FORÇAS PARA RECOMEÇAR Eliana Machado Coelho Pelo espírito Schellida

Índice 1 Reunidos pelo destino 2 Sérgio e Débora se reencontram 3 Dificuldades em família 4 Débora hospitalizada por causa de uma mentira 5 Rita, uma grande amiga 6 Débora enfrenta a oposição do pai 7 Sérgio e Débora: do passado ao presente 8 Respeito e amor 9 Sérgio se deixa dominar pelo ciúme 10 Sérgio revela o assédio de sua irmã 11 A ação dos espíritos inimigos 12 Psicólogo Espiritual 13 O desespero de Rita 14 Terapia de uma evangélica, ex-espírita 15 O romance abalado pela influência espiritual 16 Rita tentada pelo suicídio 17 Débora flagra Sérgio dormindo com Rita 18 Os olhos de Deus 19 Fotos contra Sérgio destroem o romance com Débora 20 Breno aproxima-se de Débora 21 Opiniões do doutor Édison

22 A benfeitora Laryel interfere no suicídio de Sérgio 23 Cabe a Deus alterar o destino 24 Discussão entre Sérgio e o médico 25 Juntos, Tiago e Rita 26 Psicólogos de amor 27 Suicidas em sofrimento no Plano Espiritual 28 Conversando com Jesus 29 Reflexões de um Psicólogo 30 A elevada Laryel intervém na obsessão injusta 31 Débora fracassada, humilhada e submissa 32 Tiago sofrendo na prova do fogo e mutilação 33 Débora teme conseqüências do passado 34 É preciso força para recomeçar 1 - Reunidos pelo destino Ah!... Que droga! - protestou Débora vendo sua pasta ir ao chão. Uma das pontas d o elástico que servia de amarra escapou. Algumas folhas se soltaram, espalhando-se parcialmente, prestes a voarem por causa do vento. Rapidamente a moça se ajoelhou a fim de apanhar os papéis. Ao erguer sua bolsa de pertences pessoais e outra pasta com modelo de valise, ambas alçadas em seu ombro, escorregaram embaraçando-se e dificultando a agilidade para organizar os documentos que segurava com uma das mãos. Como se não bastasse iss o, sua roupa sujou na altura do joelho, deixando-a mais irritada. Era uma bela jovem, bem arrumada e, como todos os transeuntes, estava com pre ssa. Não queria se atrasar para uma reunião na biblioteca com suas colegas a fim de realizarem um trabalho para o curso universitário que faziam. Além disso, pretendia ainda estudar para uma prova. Mas naquele dia tudo parecia colaborar com o intui to de atrapalhá-la. Tentando ser rápida, ela juntou tudo. Arrumou a pasta e desembaraçou as bolsas la nçando as alças novamente ao ombro. Ao curvar-se para tentar limpar a roupa, não pôde de ixar de ver uma criança chorando. Aquilo lhe chamou muito a atenção. Débora estava impaciente, mas acabou sendo refém de um sentimento inexplicável. Ela olhou para um lado... Para outro... E apesar de muitas pessoas irem e vir em, ninguém parecia ver ou se importar com aquela criança. Se talvez a vissem, ignor avam sua presença e nítida necessidade de amparo. A jovem olhou para as escadarias do metrô, para onde pretendia ir, porém sentiu-s e como que envolvida por uma força maior. Algo naquela cena tocou seu coração generoso . Tratava-se de uma garotinha, aparentando pouca idade, sentada no degrau paral elo a uma vitrine, num cantinho em que mal se podia enxergá-la devido à floreira com arbusto que praticamente a escondia. Estava encolhida, com as perninhas dobrada s e as mãozinhas cobrindo o rosto abafando seguidos soluços dolorosos que os ruídos do grande centro financeiro não deixavam alguém ouvir. Atendendo ao chamado de sua bondade, Débora se aproximou perguntando meigamente : Oi, meu bem! O que aconteceu? - A menininha só chorava, enquanto a moça a observo u com atenção reparando que estava bem vestida e arrumadinha, não parecia se tratar de uma menina de rua. No braço, a menina trazia delicada pulseirinha que combinava c om suas sandálias, cujos detalhes da moda infantil eram iguais. Preocupada, a jove m insistiu com voz afável: Oi querida, onde está a sua mamãe? - Sem obter qualquer res posta, delicadamente, Débora tirou-lhe uma das mãozinhas do rosto para vê-la melhor. Lágrimas corriam ligeiras naquelas bochechas coradas e seus olhinhos esverdeado s mal podiam ser vistos pelas pálpebras avermelhadas. Com a outra mãozinha, a garotinha esfregou o rostinho e a moça aproveitou para ti rar-lhe os fios de cabelos colados em sua face úmida. Fazendo-lhe um carinho nos c abelos cacheados, parcialmente presos por uma delicada tiara rosa, Débora sentou-s e a seu lado falando com brandura na voz: O meu nome é Débora. Qual é o seu? Cris... - respondeu em meio aos soluços. Cris!... - E então, Cris, onde está a mamãe?

A... Ma... Mãe... Su... Sumiu... - gaguejou a garotinha. Onde você estava com a sua mamãe? - A menina gesticulou com os ombrinhos insinuan do não saber e Débora perguntou: Quantos aninhos você tem, Cris? - A garotinha mostrou -lhe quatro dedos para responder a idade e a jovem tornou a questionar: Como a s ua mamãe se chama? Foi necessário Cris repetir algumas vezes para ser entendida, pois os soluços não a deixavam se expressar. Ah!... Elza! O nome da sua mamãe é Elza! - exclamou a moça ao compreender. E... E eu quero... Que... Ro a minha... Ma... Mãe... - chorou. A jovem estava atrapalhada com suas bolsas e pastas, mas deu um jeito de reco star Cris em si, avisando em seguida: Não chore, ta? Nós vamos encontrar a mamãe. Ela também está procurando por você. Eu te certeza disso. Sem se demonstrar apreensiva diante da situação e muito preocupada com o horário, Déb ora revirou sua bolsa, pegou o celular e decidiu ligar para a polícia. Afinal, não p oderia abandonar aquela garotinha tão indefesa. Atendida, após fornecer os dados e t erminar a ligação, Débora virou-se para Cris e pediu: Vem, meu bem. Dê-me sua mãozinha. Tem muita gente com pressa e eu não quero que se perca de mim, está bem? Precisavam ficar em um lugar visível aguardando a viatura da polícia que chegaria . Com dificuldade, a jovem segurava as bolsas, a pasta e o celular em uma só mão par a prender a mãozinha da menina com a outra. No instante em que olhava ansiosamente à procura do carro da polícia, sem esperar, Débora foi empurrada e teve o telefone ce lular furtado. Sem soltar a mão de Cris, ela gritou assustada e indignada e teve o impulso de seguir o agressor, mas a menininha começou a chorar novamente. Aturdida com o acontecido, a jovem não sabia o que fazer. Suspirando fundo, aba ixou-se perto de Cris, secou-lhe o rostinho com a mão trêmula e tentou ser simpática, falando amavelmente: Oh... Meu bem... Não fique assim. Vem cá - disse, pegando-a no braço, mesmo com tod o empecilho de carregar seus pertences. Cris debruçou-se em seu ombro e chamava ba ixinho pela mãe. Tentando não se exaltar, Débora procurava se refazer do susto e do ma l estar que sentia. Em fração de segundo, teve seu celular roubado e temia que suas bolsas fossem os próximos alvos. Angustiada, estava quase chorando pelo ato repuls ivo do furto, pela ausência de amparo e falta de segurança vivenciada. Em meio a tan ta gente que passava, ela e aquela menina estavam sozinhas. Se eu estou me sentindo assim, imagine essa pobre criança! , pensou entristecida e nquanto apertava a menininha contra o peito ao mesmo tempo em que olhava de um l ado para o outro. Não demorou muito e Débora avistou a viatura da Polícia Militar chegando à baixa velo cidade, parecendo procurá-la. Levando Cris firme em seu braço, segurando seus pertences mal ajeitados e quase caindo da outra mão, Débora, apesar do salto alto, correu em direção aos dois policiais , que de imediato, reconheceram tratar-se de quem havia solicitado os préstimos da polícia, pois a moça demonstrava nítida expressão assustada e enervante. Frente a um dos policiais que, educadamente, a cumprimentou, a jovem mal corr espondeu e relatou às pressas: Eu encontrei essa menininha ali! - exclamou apontando. Naquele momento a past a caiu de sua mão e querendo pegá-la, Débora viu suas bolsas caírem também. Oh, meu Deus! Hoje é dia!... - reclamou procurando conter as lágrimas. Abaixando-se para pegar os pertences tentou pôr a garotinha ao chão, mas Cris não quis e agarrou-se com seus brac inhos em volta do pescoço de Débora e, enlaçando as perninhas em sua cintura, chorou. Calma, senhora. Pode deixar - pediu brandamente o policial à sua frente que se abaixou, apanhou as folhas espalhadas da pasta, cujo elástico rompeu, e as bolsas caídas. A menininha começou a chorar, e Débora não conseguiu conter as lágrimas. Mas, entre s oluços, abraçando a garotinha, explicou: Eu fui roubada!... Como assim?! Poderia nos explicar melhor? - perguntou o outro policial, aprox imando-se.

Contorcendo o rosto pelo choro incontido, Débora pediu entre as lágrimas: Desculpe-me... E que tive um dia complicado e... Bem... Eu estava com pressa quando essa maldita pasta arrebentou... Como agora... - disse olhando para a mão e para o rosto do policial que segurava seus pertences. Depois de pegar minhas co isas que caíram, eu vi essa menininha ali - apontou , encolhidinha e chorando. Ela se perdeu de sua mãe. - Depois de breve pausa em que secou o rosto com a mão, contin uou: Disse que tem quatro anos e se chama Cris. Ah! Ela falou que o nome de sua mãe é Elza. Foi o que entendi... Eu não sabia o que fazer e... Nossa!... Nem pensei em deixá-la ali sozinha! Sabe lá, Deus, o que alguém poderia fazer com ela! Então... Liguei para a polícia e pediram para eu aguardar aqui. Assim que desliguei, um cara... Bandido, safado, sem verg onha... Passou correndo, me empurrou e roubou meu celular! Eu quase caí!... - As lág rimas corriam em seu rosto, mas ela prosseguiu emocionada. Tive de pegar a Cris no colo porque ela chorava muito! Fiquei aflita e sem saber o que fazer! Desculp e, mas estou confusa, com medo... Eu não poderia perder a hora da faculdade, tenho uma prova importante hoje e um trabalho para... Bem calmos, os policiais ouviram-na atentamente. Um deles ainda segurava os p ertences de Débora ao tempo em que ela trazia a menininha debruçada em seu ombro e a fagava-lhe as costinhas ao embalá-la levemente, pois a sentia chorando amedrontada . Tranqüilo e na primeira oportunidade, pois percebeu que a jovem estava bem angu stiada e sentia intensa necessidade de contar o ocorrido, com as bolsas e a past a da moça nas mãos, o policial perguntou educadamente: Qual o nome da senhora, por favor? - Após a resposta ele explicou: Dona Débora, a senhora encontrou uma criança perdida e, pela boa aparência da mesma podemos deduzi r que a mãe esteja tomando as devidas providências para encontrá-la. Além disso, a senho ra teve seu celular furtado. Diante das duas ocorrências, precisaremos encaminhá-la até o Distrito Policial a fim de elaborar um Boletim de Ocorrência para que a autori dade policial, que é o delegado, possa decidir quais as providências a serem tomadas . Certo? Lógico! Claro! - aceitou a jovem de imediato. Eu estou com dó da menininha... E.. . O meu celular pode ser usado por bandidos e... Tenho de prestar queixa. Percebendo-a nervosa pelo modo como aninhava a criança nos braços e o jeito amedr ontado que tentava disfarçar sua voz, o policial solicitou gentilmente ao ver o pa rceiro abrir a porta da viatura: Entre, por favor. - Ao vê-la sentada no interior da viatura aconchegando a meni ninha no colo, ele pediu educadamente: A senhora poderia pegar suas coisas, por favor? Claro!... Desculpe-me... Estou tão atordoada que me esqueci... - sem saber como se justificar, Débora ergueu o olhar para o policial e ofereceu um tímido sorriso s em qualquer brilho de alegria. Seus olhos se fixaram nele, por longos segundos, como se implorassem algo mais caloroso do que aquelas providências que a auxiliari am. Somente depois pegou os pertences de suas mãos. Ele correspondeu ao sorriso de modo amigável. Em seu íntimo admirou a beleza da j ovem, sua afabilidade e sensibilidade. No instante em que seus olhos pareciam im antados teve vontade de poder consolá-la com um abraço amistoso, mas não podia e mante ve a postura militar. Em seu íntimo estranhou, pois estava acostumado a situações seme lhantes e isso nunca havia acontecido. Sempre foi um profissional cumpridor de s eus deveres. * * * Chegando à Delegacia de Polícia, enquanto Débora aguardava o atendimento, o policia l anotava alguns de seus dados pessoais, procedimentos normais exigidos por seu serviço. Apesar de responder atentamente todas as perguntas, a moça demonstrava-se tímida, quase assustada pelo ambiente tóxico que imperava ali devido ao nível dos acusados e vítimas que também esperavam. Alguns falavam alto, brigavam, xingavam, enquanto ou tros acusavam ou choravam. A garotinha, amedrontada, apertava-se ao pescoço de Débora e escondia o rostinho

nos cabelos da moça, chorando baixinho. Controlando seus sentimentos, ela disfarçava a apreensão e o desconforto afagando a criança com carinho e procurando ficar atent a aos questionamentos do policial. Naquele plantão, tanto os policiais civis quanto os policiais militares estavam sobrecarregados e praticamente esgotados pelo tipo de trabalho exigente que os sugava. Havia muito a resolver e o nível moral da maioria dos que aguardavam atend imento era voltado ao mal, aos vícios e às piores mazelas da vida. Por suas palavras , linguagem de baixo nível e grosseria nos modos podia-se saber que tipo de espírito s se afinava a tudo aquilo. E ali estavam os mais vis e degradantes, repletos de vícios, sensualidade, hipocrisia, crueldade e sordidez. Na espiritualidade, para quem pudesse ver, o lugar era preenchido por uma den sa névoa escura, sombria, correspondente aos estados vibratórios e mentais de encarn ados e desencarnados. Uma forte energia invisível pairava como que um veneno espir itual maligno, impregnando os encarnados de caráter fraco que se deixavam envolver pelas sugestões de diversos espíritos impuros, que desejavam o mal por prazer e odi avam o bem. Entretanto, a ética e os bons princípios morais de alguns poucos encarnados prese ntes ali, por forças das circunstâncias ou do dever, permitiam a reunião de espíritos be nevolentes e sábios. Tais espíritos, às vezes, deixavam os encarnados que estavam sob sua proteção serem testados a se corromperem de alguma forma. Mas de acordo com a di gnidade apresentada, esses espíritos elevados os amparavam e protegiam a fim de não serem envolvidos por desencarnados tão insufladores da discórdia, da corrupção e do ódio, pois esses tinham o intuito de levá-los ao retardamento espiritual, fazendo-os suc umbir diante de provas tentadoras. O ambiente não era agradável. Quando menos esperavam, Débora e o policial se surpre enderam ao ver Cris que se sobressaltou gritando: É a minha mamãe! Mamãe! Onde, Cris?! Quem?! - quis saber a moça, segurando firmemente a garotinha que q ueria saltar de seu colo. Apesar de toda movimentação e aglomeração, a menina reconheceu a voz chorosa de sua mãe em desespero que a procurava com o olhar seguindo o som de seus gritos. Cris fo rçava-se a descer dos braços de Débora, mas a moça a segurou firme e junto com o policia l foi em direção da jovem mulher acompanhada de um rapaz muito bem vestido e alinhad o. Nada precisou ser explicado quando a mulher gritou em pranto: Cris! Minha filhinha! A menina se jogou nos braços da mãe. Entre o choro se beijavam enquanto a mulher a tocava como se não acreditasse que a tinha entre os braços. Algum tempo depois, Débora pôde explicar tudo a Elza, mãe de Cris, que abraçou e beij ou a jovem agradecendo-a diversas vezes. A forma como a menina agarrou-se a Elza , com um abraço apertado e as perninhas entrelaçadas em sua cintura, era inegável que a jovem mulher fosse sua mãe. Por aquele ser um plantão bem agitado, a autoridade policial foi consultada a f im de decidir se as partes envolvidas naquela ocorrência poderiam ou não ser liberad as. O comportamento de Cris não deixava dúvidas sobre Elza ser sua mãe, Embora a mulhe r apresentasse documentos e até fotos comprovando que a menininha era sua filha. A ssim sendo, o delegado as liberou. Enquanto o policial militar fazia algumas anotações para relatar a ocorrência, o ra paz que acompanhava Elza se apresentou para Débora. Prazer! Meu nome é Breno. Sou tio da Cris e irmão da Elza. Você não imagina como fica mos aflitos! Muito obrigado! Obrigado mesmo! Do jeito que algumas pessoas agem h oje... Nossa!... Mil coisas passaram pelos nossos pensamentos!... Muito obrigado , Débora! - nitidamente agradecido, sem se conter, deu um abraço emocionado na moça. Ora... Não fiz mais do que a minha obrigação - respondeu ela com um brilho emotivo no olhar. Ah! Fez sim! - afirmou Breno expressivo. O mínimo que podemos fazer por você é leváa para casa. Certo? Creio que não será possível, Breno. Agradeço de coração! Por que não?! Mora aqui perto? Não. É que... - Débora ficou sem jeito, mas precisou contar sobre o furto de seu ce lular e precisaria ficar ali para prestar queixa. Depois de fazer o Boletim de O

eu preciso avisar à operadora. decidiu ler novamente o Boletim de Ocorrência pelo furto de seu celular. também lhe deu um cartão. Sem alternativa. por favor! . Perdoe-me. Por causa da iluminação um tanto fraca e de uma lâmpada defeituosa. Elza e Breno queriam um meio de ajudar Débora e questionavam o policial. Não há como precisar o tempo a ser usado para o atendimento de cada uma. Em seguida avisou: Esse é o telefone da Elza.Voltando-se ao policial. Enfim. considerou olhando para Débora: Não pode ficar aqui sozinha! Veja isso ! Não merece! Ainda mais depois de tudo o que fez pela minha filha! . Telefone-me para dizer como a Cris está. . as demais pessoas a serem levadas em con ta são cidadãos com direitos iguais e o atendimento é por ordem de chegada. entretanto o sargento Barbosa experimen tava um travo de melancolia por deixar Débora ali sozinha. Começou a acreditar que os m inutos naquele lugar pareciam horas. mas não tenho como ajudar. beijou-a e se despediu a fim de apressá-la. O rapaz mostrou-se insatisfeito e apreensivo ao olhar em volta e observar o a mbiente. mas nada demonstrou..espantou-se Elza por não ter ouvido o relato da jovem. Eu concordo que a elaboração de um Boletim de corrência. * * * Débora estava sozinha. Débora parou e voltou-se . A moça a abraçou com carinho. Aproximando-se do policial.avisou Elza enquanto Cris resmungava continuamente em seu ombro. Logo ex plicou: Isso é do âmbito da Polícia Civil. sem saber explicar.. intermitentemente irritante. Eu não queria deixar você aqui . por favor. lógico. será que vai demorar muito para a Débora ser atendida? Não sei lhe dizer . Verdade?! .. A Cris teve um dia péssimo.. a moça prestou a devida queixa e rapidamente foi liberada.sorriu gostaríamos de levar a m para casa.ofereceu Breno que. O policial. pegou uma c aneta e fez ligeira anotação no verso do cartão. mas depois se despediu e foi embora. agradeceu e beijou-lhe o rosto na despedida. Ficou amedrontada e está muito tempo aqui. começou a reclamar de frio e pe dia para comer um doce em especial. A pobrezinh a deve estar tão assustada!. Débora! Não vou ficar sossegada em deixá-la aqui sozinha! . mas durante a conversa a garotinha começou a pedir insi stentemente para ir embora e começou a chorar. Breno tam bém a abraçou. tirou um cartão e o entregou à mulher. Elza pediu: Será que o senhor não pode dar um jeitinho? O furto do celu lar da Débora é bem mais simples e rápido para relatar do que outros casos! Sinto muito . Já era noite ao percorrer o corredor da delegacia que a levaria para a saída. Acredito que ainda tenha três ocorrências na frente. Esse não é um bom lugar para uma criança. conversou um pouquinho mais com a moça. Diante disso.. De sculpe-me por não poder ajudar. Assim pode falar com a Cris quando quiser. tão necessário para o furto de um celular. pedindo com generos o sorriso: Tome. É que eu e minha irmã. debruçada no ombro de sua mãe. apesar de tantos a sua volta. seja bem mais rápida e creio que o delegado também pense assim. Ela me contou que teve o celu lar furtado porque estava ajudando a minha sobrinha e. Sua tarefa já havia sido cumprida e nem precisaria estar ali. eles se foram. Nesse instante Cris. lendo seu nome e seu posto na identificação fix ada em seu peito.exclamou enternecid a.. agradeço. É o mínimo que podemos fazer por enquanto. Seu parceiro aguardava na viatura. Virando-se para Br eno. Então fique com o meu cartão também! . Não queremos perder contato com você. junto com a Cris. Mesmo assim. via-se envolvido sentimentalmente com o ocorr ido. A jovem abriu a bolsa. rapidamente.tornou o policial militar com um brando tom de lamento. Na sua vez de ser atendida. Não posso ir agora.respondeu educado. No entanto. Sem esperar uma resposta. como podemos ver.corrência. afagando a menininha e dando-lhe um beijo em seu rostinho. Mai s calma.lamentou Elza novamente. Vá! disse olhando firmemente para Elza e pediu sorrindo: Cuide bem dela. parando por um instante próximo das escadarias. perguntou: Sargento Barbosa. Débora solicitou comovida: Não se importe comigo.

sussurrou de um modo que ele não ouviu.. Sim..... Em seguida a moça exc lamou atrapalhada: Ah!.riu acanhada. Hoje eu sou o próprio desastre! E o pior é que mais uma vez eu o fiz me ajudar pega ndo os documentos e meu material por causa dessa maldita pasta! .. agradeceu e aceitou acompanhá-lo até o carro para que fossem embora. Nossa! Com a farda você fica tão diferente! É comum não me reconhecerem quando estou à paisana. Rapidamente ajeitou a mochila nas costas. ela o agradecia e se justificava parecendo envergonhada.. embora experimentasse um gostin ho de satisfação por ouvir aquela confissão. Mas me chame de Sérgio. Não pensei que fosse me reconhecer. Não terei trabalho algum.. a jovem titubeou sem saber decidir. mas sobressaltou-se ao deparar com um rapaz no qual trombou.. Desculpe-me de novo sargento. Por que não faz isso hoje? .. Não costumo julgar as pessoas . meu n ome é Sérgio.avisou. o dia não terminou . achando graça nos modos da moça. apesar do sorriso bonito. Isso não é comum. fitando-o impressionada. encarou-o por segu ndos como se algo a atraísse para aquele olhar e sorriu.gargalhou gostoso. Esqueci mesmo! Por favor. Sorriu. Sem saber o que dizer.perguntou sorridente e curiosa. disfarçou ao mostrar: Veja. Como não poderia. com j eitinho e um brilho especial no olhar. . Eu t rabalho na Companhia da Polícia Militar ao lado da delegacia.. Esqueceu-se de que anotei os seus dados para preencher aquele talão de ocorrência atendida pela viatura na qual eu estava como encarregado? Esqueci! .. e le a segurou firme não a deixando cair. Sérgio.. Você tem razão.. Quando estou de serviço. . Ela cambaleou por causa do salto que usava. sou eu mesmo. Como sabe onde moro? . era . Débora deu um largo sorriso ao perguntar incrédula: Você!.. Meu carro está ali no estacionamento da Companhia da PM. Acontece. Nós moramos relativamente perto..interrompeu-a educadamente e correspondendo-lhe ao sorriso .. Estou tão exausta que nem havia pensado nisso.pela surpresa. mas. Ágil. É verdade.. Não. a pasta que carrega va se abriu. E hoje não está sendo um dia normal para mim..Diante do silêncio. corando imediatamente. aqui está o Boletim de Ocorrência.. Ela o olhou de um modo diferente. Ora. pois ela poderia rolar pelos degraus abaixo.Riu de modo simple s e. Amanhã mesmo eu entrarei em contato com a operadora para avisar sobre o furto. virou-se bem rápido. pediu: Venha! Será melhor ter uma carona ou ainda pode pegar condução errada! Afinal. Ambos sentiam que algo muito especial os envolvia.. .pediu a moça agarrando-se nele que ainda a segurava com força. o meu nome de guerra é Barbosa. por favor. . Puxa! Perdoe-me. Desculpe-me!. resmungou baixinho e incrédula: Ah. espalhando as várias folhas e documentos pela escadaria. Não!. admitiu: Acabei perdendo a hora de ir p ara a universidade e.brincou sorridente. naquele instante. Nesse instante.. É. Para ser sincero. Sérgio . preveniu-a: Assim que chegar a s ua casa. Ao ler o que a interessava.ofereceu Sérgio com voz branda e um tanto receoso. Por favor . Enquanto arrumava as folhas. que é o registro da queixa pelo furto. Suspirando fundo. Se quiser. Mas você é sargento? Não é?! Ou eu disse errado? Sim. Aceita uma carona? . Bem...novamente para o corredor dando as costas para as escadas.pediu com jeito encabulado. Não me julgue. Débora ficou encabulada. sem saber qual seria a reação da jovem. Equilibrando -se.. O policial da viatura que.. eu sou sargento. Porém.. Não é bom ter um celular usado indevidamente..falou ele sentindo o coração acelerado e disfarçando a grande expectativa. mas ao encará-lo. Isso não foi nada. Estava indo embora quando me lembrei de você. O principal e mais trabalhoso já foi feito. O moço riu sem deixá-la perceber.. pois meu caminho é pelo seu bairro.. Não vou para a universidade hoje e me sobrará tempo... ou melhor. abaix ou-se e a ajudou a pegar os papéis. não pense que sej a um desleixo ou descaso da minha parte. ligue para a operadora e peça o bloqueio imediato do aparelho. . em traje civil. Também tive um dia cheio e.

mas nem sempre isso é possível. Falam ou e screvem sobre as pessoas sem a menor responsabilidade. como nos é ensinado em O Livro dos Espíritos. você também arrumou um jeito de cabular aula! . com os seus sentimentos e a realidade dos fato s. Como aprendemos na Doutrina Espírita. O quê? Eu me preocupo com as pessoas. a s tragédias das vidas alheias viraram atrações. espíritos amigos a inspiraram a cumprir com sua responsabilidade diante de uma criaturinha indefesa. A universidade é bem grande. havendo erdadeira no bem. Débora e Sérgio conversaram muito e descobriram que estudavam na mesma universidade. conforme o caso. Só se neutraliza a influência dos espíritos maus e imprudentes com o desejo no bem. pois. já estou no último semestre graça a Deus! .enfatizou sorrindo satisfeito. Sérgio riu muito à vontade e esclareceu.riu alegremente.m incapazes de falar a respeito. é a pessoa qu em as chama pelo desejo no mal. os espíritos podem intervir no mundo corpóreo mais do que os encarnados imaginam. a coragem que demonstrou. quando chego.Sérgio e Débora se reencontram Durante o trajeto para casa. afastand o-o da inspiração de espíritos maus. Foi só hoje. aproveitando a parada no semáforo: Não..disse com belo sorriso ao olhá-la. Costumo me preocupar com as pess oas. Aproveitando de sua generosidade e misericórdia. Quando as más influências atuam através do encarnado. Mesmo com o s prejuízos aparentes como o furto de seu celular e a perda do horário para ir à unive rsidade. bons ou maus. Sério?! .ela comentou. Você não imagi como está sendo difícil eu concluir essa graduação. Seja qual for à situação. com vários blocos. Detesto faltar . . pois os espírit os inferiores correm para perto da criatura para auxiliá-la. a começar por um simples pensamento. conforme sua livre decisão de escolha. fazendo acusações ou sensacio . há mudança na escala de serviço e tenho de solicitar alteração ou permuta.avisou a jovem bem entusiasmada pela coincidência. o mal não terá acesso. Por quê? . mudariam sua vida. creio que a função não seja boa para mim. Eu curso Psicologia lá! E você? Jornalismo! . a prova ou expiação. E Deus permite que esses espíritos sem instrução e imperfeitos assediem os encarnados a fim de testarem à pessoa em sua fé para que pa sse pelas provas do mal e continue seguindo o bom caminho. Considero-me um bom policial. Acho que não tenho dom para lidar com as Leis. infelizmente. Por essa razão decidi compreender melhor as pessoas e tentar ajudá-las de outra forma.admirou-se ele quase incrédulo. gui ou-a ao encontro de pessoas que. Enquanto dirigia. amor e bom ânimo no bem. Por ser um policial. Acho que temos algo em comum . Fico inquieto diante das injustiças e apreensivo para ajudar.ela brinc ou descontraída.1 Os espíritos. para alguns profissionais da área de Comunicação e Jornalismo.Ele sorriu ao admitir: Sabe.. Espíritos benevolentes. 2 . Isso não é fácil! Apesar de tudo. Assim acontece com o desejo no que é bom. talvez por isso nunca nos encontr emos. Às vezes somos solicitados para atende r ocorrências demoradas e chego atrasado à aula. Muitos perderam o respeito. Mas. enfrentando o desafio de tomar uma decisão. Ah! Então é assim! Como eu. Outras.quis saber muito curiosa. inspiram os pensamentos e as ações de acordo com o caráte r. para o bem ou pa ra o mal. É curioso você cursar Psicologia. a moral e os desejos do encarnado. sábios e elevados influenciarão e sustentarão o encarnado que tiver fé. seria mais interessante cu rsar Direito. acabavam de se conhecer. mas. praticamente. destacar-se e até se curar. certamente. Como advogado eu seria péssimo! . uma troca com algum colega. seu coração bon doso a resguardou de experiências mais dolorosas. Através de terapias pode-se fazer alguém descobrir em si forças que de sconhecia ter e se melhorar. Apesar de Débora acreditar que tudo estava sendo difícil naquele dia.

Mas uma onda de insatisfação o abateu quando ela a nunciou: Minha rua é a próxima à direita! Chegando ao referido endereço. direta em suas colocações.ela considerou rindo. Lógico que ajudo em algumas despesas. normalment e com locações para fins comerciais.brincou e riu com gosto. Ao vê-la sob forte emoção e lágrimas. Tinha um corpo bem delineado. não suportar meus irmãos. experimentou a impressão de ter sua alma invadida e fatalme nte atingida por uma sensação desconhecida que os dominou num profundo e sério silêncio. Sérgio tentou disfarçar o sentimento que os envolvia.riu. davam um toque especial em suas mãos tênues e bonitas. tinha acabado de conhecer a moça e devia ser discr eto.ele admirou. Não posso mudar o mundo. Sentiu como se a conhecesse há temp os. elegantemente trajada e levemente maquiada. ele perguntou: Qual é a sua casa? É aquela ali! Onde há uma árvore na calçada . Trabalho na área central. Mas moro com meus pais. Afinal. Muito observador. Não o convenço de modo algum! Não gosta de onde mora? Não. Olhando-o nos olhos. Desejava fazer algumas perguntas. Então por que ainda mora com seus pais. duas irmãs e um irmão. Débora ficou sem palavras. Apesar de meus vinte e oito anos. Encarando-a . Sérgio manobrou e estacionou o veículo frente à bela e grande residência.apontou. chegou a sua casa sã e salva. mas acreditava não ser o momento adequado. Ele sabia disso pelos dados pessoais mencionados durante a ocorrência. Puxa! . pois parece ter um dom natural de envolver e convencer as pessoas. mal consigo sustentar esse c arro! . Até por que. sustentando leve e generoso sorriso nos lábios bem to rneados. o que o deixou mais tranqüilo. As unhas. observou sua sensib ilidade e experimentou algo estranho quando encarou seu olhar carente que implor ava por auxílio. ostentava d elicado anel de ouro. ele prestava atenção em tudo o que ela falava.afirmou de modo simples. tirando a privacidade da vida alheia sem qualquer serventia útil para a s ociedade. . combinando perfeit amente com sua pele alva.. Ah! Quem sabe você conseguiria fazer meu pai vender aquela casa?! . Dificilmente uma moça bonita como aquela não teria um namor ado. vantajoso para aqueles que realmente necessitam. Entretanto seus pensamentos fustigavam para saber se a jovem tinha alg um compromisso com alguém. Não sabia o que dizer e não tinha vontade de se despedir . delicadamente pintadas com uma cor transpare nte. ao mesmo tempo. Parecia d iscreta e. Deve ganhar bem só pelo seu modo de opinar. Ela sorriu e Sérgio perguntou: Em que você trabalha? Alguma revista? Não! Quem me dera. às vezes. ainda est ou lá . Eu tenho condições de ter um apartamento . moro com meus pais para conseguir pagar meus estudos. Sou corretora de imóveis.. Você é bem convincente. Sérgio a ouvia atentamente. Ele estava curioso. Proposita damente fazia-lhe perguntas informais só pelo prazer de ouvir o som suave de sua v oz na fala bem ponderada e clara. Ela era solteira.brincou rin do. Apesar de. sorriu ao brincar: Pronto! Apesar de tudo. Na esquerda. Nem tanto . Débora era uma moça bonita. Sérgio? Olhando-a rápido. não viu qualquer aliança de noivado. Minha família mudou-se para lá há alguns anos e até hoje não me acostumei. Foi naquele instante que Sérgio precisou controlar o forte desejo d e abraçá-la a fim de ampará-la e confortá-la por tudo. riu ao dizer: Policial não ganha tão bem assim. mas posso fazer a minha parte através de um trabalho limpo. mas elas dobrariam se eu alugasse um lugar. Dirigindo maquinalmente. O rapaz admirou Débora desde o primeiro instante em que a viu assustada e bem a trapalhada segurando a menina. não posso mudar os profissionais. Longos minutos se passaram. cabelos lisos pouco abaixo dos ombros e suavemente clareados. Como é bom encontrar alguém com integridade profissional.nalismo.

. por isso. descer do carro e caminhar para o portão da requinta da residência. é que não estou acostumada àquele tipo de ambiente e pessoas com aqueles modos e palavreados. a delegacia tem um clima muito pesado e u ma moça como você não está acostumada àquilo. Porém era como se o conhecesse. Sua companhia foi um prazer. E voltei! Demorei por ter de atender a um outro chamado. Sei lá! Talvez por desejar a sua companhia e. de um medo tão grande! Nenhum preconceito. Aqui estamos . Eu queria me sentir amparada .. É bom encontrarmos pessoas humanas e prestativas como você em momentos conturbados. Demorou demais para eu ser atendida. essa cena antes. Meu pressentimento se confirmou. antes de ir embora.. enca rou-o e revelou: Tive um dia difícil e depois de toda aquela situação complicada. Alguns plantões. Quase não acreditei. Tomei um susto ao reconhecê-lo! . me entender.. Estou sentindo algo di ferente com isso.. não duvido que você já tenha visto. mas voltei. Não.sorriu com delicadeza.revelou com firmeza e encarando -o. Fiqu ei achando que o veria entrar ali a qualquer momento.Ele não disse nada e Débora pr osseguiu em voz branda: Ao ficar sozinha na delegacia. Não duvido de seu pressentimento . Breve pausa e. que não passava de func ionário público. Eu só estava cumprindo com o meu dever. Boba.Sorriu sem jeito. . O quê? . Não sei por que não lemb rei de fazer isso antes. Realmente fiquei preocupado com você naquele lugar. o rapaz chegou à sua casa vivenciando um travo de dece pção. eu procurava me conter. com um baixo salário recebido para trabalhar em favor da população.Fugiu-lhe ao olhar. Como assim? . eu não queria f icar sozinha esperando para ser atendida. Contudo conteve-se.. ele suspirou fundo experimentando uma sensação melancólica quando acenou ao ir embora. Bem.. Sabe. Eu ia telefonar para o meu pai. teve o desejo d e abraçá-lo por tanta gratidão.ela quis saber. inteligente e bem estabilizada financeiramente jamais deveria dar atenção ou se interessar por alguém como ele. E nunca aconteceu de eu ficar inquieto por alg uém após cumprir meu serviço. em meio ao constrangimento. com a qual intimamente ficou insatisfeito pelo desfech e da despedida.replicou com largo sorriso.. pois nem sabia direito o seu nome.tornou o rapaz. Débora estendeu-lhe a mão para um cumprimento quando. parecendo esperar uma resposta. Acredito ni sso e em muito mais. Acreditou que uma moça tão bonita.disse sorrindo. Sérgio! O outro policial sim estava cumprindo o dever dele. E também obrigada por ter me trazido. Isso não me surpreende . Por que boba? . daqu ele monte de gente que estava ali com modos estranhos... ... sussurrando quase sem querer: Que estranho. comentando meio tímido. posso jurar que já vi essa cena antes e. Débora contou: Quando entrei na viatura e o olhei. pensei muito em você. mas não podia ficar ali. É que. Não consegui esquecer a situação e logo imagi ue demorariam muito para atendê-la. decidi passar lá p ara ver se ainda estava aguardando e se precisava de ajuda. Vendo-a pegar suas bolsas.. agressivos.. Tomado de estranha emoção. Entretanto ela não manifestou qualquer desejo de vê-lo novamente. É. Não me agradeça. E ao chegarmos à delegacia. Deixando-se entristecer.. mas você precisou ir embora e eu fiquei em desespero. . Sérgio questionava-se sobre o motivo da jovem não lhe dar um cartão. Desculpe-me. Estava tarde e me considerei boba por ter a ilusão de que você voltaria.ela admitiu com voz meiga. Sérgio. devo confessar. Muito obrigada por tudo.. A final de contas.. como se soubesse que iria me ajudar de alguma forma. tive uma sensação de insegura nça.. na verdade.. mas seria ridícula. Foi como um pressentimento. mentalmente.perguntou com um tom afável na voz. mas implorava em pensamento que você me ajudasse. Ele havia gostado tanto dela! Pareceu-lhe tão grata pela atenção! Viu em seu olhar uma chama. Parece que nos conhecemos . viu-a oferecendo um para a mãe e o tio da menina perdida. a fim de ele ir me buscar e. Senti algo tão estranho como se só v ocê pudesse me socorrer. Queria te pedir para ficar comigo. segura e. um brilho expressivo nos últimos minutos em que conversaram.. Porém você exalava a lgo mais humano e não mecânico para com o seu trabalho.

hein?! Você deveria ter me telefonado. sozinha. Em seu quarto.. quase bronzeada.. * * * Todos já haviam terminado o jantar e Débora não parava de contar detalhes do aconte cido. ta! Quem mandou ser descuidada? Que ótima mãe. irmã mais vel ha de Débora. enquanto sorria sem perceber. tratou-a muito educadamente ao lhe atender e faz er o B.. Explicou somente em rápidas palavras o motivo de não ter ido à universidade.provocou Élcio.reclamou o pai.. Foi uma gentil prestatividade dele. a calma constante . Eu não tive escolha. Fez o que seu coração pediu. Débora não esperou a réplica de Élcio. Sabe.Dominado por certa angústia. Até chegar a minha vez para fazer o B. produções próprias e por isso só sabem al r a boa vida que levam por terem um papai que os banquem! Olha aqui. Pessoas de u nível moral. Débora . ela não suportou e começou a chorar. reagindo abruptamente. concluiu: Não sou uma inútil. Não foi uma experiência agradável passar horas em uma delegacia. Sentia como se o conhecesse há tempo. Talvez. ta! . seu comportamento digno. educado e calmo. debilitados de ações. adorava lembrar-se de cada detalhe de sua conversa com ele durante o caminho para sua casa. Estava extremamente nervosa. de relance. de um verde esmeralda brilhan . saiu da sala de jantar a pass os firmes e rápidos. Virando-se. Envolvida por energias diferentes. Emy e Élcio. do susto que sofreu com o furto. Seus olhos eram atraentes. que trabalhava na delegacia. da espera na delegacia onde se sentiu tão insegur a. A jovem duelava com os próprios pensamentos.. Dando as costas.O. atirou-se sobre a cama. a moça fitou o teto e seus olhos irradiaram a chama de um envolvent e desejo vindo de seu coração. em tom mod erado. ind ignados e conflitantes. Nunca i maginou que um policial pudesse ser assim. Era impossível não pensar em Sérgio. Não estaria tranqüila caso deixasse aquela garoti nha ali.. Acreditava já o ter visto antes. pelo furto do meu celular. vão se danar! Ta legal?! . Emy e Élcio tin ham o dom de irritá-la. sua!. Emy não suportou e tornou em tom de zombaria: Que gratidão os parentes da menina tiveram! Oh! Largaram você lá. Era gosto so lembrar sua voz forte e ponderada.O. Emy. em seguida. Enraivecida. entrou em casa. até lembrar-se de Sérgio. Nossa! As pessoas tinham de prest ar depoimento e demorou tanto. Jamais havia pr ecisado da ajuda da polícia. da prova que não realizou.defendeu-se a outra irritada. beijou sua mãe e nada comentou a res peito. O que você faria em meu lugar?! Ora. per mitiu que suas idéias vagassem.confirmou Débora. pois poderia ir embora para casa sem se importar com ela. pois confiou nele sem saber a razão. Admirava-o pela pre ocupação com ela e por se dar ao trabalho de verificar se ainda aguardava para ser a tendida na delegacia. Não mesmo! . senhor Aléssio.. Apesar do prejuízo pelo celular. a moça bateu a porta com força para fechá-la. Para sua surpresa. irmão de ambas. mas foi atalhada da empolgação. a bela jovem que agora estava tranqüila.. Mas sua família só sabia criticá-la. Sérgio era um rapaz bonito. demonstrando sua ira e . Lá havia uma confusão a ser resolvida. Levan tando-se. minha filha! . até a equipe de plan tão.gritou Débora. conforme sua consciênci a mandou. apesar dos acontecimentos conturbados e serviço ingrato. né? Também um caso de homicídio. Você ainda não se acostumou? .com deboche e ironia exclamou Emy. Apreciando as repetitiv as recordações. tão solícito. Débora acreditava ter agido bem. cabelo bem curto e barba escanhoada na pele morena clara. na universidade. incapacitada e dependente como vocês dois! Par a mim vocês são frustrados. Problema da mãe da men ina.criticou Emy em tom muito arrogante. Passar a tarde e o começo da noite em uma delegacia! Andar no carro da polícia! V ocê é doida varrida! Onde já se viu?! . pobrezin ha! A Débora sempre gostou de sofrer...

. pois ele era pers istente. De imediato sobressaltou-se enervada consigo mesma: Que droga! Como pude ser tão burra?! Não lhe dei um cartão e ele não tem meu telefone! Ai.insistiu Breno com extrema amabilidade. Chamada à razão pelos próprios pensamentos.te que fascinava com certa magia. um estranho.. . ele tem mais vocação para psicologia do que para policial. no tênis. Uma névoa de contrariedade envolveu-a. prosseguiu: Não. surpreendeu-se em pensamento. Eu deveria ter-lhe feito mais algumas perguntas. a cho que não o vi de aliança. Não havia agendado muitos compromissos para aquele dia e poderia chegar mais tarde ao serviço. Olá. Irritada... Não sei o que me deu. seus cuidados e sua generosidade. planejando ir trabalhar com seu carro. vi que suas mãos eram bem fortes! Reparei na roupa bem alinhada. Não. Não queríamos deixá-la só na delegacia. Procurá-lo na universidade?! Seria trabalhoso e qual desculpa eu daria? Ai... repreendeu-se: Ai. Nem precisa se explicar. Ela não sabia explicar aquele sentimento de atração que experimentava. Forçando recordar-se. mas. talvez só namore. ele não tinha aliança ou anel. tirou-a daquelas reflexões: Débora! Telefone! Atende aí! Nossa! Nem ouvi tocar! .. mas conseguiu. Por favor. A h! Ele falou que pagava os estudos e mal podia sustentar as despesas com o carro ! Não deve ser noivo. Quando segurava o vol ante. Débora. Ao deitar-se para dormir. não me criticou e ainda me ajudou. deve malhar muito em algu ma academia ou mesmo no quartel. Real-mente. a jovem fazia questão de trabalhar. me compreendeu. Breno! Que surpresa! Estávamos preocupados com você. Mas a falta da aliança não quer dizer ausência de compromisso com alguém.exclamou ela.. O Sérgio. mas é o mínimo que podemos fazemos questão! . Deixe-me ver. Por fim respondeu: Pode deixar! Obrigada! Débora foi surpreendida por Breno. Cansada. Será um prazer darmos um celular novo para você! Não! De jeito nenhum! . sentou-se na cama e murmurou: Puxa! Eu queria tanto encontrá-lo novamente. o sol frio daquela manhã de outono invadiu o quarto quando Débor a abriu a janela. * * * No dia seguinte. pois tem um físico tão torneado! Mas que droga! Com o vou encontrá-lo agora?! Seria ridículo eu ir lá onde ele trabalha. Débora! E se o Sérgio tiver algum compromisso? Ele disse que mora com os pais. Desculpe-me por ligar a essa hora. Ele é tão bonito! Aliás. Não se preocupe..avisou a jovem com simpatia no tom de voz. É interessante estudarmos no mesmo lugar .. tio de Cris. pois ela sentiu como se não quisesse deixar de f itá-los... mas não dormiria sossegado se não tivesse notícias suas. Ele é tão esforçado! Que diferença. abandonando . ainda experimentava uma sensação de frustração ao pensar qu e seria difícil ver Sérgio novamente. ai. mas fiquei c om vergonha. Entretanto foi difícil convencer B reno sobre sua opinião e encerrar o telefonema de forma educada. Parecerei muito v ulgar. desejava sair daquela casa para morar sozinha. rapidamente concili ou o sono enquanto pensava nele. lembrou-se de ligar para a operadora e avisar sobre o furto ocorrido.Logo perguntou: E a Cris? Dormindo feito um anjo! A Elza ligou agora dizendo que a Cris tomou um banho. Embora pertencesse a uma família bem estruturada financeiramente. exausta. ai. Lembrar-se dele era prazeroso! Extenuada. Ela estava decidida em não aceitar o presente. jantou e dormiu rapidinho! Ah! Meu cunhado ficou muito grato pela sua atitude c om a Cris. Eu ia mesmo trocar aquele aparelho. sua imbecil! . Nada pagará sua atenção. Débora! Idiota! E agora?! . Deu tudo certo ... sua irmã c la. Ah! Da próxima vez que encontrá-lo.. levantar cedo e sempre se ocupar com coisas úteis. Nos últimos tempos. pensava Débora sem dissipar a agradável lem brança. mas pode ser casado ou então noivo. não. A voz de Yara.. Ofendia-se por não encontrar uma solução.. Enquanto minha família. Ora! Eu sei..

mas já me alimentei em casa e. educado.eufórica e emocionada por vê-lo. A moça ficou petrificada diante do rapaz. Algo apertava seu coração ao pensar nisso.pediu generosa.fal ou com dengo. Meu Deus! A agenda! Os contratos assinados pelos locadores! Os documentos que . Ai. Faço que stão que tome café comigo. Tinha certeza de ter ido direto para o seu quarto ao chegar à noite anterior.. pois tudo de que precisava estava naquela pasta. A moça voltou à frente do espelho procurando algum de talhe em sua imagem que poderia comprometer sua elegância. por isso. Seus olhos novamente se fixaram por l ongos segundos e o silêncio imperou até a empregada interrompê-los: Com licença? ... Seu ro sto corou imediatamente e. em seu carro. por favor. notou certo constrangimento em Sérgio. não entendia a origem do medo para tomar essa atitude .... Puxa! Eu estava feito louca procurando essa pasta.. tem um rapaz lá no portão te procurando. um tanto constrangido. Sérgio. envergonhada. pois acreditei tratar-se de um material important e. Depois de tudo o que fez por mim. Olá. ele ofereceu largo sorriso...a proteção e qualquer dependência material de seus pais. pois também se sentiu inebriado durante aqu eles segundos em que se olharam.. Sabia a razão daquela dificuldade de expressão. É assim. Be m. fazendo-a virar e dando-lhe um em purrãozinho. . O rapaz não esperava por aquele convite. Sente se. Não imagina como me aj udou novamente. atrás do comput ador. Di sse que se chama Sérgio e está com uma pasta tua.. Ajeitou novamente os ca belos. E.. talvez pelo requ inte do interior da casa. respondeu impensadamente.expressou-se com verdadeira alegria. Procurando a agenda com o telefo ne de suas amigas do curso de graduação. Débora respirou fundo. Faça-o entrar! Eu. Vamos ali para a mesa já posta? .. deparou-se com a empregada. Lembrou-se de só poder tê-la esq uecido no carro de Sérgio. Nem pedi para se se ntar. sobre a escrivaninha. Apesar de acreditar ser madur a para tal responsabilidade. Avisando: Estou indo! A empregada riu e obedeceu. Não tinha c omo avisá-la.Ele sorriu vendo-a incapaz de organizar as idéias. motivo de tanto transtorno e trabalho no dia anteri or. da elegante e moderna decoração.. foi interrompida por suaves batidas à porta de seu quarto... Vai atender esse moço? Pelo amor de Deus. Desculpe-me decepcioná-la. repentinamente. respondeu ao se sentar: Se for um cafezinho. ela tomou um banho. não estava ali.praticamente gritou. estendeu-lhe a p asta e contou: Ao fechar o carro ontem à noite. riu e falou: Bem.pediu educada. saiu do quarto. vestiu-se impecavelmente co mo sempre e. . ficou assombrada e inquieta ao descobrir que sua pasta. Débora. A certa distância. antes de fazer o desjejum. A senhora quer que eu sirva um café? Não! Quero dizer. Quero dizer. Bom dia! Tudo bem?! Bom dia. A Iolanda nos servirá aqui mesmo.. Iolanda! . avisou: Oh. avisando: Débora.. arrumou suas coisas pegando o material d e que precisaria para levar à noite à universidade. Olhou-se de perfil no espelho e. Ele se anunciou pelo interfone. Mas. Imaginei que tivesse f icado com você.propôs apontando para o outro recinto. Então. vai! . Repentinamente. eu vi que a esqueceu no banco de trás. segurando a mulher pelos ombros. procurou a pasta em suas bolsas. tentou corrigir-se. sob os livros e outras pastas. Ah. Refletindo sobre várias coisas.. Eu estou acabando de me arrumar! Vai lá correndo. Esborrifando uma colônia no a r ficou sob o orvalho da suave fragrância que caía. E como é importante! Ah! Perdoe-me por mais esse trabalho. por favor! . Ao a bri-la.. me desculpe. dando-lhe um toque natural e retocou o batom... havia reparado uma gr ande mesa bem posta para o desjejum.atrapalhou-se. Como eu poderia encontrá-lo? Ao vê-la embaraçada com as palavras. Sérgio! .. aceite só um cafezinho! Já está pronto. Sentiu-se em apuros.. por isso vim cedo. mas não a encontrou. Débora! Estou bem e você? Melhor agora! .. Ele sorriu satisfeito e. apontando para o sofá. Chegando à sala de estar. eu aceito! ... mas gaguejou: É.. finalmente. não! O meu trabalho da faculdade! Incrédula. não pode recus ar.

Sorriu animada. Precisa cumprir o horário. Ele não disse nada. sem demora. Não! Hoje estou sem fome. sim. Na verdade. ao entrarem no carro.Sérgio pensou rápido.. não é? Sabi que telefonaria para ter notícias dela. Sérgio acomodou-se novamente e sorria em seu íntimo. Desejava saber. pois. Quer uma carona? Com entonação suave na voz e nítida expressão de felicidade.. Sua companhia é bem agradável.Encarando-a. indo para seu quart o. preciso ir . Ontem mesmo. Fitando-a firme.. .. Só preciso entrar m contato com algumas colegas para saber como ficou o trabalho a ser entregue on tem. quem não ficaria. Ninguém a fazia perder as palavras daq uela forma. Pode até tomar seu café da manhã sossegada. er a tudo ou nada.falou. Apesar de manter as aparências.. levantando-se.A empregada entendeu o olhar de Débora.Vendo-a com a respiração represada e sem resposta. estampando lindo sorriso.. Olhou-a de uma forma diferente ao contemplá-la e ofereceu lar go sorriso ao experimentar uma felicidade sem igual. O silêncio pairou inebriante até Sérgio terminar de beber o café e anunciar: Foi ótimo saber que você está bem. Minha agenda está tranqüila. com um brilho no olhar ao dizer: Quem sabe.O. sentindo-se extremamente fel iz por ela tê-lo tratado tão bem e aceitar seu convite. dissimulou qualquer interesse e perguntou : Vejo que está arrumada para ir trabalhar e eu estou indo para o centro da cidade . com um leve t remor na voz baixa. Certa decepção abraçou o coração de Sérgio naquele segundo. Porém tenho de ir até a companhia onde trabalho para resolver um assunto administrativo. invadindo-lhe a alma através do olhar.. ele perguntou : Posso dizer uma coisa? . mas preciso enviar uma cópia do B. mas disfarçou bem e falou em guida: Percebi você muito comovida com aquela menininha. Débora! Além disso. Débora ainda trazia uma inquietude pelo fato de e le tê-la deixado constrangida com a argumentação. e ele telefonou. O tio e a mãe estavam preocupados comigo. . Débora comentou parecendo envergonhada: Não tenho namorado. o que a deixou muda.avisou. é tão meiga. Sérgio não conteve a satisfação de tê-la ao lado e. Poucos minutos passaram e a moça retornou à sala. por isso argumentou: Seu namorado não deveria deixá-la pegar carona. Não tenho hora para chegar ao serviço. . o simpático rapaz perguntou: Avisou a operadora de seu celular sobre o furto? Ah.brincou troque de pasta! Ela sorriu gostoso ao responder: Sem dúvida! Só um minuto! Você me espera? Não tenho pressa. Te rriso cativante que impressiona e atrai.. hoje estou de folga . Depois. Débora respondeu: Lógico! Se não for incomodá-lo.. sem perder a oportun idade de vê-la em silêncio: Você está muito bonita. Sente-se. E e nquanto apreciavam a bebida fumegante. Entretanto jamais exper imentou aquela sensação em que Sérgio invadiu-lhe o íntimo. Tenho o dia t odo para isso. mesmo com amigos da universidade. É uma pena. à noite. ele observou seu belo rosto alvo enrubescer e... Não vou demorar . . ligou o carro e seg uiu conversando sobre outros assuntos. mas não liguei. parecendo saber de seus sent imentos e pensamentos com uma habilidade a qual dificilmente ela poderia explica . Emocionei-me sim. Liguei logo após ter f alado com o tio da Cris.. nós no s encontremos lá na universidade! É. pedindo animadamente: Vamos?! Estou pronta! Sim! Vamos . Claro que não! Pegue suas coisas e.respondeu ao levantar-se e admirá-la discretamente. Sérgio arriscou. Sabia dominar seus sentimentos em toda situação. ao sutil sinal da moça. mas não devo ser o motivo de seu atraso para ir trabalhar. pois não queria se iludir. Agora que já tem sua pasta e roubei um pouco de se u tempo. Quem sabe.comentou.. mas entendo. o rapaz falou em tom grave e emocionado. Aliás. entendeu que ela fazia questão de servi-lo. O quanto antes à mulher providenciou deli cadas xícaras de porcelana sobre linda bandeja de prata deixada na mesa central da sala..

certo? . .replicou a bela jovem correspondendo à brincadeira. Por quê? Não sei a que horas vou deixar o serviço hoje e. Até mais então. Débora. Eu deveria esperar e ligar mais t arde. falou bem descontraído: Não encontrei lugar para estacionar aqui. Desculp e-me. Gent il. Você não precisaria chegar tão cedo à universidade.. também forneceu o número do telefone de sua residência e endereço.. A jovem riu gostoso e. Débora ofereceu-lhe um cartão com seus telefones. Débora pareceu resplandec er ao reconhecer os nobres traços do rosto de Sérgio.. estampando um semblante bem feliz.. lembrandoo sobre o fato de o número do celular estar desativado.Pegando a pasta. Vou aguardar.ele ri ao dizer aquilo propositadamente para provocá-la.Ao ver seu rosto reluzente e sorrindo virar com expectativa.. A jovem demonstrou-se feliz. olhando-a com admiração e reparando em seu jeito me igo. por sua vez.. O que ia dizendo sobre eu vir mais cedo? . Débora sorriu novamente. Sobressaltando-se. enlaçou-a em seu braço. dê-me essa pasta antes que você a jogue ao chão! . Mas que ousadia! . continuaram conversando até ela comentar: Depois de telefonar par a você. Ele.. quase um afago.Dificuldades em família No final da tarde. quando Sérgio se curvou e. Sérgio suspirou fundo e vagarosamente enquanto a observava caminhando. Será difícil apa tantos papéis em meio a esse movimento de pessoas e o vento..tornou ele. que a procurava em meio ao mov imentado centro financeiro da cidade de São Paulo onde haviam marcado de se encont rarem.despediu-se com expressiva satisfação ao descer do carro. sorriu incrédulo e seguiu. Encorajou-se e . ela continuou encostada em seu braço por algum tempo enquanto andavam. co ntinuou no mesmo tom: É que crianças deixam as coisas caírem à toa! Você sabe. por eu ter telefonado mais cedo do que o combinado. ele retribuiu de imediato. o rapaz passou as mãos pelo rosto.. Ao se depararem. . contornou o veículo e. Ainda é cedo! As pessoas que passavam por entre eles atrapalhavam o diálogo. sem que ele esperasse. Sérgio pegou a delicada mão de Débora. Ao vê-la entrar na empresa onde tra balhava. O que é isso? Eu estava sem fazer nada.r com palavras. dizendo: Com licença . com toda a liberdade.. Teremos de andar um quarteirão. o rapaz abriu a porta para ela entrar. Ele pare cia imerso em um sonho e. 3 . A que horas eu poderia vir pegá-la aqui? Titubeando por segundos. Ah.. ela questionou: Por volta das cinco horas você estará em sua casa? Sim. a jovem olhou para trás e acenou. . E nquanto andavam. recostou-se nele como se o conhe cesse há tempo. . Aproveitando-se desse fato. beijou-lhe o rosto segurando-lhe a nuca com delicado ca rinho. Ia descendo do veículo. para não se separarem... quando menos esperava. Continuaremos a fazer nada juntos . e avisou: reciso segurar firme as crianças para não se perderem. Não demorou muito e chegaram até o carro estacionado. Ah!. Sorrindo de modo alegre e cristal ino. como se tivesse feito uma molecagem.falou de modo alegre. Desculpe-me você. Chegando ao destino. segurou-a levemente pelo braço. eu me arrependi. Posso te ligar avisando? Lógico que sim! .Dessa forma. rapidamente.brincou.. chamando-a: Débora!. Num gesto mimoso e em meio ao riso. ele a soltou como se fizesse suave afago no braço e perguntou: Talvez possamos ir junto s à universidade hoje. Sem perceber sujou-lhe a blusa com seu ba tom. Por quê? Ah!. Agradeceu a carona e pensou ligeira. o rapaz a beijou no rosto.afirmou animado. acomodando-se no . Sorrindo em seguida.

. Você me deixou sem graça novamente. Sabe... Deixe-me ver.. Encabulada.suspirou fundo e sorriu sem jeito. muitas vezes.concordou ela satisfeita. Lógico que não. ainda trabalham. hein!.banco do motorista. insatisfeito com meu salário. é? . Perdoe-me .falou animado. principalmente por saber q ual é o meu trabalho. Bem. .Ao vê-la acenar positivamente com a cabeça. sou solteiro... fizeram tudo. Minha mãe era enfermeira.sorriu ele. Esse tipo de interesse acontece com mais intensidade... Ela é especial! E alguém que eu gostaria de conhecer um pouco mais! . . você o fez em forma de relatório ao falar de uma vez. Os dois falaram sobre várias coisas. Meus dois irmãos são PMs também e estão na ativa. não sou do tipo que se acomoda nos trabalho s em grupo. tenho dois irmãos mais velhos e.Encarando-a de modo a invadir-lhe a alma. sem compromisso.. . Bem.. Apesar de responder tudo educadamente . perguntando com fala ponderada e séria. referi-me à forma mecânica e rápida como faria em meu serviço. Ah! Faço o curso Psicologia e tenho muitos planos e metas para atingir.. Débora sentiu o rosto aquecer imediatamente. Então.. Falarei com o professor hoje. frio e objetivo. mas com quatro filhos precisou deixar o emprego.. Acabei de completar vinte e oito anos.. Isso é normal! . perguntou antes de saírem: Conseguiu falar com suas colegas sobre o trabalho em grupo? Ah. ele correspondeu ao sorriso e continuou: Você estava super curiosa para saber algumas informações pessoai s a meu respeito. ou seja... eu entendi que você quer conhecer meu perfil psicológico. Sérgio colocou os cotovelos e as mãos levemente entrelaçadas sobre a mes a.. funcionário público. Posso ser sincero? . Sabe... Por isso dei um jeitinho e falei tudo o que mais queria saber e de uma só vez.Acredito que nunca conheceu nem teve um amigo policial militar. Logo depois. aguardou...Pe nsou por segundos e foi verdadeiro ao revelar: Bem. esqueço-m e e uso termos militares. Puxa.. Ao lado da prazerosa companhia. Não tive a intenção de constrangê-la.. E a prova que perdeu? ..quis saber em tom alegre e descontraído. enquanto continuava com o mesmo olhar: O que quer saber de verdade? Como assim?. assim como eu hoje cedo. No loc al havia vários estudantes. é prec iso ser prático. quando Débora disse b em extrovertida: Gostaria de saber um pouco mais sobre você! Não é para o jornal da universidade.. Entrei na polícia por falta de alternativas.Tão habituado ao meio. . Ela não disse nada e ele prosseguiu: .. Aproximou-se mais.questionou de imediato. Reformado substitui aposentado. Talvez seja por força do hábito.. A pergunta foi sua. Débora . ou seja. Sérgio? O meu pai é policial militar reformado e. participo bastante e elas sabem disso. tenho certeza de que não me enquadro nessa função. Entende? Por ess a razão.. Então. Sérgio procurou sair dali o quanto antes. o casal ocupava u ma mesa e tomava um refrigerante em uma lanchonete próxima da universidade. O que acha de irmos à lanchonete perto da universidade? Ótimo! Tudo bem! . O que é reformado? . Você foi gentil. sorriu com doçura ao afi rmar: Você sabe como me deixar envergonhada e me fazer perder a fala. em tom brando e generoso: Neste momento estou em companhia d e uma linda moça e.. Imagine!. Conversando bastante nem perceberam o caminho. falou baixo. No militarismo. Qu ser gentil. O que quis dizer com a expressão: força do hábito? Débora. a fim de cuidar da casa e de nós.oferecendo belo sorriso. a maneir a de eu reagir em determinadas situações e o modo como me relaciono com as pessoas. Desculpe-me. E quanto a dizer que respondi por força de hábito. Sei que isso não parece humano. sim! Minhas amigas são ótimas! Bem. Meu pai é PM apos entado... .. Moro com meus pa is. Frente à moça..tornou ele. Terei de pedir uma substitutiva. Então por que entrou para a polícia..riu com gosto. colocaram o meu nome e entregaram.

por isso eu os concluí em escola pública. buscam ajuda e fazem tratamento... procuraram auxílio e se p ropuseram ao tratamento. eu sempre pensei em procurar um psicólogo para entender melhor o que vivo . Veja a ironia do destino!.lembrou-se. tenho mesmo. atenta. E entre o riso. Acreditei que procurar um psicólogo demonstraria assumir ce rto desequilíbrio da minha parte. menos de quarenta conseguem êxito depois de um ano? E dos sessenta que desistiram. tento e te nto me segurar. Sérgio. Isso é desequilíbrio. dependente do serviço público e.observou com simplicidade.Observando-a oferecer meio sorriso ao girar o copo de refrigerante entre as mãos. Aq uelas em torno de quarenta. Acho a vida deles bem limi tada. Se eu fizer nada por mim hoje. Sérgio sorriu e explicou: Débora... Economizei o que pud e até entrar para a universidade... A Emy e o Élcio são os mais velhos. concluiu: Você sabia que de cada cem pessoas alcoólatras que assumem a dependência . Estou falando com você como se estivéssemos em uma terapia . a de sargento. Muito ao contrário! Aquele s que admitem soluções para seus problemas ou dificuldades. dentro da área clínica. falou: É que.questionou no mesmo tom. Concorda? Lógico! Sem dúvida! Sabe.. menos de vinte retornam para buscar ajuda? E bem poucos desses vinte persistem?. depois eu e a Yara é a caçula. Porém a Emy e o Élcio fazem da min ha vida um inferno por eu não pensar ou agir como eles! E meus pais nunca se manif estam em minha defesa! O que os leva a essa incompatibilidade? .perguntou mais séria. Sim. Eu não quero ser como o meu pai e meus irmãos. solteiro e quem eu tenho de aturar para dividir um quarto .falou sentida. O Marcílio é meu irmão mais velho. Você já viu um alcoólatra irrecuperável admitir que seja alcoólatra? Um viciado irreve sível dizer que é dependente químico? Garanto que isso é pouco provável. casado e tem dois filhos. A Yara é neutra em tudo. Depo is o Tiago. nós dois nos damos muito bem. Em seguida contou: As despesas eram muitas e meu pai não poderia pagar meus e studos nem de meus irmãos. não é Sérgio? .. Há tanta diferença entre nós! Eu sinto a mesma coisa com relação à minha família! . Eu penso assim: tenho de começar a fazer algo e me transformar agora para estar melhor daqui a alguns anos. Ele se interessou.Mais sério. Não pense que sou orgulhoso.. sinto e os conflitos inevitáveis com meus irmãos com os quais eu tento. estou brincando. Perdoe-me . que prosseguiram na terapia e seguira . . buscando entendimento. serei e terei nada d aqui a alguns anos. mas os préstimos dos psicólogos e a busca de te rapias jamais são procurados por pessoas desequilibradas.Mas você disse que tem dois irmãos ou eu ouvi errado? .calou-se e suspirou fundo.Como pode garantir isso? .. não me acho nada parecido com a minha família. Que bacana! Você é um lutador! Seria fácil se acomodar e culpar a vida por não conseg uir alguma coisa.. são justament e as pessoas equilibradas. Nossa! Eu não sabia disso! Entre todas as cem pessoas que admitiram a dependência. pois acreditam poder parar a qualquer momento com o que as escravizam sem a ajuda de profissionais ou grupo de apoio.Ao vê-la refletin do. mais ou menos.argumentou ele. entrei na polícia e fiz cursos até chegar a uma graduação satisfatória. dizemos que essas são conscientes. Parece que não quer depender de ninguém.disse ligeira. Al iás.. h armonia e um melhor jeito de lidar com o que experimentam ou sofrem. Contudo não suporto e revido as agressões verbais.. sinto muito em decepcioná-la. E.. depois me sinto tão mal por fazer isso. Tudo bem . curioso: Eu perg untei algo errado? Não! De forma alguma tornou ela. Essas pessoas são oentes e estão presas em seus vícios de tal forma que não conseguem enxergar e admitir a realidade a ponto de procurar ajuda.disse com graça. Ai! Você vai zombar de mim! Por quê? . Muitas vezes se fazem de vítimas e acusam os outros de não compreendê-las. disfarçando um forte sentimento sem que a moça percebe sse. . Eu não podia imaginar. Consideram-se auto-suficientes e não admitem o vício do entio. Também sou a te ira filha entre quatro irmãos. adolescente ainda.riu ao a visar . . Mas minha irmã morreu há um ano e meio. continuou: Depoi s meus pais tiveram a Lúcia e eu. Tenho uma maneira diferente de planejar a vida.

. O meu pai tem uma grande empresa que presta assessoria jurídica ampla: contábil. O Élcio e a Emy se formaram em dir e. ele não podia ent ender. . pois é um enorme prazer não viver da mesada dele igual aos meus irmão s. vendo-a atenta e pensativa. Comecei a fazer Administração de Emp resas e não me adaptei. As que desistem definitivamente voltam a crer na possib ilidade de serem auto-suficientes.. . ela abaixou a cabeça. Os belos olhos castanhos de Débora se empossaram nas lágrimas que tentou. um crescimento espiritual digno..m cada um dos doze passos. não estaria recebendo mesada pelo fato de prestar um serviço. em minha opinião. sem agressões de qualquer tipo.. dúvidas. Na verdade não sei descrevê-la. contou: Meu pai não se con forma em me ver trabalhando como corretora de imóveis! Entretanto tenho o maior or gulho do que faço. eu gostaria de conhecê-la.. Contudo todas aquelas que pr ocuram uma ajuda profissional são pessoas conscientes e que não desejam continuar ex perimentando determinados problemas.. Neste momento não estou s endo terapeuta. Por eu traba lhar.. fiscal e civil para muitas companhi as e empresas de considerável porte. posso falar de mim. .. desespe radamente. baixa auto-es tima. compreendendo e se integrando com os quais precisam e desejam conviver sem atritos. . angústias. deter ao olhar para o alto sem encarar Sérgio. colocando-as entre as suas. Nunca pensei por es se ponto de vista. Decidi e me adeqüei ao jornalismo. Meus irmãos não fazem absolutamente nad a! Só assinam alguns papéis para somarem número de advogados atuantes.Um pouco de silêncio. são as consc ientes. Elas se libertam para uma evolução pessoal saudável. Sérgio se . ele estendeu os braços e afagou as delicadas mãos da jovem.. outra é amizade ou coleguismo. Sempre tivemos uma vida privilegiada. mas as realizações dos serviços passam longe deles. os dois me ridicularizam e meu s pais se calam parecendo coniventes. por sobre a mesa que os separava. As que retornam são as determinadas a alcançar o fim de seus objetivos. . minha família me censura em tudo! Com exceção d a Yara. Como explicar tal sentimento.Sérgio pendeu c om a cabeça positivamente e ela prosseguiu: Você acredita que minha mãe veio conversar comigo e me perguntou se eu não estava com inveja da Emy e do Élcio?! Por que ela perguntou isso? Certamente por eu não agüentar mais as chacotas e o desrespeito deles para comigo e revidar à altura quando começam a me ridicularizar. procurando não depender do meu pai para tudo.. engrandecendo o s préstimos da empresa. sem auto-agressão ou auto flag elação.Ficou co m olhar perdido. persistentes e equilibradas. A Yara não sabe o que quer da vida e só faz cursinho. o rapaz desfechou em tom brando: Uma coisa é terapia. Minha mãe finge se interessar pela profissão só para fugir dos assuntos da família. e desabafou: Meus pais nunca me valorizaram. Envergonhada.intrometeu-se com leve riso.Riu e continuou: Como disse. se você trabalhasse na empresa de seu pai. Por insistênc ia do meu pai eu comecei a fazer Direito e detestei. Fiquei tão magoada com a minha mãe. misto a um olhar de melancolia. Inclusive por você trabalhar . Sabendo um pouquinho sobre vo cê. Ali te m muita coisa errada e. De início.Breve silêncio e contou: Bem. às vezes acho que não pertenço à minha família. são as acomodadas. Tenho até medo de conhecer mais. escondendo o rosto entre os cabelos e chorou em silêncio. Além disso. ele realiza serviços de despachante a lfandegário para liberação de importações e exportações. Como disse no início. Estamos conversando .. Querem justamente se livrar do que as incomoda a fim de viverem em harmoni a consigo mesmas. mas logo falou: Sei muito sobre as atribuições de meus irmãos.. Débora encarou-o com largo e belo sorriso ao admitir: Eu desconhecia tudo isso. Meus pais são advogados.Sem esperar por uma resposta. Não posso concordar. dando-lhes apoio! Entende? .Oferecendo uma pausa. trabalham com meus pais para terem onde se ancorar. Obrigada pela explicação e exemplo. . certo? Errado! Conheço bem aquela empresa. O meu pai nunca me amparou ou me protegeu. . mas um tormento angustioso tomou conta de seu coração por não desejar vê-la sofre r... Nem tinha dezoito anos aind a! Parei antes de terminar o primeiro semestre. Fomos criados pelas babás e est udamos nas melhores escolas.Breve pausa e exclamou: Nossa! Como me criticaram! A propósito.. dificuldades. se mal a conhecia?! Inquieto e impulsivo. Como você sabe disso?! . apesar de toda luta a interior e sacrifício. Mas.

Creio que ninguém goste de ver os outros chorando por ninharias e ainda ouvir prob lemas.. secando o rosto com as mãos. Deixa comigo! . mas tenho de entregar este resumo.. Já pensou que você pode estar bem errada com esse tipo de condenação e julgamento? .Com os olhos avermelhados. Apesar de você apresentar-se bem disposta e alegre... Após suspir ar fundo.perguntou. Sérgio. com pensamentos inúteis nas críticas feitas por eles. aconchegando-a ao peito enquanto afa gava-lhe suavemente os cabelos. relaxam.Sem demora Débora apresentou: Rita. Detesto chorar . O prazer é meu! .. quas e triste.Voltando-se para a amiga.correspondeu animada.exclamou após beijá-lo novam ente e se afastar. Ah... não é? . É que.... Sérgio perguntou: Tem certeza de que não quer comer nada..tornou Rita sorridente.. não me desligo do que me disseram e crio tormentos inúteis em vez de soluções. vive tensa.... não viaja nem conv a com algumas amigas sobre futilidades?.levantou.. encarou -o sem dizer nada e fitou-o longamente com expressão indefinida. não! Obrigada! Fiquem à vontade! . Você não é obrigado a ouvir minhas lamúrias. não. Prazer em conhecê-lo. mesmo? Não.. não namora e não se diverte? Não passeia. Eu só quero um segun dinho da Débora! .. Quer entrar? Está. sente -se conosco! Estamos esperando o horário.. de se julgar ou se criticar e tentar prever a opinião dos outros.. Ai! Que droga!. pois ele falou a verdade.. Pare de s e punir.. Por que me pergunta isso?! Essas atividades.. Sérgio . Não sabia o que diz er. Obrigadão! Ta! . fazem bem para a ment e.. Débora virou-se. e ele questionou parecendo adivinhar sua vi da: Há quanto tempo não sai. aqui está uma cópia do trabalho de ontem. Estou entendendo o motivo de minha tensão. estendendo-lhe uma pasta ao chamá-la pelo apelido carinhoso.. Acho que fic o tanto tempo presa.. este é o Sérgio.. tchau! . mas disfarça bem. levantando-se e propondo: Por favor. Venho descobrindo algumas coisas daquela empresa que. Sentado ao lado de Débora que disfarçava os suaves tremores pela brisa fria e úmida . Poderia me f azer esse favor..exclamou alegre.expressou-se Débora. certo? Ela deteve as lágrimas e as palavras. esta é a Rita. Débora dissimulou e sorri u ao cumprimentá-la com um beijo: Oi.murmurou. Só preciso de um favorzinho . eu arranjaria uma desculpa para ir embora. Acabo m e aborrecendo. Tem toda a razão. gostaria de não perder sua amizade. Obrigada.. pegando a pasta. Rita! Tudo bem?! Oi! Tudo jóia e você?! .. quando um vulto chamou-lhes a atenção e se voltaram para o la do vendo uma bonita jovem parada.Retribuiu o rapaz.. O casal não esperava. desde que praticadas de forma saudável. observando-a e acariciando-lhe suavemente as costas ao dizer: Não tem motivo para pedir perdão. afagando-lhe rapidamente o ombro. estendeu-lhe algumas folhas e explico u: Dé.expressou-se num murmurinho vivo e alegre ao sorrir. Caso isso me incomodasse. Que nada! Você já fez tanto pela gente! Mas. Acho que não teve uma boa impressão a meu respeito e.agradeceu Rita dando-lhe um rápido beijo no rosto e avisou: Agor a preciso ir. Sérgio.. Aguardou o longo silêncio. Débora se calou e não erguia o olhar. ao tempo em que fazia gracioso aceno com a mão. Sérgio! Tchau.ela o interrompeu e foi bem direta .. . Bem! . Eu não tenho o direito de invadir sua privacidade ou. Hoje nem vou entrar. Débora!.explic ou ligeira. Arrependido. Minutos pass aram e ela procurou se recompor desculpando-se ao se afastar um pouco: Acabo de conhecê-lo e. m a colega de classe e melhor amiga! Prazer! .. Nos últimos tempos tem sido difícil eu to lerar tudo o que acontece lá em casa e. Espere.. Débora. pediu: Perdoe-me. dando-lhe um beijo no rosto. Ah! Obrigada! Se não fossem vocês!. sorrindo e aguardando... Ele não disse nada e ela chorou um pouco escondend o o rosto discretamente com uma das mãos enquanto a outra o envolvia.. Dé? .. sentou-se ao seu lado e a abraçou. Ei.. ped iu: Desculpe-me.

O de sempre. Antes de descer do carro.respondeu de modo mecânico.correspondeu.Mudando rapidamente o assunto. ele avisou: Preciso saber onde pegá-la e a que horas.Sem que a jovem esperasse. Quer ser minha cobaia?! . Obrigada. ela perguntou: Quer ver onde é minha sala? Ah! Quero sim! . A mulher estava sentada à m esa da cozinha. Por que a senhora ainda está acordada? E tão tarde! Não consegui dormir. Gostei da idéia! Vamos combinar isso direitinho! Vendo-a iluminar novamente pelo belo sorriso. tornou a oferecer sua blusa...cumprimentou e a beijou. deixando-se agasalhar daquela forma e ser conduzida. cantarolava baixinho. Tinha idéia do que havia se passado. era observada por sua mãe. A pior coisa que o pai fez foi comprar esta casa para ajudar o Marcílio e a Ana . mas não sentirá frio. Sem perceber. pois achava que ele estava com frio e não queria vê-lo ir sem vestir a blusa. Diante da educada recusa. expressando-se aborrecida por esperar o filho. não iria me candidatar! Agora. o moço sobrepôs o braço em seus ombros. Bênção. Débora fez questão de devolver -lhe o suéter. filho! Não suporto essas brigas! Nem eu! Cansei! . Alegre. Agora.perguntou com pe nsamentos repletos de desejos positivos. Deus o abençoe . não. Ao término das aulas. conforme havia combinado. E tão acomodado que. * * * Era bem tarde quando Sérgio chegou a sua casa. perdendo o ânimo de imediato. tantas pesquisas. dona Marisa. A sala de aula é quente . apanhando-as em seguida. Estava animado como há muito não se via.. Não vai se dar ao trabalho de me levar para casa. Ao entrar. Não desejava saber detalhes de qualquer ocorrido. estágios . Entretanto viu-se na obrigação de perguntar: O que aconteceu? Ah!. deu no que deu! O Marcílio sempre gastou mais do que ganha! Nunca pensou no dia seguinte!.tornou ele firme. Jogue-o nas costas.. Seu pai se meteu na briga e. mãe . brincando do mesmo jeito. sempre f oi temperamental.disse educada. vai? .. ao se levantarem.. o rapaz a deixou em casa. jogou as chaves do carro para o alto num gesto de brincadeira. mas Débora recusou parecendo constr angida. Sérgio se encontrou com Débora e de ssa vez. Durante o trajeto conversaram muito e s e conheceram um pouco mais. Estou farto de ajudar a financiar comprom issos que eu não assumi! Por que acha que não me casei?! Por que acha que estou estu dando. envolveu-a e recostou-a em si a fim de aquecê-la. Não era costume de sua mãe ficar até àquela hora aguardando-o. O rapaz deu um suspiro e em seu belo semblante fulgurou um ar de insatisfação. conv enceu o pai a comprar esta maldita casa para vir morar conosco e se encostar. ele perguntou: Quer meu suéter? Ficará grande. A jovem não disse nada. Ao vê-la com seus materiais nas mãos e encolhendo-se. Sérgio! A Ana nunca se controla: bate nas crianças. .riu com meiguice. Ela engravidou para se casar e fugir do domínio possessivo do pa i. ela aceitou rapidamente o suéter de lã que ele nova mente ofereceu. Preciso de voluntárias para a aplicação de alguns testes para meu trabalho de conclusão de curso.. dando um duro danado para suportar a faculdade. cl aro! Eu não sei mais o que fazer. por sua vez. sorrindo sozinho..Acho que estou precisando de um psicólogo . briga com o seu irmão. e percebendoa tentar aquecer os braços com as mãos. vamos! Ele pôde sentir o vento cortante e inesperado. Não. Aceite . quando não conseguiu pagar o aluguel. Não é preciso . Satisfeito.insistiu enquanto caminhavam. O Marcílio nunca assumiu qualquer responsabilidade. Sérgio surpreendeuse ao vê-la. por não resistir ao frio. Hoje foi o maior inferno nesta casa. Se fosse trabalho. A Ana. quase num murmúrio..

pois ela sempre se achou importante em tudo. Posso até dizer que foi no último ano em que ela mostrou realm ente quem era e a sua índole. por que se deixou engravidar d o segundo e agora do terceiro?! . Porém cheguei a um ponto insuportável! Então foi definitivo. sorridente e cativante até dominar as pessoas com seus mimos ou fazendo o tipo: sou vítima. Dois anos foi tempo demais.. nunca a iludi com promess as de casamento! Isso é história da cabeça dela! Ela é uma boa moça. ele precisa de m uito mais do que duas pessoas sob o mesmo teto! Em uma união é necessário respeito. Ao contrário. Sinto algo. Não temos um perfil psico lógico compatível. ele falou em tom grave. eu explico em detalhes: a Sueli acredita que tudo existe em função dela..Sérgio estava nitidamente insatisfeito. Uma jovem alegre..Andando vagarosamente de um lado para outro. é burrice! Quando é carma. um corrige o outro! Como pode falar de casamento se nunca se casou.. Perdão. fuma ou joga compulsivamente. Acho que o casamento deles acabou .alterou-se. Meu erro foi deixar esse namoro durar tanto tempo.. Meu erro foi terminar algumas vezes. Não foi passatempo. Opa! Espere aí... inconformado com a situação. A senhora não imagina. o melhor é não se unir. pois isso era o mesmo que ficar por baixo.. Não fugi de casamento algum! Namoramos sério sim. . O que a Ana e o Marcílio jamais tiveram! Quando há a menor dúvida sobre um desses itens.Alguns segundos e prosseguiu com certa mágoa na expressão: Chegou a me chantagear para eu retomar o compromisso. mãe. Nunca.... Se ele bebe.murmurou. estudar como precisava. Eu dev eria lhe dar satisfações de tudo! Pelo amor de Deus! Isso era sufocante! Nunca conse gui trabalhar direito. Eu nunca disse que ela era má... Porém nesses. O parceiro ou parce ira raramente mudam depois da união. verdade..lamentou a mulher.. olhando-a bem nos olhos . Quase dois anos de compromisso. mascarando-se e manipulando todos a sua volta.. mas não concretizava nada de material ou espiritual.. mas demorei a notar o quanto ela representava bem.... Egoísta só não! E la é egocêntrica! Para a senhora entender. . parceria e confiança. pobre de mim! Foi então que ela. Que engan o! Se ele acredita que ela será menos irritada. não dá atenção.corrigiu-a de imediato.. Fui analisando e cheguei à conclusão de que a Sueli era fal sa demais e cruel.. Não! Para mim. autoritária. Parece que a enganou. Não a quero nem como colega. chega! . Digo isso com conhecimento de causa. veja bem. Se bem que nesse aspecto ela não deixa a desejar . . eles revelam um lado bem sombrio que antes não foi visto... le aldade.. mas não adiantou.. Sérgio?! Ao contrário! Acabou fug indo do casamento com a Sueli! Uma moça que. É uma pessoa improdutiva com oc upações superficiais e fúteis. Terminei o namoro e não deixei qualque r esperança da qual a Sueli pudesse se alimentar. sai co m outras mulheres. Sou muito observador. Lamento ter demorado em descobrir isso.. Somando tudo isso ao carinho e à co mpreensão. Ela me julgava como sendo de sua propriedade. Era uma das poucas vezes que reclamava daquela forma. Quase dois anos! .dona Marisa teve a voz inte rrompida pela emoção e de seus olhos transbordaram as lágrimas.... egoísta e. depois ficar com pena e reatar o namoro... e ela pensa que o companheiro mudará após se casarem. não se casar. mãe! . Sei lá.Breve pausa e protestou: Caramba! Será qu e não sabem planejar a vida?! Pensa que é só pôr filho no mundo e berrar para os outros se apiedarem e ajudar?! . Que engano! Se isso não for carma. Dificilmente se a lterava. Senti algo errado e me recusei a um compromisso tão sério e definitivo... Foi a melhor amiga da sua irmã. Tinha sempre de me dedicar inte iramente a ela. O . eu conse gui ver que a Sueli era uma pessoa dominadora. E o enganado nessa história fui eu! A senhora acha que a Sueli demonstrou sua verdadeira personalidade antes?! Foram nos últimos meses e. mais caprichosa. d esabafou: Ah... Exa tamente nessa época a Sueli revelou-se! Ela foi capaz de ofensas gratuitas contra mim com o intuito de sentir-se superior. Ao ver o quanto estava sendo difícil só com um filho. ..espalmando as mãos sobre a mesa. ela começou a falar em ca samento. Mãe . Não fazia nem faz nada na vida.e situações inúmeras?! Sabe por quê? Por eu pensar no meu futuro! Não serei dependente e a comodado à vida toda! A Ana é bem esperta! Não é ingênua não! Ela engravidou para se casar. esse casamento nunca começou! Para um casamento acontecer.Algu ns minutos e falou mais brando: Tentei fazê-la entender. Sérgio. E o tipo de pessoa que não admite a reali dade. carinhosa e lhe d irá toda a verdade depois de casarem.. não em função dessa pessoa! .. Puxa! A gente vive ao lado de alguém. re-sulta o amor.

diga-se de passagem. E. Sabe. com deboche.. financiar os gastos e conciliar dois irresponsáveis como a minha cunhada e meu irmão! Só que isso vai acabar! Ah. e o tal doutor Edison. cuidando das crianças e f azendo pelos netos o que os pais deveriam! . Dona Marisa sorriu. mãe. não fico me esbaldando em farras.. Não é fácil fazer tudo isso que faço. da minha estabilidade e segurança para a poiar quem não merece! Ao fim do desabafo. sustentando-os.quis saber austero.. retornando frente a ela. nem joguei minhas notas no lixo! Sempre me esforcei e parece que nessa casa ninguém reconhece. bate nas crianças e engravida novamente! Porém. respeito. referindo-se ao rato treinado por ele. vai! Nem cursos dentro da própria PM o Marcílio se esforçou para fazer. Sérgio murmurou num tom grave: Não fale sobre o que a senhora não sabe. Ah. realizar os mais complexos e difíceis estágios.. professor e médico de loucos. sem esperar su a mãe responder... Ao ameaçar ir pa ra o quarto. a Ana e o Marcílio não são os únicos culpados nessa história. co m dó dos meninos.. E em nenhum m omento deixei de corresponder à confiança em mim depositada e a ajuda recebida de me us superiores para eu poder estudar. o pai ou a sem vergonha da Ana o incentivaram ou até o forçaram! Ele é um moleque! Só que chega de viver às minhas custas! Você não entende que. terapias e tarefas que exigem muito tempo. grita. mãe. sua mãe exclamou..argumentou. pois a conhecemos. mãe! Saiba que eles brigam e batem nos filhos para a senhora e o pai. imensa atenção. que é um perfum e bem caro! Sua blusa está suja de batom. vou r uma olhada no Tufi . Namorariam em casa em vez de matar a ula com qualquer sem vergonha por aí! Como pôde conceber a idéia de eu matar aula?! . com a responsabilidade que me é imposta. pois assim ele teria um salário melhor! Nem a senho ra. eu agradeço a Deus pela oportunidade. Blusa que a besta aqui lavará amanhã lá no tan que. xinga. mãe.. questionando com a intenção de irritá-lo: Se não pretende arrumar mulher e filho tão cedo.que.intrigou-se. Sérgio exclamou: Ele foge! Bebendo. Como posso falar sobre algo com você se nunca conversa comigo?! Acho que esse r ato te conhece melhor do que eu! Ah. não bebo nem jogo..perguntou um tanto irritado e. certamente o ouvem e conhecem a sua vida melhor do que eu. que fosse a Sueli. por que se envolve com qualquer uma? Não dá para crer em todo esse esforço que relatou quando mostra tempo de sair e f icar na farra! O que a senhora disse?! .falou com uma pit da de ironia. Não sei se reparou.. fazendo estágio para a mi nha graduação. . incrédulo. Parte dessa culpa cabe à senhora e ao pai que os apóiam. Para não deixar a situação acalorada. jogando e ficando no b ar o quanto pode! E a Ana?! Como ela reage para restituir. exclamou: Eu não arrumei mu lher nem filho porque planejo a minha vida! E não pretendo arrumar tão cedo! Por ess a razão não deixarei de cuidar do meu futuro. sua própria mãe! . Quisesse ficar com alguém só por f icar. continuarem apoiando-os. ao esclarecer de modo rude: Além de você estar impregnado de perfume.Sem trégua. estudar. Apesar do sacrifício. aliás. mãe do seu amigo. por não terem responsabilidade. de alguma forma. Não é fácil ter o trabalho que tenho. Chega. durante todo o dia. A tal dona Antônia.Alguns segundos de silêncio e ele falou ma is tranqüilo: Só tem uma coisa: eu não fumo.. avisou: Com licença. Vocês os susten tam na irresponsabilidade! Não pense que a Sueli seria diferente da Ana não! Tenho c erteza de que a Sueli seria bem pior! . pesquisas. Estou exausto. Não sei por que a Ana briga tanto! A Ana e o Marcílio vivem dessa forma por falta de vergonha na cara. sim!. Sem demora. mãe! O que e le faz para melhorar essa situação?! . fumando. Foi isso mesmo o que ouviu. alertou em tom grave e pausadamente: Mas eu não desisto! Nessa história toda. não! . ao mesmo tempo pagar o curso dessa graduação... exaurido daquela situação. o pior é ainda ter de ajudar. planejamento de vida e bom senso! Pense. A vontade de desistir é imensa. manter-me na faculda de com as melhores notas. . Mal desmanchou o namoro com a Sueli e já está com out ra e querendo ter muita moral com suas opiniões!. mas passei e passo muitas noites em claro estudando ou então traba lhando na polícia à noite. ele suspirou fundo.. espiritualmente ela ostentava um delírio de grandeza! A Sueli seria uma nora melhor do que a Ana. prosperar diante dess a situação?! Ela briga.Com postura mais firme.. até dobrando escala pelo fato de o comandante permitir minh a permuta de horário porque eu estive..

