seu estado era estável. completamente diferente de quando a vi hoje ced o. Não poderia se alterar nem receber visitas. Ta gostando dela. Eu não engoli essa história de a Débora não poder receber visitas. falar com ela. Rita? Se eu não acreditasse. Além disso. Quero vê-la e esclarecer toda a verdade . Mas você não a enganou. Queria protegê-la de qualque r sofrimento! A Débora emocionada e desabafando?! .. Não será fácil. Não faz idéia de como me sinto. Isso não vai passar de um susto. Por que acha isso? Pela serenidade no semblante da dona Hilma. Percebendo a decepção de Sérgio enquanto dirigia sério e sem falar nad a.. Não sei se vou conseguir dormir. ao vê-lo estacionar frente a sua casa. . mas muito delicado. . Tomara. Eu conheço a Débora e sei qu la odeia traição. Reparou que não nos deixaram nem chegar perto do quarto? Com certeza foi à mãe quem decidiu afastar os a migos. parecendo ter inúmeros pensamentos inquietantes.Observando Sérgio cabisbaixo. Sérgio a olhou firme e confessou com certa ternura mista de tristeza: É. Mais Vilma. Achei tão bonitinho ver vocês dois abraçados lá na lanchonete perto da universidade! Sérgio ofereceu meio sorriso e comentou: Sabe. Sérgio. Estava monitorada e inspirava cuidados. eu percebi isso. mas estou exausto. ele lhe deu o número do telefone de sua casa e o endereço ante s de irem embora.. A dona Hilma estava muito tranqüila. Sinto que é um cara bacana e está sendo sincero. A caminho do hospital.perguntou a moça à queima roupa. mas sinto que vai dar tudo certo. Se eu tiv esse contado sobre a ex-namorada.estranhou a amiga.falou impl orando. Parece que a conheço de longa data. Rita! Vamos! Dependendo de como ela me receber.. Quero vê-la... Rita avisou que entraria primeiro e conversaria com a amiga.Rita sorriu de um modo enigmático ao afirmar: Não sei por que. né? . Poderemos explicar tudo. Rita tentou animá-lo: Ficamos mais aliviados por saber que ela está bem. pediram para aguardarem na recepção onde dona Hilma foi recebê-los. Estou preocupada também. mas de repente ela se emocionou com um desabafo e eu não resisti e a abracei. Você nem imagina! A Débora é tão diferente! . preocupado e sem dormir a muito tempo. Não reparou?! É sim. Ele ouviu e concordou. Não seja precipitado. Acho que é um bom sinal. hein! Eu preciso de notícias dela. Queria ter a oportunidade de conhecê-la me lhor. Precisava descansar para realizar outros exames. De volta ao carro.. sorrindo pela primeira vez.agradeceu. * * * Para a surpresa de Sérgio e Rita. eles fizeram planos de como agir ao visitar Débora... Se. Ei! Vamos deixar de pensar no que deveria fazer? Vamos agradecer a Deus por e la estar bem. E melhor ir para casa e descansar um pouco. não estaríamos conversando . Você entende? Entendo sim. mas vou te ajudar.Calma.riu. ela comentou: Ei? Você está abatido.Olhando-a. ao chegarem. Aquela mulher é extremamente arrogante..respondeu. Ela não estaria sorrindo e nos avisando com tanta amabili dade se a filha ainda estivesse num estado tão delicado. Obrigado. minha opinião é que a Débora está melhor do que a mãe nos disse. rindo gostoso. fico receoso! É desagradável que a Débora nunca mais queira me ver. Mas imagine a impressão negativa que a Débora tem a meu respeito por causa des sa mentira tão baixa! Não consigo pensar em outra coisa a não ser em vê-la recuperada e esclarecer tudo. não sei o que dizer..

Ela gosta de você. senti que você gosta muito dela! . de aspecto sinistro pelo formato da cabeça bem maior de contorno anormal. Aquela casa o deixava insatisfeito. enquanto Lúcia chorava. Mas não pense que isso me impediu de reconhecê-lo! . Olhando para o lado. mas sua voz não saía. enquanto lutava para fugir daquele pavor. iluminando o rosto com agradável sorriso.. pôde ver Lúcia. como se houvesse grandes cistos deformados sob uma pele nojosa. falo u antes de descer do carro: Reze. de forma escabrosa. momento em que a alma não necessita do corpo e os liames que os unem se afrouxam. exaltando o corpo físico com aceleração cardíaca. Procurava se libertar daquelas mãos asquerosas e imundas que o agarravam. deitado exatamente como quando ele saiu. que estava assombrado e relutava àquela experiência. plasmava-se como q ue vermes a roerem sua face do mesmo modo como se processou a decomposição de seu co rpo de carne no caixão. pois minha amiga merece! Conte comigo! . estavam em seu quarto. pois estava esgotado. Tinha a sensação medonha de algo grud ento e pastoso com cheiro fétido. Era algo repugnante e difícil de descrever. Não sentia vontade de entrar. Precisava dormir. Sérgio! Lembre-se de Deus! Pode deixar! E ligue para mim se tiver alguma notícia! Despediram-se e ele se foi. ao apreciar seu desespero. ela não parou de falar d e você! Sério?! . Faltava-lhe oxigênio nos pulmões e um medo o dominava de modo impression ante. Aproximando-se de Sérgio. sua irmã desencarnada. Ficou satisfeito por não encontrar com alguém de sua família e foi direto para o qu arto que dividia com Tiago. durante o sono.Beijando-o no rosto. Sérgio! Percebi. parecendo um fardamento militar antigo. * * * Ao estacionar o carro na garagem de sua residência. só que está em desvantagem. Seu rosto era desfigurado e monstruoso. Foi então que passou a ver como era a casa onde morava sob uma visão espiritu al. ma s não havia alternativa. Sérgio se debatia..E le concordou com um aceno de cabeça e a jovem admitiu: E eu estou torcendo para da r tudo certo. Sorriu com o canto da boca ao ver o irmão largado sobr e a cama. tomou um banho morno e demorado. só que dormindo profundamente. Porém o cansaço o arrebatou. Seu sono era mais forte do que a fome. Sabe. Sentia uma dor no peito ao recordar de vê-la machucada e amedrontada no carro acidentado. Ela trazia no rosto o furo feito pelo tiro que a matou onde. Passadas horas. parecendo monstros. permitindo mais liberdade e mais faculdades à a lma. pressão alt . já na sepultura. Novamente nos encontramo s. Não quis se alimenta r. Vestes estranhas. mas não conseguia.questionou. Sérgio tentava falar e gritar.tornou sem jeito. esse espírito se acercava mais de Sérgio. Ele sentia como se estives se acordado. eu gosto muito da Débora e ach ei que você é um cara legal! Quando conversamos por telefone. Sérgio experimentou uma sensação asfixiante e perturbadora que o prendia ao corpo físico. A experiência macabra vivida pela alma no estado de sono produzia numerosos efe itos hormonais no organismo. empastar seu corpo. enq uanto só podia segurar sua mão delicada e fria. .Ao tempo em que argumentava como se rosnasse. Espíritos sarcásticos com aparências horrendas. Tentava gritar. enquanto agiam como que se esfrega ndo no rapaz impregnando-o como se o deixassem sujo e ao mesmo tempo sugando-lhe as energias corpóreas. como o de um corpo em estado de putrefação. Eu tenho meu exército! Você não! Enquanto se debatia. O espírito Lúcia apresentav a-se com uma aparência sofrida. Traz iam a feição x torcida por um sorriso zombeteiro. Três deles praticamente atiravam-se sobre o corpo adormecido de Sérgio. o es pírito se divertiu.te ao agradecer emocionado: Obrigado. muito obrigado mesmo. Ele não tinha uma a parência normal. Provocando um a manifestação estrondosa e malévola para o rapaz entender. Perto dela havia um espírito com postura aust era. Rita! Não precisa agradecer. Sérgio foi para o banheiro. ele aconselhou: Não disfarce! Mostre-se como realmente é! Mudou sua aparência agora que está encarnad o. Foi um alívio quando se deixou cair sobr e sua cama mas não parava de pensar em Débora e em tudo o que aconteceu. Sérgio parou pensativo por al guns minutos. ou melhor. esfarrapada e aspecto doentio.

Olhando em volta... E por acréscimo de misericórdia. remexendo-se. ao mesmo tempo em que respirava fundo c omo se estivesse sem ar. * * * Sérgio estava impaciente para ter notícias de Débora. No entanto a partir daquele dia passaria a tê-los com mais intensidade. Seguran do com força o braço do irmão. Abalado com a impressionante realidade do pesadelo. imagens . mas tudo indica que foi pela batida na cabeça. ele acordou.a e outras estimulações circulatórias e metabólicas pelo fato do corpo ligar-se à alma atr avés dos liames ou fluidos vitais... Lembranças de onde estivemos ou de lugares a que ainda iremos.dizia. sentou-se ao ver Sérgio se debatendo e tentando murmurar algo. Mesmo trabalhando em um serviço tão exigente em atenção. Às vezes tem sono por causa dos remédios. Sem demora. Pode ser comunicações.. o outro continuava dormindo agitado. Sérgio sentiu medo de sonhar novamente.falou. é durante o sono ou o cochilo que a alma se liberta do corpo e entra em contato com o mundo dos Espíritos. Sérgio colocou os pés no chão e esfregou o rosto com as mãos p ara afugentar as lembranças pavorosas. Os exames da coluna não acusaram nenhuma lesão grave. podemos ter uma visão do passado ou um pressentimento do futuro. As visões. mensagens que conseguimos. Ela está com gesso e ataduras. Como nos é ensinado na Doutrina Espírita.. Isso de acordo com o nosso nível espiritual. lembrar são coisas ou lugares que vemos ou onde estivemos. Apaga a luz. . O rosto dela está inchado. O sonho. . Você est va sonhando. uma vez que seu espírito protetor e sua própria consciência o chamariam à atenção para detalhes a fim de ele se manter vigilante e não se desviar d o caminho certo. sobressaltando-se. sentou-se rápido. Respeitando seu pedido. deixando seu sono suave a fim de acordá-lo pelos barulhos e movimentos agitados produzidos pelo irmão.contou eufórica.falou Tiago. pode ser uma vaga recordação do que experimentamos durante o sono. depois gritou: Não! Saia daqui! Calma! Solta meu braço! . das quais trazemos alguns conselhos de espíritos ben feitores ou não. A Yara levou o celular para o quarto e eu conversei um pouquinho com a Débora! . Acho que teve um pesadelo. eu soube pela Yara que a Dé está bem .perguntou curioso. com encarnados ou desencarnados. mesmo acendendo a luz .resmungou Tiago.2 Sérgio já tivera sonhos daquele tipo.. referindo-se à amiga pelo apeli do que a chamava quase sempre. procurou acordá-lo. Ainda sentado na cama. por vezes. Sérgio perguntou: Cadê eles?! Não tem mais ninguém aqui. muitas vezes. o anjo da guarda ou mentor do rapaz conseguiu estimular energias a Tiago. Foi só um grande hematoma mesmo. Levou pontos na cabeça e em outras partes do corpo.fa lou. ele furtou-se por alguns minutos e ligou para Rita que o avi sou: Olha. Calma. sonolento. Ei! Acorda. Sérgio! . murmurando: Meu Deus!. Com um movimento brusco e inesperado. Depois aconselhou: Deita aí ou vai lá pr a sala assistir à televisão porque eu ainda quero dormir. aí. levantou-se e caminhou pelo quarto tentando entender a mensagem daq uele sonho dentro dos conceitos que havia aprendido na graduação universitária. ainda ofegante. jogando-se na cama. assustando-se com a reação do outro. Tiago despertou e. mesmo assonorentado. Porém. A Yara me contou que é a dona Hi lma quem não quer visitas para a filha. O que foi?! . Contudo a Yara foi muito legal! Você nem ima gina! animou-se.tornou Tiago. balançando-o pelo braço. Sérgio obedeceu e foi para a sala. O sono influi mais do que pensamos sobre a nossa vida . por não conseguir interferir ou ligar-se mentalmen te a Sérgio para auxiliá-lo a libertar-se daquela obsessão. Ainda é uma e meia. a Dé está bem: alimentando-se e conversando n ormalmente.. O que foi isso?! Um sonho ruim . De um modo geral. . Através dos sonhos.

ainda deve pensar que você é um crápula. quando pôde foi inibida d e conversarem sobre Sérgio. a convalescente trocava olhares indefinidos com a amiga e che gou a murmurar dizendo que precisava falar com ela. até rimos ao lembrar que não saí com ela naquele dia do acidente quando me co nvidou e não pude ir! Acho que não irei à universidade hoje e vou visitá-la! É melhor esperar. Alguns imprevistos a impediram de visitar a colega e. abraçá-la. Veja. Contrariado. Queria olhá-la. Se precisar pode contar comigo ! Valeu. Mas e se ele estiver mesmo de casamento marcado?! Acorda! Vai acreditar na palavra dele ou de qualquer?! Alguém que nunca viu e e stava do outro lado da linha?! Tenha santa paciência! Acabei de contar que o Sérgio está disposto a levá-la para um frente a frente com a família dele para provar tudo! Breve pausa e se expressou mais branda: Deveria ver como ele está angustiado. Vamos aguardar até ela receber alta. trazendo sempre o desejo no mal e pronto para aproveitar qualquer oport unidade ou pensamento de Sérgio a fim de desequilibrá-lo e deixá-lo cada vez mais insa tisfeito com a vida..tornou Sérgio..E aí?! . o dia tão esperado chegou. Mesmo assim. Não se precipite com opiniões. Sérgio .aconselhou Rita. Acho que vai perder seu tempo. Sérgio dormia mal e passou a ter sonhos bizarros. *** Os dias e as semanas se arrastaram lentos demais para Sérgio. no dia a dia. O pouco que podia. como grande amiga. Obrigado. Tais sentimentos eram provocados pelo espírito que o ator mentava. *** Depois de tantos imprevistos e planos frustrados... que a enganou. Puxa! Como ele gosta de você! Débora ficou pensativa. Ao mesmo t empo. Havia ficado bem sentido com sua mãe e magoado pelos resultados das con seqüências de sua atitude. Nós nos falamo s pouco. . Depois. pois se sente culpado e. Rita! Espero que não necessite. o rapaz quase não falava.. mas.. Arrasado. pois não tiveram muita op ortunidade de estarem sozinhas e o tempo não foi suficiente para detalhar tudo. Vou te informando sobre qualquer novidade e me ligue quando quiser .. por causa da mãe dela.. Eu entendo e estou mais tranqüilo por isso que ela está bem. ela c ontinuou: Dé. então vou visitá-l onversaremos. Por quê?! Primeiro.. que se recuperava. por intermédio de Rita. Er a um sábado e. seria bom ouvir o que o Sérgio tem para falar e só depois concluir. pois ela está se recuperando não só fisicamente como também do susto que passou. Rita. demonstrando-se amiga de verdade. empolgado. O desejo de vê-la era intenso e não sa bia explicar.Diante do silêncio da outra. explicava que não pôde conversar com a outra como pretendia. em sua casa e com seus f amiliares. Sérgio! Fique despreocupado. dilacerando sua alma ao saber que precisaria esperar. pois sempre havia alguém da família de Débora presente no qu arto. Contudo não se esquecia de Débora.. mas pareceu bem... para dizer a verdade. Uma angústia inexplicável parecia cortar seu peito. Mas não ejo a hora de falar com a Débora. confortá-la em seus braços depois de esclarecer t oda a mentira sórdida e cruel inventada por Sueli. vai dar tudo certo! Rita parecia bem disposta a ajudá-lo. principalmente. inconformado ao s aber. sentada na cama da amiga. Rita dizia: Débora. Entende? Você está certa. você é inteligente! Eu sei que entendeu! . suspirou fundo e decidiu: . que Débora não queria recebê-lo. Seria bom eu falar primeiro com a Dé.. Além disso. surgiam situações complicadas que chegavam a deixá-lo insatisfeito e até irritado. Você nem imagina! Não devemos forçar a situação. Ela estava meio sonolenta por causa dos remédios.

. abalada. Obrigada.. po r isso está fazendo um inferno da minha vida. é lógico que teria ficado surpresa. Eu queria muito falar com você.. É engraçado . Quando terminei o namoro. né! O coitado está esperando no carro. Mas não teve culpa em nada! Débora. apontando para a cadeira posta ao seu lado. Antes de Sérgio ou Débora dizerem algo. o rapaz agradeceu: Obrigado por me receber.. acredite e m mim. tão submissa e como vente. Vou chamá-lo. aflito... lá na rua. Não foi fácil. . puxandoa para mais perto: Sente-se aqui.. Ao ver Débora sentada na cama.. ele parou à porta por alguns instantes temendo qua lquer reação... Preciso te agradecer. que cumprimentou os pais de Débora ao entrar... aproximou-se. Está a fim de deixá-lo esclarecer tudo?! . beijou-a no rosto e pergun tou com voz tímida: Oi. Não vou dizer que foi um prazer estar ali. pois aquele maldito celular foi um presente da Sueli quando namorávam os. Por quê?! Eu devo estar horrível!.. Fui imprudente ao usar o celular enquanto diri gia. porém i ria procurá-lo e você me explicaria a situação. deixando a amiga sozin ha.pediu Rita com sorriso maroto ao se levantar.. Lembro que o abrac ei e não queria soltá-lo. Ficaria magoada com você e indignada por ter mentido.. segurando em su a mão ao argumentar com voz meiga: Pare.interrompeu-a. Obrigada por ter ficado comigo enquanto os bombei ros me tiravam do carro.interrompeu Rita com sorriso de molecagem. Não consigo me perdoar pelo que aconteceu. Afagou-o. Es Rita gesticulou com a mão e sem esperar virou as costas. Ele está aqui? Na minha casa?! Não.. E outra coisa... eu o devolvi junto com tudo o que ela me deu para deixar bem claro que não queria ter qualquer lembrança dela. Sinto-me culpado por não ter te contado que terminei um namoro há quase seis meses e ela não aceita. Se eu tivesse li-gado para aquele número. . O que a Sueli te contou é tudo mentira e eu posso provar. Mas não sofreria o acid ente.. segurando minha mão. Sérgio. Se precisarem..respondeu com leve sorriso e um brilho especial no olhar. sentiu que Sérgio falava a verdade. Olhando o relógio. animada. Não me agradeça. Débora não tinha mais dúvidas. Estou. Não demorou e retornou na companhia de Sérgio. . Por isso bati o carro. a minha mãe colaborou. Vendo-o se explicar daquela forma. Mas criou coragem. pedindo para eu ficar calma. Pe . Ei?! Aonde você vai?! Chamar o Sérgio! . Ela se inclinou para tocar em seu braço. curvou-se.. Bem!. Acomodando-se. Notando-o bem preocupado e até nervoso pe la situação -. . você disse que ligou para o meu celular e alguém se passou por minha noiva.Ele tinha uma expressão triste e angustiada.pediu Débora.. Ele ficou sem jeito e a jovem pediu... Mas.avisou quase saindo do quarto.. vendo-a naquela situação. avisou: ando há mais de uma hora e meia.Olhando firme em seus olhos falou como se implorasse: Por favor.. Então espere! . Acho que vou ao quarto da Yara para conversar um pouquinho. Algum tempo de silêncio em que seus olhos se fixaram e ele falou: Precis amos conversar e eu quero pedir um milhão de desculpas. Parece que algum as coisas se apagaram e. Como se não fosse o bastante. estacionada em algum lugar. .. a amiga se retirou rapidamente. Espere! . Eu estava desesperado.sorriu.. E não poderia ser d iferente. nos pouparia de toda essa angústia e.. e logo foi levado por Rita até o quarto da moça.Acho que vou ligar para ele e.. admitiu: Mas recordo muito bem de você m e chamando... Débora! Como você está? Bem melhor e me recuperando . Não se culpe mais... sim. Sérgio.. Eu. as eu precisava ficar com você. mas continuou: Sinto-me culpado por não tê-la avisado disso.Encarando-o.. Não tivemos muito tempo e. Não me lembro de tudo.

disse..afirmou Sérgio.chamou Cris com sua vozinha doce .. Não é só por eu precisar sair.cumprimentou o homem de boa aparência e bem trajado . adentrou o quart o junto de dona Hilma. mas achei que aq uele pessoal tinha intenção de fazer uma visita bem demorada! Você me ajudou tanto. Débora pareceu sem graça. naquele mesmo dia. Estudamos sim . Tudo bem . e o rapaz rapidamente se afastou. Estive viajando a traba lho. aproximou-se. ela explicou: Nós nos conhecemos no dia em que eu enco ntrei a Cris. essa é a Débora. disfarçando ao avis ar: Vejam quem está aqui! Sérgio ficou sem jeito e se levantou ao ver os visitantes entrarem. Não disse nada. esse é o meu marido Lucas.anunciou a voz alegre do senhor Aléssio. Elza. Fico impressionada por ela tê-lo reconhecido! Ele é policial militar e nos levou para a delegacia naquele dia. Visitas para Débora! . Débora! .alegrou-se Débora. mãe de Cris.Em seguida... deixando-se envolver pel os carinhos. A princípio. Temos de ir ao casamento do primo dele. que não ficou satisfeita. Inebriado de emoção. Prazer em conhecê-la. meu amor! A garotinha se abraçou à jovem enquanto os outros entravam. i solado por todos. .interferiu o senhor Aléssio parecendo insatisfe ito. segurou cuidadosamente seu rosto. minha querida?! .. Eles se foram. O senhor nada disse. Despediram-se de Débora. Eu gosto muito de você. de sua filha e do rapaz. inerte experimentou o coração bater forte e murmurou com brandura no tom bonit o de sua voz grave: Débora. Ao entrar. achegou-se a ele quando suas faces quase se tocavam.Virando-se para o casal. apontando tim idamente para Sérgio. Logo se justificou: Desculpe-me por não ter vindo antes. acariciou seus cabelos enq uanto a olhava encantado. Repentinamente Breno. beijou a moça e apresentou: Débora. abraçando-a por longo tempo. dizendo: Surpresa! . Descu lpe-me por não termos ficado mais tempo. pois o rapaz sentou-se na cama da moça tomando -lhe toda a atenção. Breno! . Ele sentiu-se excluído e com o passar do tempo Rita o chamou par a irem embora. Eles se olhavam quando Sérgio se ap roximou mais e acariciou suave sua face delicada. é o tio da polícia . Mamãe . Cris! Que memória! . Vocês dois se entenderam?! . Atraída pela conversação. *** Durante o caminho para sua casa. Mas a Elza e a Cris sempre me davam notícias suas! Já me recuperei bem . Rita! Acha que vou me indispor justo com você?! Também perceb i que a conversa seria bem duradoura. Sérgio ia beijá-la . q e encontrou a nossa filha. percebendo algo diferente no comportamento susp eito. teve u ma ligeira visão do clima romântico. talvez assustado.quis saber curiosa ao sorrir. Os pais da garotinha não entenderam e a jovem esclareceu sorrindo: Nossa. Enquanto o cumprimentavam. apresentou: Este é o Sérgio. Tudo bem. Rita comentou: Hoje vou sair com meu namorado. desejoso por beijá-la. Foi então que começaram a conversar. trazendo à frente um belo arranjo de flores frescas. Pensei que estudassem juntos! .gritou alegre. e dos demais. Sentindo aquela pele macia e m orna. Débora se embaraçou com as palavras e se calou. seus lábios chegaram a se tocar com ternura.beijou-a no rosto. mas o som de leves batidas na porta os impediu. . Rita chegou ao quarto e foi para um canto junto a Sérgio.respondeu a jovem sorrindo. descobrimos que cursávamos a mesma universidade.rdemos tanto tempo e sofremos por.contou Débora. Nós nos conhecemos quando a Débora encontrou a Cris e. Não pode imaginar o quanto sofri e. mas alegrou-se ao ver a pequena menina e exclamou: Cris! É você. explicou: Lucas. tio da garotinha.. A jovem.

trazia um sorriso suave nos belos lábios bem contornados.. Assim que a Débora se recuperar. Aliás. n aturalmente especial ao menear a longa saia modelo indiano que combinava com a b lusa do mesmo estilo. Bom divertimento! Obrigada! . você e a Dé para comemorarmos! Será ótimo! Combinado! ..gritou alegre. nojento! . Agora preciso ir! Ainda tenho de me arrumar! . sentada sozinha na sala.lamentou. Puxa! A Dé me deu a maior força! Eu a considero como uma irmã! Sérgio sorriu agradecido ao afirmar: Posso dizer o mesmo de você. aturdida. Mas eu não poderia la r tudo aqui e ir morar lá. Ele não tinha muito tempo por causa do trabalho. totalmente confusa.. Sinto muito. Aq uele pessoal chegou. 6 . mas pelo menos nos entendemos.. Sérgio. Quando. Rita e ra muito bonita e tinha seu estilo próprio de ser...respondeu sem alongar. Não tenho avós.riu.. . não esquenta. É difícil nos separarmos de quem amamos.reagiu de imediato. falou: Obrigado. mas ela. talvez uma ir mã não fizesse. Sabe. Nós ficamos amigas logo no primeiro semestre da faculdade e aconteceu algo bem inesperado. mas a Débora não deixou.falou.. Você tem irmã? Minha irmã faleceu há quase dois anos . sairemos eu. sem perceber.. É um lugar mágico! Maravilhoso! Um paraíso! .. Pronto! Chegamos! .explicou com leve sorriso parecendo de saudade ou de sonho.Débora enfrenta a oposição do pai Sérgio chegou à sua residência bem mais animado e.Bem. Deu-lhe um beijo no rosto e depois de ele retribuir da mesma forma.protestou a moça irritada.disse o rapaz.. Já me a udou muito! Você nem imagina! O que ela fez? Se é que eu posso saber! . Ela é bem sincera. Não consigo!. Uma amiga legal. O que tem feito por mim e pela Débora. Mas você tem irmãos ou parentes.. mas foi surpreendido pela presença desagradável de Sueli. experimentando um sentimento feliz pelo resultado posit ivo de tudo. Não gosto de falar dele. Sinto muito.. Só um tio por part e de pai. Expliquei o que precisava e ela entendeu. olhando-a com satisfação. Puxa.. Ele sentia o coração mais leve e repleto de esperança.. Assobiava ao entrar. . mas preciso terminar a universidade e pensar no futuro do meu irmão. contou: Quando o clima ficou bem romântico. têm vários funcionários e quase não vêm a São Paulo. Que droga! . Tudo bem. Meus pais foram viajar e morreram em um acidente de carro. Demonstrando-se grato . Então me vi atordoada. Essa tia é uma pessoa excelente. Ela e o meu namorado não me largavam. Algo que combinava com sua pers onalidade..ele concordou. Acompanhando Rita com o olha r.Sorrindo de um jeito especial. o marido e os filhos são donos de um hotel à beira mar que fica lotado em qualquer época do ano. Não que eu esteja feliz. que é casada e mo ra em Pernambuco. graça e vivacidade. Você foi mais do que uma amiga! Que nada! . após ela entrar em sua casa. .Pequena pausa e continuou: Quando meus pais faleceram ..ele riu. Rita. não quero vê-lo nem pintado de ouro! . meu namorado Gustavo. ela o lembrou: Amanhã você telefona para ela! Não se esqueça! Pode deixar! Mas. Seu marido e filhos também! Eles trabalham muito. Não vou esperar até amanhã. E o seu tio? Um crápula. coberta nas costas por seus longos cabelos lindamente cach eados que pareciam um manto negro esvoaçando com suavidade ao vento brando. não tem? Tenho um irmão que acabou de fazer dezessete anos. Vontade não falta...falou sem jeito. eu quis deixar a universidade. virando-se e caminhando com seu jeito exclusivo. Essa tia. T eremos outras oportunidades! A Débora é uma pessoa maravilhosa.. . que mora perto da minha casa e uma tia por parte de mãe. o rapaz sorriu e se foi.ele exclamou. Rita o abraçou com força. . descendo do carro.

quando o resultado é negativo e sempre quer ser perdoada. Nitidamente insatisfeito. ou seja. pensa que as normas de respeito e dignidade devem ser exigidas às outras pessoas. falou irritado: Suma daqui! Não q uero ver a sua cara nunca mais! Eu estava conversando com a dona Marisa e. Tiago falava descontraidamente ao telefone. de gostar?! .interrompeu-a num grito. mesq inhas e dominadoras não pensam! Simplesmente são cruéis! Não sei o que me deu quando ela ligou e. eu fiquei em choque. Não me julgue mal.. Onde está a minha mãe?! Como ela permitiu que entrasse aqui?! ... . É lógico que você jamais pensou! . principalmente.perguntou secamente. Jamais pensei que. deixando qualquer um exausto! Você não tem discernimento! Sérgio! Eu!. . Acha que suas necessidades têm mais prioridade do que as das outras pes soas. O telefone tocou. Chega! Saia daqui! Não quero te ver nem ouvir sua voz nunca mais! Entendeu?! Sa ia da minha casa! Naquele momento. sempre... . Você é uma criminosa! Puxa. Esta é minha casa e recebo aqui quem eu quiser! .exigiu.. ele ia dando-lhe as costas para sair daquele cômodo.. ao t erminar a ligação. as idéias dos outros para realizar os seus desej os insaciáveis. ela pediu: Por favor. Por que a mãe faz isso. interrompendo: Sérgio! O que está acontecendo aqui?! Sou eu quem deve perguntar o que essa aí está fazendo aqui?! .tornou o outro curioso.. Criaturas egoístas. Oi. Não podia imaginar que por caus a de uma simples brincadeira.. Você não tem escrúpulo. Você é louca?! Acha possível eu desculpá-la pelo que fez?! Sabe quais foram às conseqü s?! .exclamou a mãe autoritária.interrompeu-a nervoso. Quando a sua mãe me contou o que aconteceu com a moça. possessivo. Em seu quarto. Sueli! Costuma usar os outros para satisfazer suas neces sidades e seus caprichos. apontando para Sueli..Pausadamente. inocente e você nunc a erra! Preste atenção e observe que você não assume totalmente a responsabilidade pelo seu comportamento. quando Sueli o chamou: Sérgio! Por favor! . dona Marisa entrou e presenciou a discussão.Sem esperar uma resposta. mas não a você! Sua capacidade de egoísmo e orgulho é tão grande que acredita nu nca se enganar. Sérgio sentou-se na cama e esfregou o rosto com as mãos num gesto insatisfeito.Tentou justificar com lamento na voz. O que fez foi sórdido! Cruel! Gente como você deveria estar atrás das grades! Por favor!. Eu gosto muito de você a inda e.Aproxi mando-se.. o tempo.reclamou Sérgio... perguntou: E aí? Tudo bem? Estava tudo bem! . Compreenda. O que rolou?! . a admiração. repetiu: Entenda que você não tem qualquer valor para mim! Seu mundo é pequeno demais! Enquanto seu complexo de inferioridade é imenso e é por isso que faz o que fez. mas o observou e. Brincadeira?! .dizia como se implorasse seu perdão. não tem valor algum para mim! . saiu. Você é presunçosa. Sérgio! Tudo bem?! .Ao vê-lo se virar. ferir sen timentos. Era para o seu irmão e ela foi levar o aparelho lá no quarto... o amor. O que essa safada está fazendo aqui em casa? Parece que a mãe não tem o mínimo de con sideração por mim! Caramba! Eu ouvi quando a mãe ligou pra ela.O que você está fazendo aqui na minha casa?! ..falou com voz melosa. enganar. A Sue li sempre foi nossa amiga e. exigir. me desculpe pelo qu e aconteceu à sua colega. Você chama esse sentimento vaidoso.. orgulhoso. Tiago?! Talvez tenha esperança de vocês voltarem. olhou-a com desprezo ao afirmar: Uma pessoa capaz de mentir.. encarando-a firme. E isso nunca vai acabar! Só sabe exigir e roubar a atenção. virando as costas..questionou com veemência. olhan do em volta com modos agastados.interrogou. É capaz de acreditar que sua motivação é sempre pura. Estava indignado e. O filho não a esperou terminar.. O que quer aqui?! .

A mãe foi reclamar de mim para o senhor. De quanto o senhor precisa? . Pode parecer que estou forçando. diante do silêncio. atendendo ao doce pedido da moça. respirou fundo e afirmou: Vou falar com sua mãe. A Débora quase morreu por.. Tudo bem. Não tenho tempo para nada. Devo me submeter eternamente aos caprichos da Sueli e aos desejos da mãe? Nunca mais poderei traze r alguém aqui em casa por causa da presença da minha ex-namorada? Por favor.. o senhor Inácio comentou: Se não puder ajudar. Pai . ficando frente a Sérgio. converso mais com a mãe dele.. Sustentava um sorriso suave e tranqüilo até seu pai entrar no quarto. Ele prometeu visitá-la no dia seguinte. Cai fora! .Vendo -o sério e sem dizer nada.. ... iiii. Completamente difere nte dela.respondeu de imediato. Sérgio. ficar com ela. deixando-os morar conosco.perguntou em voz baixa. ligou imediatamente para Débora.respondeu irritado. Sérgio .brincou o irmão. Contou com a versão dela! . rindo gostoso. explicou: Pai. filho. o estudo. O Marcílio deveria assumir toda a responsabilidade com a mulher e os filhos que ..argumentou sem dar muita importância.. Onde eu estava com a cabeça?! Para ser sincero. Além disso. Bem. o senhor e a mãe não tiveram mais sosseg o. Aaaaa!.. Imagino .interrompeu de imediato. Moro nesta casa. Sérgio sorriu e Tiago perguntou: Vai visitá-la amanhã novam ente? Não sei... Rolou um clima legal! Olha só!. . Sozinho.. Mas não sei como lidar com essa situação entre você e sua mãe. Você poderia ir lá para ver e.. Acho que mereço um pouco de respeito p or parte do senhor e da mãe. Sérgio. Conversaram por longo tempo. O senhor entrou calmo e sentou-se na cama de Tiago.revidou Sérgio.. você nem conhece essa moça e. Sérgio? Oi.. Eu tenho anotado lá no meu quarto. um tanto sem jeito. já que não reconhecem meu esforço para u a vida melhor. pai? Quase tudo... De repente ela não resistiu diante do se u charme! . não foi? Disse que eu quase não paro em casa. pense! Sou filho de vocês. São bem estabilizados e um tanto arrogantes. as atividades do curso. vi vo na casa do João.falou devagar e bem calmo .Breve pausa e. E. do que com ela. pai! Eu entendo. O Marcílio não pode pagar algumas co ntas nesse mês e. . interrompendo. Pai.. Bem. . Eu não q uero vê-la. desde quando comprou esta casa para ajudar o Marcílio e a Ana. o senhor sabe o que a mãe e a Sueli fizeram e o que isso causou a uma amiga minha? Sua mãe me contou. Não tolero a Sueli aqui! E o que mais?! . primeiro sua mãe veio falar comigo e... eu estou com alguns probleminhas financeiros. mas quero conhecer! E daí?! .. contagiado pelo riso. Depois tornou: Sabe o que é. mas. o rapaz estava feliz. ele pediu: Sérgio .. Não suporto a idéia de falar com ela. não o vejo há dias.Não sei como fui namorar essa. Quando ia sair do qu arto falou: Ta apaixonado! Ferrou! Ah!.Após alguns minutos. O que me interessa mesmo é conhecer melhor a Débora. A Sueli é só uma conhecida.. vo u entender. Eu queria falar com você e. as hor as de estágio e outras coisas me mantêm ocupado. Mas antes do outro sai r. O trabalho. O homem abaixou a cabeça. Para quem estava tão durona. Deitado em sua cama.. antes de desligar. não é? Ao menos isso. Não conheço.... deu-lhe o aparelho e gargalhou antes de desfechar: Não precisa dizer para quem vai telefonar! O irmão riu e não falou nada.. nem eu sei como você ficou tanto tempo com ela.so rriu inebriado.revidou. pai! Entra! . meu! .. mostrando-se insatisfeito. sentando-se.brincou Tiago... pediu: Ei! Deixa o telefone comigo! Tiago voltou. a dona Antônia.Olhando-o nos olhos e sentindo-se constrangido. não fico muito à vontade per o da família dela. Eu sabia! .. né. Olha só o cara. após poucas batidas à porta. Tiago perguntou animado: E aí?! Foi lá visitar sua amiga?! O belo rosto de Sérgio pareceu iluminar com um largo sorriso e ele contou: Fui e conseguimos conversar um pouco. ficou pensativo... eu sei que você já ajuda muito e tem suas próprias despe sas.

Sempre que pergunto. Sérgio experimentou uma sensação angustiosa e amarga. Ficava se mpre em segundo plano. com o modo de ser manipulado. Juntando-se à causa dos rebeldes. saindo do quarto. E hoje. Eu queria ser mais independente. Que bo m vê-la assim. mas Emy perguntou: Pode dividir conosco tanta alegria? . pensava Sérgio. após suspirar fundo. O espírito que tentava obsediá-lo há tempos. Foi durante a Revolução Farroupilha no sul do país. Sérgio era abraçado pelo espírito Lúcia.. Sua vida será melhor sem ela. jogos.. Pai.. Estava insatisfeito com sua vida. Naquela manhã. mas. acomodou-se à mesa e não disse nada. desanimadora. Certo . Apesar de tão pouco tempo. Ela o envolvia com impressões melancólicas. avisou: Tudo bem.Alguns segun dos e. Parec e que nunca vou conseguir! Será que terei paz se sair dessa casa ou quando morrer? ! Nem quando sair daqui eu vou deixar você em paz. O que posso fazer. Você desertou por causa dela. sentindo-se supe rior e poderoso diante do encarnado que atormentava. angustiosas e tristes ao mesmo tempo orientava-o em nível de pensamento: Não fique com essa Débora. Por que eu e o Tiago devemos ter dinheiro para as despesas extras que não no s pertencem? Por que não exige que seu filho mais velho assuma suas responsabilida des? Desculpe-me. Mesmo sem ouvi-lo.disse. Yara chegava à sala acompanhada da risada gostosa da irmã que voltav a à rotina. Droga de vida! . Trazia a mesma aparência r epulsiva e austera. Débora estava bem re-composta. cabisbaixo. Sérgio continuava reflexivo e não podia ver o que acontecia no plano espiritual.respondeu. O Marcílio tem seus gastos com bebidas. de ser envolvido em problemas que não lhe pertenciam e de não ser valorizado. aparentando um homem acima da meia idade. Sérgio. ele está sem dinheiro. sei que vivo te incomodando ao pedir mais dinheiro para as despesas. re tornando ao trabalho e aos estudos. Arrumou mulher e filh os. O senhor e a mãe são usados por eles! Acham i so normal! Já pensou se eu e o Tiago fizéssemos o mesmo?! Como seria? . Suas estratégias ajudaram a tropa dos farrapos a conquistar uma cidade.. Enquanto isso. vociferou: Seu covarde! Desertor covarde! Você foi um tenente do Exército Imperial e o homem em que depositei toda a minha confiança! Minha filha estava prometida a você e a ab andonou depois de conhecer essa que hoje se chama Débora. Deixan do-se envolver por idéias ruins e terríveis. Eles conversavam muito por telefone e o rapaz a visitou várias vezes. não é isso! .. travando a maior batalha contra o Exército Imperial. encarando-o. O T iago nunca guarda nada. Depois de uma garg alhada maldosa. num plano que não podia ver. Depois eu vou lá para ver em que posso ajudar. Algo até então nunca visto.. seu desgraçado! Vou seguir você e aquela vadia até o inferno e muito além! . O que não deixava o senhor Aléssio e sua esposa satisfeitos. Ora! Ora! Gargalhadas logo cedo! . Sérgio? Mandar todos embora daqui? Pôr o seu irmão. entrelaçou as mãos na frente do corpo e aba ixou a cabeça. você ainda maltr ata minha filha como fez no passado! Desprezando-a como lixo! Mas eu vou acabar com você! Com essa Débora! Ah! Se vou! Nesse momento. bem satisfeita. cigarro.. seu desgraçado. su a irmã desencarnada. a mulher grávi da e dois filhos na rua? .ele arrumou.. Se não puder ajudar. aproximou-se.O rapaz não respondeu e o senhor Inácio continuou: Filho. o calor de uma paixão nasceu e cresceu entre Débora e Sérg io.tornou o espírito Sebastião. atribuindo tal sentimento aos problemas de família. No passado houve mui ta discórdia por causa dessa moça. Débora! A filha sorriu. Sérgio apoiou os cotovelos nos joelhos. * * * Semanas passaram. mas sentia uma vibração estranha. Minha filha sofreu. mais livre. Sérgio fustigava os pensamentos em um nível muito inferior. Sofr eu tanto que morreu de desgosto e vergonha.reparou dona Hilma.

Vai à universidade hoje? . mu ito presente nesta casa. Depois de cum primentá-lo. trocou olhares com Yara e contou: A Yara fez uma tatuagem nova! Só vendo para acreditar! Filha! .. Débora gargalhou. Conhecia bem seu pai. Diálogos. compra-se! . ouviu seu celular tocando e correu para atendê-lo: . diante da filha. A mãe disse que você queria conversar comigo. mãe! .. Talvez pense que está em um tribunal defendendo alguma causa. Sei que vários colegas vieram te visitar. Do que vocês duas riam tanto? . argumentar e p rotestar! Com licença! Dizendo isso. mas só você tem o poder de julgar.Alguns segundos de pausa e falou: Veja bem. Quero que tenha ao seu lado um homem capacitado. Pai. São em coisas simples que encontramos a felicidade. Nunca consegui dialogar com você. .reclamou insatisfeita. Não ..disse firme. e. pai?! . Quero o seu bem. sentou-se na cadeira frente à sua mesa. Por exemplo. Após terminar o desjejum. como sempre. quase sentando..riu Emy. Em seguida.Débora respondeu e sorriu. pois sempre acredita ser o único que sabe falar e não dá a oportunidade para eu expressar qualquer opinião. Débora! Não quero que diga nada! Só pense! Entendeu? A moça sentiu o rosto aquecer. Estou sempre a berto para diálogos. na sua segu rança futura. colocando-se à disposição. Você s abe que gosto de ser direto.confirmou. Débora saiu a passos firmes sem olhar para o pai. jovem..interrompeu-a de imediato.questionou com ironia e indignada. o Sérgio.A moça ficou petrificada e sem dizer nada. Débora foi ao escritório falar com seu pai. Sem dúvida. Não quero perder nem mais um dia de aula. Ficou contrariada com o que ouvia.a jovem riu e não se manifestou. Eu e o Sérgio..retrucou Débora. É só isso? ... advertiu: E não me venha com a história de que gosta dele! Que se amam! Vo cês mal acabaram de se conhecer! Não quero mais ver esse Sérgio aqui! . estudar. Esse rapaz não veio aqui só por causa de seu estado de saúde. Seu pai está no escritório esperando para falar com você antes d e sair. Não mesmo. Quero sim . quero que reflita muito sobre nossa conversa e reverta essa história. dona Hilma perguntou: Então você volta hoje mesmo ao trabalho? Está bem disposta? Como nunca.. Você é uma moça muito bonita.É muito bom retomar a vida! Eu não sabia o quanto era gostoso trabalhar.. A felicidade não se encontra. mui o menos nas lojas. levantando-se e fechando a porta do escritório. . dona Hilma avisou: Ah! Qu ase me esqueci. com estudo. andar sozinha!. minha irmã! A felicidade está dentro de nós e não em coisas exteriores. Lógico! Mas hoje é sexta-feira! . O s enhor Aléssio ainda falou: Compare e analise tudo.estranhou Yara. iiii. Débora! . filha. mas não sou ingênuo . O Br eno! Um empresário bem sucedido e que demonstra extrema consideração e carinho por você! Ele até comentou comigo o quanto te admira! O Breno é um rapaz com totais condições de te oferecer uma vida de princesa! .tornou a senhora. Há alguns dias eu tenho visto o seu amigo. Tinha os olhos nublados e por isso disfarçou o rosto entre os cabelos ao passar pela sala. Puxa! Chega de ficar naquele quart o e nos limites desta casa. mas sabia que não adiantaria argumentar... Com licença! Sem se importar com o ocorrido. falou: Serei breve. Voltando . Acabou de se convalescer. encostou-se à mesa... Levantando-se. Chegan do ao seu quarto. eu. Estou pensando no seu bem. Eu notei algo romântico em seus olhares.. Emy desfechou: Não vou me indispor com você logo cedo.. educada. Não é preciso que s e justifique.falou mais tranqüilo. Tenho tanta coisa em atraso!. Débora.tornou a mãe. Veja.animou-se a filha. shopping e grandes marcas! . Lá vem bronca! . Além de o utros incontáveis adjetivos.perguntou desanimada. Espere. E esse rapaz? O que ele tem para te oferecer? Não passa de um mero policial! Qual o futuro dessa criatura?! Como poderá te oferecer confo rto. estabilidade financeira e tantas outras coisas às quais você está acostumada?! Sem trégua. Deixe-me terminar.

Senti algo difer ente em nossos últimos encontros. Débora trazia os olhos brilhando e suave sorriso tímido. Não quis inte rfonar e.disse sério e bem sincero. tornou num tom tranqüilo.. escondendo o rosto. Desculpe-me Sérgio. ele percebeu uma angústia no silêncio da jovem. quase num sussurro: Quer namorar comigo? Eu adoraria. falou baixinho: Eu ainda tenho tempo. quis saber: O seu pai disse alguma coisa a meu respeito? Por que pergunta isso? . trazendo-a a realidade: . Depois de contar sobre a compra do celular e alguns fatos corriqueiros . apertando-a contra si. Sérgio! Estou te esperando aqui fora e com celular novo! .. Sérgio segurou-lhe o rosto delicado. Claro! Eu entendo . mas. ela saiu de casa. depois ela avisou: Agora preciso ir.. Tudo bem. falou: Você não mente bem. Quer conversar a respeito? Não. confessou: Gosto muito de você. Despediram-se com carinho e. a jovem afirmou: Posso imaginar sim! Eu também não deixei de pensar em você. vagarosamente. experimen tando um sentimento muito forte. não consigo parar de pensar em você e.. ela desceu do carr o e se foi olhando algumas vezes para trás. Caso saia mais cedo.avisou alegre. o que nunca a conteceu. Não pode imaginar! Oferecendo um belo sorriso.murmurou com a voz abafada pelo abraço. olhou-a nos olho s. Ele me recebeu bem todas as vezes que fui te visitar. Débora parecia implorar por seus carinhos e. A caminho do serviço. Ele a calou com um beijo. Desde o dia em que a conheci. Aproximando-se e acariciando seu rosto delicado. Sérgio cuidadosamente a afastou de si. ele avisou: Passo para te pegar. Após alguns m inutos. Eu te adoro.. acenando graciosamente.Beijaram-se novamente ... Talvez depois. Não parece .Sem que ele esperasse a moça o abraçou forte. você me espera. Afagando-lhe o rosto... Depois explicou: São problemas lá d casa e não quero preocupá-lo com bobagens. tomou-a nos braços e a beijou com todo o amor. C omo eu desejava beijá-la e abraçá-la dessa forma.. afagando-a com carinho por longo tempo. Você já está pronta? Estou saindo! Beijo! Sem conversar com ninguém. procurando distraí-la. Estacionando o veículo frente à residênc ia da moça. Só não queria falar disso agora. ele aproximou seus lábios dos dela. mesmo? . Sérgio perguntou: Está tudo bem? Sim. Uma tristeza indefinida pairava em seu olhar terno. por não vê-la interagir.Sorrindo com brandura. vendo-a com os olhos marejados. Ainda deixando-se ficar em seus braços. Pensei que só ficaríamos. Chegando próximo aonde ela trabalhava. . Ele a envolveu com carinho. entrou no carro de Sérgio e se foram . como se uma energia indefinida invadisse seus corações apaixonados. *** Depois da aula. Era a primeira vez que se beijavam daquela forma e vivenciaram uma sensação nunca sentida antes. Acredito que não aprovará nosso namoro .falou surpresa. mesmo contrariando a vontade.compreendeu e a observou por alguns segundos. Eu também. ta? Débora parecia insegura e não desceu do carro. Sérgio. .. Foi então que o rapaz falou sobre outras coisas. Sérgio perguntou em tom apaixo nado. A jovem ofereceu um lindo sorriso ao dizer com jeito meigo e gracioso: Você não me pediu em namoro. acariciou-lhe o rosto e não resistiu ao sentimento que o dominava. Sérgio levou Débora para casa. fez-lhe uma carícia e pergunt ou em tom bondoso: Tudo bem. confessou.Oi. Afagando-a com generosidade. Ao senti-la mais calma..

Mas quando sofremos e nos deixamos aterrorizar. Meu pai é um pouco difícil. Meu querido Sérgio. Apaixonados. . influindo em seus pensamentos com bons conselhos: Precisa ser cauteloso com as idéias. em sua infinita misericórdia. Ligo sim. meu querido.. falou sorrindo. Pois os espíritos maus correm em nosso auxílio e nos ajudam com as más tendências. Adoro sua companhia. ela quer nos induzir ao mal para sofrermos. Os pensamentos deles inva dem os nossos. ele olhou o relógio e decidiu: É tarde. pelos retrovisores. Nunca te nho razão. Ele esperou que ela entrasse e depois se foi. Você me liga quando chegar a casa? Ligo. a jovem avisou: Não tenha tantas esperanças.. em ações e pensamentos o desejo no mal. Sabe.. Vamos ver. Meu pai é teimoso e minha mãe não me defende.Você não me respondeu sobre o seu pai.Mesmo sabendo que não era ouv ido. Bem.. modesta. o que isso importa? Sou maior de idad e! Entendo que ele não quer o seu mal e está pensando em seu futuro. quando cedemos as suas sugestões sórdidas.. mas é arriscado ficarmos aqui. elas são instrumentos para provar o nosso equilíbrio e a nossa confiança em Deus. Durante o trajeto até sua casa.. ela comentou: Sabe. querendo desistir ou nos alterando de forma grosseira. tenha a certeza de que minha mãe não pensará diferente d ele. por desejo de vingança ou por prazer. Débo ra.. por essas más experiências e sentimentos. sempre nos ajuda. . Ah!. se me conhecer melhor. Vou conseguir minha estabilidade. Por isso continuou: O inimigo do passado pode acreditar que você aind a tem dívidas com ele. Você é muito precavido. Não quero expô-la em situação de r isco. Não querendo desapontá-lo no futuro. E Deus. precisaremos ref azer os estudos e novos testes.Vendo-a reflexiva e despreocupada. Na minha profissão. apesar de enfrentar uma situação aflitiva e pesarosa. no último caso. encarnados o u desencarnados. o anjo guardião do rapaz tinha plena certeza de seu pupilo receber suas influên cias e no momento preciso poderia se valer delas. É por isso que so remos e sofremos muito. Acho que os obstáculos surgirão de ambos os lados.. Não estou interessado nos bens da sua fa mília ou em sua herança. Se o seu pai não ficar sa tisfeito por estarmos juntos. Bem. o mentor de Sérgio o acompanh ava. Não é diferente das esco las terrenas onde estudamos e depois realizamos provas para testarmos nosso conh ecimento. mas certamente segura e honesta. Isso significa que ele não simpatizou comigo . talvez simples.propôs toda animada. acho que morro. Só uma coisa: a Rita me telefonou e nos convidou para sairmos com ela e o Gustavo amanhã! O que acha? .. quando nos acontecem coi sas ruins. na espiritualidade... não sofre ... Porém depende de nós nos inclinarmos às inspirações boas ou más que exercem sobre nós.prosseguia o sábio mentor. Podemos ser promovidos ou reprovados e. Espíritos desse tipo. mas podemos considerar. Se algo te acontecer.. já vi fatos que não desejo experimentar. Teremos obs ulos. caso se mantivesse atento na fé e vigilante. Deus permite qu e esses irmãos imperfeitos na moral sejam instrumentos para testar nossa fé e nossa vontade de continuar agindo como criaturas atuantes no bem. Vejo que não pára de olhar em volta. por minha culpa. Mas Deus.. Afinal. vocês têm u ma grande estabilidade financeira e eu não.. Vamos analisar o que você já aprendeu no rso que está quase concluindo: Por que pessoas que sofrem sérios e difíceis problemas reagem diferente? Uma. Mesmo se ele não estiver de acordo. Por isso você estava triste hoje de manhã? Tentando fugir da resposta. . o que não é correto. Parecia que Sérgio tinha ouvido a conversa entre ela e o pa i. Débora ficou incrédula. eles se beijaram e se despediram. enviandonos os bons espíritos que vão nos influenciar também. comprazem-se em uma falsa felicidade quando conseguem nos compr ometer ou nos induzir a uma atitude degradante que atrasa nosso adiantamento esp iritual. E é provável que com o tempo ele me veja de outra f orma. Quando se trata de uma criatura sem entendimento e pouca ev olução. Eu tinha outros planos. Ele não concorda com nada que eu faço. é por que atraím os para nós.

uma espéc ie de estágio na área de Psicologia. Diante da pausa em que Wilson refletia em como resumir os fatos. mas sabe que a e xperiência ruim é passageira.concordou o espírito Wilson. cabendo a contribuição complementar de recursos vindos de . os rebeldes ou farrapos q ue lutaram para criar uma República. quando a pessoa não examina a idéia imediata e não distingue o bem do mal. após terminar o período de supervisão exigido. Débora. para a e conomia brasileira. O rapaz havia terminado o curso universitário. aproveitando de todas as circunstâncias para isso. claro! . contando: Na mais longa revolução da his tória do Brasil. por uma ser u m espírito que cede aos maus conselhos e não é evoluída. Como anjo guardião não é ama seca. O rapaz sentia-se melhor. desejam é corromper e prejudicar o outro. digno de aproveitamento para estudo. Antes de dormir.. Chegando à sua casa. fazendo-o sua vítima. de outro. ele estava simplesmente feliz e fez uma prece agradecendo e pedindo proteção. estancieiros e criadores de gad o da província. a outra sofre. Sebastião. Além dessas. Isso. havia outras inúmeras queixas. quando ainda presos no vício. bem aliviado e seguro. o espírito protetor de Sérgio. Um dos instrutores acrescentou ao grupo: O que os espíritos. Os lugares e os interesses que queriam defender tinham grande impo rtância ao Império. combinando saírem no dia seguinte. mais especificamente no Rio Grande do Sul. Sim. Aqueles que eram contra a criação de uma república deram o apelido de farrapos ou farroupilhas aos revolucionários com a intenção de humi lhá-los e depreciá-los.e co uros utilizados para a confecção de diversos artigos. Um doce e agradável romance acontecia entre Sérgio e Débora. Havia no grupo alguns aprendizes que se interess aram e Wilson. No Rio Grande do Sul principalmente. Sueli. Entretanto esses líderes nada tinham de maltrapilhos. Lúcia e Tiago se reencontraram. o espírito Olívi a lembrou: Bento Gonçalves da Silva foi o líder dessa revolução. é o acerca do que acontece com Déb ora e Sérgio. mentor de Sérgio. a outra entra em extremo desespero. deixando-se inclinar às tentações e erros de difíceis repar os futuros. De um lado os adeptos da Monarquia ou governo Imperial. Sérgio. contava: Alguns irmãos. ligou par a Débora e conversaram por muito tempo. muito ao contrário. comentou: É impressionante como esses perseguidores interferem nos pensamentos dos encarn ados. É um caso clássico. direcionando-os e manipulando-os. no mal. Olívia. Durante o caminho sabiamente Wilson. alguns socorristas e outros instrutores que desejavam notícias dos encarnados q ueridos a quem tanto estimavam. Wilson e Olívia vêm acompanhando seus prezados pupilos há temp o e poderão relatar como e quando esse desejo de vingança do espírito Sebastião iniciou. O casal estava no cinema apreciando um filme. os mentores do casal encarnado trocavam conhecimento com um grupo de espíritos amigo s. pois a contribuição da província3. passava-lhe p ensamentos instrutivos e salutares a fim de seu protegido se alicerçar no bem com equilíbrio e pensamentos positivos que servem de incrível proteção às influências negativas de encarnados e desencarnados.carne salgada . na crueldade sempre tentam n os incitar a cometer erros. O grand e episódio chamado de Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha aconteceu no Sul do Brasil. Tratava-se de representantes da elite. apoiado por diversas camadas po pulares que estavam bem insatisfeitas com os altos valores dos impostos taxados pelo governo imperial sobre a produção de carnes para consumo . mentora de Débora. 7 . Eles se davam muito be m. por isso estava extremamente fel iz e mais tranqüilo do que nunca. era muito explorada. seu escravo. na época do Império. sem evolução.Sérgio e Débora: do passado ao presente Os meses foram passando. quer que a vida acabe. ca bendo a este cobrir inúmeras despesas da província de Santa Catarina e de outras reg iões por não conseguirem arcar com suas próprias despesas e o que recebiam do governo central era insuficiente.

após frustradas tentativas. Sérgio prec isou seguir para o sul ou enfrentaria a rigorosa pena por deserção. incluindo escravos e presos para se alistarem. espírito impiedoso que até hoje persegue Sérgio. sobre o cavalo a passos lentos. repugnantes e cruéis. Virando-se. que angariaram recursos financeiros e soldad os. Participou de al gumas lutas e ficou desgostoso com o que vivia e presenciava. enquanto as mulheres eram impiedosamente maltratadas. mesmo forçado. Entre muitas coisas presenciadas naquela guerra. Todos os poucos homens da vila já se achavam mortos. Moças e mulheres foram brutalmente violentados por vários homens verdadeirame nte animalizados e depois eram mortos com crueldade.. choro e desespero. Em seguida ela trocou olhar com Wilson. comand ante do grupamento. algo bem comum naquele tempo. resfolegavam e trotavam em círculos. Após vencer as dificuldades para chegar até lá. Golpes de espadas zuniam no ar. o comandante do grupamento desembainhou sua espada e sinali zou o ataque dos soldados contra o pequeno. O Marechal Sebastião. as mulheres e as criança s foram poupados. A tropa d eu um grito de excitação.farroupilhas . nem homens suficientes em condições d e defender os velhos.outras províncias. Eles não tinham como fugir. Houve vitórias e derrotas de ambas as partes em di versos lugares da província. era um jovem Tenente do Exército Imperial e de compromisso fir mado com a filha do Marechal Sebastião. da mesma forma viole . A maioria dos soldados daquela tropa do Exército Imperial esta va alegre. Mas as tropas republicanas . com o intuit o de pedir que ordenasse o fim daquelas ações criminosas. mas isso não impediu os soldados apearem de seus cavalos. recebe ndo muitos méritos e até postos de destaque pelas vitórias e estratégias. fizeram o mesmo. era um comandante militar nessa época. Sérgio desceu de seu cavalo e os soldados. m atar os poucos homens que havia ali. Tratava-se de um acordo de união arranjado e ntre as famílias. Estava longe de se r uma guerra. até então. mulheres e crianças. desde as grandes cidades até os mais distantes e pequen os vilarejos gaúchos. Certa vez. A maioria dos cavalo s foram esporeados. Sérgio tornou-se o oficial de maior conf iança do Marechal Sebastião. parecendo em vantagem. menininhas. pobre e indefeso vilarejo. pois estavam bem assustados e nervosos. Dor. falante e sob o efeito de forte bebida alcoólica. pisoteando q uem estivesse pela frente. Sérgio e outros três do grupamento permaneceram montados enquanto seus animais re fugavam. Alguns meninos. Sérgio surpreendeu-se com o comandante Sebastião procurando atacar. entrar em um dos casebres.. viram a bandeir a tremulando com as três cores dos defensores republicanos. Naquele instante. a certa distância. comandante da tropa. Atingiu o agressor bárbaro com um golpe forte e o derrubou. Convocado para combater os revolucionários farroupilhas. Foi então que. Dessa maneira. pouco antes da prisão de Bento Gonçalves. e ele con tou: Diversas batalhas sangrentas foram travadas no sul do país entre o exército imper ial e os rebeldes farroupilhas. A jornada seria longa. precisando ser dominados com firmeza . ex-namorada de Sérgio na atual encarnação.começaram a se unir e crescer por causa dos apelos d os oficiais do exército revolucionário. nessa época. No vilarejo não havia combatentes. sobrecarregando-as com impostos. tiros disparados e gr itos de pavor eram ouvidos. o que significava um s inal de apoio aos rebeldes revolucionários farroupilhas. os imperiais derrotaram os far roupilhas em uma e outra luta. como se lhe passasse a vez. Sérgio. A filha do Marechal Sebastião era Su eli. Em 1836. Tudo piorou quando . Seus pensamentos fic aram terrivelmente perturbados. na tentativa de emboscar Bento Gonçalves. Nem mesmo os velhos. Sérgio cav algava cabisbaixo e completamente silencioso ao lado do Marechal Sebastião. tão chocados quanto ele e que lhe eram fiéis. Marchavam para Porto Alegre. Ele tentava encontrar o comandante da tropa. A situação mudou. A chuva fina começou. criancin has. açoitados e postos a invadir rapidamente o lugar. era a mais selvagem e vil atrocidade que testemunhou. Algumas casas começaram a ser incendiadas e saqueadas como de costume. Uma ovação animalesca e voraz os dominou. Chegando a um vilarejo bem pobre. A cena aterrorizante petrificou Sérgio por alguns minutos. Sérgio entrou na casa pobr e de madeira tosca e viu um soldado violentando uma menina que não tinha nem oito anos. viu Sebastião. prometendo-lhes liberdade ao final da guerra.

Sérgio descobriu-lhe a cabeça e afrouxou a coberta n a qual estava enrolada. Seus pensamentos fervilhavam enquanto aliviava o cavalo da sela e pr ocurava pelo bornal . Parando próxi mo a uma grande árvore cuja copa lhes serviria de abrigo e a mata ao redor de prot eção. Por outro lado. Após uma curta jornada. Momento em que Sérgio decidiu. Mesmo com a chuva fria e fina. Não supo rtava ver tanta covardia. agarrou-a pelas roupas. Certificando-se de poderem passar a noite ali e não serem descobertos. o comandante atirou querendo matá-lo. deixando-o sem sentidos. ele decidiu descer do cavalo. Ajoelhada. siga-me! . Sérgio o esmurrou. Vendo-a com as vestes e percebendo que a jaqu eta não era suficiente para cobri-la. Aquilo não fazia parte de sua índole. viu a jovem chora ndo e abraçando o corpo da garotinha que ele havia defendido pouco antes. um dos soldados passou por el e. po is acreditou que seria maltratada. ele pôde ver as labaredas avermelhadas clareando a vila totalmente incendiada pela tropa impe rial que fez dali o que queria. esposas ou filhas!. Sérgio chutou-lhe o rosto até vê-lo desmaiado. e foi à direção da jovem ajoelhada e abraçada à irmãzinha morta. apesar dos fracos socos e tapas que recebia. ele entrou novamente. Montando seu cavalo. segurando firme a jaqueta que lhe dera para se cobrir. mesmo no chão. Após isso. Eles brigaram por algum t empo até Sebastião cair e. e ia atacando-a. segurava um pedaço de pano de seu vestido todo rasga do para tentar cobrir o corpo exposto. O céu recoberto de nuvens cinzentas fez a noite chegar rapidamente.um saco de couro curtido dividido em repartições para armazena . viu o comandante Sebastião despertando. enrolou-a com rapidez.. se fosse encontrado por uma tropa farroupilha seria morto co mo inimigo. mas não desc obriu seu rosto para que não gritasse e a segurava firme para não cair ao trote do a nimal. Indo a sua direção. mas nem tinha para onde ir e ela o atrasaria. puxou-a para que se levantasse. uma outra jovem. Apiedado. joga ndo-a sobre o ombro. Sérgio ajeitou a jovem envolta na coberta sobre o lombo do cavalo. em pé na soleira da porta do casebre. Olhando para trás. o jovem oficial sentiu-se enoj ado com o que presenciava e impotente para controlar aquela situação. Pux o-a pelos cabelos. Mas a moça resistiu. mas ainda bem atordoado. irmãs. Nesse in stante. Ao tempo em que Sebastião permanec ia sem sentidos. perguntaram-lhe o que fazer. poderi am ser atacados por tropas farroupilhas que deveriam estar por perto. ficou mais tranqüilo. pois poderiam ser nossas mães. mas não sabia o que fazer com ela. que caía sem trégua. Em meio ao pranto silencioso. o oficial viu os soldados da tropa imperial completamente sem controle como animais selvagens. De imedi ato. cobrindo-a toda e. pois teriam mais chance de fugir uma vez que eram desertores e seri am procurados pelo Exército Imperial para serem julgados e. Havia salvado aquela bela moça de indescritível brutalidade. Despediram -se. Era um desertor e precisava fugir com rapidez. Estou indo embora. confuso e sem saber o que fazer. Sérgio gritou em voz de comando ordenando que todos parassem com aquele barbarismo. mas os homens não o ouviam e continuavam com a prática insana. ele orientou os dois soldados que o acompanhavam para s e separarem. Olhando a jovem encolhida ao chão. Sérgio tirou a jaqueta do uniform e que usava e a cobriu. Tudo aconteci a muito rápido e ele sentia-se muito mal. quando Sérg io reagiu investindo contra ele. ao mesmo tempo. ao olhar para trás. foram até Sérgio. crueldade e sordidez. Foi quando doi s soldados dignos e de sua confiança. retirou-se a todo galope .nta. Virando-se por um instante para dentro da casa. Mesmo vendo-o desorientado. Sérgio apoderou-se de uma coberta. Sérgio assobiou para o cavalo que obedeceu ao chamado e foi ao seu enc ontro. usando suas últimas forças para agredi-lo. Agrediu-o. assombrados com a desnecessária violência dos co mpanheiros. Ele estava preocupado. o que significava encarar a mor te.. Chegando à porta. ele percebeu que o tiro disparado para matá-lo atingiu a menininha fatalme nte. a jovem tremia muito e não conseguia encará-lo. dizendo: Não conseguiremos impedir essa barbaridade ! Não estou de acordo com atos tão imundos e cruéis. Num momento inesperado. O Marechal Sebastião não lhe perdoaria e o mandaria para enfrentar um Conselho de Guerra. Tirando a moça do dorso do cavalo e ajeit ando-a junto ao tronco da árvore. que estava à porta. Indo novamente até a porta. Quem quiser. saiu às presas. já rasgadas. A jovem cho rava em desespero. como um bicho indomado.

rasgou um pedaço de carne salgada e o levou até a jovem ainda acuada. Uma união mais carinhosa. Em reuniões ou churrascos festivos dos líderes revolucionários. sincera e íntima foi inevitável. Nesse período. Sérgio tinha planos e sonhos com sua amada. de peix es pegos com a lança certeira de Sérgio e frutos silvestres. Porém ele se preocupava. Entretanto não tinha outra vestimenta para usar. E ra difícil ficar longe dela por tanto tempo. Tratava-se de Tiago. fizeram com que Sérgio e Débora se afeiçoassem mais. Levantou e pegou a adaga para se defender sentind o que estavam sendo vigiados. Sérgio ficou sabendo da prisão do líder revolucionário Bento Gonçalves. na maioria das v ezes. pois conhecia as estratégias do Exercito Imperial. pois como desertor do exército imperial ele seria bem-vindo ao exército revolucionário. Rapidamente. A maior já vista contra o Exército Imperial em que os farroupilhas venceram. Sérgio pediu que confiasse nele. a jovem sussurrou ao implor ar para que ele não a machucasse. só ouviam a distância. a jovem filha do anfitrião se i nsinuava. admirando sem participar. Mas aconteceu algo que Sérgio não previa: a filha do nobre charqueador apaixonou-se por ele. reencontrou um dos soldados que desertou com ele. na atual encarnação. Mais de trinta dias passados juntos. o relincho do cavalo inquieto surpreendeu Sérgio. criando um vínculo de confiança. atualmente seu irmão. . explicando a razão de estar com aquelas vestes e afirmou que sobreviveu graça s a Sérgio. amizade e o nascer de um forte sentimento.produtor de carne salga da . pois iria protegê-la. principalmente o mau tempo. Ele cobriu a jovem de modo que não a vissem. A s dificuldades os uniam cada vez mais. Essa jovem trata-se de Débora. Eles se amavam. que apoiava a revolução. Cavalgaram dias e enfrentou inúmeras dificuldades. cor reu e o abraçou. Contudo nada interferia no amor que ele sentia por Débora. precisava p roteger Débora em todos os sentidos. e pelas estratégias de Sérgio. decidiu aderir à causa. mas permanecia constrangida. por isso ignorava facilmente a tent ativa de sedução da outra jovem. disfarçadamente. Ao encontrá-lo. Ao conversar mel hor com Débora reconheceu-a como sendo a filha de seu compadre. sempre usando um ves tido branco de delicadas rendas com um xale que mal cobria os ombros. Durante a chuva da madrugada. Sérgio sabia que precisava se livrar do uniforme e de outros artefatos que o ident ificavam como sendo do exército imperial. para Sérgio com um comportamento sensual e bem provocativ o. destacando-se. Débora gritou. Amedrontada. Olharam-no com outros olhos. com um bom fogo de lareira e mate quente.r provisões para a viagem. ele a cobriu com a capa que trazia e precisou ficar a seu lado a fim de se mante rem aquecidos. foi realizada uma grande batalh a nas cidades de Rio Pardo e Caçapava. Dali foram levados para as terras de um charqueador . As mulheres. a j ovem não conseguia conter seu ciúme nem sua inveja. Entre uma e outra batalha Sérgio retornava à estância junto da tropa farroupilha. Ao vê-lo com Débora. necessitavam de provisões e abrigo. Algumas vezes Tiago não seguia junto do s revolucionários e ficava para reforçar a segurança da estância. a água. Mais uma vez o rapaz fi elmente o seguiu. Ali mentavam-se de pequenas aves que demoravam a cair nas armadilhas feitas. Era o ano de 1837. Piedoso. Deixando Débora ob os cuidados oferecidos na grande estância que servia de guarida aos farroupilha s. A jovem então aceit ou o alimento.um homem muito bem posicionado e influente. Estavam em fuga e as provisões acabado. Era uma im agem que ele nunca esquecia. Certa noite em que a garoa pesada e fria os fazia se encolherem abraçados sob a capa e um arbusto. foi cercado por pequena tropilha farr oupilha e um deles apontou-lhe a carabina inibindo-o de reagir. os líderes da revolução. Não poderiam viver daquela forma. Momento em que lhe afastou os cabelos para ver seu rost o e um sentimento indefinido o invadiu. Em reuniões mais privadas em que a casa principal da estância acolhia. O comandante do grupo pediu uma trégua e fez muitas perguntas. Ele estava decidido a acompanhar o exército farroupil ha em uma última batalha a pedido dos oficiais revolucionários com a finalidade de m ostrar-lhes qual o melhor a fazer. Sérgio recebia toda a atenção por sua eloqüência e estratagemas. A jovem contou-lhe tudo.

Não aceitou a juda clínica. Ficou totalmente desequilibra da por não esquecer o instante em que Débora. entrou exigindo jóias. Débora decidiu não ir nem comentar nada sob re o verdadeiro motivo. Bento Gonçalves era um homem rico. Queria Sérgio livre para poder conquistá-lo. No planejamento reencarnatório a idéia era de ela transformar essa possessividade em um sentimento mais suave e verdadeiro por ele. que foi obrigado a enfrentar o temeroso Conselho de G uerra. Adentrou correndo na casa e confirmou que Débora estav a morta com um tiro no rosto. ela e Débora conversavam animadas na beira do fogo. Mas nada adiantou. ter desejos inc estuosos. A jovem ficou enclausurada até que uma parteir a foi chamada para fazer o aborto. naquela época. mantendo Débora como refém. reencarnou como Lúcia. Mas a anfitriã insistia para que Débora permanecesse com ela frente à lareira forte. irmã de Sérgio. Bem rápido. praticamente desfigurada. Sabendo da festa d e antemão. manteve contato com sua família e Sebastião soube que Sueli. ele montou um cavalo que não deu para ver. Os empregados estavam alvoroçados e a jovem contou que durante a noite. E esse comandante era o Marechal Sebastião. havia ficado grávida. A filha do charqueador ficou em prantos. com muitas experiências m ilitares em guerras. Depois de um grito de lamento e das lágrimas que cor reram em sua face. não faltaram convite s insistentes para ele ficar. dizendo simplesmente que estava indisposta. mas nada disse. mas naquela noite foi convidado para um churrasco de comemoração na estância vizinha. cumpr imentou os oficiais farroupilhas e partiu. a jovem filha do charqueador convenceu Débora a não ir e ficar ali. quando a port a principal da sala foi aberta sem qualquer ruído. enquant o todos dormiam. enquanto o homem apontava uma pistola. Sérgio conheceu esse líder revolucionário que lhe pediu para prosseguir a seu lado. dizendo que no festejo teriam muitos homens sem classe que se embebedavam e criavam pro blemas. Mas já se encontra de volta ao plano espiritual depois de ex perimentar exatamente o que fez no passado. não falham por sermos os herdeiros d e nós mesmos. ele se calou. Ela tremia. conversando. morreu em se us braços. Pela versão da moça. Sérgio retorn ou para a estância onde Débora o aguardava. ela ficou só. registradas na consciência. a casa estava vazia. o que ela chama de amor. Para tentar encobrir o motivo da morte da jovem. A jovem ha via combinado com um funcionário da estância o assassinato de Débora. A jovem que planejou o assassinato de Débora. Ele criou lojas maçônicas por todo o sul e preparou um serviço de correspondências secretas. mas o rapaz queria uma vida tranqüila ao lado de Débora. Um homem encapuzado. Bem tarde. divulgaram que ela falec eu de desgosto e tristeza pelo abandono do noivo e por vergonha de sua deserção. A vitória dos farrapos em Rio Pardo e Caçapava teve imensas conseqüências para o coma ndante militar da província. mesmo assim buscou algumas peças de jóias valiosas. prometendo-lhe a s jóias que lhe entregou como pagamento. Sérgio não suportou o golpe. pois sua trama fracassou. maltrapilh o e usando uma capa. Somente agradeceu o anfitrião. filosófica ou religiosa e passou a ser desequilibrada. Wilson terminou a narrativa e Olívia explicou: Lúcia reencarnou como irmã de Sérgio a fim de se desprender do sentimento insano e obsessivo que tem por ele. As Leis de Deus. O dia clareava quando a jovem filha do charqueador esperava por Sérgio e os dem ais fora da casa. Pretendia partir o quanto antes.A fuga de Bento Gonçalves do Forte do Mar. Antes disso. filha do charqueador. na Bahia. No entanto Lúcia teve e tem extrema paixão pelo irmão. sua fil ha na época. um dos líderes da revolução deu-lhe considerável valor para começar ma vida nova e Sérgio aceitou. Por seus préstimos. viveu seus dias em silencioso pesadelo pelo ato criminoso planejado. Quase todos os empregados haviam se recolhido . ou seja. Sueli morreu durante a realização desse crime hed iondo. Após o enterro da companheira. Essa moça. ela alimentava a idéia e os sonhos de relacionar-se sexualmente . mas ouviu o galope. Tal fato era de indescritível vergonha à família. ofereceu mais força e corage m às tropas republicanas. Sem saber absolutamente do fato no qual foi injustamente acusado. dispondo da total discrição dos irmãos daquela ordem para au xiliá-lo. Para não desagradar o companheiro. Sérgio a havia desonrado. A jovem contou que o homem guardava as peças quando Débora se mexeu e ele atiro u.

Seus pe nsamentos estarão invadidos de idéias e inspirações que podem levá-los à prática de falhas. enganos. pediu desculpas e reparou mais detalhadame nte em seu vestido branco. Sérgio. na verdade. ele se elevará espiritualmente e concretizará a que veio nessa reencarnação. desertado do exército. mas. indecente por seu vício repugnante de atacar e violentar mulheres e crianças.ex-clamou enquanto tentava segurar a roupa. Agora. Sérgio riu gostoso. Com fé em Deus e acreditando que nada nem ninguém têm mais poder do que o Pai da Vi da. mas. ameaçando levar aquilo ao conheci mento dos altos postos do Exército Imperial. Sérgio não admitiu nem aceitou as práticas vis e hedi ondas de Sebastião. sentiu o coração acelerado e declarou quase num sussurro: Débora. Era algo que lhe proporcionava prazer. mas ela não contro la a idéia fixa de seus desejos. mentora de Débora. Sebastião persegue Sérgio. sem instrução.. Eu quero te dizer uma coisa. 8 . ele explicou: Talvez você acredite que é cedo para eu dizer isso.riu. Sérgio o havia repreendido sobre os atos desumanos. um dos instrutores avisou: Tivemos uma grande lição.com o próprio irmão.completou Olívia que mesmo na espiritualidade.Após os esclarecimentos. O espírito Sebastião quer vingar-se de Sérgio por el e ter abandonado sua filha. Por essa razão devem os lembrar que o desejo no bem é prece a Deus e as bênçãos nos chegam como conseqüência do ue pensamos. deixando-os em um estado que os faça cair em des espero e culpa . ao passar as mãos discretamente na silhueta de seu bonito corp . . . Nós sabemos ..tornou Wilson. Dizendo isso. O principal desejo desses irmãos. . que seja feita a sua vontade e não a minha . entre outras coisas que sua con sciência imagina. Desejos. o silêncio reinou por longos minutos a té Sérgio parar fazendo com que Débora permanecesse à sua frente.. que o repreendeu. lembremos de Jesus que nos ensin ou: Pai.Respeito e amor A noite caia suavemente e o casal passeava de mãos dadas após saírem do cinema. os mentores e os demais se despediram e f oram. Colocou-a no chão. a criatura egoísta e o rgulhosa acredita ter toda a razão. . Apertando-a contra si. força de vontade e bom ânimo para que se elevem nessa atu al experiência. Não adiantou. a nimalescos e selvagens em batalhas desnecessárias. o rapaz não entendeu. a jovem se atirou em seus braços e ele a sustentou no ar rodopian do uma vez vagarosamente. Pas sos calmos e com o balanço das mãos entrelaçadas. O que foi? . Tanto Sérgio quanto Débora serão incentivados a cometerem erros.explicou Olívia. E voltando-se para o grupo.. caindo em desgraça como eles. . Sérgio é um espírito equilibrado.. com delicados contornos que Débora estava usando. leve. Com gestos suaves. Sebastião era torpe. meu protegido. Os belos olhos verdes do rapaz brilharam ardentes enquanto ele sorria. desencarnada. Atualmente. Sentia pela irmã Lúcia o mesmo que por seus outros dois irmãos e nunca cedeu aos seus assédios. E rogamos para que nossos amigos Wilson e Olívia vejam se us protegidos munidos de fé. Pode me colocar no chão? É que meu vestido. O que Wilson contou foi somente um dos combates covardes e bru tais praticados por Sebastião. Depois de um instante paralisada.. que passará por provas e tent ações. Lúcia não passa de mais uma vítima escravizad a por esse obsessor que a usa contra Sérgio. eu te amo.Observando a expectativa guardada atrás do sorri so da jovem.Olhando-a. Sérgio a beijou com toda a força de seu amor. Ele está subindo!. Ainda segurando-a com carinho. obscen o. . sentimentos e vícios típicos de pobres irmãos sem evolução. Mas isso nunca aconteceu . ele já tentou ajudar Lúcia. sábio e rudente. alegre e desconfiado. Desencarnado. é nos ver prejudicados. . sregramentos bem comprometedores. Antes desse reencarne.perguntou a moça com um jeito manso.. ela afirmou estampando felicidade: Eu também te amo.. Quando estivermos em dificuldades. Mas. a consciência de Sebastião alardeava cobranças constante e ele acreditava que isso era por culpa de Sérgio. incrédula. O silêncio reinou. Foi então que o espírito Sebastião passou a dominá-la atr avés dos pensamentos. e achou graça ao vê-la pedir r indo de modo constrangido ao falar com jeitinho delicado: Adoro ficar em seus braços.

. levo-a para o serviço . Olha que vou aceitar a sugestão! . Mas ao saber que você estava lá em casa para me devolver aquela past a!. . Retire esse nós nos trombamos ! Foi você quem bateu em m! Aliás. Nossa Débora!.. . Também senti algo muito forte! Uma coisa que não sei explicar! Sabe. . mas com suave sorriso.. saímos sozinhos ou com a Rita e o Gustavo. Mas creio que conseguirei conciliar o horário com o serviço na polícia e com o agendamento dos pacientes. Tudo bem! Eu assumo a culpa. .agradeceu com jeito meigo. como já te falei. Mas?.. precisa tomar cuidado. entre outras coisas. mas. O rapaz sobrepôs o braço em seus ombros.brincou ele. eu e mais três legas vamos abrir uma clínica mesmo. O foco da clínica será voltado para a Psico ia. você acha que eu precisarei conversar com seu pai para deixar claro que nós não estamos brincando e que nosso compromisso é sério? Eu não queria falar sobre isso.interrompeu-o. terapias alternativas como acupuntura.. Não brinque com isso. Teremos um setor para massagens de r elaxamento de diferentes tipos... Sinto falta disso e g ostaria que fosse diferente. Depende das condições financeiras.. Você pode ter visto uma cena do passa do ou. menina!.insistiu diante da demora.o. é o seguinte.. com modo meigo e educado .exclamou perplexo. o nosso namoro... depois ele comentou bem sér io: Débora. quando não. Ah! Seremos três psicólogos e um médico psiquiatra que foi nosso profess or na universidade e um verdadeiro mentor! Tem tudo para dar certo! No carro de Sérgio. Agora...ela correspon deu alegre.. eu sei. Nunca usei esse vestido quando saímos. pois andou batendo em tudo pelo caminho .. homeopatia. eu darei um jeito.. Parece que eu já vi essa cena antes.Eles brincara m e riam até ele falar mais sério: Débora. quando clinicar como psicólogo. teve uma visão do futuro. eles conversaram mais a respeito. Seus olhos se fixaram e ele afirmou novamente: Adoro você. senhora! .. esses planos para a clínica são para curto prazo.. antes. Tenho consciência de que no início. Veja. Quase tive um infarto! Você acredita em reencarnação? Acredito! Quando nós nos trombamos na escadaria da delegacia e você me segurou pa ra eu não cair.. Quanto à minha mãe. Desde que nos vimos pel a primeira vez me apaixonei por você! Queria vê-la novamente e senti uma angústia por não me dar o seu telefone! Eu sei. estamos direto na casa da R ita.riu.beijou-a com ternura. seu guarda! Pode me levar presa! . Esses colegas são de confiança? Sim são! Nós temos várias idéias em mente. apertou-a junto a si e a jovem o enlaçou p ela cintura. mas. eu só vou buscá-la na universidade. Não. não ganharei o sufi ciente para sustentar todos os meus gastos. Sérgio .. florais. ela alinhava o vestido quando ele elogiou com grande satisfação: Você está linda! Obrigada . Eu não gostaria que co ntinuasse dessa forma.. foi uma cena que eu já tinha visto antes.. riu com gosto. Nossas famílias não se conhecem e. Como assim?! Nossas famílias oferecem resistência a aceitar nosso namoro. E o serviço na polícia?! Não pretendo continuar por muito tempo na polícia. no entanto não vamos nos limitar só a isso.. Abraçados.. por isso quero ser bem tr ansparente quanto ao nosso relaciona-mento..ela retribuiu da mesma forma. começaram a caminhar enquanto conversavam. Não imagina como fiquei irritada comigo mesma por não te dar o telefone da minh a casa! Como fui idiota! E a minha curiosidade para saber se você tinha alguém!. Eu te amo muito . Acredito que arrumamos um bom lugar e só estamo s aguardando o trâmite das documentações. Débora. Que bom Sérgio! Fico feliz com isso! Mas. às vezes sinto como se a conhecesse há muito tempo. Amo-te tanto. Desde que começamos a namorar não freqüentei mais a sua casa e você nunca foi até a m inha.. riu.

Não é tão simples assim.Ao levar a bolsa para pô-la sobre o móvel. Débora estava com o olhar perdido e seus pe nsamentos pareciam bem distantes.. ele a condu ziu para perto da cama e pediu gentilmente: Venha. Sente-se aqui. Vendo-a com dificuldade para se explicar. há algum tempo. Precisam os de um lugar tranqüilo.respondeu olhando-o de modo indefinido. Sérgio ponderou: Vejo que temos muito que conversar.. Ei!. colocou-o sobre a mesa e quis saber: Algum problema por estarmos aqui. ele pensou um pouco e disse: Não vamos correr o risco de ficarmos parados em uma esqu ina conversando e esperando para sermos assaltados. e quer vê-la compromissada com alguém de seu nível soci al. .. Sérgio percebeu-a sem ação e parada após os primeiros passos. Tudo bem? A moça não disse nada. não é? . . Pouco depois.A verdade é que o meu pai vem discutindo comigo. Só vamos conversar.murmurou. Débora? Você está preocupada ou se sentindo incom odada com isso? Precisamos conversar. sentando-se ao seu lado.. Confie em mim. Quer falar a respeito? É um assunto delicado e. Ameaçou fazer algo contra você caso nós não nos separássemos. Com semblante bem sério. Não fique assim.. Espere. E sperou-a beber alguns goles e depois que lhe devolveu o copo.questionou em tom bondoso..pediu com ternura. pegou a garrafa com água. Sérgio. A voz de Débora embargou... ele tocou sua face gelada percebendo um leve tremor que pare cia vir de sua alma.pediu comovido ao vê-la daquele jeito. com a mão em suas costas. Nós não conversamos sobre esse assunto e se rá impossível fugirmos dele a vida toda. Acredita que o patrimônio de sua família é o a lvo de um pretendente como eu. eles adentraram ao quarto de um motel bem lu xuoso. nada disse de imediato. Fechando a porta e colocando as chaves do carro sobre um móvel. Chegou até a me ameaçar. Certo? A jovem não o encarou. porém incrédulo. Precisamos esclarecer muitas coisas com urgência. Descobri que a empresa d o meu pai fez e ainda faz negociações bem comprometedoras. Podemos ir à casa da Rita . Mesmo dirigindo. sua voz embargou.. colocou a bebida em um copo e a serviu.Ela obedeceu mecanicamente e o namorado tornou a fala r no mesmo tom: Dê-me sua bolsa . Já incomodamos a nossa amiga o bastante. Onde? . Se esse assunto é delicado e a deixa sensível.perguntou brando. Lágrimas rolaram.. Então preciso saber. Que razões o senhor Aléssio tem para propor um absurd o desses? O Breno e o Lucas têm uma grande empresa de importação e exportação de bebidas. Precavido... Abaixou a cabeça e passou as mãos delicadamente pelo rosto s ecando as lágrimas que correram. olhou-a firme ao dizer. . Levemente... não vou levá-la a um barzinho ou restaurante para falarmos sobre isso .. Gritamos um com o outro e o clima está péssimo lá em casa desde q uando eles retornaram da Europa.Com os olhos marejados. Precisamos dar um jeito nessa situação. ta? Iremos para um lugar onde não nos Incomodem. mas ela prosseguiu: Meu pai vem propondo que eu tenha um compro misso com o Breno. Não fique assim. O que está acontecendo? . quase chorando. por favor? Ele abriu o frigobar. eu já te contei muitas coisas sobre minha família. Sérgio deduzi u: O seu pai quer que se afaste de mim. Como?! . naquelas férias no fim do ano que eu não quis ir. . . Por ca .ela sugeriu. não acha? Diante do silêncio.perguntou ela após algum tempo. por causa dos no ssos encontros e. Sérgio. fixou-os no namorado e revelou: O meu pai quer que eu me afaste definitivamente de você. Nós brigamos muito. . perguntou : Quer pedir alguma coisa para comer? Tomar um refrigerante? Pode me arrumar um pouco de água. Reparando um comportamento estranho na jovem. Não estou entendendo..ela não conteve as lágrimas.

aumentaram as negociações. Por que não me contou isso? . Ninguém pode obrigá-la a ter um compromisso ou se unir com alguém. enquanto ele ficou pensativo. acomodou-se melhor. Ele a abraçou forte e afagou-lhe os cabelos. Esfregou o rosto. Ele é muito educado. Sérgio v iu sua força para enfrentar aquela dificuldade. .. Ele disse que está apaixona do e não consegue me esquecer.disse ao interrompê-lo. Com a voz embargada.. ou melhor. olhando-a. O Breno vem tentando se aproximar de mim e. Pelo visto ele é muito folgado. parecendo calmo. Sérgio. mas não queria que ela percebesse. E simplesmente ridículo o seu pai propor que tenha um comp romisso com o Breno só por prestar serviços à empresa dele. desabafou: Era algo desagradáv el para eu te contar. pois meu pai sempre o co nvida. não faça nada. E o que você fez? . comentou como um a ameaça: Se é que ficaremos somente no diálogo! Ele está passando dos limites! Não. Não fique assim.tornou o rapaz.perguntou Sérgio calmamente. Não estamos no século XIX! Com lágrimas a correr por seu lindo rosto. mas alg o está escuso. manda-me flores ou presentes. argumentou: Não se iluda. apoiá-la em tudo. Beijando-a com carinho. . no entanto ele sempre vai lá a casa e passa hora s conversando com meu pai.sa daquele acidente de trânsito meu pai os conheceu. Você não está só. Além dos obstáculos que encontramos com nossa família. Ele sempre foi educado. Quando eu sair da casa do meu pai. Sentia obrigação de ampará-la. ela disse: Existe algo muito mais sério acontecendo que eu não sei explicar.chorou. Estamos juntos e eu quero protegê-la. Ele a amava e nada comentou para não ser mais uma preo cupação. eu viro as costas e saio de casa. É difícil brigar com gente assim! Eu fui firme pedindo para não me procurar mais. Não existe razão para você querer conversar com o meu pai para tentar convencê-l o que nosso compromisso é sério ou coisa desse tipo. Qual? Estou decidida: vou sair de casa.. gentil. seria pio r saber que um outro cara tenta impedir ou incomodar o nosso relacionamento. ele não paga o que deve mesmo tendo condições financeira s para isso .. Só há uma maneira de resolver isso! Eu vou conversa r com o Breno! . pegou as mãos d e Débora fazendo-a encará-lo e argumentou com voz calma: Meu bem.. Eu tenho uma idéia melhor.. O que quer que eu faça?! . poi s presta diversos tipos de serviços para a empresa do Breno.Encarando-o... Quando fica para o jantar. Sérgio sentiu-se esquentar. pois desejava ajudá-la. preste atenção. Daremos um jeito.. Em seguida.. Repentinamente o Lucas e o Breno se uniram ao meu pai e à empresa. .. Seus pensamentos se corroíam por uma imensa revolta e raiva. sou eu quem tem de dar um jeito nessa situação. eles querem que eu tenha um compromisso com alguém do nosso nível.. Ao mesmo tempo. deixando-a desabafar. Apesar da aparente fragilidade e delicadeza que a namorada aparentava. Nem parece meu pai. porém não tinha como.perguntou num lamento.Nesse instante foi vencida por um pranto sentido e sufocado pelas mãos. Eu não vejo motivo para tanta aflição. . Talvez o Breno ou mesmo o seu pai não a deixe em paz. Passou a me ligar quase todos os d ias. o meu pai vive discutindo comigo por dispensar uma pessoa da posição social do Breno. Sérgio! Por favor. R ealmente. ela reclamou indignada: Sint o como se o meu pai quisesse me vender.Alguns segu ndos e revelou: Como se não bastasse não aprovarem nosso namoro. Há tempo quero fazer isso e acho que demorei demais. Não me assediou nem se impôs. me criticarem por e starmos juntos. .Débora silenciou por instantes. Sérgio.. Por que não disse que estávamos namorando? Eu disse! Mas parece que ele ignorou isso.. O namorado estava preocupado.. reconheceu-os. pediu amoroso: Calma. Algo o incomodava e.. A pressão lá em casa está muito forte sobre mim. creio que teremos sossego. . como muitos ladrões.avisou um pouco alterado pelo ciúme. O senhor Aléssio está pensando em seu bem-estar porque é um homem r ico e. Depois de eles irem lá a casa o vínculo de amizade e negociação cresceu. Rico e. sinto-me como se estivesse vivendo no século XVIII ou XIX.

Sou f a você e tudo isso não passa de obstáculos que não vão interferir em nossas vidas. Itália ou em outros lugares. estou passando por um período de grande mudança em minha vida profissio nal. abaixando a cabeça. Quando eu disse que talvez eu e o Breno não ficássemos só na conversa. Não admito agressão gratuita... Te quero muito..... enquanto ele a abraçava e em seguida deitou-a cuidadosamente. invadindo-lhe a alma. mas vou ajudá-la e apoiá-la no que puder.. mas foi para me defe nder ou defender outra pessoa e em ato de serviço...Erguendo o olhar e fazendo-o encará-la. comentou: Sérgio. Errei por omitir. perguntou com aparente tranqüilidade: O que o Breno te pediu? Não quero lembrar isso. Você é a coisa mais importante que aconteceu na minha vida......falou sério . Sérgio. Não quis dizer que você era bandido..titubeou. seus seguranças me agredirem. O silêncio foi absoluto. Não te nte esconder o que aconteceu ou está acontecendo! É que. ta? Meu amor..Vendo-o calad o.Ela agarrou-se em seu pescoço. ao perceber que a namo rada não exibia mais sinais de choro ou tristeza no rosto tranqüilo. eu preciso saber em que estamos envolvidos e com quem. eu.Em poucos segundos. Meu bem.Não vou falar com o meu pai por um bom tempo e o Breno. Fazendo-lhe constante e delicado afago. eu te amo. Estavam sentados lado a lado e Sérgio controlava imensa revolta e indignação. para mostr ar que era o melhor.. eu fiquei com medo que se irritasse e fizesse algo qu e comprometesse nossa felicidade.... com sua grande habilidade de obse rvar minuciosamente o comportamento das pessoas. Ele viaja muit o. eu referi-me a ele reagir de alguma forma ou mandar um de seus capang as.pediu com voz terna ao interrompê-la. Explicou que viajaríamos muito e isso me fa ria feliz o suficiente para esquecer você.. Para mim. . atento. . isso vai acabar quando eu sair de casa. não sou bandido. bem calmo. Porém. olhando-a nos olhos: Por que não me contou tudo isso? Principalmente o fato de ele pedi-la em casame nto. fitou-a nos olhos... Mas. aqueles sujeitos têm típic a postura de bandidos. Ela parecia angustiada e preocupada com a decisão dele. Eu te amo. Desculpe-me. Isso nunca! E policiais que agem assim não trabalham comigo. afastou-se vagarosamente e perguntou em tom generoso: Está tudo bem. Tudo bem que o Breno é bem privilegiado. Amo demais. e afirmou bem baixinho: Débora. Talv ez como última tentativa. mas não sei se preci saria de tanta segurança assim. Fiquei com medo da sua reação e!.Abraçando-o pela cintura. sentindo-a apree nsiva...avisou. Omi ti por medo. Por favor. sussurrava ele entre os beijos e sob o efeito de uma respir ação ofegante ao envolvê-la como que ria sob si e seus carinhos. mas não o traí.. Débora comentou: Sérgio. . Recostando-se no ombro de Sérgio.. é questão de tempo. Isso me deixa intrigado. ele segurou-lhe o queixo. A troca de beijos e carícias foi duradoura até a jovem mur murar-lhe ao ouvido: Sérgio. Acho que ele falou isso por falar. Isso é legítima defesa. porém nunca f ui além do necessário ou usei de crueldade por vantagem física.. Não pode associar uma coisa à outra. mas contou com receio: Em uma das vezes. o Breno pediu para se casar comigo. Tem uma vida social bem agitada por conseqüência dos seus negócios e passa a maior parte do tempo na Suíça. Algumas vezes em que a peguei ou levei par a sua casa. eles permaneceram em silêncio po r longos minutos.. por você ser policial. Ameaçou ao deixar em dúvida de que es sa conversa talvez não ficasse só nisso. digo. Já precisei usar de força física. por vingança. vi os seguranças dele nos observando. Ela entregou-se ao longo beijo apaixonado. . Eu sou policial.. por acreditar em resolver essa situação de outra forma. Quase não ficaríamos no Brasil.. Quando ele me pediu. . Calma . meu am or? . Bem. Na ver dade. quando disse de só haver um jeito de r esolver isso e que iria conversar com ele e. Desculpe-me. Débora . Só diz qu e me admira e tem uma postura educada.. continuou parecendo aflita: Agora mesmo. nós estamos tão bem! Eu te amo tanto e não queria preocupá-lo ou magoá-lo.. . Débora subitamente deteve as palavras e Sérgio. abraçando-o com força e escondendo o rosto em seu . o namorado perguntou.. encostou a face em seu peito e falou quase chorando: O Breno não é agressivo nem me impõe nada. quando conversamo s. A moça ofereceu um sorriso leve e generoso ao tempo em que recebia um carinho n a bela face alva. conte-me tudo o que aconte cer.

. A moça ainda escondia o rosto em seu ombro permanecendo imóvel. ...ombro. Depois explicou. seus c arinhos. surpreendeu-se: Nos sa! Meu vestido está todo amassado.. o rapaz disse com brandura: Desculpe-me. Confio em você. Parece tão pensativa.. Sérgio se virou e puxou-a delicadamente fazendo-a se deitar sobre ele. Vejo que tem dignidade e é por isso que estou aqui. Eu disse que só queria um lugar tran qüilo e havia prometido.. Eu te amo muito! Eu também te quero!. envolvendo-a e se deixando envolver como el a queria. Débora. deixando-a de frente para si. O rapaz abriu os olhos lentamente. amo r. trocar de roupa e sair para resolv er uma coisa o quanto antes. Frente ao espelho. Somente trocaram carinho e conversar am bastante até adormecerem. desejo qu e seja algo bem especial. sentiu uma pitada de arrependimento. Hoje é sábado . afagando-a com delicadeza... por não forçá-la a nada. Deixou que seus lábios se encontrassem com amor e a abraçou. ..perguntou com jeito maroto. ela falou em tom brando: Não peça desculpas.. aproximou-se dele e pegou-lhe o braço colocando-o em torno de sua própria cintura. . quase murmurando: Não esto u pensando nada. Após a lguns minutos. continuou d eitado ao seu lado apoiando-se em um dos braços. Não quero que se frustre ou se decepcione comig o por eu ser sincera ao dizer a verdade sobre esse não ser o momento.. com toda a força de seu coração. *** Uma luz pálida clareava suavemente o quarto quando Débora se deu conta de estar d eitada sobre o ombro de Sérgio. perguntou. Olhando-o em sono profundo. Acho que perdemos a hora.. Não quero constrangê-la e não vou forçá-la a nad Fui precipitado e.Observando -a em profundo silêncio. Eu queria sentir seu toque. Só que eu queria pedir para me acompanhar. Por um segundo. ele resolveu: Vou pedir o café da manhã e depois iremos. Desculpe-me. Ela sorriu com doçura. Espera. aproximando-se: Você está bem? Sim. Não! Você está certa! Eu entendo. Dormi um sono tão pesado.. pois o queria muito.. suspirou fundo e olhou em volta como não se recordasse imediatamente de onde estavam. a jovem se levantou enq uanto ele permaneceu deitado por minutos. estou. falando baixinho e envergonhado: Não precisa se justificar. por favor. Só com você. enquanto ele afagava suavemente suas costas com carinho. Eu não fui legal e.pediu com leve sorriso. Você tinha algum compromisso? . Já amanheceu. Eu te quero também. . sussurrou amorosa e com ce rta vergonha: Por estarmos em um lugar tranqüilo. abraçou-a com carinho e a b eijou dizendo com voz rouca: Bom dia. seu respeito por ela... Sérgio. Pode ser só assim?.. admirou sua dignidad e. Bem. aca lmando-se e entendendo aquele momento. seus beijos. Quero chegar a minha casa. meu amor. meu amor. Eu. Roçando-lhe o rosto com os lábios. Sentando-se na cama.pediu em tom arrependido. Não pense que só por estar em um motel comigo deva se submeter a qualquer intimidade. mas não me sinto preparada.. Claro! Mas preciso saber o que pretende. que dormia abraçado a ela. Sérgio sorriu e nada respondeu. na sua compreensão por eu não me sentir prep arada e.. Desculpe-me.. Sei que não vai me forçar a nada. Ajeitando-a cuidadosamente na cama.. Só que..murmurou.. Em seguida.. desejou que aquele momento não acabasse...avisou com jeito gracioso.. Logo sorriu. Tomada de uma sensação estran ha ao lembrar que haviam passado a noite ali. Primeiro não se desculpe. Sérgio . Afagando ternamente seu belo rosto e o braço. Apoiando-se sobre seu peito. ela o chamou ba ixinho: Sérgio. Sérgio tirou-lhe o cabelo do rosto com gestos sutis de carícias. olhando-o nos olhos... Por amá-lo... pára! .. tomar um banho.falou de modo meigo.

deixando-a preocupada. desculpe-me por essa n oite. Sabendo que a levaria p ara casa e passariam o dia juntos.Visitar três ou quatro apartamentos em vista para alugar. falou com ternura: Pare de me pedir desculpas. Não fico muito à vontade quando estamos em lugares públicos ou na casa da Rita e também não gosto da idéia de ficarmos parados d entro do carro. você desejava que f icássemos juntos em um lugar mais à vontade no sentido de não ter alguém por perto.respondeu o namorado com um sorriso irônico.. ao vê-la segurar o riso no semblante brav o e continuou com ironia: Então. malhamos e depois luta mos. por eu não. Eu a respeito e quero que confie em mim. Mas estou sa tisfeito por tê-la abraçado. Se voltarmos aqui ou formos a outro lugar tranqüilo e seguro. mas para mim serve e eu gostaria da sua opinião. E. fique aqui! . Assim como eu. beijado. . Conversaram um pouco e brincaram enquanto tomavam café. às vezes eu agrido.. . abraçou-o forte e disse ao ouvido: A cada minuto eu te adoro mais ainda! Só uma coisa. ela falava mais detalhes de seus planos enquanto e le reparava as suaves mechas de seus cabelos que reluziam como ouro sob a luz do sol matinal. ela perguntou: Algum problema? Não.sorriu. sem razão alguma. Apanho também. Você está decepcionado. Sérgio esperou no interior do veículo en quanto ela entrou. Nós precisávamos de privacidade para conversar em um lugar tranqüilo. expressou-se brincando: Imagine! Uma hora e meia para mim não é nada! ofer ..Vendo-o se virar e fic ar à sua frente. Dizendo isso. Todos são pequenos.riu. perguntando animada: Demorei?! De jeito nenhum! . sabia?! O namorado riu com satisfação e a abraçou. Sentindo o coração apertar. O fato de não ter acontecido um amor mais íntimo. pode ter certeza de que vou controlar meus desejos e. Às vezes bato em meu irmão Tiago e. sou agredido e. Rapidamente ele a envolveu em seus braços e a calou com um beijo.falou sério. .. continuou: Por favor. Nós temos um equipamento de ginástica em casa e sempre que podemos nós fazemos corridas. Sérgio perguntou: Você se importa se eu tomar um banho antes de irmos? Lógico que não! Vai lá! E você.. Débora . O Tiago ainda freqüenta a academia e é faixa preta. Débora ficou na ponta dos pés. Você me deixou nervosa. poderemos voltar aqui outras vezes para conversarmos. Bem. perdoe-me por te trazer tantos problemas. beijando-a..Br eves segundos. * * * A caminho da casa de Débora.exclamou sério. Nunca vou forçá-la a nada. em que a invadia com seu olhar. . Estacionando em frente à luxuosa residência.. Será com o você quiser..gargalhou gostoso. mas riu imediatamente ao brincar. trocarmos carinho. enquanto a embalava suavemente de um lado p ara outro. o rapaz caminhou até a janela cuja vista dava para um pequeno jar dim de inverno e continuou silencioso... continuou: Eu menti para você quando disse que só usei de força física quand o necessário e por conseqüência da função. Vou com você sim. que tinha o dom de exercer forte atração... Não demorou e logo foram embora.. Nenhum. . como aconteceu hoje . Como assim?! indagou inquieta. Sustentando uma denotação d gravidade.. mas parei . Depois sorriu e fitando-a de um jeito apaixonado. Se você concord ar. Débora. esmurrando-o no peito com suave delicadeza. Débora foi à sua direção e argumentou com certo temor: Sérgio.expressou-se rindo. E..Ao vê-lo com semblante sério e muito r eflexivo por longos minutos. Você não fez nada errado. não diminuiu o que sinto por você.. Seu safado! . Explicando no m esmo tom. Saib a que me senti muito bem por sua sinceridade ao dizer que não estava preparada. por questão de segurança... frustrado comigo. olhando-o nos olhos. É que já fiz arte marcial. Eu te amo. Longo tempo depois a jovem retornou. acariciado sem ter de me preocupar com nada. E como. confessou generoso: Não vou negar que te desejo.. O u só dormirmos.

você não ganha tão bem lá! Dedicando-se mais como psicólogo poderá se estabili m pouco tempo e. logo no início da noite. Não vamos dar atenção a isso. ajudava e ajudo nas despe sas lá de casa.. Posso me manter com tranqüilidade..quis saber. Sem dúvida! Eu também! É pequeno. E é um dos mais baratos! Ah! Vou alugá-lo! . eu tinha dois empregos. você sabe da história e não vou me desgastar..reclamou o namorado. ainda estão molhados.. me deve uma massagem! Vou fazê-la com o maior prazer! . a moça se queixou delicadamente ao se sentar: Ai.expressou-se feliz.eceu largo sorriso. não cons .Alguns segundos e continuou: A situação ficou difícil quando en trei para a universidade. Só por ficar do meu lado e me apoiando!. Serei bem sincera. Desculpe-me! É que estou tão animada!. Além disso. mas eu nunca usei esse dinheiro. Débora. ... Mas?. mas. pois logo será resolvido. Mas. Eu gosto de segurança e a situação está sob controle.... Sempre fui preve ido em questões financeiras.sorriu. após verem o último da lista. O casal passou o dia visitando apartamentos que interessavam a ela.. Sabe.indagou mais sério. espere.. Só que minhas costas estão arrebentadas por ficar sentado aqui n o carro. * * * O casal estava em uma cantina italiana e conversavam enquanto comiam: Se não fossem os gastos que tenho com a montagem da clínica.pensando no futuro.. No carro. pois eu posso te emprestar um valor. acho meu irmão muito folgado.perguntou o namorado diante da demora.perguntou ele achando graça.. Por isso. Não gosto de vê-lo trabalhando na polícia. Do terceiro. O tamanho é ótimo. Puxa! Na verdade. Tenho tanto medo de que te aconteça algum a coisa! Por isso você poderia pedir para sair logo desse serviço.justificou com uma questão. mas. Estou exausta. E por você ser a culpada. Mesmo assim. Por que acha que demorei tanto? . Nem minha família sabe que tenho uma economia razoável guardada há tempo. d inheiro não é o meu problema. já que a família está aumentando e.. Agora. . De qual gostou mais? . Mas.riu gostoso. Vou desmaiar de fome e a culpa será sua! . Sei lá! Até você se estabilizar na clínica! Entendo o que quer dizer. . fechando o sorris o. Ótimo! Mas vamos comer alguma coisa.. ele riu exclamando para mexer com ela: V ocê é capaz de atropelar outra viatura e o meu carro não tem seguro! Sérgio! O quê?! . Sérgio.. antes de irem. com fome! . De jeito nenhum.. Não pagavam bem. divertindo-se ao rir gostoso. Trabalhava na polícia e dava aulas de Informática em uma escola de comput ação básica.Sérgio fingiu desmaiar e se jogou sobre ela.. Pequeno?! . E eu. Ganho bem e tenho alguma reserva. Às vezes fico p ensando que o verei em um hospital ou.. eu poderia ajudá-la. pois deixei de dar aula e precisava me virar só com o qu e ganhava como policial.f alou alegre. uma porcentagem do que recebia na polícia eu também poupava. certo? Ele ofereceu belo sorriso ao dizer para não se chatearem: Pensei que tivesse demorado porque lavou os cabelos. Ora. Você não acha? Não. vamos?! Pegou os endereços? Estão aqui! Sei onde ficam! Falaram algo por vê-la chegar agora? . E eu gostaria de saber por que não deixa seus cabelos mais compridos? São tão lindos! E mais prático assim! . Ele poderia fazer alguma coi sa e ter dois empregos. Antes de entrar na universidade.perguntou.....Levantando-se rápido. Durante o período que durou a graduação em Psicologia... animada. que brincou: Tudo bem! Vou socorrê-lo para um restaurante! Quer que eu dirija ? Deus me livre! ..

ele se lev antou e procurou se recompor o quanto antes. Você?! . sempre animado. O João está cuidando da prestação de serviços terceirizados na parte de massagem. Não!. calmamente. suas reclamações ficavam mais fortes e agressivas. Quem conseguiu foi o Nivaldo. espíritos inferiores se alvoroçavam. Chegando à cozinha. ela extrapolou ofendendo Débora com acusações e nomes que feriam gravemente sua moral. Na espiritualidade. Se precisar. À medida que a senhora aceitava a influência espiritual.defendeu-se Sérgio. ele d irigia vagarosamente. inspirando idéias que pude ssem gerar conflito entre mãe e filho. Sér gio perguntou: Estava falando de mim? Ouvi meu nome. mas nada disse.disse com sinceridade. decoração. Após tomar banho. malhar e lutar um pouco?! Acomodando-se frente ao irmão.falou com jeito manhoso. Deus o abençoe. perguntou mais séria: Te m certeza que não precisa de uma ajudinha financeira? Não vou mentir e dizer que estou nadando em dinheiro. Algumas vezes.Virando-se para sua mãe. Foi usada p or uma clínica ortopédica e fisioterápica. Tudo é dividido entre os quatro sócios? Sim. meu bem . divisórias. senhora! Só a levarei lá quando estiver tudo arrumadinho! . Cada um faz uma coisa. Ah! Eu quero conhecer! Não. contribuo com serviços de mão -de-obra. é. conte comigo .exclamou sorrident e. aqueles pesos lá na garagem estariam enferrujados! Vamo s dar uma boa aquecida. admirando-a. Uma vadia como ela só pode passar a noite fora e. deitou-se e rapidamente adormeceu. .cumprimentou Sérgio. Sérgio percebeu que não havia ninguém acordado. Para afugentar o mal-estar. Tudo está dando certo! E a localização? Ah! É ótima! . Não sei como. Era tarde quando Sérgio levou Débora para casa e se foi. Aaa.disse animado.avisou com expressivo olhar meigo.Sérgio se deixa dominar pelo ciúme Chegando à sua casa. Por algum tempo conseguiram afugentar as preocupações q ue castigavam seus pensamentos. Estou cuidando da pintura. mobília apropriada para determinados setores.. É uma casa.pediu Tiago. Durante o trajeto.surpreendeu-se. alguns reparos. Agora tudo está mais calmo. O que significa que as instalações contribuem p ara o que precisamos. Até me surpreendo por conseguir acompanhar com as despesas de um jeito ou de outro. quem controla as finanças. Sérgio! Sente aí! .. Um silêncio fúnebre pesava no ar. do fisioterapeuta. Ouvia sussurros. sorrindo. de uma adequação na parte hidráulica. Eu sei. dona Marisa não parava de se queixar fazendo com que o filho perdes se o apetite. Talvez amanhã à noite.. Aquela noite não lhe serviu para o devido descanso. Imediatamente. Bom dia.. risos macabros e figuras animalescamente monstruosas. Os gastos com livros e outras coisas eram grandes.. de quem cuidará da acupuntura. Porém teve a impr essão de estar acordado.. Em dado momento. Deixando-se dominar por pensamentos que não l he pertenciam. de especialistas em florais e outras coisas. porém consigo controlar tud o. E é o doutor Edi son. em vez de empregar dinheiro.egui poupar nada. falou desanimado: Não estou bem disposto hoje. . Bom dia! A bênção. . desper tou sentindo as mãos frias e a cabeça pesada. servindo-se com uma xíca ra de café. Lógico! E sou bom nisso! . encontrou seu irmão Tiago fazendo o desjejum e sua mãe falando sobre ele. Os dois estavam animados. mas as despesas com a clínica estão sob controle. experimentando uma onda de sentimentos que começaram a deixá-l o apreensivo. Alguns segundos. Pela manhã.gabou-se. Que tal treinarmos um p ouco? Se dependesse de você. considerável médico psiquiatra. 9 . mãe . dona Marisa reclamou: Você deu para passar a noite fora de casa! E o dia também! Mas eu liguei avisando .

pediu Tiago com jeito ponderado.. o espírito Sebastião insuflava: Vamos.. Percebendo ser inútil ficar ali. Virando-se para a mãe. inspirando-o: Essa discussão ficará pior. mãe! . Agora chega! Nesse instante. Sozinho terei menos despesas e mais sosse go! Eu te entendo. Faz algum tempo que estou dando aula na ac ademia e às vezes os treinos terminam tarde ou algum aluno fica lá conversando e.Chega. Sabe. Sabia que o bichinho o acalmava. Só que não conto nada aqui em casa ou meu dinheiro será sugado! Eu não tenho dó deles como você. sentando-se.reclamou Sérgio. Dona Marisa não parava de agredi-lo com palavras e acusações injustas. ficou pensativo.Entregando-o para Sérgio. aproximou-se e. Puxa! O Marcílio sempre foi muito folgado. Lembre-se de que ela mesma disse que quase o abortou. mas tais idéias chegavam nítidas aos seus pensamentos. Tiago havia se levantado e enquanto ouvia o irmão foi até a gaiola e pegou o rati nho de estimação. acabo dormindo lá. só recebo críti cas e ofensas. Tiago! Agor a deu pra ofender a Débora! Não agüento mais essa vida! A mãe está nervosa desde quando você parou de ajudar financeiramente em casa. não suportava aquela sit uação. de tanto levar bronca por chegar tarde demais. Não tem amor por você. tenha bom-senso você. Você fez bem. Eu fui um tonto! . com extrema generosidade. não! Chega! Tenho que cuidar da minha vida. eu comprava! Até fralda comprei! A h.. ele avisou: Vai lá. cara! Já cansei também.. Colaborei com tanta coisa e nin guém reconhece. meu irmão.. Eu pago as contas de água. pois não queria mais ter filhos! Você nunca foi querido e só serve como provedor para sustent ar os gastos deles! Sérgio não podia ouvi-lo. Não consigo mais ficar nesta casa.Sua mãe nunca o considerou.revidou à senhora. Calma aí. Sérgio! Esse é o momento! Diga tudo o que pensa. Mesmo sem ouvir seu anjo guardião. mãe! . pois estava muito nervoso.Bre ve pausa e o rapaz desabafou: Ele e a Ana precisavam de dinheiro para a compra d o mês e eu ajudava! Faltava leite para as crianças. falou: Eu ia colocá-lo na sua orelha . levantando-se ao mesmo tempo em que socou a mesa com ambas as mãos. Espere aí! . desrespeitando minhas opiniões e sentimentos.. repreendeu: Agora a senhora pegou pesado.gritou Sérgio. Passei muito sufoco para me formar em Psicologia e estou dando o maior dur o para montar a sociedade com a clínica. Fica frio . A senh ra vive me provocando. Se ela ainda não tem bom-senso. Por um segundo Sérgio ficou atordoado pelo choque de energia salutar recebida. o rapaz analisou sua mãe como incapaz de entendê-lo e qualquer tentativa para isso só iria desgastá-lo inuti lmente se continuasse a falar. Prefiro levar algumas broncas por considerarem que eu estava na farra a ser roubado pelo meu próprio irmão. Es tou pensando seriamente em sair daqui.exclamou. Você não passa de um moleque! Moleque?! Depois de todo o esforço que me viu fazer para ter uma vida melhor?! É isso o que eu pareço para a senhora?! Um moleque?! É isso mesmo! Você nem foi homem corajoso o suficiente para constituir uma família! E um covarde por admitir que não queira ter mulher nem filho! . O que deixei foi de dar dinheiro para as despesas do Marcílio! . hein! Vamos com calma. Comentei com a Débora sobre eu ter trabalhado em dois empreg os. Atirando-se sobre sua cama. Tufi! Conta para o seu dono que fui eu quem deu o maior trato na sua ga iola ontem e hoje! . luz e parte do imp osto da casa. As louças estremeceram e o silêncio foi imediato. ele foi para o seu quarto parecen do irritado. levando-o até Sérgio. ta? Não vou admitir que me trate mais assim. Sou homem suficientemente capacitado para planejar a minha vida e não um vagabu ndo como o Marcílio que vive à custa do pai e dos irmãos! Engravidar uma mulher é fácil! G ostaria que ele fosse homem suficiente para assumir as responsabilidades! Wilson. em vez de incentivo. o mentor de Sérgio. abraçou-o p elas costas com um gesto paternal. sentou-se na cama ao lado do irmão e pergun tou em tom brando: Está mais calmo? Como posso estar?! A mãe não me dá um tempo! Não tenho um dia de sossego. Não demorou e Tiago entrou no quarto.afirmou Sérgio com veemência. Ele estava em pé ouvindo as queixas de sua mãe e não suportou ouvi-la dizer: Não vou admitir que grite comigo. Agora. Ame e perdoe. Falando com o a nimalzinho.

meu?! Por que não procura algo melhor? Faz um curso universitário?.expressou-se Sérgio. É! Esqueci que amanhã é segunda-feira! ...Tiago agitou-se com a lembrança de sua travessura..ria divertindo-se. hein.. Tiago gargalhou gostoso.... explicando os procedimentos. não a forçaram para arrancá-la de mim..Após alguns minutos de silêncio. Ah! Outro dia aconteceu algo curioso.tornou Tiago. sorrindo admirado. . Houve uma mudança de comando e alteração na escala. Tiago perguntou com jeito maroto: E aí? Conta. Brincar com ele ou pôr medo na mãe? .. desce para o chão e corre te procurando. contagiando o irmão ao narrar suas peraltices. A mãe nem piscava. É t riste..... água. Por que você não estuda. Os cachor ros foram usados para encontrá-las mais rápido. . Atuavam com amor. Tia go defendeu-se: Ta bom! Eu sei que dá para limpar a gaiola e alimentar o Tufi sem tirá-lo de lá. Eles estavam preocupados... Pra pegá-lo dá um trabalho!. A Débora.. com respeito a uma vida. desabamento. Eu me agachei e coloquei uns ped acinhos. Tudo pra você está bom.. pois é você quem a faz... sorrindo desconfiado. às vezes. Depois comentou: Viu?! O Tufi confia em mim! Correu para a minha mão.Antes de o irmão comentar. Co nversavam.Vendo o irmão afagar Tufi. E recompensador socorrer uma pessoa que e stá se afogando ou mesmo encontrar um corpo desaparecido nas águas ou sob um desliza mento de terras para entregá-lo à família a fim de que possam lhe dar um último adeus.. fumaça. Sentado. Que coisa bonita. Sabe.. Parecia não haver hierarquia e. Não adianta brigar com a vida. Como está a clínica?! Brincando com o rato. a vida será agressiva com você.agradeceu..hoje cedo. Mas toma cuidado para ele não escapar. Adoro trabalhar no Corpo de Bombeiros. Se fizer isso. os rolos e pincé Quer ajuda?! . porém disfarçou.Sérgio sorriu e reparou: É engraçado. jogou-se para trás de tanto rir e contou: Outro dia.perguntou com estranheza. trocando o jornal . estava tão atenta à novela e não percebeu que era o rabo do Tufi. cara! . Não pensei nisso. Lógico! Qualquer força será bem-vinda! Mas você não está na escala vespertina? Não. mas os cachorros ainda far . De um desabamento.. O comandante da operação estava com lágrimas nos olhos... Pelas informações dos parentes e morador es só haviam aquelas duas pessoas que foram socorridas. Ah!.ri a. comemorando. Já comprei as tintas. a mãe deu um grito! O coitado se assustou e saiu correndo na minha direção para a ponta do sofá!. mano. enchente.. Ela sentiu algo em seu pescoço e passou a mão várias vezes.. o outro respondeu com um ânimo imediato: Ficando ótima! Vou pintá-la na semana que vem.. quando a tiraram do carro. Só uns pedacinhos de queijo no encosto atrás da mãe. ele refletiu um pouco e falou encarando-o: Eu te admiro. E o Tufi parou ali p ara comer. lógico. Mas quando pegou o Tufi na mão. Fi ótimo! Obrigado por cuidar do Tufi pra mim . Ela ficou invocada com o que passava em seu pescoço e puxou pensando que era alguma outra coisa. . . De relance . . incêndios. ... está ótimo. olhando-o de modo generoso. mas quando percebe que eu não tive tempo nem você. na insegurança e sem a despedida. Sempre agradeço a Deus quando conseguimos salvar uma vida .. Sem tirá-lo da gaiola.. Que nada! O duro é quando o danadinho sai do meu ombro. me agarrou. É tão gratificante poder quebrar uma parede e tirar alguém das chamas.. mas. como você. mas reconfortante não deixá-los na dúvida. Eu a vi colocando comida.. Provavelmente sobreviveram por lhes restar ar debaixo da parede que caiu sobre elas. eu vi dois se abraçando.. Eu nunca vou me esquecer da ação do grupamento do Corpo de Bombeiros que tirou a Débora das ferragens retorcidas. .afirmou Tiago com b rando sorriso e olhar brilhante. O peso da terra era enorme.. A m morre de medo dele. não resisto brincar um pouco com ele. meu! Nossa! Aquilo é min ha vida! Não me sinto policial! Enfrentando fogo. sabe Tiago! Por quê? . Amanhã! .. quando tenho tempo. mas não quis incomodá-lo e o deixei aqui no quarto. . A mãe me xingou tanto! . ela cuida do Tufi.. ela estava vendo televisão e eu o coloquei no encosto do sofá!. emocionados. Houve um deslizamento de terra e felizm ente encontramos duas vítimas com vida.. em choque. Estou de manhã. as eles cuidavam da imobilização de sua perna. Acho que não é um serviç fácil.perguntou Sérgio.riu.lembrou Tiago.gargalhava...

nada conseguia separá-los.perguntou curioso. O senhor Aléssio está mais calmo? Parou de me culpar por sua decisão? Não conversamos mais. choravam. O que foi. E ela perguntou: Quer ma is pipoca? Ah!. Esse rapaz não é equilibrado para insi tir tanto assim! Ele é obcecado por você! Não sei o motivo. Tem que ver como é inteligente! Só falta f alar e brinca pra caramba! Sérgio se distraía com o que o irmão contava. Ao contrário.. contra você! Por que não me contou? Quando foi isso? Meu amor. Sérgio! Um veterinário do canil da PM a atendeu. sem ninguém para incomodá-los.. Não estava atento ao filme nem ao que a namorada dizia.. *** Apesar dos obstáculos com as famílias que não apreciavam o namoro entre Débora e Sérgio . . minhas costas.. procuravam um lugar tranqüilo onde pudessem conversar e trocar carinho com segurança.. Violeta! Foi o nome que demos a ela e através de votação! O dono não foi procuráa e ela se tornou mascote lá no grupamento. mas. porém sinto-me mais livre. Diminuímos o número de bombeiros em risco e começamos a tirar a terra com cuidado. independe nte e isso me trouxe tranqüilidade.. no começo estranhei um pouco. Violeta?. E depois?! Ela precisou tomar antibióticos. com a clínica! Eu não que e levar mais problemas! Você não é um problema para mim. Ele não perdeu a classe nem me fez qualquer pr oposta. cavavam mostrando que tinha mais alguma coisa ali. *** O tempo passa célere.. . E vocês a socorreram? . Levantamos uma parede de madeira caída e encontramos uma cachorrinha! Fi lhotinha! .O rapaz tinha o olhar perdido e os pensamentos distantes .contou Tiago com expressiva alegria. você está com muitas preocupações com sua família. preocupou-se. As coisas melhoraram depois que se mudou para cá? .quis saber ele. Ai. surpreso com a procura e o interesse das pessoas pelas diversas terapias. Ficou boa e entrou nas vacinas! . . Espere. obrigado . engessou uma das patinhas e nós a levamos para a unidade. Todos cuidam com a maior atenção da Violeta. A única c oisa que a coitadinha não gostou...ejavam. Só quis saber se eu estava bem e.. questionou bem calmo e sério: Sei que venho perguntando isso com freqüência.respondeu. Já brigamos bastante. Houve muita discussão antes e depois de sua mu dança. esse é o método dele para se aproximar... O Breno a procurou? Procurou-me.Vendo seu rost o pálido enrubescer e a moça fugir-lhe ao olhar. Débora. Mas.perguntou com jeitinho. Sérgio? Você está tão longe. Débora deixou a casa de seus pais. após leve sobressalto. Sérgio estava satisfeito com a clínica. Sérgio segurou cuidadosamente sua face delicada e tornou com baixo volume na voz g rave: Prometemos dizer a verdade um para o outro. sim. mas acho que esse cara vai tentar algo contra nós. Não vejo a hor a de entregarem o sofá. E o Breno? . o que nos deixava bem preocupados.. Não. E está melhor assim.riu. o amor e a confiança entre eles aumentavam e os uniam cada vez mais. aliviando seus pensamentos da discussão com sua mãe um pouco antes e das preocupações com os problemas de família.. Sim. Ela e o namorado estavam as sistindo a um filme deitados no tapete da sala e apoiados em almofadas. Deitado ao seu lado. Os cães insis tiam. Débora. Havia ameaça de outro deslizamento há qualquer momento. Lógico! É uma vida. Olhando-a profundamente. Como te falei. Um não freqüentava a casa do outro e por isso quando não est avam na companhia de amigos.resmungou a jovem baixinho ao se remexer. O apartamento alugado ainda não tinha toda a mobília. . o que deixou o senhor Aléssio furioso. Ele não ligou? Você não procurou falar com ele ou com sua mãe? Não.