. não foi?! Mas ela quer falar com você. Bênção. Nossa! A senhora já levantou?! Deus te abençoe . mostra-se bem alegre quando eu chego a casa. O rapaz não conseguiu resistir e falou firme: Desde que terminamos aquele maldito namoro. sentiu seu coração acelerar. ao menos.Débora hospitalizada por causa de uma mentira Por dormir pouco.. Somente ao se lembrar de Débora.. . Gostaria de ficar na cama. o filho se levantou.O filho a acompanhou com o olhar até ela se sent ar na outra lateral da mesa e contar: A Sueli telefonou ontem e. Por essa e outras razões. Tratava-se de uma escala de serviço extra com a duração de vinte e quatro horas.... A moça demonstrava-se encantada.Eu falo com a senhora.. A senhora sabe.. ver que sua mãe estava em pé e até pr eparando seu café da manhã. Débora preguiçosamente remexeu-se na cama. 4 .respondeu insatisfeito. apaixonada. Ligue para ela. mãe. como sempre fez. interrompendo-a e sem começar o desjejum.. Nós duas conversamos um pouco e a Sueli insistiu par a eu te dar o recado. repentinamente. mas no qual precisava mostrar-se à a ltura dos padrões preestabelecidos diante das inesperadas necessidades e urgências. pediu: Com licença. ela liga todo dia! Eu já pedi para não me contar. demorou a conciliar o sono. Acomodou-se melhor para o desjejum. Qual deles? . ver seu lindo olhar penetrar sua alma. Sérgio sentia-se indisposto.. * * * Horas depois. mãe.. Tinha planos para aque . perguntou: Não vai comer nada?! Não . Desencorajado de procurar forças interiores. Acreditava até poder sentir o perfume gostoso de sua loção suave. Ainda deitada.disse a mulher. porém nunca me ouve e. Recordando-se de diversos detalhes. mas dona Marisa. tomou um banho e se deitou. quem sabe. ele lut ou consigo mesmo a fim de encontrar vontade e ânimo para enfrentar a constante pre ssão exigida por um serviço quase sempre ingrato. colocando-lhe a xícara. Ao vê-lo virar as costas. Havia tempo que não tinha compromiss o sério. não me dá importância ne valor. Sérgio experimentou uma amargura indefinida. Decepcionou-se muito com outro rapaz e resolveu dedicar-se ao estudo e ao trabalho. Se ouve.. Desejou como nunca poder sair daq uela casa. Muito pensativo. lembrou: Esqueci de te falar ontem.respondeu. Estou atrasado! Depois de se arrumar rápido. filho! Vou fazer de conta que não ouvi isso . ele retornou à cozinha com uma bolsa onde guardava s eu fardamento e despediu-se de sua mãe o mais rápido que pôde. ao despertar. trazia um suave sorriso no rosto ao se lembrar de Sérgio.o filho questionou sem vontade. Sonhou acordada por longo tempo até decidir se levantar. mas deveria ir trabalhar. Mas me preocupo! Já ligou para o celular dele? A ligação só cai na caixa postal . Ficou feliz ao rever mentalmente a cena de ele ajudá-la a vestir o s uéter tão grande. O Tiago não voltou para casa. Esto u preocupada com seu ir-mão. Depois avisou: Não dormi.. Porém seu sono foi afugentado ao chegar à cozinha. Num gesto rápido. Sérgio. Você nem reparou? Não é a primeira vez que ele dorme fora e não avisa.respondeu sem se voltar e de modo que ela quase não o escutou. tinha os sentidos sonolentos e pensamentos desarranjados . acord aria sem disposição... Brincou um pouco com o ratinho e a pós devolvê-lo à gaiola.. Mesmo após um banho rápido. sentiu um pouco de alívio em seu coração magoado. O Tufi. Sérgio ofereceu meio sorriso e nada disse. ouvi r seu riso contagiante.

. Débora! Não vai querer ficar em um lug ar chinfrim?! Poderíamos ficar aqui mesmo . O Élcio e a Emy qu erem ficar em Angra.tornou Emy. Queria vê-lo. pegou o telefone. novamente. ficaremos socados aqui?! Não mesmo. Não enche. a jovem seguiu para seu quarto. mas o assunto principal foi sobre Sérgio. Ora. Tenho o meu serviço e não sei se posso tirar férias . A Yara deseja ficar aqui. não queria ficar em casa. perguntou: O que você diz a? Estávamos falando do planejamento de férias para o final do ano. Não demorou e uma senhora atendeu: Pois não! Boa tarde! O meu nome é Débora. Por que não passamos juntos só esse ano Podemos alugar um barco e brindar a passagem de ano vendo os fogos de Copacab ana! . Não fi co procurando meios de fazer com que outras empresas soneguem impostos.perguntou ansiosa.le dia. Ele está?! . bate ndo a porta e atirou-se sobre a cama. Sem dar importância ao chamado de seu pai. a jovem não estava mais nervosa. Eu não quero ir para o Rio! Não gosto daquele calor.. mãe. entretanto não sabia qual desculpa poderia dar para procurá-lo. Levantou-se. quase gritou: Bendita pasta! . mãe? .revidou E my em tom ofensivo. não abro ou manipulo dinheiro em paraísos fiscais para os grande s empresários.Pegando as chaves de seu carro.propôs Débora. saiu sem dar satisfações. Um pouco mais tarde. só lhes resta f azer colunas pejorativas aos atuantes profissionais de grande sucesso nos jornai s baratos e de quinta categoria. sou colega do Sérgio. Pensava em sair. já tinha outro compromisso. Desejava comprar um celular novo. Que inferno de vida! Pouco depois. Então. Droga! .Vociferou o senhor Aléssio ofendido.desfechou com ironia ao encarar a irmã.. mãe! Não vê a divagação de sua filhinha? Seu olhar tão perdido..protestou Débora.animou-se Élcio. Tornam-se simples vendedoras! Pelo menos eu tenho honestidade! .reclamou Débora.exclamou irritada. Não vivo à custa do papai! . Não sei. Adoro ver neve no Natal! Ah. Virando-se para a mãe. Estudamos na mesma universida de. Era tão bom ficar em sua companhia. olhou-se no espelho e arrumou rap idamente a roupa desalinhada. mas lembrava-se de Sérgio.atacou Débora com palavras expressivas. você sabe! . Com licença! . . estampando largo sorr iso ao certificar-se de ter esquecido sua pasta. E só porque quer. Débora convidou-a para sair. Parecia enfeiti por uma magia nimbada de imagens de castelos rutilantes onde vive um belo príncipe prodigioso . Durante o desjejum. Talvez por serem tão impotentes e incompetentes. falando entre os dentes cerrados ao mesmo tempo em que fuzilava a irmã com o olhar. no carro de Sérgio. Quando não.satirizou Emy em tom poético e sarcástico.. não faço cai xa dois com registros contábeis fraudulentos da posição patrimonial de uma organização ou de uma pessoa física. Estava imersa em lembranças do dia anterior até se sobre ssaltar com a indagação: Não é mesmo. não hesitou em tocar a campainha e aguardar. A moça pegou a bolsa e.. porém a colega não podia. Al egre.. olhou por todo o quarto. As pessoas insignificantes só sabem reclamar e perturbar a fel icidade dos outros. Descendo do veículo. alguns políticos safados e líderes protestantes sem-vergonha. queridinha! . Débora praticamente não conversou nem dava atenção ao que diziam. repentinamente. Emy! .perguntou voltando à realidade. Débora estacionou o carro frente à casa do endereço que Sérgio l he deu. Após desliga r. para se l ivrarem dos impostos neste país! Isso é sujo demais para mim! Somente os deverasment e nojentos e imorais profissionais da sua área são capazes de se satisfazerem com su as empresas tão imundas! Chega! Vamos parar com isso! .explicou Débora com austeridade . ligou para sua amiga Rita e conversaram por l ongo tempo falando de várias coisas. Débora? Filha! Não me ouve?! O que..pediu Débora com voz amarrada. talvez você me acompanhe com o seu pai para a Europa. Mas claro! Somente os mais capacitados trabalham em nossa empresa . em companhia de sua família. Está tão longe! Nem chegamos ao meio do ano! É o momento ideal para as melhores reservas.

Sou . Débora estranhou ouvir a voz de uma mulher e perguntou. mas esse número é do celular do Sérgio? É sim..interrompeu-a novamente. . Ligue o celular que você deu ao Sérgio e ele te devolveu .. Aquilo foi muito sórdido. Não...respondeu em tom bondoso. Com ligeiras orientações. propositadamente aconselhou: Ele foi trabalhar de carro.. Sim.. Como você se chama? Sueli! Ah. Débora abriu sua bolsa. até que a moça precisou desligar.... Pode ser assim? Claro..disse completamente atordoada e incrédula. Débora.... pois o referido celul ar tocou: Alô? . gargalhando satisfeita. Qual é o seu nome? .perguntou a outra bem cínica. afir mando não ter nenhum compromisso.. dona Marisa entrou. Você atende dizendo que é noiva do Sérgio e. Constrangida . tirou o celular que acabara de comprar e registrou o núme ro fornecido pela mãe de Sérgio... Na verdade eu nem sabia que ele estava de casamento marcado. Você sabe. e. mas a senhora a interrompeu: Escuta! Faça o que estou falando e bem rápido! Olha.. Sueli. pegou o telefone e ligou: Sueli?! Bom dia. noiva dele.Não. mas sentiu uma antipatia inexplicável pela jovem . Pensando rápido. eu mesma pegaria o material pa ra você. a mulher planejou o que dizer ignorando estar sob a interferência dos desejos do espírito Lúcia. por isso é bom tentar algumas vezes! Eu não tenho o número . Se você não se importar.. . educada: Desculpe-me. . A conversa durou algum tempo. mesmo sabendo o que aconteceria. Olha. Foi então que percebeu a mesma cor do batom e sentiu o perfume que havia no suéter do filho.. sim. Débora sorriu com simpatia ao explicar: Ontem o Sérgio me deu uma carona e. desencarnada havia um ano e meio.. Será que posso te ajudar. dona Marisa. Tem onde anotar? ..sorriu. Obrigada! Tchau! Sueli desligou e jogou-se no sofá.atendeu Sueli.falou decepcionada. Não sabia que ele trabalhava aos sábados.tornou a senhora. cruel. preste muita atenção.. filha ... Aqui é a Sueli. Perdoe-me. Desculpe-me . É que. Meu nome é Marisa. Ao ver a jovem partir. o aparelho fica desligado. A senhora manteve as aparências. a moça sorriu generosa e agradeceu muito antes de ir embora. desculpe-me não poder conversar mais. Você é colega dele? .. Mas por que não liga para o celular dele?! . Ah... é que estou fazendo a prova do vestido de noiva e. Ah. Então eu digo que você ligou.afirmou com voz trêmula.A moça tentou argumentar. posso recebê-la mais tarde junto com os outros...avisou a jovem com simplicidade.. Ele está trabalhando hoje e foi por isso que o celular ficou comigo. uma moça deve ligar para esse celular..gaguejou Débora após segundos. elas tramaram uma circunstância difícil de Sérgio explicar.indagou à senhora abrindo o portão e se aproximan do da moça. mostrando-se amável.. passando-lhe intensos pensamentos. Só liguei porqu e ele está com meu material e. Em seguida explicou: Estudamos na mesma U niversidade e. Débora... Bem. Débora? . Eu sou a mãe dele. . O Sérgi está trabalhando hoje. Um frio percorreu o corpo de Débora ao lembrar dele olhando em seus olhos. Eu esqueci meu material da faculda de no carro dele. Sueli. Débora. Imediatamente um sentimento de aversão brotou no coração da mulher que se deixou dominar pela influência de sua filha Lúcia. O espírito Lúcia a envolveu. Ele me falou de um grupo de amigos da faculdade que iria ligar para ver nossa futura casa e levar os presentes. Se estivesse aqui. Claro! Perdoe-me por tomar seu tempo! Felicidades. Satisfeita. Quando o Sérgio está ocupa do.

QRA. O soldado operador do rádio parecia aflito e o chamou de modo transtornado assi m que o viu: Sargento Barbosa! Corre aqui! O que foi?! . Por aqui. em um cruzamento de avenidas importantes. COPOM. Ninguém ainda. informou o policial do COPOM . Poderia repetir o QRA da proprietária do veículo envolvido? . sentiu-se confuso e quase não acreditando no que ouvia. Sem demonstrar-se alterado. É a viatura do soldado Félix e o soldado Martins. mas o outro veículo envolvido está torcido e preso entre a viatura e um pos te. O soldado Félix diz que eles só sofreram escori ações leves. Ao ouvir o nome e mais detalhes. da proprietária do veículo é: Débora Cristina Ribeiro Marins. Eles foram atender uma ocorrência. Sérgio questionava detalhes: E o motorista do veículo? Parece que é uma mulher. COPOM! Entendido! Estou à disposição e obrigado.. ela se atrapalhou entre dirigir e desligar o cel ular e. Lembrou-se imed iatamente do momento no qual anotou aquele nome e endereço dias antes para a ocorrên cia da menininha perdida. enganada e tr aída de certa forma.. base! Prossiga! . que conversava com o soldado encarregad o da viatura acidentada. * * * Sem explicações aparentes. ficou perplexa.Sérgio quis saber rápido.Em seguida falou o ende reço. pois todas as outras estavam em atividade por outros chamados. Sérgio certificou -se de que ele mesmo deveria ir para o local prestar apoio. o sargento Sérgio Ba rbosa caminhava perto da sala de rádio onde se podia ouvir a comunicação entre as viat uras daquela unidade e o Centro de Operação da Polícia Militar.. o policial do COPOM falo u: QAP significa: Estou na escuta. Sargento Barbosa. a fim de apressá- . Depois de se ocupar com tarefas corriqueiras na Companhia. QSL? . aquele dia parecia bem penoso para Sérgio. avis ando: COPOM. experimentava um sabor de fel em seus sentimentos. constatou não ter viaturas disponíveis para atender aquela ocorrência . comunicou os dados: O QRA . O Sérgio não precisava ter mentido! Foi por isso que não me deu nenhum número de celul ar! Como não teria um celular?! Por que ele me enganou?! .preocupou-se Sérgio. Pelo fato do aparelho ser novo. abalroaram um veículo. Decidiu não parar o veículo e continuou dirigindo-o em uma avenid a cujos veículos estavam em alta velocidade. Apesar de ele não enfrentar qualquer problema no serviço interno que desempenhava.Débora tinha os olhos nublados de lágrimas por se sentir humilhada. Acabou de acontecer. Uma das nossas viaturas está envolvida em um acidente! .QSL corresponde a: Entendido? QSL! Prossiga! Entendido! Tornou o operador. . Positivo! O QRA da proprietária é: Débora Cristina Ribeiro Marins. código correspondente ao nome próprio. Foi como Sér io desfechou a comunicação. Depois de ordens ligeiras ao soldado que seria seu motorista. aqui é a base! QAP. Entorpecida pelo sentimento que a invadiu tão inesperadamente. Inesperadamente tomou frente ao rádio e exclamou. Naquele instante o policial do COPOM. Ao verificar. pensava angustiada.QSL.contou-lhe o soldado. Quem está no local prestando apoio? .. O COPOM está fazendo o levantamento dos dados do proprie tário e. Estavam com a sirene ligada e. Sérgio sentiu o rosto esfriar. mal ouviu um grande estrondo.QRA. Ao mesmo tempo em que escutavam o soldado falando ao rádio da viatura acidentad a com o Centro de Operações da PM.tornou Sérgio controlado. igua l a: Entendido? QSL! QRV e TKS.. corresponde a: Nome.. conhecido como COPOM. QSL? . Parece que num cruzamento.respondendo em código habitual. Como aconteceu?! .

mas não souberam afirmar. Venha e fique aqui.. Ficou sério. o sargento Barbosa aguardou e na primeira oportunidade se apresentou ao oficial. Tente aca lmá-la.pediu sério e comovido. Receoso. ele informou ao COPOM que estava indo ao local do acidente. dizendo estar al i para todo o apoio necessário. Ao vê-lo se posicionar. o senhor orientou comovido: Converse com ela. mas estava bem. Policial Militar do Corpo de Bombeiros. sem demon strar sua aflição. O barulho da serra cortando a lataria era e . A jovem encontrava-se muito confusa e inqui eta. ficou atordoado com o que via. Sérgio!. Eles achavam-se ap arentemente bem e conversavam com outros policiais que chegavam ao local. o oficial do bombeiro chamou-o: Sargento! Cubra-a com isso. Apóie seu pé lá . não deve tentar se mover ou se agita r. ta? Verificando que a moça estava bem mais calma com a presença de Sérgio. Vamos tirar você daí.pediu piedoso. Sérgio estava praticamente deitado sobre o carro amassado procurando confortá-la. Sérgio fez exatamente como foi pedido. Sérgio precisou manter-se firme para não ser impulsivo. pois a s condições de Débora poderiam ser graves. Me tira daqui! .apontou. Dê-me permissão para falar com ela. Você sabe. o senhor está bem? . Nesse momento. bem perto do c arro. ..tornou ela em lágrimas. passavam-lhe informações. ele conseguiu vê-la e a cha mou: Débora? .Oferecendo-lhe uma jaqueta de bombeiro do mesmo modo. verificou que as escoriações foram leves e superficiais.. Eu a conheço. Nem ouvia o que o soldado lhe falava vez e outra por estar atento às comunicações do rádio da viatura a fim ter mais notícias. pa recendo vir de um machucado na cabeça. o oficial comandante da operação pensou por instantes e decidiu: Tudo bem..perguntou-lhe o motorista. Contudo o nome e o endereço não lhe deixa vam dúvidas.orientou-o ao jogar-lhe uma cobertura apropriad a. apesar de bem atordoada. Sérgio se fez firme para pergunt ar se havia vítima fatal.lo.implorou chorando. mesmo assim o reconheceu. viu seu rosto escoriado e sangue escorrendo nele. Serraremos a lataria do carro e as fagulhas poderão atingi-la! . Suspirando fundo.. Por favor. Contudo ouviu: Obrigado. E sei que a Débora poderá ficar mais tranqüila e confiante se me vir. A condutora parecia desfalecida. debruce ali e pod erá vê-la e segurar a sua mão. Foi quando soube que uma equipe do Corpo de Bombeiros se encaminhava para o lugar. Ele silenciou seu dese spero e calou qualquer emoção que denunciasse seu desejo de ajudá-la como o seu coração pe dia. No local. Sim estou . Eu prometo! Segure minha mão bem firme. uma vez que o veículo retorcido não os deixava ver direito. Localizando os policiais de sua Companhia de Policiamento envolvidos no a cidente. pois dificilmente a lguém sobreviveria dentro daquele amontoado de ferro. sargento! Mas será melhor se afastar.. Posicionado conforme indicado. segundo os policiais qu e se envolveram no acidente.. ele pôde ouvir e reconhecer a voz chorosa e amedrontada de Débora. desceu rapidamente e o verificou sendo interditado para a ação dos bomb eiros. Sérgio e stava com o coração aos saltos ao observar o carro contorcido entre a viatura amassa da e um poste. Experiente. . Dê-me sua mão..Ao olhá-la melhor. Os pensamento s de Sérgio fervilhavam. Erga-se. avisou: Cubra-se também ou poderá se queimar . Fique comigo. Está tudo sob controle. Foi nesse instante que. Apressando-se para perto do veículo. percebendo-o com expr essão alterada enquanto estavam a caminho. pois a condut ora do veículo estava presa nas ferragens.respondeu breve. Ela obedeceu. pois está bem nervosa e. Um oficial do Corpo de Bombeiros conversava com a moça presa nas ferragens do veículo. Ele f alou: Calma. pelo seu estado... tentando acalmá-la. Ficarei. Sérgio pendeu com a cabeça afirmativamente e procurou se manter o mais tranqüilo possível... Seguindo as normas. tenente . Vamos serrar as ferragens e. Sargento. Seu coração apertava a cada instante. Débora . não queria acreditar. minha querida. Está muito aflita e. Sérgio sentia crescer em seu pei to uma dor com misto de angústia insuportável pela expectativa. À medida que se aproximava do local do acidente. mas sem o desespero de antes.

Como pode ver. o comandante da operação dos bom beiros pediu com brandura ao observar Sérgio afagando-a com bondade e beijando-lhe a cabeça com ternura: Sargento. acreditando tratar-se de um delírio pe lo acidente. sobre a maça. recebendo soro no braço e pro nta para ser levada. O tr abalho foi muito delicado e ao chegar o momento de Sérgio precisar se afastar para os bombeiros tirarem-na das ferragens. ela entrou em desespero. Filha. ... Não consigo respirar direito! Estou sufocando! Daqui a pouco estará livre e será socorrida .implorou em lágrimas.stridente. Sérgio falou mais firme e ponderado: Débora.. precisamos imobilizá-la e tirá-la do chão. Petrificado. perplexo com o que ouviu. precisamos levá-la para o hospital mais próximo . Ela espalmou a mão em seu peito. A movimentação no local não o deixava concatenar as idéias.. . entendendo as circunstâncias difíceis. ela avisou chorando: Não mexam o carro! A minha perna dói! Dói muito! Tem algo me cortando! E. Sérgio afagou-lhe os cabelos e ficou confuso. Calma. O oficial do bombeiro o chamou à realidade quando o esta peou nas costas e falou: Bom trabalho! Ela ficará bem! ... porém não dizia nada... Não sei o que aconteceu..sussur ou. Mas ela parecia petrificada e segurava fortemente a camisa de Sérgio que. Fiquei atordoada. proc urando orientá-la.gritava amedrontada. o senhor se aproximou. De repente.. Liguei e sua noiva atendeu.falou mais firme..avisou baixinho e com ternura. Não te dei nenhum número de celular e não tenho noiva falou mais sério. ele podia ouvi-la chorar e implorar seu soc orro. Sua mãe me deu o número. Débora! Estou aqui! Ficarei com você! Pelo amor de Deus! Me tire daqui. Mentiu. meu bem . Sérgio se aproximou. ela inibia a ação dos bombeiros. momentos em qu e ela recordou os fatos e contou baixinho: Fui até sua casa. ele entendeu a expressão de Sérgio e a visou em voz baixa que não tinham como resolver facilmente a situação... Está mentindo de novo. ela está em choqu e.. Acho que bati o carro. Nesse momento ela estava imobilizada. Não podemos usar força ou a machucaremos. E.. Solte-me para que possam socorrê-la .Buscando olhar para o oficial que a ouviu e estudava sobre o próximo procedimento.. Débora. Débora a garrou-se a ele como se o enforcasse com um abraço. Liguei pro seu celular e.. não o largava. Compreensivo. delic adamente tentava soltar-lhe as mãos ao reafirmar: Débora. Irei vê-la o quanto antes. Eu dirigia e.explicou o oficial. ela é sua namorada e eu me surpreen .. com sério ferimento na perna.. chamando-o afli ta. Repentinamente. além de várias escori elo corpo e corte na cabeça. ela o olhou de um modo estranho e murmurou: Você mentiu pra mim.... minha querida.Vendo-o desorientado. eu estou sem celular. Chorando muito. deixando-se cair. Eu prometo. Você está com um ferimento hemorrágico na perna.. querida! Está tudo bem! Preste atenção. Durante uma pa usa no barulho. A jovem chorou pela dor e ficou amedrontada.. Eu acho.sussurrou no mesmo tom.. Dando orientação ao s outros bombeiros. entendeu? Consciente das necessidades. Agarrando Sérgio pela camisa. Sérgio! . Foi sua noiva quem atendeu . Você precisa de um médico levada a um hospital e isso precisa ser agora! Fica comigo!. Sua noiva. Ao vê-la ser cuidadosamente removida. preste atenção! .. Ele há segurou alguns minutos em seus braços enquanto os bombeiros a imobilizavam como precisava. Não menti pra você . gritando por alguns sustos. Em algumas oportunidades.dizia enquanto tirava o braço enlaçado com f orça de seu pescoço. prosseguiram com o trabalho. Disse que estava provando o vestido de noiva e.. A moça tremia e chorava compulsivamente.. ele só viu os olhos de Débora repletos de lágrimas fitando-o num último relance antes de ser levada para os devidos socorros. calma! Está tudo bem. av isando para consolá-lo: Não é somente sua conhecida. . porém piedoso..

Em seguida. Ouvi pelo rádio e fui para o local. Não demorou muito e Sérgio estava no corredor hospitalar à procura do quarto de Débora. Hoje cedo nos deu um susto maior. mas só sai de serviço hoje cedo e decidi saber com o ela está. Lembre-se de que preci sa fazer a ocorrência. A Débora teve momentos de delírios. Ao chegar.cumprimentou. O senhor Aléssio a envolveu e afagou-lhe as costas. t enente. Aparentemente ela estava bem. Fiquei com a Débora enquanto os bombeiros trabal havam para cortar as ferragens. * * * Na manhã seguinte. Já vi pessoas em situações traumática econhecerem ninguém. Conversamos para que se acalmasse. poderia procurá-la.perguntou curioso. Mas não podia. Virando-se para o oficial. sofreu convulsões e. sargento. informaram que a moça havia sido transferida para outro hospital a pedido da família. não falar coisa com coisa. Ele achava-se pensativo e cabisbaixo. além de esclarecer aquela história. Sérgio estava pálido e transtornado. Prazer. ela está d esorientada e nesse estado de choque. só que em cursos diferentes. sofreu diversos cortes pelo corpo e precisou de vários pontos. machucada. preocupado. Eu sou policial militar e estava de serviço ontem quando o acidente aconteceu. Além disso. Na verdade. Somente na manhã seguinte.. cumprimentou dizendo: Boa sorte! Como sargento. Sérgio saiu do serviço e foi imediatamente ao hospital onde a ha viam socorrido. Após segundos. Você ajudou muito. Estava preso ao dever. aviso u: . Em momentos difíceis como esse é importante a vítima se manter cal ma. Sérgio? . senhor Aléssio . após deixar o serviço. Soube se controlar muito bem. Sérgio. Não me deixaram ficar na sala. Após ela ser socorrida.. São colegas da universidade? Sim. E ela? Como está?! . p erguntou: E a Débora? Minha filha está fazendo um exame de tomografia. agradeceu: Obrigado. quando o se nhor Aléssio perguntou: Desculpe-me. continuou: O médico acha que no acidente ela sofreu alguma pancada forte na cabeça e precisa ser monit orada e realizar alguns exames para verificarem se seu organismo está se recuperan do sozinho do traumatismo. Desmaiou. confundiu tudo. Muito obrigado por ter me deixado ficar com ela e. Sofreu um machucado feio na perna. Estão cuidando dela e precisarão esperar p ara fazer o exame. Procurou disfarçar o nervosismo. ele se apresentou: Meu nome é Sérgio.respondeu forçando-se a não perder o controle. decidiu ir visitá-la imedi atamente. Prazer. Como ficou sabendo do acidente. . Sou o pai dela.. mas um dos médicos encontrou uma forte contusão nas costas e precisará de uma avaliação.O homem se deteve pela forte emoção. Afeiçoou-se muito rápido àquela moça que mal conheci . não se mover bruscamente pelo desespero enquanto agimos. Meu nome é Aléssio.Estendend o-lhe a mão. Sim senhor . Digo.. pois um ferro atravessou-a. Agora vá! . pois se julga va culpado pelo que aconteceu. Sou amigo da Débora e queria saber como ela está. Estudamos na mesma. retribuindo o aperto de mão. Além de assustada. Recebido pelo senhor Aléssio. ele correspondeu ao cumprimento e se retirou.. Sérgio quer ia correr para junto de Débora e acompanhá-la. Não poderia simplesmente largar o serviço para vê-la e experimentav a uma angústia que não podia entender.perguntou o pai.. Repentinamente a mãe de Débora chegou ao quarto chorando e abraçando o marido. não me lembro de você.. Sérgio retornou para a C ompanhia da PM onde trabalhava e procurou obter mais informações sobre onde Débora hav ia sido socorrida. Ela não deixou de sentir as pernas. Após tomar as providências necessárias para aquela ocorrência. saber de seu es tado e tentar esclarecer o mal entendido. Procurando saber o endereço. certamente. Mas. para não levar em consideração o que ouviu. em q ue teria seus pensamentos fustigados por horas a fio.. Aquela seria uma noite bem longa. por exp eriência. Agora leve os PMs da viatura envolvida para serem periciados pelo médico. fiquei bem preocupado..di com sua atitude.. Virando-se para Sérgio.

E a culpa é sua + falou num lam ento. Sabia sim. mãe?.. dona Ma risa o recebeu com surpresa: Nossa. pois estava de serviço. A mulher estava emocionada e ainda escondia o rosto pelo choro. Sem esperar. Sentindo-se deslocado. Sérgio não respondeu nem o olhou.. Por que a senhora deu aquele número?! Dona Marisa ficou pálida e em silêncio. Sabia?! Eu me senti culpado e não consegui encarar a família.. Rispidamente. Como ela se chama mesmo?... . minha esposa e mãe da Débora.. a senhora sabe que aquele celular não está mais comigo! Sabe que o devolvi par a a desgraçada da Sueli quando terminamos! Por que foi dar aquele número para a Débora ?! Por quê?! . traumatismo craniano. Nesse momento.exigiu.. contou: A senhora deu o número para a Débora e ela ligou enquanto dirigia. Mas o rapaz insistiu: O que aconteceu aqui? Nada! .. E desorientado. Sabia que o celular não estava comigo. Pegou suas coi sas e foi para o quarto. A senhora não imagina o que fez! A senhora é uma irresponsável! Olha aqui.. Sérgio continuou: Fiquei com ela enquanto os bombeiros serravam a ferrag em retorcida e. Ela disse que era sua colega e se não quisesse conversar com a moça . não contendo o nervoso. A mãe vai começar com a ladainha? .respondeu sua mãe. A mãe dela e stá desesperada... Eu não sabia. A Sueli atendeu e disse que era minha noiva e. Ela sofreu vários ferimentos. Sérgio! Abaixe a voz para falar comigo! A moça contou que esqueceu um material no seu carro e. o irmão de Sérgio adentrou e ficou surpreso no vê-los paralisados. por que. provavelmente... teve convulsões e contusão n a coluna. e sem esperar por qualqu er comentário. Ao encontrá-lo na cozinha. Acabei de vir do hosp ital. Sabe lá Deus o que mais essa infeliz falou! A Débora ficou chocada.. uma tristeza pr ofunda e inexplicável. Então vu pergunto. o rapaz foi pegar sua bolsa no banco de trás e viu a pasta de Débora. sem olhar par a o rapaz. Em seus olhos via-se uma dor. ele foi para casa.. Cheia de vida!. não desse nosso endereço! . filho! Não te vi chegar! Sem cumprimentá-la e postando na voz um tom sério e preocupante. Acontece que eu queria falar com ela sim! . distraiu-se ao dir igir... Deveria ter avisado a amiga que h avia terminado um compromisso com alguém que não o deixava em paz.. porém voltaria para ter notícias. avisou que iria embora. Agora era tarde. Em sua mente as idéia s fervilhavam ao deduzir tudo o que aconteceu. E a culpa pelo que aconteceu com ela é sua! Como assim?! Não fiz nada! Mãe.perguntou Tiago. experimenta ndo uma tristeza nunca sentida. Está aqui! É esse o material que ela esqueceu! ..gritou. não foi? Ah. Oi! Tudo bem? . Débora levou um choque com a mentira de Sueli e.Essa é a Hilma..reagiu à senhora. Sérgio não disse nada.. * * * Ao estacionar o carro na garagem. Sérgio a encarou por longo tempo. Não tinha o que falar por estar nervoso. segurou sua bolsa e fe chou o carro entrando em casa à procura de sua mãe. Sérgio!..expressou-se.respondeu. Num grito grave.Apesar de ver sua mãe a ssustada.falou mais comovido e com a voz embarcada. Tiago foi para o quarto. expondo-se ao acidente.. . Pegou-a comovido e encostou a pasta nos lábios.. Ao ver Sérgio muito abatido e jogado sobre a . ele perguntou: Ontem uma amiga veio me procurar aqui. ele vociferou: Por que a senhora deu o número daquele maldito celular para ela?! Ora. Foi sim. porém resoluto. Imagine-se no lugar dessa mãe! Imagine as possíveis seqüelas para essa moça tão jovem e cheia de planos!. Não imagina como ela ficou. Não tem idéia do q ue precisou enfrentar e como sofreu presa nas ferragens! . Não viu uma viatura que passava o sinal vermelho e foi atingida em cheio! Eu estive no local!. Amargurado.. Não pude acompanhá-la. ela perguntou: Onde você esteve?! Por que apareceu aqui só hoje sem nos dar notícias? III?!. mostrando-lhe a pasta.

Pelo que me contou e da forma como o fez.. Espere sua recuperação. cara? O q ue foi? A Sueli e a mãe foram longe demais dessa vez..Vendo-o sério. Olha. Mas o fato de ela ter se abalado com a trama da Sueli a ponto de não prestar atenção no trânsito e bater o carro. ..respondeu parecendo iluminar.. se ela não es tá bem.quis saber Sérgio. Estou me sentindo tão mal com essa situação. boni a.. Ou então não teria dado importância ao assunto.Sérgio pensou um pouco e exclamou: Espere! Quem sabe!...Sérgio sentou-se na cama. Tiago.. o irmão brincou: Chegou hoje também e levou bronca... não admitindo que esteja apaixonado. Rita. mas não disse nada e o irmão perguntou: Conhece alguma amiga dela? Lógico! A Rita! . . Cara!..Vendo-o abatido. É que.. compondo a fras e a seu jeito. depois de pegar Rita em sua casa. Sem demora. Por quê? . pois precisava muito falar com e la. Não dá pra falar sério com você. Mesmo assim ela não deveria falar ao celular enquanto dirigia! Não é bem assim.. Achei que ela é uma moça. Ela está em choque e não vai recebê-lo bem Estou preocupado. Ao saber dos detalhes.Rita. Ele pegou a pasta de Débora. O seu c arro foi atingido na lateral e prensado contra um poste. nublada e bem cinzenta.. perguntou: E aí. Tudo bem! Viva de ilusão.. Aqui está o telefone das colegas e eu conhe ci essa aqui. Tiago! Meu! Olha a tua cara! Quando foi que se chateou tanto ao atender uma ocorrência ? Você é policial. Tiago argumentou mais calmo: Sérgio. Sentados em uma lanchonete. Tiago insistiu: Ei! E aí. .. divertindo-se com a idéia.. demonstrava-se nitidamente preocupado ao contar-lhe sobre o que aconteceu . 5 . meu? Por que essa cara? Só estou brincando. Sérgio. Ao falar com Rita. cara! Não sabe o que fez por mim! Ora! Fale a verdade! Eu sou o máximo! .gritou. Só que eu estava de serviço e não na farra. Sirene ligada não dá o direito à alta velocidade e à falta de cuidados indispensáveis à segurança. não é bom vê-la... É que estou amarrado na garota e vou defendê-la! . Interessante. deu pra ver que vocês dois estão começando a se gostar e muito! Ei!. Tiago ficou sério e aconselhou: Não acho que seria um bom momento para visitá-la no hospital. Amiga?!. Sem suportar o sentimento de indignação... Com o coração apertado. Desde quand o e como conheceu Débora até a discussão com sua mãe. Diga a verdade. Mas logo desanimou: Não tenho com o entrar em contato. cara! Está acostumado com isso! Mas nunca atendi uma ocorrência com uma amiga vitimada daquela forma. é só. . falou de modo aflito: Meu De us!.Olhando para Tiago. Quem disse que eu estava? . você não está se agüentando e quer desmentir a Sueli. so rriu e agradeceu: Obrigado. Sérgio narrou exatamente tudo. a Rita! Vou ligar para explicar tudo e. O semáforo estava verde para ela.. além de muito preocupado com o estado dela. meiga e.cama.gabou-se Tiago. contou sobre o acidente e pediu para encontrá-la o quanto antes. eles conversavam: Foi isso... jogando-se na cama.. .. ficando de cabeça baixa e parec endo bem preocupado. Isso mostra que a garota ficou desiludida e gosta muito de vo cê. né?! Cheguei sim.Esfregando o rosto com as mãos. Sei! .Sérgio o encar u firme. Sérgio pegou o telefone e ligou. inteligente. a moça aceitou e avisou que o aguardaria. Nunca vou me perdoar! . Veja bem. Preocupada. Também não é assim.. Não foi ela quem bateu na viatura. uma grande amiga Naquela tarde fria.interrompeu-o. Sérgio tomou um banho rápido e foi até a casa de Rita.. abriu-a e começou a folhear o conteúdo à procura de um e ndereço ou telefone. Acomodando-se à sua frente. Veja. Achei! . Se algo grave acontecer a ela ou se houver seqüelas pelo acidente.

rindo gostoso.. A caminho do hospital. inspirando cuidados. Rita tentou animá-lo: Ficamos mais aliviados por saber que ela está bem. Estou preocupada também. No local do acidente ela te reconheceu e vocês conversaram. Ei! Vamos deixar de pensar no que deveria fazer? Vamos agradecer a Deus por e la estar bem. né? . Não faz idéia de como me sinto. pediram para aguardarem na recepção onde dona Hilma foi recebê-los. Sérgio a olhou firme e confessou com certa ternura mista de tristeza: É. Tomara... Acho que é um bom sinal.Observando Sérgio cabisbaixo.agradeceu. mas estou exausto. Precisava descansar para realizar outros exames. mas de repente ela se emocionou com um desabafo e eu não resisti e a abracei.respondeu. Sabe. ao vê-lo estacionar frente a sua casa. Você nem imagina! A Débora é tão diferente! . Rita! Vamos! Dependendo de como ela me receber. Se eu tiv esse contado sobre a ex-namorada. Daremos um jeito nessa situação.perguntou a moça à queima roupa. Eu não engoli essa história de a Débora não poder receber visitas. completamente diferente de quando a vi hoje ced o. hein! Eu preciso de notícias dela. Percebendo a decepção de Sérgio enquanto dirigia sério e sem falar nad a. mas sinto que vai dar tudo certo. Queria protegê-la de qualque r sofrimento! A Débora emocionada e desabafando?! . Não estou suportando ficar aqui nessa agonia. Devo admitir que gostei dela sim...falou impl orando. Mas você não a enganou. Não sei se vou conseguir dormir. . Rita? Se eu não acreditasse.Rita sorriu de um modo enigmático ao afirmar: Não sei por que. De volta ao carro. E melhor ir para casa e descansar um pouco. Parece que a conheço de longa data. Isso não vai passar de um susto. Aquela mulher é extremamente arrogante. Conversávamos. Por que acha isso? Pela serenidade no semblante da dona Hilma.Calma. Reparou que não nos deixaram nem chegar perto do quarto? Com certeza foi à mãe quem decidiu afastar os a migos. Não poderia se alterar nem receber visitas..estranhou a amiga. Tudo bem! Quer ir ao hospital agora?! Claro. Sinto que é um cara bacana e está sendo sincero. eu percebi isso. Veremos! Meus pressentimentos são de que a Débora está bem.. Rita avisou que entraria primeiro e conversaria com a amiga. Mais Vilma. fico receoso! É desagradável que a Débora nunca mais queira me ver. Poderemos explicar tudo. a mãe de Débora explicou que a filha estav a sob o efeito de sedativos e dormia. Coisa difícil.. parecendo ter inúmeros pensamentos inquietantes. Ela não estaria sorrindo e nos avisando com tanta amabili dade se a filha ainda estivesse num estado tão delicado.. Estava monitorada e inspirava cuidados. Não seja precipitado. Queria ter a oportunidade de conhecê-la me lhor. Quero vê-la. Eu conheço a Débora e sei qu la odeia traição. Rita! . Não reparou?! É sim. . falar com ela. Acho que poderia ter evitado tudo isso. Seu estado era estável.riu.. Ao mesmo tempo. Ele ouviu e concordou. sorriu levemen . . Obrigado. Achei tão bonitinho ver vocês dois abraçados lá na lanchonete perto da universidade! Sérgio ofereceu meio sorriso e comentou: Sabe. não sei o que dizer. ao chegarem. Você entende? Entendo sim. Se. A dona Hilma estava muito tranqüila. ela comentou: Ei? Você está abatido. Quero vê-la e esclarecer toda a verdade . Além disso. preocupado e sem dormir a muito tempo. Mas imagine a impressão negativa que a Débora tem a meu respeito por causa des sa mentira tão baixa! Não consigo pensar em outra coisa a não ser em vê-la recuperada e esclarecer tudo. Ta gostando dela.Olhando-a.. Não será fácil. * * * Para a surpresa de Sérgio e Rita. mas vou te ajudar. minha opinião é que a Débora está melhor do que a mãe nos disse. Acredita piamente em seus pressentimentos. Sérgio. eles fizeram planos de como agir ao visitar Débora. sorrindo pela primeira vez.. ele lhe deu o número do telefone de sua casa e o endereço ante s de irem embora. não estaríamos conversando . mas muito delicado.

ao apreciar seu desespero.Ao tempo em que argumentava como se rosnasse. Sérgio! Lembre-se de Deus! Pode deixar! E ligue para mim se tiver alguma notícia! Despediram-se e ele se foi. ela não parou de falar d e você! Sério?! . Sérgio parou pensativo por al guns minutos. iluminando o rosto com agradável sorriso. mas sua voz não saía. exaltando o corpo físico com aceleração cardíaca. pois minha amiga merece! Conte comigo! . já na sepultura. Ficou satisfeito por não encontrar com alguém de sua família e foi direto para o qu arto que dividia com Tiago. enquanto lutava para fugir daquele pavor. Foi um alívio quando se deixou cair sobr e sua cama mas não parava de pensar em Débora e em tudo o que aconteceu. parecendo um fardamento militar antigo. estavam em seu quarto. falo u antes de descer do carro: Reze. empastar seu corpo. como se houvesse grandes cistos deformados sob uma pele nojosa. Tinha a sensação medonha de algo grud ento e pastoso com cheiro fétido. esfarrapada e aspecto doentio. ma s não havia alternativa. Olhando para o lado. Seu rosto era desfigurado e monstruoso. Aproximando-se de Sérgio. Vestes estranhas. Sérgio experimentou uma sensação asfixiante e perturbadora que o prendia ao corpo físico. Sérgio! Percebi. sua irmã desencarnada. Sérgio tentava falar e gritar. Sorriu com o canto da boca ao ver o irmão largado sobr e a cama. Espíritos sarcásticos com aparências horrendas. Seu sono era mais forte do que a fome. Sentia uma dor no peito ao recordar de vê-la machucada e amedrontada no carro acidentado. Perto dela havia um espírito com postura aust era. Sabe. Porém o cansaço o arrebatou. Ele sentia como se estives se acordado. Ele não tinha uma a parência normal. * * * Ao estacionar o carro na garagem de sua residência.te ao agradecer emocionado: Obrigado. de forma escabrosa. pressão alt . Novamente nos encontramo s. Faltava-lhe oxigênio nos pulmões e um medo o dominava de modo impression ante. deitado exatamente como quando ele saiu. Sérgio foi para o banheiro. Ela gosta de você. pois estava esgotado. Passadas horas. Rita! Não precisa agradecer. eu gosto muito da Débora e ach ei que você é um cara legal! Quando conversamos por telefone. Era algo repugnante e difícil de descrever. parecendo monstros. Mas não pense que isso me impediu de reconhecê-lo! . ou melhor. mas não conseguia. momento em que a alma não necessita do corpo e os liames que os unem se afrouxam. Sérgio se debatia. Não sentia vontade de entrar.Beijando-o no rosto. tomou um banho morno e demorado. Ela trazia no rosto o furo feito pelo tiro que a matou onde. Aquela casa o deixava insatisfeito. pôde ver Lúcia. Traz iam a feição x torcida por um sorriso zombeteiro.questionou. Precisava dormir. Três deles praticamente atiravam-se sobre o corpo adormecido de Sérgio. permitindo mais liberdade e mais faculdades à a lma. Procurava se libertar daquelas mãos asquerosas e imundas que o agarravam..tornou sem jeito. esse espírito se acercava mais de Sérgio. plasmava-se como q ue vermes a roerem sua face do mesmo modo como se processou a decomposição de seu co rpo de carne no caixão. só que dormindo profundamente. só que está em desvantagem. Não quis se alimenta r. ele aconselhou: Não disfarce! Mostre-se como realmente é! Mudou sua aparência agora que está encarnad o. . muito obrigado mesmo. o es pírito se divertiu. Tentava gritar. como o de um corpo em estado de putrefação. Eu tenho meu exército! Você não! Enquanto se debatia. enq uanto só podia segurar sua mão delicada e fria. enquanto Lúcia chorava. de aspecto sinistro pelo formato da cabeça bem maior de contorno anormal. Foi então que passou a ver como era a casa onde morava sob uma visão espiritu al. Provocando um a manifestação estrondosa e malévola para o rapaz entender. durante o sono.. A experiência macabra vivida pela alma no estado de sono produzia numerosos efe itos hormonais no organismo.E le concordou com um aceno de cabeça e a jovem admitiu: E eu estou torcendo para da r tudo certo. enquanto agiam como que se esfrega ndo no rapaz impregnando-o como se o deixassem sujo e ao mesmo tempo sugando-lhe as energias corpóreas. O espírito Lúcia apresentav a-se com uma aparência sofrida. senti que você gosta muito dela! . que estava assombrado e relutava àquela experiência.

Apaga a luz. Levou pontos na cabeça e em outras partes do corpo. com encarnados ou desencarnados. pode ser uma vaga recordação do que experimentamos durante o sono. sentou-se rápido. Seguran do com força o braço do irmão. Ainda sentado na cama. De um modo geral. Sérgio perguntou: Cadê eles?! Não tem mais ninguém aqui.2 Sérgio já tivera sonhos daquele tipo. Calma.fa lou.a e outras estimulações circulatórias e metabólicas pelo fato do corpo ligar-se à alma atr avés dos liames ou fluidos vitais. O sono influi mais do que pensamos sobre a nossa vida . * * * Sérgio estava impaciente para ter notícias de Débora..resmungou Tiago. Lembranças de onde estivemos ou de lugares a que ainda iremos. levantou-se e caminhou pelo quarto tentando entender a mensagem daq uele sonho dentro dos conceitos que havia aprendido na graduação universitária. Sérgio sentiu medo de sonhar novamente.. deixando seu sono suave a fim de acordá-lo pelos barulhos e movimentos agitados produzidos pelo irmão. Isso de acordo com o nosso nível espiritual. das quais trazemos alguns conselhos de espíritos ben feitores ou não. Tiago despertou e.. aí. assustando-se com a reação do outro. o anjo da guarda ou mentor do rapaz conseguiu estimular energias a Tiago. referindo-se à amiga pelo apeli do que a chamava quase sempre. . Os exames da coluna não acusaram nenhuma lesão grave. remexendo-se.tornou Tiago. sentou-se ao ver Sérgio se debatendo e tentando murmurar algo. mesmo acendendo a luz . E por acréscimo de misericórdia.. Olhando em volta. As visões. mesmo assonorentado. Mesmo trabalhando em um serviço tão exigente em atenção. balançando-o pelo braço. o outro continuava dormindo agitado. ainda ofegante. ao mesmo tempo em que respirava fundo c omo se estivesse sem ar. Foi só um grande hematoma mesmo. Sérgio obedeceu e foi para a sala. Você est va sonhando. Ela está com gesso e ataduras.perguntou curioso. Contudo a Yara foi muito legal! Você nem ima gina! animou-se. imagens . No entanto a partir daquele dia passaria a tê-los com mais intensidade.. Ainda é uma e meia. .. depois gritou: Não! Saia daqui! Calma! Solta meu braço! . Como nos é ensinado na Doutrina Espírita. Ei! Acorda. Sérgio colocou os pés no chão e esfregou o rosto com as mãos p ara afugentar as lembranças pavorosas. Sérgio! . O sonho.dizia. é durante o sono ou o cochilo que a alma se liberta do corpo e entra em contato com o mundo dos Espíritos.. Abalado com a impressionante realidade do pesadelo. Respeitando seu pedido. uma vez que seu espírito protetor e sua própria consciência o chamariam à atenção para detalhes a fim de ele se manter vigilante e não se desviar d o caminho certo. podemos ter uma visão do passado ou um pressentimento do futuro. muitas vezes. Acho que teve um pesadelo. mas tudo indica que foi pela batida na cabeça. Às vezes tem sono por causa dos remédios.contou eufórica. jogando-se na cama. Sem demora.. ele acordou. Depois aconselhou: Deita aí ou vai lá pr a sala assistir à televisão porque eu ainda quero dormir. O rosto dela está inchado. procurou acordá-lo. sonolento. A Yara levou o celular para o quarto e eu conversei um pouquinho com a Débora! . Através dos sonhos. murmurando: Meu Deus!. por não conseguir interferir ou ligar-se mentalmen te a Sérgio para auxiliá-lo a libertar-se daquela obsessão. Com um movimento brusco e inesperado.falou. ele furtou-se por alguns minutos e ligou para Rita que o avi sou: Olha.falou Tiago. sobressaltando-se. lembrar são coisas ou lugares que vemos ou onde estivemos. mensagens que conseguimos. Porém. Pode ser comunicações. O que foi?! . A Yara me contou que é a dona Hi lma quem não quer visitas para a filha. a Dé está bem: alimentando-se e conversando n ormalmente. O que foi isso?! Um sonho ruim . . eu soube pela Yara que a Dé está bem . por vezes.

. Havia ficado bem sentido com sua mãe e magoado pelos resultados das con seqüências de sua atitude. pois ela está se recuperando não só fisicamente como também do susto que passou. Ao mesmo t empo. mas. então vou visitá-l onversaremos. Arrasado. dilacerando sua alma ao saber que precisaria esperar. inconformado ao s aber. que se recuperava. Uma angústia inexplicável parecia cortar seu peito... Sérgio dormia mal e passou a ter sonhos bizarros. que Débora não queria recebê-lo. Você nem imagina! Não devemos forçar a situação. Vou te informando sobre qualquer novidade e me ligue quando quiser . Alguns imprevistos a impediram de visitar a colega e. confortá-la em seus braços depois de esclarecer t oda a mentira sórdida e cruel inventada por Sueli. Rita dizia: Débora. ainda deve pensar que você é um crápula. Mas não ejo a hora de falar com a Débora. Não se precipite com opiniões. pois se sente culpado e. para dizer a verdade. seria bom ouvir o que o Sérgio tem para falar e só depois concluir.E aí?! . que a enganou. Rita! Espero que não necessite. O desejo de vê-la era intenso e não sa bia explicar. Queria olhá-la... Er a um sábado e. no dia a dia. sentada na cama da amiga. Entende? Você está certa. suspirou fundo e decidiu: . mas pareceu bem. Por quê?! Primeiro. em sua casa e com seus f amiliares.. Acho que vai perder seu tempo. Tais sentimentos eram provocados pelo espírito que o ator mentava. Contudo não se esquecia de Débora. *** Os dias e as semanas se arrastaram lentos demais para Sérgio.aconselhou Rita. . o dia tão esperado chegou.Diante do silêncio da outra. como grande amiga. até rimos ao lembrar que não saí com ela naquele dia do acidente quando me co nvidou e não pude ir! Acho que não irei à universidade hoje e vou visitá-la! É melhor esperar. demonstrando-se amiga de verdade.. Rita. ela c ontinuou: Dé. você é inteligente! Eu sei que entendeu! . abraçá-la. Nós nos falamo s pouco. principalmente.. o rapaz quase não falava. por causa da mãe dela. trazendo sempre o desejo no mal e pronto para aproveitar qualquer oport unidade ou pensamento de Sérgio a fim de desequilibrá-lo e deixá-lo cada vez mais insa tisfeito com a vida. Contrariado. por intermédio de Rita. Mesmo assim. a convalescente trocava olhares indefinidos com a amiga e che gou a murmurar dizendo que precisava falar com ela. Sérgio . O pouco que podia. Sérgio! Fique despreocupado. quando pôde foi inibida d e conversarem sobre Sérgio. Seria bom eu falar primeiro com a Dé.. Depois. empolgado.. Vamos aguardar até ela receber alta.. explicava que não pôde conversar com a outra como pretendia. Ela estava meio sonolenta por causa dos remédios. vai dar tudo certo! Rita parecia bem disposta a ajudá-lo. surgiam situações complicadas que chegavam a deixá-lo insatisfeito e até irritado.. pois sempre havia alguém da família de Débora presente no qu arto.tornou Sérgio. Eu entendo e estou mais tranqüilo por isso que ela está bem.. Puxa! Como ele gosta de você! Débora ficou pensativa. Veja. Mas e se ele estiver mesmo de casamento marcado?! Acorda! Vai acreditar na palavra dele ou de qualquer?! Alguém que nunca viu e e stava do outro lado da linha?! Tenha santa paciência! Acabei de contar que o Sérgio está disposto a levá-la para um frente a frente com a família dele para provar tudo! Breve pausa e se expressou mais branda: Deveria ver como ele está angustiado. Obrigado. pois não tiveram muita op ortunidade de estarem sozinhas e o tempo não foi suficiente para detalhar tudo. Se precisar pode contar comigo ! Valeu. *** Depois de tantos imprevistos e planos frustrados. Além disso.

Se eu tivesse li-gado para aquele número.. E outra coisa. .Olhando firme em seus olhos falou como se implorasse: Por favor.. Eu queria muito falar com você. Ele está aqui? Na minha casa?! Não. Sérgio.. Não consigo me perdoar pelo que aconteceu. Quando terminei o namoro. avisou: ando há mais de uma hora e meia. Não tivemos muito tempo e. porém i ria procurá-lo e você me explicaria a situação.. aflito. puxandoa para mais perto: Sente-se aqui. Es Rita gesticulou com a mão e sem esperar virou as costas.Encarando-o.. Obrigada por ter ficado comigo enquanto os bombei ros me tiravam do carro. Mas criou coragem.. sentiu que Sérgio falava a verdade. mas continuou: Sinto-me culpado por não tê-la avisado disso... Por quê?! Eu devo estar horrível!. tão submissa e como vente.. Eu estava desesperado. abalada.. Sinto-me culpado por não ter te contado que terminei um namoro há quase seis meses e ela não aceita..interrompeu Rita com sorriso de molecagem. beijou-a no rosto e pergun tou com voz tímida: Oi.respondeu com leve sorriso e um brilho especial no olhar. segurando em su a mão ao argumentar com voz meiga: Pare. pedindo para eu ficar calma. Então espere! . Como se não fosse o bastante. Ela se inclinou para tocar em seu braço... deixando a amiga sozin ha... a minha mãe colaborou. Mas. segurando minha mão. O que a Sueli te contou é tudo mentira e eu posso provar.Ele tinha uma expressão triste e angustiada.Acho que vou ligar para ele e. Não demorou e retornou na companhia de Sérgio. nos pouparia de toda essa angústia e. Não vou dizer que foi um prazer estar ali. aproximou-se.. É engraçado . Não me lembro de tudo. Preciso te agradecer.sorriu.pediu Rita com sorriso maroto ao se levantar. admitiu: Mas recordo muito bem de você m e chamando.. Obrigada... Não me agradeça.. ele parou à porta por alguns instantes temendo qua lquer reação. Acho que vou ao quarto da Yara para conversar um pouquinho. . Mas não teve culpa em nada! Débora. Algum tempo de silêncio em que seus olhos se fixaram e ele falou: Precis amos conversar e eu quero pedir um milhão de desculpas. acredite e m mim. apontando para a cadeira posta ao seu lado.. curvou-se.. Vendo-o se explicar daquela forma.. as eu precisava ficar com você. Ficaria magoada com você e indignada por ter mentido.. Débora não tinha mais dúvidas. a amiga se retirou rapidamente. pois aquele maldito celular foi um presente da Sueli quando namorávam os. Se precisarem. Ele ficou sem jeito e a jovem pediu. Olhando o relógio. é lógico que teria ficado surpresa. .. Não se culpe mais. Estou. Parece que algum as coisas se apagaram e.pediu Débora. Mas não sofreria o acid ente. .. Vou chamá-lo. animada. que cumprimentou os pais de Débora ao entrar. E não poderia ser d iferente.interrompeu-a.. Débora! Como você está? Bem melhor e me recuperando .. Não foi fácil.. Ei?! Aonde você vai?! Chamar o Sérgio! .. estacionada em algum lugar. Por isso bati o carro. Pe . Eu. Bem!.. po r isso está fazendo um inferno da minha vida. o rapaz agradeceu: Obrigado por me receber. Ao ver Débora sentada na cama. Está a fim de deixá-lo esclarecer tudo?! . e logo foi levado por Rita até o quarto da moça. Sérgio. Espere! . sim. lá na rua.. você disse que ligou para o meu celular e alguém se passou por minha noiva. eu o devolvi junto com tudo o que ela me deu para deixar bem claro que não queria ter qualquer lembrança dela.avisou quase saindo do quarto.. . Antes de Sérgio ou Débora dizerem algo. vendo-a naquela situação.. Lembro que o abrac ei e não queria soltá-lo. Fui imprudente ao usar o celular enquanto diri gia. né! O coitado está esperando no carro. Notando-o bem preocupado e até nervoso pe la situação -. Acomodando-se.. Afagou-o..

Fico impressionada por ela tê-lo reconhecido! Ele é policial militar e nos levou para a delegacia naquele dia. Repentinamente Breno.respondeu a jovem sorrindo. Nós nos conhecemos quando a Débora encontrou a Cris e. achegou-se a ele quando suas faces quase se tocavam. acariciou seus cabelos enq uanto a olhava encantado. Débora pareceu sem graça. O senhor nada disse. i solado por todos. Temos de ir ao casamento do primo dele. pois o rapaz sentou-se na cama da moça tomando -lhe toda a atenção. Rita chegou ao quarto e foi para um canto junto a Sérgio. Prazer em conhecê-la. e o rapaz rapidamente se afastou. de sua filha e do rapaz. Visitas para Débora! . Eles se foram.. Eu gosto muito de você. Não pode imaginar o quanto sofri e. Mamãe . tio da garotinha.interferiu o senhor Aléssio parecendo insatisfe ito. mas o som de leves batidas na porta os impediu. .cumprimentou o homem de boa aparência e bem trajado . Elza.gritou alegre.anunciou a voz alegre do senhor Aléssio. Sérgio ia beijá-la . Débora se embaraçou com as palavras e se calou. Não é só por eu precisar sair. dizendo: Surpresa! . deixando-se envolver pel os carinhos.. Eles se olhavam quando Sérgio se ap roximou mais e acariciou suave sua face delicada. *** Durante o caminho para sua casa. aproximou-se. Tudo bem . mas alegrou-se ao ver a pequena menina e exclamou: Cris! É você. desejoso por beijá-la. esse é o meu marido Lucas.. Atraída pela conversação.quis saber curiosa ao sorrir. essa é a Débora. ela explicou: Nós nos conhecemos no dia em que eu enco ntrei a Cris. descobrimos que cursávamos a mesma universidade. Rita! Acha que vou me indispor justo com você?! Também perceb i que a conversa seria bem duradoura.. que não ficou satisfeita. segurou cuidadosamente seu rosto. Estudamos sim .beijou-a no rosto. Ao entrar.Em seguida. . Não disse nada. Vocês dois se entenderam?! .Virando-se para o casal.alegrou-se Débora.. talvez assustado. mãe de Cris. inerte experimentou o coração bater forte e murmurou com brandura no tom bonit o de sua voz grave: Débora. Tudo bem. percebendo algo diferente no comportamento susp eito. explicou: Lucas. Inebriado de emoção. é o tio da polícia . Enquanto o cumprimentavam. apresentou: Este é o Sérgio. A princípio. Foi então que começaram a conversar. seus lábios chegaram a se tocar com ternura. adentrou o quart o junto de dona Hilma. Ele sentiu-se excluído e com o passar do tempo Rita o chamou par a irem embora. Sentindo aquela pele macia e m orna. Breno! . trazendo à frente um belo arranjo de flores frescas. Descu lpe-me por não termos ficado mais tempo..disse. Cris! Que memória! . A jovem. Débora! .chamou Cris com sua vozinha doce . minha querida?! . teve u ma ligeira visão do clima romântico. Rita comentou: Hoje vou sair com meu namorado.rdemos tanto tempo e sofremos por. Despediram-se de Débora.afirmou Sérgio. Pensei que estudassem juntos! . abraçando-a por longo tempo. beijou a moça e apresentou: Débora. apontando tim idamente para Sérgio. meu amor! A garotinha se abraçou à jovem enquanto os outros entravam. Estive viajando a traba lho. e dos demais. naquele mesmo dia. Logo se justificou: Desculpe-me por não ter vindo antes. q e encontrou a nossa filha. Os pais da garotinha não entenderam e a jovem esclareceu sorrindo: Nossa. Mas a Elza e a Cris sempre me davam notícias suas! Já me recuperei bem .contou Débora. disfarçando ao avis ar: Vejam quem está aqui! Sérgio ficou sem jeito e se levantou ao ver os visitantes entrarem. mas achei que aq uele pessoal tinha intenção de fazer uma visita bem demorada! Você me ajudou tanto.

riu. Algo que combinava com sua pers onalidade. . Sinto muito. não tem? Tenho um irmão que acabou de fazer dezessete anos. talvez uma ir mã não fizesse. É difícil nos separarmos de quem amamos. Então me vi atordoada. mas foi surpreendido pela presença desagradável de Sueli. eu quis deixar a universidade. 6 .lamentou. mas pelo menos nos entendemos. Não que eu esteja feliz. Essa tia. Sinto muito. totalmente confusa.. O que tem feito por mim e pela Débora. Aq uele pessoal chegou. contou: Quando o clima ficou bem romântico. não esquenta.Sorrindo de um jeito especial. Rita e ra muito bonita e tinha seu estilo próprio de ser. você e a Dé para comemorarmos! Será ótimo! Combinado! .. nojento! . Deu-lhe um beijo no rosto e depois de ele retribuir da mesma forma. Nós ficamos amigas logo no primeiro semestre da faculdade e aconteceu algo bem inesperado. Pronto! Chegamos! .ele riu. Quando.gritou alegre. Agora preciso ir! Ainda tenho de me arrumar! . Mas você tem irmãos ou parentes. É um lugar mágico! Maravilhoso! Um paraíso! . Não vou esperar até amanhã.. descendo do carro.Débora enfrenta a oposição do pai Sérgio chegou à sua residência bem mais animado e.respondeu sem alongar. Bom divertimento! Obrigada! ... Puxa! A Dé me deu a maior força! Eu a considero como uma irmã! Sérgio sorriu agradecido ao afirmar: Posso dizer o mesmo de você. Seu marido e filhos também! Eles trabalham muito. Rita o abraçou com força..... Essa tia é uma pessoa excelente.ele concordou... Assim que a Débora se recuperar. T eremos outras oportunidades! A Débora é uma pessoa maravilhosa. aturdida. Que droga! . Sérgio.reagiu de imediato. falou: Obrigado.falou sem jeito. Já me a udou muito! Você nem imagina! O que ela fez? Se é que eu posso saber! .. Vontade não falta.. coberta nas costas por seus longos cabelos lindamente cach eados que pareciam um manto negro esvoaçando com suavidade ao vento brando.. Ele sentia o coração mais leve e repleto de esperança.disse o rapaz. Puxa. sairemos eu. não quero vê-lo nem pintado de ouro! .. Ela e o meu namorado não me largavam.falou. Ele não tinha muito tempo por causa do trabalho.. . Aliás.Pequena pausa e continuou: Quando meus pais faleceram . Não gosto de falar dele. . Meus pais foram viajar e morreram em um acidente de carro. Sabe. após ela entrar em sua casa. Rita. Você foi mais do que uma amiga! Que nada! . Você tem irmã? Minha irmã faleceu há quase dois anos . Não tenho avós.. o rapaz sorriu e se foi. mas ela. ela o lembrou: Amanhã você telefona para ela! Não se esqueça! Pode deixar! Mas. sem perceber. o marido e os filhos são donos de um hotel à beira mar que fica lotado em qualquer época do ano. olhando-a com satisfação.ele exclamou. Tudo bem..protestou a moça irritada.. E o seu tio? Um crápula. mas preciso terminar a universidade e pensar no futuro do meu irmão. graça e vivacidade. Demonstrando-se grato . meu namorado Gustavo. virando-se e caminhando com seu jeito exclusivo. experimentando um sentimento feliz pelo resultado posit ivo de tudo. Ela é bem sincera. sentada sozinha na sala. Acompanhando Rita com o olha r.explicou com leve sorriso parecendo de saudade ou de sonho. . Não consigo!. trazia um sorriso suave nos belos lábios bem contornados. Expliquei o que precisava e ela entendeu. Assobiava ao entrar. . têm vários funcionários e quase não vêm a São Paulo.. Só um tio por part e de pai. que mora perto da minha casa e uma tia por parte de mãe. Uma amiga legal. mas a Débora não deixou.Bem. que é casada e mo ra em Pernambuco. Mas eu não poderia la r tudo aqui e ir morar lá. n aturalmente especial ao menear a longa saia modelo indiano que combinava com a b lusa do mesmo estilo.

quando o resultado é negativo e sempre quer ser perdoada. O que rolou?! .falou com voz melosa. Onde está a minha mãe?! Como ela permitiu que entrasse aqui?! . ao t erminar a ligação.exigiu. mesq inhas e dominadoras não pensam! Simplesmente são cruéis! Não sei o que me deu quando ela ligou e. interrompendo: Sérgio! O que está acontecendo aqui?! Sou eu quem deve perguntar o que essa aí está fazendo aqui?! . Você é uma criminosa! Puxa. Tiago?! Talvez tenha esperança de vocês voltarem. eu fiquei em choque. deixando qualquer um exausto! Você não tem discernimento! Sérgio! Eu!. ela pediu: Por favor. apontando para Sueli.Pausadamente. falou irritado: Suma daqui! Não q uero ver a sua cara nunca mais! Eu estava conversando com a dona Marisa e. Acha que suas necessidades têm mais prioridade do que as das outras pes soas. Sueli! Costuma usar os outros para satisfazer suas neces sidades e seus caprichos..interrompeu-a num grito. E isso nunca vai acabar! Só sabe exigir e roubar a atenção. Oi. . Eu gosto muito de você a inda e. mas não a você! Sua capacidade de egoísmo e orgulho é tão grande que acredita nu nca se enganar. Você é presunçosa. Esta é minha casa e recebo aqui quem eu quiser! . sempre. O telefone tocou. Você é louca?! Acha possível eu desculpá-la pelo que fez?! Sabe quais foram às conseqü s?! . possessivo.O que você está fazendo aqui na minha casa?! . Quando a sua mãe me contou o que aconteceu com a moça. O filho não a esperou terminar. Não me julgue mal.reclamou Sérgio. de gostar?! . Tiago falava descontraidamente ao telefone.interrogou. Não podia imaginar que por caus a de uma simples brincadeira. perguntou: E aí? Tudo bem? Estava tudo bem! . ele ia dando-lhe as costas para sair daquele cômodo. O que fez foi sórdido! Cruel! Gente como você deveria estar atrás das grades! Por favor!. principalmente. O que essa safada está fazendo aqui em casa? Parece que a mãe não tem o mínimo de con sideração por mim! Caramba! Eu ouvi quando a mãe ligou pra ela. É capaz de acreditar que sua motivação é sempre pura.. exigir. me desculpe pelo qu e aconteceu à sua colega. . inocente e você nunc a erra! Preste atenção e observe que você não assume totalmente a responsabilidade pelo seu comportamento..Sem esperar uma resposta.. a admiração. olhou-a com desprezo ao afirmar: Uma pessoa capaz de mentir.. Chega! Saia daqui! Não quero te ver nem ouvir sua voz nunca mais! Entendeu?! Sa ia da minha casa! Naquele momento. orgulhoso.. Sérgio sentou-se na cama e esfregou o rosto com as mãos num gesto insatisfeito.. Por que a mãe faz isso. Criaturas egoístas. Jamais pensei que. Estava indignado e. Era para o seu irmão e ela foi levar o aparelho lá no quarto...questionou com veemência. Em seu quarto. Brincadeira?! . A Sue li sempre foi nossa amiga e. virando as costas.perguntou secamente. Você não tem escrúpulo. o amor.dizia como se implorasse seu perdão... Você chama esse sentimento vaidoso.tornou o outro curioso. ou seja.Aproxi mando-se.... repetiu: Entenda que você não tem qualquer valor para mim! Seu mundo é pequeno demais! Enquanto seu complexo de inferioridade é imenso e é por isso que faz o que fez..interrompeu-a nervoso. Compreenda. encarando-a firme.. Nitidamente insatisfeito... . É lógico que você jamais pensou! . ferir sen timentos. olhan do em volta com modos agastados. saiu.Tentou justificar com lamento na voz.Ao vê-lo se virar. não tem valor algum para mim! . mas o observou e. o tempo. quando Sueli o chamou: Sérgio! Por favor! .. Sérgio! Tudo bem?! . as idéias dos outros para realizar os seus desej os insaciáveis.. dona Marisa entrou e presenciou a discussão. O que quer aqui?! . pensa que as normas de respeito e dignidade devem ser exigidas às outras pessoas. enganar.exclamou a mãe autoritária.

Contou com a versão dela! .. Eu sabia! . o senhor sabe o que a mãe e a Sueli fizeram e o que isso causou a uma amiga minha? Sua mãe me contou. ligou imediatamente para Débora. Eu queria falar com você e. pense! Sou filho de vocês. Pai. A mãe foi reclamar de mim para o senhor..argumentou sem dar muita importância. o senhor Inácio comentou: Se não puder ajudar. não o vejo há dias. antes de desligar.. Tiago perguntou animado: E aí?! Foi lá visitar sua amiga?! O belo rosto de Sérgio pareceu iluminar com um largo sorriso e ele contou: Fui e conseguimos conversar um pouco. O homem abaixou a cabeça.respondeu de imediato. as hor as de estágio e outras coisas me mantêm ocupado.. Tudo bem... São bem estabilizados e um tanto arrogantes.. . E. pai! Entra! . . iiii. pai! Eu entendo.. deu-lhe o aparelho e gargalhou antes de desfechar: Não precisa dizer para quem vai telefonar! O irmão riu e não falou nada. O Marcílio deveria assumir toda a responsabilidade com a mulher e os filhos que .. Eu não q uero vê-la. Pai ... primeiro sua mãe veio falar comigo e. Sérgio sorriu e Tiago perguntou: Vai visitá-la amanhã novam ente? Não sei.so rriu inebriado. Mas antes do outro sai r. Pode parecer que estou forçando. ficou pensativo. De quanto o senhor precisa? . Além disso. Eu tenho anotado lá no meu quarto. Deitado em sua cama. um tanto sem jeito. Devo me submeter eternamente aos caprichos da Sueli e aos desejos da mãe? Nunca mais poderei traze r alguém aqui em casa por causa da presença da minha ex-namorada? Por favor.. Sustentava um sorriso suave e tranqüilo até seu pai entrar no quarto. Não suporto a idéia de falar com ela. pediu: Ei! Deixa o telefone comigo! Tiago voltou.brincou o irmão. De repente ela não resistiu diante do se u charme! . atendendo ao doce pedido da moça.. Aaaaa!. mostrando-se insatisfeito. Para quem estava tão durona.. sentando-se. vo u entender.. não é? Ao menos isso. O trabalho. Moro nesta casa. interrompendo.interrompeu de imediato. deixando-os morar conosco.revidou. nem eu sei como você ficou tanto tempo com ela.. Acho que mereço um pouco de respeito p or parte do senhor e da mãe. Olha só o cara. mas quero conhecer! E daí?! .. Cai fora! . Depois tornou: Sabe o que é. vi vo na casa do João. a dona Antônia. Sozinho.falou devagar e bem calmo ... o senhor e a mãe não tiveram mais sosseg o. Não conheço. ficando frente a Sérgio. Mas não sei como lidar com essa situação entre você e sua mãe. meu! . Não tenho tempo para nada.Vendo -o sério e sem dizer nada.. diante do silêncio. Completamente difere nte dela. Onde eu estava com a cabeça?! Para ser sincero. pai? Quase tudo. Você poderia ir lá para ver e. ..Não sei como fui namorar essa.. né.. rindo gostoso. Sérgio? Oi. filho. Conversaram por longo tempo. O Marcílio não pode pagar algumas co ntas nesse mês e. Bem.. Não tolero a Sueli aqui! E o que mais?! .. O senhor entrou calmo e sentou-se na cama de Tiago.perguntou em voz baixa.... Bem..revidou Sérgio.. respirou fundo e afirmou: Vou falar com sua mãe. mas.Breve pausa e. .. após poucas batidas à porta. converso mais com a mãe dele. Quando ia sair do qu arto falou: Ta apaixonado! Ferrou! Ah!. já que não reconhecem meu esforço para u a vida melhor. desde quando comprou esta casa para ajudar o Marcílio e a Ana. eu sei que você já ajuda muito e tem suas próprias despe sas.. Sérgio. o rapaz estava feliz. A Débora quase morreu por. não fico muito à vontade per o da família dela. Sérgio. Imagino .. eu estou com alguns probleminhas financeiros. O que me interessa mesmo é conhecer melhor a Débora. ficar com ela. Rolou um clima legal! Olha só!. contagiado pelo riso. o estudo. Ele prometeu visitá-la no dia seguinte. não foi? Disse que eu quase não paro em casa. as atividades do curso. do que com ela. explicou: Pai. Sérgio .respondeu irritado. ele pediu: Sérgio . você nem conhece essa moça e.Olhando-o nos olhos e sentindo-se constrangido.Após alguns minutos.. A Sueli é só uma conhecida.brincou Tiago.

Sérgio continuava reflexivo e não podia ver o que acontecia no plano espiritual. cigarro.. Você desertou por causa dela. mas Emy perguntou: Pode dividir conosco tanta alegria? . Eu queria ser mais independente. Estava insatisfeito com sua vida. Algo até então nunca visto.. Sérgio. O que não deixava o senhor Aléssio e sua esposa satisfeitos.. Débora! A filha sorriu. Trazia a mesma aparência r epulsiva e austera. No passado houve mui ta discórdia por causa dessa moça. sentindo-se supe rior e poderoso diante do encarnado que atormentava. Sérgio era abraçado pelo espírito Lúcia. Parec e que nunca vou conseguir! Será que terei paz se sair dessa casa ou quando morrer? ! Nem quando sair daqui eu vou deixar você em paz. Ficava se mpre em segundo plano. Débora estava bem re-composta. vociferou: Seu covarde! Desertor covarde! Você foi um tenente do Exército Imperial e o homem em que depositei toda a minha confiança! Minha filha estava prometida a você e a ab andonou depois de conhecer essa que hoje se chama Débora. Juntando-se à causa dos rebeldes. * * * Semanas passaram. Naquela manhã. num plano que não podia ver..O rapaz não respondeu e o senhor Inácio continuou: Filho. Depois de uma garg alhada maldosa.reparou dona Hilma. Sempre que pergunto. mais livre. O T iago nunca guarda nada. bem satisfeita.respondeu. su a irmã desencarnada. Ela o envolvia com impressões melancólicas. Minha filha sofreu. Apesar de tão pouco tempo. Que bo m vê-la assim. seu desgraçado! Vou seguir você e aquela vadia até o inferno e muito além! . com o modo de ser manipulado. Sua vida será melhor sem ela. Sérgio? Mandar todos embora daqui? Pôr o seu irmão. Sérgio fustigava os pensamentos em um nível muito inferior. sei que vivo te incomodando ao pedir mais dinheiro para as despesas. mas sentia uma vibração estranha. O espírito que tentava obsediá-lo há tempos. jogos. após suspirar fundo.. O que posso fazer. Sérgio apoiou os cotovelos nos joelhos. angustiosas e tristes ao mesmo tempo orientava-o em nível de pensamento: Não fique com essa Débora. O senhor e a mãe são usados por eles! Acham i so normal! Já pensou se eu e o Tiago fizéssemos o mesmo?! Como seria? . a mulher grávi da e dois filhos na rua? . aparentando um homem acima da meia idade. travando a maior batalha contra o Exército Imperial.Alguns segun dos e. O Marcílio tem seus gastos com bebidas. ele está sem dinheiro. Pai. Suas estratégias ajudaram a tropa dos farrapos a conquistar uma cidade. Depois eu vou lá para ver em que posso ajudar. avisou: Tudo bem. mas. Por que eu e o Tiago devemos ter dinheiro para as despesas extras que não no s pertencem? Por que não exige que seu filho mais velho assuma suas responsabilida des? Desculpe-me. Droga de vida! . cabisbaixo.tornou o espírito Sebastião.disse. Sérgio experimentou uma sensação angustiosa e amarga.. desanimadora.. Arrumou mulher e filh os. Yara chegava à sala acompanhada da risada gostosa da irmã que voltav a à rotina. saindo do quarto. Sofr eu tanto que morreu de desgosto e vergonha. entrelaçou as mãos na frente do corpo e aba ixou a cabeça. Se não puder ajudar. você ainda maltr ata minha filha como fez no passado! Desprezando-a como lixo! Mas eu vou acabar com você! Com essa Débora! Ah! Se vou! Nesse momento. Certo . Foi durante a Revolução Farroupilha no sul do país. re tornando ao trabalho e aos estudos.ele arrumou. Mesmo sem ouvi-lo. não é isso! .. pensava Sérgio. aproximou-se. acomodou-se à mesa e não disse nada. Enquanto isso. de ser envolvido em problemas que não lhe pertenciam e de não ser valorizado. o calor de uma paixão nasceu e cresceu entre Débora e Sérg io. Eles conversavam muito por telefone e o rapaz a visitou várias vezes. Ora! Ora! Gargalhadas logo cedo! . atribuindo tal sentimento aos problemas de família. seu desgraçado. encarando-o. Deixan do-se envolver por idéias ruins e terríveis. E hoje.

Por exemplo. Quero sim . Tenho tanta coisa em atraso!.. Esse rapaz não veio aqui só por causa de seu estado de saúde.. na sua segu rança futura.falou mais tranqüilo.É muito bom retomar a vida! Eu não sabia o quanto era gostoso trabalhar. mas não sou ingênuo . minha irmã! A felicidade está dentro de nós e não em coisas exteriores. Lógico! Mas hoje é sexta-feira! . Com licença! Sem se importar com o ocorrido. Vai à universidade hoje? . Eu notei algo romântico em seus olhares. Em seguida. sentou-se na cadeira frente à sua mesa.. Você é uma moça muito bonita. Lá vem bronca! . Deixe-me terminar..tornou a senhora.. Levantando-se. jovem. pois sempre acredita ser o único que sabe falar e não dá a oportunidade para eu expressar qualquer opinião. shopping e grandes marcas! .estranhou Yara. Débora foi ao escritório falar com seu pai.. São em coisas simples que encontramos a felicidade. dona Hilma avisou: Ah! Qu ase me esqueci. E esse rapaz? O que ele tem para te oferecer? Não passa de um mero policial! Qual o futuro dessa criatura?! Como poderá te oferecer confo rto. mas só você tem o poder de julgar. Depois de cum primentá-lo. mu ito presente nesta casa. compra-se! . quero que reflita muito sobre nossa conversa e reverta essa história. Emy desfechou: Não vou me indispor com você logo cedo. levantando-se e fechando a porta do escritório.animou-se a filha.. pai?! . Nunca consegui dialogar com você. trocou olhares com Yara e contou: A Yara fez uma tatuagem nova! Só vendo para acreditar! Filha! .questionou com ironia e indignada. Não mesmo. dona Hilma perguntou: Então você volta hoje mesmo ao trabalho? Está bem disposta? Como nunca. como sempre.interrompeu-a de imediato. . Veja. falou: Serei breve.confirmou. Espere. Acabou de se convalescer. Não . Após terminar o desjejum. Débora gargalhou. Diálogos. mãe! . Voltando . Estou sempre a berto para diálogos.reclamou insatisfeita. Débora saiu a passos firmes sem olhar para o pai. A felicidade não se encontra. e. encostou-se à mesa. Talvez pense que está em um tribunal defendendo alguma causa. Quero que tenha ao seu lado um homem capacitado.. É só isso? .. Débora! . argumentar e p rotestar! Com licença! Dizendo isso.Débora respondeu e sorriu. Quero o seu bem. Há alguns dias eu tenho visto o seu amigo. quase sentando.disse firme. Débora..tornou a mãe. Não quero perder nem mais um dia de aula.. filha. Seu pai está no escritório esperando para falar com você antes d e sair. estabilidade financeira e tantas outras coisas às quais você está acostumada?! Sem trégua. . Pai. A mãe disse que você queria conversar comigo. Não é preciso que s e justifique. com estudo... Você s abe que gosto de ser direto. ouviu seu celular tocando e correu para atendê-lo: .A moça ficou petrificada e sem dizer nada.. Chegan do ao seu quarto. Ficou contrariada com o que ouvia. o Sérgio.a jovem riu e não se manifestou. Do que vocês duas riam tanto? . Tinha os olhos nublados e por isso disfarçou o rosto entre os cabelos ao passar pela sala. diante da filha. educada.retrucou Débora. andar sozinha!.perguntou desanimada. Puxa! Chega de ficar naquele quart o e nos limites desta casa. mui o menos nas lojas. Além de o utros incontáveis adjetivos. iiii. advertiu: E não me venha com a história de que gosta dele! Que se amam! Vo cês mal acabaram de se conhecer! Não quero mais ver esse Sérgio aqui! . eu. Sem dúvida. mas sabia que não adiantaria argumentar. Estou pensando no seu bem. Débora! Não quero que diga nada! Só pense! Entendeu? A moça sentiu o rosto aquecer. Sei que vários colegas vieram te visitar.Alguns segundos de pausa e falou: Veja bem... estudar. Conhecia bem seu pai. O Br eno! Um empresário bem sucedido e que demonstra extrema consideração e carinho por você! Ele até comentou comigo o quanto te admira! O Breno é um rapaz com totais condições de te oferecer uma vida de princesa! . colocando-se à disposição. O s enhor Aléssio ainda falou: Compare e analise tudo. Eu e o Sérgio.riu Emy.

Não pode imaginar! Oferecendo um belo sorriso. procurando distraí-la. Ao senti-la mais calma.. tomou-a nos braços e a beijou com todo o amor. Senti algo difer ente em nossos últimos encontros.. Desde o dia em que a conheci. Aproximando-se e acariciando seu rosto delicado. Débora trazia os olhos brilhando e suave sorriso tímido. Afagando-lhe o rosto. Não quis inte rfonar e. Ele me recebeu bem todas as vezes que fui te visitar. . Pensei que só ficaríamos..Sorrindo com brandura. Uma tristeza indefinida pairava em seu olhar terno. não consigo parar de pensar em você e. falou: Você não mente bem. experimen tando um sentimento muito forte. A jovem ofereceu um lindo sorriso ao dizer com jeito meigo e gracioso: Você não me pediu em namoro. Sérgio. a jovem afirmou: Posso imaginar sim! Eu também não deixei de pensar em você. Sérgio perguntou em tom apaixo nado. Sérgio! Estou te esperando aqui fora e com celular novo! . vendo-a com os olhos marejados. Ele a envolveu com carinho.. entrou no carro de Sérgio e se foram ...Sem que ele esperasse a moça o abraçou forte.falou surpresa. Acredito que não aprovará nosso namoro . Talvez depois. Foi então que o rapaz falou sobre outras coisas. Afagando-a com generosidade. Estacionando o veículo frente à residênc ia da moça. Depois de contar sobre a compra do celular e alguns fatos corriqueiros .Beijaram-se novamente . ela saiu de casa. o que nunca a conteceu. Sérgio levou Débora para casa. acariciou-lhe o rosto e não resistiu ao sentimento que o dominava. A caminho do serviço. mesmo? . olhou-a nos olho s.. Depois explicou: São problemas lá d casa e não quero preocupá-lo com bobagens.Oi.avisou alegre. apertando-a contra si. Você já está pronta? Estou saindo! Beijo! Sem conversar com ninguém. Eu te adoro. Desculpe-me Sérgio. *** Depois da aula. Quer conversar a respeito? Não.. ele avisou: Passo para te pegar. Sérgio perguntou: Está tudo bem? Sim. falou baixinho: Eu ainda tenho tempo. depois ela avisou: Agora preciso ir.. Chegando próximo aonde ela trabalhava. Claro! Eu entendo . afagando-a com carinho por longo tempo. trazendo-a a realidade: . quis saber: O seu pai disse alguma coisa a meu respeito? Por que pergunta isso? . mas. confessou: Gosto muito de você. Não parece . Despediram-se com carinho e. quase num sussurro: Quer namorar comigo? Eu adoraria. ta? Débora parecia insegura e não desceu do carro. C omo eu desejava beijá-la e abraçá-la dessa forma. acenando graciosamente.. confessou. tornou num tom tranqüilo. Após alguns m inutos. Sérgio cuidadosamente a afastou de si. você me espera. Débora parecia implorar por seus carinhos e. Caso saia mais cedo.disse sério e bem sincero. Eu também. Sérgio segurou-lhe o rosto delicado. Era a primeira vez que se beijavam daquela forma e vivenciaram uma sensação nunca sentida antes.. ela desceu do carr o e se foi olhando algumas vezes para trás. por não vê-la interagir. como se uma energia indefinida invadisse seus corações apaixonados.. Ainda deixando-se ficar em seus braços. fez-lhe uma carícia e pergunt ou em tom bondoso: Tudo bem. vagarosamente. Ele a calou com um beijo. .murmurou com a voz abafada pelo abraço. mesmo contrariando a vontade. ele percebeu uma angústia no silêncio da jovem. escondendo o rosto. Tudo bem.compreendeu e a observou por alguns segundos. Só não queria falar disso agora. ele aproximou seus lábios dos dela.

no último caso. mas certamente segura e honesta.. elas são instrumentos para provar o nosso equilíbrio e a nossa confiança em Deus. o mentor de Sérgio o acompanh ava. por minha culpa... Se algo te acontecer. Parecia que Sérgio tinha ouvido a conversa entre ela e o pa i. ela quer nos induzir ao mal para sofrermos..prosseguia o sábio mentor. por desejo de vingança ou por prazer.. . . E é provável que com o tempo ele me veja de outra f orma. apesar de enfrentar uma situação aflitiva e pesarosa.Mesmo sabendo que não era ouv ido. enviandonos os bons espíritos que vão nos influenciar também. precisaremos ref azer os estudos e novos testes. Ele esperou que ela entrasse e depois se foi. a jovem avisou: Não tenha tantas esperanças. Não é diferente das esco las terrenas onde estudamos e depois realizamos provas para testarmos nosso conh ecimento.Você não me respondeu sobre o seu pai. . modesta. em sua infinita misericórdia. Na minha profissão. eles se beijaram e se despediram.. sempre nos ajuda. Nunca te nho razão. Durante o trajeto até sua casa. o anjo guardião do rapaz tinha plena certeza de seu pupilo receber suas influên cias e no momento preciso poderia se valer delas.. Você é muito precavido. Só uma coisa: a Rita me telefonou e nos convidou para sairmos com ela e o Gustavo amanhã! O que acha? . Bem. ela comentou: Sabe. é por que atraím os para nós. Mas Deus. Vamos analisar o que você já aprendeu no rso que está quase concluindo: Por que pessoas que sofrem sérios e difíceis problemas reagem diferente? Uma. Ele não concorda com nada que eu faço. Podemos ser promovidos ou reprovados e. Não querendo desapontá-lo no futuro. mas podemos considerar. ele olhou o relógio e decidiu: É tarde.. Mas quando sofremos e nos deixamos aterrorizar. quando nos acontecem coi sas ruins.. quando cedemos as suas sugestões sórdidas. Se o seu pai não ficar sa tisfeito por estarmos juntos. Eu tinha outros planos. Por isso continuou: O inimigo do passado pode acreditar que você aind a tem dívidas com ele. mas é arriscado ficarmos aqui. tenha a certeza de que minha mãe não pensará diferente d ele. falou sorrindo.. em ações e pensamentos o desejo no mal. Vou conseguir minha estabilidade. Teremos obs ulos. Mesmo se ele não estiver de acordo. talvez simples. já vi fatos que não desejo experimentar. Vamos ver. É por isso que so remos e sofremos muito. Meu pai é um pouco difícil. comprazem-se em uma falsa felicidade quando conseguem nos compr ometer ou nos induzir a uma atitude degradante que atrasa nosso adiantamento esp iritual.. Quando se trata de uma criatura sem entendimento e pouca ev olução.Vendo-a reflexiva e despreocupada. Meu querido Sérgio. o que isso importa? Sou maior de idad e! Entendo que ele não quer o seu mal e está pensando em seu futuro. não sofre . Deus permite qu e esses irmãos imperfeitos na moral sejam instrumentos para testar nossa fé e nossa vontade de continuar agindo como criaturas atuantes no bem. Meu pai é teimoso e minha mãe não me defende.. Apaixonados.propôs toda animada.. Isso significa que ele não simpatizou comigo . Bem. Pois os espíritos maus correm em nosso auxílio e nos ajudam com as más tendências. Você me liga quando chegar a casa? Ligo. Não quero expô-la em situação de r isco. querendo desistir ou nos alterando de forma grosseira. E Deus. meu querido. vocês têm u ma grande estabilidade financeira e eu não. Acho que os obstáculos surgirão de ambos os lados. Os pensamentos deles inva dem os nossos.. por essas más experiências e sentimentos. Ligo sim.. pelos retrovisores. Porém depende de nós nos inclinarmos às inspirações boas ou más que exercem sobre nós. se me conhecer melhor. Sabe. acho que morro. Não estou interessado nos bens da sua fa mília ou em sua herança. encarnados o u desencarnados. influindo em seus pensamentos com bons conselhos: Precisa ser cauteloso com as idéias. Ah!. Débo ra. o que não é correto. Débora ficou incrédula. Por isso você estava triste hoje de manhã? Tentando fugir da resposta. Espíritos desse tipo.. Adoro sua companhia. Vejo que não pára de olhar em volta. Afinal. na espiritualidade. caso se mantivesse atento na fé e vigilante.

desejam é corromper e prejudicar o outro. Aqueles que eram contra a criação de uma república deram o apelido de farrapos ou farroupilhas aos revolucionários com a intenção de humi lhá-los e depreciá-los. Como anjo guardião não é ama seca. comentou: É impressionante como esses perseguidores interferem nos pensamentos dos encarn ados. passava-lhe p ensamentos instrutivos e salutares a fim de seu protegido se alicerçar no bem com equilíbrio e pensamentos positivos que servem de incrível proteção às influências negativas de encarnados e desencarnados. uma espéc ie de estágio na área de Psicologia. O rapaz havia terminado o curso universitário. seu escravo. quer que a vida acabe. ele estava simplesmente feliz e fez uma prece agradecendo e pedindo proteção. O rapaz sentia-se melhor. Olívia. contando: Na mais longa revolução da his tória do Brasil.Sérgio e Débora: do passado ao presente Os meses foram passando. na época do Império. mas sabe que a e xperiência ruim é passageira. Chegando à sua casa. quando a pessoa não examina a idéia imediata e não distingue o bem do mal. a outra sofre. muito ao contrário. aproveitando de todas as circunstâncias para isso. ligou par a Débora e conversaram por muito tempo.e co uros utilizados para a confecção de diversos artigos. Lúcia e Tiago se reencontraram. É um caso clássico. Além dessas. de outro. De um lado os adeptos da Monarquia ou governo Imperial. Durante o caminho sabiamente Wilson. após terminar o período de supervisão exigido. fazendo-o sua vítima. direcionando-os e manipulando-os. é o acerca do que acontece com Déb ora e Sérgio. Um dos instrutores acrescentou ao grupo: O que os espíritos. combinando saírem no dia seguinte. estancieiros e criadores de gad o da província. no mal. Entretanto esses líderes nada tinham de maltrapilhos.. 7 . O casal estava no cinema apreciando um filme. digno de aproveitamento para estudo. Um doce e agradável romance acontecia entre Sérgio e Débora. apoiado por diversas camadas po pulares que estavam bem insatisfeitas com os altos valores dos impostos taxados pelo governo imperial sobre a produção de carnes para consumo . o espírito protetor de Sérgio. por isso estava extremamente fel iz e mais tranqüilo do que nunca. O grand e episódio chamado de Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha aconteceu no Sul do Brasil. alguns socorristas e outros instrutores que desejavam notícias dos encarnados q ueridos a quem tanto estimavam. Eles se davam muito be m. havia outras inúmeras queixas. mentora de Débora. Wilson e Olívia vêm acompanhando seus prezados pupilos há temp o e poderão relatar como e quando esse desejo de vingança do espírito Sebastião iniciou. mais especificamente no Rio Grande do Sul. na crueldade sempre tentam n os incitar a cometer erros. Sim. deixando-se inclinar às tentações e erros de difíceis repar os futuros. Sueli. Débora. os rebeldes ou farrapos q ue lutaram para criar uma República. claro! . Diante da pausa em que Wilson refletia em como resumir os fatos. cabendo a contribuição complementar de recursos vindos de . Isso.carne salgada . por uma ser u m espírito que cede aos maus conselhos e não é evoluída. contava: Alguns irmãos. Sérgio. o espírito Olívi a lembrou: Bento Gonçalves da Silva foi o líder dessa revolução. era muito explorada. pois a contribuição da província3. bem aliviado e seguro. Tratava-se de representantes da elite. os mentores do casal encarnado trocavam conhecimento com um grupo de espíritos amigo s. Os lugares e os interesses que queriam defender tinham grande impo rtância ao Império. Sebastião. sem evolução. mentor de Sérgio. Havia no grupo alguns aprendizes que se interess aram e Wilson.concordou o espírito Wilson. para a e conomia brasileira. a outra entra em extremo desespero. No Rio Grande do Sul principalmente. ca bendo a este cobrir inúmeras despesas da província de Santa Catarina e de outras reg iões por não conseguirem arcar com suas próprias despesas e o que recebiam do governo central era insuficiente. Antes de dormir. quando ainda presos no vício.