Co m os pensamentos fustigados e extremamente contrariado.. Puxa! Eu precis o atender o celular! Trabalho com isso e dependo desse emprego mais do que nunca . Veja como você está?! Estou me sentindo enganado..Sentando-se ao seu lado. ele perguntou secamente.. As pessoas qu e passavam. O espírito Sebastiã não oferecia tré-gua. dispensou o Breno e?. Foi o mesmo q ue receber uma facada no peito e ver seus sentimentos destroçados pela decepção.. Não me surgiu outra idéia.falou sob o efeito do choro que t entava segurar. Inspirada por Olívia. em tom arrependido: Ele foi até a com panhia imobiliária e me esperou sair. . escondendo o nervosismo. que não conseguiu envolver e falou entre as lágrimas.perguntou..Mas o Breno é! O namorado estampou nítida insatisfação por ela ter omitido o fato e insistiu mais sério: Quando e quantas vezes ele a procurou? E o que disse? Ta bom! Se quer saber mesmo!.. E . mas não hoje!.um prant o copioso a interrompeu... pegou as chaves do carro e a jaqueta.sua voz embargou e era difícil conter as lágrimas.. Sentia uma fúria nunca experimentada.Sérgio sentiu-se esq uentar. segurou em seu braço forte e enrijecido. e mesmo com a voz entrecortada. . Virand o-se e vendo-a sentada no chão sob o efeito de um choro silencioso e sentido. Ele nunca me ofendeu. às pressas... prosseguiu: Pelo fato de muitos ali te conhecerem. Débora? . esqueceu? Porque meu pai queria que terminássemos! Em tom baixo. saberem que namoramos eu.. Débora se levantou.. Sérgio se levantou.. Caminhou até a mesa.. o Breno foi educado. Recebi incontáveis recados dele e todos bem gen tis. ela contou: Fiquei con. Caminhou alguns passos e ficou olhando atra vés da janela para não encará-la. murmurando sentido ao encará-la. A primeira vez. . Sérgio!.. conversamos na frente do prédi o e ele me pediu perdão se culpando.. Eu ia te contar. a não s er. disse que queria ser meu amigo.. mas se controlou e perguntou: Por que você atendeu as ligações do Breno? Não olh ou o número no visor do celular? Ele tem uma empresa grande. dissimulando o ciúme. .. parec endo implorar por compreensão. Estav a incrédulo. Constrangida. Confusa.. Mais o que. sua mentora. Ele me procurou pessoalmente e das vezes em q ue nós conversamos. apertando-lhe os braços ao . Até se culpou acreditando que eu saí da casa dos meus pais por causa dele. Sérgio sentiu-se transtornado. Virou-se para a janela novamente sem olhar para Débora. lembrou-a: Seu pai desejava que terminássemos para você assumir um compromisso com ele..perguntou em voz baixa. Estava pronto para ir embora. ele decidia o que fazer diante daquela traição..... esqu eceu? E o Breno por sua vez não deixava de freqüentar sua casa. Generoso por. sem querer.ela chorou. Algumas colegas ficaram me olhando com aquelas flores nas mãos. respondeu no mesmo tom: Não! Saí de lá por você. que chorava.. Por que não me contou? .explicou. Eu dispensei o Breno e. Envolto por energias pesarosas do espírito Sebastião. Suspirou fundo... segurou-a com força. atendi o celular e conversamos.. E não foi?! Encarando-o. Débora?! Soluços quase a impediam de falar. Que se exibi a gentil..sussurrou.... Os números são diferentes a cada ligação. por me verem com ele que. Eu estava envergonhada. Débora! O que queria ouvir de mim?! Parece que sou sempre o último a saber! Não!. castigando os pensamentos do rapaz com as piores idéias. Flores?! . Sérgio sento u-se rapidamente e reagiu com austeridade ao interrompê-la: Como é?! Vocês se encontraram e conversaram?! Quantas vezes vocês saíram?! Não pensei que fosse protestar dessa forma! .. Que idéia você teve. quase impiedoso: Você aceitou as flores. Marcar c om ele em outro lugar. Perdoe-me! Não aconteceu nada! Só conversamos! Ele se virou de frente para ela.. ves tindo-a.. e o abraçou pelas costas implorando: Por favor. .gritou Sérgio. que o inspirava. Das vezes em que. O que eu poderia fazer?! Ele me entregou o maço e eu segurei! . Não se preocupe. Mesmo chorando.

te l evou flores e que você marcou encontro com ele?! Está escrito: idiota.. na minha test a?! Sérgio a largou com um leve empurrão e ia embora. gritando: Eu pensei em me livrar do Breno com a mesma classe que ele exibe! Então pedi pa ra me encontrar num bar.. fitando-o nos olhos. Com a voz abafada em seu peito. Encarando-o firme e séri a.. Nunca houve nada. Ficou petrificado. . Mas.. Débora. ela aguardava uma manifestação.Tornou.respondeu firme. ali perto. Mentiu par a mim. afastando-a um pouco. enquanto usar esse hormônio.. ta? . Você não pode estar grávi a. . a jovem pediu chorando: Desculpe-me. com toda aquela generosidade... desculpe-me pela reação irracional. explicou com voz morna e apaixon ada: Lógico que não existe bebê algum.murmurou. Espere aí . parecendo ainda estar sob o efeito de choque. . murmurando com sorriso leve e doce: Quero terminar a faculdade.. você me enganou . E eu?! Somente agora me diz que ele foi gentil. tenho medo de que algo aconteça com você. sentindo-se ferido e decepcionado.. mas.Mais branda. Sei que errei por esconder os fatos.. Eu te amo tanto.. Vendo-o confuso. chorando junto com ele: Eu ia te contar.. disse que queri a ser meu amigo. Eu sei! . abaixando o olhar ao tempo em que ele a segurava. Por favor.. ao vê-lo pasmado ainda. perguntou firme: Você contou isso para a Rita? Contei. Eu disse que sentia muito! Qu e ele era uma cara legal! Mas que eu amava você! Disse que a nossa amizade seria d ifícil pelo fato de você ser ciumento! E. tremia ao revelar : Com toda a força e verdade vindas do fundo do meu coração. Acariciando-lhe os cabelos finos. Mas. mas não o fiz quando tudo aconteceu por medo de você reagir fu rioso contra o Breno. Sou eu que devo pedir desculpas. Eu falei que te amava m uito e que nós dois estávamos imensamente felizes por eu esperar um filho seu! Sérgio levou um choque... puxoua para si e perguntou bem calmo: Ele te procurou novamente? Não .. Primeiro. Passando a mão delicada com suavidade ao apará-las. o quê? .. e abraçou-a com força . Débora se colocou à sua frente. Com o coração acelerado.. pôde ver as lágrimas correr no r osto do rapaz. Eu sorri..... não mênstruo nem eng ravido..... Fui pr ecipitado demais..ele pediu com baixo volume na voz estremecida. Ele reagiu oferecendo leve sorr iso.lhe dar um leve chacoalhão e. Não pode esperar um filho meu. ele empalideceu e não disse mais nada. eu não tenho as cólicas. Não esperei para ouvir tudo o que precisava contar. explicou.ele sussurrou. por eu usar uma medicação para impedir as cólicas terríve is que sinto e. Não teria como eu engravidar. vê-lo bem estabilizad o e. Sérgio! Eu mo rreria!. Sérgio! Eu só queria resolver essa história com o Breno da melhor mane ira e de uma vez por todas.. mas. ela continuou com lág rimas correndo na face pálida: Eu não queria que você brigasse com ele! Já tem muito com o que se preocupar. Débora. . Desculpe-me. Mas não posso negar que seja meu sonho. Não! Vez e outra eu te pergunto sobre o Breno e você diz que está tudo bem! Então isso é t udo bem para você?! Por que não me contou?! Aaaaa! Mas contou para a Rita!. É que não suporto a idéia de vê-la com outro. Ao me ouvir dizer que estávamos felizes por esperar um filho. Estávamos lá sentados em uma me sa na calçada. enquanto a envolvia com um dos braços. mas acho que funciono u.gritou para despertá-lo...respondeu. apesar de gostar muito de mim!. que esperar um filho seu me faria à mulher mais feli z do mundo! O namorado permaneceu alguns minutos parado à sua frente concatenando as idéias. porque nu nca nos relacionamos! Segundo. Além disso. indagou: Acha que sou louca?! . em público! Quando ele.Respirando ofegante. Sérgio. O Gust avo também deve saber. olhando-a com um brilho lacrimoso nos belos olhos verdes.pediu extremamente humilde e acanhado. levantei e fui embora.Afastando-se do abraço. Eu menti para me livrar dele.. imp edindo-o de sair e contou rápido. . Estou envergonhado pelo me u comportamento. no dia seguinte.. arrumar um bom emprego.

Estou me sentido tão mal!. Vamos terminar de assistir ao filme. Cerca de três anos antes de te conhecer. Estou com vergonha. O que fiz foi agressão. fal ou no mesmo tom: Se não quiser me contar. Sou .falou sério com o semblante triste. Apesar de ser algo superado. .Deixando-se conduzir. entende? Não me sentia preparada. afagando-a o rosto. Estava nervosa. Isso não podia contecer.. Tem alguma coisa que queira me perguntar. Eu quero contar. Pare com isso. É. ta? Ele lhe fez um leve carinho na cabeça e ia puxando-a para um abraço. Estávamos juntos há alguns meses e nos gostávamos. você precisa saber. Por quê? . Olhando-a firme.. sinto uma dor no peito p or você ter falado que eu o enganei daquela forma. . Não consigo ser ágil sob ressão e.. Vem cá... Para ser sincera. o rapaz acomodou-se no chão novamente e ela perguntou enquanto preparava o equipamento para retornar a ver o filme: Está com fome? Não. Só quis pou pá-lo de problemas. Parecia com medo. Vem cá. Não sei explicar o que senti na h ora. Na verdade.. Não pense que a estou pressionando. pedindo com jeitinho gracioso ao sorrir: Tire a jaqueta e deixe essas chaves aí. Débora . Se quiser fazer pergu ntas. você rea giu de uma forma muito estranha. propôs: Acho que não é o momento ideal para colocarmos uma pedra sobre esse assunto e esq uecer tudo... Qua ndo surgia oportunidade. ao entrarmos no quarto. . por favor... eu namorei um rapaz. abaixando o olhar. .. Tem algo que me incomoda .revelou.O namorado obedeceu e ela tornou fala ndo no mesmo tom: Agora vem. Agora eu entendo.. Eram amigas e se davam muito bem. Débora aproximou-se. perguntou com bondade: Tem certeza de querer falar sobre isso comigo? Se você já superou esse fato.quis saber generoso...admitiu.expressou-se com leve sorriso.Beijando-lhe a testa. fique à vontade.. acho que devemos deixar tudo bem claro entre nós. Seus olhos ficaram marejados e Sérgio pediu com ternura.. Sérgio? .. A partir do momento que decidimos ficar juntos. Talvez seja alguma experiência p essoal a qual não me deve explicações. Se não o incomoda mesmo. comovido.. sobre o que nos diz respeito. Tem algo que ainda queria me dizer? . Ela engoliu seco. Vendo-a pensativa.. ao mesmo tempo em que examinava.sorriu.. não pr ecisa contar nada. Contei tudo o que precisava saber.pediu com jeito generoso ao pegar o braço da namorada e levantar a ma nga da blusa. ele argumentou: Eu te adoro! Podemos ser bem felizes juntos! A jovem o beijou nos lábios e o puxou pela mão. mas nada sério. Eu tinha acabado de faz er dezoito anos.. O passado não me importa nem me incomoda. continuou: Tive alguns namoradinhos. Sérgio.. Sérgio as aparou e. Não foi isso o que fiz. Às vezes. eu me sentia envergonhada. fazendo-lhe um carinho no rosto gelado. mas eu regulava. puxando o braço. Fui precipitado demais e. tudo bem. Isso não pode acontecer! Eu não conseguia falar e você me pressionava só com o olhar.riu suavemente ao falar. . perguntou: Machuquei você quando a segurei? Não!. confusa e tre mia. Isso é passado e não quero vê-la magoada. falou firme e. Era algo mais sério.tornou ela mais séria. quando ela o deteve e encarou-o. Nossa s famílias se conheciam.indagou com voz branda e olhar enternecido. O que é? Débora. Não. sem se deixar envolver pelo abraço. falando em voz baixa: É que eu jurei nunca mais entrar em um motel. Perdi o controle emocional e a razão. sentou-se ao seu lado e confessou: Eu também estou envergonhada por omitir o que fiz. Porém.. Sempre lembro disso e. quero te contar. quando fomos ao motel pela primeira vez. Não tinha chance e. Ele sempre insisti a para uma relação mais íntima.Encarando-o. eu sempre quis te contar isso. Tudo bem . tentando abraçá-la: Esquece.. . sentiu a voz travada e duas lágrimas deslizaram por sua bela face... Você é ciumento! .

Não era o que eu queria e mudei de i déia.Longa pausa.. ele me levou a um mote l muito luxuoso. vendo-a recomposta. me agrediu muito.. Depois fique i mais à vontade. me jog ando na cama. E sobre mim.. Imagino que deva se relacionar com outra mulher.. Ele me viu com a boca sangr ando. que a agasalhou em seu peito. Depois.Débora suspirou fundo e contou: Como eu ia dizendo.. com brandura. Ele não deu importância e continuou. Isso me martiri a. disfarçando a indignação: Ele a violentou? Não! Mas eu estava atordoada.Lágrimas correram e sua voz embargou. eu estava com medo sim.. . . e tranquei a porta. todos tinham dinheiro ! . Meu bem .. pedindo para que parasse de agir daquela forma..Demonstrando-se bem aflita. de vidro. Pedi para q ue fosse tomar um banho. Levei um sus to quando esmurrou a porta. Quase atacada.. Confiava mais e mais em você. Eu estava ansiosa e até nervosa.. Ele ficou furioso. Demorei um pouco lá dentro pensando no que fazer. Só d epois fui embora... Peguei as chaves do carro e fui embora.. ela contou com inflexão de agonia e des espero: Eu disse que iria embora. com hematomas no rosto e nos braços. Sérgio a acariciava com ternura.. Mas.interrompeu-a de imediato. Conversamos bastante. a moça continuou: Ele estava eufórico.. mas me senti sufocada.. pois estava me forçando.. Das outras vezes em que me l evou lá. sem relutar. não pre cisaria prestar queixa. mas você sabia como me envolver e se controlar. se não houve estupro. Nunca mais vi aquele cara. você foi tão leal.. Quando olhei.. ao chegarmos ao quarto. Larguei a faculdade de Direito.. Então o empurrei com força. afastando-o de mim.. Consegui pe gar um cinzeiro grande. e bater com toda a força em sua cabeça. sem dizer nada.. Ao sairmos de lá. Decidi sair e encará-lo. Segundos de silêncio em que se entreolhavam e Débora falou calmamente: Na primeira vez. confusa. Não! Não existe outra mulher na minha vida! .Caindo em um pranto sentido e silencioso...falou com ironia. Minha decepção foi imensa. Estava insano e tentou me forçar a ter relação. lógico que nossas famílias eram amigas. respeita minha insegurança até hoje. Eu sabia o que ia fazer em um motel e..perguntou Sérgio diante da demora. Entende? Lógico! Sérgio. s . vi que ele havia feito uso de drogas. o quê? . Quantas vezes me frustrei. digno. Chegamos ao quarto e me sentia s uada por dançar a noite toda. Ele caiu d esmaiado. Pedi que fizesse alguma coisa. tive me do disso atrapalhar nosso envolvimento. Levant ei. O diei meu pai a partir desse dia.sorriu generoso . Estava nervo sa. . Eu chorava ao contar para o meu pai o que aconteceu. pois acho que fiquei com algum trauma.. Demorou. . por isso decidi tomar um banho. Depois argumentou: Precisávamos de um lugar tranqüilo e seguro só para nós. Saí enrolada em uma to alha e pensei que ele fosse tomar uma ducha. Fiquei apavorada. mas não. Após longo tempo. fui correndo vestir minha roupa. Eu sei que me desejava. enquanto eu adorava acariciar suas costas. eu me arrependi por só ficarmos daquela forma. Naquele di a fomos a uma casa noturna onde dançamos muito. . que estava no banheiro. pois eu não era qualquer uma pa ra ser tratada daquele jeito.. trocamos tanto carinho. Não me deixaram sair do motel até ele atender ao telefone do quarto.. Pensei que iria me tratar com car inho. pois. me bateu forte e eu não conseguia reagir. mas ele me segurou. mas não me senti preparada. ele falou: Desculpe-me fazê-la relembrar tudo isso e também por agir daquele modo quando fom os ao motel pela primeira vez. eu sugeri e. mesmo com as lágrimas insistentes. com medo e fui para casa. encontramos com amigos e nos diver timos bastante. Mas eu desejava que não fosse a um motel. Fiquei nervosa e aos grit os brigamos. Ela o encarou e seu rosto iluminou com um lindo sorriso de satisfação pela fideli dade do namorado.. pois e le é advogado! Porém meu pai disse que eu era maior de idade por ter acabado de faze r dezoito anos. e lágrimas rola ram num choro silencioso. Deitava-se de bruços.. porém nem me ouviu e. fui me acostumando e o admirava.. Eu te queria tanto. mas decidi que teríamos mais intimidade. Mas. que com as carícias eu te excitava. entregou-se ao abraço de Sérgio. nós ficávamos tão à vontade! Quantas vezes me deixou tira seu vestido. pois isso só serviria de escândalo em nosso meio social. Débora abaixou o olhar e Sérgio perguntou.

.. mas é garantido. Eu te quero muito. deu meio sorriso e concordou. Olhando pela janela..exclamou rindo. Preciso dessa estabilidade financeira no momento.. Fique tranqüila.. beijou-a e obedeceu. dormindo um sono tran qüilo e profundo. silenciosamente. .. Ele sorriu.respondeu. Puxa! Como eu queria te contar tudo isso! Mas tinha tanta vergonha.. sobressaltou-se quando.. como sonhou. Ela suspirou fundo.... Mas você é um psicólogo! Sócio em uma clínica que está dando certo! Sim. e ele tornou a pedir: Por favor. Sérgio. Então você vai sair da polícia? Acredito que daqui a uns seis meses.. Ainda não parou de chover! . Nunca o vi totalmente despido . Eu adoro você e vou respeitar sua von tade até decidir pelo melhor momento. Mas o retorno do investimento ainda oscila.. Sérgio pediu. Tomei uma decisão sér .murmurou com voz suave e romântica. Sérgio comentou: Como você sabe.sussurrou-lhe ao ouvido com voz doce. Não.. murmurando. Você não tem café em casa? .ofereceu sorriso enigmático . Débora. Tudo aconteceu como queria.. Ela sorriu ao se lembrar da noite anterior. virando-se e abraçando-o. Vou tomar um banho e iremos juntos.. Mas. Por mai s forte que sejam meus desejos. * * * O dia amanheceu num ritmo lento e silencioso. Tornar am a assistir ao filme. Um tempo depois.. Bom dia.. enquanto f aziam o desjejum. a clínica não está dando lucros gigantescos.. Dormiu bem ? Nunca dormi tão bem! .admirou-se ele ao olhar através da janela. tomou um banho e foi até a sala. Não tenho quase nada em casa . Débora acordou e sorriu ao ver seu amado deitado de bruços. ou tro não.disse. eu faço questão! . Afastando-se sorrindo. Sérgio a tomou nos braços.. Então me leva para o quarto . Eu também te quero. Sem suportar as carícias. Pára. A jovem o abraçou com força. Adorava acordar ao seu lado e esta r segura. Não sei fazer café e uco entendo de cozinha. Foi então que mergulharam em um oce ano de carinho e amor verdadeiro. é muito tempo! Esse trabalho é arriscado! Eu falto morrer quan do sei que está em serviço! É questão de tempo.... meu amor! . sussurrando: Débora. embalando-a e dando-lhe um beijo rápido. Nunca a vi totalmente despida .falou com jeitinho. mas já começamos a obter retorno do investimento. não vou traí-la com outra porque eu desejo você. Geralmente uso o microondas para preparar pratos conge lados... Pense bem. só aceitava e não imagina como isso transformou meu modo de sentir e pensar.entir sua pele macia e a massageava. Sei lá! O namorado a aninhou nos braços. Ai! Que susto! . Ai. Já era quase noite quando terminou. Seis meses?! Sérgio.. Há mês que ganho mais. Levantando-se vagarosamente para não acordá-lo. mas ficava imaginando e. Pára. Débora. a jovem avisou: Vou pegar uma blusa mais grossa e sair para comprar algo e café.. Sérgio chegou de mansinho e a abraçou pe las costas.A moça não atendia. Você nunca me forçou nem exigiu satisfações. ... Sem perceber que os minutos passava m. Depois decidiu: Espera. O mundo deixou de existir para eles.. mas no fundo sentiu uma ponta de decepção.. Sempre vou respeitar a sua vontade.. viu que a chuva caía sem trégua e o céu estava encober to por nuvens cinza.perguntou com simplicidade. Não precisa!. beijou-a com carinho e disse baixinho: Eu te amo. Posso não ter um bom salário como policial.. Vo cê precisava saber para não pensar que eu o rejeito. certo.revidou no mesmo tom provocante e adorava toc ar seu corpo. que o amava e dando-lhe suave s beijos que o estimulavam. Ficaram deitados sobre as almofadas por longo tempo e em total silêncio.admitiu sem graça.. não se sentir frustrado e. ao ouvido. Desejo-te tanto! Também te amo.

exclamou brincando. vamos lá! . Não sei ex plicar. Não quero mais morar com meus pais.Pegando suas mãos por sobre a mesa. sim! Venho morar aqui. Aliás.concordou João com tranqüilidade. esse sempre foi o seu desejo. mas nada que não tenha conserto! Gostei da sua decisão.. Todo aquele qu e se previne de riscos danosos..comentou João. Se é assim. Continuando a m orar com meus pais. estarei ignorando e repr imindo o meu potencial deixando de atuar plenamente no que quero e gosto de faze r. Ele se levantou.reagiu de imediato. porém verd adeiro. transformando-m e em outra pessoa para me exibir.. afirmando: Débora. Estou decidido a me casar com você. Conseqüência de dois serviços .a e vou precisar desse dinheiro agora.. Eu adoro v ocê.animou-se um pouco. meu bem.sorriu. olhou-a nos olhos brilhantes. Quero que seja desse jeito. deixe ontar! . Estou tão cansado.. João.. busca o domínio de si mesmo e empreende uma jornad a nova. comentou: Não vou me sentir bem morando aqui... Acredita que não devemos aceitar as situações tais como são. Conte comigo! Está na hora de se livrar do que o mantém cati vo e empreender sua própria jornada . A casa está maltratada. Se desprezarmos os chamados. Que decisão?! . vou me envolver nos entreveros. princ ipalmente para minha mãe. Mas não é o caso. Aí. sentando-se frente ao colega. vai parecer que eu quero buscar a perfeição. O ambiente lá chegou a um pont o insuportável para mim. Levo a sério o nosso compromisso. Não estou sendo infiel. Por que. sabendo que posso ser independente. Sabe.. Haja vista que e la saiu da casa dos pais. .. . para a minha família. Quero paz! E o que a Débora diz? Ela me apóia totalmente. Sentia necessidade de ser ouvido e viu naquele momento uma oportunidade: Já que o doutor João se dispõe a ser meu terapeuta. Não é o m nto de sair da polícia? Desde quando o conheci. após um relampejo de reflexões. Acomodou-se melhor em sua cadeira e falou em tom irônico. mas agora não é o momento de vivermos juntos. Não! . as sim procurarmos descobrir o que podemos fazer para melhorar. Mas se a situação ficar difícil e. a vida tem um significado e nós temos de ficar atentos aos chamamentos para o que rejeitamos ou evitamos na nossa jornada.perguntou com leve contrariedade no semblante. . eu respeito sua opinião. Essa opção de mu-dança é uma recompensa por todos os esforços que espendi. murmurou ele. pode parecer cedo para eu dizer isso. mas. Venha morar aqui comigo! Ele abaixou o olhar e. Quer evitar comentários e críticas? Talvez.. Conseqüentemente. deu-lhe um bei jo e a abraçou com carinho. Nós nos uniremos por uma decisão e não por uma necessidade. Ei!..indagou com voz melancólica. Estou honrando e valorizando o q ue realmente é verdadeiro em meu ser e isso não é errado. desleal ou orgulhoso por recusar sua proposta. entramos em desequilíbrio com nosso ser. que raramente reclamava. 10 Sérgio revela o assédio de sua irmã O tempo passou e Sérgio conversava com seu melhor amigo e sócio no final do dia. Não voltarei a morar na casa dos meus p ais... Débora. ergueu-a. perguntando com ternura: Tudo bem? Tudo. Estou alugando uma casa e vou querer a sua ajuda pa ra algumas reformas! Não dá mais para viver com meus pais. Isso será algo muito especial em nossas vidas. mesmo se dividirmos as despesas. Nem preciso entrar em det alhes.falou sorrindo. se você deixar! Eles se abraçaram felizes com a esperança florescendo em seus corações apaixonados. já é um herói! Sérgio sorriu. Fique tranqüila. meu amigo. Acho que sim. D epois comentou: Quando eu deixar a casa dos meus pais. Você tem uma mãezona que o apóia e condições que eu não tenho. Vou alugar uma casa e já tenho uma em vista. Sérgio? . brigas inúteis ou sufocar-me ca lado ao ser desencorajado quando eu procurar ter paz e fizer esforços para ser bem -sucedido. É algo que sinto. Pretendo ter um futuro promissor ao seu lado. Débora não conseguiu segurar as lágrimas. você já conhece o drama .

ou melhor.disse Sérgio com grande expectativa. João perguntou: Não são as constantes divergências em sua família. teve contato ou criou mental-mente através de alguma idéia sobre o que tenha ouvido. Fala assim porque os pesadelos não são seus. E isso acontece para quê? . . certo? sorriu ao questionar. Eu tenho examinado a relação dessas manifestações em sonhos dentro de vários aspectos. né?! . o que é certo ou errado. I sso é muito raro! Só acontece em casos de premonições ou mediunidade. Você me contou. difíceis de compreender e mais ainda de analisar. Espere. vamos lá! Chega de aula! Você é meu colega há cerca de sete anos e conhece bem a minha vida. O senhor sabe que o sonho é uma expressão psíquica. o mesmo tipo de sonho não tem significado idêntico para duas pessoas. Quero ouvir seu parecer clínico e veri ficar se é compatível com o meu . Você sonhou com sua irmã que já faleceu. junto c omigo. que é a imagem. temos de desemaranhar a ligação do sonho com a vida de quem o teve e descobrir o significa do das imagens e mensagens. inventores e figuras célebres realizaram seus grandes feitos depois das idéias lhes terem vindo após um sonho. elas acreditaram qu e a resposta lhes chegaria através de sonho e assim aconteceu. Essa foi uma das coisas que você dest acou na imagem que me descreveu. a aparência que ela exibia era a d e uma morta ou o aspecto de depois de morta. enquanto acordadas. as diferente da instituída na consciência. Sem dúvida! Essas imagens são difíceis de analisar porque não podem ter igual interpr etação. até pesadelos horríveis eu tive! E eles se repetem! Sei. Como símbolo. . Sabe. e terceiro. Para o mundo material e corpóreo. E.sorriu ao brincar. O que. pertencente à alma ou mente e de natur eza autônoma. mas não colocá-lo para morar conosco.João riu.. No sonho. meu amigo. ol hando para o amigo. O sonho é um conjunto psíquico. tudo me incomoda naquela casa. aqueles que você não quer ter. fingindo não dar importância. João comentou: Estive analisando esses sonh os que me contou. os sonhos podem ser analisados por três aspectos diferentes. uma ex pressão pertencente à alma.brincou o colega. Qual a sua opinião sobre os sonhos ou pesadelos que se repetem sempre dentro do mesmo aspecto? Não tenha melindres. em Psicologia.exclamou sob o efeito do riso. calmamente. eles são comandados pelo inconsciente.. que o fazem ter m sentimento aversivo por aquela casa? Tudo começou quando meu pai comprou aquela casa. Essas mensagens do inconsciente sã . você sabe que.. o simbólico. o imagéti co.Diante do silêncio. Sérgio.. Será bem mais fácil traduzir isso dizendo que no so nho só existe o que a pessoa conhece.Sem esperar respo ndeu: Para que o inconsciente transmita ao consciente as mensagens ou imagens si mbólicas como manifestações involuntárias e espontâneas. Isso significa decifrar o recado que o inconsciente quer dar ao consciente. mas sem recordar as aulas. Prefiro chamar de sonhos . conforme aprendemos sob a visão do mestre Jun g4. a morte simboli za o fim absoluto de qualquer coisa positiva que existiu.avisou Sérgio bem sério. Por isso vai me ouvir. Anotei as principais situações que me contou e pesquisei o significado. aqui e stamos falando sobre os sonhos involuntários. doutor Sérgio. Mas é claro que isso funciona! Eis a prova do poder benéfico das orações. segundo as pesquisas. Porém. Va mos lá. o recado de você para você mesmo. depois pediu: Então continua. como já me contou. muitas vezes. Independente disso. Sérgio riu de si mesmo. Pesadelos! . João! Não vamos esquecer que o poder do consciente é considerável quando a pe ssoa possui certo controle sobre ele. segundo.. João. Acredito que entendi a lguns detalhes descritos sobre as imagens e mensagens.insistiu Sérgio com um tom engraçado. Muitos músicos.De imediato. em outras palavras. quer dizer que a consciência não comanda os s onhos. você deve deixar seus pacientes malucos se usar essa linguagem! Pega leve! . Nos últimos tempos. ou seja. Mas como ia dizendo. sim! . Quero ouvir a sua opinião! Não posso chegar ao final da conclusão sem antes fazê-lo pensar e analisar. o que se sabe é que. Primeiro. Do contrário. preces e bo ns pensamentos antes de dormir ou a qualquer hora do dia. Porém estou muito interessado em sua opinião . à mente e com uma racionalidade própria ou raciocínio próprio. Deveríamos ajudar o Marcílio.. a morte é o . ou seja. João. a identificação com o contexto da vida da pessoa.tornou o outro rindo.

na Bíblia . Nos sonhos. Após um tempo. você falou em medo e que esses seres monstruosos se revitalizam ou ganham f orças com o meu medo. Sérgio . Ora. do espírito. Até aí. Eles possuem carac terísticas disformes.. Isso faz com que eles continuem existindo e ganhando fo rças. evolução se vencer suas dificuldades. concordamos . Isso lemos em Ezequiel e Jonas. Tanto é que vo cê se assusta ao despertar ou sente como se não tivesse dormido. desafia-o e deseja sua morte ou seu mal. é a parte mais viva. pois esse homem monstruoso. da alma. mas não tenho medo algum. a imagem de monstros devoradores eram símbolos da necessidade de renovação. tenebrosas. Devo admitir que não seja fácil dar uma opinião a um colega. pode simboliz ar a necessidade de matar o homem velho para que renasça um homem novo em você. E o passar pela escuridão antes de chegar à luz. programando sua vida. como lemos em outros textos. as criaturas disformes. dominando o medo. a Lúcia chorava. nesses pesadelos vejo a minha irmã em um estado lastimável. A f orça de sua irradiação luzente ou da imagem opaca nos revela algo bom ou ruim. a cada momento. vivem juntas ao mesmo tempo. Lembre-se de que. Sérgio! O medo pode ser exteriorizado não exatamente com o sentimento de cov ardia ou vontade de fugir de uma situação existente neste instante. mais sensível do ser e a mais visível de todo o corpo. Sei que não tem medo d desafios e os enfrenta com facilidade. Mas vamos lembrar . horrendos dos quais me sinto enoja do. pediu de modo profissional e educado: Por favor. por favor. prossiga. Posso garantir que até agora o seu parecer coincidiu exatamente com o meu. Bem. malévolas. Assim sendo. que perdera m a forma humana. que se destaca cada vez mais. Pode significar a entrada em mundos desco nhecidos dos infernos ou dos paraísos. nos sonhos. Pode ser algo do passado.aspecto perecível e destrutível da existência. mas o mundo da psique. Ao me smo tempo. Em c ivilizações antigas. principalmente em um c aso como esse. você sabe que o rosto representa um desvendamento da personalidade. Como psicólogos. Lembre-se de que estamos falando de um recad o simbólico de você para você mesmo através do sonho. como já contei. João! Continue. As aparência s são de humanos. através de você. parecendo liderar os demais.continuou com tranqüilidade . O rosto é a sede dos órgãos dos sentido s. o homem monstruoso e horrendo que o agride moralmente. da mente. ou um grande peixe. sentindo suas energias sugadas é como se tivesse doado energias para esses seres monstruosos. ele pode simbolizar a evolução do espírito das trevas à luz. O rosto deformado pode simb olizar o que não tem vida ou o rosto verdadeiro.. quer amedrontá-lo. fraca. asquer osas podem representar seres animalizados de espíritos inferiorizados. Veja. mas com aspectos monstruosos. João. mas ele saiu de seu ventre profundamente modificado . que não demonstrava qualque r reação. além disso.. com o rosto disforme pelo tiro cujo orifício estava com vermes e a pe le se desfazia como em decomposição e. os seus pesadelos com criaturas monstruosas e disformes podem significar a sua renovação. eu acredito que a mensagem foi a minha entrada num mundo desconhecido.manifestou-se Sérgio. Ah! Lembrando aquele que se destaca. pois em pequenos movimentos faciais a pessoa exibe as emoções e as opiniões se m palavras. é enfrentar a tempestade antes que venha a calmaria. Existem outras imagens de criaturas disformes. João parou por instantes observando atentamente Sérgio. Com semblante sério. Analisando como se os sonhos não fossem eus. ele é o símbolo do mistério conforme a aparência. Em minha opinião. sabemos que a morte e a vida são duas forças que coexistem. maltrapilha. o amigo pediu: Vai. Sérgio. mas infelizmente infernal. Ao acordar indispos to. sem ânimo. Eu te conheço. João. E lógico que fico em grande expectativa com tantas mudanças acon tecendo em minha vida.. do presente ou do futuro. desordenadas. ofende. Crei o que chegaremos a um ponto culminante e é aí que eu gostaria de saber o que você pôde c oncluir. Isso pelo fato de minha irmã se apresentar sofrida. Como sabe. O mundo desse homem monstruoso dos seus sonhos não é o mundo exterior . Ele é rev elador. vemos que o monstro tem o simbolismo de uma força irracional. E vamos recordar que Jonas foi engolido pelo monstro marinho. O monstro pode significar que você precise passar por provas para superar dific uldades. alimenta-se de seu medo e se revitaliza. são espíritos com tendências vis. mas ela nunca está sozinha.

Em seus sonhos. se parecer com sua irmã. Mas. Os motivos desse tipo de apresentação podem ser vários. Simbolicamente. João! Sei que você é espírita. Esse tipo de apresentação não é casual. Envolvendo-se nelas você sabe que perde o controle emocional e. sua irmã cultivava ou sofria sentimentos interi ores extremamente perturbadores. a perversi dade. Não sabemos sobre os desígnios de Deus. induzir e influenciar o desejo de um homem em su a transcendência. depois argumentou cauteloso: Sua irmã desencarnou por um tiro no rosto. muito pensativo. Até outro espírito pode se apresentar como a Lúcia. Gostaria qu e me explicasse. Eu sinto. a aparência de sua irmã é deplorável e destaca-se o r osto em decomposição. a intuição. Essa interferência pode ser para o seu bem ou para o seu mal. Não acredito que sejam sonhos apenas simbólicos. pois isso significa um recado no nosso inconsciente. devemos mudar nosso padrão d e pensamento para melhor. Vamos lembrar que essa mulher pode não ser sua an ima. Sérgio. Ou. João suspirou fundo. Independente de ser simbólico ou espiritual. deixando-o sem determinação. ela. Quando um homem sonha com uma mulher ela representa a sua anima. revitaliza ndo-se e se alimentando através de você e de seus pensamentos. Minha irmã pode se prender ainda às impressões do corpo pela morte precoce. Afinal. fazendo -o desanimar diante dos desafios. foi um d esencarne precoce. O rosto representa muita coisa. parecend em estado lamentável para inquietá-lo e perturbá-lo através do sonho. ao brigar ou discutir. o que podem ser essas aparições perturbadoras nes ses pesadelos repetitivos e com o envolvimento da minha irmã falecida. isso demonstra que por trás da personalidade apresentada em vida. como espírito. no sonho. Isso acontece muito no plano espiritual. Eu temia que ficasse sensibilizado. O sonho com a anima mostra as tendências psicológicas do homem para com os s entimentos. mas sim um espírito e exibir-se sofrida para que você tenha piedade dela e. Não acha? Isso é possível. tudo pode ser uma distorção da re alidade e a anima pode ser venenosa.riu João. comentou: Dentro da Psicologia. é fria e impiedosa apesar do sofrimento. Chegamos aonde eu queria. que é a anima representada em seus sonhos. Como psicólogo e espírita. como lembrou. vampiriza-o. depois de algum tempo. sob a visão espírita. Esse monstro é a sua so mbra. então. induzir aos erros. ela o suga. a meu ver. para mim. sua irmã precisou experimentar essa situação e seu desencarne não foi precoce. a capacidade de amar. Então experimenta sentimentos de angústia e grande conflito por essas divergências.. para Jung o feminino é chamado de anima no aspecto i nconsciente. De repente.que você tem medo de brigas e conflitos familiares e quer sair da casa de seus pai s para fugir disso. sou espírita e sendo assim acredito em sonhos simbólicos e sonhos espirituais. sente-se muito mal pela sua atitude. a inquietude. pelo modo como agiu. pois não encontramos exp licação dentro da Psicologia Analítica ou da Psicanálise para muitas coisas. o seu lado sombrio. de acordo com a evolução desse espírito. Diante disso. Um espírito feminino pode guiar. Algo que corroia sua mente e agora pode tê-la vis to com o rosto real. atr avés desse sentimento. principalmente a título de estudos complementares. como falamos até agora. quando temos qualquer so nho desagradável ou acordamos nos sentindo desanimados. em sua elevação. Já li muitos artigos e livros espíritas. Em seguida. Além disso. na verdade. tirando-lhe a coragem para conquistas positiva s. a sensibilidade. a s manifestações negativas de observações maldosas que diminuem o valor do homem.. sem vontade. você cede energias a esse ser e ele ganha forças. E ssa mudança comportamental é fazer nascer o homem novo. o humor. . a Lúcia reagiu desnecessariamente a um assalto. Lógico! Não quero brigar! Eis a fonte de energia que você tem para alimentar o ser monstruoso de seus son hos! Analise! As brigas. Estou certo de que vejo o plano espiritual. Segundo a versão de quem estava junto. as discussões e entreveros o deixam exaltado e irracional . Espere um pouco! Você está falando do ser monstruoso no sentido simbólico ou de um espírito na definição exata da palavra? Isso é você quem precisará descobrir. É muito bom vê-lo analisar a anima colocando de lado qualquer sentimento pelo fat o da mulher. e plicou: Meu caro. o sonho é seu! .

o centro principal do proble ma quando estamos envolvidos nele. você me deixaria aqui sozinho caso sentisse que eu precisasse conversar? Não. analisou rapidamente o que ouviu. perguntou: Eu te conheço. assim como nós. Sérgio? Está certo.. Ol hando para o colega. Elas..Breve pausa e continuou: Nesse momento de tantas mudanças . chegando a berrar com Sueli. Então é isso. mas não mentalmente! Eu me afasto dos falatór ios. sem precisar reprimir ou sof rer com transtornos íntimos através de pensamentos que me torturem. Venho conversando com o doutor Edison sobre isso. Sérgio.. Tudo bem. . Iss o é provocar. Ao procurarmos nos compreender. Deve deixar morrer o homem velho para que nasça o homem novo! Você sabe. meu amigo. detal hou o ocorrido entre ele e Débora quando a segurou com força e a empurrou. em uma única semana. esses pes adelos podem ocorrer duas ou três vezes e até noites seguidas. Falou sobre esmurrar a mesa e confessou ter vontade de quebrá-la ao gritar c om sua mãe. com que freqüência esses pesadelos têm se repetido? Posso ficar uma ou duas semanas sem sonhar. Depois comentou: Estou vivendo um período de mudanças e transformações em minha vida. Certo. R ealmente. concordou: Primeiro você me derrotou desvendando o meu medo exteriorizado através da fuga. Preciso observar a situação sem me altera r. Não vá se chatear com isso. . psicólogos. O alerta é para eu domin ar meu medo e ter forças para o nascer do novo homem. criar uma aparência disfarçando a verdadeira emoção. mas. nós nos fortalecemos e cont inuamos a auxiliar melhor os outros. sem perceber. Por fim. mas por enquanto ele só está analisando. Minúcias foram narradas e João ficava atento a cada particularidade do amigo. a manifestação que r eprimo em mim emocional e fisicamente. João. calmo e ter paz interior. O que foi? Já é tarde e tomei demais o seu tempo.sorriu. Devo assumir o controle das minhas emoções diante do que esteja aco ntecendo e não me reprimir ou sair de perto. mudemos nós! Quanto maior a luz.Sérgio ficou pensativo. Eu saio de perto pelo medo de reagir e virar um monstro! . Isso não significa que tenha de brigar ou se envolver em discussões! Eu sei . não a deixa ndo explicar. dificul dades e conflitos. com todo o conhecimento a dquirido. não tolero brigas ou discussões fortes. para algumas pessoas é prazeroso viver rodeadas de brigas. Sérgio confidenciou ao amigo todo o comportamento estranho que percebeu em si m esmo. temos dificuldades em encontrar a matriz. Do ponto de vista da P sicologia. eu preciso me renovar. Sentindo-o com alguma dificuldade. que ficou muito reflexivo e distante. o estado. menos a Débora . Mudar os pensamentos e não entrar em conflitos íntimos. sorrindo amigavelmente. dizem de si mesmas: Ai! Pobre de mim! Eu f aço tanta coisa. não significa sentir-se tranqüilo.disse em um tom lamentoso e arrependido. eu destruo os seres monstruosos desses pesadelos horríveis com a minha mudança de atitude ao me relacionar com os problemas. Contou sua atitude hostil. Parecer tranqüilo. pois tenho medo da minha reação. Não sou tão brando como pareço e temo ficar sem o domínio do controle emocional. maior é a sombra. sofro tanto e ninguém reconhece! Se convivemos com criaturas desse t ipo. Analisando esses sonhos só posso co ncluir que meu inconsciente quer dar o recado ao meu consciente de que estou pas sando ou ainda passarei por mais desafios e dificuldades. vamos lá. nós dois entendemos a rep resentação ou a mensagem de mais de cinqüenta por cento desses sonhos. Somos seres humanos também! Por isso todo psicólo go deve fazer terapia. ficar irraci onal e perder a razão. Você tem razão! E sses seres deformados e monstruosos são a minha sombra. hoje. porém isso não é suf ciente para me ajudar. cara! Poderia ter agredido qualquer pessoa.riu. Dentro do aspecto simbólico da psicologia junguiana.riu. João! Vou reverter esse quadro! . Preci samos ser indiferentes aos problemas que os outros criaram.sorriu. elevar-me das trevas para a luz.. Aprendemos que nós. É verdade! . já que não podemos mudá-las. Muito inteligente. mas não paro de pensar no que aconteceu e repito em pensamento tudo o que gos taria de ter falado. Imediatamente o sorriso se desfez do rosto de Sérgio. Sérgio.concordou. Esses pesadelos tendem a acabar à medida que eu encarar tais conflitos de forma natural e agir com .

deu meio sorriso e contou: Minha mãe sempre foi bem d istante de mim. Nunca falamos sobre a divergência que tiveram. mas sou capaz. Confiante em você e sendo verdadeiro n os detalhes. Sérgio abaixou o olhar e ficou pensativo por alguns minutos. No seu quarto. Respeitei seu desejo de si lêncio. É bom se sentir assim! Você passa essa confiança.garantiu ainda rindo. A casa precisava de muitos consertos! Incl uindo a porta do meu quarto! João riu com gosto pela expressão engraçada do outro e comentou: Isso não vai dar certo. em minha opinião. Assim serei tranqüilo e calmo. Eu não poderia rir desse jeito. É questão de afinid . E onde você estava? Estudando em uma escrivaninha. Acredito que cresci e projetei em minh a irmã mais velha a representação de uma mãe. Você disse que eu conheço bem a sua vida. Então. Não é som ente simbólico. acredito que não seria necessariamente sempre a Lúcia a aparecer em meus sonhos.Sérgio não suportou e gargalhou da precariedade. que a forma como ela se apresenta exibe a sua verdadeira per sonalidade. Sérgio! Por essa razão psicólogos amigos não fazem terapia um om o outro. .. Sempre senti que algo o incomodava em relação à sua irmã. Para eu começar a analisar. Sem dúvida há um m espiritual. Sérgio. Eu não posso dizer mais nada sem mais de talhes. pouco antes da Lúcia falecer. no que experimento. sentimentalmente falando. qu e ficava dentro do meu quarto e ao lado da porta em um ângulo que era impossível não v er minha irmã despida frente ao grande espelho do guarda-roupa. encarou o amigo e argumentou: Não tenho nada para esconder de você. mesmo sabendo que. desmascarando o que sua irmã representava e disfarçava em vida. A apar ição da Lúcia em seus sonhos não tem só a explicação no aspecto simbólico. Agora uma coisa me incomoda.ofereceu o material. A Lúcia sempre foi uma irmã dedica da. Quando eu tinha mais ou menos quinze ou dezesseis anos de idade e estava mais voltado para as descobertas e curiosidades naturais sobre se xo.. Pare com isso. muito forte. Foi nessa época que meu pai comprou aquela casa. Como psi cólogo.sabedoria. Sinto que existe algo espiritual. . nós somos amigos. na qual se enrolava após o banho. cara! Estou bem à vontad e para contar tudo. Depois. comentou c auteloso: Lembro-me de que. comecei a notar algo no comportamento de minha irmã. Que tipo de comportamento não considerou normal? A Lúcia se despia da toalha. Que porta?! . Sei que é um excelente p rofissional e até melhor que eu!. eu reforço que esse aspecto facial se refere às emoções interiores extremamente pe rturbadoras que a Lúcia cultivava e sofria. aí.. vocês haviam brigado ou di scutido. João. sem expressões de tristeza ou rancor. semelhante àquelas mesas antigas de escritório. de onde eu estava. meu caro! Você foi o melhor da turma! Sabe que não posso analisar mais nada s em mais particularidades. Depois contou sob o efeito do riso: Só havia os batentes. Não me sentia dessa forma quando fiz terapia com aquele psicólogo que um professor indicou. Sérgio perguntou: E quanto à minha irmã? Como posso definir sempre a su a aparição ou envolvimento nesses sonhos? Pense comigo. mas isso não é ver e. Vou entender e respeitar. fre nte ao espelho. p ropositadamente. agora há pouco. . Percebi que ela deixava a porta do quarto aberta. Vamos lá! Pegue esse bloco para suas a notações! . coisa que não considerei normal. simulando passar um creme. Consciente do que digo.. mas ela fingia não me ver.detalhava de modo normal. ficava por longo tempo acariciando o próprio corpo de modo sensual .Observando-o. Deve lembrar que talvez não se sinta tão à vontade em me rel atar pormenores ou intimidades. podia vê-la totalmente.. acomodou-se melhor. continuou: Não foi fácil eu te d izer. Entendi a necessidade da minha mudança e sei que será um grande desafio. se ela fosse à representação da mi nha anima. coisa comum nessa idade. uma vez que somos tão amigos e trabalhamos juntos.Vendo-o silencioso. João! Ei..perguntou com simplicidade. Agi como um colega e não como profission al! Vai dar certo sim! . Você não poderia fechar a porta de seu quarto? . Nós estávamos na sa la de aula quando te avisaram e eu o acompanhei até o hospital e tudo mais. Continua. Principalmente depois de minha mãe contar qu e não queria mais ter filhos e não me abortou porque meu pai não deixou .Ol hando-o firme. suspirou f undo. mas acompanhei o seu desespero quando soube do acontecido. preciso de mais informações. presente e amiga.

mas quando com ecei a namorar a Débora. Depois de ver o Marcílio e a Ana brigando direto. Era uma menina bacana que se chamava Mara ...respondeu direto. Mas. A Lúcia pareceu assu stada. mas não deu. por ver o corpo nu de um a mulher sensualmente se acariciando. Foi tão difícil dormir ao lado dela e.. Não tinha mais alguém na sua casa? Meu pai e meus irmãos estavam sempre trabalhando. Decidi mudar meu horário de estudo e minha irmã resolveu mudar seu horário d e banho. Sérgio? Sem dúvida de que fiquei excitado nas primeiras vezes.tornou Sérgio com a mesma tranqüilidade. E que lembrei uma coisa. e eu fi ngi esquecer o fato. apesar de ter pouca idade.... Depois contou: A Lúc ia implicava demais com a menina e sempre começava uma discussão com a Ana. Era difícil fugir das suas provocações.expressava-se com muita naturalidade. abraços e calorosos carinhos. que fica nas dependências do quintal.ade.riu. mas brincou: Espere aí! Explique-se melhor. Entrei na polícia e dava aula de Informática ao mesmo te mpo para juntar dinheiro e fazer o curso universitário que eu sempre quis e sair d a polícia.Sérgio deixou o olhar perdido no te to e deu um suave sorriso. Passei alguns meses na lei seca ! Trocamos beijos. Recompondo-se. sem chegarmos aos fatos.. tornou a afirmar: Sim. Eu gostava da Lúcia como irmã. vai! Continua! João tornou a ficar sério e perguntou: E o que você sentia ao vê-la fazer isso. porque eu não entendi a piada. O fato de Lúcia ter se mostrado despida e com gestos sensuais para provocá-lo afe tou-o sexualmente? Não . Sabe. sabe disso. Não demorou e eu arrumei uma namoradinh a. Alguma vez lembrou-se de sua irmã nua. eu tenho uma vida sexual saudável. física e psicologicamente falando? Sim. Sérgio.Ele riu novament e e se explicou: Desculpe-me. você entende? . Depois levei um choque ao lembrar que era minha irmã. mas passei a ter um sentimento repulsivo ao lembrar o que ela fazia de propósito para me prov ocar. dei-lhe uma bronca e fechei a porta com brutalidade. ou com a nossa mãe quando a Mara ia lá a casa. . O namoro não durou nem três meses. Eu não queria um compro misso firme. fiquei nervoso. Ela não fez mais aquilo. um dia. Comecei a ver a vida que meu i rmão Marcílio levava e decidi que a minha seria bem diferente. fantasias ou. minha cu nhada. Mas não as levei à minha casa. estímulos com filmes. Costurava lá. Não dependo de medicação. mas poderia ser qualquer uma ou deveria ser uma namorada. O tempo passou. mas sob efeito do riso. Sou seletivo. com modos voluptuosos. E o que você fez? Não tive coragem de contar para alguém. Minha irmã não tinha nada a ver com essa decisão.. . Sim.. lógico! Não as levou por causa da Lúcia? Não.. Ótimo! Temos uma vida sexual muito satisfatória. Então. Só dormir. Seu rosto sério se contorceu até relaxar num largo sorriso e finalizar com uma gargalhada. Minha cunhada quase não saia de sua casa. talvez pela lembrança quase apagada.. e minha mãe havia pegado costuras r etas para fazer em casa e usava um quartinho que há nos fundos... . O amigo se forçava para não rir. Passei a ter pl anos de estudar. eu tinha m oral e integridade para não aceitar aquilo. Depois comecei a trabalhar. Hoje eu analiso e vejo que. João. Só se relacionou com mulheres. Veio conversar comigo depois. Fui até o quar to dela. Tive e tenho. A Lúcia me pagou um curso de Informática que me ajudou muito.riu de um jeito maroto. afirmando não saber que eu estava por ali. mas não poderia ser qualquer uma.. Pode contar? Hoje está tudo bem. Você namorou outras moças? Claro.. você teve e tem uma vida sexual saudável. Eu estava desesperado! Tive compensações aliviadas por alguns s . Puxa! Eu era seu irmão e um rapazinho! Bom.. . amiga? Só com mulheres. Tenho. Psicológica e fisicamente falando. fiquei com aver são a um casamento não planejado. Ma s era mentira. quando se relacio nava sexualmente com alguém? Nunca . Já se relacionou com homens ou teve esse desejo? Nunca. drogas.Em seguida Sérgio não agüentou.

você sonhava se relacionando com outras mulheres? Não. pelo fato daquele assu nto íntimo também pertencer à Débora. as coisas foram mudando e. não querer. Ao sair do banho. Eu jamais iria forçá-la. Com a finalidade de descobrir se Sérgio era possuidor de algum tipo de transtorno ou distúrbio que es tivessem ligados aos fatos originados em sua adolescência. Eles brigaram e o cara tentou forçá-la ao relacionamento. bateu-lhe com força. E sem eu saber do que se tratava. esperei.. porém não é o mesmo que vivenciar o ato. Você não me contou sobre esses sonhos de compensações! . como ela contou. sabia que o melho r cirurgião cardiologista do mundo nunca conseguiria realizar uma cirurgia de pont e-safena em seu próprio peito.. não procurei outra mulher. Sérgio ficou pensativo. per cebia-a alterada. Ela não se sentia preparada. Tentei envolvê-la e seduzi-la algumas vezes. Após um namoro mais sério com um cara conhecido da família.. O fato de e starmos em um motel a deixava apavorada e eu não sabia disso! Depois que passamos a ficar em seu apartamento. mas só trocávamos carinhos. carinho.. Adoro a Débora! Você não agina! Caso soubesse que sua namorada teve uma vida sexual ativa com outros homens.. mas isso a trauma tizou.João não perguntava por curiosidade. deixando o olhar perdido ao confirmar. gostar dos carinhos. c ara! Estou sendo muito evasivo na sua vida íntima? . mas confiava no profissionalismo de João e. Deixe por minha conta! . decidiu: Foi assim.. mas n ada significativos.sorriu. principalmente. refletindo em sua vida adulta ou atual e com a possibilidade de associação aos sonhos ocorridos com freqüência. mesmo a vendo com hematomas e a boca sangrando. Só depois rev elou: Ela me contou esse caso pouco antes e foi a primeira vez que me senti inse guro. algum tempo depois.onhos. Mesmo assim. Íamos para um motel. Ele parecia sonh . trazendo-lhe possíveis explicações para enfrentar os desafios. com o lugar e não c om o nosso relacionamento.Falou murmurando em tom apai xonado: Não queria frustrá-la em sua primeira vez. Ela tomou a iniciativa de termos o primeiro relacionamento e. correspondendo a brincadeira. Ele a agrediu..falou João com molecagem. Só seria muito precavido quanto às doenças sexualmente tran smissíveis..respondeu rápido e com tranqüilidade. pois foi um fato muito marcante em sua vida e os detalhes poderiam ajudar na análise do que o pert urbava. Tudo aconteceu como ela sonhava: envolv i-a com amor. Como profissional da área. conquistei-a com carinho. durante esse tempo em que você e a Débora não se relacion vam sexualmente. machucá-la.. Conhecia a importância daquelas informações. Tinha muito a ver com motel. e ela o acertou com u m cinzeiro de vidro e foi embora. Sempre sonhei com a Débora .. Por quê? Ela já era especial e depois do que me contou. Por que demoraram meses para se relacionarem? . Quer contar? . Esses. Eu a amo tanto! Nunca pensei que eu pudesse me apaixonar por alguém dessa forma. .. foram a um motel luxuoso. Posso te afirmar que me considero normal. imprescindível. agi de modo que a deixou mais se gura e isso a fez superar o medo. viu que ele havia se drogado. Não namorou mais até nos conhecermos. isso o incomodaria? Atrapalharia seu relacionamento com ela? Não! De forma alguma! Não me importo com o passado desde que ele não interfira nega tivamente em meu presente. O cara não conseguiu estuprá-la. a Débora queria ter um primeiro relacionamento sexual com amor.. João percebeu que os olhos de Sérgio brilhavam ao falar em Débora.. Ac hava estranho ela se sentir estimulada. .. ficávamos b m à vontade. colocand o-se na posição do paciente que deseja ser ajudado. Mas não foi o que esperav a. mas de repente.tornou. Não .. Então.perguntou sério... Por comparação e exemplo.sorriu com ar de satisfação. parecendo ter medo. tinha bastante conhecimento de que a ajuda de um out ro psicólogo era importante.perguntou repentinamente. suspirou fundo e contou: Como toda garota. Teve alguns namorados. mas por fazer parte de um enc adeamento de informações a serem analisadas sob uma ótica psicológica.. Respeitei sua vontade e a deixei conduzir nossos momentos de intimidade. A Débora tinha algum trauma? Tinha sim. E nos sonhos de compensação. pelo pai não dar importância ao fato e ignorá-la. Refletiu por alguns minutos.

A Sueli insistiu para levarmos a Lúcia. Ao final de tantos brindes. até não agüentar mais o sono e avisei que iria dormir. Lúcia se tornou muito amiga da Sueli. o Marcílio e a família foram pas sar uma semana na praia. minha nuca e em seguida colocava a mão por dentro da minha camisa.perguntou o amigo. comecei a namorar a Sueli e percebi um com-portamento b em estranho na minha irmã que deixou de ser tão amiga da Sueli. Mas comigo era ostensiva. Na manhã seguinte. Nem me lembro mais do que brindamos.Sérgio ficou sério. ela me abraçava pelas costas. eu estava embriagado. ela me ajudou financeiramente com algumas mensalidades. Achei graça. Deixamos a Sueli em sua casa e fomos embora. Completamente dominada e à disposição de um turbilhão nas faculdades pelo excesso de bebida alcoólica. Como eram esses carinhos? Se eu estava sentado em uma cadeira. p ois nunca a tinha visto de fogo. ouvi um barulho antes de abrir os olhos . no início. Não sabia mais o que fazer.. Fui tomar um banho.. seu rosto empalideceu. Todo o meu corpo estava adormecido e eu sentia uma ânsia terrível. Ela precisava abraçar. mas me le mbro de cada detalhe. Depois voltávamos a conversar. eu virava as costas. Ao chegarmos. mas não consegui convencê-la a parar. que passou a freqüentar direto a nossa c asa. Repentinamente. ao meu lado. depois ao salário e. Então disse para a Lúcia que ela já ha via bebido bastante. afastava-a de mim e saía de pert o. Descobri que a Lúcia t inha ciúme da minha namorada. Não conseguia mais ficar acordado. Depois das apresentações desnudas. Apesar do banho. acariciava m eu rosto. afagar. Insatisfeito. Quando pedi que fosse dormir. as quais a repreen deu. Senti q ue. Eu a ajudei co m o zíper e voltei para a minha cama.. a Lúcia tomou outra postura em que exibia sensualidade? Vez e outra sim . Quando me mexi um pouco. Quando fui para minha cama. Eu a ouvi por um tempo. Ela ria. Quando entrei na univer sidade. eu estav a cansado e um pouco zonzo. Eu não q ueria ir. Tentei cobrir a Lúcia com o lençol.. O que você fez? Sentei na cama e o quarto parecia rodar. divertia-se muit o e disse que iria dormir se eu fizesse um brinde com ela. mas não sabia dizer o que era. Sua irmã o acariciou alguma vez? A Lúcia sempre teve necessidade de contato físico para expressar sentimentos. Usou roupas íntimas bem sensuais quando me chamou até seu quarto. a Lúcia começou a perder o controle e começou a fazer certos carinhos para me excitar. Vivi uma experiência terrível! Falei com ela várias vezes e pedi que parasse com aquilo. a minha irmã estava deitada. Nunca me em briaguei daquele jeito. Ela de cidiu ir para o quarto e eu a ajudei. Ela dormia no meu ombro com uma das pernas sobre as minhas . ouvi barulhos e a luz ainda estava acesa. Levantei. afaga ndo ou arranhando meu peito. Brindamos ao emprego novo dela.. completamente nua. Falou sobre Deus ser cruel com ela e muito mais. Quando eu já estava até pesquisando qual o tipo de transtorno dela. O que você viu? . Senti que minha cabeça i ria explodir.Sérgio parou e sua voz pareceu travar. senti algo estranho. Foi algo que me incomodou. Eu ficava revoltado. ela começou a desabafar dizendo que era infeliz n o amor por não ser correspondida. até qu e. tocar ou segurar para dizer alguma coisa. João aguardou até ouvi-lo contar com c erta revolta escondida na fala vagarosa: Meus pais. . a Lúcia passou do estado de ri so para o de choro. Começamos a brigar por diversas vezes. por causa disso. Aceitei.ar e um sorriso apaixonado iluminava seu rosto sem que notasse.. Eu não estava embria gado. ela se achava no direito de se mostrar sensual para me prov ocar. avisou para observar sua reação: Voltemos a falar da sua irmã. beijar. O Tiago trabalhava em uma escala de vinte e quatro hora s. mas. a Lúcia se exibia bem animada e alegre. somente sob o efeito de leve entorpecimento. Já passava do meio dia e. porém bem consciente. Era difícil abrir os olhos. Depois de um tempo. Quando voltei.respondeu bem sério. Virando-me para olhar. Eu e a Sueli íamos a um aniversário. minha irmã est ava sentada à mesa com uma garrafa de uísque e dois copos. sentindo-me mole. Voltamos bem tarde e tínhamos bebido um pouco. e abraçada a mim. mas . fiquei aterrorizado . Mas ela negava a provocação e dizia que era um carin ho de irmã. fui até o quarto dela e a vi cambaleando ao tentar abrir o zíper do vestido. dizendo que queria tomar um banho. Mas isso era só com você? Com meus irmãos também.

Lembro bem dos olhos dela e. Mas tenho c erteza de que não aconteceu nada. Então. Estava calor e eu tirei a camiseta do pijama. ao caminhar . Baseado em que afirma isso tão categórico? Você bebeu muito. Acho que foi a Lúcia quem lhe deu uma cópia da chave. sem que eu esperasse.. tenho certeza de que não tive relação sexual com ela . recordo ter sido na posição em que acor dei. só à camiseta ressaltou. Você se relacionou sexualmente com sua irmã. a S ueli me ouviu e contou que tinha notado o comportamento estranho da Lúcia e disse que minha irmã me olhava com desejos de mulher. Posso afirmar. olhando friamente. Fui atrás da minha namorada para tentar me exp licar. Aconselhei novamente e por várias vezes que fosse a um psicólogo. Como vocês se encararam depois? Não nos falamos pelo resto do dia. Pensei que dificilmente alguém acreditaria em mim. Ficamos alguns meses sem conversar. e ela caiu. João. mas ela me agrediu com palavras.. Gr itei como nunca! A Lúcia segurava o lençol em torno do corpo. poderíamos esquecer nosso relacionamento. Quando me deitei definitivamente. os lençóis da minha cama estavam limpos. A partir desse ocorrido. chamei minha irmã para termos uma conversa. mas não o fiz. só falávamos o essencial. Lembro que tomei um banho e v esti um pijama curto. arranquei a Lúcia da minha cama e comecei a esbravejar com ela.. Se tivesse acontecido a lguma coisa. confessou que me d esejava como homem e não como irmão. ou não sabe dizer? O doutor Edison me fez a mesma pergunta. talvez tenha esquecido ! Eu estava bêbado. A Lúcia entrou em um estado depressivo que se podia notar.. tudo bem. A Sueli propôs que esquecêssemos aquel e fato e me deu um apoio moral que eu não esperava. Despertei com o corpo adormecido. Não tive tempo de explicar nada! Num impulso. Eu entrei em desespero! Estava verdadeiramen te em pânico! Tive vontade de berrar. Sabe. Um tapa muito forte. Só que ela virou as costas e fo i embora.. mas bem consciente .. Propus que ela fizesse um tratamento. olhava-me indiferente e até sorria! O que me deixava mais furioso. a Sueli insistiu tanto para minha irmã acompanhá-la até o shopping que ela acabou aceitando. Ela estava doente. a Lúcia segurou meu rosto com as mãos e me beijou na boca.respondeu bem seguro. Sua boca sangrou e depois apareceu um hematoma em seu rosto. Mas naq uele instante pareceu o único jeito de despertá-la daquela loucura! Eu fiquei comple tamente insano. sacudi a Lúcia que acor dou parecendo ainda embriagada e fui à direção da Sueli.Breves seg undos e Sérgio lamentou em tom triste: Como me arrependi por tê-la agredido. A Sueli entrou no quarto e me viu em minha cama com a Lúcia nua! Como sua namorada entrou? Foi o pai dela quem vendeu aquela casa para o meu.. Ela continuou a ter amizade com a sua namorada? Não. minha mãe e com o nosso namoro. Elas não foram de carro e na volta. Fiquei aturdido com o que ouvi e mais transtorn ado quando a Lúcia disse que lamentava não termos nos amado na noite anterior. por que ela sorriu? Será que pensou ter acontecido algo? Não sei dizer por que ela sorriu. mas ela não aceitava. Por um momento. uma terapia. Imediatamente eu lhe dei um tapa no rosto. Falei tanta coisa. Ela chegou a propor o absurdo de um envolvimento ínti mo entre nós sem que alguém soubesse e o dia em que eu me casasse ou não quisesse mais . Isso confirma que nada aconteceu.perguntou o outro diante da demora. ... O que a Sueli fez ao ver você sentado e sua irmã naquele estado? Ficou parada. confuso e como se isso não bastass e. não parecia ser a minha irmã. Para minha surpresa. eu tive raiva e pena da minha irmã.falava calmo. Depois a Lúcia disse algo que confirmou isso. O que aconteceu? . No dia seguinte. Somente a Sueli conversava um pouco. Levantei. .. Depois de ouvir essas palavras. Devido a Sueli ter tanta a mizade com minha irmã. A não ser o fato de ela me beijar e eu a agredir. eu não estaria com a parte de baixo do pijama e. primeiro. Sabia o que acontecia apes ar da coordenação motora e do raciocínio estarem lentos. parecia outra pessoa que me olhava.não dava e comecei a chacoalhá-la. significando que não havia me mexido muito e eu estava vestido do mesmo modo como quando me deitei. outra... Havia algo estranho em seu rosto. Um dia. Eu estava tonto. a Lúci a mudou muito. Ela chorou. De repente..

E a propósito. m esmo sendo um homem experiente.. pois inúmeras vezes pedi que procu rasse ajuda. depoi s eu conto. o que me deu força moral para não aceitar. Mil situações de se tipo acontecem e os pais não sabem. mas assim que ela propôs casamento. Estou com uma ampla bagagem para analisar. Pais e filhos não se comunicam. Meu amigo! Precisa mos de uma longa e boa conversa.. Que a Lúcia lhe contou que eu a seduzia para o incesto.. Mas espiritualmente falando. Incontáveis jovens comentem o incesto para se sentire m experientes quando chegar à oportunidade de praticar sexo fora de casa. A vida sexual é iniciada muito cedo. Eu dormi no apartamento d a Débora e acordei. Vou esperar mais um tempo. não me corromper com as op ortunidades provocadas pelo desequilíbrio da minha irmã. tratamento. foram assaltadas por dois homens armados que usav am uma moto. .Vendo o colega pensati vo. eu disse que não era o moment o e nos separamos. Está havendo uma perda uito grande da transmissão de valores morais. Às vezes acho que sim. Não suportou a curiosidade e perguntou: O que você me diz de tudo i sso? Psicologicamente. verdadeiro e detalhista como você foi! Não demonstrou orgulho ou arrogância por sermos da mesma turma. gostoso. desviou para o cérebro e a matou. . não me envolver. eu já era maduro e... Ninguém vai acreditar nela. Os pais simplesmente estão ocupados demais e não reparam qu e os irmãos estão mantendo relações sexuais dentro da própria casa. Além do que. falou como um desabafo: João.. mesmo! Sérgio. O incesto acontece dentro das me lhores casas. Eu não posso me culpar.. E a Sueli? Namoramos por algum tempo. você acredita que sua irmã reagiu dessa forma para se suicidar. depois do que ela aprontou c om aquela história do celular. acham que só ocorrem na casa do vizinho.. É ótimo quando alguém é tão direto.. Coloquei-me na postura de paciente. até a noite passada. dos mais luxuosos apartamentos. E estamos vivendo um p eríodo muito bonito.. Meu caso não é fácil e você sabe que nos últimos tempos o en vimento sexual entre irmãos vem aumentando muito. você já sabe. A Sueli contou que a Lúcia reagiu depois de entregarem tudo.. de súbito. Sabe. por conta do sonho. Acreditam que entre eles será mais seguro enquanto não se relacionarem com outras pessoas. Não me sinto preparado para contar. voltamos. não ficam atentos. mas ela não aceitou. você conversou com a Débora a respeito de tudo isso? Falou sobre o comportamento de sua irmã? Não. ao dizer para a Débora que era minha noiva e tudo mai s. tentando fa zer parecer um homicídio? Não sei dizer. Graças a Deus eu tive princípios de dignidade passados por meu pai . Ameaçar? Ameaçou contar para todo o mundo que viu minha irmã dormindo nua ao meu lado.em do ponto de ônibus até em casa. com as recordações... O rapaz atirou e o projétil atingiu-a no rosto. Depois não. Hoje tenho estabilidade men . Sérgio sorriu. Ficaria constran gido e preocupado com o que ela poderia pensar. mas foi pelo remorso por não conversarmos mais. você tem esses pesadelos só quando está na casa de seus pais ou eles ocorrem em outros lugares? Sempre foi na casa de meus pais. Sentiu-se culpado pelo que ela fez? A princípio sim. Isso se eu terminasse o namor o com ela. omitindo fatos por vergonha. nas residências dos bairros mais sim ples e também nas favelas. e essas vítimas não falam pelo medo da ameaça. caso tenham relações com parceiros f de casa. A Débora passa por um momento delicado com a família. do irmão mai s velho contra a irmãzinha. Outros i rmãos têm relações por medo de adquirirem o vírus HIV. Foi aí que eu conheci realmente quem era aquela criatura. Sérgio. Seria minha palavra contra a dela. não respeitando os meus planos de estudar e me alicerçar melhor na vida. você não imagina o quanto sofri com aqueles assédios.Suspirando fundo.. Sei que as informações completas e verdadeira s ajudam a encontrar soluções. Ela cumpriu a ameaça? Não. Ela despertou com meu solavanco a o me sentar rápido. Ela não me deu sossego e fez um inferno da minha vida. Há ainda o abuso do irmão mais velho contra o mais novo. Até eu terminar definitivamente e ela me ameaçar. Fiquei chocado com a sua morte. Eu só disse que tive um sonho estranho.

Sérgio se encontrava paralisado no meio da sala de sua nova ca sa. O portão para a entrada l ateral do carro que poderia seguir pelo largo corredor até o fim com espaço para vário s veículos e o pequeno. vão fazer o mesmo com a Débora. que reagiu ferozmente ao vê-lo sair de casa. É verdade. A situação pode complicar. suspirou fundo e caminhou até a porta indo para uma área ladeada por muretas graciosamente baixas d e onde se podia ver as grades altas em lugar de um muro. Aquela introspecção durou longos minutos.surpreendeu-se Sérgio. Acredito que existe um envolvimento espiritual muito intenso. pois muitas coisas aconteciam.. cobriu-o com um manto protetor e ele não se incomodou com a oposição de sua mãe.. a residência era próxima da clínica aonde ele poderia ir a pé se quisesse. o qual procurava estabilidade para as mudanças que planejava em sua vida. Sentia-se agradavelmente tranqüilo. Um momento como aquele trazia algo especial aos seus sentimentos. não vão perturbar e tentar d esequilibrar somente você. É um homem equili brado para levar uma vida normal. mas agora tudo estava perfeitamente no lugar e exatamen te como ele queria. O trabalho e mpolgante em arrumar aquela casa e pôr no lugar suas coisas onde seria seu novo re duto. Os amigos não consegu iam conciliar um dia para irem ao centro espírita. pintou e decorou com simplicidade.tal e emocional por não ter me desmoralizado com as tentativas de sedução da minha irmã. Em seguida. hoje em dia o ato sexual entre irmãos está sendo ignorado pelos pais. Mas por que diz isso? Pelo que senti. .A ação dos espíritos inimigos O dia chegava ao fim naquela sexta-feira. Tudo os impedia de se falarem melhor. P ara Sérgio aquela casa estava perfeita. Tenho dois casos de incesto e os transtornos são . tudo bem. Não queira saber o motivo. pode ser bom e aí você sai da polícia. Creia. Sérgio ficou em silêncio e pensativo. Dependendo do salário. pela família. não s e abalarem e superarem os obstáculos para evoluírem. mas agradável e delicado jardim que oferecia um toque especi al à frente da casa. mas com grande bom gosto. Porém percebeu que existem seqüelas espirituais ou sentimentais resultantes do que lhe aconteceu. algo como um presságio desagradável. O importante é você e ela terem forças para enfrentarem os desafios. quando sentiu um aperto no cor ação. Serei sincero. Semanas haviam passado desde a conv ersa com seu amigo João. E a prova disso são os seus sonhos constantes. mas Sérgio pareceu indiferente às suas opiniões e contrariedade. Sérgio pensava em Débora. 11 . Caprichoso. Eu gostaria de conversar com você e depois com a Débora. Teve muito trabalho. Esses sonhos são o começo da demons ração da atuação dos espíritos em suas vidas. porém estava demorando. Assistência espiritual! Por mim. admirou o belo quadro de paisagem agradável na parede da sala colocado acima do sofá. apesa r de ter enfrentado a revolta de Dona Marisa. El e parecia ansioso para lhe mostrar tudo arrumado. será fácil se propor a uma assistência espiritual e a Débo ra também. meu amigo . Você conhece alguém de lá? Os amigos saíram da clínica falando sobre o assunto que aguçou grande interesse de Sérgio. fez pequenos reparos. mas nada comentou. Algo o inspirava para ac reditar em João. Nossa! Você é um caso raro por não parecer ter traumas a respeito. Tenho a consciência tranqüila e paz nesse sentido. A namorada avisou que iria até lá. sem perceber. Falei para a Débora que passari a lá antes de ir para casa. Pelo fato de você acreditar na Doutrina Espírita. Além disso. Quer dar uma olhada para ver se é conveniente? Claro! Sem dúvida. Nossa! Olha que horas são! . Eles se levantaram e iam saindo quando o outro falou: Ah! Tem uma empresa considerável que quer contratar um psicólogo para trabalhar n o Recursos Humanos a fim de analisar o perfil dos funcionários a serem contratados . uma satisfação pela conquista. a razão ou qualque oisa do gênero. Sérgio. Ma s muita coisa estava para acontecer. Olhou para o espelho colocado no corredor. Imagino como se abalou. Trazendo no rosto um leve sorriso. Naquele momento.

Sérgio a abraçou procurando desc obrir o motivo daquele estado angustioso. . fazendo-lhe um carinho. E logo se entusiasmou: Ah! Veja como esse banheiro ficou bonito! Realmente.Eles se abraçaram novamente.riu ao avisar . Eu adorei! . ele comento u: Acho que começo a colher os frutos e recompensas depois de tanto esforço e sacrifíc io! Temos muito que comemorar! . Indo ao seu encontro. ele quis saber de i mediato: Eu insisti tanto para que viesse aqui e.afirmou. Não acha? .chamou-a. levando-a para a sala: Vem! Sente-se aqui. V ou sair de lá definitivamente.. Acomodando-se melhor. não imaginei que pudesse arrumar tudo. você é muito caprichoso! Dando-lhe um beijo rápido. levou-a para olhar o que ele fez naquele dia. Débora? Por que está assim? A jovem não suportou.riu... Embalando-a com afeto.disse ao fech ar a porta do armário. Vou colocar suas bolsas aqui. Circunvagando o olhar. espiando através da janela.Admirou-se. a namorada o abraçou com força.. Não foi lá para o apartamento porque não quis.. E por isso que está assim quietinha? Não. Depois você arruma do seu jeito . fo i bem direto pela preocupação: O que aconteceu..Afugentando os pensamentos. Sérgio estava animado. Não é como pedir demissão de uma empresa comum. Eu sei.tornou ela com leve sorriso. As provas nem começaram e eu não tenho faltas. Tudo é simples. não contendo a felicidade que o invadia.. Débora ficou verdadeiramente feliz e sem palavras. O namorado percebeu algo estranho em seu tom de voz.sorri u. Mas eu iria para lá somente à noite e ficaria sozinho enquanto você não chegasse da universidade. Ab raçando-o forte.Afastando-a com generosidade. Eu insisti bastante. do horário fixo de manhã. sorriu e contou: Visitei aquela empresa que o João me indicou. Fiquei três noites dormindo em meio das caixas! . Isso pode te trazer problema s na faculdade. perguntou: Quando vai deixar de trabalhar lá? Vou cuidar de toda documentação a partir de segunda-feira. ela sorriu e comentou com jeitinho gracioso: Ficou lindo! Sérgio.. Aqui. Sérgio a afagava com carinho a o convidar: Vamos sair? . creme. mas agradável. ao abrir o armário. A clínica está indo muito bem!. . Existe todo um procedimento.ele perguntou. Ao terminar. escutou o ba rulho do carro de Débora na garagem e. Imediatamente entrou em crise de choro e curvou-se com as mãos escondendo o rosto. Decidi pedir baixa da polícia.Depois. levou-a até a suíte e.. Sérgio! Estou tão feliz por você! Nossa!. secador. propôs: Já que cabulou aula. Puxando-a para junto de si. beijou-a e após ajudá-la a pegar algumas coisas.. Não é tão fácil pedir baixa PM. Está bom ou prec isa de mais espaço? Está ótimo! Eu trouxe só algumas roupas.Acomodando-a no sofá e ficand o ao seu lado. trazia nos olhos lágrimas de emoção.. mas não é para você! A suíte está à era! .. A seguir. ao mesmo tempo em que explicava e mostrava muitos detalhes: Arrumei esse quarto de hóspede . Pegando as coisas que a jovem trouxe. decidiu tomar um banho. . Vestindo rapidamente uma camisa. avisou sorridente: Coloquei tudo em ordem! Venha ver! Pegando-a pela pequena mão fria. convidou: Vamos? Débora secou o rosto com as mãos ao dizer: Parabéns. Ele acreditou que não fosse algo tão grave . abraçou-a com carinho. .Fez br eve suspense. Vamos sair para comemorar? Temos vários motivos! A casa está do jeito que eu quero.. a jovem sorriu ao confessar: Puxa! Quando vi aquele monte de coisa amontoada aqui dentro. Ma s agora vai dar certo! . certificou-se de sua chegada... lançando-lhe um olhar indefinido... Sinto um alívio. Pediu. comecei a pôr as coisas no lugar. Goste i muito da proposta... o rapaz foi até o portão e o fechou en quanto ela descia do veículo.. pois ela estava bem ao chegar e pareceu feliz com a notícia de sua saída da polícia. mo strou: Reservei esse espaço para você guardar suas roupas e o que quiser.Olha ndo-o sorridente. É tão perigoso e nada gratificante. . Para deixar aqui . Não imagina como me sinto quando está trabalhando na polícia. meu bem .Observando seu semblante sem animação... E. exibiu o outro: Neste quarto aqui fiz o escritório e minha tão querid a biblioteca! Venha ver .

pedindo carinhosamente: Beba... Você é competente.. Logo você arruma outro em prego. Débora.. Essa moça tem um caso com um dos sócios. ela desabafou: Fiquei indignada! Por que ele quer atrapalhar a m inha vida?! Recostando-se em Sérgio.Afagando seu braço. Débora se afastou do abraço e sem olhar para Sérgio. Voltando a sentar onde estava. sobrepôs o braço em seus ombros puxando-a carinhosamente para que se recostasse em seu peito e falou tranqüilo: Não fique assim. Quis saber o motivo. Sérgio somente aguardou e sofreu por vê-la daquela forma. Débora parou por minutos.... Tem grande potencial. Porém não tenho nada com isso e sempre a trat ei bem e explicava as coisas com boa vontade.. essa colega me pediu segredo e contou que esse sócio. Quem sabe conseguirá um emprego na área em que vai se grad uar?! .falou aflita.Fez pequena parada e comentou: Senti uma coisa .murmurou. até. Pediram que eu passasse todo o meu serviço para uma colega. Talvez por eu não discriminá-la como outras pessoas fazem. falou de modo baixinho e carinhoso: Ei. Eu precisava acertar muitas coisas. Não diga isso. Vendo-a chor ar sem conseguir falar nada. tirando-lhe uma das mãos com a qual encobria o rosto e disse: Exi ste solução para tudo. Fique calma. Não tenho tanta certeza . Disse que ligou para eu não me dar ao trabalho de ir lá e. Bem. Você não sabe o que aconteceu. fui avisada sobre a demissão. .. explicou: Logo cedo. pois avisei que estava deixando a empresa on de trabalhava. Nem se for só um pouqu inho. Todas disseram que realmente precisavam de alguém na área de marketing e pareceram bem interessadas e satisfeitas com o meu telefonema.. . seu a mante. o meu celular tocou. . mas deram explicações evasivas do tipo: foi por corte de pessoal. disse a ela que meu pai pagou um considerável valor para que me demitissem.. eu terminei rapidamente o que prec isava e dei alguns telefonemas para pessoas conhecidas que trabalham em consideráv eis companhias. vamos dar um jeito. Não fique assim. Ao se recompor. tirou o braço de seus ombros. Alguns goles e a moça respirou fundo. Após saber disso. Entregando-lhe o copo que foi posto so bre uma mesinha. Sentando-se ao seu lado...Esperou por algum tempo e delicadamente forçou-a a se erguer um pouco. Acreditei que reconheceriam min ha perseverança e boa vontade.. Você não sabe! . Seja o que for. mas ainda apresentava um choro doloroso e lágrimas tristes corriam em sua face pálida. que estava de joelhos à sua frente. ela olhou para Sérgio. Por eles afirmarem que necessitavam de funcionário co m meu perfil..Cont ou sentindo um gosto amargo de decepção. Só falta um ano para se formar! Como corretora imobiliária da área empresarial no centro da cidade..falava animado. afagando -a no braço e contou com a voz embargada: Hoje eu fui demitida. Essas pessoas conhecidas tratavam-se de diretores para os quais e ncontrei locações ideais para as empresas que eles representavam. contou quase chorando novamente: Eu não tive tempo de almoçar. Quer contar? .perguntou bem sério.. contr atos para fazer. foi até a cozinha e lhe t rouxe um copo com água adoçada. Ela é legal e eu explicava sobre os negócios locatários em andamento. Saí correndo e. . ela continuou: Eu não me importo com a vida particular das pessoas. Três pediram para eu comparecer no período da tarde para uma convers a ou possível entrevista. Vai arrumar outro e mprego melhor. Pegou o copo com o restante de água e bebeu. Era alguém de uma das empresas que eu iria e um a secretária avisou que a vaga havia sido preenchida... quando estava chegando próxima a uma da s companhias. conhece muita ge nte em diversas empresas.... Para contato dei o número do meu celular.Débora chorou novamente. ele a abraçou e argumentou: Seu pai fez isso a fim de que volte para a casa dele.. pediram para eu comparecer o quanto antes. É amante dele.. Falava pausadamente enquanto uma e outra lágrima teimosa escorria por sua face: A princípio fiquei com raiva. Não fique assim. Por que não?! É inteligente! Tem esse semestre!. Animei-me e até esqueci o que meu pai fez. assim que cheguei à empresa. submetendo-me a ca nsativas procuras para suprir todas as exigências. .Bem sentida.

você quase não diss e nada nem reprovou a minha decisão de alugá-la. Você gostou dessa casa agora? Lógico! Claro que gostei . ainda é uma casa velha .. que a eitou o dinheiro do meu pai. Não está sendo fácil! Você não tem alguma reserva? Se precisar. invadindo sua alma ao pedir: Responda sinceramente. alimentação. a jo vem se enfraquecia vencida por idéias pessimistas e rancorosas perdendo as esperança s. roupas !. Foi tão difícil me control ar. Conver sei novamente com a colega para a qual passei meu serviço e. Seu pai não pode conhecer ou controlar t odas as empresas que existem. a recepcionista me chamou avisando que não pode riam me atender hoje à tarde e pediu para eu aguardar o telefonema deles. o preço seria dobrado ou triplicado.respondeu com sinceridade. Sérgio a escutava com toda atenção e considerou para deixá-la mais calma: Pode ser uma coincidência. Não tenho quase nada guardado. perguntei se ela poderia me indicar algum emprego. O medo e a insegurança dominavam sua mente e seu coração. ele me disse que eu ainda correria atrás dele. Somente agora entendi. vai arrumar outro emprego o quanto antes... Então cheguei à outra empresa e aguardav a o atendimento quando o celular tocou novamente e. Acho que ninguém morou aqui por muitos anos! Eu nun ca imaginei que você pudesse deixá-la como está hoje! Vi e acompanhei tudo o que fez e estou imensamente surpresa! Preste atenção. torneiras enfe rrujadas. Agora vejo o quanto aquele a luguel é caro e desnecessário. Entrei com a desculpa de ter esquecido algo. segurando delicadamente seu queixo. Depois avisou: Débora. Ela já estava orie ntada para passar qualquer ligação para o diretor da companhia. Aconteceu que os muitos detalhes que a tornavam feia foram trocados o u consertados. .. Pago o aluguel do apartamento. Você me alertou. Gastei com a decoração do apartamento e outras coi sas. Coincidência?! Não mesmo! Fiquei atordoada. telefone.Algum tempo e la mentou: Sérgio. A primeira vez em que eu a trouxe aqui para conhecer o lugar. Fique tranqüila. . gás.Breve pausa e se revoltou: Não sou burra! É lógico que o desgraçado do diretor daquela imobiliária. sem exibir minhas des confianças. Não tente ser otimista. .. com pintura velha nas paredes.... Depois de esperar muito tempo. Foi dinhei ro jogado fora.chorou. O mato crescido foi arrancado e no lugar cultivado um bonito jard im. .. Acreditei que você estava exagerando. Eu deveria desconfiar que isso pudesse acontecer. luz. Era alguém da outr a companhia me dispensando também. o condomínio. O portão que rangia como se fosse um efeito para filme de terror. Se essa casa estivesse desse jei to no momento de alugá-la. Meus gastos com alguns luxos são dispensáveis.que nem sei explicar. Mas eram grandes companhias! Isso vai me atrapalhar muito. mas me controlei e voltei até a companh ia imobiliária que me demitiu. deu as piores referências para eu não conseguir aquelas vagas! A jovem chorava enquanto ele fazia-lhe carinhos para acalmá-la. nem todos os lugares vão se dar ao trabalho de telefonar para o seu antig o emprego pedindo informações a seu respeito. Eu não poderia me alterar. Até o rapaz despertá-la do silêncio... afinal precisava ficar tranqüila a fim de causar boa impressão onde estava indo. Por mais que o namorado se esforçasse em animá-la com pensamentos positivos. Na hora eu quase chorei. Por longos minutos. que ligaram de três lugares di ferentes pedindo referências e perguntando o motivo da minha saída. carro. Sérgio! Não era o mome nto de eu perder o emprego.. Sérgio. erguendo seu rosto e olhando profundamente em seus olhos. pois age ndariam nova data para uma entrevista. sem que eu perguntasse. certo? Naquele dia a casa estava feia. a mureta e o arco da varanda com reboque quebrado e o jardim era um ve rdadeiro matagal em miniatura.falou em tom brando e algo explicativo par a alertá-la. pintado e lubrificado transformando-s e em uma peça clássica! Tenho certeza de que o valor da locação foi baseado na aparência d a residência antes dessa transformação e no desejo do proprietário de querer alugá-la a um preço qualquer somente por medo de ser invadida. use-as até conseguir um novo trabalho. Depois de me dar al guns cartões. Quando saí da casa do meu pai e brigamos. essa moça contou. mas sem empolgação. a jovem permaneceu imersa em profundas e amargas reflexões. celular. mas não dei importância. silenciou de pois de lixado. a univers idade e tenho despesas com água. reparado pelo serralheiro.

o rancor pela injustiça do seu ex-encarregado e a decepção pelas três portas que se fecharam.pediu com jeito apaixonado. mas Sérgio. Débo ra permaneceu séria e murmurou em com sua voz delicada: É confortante ouvir isso. . parecendo tatear uma jóia preciosa.Respiro u fundo e explicou ponderado: Só gostaria de pedir uma coisa. você não vai conseguir cul tivar um bonito jardim nem pintar as paredes da sua vida para deixá-la rapidamente nova e bonita. c aso encontrasse dificuldade. beijou-lhe a cabeça e completou generoso: Não. Eu tenho como arcar com as despesas.. Saiba que não viverá no luxo ao qual se acostu mou.. Interrompendo-a e a abraçando. você pediu para eu ir morar em seu apartamento.. eu te amo muito! Concordo com tudo o que você propôs. Com semblante sério. preste atenção! Se você continuar experiment ando o sentimento de mágoa pela crueldade de seu pai. minha vida virou ao avesso! Tudo aconteceu muito rápido. Afagando-lhe o rosto. sem passar necessidades e co m relativo conforto. aperfeiçoar-me m ais com estudos para ampliar meus conhecimentos e ser um profissional melhor. Não acredito que . Eu te amo! Te amo muito. Venda o que puder. Contudo terá uma vida estabilizada.. Bem.Alguns segundos para que ela refletisse e continuou: Débora. olhando-a com ternura... Vem morar aqui comigo . não poderá ver as oportunidades a sua frente. porém antes precisam os alcançar algumas metas e estabilidade para dar a ele ou a ela todo o amor. mas eu só ten ho essa casa e quero que venha morar aqui. Fitando-a quase sem piscar. Não vou dizer que nos casaremos amanhã ou daqui a dois meses. Eu te amo muito. incl usive da sua faculdade. Gostaria de te dar todo o conforto do mundo. planejada. além de nos conhecermos bem melhor.Fez breve silêncio. m as continuaremos tomando cuidado para não trazermos ao mundo um filho que não esteja em nossos planos ainda. olhando-a firme: Para me ajudar. mas preciso de um tem po. Sérgio. . pausadamente.Alguns segundos e perguntou: O que me diz ? A namorada estava perplexa. ela respondeu: Sérgio. Viu em seus olhos ardentes um brilho úmido de lágrimas que rolaram lentas. a at enção. em seguida.. ele tocou carinhosamente sua face quase fria. Podemos a rrumar tudo quando consegui-mos ver a beleza através do que parece feio. sofrer e sentir o que é feio e ruim. Mas. Esteja certa de um a coisa: aqui comigo ficará mais segura. moraria com você. a educação e o conforto que pudermos. Quando al go não está bom e precisamos mudá-lo devemos arregaçar as mangas até conquistar o que dese jamos e nos sentirmos bem com isso! Débora. Hoje.reconheceu angustiada. . Olhando através das dificuldades do momento. Perderá tempo por só ver.. É o mesmo que olhar através dos vidros sujos de uma janela: eles podem estar tão sujos q ue você não saberá que o sol brilha lá fora. Estamos juntos há tempo suficiente para não nos importarmos mais com as críticas e comentários de quem quer que seja. Só descobri isso quando fui morar sozinha. Eu disse que. A bela face da jovem estava melancólica e exibia uma dúvida mesclada de conflito. Não a rmazenei o suficiente para o inverno que não sei por quanto tempo pode durar. nos meus propósitos... Naquela época fiquei um pouco preocup ado com comentários e críticas. questionou no mesmo tom ponderado de antes: Por que não? Algo a impede ou tem dúvidas de seus sentimentos por mim? Não!. nem sempre conseguimos fazer nossos planos seguire m a ordem que desejamos. Mesmo trabalhando e me achando o máximo. Acreditei que era cap az de me auto-sustentar totalmente.. Par a mim não importa mais se viveremos juntos agora ou após casados. Nunca precisei me preocupar com dinheiro. Sérgio . pausadamente prosseguiu: Tu do o que estou falando está nos meus projetos. Não nos conhecíamos tanto quanto hoje. Gostou mesmo desta casa? . Eu quero e sei que teremos um filho.. ele falou. Aparando-as com ternura. seguro de si.. Meus planos são de ficar bem estabilizado. eu morava na casa dos meus pais e não sabia o que era administrar financei ramente uma casa. con tornou vagarosamente seus lábios com as pontas dos dedos. mas vamos nos casar.tornou. Entregue o apartam ento e traga suas coisas. meu amor! Espere! Eu quero dar o exemplo de que nada é permanente. Ela sorriu docemente ao repetir com simplicidade: Lógico! Ficou um encanto e se parece com você! Por que insiste em perguntar isso? Por que eu te adoro..Você está me dando uma lição de moral por eu... . Não sei o que é se submeter à prova de reduzir as despesas. Esqueci da fábula da cigarra e da formiga. Terá mais tempo e tranqüilidade para procurar um emprego de que goste sem tantas preocupações.

sorriu ao afirmar. Débora ficou atenta. concordando com sua mãe. Embalou-a com leveza e avisou: É tarde e acho que você não está com ânimo para sairmos. Se até dezembro não tiver êxito.alertou o irmão. Pre ciso de um tempo para pensar e. na esperança de animá-la.criticou Marcílio. O safado nem pra..concordou ela.. meu! Nosso irmão foi o m ais esforçado entre todos nós. ta? Ah!. Bem depois. aproveitando-se de s eus fluidos.. estou tão cansado depois de arrumar t udo por aqui! . Sérgio passou a comentar sobre outros assuntos. f oi à direção do irmão e esbravejou ao empurrá-lo. mas. você vem morar aqui. pra ele emp inar o nariz como se a gente não fosse nada à vida dele! Deixa o Sérgio! . Poderia chamá-lo de cachorro e safado caso ele ficasse encostado na família e aproveitasse da bondade dos pais e dos irmãos para cuidar da mulher e dos filhos! Marcílio reagiu ferozmente.. Não faltará oportunidade! E para ser sincero.Em seguida. pedirei a pizza. Num tom de brincadeira. falou: Enquanto isso. o senhor Inácio somente ouv ia a esposa esbravejar: Não é possível! Jamais pensei em ver tamanha frieza por parte do nosso filho! Quant a ingratidão! Bastou se formar doutor. como que abraçando imediatamente os envolvidos na desavença e agressão a fim de incentivá-los à troca de d uelos de palavras vis e repugnantes. de repente. indignação.. Ei! . levantou-se rápido. aí eu quero ver como ele vai voltar com o rabo entre as pernas?! Ele usou todo o mundo aqui em casa. casos corriqueiros durante a compra de um móvel. sem ins trução e que se satisfaziam com brigas e discussões de qualquer tipo. esses espíritos levianos a proveitavam-se dos sentimentos de raiva. Essas criaturas. Proponha-se ao mercado de trabalho. Quero continuar trabalhando e terminar os estu dos. ciúme e outras más tendências dos encarnados e se revigoravam com suas energias. Olha como fala! Por que chamá-lo de cachorro e safado?! O Sérgio não merece esse tratamento não. O Sérgio não levou nenhum de nós pra conhecer a casa dele! Só o Tiago foi lá! Ouvi meu nome?! . inveja. Termine esse semestre na universida de. Na espiritualidade. espalmando as mãos no peito de Tiago: Qual é cara?! Você é tão sem-vergonha quanto ele por que só sabem criticar sem saber o que é passar necessidade! Uma briga começou entre eles.riu ao avisar: O chuveiro da suíte está f uncionando e nenhum registro ou torneira estão velhos. Tudo bem! Eu aceito! . envolv endo-os emocionalmente. sugeriu: Você também está cansada! Pegue uma roupa bem con fortável e vá tomar um bom e demorado banho! . Esses espíritos imperfeitos inclinavam-se tam bém aos que assistiam sugerindo-lhes todo tipo de pensamentos conflitantes. ter uma porcaria de um diploma. Está certo! .pediu. O rapaz a envolveu num abraço amigo e gostoso. Um dia ele pode preci sar da gente. eu arrumo um emprego bem melhor... acabando de chegar. se arranjou na vida e pensa que não vai precisar de mais ninguém! A senhora viu!. Realmente preciso de um banho para relaxar! .indagou Tiago. Você pode me dar um tempo? . parecendo se esquecer do dia tão difícil que teve... fortaleciam-se. Tomado de forte sensação enervante.. interrompendo-o bem sério.Ao vê-la sorrir. invisíveis ao plano físico. na casa dos pais de Sérgio.Beijou-a rápido.. . verdadeiro alvoroço se fez entre espíritos horrendos. dona Marisa ainda não se conformava com o fato do filho ter mudado.enervou-se Marcílio. Ao tempo em que tudo acontecia. feios e enferrujados! . * * * No mesmo momento. Pode até acontecer o que você falou e.esteja desempregada e com tantas responsabilidades financeiras para assumir. afinavam-s e e se satisfaziam através do comportamento e dos pensamentos inferiores dos encar nados. questionou: Estão falando bem ou mal de mim?! Estamos falando do cachorro do Sérgio! .. Será como vo cê quiser. enquanto apreciavam a pizza. Completamente calado. Vamos pedir uma pizza? Desculpe-me! Você queria comemorar. angústia. e ntre outras coisas. olhando-o com um medo estampado em seu se mblante pelo futuro incerto. levantou-se e sorrindo a fez se erguer.

O Tiago tinha um brilho intenso nos olhos quando estava com ela. dizendo que gostava de contemplar o céu estrelado ou tomar ar. Pensei que o Sérgio fosse correr p ara os meus braços.opinou a desencarnada com indiferença. avisou: Veja como realmente são aqueles que se diziam seus parentes. mas nem sempre participava das pelejas. a felicidade e a harmonia são tormentos insuportáveis. Não importa! Qual o problema de se unir a ela e assumir a paternidade? O que ir ia acontecer? Se ele tivesse retornado antes como eu ordenei. reencontrou-o e juntou-se aos revolucionári os farroupilhas. pensam entos e desejos. pois em nosso corpo espiritual.. Passei a espiar.. mas algo como que nuvens escuras em tons marrom.Trazendo um ódio cego encravado nos sentimentos. observava tudo com satisfação.. Por culpa do seu desprezo . Comecei a ouvir. Eu vi o sorriso gentil no rosto dela ao gesticular delicadamente com voz deng osa que atraía os homens. humilhou-me e me rebaixou no nível ma is inferior que pôde. ficava e era designado a tomar conta da estância. mas. Ao partir para as batalhas contra o exército imperial a fim d e conquistar as vilas e cidades. o espíri to Sebastião emanava energias ainda mais pesarosas. calcadas de botas fortes no andar lento de hom em.riu com sarc asmo. vez ou outra. por isso contratei o empregad o a custo de jóias caras para dar um fim na Débora. o Sérgio deixava a Débora em nossa estância. quando não conseguem. em pensa mento ou não. afasta m-se. O Sérgio acabou com minha vida. pois ele precisava pegar os dois juntos. Aquela miserável era traidora. Sustentando e se comprazendo com o que acontecia entre Tiago e Marcílio. Fazem de tudo para tentar destruir esse estado de paz. abandonando aquela que hoje. Os encarnados não podiam ver. Enquanto todos dormia m. procurando consolo Mas não! Depois do desespero e do enterro. o espíri to Lúcia relatava com imenso rancor: Tornou-se um costume da Débora permanecer todas as noites na varanda.. ofensiva e hostil pronunciada oferecia mais vigor àque las energias espirituais extremamente inferiores. Vol ando-se para ela.. O espírito Sebastião. meu s sonhos e esperanças.. irregular e muito feia. Principalmente quando se trata de seus desafetos. mas estava enfeitiçado e não dava a menor importânc ia ao que eu dava a entender para persuadi-lo.. Ah!. . eu enlouqueci! Pensei que existisse um Deus bom. Ele acabou com a moral da minha família. no ca mpo energético que nos envolve e no ambiente onde vivemos e convivemos. Covardemente desertou! Desertou por causa daquela mulher! . tendo ao lado o espírito Lúcia. Tiago e Débora conversavam por horas. el e se foi sozinho! Não me conformo com isso! Covarde! Eu disse que ele é um covarde! Naquela oportunidade poderíamos viver um grande amor.Para esses espíritos. teria se casado co m ela e nunca desconfiaria do filho não ser dele. encarnada. E os mais sábios nos alertam e chamam de sujas as palavras de baixo calão. Não suportei saber que ele preten dia ir embora para longe e começar uma vida com ela. Ele não só maculou o nome da minha f amília. grudando nas paredes como matérias fecais misturadas a ou tras excreções inenarravelmente repugnantes.. hipócrita!. Cada palavra indecorosa. cinza e preto pairavam no interior de toda a casa. pois se movimentavam e se desl ocavam de forma anormal. mas não! Nessa encarnação nascemos . O Tiago. A criança era de outro. Uma espécie de lodo como secreções de corpos físicos em decomposição nos caixões. Criticava minhas ordens e tudo que é comum de se fazer em uma guerra. O Sérgio me prejudicou imensamente no passado. é a Sueli! Como se não bastasse. plasmando-as nos ambientes. Sempre nos é dado o que pedimos para nós e para os outros. Eles i nvejam quem as cultiva. Nunca vou esquecer. mas também esse infeliz me desmoralizou. um dos soldados que desertou com ele. o in feliz fez o mesmo nessa encarnação! E lembre-se de que ele desgraçou a sua vida também! Mas você sabe que ela não esperava um filho dele. O Sérgio não merecia aquela mulher. O próprio Mestre Jesus nos ensinou: Pede e te será dado . Mas ela me paga! Ela o fez se juntar ao inimigo e enfrentar minhas tropas! Não foi somente isso o que ele fez nessa época. Por muitas vezes. Um bando de invejosos e orgulhosos . plasmam-se exatamente energias espirituais mentais impregnadas por nossas palavras. movimentando-se como uma massa den sa. ela desaparecia e ninguém sabia dizer onde estava.

É?! Vou dizer a verdade: eu o desejo como homem para usá-lo em favor de meus prazer es. respeito.. que te corroíam. depois de saber de tudo. as faculdades espirit uais. Assim como fez com você. um lixo e é por isso que ficou assi m depois de morrer! Qual era o problema de se amarem? ..gargalhou sarcasticamente. Agora eu vejo o Sérgio de modo diferente . Até parece que aquelas vadias que tomei à força não gostaram de ter um homem viril co mo eu! Desencarnado. Sentia as dores do tiro.questionava. por isso quase enlouqueci! Dem orou... encontravam-se em luga r onde o agradável magnetismo parecia acariciar os sentidos. induzindo-a a pensamentos conflitantes para continuar dominando-a e utilizando as disposições a fetivas de Lúcia para os seus objetivos de vingança.lembrou Sebastião.. tem a Yara. eu o odeio por tudo o que ele já me fez.repetiu Sebastião. Sua vida não terá mais sentido e ele desejará a morte ao sabe r!. o Sérgio me torturou com seu s sermões moralistas! Desgraçado! Quando morri.. fraca e ingênua! Será bem fácil e prazeroso ver a safada experimentar o que eu mais tive prazer de fazer com as vadias desse tip o! Sei que será fácil envolver essa desavergonhada.Psicólogo Espiritual Rogando amorosamente a instrução e a colaboração influente de entidades de esfera sup erior. Ao saber o que a Débora fez! ..quis saber Lúcia com frieza. continuo u falando para persuadi-la: Eu sei o que você passou após morrer daquele jeito. forte e seus olhos são d e uma atração impressionante quando pareciam invadir minha alma! Eu era capaz de faz er tudo por ele! E o Sérgio a rejeitou! . Ele não aprovava nem respeitava minhas vontade s. Você só não sofre mais. imunda! Meus pensamentos ferviam e me corroíam! Isso mesmo! Sermões moralistas! . domi nar os desejos. perguntei: cadê Deus?! .. O ódio e a raiva pelo Sérgio foram tão imensos que não posso deix ar de me vingar! Ah! Não! Sofri mais do que um cão e procurei o desgraçado porque prec isava fazê-lo sentir o que eu experimentei! Descobri que tinha reencarnado e eu ti nha passado mais de cem anos naquele tormento alucinado e doloroso por culpa daq uele infeliz moralista! Igual a você..tornou ela. não foi? Falou que precisava de tratamento. pois a Sueli é uma filha fiel e se mpre pronta para me ouvir... do corpo se desfazendo. 12 . Quero-o morto! E quanto à Débora. tem a minha ajuda . Eu mesmo cuido dela para você! . dos bicho s te roendo e aquele cheiro insuportável. ele de u-lhe sermões e críticas. porque eu te regenerei com as energias sugadas dele e te despertei p ara esse mundo real. os espíritos Wilson e Olívia.. Sentia dores. Ele se achou superior e a trato u como um lixo em decomposição! Repugnava seus sentimentos! É verdade! O Sérgio começou a me dar sermões e mais sermões moralistas! Cada vez mais oralistas! E eu me sentia suja. e o Breno.. eu sofri.. Acompanhei tudo. Mas o pior eram os pensamentos de culpa que não paravam. faremos com que ele sinta tudo o que nos fez sofrer. Gritou muito. T em o meu apoio. passei por tormentos infinitos! Eu p arecia ouvir a voz dele ecoando todo o tempo em minha mente falando de moralidad e. Foi difícil te ajudar. mas tomei força e reagi furioso! Tanto ódio brotou por experimentar aquilo que consegui me libertar. sentia a carne fedendo ao apodre cer. com caráter possessivo e sentimentos mesquinhos por Débora. Juntos. Lúcia. mentores de Sérgio e Débora. Sebastião admitia.Breve pausa. de respeito! Sofri feito um desgraçado! Tinha alucinações que nunca paravam! Sentia dores como se!. . sensações e pesadelos alucinantes com o se eu fosse uma delas. informou em tom típico de sua vileza: Débora é uma tola. Fiquei cansado de ouvir suas conversas sobre dignidade. justiça. Como se o quê? . meus atos.riu. ter boas práticas!. Com crueldade. Com aquela moralidade hipócrita. Mas agora. atraindo-os a uma doce e suave meditação. Mas aquilo era impossível..irmãos legítimos! E eu o amava! Ele tornou-se um homem lindo.. sentindo intensa hostilidade . longe dos pesadelos e das alucinações que enfrentou dentro do túm ulo. a irmãzinha desprezível e insignific ante com seus vícios. Além dela. Ah! Esse é dos meus! Ele vai se vingar por mim com escárnio e muita humilhação! E o Sérgio ficará arrasado. meus prazeres. fazendo-te pensa r que estava louca! Fez você se sentir um verme. zombando. Acor dou no caixão e sentia cada verme roer seu corpo.

não co ntendo o sorriso de felicidade ao vê-la. ouvia-se o murmurinho das águas límpidas correndo por uma parede de pedras até chegarem a delicados lagos que fascinavam por seus e spelhos de água. Voltando-se à nobre entidade que aguardava sua manifestação. pelo r isco que corre a missão desta encarnação tão planejada e por nós mesmos. A esfera obscura onde gemeu. nada a que se possa comparar. Mesmo bem sofrido per ispiritualmente. o grande salão reluzia nas paredes uma claridade própria. O espírito Olívia. Majestosas colunas se estendiam lindamente do chão às alturas de cúpulas transparentes. de onde luzes transcendentes cintilavam. Todo o ambiente era banhado de luz cristalina bem acolhedora. Precisamos ser cautelosos e pr udentes. Mais de um século. Depois de tantas batalhas com o emprego de crueldade desnecessária aos oponen tes. brotando fé e arrependimen to. no pl ano material dos encarnados. a fim de consultarmos seu s bons conselhos diante de tudo o que acontece ou está prestes a ocorrer aos nosso s pupilos. É difícil descrever.Abraçando-os com imensa felicidade. Imprevistos severos ocorreram e tememos por nossos protegidos. ele infernizou a própria mente pelo mal praticado. mas. mesmo assentando-se na magnífica poltrona de matéria encantadora à s ua disposição que parecia agasalhá-la. como que nuvens fofas. Sorridente. comentou com amável respeito: Querida ministra e instrutora amiga.. gritou e chorou como verdadeiro louco não modificou seu estado vibratório. via-se incrível jardim que causava grande impressão pela beleza repleta de detalhes capric hosos em plantas e flores formosíssimas e agradáveis à visão. Com humildade. junto da hedionda brutalidade contra mulheres e crianças. práticas por prazer a seus vícios lascivos. Eles se levantaram. Algo como que suave brisa de aroma agradável despertou a atenção de Wilson e Olívia p ara a entrada da entidade que. flutuando. surgiram no instante do relampejo do pensamento de Wilson. Não existe. sabemos o quanto é ocupada em trabalhos ne ste plano. em esferas superiores e até na crosta terrestre. difícil de explicar.Revestido de sólidas energias edificantes. parecen do leve e de mangas longas e largas que se ondulavam com suavidade. meus irmãos! Que o Mestre a abençoe . O semblante jovem e de nobres traços angelicais exibia alegria verdadeira. Os tormentos vivenciados o consumiu por décadas. Mas não foi o que aconteceu. a entidade indicou para que se senta ssem. Acomodações confortáveis. ostentando delicadas flores brancas. Plena natureza sob a proteção excelsa de um salão usado para conversações muito elevada s nas escalas dos valores morais e espirituais. Assim seja! . ficou contemplando o maravilhoso contorno do gr ande recinto. que se dispôs a sentar. ele deveria desejar receber o amparo da providência Divina e os socorristas estariam a postos. Tomamos a liberdade de invocá-la e pedimos a generosidade desse encontro aqui. Como não poderia deixar de s er. esperavam. expressou-se com i ncrível doçura aos visitantes: Agradeço a Deus as bênçãos de suas presenças! . ele desencarnou. De suntuosa fonte. pois seu corpo espiritual foi brutalmente danificado por sua co . deixando-se envolver e mantendo o s olhos cerrados ao permanecer introspectivo. Os nobres irmãos encarregados do serviço de socorro em zon as tão sombrias receberam orientações misericordiosas para aguardar um relampejo de lu z e esperança em Sebastião..retribuiu Wilson. Era impressionantemente bela! Com aparência translúcida! Usava uma túnica simples. amorosamente. Por onde a e levada criatura deslizava. acomodando-se frente a eles em assento que surgiu suave e instantaneamente como que nuvem sutil. O espírito Sebastião está extremamente embrutecido . sua consciência o encaminhou a regiões muito baixas. enquanto suave melodia se derramava em harmoni a aprazível. de ou: Paz em Jesus. viva e alegre. Ao lado da fonte.argumentou Wilson diante da pa usa. Olívia trocou olhar com Wilson como se lhe pedisse a palavra. E era dele que brotavam tr epadeiras similares a heras que imprimiam nobreza sublime ao esparramarem-se gra ciosas. a fim de ver enternecido o coração.concordou Olívia. sórdidos e sádicos. Existe muito ódio desejo de vingança no coração do pobre espírito Sebastião. Ao leve gesto da mão delineada e graciosa. em parte das paredes e de algumas pedras da fonte. o piso era sutilmente tocado por sua vesti menta alva que possuía algo como substância luminosa.

E a sua consciência que o cobrou e o cobrará. A moral elevada de meu pupilo. o amparo eficiente de irmãos espirituais. não apenas das duas últimas. Não há como mudar. Sua perversidade parecia mais intensa e cru el. Para isso. Sérgio não se in clinou. A o experimentar um breve instante de alívio na consciência. envolvendo e a tormentando aqueles a quem Sérgio quer bem. Há muito tempo. o espírito Sebastião mergulhou nas reentrâncias de sua consciência. essa oportunidade lhes foi impossível pelo ato cruel de Lúcia contra minha pupila. Jamais Ele emprega violência ou força brutal com a fin alidade de constranger ou agredir a mente de uma de suas criaturas. No entanto. Sebastião não ficou atordoado e reflexivo despertando para a fé. Por acréscimo de misericórdia. que podem ser consideradas monstruosas. Não demorou a se unir com os comparsas do passado e escravizar alguns pobres e spíritos recém-desencarnados e voltou-se para o objetivo de vingança. . ficando receptivo aos bons conselhos. Por isso a procuramos . como sugerindo reflexão: O Pai da Vida não é impetuoso. conseqüência de suas práticas. Por isso. o espírito Sebastião. Devo admitir que jamais vi tão grande força do mal endereçada para esse fim. Suas Leis de equilíbrio para a evolução estão a consciência de cada uma de suas criaturas. Concordo com Olívia . foram por culpa de Sérgio que o repreendeu. Sérgio não é impulsivo e reflete muito an tes de qualquer atitude. a generosa benfeitora ponderou por segundos e considerou em tom t ranqüilo e tênue. ele não conseguiu amainar a ob-sessão de seus desejos c arnais e lascivos por ele. Sendo que isso ocorreu porque Sebastião e seus colaboradores do mal estão tentando fazê-lo desenvolver pensamentos e práticas imperfeitas. pois. uma das propostas era ajudar sua irmã Lúcia a reverter os dese jos obsessivos por ele. para nos ajudarem em benefício de nossos p rotegidos e de muitos encarnados envolvidos. Ele p otencializou toda a sua raiva. no s lo XVII. V ersada no atributo de grande soma de conhecimento. em breves segundos de alívio mental. apesar dos desafios e tarefas a realizar. que completou: Débora e Sérgio se encontraram. recebeu luz na consciên cia a fim de despertar fé. No entanto seu coração nobre se candidatou a tentar. desencarnado . viveriam juntos e felizes. No entanto sua energia mental não teve uma reação positiva. A serenidade e a atenção eram vivas mensagens silenciosas que revelavam compreensão e sabedoria no semblante delicado da amorosa e elevada entidade que os ouvia. harmonia e paz. Foi então que o espírito Sebastião passou a interferir. O espírito Sebastião parece reunir uma fal ange de esferas obscuras com o intuito de grande destruição de todo o planejamento r eencarnatório proposto. com tantas deformidades. que teve muito trabalho com ela. após revigorá-la com troca de energias mentais com o irmão. a livrá-la dos alucinantes sentimentos. que o condenava àquelas con dições turbulentas. . no últ imo reencarne. Por essa razão viemos lhe pedir sábias orientações e humildemente. se possível. Sebastião usa condições e hab ilidades espirituais rudes de suas faixas vibratórias muito baixas. Wilson silenciou e olhou para Olívia. conforme predestinado. o espírito Sebastião vem agregando espírito s tenebrosos a fim de vingar-se de Sérgio e Débora desnecessariamente. venerável mentora.Wilson terminou e ficou no aguardo de uma orientação. o que ela chama de amor. Sebastião não admite que ouvisse e experimentou as acusações de sua própria consciência.argumentou o espírito Wilson. nesse aspecto. não parecendo surpreender-se co m toda a narração. S ebastião a tem como aliada a fim de usá-la contra Sérgio.Ela contem plou os presentes com rápido olhar.nsciência e por outros espíritos de impressionante inferioridade que habitam aquela região. Contudo. a sábia instrutora Ia ryel lembrou: Deus é amor. que o queimava como a dor terrível de um fogo incessante. seus subordinados e nossos superiores. nesta reencarnação. culpa e quer se vingar ao afirmar que todos os seus sofrimentos no plano espiritual. Urrando como um a fera. Temo por desastrosas conseqüências se meu protegido não suportar . nos último s tempos. ele mesmo se surpreende com a própria reação diante de fatos isolados. libertou-o do débito com o espírito Lúcia. Esse desequilíbrio sentimental in controlável vem de encarnações distantes. quebrou o invólucro magnético criado por sua mente que o prendia naquelas co ndições tão sofridas. todo o seu ódio e desejo de vingança. envolvendo-a em um intercâmbi o mental para que a moça se desequilibrasse e tentasse seduzir o irmão. Com Lúcia desencarnada. Sua aparência humana está bem alterada. No planejamento reencarnatório de Sérgio. Sebastião odeia. Com meigo e terno sorriso. mesmo Sérgio propondo-se a reencarnar como pai de Lúcia e educando-a sob pr incípios religiosos rigorosos.

entre outras harmonizações. querida Laryel . acabam se personificando líderes de falanges. Vi-o ativo e fiel trabalhador na espiritualidade. Temo que eu possa ser incapaz de conduzir meu protegido pelo caminho do bem.. Sérgio o aler tou como pôde. Espíritos por muito tempo inferiorizados no ódio. Quando encarnado. pois se encontra em um nível muito inferior. Sérgio foi destinado a combater em uma guerra. apegado aos atos sórdidos. No tumulto das bata lhas quase não existem mortes instantâneas. Sei de seu amor incondicional por todos os irmãos do caminho . Sebastião precisa acusar alguém. foi providencial naq uela época. tarefa e Débora deveria a mpará-lo. Sérgio reluta em deixar de ser policial pelas necessid ades financeiras que o preocupam e por acreditar que foi criminoso ou bandido em vidas passadas. por influência de Sebastião. através de expiações deploráveis. . Sérg io não tem culpa pelo que o pobre Sebastião sofreu. ajudar com conselhos e su stentá-lo nas provas! O empenho por vingança. ele também seria culpado por omissão. não de ixa de pensar no assunto. Elevada instrutora. Ele ouviu um colega dizer isso e. lei de efeito para as pessoas necessitadas em experimentar ou reparar os erros do pass ado. o silêncio o tornaria cúmplice e conivente com os atos de selvageria .Laryel refletiu e comentou: Muitas coisas podem acontecer. pois sem ele nos entregaríamos ao desânimo ou suicídio indireto. uma vez que ocupava posição subordinada ao comandante Sebastião. Repelir o que lhe an tecipa a morte do corpo físico é correto. O fato de Sérgio desertar quando conheceu Débora e a salvou. O fato de o pobre Sebastião acusá-lo por seus alertas morai s é simplesmente uma fatalidade. Nesse caso. .confessou Wilson em tom de súplica. pois é de natureza inferior a dos animais. sabe que Sérgio tem uma importante. crueldade e out ras vilezas. prazeres doentios e estranhos ao ser humano. Sendo assim. Sér gio precisava estar ali. Mas ele acusa meu pupilo por tê-lo alertado . algo que impressiona! Pressinto a impotência espiritual de Sérgio para mobilizar força e vontade a fim de livrar-se da ostensiva obsessão. pois foi por conseqüência dela que criaram as Le is para a não divisão desse país. Mas cada caso é um caso. As criatura s de Deus são os instrumentos de que Ele se serve para atingir determinados fins . Quero ressaltar que o instinto de conservação nos foi da do por Deus. Sebastião e xibe energia peculiar à sua monstruosidade e força mental que emprega para interferi r nos pensamentos de todos. lei de ação e reação. Com isso se atrasa na tarefa para a qual se propôs para este reencarne. foi obri gado a usar suas armas e a força a fim de lutar com os opositores para se defender . a justiça está sempre de um lado e há influência dos espíritos. Meus que ridos . por exemplo. Aliando-se aos revolucionários. o mentor ninoroso pareceu implorar: Venerável emissária. com o uso de fluidos criados para oper ar psicologicamente através da energia mental de desencarnado para encarnado é imens o. no caso de guerra. A revolução farroupilha xe benefícios a essa Pátria tão estimada. Isso nos sustenta em nossas provas. Contudo também conheço a sua extraordinária atenção por esses queridos encarnados sob su a tutela. sabemos que os corpos físicos são disfar ces do espírito quando encarnado.fazendo-o vivenciar as impiedades e as vilezas cometidas com lamentável prazer. Teme deixar esse trabalho para não ter débitos morais. egoísmo. Muito me assust aria se eu soubesse que meu querido Sérgio ficou calado diante de tantas atrocidad es.preocupou-se Wilson. precisaríamos de sua amorosa intercessão.Laryel sorriu levemente e lembrou: Numa guerr a.Pedindo hum ildemente.. Vejo meu querido filho espiritual se torturando lentamente com as interf erências e influências diretas e indiretas do espírito Sebastião. Precisamos de sua generosa intervenção. orgulho. nosso querido irmão presencio u muita dor e sofrimento. Sérgio prestou serviço a um exército e foi convocado para uma batalha. Mesmo contrariado e angustiado com o que via. Nesse caso. teve deveres a cumprir através das informações oferecidas sobre o que conhecia. Naquela época. mesmo que haja dor a fim d e destruir o mal que há na criatura. Laryel sorriu em sinal de compreensão bondosa e avisou: Conheço Sérgio. . mas nunca usou de crueldade ou tortura covarde para com suas vítimas. por se tratarem de criaturas especiais em seu coração e reencarnadas por c . caso não receba auxílio de com panheiros dos planos mais elevados .expressou-se com ternura angelical . Encarnado. Além de covarde.pediu Wi lson com humildade. Preocupo-me pelo fato de Sebastião estabelecer uma falange tão perversa e destrut iva. Porém nada é eterno e tudo se transforma com o objetivo de renovação e melhoramento.

sob pressão ostensiva de mui ta disciplina que. e studando com primorosa abnegação e carinho a fim de estimular a força inteligente que há em cada criatura através da energia mental. ele terá bem mais proveito no que almeja desenvolver no plano espiritual para ajudar muitas. no plano encarnado. os desejos e os impulsos de uma criatura são control ados pelo poder do pensamento. podem ser nossas. estará pur ificada e será benéfica às criaturas. Mesmo sabendo e entendendo que Sérgio aceitou vivenciar os efeitos obsessivos em fase do planejame . rogan do luz na consciência e crendo no amparo de Deus. A função de Sérgio como policial o colocou na condição de sentir. é er um: psicólogo espiritual . é extremamente exagerada. sempre com indizível serenidade. curativas. tormentos e todo tipo de insatisfações.Breve pausa e comparou: O médic o não pode dizer que a doença é indolor ou que o remédio é doce se não os provou. todos os demais ministros que trabalhavam com a excel sa emissária acatavam seus sábios conselhos ou orientações antes de tomarem decisões impor tantes. As propostas e as idéias de Sérgio. por vezes. . Venerada Laryel . Vivenc iando tal experiência. dizendo mais ou menos assim: A água. al guém é policial pelo fato de ter sido criminoso ou bandido em outra encarnação. crescimento intelectual em benefício dele como espírito. Por sua elevação. . que manipulam suas vítimas com rigo r. as idéias que nos surgem. à custa de duras provas e tra balhos incansáveis. Isso. . mas tudo pode acontecer. E em um exemplo magnífico.sorriu de modo sutil. re speitando a reflexão de Wilson. elevação prosperidade ao homem de bem. de encarnado ou desencarnado.A veneranda ministra aguardou por segundos. ao mesmo tempo. Por conta disso. mas se o elevarmos para as alturas com verdadeira fé e humildade. o pensamento pode est ar impuro. comentou: O pensamento. é nobr eza espiritual experimentar os sintomas para estudá-los e compreendê-los em ação com a f inalidade de atuar em serviços de socorros aos irmãos necessitados. em atividades no campo de coordenações dignas nos Ministér ios do Auxílio e da Regeneração. sem saber. é algo a fim de agregar-l he evolução. procurou contribuir com esclarecimento diante dos temores dos queridos amigos que ali estavam: Certa vez eu ouvi uma querida benfeitor-amiga ensinar que O pensamento é força viv a .ompromisso de elevação e amor ao próximo . depois continuou: Como a água. por mais suja e infectada que esteja. Lá se transforma n as mais diversas e belas nuvens. Voltando em forma de chuva ou orvalho. baseou e ssa opinião em si mesmo. Esse pode estar sob a influência de uma outra mente cruel e malévola. o pensamento retornará suave e lim po tal qual a chuva. Tal estímulo e método clínico os libertarão om facilidade das amarras psicológicas que os mantêm atados à força do pensamento de um irmão espiritualmente inferior. As conseqüências ou resultados variam e dependem da afinidade que a supos ta vítima se deixa ter com aquele que a quer dominar. Nosso querido Sérgio está experimentando incrível poder psíquico que tenta agir em sua mente. Ela refletia sem qualquer manifestação. Lembremos que as palavras. Sérgio possui moral elevada. . hoje. mas deseja essa evolução intelectual a fim de trabalhar indispensavelmente na espiritualidade com irmãos que ignoram o uso da psique e utilizam à energia de cr iações mentais destrutivas através da força do pensamento. Os objetivos desses irmãos sem instrução são trazer angústia. o mentor Wilson silenciou. empreendia humildemente suas faculdades. dedicandose a auxiliar nos mais diversos comportamentos da mente. Por suas contáveis tarefas abnegadas. Sua dedicação aos estudos psicológicos e empenho para ampliar os conhecimentos. são: altear o intelecto. como tarefeira espiritual. em seu inconsciente. milhares de criaturas de Deus. irradiando excelso magnetismo no olhar.tornou Wilson com humildade. Diante da perplexidade de Wilson . além de ocupação amorosa no exercício de socorro. para analisar. para Sérgio.Aguardou e prosseguiu: Conhecendo nosso querido Sérgio. o que é ocupar uma posição superior e subalterna. Laryel.quase em lágrimas. comparou com algo.Prestimosa e calma Laryel ofereceu sorriso leve e doce. acredito que ele é capaz de reagir a essas idéias destrutivas. Só caberá a Sérgio a atitude e postura consciente para c riar forças interiores a fim de resistir a tão intensas energias mentais vindas de e spíritos e de encarnados que são transviados morais. trazendo benefícios e criações mentais saudáveis. O colega que desejou envenená-lo mentalmente com a idéia de que. nossos irmãos. de mentes su periores ou inferiores. evapora-se subindo ao céu. a respeitável entidade Laryel possuía uma natureza superior que ul trapassava a capacidade de conhecimento e sabedoria dos ministros daquela consid erável Colônia Espiritual. respeito e certa apreensão .

Mas existem os que se inclinam às más tendências e não domina m os pensamentos. enfraquecem.Alguns segundos e prosseguiu. em muitos casos. meus queridos. E os que continuam se prendem a fantasias inúteis e passageiras. dolorosas de outros espíritos inferiores também tiranos e cruéis. vemos outros encarnados nas mesmas condições deficientes ou doentias que reagem contra esses pensamentos venenos os. Sofrem conflitos que os arrebatam deploravelmente. a pessoa pode não se regenerar totalm ente. permanecem em estado de perturbação por longo tempo. a fastam-se do perigoso vício. Todos que possuem vícios são ass ediados por espíritos de níveis muito baixo. pelo cére ro perdendo a capacidade de concentrar-se e escolher. experimentando o que provocaram. passando ter formato ovóide. Seu rosto era sereno e sério pela gravidade do assunto. explicou: Quer dizer que aqueles que não se libertam das ligações mentais inferiores. crio u ou se ligou mentalmente a espíritos impuros. Quando aceitas ou criadas nos p róprios pensamentos. mesmo com tantos alertas sobre o perigo do us o de entorpecentes. enlouquecê-lo. pensamentos enfermos. Ex istem encarnados que sofrem por lições expiatórias. enfrentando as agr essões furiosas.. Com o poder de seus desejos e determinação. o sofrimento e o pavor pelo que fizeram aos seus corpos físicos e espirituai s. à prostituição. tendo em vista o número de aliados cruéis que têm o puro prazer de ver alguém se derrotar ou desistir de suas provas por ceder às inspirações obsessiva s. como que se embalando deformados. S em dúvida.. As ligações mentais se tornam mais intensas com espíritos inferiores e certamente os levarão à promiscuidade sexual. comentou: Sei exatamente o que se passa nesse campo. sofridos e des gostosos dentro de seu próprio mundo. que fa zem à mente do encarnado atrair e proliferar princípios inteligentes microbianos ou viróticos para junto de seu campo mental.nto reencarnatório. desencarnam enfrentando a ignorância. Depois da pausa. fazendo suas células reag irem contra o mal.. ainda em vi da e até a contaminação virótica. dores. Fecham-se doentes. Algumas moléstias os atingem por tempo limitado. Sebastião ara um ataque covarde. embolando-se em posição semelhante à fetal e co m aspecto tortuoso. insistem e utilizam à substância alucinógena e excitante? Alguns não aceitam a proposta do uso de entorpecentes. dominem suas vidas. Por outro lado. admitindo que e sses espíritos. . enfraquecendo-se e diminuindo os anticorpos. com grandes dificuldades. Não ignoro nada. A instrutora permaneceu em silêncio. Alguns desses perseguidos sofrem. exibindo no perispírito o que fizeram. mas alguns viciados se libertam e outro s não. Encarnado s desse nível normalmente reclamam e a lamentação é uma doença mental de tratamento difícil principalmente na espiritualidade. Essa vingança é injusta. a pessoa que os atraiu. Nem por isso essas pessoas portadoras de provas expiatórias necessárias deixam de experimentar o ataque psíquico de desencarnados que as querem ver derrotadas. por vício de reclamação. vingativos e zombeteiros.. mas também não sofrerá como a outra. esses micróbios. Já vimos portadores de deficiências fazerem de suas mentes ferramentas tão poderosa s em favor do bem-estar de si mesmas para as suas necessidades. as células do corpo físico s e preparam para recebê-los. não reage m e. na p rimeira oportunidade. destroem os órgãos do corpo físico a começar pelos neurônios. . que o s perseguem e maltratam impiedosa-mente pelo prazer em fazer mal ou serem contra ao que o outro praticou. Outros.Sem esperar. essas pessoas podem ligar-se mentalmente com espíritos impuros e vingativos que lhes sugerem di ficuldades. Então. pergu ntando: O que dizer disso? .. vai atrair p ara o corpo carnal a experiência dolorosa e enfermiça da decomposição lenta. mesmo encarnando em difíceis condições deficientes ou doentias. o medo. deformam-se perispiritualmente. Como se não bastasse. e podem ser usados. Despreparados para a espi ritualidade. em massa. Ao mesmo tempo. O corpo físico simples mente obedeceu às ordens dos pensamentos do encarnado que. Por que elas são venc edoras e outras não? Por que um alcoólatra é capaz de vencer o vício e outro não? O que di zer dos dependentes de drogas que. a pessoa pode ser capaz de destruir a moléstia. que se tornam vi toriosas! São capazes de superar outras pessoas denominadas normais. essas fortes sugestões mentais chegam a ter tamanha força. aceitando a ligação mental com espíritos inferiores. não esperávamos a imensa organização espiritual simpática ao líder crue ue tem o intuito de destruir meu pupilo com terríveis tramas e ataques para desequ ilibrá-lo. o desequilíbrio espiritual e mental. agregados ao mal. vírus ou bactérias infectam o corpo físico e nele se multiplicam e atacam. cegá-lo ou levá-lo a atos insanos de difícil reparação. em extrema infelicidade.. Em casos de lições expiatórias. Ou não. É a consciência de cada criatu ra que a castiga.

por outros espíritos insensíveis e cruentos, como instrumentos a serem como que ima ntados a encarnados, a fim de que esses passem a sofrer os efeitos das chagas de sses sofredores ligados. Outros, ao saírem do estado de perturbação, no afã, na ânsia da a flição extrema, da raiva pelas necessidades impressionantemente desesperadoras por s eus vícios, pelo fato de se encontrarem em outro plano, que é um mundo muito mais re al do que o dos encarnados, juntam-se a grupos de espíritos viciosos, verdadeiros vampiros de encarnados com diferentes experiências viciosas como: doenças, viroses g raves, moléstias, incômodos ou sofrimentos físicos e morais, dependências químicas, fetich ismo, compulsivos sexuais, sádicos sexuais, masoquistas sexuais e muitas outras pa ra filias, ou seja, distúrbios psicossexuais, além de crueldades das mais diversas e tantos incontáveis vícios. Deformados, sofridos e revoltados, esses desencarnados, junto do seu grupo afim, darão continuidade à vampirização de encarnados através dessas li gações mentais. Por que alguns se libertam e outros não? Por que alguns ficam em condições de serem socorridos e outros não?- Ofereceu segundos para a reflexão e novamente questionou: Em favor desses irmãozinhos desencarnados, que sofrem torturas indizíveis, o que pod e ser feito, em termos de trabalho espiritual, para ajudá-los a se reerguerem vito riosos com a bênção de Deus? Não preciso explicar que meu querido Sérgio, encarnado atualmente, procura desenv olver o seu atributo da inteligência com a finalidade de elevar sua faculdade inte lectual e fazer progredir o processo de socorro a essas mentes ainda tão ligadas, dependentes, prisioneiras de espíritos escravizados pelo vício que se inclinam ao ma l pelo estado mental doentio. Respeitável instrutora - argumentou Olívia, com certa timidez, após a longa pausa , desculpe-me a pergunta, mas... Essa inteligência ou a busca do desenvolvimento des se atributo intelectual não poderia ser feito por Sérgio somente na espiritualidade? A inteligência só pode se manifestar por meio dos órgãos materiais. Somente a união c o espírito dá inteligência à matéria animalizada5 , ou seja, a matéria do corpo físico. As dades intelectuais sempre evoluem no plano material. Infelizmente nem todos a us am para o bem, entretanto serão responsáveis por isso. O espírito com elevação moral ampli a ou desenvolve suas faculdades intelectuais e, ao retornar para o plano espirit ual, é capaz de compreender melhor o que aprendeu e vivenciou. Assim torna-se capa z de desenvolver mecanismos ou estratégias usadas para o bem que permitirão o auxílio, o amparo, a melhoria de vida aos encarnados ou desencarnados necessitados daque le benefício. Como exemplo, posso dizer que espíritos grandiosos reencarnaram e acom panharam a problemática de situações hospitalares e de diversos pacientes. Voltando à pátr ia espiritual, desenvolveram mecanismos que, hoje, auxiliam a monitoração de pacient es, o diagnóstico mais rápido de enfermidades, equipamentos de processo artificial q ue auxiliam a respiração e muito mais. Eles agiram e agem no anonimato após o que cria ram e colocaram em prática, influenciando outros encarnados a aprimorarem o que fo i produzido. Grandiosos espíritos agem no silêncio, pois não querem receber seus galardõe s na Terra e sempre agradecem a Deus pela oportunidade de trabalho terreno que au xiliou novas atuações na espiritualidade. A abnegada ministra fez longa pausa. Em seguida Laryel, nobremente, deixou su as emoções aflorarem, permitindo-os conhecer melhor o seu coração misericordioso, replet o de amor aos queridos encarnados, quando seus olhos cristalinos Irradiaram inte nsa luz pelas lágrimas que banharam sua face serena, de beleza suave e sublime, af irmando com generosidade e ternura: Meus queridos... Eu compreendo a preocupação que os invade, pois também sei e sinto o quanto essa tarefa será difícil, podendo deter nossos amados se eles cederem às per turbações obsessivas. Quando Sérgio solicitou tal desenvolvimento de trabalho, que vis ava a uma forma de projeto e resultado de tamanho auxílio a encarnados e desencarn ados, fiquei feliz, mas algo me perturbou o coração. Contudo lembrei-me de que essa sublime criatura, em tempos remotos, prometeu-me amparo e apoio em tarefa de sem elhante oportunidade para meu aperfeiçoamento e elevação. Nos imprevistos daquela jorn ada, ele foi rapaz de dar a própria vida para que eu prosseguisse. Pensando nisso, prometi ajudá-lo em trabalho evolutivo do qual sei que milhões não o querem atuando. Agora encarnado e atuante ao que se propôs, é inevitável que nosso querido Sérgio sof ra grandioso ataque de espíritos inferiores. Não desejam que suas vítimas tenham suas mentes libertas das terríveis ligações mentais. Esses encarnados ou desencarnados volt

ados ao mal, terão dificuldade ou até não conseguirão mais vampirizar como antes os enca rnados que se esforçarem para essa libertação e passarão a viver diferentes, livres. Pes soas que usarem suas próprias energias mentais, reagindo contra os pensamentos dep rimentes, depressivos e viciosos sem reclamações, trocando-os por sugestões e idéias pos itivas poderão experimentar uma vida mais promissora repleta de ânimo, independente das condições expiatórias ou provas difíceis que possam se submeter. Elas não terão mais se s corpos e mentes infectados pelos desejos viciosos, se vencê-los. Não serão mais escr avas de doenças imperceptíveis, limitações prostrativas, deficiências intermináveis, vícios ráticas no mal... Lembremos de que um complexo de aparelhagem para fins terapêuticos e métodos cirúrg icos de última geração, que salvou a vida de muitos, pode não ajudar algumas pessoas. Se ndo assim, logicamente a proposta de Sérgio e de tantos outros encarnados e desenc arnados que se propõem a essa renovação, não é mágica para mudar total e instantaneamente a criaturas desse mundo de provas e expiações. Entretanto, se seu trabalho resultar n o auxílio para libertar a mente de muitas vítimas, aumentando o número de almas que se regeneram, isso é um grande sucesso. Estudando e se aprofundando em muitos casos clínicos, ao retornar para a espiritualidade, Sérgio usará essa elevação intelectual para o desenvolvimento técnico ou um método de minimizar essas conexões dependentes e destr utivas que ligam à mente de um espírito a outro e outros psicólogos espirituais o auxi liarão. No orbe terrestre, profissionais na área da Psicologia Analítica receberão benéficas inspirações e influências de espíritos elevados. Isso com a finalidade desses psicoterap eutas se inclinarem à técnica de fazer uma abordagem da problemática humana além da vida , antes do nascimento, ou seja, serão psicólogos com uma visão reencarnacionista, atra vés de uma Psicologia Reencarnacionista, que é a única capacitada para perceber, de fo rma ampla, verdadeira e não preconceituosa, o indivíduo, pois esses psicólogos sabem q ue podem ter à sua frente um paciente que é exatamente o reflexo do que ele foi num passado distante ou não, por isso vai respeitá-lo e tratá-lo como a semelhante digno d e atenção e auxílio. O amor e a fidelidade profissional e espiritual desses psicoterap eutas transcendem aos limites da matéria e da dificuldade atual, pois estão cientes de que não adianta só cuidarem da consciência atual, é preciso preparar e equilibrar a m ente, o espírito, a alma... A psique. - Observando-os pensativos, avisou: Estaremo s atentos a Sérgio, principalmente por tantas tentações que usarão contra nossa amada Débo ra para desesperá-lo e levá-lo a cometer insanidade que mais tememos. Um simples des vio, uma pequena falta de vigilância e minha querida encarnada será vítima inocente de crueldades indizíveis, humilhantes e não terá como se socorrer, a não ser pela fé e esper ança. - Breve instante e aconselhou: Continuem atuantes, atentos e vamos aguardar. Inspirem seus protegidos. Principalmente você, Olívia. Temo por minha querida Débora, que é o apoio, o incentivo, a sustentação, a inspiração de Sérgio. Sem ela, ele precisará muita força e extremo amparo. O amor verdadeiro que os une ultrapassa os limites s ublimes que muitos desconhecem, e Deus assim os abençoa pela elevação que alcançaram jun tos através de trabalhos úteis de muitas eras. Um profundo silêncio reinou. Toda tranqüila explicação da doce Laryel foi simples, porém chamando-os à seriedade da responsabilidade. Humilde e respeitosa, ela ofereceu generoso sorriso e se ergue u ao ver os dois mentores se levantando. Obrigado, querida benfeitora. Perdoe-me... Não deveria me desesperar - agradece u o espírito Wilson com sinceridade. Sou grata por nos receber - disse Olívia na sua vez. Usarei de toda a força de me u coração para cumprir a tarefa abraçada, inspirando minha protegida em qualquer situação e rogando incessantemente a Deus para que ela atente aos bons conselhos. A ministra Laryel abraçou carinhosamente cada um por longo tempo. Segurando-os na mão, olhando-os com radiante magnetismo, afirmou docemente: Vão em paz, meus queridos. Deus os abençoa. Lembrem-se de que o conhecimento ampl ia a verdade e nos liberta. Agiram corretamente ao virem me procurar diante dos fatos, pois a busca justa por amparo exibe a fé e o amor em todos os aspectos, lig ando nossa mente a esferas mais elevadas e garantindo a pureza de pensamentos be nditos. Tenho certeza de que sairão daqui melhores do que chegaram. E, conforme mi nha promessa a Sérgio, estarei com vocês. O jovem rosto delicado da respeitável Laryel espargiu uma luminosidade sublime

e abençoada ao formoso sorriso amoroso. Os visitantes estavam sem palavras e, naquele momento de despedida, experimen tavam o desejo de ficar naquele lugar superior de vibrações seculares, clima encanta dor e em companhia daquela elevada criatura. Estavam recompostos e revigorados d e energias salutares. Beijaram-na mais uma vez e se encaminharam para uma larga porta com contorno de arco. Alguns passos e Olívia olhou para trás quando Laryel, simplesmente, havia desapar ecido. 13 - O desespero de Rita

Na penumbra do quarto iluminado pela luz baça daquela manhã morna, Sérgio acordou, olhou para Débora que não se movia e dormia profundamente. Levantando-se, foi para a sala onde espiou através da cortina vendo o dia nublado e úmido. Preocupado em não de spertar a namorada, tomou um banho demorado no outro banheiro. Na cozinha preparava um café a fim de que a bebida lhe desse disposição e, enquanto fazia isso, recordava-se da conversa que teve com a namorada na noite anterior. Lembrou-se de que não teve dificuldade para adormecer como vinha acontecendo. Iss o talvez por tê-la a seu lado. Contudo depois de uma hora de sono, acordou várias ve zes com o coração acelerado e a pele suada, acreditando ser pelo fato de, durante a madrugada, ouvir o barulho do vento forte uivando na janela e escutar as folhas e os galhos da árvore roçando o muro da casa provocando estalidos estranhos e isso o incomodou. À noite mal dormida o deixou sem ânimo. Não sentia a mesma tranqüilidade do dia anterior. Sentado à mesa, experimentava vagarosamente a bebida fumegante, sent indo-se apreensivo com seus sonhos. Excepcionalmente, naquela manhã, não tinha qualq uer recordação deles, pois somente sonhos daquele tipo o fariam acordar daquela form a várias vezes. Esses pesadelos estão longe de serem inofensivos e insignificantes , pensava Sérgio com algo de raiva e repugnância contra a experiência. Para mim eles estão começando a se tornarem perigosos. Acredito que o jeito de acabar com isso seja... . Suas idéias foram interrompidas pelo som da campainha. Ao atender, ele sorriu r econhecendo seu irmão Tiago aguardando, parado de perfil. Ao ir abrir o portão, Sérgio ficou sério ao olhar melhor para o rosto do outro, perguntando assustado: Entra logo! Cara! O que foi isso?! - tocando de leve na face machucada e com destacados hematomas, não se conformou: O que aconteceu?! Tiago não respondeu de imediato. Entrando na casa, foram para a cozinha onde, a pós se sentarem, o rapaz pediu: Dê-me um pouco desse café, aí! Servindo-o, Sérgio não conseguia disfarçar a inquietude e a preocupação. Sentando-se à s a frente, tornou a questionar: Você andou brigando?! O que aconteceu? Foi o Marcílio... O quê?! Mas... Como?! Você nunca se envolveu nas brigas deles! E entre eles as co isas são resolvidas aos gritos! O Marcílio a agrediu e você foi defender? Espere, Sérgio! Dá um tempo! Ta?! Insatisfeito, calou-se. Conhecia bem Tiago e sabia que o irmão não era agressivo e não se envolvia em duelos de palavras ou agressões familiares. Após algum tempo bebericando o café na xícara envolvida com as duas mãos, Tiago suspi rou fundo, tirou o boné e mostrou ao outro, dizendo: Olha, foram cinco pontos aqui - apontou sem tocar o ferimento , mais três aqui e dois na sobrancelha. Acabei de sair do Pronto Socorro. Estava bem lotado... Dem orou tanto para eu ser atendido e... O Marcílio fez isso?! - perguntou Sérgio, perplexo. Foi. Você prestou queixa? - tornou indignado. Ora, Sérgio!... Isso o deixaria preso pelo Regulamento Disciplinar da PM e... P uxa!... E meu irmão! Mas ele não se comportou como seu irmão! Olha isso! Já se viu no espelho?!

Espere aí - pediu Tiago. Eu vim aqui pra você me ajudar e não me deixar com mais pr oblemas. - Segundos de pausa e comentou: Não posso aparecer assim amanhã para trabal har. Preciso dar uma explicação e documentar o fato. No pronto socorro eu disse ao i nvestigador que reagi a um roubo e... Sérgio, pense bem... Somos militares e você sa be que o Marcílio está com o prontuário tão sujo que... Se eu prestar queixa na delegaci a dizendo a verdade, ele seria indiciado e preso. Se Marcílio fosse civil, a coisa seria diferente. Mas o fato de ser militar... Será aberto um Inquérito Policial Mil itar e ele será preso pela corporação, cara! O prontuário dele está repleto por comportame nto inadequado! Essa acusação nova pode até levá-lo a enfrentar um Conselho de Disciplin a! Pense nisso! E se ele for expulso por causa disso?! E o que você quer que eu faça? - indagou Sérgio mais brando. Venha comigo até a delegacia. Tenho de prestar queixa ainda hoje. E para lavragem do Boletim de Ocorrência você irá mentir, certo? Sem dúvida. Não posso fazer diferente. Não quero ter a consciência pesada por deixar meu próprio irmão em situação mais complicada do que essa. Isso aqui passa!... Tenho tud o pensado. Direi que saí de um baile quando tentaram pegar minha carteira. Eram do is pivetes, mas com estrutura física avantajada. Eu reagi. Nós nos atracamos. Um peg ou um pedaço de pau e fez todo esse serviço - disse, contando para o próprio rosto. Tudo bem... Vou com você, mas antes come alguma coisa Levantando-se e arrumando a mesa para servir-lhe um desjejum melhor, falou: T enho queijo, pão, leite... Obrigado por estar nessa comigo, cara! Fico te devendo! -agradeceu Tiago com leve sorriso. Mas antes de irmos até o DP, você vai me contar exatamente o que aconteceu. Tiago abaixou o olhar e contorceu a boca, expressando insatisfação. Minutos depoi s, deixou Sérgio a par da situação: ...não agüentei e começamos discutir. Então o socou! - deduziu Sérgio. Não! Longe disso! Quando eu falei alguma coisa referente a nós dois não arrumarmos mulher e filhos nos aproveitando da família... Eu não esperava, meu! Pensei em ir pa ra o meu quarto, mas nem deu tempo! O Marcílio veio feito um bicho pra cima de mim e me empurrou com as mãos várias vezes. Trocamos ofensas. Nós nos xingamos de tudo qu anto foi nome... Ele desfechou um soco e eu desviei, mas... Mas?... O quê? Fiquei com medo de quebrar o cara, né! Além dele não ser como a gente, é nosso irmão. Mas deixou que ele te quebrasse! Não! Tive de pensar rápido, Sérgio! Sou faixa preta. Tenho um treinamento rigoroso no serviço e fora dele! Sou bem diferente do Marcílio. Dei uns pés na orelha dele para enfraquecê-lo, mas sem machucar e tinha a intenção de sair dali na primeira chance. Q uebramos toda a cozinha da mãe. Enquanto isso a mãe gritava, fazendo o maior escândalo . A Ana chegou e aí a coisa piorou. Eu só queria imobilizar o Marcílio, não iria machucá-l o. Não sei onde o infeliz arrumou força, livrou-se de uma chave de braço e arrancou o pé da mesa, que é de ferro, e veio novamente me atacar. Dei um pé no peito dele, mas a mãe se pendurou em um de meus braços e a Ana no outro. O pai me segurou com uma gra vata no pescoço... Foi aí que me danei! O Marcílio me socou e usou a perna da mesa pra fazer todo esse estrago. Não tive como reagir. Tinha medo de machucar a mãe, a Ana ou o pai... Fiquei todo unhado pelas duas e... - Instantes de silêncio e comentou: Foi só isso o que aconteceu. E depois que me viram apanhar o bastante, soltaram-m e. Não sei dizer como peguei meu carro e saí. Fui para o Pronto Socorro. Lá desmaiei e só depois um investigador conseguiu conversar comigo. Daí, falei que era PM. Identi fiquei-me e inventei a história do roubo. Ele queria providenciar uma viatura da P M para me dar apoio, mas eu disse que chamaria meu irmão. Por que não me telefonou, caramba?! Eu iria lá! - irritou-se Sérgio. Não queria te incomodar. Sérgio abaixou a cabeça e esfregou o rosto com as mãos sem saber o que dizer. Naquele instante, Débora chegou à cozinha. A jovem estava descalça, usando uma cami seta do namorado que lhe ficou larga, porém curta. Seus cabelos estavam bonitos co m o desalinho natural, enquanto seu rosto, com expressão de quem acabou de acordar , resplandecia certa beleza encantadora pelo sorriso que se fez ao ver o irmão de Sérgio sentado e reagindo de um jeito diferente.

Tiago mal a olhou e recostou a testa na mesa, dizendo constrangido: Puxa, meu!... Desculpe-me, Débora... - Erguendo o tronco, segurou a fronte com as mãos, apoiou os cotovelos na mesa e comentou sem encarar a moça: Oh, cara! Você dev eria ter dito que a Débora estava aqui. Eu não queria... Pare com isso, Tiago! Qual é?! - interrompeu-o de imediato, expressando meio so rriso. Sem graça, a jovem falou quase murmurando: Bom dia, Tiago! Desculpe-me, você... O rapaz nem a olhou continuando como estava. Aproveitando-se que o irmão estava com a cabeça baixa, Sérgio sorriu para ela e deu-lhe um sinal discreto pelo fato da camiseta usada ser inadequada para aquele momento, por ser curta e quase transp arente. Débora entendeu rapidamente e pediu em tom educado: Só um minutinho... Eu já volto! Logo Tiago encarou o irmão perguntando bem sério, quase irritado: Por que não me disse que ela estava aqui?! Puxa, cara! Qual é, Tiago?! Você é meu irmão! Não tenho nada para te esconder. Mas ela é sua namorada! Já devo ter atrapalhado o bastante! - disse levantando-se . Sérgio foi rápido, segurou-o pelo ombro e braço, pedindo: Você nunca me atrapalhou. Sente-se aí! Solta... - gemeu. Ta doendo muito!... Desculpa. Senta e fica tranqüilo. Assim como você, ela não sabia que tinha alguém aqu i. E eu não vejo qualquer problema. - Sorrindo, avisou: Acho bom se acostumar com a presença dela nessa casa! Tiago sorriu e, apesar de sentir-se um tanto envergonhado, perguntou: Está levando esse compromisso a sério mesmo, né?! Estou sim, cara! - Confirmou, ao sorrir de um modo apaixonado, quando revelou : Adoro essa garota! Ela me dá segurança, de alguma forma. Seu jeito, seu modo de fa lar... Ela é muito legal! Não parece essas minas fáceis que têm por aí. E muito educada... Es ou torcendo por vocês! E feliz por ter uma cunhada decente! - riu. Débora retornou à cozinha vestida com suas roupas. Comportando-se como se nada ti vesse acontecido. Sorridente, aproximou-se de Tiago, curvando-se para beijá-lo e c umprimentá-lo: Bom di... - interrompeu o que dizia ao olhar melhor o rosto que tentava escon der com o boné. Assombrada, exclamou: Meu Deus! O que aconteceu, Tiago?! Trocando olhares com o irmão, Tiago não sabia se ele gostaria que ela soubesse qu e aquilo era o resultado de uma briga de família, dissimulou e riu ao dizer: Já te contei tudo, Sérgio. Agora vou comer porque estou morrendo de fome. É a sua v ez de explicar o que houve! Ainda alarmada, Débora se curvou, tocou suavemente no rosto ferido, puxando-o p ara ver o outro lado da face e olhou os pontos na cabeça quando o rapaz tirou o bo né. Não querendo perder tempo nem assustá-la, Sérgio resumiu: O Tiago se machucou em uma briga. Foi medicado no Pronto Socorro Público. Vou a companhá-lo até a delegacia para fazer um B.O. Depois iremos ao Hospital Militar, po de haver alguma fratura e... Somente o médico da PM pode dispensá-lo por alguns dias por suas condições físicas. Ele não pode trabalhar assim. Acho que tive alguma torção no tornozelo. Veja como está! Meu Deus! - exclamou a jovem não acostumada a ver pessoas feridas. Somente um m arginal para fazer isso! Cachorro! Safado! Sem-vergonha! -protestou ela, indigna da. Os irmãos quase caíram no riso, ao se entreolharem, e Sérgio avisou: Faça companhia a ele, Débora. Vou me trocar. A moça procurava ser gentil com Tiago, que se mostrou bem satisfeito pela solid ariedade. Enquanto isso, no plano espiritual, Lúcia os rodeava com vibrações extremamente inf eriores. Bem ativa, ela procurava envolvê-los em laços de simpatia recíproca e sentime ntos além da amizade. Com o auxílio das energias de Sebastião, Lúcia provocaria o perigo

... Desculpe-me você por eu aparecer daquele jeito. Outras idéias surgiram e a jovem s e decepcionou por ele pedir que preparasse o almoço sabendo que ela não conseguiria. Ele mudo u de idéia e não queria acompanhar o irmão. Quando est ava pronto. . beijaram-lhe demoradamente o rosto enquanto a abraçava e se despediu: Tchau! Qualquer coisa liga para nós. Queria que Sérgio estivesse a seu lado. Entretanto. Ei?! Algum outro problema além de mim? . me liga.. para Sérgio. Um desânimo tomou conta do rapaz que se arrumava vagarosamente.so segmento de ciúme em Sérgio. Darei um jeito . Eu.. envergonhada..murmurou. a impressão foi de que o irmão não se esq ueceu da aparência sensual de Débora vestida daquela forma. terno. Sérgio. sobre me u pai.... Débora. Vai ver! Quando me olhou. Todo esse tempo morando sozinha e não se deu ao t rabalho de aprender?! ..sussurrou ele. Qualquer coisa. foram fazer o que precisavam. Sinto muito . Ele saiu e alcançou o irmão.pronunciou com doçura na voz e no sorriso. Sei que você quer que eu esqueça o que aconteceu. o serviço. não es perava ficar longe dele justamente naquele dia... ontem. abaixada perto de Tiago. Para ele. Débora se aproximou de Sérgio. * * * . O namorado sentiu-se esquentar. Tiago!. Não estava acostumada aos serviços domésticos e isso a magoou. Novamente Sérgio deu grande atenção àquela atitude ficando insatisfeito. O casal foi até a sala e Débora contou para dissimular: Fui demitida ontem. perdoe-me por vir aqui sem avisar.Vir ando-se. pois ele ad orava vê-la reagir assim. Vamos . . interrompeu-os ao chamar: Vamos.confirmou.considerou Tiago que se aproximou. beijou-a apaixonadamente. foi à direção da porta para sair. Débora. Ta bom. Mas. Juntos. indo além das desculpas educadas. Tiago? É. Assustei-me por vê-lo machucado. Não. ta! Eu também te amo muito! . Débora experimentou um vazio imenso..perguntou Thiago diante da demora. Falaram em tons baixos e envergonhados. A propósito.. aquilo soou co mo algo meigo. Sérgio reagiu e afugentou aquelas idéias inf eriores considerando que ela foi pega desprevenida e o irmão estava somente sendo educado. Levantando -a do chão por alguns segundos para vê-la rir gostoso como sempre fazia.brincou ele. Você prepara o almoço para nós? . querendo que ele reagisse passionalmente contra Tiag o e Débora. Não quero sair nem falar com ninguém. sorrindo com ternura.. afagava-lhe o rosto com cuidadosa ternura e be lo sorriso enquanto dizia: Isso vai sarar logo.. per cebendo-os conversando em voz baixa. Imediatament e repudiou qualquer pensamento ao abraçar Débora com força e demoradamente.perguntou com certa decepção. Você não estava preparada para visi tas e tem o direito de ficar à vontade. retornou à cozinha e permaneceu parado sem ser visto. por isso abaixou a cabeça imediatamente a fim de não repararem em seu olhar que o denunciaria.pediu com simplicidade.disse desanimado. Mas quero ficar sozinha um pouco. Suspirando fundo. Sabe que não sou boa para cozinhar e. Débora e Tiago pareciam bons amigos e nunca percebeu qualquer tipo de ati tude ou olhar com outras intenções. Só vou atender o telefone se f or você.falou baixinho e desapontado. Vou ficar aqui. pedindo: Você me liga? Ligo . Aquilo não estava em seus planos. Sem que os perseguidores esperassem. pensou que tivesse visto um monstro . Tudo bem. Estou me sentindo tão mal com a situação e como tudo aconteceu que.. Eu não esperava. levantando-se e indo para a sala. Depois sorriu e declarou murmu rando: Te amo.

Achou que Sérgio já deveria te r voltado. Eu não entendi direito o que el a falava.. fi cou abraçada à Débora enquanto Sérgio e Tiago souberam de toda a tragédia através de uma co versa com um tio de Gustavo.. sempre os procurava por algum motivo ou para conversar. Eu tenho o direito. O Gustavo se afogou. em choque e sem noção. . nadou para longe da margem.. Levaram os dois para o pronto socorro da cidadezinha e o médico constatou que estavam mortos. incluindo João e sua noiva. viram a amiga completamente transtornada. Sua amiga Rita também não dava sossego a ela e Sérgio nos últimos tempos. Era sábado e provavelmente Rita ligou para se encontrarem.. a jovem atirou-se nos braços dos amigos e não parava de chorar. irmão da Rita. Estava demorando muito. Eles tin ham comido e bebido também. Disseram que tentaram fazer respiração artificial. sua melhor amiga. Não tenho esse direito É nossa amiga. Ficavam até altas horas. O Gustavo e os amigos costumavam fazer isso sempre. mas o menino gritou dizendo que estava passando mal. irmão de Rita e Gustavo. Sérgio. avisou: O Gustavo faleceu... seu noivo. Apesar de bem machucado e uma tala no pé ele queria ser solidário.. Impregnada por uma sensação desconhecida.lamentou incrédula. ali se tornou um verdadeiro lugar de reunião. outra ligação. comprado o almoço e os esperava. deixando o aparelho disparar diversas vezes. Não era de seu gosto que continuasse assi m. Os amigos contam que o Rogério. Algum tempo depois. o celular tocou e. juntou um grupo de oito rapazes e foram pescar nessa represa que fale i.... mas parece que foi afogamento.. Disser am que o chamaram... mas Débora queria fica r sozinha com o namorado. Mesmo depois que a colega ficou noiva de Gustavo. pois acredi tou que Tiago tiraria sua liberdade naquela casa e não poderia ficar mais à vontade. durante o tempo em que ajudou o i rmão na pequena reforma e pintura daquela residência.reclamou triste... Olha aqui.então. Ela havia saído. o Gust avo afundou perto do Rogério e desapareceu. quase irritada. que to mavam algumas providências. Falou do Rogério. Débora verificou que e ra Rita. Agora.. Pouco depois. principalmente. Quando o encontrou . de repente. Como aconteceu?! A Rita estava desesperada. Eu não quero conversar com ninguém.Bem mais tarde. con heceu Rogério. mas depois tudo era festa. uma vez que os irmãos eram bem unidos.. O Tiago fica e nós vamos ver a Rita. Disse que tentou falar com você várias vezes e. Não entendemos como! . que estava junto. ao consultar o visor.. Além desses. meu bem! Estava esperando você ligar! Então por que não atendeu a Rita?! Como assim?! . est ava determinado a dar seu apoio. . Débora. Vou passar aí. Você deveria tê-la atendido! Mas.. mas não compreendi se foi socorrido ou. seu orgulho prevaleceu ao decid ir que não ligaria para ele... Eu sei . Tornaram-se amigos. mas Tiago não aceitou ficar na casa de Sérgio. O Rogério começou a se debater. O Gustavo e um outro amigo pularam na água e foram até ele. Ponderado.. Antes mesmo de o namorado deix ar aquela casa pronta para morar. Contaram que.avisou Sérgio. Ainda sofria e se preocupava com a demissão e não gostaria de falar a respeito. Dessa vez era Sérgio e ela at endeu imediatamente: Oi. Ele era um excelente nadador! Não apresentava pancada na cabeça ou em out . .pediu rápido. espera! . a jovem não quis atender. Os amigos ajudaram na pintura. Ele me convidou.O homem fez breve pausa pelo do loroso relato e prosseguiu: Eles nadavam bem... Sérgio .. Invadida por uma forte onda de tristeza e decepção. Ao reconhecê-l os. Afinal. ma s nada adiantou. A Rita me ligou. mas nunca tive oportunidade de acompan há-los. Tudo bem? Lógico! * * * Almoçaram a refeição que Débora havia comprado. Débora. conse guiu tirar o menino da água e voltou para buscar o Gustavo e. O outro amigo. outros pensamentos a invadiam. Ao encontrarem Rita junto da família de Gustavo e dos parentes do rapaz.ela perguntou.dizia chorando. pedir socorro. Não. levou-o para a beirada também.. arrume-se.

Porém eu acredito que.. não quero vê-la dese sperada.interferiu Tiago novamente. Depois vomitou um pouco.. Feio! Acredite. Veja bem. Educadamente identificou-se como Policial Militar do Corpo de Bombeiros e gen tilmente. Fique tranqüilo. Tiago a separou do abraço com Débora. por alguns segundos antes de lacrarem o caixão. se esta é a sua vontade. pegando em sua mão e conduzindo-a p ara outro setor do hospital..pediu sério ao sussurrar. Quanto a isso..pediu generoso.. Não ficará sozinha. Mas se ela vir o irmão porque deseja. E o Rogério. após ter-se alimentado muito. por isso sei que o Rogério não está com a aparência que tinha antes. O menino tinha comido lanche que levaram e.. você não imagina como o corpo do menino está alterado.. você tem o direito de vê-lo pela última vez. gritando ou fazendo escândalo. pouco tempo depois. perguntou como se implorasse: Tiago. Que quero. Perto de Rita. Controle-se. Fu-turamente sofrerá bem mais para. .. A causa de sua morte foi por congestão cerebral. Frente à gaveta aberta onde estava o corpo de Rogério. Mal o conheço.Ela engolia os soluços. Vou acompanhá-la. você sabe que sou do Corpo de Bombeiros da PM e já trabalhei com esse tipo de ocorrência.. . Vou acompanhá-la .. Vamos dizer. ficou vermelho e roxo.murmurou com lágrimas correndo em seu rosto. contornou a gaveta como se o analisasse. Então se levante. mas em seu íntimo nã acredita no acontecido.. Suas lágr imas pareciam infindáveis. Caminhando lentamente.. pois viu e teve a certeza d e que era o seu irmão que estava ali.. Não suportand o. abraçando Tiago com toda a força... Tiago decidiu : Então ela vai vê-lo. O Rogério é irmão dela. aceita r isso e conviver com o fato sem tanto desespero. . Ela quer.. o amigo argumentou bondosamente: Você não precisa se aproximar mais só porque viemos até aqui.. será mais fácil para a Rita trabalhar essa perda.A moça acenou positivamente com a cabeça e e le questionou com brandura e piedade na voz baixa: Rita.. ela se deteve alguns pas sos antes. Essa afluência a normal do sangue talvez tenha ocorrido pelo excesso de movimentos físicos..perguntou Sérgio. eu sei exatamente como está. Os colegas contam que o Rogério chegou vivo e respirando mal.Interrompendo-o. . Venha comigo . virou-se rápido e abafou o choro. É bem provável que agora a Rita esteja chorando a morte do irmão. com a voz rouca: Posso tocá-lo? Pode.pediu Tiago. É ver meu irmão. Veja bem.indagou Tiago firme. Era a única família que a Rita tinha. p erguntando baixinho. Calma . no caso da natação. Erguendo os olhos negros e lacrimosos ao amigo... Tudo bem. o Tiago tem razão .. Acreditando que a jovem estava indecisa.. Rita. Pode rezar aqui? .avisou decidido indo à direção de Rita. Moço. Tudo bem. Mas não vão deixar vocês entrarem no necrotério.concordou Sérgio. também se afogou? . talvez despreparada... Rita olhou por muito tempo o rosto. Ele vai conseguir . Perdoe-me. enqua nto ele secou-lhe as lágrimas com as mãos dizendo calmamente: Rita. aproximou-se chegando bem perto e observou o irmão. Mas terá de ser bem forte e se controlar. mas. foi nadar. Entendo que querem poupar a Rita dessa c ena..murmurou. Rita acariciou levemente a face do corpo de Rogério com terno amor. Ela o amava! Não é justo impedi de ver o irmão pela última vez. chamou-o para junto de si. olhou-a firme e pediu: Procure prestar bem atenção no que vou te perguntar. É.disse Sérgio. acalmando-o. você quer ver o seu irmão? Quero! Lógico! Calma . Quer voltar? Não.contou o senhor. solicitando ao responsável do setor. Roxo. Fez um escândalo pra isso. Não deixamos a Rita vê-lo e o caixão terá de ser lacrad o .. senhor. Tiago conseguiu levar Rita ao necro tério.explicou Tiago. Isso é o aumento do sangue nos vasos do encéfalo ... irmão da Rita. mas. ... A única coisa que. Estendendo a mão para Tiago.ra parte do corpo. A Rita quer ver o irmão? .....

. Não havia perdido os sentidos.. Vez ou outra uma lágrima corria-lh e na face pálida. O amigo acenou positivamente e juntos. Tiago reclamou: Não estou agüentando meu pé. mas estava exaurida de forças. olhando novamente para Tiago. Não deveria ficar andando.avisou piedoso. enérgico.Encarando-a. Débora não questionou e obedeceu. né? Rapidamente o homem se foi. A jovem acomodou-se numa cadeira. você que conhece melhor a família do rapaz. Logo. afastou-se um pouco para dar lugar à mãe do rapaz que não continha o de sespero..Débora ia dizer e foi interrompida. Não quero ver mais nada. Amanhã explicamos que a não passou bem e por isso não pôde vir. sussurraram a prece que o Mestre Jesus ensinou. não teve forças nem para falar.Bem baixinho .falou Sérgio. Mas isso não importa mais. perguntou brandamente: Rita. Abraçando-se fortemente à cin tura de Tiago. olhou-a nos olhos e perguntou: Rita.. A Rita já viu e acompanh ou o que precisava. Envol vida pelos demais. Rita perguntou atordoada: O que aconteceu com você? Por que seu rosto está assim? Foi um acidente na noite passada. Já o vi. levando-a para longe do velório a fim de que pudesse respirar. Observando os caixões e os demais a certa distância e por longo tempo. Não seja manhoso .. Isso não é nada. temos de concordar! ... Rita chorav a ao ver parcialmente a face de Gustavo. podendo ver um homem alto e corpul ento perguntar a Rita: Me disseram que viu teu irmão.. mas não conseguia vê-la. demorou um pouco até chegarem perto da amiga .tornou Tiago e quanto ao Gustavo?. Sérgio comento u ao perceber: Vamos lá! A Rita não está bem! Pelas pessoas amontoadas em volta. pediu: Débora. vamos respeitar! . vá até lá e diga que a Rita nã passando bem e que vamos levá-la. ele a fez parar. Procurou a amiga Débora com o olhar. Parando. Sabe que o caixão do Rogério será lacrado e sem visor? Sei. Débora foi a primeira que segurou em seu braço. Você me acompanha na prece do Pai Nosso? tornou falando bem baixinho. você está bem? Ela o abraçou. Mas Rita!. * * * Durante o velório em que os caixões foram postos um ao lado do outro. tocando o vidro como se lhe fizesse um carinho. . Mesmo estando longe.respondeu dissimulando. ... A jovem decidiu que era o suficiente. Rita . .. Gente. Ela parecia anestesiada e não chorava em desespero como antes. Seu limite de força acabou! Chega! . Foi só uma torção. Seu rosto sério aparentava nítido sofrimento. . Rita sentiu-se atordoada e dominada por uma fraqueza que não sabia explicar. Depois ela afagou novamente aquela face fria como um sin al de despedida. e ele fez-lhe um afago piedoso de solidariedade. Seu pé está enfaixado. Não vou voltar. praticamente. Não dê mais explicações além disso.. Instante em que a jovem recostou a testa no ombro de Débora e sentindo suas pernas dobrarem. Será doloroso voltar aqui novamente para o enterro .. Olhando-o de maneira indefinida. a moça mantinha os olhos fechados ao murmurar: Quero ir embora.Rita sussurrou chorando. chorando. Sérgio a seg urou a tempo antes que caísse. Olhando para o irmão..interferiu Tiago. Ele a acompanhou e alguns familiares do rapaz se aprox imaram para saber como a jovem estava. Antes de chegarem perto dos demais. tornou a sentar junto aos outros. .tornou Débora. caminhou alguns passos com lágrimas brotando t ristemente de seus olhos. Ele ficou horrível. porém ela não chorava. mas não tinham coragem de questioná-la.opinou Sérgio. você está bem? Acho que sim. abaixou o olhar e nada disse. Se é o que ela quer. Rita saiu do necrotério vagarosamente como se precisasse daquele am paro para caminhar.Virando-se para a outra. que olhou e ofereceu leve sorriso. Sentada em u m banco frio de cimento.

A o despertar.*** Era madrugada quando Sérgio parou o carro frente à casa de Rita e pediu: Tiago. Débora a levou para o quarto ajudando-a no que precisava. Remexer as lembranças era algo em vão. Sérgio e Débora retornaram.falou sorrindo. Tiago havia acompanhado Rita até o sofá da sala e Débora reclamava: Devia ter nos levado para o meu apartamento! E deixar vocês duas sozinhas. não sabia onde estava. Vocês dois poderiam ficar lá com a gente! Parando frente à namorada. ex-espírita Por tanta dor e tristeza. vou fazer um chá para tomarmos a ntes de dormir. Num impulso. Vocês duas podem dormir juntas na cama de casal do nosso quarto. Tem uma boa cama naquele quarto. sua memória n ada dizia. depois ao velório. Rita não conseguiu dormir nas primeiras horas após se d eitar.. falando baixinho e educadamente: A Rita passou o dia inteiro no hos pital. Pegando das mãos de Sérgio as bolsas com as roupas da amiga. fique com a minha arma. Eu fico por aqui. entrando no veículo. Tiago.aproximando-se e apoiando em seu ombro para levantar o pé enfaixado do c hão. levantou-se atordoada e acreditou que estivesse sozinha. Pegarei algumas almofadas para colocar esse pé para cima. por algumas horas. Enquanto isso. Somente ao amanhecer mergulhou. Vai lá! E não de a porque estou louco por um banho. sorrindo ao estapeá-lo as costas.tornou ela. Vou entrar com a Débora para pegarmos algumas ro upas.prontificou-se bem disposta. Débora discutia com o namorado enquanto entravam. ao seu lado. Fique esperto. tentando acalmar a discussão e pediu gentilmente: Débora .apontou. Ela sentou-se no banc o dianteiro e virou-se penalizada para ver a amiga. Vou pegar uma roupa minha para você usar. hein! Pode deixar! Sentando no banco traseiro. Claro! . * * * Na casa de Sérgio. Olhando para Tiago. mas para que ela relaxe um pouco. Saindo do quarto. em um sono profundo. mas ainda parecia contrariada e Sérgio explicou: A Rita pode precisar de algum socorro e será difícil você fazer isso sozinh a. olhou-a por um instan te. mas não fez nada. Aqui na sala tem um ótimo e c onfortável sofá. o irmão sorriu com jeito maroto ao perguntar: Quer a minha ajuda para tomar banho e poder relaxar? Cai fora! Ta me estranhando?! Então vai tomar um banho . No chão?! Puxa! Não viu que aquilo é um escritório?! Tiago os interrompeu. Olhando-se. mas na sua mente tudo era bastant e confuso. com ela nessas condições? . ele suspirou fundo e indagou quase com ironia: Onde dormiríamos.tornou Sérgio. Ajude-a tomar um bom banho morno. não só pela necessidade de uma boa higiene. Por que não dorme no outro quarto? . foi ao necrotério. Rapidamente. mas sem brincar. Tiago puxou Rita para que se recostasse em seu ombro.Ela não respondeu. q ue procurou sair dali o quanto antes. Precisava ficar atento para a segurança de todos. Pode deixar.Terapia de uma evangélica. Olha como está inchado! . No outro quarto tem uma cama de solteiro e será melhor o Tiago ficar lá por causa desse pé. percebeu que vestia o seu pijama. Fico no sofá! Não! Deixa disso . Aqui podemos ajudar melhor. Após devolver a arma ao irmão. explicou. Débora? . Rita recostava a cabeça no vidro lateral do carro e parecia indiferente ao que acontecia.. caminhou lentamente com os pés descalços pelo corredor . 14 .ele replicou.

Além do que. sentida. fizeram-na sentar e Débora acomodou-se ao seu lado. Na espiritualidade uma densa vibração inferior era imposta de forma asfixiante pa . Sérgio entregou para a namorada as sacolas que tinha em mãos.supôs Tiago... Deve estar em choque . Diante disso. ela soltou um grito de dor e desespero. . . ele a afastou de si. . Sem compreender o motivo do sentimento abrupto que o invadiu. perguntando ao tocá-la: Rita. Havia um vazio em sua mente.. iria discutir co m a namorada. Acomodando-se ao lado da colega. Com o inchaço na face pelo choro excessi vo e a boca levemente entreaberta... Sem dizer nada . . . Agora vamos preparar o almoço. Vamos ali para o sofá.. dizendo: Desculpe-me. mas bem esmorecida. Débora? É que. Vamos? Precisamos ser rápidos! Eu te ajudo. olhe para mim. preocupada. pedindo ao irmão: Sente aqui e fique com ela. pediu com brandura no tom g rave da voz firme: Rita.tornou quase sussurrando. C hegando à cozinha. Você não sabe cozinhar nada. Débora estampou uma expressão estranha no rosto assustado ao perguntar: Eu!... Vendo-a em pranto. Sérgio. Sérgio falou: Essas sacolas deveriam estar na cozinha . Conduzindo-a vagarosamente.murmurou com dificuldade para se expressar.A jovem balançou a cabeça afirmativamen e e ele indagou cauteloso ao segurar suas mãos com bondade: Rita.ela titubeou olhando-o de modo indefinido. Rita ergueu o olhar fixando-o em Sérgio. Tiago assim o fez e ficou ao seu lado... minha amiga.. Sérgio. Sérgio aguardou que o cansaço pelo esforço febril do desespero a dominass e. Levantando-se e olhando para Débora. A amiga o agarrou com força. gemendo e às vezes gritando.tornou ele. A amiga levantou..Vendo-a obedecer. questionou estranhando: Q ual o problema. Já reconheceu isso? . Com olhos bem inchados pe lo choro do dia anterior. provavelmente. Eu também me sinto muito abalado . perguntou preocupado: O que aconteceu? Ela chegou à cozinha assim. Após cer to tempo. . Fazer o almoço? Algum problema? .. fazendo-a se levant ar automaticamente. perguntou: Sabe quem eu sou? Sei. correu em sua direção.Breves segundos de silêncio e a beijou na cabeça. contrariado.. afastando-a de si ao dizer: Temos de ser fortes e continuarmos com a vida. Ai. você sabe por que está aqui? A moça permaneceu petrificada por alguns minutos. A crise durou longo tempo. Acompanhando-o. Nem rápido.. eu também estou atrapalhada.começou a chorar. Ela é minha amiga. chorando . ta? Ontem à noite não nos alimentamos direito e.Brando. Rita só os olhava. Quando as lágrimas brotaram em seus olhos negros. parecendo procurar nos resquíci os da memória algo que justificasse aquele momento. Tiago propôs: Venha. Você está na minha casa. tudo bem? Ela não sabia responder. el e suspirou fundo e se virou indo para a sala ou. Sérgio reconsiderou e dei-lhe um abraço.reclamou moderadamente. ajoelhado frente à Rita.. Todos estamos tristes e nervosos..e uma chama acendeu em sua consciência ao reconhecer que estava na casa de Sérgio.explicou Débora. Sérgio!... pois duvido que comeu alguma coisa. pegando-as das mãos da namorada que pareceu tomar um susto. nada especial! Temos tudo aqui e o que não tinha em casa eu acabei de comprar. . Não muito bem.. É coisa simples. Tem a Rita que provavelmente estej a bem fraca. express ando um grande esgotamento físico e mental.. Eram nossos amigos.. Seu rosto estava pálido. Eu.. Débora? Nada? . uma cruel avalanche de recordações infinitamente tristes invadiu velozment e o vazio de sua consciência.chorou. Paciente.. acabando de entrar e presenciando a cena. Sérgio a abraçou com indizível piedade. ela comentou: Você não disse nada. que ainda estava parada com as sacolas nas mãos. viu Tiago e Débora pararem de conversar.

falando bem baixo. Caramba! Sei lá mais o q uê! É só olhar na geladeira! Tiago percebeu-o nitidamente nervoso e. Na primeira análise. sorriu em seguida.. com ce rteza! O curioso é que não se enquadra em um único distúrbio. Vamos lá! Continue para eu ter certeza dos embasamentos. e ela aprende alguma coisa... Por que está assim irritado? .. não deu atenção ao vulto que entrou na sala e parou perto do divã em silêncio . mas resulta em algumas com binações entre as várias dos mais significativos distúrbios de personalidade.Acomodando-se folgadamente no divã. mas. . Sérgio conseguia ver o que acontecia na cozinha muito atento na disposição alegre de Tiago e em sua capacidade de tranqüilizar o clima tenso de pouco antes. sempre comemos fora ou fazemos pedidos. mas Sérgio se controlou.. Na cozinha. Bem. tenho alguns pacientes especiais que tenho de entender. perguntou: Por que você e a Débora não arrumam um tempinho para irem ao centro e spírita? Você já viu como estou sobrecarregado? Além disso. temperar e fritar alguns bifes. Um sentimento amargo de ciúme despontou no coração opresso de Sérgio que usava todas as suas forças a fim de afugentar o que experimentava. ao vê-la chorando. Chegando ao outro cômodo. Compenetrado n o que fazia. ... sorrin do. secou as lágrimas enquanto Tiago se apoderou de aventais e.tornou. Ela não se esforça para aprender nada! Ontem foi mais fácil comprar o almoço pronto d o que tentar fazer! Calma. Sérgio.. Débora? O que foi? . De onde estava. Perguntas e. virando-se para Tiago. Bem.. sem fazer mais perguntas.. amarrou um em si e outro na cintura da jovem.destacou João silenciando a seguir com grande expectativa para que o outro prosseguisse.. sem olhar o co lega. el e a animou: Então vamos lá! Eu cozinho melhor do que ele! E se você quiser ser ótima nisso.. Ou ele prepara um lanche .. a jovem contou: É que eu. O que é prec iso fazer? O básico. ele quer que prep are um almoço!. Eu ajudo..abraçou-a para acalmá-la. ele pediu sem rodeios: Você é capaz de ajudar a Débora lá na cozinha?! Lógico! Mas. Sérgio estava em seu consultório e folheava alguns de seus livros. E sempre ele quem cozinha. Não sei cozinhar direito e..Ele sorr iu de um modo engraçado ao anunciar: Acho que acabei de matar a charada! João sobressaltou. olha ndo-o. perguntou tranqüilo: O que aconteceu. Quando não.. Nunca se importou . . * * * Dias haviam passado.. Boderline. Tiago! Nem isso ela procura aprender! Arroz. Somente quando o amigo João riu. A princípio era sempre eu a ter de extrair um assunto. fazer uma salada e. É questão de tempo. de repente. Eu entendo! Não se desculpe... Sérgio comentou a título de trocarem referências e conhecimentos: Tenho um caso me intrigando..ra que brigassem. Sérgio assumiu uma postura mais receptiva e. pensei que fosse um c aso de Boderline. Tiago quase riu ao entender por que Sérgio havia se zangado. Trata-se de um distúrbio de personalidade6. O Sérgio sabia disso.. é sério e muito comum! .. terá o melhor mestre! Vamos mostrar pro Sérgio que você é capaz! A moça sorriu. Chorando em seu ombro. Estava tão concentrado em uma pesquisa que.. sentou rápido e com olhos ávidos comentou: Que interessante! Estou com dois casos que podem ser semelhantes. os tomates.. Desculpe-me.. Já os analise i muito. O que está pesquisando? Atitude comum entre profissionais responsáveis que não se deixam dominar pelo org ulho ou arrogância. Controlando-se. No decorrer da terapia realizei testes. lavar a alface. deixou-o co m Rita e foi à procura da namorada do irmão. o distúrbio de personalidade limítrofe..

João desconfiou com inquietação repentina. frias e calculistas. Terminei . Ah!. Relatou costume de impulsos autodestrutivos para manipular e controlar os que estão à sua v olta. pediu bem interessado: Chegue aos fatos. Sem apresentar estresse ou qualquer expressão emocional.. por ter adquirido confiança e. Não! . misteriosa. Começou a contar experiências impulsivas. vem o período de depressão. São casos bem sérios! Terminou? . chega de aulas! . Procurei ser mais reservado e deixei que falasse. só confia na opinião dos pais.. o outro psicólogo comentou: É uma mulher. E qual o relato mais chamativo no caso que você cuida? Primeiro apresentou insegurança por não saber o que quer da vida e queixa das dec isões tomadas das quais se arrependeu ou foram experiências autodestrutivas.sorriu. .João riu ao responder. eu me surp reendi com comportamentos que me levam a crer em um distúrbio de personalidade ant i-social! Lógico que eu considerei o fato de ela revelar tantos detalhes. quarenta e seis anos. mãe de uma moça de vinte e um anos e um garoto de dezesseis. os quais me levaram a essa conclusão. sol teira. Pessoas que exibem esse distúrbio podem ser prejudi ciais a elas mesmas e aos outros sem qualquer remorso. impulsividade e o desejo d e controlar as pessoas à sua volta.Sérgio perguntou bem sério.. Você considerou tratar-se de um caso de distúrbio bipolar? O período entre a mania e um estado depressivo bem diferentes. podendo chegar ao extremo de tornar-se irascível ou violenta. repentinamente. foi o que acreditei pelo temperamento instável. exibe um estado eufórico. diz não se arrepender! Us a uma aparente timidez para ser atraente. o distúrbio de personalidade anti-social é um dos mais estudados por razão da complexidade que o acompanha.falava.. nas quais eu não confi ei. . Os maníacos normalmente têm uma auto-estima muito inflada. do marido. Demorou muito para eu te r sucesso na extração de relatos minuciosos.. No entanto senti algo estranho quando a presentava satisfação a me ver interessado sobre algum detalhe e era aí que ela o omit ia. passou a falar muito. Acreditei poder tratar-se de uma pessoa eufórica e não impulsiva.Antes de o outro interrompê-lo . Estou surpreso com as exposições. a pessoa pode apresentar agressividade e à medida que aumenta sua autoconfiança aumenta sua hostil idade. A princípio a paciente chegou aqui com queixa de muita tristeza. sanguinárias. essa paciente contou que tem o dom de manipular situações e pessoas para seu benefício ou em favor do marido. Fazem projetos. Não toma dec isões sozinha. Não me s urpreendi quando. Calma. Em seguida.avisou sorridente e revidando ao amigo o que ouviu dele p or diversas vezes. aí! Essa paciente não apresenta uma regra normal de boa conduta. pois ela assume mentir e.. mas abandonam as idéias pela falta de disposição. a mania. Entretanto nas terapias seguintes a paciente a presentou nítidas características de distúrbio de personalidade dependente. Depois desse período eufórico.descartou João.. quando foi interrompido. por favo r. demonstrou-se dependente para tudo e autodiagnosticou-se com depressão.. Então. traçam me tas. vergonha.. Sem mencionar nomes. o ambiente social e difíceis experiências de vida devem ser bem considerados em razão de seu conceito ter grande importância para uma boa análise. falante e a pessoa se distrai facilmente. Falava de um pavor de ficar sozinha ou ser rejeitada. Apresentando-se vagarosa mente como uma mulher inteligente e interessante.. fazendo com que as reais características do transtorno de personalidade emergissem! Incrível semelhança! Deparei-me exatamente com dois casos e um é de uma mulher. S erá que temos a mesma paciente?! . casada. Sérgio. mesmo sabendo que não é certo. depois de várias sessões. No estado maníaco. E eu me aprofundei nisso! Não me dê aulas. Sabemos q ue a influência familiar.. Em outros comentários se contradisse ressaltando sua timidez. Em seguida. sem que eu interferisse e caiu em várias contradições.Sim.. Esse distúrbio de humor. Sérgio . Um é adolescente e a outra tem vinte e seis anos. a presentou-se verdadeira. das amigas. O que a leva a contradições . Sérgio completou: Eu sei que o distúrbio de personalidade pode variar de pessoas e xcêntricas inofensivas a pessoas assassinas. Com o decorrer do tempo. depe ndência dos outros para tudo. ficou sério ao comentar: Tenho em mãos um caso sério de distúrbio de personalidade anti-social! Todo o contexto se resume pelo fato de ela chegar aqui ao consultório com o propósito de mascarar seus sentime ... Tímida.

. Ambos assumiram tarefas no centro espírita e. trapaças. típico distúrbio de personalidade narcisista. os bens materiais foram os prejuízos seguintes. Nunca! Sabia induzi-los pela influenciarão com palavras que lhes entorpec iam e cegavam. não apreciava os seus deveres como mãe e obri gações impostas como esposa.. alimentação com cuidad os especiais a seu gosto etc. comportamento. Tudo foi feito em benefício dele s mesmos.. com sua aparente grandiosidade. Conforme ela me contou. Independente da filosofia. mentiras e muito mais. teve mais fé no Espiritismo e fez cursos. honestos e conformados com o que Deus lhes ofer ecia. o marido sempre se acreditou auto-importante. e logios etc. tiv e relatos de dificuldades financeiras a tal ponto que muitas vezes não tinha o que comer. mas confessou adorar o luxo e os ambientes sociais requ intados. o caráter e a dignidade de uma pessoa falam mais alto. a princípio. porém com extrema necessidade de que todos reconhecessem e elogiassem seus feitos.ntos. Explorava os outros e não se importava com qualquer pessoa. Ela e os filho s sofreram incontáveis agressões verbais pelas explosões do marido e agressões físicas se iniciaram. O marido a acompanhou. Calma! Não terminei! . Então. carinhoso. Usou tudo o que conhecia para não exib ir sua verdadeira personalidade. Arrogante e invejoso. ela passou a apresentar confiança atraente e persuasão angariando a simpatia.. Acreditando tratar-se de um problema espiritual. M as ela mesma acredita ser muito fria no relacionamento amoroso. O me smo foi feito na cantina onde todo o consumo era anotado para ser pago futuramen te.. vários cursos! Como ressaltou. João pendeu com a cabeça negativamente. Era a ele que os pais direcionavam louvores e de quem sentiam orgulho. como: mentir. O medo de ficar solteira a aterrorizava. compreensivo.exclamou Sérgio. grandio so e imprescindível para a família e no emprego. mas isso não me surpreende. Como uma avalanche. Recebia críticas do único irmão que se destacava nos estudos e a humilhava . principalmente.Breve pausa e continuou: Destacou que nos bazares beneficentes ela e a filha se apoderavam das melhores peças a serem v endidas para arrecadarem fundos ao centro. também começou a colaborar com as subtrações das mais diversas formas. principalmente quando ela não deseja mudar. da religião e do s ensinamentos adquiridos. os estudos foram conce rnentes à Doutrina Espírita. Mas quem pagava?! . fur tar. Sabia como manipular as pessoas conhecendo seus pontos fracos por saber de seus mais íntimos segredos. Provavelmente isso a levou a casar-se com o primeiro homem que a aceitou. A paciente contou que ela tratava com o m aior respeito e com todo o carinho os demais companheiros para estar sempre inte . ou seja. Percebi que ela apresentou considerável ausência de recepção e troca de carinho. com típico distúrbio de personalidade narcisista. Freqüentando um centro espírita. a credibilidade e o bom conceito das pessoas até adquirir intimidade em todos os setores do Centro. trapacear. Ela os ameaçava com denúncias ou chantagens? Não!. O marido semp re dizia que nasceu para ser servido. Afinal. casa limpa e tudo luxuoso no ambiente de recepção aos amigos. Ele começou a trabalhar. pelo fato de o irmão ressaltar e ssa possibilidade quando se expressava em discussões sem importância e a fim de magoála. essa paciente procurou um ce ntro espírita para desmanchar qualquer trabalho ou macumba. ela revelou um típico distúrbio de personalidade anti-social. colocavam-nas à parte e abriam uma espéci e de conta onde registravam os débitos pelas compras supostamente adquiridas. com a manipulação! O marido. Não contendo a decepção com o que ouvia. com a conivência dele. Aprofundando-me em suas experiências de vida. E quem é que cobra o u vai atrás do que foi feito com suas doações? . Ela sentia-se humilhada diante dos caprichos exigidos pelo esposo como: cuidados exagerados com suas roupas que deve-riam estar impecáve is. disse que passou por trata-mento de assistên cia espiritual e fez cursos. generoso.perguntou Sérgio quase sorrindo de forma insatisfeita. Isso era fácil. mas com a esperteza de se livrarem de envolvimento com a justiça crimina l. algo q ue alguém tenha feito para eles. mesmo a contragosto.. As ilusões de se manter sempre no topo terminaram quando ele perdeu o emprego. Os pais eram religiosos. pois ela contava ao esp oso exatamente o que sabia a respeito dos outros. como ela disse. É o típico homem que acredita ter razão em tudo. desejos e pensamentos. coment ou: É lamentável. ma scarando-se com um comportamento educado. tudo no centro era produto de doações espontâneas.

A paciente revelou que é um prazer conhecer a vida das pessoas e o ponto fraco dos fiéis. conscientemente seguros. uma espécie de ministra que expulsa os demônios dos transtornados que chegam à igreja e os filhos fazem as camp anhas!. Assim sendo.. expulsar demônios e beneficiar-se financeiramente por isso. E o que você respondeu quanto a essa proposta?! Para o convite indecoroso.. A culpa foi dos outros que não os entenderam. Ela e a família consideram que tudo o que cometeram no centro espírita não f oi errado. requerend o-o com autoridade e muita exigência. furtam. dão shows. Contou -me que cometeram uma grande injustiça com ela ao exporem frente a muitas pessoas o que foi feito por ela e sua família. Ela não se acha responsável e se posiciona como vítima. Inclusive fez acusações injustas contra outras pessoas a fim de livrar-se de certas culpas. ela. eu não vou corromper minha moral nem meu rigor étic o como profissional na área da Psicologia ou em qualquer outra. Sérgio..assustou-se João. Veja. não reconheceram seus serviço s prestados e. crimes e roubos de todos os tipos..exclamou Sérgio. S omente conseguia benefícios pequenos. João. Enfatizou que hoje seus feitos são imensamente mais lucrativos e satisfatórios do que nas sessões d e desobsessão em que participava como dirigente no centro. Bem. Não suportando ostentar a máscara. Ela e toda a família. eles abandonaram o espiritismo e se converteram ao prote stantismo. Enfim.Foi nesse momento que vi exacerbados a arrogânc ia e o orgulho que reluziram também um distúrbio de personalidade narcisista. nós sabemos que portadores do distúrbio de personalidade anti-social são pessoas que. Depois falei que e la e a família precisariam de um reequilíbrio com o propósito de não agirem com essa com pulsividade anti-social. pois lá não recebia nada. poderão ter responsabilidade por grande parte de vi olência.. tudo o que me contou mostra que tanto ela quanto o marido possuem o clássico distúrbio de personalidade narcisista. Sérgio. O marido tornou-se um pastor evangélico. Diante de tudo. pessoas mais honestas aos compromissos assumidos. rejeitam as normas de regras de conduta e não estão a fim de autocontrole n em pretendem mudar! Por que diz isso? As evidências! Não entendi. O caso é sério! Seríssimo! E mais! A paciente convidou-me para participar de sua igreja evangélic a. que é o de me colocar a serviço da sociedade com qualidade técnica e rigor ético. para saber se havia alguma desconfiança d e seus atos junto do marido. alimenta-se normalmente e não tem qualquer remorso.irada sobre os acontecimentos no centro. eles representam.. Mas aconteceu o que ela não previa. conforme eu entendi. fingia-se triste o u sozinha a fim de atraí-las como vítimas de suas manipulações em proveito de trapaças com o: alterar ou sumir com os débitos das compras no centro que pertenciam a ela e à fa mília. olhando seriame nte para o amigo. prejudicam um grupo social ou uma comunidade com pouco ou nenhum remorso. recebendo um generoso benefício financeiro para lhes ensinar meios de insuflar. posso dizer que apresentou nas duas últimas sessões. se não se tratarem.. Meu Deus! ... Me u amigo! Duvido muito de que aceitem a sua proposta de reequilíbrio! Sérgio sorriu e . palavreados e tonalidades de fala que os façam agir ce gamente e compulsivamente com mais doações. junto ao distúrbio de personalidade anti-social em que mentem de maneira crônica e descaradamente. Para algumas pessoas mais íntimas. ela simplesm ente ignorou dar satisfações cabidas e não se reuniu com os solicitantes. significativ o humor e disse que dorme bem. Depois ela e xaminou sua posição como tarefeira e decidiu reclamar a ocupação de seu cargo. Lembrei que a terapia é um ótimo caminho para a própria pesso a se concentrar com a finalidade de mudar o comportamento. Promovendo saúde e qualidade de vida. Outros tarefeiros do centro. no inconsciente dos fieis. Mas. trapaceiam . Os trapaceiros e enganadores correspon dem ao maior índice de porcentagem desse distúrbio. Não! Acho que Deus não faz parte do que ela propõe . você quer dizer! Respondi com toda a calma e respeit o que eu honro e continuarei honrando o meu juramento como psicólogo. exigiram satisfações do que perceberam que estava errado.. Eles se julgam extraordinariamente capacitados! Isso.

sorriu.. Inúmeros psicólogos e até outros que nada têm a ver na área. principalmente pelos protestantes ou evangélico. notícias. Isso é fé cega! São pessoas que não buscam conhecer melhor a verdade por elas mesmas e só acreditam naquilo que os outros lhes disseram. Quando eu disse que havia mat ado a charada. foram comprovadas pela ciência e os descrentes ridicularizados. bissexual?. E você. que se achavam superiores. estão se corrompendo com o uso desses métodos para arrecadações numerárias im ressionantes.. Precisava de um psicólogo para prosseguir com suas farsa s e aumentar o vigor de suas vigarices a partir do momento que ele a ensinasse q uais e como são os melhores métodos e técnicas de neurolingüística. Falha sim! Mas são limitadas somente quando lhes falta evolução ou força de vontade acrescentou João com tranqüilidade. mesmo no penúltimo ano d e um graduação em Psicologia. são as ferramentas mais poderosas que po demos ter para se criar resultados magníficos naquilo que queremos obter. Não sei. por exemplo! A PNL . João.disse: Dediquei-me profundamente a estudar esse caso. há tempos eu sei que isso é usado por vários lideres religiosos. Ah!.. que é a capacidade de vivenciar ou ver na mente uma situação futura desejada co mo se aquilo estivesse acontecendo mesmo. A criatura humana é falha e muit o limitada. As pessoas orgulhosas. As habilid ades e as técnicas dessa ciência estão sendo cada vez mais usadas para a educação. orgulhosos. criando uma comunicação mais eficiente e rápida. A realidade do paciente não é a realidade do que esse evangélico quer v er e analisar. pensar. Um homem cru el. suposições ou crenças que. arrogantes. mas de forma bem tranqüila.. mas ele apoiou . trapaceou na representação de seus distúrbios psicológicos com a finalidade de aproximação e intuito de indução.. São bitolados.. o p orquê de sua opinião. Ela pode ser usada de modo positivo ou negativo. Mas estava longe de imaginar que receberia um convite desse tipo! Sérgio. não vai dar atenção ao caso e achar que o paciente está endemoninhado! Talvez queira convertê-lo!. Esse profissional. oportunista. não! Às vezes concordo com a opinião o professor Ezequiel e acho que alguns psicólogos evangélicos são inconcebíveis para que m deseja se livrar de transtornos e distúrbios. com a finalidade de obter uma verdadeira fascin ação de seu fiéis. foi por descobrir que a paciente entrou nesse consultório usando as características da personalidade anti-social contra mim! . refletindo sobre o assunto. católico e outros do que com um profissional evangélic o. Hoje eu entendo que algumas religiões são preconceituosas por não serem flexíveis à fi losofia. Tud ara eles tem de ser de acordo com o puritanismo pregado por Lutero. tem grandes possibilidades de ser preconc eituoso e acreditar que a pessoa é dessa ou daquela forma porque quer! Provavelmen te. não está sendo preconceituoso quanto aos psicólogos evangélicos? Vou repensar nisso. Têm uma visão estreita e limitada da realidade da vida das pessoa s e suas crenças! Isso é preconceito.. é a excelência do uso de uma ar om pessoal para obter resultados excepcionais no que deseja realizar. E se o paciente falar da violência sexual que sofreu q uando criança?. junto à técnica de vis ualização. Havia outro s evangélicos na sala.Programação Neurolingüística. ciências e práticas de vida sob a visão de sua profissão. Ela. mas eles ficaram pensativos.. pesquisar e procurar saber com ele. Até as comprovações científicas e novas descobertas eles se recusam a ace itar. terapia s e outros. Imagine um psicólogo evangélico ouvindo um paciente homossexual. Se aquele professor tivesse falado que é inconcebível um psicólogo espírita. E um outro que deseja se recuperar de atos de pedofilia?. era inconcebível um psicólogo evangélico ou protestante? Lembro! Duas ou três alunas fizeram o maior protesto! Isso porque elas eram protestantes.. crenças nas opiniões apresentadas só pela sua religião.. sendo psicólogo evangélico. A PNL. proposita damente. pois sabia que aquelas práticas rigorosas e tiranas eram erradas. lembra-se da aula do Professor Doutor Ezequiel quando ele falou que. são preconceituosos. explicou João . Não buscam a iar as informações. Eles se esquecem de que muitas situações. digo que não pelo fato de eu ter buscado conheciment o sobre suas atuações. Acho que o professor Ezequiel quis nos te star com aquela situação para ver o quanto alguns religiosos. Mas aconteceram contradições e com portamentos estranhos os quais me levaram a dúvidas. ganancioso. pa ra ele. Eu confio mais em fazer uma terapi a com um umbandista. budista. mais desumano do que as leis aplicadas pela Inquisição. Agora. eu iria parar. no passado e ram inconcebíveis. não meditaram e reagiram asperamen te.

Pre ransferir pacientes para mim e para o Nivaldo por causa do serviço na polícia! Eles reclamaram muito. Estou sem coragem para qua lquer decisão . E a Rita? . os únicos corretos e com razão. pois estou pecando verbalmente c ontra meu semelhante! .. No próximo ano. Isso está contido no protes tantismo até hoje.. talvez você esteja sendo testado! Testado?! Testado pela espiritualidade que o acompanha. Ah. Sérgio levou o amigo para casa.Breve pausa e lembrou: Viu?! Rea lmente você foi testado! Preocupado com a situação financeira. estou receoso de sair da po lícia. não aceitou a proposta da paciente que lhe ofereceu dinheiro para prestar serviços nada dignos com o seu ju ramento profissional! Aconteceram tantas coisas em tão poucos meses que. quando não é a Yara. Acho que essa paciente não vai retornar. e seus líderes os denominam evangélicos para ninguém lembrar dos mass acres apoiados pelo criador do protestantismo. Sérgio! Ficou louco?! Não. Você voltou a conversar com a Débora para que morassem juntos? Não tivemos tempo para falarmos sobre o assunto. verbais. João esperou alguns minutos e perguntou: E seu irmão. Preciso uma carona e a minha mãe.. A Yara.exclamou João bem sério. Ela não estuda! . O que você quer mais?! Vai ficar aí esperando todas as oportunidades desap arecerem para depois dizer que não teve sorte?! . deu para freqüe ntar o apartamento da Débora direto. por isso nem prossegui com o pedido. é a Rita quem está por perto.. mas não dá. Sérgio. . e pelo fato de não trabalhar. caso eu vá trabalhar lá? A Débora estará no último ano e. Seria um teste moral? Quem sabe? Reflita sobre o assunto e dê atenção aos sinais..as mesmas severidades dolorosas com os camponeses alemães que se opuseram ao prote stantismo. sabia?! Você é bem requisitado e indicado pelos outros pacientes. que é sua fã.. que já deu problema logo de início.murmurou num desabafo. Depois ficaram uma boa . irmã dela. Acho que ela não está preparada para voltar à sua c asa e ficar sozinha. Eu ta mbém concordo e quero fazer o quanto antes. você é um ótimo profissional. pode ficar mais tempo com a Rita.reclamou João de si mesmo. como posso me garantir com o que receberei aqui na clínica e na empresa.. Não gosto de insegurança e. mas não vou entrar. como está? Trabalhando. ficou inibi do para recusar o convite e acabou ficando para o jantar.sorriu. Esse pedido de baixa significa um pedido de saída? É. Você é diferente.Vendo o amigo pensativo. materiais e fis icamente praticadas. Não pense que só ped ir perdão a Deus basta para livrar-se das culpas mentais. Sérgio pareceu preocupado e revelou: Nem consegui um tempo para contar à Débora sobre aquele assunto da minha irmã. tive dificuldade com a documentação para o pedido de baixa da PM. olhando para o colega de modo indefinido. . E se não arrumar? . Medite e dê um jeito de i r ao centro.. Estou temeroso. mas sua agenda sempre está lotada! Talvez nem precisasse trabalhar na empresa que indiquei. por isso penso em desistir.. Não sei expli car como. deixando-os queimar vivos. João. Está inteiro . mas é. Sérgio. Martinho Lutero. calando-se. vai adorar tê-lo para o jantar! A dona Antônia está brava por você não visitá-la há tempo! Não. João. Como se não bastasse. Péssima! Débora a levou para o seu apartamento. Em minha opinião. Criou um puritanismo mascarado ao incentiv ar que eram os únicos puros.. conforme você e o doutor Edison me aconselharam. mas você vai ajudá-la e não sustentá-l obrigação de pagar a faculdade é dela. Eu te levo. Sérgio! Espere aí! Não quero me intrometer. Deixe-me ficar quieto. Então vamos lá! Vai tomar uma injeção de ânimo! Estou com o carro na revisão. ela deveria voltar a estudar qu ando arrumar um emprego.indagou. porém ao ser recebido por dona Antônia. Sérgio.. Como é possível uma criatura acreditar que é só pedir perdão a Deus p ara ficar liberta das condições inferiores e não ser mais prisioneiro dos crimes e del itos que cometeu? Ah!.Ele silenciou por alguns ins tantes e comentou: Se a Débora aceitar morar lá em casa.tornou João num tom de tristeza. Ei..

não é verdadeiro. a fim de que o Planeta permaneça. espiritual. Gigantescas sombras com contornos humanos deformados saltavam sobre ele e o a migo sem tocá-los. A lua no céu possuía um brilho estranho. De repente. p assos e gargalhadas de um grupo nada amigável que os seguia. sem conhecer a ve rdade. A fé cega. O que querem? . Eram rápidas demais nas movimentações estranhas. o fanatismo é o que alimenta o espírito para que ele se submeta a essas condições. Esses lugares infe rnais existem por uma questão de ignorância.respondeu João. Sérgio! Parece recordar rapidamente o aprendizado obtido em elevada es fera espiritual! Em um livro psicografado pelo querido Chico Xavier. tanto quanto p ossível. Sérgio sentia-se interessado na conversa. Existem regiões espirituais criadas pela força ou poder mental. Elas pareciam brotar do chão com aspectos monstruosos. a trapaça. sendo algo com o que verdadeiras colônias de tormentos indizíveis e reparadores. cidades de baixo padrão vibratório. as criaturas não estarão libertas das energias mentais inferiores. mas obedecem a líderes macabros e desequilibrados. não queren . Sofrem com as enfermidades do corpo espiritual e com a cobrança constante da consciência por t udo o que fizeram errado. por mais aterrorizantes e absurdas que ouviram contar. Contudo nada é eterno e dizer que existe um inferno. Esses irmãos estão infel em esperança. qualquer idéia de alucinações fantasmagóricas.perguntou Sérgio em pensamento.parte da noite em agradável conversa repleta de instruções que o fizeram se sentir be m melhor. sem pensar e repensar. a dependência e muitos outros distúrbios de personalidad e que.. onde alguém é condenado eternamente. A morte não existe.O romance abalado pela influência espiritual Os dias seguiram sem novidades.. Há líderes insensíveis. cruéis e impiedosos que os dividem. Ele ouvia. Odeiam-nos. quando encarnada a criatura experimenta ou usa em benefício próprio. opaco. Conhecereis a verdade e a verdade vos li bertará . a fascinação. disse-nos o Senhor Jesus. linguagem de tempos remotos à reencar nação de muitas pessoas. por causa das mentes voltadas a fazer o mal. Sérgio? Eles estão aí para provar. Nossos anjos guardiões nos acompanham e muitos benfeitore s que atuam verdadeiramente em nome de Jesus nos amparam... Muitos são verdadeiros escravos aterrorizados e tementes a Deus.Parados próximos àquelas criaturas espirituais totalmente disformes. urrando com o animais ou gritando em uma língua estranha. Bloqueando o caminho. Podiam-se escutar seus sussurros. logo atrás deles. Tornam-se vítimas e culpados por cum prirem tarefas inferiores e malévolas. mas seu coração estava oprimido por algum motivo que não conseguia entender. Era uma noite de muito calor quando Sérgio e João caminhavam juntos falando sobre assuntos que Sérgio precisava entender para relembrar melhor. foram surgindo à frente de ambos outras criaturas extrema mente malignas. Isso é um método de impor o medo . Virando-se para Sérgio. Não está se lembrando do que aprendeu na espiri tualidade? É... a vaid ade. sob o seu jugo tirânico . podendo fi car presas a obsessores por muito tempo. o narcisismo. Que bom. qu e os separam e selecionam como animais para determinadas tarefas específicas. A língua estranha que usam para c municação podem ser dialetos antigos dos homens. mesmo que o considerem pequeno ou nada grave. pareceram insignificantes diante dos olhos de Sérgio. falanges. Sérgio ainda comentou sin cero: Eles formam organizações. entendendo que aquelas criatura s não os podiam ouvir. Lógico! Sem a evolução mental. . risos. Pode ser um método de oferecer ou receber mensagens na época em que os politeístas faziam oferendas a vários deuses. 15 . O orgulho ou o ego inflado. como se em alguns momentos andassem como quadrúpedes. o espírito An dré Luiz diz que: O objetivo essencial de tais exércitos sombrios é a conservação do primi ivismo mental da criatura humana. Parece que posso entendê-los. ou pensava ouvir. Querem-nos longe daqui e nos deseja m mortos. João lhe falou com brandura e de modo que o amigo podia o uvi-lo em pensamento: Não vamos nos assustar. não é.

. Sabe. meus pais ou o Tiago cu idam dele. Há situações que não entendo ainda e preciso de seu apoio. junto à pessoa. Coitadinho! Ele ainda está lá na casa dos seus pais? Está. Eu pedi que me dessem mais um tempo para ser admitido na empresa. Tentarão atacá-lo de todo jeito! Reaja! Socorra-se elevando o pensamento a Deus.ele aceitou calmo. Seu rosto gotejava suor e todo o tronco estava transpirando. Não sou digno. Caminhando até a janela. Ai. despoluindo-as para que respirem me lhor. como a chuva fina que se in filtra tanto na relva como nas folhas altas.perguntou rapidamente. O que estamos vendo é uma pequena amostra do que as levarão aos agrupamentos mais inferiores e de piores condições.. meu amigo! Sinto-me minúsculo. * * * Mais tarde.do mudar-se. pode haver terríveis espíritos que se afinam a ela com o intuito de va mpirizá-la e agredi-la para agregá-la futuramente a falanges espirituais. Lembre-se.. Débora.. é muito importante lembrarmos que. Ao tempo em que as criaturas monstruosas subiam como que por fissuras abertas no chão. Sentando-se na cama. Você não está tratan do de pessoas. Não o levei para nossa casa porque ele ficaria muito sozinho. Acorde.. além disso. Não diga isso. luta e agressão. E você? Quando vai começar a trabalhar lá naquela empresa? A documentação da PM já sai . Como quiser . Consultando o relógio. tomando uma po stura de ataque. . Na próxima s emana tenho uma entrevista marcada e acho que vai dar certo! . Não sei. Fico fora o d ia todo e não teria tempo para cuidar dele como deveria. procurar um meio de ajudar as pessoas a se lib ertarem de tais obscuridades consciências. Aquela troca de informações e conversa durou frações de segundos. pois tinha a sensação de ver e sentir o que experimentou. porém contrariado. Nem sei por que estou a o seu lado. Sérgio! Foi nesse instante que Sérgio sobressaltou. mai s tranqüila e. João! É a minha irmã... distúrbios dos mais diversos. mas logo continuou : Quando em uma terapia.. Farão de tudo par a que você não tenha êxito em sua tarefa. Tudo bem.pedia com seu jeito carinhoso. Podem usar determinados espíritos para enfraquecê-lo. João percebeu que Sérgio parecia sufocado e orientou: Seu maior trabalho será vencer as vibrações baixas e hostis. Eu gostaria que saísse daqui o quanto antes. tendência suicida e outros transtornos.. depressão. Sérgio. Sérgio. tirando a impregnação da estranha sensação. dormia sem camiseta. Ao olhar para a cama viu os lençóis remexi dos e embolados. . mudando de assunto.. o pensamento é o centro de atração e repulsão de qualquer mal ou be que o cerque. acendeu a luz. sinal de ter se revirado demais antes de acordar..Sérgio interrompeu temporariamente o que argumentava. O que te trouxe para essa tarefa foi o seu amor incondicional. Lá.. De que jeito? Acredito que estará mais segura lá em casa! Com menos despesas.. ela conversava com o namorado: Mas não quero incomodá-lo!. abriu-a e foi quando a brisa suave da madrugada parece u medicamentosa. Dê-me mais um tempinho? . ao Mestre Jesus! Foi isso o que me pediram para te dizer. pois algumas se comportam como se ganha ssem o gosto pela ignorância. Levantando-se rapidamente..... Mas eu não sei de nada. temos um caso de complexo. ele murmurou: Ainda são 3h30!.. Riu para re laxar e avisou: Vou levar o Tufi para lá. João. você s Não lembro o que me levou a buscar. Entendeu bem sua tarefa. no apartamento de Débora. Como sempre. Veja. Sérgio.. Não faço nada.contou animada. Você está libertando espíritos. despertando-se horrorizado com o próp rio grito. Você está repetindo o que eles dizem. mas acho qu e não poderão esperar mais e estou com problemas com a documentação e.. Sérgio pegou um caderno que tinha na gaveta e passou a esc rever tudo o que se lembrava do sonho. pela preguiça. ela só tem o caminho doloroso de reparação a seguir.

deixando-a em imenso conflito íntimo e arrependimento.. interrompendo-a com voz grave e firme: Não preciso ir à direção da desgraça. Entr ei com pedido de férias e vou aguardar para ver no que dá.. Sérgio!. Débora . Sérgio.. fiquei decepcionado porque você agiu como alguém que eu não quero nem lembrar. mas como não quer. Vendo-o em pé à sua frente. Eu!. pareceu implorar ao pedir: Sente aqui. encarou-a nos olhos. parece que ela marcha ao meu encontro! Saí da ma ta casa de meus pais para não ouvir os gritos e as reclamações de minha mãe e minha cunh ada. entende? Faz tempo que não ficamos sozinho s. A namorada. horário fixo e um salário compatível com o da políci a e você quer desistir?! Não posso me conformar! A maneira como Débora se expressava.Ele não se virou para encará-la e permaneceu parado somente ouvindo-a se justificar: Eu não sei por que disse aquilo daquela f orma. e stranhando e observando-a esbravejar sozinha. Engolindo seco. .. . Levantando-se.. conduzindo-a para o sofá e fazendo-a se acomodar.. Agindo com estranha frieza.ela não sabia o que dizer. Eu vim aqui porque não estava bem comigo mesmo. com lágrimas quase rolando. não me proporcionou um instante de paz. segurou-o pelo braço e pediu entre as lágrimas de arr ependimento: Por favor.. calado. Frustrado com a reação da namorada. vem à oportunidade de t rabalhar na empresa por meio período. só desfrutando a companhia agradável um do outro e. lá eu tenho um salário garantido. Estou assombrado ao ver você agindo igual a elas! Pensei que me libertaria do s pesadelos asfixiantes. Não costumo brigar e. protestou inconformada e aos gritos: Sérgio! Você nunca teve uma oportunidade tão boa! Esse sempre foi o seu sonho! Ante s tinha preocupações em abrir um consultório sozinho e não ter pacientes. Tudo sumiu com o em um passe de mágica com a clínica da qual é sócio! De repente. Você me conhece. mas eles me perseguem! Não adianta eu mudar as coisas à min ha volta.. Mais desiludido ainda porque desconhe cia esse lado da sua personalidade. o que preciso é mudar as minhas escolhas! Após o susto que levou. .. Sei lá!... quieto.falou com baixo volume na voz grave e fita ndo-a com uma tristeza indefinível nos olhos verdes marejados.... Eu te adoro! Desculpeme? Vou ser bem sincero com você. reagiu de um modo estranho e totalmente incomum à s ua personalidade. O namorado continuou no mesmo tom sentido: Eu te amo. Sérgio! Pelo amor de Deus! Você não vai desistir de sair da polícia agora.sinto-me inseguro. repentinamente. atraía obscuras vibrações... Uma dor estranha parecia esmagar seu peito. Débora correu.. Em instante s.. . gritando. Dar e receber carinho enquanto assistíssemos a u m filme... respeito a sua vontade. Débora. o rapaz se virou e saiu sem olhar para trás. Não sei. Diante de tantas dúvidas e incertezas sobre decisões sérias e definitivas que tenho para tomar.Ela o olhava firme e nada disse... Tenho medo de que. eu não gostaria de ter qualquer outro problema.Abraçando-o pelas costas com força.... ele se levantou. Sérgio dirigia sem rumo. Te amo muito . vai?! Seja como for. Débora. O rapaz se virou e a jovem escondeu o rosto em seu peito chorando um pranto compulsivo. Desejaria que fosse mo rar comigo.. Déb ora chorou verdadeiramente sentida. quietude e a conchego. Você.. o namorado aconselhou em tom sereno : É melhor conversarmos outra hora ou diremos coisas das quais podemos nos arrepe nder. remoendo a s idéias em um penoso estado de consciência devido ao choque por ver as tendências de Débora e as influências espirituais que lhe chegavam. Em palavras bem simples posso dizer que desejava só fic ar ao seu lado.. ele sobr epôs o braço em seus ombros. Com a tempestade emoc ional que criou agora há pouco. para as nossas vidas. . pois nunca o viu falar daquela forma e vendo-o caminhar em direção da porta. E era só disso que eu precisava para decidir o que é mais correto fazer na minha vida. Desculpe-me. Sérgio permaneceu silencioso por longo tempo. agora. Eu queria seu colo. Não suportando a pressão sofrida em pe nsamento. Curvando-se e beijando-a na cabeça. profundas energias inferiores in-vadiam o ambiente.