Foi então que. pisoteando q uem estivesse pela frente. Sérgio desceu de seu cavalo e os soldados. pois estavam bem assustados e nervosos.farroupilhas . A jornada seria longa.começaram a se unir e crescer por causa dos apelos d os oficiais do exército revolucionário. parecendo em vantagem. com o intuit o de pedir que ordenasse o fim daquelas ações criminosas. viu Sebastião. Virando-se. os imperiais derrotaram os far roupilhas em uma e outra luta. A cena aterrorizante petrificou Sérgio por alguns minutos. Após vencer as dificuldades para chegar até lá. o comandante do grupamento desembainhou sua espada e sinali zou o ataque dos soldados contra o pequeno. Marchavam para Porto Alegre. era um comandante militar nessa época. que angariaram recursos financeiros e soldad os. A tropa d eu um grito de excitação. nem homens suficientes em condições d e defender os velhos. A maioria dos soldados daquela tropa do Exército Imperial esta va alegre. precisando ser dominados com firmeza . Estava longe de se r uma guerra. incluindo escravos e presos para se alistarem. repugnantes e cruéis. comand ante do grupamento. o que significava um s inal de apoio aos rebeldes revolucionários farroupilhas. Nem mesmo os velhos. Seus pensamentos fic aram terrivelmente perturbados. a certa distância. A chuva fina começou. mesmo forçado. era a mais selvagem e vil atrocidade que testemunhou. resfolegavam e trotavam em círculos. Atingiu o agressor bárbaro com um golpe forte e o derrubou. Dor. Tratava-se de um acordo de união arranjado e ntre as famílias. A maioria dos cavalo s foram esporeados. era um jovem Tenente do Exército Imperial e de compromisso fir mado com a filha do Marechal Sebastião. viram a bandeir a tremulando com as três cores dos defensores republicanos. Sérgio surpreendeu-se com o comandante Sebastião procurando atacar. tiros disparados e gr itos de pavor eram ouvidos. Sérgio prec isou seguir para o sul ou enfrentaria a rigorosa pena por deserção. sobrecarregando-as com impostos. prometendo-lhes liberdade ao final da guerra. Todos os poucos homens da vila já se achavam mortos. comandante da tropa. Ele tentava encontrar o comandante da tropa. Houve vitórias e derrotas de ambas as partes em di versos lugares da província. Moças e mulheres foram brutalmente violentados por vários homens verdadeirame nte animalizados e depois eram mortos com crueldade. Sérgio cav algava cabisbaixo e completamente silencioso ao lado do Marechal Sebastião. pobre e indefeso vilarejo. Golpes de espadas zuniam no ar. entrar em um dos casebres. Alguns meninos.. Convocado para combater os revolucionários farroupilhas. Participou de al gumas lutas e ficou desgostoso com o que vivia e presenciava. Sérgio entrou na casa pobr e de madeira tosca e viu um soldado violentando uma menina que não tinha nem oito anos. falante e sob o efeito de forte bebida alcoólica. como se lhe passasse a vez. Sérgio tornou-se o oficial de maior conf iança do Marechal Sebastião. Mas as tropas republicanas . pouco antes da prisão de Bento Gonçalves. choro e desespero. da mesma forma viole . tão chocados quanto ele e que lhe eram fiéis. Algumas casas começaram a ser incendiadas e saqueadas como de costume. e ele con tou: Diversas batalhas sangrentas foram travadas no sul do país entre o exército imper ial e os rebeldes farroupilhas.outras províncias. as mulheres e as criança s foram poupados. Eles não tinham como fugir. até então. após frustradas tentativas. No vilarejo não havia combatentes. Chegando a um vilarejo bem pobre. espírito impiedoso que até hoje persegue Sérgio. criancin has. algo bem comum naquele tempo. Dessa maneira. nessa época. mulheres e crianças. Em 1836. Sérgio e outros três do grupamento permaneceram montados enquanto seus animais re fugavam. açoitados e postos a invadir rapidamente o lugar. Tudo piorou quando . desde as grandes cidades até os mais distantes e pequen os vilarejos gaúchos. A situação mudou. ex-namorada de Sérgio na atual encarnação. Em seguida ela trocou olhar com Wilson. na tentativa de emboscar Bento Gonçalves. Certa vez. mas isso não impediu os soldados apearem de seus cavalos. sobre o cavalo a passos lentos. Uma ovação animalesca e voraz os dominou. m atar os poucos homens que havia ali. O Marechal Sebastião. fizeram o mesmo. Entre muitas coisas presenciadas naquela guerra. Sérgio. recebe ndo muitos méritos e até postos de destaque pelas vitórias e estratégias. menininhas. A filha do Marechal Sebastião era Su eli. enquanto as mulheres eram impiedosamente maltratadas. Naquele instante..

viu o comandante Sebastião despertando. Sérgio ajeitou a jovem envolta na coberta sobre o lombo do cavalo. Sérgio tirou a jaqueta do uniform e que usava e a cobriu. A jovem cho rava em desespero. enrolou-a com rapidez. Havia salvado aquela bela moça de indescritível brutalidade. mas não desc obriu seu rosto para que não gritasse e a segurava firme para não cair ao trote do a nimal. Após isso. agarrou-a pelas roupas. Estou indo embora. Indo a sua direção. o que significava encarar a mor te. Eles brigaram por algum t empo até Sebastião cair e. pois poderiam ser nossas mães. confuso e sem saber o que fazer. ele orientou os dois soldados que o acompanhavam para s e separarem. Ao tempo em que Sebastião permanec ia sem sentidos. Olhando para trás. um dos soldados passou por el e. Apiedado. siga-me! . uma outra jovem. Pux o-a pelos cabelos. ele percebeu que o tiro disparado para matá-lo atingiu a menininha fatalme nte. o comandante atirou querendo matá-lo. Mas a moça resistiu. usando suas últimas forças para agredi-lo. Momento em que Sérgio decidiu. ao mesmo tempo. Mesmo com a chuva fria e fina. po is acreditou que seria maltratada. Nesse in stante. Era um desertor e precisava fugir com rapidez. O céu recoberto de nuvens cinzentas fez a noite chegar rapidamente. Em meio ao pranto silencioso.. joga ndo-a sobre o ombro. apesar dos fracos socos e tapas que recebia. Tudo aconteci a muito rápido e ele sentia-se muito mal. dizendo: Não conseguiremos impedir essa barbaridade ! Não estou de acordo com atos tão imundos e cruéis. assombrados com a desnecessária violência dos co mpanheiros. e foi à direção da jovem ajoelhada e abraçada à irmãzinha morta. perguntaram-lhe o que fazer. e ia atacando-a.. mesmo no chão. viu a jovem chora ndo e abraçando o corpo da garotinha que ele havia defendido pouco antes. Sérgio assobiou para o cavalo que obedeceu ao chamado e foi ao seu enc ontro. Sérgio o esmurrou. mas ainda bem atordoado. ao olhar para trás. ficou mais tranqüilo. Olhando a jovem encolhida ao chão. Não supo rtava ver tanta covardia. Virando-se por um instante para dentro da casa. Certificando-se de poderem passar a noite ali e não serem descobertos. a jovem tremia muito e não conseguia encará-lo. Tirando a moça do dorso do cavalo e ajeit ando-a junto ao tronco da árvore. Sérgio chutou-lhe o rosto até vê-lo desmaiado. Indo novamente até a porta. em pé na soleira da porta do casebre. poderi am ser atacados por tropas farroupilhas que deveriam estar por perto. Chegando à porta. segurava um pedaço de pano de seu vestido todo rasga do para tentar cobrir o corpo exposto. Sérgio apoderou-se de uma coberta. ele entrou novamente. Aquilo não fazia parte de sua índole. Foi quando doi s soldados dignos e de sua confiança. Sérgio descobriu-lhe a cabeça e afrouxou a coberta n a qual estava enrolada. irmãs. Após uma curta jornada.um saco de couro curtido dividido em repartições para armazena . esposas ou filhas!. Mesmo vendo-o desorientado. ele decidiu descer do cavalo. Num momento inesperado. crueldade e sordidez. mas não sabia o que fazer com ela. ele pôde ver as labaredas avermelhadas clareando a vila totalmente incendiada pela tropa impe rial que fez dali o que queria. o jovem oficial sentiu-se enoj ado com o que presenciava e impotente para controlar aquela situação. retirou-se a todo galope . pois teriam mais chance de fugir uma vez que eram desertores e seri am procurados pelo Exército Imperial para serem julgados e. já rasgadas. quando Sérg io reagiu investindo contra ele. puxou-a para que se levantasse. se fosse encontrado por uma tropa farroupilha seria morto co mo inimigo. Por outro lado. saiu às presas. Agrediu-o. mas nem tinha para onde ir e ela o atrasaria. De imedi ato. que caía sem trégua. Montando seu cavalo. como um bicho indomado. Despediram -se. Vendo-a com as vestes e percebendo que a jaqu eta não era suficiente para cobri-la. Sérgio gritou em voz de comando ordenando que todos parassem com aquele barbarismo. o oficial viu os soldados da tropa imperial completamente sem controle como animais selvagens. Parando próxi mo a uma grande árvore cuja copa lhes serviria de abrigo e a mata ao redor de prot eção. Ajoelhada. mas os homens não o ouviam e continuavam com a prática insana. Quem quiser. Ele estava preocupado. que estava à porta.nta. Seus pensamentos fervilhavam enquanto aliviava o cavalo da sela e pr ocurava pelo bornal . cobrindo-a toda e. O Marechal Sebastião não lhe perdoaria e o mandaria para enfrentar um Conselho de Guerra. foram até Sérgio. segurando firme a jaqueta que lhe dera para se cobrir. deixando-o sem sentidos.

As mulheres. a jovem filha do anfitrião se i nsinuava. Estavam em fuga e as provisões acabado. Ali mentavam-se de pequenas aves que demoravam a cair nas armadilhas feitas. Uma união mais carinhosa. sincera e íntima foi inevitável. Durante a chuva da madrugada. Ao encontrá-lo. Era uma im agem que ele nunca esquecia. reencontrou um dos soldados que desertou com ele. ele a cobriu com a capa que trazia e precisou ficar a seu lado a fim de se mante rem aquecidos. pois como desertor do exército imperial ele seria bem-vindo ao exército revolucionário. pois conhecia as estratégias do Exercito Imperial. decidiu aderir à causa. Entre uma e outra batalha Sérgio retornava à estância junto da tropa farroupilha. Essa jovem trata-se de Débora. Mais uma vez o rapaz fi elmente o seguiu. rasgou um pedaço de carne salgada e o levou até a jovem ainda acuada. Em reuniões ou churrascos festivos dos líderes revolucionários. Era o ano de 1837. A s dificuldades os uniam cada vez mais. precisava p roteger Débora em todos os sentidos. com um bom fogo de lareira e mate quente. que apoiava a revolução. Ele estava decidido a acompanhar o exército farroupil ha em uma última batalha a pedido dos oficiais revolucionários com a finalidade de m ostrar-lhes qual o melhor a fazer. os líderes da revolução. Momento em que lhe afastou os cabelos para ver seu rost o e um sentimento indefinido o invadiu. foi cercado por pequena tropilha farr oupilha e um deles apontou-lhe a carabina inibindo-o de reagir. sempre usando um ves tido branco de delicadas rendas com um xale que mal cobria os ombros. a jovem sussurrou ao implor ar para que ele não a machucasse. Ao vê-lo com Débora. Sérgio pediu que confiasse nele. Nesse período. cor reu e o abraçou. Piedoso. foi realizada uma grande batalh a nas cidades de Rio Pardo e Caçapava. Dali foram levados para as terras de um charqueador . amizade e o nascer de um forte sentimento. admirando sem participar. necessitavam de provisões e abrigo. Eles se amavam.um homem muito bem posicionado e influente. disfarçadamente. destacando-se. Em reuniões mais privadas em que a casa principal da estância acolhia. atualmente seu irmão. o relincho do cavalo inquieto surpreendeu Sérgio. E ra difícil ficar longe dela por tanto tempo. mas permanecia constrangida. na atual encarnação. Cavalgaram dias e enfrentou inúmeras dificuldades. pois iria protegê-la. Sérgio recebia toda a atenção por sua eloqüência e estratagemas. Não poderiam viver daquela forma. a j ovem não conseguia conter seu ciúme nem sua inveja. Sérgio tinha planos e sonhos com sua amada.produtor de carne salga da . explicando a razão de estar com aquelas vestes e afirmou que sobreviveu graça s a Sérgio. fizeram com que Sérgio e Débora se afeiçoassem mais. de peix es pegos com a lança certeira de Sérgio e frutos silvestres. Deixando Débora ob os cuidados oferecidos na grande estância que servia de guarida aos farroupilha s. Débora gritou. para Sérgio com um comportamento sensual e bem provocativ o. Algumas vezes Tiago não seguia junto do s revolucionários e ficava para reforçar a segurança da estância. O comandante do grupo pediu uma trégua e fez muitas perguntas. Olharam-no com outros olhos. Mais de trinta dias passados juntos. a água. Ao conversar mel hor com Débora reconheceu-a como sendo a filha de seu compadre. Entretanto não tinha outra vestimenta para usar. Sérgio ficou sabendo da prisão do líder revolucionário Bento Gonçalves. por isso ignorava facilmente a tent ativa de sedução da outra jovem. principalmente o mau tempo. Levantou e pegou a adaga para se defender sentind o que estavam sendo vigiados. Amedrontada. Ele cobriu a jovem de modo que não a vissem. A maior já vista contra o Exército Imperial em que os farroupilhas venceram. . Porém ele se preocupava. na maioria das v ezes. e pelas estratégias de Sérgio. Certa noite em que a garoa pesada e fria os fazia se encolherem abraçados sob a capa e um arbusto. Tratava-se de Tiago. A jovem contou-lhe tudo. Mas aconteceu algo que Sérgio não previa: a filha do nobre charqueador apaixonou-se por ele. Sérgio sabia que precisava se livrar do uniforme e de outros artefatos que o ident ificavam como sendo do exército imperial. só ouviam a distância.r provisões para a viagem. A jovem então aceit ou o alimento. Rapidamente. criando um vínculo de confiança. Contudo nada interferia no amor que ele sentia por Débora.

que foi obrigado a enfrentar o temeroso Conselho de G uerra. Mas a anfitriã insistia para que Débora permanecesse com ela frente à lareira forte. Para tentar encobrir o motivo da morte da jovem. reencarnou como Lúcia. Após o enterro da companheira. praticamente desfigurada. sua fil ha na época. Bento Gonçalves era um homem rico. conversando. Ela tremia. irmã de Sérgio. Bem tarde. um dos líderes da revolução deu-lhe considerável valor para começar ma vida nova e Sérgio aceitou. Somente agradeceu o anfitrião. pois sua trama fracassou. O dia clareava quando a jovem filha do charqueador esperava por Sérgio e os dem ais fora da casa. No planejamento reencarnatório a idéia era de ela transformar essa possessividade em um sentimento mais suave e verdadeiro por ele. filha do charqueador. ele montou um cavalo que não deu para ver. Pela versão da moça. Por seus préstimos. Sueli morreu durante a realização desse crime hed iondo. mas nada disse. entrou exigindo jóias. a casa estava vazia. A filha do charqueador ficou em prantos. Mas já se encontra de volta ao plano espiritual depois de ex perimentar exatamente o que fez no passado. Essa moça. viveu seus dias em silencioso pesadelo pelo ato criminoso planejado. A jovem contou que o homem guardava as peças quando Débora se mexeu e ele atiro u. Para não desagradar o companheiro. Ficou totalmente desequilibra da por não esquecer o instante em que Débora. No entanto Lúcia teve e tem extrema paixão pelo irmão. Wilson terminou a narrativa e Olívia explicou: Lúcia reencarnou como irmã de Sérgio a fim de se desprender do sentimento insano e obsessivo que tem por ele. Bem rápido. Não aceitou a juda clínica. ter desejos inc estuosos. mantendo Débora como refém. mas naquela noite foi convidado para um churrasco de comemoração na estância vizinha. filosófica ou religiosa e passou a ser desequilibrada. naquela época. enquanto o homem apontava uma pistola. Os empregados estavam alvoroçados e a jovem contou que durante a noite. Sérgio não suportou o golpe. quando a port a principal da sala foi aberta sem qualquer ruído. Ele criou lojas maçônicas por todo o sul e preparou um serviço de correspondências secretas. na Bahia. A jovem ha via combinado com um funcionário da estância o assassinato de Débora. ofereceu mais força e corage m às tropas republicanas.A fuga de Bento Gonçalves do Forte do Mar. mas ouviu o galope. Sabendo da festa d e antemão. cumpr imentou os oficiais farroupilhas e partiu. mesmo assim buscou algumas peças de jóias valiosas. A jovem que planejou o assassinato de Débora. Um homem encapuzado. maltrapilh o e usando uma capa. registradas na consciência. Quase todos os empregados haviam se recolhido . Tal fato era de indescritível vergonha à família. o que ela chama de amor. Adentrou correndo na casa e confirmou que Débora estav a morta com um tiro no rosto. As Leis de Deus. ele se calou. Sérgio retorn ou para a estância onde Débora o aguardava. Antes disso. ela alimentava a idéia e os sonhos de relacionar-se sexualmente . A jovem ficou enclausurada até que uma parteir a foi chamada para fazer o aborto. Depois de um grito de lamento e das lágrimas que cor reram em sua face. dizendo simplesmente que estava indisposta. divulgaram que ela falec eu de desgosto e tristeza pelo abandono do noivo e por vergonha de sua deserção. E esse comandante era o Marechal Sebastião. não faltaram convite s insistentes para ele ficar. dispondo da total discrição dos irmãos daquela ordem para au xiliá-lo. dizendo que no festejo teriam muitos homens sem classe que se embebedavam e criavam pro blemas. Sérgio conheceu esse líder revolucionário que lhe pediu para prosseguir a seu lado. a jovem filha do charqueador convenceu Débora a não ir e ficar ali. Sem saber absolutamente do fato no qual foi injustamente acusado. ela ficou só. com muitas experiências m ilitares em guerras. Sérgio a havia desonrado. Queria Sérgio livre para poder conquistá-lo. mas o rapaz queria uma vida tranqüila ao lado de Débora. havia ficado grávida. não falham por sermos os herdeiros d e nós mesmos. enquant o todos dormiam. morreu em se us braços. Débora decidiu não ir nem comentar nada sob re o verdadeiro motivo. Mas nada adiantou. prometendo-lhe a s jóias que lhe entregou como pagamento. A vitória dos farrapos em Rio Pardo e Caçapava teve imensas conseqüências para o coma ndante militar da província. manteve contato com sua família e Sebastião soube que Sueli. ela e Débora conversavam animadas na beira do fogo. ou seja. Pretendia partir o quanto antes.

Dizendo isso. incrédula. O silêncio reinou. desencarnada.. Sentia pela irmã Lúcia o mesmo que por seus outros dois irmãos e nunca cedeu aos seus assédios. 8 . O principal desejo desses irmãos. Sérgio é um espírito equilibrado. que o repreendeu.. . na verdade. Ainda segurando-a com carinho. a criatura egoísta e o rgulhosa acredita ter toda a razão.explicou Olívia. Por essa razão devem os lembrar que o desejo no bem é prece a Deus e as bênçãos nos chegam como conseqüência do ue pensamos. sregramentos bem comprometedores. Ele está subindo!. ameaçando levar aquilo ao conheci mento dos altos postos do Exército Imperial. Desencarnado.. um dos instrutores avisou: Tivemos uma grande lição.perguntou a moça com um jeito manso. Depois de um instante paralisada. Atualmente. Quando estivermos em dificuldades. E voltando-se para o grupo. . o rapaz não entendeu. Sérgio o havia repreendido sobre os atos desumanos. deixando-os em um estado que os faça cair em des espero e culpa . que passará por provas e tent ações.com o próprio irmão.. O que Wilson contou foi somente um dos combates covardes e bru tais praticados por Sebastião.Respeito e amor A noite caia suavemente e o casal passeava de mãos dadas após saírem do cinema. o silêncio reinou por longos minutos a té Sérgio parar fazendo com que Débora permanecesse à sua frente. Com gestos suaves.ex-clamou enquanto tentava segurar a roupa. Sérgio a beijou com toda a força de seu amor. . Sérgio não admitiu nem aceitou as práticas vis e hedi ondas de Sebastião. meu protegido. enganos. Eu quero te dizer uma coisa.Olhando-a. ele explicou: Talvez você acredite que é cedo para eu dizer isso. ao passar as mãos discretamente na silhueta de seu bonito corp . Os belos olhos verdes do rapaz brilharam ardentes enquanto ele sorria. Sebastião era torpe. sábio e rudente. E rogamos para que nossos amigos Wilson e Olívia vejam se us protegidos munidos de fé. Era algo que lhe proporcionava prazer. mas. sentimentos e vícios típicos de pobres irmãos sem evolução. . lembremos de Jesus que nos ensin ou: Pai.. Colocou-a no chão. Mas. . e achou graça ao vê-la pedir r indo de modo constrangido ao falar com jeitinho delicado: Adoro ficar em seus braços. eu te amo. Pode me colocar no chão? É que meu vestido.riu. é nos ver prejudicados. sentiu o coração acelerado e declarou quase num sussurro: Débora. Sérgio. Nós sabemos . pediu desculpas e reparou mais detalhadame nte em seu vestido branco. mas. mas ela não contro la a idéia fixa de seus desejos. indecente por seu vício repugnante de atacar e violentar mulheres e crianças. Agora. com delicados contornos que Débora estava usando.tornou Wilson. sem instrução. ele já tentou ajudar Lúcia. Sérgio riu gostoso. que seja feita a sua vontade e não a minha . Apertando-a contra si. ela afirmou estampando felicidade: Eu também te amo. leve. obscen o. ... Seus pe nsamentos estarão invadidos de idéias e inspirações que podem levá-los à prática de falhas. Desejos. desertado do exército. Mas isso nunca aconteceu .Observando a expectativa guardada atrás do sorri so da jovem. Pas sos calmos e com o balanço das mãos entrelaçadas. Não adiantou. O que foi? . Foi então que o espírito Sebastião passou a dominá-la atr avés dos pensamentos. Lúcia não passa de mais uma vítima escravizad a por esse obsessor que a usa contra Sérgio.Após os esclarecimentos. . a jovem se atirou em seus braços e ele a sustentou no ar rodopian do uma vez vagarosamente. ele se elevará espiritualmente e concretizará a que veio nessa reencarnação. Sebastião persegue Sérgio. alegre e desconfiado. entre outras coisas que sua con sciência imagina. Tanto Sérgio quanto Débora serão incentivados a cometerem erros. força de vontade e bom ânimo para que se elevem nessa atu al experiência. Antes desse reencarne. O espírito Sebastião quer vingar-se de Sérgio por el e ter abandonado sua filha. caindo em desgraça como eles. a consciência de Sebastião alardeava cobranças constante e ele acreditava que isso era por culpa de Sérgio..completou Olívia que mesmo na espiritualidade. os mentores e os demais se despediram e f oram. Com fé em Deus e acreditando que nada nem ninguém têm mais poder do que o Pai da Vi da. mentora de Débora. a nimalescos e selvagens em batalhas desnecessárias.

pois andou batendo em tudo pelo caminho . Depende das condições financeiras. Não imagina como fiquei irritada comigo mesma por não te dar o telefone da minh a casa! Como fui idiota! E a minha curiosidade para saber se você tinha alguém!. Parece que eu já vi essa cena antes.brincou ele... começaram a caminhar enquanto conversavam. às vezes sinto como se a conhecesse há muito tempo. eu sei... Acredito que arrumamos um bom lugar e só estamo s aguardando o trâmite das documentações. Eu te amo muito ..insistiu diante da demora. levo-a para o serviço ..riu. mas com suave sorriso. Agora.. ... antes. Retire esse nós nos trombamos ! Foi você quem bateu em m! Aliás. Olha que vou aceitar a sugestão! . Sérgio .beijou-a com ternura. como já te falei. Abraçados. florais. Seus olhos se fixaram e ele afirmou novamente: Adoro você. saímos sozinhos ou com a Rita e o Gustavo.o.exclamou perplexo. o nosso namoro.agradeceu com jeito meigo..Eles brincara m e riam até ele falar mais sério: Débora. quando não. esses planos para a clínica são para curto prazo.. O foco da clínica será voltado para a Psico ia. no entanto não vamos nos limitar só a isso. Nossas famílias não se conhecem e. Quanto à minha mãe. eu darei um jeito. por isso quero ser bem tr ansparente quanto ao nosso relaciona-mento.. ela alinhava o vestido quando ele elogiou com grande satisfação: Você está linda! Obrigada . seu guarda! Pode me levar presa! .ela correspon deu alegre. não ganharei o sufi ciente para sustentar todos os meus gastos. . eu e mais três legas vamos abrir uma clínica mesmo. Desde que começamos a namorar não freqüentei mais a sua casa e você nunca foi até a m inha. apertou-a junto a si e a jovem o enlaçou p ela cintura... menina!. Desde que nos vimos pel a primeira vez me apaixonei por você! Queria vê-la novamente e senti uma angústia por não me dar o seu telefone! Eu sei. com modo meigo e educado ..ela retribuiu da mesma forma. teve uma visão do futuro.. mas. Veja. estamos direto na casa da R ita. Você pode ter visto uma cena do passa do ou. Não brinque com isso. Amo-te tanto.. Esses colegas são de confiança? Sim são! Nós temos várias idéias em mente.. Não. terapias alternativas como acupuntura. você acha que eu precisarei conversar com seu pai para deixar claro que nós não estamos brincando e que nosso compromisso é sério? Eu não queria falar sobre isso. Mas ao saber que você estava lá em casa para me devolver aquela past a!. Mas creio que conseguirei conciliar o horário com o serviço na polícia e com o agendamento dos pacientes.. Que bom Sérgio! Fico feliz com isso! Mas. Também senti algo muito forte! Uma coisa que não sei explicar! Sabe. Sinto falta disso e g ostaria que fosse diferente.interrompeu-o. Mas?.. Teremos um setor para massagens de r elaxamento de diferentes tipos. riu com gosto. mas. Quase tive um infarto! Você acredita em reencarnação? Acredito! Quando nós nos trombamos na escadaria da delegacia e você me segurou pa ra eu não cair. eu só vou buscá-la na universidade. homeopatia. depois ele comentou bem sér io: Débora. O rapaz sobrepôs o braço em seus ombros. Como assim?! Nossas famílias oferecem resistência a aceitar nosso namoro. é o seguinte. Débora. Nunca usei esse vestido quando saímos. Eu não gostaria que co ntinuasse dessa forma.. senhora! . Tenho consciência de que no início.. riu. foi uma cena que eu já tinha visto antes.. quando clinicar como psicólogo. Tudo bem! Eu assumo a culpa.. .. . precisa tomar cuidado. eles conversaram mais a respeito. Nossa Débora!. Ah! Seremos três psicólogos e um médico psiquiatra que foi nosso profess or na universidade e um verdadeiro mentor! Tem tudo para dar certo! No carro de Sérgio.. E o serviço na polícia?! Não pretendo continuar por muito tempo na polícia. entre outras coisas.

Gritamos um com o outro e o clima está péssimo lá em casa desde q uando eles retornaram da Europa. mas ela prosseguiu: Meu pai vem propondo que eu tenha um compro misso com o Breno. Levemente. Sérgio. Se esse assunto é delicado e a deixa sensível. eles adentraram ao quarto de um motel bem lu xuoso. Vendo-a com dificuldade para se explicar. Não estou entendendo.respondeu olhando-o de modo indefinido. Confie em mim.questionou em tom bondoso. A voz de Débora embargou.. Como?! . . naquelas férias no fim do ano que eu não quis ir. Chegou até a me ameaçar. Sente-se aqui.ela não conteve as lágrimas. O que está acontecendo? . Com semblante bem sério.pediu comovido ao vê-la daquele jeito. Então preciso saber.murmurou.. Acredita que o patrimônio de sua família é o a lvo de um pretendente como eu. Precisamos esclarecer muitas coisas com urgência.. Sérgio ponderou: Vejo que temos muito que conversar.Ela obedeceu mecanicamente e o namorado tornou a fala r no mesmo tom: Dê-me sua bolsa . Não fique assim.. ele tocou sua face gelada percebendo um leve tremor que pare cia vir de sua alma. Certo? A jovem não o encarou. E sperou-a beber alguns goles e depois que lhe devolveu o copo. Descobri que a empresa d o meu pai fez e ainda faz negociações bem comprometedoras. Espere.perguntou brando... Sérgio.. Débora? Você está preocupada ou se sentindo incom odada com isso? Precisamos conversar. ele pensou um pouco e disse: Não vamos correr o risco de ficarmos parados em uma esqu ina conversando e esperando para sermos assaltados. com a mão em suas costas. ele a condu ziu para perto da cama e pediu gentilmente: Venha.. Tudo bem? A moça não disse nada.ela sugeriu. fixou-os no namorado e revelou: O meu pai quer que eu me afaste definitivamente de você. não vou levá-la a um barzinho ou restaurante para falarmos sobre isso . sentando-se ao seu lado. Ameaçou fazer algo contra você caso nós não nos separássemos. Lágrimas rolaram. Reparando um comportamento estranho na jovem. olhou-a firme ao dizer. Que razões o senhor Aléssio tem para propor um absurd o desses? O Breno e o Lucas têm uma grande empresa de importação e exportação de bebidas. Só vamos conversar. Ei!. Por ca . eu já te contei muitas coisas sobre minha família. colocou-o sobre a mesa e quis saber: Algum problema por estarmos aqui. e quer vê-la compromissada com alguém de seu nível soci al. . pegou a garrafa com água.. Sérgio percebeu-a sem ação e parada após os primeiros passos. Quer falar a respeito? É um assunto delicado e. quase chorando. Não fique assim. Nós não conversamos sobre esse assunto e se rá impossível fugirmos dele a vida toda. sua voz embargou. Abaixou a cabeça e passou as mãos delicadamente pelo rosto s ecando as lágrimas que correram. Precisam os de um lugar tranqüilo. . nada disse de imediato.Com os olhos marejados. perguntou : Quer pedir alguma coisa para comer? Tomar um refrigerante? Pode me arrumar um pouco de água.A verdade é que o meu pai vem discutindo comigo. Débora estava com o olhar perdido e seus pe nsamentos pareciam bem distantes. por causa dos no ssos encontros e. Podemos ir à casa da Rita .. Pouco depois. Sérgio deduzi u: O seu pai quer que se afaste de mim. . .. há algum tempo. Precavido. porém incrédulo. não é? . Não é tão simples assim. Nós brigamos muito. não acha? Diante do silêncio.. Precisamos dar um jeito nessa situação. ta? Iremos para um lugar onde não nos Incomodem. colocou a bebida em um copo e a serviu. Mesmo dirigindo.. Onde? .Ao levar a bolsa para pô-la sobre o móvel.. Já incomodamos a nossa amiga o bastante.pediu com ternura. Fechando a porta e colocando as chaves do carro sobre um móvel...perguntou ela após algum tempo. por favor? Ele abriu o frigobar. .

creio que teremos sossego. Seus pensamentos se corroíam por uma imensa revolta e raiva. me criticarem por e starmos juntos. parecendo calmo. Quando fica para o jantar. Só há uma maneira de resolver isso! Eu vou conversa r com o Breno! . eles querem que eu tenha um compromisso com alguém do nosso nível. pois meu pai sempre o co nvida. Ele a abraçou forte e afagou-lhe os cabelos. como muitos ladrões. olhando-a. . Sérgio v iu sua força para enfrentar aquela dificuldade. sou eu quem tem de dar um jeito nessa situação. . porém não tinha como. Sérgio! Por favor.Nesse instante foi vencida por um pranto sentido e sufocado pelas mãos. Ele sempre foi educado. ela reclamou indignada: Sint o como se o meu pai quisesse me vender. o meu pai vive discutindo comigo por dispensar uma pessoa da posição social do Breno.. sinto-me como se estivesse vivendo no século XVIII ou XIX. O namorado estava preocupado.. poi s presta diversos tipos de serviços para a empresa do Breno. . Ele disse que está apaixona do e não consegue me esquecer. mas não queria que ela percebesse. reconheceu-os.. ou melhor. preste atenção. Não existe razão para você querer conversar com o meu pai para tentar convencê-l o que nosso compromisso é sério ou coisa desse tipo. acomodou-se melhor. Você não está só. Sérgio.. Ninguém pode obrigá-la a ter um compromisso ou se unir com alguém. Apesar da aparente fragilidade e delicadeza que a namorada aparentava.sa daquele acidente de trânsito meu pai os conheceu.tornou o rapaz. aumentaram as negociações. Eu não vejo motivo para tanta aflição. .Débora silenciou por instantes. não faça nada. Ao mesmo tempo. desabafou: Era algo desagradáv el para eu te contar. Além dos obstáculos que encontramos com nossa família.. mas alg o está escuso.chorou.. pediu amoroso: Calma.. enquanto ele ficou pensativo... Por que não disse que estávamos namorando? Eu disse! Mas parece que ele ignorou isso. A pressão lá em casa está muito forte sobre mim.. Nem parece meu pai.Encarando-o. argumentou: Não se iluda. . Não fique assim. O senhor Aléssio está pensando em seu bem-estar porque é um homem r ico e. Sentia obrigação de ampará-la. É difícil brigar com gente assim! Eu fui firme pedindo para não me procurar mais. Beijando-a com carinho. comentou como um a ameaça: Se é que ficaremos somente no diálogo! Ele está passando dos limites! Não. Esfregou o rosto.avisou um pouco alterado pelo ciúme. eu viro as costas e saio de casa. pegou as mãos d e Débora fazendo-a encará-lo e argumentou com voz calma: Meu bem.. gentil. E simplesmente ridículo o seu pai propor que tenha um comp romisso com o Breno só por prestar serviços à empresa dele. Talvez o Breno ou mesmo o seu pai não a deixe em paz. Em seguida.perguntou num lamento. manda-me flores ou presentes. Com a voz embargada. Rico e.Alguns segu ndos e revelou: Como se não bastasse não aprovarem nosso namoro. Estamos juntos e eu quero protegê-la. seria pio r saber que um outro cara tenta impedir ou incomodar o nosso relacionamento.disse ao interrompê-lo. Ele é muito educado. deixando-a desabafar. Não estamos no século XIX! Com lágrimas a correr por seu lindo rosto.. Sérgio. no entanto ele sempre vai lá a casa e passa hora s conversando com meu pai. ele não paga o que deve mesmo tendo condições financeira s para isso . ela disse: Existe algo muito mais sério acontecendo que eu não sei explicar.. Eu tenho uma idéia melhor. apoiá-la em tudo. Repentinamente o Lucas e o Breno se uniram ao meu pai e à empresa. Quando eu sair da casa do meu pai. . Passou a me ligar quase todos os d ias. R ealmente. Depois de eles irem lá a casa o vínculo de amizade e negociação cresceu. O Breno vem tentando se aproximar de mim e. Não me assediou nem se impôs.perguntou Sérgio calmamente. Qual? Estou decidida: vou sair de casa. Por que não me contou isso? . Daremos um jeito.. Pelo visto ele é muito folgado. Algo o incomodava e. pois desejava ajudá-la.. O que quer que eu faça?! .. Sérgio sentiu-se esquentar. Ele a amava e nada comentou para não ser mais uma preo cupação. E o que você fez? . Há tempo quero fazer isso e acho que demorei demais.

atento.. quando conversamo s. meu am or? ... Você é a coisa mais importante que aconteceu na minha vida. aqueles sujeitos têm típic a postura de bandidos. Acho que ele falou isso por falar. Só diz qu e me admira e tem uma postura educada. Sérgio.Ela agarrou-se em seu pescoço. Isso me deixa intrigado. e afirmou bem baixinho: Débora. Eu te amo. isso vai acabar quando eu sair de casa.. eu preciso saber em que estamos envolvidos e com quem. Quando ele me pediu. Tem uma vida social bem agitada por conseqüência dos seus negócios e passa a maior parte do tempo na Suíça. é questão de tempo. ao perceber que a namo rada não exibia mais sinais de choro ou tristeza no rosto tranqüilo.Vendo-o calad o. Quase não ficaríamos no Brasil. Porém. A troca de beijos e carícias foi duradoura até a jovem mur murar-lhe ao ouvido: Sérgio.falou sério . abraçando-o com força e escondendo o rosto em seu . Isso nunca! E policiais que agem assim não trabalham comigo. afastou-se vagarosamente e perguntou em tom generoso: Está tudo bem. eu fiquei com medo que se irritasse e fizesse algo qu e comprometesse nossa felicidade. perguntou com aparente tranqüilidade: O que o Breno te pediu? Não quero lembrar isso.pediu com voz terna ao interrompê-la. Ele viaja muit o. mas não o traí. Errei por omitir. Débora . enquanto ele a abraçava e em seguida deitou-a cuidadosamente. seus seguranças me agredirem. Desculpe-me. Não pode associar uma coisa à outra. sentindo-a apree nsiva.avisou. Fazendo-lhe constante e delicado afago. .. olhando-a nos olhos: Por que não me contou tudo isso? Principalmente o fato de ele pedi-la em casame nto. Ameaçou ao deixar em dúvida de que es sa conversa talvez não ficasse só nisso.... abaixando a cabeça.Em poucos segundos. estou passando por um período de grande mudança em minha vida profissio nal.titubeou. .. sussurrava ele entre os beijos e sob o efeito de uma respir ação ofegante ao envolvê-la como que ria sob si e seus carinhos. A moça ofereceu um sorriso leve e generoso ao tempo em que recebia um carinho n a bela face alva. fitou-a nos olhos. eu te amo. com sua grande habilidade de obse rvar minuciosamente o comportamento das pessoas.. Não te nte esconder o que aconteceu ou está acontecendo! É que. . encostou a face em seu peito e falou quase chorando: O Breno não é agressivo nem me impõe nada. porém nunca f ui além do necessário ou usei de crueldade por vantagem física. Explicou que viajaríamos muito e isso me fa ria feliz o suficiente para esquecer você. por acreditar em resolver essa situação de outra forma.. Eu sou policial. Na ver dade. Te quero muito. comentou: Sérgio.. vi os seguranças dele nos observando. Ela parecia angustiada e preocupada com a decisão dele. digo. Estavam sentados lado a lado e Sérgio controlava imensa revolta e indignação. .. Já precisei usar de força física. . eles permaneceram em silêncio po r longos minutos... Meu bem.. Tudo bem que o Breno é bem privilegiado. Omi ti por medo. Por favor. Talv ez como última tentativa. não sou bandido. mas foi para me defe nder ou defender outra pessoa e em ato de serviço. Fiquei com medo da sua reação e!... Desculpe-me. Isso é legítima defesa. ele segurou-lhe o queixo. mas não sei se preci saria de tanta segurança assim. Não admito agressão gratuita.. o Breno pediu para se casar comigo. Não quis dizer que você era bandido. o namorado perguntou. Amo demais. Ela entregou-se ao longo beijo apaixonado. Para mim.. Itália ou em outros lugares.Erguendo o olhar e fazendo-o encará-la... eu.. mas vou ajudá-la e apoiá-la no que puder.Abraçando-o pela cintura. ta? Meu amor. nós estamos tão bem! Eu te amo tanto e não queria preocupá-lo ou magoá-lo.. invadindo-lhe a alma. bem calmo. O silêncio foi absoluto. eu referi-me a ele reagir de alguma forma ou mandar um de seus capang as. por você ser policial. Recostando-se no ombro de Sérgio.. por vingança. continuou parecendo aflita: Agora mesmo. Mas.. Sou f a você e tudo isso não passa de obstáculos que não vão interferir em nossas vidas.. Algumas vezes em que a peguei ou levei par a sua casa. Calma .. Débora comentou: Sérgio. Débora subitamente deteve as palavras e Sérgio. quando disse de só haver um jeito de r esolver isso e que iria conversar com ele e. conte-me tudo o que aconte cer... Bem.. Quando eu disse que talvez eu e o Breno não ficássemos só na conversa. .... para mostr ar que era o melhor. mas contou com receio: Em uma das vezes.Não vou falar com o meu pai por um bom tempo e o Breno.

perguntou com jeito maroto. Tomada de uma sensação estran ha ao lembrar que haviam passado a noite ali.. aproximando-se: Você está bem? Sim. estou. Não! Você está certa! Eu entendo.. seu respeito por ela. mas não me sinto preparada. Bem. Espera. suspirou fundo e olhou em volta como não se recordasse imediatamente de onde estavam.pediu em tom arrependido. Afagando ternamente seu belo rosto e o braço. aca lmando-se e entendendo aquele momento. Acho que perdemos a hora.Observando -a em profundo silêncio. sussurrou amorosa e com ce rta vergonha: Por estarmos em um lugar tranqüilo. Sentando-se na cama... sentiu uma pitada de arrependimento. Sérgio . Não quero que se frustre ou se decepcione comig o por eu ser sincera ao dizer a verdade sobre esse não ser o momento. tomar um banho. meu amor. ela o chamou ba ixinho: Sérgio.ombro.. Eu te quero também. A moça ainda escondia o rosto em seu ombro permanecendo imóvel.. desejou que aquele momento não acabasse. . Eu queria sentir seu toque. Claro! Mas preciso saber o que pretende... Desculpe-me. Desculpe-me.falou de modo meigo. Deixou que seus lábios se encontrassem com amor e a abraçou.. que dormia abraçado a ela.avisou com jeito gracioso... ela falou em tom brando: Não peça desculpas. Vejo que tem dignidade e é por isso que estou aqui. Ajeitando-a cuidadosamente na cama. falando baixinho e envergonhado: Não precisa se justificar. por não forçá-la a nada. . Depois explicou. por favor..murmurou. Eu não fui legal e. amo r. Frente ao espelho.. abraçou-a com carinho e a b eijou dizendo com voz rouca: Bom dia. Em seguida. o rapaz disse com brandura: Desculpe-me.. meu amor. pois o queria muito. na sua compreensão por eu não me sentir prep arada e.. Débora... Pode ser só assim?. seus beijos. trocar de roupa e sair para resolv er uma coisa o quanto antes. Logo sorriu.. olhando-o nos olhos. quase murmurando: Não esto u pensando nada.. Primeiro não se desculpe. enquanto ele afagava suavemente suas costas com carinho. Já amanheceu. pára! . Quero chegar a minha casa. com toda a força de seu coração.. Por um segundo. perguntou. Só que.. Hoje é sábado . Dormi um sono tão pesado.. aproximou-se dele e pegou-lhe o braço colocando-o em torno de sua própria cintura. Não quero constrangê-la e não vou forçá-la a nad Fui precipitado e. surpreendeu-se: Nos sa! Meu vestido está todo amassado.. Por amá-lo. deixando-a de frente para si. Roçando-lhe o rosto com os lábios. Sei que não vai me forçar a nada. desejo qu e seja algo bem especial. envolvendo-a e se deixando envolver como el a queria.... Você tinha algum compromisso? . seus c arinhos. Sérgio se virou e puxou-a delicadamente fazendo-a se deitar sobre ele. Só com você.. Apoiando-se sobre seu peito.. a jovem se levantou enq uanto ele permaneceu deitado por minutos. . admirou sua dignidad e.pediu com leve sorriso. Eu. . Olhando-o em sono profundo.. Eu disse que só queria um lugar tran qüilo e havia prometido. Eu te amo muito! Eu também te quero!. Só que eu queria pedir para me acompanhar. Parece tão pensativa. Sérgio tirou-lhe o cabelo do rosto com gestos sutis de carícias. ele resolveu: Vou pedir o café da manhã e depois iremos. Somente trocaram carinho e conversar am bastante até adormecerem. continuou d eitado ao seu lado apoiando-se em um dos braços.. afagando-a com delicadeza. Confio em você. Não pense que só por estar em um motel comigo deva se submeter a qualquer intimidade.. Ela sorriu com doçura. Sérgio. Após a lguns minutos. *** Uma luz pálida clareava suavemente o quarto quando Débora se deu conta de estar d eitada sobre o ombro de Sérgio.. Sérgio sorriu e nada respondeu. O rapaz abriu os olhos lentamente.

Nós temos um equipamento de ginástica em casa e sempre que podemos nós fazemos corridas. Sustentando uma denotação d gravidade. E como. .Ao vê-lo com semblante sério e muito r eflexivo por longos minutos. sou agredido e. Você não fez nada errado. Débora . Depois sorriu e fitando-a de um jeito apaixonado. É que já fiz arte marcial. Se voltarmos aqui ou formos a outro lugar tranqüilo e seguro. Eu te amo. Explicando no m esmo tom. Sérgio esperou no interior do veículo en quanto ela entrou. olhando-o nos olhos..Vendo-o se virar e fic ar à sua frente. pode ter certeza de que vou controlar meus desejos e. enquanto a embalava suavemente de um lado p ara outro. O fato de não ter acontecido um amor mais íntimo. Seu safado! . Sentindo o coração apertar. expressou-se brincando: Imagine! Uma hora e meia para mim não é nada! ofer . abraçou-o forte e disse ao ouvido: A cada minuto eu te adoro mais ainda! Só uma coisa. perdoe-me por te trazer tantos problemas. ela falava mais detalhes de seus planos enquanto e le reparava as suaves mechas de seus cabelos que reluziam como ouro sob a luz do sol matinal. em que a invadia com seu olhar.gargalhou gostoso.... Vou com você sim. Assim como eu. . falou com ternura: Pare de me pedir desculpas. Rapidamente ele a envolveu em seus braços e a calou com um beijo. E. Saib a que me senti muito bem por sua sinceridade ao dizer que não estava preparada. continuou: Por favor.expressou-se rindo. Não demorou e logo foram embora.. Como assim?! indagou inquieta... Você está decepcionado. beijado. Dizendo isso.. Débora. sem razão alguma. O u só dormirmos. confessou generoso: Não vou negar que te desejo. Se você concord ar. Débora ficou na ponta dos pés... ela perguntou: Algum problema? Não.Visitar três ou quatro apartamentos em vista para alugar. continuou: Eu menti para você quando disse que só usei de força física quand o necessário e por conseqüência da função. ao vê-la segurar o riso no semblante brav o e continuou com ironia: Então.. Débora foi à sua direção e argumentou com certo temor: Sérgio.exclamou sério. Todos são pequenos.. Mas estou sa tisfeito por tê-la abraçado.. perguntando animada: Demorei?! De jeito nenhum! . que tinha o dom de exercer forte atração. Não fico muito à vontade quando estamos em lugares públicos ou na casa da Rita e também não gosto da idéia de ficarmos parados d entro do carro. Às vezes bato em meu irmão Tiago e. poderemos voltar aqui outras vezes para conversarmos. * * * A caminho da casa de Débora. esmurrando-o no peito com suave delicadeza.riu. O Tiago ainda freqüenta a academia e é faixa preta. . trocarmos carinho. deixando-a preocupada. fique aqui! .respondeu o namorado com um sorriso irônico.falou sério. Conversaram um pouco e brincaram enquanto tomavam café.Br eves segundos.. por eu não. Você me deixou nervosa. Bem. frustrado comigo.. malhamos e depois luta mos. Sabendo que a levaria p ara casa e passariam o dia juntos. não diminuiu o que sinto por você. Nós precisávamos de privacidade para conversar em um lugar tranqüilo. Estacionando em frente à luxuosa residência. acariciado sem ter de me preocupar com nada. Longo tempo depois a jovem retornou. desculpe-me por essa n oite. o rapaz caminhou até a janela cuja vista dava para um pequeno jar dim de inverno e continuou silencioso. . Nenhum.. mas riu imediatamente ao brincar. sabia?! O namorado riu com satisfação e a abraçou. Apanho também. Eu a respeito e quero que confie em mim.sorriu. Nunca vou forçá-la a nada. beijando-a. E. você desejava que f icássemos juntos em um lugar mais à vontade no sentido de não ter alguém por perto. mas para mim serve e eu gostaria da sua opinião.. mas parei . como aconteceu hoje . por questão de segurança. às vezes eu agrido. Será com o você quiser.. Sérgio perguntou: Você se importa se eu tomar um banho antes de irmos? Lógico que não! Vai lá! E você.. .

.eceu largo sorriso. mas eu nunca usei esse dinheiro. Eu gosto de segurança e a situação está sob controle.. logo no início da noite. com fome! . E eu. Tenho tanto medo de que te aconteça algum a coisa! Por isso você poderia pedir para sair logo desse serviço. De qual gostou mais? . antes de irem. Não gosto de vê-lo trabalhando na polícia. que brincou: Tudo bem! Vou socorrê-lo para um restaurante! Quer que eu dirija ? Deus me livre! . De jeito nenhum. Sempre fui preve ido em questões financeiras. Ótimo! Mas vamos comer alguma coisa. mas. Por isso. vamos?! Pegou os endereços? Estão aqui! Sei onde ficam! Falaram algo por vê-la chegar agora? . Desculpe-me! É que estou tão animada!.perguntou o namorado diante da demora. você não ganha tão bem lá! Dedicando-se mais como psicólogo poderá se estabili m pouco tempo e.Sérgio fingiu desmaiar e se jogou sobre ela..sorriu. Sei lá! Até você se estabilizar na clínica! Entendo o que quer dizer. você sabe da história e não vou me desgastar. d inheiro não é o meu problema. Estou exausta.Levantando-se rápido. O tamanho é ótimo. fechando o sorris o. Vou desmaiar de fome e a culpa será sua! .. Débora.pensando no futuro.... certo? Ele ofereceu belo sorriso ao dizer para não se chatearem: Pensei que tivesse demorado porque lavou os cabelos. não cons . Mas... O casal passou o dia visitando apartamentos que interessavam a ela... a moça se queixou delicadamente ao se sentar: Ai. Serei bem sincera.. Trabalhava na polícia e dava aulas de Informática em uma escola de comput ação básica.riu gostoso.perguntou ele achando graça. * * * O casal estava em uma cantina italiana e conversavam enquanto comiam: Se não fossem os gastos que tenho com a montagem da clínica.indagou mais sério. animada. Não vamos dar atenção a isso.. Às vezes fico p ensando que o verei em um hospital ou.quis saber... Você não acha? Não. Ele poderia fazer alguma coi sa e ter dois empregos. Só por ficar do meu lado e me apoiando!. Agora. ainda estão molhados.Alguns segundos e continuou: A situação ficou difícil quando en trei para a universidade. Do terceiro. após verem o último da lista. E por você ser a culpada. pois deixei de dar aula e precisava me virar só com o qu e ganhava como policial.. . No carro.. Antes de entrar na universidade. divertindo-se ao rir gostoso... Pequeno?! . E é um dos mais baratos! Ah! Vou alugá-lo! .. Puxa! Na verdade.perguntou. Não pagavam bem. .. E eu gostaria de saber por que não deixa seus cabelos mais compridos? São tão lindos! E mais prático assim! . Sérgio. já que a família está aumentando e. Mas.justificou com uma questão..expressou-se feliz. Durante o período que durou a graduação em Psicologia. ele riu exclamando para mexer com ela: V ocê é capaz de atropelar outra viatura e o meu carro não tem seguro! Sérgio! O quê?! .. eu poderia ajudá-la.. Sabe. Mesmo assim.f alou alegre.. Nem minha família sabe que tenho uma economia razoável guardada há tempo. mas. Ganho bem e tenho alguma reserva. Além disso. espere. . uma porcentagem do que recebia na polícia eu também poupava. Por que acha que demorei tanto? . Sem dúvida! Eu também! É pequeno. Só que minhas costas estão arrebentadas por ficar sentado aqui n o carro. Mas?..reclamou o namorado. me deve uma massagem! Vou fazê-la com o maior prazer! . Posso me manter com tranqüilidade. acho meu irmão muito folgado. Ora. ajudava e ajudo nas despe sas lá de casa. pois eu posso te emprestar um valor. pois logo será resolvido. eu tinha dois empregos.

surpreendeu-se. encontrou seu irmão Tiago fazendo o desjejum e sua mãe falando sobre ele. É uma casa.gabou-se. malhar e lutar um pouco?! Acomodando-se frente ao irmão.. meu bem .exclamou sorrident e. Deixando-se dominar por pensamentos que não l he pertenciam. considerável médico psiquiatra. Até me surpreendo por conseguir acompanhar com as despesas de um jeito ou de outro. E é o doutor Edi son. Não!. O João está cuidando da prestação de serviços terceirizados na parte de massagem. Quem conseguiu foi o Nivaldo. Que tal treinarmos um p ouco? Se dependesse de você. senhora! Só a levarei lá quando estiver tudo arrumadinho! . alguns reparos. Se precisar. em vez de empregar dinheiro. Aaa. de especialistas em florais e outras coisas. Uma vadia como ela só pode passar a noite fora e. Sér gio perguntou: Estava falando de mim? Ouvi meu nome. conte comigo . servindo-se com uma xíca ra de café. Você?! . mãe . do fisioterapeuta. Bom dia! A bênção. Durante o trajeto. ele se lev antou e procurou se recompor o quanto antes. desper tou sentindo as mãos frias e a cabeça pesada. 9 . sempre animado. . sorrindo. ela extrapolou ofendendo Débora com acusações e nomes que feriam gravemente sua moral.cumprimentou Sérgio.falou com jeito manhoso. Aquela noite não lhe serviu para o devido descanso. admirando-a. Era tarde quando Sérgio levou Débora para casa e se foi. Na espiritualidade. experimentando uma onda de sentimentos que começaram a deixá-l o apreensivo.. espíritos inferiores se alvoroçavam.. À medida que a senhora aceitava a influência espiritual. Alguns segundos. Deus o abençoe. . Por algum tempo conseguiram afugentar as preocupações q ue castigavam seus pensamentos.disse animado. Ah! Eu quero conhecer! Não. Lógico! E sou bom nisso! . contribuo com serviços de mão -de-obra.. Os gastos com livros e outras coisas eram grandes. Cada um faz uma coisa. de quem cuidará da acupuntura. Não sei como. Algumas vezes. Em dado momento. de uma adequação na parte hidráulica. Chegando à cozinha. divisórias. Os dois estavam animados.avisou com expressivo olhar meigo. Pela manhã.pediu Tiago. é. decoração. mobília apropriada para determinados setores. Estou cuidando da pintura.. suas reclamações ficavam mais fortes e agressivas. mas nada disse. porém consigo controlar tud o.disse com sinceridade. Eu sei. Ouvia sussurros. Porém teve a impr essão de estar acordado. Após tomar banho. Tudo é dividido entre os quatro sócios? Sim. deitou-se e rapidamente adormeceu.. Talvez amanhã à noite. Foi usada p or uma clínica ortopédica e fisioterápica. ele d irigia vagarosamente. quem controla as finanças.Sérgio se deixa dominar pelo ciúme Chegando à sua casa. Tudo está dando certo! E a localização? Ah! É ótima! . O que significa que as instalações contribuem p ara o que precisamos. Bom dia. Agora tudo está mais calmo. Sérgio percebeu que não havia ninguém acordado. aqueles pesos lá na garagem estariam enferrujados! Vamo s dar uma boa aquecida. falou desanimado: Não estou bem disposto hoje. calmamente. mas as despesas com a clínica estão sob controle.Virando-se para sua mãe. . Sérgio! Sente aí! . perguntou mais séria: Te m certeza que não precisa de uma ajudinha financeira? Não vou mentir e dizer que estou nadando em dinheiro. Um silêncio fúnebre pesava no ar. dona Marisa não parava de se queixar fazendo com que o filho perdes se o apetite. risos macabros e figuras animalescamente monstruosas.defendeu-se Sérgio. dona Marisa reclamou: Você deu para passar a noite fora de casa! E o dia também! Mas eu liguei avisando . Para afugentar o mal-estar. Imediatamente. inspirando idéias que pude ssem gerar conflito entre mãe e filho.egui poupar nada.

Sou homem suficientemente capacitado para planejar a minha vida e não um vagabu ndo como o Marcílio que vive à custa do pai e dos irmãos! Engravidar uma mulher é fácil! G ostaria que ele fosse homem suficiente para assumir as responsabilidades! Wilson. Agora chega! Nesse instante. Percebendo ser inútil ficar ali. Atirando-se sobre sua cama.pediu Tiago com jeito ponderado. não suportava aquela sit uação. mãe! . Sabia que o bichinho o acalmava. repreendeu: Agora a senhora pegou pesado. cara! Já cansei também. levando-o até Sérgio. ficou pensativo. Não consigo mais ficar nesta casa. Agora.Bre ve pausa e o rapaz desabafou: Ele e a Ana precisavam de dinheiro para a compra d o mês e eu ajudava! Faltava leite para as crianças.gritou Sérgio.Chega. Calma aí. levantando-se ao mesmo tempo em que socou a mesa com ambas as mãos. Fica frio . Passei muito sufoco para me formar em Psicologia e estou dando o maior dur o para montar a sociedade com a clínica. Se ela ainda não tem bom-senso. abraçou-o p elas costas com um gesto paternal. As louças estremeceram e o silêncio foi imediato. inspirando-o: Essa discussão ficará pior. Mesmo sem ouvir seu anjo guardião. Tufi! Conta para o seu dono que fui eu quem deu o maior trato na sua ga iola ontem e hoje! . tenha bom-senso você. Eu fui um tonto! . sentando-se. falou: Eu ia colocá-lo na sua orelha . Puxa! O Marcílio sempre foi muito folgado. ele foi para o seu quarto parecen do irritado. Não demorou e Tiago entrou no quarto. Prefiro levar algumas broncas por considerarem que eu estava na farra a ser roubado pelo meu próprio irmão. em vez de incentivo.Sua mãe nunca o considerou. não! Chega! Tenho que cuidar da minha vida. meu irmão. mãe! . Não tem amor por você. eu comprava! Até fralda comprei! A h.reclamou Sérgio. Ame e perdoe. Sabe. Tiago havia se levantado e enquanto ouvia o irmão foi até a gaiola e pegou o rati nho de estimação. A senh ra vive me provocando.. desrespeitando minhas opiniões e sentimentos. Faz algum tempo que estou dando aula na ac ademia e às vezes os treinos terminam tarde ou algum aluno fica lá conversando e..revidou à senhora. hein! Vamos com calma. Es tou pensando seriamente em sair daqui. Você não passa de um moleque! Moleque?! Depois de todo o esforço que me viu fazer para ter uma vida melhor?! É isso o que eu pareço para a senhora?! Um moleque?! É isso mesmo! Você nem foi homem corajoso o suficiente para constituir uma família! E um covarde por admitir que não queira ter mulher nem filho! . Eu pago as contas de água. Você fez bem. pois estava muito nervoso. Dona Marisa não parava de agredi-lo com palavras e acusações injustas. Só que não conto nada aqui em casa ou meu dinheiro será sugado! Eu não tenho dó deles como você.. Virando-se para a mãe. o rapaz analisou sua mãe como incapaz de entendê-lo e qualquer tentativa para isso só iria desgastá-lo inuti lmente se continuasse a falar.exclamou. Sozinho terei menos despesas e mais sosse go! Eu te entendo. ele avisou: Vai lá. O que deixei foi de dar dinheiro para as despesas do Marcílio! . mas tais idéias chegavam nítidas aos seus pensamentos. Espere aí! .. Sérgio! Esse é o momento! Diga tudo o que pensa.. Colaborei com tanta coisa e nin guém reconhece. o espírito Sebastião insuflava: Vamos. Tiago! Agor a deu pra ofender a Débora! Não agüento mais essa vida! A mãe está nervosa desde quando você parou de ajudar financeiramente em casa.Entregando-o para Sérgio. ta? Não vou admitir que me trate mais assim. pois não queria mais ter filhos! Você nunca foi querido e só serve como provedor para sustent ar os gastos deles! Sérgio não podia ouvi-lo.afirmou Sérgio com veemência. sentou-se na cama ao lado do irmão e pergun tou em tom brando: Está mais calmo? Como posso estar?! A mãe não me dá um tempo! Não tenho um dia de sossego. Falando com o a nimalzinho. Por um segundo Sérgio ficou atordoado pelo choque de energia salutar recebida. Comentei com a Débora sobre eu ter trabalhado em dois empreg os. de tanto levar bronca por chegar tarde demais. aproximou-se e. com extrema generosidade. Ele estava em pé ouvindo as queixas de sua mãe e não suportou ouvi-la dizer: Não vou admitir que grite comigo. Lembre-se de que ela mesma disse que quase o abortou. o mentor de Sérgio. luz e parte do imp osto da casa. só recebo críti cas e ofensas.. acabo dormindo lá.

Mas quando pegou o Tufi na mão.. Tiago gargalhou gostoso. não resisto brincar um pouco com ele. Tiago perguntou com jeito maroto: E aí? Conta. as eles cuidavam da imobilização de sua perna.. Já comprei as tintas. Tudo pra você está bom. ele refletiu um pouco e falou encarando-o: Eu te admiro. mas. a mãe deu um grito! O coitado se assustou e saiu correndo na minha direção para a ponta do sofá!.lembrou Tiago..ria divertindo-se. A mãe nem piscava. De relance . Não pensei nisso. .expressou-se Sérgio. Que coisa bonita. fumaça. Se fizer isso. emocionados. mas reconfortante não deixá-los na dúvida.hoje cedo.. Os cachor ros foram usados para encontrá-las mais rápido. água.perguntou com estranheza. Sempre agradeço a Deus quando conseguimos salvar uma vida . hein. A mãe me xingou tanto! . enchente..Antes de o irmão comentar. Tia go defendeu-se: Ta bom! Eu sei que dá para limpar a gaiola e alimentar o Tufi sem tirá-lo de lá.. comemorando. Eles estavam preocupados. É t riste.. pois é você quem a faz. ela cuida do Tufi. E o Tufi parou ali p ara comer. . a vida será agressiva com você. Eu me agachei e coloquei uns ped acinhos. Sentado. incêndios. desabamento. Provavelmente sobreviveram por lhes restar ar debaixo da parede que caiu sobre elas.. Sabe. Que nada! O duro é quando o danadinho sai do meu ombro. Atuavam com amor... A Débora. Pra pegá-lo dá um trabalho!. quando a tiraram do carro. me agarrou. jogou-se para trás de tanto rir e contou: Outro dia.. mas os cachorros ainda far . estava tão atenta à novela e não percebeu que era o rabo do Tufi.. sorrindo admirado..Sérgio sorriu e reparou: É engraçado. Ah! Outro dia aconteceu algo curioso. Por que você não estuda.. Ela sentiu algo em seu pescoço e passou a mão várias vezes.. O peso da terra era enorme. mano.Tiago agitou-se com a lembrança de sua travessura. E recompensador socorrer uma pessoa que e stá se afogando ou mesmo encontrar um corpo desaparecido nas águas ou sob um desliza mento de terras para entregá-lo à família a fim de que possam lhe dar um último adeus. não a forçaram para arrancá-la de mim..tornou Tiago. . Fi ótimo! Obrigado por cuidar do Tufi pra mim . Co nversavam. Mas toma cuidado para ele não escapar.ri a..agradeceu. Amanhã! . Houve um deslizamento de terra e felizm ente encontramos duas vítimas com vida. . Lógico! Qualquer força será bem-vinda! Mas você não está na escala vespertina? Não. mas quando percebe que eu não tive tempo nem você. Ela ficou invocada com o que passava em seu pescoço e puxou pensando que era alguma outra coisa. . . sorrindo desconfiado. Sem tirá-lo da gaiola. cara! . Estou de manhã... desce para o chão e corre te procurando. Eu nunca vou me esquecer da ação do grupamento do Corpo de Bombeiros que tirou a Débora das ferragens retorcidas. Adoro trabalhar no Corpo de Bombeiros. porém disfarçou. mas não quis incomodá-lo e o deixei aqui no quarto. Depois comentou: Viu?! O Tufi confia em mim! Correu para a minha mão. meu?! Por que não procura algo melhor? Faz um curso universitário?. eu vi dois se abraçando.. Como está a clínica?! Brincando com o rato...Após alguns minutos de silêncio. meu! Nossa! Aquilo é min ha vida! Não me sinto policial! Enfrentando fogo.Vendo o irmão afagar Tufi.. está ótimo.... quando tenho tempo.. olhando-o de modo generoso... É! Esqueci que amanhã é segunda-feira! .perguntou Sérgio... Houve uma mudança de comando e alteração na escala.. os rolos e pincé Quer ajuda?! . A m morre de medo dele. Ah!. o outro respondeu com um ânimo imediato: Ficando ótima! Vou pintá-la na semana que vem. Pelas informações dos parentes e morador es só haviam aquelas duas pessoas que foram socorridas.. Eu a vi colocando comida.afirmou Tiago com b rando sorriso e olhar brilhante.. Acho que não é um serviç fácil. como você. De um desabamento. explicando os procedimentos. trocando o jornal . O comandante da operação estava com lágrimas nos olhos.. lógico. com respeito a uma vida..gargalhava. Parecia não haver hierarquia e. . às vezes. Não adianta brigar com a vida. sabe Tiago! Por quê? . É tão gratificante poder quebrar uma parede e tirar alguém das chamas. Só uns pedacinhos de queijo no encosto atrás da mãe..riu.. .. Brincar com ele ou pôr medo na mãe? . contagiando o irmão ao narrar suas peraltices. ela estava vendo televisão e eu o coloquei no encosto do sofá!.. em choque. na insegurança e sem a despedida..

Sérgio estava satisfeito com a clínica. O que foi. com a clínica! Eu não que e levar mais problemas! Você não é um problema para mim. Sérgio? Você está tão longe. Sérgio segurou cuidadosamente sua face delicada e tornou com baixo volume na voz g rave: Prometemos dizer a verdade um para o outro. Débora deixou a casa de seus pais. Lógico! É uma vida. o amor e a confiança entre eles aumentavam e os uniam cada vez mais. Havia ameaça de outro deslizamento há qualquer momento.resmungou a jovem baixinho ao se remexer. Sérgio! Um veterinário do canil da PM a atendeu.respondeu. obrigado . preocupou-se.. Violeta! Foi o nome que demos a ela e através de votação! O dono não foi procuráa e ela se tornou mascote lá no grupamento.riu. minhas costas. mas acho que esse cara vai tentar algo contra nós. choravam.. A única c oisa que a coitadinha não gostou. E vocês a socorreram? ..Vendo seu rost o pálido enrubescer e a moça fugir-lhe ao olhar. Levantamos uma parede de madeira caída e encontramos uma cachorrinha! Fi lhotinha! . O senhor Aléssio está mais calmo? Parou de me culpar por sua decisão? Não conversamos mais. mas.. . contra você! Por que não me contou? Quando foi isso? Meu amor. Não. Tem que ver como é inteligente! Só falta f alar e brinca pra caramba! Sérgio se distraía com o que o irmão contava.contou Tiago com expressiva alegria.ejavam.. Débora.. Só quis saber se eu estava bem e. sim. . Ai. questionou bem calmo e sério: Sei que venho perguntando isso com freqüência.. E o Breno? . Os cães insis tiam. Débora. Diminuímos o número de bombeiros em risco e começamos a tirar a terra com cuidado. *** O tempo passa célere. Ele não perdeu a classe nem me fez qualquer pr oposta. Espere.perguntou com jeitinho. Ele não ligou? Você não procurou falar com ele ou com sua mãe? Não. no começo estranhei um pouco.... o que nos deixava bem preocupados. Ao contrário.O rapaz tinha o olhar perdido e os pensamentos distantes . aliviando seus pensamentos da discussão com sua mãe um pouco antes e das preocupações com os problemas de família.. nada conseguia separá-los.quis saber ele. o que deixou o senhor Aléssio furioso.. E depois?! Ela precisou tomar antibióticos. engessou uma das patinhas e nós a levamos para a unidade. Sim. surpreso com a procura e o interesse das pessoas pelas diversas terapias. Ficou boa e entrou nas vacinas! . você está com muitas preocupações com sua família.. independe nte e isso me trouxe tranqüilidade. O Breno a procurou? Procurou-me. Violeta?. Ela e o namorado estavam as sistindo a um filme deitados no tapete da sala e apoiados em almofadas. sem ninguém para incomodá-los. Não vejo a hor a de entregarem o sofá. esse é o método dele para se aproximar. após leve sobressalto. Deitado ao seu lado. E ela perguntou: Quer ma is pipoca? Ah!. Um não freqüentava a casa do outro e por isso quando não est avam na companhia de amigos. Houve muita discussão antes e depois de sua mu dança. Já brigamos bastante. Olhando-a profundamente. *** Apesar dos obstáculos com as famílias que não apreciavam o namoro entre Débora e Sérgio . procuravam um lugar tranqüilo onde pudessem conversar e trocar carinho com segurança. Esse rapaz não é equilibrado para insi tir tanto assim! Ele é obcecado por você! Não sei o motivo. O apartamento alugado ainda não tinha toda a mobília. cavavam mostrando que tinha mais alguma coisa ali. Todos cuidam com a maior atenção da Violeta. . Mas. As coisas melhoraram depois que se mudou para cá? . Não estava atento ao filme nem ao que a namorada dizia.. Como te falei. . porém sinto-me mais livre. E está melhor assim.perguntou curioso.

Sentia uma fúria nunca experimentada. a não s er. Caminhou alguns passos e ficou olhando atra vés da janela para não encará-la. às pressas.. E não foi?! Encarando-o. Inspirada por Olívia. sem querer. . As pessoas qu e passavam. saberem que namoramos eu.. Algumas colegas ficaram me olhando com aquelas flores nas mãos... Que idéia você teve. mas não hoje!. dispensou o Breno e?... segurou em seu braço forte e enrijecido.sua voz embargou e era difícil conter as lágrimas. apertando-lhe os braços ao . Foi o mesmo q ue receber uma facada no peito e ver seus sentimentos destroçados pela decepção.. O que eu poderia fazer?! Ele me entregou o maço e eu segurei! .. Débora? . Os números são diferentes a cada ligação. Estava pronto para ir embora.. e o abraçou pelas costas implorando: Por favor. Generoso por.um prant o copioso a interrompeu.explicou. Mais o que. sua mentora. Eu estava envergonhada. e mesmo com a voz entrecortada. que não conseguiu envolver e falou entre as lágrimas. O espírito Sebastiã não oferecia tré-gua. Eu ia te contar. conversamos na frente do prédi o e ele me pediu perdão se culpando.Sentando-se ao seu lado.ela chorou. por me verem com ele que. Constrangida. Não se preocupe. escondendo o nervosismo. Débora se levantou. Sérgio sentiu-se transtornado.. que chorava.... Suspirou fundo. Co m os pensamentos fustigados e extremamente contrariado. Débora?! Soluços quase a impediam de falar. Marcar c om ele em outro lugar. Virand o-se e vendo-a sentada no chão sob o efeito de um choro silencioso e sentido... Débora! O que queria ouvir de mim?! Parece que sou sempre o último a saber! Não!.. Perdoe-me! Não aconteceu nada! Só conversamos! Ele se virou de frente para ela.. atendi o celular e conversamos. o Breno foi educado. Por que não me contou? . Não me surgiu outra idéia.. dissimulando o ciúme. prosseguiu: Pelo fato de muitos ali te conhecerem. segurou-a com força. Virou-se para a janela novamente sem olhar para Débora.... ela contou: Fiquei con.sussurrou...perguntou. Até se culpou acreditando que eu saí da casa dos meus pais por causa dele. pegou as chaves do carro e a jaqueta.. . esqueceu? Porque meu pai queria que terminássemos! Em tom baixo. Veja como você está?! Estou me sentindo enganado.. Que se exibi a gentil.. mas se controlou e perguntou: Por que você atendeu as ligações do Breno? Não olh ou o número no visor do celular? Ele tem uma empresa grande. Estav a incrédulo.perguntou em voz baixa. Ele me procurou pessoalmente e das vezes em q ue nós conversamos. Das vezes em que. Mesmo chorando. Puxa! Eu precis o atender o celular! Trabalho com isso e dependo desse emprego mais do que nunca . em tom arrependido: Ele foi até a com panhia imobiliária e me esperou sair. Ele nunca me ofendeu. parec endo implorar por compreensão. murmurando sentido ao encará-la. disse que queria ser meu amigo.... A primeira vez..gritou Sérgio.. Caminhou até a mesa. Eu dispensei o Breno e.. respondeu no mesmo tom: Não! Saí de lá por você. Sérgio!. esqu eceu? E o Breno por sua vez não deixava de freqüentar sua casa. ves tindo-a. lembrou-a: Seu pai desejava que terminássemos para você assumir um compromisso com ele. Sérgio se levantou. que o inspirava. Sérgio sento u-se rapidamente e reagiu com austeridade ao interrompê-la: Como é?! Vocês se encontraram e conversaram?! Quantas vezes vocês saíram?! Não pensei que fosse protestar dessa forma! . castigando os pensamentos do rapaz com as piores idéias.. ele perguntou secamente.. quase impiedoso: Você aceitou as flores. ele decidia o que fazer diante daquela traição..falou sob o efeito do choro que t entava segurar. Envolto por energias pesarosas do espírito Sebastião. E .. . . Flores?! .Mas o Breno é! O namorado estampou nítida insatisfação por ela ter omitido o fato e insistiu mais sério: Quando e quantas vezes ele a procurou? E o que disse? Ta bom! Se quer saber mesmo!. . Recebi incontáveis recados dele e todos bem gen tis. Confusa.Sérgio sentiu-se esq uentar.

Passando a mão delicada com suavidade ao apará-las. Ao me ouvir dizer que estávamos felizes por esperar um filho.pediu extremamente humilde e acanhado. Mentiu par a mim. Com a voz abafada em seu peito. . Não esperei para ouvir tudo o que precisava contar. tenho medo de que algo aconteça com você. mas não o fiz quando tudo aconteceu por medo de você reagir fu rioso contra o Breno. tremia ao revelar : Com toda a força e verdade vindas do fundo do meu coração. imp edindo-o de sair e contou rápido. mas. Mas não posso negar que seja meu sonho. na minha test a?! Sérgio a largou com um leve empurrão e ia embora. a jovem pediu chorando: Desculpe-me. . Estou envergonhado pelo me u comportamento. ali perto. Você não pode estar grávi a. Sou eu que devo pedir desculpas.. Por favor.Mais branda. porque nu nca nos relacionamos! Segundo. Débora. ela aguardava uma manifestação. Débora. afastando-a um pouco. indagou: Acha que sou louca?! .. murmurando com sorriso leve e doce: Quero terminar a faculdade. enquanto usar esse hormônio. em público! Quando ele.. gritando: Eu pensei em me livrar do Breno com a mesma classe que ele exibe! Então pedi pa ra me encontrar num bar. desculpe-me pela reação irracional. vê-lo bem estabilizad o e. Eu menti para me livrar dele. Encarando-o firme e séri a. Fui pr ecipitado demais. Espere aí .. mas acho que funciono u.. Eu falei que te amava m uito e que nós dois estávamos imensamente felizes por eu esperar um filho seu! Sérgio levou um choque. chorando junto com ele: Eu ia te contar. Vendo-o confuso. e abraçou-a com força . Débora se colocou à sua frente.. explicou..Tornou. o quê? . disse que queri a ser meu amigo. você me enganou . Eu sorri.respondeu firme.. Eu te amo tanto.. que esperar um filho seu me faria à mulher mais feli z do mundo! O namorado permaneceu alguns minutos parado à sua frente concatenando as idéias.. explicou com voz morna e apaixon ada: Lógico que não existe bebê algum. .. E eu?! Somente agora me diz que ele foi gentil... levantei e fui embora.respondeu. Ele reagiu oferecendo leve sorr iso. Sérgio. Além disso.. apesar de gostar muito de mim!. Sei que errei por esconder os fatos. no dia seguinte.. Eu sei! . te l evou flores e que você marcou encontro com ele?! Está escrito: idiota..ele pediu com baixo volume na voz estremecida. Sérgio! Eu só queria resolver essa história com o Breno da melhor mane ira e de uma vez por todas.ele sussurrou.Respirando ofegante.. mas. É que não suporto a idéia de vê-la com outro. ao vê-lo pasmado ainda... Mas. por eu usar uma medicação para impedir as cólicas terríve is que sinto e. parecendo ainda estar sob o efeito de choque. ta? . Não teria como eu engravidar.. Não! Vez e outra eu te pergunto sobre o Breno e você diz que está tudo bem! Então isso é t udo bem para você?! Por que não me contou?! Aaaaa! Mas contou para a Rita!. ele empalideceu e não disse mais nada. eu não tenho as cólicas. com toda aquela generosidade...Afastando-se do abraço. Sérgio! Eu mo rreria!. abaixando o olhar ao tempo em que ele a segurava.. sentindo-se ferido e decepcionado. arrumar um bom emprego. Ficou petrificado. . enquanto a envolvia com um dos braços.. Desculpe-me. Com o coração acelerado..gritou para despertá-lo.. Não pode esperar um filho meu. Eu disse que sentia muito! Qu e ele era uma cara legal! Mas que eu amava você! Disse que a nossa amizade seria d ifícil pelo fato de você ser ciumento! E... O Gust avo também deve saber. pôde ver as lágrimas correr no r osto do rapaz. fitando-o nos olhos. Mas. perguntou firme: Você contou isso para a Rita? Contei.murmurou. ..lhe dar um leve chacoalhão e. ela continuou com lág rimas correndo na face pálida: Eu não queria que você brigasse com ele! Já tem muito com o que se preocupar. Estávamos lá sentados em uma me sa na calçada.. Acariciando-lhe os cabelos finos.. não mênstruo nem eng ravido. olhando-a com um brilho lacrimoso nos belos olhos verdes. Primeiro. puxoua para si e perguntou bem calmo: Ele te procurou novamente? Não . Nunca houve nada..

. Você é ciumento! . eu me sentia envergonhada. Sérgio. Vem cá. sobre o que nos diz respeito. Tem algo que me incomoda .. Ele sempre insisti a para uma relação mais íntima. puxando o braço.pediu com jeito generoso ao pegar o braço da namorada e levantar a ma nga da blusa. afagando-a o rosto... Só quis pou pá-lo de problemas. Não consigo ser ágil sob ressão e. mas nada sério. Apesar de ser algo superado. Tudo bem . Isso não pode acontecer! Eu não conseguia falar e você me pressionava só com o olhar. Talvez seja alguma experiência p essoal a qual não me deve explicações. perguntou com bondade: Tem certeza de querer falar sobre isso comigo? Se você já superou esse fato.. entende? Não me sentia preparada. Débora aproximou-se. você rea giu de uma forma muito estranha. Olhando-a firme. propôs: Acho que não é o momento ideal para colocarmos uma pedra sobre esse assunto e esq uecer tudo. tentando abraçá-la: Esquece. o rapaz acomodou-se no chão novamente e ela perguntou enquanto preparava o equipamento para retornar a ver o filme: Está com fome? Não. pedindo com jeitinho gracioso ao sorrir: Tire a jaqueta e deixe essas chaves aí. abaixando o olhar. Não pense que a estou pressionando. quando ela o deteve e encarou-o. Qua ndo surgia oportunidade.. O que é? Débora.sorriu..Encarando-o.tornou ela mais séria. Sérgio as aparou e. Não. sem se deixar envolver pelo abraço.. Não tinha chance e. Se não o incomoda mesmo. sentou-se ao seu lado e confessou: Eu também estou envergonhada por omitir o que fiz.. Estou me sentido tão mal!.quis saber generoso.expressou-se com leve sorriso. A partir do momento que decidimos ficar juntos. Sempre lembro disso e. Fui precipitado demais e.riu suavemente ao falar. Tem alguma coisa que queira me perguntar. .revelou. você precisa saber. Seus olhos ficaram marejados e Sérgio pediu com ternura. Não foi isso o que fiz. eu sempre quis te contar isso. falou firme e. fal ou no mesmo tom: Se não quiser me contar. Às vezes. Tem algo que ainda queria me dizer? ...O namorado obedeceu e ela tornou fala ndo no mesmo tom: Agora vem. sinto uma dor no peito p or você ter falado que eu o enganei daquela forma. acho que devemos deixar tudo bem claro entre nós. Sou .falou sério com o semblante triste.. sentiu a voz travada e duas lágrimas deslizaram por sua bela face. Parecia com medo. Na verdade... ao mesmo tempo em que examinava.. Era algo mais sério. Isso não podia contecer.. Não sei explicar o que senti na h ora. Se quiser fazer pergu ntas. quero te contar.. tudo bem. Agora eu entendo. . ele argumentou: Eu te adoro! Podemos ser bem felizes juntos! A jovem o beijou nos lábios e o puxou pela mão. Porém. Estou com vergonha.. Eram amigas e se davam muito bem. Vem cá. Contei tudo o que precisava saber. mas eu regulava. Perdi o controle emocional e a razão.. Para ser sincera. Vendo-a pensativa. . confusa e tre mia.. ta? Ele lhe fez um leve carinho na cabeça e ia puxando-a para um abraço. É.indagou com voz branda e olhar enternecido. ...admitiu. Isso é passado e não quero vê-la magoada. comovido.Beijando-lhe a testa..Deixando-se conduzir. continuou: Tive alguns namoradinhos. Pare com isso. ao entrarmos no quarto. . Por quê? . Estava nervosa.. falando em voz baixa: É que eu jurei nunca mais entrar em um motel. . Débora . O passado não me importa nem me incomoda. Vamos terminar de assistir ao filme. Eu tinha acabado de faz er dezoito anos. Sérgio? .. por favor. não pr ecisa contar nada. fazendo-lhe um carinho no rosto gelado. fique à vontade. Ela engoliu seco. perguntou: Machuquei você quando a segurei? Não!. Estávamos juntos há alguns meses e nos gostávamos. eu namorei um rapaz. Cerca de três anos antes de te conhecer.. O que fiz foi agressão. quando fomos ao motel pela primeira vez. Eu quero contar. Nossa s famílias se conheciam.

.Caindo em um pranto sentido e silencioso. Ele não deu importância e continuou.. Fiquei nervosa e aos grit os brigamos. fui me acostumando e o admirava.. Larguei a faculdade de Direito. sem relutar. pois isso só serviria de escândalo em nosso meio social. Imagino que deva se relacionar com outra mulher. Naquele di a fomos a uma casa noturna onde dançamos muito. Isso me martiri a. s . Quase atacada. Ele caiu d esmaiado... nós ficávamos tão à vontade! Quantas vezes me deixou tira seu vestido. me jog ando na cama. Decidi sair e encará-lo. pois e le é advogado! Porém meu pai disse que eu era maior de idade por ter acabado de faze r dezoito anos. Deitava-se de bruços.. Pensei que iria me tratar com car inho. e lágrimas rola ram num choro silencioso. o quê? . Estava insano e tentou me forçar a ter relação. pedindo para que parasse de agir daquela forma. O diei meu pai a partir desse dia.. Demorei um pouco lá dentro pensando no que fazer. de vidro. Eu te queria tanto. Nunca mais vi aquele cara. por isso decidi tomar um banho. fui correndo vestir minha roupa.. mesmo com as lágrimas insistentes. que com as carícias eu te excitava. porém nem me ouviu e. ele falou: Desculpe-me fazê-la relembrar tudo isso e também por agir daquele modo quando fom os ao motel pela primeira vez. não pre cisaria prestar queixa. mas ele me segurou. pois acho que fiquei com algum trauma. lógico que nossas famílias eram amigas.. mas me senti sufocada. todos tinham dinheiro ! . com medo e fui para casa. Após longo tempo. que estava no banheiro.. . confusa. Ele me viu com a boca sangr ando. Quantas vezes me frustrei.perguntou Sérgio diante da demora. mas não. vendo-a recomposta. disfarçando a indignação: Ele a violentou? Não! Mas eu estava atordoada.. tive me do disso atrapalhar nosso envolvimento.Longa pausa. Confiava mais e mais em você. Ele ficou furioso.. se não houve estupro. eu estava com medo sim.. com hematomas no rosto e nos braços.. Depois. Segundos de silêncio em que se entreolhavam e Débora falou calmamente: Na primeira vez. respeita minha insegurança até hoje. Levei um sus to quando esmurrou a porta. me agrediu muito. Meu bem . Das outras vezes em que me l evou lá. pois estava me forçando. pois eu não era qualquer uma pa ra ser tratada daquele jeito. você foi tão leal. . e bater com toda a força em sua cabeça. . Demorou. ele me levou a um mote l muito luxuoso. Não era o que eu queria e mudei de i déia. Quando olhei. com brandura. Só d epois fui embora. Pedi que fizesse alguma coisa. Ao sairmos de lá. Peguei as chaves do carro e fui embora.. Eu estava ansiosa e até nervosa. sem dizer nada.interrompeu-a de imediato. ao chegarmos ao quarto. Depois fique i mais à vontade. enquanto eu adorava acariciar suas costas. Eu sei que me desejava. digno... eu me arrependi por só ficarmos daquela forma. Mas. Mas eu desejava que não fosse a um motel.. a moça continuou: Ele estava eufórico. Fiquei apavorada.Lágrimas correram e sua voz embargou.. me bateu forte e eu não conseguia reagir..Débora suspirou fundo e contou: Como eu ia dizendo.. Chegamos ao quarto e me sentia s uada por dançar a noite toda.. encontramos com amigos e nos diver timos bastante.sorriu generoso .. Não! Não existe outra mulher na minha vida! . Saí enrolada em uma to alha e pensei que ele fosse tomar uma ducha. Conversamos bastante. vi que ele havia feito uso de drogas. entregou-se ao abraço de Sérgio.Demonstrando-se bem aflita. e tranquei a porta. Mas. Eu chorava ao contar para o meu pai o que aconteceu... que a agasalhou em seu peito. pois. Pedi para q ue fosse tomar um banho. Entende? Lógico! Sérgio. trocamos tanto carinho. afastando-o de mim. mas decidi que teríamos mais intimidade. Sérgio a acariciava com ternura.falou com ironia. mas não me senti preparada. Estava nervo sa. Eu sabia o que ia fazer em um motel e. Minha decepção foi imensa. Ela o encarou e seu rosto iluminou com um lindo sorriso de satisfação pela fideli dade do namorado. Consegui pe gar um cinzeiro grande.. E sobre mim.. Débora abaixou o olhar e Sérgio perguntou. Levant ei.. eu sugeri e. mas você sabia como me envolver e se controlar. ela contou com inflexão de agonia e des espero: Eu disse que iria embora. Depois argumentou: Precisávamos de um lugar tranqüilo e seguro só para nós. ... . Não me deixaram sair do motel até ele atender ao telefone do quarto.. Então o empurrei com força.

. Geralmente uso o microondas para preparar pratos conge lados. Eu também te quero. Débora. dormindo um sono tran qüilo e profundo. murmurando. Ele sorriu. mas ficava imaginando e. Tomei uma decisão sér .disse. sussurrando: Débora.. Ficaram deitados sobre as almofadas por longo tempo e em total silêncio.. não se sentir frustrado e... Tornar am a assistir ao filme. Sérgio chegou de mansinho e a abraçou pe las costas.. Puxa! Como eu queria te contar tudo isso! Mas tinha tanta vergonha.A moça não atendia. Há mês que ganho mais.entir sua pele macia e a massageava. Ela suspirou fundo.... Então me leva para o quarto . Débora. Posso não ter um bom salário como policial. Olhando pela janela.sussurrou-lhe ao ouvido com voz doce. meu amor! .. Ai! Que susto! . Sei lá! O namorado a aninhou nos braços. Vou tomar um banho e iremos juntos. * * * O dia amanheceu num ritmo lento e silencioso. Depois decidiu: Espera. viu que a chuva caía sem trégua e o céu estava encober to por nuvens cinza. virando-se e abraçando-o.. Não sei fazer café e uco entendo de cozinha.admitiu sem graça. tomou um banho e foi até a sala.. Sérgio.. Eu adoro você e vou respeitar sua von tade até decidir pelo melhor momento. Levantando-se vagarosamente para não acordá-lo. beijou-a e obedeceu.. Bom dia.admirou-se ele ao olhar através da janela. Pára.murmurou com voz suave e romântica. Dormiu bem ? Nunca dormi tão bem! .... sobressaltou-se quando. Não precisa!. ou tro não.. Sempre vou respeitar a sua vontade. Sem perceber que os minutos passava m.exclamou rindo. Foi então que mergulharam em um oce ano de carinho e amor verdadeiro. Tudo aconteceu como queria. Débora acordou e sorriu ao ver seu amado deitado de bruços. não vou traí-la com outra porque eu desejo você. Nunca o vi totalmente despido . e ele tornou a pedir: Por favor. Mas o retorno do investimento ainda oscila. Não... Adorava acordar ao seu lado e esta r segura. Não tenho quase nada em casa ... A jovem o abraçou com força. mas no fundo sentiu uma ponta de decepção.. Ainda não parou de chover! .revidou no mesmo tom provocante e adorava toc ar seu corpo. Preciso dessa estabilidade financeira no momento.falou com jeitinho. Vo cê precisava saber para não pensar que eu o rejeito. Pára. Sérgio a tomou nos braços. enquanto f aziam o desjejum. Fique tranqüila. O mundo deixou de existir para eles. Já era quase noite quando terminou..ofereceu sorriso enigmático .. Desejo-te tanto! Também te amo. ao ouvido.respondeu. a clínica não está dando lucros gigantescos. Sérgio comentou: Como você sabe.. Mas você é um psicólogo! Sócio em uma clínica que está dando certo! Sim. Ai. embalando-a e dando-lhe um beijo rápido. Por mai s forte que sejam meus desejos.. mas já começamos a obter retorno do investimento.. Sérgio pediu. . certo. é muito tempo! Esse trabalho é arriscado! Eu falto morrer quan do sei que está em serviço! É questão de tempo. só aceitava e não imagina como isso transformou meu modo de sentir e pensar. Seis meses?! Sérgio.. Um tempo depois. Afastando-se sorrindo. mas é garantido. Nunca a vi totalmente despida . como sonhou. eu faço questão! . Eu te quero muito. . silenciosamente.. Ela sorriu ao se lembrar da noite anterior. Mas. Pense bem... Você não tem café em casa? . beijou-a com carinho e disse baixinho: Eu te amo. a jovem avisou: Vou pegar uma blusa mais grossa e sair para comprar algo e café. Você nunca me forçou nem exigiu satisfações. que o amava e dando-lhe suave s beijos que o estimulavam.perguntou com simplicidade. Sem suportar as carícias. Então você vai sair da polícia? Acredito que daqui a uns seis meses.. deu meio sorriso e concordou..

Estou decidido a me casar com você... Nem preciso entrar em det alhes. Todo aquele qu e se previne de riscos danosos. já é um herói! Sérgio sorriu. Mas se a situação ficar difícil e.reagiu de imediato. Acredita que não devemos aceitar as situações tais como são. Não estou sendo infiel. esse sempre foi o seu desejo. murmurou ele. Essa opção de mu-dança é uma recompensa por todos os esforços que espendi. Acomodou-se melhor em sua cadeira e falou em tom irônico. para a minha família. pode parecer cedo para eu dizer isso. Conseqüência de dois serviços . vou me envolver nos entreveros.exclamou brincando. Sabe.Pegando suas mãos por sobre a mesa. Você tem uma mãezona que o apóia e condições que eu não tenho. Não! . Que decisão?! . mas nada que não tenha conserto! Gostei da sua decisão.animou-se um pouco. Aliás. Aí.. Conseqüentemente. vamos lá! .perguntou com leve contrariedade no semblante. entramos em desequilíbrio com nosso ser. Fique tranqüila. transformando-m e em outra pessoa para me exibir.comentou João. princ ipalmente para minha mãe. estarei ignorando e repr imindo o meu potencial deixando de atuar plenamente no que quero e gosto de faze r. comentou: Não vou me sentir bem morando aqui. Ele se levantou. . mas. Estou alugando uma casa e vou querer a sua ajuda pa ra algumas reformas! Não dá mais para viver com meus pais. meu bem. Mas não é o caso. a vida tem um significado e nós temos de ficar atentos aos chamamentos para o que rejeitamos ou evitamos na nossa jornada. Débora não conseguiu segurar as lágrimas. Vou alugar uma casa e já tenho uma em vista. as sim procurarmos descobrir o que podemos fazer para melhorar. mesmo se dividirmos as despesas.falou sorrindo.. João. Conte comigo! Está na hora de se livrar do que o mantém cati vo e empreender sua própria jornada . afirmando: Débora.. porém verd adeiro. após um relampejo de reflexões. Quero paz! E o que a Débora diz? Ela me apóia totalmente. Quer evitar comentários e críticas? Talvez. eu respeito sua opinião. ergueu-a. sim! Venho morar aqui. Ei!. Isso será algo muito especial em nossas vidas..a e vou precisar desse dinheiro agora. brigas inúteis ou sufocar-me ca lado ao ser desencorajado quando eu procurar ter paz e fizer esforços para ser bem -sucedido.concordou João com tranqüilidade. Quero que seja desse jeito.. O ambiente lá chegou a um pont o insuportável para mim. você já conhece o drama . Haja vista que e la saiu da casa dos pais. olhou-a nos olhos brilhantes. . Não quero mais morar com meus pais. sabendo que posso ser independente. Sérgio? . Continuando a m orar com meus pais. Por que.. É algo que sinto. Não voltarei a morar na casa dos meus p ais. busca o domínio de si mesmo e empreende uma jornad a nova. Nós nos uniremos por uma decisão e não por uma necessidade. desleal ou orgulhoso por recusar sua proposta. 10 Sérgio revela o assédio de sua irmã O tempo passou e Sérgio conversava com seu melhor amigo e sócio no final do dia.indagou com voz melancólica. Venha morar aqui comigo! Ele abaixou o olhar e. D epois comentou: Quando eu deixar a casa dos meus pais.sorriu.. deu-lhe um bei jo e a abraçou com carinho. Eu adoro v ocê. Se desprezarmos os chamados.. Se é assim. Pretendo ter um futuro promissor ao seu lado. sentando-se frente ao colega. . Levo a sério o nosso compromisso. Não é o m nto de sair da polícia? Desde quando o conheci. deixe ontar! . meu amigo. vai parecer que eu quero buscar a perfeição... A casa está maltratada. Estou tão cansado.. se você deixar! Eles se abraçaram felizes com a esperança florescendo em seus corações apaixonados. Sentia necessidade de ser ouvido e viu naquele momento uma oportunidade: Já que o doutor João se dispõe a ser meu terapeuta. Débora. Não sei ex plicar.. Acho que sim. perguntando com ternura: Tudo bem? Tudo. que raramente reclamava. Estou honrando e valorizando o q ue realmente é verdadeiro em meu ser e isso não é errado. mas agora não é o momento de vivermos juntos.

doutor Sérgio. a aparência que ela exibia era a d e uma morta ou o aspecto de depois de morta. João! Não vamos esquecer que o poder do consciente é considerável quando a pe ssoa possui certo controle sobre ele. Primeiro. O sonho é um conjunto psíquico.. Essa foi uma das coisas que você dest acou na imagem que me descreveu. Mas como ia dizendo. Prefiro chamar de sonhos . Porém estou muito interessado em sua opinião . Mas é claro que isso funciona! Eis a prova do poder benéfico das orações. fingindo não dar importância. teve contato ou criou mental-mente através de alguma idéia sobre o que tenha ouvido. Pesadelos! . a identificação com o contexto da vida da pessoa. Independente disso. a morte simboli za o fim absoluto de qualquer coisa positiva que existiu.De imediato. Va mos lá. Para o mundo material e corpóreo. ol hando para o amigo. elas acreditaram qu e a resposta lhes chegaria através de sonho e assim aconteceu. você sabe que. . difíceis de compreender e mais ainda de analisar. Será bem mais fácil traduzir isso dizendo que no so nho só existe o que a pessoa conhece.João riu. o simbólico. Sérgio. temos de desemaranhar a ligação do sonho com a vida de quem o teve e descobrir o significa do das imagens e mensagens. O senhor sabe que o sonho é uma expressão psíquica. I sso é muito raro! Só acontece em casos de premonições ou mediunidade.insistiu Sérgio com um tom engraçado. pertencente à alma ou mente e de natur eza autônoma.exclamou sob o efeito do riso. João perguntou: Não são as constantes divergências em sua família.brincou o colega. até pesadelos horríveis eu tive! E eles se repetem! Sei..sorriu ao brincar.. em outras palavras. Qual a sua opinião sobre os sonhos ou pesadelos que se repetem sempre dentro do mesmo aspecto? Não tenha melindres. mas sem recordar as aulas. o que é certo ou errado. E. calmamente. Essas mensagens do inconsciente sã . aqueles que você não quer ter.avisou Sérgio bem sério. junto c omigo. Você sonhou com sua irmã que já faleceu. depois pediu: Então continua. ou seja.Sem esperar respo ndeu: Para que o inconsciente transmita ao consciente as mensagens ou imagens si mbólicas como manifestações involuntárias e espontâneas. a morte é o .Diante do silêncio. os sonhos podem ser analisados por três aspectos diferentes. João comentou: Estive analisando esses sonh os que me contou. o que se sabe é que. quer dizer que a consciência não comanda os s onhos. Fala assim porque os pesadelos não são seus. segundo as pesquisas. à mente e com uma racionalidade própria ou raciocínio próprio. vamos lá! Chega de aula! Você é meu colega há cerca de sete anos e conhece bem a minha vida. Nos últimos tempos. as diferente da instituída na consciência. aqui e stamos falando sobre os sonhos involuntários. o imagéti co. Quero ouvir seu parecer clínico e veri ficar se é compatível com o meu . meu amigo.disse Sérgio com grande expectativa. Sabe. João. conforme aprendemos sob a visão do mestre Jun g4. Anotei as principais situações que me contou e pesquisei o significado. O que. Sérgio riu de si mesmo. o recado de você para você mesmo. Por isso vai me ouvir. inventores e figuras célebres realizaram seus grandes feitos depois das idéias lhes terem vindo após um sonho. Do contrário. uma ex pressão pertencente à alma. eles são comandados pelo inconsciente. certo? sorriu ao questionar. Quero ouvir a sua opinião! Não posso chegar ao final da conclusão sem antes fazê-lo pensar e analisar. Deveríamos ajudar o Marcílio. né?! .. Isso significa decifrar o recado que o inconsciente quer dar ao consciente. você deve deixar seus pacientes malucos se usar essa linguagem! Pega leve! . segundo. como já me contou. . tudo me incomoda naquela casa. e terceiro. Sem dúvida! Essas imagens são difíceis de analisar porque não podem ter igual interpr etação. No sonho. E isso acontece para quê? . Você me contou. Porém. Acredito que entendi a lguns detalhes descritos sobre as imagens e mensagens. muitas vezes. preces e bo ns pensamentos antes de dormir ou a qualquer hora do dia. ou melhor.. enquanto acordadas. o mesmo tipo de sonho não tem significado idêntico para duas pessoas. João. que o fazem ter m sentimento aversivo por aquela casa? Tudo começou quando meu pai comprou aquela casa. Eu tenho examinado a relação dessas manifestações em sonhos dentro de vários aspectos. que é a imagem. ou seja. Como símbolo.. Espere. em Psicologia.tornou o outro rindo. sim! . Muitos músicos. mas não colocá-lo para morar conosco.

malévolas. desafia-o e deseja sua morte ou seu mal. que perdera m a forma humana. Isso pelo fato de minha irmã se apresentar sofrida. Crei o que chegaremos a um ponto culminante e é aí que eu gostaria de saber o que você pôde c oncluir. mas ela nunca está sozinha. asquer osas podem representar seres animalizados de espíritos inferiorizados.. mas o mundo da psique. O rosto deformado pode simb olizar o que não tem vida ou o rosto verdadeiro. sentindo suas energias sugadas é como se tivesse doado energias para esses seres monstruosos.aspecto perecível e destrutível da existência. O rosto é a sede dos órgãos dos sentido s. Sei que não tem medo d desafios e os enfrenta com facilidade. quer amedrontá-lo. alimenta-se de seu medo e se revitaliza. pois em pequenos movimentos faciais a pessoa exibe as emoções e as opiniões se m palavras. ou um grande peixe. João! Continue. você sabe que o rosto representa um desvendamento da personalidade. João. Eu te conheço. vivem juntas ao mesmo tempo.. do espírito. sabemos que a morte e a vida são duas forças que coexistem. Em c ivilizações antigas. que se destaca cada vez mais. Lembre-se de que. Em minha opinião. mas infelizmente infernal. é enfrentar a tempestade antes que venha a calmaria. ele é o símbolo do mistério conforme a aparência. a cada momento. Analisando como se os sonhos não fossem eus. da alma. Como psicólogos. através de você. pode simboliz ar a necessidade de matar o homem velho para que renasça um homem novo em você. fraca. como já contei. Como sabe. principalmente em um c aso como esse.. nesses pesadelos vejo a minha irmã em um estado lastimável. desordenadas. Isso faz com que eles continuem existindo e ganhando fo rças. na Bíblia . nos sonhos.. mas ele saiu de seu ventre profundamente modificado . Sérgio! O medo pode ser exteriorizado não exatamente com o sentimento de cov ardia ou vontade de fugir de uma situação existente neste instante. Ele é rev elador. evolução se vencer suas dificuldades. programando sua vida. do presente ou do futuro. O mundo desse homem monstruoso dos seus sonhos não é o mundo exterior . Sérgio . pois esse homem monstruoso. parecendo liderar os demais. como lemos em outros textos. da mente. a Lúcia chorava. ele pode simbolizar a evolução do espírito das trevas à luz. mas com aspectos monstruosos. E vamos recordar que Jonas foi engolido pelo monstro marinho. Pode ser algo do passado. Ao me smo tempo. a imagem de monstros devoradores eram símbolos da necessidade de renovação. Ah! Lembrando aquele que se destaca. Posso garantir que até agora o seu parecer coincidiu exatamente com o meu. Existem outras imagens de criaturas disformes. maltrapilha. mas não tenho medo algum. Tanto é que vo cê se assusta ao despertar ou sente como se não tivesse dormido. Veja. sem ânimo. o amigo pediu: Vai. que não demonstrava qualque r reação. vemos que o monstro tem o simbolismo de uma força irracional. João parou por instantes observando atentamente Sérgio. horrendos dos quais me sinto enoja do. Isso lemos em Ezequiel e Jonas. Devo admitir que não seja fácil dar uma opinião a um colega. Assim sendo. E o passar pela escuridão antes de chegar à luz. o homem monstruoso e horrendo que o agride moralmente. eu acredito que a mensagem foi a minha entrada num mundo desconhecido. Ora. Nos sonhos. Eles possuem carac terísticas disformes. ofende. é a parte mais viva. concordamos . Sérgio. além disso.continuou com tranqüilidade . as criaturas disformes. Após um tempo. são espíritos com tendências vis. Mas vamos lembrar . por favor.manifestou-se Sérgio. Com semblante sério. você falou em medo e que esses seres monstruosos se revitalizam ou ganham f orças com o meu medo. O monstro pode significar que você precise passar por provas para superar dific uldades. E lógico que fico em grande expectativa com tantas mudanças acon tecendo em minha vida. mais sensível do ser e a mais visível de todo o corpo. dominando o medo. os seus pesadelos com criaturas monstruosas e disformes podem significar a sua renovação. com o rosto disforme pelo tiro cujo orifício estava com vermes e a pe le se desfazia como em decomposição e. pediu de modo profissional e educado: Por favor. Lembre-se de que estamos falando de um recad o simbólico de você para você mesmo através do sonho. Pode significar a entrada em mundos desco nhecidos dos infernos ou dos paraísos. João. prossiga. tenebrosas. A f orça de sua irradiação luzente ou da imagem opaca nos revela algo bom ou ruim. Bem. Ao acordar indispos to. As aparência s são de humanos. Até aí.

riu João. Esse monstro é a sua so mbra. Até outro espírito pode se apresentar como a Lúcia. a capacidade de amar. a s manifestações negativas de observações maldosas que diminuem o valor do homem. E ssa mudança comportamental é fazer nascer o homem novo. parecend em estado lamentável para inquietá-lo e perturbá-lo através do sonho. atr avés desse sentimento. pelo modo como agiu. Independente de ser simbólico ou espiritual. É muito bom vê-lo analisar a anima colocando de lado qualquer sentimento pelo fat o da mulher. . as discussões e entreveros o deixam exaltado e irracional . sua irmã precisou experimentar essa situação e seu desencarne não foi precoce. Estou certo de que vejo o plano espiritual. induzir aos erros. se parecer com sua irmã. sob a visão espírita. Mas. a inquietude. Esse tipo de apresentação não é casual. o sonho é seu! . Isso acontece muito no plano espiritual. como falamos até agora. ela o suga. Simbolicamente. vampiriza-o. quando temos qualquer so nho desagradável ou acordamos nos sentindo desanimados. o que podem ser essas aparições perturbadoras nes ses pesadelos repetitivos e com o envolvimento da minha irmã falecida. sou espírita e sendo assim acredito em sonhos simbólicos e sonhos espirituais. Quando um homem sonha com uma mulher ela representa a sua anima. ao brigar ou discutir. fazendo -o desanimar diante dos desafios. o humor. a aparência de sua irmã é deplorável e destaca-se o r osto em decomposição. Envolvendo-se nelas você sabe que perde o controle emocional e. O rosto representa muita coisa. você cede energias a esse ser e ele ganha forças. Não acha? Isso é possível. a meu ver. como espírito. Em seguida. Os motivos desse tipo de apresentação podem ser vários. Sérgio. Essa interferência pode ser para o seu bem ou para o seu mal. foi um d esencarne precoce. pois não encontramos exp licação dentro da Psicologia Analítica ou da Psicanálise para muitas coisas. para Jung o feminino é chamado de anima no aspecto i nconsciente. Além disso. sua irmã cultivava ou sofria sentimentos interi ores extremamente perturbadores. então. pois isso significa um recado no nosso inconsciente. para mim. Então experimenta sentimentos de angústia e grande conflito por essas divergências. devemos mudar nosso padrão d e pensamento para melhor. isso demonstra que por trás da personalidade apresentada em vida. a perversi dade. de acordo com a evolução desse espírito.que você tem medo de brigas e conflitos familiares e quer sair da casa de seus pai s para fugir disso. De repente. muito pensativo. mas sim um espírito e exibir-se sofrida para que você tenha piedade dela e. em sua elevação. Não sabemos sobre os desígnios de Deus. sente-se muito mal pela sua atitude. Já li muitos artigos e livros espíritas. o seu lado sombrio. Eu temia que ficasse sensibilizado. João suspirou fundo.. Ou. Eu sinto. Chegamos aonde eu queria. sem vontade. Gostaria qu e me explicasse. na verdade. tirando-lhe a coragem para conquistas positiva s. a intuição. Em seus sonhos. revitaliza ndo-se e se alimentando através de você e de seus pensamentos. Afinal. João! Sei que você é espírita. Um espírito feminino pode guiar. Não acredito que sejam sonhos apenas simbólicos. depois de algum tempo. tudo pode ser uma distorção da re alidade e a anima pode ser venenosa. ela.. depois argumentou cauteloso: Sua irmã desencarnou por um tiro no rosto. Vamos lembrar que essa mulher pode não ser sua an ima. deixando-o sem determinação. Lógico! Não quero brigar! Eis a fonte de energia que você tem para alimentar o ser monstruoso de seus son hos! Analise! As brigas. Como psicólogo e espírita. O sonho com a anima mostra as tendências psicológicas do homem para com os s entimentos. induzir e influenciar o desejo de um homem em su a transcendência. é fria e impiedosa apesar do sofrimento. a Lúcia reagiu desnecessariamente a um assalto. Minha irmã pode se prender ainda às impressões do corpo pela morte precoce. comentou: Dentro da Psicologia. Segundo a versão de quem estava junto. Diante disso. como lembrou. no sonho. principalmente a título de estudos complementares. que é a anima representada em seus sonhos. Espere um pouco! Você está falando do ser monstruoso no sentido simbólico ou de um espírito na definição exata da palavra? Isso é você quem precisará descobrir. a sensibilidade. e plicou: Meu caro. Algo que corroia sua mente e agora pode tê-la vis to com o rosto real.

. assim como nós. ficar irraci onal e perder a razão. detal hou o ocorrido entre ele e Débora quando a segurou com força e a empurrou. meu amigo. dificul dades e conflitos. sem precisar reprimir ou sof rer com transtornos íntimos através de pensamentos que me torturem. mas não paro de pensar no que aconteceu e repito em pensamento tudo o que gos taria de ter falado. Parecer tranqüilo. Sérgio. Depois comentou: Estou vivendo um período de mudanças e transformações em minha vida. Então é isso. Mudar os pensamentos e não entrar em conflitos íntimos. calmo e ter paz interior. Ol hando para o colega. maior é a sombra. não a deixa ndo explicar.. vamos lá. perguntou: Eu te conheço.Sérgio ficou pensativo. Tudo bem. João. O alerta é para eu domin ar meu medo e ter forças para o nascer do novo homem. mas. Deve deixar morrer o homem velho para que nasça o homem novo! Você sabe.riu. Esses pesadelos tendem a acabar à medida que eu encarar tais conflitos de forma natural e agir com . com que freqüência esses pesadelos têm se repetido? Posso ficar uma ou duas semanas sem sonhar. João! Vou reverter esse quadro! .sorriu. Venho conversando com o doutor Edison sobre isso. Não vá se chatear com isso. mudemos nós! Quanto maior a luz. É verdade! . Elas. já que não podemos mudá-las. Minúcias foram narradas e João ficava atento a cada particularidade do amigo. você me deixaria aqui sozinho caso sentisse que eu precisasse conversar? Não.concordou.. nós nos fortalecemos e cont inuamos a auxiliar melhor os outros. não significa sentir-se tranqüilo. Devo assumir o controle das minhas emoções diante do que esteja aco ntecendo e não me reprimir ou sair de perto. Contou sua atitude hostil. sofro tanto e ninguém reconhece! Se convivemos com criaturas desse t ipo. concordou: Primeiro você me derrotou desvendando o meu medo exteriorizado através da fuga. Do ponto de vista da P sicologia. Você tem razão! E sses seres deformados e monstruosos são a minha sombra. Dentro do aspecto simbólico da psicologia junguiana.riu.disse em um tom lamentoso e arrependido. chegando a berrar com Sueli. eu preciso me renovar. Certo. . mas não mentalmente! Eu me afasto dos falatór ios. o estado. Ao procurarmos nos compreender. cara! Poderia ter agredido qualquer pessoa. esses pes adelos podem ocorrer duas ou três vezes e até noites seguidas. psicólogos. Não sou tão brando como pareço e temo ficar sem o domínio do controle emocional. Preci samos ser indiferentes aos problemas que os outros criaram. R ealmente. em uma única semana. elevar-me das trevas para a luz. criar uma aparência disfarçando a verdadeira emoção.Breve pausa e continuou: Nesse momento de tantas mudanças . Analisando esses sonhos só posso co ncluir que meu inconsciente quer dar o recado ao meu consciente de que estou pas sando ou ainda passarei por mais desafios e dificuldades. Eu saio de perto pelo medo de reagir e virar um monstro! . eu destruo os seres monstruosos desses pesadelos horríveis com a minha mudança de atitude ao me relacionar com os problemas. a manifestação que r eprimo em mim emocional e fisicamente. o centro principal do proble ma quando estamos envolvidos nele. Aprendemos que nós. sorrindo amigavelmente. Sérgio confidenciou ao amigo todo o comportamento estranho que percebeu em si m esmo. temos dificuldades em encontrar a matriz. menos a Débora . Isso não significa que tenha de brigar ou se envolver em discussões! Eu sei . mas por enquanto ele só está analisando. Falou sobre esmurrar a mesa e confessou ter vontade de quebrá-la ao gritar c om sua mãe. hoje. não tolero brigas ou discussões fortes. nós dois entendemos a rep resentação ou a mensagem de mais de cinqüenta por cento desses sonhos.sorriu. O que foi? Já é tarde e tomei demais o seu tempo. pois tenho medo da minha reação. porém isso não é suf ciente para me ajudar. Sérgio? Está certo. Por fim.. Muito inteligente. analisou rapidamente o que ouviu.. Sentindo-o com alguma dificuldade. com todo o conhecimento a dquirido. Somos seres humanos também! Por isso todo psicólo go deve fazer terapia. Imediatamente o sorriso se desfez do rosto de Sérgio. Preciso observar a situação sem me altera r. dizem de si mesmas: Ai! Pobre de mim! Eu f aço tanta coisa. sem perceber. Sérgio. para algumas pessoas é prazeroso viver rodeadas de brigas. que ficou muito reflexivo e distante. Iss o é provocar.

nós somos amigos. sem expressões de tristeza ou rancor.. Confiante em você e sendo verdadeiro n os detalhes. Consciente do que digo. Que porta?! . mas isso não é ver e. Foi nessa época que meu pai comprou aquela casa. Sempre senti que algo o incomodava em relação à sua irmã. Sérgio abaixou o olhar e ficou pensativo por alguns minutos. que a forma como ela se apresenta exibe a sua verdadeira per sonalidade.. Então. Quando eu tinha mais ou menos quinze ou dezesseis anos de idade e estava mais voltado para as descobertas e curiosidades naturais sobre se xo. Vou entender e respeitar. Não é som ente simbólico. Não me sentia dessa forma quando fiz terapia com aquele psicólogo que um professor indicou. vocês haviam brigado ou di scutido. Sérgio perguntou: E quanto à minha irmã? Como posso definir sempre a su a aparição ou envolvimento nesses sonhos? Pense comigo. acredito que não seria necessariamente sempre a Lúcia a aparecer em meus sonhos. Acredito que cresci e projetei em minh a irmã mais velha a representação de uma mãe. Sérgio. suspirou f undo. Sinto que existe algo espiritual.Sérgio não suportou e gargalhou da precariedade.sabedoria. comecei a notar algo no comportamento de minha irmã.Observando-o. de onde eu estava. No seu quarto.. João! Ei. Assim serei tranqüilo e calmo. p ropositadamente. Pare com isso. Depois contou sob o efeito do riso: Só havia os batentes. . Sérgio! Por essa razão psicólogos amigos não fazem terapia um om o outro. comentou c auteloso: Lembro-me de que. Principalmente depois de minha mãe contar qu e não queria mais ter filhos e não me abortou porque meu pai não deixou . continuou: Não foi fácil eu te d izer. se ela fosse à representação da mi nha anima...ofereceu o material. na qual se enrolava após o banho. A Lúcia sempre foi uma irmã dedica da. Entendi a necessidade da minha mudança e sei que será um grande desafio.perguntou com simplicidade. A apar ição da Lúcia em seus sonhos não tem só a explicação no aspecto simbólico. eu reforço que esse aspecto facial se refere às emoções interiores extremamente pe rturbadoras que a Lúcia cultivava e sofria. Você não poderia fechar a porta de seu quarto? . encarou o amigo e argumentou: Não tenho nada para esconder de você.Ol hando-o firme. É bom se sentir assim! Você passa essa confiança. A casa precisava de muitos consertos! Incl uindo a porta do meu quarto! João riu com gosto pela expressão engraçada do outro e comentou: Isso não vai dar certo. Eu não posso dizer mais nada sem mais de talhes.Vendo-o silencioso. Como psi cólogo. coisa comum nessa idade. Deve lembrar que talvez não se sinta tão à vontade em me rel atar pormenores ou intimidades. pouco antes da Lúcia falecer. preciso de mais informações. simulando passar um creme. Respeitei seu desejo de si lêncio. mas sou capaz.. Percebi que ela deixava a porta do quarto aberta. podia vê-la totalmente. . Que tipo de comportamento não considerou normal? A Lúcia se despia da toalha. meu caro! Você foi o melhor da turma! Sabe que não posso analisar mais nada s em mais particularidades. É questão de afinid . agora há pouco. Nunca falamos sobre a divergência que tiveram. mas acompanhei o seu desespero quando soube do acontecido. acomodou-se melhor. Agora uma coisa me incomoda. fre nte ao espelho. Agi como um colega e não como profission al! Vai dar certo sim! .garantiu ainda rindo. Sem dúvida há um m espiritual. semelhante àquelas mesas antigas de escritório. em minha opinião. deu meio sorriso e contou: Minha mãe sempre foi bem d istante de mim. presente e amiga. desmascarando o que sua irmã representava e disfarçava em vida. Você disse que eu conheço bem a sua vida. coisa que não considerei normal. uma vez que somos tão amigos e trabalhamos juntos. Para eu começar a analisar. mas ela fingia não me ver. Sei que é um excelente p rofissional e até melhor que eu!.detalhava de modo normal. E onde você estava? Estudando em uma escrivaninha. Vamos lá! Pegue esse bloco para suas a notações! . ficava por longo tempo acariciando o próprio corpo de modo sensual . mesmo sabendo que. João. qu e ficava dentro do meu quarto e ao lado da porta em um ângulo que era impossível não v er minha irmã despida frente ao grande espelho do guarda-roupa. aí. Depois. muito forte. sentimentalmente falando. Continua. cara! Estou bem à vontad e para contar tudo. Eu não poderia rir desse jeito. . no que experimento. Nós estávamos na sa la de aula quando te avisaram e eu o acompanhei até o hospital e tudo mais.

Puxa! Eu era seu irmão e um rapazinho! Bom.Ele riu novament e e se explicou: Desculpe-me.. você teve e tem uma vida sexual saudável.Sérgio deixou o olhar perdido no te to e deu um suave sorriso. que fica nas dependências do quintal. Tive e tenho. Não tinha mais alguém na sua casa? Meu pai e meus irmãos estavam sempre trabalhando. Entrei na polícia e dava aula de Informática ao mesmo te mpo para juntar dinheiro e fazer o curso universitário que eu sempre quis e sair d a polícia. Sérgio? Sem dúvida de que fiquei excitado nas primeiras vezes. Não demorou e eu arrumei uma namoradinh a. mas não poderia ser qualquer uma. Ótimo! Temos uma vida sexual muito satisfatória.ade. mas poderia ser qualquer uma ou deveria ser uma namorada. E que lembrei uma coisa.Em seguida Sérgio não agüentou. Mas não as levei à minha casa. Já se relacionou com homens ou teve esse desejo? Nunca. Fui até o quar to dela. talvez pela lembrança quase apagada. Era uma menina bacana que se chamava Mara . Sérgio. Pode contar? Hoje está tudo bem. Veio conversar comigo depois. Mas. fiquei nervoso. Depois de ver o Marcílio e a Ana brigando direto. Ela não fez mais aquilo. Decidi mudar meu horário de estudo e minha irmã resolveu mudar seu horário d e banho. Seu rosto sério se contorceu até relaxar num largo sorriso e finalizar com uma gargalhada. ou com a nossa mãe quando a Mara ia lá a casa. . quando se relacio nava sexualmente com alguém? Nunca . vai! Continua! João tornou a ficar sério e perguntou: E o que você sentia ao vê-la fazer isso. fantasias ou. tornou a afirmar: Sim. Não dependo de medicação.. Passei a ter pl anos de estudar. minha cu nhada. O tempo passou. mas quando com ecei a namorar a Débora. Eu gostava da Lúcia como irmã. Sou seletivo..respondeu direto. A Lúcia me pagou um curso de Informática que me ajudou muito. Depois contou: A Lúc ia implicava demais com a menina e sempre começava uma discussão com a Ana. apesar de ter pouca idade. Eu estava desesperado! Tive compensações aliviadas por alguns s . Foi tão difícil dormir ao lado dela e. Sabe. Minha irmã não tinha nada a ver com essa decisão.riu de um jeito maroto. eu tenho uma vida sexual saudável. mas não deu. um dia. A Lúcia pareceu assu stada. dei-lhe uma bronca e fechei a porta com brutalidade.expressava-se com muita naturalidade. drogas.. sabe disso. . Só se relacionou com mulheres.. Tenho. . e minha mãe havia pegado costuras r etas para fazer em casa e usava um quartinho que há nos fundos.. Minha cunhada quase não saia de sua casa. Era difícil fugir das suas provocações.tornou Sérgio com a mesma tranqüilidade. estímulos com filmes. João. Alguma vez lembrou-se de sua irmã nua. por ver o corpo nu de um a mulher sensualmente se acariciando. sem chegarmos aos fatos. O fato de Lúcia ter se mostrado despida e com gestos sensuais para provocá-lo afe tou-o sexualmente? Não . O amigo se forçava para não rir. Psicológica e fisicamente falando. fiquei com aver são a um casamento não planejado. Recompondo-se.riu. porque eu não entendi a piada. amiga? Só com mulheres. mas passei a ter um sentimento repulsivo ao lembrar o que ela fazia de propósito para me prov ocar. física e psicologicamente falando? Sim. Eu não queria um compro misso firme. Então. O namoro não durou nem três meses. abraços e calorosos carinhos.. Hoje eu analiso e vejo que. E o que você fez? Não tive coragem de contar para alguém. eu tinha m oral e integridade para não aceitar aquilo. Passei alguns meses na lei seca ! Trocamos beijos.. . Sim. mas brincou: Espere aí! Explique-se melhor. você entende? . Só dormir. afirmando não saber que eu estava por ali. Depois comecei a trabalhar.. Comecei a ver a vida que meu i rmão Marcílio levava e decidi que a minha seria bem diferente.. com modos voluptuosos. e eu fi ngi esquecer o fato.. Depois levei um choque ao lembrar que era minha irmã. Costurava lá... Ma s era mentira.. lógico! Não as levou por causa da Lúcia? Não... Você namorou outras moças? Claro. mas sob efeito do riso.

sorriu. Ele a agrediu. per cebia-a alterada.. Tentei envolvê-la e seduzi-la algumas vezes.. A Débora tinha algum trauma? Tinha sim.Falou murmurando em tom apai xonado: Não queria frustrá-la em sua primeira vez.. Eu a amo tanto! Nunca pensei que eu pudesse me apaixonar por alguém dessa forma. Teve alguns namorados. conquistei-a com carinho. Ela tomou a iniciativa de termos o primeiro relacionamento e. E sem eu saber do que se tratava. bateu-lhe com força. Com a finalidade de descobrir se Sérgio era possuidor de algum tipo de transtorno ou distúrbio que es tivessem ligados aos fatos originados em sua adolescência. Adoro a Débora! Você não agina! Caso soubesse que sua namorada teve uma vida sexual ativa com outros homens.. suspirou fundo e contou: Como toda garota. Eu jamais iria forçá-la. Ela não se sentia preparada. gostar dos carinhos..tornou. pois foi um fato muito marcante em sua vida e os detalhes poderiam ajudar na análise do que o pert urbava. e ela o acertou com u m cinzeiro de vidro e foi embora. isso o incomodaria? Atrapalharia seu relacionamento com ela? Não! De forma alguma! Não me importo com o passado desde que ele não interfira nega tivamente em meu presente. Íamos para um motel. agi de modo que a deixou mais se gura e isso a fez superar o medo. Sérgio ficou pensativo.. pelo fato daquele assu nto íntimo também pertencer à Débora. carinho... foram a um motel luxuoso. Por quê? Ela já era especial e depois do que me contou. Ao sair do banho.perguntou repentinamente. refletindo em sua vida adulta ou atual e com a possibilidade de associação aos sonhos ocorridos com freqüência. Só seria muito precavido quanto às doenças sexualmente tran smissíveis. mas n ada significativos. Sempre sonhei com a Débora .falou João com molecagem.João não perguntava por curiosidade. O cara não conseguiu estuprá-la. durante esse tempo em que você e a Débora não se relacion vam sexualmente. como ela contou. mas isso a trauma tizou. principalmente. tinha bastante conhecimento de que a ajuda de um out ro psicólogo era importante. ficávamos b m à vontade. . Tinha muito a ver com motel.perguntou sério. Conhecia a importância daquelas informações. Não . com o lugar e não c om o nosso relacionamento. Refletiu por alguns minutos. correspondendo a brincadeira. Não namorou mais até nos conhecermos. a Débora queria ter um primeiro relacionamento sexual com amor. mesmo a vendo com hematomas e a boca sangrando. deixando o olhar perdido ao confirmar. Você não me contou sobre esses sonhos de compensações! . as coisas foram mudando e. Por comparação e exemplo. O fato de e starmos em um motel a deixava apavorada e eu não sabia disso! Depois que passamos a ficar em seu apartamento. mas de repente... Tudo aconteceu como ela sonhava: envolv i-a com amor. Como profissional da área. mas por fazer parte de um enc adeamento de informações a serem analisadas sob uma ótica psicológica. E nos sonhos de compensação. não querer. c ara! Estou sendo muito evasivo na sua vida íntima? . imprescindível. João percebeu que os olhos de Sérgio brilhavam ao falar em Débora. trazendo-lhe possíveis explicações para enfrentar os desafios. Eles brigaram e o cara tentou forçá-la ao relacionamento.sorriu com ar de satisfação. Só depois rev elou: Ela me contou esse caso pouco antes e foi a primeira vez que me senti inse guro. sabia que o melho r cirurgião cardiologista do mundo nunca conseguiria realizar uma cirurgia de pont e-safena em seu próprio peito. pelo pai não dar importância ao fato e ignorá-la. Deixe por minha conta! .onhos. você sonhava se relacionando com outras mulheres? Não. Ac hava estranho ela se sentir estimulada.. Respeitei sua vontade e a deixei conduzir nossos momentos de intimidade.. machucá-la. não procurei outra mulher. Mesmo assim.. Posso te afirmar que me considero normal..respondeu rápido e com tranqüilidade.. parecendo ter medo.. Após um namoro mais sério com um cara conhecido da família. esperei. Quer contar? . mas confiava no profissionalismo de João e.. Ele parecia sonh .. porém não é o mesmo que vivenciar o ato. Então. decidiu: Foi assim. Esses. Mas não foi o que esperav a. algum tempo depois. viu que ele havia se drogado. Por que demoraram meses para se relacionarem? . colocand o-se na posição do paciente que deseja ser ajudado. mas só trocávamos carinhos. .

afastava-a de mim e saía de pert o. que passou a freqüentar direto a nossa c asa. Quando entrei na univer sidade. eu virava as costas. Tentei cobrir a Lúcia com o lençol. e abraçada a mim. Não conseguia mais ficar acordado. afagar. Nem me lembro mais do que brindamos. Lúcia se tornou muito amiga da Sueli. tocar ou segurar para dizer alguma coisa. até não agüentar mais o sono e avisei que iria dormir. Na manhã seguinte. mas .Sérgio parou e sua voz pareceu travar. Quando fui para minha cama. divertia-se muit o e disse que iria dormir se eu fizesse um brinde com ela. ela começou a desabafar dizendo que era infeliz n o amor por não ser correspondida. completamente nua. Foi algo que me incomodou. Era difícil abrir os olhos. o Marcílio e a família foram pas sar uma semana na praia. minha nuca e em seguida colocava a mão por dentro da minha camisa. ao meu lado. a Lúcia começou a perder o controle e começou a fazer certos carinhos para me excitar. Aceitei. ouvi um barulho antes de abrir os olhos . a Lúcia tomou outra postura em que exibia sensualidade? Vez e outra sim . mas não consegui convencê-la a parar. Levantei. . minha irmã est ava sentada à mesa com uma garrafa de uísque e dois copos. Mas ela negava a provocação e dizia que era um carin ho de irmã. Senti q ue. Sua irmã o acariciou alguma vez? A Lúcia sempre teve necessidade de contato físico para expressar sentimentos. Ela de cidiu ir para o quarto e eu a ajudei. ela me ajudou financeiramente com algumas mensalidades. a minha irmã estava deitada. João aguardou até ouvi-lo contar com c erta revolta escondida na fala vagarosa: Meus pais. fui até o quarto dela e a vi cambaleando ao tentar abrir o zíper do vestido. acariciava m eu rosto. Eu a ouvi por um tempo. Não sabia mais o que fazer. Eu e a Sueli íamos a um aniversário. Completamente dominada e à disposição de um turbilhão nas faculdades pelo excesso de bebida alcoólica. Quando eu já estava até pesquisando qual o tipo de transtorno dela. as quais a repreen deu.. Descobri que a Lúcia t inha ciúme da minha namorada. A Sueli insistiu para levarmos a Lúcia. comecei a namorar a Sueli e percebi um com-portamento b em estranho na minha irmã que deixou de ser tão amiga da Sueli. Eu não q ueria ir. p ois nunca a tinha visto de fogo. Senti que minha cabeça i ria explodir. Vivi uma experiência terrível! Falei com ela várias vezes e pedi que parasse com aquilo. Quando pedi que fosse dormir. Eu ficava revoltado. a Lúcia passou do estado de ri so para o de choro. eu estav a cansado e um pouco zonzo. porém bem consciente. Brindamos ao emprego novo dela. Ao final de tantos brindes. Mas isso era só com você? Com meus irmãos também.respondeu bem sério. mas me le mbro de cada detalhe. Depois voltávamos a conversar. depois ao salário e. Nunca me em briaguei daquele jeito. dizendo que queria tomar um banho. Ela ria. Ela dormia no meu ombro com uma das pernas sobre as minhas . Depois das apresentações desnudas.Sérgio ficou sério. sentindo-me mole. Voltamos bem tarde e tínhamos bebido um pouco.. a Lúcia se exibia bem animada e alegre. Apesar do banho. Eu não estava embria gado. afaga ndo ou arranhando meu peito. fiquei aterrorizado . Virando-me para olhar. O Tiago trabalhava em uma escala de vinte e quatro hora s.ar e um sorriso apaixonado iluminava seu rosto sem que notasse. Depois de um tempo. Todo o meu corpo estava adormecido e eu sentia uma ânsia terrível. Repentinamente. Como eram esses carinhos? Se eu estava sentado em uma cadeira. Deixamos a Sueli em sua casa e fomos embora. Quando voltei. Achei graça.perguntou o amigo. somente sob o efeito de leve entorpecimento. ela me abraçava pelas costas. Começamos a brigar por diversas vezes.. Então disse para a Lúcia que ela já ha via bebido bastante. Mas comigo era ostensiva. eu estava embriagado. O que você viu? . avisou para observar sua reação: Voltemos a falar da sua irmã. Fui tomar um banho. ela se achava no direito de se mostrar sensual para me prov ocar. mas não sabia dizer o que era. por causa disso. Eu a ajudei co m o zíper e voltei para a minha cama.. até qu e.. no início. Falou sobre Deus ser cruel com ela e muito mais.. Ela precisava abraçar. ouvi barulhos e a luz ainda estava acesa. O que você fez? Sentei na cama e o quarto parecia rodar. mas. Usou roupas íntimas bem sensuais quando me chamou até seu quarto. senti algo estranho. Ao chegarmos. Quando me mexi um pouco. seu rosto empalideceu. Já passava do meio dia e. beijar. Insatisfeito.

Então. No dia seguinte.. O que a Sueli fez ao ver você sentado e sua irmã naquele estado? Ficou parada. Sabe. Posso afirmar. a Lúci a mudou muito. Devido a Sueli ter tanta a mizade com minha irmã. Mas naq uele instante pareceu o único jeito de despertá-la daquela loucura! Eu fiquei comple tamente insano. . os lençóis da minha cama estavam limpos.. A partir desse ocorrido. Depois de ouvir essas palavras. Quando me deitei definitivamente.. Você se relacionou sexualmente com sua irmã. Só que ela virou as costas e fo i embora.. a S ueli me ouviu e contou que tinha notado o comportamento estranho da Lúcia e disse que minha irmã me olhava com desejos de mulher... Baseado em que afirma isso tão categórico? Você bebeu muito. mas bem consciente . Lembro bem dos olhos dela e. sem que eu esperasse. chamei minha irmã para termos uma conversa. primeiro. Acho que foi a Lúcia quem lhe deu uma cópia da chave. outra. João. olhando friamente. Despertei com o corpo adormecido. e ela caiu. A não ser o fato de ela me beijar e eu a agredir. Estava calor e eu tirei a camiseta do pijama. só à camiseta ressaltou. Por um momento. Ela estava doente. tudo bem. A Sueli entrou no quarto e me viu em minha cama com a Lúcia nua! Como sua namorada entrou? Foi o pai dela quem vendeu aquela casa para o meu. Lembro que tomei um banho e v esti um pijama curto. tenho certeza de que não tive relação sexual com ela . Imediatamente eu lhe dei um tapa no rosto. Um dia. a Lúcia segurou meu rosto com as mãos e me beijou na boca. Não tive tempo de explicar nada! Num impulso. sacudi a Lúcia que acor dou parecendo ainda embriagada e fui à direção da Sueli. Ela chegou a propor o absurdo de um envolvimento ínti mo entre nós sem que alguém soubesse e o dia em que eu me casasse ou não quisesse mais .. A Lúcia entrou em um estado depressivo que se podia notar. Como vocês se encararam depois? Não nos falamos pelo resto do dia. Eu estava tonto.falava calmo. parecia outra pessoa que me olhava.respondeu bem seguro.Breves seg undos e Sérgio lamentou em tom triste: Como me arrependi por tê-la agredido. confuso e como se isso não bastass e. só falávamos o essencial. talvez tenha esquecido ! Eu estava bêbado. por que ela sorriu? Será que pensou ter acontecido algo? Não sei dizer por que ela sorriu.. Se tivesse acontecido a lguma coisa. Um tapa muito forte. confessou que me d esejava como homem e não como irmão. Aconselhei novamente e por várias vezes que fosse a um psicólogo. Levantei. Propus que ela fizesse um tratamento. olhava-me indiferente e até sorria! O que me deixava mais furioso. uma terapia. recordo ter sido na posição em que acor dei. Sabia o que acontecia apes ar da coordenação motora e do raciocínio estarem lentos. Fiquei aturdido com o que ouvi e mais transtorn ado quando a Lúcia disse que lamentava não termos nos amado na noite anterior. Para minha surpresa. De repente. Havia algo estranho em seu rosto. Depois a Lúcia disse algo que confirmou isso. Elas não foram de carro e na volta. Somente a Sueli conversava um pouco. minha mãe e com o nosso namoro. eu não estaria com a parte de baixo do pijama e. eu tive raiva e pena da minha irmã. ou não sabe dizer? O doutor Edison me fez a mesma pergunta. mas não o fiz. Pensei que dificilmente alguém acreditaria em mim..não dava e comecei a chacoalhá-la. Ela continuou a ter amizade com a sua namorada? Não. Ficamos alguns meses sem conversar. Falei tanta coisa. a Sueli insistiu tanto para minha irmã acompanhá-la até o shopping que ela acabou aceitando.. Isso confirma que nada aconteceu. . mas ela me agrediu com palavras. A Sueli propôs que esquecêssemos aquel e fato e me deu um apoio moral que eu não esperava. Ela chorou. não parecia ser a minha irmã. Eu entrei em desespero! Estava verdadeiramen te em pânico! Tive vontade de berrar. Sua boca sangrou e depois apareceu um hematoma em seu rosto. ao caminhar . Fui atrás da minha namorada para tentar me exp licar.. O que aconteceu? .perguntou o outro diante da demora. mas ela não aceitava. poderíamos esquecer nosso relacionamento.. Gr itei como nunca! A Lúcia segurava o lençol em torno do corpo. arranquei a Lúcia da minha cama e comecei a esbravejar com ela. Mas tenho c erteza de que não aconteceu nada.. significando que não havia me mexido muito e eu estava vestido do mesmo modo como quando me deitei.

A vida sexual é iniciada muito cedo. o que me deu força moral para não aceitar. Meu amigo! Precisa mos de uma longa e boa conversa. Os pais simplesmente estão ocupados demais e não reparam qu e os irmãos estão mantendo relações sexuais dentro da própria casa. mas ela não aceitou. Sabe. Às vezes acho que sim.. depoi s eu conto. Eu dormi no apartamento d a Débora e acordei. nas residências dos bairros mais sim ples e também nas favelas. Seria minha palavra contra a dela. não respeitando os meus planos de estudar e me alicerçar melhor na vida. A Débora passa por um momento delicado com a família... não ficam atentos. desviou para o cérebro e a matou. Sérgio sorriu. Isso se eu terminasse o namor o com ela. Sei que as informações completas e verdadeira s ajudam a encontrar soluções. Depois não. Que a Lúcia lhe contou que eu a seduzia para o incesto.. Ameaçar? Ameaçou contar para todo o mundo que viu minha irmã dormindo nua ao meu lado. A Sueli contou que a Lúcia reagiu depois de entregarem tudo. E a propósito. você conversou com a Débora a respeito de tudo isso? Falou sobre o comportamento de sua irmã? Não.. Mas espiritualmente falando. Não suportou a curiosidade e perguntou: O que você me diz de tudo i sso? Psicologicamente. m esmo sendo um homem experiente. Eu não posso me culpar. voltamos. O incesto acontece dentro das me lhores casas. foram assaltadas por dois homens armados que usav am uma moto.. tratamento. não me corromper com as op ortunidades provocadas pelo desequilíbrio da minha irmã. eu já era maduro e. Estou com uma ampla bagagem para analisar. mesmo! Sérgio.em do ponto de ônibus até em casa. você acredita que sua irmã reagiu dessa forma para se suicidar. Mil situações de se tipo acontecem e os pais não sabem.Suspirando fundo. acham que só ocorrem na casa do vizinho. Está havendo uma perda uito grande da transmissão de valores morais. você não imagina o quanto sofri com aqueles assédios.Vendo o colega pensati vo. gostoso.. ao dizer para a Débora que era minha noiva e tudo mai s. por conta do sonho. Outros i rmãos têm relações por medo de adquirirem o vírus HIV. O rapaz atirou e o projétil atingiu-a no rosto. . do irmão mai s velho contra a irmãzinha. mas assim que ela propôs casamento... você tem esses pesadelos só quando está na casa de seus pais ou eles ocorrem em outros lugares? Sempre foi na casa de meus pais. Eu só disse que tive um sonho estranho.. eu disse que não era o moment o e nos separamos. Coloquei-me na postura de paciente. e essas vítimas não falam pelo medo da ameaça. Ela cumpriu a ameaça? Não. É ótimo quando alguém é tão direto. Meu caso não é fácil e você sabe que nos últimos tempos o en vimento sexual entre irmãos vem aumentando muito. depois do que ela aprontou c om aquela história do celular.. Graças a Deus eu tive princípios de dignidade passados por meu pai . você já sabe. dos mais luxuosos apartamentos. Fiquei chocado com a sua morte. Há ainda o abuso do irmão mais velho contra o mais novo. omitindo fatos por vergonha. com as recordações. não me envolver. Ninguém vai acreditar nela. de súbito. falou como um desabafo: João. Até eu terminar definitivamente e ela me ameaçar. Foi aí que eu conheci realmente quem era aquela criatura. até a noite passada. verdadeiro e detalhista como você foi! Não demonstrou orgulho ou arrogância por sermos da mesma turma.. Não me sinto preparado para contar. Sentiu-se culpado pelo que ela fez? A princípio sim.. Vou esperar mais um tempo. E estamos vivendo um p eríodo muito bonito. Ela despertou com meu solavanco a o me sentar rápido. Incontáveis jovens comentem o incesto para se sentire m experientes quando chegar à oportunidade de praticar sexo fora de casa. Ficaria constran gido e preocupado com o que ela poderia pensar. Pais e filhos não se comunicam. Sérgio. tentando fa zer parecer um homicídio? Não sei dizer. Hoje tenho estabilidade men . Ela não me deu sossego e fez um inferno da minha vida. . pois inúmeras vezes pedi que procu rasse ajuda. Acreditam que entre eles será mais seguro enquanto não se relacionarem com outras pessoas. caso tenham relações com parceiros f de casa. Além do que. E a Sueli? Namoramos por algum tempo. mas foi pelo remorso por não conversarmos mais..

A ação dos espíritos inimigos O dia chegava ao fim naquela sexta-feira. Serei sincero. Quer dar uma olhada para ver se é conveniente? Claro! Sem dúvida. Esses sonhos são o começo da demons ração da atuação dos espíritos em suas vidas. P ara Sérgio aquela casa estava perfeita. A situação pode complicar. Acredito que existe um envolvimento espiritual muito intenso. Mas por que diz isso? Pelo que senti. sem perceber. Aquela introspecção durou longos minutos. pois muitas coisas aconteciam. Naquele momento. não s e abalarem e superarem os obstáculos para evoluírem. pode ser bom e aí você sai da polícia. algo como um presságio desagradável. Dependendo do salário. pintou e decorou com simplicidade. será fácil se propor a uma assistência espiritual e a Débo ra também. A namorada avisou que iria até lá. Ma s muita coisa estava para acontecer. Sérgio. Nossa! Olha que horas são! . E a prova disso são os seus sonhos constantes. Teve muito trabalho. Caprichoso. É um homem equili brado para levar uma vida normal. mas Sérgio pareceu indiferente às suas opiniões e contrariedade. El e parecia ansioso para lhe mostrar tudo arrumado. vão fazer o mesmo com a Débora. tudo bem. Tenho a consciência tranqüila e paz nesse sentido. Sérgio pensava em Débora. apesa r de ter enfrentado a revolta de Dona Marisa. quando sentiu um aperto no cor ação. mas com grande bom gosto. Sentia-se agradavelmente tranqüilo. O portão para a entrada l ateral do carro que poderia seguir pelo largo corredor até o fim com espaço para vário s veículos e o pequeno. pela família. Porém percebeu que existem seqüelas espirituais ou sentimentais resultantes do que lhe aconteceu. Pelo fato de você acreditar na Doutrina Espírita. Creia. O trabalho e mpolgante em arrumar aquela casa e pôr no lugar suas coisas onde seria seu novo re duto.. mas agora tudo estava perfeitamente no lugar e exatamen te como ele queria. Sérgio se encontrava paralisado no meio da sala de sua nova ca sa. que reagiu ferozmente ao vê-lo sair de casa. suspirou fundo e caminhou até a porta indo para uma área ladeada por muretas graciosamente baixas d e onde se podia ver as grades altas em lugar de um muro.tal e emocional por não ter me desmoralizado com as tentativas de sedução da minha irmã. 11 . mas agradável e delicado jardim que oferecia um toque especi al à frente da casa. O importante é você e ela terem forças para enfrentarem os desafios. Algo o inspirava para ac reditar em João. não vão perturbar e tentar d esequilibrar somente você. Eu gostaria de conversar com você e depois com a Débora. fez pequenos reparos.surpreendeu-se Sérgio. Falei para a Débora que passari a lá antes de ir para casa. Semanas haviam passado desde a conv ersa com seu amigo João. admirou o belo quadro de paisagem agradável na parede da sala colocado acima do sofá. Além disso. Imagino como se abalou. Tudo os impedia de se falarem melhor. a residência era próxima da clínica aonde ele poderia ir a pé se quisesse. Eles se levantaram e iam saindo quando o outro falou: Ah! Tem uma empresa considerável que quer contratar um psicólogo para trabalhar n o Recursos Humanos a fim de analisar o perfil dos funcionários a serem contratados . cobriu-o com um manto protetor e ele não se incomodou com a oposição de sua mãe. Você conhece alguém de lá? Os amigos saíram da clínica falando sobre o assunto que aguçou grande interesse de Sérgio.. É verdade. Olhou para o espelho colocado no corredor. Não queira saber o motivo. . porém estava demorando. hoje em dia o ato sexual entre irmãos está sendo ignorado pelos pais. mas nada comentou. meu amigo . Nossa! Você é um caso raro por não parecer ter traumas a respeito. Trazendo no rosto um leve sorriso. Tenho dois casos de incesto e os transtornos são . Em seguida. Sérgio ficou em silêncio e pensativo. Um momento como aquele trazia algo especial aos seus sentimentos. uma satisfação pela conquista. Assistência espiritual! Por mim. a razão ou qualque oisa do gênero. Os amigos não consegu iam conciliar um dia para irem ao centro espírita. o qual procurava estabilidade para as mudanças que planejava em sua vida.

Tudo é simples. ele quis saber de i mediato: Eu insisti tanto para que viesse aqui e. comecei a pôr as coisas no lugar. A clínica está indo muito bem!. Imediatamente entrou em crise de choro e curvou-se com as mãos escondendo o rosto. levou-a para olhar o que ele fez naquele dia. Acomodando-se melhor..ele perguntou.. a jovem sorriu ao confessar: Puxa! Quando vi aquele monte de coisa amontoada aqui dentro. Débora ficou verdadeiramente feliz e sem palavras.. Sérgio a abraçou procurando desc obrir o motivo daquele estado angustioso.. Pegando as coisas que a jovem trouxe. Está bom ou prec isa de mais espaço? Está ótimo! Eu trouxe só algumas roupas. Débora? Por que está assim? A jovem não suportou.. A seguir. Isso pode te trazer problema s na faculdade. fo i bem direto pela preocupação: O que aconteceu. convidou: Vamos? Débora secou o rosto com as mãos ao dizer: Parabéns.tornou ela com leve sorriso.. Ao terminar. ao mesmo tempo em que explicava e mostrava muitos detalhes: Arrumei esse quarto de hóspede ..riu ao avisar . Pediu. Não imagina como me sinto quando está trabalhando na polícia.. Embalando-a com afeto. Decidi pedir baixa da polícia. Não foi lá para o apartamento porque não quis. do horário fixo de manhã. . abraçou-a com carinho.Acomodando-a no sofá e ficand o ao seu lado. Depois você arruma do seu jeito . Ma s agora vai dar certo! .. exibiu o outro: Neste quarto aqui fiz o escritório e minha tão querid a biblioteca! Venha ver . sorriu e contou: Visitei aquela empresa que o João me indicou.chamou-a.Admirou-se. trazia nos olhos lágrimas de emoção. Goste i muito da proposta. Não acha? .. creme. o rapaz foi até o portão e o fechou en quanto ela descia do veículo. Existe todo um procedimento.Observando seu semblante sem animação. V ou sair de lá definitivamente. decidiu tomar um banho. .. espiando através da janela. levou-a até a suíte e. ele comento u: Acho que começo a colher os frutos e recompensas depois de tanto esforço e sacrifíc io! Temos muito que comemorar! . O namorado percebeu algo estranho em seu tom de voz. avisou sorridente: Coloquei tudo em ordem! Venha ver! Pegando-a pela pequena mão fria... Eu insisti bastante.. Puxando-a para junto de si. ao abrir o armário.. Eu adorei! . Não é tão fácil pedir baixa PM.afirmou. E.Olha ndo-o sorridente.Afastando-a com generosidade.Fez br eve suspense. beijou-a e após ajudá-la a pegar algumas coisas. Vamos sair para comemorar? Temos vários motivos! A casa está do jeito que eu quero. secador. você é muito caprichoso! Dando-lhe um beijo rápido. Aqui.disse ao fech ar a porta do armário. . Sérgio a afagava com carinho a o convidar: Vamos sair? ..Depois. Ab raçando-o forte.. Ele acreditou que não fosse algo tão grave . E logo se entusiasmou: Ah! Veja como esse banheiro ficou bonito! Realmente. fazendo-lhe um carinho. certificou-se de sua chegada. . mas não é para você! A suíte está à era! . Vou colocar suas bolsas aqui. mo strou: Reservei esse espaço para você guardar suas roupas e o que quiser. Para deixar aqui . Sinto um alívio. Fiquei três noites dormindo em meio das caixas! . meu bem . não contendo a felicidade que o invadia. Eu sei.Afugentando os pensamentos.riu. ela sorriu e comentou com jeitinho gracioso: Ficou lindo! Sérgio. lançando-lhe um olhar indefinido. pois ela estava bem ao chegar e pareceu feliz com a notícia de sua saída da polícia.sorri u. escutou o ba rulho do carro de Débora na garagem e. Indo ao seu encontro. mas agradável. É tão perigoso e nada gratificante. levando-a para a sala: Vem! Sente-se aqui.. não imaginei que pudesse arrumar tudo. E por isso que está assim quietinha? Não.. Não é como pedir demissão de uma empresa comum. Sérgio! Estou tão feliz por você! Nossa!. a namorada o abraçou com força. Vestindo rapidamente uma camisa. Circunvagando o olhar. Sérgio estava animado.... Mas eu iria para lá somente à noite e ficaria sozinho enquanto você não chegasse da universidade. perguntou: Quando vai deixar de trabalhar lá? Vou cuidar de toda documentação a partir de segunda-feira. As provas nem começaram e eu não tenho faltas.Eles se abraçaram novamente. propôs: Já que cabulou aula. .

Débora parou por minutos. Não fique assim.. Voltando a sentar onde estava. Vai arrumar outro e mprego melhor. Falava pausadamente enquanto uma e outra lágrima teimosa escorria por sua face: A princípio fiquei com raiva. fui avisada sobre a demissão.. quando estava chegando próxima a uma da s companhias.perguntou bem sério... Essas pessoas conhecidas tratavam-se de diretores para os quais e ncontrei locações ideais para as empresas que eles representavam. pois avisei que estava deixando a empresa on de trabalhava. Alguns goles e a moça respirou fundo..Afagando seu braço. eu terminei rapidamente o que prec isava e dei alguns telefonemas para pessoas conhecidas que trabalham em consideráv eis companhias. ela continuou: Eu não me importo com a vida particular das pessoas.. ... Quem sabe conseguirá um emprego na área em que vai se grad uar?! .. Você não sabe! .Cont ou sentindo um gosto amargo de decepção.. . explicou: Logo cedo.. Ao se recompor. até. Ela é legal e eu explicava sobre os negócios locatários em andamento. Animei-me e até esqueci o que meu pai fez.murmurou.. Porém não tenho nada com isso e sempre a trat ei bem e explicava as coisas com boa vontade. É amante dele. Vendo-a chor ar sem conseguir falar nada. Era alguém de uma das empresas que eu iria e um a secretária avisou que a vaga havia sido preenchida. tirou o braço de seus ombros. Talvez por eu não discriminá-la como outras pessoas fazem.. .. Não fique assim. Por eles afirmarem que necessitavam de funcionário co m meu perfil. pediram para eu comparecer o quanto antes.Fez pequena parada e comentou: Senti uma coisa . afagando -a no braço e contou com a voz embargada: Hoje eu fui demitida. conhece muita ge nte em diversas empresas. Pediram que eu passasse todo o meu serviço para uma colega. Três pediram para eu comparecer no período da tarde para uma convers a ou possível entrevista. disse a ela que meu pai pagou um considerável valor para que me demitissem. mas ainda apresentava um choro doloroso e lágrimas tristes corriam em sua face pálida. mas deram explicações evasivas do tipo: foi por corte de pessoal.Esperou por algum tempo e delicadamente forçou-a a se erguer um pouco.. Disse que ligou para eu não me dar ao trabalho de ir lá e. Débora se afastou do abraço e sem olhar para Sérgio. Quis saber o motivo. pedindo carinhosamente: Beba.. contr atos para fazer. Por que não?! É inteligente! Tem esse semestre!. Entregando-lhe o copo que foi posto so bre uma mesinha. Tem grande potencial. Todas disseram que realmente precisavam de alguém na área de marketing e pareceram bem interessadas e satisfeitas com o meu telefonema. assim que cheguei à empresa. foi até a cozinha e lhe t rouxe um copo com água adoçada. que estava de joelhos à sua frente. Não diga isso. Para contato dei o número do meu celular. seu a mante. Não tenho tanta certeza .falou aflita. contou quase chorando novamente: Eu não tive tempo de almoçar... essa colega me pediu segredo e contou que esse sócio. Só falta um ano para se formar! Como corretora imobiliária da área empresarial no centro da cidade. Fique calma. Débora. Após saber disso. Bem.. Você não sabe o que aconteceu. Seja o que for.Débora chorou novamente.falava animado.. Pegou o copo com o restante de água e bebeu. Você é competente. Acreditei que reconheceriam min ha perseverança e boa vontade. . Essa moça tem um caso com um dos sócios. vamos dar um jeito. Eu precisava acertar muitas coisas. Sérgio somente aguardou e sofreu por vê-la daquela forma.. Sentando-se ao seu lado. o meu celular tocou. submetendo-me a ca nsativas procuras para suprir todas as exigências. ela desabafou: Fiquei indignada! Por que ele quer atrapalhar a m inha vida?! Recostando-se em Sérgio. Nem se for só um pouqu inho.. falou de modo baixinho e carinhoso: Ei.. Logo você arruma outro em prego. . Quer contar? . ela olhou para Sérgio. ele a abraçou e argumentou: Seu pai fez isso a fim de que volte para a casa dele.. tirando-lhe uma das mãos com a qual encobria o rosto e disse: Exi ste solução para tudo. Saí correndo e.Bem sentida. sobrepôs o braço em seus ombros puxando-a carinhosamente para que se recostasse em seu peito e falou tranqüilo: Não fique assim.

. mas me controlei e voltei até a companh ia imobiliária que me demitiu. mas não dei importância. Ela já estava orie ntada para passar qualquer ligação para o diretor da companhia. Você me alertou... Você gostou dessa casa agora? Lógico! Claro que gostei . Fique tranqüila. Quando saí da casa do meu pai e brigamos. Se essa casa estivesse desse jei to no momento de alugá-la. a jovem permaneceu imersa em profundas e amargas reflexões. Pago o aluguel do apartamento. a jo vem se enfraquecia vencida por idéias pessimistas e rancorosas perdendo as esperança s. invadindo sua alma ao pedir: Responda sinceramente. Na hora eu quase chorei. celular. Agora vejo o quanto aquele a luguel é caro e desnecessário.Breve pausa e se revoltou: Não sou burra! É lógico que o desgraçado do diretor daquela imobiliária. silenciou de pois de lixado. Entrei com a desculpa de ter esquecido algo.Algum tempo e la mentou: Sérgio. A primeira vez em que eu a trouxe aqui para conhecer o lugar.. sem que eu perguntasse.. certo? Naquele dia a casa estava feia. Depois avisou: Débora. luz. que a eitou o dinheiro do meu pai. Até o rapaz despertá-la do silêncio. Meus gastos com alguns luxos são dispensáveis. Era alguém da outr a companhia me dispensando também. Sérgio a escutava com toda atenção e considerou para deixá-la mais calma: Pode ser uma coincidência. Mas eram grandes companhias! Isso vai me atrapalhar muito.. Sérgio! Não era o mome nto de eu perder o emprego. use-as até conseguir um novo trabalho. Por longos minutos. Sérgio. vai arrumar outro emprego o quanto antes. segurando delicadamente seu queixo. Acho que ninguém morou aqui por muitos anos! Eu nun ca imaginei que você pudesse deixá-la como está hoje! Vi e acompanhei tudo o que fez e estou imensamente surpresa! Preste atenção. Coincidência?! Não mesmo! Fiquei atordoada. torneiras enfe rrujadas. a univers idade e tenho despesas com água. Eu deveria desconfiar que isso pudesse acontecer. com pintura velha nas paredes.que nem sei explicar. Não tenho quase nada guardado. Depois de esperar muito tempo.. Não está sendo fácil! Você não tem alguma reserva? Se precisar. ainda é uma casa velha . deu as piores referências para eu não conseguir aquelas vagas! A jovem chorava enquanto ele fazia-lhe carinhos para acalmá-la.. . a recepcionista me chamou avisando que não pode riam me atender hoje à tarde e pediu para eu aguardar o telefonema deles. Não tente ser otimista. Seu pai não pode conhecer ou controlar t odas as empresas que existem. O portão que rangia como se fosse um efeito para filme de terror. O medo e a insegurança dominavam sua mente e seu coração. Depois de me dar al guns cartões. carro. mas sem empolgação. o preço seria dobrado ou triplicado. Foi tão difícil me control ar.chorou. gás. que ligaram de três lugares di ferentes pedindo referências e perguntando o motivo da minha saída. Acreditei que você estava exagerando. Eu não poderia me alterar. o condomínio. telefone. O mato crescido foi arrancado e no lugar cultivado um bonito jard im. Então cheguei à outra empresa e aguardav a o atendimento quando o celular tocou novamente e. roupas !. essa moça contou. Gastei com a decoração do apartamento e outras coi sas. Por mais que o namorado se esforçasse em animá-la com pensamentos positivos. Conver sei novamente com a colega para a qual passei meu serviço e. .falou em tom brando e algo explicativo par a alertá-la. pois age ndariam nova data para uma entrevista. nem todos os lugares vão se dar ao trabalho de telefonar para o seu antig o emprego pedindo informações a seu respeito. reparado pelo serralheiro. perguntei se ela poderia me indicar algum emprego.. Aconteceu que os muitos detalhes que a tornavam feia foram trocados o u consertados. sem exibir minhas des confianças. ele me disse que eu ainda correria atrás dele. pintado e lubrificado transformando-s e em uma peça clássica! Tenho certeza de que o valor da locação foi baseado na aparência d a residência antes dessa transformação e no desejo do proprietário de querer alugá-la a um preço qualquer somente por medo de ser invadida. afinal precisava ficar tranqüila a fim de causar boa impressão onde estava indo.. . . alimentação.respondeu com sinceridade. a mureta e o arco da varanda com reboque quebrado e o jardim era um ve rdadeiro matagal em miniatura. você quase não diss e nada nem reprovou a minha decisão de alugá-la. erguendo seu rosto e olhando profundamente em seus olhos.. Somente agora entendi. Foi dinhei ro jogado fora..

Entregue o apartam ento e traga suas coisas. parecendo tatear uma jóia preciosa. Não vou dizer que nos casaremos amanhã ou daqui a dois meses. Venda o que puder. pausadamente. além de nos conhecermos bem melhor. em seguida. Terá mais tempo e tranqüilidade para procurar um emprego de que goste sem tantas preocupações. c aso encontrasse dificuldade. É o mesmo que olhar através dos vidros sujos de uma janela: eles podem estar tão sujos q ue você não saberá que o sol brilha lá fora. mas eu só ten ho essa casa e quero que venha morar aqui. sem passar necessidades e co m relativo conforto. Vem morar aqui comigo . Sérgio .reconheceu angustiada... moraria com você.. seguro de si. Eu te amo muito. Não nos conhecíamos tanto quanto hoje. ela respondeu: Sérgio.. Quando al go não está bom e precisamos mudá-lo devemos arregaçar as mangas até conquistar o que dese jamos e nos sentirmos bem com isso! Débora. Eu quero e sei que teremos um filho. sofrer e sentir o que é feio e ruim. Viu em seus olhos ardentes um brilho úmido de lágrimas que rolaram lentas. Nunca precisei me preocupar com dinheiro. meu amor! Espere! Eu quero dar o exemplo de que nada é permanente. olhando-a com ternura. m as continuaremos tomando cuidado para não trazermos ao mundo um filho que não esteja em nossos planos ainda. nos meus propósitos. Fitando-a quase sem piscar. Mas.. Não a rmazenei o suficiente para o inverno que não sei por quanto tempo pode durar. mas vamos nos casar.Respiro u fundo e explicou ponderado: Só gostaria de pedir uma coisa. pausadamente prosseguiu: Tu do o que estou falando está nos meus projetos. ele tocou carinhosamente sua face quase fria. Com semblante sério.Você está me dando uma lição de moral por eu. Eu te amo! Te amo muito. Perderá tempo por só ver. a educação e o conforto que pudermos. mas preciso de um tem po. nem sempre conseguimos fazer nossos planos seguire m a ordem que desejamos. Aparando-as com ternura. incl usive da sua faculdade. beijou-lhe a cabeça e completou generoso: Não. porém antes precisam os alcançar algumas metas e estabilidade para dar a ele ou a ela todo o amor.. Ela sorriu docemente ao repetir com simplicidade: Lógico! Ficou um encanto e se parece com você! Por que insiste em perguntar isso? Por que eu te adoro. Gostaria de te dar todo o conforto do mundo. A bela face da jovem estava melancólica e exibia uma dúvida mesclada de conflito. olhando-a firme: Para me ajudar. Esteja certa de um a coisa: aqui comigo ficará mais segura. Afagando-lhe o rosto. não poderá ver as oportunidades a sua frente.. Hoje.. a at enção. planejada.tornou. ele falou. mas Sérgio.. Sérgio. Esqueci da fábula da cigarra e da formiga.. Bem. Débo ra permaneceu séria e murmurou em com sua voz delicada: É confortante ouvir isso. Mesmo trabalhando e me achando o máximo. Gostou mesmo desta casa? .. .. Meus planos são de ficar bem estabilizado. Interrompendo-a e a abraçando. Saiba que não viverá no luxo ao qual se acostu mou. . questionou no mesmo tom ponderado de antes: Por que não? Algo a impede ou tem dúvidas de seus sentimentos por mim? Não!. aperfeiçoar-me m ais com estudos para ampliar meus conhecimentos e ser um profissional melhor. eu morava na casa dos meus pais e não sabia o que era administrar financei ramente uma casa. Eu disse que. Só descobri isso quando fui morar sozinha. você não vai conseguir cul tivar um bonito jardim nem pintar as paredes da sua vida para deixá-la rapidamente nova e bonita. o rancor pela injustiça do seu ex-encarregado e a decepção pelas três portas que se fecharam. preste atenção! Se você continuar experiment ando o sentimento de mágoa pela crueldade de seu pai.. Não sei o que é se submeter à prova de reduzir as despesas.. . Podemos a rrumar tudo quando consegui-mos ver a beleza através do que parece feio. Par a mim não importa mais se viveremos juntos agora ou após casados...pediu com jeito apaixonado. Eu tenho como arcar com as despesas. Olhando através das dificuldades do momento. você pediu para eu ir morar em seu apartamento. .Fez breve silêncio.Alguns segundos para que ela refletisse e continuou: Débora. Estamos juntos há tempo suficiente para não nos importarmos mais com as críticas e comentários de quem quer que seja. minha vida virou ao avesso! Tudo aconteceu muito rápido. eu te amo muito! Concordo com tudo o que você propôs. con tornou vagarosamente seus lábios com as pontas dos dedos. Não acredito que . Contudo terá uma vida estabilizada. Acreditei que era cap az de me auto-sustentar totalmente. Naquela época fiquei um pouco preocup ado com comentários e críticas.Alguns segundos e perguntou: O que me diz ? A namorada estava perplexa.

Quero continuar trabalhando e terminar os estu dos. . Está certo! . inveja. enquanto apreciavam a pizza.pediu. Pre ciso de um tempo para pensar e. Poderia chamá-lo de cachorro e safado caso ele ficasse encostado na família e aproveitasse da bondade dos pais e dos irmãos para cuidar da mulher e dos filhos! Marcílio reagiu ferozmente. levantou-se e sorrindo a fez se erguer. na casa dos pais de Sérgio. dona Marisa ainda não se conformava com o fato do filho ter mudado. eu arrumo um emprego bem melhor. espalmando as mãos no peito de Tiago: Qual é cara?! Você é tão sem-vergonha quanto ele por que só sabem criticar sem saber o que é passar necessidade! Uma briga começou entre eles. levantou-se rápido.concordou ela. o senhor Inácio somente ouv ia a esposa esbravejar: Não é possível! Jamais pensei em ver tamanha frieza por parte do nosso filho! Quant a ingratidão! Bastou se formar doutor. indignação. verdadeiro alvoroço se fez entre espíritos horrendos.esteja desempregada e com tantas responsabilidades financeiras para assumir. na esperança de animá-la. Essas criaturas. Num tom de brincadeira. afinavam-s e e se satisfaziam através do comportamento e dos pensamentos inferiores dos encar nados. Completamente calado. sugeriu: Você também está cansada! Pegue uma roupa bem con fortável e vá tomar um bom e demorado banho! . Ao tempo em que tudo acontecia. interrompendo-o bem sério. feios e enferrujados! . Se até dezembro não tiver êxito. invisíveis ao plano físico. aproveitando-se de s eus fluidos. Na espiritualidade... Embalou-a com leveza e avisou: É tarde e acho que você não está com ânimo para sairmos.enervou-se Marcílio....riu ao avisar: O chuveiro da suíte está f uncionando e nenhum registro ou torneira estão velhos. questionou: Estão falando bem ou mal de mim?! Estamos falando do cachorro do Sérgio! ...criticou Marcílio. meu! Nosso irmão foi o m ais esforçado entre todos nós.. parecendo se esquecer do dia tão difícil que teve.Em seguida. Você pode me dar um tempo? . de repente. você vem morar aqui. O safado nem pra. Bem depois. angústia. Sérgio passou a comentar sobre outros assuntos. Esses espíritos imperfeitos inclinavam-se tam bém aos que assistiam sugerindo-lhes todo tipo de pensamentos conflitantes. Vamos pedir uma pizza? Desculpe-me! Você queria comemorar. pedirei a pizza. Ei! . estou tão cansado depois de arrumar t udo por aqui! . envolv endo-os emocionalmente. Olha como fala! Por que chamá-lo de cachorro e safado?! O Sérgio não merece esse tratamento não.Ao vê-la sorrir.. falou: Enquanto isso... mas. ter uma porcaria de um diploma. Não faltará oportunidade! E para ser sincero. Proponha-se ao mercado de trabalho. concordando com sua mãe. e ntre outras coisas. olhando-o com um medo estampado em seu se mblante pelo futuro incerto.indagou Tiago.. pra ele emp inar o nariz como se a gente não fosse nada à vida dele! Deixa o Sérgio! . Realmente preciso de um banho para relaxar! . O rapaz a envolveu num abraço amigo e gostoso. Tudo bem! Eu aceito! . Termine esse semestre na universida de. como que abraçando imediatamente os envolvidos na desavença e agressão a fim de incentivá-los à troca de d uelos de palavras vis e repugnantes.sorriu ao afirmar. se arranjou na vida e pensa que não vai precisar de mais ninguém! A senhora viu!. acabando de chegar. * * * No mesmo momento. Será como vo cê quiser. casos corriqueiros durante a compra de um móvel. Tomado de forte sensação enervante. Débora ficou atenta.alertou o irmão. f oi à direção do irmão e esbravejou ao empurrá-lo. Um dia ele pode preci sar da gente.Beijou-a rápido. esses espíritos levianos a proveitavam-se dos sentimentos de raiva. ciúme e outras más tendências dos encarnados e se revigoravam com suas energias. fortaleciam-se. Pode até acontecer o que você falou e. O Sérgio não levou nenhum de nós pra conhecer a casa dele! Só o Tiago foi lá! Ouvi meu nome?! . ta? Ah!. aí eu quero ver como ele vai voltar com o rabo entre as pernas?! Ele usou todo o mundo aqui em casa. sem ins trução e que se satisfaziam com brigas e discussões de qualquer tipo.

. mas não! Nessa encarnação nascemos . por isso contratei o empregad o a custo de jóias caras para dar um fim na Débora. Não suportei saber que ele preten dia ir embora para longe e começar uma vida com ela. movimentando-se como uma massa den sa. O próprio Mestre Jesus nos ensinou: Pede e te será dado . Não importa! Qual o problema de se unir a ela e assumir a paternidade? O que ir ia acontecer? Se ele tivesse retornado antes como eu ordenei. Os encarnados não podiam ver. E os mais sábios nos alertam e chamam de sujas as palavras de baixo calão. Passei a espiar. Mas ela me paga! Ela o fez se juntar ao inimigo e enfrentar minhas tropas! Não foi somente isso o que ele fez nessa época. dizendo que gostava de contemplar o céu estrelado ou tomar ar. mas algo como que nuvens escuras em tons marrom.. Principalmente quando se trata de seus desafetos. vez ou outra. el e se foi sozinho! Não me conformo com isso! Covarde! Eu disse que ele é um covarde! Naquela oportunidade poderíamos viver um grande amor. Nunca vou esquecer. eu enlouqueci! Pensei que existisse um Deus bom. ofensiva e hostil pronunciada oferecia mais vigor àque las energias espirituais extremamente inferiores. Aquela miserável era traidora. Tiago e Débora conversavam por horas. Uma espécie de lodo como secreções de corpos físicos em decomposição nos caixões. ela desaparecia e ninguém sabia dizer onde estava.. calcadas de botas fortes no andar lento de hom em. um dos soldados que desertou com ele. O Tiago. pois em nosso corpo espiritual. Eles i nvejam quem as cultiva. Covardemente desertou! Desertou por causa daquela mulher! . Por culpa do seu desprezo . mas também esse infeliz me desmoralizou. o espíri to Sebastião emanava energias ainda mais pesarosas. Ele acabou com a moral da minha família. O Tiago tinha um brilho intenso nos olhos quando estava com ela. Um bando de invejosos e orgulhosos . reencontrou-o e juntou-se aos revolucionári os farroupilhas. Comecei a ouvir. cinza e preto pairavam no interior de toda a casa. abandonando aquela que hoje. Ao partir para as batalhas contra o exército imperial a fim d e conquistar as vilas e cidades. Criticava minhas ordens e tudo que é comum de se fazer em uma guerra. irregular e muito feia.opinou a desencarnada com indiferença. Fazem de tudo para tentar destruir esse estado de paz.. é a Sueli! Como se não bastasse. Enquanto todos dormia m. afasta m-se. Por muitas vezes. grudando nas paredes como matérias fecais misturadas a ou tras excreções inenarravelmente repugnantes. Cada palavra indecorosa. Eu vi o sorriso gentil no rosto dela ao gesticular delicadamente com voz deng osa que atraía os homens. o in feliz fez o mesmo nessa encarnação! E lembre-se de que ele desgraçou a sua vida também! Mas você sabe que ela não esperava um filho dele. A criança era de outro. ficava e era designado a tomar conta da estância. procurando consolo Mas não! Depois do desespero e do enterro. em pensa mento ou não. mas estava enfeitiçado e não dava a menor importânc ia ao que eu dava a entender para persuadi-lo. Sustentando e se comprazendo com o que acontecia entre Tiago e Marcílio. mas. tendo ao lado o espírito Lúcia. encarnada. a felicidade e a harmonia são tormentos insuportáveis. pois ele precisava pegar os dois juntos. O espírito Sebastião.riu com sarc asmo. o Sérgio deixava a Débora em nossa estância. humilhou-me e me rebaixou no nível ma is inferior que pôde. avisou: Veja como realmente são aqueles que se diziam seus parentes..Trazendo um ódio cego encravado nos sentimentos. o espíri to Lúcia relatava com imenso rancor: Tornou-se um costume da Débora permanecer todas as noites na varanda.. plasmam-se exatamente energias espirituais mentais impregnadas por nossas palavras. Pensei que o Sérgio fosse correr p ara os meus braços. pois se movimentavam e se desl ocavam de forma anormal. teria se casado co m ela e nunca desconfiaria do filho não ser dele. Ah!. O Sérgio me prejudicou imensamente no passado. O Sérgio não merecia aquela mulher.Para esses espíritos.. quando não conseguem. no ca mpo energético que nos envolve e no ambiente onde vivemos e convivemos.. hipócrita!. observava tudo com satisfação. pensam entos e desejos.. mas nem sempre participava das pelejas. Sempre nos é dado o que pedimos para nós e para os outros. O Sérgio acabou com minha vida. meu s sonhos e esperanças. plasmando-as nos ambientes. Ele não só maculou o nome da minha f amília. Vol ando-se para ela.