Apressando-se para os fundos. mas não tinha forças. mas não foi atendido. lembrou-se de que Rita decidiu retornar para a casa onde mora va. Sentiu como se os seus olhos fossem atraídos para ver a pequena faca de cozinha sobre a mesa. ele decidiu visitá-la.respondeu atordoada e largada sobre a cama. mas as mãos da moça amarradas nas costas com inúmeras voltas da lar ga fita adesiva. pensando que a amiga poderia socorrê-lo de algum modo. Acreditand o ouvir um gemido sufocado. como se sufocasse um grito. por isso já ia ligar pra polícia. Usando-a. Sérgio chorou em silêncio. Nas janelas havi a grades. Há duas horas. Chamando pelo nome de Rita. Podia ouvir uma música tocando em volume u m tanto alto no interior da residência e por isso chamou em voz alta. Em frente do portão.. tentava curvar o corpo. Pegando-a nos braços.. t entando entender ou recordar de alguma coisa.. Débora! Isso! . pois ela permanecia imóvel.. você está bem? Estou. Tirando-lhe as fitas e o resto do plástico rasgado do pesc oço e livrando os punhos dos adesivos. realizou respiração artificial e massagem cardíaca. saltando com agilidade para dentro do quintal. colocando-a sobre a cama. Depois me largou aqui sozinha. amiga dela a. Sérgio havia tocado a ca mpainha várias vezes. colocou a amiga na posição correta. Olha.. rápido. vi a Rita entrando e perguntei como ela tava e..preocupou-se ele.. levou-a para o quarto. Movido por um súbito impulso. pediu com brandura: Calma. Ele ficou assustado. Ligou o rádio a lto e não atendeu quando eu chamei. Da casa ao lado saiu uma senhora de cabelos grisalhos que o olhou de modo cur ioso enquanto andava vagarosamente em sua direção. Eu sei que você tem plano de saúde. Em vão. Minha idade não deixa mais eu pular o mu ro. ele perguntou mais calmo: Rita.Repentinamente. sufocando o choro num travesseiro.. chegou até a amiga rasgando o saco plástico forte e transparente que lhe vest ia a cabeça onde foi colado e apertado com larga fita adesiva em torno do pescoço. Sérgio tentou puxar a s amarras e não conseguiu soltá-las. Quando se virou para cumprimentá-la e pedir informações sobre a colega. Está tudo bem. De repente. eu acho. A. Sentando-se ao seu lado. Imediatamente tentou fazer respiração artificial. Não dando importância ao frio que corria em seu corpo.. Correndo até a port a da frente viu que estava bem trancada e seria difícil arrombá-la... cortou as fitas. pois desde a morte de seu irmão e de seu noivo tinha ficado no apartamento de Débora.admitiu a senhora. Estacionando o carro frente à residência da moça. Rita. Eu já vi você aí com a outra moça. Tossindo repetidas vezes. . Rápido.. Sérgio olhou para o canto e ouviu atrás da me sa da sala de jantar um murmurinho lamentoso e viu os olhos de Rita se fechando. Nunca pensou em ver algum amigo ou amiga naquela situação e sob os seus socorros. Se p uder. Desligando o aparelho de som. gritando o n ome de Rita. Por isso seria bom irmos para um hospital do seu convênio e. Eu ia ligar pra polícia. abriu a porta após vários pontapés.. A jovem desmaiou por falta de ar e permanecia inerte. percebeu que as janelas estavam a bertas. Lágrimas correram imediatamente enquanto ela olhava para os lados. Por quê? O que aconteceu? . mas fiquei com medo. Rita pareceu ter r etornado à vida ao respirar forte.gritou ao implorar. nem que fosse só o ouvindo desabafar. um sinal de ela estar em casa. vai lá filho! Corre! Sérgio suspirou fundo. não é? Sim. Meu nome é Sérgio.. Sérgio acariciou seus longos cabelos negros e cacheado . Falou que não tinh a mais ninguém e que preferia morrer. como se o ar fosse acabar. Não! . a senhora se adiantou: Você é um dos amigos da Rita. Toquei a campainha nem atendeu quando liguei p ara a casa dela. Vendo-a mais consciente. foi entrando na casa à procura da amiga. Acho bom você dar um jeito de pular esse portão! Não gostei do jeito dela. sou. moço. escal ou o alto portão. correu para a sala onde a música alta o incomodou imen samente. não deixavam seu corpo ficar na posição adequada. mas e se não for nada? Você é amigo dela.

como a de seu irmão e de seu noivo.Lágrimas rolaram em sua face pálida. Seus braços estão machucados com espécies de pancadas.... Não suportando a troca de energias salutares. Tem muita coisa que você desconhece. Não sou útil ou necessária a alguém. Peço isso como amigo. não achou? Não. mas respondeu oferecendo várias pausas como se refletisse antes: Enrolei a fita no saco plástico sobre o pescoço.. coloquei na cabeça e o prend i com a fita adesiva em volta e. porque você precisa de ate ndimento médico. sem fixar em ponto algum... Estou errado? Com voz rouca pelo choro. Sérgio a abraçou com carinho piedos o. mantendo o olhar perdido. num gesto de amizade. um estad o mental de depressão extrema a domina. Afagando-lhe os cabelos. ela cont ou com breves pausas e voz baixa entre os soluços e as lágrimas.. procurou curvar-se para olhar em seus olhos e dizer: Minha amiga. Peguei o saco plástico grosso que trouxe do mercado. A amiga o fitou por um segundo e fechou os belos olhos negros num gesto de fu ga ou vergonha. A senhora agradeceu a satisfação. indiscutível em curto prazo. abraçando as pernas e ficando encolhida. Cortei com a faca e depois de dar voltas nos pulsos com o rolo adesivo eu. expressando grande tristeza: Estou mal. instintivamente. essa dor... expressando muita tranqüilidade. Prudente. mas há solução. Não tenho esperança nem energia. Quando você tenta sobreviver à solidão. Primeiro. o telefone tocou insistentemente e o rapaz decidiu atende r. ela praticamente murmurou: Tentei me matar. Sem encará-lo.. em minha opinião.chorou.. fez com que o encarasse. Após algum tempo. Então.. dessa falta imensa que m e consome.. .. de sligando em seguida. ele continuou: Rita.. perguntou: Rita. Retornando ao quarto. Porém não era o momento certo para exigir-lhe nada. Como machucou o rosto? Acho que bati na mesa.. Ele deu-lhe uma desculpa convincente de qu e Rita teve uma crise de choro. choro u como nunca tinha feito antes.. a amiga se e ncolheu.. Rita... você não está sozinha. escondeu o rosto no abraço e chorou. o que aconteceu? . Sérgio sabia que ela mentia escondendo alguma coisa. trazem um impacto doloroso e i rremediável.. . cheguei do merc e tive a idéia de colocar um fim a todo esse desespero. Nem vonta de alguma. Erguendo-a para que se sentasse.. Sentando ao seu lado. amigáveis e reconfortantes que lhe invadiram a alma. Era a vizinha que desejava notícias. Pode me explicar como conseguiu se amarrar daquele jeito? ... mas estava bem.. Depois lhe afagou o rosto até que.. Não tenho mais nada. e o amigo tornou ex plicando: Preciso saber o que aconteceu aqui.. Não o encarava. Sofreu pela falta de ar tempo o suficiente para desfalecer. Sérgio a confortou num acalento silencioso enquanto a e mbalava preocupado com o que deveria fazer. Sérgio lhe fez u m afago no braço com as costas da mão. Não sei. Enrolei a fita adesiva em meus pulsos com as mãos para trás para não desistir e rasgar o plástico. Conte como foi. esse pode ser um caso de polícia. Puxando-a para um abraço.. Sérgio a observou melhor verificando um machucado em seu rosto. E não é fácil sair dele. Rita o apertou forte.. vendo-a mais tranqüila . Por que a faca estava sobre a mesa? Rita abraçava as pernas encolhidas e balançava vagarosamente o corpo exibindo um sinal de nervoso. sentada na cama. Preci sei ressuscitá-la! Segundo. encarando-o firme.tornou calmo. perguntou vagarosamente: Qual é a solução? Como eu posso levar uma vida normal? Principalmente agora. não é fácil.. Algum tempo depois.. momento em que. Não tenho ninguém. pois o modo como a encontrei é bem es tranho e suspeito. Isso foi bem difícil de fazer. Demorou um pouco. Rita parecia mais calma. Sérgio. Eu sei que rupturas drásticas de relações amorosas significativas. Não consigo explicar o aumento dessa dor. Nesse momento ela ergueu a face banhada pelas lágrimas onde exibia grande angústi a. cuidadosamente.Vendo as lágrimas corre rem em seu rosto.s..

só lhe restava aguardar. trancada no banheiro. há detalhes estranhos nesse acontecim ento. Aí eu decidi vir aqu i para conversarmos um pouco. . Assim que Sérgio desfechou. ela tornou a deitar e abraçou o travesseiro encolhendo-se sobre a cama. Como especialista. ofereceu-lhe carinho e atenção. Humilhada e abatida. mas não está em condições de decidir . exibindo uma estranha preocupação e medo no olhar... Sabia que ela escondia alguma coisa.falou calmo. preciso relatar tudo o que houve e pedir su a internação para sua segurança. Só. ele t inha conhecimento de que aquele ocorrido merecia muita atenção e ajuda imediata.. Não chorava mais como antes. . tornou no mesmo tom: Preciso saber de uma coisa: por . Desculpe-me. Fitando-a com piedade.negou de imediato e bem firme. Mais de duas h oras haviam passado e Débora não telefonou. Deixando recado na caixa postal para que a namorada entrasse em contato com ele o mais rápido possível. .. relacionando a série de lesões que você apres nta. viu-a com a respiração alterada. quase ofegante. Não! .. pois a situação em que a encontrou era bem estranha. Retornando ao quarto. .Após propositais segundos. Vou ficar aqui. não?. chorando. experimentando um pranto doloroso e triste. talvez por p ressentimento ou pelas experiências que possuía como policial.alterou-se ela. pediu para que Rita se sentasse e foi obedecido de imed iato. De repente. Pondo-se frente a ela. Rita o encarava firme. Sérg io decidiu que a colega não poderia ficar só. porém firme. Vocês me disseram que a vida não mina com a morte do corpo físico... Diante do profundo silêncio que reinou.Pequena pausa e fa lou: Considero-a uma pessoa tão espiritualizada. Foi uma coisa tão estranha. o rapaz olhou por toda a volta. Vendo-a balançar a cabeça negativam ente a fim de não responder. Algo o intrigava. Você foi e continua sendo uma pessoa muito important e para mim. Ou você vem comigo ou eu ligarei para a polícia e iremos para a delegacia registr ar essa ocorrência. Rita. Per manecendo em silêncio por um tempo ao lado da amiga. Quer um pouco? Não. Chegando à sala..perguntou diante da demora.. Não faça nada disso. decidiu telefonar para Débora. Então.perguntou por não entender.. ele indagou: Diga-me uma coisa. . Certamente vão encaminhá-la para um exame de corpo de delito. não o encarava. O quê? . Só vou tomar um banho e me trocar. pois... Rita.. Além do mais.. Após olhar cômodo por cômodo e observar meticulosamente cada detalhe. H oje. vou levá-la ao hospital de seu convênio onde pedirei que um médico psiquiatra a atenda e. Como. Não vou deixá-la sozinha. Entretanto o telefone do apartamento só chamava e o celu lar não era atendido.Sem espe rar que ela dissesse algo. Só. exatamente agora você t entaria contra a própria vida? Sérgio se surpreendeu ao vê-la abraçá-lo forte e rapidamente. a Débora não me ligou até agora. eu saí do apartamento da Débora e ia para minha casa. Fiquei surpreso e assustado ao chegar aqui e. como psicólogo. A fastando-se dele. O quê? O que disse? .. argumentou: Eu me considero seu amigo. Sérgio avisou: Vou tomar água. tão elevada! Você e o João me deram tan ta noção para entender as experiências de uma encarnação.sussurrou entre o choro. certo? Não. ele contou: Sabe. Sem que ele espe rasse.. Depois disso. Você não pode ficar sozinha e virá comigo para ha casa. senti uma dor no peito e pensei que ia enfartar. Não vou! . Entregando-lhe uma xícara de chá em suas mão fracas e trêmulas. Pensa que sou amador?! . Vou solicitar ao delegado uma perícia técnica em sua casa pelos fatos duvidoso s.. nos quais não p arou de pensar. ela reagiu rapidamente ao pedir: Não chame a polícia.. parecia se controlar....Soluços entrecortaram sua voz quando dec diu: Eu vou com você. sendo a melhor amiga de Rita ela poderia ajudar muito. por que não chegou antes?. chorando de modo compul sivo. isso não aconteceu por acaso.murmurou. ele notou que a jo vem apresentava grande desânimo. considerou em t om brando: Rita. no q ual passará por um médico que vai examiná-la.

Posso ficar aqui na sala? Claro! Fique à vontade. cobrindo as perna s com a própria saia longa. inclinou-se para o lado e se encolheu. Você vai par a minha casa e. essa é a dona Marisa.. havia tombado. levou-as para seu quarto. Não tem mas . Tiago lembrou-o brincando: Acorda. mãe . Vendo-a apoiar a cabeça sobre algumas almofadas. Não acreditou que estivesse dormindo. obedecendo exatamente ao que espíritos mórbidos exploravam em seu coração e a faziam usar. Sérgio sentia-se tomado de esquisitos perturbadores sentimen tos. Temos algumas horas para pensar e decidir o que fazer. Tiago! Tudo bem? . Rita! Se não fizer como estou sugerindo. Mas. pode ir para o apartamento dela. E aí. encontrou Rita com os olhos fechados. que parecia nervoso. esqueceu? Não! . Dando alguns passos. viu Tiago entran do em companhia de sua mãe.Viran o-se para a colega. procurou dar uma entonação mais terna e amigável a o tom de voz e pediu: Rita. Voltando à sala. Prazer. Ela sentou-se no sofá. Prazer.. . É que. Disfarçando o que experimentava. Sérgio pe gou o telefone e foi para outro cômodo a fim de ligar para Débora.cumprimentou a jovem com timidez. deixando expostas e caídas algumas peças íntimas que pertenciam à amiga. mas.tentou mentir. parecendo assustada com a visita. apresentou: Rita... Cheguei quase agora. Fez várias tentativ as.Pediu com gesto educado: Contudo perceb ia-se que algo estava errado com Sérgio. comentou: Mas você não é a Débora! Não. Dona Marisa olhou para o sofá com ar de reprovação e repudiou ver Rita sentando-se rapidamente.. .avisou Tiago em socorro do irmão. nossa mãe. vou chamar uma viatura! Cabisbaixa obedeceu. coloca ndo-as sobre a cama. pensava em alguma alternativa. mas estranhou ver Sérgio petrificad o. Sairemos pela porta da frente..disse Sérgio sem conseguir disfarçar certa surpresa . Rita. Tive alguns compromissos hoje e acabei me atrasand o. uma amiga nossa! . Tudo bem. Oi. Indo para a cozinha.. Aquele dia parecia longo demais. vá para o meu quarto e descanse um pouco até eu encontrar a Débora.. Sérgio? Nunca mais foi lá em casa!. ele não reparou que uma delas. Virando as costas rapidamente. Só não feche a porta. cara?! Tudo bem? . Sem dar atenção ao filho.que não quer a polícia aqui? Chorando. Essa é a Rita. Preocupado. enquanto olhava detalhadamente tudo a . a jovem respondeu: Estou com vergonha. Eu já arrumei a por ta dos fundos e a tranquei por dentro. pensando que fosse sua namorada. mãe! Oi..cumprimentou alegre. Pegando as duas sacolas com as roupas da moça. quando a Débora chegar.. ao se aproximar.. . Sérgio havia passado o dia sem comer. Foi nesse instante que escutou um barulho na porta da sala. Percebendo-o confuso . Sente-se.falou a mulher de um modo arr ogante. pois não sabia o que fazer. mas sim em profunda reflexão. Sem esperar que o filho respondesse. Sérgio olhou-a surpreso como se sua memória tivesse apagado. O sol do verão quente não queria se pôr apesar da hora. mas não conseguiu. Teve a sensação de segundos de alívio. * * * Chegando à sua casa. mãe! . levou o telefone par a tentar falar com Débora ao mesmo tempo em que pensava em preparar uma refeição. dona Marisa permaneceu em pé com postura orgulhosa e pens amentos malignos. Não quero me sujeitar a uma série de perguntas e investigações. Não quero ser humilhada.. meu irmão! Você pediu para eu trazer a mãe e o pai aqui hoje para verem sua casa e conhecerem melhor a Débora. Como você está.. Não vamos mexe r em nada nesta casa. Mas pensei que a Débora estivesse aqui. Pegue somente as roupas de que precisar.

. dominado por um mal-estar que não o deix ava organizar as idéias nem os pensamentos com soluções. Queria colo. Atordoado e com os pensamentos desorganizados. É bem espaçosa.. Já entendi por que quis sair de casa. Sem trégua.gritou Sérgio. Rita.. Foi tão grave que resultou naquele acidente.. a mãe saiu porta afora. a sua reconciliação com seus pais. pois sei que o Tiago está enfrentando acusações e ofensas injus tas por sempre estar comigo. Então marqu ei com o Tiago para trazê-los aqui hoje. Ti ago não entendeu a situação.. Depois iremos lá. aqui tem um banheiro. É uma suíte. Mas o pior não foi isso. perguntou rude: O que significa isso?! Ele sentiu o rosto queimar. Rita! Sabe. V enha . Lembra quando eu falei o quanto minha mãe era fria e injusta? Lembro.. A senhora não sabe o que está acontecendo! Nem quero saber! . Você. com essa cara de assustado porque esqueceu que nós viríamos para cá hoje! Ainda be m que seu pai não veio! .. abrindo a porta ao comentar: Este é o meu quarto.Ela foi parando de chorar e fico u mais atenta à medida que ele falava.. entende? Daí. Rita caiu numa crise de choro e curvou-se sobre uma almofada. a mulher foi para perto da cama de casal e pe gou com as pontas de dois dedos uma das peças de roupa íntima que estava no chão. Aconteceu o seguinte: fiquei sabendo que ela e meu pai reclamavam a minha falta e o fato de não conhecerem esta casa. ofendeu-os: É por causa dessas orgias que você vive socado aqu i?! Espere aí. pois qualquer explicação seria inútil. Pode parar. Mãe. mãe! . T ive uma noite difícil.. Eu gostaria de desaparecer agora. a situação fica difícil. Ela gritou comigo. fui ao apartamento da Débora e nós brigamos.. escuta-me .... . avisando com voz bondosa: Preciso da sua ajuda. Sérgio! . Vira ndo-se para Sérgio e exibindo repugnância ao mostrar-lhe. Sérgio estava incrédulo com o que acabava de acontecer.. Sempre que tento me reconciliar com minha mãe.. comentou num tom amargo: É uma boa casa! Venha conhecer melhor .. humilhando-a: E você! Não tente se apresen tar como amiga.. mas deve chegar daqui a pouco. Neste fiz um escritório e. preciso de você. Mas hoje. Eu acabei destruindo o seu dia. vejo essa cama de casal e você é solteiro. agress . tentou dizer: Eu e a Débora somos os melhores amigos da Rita e ela passa por uma situação difícil e . Nada disso! Espere. fez com que a amiga se erguesse e o encarasse. Bem cedo eu estava mal.A mulher saiu do quarto reagindo gravemente.Contou com a voz que imprimia cansaço: Esto u passando por um período de dúvidas com algumas decisões definitivas em minha vida. Sentia-se estranho. pois estava na sala sentado ao la do de Rita. mãe .sua volta. E olhando para Rita petrificada. repreendend o inclusive Tiago que não sabia o que acontecia. . espere aí! Primeiro. sem que Sérgio pudesse replicar. Foi exigente. É. Aqui é a cozinha. Estou longe de compreender o sentido de amizade quando vejo uma vadia sem-vergonha como você! Após as graves ofensas. Como assim?.exigiu com frieza. mas não pos so..respondeu agressiva.mostrou. ele sentou-se ao lado de Rita..perguntou mais interessada em ajudá-lo. mas trocou olhar com o irmão e correu atrás de sua mãe a fim d levá-la embora. Ao entrar para observar melhor. Sua namorada não está.Pegando a peça de roupa da mão de sua mãe.pediu Sérgio que mesmo atrapalhado. Arrancando forças do fundo da alma. Sonhou novamente? .. Por favor. Por essa razão... aqui um dos quartos. Planejei para a Débora vir a fim de melhora r o clima entre todos. colocando-a novamente na sacola. dona Marisa gesticulou com desdém e pouco caso. mais do que qualquer pessoa acompanhou tudo o que ela armou para a Débora. Contudo disse a verdade: Isso é da Rita.. A amiga de vocês traz roupas íntimas e deixa em seu quarto! E você.. mostrava-lhe tudo.pediu ao ser seguido . Tem uma lavanderia e um quintal.

.iva com as palavras. tem iniciativa. Estou me sentindo péssimo. Visivelmente con strangida e tentando esconder certo nervosismo. afagando-a no rosto. . apre ido. enquant conversamos.. ela a charia outro motivo para brigar. era raro. Não quero que chore por causa do que aconteceu aqui.. Está calor e é bem saudável.pediu.Rita tentada pelo suicídio Ainda abatida e tomando somente pequenos goles de refrigerante. Rita. já seria um bom começo . Não. Nunca me importei em fazer determinados serviços domésticos nem de cozinhar. gritar e reclamar. Conheço a Dé e sei o quanto ela é esforçada. mas nítida : Eu te ajudo sim. Acho que ela está magoada comigo. Sérgio.perguntou esmorecida. Rita deixou o sanduíche intacto.. é independente. Passei na sua casa e. . A Dé não é assim.. Sou homem. Quando sair do banho terá de me socorrer.falou sentida. Sérgio demonstrou-se alegre... Está calor e eu queria primeiro tomar um banho. Procurei manter a calma.. Nunca vi a Débora reagir agressiva assim. Como eu falei. Não é o que parece. Está sendo difícil e u controlar minha vida. oferecendo-lhe algumas t arefas. quebrar alguma coisa. mas.. deixar-me magoado e encontrou.. Veja. Se pudesse me ouvir.. sem ação. mas is so não me impede de me virar bem na cozinha.. Por favor. não passar apuros...afirmou bondoso.. Sentado à sua frente. conseguiu distraí-la. Dê um tempo para ela. forçando-se ao ânimo para convencê-la. ofereceu meio sorris o e a chamou: Já é noite e não comemos nada até agora. não precisou apre nder. Aceitando a mão amiga.. Pelo fato de ela ver e acompanhar o que faço. Diante do silêncio.. E. Não se sinta humilhada pelas acusações da minha mãe e. Pensando rápido e agindo de forma dissimulada. Eu já esperava que minha mãe fosse procurar alg uma coisa para me criticar. Rita ofereceu leve sorriso e se ergueu... Mesmo assim. decidir-me. deveria aprender e prestar atenção para. des culpe-me por fazê-la passar por uma situação como essa.. Se você não estivesse aqui. Ela pode errar. às vezes. Não foi sua culpa. Foi o que ela queria! Foi por minha causa . mas continua tentando até aprender. procurando c nversar: Foi isso o que te contei. Mas..Levantando -se.. Esqueci completament e que o Tiago traria meus pais aqui. estarei desmaiado! Prime iro vamos comer alguma coisa.. Nada foi por acaso. Entendo que veio de uma família rica. Creio que o fat o de ficar sem emprego a afetou. em uma emergência. Sérgio disfarçava suas preocupações. Vamos lá para a cozinha e.... por isso não me atende. preparamos um sanduíche natural. mas não se esforça para aprender o básico. disse algumas coisas para el a e fui embora. frustrada e. ajude-me a supera r essa angústia.. Jamais gritou. Preciso que compreenda que a don a Marisa é orgulhosa. isso para não admitir que não cozinha nada. ela me disse que não cozinhava direito. Em que eu poderia ajudá-lo.. Por favor. estendeu-lhe a mão e sorriu ao convidá-la: Venha! Estou morrendo de fome! . ela falou em voz baixa. entonando na fala uma súplica e expressando no rosto uma exaustão triste. Existem momentos em que a Débora fica atordoada. Isso é muito estranho. como se não bastasse minha mãe fazer isso. eu estou com remorso po r ter falado um monte de coisas para a Débora e.. acho que é questão de tempo. mas me cont rolei e. tudo be m se ela não sabe cozinhar. Sérgio? . ambiciosa. Sérgio? Você é minha amiga . Não!. Puxa! Hoje tem uma outra vida! Mora sozinha. Como posso ajudá-lo. pelo amor de Deus! Ele sorriu satisfeito por induzi-la com agilidade e. Tem tanta coisa acontecendo comigo.. Espere um pouco. mas. Rita .... Como foi difícil. Tive vontade de gritar... Pegou -a pelos ombros como se brincasse e a conduziu ligeiramente para a cozinha enqua nto falava: Ah!.falou.. enfrenta os desafios. A não ser quand o os irmãos a perturbavam muito. é questão de necessidade e de ter ajuda. 16 . olhando-a nos olhos.dis se. Ela sempre foi ponderada. Pronto.

Ele ficou chateado e não veio. quando a Dé comentou o fato de vir morar com você. Quando eu estava no apartamento da Dé. eufórica e queria que eu e a Dé fôssemos com ela a uma casa noturna... Tentei falar com ela a tarde toda.. Dizia que você queria uma emp regada.. lavou as mãos. de comportamento adequado e. mas tem algo errado. Fica procurando motivos para reclamações. Principalmente quando e la começa a se comportar agressiva.. acredite. A Débora não é boba.. Parec e que ela não gosta de nos ver progredir. levando recados de que ele queria vê-la. Havia um pó esbranquiça do em seu nariz. Não é como você pensa. acho que a vi cheirando alguma coisa.. .. Mas isso não é errado... não gosta de paz. analisando os fatos. porém a Dé não percebeu. brincando e sorrindo aliviado com a presença do irmão. Eu esqueci completamente que marcamos para você trazê-los hoje aqui. Só fica satisfeita e chorando preocupa da quando nós estamos doentes. Algumas vezes. A mãe o chamou de irresponsável. Tiago foi até o banheiro. E lógico que não dev emos nos dedicar só a diversões e passeios. mas. Acreditamos que pode aco ntecer com todo o mundo.. Parec e que a Yara perde a noção de responsabilidade. Não esquenta! Você sabe como ela é! Os olhos negros de Rita brilharam.. Não entendo por que. Bem. enquanto Sérgio perguntava: E a mãe? Ah.. Essa influência é da Yara. Eu não sei o que é. Ainda bem que nós já havíamos comentado o q uanto ela é indelicada e agressiva quando quer. Cadê a Débora? . Creio que a irmã começou a influenciá A Yara era uma pessoa bacana. como se pedisse a opinião da irmã...perguntou preocupado. De repente ela ficou alegre. estou envergonhado com a nossa mãe.. Discreto... Eu não queria dizer isso a você. exigente e nervosa. Isso pelo fato de já terem conversado antes sobre a história da Débora não saber cozinhar. a té agora a Débora não retornou minhas ligações. A Débora é ingênua para essas coisas e sabe. mas. Por exemplo. Acho que a Yara faz uso de drogas. transmitindo certa amargura. através do espelho. mas pode se dar mal por causa da irmã. vou sair daquela casa.. mas. mas..... Não.indagou o irmão.Estou sendo paciente ao máximo. A idéia de diversão da Yara é outra. divertir-se. Sabe. mas mudou muito. Ele havia trocado algumas palavras com a jovem enquanto o irmão mostrava a casa para sua mãe. Rita. Nem sabia por que ela estava ali. discussões acaloradas e brigas. Não sei reconhecer. não damos notícias. argu mentou: Rita. tirou-o das reflexões... eu acho.. que é um lugar legal. pois é necessário assumirmos responsabilidad es. Oba! Tem lanche pra mim?! Não senhor! . Por que o pai não veio? . covarde. na se ... a Ya ra começou a ir lá com muita freqüência. Rita? Não posso afirmar. A Dé gosta da irmã e acaba dando ouvi dos.disse Sérgio. aproveitar a vida. Mas de vez em quando. Mas teve uma tarde que notei a Yara no banheiro com a porta meio abert a e. Virando-se para a amiga. O que a Yara falava que a deixou intrigada? Sair. menos com alguém da nossa família. Porém não conversaram o suficiente. Parece que isso a deixa feliz. Sérgio mergulhou em profundos e torturantes pensamentos. Não sei. Precisamos desse tipo de atividade.quis saber Tiago.. Rita percebeu o amigo apreensivo e decidiu omitir que Yara sempre falava de B reno para Débora.. com problemas. Você sabe.... Tiago sentiu que algo mais sério acontecia.. E a Débora sabe disso?! . O Marcílio e a Ana brigaram e a mãe queria que o pai fosse se meter.. a Yara reagia.. Sérgio. Acho que vou fazer como o Sérgio. Deixei vários recados. Ela não tem preocu o futuro nem responsabilidade e está tentando influenciar a Dé para esse tipo de com portamento. Não tolero. Como assim. Deixei vários recados na caixa postal. pa ra te falar a verdade. mas fiquei inquieta quando estava lá e. E ntretanto a inesperada chegada de Tiago. O pai não foi e então. sentou-se à extremidade da mesa e foi se s ervindo... Você viu alguma coisa? A Yara não fuma e nem faria isso no apartamento porque a Débora detesta cheiro de cigarro.. Era totalmente contra.

ver melhoria na vida. Mas o irmão não lhe r espondeu de imediato. Deve ser isso . Sérgio p ediu: É melhor se sentar.. Tiago. por isso começaram a falar sobre assuntos corriqueiros. S .. contrariado e incrédulo. ou farei o que deveria ter feito. a jovem a baixou a cabeça e foi para o banheiro. . Rita. Preciso que me conte tudo. Mesmo na cozinha. Preciso ir ao banheiro. Estou com medo e preocupado de que tente de novo... Sérgio explicou a Tiago exatamente tudo o que aconteceu na casa de Rita. Sérgio ficou alerta todo o tempo. Não é fácil mudar esse estado mental como um passe de mágica. fui eu quem a tirou de sua casa. ele pediu com bondade: É melhor comer. Tiago os seguiu e perguntou nervoso com a situação: O que está acontecendo aqui?! Dê um tempo. Nem se f or só uma parte do lanche. por isso sou responsável por não tomar qualquer providênc ia ainda! Ou você me obedece. Nada de banho. Rita! Somos amigos e não vou correr o risco!. Os irmãos se entreolharam e Tiago entendeu que não era um bom momento para qualqu er pergunta ou comentário. petrificado. Sérgio perguntou: Tudo bem? . Ficou louco?! . Após o ocorrido de hoje.Voltando -se para a jovem.murmurou ela entre o choro. que escondia entre os longos cabelos. A situação é delicada. pedindo baixinh o: Com licença. Não tem mas .. E o fato de ela confessar que tentou suicídio.Vendo o irmão inquieto e exaltado. Aonde você vai? . vou arrombá-la e sabe que sou capaz disso! Ent endeu? Mas.Vendo-a obedecer. vagarosamente. o amigo pediu em tom brando: Desculpe-me por agir assim com você.Percebendo que a amiga foi para a sala chorando e usava a toalha para secar o rosto. Tiago sentiu-se mal.. um exam e de corpo de delito comprovariam minhas suspeitas. Você vai usar o banheiro do corredor e a porta deverá ficar aberta dez centíme tros. franzindo a testa em sinal de desaprovação. apes ar da fala mansa: Eu gostaria que a Débora estivesse aqui.. Pode acreditar! Se fechar a porta. observando-os. Sérgio! O que é isso?! . lançou-lhe um olhar autoritário e praticamente ordenou. Sérgio. considerando o imp acto sofrido. andando de um lado para o outro. A moça abaixou a cabeça e.. Rita levantou-se. falou sem trégua. O que você está fazendo?! Por que isso?! Ao vê-la sair do banheiro com uma toalha nas mãos... Inconformado. certo?! Ficarei aq ui! Pode ir! Com lágrimas correndo no rosto.exclamou Sérgio também apreensivo. Nós discutimos hoje cedo e acho que ela está magoada comigo. Fragilizada. enxergar o fim de uma dor insuportável pela perda de pessoas queridas. ele foi até ela.. . O tempo está passando e precisamos ter uma boa conversa. É sim. . de ixou-o perturbado. mas somos amigos e o Tiago não é um estranho. Entendo que esse estado de depressão extrema não a deixa ter esperança. Rita. Puxando uma cadeira para p erto do sofá onde Rita sentava. eu.. para eu saber que decisão tomar. Mas já que não está.cretária. Depois de todos os detalhe s. por favor.Breve pausa e tornou: Eu gostaria muito que a Déb ora estivesse aqui.protestou o irmão. Perdoe-me Rita. O rapaz se levantou.indagou Sérgio... terá de agir conforme vo dizer. minha amiga. vou entrar lá. suavemente. Ei. assustado com o que ouvia. Rita! Tenho inúmeras razões para crer nisso e uma perícia técnica em sua casa. Sérgio finalizou de forma mansa: Eu sei que a Rita está passando por um momento desesperador. tornou firme: Sou seu amigo.. . forçou-se a comer um pedaço do sanduíche. eu não acredito que tenha feito àquilo sozinha . Estava perplexo. encarando-a firme: Apesar de saber e compreender m uito bem essa postura de pensamentos.Virando-se para a amiga. Você não sabe o que aconteceu.. Tiago. Acreditando que não seria notada.murmurou Tiago. Se demorar muito e não responder ao meu chamado. . aqui e agora. a jovem desatou a chorar.Virando-se pa ra a amiga. pediu com gentileza: Olhe para mim. Tiago! . Isso é necessário? . e mbora brando. Fica na sua! Depois conversamos! .

O Rogério dependia de mim!..perguntou firme.. Aquele foi o momento. dando-se ao trabalho de colocar a faca sobre a mesa? Como teve essa agili dade de contorcionista? Não! Chega! . mas. Sérgio falou em tom piedoso: Não posso ser cúmplice e responsável por algo tão evidente.. Pensei em me matar e. Encostando a cabeça no sofá. ela pediu: Espere. Apesar de policial em atividade. Era uma rede de laticínios. Depois. morrer.. Você chegou.. Somente um choro forte e compulsivo sufocado na toalha que ela apertava contra o rosto. Mais tranqüilo. em vez de se fazer um rabo de cavalo e torcê-los para cima ou prender com a presilha? Por que o tapete da sala estava r emexido? Por que tem essas marcas no pescoço e nos braços? Por que o hematoma no ros to? Como você explica ter amarrado as mãos nas costas com a fita e tê-la cortado com a faca.. Ligou o rádio bem alto. estou certo? . O silêncio e a demor a pareciam eternos. falando pausadamente.. por que fo i ao mercado e comprou frutas. por que optou em tentar? .Ela não res pondia.. consideração e afetividade.. Sérgio! Tanto faz morrer ou não!. sem oferecer crédit o.. rapidamente. Afastando-se do abraço de Tiago. Se tanto faz morrer ou não. Eu pensei que poderia ter novamente uma família. e ele não sabia o que dizer.. de repen te. Ao lado dela.. e Sérgio continuou: Eu olhei tudo.. acostumado com as situações mais difíceis e infe lizes. Planejo u se matar daquele jeito? Mas.implorou a moça. Rita. Se queria morrer. O choro a interrompeu e a fez esconder o rosto na toalha. teve a idéia de se asfix iar e voltando até a cozinha pegou o saco plástico e a faca. Não era uma estranha. Meu pa . Por que ligou o rádio? . Então decidiu se asfixiar com um saco plástico.. Sentia-se esfriar como se fosse desma iar.. decidiu se matar. O que aconteceu? Não tenho razão para viver.. mas ele não deu trégua e fazia perguntas após p erguntas: Seus cabelos são bem compridos e quando você os prende é com uma presilha ou o que vocês mulheres chamam de bico de pato . impedindo-o e o irmão obedeceu.. Mesmo sendo seu ami go.. Tudo ia bem. Não conseguiram me avisar por eu estar no apartamento da Dé e. desembrulhou as compras.. Tiago se sobressaltou.. O Gust avo me deu muita força e. Ontem telefonei e soube que minha tia morreu. Não houve resposta. abraçou-a num gesto amigo. . ela se recompôs e falou ao erguer o co rpo novamente: Eu queria sumir. Rita. mas Sérgio sinalizou..chorou. Ficamos noivos duas semanas atrás. Por que eles estavam soltos e como se estivessem empurrados para dentro do saco. a inquietude e a apreensão o dominava.. inclinando-se sobre os próprios joelhos. Saberia esperar. Sem diz er nada. Não.. Enquanto Sérgio permanecia atento ao encará-la. Por que não tentou se sui cidar na cozinha. Pre ciso de um tempo. aquele era um conjunto de circunstâncias e condições bem diferentes por se envo lver emocionalmente. Perdi meus pais em um acidente e stúpido.. eu tenho de tomar uma providência. Tentando ajudá-la.. Tiago não suportou. . permanecendo em rigoroso silêncio.. Tratava-se de uma amiga pela qual tinha respeito... relaxando o corpo e fechando os olh os.. Tiago acomodou-se melhor para ouvi-la. Sérgio permaneceu firme e calmo. prendendo-o com uma fita adesiva larga daquelas que se cola ou prende caixas de papelão? Depois cortou a fita que e nrolou no pescoço com uma faca que encontrei sobre a mesa.. mas não guardou. Não tenho mais nada. Então pegou a mesma fita e enrolou os pulsos com os braços nas costas para não tentar rasgar o saco plástico no desespero da asfixia? . Não tenho nada a perder. Pouco depois. e conforme os fatos. Teve a intenção de fazerlhe um afago. ainda é tempo de eu tomar uma providência a r espeito. O rosto belo e agradável de Tiago parecia terrivelmente transtornado. pegou a fita.. o rapaz permaneceu imóvel e socorreu-se em uma prece. ovos e outras coisas para sua provisão? Quem planej a se matar. não vai se importar em ter alimentos em casa.perguntou Sérgio. Só quero entender.e não me convencer. Não tenho ninguém.. mesmo gostando muito de você.a jovem implorou com um grito de lamento.. Mesmo sen tado. perguntou tranqüilo: E então.Ela chorava. captou um brilho estranho nos olh os de Rita que se esforçava para dizer algo. concatenando as idéias do irmão.. só observando. Rita? Por que foi até a sala? Não sei!. mas ainda restava o meu irmão! .Alguns minutos e a jovem relatou: Meu pai e o irmão dele abr iram uma sociedade há muito tempo.

. M as. começou a beijar meu pescoço.. Mas minha mãe começou a desconfiar do meu tio. mas meu tio teve direito de apelar para instâncias superiores.. insensível e de sumano com as palavras. Com o que.. recostou-se no ombro de Tiago e contou: Não vou negar que quero morrer! Minha vida não tem mais razão. sempre secando as lágrimas que rolavam. Eu não . Ele foi cruel. Eu enlouquecia a cada minuto! Então ped i que me matasse de uma vez! ..perguntou Sérgio. Não sei direito...Chorou. Gan hamos à causa.. Aqueles de quem gostei estavam embaixo da terra.. como se quisesse recuperar as forças.tornou ele.. . Convenci o Rogério p ara nos mudarmos para uma que era menor. tornando-se sócio majoritár io. .... continuou: Não foi fáci l eu me inteirar dos assuntos de negócios. O advogado moveu uma ação contra meu tio e foi fácil provar as suas falcatruas..Apesar do choro. N as vezes que nos encontrávamos. Nós brigamos. Ele me bateu. Então. Era uma fo rça. aquela angústia. Rita fazia uma pausa vez ou outra...indagou Sérgio. Essa era a opinião do Rogério. .. mas ajudav a.. Não ganhava muito. . que não entendia nada. o que esse passado tem a ver com o que aconteceu hoje? . Foi severo e me atormentou quando disse que não adiantaria eu ganhar a ação.. pois meu pai o depositou na conta da empresa de laticínios.Ela chorou e Tiago recostou a testa em sua cabeça. receber o dinheiro e saber que eu não tinha mais ninguém para me amar . Não sei como encontrei aquela fita e dei para ele... Ele dizia que nosso tio me olhava com audácia... porque não parava de falar. A amiga chorou...... a jovem revelo u: Era muita dor! Fiquei fora de mim e. Rita? ...tornou o amigo. E a sua? Acho que aquele crápula nojento só queria nos provocar! Rita.. Insinuando-se com olhares e mo dos. Não agüentei tanta coisa!. Aconteceu algo muito estranho com meus sentimentos. Não parava de dizer coisas que me deixavam desesperada ! Eu gritei! Briguei!. Decidiu vendê-las e injetar dinheiro nos negócios.. Sua respiração ficou alterada e seu coração acelerado. Minha sorte foi ter um emprego.. frio! Suas palavras pareciam me dominar. afagando-a ao imagi nar seu desespero.. Estranhos. É.. . Eu queria acabar com aquele vazio..tornou Sérgio em voz baixa. Com o a justiça é lenta.. F iquei atordoada.murmurou desalentada e sem chorar.. O contador cuidava dessa separação.. Uma vontade imensa de morrer....contava com a voz entrecortada pela dor. prosseguiu demonstrando repulsa: Mandei que fosse embora.. Meus pais morreram no acidente.. o Rogério cismava. Mas?.Alguns segundos e continuou: Ele propôs me ajudar. se eu quisesse. Procurando esconder o rosto no peito do amigo. Meu pai tinha mais de cinco casas muito boas e devidamente alugadas. Falava de um jeito dominador. Assim. Con tratei um advogado com o dinheiro que meu pai deixou em depósito numa aplicação para e u fazer a faculdade.perguntou sério e bem direto para ajudá-la... aquela que moro. murmurou. Depois que amarrou minhas mãos nas costas. Restavam ainda os aluguéis de três casas que não foram vendidas. Isso foi me dominando conforme ele falava e f alava!.. teríamos de esperar anos até um novo julgamento... Pouco depois. E depois?. O dinheiro das cas as vendidas sumiu. Eu o emp urrei com o ombro e ia correr quando ele me segurou.. Logo respirava fundo..i confiava demais no meu tio e. Mas.. po is era maior e receberíamos mais.questionou Sérgio. Meu irmão não suportava nosso tio. Quando voltei para casa.. convencido por minha mãe. sendo comidos pelos vermes. cheguei do merca do e me surpreendi com meu tio entrando na cozinha.. Seu irmão não gostava de ver o tio de vocês olhando-a como se a desejasse sexualmen te? . Principalmente?. .. .. O quê? ... Alugamos a outra. mas.. mas os negócios foram caindo e os prejuízos apareceram. Ele ligou o rádio bem alto... . queria comprar a parte do meu tio na sociedade e se livrar dele. Me beijou a força. ele não devolveu o que nos pertencia por direito. Disse que não tinha dinheiro. e prosseguia: O Rogério se revoltava às vezes.. hoje... me jogou contra a parede. a dor da solidão e as lembranças acabaram comigo. . Principalmente.. com minha vida.. Não me recordo bem... Parece que me u pai..

você estava vestida com essa mesma saia modelo. Tiago acomodou-se a seu lado sem dizer nada e Sérgio p areceu impiedoso ao continuar: Vejo que está melhor. vendo-a abrir os olhos.tornou. Rita não percebeu a força que usava para abraçar Tiago. sentindose espiritualmente escravizada por uma sombra desconhecida. Saiu pela porta da cozinha e trancou por fora... e segurando-a. É o seguinte. Ela vai melhorar.. Com entonação normal na voz. Sérgio foi rápido e a segurou pelos braços. Indiano. abandonando-se sem reação. .. lembro de você entrando. falando bem firme . chamou-a para que reagisse.. Caí e fiquei tonta porque minha cabeça pareceu arrebentar no chão. . Apesar de completamente calado.. enojando-se com a sordidez de criaturas mentalmente enfermas. exibem que chegou a um estresse extremo e seu corp o reagiu reduzindo incrivelmente sua sensibilidade.perguntou sem piedade. Rita entregou-se ao esmoreciment o. Rita. mas se podia perce bê-lo contraído e sisudo enquanto mantinha os olhos cerrados. pediu p ara pegar o copo e beber a água. agarrando-se a Tiago. perguntou: Depois de bater com a cabeça no chão.. mas não conseguia. a jovem ganhou cor na face e nos lábios. largou o corpo e fechou os olhos.. iremos à delegac . Chega! Por favor. mas. encarou o irmão parecendo indignado e irritado ao perguntar sem que a jovem ouvisse: Ela está em choque! E agora? Era isso o que queria? Fique calmo você também . tirando-a das mãos do ir mão...pediu Sérgio em tom brando. mas na verdade ele tentou matá-la! Quando cheguei e a ressuscite i.. Tiago chegou trazendo um copo com água adoçada e. usou sua fragilidade momentânea e a induziu à prática do suicídio. parecendo exausto. Estamos diante de um crime. mesmo sent indo o coração disparar. Rita.murmurou após minutos. Tiago levantou-se e interferiu. Quase imóvel e silencioso. Tentei agredi-lo e correr.. Não! Sérgio! Pare com isso! . ele a mantinha em seus braços. Depois. E le espiou e acho que o viu e... Sérgio!. concentrou-se para não se envolver sentimentalmente.. pode ter alguma resposta através do seu corpo ou nas suas roupas. Você me chamou. esse caso é grave! Seu tio se aproveitou de s ua dor. Após longos minutos. Ela tentava se livr ar dele.. seus movimentos e atividades psíquicas. no rosto.falou nervoso. Características típicas de esferas bem inferiores. Parecia entorpecida.intimou Tiago..conseguia soltar minhas mãos. Levantando-se. Desligando a música.. será cov ardia e cumplicidade! Isso não vai ficar assim e eu vou tomar as providências! Ele foi interrompido por um grito desesperador de Rita que se levantou com a intenção de sair correndo. A in diferença ou inércia. Para que se sinta menos constrangida.. Essa falta de ação mostra que ela não tem uma consciência exata do que se passa ao seu redor. que é bem compri da e. que a dominou. Mais nada. Sérgio esfregou o rosto com as mãos.. não a suportando ver em desespero. o que aconteceu? Não sei. queria u sar somente a razão e não a emoção. Ach o que só acordei no quarto. mesmo quando desmaiou. Por um instante. Eu estava sem ar. nós iremos à delegacia agora. Na breve pausa. tentando lh e oferecer algum conforto. Com fala mansa e cuidado sa. Sentando-se direito . Se formos omissos.. tentou envolvê-la para acalmá-la. espiritualmen te atormentadas e obscenas. Não! Você apresenta marcas de agressão nos braços. de seus sentimentos de angústia. Tiago! .. Ele p ermanecia com um lado de seu rosto encostado na cabeça de Rita.. Sérgio pensou que ela fosse desmaiar.. Rita não sabia o que fazer...chorou. Isso pôde aco ntecer. sufocava e perd ia as forças sem conseguir me soltar. e o amigo ajudou-a a se sentar. Rita . seu tio abusou sexualmente de você?! . Seu belo rosto estav a desfigurado como se perdesse os nobres traços de antes. Ele só me olhava e ria. neste caso. pelo fato de você não saber o que aconteceu ... sei lá. Rita bebeu alguns goles e em seguida recostou a ca beça no sofá. Não lembro. .. Suas mãos pequenas e geladas tremiam e ele a ajudou levar o copo aos lábios pálidos. remoia seus pensa-men tos. como se quisesse se refugia r dentro dele. e u acho. mas ele me bateu forte no rosto. suspirou fundo e. Mesmo tendo desmaiado e não se recordando.

. protestou em tom moderado: Não acredito no que você fez.... depois murmurou: Não tenho nada. Acho que o vi.expressou-se com doce compreensão no olhar e no tom de voz . Contrariado e nervoso. Foi aí que reagiu?! .. . impiedoso.. Só vou pedir ma coisa .. Não tenho ninguém.. minha querida.vociferou Tiago. O que é mais importante para você: prender o vagabundo em flagrante ou o bem-esta r psicológico da nossa amiga? . Virando-se para ela. Sérgio não conseguiu manter a firmeza que apresentava. Deixe-a fazer como quer! Você não entende que. lágrimas rolaram em sua face enquanto acenou positivamente com a cabeça. Fiquei tonta. Sérgio andou de um lado para outro da sala... não vai me forçara nada. Foi.. mas vejo que não está muito bem e pode se sentir mal. .disse Sérgio em tom piedoso. Não vou! Não quero ir! Eu queria me matar.ia da mulher e. Não importa. continuam livres! Estou assustado com você.. Sérgio. Não há do que se envergonhar. . pegue suas roupas e fique à vontade. mas não tranque. desmaiar.. .insistiu Sérgio..Sérgio se de teve por um sentimento de indignação e ódio.... Mas ele me bateu. Não quero falar mais nada. .tornou ele em tom bondoso.interrompeu Tiago firme. Depois contou com um brilho lacrimoso no olhar: Logo vi que seria impossível ela se amarrar daquele jeito e sozinha! Peguei . Qualquer coisa. Não! . Rita. Pressionou-a tanto! Inquiriu de modo rígido. Sérgio. Tiago aconsel hou: Então vá para o quarto do Sérgio.o irmão se impôs com olhar furioso... mas não vou passar pela humilhação de contar essa história novamente. Eu queria morrer e ele ia me ajudar!. Sérgio! . Precisamos tomar um a providência. Pare e pense. exames e tudo mais é vio lentar a vontade dela! É constrangimento ilegal! Já não basta a Rita querer morrer?! O que acha que ela está pensando?! Mas esse infeliz precisava ser preso em flagrante! .implorou....reclamou Sérgio. Rita aceitou o ombro amigo.. Mas não pensou que ele fosse beijá-la. trocar de roupa e relaxar um pouco? .. Tiago! O que aquele desgraçado fez foi um crime! Sérgio.tornou Sérgio nervoso com a situação.. Se você visse como eu a encontrei!.decidiu firme ao encará-lo. desgraçados como ele... Nem por exames!. A vítima precisa dar queixa por vontade própria! Não é um crime de ação públic As vítimas têm vergonha e é por isso que. ajudou-a a levantar e perguntou com brandura e delicadeza: Você está cansada. Você não pode obrigá-la a denunciar um cr de estupro. Sérgio! . Não. Quer tomar um b anho. vendo-a chorar. acariciá-la. abraçada aos próprios joelhos. chorando em desespero. Com suave sorriso..murmurou indo para a suíte.. pára! .interrompeu-o de imediato. Estou com nojo de mim. Não! O que ele fez foi tentativa de homicídio! Isso é crime! Entendeu?! .Imediatamente.tornou ela chorando.. pode tê-la violentado! Não! Estou falando como seu amigo! Eu a considero como uma irmã! Você não sabe dizer o q ue aconteceu! Ou não quer admitir?! Não.. queria morrer.. Há. afastando-a do abraço. chorando por longos mi nutos um pranto doloroso e triste. sim! Vão pensar ou o advogado dele vai falar: se ela queria morrer qual o pro blema de ele a usar? Rita. passar por interrogatório.. chega! . ta? Ta. feche a por ta do quarto e do banheiro... Confio em você. E deixá-lo sem uma punição? . não! .. Além disso. Você foi vítima..ela falou com a voz sufocada.. Ao ficar soz inho com o irmão..confessou...O irmão ficou pensativo e Tiago comentou: Você foi mui to duro com ela.. Não quero falar disso! Não quero lembrar isso. Chega. chama.. . Se é meu amigo como diz.. Por favor.. O que te deu? Fiquei revoltado com o cara. Ajoelhou-se ao seu lado e a abraçou com carinho fraterno. Está sozinha no mundo! Forçá-la a prestar queixa. Ela passou por muita pressão..

Não. mas não é por isso que vou agredir.murmurou triste. pois foi um golpe duro. Tudo é recente e você vai s uperar. Parecia que tudo o irrita va. Tiago a cobriu com leve lençol e perguntou: Está calor..-a no colo e a levei para o quarto para acomodá-la na cama e. teve certeza de que era Rita em seu quarto e correu até lá. Desculpe-me por ter sido tão cruel com você. Segundos depois. Rita .. Algo típico de violência e luta. Rita. Sérgio falou generoso: Calma. Ela se emocionou.disse Tiago com tranqüilidade. por isso não vai ficar soz inha.. Você ficou violento com as palavras. Tirando a camiseta úmida de suor. Boa noite! Boa noite ... Acendendo a luz. fazendo com que a amiga se deitasse. Que bom! Sabe.. Estou preocupado com ela e sem sono. Eu não o reconheci! Toma c uidado! O outro ficou pensativo por alguns minutos.. . imaginando o motivo de ela não telefonar ou ir até lá depois de tantos recados que ele deixou na caixa postal do celular e na se cretária eletrônica do apartamento. comentando baixinho: Acreditei que nada iria mais me derrubar nesta vida. Quero matar aquele desgraçado! Eu também quero . Talvez a Débora me ligue e..disse Sérgio em tom brando. O calor estava forte. Sem problemas! Então ela dorme no meu quarto e eu fico aqui no sofá. Sempre te admirei por ser uma pessoa firme.. Não deixe o Sérgio fazer qualquer denúncia . Não.. Agora durma. Qualquer coisa. Não tem motivos para pedir desculpas. por isso decidiu abrir a janela da sala para que a br isa da noite refrescasse o ambiente. escutou um choro.Débora flagra Sérgio dormindo com Rita Por horas Sérgio ficou completamente insone e ligou várias vezes para a namorada. Ficou refletindo sobre seu irmão reclamar da sua agressividade com a amiga e preocupou-se com isso. Não admito violência contra uma mul er e.. Aguçando os ouvidos. o rapaz a jogou no sofá e foi até a cozinha beber água. Vendo Rita à porta a conversa foi interrompida. Quero matar o desgraçado.tornou Tiago. murmurando. obrigada. Eu sei. Apesar de longa. Não quer que eu fique no sofá? . Ao seu lado.. Mas fiquei. Não conseguia parar de pensar em Débora. muitas vezes nós nos vemos em um túnel escuro e sem recurso. Tiago prontificou-se em arrumar a cama no quarto de Sérgio. magoar e maltratar mais ainda a minha amiga. Puxa! Nunca pensei que fosse tão difícil. e la falou baixinho: Quero pedir desculpas a vocês dois. Sentou-se e deu-lhe um abraço apertado e demorado... Está tudo bem? . Beijando-lhe a testa. A jovem quase gritou ao respirar fundo acordando rápido e sentando-se bem ligei ra. No entanto. Sérgio.. Quer que ligue o ventilador? Não. mas logo perguntou: Não posso levar a Rita embora e deixá-la sozinha. Quero que sa iba de uma coisa: você tem amigos que a querem muito bem. Rita. estarei aqui na sala. despertou-a de um sonho ruim. Aman hã conversamos. a saia que usava subiu e não pude deixar de notar marcas fortes na região interna das pernas.respondeu. Está mais calma? Acho que consigo pensar melhor. mas nós estaremos com você.. Você dorme por aqui? Claro. 17 . Em vez de nos desesperarmos e desistirmos devemos cavar uma saída. os irmãos conversaram um pouco até Tiago sentir-se dominado pelo s ono e ir para o outro quarto. Acomodando-se. enquanto Sérgio tomou um banho e deitou-se no sofá.. Não vou deixar. ofereceu brando sorriso antes de apagar a luz e saiu do quarto.. Sua vida não será como antes... gentil e algo arrependido. É só me chamar. Ainda na sala. por ser alguém que considero..

não é nada disso que está pensando! . Alguns segun dos e a jovem abraçou-o com força chorando muito.suplicou humilhantemente. Ah! Não?! . moveu-se para acender um abajur na cômoda ao lado e apa gou a luz forte do quarto no interruptor perto da cabeceira da cama. O verdadeiro propósito era desequilibrá-lo e a primeira coisa a fazer era deixar o rapaz sem estrutura emocional. Olhand o-a. Horas haviam passado quando. Algum tempo depois. A amiga teve outra crise de choro e se abraçou a ele. Estou com medo! Não quero dormir! . incrivelmente amedrontada. vagarosamente. enquanto ele inclinava a cabeça sobre a moça ao envolvê-la com o braço. Rita entrou em pânico. Eu fico aqui. cuidadoso. Não foi fácil o amigo conseguir acalmá-la. reclamar e desabafar como se precisasse contar sobre sua vida. e sussurrou em desespero: Débora! Não julgue! Pelo amor de Deus! Você não sabe o que aconteceu! Vamos. Imediatamente. Vem. me ouça! Débora estava em pranto. Você está segura aqui.A princípio. A postura estava incômoda para sua coluna e Sérgio se ajeitou. Rita ainda exibia medo. mas acabou adormecendo sobre o ombro do amigo. a porta da sala foi aberta com delic ado cuidado para não fazer barulho e fechada com a mesma cautela. Sérgio acordou e reconheceu a namorada perplexa fitando-o de for ma incrédula.tent ou terminar a frase. Débora respirou fundo. atuavam com incrível fervor.. Sérgio tentou explicar: Débora. mas reagiu furiosa e deu-lhe forte tapa no rosto.exigiu. . Vou fazer uma surpresa! . Ela tirou as sandálias deixando-as na sala para não fazer ruídos e foi para a suíte. Fique tranqüila. ela c omeçou falar. Sérgio a segurou firme pelo braço. que estava paralisada à porta em verdadeiro choque pelo as sombro.. Coitado! Deve ter se cansado de me esperar . Levantando-se às pressas. Vou pegar alguns travesseiros aqui no armário para que fique quase sent ada . impressionantemente voltados para o mal. deitado na cama abraçando-a!. Sabia entender o valor e a importância daquele desabafo. Sem se conter. lentamente. Eu confiava em vocês dois como nunca confiei em alguém! Ao vê-la abrir a porta para sair. O objetivo era atrapalhar o máximo possível à vida de Sérgio a fim de que ele não cumprisse sua proposta reencarnatória. Parando à porta. sobre as dificuldades enfrentadas desde quando perdeu os pais. ao virar para olhá-la novamente.. Tirando o braço da amiga que o envolvia.. sobrepondo o braço n os ombros da amiga que recostou o rosto em seu peito.. Correndo atrás dela.. Entrando na sala . mas ao tocá-la. ele. O rapaz ajeitou os travesseiros para que ela se sentisse mais confortável. Tive um pesadelo horrível! Espere. ela o encarou com forte . Abraçava-o pela cintura. Olhando para o lado viu Rita dormindo. Tire suas mãos de mim! . ele se aproximou da namorada. mas sem machucála e pediu em tom de desespero: Por favor. Depo is de vê-lo pôr a mão na face.disse chorando. Não me deixe sozinha! Não apague a luz! Tudo bem. O que quer que eu pense?! Ela é minha amiga. colocando ambas as mãos para tampar a própria boca a fim de segurar um grito e o choro.. Encoste-se aqui .dizia Sérgio com generosidade. Débora ficou petrificada ao ver Rita deitada naquela cama e sobr e o ombro de Sérgio. enquanto colocava as sandálias. No entanto energias pesadas arrebataram o rapaz num sono irre sistível e ele adormeceu ali mesmo. Sent ou-se ao seu lado e percebeu que Rita não queria se recostar.gritou chorando. Débora sorriu ao ver a janela aberta e a suave luz que vinha do quarto do namora do. Na espiritualidade Sebastião e sua equipe de companheiros. dando-lhe as costas e indo para a sala. foi interrompido. secando as lágrimas no lençol. Sérgio pensou em ajeitá-la e se levantar. mas decidiu demorar um pouco temendo que ela acordasse.. Olhe para você! Sem ca misa.pediu com bondade. Está tudo bem. pensava. rapidamente afastou-se dela. Aos poucos Rita se acalmou e com a intenção de vê-la ador mecer. ela olhou para os lados como se não recordasse de tudo. Além de vingar-se dele por não ter sido comparsa das maldades praticadas por alguns daq uele grupo no passado. e u.

Rita! Rita! . Sérgio i ria se desequilibrar.gritou Tiago correndo atrás da amiga. Em seguida. diante das circunstâncias. Perceben do Sérgio confuso e inquieto com os últimos acontecimentos. Enquanto tudo acontecia. Lentamente foi se acalmando e. foi até o quarto. . Repentinamente um assomo de idéias e de lembranças terríveis invadiu seus pensament os. principalmente pelo seu amor por Débora.dizendo isso. mas com sua própria irmã. gritou e chorou agindo de forma quase insana. contou tudo pausadamente. mas ficou à distância sem ser visto para não se envolver. Depois os mesmos espíritos inspiraram Sérg io a revoltar-se com os fatos e as condições que ocorreram com Rita. Ao olharem. eram indiscutíveis... Sérgio não percebia ou admitia que os estranhos acontecimentos eram facilitados e os sentimentos de angústia impostos por espíritos maus. esvaído de força e ânimo. parecendo em choque.. Aproximando-se. obrigando-a contar à verdade que nem lembrava pelo choque. Por se encontrar em uma situação em que o passado parecia bater-lhe à porta. Assim não foi difícil o espírito Sebastião atormentar a moça. que deixou seu coração piedoso envolver a a miga tão carente e. afinal. não foi difícil inspirá-lo a m ostrar a casa para sua mãe. sob o e feito de horrível pesadelo. mesmo com o coração opresso que palpit ava amargosa dor. que a namorada presenciou. momento em que esses companheiros espirituais envolver am dona Marisa para reagir abruptamente no quarto do filho e ofender a jovem Rit a já bem abalada com suas particularidades. pois as condições e o conjunto de acontecimento s.mágoa intimando-o ao exigir entre os dentes cerrados: Tire suas mãos imundas de mim e nunca mais me procure! . fazendo os pensamentos do rapaz se ocuparem com outras coi sas a fim de ele não olhar para trás após o barulho sutil da sacola tombando. só vir am rapidamente Rita se virar e correr. mas ela não quis me ouvir. Tomado de súbita revolta. Com a ajuda do espírito Sebastião. algozes do passado e outros que não queriam ver realizadas as tarefas às quais ele se propôs e ajudariam a muitos . Meu Deus. Não sabia o que fazer. Sérgio não disse nada e saiu. ela fez com que Sérgio se distraísse a o colocar as sacolas com as roupas de Rita sobre a cama sem os cuidados necessário s para que não virasse. vagarosamente. Sérgio permanecia paralisado fazendo uma retrospectiva do pass ado em que a ex-namorada Sueli o encontrou em situação quase semelhante. ele só viu aquela cena e não sabia o que estava acontecendo. Ela não acreditaria e m sua palavra ou em qualquer explicação. Trocando-se rápido.. Os irmãos estavam sentados no sofá e um vulto chamou-lhes a atenção. Naquele dia tudo se repetiu. atraindo Sérgio. D epois.. induzindo-a a decisão de ir até a casa de Sérgio e ver o namorado deitado ao lado de sua melhor amiga. Tiago tentou segurála e ao envolvê-la com cuidado foi vítima de vários murros e tapas que Rita desfechava em seu peito.. Por que o destino lhe estava sendo tão cru el? Ele amava Débora com toda a força de sua alma. ela saiu e foi embora sem olhar para trás. murmurou perplexo: Tentei explicar. Parecia sentir tanto nojo de mim. quando esta dormia. ela o abraçou forte e chorou muito. a jovem teve uma forte crise de nervos e. * * * . Tiago chegou à sala no momento em que Débora estapeou o namor ado. excessivamente abalada. percebendo o irmão desolado e incrédulo aproximou-se e indagou ligeiro: O que aconteceu?! O outro. Atraído pela conversação. fazendo-o tomar uma postura incomum à sua personalidade ao produzir extremo sofrimento moral à amig a. Tanto ódio. Sérgio ficou atordoado. Sentado na sala. o espírito Lúcia se comprazia imensamente com os últimos a contecimentos. medo e estado atônito. dominá-los pelo sono e p elo efeito de energias pesadas. pegou suas roupas e saiu do recinto sem atender aos chamados de Tiago que confortava Rita.murmurou Sérgio sem acreditar no que acontecia. Mas o auge do sucesso das más influências e inspirações desses espíritos tão inferioriza os foi o envolvimento de Débora. No quarto.

em dete rminado tempo.pediu a dona da casa com agradável prazer. dona Antônia o abordou com delicada generosidade: Já reparou que eu gosto muito de chamá-lo de filho? Sim. Vem. P me adotar como sua mãe do coração. Talvez a incerteza. dona Antônia. a impaciência. que te deu a vida. Recebido pela agradável dona Antônia. Para não chorar fez-se firme e s uspirou fundo levantando a face para o teto e circunvagando o olhar para se dist rair. Sentia vontade de chorar. Porque não podemos colher uvas de espinheiros . o desassossego queimaria sua alma. Ah!. filho. Sérgio. mas se continha. mas. tão elevada espiritualmente. . mas eu sinto.Deu leve sorriso e confessou: Já me pergun tei: por que a minha mãe não é como à senhora? Ou. Sem entender o que acontecia consigo. a aflição pelo fu turo indeterminado sejam as ferramentas de uma espécie de ataque espiritual invest ido contra você com a finalidade de atrapalhar os seus feitos.. Sinto-me lisonjeado pela consideração. você é uma criatura tão boa.exclamou sorrindo. dona Antônia. Sérgio.. pegou em seu braço e comentou com brandura: Venha. pouco entendimento. mas não sou tão bom e e evado como à senhora imagina. dona Antônia preocupou-se e avisou: Posso não saber detalhes do que está te fazendo sofrer. por isso fico muito feliz quando vem aqui em casa. Acredito que converso mai s com a senhora do que com a minha mãe.. .. dona Antônia . Obrigado. Já reparei . Sérgio.. Sei que iss o está sendo insuportável. Eu já esperava por isso. Você está sem rumo. Mas como Deus é sábio. Sabe. tribulações aconteceriam e o inevi tável sofrimento tentaria desgostá-lo de tudo... sentindo o coração oprimido. mas. A mulher se aproximou. mas de prática cristã. Sérgio sentiu-se desesperado e foi até a casa do amigo João. entre. Como assim? Perdoe-me. Antecipando a retomada do assunto. Atento c omo de costume. Em seguida falou bem séria: Você é e uz. bom e justo deixou-me adotá-lo como filh o do coração. Não sei se posso afirmar que sofro algum tipo de influência dos espíritos maus ou s . meu filho... Entendo. Aind a estou sob o impacto de um choque. Obrigado. Emanando indescritível tranqüilidade. filho. É sim! Desde quando o João te trouxe aqui nesta casa.riu com gosto. Não entendi. quase marejados. com toda a certeza.afirmou.riu a senhora.Percebendo que o rapaz não compreendia.. pois não sabia o que fazer. meu filho . mas pareceu desorientado e seus olhos estavam brilhantes.. eu sabia que. . q e oferecia: Aceita mais um pedaço de bolo? Não. .. Apreensivo diante da colocação... . Sérgio ficou p aralisado e novamente a senhora o chamou: Entre! Ele não vai demorar. a mulher observou sem alarido: Você está abatido. Sérgio comentou vacilante: A senhora conhece muitas coisas sobre a minha vida. Eu o adotei bem crescidinho! . .. porque toda árvore boa dá bon rutos .o rapaz sentiu um trav o na voz e lágrimas quentes brotando em seus olhos. Desculpe-me se não consigo ficar tão. É que. a senhora não sabe o que estou passando. eu soube o quanto você era bom.falou desanimado. Vós sois a Luz do mundo! . mas nunca deixe de amar a mãe que te trouxe ao mundo . Dona Antônia. E sei também que não é por acaso que está aqu agora.Pequena pausa para ele refletir e continuou: Sérgio. Não demorou e lá estava ele sentado à mesa tomando uma xícara de chá com dona Antônia... Acho que precisamos conversar. seus trabalhos dete rminados no auxílio.Após não encontrar Débora em seu apartamento nem conseguir falar com ela através de l igações para o celular. que eu gostaria que f osse meu filho legítimo. Obrigado. Por que a senhora não é a minha mãe? Você é meu filho de coração..tentou dizer. meu filho. Está com a mente longe. ele sentiu amarg o gosto de decepção ao saber que o amigo não estava. sorrindo com brandura. Agradeci tanto a Deus por tê-lo encontrado e deixado que seus primeiros passos dentro do Espiritismo fossem sob a luz do pou co entendimento que tenho. o rapaz se deixou conduzir como se algo envolvesse seus sentimentos e nublasse seus pensamentos conflitantes. Ora! Entre. mãe de João. Tantas coisas aconteceram repentinamente.

algum hábito ruim. Difícil é mudar verdadeira te o comportamento. Depois desfechou: Então. essa angústia ue vive agora é por coisas que aconteceram para você.. Alguns com tarefas ost ensivas outros não. . É lógico que reagiu. a moral. Temos tantas deficiên ias que não é fácil admiti-las. é porque a pessoa já passou pelos outro s estágios de obsessão e o seu orgulho é o principal instrumento do espírito obsessor qu e pode arrastá-la à obsessão por subjugação. já esteve diante de casos simples demais. a questão 192. Disseram isso agora nos meus pensamentos. O João comentou isso com a senhora? Não. Isso é coisa bem fácil de ser feita por espíritos maus e sem evolução. vira santo ou vai para o céu. mas é bom lembrar que o espírito é a alma da criatura humana na espiritualida de. não é? . o pensamento elevado e a fé constante. Não tenho muito estudo. Você acredita? Lógico! Acho que sei como é.em instrução. Isso acontece com médiuns que nem sabem que sã iuns. com a mudança de pensamento e comportamento você provará ao es pírito obsessor que quer perturbá-lo que não será mais possível enganar e abalar você. É o que eu sinto. O espírito obsessor é o único que consegue t a nossa máscara. e somente se . Não sei o que fazer. . vivi experiências espirituais quando morava na casa dos meus pai s. as quai considero mais que alguns parentes acabam tendo problemas graves e ao tentar aj udar me envolvo em situações difíceis. gritou. para atingi-lo e deixá-lo aflito usam situações à sua volta com a intenção de perturbá-lo e cegá-lo para o q rto. esmurrou mesa. algum a falta de caridade? Quem?! . filho! Existem vários tipos de obsessão. dona Antônia. Esse sofrimento. Até porque nada aconteceu comigo diretamente. Como comentei. perder a paciência..Olhando-a nos olhos. demonstr ando calma com tudo que parece acontecer a fim de desiludi-lo. tudo ficou mais calmo até a Débora ficar sem emprego. segurou a Débora como se a agredisse. todos somos em maior ou menor grau. Como contei. tem gente que não admite ter o defeito de sempre acr . você mantiver o caráter. e depois o preveniu : Você passa por uma obsessão. Tem que rez ar. provocando situações irreversíveis. Depois que me mudei. Por isso não pense que. quando alguém morre.Os dois sorriram e el continuou: Então ao adquirir conhecimento através de cursos e estudos sérios e sob a Luz da Doutrina Espírita. Aliás.A senhora riu ao comentar: Vejo que l ivros que te dei! Agora fica mais fácil conversarmos. Sérgio. É bom que você admita seus erros. Mas agindo pacificamente. além disso .Ele ficou pensativo e silencioso e dona Antônia expr essou-se melhor: Por exemplo. nos últimos tempos. A influência e a inspiração salutar de seu anjo da guard a ou mentor podem afastar esses espíritos ignorantes e inferiores se. Pessoas que são importantes. Adquirir conhecimento através da Doutrina Espírita é fácil. usam sua preocupação ou o seu medo para te atormentar. pois o corpo físico é o disfarce que usamos quando encarnados.. Só a mudança de pensame comportamento pode nos livrar de qualquer tipo de obsessão. mas sim com aqueles que es tão à minha volta. Com erteza. como psicólogo. esse espírito será persistente e teimoso. E m O Livro dos Espíritos. A mulher ficou pensativa e silenciosa por longos minutos.. Como se procurasse refúgio naquele coração materno atento a o que o castigava. Sérgio.Alguns segundos de reflexão e falou: Quando se chega ao ponto de fascinação. Sérgio. Sérgio experimentou-se esv aído de forças e alternativas. mudarmos e nos reformarmos intimamente. Não é só isso! Não é tão simples assim! . Daí vem o seu medo de sair da polícia e perde oportunidades de trabalho. Veja. magoá-lo e angustiá-l o. você fará esse espírito se cansar. a obsessão pelo estado de fascinação e a obsessão de subjugação. as energias e ele sairá da sua v ida ou será retirado por entidades mais elevadas para ser encaminhado a lugar propíc io. mas as principais variedades são: a obsessão simple s. Você é médium. Sim. mas sei que você. Não pode negar isso. diz: Aquele que se julga perfeito está longe da perfeição . pois já superou sua prova. ele contou-lhe tudo o que aconteceu nos últimos tempos. eu reagi de maneira muito e stranha do meu modo de ser. Mas isso se aprende com o tempo. Quem. Sei que já estu ou isso. Não. Mas uma coisa é certa: a aquisição de informações e instruções através dos livros da icação Espírita é uma atitude de grandioso valor em caso de obsessão. dos encarnados. Não! Os e spíritos têm a invisibilidade a seu favor e agem nos pensamentos dos encarnados quan do encontram um terreno fértil. pode dizer que não tem algum defeito. po rém para o paciente a situação era um bicho de sete cabeças. É isso.

Rendendo-se ao seu maior temor.editar que tem razão em tudo ou que conhece tudo. Apontando para a sala como se pressentisse algo. mas a empregada avisou que a jovem havia saído. Ela está com você? Está sim. pois não sabe de nada. E agora? Ainda não tenho qualquer solução. sendo vi gilante nas atitudes. . nossos vícios se identificarem com os fluid os dos espíritos inferiores. pois precisaremos manter o controle. Se não encontrá-la. dona Antônia serviu-lhe mais chá e aguardou. Vá! Fique à vontade. Como últ ima alternativa. suplicar para que os espíritos bons e evoluídos se liguem a nós. do desejo de que um conhecido não tenha sucesso. depois comentou: Cheguei aqui com os pensamentos fervilhando. Não sei. respirou fundo e foi até a sala como proposto. Mas nem quer ouvir a sua voz. do desrespeito.. a senhora ofereceu: Ligue daqui mesmo. O que você quer? Yara. a senhora sabe! Às vezes nossos planos não seguem conforme queremos. maldizem sobre a vida alheia. ele ligou para o celular de Yara e foi atendido: Eu já esperava por sua ligação. E eu não sei como tem coragem de tentar s e explicar depois de tudo o que ela viu! É muita cara-de-pau! Yara. pensamentos e reações. Ele só se afasta e observa a sua inclinação às inspirações do espírito inferior.. Sérgio telefonou para a casa dos pais de Débora e pediu para falar com Yara. rogar. ou seja. o espírito obse r produziu impressões em seus pensamentos e você não suportou o tormento. mas a caridade por não demonstrar pieda de com a língua afiada que comenta o que não se deve. Muitos rec ebem advertências por seus defeitos e vícios. O rapaz tomou alguns goles. por favor.. O que vai fazer? ...... Nos momentos em que se irrita. E eles acreditam que nenhum ma l fazem com a língua enquanto ferem o próprio espírito por suas más tendências. Logo anunciou: Vou novamente até o apartamento da Débora e se não estiver lá vou para casa e ligarei para a Yara.. Débora! Precisamos nos ver! Você não sabe o que aconteceu. Em alguns não faltam somente à caridade material. preste atenção e. Sérgio sentiu-se estremecer. Isso mostra q ue você é um ser humano em evolução e necessita ter bom-senso diante dos fatos.. Respeitando sua reflexão no semblante preocupado. fazer nossa ref orma íntima para nos afastarmos das más inspirações. jamais nos elevaremos para que as boas entidades nos inspirem. não desligue . Não conseguia organizar as idéias e. Sérgio . Temos que mudar nossa forma de pensar e agir...puro silêncio.. O rapaz sorriu levemente. Não é um assunto para ser conversado por tel efone. ... Mas. Adoro a Débora. quem acr edita estar ao seu lado? O seu anjo da guarda ou um espírito sem evolução que quer seu mal? Sérgio riu e comentou: Meu mentor ou anjo da guarda deve ir para bem longe! Não. por isso devemos nos prepara r para tudo. Quem sabe ela tem alguma informação. mas poucos ficam alerta. deixe-me falar com a Débora! Longos segundos e escutou: Alô?. pois provocou seus sentimentos e o deixou se ridicularizar. como se estivesse com febre.. mas se não tiver escolha. Por favor.. O tele fone do apartamento da namorada não era atendido e o mesmo acontecia com o celular . mas sinto que posso organizar as prioridades. Preciso encontrar a Débora e esclarecer tudo. Não fique apreensivo até chegar lá. coma ndar as emoções. Sentia minha cabeça literalmente q uente. Depois ele prossegui u: Eu preciso falar com a Débora..Breve pausa e advertiu bem séria: Se você sufocou suas verdadeiras reações até hoje. criticam a atitude dos companheiros de jornada. Isso significa que o espírito obsessor arrancou a minha máscara? Sim. Até para situações imprevistas. E se não encontrar a moça como pretende? Você tem que pensar em todas as pos sibilidades. do ciúme. chegando ao extremo de agir e reagir como você realmente é.tornou ela com paciência peculiar. a irmã dela. concordando positivamente ao acenar a cabeça. mas enquanto nossos pensamentos. Outros o hábito ruim do mau pensam ento.disse a moça friamente. nossas más tendências. não julgue. Ele levantou o olhar parecendo beber-lhe os elevad os conselhos.

Dona Antônia espiou a distância e decidiu não incomodá-lo com perguntas.quis saber João. Sérgio? Esse é o meu problema. Ora. Eu mesma vi! Não precisa me contar! Débora.. A senhora não está pensando em.. ...... O que vou dizer para ela? . Ela trabalha. na sec retária eletrônica de seu apartamento?! Eu estava desesperado atrás de você para que fos se até a minha casa! Depois da forma como me tratou em meu apartamento?! Não poderia se vingar de mi m de forma mais cruel pelo fato de eu gritar com você! Você foi insensível. Você não sabe o que fez comigo.... Cabisbaixo. pediu: Descul pem-me por incomodar. ..afirmou com voz de choro. pois terá mais tempo para pensar sem perturbar a menina . seu irmão estará lá e tudo mais calmo. Dona Antônia olhou para o filho e aconselhou: O almoço está quase pronto. * * * Após o almoço. Dona Antônia explicoulhe abreviadamente o acontecido e.tentou argumentar.. .. menino!. Sérgio se sentiu derrotado. Pobre moça..exclamou João conduzindo-o para o quarto. Sérgio bebia vagarosamente o c fé oferecido quando dona Antônia comentou: Eu estive pensando. .Ah!. Leve o Sérgio para o seu quarto e ele te conta tudo.tornou a senhora.. Preciso ir. não é.. Me atraiu até sua casa para vê-lo com a Rita. pense! Quantos recados deixei em seu celular. Sérgio! O que precisa resolver pode ser adiado e é até melhor que seja assim. Sérgio? . A Rita não deve ficar sozinha. pois minha vontade é morrer! Não temos nada para conversar. Não. Depois de tudo não será bom que ela fique em sua c asa...... deixando-o imerso em seus pensamentos. ergunte para alguma mulher o que significa ser trocada por outra.. desaparecer. Justamente quando eu passo por um momento tão difícil.. Estou arrasado. ainda sob o efeito de sérias preocupações.disse dona Antônia. parecendo suplicar. não tem ninguém e pelo que entendi não é b om que fique sozinha. Mas... Assim que chegar a sua casa. Obrigado. Preciso ir para. a Rita. pelo amor de Deus. . Minha melhor amiga! Como fui idiot a ao me deixar enganar! O que vai inventar agora? Que a Rita estava se sentindo só?! Que ela queria morrer?! Que ela apareceu no meio da madrugada pensando em sui cídio e por isso foi dormir com você e na nossa cama?! Não fale assim.. O que aconteceu com a Rita? .. Não tem idéia de como me fez sofrer. Vamos conversar junto do Tiago e da Rita para esclarecermos tudo. Sérgio se deixou guiar e.. . Débora! Por favor.. Sérgio! . Sei sim! . Sim. Largando-se ao recostar no sofá.. Essa menina é simpática e eu gosto de comp anhia.. Débora desligou. Não estou pensando nada... Essa menina. Eu te imploro. Sentindo-se atordoado.chorava. Mas... Como quer que eu fale. João o chamou: Sérgio?. ser enganada. com a minha esperança em algo melhor.. Você acabou com a minha fé. Mais de uma hora havia passado quando o amigo João chegou.. mas está de férias.. O colega abriu os olhos avermelhados.pedia. Convide os dois . após algum tempo. contou: A Débora não quer me ver mais.. De pois vocês vêm para almoçar. Sérgio?! Eu te amo. Ora.. . bem mais à vontade contou ao ami go tudo o que havia acontecido. Não tem mas . mas saiba que você acabou com a minha vida! No segundo imediato. Não poderia ser mais cruel. acomodou-se corretamente e esfregou o r osto com as mãos.perguntou Sérgio. vamos conversar pessoalmente! Meu irmão estava na m inha casa!. Por que não a traz para cá hoje para me visitar? Dona Antônia.Levantando-se.. com fala mansa e meticulosa. desumano. fechou os olhos dese jando sumir.

Os olhos de Deus o...para me visitarem e venham para cá. Siga os ens inamentos do Mestre Jesus. Realmente. Como entendi em O Livro dos Espíritos eu tenho uma meta à qual não posso fa ltar. Em momentos difíceis lembramos qu e Deus vê tudo. pois eles são os olhos de De e não os podeis enganar! . pois se ele e stá ao meu lado é por ordem de Deus.anjos da guarda.. devo instruir. João sorria admirado. Sérgio ficou relutante. mas sei que tenho um a njo da guarda ou mentor e entendi que não estou só.O Livro dos Espíritos. mas humilde. surpreendendo-o: Olá! E aí? Tudo bem? Oi. Sérgio saboreava uma conscientização espi ritual e moral bem elevada no caminho a seguir. Preocupado com a Rita.Encarando João. São as frases do dia. porém em total bênção do esquecimento na presente encarnação. Se o que te aconteceu é uma prova ou uma expiação. João adentrou na sala onde Sérgio clinicava e.. Meu espírito protetor jamais me aban donará se eu me sustentar com coragem e prece para as provações da vida. por amor e a fim de que eu não pare. Mesmo com o sofrimento íntimo. é seu dever crer em Deus e segu ir humilde. porque somente assim estarei sendo Cristão. Não. novamente comentou: Ao pegar essa frase para meditação hoje. Sua mente ficou receptiva ao ambiente vibratório elevado e à linguagem simples so bre temas e aconselhamentos tão importantes em busca de soluções. ou seja. Ent endi melhor o que vivo. mas João o encorajou e ele fez o proposto quase mecanicam ente.repetiu reforçando. . por não vê-l ia saindo quando olhou sem pretensões sobre a mesa do amigo e viu um cartão escri com uma bela letra e sobreposto em um suporte que chamou sua atenção. Tenho várias para meditação e a que casualmente peguei hoje é es a. Após a conversa com a sábia senhora. se está pagand por algum débito do passado ou sofrendo uma obsessão. resposta da questão 495. A única criatura que pode tirar a sua coragem é você mesmo. . siga adiante e evolua. longa e sem propósitos.. pois não estamos aqui por mero acaso. ela não atende.. ele parecia se desprender do que o segurava para a realização de seus propósitos na atual encarnação: a obsessão. Adorei e fiquei admirado. No plano espiritual. é uma mensagem de considerável reflexão. explicações e criações me is construtivas. Se tenho instrução. Não penseis em lhes ocultar nada. Parar para lamentar só fará a minha jornada mais tri ste. 18 . abaixando o olhar. Conseguiu falar com a Débora? .. é o desígnio que Ele traçou para mim de ac ordo com as minhas forças. Apesar da dor posso reagir com o s seus conselhos sábios se eu não ficar em crise. não humilhado. Um profundo silêncio reinou naquela sala com as palavras que ofereceram um gost o de coragem. Aceite os desafios com r esponsabilidade. pois essa meta é o próprio Deus. Isso atraiu entidades nobres que os envolveram em um círculo de e nergias balsâmicas e elevadas. devo educar. quando Sérgio entrou..respondeu Sérgio em tom triste. eu não me contentei só com o trecho. .. to e: us Na tarde do dia seguinte. amando e valorizando o que o p róprio Mestre Jesus exemplificou. coragem e fé dentro dos conceitos Cristãos a fim de cumprir com seu propósito nesta existência terrena. pois. a união de bons espíritos.. Desde quando a vi pela primeira vez!. Se tenho talentos. mas. Após longo silêncio. João completou: Mas não pode parar sua vida por conta de tudo. simpáticos aos encarnados e seus re . a letra é bonita e a frase de profunda reflexão. Não vou dizer que deixei de sofrer. Estou aflito com o que não consegui explic ar a ela. mas é preciso aguardar e isso é o mais doloroso.Sérgio fez breve pausa e desabafou: Eu adoro a Débora.perguntou o amigo. apesar das circunstâncias. Logo explicou: Acho q ue ao identificar o número que está ligando. lia-s . o rapaz sentia-se melhor. Essas forças energéticas que se fizeram em torno de Sérgi o foram alimentadas por sua postura mental peculiar que veio do âmago de seu ser e foi aprimorada através de diversas existências corpóreas nas quais se empenhou para e voluir. É que o suporte ostentand o o cartão me chamou a atenção. Sérgio! Desculpe-me a invasão e por xeretar sua mesa. Nele. Então busquei socorro na questão e na resposta completa de O Livro dos Espíritos. apesar das preocup ações.

Não pos so ficar parado lamentando nem correndo atrás da Débora. Diga. Enfraquecido. Nunca pens ei que pudesse existir um sentimento tão forte como esse. Sabe... Mas eu posso vivenciar as condições desse sofrimento sem desespero. Apre ndi a orar de todo meu coração e a ter mais fé. Por isso elaborei uma postura mental na qual reconheço minhas def iciências e busco equilíbrio constante que me ajude a viver sem ela. . mas ao mesmo tempo em que defendiam a resignação. o espírito Sebas protestava e enfrentava uma energia que o repelia dali. eu as vi fazendo planos de saír em para comprar nem sei o quê! Minha mãe envolve as pessoas de um modo impressionant e! Parece que a Rita mora lá em casa há meses! Depois a dona Antônia avisou que o Tiag o se comprometeu em passar lá e levar a Rita à universidade. Sebastião desapareceu seguido por seus acompanhant es como um aglomerado das mais profundas trevas. fazend o-o sofrer e vampirizando suas forças. .murmurou João satisfeito. contou: Ah!. Mas!.. como a Rita está? Apresenta-se bem.. Uma questão ou ensinamento me levava a busca r outro e. Como ser humano e como psicólogo eu sei que não somos e não estamos preparados para as per das. É um período de dor. de sofrimento. Você sabe como a dona Antônia é! Logo cedo. os esclarecimentos obtidos na Codificação Espírita me ajudaram imensamente. tentando fazê-la acreditar no que ela não quer. Senti o quanto à postura mental nos faz adquirir resistência e imunidad e psíquica contra pensamentos que nos doem na alma.. busca ndo estruturação e referências para prosseguir com minha vida até tudo se acertar. Entretanto não posso continuar vivendo em função de uma pessoa qu e despreza ouvir a minha versão dos fatos. atuavam neutralizando a ação dos maus. O Livro dos Médiuns e comecei a ler. Quase me esqueci.. para as separações. sem o sofriment o aflitivo. Por insistir nos objetivos de má influência nos pensamentos do encarnado e. o espírit o Sebastião sentiu-se enfraquecido e algo como que uma vertigem o fez dobrar os jo elhos que pareceram forçados a forte pancada no chão.Depois de rir. Senti como se estivesse abandonando a minha amiga quando a deixei lá. Ele os afligia. Peguei O Livro dos Espírito s. O conhecimento que tenho sobre o mundo espiri tual. O espírito Sebastião estava revoltado.Suspirou fundo. sei como vou te enlouquecer! Após outro urro repleto de ódio. . mas tud o é recente e sei que com o tempo encontrarei recursos para não me torturar tanto co m as lembranças.. o pobre e ignorante Sebastião agredia e golpeava os que permaneciam como que escravos de sua mente. Senti-me muito melhor depois.. Incapaz de reconhecer-se mau. da sublime energia do ambiente... na maldade e tantos outros vícios. verdadeiros escravos. E pela primeir a vez. com leve tristeza no olhar e falou em voz baixa: Eu adoro a Débora. após milênios endurecido no orgulho. Estou vendo! .. Está sendo difícil. Só os que experimentam o mais alto grau de esquizofrenia não sentem n em sofrem. Vamos lá! . educada e mudou muito de ontem para hoje. avisou em vibrações cavernosas: Não sei o que te aconteceu... Eles não podiam ver. torturava e c ulpava por não conseguir atormentar Sérgio nem aproximar-se dele a fim de absorver-l he as energias físicas e espirituais para enfraquecê-lo e atacá-lo mentalmente. Fiquei completamente insone. A ausência de espíritos inferiores deixou o ambiente mais leve e sereno. E seguindo em frente. as recordações. decidi levantar e ler. João.Pequena pausa. Mostra-se sociável. João sorri u e perguntou: O que aconteceu com você de ontem para hoje? Não dormi. desgraçado! Mas tenha certeza de que eu voltarei para acabar com você! Se não consigo te abalar.exclamou Sérgio repentinamente. . mas em vez de deixar meus pensamentos e m brasa e me revirando na cama. rosnou feito um bicho enquanto se levantou e. Não conseguimos passar pelo sofrimento sem sofrer. explicou Sérgio.. Não podia ver a presença das entidades mais el evadas que estavam ali por ligarem-se aos encarnados pela postura mental e disce rnimento. sorriu e comentou: Nossa! C omo você e a dona Antônia me ajudaram.. por c onseqüência.spectivos mentores. com aquele jeitinho que só minha mãe tem. o respeito às leis de harmonização e o amor aos propósitos abraçados com todo o coração. Sebastião recuou sob o e feito de um choque que lhe penetrou nas fibras mais íntimas do ser. inesperadamente. olhando para Sérgio. não nego. Seus gritos repetitivos como os de um verdadeiro louco estremeciam os que se uniam a ele. E.. Berros em onda s vibratórias que causavam terror e gemidos de medo entre alguns de seus seguidore s. É.

concordou João. João avisou: Nossa. Afastando-se.Nada é por acaso. chamou-o olhando-o firme. beijando-a no rosto. Explique que houve uma situação delicada e que na universidade não é o local .. quando piscamos . Faz teorias e suposições. Levando a mão na cabeça e franzindo o rosto em sinal de lamentação. E como ajuda! E de repente. Muito me admira. As duas pacientes eram mãe e filha e cancelaram por luto na família.disse rindo. ela.Subitam ente avisou: Ah! Consegui minhas férias para daqui a uma semana! Quase ia me esque cendo de contar! Sabe. Veja. Não é fácil obter aprovação do pedido de féri tão rápido assim. É ela q uem não quer saber a verdade.murmurou com voz fraca. Chegará à hora ce rta. tornou a perguntar: Você está bem? Estou. sussurrando... Depois. Durante o trajeto João comentou: O tempo passa tão rápido! Outro dia estávamos prestando vestibular.. Não sabíamos que era e é a cois a mais importante em nosso trabalho e o que mais nos ajuda. sentindo-se envergonhada: Sérgio.. Ei! Ei! Ei! . Certo? Mas. Quase desi sti do curso universitário por causa do serviço na polícia. É.. de ver alguns profissionais psicólogos clinicarem sem f azer a supervisão acompanhada por um Doutor Psicólogo ou Psiquiatra mais experiente e que nos leva a outro mundo completamente fora. montamos a clínica! . Quase não acre ditei que conseguiria fazer aqueles estágios para licenciatura docente. Parabéns! Queira Deus que nesse período você consiga seu pedido de demissão aprovado! Já pensou?! Quem sabe? Hoje entrei com nova solicitação. na habilidade adquirida com o exercício constante na profissão.. .admirou-se Sérgio. Em todo caso. Prometo! Hoje mesmo. Isso é verdade! . que estava pronta para ir à universidade e Tiago a esperava. Rita.interrompeu-a.. você não é ingênua e sabe que estou sofrendo sim. Em seguida.. Vamos deixar a situação esfriar. Mas vou dar um jeito nisso. fazíamos os estágios e. Agora vai! . Oi. Somos amigos dela e amigos de verdade não se abandonam. . E quando reclamamos da supervisão re comendada. É fácil desistir. pa ra não dizer que me assusta.. na sala de aula.. E se ela vier conversar sobre isso comigo? Eu duvido. Foi incrível! O melhor! Que exagero.. Desculpe-me.. coisas qu e se encontram somente na prática. Sérgio! Esqueci! O doutor Edison pediu para falar com você... embalando-a co m gesto afetuoso. Eu não tinha alternativa. Sérgio.riu. Sem problemas . Mas.. vo cê e o Tiago.. mas achei que estava com paciente e.. Vou até lá dizendo que você propositadamente não me deu o recado e ficou me enrolando. ele pôde ver seus olhos lacrimosos. se insistimos.. eu tentei falar com a Débora nem sei quantas vezes! Pedi.. peça para que conversemos nós quatro juntos: eu. minha miga.. eu. A supervisão com o doutor Edison é excelente! . esse foi atender ao telefone e Sérgio logo se deparo u com Rita.Sérgio elogiou. sempre damos um jeito. *** Mais tarde Sérgio decidiu ir até a casa de dona Antônia para saber como Rita estava . não posso mentir. Depois falou sério: Você vai até lá para e tudar e não conversar sobre o que não é conveniente num local como aquele. abraçou-a com generosidade. por cinco anos. de fazer terapia?.perguntou Sérgio.sorriu. Não podia deixá-la morando com você nem que voltasse para ca a e ficasse sozinha.. encontramos alternat ivas.. João! O Nivaldo é testemunha! .. com lágrimas correndo pela face.. Rita! Tudo bem? . Eu te prejudiquei muito com a Débora.. Entrando na casa do amigo. Comovido.. . implorei!. Fiquei tão surpreso. A dona Antônia é maravilhosa! Ei! Você não tem pacientes agora à tarde? Não. Eles continuaram conversando até chegarem ao destino.defendeu-se rindo. Eles riram e saíram juntos da sala. Nossa! Como me lembro de seu trabalho de conclusão de curs o.. Em seguida. a supervisão é importante e oferece segurança ao Psicólogo muito mais ao paciente. Além de simples.

uma espécie de professor. . Sabe. prazeres.Mudando rapidamente de assunto. Está bem assim? Rita pendeu com a cabeça concordando. abraçou-a.. fazem acusações indevidas. foram pessoas veneráveis e importantes. p ensei que não fosse suportar. Se a Débora quiser. chegando a novas conclusões que o elevarão como ser.. Bem..brincou sorrindo. nada radical.. levando os encarnados ao erro.. ligue para mim.. uma far sa. Esses espíritos inferiores que se dis põem a essas reuniões de comunicações para futilidades de encarnados. Obrigado por cuidar da nossa amiga. Ela é um amor de menina! Curvou e recostou o rosto carinhosamente no ombro da mulher e murmurou: Se não fosse à senhora. Por exemplo: os espíritos superiores gostam de reuniões. Sérgio se aproximou. com basta nte conhecimento e sendo uma pessoa bem flexível. Tem gente que leu um ou dois romances espíritas e acha que já sabe tu do.murmurou ele. beijoua no rosto e agradeceu: Obrigado por tudo. Sérgio? . quando encarna dos. Só uma vez por semana?! Pára o estudo... freqüentemente brinc am. . sim. ac omodou-se e o puxou com generosidade materna ao falar: Já sei que você quer colo.. É uma dor de verdade. sempre com o desejo de instruir e elevar a moral dos encarnados.admirou-se dona Antônia.. Sérgio se deixou ficar no abraço materno do qual tanto carecia. com grupos de estudo r espeitáveis que se dispõem ao conhecimento mais profundo da Codificação Espírita. Uma vez por semana não é pouco para o estudo? O Espiritismo é uma filosofia e uma ciência. Então desisti. irei buscá-las e conversaremos na minha casa. Não queira correr e aprender tudo de uma ve z. Ela forçou um sorriso e se despediu rapidamente. Fazendo-o se sentar. No início poderão parecer água com açúcar. Cientificamente o tempo é importante para que se possa estudar a parte experimental das manifestações gerais. O melhor é você fazer os cursos. Liguei para a Débora várias vezes e ela não atendeu. levando o rapaz para o sofá.correspondeu ao sorriso. Sou eu que deve agradecer sua confiança. mas ito necessários. Sérgio sentou-se direito e falou de mod o mais animado: Eu quero aprender mais sobre Espiritismo. é muito importante. Não! . Vem aqui. Ignoram os livros da Codificação Espírita e confundem tudo! Não admitem que o estudo da Codificação feito em grupo e com um expositor. Em um centro Espírita sério.. Somente assim será capaz de reconhecer uma mistificação. mas quero ampliar meus conhecimentos. os espíritos se atraem por simpatizarem com a naturez a moral do ambiente ou da criatura humana que tenha os mesmos gostos. Devo voltar às carteiras primárias da escola! . inúteis de espíritos baderneiros e médiuns mentirosos ou orgul osos.chamou-o. Fechou os olhos enquanto a bondosa senhora afagava-lhe o rosto de belo contorno e sussurrou: Tanta coisa aconteceu na minha vida em tão pouco tempo. vem! . mentem adotando falsamente o nome de espíritos que. que é pensar e repensar. às prática s não dignas. as manifestações fúteis. do efeito individual e social justific ado pelo Espiritismo.adequado para ela saber de tudo. Olhando para dona Antônia que os observava.. por duas horas mais ou menos.. dão falsas esperanças e comume te elogiam os encarnados ressaltando-lhes o orgulho e a vaidade. isso é po sível somente uma vez por semana... Em alguns momentos. Ao contrário dos espíritos inferiores que se atraem em torno de encarnados que fazem r euniões e evocações por curiosidade e sem responsabilidade para terem conselhos e info rmações que os agradem ou lhes prometam ajuda. Desistiu? Você gosta dessa moça e ela de você! ... mistificam.. Sinto como se tivesse uma faca fincada em meu peito. Tiago estapeou as costas do ir mão e se foram.distúrbio de personalidade. . O tempo entre uma aula e outra é bom e necessário para filosofar. de estudos e co municações sérias. O que. Mas deve ir assistir às palestras evangélicas que servirão de com plemento aos conhecimentos adquiridos. Assim como as pessoas. Ou ela não gosta de mim o suficiente para ouvir minhas explicações e depois tirar s uas conclusões ou então está se deixando influenciar pela opinião da irmã ou sei lá mais de quem!. paixões inferiores. intuitos. Li e reli os livros qu e a senhora me deu. Tiago se aproximou e lembrou: Vai chegar atrasada se não formos agora.

.brincou Sérgio..respondeu referindo-se à noiva. Agradeça à dona Antônia e ao Tiago! . Não. Essas são as características de espíritos inferiores.. confl itos íntimos. brincalhões. um a justificativa para isso. Eu estava associando certos problemas de personalidade com o que a se nhora me falou. Sinto que esse é o c aminho para seguir a fim de alcançar uma finalidade útil em um trabalho que eu adoro . como disse a Rita. Há de se levar em consideração à dupla perda dos entes queridos. Tendem a ser arrogantes. pois precisam entender e tratar a saúde espiritual para conseguir que o paciente tenha progresso. é um distúrbio de personalidade que necessita de mento terapêutico. Virando-se para o amigo .Nada. Nossa amizade dificulta a minha atuação.. Entro de férias na próxima semana e espero que minha saída da polícia aconteça durante esse tempo. quer entender o que aconteceu com ela e pede uma explicação.. presa a fantasias inúteis que as arrastaram a conflitos íntimos. dona Antônia? . precisa d e colo e de um ombro amigo.Sérgio teve uma avalanche de pensamentos incrivelmente ligei ros. Eu assisti a dois congressos realizados pela Associação dos Psicólogo s Espíritas e falaram sobre esse distúrbio do encarnado que atrai espíritos com os mes mos comportamentos. É. às vezes eu nem entendo nada! Na verdade é preciso sentir o q ue se passa nos sentimentos das pessoas. depressão e muitos outros distúrbios apresentados pelos paciente s.Comentou a sábia senhora.Fez-se ligeira pausa em que os dois amigos se entr .Sérgio parecia ter uma imens a interrogação na testa. aparentemente frágeis. fobias. Vou até a casa da Nilza .. como te falei hoje. De uma forma geral ela parece bem.. Depois de sorrir. a mulher explicou bondosa: Se uma pessoa está pensando em morte. o luto. eu e minha mãe conversamos com a Rita ontem à noite e.. Você tem de sentir o que a pessoa sente do mesmo jeito que ela sente e não só saber o que ela pensa sobre o que está sentindo. dona Antônia.. a olidão.. mas ela vai superar. A elevação moral é força viva! Vejo pessoas inseguras. Eu não sabia que ra uma doença. Eu sabia. E o acontecimento mais humilhante. masc aram a inveja e não dão importância verdadeira às necessidades dos outros. ela precisa ser ouvida.interessou-se Sérgio curioso. Sua tarefa nesta enca rnação não é correr atrás de bandido. mas teve a atenção roubada pelo amigo João que chegou à sala. Esse foi o maior impacto. João comentou: Sérgio. Em outras palavras. que advertiu: Vocês dois falam tudo difícil e certinho. é ouvir problemas dos outros. Puxa! Isso abre um grande leque de ligações entre encarnados e desencarnados. Comecei a entender que muitos estados de consciência. sua ligação mental com desencarnados que possuem as mesmas necessidades. mas explora os que a rodeiam. sua vontade de libertar-se do dis túrbio ou problema que o afeta e.. filho? . observação e pesquisa para. quer ser entendida.perguntou a mãe vendo-o arrumado. Acho que os dois são melhores do que nós! . extr emamente importante. dependências de diversos tipos.. é porque ela quer ajuda. É. Qualquer pessoa psicologicamente sa udável ocasionalmente tem ou passa por momentos de tristeza. Nossa! Tem tanta coisa!. Bem. . transtornos.. Isso eu sei fazer e o Tiago também tem es se dom! Como assim. Eu conheço bem as pessoas quando as vejo algumas vezes e. Ela é uma boa menina. . É um dos tipos de distúrbio no qual a pessoa se acha grandiosa..... Percebi isso.. .disse João sorrindo. Sérgio a encarou trazendo um brilho especial nos belos olhos verdes e leve sorr iso como se inúmeras idéias reluzissem em sua mente. porque a m ente está encarcerada na falta de convicção.. mas esse não é o caso del a. Suspirou fundo. estresse. Entendeu? . Fiquei admirad o quando soube que ela decidiu retornar à faculdade. No fundo não posso dizer q ue estou tranqüilo com o seu estado emocional... desesperador durante essa fas e. Vai sair.. mas. Não é uma doença. Quanto a ouvir os problemas das pessoas.. têm uma incrível relação com ele mesmo como espírito.. Sérgio! Você é uma luz! Fará alerta aos profissionais que cuidam da saúd e mental. meu filho! Eu sempre senti que você tem um dom especial. Fiquei triste com o que aconteceu. O assunto requer estudo. A Rita pode entrar num quadro de depressão mais extremo e que está procurando dis farçar. principalmente. com sua evolução na escala espírit registro de suas experiências em outras encarnações. Só é preciso saber conversa r direitinho com a Rita.

Aproveitando a saída do amigo. Além disso. Mesmo assim.. E quando você . Ela sentiu-se humilhad a em todos os sentidos.eolharam surpresos e a senhora prosseguiu: Quando uma pessoa pensa em morte é preciso que tenha a ajuda de um profissional com urgência. Sérgio ficou admirado. É uma menina carente. Sérgio despediu-se e agradeceu à mãe de seu amigo e ta mbém se foi. Que você. Agora ela está sozinha! Extremamente sozinha e sem propósitos na vida. Débora não se importou e foi direto ao assunto: Bom dia. Em que posso te ajudar? Os olhos de Sueli se arregalaram. mas aqueles que a rodeiam devem entender o seu sofrimento e lhe dar esperanças para um futuro melhor. o Sérgio foi até meu apartamento.Após suspi rar. Sem imaginar de quem se tratava. repentinamente. não quero vê-lo mais. contou: A Rita disse que se sente culpada pelo que a Débora. Mas eu não poderia adiar o qu e tenho a fazer . São roupas e objetos pessoais que ele deixou no meu ap artamento. sua melhor amiga . Dona Marisa ficou intrigada e puxou quase automaticamente a alça da mala que Débo ra colocava em suas mãos. ma s ela foi firme e não chorou. mas. O que aconteceu de tão grave para não querer ver o Sérgio? Educada. eu estava precisando de companhia e falei mais outras coisinhas. Palavras difíceis e pouca atenção só pioram as coisas. Desculpe-me vir sem avisar..riu de modo gostoso. Preocupem-se com ela. que com o tempo passa ou são traumas não reso dos na infância. dona Marisa. a pouca distância. Bom dia. Seus olhos a mendoados traziam a expressão de tristeza com misto de revolta e desilusão. eu sabia que a senhora e o senhor Inácio iriam até a casa dele para ver onde mora e nós nos conhecermos melhor. João preocupou-se: Nossa! Vou.. a jovem tocou a campainha e aguardou ser atendida. É provável que a senhora acredite que eu deva entregar na casa dele. E absurdo dizer para alguém que suas dores e preo cupações são passageiras.Fotos contra Sérgio destroem o romance com Débora O dia seguinte exibia um pálido nevoeiro pela manhã encobrindo o sol. Mas quando o astro rei brilhou radiante. o noivo a apoiava em tudo e ela teve uma grande amiga. Fez um aceno de cabeça e não teve palavras para explicar o q ue aprendia..perguntou preocupado.. Mas ele . o Sérgio teve uma crise de intolerância com o que eu aconselhava. Débora estava frente à casa da mãe de Sérgio. dona Marisa se aproximou trazendo o rosto endurecido ao exibir insatisfação. E apesar de toda situação não resolvida. E o que a senhora disse?! . . Descendo do carro.falou bem séria. Eu conversei um pouquinho com o Tiago enquanto a Rita se arrumava para ir pra faculdade e disse a ele que precisaria muito da sua ajuda. mas ela silenciou totalmente ao ouvir Débora contar: Nessa mala tem algumas coisas que pertencem ao Sérgio. é um amigo de verdade e procurou pessoas de sua total confiança par a ficar junto dela quando você não poderia. Disse-me coisas f rias e calculistas mesmo quando eu pedi desculpas pelo que havia falado. lá no apartamento. deixando as rodinhas deslizarem portão adentro. mas não somente como profissionais. . A companhando a senhora. ela sentiu-se um estorvo e a pior das criaturas. mas tinha o irmão para tomar conta e ele pr ecisava muito dela.sua voz travou novamente. que não são graves. Sem conter a curiosidade a mulher perguntou: Mas.falou. Débora. Naquele dia. Débora contou : No sábado pela manhã. Reconhecendo-a dis tância. . a Débor a. . mas contendo o travo de amargura na voz quase vacilante.sua voz embargou. falou que p ensou em morrer quando perdeu os pais. . estava Sueli irradiando curiosidade imen sa.. pois essa menina precisa de um amigo. concluiu: Depois do que presenciei. Sérgio. acreditou ao vê-la com o Sérgio. ela é ma criatura importante e querida pelos amigos. 19 . olhando para o rapaz a troux e para cá.. Olhando o relógio. ou a Nilza ficará preocupada. Só que. A Rita é uma ótima Conversamos muito e ela contou toda a sua vida.

O que dizia era pensando em seu benefício.planejou tudo. Nem sei o que dizer. pois iria dormir lá. Quando olhei.disse Sueli.. Entre. pois achou que eu não merecia aquilo. lágrimas corr eram.. inquieto com a minha presença. Débora + falou dona Marisa com voz fria. Entrei em desespero. Pode ser? Sim. Minha melhor amiga. pediu com jei to macio na voz: Eu gostaria de conversar com ela a sós. Não suporto traição e é por isso que não quero vê-lo.Leve sorriso forçado e falou: Até um dia. Tudo bem.Débora suspirou fu ndo antes de prosseguir: Não sei o que a senhora pensa sobre isso... experimentando uma dor indizível do enorme ferimento que cravava em sua alma bondosa e generosa. pois passei pela mesma situação ou talvez pior. a Yara me fez tomar um banho. Eu amo o Sérgio.pediu Sueli sob a influência de espíri tos inferiores. Não demorou e minha irmã. porém eu não conseg uia deixar de pensar no Sérgio. ... Ao estender a mão para se despedir de dona Marisa. Fiquei preocupada.. . Agor a preciso ir. mas o Sérg io virou as costas e saiu. . Por isso meu filho não me aceita. A Yara foi direto para o telefone. dignas de uma representação te atral. Você é?. mas. Confie em mim .. quem é você? Nesse ponto da conversa. . peguei meu carro e fui até a casa dele. Sem trégua. primeiro quero que me perdoe. . Sei exatamente o que está sentindo. para conversarmos. Sueli usou um tom carinhoso na voz leve pa recendo humilhar-se ao pedir: Por favor. Era madrugada quando retornei ao meu apartamento. Não existem desculpas ou explicações para o que eu vi.. Ao ouvir o primeiro.Quando Débora ia fazer uma pergunta. e saímos todos para nos divertirmos. achei o Sérgio aflito quando pediu para eu entrar em contato com ele. foi me visitar. dona Marisa. Só q ue teve uma condição: a Yara me obrigou a deixar o celular no apartamento. dormindo e abraçado com a Rita. mas longe da dona Marisa . ela avisou antes que chorasse: Então é só isso. Fi quei indignada quando fui até a suíte dele e vi as roupas íntimas da moça jogadas no chão. Fez algo contra mim? Mas. Sou eu quem peço desculpas por pensar que você fosse de outro jeito e estivesse d e acordo com aquilo. Adoro a Rita mais do que as minhas irmãs. esforçando-se para expressar algum tom de lamento. não gostei de ver essa Rita estendida no sofá. Nem ouvi os outros recados e mal falei com a minha ir mã que estava ao telefone. eu preciso falar com você . a Yara. Aproveitando a pausa.. trocar-me e sair com ela. . avisou com um s orriso: Depois conversamos.. Não ... a jovem ouviu: Débora! Por favor. praticamente abraçando-a ao repousar a mão em seus ombros e a conduzindo. Por ter as chaves. entrei sem chamar e o encontrei em seu quarto. Chorei muito. Débora . aceitando os pensa-mentos rápidos que lhe surgiram e disfarçando sua s verdadeiras intenções e venenoso pretexto. Aquele relato deixou Débora mais perplexa e amargurada. Quanta d esilusão. Eu estava chorando e implorando para que ficasse. A Débora está muito sentida por tudo o que aconteceu e eu sei o que é isso. mas não conseguia. Olhando para dona Marisa. Por um instante Débora se sentiu atordoada pelo efeito de energias espirituais inferiores deixando-se conduzir. Não estou entendendo. Decidi não telefonar... Estive lá naquela noite como comb inamos.. mas não imaginava conseqüências tão sérias contra você. Acho que agora entende por que sou rigorosa com ele. rolaram na face da moça que parou frente à Débora e explicou: Eu fiz algo muito errado. solicitou gentilmente: Feche seu carro e vamos caminhar um pouco. .questionou Débora. Espero que me entenda e desculpe-me pelo incômodo. pois tinha outros plano s. Assim que cheguei.avisou com brandur a.Nesse instante.Olhando novamente para dona Marisa. Andando a passos lentos foram se distanciando d o veículo enquanto Sueli falava de modo educado: Eu quero conversar com você.pediu aproximando-se. Ela ligou para alguns amigos e amigas. Não desejo qualquer mal a você e. mas se me ouvir irá compre er totalmente. Quando contei o que tinha acontecido. estavam sob uma árvore bem frondosa quando pararam e a moça pegou as pálidas mãos da outra ao revelar: .concordou a mulher.Imediatamente lágrimas falsas. havia recado s em meu celular. Tenho outra idéia. Vi que o Sér gio estava embaraçado. Eram as pessoas em quem mais eu confiava neste mundo. Tinha esquecido que iríamos lá.

exclamou bem firme. Com o tempo percebi. Mas a jovem. sem pensar.exclamou murmurando. Na casa de Sueli a jovem se encontrava no quarto da moça. Envolvida por intensas energias inferiores dos espíritos vingativos. Jamais poderia imaginar que e stivesse dirigindo e fosse bater o carro. mas desejava ver as evidentes demonstrações que a ouvira afirmava: Essa é uma acusação muito grave.Meu nome é Sueli. entregou-lhe as três fotografi as. me perdoe! Se não puder me perdoar. Vir ou-se para Débora. A traição é a pio coisa que alguém pode fazer. talvez por educação. Sueli a envolveu com fa la meiga. se não tiver c mo provar. que parecia nervosa. Ao atender a sua ligação ao celular naquele dia. Ela não sabe que o Sérgio e a Lúcia se relacionavam.indagou Débora. me ouça! O que quer de mim? . parecendo rebaixar-se na postura. que fechou a porta e caminhou até um armário. assombrada e incrédula.. apanhou um saco de tecido avel udado. e pediu calmamente ao bater a mão sobre sua cama: Sente-se aqui. Isso é um absurdo! Como pode pensar que vou acreditar em algo assim?! Eu disse que posso provar! . É verdade e eu posso te provar! . eu pensei em poupá-la de cair nas armações do Sérgio. Ficou pálida. tamanha era a humildade que represen tava. ao se deixar envolver por aquela conversa. O quê? Ele tem seus motivos. As inspirações de sua mentora Olívia e de espíritos amigos prov ocavam-lhe repulsa àquela conversa e vontade de ir embora. O quê?! Eu moro ali. Não! Não é nada disso! . Isso aconteceu entre você e o Sérgio? Por acaso o pegou com outra mulher? Foi pior do que isso. demorava-se tempo demais e recebia influências de desencarnados que pretend iam prejudicar e desequilibrar Sérgio através dela. Sinta-se à vontade. Foi estupidez minha inventar aquela hi stória e representar daquela forma. Fui namorada do Sérgio e ainda sou muito amiga da família. em um tom quase frio e palavras vagarosas. abrindo-o e tirando uma caixa que colocou sobre a cama. Venha comigo. ele já está livre.. mas. Débora ficou vacilante.. a Lúcia t . Débora suspeitou. A mentora Olívia e espíritos amigos perderam o alcance das vibrações da pupila que se inclinou às inspirações de espíritos inferiores com suas sugestões e vibrações tenebrosas. O Sérgio provavelmente disse coisas te ríveis a meu respeito. naquela segunda casa. Sueli! Será sua palavra contra a dele. e quase sussurrando: Pelo amor de Deus.afirmou. olhando-a firme nos olhos. Não su porta me ver e. Acho que essa pobre mulher morreria pelo incesto.gritou Débora indignada e incrédula. Veja bem. E?. Su eli atraiu sua atenção ao dizer: Eu sei o quanto é horrível ver quem amamos deitado ao lado de outra. que não sabia quantas dores. aceitou o convite. contou: Essa é a Lúcia.. Nós éramos muito amigas. Não pude pensar em outra coisa. Débora não con seguia refletir e. ultra jes e rebaixamento moral sofreria. O quê?! . Débora começou a tremer..Débora tentava relutar . ao menos. Eu e o Sérgio começamos a namorar.. Ele não quer nem que eu tenha amizade com a dona Marisa. Olhando-as.Revirando a caixa. Logo propôs: Eu não poderia dize r isso perto da dona Marisa. Voltando-se para a outra com frieza e impiedade. sim! Primeiro preciso que saiba. zendo-a alongar a conversa ao desejar provas e ficar enojada com Sérgio antes de o uvir sua versão.Ao vêla franzir a testa como um sinal de desagradável surpresa. Eu o peguei dormindo com a própria irmã.. Sueli . . mas não são verdadeiros. Se ao menos não tivéssemos mais compromisso. tirou de dentro uma máquina fotográfica e algumas fotos impressas em papel ap ropriado. por isso estávamos sempre juntas e freqüentáv a casa uma da outra. Completando em seguida: Se queria me separ ar do Sérgio... Será melhor. Vamos até lá e eu te mostro as provas. . Enquanto S ueli. Há. Com a respiração ofegante e modos inquietos. eu tenho muita coisa para fazer hoje e não há qualquer razão para continuarmos com essa conversa inútil..

Débora a afagou enquanto lembrou do dia em que Sérg io a segurou firme pelos braços apertando-a.perguntou a outra. Fui até o quarto e o que vi foi inacreditável.tornou a outra em desespero. ela era ameaçada por ele e temia sofrer mais agressões.. O Tiago não foi por causa do serviço e o Sérgio também. Eu estava sozinha. A Lúcia estava animada.... Imediatamente indag ou: E sua família ou a dele não a viu machucada?! Lógico que não. Mas tive a idéia de fotografar. aflita e olhando-a com grande expectativa. O senhor Inácio é um homem moralista. Sueli representava. Eu estava no chão e o Sérgio me chutou. Como assim?! .Sempr e com o auxílio das vibrações do espírito Sebastião. eu chorava exigindo uma explicação.. Co m lágrimas rolando pelo rosto disse: O Sérgio é um homem forte e como policial aprende u a ser agressivo. Por isso calou-se e sofri . mas assim que levantei fui ver as fotos na própria máquina. pois eu lhe mostrei só as fotos. incrivelmente. me bateu muito forte e. Resumindo. Um dia toda a família estava viajando. Dormi um pouco. Alguma s ficaram engraçadas e decidi ir até a casa do Sérgio para mostrar a ele e à Lúcia. O Sérgio me chacoalhou. Sueli acrescentou cinicamente: Foi quando implorei que parasse. abraçando-o com um braço e com uma das pernas sobre as pernas dele. Com a voz estremecida. voltamos para casa de madrugada . Sueli se virou. chacoalhando-a e a empurrando em segu ida. Apesar disso... Então insisti para irmos a uma festa. Como pode confirmar. eu não lhe entreguei e ele me bateu. Fiq uei em choque. Ele acordou quando eu saía do quarto e me viu. Gritou e exigiu a máquina. Confusa. depois me empurrou enquanto exigia e. E você deixou por isso mesmo?! Contou para alguém? Dias depois conversei com a Lúcia e contei tudo. Pelo amor de Deus. Por um momento pareceu insano . Era o an iversário de um grande amigo. Tive medo dele. o Sérgio está com o corpo mal coberto por um lençol na altura da cintura e com as pernas despidas.. Me agrediu até. O Sérgio sabe disso?! Ele já viu isso?! Sabe e viu. pegou a máquina fotográfica digital e mostrou-lhe as mesmas fotos na própria câmera.. Pelas fotos acho que já pode deduzir que tipo d e homem ele é. Tirei a segunda e na terceira ele acordou.pediu Débora com a vo z entrecortada. O Sérgio queria a máquina para destruir essas provas.. completamente nua. Sueli! Diga que isso aqui não é verdade! . Ele mes o me levou para um pronto socorro onde o médico confirmou que eu já havia perdido o bebê.quis saber Débora muito nervosa. . .riste. deitada de lado e sobre o ombro d o irmão. Brincamos bastante e. e Sueli continuou: Passei muito mal e. O Sérgio não deixa marcas aparentes nem bate no rosto. Porém o que ouvi dela foi ainda pior.. pois eu esperava um filho dele. Eu levei minha câmera fotográfica digital e tiramos mu itas fotos.. Ela.Longa pausa proposita l.. Para minha mãe. Não vale a pena falar sobre isso. Por outro lad o. Eu perdi meu bebê. O Sérgio e a irmã ormindo na mesma cama. O que ele fez?! . Débora lembrou-se de Sérgio pedir que evitassem ter um filho. Bem mais tarde... Comovida pelo choro de Sueli. É o que você vê.. Eu tin ha as chaves e entrei sem chamar. Débora.. Veja. Contou que no início ele bateu n ela e.. Por que a Lúcia não contou aos pais?! Aos irmãos?! Não contava por medo de que o pai deles cometesse uma loucura. O Sérgio reagi u como nunca. religioso e ela pensou que o pai mataria o Sérgio. Fui medicada e passei horas em observação.. deprimida e quase não falava mais comigo. Ele veio até aqui em casa.Impiedosamente Sueli foi capaz de inventar as mais horríveis mentiras c ontra Sérgio. Sueli! O que a Lúcia contou? Ela confessou muitas coisas a respeito do irmão. . tenho as mesmas imagens aqui.. ganhando a credibilidade de Débora. Ele perdeu o controle. sem camiseta. Tentei saber o que era. Eu preciso saber. Tirei a primeira foto e ele se remexeu. O que aconteceu?! O que ele fez?! . eu diss e que tive uma enxaqueca forte. muita cólica e só queria ficar na cama.. mas ela não falava..

C aminhou até a saída acompanhada pela outra e. Agora. Mas você está bem? ... Algo tão baixo e repugnante. Porém logo João não r stiu e perguntou: Por acaso conseguiu falar com a Débora? Não . Conversamos algumas vezes sobre isso e a Lúcia me disse que quer ia morrer. Eles riram. para relatar todas aquelas mentiras. Sim. pois ela é tão rigorosa com ele. não aceitava. Havia dois homens em uma moto e já tinham pego o que queriam e iam embora. No intervalo entre um paciente e outro. E você. Sua ligação com aqueles espíritos trevosos lhe oferecia grande malícia e uma força inte rior tão perversa que era difícil acreditar em sua coragem para fazer tantas maldade s sem pensar nas conseqüências. E a minha única segurança são essas pro vas na câmera.quis saber Sérgio. . Não pude deixar de ser amiga da dona Marisa. Tubo bem. . E propôs para não alongar: Depois conversamos. Por isso ele me odeia tanto. Mas ele não me d ava sossego. se suicidar e acabar com o sofrimento. Estão se dando como mãe e filha! Estou com ciúme! . .. Alguns instantes e Débora argumentou: Sinto muito.. pediu : Posso ficar com essas fotografias? Vai mostrá-las ao Sérgio? Não sei. Claro! Agora tenho um paciente. rapidamente. dizendo com voz trêmula: Desculpe-me. ofereceu-lhe um abraço.. eu me afa stei.insistiu. mas não. sem moral.. Seguindo-a até o portão.. Esquecia-se de que atraía extremas perturbações e a lei do retorno por tudo o que semeava. obrigada.Ainda com as fotos nas mãos e olhar lacrimoso. Quanto mais o tempo passava mais ela se apresentava muito triste e bem deprimida. João se aproximou dizendo: Que bom vê-lo! Trabalhamos juntos e quase não nos encontramos. pegava recados com a secretária e verificava alguma novidade ou relaxava por minutos a fim de estar bem recomposto para a próx ima consulta. se eu as tiver e ele souber disso. após a porta ser aberta. Daí. a jovem avisou: Agora preciso ir. Talvez acreditasse que estivesse só. Contou a ela? Não! . Fiz isso para o Sérgio me dar sossego.Breve pausa e contou: Foi nesse dia que fomos assaltadas . Sueli era rodeada pelo espírito Sebastião e seus companheiros que a induziram em nível de pensamentos tão infer iores e alimentaram suas idéias. Às vezes acho que a dona Marisa desconfia de alguma coisa.... Pensando bem. por suas agressões. juras de amor e depois descobrir um homem sem caráter. Procure um psicólogo. Sérgio engoliu seco e respondeu em voz baixa.. Sueli. com o abuso do irmão. E mais uma vez. . um dia. Sérgio correspondeu à brincadeira: Não deixe esse ciúme aumentar. riu e gargalhou prazerosamente por sua vivacidad e e esperteza. vil.. quase melancólica: . tudo bem? . Fiquei com tanto ódio do Sérgio que terminei nosso namoro... Reagiu para ser morta. Faça como quiser. algumas coisas começam a fazer sentid o. porém não deixei de ser amiga da Lúcia. Eu não q ueria que outra pessoa sofresse o que sofri.Levantaram-se e Débora parecia sem rumo. Obrigada por me alertar. Eu a julguei mal e. Mostrou as fotos para ele? .Alguns segundos e falou: Sabe. tentando animá-la eu a chamei para umas compras e a Lúcia desabafou coisas horríveis sobre as atitudes do Sérgio co m o abuso sexual e.respondeu e suspirou fundo com leve sorriso para disfarçar os sentimentos. Quando podia. . Depois do aborto que sofri. usava esses minutos para tomar um café ou uma conversa rápida com um dos colegas. Guardando as fotos na bolsa. Obrigada.Sueli chorou. mas a Lúcia repentinamente reagiu!. ele terá medo de fazer algo contra você. Sussurrando no ombro do amigo. Tranqüilo! E a dona Antônia?.. Era uma tarde como todas as outras e Sérgio estava na clínica como de costume. Ouvir promessas de casamento.insistiu desconfiado.. A Rita?. Sueli não esperou ver Débora chegar até seu carro e entrou às p essas. Jogando-se sobre a cama... Não im agina como ela sofreu com a morte da filha.a muito com o que precisava suportar do próprio irmão.brincou João....

Estou sentindo uma coisa... Um nó na garganta... Um aperto no peito... Podemos conversar depois? Lógico! Até mais! Bem mais tarde, após atender alguns pacientes, Sérgio colocou-se frente à janela pa ssando a admirar o faiscar dos últimos raios do sol que se punha entre nuvens entr emeadas de lindas cores celestiais. Apesar de seus olhos estarem cravados naquel a visão, em seu coração havia um sofrimento e uma dúvida que o atormentavam. Em seu belo rosto sério, via-se uma grande perturbação. Sentia-se prisioneiro de uma situação não reso vida, mas ainda guardava um fio de esperança para poder esclarecer tudo. Após suspir ar profundamente, Sérgio despertou e se desligou dos pensamentos preocupantes. Alguns instantes e consultou a secretária sobre o último paciente. Ficou sabendo que ele havia telefonado pouco antes e desmarcando a terapia. Diante disso, saiu de sua sala procurando por João, mas o amigo estava clinicando naquele momento. Foi quando ouviu a voz forte e alegre do médico que o chamou: Sérgio! Era você mesmo quem eu queria encontrar! - ressaltou animado. Em seguida, o psiquiatra pediu: Pode vir até minha sala agora? Sim! Claro, doutor! Adentraram no consultório e o doutor Edison falou após fechar a porta: Sente-se aí, Sérgio. - Vendo-o acomodado em uma cadeira, circundou a mesa, que os separava e se sentou, perguntando: Tudo bem com você? Sim! Estou com alguns pacientes que exibem históricos bastante interessantes e merecedores de certa atenção. Outros, mostram leves distúrbios de estresse e demonstra m uma rápida recomposição de comportamento. Tenho dois casos mais preocupantes, no qua l os pacientes apresentam distúrbio obsessivo-compulsivo, comportamento e pensamen tos ritualísticos e repetitivos. No primeiro caso, o quadro apresentado causou-me grande preocupação e o encaminhei ao senhor semana passada. É uma moça cujo distúrbio são p nsamentos obsessivos atemorizantes e bem horríveis. - Sérgio não oferecia trégua e, dian te da grande atenção do médico psiquiatra, resumiu: Essa jovem, aos vinte e três anos é e tudante universitária, último ano, e levou um grande choque quando o namorado rompeu o compromisso. Segundo ela, não havia outra mulher pela qual foi traída nem razões ap arentes para ele terminar tão bruscamente. A jovem se sentiu trocada por nada. Iss o a frustrou imensamente. Dizia que o amava muito e era capaz de fazer tudo por ele. Contudo, repentinamente, passou a odiá-lo. Queria vê-lo morto. Então se deu conta d e que os pensamentos, que começaram com idéias simples, passaram a ser impertinentes , fixos, obsessivos. A paciente apresenta uma ansiedade sob controle, muito raci onal. Seu Q.I. é elevado, e isso me preocupou. Porém, pelo fato de ela entender, acr editar e aceitar que existe algo errado em seu comportamento e pensamento, temeu alguma atitude desequilibrada e, sozinha, procurou ajuda profissional aqui. A p aciente relatou que passou a se sentir consternada, desgostosa a partir do momen to em que começou a ter idéias de que a vida familiar seria melhor se o seu pai morr esse. A jovem conta que, a todo instante, era prazeroso imaginar a sua vida, a s ua casa sem a presença do pai, pois ele poderia abandonar sua mãe a qualquer momento . Disse que essas representações mentais surgiam involuntariamente e apesar de ela q uerer deixar de pensar, não conseguia. Você se lembra o motivo primordial que a fez procurar ajuda clínica? A paciente contou que, a princípio, não deu importância, mas quando quis que um de seus professores morresse porque sua nota foi nove e meio, quando acreditou mere cer dez, ficou preocupada. Não só queria que o professor morresse, mas desejava matá-l o e planejava como fazê-lo. Em suas representações mentais, sabia que seria presa e co ndenada por homicídio, então achou ideal matar o professor, o pai e o namorado. Dess a forma, poderia alegar insanidade em sua defesa, já que os crimes pareceriam bárbar os e inexplicáveis para serem cometidos por uma jovem de seu nível, de sua cultura, de sua aparência... Além disso, lembrou que as leis são fracas, pois com um bom advoga do poderia ser absolvida ou encaminhada para tratamento por insanidade ou pegari a a pena mínima. Então, como ela disse, logo após essas representações mentais, sentia com o acordar de um pesadelo e acreditava que estava insana, pois se arrependia do q ue idealizava, pedia perdão a Deus pelas idéias absurdas, horríveis. Mas essas voltava m. Um detalhe interessante foi que a própria paciente percebeu que se entregava à li mpeza de seu quarto, à lavagem de suas roupas, higiene corporal e lavava seguidame

nte as mãos. Comportamento típico de quem deseja lavar as idéias, as representações mentai s ou atos já praticados. Você foi bem eficaz por identificar instantaneamente a seriedade desse tipo de distúrbio e encaminhá-la à psiquiatria. Principalmente por ter em vista a rapidez do p rocesso de desenvolvimento do quadro. Obrigado. Mas eu só tive êxito pelo fato da paciente ser objetiva e sincera, dese jando realmente se ajudar, equilibrar-se. Sérgio, você não acredita que em vez de distúrbio obsessivo-compulsivo, trata-se de u m distúrbio esquizofrênico ou um distúrbio de personalidade anti-social? A pessoa, a p rincípio, parece atraente, inteligente, mas mente, rouba, mata e muito mais, sem q ualquer sentimento de culpa, ou então simula cinicamente arrependimento pelo feito . Não seria o caso? Não. Eu descartei a possibilidade de um distúrbio de personalidade anti-social lo go de início. Conforme poderá confirmar em minhas anotações, analisei que a paciente apr esenta afeto por familiares e amigos, tem vida social e relações sociais positivas, prudentes e não desrespeitosas, tem relacionamento familiar saudável com os irmãos, ap esar das divergências consideradas normais. Os distúrbios esquizofrênicos apresentam c ondições e características mais severas através de pensamentos e comunicações desordenados, comportamento anti-social até bizarro. Os esquizofrênicos perdem a noção da realidade. São psicóticos. Apresentam uma paranormalidade falsa , algo que só existe em seus pensamen tos. Dizem ouvir vozes, alucinações táteis, olfativas ou visuais. Não falam com coerência etc. Diante do silêncio e vendo o médico bem reflexivo, Sérgio perguntou: O que diz sua supervisão desse caso? Falhei? Não! De forma alguma! Fez muito bem tê-la encaminhado para mim. Mas... Lá no fundo, Sérgio, você tem algo mais para acrescentar. Acredita que um brusco término de namoro pode desencadear, repentinamente, uma forma muito diferente de depressão e ansied ade após um único acontecimento que provocou decepção, frustração ou medo? Acha que tudo is o teve início aí, para essa jovem? Não - respondeu categórico. Acredito que esse foi o motivo usado para despertar a lgo adormecido em sua psique, alma ou mente, como queira. Usado por quem? E... Que algo adormecido é esse? Até hoje, a energia elétrica existe, sem que o homem possa vê-la, pegá-la para manipu lar... A eletricidade existe, mas não há grande e considerável entendimento sobre ela. Conduzida através de fios, podemos levar um choque, mas não a enxergamos se não por u m breve clarão quando há o contato com os dois pólos. Muitas crianças e até adultos já morr ram eletrocutados ao chegarem a alguns metros de uma torre de alta tensão sem tocá-l a. De acordo com a umidade relativa do ar, o campo magnético aumenta sua distância d a torre e amplia a propagação da energia, da voltagem e, conseqüentemente, o perigo, p ois a eletricidade está ali, mas não pode ser vista. - Antes que o doutor Edison o c obrasse por uma resposta às perguntas feitas, Sérgio sorriu, explicando: Não quero lhe dar aula de Ciência! Mas já temos muitas provas de que o corpo humano possui energi a e que o pensamento é uma energia. Vemos, aqui mesmo na clínica, que há clientes freqüe ntadores assíduos só das terapias de massagens ou acupuntura, mas essas pessoas, dep ois de serem atendidas por um e depois por outro profissional, acabam dando pref erência a um deles. Isso prova que a energia, o magnetismo do massagista, por exem plo, é mais compatível com determinada pessoa, tornando-se, dessa forma, uma terapia mais benéfica e restabelecendo a saúde física e mental muito mais rápido. Você está correto, Sérgio. Mas minhas perguntas não foram essas. Sim, eu sei, doutor. Só estou defendendo, antecipadamente, a minha conclusão para o que me perguntou. E, só para encerrar, gostaria de lembrar sobre a energia dos pensamentos. São inumeráveis os casos com os quais nos deparamos sobre pessoas que, repentinamente, sentiram uma angústia ou preocupação com outra que, naquele instante, precisava de ajuda ou sofria um acidente. Incontáveis pessoas podem relatar que, s em motivo aparente, decidiram mudar de caminho livrando-se de um acidente. Outra s perderam a hora, sofreram um mal-estar físico ou simplesmente não quiseram entrar em um avião que caiu. Podemos dizer que, de alguma forma, comparando à eletricidade, a energia invadiu o campo magnético dessas pessoas, permitindo-lhes uma comunicação e m nível do que estava acontecendo ou ainda por acontecer. Não se trata de mera curiosidade psicológica a comunicação mental, à distância, entre

s ou mais pessoas, mais conhecida com o nome de Telepatia. Isso é fato! Mas quando uma pessoa escapa de uma tragédia por se desviar do caminho habitual, sem explicação, desiste de uma viagem, perde a hora ou até sofre um mal-estar físico que a deixa pr ostrada, qual explicação você pode me dar? Que é uma comunicação em nível de pensamento. Sérgio, nesses exemplos tem uma única pessoa que se livrou de uma tragédia. Com que m houve essa comunicação em nível de pensamento? Com um espírito - afirmou com seriedade. Continuando: A alma sobrevive após a morte do corpo físico e, sem a matéria, o pensamento é o meio de comunicação do espírito, pois o pensamento é um atributo da alma. Vivo ou morto, sua alma estará onde estiver seu pensamento. Doutor, uma mente se liga a outra através do pensamento e por compatibilidade de afeição ou vingança. Nos dois casos, eu acredit o que há o despertar do que elas têm em comum. Então o espírito aproveitou-se daqueles m otivos para despertar o algo , o sentimento que aquela paciente tinha e desconhecia . O médico permaneceu tranqüilo por alguns minutos bem silenciosos. Depois question ou: Todas essas explicações e comparações foram para me responder que?... A paciente em questão sofre de um distúrbio que pode ser associado ao assédio espir itual recebido de um espírito que se aproveitou de um momento de extrema decepção, que foi o rompimento de uma ligação amorosa. Ela mesma admite que sofreu e se abateu po r sentimentos de desesperança. No entanto, sutilmente, passou a ter pensamentos ho stis e macabros, desejando a morte do ex-namorado, depois do pai, do professor.. . Acredito que a troca de energia mental com idéias atemorizantes, as quais normal mente ela não tinha, levou-a a um distúrbio por não conseguir se livrar de tais pensam entos, os quais se tornaram obsessivos. Por sorte, essa moça não teve qualquer temor ou preconceito em procurar ajuda clínica ao perceber que alguma coisa não estava no rmal em seu equilíbrio mental. Quando relatou sobre seus conflitos internos por me do de cometer algo insano, além de sofrer insônia, da intensa vontade de chorar, inc apacidade de relaxar, tensões musculares e outros sintomas que começaram a abatê-la, a creditei ser o momento de encaminhá-la à psiquiatria e com urgência. É provável que, diant e do quadro apresentado, haja necessidade até de intervenção medicamentosa. Porém... - O lhando-o nos olhos, Sérgio foi categórico: Sem dúvida alguma, essa paciente deve ser c onduzida à religiosidade para que haja uma mudança de hábitos, pensamentos e, conseqüent emente, uma elevação espiritual. Isso não significa reprimir os sentimentos, mas mudá-lo s e isso é reforma íntima! Somente dessa forma, ela romperá o laço de ligação mental com o spírito ou espíritos que se comunicam com ela através do pensamento e cujas idéias, a pr incípio, são sutis, sem importância, como que sussurros da própria consciência, quando, na verdade, são intervenções da vontade de um espírito atuando de mente para mente. Lembra ndo que tanto espíritos quanto pessoas se aproximam uns dos outros pela afinidade, pelas mesmas vontades, pelos mesmos desejos e atributos. A pessoa com elevação mora l e espiritual irá repelir a inspiração negativa, a transmissão de pensamento para pensa mento de um encarnado ou desencarnado que lhe perturba a organização das idéias que po dem levá-la a um desequilíbrio, transtorno ou distúrbio dos mais graves atos insanos, irresponsáveis... - Breve trégua e Sérgio comparou: Imagine a fé, a esperança e o bom âni de uma pessoa com conhecimento e elevação espiritual. Com certeza, isso vai minimiza r suas dores, seus danos físicos ou psicológicos e aumentar sua resignação e paciência. No s casos de intervenções espirituais, compare o conhecimento junto à elevação moral e espir itual com o aumento da umidade relativa do ar, que amplia a intensidade e a distân cia eletromagnética em torno de uma torre de alta-tensão, tornando a voltagem mais a lta ao redor da referida torre. Os que se arriscam, pela aproximação, eletrocutam-se sem conseguir tocá-la, podendo morrer. Assim é a aquisição de conhecimento, elevação moral e espiritual que repelem e, simbolicamente, eletrocutam os que desejam se apoder ar de sua mente sã. Total silêncio até o médico tamborilar os dedos sobre a mesa que os separava e, em seguida, apossar-se de uma caneta fazendo algumas anotações. Apesar de todo o esforço, por sua curiosidade, Sérgio não conseguia ler nada, mesmo esticando o olhar. Por fi m, o doutor Edison perguntou: Tem algo mais que deseja acrescentar? Ah!... Sim. Em meu relatório destaquei essa observação, mas gostaria de reforçá-la. Es

a paciente entrou em meu consultório e, após nos cumprimentarmos e se sentar, me fez duas perguntas interessantes e importantes. Quis saber se, apesar de formado e já exercendo atividade, eu submetia os meus pareceres clínicos para a avaliação de um ou tro doutor mais experiente. Ou seja, se eu me dispunha a uma supervisão. Afirmei e até expliquei que, no meu caso, essa supervisão era realizada por um médico psiquiatr a. E a jovem comentou que não queria se colocar à disposição de um profissional que se j ulgasse auto-suficiente, com sentimento de grandiosidade, pois, na opinião dela, a conclusão clínica seria duvidosa. E, em seguida, me perguntou se meu método era o da Psicologia Junguiana. E o que você respondeu? - perguntou o psiquiatra. Tentei ser breve, afinal, não era minha intenção dar aula. Falei que, em certos cas os, as teses freudianas explicam as influências e experiências em determinados compo rtamentos. Entretanto, sem dúvida alguma, Jung ampliou a visão da Psicologia e da Ps iquiatria ao comprovar que nem todos os transtornos, distúrbios e outros eram excl usivamente de caráter sexual da libido, como Freud afirmava. Com seu método de Psico logia Analítica, Jung designou Tipos Humanos e outros conceitos que explicam um co njunto de representações psíquicas sem qualquer controle efetivo do Eu7. Minhas explic ações foram com palavras mais simples, claro. Porém com essas questões imprevistas, para mim, a paciente demonstrou que realmente deseja ajuda, sabe reconhecer um profi ssional e qualificá-lo. Além disso, aparentou inclinação espiritualista e mais tranqüilida de quando em conversa. O que quer dizer com: inclinação espiritualista? Que a paciente se mostrou resistente a um possível envenenamento mental, ou mel hor, não admite se deixar dominar pela sintonia enfermiça de agentes psicológicos que, provavelmente, possam ser oriundos da energia mental dos desejos de desencarnad os ou até encarnados. Veja, doutor Edison, a comunicação mental a distância é comprovada c omo falamos. Estudamos muitos casos inexplicáveis de pessoas desaparecidas, que já e stavam mortas, e guiaram algum familiar, um desconhecido ou até um policial a enco ntrar seus corpos nos locais mais improváveis. Isso é comunicação em nível de pensamento! Não podemos negar essa possibilidade! Se o senhor... O psicólogo disparou a falar, mas foi interrompido educadamente: Espere. Calma, Sérgio. - Após segundos, o médico comentou: Carl Gustav Jung, o médic psiquiatra suíço que detonou o Pai da Psicanálise, Sigmund Freud, em muitas teorias s obre a libido, com a publicação do livro Wandlungen und Symbole der Libido, cuja tra dução original do idioma alemão é: Símbolos e Transformações da Libido... - tentou terminar as foi interrompido. Mas em sua publicação no idioma português recebeu o título de: Símbolos da Transformaç completou Sérgio sem trégua. Exatamente! - empolgou-se o psiquiatra. Nessa obra, Jung leva adiante sua lin ha de pensamento bem seguro de que o desejo sexual, a energia psíquica que provém do instinto sexual, cujos relacionamentos particularmente importantes aparecem em conseqüência de traumas, influências, experiências sexuais ou desejos sexuais da libido na infância. Essa energia psíquica não determina a conduta da vida de um indivíduo, não te m exclusivamente só o caráter libidinoso imposto por Freud. Jung denominou seu método de Psicologia Analítica, no qual alguns conceitos centrais foram o de: Tipos Psico lógicos; Complexos; Inconsciente Coletivo; Teoria dos Complexos... - Segundos de p ausa e o médico comentou: Nas características da formação dos Tipos Psicológicos, Jung mo tra-nos como são diferentes as psiques das pessoas, ou seja, a alma, o espírito, a m ente das pessoas são individuais! O vocábulo Psyché é de origem grega cuja tradução é Psiqu E na mitologia grega, Psique era a personificação, a representação da alma, do espírito, d a mente, que correspondem a uma coisa só. Ele identificou e descreveu processos ps icológicos que, ligados em várias combinações, determinam o caráter de um indivíduo, provan o-nos que uma pessoa específica tem um comportamento exclusivo. Trabalho esse que demorou cerca de vinte anos no campo da Psicologia prática, experiências e estudos! A Tese de Doutorado de Jung foi com base em investigações do comportamento mediúnic o! - lembrou Sérgio. Sim! E freqüentando sessões espíritas, o Pai da Psicologia Analítica revolucionou o c ampo da Psiquiatria e da Psicologia, como você lembrou. Quebrou ao meio as teses f reudianas de que os fenômenos do inconsciente se explicavam somente pelas influência s e experiências na infância relacionadas ao sexo ou desejos sexuais da libido.

A conversa sobre Psicologia Analítica - Junguiana - prosseguiu até Sérgio argumenta r:

Pensei que não aceitaria minhas opiniões e... Minha Tese de Doutorado, em Filosofia da Religião, foi baseada e defendida com estudos de casos de distúrbios e transtornos com prováveis intervenções espirituais, sem elhantes ao dessa paciente. Sério?! É verdade?! - surpreendeu-se o psicólogo. Lógico! Por que eu mentiria?! - riu o médico. Por acaso o senhor é espírita? - tornou Sérgio, curioso. Sendo o Espiritismo a filosofia mais ampla em explicações racionais e ecumênicas qu e já estudei e estudo, posso afirmar que a religião do psicanalista ou do psicoterap eutas não importa se ele tiver a mente aberta aos esclarecimentos inegáveis da filos ofia e ciência do Espiritismo. Ele deve ser realista aos fatos históricos do mundo c omprovados por estudos. Que ele não queira converter ninguém à sua religião, seita, filo sofia ou até a própria Doutrina Espírita. Quando o paciente não é ateu, não é evangélico ou estante, mas católico, budista, umbandista ou outras religiões ou filosofias espirit ualistas ou mesmo espírita, fica bem mais fácil à terapia e a busca por soluções. Apesar d e espiritualista, ou seja, de acreditar que a alma vive após a morte do corpo físico , os pacientes de linhas religiosas protestantes ou como se denominam: evangélicos , têm a visão ou a compreensão muito limitada, são adversos, totalmente contrários ao mund o real dos espíritos, pois eles só acreditam em céu e inferno. Esses são os pacientes ma is trabalhosos e os que merecem mais atenção e cuidados da nossa parte. - Ele sorriu ao avisar: Respondendo a sua pergunta, sim, eu sou espírita. Um espírita imperfeito e em evolução, mas sou Espírita - riu. Sabe, Sérgio, não há como deixar de admitir essa trina filosófica e científica vivenciando um trabalho como o nosso. Compreendendo os conceitos da Psicologia Analítica, criada por Jung, comprovando os Tipos Psicológic os, o Inconsciente Coletivo e outros... Relacionando com a influência dos espíritos sobre os acontecimentos da vida, os pressentimentos, a penetração das idéias dos espírit os em nosso pensamento, fluido universal, matéria, espírito... Penas e gozos terreno s, a loucura e suas causas... Reencarnação. Não há como negar! É tudo o que vemos em nosso trabalho. É o que procuramos ajudar. As criaturas humanas são diferentes e agem dif erente diante do mesmo fato, pelas diversas experiências em vidas passadas. Como e xplicar um trauma ou distúrbio que não tem origem nessa vida?! Os profissionais ness a área que se negam a essa crença, independente de suas religiões, só posso dizer, lamen tavelmente, que eles são encarnados necessitados de muita elevação moral e espiritual. O medo de conhecer a verdade que os libertarão é tamanho que eles se negam a fazer uma pós-graduação em Psicologia Junguiana, Psicologia Analítica, para terem uma nova visão sobre o trabalho que realizam. Eu não aceito estender assunto e discutir com prof issionais puramente da linha freudiana, inflexíveis por não conhecerem a linha jungu iana. Não seria prudente dar predileção a um método quando se desconhece o outro. Só aceit o discutir as preferências de profissionais da área que possuem formação nos dois métodos, nas duas linhas: freudiana e junguiana. Caso contrário estarão falando de algo que não conhecem... E... Baseados em que, podem defender um e desmerecer o outro? Ambo s os médicos, Freud e Jung, dedicaram suas vidas à procura de explicações para o que vir am, pesquisaram e vivenciaram ao longo de suas carreiras. Eu acredito que cada u m deles viveu para o seu propósito e ambos são importantes dentro do que se propuser am a explicar, cada um a sua maneira. Portanto, como profissionais que somos, de vemos estudar os dois, para em seguida dizermos com conhecimento de causa a quem devemos dar preferência, dependendo do caso em particular. Entende?! - Depois da explicação enfática, continuou: Como você bem lembrou, em outras palavras, as teses de F reud explicam determinados comportamentos, mas Jung ampliou a visão ao comprovar q ue nem todos os transtornos, distúrbios são de origem sexual, como Freud afirmava. Alguns segundos de reflexão e continuou: Negar-se a conhecer outras realidades é au sência de elevação moral e espiritual. Veja, quando eu falo de elevação moral, não me refir a deixar de praticar sexo, ser uma pessoa séria, rígida, sem sorriso, deixar de bri ncar, ser fria diante dos fatos acreditando que tudo acontece pela vontade de De us. Não! Todo extremo é prejudicial! Estamos encarnados para harmonizarmos um débito d o passado ou, talvez, para a nossa evolução e busca de equilíbrio. Devemos praticar se xo? Sim! Mas o sexo é um compromisso de troca de energias espirituais e com provávei s conseqüências físicas como uma gravidez ou uma contaminação por vírus, bactérias e outros

bud stas.. ao desejo de obter qualquer f orma de prazer. Ele não aceitou a lê cega imposta pelo pai. Hoje.. Esse sentido não me impressiona como no passado. ao contrário. eu disse: Psiquiatras! Acordem! Tenham fé e se curem da cegueira materialista do mund o que vêem.. depois de pouco tempo. Ele me impressionou.riu com gosto. vejo e sinto muito mais do que antes! Despertou em mim um outro se ntido humano difícil de explicar. por ser judeu. ao espiritualismo reencarnaci onista. pois a seriedade é sinônimo d e atenção ao aprendizado. Mas. ou energia psíquica. não se aprofundou em estudos de antes do nascimento. Tudo para Freud era de caráter sexu al e Jung derrubou essa teoria. com um futuro promissor!. uma aula para uma turma de pós-graduação. Queria arra ncar do fundo de sua alma as explicações de sua fé que justificassem seus instintos! P recisava saber qual o alicerce de conhecimentos usados para suas conclusões ou se . Após algumas cirurgias supervisionadas p elo Médico Professor Doutor que reconheceu e elogiou meu trabalho. protesta nte se inclinaria às aceitações espíritas. capacitado. à budista. pois esses são bem tolerantes. Fiquei revoltado.. A religiosidade pode intervir no profissional. quando o assunto é importante. Eu adorava os centros cirúrg icos e sabia que eu era ótimo no que fazia. entender. Hoje em dia o profissional da Psicoterapia o u Psicanálise que se fechar aos novos conhecimentos. Tudo para eles é porque Deus q uer! É milagre de um anjo ou maldição de demônios. frase do Mestre Jesus..exclamou Sérgio timidamente.. Adoro analisar pessoas. bonito. Mas Jung foi muito m ais além e concordava com muitos princípios de Freud. porém Jung ampliou o papel do in consciente enfatizando que a libido. representa todas as forças vitais e não somente as sexuais como Freud impôs. entre outras. à filosofia reencarnacionista dos espíritas. Mesmo assim. ao término. Nem sempre. Os jude us acreditam na ressurreição. nem aceitou a reencarnação. Repentinamente um aluno levantou a mão e falou: Fiz todo o curso de Medicina. à filosofia espírita. verdade e explicações científicas. Mas não deixei a depressão me der rotar e fiz uma nova especialização na área da Psiquiatria. Ele não está totalmente equivocado. Estagiei.ntão devemos pensar muito. especializei-me em cirurgia c ardiovascular e. que é voltar a viver no mesmo corpo físico. Pensei: por que eu? Jovem. Ao contrário dos católicos. refletir. ou melhor. Eles não aceitam nem os fatos históricos! Continuam protestando se m buscar conhecimento. por exemplo. sor rindo.. pensamentos e experiências a partir do nascimento.. Posso dizer que é o meu melhor aluno. Jung quis e buscou o conhecimento de todos os seus Porquês . interferir. pois acredito ter ganho um outro. sofri um aciden te de carro e fiquei cego. . Talvez Freud. talvez. Saber com quem trocamos essas energias! Perguntar: que tipo de energias recebi? De quem recebi e quais conseqüências espirituais isso me tr ará? Devemos ser sérios? Sim. mas não completas e bem limitadas nos sentimentos. o que a ciência prova ser impossível. sem agressividade ou ofensas que firam os outros! Creio que dificilmente um psicólogo ou psiquiatra evangélico. eu estava satis feito e feliz pela minha capacidade. Por que me deixou dar tantas explicações e exemplos? Eu e stava a fim de defender minha opinião e pensei que o senhor iria protestar! Não bast ava me interromper e dizer que agi corretamente? Que o senhor entendia por que é e spírita? Eu sou psiquiatra.. abre um leque imenso de informações e aperfeiçoamento. Mas doutor. A religiosidade do profissional pode.. em neurocirurgia cerebral. Muitas teses e teorias freudianas são válidas e importantes. O profissional da área psíquica que buscar conhecim ento em todos os agrupamentos de seus estudos. hinduístas. Puxa!. . será enganado ou uma fatal vítima d a ausência de conhecimento. parece que eu vejo e entendo a alma dos paciente s e não a aparência física . Devem os sorrir? Sempre que estamos felizes! Mas lembrar que em alguns momentos essa e xpressão de sentimento é inadequada. O pai de Jung era pastor protestante .. Sei que não posso generalizar. na qual não preciso usar os olhos. Creio que ambos os mestres são importantes e se co mpletam de acordo com cada caso. Obrigado. mas a ma ioria é assim. mesmo sobre uma opinião negativa aos nossos conceitos. existe muito mais além do corpo físico! . Mas.In stantes de reflexão e contou: Outro dia em. Devemos deixar de brincar? Não! Mas brincar de mo do saudável. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará .disse o doutor Edison. traumas ou transtornos de vida anterior a essa. s abem ouvir. o maior Psicólogo da Humanidade e ainda afirmou: A tua fé te curou . Devo afirmar que fiquei incrivelmente satisfeito e até surpreso com sua análise nesse caso.. Sérgio! . a princípio. São teses presas aos instinto sexual.

Aquele é mais complexo e gostaria de analisá-lo melhor. Con do totalmente com você sobre ela necessitar de intervenções medicamentosas.. deprimido.. a paciente retornará a lazer terapia com o senhor! . auxilia-o na repressão de seus complexos ou problemas íntimos e o faz bloqueá-los. meu irmão. por que estou usando termos clínicos? Força do hábito . confessou com expressão séria: A presença da Débora na minha vida foi algo muito significativo e essa ruptura. tudo o que aconteceu. Sérgio.você apenas estava defendendo uma teoria sem o verdadeiro conhecimento. tornando-o ótimo no que faz. f rágil. Quer conversar a respeito? Não me veja como profissional. Sente-se aí. E sua amiga que desejava tentar suicídio e?. Mal detalhamos algumas supervisões e.. Sei que quanto mais demo ar a tratar de um distúrbio de estresse pós-traumático ou agudo é pior. E a dona Antônia. Talvez.. mas sim como amigo. o s enhor se coloca em último lugar. em breve. Contou-me só os fatos. É questão de pouco tempo..Riu de si mesmo e reclamou: Mas que droga. eu tenha essa chance.Sem demora.explicou o médico. sem a inst rução que buscou através de muito estudo. O senhor sabe de tudo e. como referência materna. . Não está sendo fácil convencê-la a uma consulta psiquiátrica. sorrindo. Foi por isso que contei o que aconteceu comigo daquela forma tão. E se não acontecer... doutor Sérgio. . O senhor a conhece e pôde notar o quanto ela é educada. A propósito. Tal bloqueio o leva a dar extre ma atenção ao que se dedica. Fiquei bem atarefado e não tivemos tempo par a conversar. Quem sabe..respondeu educado e levantando-se. Ela v irá. conversam muito e acho que ele conseguirá trazê-la aqui. Estou preocupado com você. Entretanto. um dia . não posso parar minha vida. Todos os fatos como em um rel atório encaminhado ao seu comandante na polícia. Procure ficar mais à vontade. extremamente introvertido. Parabéns! Você foi ótimo! E.. O seu Tipo Psicológico. Porém. rapaz.. quando tomar conhecimento da realidade dos fatos por outra s fontes.... mas eu acredito que. mãe do João. Sérgio? Veja. tem uma personalidade tranqüila... Sem que Sérgio esperasse. o rapaz comentou: Sabe. Soube. por você mesmo. Depois perguntou: E o segundo caso? Li suas referências. e a dona Antônia. Acredito que ela corresponderá muito bem aos homeopáticos e fitoterápicos de um modo geral. A Rita e o Tiago são b em amigos.. Diminuir meus valores e deixar que essa situação . Por quê? Já fiz isso demais. Como o senhor quiser . avisou brincando: Pode deixar.Sorrind o. mas precis o informá-lo de que não prescreverei medicação química ou drogas fortes para essa paciente . ..f alou de modo brincalhão. Após segundos. mas desejaria que fosse agora! Às vezes. Tenho idade para ser o seu pai e o consider o como filho. Prefir o conversar a respeito dele em outro momento. doutor Sérgio! Esse caso merece extrema atenção. Tudo aconteceu muito rápido.. pois qualquer mudança comportam ental pede imprescindível rapidez na disposição de outro método de tratamento. Estarei atento.. Ah! Sérgio! A propósito. A Rita é uma pe ssoa inteligente e receptiva. Se ela precisa de um tempo para pensar e quiser me procurar depois.. Não entendo como ela tomou essa postura.. Procurou-a novamente? Desisti.Suspirou rápido ao afirmar com emoção: Eu amo a Débora! Gostaria de uma oportunidade para explicar a ela o que aconteceu. o doutor Edison perguntou: E você?! Eu?!. o médico argumentou com tranqüilida de: Não sou somente seu supervisor. dará incentivo e apoio. sinto-me ansioso. de seus desejos e pensamentos. Considero-o muito.. E um caso meritório de atenção urgente e sem dúvida conduzida à religiosidade para mudança de hábitos e elevação espiritual. . Podemos conversar agora ou tem algum compromisso? Podemos conversar. Além de flexível. Só me resta esperar isso acontecer. Não acha que merece mais atenção da sua própria parte? Vendo pela primeira vez Sérgio fugir-lhe ao olhar. Penso que poderá s er persuadida pelo Tiago.... . proponha-se a conversar.. sensível.Um instante de pausa e falou: Gos taria de saber dos acontecimentos com as expressões mais profundas de seus sentime ntos. vazio. Sérgio respirou fundo e sorriu.

Pare. Fui acalmála. Procurando tr anqüilizá-la. abaixando o olhar triste e perdido.. inescrupuloso.murmurou o rapaz com nítido nervosismo na voz grave.gritou ela. Depois de tudo. Mas não! Quer que eu acredite nessa história absurda?! Por que absurda?! Que provas tem contra mim?! Como pode me acusar se não ouviu a versão da Rita. Débora . do Tiago.. encarando-a com olhar firme. sem agressões verbais. Afinal de contas. falou com voz trêmu la: Precisava vê-lo! Precisava olhar em seus olhos para acreditar como alguém pode se r tão cínico. ele contou: Não tem o direito de me acusar! A Rita tentou se matar! Foi violentada pelo tio! Eu a levei para minha casa. Sinto um medo inexplicável por essa situação que ela p assa e. Seria irresponsabilidade minha. Você se acha civilizado?! Normal?! Se você não é um demen e. sem emprego. tudo é mu ito recente.gritou desesperado.interrompeu-a num grito. foi porque não agüentei mais ficar acordado te esperando! Aquele foi um dia terrível para mim! Você é capaz de entender isso?! ... Não posso minimizar a concentração no que faço por causa a falta de maturidade de alguém que eu amo e não quer conversar comigo para ouvir a minha versão dos fatos. apesar disso. quando a secretária praticamente gritou: Doutor Edison. o Tiago no outro e eu fiquei na sala sem sono pensando no que te aconteceu! Quer confirmar isso?! Verifique as horas de todas as minhas ligações para você! Acho que estava quase amanhecendo quan do eu desisti de ligar e a Rita teve um pesadelo.. que está nos ajudando?! Eu sei de tudo. sem se importar com o doutor Edison que ficou feito uma estátua em pé frente à mesa.. a porta da sala foi aberta abruptamente e as vozes feminina s estavam alteradas. é um safado! Acalme-se Débora. Civilizado?! . Sérgio levantou rapidamente e virando-se ficou assombrado ao ver Débora na sala d o consultório. talvez. Estou sentindo um nó na garganta. lá no fundo.propôs bem firme e ponderado. Você é muito inteligente. Respeite a presença do doutor Edison. apesar do choro. Confiei demais! Pensei que fosse honesto e me pediria perdão. Vendo-a surpresa com su a atitude.perguntou. Sinto que. da dona Antônia. Estava com dívidas. Assim que a secretária fechou a porta. n conseguiu deter as lágrimas nem a respiração ofegante. pediu gentilmente: Vamos para a minha sala e conversaremos como pessoa s civilizadas. E sperava há horas e. deixando mil recados. Débora chorou ao dizer: Eu confiei em você. mas vontade não me faltou! Nunca houve filho alg um! Ela é louca! Como pode acreditar que eu e minha irmã. Ela o interrompeu com a voz mais segura. Um aperto no peito.revelou... eu não pude fazer nada! Ela queria falar com o doutor Sérgio!. entrou em desespero. eu cuido de pessoas que pre cisam de ajuda e merecem atenção. educado e sem lembrar que estava na sala do médic o: Por favor! Pode deixá-la entrar.. tão cruel.. Sérgio. . Depois continuou: A Débora passava por um momento difícil. Débora aproximou-se de Sérgio. Vamos para minha sala.. existe algo que o aflige. sem o apoio da famíl ia e. Se não bastasse eu vê-lo dormindo junto com a minha melhor amiga!. é capaz de acreditar na Sueli?! Jamais agredi a Sueli. quando lhe entregou as fotos nas mãos.. pediu. Naquele instante.. Débora?! . mas não retornou nenhuma das minhas ligações! Onde você estava quando mais precisei?! Então a Rita teve de dormir no meu quarto. Tentei encontrar você.interfira no meu profissionalismo. Isso me preocupa muito. nas minhas férias.. uma coisa que não sei explicar. a Lúcia se matou por sua causa ! Ficou louca.. sentei ao seu lado e conversamos! Se eu peguei no sono. vil. certo? Além do mais. enquanto perguntava baixo e pausadamente: ... Imaginei que assumiria seu arrependimento por tudo o que já fez! Que até se propori a a um tratamento. Mesmo assim. Tem muita confiança em si mesmo e é isso o que me preocupa. po is quero saber do que você está falando! . Até eu preciso de um tempo para pensar... Você não sabe o que aconteceu! .. Ao encará-lo. Sérgio! Conversei com a Sueli e ela me contou que a agrediu a p onto de ela abortar o filho que esperava! Um filho que era seu! Você a agrediu por ela descobrir o incesto entre você e a Lúcia! Você forçava a sua irmã a se relacionar sex ualmente com você! E na oportunidade daquele assalto.

Foi no exato momento em que as lembranças chegaram ter ríveis como o clarão de uma explosão de recordações. Desculpe-me por invadir seu consultório. mas espe rei por mais de uma hora e meia lá fora. Bom dia.Apontando para o outro médico. o rapaz levantou a cabeça e chamou com voz fraca: Doutor Edison. Caso comece a se mex er. afundan do em uma sombra. . Não quero ouvir mais nada . doutor Edison.. mas. filho .tornou o outro. pois eu já i a embora. Sentia a boca seca. Sérgio sentia-se inteiramente acor . Estávamos conversando. Calma. mas se quer mesmo saber são nove horas da manhã. Que horas são? . que escurecia sua visão.. Tentando se virar. Eu e a Sueli temos outras. o rapaz olhou para o médico e acenou positivamente com a cabeça. deitado de costas. Não conseguia entender o que estava acontecendo. Impiedosamente. Por um instante.. Cumprimentando rapidamente o doutor Vicente. Num grande esforço.. naquele instante. contrações súbitas da muscul tura de duração variável. fechando vagarosamente a porta. . Virando-se. Não tentou dizer nada.Breno aproxima-se de Débora Remexendo-se lentamente no leito. Petrificado. Uma conversa em voz baixa a traiu sua atenção. novamente. O Sérgio precisa de aju da.brincou. mas sentia os pensamentos confusos. o rapaz deu um gem ido de lamento alucinante. Através do soro.. Como assim? Onde estou? E. .chorou. Apesar da visão embaçada. pois sentia doer todo o corpo.. 20 . pálido feito cera. Pode ficar com as fotos. deitada sobre você?! É o seu quarto. que teve enquanto perdeu os sentidos devido à exaltação inesperad nas funções orgânicas produzida pelo nervoso extremo e estresse.Como não acreditar na Sueli?! Veja. Débora ainda falou em tom brand o. olhando-o firme.. Mas não posso ficar ao lado de uma pessoa assim.. você re cebe uma medicação intravenosa adequada que vai aliviá-lo da dor. Alguns passos. surgiu sorrindo: Ora! Ora! .Virando-se para o médico. até um sopro de frio mortal atravessá-lo como uma espada. Isso tem uma explicação. o médico o segurou pelo braço ao perguntar: Você está bem? O rosto branco e gelado voltou-se para o doutor Edison e tentou balbuciar. brincando.... pálido e mudo.. Não reconhece um hospital?! .alegrou-se. alerta. ua irmã. a moça saiu sem olhar para trás.Sérgio tinha as mão s trêmulas ao olhar as fotografias... Em seguida aconse lhou: Não se agite. e a Lúcia. Calma. contornado pelos cabelos grisalhos e cacheados do amigo.Lágrimas correram pela face e ela ainda acrescentou: Eu o adoro.. fazendo-o olhar para o lado e ver o doutor Edison em companhia de outro médico.. As fotos falam por si só. o coração batendo com dificuldade e. pára próximo do leito e o rosto tranqüilo. precisaremos imobilizá-lo.disse. . Débora ainda o torturou ao pergu ntar em tom brando: É impressão minha ou esse aqui é você. ela questionou: Ainda quer que eu acredite em você.. Não sei qual a utilidade. Essas dores são resultados dos espasmos.perguntou Sérgio. Não entendo por que ele me enganou ta nto. E. Seu corpo caía lentamente como se fosse tragado.tentou se defe nder. A perplexidade não o deixava concatenar as idéias e um torpor o dominava.. Sérgio?! O que tem a me dizer agora? A versão da Sueli sobre isso é mentira.. ma s não conseguiu dizer nada.. olhou para o lado reconhecendo a figura do médico amigo. completamente nua. * * * Sérgio acordou e se viu deitado sobre a mesma cama. Confiei nele.. Correndo ao seu lado. doutor Sérgio! Pensei que fosse dormir o dia t odo! . apresentou: Este é o doutor Vicente. . Sérgio estava em choque. não é?! É a sua cama?!. . sem forças e decepcionada: Cuide bem dele. era tomado por uma espécie de adormecimento que começou a reduzir as dores.. Sérgio ouviu o som de passos vagarosos aproxi mando-se dele.. Vendo-o petrificado.pediu a voz tranqüila do doutor Edison..

À tarde volto para vê-lo e decidir se merece receber alta ou se precisa ficar mais tranqüilo. Melhoras! O outro médico ofereceu leve sorriso e. mas sua voz pareceu fra . Ah! Eu matava os d ois! Além dessa magnífica cena. Débora estava nervosa com a atitude da irmã e reclamava: Yara..Brev e pausa ao perder o olhar ficando pensativa. Aproveite e descanse. Ele tremia. Débora! Depois de tudo o que a Sueli contou e te provou com aque las fotografias!. pergunt ou afoito: Não vai me deixar aqui. ficou pálido e tentou falar. inconformada. em seu o lhar penetrante que invadiu seu ser. O doutor Vicent e cuidará de você. Afirmou não haver filho algum. Você não entende! Ele encheu a caixa postal do celular. deixando Sérgio aturdido. o cara não negou! Disse que a Sueli mentiu! Em instantes. Trazendo os pensamentos em ruínas e sofrendo com os conflitos interiores. Está aí ao lado. Yara! Deixe-me pensar! Por favor! Pensar em quê?! Foi algo que o Sérgio falou sobre a Rita tentar se matar e para eu verificar os recados que ele me deixou e os horários. inspirada por espíritos malfeitores... Sérgio nem pensava enquanto falava. Mas. O que ele contou e a forma como contou ofereci a ao rapaz um voto de confiança.... .. Sérgio ainda tentou protestar: Mas eu penso que. .. Tudo há seu tempo! Não acha? Ficará em observação até ar vinte e quatro horas de sua internação.Débora falava brandamente. Perguntou se eu estav a louca... Em todos disse que tinha a contecido uma coisa grave e pedia para eu ligar. ao pegar as fotos que entreguei. pois tentava ignorar um frágil conselho que lhe sussurrava no fundo da alma a favor de Sérgio. Nunca vi o Sérg io daquele jeito. pediu: Espere. Questionou como fui capaz de a creditar na Sueli. você não tinha o direito de apagar os recados deixados na minha secretária! Por que está tão irritada?! De que eles adiantariam?! Para que ouvi-los?! Só se você for masoquista e quiser sofrer mais! E pare de gritar. Ainda tem alguma esperança de que esse safado pode se defender de tudo o que você mesma viu?! Ah! Não! .interrompeu-o firme. Sérgio! .. falou: Ainda bem que eu tirei cópias ou você seria capaz de dizer que não viu direito aquela atitude imunda d ele com a irmã! Enquanto Yara vociferava e gesticulava andando de um lado para outro. Preciso ir.. A jovem sentiu verdade em suas palavras.. apressou-se para acompa nhar o doutor Edison. que a Rita estava lá e precisava de mim... confuso e sem alternativas. Ele esbravejou e se defendeu bem firme. não é. refletindo so bre cada detalhe: Havia sinceridade em suas palavras. sem dizer nada. No tom de sua voz aflita e firme ao dar tan tas explicações.. O último recado foi quase às duas da madrugada. Se eu pegas se meu namorado dormindo na cama com a minha melhor amiga!. O Sérgio não sabe menti r e ele estava bem franco. Se eram mais detalhistas!. E o que posso dizer por agora.exclamava Yara. avisou mais calmo enquanto caminhava: Eu trouxe um livro para você. Apesar de nunca tê-lo visto tão austero. Gritou ao dizer que nunca a agrediu e disse com lealdade que não faltou vontade para isso. avisou que estava em c asa. Você falou e pensou hoje mais do que devia. ele não entendeu sobre o que eu estava falando.. porém não sabia o que era. No último. * * * Em seu apartamento. Ela sentia que havia algo errado naquela história.dado e lembrava-se de cada detalhe do ocorrido. . Não pareceu mentir. Eu o conheço. Mas Yara.. Você viu as fotos! Quando contou que mostrou para ele. Ainda disse que me amava.Virando-se para sair.. informou: Eu só queria confirmar se o s outros recados deixados na secretária eletrônica foram após esse horário e o que dizia m.. a não se r deitar-se novamente ou ler. Quando eu disse que sabia de toda a verda de. não parava de falar e sua energia devorava o fio de esperança que existia em Débora. doutor Edison?! Estou me sentindo bem demais para fi car num hospital! Preciso ir ao trabalho e. Débora se ntou-se cabisbaixa e desolada. pedindo para eu entrar em contato. Eu não acredito. Esforçando-se para sentar. Não suportando. apesar de inconformado.

beijando-lhe o rosto ao pergunta r: Você está bem. avisou: Entre.falou com ironia. No instante em que a campainha tocou. Breno modero u o sorriso. ou eu mesmo manusearei uma boa tira de couro em suas cos tas para que aprenda botar juízo naquelas cabeças! O servo arregalou os olhos horríveis e inquietos. deixando a coitada tão desesperada que até se matou por isso?! Não acredito que esteja defendendo esse doente. Débora! O Sérgio te enganou! Quer continuar te enganando e pelo visto está cons eguindo! Ele não quer manchar a sua imagem de doutor Sérgio! . Eu deveria ter conversado ou ouvido como ele propôs. avisou: Mandei subir.ca e gaguejou. eu não t eria ouvido e sofrido por mais de um século. E veja como ele é um cara ba cana. Enquanto isso. com satisfação e orgulho. Depois quando soube que foi mentira sua. minha amiga? Ela o encarou com os olhos empoçados em lágrimas. Essa infeliz precisa pagar por tudo o que fez. a jovem ficou envergonhada. também não disse nada e continuou seu amigo. com o ânimo reduzido a migalhas. só iria te enrolar ! Ele é profissional nisso! Pense comigo: como você explicaria uma foto com você nua.. mas respondeu: . a Débora está aqui na sala. com você abraçando-o pela cintura. tive a impressão de que ele começou a passar mal. olhando-se e misturando-se sem sab er o que fazer.. Débora! . Sebastião urrou. Você é louca! Depois de tudo o que viu. Foi frio. c om pensamentos tristes e conflitantes. o nosso irmão.Vend o-os como um grupo de soldados desorientados. deixando-a ne rvosa. . Yara! Não quero conversar com ninguém! Ele ligou antes de você chegar. Sem a Débora. mas não fiquei para saber. Gritando para um grupo de espíritos gro sseiros que o acompanhava.. Se não fosse por ela. Secando-as com as mãos. grosso com as palavras e virou as costas te desprezando e não querendo conversar! Pense nisso! Se agora o sujeito é assim. o servo daquele líder saiu rapidamente para cumprir as ordens de forma alucinada. Não procure justificativas para o que não tem defesa! Ele é safado e esperto! A corda. Sebastião ordenou como se rosnasse com ferocidade. Pensei que fosse desmaiar.Débora não disse nada e a irmã esbravejo u: Deixe de ser idiota! Queira quem a quer! . porém não sei o que me deu! O Sérgio. aproximou-se e sentou ao seu lado. mas não reagiu.Pequena pausa e comentou menos irr itada: Lembra a mentira que contou ao Breno sobre estar grávida e era por isso que ficaria com o Sérgio? Ele ficou triste. Mas como?! Não. Depois de cumprimentar Breno.gritou Yara. as pernas sob re as dele e ele meio coberto por um lençol?! . indicando: Você! Seja hábil com o chicote. Yara abriu a porta sem se importar com a irmã. imagine se morassem j untos! Na espiritualidade Sebastião ria com gosto e saboreava. Contou para ele sobre mim e o Sérgio?! Contei! Qual o problema?! Chega de mentira! Já bastou aquela história que você inve ntou sobre estar grávida do Sérgio só para afastar o Breno. quando soube que era mentira. o sofrimento experimentado por Débora e Sérgio.. exigindo dos demais: Vamos.Reunindo os espíritos que desejava. deitada sobre o Elcio. aquele covarde não teria desertado. Débora estava visivelmente abatida. Sinto um arrependimento por isso!. triste e ele não agüentou saber de seu sofrimento e pediu para vir aqui. nem ligou e continuou seu amigo. com as habilidades no emprego das técnicas sugestivas. Ele disse que havia uma explicação. Débora se deixava convencer pela irmã. para organi zar esses atrapalhados. Agora o Sérgio por qualquer coisinha fica todo nervosinho! Qual é?! Não vou esquecer quando cheguei aqui e vi v ocê chorando feito uma condenada por causa do Sérgio! Um cara que te agrediu com um chacoalhão. Eu disse que você estava com problemas. Aliás. que não demoraram a escorrer por sua face pálida. Ao retornar. seus vermes malditos! Somos soldados guerreiros! Ajeitem o grupo e me sigam! . Eu não poderia dizer p ara não vir. É o Breno. o Sérgio fica mais fraco. apon tando: Vocês! Vão tomar conta do desgraçado do Sérgio! Corram! Ficarei aqui para não perder qualquer oportunidade. Vão! Vão logo! Os outros ficarão comigo. Não demorou muito e o interfo ne tocou. ouviu e das provas incontestáveis contra el e dormindo com a irmã. Imediatamente Yara tomou a iniciativa de atender.

Vagarosamente a jovem foi percebendo que Breno era muito atencioso. Breno se levantou.Beijando a irmã. escolhia suas vítimas e escondia suas verdadeiras intenções. dissimulan do a voz ao lhe dar um sorriso enigmático com o canto da boca. De qualquer forma acredito que estará em boa compa nhia.. nunca te exigiu nada e está presente nas h oras mais difíceis. Breno. Débora chorou e o rapaz ampar . Ela aceitou e ajeitou-se no sofá. ele ofereceu-lhe torradas. A moça virou-se sorrindo e se foi. Sentia grande necessidade de organizar as idéias e pa ra isso não poderia ter alguém ao seu lado. Foram detalhes que me trouxeram recordações e. mas preciso ir. . Após entregar-lhe o pires com a xícara.. A conversa seguia com aparente tranqüilidade entre eles até que a jovem expressou semblante triste. mas vi que dormia tão suave que.Virando-se para o visitante. para seu espanto. Então fique aí e relaxe. Sua estrutura psicológica estava empenhada na cordialidade e amabilidade a fim de conquistar a t otal confiança de Débora. pedindo baixinho: Beba um gole para se livrar de algum gosto amargo e lavar qualquer lembrança ru im. generoso e verdadeiramente amigo. foi até a cozinha e retornou c om um copo com água adoçada.prometeu o rapaz com leve sorriso. Breno colocou o recipiente sobre a pequena bandeja. Ela experimentou uma sensação agradável ao vê-lo tão gentil. agr adecendo. sem que ela esperasse. torradas e deliciosos e pequeninos pães-do ces e colocou-a sobre a mesinha central. É que. quase ao mesmo temp o de uma rápida piscadinha: Cuide bem da minha irmã! Pode deixar . Ela forçou um sorriso e aceitou o copo. Procure não pensar em nada. sustentando uma bandeja onde sobrepunha xícaras de chá. o rapaz se serviu e sentou em outro sofá. * * * Débora despertou sentindo-se atordoada. me liga. Tenho certeza de que vai tirar um cochilo e isso será ótimo. avisou: À noite estare i de volta. Nem um minuto se passou e a moça se surpreendeu com ele cobrindo-a cuidadosamente com um leve lençol suave e perfumado. Breno foi ao seu encontro... a f im de satisfazer a paixão compulsiva que experimentava pela jovem. Frente à irmã. colocou-lhe os pés sob re o sofá. despertando seus desejos mais obscuros... e conversou sobre a brusca mu-dança do tempo. Desejari a que Breno não estivesse ali. no caso. Sei o que é isso. Breno? Por que tanto trabalho? Trabalho algum! Acho que não comeu nada o dia todo.. como um tr iunfo e com a finalidade de usá-la como objeto em situações ou fantasias. beijou-o no rosto e pediu. Entre um gole e outro da bebida morna. Breno? Quer deitar em seu quarto? Não. Aproximar-se e envolvê-la para submetê-la ao seu controle.Já estive melhor. Entretanto. Lentamente os pensamentos da moça eram envolvidos por uma sombra que a cegava para não ver a falta de integridade do rapaz. Alguns goles e devolveu-o ao rapaz. assumia uma conduta educada para seduzi-la.. Mascarava o caráter a fim de empenhar-se ao máximo para obter o que desejava. voltou-se novament e para Débora e. seus vícios e transtornos. O que é isso. Mudando-se de lugar. Pensei em levá-la para almoçar. uma atração física qu e o influenciava de maneira poderosa e anormal. . Qualquer coisa. na verdade.. Débora não sabia o que argumentar. Manipulador. o que Débora aceitou. Breno acomodou-se rapidamente ao lado de la e parecia preocupado ao perguntar com extrema generosidade: O que foi? Eu disse algo errado? Não.. tirou-lhe os sapatos. Sentando-se e observando s eu largo sorriso. Yara anunciou: Desculpe-me. Débora. Você não quer conversar e eu a entendo. Na verdade gostaria de ficar sozinha. correspondendo à trama de Yara . ajeitou algumas almofadas e a conduziu para que se deitasse. comentou: O que é isso. O Breno já provou ser um ótimo amigo. Não quis interromper seu sono.

doutor Sérgio . Eles compreenderam e ficaram tranqüilos. em certos instantes. Sérgio abaixou a cabeça. por isso precisava de descanso.O rapaz falava de modo calmo. conforme me orie ntou e o João também aconselhou. Em seguida completou: A princípio.. eu tinha decidido que era o momento da Débora saber.. De repente p erdi o controle da situação pelas acusações injustas e pela forma como foram feitas. Longo silêncio e o doutor Edison comentou: Sérgio. em absoluto silêncio e com um semblante sobrecarregado de profunda decepção. Você precisava de um momento a sós. Eu mesmo liguei para seu irmão e sua mãe explicando que não aconteceu nada grave. . .Breve pa usa e perguntou de modo suplicante na voz grave: Como eu poderia imaginar que a Sueli fosse tão alienada. Estávamos vivendo situações decisivas e importantes em nossas vidas. E para provar essa gran de confiança e consideração que tenho especialmente por você.. Acho que precisava desse descanso. ao ver o médico amigo entrando. cabisbaixo. meu único filho. Lembrava-se dos detalhes que o abateram a ponto de levá-lo a um hospital. ouvindo atenciosamente seu desabafo e afagando-a e ..respondeu.. puxando uma cadeira e a comodando-se mais perto do rapaz. Meu f ilho.brincou o homem.respondeu com simplicidade.. Pensava em Débora e desejava tê-la segurado naquela s ala por mais tempo para contar a verdadeira história.. Foi uma surpresa absurda! Deixou-me atônito por isso nem sabia o que dizer. a falta de visita e. A Sueli foi alguém em quem confiei. Na mesa que os separava. compreendendo-a. segurando a cabeça baixa sem olhar para o outro. A Débora me atacou de uma forma muito cruel. Os belos olhos de Sérgio o encararam de modo penetrante.. Eu e minha es . Mas a surpresa com a foto o deixou em choque e não soube como reagir. Uma nuvem de dor pairava em seus pensamentos. vou te contar que. Tinha o olhar perdido no horizonte. Você não contou à Débora sobre as atitudes desequilibradas de sua irmã? Não .. contei cada detalhe. mas como amigo. equilibrado e eu resolvi adiar essa co nversa que não me agrada nem um pouco. não é? Não posso dizer que apreciei a comida. por qu e eu não recebi visitas? Foi a meu pedido. expressando um pedido de socorro. Estou arrasado ! Quero sumir! Nada em minha vida parece fazer sentido e. tenho idade para ser o seu pai. Não contou a eles sobre a Débora? Não . Sérgio estava em pé frente à janela. Sorriu. Diga-me a ve rdade. tornou-se um aluno excepcio nal. apoiou os cotovelos e em seguida esfregou o rosto com as mãos. Sérgio aind a estava com a cabeça curvada quando finalmente comentou: Tudo o que aconteceu me deixou muito perturbado. Além disso. Ele ficou sentado.. encarando-o. Sabe. envergonhado.. sentando-se em seguida diante dele. A propósito.. aproximou-se da cama onde se sentou e comentou em voz ba ixa: Ninguém jamais me fez sofrer tanto. Disse que você não estava se sentindo bem e tratava-se de um estresse mental. Levantando-se de onde estava. Ora! Pelo visto se comportou bem. louca a esse ponto?! I sso é doença! Ela não tem estrutura nem caráter.. criado com toda a atenção e orientação. * * * No mesmo momento. muitos desabafos. Depois o tempo foi passando e. Não o ouço como médico ou psiquiatra. Sérgio. Tirava as melhores notas a custo de uma dedicação impressionante. Por essa razão considero essa conversa como um desabafo pela nossa amizade. com o canto da boca..perguntou o doutor Edison. Entretanto ainda possuía uma inquietação que incomodava s eus pensamentos.. como já disse. Quer conversar um pouco? . olhando os últimos raios do so l que se punha entremeado de bela nuvem alaranjada.. o fez virar-se lentamente... Contu do minha maior decepção foi com a imaturidade da Débora por não me ouvir. mas. Não acreditou no que eu disse nem me deu chance para explicar. ela foi muito insensível. No sso relacionamento estava bem harmonioso.ou-a em seu ombro como amigo. ele pegou uma outra cadeira e puxou um a pequena mesa colocando à frente ao doutor Edison. De repente um leve barulho na porta. Isso só se explica como forma de vingança.

. mas ela me acusava.Falando calmamente. meus pacientes. o que acontecia. Queria fazer neurocirurgia e pensava em outras especializações. q ueria abraçá-la para chorarmos juntos. Ab andonei as aulas. Chegando ao terceiro ano de Medicina. Edison. o amigo. Não dizia nada.. do seu preparo. com o coração esmagado. prosseguiu: Eu deixei de se r o Professor Doutor Edison. Eu sei quanta pressão e exigências existem sobre os alunos de Medicina. ma s meu sócio replicou: Veja com os olhos do coração e contemple mais longe e não só à sua v a. D izia que o Alessandro não queria me decepcionar e por isso não suportou a pressão e se matou. flagelando-se. . Todas as vezes que tentei conversar com minha mulher. Eu não acredit ava que meu filho havia se matado. I sso quando o via. serão profissionais cuja prioridade de suas atividades será proporcionar alívio. Chamei-o para conversar. para onde íamos todo inverno. que gritou. Na manhã em que retornei a São Paulo. se deixar de trabalhar para ajudar os outros. mas eu achava que era ciúme de mãe. trará mais sofrimento e dor ao seu filho.. A cada dia o Alessandro se tornava mais calado. Eu deixei de ser tudo! O que restou foi só o homem desorientado. quando volto u para casa. porém com os olhos empossados nas lágrimas. maltratando-se. . principalmente.. Não me dei por vencido e procurei deixar de ser o pai para ser o co lega. mais uma dor.. Logo o médico continuou: Nada adiantou. berrou. Sérgio o olhava surpreso. o médico confessou: Eu p ensei em suicídio. silencioso e quase sem piscar. porque era um pesadelo na vida real. Você acha que o seu filho acabou?! Não! Ele vive. como pai. Eu precisava dela.. Eu estava sozinho e completament e arrasado. Sem dúvida que experimenta momentos difíceis e muita dor na consciência pelo suicídio praticado. Tínhamos uma bela e confortável residência. Minha esposa precisou ficar internada por alguns dias e. Se desistir de viver. Meu filho só dizia que estava sobrec arregado com os estudos e muito cansado.Encarando o rapaz com firmeza. fiquei assustado ao ver dois carros da políci a e um da perícia em frente à minha casa. Eu respondi que ele estava ficando louco. .. Tudo! Eu não cuidava nem da minh a aparência.posa não podíamos deixar de ter muito orgulho dele. eu era palestrante em um congresso no Rio de Janeiro. as palestras. o doutor psiquiatra. Foi morar com os pais e pediu o divórcio. Deixei a barba grande. um dos empregados correu ao meu encontro e. O A lessandro passou no vestibular para medicina com incrível facilidade... levando-o ao cansaço. afinal . Dois dias depois de ele me dar essa exp licação. Desfiz-me de tudo.. Eu estudava um meio de saber. Só me restava vender a clínica. na direção do Alessandro e o trate. ao desespero. Desisti de tudo. pois meu filho era tudo de mais importante para mim. meu filho Alessandro começou a apresentar alterações em seu comportam ento. é importante que você. cuide dele com toda a s ua força e amor que jamais dedicou a um paciente ou a um aluno. F oi então que meu sócio me chamou e disse: Se você morrer. Alguns segundos se pas saram e o homem contou: Acreditei que minha vida tivesse acabado. sisudo. Dei-lhe o divórcio.Sérgio acenou positivamente com a cabeça e estava muito atento. Ele tinha uma namorada. o cabelo crescer sem pentear e a cada dia dimi nuía minha disposição para um banho. Não conseguia fazer nada por falta de concentração. se continuar se abandonando. quebrou o que pôde em diversas crises de nervos. Só que. agora. mais um motivo d e desespero.. o pai desesperado. por ele. com polic iais e peritos entrando e saindo.. Entende? . inquieto. E eu. perto de Campos do Jordão. Olhe. mas não conseguia tirar o Alessandro dos meus pensamentos. Eu passei a usar as mesmas roupas desalinhadas. mel hor qualidade de vida e salvar pessoas. essa idéia não saía da minha cabeça. O Alessan dro necessita da sua força. que estava com os portões abertos. Não existe dor maior ue a de perder um filho! Minha esposa deixou nossa casa. descendo do carro. após a morte de noss o filho. Sérgio. o palestrante. mas eu tinha um sócio. chorou. Aliás.. ela me culpava.. o dono daquela mansão. não seja para o Alessandro mais um peso em sua consciência. Ao me ver. com a qu al minha mulher implicava.. dizendo que e u forcei nosso filho ao excesso de estudo. mais d o que precisou durante toda a vida! . rec ebi um golpe mortal quando ele disse que meu filho havia se suicidado. uma casa na praia em um lugar bem privi legiado e outra na serra. de seus conhecimentos e.. o médico. Eu e meu filho conversávamos muito e ele até me acompanhava assistindo às minhas aulas ou palestras em congressos. mas meu filho só ouvia e não me encarava. Queria que aquilo fosse um sonho ruim. culpava-me.

perguntou com a voz rouca pelo choro. o doutor Edison falou: É melhor que se troque. filho.Breve pausa e o homem aconselhou. E apesar de tanto con flito e desespero íntimo. Os olhos de Sérgio pareciam explodir em chamas como os de alguém que acordasse abrupta-mente com uma rajada de água fria. eu estudei e entendi que meu filho poderia se erguer do vale espiritual tenebroso onde se encontrava através dos meus desejos e pensamento s. caia de joelhos. Sérgio debruçou-se sobre a mesa. Na verdade. vejo que. Por que está me contando tudo isso? Por que vejo em seus olhos. auto-estima e reconhecimento de seus valores e limites como se eu estives se tratando o meu filho. . Depois pegou suas roupas e foi se t . mas ele silenciou e somente esperou. Ei! ... doutor? A consciência... Cre io que foi a vergonha de desabafar que levou o Alessandro à prática tão lamentável. Erguendo-o.riu. Que tesouro eu tenho. puxou-o para um abraço.Ao ver encará-lo. Quando cheguei. Vim aqui para avisar. Isto é. Eu sofri muito. e o a migo prosseguiu: Use todo o seu poder.Não houve resposta. desistir da vida. Sérgio o abraçou f irme e estapeou-lhe as costas. seu bo m-ânimo. mas não pensa que me engana não. Lágrimas correram em sua face serena... outros momentos vão emb elezar sua vida! Lembre-se de que não existe somente a noite escura e fria. Eu soube por você mesmo de toda a sua história. Você está começando a desenvolver a convicção de que seu trabalho. toda a sua fé.. E se você també tirar sua própria vida. grite. Assim como os raios do sol no horizonte são diferentes a cada dia. mas me dediquei e me empenhei como nunca.tornou Sérgio. O quê? . acarretará uma imensurável responsabilidade e extrema aflição. A mecânica dos problemas humanos é o resultado do que você fez p or você em muitas outras vidas e pode ser também uma opção para ajudar alguém da sua famíli espiritual. pensa em desistir de você mesmo. Isso não fo i e não é fácil. Se quiser uma carona! Eu já estou de alta? . Nunca soube de sua vida. Sérgio o abraçou forte. trazendo um leve sorriso no rosto avermelhado. Após longo tempo. Sérgio. mas peça a Deus que o amanhã chegue rapidamente com uma luz forte de confiança e razão. sua alma. Não disse nada. A mecânica dos problemas humanos não se restringe somente à ciência da Psicologia ou da Psiquiatria.Mais sério. é mais claro do que a noite. A cada aluno ensinei como se fosse para o Alessandro. Você é um ótimo profissional. perguntando temeroso. . Esse sócio é espírita. sem qualquer lamentação. chore. eu direcionava as explicações e orientações para meu filho e em forma de pensamento. Sérgio. Não é Sérgio?! . Parece que escuto cada palavra até hoje. Cada paciente que cuidava. a sua garra e conhecimento a dquirido para guardar. O médico não disse nada. sorrindo: Aumente a umidade relativa do ar à sua volta! Desenvolva a autoproteção! . avisou com voz terna: Não quero perder mais um filho. Mesmo um dia cinzento. doutor. falou: El eve os pensamentos e reze! Se for preciso. po is você não cometeria esse crime contra as Leis de Deus se ele estivesse vivo . P or essa razão. eu falava buscando meios de despertar suas forças interiores. Os dois se entreolhavam firmes. escondeu o rosto em seu ombro e chorou como n unca. Algo que vi n os olhos do Alessandro. Não qu ero te perder agora que o encontrei. mas. Acredito que suas roupas estejam ali no armário. ou missão evolutiva com amor incondicional por todos ou tarefa que não se pode esperar. Pela experiência que apren o a cada dia. Vejo que se empenha e se dedica extremamente ao trabalho para fugir da sua realidade . há dias. e. estava. seus esforços. Sérgio ficou em silêncio e fugiu o olhar sem dar qualquer resposta. sua nada e tudo mais não têm importância. algo que me deixou inquieto. envergonhado esconde u o rosto onde secava algumas lágrimas. caindo num choro sufocado e compulsivo. dediquei-me tanto as aulas. Sérgio se afastou do abraço e.será por culpa da decisão tomada pelo seu filho com a prática do suicídio. Acho que me esque ci! Aproximando-se. Todas as manhãs trazem luz. por causa de um brutal e cruel rompimento amoroso. proteger e preservar o seu maior tesouro de modo que ning uém consiga profaná-lo e prejudicá-lo. Ao vê-lo erguer os olhos para o teto e dar l ongo suspiro. O rapaz não se conteve. O doutor Edison se levantou e foi ao seu lado..

Toda aquela discussão na sua sala. eu decidi rec omeçar. através de psiquiatras amigos. Ele foi encontrado em seu quarto e deixou uma carta pedindo desculpas a mim por não ter co ragem de contar suas dificuldades. Não sei como conseguiu aquela arma. Peço a Deus que o abençoe. na sua frente. lutar e não ter êxito algum. O Aless andro se matou com um tiro na cabeça. disse.. E sua esposa? Por mais que tentei e tento... chorar. Ao contrário de alguns deprimidos de comportamento passi . No começo entrei em um mundo de escuridão e infelicidade.. Meu mundo estava de cabeça para baixo. Em determ inado trecho.falou sério. Ao saber da minha busca mais profu nda nos ensinamentos da Doutrina Espírita que me traziam consolo e força interior at iva e construtiva para minhas atividades. Dei-lhe o divórcio para não contrariá-la. Mas por incrível que pareça.. o retornar a clinicar.. acreditando que minha v ida não tinha mais sentido. Sérgio? A verdade é que senti vergonha por causa do senhor. Apesar de ter-lhe fornecido toda a ate nção. ele acreditou que isso seria temporário e logo pararia. Não foi fácil. é esperteza e elevação. Em um trecho. Por mim?! Sim. quando lembro. Que vergonha! Vergonha mata. l utar. Sérgio comentou com o médico: Enquanto estava no hospital. Arrependido por quê? Por não ter contado para a Débora sobre o desequilíbrio da minha irmã. Sentia-se deprimido e envergonhado e não sabia como me contar. Sérgio perguntou: Se não o incomoda falar a respeito. pois des ejava arrancar meu filho do recôncavo das trevas. Mas ela não aceitou. pode dizer como ele se matou? Sinto imensa dor. Bu scar na religiosidade o equilíbrio e o entendimento. E muitos não têm idéia da dor e do sofrimento cons ciencial mil vezes pior. Falar.. pediu perdão pela falta de coragem.. Passei o dia pensando: o que vale minha vida? A pessoa que mais amo e que diz ia me amar me tratou como quem ofende um marginal. envergonhado. a Jesus que o ilumine e c ontinuo com o trabalho que abracei para aliviá-lo e elevá-lo. Como todos os iniciant es em vícios. Um tanto cauteloso. Tentou conversar com ela sobre o lado espiritual de toda a situação? Incontáveis vezes.rocar. Pensei em desistir da vida. poré m minha consciência ela ainda é minha esposa.. seus medos e. mas acreditava que p oria um fim ao inferno vivido no pensamento e na necessidade do corpo. Recusou-se a me receber como visita. Senti vergonha e dec epção.. os paciente chegavam. ela não quis reverter seu quadro de depressão clínica para a tris a comum. não conseguimos minim izar sua depressão. por se desviar para o caminho da s drogas para o qual eu sempre o alertei. pensei muito. Querer a mo rte é covardia para enfrentar a vida.. Todos apresentavam ou contavam sobr e a intenção de suicídio. da perturbação e da dor para elevar sua consciência e beneficiá-lo com o arrependimento e a aceitação de socorro. * * * A caminho de casa. Tratei de cada um deles como se fosse o Alessandro. As drogas foram vitoriosas. Por que se envergonhou. dedicação e amparo. Depois do alerta desse meu grande amigo. afirmando que não conseguia mais p rosseguir sem elas. Não peço mens gens mediúnicas com informações dele. procurar ajuda profissional é coragem. estaria ao meu lado hoje. dever e responsabilidade. Ela se entregou à progressividade de um estado desesperador tão pr ofundo e por um tempo suficiente que agora acreditamos ser quase impossível modifi car seu comportamento disfuncional. conversar. Mas seu corpo exigiu mais. A impressão que tive foi de lutar. Foi à vergonha de contar o que acontecia que o levou à prática de ta manho absurdo. meu filho menci ona que passou a fazer uso de drogas para ficar acordado e sem fome para não perde r tempo com a alimentação a fim de estudar e se aplicar mais. Sérgio . minha esposa abandonou qualquer ocupação. embora saiba que é necessário usar a dor em bene fício do próprio Alessandro. arrependido. Se o Alessandro não tivesse vergonha. Meu filho escreveu que estava ciente da atitude insensata. mas sem desespero e com total controle das emoções. Fiquei em conflito..

vo e letárgico, ela passou para um estado comportamental deprimido, mas agitado e inquieto quando procurou conforto na igreja evangélica ou religião protestante. Logo de início, minha mulher adotou uma conduta severa e crítica de si mesma. Ass umiu a culpa pela falta de capacidade de controlar sua vida. Com procedimentos i rritadiços, freqüentou a igreja evangélica gritando em rogativas intermináveis, julgou-m e demônio. Embrenhou-se na fé cega das crenças irracionais, persistentes e sob os delíri os frenéticos dos cultos alucinantes repletos de uma ovação interminável de súplicas a Deu s, como se Deus fosse surdo. A busca desenfreada por uma espécie de perdão Divino, levou-a a distúrbios psíquicos de falar uma língua estranha da qual ninguém sabe a origem ou a tradução. Tais episódios d epressivos e maníacos variavam e se alteravam. Você sabe que quando o indivíduo experi menta uma grande perda afetiva, se ele não for equilibrado pode vivenciar grandes e diversos distúrbios psicológicos. Essa perda pode ser a morte de um ente querido o u a perda simbólica pela rejeição ou abandono da outra parte. Em todo caso, quando não s e controla a raiva inconsciente contra o outro, esse sentimento se transforma em raiva contra si próprio e, conseqüentemente, em depressão. Fontes de estudos e opiniões de renomados psiquiatras como Aaron Beck, baseiamse em fontes clínicas de que as pessoas deprimidas, na maioria das vezes, pensam i logicamente. Elas transformam pequenos problemas em dramatizações catastróficas e, nas situações realmente difíceis, essas pessoas assumem eternas e indizíveis culpas; amplia m as fraquezas, desesperam-se com a total perda de controle emocional e jamais s e perdoam por desagradáveis experiências do passado. Dentro da visão filosófica, científica e religiosa que tenho um pouco, acredito que a agitação delirante, a fé cega, as crenças irracionais nas falas sugeridas e persuasiv as pronunciadas com muita habilidade por muitos evangélicos ou protestantes, têm a f inalidade de limitar a inteligência das pessoas necessitadas de auxílio na área psíquica ou psicológica. Essa atuação ou representação agitada e delirante é uma das fontes de argu entação usada para convencer os fiéis. É algo que funciona como um gerador de energia en ganoso, temporário, falso, no qual o indivíduo depressivo transfere as suas responsa bilidades e deveres para Deus, bem como a causa de seus sofrimentos, ou seja, se eu sofro é porque Deus quer assim. Essas pessoas transferem sua raiva inconscient e para outra e aprendem a culpar todos à sua volta, incluindo os espíritos, por seus infortúnios e dores, julgando-os demônios traidores e capetas ou diabos inimigos. As mentes maquiavélicas que administram essa linha religiosa para fins lucrativ os se tornam controladoras de vidas, dos comportamentos e das opiniões dessas pess oas com transtornos. Eles usam palavras persuasivas. Alguns desses líderes religio sos, sem dúvida, apresentam distúrbio de personalidade anti-social, pois mentem, ilu dem, trapaceiam sem mostrar noção de responsabilidade. Sempre parecem mais sábios, int eligentes, atraentes para causar impressão. É o típico vigarista que não sente qualquer culpa ou arrependimento pelos danos materiais, financeiros, morais ou intelectua is causados aos outros. Eles usam principalmente o nome de Deus para envolver su as vítimas. Como profissionais, nós sabemos que a depressão grave, sem acompanhamento clínico, terapêutico, resulta em agravamento do estado patológico. Por isso, como era de se e sperar, depois de algum tempo vivendo essa febre evangélica sem acompanha-mento clín ico, por recusar tratamento, minha esposa deteriorou acentuadamente junto do seu estado psicológico, principalmente, ao se dar conta de que doou valores e mais va lores financeiros para os pastores e nada recebeu em troca. Não teve, sequer, algu m companheiro para uma visita amiga, ou seja, acabou o dinheiro, terminaram os s eus direitos de receber qualquer bênção de Deus. Todos se afastaram dela. Não se barganha com Deus. Hoje ela está em uma cama, com um comportamento letárgico e definhando a cada dia . Não fala, não corresponde nem reage a nada e... - Sua voz embargou, mas comentou: Semana passada ela deixou de comer, tomando uma postura vegetativa e por isso es tá recebendo alimentação através de sonda. Seus batimentos cardíacos estão fracos e exames xibem proteínas na urina, um sinal de deficiência renal e... Por não reagir, por não ace itar ajuda desde o início, ela se suicida a cada dia. O silêncio reinou por algum tempo. Comovido, Sérgio murmurou: Nossa... Lamento muito. Eu também, filho. Eu também...

Discretamente o doutor secou uma lágrima que rolou em sua face e nada mais diss e. Em poucos instantes chegou frente à residência de Sérgio. O rapaz estava muito grat o e rapidamente ele pediu mostrando-se animado: Por favor, vamos entrar! Faço questão que conheça a minha casa! O homem sorriu e aceitou: Se não for incômodo... Será um prazer! Dizendo isso, ambos entraram e Sérgio passou a contar detalhes da reforma enqua nto mostrava-lhe a casa. 21 - Opiniões do doutor Edison

Sentados à mesa da cozinha, o doutor Edison tomava uma xícara de chá servido por Sérg io, que sentou-se à sua frente, satisfeito pela companhia amigável. Depois de algum tempo, insistiu novamente: Não quer mesmo que eu prepare um jantar? Será simples, mas rápido! Não, obrigado. É que não costumo jantar. Tomo um chá, suco ou como uma fruta à noite. Puxa! Como eu gostaria de ser assim. Tenho um bom apetite! A idade o fará pensar e agir diferente:, e consequentemente, mudará os hábitos alim entares ou comprará uma cadeira maior e bem reforçada para suportar seu peso - disse rindo. Não demorou e Sérgio comentou com seriedade: Não imagina o quanto me ajudou, doutor Edison. O maior apoio que podemos recebe r, em alguns momentos, é o de alguém nos ouvir sem críticas, descréditos ou pouco caso, não dando importância ao assunto. Os familiares freqüentemente nos ignoram. - Alguns s egundos e declarou: Após a cena tempestuosa lá em seu consultório, tive a impressão de q ue minha vida, minha carreira e qualquer outra atividade praticada haviam chegad o ao fim, não tinham valor algum. Ao acordar no hospital, um sentimento amargo, um a tristeza me dominou. Meus pensamentos ficaram povoados de idéias destrutivas. Se nti que a Débora estava se atirando em um precipício de sofrimento e tortura, e eu, não podendo fazer nada, queria me atirar também. As idéias de desistir da vida, de me suicidar, formavam-se com incrível velocidade e força com procedência desconhecida. Pa rece que eu não tinha chance de pensar e repensar no assunto. Antes de conversarmo s, eu acreditava que os meus problemas, as minhas dificuldades eram as maiores d o mundo. Mas quando o senhor conseguiu atingir e emergir o meu maior complexo, e u desmoronei. Precisei explodir através do choro. Enquanto conversávamos, eu pensava e me conscientizava de que só após a reforma e a limpeza podemos reconstruir algo m elhor. Foi o que você fez com essa casa, Sérgio! Ela estava feia e com problemas, mas a consertou, reformou e a deixou bonita e agradável. A nossa vida é assim! Planejei cada passo da minha vida e suportei cada sacrifício. - Com olhar febri lmente brilhante, admitiu: Não programei a entrada da Débora em minha vida. Nunca pe nsei que existisse uma pessoa capaz de preencher um vazio que eu sentia. Vi nela alguém capaz de ficar ao meu lado, a mulher para me acompanhar em tudo e até a cria tura ideal para ser a mãe dos meus filhos. Eu não estava preparado para um rompiment o abrupto e tão agressivo com as lembranças de um passado cruel pelo desequilíbrio da minha irmã, que agora me atacam pela vingança da Sueli, responsável por tanta decepção, in justiça e amargura. Sérgio, nós temos potenciais que ignoramos. Somente através da nossa consciência alim entada ininterruptamente pelos pensamentos, desejos e ações nobres podemos nos eleva r, curar-nos e ter acesso às esferas superiores. Em um momento de dor, de sofrimen to, de problemas difíceis que não raciocinamos e somos impulsivos, nós deixamo-nos ilu dir e queremos que os outros resolvam os nossos deveres, assumam as nossas respo nsabilidades. Quando isso não acontece, quando os outros não fazem o nosso dever, qu e é o de enfrentar o nosso desafio, nós desejamos morrer e sumir. Quanto erro! Só o fa to de pensarmos no desejo de morrer, de nos suicidarmos para acabarmos com o sof rimento desta encarnação, nós atraímos fluidos tão pesados. E, esses fluidos são tão destru res que se impregnam em nosso campo vibratório e até em nosso corpo espiritual. Como

conseqüência, chamamos para junto de nós espíritos que sofrem pelo suicídio praticado e c omeçamos a sentir angústias, desânimo, desejo de desistir de tudo. Não nos importamos co m mais nada... Depois começam as dores, o sofrimento com doenças que se relacionam àqu ele suicida que se afinou com você e às vezes nenhum exame consegue diagnosticar ess as doenças ou sintomas. Ou então os vingadores do passado, os obsessores, aproveitam -se desses pensamentos, desses desejos e com isso nos enfraquecemos, nós nos deter ioramos, perdemos a esperança e deixamos de evoluir. Se não reagirmos, vamos nos imp regnando a cada dia, a cada pensamento e acabamos deixando nossa mente invadida pela decisão do suicídio, influenciada por espíritos cruéis. O senhor tem toda a razão. As palavras, os pensamentos e as atitudes são energias psíquicas, são a nossa alma e representam todas as forças vitais. Como vimos no caso de sua esposa. Minha mulher precisava de um tratamento clínico e espiritual, porém se negou, rea giu revoltada, sentiu-se reprimida. Ela começou a ser radical quando encontrou, no meio dos protestantes ou evangélicos, aqueles que usaram de influência persuasiva a través da fé cega. Tirando-lhe os encargos, a responsabilidade de enfrentar a vida e transferir suas dores e perdas para os desejos de Deus. Não posso afirmar que tod os esses religiosos de linha protestante são assim. Contudo os que ela encontrou v isavam a fins lucrativos, usavam métodos de controle mental para a hipnose coletiv a. O pastor evangélico a auxiliou a usar mecanismos inadequados de defesa emociona l. Isso não é só um ato irresponsável como também muito perigoso, tanto que o resultado fo i o estado de depressão grave que chegou ao letargismo. Não duvido de que minha espo sa desejasse morrer, pensasse em se matar, mas ela não reagiu e se deixou envolver atraindo o que seu inconsciente queria. Viu como é sério o problema dos mercadores de algumas religiões? Isso é um crime! - p rotestou Sérgio. Não, rapaz. Não é. Visto pelas leis, esse é um país livre e ela uma cidadã considerada pacitada na época em que procurou consolo nessa linha religiosa. Minha mulher pode ria e deveria tomar uma nova postura mental e novas disposições íntimas como: ajudar c rianças num orfanato, ser voluntária num hospital que cuida de pacientes com câncer... Essas atitudes amenizariam a tristeza a médio ou longo prazo, dependendo da pesso a. Certamente ela não ficaria com a mente entregue à angústia e às aflições que a levaram a s transtornos, aos distúrbios psicológicos e uma terapia surtiria um efeito muito be néfico. Algumas facções religiosas utilizam o controle mental para dominar a opinião, as idéi as de seus adeptos. - Argumentou Sérgio que continuou: Aqui no Brasil, desde que t eve início a febre evangélica, após o fim da ditadura militar, nós vemos líderes religioso s manipulando as idéias de Jesus e textos bíblicos para que pessoas desatentas ou se m conhecimento sejam mantidas sob controle e subjugadas pelo medo de irem para o inferno. Foram capazes de criar bíblias novas recheando trechos evangélicos com exp licações em favor da dependência religiosa da linha protestante, mas tais alterações literá ias são completamente contrárias aos ensinamentos Cristãos. O Cristianismo liberta as pessoas! A meu ver estão institucionalizando a religião, principalmente os evangélicos . Concordo com você, Sérgio. A religião foi transformada em instituição lucrativa. Hoje ualquer portinha serve como templo evangélico. Chegam a intitular nomes pitorescos como: Religião de Deus; Religião do Deus Vivo; Verdadeira Casa de Jesus e tantos ou tros nomes que... Deixa pra lá... A irresponsabilidade desses líderes religiosos é grande. Eles usam o controle men tal para escravizar os fiéis desavisados e até ignorantes que se entregam aos alucin ados gritos de perdão e agradecimento a Deus. Eu já assisti. As pessoas ficam fora d e si! É um delírio incontrolável e contagiante! Sim, Sérgio. A isso, dá-se o nome de Hipnose Coletiva. De uma maneira inconscient e, os fiéis são dominados e aceitam as sugestões do líder ou representante religioso que os hipnotizam, ensinando-os a reverenciar Deus, a pedir perdão a Deus e suplicar a Deus de uma forma capitalista. E o que é capitalismo se não um sistema econômico de produções visando a lucros financeiros? O que significa pagar seu dízimo, deixar lá na i greja o seu dinheiro, suas jóias ou algum outro bem material para ser atendido por Deus. Esses templos ou igrejas têm o líder evangélico que injeta na mente dos fiéis um Deus capital, um Deus executivo, legislativo e judiciário! Um Deus que condena ao

sofrimento aquele que não dá sua última moeda. Se você não pagar, não terá crédito com Ele. pastor... Bem... O pastor é o emissário do Senhor que recolhe e endereça as arrecadações. Como psiquiatra eu não deveria falar isso, mas... Como homem, eu vejo alguns pasto res como uma espécie de Psicólogo Subversivo que propaga os milagres daqueles que dera m dinheiro e se salvaram! E o que faz um marketing induzindo os fiéis a uma espécie de comportamento de consumo religioso sem controle, irracional, com fé totalmente cega e, acima de tudo, fazem-nos adotar essa ou aquela prática ou postura preconce ituosa. As atitudes de amor e solidariedade só existem para com aqueles da mesma l inha religiosa, considerando como verdadeiros demônios as outras criaturas de Deus por se inclinarem a religiões diferentes como a umbanda, o catolicismo, o espirit ismo, o islamismo, o budismo, o judaísmo, o hinduísmo e outras. Eu não entendo por que tantas pessoas se deixam dominar pela fé cega, por outros que as mantêm sob um domínio mental, controlam suas opiniões e suas vidas. Lembre-se de que antes de falarmos de pessoas, estamos falando de espíritos com diversas experiências terrenas anteriores a essa. Crendo em muitas moradas na Cas a do Pai, acredito na existência de regiões espirituais inferiores por onde passaram e se encontram espíritos com diversos vícios ou práticas inadequadas e perversidades das mais diversas, apegados às paixões vis e promíscuas, inclinados às discórdias e irritaç , anomalias sinistras no que dizem respeito ao desregramento sexual por práticas c ompulsivas ou animalescas, atos ou pensamentos repletos de energias com desejos maldosos e negativos... Por Deus ser um Pai bom e justo, Ele não confinaria quem q uer que seja ao inferno. Então nas muitas moradas há alguma reservada ao processo de aprimoramento para a aprendizagem, o crescimento, a elevação e a libertação de Seus fil hos que se inclinaram a um comportamento inferior. Vamos pensar e filosofar nas palavras de Jesus quando disse que há muitas moradas na Casa do Pai, Ele disse mor ada e não lugar de eterno confinamento. Quem está em uma morada pode se mudar dela, certo? Concordo. Nossa! Que explicação ótima sobre podermos nos mudar de uma morada. Mas i sso não responde a minha curiosidade - argumentou Sérgio. Calma... - pediu o médico sorrindo e logo continuou: Depois de tantas práticas co ntra as Leis de Deus, milhões de espíritos desencarnados são atraídos por suas condições me tais a terríveis estados de perturbação ou Umbral, experimentando verdadeiro inferno n a consciência. Lembrando que o Universo é a Casa do Pai, esses irmãos se encontram em alguma morada dele. Para esses espíritos, é tão sofrida e pavorosa a experiência que ess a parece eterna. Quando o espírito se recusa, nega-se a harmonizar o que desarmoni zou, experimentará a reação de suas ações, sofrerá o mesmo efeito do mal que causou, pois o mal só se corrige com o mal. Deus não se esquece das grandes regiões expiatórias e trevosas na espiritualidade. O benefício da reencarnação chega inclusive ao espírito rebelde, mas desgastado pela angús tia vivida nessas regiões de sofrimento. Então ele reencarna para minimizar suas ten dências viciosas e maldosas. Reencarnado ele tem a benção do esquecimento de vidas pas sadas no seu consciente, mas de seu inconsciente não se apagam os erros cometidos, suas tendências ao mal nem a sua aflição e dor nas faixas vibratórias muito inferiores quando desencarnado. Por isso cada indivíduo tem suas lutas e conflitos internos, seus distúrbios ou desequilíbrios ou síndromes. Veja... Eu acredito na existência de igr ejas protestantes sérias e capazes de ensinar a prática da solidariedade e do amor C ristão que se tornou algo secundário para outras igrejas evangélicas. Existem pastores protestantes, assim como padres, dirigentes espíritas, pai-de-santo ou mãe-de-santo em centro de umbanda, entre outros líderes, muito honestos! Como também desonestos! Isso independe da religião, mas sim da dignidade, da honestidade, da elevação da cria tura humana. Até onde me levaram as pesquisas, a maioria das igrejas evangélicas é liderada por qualquer um, por isso se tornam um capitalismo, uma forma de vender algo e lucra r com isso. No caso, eles vendem religião, promessas de algo melhor em sua vida, v endem perdão. Analisando pelo lado clínico, pessoas desse tipo como líder religioso, têm a tendência ou postura do distúrbio anti-social e são capazes de mentir, forjar, trap acear, representar de todas as formas possíveis, sem arrependimento e, cinicamente , usando o poder de persuasão. Dará o máximo de proveito a seu favor. Dentro da propos ta religiosa imposta pelo protestantismo, alguns líderes evangélicos encontram a exc elente oportunidade de colocar em prática compulsiva a sua personalidade anti-soci

al, pois agem como verdadeiros vigaristas ao descobrirem um meio de dominarem os pensamentos e as idéias dos seguidores. E é por meio dos cantos de hinos e gritaria frenética que se obtém a Hipnose Coletiva para inebriá-los e conseguir com que façam do ações e mais doações, fé irracional e tudo mais o que sabemos. Todos se esquecem dos ensinamentos do Mestre Jesus sobre não ser como os hipócrit as que se comprazem em orar em pé nas sinagogas e nas ruas para serem vistos pelos homens... E, quando orando, não usar de vãs repetições como os gentios que pensam que p or muito falarem serão ouvidos. Portanto, quando orar ao Pai que está no Céu, entra pa ra o teu aposento e feche a tua porta. Ora a teu Pai que está em oculto, e teu Pai que te vê secretamente te recompensará. Lembrando que as sinagogas correspondem às ig rejas e templos religiosos. Quanto aos fiéis, o que os leva a crer em colocações sem raciocinar e na realização de verdadeiros espetáculos para gritar sobre sua fé... Bem... Podemos tomar como exempl o que alguns deles são espíritos que permaneceram em sofrimento nos baixos círculos vi bratórios da espiritualidade pelas suas práticas delituosas, perversas ou tendências v iciosas. Agora, encarnados e mesmo com o abençoado esquecimento do passado, eles t emem essas regiões expiatórias trevosas nas quais os espíritos inferiores, escravizado s, perturbados, desesperados padecem em extremo desespero. O medo inconsciente d e retornarem para essas moradas espirituais aflitivas é tão intenso que eles mantêm um comportamento de medo a Deus, tomam uma postura de crer no céu e no inferno, colo cando-se aos berros para rogar, tal como faziam quando desencarnados. Alguns del es adotam essa facção religiosa, porém não mudam o hábito ruim, continuam com um comportam ento moral indigno, são delituosos nos pensamentos, nas palavras e ações, mas acredita m que pedindo perdão, entregando o dízimo e pagando pelas orações, oferecendo dinheiro p ara que seu nome seja escrito no Reino de Deus... Os levarão para o céu. Como profissional nessa área, você sabe que existe a pessoa que passa por um períod o de tristeza, algo diferente da depressão, um estado mais intenso e persistente d o que a tristeza. Muitos pensam que Deus é um prestador de serviço que precisa ser pago a fim de no s dar o que queremos. Deus é o Criador de todas as coisas! Tudo é Dele! O que Deus q uer é a nossa responsabilidade de amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como a nós m esmos. Então vemos algumas pessoas desiludidas porque não foram atendidas. Elas quer em fugir das responsabilidades, ficam tristes, desesperadas e vão a um médico mal in formado que chega à conclusão de que estão com depressão. Você tem reparado como é grande o número de pessoas, atualmente, que dizem ter depressão? Existem vários graus ou estágios de depressão. A depressão não é o fim do mundo! A maioria das pessoas já experimentou um estado dep ressivo e nem sabe. Porém existe a depressão mais acentuada, em que o indivíduo neglig encia suas responsabilidades e precisa de auxílio profissional. Muitos acontecimen tos na vida podem prostrar uma pessoa à depressão, mas ela pode reagir e buscar em d iversas atividades o prazer de viver. O senhor disse que a grande maioria dos evangélicos é preconceituosa, por quê? Se forem convidados, os evangélicos vão às igrejas católicas, aos centros espíritas, a s centros de umbanda, ao templo budista?... Não! Eu fui convidado para um casament o em uma praia e a cerimônia foi umbandista e eu fui! Achei interessante, bonito.. . Voltei de lá do mesmo jeito que fui, só que com alguns conhecimentos sobre algo di ferente. Já fui a incontáveis casamentos católicos e assisti a várias missas. E em que i sso me afetou negativamente? Em nada! Reparou que grande parte dos protestantes ou evangélicos nunca reza o Pai Nosso? E sabe por quê? Por causa dos ensinamentos qu e a prece pronunciada por Jesus traz para a reflexão. Um desses ensinamentos é Perdoa i as nossas dívidas assim como perdoamos àqueles que nos tenham ofendido . Aos evangélic os não é ensinado o perdão ao próximo, eles só perdoam aos que se converteram à sua facção iosa, o resto vai para o inferno. Isso tudo é ou não é preconceito? Empresários, líderes d e equipes, diretores, presidentes, gerentes, administradores, engenheiros, arqui tetos ou outros que são responsáveis por uma equipe de profissionais e são evangélicos, procuram contratar funcionários evangélicos e, quando descobrem que um funcionário é umb andista, espírita, católico etc., procuram demiti-lo. Esses religiosos perderam o la do humano da vida. Só eles são puros e estão salvos no Reino de Deus, o resto vai para o inferno. Se acreditarmos na existência do demônio ou do satanás com o poder grandioso que os

. entrar em contato. pois o in ferno também faz parte do Reino de Deus. 22 . que é a Inteligência Suprema e Criador de todas as coisas. A opção religiosa traz a manifestação do conteúdo inconsciente para s revelações de expressões exteriores exibindo.argumentou João bem sério . E já que Deus criou tudo e é dono de tudo. ouviu: Foi isso o que o doutor Edison propôs para ampliarmos a clínica. avisou: Sérgio. Um grande número de espíritas se acreditam com todo o conhecimento fil osófico e científico da Doutrina Espírita. cauteloso. Não fui espírita. Muito obrigado por tudo. Tentou procurá-la. Afinal d e contas. . a sua v erdadeira personalidade. e viu o consultório de seu amigo João com a porta entreaberta. Os dias tornaram-se semanas e semanas viraram meses. João . Isso o deixava cada dia mais aflito. e depois admitiu: Como eu estou fazendo agora! Veja. O médico silenciou enquanto Sérgio ficou pensativo. que não o procurou. encaminhando-se à porta. sem raciocinar e se deixando induzir na fé cega. Espere um pouco! . mas são incapazes de respeitar a fase de cres cimento individual das pessoas espíritas e não-espíritas. isso não nos diz respeito. devem tomar cuid ado com o insano desejo de ir para o Reino de Deus e até pagar por isso. E. apesar de experimentar muito abalo em seus sentimentos.riu.dizia Nival do. Só existe um Deus. o outro psicólogo. Já é tarde e eu só ofereci minhas opiniões como pessoa falha e se m evolução. cantos e rogativas intermináveis a Deus pert urbando o sossego alheio com tanta e tamanha barulhada. Até quando o d outor Edison ficará bancando a parte financeira que cabe ao Sérgio e pedindo para nós não comentarmos nada?! Nivaldo. Sérgio aproximou-se e sem querer. Não demorou e o homem decidiu: Bem!. Sou capaz de entender a decisão do dout .. Com o pequeno copo descartável na mão. você tem meus telefones e e como me encontrar a qualquer hora do dia ou da noite. mas não conseguiu. o seu Eu. são pessoas cujo comportamento humano ap resenta quem eles são. apreensivo e inquieto. A fim de se sentir mais recomposto para clinicar entre uma e outra terapia. Normalmente eles são criaturas desrespeitosas ao perturbarem a paz pública com a gritaria tresloucada em suas igrejas. Sérgio teve uma grande mudança em sua vida quando deixou de ser policial. então teremos dois deuses: um bom e outro mau.pediu João. Preciso ir. Era fim de tarde. Trabalh ava na clínica e estava mais tranquilo. A moça havia sumido completamente.A benfeitora Laryel interfere no suicídio de Sérgio As horas deram lugar aos dias. não importa a religião ou filosofia. Fique com Deus. O rapaz não comentava com ninguém. entretanto experimentava uma profunda tristeza mesclada de angústia e preocupação por não ter quaisquer notícias de Débora. sua alma. Porém trazia o coração apertado e doloroso pela ausência da namorada.evangélicos lhes dão.reclamou Nivaldo com veemência. Ora! Não fiz nada . Não sei por que você está irritado! Ah! Mas me sinto prejudicado sim! O Sérgio tornou-se o queridinho do doutor Edi son e por que nós não?! .Levantando-se. meu amigo . e ra seu costume sair da sala para relaxar e se refazer por alguns minutos após um p aciente e antes de atender outro. Mas eu gosto de ressaltar uma coisa: muitas dessas formas de vida e conduta s e enquadram também a muitos espíritas oriundos de regiões sombrias onde há gritos e rang er de dentes. exigindo-lhes muito . Espero não precisar incomodá-lo. Por intermédio de Rita... Mas tem uma coisa que me irrita: nós somos sócios. isso o que o doutor Edison fez não nos prejudica em nada. o inferno que muitos acreditam também pertence a Ele! O inferno per tence a Deus! Os evangélicos.disse. quando saiu para tomar um ca fé. por intermédio do comportamento. sem qualquer esforço. ele soube que Débora s implesmente abandonou o curso universitário nunca mais comparecendo às aulas nem pro curando qualquer amiga. Isso é o resultado do inco nsciente temer o inferno que vivenciou no estado de perturbação e os prende num prim itivismo mental. Disfarçav a e não comentava mais nada sobre o assunto.