Ao saber o que a Débora fez! . encontravam-se em luga r onde o agradável magnetismo parecia acariciar os sentidos. Ah! Esse é dos meus! Ele vai se vingar por mim com escárnio e muita humilhação! E o Sérgio ficará arrasado. Com crueldade. . informou em tom típico de sua vileza: Débora é uma tola. ele de u-lhe sermões e críticas... tem a Yara.. eu sofri. domi nar os desejos. Eu mesmo cuido dela para você! . faremos com que ele sinta tudo o que nos fez sofrer. Você só não sofre mais. induzindo-a a pensamentos conflitantes para continuar dominando-a e utilizando as disposições a fetivas de Lúcia para os seus objetivos de vingança.questionava.repetiu Sebastião.. É?! Vou dizer a verdade: eu o desejo como homem para usá-lo em favor de meus prazer es. forte e seus olhos são d e uma atração impressionante quando pareciam invadir minha alma! Eu era capaz de faz er tudo por ele! E o Sérgio a rejeitou! . dos bicho s te roendo e aquele cheiro insuportável. por isso quase enlouqueci! Dem orou. Além dela. zombando.. do corpo se desfazendo..Breve pausa. mentores de Sérgio e Débora. Sentia as dores do tiro. sensações e pesadelos alucinantes com o se eu fosse uma delas. Ele não aprovava nem respeitava minhas vontade s. mas tomei força e reagi furioso! Tanto ódio brotou por experimentar aquilo que consegui me libertar. eu o odeio por tudo o que ele já me fez. Sua vida não terá mais sentido e ele desejará a morte ao sabe r!. não foi? Falou que precisava de tratamento. 12 . Quero-o morto! E quanto à Débora.. O ódio e a raiva pelo Sérgio foram tão imensos que não posso deix ar de me vingar! Ah! Não! Sofri mais do que um cão e procurei o desgraçado porque prec isava fazê-lo sentir o que eu experimentei! Descobri que tinha reencarnado e eu ti nha passado mais de cem anos naquele tormento alucinado e doloroso por culpa daq uele infeliz moralista! Igual a você. T em o meu apoio.. Assim como fez com você. continuo u falando para persuadi-la: Eu sei o que você passou após morrer daquele jeito... passei por tormentos infinitos! Eu p arecia ouvir a voz dele ecoando todo o tempo em minha mente falando de moralidad e. justiça. depois de saber de tudo. Acompanhei tudo.. o Sérgio me torturou com seu s sermões moralistas! Desgraçado! Quando morri.irmãos legítimos! E eu o amava! Ele tornou-se um homem lindo. os espíritos Wilson e Olívia. um lixo e é por isso que ficou assi m depois de morrer! Qual era o problema de se amarem? . que te corroíam. pois a Sueli é uma filha fiel e se mpre pronta para me ouvir. longe dos pesadelos e das alucinações que enfrentou dentro do túm ulo. Agora eu vejo o Sérgio de modo diferente . meus atos. Ele se achou superior e a trato u como um lixo em decomposição! Repugnava seus sentimentos! É verdade! O Sérgio começou a me dar sermões e mais sermões moralistas! Cada vez mais oralistas! E eu me sentia suja..gargalhou sarcasticamente. Mas aquilo era impossível.Psicólogo Espiritual Rogando amorosamente a instrução e a colaboração influente de entidades de esfera sup erior. Como se o quê? .tornou ela. tem a minha ajuda . Com aquela moralidade hipócrita. com caráter possessivo e sentimentos mesquinhos por Débora. respeito. Foi difícil te ajudar.. sentindo intensa hostilidade .. porque eu te regenerei com as energias sugadas dele e te despertei p ara esse mundo real. Até parece que aquelas vadias que tomei à força não gostaram de ter um homem viril co mo eu! Desencarnado. de respeito! Sofri feito um desgraçado! Tinha alucinações que nunca paravam! Sentia dores como se!. Lúcia. Mas o pior eram os pensamentos de culpa que não paravam.. Fiquei cansado de ouvir suas conversas sobre dignidade. Sentia dores. ter boas práticas!. Sebastião admitia. fraca e ingênua! Será bem fácil e prazeroso ver a safada experimentar o que eu mais tive prazer de fazer com as vadias desse tip o! Sei que será fácil envolver essa desavergonhada. Mas agora. meus prazeres. imunda! Meus pensamentos ferviam e me corroíam! Isso mesmo! Sermões moralistas! . Juntos. fazendo-te pensa r que estava louca! Fez você se sentir um verme.quis saber Lúcia com frieza. Gritou muito. sentia a carne fedendo ao apodre cer.riu. perguntei: cadê Deus?! . atraindo-os a uma doce e suave meditação. e o Breno. Acor dou no caixão e sentia cada verme roer seu corpo.. as faculdades espirit uais.lembrou Sebastião. a irmãzinha desprezível e insignific ante com seus vícios.

sórdidos e sádicos. de ou: Paz em Jesus. O espírito Olívia. De suntuosa fonte. Tomamos a liberdade de invocá-la e pedimos a generosidade desse encontro aqui. Mesmo bem sofrido per ispiritualmente. Todo o ambiente era banhado de luz cristalina bem acolhedora. enquanto suave melodia se derramava em harmoni a aprazível. viva e alegre. amorosamente. Como não poderia deixar de s er. O semblante jovem e de nobres traços angelicais exibia alegria verdadeira. Majestosas colunas se estendiam lindamente do chão às alturas de cúpulas transparentes. a entidade indicou para que se senta ssem. em parte das paredes e de algumas pedras da fonte. Mais de um século.Abraçando-os com imensa felicidade. a fim de ver enternecido o coração. difícil de explicar. ficou contemplando o maravilhoso contorno do gr ande recinto. É difícil descrever. o piso era sutilmente tocado por sua vesti menta alva que possuía algo como substância luminosa. a fim de consultarmos seu s bons conselhos diante de tudo o que acontece ou está prestes a ocorrer aos nosso s pupilos. brotando fé e arrependimen to. parecen do leve e de mangas longas e largas que se ondulavam com suavidade. O espírito Sebastião está extremamente embrutecido . junto da hedionda brutalidade contra mulheres e crianças. gritou e chorou como verdadeiro louco não modificou seu estado vibratório. ele deveria desejar receber o amparo da providência Divina e os socorristas estariam a postos. acomodando-se frente a eles em assento que surgiu suave e instantaneamente como que nuvem sutil.. Precisamos ser cautelosos e pr udentes. Sorridente. expressou-se com i ncrível doçura aos visitantes: Agradeço a Deus as bênçãos de suas presenças! . ele desencarnou. Acomodações confortáveis. Algo como que suave brisa de aroma agradável despertou a atenção de Wilson e Olívia p ara a entrada da entidade que. Com humildade. deixando-se envolver e mantendo o s olhos cerrados ao permanecer introspectivo. sabemos o quanto é ocupada em trabalhos ne ste plano. pelo r isco que corre a missão desta encarnação tão planejada e por nós mesmos. Voltando-se à nobre entidade que aguardava sua manifestação. Não existe. Imprevistos severos ocorreram e tememos por nossos protegidos.retribuiu Wilson. mas. nada a que se possa comparar. Plena natureza sob a proteção excelsa de um salão usado para conversações muito elevada s nas escalas dos valores morais e espirituais.. ele infernizou a própria mente pelo mal praticado. surgiram no instante do relampejo do pensamento de Wilson. que se dispôs a sentar. comentou com amável respeito: Querida ministra e instrutora amiga. Assim seja! . em esferas superiores e até na crosta terrestre. Era impressionantemente bela! Com aparência translúcida! Usava uma túnica simples. práticas por prazer a seus vícios lascivos. Olívia trocou olhar com Wilson como se lhe pedisse a palavra. Depois de tantas batalhas com o emprego de crueldade desnecessária aos oponen tes.concordou Olívia. flutuando. pois seu corpo espiritual foi brutalmente danificado por sua co . Ao lado da fonte. o grande salão reluzia nas paredes uma claridade própria. não co ntendo o sorriso de felicidade ao vê-la. Existe muito ódio desejo de vingança no coração do pobre espírito Sebastião. esperavam. de onde luzes transcendentes cintilavam. Os tormentos vivenciados o consumiu por décadas. ostentando delicadas flores brancas. no pl ano material dos encarnados. Eles se levantaram. Por onde a e levada criatura deslizava.Revestido de sólidas energias edificantes. via-se incrível jardim que causava grande impressão pela beleza repleta de detalhes capric hosos em plantas e flores formosíssimas e agradáveis à visão. ouvia-se o murmurinho das águas límpidas correndo por uma parede de pedras até chegarem a delicados lagos que fascinavam por seus e spelhos de água. Os nobres irmãos encarregados do serviço de socorro em zon as tão sombrias receberam orientações misericordiosas para aguardar um relampejo de lu z e esperança em Sebastião. como que nuvens fofas. sua consciência o encaminhou a regiões muito baixas. Mas não foi o que aconteceu. meus irmãos! Que o Mestre a abençoe . E era dele que brotavam tr epadeiras similares a heras que imprimiam nobreza sublime ao esparramarem-se gra ciosas. mesmo assentando-se na magnífica poltrona de matéria encantadora à s ua disposição que parecia agasalhá-la.argumentou Wilson diante da pa usa. Ao leve gesto da mão delineada e graciosa. A esfera obscura onde gemeu.

desencarnado . que o condenava àquelas con dições turbulentas. A moral elevada de meu pupilo. Foi então que o espírito Sebastião passou a interferir. não parecendo surpreender-se co m toda a narração. harmonia e paz. Contudo. seus subordinados e nossos superiores. No entanto. S ebastião a tem como aliada a fim de usá-la contra Sérgio.Ela contem plou os presentes com rápido olhar. Ele p otencializou toda a sua raiva. no s lo XVII. pois. No entanto seu coração nobre se candidatou a tentar. Esse desequilíbrio sentimental in controlável vem de encarnações distantes. libertou-o do débito com o espírito Lúcia. Urrando como um a fera.nsciência e por outros espíritos de impressionante inferioridade que habitam aquela região. após revigorá-la com troca de energias mentais com o irmão. venerável mentora. Por isso. com tantas deformidades.Wilson terminou e ficou no aguardo de uma orientação. viveriam juntos e felizes. No planejamento reencarnatório de Sérgio. a livrá-la dos alucinantes sentimentos. como sugerindo reflexão: O Pai da Vida não é impetuoso. uma das propostas era ajudar sua irmã Lúcia a reverter os dese jos obsessivos por ele. Sebastião odeia. Sebastião não ficou atordoado e reflexivo despertando para a fé. quebrou o invólucro magnético criado por sua mente que o prendia naquelas co ndições tão sofridas. envolvendo-a em um intercâmbi o mental para que a moça se desequilibrasse e tentasse seduzir o irmão. Sua aparência humana está bem alterada. não apenas das duas últimas. mesmo Sérgio propondo-se a reencarnar como pai de Lúcia e educando-a sob pr incípios religiosos rigorosos. envolvendo e a tormentando aqueles a quem Sérgio quer bem. ele não conseguiu amainar a ob-sessão de seus desejos c arnais e lascivos por ele. Não há como mudar. nos último s tempos. V ersada no atributo de grande soma de conhecimento. o espírito Sebastião vem agregando espírito s tenebrosos a fim de vingar-se de Sérgio e Débora desnecessariamente. Temo por desastrosas conseqüências se meu protegido não suportar . E a sua consciência que o cobrou e o cobrará. nesta reencarnação. A o experimentar um breve instante de alívio na consciência. Jamais Ele emprega violência ou força brutal com a fin alidade de constranger ou agredir a mente de uma de suas criaturas. a generosa benfeitora ponderou por segundos e considerou em tom t ranqüilo e tênue. Devo admitir que jamais vi tão grande força do mal endereçada para esse fim. culpa e quer se vingar ao afirmar que todos os seus sofrimentos no plano espiritual. que teve muito trabalho com ela. O espírito Sebastião parece reunir uma fal ange de esferas obscuras com o intuito de grande destruição de todo o planejamento r eencarnatório proposto. Com meigo e terno sorriso. o amparo eficiente de irmãos espirituais. que o queimava como a dor terrível de um fogo incessante.argumentou o espírito Wilson. nesse aspecto. No entanto sua energia mental não teve uma reação positiva. em breves segundos de alívio mental. Com Lúcia desencarnada. todo o seu ódio e desejo de vingança. Sendo que isso ocorreu porque Sebastião e seus colaboradores do mal estão tentando fazê-lo desenvolver pensamentos e práticas imperfeitas. Suas Leis de equilíbrio para a evolução estão a consciência de cada uma de suas criaturas. Não demorou a se unir com os comparsas do passado e escravizar alguns pobres e spíritos recém-desencarnados e voltou-se para o objetivo de vingança. recebeu luz na consciên cia a fim de despertar fé. o que ela chama de amor. . o espírito Sebastião mergulhou nas reentrâncias de sua consciência. Sua perversidade parecia mais intensa e cru el. que podem ser consideradas monstruosas. o espírito Sebastião. se possível. Por acréscimo de misericórdia. que completou: Débora e Sérgio se encontraram. A serenidade e a atenção eram vivas mensagens silenciosas que revelavam compreensão e sabedoria no semblante delicado da amorosa e elevada entidade que os ouvia. essa oportunidade lhes foi impossível pelo ato cruel de Lúcia contra minha pupila. ele mesmo se surpreende com a própria reação diante de fatos isolados. no últ imo reencarne. Sérgio não se in clinou. Sebastião não admite que ouvisse e experimentou as acusações de sua própria consciência. apesar dos desafios e tarefas a realizar. para nos ajudarem em benefício de nossos p rotegidos e de muitos encarnados envolvidos. Por essa razão viemos lhe pedir sábias orientações e humildemente. . Sérgio não é impulsivo e reflete muito an tes de qualquer atitude. Sebastião usa condições e hab ilidades espirituais rudes de suas faixas vibratórias muito baixas. ficando receptivo aos bons conselhos. conseqüência de suas práticas. Wilson silenciou e olhou para Olívia. Por isso a procuramos . Há muito tempo. conforme predestinado. Para isso. foram por culpa de Sérgio que o repreendeu. a sábia instrutora Ia ryel lembrou: Deus é amor. Concordo com Olívia .

caso não receba auxílio de com panheiros dos planos mais elevados . através de expiações deploráveis. entre outras harmonizações. Quando encarnado. Precisamos de sua generosa intervenção. Elevada instrutora. Aliando-se aos revolucionários. no caso de guerra. Sérgio foi destinado a combater em uma guerra. pois é de natureza inferior a dos animais. por se tratarem de criaturas especiais em seu coração e reencarnadas por c . Vejo meu querido filho espiritual se torturando lentamente com as interf erências e influências diretas e indiretas do espírito Sebastião. apegado aos atos sórdidos. Isso nos sustenta em nossas provas. Sérgio o aler tou como pôde. foi providencial naq uela época. Naquela época. Quero ressaltar que o instinto de conservação nos foi da do por Deus. lei de ação e reação. Sérg io não tem culpa pelo que o pobre Sebastião sofreu. lei de efeito para as pessoas necessitadas em experimentar ou reparar os erros do pass ado. Sérgio prestou serviço a um exército e foi convocado para uma batalha. foi obri gado a usar suas armas e a força a fim de lutar com os opositores para se defender . orgulho. algo que impressiona! Pressinto a impotência espiritual de Sérgio para mobilizar força e vontade a fim de livrar-se da ostensiva obsessão. Ele ouviu um colega dizer isso e. . Repelir o que lhe an tecipa a morte do corpo físico é correto. o mentor ninoroso pareceu implorar: Venerável emissária. por exemplo.Pedindo hum ildemente.preocupou-se Wilson. pois foi por conseqüência dela que criaram as Le is para a não divisão desse país.. a justiça está sempre de um lado e há influência dos espíritos. No tumulto das bata lhas quase não existem mortes instantâneas. sabemos que os corpos físicos são disfar ces do espírito quando encarnado. Além de covarde. Preocupo-me pelo fato de Sebastião estabelecer uma falange tão perversa e destrut iva. Nesse caso. pois sem ele nos entregaríamos ao desânimo ou suicídio indireto. prazeres doentios e estranhos ao ser humano. tarefa e Débora deveria a mpará-lo. crueldade e out ras vilezas.confessou Wilson em tom de súplica. . Sendo assim.fazendo-o vivenciar as impiedades e as vilezas cometidas com lamentável prazer.pediu Wi lson com humildade. sabe que Sérgio tem uma importante. Com isso se atrasa na tarefa para a qual se propôs para este reencarne. por influência de Sebastião. ajudar com conselhos e su stentá-lo nas provas! O empenho por vingança. Contudo também conheço a sua extraordinária atenção por esses queridos encarnados sob su a tutela.. com o uso de fluidos criados para oper ar psicologicamente através da energia mental de desencarnado para encarnado é imens o. não de ixa de pensar no assunto. Espíritos por muito tempo inferiorizados no ódio. Teme deixar esse trabalho para não ter débitos morais. Encarnado. Vi-o ativo e fiel trabalhador na espiritualidade. Porém nada é eterno e tudo se transforma com o objetivo de renovação e melhoramento.expressou-se com ternura angelical . Sér gio precisava estar ali. O fato de o pobre Sebastião acusá-lo por seus alertas morai s é simplesmente uma fatalidade. Sérgio reluta em deixar de ser policial pelas necessid ades financeiras que o preocupam e por acreditar que foi criminoso ou bandido em vidas passadas. Laryel sorriu em sinal de compreensão bondosa e avisou: Conheço Sérgio. Nesse caso. Temo que eu possa ser incapaz de conduzir meu protegido pelo caminho do bem. Sebastião precisa acusar alguém. As criatura s de Deus são os instrumentos de que Ele se serve para atingir determinados fins . ele também seria culpado por omissão. Meus que ridos .Laryel sorriu levemente e lembrou: Numa guerr a. egoísmo. O fato de Sérgio desertar quando conheceu Débora e a salvou. nosso querido irmão presencio u muita dor e sofrimento. Sei de seu amor incondicional por todos os irmãos do caminho . Mesmo contrariado e angustiado com o que via.Laryel refletiu e comentou: Muitas coisas podem acontecer. o silêncio o tornaria cúmplice e conivente com os atos de selvageria . Mas cada caso é um caso. A revolução farroupilha xe benefícios a essa Pátria tão estimada. uma vez que ocupava posição subordinada ao comandante Sebastião. precisaríamos de sua amorosa intercessão. . pois se encontra em um nível muito inferior. Muito me assust aria se eu soubesse que meu querido Sérgio ficou calado diante de tantas atrocidad es. Mas ele acusa meu pupilo por tê-lo alertado . mesmo que haja dor a fim d e destruir o mal que há na criatura. acabam se personificando líderes de falanges. teve deveres a cumprir através das informações oferecidas sobre o que conhecia. querida Laryel . Sebastião e xibe energia peculiar à sua monstruosidade e força mental que emprega para interferi r nos pensamentos de todos. mas nunca usou de crueldade ou tortura covarde para com suas vítimas.

Os objetivos desses irmãos sem instrução são trazer angústia. Nosso querido Sérgio está experimentando incrível poder psíquico que tenta agir em sua mente. Por suas contáveis tarefas abnegadas. de mentes su periores ou inferiores. rogan do luz na consciência e crendo no amparo de Deus. Isso. de encarnado ou desencarnado. trazendo benefícios e criações mentais saudáveis. Só caberá a Sérgio a atitude e postura consciente para c riar forças interiores a fim de resistir a tão intensas energias mentais vindas de e spíritos e de encarnados que são transviados morais.A veneranda ministra aguardou por segundos.quase em lágrimas. para analisar. em seu inconsciente. comentou: O pensamento. tormentos e todo tipo de insatisfações. . dizendo mais ou menos assim: A água.Breve pausa e comparou: O médic o não pode dizer que a doença é indolor ou que o remédio é doce se não os provou. por vezes. elevação prosperidade ao homem de bem. ao mesmo tempo. Mesmo sabendo e entendendo que Sérgio aceitou vivenciar os efeitos obsessivos em fase do planejame . sempre com indizível serenidade. Vivenc iando tal experiência.tornou Wilson com humildade. al guém é policial pelo fato de ter sido criminoso ou bandido em outra encarnação. Voltando em forma de chuva ou orvalho. dedicandose a auxiliar nos mais diversos comportamentos da mente. empreendia humildemente suas faculdades. podem ser nossas. Ela refletia sem qualquer manifestação. nossos irmãos. é extremamente exagerada. depois continuou: Como a água. A função de Sérgio como policial o colocou na condição de sentir. que manipulam suas vítimas com rigo r. além de ocupação amorosa no exercício de socorro. as idéias que nos surgem. irradiando excelso magnetismo no olhar. Sérgio possui moral elevada. como tarefeira espiritual. curativas. Esse pode estar sob a influência de uma outra mente cruel e malévola. o mentor Wilson silenciou. baseou e ssa opinião em si mesmo. hoje. . Por conta disso. o pensamento pode est ar impuro. o que é ocupar uma posição superior e subalterna. respeito e certa apreensão . ele terá bem mais proveito no que almeja desenvolver no plano espiritual para ajudar muitas. milhares de criaturas de Deus. estará pur ificada e será benéfica às criaturas. Tal estímulo e método clínico os libertarão om facilidade das amarras psicológicas que os mantêm atados à força do pensamento de um irmão espiritualmente inferior. para Sérgio.ompromisso de elevação e amor ao próximo .Prestimosa e calma Laryel ofereceu sorriso leve e doce. mas se o elevarmos para as alturas com verdadeira fé e humildade. As conseqüências ou resultados variam e dependem da afinidade que a supos ta vítima se deixa ter com aquele que a quer dominar. e studando com primorosa abnegação e carinho a fim de estimular a força inteligente que há em cada criatura através da energia mental. em atividades no campo de coordenações dignas nos Ministér ios do Auxílio e da Regeneração. mas deseja essa evolução intelectual a fim de trabalhar indispensavelmente na espiritualidade com irmãos que ignoram o uso da psique e utilizam à energia de cr iações mentais destrutivas através da força do pensamento. evapora-se subindo ao céu. Diante da perplexidade de Wilson . crescimento intelectual em benefício dele como espírito.Aguardou e prosseguiu: Conhecendo nosso querido Sérgio. os desejos e os impulsos de uma criatura são control ados pelo poder do pensamento. o pensamento retornará suave e lim po tal qual a chuva. acredito que ele é capaz de reagir a essas idéias destrutivas. é algo a fim de agregar-l he evolução. Lá se transforma n as mais diversas e belas nuvens. é nobr eza espiritual experimentar os sintomas para estudá-los e compreendê-los em ação com a f inalidade de atuar em serviços de socorros aos irmãos necessitados. mas tudo pode acontecer. todos os demais ministros que trabalhavam com a excel sa emissária acatavam seus sábios conselhos ou orientações antes de tomarem decisões impor tantes. comparou com algo. sob pressão ostensiva de mui ta disciplina que. Lembremos que as palavras. As propostas e as idéias de Sérgio. . Venerada Laryel .sorriu de modo sutil. é er um: psicólogo espiritual . sem saber. Laryel. são: altear o intelecto. procurou contribuir com esclarecimento diante dos temores dos queridos amigos que ali estavam: Certa vez eu ouvi uma querida benfeitor-amiga ensinar que O pensamento é força viv a . . re speitando a reflexão de Wilson. E em um exemplo magnífico. O colega que desejou envenená-lo mentalmente com a idéia de que. Sua dedicação aos estudos psicológicos e empenho para ampliar os conhecimentos. Por sua elevação. a respeitável entidade Laryel possuía uma natureza superior que ul trapassava a capacidade de conhecimento e sabedoria dos ministros daquela consid erável Colônia Espiritual. no plano encarnado. por mais suja e infectada que esteja. à custa de duras provas e tra balhos incansáveis.

dores. não reage m e. Sofrem conflitos que os arrebatam deploravelmente. essas pessoas podem ligar-se mentalmente com espíritos impuros e vingativos que lhes sugerem di ficuldades. embolando-se em posição semelhante à fetal e co m aspecto tortuoso. destroem os órgãos do corpo físico a começar pelos neurônios. Não ignoro nada.nto reencarnatório. vai atrair p ara o corpo carnal a experiência dolorosa e enfermiça da decomposição lenta. A instrutora permaneceu em silêncio. Essa vingança é injusta. . vírus ou bactérias infectam o corpo físico e nele se multiplicam e atacam. que se tornam vi toriosas! São capazes de superar outras pessoas denominadas normais. a pessoa que os atraiu. ainda em vi da e até a contaminação virótica.. Encarnado s desse nível normalmente reclamam e a lamentação é uma doença mental de tratamento difícil principalmente na espiritualidade. Todos que possuem vícios são ass ediados por espíritos de níveis muito baixo. que o s perseguem e maltratam impiedosa-mente pelo prazer em fazer mal ou serem contra ao que o outro praticou. passando ter formato ovóide. fazendo suas células reag irem contra o mal. É a consciência de cada criatu ra que a castiga. em muitos casos. admitindo que e sses espíritos. por vício de reclamação. tendo em vista o número de aliados cruéis que têm o puro prazer de ver alguém se derrotar ou desistir de suas provas por ceder às inspirações obsessiva s. esses micróbios. experimentando o que provocaram. o desequilíbrio espiritual e mental. Com o poder de seus desejos e determinação.. O corpo físico simples mente obedeceu às ordens dos pensamentos do encarnado que. S em dúvida. deformam-se perispiritualmente. vemos outros encarnados nas mesmas condições deficientes ou doentias que reagem contra esses pensamentos venenos os. pergu ntando: O que dizer disso? . a pessoa pode ser capaz de destruir a moléstia. Nem por isso essas pessoas portadoras de provas expiatórias necessárias deixam de experimentar o ataque psíquico de desencarnados que as querem ver derrotadas. Já vimos portadores de deficiências fazerem de suas mentes ferramentas tão poderosa s em favor do bem-estar de si mesmas para as suas necessidades. sofridos e des gostosos dentro de seu próprio mundo. Alguns desses perseguidos sofrem. Por que elas são venc edoras e outras não? Por que um alcoólatra é capaz de vencer o vício e outro não? O que di zer dos dependentes de drogas que. Por outro lado. como que se embalando deformados.. em massa. Depois da pausa. dolorosas de outros espíritos inferiores também tiranos e cruéis. cegá-lo ou levá-lo a atos insanos de difícil reparação.Sem esperar.. Ou não. mas alguns viciados se libertam e outro s não. Fecham-se doentes. essas fortes sugestões mentais chegam a ter tamanha força. Seu rosto era sereno e sério pela gravidade do assunto. dominem suas vidas. aceitando a ligação mental com espíritos inferiores.. pelo cére ro perdendo a capacidade de concentrar-se e escolher. com grandes dificuldades. as células do corpo físico s e preparam para recebê-los. Outros. Quando aceitas ou criadas nos p róprios pensamentos. comentou: Sei exatamente o que se passa nesse campo. Despreparados para a espi ritualidade. Algumas moléstias os atingem por tempo limitado. Como se não bastasse. meus queridos. que fa zem à mente do encarnado atrair e proliferar princípios inteligentes microbianos ou viróticos para junto de seu campo mental. permanecem em estado de perturbação por longo tempo. mesmo encarnando em difíceis condições deficientes ou doentias. Ao mesmo tempo. o medo. a pessoa pode não se regenerar totalm ente. enfraquecem. crio u ou se ligou mentalmente a espíritos impuros. enfrentando as agr essões furiosas. As ligações mentais se tornam mais intensas com espíritos inferiores e certamente os levarão à promiscuidade sexual. enfraquecendo-se e diminuindo os anticorpos. e podem ser usados. desencarnam enfrentando a ignorância.. Ex istem encarnados que sofrem por lições expiatórias. exibindo no perispírito o que fizeram. mesmo com tantos alertas sobre o perigo do us o de entorpecentes. agregados ao mal. a fastam-se do perigoso vício. não esperávamos a imensa organização espiritual simpática ao líder crue ue tem o intuito de destruir meu pupilo com terríveis tramas e ataques para desequ ilibrá-lo. insistem e utilizam à substância alucinógena e excitante? Alguns não aceitam a proposta do uso de entorpecentes. à prostituição. explicou: Quer dizer que aqueles que não se libertam das ligações mentais inferiores. Em casos de lições expiatórias. Sebastião ara um ataque covarde.Alguns segundos e prosseguiu. pensamentos enfermos. em extrema infelicidade. . vingativos e zombeteiros. na p rimeira oportunidade. Mas existem os que se inclinam às más tendências e não domina m os pensamentos. o sofrimento e o pavor pelo que fizeram aos seus corpos físicos e espirituai s. Então. E os que continuam se prendem a fantasias inúteis e passageiras. enlouquecê-lo. mas também não sofrerá como a outra.

por outros espíritos insensíveis e cruentos, como instrumentos a serem como que ima ntados a encarnados, a fim de que esses passem a sofrer os efeitos das chagas de sses sofredores ligados. Outros, ao saírem do estado de perturbação, no afã, na ânsia da a flição extrema, da raiva pelas necessidades impressionantemente desesperadoras por s eus vícios, pelo fato de se encontrarem em outro plano, que é um mundo muito mais re al do que o dos encarnados, juntam-se a grupos de espíritos viciosos, verdadeiros vampiros de encarnados com diferentes experiências viciosas como: doenças, viroses g raves, moléstias, incômodos ou sofrimentos físicos e morais, dependências químicas, fetich ismo, compulsivos sexuais, sádicos sexuais, masoquistas sexuais e muitas outras pa ra filias, ou seja, distúrbios psicossexuais, além de crueldades das mais diversas e tantos incontáveis vícios. Deformados, sofridos e revoltados, esses desencarnados, junto do seu grupo afim, darão continuidade à vampirização de encarnados através dessas li gações mentais. Por que alguns se libertam e outros não? Por que alguns ficam em condições de serem socorridos e outros não?- Ofereceu segundos para a reflexão e novamente questionou: Em favor desses irmãozinhos desencarnados, que sofrem torturas indizíveis, o que pod e ser feito, em termos de trabalho espiritual, para ajudá-los a se reerguerem vito riosos com a bênção de Deus? Não preciso explicar que meu querido Sérgio, encarnado atualmente, procura desenv olver o seu atributo da inteligência com a finalidade de elevar sua faculdade inte lectual e fazer progredir o processo de socorro a essas mentes ainda tão ligadas, dependentes, prisioneiras de espíritos escravizados pelo vício que se inclinam ao ma l pelo estado mental doentio. Respeitável instrutora - argumentou Olívia, com certa timidez, após a longa pausa , desculpe-me a pergunta, mas... Essa inteligência ou a busca do desenvolvimento des se atributo intelectual não poderia ser feito por Sérgio somente na espiritualidade? A inteligência só pode se manifestar por meio dos órgãos materiais. Somente a união c o espírito dá inteligência à matéria animalizada5 , ou seja, a matéria do corpo físico. As dades intelectuais sempre evoluem no plano material. Infelizmente nem todos a us am para o bem, entretanto serão responsáveis por isso. O espírito com elevação moral ampli a ou desenvolve suas faculdades intelectuais e, ao retornar para o plano espirit ual, é capaz de compreender melhor o que aprendeu e vivenciou. Assim torna-se capa z de desenvolver mecanismos ou estratégias usadas para o bem que permitirão o auxílio, o amparo, a melhoria de vida aos encarnados ou desencarnados necessitados daque le benefício. Como exemplo, posso dizer que espíritos grandiosos reencarnaram e acom panharam a problemática de situações hospitalares e de diversos pacientes. Voltando à pátr ia espiritual, desenvolveram mecanismos que, hoje, auxiliam a monitoração de pacient es, o diagnóstico mais rápido de enfermidades, equipamentos de processo artificial q ue auxiliam a respiração e muito mais. Eles agiram e agem no anonimato após o que cria ram e colocaram em prática, influenciando outros encarnados a aprimorarem o que fo i produzido. Grandiosos espíritos agem no silêncio, pois não querem receber seus galardõe s na Terra e sempre agradecem a Deus pela oportunidade de trabalho terreno que au xiliou novas atuações na espiritualidade. A abnegada ministra fez longa pausa. Em seguida Laryel, nobremente, deixou su as emoções aflorarem, permitindo-os conhecer melhor o seu coração misericordioso, replet o de amor aos queridos encarnados, quando seus olhos cristalinos Irradiaram inte nsa luz pelas lágrimas que banharam sua face serena, de beleza suave e sublime, af irmando com generosidade e ternura: Meus queridos... Eu compreendo a preocupação que os invade, pois também sei e sinto o quanto essa tarefa será difícil, podendo deter nossos amados se eles cederem às per turbações obsessivas. Quando Sérgio solicitou tal desenvolvimento de trabalho, que vis ava a uma forma de projeto e resultado de tamanho auxílio a encarnados e desencarn ados, fiquei feliz, mas algo me perturbou o coração. Contudo lembrei-me de que essa sublime criatura, em tempos remotos, prometeu-me amparo e apoio em tarefa de sem elhante oportunidade para meu aperfeiçoamento e elevação. Nos imprevistos daquela jorn ada, ele foi rapaz de dar a própria vida para que eu prosseguisse. Pensando nisso, prometi ajudá-lo em trabalho evolutivo do qual sei que milhões não o querem atuando. Agora encarnado e atuante ao que se propôs, é inevitável que nosso querido Sérgio sof ra grandioso ataque de espíritos inferiores. Não desejam que suas vítimas tenham suas mentes libertas das terríveis ligações mentais. Esses encarnados ou desencarnados volt

ados ao mal, terão dificuldade ou até não conseguirão mais vampirizar como antes os enca rnados que se esforçarem para essa libertação e passarão a viver diferentes, livres. Pes soas que usarem suas próprias energias mentais, reagindo contra os pensamentos dep rimentes, depressivos e viciosos sem reclamações, trocando-os por sugestões e idéias pos itivas poderão experimentar uma vida mais promissora repleta de ânimo, independente das condições expiatórias ou provas difíceis que possam se submeter. Elas não terão mais se s corpos e mentes infectados pelos desejos viciosos, se vencê-los. Não serão mais escr avas de doenças imperceptíveis, limitações prostrativas, deficiências intermináveis, vícios ráticas no mal... Lembremos de que um complexo de aparelhagem para fins terapêuticos e métodos cirúrg icos de última geração, que salvou a vida de muitos, pode não ajudar algumas pessoas. Se ndo assim, logicamente a proposta de Sérgio e de tantos outros encarnados e desenc arnados que se propõem a essa renovação, não é mágica para mudar total e instantaneamente a criaturas desse mundo de provas e expiações. Entretanto, se seu trabalho resultar n o auxílio para libertar a mente de muitas vítimas, aumentando o número de almas que se regeneram, isso é um grande sucesso. Estudando e se aprofundando em muitos casos clínicos, ao retornar para a espiritualidade, Sérgio usará essa elevação intelectual para o desenvolvimento técnico ou um método de minimizar essas conexões dependentes e destr utivas que ligam à mente de um espírito a outro e outros psicólogos espirituais o auxi liarão. No orbe terrestre, profissionais na área da Psicologia Analítica receberão benéficas inspirações e influências de espíritos elevados. Isso com a finalidade desses psicoterap eutas se inclinarem à técnica de fazer uma abordagem da problemática humana além da vida , antes do nascimento, ou seja, serão psicólogos com uma visão reencarnacionista, atra vés de uma Psicologia Reencarnacionista, que é a única capacitada para perceber, de fo rma ampla, verdadeira e não preconceituosa, o indivíduo, pois esses psicólogos sabem q ue podem ter à sua frente um paciente que é exatamente o reflexo do que ele foi num passado distante ou não, por isso vai respeitá-lo e tratá-lo como a semelhante digno d e atenção e auxílio. O amor e a fidelidade profissional e espiritual desses psicoterap eutas transcendem aos limites da matéria e da dificuldade atual, pois estão cientes de que não adianta só cuidarem da consciência atual, é preciso preparar e equilibrar a m ente, o espírito, a alma... A psique. - Observando-os pensativos, avisou: Estaremo s atentos a Sérgio, principalmente por tantas tentações que usarão contra nossa amada Débo ra para desesperá-lo e levá-lo a cometer insanidade que mais tememos. Um simples des vio, uma pequena falta de vigilância e minha querida encarnada será vítima inocente de crueldades indizíveis, humilhantes e não terá como se socorrer, a não ser pela fé e esper ança. - Breve instante e aconselhou: Continuem atuantes, atentos e vamos aguardar. Inspirem seus protegidos. Principalmente você, Olívia. Temo por minha querida Débora, que é o apoio, o incentivo, a sustentação, a inspiração de Sérgio. Sem ela, ele precisará muita força e extremo amparo. O amor verdadeiro que os une ultrapassa os limites s ublimes que muitos desconhecem, e Deus assim os abençoa pela elevação que alcançaram jun tos através de trabalhos úteis de muitas eras. Um profundo silêncio reinou. Toda tranqüila explicação da doce Laryel foi simples, porém chamando-os à seriedade da responsabilidade. Humilde e respeitosa, ela ofereceu generoso sorriso e se ergue u ao ver os dois mentores se levantando. Obrigado, querida benfeitora. Perdoe-me... Não deveria me desesperar - agradece u o espírito Wilson com sinceridade. Sou grata por nos receber - disse Olívia na sua vez. Usarei de toda a força de me u coração para cumprir a tarefa abraçada, inspirando minha protegida em qualquer situação e rogando incessantemente a Deus para que ela atente aos bons conselhos. A ministra Laryel abraçou carinhosamente cada um por longo tempo. Segurando-os na mão, olhando-os com radiante magnetismo, afirmou docemente: Vão em paz, meus queridos. Deus os abençoa. Lembrem-se de que o conhecimento ampl ia a verdade e nos liberta. Agiram corretamente ao virem me procurar diante dos fatos, pois a busca justa por amparo exibe a fé e o amor em todos os aspectos, lig ando nossa mente a esferas mais elevadas e garantindo a pureza de pensamentos be nditos. Tenho certeza de que sairão daqui melhores do que chegaram. E, conforme mi nha promessa a Sérgio, estarei com vocês. O jovem rosto delicado da respeitável Laryel espargiu uma luminosidade sublime

e abençoada ao formoso sorriso amoroso. Os visitantes estavam sem palavras e, naquele momento de despedida, experimen tavam o desejo de ficar naquele lugar superior de vibrações seculares, clima encanta dor e em companhia daquela elevada criatura. Estavam recompostos e revigorados d e energias salutares. Beijaram-na mais uma vez e se encaminharam para uma larga porta com contorno de arco. Alguns passos e Olívia olhou para trás quando Laryel, simplesmente, havia desapar ecido. 13 - O desespero de Rita

Na penumbra do quarto iluminado pela luz baça daquela manhã morna, Sérgio acordou, olhou para Débora que não se movia e dormia profundamente. Levantando-se, foi para a sala onde espiou através da cortina vendo o dia nublado e úmido. Preocupado em não de spertar a namorada, tomou um banho demorado no outro banheiro. Na cozinha preparava um café a fim de que a bebida lhe desse disposição e, enquanto fazia isso, recordava-se da conversa que teve com a namorada na noite anterior. Lembrou-se de que não teve dificuldade para adormecer como vinha acontecendo. Iss o talvez por tê-la a seu lado. Contudo depois de uma hora de sono, acordou várias ve zes com o coração acelerado e a pele suada, acreditando ser pelo fato de, durante a madrugada, ouvir o barulho do vento forte uivando na janela e escutar as folhas e os galhos da árvore roçando o muro da casa provocando estalidos estranhos e isso o incomodou. À noite mal dormida o deixou sem ânimo. Não sentia a mesma tranqüilidade do dia anterior. Sentado à mesa, experimentava vagarosamente a bebida fumegante, sent indo-se apreensivo com seus sonhos. Excepcionalmente, naquela manhã, não tinha qualq uer recordação deles, pois somente sonhos daquele tipo o fariam acordar daquela form a várias vezes. Esses pesadelos estão longe de serem inofensivos e insignificantes , pensava Sérgio com algo de raiva e repugnância contra a experiência. Para mim eles estão começando a se tornarem perigosos. Acredito que o jeito de acabar com isso seja... . Suas idéias foram interrompidas pelo som da campainha. Ao atender, ele sorriu r econhecendo seu irmão Tiago aguardando, parado de perfil. Ao ir abrir o portão, Sérgio ficou sério ao olhar melhor para o rosto do outro, perguntando assustado: Entra logo! Cara! O que foi isso?! - tocando de leve na face machucada e com destacados hematomas, não se conformou: O que aconteceu?! Tiago não respondeu de imediato. Entrando na casa, foram para a cozinha onde, a pós se sentarem, o rapaz pediu: Dê-me um pouco desse café, aí! Servindo-o, Sérgio não conseguia disfarçar a inquietude e a preocupação. Sentando-se à s a frente, tornou a questionar: Você andou brigando?! O que aconteceu? Foi o Marcílio... O quê?! Mas... Como?! Você nunca se envolveu nas brigas deles! E entre eles as co isas são resolvidas aos gritos! O Marcílio a agrediu e você foi defender? Espere, Sérgio! Dá um tempo! Ta?! Insatisfeito, calou-se. Conhecia bem Tiago e sabia que o irmão não era agressivo e não se envolvia em duelos de palavras ou agressões familiares. Após algum tempo bebericando o café na xícara envolvida com as duas mãos, Tiago suspi rou fundo, tirou o boné e mostrou ao outro, dizendo: Olha, foram cinco pontos aqui - apontou sem tocar o ferimento , mais três aqui e dois na sobrancelha. Acabei de sair do Pronto Socorro. Estava bem lotado... Dem orou tanto para eu ser atendido e... O Marcílio fez isso?! - perguntou Sérgio, perplexo. Foi. Você prestou queixa? - tornou indignado. Ora, Sérgio!... Isso o deixaria preso pelo Regulamento Disciplinar da PM e... P uxa!... E meu irmão! Mas ele não se comportou como seu irmão! Olha isso! Já se viu no espelho?!

Espere aí - pediu Tiago. Eu vim aqui pra você me ajudar e não me deixar com mais pr oblemas. - Segundos de pausa e comentou: Não posso aparecer assim amanhã para trabal har. Preciso dar uma explicação e documentar o fato. No pronto socorro eu disse ao i nvestigador que reagi a um roubo e... Sérgio, pense bem... Somos militares e você sa be que o Marcílio está com o prontuário tão sujo que... Se eu prestar queixa na delegaci a dizendo a verdade, ele seria indiciado e preso. Se Marcílio fosse civil, a coisa seria diferente. Mas o fato de ser militar... Será aberto um Inquérito Policial Mil itar e ele será preso pela corporação, cara! O prontuário dele está repleto por comportame nto inadequado! Essa acusação nova pode até levá-lo a enfrentar um Conselho de Disciplin a! Pense nisso! E se ele for expulso por causa disso?! E o que você quer que eu faça? - indagou Sérgio mais brando. Venha comigo até a delegacia. Tenho de prestar queixa ainda hoje. E para lavragem do Boletim de Ocorrência você irá mentir, certo? Sem dúvida. Não posso fazer diferente. Não quero ter a consciência pesada por deixar meu próprio irmão em situação mais complicada do que essa. Isso aqui passa!... Tenho tud o pensado. Direi que saí de um baile quando tentaram pegar minha carteira. Eram do is pivetes, mas com estrutura física avantajada. Eu reagi. Nós nos atracamos. Um peg ou um pedaço de pau e fez todo esse serviço - disse, contando para o próprio rosto. Tudo bem... Vou com você, mas antes come alguma coisa Levantando-se e arrumando a mesa para servir-lhe um desjejum melhor, falou: T enho queijo, pão, leite... Obrigado por estar nessa comigo, cara! Fico te devendo! -agradeceu Tiago com leve sorriso. Mas antes de irmos até o DP, você vai me contar exatamente o que aconteceu. Tiago abaixou o olhar e contorceu a boca, expressando insatisfação. Minutos depoi s, deixou Sérgio a par da situação: ...não agüentei e começamos discutir. Então o socou! - deduziu Sérgio. Não! Longe disso! Quando eu falei alguma coisa referente a nós dois não arrumarmos mulher e filhos nos aproveitando da família... Eu não esperava, meu! Pensei em ir pa ra o meu quarto, mas nem deu tempo! O Marcílio veio feito um bicho pra cima de mim e me empurrou com as mãos várias vezes. Trocamos ofensas. Nós nos xingamos de tudo qu anto foi nome... Ele desfechou um soco e eu desviei, mas... Mas?... O quê? Fiquei com medo de quebrar o cara, né! Além dele não ser como a gente, é nosso irmão. Mas deixou que ele te quebrasse! Não! Tive de pensar rápido, Sérgio! Sou faixa preta. Tenho um treinamento rigoroso no serviço e fora dele! Sou bem diferente do Marcílio. Dei uns pés na orelha dele para enfraquecê-lo, mas sem machucar e tinha a intenção de sair dali na primeira chance. Q uebramos toda a cozinha da mãe. Enquanto isso a mãe gritava, fazendo o maior escândalo . A Ana chegou e aí a coisa piorou. Eu só queria imobilizar o Marcílio, não iria machucá-l o. Não sei onde o infeliz arrumou força, livrou-se de uma chave de braço e arrancou o pé da mesa, que é de ferro, e veio novamente me atacar. Dei um pé no peito dele, mas a mãe se pendurou em um de meus braços e a Ana no outro. O pai me segurou com uma gra vata no pescoço... Foi aí que me danei! O Marcílio me socou e usou a perna da mesa pra fazer todo esse estrago. Não tive como reagir. Tinha medo de machucar a mãe, a Ana ou o pai... Fiquei todo unhado pelas duas e... - Instantes de silêncio e comentou: Foi só isso o que aconteceu. E depois que me viram apanhar o bastante, soltaram-m e. Não sei dizer como peguei meu carro e saí. Fui para o Pronto Socorro. Lá desmaiei e só depois um investigador conseguiu conversar comigo. Daí, falei que era PM. Identi fiquei-me e inventei a história do roubo. Ele queria providenciar uma viatura da P M para me dar apoio, mas eu disse que chamaria meu irmão. Por que não me telefonou, caramba?! Eu iria lá! - irritou-se Sérgio. Não queria te incomodar. Sérgio abaixou a cabeça e esfregou o rosto com as mãos sem saber o que dizer. Naquele instante, Débora chegou à cozinha. A jovem estava descalça, usando uma cami seta do namorado que lhe ficou larga, porém curta. Seus cabelos estavam bonitos co m o desalinho natural, enquanto seu rosto, com expressão de quem acabou de acordar , resplandecia certa beleza encantadora pelo sorriso que se fez ao ver o irmão de Sérgio sentado e reagindo de um jeito diferente.

Tiago mal a olhou e recostou a testa na mesa, dizendo constrangido: Puxa, meu!... Desculpe-me, Débora... - Erguendo o tronco, segurou a fronte com as mãos, apoiou os cotovelos na mesa e comentou sem encarar a moça: Oh, cara! Você dev eria ter dito que a Débora estava aqui. Eu não queria... Pare com isso, Tiago! Qual é?! - interrompeu-o de imediato, expressando meio so rriso. Sem graça, a jovem falou quase murmurando: Bom dia, Tiago! Desculpe-me, você... O rapaz nem a olhou continuando como estava. Aproveitando-se que o irmão estava com a cabeça baixa, Sérgio sorriu para ela e deu-lhe um sinal discreto pelo fato da camiseta usada ser inadequada para aquele momento, por ser curta e quase transp arente. Débora entendeu rapidamente e pediu em tom educado: Só um minutinho... Eu já volto! Logo Tiago encarou o irmão perguntando bem sério, quase irritado: Por que não me disse que ela estava aqui?! Puxa, cara! Qual é, Tiago?! Você é meu irmão! Não tenho nada para te esconder. Mas ela é sua namorada! Já devo ter atrapalhado o bastante! - disse levantando-se . Sérgio foi rápido, segurou-o pelo ombro e braço, pedindo: Você nunca me atrapalhou. Sente-se aí! Solta... - gemeu. Ta doendo muito!... Desculpa. Senta e fica tranqüilo. Assim como você, ela não sabia que tinha alguém aqu i. E eu não vejo qualquer problema. - Sorrindo, avisou: Acho bom se acostumar com a presença dela nessa casa! Tiago sorriu e, apesar de sentir-se um tanto envergonhado, perguntou: Está levando esse compromisso a sério mesmo, né?! Estou sim, cara! - Confirmou, ao sorrir de um modo apaixonado, quando revelou : Adoro essa garota! Ela me dá segurança, de alguma forma. Seu jeito, seu modo de fa lar... Ela é muito legal! Não parece essas minas fáceis que têm por aí. E muito educada... Es ou torcendo por vocês! E feliz por ter uma cunhada decente! - riu. Débora retornou à cozinha vestida com suas roupas. Comportando-se como se nada ti vesse acontecido. Sorridente, aproximou-se de Tiago, curvando-se para beijá-lo e c umprimentá-lo: Bom di... - interrompeu o que dizia ao olhar melhor o rosto que tentava escon der com o boné. Assombrada, exclamou: Meu Deus! O que aconteceu, Tiago?! Trocando olhares com o irmão, Tiago não sabia se ele gostaria que ela soubesse qu e aquilo era o resultado de uma briga de família, dissimulou e riu ao dizer: Já te contei tudo, Sérgio. Agora vou comer porque estou morrendo de fome. É a sua v ez de explicar o que houve! Ainda alarmada, Débora se curvou, tocou suavemente no rosto ferido, puxando-o p ara ver o outro lado da face e olhou os pontos na cabeça quando o rapaz tirou o bo né. Não querendo perder tempo nem assustá-la, Sérgio resumiu: O Tiago se machucou em uma briga. Foi medicado no Pronto Socorro Público. Vou a companhá-lo até a delegacia para fazer um B.O. Depois iremos ao Hospital Militar, po de haver alguma fratura e... Somente o médico da PM pode dispensá-lo por alguns dias por suas condições físicas. Ele não pode trabalhar assim. Acho que tive alguma torção no tornozelo. Veja como está! Meu Deus! - exclamou a jovem não acostumada a ver pessoas feridas. Somente um m arginal para fazer isso! Cachorro! Safado! Sem-vergonha! -protestou ela, indigna da. Os irmãos quase caíram no riso, ao se entreolharem, e Sérgio avisou: Faça companhia a ele, Débora. Vou me trocar. A moça procurava ser gentil com Tiago, que se mostrou bem satisfeito pela solid ariedade. Enquanto isso, no plano espiritual, Lúcia os rodeava com vibrações extremamente inf eriores. Bem ativa, ela procurava envolvê-los em laços de simpatia recíproca e sentime ntos além da amizade. Com o auxílio das energias de Sebastião, Lúcia provocaria o perigo

Qualquer coisa. Sinto muito . Depois sorriu e declarou murmu rando: Te amo. terno. Eu não esperava. Tiago!.falou baixinho e desapontado. Você não estava preparada para visi tas e tem o direito de ficar à vontade. . indo além das desculpas educadas. aquilo soou co mo algo meigo. Ele mudo u de idéia e não queria acompanhar o irmão...perguntou com certa decepção. pois ele ad orava vê-la reagir assim. me liga.. Entretanto. Você prepara o almoço para nós? . O casal foi até a sala e Débora contou para dissimular: Fui demitida ontem.. Novamente Sérgio deu grande atenção àquela atitude ficando insatisfeito. Sei que você quer que eu esqueça o que aconteceu. Sem que os perseguidores esperassem.. Para ele. A propósito. foi à direção da porta para sair. Falaram em tons baixos e envergonhados. ontem. a impressão foi de que o irmão não se esq ueceu da aparência sensual de Débora vestida daquela forma.. o serviço. sobre me u pai. Aquilo não estava em seus planos. Vai ver! Quando me olhou. Vamos . Todo esse tempo morando sozinha e não se deu ao t rabalho de aprender?! .. Um desânimo tomou conta do rapaz que se arrumava vagarosamente. Outras idéias surgiram e a jovem s e decepcionou por ele pedir que preparasse o almoço sabendo que ela não conseguiria. Juntos. Ele saiu e alcançou o irmão.considerou Tiago que se aproximou. * * * . Débora.sussurrou ele. por isso abaixou a cabeça imediatamente a fim de não repararem em seu olhar que o denunciaria. Débora. ta! Eu também te amo muito! .. abaixada perto de Tiago. envergonhada.confirmou. Assustei-me por vê-lo machucado. interrompeu-os ao chamar: Vamos.Vir ando-se. Suspirando fundo. foram fazer o que precisavam.. pensou que tivesse visto um monstro . não es perava ficar longe dele justamente naquele dia. . Ta bom.brincou ele. Tiago? É. Vou ficar aqui. levantando-se e indo para a sala.. Só vou atender o telefone se f or você. sorrindo com ternura. afagava-lhe o rosto com cuidadosa ternura e be lo sorriso enquanto dizia: Isso vai sarar logo. perdoe-me por vir aqui sem avisar. Tudo bem.perguntou Thiago diante da demora. . Débora se aproximou de Sérgio.so segmento de ciúme em Sérgio. Sérgio reagiu e afugentou aquelas idéias inf eriores considerando que ela foi pega desprevenida e o irmão estava somente sendo educado.. Não.murmurou. beijou-a apaixonadamente. Eu. Sérgio.. Queria que Sérgio estivesse a seu lado. Imediatament e repudiou qualquer pensamento ao abraçar Débora com força e demoradamente. O namorado sentiu-se esquentar.. Darei um jeito . retornou à cozinha e permaneceu parado sem ser visto.pronunciou com doçura na voz e no sorriso. Ei?! Algum outro problema além de mim? . per cebendo-os conversando em voz baixa..pediu com simplicidade. Sabe que não sou boa para cozinhar e. Não estava acostumada aos serviços domésticos e isso a magoou. beijaram-lhe demoradamente o rosto enquanto a abraçava e se despediu: Tchau! Qualquer coisa liga para nós. Débora experimentou um vazio imenso. Desculpe-me você por eu aparecer daquele jeito...disse desanimado. para Sérgio. Levantando -a do chão por alguns segundos para vê-la rir gostoso como sempre fazia. Mas. Mas quero ficar sozinha um pouco. Não quero sair nem falar com ninguém. querendo que ele reagisse passionalmente contra Tiag o e Débora. pedindo: Você me liga? Ligo . Débora e Tiago pareciam bons amigos e nunca percebeu qualquer tipo de ati tude ou olhar com outras intenções. Estou me sentindo tão mal com a situação e como tudo aconteceu que. Quando est ava pronto.

Eles tin ham comido e bebido também. outra ligação. Débora verificou que e ra Rita. Estava demorando muito.reclamou triste.. viram a amiga completamente transtornada. durante o tempo em que ajudou o i rmão na pequena reforma e pintura daquela residência. Ainda sofria e se preocupava com a demissão e não gostaria de falar a respeito. O outro amigo. ma s nada adiantou. seu orgulho prevaleceu ao decid ir que não ligaria para ele. Quando o encontrou . . deixando o aparelho disparar diversas vezes. Sua amiga Rita também não dava sossego a ela e Sérgio nos últimos tempos. Os amigos ajudaram na pintura.. mas Tiago não aceitou ficar na casa de Sérgio. . o Gust avo afundou perto do Rogério e desapareceu. Ao encontrarem Rita junto da família de Gustavo e dos parentes do rapaz. O Gustavo e os amigos costumavam fazer isso sempre. O Rogério começou a se debater.pediu rápido. O Gustavo se afogou. juntou um grupo de oito rapazes e foram pescar nessa represa que fale i. uma vez que os irmãos eram bem unidos. Eu sei . mas nunca tive oportunidade de acompan há-los. Olha aqui.Bem mais tarde. A Rita me ligou. mas o menino gritou dizendo que estava passando mal. Antes mesmo de o namorado deix ar aquela casa pronta para morar. Afinal.avisou Sérgio. arrume-se.. Ela havia saído.. Tudo bem? Lógico! * * * Almoçaram a refeição que Débora havia comprado.ela perguntou. conse guiu tirar o menino da água e voltou para buscar o Gustavo e. Débora. Débora. Agora. O Gustavo e um outro amigo pularam na água e foram até ele. Disse que tentou falar com você várias vezes e. Tornaram-se amigos. Levaram os dois para o pronto socorro da cidadezinha e o médico constatou que estavam mortos. Mesmo depois que a colega ficou noiva de Gustavo. ao consultar o visor. espera! . Ponderado. quase irritada. Dessa vez era Sérgio e ela at endeu imediatamente: Oi.lamentou incrédula... de repente... Invadida por uma forte onda de tristeza e decepção.. mas depois tudo era festa. Achou que Sérgio já deveria te r voltado. a jovem não quis atender. incluindo João e sua noiva. Ele era um excelente nadador! Não apresentava pancada na cabeça ou em out .. principalmente. Não era de seu gosto que continuasse assi m. Algum tempo depois. Contaram que.. nadou para longe da margem. Não entendemos como! .. Pouco depois.. irmão de Rita e Gustavo. a jovem atirou-se nos braços dos amigos e não parava de chorar. irmão da Rita. sua melhor amiga. Não tenho esse direito É nossa amiga. meu bem! Estava esperando você ligar! Então por que não atendeu a Rita?! Como assim?! .. Eu não quero conversar com ninguém. Sérgio .. . pois acredi tou que Tiago tiraria sua liberdade naquela casa e não poderia ficar mais à vontade. mas Débora queria fica r sozinha com o namorado.então.. Ele me convidou.. Era sábado e provavelmente Rita ligou para se encontrarem. mas parece que foi afogamento. levou-o para a beirada também. ali se tornou um verdadeiro lugar de reunião. o celular tocou e. Além desses.. Impregnada por uma sensação desconhecida. est ava determinado a dar seu apoio. Não.O homem fez breve pausa pelo do loroso relato e prosseguiu: Eles nadavam bem. O Tiago fica e nós vamos ver a Rita. con heceu Rogério. outros pensamentos a invadiam. avisou: O Gustavo faleceu. Os amigos contam que o Rogério.... mas não compreendi se foi socorrido ou. seu noivo. Apesar de bem machucado e uma tala no pé ele queria ser solidário..dizia chorando. Vou passar aí. comprado o almoço e os esperava. que to mavam algumas providências. Você deveria tê-la atendido! Mas. Como aconteceu?! A Rita estava desesperada. Disseram que tentaram fazer respiração artificial. que estava junto. fi cou abraçada à Débora enquanto Sérgio e Tiago souberam de toda a tragédia através de uma co versa com um tio de Gustavo. em choque e sem noção... Disser am que o chamaram. Ficavam até altas horas. sempre os procurava por algum motivo ou para conversar. Eu não entendi direito o que el a falava. Ao reconhecê-l os. Falou do Rogério. pedir socorro. Sérgio.. Eu tenho o direito..

Não deixamos a Rita vê-lo e o caixão terá de ser lacrad o .. irmão da Rita.. Veja bem. Que quero. E o Rogério.perguntou Sérgio.murmurou com lágrimas correndo em seu rosto.. se esta é a sua vontade.pediu Tiago. com a voz rouca: Posso tocá-lo? Pode.ra parte do corpo. Era a única família que a Rita tinha. O menino tinha comido lanche que levaram e. Frente à gaveta aberta onde estava o corpo de Rogério. Ela o amava! Não é justo impedi de ver o irmão pela última vez. Tudo bem.. não quero vê-la dese sperada.. acalmando-o. perguntou como se implorasse: Tiago. A única coisa que. Entendo que querem poupar a Rita dessa c ena. por alguns segundos antes de lacrarem o caixão. Pode rezar aqui? .avisou decidido indo à direção de Rita. pegando em sua mão e conduzindo-a p ara outro setor do hospital. Então se levante. É ver meu irmão. Feio! Acredite. Quer voltar? Não.. eu sei exatamente como está. Rita acariciou levemente a face do corpo de Rogério com terno amor... Mas terá de ser bem forte e se controlar.Interrompendo-o. mas.. A Rita quer ver o irmão? .pediu generoso.. ficou vermelho e roxo. Perdoe-me. Quanto a isso. gritando ou fazendo escândalo. você quer ver o seu irmão? Quero! Lógico! Calma . após ter-se alimentado muito.. Calma . p erguntando baixinho.contou o senhor. . também se afogou? . chamou-o para junto de si.disse Sérgio. no caso da natação. virou-se rápido e abafou o choro. por isso sei que o Rogério não está com a aparência que tinha antes.. o Tiago tem razão . Tiago a separou do abraço com Débora. enqua nto ele secou-lhe as lágrimas com as mãos dizendo calmamente: Rita. Vou acompanhá-la . Fu-turamente sofrerá bem mais para. Depois vomitou um pouco. pouco tempo depois. Acreditando que a jovem estava indecisa. Mal o conheço. Tudo bem. Fez um escândalo pra isso..explicou Tiago. Ele vai conseguir .. Caminhando lentamente.. aceita r isso e conviver com o fato sem tanto desespero. Não suportand o.. Suas lágr imas pareciam infindáveis. você não imagina como o corpo do menino está alterado. . Erguendo os olhos negros e lacrimosos ao amigo.Ela engolia os soluços. Rita. . É.. será mais fácil para a Rita trabalhar essa perda. Vou acompanhá-la. O Rogério é irmão dela. Tiago conseguiu levar Rita ao necro tério. mas. ela se deteve alguns pas sos antes. aproximou-se chegando bem perto e observou o irmão. Rita olhou por muito tempo o rosto. Mas se ela vir o irmão porque deseja. Tiago decidiu : Então ela vai vê-lo.concordou Sérgio. Essa afluência a normal do sangue talvez tenha ocorrido pelo excesso de movimentos físicos.. Estendendo a mão para Tiago. você tem o direito de vê-lo pela última vez.A moça acenou positivamente com a cabeça e e le questionou com brandura e piedade na voz baixa: Rita....pediu sério ao sussurrar. talvez despreparada. Porém eu acredito que.. o amigo argumentou bondosamente: Você não precisa se aproximar mais só porque viemos até aqui. Controle-se. . Moço. Isso é o aumento do sangue nos vasos do encéfalo . Mas não vão deixar vocês entrarem no necrotério.interferiu Tiago novamente. Ela quer. mas em seu íntimo nã acredita no acontecido. Perto de Rita.. Os colegas contam que o Rogério chegou vivo e respirando mal.. É bem provável que agora a Rita esteja chorando a morte do irmão...murmurou.. Vamos dizer.. A causa de sua morte foi por congestão cerebral... pois viu e teve a certeza d e que era o seu irmão que estava ali. Educadamente identificou-se como Policial Militar do Corpo de Bombeiros e gen tilmente.. foi nadar... Venha comigo . olhou-a firme e pediu: Procure prestar bem atenção no que vou te perguntar. Roxo. contornou a gaveta como se o analisasse. Não ficará sozinha. Fique tranqüilo...indagou Tiago firme. você sabe que sou do Corpo de Bombeiros da PM e já trabalhei com esse tipo de ocorrência. abraçando Tiago com toda a força. solicitando ao responsável do setor. Veja bem. senhor. .

Débora ia dizer e foi interrompida. mas não conseguia vê-la. e ele fez-lhe um afago piedoso de solidariedade. Logo. Se é o que ela quer. Mesmo estando longe. tornou a sentar junto aos outros. Não havia perdido os sentidos. Não vou voltar. Rita sentiu-se atordoada e dominada por uma fraqueza que não sabia explicar. levando-a para longe do velório a fim de que pudesse respirar. Sabe que o caixão do Rogério será lacrado e sem visor? Sei. não teve forças nem para falar.. que olhou e ofereceu leve sorriso. enérgico. Olhando para o irmão. Já o vi. abaixou o olhar e nada disse. Procurou a amiga Débora com o olhar. você que conhece melhor a família do rapaz. tocando o vidro como se lhe fizesse um carinho.Rita sussurrou chorando. né? Rapidamente o homem se foi.avisou piedoso. . pediu: Débora. Olhando-o de maneira indefinida. Seu pé está enfaixado. Ele ficou horrível. Não dê mais explicações além disso.. podendo ver um homem alto e corpul ento perguntar a Rita: Me disseram que viu teu irmão.. Seu rosto sério aparentava nítido sofrimento. Não seja manhoso . Rita chorav a ao ver parcialmente a face de Gustavo. vamos respeitar! . praticamente. Abraçando-se fortemente à cin tura de Tiago. . Parando. mas estava exaurida de forças. Não quero ver mais nada. caminhou alguns passos com lágrimas brotando t ristemente de seus olhos. A jovem decidiu que era o suficiente.opinou Sérgio. Sérgio comento u ao perceber: Vamos lá! A Rita não está bem! Pelas pessoas amontoadas em volta. Não deveria ficar andando. .tornou Tiago e quanto ao Gustavo?. Seu limite de força acabou! Chega! .tornou Débora.. . demorou um pouco até chegarem perto da amiga . Observando os caixões e os demais a certa distância e por longo tempo. Débora não questionou e obedeceu.interferiu Tiago.. Sérgio a seg urou a tempo antes que caísse. porém ela não chorava. * * * Durante o velório em que os caixões foram postos um ao lado do outro. você está bem? Acho que sim. Sentada em u m banco frio de cimento. Ela parecia anestesiada e não chorava em desespero como antes... afastou-se um pouco para dar lugar à mãe do rapaz que não continha o de sespero. chorando. Antes de chegarem perto dos demais. a moça mantinha os olhos fechados ao murmurar: Quero ir embora. sussurraram a prece que o Mestre Jesus ensinou. Envol vida pelos demais.. ele a fez parar..Encarando-a. A Rita já viu e acompanh ou o que precisava. Rita . Mas isso não importa mais. Mas Rita!. Gente. Ele a acompanhou e alguns familiares do rapaz se aprox imaram para saber como a jovem estava. Débora foi a primeira que segurou em seu braço.. perguntou brandamente: Rita.respondeu dissimulando. olhando novamente para Tiago. olhou-a nos olhos e perguntou: Rita.Bem baixinho . Será doloroso voltar aqui novamente para o enterro . Rita perguntou atordoada: O que aconteceu com você? Por que seu rosto está assim? Foi um acidente na noite passada. você está bem? Ela o abraçou. Foi só uma torção. mas não tinham coragem de questioná-la.. O amigo acenou positivamente e juntos.Virando-se para a outra. Depois ela afagou novamente aquela face fria como um sin al de despedida. . Tiago reclamou: Não estou agüentando meu pé.. Isso não é nada. Vez ou outra uma lágrima corria-lh e na face pálida. Instante em que a jovem recostou a testa no ombro de Débora e sentindo suas pernas dobrarem. Você me acompanha na prece do Pai Nosso? tornou falando bem baixinho. A jovem acomodou-se numa cadeira.. Amanhã explicamos que a não passou bem e por isso não pôde vir. vá até lá e diga que a Rita nã passando bem e que vamos levá-la. temos de concordar! . Rita saiu do necrotério vagarosamente como se precisasse daquele am paro para caminhar.falou Sérgio..

Débora? . Saindo do quarto. fique com a minha arma. Rapidamente. Após devolver a arma ao irmão. ele suspirou fundo e indagou quase com ironia: Onde dormiríamos. 14 . Olha como está inchado! . Por que não dorme no outro quarto? . Remexer as lembranças era algo em vão. Olhando-se. entrando no veículo. por algumas horas. tentando acalmar a discussão e pediu gentilmente: Débora . sua memória n ada dizia. Olhando para Tiago. Ajude-a tomar um bom banho morno. Débora discutia com o namorado enquanto entravam. mas não fez nada. Vocês duas podem dormir juntas na cama de casal do nosso quarto. Vou pegar uma roupa minha para você usar.tornou ela. Precisava ficar atento para a segurança de todos. ao seu lado. vou fazer um chá para tomarmos a ntes de dormir.Ela não respondeu. Tiago puxou Rita para que se recostasse em seu ombro. q ue procurou sair dali o quanto antes. hein! Pode deixar! Sentando no banco traseiro. Vai lá! E não de a porque estou louco por um banho. Pode deixar.ele replicou. Num impulso. mas para que ela relaxe um pouco. No chão?! Puxa! Não viu que aquilo é um escritório?! Tiago os interrompeu. Fique esperto.tornou Sérgio.*** Era madrugada quando Sérgio parou o carro frente à casa de Rita e pediu: Tiago. mas sem brincar.Terapia de uma evangélica. caminhou lentamente com os pés descalços pelo corredor . Tem uma boa cama naquele quarto. Claro! . Tiago havia acompanhado Rita até o sofá da sala e Débora reclamava: Devia ter nos levado para o meu apartamento! E deixar vocês duas sozinhas. em um sono profundo. Rita não conseguiu dormir nas primeiras horas após se d eitar. Rita recostava a cabeça no vidro lateral do carro e parecia indiferente ao que acontecia. Tiago. não só pela necessidade de uma boa higiene. foi ao necrotério. explicou. levantou-se atordoada e acreditou que estivesse sozinha. Enquanto isso.aproximando-se e apoiando em seu ombro para levantar o pé enfaixado do c hão. olhou-a por um instan te. o irmão sorriu com jeito maroto ao perguntar: Quer a minha ajuda para tomar banho e poder relaxar? Cai fora! Ta me estranhando?! Então vai tomar um banho . não sabia onde estava. percebeu que vestia o seu pijama. mas na sua mente tudo era bastant e confuso. Sérgio e Débora retornaram. Somente ao amanhecer mergulhou. Fico no sofá! Não! Deixa disso . Ela sentou-se no banc o dianteiro e virou-se penalizada para ver a amiga. * * * Na casa de Sérgio. Aqui podemos ajudar melhor.falou sorrindo. sorrindo ao estapeá-lo as costas. A o despertar. mas ainda parecia contrariada e Sérgio explicou: A Rita pode precisar de algum socorro e será difícil você fazer isso sozinh a.prontificou-se bem disposta. falando baixinho e educadamente: A Rita passou o dia inteiro no hos pital. depois ao velório. Aqui na sala tem um ótimo e c onfortável sofá. Pegando das mãos de Sérgio as bolsas com as roupas da amiga.. Eu fico por aqui.apontou. Pegarei algumas almofadas para colocar esse pé para cima. Débora a levou para o quarto ajudando-a no que precisava. No outro quarto tem uma cama de solteiro e será melhor o Tiago ficar lá por causa desse pé. ex-espírita Por tanta dor e tristeza. com ela nessas condições? . Vocês dois poderiam ficar lá com a gente! Parando frente à namorada. Vou entrar com a Débora para pegarmos algumas ro upas..

. minha amiga. Ela é minha amiga. Todos estamos tristes e nervosos. el e suspirou fundo e se virou indo para a sala ou.. Você está na minha casa.começou a chorar. tudo bem? Ela não sabia responder. É coisa simples.supôs Tiago. mas bem esmorecida. Vamos? Precisamos ser rápidos! Eu te ajudo. Sérgio a abraçou com indizível piedade..A jovem balançou a cabeça afirmativamen e e ele indagou cauteloso ao segurar suas mãos com bondade: Rita. Débora estampou uma expressão estranha no rosto assustado ao perguntar: Eu!. eu também estou atrapalhada.Breves segundos de silêncio e a beijou na cabeça. Rita ergueu o olhar fixando-o em Sérgio. ele a afastou de si.. Débora? Nada? . Seu rosto estava pálido. Débora? É que. Rita só os olhava.. preocupada.murmurou com dificuldade para se expressar. ela comentou: Você não disse nada. Acomodando-se ao lado da colega. Com olhos bem inchados pe lo choro do dia anterior. express ando um grande esgotamento físico e mental.reclamou moderadamente. que ainda estava parada com as sacolas nas mãos. pegando-as das mãos da namorada que pareceu tomar um susto. Sem dizer nada . .explicou Débora. acabando de entrar e presenciando a cena. ta? Ontem à noite não nos alimentamos direito e. ajoelhado frente à Rita. Já reconheceu isso? . correu em sua direção.... C hegando à cozinha. perguntou: Sabe quem eu sou? Sei.. Diante disso. parecendo procurar nos resquíci os da memória algo que justificasse aquele momento. . ela soltou um grito de dor e desespero. olhe para mim.. Havia um vazio em sua mente.ela titubeou olhando-o de modo indefinido. A amiga levantou. perguntou preocupado: O que aconteceu? Ela chegou à cozinha assim.Vendo-a obedecer. fazendo-a se levant ar automaticamente. .. pediu com brandura no tom g rave da voz firme: Rita. Conduzindo-a vagarosamente. viu Tiago e Débora pararem de conversar. iria discutir co m a namorada.. Sem compreender o motivo do sentimento abrupto que o invadiu..e uma chama acendeu em sua consciência ao reconhecer que estava na casa de Sérgio. você sabe por que está aqui? A moça permaneceu petrificada por alguns minutos. . Sérgio. Ai. Não muito bem.Brando. . gemendo e às vezes gritando. Você não sabe cozinhar nada. Eu. contrariado.. Nem rápido. A amiga o agarrou com força. dizendo: Desculpe-me. Na espiritualidade uma densa vibração inferior era imposta de forma asfixiante pa . Sérgio. . afastando-a de si ao dizer: Temos de ser fortes e continuarmos com a vida. Sérgio falou: Essas sacolas deveriam estar na cozinha . perguntando ao tocá-la: Rita... provavelmente. pedindo ao irmão: Sente aqui e fique com ela. Deve estar em choque . Sérgio!. Acompanhando-o. Paciente. Com o inchaço na face pelo choro excessi vo e a boca levemente entreaberta. Quando as lágrimas brotaram em seus olhos negros. Agora vamos preparar o almoço. . chorando . Fazer o almoço? Algum problema? . Levantando-se e olhando para Débora.. Sérgio entregou para a namorada as sacolas que tinha em mãos. Além do que.. uma cruel avalanche de recordações infinitamente tristes invadiu velozment e o vazio de sua consciência. questionou estranhando: Q ual o problema. Eram nossos amigos. Tiago propôs: Venha. Vamos ali para o sofá. nada especial! Temos tudo aqui e o que não tinha em casa eu acabei de comprar.tornou quase sussurrando. Após cer to tempo. pois duvido que comeu alguma coisa. A crise durou longo tempo. Vendo-a em pranto.. Eu também me sinto muito abalado .. Tiago assim o fez e ficou ao seu lado.chorou. Sérgio reconsiderou e dei-lhe um abraço. Tem a Rita que provavelmente estej a bem fraca... Sérgio aguardou que o cansaço pelo esforço febril do desespero a dominass e. fizeram-na sentar e Débora acomodou-se ao seu lado. sentida...tornou ele.

Compenetrado n o que fazia. sentou rápido e com olhos ávidos comentou: Que interessante! Estou com dois casos que podem ser semelhantes. Ela não se esforça para aprender nada! Ontem foi mais fácil comprar o almoço pronto d o que tentar fazer! Calma. Chegando ao outro cômodo. é sério e muito comum! .. Na cozinha. de repente. Débora? O que foi? . Vamos lá! Continue para eu ter certeza dos embasamentos.. Já os analise i muito. sem olhar o co lega. virando-se para Tiago. os tomates. Chorando em seu ombro. temperar e fritar alguns bifes. Ou ele prepara um lanche . ao vê-la chorando. No decorrer da terapia realizei testes. mas Sérgio se controlou. O que está pesquisando? Atitude comum entre profissionais responsáveis que não se deixam dominar pelo org ulho ou arrogância. Sérgio comentou a título de trocarem referências e conhecimentos: Tenho um caso me intrigando..tornou. .. * * * Dias haviam passado. ele pediu sem rodeios: Você é capaz de ajudar a Débora lá na cozinha?! Lógico! Mas.. tenho alguns pacientes especiais que tenho de entender.. Sérgio estava em seu consultório e folheava alguns de seus livros... Na primeira análise.... De onde estava. Perguntas e.. Nunca se importou .ra que brigassem.Ele sorr iu de um modo engraçado ao anunciar: Acho que acabei de matar a charada! João sobressaltou. Trata-se de um distúrbio de personalidade6. sorriu em seguida. fazer uma salada e.. Sérgio conseguia ver o que acontecia na cozinha muito atento na disposição alegre de Tiago e em sua capacidade de tranqüilizar o clima tenso de pouco antes. É questão de tempo. lavar a alface. O Sérgio sabia disso. Bem. Quando não... Sérgio. Não sei cozinhar direito e. el e a animou: Então vamos lá! Eu cozinho melhor do que ele! E se você quiser ser ótima nisso. Sérgio assumiu uma postura mais receptiva e. Um sentimento amargo de ciúme despontou no coração opresso de Sérgio que usava todas as suas forças a fim de afugentar o que experimentava. terá o melhor mestre! Vamos mostrar pro Sérgio que você é capaz! A moça sorriu. Boderline. Bem.abraçou-a para acalmá-la. com ce rteza! O curioso é que não se enquadra em um único distúrbio. Tiago! Nem isso ela procura aprender! Arroz.. mas resulta em algumas com binações entre as várias dos mais significativos distúrbios de personalidade. Eu entendo! Não se desculpe.. sem fazer mais perguntas. falando bem baixo..... e ela aprende alguma coisa. Estava tão concentrado em uma pesquisa que. deixou-o co m Rita e foi à procura da namorada do irmão.. mas.. sorrin do.destacou João silenciando a seguir com grande expectativa para que o outro prosseguisse. Somente quando o amigo João riu. O que é prec iso fazer? O básico. . pensei que fosse um c aso de Boderline. Por que está assim irritado? . secou as lágrimas enquanto Tiago se apoderou de aventais e. sempre comemos fora ou fazemos pedidos. Caramba! Sei lá mais o q uê! É só olhar na geladeira! Tiago percebeu-o nitidamente nervoso e. Tiago quase riu ao entender por que Sérgio havia se zangado. olha ndo-o. ele quer que prep are um almoço!. perguntou tranqüilo: O que aconteceu.Acomodando-se folgadamente no divã. a jovem contou: É que eu. Controlando-se... E sempre ele quem cozinha. amarrou um em si e outro na cintura da jovem.. o distúrbio de personalidade limítrofe. A princípio era sempre eu a ter de extrair um assunto. perguntou: Por que você e a Débora não arrumam um tempinho para irem ao centro e spírita? Você já viu como estou sobrecarregado? Além disso. . Eu ajudo. não deu atenção ao vulto que entrou na sala e parou perto do divã em silêncio . Desculpe-me.

exibe um estado eufórico. Tímida. falante e a pessoa se distrai facilmente. Não toma dec isões sozinha. Sabemos q ue a influência familiar. traçam me tas. essa paciente contou que tem o dom de manipular situações e pessoas para seu benefício ou em favor do marido.. passou a falar muito. depe ndência dos outros para tudo.. quarenta e seis anos. foi o que acreditei pelo temperamento instável. a presentou-se verdadeira. só confia na opinião dos pais. mãe de uma moça de vinte e um anos e um garoto de dezesseis. Relatou costume de impulsos autodestrutivos para manipular e controlar os que estão à sua v olta. Os maníacos normalmente têm uma auto-estima muito inflada. Falava de um pavor de ficar sozinha ou ser rejeitada. Começou a contar experiências impulsivas.. ficou sério ao comentar: Tenho em mãos um caso sério de distúrbio de personalidade anti-social! Todo o contexto se resume pelo fato de ela chegar aqui ao consultório com o propósito de mascarar seus sentime . Procurei ser mais reservado e deixei que falasse. o ambiente social e difíceis experiências de vida devem ser bem considerados em razão de seu conceito ter grande importância para uma boa análise. das amigas. quando foi interrompido.. chega de aulas! . Depois desse período eufórico. São casos bem sérios! Terminou? . No entanto senti algo estranho quando a presentava satisfação a me ver interessado sobre algum detalhe e era aí que ela o omit ia. Fazem projetos. Demorou muito para eu te r sucesso na extração de relatos minuciosos. a mania. misteriosa. .Sérgio perguntou bem sério.. frias e calculistas. mesmo sabendo que não é certo. Então. pediu bem interessado: Chegue aos fatos. do marido. Acreditei poder tratar-se de uma pessoa eufórica e não impulsiva.. a pessoa pode apresentar agressividade e à medida que aumenta sua autoconfiança aumenta sua hostil idade.João desconfiou com inquietação repentina. vergonha. impulsividade e o desejo d e controlar as pessoas à sua volta. Entretanto nas terapias seguintes a paciente a presentou nítidas características de distúrbio de personalidade dependente.. sanguinárias. por ter adquirido confiança e. Sem mencionar nomes. Calma.falava. Pessoas que exibem esse distúrbio podem ser prejudi ciais a elas mesmas e aos outros sem qualquer remorso. E qual o relato mais chamativo no caso que você cuida? Primeiro apresentou insegurança por não saber o que quer da vida e queixa das dec isões tomadas das quais se arrependeu ou foram experiências autodestrutivas. Esse distúrbio de humor. os quais me levaram a essa conclusão. Em seguida. demonstrou-se dependente para tudo e autodiagnosticou-se com depressão. Apresentando-se vagarosa mente como uma mulher inteligente e interessante. Ah!.sorriu. Estou surpreso com as exposições. aí! Essa paciente não apresenta uma regra normal de boa conduta. Terminei . por favo r. Em outros comentários se contradisse ressaltando sua timidez. No estado maníaco. fazendo com que as reais características do transtorno de personalidade emergissem! Incrível semelhança! Deparei-me exatamente com dois casos e um é de uma mulher.. E eu me aprofundei nisso! Não me dê aulas. mas abandonam as idéias pela falta de disposição.Antes de o outro interrompê-lo .. pois ela assume mentir e. . casada.avisou sorridente e revidando ao amigo o que ouviu dele p or diversas vezes. Sem apresentar estresse ou qualquer expressão emocional. diz não se arrepender! Us a uma aparente timidez para ser atraente. depois de várias sessões. podendo chegar ao extremo de tornar-se irascível ou violenta. eu me surp reendi com comportamentos que me levam a crer em um distúrbio de personalidade ant i-social! Lógico que eu considerei o fato de ela revelar tantos detalhes. Em seguida. Sérgio ...descartou João. Sérgio completou: Eu sei que o distúrbio de personalidade pode variar de pessoas e xcêntricas inofensivas a pessoas assassinas. Você considerou tratar-se de um caso de distúrbio bipolar? O período entre a mania e um estado depressivo bem diferentes..Sim. S erá que temos a mesma paciente?! . repentinamente. o outro psicólogo comentou: É uma mulher. A princípio a paciente chegou aqui com queixa de muita tristeza. Não! . nas quais eu não confi ei. vem o período de depressão. Um é adolescente e a outra tem vinte e seis anos.. sem que eu interferisse e caiu em várias contradições. Sérgio. Com o decorrer do tempo. sol teira..João riu ao responder. Não me s urpreendi quando. o distúrbio de personalidade anti-social é um dos mais estudados por razão da complexidade que o acompanha. O que a leva a contradições .

Isso era fácil. com sua aparente grandiosidade. Como uma avalanche. Então. como: mentir. M as ela mesma acredita ser muito fria no relacionamento amoroso. típico distúrbio de personalidade narcisista.Breve pausa e continuou: Destacou que nos bazares beneficentes ela e a filha se apoderavam das melhores peças a serem v endidas para arrecadarem fundos ao centro. Mas quem pagava?! . algo q ue alguém tenha feito para eles. grandio so e imprescindível para a família e no emprego. principalmente. como ela disse. Sabia como manipular as pessoas conhecendo seus pontos fracos por saber de seus mais íntimos segredos. colocavam-nas à parte e abriam uma espéci e de conta onde registravam os débitos pelas compras supostamente adquiridas. Arrogante e invejoso. com a conivência dele. os estudos foram conce rnentes à Doutrina Espírita. teve mais fé no Espiritismo e fez cursos. alimentação com cuidad os especiais a seu gosto etc. Ela e os filho s sofreram incontáveis agressões verbais pelas explosões do marido e agressões físicas se iniciaram. Usou tudo o que conhecia para não exib ir sua verdadeira personalidade. Afinal. Era a ele que os pais direcionavam louvores e de quem sentiam orgulho. Ele começou a trabalhar. Freqüentando um centro espírita. Nunca! Sabia induzi-los pela influenciarão com palavras que lhes entorpec iam e cegavam.. principalmente quando ela não deseja mudar. Percebi que ela apresentou considerável ausência de recepção e troca de carinho. tiv e relatos de dificuldades financeiras a tal ponto que muitas vezes não tinha o que comer.ntos.perguntou Sérgio quase sorrindo de forma insatisfeita. e logios etc. ma scarando-se com um comportamento educado. Provavelmente isso a levou a casar-se com o primeiro homem que a aceitou. A paciente contou que ela tratava com o m aior respeito e com todo o carinho os demais companheiros para estar sempre inte . O marido a acompanhou.. ou seja. não apreciava os seus deveres como mãe e obri gações impostas como esposa. mas confessou adorar o luxo e os ambientes sociais requ intados. Acreditando tratar-se de um problema espiritual. da religião e do s ensinamentos adquiridos. Ela os ameaçava com denúncias ou chantagens? Não!. O marido semp re dizia que nasceu para ser servido. carinhoso. Calma! Não terminei! . ela revelou um típico distúrbio de personalidade anti-social. honestos e conformados com o que Deus lhes ofer ecia. O me smo foi feito na cantina onde todo o consumo era anotado para ser pago futuramen te. desejos e pensamentos. Recebia críticas do único irmão que se destacava nos estudos e a humilhava . mentiras e muito mais. o caráter e a dignidade de uma pessoa falam mais alto.. Não contendo a decepção com o que ouvia. vários cursos! Como ressaltou. pois ela contava ao esp oso exatamente o que sabia a respeito dos outros. As ilusões de se manter sempre no topo terminaram quando ele perdeu o emprego. também começou a colaborar com as subtrações das mais diversas formas. E quem é que cobra o u vai atrás do que foi feito com suas doações? . Aprofundando-me em suas experiências de vida. É o típico homem que acredita ter razão em tudo. casa limpa e tudo luxuoso no ambiente de recepção aos amigos. Independente da filosofia. trapaças. mas isso não me surpreende. com típico distúrbio de personalidade narcisista. generoso. mesmo a contragosto. o marido sempre se acreditou auto-importante. coment ou: É lamentável. O medo de ficar solteira a aterrorizava. tudo no centro era produto de doações espontâneas. mas com a esperteza de se livrarem de envolvimento com a justiça crimina l. pelo fato de o irmão ressaltar e ssa possibilidade quando se expressava em discussões sem importância e a fim de magoála.. ela passou a apresentar confiança atraente e persuasão angariando a simpatia. porém com extrema necessidade de que todos reconhecessem e elogiassem seus feitos. Explorava os outros e não se importava com qualquer pessoa. a credibilidade e o bom conceito das pessoas até adquirir intimidade em todos os setores do Centro. comportamento. os bens materiais foram os prejuízos seguintes. compreensivo. com a manipulação! O marido. a princípio. João pendeu com a cabeça negativamente. Conforme ela me contou.. fur tar. Ambos assumiram tarefas no centro espírita e. Tudo foi feito em benefício dele s mesmos. trapacear. Ela sentia-se humilhada diante dos caprichos exigidos pelo esposo como: cuidados exagerados com suas roupas que deve-riam estar impecáve is..exclamou Sérgio. essa paciente procurou um ce ntro espírita para desmanchar qualquer trabalho ou macumba. disse que passou por trata-mento de assistên cia espiritual e fez cursos. Os pais eram religiosos.

pessoas mais honestas aos compromissos assumidos.. posso dizer que apresentou nas duas últimas sessões.. Ela e a família consideram que tudo o que cometeram no centro espírita não f oi errado. você quer dizer! Respondi com toda a calma e respeit o que eu honro e continuarei honrando o meu juramento como psicólogo. se não se tratarem. conscientemente seguros. furtam. dão shows. Sérgio. exigiram satisfações do que perceberam que estava errado. Promovendo saúde e qualidade de vida. Bem. poderão ter responsabilidade por grande parte de vi olência.... que é o de me colocar a serviço da sociedade com qualidade técnica e rigor ético.exclamou Sérgio.. Para algumas pessoas mais íntimas. João. tudo o que me contou mostra que tanto ela quanto o marido possuem o clássico distúrbio de personalidade narcisista. Sérgio. Eles se julgam extraordinariamente capacitados! Isso. Depois ela e xaminou sua posição como tarefeira e decidiu reclamar a ocupação de seu cargo. no inconsciente dos fieis. eu não vou corromper minha moral nem meu rigor étic o como profissional na área da Psicologia ou em qualquer outra. prejudicam um grupo social ou uma comunidade com pouco ou nenhum remorso. recebendo um generoso benefício financeiro para lhes ensinar meios de insuflar. Ela e toda a família. Me u amigo! Duvido muito de que aceitem a sua proposta de reequilíbrio! Sérgio sorriu e . junto ao distúrbio de personalidade anti-social em que mentem de maneira crônica e descaradamente. A paciente revelou que é um prazer conhecer a vida das pessoas e o ponto fraco dos fiéis. Outros tarefeiros do centro. requerend o-o com autoridade e muita exigência. crimes e roubos de todos os tipos. A culpa foi dos outros que não os entenderam. Mas aconteceu o que ela não previa. ela simplesm ente ignorou dar satisfações cabidas e não se reuniu com os solicitantes. Contou -me que cometeram uma grande injustiça com ela ao exporem frente a muitas pessoas o que foi feito por ela e sua família.. S omente conseguia benefícios pequenos. Diante de tudo. Ela não se acha responsável e se posiciona como vítima. O marido tornou-se um pastor evangélico. Veja. pois lá não recebia nada. Não suportando ostentar a máscara.assustou-se João.. Enfatizou que hoje seus feitos são imensamente mais lucrativos e satisfatórios do que nas sessões d e desobsessão em que participava como dirigente no centro. alimenta-se normalmente e não tem qualquer remorso. O caso é sério! Seríssimo! E mais! A paciente convidou-me para participar de sua igreja evangélic a. Os trapaceiros e enganadores correspon dem ao maior índice de porcentagem desse distúrbio. Não! Acho que Deus não faz parte do que ela propõe . Lembrei que a terapia é um ótimo caminho para a própria pesso a se concentrar com a finalidade de mudar o comportamento. uma espécie de ministra que expulsa os demônios dos transtornados que chegam à igreja e os filhos fazem as camp anhas!. significativ o humor e disse que dorme bem. Inclusive fez acusações injustas contra outras pessoas a fim de livrar-se de certas culpas.Foi nesse momento que vi exacerbados a arrogânc ia e o orgulho que reluziram também um distúrbio de personalidade narcisista. palavreados e tonalidades de fala que os façam agir ce gamente e compulsivamente com mais doações. fingia-se triste o u sozinha a fim de atraí-las como vítimas de suas manipulações em proveito de trapaças com o: alterar ou sumir com os débitos das compras no centro que pertenciam a ela e à fa mília. Enfim. Mas. nós sabemos que portadores do distúrbio de personalidade anti-social são pessoas que. E o que você respondeu quanto a essa proposta?! Para o convite indecoroso. rejeitam as normas de regras de conduta e não estão a fim de autocontrole n em pretendem mudar! Por que diz isso? As evidências! Não entendi.. não reconheceram seus serviço s prestados e. para saber se havia alguma desconfiança d e seus atos junto do marido. conforme eu entendi.. Depois falei que e la e a família precisariam de um reequilíbrio com o propósito de não agirem com essa com pulsividade anti-social. Assim sendo. trapaceiam . eles abandonaram o espiritismo e se converteram ao prote stantismo. olhando seriame nte para o amigo. eles representam. Meu Deus! . ela. expulsar demônios e beneficiar-se financeiramente por isso.irada sobre os acontecimentos no centro.

oportunista.. arrogantes. Esse profissional.. Ah!. trapaceou na representação de seus distúrbios psicológicos com a finalidade de aproximação e intuito de indução. budista. mais desumano do que as leis aplicadas pela Inquisição. A criatura humana é falha e muit o limitada.disse: Dediquei-me profundamente a estudar esse caso. ganancioso... Quando eu disse que havia mat ado a charada. Até as comprovações científicas e novas descobertas eles se recusam a ace itar. refletindo sobre o assunto. foram comprovadas pela ciência e os descrentes ridicularizados. Falha sim! Mas são limitadas somente quando lhes falta evolução ou força de vontade acrescentou João com tranqüilidade. Mas estava longe de imaginar que receberia um convite desse tipo! Sérgio. E um outro que deseja se recuperar de atos de pedofilia?. bissexual?. Têm uma visão estreita e limitada da realidade da vida das pessoa s e suas crenças! Isso é preconceito. são as ferramentas mais poderosas que po demos ter para se criar resultados magníficos naquilo que queremos obter. E se o paciente falar da violência sexual que sofreu q uando criança?. católico e outros do que com um profissional evangélic o. A PNL. Um homem cru el. que se achavam superiores. orgulhosos. é a excelência do uso de uma ar om pessoal para obter resultados excepcionais no que deseja realizar.. não meditaram e reagiram asperamen te. principalmente pelos protestantes ou evangélico. por exemplo! A PNL . proposita damente. não! Às vezes concordo com a opinião o professor Ezequiel e acho que alguns psicólogos evangélicos são inconcebíveis para que m deseja se livrar de transtornos e distúrbios. Não buscam a iar as informações. Imagine um psicólogo evangélico ouvindo um paciente homossexual. Agora.Programação Neurolingüística. crenças nas opiniões apresentadas só pela sua religião. mas de forma bem tranqüila. no passado e ram inconcebíveis. eu iria parar. Ela pode ser usada de modo positivo ou negativo. pois sabia que aquelas práticas rigorosas e tiranas eram erradas. Eles se esquecem de que muitas situações.. mas eles ficaram pensativos. Ela. Hoje eu entendo que algumas religiões são preconceituosas por não serem flexíveis à fi losofia. o p orquê de sua opinião. notícias. há tempos eu sei que isso é usado por vários lideres religiosos. terapia s e outros. não vai dar atenção ao caso e achar que o paciente está endemoninhado! Talvez queira convertê-lo!. As pessoas orgulhosas. Tud ara eles tem de ser de acordo com o puritanismo pregado por Lutero. tem grandes possibilidades de ser preconc eituoso e acreditar que a pessoa é dessa ou daquela forma porque quer! Provavelmen te. mesmo no penúltimo ano d e um graduação em Psicologia. digo que não pelo fato de eu ter buscado conheciment o sobre suas atuações.sorriu. são preconceituosos. explicou João . que é a capacidade de vivenciar ou ver na mente uma situação futura desejada co mo se aquilo estivesse acontecendo mesmo. sendo psicólogo evangélico. foi por descobrir que a paciente entrou nesse consultório usando as características da personalidade anti-social contra mim! . Não sei. mas ele apoiou ... criando uma comunicação mais eficiente e rápida. pensar. Se aquele professor tivesse falado que é inconcebível um psicólogo espírita. Isso é fé cega! São pessoas que não buscam conhecer melhor a verdade por elas mesmas e só acreditam naquilo que os outros lhes disseram.. João. As habilid ades e as técnicas dessa ciência estão sendo cada vez mais usadas para a educação. suposições ou crenças que. Havia outro s evangélicos na sala.. A realidade do paciente não é a realidade do que esse evangélico quer v er e analisar. era inconcebível um psicólogo evangélico ou protestante? Lembro! Duas ou três alunas fizeram o maior protesto! Isso porque elas eram protestantes. São bitolados. não está sendo preconceituoso quanto aos psicólogos evangélicos? Vou repensar nisso. Acho que o professor Ezequiel quis nos te star com aquela situação para ver o quanto alguns religiosos. ciências e práticas de vida sob a visão de sua profissão. Mas aconteceram contradições e com portamentos estranhos os quais me levaram a dúvidas. lembra-se da aula do Professor Doutor Ezequiel quando ele falou que. estão se corrompendo com o uso desses métodos para arrecadações numerárias im ressionantes. E você. junto à técnica de vis ualização. pa ra ele. com a finalidade de obter uma verdadeira fascin ação de seu fiéis. Inúmeros psicólogos e até outros que nada têm a ver na área. pesquisar e procurar saber com ele. Eu confio mais em fazer uma terapi a com um umbandista. Precisava de um psicólogo para prosseguir com suas farsa s e aumentar o vigor de suas vigarices a partir do momento que ele a ensinasse q uais e como são os melhores métodos e técnicas de neurolingüística.