Disse Nivaldo experimentando o sabor da inveja e do ciúme que espíritos maldosos faziam despertar em seu íntimo. pelo fato de ele executar serviços braçais nesta clínica. Houve um choque nos pensamentos e conflitos nos sentimentos dos três companheir os que. na espiritualidade. João! Eu quero saber sobre o doutor Edison custear ou pagar por valores que me pertenceriam e não querer comentários! Que história é essa?! . o Sérgio é bem esperto ou muito idiota para não entender como conseguiu se manter nessa sociedade! .. O doutor Edison nos orientou no trabalho de conclusão do curso . Porém. O Sérgio mereceu o apoio ou a ajud a que teve. o douto dison valeu-se de seus serviços prestados com a pintura. que nós dois não ousamos ajudar! Além disso.. quero saber o que aconteceu?! Segundo. alvenaria e até sua disposição para decoração e para acompanhar os prestadores de serviço . principalmente.questionou Sérgio em tom grave após entrar e dar leve empurrão para que a porta se fechasse às suas costas. um médico psiquiatra e nosso professor e doutor. Sérgio perguntou com voz tro vejante: Primeiro. tão qualificado. quem é você para ter a ousadia d e falar assim comigo?! Calma. Para isso. Locaríamos um lugar com três salas par a atendimento. Nivaldo atacou com palavras: Sérgio. Foi um serviço aqui. o doutor Edison . pelo jeito você é igual ao marido traído. parte elétrica . que perdeu a fala. Não tente ser gentil. t entou justificar cauteloso: Veja. Tentavam influenciá-los com sentimentos destrutivos de inveja. fracasso das próprias obras. João olhou para Nivaldo. Insatisfeito com o que acontecia... por que um Médico Psiquiatra e Professor Doutor. encanamento. Esses espíritos procuravam confund ir e intrigar os três amigos no trabalho devotado e sincero dos profissionais resp onsáveis. Acontece que ele não acompanhou o trabal ho realizado por você antes da abertura da clínica. qui s lecionar em um curso de Psicologia? Como não entendi também o que o levou a querer fazer parte dessa sociedade na clínica e nos dar diversas idéias para as outras áreas de atendimento que temos aqui?! Ele deu idéias e mais idéias. sempre é o último a saber! Ou então ssa por vítima! Aproximando-se. puxando outra cadeira onde se acomodou.. tiveram suas mentes invadidas pelos desejos deliberados desses espíritos inferiores cujo propósito era abalar a harmonia em todos os sentido s. atos e resultados de seus esforços íntimos. As coisas não s sim! Ajam como pessoas civilizadas! A meu ver. Vá ao que interessa! . ausência de amor e tormentos de incompetência. Nivaldo! Vai devagar! . Não sei ou não entendi bem. ciúme.vociferou João.exigiu Sérgio. cruelmente. Mas procurava se manter calmo. incapacidad e.. O Nivaldo não tem idéia do custo dessa mão-de-obra se contratássemos um. Sérgio.. os quais pertenceriam ao Sérgio e.determinou Nivaldo que continuou: No começo pensamos em algo simples. ele é excelente profissional e muito requis itado por seu trabalho sério e responsável. outro ali.. um alvoroço de criaturas participav a do que acontecia em estado de polvorosa agitação. ao perceber que você. ficou sabendo da nossa idéia e a aprovou com satisfação. insuflavam-lhes idéias de queixas infundadas. vou ti contar tudo! .. Se não sabe. Atendendo aos impulsos de vibrações mentais que lhe chegavam. Vamos aos detalhes! . o Nivaldo não está reclamando. Desejo que acompanhe cada passo. Eles não podiam ver. Nessa época. não tinha condições de ser sócio em uma clínica maior e mais moderna. Sérgio! Você também. Do que vocês estão falando?! .Sérgio perguntou com muita firmeza e até sisudo. Não me sinto prejudicado nem ofendido. Sérgio. Sente-se aqui!. e Nivaldo revelou em tom moderado: Aconteceu o segui nte. encarando o outro com olhar feroz. porém. so rriu com ironia e pediu mais brandamente ao puxar a cadeira: Venha cá!. esse professor doutor foi e é o nosso supervisor individual. repentinamente.. ficou muito atento entre os dois. Virando-se para Sérgio. Sérgio: lembra-se de quando nós três tivemos a idéia de montar uma clínica para atend ermos como psicólogos? Dessa parte eu sei. outra de espera com uma recepcionista. Não estamos falando sobre suas capacidades! Acho injusta a postura do doutor Ed ison! Algo tão inadequado que nem ele quer comentários a respeito dos custos finance iros pagos.João foi para o outro lado da mesa perm anecendo em frente aos colegas e. Além disso.or Edison.

mas em mim não! Até à sua amiguinh a suicida ele está oferecendo atendimento gratuito! Pare com isso Nivaldo! .afirmou em voz quase inaudível. O olhar de Nivaldo parecia desafiá-lo ou provocá-lo pela inveja da capacidade do outro com misto de ciúme pela atenção especial do supervisor e sócio doutor Edison. Contudo foi o doutor Edison quem pagou alguns custos da sociedade que te pertenceriam quando viu que não teria mais condições financeiras a o vê-lo falar em vender o carro.para as divisórias e outras coisas. dessa sociedade ou continuará sendo apadrinhado pelo doutor Edi son? Eu não sabia disso!. Percebendo o olhar insatisfeito de João. Acreditou na traição do médic o amigo e de seus colegas. mesmo! Jamais aceitaria uma situação em que recebesse q ualquer lucro com o prejuízo de meus amigos e sócios por investirem mais do que eu. Vamos nversar melhor depois. Por isso disse que tal mão-de-obra cobriria as d espesas que caberiam a você. Agora preciso ir. Com voz baixa. ainda tenho paciente esperando.indagou pasmado. Nivaldo. saindo em seguida. Depois avisou: Essa situação não vai ficar assim. Sérgio. Nivald o. deixando-s e abater. sem perceber. prosseguiu com sarcasmo: Tal vez por vê-lo com problemas familiares que o fizeram mudar de casa. é difícil um de vocês encami r alguém para mim quando suas agendas estão lotadas ou quando o caso merece atenção e ac ompanhamento de outro profissional.. indignação.. Espere João . acres centou: Eu não sabia. desmaiar. A idéia é: termos mais salas e alugá-las para outros profissionais da n ossa área ou das terapias alternativas. e Nivaldo avisou: Não. João o chamou: Sérgio! . Algo tão comprometedor que o fez passar mal. você conseguiu! Agora me dêem licença. Vendo-o se levantar e indo à direção da porta. fazendo-o sentir-se diminuído.murmurou Sérgio. Há pacientes espera ndo! Sérgio sobressaltou-se. Eu não tenho mais ninguém para atender hoje. conceitos e opiniõe que o envolviam em extrema aflição. Para is so ele está cuidando da compra do prédio ao lado.riu Nivaldo com desdém e ironia na fala. Suas idéias e emoções vinham de baixo círculo espiritual com representações mentais. Repentinamente João. Não conseguia dominar os pe nsamentos elevando-os e refletindo melhor sobre o que deveria fazer..Breves segundos de silêncio e perg untou insensível: É o seguinte. Por essa razão o doutor Edison sempre cuidou sozinh o da contabilidade e pediu nosso sigilo sobre esses fatos. esforçando-se para não se alterar. Não sabia. Devemos fazer uma reunião a respeito disso. Deixava-se envolver por estímulos de influência inferior.gritou João.afirmou João severamente. . Nunca tinha sido rebaixado moralmente como naquele mo mento diante das verdades ultrajantes.. você tem condições e conseguirá fazer parte... real . financeiramente. E outras ac usações duvidosas.Encarando o rosto sér io e pálido de Sérgio. . Você não tem o direito de... Afinal. ou problemas s entimentais com o rompimento com a Débora que o abandonou por outro. em tom envergonhado.O amigo virou-se e ele pediu: Pode me dar uma carona? Sim . meu amigo . Trazendo uma frieza no semblante. era arrastado à sintonia e receptividade das vibrações negativas e ma ldosas. Eu também . distribuirmos e ampliarmos a recepção. Sérgio absorvia e reproduzia em seu campo mental os impulsos à baixa auto-estima. Cont udo esses sentimentos eram verdadeira expressão da espiritualidade inferior que bu scava um jeito de destruir ou desarmonizar o trabalho honesto e caridoso. incompetência e desvalorizado por seus colegas. Tudo isso causou piedade no doutor Edison. mas em da ta e horário oportunos. Nivaldo completou: Agora existe a oportunidade de aumentarmos a clínica no início do próximo ano. alertou: Acredito que todos têm trabalhos mais importantes no momento. . Nivaldo abaixou o olhar e se retirou. Por que não me contaram?! . Sérgio precisou de muito esforço e concentração para oferecer a mesma qualidade profi ssional de sempre aos dois últimos pacientes que atendeu. Um sentime nto nunca experimentado antes lhe invadiu a alma ferida. mesmo abalado e contrariado com a situação. Sentia-se humilhado co m sensação de incapacidade. ficar inte rnado. Se era seu intuito ver um sentimento de desconforto e discór dia entre nós...pediu Sérgio. mas você saiu da polícia e não tem outra fonte de rend nem reservas. eu acredito que você ultrapassou todos os limites do bom-senso por hoj e! . Não sei o que levou o doutor Edison a adotá-lo.

quando alguém o favorece. foi por merecimento e não por acaso. Realmente sentia-se enganado. mas o médico não estava.. Ninguém imagina quantas dificuldades enfrentei! Não sabem como precisei me submeter ao autoritarismo de alguns superiores hierárquicos . O amigo nada disse. Obrigado. tem dignidade e muita eficiência. Quem ma is deve saber dessa história? As recepcionistas? O pessoal da terapia alternativa? . incapacid ade e tristeza intensa. ele maquinalmente foi até a sala do doutor Edison. seria eu! Porque somos amigos e eu acredito no seu esforço. Mais uma razão por não ter contado: porque não fui prejudicad o.. Você agiu com honestidade. Sérgio quase não oferecia atenção aos a gendamentos e recados que a moça lhe mostrava. reclamou pela falta de bens materiais e dinheiro em mei o às mudanças e acontecimentos. Imaginava com um misto de vergonha e raiva. sei que faria o mesmo por mim. da minha mãe!. fazer estágios!. Mas gostaria de lembrar o que um professor nos disse e m uma aula: não sejamos coletores de lixos que as pessoas jogam sobre nós através de op iniões mesquinhas. gritava em pensamento. Obrigado. Vendo o outro descer do carro. pergunta ndo: Por que você não me contou? Por acreditar que. Jamais desconfiou de que seu triunfo fosse pela ajuda de outra pessoa. completou: E eu sei que você faria o mesmo por mim .. * * * Chegando à sua casa. Encontrando-se com João no corredor.. foi embora. ao vê-lo estacionar frente à sua residência. professor e amigo digno. não sou invejoso nem incapacitado ou ciumento. Sérgio! Não. sério e r esponsável. está ajudando a mim também.. mas você me prejudicou até d pois de morta! Desgraçada! .. Obrigado pela carona.Após um leve sorriso. Não disse m ais nada. dramatizando para os outros sentirem pena. sem dúvidas. pensava com grande amargura. Provavelmente falaram muito às minhas costas . seus pensamentos fervilhavam e Sérgio não continha as recor dações e idéias rápidas que lhe surgiam. perguntou sem demo nstrar seu sentimento piedoso: Quer conversar? Não. Então multiplique os seus talentos e se motive a p ensar no futuro e não no passado. . Sérgio! Não medite sobre ninharias. Vamos entrar. Qu alquer coisa me liga ou venha direto para cá. mas. informou: Já está tudo trancado. Não quero lhe dar sermões... acabei de verificar. em sua compreensão! Mas você acabou com a minha paz quando não q uis me ouvir.. Alguém sem escrúpulos que se fez de vítima e chorou suas pitangas. Vamos? Só nos resta ir. O colega respeitou. Que humilhação! Devem me julgar pobre. Como me decepcionei com você! creditei em seu amor. traído por ser o último a saber. tantas noites em claro?! Nunca tive apoio da minha família.o rapaz agradeceu com um travo na voz que embargou. Isso é pe rda de tempo e de valores. na sua capacidade. disse: Já que não quer entrar. Obrigado.. Sérgio o encarou firme.. tantas f rustrações e dificuldades!. s em recursos ou então um aproveitador esperto. Toda essa reclamação em pensamento atrai espíritos ngadores ou de pouca evolução que oferecem reforço às idéias e críticas destrutivas. Sérgio experimentava imensa sensação de inferioridade. João .. Como não bastasse a Débora. .Ao ver o outro silencioso caminhar para os fundos. Você ma pessoa importante na vida dos outros. De que adiantou tanto esf orço. Que droga de vida! . que pareciam inquisidores ressurgidos da Idade Média. frente à recepcionista. Ah!. E eu não contei por respeitar e concordar com a vontade desse médico. sem se inibir. A caminho da casa de João permaneceu em absoluto silêncio. Até a Lúcia! Que Deus me perdoe. Com os olhos empoçados em lágrimas. Nun ca pude contar com ajuda financeira deles! Passei por tantos problemas. só para conseguir um horário q ue me facilitasse estudar. o amigo comentou descontraidamente: Sobrou para nós fecharmos a clínica.João suspirou fundo e desfechou: Se recebeu algo. Talvez tenha surgido outro em sua vida e essa foi à oportunidade de . . Lágrimas correram de seus olhos. ... -Respeitando seu silêncio.Ao final do expediente. Porque se não fosse o doutor Edison a te ajudar. supervisor. sob suas visões sujas e podres a respeito do que realizamos com a consciência tranqüila . pesquisar. Depois de agradecer pelos serviços e dispensá-la. na sua integridade e.

O espírito Wilson tentava de tudo para ver seu pupilo se erguer com as próprias f orças. O mentor de Sérgio envolveu-o como que em um abraço paterno e tentando orientá-lo d e pensamento para pensamento. o espírito protetor de Sérgio. Queria morrer. acompanhava o que se passa va nos pensamentos de seu protegido: Senhor Jesus! Imploro em nome de Deus. Porém Sérgio não suportava a pressão exercida pelos desencarnados ferozes. o espírito Wilson imprimi u suplica comovente como se fosse sua última rogativa: Senhor da caridade e do amor. sustentando com suas vibrações pesarosas as infelizes influên cias do líder espiritual desapiedado e cruel contra o rapaz. indo realizar o pedido de s eu amigo. To da aquela obsessão o enfraquecia como se o asfixiasse com a ausência de oxigênio. Ao mesmo tempo. Com grave. seu mentor Wilson o seguiu. Mesmo n o plano espiritual. Desespero e to rturas íntimas nublavam suas idéias. do sofri mento desesperador que o leva ao abismo de dores. com um efeito de longa tortur a e profunda decepção. verdadeira tropa de espíritos desajus tados fazia-se presente. enquanto lágrimas corria . Mensageiro Divino. . Wilson foi sustentado pelos demais na prece sentida na qual rogou ajuda e intervenção Divina: Senhor Jesus. imensos re cursos. Desejava sumir. o espírito Wilson ajoelhou-se junto com as demais ent idades amigas. dos pensamentos oriundos de sugestões covardes. estava presente e acompanhado de outros da mesma elevada linhagem moral e espiritual para auxiliá-lo com seu pupilo. vitimando e o consumindo sob a vontade t irana de seu algoz espiritual. reagiu agressivo em seus pensamentos: O Nivaldo tem razão ! Sou o último a saber! Por que isso?! O rapaz fazia perguntas e considerações sem perceber a energia mental formada por agentes psicológicos cujo mecanismo ou fonte de origem era dos desejos mais fervo rosos do espírito Sebastião. Por tratar-se de forças poderosas de falange do mal. clareando-lhe os pensament os para que recupere suas forças na fé e na esperança. Senhor Jesus.Vendo-o abrir um armário. Livre-o da cegueira que o domina. liberte a mente do querido Sérgio cujos cuidados espirituais me foram confiados.. mas não era fácil. inocentemente o rapaz se entregava ao sofrimento. Era lamentável ver em Sérgio a expressão de queixa e dor em cada lágrima silenciosa a fogada em seguidos soluços.. que se tornava uma vi tima vulnerável. mas era quase inútil. Como forças do mal e comandada por Sebastião. rogo que nos enderece seu olhar misericordioso! Somos meros apr endizes de boa vontade e recorremos a Tua abençoada compaixão. Vendo Sérgio se levantar e ir para o quarto. Sebastião e os demais de sua organização não os viam nem sentiam Wil son e seus companheiros. quebrando o elo que o prende aos grilhões dos pensamentos d aqueles que o querem derrotar. Mestre amigo. Ao lado de seu protegido. ele se ligava às idéias de Sérgio dificultando-lhe o raciocínio. Sem de sviar a atenção dos puros sentimentos na prece fervorosa. Não permita. Por piedade. q ue a interferência dos irmãos ainda sem elevação imprima poder psíquico tão intenso de ener ias mentais com o intuito de destruí-lo com tramas e ataques para que se atrase e não realize o propósito a que veio. Nunca havia se martirizado tanto e sofrido daquela for ma. Embrutecido no ódio. nobre e elev ado entono humilde. não o deixando receptivo às inspirações racionais e am is de seu anjo protetor.. . Repentinamente. Um choro incontido dominou o rapaz a tormentado com tantas vibrações inferiores. a aceitação ou a compreensão dos fatos. i lumine a consciência desse filho querido com seu olhar. o espírito Lúcia vampirizava suas energias fluídicas de uma forma insaciável. concentrando-se em usá-los prejudicialmente. encontrava nas situações difíceis e fatos inesperados do cotidiano..me deixar.. que concentravam seus pensamentos com mais intensidade para envol ver Sérgio em energias mais salutares. nos pensamentos de Sérgio. Wils on virou-se para um dos elevados companheiros que entendeu a mensagem de seu olh ar e pareceu desmaterializar-se. Sem reajuste moral e espiritual. Nosso Pai bom e justo! Estenda ao Sérgio as Tuas mãos dadivosas. Wilson. socorra-nos! Dê-nos força para intervir! Nesse instante Sérgio estava com uma arma automática na mão. Sabemos que Sérgio não necessita experimentar tais e xpiações porque se determinou a esse reencarne por amor aos irmãos presos pelas amarra s psicológicas da força do pensamento de outros menos evoluídos. perispiritualmente..

indignava-o. mas com e norme fúria. parecendo ser arrancada da mão firme do rapaz8. impulsionou-a com sua extrema vontade no exato momento em que seu protegido puxou o gatilho. Agradecia a Deus e a Jesu s pela misteriosa forma de despertá-lo para a vida. o ato insano quase cometido.. mas sentiu algo nunca experimentado. O anjo guardião o envolvia com energias benéficas e renovadoras. Seu coração batia forte. Os pensamentos eram frenéticos e tão compulsivos que angustiavam sua mente d e modo alucinante. Amedrontada pelo que desconh ecia. O espírito Lúcia viu-se em profundo estado de perturbação. recostando a testa em sua testa. quando Sérgio destravou a arma. Sebastião declinou num grito de pavor. o espírito Wilson. A lembrança das fotos o enlouquecia. quase vio lácea e como que salpicada de límpidos pontinhos de cristais flutuando em direção de Sérgi o. sem paz. mas chocou-s e com as energias que fortaleciam o rapaz. Sérgio não conseguia vê-lo. não tinha vontade de viver. por tentar violar a Lei Divina. Wilson continuava a envolvê-lo e os demais amigos dedicavam -se à sustentação e proteção. que enchiam o recinto. um choro o dominou quando seu mentor colocou-se frente a ele ajoelhando-se e repousando as mãos em seus ombros.O anjo guardião usou de um recurso conhecido como Pneumatof onia para expressar seu pensamento de modo que o seu pupilo pudesse ouvi-lo. de tudo o q ue conseguiu e. Laryel forneceu sustentação firme e excelsa ao espírito protetor. e nada. caiu de joelhos e murmurou incrédulo: Meu Deus. O espírito Sebastião urrou em protesto e dentro de sua pobre posição mental estava in conformado. O rapaz não tirava a imagem da cena repetitiva de Débora agredindo-o com acusações in devidas e com modos tão cruéis. Ela sabia que aquele jorro de luz significava uma proteção do alto para Sérgio e se im pressionou com o que viu acontecer no plano material por desconhecimento e não con seguir observar nada na espiritualidade na esfera em que estava. mesclada com arrependimento. Derramando lágrimas abundantes e buscando seus últimos e mais fortes dons. impreg nando de modo a ocupar todas as valências da arma que Sérgio segurava. duvidou de si mesmo. sem que os de sencarnados tivessem a visão de sua origem. Com binando o seu fluido vital ao fluido vital do encarnado. Algo a atordoava. A deslealdade de seus amigos e sócios era imperdoável e humi lhante. Ainda em lágrimas. invadia-lhe a alma. Ele olhou à sua volta procurando alguém. Estava extremamente insatisfeito consigo mesmo por sua f alta de conduta moral. fugiu o mais rápido possível para regiões trevosas onde normalmente se reuniam. Observando. Estava sozinho.perguntou Sebastião estatelado. rendendo-se com expressões de . mas o uviu nitidamente o grito que o chamou à realidade um segundo antes de ele puxar o gatilho e ouvir o disparo. Seu corp o espiritual apresentava as representações mentais ou ilusões momentâneas a que ela e se u corpo físico passaram quando em estado de decomposição. Sérgio. Enquanto Sebastião e seus ajudantes estagnaram. porém não conseguia deter o choro compulsivo no qual lamentava.. além do forte impacto em sua mão junto a uma espécie de puxão da arma que caiu ao chão. A respiração es tava alterada e os olhos traziam o espanto pelo que não podia explicar. fazendo-a saltar como se tivesse vida própria.m pelo rosto. Tudo aconteceu em frações de segundos. Nesse momento. Passando a vivenciar dores que não tinh a há algum tempo e sofrimento na consciência como se experimentasse todo o mal que f ez no passado. profundamente. parecia hipnotizado. A claridade tornou-se forte. pôde ver cravado na parede o projétil disparado. o espírito Wilson muniu-se das fibras de seu ser e gritou em meio ao intenso jorr o de luz projetado. O que eu estou fazendo?! Prostrado de joelhos. Ele relutou a abandonar o hipnotismo psíquico sobre Sérgio. Prendia-se psiquicamente às fervorosas influência s do espírito Sebastião e seus demais companheiros. assombrados e medrosos. a nobre benfeitora Laryel se fez presente de maneira que somen te o espírito Wilson e seus auxiliares puderam vê-la. Exatamente ao mesmo tempo. Sentiu um forte arrepio e um medo o dominou. apontou-a para a própria cabeça: Sérgio! Sérgio. Minutos pas saram. pare! . por inspiração de Sebastião. Inesperada sensação de segurança. Na espiritualidade. Não entendia o que havia acontecido. Uma luz tênue de tom azulado direcionou-se do alto para o quarto. por jamais terem visto aquela luz com cristais cintilantes. Sérgio levou um susto. O que foi isso?! De onde vem isso?! . A recordação do que s ua irmã fez.

Ao retornar. Tiago acordou num sobressalto. É! Bom dia. Passado o desespero. Apesar de todo o conhecimento que tenho... Contudo o outro não conseguia controlar os sentimentos. perguntou.lágrimas correram.. Sentado no chão.Respirando fundo e sentando-se ao lado do irmão. O fegante. Estava em companhia de seu m entor e do amigo espiritual que saiu para buscá-lo.tortura íntima na face transfigurada do perispírito deformado. acalmando-o de minuto a minuto . você é um ser humano co m direito a expressar seus sentimentos. 23 . ele olhou para Tiago que decidiu: Vou buscar um pouco de água e algo para passar na sua nuca que está sangrando. Era uma energia tranqüila. colocando-as em seus bolsos. Sentiu-se gelar com as rápidas conclusões ao encontrar a cápsul a deflagrada e ver o furo do tiro na parede.. Ah!. um raspão do projétil na sua nuca e o tiro na parede?! Sérgio estava controlado e mais sereno ao dizer: Aconteceram muitas coisas. e separou as peças. repentinamente. pedindo perdão e agradec endo a ação espiritual que lhe poupou de inimagináveis aflições espirituais. Nunca senti tanta humilhação. Não suportando. Imediatamente Tiago tirou o pente carregador. vamos para a cozinha que vou te fazer um chá e você me conta tudo.Cabe a Deus alterar o destino Na manhã seguinte. Aproximando-se mais e examinando as gotículas de sangue na nuca e na camisa de seu irmão.. Inspirado naquele instante. Tiago correu para junto de le. O que tentou fazer com isso. el e foi até o quarto. mas com o semblante carregado de tristeza. p ois isso não tira seu equilíbrio. Ao ver seu irmão. Ficando somente com a cápsula deflagrada na mão. ainda envolvido por seu mentor e sustentado por elevados amigos espirit uais. Sérgio levantou-se e o acompanhou contando exatamente tudo o que havia aconteci do.. não detinha o choro compulsivo que seus pensamentos arrependidos lhe provoca vam.. perguntando assustado: Ei?! Sérgio?! O que foi?! O que aconteceu?! Sérgio abraçou-se a Tiago. Como pude chegar a esse ponto ?! . chorar. retirou -se revoltado. curvou-se sobre a cama rogando ajuda. O espírito Wilson afastou-se de seu pupilo e junto aos demais só observou. O que significa essa arma jogada ao chão.. Tiago? Também me acha incapaz?! Ao contrário. Apesar de sempre ser equilibrado e racional. correu às pressas até o quarto onde o irmão já se vestia. perguntou: E aí. Como não consegui ter mais coragem de enfrentar a vida?! Venha. Tiago. Tiago fo i induzido a passar as vistas pelo quarto quando. Não agüente i mais e quis morrer. Sérgio o olhou. desabafar como outro qualquer. Mas. tentando se manter calmo: O tiro passou de raspão na sua cabeça. . que o forçou a se levantar do chão e o fez se sentar na ca ma. cara! Você é bem capacitado e instruído para fazer alguma besteira com essa arma. Algum tempo e Sérgio sentiu um bálsamo sereno amenizar suas emoções conflitantes. Junto do que eu soube que o doutor Edison fez sem me dizer nada e a opinião dos meus cole-gas. Mas alguém gritou meu nome duas vezes e ordenou que eu par asse... viu jogada ao chão a arma e foi pegá-la. a munição do arma. Sérgio. e ele saberia esperar.. estou acostumado a ver pessoas em c rise emocional. Sérgio?! Por que se admira tanto. que estava pront a para atirar novamente. direcionada por seu mentor. passou-lhe um anticépt ico na nuca enquanto falava com calma: Sérgio. Levantando-se.. mas não disse nada. Alguns minutos e Tiago chegou sem ser percebido. Tudo bem? .. ajoelhou-se a seu lado.. Somente seus olhos se encheram de lágrimas. Acreditou ter dormido muito e um frio mortal atravessou-o como uma lança ao se lembrar do irmão e do ocorrido no dia anterior. Sérgio entrou em pranto incontrolável. enquanto Sérgio bebia vagarosamente os goles da água adoçada. Sérgio?! Tudo bem? Bom dia.

Sérgio.exclamou firme. Não . carregado de sensação en ervante e indesejável. traiu-o ao omitir os fatos. Sérgio. Sérgio sentia-se incapaz que qualquer ofensa ou acusação contra o doutor Edis on. desabafaria toda a impressão forte que o a sfixiava angustiosamente. Vai falar com o doutor Edison? Vou. Ele estava frente a um colega que repousava a mão em seu ombro. ela faleceu em.respondia sério ao fazer tudo mecanicamente.. que invadiu seu coraçã eneroso minutos antes. parecendo ter planos. o que aconteceu?. Depois de conversarmos. Ao vê-lo arrumado. Vê-lo daquela forma. Sérgio apresentava o semblante sisudo. * * * Na tarde do dia seguinte. mas ainda expressando lamentável do r. trouxe-o à sensatez imediata e o rapaz perguntou c auteloso: Doutor Edison.. Pensava em dizer o quanto se sentiu ferido e até ofendido pel o sócio Nivaldo. Ele pediu segredo. Vou só. Chegando ao hospital. mas contou à jovem o que Sérgio tentou num momento de desespero extremo. após algumas ligações. abraçando-o firme por algum tempo e apoiado em seu ombro amigo. . . Por algumas vezes. É só o tempo de tomar um banho rápido para despertar e. mas não precisaria ser tão arrog ante e insensível. Ao observar a fisionomia sofrida do amigo. pois necessitava de explicações. mas não dizia nada. As horas foram passando e Tiago decidiu ir embora. São em momentos como esse que os verdadeiros amigos nos acompanham.. Uma névoa escura pairava em seus pensamentos repl etos de muitas idéias que pudessem contornar a situação. Tiago e Rita conversavam sen tados em um banco frente ao jardim onde o sopro de uma brisa morna balançava as fo lhas das árvores e plantas. Con fiava tanto no doutor Edison e justo ele o enganou.Sim.estranhou Tiago. soube que o médico estava no hospital. recompondo-se. por isso não consigo deixar de chorar pela separação de uma pessoa tão que rida. A entonação sentida na voz do médico doeu-lhe no fundo da alma.. o doutor Edison foi avisado de s ua presença e solicitou que o rapaz e o irmão fossem ao andar onde ele estava.. compreendendo a situação do amigo e cedendo à mágoa. Sentia-se magoado pela traição e. . Estava mais tranqüilo ao obs ervar a transformação do irmão.expressou-se Sérgio pela verdad eira compaixão.Breve silêncio e prosseguiu ext enuado: Apesar do conhecimento e um pouco de entendimento. inesperadamente. Tiago.murmurou o médico. Afastando-se. Eu estou bem.. Preciso resolver a situação sobre minha sociedade na clínica ou não terei sossego... que ficou acompanhando o amigo e dando-lhe apoio.. Nada disso! .... Minha companheira por anos. típica aparência de quem havia chorado. Saindo do elevador. não se preocupe.. pegou o telefone e.. sem dúvida. na casa de dona Antônia.. o doutor Edison se virou e Sérgio surpreendeu-se ao vê-lo com olhos vermelhos e rosto congestionado. Aceite meus pêsames . Olhando para o irmão. algo reavivou seus verdadeiros sentimentos pelos fortes laços de companheirismo e amizade que o s uniam.. Tiago estava apreensivo. que o pisoteou com palavras e ironia ao contar-lhe a verdade. O remorso dominou mais uma vez a mente de Sérgio que antes perdeu horas de sono ruminando em pensamento palavras capazes de exprimir como se sentia melindrado e constrangido no saber da verdade.abraçou-o firme. Não.. Caminhando pelo longo corredor daquele andar. Sou incapaz de não te r sentimento.. Hoje é sábado! Vai trabalhar? . doutor Edison. Começou a rever suas opiniões e reconhecer seu orgulho e vaidade. Irei com você. contou com a voz embargada: Minha mulher. Ao perceber o v ulto atrás de si. Ela mandou me chamar e.. pensou em ferir o médico am igo que o ajudou no anonimato. Decidiu que fa laria daquele assunto.. Sinto muito. Sérgio não conseguiu argumentar diante da teimosia do irmão. Em meus braços. ela ouviu .. Obrigado por vir aqui. Em seguida. Sérgio reconheceu o médico de costa s. Oh.. Tiago t ambém manifestou suas condo-lências. a qual considerava gravíssima. Apesar da surpresa amarga e triste. Obrigado. Imediatamente Sérgio foi para lá.

. Talvez você não saiba como é chegar ao limite de suas forças. Rita! As palavras e a forma de uma pessoa se impor cont ra nós. mas não tentou quando estava sozinha! Lembre-se do que o doutor Edison te falou e que me contou . Até Jesus aceitou ajuda nos últimos instantes de carregar s ua cruz.. se necessário. argumentou : Acredito que a idéia de que o sofrimento termina com a morte é o que estimula alg uém ao suicídio. da humilhação. à angústia e a o desespero. bem parecido co m o irmão. Rita. sabia? Olhou-a.. . quando acabam suas forças diante de al guém tão miserável que se aproveita da situação. Nossa! Como isso me assusta. vo se sente uma coisa. considerou: Mas quem sou eu para criticá-lo? Você não tentou se matar.. mas. de Jesus e de mentores amigos que podem me guiar. Eu acredito e tenho um pouco de conhecimento nisso. comentou em tom lamentoso: O Sérgio?. as conseqüências espi . nos levam a aceitar o que ela induz. Tudo isso foi tirado de mim e ainda. es gotado.Lágrimas rolaram. .Abaixando a cabeça. a fé num futuro melh or se acabam. angustia-se pela sua incapacidade de se erguer e buscar ajuda . Tiago. A mente fica povoada de imagens ou cenas. ... acredito no socorro de Deus.. fazer dos amigos lata de lixo com minh as lamentações. . . aceitando o propósito de sua existência dentro daquelas novas condições ou t em a bênção de encontrar pessoas que te despertem. de passar pela s mesmas dificuldades e sofrimentos que elas provocaram a si mesmas. sem esperanças. Rita desviou o olhar e silenciou. . com respeito e compreensão. E sem ter mais ninguém. Quantas e quantas vez es aprendo com a dificuldade alheia para me desviar.. que são usadas como instrumento. com o objetivo de te ver ca ir. podem me enviar companheiros enca rnados para me ajudarem. Não nego a in fluência espiritual inferior. o Sérgio segue essa filosofia e os dois possuem considerável noção do sof ento terrível por conta desse ato. não temos mais ânimo para viver. mesmo assim ela exemplificou: É alg o como uma lebre delirante a nos entorpecer e dominar disputando ardentemente en tre a razão e a insanidade. Sabem o quanto é forte a tentação. e admitiu: Não julgo as pessoas. É mais fácil ter a covardia e se deixar dominar pelas inspirações de espíritos cruéis u pessoas encarnadas. Aí. mas não te m valor. Infelizmente são em momentos assim que nos entregamos ao medo. estou surpreso e assustado por ver pessoas com entendimento e conhecimento como você e o Sérgio se desesperarem a ponto de quererem desistir da vida mesmo sabendo que o sofrimento depois da morte será pior! Fiquei assombrado! Você é espírita. Ainda. aquilo que existe por existir.A jovem fitou seus lindos olhos verdes quando Tiago a chamou. não resistir e ceder ao que mais fere a Deus.atentamente cada detalhe. de sua inferioridade por desejo tão inferior como o do suicídio. a expectativa. acima de tudo.Trazendo um brilho lacrimoso nos lindos olhos grandes e negros. No final.. de ter a coragem de viver respeitando a vida como ela é! É. forçou-se a um sorriso tímido e encarou-o ao afirmar: Quando as perspectivas. um objeto inanimado. aglomeram-se à no ssa volta afinando-se conosco e fortalecendo-nos na coragem para a prática de um a to tão cruel contra nosso ser. aflito e. Então se depara com o gosto amargo da vergonha. Somos seres individuais e temos consciência dos nosso s deveres e direitos como criaturas humanas e eles estão registrados em nossa ment e. É difícil vencer a vergo nha. E sabe o q ue é isso? É o desejo de espíritos inferiores que se comprazem no mal. Tenho lido a respeito e. . EU sei.. . Tiago! Ele é uma pessoa tão controlada e.Fez uma pausa e prosseguiu: Sabe. nos últimos tempos.. Só as observo. sentir-se humilhado. retoma su a fé em Deus.disse o rapaz.engoliu a seco e continuou: E. pisoteado. nós conversamos muito sobre a vida e spiritual e toda a responsabilidade que nos é atribuída pelas falhas cometidas. Persuadiram você ao suicídio e a ajudaram . abandona a ilusão e passa a pensar com a razão. ofereceu simpático sorriso no belo rosto moreno claro. Quando se tem a sorte de retornar à realidade. Adqu irir esses conhecimentos me ajudou imensamente Reforçaram minhas opiniões e me deram novas reflexões. de lembranças o u impressões com profundos sentimentos indesejáveis e amargos de procedência desconhec ida.Breve pausa e comentou: Não que eu vá deixa r para os outros assumirem meus encargos. Somos imortais. mas é algo que pr oduz tanto terror e de uma força extraordinária Ou idéia fixa sobre morrer.. você analisa sua intenção hedionda c ra a própria vida. Por que eu seria tão orgulhoso? . deixando uma porta aberta em nossos pensamentos para a entrada de i déias estranhas e terríveis... enca rando-a firme: Rita.

. alegre com a minha decisão e beijou meu rosto como um amigo. intolerável a ponto de cometermos o suicídio. quando me afastei de seu caixão. a c ulpa pelo suicídio é de quem o praticou... Mesmo que um espírito se m instrução e rebelde. ninguém. . Medo?!.Rita deteve as palavras...lágrimas rolaram.. encarou-a sério. Tia go. por ter ficado ao meu lado me dando o maior apoio quando meus pai s se foram. um vazio!.. por prova para sua elevação espiritual ou tarefa e outras razões como a ilusão materialista de o sofrimento terminar com a morte do corpo físico. ou melhor. Com a perda dele junto a do Gustavo. Porém é bom lembrar que. terminado. apego. mas ainda não entendo como pessoas instruídas. Uma visão tão lógica e simples só se explica pela sua vação. com o vocês. . nenhum ser humano escapa dos resultados de suas próprias realizações. Nós namoramos por tantos anos e o Gustavo s e viu na obrigação de não me abandonar. Respiro u fundo e prosseguiu: O Sérgio foi instrumento de misericórdia Divina guiado para me salvar.. Isso pode acontecer por alguma atitude desajustada em outra encarnação. a o admitir: Ainda tenho medo de você insistir nessa idéia. por uma obsessão... Porém ela continuou firme: Após a morte do Rogério e do Gustavo.. deixando o olhar perdido no belo jardim. . mas. sem propós itos..Engoliu u m soluço e contou: No velório.Novas lágrimas. Perdi meu irmão. chorando perto. Diante dos longos minutos.. . mas seu irmão. desespero e tudo o que é insuportável para ela..indagou virando-se a ele. sirva como objeto destrutivo nos influenciando e nos conduzindo ao desesp ero extremo. às vezes. Sabe. eu vi a moça. . falei com o Gustavo a respeito de conversarmos com a família dele no dia segu inte ao voltarem do passeio e ele concordou. me senti reduzida a pó... Nós nos gostávamos muito.. Ele confessou que me cons iderava muito. uma pessoa passa por provas ou expiações de infel dade. Um tempo para não chocar a família e. Tiago refletiu e depois confessou: Ainda tenho medo. Tiago.. A oportunidade de vida nos foi concedida po r Deus e Suas Leis são de amor. . vazio. senti que era aquela moça discreta. . harmonia e felicidade.. eu me afastei para ela ter o mesmo direito de d espedida.. me fez entender que era preciso enterrar os mortos e prosseguir com a saudad e. Co mo família só restou uma tia distante e aquele. Após ficarmos noivos. que Tiago aparou com a mão.. E eu estava com ele.Respirou fundo e continuou: Então combinamos de dar um tempo. e a jovem prossegui u: Fui falar com o Gustavo e para minha surpresa ele disse que sentia o mesmo e talvez a origem disso tudo tenha sido o nosso noivado. Fiquei desorientada e não acreditei n os meus valores morais.. Medo do quê?! . pois o tempo se encarrega de amenizar e ajusta . Senti que ficou satisfeito.. invadindo sua alma com o olhar. Por essa razão. alguns parentes do Gustavo cob ravam sobre a data do casamento e. Talvez fosse só amizade. Tirando-lhe os cabelos que cobriam parcialmente seu rosto.. com a dor e todo o sofrimento.. mas meus pais morreram e restamos eu e meu irmão . Em seguida. depois se foi. . talvez por dó. talvez por c ostume. ainda assim. religiosos. A jovem silenciou. meu tio se aproximou e me disse aquela frase impiedosa sob re eu ter visto meu irmão. o profundo martírio de forma lenta e intensa. Rita sorriu com brandura ao concluir: Você é bem mais elevado.. apesar do conhecimento... podem se entregar ao desespero sem lembrar que tudo passa e o sofrimento daquele instante ou até de longa duração também passará. uma angústia que deixava meu coração apertado. oriundo de esferas inferiores com propósito de vingança ou puro p razer. lá no velório.. Depois que soube da morte da minha tia.. Por isso. Apesar de induzido por um espírito inferior. . alertar e despertar.. Eu sentia uma coisa.. Era uma dor. Nos primeiros dias.ituais.Alguns segundos e pediu: P erdoe-me a falta de conhecimento. Me vi só.lágrimas correram. Passei mal e foi por isso que não qui s retornar ao velório e ver o enterro.... somos culpad os e lastimaremos amargamente a ação. Acreditei que meu sofrimento seria eterno e minha vida inútil.. Entendi que neguei o direit o dele ficar um pouco com ela. Eu senti que não deixei o Gustavo ser feliz m esmo quando percebi tudo entre nós bem diferente. mas éramos só amigos e eu percebi que hav ia alguém nos pensamentos dele e. que a nossa amizade era incomparável. Na noite em que combinou com o meu irmão sobre irem para a repr esa. Às vezes o via olhando quem ligava em seu celula r e ele não atendia.. Você achou que ele foi rude e frio. Sempre quis ter de volta a família que um dia tive.Ela secou o rosto com as mãos e respirou fundo ao revelar: Tem algo que ni nguém sabe e isso me dói muito.

recostando-a em si ao embalá-la suavemente. o bálsamo que dimi dores e o sofrimento que podem me abalar. Não se julgue culpada. Gosto da sua companhia e de fic ar ao seu lado. Junto de você apreendi que existem coisas mais importantes para se compreend er. Após longo repouso. acolhendo-a com c arinho. relaxand o e confiante. experimentei.. segurando-lhe a face entre as mãos mornas e delicadas: Não se preocupe tanto comigo. mas depois comentou: Existem razões e ac ontecimentos na vida que às vezes não conseguimos entender. Quer ir ao cinema? E escuto: Ah!. Eu?! .. sorriu lindamente como há tempo não se vi a e brincou ao dizer: Não diga isso! Não tem o direito de interferir em minhas opiniões! Ora! Você vive me contrariando! . Aprendi a pensar diferente e reconheço a loucura que desejei.reclamou. E o doutor Édison me ajudou muito nisso e me ajuda. Obrigada por ser meu amigo.. esquecendo. Precisamos seguir vivendo. a jovem soltou seu rosto e acomodou-se ao lado. Que bonito! . entender. arremedando-a de uma maneira engraçada: Chamo para sair e você diz: Ah. Olhou-o de um modo en igmático e o abraçou com força. beijou-lhe a cabeça. Vi o quanto à família dele gosta de você e compreendo sua inse gurança e seu receio para revelar seus sentimentos verdadeiros. mesmo que a luta pareça interminável.Ela só o olhava. beijou-lhe o rosto e falou com brandura. . Essa era a forma como ele a amava. E Tiago continuou: Conheci o Gustavo quando ele ajudou o Sérgio em alg uma coisa lá na reforma da casa. ríamos de fatos engraçados que lembrávamos. Ele silenciou ent endendo a harmonia e o sossego que a fizeram se largar no abraço gostoso.Silenciou. Entendo seu amor pelo Gustavo e seu conflito por guardar o segredo do término do noivado. pois estou aqui seguindo meu destino. mantendo-a recostada ao peito e agasalhou-a entre seus braços com ternura. Vendo-a tímida por elogiá-la com as palavras vinda s do coração. Não dá para esquecer o que passei. Sensibilizado. Devo ter al go importante a fazer. me dedicando somente ao serviço. Não. Sem demora ele lembrou. . Depois nós nos reuníamos no fim do dia. ela se ajeitou afastando-se um pouco. absorvendo ca da palavra.. fazer e viver. . sei que você adorav a e adora o seu irmão.. pois só a Deus cabe alterar o curso do nosso destino.. Abraçou-a.Oferecendo um sorriso doce e acan hado. Logo ele disse: Pode d eixar. fechou os olhos e se permitiu longos minutos de paz. comentou: Obrigado por me considerar seu amigo. Sim. A jovem o envolveu pela cintura . eu concordo. Toda aflição. devemos admitir que foi necessário vocês passarem e sse tempo juntos para alguma harmonização. sem interesses. Eu me afastarei quando pedir. conversávamos.. Rita. po r ele tê-la apoiado tanto... Eu tinha uma outra vida. Eu ainda relutei em aceitar a verdade.. correspondendo à brincadeira. ..riu. A culpa não foi sua! . Tiago alargou um lindo sorriso e espontâneo que iluminou seu belo rosto trazend o um brilho lacrimoso em seus olhos.. Depois gargalhou ao comentar: Puxa! Como foi difícil tirá-l a de casa! Caramba! Ah! Viu como você foi o remédio para meus males?! Tiago sorriu com satisfação. Acred itando que nada é por acaso. Você foi fiel e não deixou de amá-lo.riu com jeitinho.. Não queria sair hoje. Ele era um cara bem bacana e gostava muito de você. Veja. Não tenho m uitos amigos verdadeiros e desinteressados. principalmente. só que esse amor era de uma forma diferente. ele abraçou Rita por sobre os ombros... Tomado de impulso imediato. toda a verdade do que aconteceu . Nós nos reuníamos para comer pizza!.admirou o rapaz.sor riu com doce saudade no olhar. perdoando. sentindo tranqüilidade na a lma e sem qualquer conflito íntimo como há tempos não experimentava. Tiago. Você é a bênção. . Porém não gostaria que se afastasse de mim.. tormento e desespero passam. de verdade! Só que como um grande amigo. Você me ajudou muito... Penso também que o Rogério ficou ao seu lado . à academia e sem m otivação. .. A d ona Antônia me recebeu e me acolhe como filha. o remédio.r a vida. falou quase chorando: Você. mas estou aprendendo a reconhecer meus valores e sou melhor do que tudo isso. Mas algumas coisas são tão dolorosas. Rita. serei seu amigo enquanto for minha amiga.Riu com generosidade ao falar: Mas não precisa exagerar dizendo que sou o remédio que diminui as dores e o sofrimento! Delicadamente a moça afastou-se um pouco. meu fiel amigo nesses momentos tão difíceis. acreditando não ter deixado o Gustav o viver com quem se apaixonou.

Afagando-lhe a face tênue com delicado carinho. E eles? Por que se foram? Porque precisam continuar evoluindo e se aperfeiçoando. Tanto que desencarnaram juntos.Frente a ela ainda lembrou: Você tem vinte e cinco anos! Tem muito tempo e centenas de cria turinhas para conhecer e se for preciso eles surgirão no seu caminho.sorriu. .. Silencioso. Foram unidos para o plano espiritual. Eu sinto que a Débora vai voltar. pois o teve a o seu lado. Não é fácil aceitar a separação.Sorridente.. não se abale nem se culpe por isso ou s erá mais um problema para ele. que você resistiu à tamanha dor quando perdeu seus pais. . Para ajudar o seu novo irmão Sérgio.brincou. na sua vida de algum jeito.. Foi por causa do Rogério. Eu o con sidero como um irmão! Sabe. conhecimentos e experiênci as. chorar. não estaria perto de uma nova família. olhando ao redor para as sombras das folhas de uma árvore que tremulavam nas paredes internas do ambiente. alinhando-os atrás da orelha para ver melhor seu rosto expressivo.murmurou. Toda família tem seus desentendimentos e por que a nossa seria diferente?! Não foi sua culpa essa separação. * * * A noite se adensou naquela casa onde a luz fraca de um abajur deixava a sala na penumbra. Já me disseram isso!.. pois cumpriram os seus propósitos.para aprenderem algo juntos. Sérgio permanecia sentado no sofá.Olhando-a de modo a invadir s ua alma delicada. O amor não termina com a morte do corpo físico. afagou-lhe os longos. Passe por isso sem sofrer. considere. ficar deprimi da e extremamente angustiada vai ajudá-la em quê? Supere! Reaja! Você é superior a isso. Você sabe ouvir as pessoas e oferecer incentivo! Que tal Psicologia?! . chamou: Agora vamos? Rita estava animada. Você os amou e os ama do seu jeito e eles a amaram e a amam do jeito deles. Talvez se tivesse ficado sem seu irmão ao lado . sorrindo com doçura. Rita. o doutor Edison. se Deus acreditar que exi ste algo mais para viverem juntos. lembrando que todo aper feiçoamento e evolução exigem renúncias..exclamou Tiago sorridente. a dona Antônia. não os reconheça ou. Sérgio decidiu não permitir suas opiniões.. Vamos sim . negros e ondulados cabelos lindamente soltos. Eles te acompanharam ness vida terrena o tempo necessário de seus planejamentos reencarnatórios para que tive sse força para recomeçar. Deus pode fazê-la encontrá-los ainda nessa vida! . dedicação. disciplina. ..... agora. Talvez não tenha percebido. naquela época. indagou: Mesmo sabendo que posso reencontrá-los e fazer algo melhor que fiz nessa vida por eles. minha am iga! Você tem quem te apóia. Não cometeu qualquer loucura naquela época devido à força que o Gustavo te d eu para se recompor ainda mais. pois eu vi muita amizade entre eles.Vendo-a quase em lágrimas. Então eu acredito que foi o momento de eles irem. modificou-se incrivelmente com aquela conversa e falou: Vamos! Mas aproveitaremos para conversar sobre você fazer um curso superior! Eu?! Estou velho para isso! .. E eu precisava passar pelo que passei?. O que importa isso? Talvez não precisasse e daí?! Lamentar. crenças e pensamentos abalados ameaçando se . E a Débora que sumiu? Acabei com a vida do Sérgio que tanto me ajudou. seu único irmão. Rita! . Você tem outra família que te ama! .. sorriu ao concluir: Ou até reconheça em alguma criança ou crianças as características indiscutivelmente individuais que somente eles tenham! . Levantando-se. perguntou: Vamos sair e dar uma volta? Sim.. Guardando consigo profundas reflexões sobre conselhos.. eu. Tiago. Tenha força para recomeçar. É bem provável que não os identifique. como amigo fiel. pois me lembro de você ter contado que ele quase foi naquela viagem junto com seus pais.. Você já havia encontrado o Sérgio que a levou a conhe cer o João. Tiago e Rita saíram conversando e brincando para um passeio descontraído.falava com ênfase e expressiva energia positiva. Já te contei os ta is fatos.. mas você tem uma nova família. Onde está a sua fé? O apoio do Gustavo e do Rogério foi importante e imprescindível até você estar madura o suficien te para enfrentar a vida! Creio que a situação de sentir-se sozinha. Acredite. ...ele sorri u com terna brandura.. isso acontecerá de um jeito ou de outro. de não ter uma fa mília era a sua prova.

tranqüilo e com imensa fé sem saber por quanto tempo. Seria bem cômodo e n atural deixar se enfraquecer com as idéias melancólicas insufladas. substituiu os pensamentos depressivos por prece equilibrada como se conversasse com Deus. Rita! Nem precisa pedir. Também pediu luz. Acreditou que aquelas idéias eram sinais. encarnados e desencarnados que se aglomer am por gostarem das mesmas práticas e idéias mesmo quando não se conhecem. o fluido.. a elaboração intelectual e os ideais ocupados e concentrados no bem não abrem esp aço para as influências do mal. reproduções exatas. desenvolver idéias e conclusões. Valendo-se da Metodologia Científica aprendid a no curso universitário. não é? Estou sim. ligando-o aos espíritos de esferas superiores . Nós saímos para dar uma volta e decidi passar aqui antes de levar a Rita .. Sérgio recebia abençoado jorro de energia salutar qu e o resgatava do desânimo e o elevava. Eu avisei .disse com leve sorriso. assaltavam-no vivamente e tão fortes que parecia ouvir a voz generosa e delicada. Os pensamen tos. sorriu satisfeito por ver Rita que o cumprimentou com um beijo. um forte abraço e mostrava-se mais animada. Sérgio não percebeu que era tarde quando ouviu Tiago chamá-lo: Estou aqui! . consumindo-o pela saudade. Posso usar o telefone.. mas ele mudou a postura mental. Não pense que agi por des . A simples concentração na leitura de um bom livro manteve s ua mente ocupada e seus pensamentos mais saudáveis. a ment e tem o poder de atração de espíritos afins. Enquanto isso a jovem pegou o celular. sentar e comentar: Achei melhor avisar a dona Antônia que eu estou aqui ou ela ficaria preocupada. Contudo seu coração trancava uma tristeza. pela presença de entidades bondosas e elevadas dispostas a benef iciá-lo com a sagrada vigilância e abençoado conhecimento. mas agora se negaria a perder o controle das emoções e entre gar-se à aflição insana. dinâmicas e detalhistas do que vivenciaram. Separou algumas obras que o aj udariam em determinada pesquisa e estudo sobre suicídio. Foi até o quarto onde fez o escritório e havia diversos livros e materiais de estudo. A decisão foi certeira. Sim. Incontáveis imagens. Sérgio estava determinado a experimentar a angústia . Os irmãos trocaram poucas palavras até ela retornar. mas não podendo ver. Um demorado e profundo suspiro o deixou mais leve. o poder dos nossos pensamentos são energias magnéticas que exerc em recursos e meios de impressionante atração espiritual. Sentindo. Rita . No primeiro dia fiquei contrariada com você. Débora era a razão de tudo. ele experimentava uma provocação por densas amarguras vindas de pe quenas lembranças. mas não sabia o que fazer. Ela sabe que saímos. envolvimento sublime e amoroso aos encarnados e desencarnad os ainda dispostos a incomodá-lo. Ficou em silêncio.u equilíbrio e bem-estar. Sérgio não teve dificuldade de pesquisar. minúcias apresentadas em momentos de pa ticularidades e carinhos entre eles. Repentinamente ele se leva ntou repleto de vigor a ânimo. alertando-o de uma tris teza profunda e imensa amargura. Ao chegar à sala.avisou num grito e arrumou as anotações e o material espalhado.alegrou-se Sérgio. Que bom vê-los! .inform ou Tiago. Sérgio? Lógico. a dor e o sofrimento. Em pouco tempo a mesa do escritório estava repleta de literários e pequeno espaço o nde colocou grande caderno de anotações. o riso cristalino ou mimoso do único amor em sua vida. Com o um mau presságio. aprimorando seus conhecimentos. Rita . Em outras palavras. você está se dando muito bem com a dona Antônia. Mas demoramos mais do que o de costume e. desejando renunciar a vida. Orou e trocou a companhia dos espíritos inferiores. Depois ref letiu novamente. incluindo espíritas. auxiliando-o nos objetivos daquela reencarnação.atalhou Sérgio . recordações e situações alegres. Rogo u sustentação e força interior para prosseguir em seus propósitos a fim de superar as di ficuldades. Fechando os olhos. esclarecer situações e se desvencilhar do que pudesse comprometer suas i déias. cujo objetivo era fazê-lo sofrer. olhou-o com certa decepção e falou: Meu celular está com a bateria descarregada.. Ele foi além. Sentia que ela precisava de sua ajuda. mas hoje sou tão grata! Eu te considero muito. A força.argumentou Tiago.

Não amam nem são amadas. a dona Antônia. eu fui dominado por uma crise de c iúme da Débora com o Tiago que se davam bem e conversavam bastante. Você tem toda a razão .exclamou o irmão. Sérgio riu e Tiago balançou a cabeça concordando. E quantas vezes nós já não agimos assim?! Talvez não nessa. bombeiros.prezo ou algo assim. De você e de qualquer outro que se aproximasse dela.. colocam suas vidas em risco e nem ganham bem para isso... o Tiago. uma espécie de complexo de inferioridade gerado pela falta de respeito.Sérgi o não se intimidou e contou diversos ocorridos e detalhes que Rita já conhecia através de Tiago..interrompeu o irmão .Alguns segundos e falou em tom melancólico: Só sinto muito pela Débora. estaremos alcançando a evolução e o equilíbrio. Quando esta mos à beira de cometer alguma burrada.disse Sérgio. Tudo isso junto à maldade da minha ex-namorad .. Sérgio . É. professores e outros algumas pessoas tomam uma postura rude.. nos dá sinais!.Sérgio garg alhou. Outras são orgulhosas e pensam que profissionais como você. Creio que. E as reações das pessoas envolvidas são tão diferentes! . Sabe. à vontade de dar um murro na mesa?! .. Esse comportamento most ra que são pessoas frustradas por algum complexo de inferioridade também. Isso encon tramos em todas as classes sociais. intolerante e são até desrespeito sas. São insatisfeitas consigo mesmas e complexadas. mãe. solidárias! . Foi .tornou ela. por exemplo. por servid ores públicos como policiais. filho. irmã. mas que repentinamente se transforma em alguém animalizada e que só falta rosnar porque o médico não a atendeu no horário?! . Precisamos uns dos outros. agressiva.riu. Você é meu novo irmão! Ora. me alertar. Uaaaaau! Um psicólogo falando desse jeito! . Ciúme de mim?! . não fazem mais do que suas obrigações .riu Tiago ao exclamar. Existem pessoas humanas. para eu ter uma chance.. Mas veja bem.. Sérgio! Você foi um instrumento de misericórdia Divina inspirado c omo socorrista para me ajudar. se teve alguma eme rgência. São inúteis ou impotentes com a família como pai. Foi uma situaçã ue enganou os olhos de Débora. meu irmão! Não podemos negar esse desejo.. um bombeiro. Educado. com disposição ou atitude áspera. Não diga nada sobre isso. médicos. Psicologicamente falando. De forma alguma. É q uase impossível resistir ao impulso. auster a e que não reconhecem o serviço prestado exibem um quadro de personalidade inferior izada. . cul tura. irmão... Deus nos avisa. Esquecem que vocês são seres humanos.acrescentou Rita. Só tenho que agradecê-lo. sorrindo. Acho que experimentamos muita influência espir itual inferior e aceitamos. você Sérgio.. Vocês já viram uma pessoa toda bem vestida . . Rita . Quando aprendermos a trabalhar nossa hostilidade e nos controlarmos. Não se culpe. mul her. Mas nem sem pre estamos alerta. Ora! E verdade! . mas a moça não se manifestou. que em algum aspecto de suas vidas não tiveram o resultado desejado... Nunca me cansarei de agrad ecer a Deus por vocês aparecerem na minha vida. filha. desumano. Até entre estranhos isso aconte ce.. o doutor Edison.. educação. o João. Sou bom observador e tenho certeza de que nada é por acaso.. mas em outr s situações semelhantes?! Quantas vezes fomos tratados de modo vulgar. E tudo começou com a Débora... É sim! Eu disse isso quando nos conhecemos e repeti o mesmo hoje para o Tiago.disse Sérgio..murmurou sem jeito. Já me perguntei: Por que o caminhão do Corpo de Bombeiros não chegou um minuto ant es?! Por que estávamos passando por uma rua perto quando o rádio nos mandou atender determinada ocorrência e isso salvou uma vida ou vidas?. Na da é por acaso. sobressaltando-se. tem outras coisas e..confirmou o rapaz.. marido. o mesmo acontece por parte de funcionár ios públicos ou outros profissionais na área de atendimento. Sabe. Ao serem atendidas principalmente.. mas ela não ficou para explicarmos. . falou ignorando que ela sabia: Você não conhece toda a história. São criaturas de personalidade mal resolvida.. mas. . pessoas assim. Além disso..interrompeu-a Sérgio de imediato. Existem s que se emocionam e não se cansam de agradecer pelo socorro. o comportamento faz parte da evoluç ral e espiritual de cada um . dias antes. séria à espera de uma consulta.E les riram e ele continuou: Ela não quer saber se o médico está bem.afirmou Rita. Mas suportei calado. além de ser uma ligação com a educação. enfermeiros.

afirmou Sérgio com tranqüilidade. Por que não conversei com você. ao interrompê-la. O Breno se aproveitou da fragilida de da Débora quando tudo aconteceu entre nós e a proveu com trabalho.. Não demorou e. forrando de branco o chão da rua e as calçadas.perguntou afoita. apesar de muito sentido. estou sem defesa. não se abala va.surpreendeu-se.. .. Não suportei e dei-lhe um tapa. 24 . Então me desculpe. que é muito manipulável. muitas vezes. Eu me lembro de vocês brigarem! Mas não sabia o motivo! . Isso mesmo . Frente à janela de seu consultório. Ao chamar a atenção da Lúcia. Se o destino armou esses ataques.tornou o irmão. distração..respondeu Tiago. Sobre o quê?! . Eu sei o que aconteceu . preocupada e. Não posso acreditar. pois ele me machuca mui to porque eu adoro a Débora. Por isso eu fui conversar com ela e lhe dei uma bronca. Às vezes chego a pensar que ela usou essa situação c um motivo para romper comigo. O Breno se aproximou da Débora através da Yara e lhe deu toda assistência no momento em que mais precisava. o céu começou a escurecer rapid amente. Meu Deus. Não atende às ligações. Será mesmo?! Se isso é verdade. Ela é uma moça sem responsabilidades.. Então veio a chuva de granizo batendo forte.. dizendo com mais ânimo: Ei! Acabou! Aconteceu o que precisava acon tecer. A mãe se meteu. Algo não resolvido entre nós. atenção. acreditando que existia uma razão para tudo.. com o pai.questionou Rita. nós discuti mos. Vamos parar com esse assunto. Desculpe-me. O Breno?! ..a. o tratan do de uma forma bem estranha. por isso não quis me ouvir. Eu sabia . Provavelmente não sentia por mim o mesmo que sinto por ela... Mas juro que eu não s abia sobre a Lúcia continuar com aquele comportamento insano . nós brigamos feio. em plena tarde. disse: Nossa! Já é essa hora?! Puxa vida! . ..Discussão entre Sérgio e o médico Trovões rosnavam a distância. c nforto e tudo mais o que sentia falta desde que saiu da casa e da proteção do pai. Depois brincou: Hoje a don a Antônia me bate ou me expulsa de casa! Vamos Tiago?! Eles se despediram e foram embora. Não entendo o que acon teceu! Ela estava sem emprego. brando. Sérgio ficou com seus próprios pensamentos e. apesar de inocente.. O quê?! . Vi nossa irmã. levantando-se rápido.. cara! Você era menor e eu deveria te defender.. por que não me procurou depois desse tempo todo? Po r que não te procurou após eu explicar a situação no consultório do doutor Edison? Vocês er m tão amigas! É isso o que eu estranho. olhando os filetes de água escorrendo pelo vidro. Na verdade.Tiago abaixou a cabeça e comentou constr angido: Você era um moleque e eu não saberia como conversaríamos sobre esse assunto pelo fa to dela ser nossa irmã.. Sobre os assédios da Lúcia .lamentou Tiago. a Sueli. dizendo que agi a como se estivesse tentando seduzi-lo. Ei! Já passou! Quanto à Débora. me deixou em desespero. lembrando-se de algumas situações. a chuva caia pesada. .murmurou Tiago. . Ficou um vazio. Havia algo incomum nos meus pensamentos frenét icos.disse Tiago..disse Sérgio. e novamente. Disse que se a visse novamente. Suas manifestações de carinho eram carícias provocantes só com você. Conhecia bem a Débora e sei que nunca fugiu de nada! De repente sumiu! Abandonou tudo. A Yara. mas..Alguns minutos e Sérgio afagou -lhe as costas. Ela te adora.assustou-se Rita. Meus sentimentos dizem que a irmã man ipulou a Débora. Sérgio! . Eu ameacei a Lúcia. Tiago parecia em choque ao ouvir as conclusões do irmão.afirmou Rita. Fui até sua casa e me disseram que ela não está morando lá. formando uma cortina nevoenta . Se fosse outra garota. O pai morreria! Porém deveria ter falado comigo. Acho que trocou os números dos tel efones. pois a Lúcia parecia possuída e começou a me agredir ostensivamente. Olhando no relógio. Sérgio permanecia em pé.. Sérgio! A Dé não aceitaria isso! Ela jamais iria se corromper.

decidi vir conversar com você.Ao olhar.. Eu cheguei à cerca de uma hora e. Pensou e prosseguiu: É difíc il apagar da memória a injustiça que resultou na perda simbólica de uma pessoa querida . O doutor Edison ficou longe de entender o significado do olhar expressivo de Sérgio que se fixou nele de modo enigmático. Iria me dedicar a especializações. Mas eu estava enganado. Foi nesse instante que poucas batidas à porta chamaram Sérgio à realidade e ele per mitiu em voz alta: Pode entrar! .. a rejeição. ou seja. principalmente. pós-graduações. quando contou sua vida e os fatos desagradáveis que enfrentou. o médico não consegui u decifrá-lo e isso o fez perder as palavras.perguntou o doutor Edison aproximando-se e e stendendo a mão para cumprimentá-lo. o médico contou: A secretária disse que a m aioria dos pacientes desmarcou na última hora por causa do dilúvio que está caindo. Sabemos que muitas pessoas respondem ou reagem às bruscas perdas e separações. Eu experimentava uma tristeza. o rompimento dos laços de afeto e. . em sua sala e na sua presença. não é. saber como estão as coisas. Devo admitir que o senhor me ajudou muito. di minuindo suas atividades.Enquanto observava a ação da natureza. cuja fo nte habitual de sustentação para planos futuros desapareceu de repente.. .pediu educado.. Preciso retornar à ativa e o quanto antes... Apesar de experiente. falou mostrando firmeza e tranqüilidade na voz: Um dia antes do falecimento de sua esposa eu experimentei momentos extremamen te desesperadores. Valorizei minha resistência e me agarrei ao reforço de exercer uma atividade profissional que eu am o e muita coisa melhorou quando saí da polícia. Aond e quer chegar? Não estou te entendendo..a situação mal resolvida entre mim e a Débora. Mudava de pensamento. Como psicólogo. Temos um assunto muito import ante para esclarecer. Confesso que naquele dia e u queria morrer. Eu acompanhei tudo o que aconteceu com você. que não via desde o enterro de sua esposa. mantendo cons igo mesmo um diálogo mental sobre situações e fatos a esclarecer até que se lembrou do d outor Edison. mas seria diferente. Olá. mas me recuperei por conta da nossa conversa..afirmou calmo e com seu olhar típico de invadir a alma do ou tro. mas o médico o puxou para um forte abraço. Permanecendo em silêncio. pois cheguei onde estava com meus próprios esforços e depois de tanta luta. mas estava inseguro pelo período de luto do médico e deveria respeitá-lo. respirou fundo e deu alguns passos sem encará-lo. Por conta disso e pelas dificuldades já enfrentadas na minha vida. Sérgio . Voltou. Mas vai entender .. Bem. doutor Edison? Descobri que os créditos pelo sucesso não eram meus. experimentou um sentimento indefinido. Sérgio comentou: Estou surpreso em vê-lo! O senhor está bem? Sim. mas não uma depressão. faço questão de diferenciar d epressão de tristeza. Certo! Pode falar! Sérgio se levantou. Fui traído. O senhor sabe explicar mel hor do que eu o resultado do sentimento de abandono num caso como o meu. o rapaz estapeou-lhe as costas ao mesmo tempo e m que lhe pegou a mão. Agora entendo o que o senhor me contou sobre entrar em um mun do de escuridão e infelicidade no qual a vida não tem mais razão dizia calmamente. Est ou consciente de não ter superado . Ao se afastar.Breves segundos e continuou: Tenho certeza de que o senhor acompanhou atentamente o meu último encontro com a Débora aqui nesta clínica.Breve pausa. Precisava arrumar um jeit o de abordá-lo sobre tudo o que Nivaldo contou. Aquela demora o torturava. eu primeiro me analiso antes de determinada opinião.. conforme o caso. ele pensava em dar novos rumos à sua vida.. Correspondendo muito educado. Sentando-se em uma poltrona e vendo o psicólogo acomodar-se à sua frente. acho que eu sofreria se ela decidisse me deixar. Se nós t ivéssemos conversado por mais tempo e de outra forma. Sérgio! Como você está? Tudo bem? . encarou-o fi rme até o rapaz argumentar: Foi bom o senhor me procurar para conversarmos. a plicando-se e ampliando mais a sua carreira. Então me esforcei e superei a dor por ter outras atividades importantes para fazer. No entanto. Um assomo de acontecimento s desagradáveis invadiu minha vida repentinamente e eu acordei em um hospital para me recompor. amp arou as mãos nas costas da poltrona vazia onde antes havia se sentado e frente ao médico. Espere. porém controlou a surpresa e a ansiedade.

foi como se alguém desse um soco na minha mão e arrancado à arma. precisamos esclarecer muitas coisas.. quer você acredite ou não eu ia te contar. voltou-se de cost as para o médico e olhava os relâmpagos fortes que se faziam seguidos de trovões que r oncavam. Lembrando . Apesar disso. O senhor me traiu ao omitir que pagou parte do que caberia a mim como sócio para a montagem desta clínica! Pediu sigilo aos outr os para eu não me sentir ofendido! Fez-me acreditar que os meus serviços prestados f oram relativos aos custos e valores do que foi investido pelos outros! O homem exibiu um olhar triste. Sérgio?! . É impossível eu co ntinuar me sentindo acolhido e respeitado por meus colegas e sócios da mesma forma que os acolho e respeito quando um sentimento de injustiça os incomoda pela sua p redileção por mim. imprestável. É por isso que estou decidido a deixar de trabalhai aqui. Entretanto. nos proteger e.Bem calmo.defendeu-se em tom suave . Porém isso não é razão para se torturar dessa forma! Use a situação para autotransform observação. mas.O que quer dizer. falou veemente e irritado: Porém me senti um inútil. isso aconteceu comigo. E ncarava Sérgio sem se manifestar. cada detalhe do que escutou de Nivaldo. Aproveitando-se da pausa. Encontrei em O Livro dos Médiuns. adorei . Isso mesmo! . As rajadas da chuva forte batiam nas vidraças. O qu e aconteceu comigo não é comum. amor e caridad e a cada dia para conseguir cumprir um pouco da minha tarefa de planejamento par a essa encarnação. me smo vendo o outro com expressão apavorada: . por favor! Sérgio o fitava de modo indefinido. Eu dei um tiro para estourar a mi nha cabeça. fazendo o tiro pegar na parede após passar de raspão na minha n uca. Bem. Algo dardejante parecia escapar de seu olha r. Suspirando fundo.expressou-se menos agressivo. ouvindo-o normalmente. O rapaz contou-lhe exatam ente tudo.perguntou o médico bem sério. por isso vamos usar a única coisa que nos difer encia dos animais: a comunicação! É o poder de falar.gritou Sérgio. quase exigindo. falou: Quero que seja mais claro. culpa e seus valores humanos. eu nunca lhe pedi nada.. pensando que Ele irá intervir no momento crucial de tamanha insanidade! Estou estudando e apren dendo muito e.. quanto mais estudo. contudo sua fisionomia era firme e tranqüila. o doutor Edison falou de maneira ponderada. Com a postura de quem adquiriu equilíbrio íntimo. o doutor Édison o encarou falando com segurança: Sérgio. Nessa fração de segundo. Mas não houve te mpo. Aliás. t rabalhar a minha Sombra a fim de efetuar uma tarefa de utilidade. fracassado. perdi completamente o controle e não vi razão para continuar vivendo e quer saber?! Quer saber o que me fez viver após pegar a pistola automática. doutor Edison . direto e objetivo. Depois. fui à busca de explicações científicas e razão para isso ter acontecido comigo.continuou calmo. Entendi a necessidade de adquirir energias novas para mudar meus defeitos.. no segundo seguinte.comentou em baixo tom.falou com leve sorri so. tive a certeza de que Deus tem misericór dia e envia um anjo da guarda para nos vigiar. sei o quanto você é racional. contou: Acredite ou não.gritou o médico assustado. tanta vergonha!. Não foi por acaso. Sabe. ouvi uma voz estrondosa ecoar por todo o quarto gritando meu nome duas vezes e ordena ndo que eu parasse. Um segundo antes ou no instante em que apertei o gatilho. mas bem firme: Sérgio. a capacidade de ouvir que nos dá c . Olhei em volta e não tinha ninguém. falou sem rodeios: Gostei da idéia que teve para ampliar a clínica. Só esperava uma oportunidade melho r tendo em vista as dificuldades em diversos setores de sua vida. mais vejo que nada sei . A automática caiu no chão.. em outros livros da Codificação e nas obras de relatos das pesquisas cie ntíficas feitas por Allan Kardec publicadas na Revista Espírita de 1858 a 1869. Os clarões repelidos dos relâmpagos e os estouros dos trovões repercutiam sem trégua. de seus sentimentos penosos d e insegurança. reflexão e ação! Você não é nenhum menino e tem muito potencial! Tem grandes v s humanos e imensos valores morais! Meus valores morais foram pro inferno! . colocá-la na minha cabeça e apertar o gatilh o?! O quê?! .. . Que ninguém tente Deus. Ofereceu uma pausa. sem capacidade e um pobre coitado por não ter recurs os financeiros e fazer parte de uma sociedade que não está a minha altura! Nunca sen ti tanta humilhação. Eu só vi que fracassei em tudo! Eu estava em casa sozinho quando entrei em desespero.

mas uma dureza permanecia em seu olhar firme e rosto sério. principalmente. mas avisei aos outros que eu iria conversar depois com você! Veja. O suicídio e o aborto são os maiores crimes que podemos praticar contra a vida. por ignorância. relatam que receberam pequeno alerta o u sinais para não cometerem esse ato.. é que eu ia te contar. contra o Criador. fuga de situação insuportável. O desejo oposto e conflitante de não quer er morrer. A quem muito é dado. apesar de a indagação parecer irônica. Tem os o que merecemos e conseguimos suportar.O rapaz obedeceu. Você sabe que todos os que tentaram ou se suicidaram e todos os que falam em co metê-lo apresentam caráter de dois aspectos. assustando-o. as síndromes ou condições específicas e situações do cotidiano. O que te aconteceu não foi por acaso. Quero dizer que especialistas renomados. Você tem a liberdade de escolha e os espíritos bons não ficarão interferindo na sua von tade. Por isso não tome decisão alguma. medo de castigos e agressões. dois valores opostos! Ao mesmo tempo a pessoa deseja uma situação que é a morte.. Não! Eu omiti. como a situação se repete! Acorde! Lembra-se de que não con tou para sua namorada sobre o problema com sua irmã. A prova da intervenção de espíritos inferiores para que você não tenha êxito e se detenh caindo em ruínas. com todas as su as pesquisas e estudos.. Em seguida. Etc. Não é necessário você se torturar! . reação impulsiva por perdas. Você ouviu e sentiu a atuação d s. Etc. fechou os olhos esprem endo-os e respirou fundo. A partir de análises de casos clínicos leva-se a crer em diversas razões para o suicídio. Mas o senhor me enganou. culpa.. espíritos bons e sábios. mas sente que não quer aquilo! É um grito de soc orro! Ninguém estuda ou pensa: de onde vem um e outro desejo que são tão diferentes ao me smo tempo? A vontade de se matar e acreditar. Não. Só tenho uma coisa a te dizer . certamente. remorso.lareza e objetividade.. É mais fácil confiar na palavr a de um outro e não na de seu amigo que o considera como um filho! Sérgio sentiu-se desarmado de palavras. pois isso é raro. Peço gentilmente que se sente e me ouça.perguntou sério. O índi ce é muito alto e se eleva a cada dia. d epressão crônica. . virou para o senhor e. Depende somente d a pessoa escolher de que lado quer ficar. estupidamente. parecendo envergonh ado. apontam como causa às tentativas ou aos suicídios os distúrbio s. quando s trata de cientistas americanos uma vez que a religião protestante lidera naquele país e não aceitam por ceticismos ou por orgulho e não sabem. de um jeito ou de outro. Pare com isso! Não preciso das suas desculpas por ter minhas opiniões formadas.O rapaz ficou em silêncio e o do utor Edison respondeu: Porque todos são importantes para Deus. O médic o prosseguiu: Clínica ou cientificamente falando... isso com a finalidade de chegarmos a um entendimento just o e viável. pediu: Desculpe-me. nesta reencarnação. Enganei?! . vendo-o brando e pensativo. todos.gritou. pois todos os pacientes com tendências suicidas que já tratei ou ain da cuido. a vergonha por algum fracasso. Nenhum fardo é tão pesado. cientistas. Entre elas a solidão. o médico ainda falou: Eu acredito na intervenção dos espíritos. Sérgio. A prova da atuação dos bons espírito s é que você está aqui. Olhando Sérgio nos olhos.. Sérgio. que vai acabar com tudo vêm de inspirações de espíritos inferiores. Olhou para o chão. o médico se leva . não abuse da proteção Divina. esperando um momento oportuno ? Não teve tempo e agora quer que a Débora acredite nas suas explicações e não nas acusaçõe njustas e provas falsas! Da mesma forma. E Jesus fal ou quando tentado a se jogar do penhasco: Não tentarás ao Senhor teu Deus! Mas exist e algo curioso. mas você ficou sabendo por i ntermédio de palavras fortes ou cruéis que o feriram. você não é capaz de acreditar em mim nem dese ja ouvir minhas justificativas e me agride com acusações.falou de modo rigoroso . que todo e qualquer motivo que leva alguém à tentativa ou à prática do suicídio existe a atração de u influência espiritual.Depois de esbravejar. Por quê? Não sei. desejo de manipular ou controlar os outro s etc. Sabe por quê? . seguem inúmeras explicações pelas tent ativas mal sucedidas de suicídio e milhares de suicídios consumados anualmente. Eu. muito será pedido. Está me dando aula por acreditar que eu não entendi ou perdi alguma coisa no curs o de Psicologia? . Orai e vigiai. no seu caso. é inspiração do guardião.

É preciso desenvolver o auto-amor par a não deixar seus pensamentos servirem de brinquedos.Leve sorriso enigmát ico e falou com ar de satisfação: Isso só aconteceu porque você é o sal da terra. A rigor. Podemos d eixar para amanhã.justificou João. mas. pois ouviu isso anteriormente . remorsos ou reações impulsivas tomarão espaço em sua me nte junto à autopunição. quase sorrindo. explicaria a situação. para nada servirá. João ficou calado e observando. o sentimento de culpa e outros tipos de arrependimentos. viu-o largado de bruços sobre a cama e o braço caído com a mão encostada no chão. Sérgio o acompanhou. a solidão. ded uziu que Tiago estava lá. travando um diálogo mental. exibindo-se asso . falou: Acho que a Rita deu jeito em você. sentindo-se atordoado. posicionand o-se melhor quando Sérgio acomodou-lhe o braço e o cobriu. Resgatando-o das reflexões.Voltando-se para Sérgio. São forças vivas que fazem e farão diferença na vida das pessoas e dos espíritos. Sem titubear. O caminho profissional que escolheu foi por um ideal inconsciente. Rindo ao ver que o irmão não acordou. com um ar de vitória em seu semblant e. que estava sem pacientes e lia um livro. lembre-se de que nem todos são merecedores de tamanho empr ego de forças ou energias fluídicas vitais do plano espiritual! . Como o senhor quiser. hein?! A cidade está alagada! E o Nivaldo?! . Indo até o quarto onde o irmão sempre dormia. Sabia dos fortes laços de amiza de verdadeira entre João e Sérgio que.Tiago resmungou e se remexeu. relembrou muitos acontecime ntos em sua vida. mas tem um grande descrédito pessoal. Você tem um objetivo espiritual para isso e talvez ainda o ignore. Sérgio: você não tem perso nalismo.falou o homem insatisfeito. Só lhe dou um aviso. né? Saindo em seguida. Sérgio tomou um banho demorado para relaxar e só depois foi preparar algo para o jantar.perguntou o médico sem rodeios.ntou e pediu: Venha comigo! Vamos resolver esse assunto agora mesmo! Veremos se o Nivaldo e o João estão livres. autotortura. a ilusão de fracasso. O único remédio para uma pessoa como Sérgio. Sem demora. provavelmente. fechou a porta do quarto para o outro descansar. pense muito sobre nossa conversa. Entraram na sala de J oão. enquanto o doutor Edison falava sério e firme: Sérgio. é a Terapia da Oração e a vigilância com hábitos físicos e mentais na ética Cristã nisso. Quando digo que é o sal. .. Tiago se aproximou. Algum tempo na cozinha. como estudioso e capacitado às pesquisas metodológicas.. Não. perguntou: Pode ser assim? Claro. hein?! falou normalmente sem acordar o outro. mas deduziu tratar-se do assunto sobre a sociedade daquela clínica. Faz tempo que não o vejo assim. ao ver uma camisa sobre o sofá. Não é um mero psicólogo preso às terapias. Em pouco tempo. é por você fazer a diferença no sabor da vida daqu eles que seguem o caminho que você aponta. Uma pitada de tortura o feria quando pensava em Débora. Eu quero conversar com vocês três. Depois olhou pela janela certificando-se de a chuva ter diminuído de intensidad e. autoflagelação. João sorriu e os cumprimentou dizendo em seguida: Que chuva. meu caro! Você vai muito além do profissionalismo e dos ensinamentos ac adêmicos. Ao vê-los. o médico se despediu deixando-os a sós. Meses ha viam passado e nenhuma notícia. Suas qualidades morais e virtudes espirituais não são exibições mascaradas com a titudes ou palavras. João permaneceu em total silêncio. Somente olhava para um e para outro sem entend er nada. O doutor Edison o encarou. O que o senhor quer dizer? questionou surpreso. Se o sa for sem sabor. . vagarosamente. O temporal atrapalhou a vinda de todos à clínica . * * * Alguns dias depois. S orriu e completou: Está cansado mesmo! . instrumentos aos espíritos vul gares que se apegam a tudo o que lhe acontece. Já foi. Sérgio chegou à sua casa e. a todos os recursos exteriores à su a volta e neles centralizam os sentimentos e as idéias magnetizando-os com fluidos conflitantes e deploráveis que serão aceitos lentamente por você com uma visão errada d a verdade.

dê aula em alguma academi a.. eu te ajudo! Para não ficar parado. Estou pensando em fazer um curso superior e já me in screvi para o vestibular. O quê? Tiago.. levantando-se. Puxa! Como estou contente! Que legal.. Pouco depois.. Gostaria de conversar um pouco com você. Ela é uma mulher que não tem disciplina. Por quê? A clínica! .. Venha morar aqui de uma v ez por todas! O que está esperando? É que. mora ndo aqui. . E o que vai fazer?! . Sérgio gargalhou com muito gosto e atirou-se para trás da cadeira.alegrou-se o outro num grito. não é organizada e quando o Marcílio chega.titubeou.. os irmãos jantaram e conversavam tranqüilos Como está lá na casa do pai? .Sem deixá-lo falar mais. Eeeeeeh! Vai querer me cobrar aluguel pelas noites que durmo aqui. .. informou: Recuso-me a receber um não como resposta.. né?! Sempre aquela briga! E a mãe se metendo. Sabe. Ninguém consegue se concentrar direito no que faz se não dormir bem . vamos dar um jeito nessa situação.murmurou com voz rouca. Riram... o doutor Edison quer ampliar a clínica e logicamente precisará de profissi onais nessa área. Que horas são? Quase oito da noite. fa lou rindo: Eu sabia! Ta tirando uma com a minha cara?! Lógico que não! Eu sempre falei da sua capacidade e paciência para ouvir pessoas e.. mude-se para cá e. Trabalhou muito. estava na academia ou nas baladas? Depois de mais de trinta e seis horas de extremo trabalho tenso e delicado... Ao vê-lo.brincou. E aí? . Vai tomar um banho para nós jantarmos . mas estou preocupado com o horário na polícia.norentado.Sérgio deteve-se por ins tantes espremendo os olhos como quem tivesse uma idéia relâmpago e perguntou: Você ter minou de fazer aquele curso de massagem?! Sim. terá tranqüilidade e todos meus livros à disposição! Se precisar de algo mais. Sério?! . ma s está insuportável e é por isso que venho para cá. e stou um pó! Um dia é enchente. Agora com mais uma criança chorando. como se isso resolvesse seus problemas. parecendo ordenar: Peça baixa! Saia da polícia! O quê? Ficou louco?! Como vou pagar o curso?! No que for preciso.tornou Sérgio.. Pegue suas coisas e se mude para cá! Não. no outro desabamento.murmurou Tiago.. vendo-o se sentar e esfregar o rosto. A Ana só grita. pois lá não consigo descansar tão pouco rmir. . Tiago. Você não me incomoda em nada. Eu sei bem o que é isso! .gritou. boa forma e muita dispo sição mental e física. Tiago! Saia da PM... .. entendendo a necessidade de melhorar minha vida.sorriu. depois incêndio. Entram no arto me acordam com gritos. Puxa! Meu serviço exige atenção. Olhando-o firme. Sérgio! Você se mudou para ter seu canto! Eu me mudei para ter paz.quis saber. Sérgio falou sério. Oi!. Já viu. É. Sérgio. poderá estudar e. Gosto de crianças. Além disso. Mais tarde você telefona . o irmão falou: Boa noite! Não sabia se deveria acordá-lo. Olha. Ali nada muda. Psicologia . .. A Rita vem me convencendo há tempo e só agora acordei. lembrou: Nossa! Fiquei de ligar para a Rita e. Em seguida.aconselhou Sérgio. e u te ajudo! .perguntou brincando. ..De repente. Ei! Ei! Ei! Espere! Não pense muito. levantando-se.indagou empolgado. cara! É.. pela comid a . os meninos não têm educação nem limite... O salário quase se equipara ao seu. Daí você sabe. Ei?! Sabe que me deu uma boa idéia! .

seu riso. Eu e a Rita somos amigos! Isso eu sei. observando suas reações.. Que pensamentos? . de falar.Logo revelou: Só fiquei com a consciência ma is tranqüila quando ela disse que o compromisso deles não estava indo bem.. o perfume. Foi por causa da Rita qu e mudei radicalmente minha vida. de se vestir. A Rita falou muito no ex-noivo e. Não termina ram o noivado para não causar um choque na família que os apoiava.. Logo que a conheci. Eu prometi ser seu amigo e só me afast aria se ela pedisse! Você entende?! .. seu modo de andar. não perca a oportunidade! Tenho certeza de que a Rita vai concordar comigo e vai te incentivar! .sorriu.indagou Sérgio com brandura.Breve pausa e lamentou: Que absurdo! Nossa! Ao saber como ele morreu.Tiago quase chorou ao dizer: Pedi tanto perdão a Deus por aquelas i déias.. quase nervoso. Sérgio! É uma situação difícil. implorei perdão ao Gustavo e prometi cuidar da Rita mesmo se fosse só pela amiz ade. Não quero afastá-la de mim! De modo algum! be. Sei lá! Fiquei hipnotizado pela Rita! . pois comparti lhou tantas coisas pessoais. acuada. Sérgio!. por não te r muitos amigos verdadeiros.. porque você é essa referência. Seu jeito.. de repente.. Agor a ela não fala.... . mas não suportou e disse de uma vez: Agora eu entendi melhor por que aconselham que não é viável terapia com parentes e amigos. E eu. Eu sei disso. íntimas que não fez com ninguém! A Rita aceitou sua compa nhia até para ir ao doutor Edison! Já a vi abraçando-o pela cintura.tornou preocupado e curioso. Não temos nada além de uma sincera amizade e respeito . c omo estão?! É. Sérgio...enfatizou.. Eu. . Posso usá-los no curso e não t erei tantos gastos. Lógico! A Rita me pediu com todas as letras para eu não me afastar dela.Ao ver o irmão sorrir.. Nossa! Nunca me senti tão mal.riu gostoso. Certo.. O cara era legal. Será?! . um namorado que.gaguejou. Fi quei enciumado ao saber que havia um outro... às vezes me arrependo por alguns pensamentos.. eu. fixando olhar tranqüilo no irmão. em dese spero que vimos aqui?! .. Mas..disse. Ela me considera um amigo. mas não deixava de pensar em afogar a quele sujeito se eu fosse designado a salvar sua vida.. ela confia em você.. respondeu: Está sorridente ao seu lado! Só fal ta criarem coragem para assumir. Tiago.. Parece que ele tinha outra. Veja bem. Muito mesmo! ..!-. sem qualquer outro envolvimento.Vendo o irmão em dificuldade para se explica r. Mas e quanto aos seus sentimentos pela Rita? Ei. . medrosa. brincando e rindo ao encostar-se em você. parecendo uma resp osta afirmativa às ou.. E se ela gostar de você com a mesma intensidade e tiver o mesmo medo seu? Não creio. A Rita se lembrou dos seus livros e.disse Tiago. Como assim?! Entendeu muito bem a minha pergunta. Tentei ser profissional. . Onde está aquela jovem assombrada... Depois de tantos anos de namoro e pouco tempo de noivado. cara... se torn ou noivo..Sorriu ao repetir Como vocês estão? Em que pé está o envolvimento de vocês? Ora.. Bem. Mas além da amizade?! . eu a entendo e respeito.Eu não sei. Breves segundos e Tiago suspirou fundo. Ela era uma mulher carente e falou no ex-noivo por não ter outra referência.Sem esperar.. mas havia se acostumado e. Sei o quan to ela ainda ama o Gustavo e. Pare com isso! Ela está livre de recordações e isso dá pra ver em seus olhos quando e stá com você! Já falou sobre seus sentimentos por ela? Não posso. Sérgio sentou-se à sua frente. tão arrependido! . seu jeito travesso. Ela só me quer como amigo! Sérgio contorceu o rosto tentando segurar o riso. . Adorei toda aquela espontaneidade. Sérgio perguntou propositadamente: Você e a Rita. ela pode se afastar de mim caso não seja isso o que queira. . Eu gostava dele. Claro! Não pense muito.. Depois explicou: Por essa razão.. terminarem não fazia sentido. Não começa! Por quê? Não quer admitir que gosta dela? Ou não quer que ela saiba ou tenha certez a de seus sentimentos? . meu modo de pensar e de ver o mundo. sugestões.revelou um pouco constrangido. fazendo-o pensar! Mas. Ela contou que gostava dele. esfregou o rosto com as mãos e admitiu: Gosto muito da Rita..

.. Tiago e Rita . a Rita. é por sua causa. Geralmente segura a sua mão como se não quisesse que tirasse o braço de seus ombros.. pois a vi passando a mão em seu rosto com gesto de carinho. A dona Antônia ficou viúva cedo.. pois não a deixam contribuir co m nada. Sérgio riu e disse: . Reparo u nisso? Não conseguem ficar muito tempo sem se ver.. pr otegida.Pequena pausa e comentou: Existem mulheres e mulh eres. Como se pudesse ler seus pensamentos. na verdade.. conversam diariamente por tel efone. vou ter de você?! Como é? Vai encarar?! Eles riram e o irmão avisou mais sério: Se a Rita quer sair de lá... Afeiçoou-se demais e chegou a falar comigo a respeito. Não acho uma boa idéia. Sérgio argumentou: Vocês estão tão ligados que passaram a ser dependentes um da opinião do outro. Ela quer liberdade. teme ver sua vida íntima invadida pelas possíveis opiniões da senhora que praticamente a adotou. Sérgio sorriu e foi arrumar a cozinha.perguntou sério. Não tenho medo do João. um abraço. Escuta. A Rita sabe disso e. Não entendeu nada. Quando parou de rir. Aquela casa tem tanta paz! Su as conversas são tranqüilas. que é filho le gítimo.Pode atender. Tiago! Tenho observado como ela o olha. A Rita está preocupada com as despesas.Além de cego. Mas eu entendi. Teve somente um filho e é uma mãe carente. recostando-se em você. se preocupa com você. A Rita é especial! Acredito que vocês dois tenham o mesmo medo: admitir os sentimentos e achar que um vai se afastar do outro porque era só uma amizade...Preocupado. ela transf eriu sua afetividade às crianças que cuida voluntariamente na creche.. você. Tiago! Ela reconhe ceu a amizade verdadeira e pediu que continuasse ao seu lado! Entendeu? A Rita não mencionou que o quer exclusivamente só como amigo. Bem que ela poderia ser minha mãe! Opa! Eu disse isso primeiro! . Tiago. você não namorou não?! E aquela mulherada que vivia te telefonando?! Sérgio. Recordando-se rapidamente de detalhes. um afago.. ficou pe nsativo.exclamou com ironia ao rir. Eles estão bem estabilizados financeiramente. ficou triste. você está me ofendendo! . Não posso negar que adoro ficar com a dona Antônia. Não acredito que você é meu irmão mais velho! Não acredito que estou falando com aquel cara chegado a festas. o incômodo. o amor te deixou burro! .. pois tenho m edo de pensar que estará sozinha e. Sérgio voltou a falar de modo mais esclarecedor: Cara. Ela gosta muito da Rita. Tiago sentia o coração acelerado.brincou Sérgio. pela falta do marido. mas. .Nesse in stante o telefone tocou.retrucou o irmão brincando ao se levantar para atend er ao telefone.Juntos. Explique o que vem acontecendo nos últimos tempos. Acorda. Realmente era Rita. o trata. certo? É. .S orrindo apaixonado.. Sabia que a conversa dos dois seria longa. comentou: A dona Antônia percebe u que ela quer voltar a morar em uma das casas do pai e eu a vi chorando. Além disso. sem contar com os incentivos positivos que trocam em meio às idéias. 25 . esclareceu: Aquelas eram diferentes.protestou o irmão de modo ingênuo.. Você tem certeza? . aceita o seu braço sobreposto em seu ombro e parece se sentir abrigada. É para você! É a Rita! Deixe de ser engraçadinho! . Nunca dei valor à coisa fácil e não encontrei alguém por quem me interessasse. aos filhos que adotou crescidos como eu. baladas!. A Rita pensou em sair da casa da dona Antônia. . Não que o João deixe de lhe dar atenção ou carinho. Ei! Qual é?! . a Rita abandonou o passado! Se ela pede para não se afastar dela é porque g osta de tê-lo ao lado! Admitiu total confiança em você pela amizade verdadeira! Sim! E eu prometi ser seu amigo! Oh! Mas que irmão gênio! ..gargalhou.

Foi o seu pai.. Não nego! . nem sairá do seu lso.Breve pausa e continuou: Q uando vi logo de início que o Sérgio não teria total condições financeiras de arcar com al guns gastos. Estamos reunidos para uma avaliação de nossos feitos e se você aprende com o exemplo alheio aprenderá a duras penas.admitiu Nivaldo severo. viu Nivaldo?! Não adianta trabalharmos aqui com má vontade. fiquei de olho no Sérgio. junto de vocês. reclamou ao João sobre o meu protecionismo financeiro ao Sérgio. advertiu: Espero que não seja orgulhoso. quem o ajudou finance iramente para fazer parte dessa sociedade na clínica e quem também pagou a sua facul dade.reforçou João com nítida tranqüilidade. Acompanhei seu sacrifício .. Estavam todos sentados em sua sala. os hábitos inferiores que temo s. Cuidado. percebi que isso aconteceu porque eu mudei as idéias simples que tive ram e ampliei os horizontes. eu quis me unir a vocês. Sérgio?! . doutor? . mas não sabia o que argumentar. q uando o médico falou: Assim que comecei a dar aula na graduação para a turma de Psicologia.. Logo percebi que ele precisava e precisa se harmonizar com a sombra do descrédito pessoal. Precisamos de decisões e soluções maleáveis para termos um melhor relacionamento aqui dentro! . Nivaldo?! Qual prejuízo terá?! Não saiu. É primordial selecionarmos os lugares que freqüentamos. sua dedicação. É necessário crescermos e cuidarmos da vida mental. . Acontecimentos em minha vida me desvendaram um novo mundo onde eu deveria a tuar e não preciso dar detalhes. Então chamei o João e o Nivaldo e avisei sobre eu custe ar a parte do Sérgio. Sou um professor doutor renomado. ficarei no prejuízo sua proteção ou auxílio financeiro ao Sérgio! Mas qual prejuízo você teve. Sérgio calou-se com o susto e João quase riu. ele não é falso. a parte que cabe ao Sérgio investir! Fui eu quem pagou e pagarei. Mas foi aqui. Nivaldo. agora resolvi inúmeros problemas e posso arcar com a parte que me cabia e o doutor Édison omitiu. orientador e amigo. Nessa ampliação da clínica. mas não tive tempo e soube que o Nivaldo. Es perei por um período de trégua..O quanto antes o doutor Édison marcou a reunião com os três psicólogos sócios da clínica pois por inúmeros motivos precisaram adiá-la. Sua ética moral. seus esforços. Olhando para Sérgio. não se esqueça. Lembre-se de que Jesu s aceitou ajuda para carregar a cruz! Você não deve nada aos sócios ou à clínica! Eu fiz o que eu quis! Dê de graça o que de graça recebeu! Entendeu. que encontrei um meio de ser o simples médico humano. que é o mais difícil de fazer. tomar água fluidificada e fazer o Evangelho no Lar é o bastante para se r recolhido em uma Colônia Espiritual como Nosso Lar . chamando minha atenção. por favor! Não fale besteiras! pediu o médico com um jeito eng raçado e incomum. Foi por essa razão que o ajude i! Além do que. Chamou-nos aqui para ressaltar seus atos caridosos. a idéia de ampliar a clínica foi minha e o prejudiquei. Deixei claro que eu conversaria com ele a respeito disso. não seria o mesmo? É o seguinte . Ao vê-los com planos de montar uma simples clínica em so ciedade e focados em valores humanos. E se o do utor Édison fosse o pai do Sérgio. ficar duas ou t rês horas por semana no centro espírita e depois passar de cinco a dez horas nas bal adas.inquiriu Nivald o sério. Sérgio fique quieto. mas não foi por dinhe iro. Eu não cobro os atendimentos clínicos que faço aqui nem dos pacientes que vocês me encaminham. como já disse. sua humildade e aceitação. psicoterapias em meu consultóri o particular e outras tarefas. mas irônico. não eram e não ascaradas por ele. evangélicos ou protestantes por que basta p . Se alguém aqui tem a ilusão de que ir ao centro espírita. insatisfeito . a caridade e a socialização. está muito enganado! Quem imagin ar isso está pensando igual aos crentes. Aos sem condições. assistir a palestras.falou bravo. bem com o a tolerância. rapaz! Vigie seus pensamentos e suas palavras! O que sai da boca vem do coração. O rapaz sentiu-se aquecer. O doutor Édison continuo u firme e sério: Lá na universidade. Em outras palavras. e não você ou o João! Isso é verdade. Vamos lembrar que outor Édison assumiu tudo. faço o maior empenho para conseguir os medicamentos necessários. vocês três sobr essaíram. E também. rec eber passes. Nivaldo . Tenho consideráve l salário por meu trabalho em congressos. pediremos ao contador para calcular o que devo a vocês e. palestras.. Todos aqui são espíritas e essa filosofia Cristã nos chama para uma auto-avaliação. É algo parecido! Você teve ajuda de seu pai e isso não nos prejudicou..interferiu Sérgio que estava inquieto ao ver Nivaldo com o rosto v ermelho e olhar colérico .tornou o médico com fala firme.

praticando bate-papos inúteis. A gora. mas o outro não respondeu . não pagos.. Fui claro?! Nossa sociedade continuará com o percentual cabível a cada um. Pensa que correr toda sema na ao centro espírita e receber passe vai ajudar a ir para Nosso Lar ? Não. Isso eu vou discutir em particular com o Nivaldo. . Abalou-o de alguma forma?! . realizados aqui ou instituições como c asas de repousos. Quanta s vezes fomos a uma casa espírita para uma palestra ou uma atuação caridosa e vemos um trabalhador.edir perdão e só! Não! E preciso seletividade das ações físicas e mentais! Deixar de ir aos barezinhos pensando que beber. Só e stou aguardando a documentação. suicídio.advertiu o doutor Édison. desânimo. sabiam? Eles sabem que são sere s humanos e permitem a ajuda de alguém ou simplesmente desabafam ou ainda permitem -se à orientação.perguntou. zombeteir os. Além disso..exclamou João. Somos seres humanos e. pois são eles que m vão recebê-los na espiritualidade quando desencarnarem. Talvez eu o tenha abalado de alguma forma. de prevenções ou terapias para alívio de transtornos diversos. quando passam horas e horas vendo beste iras. O que pensam que acontece?! Ah! Fico excitado! . . psicoló ica. mas devemos ser sinceros.. comprei o prédio ao lado para ampliarmos a clínica. Nivaldo disse sem encarar ninguém. meus qu eridos! Vocês estarão se afinando e recebendo energias de espíritos beberrões. De onde acham que vem n energia excitante? De espíritos que se com prazem com o sexo promiscuo. promíscuos e bem inferiores. Doutor Édison .tornou o doutor Edison . mas procurar ajuda! Os melhores psiquiatras e Psicólogos são aqueles que faz em terapias com outros profissionais qualificados. Se alguém não se opuser. Tudo o que fizermos p recisará ser de boa vontade ou criaremos um ambiente hostil e isso é muito ruim. Nós vamos nos centrar nos valores humanos a começar por nós. vamos ao que interessa. . excelsas. doenças.. Aproveitando a pausa. Os futuros médicos o u psicólogos terão seus espaços individuais e pagarão aluguel pelo que ocuparem. com . Sejamos honestos uns com os outros! Vamos acabar com o personalismo e a menti ra! Não estamos juntos por acaso. Parecer educado.. que é uma pessoa boazinha. nada equilibrado. É bom aceitarmos ou admitirmos nossos defeitos e começarmos a nos transformar. é por termos a necessidade de mudar algo inferior em nós. Nivaldo?! . se estamos aqui encarnado s. meus querid os! Porque a energia que o envolve pela compulsividade sexual. sites pornográficos..Avisou sem demora: Eu já comprei este prédio. Iss o inclui os trabalhos não remunerados. Mas ele precisa se controlar! João! . alterando-se. fumar. Vou dar um exemplo que todos conhecemos. eu gostaria de me en carregar da seleção dos profissionais que trabalharão aqui na área da saúde mental. inferiores à elevação moral. Não vamos nos castigar po r isso. corrigindo pensamento após pensamento e conter os comentários venenosos re sponsáveis por grandes crueldades e geradores de fracasso.Interrompeu o médico. Perdoe-me. atencioso ou bonzinho não significa dedicado e afetivo. imagens ou mensagens pornôs. fofocar com os amigos. Na internet . Sérgio!. doutor... mesmo que esse pro fissional venha a alugar uma sala. eu não me sinto bem com a decisão de ficar isento de arte dos custos para a formação da sociedade desta clínica. Preparem-se.interrompeu o médico. contar piadas indec entes ou ficar olhando para o bumbum das mulheres serve para relaxar! Não. iniciaremos a seleção de profissionais bem qualificados para as áreas alternativas. um tarefeiro ou dirigente do centro. gesticulando de modo singular e falando com um tom irônico e voz baixa: Faça um favor para mim?! Pare de pensar! O imóvel me pertenc e e para que não achem que estou protegendo alguém... di a após dia. creches etc..respondeu à própria pergunta. Não é. hospitais.chamou Sérgio . Saibam que vou custear toda a reforma para a ampliação desta clínica. Então penso na possibilidade de pagar uma porcentagem maior na ampliação e. assim como nós. Não paga remos mais aluguel. O Nivaldo tem seus defeitos de c aráter ou de comportamento. pelo prazer em ve r filmes pornôs são mais densas e impregnam no corpo espiritual e não dão espaço aos passe s de bênçãos sublimes. escondendo um sentimen to rancoroso: Peço desculpas ao Sérgio por eu ter me precipitado e. Nesse período. Você não imagina as conse qüências do que fez! João! .

. senhor. as crianças. É aquele que sabe de tudo! Mas. perguntou: O que acha. é ser perfeito! . . confo rme o caso. Fico cerca de uma hora com as crianças e depois peço a alguns funcionários e voluntários para se reunirem no refeitório. eu converso com eles.. Só duas horas! E me diga já obteve algum resultado? Sim. um psicólogo. cerca de seis. sorridente e gentil. Apesar de poucos meses. porque veio chamar os pecadores ao arrependimento e não os justos. Cerca de duas horas por semana. do acolhimento fraterno e todas as ét icas Cristãs. Não posso chamar de terapia em grupo. Comecei com esse traba lho para ocupar o tempo e os pensamentos. um advogado. daremos palestras? Ora! Nivaldo! Você é psicólogo e deveria ter a resposta! . Sérgio fez o mesmo e Nivaldo o acompanhou. a vaidade e a hip ocrisia. mas eu diria que a s reuniões se transformaram em um reforço moral. O que o senhor quer dizer com tudo isso? perguntou Nivaldo. Fez alguns ou todos os cursos existentes sobre a Doutrina Espírita e ac reditam serem sábios o suficiente! Vamos lembrar de Jesus sentado com os publicano s e pecadores dizendo que os sãos não precisam de médico.. por isso dá para o senhor falar de higiene? . Jesus sentou-se com pecadores. Ótimo! Parabéns! João se levantou e pegou um dos papéis. a falsidade. É preciso fazer com que os trabalhadores e voluntários sejam beneficiados psicologicamente para que se sintam mais disposto s na prática da tolerância. pois alguém precisa ficar ativo no serv iço. Sérgio?! Bem. faço algumas perguntas aos funcionários e até dou orientações especificas a determinada criança. deixar de usar a máscara. transformaram o quadro clínico. As pessoas voluntárias relatam sentirem-se úteis no serv iço de caridade e melhoraram consideravelmente a auto-estima. pois sou ser humano..falou parecendo envergonhado. O personalismo é acreditar que. Vamos trabalhar dentro de princípios Cristãos. quando. o persona lismo dos sábios. O que faremos com essas pessoas.. . Não dou uma palestra. também.Sér gio pensou um pouco e revelou: Eu fui o mais beneficiado. Vira ndo-se para o outro. dos doutores das leis. na verdade. ter essa ou aquela profissão. Sorrindo. ensinando-lhes o Evangelho. a camuflagem de um comportamento calmo. muitas com comportamentos preocupantes de agressividade . intimamente. Há alguns meses eu faço esse tipo de assis tência em uma creche e uso o seguinte método: primeiro observo as crianças. cultiva o orgulho. ou seja. Registrei dois casos de voluntários depressivos que. por exemplo. provavelmente pela falta de afetividade em casa com os pais ou responsáveis. por ser um médico. Resultados bem positivos. mas sim os doentes. do hálito de alguém n em falou da falta de banho de um outro. repentinamente. ele pegou alguns papéi s e mostrou-lhes: Aqui tenho três instituições que precisam de assistência psicológica. Tiremos primeiro a trave dos no ssos olhos para depois tirarmos o argueiro do olho do nosso irmão. um psiquiatra. O Mestre falou sobre querer misericórdia e não sacrifício. acho que nem toma banho. de problemas. Qual o tempo gasto para isso? . psicológico e sugestões de uma forma ge ral. Só que depois esse tarefeiro bonzinho cheg a até nós reclamando: ai. min imizaram o comportamento à medida que as professoras e Voluntárias passaram a recebe r orientação de como tratá-las. Vamos abandonar o personalismo. ouvindo pacientemente pessoas simples ou intelectuais comentando de alguma dificuldade. dos sãos. mostrando a importância da tarefa de cada um. ser um voluntário. mas dou-lhes um reforço moral..Sem demora. Jesus só não admitia a hipocrisia. Trata-se de pess oas de diversas religiões e por isso me vigio para não destacar o Espiritismo e resp eito às outras crenças. Lá.enfatizou. um médium ou passista no centro espírita.fala angelical. doutor! Aquele sujeito é desequilibrado! Aquela outra ali é um fardo! Ai! Dá um jeito naquela ali que tem mau hálito! Aquele outro sempre está suado.falou o médico firme. Não reclamou das queixas que ouviu.quis saber o médico. A diretora da creche me disse que o número de voluntários vem aumentando por ca usa dessas reuniões em grupo. publicanos e muitos outros. está pensando cobras e lagartos a respeito de todos ou de alguns à sua v olta. do trabalho amoroso. avisou: Mas não só para as crianças. . um tarefeiro do centro . um dirigente.o médico deu uma pausa e continuou: Acho que leram dois ou três livrinhos espíritas e pensam sabe r de tudo.. elev ando a auto-estima. aparentemente passivo.

Que pena. mesmo! Tiago a abraçou com carinho e beijou-lhe o rosto antes de colocá-la em pé. Mas. Não demorou e a jovem veio correndo ao seu encontro.tornou o outro circunvagando o olhar e reparando melhor.concordou. dando-lhe um leve tapa no ombro. expressando ime nsa alegria ao atirar-se em seus braços.decidiu Nivaldo. perguntand o: O que está fazendo aqui no meu quarto.Ao tempo em que os observava. onde Rita comentou: Ai!. Mas não disseram nada. Lógico! Vamos! . fica fácil cuidarmos dele! Ta! . Um ano havia se passado. * * * À noite. T iago!. Depois o aviso . A mãe só resmungou que eu era bem grandinho e de via saber o que queria da vida. *** O Tempo não parou. além da dose de conhecimento.prontificou-se o médico.. Eufórica ela gritou em seu ouvido: Ah! Consegui! Parabéns! Estou tão feliz quanto você. Podemos ir? Quase não consigo te ouvir! . . Vou pensar e ver as possibilidades.exclamou Tiago. eu gostaria de conversar com o s enhor. Tiago corria o olhar entre os estudantes b uscando Rita. Eu pens ei que nunca conseguiria..concordou a moça. Embora o vozeio e muito barulho se misturavam nos portões da universidade. o doutor Édison comentou: Sérgio. Sérgio estava em sua casa..minimizando o sorriso. Que alívio! Que bom terminar a graduação! Viu?! Sorriu com jeitinho delicado : Agora sou jornalista! . vendo a luz acesa. Você já realiza trabalho s lhante. Eu fico com essa .. Depois falou: Bem pelo menos é o que consta no dipl oma que vou pegar! .. eu soube que se inscreveu para fazer pós-graduação. Rita! Parabéns.Em seguida argumentou: Tantas coisas aconteceram. foi à procura do irmão. Sérgio? Puxa! Desculpe-me! Não sabia que já era o proprietário .riu. encolhendo as pernas num forte abraço quand o ele a sustentou e sorriu por saber do que se tratava. Sentiu falta de um livro e foi procurá-lo no armário do outro quarto. Você avisou que se mudaria para cá? Falei.. Ei! . Não os estou obrigando a esse tipo de tarefa. Cairá um dilúvio amanhã na cidade! Não estou vendo suas coisas espalhadas! Ah!..disse Sérgio. Não quero que se sobrec arregue. sim. Hoje eu trouxe as minhas coisas para cá. Tiago chegou e. Sentado a seu lado o rapaz se virou para olhá-la e perguntou: Eu?! Não fiz nada! Os méritos são seus! . pois você é a prova do benefício que isso trás. João e Sérgio se despediram e saíram da sala. O médico sorriu ao perguntar: Um de vocês tem algo mais a dizer? Eles se entreolharam e Nivaldo pediu: Se não há mais nada para resolver sobre a clínica.gritou Sérgio. lembrou: A Débora se graduaria junto comigo. E eu com essa aqui . Eles já estavam na sala da casa de dona Antônia. se não tivesse abandonado o curso. Se não fosse você.pediu. Pode ser agora? Sem dúvida . mas sim sugerindo. mas tive a impressão de que a mãe se sentiu aliviada. Havia tomado banho e debruçou-se sobre os literár ios estudando e pesquisando. Eu gostaria que você trouxesse o Tufi para cá! Com nós dois aqu ..aceitou João. ..correspondeu.. brincando. Sérgio sorriu e perguntou: E a mãe? O pai? O que disseram? Nosso pai não se manifesta. Não reparou em nada? No quê? .

Insegura.. Eu estava com medo e com dúvidas. espere! Do que você está falando? ... Nenhuma palavra. encar ando-o: Jamais teria vergonha de você.Apesar de ser um home m maduro. seu bobo! .disse brincando puxando-o para junto de si e recostando a testa em seu ombro. por ser como é!. interrompendo-a: Pare. Falei o que não devi a? Fiz algo errado? . segurou seu o rosto. com roupas de estilo indiano e.interrompeu-o com voz doce. Com voz meiga e baixa. beij ando-lhe a face e procurando novamente por seus lábios.. Rita o envolveu com leveza. fitando-a nos olhos. sabe escolher muito bem. . Posso entender. Por que eu não iria querer a sua amizade? murmurou ela. o rapaz avisou: Rita. falou em seguida. . Porque não posso.. Tenho séria dificuldad e para usar roupas mais sociais.Fez. Algum tempo e Tiago a abraçou forte enquanto ela escondia o rosto em seu peito.. Ah!. sim! Foi você quem insistiu e me fez retornar para a universidade. Não!.indagou meio sorriso. Provave lmente eu teria parado. nós pr ecisamos conversar. Eu gosto da forma que se veste e não acho que pare ce com uma hippie dos anos sessenta. . Outra roupa mais moderna e social te cai bem. finas e elegantes. O sorriso agradável sumiu de seu rosto.. Tiago. ele beijou-lhe a cabeça.ela preocupou-se ao vê-lo daquela forma. Tiago rapidamente a tomou em seus braços. Vou entender se não quiser mais me ver e.a jovem falou em tom triste e com a voz emba rgada. Sentada no sofá com as pernas encolhidas. no dia-a-dia. procurando disfarçar e afirmou: Você estava esperando eu me formar para dizer que é chato ter amizade com alguém co mo eu e..Sorrindo.. tem classe e é um modo de se expressar ao se vestir qu e. . Acariciando-lhe a face.A jovem sorriu e Tia go silenciou por longo tempo. voltou-se para ele e sentiu-se gelar. afagou-o com carinho e correspondeu ao beijo com fortes sentimentos. Dizendo isso. não consigo mais ficar ao seu lado só como amigo.. Estou tão orgulhosa por já terminar o segundo semestre em Psi cologia! Já foi um ano! Uau! Você é quem merece os parabéns pelo esforço.Rita riu ao exclamar com mimos.. Tem dias que pareço uma hippie dos anos sessenta e. Tiago? .. Levantando-se e pondo-se à sua frente.. perguntou: Devo deixá-lo constrangido quando estamos juntos na universidade. Depois.Com um gesto sutil. ficando na expectativa. Estava inseguro e algo apreensivo .. Tenho orgulho de você. Não . beijando-l he os lábios como sempre desejou. encarando-o. Por quê? Você tem vergonha de mim?! Não! Lógico que não! Vem cá. olharam-se por longos minutos até Tiago sorrir levemente ao confessar c om expressão carinhosa na voz: Rita. que abaixou escondendo-o entre os longos cabelos cacheados enquanto murmurou: Eu acho que já esperava por isso . O que foi. Imagino o quanto foi cansativo me dar tanta força e ainda.. Envolveu-a com ternura e pediu com voz branda ao conduzi-la: . Uso por necessidade do traba lho e admiro aqueles que sabem se vestir bem. O que tenho para dizer é sério e talvez não queira mais a minha amizade depois de me ouvir ... secou as lágrimas.. Parado nada! .. Não precisa se justificar. pediu. Rita se levantou rápido. quando saímos. Tiago sentia-se como um adolescente. mas ele nem a ouviu.Olhando-o. adoro ficar à von tade e.. deduziu fechando o sorriso: Talvez eu o enver gonhe por gostar de me vestir assim. m as para dizer a verdade eu estranho ao vê-la vestida assim. avisou brincando: Eu iria carregá-la! E te faria passa r a maior vergonha ao levá-la no colo para a sala de aula. tentando ver seus olhos. Rita! . Ao contrário! Sinto o maior prazer qua ndo estou ao seu lado. tirou os cabelos de seu rosto e a afagou.respondeu firme e sério. Não estou conseguindo ser seu amigo. num impulso. não é? Não . Ei. S egurando seu queixo com delicado carinho. .. expressou-se brandamente: Você entendeu tudo errado. O estilo é de traje indiano e você tem bom gost o.. Não resistindo.. aliás. combina bastante com você. Ela comentou sobre outras coisas menos importantes . a fez encará-lo..tornou ele no mesmo tom.. mas. Mesmo sentindo o coração acelerar. Não sei!. E é sério.Tiago perguntou. Não diga isso.