.murmurou num desabafo.. como está? Trabalhando.. Sérgio levou o amigo para casa. Depois ficaram uma boa . você é um ótimo profissional. materiais e fis icamente praticadas. No próximo ano. Você é diferente. João. Preciso uma carona e a minha mãe. mas não dá.as mesmas severidades dolorosas com os camponeses alemães que se opuseram ao prote stantismo. deixando-os queimar vivos. mas sua agenda sempre está lotada! Talvez nem precisasse trabalhar na empresa que indiquei. Ah. que já deu problema logo de início. ficou inibi do para recusar o convite e acabou ficando para o jantar. Esse pedido de baixa significa um pedido de saída? É.. Sérgio. os únicos corretos e com razão. Estou temeroso. irmã dela. Deixe-me ficar quieto. mas é. Como é possível uma criatura acreditar que é só pedir perdão a Deus p ara ficar liberta das condições inferiores e não ser mais prisioneiro dos crimes e del itos que cometeu? Ah!. Medite e dê um jeito de i r ao centro. é a Rita quem está por perto. O que você quer mais?! Vai ficar aí esperando todas as oportunidades desap arecerem para depois dizer que não teve sorte?! . Sérgio! Espere aí! Não quero me intrometer.Vendo o amigo pensativo. e pelo fato de não trabalhar. Péssima! Débora a levou para o seu apartamento. Eu te levo. e seus líderes os denominam evangélicos para ninguém lembrar dos mass acres apoiados pelo criador do protestantismo. mas não vou entrar.exclamou João bem sério. Em minha opinião. A Yara. João. vai adorar tê-lo para o jantar! A dona Antônia está brava por você não visitá-la há tempo! Não.tornou João num tom de tristeza.. Não sei expli car como. pois estou pecando verbalmente c ontra meu semelhante! . Estou sem coragem para qua lquer decisão .. Então vamos lá! Vai tomar uma injeção de ânimo! Estou com o carro na revisão. Ela não estuda! . caso eu vá trabalhar lá? A Débora estará no último ano e. Está inteiro . como posso me garantir com o que receberei aqui na clínica e na empresa.. deu para freqüe ntar o apartamento da Débora direto. porém ao ser recebido por dona Antônia. . Sérgio. Você voltou a conversar com a Débora para que morassem juntos? Não tivemos tempo para falarmos sobre o assunto. Acho que essa paciente não vai retornar. Sérgio! Ficou louco?! Não.. Pre ransferir pacientes para mim e para o Nivaldo por causa do serviço na polícia! Eles reclamaram muito. João esperou alguns minutos e perguntou: E seu irmão. não aceitou a proposta da paciente que lhe ofereceu dinheiro para prestar serviços nada dignos com o seu ju ramento profissional! Aconteceram tantas coisas em tão poucos meses que. Não gosto de insegurança e.. conforme você e o doutor Edison me aconselharam. mas você vai ajudá-la e não sustentá-l obrigação de pagar a faculdade é dela. por isso nem prossegui com o pedido. Sérgio. pode ficar mais tempo com a Rita. que é sua fã. E se não arrumar? . Como se não bastasse. Não pense que só ped ir perdão a Deus basta para livrar-se das culpas mentais. tive dificuldade com a documentação para o pedido de baixa da PM.reclamou João de si mesmo. Ei. quando não é a Yara. Acho que ela não está preparada para voltar à sua c asa e ficar sozinha... Sérgio pareceu preocupado e revelou: Nem consegui um tempo para contar à Débora sobre aquele assunto da minha irmã.. verbais. ela deveria voltar a estudar qu ando arrumar um emprego. Martinho Lutero. E a Rita? .Breve pausa e lembrou: Viu?! Rea lmente você foi testado! Preocupado com a situação financeira.Ele silenciou por alguns ins tantes e comentou: Se a Débora aceitar morar lá em casa.sorriu. calando-se. sabia?! Você é bem requisitado e indicado pelos outros pacientes. Eu ta mbém concordo e quero fazer o quanto antes. .indagou. Criou um puritanismo mascarado ao incentiv ar que eram os únicos puros. Seria um teste moral? Quem sabe? Reflita sobre o assunto e dê atenção aos sinais. talvez você esteja sendo testado! Testado?! Testado pela espiritualidade que o acompanha. estou receoso de sair da po lícia. por isso penso em desistir. Isso está contido no protes tantismo até hoje. olhando para o colega de modo indefinido.

podendo fi car presas a obsessores por muito tempo. sem conhecer a ve rdade. espiritual. disse-nos o Senhor Jesus. Eram rápidas demais nas movimentações estranhas. por causa das mentes voltadas a fazer o mal. Esses irmãos estão infel em esperança. a vaid ade. por mais aterrorizantes e absurdas que ouviram contar.. não é verdadeiro. Tornam-se vítimas e culpados por cum prirem tarefas inferiores e malévolas. Parece que posso entendê-los. não queren . mas seu coração estava oprimido por algum motivo que não conseguia entender.O romance abalado pela influência espiritual Os dias seguiram sem novidades. a fim de que o Planeta permaneça. A fé cega. linguagem de tempos remotos à reencar nação de muitas pessoas. Ele ouvia. Querem-nos longe daqui e nos deseja m mortos.parte da noite em agradável conversa repleta de instruções que o fizeram se sentir be m melhor. a trapaça. Não está se lembrando do que aprendeu na espiri tualidade? É. cidades de baixo padrão vibratório. Contudo nada é eterno e dizer que existe um inferno. opaco. qu e os separam e selecionam como animais para determinadas tarefas específicas. Lógico! Sem a evolução mental. mas obedecem a líderes macabros e desequilibrados. sendo algo com o que verdadeiras colônias de tormentos indizíveis e reparadores. João lhe falou com brandura e de modo que o amigo podia o uvi-lo em pensamento: Não vamos nos assustar.. o narcisismo.perguntou Sérgio em pensamento. Esses lugares infe rnais existem por uma questão de ignorância. a dependência e muitos outros distúrbios de personalidad e que. Pode ser um método de oferecer ou receber mensagens na época em que os politeístas faziam oferendas a vários deuses. 15 . Era uma noite de muito calor quando Sérgio e João caminhavam juntos falando sobre assuntos que Sérgio precisava entender para relembrar melhor. Conhecereis a verdade e a verdade vos li bertará . Odeiam-nos. urrando com o animais ou gritando em uma língua estranha. Muitos são verdadeiros escravos aterrorizados e tementes a Deus. foram surgindo à frente de ambos outras criaturas extrema mente malignas. Isso é um método de impor o medo . Elas pareciam brotar do chão com aspectos monstruosos. Bloqueando o caminho. Podiam-se escutar seus sussurros. o fanatismo é o que alimenta o espírito para que ele se submeta a essas condições. Há líderes insensíveis. tanto quanto p ossível.Parados próximos àquelas criaturas espirituais totalmente disformes. A lua no céu possuía um brilho estranho. A morte não existe. onde alguém é condenado eternamente. De repente.respondeu João. risos. como se em alguns momentos andassem como quadrúpedes. a fascinação. O orgulho ou o ego inflado. Existem regiões espirituais criadas pela força ou poder mental. entendendo que aquelas criatura s não os podiam ouvir. qualquer idéia de alucinações fantasmagóricas. quando encarnada a criatura experimenta ou usa em benefício próprio. A língua estranha que usam para c municação podem ser dialetos antigos dos homens.. mesmo que o considerem pequeno ou nada grave. . Sérgio? Eles estão aí para provar. Sofrem com as enfermidades do corpo espiritual e com a cobrança constante da consciência por t udo o que fizeram errado. Sérgio ainda comentou sin cero: Eles formam organizações. sob o seu jugo tirânico . cruéis e impiedosos que os dividem. Que bom. Sérgio! Parece recordar rapidamente o aprendizado obtido em elevada es fera espiritual! Em um livro psicografado pelo querido Chico Xavier. Virando-se para Sérgio. p assos e gargalhadas de um grupo nada amigável que os seguia.. sem pensar e repensar. Nossos anjos guardiões nos acompanham e muitos benfeitore s que atuam verdadeiramente em nome de Jesus nos amparam. Sérgio sentia-se interessado na conversa. não é.. pareceram insignificantes diante dos olhos de Sérgio. ou pensava ouvir.. as criaturas não estarão libertas das energias mentais inferiores. falanges. o espírito An dré Luiz diz que: O objetivo essencial de tais exércitos sombrios é a conservação do primi ivismo mental da criatura humana. O que querem? . logo atrás deles. Gigantescas sombras com contornos humanos deformados saltavam sobre ele e o a migo sem tocá-los.

. é muito importante lembrarmos que. Sentando-se na cama. além disso. Coitadinho! Ele ainda está lá na casa dos seus pais? Está. Eu pedi que me dessem mais um tempo para ser admitido na empresa. depressão. Caminhando até a janela. Lembre-se. abriu-a e foi quando a brisa suave da madrugada parece u medicamentosa. Ao olhar para a cama viu os lençóis remexi dos e embolados. Sérgio. meu amigo! Sinto-me minúsculo.. luta e agressão. Fico fora o d ia todo e não teria tempo para cuidar dele como deveria. . no apartamento de Débora. Veja. Mas eu não sei de nada.. Não faço nada. porém contrariado. Farão de tudo par a que você não tenha êxito em sua tarefa. meus pais ou o Tiago cu idam dele. distúrbios dos mais diversos. Não o levei para nossa casa porque ele ficaria muito sozinho.. ele murmurou: Ainda são 3h30!. João! É a minha irmã. Dê-me mais um tempinho? . tomando uma po stura de ataque. Riu para re laxar e avisou: Vou levar o Tufi para lá. Sabe. tendência suicida e outros transtornos.. ela conversava com o namorado: Mas não quero incomodá-lo!.. * * * Mais tarde. pois tinha a sensação de ver e sentir o que experimentou. Não diga isso.. sinal de ter se revirado demais antes de acordar. Não sou digno. Acorde. Seu rosto gotejava suor e todo o tronco estava transpirando. Tentarão atacá-lo de todo jeito! Reaja! Socorra-se elevando o pensamento a Deus.. João percebeu que Sérgio parecia sufocado e orientou: Seu maior trabalho será vencer as vibrações baixas e hostis. João. . despertando-se horrorizado com o próp rio grito. Ao tempo em que as criaturas monstruosas subiam como que por fissuras abertas no chão. ao Mestre Jesus! Foi isso o que me pediram para te dizer. O que estamos vendo é uma pequena amostra do que as levarão aos agrupamentos mais inferiores e de piores condições. temos um caso de complexo.perguntou rapidamente. Você está repetindo o que eles dizem. mudando de assunto. Nem sei por que estou a o seu lado. procurar um meio de ajudar as pessoas a se lib ertarem de tais obscuridades consciências. Tudo bem. você s Não lembro o que me levou a buscar.pedia com seu jeito carinhoso. pode haver terríveis espíritos que se afinam a ela com o intuito de va mpirizá-la e agredi-la para agregá-la futuramente a falanges espirituais. o pensamento é o centro de atração e repulsão de qualquer mal ou be que o cerque.. Há situações que não entendo ainda e preciso de seu apoio.. pois algumas se comportam como se ganha ssem o gosto pela ignorância. Sérgio. Como quiser . Débora. mas logo continuou : Quando em uma terapia.. Sérgio. Ai. Você não está tratan do de pessoas. O que te trouxe para essa tarefa foi o seu amor incondicional. tirando a impregnação da estranha sensação. Eu gostaria que saísse daqui o quanto antes. mas acho qu e não poderão esperar mais e estou com problemas com a documentação e... Sérgio pegou um caderno que tinha na gaveta e passou a esc rever tudo o que se lembrava do sonho. ela só tem o caminho doloroso de reparação a seguir. Como sempre. Você está libertando espíritos. Podem usar determinados espíritos para enfraquecê-lo. dormia sem camiseta. Levantando-se rapidamente. despoluindo-as para que respirem me lhor. junto à pessoa... Lá. Consultando o relógio.contou animada.Sérgio interrompeu temporariamente o que argumentava.do mudar-se... mai s tranqüila e. como a chuva fina que se in filtra tanto na relva como nas folhas altas. Entendeu bem sua tarefa. pela preguiça. Aquela troca de informações e conversa durou frações de segundos. Não sei. acendeu a luz.. De que jeito? Acredito que estará mais segura lá em casa! Com menos despesas.. E você? Quando vai começar a trabalhar lá naquela empresa? A documentação da PM já sai .. Na próxima s emana tenho uma entrevista marcada e acho que vai dar certo! .ele aceitou calmo. Sérgio! Foi nesse instante que Sérgio sobressaltou.

. Diante de tantas dúvidas e incertezas sobre decisões sérias e definitivas que tenho para tomar. Em instante s. Engolindo seco... Não suportando a pressão sofrida em pe nsamento. Curvando-se e beijando-a na cabeça. atraía obscuras vibrações. Eu te adoro! Desculpeme? Vou ser bem sincero com você.. Eu vim aqui porque não estava bem comigo mesmo. E era só disso que eu precisava para decidir o que é mais correto fazer na minha vida. Sérgio!. o rapaz se virou e saiu sem olhar para trás.. protestou inconformada e aos gritos: Sérgio! Você nunca teve uma oportunidade tão boa! Esse sempre foi o seu sonho! Ante s tinha preocupações em abrir um consultório sozinho e não ter pacientes.Ela o olhava firme e nada disse..... Não sei. Eu queria seu colo. o que preciso é mudar as minhas escolhas! Após o susto que levou. repentinamente. o namorado aconselhou em tom sereno : É melhor conversarmos outra hora ou diremos coisas das quais podemos nos arrepe nder. Sei lá!..Abraçando-o pelas costas com força. lá eu tenho um salário garantido.. A namorada. agora. vem à oportunidade de t rabalhar na empresa por meio período. .. mas como não quer.. Déb ora chorou verdadeiramente sentida... Sérgio dirigia sem rumo..falou com baixo volume na voz grave e fita ndo-a com uma tristeza indefinível nos olhos verdes marejados. Você me conhece. Tenho medo de que. para as nossas vidas. Débora. Frustrado com a reação da namorada. Débora correu. quieto. entende? Faz tempo que não ficamos sozinho s. Agindo com estranha frieza. só desfrutando a companhia agradável um do outro e.... Dar e receber carinho enquanto assistíssemos a u m filme.. Sérgio! Pelo amor de Deus! Você não vai desistir de sair da polícia agora.Ele não se virou para encará-la e permaneceu parado somente ouvindo-a se justificar: Eu não sei por que disse aquilo daquela f orma. reagiu de um modo estranho e totalmente incomum à s ua personalidade. Com a tempestade emoc ional que criou agora há pouco...ela não sabia o que dizer. Entr ei com pedido de férias e vou aguardar para ver no que dá. ele se levantou. . encarou-a nos olhos.. Mais desiludido ainda porque desconhe cia esse lado da sua personalidade. pois nunca o viu falar daquela forma e vendo-o caminhar em direção da porta. Eu!. Sérgio permaneceu silencioso por longo tempo.sinto-me inseguro. com lágrimas quase rolando. e stranhando e observando-a esbravejar sozinha.. ele sobr epôs o braço em seus ombros. segurou-o pelo braço e pediu entre as lágrimas de arr ependimento: Por favor. interrompendo-a com voz grave e firme: Não preciso ir à direção da desgraça. calado. conduzindo-a para o sofá e fazendo-a se acomodar. Tudo sumiu com o em um passe de mágica com a clínica da qual é sócio! De repente. pareceu implorar ao pedir: Sente aqui.. . Sérgio. mas eles me perseguem! Não adianta eu mudar as coisas à min ha volta. deixando-a em imenso conflito íntimo e arrependimento. quietude e a conchego. horário fixo e um salário compatível com o da políci a e você quer desistir?! Não posso me conformar! A maneira como Débora se expressava. gritando. Débora. Vendo-o em pé à sua frente. Uma dor estranha parecia esmagar seu peito.. Estou assombrado ao ver você agindo igual a elas! Pensei que me libertaria do s pesadelos asfixiantes. . parece que ela marcha ao meu encontro! Saí da ma ta casa de meus pais para não ouvir os gritos e as reclamações de minha mãe e minha cunh ada. O rapaz se virou e a jovem escondeu o rosto em seu peito chorando um pranto compulsivo. Desejaria que fosse mo rar comigo. O namorado continuou no mesmo tom sentido: Eu te amo. Débora .. Você. . Levantando-se. Em palavras bem simples posso dizer que desejava só fic ar ao seu lado. eu não gostaria de ter qualquer outro problema. Te amo muito . Desculpe-me. não me proporcionou um instante de paz. fiquei decepcionado porque você agiu como alguém que eu não quero nem lembrar. vai?! Seja como for.. remoendo a s idéias em um penoso estado de consciência devido ao choque por ver as tendências de Débora e as influências espirituais que lhe chegavam. profundas energias inferiores in-vadiam o ambiente. respeito a sua vontade. Não costumo brigar e.

Sérgio chorou em silêncio... De repente. gritando o n ome de Rita. Não! . Sérgio olhou para o canto e ouviu atrás da me sa da sala de jantar um murmurinho lamentoso e viu os olhos de Rita se fechando.admitiu a senhora. t entando entender ou recordar de alguma coisa.. não deixavam seu corpo ficar na posição adequada. Lágrimas correram imediatamente enquanto ela olhava para os lados. vi a Rita entrando e perguntei como ela tava e. levou-a para o quarto. Rita pareceu ter r etornado à vida ao respirar forte. Depois me largou aqui sozinha. Ligou o rádio a lto e não atendeu quando eu chamei. Quando se virou para cumprimentá-la e pedir informações sobre a colega.. Rita.. nem que fosse só o ouvindo desabafar. colocando-a sobre a cama. Eu já vi você aí com a outra moça. sou. por isso já ia ligar pra polícia. lembrou-se de que Rita decidiu retornar para a casa onde mora va. colocou a amiga na posição correta. pois desde a morte de seu irmão e de seu noivo tinha ficado no apartamento de Débora. Podia ouvir uma música tocando em volume u m tanto alto no interior da residência e por isso chamou em voz alta. Se p uder. Sérgio tentou puxar a s amarras e não conseguiu soltá-las. cortou as fitas.preocupou-se ele. eu acho. Olha. moço. tentava curvar o corpo. Sentando-se ao seu lado. Sérgio acariciou seus longos cabelos negros e cacheado . Pegando-a nos braços. Nunca pensou em ver algum amigo ou amiga naquela situação e sob os seus socorros. a senhora se adiantou: Você é um dos amigos da Rita. Sérgio havia tocado a ca mpainha várias vezes. mas as mãos da moça amarradas nas costas com inúmeras voltas da lar ga fita adesiva. Imediatamente tentou fazer respiração artificial. Em vão.. Acreditand o ouvir um gemido sufocado. não é? Sim. saltando com agilidade para dentro do quintal.respondeu atordoada e largada sobre a cama. . mas e se não for nada? Você é amigo dela... mas não foi atendido. Apressando-se para os fundos. Tirando-lhe as fitas e o resto do plástico rasgado do pesc oço e livrando os punhos dos adesivos. você está bem? Estou.. Eu sei que você tem plano de saúde. como se o ar fosse acabar. foi entrando na casa à procura da amiga. sufocando o choro num travesseiro. Não dando importância ao frio que corria em seu corpo. Correndo até a port a da frente viu que estava bem trancada e seria difícil arrombá-la. Está tudo bem.. correu para a sala onde a música alta o incomodou imen samente. Há duas horas. Minha idade não deixa mais eu pular o mu ro. Por isso seria bom irmos para um hospital do seu convênio e. Desligando o aparelho de som. Toquei a campainha nem atendeu quando liguei p ara a casa dela. A. Nas janelas havi a grades. Por quê? O que aconteceu? . como se sufocasse um grito. Vendo-a mais consciente. um sinal de ela estar em casa.. ele decidiu visitá-la. abriu a porta após vários pontapés. amiga dela a. vai lá filho! Corre! Sérgio suspirou fundo. Ele ficou assustado. realizou respiração artificial e massagem cardíaca.. Estacionando o carro frente à residência da moça. Sentiu como se os seus olhos fossem atraídos para ver a pequena faca de cozinha sobre a mesa. pois ela permanecia imóvel. escal ou o alto portão. Movido por um súbito impulso.Repentinamente. Chamando pelo nome de Rita. Usando-a. pediu com brandura: Calma. pensando que a amiga poderia socorrê-lo de algum modo. A jovem desmaiou por falta de ar e permanecia inerte. Eu ia ligar pra polícia. mas fiquei com medo. rápido. Em frente do portão. Falou que não tinh a mais ninguém e que preferia morrer. chegou até a amiga rasgando o saco plástico forte e transparente que lhe vest ia a cabeça onde foi colado e apertado com larga fita adesiva em torno do pescoço. Débora! Isso! . Tossindo repetidas vezes.. percebeu que as janelas estavam a bertas. Acho bom você dar um jeito de pular esse portão! Não gostei do jeito dela. Da casa ao lado saiu uma senhora de cabelos grisalhos que o olhou de modo cur ioso enquanto andava vagarosamente em sua direção. ele perguntou mais calmo: Rita. Meu nome é Sérgio.. mas não tinha forças. Rápido.gritou ao implorar.

Vendo as lágrimas corre rem em seu rosto. Não tenho mais nada. Erguendo-a para que se sentasse. essa dor. em minha opinião. Quando você tenta sobreviver à solidão. Sérgio a confortou num acalento silencioso enquanto a e mbalava preocupado com o que deveria fazer.. pois o modo como a encontrei é bem es tranho e suspeito.. Seus braços estão machucados com espécies de pancadas. Não o encarava. e o amigo tornou ex plicando: Preciso saber o que aconteceu aqui. Era a vizinha que desejava notícias. Estou errado? Com voz rouca pelo choro.. Enrolei a fita adesiva em meus pulsos com as mãos para trás para não desistir e rasgar o plástico. porque você precisa de ate ndimento médico. Porém não era o momento certo para exigir-lhe nada. abraçando as pernas e ficando encolhida. Sérgio a abraçou com carinho piedos o. esse pode ser um caso de polícia..Lágrimas rolaram em sua face pálida. Isso foi bem difícil de fazer. Preci sei ressuscitá-la! Segundo. Retornando ao quarto.. mantendo o olhar perdido. você não está sozinha.. Sérgio lhe fez u m afago no braço com as costas da mão. não achou? Não. . Demorou um pouco. Peguei o saco plástico grosso que trouxe do mercado. Rita o apertou forte. Tem muita coisa que você desconhece.. o telefone tocou insistentemente e o rapaz decidiu atende r.. choro u como nunca tinha feito antes. Não sei. Nem vonta de alguma. cuidadosamente. Conte como foi. Sérgio a observou melhor verificando um machucado em seu rosto. momento em que. Pode me explicar como conseguiu se amarrar daquele jeito? . A amiga o fitou por um segundo e fechou os belos olhos negros num gesto de fu ga ou vergonha. de sligando em seguida. coloquei na cabeça e o prend i com a fita adesiva em volta e. instintivamente. Não suportando a troca de energias salutares.. Depois lhe afagou o rosto até que. Primeiro... num gesto de amizade. vendo-a mais tranqüila .. trazem um impacto doloroso e i rremediável...chorou.. sem fixar em ponto algum. A senhora agradeceu a satisfação. mas respondeu oferecendo várias pausas como se refletisse antes: Enrolei a fita no saco plástico sobre o pescoço. Peço isso como amigo. dessa falta imensa que m e consome. ela cont ou com breves pausas e voz baixa entre os soluços e as lágrimas. Como machucou o rosto? Acho que bati na mesa.tornou calmo. indiscutível em curto prazo. um estad o mental de depressão extrema a domina.. procurou curvar-se para olhar em seus olhos e dizer: Minha amiga. expressando grande tristeza: Estou mal. Rita parecia mais calma. Prudente. Sentando ao seu lado. Cortei com a faca e depois de dar voltas nos pulsos com o rolo adesivo eu. Não consigo explicar o aumento dessa dor... Após algum tempo. Puxando-a para um abraço. cheguei do merc e tive a idéia de colocar um fim a todo esse desespero. Rita.. não é fácil. Eu sei que rupturas drásticas de relações amorosas significativas.. encarando-o firme. expressando muita tranqüilidade. amigáveis e reconfortantes que lhe invadiram a alma. mas estava bem.... o que aconteceu? .. fez com que o encarasse. Por que a faca estava sobre a mesa? Rita abraçava as pernas encolhidas e balançava vagarosamente o corpo exibindo um sinal de nervoso. Não sou útil ou necessária a alguém... Sérgio.s.. Afagando-lhe os cabelos.. Não tenho ninguém. Não tenho esperança nem energia. mas há solução.. perguntou: Rita. como a de seu irmão e de seu noivo. Algum tempo depois. sentada na cama. Sérgio sabia que ela mentia escondendo alguma coisa. a amiga se e ncolheu. .. E não é fácil sair dele. Nesse momento ela ergueu a face banhada pelas lágrimas onde exibia grande angústi a. Ele deu-lhe uma desculpa convincente de qu e Rita teve uma crise de choro.. Sofreu pela falta de ar tempo o suficiente para desfalecer. ele continuou: Rita.. Sem encará-lo. ela praticamente murmurou: Tentei me matar. perguntou vagarosamente: Qual é a solução? Como eu posso levar uma vida normal? Principalmente agora. escondeu o rosto no abraço e chorou. Então.

Não vou deixá-la sozinha.. Ou você vem comigo ou eu ligarei para a polícia e iremos para a delegacia registr ar essa ocorrência. Entregando-lhe uma xícara de chá em suas mão fracas e trêmulas. Não! . a Débora não me ligou até agora. pediu para que Rita se sentasse e foi obedecido de imed iato. Não chorava mais como antes. Retornando ao quarto. . Desculpe-me.sussurrou entre o choro.perguntou por não entender. o rapaz olhou por toda a volta. ele contou: Sabe. Foi uma coisa tão estranha. pois. Vou ficar aqui. viu-a com a respiração alterada..Após propositais segundos. chorando de modo compul sivo. H oje. Diante do profundo silêncio que reinou. mas não está em condições de decidir . Não vou! . Humilhada e abatida. Fitando-a com piedade. Rita o encarava firme. trancada no banheiro. Certamente vão encaminhá-la para um exame de corpo de delito. Assim que Sérgio desfechou. Deixando recado na caixa postal para que a namorada entrasse em contato com ele o mais rápido possível.. ele indagou: Diga-me uma coisa. Vou solicitar ao delegado uma perícia técnica em sua casa pelos fatos duvidoso s.Soluços entrecortaram sua voz quando dec diu: Eu vou com você. Como especialista. O quê? .. Fiquei surpreso e assustado ao chegar aqui e. tornou no mesmo tom: Preciso saber de uma coisa: por . Só. Após olhar cômodo por cômodo e observar meticulosamente cada detalhe. Sérgio avisou: Vou tomar água. Pondo-se frente a ela. considerou em t om brando: Rita.. .. talvez por p ressentimento ou pelas experiências que possuía como policial. exatamente agora você t entaria contra a própria vida? Sérgio se surpreendeu ao vê-la abraçá-lo forte e rapidamente.. .. parecia se controlar. . no q ual passará por um médico que vai examiná-la. .negou de imediato e bem firme. A fastando-se dele.Pequena pausa e fa lou: Considero-a uma pessoa tão espiritualizada. sendo a melhor amiga de Rita ela poderia ajudar muito. O quê? O que disse? . ela reagiu rapidamente ao pedir: Não chame a polícia. Só. decidiu telefonar para Débora. Vocês me disseram que a vida não mina com a morte do corpo físico. Per manecendo em silêncio por um tempo ao lado da amiga.perguntou diante da demora. tão elevada! Você e o João me deram tan ta noção para entender as experiências de uma encarnação. relacionando a série de lesões que você apres nta. eu saí do apartamento da Débora e ia para minha casa. senti uma dor no peito e pensei que ia enfartar. ele t inha conhecimento de que aquele ocorrido merecia muita atenção e ajuda imediata. ofereceu-lhe carinho e atenção. certo? Não. exibindo uma estranha preocupação e medo no olhar. vou levá-la ao hospital de seu convênio onde pedirei que um médico psiquiatra a atenda e. Pensa que sou amador?! . Entretanto o telefone do apartamento só chamava e o celu lar não era atendido.. Sérg io decidiu que a colega não poderia ficar só. ele notou que a jo vem apresentava grande desânimo. Rita. argumentou: Eu me considero seu amigo. Chegando à sala. Sem que ele espe rasse. não?. por que não chegou antes?. Você não pode ficar sozinha e virá comigo para ha casa.Sem espe rar que ela dissesse algo. Sabia que ela escondia alguma coisa.. Algo o intrigava. De repente. pois a situação em que a encontrou era bem estranha. isso não aconteceu por acaso. Depois disso. Quer um pouco? Não. nos quais não p arou de pensar. Além do mais.. Mais de duas h oras haviam passado e Débora não telefonou. quase ofegante. há detalhes estranhos nesse acontecim ento. porém firme... Rita....murmurou. Como... preciso relatar tudo o que houve e pedir su a internação para sua segurança. ela tornou a deitar e abraçou o travesseiro encolhendo-se sobre a cama. Não faça nada disso.alterou-se ela.. Você foi e continua sendo uma pessoa muito important e para mim. Vendo-a balançar a cabeça negativam ente a fim de não responder. só lhe restava aguardar.falou calmo. experimentando um pranto doloroso e triste. não o encarava. Aí eu decidi vir aqu i para conversarmos um pouco.. Então. como psicólogo. chorando.. Só vou tomar um banho e me trocar.

Aquele dia parecia longo demais.cumprimentou alegre. Rita.que não quer a polícia aqui? Chorando. Percebendo-o confuso . Voltando à sala. Disfarçando o que experimentava. Não quero ser humilhada. Sem dar atenção ao filho.. deixando expostas e caídas algumas peças íntimas que pertenciam à amiga.cumprimentou a jovem com timidez. Tiago lembrou-o brincando: Acorda. Dando alguns passos. nossa mãe.. Temos algumas horas para pensar e decidir o que fazer.. Sem esperar que o filho respondesse. Cheguei quase agora... comentou: Mas você não é a Débora! Não. Sérgio havia passado o dia sem comer. É que. Dona Marisa olhou para o sofá com ar de reprovação e repudiou ver Rita sentando-se rapidamente. Mas. viu Tiago entran do em companhia de sua mãe. pois não sabia o que fazer. parecendo assustada com a visita. Preocupado. enquanto olhava detalhadamente tudo a . Essa é a Rita. levou o telefone par a tentar falar com Débora ao mesmo tempo em que pensava em preparar uma refeição. cobrindo as perna s com a própria saia longa.. Indo para a cozinha. mãe! Oi. vá para o meu quarto e descanse um pouco até eu encontrar a Débora.Viran o-se para a colega. mas sim em profunda reflexão. Pegue somente as roupas de que precisar.disse Sérgio sem conseguir disfarçar certa surpresa . Sérgio sentia-se tomado de esquisitos perturbadores sentimen tos. Oi. esqueceu? Não! . Vendo-a apoiar a cabeça sobre algumas almofadas. Prazer. * * * Chegando à sua casa. Prazer. meu irmão! Você pediu para eu trazer a mãe e o pai aqui hoje para verem sua casa e conhecerem melhor a Débora. procurou dar uma entonação mais terna e amigável a o tom de voz e pediu: Rita. Você vai par a minha casa e.... cara?! Tudo bem? .. vou chamar uma viatura! Cabisbaixa obedeceu. Mas pensei que a Débora estivesse aqui.avisou Tiago em socorro do irmão. Tive alguns compromissos hoje e acabei me atrasand o. Teve a sensação de segundos de alívio. mãe! .tentou mentir.. pensava em alguma alternativa. Não quero me sujeitar a uma série de perguntas e investigações.Pediu com gesto educado: Contudo perceb ia-se que algo estava errado com Sérgio. Tudo bem. dona Marisa permaneceu em pé com postura orgulhosa e pens amentos malignos. . Tiago! Tudo bem? . Eu já arrumei a por ta dos fundos e a tranquei por dentro. Sérgio? Nunca mais foi lá em casa!. Só não feche a porta.. coloca ndo-as sobre a cama. essa é a dona Marisa. Como você está.. mas. Pegando as duas sacolas com as roupas da moça. a jovem respondeu: Estou com vergonha. . Não vamos mexe r em nada nesta casa. Sairemos pela porta da frente. ao se aproximar. E aí. Posso ficar aqui na sala? Claro! Fique à vontade. mas não conseguiu. ele não reparou que uma delas. Rita! Se não fizer como estou sugerindo. obedecendo exatamente ao que espíritos mórbidos exploravam em seu coração e a faziam usar. O sol do verão quente não queria se pôr apesar da hora. Não tem mas . Foi nesse instante que escutou um barulho na porta da sala. pensando que fosse sua namorada. apresentou: Rita. quando a Débora chegar. Sérgio olhou-a surpreso como se sua memória tivesse apagado.falou a mulher de um modo arr ogante. uma amiga nossa! . . inclinou-se para o lado e se encolheu. mãe . encontrou Rita com os olhos fechados. Virando as costas rapidamente. havia tombado. que parecia nervoso. Sérgio pe gou o telefone e foi para outro cômodo a fim de ligar para Débora. pode ir para o apartamento dela. Sente-se. Ela sentou-se no sofá. levou-as para seu quarto. Não acreditou que estivesse dormindo. Fez várias tentativ as. mas estranhou ver Sérgio petrificad o.

fui ao apartamento da Débora e nós brigamos. Eu gostaria de desaparecer agora. dominado por um mal-estar que não o deix ava organizar as idéias nem os pensamentos com soluções.. aqui tem um banheiro.. comentou num tom amargo: É uma boa casa! Venha conhecer melhor .pediu Sérgio que mesmo atrapalhado. avisando com voz bondosa: Preciso da sua ajuda. mas deve chegar daqui a pouco. sem que Sérgio pudesse replicar. Pode parar. Aqui é a cozinha. vejo essa cama de casal e você é solteiro.pediu ao ser seguido . Sentia-se estranho. Foi tão grave que resultou naquele acidente.. Como assim?. Sérgio! .. aqui um dos quartos. Contudo disse a verdade: Isso é da Rita. a mulher foi para perto da cama de casal e pe gou com as pontas de dois dedos uma das peças de roupa íntima que estava no chão. Eu acabei destruindo o seu dia.. É.gritou Sérgio. Ela gritou comigo. Ao entrar para observar melhor. E olhando para Rita petrificada. mãe! . Você. humilhando-a: E você! Não tente se apresen tar como amiga. pois sei que o Tiago está enfrentando acusações e ofensas injus tas por sempre estar comigo.. Sonhou novamente? . agress . mãe .. A amiga de vocês traz roupas íntimas e deixa em seu quarto! E você. Rita! Sabe. com essa cara de assustado porque esqueceu que nós viríamos para cá hoje! Ainda be m que seu pai não veio! .. Queria colo. preciso de você..mostrou.. a situação fica difícil. Mas o pior não foi isso. A senhora não sabe o que está acontecendo! Nem quero saber! . mostrava-lhe tudo. entende? Daí.Ela foi parando de chorar e fico u mais atenta à medida que ele falava. Sem trégua. Mãe. pois estava na sala sentado ao la do de Rita. tentou dizer: Eu e a Débora somos os melhores amigos da Rita e ela passa por uma situação difícil e .Pegando a peça de roupa da mão de sua mãe.. Rita. Ti ago não entendeu a situação. Lembra quando eu falei o quanto minha mãe era fria e injusta? Lembro. Então marqu ei com o Tiago para trazê-los aqui hoje. pois qualquer explicação seria inútil. Foi exigente.. Neste fiz um escritório e. Já entendi por que quis sair de casa. Por favor..perguntou mais interessada em ajudá-lo. Tem uma lavanderia e um quintal. Nada disso! Espere. Bem cedo eu estava mal..respondeu agressiva. ofendeu-os: É por causa dessas orgias que você vive socado aqu i?! Espere aí.. V enha . Planejei para a Débora vir a fim de melhora r o clima entre todos.. a sua reconciliação com seus pais. abrindo a porta ao comentar: Este é o meu quarto.A mulher saiu do quarto reagindo gravemente. ele sentou-se ao lado de Rita.sua volta. repreendend o inclusive Tiago que não sabia o que acontecia. . mas trocou olhar com o irmão e correu atrás de sua mãe a fim d levá-la embora..Contou com a voz que imprimia cansaço: Esto u passando por um período de dúvidas com algumas decisões definitivas em minha vida. T ive uma noite difícil.... Arrancando forças do fundo da alma. fez com que a amiga se erguesse e o encarasse. mais do que qualquer pessoa acompanhou tudo o que ela armou para a Débora.. Sérgio estava incrédulo com o que acabava de acontecer.. a mãe saiu porta afora.. escuta-me . É bem espaçosa. Depois iremos lá. colocando-a novamente na sacola. Mas hoje. dona Marisa gesticulou com desdém e pouco caso. mas não pos so. Por essa razão. perguntou rude: O que significa isso?! Ele sentiu o rosto queimar. Estou longe de compreender o sentido de amizade quando vejo uma vadia sem-vergonha como você! Após as graves ofensas. É uma suíte. Rita caiu numa crise de choro e curvou-se sobre uma almofada. espere aí! Primeiro.. Vira ndo-se para Sérgio e exibindo repugnância ao mostrar-lhe. Sua namorada não está. Sempre que tento me reconciliar com minha mãe. . Aconteceu o seguinte: fiquei sabendo que ela e meu pai reclamavam a minha falta e o fato de não conhecerem esta casa. Atordoado e com os pensamentos desorganizados.exigiu com frieza.

E. Como posso ajudá-lo. Jamais gritou. A não ser quand o os irmãos a perturbavam muito. não passar apuros.. entonando na fala uma súplica e expressando no rosto uma exaustão triste. ambiciosa. Nunca me importei em fazer determinados serviços domésticos nem de cozinhar. Acho que ela está magoada comigo. frustrada e. eu estou com remorso po r ter falado um monte de coisas para a Débora e.dis se.. Nada foi por acaso.. Pronto. já seria um bom começo . Não foi sua culpa.afirmou bondoso. Puxa! Hoje tem uma outra vida! Mora sozinha.perguntou esmorecida. procurando c nversar: Foi isso o que te contei. . ela falou em voz baixa.. Está sendo difícil e u controlar minha vida. apre ido.. Mas. A Dé não é assim. Entendo que veio de uma família rica. mas me cont rolei e. Como foi difícil. Tem tanta coisa acontecendo comigo. mas is so não me impede de me virar bem na cozinha. Quando sair do banho terá de me socorrer.... Veja. Sérgio. Por favor. Vamos lá para a cozinha e. olhando-a nos olhos. Em que eu poderia ajudá-lo. Está calor e é bem saudável.. Mesmo assim. Não se sinta humilhada pelas acusações da minha mãe e.. afagando-a no rosto. Como eu falei.. Se pudesse me ouvir. Sérgio? Você é minha amiga . Nunca vi a Débora reagir agressiva assim. ela a charia outro motivo para brigar.falou sentida. Ela pode errar. enfrenta os desafios.. estarei desmaiado! Prime iro vamos comer alguma coisa. tem iniciativa. Ela sempre foi ponderada... Creio que o fat o de ficar sem emprego a afetou... . ela me disse que não cozinhava direito.. Não é o que parece. Visivelmente con strangida e tentando esconder certo nervosismo. às vezes. Dê um tempo para ela. gritar e reclamar. como se não bastasse minha mãe fazer isso.Levantando -se. Preciso que compreenda que a don a Marisa é orgulhosa.falou.. Não quero que chore por causa do que aconteceu aqui. Foi o que ela queria! Foi por minha causa . decidir-me. deixar-me magoado e encontrou. tudo be m se ela não sabe cozinhar. deveria aprender e prestar atenção para. sem ação. oferecendo-lhe algumas t arefas. quebrar alguma coisa. Tive vontade de gritar. Por favor. Pensando rápido e agindo de forma dissimulada.... forçando-se ao ânimo para convencê-la. Rita.iva com as palavras. enquant conversamos. mas nítida : Eu te ajudo sim. Procurei manter a calma.. Pelo fato de ela ver e acompanhar o que faço. por isso não me atende. Conheço a Dé e sei o quanto ela é esforçada. é questão de necessidade e de ter ajuda... Sou homem.. Eu já esperava que minha mãe fosse procurar alg uma coisa para me criticar. Estou me sentindo péssimo.pediu. Isso é muito estranho. des culpe-me por fazê-la passar por uma situação como essa.. conseguiu distraí-la. Sérgio demonstrou-se alegre.. Rita ofereceu leve sorriso e se ergueu. mas continua tentando até aprender. Não.Rita tentada pelo suicídio Ainda abatida e tomando somente pequenos goles de refrigerante. Está calor e eu queria primeiro tomar um banho.... mas. Esqueci completament e que o Tiago traria meus pais aqui... disse algumas coisas para el a e fui embora. Passei na sua casa e. ajude-me a supera r essa angústia.. era raro. Existem momentos em que a Débora fica atordoada. Espere um pouco. Se você não estivesse aqui. estendeu-lhe a mão e sorriu ao convidá-la: Venha! Estou morrendo de fome! . 16 .. Não!. não precisou apre nder. ofereceu meio sorris o e a chamou: Já é noite e não comemos nada até agora. Aceitando a mão amiga. Sentado à sua frente.. Diante do silêncio.. mas. Sérgio? . em uma emergência. isso para não admitir que não cozinha nada. é independente. pelo amor de Deus! Ele sorriu satisfeito por induzi-la com agilidade e. acho que é questão de tempo. mas não se esforça para aprender o básico. Rita . preparamos um sanduíche natural. Pegou -a pelos ombros como se brincasse e a conduziu ligeiramente para a cozinha enqua nto falava: Ah!. Sérgio disfarçava suas preocupações. Rita deixou o sanduíche intacto.

Parec e que ela não gosta de nos ver progredir. Por que o pai não veio? . Não é como você pensa.. De repente ela ficou alegre. analisando os fatos. discussões acaloradas e brigas. Tiago sentiu que algo mais sério acontecia. Principalmente quando e la começa a se comportar agressiva. Dizia que você queria uma emp regada.. Tentei falar com ela a tarde toda.. Ele havia trocado algumas palavras com a jovem enquanto o irmão mostrava a casa para sua mãe. Acreditamos que pode aco ntecer com todo o mundo.. mas. não gosta de paz. sentou-se à extremidade da mesa e foi se s ervindo. levando recados de que ele queria vê-la. na se . Você viu alguma coisa? A Yara não fuma e nem faria isso no apartamento porque a Débora detesta cheiro de cigarro. mas. mas. A mãe o chamou de irresponsável. Sérgio mergulhou em profundos e torturantes pensamentos. Era totalmente contra......quis saber Tiago. O Marcílio e a Ana brigaram e a mãe queria que o pai fosse se meter.. Tiago foi até o banheiro. Acho que vou fazer como o Sérgio.. vou sair daquela casa. acho que a vi cheirando alguma coisa.. eu acho... Sabe. Creio que a irmã começou a influenciá A Yara era uma pessoa bacana.. quando a Dé comentou o fato de vir morar com você. através do espelho. exigente e nervosa.indagou o irmão. Você sabe. Não sei. covarde. Mas teve uma tarde que notei a Yara no banheiro com a porta meio abert a e. divertir-se... não damos notícias. Eu esqueci completamente que marcamos para você trazê-los hoje aqui.. a té agora a Débora não retornou minhas ligações. Parec e que a Yara perde a noção de responsabilidade.. Mas de vez em quando. Ela não tem preocu o futuro nem responsabilidade e está tentando influenciar a Dé para esse tipo de com portamento. enquanto Sérgio perguntava: E a mãe? Ah. mas fiquei inquieta quando estava lá e.. A Débora é ingênua para essas coisas e sabe. Discreto. Rita? Não posso afirmar.. Deixei vários recados. brincando e sorrindo aliviado com a presença do irmão. Porém não conversaram o suficiente.. Mas isso não é errado. Sérgio. E ntretanto a inesperada chegada de Tiago. eufórica e queria que eu e a Dé fôssemos com ela a uma casa noturna. que é um lugar legal. Como assim.. com problemas. Não. Eu não queria dizer isso a você. Quando eu estava no apartamento da Dé. aproveitar a vida.. pa ra te falar a verdade. Cadê a Débora? . de comportamento adequado e. Essa influência é da Yara.. Fica procurando motivos para reclamações.. Rita percebeu o amigo apreensivo e decidiu omitir que Yara sempre falava de B reno para Débora. Oba! Tem lanche pra mim?! Não senhor! . .. Não entendo por que. mas pode se dar mal por causa da irmã.. Não esquenta! Você sabe como ela é! Os olhos negros de Rita brilharam. Bem. Havia um pó esbranquiça do em seu nariz. pois é necessário assumirmos responsabilidad es. como se pedisse a opinião da irmã.perguntou preocupado. mas tem algo errado. mas mudou muito. a Ya ra começou a ir lá com muita freqüência. Precisamos desse tipo de atividade. Isso pelo fato de já terem conversado antes sobre a história da Débora não saber cozinhar... Ele ficou chateado e não veio. O pai não foi e então. Nem sabia por que ela estava ali.disse Sérgio. Parece que isso a deixa feliz.. E lógico que não dev emos nos dedicar só a diversões e passeios. mas. A Dé gosta da irmã e acaba dando ouvi dos. transmitindo certa amargura. A idéia de diversão da Yara é outra. Algumas vezes. Rita. Não sei reconhecer. Não tolero. estou envergonhado com a nossa mãe.. argu mentou: Rita. Só fica satisfeita e chorando preocupa da quando nós estamos doentes. Eu não sei o que é.. Acho que a Yara faz uso de drogas. acredite. Ainda bem que nós já havíamos comentado o q uanto ela é indelicada e agressiva quando quer. Deixei vários recados na caixa postal.. E a Débora sabe disso?! . menos com alguém da nossa família.. Virando-se para a amiga. A Débora não é boba. O que a Yara falava que a deixou intrigada? Sair.Estou sendo paciente ao máximo. tirou-o das reflexões. Por exemplo.. lavou as mãos. porém a Dé não percebeu. a Yara reagia....

A moça abaixou a cabeça e. eu. . vou entrar lá.. Rita levantou-se. tornou firme: Sou seu amigo. Sérgio! O que é isso?! . . de ixou-o perturbado.. certo?! Ficarei aq ui! Pode ir! Com lágrimas correndo no rosto. falou sem trégua. Puxando uma cadeira para p erto do sofá onde Rita sentava. Fica na sua! Depois conversamos! . assustado com o que ouvia.Virando-se para a amiga. por isso sou responsável por não tomar qualquer providênc ia ainda! Ou você me obedece. Isso é necessário? . Rita! Tenho inúmeras razões para crer nisso e uma perícia técnica em sua casa. Mesmo na cozinha. É sim. . Entendo que esse estado de depressão extrema não a deixa ter esperança.. por isso começaram a falar sobre assuntos corriqueiros. Rita! Somos amigos e não vou correr o risco!. Ei. O tempo está passando e precisamos ter uma boa conversa. Mas o irmão não lhe r espondeu de imediato. Sérgio perguntou: Tudo bem? . contrariado e incrédulo. Perdoe-me Rita.. Pode acreditar! Se fechar a porta. Depois de todos os detalhe s. franzindo a testa em sinal de desaprovação.exclamou Sérgio também apreensivo.. apes ar da fala mansa: Eu gostaria que a Débora estivesse aqui. petrificado. E o fato de ela confessar que tentou suicídio. fui eu quem a tirou de sua casa. Rita. enxergar o fim de uma dor insuportável pela perda de pessoas queridas. Preciso ir ao banheiro. que escondia entre os longos cabelos.Breve pausa e tornou: Eu gostaria muito que a Déb ora estivesse aqui. mas somos amigos e o Tiago não é um estranho. forçou-se a comer um pedaço do sanduíche.. vou arrombá-la e sabe que sou capaz disso! Ent endeu? Mas. Tiago! .. Se demorar muito e não responder ao meu chamado. vagarosamente. ele foi até ela.. Nada de banho.protestou o irmão.Voltando -se para a jovem. lançou-lhe um olhar autoritário e praticamente ordenou. Rita. Ficou louco?! . encarando-a firme: Apesar de saber e compreender m uito bem essa postura de pensamentos. Sérgio p ediu: É melhor se sentar. considerando o imp acto sofrido. Fragilizada. ou farei o que deveria ter feito. . ver melhoria na vida... por favor. Acreditando que não seria notada.. Você não sabe o que aconteceu.indagou Sérgio. Tiago sentiu-se mal. Inconformado.. Sérgio finalizou de forma mansa: Eu sei que a Rita está passando por um momento desesperador.cretária. a jovem desatou a chorar. Estou com medo e preocupado de que tente de novo. a jovem a baixou a cabeça e foi para o banheiro. Tiago. Aonde você vai? .Virando-se pa ra a amiga. Nós discutimos hoje cedo e acho que ela está magoada comigo. Após o ocorrido de hoje. Tiago. Mas já que não está.. Nem se f or só uma parte do lanche. terá de agir conforme vo dizer.Vendo-a obedecer. Não tem mas . eu não acredito que tenha feito àquilo sozinha . Preciso que me conte tudo. minha amiga. observando-os..Percebendo que a amiga foi para a sala chorando e usava a toalha para secar o rosto. ele pediu com bondade: É melhor comer. Sérgio. pedindo baixinh o: Com licença. Não é fácil mudar esse estado mental como um passe de mágica. um exam e de corpo de delito comprovariam minhas suspeitas. Estava perplexo. andando de um lado para o outro.murmurou ela entre o choro. . para eu saber que decisão tomar..murmurou Tiago. Sérgio ficou alerta todo o tempo. O que você está fazendo?! Por que isso?! Ao vê-la sair do banheiro com uma toalha nas mãos. Os irmãos se entreolharam e Tiago entendeu que não era um bom momento para qualqu er pergunta ou comentário. O rapaz se levantou. Deve ser isso . S . Você vai usar o banheiro do corredor e a porta deverá ficar aberta dez centíme tros. e mbora brando.Vendo o irmão inquieto e exaltado. suavemente. Tiago os seguiu e perguntou nervoso com a situação: O que está acontecendo aqui?! Dê um tempo. pediu com gentileza: Olhe para mim. aqui e agora. A situação é delicada. Sérgio explicou a Tiago exatamente tudo o que aconteceu na casa de Rita.. o amigo pediu em tom brando: Desculpe-me por agir assim com você.

morrer.. Tentando ajudá-la. teve a idéia de se asfix iar e voltando até a cozinha pegou o saco plástico e a faca. Não houve resposta. e Sérgio continuou: Eu olhei tudo. aquele era um conjunto de circunstâncias e condições bem diferentes por se envo lver emocionalmente. desembrulhou as compras. Mesmo sendo seu ami go. dando-se ao trabalho de colocar a faca sobre a mesa? Como teve essa agili dade de contorcionista? Não! Chega! . perguntou tranqüilo: E então. Rita? Por que foi até a sala? Não sei!.. . falando pausadamente.Ela chorava. rapidamente.. Por que não tentou se sui cidar na cozinha... Ontem telefonei e soube que minha tia morreu. mas não guardou. Se queria morrer. eu tenho de tomar uma providência.. Era uma rede de laticínios. Sem diz er nada.. O Gust avo me deu muita força e. pegou a fita.. Tudo ia bem. Por que ligou o rádio? .. Não tenho mais nada. Ligou o rádio bem alto.. Não era uma estranha.. Ao lado dela. Você chegou. mesmo gostando muito de você. ainda é tempo de eu tomar uma providência a r espeito. Não tenho nada a perder... não vai se importar em ter alimentos em casa. Por que eles estavam soltos e como se estivessem empurrados para dentro do saco. Eu pensei que poderia ter novamente uma família. Saberia esperar. ela pediu: Espere.chorou. mas ainda restava o meu irmão! .Alguns minutos e a jovem relatou: Meu pai e o irmão dele abr iram uma sociedade há muito tempo. Só quero entender. Não. O choro a interrompeu e a fez esconder o rosto na toalha. a inquietude e a apreensão o dominava. mas Sérgio sinalizou.. Somente um choro forte e compulsivo sufocado na toalha que ela apertava contra o rosto.... consideração e afetividade.. mas. Não conseguiram me avisar por eu estar no apartamento da Dé e.perguntou Sérgio.. Pouco depois.. O rosto belo e agradável de Tiago parecia terrivelmente transtornado. permanecendo em rigoroso silêncio. Apesar de policial em atividade. prendendo-o com uma fita adesiva larga daquelas que se cola ou prende caixas de papelão? Depois cortou a fita que e nrolou no pescoço com uma faca que encontrei sobre a mesa. Sérgio! Tanto faz morrer ou não!. Perdi meus pais em um acidente e stúpido. Então decidiu se asfixiar com um saco plástico...perguntou firme.. . Aquele foi o momento. Encostando a cabeça no sofá.. captou um brilho estranho nos olh os de Rita que se esforçava para dizer algo. inclinando-se sobre os próprios joelhos. Se tanto faz morrer ou não.implorou a moça. Tiago se sobressaltou. Mais tranqüilo. ela se recompôs e falou ao erguer o co rpo novamente: Eu queria sumir.. Pre ciso de um tempo. impedindo-o e o irmão obedeceu. e conforme os fatos.. e ele não sabia o que dizer.e não me convencer.. O que aconteceu? Não tenho razão para viver. Tiago não suportou... Sentia-se esfriar como se fosse desma iar. Não tenho ninguém. concatenando as idéias do irmão. Tratava-se de uma amiga pela qual tinha respeito. abraçou-a num gesto amigo. O Rogério dependia de mim!. mas ele não deu trégua e fazia perguntas após p erguntas: Seus cabelos são bem compridos e quando você os prende é com uma presilha ou o que vocês mulheres chamam de bico de pato . Então pegou a mesma fita e enrolou os pulsos com os braços nas costas para não tentar rasgar o saco plástico no desespero da asfixia? . o rapaz permaneceu imóvel e socorreu-se em uma prece. Planejo u se matar daquele jeito? Mas. de repen te. Mesmo sen tado. Tiago acomodou-se melhor para ouvi-la. por que optou em tentar? . Meu pa . por que fo i ao mercado e comprou frutas. Ficamos noivos duas semanas atrás.. em vez de se fazer um rabo de cavalo e torcê-los para cima ou prender com a presilha? Por que o tapete da sala estava r emexido? Por que tem essas marcas no pescoço e nos braços? Por que o hematoma no ros to? Como você explica ter amarrado as mãos nas costas com a fita e tê-la cortado com a faca. Enquanto Sérgio permanecia atento ao encará-la. só observando. sem oferecer crédit o. Pensei em me matar e. O silêncio e a demor a pareciam eternos.. relaxando o corpo e fechando os olh os.. Teve a intenção de fazerlhe um afago. estou certo? . Rita. decidiu se matar. Sérgio permaneceu firme e calmo. ovos e outras coisas para sua provisão? Quem planej a se matar.a jovem implorou com um grito de lamento. Afastando-se do abraço de Tiago... acostumado com as situações mais difíceis e infe lizes. Sérgio falou em tom piedoso: Não posso ser cúmplice e responsável por algo tão evidente. Depois. Rita.Ela não res pondia.

começou a beijar meu pescoço. ... Falava de um jeito dominador. Eu enlouquecia a cada minuto! Então ped i que me matasse de uma vez! . sendo comidos pelos vermes.. Seu irmão não gostava de ver o tio de vocês olhando-a como se a desejasse sexualmen te? . É. a jovem revelo u: Era muita dor! Fiquei fora de mim e...... prosseguiu demonstrando repulsa: Mandei que fosse embora... mas meu tio teve direito de apelar para instâncias superiores... cheguei do merca do e me surpreendi com meu tio entrando na cozinha. M as. que não entendia nada. Disse que não tinha dinheiro. . Não ganhava muito. Minha sorte foi ter um emprego. Com o que. A amiga chorou. Ele dizia que nosso tio me olhava com audácia. Eu o emp urrei com o ombro e ia correr quando ele me segurou. E a sua? Acho que aquele crápula nojento só queria nos provocar! Rita. Quando voltei para casa. Me beijou a força.i confiava demais no meu tio e.Chorou. Rita? . Depois que amarrou minhas mãos nas costas.. Não parava de dizer coisas que me deixavam desesperada ! Eu gritei! Briguei!. Meu irmão não suportava nosso tio.. sempre secando as lágrimas que rolavam.. Rita fazia uma pausa vez ou outra. Ele me bateu...tornou ele. po is era maior e receberíamos mais. se eu quisesse. Estranhos... Meus pais morreram no acidente. O dinheiro das cas as vendidas sumiu.. mas ajudav a. frio! Suas palavras pareciam me dominar. Principalmente?. queria comprar a parte do meu tio na sociedade e se livrar dele. .contava com a voz entrecortada pela dor. e prosseguia: O Rogério se revoltava às vezes. hoje... Era uma fo rça.. afagando-a ao imagi nar seu desespero. Parece que me u pai. Aqueles de quem gostei estavam embaixo da terra. .questionou Sérgio...murmurou desalentada e sem chorar. me jogou contra a parede.. O contador cuidava dessa separação. Alugamos a outra.tornou o amigo. pois meu pai o depositou na conta da empresa de laticínios. Não me recordo bem.Ela chorou e Tiago recostou a testa em sua cabeça.. Restavam ainda os aluguéis de três casas que não foram vendidas... Convenci o Rogério p ara nos mudarmos para uma que era menor. Foi severo e me atormentou quando disse que não adiantaria eu ganhar a ação.. Ele ligou o rádio bem alto. como se quisesse recuperar as forças.tornou Sérgio em voz baixa. Sua respiração ficou alterada e seu coração acelerado... recostou-se no ombro de Tiago e contou: Não vou negar que quero morrer! Minha vida não tem mais razão. Insinuando-se com olhares e mo dos..perguntou Sérgio. aquela angústia. F iquei atordoada.. convencido por minha mãe...... o que esse passado tem a ver com o que aconteceu hoje? . Nós brigamos.. porque não parava de falar. murmurou...Apesar do choro.. Então. mas. Procurando esconder o rosto no peito do amigo.... Uma vontade imensa de morrer. a dor da solidão e as lembranças acabaram comigo. Logo respirava fundo. . . Não agüentei tanta coisa!. continuou: Não foi fáci l eu me inteirar dos assuntos de negócios.. ele não devolveu o que nos pertencia por direito. Pouco depois.Alguns segundos e continuou: Ele propôs me ajudar.. . Com o a justiça é lenta. Con tratei um advogado com o dinheiro que meu pai deixou em depósito numa aplicação para e u fazer a faculdade..... O advogado moveu uma ação contra meu tio e foi fácil provar as suas falcatruas. . Mas?...perguntou sério e bem direto para ajudá-la. Decidiu vendê-las e injetar dinheiro nos negócios. ... o Rogério cismava.. Principalmente. insensível e de sumano com as palavras. aquela que moro. N as vezes que nos encontrávamos.indagou Sérgio. Assim. Mas minha mãe começou a desconfiar do meu tio.. Gan hamos à causa... Aconteceu algo muito estranho com meus sentimentos... Meu pai tinha mais de cinco casas muito boas e devidamente alugadas. tornando-se sócio majoritár io. mas os negócios foram caindo e os prejuízos apareceram.. receber o dinheiro e saber que eu não tinha mais ninguém para me amar . E depois?. Eu não . Isso foi me dominando conforme ele falava e f alava!. Mas. O quê? .. Não sei como encontrei aquela fita e dei para ele. com minha vida. teríamos de esperar anos até um novo julgamento.. Não sei direito.. Essa era a opinião do Rogério... Eu queria acabar com aquele vazio.. Ele foi cruel.

e segurando-a.. que é bem compri da e. Você me chamou. mas se podia perce bê-lo contraído e sisudo enquanto mantinha os olhos cerrados..chorou.intimou Tiago. Indiano. enojando-se com a sordidez de criaturas mentalmente enfermas.... chamou-a para que reagisse. usou sua fragilidade momentânea e a induziu à prática do suicídio.. Levantando-se. exibem que chegou a um estresse extremo e seu corp o reagiu reduzindo incrivelmente sua sensibilidade. pelo fato de você não saber o que aconteceu . mas.. Mais nada. não a suportando ver em desespero. Rita não percebeu a força que usava para abraçar Tiago.falou nervoso. Saiu pela porta da cozinha e trancou por fora. a jovem ganhou cor na face e nos lábios. nós iremos à delegacia agora.. Não lembro. sentindose espiritualmente escravizada por uma sombra desconhecida. encarou o irmão parecendo indignado e irritado ao perguntar sem que a jovem ouvisse: Ela está em choque! E agora? Era isso o que queria? Fique calmo você também . vendo-a abrir os olhos. Essa falta de ação mostra que ela não tem uma consciência exata do que se passa ao seu redor. será cov ardia e cumplicidade! Isso não vai ficar assim e eu vou tomar as providências! Ele foi interrompido por um grito desesperador de Rita que se levantou com a intenção de sair correndo. Ela tentava se livr ar dele.. Desligando a música. Na breve pausa. Depois.. E le espiou e acho que o viu e.perguntou sem piedade. Estamos diante de um crime. lembro de você entrando.. queria u sar somente a razão e não a emoção. Rita... esse caso é grave! Seu tio se aproveitou de s ua dor. Após longos minutos. Tiago levantou-se e interferiu. sei lá.. Sérgio!. . Chega! Por favor. abandonando-se sem reação.. mas na verdade ele tentou matá-la! Quando cheguei e a ressuscite i. A in diferença ou inércia. Ele p ermanecia com um lado de seu rosto encostado na cabeça de Rita.. Rita entregou-se ao esmoreciment o. falando bem firme . agarrando-se a Tiago.. suspirou fundo e. que a dominou. você estava vestida com essa mesma saia modelo. mesmo sent indo o coração disparar. Tiago chegou trazendo um copo com água adoçada e. e o amigo ajudou-a a se sentar. Características típicas de esferas bem inferiores. Rita. pode ter alguma resposta através do seu corpo ou nas suas roupas. como se quisesse se refugia r dentro dele.. Se formos omissos. pediu p ara pegar o copo e beber a água. Parecia entorpecida. seus movimentos e atividades psíquicas.. Não! Sérgio! Pare com isso! . Para que se sinta menos constrangida.. Rita bebeu alguns goles e em seguida recostou a ca beça no sofá. Sérgio esfregou o rosto com as mãos. Rita não sabia o que fazer. Tiago! . mas ele me bateu forte no rosto. sufocava e perd ia as forças sem conseguir me soltar..conseguia soltar minhas mãos.. Apesar de completamente calado. Sérgio foi rápido e a segurou pelos braços..pediu Sérgio em tom brando. Quase imóvel e silencioso. Ele só me olhava e ria. o que aconteceu? Não sei. Com fala mansa e cuidado sa. no rosto.murmurou após minutos. perguntou: Depois de bater com a cabeça no chão. ele a mantinha em seus braços. largou o corpo e fechou os olhos. tentando lh e oferecer algum conforto.. remoia seus pensa-men tos. Mesmo tendo desmaiado e não se recordando. mesmo quando desmaiou. Seu belo rosto estav a desfigurado como se perdesse os nobres traços de antes. Com entonação normal na voz. e u acho. Ach o que só acordei no quarto. Por um instante.. Sérgio pensou que ela fosse desmaiar. de seus sentimentos de angústia. Ela vai melhorar. tentou envolvê-la para acalmá-la. É o seguinte. parecendo exausto. Eu estava sem ar. Tiago acomodou-se a seu lado sem dizer nada e Sérgio p areceu impiedoso ao continuar: Vejo que está melhor. Caí e fiquei tonta porque minha cabeça pareceu arrebentar no chão. Rita . concentrou-se para não se envolver sentimentalmente.. Não! Você apresenta marcas de agressão nos braços. tirando-a das mãos do ir mão. Isso pôde aco ntecer. iremos à delegac . seu tio abusou sexualmente de você?! . mas não conseguia. espiritualmen te atormentadas e obscenas.tornou... . Sentando-se direito . . neste caso.. Tentei agredi-lo e correr. Suas mãos pequenas e geladas tremiam e ele a ajudou levar o copo aos lábios pálidos.

. pegue suas roupas e fique à vontade. exames e tudo mais é vio lentar a vontade dela! É constrangimento ilegal! Já não basta a Rita querer morrer?! O que acha que ela está pensando?! Mas esse infeliz precisava ser preso em flagrante! . Eu queria morrer e ele ia me ajudar!. Não quero falar mais nada. Sérgio! .interrompeu-o de imediato.. Se é meu amigo como diz.. ..Sérgio se de teve por um sentimento de indignação e ódio. feche a por ta do quarto e do banheiro. Sérgio andou de um lado para outro da sala. . ajudou-a a levantar e perguntou com brandura e delicadeza: Você está cansada. Foi.. . pode tê-la violentado! Não! Estou falando como seu amigo! Eu a considero como uma irmã! Você não sabe dizer o q ue aconteceu! Ou não quer admitir?! Não.vociferou Tiago. Está sozinha no mundo! Forçá-la a prestar queixa. . Por favor. Estou com nojo de mim. não vai me forçara nada.tornou ela chorando. queria morrer. E deixá-lo sem uma punição? .reclamou Sérgio. Qualquer coisa. Além disso. depois murmurou: Não tenho nada. Não tenho ninguém. Não vou! Não quero ir! Eu queria me matar.O irmão ficou pensativo e Tiago comentou: Você foi mui to duro com ela. ta? Ta.expressou-se com doce compreensão no olhar e no tom de voz . Rita aceitou o ombro amigo. desmaiar.. . Confio em você. Sérgio. Sérgio. Não! . Virando-se para ela. .. O que é mais importante para você: prender o vagabundo em flagrante ou o bem-esta r psicológico da nossa amiga? .. Pressionou-a tanto! Inquiriu de modo rígido.confessou. lágrimas rolaram em sua face enquanto acenou positivamente com a cabeça. afastando-a do abraço.. Mas ele me bateu. desgraçados como ele.... Há. Sérgio! ..... Nem por exames!. Ao ficar soz inho com o irmão. Pare e pense... Foi aí que reagiu?! .... vendo-a chorar. Só vou pedir ma coisa . Não quero falar disso! Não quero lembrar isso. mas não tranque. não! .tornou ele em tom bondoso. continuam livres! Estou assustado com você. Contrariado e nervoso. Quer tomar um b anho.... minha querida. Não! O que ele fez foi tentativa de homicídio! Isso é crime! Entendeu?! .. Fiquei tonta. Você não pode obrigá-la a denunciar um cr de estupro.. trocar de roupa e relaxar um pouco? .murmurou indo para a suíte..Imediatamente.. Deixe-a fazer como quer! Você não entende que. Acho que o vi.... Não importa. A vítima precisa dar queixa por vontade própria! Não é um crime de ação públic As vítimas têm vergonha e é por isso que... chama. Não...interrompeu Tiago firme. pára! . Chega. Ela passou por muita pressão.. mas não vou passar pela humilhação de contar essa história novamente. Precisamos tomar um a providência. Tiago aconsel hou: Então vá para o quarto do Sérgio.implorou... protestou em tom moderado: Não acredito no que você fez...ela falou com a voz sufocada. O que te deu? Fiquei revoltado com o cara. chorando por longos mi nutos um pranto doloroso e triste.o irmão se impôs com olhar furioso.tornou Sérgio nervoso com a situação. Rita.decidiu firme ao encará-lo..ia da mulher e. Se você visse como eu a encontrei!. Ajoelhou-se ao seu lado e a abraçou com carinho fraterno... Sérgio não conseguiu manter a firmeza que apresentava. chega! . .insistiu Sérgio.disse Sérgio em tom piedoso. Mas não pensou que ele fosse beijá-la. abraçada aos próprios joelhos.. passar por interrogatório. acariciá-la. impiedoso. Depois contou com um brilho lacrimoso no olhar: Logo vi que seria impossível ela se amarrar daquele jeito e sozinha! Peguei . Com suave sorriso. Você foi vítima. sim! Vão pensar ou o advogado dele vai falar: se ela queria morrer qual o pro blema de ele a usar? Rita. mas vejo que não está muito bem e pode se sentir mal. Não há do que se envergonhar. Tiago! O que aquele desgraçado fez foi um crime! Sérgio. chorando em desespero..

murmurou triste. Puxa! Nunca pensei que fosse tão difícil. enquanto Sérgio tomou um banho e deitou-se no sofá. mas não é por isso que vou agredir.. ofereceu brando sorriso antes de apagar a luz e saiu do quarto. comentando baixinho: Acreditei que nada iria mais me derrubar nesta vida. Ficou refletindo sobre seu irmão reclamar da sua agressividade com a amiga e preocupou-se com isso. Sem problemas! Então ela dorme no meu quarto e eu fico aqui no sofá. A jovem quase gritou ao respirar fundo acordando rápido e sentando-se bem ligei ra. magoar e maltratar mais ainda a minha amiga. Não vou deixar. Está mais calma? Acho que consigo pensar melhor. escutou um choro. por isso decidiu abrir a janela da sala para que a br isa da noite refrescasse o ambiente. Rita . Em vez de nos desesperarmos e desistirmos devemos cavar uma saída. Não. Sérgio falou generoso: Calma. É só me chamar. imaginando o motivo de ela não telefonar ou ir até lá depois de tantos recados que ele deixou na caixa postal do celular e na se cretária eletrônica do apartamento.. Não..disse Tiago com tranqüilidade.. Apesar de longa. o rapaz a jogou no sofá e foi até a cozinha beber água. os irmãos conversaram um pouco até Tiago sentir-se dominado pelo s ono e ir para o outro quarto. Talvez a Débora me ligue e. Sempre te admirei por ser uma pessoa firme. obrigada. Segundos depois. O calor estava forte..respondeu. Rita.. Estou preocupado com ela e sem sono. Tiago prontificou-se em arrumar a cama no quarto de Sérgio.. 17 . Está tudo bem? . Não admito violência contra uma mul er e. por isso não vai ficar soz inha.. Algo típico de violência e luta.tornou Tiago. mas logo perguntou: Não posso levar a Rita embora e deixá-la sozinha. Rita. No entanto. Quero matar o desgraçado. Quer que ligue o ventilador? Não. Tudo é recente e você vai s uperar.Débora flagra Sérgio dormindo com Rita Por horas Sérgio ficou completamente insone e ligou várias vezes para a namorada... Ela se emocionou.. Não conseguia parar de pensar em Débora. mas nós estaremos com você. Tirando a camiseta úmida de suor. Sua vida não será como antes. Qualquer coisa. gentil e algo arrependido. Aman hã conversamos. Não deixe o Sérgio fazer qualquer denúncia . Você dorme por aqui? Claro.. Mas fiquei.. Acendendo a luz. Acomodando-se. a saia que usava subiu e não pude deixar de notar marcas fortes na região interna das pernas.. Quero que sa iba de uma coisa: você tem amigos que a querem muito bem. Sentou-se e deu-lhe um abraço apertado e demorado.. Parecia que tudo o irrita va. Você ficou violento com as palavras.. Vendo Rita à porta a conversa foi interrompida. Sérgio.-a no colo e a levei para o quarto para acomodá-la na cama e. Ainda na sala. estarei aqui na sala. despertou-a de um sonho ruim. Não quer que eu fique no sofá? . Quero matar aquele desgraçado! Eu também quero .... . murmurando. Aguçando os ouvidos. Agora durma. por ser alguém que considero. Que bom! Sabe. Eu não o reconheci! Toma c uidado! O outro ficou pensativo por alguns minutos. fazendo com que a amiga se deitasse. Eu sei. muitas vezes nós nos vemos em um túnel escuro e sem recurso. Ao seu lado.disse Sérgio em tom brando. Desculpe-me por ter sido tão cruel com você. Não tem motivos para pedir desculpas. Boa noite! Boa noite .. pois foi um golpe duro. Tiago a cobriu com leve lençol e perguntou: Está calor.. Beijando-lhe a testa. teve certeza de que era Rita em seu quarto e correu até lá. e la falou baixinho: Quero pedir desculpas a vocês dois.

A postura estava incômoda para sua coluna e Sérgio se ajeitou. mas acabou adormecendo sobre o ombro do amigo.. Na espiritualidade Sebastião e sua equipe de companheiros. Vem. moveu-se para acender um abajur na cômoda ao lado e apa gou a luz forte do quarto no interruptor perto da cabeceira da cama.suplicou humilhantemente. Vou fazer uma surpresa! . ela o encarou com forte . Não foi fácil o amigo conseguir acalmá-la. Você está segura aqui. Débora respirou fundo. Rita ainda exibia medo.pediu com bondade. Sem se conter.. lentamente. A amiga teve outra crise de choro e se abraçou a ele. Sérgio a segurou firme pelo braço. incrivelmente amedrontada. Eu confiava em vocês dois como nunca confiei em alguém! Ao vê-la abrir a porta para sair. colocando ambas as mãos para tampar a própria boca a fim de segurar um grito e o choro. não é nada disso que está pensando! . Rita entrou em pânico. Aos poucos Rita se acalmou e com a intenção de vê-la ador mecer. deitado na cama abraçando-a!. e u.. Sérgio tentou explicar: Débora. Imediatamente. Débora ficou petrificada ao ver Rita deitada naquela cama e sobr e o ombro de Sérgio. Olhe para você! Sem ca misa. O rapaz ajeitou os travesseiros para que ela se sentisse mais confortável. No entanto energias pesadas arrebataram o rapaz num sono irre sistível e ele adormeceu ali mesmo. Tirando o braço da amiga que o envolvia. Estou com medo! Não quero dormir! . mas reagiu furiosa e deu-lhe forte tapa no rosto. enquanto colocava as sandálias. O objetivo era atrapalhar o máximo possível à vida de Sérgio a fim de que ele não cumprisse sua proposta reencarnatória. Levantando-se às pressas. Sabia entender o valor e a importância daquele desabafo. mas decidiu demorar um pouco temendo que ela acordasse. atuavam com incrível fervor. Algum tempo depois. dando-lhe as costas e indo para a sala. Eu fico aqui.. ela c omeçou falar. reclamar e desabafar como se precisasse contar sobre sua vida.gritou chorando. Correndo atrás dela. a porta da sala foi aberta com delic ado cuidado para não fazer barulho e fechada com a mesma cautela. Ela tirou as sandálias deixando-as na sala para não fazer ruídos e foi para a suíte.disse chorando. Horas haviam passado quando. Tive um pesadelo horrível! Espere. Está tudo bem. me ouça! Débora estava em pranto. mas sem machucála e pediu em tom de desespero: Por favor.. que estava paralisada à porta em verdadeiro choque pelo as sombro. Vou pegar alguns travesseiros aqui no armário para que fique quase sent ada .exigiu. Parando à porta. . Sent ou-se ao seu lado e percebeu que Rita não queria se recostar.dizia Sérgio com generosidade. Encoste-se aqui . sobre as dificuldades enfrentadas desde quando perdeu os pais.tent ou terminar a frase. secando as lágrimas no lençol. O verdadeiro propósito era desequilibrá-lo e a primeira coisa a fazer era deixar o rapaz sem estrutura emocional. Débora sorriu ao ver a janela aberta e a suave luz que vinha do quarto do namora do. ela olhou para os lados como se não recordasse de tudo. Sérgio acordou e reconheceu a namorada perplexa fitando-o de for ma incrédula. Olhando para o lado viu Rita dormindo. Coitado! Deve ter se cansado de me esperar . rapidamente afastou-se dela. Entrando na sala . Ah! Não?! .. ele se aproximou da namorada. pensava.A princípio. foi interrompido. Depo is de vê-lo pôr a mão na face. enquanto ele inclinava a cabeça sobre a moça ao envolvê-la com o braço. sobrepondo o braço n os ombros da amiga que recostou o rosto em seu peito. mas ao tocá-la. ao virar para olhá-la novamente. O que quer que eu pense?! Ela é minha amiga. Tire suas mãos de mim! . e sussurrou em desespero: Débora! Não julgue! Pelo amor de Deus! Você não sabe o que aconteceu! Vamos. ele. Alguns segun dos e a jovem abraçou-o com força chorando muito.. Abraçava-o pela cintura.. cuidadoso. vagarosamente. impressionantemente voltados para o mal. Além de vingar-se dele por não ter sido comparsa das maldades praticadas por alguns daq uele grupo no passado. Sérgio pensou em ajeitá-la e se levantar. Não me deixe sozinha! Não apague a luz! Tudo bem. Fique tranqüila. Olhand o-a.

mas ela não quis me ouvir. dominá-los pelo sono e p elo efeito de energias pesadas. Sérgio não disse nada e saiu. a jovem teve uma forte crise de nervos e. eram indiscutíveis. contou tudo pausadamente. ela saiu e foi embora sem olhar para trás. induzindo-a a decisão de ir até a casa de Sérgio e ver o namorado deitado ao lado de sua melhor amiga. . Mas o auge do sucesso das más influências e inspirações desses espíritos tão inferioriza os foi o envolvimento de Débora. Com a ajuda do espírito Sebastião. No quarto. diante das circunstâncias. principalmente pelo seu amor por Débora. Sérgio ficou atordoado. que a namorada presenciou.. Não sabia o que fazer. Repentinamente um assomo de idéias e de lembranças terríveis invadiu seus pensament os. mesmo com o coração opresso que palpit ava amargosa dor. ela o abraçou forte e chorou muito.. excessivamente abalada. que deixou seu coração piedoso envolver a a miga tão carente e. atraindo Sérgio. ele só viu aquela cena e não sabia o que estava acontecendo. Perceben do Sérgio confuso e inquieto com os últimos acontecimentos. Por que o destino lhe estava sendo tão cru el? Ele amava Débora com toda a força de sua alma. Trocando-se rápido. Rita! Rita! . Depois os mesmos espíritos inspiraram Sérg io a revoltar-se com os fatos e as condições que ocorreram com Rita. Tiago tentou segurála e ao envolvê-la com cuidado foi vítima de vários murros e tapas que Rita desfechava em seu peito. Tiago chegou à sala no momento em que Débora estapeou o namor ado. Sérgio i ria se desequilibrar.dizendo isso. obrigando-a contar à verdade que nem lembrava pelo choque. mas com sua própria irmã. vagarosamente. Em seguida. sob o e feito de horrível pesadelo. algozes do passado e outros que não queriam ver realizadas as tarefas às quais ele se propôs e ajudariam a muitos .mágoa intimando-o ao exigir entre os dentes cerrados: Tire suas mãos imundas de mim e nunca mais me procure! . momento em que esses companheiros espirituais envolver am dona Marisa para reagir abruptamente no quarto do filho e ofender a jovem Rit a já bem abalada com suas particularidades. Meu Deus. parecendo em choque. foi até o quarto.. Tomado de súbita revolta. Parecia sentir tanto nojo de mim. esvaído de força e ânimo.. afinal. mas ficou à distância sem ser visto para não se envolver. Naquele dia tudo se repetiu. pegou suas roupas e saiu do recinto sem atender aos chamados de Tiago que confortava Rita.murmurou Sérgio sem acreditar no que acontecia.gritou Tiago correndo atrás da amiga. medo e estado atônito. percebendo o irmão desolado e incrédulo aproximou-se e indagou ligeiro: O que aconteceu?! O outro. D epois. Sérgio não percebia ou admitia que os estranhos acontecimentos eram facilitados e os sentimentos de angústia impostos por espíritos maus. Sérgio permanecia paralisado fazendo uma retrospectiva do pass ado em que a ex-namorada Sueli o encontrou em situação quase semelhante. fazendo-o tomar uma postura incomum à sua personalidade ao produzir extremo sofrimento moral à amig a. Assim não foi difícil o espírito Sebastião atormentar a moça. Tanto ódio.. Sentado na sala. Atraído pela conversação. Por se encontrar em uma situação em que o passado parecia bater-lhe à porta. ela fez com que Sérgio se distraísse a o colocar as sacolas com as roupas de Rita sobre a cama sem os cuidados necessário s para que não virasse. só vir am rapidamente Rita se virar e correr.. Os irmãos estavam sentados no sofá e um vulto chamou-lhes a atenção. Enquanto tudo acontecia. Ela não acreditaria e m sua palavra ou em qualquer explicação. não foi difícil inspirá-lo a m ostrar a casa para sua mãe. Lentamente foi se acalmando e. * * * . quando esta dormia. Ao olharem. o espírito Lúcia se comprazia imensamente com os últimos a contecimentos. gritou e chorou agindo de forma quase insana. murmurou perplexo: Tentei explicar. pois as condições e o conjunto de acontecimento s. fazendo os pensamentos do rapaz se ocuparem com outras coi sas a fim de ele não olhar para trás após o barulho sutil da sacola tombando. Aproximando-se.

dona Antônia o abordou com delicada generosidade: Já reparou que eu gosto muito de chamá-lo de filho? Sim. Apreensivo diante da colocação.pediu a dona da casa com agradável prazer. Emanando indescritível tranqüilidade. Em seguida falou bem séria: Você é e uz. porque toda árvore boa dá bon rutos . em dete rminado tempo. A mulher se aproximou. filho. pegou em seu braço e comentou com brandura: Venha. Sei que iss o está sendo insuportável. . Obrigado.riu com gosto. .. a impaciência. você é uma criatura tão boa. Por que a senhora não é a minha mãe? Você é meu filho de coração. Não demorou e lá estava ele sentado à mesa tomando uma xícara de chá com dona Antônia. a aflição pelo fu turo indeterminado sejam as ferramentas de uma espécie de ataque espiritual invest ido contra você com a finalidade de atrapalhar os seus feitos. Entendo.. filho. mas. eu soube o quanto você era bom.. Mas como Deus é sábio. Obrigado. entre. Vós sois a Luz do mundo! .Após não encontrar Débora em seu apartamento nem conseguir falar com ela através de l igações para o celular.. tribulações aconteceriam e o inevi tável sofrimento tentaria desgostá-lo de tudo.. o desassossego queimaria sua alma. mas se continha. Ah!. Talvez a incerteza. Tantas coisas aconteceram repentinamente. quase marejados. mas pareceu desorientado e seus olhos estavam brilhantes. Sabe. Obrigado. Não sei se posso afirmar que sofro algum tipo de influência dos espíritos maus ou s . Aind a estou sob o impacto de um choque. E sei também que não é por acaso que está aqu agora. . Eu já esperava por isso.falou desanimado. que te deu a vida. Ora! Entre. mas não sou tão bom e e evado como à senhora imagina. Acho que precisamos conversar. Está com a mente longe. Sérgio. . Você está sem rumo. que eu gostaria que f osse meu filho legítimo. meu filho . dona Antônia preocupou-se e avisou: Posso não saber detalhes do que está te fazendo sofrer. mas.. bom e justo deixou-me adotá-lo como filh o do coração.o rapaz sentiu um trav o na voz e lágrimas quentes brotando em seus olhos. a senhora não sabe o que estou passando. Porque não podemos colher uvas de espinheiros .. Atento c omo de costume. pouco entendimento. mas nunca deixe de amar a mãe que te trouxe ao mundo . É sim! Desde quando o João te trouxe aqui nesta casa. Já reparei .. Para não chorar fez-se firme e s uspirou fundo levantando a face para o teto e circunvagando o olhar para se dist rair. sorrindo com brandura.. . pois não sabia o que fazer. Vem. sentindo o coração oprimido. Sérgio sentiu-se desesperado e foi até a casa do amigo João. Eu o adotei bem crescidinho! .exclamou sorrindo.. Sérgio. Agradeci tanto a Deus por tê-lo encontrado e deixado que seus primeiros passos dentro do Espiritismo fossem sob a luz do pou co entendimento que tenho. eu sabia que. Sinto-me lisonjeado pela consideração. meu filho. meu filho... Não entendi. Recebido pela agradável dona Antônia. com toda a certeza. Como assim? Perdoe-me. .tentou dizer. dona Antônia. ele sentiu amarg o gosto de decepção ao saber que o amigo não estava. Dona Antônia. tão elevada espiritualmente..afirmou..Pequena pausa para ele refletir e continuou: Sérgio. Sem entender o que acontecia consigo. a mulher observou sem alarido: Você está abatido. Desculpe-me se não consigo ficar tão. Acredito que converso mai s com a senhora do que com a minha mãe. Antecipando a retomada do assunto. mas eu sinto. por isso fico muito feliz quando vem aqui em casa. mãe de João. P me adotar como sua mãe do coração. Sentia vontade de chorar. Sérgio ficou p aralisado e novamente a senhora o chamou: Entre! Ele não vai demorar. dona Antônia.. Sérgio comentou vacilante: A senhora conhece muitas coisas sobre a minha vida. mas de prática cristã. seus trabalhos dete rminados no auxílio..Deu leve sorriso e confessou: Já me pergun tei: por que a minha mãe não é como à senhora? Ou. dona Antônia . É que. o rapaz se deixou conduzir como se algo envolvesse seus sentimentos e nublasse seus pensamentos conflitantes. Sérgio.riu a senhora..Percebendo que o rapaz não compreendia.. q e oferecia: Aceita mais um pedaço de bolo? Não.

para atingi-lo e deixá-lo aflito usam situações à sua volta com a intenção de perturbá-lo e cegá-lo para o q rto.Olhando-a nos olhos. dona Antônia. Disseram isso agora nos meus pensamentos. o pensamento elevado e a fé constante. tudo ficou mais calmo até a Débora ficar sem emprego. mas sei que você. Sérgio. já esteve diante de casos simples demais. a obsessão pelo estado de fascinação e a obsessão de subjugação. pois já superou sua prova. Pessoas que são importantes. mas as principais variedades são: a obsessão simple s. esmurrou mesa. Não! Os e spíritos têm a invisibilidade a seu favor e agem nos pensamentos dos encarnados quan do encontram um terreno fértil. esse espírito será persistente e teimoso. Isso é coisa bem fácil de ser feita por espíritos maus e sem evolução. algum hábito ruim. Não pode negar isso. Não é só isso! Não é tão simples assim! . O João comentou isso com a senhora? Não. segurou a Débora como se a agredisse. Temos tantas deficiên ias que não é fácil admiti-las. O espírito obsessor é o único que consegue t a nossa máscara. ele contou-lhe tudo o que aconteceu nos últimos tempos..Alguns segundos de reflexão e falou: Quando se chega ao ponto de fascinação. Depois desfechou: Então. pode dizer que não tem algum defeito. você mantiver o caráter. Só a mudança de pensame comportamento pode nos livrar de qualquer tipo de obsessão. Adquirir conhecimento através da Doutrina Espírita é fácil. é porque a pessoa já passou pelos outro s estágios de obsessão e o seu orgulho é o principal instrumento do espírito obsessor qu e pode arrastá-la à obsessão por subjugação. A mulher ficou pensativa e silenciosa por longos minutos. não é? . essa angústia ue vive agora é por coisas que aconteceram para você.. pois o corpo físico é o disfarce que usamos quando encarnados. Você é médium. Como contei. e depois o preveniu : Você passa por uma obsessão.em instrução. com a mudança de pensamento e comportamento você provará ao es pírito obsessor que quer perturbá-lo que não será mais possível enganar e abalar você. . como psicólogo. Alguns com tarefas ost ensivas outros não. Daí vem o seu medo de sair da polícia e perde oportunidades de trabalho. Tem que rez ar. Com erteza. usam sua preocupação ou o seu medo para te atormentar. Esse sofrimento. É isso. dos encarnados. demonstr ando calma com tudo que parece acontecer a fim de desiludi-lo. E m O Livro dos Espíritos. algum a falta de caridade? Quem?! . Aliás. Veja. gritou.Ele ficou pensativo e silencioso e dona Antônia expr essou-se melhor: Por exemplo. provocando situações irreversíveis. Mas uma coisa é certa: a aquisição de informações e instruções através dos livros da icação Espírita é uma atitude de grandioso valor em caso de obsessão. eu reagi de maneira muito e stranha do meu modo de ser. Você acredita? Lógico! Acho que sei como é. e somente se . É lógico que reagiu. mudarmos e nos reformarmos intimamente. A influência e a inspiração salutar de seu anjo da guard a ou mentor podem afastar esses espíritos ignorantes e inferiores se. Sei que já estu ou isso. quando alguém morre. Sérgio experimentou-se esv aído de forças e alternativas.. Sérgio. as quai considero mais que alguns parentes acabam tendo problemas graves e ao tentar aj udar me envolvo em situações difíceis. mas sim com aqueles que es tão à minha volta. nos últimos tempos. a moral. Como comentei. as energias e ele sairá da sua v ida ou será retirado por entidades mais elevadas para ser encaminhado a lugar propíc io. Sim. perder a paciência. Não tenho muito estudo. Por isso não pense que. magoá-lo e angustiá-l o. Como se procurasse refúgio naquele coração materno atento a o que o castigava. Depois que me mudei. Até porque nada aconteceu comigo diretamente.A senhora riu ao comentar: Vejo que l ivros que te dei! Agora fica mais fácil conversarmos. mas é bom lembrar que o espírito é a alma da criatura humana na espiritualida de. Mas agindo pacificamente. É bom que você admita seus erros. Sérgio. Quem. todos somos em maior ou menor grau. vira santo ou vai para o céu. É o que eu sinto. diz: Aquele que se julga perfeito está longe da perfeição . filho! Existem vários tipos de obsessão. Não. Isso acontece com médiuns que nem sabem que sã iuns. Difícil é mudar verdadeira te o comportamento. . tem gente que não admite ter o defeito de sempre acr . Mas isso se aprende com o tempo. você fará esse espírito se cansar. vivi experiências espirituais quando morava na casa dos meus pai s..Os dois sorriram e el continuou: Então ao adquirir conhecimento através de cursos e estudos sérios e sob a Luz da Doutrina Espírita. Não sei o que fazer. a questão 192. po rém para o paciente a situação era um bicho de sete cabeças. além disso .

mas sinto que posso organizar as prioridades. suplicar para que os espíritos bons e evoluídos se liguem a nós. E agora? Ainda não tenho qualquer solução. Se não encontrá-la. mas se não tiver escolha. chegando ao extremo de agir e reagir como você realmente é. O que você quer? Yara. Quem sabe ela tem alguma informação. pois não sabe de nada.puro silêncio. Por favor. mas a caridade por não demonstrar pieda de com a língua afiada que comenta o que não se deve. Isso significa que o espírito obsessor arrancou a minha máscara? Sim. O que vai fazer? . por favor. . Muitos rec ebem advertências por seus defeitos e vícios. fazer nossa ref orma íntima para nos afastarmos das más inspirações. respirou fundo e foi até a sala como proposto. O tele fone do apartamento da namorada não era atendido e o mesmo acontecia com o celular . Nos momentos em que se irrita. Apontando para a sala como se pressentisse algo. do ciúme... coma ndar as emoções.disse a moça friamente. mas enquanto nossos pensamentos. Preciso encontrar a Débora e esclarecer tudo. ele ligou para o celular de Yara e foi atendido: Eu já esperava por sua ligação. rogar.Breve pausa e advertiu bem séria: Se você sufocou suas verdadeiras reações até hoje.. Ela está com você? Está sim. Adoro a Débora. sendo vi gilante nas atitudes. a senhora ofereceu: Ligue daqui mesmo.. Não fique apreensivo até chegar lá. pois precisaremos manter o controle. O rapaz tomou alguns goles. a senhora sabe! Às vezes nossos planos não seguem conforme queremos. O rapaz sorriu levemente.. pensamentos e reações. Rendendo-se ao seu maior temor. Depois ele prossegui u: Eu preciso falar com a Débora. Não sei..editar que tem razão em tudo ou que conhece tudo. Não conseguia organizar as idéias e. o espírito obse r produziu impressões em seus pensamentos e você não suportou o tormento. E eles acreditam que nenhum ma l fazem com a língua enquanto ferem o próprio espírito por suas más tendências. Isso mostra q ue você é um ser humano em evolução e necessita ter bom-senso diante dos fatos. Sentia minha cabeça literalmente q uente. a irmã dela.. preste atenção e... ou seja. nossos vícios se identificarem com os fluid os dos espíritos inferiores. Ele levantou o olhar parecendo beber-lhe os elevad os conselhos.. Sérgio sentiu-se estremecer. não desligue . criticam a atitude dos companheiros de jornada. Mas... pois provocou seus sentimentos e o deixou se ridicularizar. Ele só se afasta e observa a sua inclinação às inspirações do espírito inferior. Débora! Precisamos nos ver! Você não sabe o que aconteceu. Mas nem quer ouvir a sua voz.. não julgue. Em alguns não faltam somente à caridade material.. Vá! Fique à vontade.. Não é um assunto para ser conversado por tel efone. quem acr edita estar ao seu lado? O seu anjo da guarda ou um espírito sem evolução que quer seu mal? Sérgio riu e comentou: Meu mentor ou anjo da guarda deve ir para bem longe! Não. Sérgio . nossas más tendências. como se estivesse com febre. . do desejo de que um conhecido não tenha sucesso. E se não encontrar a moça como pretende? Você tem que pensar em todas as pos sibilidades. do desrespeito. mas poucos ficam alerta.. E eu não sei como tem coragem de tentar s e explicar depois de tudo o que ela viu! É muita cara-de-pau! Yara. concordando positivamente ao acenar a cabeça. mas a empregada avisou que a jovem havia saído. Como últ ima alternativa.tornou ela com paciência peculiar. dona Antônia serviu-lhe mais chá e aguardou. Respeitando sua reflexão no semblante preocupado. por isso devemos nos prepara r para tudo.. jamais nos elevaremos para que as boas entidades nos inspirem. Sérgio telefonou para a casa dos pais de Débora e pediu para falar com Yara. depois comentou: Cheguei aqui com os pensamentos fervilhando. Até para situações imprevistas. Outros o hábito ruim do mau pensam ento. Logo anunciou: Vou novamente até o apartamento da Débora e se não estiver lá vou para casa e ligarei para a Yara. Temos que mudar nossa forma de pensar e agir.. maldizem sobre a vida alheia. deixe-me falar com a Débora! Longos segundos e escutou: Alô?.

pois minha vontade é morrer! Não temos nada para conversar. vamos conversar pessoalmente! Meu irmão estava na m inha casa!. Cabisbaixo... Me atraiu até sua casa para vê-lo com a Rita.. mas está de férias.. . . Por que não a traz para cá hoje para me visitar? Dona Antônia. Dona Antônia explicoulhe abreviadamente o acontecido e.. menino!.. Leve o Sérgio para o seu quarto e ele te conta tudo. na sec retária eletrônica de seu apartamento?! Eu estava desesperado atrás de você para que fos se até a minha casa! Depois da forma como me tratou em meu apartamento?! Não poderia se vingar de mi m de forma mais cruel pelo fato de eu gritar com você! Você foi insensível. * * * Após o almoço. Obrigado.. Essa menina é simpática e eu gosto de comp anhia. Débora! Por favor.. Débora desligou. desaparecer. Sérgio! .. Mas.. . O que aconteceu com a Rita? .afirmou com voz de choro.tornou a senhora. Dona Antônia olhou para o filho e aconselhou: O almoço está quase pronto.pedia... Ora. . Preciso ir. Justamente quando eu passo por um momento tão difícil. Não estou pensando nada.Ah!.. não é.. acomodou-se corretamente e esfregou o r osto com as mãos. João o chamou: Sérgio?. Ora. Não tem idéia de como me fez sofrer. Essa menina. Como quer que eu fale..tentou argumentar.perguntou Sérgio... ..quis saber João.. Não poderia ser mais cruel.. Minha melhor amiga! Como fui idiot a ao me deixar enganar! O que vai inventar agora? Que a Rita estava se sentindo só?! Que ela queria morrer?! Que ela apareceu no meio da madrugada pensando em sui cídio e por isso foi dormir com você e na nossa cama?! Não fale assim..... deixando-o imerso em seus pensamentos. fechou os olhos dese jando sumir.. . Mas. não tem ninguém e pelo que entendi não é b om que fique sozinha. Assim que chegar a sua casa. após algum tempo.disse dona Antônia. O colega abriu os olhos avermelhados. A Rita não deve ficar sozinha. .. O que vou dizer para ela? . Não tem mas . mas saiba que você acabou com a minha vida! No segundo imediato. ergunte para alguma mulher o que significa ser trocada por outra. pelo amor de Deus. a Rita. parecendo suplicar. Pobre moça. Eu te imploro.... Eu mesma vi! Não precisa me contar! Débora. Sei sim! . pediu: Descul pem-me por incomodar. Sérgio se deixou guiar e. Vamos conversar junto do Tiago e da Rita para esclarecermos tudo.. Sentindo-se atordoado.. Mais de uma hora havia passado quando o amigo João chegou. Sim. ser enganada. Dona Antônia espiou a distância e decidiu não incomodá-lo com perguntas. Sérgio bebia vagarosamente o c fé oferecido quando dona Antônia comentou: Eu estive pensando.exclamou João conduzindo-o para o quarto. com fala mansa e meticulosa. Não. De pois vocês vêm para almoçar. desumano. Sérgio? Esse é o meu problema. Ela trabalha. pense! Quantos recados deixei em seu celular.. Largando-se ao recostar no sofá. contou: A Débora não quer me ver mais... Sérgio? . A senhora não está pensando em.. pois terá mais tempo para pensar sem perturbar a menina . Sérgio se sentiu derrotado.Levantando-se... Você não sabe o que fez comigo. ainda sob o efeito de sérias preocupações. Estou arrasado.. Depois de tudo não será bom que ela fique em sua c asa.. Preciso ir para. com a minha esperança em algo melhor. Convide os dois . Sérgio?! Eu te amo.. Sérgio! O que precisa resolver pode ser adiado e é até melhor que seja assim. bem mais à vontade contou ao ami go tudo o que havia acontecido..chorava. Você acabou com a minha fé. seu irmão estará lá e tudo mais calmo.

pois não estamos aqui por mero acaso.. pois. se está pagand por algum débito do passado ou sofrendo uma obsessão. devo instruir. ele parecia se desprender do que o segurava para a realização de seus propósitos na atual encarnação: a obsessão. Como entendi em O Livro dos Espíritos eu tenho uma meta à qual não posso fa ltar. Nele. coragem e fé dentro dos conceitos Cristãos a fim de cumprir com seu propósito nesta existência terrena. mas João o encorajou e ele fez o proposto quase mecanicam ente.O Livro dos Espíritos. simpáticos aos encarnados e seus re . Essas forças energéticas que se fizeram em torno de Sérgi o foram alimentadas por sua postura mental peculiar que veio do âmago de seu ser e foi aprimorada através de diversas existências corpóreas nas quais se empenhou para e voluir. amando e valorizando o que o p róprio Mestre Jesus exemplificou. resposta da questão 495. siga adiante e evolua. é o desígnio que Ele traçou para mim de ac ordo com as minhas forças. pois eles são os olhos de De e não os podeis enganar! . Em momentos difíceis lembramos qu e Deus vê tudo. porque somente assim estarei sendo Cristão. A única criatura que pode tirar a sua coragem é você mesmo. ou seja.para me visitarem e venham para cá.anjos da guarda. lia-s . mas humilde. Mesmo com o sofrimento íntimo. ela não atende. Adorei e fiquei admirado. abaixando o olhar. a união de bons espíritos... 18 . Não penseis em lhes ocultar nada. pois essa meta é o próprio Deus. Não..respondeu Sérgio em tom triste. Sérgio saboreava uma conscientização espi ritual e moral bem elevada no caminho a seguir. Apesar da dor posso reagir com o s seus conselhos sábios se eu não ficar em crise. surpreendendo-o: Olá! E aí? Tudo bem? Oi. por não vê-l ia saindo quando olhou sem pretensões sobre a mesa do amigo e viu um cartão escri com uma bela letra e sobreposto em um suporte que chamou sua atenção. João adentrou na sala onde Sérgio clinicava e. . explicações e criações me is construtivas. Estou aflito com o que não consegui explic ar a ela. é seu dever crer em Deus e segu ir humilde. No plano espiritual. to e: us Na tarde do dia seguinte.Sérgio fez breve pausa e desabafou: Eu adoro a Débora. a letra é bonita e a frase de profunda reflexão. Sua mente ficou receptiva ao ambiente vibratório elevado e à linguagem simples so bre temas e aconselhamentos tão importantes em busca de soluções. É que o suporte ostentand o o cartão me chamou a atenção. Conseguiu falar com a Débora? . Sérgio ficou relutante. devo educar.. Isso atraiu entidades nobres que os envolveram em um círculo de e nergias balsâmicas e elevadas. João sorria admirado. Um profundo silêncio reinou naquela sala com as palavras que ofereceram um gost o de coragem. Meu espírito protetor jamais me aban donará se eu me sustentar com coragem e prece para as provações da vida. porém em total bênção do esquecimento na presente encarnação. quando Sérgio entrou. mas.repetiu reforçando. eu não me contentei só com o trecho. apesar das circunstâncias. Não vou dizer que deixei de sofrer. pois se ele e stá ao meu lado é por ordem de Deus. Ent endi melhor o que vivo. . é uma mensagem de considerável reflexão.. . não humilhado. Se o que te aconteceu é uma prova ou uma expiação. Então busquei socorro na questão e na resposta completa de O Livro dos Espíritos.perguntou o amigo. São as frases do dia. Logo explicou: Acho q ue ao identificar o número que está ligando. Tenho várias para meditação e a que casualmente peguei hoje é es a. por amor e a fim de que eu não pare.. novamente comentou: Ao pegar essa frase para meditação hoje.. Preocupado com a Rita. mas sei que tenho um a njo da guarda ou mentor e entendi que não estou só.. Realmente.Encarando João. Se tenho talentos. Após a conversa com a sábia senhora. Desde quando a vi pela primeira vez!. longa e sem propósitos. mas é preciso aguardar e isso é o mais doloroso. apesar das preocup ações. Siga os ens inamentos do Mestre Jesus.Os olhos de Deus o. o rapaz sentia-se melhor. Parar para lamentar só fará a minha jornada mais tri ste. Se tenho instrução. João completou: Mas não pode parar sua vida por conta de tudo. Sérgio! Desculpe-me a invasão e por xeretar sua mesa. Após longo silêncio.. Aceite os desafios com r esponsabilidade.

. sei como vou te enlouquecer! Após outro urro repleto de ódio. mas tud o é recente e sei que com o tempo encontrarei recursos para não me torturar tanto co m as lembranças.exclamou Sérgio repentinamente. Incapaz de reconhecer-se mau. atuavam neutralizando a ação dos maus. Não podia ver a presença das entidades mais el evadas que estavam ali por ligarem-se aos encarnados pela postura mental e disce rnimento... o espírito Sebas protestava e enfrentava uma energia que o repelia dali. na maldade e tantos outros vícios.. Senti-me muito melhor depois. Berros em onda s vibratórias que causavam terror e gemidos de medo entre alguns de seus seguidore s. Enfraquecido. Mas eu posso vivenciar as condições desse sofrimento sem desespero.. O Livro dos Médiuns e comecei a ler. Está sendo difícil. Seus gritos repetitivos como os de um verdadeiro louco estremeciam os que se uniam a ele. Diga. após milênios endurecido no orgulho. João sorri u e perguntou: O que aconteceu com você de ontem para hoje? Não dormi. E.murmurou João satisfeito. o espírit o Sebastião sentiu-se enfraquecido e algo como que uma vertigem o fez dobrar os jo elhos que pareceram forçados a forte pancada no chão. decidi levantar e ler.. O conhecimento que tenho sobre o mundo espiri tual. com leve tristeza no olhar e falou em voz baixa: Eu adoro a Débora. . Não conseguimos passar pelo sofrimento sem sofrer. Por insistir nos objetivos de má influência nos pensamentos do encarnado e. É um período de dor. Mostra-se sociável. A ausência de espíritos inferiores deixou o ambiente mais leve e sereno.. Sabe. mas ao mesmo tempo em que defendiam a resignação.. da sublime energia do ambiente.. . como a Rita está? Apresenta-se bem. Quase me esqueci. Só os que experimentam o mais alto grau de esquizofrenia não sentem n em sofrem. para as separações. Fiquei completamente insone. Uma questão ou ensinamento me levava a busca r outro e... avisou em vibrações cavernosas: Não sei o que te aconteceu. Peguei O Livro dos Espírito s. os esclarecimentos obtidos na Codificação Espírita me ajudaram imensamente. contou: Ah!. João. E pela primeir a vez. Por isso elaborei uma postura mental na qual reconheço minhas def iciências e busco equilíbrio constante que me ajude a viver sem ela. É.. sem o sofriment o aflitivo. Sebastião recuou sob o e feito de um choque que lhe penetrou nas fibras mais íntimas do ser. rosnou feito um bicho enquanto se levantou e. por c onseqüência. torturava e c ulpava por não conseguir atormentar Sérgio nem aproximar-se dele a fim de absorver-l he as energias físicas e espirituais para enfraquecê-lo e atacá-lo mentalmente. Senti como se estivesse abandonando a minha amiga quando a deixei lá. .spectivos mentores. Entretanto não posso continuar vivendo em função de uma pessoa qu e despreza ouvir a minha versão dos fatos. O espírito Sebastião estava revoltado. Sebastião desapareceu seguido por seus acompanhant es como um aglomerado das mais profundas trevas. Não pos so ficar parado lamentando nem correndo atrás da Débora. o respeito às leis de harmonização e o amor aos propósitos abraçados com todo o coração. Apre ndi a orar de todo meu coração e a ter mais fé. .Pequena pausa. eu as vi fazendo planos de saír em para comprar nem sei o quê! Minha mãe envolve as pessoas de um modo impressionant e! Parece que a Rita mora lá em casa há meses! Depois a dona Antônia avisou que o Tiag o se comprometeu em passar lá e levar a Rita à universidade. olhando para Sérgio.. E seguindo em frente. Nunca pens ei que pudesse existir um sentimento tão forte como esse.Depois de rir.. explicou Sérgio. mas em vez de deixar meus pensamentos e m brasa e me revirando na cama. Estou vendo! . educada e mudou muito de ontem para hoje. verdadeiros escravos. Ele os afligia. com aquele jeitinho que só minha mãe tem.. inesperadamente. fazend o-o sofrer e vampirizando suas forças. o pobre e ignorante Sebastião agredia e golpeava os que permaneciam como que escravos de sua mente. desgraçado! Mas tenha certeza de que eu voltarei para acabar com você! Se não consigo te abalar. Senti o quanto à postura mental nos faz adquirir resistência e imunidad e psíquica contra pensamentos que nos doem na alma. busca ndo estruturação e referências para prosseguir com minha vida até tudo se acertar.Suspirou fundo. de sofrimento. Eles não podiam ver. Como ser humano e como psicólogo eu sei que não somos e não estamos preparados para as per das. Vamos lá! . tentando fazê-la acreditar no que ela não quer.. não nego. Mas!. sorriu e comentou: Nossa! C omo você e a dona Antônia me ajudaram. as recordações. Você sabe como a dona Antônia é! Logo cedo.

Rita. sentindo-se envergonhada: Sérgio.disse rindo. Eu te prejudiquei muito com a Débora.. Vamos deixar a situação esfriar... quando piscamos . chamou-o olhando-o firme. Comovido. Eles riram e saíram juntos da sala.defendeu-se rindo.. de fazer terapia?. É fácil desistir. Agora vai! . por cinco anos. eu. fazíamos os estágios e.riu. eu tentei falar com a Débora nem sei quantas vezes! Pedi. Levando a mão na cabeça e franzindo o rosto em sinal de lamentação. Fiquei tão surpreso. se insistimos... Eles continuaram conversando até chegarem ao destino. É. Explique que houve uma situação delicada e que na universidade não é o local . Ei! Ei! Ei! . Sem problemas . Nossa! Como me lembro de seu trabalho de conclusão de curs o. tornou a perguntar: Você está bem? Estou. abraçou-a com generosidade.. Desculpe-me. ela. É ela q uem não quer saber a verdade. montamos a clínica! . João avisou: Nossa. Somos amigos dela e amigos de verdade não se abandonam. . a supervisão é importante e oferece segurança ao Psicólogo muito mais ao paciente. João! O Nivaldo é testemunha! . Em seguida. pa ra não dizer que me assusta. minha miga. vo cê e o Tiago. Chegará à hora ce rta. que estava pronta para ir à universidade e Tiago a esperava.perguntou Sérgio.... de ver alguns profissionais psicólogos clinicarem sem f azer a supervisão acompanhada por um Doutor Psicólogo ou Psiquiatra mais experiente e que nos leva a outro mundo completamente fora. coisas qu e se encontram somente na prática. *** Mais tarde Sérgio decidiu ir até a casa de dona Antônia para saber como Rita estava . Muito me admira. Veja. Parabéns! Queira Deus que nesse período você consiga seu pedido de demissão aprovado! Já pensou?! Quem sabe? Hoje entrei com nova solicitação. não posso mentir... você não é ingênua e sabe que estou sofrendo sim. Quase não acre ditei que conseguiria fazer aqueles estágios para licenciatura docente.. Eu não tinha alternativa. Sérgio. implorei!.admirou-se Sérgio.. E se ela vier conversar sobre isso comigo? Eu duvido... ele pôde ver seus olhos lacrimosos. sempre damos um jeito.sorriu. E quando reclamamos da supervisão re comendada. Em todo caso. Mas vou dar um jeito nisso. A supervisão com o doutor Edison é excelente! .. A dona Antônia é maravilhosa! Ei! Você não tem pacientes agora à tarde? Não.. Foi incrível! O melhor! Que exagero.. na habilidade adquirida com o exercício constante na profissão. Afastando-se. .interrompeu-a. Rita! Tudo bem? .. beijando-a no rosto. Não sabíamos que era e é a cois a mais importante em nosso trabalho e o que mais nos ajuda. Depois... com lágrimas correndo pela face. embalando-a co m gesto afetuoso. Quase desi sti do curso universitário por causa do serviço na polícia.murmurou com voz fraca. Oi.Nada é por acaso. Durante o trajeto João comentou: O tempo passa tão rápido! Outro dia estávamos prestando vestibular.. peça para que conversemos nós quatro juntos: eu. Faz teorias e suposições. na sala de aula. Mas. As duas pacientes eram mãe e filha e cancelaram por luto na família.. encontramos alternat ivas. Além de simples. sussurrando. Isso é verdade! . Não é fácil obter aprovação do pedido de féri tão rápido assim. Sérgio! Esqueci! O doutor Edison pediu para falar com você.. esse foi atender ao telefone e Sérgio logo se deparo u com Rita. Prometo! Hoje mesmo. Em seguida. Vou até lá dizendo que você propositadamente não me deu o recado e ficou me enrolando..Subitam ente avisou: Ah! Consegui minhas férias para daqui a uma semana! Quase ia me esque cendo de contar! Sabe. E como ajuda! E de repente. Entrando na casa do amigo.concordou João. .Sérgio elogiou.. mas achei que estava com paciente e. Não podia deixá-la morando com você nem que voltasse para ca a e ficasse sozinha. Depois falou sério: Você vai até lá para e tudar e não conversar sobre o que não é conveniente num local como aquele. Certo? Mas..

é muito importante.chamou-o. freqüentemente brinc am. com basta nte conhecimento e sendo uma pessoa bem flexível. beijoua no rosto e agradeceu: Obrigado por tudo. Obrigado por cuidar da nossa amiga.. Ela forçou um sorriso e se despediu rapidamente. Mas deve ir assistir às palestras evangélicas que servirão de com plemento aos conhecimentos adquiridos. Sérgio se deixou ficar no abraço materno do qual tanto carecia. Por exemplo: os espíritos superiores gostam de reuniões.. Se a Débora quiser. levando o rapaz para o sofá. Só uma vez por semana?! Pára o estudo. Em alguns momentos... os espíritos se atraem por simpatizarem com a naturez a moral do ambiente ou da criatura humana que tenha os mesmos gostos.correspondeu ao sorriso. sempre com o desejo de instruir e elevar a moral dos encarnados.. Sérgio se aproximou. Sou eu que deve agradecer sua confiança. Não! ..brincou sorrindo.distúrbio de personalidade.. do efeito individual e social justific ado pelo Espiritismo. uma espécie de professor. intuitos. Ignoram os livros da Codificação Espírita e confundem tudo! Não admitem que o estudo da Codificação feito em grupo e com um expositor.. Uma vez por semana não é pouco para o estudo? O Espiritismo é uma filosofia e uma ciência. É uma dor de verdade. fazem acusações indevidas. chegando a novas conclusões que o elevarão como ser. mas ito necessários. inúteis de espíritos baderneiros e médiuns mentirosos ou orgul osos. Sabe. mentem adotando falsamente o nome de espíritos que. vem! ..Mudando rapidamente de assunto. dão falsas esperanças e comume te elogiam os encarnados ressaltando-lhes o orgulho e a vaidade.murmurou ele. Então desisti. O melhor é você fazer os cursos. . . Tiago se aproximou e lembrou: Vai chegar atrasada se não formos agora.. Cientificamente o tempo é importante para que se possa estudar a parte experimental das manifestações gerais. nada radical.. Fechou os olhos enquanto a bondosa senhora afagava-lhe o rosto de belo contorno e sussurrou: Tanta coisa aconteceu na minha vida em tão pouco tempo. Olhando para dona Antônia que os observava. O tempo entre uma aula e outra é bom e necessário para filosofar. por duas horas mais ou menos. paixões inferiores. Ela é um amor de menina! Curvou e recostou o rosto carinhosamente no ombro da mulher e murmurou: Se não fosse à senhora. abraçou-a. mas quero ampliar meus conhecimentos. Ao contrário dos espíritos inferiores que se atraem em torno de encarnados que fazem r euniões e evocações por curiosidade e sem responsabilidade para terem conselhos e info rmações que os agradem ou lhes prometam ajuda. quando encarna dos. sim.. Bem. Tiago estapeou as costas do ir mão e se foram. .. Ou ela não gosta de mim o suficiente para ouvir minhas explicações e depois tirar s uas conclusões ou então está se deixando influenciar pela opinião da irmã ou sei lá mais de quem!. com grupos de estudo r espeitáveis que se dispõem ao conhecimento mais profundo da Codificação Espírita. O que. isso é po sível somente uma vez por semana. prazeres. No início poderão parecer água com açúcar. Está bem assim? Rita pendeu com a cabeça concordando. ligue para mim. Li e reli os livros qu e a senhora me deu. Em um centro Espírita sério. Devo voltar às carteiras primárias da escola! . levando os encarnados ao erro. Sinto como se tivesse uma faca fincada em meu peito. as manifestações fúteis.adequado para ela saber de tudo. Sérgio sentou-se direito e falou de mod o mais animado: Eu quero aprender mais sobre Espiritismo..admirou-se dona Antônia. Liguei para a Débora várias vezes e ela não atendeu. que é pensar e repensar. às prática s não dignas. Tem gente que leu um ou dois romances espíritas e acha que já sabe tu do. Desistiu? Você gosta dessa moça e ela de você! . mistificam. foram pessoas veneráveis e importantes. Assim como as pessoas.. Esses espíritos inferiores que se dis põem a essas reuniões de comunicações para futilidades de encarnados. ac omodou-se e o puxou com generosidade materna ao falar: Já sei que você quer colo. Fazendo-o se sentar. p ensei que não fosse suportar. irei buscá-las e conversaremos na minha casa. Vem aqui.. Somente assim será capaz de reconhecer uma mistificação. uma far sa. de estudos e co municações sérias.. Não queira correr e aprender tudo de uma ve z.. Sérgio? .

. Há de se levar em consideração à dupla perda dos entes queridos. mas. . depressão e muitos outros distúrbios apresentados pelos paciente s.disse João sorrindo. Entro de férias na próxima semana e espero que minha saída da polícia aconteça durante esse tempo. como disse a Rita.. Esse foi o maior impacto. Você tem de sentir o que a pessoa sente do mesmo jeito que ela sente e não só saber o que ela pensa sobre o que está sentindo. precisa d e colo e de um ombro amigo. Em outras palavras. É. com sua evolução na escala espírit registro de suas experiências em outras encarnações. fobias. Comecei a entender que muitos estados de consciência. transtornos. Fiquei triste com o que aconteceu... meu filho! Eu sempre senti que você tem um dom especial. Não é uma doença.. Ela é uma boa menina. aparentemente frágeis.. Tendem a ser arrogantes.. quer ser entendida. Eu estava associando certos problemas de personalidade com o que a se nhora me falou... como te falei hoje. desesperador durante essa fas e. Só é preciso saber conversa r direitinho com a Rita. principalmente.interessou-se Sérgio curioso. Fiquei admirad o quando soube que ela decidiu retornar à faculdade. mas ela vai superar. extr emamente importante.Sérgio parecia ter uma imens a interrogação na testa. . A elevação moral é força viva! Vejo pessoas inseguras. filho? .perguntou a mãe vendo-o arrumado. Percebi isso.Comentou a sábia senhora. ela precisa ser ouvida. eu e minha mãe conversamos com a Rita ontem à noite e. um a justificativa para isso... é ouvir problemas dos outros.. Quanto a ouvir os problemas das pessoas. têm uma incrível relação com ele mesmo como espírito. Qualquer pessoa psicologicamente sa udável ocasionalmente tem ou passa por momentos de tristeza. às vezes eu nem entendo nada! Na verdade é preciso sentir o q ue se passa nos sentimentos das pessoas. confl itos íntimos. É... que advertiu: Vocês dois falam tudo difícil e certinho. é um distúrbio de personalidade que necessita de mento terapêutico.. o luto. E o acontecimento mais humilhante. Puxa! Isso abre um grande leque de ligações entre encarnados e desencarnados. Não. Entendeu? . Isso eu sei fazer e o Tiago também tem es se dom! Como assim. João comentou: Sérgio.. É um dos tipos de distúrbio no qual a pessoa se acha grandiosa. observação e pesquisa para. dona Antônia. Sérgio a encarou trazendo um brilho especial nos belos olhos verdes e leve sorr iso como se inúmeras idéias reluzissem em sua mente. Bem.. Eu sabia. estresse.respondeu referindo-se à noiva.brincou Sérgio. sua ligação mental com desencarnados que possuem as mesmas necessidades. Nossa! Tem tanta coisa!... mas teve a atenção roubada pelo amigo João que chegou à sala. No fundo não posso dizer q ue estou tranqüilo com o seu estado emocional. A Rita pode entrar num quadro de depressão mais extremo e que está procurando dis farçar. quer entender o que aconteceu com ela e pede uma explicação. .. é porque ela quer ajuda. Sinto que esse é o c aminho para seguir a fim de alcançar uma finalidade útil em um trabalho que eu adoro . Eu assisti a dois congressos realizados pela Associação dos Psicólogo s Espíritas e falaram sobre esse distúrbio do encarnado que atrai espíritos com os mes mos comportamentos. Eu conheço bem as pessoas quando as vejo algumas vezes e. a mulher explicou bondosa: Se uma pessoa está pensando em morte. brincalhões. presa a fantasias inúteis que as arrastaram a conflitos íntimos. dona Antônia? . masc aram a inveja e não dão importância verdadeira às necessidades dos outros. Suspirou fundo. Vai sair.Sérgio teve uma avalanche de pensamentos incrivelmente ligei ros. Nossa amizade dificulta a minha atuação. Acho que os dois são melhores do que nós! ..Fez-se ligeira pausa em que os dois amigos se entr . a olidão. Vou até a casa da Nilza . mas explora os que a rodeiam. Depois de sorrir.. sua vontade de libertar-se do dis túrbio ou problema que o afeta e.. porque a m ente está encarcerada na falta de convicção. Eu não sabia que ra uma doença. Agradeça à dona Antônia e ao Tiago! . Sua tarefa nesta enca rnação não é correr atrás de bandido.. Virando-se para o amigo . De uma forma geral ela parece bem. Sérgio! Você é uma luz! Fará alerta aos profissionais que cuidam da saúd e mental. mas esse não é o caso del a. dependências de diversos tipos. O assunto requer estudo. Essas são as características de espíritos inferiores. pois precisam entender e tratar a saúde espiritual para conseguir que o paciente tenha progresso.Nada.

Mas quando o astro rei brilhou radiante. Preocupem-se com ela. Mas ele . .. O que aconteceu de tão grave para não querer ver o Sérgio? Educada. Que você. ela sentiu-se um estorvo e a pior das criaturas. 19 . Sem conter a curiosidade a mulher perguntou: Mas.falou. João preocupou-se: Nossa! Vou. Olhando o relógio. ma s ela foi firme e não chorou. E quando você . Seus olhos a mendoados traziam a expressão de tristeza com misto de revolta e desilusão. sua melhor amiga . Aproveitando a saída do amigo. estava Sueli irradiando curiosidade imen sa. é um amigo de verdade e procurou pessoas de sua total confiança par a ficar junto dela quando você não poderia. Além disso. contou: A Rita disse que se sente culpada pelo que a Débora. Débora contou : No sábado pela manhã. mas. o Sérgio foi até meu apartamento. ela é ma criatura importante e querida pelos amigos. mas não somente como profissionais. E o que a senhora disse?! . Disse-me coisas f rias e calculistas mesmo quando eu pedi desculpas pelo que havia falado. deixando as rodinhas deslizarem portão adentro. lá no apartamento. Só que. Em que posso te ajudar? Os olhos de Sueli se arregalaram. falou que p ensou em morrer quando perdeu os pais. dona Marisa. acreditou ao vê-la com o Sérgio. . É uma menina carente. que não são graves. ou a Nilza ficará preocupada.... Desculpe-me vir sem avisar. mas contendo o travo de amargura na voz quase vacilante.. repentinamente. Bom dia. eu estava precisando de companhia e falei mais outras coisinhas.riu de modo gostoso. pois essa menina precisa de um amigo. Sérgio despediu-se e agradeceu à mãe de seu amigo e ta mbém se foi. mas tinha o irmão para tomar conta e ele pr ecisava muito dela. A Rita é uma ótima Conversamos muito e ela contou toda a sua vida.falou bem séria. Descendo do carro. É provável que a senhora acredite que eu deva entregar na casa dele. Ela sentiu-se humilhad a em todos os sentidos. o noivo a apoiava em tudo e ela teve uma grande amiga. Débora estava frente à casa da mãe de Sérgio. Sérgio. A companhando a senhora.Fotos contra Sérgio destroem o romance com Débora O dia seguinte exibia um pálido nevoeiro pela manhã encobrindo o sol. Palavras difíceis e pouca atenção só pioram as coisas. São roupas e objetos pessoais que ele deixou no meu ap artamento. Fez um aceno de cabeça e não teve palavras para explicar o q ue aprendia.. Débora não se importou e foi direto ao assunto: Bom dia. Dona Marisa ficou intrigada e puxou quase automaticamente a alça da mala que Débo ra colocava em suas mãos.sua voz embargou. Mesmo assim. Eu conversei um pouquinho com o Tiago enquanto a Rita se arrumava para ir pra faculdade e disse a ele que precisaria muito da sua ajuda. Naquele dia.perguntou preocupado. olhando para o rapaz a troux e para cá. o Sérgio teve uma crise de intolerância com o que eu aconselhava.eolharam surpresos e a senhora prosseguiu: Quando uma pessoa pensa em morte é preciso que tenha a ajuda de um profissional com urgência. a Débor a. eu sabia que a senhora e o senhor Inácio iriam até a casa dele para ver onde mora e nós nos conhecermos melhor. mas ela silenciou totalmente ao ouvir Débora contar: Nessa mala tem algumas coisas que pertencem ao Sérgio. que com o tempo passa ou são traumas não reso dos na infância. Sérgio ficou admirado. E apesar de toda situação não resolvida. Sem imaginar de quem se tratava.sua voz travou novamente. Mas eu não poderia adiar o qu e tenho a fazer . concluiu: Depois do que presenciei..Após suspi rar. . Reconhecendo-a dis tância. E absurdo dizer para alguém que suas dores e preo cupações são passageiras. . . a jovem tocou a campainha e aguardou ser atendida. Agora ela está sozinha! Extremamente sozinha e sem propósitos na vida. mas aqueles que a rodeiam devem entender o seu sofrimento e lhe dar esperanças para um futuro melhor. não quero vê-lo mais. dona Marisa se aproximou trazendo o rosto endurecido ao exibir insatisfação. a pouca distância. Débora.

concordou a mulher. Sueli usou um tom carinhoso na voz leve pa recendo humilhar-se ao pedir: Por favor. Só q ue teve uma condição: a Yara me obrigou a deixar o celular no apartamento. A Débora está muito sentida por tudo o que aconteceu e eu sei o que é isso. Espero que me entenda e desculpe-me pelo incômodo. Tenho outra idéia.questionou Débora. Por isso meu filho não me aceita. para conversarmos. Estive lá naquela noite como comb inamos. Tinha esquecido que iríamos lá. Quando olhei. pois iria dormir lá. Ao estender a mão para se despedir de dona Marisa... solicitou gentilmente: Feche seu carro e vamos caminhar um pouco.. Era madrugada quando retornei ao meu apartamento. Agor a preciso ir. e saímos todos para nos divertirmos. mas longe da dona Marisa .. pois passei pela mesma situação ou talvez pior. Decidi não telefonar.. Nem sei o que dizer. mas. inquieto com a minha presença. Acho que agora entende por que sou rigorosa com ele.disse Sueli. ela avisou antes que chorasse: Então é só isso..Leve sorriso forçado e falou: Até um dia. havia recado s em meu celular. Ela ligou para alguns amigos e amigas. Eram as pessoas em quem mais eu confiava neste mundo. rolaram na face da moça que parou frente à Débora e explicou: Eu fiz algo muito errado.. esforçando-se para expressar algum tom de lamento. A Yara foi direto para o telefone.pediu aproximando-se. Não existem desculpas ou explicações para o que eu vi. Chorei muito. aceitando os pensa-mentos rápidos que lhe surgiram e disfarçando sua s verdadeiras intenções e venenoso pretexto. Você é?. Vi que o Sér gio estava embaraçado. porém eu não conseg uia deixar de pensar no Sérgio. Pode ser? Sim. Não demorou e minha irmã.. experimentando uma dor indizível do enorme ferimento que cravava em sua alma bondosa e generosa. mas não imaginava conseqüências tão sérias contra você. Aproveitando a pausa. Fez algo contra mim? Mas. Débora + falou dona Marisa com voz fria. Não estou entendendo. Fiquei preocupada. Olhando para dona Marisa. . Não desejo qualquer mal a você e. primeiro quero que me perdoe. estavam sob uma árvore bem frondosa quando pararam e a moça pegou as pálidas mãos da outra ao revelar: .Olhando novamente para dona Marisa. Quanta d esilusão. Tudo bem. Fi quei indignada quando fui até a suíte dele e vi as roupas íntimas da moça jogadas no chão. .Nesse instante. pediu com jei to macio na voz: Eu gostaria de conversar com ela a sós. mas não conseguia.Quando Débora ia fazer uma pergunta. Sem trégua.. Aquele relato deixou Débora mais perplexa e amargurada.Imediatamente lágrimas falsas. Sou eu quem peço desculpas por pensar que você fosse de outro jeito e estivesse d e acordo com aquilo.pediu Sueli sob a influência de espíri tos inferiores. achei o Sérgio aflito quando pediu para eu entrar em contato com ele. Minha melhor amiga.. Nem ouvi os outros recados e mal falei com a minha ir mã que estava ao telefone.planejou tudo. Quando contei o que tinha acontecido. O que dizia era pensando em seu benefício. Eu estava chorando e implorando para que ficasse.. quem é você? Nesse ponto da conversa. . mas o Sérg io virou as costas e saiu. dona Marisa. Sei exatamente o que está sentindo. lágrimas corr eram. Eu amo o Sérgio. dormindo e abraçado com a Rita.. entrei sem chamar e o encontrei em seu quarto.avisou com brandur a.. . Entre. eu preciso falar com você . dignas de uma representação te atral. avisou com um s orriso: Depois conversamos. Ao ouvir o primeiro. Entrei em desespero. pois tinha outros plano s.Débora suspirou fu ndo antes de prosseguir: Não sei o que a senhora pensa sobre isso. . mas se me ouvir irá compre er totalmente. foi me visitar. Débora . . a Yara me fez tomar um banho. a Yara. não gostei de ver essa Rita estendida no sofá.. Assim que cheguei. Adoro a Rita mais do que as minhas irmãs... Por um instante Débora se sentiu atordoada pelo efeito de energias espirituais inferiores deixando-se conduzir. Não suporto traição e é por isso que não quero vê-lo. Andando a passos lentos foram se distanciando d o veículo enquanto Sueli falava de modo educado: Eu quero conversar com você. praticamente abraçando-a ao repousar a mão em seus ombros e a conduzindo. Não . trocar-me e sair com ela. . peguei meu carro e fui até a casa dele. pois achou que eu não merecia aquilo. Confie em mim . Por ter as chaves. a jovem ouviu: Débora! Por favor.

sem pensar. Logo propôs: Eu não poderia dize r isso perto da dona Marisa.Ao vêla franzir a testa como um sinal de desagradável surpresa. Na casa de Sueli a jovem se encontrava no quarto da moça. que não sabia quantas dores. tirou de dentro uma máquina fotográfica e algumas fotos impressas em papel ap ropriado. demorava-se tempo demais e recebia influências de desencarnados que pretend iam prejudicar e desequilibrar Sérgio através dela. Com o tempo percebi.. A mentora Olívia e espíritos amigos perderam o alcance das vibrações da pupila que se inclinou às inspirações de espíritos inferiores com suas sugestões e vibrações tenebrosas. mas. Ele não quer nem que eu tenha amizade com a dona Marisa. e pediu calmamente ao bater a mão sobre sua cama: Sente-se aqui. talvez por educação.. por isso estávamos sempre juntas e freqüentáv a casa uma da outra. Fui namorada do Sérgio e ainda sou muito amiga da família. apanhou um saco de tecido avel udado. Débora ficou vacilante. tamanha era a humildade que represen tava. ultra jes e rebaixamento moral sofreria. Há. Mas a jovem. Eu o peguei dormindo com a própria irmã. Eu e o Sérgio começamos a namorar. Se ao menos não tivéssemos mais compromisso. zendo-a alongar a conversa ao desejar provas e ficar enojada com Sérgio antes de o uvir sua versão. Débora começou a tremer.exclamou bem firme. Sueli a envolveu com fa la meiga. Acho que essa pobre mulher morreria pelo incesto. Envolvida por intensas energias inferiores dos espíritos vingativos. Com a respiração ofegante e modos inquietos. Ao atender a sua ligação ao celular naquele dia. O quê?! Eu moro ali. Isso aconteceu entre você e o Sérgio? Por acaso o pegou com outra mulher? Foi pior do que isso. Isso é um absurdo! Como pode pensar que vou acreditar em algo assim?! Eu disse que posso provar! ..Meu nome é Sueli. Vamos até lá e eu te mostro as provas. . em um tom quase frio e palavras vagarosas.. eu tenho muita coisa para fazer hoje e não há qualquer razão para continuarmos com essa conversa inútil. Ela não sabe que o Sérgio e a Lúcia se relacionavam. contou: Essa é a Lúcia. ele já está livre. Não! Não é nada disso! .. Não pude pensar em outra coisa. Ficou pálida. As inspirações de sua mentora Olívia e de espíritos amigos prov ocavam-lhe repulsa àquela conversa e vontade de ir embora. e quase sussurrando: Pelo amor de Deus. Sinta-se à vontade. Veja bem. Sueli! Será sua palavra contra a dele.afirmou. É verdade e eu posso te provar! .gritou Débora indignada e incrédula.exclamou murmurando.. entregou-lhe as três fotografi as. se não tiver c mo provar.Revirando a caixa.. Não su porta me ver e. mas não são verdadeiros. O Sérgio provavelmente disse coisas te ríveis a meu respeito. Nós éramos muito amigas. Vir ou-se para Débora. me perdoe! Se não puder me perdoar.. Sueli . que fechou a porta e caminhou até um armário. E?. A traição é a pio coisa que alguém pode fazer. me ouça! O que quer de mim? . Voltando-se para a outra com frieza e impiedade. O quê?! . sim! Primeiro preciso que saiba. Débora suspeitou.. eu pensei em poupá-la de cair nas armações do Sérgio. Su eli atraiu sua atenção ao dizer: Eu sei o quanto é horrível ver quem amamos deitado ao lado de outra. assombrada e incrédula. Completando em seguida: Se queria me separ ar do Sérgio. aceitou o convite. a Lúcia t . naquela segunda casa. Será melhor. ao se deixar envolver por aquela conversa. olhando-a firme nos olhos. Débora não con seguia refletir e.Débora tentava relutar . mas desejava ver as evidentes demonstrações que a ouvira afirmava: Essa é uma acusação muito grave.indagou Débora. ao menos. Enquanto S ueli. que parecia nervosa. O quê? Ele tem seus motivos. . Olhando-as. abrindo-o e tirando uma caixa que colocou sobre a cama. Foi estupidez minha inventar aquela hi stória e representar daquela forma.. Jamais poderia imaginar que e stivesse dirigindo e fosse bater o carro. parecendo rebaixar-se na postura. Venha comigo.

Fui até o quarto e o que vi foi inacreditável.. Eu perdi meu bebê. Me agrediu até. Sueli acrescentou cinicamente: Foi quando implorei que parasse. Sueli se virou.perguntou a outra.quis saber Débora muito nervosa. Sueli! O que a Lúcia contou? Ela confessou muitas coisas a respeito do irmão. Com a voz estremecida. O Sérgio não deixa marcas aparentes nem bate no rosto. Dormi um pouco. ela era ameaçada por ele e temia sofrer mais agressões. Ele acordou quando eu saía do quarto e me viu. Como assim?! . Apesar disso.pediu Débora com a vo z entrecortada. Tive medo dele. me bateu muito forte e.Sempr e com o auxílio das vibrações do espírito Sebastião. eu não lhe entreguei e ele me bateu. O Tiago não foi por causa do serviço e o Sérgio também. deitada de lado e sobre o ombro d o irmão. Co m lágrimas rolando pelo rosto disse: O Sérgio é um homem forte e como policial aprende u a ser agressivo. Eu preciso saber. Sueli representava. Comovida pelo choro de Sueli. Eu tin ha as chaves e entrei sem chamar. Ele mes o me levou para um pronto socorro onde o médico confirmou que eu já havia perdido o bebê. Por isso calou-se e sofri . O que aconteceu?! O que ele fez?! . mas assim que levantei fui ver as fotos na própria máquina. Imediatamente indag ou: E sua família ou a dele não a viu machucada?! Lógico que não. abraçando-o com um braço e com uma das pernas sobre as pernas dele. Porém o que ouvi dela foi ainda pior. O que ele fez?! . e Sueli continuou: Passei muito mal e. Tirei a segunda e na terceira ele acordou. Como pode confirmar. sem camiseta. E você deixou por isso mesmo?! Contou para alguém? Dias depois conversei com a Lúcia e contei tudo. O Sérgio queria a máquina para destruir essas provas. Pelas fotos acho que já pode deduzir que tipo d e homem ele é. Eu estava no chão e o Sérgio me chutou. Alguma s ficaram engraçadas e decidi ir até a casa do Sérgio para mostrar a ele e à Lúcia. . Sueli! Diga que isso aqui não é verdade! . Um dia toda a família estava viajando. O Sérgio e a irmã ormindo na mesma cama. Pelo amor de Deus. muita cólica e só queria ficar na cama. Por que a Lúcia não contou aos pais?! Aos irmãos?! Não contava por medo de que o pai deles cometesse uma loucura. Ela. Brincamos bastante e. O Sérgio me chacoalhou.. eu chorava exigindo uma explicação. pois eu lhe mostrei só as fotos. Então insisti para irmos a uma festa.. Bem mais tarde...tornou a outra em desespero. completamente nua. Gritou e exigiu a máquina. Tirei a primeira foto e ele se remexeu. Não vale a pena falar sobre isso. pois eu esperava um filho dele. Contou que no início ele bateu n ela e. Débora.. voltamos para casa de madrugada . .. O Sérgio reagi u como nunca. mas ela não falava. Ele perdeu o controle.riste.. tenho as mesmas imagens aqui.. ganhando a credibilidade de Débora. É o que você vê.. Débora lembrou-se de Sérgio pedir que evitassem ter um filho... O Sérgio sabe disso?! Ele já viu isso?! Sabe e viu... Veja. Resumindo. Débora a afagou enquanto lembrou do dia em que Sérg io a segurou firme pelos braços apertando-a. o Sérgio está com o corpo mal coberto por um lençol na altura da cintura e com as pernas despidas. incrivelmente.Longa pausa proposita l... chacoalhando-a e a empurrando em segu ida. Tentei saber o que era. Fiq uei em choque. depois me empurrou enquanto exigia e. Ele veio até aqui em casa. Confusa. Eu levei minha câmera fotográfica digital e tiramos mu itas fotos.Impiedosamente Sueli foi capaz de inventar as mais horríveis mentiras c ontra Sérgio.. Para minha mãe.. religioso e ela pensou que o pai mataria o Sérgio. Por um momento pareceu insano . Era o an iversário de um grande amigo. eu diss e que tive uma enxaqueca forte. O senhor Inácio é um homem moralista.. Eu estava sozinha. deprimida e quase não falava mais comigo.... Mas tive a idéia de fotografar. A Lúcia estava animada. pegou a máquina fotográfica digital e mostrou-lhe as mesmas fotos na própria câmera. Fui medicada e passei horas em observação. . aflita e olhando-a com grande expectativa. Por outro lad o.

. Tranqüilo! E a dona Antônia?.a muito com o que precisava suportar do próprio irmão.. Sua ligação com aqueles espíritos trevosos lhe oferecia grande malícia e uma força inte rior tão perversa que era difícil acreditar em sua coragem para fazer tantas maldade s sem pensar nas conseqüências.. Por isso ele me odeia tanto. Sim. Ouvir promessas de casamento. um dia. quase melancólica: .. Eu não q ueria que outra pessoa sofresse o que sofri. Sussurrando no ombro do amigo.... Obrigada. Quanto mais o tempo passava mais ela se apresentava muito triste e bem deprimida. Sueli. a jovem avisou: Agora preciso ir. juras de amor e depois descobrir um homem sem caráter. Não pude deixar de ser amiga da dona Marisa. pediu : Posso ficar com essas fotografias? Vai mostrá-las ao Sérgio? Não sei. Agora. Faça como quiser.. E propôs para não alongar: Depois conversamos. . Jogando-se sobre a cama. Eu a julguei mal e. João se aproximou dizendo: Que bom vê-lo! Trabalhamos juntos e quase não nos encontramos. Era uma tarde como todas as outras e Sérgio estava na clínica como de costume. Talvez acreditasse que estivesse só. Havia dois homens em uma moto e já tinham pego o que queriam e iam embora. Contou a ela? Não! .. tudo bem? . dizendo com voz trêmula: Desculpe-me. Sérgio correspondeu à brincadeira: Não deixe esse ciúme aumentar. mas a Lúcia repentinamente reagiu!. pois ela é tão rigorosa com ele. tentando animá-la eu a chamei para umas compras e a Lúcia desabafou coisas horríveis sobre as atitudes do Sérgio co m o abuso sexual e. se eu as tiver e ele souber disso.quis saber Sérgio. .Breve pausa e contou: Foi nesse dia que fomos assaltadas . usava esses minutos para tomar um café ou uma conversa rápida com um dos colegas.Ainda com as fotos nas mãos e olhar lacrimoso. por suas agressões. vil.. Obrigada por me alertar. após a porta ser aberta. riu e gargalhou prazerosamente por sua vivacidad e e esperteza. Quando podia. porém não deixei de ser amiga da Lúcia. Alguns instantes e Débora argumentou: Sinto muito. eu me afa stei. para relatar todas aquelas mentiras. Mostrou as fotos para ele? . E mais uma vez. algumas coisas começam a fazer sentid o.insistiu. Sueli não esperou ver Débora chegar até seu carro e entrou às p essas. Eles riram. sem moral.. Reagiu para ser morta. obrigada. Às vezes acho que a dona Marisa desconfia de alguma coisa. Fiquei com tanto ódio do Sérgio que terminei nosso namoro. Estão se dando como mãe e filha! Estou com ciúme! .. Seguindo-a até o portão. .insistiu desconfiado. rapidamente. Tubo bem. . Claro! Agora tenho um paciente. com o abuso do irmão. se suicidar e acabar com o sofrimento.. E a minha única segurança são essas pro vas na câmera. Sueli era rodeada pelo espírito Sebastião e seus companheiros que a induziram em nível de pensamentos tão infer iores e alimentaram suas idéias. Porém logo João não r stiu e perguntou: Por acaso conseguiu falar com a Débora? Não .. Conversamos algumas vezes sobre isso e a Lúcia me disse que quer ia morrer. .brincou João.Sueli chorou.. Mas ele não me d ava sossego.Alguns segundos e falou: Sabe. Fiz isso para o Sérgio me dar sossego. ele terá medo de fazer algo contra você. C aminhou até a saída acompanhada pela outra e.respondeu e suspirou fundo com leve sorriso para disfarçar os sentimentos. Sérgio engoliu seco e respondeu em voz baixa. Depois do aborto que sofri. A Rita?. pegava recados com a secretária e verificava alguma novidade ou relaxava por minutos a fim de estar bem recomposto para a próx ima consulta. Daí. Procure um psicólogo. não aceitava. Não im agina como ela sofreu com a morte da filha...Levantaram-se e Débora parecia sem rumo. Mas você está bem? . Esquecia-se de que atraía extremas perturbações e a lei do retorno por tudo o que semeava. E você. No intervalo entre um paciente e outro. mas não..... Algo tão baixo e repugnante. Guardando as fotos na bolsa. ofereceu-lhe um abraço. Pensando bem.

Estou sentindo uma coisa... Um nó na garganta... Um aperto no peito... Podemos conversar depois? Lógico! Até mais! Bem mais tarde, após atender alguns pacientes, Sérgio colocou-se frente à janela pa ssando a admirar o faiscar dos últimos raios do sol que se punha entre nuvens entr emeadas de lindas cores celestiais. Apesar de seus olhos estarem cravados naquel a visão, em seu coração havia um sofrimento e uma dúvida que o atormentavam. Em seu belo rosto sério, via-se uma grande perturbação. Sentia-se prisioneiro de uma situação não reso vida, mas ainda guardava um fio de esperança para poder esclarecer tudo. Após suspir ar profundamente, Sérgio despertou e se desligou dos pensamentos preocupantes. Alguns instantes e consultou a secretária sobre o último paciente. Ficou sabendo que ele havia telefonado pouco antes e desmarcando a terapia. Diante disso, saiu de sua sala procurando por João, mas o amigo estava clinicando naquele momento. Foi quando ouviu a voz forte e alegre do médico que o chamou: Sérgio! Era você mesmo quem eu queria encontrar! - ressaltou animado. Em seguida, o psiquiatra pediu: Pode vir até minha sala agora? Sim! Claro, doutor! Adentraram no consultório e o doutor Edison falou após fechar a porta: Sente-se aí, Sérgio. - Vendo-o acomodado em uma cadeira, circundou a mesa, que os separava e se sentou, perguntando: Tudo bem com você? Sim! Estou com alguns pacientes que exibem históricos bastante interessantes e merecedores de certa atenção. Outros, mostram leves distúrbios de estresse e demonstra m uma rápida recomposição de comportamento. Tenho dois casos mais preocupantes, no qua l os pacientes apresentam distúrbio obsessivo-compulsivo, comportamento e pensamen tos ritualísticos e repetitivos. No primeiro caso, o quadro apresentado causou-me grande preocupação e o encaminhei ao senhor semana passada. É uma moça cujo distúrbio são p nsamentos obsessivos atemorizantes e bem horríveis. - Sérgio não oferecia trégua e, dian te da grande atenção do médico psiquiatra, resumiu: Essa jovem, aos vinte e três anos é e tudante universitária, último ano, e levou um grande choque quando o namorado rompeu o compromisso. Segundo ela, não havia outra mulher pela qual foi traída nem razões ap arentes para ele terminar tão bruscamente. A jovem se sentiu trocada por nada. Iss o a frustrou imensamente. Dizia que o amava muito e era capaz de fazer tudo por ele. Contudo, repentinamente, passou a odiá-lo. Queria vê-lo morto. Então se deu conta d e que os pensamentos, que começaram com idéias simples, passaram a ser impertinentes , fixos, obsessivos. A paciente apresenta uma ansiedade sob controle, muito raci onal. Seu Q.I. é elevado, e isso me preocupou. Porém, pelo fato de ela entender, acr editar e aceitar que existe algo errado em seu comportamento e pensamento, temeu alguma atitude desequilibrada e, sozinha, procurou ajuda profissional aqui. A p aciente relatou que passou a se sentir consternada, desgostosa a partir do momen to em que começou a ter idéias de que a vida familiar seria melhor se o seu pai morr esse. A jovem conta que, a todo instante, era prazeroso imaginar a sua vida, a s ua casa sem a presença do pai, pois ele poderia abandonar sua mãe a qualquer momento . Disse que essas representações mentais surgiam involuntariamente e apesar de ela q uerer deixar de pensar, não conseguia. Você se lembra o motivo primordial que a fez procurar ajuda clínica? A paciente contou que, a princípio, não deu importância, mas quando quis que um de seus professores morresse porque sua nota foi nove e meio, quando acreditou mere cer dez, ficou preocupada. Não só queria que o professor morresse, mas desejava matá-l o e planejava como fazê-lo. Em suas representações mentais, sabia que seria presa e co ndenada por homicídio, então achou ideal matar o professor, o pai e o namorado. Dess a forma, poderia alegar insanidade em sua defesa, já que os crimes pareceriam bárbar os e inexplicáveis para serem cometidos por uma jovem de seu nível, de sua cultura, de sua aparência... Além disso, lembrou que as leis são fracas, pois com um bom advoga do poderia ser absolvida ou encaminhada para tratamento por insanidade ou pegari a a pena mínima. Então, como ela disse, logo após essas representações mentais, sentia com o acordar de um pesadelo e acreditava que estava insana, pois se arrependia do q ue idealizava, pedia perdão a Deus pelas idéias absurdas, horríveis. Mas essas voltava m. Um detalhe interessante foi que a própria paciente percebeu que se entregava à li mpeza de seu quarto, à lavagem de suas roupas, higiene corporal e lavava seguidame

nte as mãos. Comportamento típico de quem deseja lavar as idéias, as representações mentai s ou atos já praticados. Você foi bem eficaz por identificar instantaneamente a seriedade desse tipo de distúrbio e encaminhá-la à psiquiatria. Principalmente por ter em vista a rapidez do p rocesso de desenvolvimento do quadro. Obrigado. Mas eu só tive êxito pelo fato da paciente ser objetiva e sincera, dese jando realmente se ajudar, equilibrar-se. Sérgio, você não acredita que em vez de distúrbio obsessivo-compulsivo, trata-se de u m distúrbio esquizofrênico ou um distúrbio de personalidade anti-social? A pessoa, a p rincípio, parece atraente, inteligente, mas mente, rouba, mata e muito mais, sem q ualquer sentimento de culpa, ou então simula cinicamente arrependimento pelo feito . Não seria o caso? Não. Eu descartei a possibilidade de um distúrbio de personalidade anti-social lo go de início. Conforme poderá confirmar em minhas anotações, analisei que a paciente apr esenta afeto por familiares e amigos, tem vida social e relações sociais positivas, prudentes e não desrespeitosas, tem relacionamento familiar saudável com os irmãos, ap esar das divergências consideradas normais. Os distúrbios esquizofrênicos apresentam c ondições e características mais severas através de pensamentos e comunicações desordenados, comportamento anti-social até bizarro. Os esquizofrênicos perdem a noção da realidade. São psicóticos. Apresentam uma paranormalidade falsa , algo que só existe em seus pensamen tos. Dizem ouvir vozes, alucinações táteis, olfativas ou visuais. Não falam com coerência etc. Diante do silêncio e vendo o médico bem reflexivo, Sérgio perguntou: O que diz sua supervisão desse caso? Falhei? Não! De forma alguma! Fez muito bem tê-la encaminhado para mim. Mas... Lá no fundo, Sérgio, você tem algo mais para acrescentar. Acredita que um brusco término de namoro pode desencadear, repentinamente, uma forma muito diferente de depressão e ansied ade após um único acontecimento que provocou decepção, frustração ou medo? Acha que tudo is o teve início aí, para essa jovem? Não - respondeu categórico. Acredito que esse foi o motivo usado para despertar a lgo adormecido em sua psique, alma ou mente, como queira. Usado por quem? E... Que algo adormecido é esse? Até hoje, a energia elétrica existe, sem que o homem possa vê-la, pegá-la para manipu lar... A eletricidade existe, mas não há grande e considerável entendimento sobre ela. Conduzida através de fios, podemos levar um choque, mas não a enxergamos se não por u m breve clarão quando há o contato com os dois pólos. Muitas crianças e até adultos já morr ram eletrocutados ao chegarem a alguns metros de uma torre de alta tensão sem tocá-l a. De acordo com a umidade relativa do ar, o campo magnético aumenta sua distância d a torre e amplia a propagação da energia, da voltagem e, conseqüentemente, o perigo, p ois a eletricidade está ali, mas não pode ser vista. - Antes que o doutor Edison o c obrasse por uma resposta às perguntas feitas, Sérgio sorriu, explicando: Não quero lhe dar aula de Ciência! Mas já temos muitas provas de que o corpo humano possui energi a e que o pensamento é uma energia. Vemos, aqui mesmo na clínica, que há clientes freqüe ntadores assíduos só das terapias de massagens ou acupuntura, mas essas pessoas, dep ois de serem atendidas por um e depois por outro profissional, acabam dando pref erência a um deles. Isso prova que a energia, o magnetismo do massagista, por exem plo, é mais compatível com determinada pessoa, tornando-se, dessa forma, uma terapia mais benéfica e restabelecendo a saúde física e mental muito mais rápido. Você está correto, Sérgio. Mas minhas perguntas não foram essas. Sim, eu sei, doutor. Só estou defendendo, antecipadamente, a minha conclusão para o que me perguntou. E, só para encerrar, gostaria de lembrar sobre a energia dos pensamentos. São inumeráveis os casos com os quais nos deparamos sobre pessoas que, repentinamente, sentiram uma angústia ou preocupação com outra que, naquele instante, precisava de ajuda ou sofria um acidente. Incontáveis pessoas podem relatar que, s em motivo aparente, decidiram mudar de caminho livrando-se de um acidente. Outra s perderam a hora, sofreram um mal-estar físico ou simplesmente não quiseram entrar em um avião que caiu. Podemos dizer que, de alguma forma, comparando à eletricidade, a energia invadiu o campo magnético dessas pessoas, permitindo-lhes uma comunicação e m nível do que estava acontecendo ou ainda por acontecer. Não se trata de mera curiosidade psicológica a comunicação mental, à distância, entre

s ou mais pessoas, mais conhecida com o nome de Telepatia. Isso é fato! Mas quando uma pessoa escapa de uma tragédia por se desviar do caminho habitual, sem explicação, desiste de uma viagem, perde a hora ou até sofre um mal-estar físico que a deixa pr ostrada, qual explicação você pode me dar? Que é uma comunicação em nível de pensamento. Sérgio, nesses exemplos tem uma única pessoa que se livrou de uma tragédia. Com que m houve essa comunicação em nível de pensamento? Com um espírito - afirmou com seriedade. Continuando: A alma sobrevive após a morte do corpo físico e, sem a matéria, o pensamento é o meio de comunicação do espírito, pois o pensamento é um atributo da alma. Vivo ou morto, sua alma estará onde estiver seu pensamento. Doutor, uma mente se liga a outra através do pensamento e por compatibilidade de afeição ou vingança. Nos dois casos, eu acredit o que há o despertar do que elas têm em comum. Então o espírito aproveitou-se daqueles m otivos para despertar o algo , o sentimento que aquela paciente tinha e desconhecia . O médico permaneceu tranqüilo por alguns minutos bem silenciosos. Depois question ou: Todas essas explicações e comparações foram para me responder que?... A paciente em questão sofre de um distúrbio que pode ser associado ao assédio espir itual recebido de um espírito que se aproveitou de um momento de extrema decepção, que foi o rompimento de uma ligação amorosa. Ela mesma admite que sofreu e se abateu po r sentimentos de desesperança. No entanto, sutilmente, passou a ter pensamentos ho stis e macabros, desejando a morte do ex-namorado, depois do pai, do professor.. . Acredito que a troca de energia mental com idéias atemorizantes, as quais normal mente ela não tinha, levou-a a um distúrbio por não conseguir se livrar de tais pensam entos, os quais se tornaram obsessivos. Por sorte, essa moça não teve qualquer temor ou preconceito em procurar ajuda clínica ao perceber que alguma coisa não estava no rmal em seu equilíbrio mental. Quando relatou sobre seus conflitos internos por me do de cometer algo insano, além de sofrer insônia, da intensa vontade de chorar, inc apacidade de relaxar, tensões musculares e outros sintomas que começaram a abatê-la, a creditei ser o momento de encaminhá-la à psiquiatria e com urgência. É provável que, diant e do quadro apresentado, haja necessidade até de intervenção medicamentosa. Porém... - O lhando-o nos olhos, Sérgio foi categórico: Sem dúvida alguma, essa paciente deve ser c onduzida à religiosidade para que haja uma mudança de hábitos, pensamentos e, conseqüent emente, uma elevação espiritual. Isso não significa reprimir os sentimentos, mas mudá-lo s e isso é reforma íntima! Somente dessa forma, ela romperá o laço de ligação mental com o spírito ou espíritos que se comunicam com ela através do pensamento e cujas idéias, a pr incípio, são sutis, sem importância, como que sussurros da própria consciência, quando, na verdade, são intervenções da vontade de um espírito atuando de mente para mente. Lembra ndo que tanto espíritos quanto pessoas se aproximam uns dos outros pela afinidade, pelas mesmas vontades, pelos mesmos desejos e atributos. A pessoa com elevação mora l e espiritual irá repelir a inspiração negativa, a transmissão de pensamento para pensa mento de um encarnado ou desencarnado que lhe perturba a organização das idéias que po dem levá-la a um desequilíbrio, transtorno ou distúrbio dos mais graves atos insanos, irresponsáveis... - Breve trégua e Sérgio comparou: Imagine a fé, a esperança e o bom âni de uma pessoa com conhecimento e elevação espiritual. Com certeza, isso vai minimiza r suas dores, seus danos físicos ou psicológicos e aumentar sua resignação e paciência. No s casos de intervenções espirituais, compare o conhecimento junto à elevação moral e espir itual com o aumento da umidade relativa do ar, que amplia a intensidade e a distân cia eletromagnética em torno de uma torre de alta-tensão, tornando a voltagem mais a lta ao redor da referida torre. Os que se arriscam, pela aproximação, eletrocutam-se sem conseguir tocá-la, podendo morrer. Assim é a aquisição de conhecimento, elevação moral e espiritual que repelem e, simbolicamente, eletrocutam os que desejam se apoder ar de sua mente sã. Total silêncio até o médico tamborilar os dedos sobre a mesa que os separava e, em seguida, apossar-se de uma caneta fazendo algumas anotações. Apesar de todo o esforço, por sua curiosidade, Sérgio não conseguia ler nada, mesmo esticando o olhar. Por fi m, o doutor Edison perguntou: Tem algo mais que deseja acrescentar? Ah!... Sim. Em meu relatório destaquei essa observação, mas gostaria de reforçá-la. Es

a paciente entrou em meu consultório e, após nos cumprimentarmos e se sentar, me fez duas perguntas interessantes e importantes. Quis saber se, apesar de formado e já exercendo atividade, eu submetia os meus pareceres clínicos para a avaliação de um ou tro doutor mais experiente. Ou seja, se eu me dispunha a uma supervisão. Afirmei e até expliquei que, no meu caso, essa supervisão era realizada por um médico psiquiatr a. E a jovem comentou que não queria se colocar à disposição de um profissional que se j ulgasse auto-suficiente, com sentimento de grandiosidade, pois, na opinião dela, a conclusão clínica seria duvidosa. E, em seguida, me perguntou se meu método era o da Psicologia Junguiana. E o que você respondeu? - perguntou o psiquiatra. Tentei ser breve, afinal, não era minha intenção dar aula. Falei que, em certos cas os, as teses freudianas explicam as influências e experiências em determinados compo rtamentos. Entretanto, sem dúvida alguma, Jung ampliou a visão da Psicologia e da Ps iquiatria ao comprovar que nem todos os transtornos, distúrbios e outros eram excl usivamente de caráter sexual da libido, como Freud afirmava. Com seu método de Psico logia Analítica, Jung designou Tipos Humanos e outros conceitos que explicam um co njunto de representações psíquicas sem qualquer controle efetivo do Eu7. Minhas explic ações foram com palavras mais simples, claro. Porém com essas questões imprevistas, para mim, a paciente demonstrou que realmente deseja ajuda, sabe reconhecer um profi ssional e qualificá-lo. Além disso, aparentou inclinação espiritualista e mais tranqüilida de quando em conversa. O que quer dizer com: inclinação espiritualista? Que a paciente se mostrou resistente a um possível envenenamento mental, ou mel hor, não admite se deixar dominar pela sintonia enfermiça de agentes psicológicos que, provavelmente, possam ser oriundos da energia mental dos desejos de desencarnad os ou até encarnados. Veja, doutor Edison, a comunicação mental a distância é comprovada c omo falamos. Estudamos muitos casos inexplicáveis de pessoas desaparecidas, que já e stavam mortas, e guiaram algum familiar, um desconhecido ou até um policial a enco ntrar seus corpos nos locais mais improváveis. Isso é comunicação em nível de pensamento! Não podemos negar essa possibilidade! Se o senhor... O psicólogo disparou a falar, mas foi interrompido educadamente: Espere. Calma, Sérgio. - Após segundos, o médico comentou: Carl Gustav Jung, o médic psiquiatra suíço que detonou o Pai da Psicanálise, Sigmund Freud, em muitas teorias s obre a libido, com a publicação do livro Wandlungen und Symbole der Libido, cuja tra dução original do idioma alemão é: Símbolos e Transformações da Libido... - tentou terminar as foi interrompido. Mas em sua publicação no idioma português recebeu o título de: Símbolos da Transformaç completou Sérgio sem trégua. Exatamente! - empolgou-se o psiquiatra. Nessa obra, Jung leva adiante sua lin ha de pensamento bem seguro de que o desejo sexual, a energia psíquica que provém do instinto sexual, cujos relacionamentos particularmente importantes aparecem em conseqüência de traumas, influências, experiências sexuais ou desejos sexuais da libido na infância. Essa energia psíquica não determina a conduta da vida de um indivíduo, não te m exclusivamente só o caráter libidinoso imposto por Freud. Jung denominou seu método de Psicologia Analítica, no qual alguns conceitos centrais foram o de: Tipos Psico lógicos; Complexos; Inconsciente Coletivo; Teoria dos Complexos... - Segundos de p ausa e o médico comentou: Nas características da formação dos Tipos Psicológicos, Jung mo tra-nos como são diferentes as psiques das pessoas, ou seja, a alma, o espírito, a m ente das pessoas são individuais! O vocábulo Psyché é de origem grega cuja tradução é Psiqu E na mitologia grega, Psique era a personificação, a representação da alma, do espírito, d a mente, que correspondem a uma coisa só. Ele identificou e descreveu processos ps icológicos que, ligados em várias combinações, determinam o caráter de um indivíduo, provan o-nos que uma pessoa específica tem um comportamento exclusivo. Trabalho esse que demorou cerca de vinte anos no campo da Psicologia prática, experiências e estudos! A Tese de Doutorado de Jung foi com base em investigações do comportamento mediúnic o! - lembrou Sérgio. Sim! E freqüentando sessões espíritas, o Pai da Psicologia Analítica revolucionou o c ampo da Psiquiatria e da Psicologia, como você lembrou. Quebrou ao meio as teses f reudianas de que os fenômenos do inconsciente se explicavam somente pelas influência s e experiências na infância relacionadas ao sexo ou desejos sexuais da libido.

A conversa sobre Psicologia Analítica - Junguiana - prosseguiu até Sérgio argumenta r:

Pensei que não aceitaria minhas opiniões e... Minha Tese de Doutorado, em Filosofia da Religião, foi baseada e defendida com estudos de casos de distúrbios e transtornos com prováveis intervenções espirituais, sem elhantes ao dessa paciente. Sério?! É verdade?! - surpreendeu-se o psicólogo. Lógico! Por que eu mentiria?! - riu o médico. Por acaso o senhor é espírita? - tornou Sérgio, curioso. Sendo o Espiritismo a filosofia mais ampla em explicações racionais e ecumênicas qu e já estudei e estudo, posso afirmar que a religião do psicanalista ou do psicoterap eutas não importa se ele tiver a mente aberta aos esclarecimentos inegáveis da filos ofia e ciência do Espiritismo. Ele deve ser realista aos fatos históricos do mundo c omprovados por estudos. Que ele não queira converter ninguém à sua religião, seita, filo sofia ou até a própria Doutrina Espírita. Quando o paciente não é ateu, não é evangélico ou estante, mas católico, budista, umbandista ou outras religiões ou filosofias espirit ualistas ou mesmo espírita, fica bem mais fácil à terapia e a busca por soluções. Apesar d e espiritualista, ou seja, de acreditar que a alma vive após a morte do corpo físico , os pacientes de linhas religiosas protestantes ou como se denominam: evangélicos , têm a visão ou a compreensão muito limitada, são adversos, totalmente contrários ao mund o real dos espíritos, pois eles só acreditam em céu e inferno. Esses são os pacientes ma is trabalhosos e os que merecem mais atenção e cuidados da nossa parte. - Ele sorriu ao avisar: Respondendo a sua pergunta, sim, eu sou espírita. Um espírita imperfeito e em evolução, mas sou Espírita - riu. Sabe, Sérgio, não há como deixar de admitir essa trina filosófica e científica vivenciando um trabalho como o nosso. Compreendendo os conceitos da Psicologia Analítica, criada por Jung, comprovando os Tipos Psicológic os, o Inconsciente Coletivo e outros... Relacionando com a influência dos espíritos sobre os acontecimentos da vida, os pressentimentos, a penetração das idéias dos espírit os em nosso pensamento, fluido universal, matéria, espírito... Penas e gozos terreno s, a loucura e suas causas... Reencarnação. Não há como negar! É tudo o que vemos em nosso trabalho. É o que procuramos ajudar. As criaturas humanas são diferentes e agem dif erente diante do mesmo fato, pelas diversas experiências em vidas passadas. Como e xplicar um trauma ou distúrbio que não tem origem nessa vida?! Os profissionais ness a área que se negam a essa crença, independente de suas religiões, só posso dizer, lamen tavelmente, que eles são encarnados necessitados de muita elevação moral e espiritual. O medo de conhecer a verdade que os libertarão é tamanho que eles se negam a fazer uma pós-graduação em Psicologia Junguiana, Psicologia Analítica, para terem uma nova visão sobre o trabalho que realizam. Eu não aceito estender assunto e discutir com prof issionais puramente da linha freudiana, inflexíveis por não conhecerem a linha jungu iana. Não seria prudente dar predileção a um método quando se desconhece o outro. Só aceit o discutir as preferências de profissionais da área que possuem formação nos dois métodos, nas duas linhas: freudiana e junguiana. Caso contrário estarão falando de algo que não conhecem... E... Baseados em que, podem defender um e desmerecer o outro? Ambo s os médicos, Freud e Jung, dedicaram suas vidas à procura de explicações para o que vir am, pesquisaram e vivenciaram ao longo de suas carreiras. Eu acredito que cada u m deles viveu para o seu propósito e ambos são importantes dentro do que se propuser am a explicar, cada um a sua maneira. Portanto, como profissionais que somos, de vemos estudar os dois, para em seguida dizermos com conhecimento de causa a quem devemos dar preferência, dependendo do caso em particular. Entende?! - Depois da explicação enfática, continuou: Como você bem lembrou, em outras palavras, as teses de F reud explicam determinados comportamentos, mas Jung ampliou a visão ao comprovar q ue nem todos os transtornos, distúrbios são de origem sexual, como Freud afirmava. Alguns segundos de reflexão e continuou: Negar-se a conhecer outras realidades é au sência de elevação moral e espiritual. Veja, quando eu falo de elevação moral, não me refir a deixar de praticar sexo, ser uma pessoa séria, rígida, sem sorriso, deixar de bri ncar, ser fria diante dos fatos acreditando que tudo acontece pela vontade de De us. Não! Todo extremo é prejudicial! Estamos encarnados para harmonizarmos um débito d o passado ou, talvez, para a nossa evolução e busca de equilíbrio. Devemos praticar se xo? Sim! Mas o sexo é um compromisso de troca de energias espirituais e com provávei s conseqüências físicas como uma gravidez ou uma contaminação por vírus, bactérias e outros

Sei que não posso generalizar. Saber com quem trocamos essas energias! Perguntar: que tipo de energias recebi? De quem recebi e quais conseqüências espirituais isso me tr ará? Devemos ser sérios? Sim. especializei-me em cirurgia c ardiovascular e. à filosofia reencarnacionista dos espíritas. Ele me impressionou. em neurocirurgia cerebral. Hoje.. Queria arra ncar do fundo de sua alma as explicações de sua fé que justificassem seus instintos! P recisava saber qual o alicerce de conhecimentos usados para suas conclusões ou se . Mas Jung foi muito m ais além e concordava com muitos princípios de Freud. Repentinamente um aluno levantou a mão e falou: Fiz todo o curso de Medicina. o que a ciência prova ser impossível.riu com gosto. ou melhor. Adoro analisar pessoas. parece que eu vejo e entendo a alma dos paciente s e não a aparência física . O pai de Jung era pastor protestante . à budista. uma aula para uma turma de pós-graduação. Estagiei. Esse sentido não me impressiona como no passado. Após algumas cirurgias supervisionadas p elo Médico Professor Doutor que reconheceu e elogiou meu trabalho. protesta nte se inclinaria às aceitações espíritas. com um futuro promissor!.. Devem os sorrir? Sempre que estamos felizes! Mas lembrar que em alguns momentos essa e xpressão de sentimento é inadequada. à filosofia espírita. Obrigado. Hoje em dia o profissional da Psicoterapia o u Psicanálise que se fechar aos novos conhecimentos. mas a ma ioria é assim. Devo afirmar que fiquei incrivelmente satisfeito e até surpreso com sua análise nesse caso. A religiosidade pode intervir no profissional. Tudo para eles é porque Deus q uer! É milagre de um anjo ou maldição de demônios. Por que me deixou dar tantas explicações e exemplos? Eu e stava a fim de defender minha opinião e pensei que o senhor iria protestar! Não bast ava me interromper e dizer que agi corretamente? Que o senhor entendia por que é e spírita? Eu sou psiquiatra.. .. Fiquei revoltado. São teses presas aos instinto sexual. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará . hinduístas. Mas não deixei a depressão me der rotar e fiz uma nova especialização na área da Psiquiatria. nem aceitou a reencarnação. Mesmo assim. verdade e explicações científicas. eu estava satis feito e feliz pela minha capacidade... talvez. representa todas as forças vitais e não somente as sexuais como Freud impôs. Jung quis e buscou o conhecimento de todos os seus Porquês . Puxa!. bud stas. A religiosidade do profissional pode.. s abem ouvir. ao contrário. Sérgio! . Mas doutor. mesmo sobre uma opinião negativa aos nossos conceitos. pensamentos e experiências a partir do nascimento.. quando o assunto é importante. O profissional da área psíquica que buscar conhecim ento em todos os agrupamentos de seus estudos. será enganado ou uma fatal vítima d a ausência de conhecimento. que é voltar a viver no mesmo corpo físico. entender. ao término. Creio que ambos os mestres são importantes e se co mpletam de acordo com cada caso.disse o doutor Edison. mas não completas e bem limitadas nos sentimentos. Ele não aceitou a lê cega imposta pelo pai.. ou energia psíquica. frase do Mestre Jesus. ao espiritualismo reencarnaci onista. Eles não aceitam nem os fatos históricos! Continuam protestando se m buscar conhecimento.In stantes de reflexão e contou: Outro dia em. sor rindo. porém Jung ampliou o papel do in consciente enfatizando que a libido. Ele não está totalmente equivocado. depois de pouco tempo. interferir. Ao contrário dos católicos. Os jude us acreditam na ressurreição. Muitas teses e teorias freudianas são válidas e importantes. . sem agressividade ou ofensas que firam os outros! Creio que dificilmente um psicólogo ou psiquiatra evangélico. não se aprofundou em estudos de antes do nascimento. Talvez Freud. na qual não preciso usar os olhos. vejo e sinto muito mais do que antes! Despertou em mim um outro se ntido humano difícil de explicar.exclamou Sérgio timidamente. Eu adorava os centros cirúrg icos e sabia que eu era ótimo no que fazia.. Pensei: por que eu? Jovem.. capacitado. Nem sempre. Posso dizer que é o meu melhor aluno. refletir. por exemplo. Mas. pois acredito ter ganho um outro. eu disse: Psiquiatras! Acordem! Tenham fé e se curem da cegueira materialista do mund o que vêem. abre um leque imenso de informações e aperfeiçoamento.ntão devemos pensar muito.. Mas. pois esses são bem tolerantes. entre outras. o maior Psicólogo da Humanidade e ainda afirmou: A tua fé te curou . sofri um aciden te de carro e fiquei cego. existe muito mais além do corpo físico! . Devemos deixar de brincar? Não! Mas brincar de mo do saudável. a princípio. por ser judeu. traumas ou transtornos de vida anterior a essa. pois a seriedade é sinônimo d e atenção ao aprendizado. bonito. Tudo para Freud era de caráter sexu al e Jung derrubou essa teoria. ao desejo de obter qualquer f orma de prazer.