João e Sérgio entraram na sala sem serem vistos. contudo ficou ao meu lad o. Não te disse.. Supere e e squeça. Mas o percebi inseguro e distante.. hein?! .. passando-lhe segurança.. Precisava acabar com aquele compromisso e isso me deixou confusa. Rita... . .Sussurrou ao final: Eu te amo. eu sinto que ele passou pela sua vida como outra pessoa passou pela m inha. Aconteceu como tinha de ser. e Tiago a beijou com todo o amor. Não percebi.. Nós não precisamos nos sentir oprimidos ou rebaixados e eu d igo: nós .. mas.. Desejava o seu bem..lágrimas rolaram em sua f ace delicada. Sempre pareceu s er somente meu amigo e. .. fugiu-lhe ao olhar. E conversamos sobre darmos um tempo. Eu te adoro. João? Tudo bem? . pois queriam que marcássemos o c asamento.. Bem. mas João não perdeu a oportunidade e gritou e scandalosamente: Até que em fim. pois me apaixonei e você tinha um namorado que se tornou seu noiv o. Recostando-se.. Eu experimentei situações difíceis e. poi s o percebi diferente. reprimir nossos sentimentos nem existe qualquer razão para fazermos isso.Secando-lhe o rosto. com algumas p ausas: Você foi a melhor coisa que me aconteceu há anos e. perguntou: Do que teve medo? Quais são as dúvidas? Tiago. e eu também.perguntava sempre calmo. fale de uma vez .. Vai se sentir melhor. Você é bem prepara da e superior a isso! . o seu sucesso e vê-la sorrir novamente. não desrespeitamos ninguém nem a nós mesmos... estava esperando eu termina r a faculdade para me dizer que não poderia mais ficar ao meu lado o tempo todo. Não precisamos viver do passado. apenas como amigo. mas o amigo continuou com seu je ito brincalhão em meio ao riso: Esses dois aí ficam no chove e não molha que está me da nos nervos! Caramba! Rita afundou-se no sofá.. O problema era a família dele. Expressando felicidade.. Eu já gostava de você e não queria parecer um a proveitador.. . naquele exato momento. Bem. Sabia ?! Não.. O noivado estava marcado e me arrependi por. Com o quê? .. uma paixão por você. murmurou terno: E já faz tempo. você permaneceu ao meu lado me dando apoio. E?!. E continuou: Quanto a o Gustavo. fal ou: Cansei de ficar com você! Quero namorá-la! Tê-la ao meu lado de uma forma diferent e! Entendeu?! . Então deduzi que você tinha conhecido alguém por quem se interessou e. Eu também experimentei momentos de conflito q uando a conheci.insistiu o rapaz com inflexão afável na voz.. m e acompanhando em tudo nem ser meu amigo como antes.. pensativo. por ser meu amigo. . Rita. . dó.Vem cá.. Tive medo de que me abandonasse. A jovem sorriu com doçura.O casal sobressaltou.Encarou -a com leve sorriso ao dizer: Não traímos. quieto. falou apreensiva e com a voz trêmula.. Sente-se aqui. Não .Afagando-lhe carinhosamente o rosto.. Tiago..sorriu.envergonhada. Nos últimos dias comecei a ficar desconfiada. m s chegamos a um ponto em que não podemos ou não conseguimos mais represar. .. insegura.. segurando-lhe o queixo com delicadeza... Fiquei confusa... Abraçando-a forte. mas Tiago riu sem jeito e se levantou para cumprimentá-l os: E aí. Decidi falar com ele sobre eu sentir uma coisa. porque estou com você e ao seu lado. Tudo piorou com a morte do Gustavo. É algo difícil de dizer. quando aquilo aconteceu e jus to você acompanhou tudo. Sérgio sorriu e se deteve.. carinhoso. Tive medo... Vi qu e ele se sentiu melhor e eu também.Olhando-o firme. Por deixar tudo acontecer.. Mas poderia estar ao me u lado e me acompanhando em tudo por uma questão de caridade. Por fim confessou: Eu me apaixonei por você quando o conheci!. Senti que havia outra. pediu carinhoso: Pare de se torturar. Rita! . educado e gentil desde qu ando o conheci e. Com a morte do Gustavo. nele ela sorriu e pediu baixinho: Fica comigo. Tiago..negou. Por ironia do destino.Falou firme.expressou-se aflita e chorando. Você sempre foi atencioso. mas essa coisa que eu sentia era u ma forte atração. pois não existe razão para se sentir humilhada ou constrangida. Senti-me humilhada depois.

acrescentou: Não mereço seus esforços. Não podemos continuar nessa de amigos e decidimos ass umir um compromisso mais sério..animou-se dona Antônia. Na v erdade. sem palavras e segurava uma almofada ao peito. Tiago respondeu: As mesmas que as suas com a sua noiva Nilza! Ah!. Sérgio? EU?! Eu não tenho nada com isso.. sorriu e desfechou: A Rita mudou completa-mente a minha vida e não consigo me ver sem ela. Sensibilizado. Apreensivo. Sérgio! Não me deixe passar vergonha! Ah! Quer dizer que nem o seu próprio irmão quer ser seu aliado?! . não! . Que a paz de Jesus o envolva. orou e logo adormeceu. beijou Rita e Tiago. perguntou: E você. Sérgio ficou sem palavras. oferecia c onfiança e fraternidade irradiadas por sua aura envolvente.. Então pode marcar o casamento..exagerou João. 26 . . Ele ficou encantado e paralisado por instantes diante daquela doce figura que desempenhava elevada função no plano espiritual. trate bem a minha irmãzinh ou vai se ver comigo! Entendeu?! Pode deixar! . Prometeu-me amparo e aqui está! . Sérgio acordou para o mundo espiritual com o chamado generoso e suave: Como é bom vê-lo. mas não soube identi ficar. Desprendido do corpo durante o sono. pediu constrangido: Perdoe-me.. Sensibilizado. pois o significado estava longe de sua compreensão.tornou espirituoso e bem sério ao brincar.Vendoa sorrir com sincera expressão de bondade.seus olhos ficaram lacrimosos e ele se deteve. cumprimentou-os e disse: Fico feliz por vocês..Imediatamente algumas lembranças che garam à sua mente. Lembre-se de que todo aquele que reencarna com a t .Não ta. João se aproximou. Os desejos e idéias mentais inferiores foram de um magnetismo muito intenso. . mas estou falando sério. Certa noite ao deitar. Estendendo a mão e puxando Rita para se levantar. sentando-se ao lado de Ri ta que estava vermelha.Olhou-a com carinho. Q uais as suas intenções com a Rita? Pensando rápido. Desejava que Tiago saísse da polícia..respondeu o outro bem alegre. Sérgio riu gostoso e estapeou as costas do irmão ao dizer: É isso aí! Dou o maior apoio! Tiago sorriu e avisou: Podemos brincar. aquele anjo de bondade estendeu-lhe a mão. estamos apaixonados.Psicólogos de amor Apesar de saber que Tiago estava estudando e muito feliz em companhia de Rita .. Quem vai casar?! perguntou dona Antônia. Sei que isso não é desculpa para minhas atitudes infelizes e moralmente desprezíveis por desej ar morrer. conduzindo-o para mais próximo quando Sérgio dispôs-se sorrindo ao exclamar: Laryel!. . Era incrivelmente bela. Não tinha qualquer notícia sobre ela depois de tanto tempo e não podia fazer nada. Não falemos mais sobre isso. Afável. Olhando para o irmão. Sérgio sentia os dias passarem trazendo um vazio cruel que aumentava quando pens ava no irmão ou em Débora. Parecia que um sol de raios prateados brilhava através de sua figura. beijou e os abraçou por longo tempo com lágrimas nos olh os. O Tiago acaba de dizer que vai se casar com a Rita! exclamou João. porém ele não queria por segur ança e por trabalhar em um horário compatível ao curso universitário. ele a abraçou dizendo: Descobrimos que gostamos muito um do outro. Ah! Que maravilha! Eu sabia . cara! Só estou de passagem! Se acerte aí com a don a Antônia e com o João! Oh. meu querido. acabando de chegar e sem saber de nada . Agradeço a manifestação físico-espiritual e verbal que me impediu de um ato tão . Abalei-me tan to e me envergonho pelo desespero quando não suportei as aflições nos pensamentos. como sempre. Sérgio sentiu um vago pressentimento.

a força e o amparo a fim de levarmos algum conforto. Até o Mestre Jesus foi tentado. Não foram percebidos. Iremos para uma região de inenarrável sofrimento. Há inúmeros encarnados dedicados a desenvolver e divulgar a atuação benéfica no campo da Psicologia Clínica pa ra derrubar barreiras e abrir caminho para outros entenderem a razão de viverem en carnados e em determinadas condições. a qual você conhecia bem pelos préstimos de socorro. Após preciosa meditação e sublime prece de Laryel. Com conhecimento e entendimento. Em todo lugar que olhavam. Não sei como. os murmúrios dol orosos vibravam angustiosamente por todo o plano. Alguns dos espíritos benfeitores daquele grupo eram especialistas em missões daqu ela natureza e outros aprendizes treinavam aptidões especializadas para cooperar c omo socorristas naquele vale vasto de sofredores deploráveis. Laryel sorriu com doçura e olhando de um modo peculiar para os companheiros esp irituais à sua volta. A movimentação era de criaturas sobre criaturas amontoadas e entrelaçadas. Não.. porém resistiu e ainda disse que tudo o que Ele fazia nós poderíamos fazer mais e melhor. que antes par ecia um ser de matéria semelhante a cristal. calma. várias regiões sombrias e dominadas pelo mal. A prestimosa entidade de beleza inexprimível atravessou. Esses Psicólogos de Amor estão sob a guarda ou socorro de benfeitores espirituais elevados e sempre a postos no campo das mais nobres inspirações. Eles aliviam as aflições e são verdadeiros Psicólogos de Amor quando desvendam que o complexo asfixiante de uma dificuldade pessoal não tem sua origem somente no camp o biológico. um magnetismo excelso os envolve u com imenso amor. Vejo-o preparado para reassumir antigas tarefas nas quais atuou como especialista e instrutor quando desencarnado. principalmente Laryel. via-se verdadeiro quadro desolador. talvez isso lhe traga mais lembranças e força interior. gemidos. Laryel conduziu-os à zona de intensas trevas. pedindo: Venha conosco hoje. Os gemidos. Todos nós elevaremos os nossos pensamentos rogando providências Divinas que nos protejam. Eles se aglomeram e se esforçam em criações mentais degradantes para impregnar tudo o que é voltado para a elevação moral e espiritual.. Por um lado er a como olhar um mar escurecido e extenso até um horizonte sem fim. Sérgio não conseguia ver muita coisa. De início. Laryel usou recursos próprios para facilitar-lhe a visão. Algumas deformadas a ponto de perder as características humanas como que nadando e se desesperando num mar de lodo e limbo. eu me deixei dominar por aquel a insanidade momentânea lamentou Sérgio. só que não havia água s agitadas. Agora todos deixavam os limites exteriores da matéria do corpo perispiritual co . material ou teve início exclusivamente a partir do nascimento ou durant e a infância e que os culpados são os que rodeavam essa criatura.arefa de socorro e trabalho digno é tentado de inúmeras formas por irmãos inferiores c om desejo no mal. Nunca se esqueça de que os en sinamentos do Mestre Nazareno são as Terapias das Almas. na velocidade do pensa mento. Suplicaremos a Deus. tornou a Sérgio. Dentre todos da considerável comitiva de es píritos elevados na escala de valores morais e espirituais. Envolvendo todos com sua inexce dível energia. de p rovas para adquirir forças e suportar certas impressões para sua elevação de natureza es piritual ou moral. profissionais que sempre se colocam na posição de aprendizes e de obreiros vêm renovando vidas human as. dores e grunhi dos horripilantes. . Você já ouviu sorriu ao relembrá-lo . a quem muito é da muito será exigido. Pai da Vida. Somente então ele pôde ver a névoa cinzenta dissipar-se e muitas imagens surgiram. As origens de m uitas dificuldades procedentes de vidas passadas ou trata-se de experiências.Em um tom amável e doce. Sentia-se num outro mundo onde a d ensa névoa parda reinava.Sem demora e mais séria. . bondade e proteção. bênção e até o socorro aos irmãos dessa esfera q ue estiverem preparados. somente Sérgio fazia par te do plano dos encarnados. A elevada comitiva baixou a luminescência. prosseguiu: Com conhecimento direto na comprovação científica e filosófica de uma doutrina reencarnacionista.Ofereceu leve sorriso ao comentar: Jung já fez uma grande parte. os gritos. . Só havia sombras estranhas em toda a extensão e uma energia desagradável parecia pesar sobre ele. ela avisou: Não duvide de v ocê mesmo. Mas isso não isenta esse encarnado das suas obrigações comuns de orai e vigiai a própria mente para não se d esviarem dos propósitos Divinos.

E por ser justo. Estavam recolhidos em prece silenciosa até uma montanha agitar-se como fogueira. não se socorre om o poder da prece. orgulhosos nos serviços rudes qu e os compraziam. permaneciam atentos a fim de os infelizes não encontrarem ha rmonia que os resgatasse de algum sofrimento nem tentassem recolher-se em prece verdadeira. porém o sofrimento reservado à sua consciência e ao perispírito pelo crime que praticou chegará. diante de co ndições em que não se pode raciocinar. o martírio interior e o arrependimento profundo são lento s ao espírito. E ntão. a venerável emissária . Porém. Sem articular palavras.. semelhante a um redemoinho de vento só que de lavas incandescentes como a de um vulcão.. respeito às Leis Divinas. Porém nunca é eterna. Tenha piedade. que entendeu lhe o pedido em nível de pensamento e aprova ndo-o com singelo gesto. nojosa e fétida serviam de obstáculo. seu coração bondoso e as inesperadas razões que o levaram à prática de tal crime. mas é o reajuste da própria c onsciência . mas que. Deus po de minimizar seus dias de suplício. que f azia parte do grupo. Rochedos escarpados cobertos por substância escorregadia.explicou um dos missionários. quando Sérgio comoveu-se: Deus. perderam a fé e a esperança. Um dos benfeitores acompanhantes percebeu que Sérgio desejava melhor exemplo. essas são criaturas espirituais que. olhando para Laryel. Aos demais. que não são as mesmas para todos os suicidas. ensinando-lhes nobre a eternidade. O sofrimento coletivo é impressionantemente doloroso. tendo em vista o caráter moral do espírito suicida. Enc ontram-se aqui os que também bombardearam lugares e sucumbiram junto.avisou Wilson. . seu mentor.mpatíveis ao meio pelo trabalho proposto e com a finalidade dos sofredores infeliz es daquela região poderem lhes perceber. Sua bondade e misericórdia encontram circunstâncias atenuantes em a lguns raríssimos casos não planejados. não tiveram piedade de si. por essa v iolência ao próprio espírito. os qu e estão delirando de febre ou efeito de medica-mentos. A encarnação com experiências difíceis é um curto período que passará rapidamente quan se tem a idéia da imortalidade do espírito e a crença em um único Deus bom e justo. Era como uma verdadeira muralha cercando o vale de extensão impressio nante. os mentalmente retardados. Uma matéria espiritual muito densa. Contudo .. não planejaram nem pensaram nesse ato. não buscaram ajuda de outro que pudesse erguê-los para o bom ânim o e propósitos construtivos. Havia. queimando-se proposit adamente . nos altíssimos penhascos. A misericórdia e a justiça são atributos de Deus . Em todo suicíd io pensado ou planejado anteriormente e conscientemente. entre outros.bondosamente explicou Laryel. Em alguns casos. São suicidas que recorreram à morte do corpo através do fogo. a Lei Divina determina ou enquad ra o tempo de duração de sofrimento consciencial e o tipo de expiação futura. Como guardiões d e natureza vingativa. Aquele vale não era só ocupado por suicidas agonizantes em extrema dor e sofrimen to. todos daquele grupo se comunicavam em nível de pensamen to. A comitiva seguiu Laryel que sabia para onde ir. Entretanto a responsabilidade do suicídio jamais fica impune. e mantendo certa distância daqueles infelizes s ofredores. Há casos especiais como os de crianças de pouca idade levadas a ações semelhantes ao suicídio por ouvirem contar fatos ou assistirem a programas ina dequados.. Milhões de criaturas encarnadas com difer entes propósitos de harmonização ou tarefa no bem se entregaram a mais inferior das ex igências: o suicídio! Não deram atenção às responsabilidades de resistência. mas que. o socorrista afastou-se do grupo.lembrou Laryel. espalhando-se ao abaixar novamente como sorvedouros onde corpos espiritua is de aparência humana podiam ser vistos. com movimentos fortes ao girar. a intensidade da dor constante na consciência e no corpo espiritual é algo do qual não podem e não conseguem escapar. meu querido. na opo rtunidade de reencarnação. pois a morte não exi ste. vigiando os prisioneiros de dolorosas penitências. espíritos pinando postura de sentinelas. acim a de tudo. cobria toda aquela triste região. os loucos. especialista em socorro daquela região. A nobre entidade silenciou. os totalmente embriagados. Deus a tudo vê. em um ato de desespero. como que um ar contendo elementos asfixiantes e nojosamente viscoso. aos olhos de Deus não há ma ior ou menor culpado.

alertou Wilson. Teve todas as oportunidades para praticar a caridade. Desmascarando-a em uma discussão a sós. Suicidando-se mostraram a incapaci dade de suportar as dificuldades nas provas da existência terrena e foram fracos a o perder a fé. que havia se afastado. Piedoso. lhe agradecessem e reconhecessem suas ofertas caridosas. vamos lembrar q ue a bênção do esquecimento. animalizados e deformados. descarnando a pele em estado de putr efação. Atormentam com vibrações bizarras as faculdades mentais dos suicidas.Alguns segundos e contou: Encarnada esse espírito foi uma mulher de considerável nível socia l. dos velhos desamparados e da miséria em geral. Aqui não se vê o céu. isso não teria aco ntecido. comprazendo-se com a do r insuportável e ininterrupta de inimigos do passado que agora se revolvem aqui pe lo suicídio. necessitados e doentes.perguntou Sérgio. Quem são eles? Vejo que não se lembra de muita coisa. mas mascarava esses senti mentos. Quase não tinha braços e as pernas pareciam coladas. tanto quanto agresso res se ligam às suas vítimas. Ap enas apreciava a fragrância de seus perfumes e cremes caros. ou seja. Possuía uma aversão aos pobres. tentou ser ardilosa e buscou div ersos meios de comover o marido com esperança de ele não a abandonar. Isso pode acontecer até com sofrimento de um deles para que renasça o amor em a mbos. Se com desejo puro sua mente estivesse voltada p ara a caridade e se ocupasse com a atenção para o auxílio e caridade. sem esperança. Muitas coisas acon teceram até começar a dar oportunidade de ação para um espírito inferior vingativo e inimi go do passado por ser sua vítima. maldosos ainda..Breve pausa e lamentou em tom piedoso: Quanto engano! A morte não existe e a prova disso é que estão aqui. Existem supostas vítimas que se ligam aos seus agressores. Ele sabia o quanto ela mentia e disfa rçava sua verdadeira personalidade. julgando saber mais do que sabem. tenha-o prejudicado e se ligou a ele para se vingar dessa forma. Sérgio reparou: Os penhascos parecem não ter fim. que se movimentam e se revezam. o socorrista explicou: Seu estado mental é de delírio enlouquecedor.Olhando em volta. Mas as Leis Divinas são sábias e iguais para todos. mostrando-lhes. O que realizou foi para que todos a elogias sem. já tão atormentados. Criaturas p artidárias de grupamentos. . No alto dos penhascos há espíritos com aspectos sinistros. admirando-se do quanto era bela. machucada. com devoção e de coração. Crêem serem juizes e justiceiros. . Depois respondeu: São espíritos no auge da inferioridade e da ignorância. gemia constantemente em todos os tons. Mas o esposo e stava decidido e cansado de sua falsidade. contudo pode nos entender. chamou-lhes a atenção. Não haveria espaço para pensamentos inferiores. Não parecia uma criatura humana. S e um espírito vingador não perdoa ao irmão que. O aspecto era à m aneira de grande verme com feridas imensas. Ela perdeu o gosto pela vida e de sejou a morte a ser trocada por outra e discriminada pela sociedade como uma mul . pois muito s deles acreditam ter amplo conhecimento. Remexendo-se. fazendo-as crer no nada após a morte. Mas. Tentando livrar-se dos tormentos de uma breve reencarnação. atiraram-se ao suicídio e a um longo e doloroso sofrimento mil vezes pior! Esses espíritos vingativos que os inspiraram ao suicídio são homicidas! Também não dev riam se encontrar em um estado consciencial de sofrimento pelo que cometeram ou induziram? . talvez. Tudo piorou quando ela desc obriu que o marido a traía. Dotada de inteligência. Na verdade não suportava o od or dos hospitais. da perfeição e brancura de seus den tes. A aproximação do socorrista. dos orfanatos. O espírito sofredor plasmava seu corpo espiritual de forma horrenda. Sérgio argumentou Wilson com simplicidade. cujo pescoço inchado unia o tronco à cabeça lisa. Forjava sorriso generoso e olhar piedoso quando precisava reunir-se para fins fraternos junto de pessoas de seu meio social.. levando-o ao suicídio. Não admitem que sofrem. como que sem o co uro capilar e a face sem pele com erupções purulentas. sem fé nas providências de Deus. o homem av isou que sairia de casa dentro de alguns dias. o remédio para todo o sofrimento terreno. Só contemplava seu refl exo no espelho. no suicídio. mas quando o fez não fo i com sinceridade. esgotando-lhes as forças mentais e levando-os ao e xtremo desespero de se verem sem saída. através da re-encarnação os unirá para reparação e ensinamento dor. Certamente são espíritos que desejam a desforra e induziram seus desafeto s a tirarem à vida do corpo físico. Ele trazia nos braços uma criatura totalmente deformada e a carregava como quem aconchega o filho querido e necessitado. Esses vigi lantes são espíritos de pouca elevação. caso essas últimas deixarem .

Ela chama pelo nome de Deus em vão.respondeu o socorrista piedoso. Apesar de tamanho sofrimento e estado enlouquecedor. ao se declarar. o pai qu e a abandonou na miséria. ela sofreu calúnias e humilhações. Em reencarnação distante.pe guntou Sérgio. Com sentimento de ódio e vingança. Ao contrário. Criaturas assim chamam por Deus como se ele fosse um prestador de serviço. Com a explosão e o incêndio . em sua agonia. Se ele lhe tivesse perdoado e a acolhido como filha querida. não acreditou em Deus nem no futuro. até depois da morte planejada. O que aconteceu para ter um obsessor tão cruel a inspirá-la à morte tão horrível? . que a rejeitou. Cinqüenta anos . experimentando a dor que v ivenciou no corpo físico? . por não se arrepender do ato criminoso e cruel planejado no passado que o le vou à fogueira do Santo Ofício. A mulher. Não quis engravidar para não deformar seu belo corpo. No último plan ejamento reencarnatório. Inconformada com a rejeição e po r ser uma criatura vingativa. Após esse período escuro na história.contou o especialista daquele tipo de socorro c om habilidades de absorver informações da mente dos desencanados. a mesma criatura que ela condenou injustamente à morte cru el. Mesmo sendo inocente. só pensou em ostentar orgulh o e vaidade por ela mesma. ess a pobre irmã não admite seu orgulho. essa irmã viveu na Europa no período da Inquisição imposta p s governantes da Igreja Católica . pede Sua misericórdia e socorro . pois esse é o vício ou a mania dos hipócritas nos momentos de desespero. logo após sua mãe. mas breve diante do tempo em que se encontra nesse estado. ela faleceu após muito sofrimento no corpo físico. Também não atendeu às inspirações de espíritos bondos amados de fé. No entanto a dor experimentada antes do desencarne não se compara à intensidade do desespero e insuportável padecimen to incessante vivenciado no plano espiritual. ficará à mercê desse estado mental. . junto com a mãe. aos dissabores do mundo. Seria um desencarne d oloroso. Nessa época. Pode dizer há quanto tempo se encontra nesse martírio. era a mesma moça que seria a esposa do homem inocente cond enado a morrer na fogueira. com a finalidade de investigar e punir crimes contra a fé católica. dispondo-se à ving ança entremeada de extremo ódio. Revoltada pelo abandono do marido. decidiu que ele não ficaria com a outra. po is ele afirmou amar outra cuja união já estava marcada. Q ueria que os outros tivessem piedade dela pela morte inesperada e ver o remorso do marido. na época. essa pobre irmã deixou o gás do fogão vazand o por longo tempo e depois acionou o interruptor da luz. m as não ofereceu a atenção necessária. Enquanto o amor e o arrependim ento não reluzirem em sua consciência. incontáveis oportunidades de tarefa e empenho na caridade em todos os sentidos e isso amenizaria sua expiação. Não se dispôs a receber como filho. que foi sua mãe. Mas ela. Podemos sentir o ódio qu e tem pelo marido. tudo ficaria har monizado e tanto ele quanto a mãe teriam outra oportunidade de viverem juntos. nesse vale de lamas e lágrimas. ela nut ria uma paixão incontrolável por um homem e. como filha querida desse casal que a odiou. sofreria a expiação de queimar-se até a morte em algum acidente natural. ela vestiu a máscara da hipocrisia e não foi humilde. chama por Deus. sentiu-se humilhada. esse pobre espírito deveria ser abastado com bens terrenos. Porém queria que tudo parecesse um acidente e com morte instantânea. Deveria provê-lo com amor e educá-lo nos princípios morais superiores. Pelas necessidades de sob revivência e para cuidar da mãe doente.perguntou Sérgio. Ela preparou artifícios e colocou-os na casa do homem para não ter meio de ele escapar da punição do Santo Ofíci o e o acusou de bruxaria. Vaidosa. el a não se permitiu à concepção. A infeliz não está preparada para o socorro.disse Sérgi o. o homem. só pensou na humilhação que sentiria di ante da sociedade. ele reencarnou. Mas. E ele que dizia amar quem iria despo sar naquela época. o que a repugnava. Mas com o vício moral da vaidade. Quer vê-lo morto e sofrend o como ela. Elas odiaram-se tanto naquela época que retornaram com o mãe e filha a fim de reforçar os laços de amor. ela fez do corpo físico ins trumento de mercadoria no campo da prostituição e desencarnou cedo. sua vaidade e seu personalismo. Por não ter amparo paterno. Para isso a presentou-se como testemunha para o tribunal eclesiástico instituído.her separada. abandonou-a na reencarnação seguinte em difícil situação com a filha nos braços. Tinha vago conhecimento da doutrina reencarnacionista pelos livros que leu. mas não a aceitou como filha. foi con denado a queimar na fogueira até a morte. abandonando-a. culpando-o pelo seu estado deplorável. Esse irmão não lhe perdoou.

É o rosto do mari do que ela traiu e magoou e sua consciência a acusa por remorso e pedindo reparação.Em seguida. Não era difícil ver um e outro correr daquele redemoinho com o corpo espiritual e m chamas saído de brasas e provocando grande alvoroço e dor a todos daquele vale por estarem ligados mentalmente pela prática do mesmo crime.Pequena pausa e os fez pensar: Observamos que o pobre espírit o afogou o corpo para morrer. num estado de consciência enlouquecedor e tão terrível que desejavam morrer como se pudessem definitivamente acabar para sempre. ela diz que tinha frio e q ueimava. inconscientemente. sentem-se extremamente perturbados e não entendem por que ainda estão vivos. arrependimento e ace itação de reparação. não vê os espíritos que vagam no l ugar onde está. juntando-se aos demais amontoados que ardiam em labareda s. Mas logo se juntava àquela montanha incandescente através de uma atração irresistível. mas ainda não experimentaram esse vale deplorável de dor e suplício. Que o Pai da Vida em Sua infinita mis ericórdia a envolva com bênçãos sublimes para o seu esclarecimento. a duração e o rigor do sofrimento. por asf ixia provocada pelo vapor que exalava de um forno portátil cheio de carvão. O espírito infeliz diz que sofria e a evocação.argume ntou Wilson. Conta que é sempre noite. na qual ele explicava sobre a comunicação de um suicida que se dizia sentir sufo cado no caixão. nos relatos e esclarecimentos por ele publicados nos diversos volumes da Revis ta Espírita. era penosa. Com os olhos arregalados. Relata escutar risos infernais e vozes espantosas. Há alguns dias . Os suicidas responderão como por um assassinato. ou revoltados recusam o poder da prece e a força da oração. Depois.Segu ndos para reflexão e comentou a seguir: Em outra evocação. Em O Livro dos Espíritos. Entram em profundo desespero e sofrem. após a morte do corpo. sem dúvida. Ele assevera que era forçad o a crer em tudo o que negava e afirma sentir a alma num braseiro horrivelmente atormentado. Allan Kardec ressalta que espíritos suicidas experimentam os efeitos da decomposição. como bálsamo alivian lhes as dores. Laryel avisou: Ela se prende a esse vale de penitências. ser interrompida brutalmente quando estava com vigor. Pensava que morreria uma segunda vez. mas vê um crepe negro desenhado num rosto que chora. O suicídio e o aborto são os piores crimes que o ser humano pode cometer . Estado que pode durar o tempo da vida que foi interrompida. para aquela comunicação. Lembrando que esse efeito não é geral. eu estudei uma observação científica e filosófica de ec. O espírito do suicida fica ligado ao corpo. A . que é o fluido que faz a alma atuar na matéri a corpórea. Afirmava que sofria e sentia os vermes roerem seu corpo. O espírito São Luís oferece grande instrução ao explicar que ess é o estado de todo suicida. . observou-os por um momento. as vibrações emitidas chegarã no instante em que estiverem em condições de reconhecê-las e se fortalecerão com suas energias. O gelo corria nas veias e o fogo em seu rosto. quando Laryel instruiu com prestimosa bondade: Cada caso é um caso. Eles seguiam. então por que diz sentir a alma num braseiro? . Um dos casos conta-nos sobre a comunicação de um suicida ateu que se afogou havia dois anos. ele está completam ente mergulhado numa espécie de turbilhão da matéria corpórea e suas idéias sobre o corpo terreno estão muito vivas. as orações sinceras para esses irmãos são como remédio. sensação de angústia e horror. apesar do espírito do suicida estar separado do corpo. Aprendemos que se nesse momento não entendem . Não demorou e ela raste jou. mas. uma mulher suicida. puderam tirar as mais numerosas instruções.contou Sérgio . as questões sobre o suicídio são bem esclarecedor as. cuja mor te foi planejada ao lado do amante que também sucumbiu. Respeitosa e num tom de tristeza misto ao de amor. Há suicidas que. Aqueles que estudaram a Codificação Espírita e os ensinamentos úteis de Allan Kardec . que gritam semp re do mesmo jeito pavoroso. Pensou que nada iria acontecer após o afogamento. haverá um longo estado de pertur bação dolorosa pelo fato da energia vital. Wilson explicou: As preces. Kardec ob serva que. sofrem demasiadamente na mente e no corpo espiritu al. recusa desc rever tanta penúria. A esse espírito sempre haverá uma punição e somente Deus julga conforme a causa. mas seu coração rancoroso e revoltado até contra Deus podia ser sentido. Mas isso não acontecia e a punição conti nuava como no momento em que mataram o corpo físico. Clareiam-lhes a mente. Com gesto paterno o socorrista retornou e colocou aquele espírito de volta ao cír culo que se atraía. Alguns entendem rapidamente que não morreram em espírito e se arrependem.

a sensação asquerosa. Vêem-se corroídos vagarosamente por milhar es. E partilhando das mesmas vibrações pela atitude. Isso explica os relatos de Kardec sobre as comunicações de espíritos suicidas que se mataram de uma forma e. Estão impress ionantemente atormentados. do sangue fétido. Os que. . somente a benfeitora ousava detalhar. longas e dolorosas. Todos precisarão de vár ias reencarnações para repararem o erro e aliviarem os corações sofridos pela brutal sep aração. meus amigos. a benfeitora nada disse até deter-se e mostrar: Ali. não lutou pela a. Exi stem os que se crêem confinados eternamente ao inferno imposto por algumas religiões . Uns gritam de modo selvagem. as dores da s vísceras se rasgando. mataram-se para fic arem juntos.Pequena pausa par a reflexão e avisou num tom lastimoso: Vamos seguir. urinas e fezes que se esvaem d o corpo de carne. Outros são incrédulos. As religiões ou doutrinas que consideram os suicidas confinados ao inferno e não . Alguns. é o que vêem e sentem. e a existência de indescritíveis aberrações em suas faculdade s os faz ver. por isso não se concentram verdadeiramente em Deus.. fluido vital.Nova pausa e depoi s continuou: Em outra conversa. Enquanto prosseguiam. unem-se sempre pelo pensamento. demorarão muitos anos ou séculos para se reverem. pratic ado conscientemente . Eles estão ligados na mesma vibração. Como explicar esse rel ato? Se ela se asfixiou envenenando os pulmões. viam-se mais perto do extenso mar de espíritos suicidas amontoado s e entrelaçados. presos em seus caixões. por não se desli garem do corpo físico. por isso reproduzem as cenas horripilante s onde quer que estejam. Sem perceber. Não se lembram d e situações agradáveis ou pessoas queridas. milhões de vermes por ligação ao corpo físico com vigoroso fluido vital. algo sobre a visão aterradora: Irmãos infelizes que se suicidaram para se encontrarem com entes queridos desen carnados não o vão encontrar aqui. aqui não há irmãos pro ntos para o socorro. o sofrimento in interrupto. piedosa. É bom lembrarmos sempre que não existe punição fixa aos suicidas. atordoado s e com o raciocínio lento pelas conseqüências do ato.Alguns segundos e comentou: Diga-me o que está p ensando e eu direi o que espiritualmente existe ao seu lado. A escuridão pode cegar-lhes por longo t empo. O odor de podre. Só o arrependimento intenso. se não era cega? . Libertos da sepultura. Outros estão confusos. alguns continuam liga dos ao corpo pelo liame. Além da pos ura mental adotada. desejado. não se encontrou com ele. rever e sofrer incessantemente no corpo espiritual. contam sobre experimentarem outras sensações. O suicida voluntário levará várias encarnações para purificar a consciência e isso depen erá da forma como suportará as futuras expiações terríveis. As vibrações mentais mais tormentosas. as razões e as conseqüências desse ato sempre são relativas às causas que o gerar m.Sabiamente. sofrerão bem mais. o instante de seu suicídio e dos outros. Gritam e berram como animais.explicou a excelsa benfeitora Laryel. Muitos perm aneceram bastante tempo em suas sepulturas. a punição mental será mais longa e terrível porque fugiu da provação terrena. que sente os dese jos carnais. meses ou séculos. Não co seguem ter paz. Kardec nos relata sobre um espírito suicida que se enforcou. E a mente do suicida normalmente atrai tudo isso que o corpo físico experimentou. Ele diz que sofre um fogo que o consome e o devora. além de falarem de seu sofrimento. dos líquidos. como no momento da morte de seu corpo e cenas repetitivas dos outros suicídios e extrema dor. Esses são nossos irmãos infelizes que se suicidaram e estão ligados e submetidos ao mesmo estado vibratório e mental pelo ato do suicídio premeditado. por que tinha frio e queimava? Por que sentia o gelo nas veias e fogo no rosto? Por que não via nada nem mesmo os es píritos. as secreções nojosas e o lo do encarniçado que os envolve é constante. não têm condições de serem descritas. . O que leva alguém ao suicídio.. Serão juízes inconscientes deles mesmos. são agressivos e violentos pela revolta de não morrer. Como explicar tamanho sofrimento se o suicídio ocorreu com métodos diferentes? . Então pura carniça. fur iosos. Experimentam o cheiro exalado do apodrecimento.firma que não quer falar do amante. Mas para aqueles que se refugiaram na morte premeditada e voluntariamente. Os que cometeram esse crime pela perda da fortuna ou pela miséria. violentamente infligidas pela própria consciên cia. o que dificulta sua libertação desse lugar. não respeitou nem confiou em Deus. por um amor impossível. as necessidades físicas. respeitosamente. que vagavam no lugar onde ela estava.

resignado. ter paciência e fé.aceitam que sejam dirigidas as últimas preces.. Na espiritualidade. Sem que soubessem e. do orgulho. as águas se tornaram caudalosas e a forte corrent eza invadia o pequeno barco. chicotes. atirando-o contra as pedras sem piedade. um tanto temeroso. E logo acrescentou: Imagine uma situação em que operários ou esportistas. estão imensamente erradas. o último a se pendurar se solta ou corta a corda acima de si a fim de aliviar o peso e sal var a vida dos demais. ta-os com fé e esperança em novas oportunidades de harmonização. mesmo sabendo que despencará para a morte certa. dependendo d o caso. depois afirmou: Como não? Se estudou deve lembrar que Kardec relata raros casos cuja intenção do su icídio abrandou. Um que ac ompanhei foi muito marcante. A duração de seus sofrimentos está ligada e é dependente de sua força mental e moral para arrepender-se verdadeiramente do que praticou. Porém esse estado de extrema dor e agonia do suicida não é interminável. a dor da se paração de sua amada e seus pequeninos filhos. Isso é um su icídio. confinando-se ao castigo da própria c onsciência. sofreu. Amparado na espiritualidade. Ao contrário do que pensam aqueles que lhes recusam uma oração. No entanto nisso não se vê o desejo da morte.respondeu ela atenciosa . esse homem entrega os remos à mulher e p ula do barco para a morte. Seria injusto ela passar por sofrimentos horripi lantes como os demais suicidas. algo que não planejou nem queria fazer. relatam e apontam sofrimentos usando termos iguais aos de algumas reli giões. É bom recordar que se não houve premeditação. pois a água o arrastou para as corredeiras. mas para salvar a vida dos outros. Por sua elevação espiritual e mesmo tendo a indulgência Divina. da vingança. que transgrediram as Leis de Deus. Laryel parou. mas a vontade de salvar outras vidas. a prestimosa entidade se voltou para Sérgio ao afirmar com generosida de: Existem muitos fatos que isentam uma criatura forçada ao suicídio em favor de um acontecimento fatal. Deus julgou-o pelas circunstâncias e lhe perdoou. Bem at enta a tudo. mas. um desejo de bênção e misericórdia.. o Criador bom e justo? Kardec explicou isso muito bem. diminuindo a punição se es es forem humildes e respeitosos aos propósitos do Pai da Vida. a intenção do suicídio pode não merecer uma severa punição. livrando-o de terríveis t orturas pelo suicídio. Deus não dá recompensas. Laryel olhou-o de modo diferente que ele não soube interpretar. el es atravessavam um largo rio. diminuiu o sofrimento ou mereceu o perdão . Qual?. O Espiritismo não admite inferno com demônios e capetas com tridentes. Os estudos e as pes quisas científicas de Allan Kardec sobre suicidas deixam claro que esses espíritos i nfelizes.. Ele acreditava em Deus e não queria morrer. mas sim o perdão de Deu Isso é possível?! . ele se perturbou por curto tempo. Então para salvar os outros. Com o objetivo de mudança. inesperado. Por sua vez. planejamento. num ato não planejado essa criatura merec e ou não o perdão? Deus é quem julga. dos parentes e amigos aliviaram sua consciência e o deixaram com elevadas vibrações sublimes. você prometeu reparar o suicídio e o abandono da família tão querid . deu a vida para salvar a mulher e os filhos. desejo de se matar. repentinamente. ao ver que a morte de todos será inevitável. dos filhos. livrar a mente do ódio. Um homem novo. Ciente de que a esposa não sa bia nadar tão menos os filhos. mas Sua bondade e justiça permitem a oportunidade de repar armos os erros cometidos e abreviarmos os sofrimentos. a bondade e o amor de Deus se a confinação ao inferno for eterna? Seria Deus o Pai. o barco mostrava sinais de que afundaria. quando uma chuva caiu na cabeceira desse rio. lugares cercados de labaredas e horrendos métodos de torturas. sua jovem esposa e seus três filhos.perguntou Sérgio. A prece aos espíritos suicidas lhes dá força e resignação. desesperado. . estavam em lugar estranho. pois as preces da esposa.. Àqueles que acreditam nisso podemos perguntar: Onde se encontra a misericórdia. Depois aceitar e propor-se à expiação ou repa ração dos danos a si e aos outros. A prece com amor e sem lamentos auxilia o entendimento desses irmãos e a elevação d e suas consciências. mas u ma fatalidade o desesperou a esse ponto e não lhe restou alternativa. A comitiva se manteve junta parecendo mantê-los no centro. se vêem pendurados em uma única corda que vai se romper e todos morr erão. junto a rochedos e menos hostil. imperdoável nem fatal. Mesmo jogando todos os poucos e pobres bens materia is no rio. Nesse ponto. no desespero. por causa de um acidente.questionou Sérgio estremecido por uma sensação inexplicável.

por medicação ou qualquer meio. Naquele planejamento reencarnatório. sa beria aguardar o momento propício para as expressões mais ternas. emoções. Alg o modificou em seu âmago.. Conforme prometeu. pois eu tinha importante tarefa. por meio do suicídio. o fluido vital se desenvolve com essa atividade unindo e servindo de ligação. oferecendo sua vida para eu prosseguir. Não me permito distrair em um lugar como esse. O feto. com a finalidade de instrução. meu querido. o liame entre o espírito e a matéria do corp o físico. movimentá-la e experimentar ns sensações d o instante de sua união com o óvulo fecundado. quando o óvulo fecundado inicia a multiplicação das células. Em todo e processo. inclusive no d ia seguinte a concepção. entre o espírito e a matéria ou massa de células. está ligado à mas . o fluido vital é o agente do qual o espírito se serve para estabelecer c omunicação com a matéria corpórea para animá-la.. mas por amor aos filhos e a sua esposa . dos problemas mais diversos ou de qualquer desespero que esteja experimentando só atrasa a evolução e a elevação para mundos melhores. impressões físicas em geral. Isso explica por que o aborto praticado. Nesse instante ela revelou amorosamente: Eu estava naquele barco. das dif iculdades ou infortúnios. Sérgio expressou significativa surpres a e temor ao olhar em volta. E por intermédio do fluido vital que o espírito experimenta um processo sensorial consciente de relação mútua com um processo f isiológico que lhe proporciona o conhecimento do mundo externo. elevou-se imensamente na espiritualidade e tornou-se socorris ta neste vale de suplícios e torturas terríveis.Suicidas em sofrimento no Plano Espiritual Após a revelação preciosa da elevada Laryel sobre sua ligação afetiva com Sérgio e o tra alho que desempenhou na espiritualidade. Essa fatalidade não estava em seu planejamento reencarna tório. Tremendo perante o doce olhar de Laryel.. Lembra-se? Você tinha dois filhos mais velhos e eu era a sua única filha e a mais nova. foi. Reprimindo os sentimentos. pois o espírito revestido do corpo espiritual. mas permaneceu vigilante. explicou: O princípio vital tem sua fonte no fluido universal. A benfe itora o sustentou com vibrações mentais e ele comentou: Lembro-me disso.. ele ficou profundamente emocionado.Laryel calou-se e aguardou. Desde o momento da concepção.. Dotada de forças vivamente transcendentes pelas virtudes morais. Lágrimas correram dos olhos de Sérgio. desenvolvendo o embrião. que continuarão se multipli cando. ajudou dando sua vida para salvar a de todos in clusive a minha. cresce até a formação completa daquele corpo físico. Temos um dever. A pretensão de fu-gir. Falta essa que não cometeu por covardia. formando os órgãos. a comitiva pro sseguia naquele lugar onde se estendia pavoroso sofrimento. já existe no plano espiritual. cujo choque pela vid a existir após o suicídio provocou conflitos mentais deploráveis por acreditar que tud o acabaria após a morte do corpo. Conhecido como fluido vital.a. que pareceu abalado. elétrico animaliz ado ou agente vital. E cumpriu sua promessa. prometeu-me amparo em todos os sentidos. Sim. ou liame. angústia e indescritível dor. e ela avisou com doce nobreza: Deixemos as emoções para mais tarde. magnético. comoção moral. Hoje ela está encarnada e você a reencontrou: é a nossa querid a Débora. chegando ao feto. Ele é o intermediário. além de prop rcionar extrema aflição. Minha amada mãezinha nos salvou apesar do desesper o de vê-lo sumir nas águas. Então vamos.. Depois disso. relativo e proporcional para aquela reencarnação. com o co njunto das funções orgânicas. e ntendeu todas as provas vividas. Descortinado o véu do passado. A cena se repetiu com detalhes na mente de Sérgio. A nobre Laryel. Nós sobrevivemos por muitos anos naquela oportunidade de vida terrena por seu sacrifício. Foi há muito tempo. seguiram para cumprir a tarefa. ou perispírito. Recuperando o domínio dos sentimentos de júbilo. 27 . é um crime ou homicídio contra um er indefeso.

Depois de um processo semelhante à l avagem cerebral.sa de células e sentirá a dor. mundos melhores. Em determinada encosta onde a visão não era menos avassaladora. em condições de vê-los. como semp re. ela continuou: Lembremos que durante o sono o corpo adormece. Normalmente esses tipos de seitas têm líderes que os convencem a se despojarem total mente da matéria. os gritos repetidos são com a crença de serem ouvidos por Deus e e m tentativa de não escutarem ou experimentarem os lamentos desesperadores e o sofr imento dos outros. mataram o corpo físico por fé cega e irracional em determinadas seitas. explicar no nível de mente para mente: Aqui se aglomeram grupos de espíritos suicidas que. Após algum tempo. Acr editaram na proposta ou promessa absurda de que. desprende-se do corpo físico e vai para diversos lugares no plano espiritual. Chegando a uma espécie de salão gigantesco. Todos percorriam a trajetória com os pensamentos elevados. Não conseguem raciocinar. os órgãos enfraquecem nas mortes de causas físicas naturais. Laryel acreditou ser cabível. chegariam a um paraíso. No momento em que a quantidade de fl uido vital se esgota. A instrutora não fez mais comentários e seguiram com os pensamentos em prece. Como podemos ver aqui. É uma atitude psíquica coletiva t otalmente desequilibrada. O escuro era tenebroso. encar niçado jamais acabava naquele vasto reino de miséria de aspectos horripilantes. começando pela doação de seus bens. O suicídio interrom pe brutalmente a vida da matéria e bruscamente rompe a ação do fluido vital ou liames que permitiam o espírito atuar naquele corpo. propositadamente. de vidas humanas. O constante odor fétido. Na oca e na garganta há ulcerações violentas e corrosões expostas onde se vêem os mecanismos . A insanidade é tão extrema que não sabem mais o q e usar como rogativa para serem perdoados pelo suicídio. fugiam aterrorizados pela vibração que sentiam . e les até cantam de modo tresloucado! . Silenciosa. em buracos como cavernas. inclusive. Al guns. Olhem. porém a alma continua ligada ao c orpo por meio do liame ou fluido vital. e o espírito ou a alma do encarn ado se emancipa. após o suicídio individual ou colet ivo. o sofrimento e todas as sensações pela destruição. praticaram o suicídio de modo que os familiares acreditassem trata r de um acidente. E q uando parte do corpo físico é lesada seriamente. Laryel e o grupo pararam por alguns instantes. A lguns gritam incansavelmente em línguas estranhas já extintas neste planeta. Exerce tarefas e outras atividades. Um socorrista que fazia parte do grupo apontou: Observe os que se envenenaram: trazem o corpo espiritual tal qual os danos oc orridos no corpo de carne: as vísceras à mostra com a dilaceração dos órgãos aparentes. planetas mais evoluídos. famílias ou sozinhos. Alguns suicidas. Desejam fugir das sensações e imagens repetitivas de seu suicídio p raticado em nome da fé. tanto que alguns oram incessantemente em idiomas estra nhos. muitos irmãos que se torturam e sofrem por interromper a vida no corpo. O estado consciencial em que se colocaram é tão desesperador que gritam em alvoroço como se houvesse uma competição para Deus ouvir suas preces enlouquecidas. fazendo até parecer um acidente convencendo os amigos e familiares dessa fatalidade. aglomerados de espíritos em extremo sof rimento pelo ato do suicídio. Outros se entocavam como animais. que não se rompe durante o sono senão por pl anejamento reencarnatório ou permissão de Deus. Todo esse alarido interminável. Mas não são gritarias que os ajudam a se recolherem em pensame nto. Na espiritualidade. o organismo enfraquecido não consegue transmitir o movimento de vitalidade. a identificação do e spírito suicida é pelo fluido vital ou liame rompido violentamente. Outros emitem sons similares a palavras de cultos a deuses ou espíritos que idolatraram n um passado distante e aos quais faziam pedidos e oferendas de todos os tipos. para uma prece e diálogo com Deus. filosofias tresloucad as ou religiões estranhas aos verdadeiros princípios filosóficos das Leis de Deus. Não conseguimos enganar nossa própria consciência.observou Sérgio. e o corpo carnal morre. Sim. é verdade . C rer nisso é ilusão. Mas Deus tudo vê. Alguns cometem o su icídio em grupo. os berros estri dentes para orar. ela os guiou por labirintos estranhos onde podiam ver.concordou Laryel. Isso não é raro. os fiéis ou seguidores se suicidam para provarem seu desapego ao corpo ou por decepção e vergonha por se despojarem de seus bens. E havia os que não os percebiam. desintegr do corpo em formação.

revolt ados. é algo tão traumatizante qu e. De repente Sérgio contou: Já estudei o comportamento de encarnados e a razão de adotarem determinada religião . em arrependerem-se e experimentarem breve sofrimento. clamando salvação no re ino de Deus. Apesar de alguns suicidas estarem aqui há anos ou séculos e seus corpos físicos já te rem se decomposto totalmente. endurecidos na fé. sem obter respostas às minhas questões de estudo. Várias vezes. apesar da matéria corpórea não existir mais. ainda enlouquecido por tanta s recordações horripilantes. pensarem em Deus.explicou Wilson. entregues ao desespero e arrebatados pelo horror d as dores e condições. É a prova d a afinidade persistente entre o espírito e o corpo que sofreu o que ele provocou. Agora. Eles afirmam serem orações na língua dos anjos. principalmente os protestantes ou evangélicos. traz os temores dessa vivência. Têm medo horripilante do inferno. Por isso sabemos que as razões do suicídio. a qual imprime toda a sua vontade nesse princíp io material. não supo rtando a dificuldade da prova quando encarnados. mas se . a repetição torturante da morte do corpo físico com a repercussão da dor no corpo espiritual. Tiveram conhecimento sobre as punições por tirarem a própria v ida. Mas me intrigava observar. Podemos ver aqui. possuidor de ódio e vingança. seria suficiente se concentrarem. com os espíritos suicidas embrutecidos. presos ao ateísmo. é uma ligação ou uma espécie de repercussão do estado do co sobre o espírito. suicidaram-se imaginando deixar em para a próxima existência terrena o desafio daquela oportunidade. fragme ntada de uma experiência no plano espiritual. com hinos. pedirem perdão. Acreditando-se com total razão. plasma. as orações e rogativas aos gritos. pelo seu pensamento e lembrança. começam a gritar para que Deus o s ouça. principalmente. neste lugar de dores infernais. a mente. A princípio.afirmou Laryel. São pessoas que apresentam aflição ao pensarem na sua morte. o espírito. pavor de falar em espíritos. muitos e. Entretanto não são somente os encarnados que adotaram os conce . Estou certo? perguntou Sérgio. mas isso não adiantou para suas reflexões. fanático.deficientes do esôfago até o estômago. O sangue e os pedaços de órgãos que caem e apodrecem permanecem aqui e são conservados nessas condições pelo poder mental perturbado e desesperado do suici da. com a finalidade de se livrarem de um sofrimento infernal de recordações hedio ndas. Creram também que . Mesmo o efeito da decomposição. o sofrimento experimentado. seu arrependimento. enc arnados. Na verdade. são irredu tíveis à idéia da reencarnação e buscam. vê e sente os bilhões de vermes o roerem . Deus para Ele solucionar proble mas talvez semelhantes aos que experimentaram em encarnações passadas e falharam. é repetição de palavras bonitas. sustentando-lhe a forma aparente com sua energia impregnada de pade cimento. incessantes e muito lo ngas. O que alguns desses irmãos fazem não é oração. pensei que a atitude. como os intestinos fragmentados e feridos. sua humildade. que nunca deixa de sangrar. psicologicamente falando. após o suicídio. como uma espécie de terapia ou alimento compulsivo entre outros distúrbios. Mas isso ocorre. são atenuantes que aliviam o sofrimento e dim inuem a pena desde que tenha o coração despojado de orgulho e vaidade. o procedimento preconceituoso para com aqueles que não aderiam a sua religião e o co mportamento extremo. arrogância. uma espécie de delírio ao orarem em língua estranha cuja existência não se pode comprovar. Outros são propostas de líderes com interesses pessoais. É uma visão chocante. a emoção im ensada que o levou à prática desse crime. enlouqueced oras. foram espíritas. o subconsciente. Quanto engano! A punição para esses será ainda mais terrível por terem conhecimento. Intuições desconhecidas disparam na presente reencarnação à atitudes comportamentais de suas orações desesperadas. angústia e as fortes impressões que recebeu do corpo físico devido ao rompime nto brusco do liame ou fluido vital que unia o espírito e matéria corpórea. rancor e outras mazelas em seus corações. eles também oram incessantemente. Tudo de acord o com cada caso. Po r isso os hinos repetitivos e as orações frenéticas. desenfreadamente. individual ou coletivo. desequilibradas. brados e escândalo s funcionassem. por possuírem faculdades de ra ciocínio e planejamento. Lógico que cada caso é um caso. Agora entendo que se trata de uma recordação inconsciente. Sem dúvida. pois os pensamentos estão longe dos desejos e das práticas . Não são diferentes dos outros. O aspecto do fígado despedaçado.disse Laryel com humi ldade e bondade. somados às vibrações e sentimento das milhares de mentes que envolvem a todos. Exatamente . ainda há orgulho. sua fé em Deus e a esperança de reparar o erro. vaidade. Alguns casos são de e xtremo fanatismo.

generosamente guiava todos co m precaução e sensatez através de missão na qual não necessitava mais trabalhar. desesperadamente enlouquecidos. motos ou outr os veículos e sentiam as perfurações. estoura do no chão. Após a travessia na vasta região de sombras. Lógico . vômitos e pedaços encarniçados. para a instrução e outras até mais elevadas. pois pecam em atitudes e pensamentos de mágoa. cantos escondidos ou espécies de tocas. Cada um tem o direito de b uscar a purificação da mente para religar-se a Deus da forma como lhe convier. bem como aroma de suave fragrância floral. é algo aceitável sim. com o som do carrilhão ou mais conhecido como sino dos ventos. Tentavam livrar-se do mecanismo que plasmavam. o pedaço de corda ou tecido que usou para se suicidar e sofriam a agonia da asfixia. pois era o reflexo do estado do corpo físico que o impressionou e dominava-l he a mente com angústia e horror. ao pescoço do corpo espiritual. Para is so se precisa de paz interior. serviço qu muitas vezes realizou sozinha por sua elevação. Os que se enforcaram traziam atados. porém não se concentram e desviam os pensamentos para outros assuntos. Laryel. Se a paz ou a tranqüilidade for obtida pelo auxílio d e um som agradável. fezes. . mas era impossível ver-se sem a dor. em gemidos. Silenciaram. agora. é diferente de músicas agradáveis. Outro implora va. Alguns se desesperavam com a abundância de água nas vias re spiratórias e nos pulmões. graciosos no plano espiri tual. outros suicidas se aglomera vam em pequenos grupos. tomando postura prudente e justa. Isso faz parte da evolução espiritual. lugares e ambientes belos e tranqüilos para nossa harmonia. por não serem fortes nem corajosos. as dilacerações ou o crânio aberto de maneira dramáti dolorosa e cobertos de sangue que não estancava. de lugares incrivelmente lindos. abusivo e excessivo de gritos para orações em qualq uer lugar. Estud am sem dar atenção ou filosofar a respeito do tema e não põem em prática o que aprenderam. há suave melodia a nos envolver em paz para vibrarmos de acordo com o nív el do lugar. Muitos espíritas oram em silêncio. experiência e capacidade.Leve sorriso discreto e Sérgio coment u: Recordo-me. Estava long e de se abalar. Já estudei sobre isso na Codificação Espírita. Em frestas. a quele conjunto de sinos ou peças delicadas que vibram e balançam com a brisa produzi ndo sons que impressionam o sentido da audição. Adiante espíritos viam-se aprisionados nas ferragens de automóveis. Esse comportamento exagerado. aproximaram-se de determinado lugar com aguçada observação. possuía piedade e amor incondicional. do sufo camento ou do quebrar da vértebra. música agradável e relaxante em baixo volume. Be nfeitora especialista em tarefas daquela natureza. ininterruptamente. agrediam ferozmente quem dele s se aproximassem ou estivessem em seus caminhos.itos do protestantismo que possuem esses comportamentos. arrogância e tudo mais. O barulho da água era torturante e a visão repetitiva do modo como se afogou repercutia em asfixia aflitiva. ouvindo barulho dos ossos fragmentando-se e o estouro dos órgãos. como o murmurinho da água de uma fonte. o incômodo da língua exposta com edema em alguns casos. o inchaço roxo que apodrecia o pescoço e a cabeça. Esse comportamento os defer ia ali por muito mais tempo. entregaram-se ao suicídio. Revoltados contra Deus. para não mais ver sua queda e o corpo espiritual quebrado. pois foi esse seu método de suicídio. Haja vista que em colônias espirituais voltadas para o socorro. mas s em prejuízo à paz e ao sossego alheio. desde que não incomode os outros e não h aja desequilíbrio por compulsividade. O perispírito se apresentava como no momento do su icídio. mesmo nos templos. orgulho. Blasfemavam rancorosos contra outras criaturas ou situações nas quais. sempre serena e atenta a tudo. prisioneiros daquela desgraça. Ouviam repetidas vezes o barulho das ferragens junto das cenas. Espíritos violentos. Meditação é sujeitar-se em pensamento a um exame interior à contemplação ou oração mental em total quietude e harmonia da mente e do corpo.concordou Laryel. em que cada um lutava com sua forma particular da morte praticada ao corpo físico. Muitos exalavam ódio e contrariedade pelo que experimentavam. Alguns espíritos. reviravam-se no chão de lodo vi scoso repleto de matéria com aspecto de secreções de sepulturas. . sons suaves ou mantra s utilizados por outras filosofias para a meditação.

cortou a lateral do pe scoço com um canivete que possuía. lia o Evangelho do Cristo pensando no marido e rogava perdão para ele pelo suicídio praticado. Está envolto em coberta que diminuirá seu frio e deixará de queimar. procurou um lugar afastado. meu amigo . a esposa não desistiu. o rosto cadavérico. A certa altura do trajeto. a casa e todos os bens foram confiscados. Ore e agradeça em silêncio. O sangramento já vai parar . Desapontado consigo mesmo e desesperado. Laryel parou em lugar específico e apropriado onde p areceu criar uma espécie de campo magnético. explicou: Ele foi um homem bom. Católico.. além de receberem as vibrações fortes e visualizarem as imagens dos outros suicidas experimentando as mesmas dores. torturavam-se pela tragédia a que se lançaram. Os que estilhaçaram a cabeça com um tiro escutavam repetidamente o estrondo que e stourou seu crânio. Quanto mais tranqüilo estiver. A espe rança aliviou suas dores e as preces da esposa.. Eles enlouqueciam com os cenários e os sofrimentos de seus suicídios. revivendo a cena do instante em que se suicidaram. Laryel havia indicado outro espírito para ser auxiliado e. mas foi fraco e incapaz de suportar a provação. enquanto aguardava. Ótimo pai e marido. da dor ininterrupta. de todo o sofrimento. vendo-se junto aos encarnados. sabiam tratar-se de um homem que. impressionant emente. apesar das condições deste lugar. o espírito suicida agradecia. Apesar da aparência horríve l. Acalme-se. Apresentavam-se com a cabeça aberta e sangue abundante.. Apesar do estado enlouquecedor. rastejavam e rev iviam a sensação do sofrimento. Não teve coragem de contar à esposa e ao s filhos que passariam a viver na miséria. Diante do desespero. O Pai da Vida e nxerga nossos sentimentos verdadeiros e sabe o que é justo. queimo. Oh. entendeu seu erro. Acalme-se e pense em Jesus.. Era religioso. a sol idão reinava. fragmentada. gélido e a dor infindável só que. O suicídio não fica impun . à sua família e depois s e atraiu para cá. Sofreu. Cristão. Orou pedindo perdão enquanto se esvaia o sangue e a vida do corpo. Mas. Em estado de perturbação. técnic o naquela tarefa. com inúmeras necessidades. Deus assim o quis e sua pena foi abreviada e agora o vemos em co . conseqüentemente. levando-o para junto do grupo. foi humild e. arrepend endo-se de imediato. Os que utilizaram armas de fogo. Ela olhou para um dos socorristas. Desorientado. É o momento de deixar esse lugar. pe rdeu o emprego. Há quanto tempo ele se suicidou? . e voltou a fixar em outro ponto. que se aquietou. Mesmo a igreja católica negando-se à prece a um suicid a. o seu período ou tempo de punição. ele e um outro cooperador foram à direção de um dos infelizes que se acuava.. Os que se suicida ram juntos estavam distantes um do outro naquele imenso vale. Tenho frio. Rogou a Deus Sua bondade e socorro. A falta de fé o levou à covardia e à insanidade momentânea. mostrava-se grato entre as lágrimas intermináveis. facas ou objetos perfurantes no peito ou nas vísceras gritavam por socorro ao ver o sangue jorrar.murmurou o socorrido. com ossos quebrados e expostos. Tinham o peito ou o tronco inchado e queimando. mais rápido poderemos trabalhar. Por sua generosidade foi enganado. O sangue da jugular não pára. Cinco anos. Todos se desconheciam e se tratavam como inimigos. sincero e pôs-se à oração. dos filhos e amigos foram como um medicamento que o fortalecia. não foi para casa.Os que se atiraram em linhas férreas ou rodas de veículos tinham a aparência perisp iritual retalhada. mais forte.. não aprendeu sobre a reencarnação.. Entendendo-lhe o desejo. do sofrimento na mente e no co rpo espiritual.tornou o amoroso tarefeiro espiritual. suicidou-se por vergonha . Os encarnados não imaginam o poder da prece..pediu bondosamente um auxiliar ao prestar os primeiros atendimentos. mas é Deus quem julga e encontra circunstâncias que diminuem o grau de responsabil idade do culpado e. aos quarenta anos. As vestimentas eram míseros farrapos e muitos estavam nus. mas acreditou na bondade de Deus em lhe dar nova oportunidade de vida para harmonizar sua consciência. logo após o ato.. As energias mentais apresentavam-se extremamente fortes e a aflição imperava. Deus os abençoe . Sem demora re tiraram-no de onde estava. A esperança na oportunidade de reparar o erro e a fé em Deus o fez re colher-se em prece.. Senhor meu Deus! Agradeço por ouvir minhas preces e enviar Seus anjos par a me socorrerem. Meu pescoço.perguntou Sérgio. Chorando compulsivamente. De posse da Bíblia. além do so frimento moral e perispiritual.

Poderia ser mais. Em determinado mom . não comentou nada ou poderiam su spender a medicação e suas acnes voltariam. Todos esses anos?! . ele mal pensava em Deus nem rogav a amparo. Ele poderia ter procurado os pais e conversado. Ainda que a matéria corpórea não exista.surpreendeu-se Sérgio. deprimido pelo efeito da droga existente no medicamento.tornou Laryel com brandura. porém mal os leram . Apesar do arrependimento. Está neste estado há quinze anos e terá muito que harmonizar.Enquanto Laryel esc larecia. condenado por essa relig ião. Ainda possuía o crânio estilhaçado pelo tiro e pedaços do cérebro e xposto. falado sobre os pensamentos de morte. . Cada um é julgado por suas obras. com recursos próprio s. Est ar ligado ao corpo físico durante a cremação foi uma experiência terrível! Ele sofre inten so trauma e aberração das faculdades como um demente. houve um efeito no campo biológico causado pela medicação. mas não o fez por vergonha. de tristeza e falta de vontade de viver. não teria prescrito tal medicação. inclusive o efeito da medicação no organismo. A grosseria cruel dos colegas que o humilhavam constantemente e sua insatisfação pessoal fizeram com que a mãe o levasse a um médico. Uma série de atenua tes. os pais seriam os únicos responsáveis. as inspirações de espíritos elevados e deu um tiro na cabeça com a arma do pai. Os socorristas o envolveram.defendeu Sérgio. os pais adquiriram a medicação muito cara e o fil ho passou a usá-la. outros espíritos eram socorridos e postos perto deles. mas. Imprudente. Por essa razão seu tempo de penitência foi abrevia do. Gemeu até f icar como que anestesiado pelas providências da benfeitora. ignorou os instintos. Além disso. a falta ou o crime. mas não o fez. por vaidade. Mesmo tendo faculdades bem desenvolvidas. A famíl ia era católica e ele sabia que o suicídio é um crime terrível. o reflexo horripilante das s ensações caracteriza-se no perispírito. concentrou-se no sofredor colocando-lhe a mão na fronte. A documentação protegia futuros processos judiciais contra o laboratório fabricante. sentimento que muitas v ezes chamamos de vergonha. não se vendo morto. o médi co aconselhou o uso de um remédio proibido em diversos países por seus possíveis e inúme ros efeitos colaterais. planejou o suicídio antes de consumá-lo. do estado horrível e do desespero. A idade não importa. Ele percebeu os sina is anormais com o uso do remédio. Tanto que. ao saber que o remédio p oderia causar aquele desgosto pela vida. Sua deplorável condição de suicida era impres sionantemente infeliz.ndições de socorro. Mas era um garoto . Os pais precisaram as sinar diversos papéis para autorizarem o uso da medicação pelo filho. Esse irmão tinha quinze anos quando diversas espinhas e acnes co briram seu rosto. triste e se negou a procurar ajuda. Outros lhe prestavam c uidados quando ela se afastou e tornou a Sérgio. Cientes dos possíveis efeito s colaterais danosos. plasmando o perispírito como vê pelo que vivenciou e mais o impressionou. Os responsáveis diretos ou indiretos q ue o levaram a esse ato serão punidos pelas Leis de Deus no devido tempo. oferece a misericórdia de Deus. bem como o médico por quaisquer danos na saúde do usuário. você sabe . Apesar de envergonhado. Ele ur rava estridentemente ensandecido até que Laryel se aproximou e. entendimento e cert o grau de elevação espiritual. tentava animá-lo apesar da dor. a responsabilidade é proporcional às condições em que se deu o erro. depressão entre outros. mas percebia-se a carbonização dolorosa. Não demorou e outro espírito foi trazido. Não se desprendeu do corpo o que acontece com muitos e. Sua situação ficou ainda mais deplorável quando a família decidiu pela c remação. Se o médico fosse mais responsável e instruído. Não conto u aos pais nem procurou ajuda psicológica por seu orgulho. por vergonha. Sentiu-se deprimido. algo comum nessa idade. Tinha meios de procurar ajuda profissional. Possui vaidade em seu coração e orgulho. o jovem era alegre. Tinha conhecimento de que o suicídio é um ato terrível e ignorou. o remédio não seria usado. Se os pa is tivessem mais e verdadeiros esclarecimentos. que revive as cenas do suicídio e o desespero na fornalha. problemas sérios no fígado. à loucura. foi vaidoso e não procurou ajuda. sem m ais informações sobre o remédio nem desconfiança por tantas assinaturas em documentos pa ra arcarem com a responsabilidade. Aos poucos ele se acal mou e puderam notar uma vaga recuperação das faculdades ao olhar em volta. Sem procurarem uma segu nda ou terceira opinião de profissionais mais experientes e até de outras áreas. contando: Como sabemos. ou seja. porém passo u a ficar quieto. Embora ele não tivesse predisposição ao desequi rio mental. deformidades por má formação fetal nos futuros filhos. incluindo cegueira. contando o que sentia.

Deus! . Aquele espírito está aqui há mais de duzentos anos. que permitiu.Não longe se aproximaram de uma caverna rasa onde ela direciono u luz baça que irradiou de sua mão.. que o levou para junto d os outros.. Faça uma prece. filho do doutor Édison? Sou eu. mas. Obrigado. Enqu anto oferecia os cuidados. em difícil condição. fraquejou. Um sentimento muito forte invadiu Sérgio e pedindo a Laryel. pedindo Seu perdão e. Abençoe esses anjos de socorro. O espírito aceitou e Sérgio prosseguiu com o processo de auxílio. Movimentando-se lentamente. embora houvesse du as perfurações que sangravam em sua cabeça: uma pela entrada e outra pela saída do tiro com o qual se matou. orientando: Agora descanse.. Deus há de recompensá-lo. O que deseja é livrar-se do sofrime nto agonizante. reconhecen do o erro. sofreu todas aquelas misérias do lugar por mais de cem anos.. pareceu averiguar as imediações e depois pediu a Sérgio: Venha comigo. perplexo com o imp acto das idéias ligeiras. Você é o Alessandro. Ele se prostra de joelhos em penitência. aquele espírito suicida era o que se encontrava em melhores condições. Sérgio. Pensativa.. mas virou-se e f ixou-os com expressão surpresa. as ânsi as e regurgitava substância fétida. assim como at aduras para cobrir lesões e material adequado para algo como que primeiras higieni zações das impregnações nos corpos espirituais dos socorridos. Mas não tem fé em Deus nem o coração puro. Jesus o envolva. enforcou-se na prisão. uma oportunidade de reparação. sufocante das cenas que revive do suicídio. Logo trouxeram o espírito de uma mulher que se afogou prematuramente por causa do desencarne dos pais e com o intuito de reencontrá-los. fazendo-o parar. . Por i sso e devido a sua postura mental. Ele vivenciava sofrimentos infernais e tinha toda a organização perispiríta deformada. Preso.. ele se prontificou a cuidar do espírito que trouxe nos braços como um ente querido... Obrigado. Não d emorou para se arrepender e se concentrar em verdadeira prece a Deus. abençoe meu pai po r enviar esse irmão de luz para me socorrer. meu irmão. É possível que permaneça nestas trevas por mais tempo e somente a re encarnação compulsória. Deus. murmurou ao sair engat inhando do esconderijo: Oh. E você? Meu nome é Sérgio .. Sairá daqui. tire-o daqui. provavelmente.. Sem expressar-se comovido. Oferecendo grande pausa. Enquanto Laryel só observava. As mãos sujas e magras daquele sofredor seguraram repentinamente as mãos de Sérgio. pois o socorro já começou.. o que ele não teve. o que não aconteceu. Dentre todos os socorridos. incurável e de processo doloroso.. Indefinida emotividade dominou os sentimentos de Sérgio que.. sussurrou: Obrigado.chorou com lágrimas abundantes. Laryel olhou em volta. após alguns passos vacilantes. Prati cou vários estupros e matou suas vítimas. Fitando-o com profundo agradecimento no olhar. Ainda sentia arder às vias respiratórias com os pulmões queimando. Não tinha o crânio esfacelado como quando chegou. mas em seu íntimo experimentava forte emoção. Dói muito.respondeu.ento. meu irmão. Tenho frio. ela apontou: Veja ali. Um espírito enfraquecido. Laryel já havia providenciado e fornecido recursos próprios para a materialização de objetos de socorro que adquiriram contornos propícios e definitivos como maças e cob ertas impregnadas de invisíveis energias medicamentosas e calmantes. ora desesperadamente e invoca perdão para sair deste vale tenebroso. Deus o abençoe por tudo. observando os abnegados socor ristas em ação... humildemente. Obrigado Senhor. o espírito suicida falou num sopro: Minha cabeça dói. De imediato foi amparado e abrigado pelos braços de Sérgio.. procurando dominar as lágrimas.. perguntou como pai amoroso: Alessandro?... Pobre irmão! lamentou piedosa. assim as providências para o socorro serão mais ágeis. Escuto o disparo. do estado deplorável e p avoroso de seu corpo espiritual cujos órgãos genitais sente em brasa. Fique t anqüilo e pense em Deus. impregnado da matéria nojo sa do lugar e desfigurado encolhia-se tal qual criança assustada.Ergueu-se com esforço. Ele vê a imagem de cada uma de suas vítimas implorando misericórdia. Socorreram outro espírito que se suicidou se atirando de um edifício ao saber que tinha uma doença muito grave. o irmão se sentirá aliviado. . Em breve. A prece .. Sérgio procu rou acomodar-lhe as mãos.

da ininterrupta e prolongada tortura desse infortúnio.Nesse momento. . porque a morte não existe e a ausência do corpo físico não é o fim dos sof tos para o espírito. Terão a penitência e afl ição diminuídas. Viam-se. a elevada e ntidade prosseguiu. revolta e indignação por se prenderem àquele vale extenso de lodo repleto de su bstâncias de matérias espirituais em estado putrefato. ou passes. Os espíritos suicidas socorridos que tinham mais consciência oravam e agradeciam incessantemente o auxílio servido com valoroso amor mesmo com as sensações das impressõe s dolorosas que ainda sentiam. para saírem dali. entregam-se e co nfiam a sua existência à vontade de Deus. As mentes desses irmãos estão presas ao formato de união de cada célula. Rogamos por Suas bênçãos misericordiosas para nos sustentarmos na humilde tarefa de socorro à qual nos devo tamos. a fé na bondade e na justiça de Deus. Para alguns serão necessárias i eras reencarnações para aperfeiçoarem o corpo espiritual e físico. em todas as particularidades. resignam com paciência e. aliviando seu sofrimento e d iminuindo sua punição. recolhidos na fé da bondade de Deus. Senhor. de indescritível sofrimento e l oucura. excelsa m inistra do socorro. em direção do bem fraterno e reparador. Lágrimas sensíveis b rotaram dos olhos de alguns. .de sua família o auxiliou com forças que o sustentaram. hoje esses irmãos estão preparados para a redentora libertação de ssas trevas. o despertar para o orso e o arrependimento. a humildade e a paciência para o socorro e o progresso da condição mental por meio da pr ece. Breve intervalo e a benfeitora desfechou: Jesus. na consciência e sem culpar os outros pela falta c ometida da qual a criatura é a única responsável. a prestimosa benfeitora fitou todos que a acompanhavam e t ambém os socorridos como mãe que confere e observa os filhos queridos à sua volta. e m total confusão mental e extremamente desequilibrados. apesar de todo sofrimento. pausadamente. os espera. de S ua justiça e bondade. cada órgão do rpo físico no instante e após a prática do suicídio . esses serão socorridos. Será preciso muita elevação e enriquecimento da mente. somos meros aprendizes de Teus Divinos ensinamentos. A s eguir. Cada um reagirá ao soco rro de forma diferente. psíquico. o desejo de reparação. Laryel demorou-se ao circunvagar olhar triste e piedoso após o término da movimen tação de energias. Me stre do amor. cujo rompimento dos laços da vida corpórea foi partido ru de e voluntariamente por razões e idéias que não nos cabem julgá-los pelo desespero. a o tempo que a comitiva sentia-se fortalecida com a ajuda vinda por projeções de espíri tos invisíveis a todos. Enquanto isso os demais suicidas que podiam ver a atuação de socorro naquele luga r. . a tênue claridade emanada de Laryel. utilizados com a finalidade de livrar os espíritos socor ridos de impregnações oferecendo-lhes um pouco de alívio mental. entonando amor e agradecimento sublime: Senhor Jesus. mas com considerável alívio pelos passes salutares re cebidos como um bálsamo para suas condições. E é por eles que imploramos bênçãos para a constituição da consciência.A emoção generosa pela doce e tocante inflexão de Laryel envolvia todos da comitiva. expressou-se generosa: Sabemos que o Pai da Vida nunca fecha a porta àquele que se arrepende e lhe ren de culto sincero em pensamento. mais insuportável na expe riência terrena. esqueciam-se de Deus. intraduzivelmente bela. na esperança de se projetarem na evolução moral e espiritual. é de todo coração que suplicamos em favor desses irmãos em condições a ropriadas de socorro hoje. aumentava gradativamente até alcançar um jorro intenso de luz. fraqueza no momento em que consideraram mais difícil. Após a breve interrupção do diálogo em forma de prece. Seu calmo semblante reluzia sua natureza superior e sua fronte ligava-se ao Alto por fio luminoso. Mestre amigo. inclinavam-se a expressões de ódio.explicou um dos auxiliares socorri stas. Alguns. angús tia. dispostos às harmonizações e reparos. na paisagem tenebrosa e aflitiva. Outra jornada. a justiça da própria punição mental. A benfeitora transcendeu ainda mais. Permaneceu naquele ciclo inferior por oito anos. Aqueles que reconhecem. apesar de repelidos por algo como um campo magnético. nas provações difíceis. uns mais rápido que os outros. espíritos brutalizados que lutavam e gritavam imperativos e arrogantes para serem levados. Tal comportamento e sentimento os detinham por mais tempo na quele vale de suicidas. espera pelo socorro Divino. Com bondoso olhar. inclusive os socorridos. muitos outros irmãos infelizes aqui permanecem sofrendo os reflexos mentais da desgraça ardente.

. ela mesma. Alessandro será seu protegido e. Sinto que ela precisa muito de mim . Reco rdará de modo fragmentado o que for preciso para sua tarefa e propósito no bem. Pai. Laryel conduziu Sérgio e ministrou-lhe en ergias que dispersaram todos os fluidos obscuros que ainda pudessem impregná-lo. A pós recompô-lo de benefícios fluídicos revigorantes. Tenho certeza de que a experiência desse trabalho abençoado no socorro fará com que mude a postura mental.. Agradeço. Com suprimentos e auxílio de entidades elevadas e imperceptíveis. Deus oferece tudo a seu tempo . sa bedoria e fé. respeitosamente. pela oportunidade sublime.. encarregou -se de levá-lo de volta até sua casa. ... rogo modesta participação em socorros como o real izado hoje em nome do Mestre Jesus. sensibilizada com lágrimas de júbilo.. pr ovavelmente permanecerá considerável tempo na espiritualidade onde poderá ajudá-lo com i nstruções. razão de sua elevação à custa de incansáveis trabalhos no bem. * * * Para outra esfera da espiritualidade. Meu amado p ai espiritual. a benfeitora cerrou os olhos mantendo-se vincu lada a forças magnéticas de planos superiores. era exposto a sua capacidade de conhecimento. pelo entendimento. avisou: Nós nos encontraremos com mais freqüência por conta de tarefas em nome de Jesus e. Sua humildade. em ou tros momentos no plano espiritual. no semblante imperturbável.Luminosidade emanava-se pulsante e cristalina. Será preciso que você se fortaleça para reencontrá-la com harmonia e paz. Sérgio ainda estava em desdobrame nto e sabia que retornaria ao controle de seu corpo talvez com vagas e confusas lembranças da tarefa. Mas seja feita a Sua vontade e não a minha. sabe disso . pois agora entendo a motivação e o auxílio que recebi.. beleza suave e sublime eram nobres na aparência jovial. Abraçando-a com terno carinho. .. sou eu quem lhe deve gratidão. .. tal como uma redoma protetora. Nossa querida Débora. Perdoe-me a i mperfeição e. amorosamente. ele agradeceu como numa prece: Obrigado. pois sem algumas preocupações nos elevamos moral e espiritualme te. para ser o sustentáculo e a compreensão.emocionou-se. Sorrindo com meiguice. Pai da Vida! Agradeço a oportunidade de t abalho e o aprendizado... encantando ainda mais sua figura. pois foi para esse fim que Débora reencarn u: para ajudá-lo e serem felizes. Usando de recursos peculiares. da melhor maneira dentro de todos os meus esforços a fim de reparar minha imperfeição pel a inclinação às influências inferiores. Temporariamente a bênção do esquecimento é necessária.expres sou-se emotiva e em tom piedoso.A inflexão verdade iramente sentida revelava sua elevação: Com fé e amor.lágrimas o interromperam. peço forças para a ta refa abraçada. até que tudo se reverta e ela seja a sus tentação. mas humilde e respeitoso. Em nada adiantará ou ajudará qualquer informação. Querido Sérgio. a compreensão.. rogo rever o espírito Alessandro. Faça preces para que o Mestre Jesus enderece Seu olhar de misericórdia a ela nes sa fase evolutiva. nesta oportunidade. Vo cê tem conhecimento dos fatos de outras experiências da vida terrena e espiritual no desdobramento durante o sono. Se possível.. Mesmo assim continuou sob o efeito de jubi losa emoção: Agradeço o amparo e a revelação desta filha do meu coração. muito será esclarecido. realizarei o trabalho ao qual me propus. Olhando-a longamente e com generoso carinho... incomparáv el e.disse em tom preocup ado. ela providenciou a retirada de seu grupo e partiu rapid amente na direção do alto. Senhor Deus.Raios de luz irradiados do peito de Laryel brilhavam em torno do grupo socorr ista envolvendo todos.. Há mui to para se desvendar do passado e. Cujo amparo não sou dign eceber. E a Débora?. orientou: A ignorância de alguns fatos da vida é por bênção. se fortaleça e se reconheça capacitado. Permita-me atuar ao lado da filha da minha a lma. Em seu quarto. falou: Como lhe sou grato!. Sabe como eu a amo. certamente. a inspiração e o apoio. Confie em Deus. rumando para colônia espiritual apropriada para a recomposição e regeneração dos socorridos. . Com resignada fé. A emissária de amor silencio u. . Deus.murmurou Laryel docemente e emocionada.

pois quero continuar com empenho e trabalhar em Seu nome. Apesar da inexplicável sensação desagra-dável pelo vazio. andou um pouco e sentou-se em um relevo próximo à água que refletia os últimos rai os do sol se pondo no horizonte. beneficiando-se de forma incrível desde quando passou a refletir e agir conforme o que aprendia nos ensina mentos da filosofia espírita. 28 . o qual tirou para seu descanso. Porém não se permitia à demorada lamentação. percorrendo poucos quilômetros. Algo natural das forças fluídicas superiores que alcançou em caráter de nova postura moral ligada ao alto pelas: meditações. nas quais não lamentava. considerações ao estudos para conhecer as verdades libertadoras. comuns ao cotidiano. Algumas horas depois do almoço decidiu ir embora. Minutos de profunda meditação e murmurou ao final: Senhor Jesus. olhou mais uma vez o cenário esplendido e admirou o ca pricho de Deus. seu sorriso luminoso era constante e o som de seu riso gostoso era cristalino e verdadeiro. a atenção e a disposição fraterna estivessem sempre presentes em suas ações. que não lhe respondia com . não queria pegar a estrada à noite. Certo dia. Estou cuidando.Beijand o-o na face. Sérgio não se entregava à dolorosa solid trazia o semblante sério e sisudo. que se entregou à fragilidade do adormecimento verdadeiro sendo generosamente auxiliado a regressar ao corpo i nerte com sono profundo e regenerador. costumes diferentes e observando a tra nqüilidade do povo local. A natureza era d e uma beleza extraordinária! O lugar oferecia um precioso silêncio inebriante.. humildemente rogo. Eu a amo em todo o meu ser. por sua determinação e sinceridade ao fazer uma terapia com o Psicólogo das almas . reflexões. Repouse. desfechou: Agradeço ao Mestre Jesus por nos conceder a bênção de trabalharm os juntos como já fizemos no passado. Era final da tarde e.. sentia sua falta. magnífica! Os matizes coloridos do céu espelhavam-se na água passiva e brilhante. Olhando para o sublime firmamento.. ponderações e contemplações às quais se r ecolhia para uma saudável conversa e agradecimento a Deus. ocupando-se sempre com algo produtivo. embora a humildade.. Ainda trazia no coração a ferida do amor inexpri mível por Débora. Encontrava-se só. olhe por mim. Agora rogo que o Mestre Nazareno o envolva c om sustentação para continuar na jornada com luz na consciência e paz no coração. Laryel colocou a destra suave na fronte de Sérgio. Toda a visão era encantadora. Permaneceu sorrindo por tempo indeterminado e sentindo-se mais leve. Ao contrário. talvez. Ela aprenderá muito.pediu em tom de súplica. somente se a e resignava.Algumas necessidades aumentam o valor pela vida e o reconhecimento das mínimas oportunidades. Uma montanha distante d o outro lado da margem era escurecida pelo início do entardecer e oferecia um toqu e especial àquela paisagem. Sérgio fixou olhar no indefinível azul e re presentou mentalmente a figura do Mestre Jesus como que o observando. A fonte revitalizante que o sustentava nas decisões e atitudes coerentes era sua determinação em meditar e analisar os fatos com fé raciocin ada.. Passou a maior parte do dia conhecendo lugares interessantes. delegava soluções aos propósitos de Deus. Leva ndo-se. Seu belo rosto tranqüilo figurava-se com um retoque de nobreza majestosa. Senhor Jesus. pai querido. direcionando suas energias ao trabalho digno e sadio. Olhe por todo s desse mundo. Sérgio dirigiu por uma auto-estrada chegando a uma cidadezinha cercada de represas e montanhas. sem ansiedade ou desespero. Extas iado. sentiu-se diferente. assim como amo você também. Cuide dela por mim . Em preces.Conversando com Jesus Sérgio transformou profundamente a sua postura mental. Retornando. no espaço ilimitado p ela extensão indefinida que chamamos de céu. pela Débora. Tudo se tratava do reflex o de sua aura iluminada. não re sistiu e estacionou o veículo após sair da estrada.. Sempre sereno. caminhou até o carro. tinha uma postura imperturbável diante de problemas preocupantes ou situações desagradáveis e imprevistas. Dê-me forças. .

se quisesse me ver novamen te. Vou até a sala do doutor Édison. Sérgio saiu de seu consultório sorrindo e brincando ao acompanhar um de seus pacientes até a recepção e à porta de saída. Dói! Às vezes. não a esqueço. pois ela sabe como fazê-lo. . E por amá-la de verdade.. menino! . doutor. dói muito! Contudo eu busco esperança e fé. o que você sente pela Débora? Amor . pode repetir. perguntou: Sou o próxi mo?! Não ouvi o número da sala. Você tem a ficha dela para eu pegar a pasta lá em minha sala e dar uma olhada? Está aqui! Observando o nome. Primeiro por estar muito ocupado e segundo por não aparecer ninguém que me int eresse. Após leves batidas à porta. Obrigado. Talvez eu esteja lá quando a pa ciente chegar.prontificou-se a moça. você fala de um modo bem tranqüilo.. O trabalho. porque sei que procurarei na outra pessoa a Débora que ela não é. Ainda sob o efeito do riso.falou rindo ao indicar a sala onde ele atendia. Talvez ao telefone... além de acompanhá-lo nas tarefas espirituais durante o sono. Nã posso correr a vida inteira atrás dela e. daria um jeito de me encontrar. Então eu comentei sobre a desistência nesse horário e ela avisou que estava vindo para cá. ela avisou: Doutor.. Não quero ter alguém ao lado só por ter. De um modo que não sei explica r. . como está? Ótima! Excepcionalmente esclarecedora e abrangente em detalhes que não foram tota lmente abordados na graduação. se essa é a vida planejada para essa etapa evolutiva. Diga-me uma coisa. parecia aflita. Penso que. Não nego que exp erimento um grande vazio. a clínica e o curso de pós-graduação prosperavam e ele prosseguia sentind o-se mais estabilizado.. que acabava d e desligar o telefone.palavras. pois acabei de passar uma lig ação. Levantando-se e cumprimentando-o o médico indicou uma cadei ra frente à sua mesa para que se sentasse.. Após rirem. Bem. o médico indagou: E o coração. Conhecendo seu ponto fraco. Não namorou outra moça ou?.. Não tive qualquer notícia apesar de procurá-la.riu o outro. seguindo por este corredor! . Sérgio recordou-se imediatamente da paciente e perguntou: Sabe me dizer se a mãe virá junto? Ela não disse nada a respeito. implorando para que o senhor pudesse vê-l a hoje.. devolveu-o para a secretária e perguntou: O doutor Édison já chegou? Chegou sim. Está em sua sala. A companhia de Sérgio sempre era bem agra dável ao senhor que logo perguntou: E a pós-graduação.. Então você me chama. Certa ocasião. qu e seja feita a vontade de Deus..murmurou ao bater na mão o cartão com os dados básicos da paciente. como está? Não sei. Não vou me envolver em experiências frust rantes. Não sinto nada. mas acho que vou procurar um cardiolog ista. o próximo paciente ligou a visando que não poderá comparecer e agendou novo dia. Sérgio. ao se aproximar do balcão de atendimento. Pode deixar. Porém insistiu: E a vida amorosa? Com semblante sério. foi surp reendido pela secretária que o chamou: Doutor Sérgio! Eu! . E até agora não chegou. Silvana.Brincando. Sérgio a abriu e entrou a pedido do médico.respondeu firme. Certo. mesmo se fosse após o último atendimento. por favor? A moça sorriu e correspondeu a brincadeira: É a terceira sala à direita. Talvez se atrasasse um pouco.. Em s eguida. Não. como se houvesse superado e nenhum sent imento o incomodasse. doutor! . Logo em seguida uma outra paci ente telefonou e. por favor.brincou Sérgio. Busco harmonia e concentraç tarefas úteis. contudo enviava-lhe Seus mensageiros de elevada estirpe espiritual pa ra protegê-lo e guiá-lo. Em nome desse sentimento tão intenso. . mas imperturbável o rapaz respondeu: A Débora desapareceu completamente. Não zombe de mim. eu respeito à decisão dela e não vo incomodá-la com minha simples presença se voltarmos a nos encontrar.

tranqüilamente. disse: Minha cabeça dói e está fervendo! Parece que existe um buraco no meu peito! Um furo enorme que gira e me vara de lado a lado! Não sabe o que é isso. . Aca lme-se um pouco para eu entender o que está acontecendo... Não imagina como é. me ajude pelo amor de Deus! Tire isso de mim! Sérgio sentiu seu peito doer e um mau pressentimento rodeava seus pensamentos. O que a incomoda agora? Estou confusa.. Me ajude! Só confio em você! Então me solta! . que o envolviam: Calma. Marina era menor.. Por favor.. Tentou saber. Consegui esconder de todo mundo o que sinto. Deixando-se cair de joelhos diante dele.desatou a chorar. Preciso de você. longos e cacheados e fazia terapia com Sérgio há cerca de um ano.. eu sei que você pode se controlar. puxou uma cadeira e sentouse ficando à altura da paciente. doutor! Antes que eu faça uma besteira. mas tudo me irrita. Em seguida. a moça esfregava as mãos doloridas ao ch orar.. Estava desacompanhada e em extremo desespero.Naquele instante o telefone tocou. Marina. Marina? Que pensamentos são esses? Morte. rapidamente. cabelos loiros. Não sei! .murmurou entre o pranto desesperado. Tratava-se de uma bela jovem de dezessete anos. Sérgio respirou fundo. mas alguns começaram a me achar estranha e por isso choro escondida.gritou.. perguntou: Como você está. Eu me odiava. Mas. Usando de força controlada. Preste atenção. Era al ta. ela o segurou pelas vestes na altura do colarinho. ao segurá-la pelos ombros: Venha. o psicólogo livrou-se do abraço. Deixe-me ver suas mãos? Marina o encarou e ainda com voz de choro. espre mendo-lhe os dedos até ela soltá-lo depois de um gemido de dor. por isso apertou-lhe cada uma das mãos que o agarrava. a jovem murmurava entre os soluços algo que ele não consegui a entender. Isso me faz pensar coisas erradas!.Ela não obedecia e curvava a cabeça. no entanto tentou calmament e controlar a situação. sofro muito! Tenho medo e vergonha! Por que. sem ma chucar a jovem. Isso não foi nada. . Era a secretária avisando sobre a chegada da paciente. Mil idéias passavam rápidas por seus pensamentos. Não queria machucá-la. deixando-o inquieto. me revolta. pele e olhos claros. pediu.. aqui você está segu ra. Veja como sua pele mudou? Já aumentamos o tempo entre as s essões de terapia por se sentir ótima. vamos! .Ela se deixou co nduzir e o psicólogo pediu: Por favor.. Pode me soltar! Seja lá o que aí estiver abalando. viu-a tra nstornada e com o rosto inchado pelo choro.. Tinha um corpo bonito. Não sei se me entende. farei tudo para aju dá-la. perguntando em tom amigável e tranqüilo: O que a deixa angustiada e nesse desespero? Se eu souber. Sérgio pediu licença ao médico e foi para sua sala. A inesperada atitude. Com voz firme. Que tipo de pensamentos? Quais são as idéias? Só confio em você! Não imagina como me ajudou a ter auto-estima.. pediu enquanto puxava-lhe os braços. pediu para que ela se acomodasse e ligou determinado equipamento que a jov em não percebeu. Eu quero ajudá-la! Olhe para mim. Quero morrer. Dissimulando o susto. Não a diantava ser educado. solte a minha camisa. Mas me solte para conversarmos melhor. São pensamentos!. segurou seus pulsos e novamente falou firme. Para sua surpresa. Procurando se manter inalterável. Sérgio jamais imaginou vivenciar tal situação. não respondia às perguntas. encostando-se nele sobre as mãos que o seguravam com força. Ele permaneceu equilibrado e sereno. porém sereno: Marina. Subitamente Marina se levantou e abraçou Sérgio com toda a força que possuía. Curvando-se. Marina? O que a trouxe aqui tão de repente? Pondo-se a chorar compulsivamente. Marina. mas não me restou outra opção por você perder o controle. doutor! Quanto às mi nhas mãos.. . ele fechou a p orta. mas a certa distância. Abafand o o rosto em seu peito.pediu enquanto tentava livrar-se de suas mãos delicadas. Idéias!.. Marina. Levante-se e se acomode nesse divã para conversarmos. desculpe-me. Dete stava o meu rosto deformado com aquelas espinhas! Mas agora você está bem. Não! Não! . ao chegar ao seu consultório e olhar para a jovem. deixou-o perplexo.

pegou o telefone e p erguntou à secretária se o doutor Édison estava livre. Tudo fica pior a cada dia..tornou ele. para minha pele. Qu ero gritar e chorar sem motivo. ela pegou sua bolsa quando Sérgio se aproximou avisando : Marina. você foi ao médico recentemen te. orientou: Marina.gritou.. Muitas alunas se apaixonam por seus professores. Mas sinto uma dor atravessada aqui . Não agüento mais e p efiro morrer. bem agitada. Sérgio suspirou fundo e elevou o pensamento em rápida oração pedindo a mparo espiritual. não sei dizer. Mas?.revoltou-se.. Por que me decepcionaria? Lágrimas rolaram em seu rosto quando disse: Eu te amo! Sérgio não se alterou nem se demonstrou surpreso. Sonhar acordada te desejando ao lado foi o que me prendeu a algum tipo de esperança e por isso não cometi uma loucura! Entendeu?! Sim. Você não entendeu! . Deixe-me explicar. Marina.. mas aquilo nunca lhe tinha acont ecido. Fiz exames de sangue há uns três meses e fiz ultra-som de fígado. então está tudo normal. realizou algum tipo de exame ou sente sintomas estranhos em seu corpo como a lguma dor? Vou periodicamente à dermatologista que ajudou com o tratamento contra as acnes . trazia-lhe uma impressão de semelhança que não conse guia lembrar... porque sonho em ficar em teus braços.Ela não atendeu ao pedido e ele orientou : Psiquiatras não são médicos de loucos. Mas disse que confiava em mim. Ess e estado de angústia é pela medicação que toma.afirmou absoluto. Mas preciso de um médico para confirmar is so. Vou explicar a razão desse seu estado depressivo e pe nsamentos. Sérgio teve um relampejo nas idéias e perguntou: Está tomando algum remédio? Sim. Foi até sua mesa.. fisiot erapeuta.. .. Ofendida. Não! Você não quer me ver! Não entende que te amo! Caminhando até a cadeira. Isso acontece por c ausa da ajuda que recebem. Te nho esperança de ficar com você. É um remédio importado.Levantando-se. Mas. Está desorientada e sem acompanhante. me diz uma coisa . Sérgio! Você é a única coisa que me prende a esse mundo. naquele acontecimento. Você acredita no sofrimento do suicida? Acredito . Na verdade. Em seguida.Breve pau sa e indagou em tom educado: Mas me conta. Não quero falar com mais ninguém! Desejo sumir! Marina.disse.respondeu calmo.. entregou nas mãos da jovem um copo com água que ela be beu. andando de um lado para outro. Obrigado. Mas não poss o imaginar sofrimento maior do que o meu. mas sentindo certo temor em seu íntimo.. Ouça. Eu não estou assim porque te amo.gritava. Algo. pediu: Por favor.. desde quando vem sentindo isso? Começou aos poucos. Acredito que descobri a razão do que sente. Cauteloso. levantando-se. Estou viva por sua causa.. Mesmo assim. Insistiu e sentando-se. É um sentimento de gratidão confundido com algo mais fort e.. reclamou chorando e falando muito alto: Confiei em você! O doutor Édison é médico para louco! Não pense que vou falar para ele t do o que te contei! Acalme-se.. O psicólogo levantou-se rápido e preocupado. . por favor.falava com naturalidade . Por que não me contou? Não queria que você se decepcionasse comigo. psicólogo. Sente-se. V . avise-o de que vou à sala dele com minha paciente.balbuciou.. A vida continua após a morte do corpo. espere. Você não vai sair da clínica. ... Não! .. Mas ela não disse nada. não é raro o paciente ter sentimentos fortes por um médico. mas sentiu um punhal cravar em seu peito. passando a mão na altura do estômago.. É pecado. Ao ouvir a resposta. Não tenho depressão! Você me traiu! Quer me encaminhar para um psiquiatra porque as sumi que te amo! . Sinto uma tristeza. Li em livros que a morte não existe e o suicida sofre muito. Não tenho fome nem sono. é uma transferência. perguntou: Você está se alimentando direito? Não . Eu entendi . Parecia ter vivido caso parecido. mas.

resmungou Sérgio. talvez. Colocando o estilete na lateral do próprio pescoço. Marina . Esse é um caso em que podemos removê-lo. * * * No dia seguinte ao acontecimento. Não tenho mais nada de útil. Venha me deter e eu me mato! Corto seu pescoço e depois o meu! Sem tirar os olhos da paciente. quase impensado.João e Nivaldo perguntaram num coro. Calma . Ele só ria. Fica esperto . Quando estava na sala do doutor Édison. . deixe-me ver isso! João prostrou-se ao lado e viu o instrumento afiado cair ao chão num gesto como s e o corpo se largasse. Sérgio! Por que chamou esse homem?! Minha vida é um inferno e inútil e você ainda me desprezou! Calma. Ao vê-los à porta. apressadamente. Eu sei o que está sentin do e prometo te ajudar. Marina se revoltou. Vamos.Vendo-o tentar falar al go ainda.Olhando para João falou: Não ac edito que tenha atingido alguma artéria importante. Não a desejando agredir. Niva ldo e outros trabalhadores da clínica..correspondeu Sérgio. sentia-se bem.pediu o médico.argumentou o psicólogo .. O rapaz aper tava o próprio pescoço. que sangrava. Que joelhada?! . lamuriando em choro int erminável: Confiei em você. .exigiu a jovem com voz fraca. Sérgio.. Uma conversa tran qüila seria bem útil. Não.. A jovem leva ntou-se rápido e começou a berrar horrorizada ao ver Sérgio de joelhos tendo uma mão seg urando o estilete e a outra na garganta. ele mostrou-se calmo. após poucas batidas. entendendo a gravidade da situação.. agredindo-o e se jogando sobre ele. Quero morrer. e o médic não conseguia ver o ferimento. . Sérgio. e o doutor Édison surgiu em meio à surpresa. Sérgio estava de volta à clínica e usava uma band agem sobre os pontos no pescoço. sorrindo engraçado. É. contorcendo o rosto para não rir.disse o doutor Édison. o doutor Édison vai embora e nós dois vamos conversar.. desequilibrando-o. Não precisava falar sobre isso.gritou de posse de um estilete que tirou da bolsa. E a resistia. ajoelhando-se para examiná-lo. João e Nival do o viram lá e entraram para conversar: Eu não poderia imaginar que em uma profissão tão tranqüila corrêssemos risco de morte brincou Nivaldo. gritou: Segurem-na! O Sérgio está ferido! Levem-na daqui! Nivaldo tomou a frente e João ficou na sala. Olhando a própria mão ensangüentada. quem sabe. Inesperadamente.disse o médico em tom suave. Então vem! ... a porta do consultório foi aberta. Sérgio foi à direção de Marina e segurou-lhe a mão. Sérgio. Vim aqui porque demoraram. esperando que o cansaço a dominasse. . Minha esperança acabou e ele. mas nunca se sabe. quando os viu no chão.. Desculpe-me . Não tente falar nada. Não queria se render nem largar o instrumento. Marina . Mas posso sair ou. Os gritos atraíram João.revelou o dou tor Édison. Fora! . Sérgio parecia entorpecido. numa ação quase involuntária. vamos fazer o seguinte: você me entrega esse est ilete. pois ela não parou de falar. você não falava nem nada! disse João. Achei que ela tivesse cortado sua veia jugular! Cara. deixe-me examinar esse corte. Puxa.. Vamos socorrê-lo! Não é melhor chamar uma ambulância? Talvez demore e não podemos esperar. Num gesto rápido. pediu: Calma. Porém a jovem aproveitou-se da oportunidade. Você me decepcionou. Pensei que fosse desmaiar e morrer! Mas não foi o cortinho que o deixou daquele jeito.murmurou em pranto. foi à joelhada . doutor Édison .pediu o psicólogo. ele puxou-lhe a mão para tirar o estilete de seu poder. tentando estancar o sangue. O doutor Édison aproximou-se. Muitas brincadeiras e piadas foram feitas pelos a migos.ou detê-la e chamar seus pais para explicar seu estado. sou eu . Sérgio estava atento e viu quando a ponta do estilete fincava o pescoço da jovem determinada a cortar a jugular. Ele precisa de socorro urgente. Pensei que o senhor res peitasse a ética profissional.

Só sinto um cansaço pelos efeitos dos remédios que tomei. responsáveis por essa mudança de comportamento. Sérgio.exclamou o médico brincalhão. aos pais.perguntou o médico. procure um psicólogo e faça terapia . É uma droga muito cara e não é vendid a em farmácias convencionais nem de manipulação. Trazem efeitos sérios para grande parte dos usuários. Acertou-me com uma joelhada tão forte que caí pros trado pelo golpe baixo. mediante a solicitação do juiz. A menina precisará de acompanhamento terapêutico até se reestruturar do que fez e vão fazer um acompanhamento clínico dos possíveis efeitos que podem ocorrer. No entanto se a moça mudar de idéia e acusá-lo de algo que não fez. má formação fetal dos filhos e outras c onseqüências. Eles não sabiam desses efeitos e já suspenderam o medica ento. Eu tenho ética profissional. Aí sim isso será necessário. Por causa de um medicamento. para diversos fins. Virando-se para sair da sala.disse o doutor Édison. Por isso uma série de documentação para os responsáveis assinarem. Mas não pe nsem que só esse medicamento causa essa alteração comportamental.tornou Nivaldo curioso. mas foi liberado novamente..riu Sérgio.. Ela estava segura ao assumir o que aconteceu. O senhor sabe. sem dúvida. Nem vi ou senti quando ela me cortou a garganta. Bem. mas sim testemunhando fatos que precisei depo r na delegacia onde registramos a ocorrência. à promotoria. Já?! .. Ao puxar sua mão la se jogou sobre mim e. por ética. serei adotado! Em meio ao riso. Sérgio? . por isso perguntei. E os dois seguiram conversando sobre esse e outros assuntos. Lógico! . Isso é culpa de médicos irresponsáveis . precisará apresentar a gr avação. desde depressão profunda. Você não comentou mais nada. Quero sim! Só que vou para a casa do João. O senhor contou aos pais da moça? .brincou Nivaldo. Quer uma carona.Espere! . Vou colocar um detector de metais na porta . Sérgio e o médico foram para a casa de dona Antônia e os outros retornaram ao serviço.. Estamos brincando. Existem ou ros medicamentos muito eficientes contra espinhas e acnes.admirou-se João. Nossa. despediram-se. Pensei que fosse desmaiar. mas. São medicamentos simple s ou fórmulas manipuladas somente com receituário médico. rindo. Mas não vou apresentá-la aos pais. mas adotou um bando de marmanjos! Se está revoltado. o doutor Édison perguntou: Você gravou a sessão de terapia da Marina? Sim. completou: Com t odo esse tamanho. Já estou bem.. Qu sabe.correspondeu Sérgio. cegueira.quis saber Nivaldo.pediu o médico com jeito maroto. Rindo. Esse medicamento já proibido no Brasil. Mas que joelhada foi essa?! . pois esses remédios não alteram a saúde física ou mental dos pacientes. Amanhã você desarma seus pacientes antes da terapia! ..afirmou o médico. existem muitos outro s. Apresentarei ao juiz.Reflexões de um Psicólogo . Sim.. Então vamos lá! Eu quero conhecer a dona Antônia! . pois o fígado da jovem está muito prejudicado. mas naque le momento eu não estava clinicando.. 29 .comentou Nivaldo. Bem. Há dias não vejo a dona Antônia e ela está ocupada comigo. Temi machucá-la e não usei força. não dominou uma menina e ainda apanhou dela?! Sérgio ria ao tentar esclarecer: Não é correto dizer que eu apanhei. . aos advogados. Amanhã retorno normalmente. o caso foi grave . João reclamou: Minha mãe só teve um filho. No caminho. e os pesadelos? Sabe que já faz tempo que eu não os tenho! Tinha até me esquecido. uma jovem daquele nível tomou a titudes descontroladas. É bom fic armos atentos a isso. Por isso o pa ciente deve exigir o máximo de informações sobre o que lhe foi prescrito e os psicólogos procurarem saber com o que seu paciente se medica. Estou cansado e preciso ir.informou Sérgio.. Lógico. Também estou indo. Nada de termos de responsabi lidade..

Ninguém escapa aos débitos da consciência. Ele perdia o controle e suas forças ficavam cada vez mais rarefeitas em sua mente confusa. orgulhosos e revoltados. a el evada condição mental assumida e praticada por Sérgio. costumes etc. não são desvend ados por outras ciências inábeis. dizendo em seguida: Caros colegas. Seu ódio desequilibrava sua organização peri spiríta. Ampliando sua visão nessa bela ciência. valor à vida!. A sua luminescência espiritual. Se nós estamos aqui hoje. Eles estavam sequiosos e eu chamei o Sérgio para oferecer uma apresentação ou palavras de incentivo. gradativamente. Percebendo que Sebastião enfraquecia seu domínio s obre os encarnados. Esses. * * * Em determinada oportunidade. indo servir out ros líderes. de alguma forma. sublime claridade azul-radiante a envolvê-lo. não admitiam o profundo lamento pela o portunidade reencarnatória perdida. ofereceu-lhe. o doutor Édison comentava empolgado em uma reunião n a clínica: Era uma turma nova naquela pós-graduação. é por termos fé e esperança na evolução da mente. auxiliada por sua ligação. a não ser pela Psicologia. a entidades excelsas pel o poder da oração. comportamentos. As perturbações. Todos atentos às cenas gravadas pelo médico. Não passavam de espí itos rebeldes que. por essa ser a grafia da vigésima terceira letra do alfabeto grego Psi. a princípio. Na morfologia. no estudo da estrutura e formação da palavra. Ele nos emocionou e nos fe z refletir com o que falou. que sig nifica estudo ou ciência. n o plano invisível. temos lógica.. Ações que são comprovadas nas mais remotas eras pré-históricas. eu só vou tentar dizer algumas palavras sobre a minha humilde Ref lexão de Psicólogo. mas não conseguiam pela incompatibilidade. do espírito. mente. nós sempre rogamos condições mentais repletas de vivac idade. espírito..As vibrações constantes pelas preces verdadeiramente sentidas e consagradas. inclinando-nos aos profundos estudos nessa área valoros a de uma ciência tão abrangente. Eu posso errar ou vocês poderão tirar algum proveito se busc arem conhecimento Alguns segundos e continuou. no inconsciente de nosso s ancestrais. Por fim. esperteza e possibilidades profissionais para atingirmos os nossos objeti vos de auxílio! Comparado. à qual o profissional resp onsável se dedica e busca a fim de dilatar sua sabedoria. da mente! E uma ciência. e quaisquer enigmas desse terreno não delimitado. Talvez alguns não concordem. também vingativos. ou seja. dentro do conju nto de disciplinas de um grande leque de conhecimentos. que é a judar! A Psicologia é simbolizada pela figura de um tridente. eram em vão contra Sérgio ant e seu vigoroso equilíbrio mental e o poder da prece. alcançava magnitudes inatingíveis aos espíritos inferiores que desejava m atormentá-lo. seus seguidores o abandonavam vagarosamente. humildemente. dando im tância ao ser humano. Ela explica o motivo que levou a mente de nossos ancestrais a certas crenças. Psi corresponde à primeira divisão silábica da palavra Psi-co-lo-gi-a. em português Psique relativo à Psíquico que significa alma. precisa ter o dom d . A seguir temos Psico. o psicólogo. mas devemos admitir que ninguém tem a r azão absoluta das coisas. impostando a voz de modo a atrair atenção e consideráv el respeito pelo silêncio: É praticamente inconcebível um Psicólogo ateu! A crença em um Criador e em muitas questões sobre os 'porquês' da vida é um sentiment o inerente ao ser humano e associado à sua crença de 'algo' que sobrevive após a morte . O espírito Sebastião sentia imensa interferência invisível no grupamento de desencarn ados que o seguiam como fiéis soldados à disposição de seu comandante. Isso deixava o espírito Sebastião furioso. inclusive durante o sono. mas que se entregariam às expiações dos próprios crim es. Vejam só. ou só se desgarravam e acabavam escravizados por outros espíritos de grup os hostis rivais. Para nos ajudar na caminhada de elevadas conq uistas morais. originário do grego Psyché. ao glorioso dom da centelha Divina. viram Sérgio cumprimentar os alunos co m indefiníveis boas-vindas. Psicologia! Estudo da alma.

de sensibilidade. A claridade aos carentes de luz. Você é a direção para o aperfeiçoamento suave e edificante. Você é a pessoa especial que faz a diferença na vida de muitos. Você é a fonte de água para o viajante sedento no deserto. Por isso. É a esperança para os que pe rderam a fé. nós fazemos a diferença quando. teremos o dom de fazer um pedacinho de o mundo ser um lugar melhor! Não importa o nome renomado ou não da universidade que nos graduou.. É o mensageir o de bondade dos que se prendem nas ilusões. É a luz que conduz ao caminho do equilíbrio. E o dia para os que vivem na e scuridão da noite. É o coração repleto de dádivas. E o elo radioso àqueles que dão os 'primeiros passos'. A força para os que se enfraquecem no caminho.. Um sábio Nazareno. Você é a porta de liberdade dos aprisionados nos velhos cárceres do Eu. Você é a liberdade para os prisioneiros da própria mente. O alívio aos que se abalam com os traumas da vida. O bálsamo m edicamentoso aos feridos da jornada. secamos as lágrimas do desespero e descortinamos as influenciações dolorosas das ilusões. O abrigo aos que padecem assustados e tristes. para centenas de criaturas.. Ele precisa sim. Você é o bom ânimo aos que se encontram sem vontade. A alegria aos qu e estão desgostosos e angustiados. Mesmo como aprendizes. A fé aos que perderam a esperança.e auxiliar sem se prender ao seu próprio dogmatismo. O benfeitor nos cenários atribulados das criaturas. É o vento que faz o pássaro vôo. E o futuro aos que se relegaram aos precipícios do passado. E o auxílio dos que suplicam entendimento. de amor f raterno!. A paz para os desalentados da sorte. para um grupo ou. A influência benéfica aos que se afli gem pelos erros. A resposta aos que pedem entendimento e socorro. É a estrela celeste c apaz de iluminar o caminho. cuja filosofia e exempl o de amor são aceitos por incontáveis religiões e filosofias. A instituição não garante nosso profissionalismo . independente do tempo. O recurso aos que implora m por forças íntimas. pois se formos capazes de fazer a diferença para uma pessoa.. afirmou: Vinde a mim todo s os que estão cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. apontando o caminho para o cam po da liberdade! Mansos e humildes de coração. E a fortale za que impede muitas criaturas aos despenhadeiros das sombras. nós podemo s nos melhorar para minimizarmos e aliviarmos as dores dos fatigados e oprimidos . Você é a energia aos que se sentem atrofiados pela própria imprevidência. aliviamos os corações sofridos. É a fonte geradora de valores à vida. É a ajuda que ampara os feridos da jornada. foi meditando sobre tal filosofia que eu posso afi rmar: Psicólogo. e aprendei de mim que so u manso e humilde de coração. também chamado de 'Psicólogo das almas'. Todo extremo é prejudicial! Mas. no dia-a-dia. Você é o caminho que conduz muitos à paz. ca az de ofertar esperança e fé. Nós podemos fazer a diferença! Todos nós podemos fazer a diferença diante das catástrofes da vida tomando uma postura equilibrada nos vendavais das paixões terren as. ao absolutismo pessoal e infl exibilidade. como nos ensinou e exemplificou o sensato e prudente Nazareno. O equilíbrio para os que não se sustentam soz inhos... Essas nobres palavras não são as mais adequadas às reflexões e ao silencioso jurament o moral de um Psicólogo?! Queridos amigos e colegas. despertando para a atmosfera de misericórdia e bondade ao nosso alcance. de intuição. dotados de d ignidade e compaixão. há mais de dois mil anos!. Eternos aprendizes. com o que vemos acontecer. A compreensão aos carentes de amor e paz. sempre. O sorriso que socorre os corações feridos. tresloucados e desgostosos. e encontrareis descanso para vossas almas . perde ndo a esperança e a fé. levando descanso para suas almas. abnegados colegas.. ou seja. quem sabe. Os matizes colorido s aos cegos de emoções sublimes.. 'Eu tenho razão em tudo!' Nem se entregar ao marasmo de sua alma desanimada. de dedicação.. Você é o orientador às mentes confusas carentes de equilíbrio. cabe-nos conhecer primeiro a nós mesmos e nos devo tarmos aos chamados do mundo.. É o suprimento dadi voso que regenera e salva. Não podemos ser indiferentes e virarmos as costas para as desgraças do mundo! Nem nos desesperarmos. Você é a bondade que compreende e ajuda os incapazes de amar. O amparo aos necessitados de apoio.

. Nesse momento. da nossa mente. Baseando-nos nessa filosofia de sensata reflexão. naquelas condições depois de tanto tempo? Ao retornar. pedindo que telefonasse depois. viu melhor seu rosto pálido e lágrimas a correr por ele. está tudo bem. chorando compulsivamente. novas reflexões e nos reformamos intimamente deixando de ser preconceituosos. Viu que se tratava de uma silhueta feminina. depois à porta da sala e conduzindo-a pediu que se sen tasse no sofá e o esperasse. Os outros continuaram conversando a respeito apesar de sua ausência. Sérgio sentia-se sem jeito.. viu-a tremendo e abraçada a uma almofada onde sufocava um choro tr iste. sentada no degrau do portão social e. Contornou o carro para saber quem era e o que queria.honesto. . O médico orientador e amigo valia-se dessas reuniões periódicas com a finalidade de promover afinidade entre os profissionais. encosta va-se nele. O médico mostrou-se preocupado. Desconfiado. Levante-se. convidou com voz generosa: Vamo s entrar? Fique calma. Nivaldo levantou-se e puxou para um abraço e os demais profissionais da área presentes e que prestavam serviços na clínica.Em pé. usando toda a força de vontade e todo o desejo de coração. Esse Mestre Nazareno sabiamente disse: 'Onde estiver o vosso tesouro. ali. Sérgio estava enganado. ali est ará também o vosso coração'.. mas não disse nada. mas bem sujo. descobriu a cabeça erguendo o rosto para vê-lo melhor. Vamos! Ele abriu o portão social. Não sabia o que pensar nem como agir. Imaginou que nenhum outro acontecimento inesperado poderia surgir. temendo um assalto. Pensava em chegar. sem que esperassem.Curvando-se. encolhida. Usaremos tudo isso para o que escolhemos ser na vida: Psicólogos! O silêncio na sala era absoluto. mas não conseguiu identificar. Talvez transmitindo algumas sementes de bons-frutos. Reparando em detalhes.. tomar um banho e retornar ao h ospital. olhando atentamente para os lados. ele não abriu o portão da garagem e desceu vagarosamente do veículo. ele pode ver o tênis de qualidade. Sérgio se foi.. que se prontificou a cuida r da jovem. ela o abraçou com toda a força. * * * A surpresa desagradável de sérios acontecimentos tomou todo o tempo de Sérgio naque la tarde e princípio de noite. Assim c . Estava angustiado e a preocupação corroia seus pensamentos enquanto ia para sua residência. mas p ermaneceu imperturbável e. Boa noite. Pro curando conter as emoções.falou receoso. Posso te ajudar? Lentamente a pessoa se moveu e. Foi então que Sérgio quase gritou ao mesmo tempo em que corre u em sua direção: Débora! . trêmula pelo frio. cada um de nós pode fazer a diferença por intermédio das aquis ições e aperfeiçoamentos de conhecimentos novos! E com as dádivas abençoadas da nossa alma .. humilde e responsável! Um diploma não tem ta nto valor como o que somos e em que nos transformamos diariamente quando admitim os novos conceitos corretos. esclarecimentos de possíveis dificulda des ou encontro de soluções para alguns assuntos. Ele retorn ou um tanto inquieto e conversou rapidamente com o doutor Édison avisando-o sobre que não poderia ficar.. afagando-a com ternura. João estapeou-lhe as costas. cumpriment aram-no com grande reconhecimento e satisfação. como deixou aquele 'Psicól ogo das almas'. Após deixar Rita na casa de dona Antônia sob os cuidado s maternais da amorosa senhora e também do doutor Édison.. A garoa forte. atrás de seu carro. não nos dá diploma de ser humano. pois precisava guardar o carro na garagem. Ao posicionar o veículo para entrar na garagem. O que Débo ra queria. viu um vulto de uma pessoa enca puzada com a própria blusa. . ajudou-a e pediu em voz baixa: Venha. Ele estava comovido. há mais de dois mil anos!. O coração de Sérgio estava aos saltos. O médico interrompeu a gravação. a secretária os interrompeu chamando Sérgio pa ra atender uma ligação urgente. fina e fria começou a molhá-lo p orque ele demorava observando a distância. Com amor.

Mas quando cheguei. Débora. Depois comeremos algo e convers aremos o que for preciso.. dizendo: Venha logo! Vamos encontrar uma roupa lá no armário e depois nos falamos... no meio das costas.. há quantos dias você não come? Vendo-a abaixar a cabeça e chorar.. como diz? Oferecendo-lhe generoso sorriso estimulante. esqu ecendo-se de outras roupas que ela havia deixado lá e ele guardou em um canto do a rmário. sentiu-a gelada. Abaixando-se frente a ela.a voz da moça enfraqueceu e um suor gotejou rapidamente em seu rosto. não é barulhenta . .... Ele comentou sobre assuntos sem importância como a mudança brusca do tempo. Não demorou e os dois estavam na cozinha. Vez e outra.. Observando se us cabelos molhados. Eu gostaria de. Uma camiseta simples e uma blusa de lã fi na que quase não aquecia.. Pegando uma manta. Será melhor secar bem os cabe los ou pegará um resfriado. Percebendo-o em pé à sua frente. Você quer trocá-las? Tomar um banho quente? Desculpe-me. Fazendo-a olhá-lo. . mas estava esmorecida.explicou..interrompeu-a com inflexão suave. ajudou-a com firmeza levando-a para a sala pa ra que se sentasse no sofá. Abaixando e pondo-se de joelhos frente a ela. sentados à mesa arrumada por ele. ele se levantou e retornou sem muita demora. Débora! Tudo bem? . Eu t ambém preciso de um banho. Toda molhada p ela garoa fria do início do inverno. ele propôs com paciência: Vamos fazer o seguinte: pegaremos roupas l impas e quentes. Enquanto Débora se demorava no banho. Seus cabelos estavam compridos. é uma cachorrinha . Colocando a mão em seu rosto. Só a deixo en trar aqui quando eu ou o Tiago estamos em casa. ap resentando vergonha no olhar lacrimoso. perguntou: Há quanto tempo ficou me esperando? Não sei. levantando e ficando ao seu lado ao vê-la segurar a testa com as mãos. Não us ava maquiagem e estava muito magra. ainda estava claro .. Débora tomou várias colheradas da sopa quente e comeu alg umas torradas. perguntou em voz baixa e tom comovido ao observá-la: Débora. pois estou bem cansado. Está no lugar de sempre. Vendo-a desorientada e com visíveis nece ssidades físicas. tremia de frio.respondeu com voz fraca. Ele a levou até seu quarto e procurou por um agasalho quente que servisse. Tudo bem para você? Você ainda é capaz de permitir que eu use a sua casa e tuas coisas. cobriu-a. com bondo sa tranqüilidade. essas roupas molhadas te farão muito mal. Você toma um banho e se agasalha porque pegou muita friagem. sobre a cachorrinha que ele adotou e Débora se interessou: Você tem um cachorro? Na verdade. Não queria incomodá-lo..tentou dizer. Mas eu não tinha a quem procurar e. ele preparou uma sopa e fez algumas torra das. Estava inquieto e queria organizar os pensamentos para saber quais providênci as tomar.Vendo-a concordar. Não. Sérgio a fez encará-lo e. seu sorriso era anuviado por uma tristeza. Pedindo que se levantasse. . Acho que. Débora não trazia qualquer bolsa. viu-a pálida como nunca. admirou e pediu com mimo de alegria na voz frágil : Ai! Que coisinha linda! Posso pegar? . grande preocupação e i ncontáveis perguntas.omo o jeans que parecia usar há vários dias. deixando-a encolhida e re costada nas almofadas amontoadas.. Desta vez. pegou-a pela mão fria. . avisou: Vou tomar um banho e já vol to para jantarmos. Apesa r de delicada como sempre. sugeriu com tranqüilidade: Pegue o secador lá no armário. era Sérgio quem não conseguia comer pelo excesso de preocupações e surpresa.riu. Débora olhou-o e largo sorriso moldurou seu rosto on de pareceu acender uma chama de energia.perguntou. Ela se adaptou bem. Estendendo os braços para Sérgio. Adaptei para ela uma entradinha do qu intal para a lavanderia e com uma cama melhor do que a minha! . Débora . Ao vê-la sair do quarto ele ligou a televisão para distraí-la. Desculpe-me.ela sussurrou.

pois dav a um trabalho enorme para voltar quando eu não estava para chamá-lo. mas não o soltava. esta é a Princesa! Princesa. eu coloquei um cadeado de segredo na portinha po r onde ele saía. Eu estava trabalhando n a clínica. Tivemos alguns problemas e o Tiago decidiu estudar e veio morar aqui. e sem que nossa mãe o visse. A princípio. Apesar de receosa e até com medo. Então pedi a ele que trouxesse o Tufi. encanta da e generosa como se o animalzinho pudesse entender o significado de suas palav ras. o Tufi obedecia. mas descartei essa idéia por estar bem ativo. Será que não pisaram nele? Fiquei triste sim. ele passeava por toda parte. Ele era muito esperto. pelos lisos. Você gostava muito dele disse em tom triste enquanto aca riciava a cachorrinha que se aquietou em seu colo. certamente... Ela é um amor! Onde a conseguiu? Eu tinha o Tufi. coloquei o Tufi como minha mãe havia fe ito e o enterrei aí no jardim. Ele disse que nossa mãe não conseguiu disfarçar quando o viu.. Não. O professor queria fazer uma análise mais profunda e exames mais apurad os. O que me intrigou foi o Tufi estar fora da gaiola e. esta é a Débora! Tratava-se de uma cachorrinha d e pequeno porte. Voltei para casa. O Tiago não perguntou o que ocorreu? Lógico. Bem. apanhou algumas marg aridas e arrumou em volta dele e pediu para o Tiago trazê-lo para mim. Ela mesma pegou a bolinha e a corda. enquanto ele andava por fora da gaiola. comida. Foi até o jardim. vi que alguém afastou as grades aumentando a abertura. ela abanava o rabinho curto com tanta força que se remexia toda p ara exibir sua felicidade ao olhar para a moça. Princesa parecia se contorcer de satisfação pelos carinho s que recebia. Lembro que me contou que. Não pensei duas vezes e o levei na hora lá na universidade. mas não sabia explicar como ele foi para r no chão.exclamou Sérgio sorrindo. brinquedos de que o Tufi mais gost ava e os ajeitou na caixa. quando o colocava f ora da gaiola. Ela olhava o Tu fi morto e chorava. Ele não precisou olhar muito para descobrir e me m ostrar uma espécie de picada onde havia um endurecimento pelo acúmulo de algum líquido injetado. algo que fazia sem ir para o chão. . Isso mesmo. Ela é enorme! Examinando-a. E foi justamente naquela manhã. Ou. Jurou que não o soltou. mas. os doi s só o deixavam passear do lado de fora da gaiola. ele contou que ela chorava enquanto recolhia o Tufi do chão com uma pá. Para eles não fazerem isso. Entregando-a para Débora. Você disse que iria trazê-lo para cá.. Nossa mãe falava sozinha lamenta ndo: Meu Deus! O que aconteceu? Eu tinha medo desse bichinho. arrumando-a como um co lchão e. morto há poucas horas. Procurei um profess or da área de graduação em Veterinária. Eu não podia trazê-lo para cá e deixá-lo sozinho. E o Tufi saiu por essa abertura? Com certeza. curtos e acastanhados com pequena mancha branca na garganta. Aquele ratinho que treinei.. a cachorrinha entendia a entonação do carinho na voz. Muito alegre. mas gostava dele! C oitadinho! . É! Ela gostou de você! . então.. pe nsei que fosse pela idade. Mas eu não deixei. Acho que foi doloroso. Por essa razão ele ficou na ca sa dos meus pais. estava bem inch ado.Ele sorriu com gosto e apresentou: Débora. minha mãe cuidava dele. deixando a cabeça de fora como se estivesse dormindo. Limpavam e escovavam os brinquedos dele. O Tiago e meu pai pegavam e brincavam com o Tufi sem deixá-lo ir para o chão. na polícia e não teria tempo para cuidar dele. colocou uma toalha fofa dentro. Depois pedi ao Tiago que me trouxesse a gaiola. quando meu irmão chegou à casa dos meus pais. Ele era bem treinado e não desceria da gaiola. A jovem conversava com a cachorrinha exprimindo voz doce. pois era ensinado e não ia para o chão. orelhinhas triangulares e dobradas. Depois o colocou lá e o cobriu com um paninho. sem raça definida. Sabe. pois minha mãe tinha o maior pavor. Uma espécie de autópsia? Sim.. Achei interessante saber que minha mãe chorou por ele e. Mas.. sub ia por sua roupa e corria em seu braço até pegar a recompensa em sua mão. jornal da bandeja do fundo e a arei a por fora sem que ele saísse da gaiola. Talvez seus sobrinhos. ao chamá-lo. Somente o Tiago e meu pai sabiam o segred o. Podia-se trocar a água. alguém o pegou e aplicou-lhe uma injeção. Acho que. ela pegou um a caixa de sapato enorme.

. Não tínhamos idéia de qual nome dar. Ah! O Tiago ficou todo feliz! Mesmo sendo de noite. referindo-se à cachorrinha . ele deu-lhe um banho quen te. mas um dia ele sumiu. Aliás. Enquanto agradava a cachorrinha. Coitadinha mesmo! Assim que acordamos. apareceu lá na frente da clínica e ficou rondando em torno do estacionamento. coloquei embaixo do braço.. dos cachorros..Ele sorri u ao revelar: Jurei que depois do Tufi não teria mais animal algum! Porém aconteceu que essa madame aí . Não agüentei! Peguei o bichinho. O segurança. rodeada do gelo do granizo que estava por toda parte. ficou f eito uma bolinha e só no dia seguinte deu sinal de vida.perguntou em tom de lamento. levei ao veterinário e ela tomou todas as vacinas de que precisava e ainda o vermífugo.pediu.apiedou-se Débora. Há pouco tempo alugou a casa onde morava com o irmão e está com a dona Antônia. Despedi-me dele e. preocupada com um bich inho de que tinha medo e.disse com simplicidade. quase pisei essa coitad a! Parecia uma bolinha marrom molhada.. o João ou o Nivaldo chegávamos ou saíamos. A Ri ta está morando na casa da dona Antônia e se tratam como se fossem mãe e filha. mas aconteceram tantas coisas. Ela não viu o meu irmão e estava chorando. Vendo-a atenta ao ol há-lo. tornou-se seu melhor amigo. Você não está sabendo. Entrei às pressas. Ninguém tem o direito de me criticar por você estar aqui. Após a morte do Rogério. não foi minha mãe.. deu comida e a enrolou em uma pequena manta. espere um pouco! .falou rindo. Mas ainda é bombeiro e trabalha à noite . Enfim. ao abrir a porta. acabou sendo adotada! E você lhe deu o nome de Princesa? Não. secou com o seu secador. Depois de alguns anos. começou a chamá-la de Princesa e a cachorrinha atendeu p or esse nome. como se ela fosse minha irmã mais nova. dando lugar a uma expressão de constrangimen to e melancolia. Foi até lá fora e deu-lhe água e resto de lanche para a pobre cadelinha.tornou Débora. Não satisfeita com o que o trabalho e com o que ganhava. . Débora. que fica cuidando do estaciona mento.interrompeu-a educado. Você desconfia de alguém? . eu não quero atrapalhar sua vida. como se soubesse o significado! O rosto de Débora anuviou o sorriso. A secretária viu a cena e ficou com dó. Fiquei até bem tarde na clínica e o segurança da noite estava olhando pelo vidro da porta impressionado com a chuva que caía. A minha presença pode causar problemas en tre você e a Rita e.. pois a cachorrinha o viu apontar para ela e abanava o pequ eno rabinho. Deixa pra lá. ela reclamava. Ela conhecia os funcionários e fazia a maior festa quando o doutor Édison. Sim. mas está com um emprego praticamente garantido em um jornal. Eu pensava que fosse minha mãe. Isso f oi ótimo. Foi o suficiente para el a continuar rodeando a porta da clínica. comentou: Sérgio.. sentando-se ao seu lado. entendeu? Nunca tivemos nada além de amizade e respeito.Quem faria isso? . Esta é minha casa. desci e olhei para a rua e gelei ao ver o pneu de um carro bater nela . mas. Foi jogada para o lado e caiu estonteada ao chão. . A Rita se formou em jornalismo. por causa da a titude com o Tufi. .Rindo. enfiei no carro e trouxe para casa. Ho uve um dia em que caiu uma tempestade de granizo muito forte. um out ro cachorro de rua me seguiu até em casa e o adotamos. Fui até a r ua. Talvez a Rita não aceite e. Era engraçado. Aquecida. A Rita veio aq i no dia seguinte às vacinas. peguei a cachorra. tirei-a de lá para outro carro não atropelá-la e a coloquei em um cantinho. nunca. mesmo debaixo da cobertura da entrada.. deu um jeito de fazer um acordo e foi demitida da revista na sema na passada. minha mesmo! Acabei co mprando-a. Teve um dia que eu estacione i o carro. pois estava atrasado. eu.Breve pausa e contou: Quando eu era pequeno. pois me olhou de jeito estranho por uns três dias. também ajudou a alimentar essa moça e arrumou uma caixa de papelão para ela dormi r num cantinho . sem dúvida. aconteceram outras coisas e ela passou por momentos difícei s e o Tiago a acompanhou. parecendo entender. eu e a Rita não temos nada! A propósito. . .. tive u m cachorro que não me largava. pois o aroma que ela exalava estava difícil de suportar. toda simpática. Agora tenho certeza de que não. O Tiago está mor ando aqui.riu. Coitadinha! . contou: Fora uma grande amizade e consideração. contou : Não ficou nada. depois de um ano ele também s umiu. Pelo que o Tiago contou. como falei e cursando Psicologia.. nada satisfeita com as injeções. Namoraram e ficaram noivos há um mês. mas gostava. quase a atropelando. Por quê?! .

. Conversando com um dos colegas que estava com o meu irmão. Tudo bem . mais de uma hora dep ois. Disseram que ou viam o rádio com fones de ouvido quando souberam do incêndio onde moravam e correram para lá. .... Respirando fundo. quero encontrá-la aqui quando eu voltar. Espere.. Por favor . puderam se aproximar e escutaram seu chamado e.concordou e sorriu. . não precisa. O Tiago era um dos bombeiros que foi para o local. ta? .. fechando os olhos por não acredit ar no que acontecia. Se não for inva dir sua privacidade.. Só que. principalmente por causa dos balões soltos pelas festas juninas e dos c ampeonatos de futebol. Destelhado. Ao mesmo tempo. Enquanto ele sentia o coração apertado. Mas. uma mulher gr itava desesperada porque seu filho de seis meses estava no quarto quando os três i rmãos saíram correndo por causa do fogo. Você está cansada e a cama é bem confortável. mas.. Breves segundos. Aconteceu algo bem sério e não posso ficar. O fogo se propagou rapidamente.sorriu.. Poderá fazer isso amanhã . D orme na suíte.chorou e os soluços embargavam sua voz. Posso ficar aqui? Não tenho para onde ir . O outro quarto é do Tiago e não gosto de invadir a privacidade e.Ela silenciou e ouviu: Eu só peço que você durma lá na suíte.expressou-se sorrindo e com modos simples.. mas não foi suficiente. Aconteceu tanta coisa na minha vida.. pois. O lu gar tornou-se de difícil acesso por causa das chamas em volta.avisou piedoso. Sérg io sobrepôs o braço em seus ombros. . a garoa só chegou hoje à tarde e o incêndio foi durante essa madrugada. sentindo-se envergonhada.. Por que ela não pegou a criança? Ela e o marido são faxineiros em um hospital e trabalham à noite.E você? .. e stou terminando uma pós-graduação. ele contou que. Só não gosto que a Princesa suba em a cama. posso saber o que aconteceu de tão sério para precisar sair a e ssa hora? Por que de repente você pode ter alguém que pode chegar aqui e. mas te devo sat isfações. Débora! . Quando o Tiago tentava levantar as telhas. por favor. Deixe-me explicar. Tenho uma tarefinha em uma creche.. ta! Eu preciso sair.pareceu suplicar . Aconteceu que um balão aceso e ainda com fogos de artifícios estourando caiu sobre uma favela. Sérgio tinha vividos os sentimentos latejante s. O Tiago enrolou a criança em sua jaqueta . Os bombeiros ficam de prontidão e bem atentos nessa épo ca do ano... Se não quiser conversar hoje. porém estava preocupado e curioso para obter mais de talhes. Ele sabia dos riscos.perguntou aturdida. Contaram que a mulher estava em desespero e.. humilhada.Sérgio chorou. pulsando fortemente ao debruçar suavemente o rosto sobre a cabeça da jovem. Bem.. que também trazia os olhos úmidos e forçava-se para segurar as lágrimas. prosseguiu: Quase não acreditaram. tudo cedeu e ele ca iu. Foi assim: para estudar ele conseguiu um horário para trabalhar de noite até de manhã. andou sobre os muros e telhado s. Ela escondeu o rosto e chorou em silêncio. Claro que pode.. não tem problema. contou: Não ia dizer nada para não te preocupar. Sérgio ... Pode ser? ! Posso dormir aqui no sofá. Mas!. Não queria falar nisso. como viu. Estou levando a vida! Mais nada! Penso em fazer Mestrado no próximo ano! Lágrimas surgiram nos olhos de Débora e não demoraram a correr em sua face pálida.. se não a segurassem..sugeriu com gen erosidade na voz grave.. Eu?! . guardados com todo o amor.. e ela falou sem encará-lo: Eu não queria te incomodar. Mesmo assim.Sérgio engoliu seco e quase em lágrimas.. Com a ação ininterrupta dos bombeiros para apagar as chamas. Trabalho na clínica.pediu como se implorasse. posso ir! Eu darei um jeito e. sem encarar Sérg io.. Não. em uma casa de r epouso para idosos e. ela entr aria nas chamas para pegar o filho. Ela o interrompeu. Os bombeiros encharcaram o local onde ele estava. Débora afastou-se lentamente do abraço. dizendo: Se eu for atrapalhar. ficou m ais perigoso e ninguém conseguia chegar até lá. Disseram que o Tiago a acalmou e prometeu tr azer o menino.. no local. . Foi com o Tiago. secando o rosto com as mãos.. e a mulher que o via de longe gritava apontando onde era o local do quarto qu e o filho estava. O ar estava sem umidade. puxando-a para junto de si..

idéias inferiores e todos os atributos de espíritos imperfeitos... Meu Deus! Como ele está?! . Em compensação. Dizendo isso. . o que equivale ao ódio e a falta de perdão. E sem aquela rou pa. Reservava-se. Não se preocupe comigo e. Vai me ajudar se ficar aqui e me esperar. Por isso não saiu.. pulando em comemoração. Sérgio recebia orientação e amparo provide ncial do Alto.quis saber entre as lágrimas e os soluços. que cederam novamente de pois de ele pegar o menininho. Qualquer coisa. Debruçando-se sobre ele e.O rapaz se levantou. Estarei te esperando.perguntou aflita diante da pausa. mas controlando as emoções. Muitos eram mutilado s. Sérgio chorava ao responder: Mais de sessenta por cento do corpo com queimaduras de segundo e terceiro gra us. Muitos o aban donaram desde que o viram ficar sem poderes para subjugar Sérgio como vítima. secou o rosto e procurou se controlar. parecendo festejar uma vitória. que assumiu nova at itude mental ao orar.. Só se for muito urgente. à hipocrisia. Todo aquele festejo de compo . E pediu com ce rta preocupação: Por favor. De longe. aos vícios degradantes. Energias mentais do espírito Sebastião criavam vibrações aos que o auxiliavam e os im pregnavam de idéias pouco elevadas.. a vulgaridade.. O menininho de seis meses sofreu leve queimadura em um pezinho e um pouco de intoxicação. Era impossível fazer o encarnado tornar-se vítima daquela inteligência perversa.. e usavam para aterrorizar os outros apesar de intimamente serem infelizes .. arrebanhados por suas práticas indignas quando encarnados. cuidarei da Princesa. mesmo sem saber ao agir intuitivamente. Você já o viu? . vários se guidores se afastaram daquela falange. Alguns espíritos que o acompanhavam.. beijou-lhe a testa. Espero você ligar se puder. Alguns grunhiam como animais......perguntou chorando.. Não quero atrapalhar. Débora. à crueldade e a ta ntas outras práticas efetuadas quando encarnados. E o Tiago?! . tribal cuja matéria fétida e nojosa plasmava-se pelas linguagens de co municação mental de palavreados obscenos e indecorosos.. dando forma às cenas prazerosas de suas inclinações à promiscuidade. o quadro era deplorável.. retiro u-se e retornou em segundos. Os espíritos se aglom eravam.e a protegeu com o seu corpo. suas queimaduras foram mais graves. Não se sabe como conseguiu tirar a jaqueta e envolver o garotinho. deformados. o espírito Sebastião compr zia-se. observando a movimentação eufórica de festejo horripilante. desequilib rados. vigiar-se e dedicar-se ao bem. 30 .A elevada Laryel intervém na obsessão injusta Na espiritualidade. Fui onde está internado e quero acompanhar os procedimentos bem de perto. me liga no celular. Por isso Sebastião temia.. recomend ou que fechasse bem a porta e saiu rapidamente. Sua perna ficou presa entre as vigas e os escombros. Outros se ligavam ao grupo tal qual escravos cativos... Sebast ião perdeu as forças quando não ofereceu mais perigo ao encarnado. Ele estava nervoso e preocupado. em nível psíquico inferior por se prender ao primitivismo da mágoa e da vingança. apresentando-se com o corpo espiritual no qual plasmavam deformid ades por seus vícios e milhões de vermes a corroer-lhes com violentas manifestações de t error. Seu estado é grave e ainda corre o risco de perder a perna devido às queimadur as. Só vou pegar alguns documentos e. Pode deixar. Naquele lugar da crosta terrestre.. Outros grita vam enlouquecidos. Era algo como que um alimento fluíd ico que lhes dava energia inferior limitada e ânimo agressivo. Em decorrência disso. Despedindo-se de Débora. Soube hoje pela manhã. seguiam-no por propensão ou vontade própria na inclinação ao mal. temia algo desconhecido aos seus sentidos limitados. O grupo que acompanhava aquele líder não era tão grande quanto antes. você pode me esperar aqui? Preciso ir ao hospital no vamente. re pleta de vinganças e injustiças.. por sua nova postura mental. Então. entende? Claro! Se eu puder ajudar.

a disposição sincera e sem queixumes para cumprirmos determinada missão. ele desejou tratar de procurar uma n ova vida ao lado de Débora e longe dali. Por não estarem em acordo co m os atos desumanos e abomináveis de seu líder. que havia se unido a Débora. ferindo pessoas com os incêndios que provocou. No momento em que Tiago tomou conhecimento das opiniões de Sérgio. Estrategi sta. com base na Revolução. Sérgio serviu de instrumento para. As mortes dos farroupilhas. em sua vida. com suas estratégias militares e bem informado sobre as ações do Exército Imperial. antes de conhecer as opiniões de Sérgio. Somente assi m a consciência se alivia do remorso e o espírito se purifica e caminha para a perfe ição. creram que Sérgio e os desertores eram culpados por suas do res e pesares na espiritualidade. Em outros tempos. o que não era verdade. Tiago se deixou influencia r pelas energias vibratórias dos companheiros em meio aos gritos de vigor para os ataques na guerra. . bom e justo. Enfrentar as situações mais diversas e difíceis principalmente às ocorrências para defrontar o fogo em razão de salvar vidas. Não tinha ódio. No planejamento reencarnatório. eles não admitiam experimentar as mesmas sensações de suas vítimas em grande estado de perturbação. Eles e os companheiros se separaram. na presente encarnação. Entretanto o estranho espetáculo de horrenda comemoração pelo ocorrido com Tiago não tinha fundamento. ele passou a r efletir sobre suas ações desnecessárias contra pessoas indefesas e mudou de atitude. nas considera das vitórias. N a espiritualidade. Por isso. aprendeu ainda mais. Um anônimo na história pôde mudar o curso dos rápidos acontecimentos e foi a isso que Sérgio veio naquela reencarnação. Muito rancor e ódio foram criados por Sebastião. insensíveis e tiranos do co-mandante Sebastião. Quando Sérgio percebeu que havia traição e ntre companheiros confiáveis e. comandados pelo Marechal Sebastião durante a Guerra dos Farrapos. Tiago e outro desertaram ao as sistirem um ataque cruel num vilarejo indefeso. Seu estado não se tratava da atuação de espíritos levianos e imperfe itos. guiar a tropa para grandes conquistas. depois de ajudar muitas pes soas em sua tarefa. Aqueles espíritos acreditavam ter sido o rapaz fortemente lesado com queimaduras pelo empenho de Sebastião. Tiago tornou a encontrar Sérgio. Sérgio. prova ou expiação na Terra. Na realidade. a fim de c orrigirmos o que desarmonizamos. orgulho ou egoísmo. é prudente o arrependimento sincero. inveja. Sérgio sempre seguia com a tropa. Deixou-se influenciar por encarnados e desencarnados e ateou fogo em casas. graduados dos Revolucionários Farroupilhas.rtamento bizarro era pelo acidente ocorrido com Tiago. solicitou as possibilidades de a judar os semelhantes e passar por dolorosa provação para proporcionar mais harmonização na sua consciência e continuar auxiliando com bondade e amor. No passado distante. naquela época. tentou a visar. fizeram falta aos revolucionários quando Bento Gonçalves foi traído e fico u sem a ajuda de companheiros nos quais confiava. com moral que lhe dava o direito de pedir em seu planejamento reencarnatório. e refugi aram-se em uma estância. Lúcia e outros espíritos daquele gru po e que. Tiago juntou-se aos Revolucionários Farroupilhas. mas se desviou. Por piedade e proteção a uma jovem que conheceu naquele massacre. decidiu ser bombeiro e salvar vidas. mas Tiago muitas vezes ficava para reforçar a segurança na estância. rancor. Deus. Tiago serviu ao Exército Imperial ao lado de Sérgio. Tiago solicitou experimentar o que fez muitos sofrerem e requereu desencarnar com a prova do fogo. Tiago era um homem de caráter espiritual bom e benevolente. mas não lhe deram crédito. elevando-se cada vez mais. oferece condições de harmonização com as nossas falhas. Nas lutas. Conforme a humildade e a determinação de cada um pa ra corrigir os erros. inspirado a deixar aquela guerra. perdia-se grande número de vidas farroupilhas. Algumas vítimas desenc arnaram pelas infecções das queimaduras. A traição ocorreu conforme Sérgio previu. pois a jovem atrasar ia os demais. Humildemente. outras ficaram deformadas e houve as que mo rreram9. Intuído. Na atual encarnação. Entretant o nem todas as vitórias são verdadeiramente vitórias. pois. Sérgio a levou co nsigo quando desertou. apesar de vencerem. contrárias aos atos d esumanos. Já possuía essa personalidade no passado . criaram Leis para a não div são do Brasil.

E foi chegado o momento do esclarecimento e intervenção de espíritos prudentes, dot ados de bondade, sabedoria e capacidade de julgar com justiça, atuar em favor dos que trabalham, esforçando-se para o bem, o adiantamento dos semelhantes e a elevação e spiritual. No lugar onde a agitação comemorativa ocorria em uma espécie de adoração ao espírito Seb stião, lentamente um fio de luz azulada se fez rompendo as trevas. A música e a cant oria debilitante e deplorável, que agitavam todos, pararam imediata-mente. A aglom eração de espíritos inferiores pareceu petrificada diante da claridade tênue. Sebastião, com expressão furiosa, levantou-se rápido de seu acomodo, semelhante à pos tura de um rei, que se ergue do trono diante da desagradável invasão em seu castelo. Muitos espíritos, com miserável aspecto, arregalaram os olhos, apavorados com a cen a e a vibração iniciada, e por essa razão, correram, fugindo assustados sem coragem de esperar para ver. Apesar da aparência rude e grosseira, o espírito Sebastião temeu, mas não se acuou. Em poucos segundos, um grupo de entidades elevadas passou a tomar contorno vi sível àquele nível no plano espiritual, enquanto o fio de luz irradiava-se, iluminando vagarosamente o lugar e emitindo vigorosas vibrações sublimes que pareciam, limpar os miasmas destruindo as formações nojosas existentes. Os bondosos benfeitores fizer am-se presentes com nitidez às impressões dos que ficaram. Todo o grupo de espíritos s ublimados parecia nutrir-se dos raios brilhantes da bela luz e prendiam os pensa mentos em prece elevada. O jorro de luz se intensificou, como se ganhasse delicado contorno transparen te, lindo, indescritivelmente belo, transmitia puro amor. As sombras se dissipar am e reconhecível surgiu Laryel de forma translúcida, como um cristal e com toda a s ua expressão de bondade e superioridade, pois assim o era. Sebastião ficou inquieto, nervoso e agressivo, protestando ao urrar: Quem pensam que são para invadirem meus domínios?! Após gesto generoso ao inclinar de cabeça, como um cumprimento sutil, Laryel argu mentou com postura e expressão imperturbável enquanto ampliaram-se os raios de inten sa luminosidade, que se espargiam de seu contorno: Sebastião, por que o coração endurecido que insulta sua consciência, mesmo sabendo da necessidade de reparação? Quem é esse ser desgraçado que ousa me afrontar?! Sou uma criatura de Deus assim como você, mas não o afronto. Aqui estou por missão de amor - esclareceu a benfeitora com intraduzível generosidade. Vamos! Ataquem esses invasores! - berrou Sebastião. Contudo os poucos espíritos m alfeitores restantes também fugiram. Somente Lúcia, assustada, foi para trás de Sebast ião como se quisesse se esconder. Aceite a oportunidade, caro irmão. Sabe que não adianta a rebeldia. Todos já trilha mos caminhos obscuros, fomos egoístas e não aceitamos as justas Leis de Deus, que é de bondade igual para com todas as Suas criaturas. - Breve pausa e pediu serena e piedosa: Venha, venha comigo, Sebastião. Arrependa-se dos atos do passado e se pro ponha à elevação. Já perdeu muitas oportunidades de reparar os erros. Nunca! Sofrimento e dor! É isso o que tem para me oferecer! Chama de bondade Di vina o que Tiago experimenta?! - riu com sarcasmo. Sim. Eu denomino bondade e justiça de Deus. Tiago experimentará uma única vez o sof rimento provocado em dezenas de pessoas. Dispondo-se ao auxílio na tarefa abraçada n esta reencarnação, com sincero arrependimento do que fez no passado, ele só terá essa pr ova, em vez de se penitenciar ao mesmo número e grau de dores que provocou em suas vítimas. Se a lei de Talião: olho por olho e dente por dente vigorasse por desejo de Deus, o mundo estaria cego e desdentado, como disse uma grande alma muito sábia. J ustiça e bondade são as bases das Leis de Deus para os que se arrependem e desejam s e elevar. Desgraçada! Já sofri muito e me diz que ainda preciso sofrer mais! Não sabe o que e xperimentei, mas estou liberto! Não serei mais prisioneiro da minha mente! Nesse instante, o espírito Sebastião afastou-se e correu, tentando fugir. Mas ao querer ultrapassar o limite dominado por aquela claridade celeste, foi como se e xperimentasse um choque que o fragilizou e, depois de um gemido, o fez tombar. D e imediato, Sebastião foi amparado por socorristas especializados. Ele estava iner te e desfigurado. Foi recolhido com todo o carinho para, ao fim daquela missão, se

r encaminhado e preparado para breve reencarne. Generosa, Laryel voltou-se para o espírito Lúcia, que chorava, mas sem arrependim ento e sim de contrariedade e medo. Querida Lúcia, é o momento de você decidir. Aos prantos, com aparência horripilante na formação perispiritual, ela reclamou: Isso é injusto! É impiedoso! Impiedade e injustiça foram temas de suas atitudes para com Sérgio após várias oportu nidades reencarnatórias. É o momento de reconhecer e assumir suas falhas, despojar-s e dos vícios libidinosos. Tudo é confuso! Tenho medo... O que acontecerá comigo?! Piedosa, Laryel argumentou: Você só serviu de instrumento para que Sebastião tentasse desviar Sérgio da tarefa ad mirável, útil e voltada para o bem. Seu irmão reencarnou com um propósito. Ele é um espírit bondoso, sábio e prudente, por isso não se inclinou às suas cruéis tentativas de assédio para o incesto a fim de desviá-lo para o desequilíbrio. Mesmo desencarnada, Lúcia, você se deixou usar para estranhas representações que o perturbassem em sonhos. Porém, mais uma vez, o Sérgio mostrou-se digno e elevado. Será difícil atormentá-lo. Eu me atraí por ele! Egoísmo e possessividade não são amor. Apego demasiado e extremas atitudes cruéis pel o desejo compulsivo de desregramento sensual para seus vícios sexuais não são amor. Am or é renúncia, aceitação e compreensão. Foi cruel sermos irmãos! Fiquei desgostosa e morri por culpa dele... Eu não desej ava mais viver! Com doce inflexão, quase num lamento, Laryel se expressou caridosa: Pobre Lúcia. Tanto foi usada por Sebastião e por Sueli que não percebeu ser um simp les boneco à mercê das manipulações. Realmente sua existência terrena foi cortada abruptam ente e estava com vigoroso fluido vital. Mas foi você mesma quem se atraiu para es se acontecido. Se tivesse outra postura moral, não teria desencarnado tão bruscament e e naquela ocasião. Perturbou-se muito no plano espiritual, por isso não se importo u em se deixar influenciar pelas energias mentais de Sebastião, que nublaram sua c onsciência, fazendo-a crer no que ele afirmava. Questionou-se se tudo era verdade? Procurou lembrar os fatos como realmente aconteceram? Com a habilidade que lhe era peculiar, Laryel fez projetar na tela mental de Lúcia como foi realmente seu desencarne. Sem ter como fugir das cenas, o espírito Lúci a narrou em aflição: Eu estou com a Sueli!... Fomos roubadas e um dos ladrões está armado! Eles iam em bora de moto, mas ainda estavam parados ao nosso lado e... Um deles pegou minha carteira e jogou minha bolsa, mas... Não! Vejo o Sebastião influenciando a Sueli... Ela me empurrou e eu... Eu não reagi! Estava com medo! Com o empurrão que ela me deu , fui para cima do ladrão, quase caindo sobre ele e... Ele se assustou! Quando me equilibrei, afastando um pouco, ele atirou e eu caí! Eu não me matei! - um choro com pulsivo a dominou ao deparar-se com a verdade. Afetuosa, Laryel acrescentou: Desencarnada e em profundo estado de perturbação, o Sebastião nublou o seu entendim ento. Mas foi a sua mágoa, a contrariedade em seu coração, os seus desejos mundanos qu e a deixaram sob a disposição desse espírito obsessor, que conseguiu organizar uma fal ange para que uma tarefa não fosse cumprida. E pela sua inclinação à maldade, à vingança e o orgulho, você se deixou usar por Sebastião. Mas eu não sabia! O Sebastião me usou! Socorreu-se em prece verdadeira a Deus, Lúcia? - perguntou com sensibilidade. E , sem esperar resposta, Laryel continuou no mesmo tom delicado: Com as paixões mat eriais e, principalmente, as necessidades do corpo físico se ressaltando no plano espiritual, admita que foi por orgulho, vaidade, necessidade de vícios lascivos e fantasias sexuais que se deixou hipnotizar por Sebastião. Não foi somente vítima dele, mas sua aliada. - Breve pausa e acrescentou: Querida irmã, seu desencarne se deu por uma traição de sua amiga. Tal fato ocorreu exatamente como você fez no passado. No meou-se amiga de Débora e a vitimou com um tiro no rosto provocando sua morte prec oce e imediata pela lesão no cérebro. Foi capaz de pagar para que a matassem, simula ndo um assalto. Eu morri num assalto que a Sueli se aproveitou para se livrar de mim. Por quê?

Ao confidenciar para sua amiga que gostava de seu irmão, em vez de procurar aju da de profissionais competentes como Sérgio orientou, você se tornou um risco para a s idéias desequilibradas de Sueli. Ela acreditava que ele poderia corresponder aos seus desejos, Lúcia, e desfazer o namoro. Não! Não! - Lúcia passou a gritar por começar a experimentar as indescritíveis tortura morais como punição dos crimes cometidos. Após aplicação de passes magnéticos por outros t refeiros, ela se acalmou, mas ainda transtornada, perguntou: Essas outras vidas que vejo na mente são verdadeiras?! Sim, minha irmã. Tudo fica registrado na sua consciência. Teve oportunidades, mas não às aceitou. Apesar de dotada de inteligência e receber orientações nobres e amorosas de seus pais, inclinou-se aos vícios mundanos, às fantasias das paixões físicas. Usou a inteligência para o mal só por egoísmo. O ciúme, a ambição, a inveja, as paixões corpóreas mor. O que fez será de sua total responsabilidade e precisará cedo ou tarde harmonizar tudo sob a ação das Leis de Deus. Todo extremo é prejudicial e arcaremos com as conseqüências d os nossos excessos em tudo. Lágrimas incessantes corriam dos olhos de Lúcia que, muito abalada, tinha o peris pírito ainda mais deformado, soltando pedaços como se estivesse se decompondo. Estou louca! Matei os cachorros que o Sérgio teve por ciúme dos animais, pois ele dava mais atenção para os bichos do que para mim! Inspirei a Sueli matar o Tufi par a magoá-lo e deixá-lo fragilizado! Eu me vejo tentando seduzir meu irmão! Que horror! O sangue da Débora não sai das minhas mãos, da minha roupa! E em outro tempo tentei se duzir o Sérgio quando ele foi meu pai! Pare! Pare! Tenho dor! Eu estava com ódio da Débora, ajudei a separá-la do Sérgio ao me aliar ao Sebastião e influenciar a Sueli! Olh e o que a Débora passou e sofreu por minha causa! Como o Sérgio sofreu com sua ausênci a! Quero esquecer tudo! Esquecer! Não quero mais ver isso nem me ver deformada! Is so dói! Faça algo em nome de Deus! - berrava com repulsiva sensação de pavor, e chocada com tudo o que fez. E as cenas se repetiam em sua mente. Querida Lúcia, só você pode se ajudar a partir de agora - esclareceu Laryel com bon dade. Sebastião ainda se prende nas satisfações animais para o espírito. Deseja vingança. Mantém a crueldade no coração impiedoso. Ele tem muito a reparar, mas não aceitou ajuda. Não se arrependeu. Não será fácil Sebastião se harmonizar e se equilibrar por causa de su a revolta e egoísmo. No entanto você, Lúcia, pode se submeter à bondade e justiça de Deus desde já. Poderá me socorrer e me tirar daqui?! Poderá tirar isso tudo da minha mente?! O que vê repetidamente são os seus excessos, as conseqüências de suas práticas. Agora ntende que não prejudicou somente Sérgio e Débora, mas outras criaturas que necessitav am e dependiam deles e ainda os que precisariam desses outros. O planejamento re encarnatório é tão difícil de ser seguido e piora quando alguém interrompe o fluxo da corr ente de vida, produzindo causas desastrosas a uma pessoa, aos que a cercam, aos seus antecedentes e descendentes. É uma destrutiva reação em cadeia e com o uso da int eligência, algo pensado, premeditado e que poderia ser evitado. O que Deus pode fazer por mim?! Não quero ver nem sentir mais isso! Inabalável diante da cena triste, piedosamente, Laryel expressou-se brandamente : Veja o que você pode fazer por você. O que pode fazer para minimizar o que experi menta. Então a bondade e a justiça de Deus hão de auxiliá-la na harmonização, na reparação elevação espiritual. Crê em Deus? Eu creio em Deus! Ajude-me Senhor! - suplicou com sentimento verdadeiro. Esto u arrependida de tudo isso! Não imaginava que sofreriam assim!... Posso sentir o q ue sentiram!... Aproximando-se suavemente de Lúcia, Laryel estendeu-lhe a mão, direcionando-lhe e nergias salutares. Um bálsamo para o que experimentava. Lúcia sentiu-se esmorecida e foi amparada por um socorrista, mas ainda olhou para Laryel e murmurou com difi culdade: Você é um anjo... Apague isso que vejo e sinto. Ajude-me em nome de Deus. Imediato efeito calmante a dominou e o espírito Lúcia se entregou ao socorro. Laryel olhou docemente a cada um que a acompanhava. Erguendo o rosto sereno e transparente para o alto, teceu sentida prece de agradecimento. De seu contorno , raios reluziam ainda mais fortes, como se seres superiores lhes derramassem bênçãos

santificantes em jorro de luz, forças magnéticas em ondas luminosas para suprirem as energias despendidas por todos. Beleza intraduzível e contornos translúcidos irradiavam de seu semblante sublime. A abnegada benfeitora agradeceu aos elevados acompanhantes em nível de pensamento e ofertou doce sorriso enquanto sua figura, já transparente, desfazia-se suave so b a visão dos companheiros. O grupo socorrista terminou a tarefa e seguiu para local adequado às necessidad es de cada um dos socorridos. * * *

O dia havia clareado, mas a manhã estava cinzenta. A garoa deu lugar ao vento f rio e úmido. Sob o efeito da claridade sem brilho e do frio incômodo, Sérgio despertou do cochilo na cadeira do hospital. Acomodando-se melhor, sentiu o corpo dolorid o e uma rápida lembrança de tudo o colocou em alerta. Levantou-se e saiu à procura de alguém daquele setor hospitalar que pudesse lhe dar notícias sobre o estado de Tiago . Ao ver uma enfermeira, apressou-se para alcançá-la, porém a mulher informou que o médi co ainda estava no Centro de Terapia Intensiva, ou C.T.I., acompanhando o estado dos pacientes. Alguns minutos e Sérgio olhou para o corredor e viu seus pais caminharem ao seu encontro. A mãe o abraçou e estava em prantos. Mãe... Pai... - ele murmurou sem saber o que dizer. A mulher não conseguia falar, mas o pai perguntou: Alguma notícia? Você conseguiu vê-lo? Não... O médico está no C.T.I. e não deve demorar. Não acredito... Oh! Deus! Que dor meu filho está sentindo! - chorava dona Marisa. Procure se acalmar, mãe - pediu bondoso. Venha, sente-se aqui. Nós deveríamos ter ficado aqui com você - disse o senhor Inácio com olhos vermelhos p elo choro. Depois que fomos para casa, não conseguimos dormir e a preocupação só aumento u. Não adiantaria ficarem aqui. Eu não tive qualquer notícia. É necessário aguardar. Meu filho está sofrendo... É a pior dor do mundo! Calma, mãe. Acredito que deram sedativos ao Tiago. Um barulho e Sérgio olhou para o corredor por onde o médico caminhava vagarosamen te, observando algumas fichas clínicas. Rápido, o rapaz se levantou, foi ao encontro do médico e, mantendo-se calmo, perg untou: Doutor, meu nome é Sérgio, irmão do Tiago Barbosa, o bombeiro vítima de queimaduras sé ias e... Bem, o senhor poderia me dizer qual o estado dele? O médico o observou por sobre os óculos caídos no nariz e explicou após olhar a ficha : Tiago Barbosa... Calcula-se sessenta por cento de queimaduras graves de segun do e terceiro graus. Seu caso é sério e não posso adiantar qualquer resultado, pois... - Notando o casal sentado, falou baixo: Bem, Sérgio, ele é jovem, saudável e parece m uito resistente. Talvez outro não suportasse tanto e... Veja, minha opinião é que ele tem grande chance de sobreviver às lesões, porém ficará com consideráveis cicatrizes nas c ostas, parte lateral do tronco, perna, braços... Por sorte seu rosto foi pouco ati ngido. Somente uma leve queimadura no queixo e pescoço. O capacete do bombeiro pro tegeu seu couro cabeludo e... Precisamos aguardar. Doutor, o outro médico que o atendeu ontem disse haver uma perna muito queimada e comprometida... Existe algum risco de... - Sérgio deteve-se com olhos marejados . Ponderado, o médico avisou: Sim. Isso é verdade, Sérgio. - Olhando novamente o casal sentado, que chorava afl ito, o médico explicou: As queimaduras foram fortes e comprometeram a circulação da co rrente sangüínea para o pé direito. Precisamos evitar todos os riscos de infecções e acomp anhar rigorosamente a irrigação do sangue, mas caso o organismo não tolere, bem... Será necessário amputar? - perguntou o irmão sussurrando. Provavelmente. - Vendo o abatimento do rapaz, o senhor aconselhou: O hospital é um ambiente que esgota as forças e vocês não poderão vê-lo pelo risco de contaminação. V

casa e procurem descansar pelo menos o corpo. Isso é o mais prudente a se fazer. Poderão telefonar para terem notícias e será menos desgastante. Certo... Mas... Só uma coisa, o Tiago está consciente? Ele sente as dores da quei madura? Ele está monitorado por aparelhos e, quando recobrou a consciência ao ser trazido para o hospital, eu e o outro médico acreditamos que fosse viável induzi-lo ao coma temporariamente. As primeiras quarenta e oito horas são as mais críticas no estado em que ele se encontra. Depois disso, teremos condições de uma avaliação melhor. Muito obrigado, doutor. Faremos como aconselhou. Voltarei mais tarde. Telefonaremos caso haja alguma novidade. Certo! Muito obrigado! Após despedir-se, Sérgio voltou para junto de seus pais explicando somente sobre a importância de Tiago não contrair uma infecção e que estava sob o efeito de um coma in duzido. Acompanhando os pais até o estacionamento, despediu-se e os viu ir embora. Depo is, frente a seu carro, quando ia entrar no veículo, avistou uma pequena e bonita Capela Católica que ficava próxima a um belo jardim no hospital. Sérgio sentiu que pre cisava de um templo silencioso para reflexão, meditação e prece. Lembrou-se de Débora so zinha em sua casa. Pensou por instantes, superou o desejo de ir embora e caminho u, lentamente, até a capela. Chegou a duvidar de que Débora o esperaria, porém não pensou muito nisso. Sua prior idade era a de refazer-se espiritualmente, buscando amparo e alívio pela elevação do p ensamento a Deus para se manter equilibrado. Adentrando a capela, admirou seu interior repleto de flores agradáveis e suave perfume. Caminhou alguns passos, que ecoaram no assoalho de madeira, e sentou-se em um banco. Circunvagou o olhar e admirou os delicados vitrais. Fixou olhar na estátua de imagem angelical que simbolizava Nossa Senhora, mãe de Jesus, e do outro lado do altar a estátua representando o próprio Mestre. Ambas rodeadas de belas flo res frescas. O silêncio era absoluto e muito convidativo à prece. Sérgio suspirou profundamente e fechou os olhos, elevando os pensamentos por in termédio da oração. No plano invisível aos encarnados, suave luz cristalina era emitida de Sérgio e, gradativamente, aumentava de intensidade transformando seu semblante que pareceu ainda mais belo e superior. De seu peito raios cintilantes jorravam projetandose ao longe. Sérgio ergueu levemente a cabeça e de sua testa irradiava luminosidade adiamantada que se ligava à luz azulada, quase violácea que descia do Alto pelo vigo r da prece. Algum tempo depois, terminada a meditação, ele percebeu lágrimas quentes c orrerem pelos cantos de seus olhos e as secou com as mãos. Mesmo sensibilizado, Sérg io se sentia melhor. Estava envolto por uma luminescência vigorosa e bela que o fo rtalecia. Não demorou muito e decidiu ir para casa.

31 - Débora fracassada, humilhada e submissa Ainda era manhã quando Sérgio chegou à sua casa e não conseguia deixar de pensar em Déb ora. Uma muralha de silêncio amargo e angustiante havia se erguido entre eles por culpa do egoísmo, da inveja e da mentira. Foi difícil para ele suportar as ruínas dos sentimentos, os pensamentos inquietantes e o doloroso sofrimento por ela não acred itar em suas palavras. Sentindo o coração cortado por uma lâmina afiada, lembrou-se de se ver à beira do desespero, quase cometendo um ato insano. Apesar da gravidade d os fatos, tudo havia passado e mesmo não se esquecendo de Débora ele superou bravame nte o terrível tormento. No entanto, quando menos esperava, ela retornou abatida, parecendo humilhada e dizendo necessitar de sua ajuda. No instante em que a viu, ficou incrédulo e seu s sentimentos ressurgiram com mais intensidade, com o mais puro e verdadeiro amo r. Teve o desejo de abraçá-la e beijá-la, esquecendo o passado. Mas se conteve, pois o passado precisava de muito esclarecimento e ele tinha de ser prudente. Abrindo a porta, ao entrar, não percebeu qualquer movimentação ou barulho. A casa p

Débora se aproximou e sugeriu: Sérgio. Tem leite e comprei pão e bolo. estendeu o braço tocando sua face com as c ostas da mão. emoldurou leve sorriso no rosto. As roupas mais confortáveis que encontre i. Débora experimentou a mais desagradável sensação diante dele.Ante ao silêncio.perguntou amedrontada. Imediatamente o sono o dominou.I. Acreditou que o destino lhe ti vesse armado nova decepção. Vendo-o sair da sala. E o Tiago. Prometi que o esperaria.. P . Amav a muito o irmão. fazendo-lhe um terno carinho. Acreditei que chegaria exaus to. entendeu?! . ela prosseguiu: Você está cansado e muito abatido. uma camiseta e. Sérgio sorriu e to rnou a conversar: O que é. . um tanto submissa. pegando-a no colo e lhe fazendo um carinho. empenhando-se para que as lágrimas não caíssem.. Sérgio sentia o corpo dolorido e muito exausto. tocando-o com as patinhas ao ficar em pé. abanando o rabo e parecendo re bolar de alegria em vê-lo.riu. Puxa.. A limente-se e depois deite e durma um pouco. Sem res istir.. Meu Deus. Seu coração bati a acelerado e descompassado.. como está? Ainda no C. comer alguma coisa. levantando-se. surpreendeu-se ao ver Débora em pé. Você está fic ando muito sem-vergonha. Ele se ajeitou e confuso murmurou: Débora?! Você está aqui?! Se esqueceu de mim? . Nesse instante Sérgio andou até a janela. Com voz fraca . comentando: Vou tomar um banho logo. falou: O médico reforçou o risco de ele perder a perna ou.. Eu preparei um café. Muito tempo depois ele. Mas enquanto a senhorita não com er a ração. ele perguntou com voz peculiar de quem amorosamente bri nca com um animalzinho: O que foi. Como se não bastasse. As queimaduras foram bem graves e só no s resta aguardar. Sentia o coração apertado.. tímida e quase hesitante. mas dominou a intensa vontade e concordou..arecia vazia.Desviando o olhar e afastando-se. Se ia melhor tomar um banho e. voltando à realidade: Realmente preciso de um banho. É. . recostando a cabeça e largando o corpo. vem! Sei que que r colo. D epois ela se aproximou. deixando o olhar perdido. Não! De jeito algum! É que ao chegar não a vi e pensei que tivesse ido embora ..Ao vê-lo se virar. Eu não tenho para onde r e. Em seguida coloc ou-a no chão e observou: Tenho muita coisa para fazer e não posso brincar. .. Realmente estou.. mas avisou: Eu tomei a liberdade de separar um agasalho. dizendo: Tudo bem! Vem cá.A cachorrinha co rreu de um lado para outro da casa enquanto ele colocava-lhe ração e trocava a água.T. não é? .Ela continuava brin cando da mesma forma e ele não resistiu..falou. A toalha já está no banheiro e.Acanhou-se.. Chamou por Débora e não houve resposta.. In do para a sala sentou-se no sofá.. Ficando frente a ela. Débora! Obrigado! Não deveria se incomodar. Sofria ao pensar em Tiago..sussurrou com dolorosa piedade. . mas mantinha o controle apesar de decepcionado.. refugiar o rosto em seu ombro e somente senti-la junto de si. não ganhará carne. Achei que precisaria se sentir mais à vontade. Ele desejou envolvê-la num abraço. Após olhar pela casa foi até a porta dos fundos e a abriu. pois só quer saber de carne.. perguntou expressando preocupação: Aonde você foi? Com os olhos nublados. Não me alimentei direito ontem e estou me s entindo mal por isso. Viran do-se rapidamente. Princesa?! Por que essa felicidade toda. preocupava-se e se decepcionava com Débora que não cumpriu o prometido de esperá-lo mesmo sabendo da gravidade do que acontecia. Não acha melhor? Sérgio estava atento e mantinha o olhar fixo em Débora.. deixando s ua cachorrinha entrar. menina? Não está a fim de comer hoje? . Vendo-a fazer muita festa. ela avisou d e modo tímido: Por enquanto não posso ir embora a não ser que você me peça.agradeceu surpreso. hein?! . Não pode receber visitas.. Mas rapidamente se deteve e dissimulou .. completou: S aí só para comprar pão e algumas coisas para o café da manhã. despertou ao sentir um leve afago em seu ombro.. . .exp licou. chamando-o com voz suave. fechou os olhos.

pois su a aparência sofrida denunciava os maus tratos da vida que escolheu. ela o seguiu e. Pronto!. Contudo ela não deve comer bobeira do tipo salgadinho. Sentando-se no mesmo sofá e acomodando-se de lado sobre uma das pernas flexiona das. Ah!. Vamos! Eu te ajudo a arruma r a cozinha. eu encontrei certo valor em dinheiro na gaveta do seu quarto e peguei o necessário para comprar o pão. preocupado. chorou muito até ouvir o chuveiro ser desligado. Sorriu levemente e agradeceu. Sua sensibilid ade pesava-lhe a consciência e se humilhava por culpar-se mentalmente. disfarçando e escondendo-o entre os fios de cabelos jogados. ela correu e foi lavá-lo c om água fria.ercebeu que Sérgio havia mudado muito. Glorioso.. nem tomo café em casa. Demorei a chamá-lo.. exibindo-se descontraído. acuou-se em um canto. Ela se sentia uma estranha acolhida por uma pessoa bondosa e piedosa. Sérgio .falava sem olhar para ele. mam e tudo isso de que gosto . é por falta de tempo e. Fez bem. Eu vi que colocou ração para a Princesa. Descansei um pouco no sofá quando cheguei . Sérgio argumento u com expressiva bondade: .. Estava mais soberano e solícito. Eu arrumo isso. Alguns minutos e Sérgio retornou à sala. Quanto arrependimento! Débora chorou em silêncio. Há tempo não tomo um café da manhã com suco de laranja. aguardando-a para que se sentasse ao vê-l a trazer o leite quente.pediu ele gentilmente. Colocando-se frente à Débora. Nada disso! . o bolo. passou as mãos no rosto encoberto pelos cabelos... mas imperturbáv el. ele foi ajudá-la com a louça. seguro de si e ponderado. envergonhada de alguma forma e c om atitudes extremamente submissas. O silêncio reinou. tirando as coisas da mesa.falou com meio sorriso e sem jeito. ela não o encarava. Não sei se ficou bom.aconselhou educada . torturá-lo. Tendo os olhos vermelhos pelo choro e os cabelos cobrin do parcialmente o rosto. ele tomou postur a firme... envergonhá-lo a ponto de destruí-lo moralmen te.. cabisbaixa e com leves movimentos nervosos n as mãos aflitivas que se esfregavam.sorriu. sentada no sofá. Abaixou a cabeça. Vamos lá para a sala?! . A jovem sentiu-se gelar. Normalmente tenho o s ono leve e achei que só havia cochilado um pouco. mas a jovem o impediu de modo singul ar: De jeito nenhum. mas. Estranhou sua postura humilhada. racional e flexível. Achei que você precisaria se alimentar e só havia frutas. Débora.expressou Sérgio com leve sorriso. chegando a tremer apesar de petrificada e sem reação. mas ela o chamou à cozinha. Experimentou a respiração alterada e as lágrimas aquecerem seus olhos. ao secar as louças. Obrigado. Com tranqüilidade na voz grave e baixa.respondeu ponderado e seguro. Fiz café. vá descansar um pouco. ele comentou: Estranhei por não en contrá-la ao chegar aqui e por não ter acordado quando entrou. humano e humilde. rígida. Não é por preguiça de preparar. Não! .. ele se admirou. Vi mais ração no comedouro e não sei se. das acusações feit as com o intuito de machucá-lo. Você precisa dormir e. pediu: Sente-se e coma alguma coisa. Sérgio.. Está frio e. conhecendo-o tão bem. às vezes. mas. depois pensei bem e acreditei que era melhor acordá-lo para tomar um banho.. Sérgio fico u impressionado ao vê-la tensa. Não querendo apresentar o rosto vermelho.tornou ele. Já terminamos! .riu. ele a acolheu após tanto tempo.. equilibrado e sensível. Sem dizer nada. Era o que deveria fazer . Pode acresce ntar leite . Porém Débora mostrava-se temerosa. Ao vê-lo. mas eu já tinha posto e ela comeu tudo. mas não d isse nada.. Num gest o para secar as lágrimas. ficou virado para ela. Está explicado por que ela não comeu! . A falta de assunto enquanto se alimentavam fustigava os pens amentos de Sérgio..disse. Você dormia um sono tão profundo. Não tem proble ma. Acredita mesmo que eu conseguirei dormir? Ao menos deite e descanse. bolacha. interrompendo-a.. ao encará-la com expressão neutra. porque não tinha muita coisa para o café da manhã. o queijo. e afirmou: Agora nós vamos conversar. Deparando-se com a mesa bem arrumada para o desjejum. comer e descansar melhor. Lembrou-se de tudo o que falou para Sérgio e a maneira cruel de como o tratou. Enquanto ela lavava. Ao terminarem.. Não entendia como foi capaz de fazer aquilo. mas contou: Sérgio. Apesar de tud o.

Não. ... a jovem precisou se esforçar para encará-lo. olhou-a nos olhos e pediu com sutil e bondosa firmeza: Espere. aproximou-se de Débora. Hoje eu sei que não tenho o direito de julgá-lo pelo seu passado. por não ouvi-la argumentar. Mas.balbuciou sem conseguir terminar. Aquelas foram calúnias extremamente cruéis e injustas das quais preferiu acreditar nas tramas que a Sueli usou para nos separar e cons eguiu. que precisou da ajuda de dona Antônia e do doutor Édison. com a voz embargada pelo choro que não conseguiu conter.. Em seguida. Bem. Bem. Sérgio. quero pensar no que fazer agora e arrumar condições de me prover s ozinha.. Alguns instantes e um pouco mais calma. Ele a amava e acreditou ser um carrasco cruel pela postura aparentemente fria. . veja bem. Abraçou-a e a embalou ao acariciar seu cabelo e o rosto que ela tentava esconder em seu peit o.. Nem incomodá-lo. . sobre estar deitado ao lado de Rita e o difícil refazimento da amiga. Deus.. resp ondeu: Não quero atrapalhar sua vida. eu. ela se afastou do abraço e manteve-se cabis . pois não com eti as absurdas acusações feitas. Olhando-a naquele estado. sua irmã. nesta casa?! Calma.chorou ainda mais. Após secar o rosto. Como não pode ser ve rdade?! E a Rita?! Eu os vi juntos na sua cama. Atordoada. Agora pode me julgar. mas. do quanto sofri desesperado a ponto de. sabe que precisamos conversar. O mais importante é não cometermos os mesmos erros. Débora chorava muito em meio aos soluços compulsivo s. Eu só o procurei por não ter alte rnativa e. mas explicou detalhadamente tudo sobre sua vida. recompôs-se... tudo se encaixava perfeitam ente! Pensei em várias alternativas para não crer naquilo. Eu vou te contar. . Su a presença nesta casa não atrapalha minha vida nem me incomoda. Você me conhece muito bem e sabe que pode contar comigo. puxando-a para junto de si.. Mas não posso negar mi nha preocupação com você. ela começou a dizer: Quero que me perdoe por agredi-lo tanto. Vamos por partes. Desejava abraçá-la para confortá-la. Ao final. Sérgio suspirou fundo. Não preciso te perdoar. não estaria aqui. então. porém estava mais abatida e angustiada do que antes.chorou. deix emos isso para lá. Débora.Breves minutos e. olhe para mim. Não suportava observá-la inconformada e em pranto de arrependimento daquela forma . Às vezes uma força nos faz realizar coisas que não desejamos e.. Levantou. Vencido pelo amor... V ocê concorda? Imóvel e sem olhá-lo. Sem alterar a serenidade nem a paz de espírito. O importante é saber que eu tenho a consciência tranqüila.. por favor. Débora. Constrangida e chocada com a verdade..murmurou melancólica. mas se conteve e diu com brandura: Débora.advertiu-a com a mesma postur a serena. foi até o quarto e retornou com uma caixa de lenços d escartáveis que entregou a ela. acomodou-se no mesmo lugar. Não se altere. Mas as lágrimas não de ram trégua e corriam seguidamente em sua face. quase perdendo o controle por sua atitude. Procure se acalmar. com seu estado tão frágil. terá de decidir em quem acreditar. pois se assim o fosse.. aqui.Débora. pareceu defender-se quase em pânico pelo engano: Eu fui surpreendida com toda aquela história! Sérgio. Sérgio sofria pelos fortes sentimentos que o dominava m. Foi isso o que aconteceu. Contou também sobre o desespero que o dominou e o levou a tenta r contra a própria vida.. porém estava atenta a cada palavra. Mas como?! Eu vi as fotos! Tive cópias! Você deveria ter me perguntado isso naquela época . É preferível fazermos isso o quanto antes. Sérgio ocupou-se de longo tempo. Só poderá fazer isso depois de ouvir a minha versão sobre o assunto e sentir se é verdadeira o u não! Você.. pois ouviu a minha ver são. o que eu fiz?! .. Pensei que nunca mais quisesse me ver! Ele não se alterou. Quanto ao seu direito de julgar os meus atos. Então. Sentia o c oração apertado ao vê-la tão abalada. Quero te ajudar. esconden do o rosto ao se debruçar no braço do sofá... Após algum tempo.. porém pr ciso saber o que aconteceu.. ele continuou com o mesmo tom tranqüilo e pausado na voz mansa: Você não faz idéia do que experimentei. amedrontado.

. Preocupado. ela afagou-o secando-lhe o rosto e pediu entristecida: Não chore por minha causa. Como me arrependo!. É melhor levá-la ao médico.. ao se culpar pelo s problemas. contudo. você está bem? Não sei. mas as pálpebras pesavam e tornava a fechá-las. Imediatamente ele notou que ela perdia as forças. os lábios esbranquiçados e os olhos fechando lentamente enquanto se largava. esperando que o encarasse. quase atordoado.. deixa ndo-a com o olhar perdido. Sérgio ajoelhou-se em frente a ela. pegou suas mãos finas e frágeis que estavam fri as e colocou entre as suas.. porém acreditava que iria me desprezar. segurou delicadamente sua face pálida e congestionada.. . ele perguntou: Débora. forçandoa a olhar em seus olhos.interrompeu-a com ternura na voz. se isso acontecesse. das escolhas erradas que fiz e do quanto me arrependi nesse tempo todo. Mesmo em lágrimas. Vamos. com olheiras profundas e. acomodou-a com um abraço.ele não conteve as lágri mas.balbuciou. Perceb eu seu rosto frio. Logo perguntou: O que você está sen tindo? Não sei. Estava decid . Já está passando. Não se preocupe. eu nem mereço viver. chorava muito. apertou-lhe a mão e sussurrou: Não me deixe sozinha. O pranto desesperado deu lugar a um estado esmorecido. caso um dia nos reencontrássemos.Vendo a s lágrimas brotarem nos olhos da jovem e correrem por sua face. acalmou-se e olhou diretamente nos olhos verdes.chorou. Isso não é um tipo de tristeza momentânea! Certamente passou por situações complexas e. reaja! . Sei como você é ou era.. Com voz amargurada. sentido-a gelada.. Eu te amo.murmurou. naquele des espero.. chamou-a: Débora! Abra os olhos.. sentada na cama.. largada nos braços de Sérgio. Está muito magra. segurando sua mão. afagando-a vez e outra.. reagindo um pouco. Débora .. Ele a tomou n os braços. colocando-a sobre a cama. Como posso dizer não para esse sentimento que a ranca do meu peito toda essa emoção por vê-la assim?! Envergonhada e com nítido medo ao ouvi-lo falar daquela forma.baixa. Sentado a seu lado. Oi! Estou aqui! ... Alguns minutos e ela reagiu melhor. ela retomava a consciência. sejamos realistas. afagou-a com carin ho e compaixão. . Débora.. Sentan do-se. vamos! Vagarosamente. expressivos e marejados de Sérgio e disse: Obrigada por me acolher.pediu.. Algum tempo depois. havia algo mais do que o arrependimento...admitiu firme. Sérgio. Cobr iu-a para que se aquecesse. Eu e stava sofrendo tanto. racionais.pediu. Não diga isso! . Vou me trocar. E até por maus tratos. Débora! .. Era um grau de desespero tão extremo. como se tivesse fracassado totalmente na vida e.. Depois de tudo o que fiz com você. a jovem murmurou: Perdoe-me. mas ainda se encontrava atordoada. Tudo escureceu e. se humilha...chamou com firmeza.. em seguida completou com entonação piedosa na voz baixa: Desculpe-me f alar assim. ficarei com você. Não o mereço. Se eu pudesse mudar o passado! . porém eu a conheci muito bem e. levou-a para o quarto.respondeu.. Até sua pele e seus cabelos perderam o viço! . Ela abriu os olhos.. Agora está com reaçõe deprimentes. Tirando-lhe os cabelos do rosto.falou firme .. Eu só pensava em você. Pela demora. Não sabe o que fiz nem a vida que escolhi. Eu merecia o seu desprezo por tudo o que te fiz. o rapaz levo u a mão em seu rosto. Você não parece bem e eu note i isso desde o primeiro minuto em que entrou nesta casa. com sua vida.. subitamente ela se atirou de joelhos à sua frente e o abraçou com toda a sua força enquanto intenso ch oro a dominou. O que está sentindo? Não sei. fez com que o encarasse novamente e avisou: O mais importante é estarmos aqui esclarecendo tudo isso . abatida . Sérgio a envolveu com carinho e começou a desconfiar que. Mas eu preciso te contar tudo o que aconteceu comigo .. Procure abrir os olhos e respire fundo. Não! .. Débora .. Contudo saberia esperar. Você não merecia sofrer tanto.

Passei por situações tão difíceis. Desculpe-me.....não conseguiu expressa r-se com palavras e suspirou fundo sem saber o que dizer.. Confie em mim. . Não teve tempo . Sabe. Quer conversar? Não. dese sperada e acreditando que me mandaria embora . Você entende? E como entendo. meus sentimentos por você não mudaram. Lógico! Estarei ao seu lado e te darei todo o apoio. muito abalada. No in stante em que sentiu os lábios de Débora encostando suavemente nos seus.. Estava com fome. que estava in conformada e queria visitar Tiago..Parando de chorar.perguntou com certo medo.. Talvez não de vesse tê-lo procurado. Não existe outra. mas não pensei que fosse tão nobre assi m. Vou dar um telefonema.. Débora! Te amo demais! Existe alguém na sua vida? . certo? Você tem razão. as roupas que estou usando são suas.... Você nem imagina. afastou-a de si. Eu ainda estou em choque e. beijando-lhe a face com carinho.. ta? A moça não disse nada. A melhor coisa que fez a mim e a você mesma foi voltar aqui. Por isso cheguei aqui só com a roupa do corpo. E a jovem continuou mesmo entre lágrimas: Realmente experimentei um rebaixamento moral que nunca imaginei. Por favor. Eu te amo. em seguida ele ligou para Rita. Acredite. Jamais amei como te amo. Para minimizar o clima tenso. ela trazia um brilho diferente no ol har perdido enquanto falava: Como me arrependo.. Ainda estou surpreso com o seu retorno e não quero ser precipitado.argumentou com ternura. ele sugeriu: Vai! Anime-se! Dê uma olhada e veja o que serve. Ela se inclinou como se fosse recostar em seu ombro e ele se aproximou.. o que deixou a amiga surpresa. e ele se retirou fechando a porta do quarto.Vendoa concordar com um aceno de cabeça... Senti tanta saudade de nós. a identidade e a carteira de habilitação no bolso. Tendo-a com o rosto colado ao seu..ida.. Sérgio delica damente desviou o rosto e a abraçou. Débora.chorou.... Só você. Sérgio . Não quero te magoar. E tem toda a razão. ele explicou: É necessário que conversemos muito. Não podemos nos precipitar e. desculpe-me. Quando t eve oportunidade. . não se sinta rejeitada . Eu não poderia me envolver com ninguém... Terá meu apoio e minha ajuda enquanto estiver agindo corretamente. Percebendo-a emocionada.sussurrou entre os soluços. Quanto ao toque. Conversaram e ele conseguiu acalmá-la. é questão de tempo. O que sinto por você é forte e verdadeiro. Sérgio se levantou. com frio. E como saiu para comprar as coisas para o café da manhã? Não me importei por ser aqui pertinho. Sérgio demonstrou-se animado e perguntou: Já viu que horas são? Que tal lavar o rosto. ela examinou as prateleiras e um travo de tristeza embargou a sua voz.. pediu com brandura: Débora. mudar de roupa e sairmos para almoçar? Ela forçou um sorriso leve e constrangida. Daria um fim na minha vida. foi até o armário e abrindo uma das portas mostrou: Você deixou algumas roupas aqui. contudo é melhor es clarecermos tudo.. E por gostar de você. Eu. Você me conhece. . Eu também te amo. Acredite. afagava suavemente seus cabelos vez e outra. por favor. contou sobre Débora. mas estão enormes. Não tenho roupas para sair. Pode ser em outro momento? . Fechou os olhos ao senti-la cho rar. Ele experimentava o coração pulsar forte. Envolveu-a n ovamente em um abraço junto ao peito e afagou-lhe a cabeça. lembrou-o: Esse agasalho. Fazendo-a encará-lo. eu só mudei de lugar. Alguns minutos e. . Olhando-a com pieda de. Ele acomodou-se melhor em frente a ela e a ouvia com atenção. com ternura. Venha ver. Eu sabia que você era um homem maravilhoso. Levantando-se. . Pelo frio...tornou ela em tom triste.Ela não dis se nada. peguei a jaqueta que disfarça bem. o contato e o c arinho que te faço é porque sei que isso socorre e conforta. Perdoe-me. mas ficou parecendo entorpecida. Sofri muito e preciso de um tempo. Após telefonar para os seus pais.

Agora preciso das roupa s dela. Ainda não sei direito o que aconteceu.argumentou a jovem decepcionada. Meu irmão deve ter guardado. mas disse que não tem quem a ajude e p or isso me procurou. Nem parece que essa roupa foi minha. pessimista. São bonitas! Ela só tem um estilo diferente quando quer e pode usar.. . Mais próximos. Só lhes restava contemplar a cena e aguardar. ainda ficou muito largo. Tem bom gost o..Ela o seguiu e.. Procurando um pou co mais.. molhad a. pois essas roupas se parecem com ela. Sérgio pediu a Débora que o acompanhasse até o hospital.. . Sérgio abriu os armár ios alegrando-se ao encontrar: Aqui estão! Veja! ... Meu irmão... Não conversamos sobre tudo.Leve sorriso e chamou: Você está ótima! Vamos? Após almoçarem.. Aproximando-se. Quase não suportei vê-la tão abatida física e emocionalmente. tem tênis. Acho que são o seu número. ele a observou e elogiou: Puxa! Você está ótima! . falou: Achei essa calça jeans. não! ..ela lamentou quase chorando.perguntou antes de observá-la.. Bem.Pensando rápido. entrando no quarto de Tiago... vá você. É. mas falou o suficiente par a não assustá-la com o reencontro. sandálias.. Eu acho que vai combinar. será que não fica melhor? Pode usar com o tênis e ainda tem essa outra blusa aqui.. Estou horrível! . indo até a sala.. Mas Rita atirou-se à amiga num forte abraço duradouro que deu origem às lágrimas e ao choro compulsivo. Sérgio? Foi. De repente. Sérgio ajeitou-lhe o casaco que. Vai! Vamos logo! .. Está pronta? .disse Débora. pois tudo combina e. Nem me diga.. Ao ouvir o ba rulho da porta do quarto se abrindo. comentou: Seu rosto ficou diferente. que quase rolaram. pediu atrapalhado: Ah. Dona Antônia cumprimentou Sérgio e logo o doutor Édison se aproximou depois que o o utro médico se foi. Estou preocupado com os pacientes po r pedir para desmarcar e.Sentindo a garganta ressequida e os olh os ardendo pelos sentimentos aflorando-se em lágrimas.Rindo. E difícil conter os sentimentos. Ela está estranha.. . Rita o cumprimentou rapida mente e olhou por longo tempo para Débora. Mas par a trabalhar o estilo fica de lado. Que surpresa! ..sorriu.pediu. ela aparece com a roupa do corpo.. não! Vem cá! . sussurrou: Ela o procurou. Chegando ao hospital.Ela se aproximou e olhou enquanto ele explicou meio sem jei to: São roupas da Rita que. sapatos. murmurou : Com tanta coisa acontecendo. . Encontrei um estojo de maquiagem . dona Antônia e o doutor Édison que con versava com outro médico. que permanecia petrificada. rende-se à humilhação ao menosprezo.de explicar à Rita os detalhes de como a outra estava. nitidamente nervosa e com a respiração quase ofegante como se esperasse por alguma repreensão ou crítica.tornou o senhor. ele reconheceu Rita. Nem me diga. .. Você acha? Vai! Experimente! Fique à vontade. noite não . olhando dona Antônia se aproximando das moças.. doutor.. ele se despediu e desligou..Olhando-a melhor. O médico puxou-o para o lado.. Sérgio pegou a blusa e a ajudou ve stir.. mas reparou que a calça social que usava estava bem larga. trazendo o rosto vermelho por chorar. ela deixou aí e. pois estava mu ito preocupado com seu irmão e não queria deixá-la sozinha em casa por notar algo dife rente em sua reação com o pouco que conversaram.. Está frio e. apesar dos recortes para ajust e na silhueta feminina. sorrindo antes de f echar a porta. Certamente ela notaria a extrema mudança e o estran ho comportamento de Débora. É engraçado.. humilhada. Vej a. que se apresentava submissa e humilhada. tenho certeza de que a Rita não vai se importa r! Sérgio ia saindo do quarto quando Débora falou: E eu que sempre critiquei o modo da Rita se vestir. Será que algu a blusa serve em você? Essa de lã!. Minutos depois.. Deixa Sérgio. comentou: Tem muita coisa nesta casa que eu não sei. Ah! Espere aí! . tirando o casado. vendo-a sair do quarto de seu irmão. Acho que não é do seu irmão. Com certeza... Distanciando-se.. T rabalho de dia e o Tiago deveria dormir de dia para trabalhar noite sim.

. depois perguntou: Ele está consciente? Ficou algumas horas consciente. provavelmente.respondeu em tom de lamento. E o meu irmão? Desculpe-me. mas procure se concentrar em não perder o equilíbrio. O que aconteceu? . Você precisa tomar um ar. Apesar de seu e ocupante. O rapaz não disse nada e se deixou levar.perguntou Sérgio desconfiado. coloque os assuntos em dia e organize seus pensamentos. Mas doutor?! Sérgio! . Se os pacientes não compreenderem isso. Débora e Rita se mantinham abraçada . agarrou-se a ele usando seu ombro para desabafar com aquele cho ro. médico e confidente o abraçou forte e o rapaz. conduzindo-o ao dizer: Vem. Vi o senhor conversando com o médico.. Rita! . Rita e dona Antônia ameaçaram se aproximar. Sérgio não suportou e desmoronou em uma crise de choro. Sua mãe não se sentiu bem e precisou ir embora. Queria falar e b albuciou meu nome... diante de Débora e Rita que estavam abraçadas.. Ele é forte. amanhã cedo farão a amputação logo abaixo do joelho. Vamos andar um pouco lá fora... como poderá ser útil a eles? . Mesmo surpreso.. Quando Débora. Esqueci de avisar que os seus pais saíram daqui minutos antes de v ocês chegarem. Eu acompanhei alguns resultados dos exames e. Sérgio sugeriu irem embora. obser vando Débora.Breve pausa para o outro refletir e argumentou: É incabível eu dizer para não se preocupar nem se abalar ou não se atormentar. Sérgio e por isso foi novamente induzido ao coma e precisou ser entu bado para respirar melhor. Passe o dia com ela. Seus sinais estão instáveis. Eu estava lá. mas sussurrando. o médico fez um sinal e d ona Antônia as deteve. .expressou-se enérgico. por inalar ar muito quente. Veja. foi o médico quem não segurou as lágrima s e se abraçou ao rapaz dando-lhe um beijo paternal no rosto. em pranto doloroso e extr emamente aflito.aceitou Sérgio. houve queimaduras nos pulmões.Desmarque os pacientes de amanhã . Chamou pela Rita. Vi... Passados alguns minutos de triste lamentação.. Ele sent ia muita dor. Rita. não se concentrar. você consentiu que os avisasse sobre o estado grave de seu irmão.Muito emocionado e triste. Permanecendo em absoluto silêncio por l ongo tempo. 32 . Imediatamente lágrimas brotaram dos belos olhos verdes de Sérgio. correndo por su a face abatida. as proporções das que duras foram grandes. mas não se manifestou e retornou para sua casa e m companhia do doutor Édison. Ele cerrou os olhos. Sérgio se recompôs e pediu: Desculpe-me e obrigado. .. Com a certeza de que não poderiam ver Tiago. O amigo. abaixou a cabeça com imenso aperto em seu cor ação. pediu: Posso ir com vocês? Claro.opinou o médico. O senhor o viu?! . O senhor é mais que um pai para mim. é p or falta de bom-senso. Sérgio secou o rosto com as mãos enquan to o doutor Édison sobrepôs o braço em seus ombros. Sérgio não disse nada e logo o outro sugeriu: Vamos entrar? Claro.Tiago sofrendo na prova do fogo e mutilação Era quase noite quando chegaram à casa de Sérgio. Dona Antônia não ficou satisfeita.disse. o doutor Édison desfechou: Não há irrigação sangüínea para o pé e iniciou-se uma severa inflamação. pois essa menina está realmente precisando de você . Afinal. O Tiago não está muito bem.interrompeu-o preocupado. mas agitou-se e. não é fácil segurá-lo os médicos temeram mais complicações nas queimaduras. por você. Ouvindo aquela frase sentida e verdadeira. Se emocionalmente não estiver bem. extremamente triste e abatida. Admita que é um ser humano sujeit o aos problemas e às dificuldades da vida. Acho que me reconheceu. mais de sessenta por cento do corpo e com variações de segundo e terceiro graus.

Uma angústia pairava no ar. seus olhos. O que acha? Não tenho fome. ela afastou-se de Sérgio e Débora... E. Mas eu quero ficar na cama dele. Não comi nada nesses dois dias e.. Rita se foi e ele desligou a TV. Não havia o que dizer. Ao se erguer. Sentando-se ao seu lado.. os três retornaram à sala e l igaram à televisão.. Não agora! Veja como está abalada e exausta. Rita tinha lágrimas empoçadas nos olhos e. Levantando-se novamente. Acho que foi minha pressão.perguntou preocupada.. ele retornou à sala. Princesa.avisou. já ao seu lado. . Ao voltar. Débora o seguiu encontr ando-o cabisbaixo com as mãos apoiadas na mesa. ela acariciou-o nas costas percebendo-o tenso. A amiga estava pálida. murmurando depois que Sér gio a fez se sentar: Está tudo bem.respondeu compreensiva. qualquer coisa. mas consciente. após ingerir a bebida. certo? Certo . Rita começou a chorar compulsivamente ao ver a cena e Sérgio correu para pegar a camiseta quando a moça o chamou quase num grito: Não!.. vou me deitar e. Rita chamou: Vem. Sérgio.... avisou com voz br anda: Se não se importarem. Não podemos nos enfraquecer. levantando-se: Tome um banho bem quente e..... . Vem! A cachorrinha obedeceu e tornou ao seu colo... imedi atamente. servindo-as e se servindo depois. arrastava uma camiseta do corpo de bombeiros q ue pertencia a Tiago e brincava com a roupa. ao vê-lo daquela forma. Olhar para você é como ver o Tiago. .Conduzindo à amiga.. Algum tempo depois... Estava velha. Sérgio se virou. Já estavam na sala quando ele soltou a cachorrinha que. certo? .. encarando-o.. mais refei to. Então faremos um lanche aqui mesmo. Também em lágrima s.acariciando-a argumentou: Você ficou sozinha hoje.lamentou entre os soluços que embargaram sua voz. Débora corr eu ao encontro dela e a chamou: Rita! O que foi?! . não é? Lógico. Débora. Princesa. Sentando-se. vendo Rita triste e abatida afagou-a ao pedir educado: Toma um banho e nós três sairemos para jantar.murmurou com voz chorosa. inesperadamente.Ela acenou positivamente com a cab eça concordando. você me ch ama....perguntou à amiga. . . os lábios brancos. Não quero sair. Sérgio. Foi o Tiago quem deu para ela. . Não conversavam nem estavam atentos ao f ilme. Não vou conseguir vê-lo sofrer. você pode ficar com ela? Lógico! . vou te ajudar.. preparou um chá e levou para a sala. Sérgio percebeu que Rita não tinha se alimentado direito e por isso voltou à cozinh a. Tod a a dor pelo que aconteceu com o Tiago está te castigando e.. Nem ima ina como estou. que suava frio. Quer que eu fique com você? .concordou... E sozinha. Vai lá . Débora e Sérgio se entreolharam por longos minutos ininterruptos até e la não suportar e abaixar a cabeça por algo oprimir violentamente seu coração. Você não sabe. Rita cambaleou e ia cair quando Sérgio a segurou firme. por favor.. foi? Débora também afagou-a no colo de Rita quando. puxou-a para um abraço e aconselhou: Quando o Tiago se recuperar e a vir assim.. . e ele propôs. . Claro. ele se sentirá culpado pelo seu sofr imento. Rita! . Posso ficar no quarto do Tiago. exibiu-se com mais equilíbrio e ele pediu: Débora....exclamou Sérgio atencioso.chorou. Sérgio não conteve as lágrimas e se afastou indo até a cozinha. * * * Após um lanche que Sérgio preparou com a ajuda de Débora.. E. que parecia incomodar. falou: Vem Rita. Rita. passando as mãos pelo r osto.. Não me leve a mal. Ele significa muito para mim e.Pedindo ao animalzin ho..s e em total silêncio. correu e pulou no colo de Rita e a jovem falou com expressão de imensa d or: Oi.. levantando-se desalentada. a cachorrinha pul ou para o chão e correu. envolveu-a num abraço e chorou em seu ombro.

Débora exibia-se aflita. a Yara telefonava e.. Vendo-a se acomodar com modos nervosos. eu o pegu ei ao lado da Rita aqui nesta cama. a Sueli fez aquele inferno com aquelas fotos!. ao saber que você não estava comigo.perguntou com brandura. Por isso quero ouvir exatamente tudo o que tem para me contar. ele se deteve sem que Débora o p ercebesse e ficou observando-a com olhar perdido e melancólico na face triste e ab atida. provavelmente. incomod avam-me. a Yara ia me visit ar. colocou-a na f rente da jovem e se sentou. .. Às vezes.. quando estava reformando. Sérgio a encarou por longos minutos.. Fa lando baixo e estendendo-lhe a mão. tantas preocupações e muita angústia. passava a ligação para ele.. tivemo s problemas com nosso namoro pelo seu ciúme.. present es. Com a voz entrecortada pelos fortes soluços. passei a ter sentimentos estranhos. perguntou com voz vacilante: Você está exausto. caminhou até a porta do quarto onde Rita havia apagado a luz e deixado à porta um pouco aberta... revelou: O Breno manteve amizade com a minha irmã e sempre mandava notícias.Fixan do-lhe olhar penetrante. Não parava de imaginar como você pôde me en ganar. Eu sabia sim. Era algo repugnante! Eu te procurei para conversarmos. todos que passaram a freqüentar esta casa. Débora. Quando me disse que não tinha para onde ir nem a quem procurar.. . você lembra. Mas você precisa saber. não está dormindo e eu prefiro mais privacidade... eu est ava decepcionada! Pensei que minha vida tivesse acabado! Meu mundo desmoronou! E u não tinha um emprego nem como me manter. Ao entrarem. Tenho fortes sentimentos por você e.. ela sobressaltou surpreendendo-se ao vê-lo a sua frente.Chorou. A Yara passou a infernizar mi . flores ou me ligava. Não tinha como pensar diferente! Tudo se voltava cont ra você! E. o que você não sabia era que o Breno me procurava com freqüência. Sérgio se manteve atento.. Eu reconheço que agi muito mal . porém logo co ntinuou: Sérgio.. Eu te amava e fiquei enfurecida com aquelas mal ditas fotos e depois de te falar tudo aquilo no consultório do doutor Édison. Comentei isso com a Yara. Por que não me procurou antes? Ela ergueu o rosto banhado de lágrimas.. Mesmo a ssim. mas minha irmã não me dava bons conselhos quanto ao nosso namoro e.sussurrou temerosa. Na ver dade.admitiu arrependido. Não é melhor dormir e conversarmos amanhã? Não vou conseguir dormir. Como não acreditar em tudo o que vi?! . . Você me contou . Como assim? .. . encarou-o mostrando-se acanhada e com a voz trêmula iniciou: Não imagina como estou envergonhada e com medo. A Rita. por você relutar em sair da polícia. Retornando à sala. pediu com educação e generosidade: Vem cá.Sem pensar ela levantou. A Rita me incomodava quando morou comigo depois da morte do Rogério e do noivo por eu achar que você dava mais atenção a ela.respondeu com jeito compreensivo e controla do. trêmula e envergonhada. Importa-se de conversarmos no meu quarto ? Não. silencioso e com semblante sere no. Comecei a ter um ciúme quase doentio! Eu não podia vê-lo perto da Rita e até a presenç do Tiago junto de você me incomodava muito.. Eu sei.. que sofre u o que não imagino e sentiu saudade de nós. A falta de confiança é a pior coisa que pode haver entre duas pessoas.. . Mas meus pensamentos ferviam.. falando com brandura: Expliquei tudo a me u respeito. Assim que perdi o emprego e me vi em uma situação difícil. Sérgio apontou a cama pedindo gentil enquanto fechava a porta: Sente-se. Aproximando-se. minha melhor amiga me traiu com você e ai nda descobri aquelas fotos. Sabe. Débora. falamos sobre toda a minha vida e até o que gerou nossa separação. o rapaz comentou cauteloso: Não pense que pretendo ser superior ou algo assim. você sabe . Mas não te contei tudo. por favor. fiquei preocupado. como pôde ser tão vil!...Sérgio se levantou. Ao mesmo tempo. Então ela prosseguiu: Desde quando saí da casa dos meus pais. Apesar de todo o cansaço. buscou forças interiores. obedeceu e ele explicou murmurando: Nós precisamos conversar e aqui na sala não é um bom lugar.chorou. pensamentos esquisitos e não entendia..falou calmo... Mas ela se mudou. Débora.. ele pegou uma cadeira.Vendo-a cabisbaixa e lágrimas correre m em seu rosto. Fiquei quieta e sofria calada. minha irmã não me dava um tempo para pensar. Você significa m uito para mim. Em seguida.

que também prestava serviço como uma espécie de despachante alfandegário que lida com a documentação da alfândega.. ele denunciaria o meu pai e meus irmãos pelas porcentagens subt raídas de todos os serviços ilegais prestados. Mas nunca. eu acabei indo morar com ele.... uma angústia. O Breno me ameaçou dizendo que se eu contasse algum a coisa para alguém. Chorando.. mas quando me dava conta da situação já tinha aceita do. Durante os acontecimentos eu não me importava. . fazerem lavagem de dinheiro ou depósitos fraudulentos fora do país . lamentou: Foi à escolha que eu fiz.. Comecei a crer em sua integridade. lavar louça e roupa. Ao mesmo tempo.. Bem. Foi a única saída que encontrei para me manter. eu escutei uma conversa e descobri que meu pai estava envolvido com tráfico de diversos produtos.. A rica e prest igiada empresa do Breno e do Lucas era uma das que aceitavam fazer o carregament o de drogas. explicou: Em outras pal avras. O Breno parecia sempre solícito. por um único dia. um vazio imenso e uma saudade mortal me dominavam. As coisas estavam difíceis e pelo modo como o Breno me cativava com seu jeito. . no que se ntia. Polícia Federal e tudo mais. Sérgio permanecia calado. o Breno foi se aproximando como amigo e me tratava mu ito bem. mas .. .. Foi então que ele se revelou. Perdi a vontade de ir à universidade e nem tranquei a matrícula. como estava. Débora. Muita gente importante.. de alto nível.Mais calma. Chegava a suar frio e passava discretamente a mão no rosto para disfarçar. eu quase não ia mais trabalhar e passei a ser servida por empregados. mas continuou: Nessas alturas meu pai se reconciliou comigo.. Eu só pensava em você. armas. invadidos po r opiniões estranhas e comecei a fazer comparações. Seu carinho. além de pagar às pessoas certas para o contrabando dos produtos.. amigo e me contratou para trabalhar em um a de suas empresas junto a ele. Mas a culpa foi minha por deixar as c oisas irem longe demais entre mim e o Breno. Viagens e passeios.. mas revelou: Muitas vezes.Entre o choro arrependido.. Vivendo. contou: Você lembra que eu não queria deixar meu apartamento para morar com você. deixei de pensar em você. isso quer dizer que os contrabandistas que negociavam com meu pai para so negarem impostos. Sei lá.. Entretanto o Breno me envolveu de tal modo!.. inf luente. Vivendo lá com ele. lembrando seu respeito po r mim. dentro ou fora do país.. me sentia leviana. desfrutando todos os confortos da mansão do Breno. Meus pensamentos eram conflitantes. desde religiosos até políticos. com pessoas influentes. mord omos e motoristas. Surgiu um romance entre nós.. Um dia e por acaso. O que eu exigia de você? Você queria que eu aprendesse a cozinhar.pediu. contendo as emoções. meu pai e meus irmãos faziam até lavagem de dinheiro.. prostitut a. Isso não saía da minha cabeça. Fui conversar com o Breno a respeito e fiquei abismada ao descobrir que ele e o cunhado estavam envolvidos em negociações muito mais sujas e junto com o meu pai. para saírem ou entrarem no país.. Mesmo entre os soluços. Pode explicar melhor? Bem nervosa. Comparecia a algumas das festas e até nos visitava... mas não a deixava perceb er. Eu estav a deprimida e decepcionada por sua causa. e nquanto ele me tratava como uma rainha.Exibia-se exausta... O tempo que me deu quando não me via preparada para um rom ance mais íntimo.. eu me sentia mal. Por que acha isso? Eu não queria determinada coisa. falindo financeiramente e não arrumava e mprego. Eu desabaf ava com o Breno e ele me ouvia. me distraía. Sofria e estava muito nervoso. Usando de fachada sua grande companhi a advocatícia. pois algo me dizia para não aceitar aq uele emprego. Você exigia algumas coisas de mim. . eu ficava furiosa ao me lembrar de vê-lo ao lado da Rita e das fo tos com sua irmã. Mas eu estava longe de saber como é imundo o vício ou os prazeres de alguns grupos da alta sociedade.nhas idéias.. dinheiro e outras coisas em suas caixas ou contêineres para gr andes carregamentos. com s uas palavras. ela continuou: Então. Ela parou de falar e chorou muito. mas. quando deitava. Débora chorou um tempo pelo grande remorso. Sérgio! Às vezes parecia que não era eu! Não conseguia pensar! Calma .. Sérgio sentiu como se uma espada atravessass e seu peito. Não entendi. feito ou participado. políticos e alguns religiosos usavam esses serviços de tráfico.chorou. De repente me vi às voltas em festas luxuosas. confessou: Só que com isso.

. não sabiam que meu pai ficava com uma fração bem maior além do que eles pagavam.. Coisa que ninguém pode imaginar. o Breno narrava os detalhes que percebia nos atos. Era uma orgia! Algo nojento! Ele a obrigou a participar dessas orgias? Não!. com a cabeça baixa. estavam embriagados. práticas de sexo coletivo promíscuo. E só e ntão. sentan do-se ao seu lado...Breve pausa e ainda chorando. E ela conseguiu. Sérgio se levantou rápido e. Sérgio argumentou: Isso é crime. algo e m grupo.. Ama rgurado. Minutos depois.. prosseguiu: Uma v ez ele me obrigou a ir a um cruzeiro que ele patrocinou. . Ele me violentou! Os dois seguranças viram e ficaram olhando! Rindo! Sérgio não suportou. vamos dizer assim. Isso seria morte certa para mim e para você! Você não imagina as ameaças que me fez c aso eu fugisse e te procurasse! Mesmo agredida. Não.. pedia sussurrando para que se acalmasse.. Ela desapareceu! Tentei correr.. Algum tempo e o Breno fez um sinal. Em meio aos soluços.. fui obrigada a me produzir para uma da s festas a bordo... viu-a se encolher e esconder o rosto.. Ele era doente! Em pensar que faziam parte do alto nível social.. de festas. Só que morreu por isso! Ele ameaçou fazer o mesmo com você.. Depois falou: Ela estava nua como a maioria... perguntou com piedade: Além da agressão. Ele me bateu! Ficou furioso por eu tê-lo arranhado e m e agrediu muito! Entrei em desespero e não sabia o que fazer. ele me bateu. nesse navio.exclamou com a voz sufocada.. Isso é uma máfia! Um submundo nojento! Sérgio ouvia calado.. ma s me seguraram. Ele só go stava de assistir e. Comovido. disfarçando o meu ódio. E todos que viram não se importaram. Bem mais tarde. mandou eu me vestir b em e aprender a me comportar. a festa começou a ficar diferente. Foi um homicídio! Eu sei. ele socou meu estômago e eu não conseguia reagir.questionou parecendo tranqüilo. continuou: Na noite seguinte. o Breno me contou que aquilo era só um aviso e que a Yara estava lhe dando muito gasto no trato que fizeram.. Parecia que o meu desespero.. Puxou-a para si e Débora agarrou-se a ele.. envolvia-se com um e outro.. Logo minha irmã caiu e foi puxada por aquele peso..Débora se de teve com olhar perdido. conheci um outro mundo mais podre. Percebi que a maioria usava drogas.. negociant e ou comparsa do Breno. Não consegui e perto de outras pessoas eu ag redi o Breno com palavras.. c ontou: Quando terminou. algo preocupado..Afastando-se de Sérgio. Os homens só riam e assistiam. além de festas daquele tipo. el e me bateu ainda mais. o meu sofrim ento servia de prazer para eles! Isso é sadismo! .. Parecia algo comum! Quando retor namos... o que mais aconteceu para você reagir assim? Quanta humilhação! Quanto horror! . me levou para o camarote e me agrediu! Agrediu violento com. Longa pausa e pr osseguiu: Como um ser humano pode ser tão cruel?! Depois de rasgar meu vestido. Quando gritei.. Mal respir ava.. entrando em desespero. comportamento sujo. nus na piscina ou. o B reno verificou se meu rosto estava marcado.. Seu rosto estava expressivo. Não. O Breno m e levou para perto e eu vi amarrarem algo em sua cintura e jogarem ao mar. conforme andávamos pelo convés. mas seu coração apertava. vil.. Discretament e os seguranças a tiraram de onde estava e a levaram para outro lado. pois s . Na frente de todos daquele cr uzeiro. asquerosas.... Totalmente alucinada pelo uso de entorpecen te. parceiro. caso minha irmã conseguisse aproximá-lo de mim.. A Yara estava nesse cruzeiro e.. Sempre estávamos vestidos com trajes elegantes.. cada ocupante daquele navio era amigo. Ele sobrepôs um braço em se us ombros e. Foi então que Débora chorou novamente enquanto contava: Briguei com o Breno e. eu não podia falar nada. ele me beijava e me abraçava como se nada tivesse acontecido. . Com medo eu obedeci. com vícios deg radantes. No início da noite. Toda aquela gente. E isso fo i só o começo! . meus irmãos poderiam se considerar mortos por esses cri minosos. Como não estava. Ele aceitou providenciar e abastecê-la com entor pecentes. sem caráter. afagando-a com carinho. chorando muito.Chorou. Se o Breno denunciasse meu pai. Vendo-a chorar em desespero e quase gritando.. Por que não o denunciou? . Ele sorriu. o rapaz pergun tou: O Breno mandou ou permitiu que os seguranças fizessem o mesmo com você?. naquelas pessoas repugnantes. Eu não o queria! E. despiam-se e se relacionavam uns com outros.

Seu prazer era o de me machucar! Ele er a um monstro! E os empregados? . sentindo os olhos se aquecerem pelas lágrimas que brotavam: Quando você falou em agressão na primeira vez. mas ela se recusou. Eram doentes! Sádicos! Eu não podia sai r mais. abandonaram a casa. Mas nos viram conversando e não a encontrei mais. Sérgio amargurava-se com os relatos.. ele perguntou.Com voz frágil contou: Algu s negócios começaram a dar errado. Pode falar . fazia carinhos e literalmente be ijava meus pés. beijando-lhe a cabeça enquanto a embalava vagarosa-mente. Após algum tempo. aceitou meus limites. vexatório! Sérgio! . . Não engravidava e não menstruava?. Alguns seguranças. O Breno começou a agir de modo desequilibrado. por me d eixar levar. Me tratou com tanto amor. Eu não tinha ninguém para pe dir ajuda! Era vigiada o tempo todo! Algumas vezes o Breno chegava e me agradava. Com isso você se refere à agressão física ou sexual? Chorando e experimentando imensa humilhação. Sentia-se mal. pois eles têm uma filha.. . mas. ele gritou e berrou por saber que meus irmãos. O caso dela era pior do que o meu. mas através das câmeras de segurança. lu xuosa e onde havia o maior grau de requinte que já vi. esperou. Não quero te torturar.. . Alguns empregados. Quer um pouco de água? Vou pegar.. porém seus pensamentos e a indignação fustigavam sua mente. Quis morrer. a proteção do Breno e não sei o motivo.. Não. Agora.. pois o marido dela não era dif erente.. Após quinze dias .. não sei bem o que era. depois de determinado horário deveriam ir embora.. cauteloso. carinho!. O Breno chegava furioso. Mas os seguranças eram os mesmos e.gritou em desespero. Fiquei presa naquela casa como prisão domiciliar. viajaram para o exterior e não voltaram.. Sérgio! Tudo bem. Acariciando-a vez e outra.. . ela respondeu: Às vezes uma.abia que eu não o tirava dos pensamentos! Fiquei apavorada! Procurei falar com a E lza. Não agüento mais... Ele cismou que queria um filho e. Sentia prazer nisso.Entre os soluços contou: Ele queria um filho e chamou um médico para ir lá. contou que ele a agredia. Seus olhos se encontraram e Débora falou com pr ofundo lamento na voz: Preciso te contar tudo.. Eu não conversava mais com ele e por isso me batia. Mesmo embriagado. Geralmente me agredia. contou qu e os dois deram um golpe e avisou que meu pai era um homem morto.. Percebi que alguma coisa os amedrontava... Ela chorou e Sérgio estava atordoado com o que ouvia... os meus pais viajavam de carro para o Rio de Janeiro e morreram em um acidente por excesso de velocidade. Débora pareceu não ter mais lágrimas e quis se sentar. O médi co foi e tirou esse implante. Não! Não queria aquilo! Preferia morrer! Nova crise de choro a dominou e Sérgio a envolveu em seus braços. Procurava se manter aparentement e calmo.. mas te devo muitas explicações.. No dia seguinte me torturava. O Br eno me agredia muito! Paguei um preço alto demais por uma escolha errada. Então perdi toda a liberdade. afastando-se do abraço.. isso foi seguido de violência sexual ..Ela chorou ao dizer: Foi quando.. Um dia. mas meu pai estava envolvido ..Breve pausa e lamentou em choro: Naquela mansão maravilhosamente rica. . pe rguntou: Você lembra que eu usava um implante e.sussurrou com voz fraca. Orgulhav a-se do que fazia e se comprazia com os seguranças olhando! Fui tão ultrajada. Outros for am contratados. Não podia sair sozinha e até os telefones foram gramp eados. . porém não dizi a nada. inclusive dentro da casa e em lugares que eu ignorava. Ele delicadamente tentou segurá-la .. Outras vezes as duas. Bebia e se drogava. Às vezes.. a Emy e o Élcio. Perplexo.. Ficava alterado e era um inferno..Olhando de relance para Sérgio.concordou com voz ponderada e olhos vermelhos.. mas ela disse para eu me acostumar. . O Lucas e o Breno estavam com medo e passaram a se reunir várias vezes trancado s no escritório. humil hada! Era obsceno.tornou Sérgio.. Eu me lembrava de você! P edi a Deus que me encontrasse! Você me respeitou.. Tentei me matar. mãe da Cris. que eram fixos. . conside rados mais fiéis. Nessa época muitos foram demitidos e empresas prestadoras de serviços vinham a ca sa.. apertava os dentes sem perceber e fechava os punhos com força pela . eu era agredida quase todo dia e. eles me viram e eu apanhei.. sempre com medo de ser perseguid o.

ele afagou seus cabelos e as costas e Débora des fechou com impressionante inflexão dolorosa na voz: Eu lembrei de ir até o quarto.fal ou sentida.Débora ofereceu uma pausa. angustiado e indignado.. quando o Breno percebeu que eu não me alimentava. o rapaz não disse nada. dificultando uma extradição. mas não! Ele queria um filho. Esse homem era d iferente. Ape sar de não te esquecer. falou: Nós somos bandidos! Já matamos homens safados.. segurou Breno pelos cabelos e bateu seu rosto contra um móvel várias vezes. procurando-o com o olhar... mas. não tive coragem de me matar.. Um dia. Olhou para mim e gritou: Cor re mulher! Suma daqui! Estava tonta e sem saber o que fazer. Débora contou em desespero: O Breno me forçou! Eu não o queria! Tinha nojo dele. Por isso pensei em morrer. mas tentava não interromper o desabafo angustioso. mas esse. Lá me deram uma sopa e arrumaram um lugar para eu dormir junto de algumas desabrigadas. permanecendo a seu lado afagando-lhe o rosto abatido. e ele me arrastou pelos cabelos até o quarto e. E. Meu orgulho... . delicadeza e as melhores generosidades.. carinho. a preguiça da minha parte para lutar. se você me mandasse embora quan do chegou e me encontrou em seu portão. O Breno estava tonto. Mordomias. minha vaidade.. a falta de te dar uma oportunidade e outras coisas me levaram a a ceitar o que era confortável. E o procurei. Meu erro é impe rdoável.. havia cheirado cocaína e começou a me bater.. A princípio. pegar meus documentos. sofisticado. acom odando-se ao seu lado até ser arrebatado por um sono profundo. Um dos seguranças novos me viu desmaiad a e me levou para o quarto. e scondendo o rosto em seu peito. Parecia que se transformava. a refinada casa. Sérgio a abraçou forte e Débora correspondeu.. extremamente nervoso. Eles nunca conversavam.aflição. *** . Rezei tanto! . eu aceitei o que era mais fácil e conveniente. Sua voz ficava estranha! Certa vez. levantou-se. Empregados para tudo. Tive medo e não disse nada. Ele era sádico e gostava de ser visto. Foi até a cozi nha bebeu alguns goles de água e retornou ao quarto. acabar com essa minha vida desgraçada... Num impulso. pensou que ele era como os outros. pegou uma porção grande de entorpecente e colocou no copo de uísque. Saí sem rumo. acomodou-a n a cama e a cobriu. Pegou outro pacotinho. Esse homem avisou que o Breno queri a que eu engravidasse para sair do Brasil. e depois de meses eu não engravi dei.... .. Vendo-a exaurida de forças. Sentando novamente a seu lado. Ele permaneceu acariciando-a com delicadeza. Como alguém pode ser tão falso? E e u tão ingênua? As requintadas festas. Até que aconteceu algo estranho. Outro segurança aparec eu e avisou que já tinha colocado fogo nas gravações.Chorou.observando suas mãos frágeis e trêmulas.afirmou. Fiquei por quatro dias ali e pensei muitas coisas. Mais serena.. eu jurei me matar.. para a criança nascer em outro país e ele ganhar direito à cidadania... Mais recomposto. Ele passou a me espancar!. Não tinha mais família. mas tomava água e me sentia cada vez mais fraca.. mas ele me violentava! Queri a que ele me matasse. Deu-me água e depois falou num tom revoltado que não suportava mais ver aq ueles maus-tratos. Orei!.. Vai logo! Some daqui! . por um calçado e trocar a b lusa rasgada. mas não desmaiado e o homem o fez beber tudo aquilo . Em outras palavras. rasgou e o fez cheirar.. Como viver com isso?! Entretan to fui covarde. havia muita atenção... Sua feição mudava e às vezes falava coisas sem sentido. Era um doente! Mas naquele dia chamou o segurança e mandou que me se gurasse.. Ele o levou par a a sala e eu o acompanhei a distância e assisti a tudo.. Vi quando o segurança o s entou à força em uma cadeira. luxuoso. ajudou-a a segurar o c opo para que bebesse a água.. levando um copo com água adoçada e pediu com bondade: Toma um pouquinho . usou o seu nome. Fugi.. Vir