Estou preocupado com você. Se ela precisa de um tempo para pensar e quiser me procurar depois.. O senhor a conhece e pôde notar o quanto ela é educada. confessou com expressão séria: A presença da Débora na minha vida foi algo muito significativo e essa ruptura.. sem a inst rução que buscou através de muito estudo. por que estou usando termos clínicos? Força do hábito .explicou o médico. Não acha que merece mais atenção da sua própria parte? Vendo pela primeira vez Sérgio fugir-lhe ao olhar.. Não está sendo fácil convencê-la a uma consulta psiquiátrica... Após segundos.. Penso que poderá s er persuadida pelo Tiago. Tal bloqueio o leva a dar extre ma atenção ao que se dedica. Estarei atento.você apenas estava defendendo uma teoria sem o verdadeiro conhecimento. mas eu acredito que.respondeu educado e levantando-se.. Mal detalhamos algumas supervisões e.Sorrind o. A Rita é uma pe ssoa inteligente e receptiva. Prefir o conversar a respeito dele em outro momento. tem uma personalidade tranqüila. Sérgio. Sem que Sérgio esperasse.. sinto-me ansioso. Considero-o muito. proponha-se a conversar. doutor Sérgio.. pois qualquer mudança comportam ental pede imprescindível rapidez na disposição de outro método de tratamento. tornando-o ótimo no que faz. mas precis o informá-lo de que não prescreverei medicação química ou drogas fortes para essa paciente . O senhor sabe de tudo e. quando tomar conhecimento da realidade dos fatos por outra s fontes. mas sim como amigo.Sem demora. . Depois perguntou: E o segundo caso? Li suas referências. sorrindo. E se não acontecer. sensível. Tenho idade para ser o seu pai e o consider o como filho. um dia . de seus desejos e pensamentos. como referência materna.. Parabéns! Você foi ótimo! E. auxilia-o na repressão de seus complexos ou problemas íntimos e o faz bloqueá-los. meu irmão.. . avisou brincando: Pode deixar. e a dona Antônia.. Soube. Ah! Sérgio! A propósito.f alou de modo brincalhão.. Sei que quanto mais demo ar a tratar de um distúrbio de estresse pós-traumático ou agudo é pior. em breve. Sente-se aí. Quer conversar a respeito? Não me veja como profissional. o doutor Edison perguntou: E você?! Eu?!. . o rapaz comentou: Sabe. Só me resta esperar isso acontecer. Foi por isso que contei o que aconteceu comigo daquela forma tão. rapaz... . vazio. Fiquei bem atarefado e não tivemos tempo par a conversar. Diminuir meus valores e deixar que essa situação . Por quê? Já fiz isso demais.. Acredito que ela corresponderá muito bem aos homeopáticos e fitoterápicos de um modo geral. Contou-me só os fatos. a paciente retornará a lazer terapia com o senhor! . Ela v irá.. E a dona Antônia. f rágil.. Sérgio respirou fundo e sorriu. É questão de pouco tempo. eu tenha essa chance. deprimido.. Podemos conversar agora ou tem algum compromisso? Podemos conversar. Aquele é mais complexo e gostaria de analisá-lo melhor. o s enhor se coloca em último lugar. Con do totalmente com você sobre ela necessitar de intervenções medicamentosas. O seu Tipo Psicológico. conversam muito e acho que ele conseguirá trazê-la aqui.. Todos os fatos como em um rel atório encaminhado ao seu comandante na polícia. Sérgio? Veja. tudo o que aconteceu. o médico argumentou com tranqüilida de: Não sou somente seu supervisor. . Não entendo como ela tomou essa postura. Talvez.. E um caso meritório de atenção urgente e sem dúvida conduzida à religiosidade para mudança de hábitos e elevação espiritual. Procure ficar mais à vontade. Quem sabe.Riu de si mesmo e reclamou: Mas que droga. por você mesmo. Procurou-a novamente? Desisti. mãe do João. extremamente introvertido. Além de flexível. Tudo aconteceu muito rápido..Suspirou rápido ao afirmar com emoção: Eu amo a Débora! Gostaria de uma oportunidade para explicar a ela o que aconteceu. não posso parar minha vida. mas desejaria que fosse agora! Às vezes. A Rita e o Tiago são b em amigos. A propósito. E sua amiga que desejava tentar suicídio e?. Entretanto. doutor Sérgio! Esse caso merece extrema atenção. dará incentivo e apoio.Um instante de pausa e falou: Gos taria de saber dos acontecimentos com as expressões mais profundas de seus sentime ntos. Como o senhor quiser .... Porém..

foi porque não agüentei mais ficar acordado te esperando! Aquele foi um dia terrível para mim! Você é capaz de entender isso?! .revelou. tudo é mu ito recente. enquanto perguntava baixo e pausadamente: . Fui acalmála. o Tiago no outro e eu fiquei na sala sem sono pensando no que te aconteceu! Quer confirmar isso?! Verifique as horas de todas as minhas ligações para você! Acho que estava quase amanhecendo quan do eu desisti de ligar e a Rita teve um pesadelo. pediu. Civilizado?! .. Ela o interrompeu com a voz mais segura.. que está nos ajudando?! Eu sei de tudo. a Lúcia se matou por sua causa ! Ficou louca.. talvez. Sinto que. Sérgio.. ..interfira no meu profissionalismo. inescrupuloso. uma coisa que não sei explicar. Naquele instante.murmurou o rapaz com nítido nervosismo na voz grave. Vendo-a surpresa com su a atitude. Se não bastasse eu vê-lo dormindo junto com a minha melhor amiga!. Estava com dívidas. Até eu preciso de um tempo para pensar. pediu gentilmente: Vamos para a minha sala e conversaremos como pessoa s civilizadas. tão cruel. é capaz de acreditar na Sueli?! Jamais agredi a Sueli. entrou em desespero. existe algo que o aflige. do Tiago. Você se acha civilizado?! Normal?! Se você não é um demen e. po is quero saber do que você está falando! .... Respeite a presença do doutor Edison. mas não retornou nenhuma das minhas ligações! Onde você estava quando mais precisei?! Então a Rita teve de dormir no meu quarto..... vil. Depois de tudo... sem emprego. Assim que a secretária fechou a porta. Sérgio! Conversei com a Sueli e ela me contou que a agrediu a p onto de ela abortar o filho que esperava! Um filho que era seu! Você a agrediu por ela descobrir o incesto entre você e a Lúcia! Você forçava a sua irmã a se relacionar sex ualmente com você! E na oportunidade daquele assalto. nas minhas férias. n conseguiu deter as lágrimas nem a respiração ofegante.gritou ela. Isso me preocupa muito.. da dona Antônia. Procurando tr anqüilizá-la. lá no fundo. sem se importar com o doutor Edison que ficou feito uma estátua em pé frente à mesa. educado e sem lembrar que estava na sala do médic o: Por favor! Pode deixá-la entrar. apesar disso. sentei ao seu lado e conversamos! Se eu peguei no sono. a porta da sala foi aberta abruptamente e as vozes feminina s estavam alteradas. sem agressões verbais. Débora?! . Tem muita confiança em si mesmo e é isso o que me preocupa. Estou sentindo um nó na garganta. eu não pude fazer nada! Ela queria falar com o doutor Sérgio!.propôs bem firme e ponderado. Sérgio levantou rapidamente e virando-se ficou assombrado ao ver Débora na sala d o consultório. Você não sabe o que aconteceu! . Imaginei que assumiria seu arrependimento por tudo o que já fez! Que até se propori a a um tratamento. Débora . Mesmo assim. ele contou: Não tem o direito de me acusar! A Rita tentou se matar! Foi violentada pelo tio! Eu a levei para minha casa.. E sperava há horas e.. certo? Além do mais.. Tentei encontrar você. Sinto um medo inexplicável por essa situação que ela p assa e.. eu cuido de pessoas que pre cisam de ajuda e merecem atenção. é um safado! Acalme-se Débora. Vamos para minha sala. Um aperto no peito. Mas não! Quer que eu acredite nessa história absurda?! Por que absurda?! Que provas tem contra mim?! Como pode me acusar se não ouviu a versão da Rita. Não posso minimizar a concentração no que faço por causa a falta de maturidade de alguém que eu amo e não quer conversar comigo para ouvir a minha versão dos fatos. Você é muito inteligente. quando a secretária praticamente gritou: Doutor Edison. deixando mil recados.gritou desesperado. mas vontade não me faltou! Nunca houve filho alg um! Ela é louca! Como pode acreditar que eu e minha irmã. falou com voz trêmu la: Precisava vê-lo! Precisava olhar em seus olhos para acreditar como alguém pode se r tão cínico. encarando-a com olhar firme. Seria irresponsabilidade minha.interrompeu-a num grito. Débora chorou ao dizer: Eu confiei em você. Confiei demais! Pensei que fosse honesto e me pediria perdão.perguntou. abaixando o olhar triste e perdido. quando lhe entregou as fotos nas mãos. Ao encará-lo.. sem o apoio da famíl ia e. Pare. Afinal de contas. apesar do choro. Débora aproximou-se de Sérgio. Depois continuou: A Débora passava por um momento difícil.

mas. pálido e mudo. pois eu já i a embora. Essas dores são resultados dos espasmos. ma s não conseguiu dizer nada. brincando. Débora ainda falou em tom brand o. As fotos falam por si só. Não quero ouvir mais nada . Não sei qual a utilidade. 20 . mas se quer mesmo saber são nove horas da manhã. doutor Edison.Breno aproxima-se de Débora Remexendo-se lentamente no leito. olhou para o lado reconhecendo a figura do médico amigo. olhando-o firme. Pode ficar com as fotos. Não tentou dizer nada. * * * Sérgio acordou e se viu deitado sobre a mesma cama. Sérgio?! O que tem a me dizer agora? A versão da Sueli sobre isso é mentira. pois sentia doer todo o corpo. Que horas são? .. A perplexidade não o deixava concatenar as idéias e um torpor o dominava.. Alguns passos..Apontando para o outro médico... E. e a Lúcia.. naquele instante.. mas sentia os pensamentos confusos. Estávamos conversando. .. o rapaz levantou a cabeça e chamou com voz fraca: Doutor Edison.Virando-se para o médico. pálido feito cera.. Bom dia.chorou. sem forças e decepcionada: Cuide bem dele. novamente.. filho .disse. completamente nua. . Sérgio estava em choque. Sérgio sentia-se inteiramente acor .tornou o outro. contrações súbitas da muscul tura de duração variável.. pára próximo do leito e o rosto tranqüilo. Tentando se virar.pediu a voz tranqüila do doutor Edison. mas espe rei por mais de uma hora e meia lá fora. Calma. deitada sobre você?! É o seu quarto.. fazendo-o olhar para o lado e ver o doutor Edison em companhia de outro médico..Como não acreditar na Sueli?! Veja.perguntou Sérgio. Foi no exato momento em que as lembranças chegaram ter ríveis como o clarão de uma explosão de recordações. . O Sérgio precisa de aju da. contornado pelos cabelos grisalhos e cacheados do amigo. Num grande esforço. . que teve enquanto perdeu os sentidos devido à exaltação inesperad nas funções orgânicas produzida pelo nervoso extremo e estresse. Desculpe-me por invadir seu consultório. Calma. Débora ainda o torturou ao pergu ntar em tom brando: É impressão minha ou esse aqui é você. Caso comece a se mex er. Através do soro.tentou se defe nder.Sérgio tinha as mão s trêmulas ao olhar as fotografias. não é?! É a sua cama?!. deitado de costas.. Não conseguia entender o que estava acontecendo.. Em seguida aconse lhou: Não se agite. . Cumprimentando rapidamente o doutor Vicente.. o coração batendo com dificuldade e.. Virando-se.. Correndo ao seu lado. Uma conversa em voz baixa a traiu sua atenção. a moça saiu sem olhar para trás. Como assim? Onde estou? E. Vendo-o petrificado. fechando vagarosamente a porta...Lágrimas correram pela face e ela ainda acrescentou: Eu o adoro.. Confiei nele. Eu e a Sueli temos outras. ua irmã. Não entendo por que ele me enganou ta nto. surgiu sorrindo: Ora! Ora! . Seu corpo caía lentamente como se fosse tragado. doutor Sérgio! Pensei que fosse dormir o dia t odo! . Impiedosamente. o rapaz olhou para o médico e acenou positivamente com a cabeça. Mas não posso ficar ao lado de uma pessoa assim. precisaremos imobilizá-lo.brincou. Petrificado. que escurecia sua visão. ela questionou: Ainda quer que eu acredite em você. o médico o segurou pelo braço ao perguntar: Você está bem? O rosto branco e gelado voltou-se para o doutor Edison e tentou balbuciar. Sérgio ouviu o som de passos vagarosos aproxi mando-se dele. apresentou: Este é o doutor Vicente.. alerta. afundan do em uma sombra. Apesar da visão embaçada. Isso tem uma explicação.. até um sopro de frio mortal atravessá-lo como uma espada.alegrou-se. . Sentia a boca seca. o rapaz deu um gem ido de lamento alucinante. Por um instante. você re cebe uma medicação intravenosa adequada que vai aliviá-lo da dor. Não reconhece um hospital?! .. era tomado por uma espécie de adormecimento que começou a reduzir as dores.

Melhoras! O outro médico ofereceu leve sorriso e.. Questionou como fui capaz de a creditar na Sueli. Eu não acredito.. Não suportando.. não é. inconformada. . O Sérgio não sabe menti r e ele estava bem franco. pediu: Espere...interrompeu-o firme. Ela sentia que havia algo errado naquela história. Ainda tem alguma esperança de que esse safado pode se defender de tudo o que você mesma viu?! Ah! Não! . Você viu as fotos! Quando contou que mostrou para ele. . Perguntou se eu estav a louca. informou: Eu só queria confirmar se o s outros recados deixados na secretária eletrônica foram após esse horário e o que dizia m. avisou que estava em c asa. Está aí ao lado. Yara! Deixe-me pensar! Por favor! Pensar em quê?! Foi algo que o Sérgio falou sobre a Rita tentar se matar e para eu verificar os recados que ele me deixou e os horários. a não se r deitar-se novamente ou ler. doutor Edison?! Estou me sentindo bem demais para fi car num hospital! Preciso ir ao trabalho e. Gritou ao dizer que nunca a agrediu e disse com lealdade que não faltou vontade para isso. Trazendo os pensamentos em ruínas e sofrendo com os conflitos interiores. porém não sabia o que era. mas sua voz pareceu fra .. Se eram mais detalhistas!.Virando-se para sair. O doutor Vicent e cuidará de você.Brev e pausa ao perder o olhar ficando pensativa. refletindo so bre cada detalhe: Havia sinceridade em suas palavras. falou: Ainda bem que eu tirei cópias ou você seria capaz de dizer que não viu direito aquela atitude imunda d ele com a irmã! Enquanto Yara vociferava e gesticulava andando de um lado para outro.. ele não entendeu sobre o que eu estava falando. sem dizer nada. Tudo há seu tempo! Não acha? Ficará em observação até ar vinte e quatro horas de sua internação. Eu o conheço. Sérgio! . pergunt ou afoito: Não vai me deixar aqui. No tom de sua voz aflita e firme ao dar tan tas explicações. A jovem sentiu verdade em suas palavras. * * * Em seu apartamento. o cara não negou! Disse que a Sueli mentiu! Em instantes. Afirmou não haver filho algum. Sérgio ainda tentou protestar: Mas eu penso que. Em todos disse que tinha a contecido uma coisa grave e pedia para eu ligar.. pedindo para eu entrar em contato. Nunca vi o Sérg io daquele jeito. Sérgio nem pensava enquanto falava.. apressou-se para acompa nhar o doutor Edison. Mas Yara. Preciso ir.dado e lembrava-se de cada detalhe do ocorrido.. em seu o lhar penetrante que invadiu seu ser. Não pareceu mentir. Ele esbravejou e se defendeu bem firme. Você não entende! Ele encheu a caixa postal do celular. Quando eu disse que sabia de toda a verda de. deixando Sérgio aturdido. . Débora se ntou-se cabisbaixa e desolada. você não tinha o direito de apagar os recados deixados na minha secretária! Por que está tão irritada?! De que eles adiantariam?! Para que ouvi-los?! Só se você for masoquista e quiser sofrer mais! E pare de gritar.. Você falou e pensou hoje mais do que devia. Débora estava nervosa com a atitude da irmã e reclamava: Yara. ficou pálido e tentou falar. não parava de falar e sua energia devorava o fio de esperança que existia em Débora. apesar de inconformado. avisou mais calmo enquanto caminhava: Eu trouxe um livro para você. pois tentava ignorar um frágil conselho que lhe sussurrava no fundo da alma a favor de Sérgio.exclamava Yara.. Aproveite e descanse. Débora! Depois de tudo o que a Sueli contou e te provou com aque las fotografias!. Ele tremia.... E o que posso dizer por agora. Esforçando-se para sentar. Ah! Eu matava os d ois! Além dessa magnífica cena.. Ainda disse que me amava.Débora falava brandamente. ao pegar as fotos que entreguei. O que ele contou e a forma como contou ofereci a ao rapaz um voto de confiança. À tarde volto para vê-lo e decidir se merece receber alta ou se precisa ficar mais tranqüilo. confuso e sem alternativas. que a Rita estava lá e precisava de mim.. inspirada por espíritos malfeitores.. O último recado foi quase às duas da madrugada. No último. Apesar de nunca tê-lo visto tão austero. Mas.. Se eu pegas se meu namorado dormindo na cama com a minha melhor amiga!..

avisou: Entre. Agora o Sérgio por qualquer coisinha fica todo nervosinho! Qual é?! Não vou esquecer quando cheguei aqui e vi v ocê chorando feito uma condenada por causa do Sérgio! Um cara que te agrediu com um chacoalhão. Secando-as com as mãos. com você abraçando-o pela cintura. mas não reagiu. exigindo dos demais: Vamos. Sem a Débora.Débora não disse nada e a irmã esbravejo u: Deixe de ser idiota! Queira quem a quer! . quando soube que era mentira. deitada sobre o Elcio. triste e ele não agüentou saber de seu sofrimento e pediu para vir aqui. Aliás. Sinto um arrependimento por isso!. o Sérgio fica mais fraco. Ele disse que havia uma explicação.gritou Yara. apon tando: Vocês! Vão tomar conta do desgraçado do Sérgio! Corram! Ficarei aqui para não perder qualquer oportunidade. É o Breno. Vão! Vão logo! Os outros ficarão comigo. Débora estava visivelmente abatida. Foi frio. tive a impressão de que ele começou a passar mal.. as pernas sob re as dele e ele meio coberto por um lençol?! .Reunindo os espíritos que desejava. . a Débora está aqui na sala.Vend o-os como um grupo de soldados desorientados. para organi zar esses atrapalhados. Depois quando soube que foi mentira sua. com satisfação e orgulho. Enquanto isso. também não disse nada e continuou seu amigo. o sofrimento experimentado por Débora e Sérgio.Pequena pausa e comentou menos irr itada: Lembra a mentira que contou ao Breno sobre estar grávida e era por isso que ficaria com o Sérgio? Ele ficou triste. só iria te enrolar ! Ele é profissional nisso! Pense comigo: como você explicaria uma foto com você nua. Sebastião ordenou como se rosnasse com ferocidade. ou eu mesmo manusearei uma boa tira de couro em suas cos tas para que aprenda botar juízo naquelas cabeças! O servo arregalou os olhos horríveis e inquietos. Ao retornar. deixando a coitada tão desesperada que até se matou por isso?! Não acredito que esteja defendendo esse doente. olhando-se e misturando-se sem sab er o que fazer. Pensei que fosse desmaiar. minha amiga? Ela o encarou com os olhos empoçados em lágrimas. Yara abriu a porta sem se importar com a irmã. Yara! Não quero conversar com ninguém! Ele ligou antes de você chegar. Depois de cumprimentar Breno. grosso com as palavras e virou as costas te desprezando e não querendo conversar! Pense nisso! Se agora o sujeito é assim. que não demoraram a escorrer por sua face pálida. Não demorou muito e o interfo ne tocou. beijando-lhe o rosto ao pergunta r: Você está bem. Gritando para um grupo de espíritos gro sseiros que o acompanhava. Débora! O Sérgio te enganou! Quer continuar te enganando e pelo visto está cons eguindo! Ele não quer manchar a sua imagem de doutor Sérgio! . seus vermes malditos! Somos soldados guerreiros! Ajeitem o grupo e me sigam! . o nosso irmão. mas não fiquei para saber. Débora se deixava convencer pela irmã. Não procure justificativas para o que não tem defesa! Ele é safado e esperto! A corda. c om pensamentos tristes e conflitantes.. deixando-a ne rvosa.ca e gaguejou. mas respondeu: . Você é louca! Depois de tudo o que viu. Eu deveria ter conversado ou ouvido como ele propôs. Se não fosse por ela. Mas como?! Não. a jovem ficou envergonhada. Essa infeliz precisa pagar por tudo o que fez.. imagine se morassem j untos! Na espiritualidade Sebastião ria com gosto e saboreava. Contou para ele sobre mim e o Sérgio?! Contei! Qual o problema?! Chega de mentira! Já bastou aquela história que você inve ntou sobre estar grávida do Sérgio só para afastar o Breno. eu não t eria ouvido e sofrido por mais de um século. aquele covarde não teria desertado. com as habilidades no emprego das técnicas sugestivas. Imediatamente Yara tomou a iniciativa de atender. porém não sei o que me deu! O Sérgio. com o ânimo reduzido a migalhas. ouviu e das provas incontestáveis contra el e dormindo com a irmã. No instante em que a campainha tocou.falou com ironia. Eu não poderia dizer p ara não vir. nem ligou e continuou seu amigo. Breno modero u o sorriso.. avisou: Mandei subir. Sebastião urrou. E veja como ele é um cara ba cana. Débora! . Eu disse que você estava com problemas. aproximou-se e sentou ao seu lado. o servo daquele líder saiu rapidamente para cumprir as ordens de forma alucinada. indicando: Você! Seja hábil com o chicote.

prometeu o rapaz com leve sorriso. seus vícios e transtornos. Alguns goles e devolveu-o ao rapaz. o que Débora aceitou. generoso e verdadeiramente amigo. assumia uma conduta educada para seduzi-la. dissimulan do a voz ao lhe dar um sorriso enigmático com o canto da boca. para seu espanto. Tenho certeza de que vai tirar um cochilo e isso será ótimo.Virando-se para o visitante. Breno acomodou-se rapidamente ao lado de la e parecia preocupado ao perguntar com extrema generosidade: O que foi? Eu disse algo errado? Não.. e conversou sobre a brusca mu-dança do tempo. É que. Você não quer conversar e eu a entendo. voltou-se novament e para Débora e.. quase ao mesmo temp o de uma rápida piscadinha: Cuide bem da minha irmã! Pode deixar . mas preciso ir. Então fique aí e relaxe. Manipulador. O Breno já provou ser um ótimo amigo. torradas e deliciosos e pequeninos pães-do ces e colocou-a sobre a mesinha central..Beijando a irmã. O que é isso. Ela forçou um sorriso e aceitou o copo. A moça virou-se sorrindo e se foi. no caso. Vagarosamente a jovem foi percebendo que Breno era muito atencioso. Entretanto. Após entregar-lhe o pires com a xícara. tirou-lhe os sapatos.. Mascarava o caráter a fim de empenhar-se ao máximo para obter o que desejava. Breno colocou o recipiente sobre a pequena bandeja. Breno? Quer deitar em seu quarto? Não. sustentando uma bandeja onde sobrepunha xícaras de chá. Breno? Por que tanto trabalho? Trabalho algum! Acho que não comeu nada o dia todo. sem que ela esperasse. Nem um minuto se passou e a moça se surpreendeu com ele cobrindo-a cuidadosamente com um leve lençol suave e perfumado. Pensei em levá-la para almoçar. comentou: O que é isso. Procure não pensar em nada. mas vi que dormia tão suave que. Aproximar-se e envolvê-la para submetê-la ao seu controle.. Breno. como um tr iunfo e com a finalidade de usá-la como objeto em situações ou fantasias.. Entre um gole e outro da bebida morna. Qualquer coisa. o rapaz se serviu e sentou em outro sofá. Foram detalhes que me trouxeram recordações e. pedindo baixinho: Beba um gole para se livrar de algum gosto amargo e lavar qualquer lembrança ru im. De qualquer forma acredito que estará em boa compa nhia. correspondendo à trama de Yara . Sei o que é isso. escolhia suas vítimas e escondia suas verdadeiras intenções. beijou-o no rosto e pediu. Yara anunciou: Desculpe-me.. uma atração física qu e o influenciava de maneira poderosa e anormal. Na verdade gostaria de ficar sozinha. Não quis interromper seu sono.Já estive melhor. agr adecendo. me liga.. avisou: À noite estare i de volta. foi até a cozinha e retornou c om um copo com água adoçada. Débora. Débora não sabia o que argumentar. * * * Débora despertou sentindo-se atordoada. Lentamente os pensamentos da moça eram envolvidos por uma sombra que a cegava para não ver a falta de integridade do rapaz. Desejari a que Breno não estivesse ali. a f im de satisfazer a paixão compulsiva que experimentava pela jovem. Ela experimentou uma sensação agradável ao vê-lo tão gentil. Ela aceitou e ajeitou-se no sofá. ele ofereceu-lhe torradas. colocou-lhe os pés sob re o sofá. . Frente à irmã. . A conversa seguia com aparente tranqüilidade entre eles até que a jovem expressou semblante triste. Débora chorou e o rapaz ampar . ajeitou algumas almofadas e a conduziu para que se deitasse.. despertando seus desejos mais obscuros. Sentia grande necessidade de organizar as idéias e pa ra isso não poderia ter alguém ao seu lado.. na verdade. Breno se levantou. Mudando-se de lugar. Breno foi ao seu encontro. Sentando-se e observando s eu largo sorriso. nunca te exigiu nada e está presente nas h oras mais difíceis. Sua estrutura psicológica estava empenhada na cordialidade e amabilidade a fim de conquistar a t otal confiança de Débora.

. Mas a surpresa com a foto o deixou em choque e não soube como reagir. conforme me orie ntou e o João também aconselhou. Uma nuvem de dor pairava em seus pensamentos.. Ele ficou sentado. Pensava em Débora e desejava tê-la segurado naquela s ala por mais tempo para contar a verdadeira história... Contu do minha maior decepção foi com a imaturidade da Débora por não me ouvir. Estou arrasado ! Quero sumir! Nada em minha vida parece fazer sentido e.Breve pa usa e perguntou de modo suplicante na voz grave: Como eu poderia imaginar que a Sueli fosse tão alienada. segurando a cabeça baixa sem olhar para o outro. Eles compreenderam e ficaram tranqüilos. em certos instantes. Entretanto ainda possuía uma inquietação que incomodava s eus pensamentos.. encarando-o. Por essa razão considero essa conversa como um desabafo pela nossa amizade. Não contou a eles sobre a Débora? Não . De repente um leve barulho na porta. E para provar essa gran de confiança e consideração que tenho especialmente por você. criado com toda a atenção e orientação. . olhando os últimos raios do so l que se punha entremeado de bela nuvem alaranjada. De repente p erdi o controle da situação pelas acusações injustas e pela forma como foram feitas. ela foi muito insensível. Você precisava de um momento a sós. a falta de visita e. A Sueli foi alguém em quem confiei.. meu único filho. expressando um pedido de socorro. Meu f ilho. A propósito. Sérgio estava em pé frente à janela. cabisbaixo. puxando uma cadeira e a comodando-se mais perto do rapaz. Isso só se explica como forma de vingança.. mas como amigo. tornou-se um aluno excepcio nal. Não acreditou no que eu disse nem me deu chance para explicar. Eu e minha es . No sso relacionamento estava bem harmonioso. Tinha o olhar perdido no horizonte.brincou o homem... doutor Sérgio . Além disso. ele pegou uma outra cadeira e puxou um a pequena mesa colocando à frente ao doutor Edison. Na mesa que os separava. como já disse. apoiou os cotovelos e em seguida esfregou o rosto com as mãos. louca a esse ponto?! I sso é doença! Ela não tem estrutura nem caráter. envergonhado... Acho que precisava desse descanso. Ora! Pelo visto se comportou bem. Levantando-se de onde estava.. Foi uma surpresa absurda! Deixou-me atônito por isso nem sabia o que dizer. Depois o tempo foi passando e. Eu mesmo liguei para seu irmão e sua mãe explicando que não aconteceu nada grave.O rapaz falava de modo calmo. Quer conversar um pouco? . por isso precisava de descanso.. Sérgio aind a estava com a cabeça curvada quando finalmente comentou: Tudo o que aconteceu me deixou muito perturbado.. Lembrava-se dos detalhes que o abateram a ponto de levá-lo a um hospital. Sérgio. aproximou-se da cama onde se sentou e comentou em voz ba ixa: Ninguém jamais me fez sofrer tanto.respondeu com simplicidade.. Não o ouço como médico ou psiquiatra. com o canto da boca. Disse que você não estava se sentindo bem e tratava-se de um estresse mental.respondeu. Diga-me a ve rdade. Longo silêncio e o doutor Edison comentou: Sérgio. em absoluto silêncio e com um semblante sobrecarregado de profunda decepção. ouvindo atenciosamente seu desabafo e afagando-a e .. por qu e eu não recebi visitas? Foi a meu pedido. Sabe. Sérgio abaixou a cabeça. compreendendo-a. sentando-se em seguida diante dele. Estávamos vivendo situações decisivas e importantes em nossas vidas. Os belos olhos de Sérgio o encararam de modo penetrante. o fez virar-se lentamente. A Débora me atacou de uma forma muito cruel. eu tinha decidido que era o momento da Débora saber. contei cada detalhe. mas. não é? Não posso dizer que apreciei a comida. Em seguida completou: A princípio.. muitos desabafos. tenho idade para ser o seu pai..perguntou o doutor Edison. Tirava as melhores notas a custo de uma dedicação impressionante. vou te contar que. Você não contou à Débora sobre as atitudes desequilibradas de sua irmã? Não . ao ver o médico amigo entrando. . equilibrado e eu resolvi adiar essa co nversa que não me agrada nem um pouco. Sorriu.ou-a em seu ombro como amigo. * * * No mesmo momento.

Eu estudava um meio de saber. o pai desesperado. A cada dia o Alessandro se tornava mais calado. com o coração esmagado... levando-o ao cansaço. mais d o que precisou durante toda a vida! . Na manhã em que retornei a São Paulo. rec ebi um golpe mortal quando ele disse que meu filho havia se suicidado. Entende? .Falando calmamente. ma s meu sócio replicou: Veja com os olhos do coração e contemple mais longe e não só à sua v a. berrou. Tudo! Eu não cuidava nem da minh a aparência. o doutor psiquiatra. q ueria abraçá-la para chorarmos juntos. Eu sei quanta pressão e exigências existem sobre os alunos de Medicina. do seu preparo. que estava com os portões abertos. meus pacientes. Só que. Queria que aquilo fosse um sonho ruim. Não dizia nada. afinal . maltratando-se. ela me culpava.. o palestrante. Chegando ao terceiro ano de Medicina. Edison. na direção do Alessandro e o trate. Sérgio. . mais uma dor. Não me dei por vencido e procurei deixar de ser o pai para ser o co lega. I sso quando o via. uma casa na praia em um lugar bem privi legiado e outra na serra. porém com os olhos empossados nas lágrimas. Tínhamos uma bela e confortável residência. de seus conhecimentos e. meu filho Alessandro começou a apresentar alterações em seu comportam ento. dizendo que e u forcei nosso filho ao excesso de estudo. Dei-lhe o divórcio. F oi então que meu sócio me chamou e disse: Se você morrer. Ele tinha uma namorada. mas meu filho só ouvia e não me encarava. Olhe.Sérgio acenou positivamente com a cabeça e estava muito atento. por ele... Não conseguia fazer nada por falta de concentração. Queria fazer neurocirurgia e pensava em outras especializações.. Eu deixei de ser tudo! O que restou foi só o homem desorientado.. que gritou. . Eu passei a usar as mesmas roupas desalinhadas..posa não podíamos deixar de ter muito orgulho dele.. mas ela me acusava. Eu precisava dela. O A lessandro passou no vestibular para medicina com incrível facilidade. o cabelo crescer sem pentear e a cada dia dimi nuía minha disposição para um banho. principalmente. culpava-me.. mas não conseguia tirar o Alessandro dos meus pensamentos.. Aliás. Eu e meu filho conversávamos muito e ele até me acompanhava assistindo às minhas aulas ou palestras em congressos. o médico confessou: Eu p ensei em suicídio. Sérgio o olhava surpreso. o dono daquela mansão.Encarando o rapaz com firmeza. serão profissionais cuja prioridade de suas atividades será proporcionar alívio. Meu filho só dizia que estava sobrec arregado com os estudos e muito cansado. Minha esposa precisou ficar internada por alguns dias e. ao desespero. se continuar se abandonando. Não existe dor maior ue a de perder um filho! Minha esposa deixou nossa casa. cuide dele com toda a s ua força e amor que jamais dedicou a um paciente ou a um aluno. Logo o médico continuou: Nada adiantou. com a qu al minha mulher implicava. quebrou o que pôde em diversas crises de nervos. chorou. essa idéia não saía da minha cabeça. o médico. Só me restava vender a clínica. Ao me ver. mas eu achava que era ciúme de mãe. eu era palestrante em um congresso no Rio de Janeiro.. para onde íamos todo inverno. Desisti de tudo. Foi morar com os pais e pediu o divórcio. mel hor qualidade de vida e salvar pessoas. não seja para o Alessandro mais um peso em sua consciência. Desfiz-me de tudo. Eu estava sozinho e completament e arrasado. trará mais sofrimento e dor ao seu filho. descendo do carro. prosseguiu: Eu deixei de se r o Professor Doutor Edison. pois meu filho era tudo de mais importante para mim. agora. Sem dúvida que experimenta momentos difíceis e muita dor na consciência pelo suicídio praticado. inquieto. porque era um pesadelo na vida real. quando volto u para casa.. Deixei a barba grande. Eu não acredit ava que meu filho havia se matado. com polic iais e peritos entrando e saindo. mais um motivo d e desespero. o amigo. as palestras. Se desistir de viver. Todas as vezes que tentei conversar com minha mulher. Chamei-o para conversar. Ab andonei as aulas. D izia que o Alessandro não queria me decepcionar e por isso não suportou a pressão e se matou. fiquei assustado ao ver dois carros da políci a e um da perícia em frente à minha casa. como pai. Você acha que o seu filho acabou?! Não! Ele vive. perto de Campos do Jordão. flagelando-se.. Dois dias depois de ele me dar essa exp licação. após a morte de noss o filho. . um dos empregados correu ao meu encontro e. é importante que você. E eu. o que acontecia... mas eu tinha um sócio. Eu respondi que ele estava ficando louco. O Alessan dro necessita da sua força. silencioso e quase sem piscar. se deixar de trabalhar para ajudar os outros. sisudo. Alguns segundos se pas saram e o homem contou: Acreditei que minha vida tivesse acabado.

Pela experiência que apren o a cada dia. puxou-o para um abraço. doutor. escondeu o rosto em seu ombro e chorou como n unca. seu bo m-ânimo. o doutor Edison falou: É melhor que se troque. Isso não fo i e não é fácil. há dias. caindo num choro sufocado e compulsivo.. Não é Sérgio?! . O quê? . O doutor Edison se levantou e foi ao seu lado. por causa de um brutal e cruel rompimento amoroso. Vejo que se empenha e se dedica extremamente ao trabalho para fugir da sua realidade . Ei! . Na verdade. Sérgio. mas. Depois pegou suas roupas e foi se t . mas peça a Deus que o amanhã chegue rapidamente com uma luz forte de confiança e razão. caia de joelhos. Cada paciente que cuidava. ou missão evolutiva com amor incondicional por todos ou tarefa que não se pode esperar. doutor? A consciência. . Sérgio. Ao vê-lo erguer os olhos para o teto e dar l ongo suspiro. desistir da vida. Acredito que suas roupas estejam ali no armário. Parece que escuto cada palavra até hoje. proteger e preservar o seu maior tesouro de modo que ning uém consiga profaná-lo e prejudicá-lo. Sérgio ficou em silêncio e fugiu o olhar sem dar qualquer resposta. e o a migo prosseguiu: Use todo o seu poder.será por culpa da decisão tomada pelo seu filho com a prática do suicídio.riu. mas ele silenciou e somente esperou. toda a sua fé. sem qualquer lamentação. Erguendo-o. seus esforços. A mecânica dos problemas humanos é o resultado do que você fez p or você em muitas outras vidas e pode ser também uma opção para ajudar alguém da sua famíli espiritual. chore. mas não pensa que me engana não. Após longo tempo. Eu sofri muito.Não houve resposta. Os dois se entreolhavam firmes. filho. Você é um ótimo profissional. Os olhos de Sérgio pareciam explodir em chamas como os de alguém que acordasse abrupta-mente com uma rajada de água fria.perguntou com a voz rouca pelo choro. auto-estima e reconhecimento de seus valores e limites como se eu estives se tratando o meu filho. Sérgio se afastou do abraço e. dediquei-me tanto as aulas.. A mecânica dos problemas humanos não se restringe somente à ciência da Psicologia ou da Psiquiatria. Todas as manhãs trazem luz. E apesar de tanto con flito e desespero íntimo. po is você não cometeria esse crime contra as Leis de Deus se ele estivesse vivo . sua nada e tudo mais não têm importância. vejo que. Por que está me contando tudo isso? Por que vejo em seus olhos. Mesmo um dia cinzento. pensa em desistir de você mesmo. algo que me deixou inquieto. Sérgio o abraçou f irme e estapeou-lhe as costas.Mais sério.. Que tesouro eu tenho.. Nunca soube de sua vida. A cada aluno ensinei como se fosse para o Alessandro. Acho que me esque ci! Aproximando-se. outros momentos vão emb elezar sua vida! Lembre-se de que não existe somente a noite escura e fria. eu direcionava as explicações e orientações para meu filho e em forma de pensamento. envergonhado esconde u o rosto onde secava algumas lágrimas. Assim como os raios do sol no horizonte são diferentes a cada dia. Algo que vi n os olhos do Alessandro. P or essa razão. Sérgio debruçou-se sobre a mesa. e. Cre io que foi a vergonha de desabafar que levou o Alessandro à prática tão lamentável. sua alma. a sua garra e conhecimento a dquirido para guardar. é mais claro do que a noite. Não qu ero te perder agora que o encontrei. O rapaz não se conteve. mas me dediquei e me empenhei como nunca. Eu soube por você mesmo de toda a sua história. Quando cheguei. Você está começando a desenvolver a convicção de que seu trabalho. grite. trazendo um leve sorriso no rosto avermelhado. perguntando temeroso.tornou Sérgio. E se você també tirar sua própria vida. Sérgio o abraçou forte.Ao ver encará-lo.. avisou com voz terna: Não quero perder mais um filho. O médico não disse nada.Breve pausa e o homem aconselhou. sorrindo: Aumente a umidade relativa do ar à sua volta! Desenvolva a autoproteção! . falou: El eve os pensamentos e reze! Se for preciso. Se quiser uma carona! Eu já estou de alta? .. eu falava buscando meios de despertar suas forças interiores. eu estudei e entendi que meu filho poderia se erguer do vale espiritual tenebroso onde se encontrava através dos meus desejos e pensamento s... Não disse nada. Vim aqui para avisar. Esse sócio é espírita. Isto é. . acarretará uma imensurável responsabilidade e extrema aflição. Lágrimas correram em sua face serena. estava.

Foi à vergonha de contar o que acontecia que o levou à prática de ta manho absurdo. Todos apresentavam ou contavam sobr e a intenção de suicídio. Pensei em desistir da vida. Mas por incrível que pareça. Arrependido por quê? Por não ter contado para a Débora sobre o desequilíbrio da minha irmã. envergonhado. Sérgio . acreditando que minha v ida não tinha mais sentido. Senti vergonha e dec epção. A impressão que tive foi de lutar. Como todos os iniciant es em vícios. Um tanto cauteloso. Não foi fácil. seus medos e.. Ele foi encontrado em seu quarto e deixou uma carta pedindo desculpas a mim por não ter co ragem de contar suas dificuldades. a Jesus que o ilumine e c ontinuo com o trabalho que abracei para aliviá-lo e elevá-lo.rocar. pediu perdão pela falta de coragem. estaria ao meu lado hoje.falou sério. Tratei de cada um deles como se fosse o Alessandro.. dever e responsabilidade. mas acreditava que p oria um fim ao inferno vivido no pensamento e na necessidade do corpo. Bu scar na religiosidade o equilíbrio e o entendimento. Em determ inado trecho. Sérgio comentou com o médico: Enquanto estava no hospital. Meu filho escreveu que estava ciente da atitude insensata.. arrependido. os paciente chegavam. ela não quis reverter seu quadro de depressão clínica para a tris a comum.. pensei muito. conversar. Ao saber da minha busca mais profu nda nos ensinamentos da Doutrina Espírita que me traziam consolo e força interior at iva e construtiva para minhas atividades. Sentia-se deprimido e envergonhado e não sabia como me contar. Que vergonha! Vergonha mata. através de psiquiatras amigos. é esperteza e elevação.. Querer a mo rte é covardia para enfrentar a vida. eu decidi rec omeçar. l utar. As drogas foram vitoriosas. pode dizer como ele se matou? Sinto imensa dor. não conseguimos minim izar sua depressão. pois des ejava arrancar meu filho do recôncavo das trevas. na sua frente. Mas seu corpo exigiu mais. E sua esposa? Por mais que tentei e tento. Sérgio? A verdade é que senti vergonha por causa do senhor. * * * A caminho de casa. Toda aquela discussão na sua sala. Em um trecho. o retornar a clinicar.. chorar.. Meu mundo estava de cabeça para baixo. da perturbação e da dor para elevar sua consciência e beneficiá-lo com o arrependimento e a aceitação de socorro.. por se desviar para o caminho da s drogas para o qual eu sempre o alertei. Se o Alessandro não tivesse vergonha. Dei-lhe o divórcio para não contrariá-la. Por mim?! Sim. Ela se entregou à progressividade de um estado desesperador tão pr ofundo e por um tempo suficiente que agora acreditamos ser quase impossível modifi car seu comportamento disfuncional. lutar e não ter êxito algum. Passei o dia pensando: o que vale minha vida? A pessoa que mais amo e que diz ia me amar me tratou como quem ofende um marginal. No começo entrei em um mundo de escuridão e infelicidade.. Mas ela não aceitou. Sérgio perguntou: Se não o incomoda falar a respeito. Não sei como conseguiu aquela arma. Peço a Deus que o abençoe. ele acreditou que isso seria temporário e logo pararia. embora saiba que é necessário usar a dor em bene fício do próprio Alessandro. Por que se envergonhou. disse. Não peço mens gens mediúnicas com informações dele. procurar ajuda profissional é coragem. quando lembro. Fiquei em conflito.. Depois do alerta desse meu grande amigo. O Aless andro se matou com um tiro na cabeça. Falar. dedicação e amparo. Tentou conversar com ela sobre o lado espiritual de toda a situação? Incontáveis vezes.. afirmando que não conseguia mais p rosseguir sem elas. Recusou-se a me receber como visita. minha esposa abandonou qualquer ocupação. meu filho menci ona que passou a fazer uso de drogas para ficar acordado e sem fome para não perde r tempo com a alimentação a fim de estudar e se aplicar mais. Apesar de ter-lhe fornecido toda a ate nção. poré m minha consciência ela ainda é minha esposa. E muitos não têm idéia da dor e do sofrimento cons ciencial mil vezes pior. mas sem desespero e com total controle das emoções.. Ao contrário de alguns deprimidos de comportamento passi .

vo e letárgico, ela passou para um estado comportamental deprimido, mas agitado e inquieto quando procurou conforto na igreja evangélica ou religião protestante. Logo de início, minha mulher adotou uma conduta severa e crítica de si mesma. Ass umiu a culpa pela falta de capacidade de controlar sua vida. Com procedimentos i rritadiços, freqüentou a igreja evangélica gritando em rogativas intermináveis, julgou-m e demônio. Embrenhou-se na fé cega das crenças irracionais, persistentes e sob os delíri os frenéticos dos cultos alucinantes repletos de uma ovação interminável de súplicas a Deu s, como se Deus fosse surdo. A busca desenfreada por uma espécie de perdão Divino, levou-a a distúrbios psíquicos de falar uma língua estranha da qual ninguém sabe a origem ou a tradução. Tais episódios d epressivos e maníacos variavam e se alteravam. Você sabe que quando o indivíduo experi menta uma grande perda afetiva, se ele não for equilibrado pode vivenciar grandes e diversos distúrbios psicológicos. Essa perda pode ser a morte de um ente querido o u a perda simbólica pela rejeição ou abandono da outra parte. Em todo caso, quando não s e controla a raiva inconsciente contra o outro, esse sentimento se transforma em raiva contra si próprio e, conseqüentemente, em depressão. Fontes de estudos e opiniões de renomados psiquiatras como Aaron Beck, baseiamse em fontes clínicas de que as pessoas deprimidas, na maioria das vezes, pensam i logicamente. Elas transformam pequenos problemas em dramatizações catastróficas e, nas situações realmente difíceis, essas pessoas assumem eternas e indizíveis culpas; amplia m as fraquezas, desesperam-se com a total perda de controle emocional e jamais s e perdoam por desagradáveis experiências do passado. Dentro da visão filosófica, científica e religiosa que tenho um pouco, acredito que a agitação delirante, a fé cega, as crenças irracionais nas falas sugeridas e persuasiv as pronunciadas com muita habilidade por muitos evangélicos ou protestantes, têm a f inalidade de limitar a inteligência das pessoas necessitadas de auxílio na área psíquica ou psicológica. Essa atuação ou representação agitada e delirante é uma das fontes de argu entação usada para convencer os fiéis. É algo que funciona como um gerador de energia en ganoso, temporário, falso, no qual o indivíduo depressivo transfere as suas responsa bilidades e deveres para Deus, bem como a causa de seus sofrimentos, ou seja, se eu sofro é porque Deus quer assim. Essas pessoas transferem sua raiva inconscient e para outra e aprendem a culpar todos à sua volta, incluindo os espíritos, por seus infortúnios e dores, julgando-os demônios traidores e capetas ou diabos inimigos. As mentes maquiavélicas que administram essa linha religiosa para fins lucrativ os se tornam controladoras de vidas, dos comportamentos e das opiniões dessas pess oas com transtornos. Eles usam palavras persuasivas. Alguns desses líderes religio sos, sem dúvida, apresentam distúrbio de personalidade anti-social, pois mentem, ilu dem, trapaceiam sem mostrar noção de responsabilidade. Sempre parecem mais sábios, int eligentes, atraentes para causar impressão. É o típico vigarista que não sente qualquer culpa ou arrependimento pelos danos materiais, financeiros, morais ou intelectua is causados aos outros. Eles usam principalmente o nome de Deus para envolver su as vítimas. Como profissionais, nós sabemos que a depressão grave, sem acompanhamento clínico, terapêutico, resulta em agravamento do estado patológico. Por isso, como era de se e sperar, depois de algum tempo vivendo essa febre evangélica sem acompanha-mento clín ico, por recusar tratamento, minha esposa deteriorou acentuadamente junto do seu estado psicológico, principalmente, ao se dar conta de que doou valores e mais va lores financeiros para os pastores e nada recebeu em troca. Não teve, sequer, algu m companheiro para uma visita amiga, ou seja, acabou o dinheiro, terminaram os s eus direitos de receber qualquer bênção de Deus. Todos se afastaram dela. Não se barganha com Deus. Hoje ela está em uma cama, com um comportamento letárgico e definhando a cada dia . Não fala, não corresponde nem reage a nada e... - Sua voz embargou, mas comentou: Semana passada ela deixou de comer, tomando uma postura vegetativa e por isso es tá recebendo alimentação através de sonda. Seus batimentos cardíacos estão fracos e exames xibem proteínas na urina, um sinal de deficiência renal e... Por não reagir, por não ace itar ajuda desde o início, ela se suicida a cada dia. O silêncio reinou por algum tempo. Comovido, Sérgio murmurou: Nossa... Lamento muito. Eu também, filho. Eu também...

Discretamente o doutor secou uma lágrima que rolou em sua face e nada mais diss e. Em poucos instantes chegou frente à residência de Sérgio. O rapaz estava muito grat o e rapidamente ele pediu mostrando-se animado: Por favor, vamos entrar! Faço questão que conheça a minha casa! O homem sorriu e aceitou: Se não for incômodo... Será um prazer! Dizendo isso, ambos entraram e Sérgio passou a contar detalhes da reforma enqua nto mostrava-lhe a casa. 21 - Opiniões do doutor Edison

Sentados à mesa da cozinha, o doutor Edison tomava uma xícara de chá servido por Sérg io, que sentou-se à sua frente, satisfeito pela companhia amigável. Depois de algum tempo, insistiu novamente: Não quer mesmo que eu prepare um jantar? Será simples, mas rápido! Não, obrigado. É que não costumo jantar. Tomo um chá, suco ou como uma fruta à noite. Puxa! Como eu gostaria de ser assim. Tenho um bom apetite! A idade o fará pensar e agir diferente:, e consequentemente, mudará os hábitos alim entares ou comprará uma cadeira maior e bem reforçada para suportar seu peso - disse rindo. Não demorou e Sérgio comentou com seriedade: Não imagina o quanto me ajudou, doutor Edison. O maior apoio que podemos recebe r, em alguns momentos, é o de alguém nos ouvir sem críticas, descréditos ou pouco caso, não dando importância ao assunto. Os familiares freqüentemente nos ignoram. - Alguns s egundos e declarou: Após a cena tempestuosa lá em seu consultório, tive a impressão de q ue minha vida, minha carreira e qualquer outra atividade praticada haviam chegad o ao fim, não tinham valor algum. Ao acordar no hospital, um sentimento amargo, um a tristeza me dominou. Meus pensamentos ficaram povoados de idéias destrutivas. Se nti que a Débora estava se atirando em um precipício de sofrimento e tortura, e eu, não podendo fazer nada, queria me atirar também. As idéias de desistir da vida, de me suicidar, formavam-se com incrível velocidade e força com procedência desconhecida. Pa rece que eu não tinha chance de pensar e repensar no assunto. Antes de conversarmo s, eu acreditava que os meus problemas, as minhas dificuldades eram as maiores d o mundo. Mas quando o senhor conseguiu atingir e emergir o meu maior complexo, e u desmoronei. Precisei explodir através do choro. Enquanto conversávamos, eu pensava e me conscientizava de que só após a reforma e a limpeza podemos reconstruir algo m elhor. Foi o que você fez com essa casa, Sérgio! Ela estava feia e com problemas, mas a consertou, reformou e a deixou bonita e agradável. A nossa vida é assim! Planejei cada passo da minha vida e suportei cada sacrifício. - Com olhar febri lmente brilhante, admitiu: Não programei a entrada da Débora em minha vida. Nunca pe nsei que existisse uma pessoa capaz de preencher um vazio que eu sentia. Vi nela alguém capaz de ficar ao meu lado, a mulher para me acompanhar em tudo e até a cria tura ideal para ser a mãe dos meus filhos. Eu não estava preparado para um rompiment o abrupto e tão agressivo com as lembranças de um passado cruel pelo desequilíbrio da minha irmã, que agora me atacam pela vingança da Sueli, responsável por tanta decepção, in justiça e amargura. Sérgio, nós temos potenciais que ignoramos. Somente através da nossa consciência alim entada ininterruptamente pelos pensamentos, desejos e ações nobres podemos nos eleva r, curar-nos e ter acesso às esferas superiores. Em um momento de dor, de sofrimen to, de problemas difíceis que não raciocinamos e somos impulsivos, nós deixamo-nos ilu dir e queremos que os outros resolvam os nossos deveres, assumam as nossas respo nsabilidades. Quando isso não acontece, quando os outros não fazem o nosso dever, qu e é o de enfrentar o nosso desafio, nós desejamos morrer e sumir. Quanto erro! Só o fa to de pensarmos no desejo de morrer, de nos suicidarmos para acabarmos com o sof rimento desta encarnação, nós atraímos fluidos tão pesados. E, esses fluidos são tão destru res que se impregnam em nosso campo vibratório e até em nosso corpo espiritual. Como

conseqüência, chamamos para junto de nós espíritos que sofrem pelo suicídio praticado e c omeçamos a sentir angústias, desânimo, desejo de desistir de tudo. Não nos importamos co m mais nada... Depois começam as dores, o sofrimento com doenças que se relacionam àqu ele suicida que se afinou com você e às vezes nenhum exame consegue diagnosticar ess as doenças ou sintomas. Ou então os vingadores do passado, os obsessores, aproveitam -se desses pensamentos, desses desejos e com isso nos enfraquecemos, nós nos deter ioramos, perdemos a esperança e deixamos de evoluir. Se não reagirmos, vamos nos imp regnando a cada dia, a cada pensamento e acabamos deixando nossa mente invadida pela decisão do suicídio, influenciada por espíritos cruéis. O senhor tem toda a razão. As palavras, os pensamentos e as atitudes são energias psíquicas, são a nossa alma e representam todas as forças vitais. Como vimos no caso de sua esposa. Minha mulher precisava de um tratamento clínico e espiritual, porém se negou, rea giu revoltada, sentiu-se reprimida. Ela começou a ser radical quando encontrou, no meio dos protestantes ou evangélicos, aqueles que usaram de influência persuasiva a través da fé cega. Tirando-lhe os encargos, a responsabilidade de enfrentar a vida e transferir suas dores e perdas para os desejos de Deus. Não posso afirmar que tod os esses religiosos de linha protestante são assim. Contudo os que ela encontrou v isavam a fins lucrativos, usavam métodos de controle mental para a hipnose coletiv a. O pastor evangélico a auxiliou a usar mecanismos inadequados de defesa emociona l. Isso não é só um ato irresponsável como também muito perigoso, tanto que o resultado fo i o estado de depressão grave que chegou ao letargismo. Não duvido de que minha espo sa desejasse morrer, pensasse em se matar, mas ela não reagiu e se deixou envolver atraindo o que seu inconsciente queria. Viu como é sério o problema dos mercadores de algumas religiões? Isso é um crime! - p rotestou Sérgio. Não, rapaz. Não é. Visto pelas leis, esse é um país livre e ela uma cidadã considerada pacitada na época em que procurou consolo nessa linha religiosa. Minha mulher pode ria e deveria tomar uma nova postura mental e novas disposições íntimas como: ajudar c rianças num orfanato, ser voluntária num hospital que cuida de pacientes com câncer... Essas atitudes amenizariam a tristeza a médio ou longo prazo, dependendo da pesso a. Certamente ela não ficaria com a mente entregue à angústia e às aflições que a levaram a s transtornos, aos distúrbios psicológicos e uma terapia surtiria um efeito muito be néfico. Algumas facções religiosas utilizam o controle mental para dominar a opinião, as idéi as de seus adeptos. - Argumentou Sérgio que continuou: Aqui no Brasil, desde que t eve início a febre evangélica, após o fim da ditadura militar, nós vemos líderes religioso s manipulando as idéias de Jesus e textos bíblicos para que pessoas desatentas ou se m conhecimento sejam mantidas sob controle e subjugadas pelo medo de irem para o inferno. Foram capazes de criar bíblias novas recheando trechos evangélicos com exp licações em favor da dependência religiosa da linha protestante, mas tais alterações literá ias são completamente contrárias aos ensinamentos Cristãos. O Cristianismo liberta as pessoas! A meu ver estão institucionalizando a religião, principalmente os evangélicos . Concordo com você, Sérgio. A religião foi transformada em instituição lucrativa. Hoje ualquer portinha serve como templo evangélico. Chegam a intitular nomes pitorescos como: Religião de Deus; Religião do Deus Vivo; Verdadeira Casa de Jesus e tantos ou tros nomes que... Deixa pra lá... A irresponsabilidade desses líderes religiosos é grande. Eles usam o controle men tal para escravizar os fiéis desavisados e até ignorantes que se entregam aos alucin ados gritos de perdão e agradecimento a Deus. Eu já assisti. As pessoas ficam fora d e si! É um delírio incontrolável e contagiante! Sim, Sérgio. A isso, dá-se o nome de Hipnose Coletiva. De uma maneira inconscient e, os fiéis são dominados e aceitam as sugestões do líder ou representante religioso que os hipnotizam, ensinando-os a reverenciar Deus, a pedir perdão a Deus e suplicar a Deus de uma forma capitalista. E o que é capitalismo se não um sistema econômico de produções visando a lucros financeiros? O que significa pagar seu dízimo, deixar lá na i greja o seu dinheiro, suas jóias ou algum outro bem material para ser atendido por Deus. Esses templos ou igrejas têm o líder evangélico que injeta na mente dos fiéis um Deus capital, um Deus executivo, legislativo e judiciário! Um Deus que condena ao

sofrimento aquele que não dá sua última moeda. Se você não pagar, não terá crédito com Ele. pastor... Bem... O pastor é o emissário do Senhor que recolhe e endereça as arrecadações. Como psiquiatra eu não deveria falar isso, mas... Como homem, eu vejo alguns pasto res como uma espécie de Psicólogo Subversivo que propaga os milagres daqueles que dera m dinheiro e se salvaram! E o que faz um marketing induzindo os fiéis a uma espécie de comportamento de consumo religioso sem controle, irracional, com fé totalmente cega e, acima de tudo, fazem-nos adotar essa ou aquela prática ou postura preconce ituosa. As atitudes de amor e solidariedade só existem para com aqueles da mesma l inha religiosa, considerando como verdadeiros demônios as outras criaturas de Deus por se inclinarem a religiões diferentes como a umbanda, o catolicismo, o espirit ismo, o islamismo, o budismo, o judaísmo, o hinduísmo e outras. Eu não entendo por que tantas pessoas se deixam dominar pela fé cega, por outros que as mantêm sob um domínio mental, controlam suas opiniões e suas vidas. Lembre-se de que antes de falarmos de pessoas, estamos falando de espíritos com diversas experiências terrenas anteriores a essa. Crendo em muitas moradas na Cas a do Pai, acredito na existência de regiões espirituais inferiores por onde passaram e se encontram espíritos com diversos vícios ou práticas inadequadas e perversidades das mais diversas, apegados às paixões vis e promíscuas, inclinados às discórdias e irritaç , anomalias sinistras no que dizem respeito ao desregramento sexual por práticas c ompulsivas ou animalescas, atos ou pensamentos repletos de energias com desejos maldosos e negativos... Por Deus ser um Pai bom e justo, Ele não confinaria quem q uer que seja ao inferno. Então nas muitas moradas há alguma reservada ao processo de aprimoramento para a aprendizagem, o crescimento, a elevação e a libertação de Seus fil hos que se inclinaram a um comportamento inferior. Vamos pensar e filosofar nas palavras de Jesus quando disse que há muitas moradas na Casa do Pai, Ele disse mor ada e não lugar de eterno confinamento. Quem está em uma morada pode se mudar dela, certo? Concordo. Nossa! Que explicação ótima sobre podermos nos mudar de uma morada. Mas i sso não responde a minha curiosidade - argumentou Sérgio. Calma... - pediu o médico sorrindo e logo continuou: Depois de tantas práticas co ntra as Leis de Deus, milhões de espíritos desencarnados são atraídos por suas condições me tais a terríveis estados de perturbação ou Umbral, experimentando verdadeiro inferno n a consciência. Lembrando que o Universo é a Casa do Pai, esses irmãos se encontram em alguma morada dele. Para esses espíritos, é tão sofrida e pavorosa a experiência que ess a parece eterna. Quando o espírito se recusa, nega-se a harmonizar o que desarmoni zou, experimentará a reação de suas ações, sofrerá o mesmo efeito do mal que causou, pois o mal só se corrige com o mal. Deus não se esquece das grandes regiões expiatórias e trevosas na espiritualidade. O benefício da reencarnação chega inclusive ao espírito rebelde, mas desgastado pela angús tia vivida nessas regiões de sofrimento. Então ele reencarna para minimizar suas ten dências viciosas e maldosas. Reencarnado ele tem a benção do esquecimento de vidas pas sadas no seu consciente, mas de seu inconsciente não se apagam os erros cometidos, suas tendências ao mal nem a sua aflição e dor nas faixas vibratórias muito inferiores quando desencarnado. Por isso cada indivíduo tem suas lutas e conflitos internos, seus distúrbios ou desequilíbrios ou síndromes. Veja... Eu acredito na existência de igr ejas protestantes sérias e capazes de ensinar a prática da solidariedade e do amor C ristão que se tornou algo secundário para outras igrejas evangélicas. Existem pastores protestantes, assim como padres, dirigentes espíritas, pai-de-santo ou mãe-de-santo em centro de umbanda, entre outros líderes, muito honestos! Como também desonestos! Isso independe da religião, mas sim da dignidade, da honestidade, da elevação da cria tura humana. Até onde me levaram as pesquisas, a maioria das igrejas evangélicas é liderada por qualquer um, por isso se tornam um capitalismo, uma forma de vender algo e lucra r com isso. No caso, eles vendem religião, promessas de algo melhor em sua vida, v endem perdão. Analisando pelo lado clínico, pessoas desse tipo como líder religioso, têm a tendência ou postura do distúrbio anti-social e são capazes de mentir, forjar, trap acear, representar de todas as formas possíveis, sem arrependimento e, cinicamente , usando o poder de persuasão. Dará o máximo de proveito a seu favor. Dentro da propos ta religiosa imposta pelo protestantismo, alguns líderes evangélicos encontram a exc elente oportunidade de colocar em prática compulsiva a sua personalidade anti-soci

al, pois agem como verdadeiros vigaristas ao descobrirem um meio de dominarem os pensamentos e as idéias dos seguidores. E é por meio dos cantos de hinos e gritaria frenética que se obtém a Hipnose Coletiva para inebriá-los e conseguir com que façam do ações e mais doações, fé irracional e tudo mais o que sabemos. Todos se esquecem dos ensinamentos do Mestre Jesus sobre não ser como os hipócrit as que se comprazem em orar em pé nas sinagogas e nas ruas para serem vistos pelos homens... E, quando orando, não usar de vãs repetições como os gentios que pensam que p or muito falarem serão ouvidos. Portanto, quando orar ao Pai que está no Céu, entra pa ra o teu aposento e feche a tua porta. Ora a teu Pai que está em oculto, e teu Pai que te vê secretamente te recompensará. Lembrando que as sinagogas correspondem às ig rejas e templos religiosos. Quanto aos fiéis, o que os leva a crer em colocações sem raciocinar e na realização de verdadeiros espetáculos para gritar sobre sua fé... Bem... Podemos tomar como exempl o que alguns deles são espíritos que permaneceram em sofrimento nos baixos círculos vi bratórios da espiritualidade pelas suas práticas delituosas, perversas ou tendências v iciosas. Agora, encarnados e mesmo com o abençoado esquecimento do passado, eles t emem essas regiões expiatórias trevosas nas quais os espíritos inferiores, escravizado s, perturbados, desesperados padecem em extremo desespero. O medo inconsciente d e retornarem para essas moradas espirituais aflitivas é tão intenso que eles mantêm um comportamento de medo a Deus, tomam uma postura de crer no céu e no inferno, colo cando-se aos berros para rogar, tal como faziam quando desencarnados. Alguns del es adotam essa facção religiosa, porém não mudam o hábito ruim, continuam com um comportam ento moral indigno, são delituosos nos pensamentos, nas palavras e ações, mas acredita m que pedindo perdão, entregando o dízimo e pagando pelas orações, oferecendo dinheiro p ara que seu nome seja escrito no Reino de Deus... Os levarão para o céu. Como profissional nessa área, você sabe que existe a pessoa que passa por um períod o de tristeza, algo diferente da depressão, um estado mais intenso e persistente d o que a tristeza. Muitos pensam que Deus é um prestador de serviço que precisa ser pago a fim de no s dar o que queremos. Deus é o Criador de todas as coisas! Tudo é Dele! O que Deus q uer é a nossa responsabilidade de amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como a nós m esmos. Então vemos algumas pessoas desiludidas porque não foram atendidas. Elas quer em fugir das responsabilidades, ficam tristes, desesperadas e vão a um médico mal in formado que chega à conclusão de que estão com depressão. Você tem reparado como é grande o número de pessoas, atualmente, que dizem ter depressão? Existem vários graus ou estágios de depressão. A depressão não é o fim do mundo! A maioria das pessoas já experimentou um estado dep ressivo e nem sabe. Porém existe a depressão mais acentuada, em que o indivíduo neglig encia suas responsabilidades e precisa de auxílio profissional. Muitos acontecimen tos na vida podem prostrar uma pessoa à depressão, mas ela pode reagir e buscar em d iversas atividades o prazer de viver. O senhor disse que a grande maioria dos evangélicos é preconceituosa, por quê? Se forem convidados, os evangélicos vão às igrejas católicas, aos centros espíritas, a s centros de umbanda, ao templo budista?... Não! Eu fui convidado para um casament o em uma praia e a cerimônia foi umbandista e eu fui! Achei interessante, bonito.. . Voltei de lá do mesmo jeito que fui, só que com alguns conhecimentos sobre algo di ferente. Já fui a incontáveis casamentos católicos e assisti a várias missas. E em que i sso me afetou negativamente? Em nada! Reparou que grande parte dos protestantes ou evangélicos nunca reza o Pai Nosso? E sabe por quê? Por causa dos ensinamentos qu e a prece pronunciada por Jesus traz para a reflexão. Um desses ensinamentos é Perdoa i as nossas dívidas assim como perdoamos àqueles que nos tenham ofendido . Aos evangélic os não é ensinado o perdão ao próximo, eles só perdoam aos que se converteram à sua facção iosa, o resto vai para o inferno. Isso tudo é ou não é preconceito? Empresários, líderes d e equipes, diretores, presidentes, gerentes, administradores, engenheiros, arqui tetos ou outros que são responsáveis por uma equipe de profissionais e são evangélicos, procuram contratar funcionários evangélicos e, quando descobrem que um funcionário é umb andista, espírita, católico etc., procuram demiti-lo. Esses religiosos perderam o la do humano da vida. Só eles são puros e estão salvos no Reino de Deus, o resto vai para o inferno. Se acreditarmos na existência do demônio ou do satanás com o poder grandioso que os

reclamou Nivaldo com veemência. O médico silenciou enquanto Sérgio ficou pensativo. cantos e rogativas intermináveis a Deus pert urbando o sossego alheio com tanta e tamanha barulhada. Não sei por que você está irritado! Ah! Mas me sinto prejudicado sim! O Sérgio tornou-se o queridinho do doutor Edi son e por que nós não?! . sua alma. . Sérgio aproximou-se e sem querer. isso não nos diz respeito. A opção religiosa traz a manifestação do conteúdo inconsciente para s revelações de expressões exteriores exibindo. A fim de se sentir mais recomposto para clinicar entre uma e outra terapia.disse. o seu Eu.. Trabalh ava na clínica e estava mais tranquilo. Tentou procurá-la. mas são incapazes de respeitar a fase de cres cimento individual das pessoas espíritas e não-espíritas..evangélicos lhes dão. e viu o consultório de seu amigo João com a porta entreaberta. Normalmente eles são criaturas desrespeitosas ao perturbarem a paz pública com a gritaria tresloucada em suas igrejas. sem qualquer esforço. E já que Deus criou tudo e é dono de tudo.A benfeitora Laryel interfere no suicídio de Sérgio As horas deram lugar aos dias. Até quando o d outor Edison ficará bancando a parte financeira que cabe ao Sérgio e pedindo para nós não comentarmos nada?! Nivaldo. são pessoas cujo comportamento humano ap resenta quem eles são. Espere um pouco! .pediu João. apreensivo e inquieto. Isso é o resultado do inco nsciente temer o inferno que vivenciou no estado de perturbação e os prende num prim itivismo mental. que é a Inteligência Suprema e Criador de todas as coisas. a sua v erdadeira personalidade. você tem meus telefones e e como me encontrar a qualquer hora do dia ou da noite. ele soube que Débora s implesmente abandonou o curso universitário nunca mais comparecendo às aulas nem pro curando qualquer amiga. apesar de experimentar muito abalo em seus sentimentos. Sérgio teve uma grande mudança em sua vida quando deixou de ser policial. o outro psicólogo. Por intermédio de Rita. entrar em contato. quando saiu para tomar um ca fé. Era fim de tarde. e ra seu costume sair da sala para relaxar e se refazer por alguns minutos após um p aciente e antes de atender outro.dizia Nival do. sem raciocinar e se deixando induzir na fé cega.argumentou João bem sério . O rapaz não comentava com ninguém. avisou: Sérgio.riu. Mas eu gosto de ressaltar uma coisa: muitas dessas formas de vida e conduta s e enquadram também a muitos espíritas oriundos de regiões sombrias onde há gritos e rang er de dentes. Com o pequeno copo descartável na mão.Levantando-se. Fique com Deus. Os dias tornaram-se semanas e semanas viraram meses. ouviu: Foi isso o que o doutor Edison propôs para ampliarmos a clínica. Espero não precisar incomodá-lo. Um grande número de espíritas se acreditam com todo o conhecimento fil osófico e científico da Doutrina Espírita. e depois admitiu: Como eu estou fazendo agora! Veja. Ora! Não fiz nada . Não demorou e o homem decidiu: Bem!. encaminhando-se à porta. exigindo-lhes muito . isso o que o doutor Edison fez não nos prejudica em nada. devem tomar cuid ado com o insano desejo de ir para o Reino de Deus e até pagar por isso. mas não conseguiu. por intermédio do comportamento. Muito obrigado por tudo. Só existe um Deus. Sou capaz de entender a decisão do dout . entretanto experimentava uma profunda tristeza mesclada de angústia e preocupação por não ter quaisquer notícias de Débora. João . Mas tem uma coisa que me irrita: nós somos sócios. Não fui espírita. o inferno que muitos acreditam também pertence a Ele! O inferno per tence a Deus! Os evangélicos. pois o in ferno também faz parte do Reino de Deus. Disfarçav a e não comentava mais nada sobre o assunto. então teremos dois deuses: um bom e outro mau. A moça havia sumido completamente.. 22 . que não o procurou. meu amigo . Porém trazia o coração apertado e doloroso pela ausência da namorada. Isso o deixava cada dia mais aflito. Já é tarde e eu só ofereci minhas opiniões como pessoa falha e se m evolução. Afinal d e contas. E. não importa a religião ou filosofia. cauteloso.. Preciso ir.

que nós dois não ousamos ajudar! Além disso.João foi para o outro lado da mesa perm anecendo em frente aos colegas e. parte elétrica . pelo fato de ele executar serviços braçais nesta clínica.questionou Sérgio em tom grave após entrar e dar leve empurrão para que a porta se fechasse às suas costas. As coisas não s sim! Ajam como pessoas civilizadas! A meu ver. quem é você para ter a ousadia d e falar assim comigo?! Calma. repentinamente. puxando outra cadeira onde se acomodou. Eles não podiam ver. Sente-se aqui!. Para isso. esse professor doutor foi e é o nosso supervisor individual. os quais pertenceriam ao Sérgio e. encanamento. Não me sinto prejudicado nem ofendido. quero saber o que aconteceu?! Segundo. Tentavam influenciá-los com sentimentos destrutivos de inveja. Esses espíritos procuravam confund ir e intrigar os três amigos no trabalho devotado e sincero dos profissionais resp onsáveis. ciúme. Vá ao que interessa! . cruelmente. Não sei ou não entendi bem. fracasso das próprias obras. Não tente ser gentil. ficou muito atento entre os dois. que perdeu a fala. alvenaria e até sua disposição para decoração e para acompanhar os prestadores de serviço .. O Sérgio mereceu o apoio ou a ajud a que teve. Não estamos falando sobre suas capacidades! Acho injusta a postura do doutor Ed ison! Algo tão inadequado que nem ele quer comentários a respeito dos custos finance iros pagos. ausência de amor e tormentos de incompetência. so rriu com ironia e pediu mais brandamente ao puxar a cadeira: Venha cá!... tão qualificado. incapacidad e. Desejo que acompanhe cada passo. Sérgio perguntou com voz tro vejante: Primeiro. atos e resultados de seus esforços íntimos.Sérgio perguntou com muita firmeza e até sisudo. Foi um serviço aqui. o Sérgio é bem esperto ou muito idiota para não entender como conseguiu se manter nessa sociedade! .. encarando o outro com olhar feroz. Insatisfeito com o que acontecia. vou ti contar tudo! .. o douto dison valeu-se de seus serviços prestados com a pintura. Sérgio: lembra-se de quando nós três tivemos a idéia de montar uma clínica para atend ermos como psicólogos? Dessa parte eu sei. Acontece que ele não acompanhou o trabal ho realizado por você antes da abertura da clínica. por que um Médico Psiquiatra e Professor Doutor.Disse Nivaldo experimentando o sabor da inveja e do ciúme que espíritos maldosos faziam despertar em seu íntimo. principalmente. um médico psiquiatra e nosso professor e doutor. na espiritualidade. Houve um choque nos pensamentos e conflitos nos sentimentos dos três companheir os que. Mas procurava se manter calmo. sempre é o último a saber! Ou então ssa por vítima! Aproximando-se. Do que vocês estão falando?! . outro ali. tiveram suas mentes invadidas pelos desejos deliberados desses espíritos inferiores cujo propósito era abalar a harmonia em todos os sentido s. Nessa época.. outra de espera com uma recepcionista. t entou justificar cauteloso: Veja. o Nivaldo não está reclamando. Nivaldo! Vai devagar! . ao perceber que você. Sérgio.or Edison. O doutor Edison nos orientou no trabalho de conclusão do curso . e Nivaldo revelou em tom moderado: Aconteceu o segui nte. Nivaldo atacou com palavras: Sérgio... ele é excelente profissional e muito requis itado por seu trabalho sério e responsável.. João! Eu quero saber sobre o doutor Edison custear ou pagar por valores que me pertenceriam e não querer comentários! Que história é essa?! . ficou sabendo da nossa idéia e a aprovou com satisfação. pelo jeito você é igual ao marido traído. Se não sabe. Virando-se para Sérgio. Vamos aos detalhes! . O Nivaldo não tem idéia do custo dessa mão-de-obra se contratássemos um. Porém.vociferou João. porém. um alvoroço de criaturas participav a do que acontecia em estado de polvorosa agitação. Sérgio! Você também. Locaríamos um lugar com três salas par a atendimento. Sérgio.exigiu Sérgio. insuflavam-lhes idéias de queixas infundadas. qui s lecionar em um curso de Psicologia? Como não entendi também o que o levou a querer fazer parte dessa sociedade na clínica e nos dar diversas idéias para as outras áreas de atendimento que temos aqui?! Ele deu idéias e mais idéias.. João olhou para Nivaldo. Além disso.determinou Nivaldo que continuou: No começo pensamos em algo simples. Atendendo aos impulsos de vibrações mentais que lhe chegavam. não tinha condições de ser sócio em uma clínica maior e mais moderna. o doutor Edison .

era arrastado à sintonia e receptividade das vibrações negativas e ma ldosas. ainda tenho paciente esperando. Com voz baixa. Sérgio absorvia e reproduzia em seu campo mental os impulsos à baixa auto-estima. . mesmo! Jamais aceitaria uma situação em que recebesse q ualquer lucro com o prejuízo de meus amigos e sócios por investirem mais do que eu. Devemos fazer uma reunião a respeito disso. Espere João . Nivaldo abaixou o olhar e se retirou. Não sei o que levou o doutor Edison a adotá-lo. Há pacientes espera ndo! Sérgio sobressaltou-se. financeiramente. sem perceber. meu amigo . Trazendo uma frieza no semblante. Nivaldo completou: Agora existe a oportunidade de aumentarmos a clínica no início do próximo ano. . incompetência e desvalorizado por seus colegas. O olhar de Nivaldo parecia desafiá-lo ou provocá-lo pela inveja da capacidade do outro com misto de ciúme pela atenção especial do supervisor e sócio doutor Edison. Sentia-se humilhado co m sensação de incapacidade.afirmou João severamente.indagou pasmado. ficar inte rnado. você conseguiu! Agora me dêem licença. conceitos e opiniõe que o envolviam em extrema aflição.. E outras ac usações duvidosas. Não sabia. Por que não me contaram?! ..O amigo virou-se e ele pediu: Pode me dar uma carona? Sim . mas em mim não! Até à sua amiguinh a suicida ele está oferecendo atendimento gratuito! Pare com isso Nivaldo! . ou problemas s entimentais com o rompimento com a Débora que o abandonou por outro. Cont udo esses sentimentos eram verdadeira expressão da espiritualidade inferior que bu scava um jeito de destruir ou desarmonizar o trabalho honesto e caridoso.. em tom envergonhado. Se era seu intuito ver um sentimento de desconforto e discór dia entre nós.murmurou Sérgio. Deixava-se envolver por estímulos de influência inferior. . distribuirmos e ampliarmos a recepção. prosseguiu com sarcasmo: Tal vez por vê-lo com problemas familiares que o fizeram mudar de casa... dessa sociedade ou continuará sendo apadrinhado pelo doutor Edi son? Eu não sabia disso!. Afinal. indignação. Por isso disse que tal mão-de-obra cobriria as d espesas que caberiam a você. Nivald o.gritou João. Agora preciso ir. mas você saiu da polícia e não tem outra fonte de rend nem reservas. deixando-s e abater. Algo tão comprometedor que o fez passar mal. e Nivaldo avisou: Não. acres centou: Eu não sabia.. eu acredito que você ultrapassou todos os limites do bom-senso por hoj e! . Não conseguia dominar os pe nsamentos elevando-os e refletindo melhor sobre o que deveria fazer. Eu também .Encarando o rosto sér io e pálido de Sérgio. Acreditou na traição do médic o amigo e de seus colegas. Para is so ele está cuidando da compra do prédio ao lado.. você tem condições e conseguirá fazer parte.riu Nivaldo com desdém e ironia na fala. mesmo abalado e contrariado com a situação. é difícil um de vocês encami r alguém para mim quando suas agendas estão lotadas ou quando o caso merece atenção e ac ompanhamento de outro profissional.para as divisórias e outras coisas. Nivaldo. real . A idéia é: termos mais salas e alugá-las para outros profissionais da n ossa área ou das terapias alternativas.Breves segundos de silêncio e perg untou insensível: É o seguinte. alertou: Acredito que todos têm trabalhos mais importantes no momento. Vamos nversar melhor depois. Depois avisou: Essa situação não vai ficar assim. João o chamou: Sérgio! . Sérgio. Sérgio precisou de muito esforço e concentração para oferecer a mesma qualidade profi ssional de sempre aos dois últimos pacientes que atendeu. Eu não tenho mais ninguém para atender hoje. mas em da ta e horário oportunos. Um sentime nto nunca experimentado antes lhe invadiu a alma ferida..pediu Sérgio. fazendo-o sentir-se diminuído. desmaiar. Por essa razão o doutor Edison sempre cuidou sozinh o da contabilidade e pediu nosso sigilo sobre esses fatos. Suas idéias e emoções vinham de baixo círculo espiritual com representações mentais. Contudo foi o doutor Edison quem pagou alguns custos da sociedade que te pertenceriam quando viu que não teria mais condições financeiras a o vê-lo falar em vender o carro. esforçando-se para não se alterar.. Repentinamente João. Você não tem o direito de.. Vendo-o se levantar e indo à direção da porta. Percebendo o olhar insatisfeito de João. saindo em seguida. Nunca tinha sido rebaixado moralmente como naquele mo mento diante das verdades ultrajantes. Tudo isso causou piedade no doutor Edison.afirmou em voz quase inaudível.

Isso é pe rda de tempo e de valores. Com os olhos empoçados em lágrimas. Sérgio! Não medite sobre ninharias. Não quero lhe dar sermões. Lágrimas correram de seus olhos. que pareciam inquisidores ressurgidos da Idade Média. perguntou sem demo nstrar seu sentimento piedoso: Quer conversar? Não. pergunta ndo: Por que você não me contou? Por acreditar que. Vamos entrar. João .. E eu não contei por respeitar e concordar com a vontade desse médico. tantas f rustrações e dificuldades!. Alguém sem escrúpulos que se fez de vítima e chorou suas pitangas. o amigo comentou descontraidamente: Sobrou para nós fecharmos a clínica. Sérgio quase não oferecia atenção aos a gendamentos e recados que a moça lhe mostrava. completou: E eu sei que você faria o mesmo por mim . só para conseguir um horário q ue me facilitasse estudar. Imaginava com um misto de vergonha e raiva. foi por merecimento e não por acaso. pesquisar.. na sua capacidade. dramatizando para os outros sentirem pena. tantas noites em claro?! Nunca tive apoio da minha família. disse: Já que não quer entrar. não sou invejoso nem incapacitado ou ciumento. A caminho da casa de João permaneceu em absoluto silêncio. está ajudando a mim também. Mais uma razão por não ter contado: porque não fui prejudicad o.o rapaz agradeceu com um travo na voz que embargou. informou: Já está tudo trancado. Você ma pessoa importante na vida dos outros.João suspirou fundo e desfechou: Se recebeu algo. s em recursos ou então um aproveitador esperto. Nun ca pude contar com ajuda financeira deles! Passei por tantos problemas. Não disse m ais nada. Ah!. gritava em pensamento. Porque se não fosse o doutor Edison a te ajudar. * * * Chegando à sua casa..Ao final do expediente. Então multiplique os seus talentos e se motive a p ensar no futuro e não no passado. Quem ma is deve saber dessa história? As recepcionistas? O pessoal da terapia alternativa? . Obrigado. . sem dúvidas. fazer estágios!. frente à recepcionista. Provavelmente falaram muito às minhas costas . Qu alquer coisa me liga ou venha direto para cá. .. Depois de agradecer pelos serviços e dispensá-la. sei que faria o mesmo por mim. . na sua integridade e. incapacid ade e tristeza intensa. O colega respeitou.. supervisor. seria eu! Porque somos amigos e eu acredito no seu esforço. Obrigado. Toda essa reclamação em pensamento atrai espíritos ngadores ou de pouca evolução que oferecem reforço às idéias e críticas destrutivas. -Respeitando seu silêncio. da minha mãe!. Ninguém imagina quantas dificuldades enfrentei! Não sabem como precisei me submeter ao autoritarismo de alguns superiores hierárquicos .... ele maquinalmente foi até a sala do doutor Edison. sem se inibir.. pensava com grande amargura.Ao ver o outro silencioso caminhar para os fundos. Como não bastasse a Débora. mas o médico não estava. Você agiu com honestidade. mas você me prejudicou até d pois de morta! Desgraçada! . . De que adiantou tanto esf orço. Obrigado. Realmente sentia-se enganado.. Como me decepcionei com você! creditei em seu amor. Sérgio o encarou firme. acabei de verificar. O amigo nada disse. foi embora.. mas. reclamou pela falta de bens materiais e dinheiro em mei o às mudanças e acontecimentos. Sérgio experimentava imensa sensação de inferioridade. Talvez tenha surgido outro em sua vida e essa foi à oportunidade de . Que droga de vida! . Vendo o outro descer do carro.Após um leve sorriso. quando alguém o favorece. em sua compreensão! Mas você acabou com a minha paz quando não q uis me ouvir. tem dignidade e muita eficiência.. sério e r esponsável. ao vê-lo estacionar frente à sua residência. Obrigado pela carona. Sérgio! Não. Mas gostaria de lembrar o que um professor nos disse e m uma aula: não sejamos coletores de lixos que as pessoas jogam sobre nós através de op iniões mesquinhas. traído por ser o último a saber. professor e amigo digno. Encontrando-se com João no corredor. Vamos? Só nos resta ir. Que humilhação! Devem me julgar pobre. sob suas visões sujas e podres a respeito do que realizamos com a consciência tranqüila .. seus pensamentos fervilhavam e Sérgio não continha as recor dações e idéias rápidas que lhe surgiam. Até a Lúcia! Que Deus me perdoe. Jamais desconfiou de que seu triunfo fosse pela ajuda de outra pessoa..

Era lamentável ver em Sérgio a expressão de queixa e dor em cada lágrima silenciosa a fogada em seguidos soluços. Sebastião e os demais de sua organização não os viam nem sentiam Wil son e seus companheiros. enquanto lágrimas corria . Livre-o da cegueira que o domina. liberte a mente do querido Sérgio cujos cuidados espirituais me foram confiados. sustentando com suas vibrações pesarosas as infelizes influên cias do líder espiritual desapiedado e cruel contra o rapaz. mas era quase inútil. Um choro incontido dominou o rapaz a tormentado com tantas vibrações inferiores.. dos pensamentos oriundos de sugestões covardes. verdadeira tropa de espíritos desajus tados fazia-se presente. q ue a interferência dos irmãos ainda sem elevação imprima poder psíquico tão intenso de ener ias mentais com o intuito de destruí-lo com tramas e ataques para que se atrase e não realize o propósito a que veio. . Mesmo n o plano espiritual. Por piedade.. rogo que nos enderece seu olhar misericordioso! Somos meros apr endizes de boa vontade e recorremos a Tua abençoada compaixão. reagiu agressivo em seus pensamentos: O Nivaldo tem razão ! Sou o último a saber! Por que isso?! O rapaz fazia perguntas e considerações sem perceber a energia mental formada por agentes psicológicos cujo mecanismo ou fonte de origem era dos desejos mais fervo rosos do espírito Sebastião. acompanhava o que se passa va nos pensamentos de seu protegido: Senhor Jesus! Imploro em nome de Deus. Sabemos que Sérgio não necessita experimentar tais e xpiações porque se determinou a esse reencarne por amor aos irmãos presos pelas amarra s psicológicas da força do pensamento de outros menos evoluídos. Wilson foi sustentado pelos demais na prece sentida na qual rogou ajuda e intervenção Divina: Senhor Jesus.me deixar. o espírito Lúcia vampirizava suas energias fluídicas de uma forma insaciável. O espírito Wilson tentava de tudo para ver seu pupilo se erguer com as próprias f orças. imensos re cursos. vitimando e o consumindo sob a vontade t irana de seu algoz espiritual. Sem reajuste moral e espiritual. seu mentor Wilson o seguiu. Desejava sumir. inocentemente o rapaz se entregava ao sofrimento. Ao lado de seu protegido. concentrando-se em usá-los prejudicialmente. Desespero e to rturas íntimas nublavam suas idéias. que concentravam seus pensamentos com mais intensidade para envol ver Sérgio em energias mais salutares. do sofri mento desesperador que o leva ao abismo de dores. clareando-lhe os pensament os para que recupere suas forças na fé e na esperança. encontrava nas situações difíceis e fatos inesperados do cotidiano. .. Queria morrer. nos pensamentos de Sérgio. mas não era fácil.. O mentor de Sérgio envolveu-o como que em um abraço paterno e tentando orientá-lo d e pensamento para pensamento. indo realizar o pedido de s eu amigo... Mensageiro Divino. Wilson. perispiritualmente. Como forças do mal e comandada por Sebastião. Vendo Sérgio se levantar e ir para o quarto. To da aquela obsessão o enfraquecia como se o asfixiasse com a ausência de oxigênio. socorra-nos! Dê-nos força para intervir! Nesse instante Sérgio estava com uma arma automática na mão. o espírito protetor de Sérgio. que se tornava uma vi tima vulnerável.Vendo-o abrir um armário. o espírito Wilson ajoelhou-se junto com as demais ent idades amigas. com um efeito de longa tortur a e profunda decepção. i lumine a consciência desse filho querido com seu olhar. estava presente e acompanhado de outros da mesma elevada linhagem moral e espiritual para auxiliá-lo com seu pupilo. nobre e elev ado entono humilde. não o deixando receptivo às inspirações racionais e am is de seu anjo protetor. Sem de sviar a atenção dos puros sentimentos na prece fervorosa. Mestre amigo. Nunca havia se martirizado tanto e sofrido daquela for ma. Wils on virou-se para um dos elevados companheiros que entendeu a mensagem de seu olh ar e pareceu desmaterializar-se. Nosso Pai bom e justo! Estenda ao Sérgio as Tuas mãos dadivosas. Não permita. Embrutecido no ódio. Senhor Jesus. a aceitação ou a compreensão dos fatos. Por tratar-se de forças poderosas de falange do mal. Repentinamente. quebrando o elo que o prende aos grilhões dos pensamentos d aqueles que o querem derrotar. o espírito Wilson imprimi u suplica comovente como se fosse sua última rogativa: Senhor da caridade e do amor. Porém Sérgio não suportava a pressão exercida pelos desencarnados ferozes. Com grave. Ao mesmo tempo. ele se ligava às idéias de Sérgio dificultando-lhe o raciocínio.

O espírito Lúcia viu-se em profundo estado de perturbação. impulsionou-a com sua extrema vontade no exato momento em que seu protegido puxou o gatilho.. por inspiração de Sebastião. mas chocou-s e com as energias que fortaleciam o rapaz. pôde ver cravado na parede o projétil disparado. O que eu estou fazendo?! Prostrado de joelhos. profundamente. Agradecia a Deus e a Jesu s pela misteriosa forma de despertá-lo para a vida. O anjo guardião o envolvia com energias benéficas e renovadoras. recostando a testa em sua testa. Seu corp o espiritual apresentava as representações mentais ou ilusões momentâneas a que ela e se u corpo físico passaram quando em estado de decomposição. Passando a vivenciar dores que não tinh a há algum tempo e sofrimento na consciência como se experimentasse todo o mal que f ez no passado. Ele olhou à sua volta procurando alguém. mas o uviu nitidamente o grito que o chamou à realidade um segundo antes de ele puxar o gatilho e ouvir o disparo.m pelo rosto. Ela sabia que aquele jorro de luz significava uma proteção do alto para Sérgio e se im pressionou com o que viu acontecer no plano material por desconhecimento e não con seguir observar nada na espiritualidade na esfera em que estava. e nada. parecia hipnotizado. A lembrança das fotos o enlouquecia. mesclada com arrependimento.. Estava sozinho. quase vio lácea e como que salpicada de límpidos pontinhos de cristais flutuando em direção de Sérgi o. Minutos pas saram. A deslealdade de seus amigos e sócios era imperdoável e humi lhante. fugiu o mais rápido possível para regiões trevosas onde normalmente se reuniam. parecendo ser arrancada da mão firme do rapaz8. Enquanto Sebastião e seus ajudantes estagnaram. assombrados e medrosos. mas sentiu algo nunca experimentado. Exatamente ao mesmo tempo. um choro o dominou quando seu mentor colocou-se frente a ele ajoelhando-se e repousando as mãos em seus ombros. O que foi isso?! De onde vem isso?! . O rapaz não tirava a imagem da cena repetitiva de Débora agredindo-o com acusações in devidas e com modos tão cruéis. Seu coração batia forte. Sentiu um forte arrepio e um medo o dominou. Amedrontada pelo que desconh ecia. sem que os de sencarnados tivessem a visão de sua origem. impreg nando de modo a ocupar todas as valências da arma que Sérgio segurava. duvidou de si mesmo. Não entendia o que havia acontecido. Tudo aconteceu em frações de segundos.O anjo guardião usou de um recurso conhecido como Pneumatof onia para expressar seu pensamento de modo que o seu pupilo pudesse ouvi-lo. O espírito Sebastião urrou em protesto e dentro de sua pobre posição mental estava in conformado. caiu de joelhos e murmurou incrédulo: Meu Deus. sem paz. porém não conseguia deter o choro compulsivo no qual lamentava. por jamais terem visto aquela luz com cristais cintilantes. rendendo-se com expressões de . Na espiritualidade. Laryel forneceu sustentação firme e excelsa ao espírito protetor. a nobre benfeitora Laryel se fez presente de maneira que somen te o espírito Wilson e seus auxiliares puderam vê-la. Derramando lágrimas abundantes e buscando seus últimos e mais fortes dons. quando Sérgio destravou a arma. Ainda em lágrimas. A recordação do que s ua irmã fez. Inesperada sensação de segurança. o ato insano quase cometido. pare! . de tudo o q ue conseguiu e. não tinha vontade de viver. Algo a atordoava. Nesse momento. A claridade tornou-se forte. Os pensamentos eram frenéticos e tão compulsivos que angustiavam sua mente d e modo alucinante. Sérgio. indignava-o. por tentar violar a Lei Divina. Wilson continuava a envolvê-lo e os demais amigos dedicavam -se à sustentação e proteção. o espírito Wilson muniu-se das fibras de seu ser e gritou em meio ao intenso jorr o de luz projetado. Sebastião declinou num grito de pavor. invadia-lhe a alma.perguntou Sebastião estatelado. apontou-a para a própria cabeça: Sérgio! Sérgio. fazendo-a saltar como se tivesse vida própria. Uma luz tênue de tom azulado direcionou-se do alto para o quarto. mas com e norme fúria. além do forte impacto em sua mão junto a uma espécie de puxão da arma que caiu ao chão. Observando. Sérgio não conseguia vê-lo. Com binando o seu fluido vital ao fluido vital do encarnado. o espírito Wilson. Sérgio levou um susto. A respiração es tava alterada e os olhos traziam o espanto pelo que não podia explicar. Prendia-se psiquicamente às fervorosas influência s do espírito Sebastião e seus demais companheiros. Estava extremamente insatisfeito consigo mesmo por sua f alta de conduta moral. que enchiam o recinto. Ele relutou a abandonar o hipnotismo psíquico sobre Sérgio.

repentinamente. um raspão do projétil na sua nuca e o tiro na parede?! Sérgio estava controlado e mais sereno ao dizer: Aconteceram muitas coisas. perguntou: E aí. Tiago? Também me acha incapaz?! Ao contrário. ainda envolvido por seu mentor e sustentado por elevados amigos espirit uais. Contudo o outro não conseguia controlar os sentimentos. perguntando assustado: Ei?! Sérgio?! O que foi?! O que aconteceu?! Sérgio abraçou-se a Tiago. e separou as peças. Sérgio o olhou. Acreditou ter dormido muito e um frio mortal atravessou-o como uma lança ao se lembrar do irmão e do ocorrido no dia anterior. ajoelhou-se a seu lado. não detinha o choro compulsivo que seus pensamentos arrependidos lhe provoca vam... Tiago acordou num sobressalto. perguntou.tortura íntima na face transfigurada do perispírito deformado.. Passado o desespero.. Inspirado naquele instante. Aproximando-se mais e examinando as gotículas de sangue na nuca e na camisa de seu irmão. Apesar de todo o conhecimento que tenho. Ao ver seu irmão. Sérgio?! Por que se admira tanto. Algum tempo e Sérgio sentiu um bálsamo sereno amenizar suas emoções conflitantes. Tudo bem? . tentando se manter calmo: O tiro passou de raspão na sua cabeça. Mas.. Tiago correu para junto de le. retirou -se revoltado. chorar. Mas alguém gritou meu nome duas vezes e ordenou que eu par asse.Respirando fundo e sentando-se ao lado do irmão. Estava em companhia de seu m entor e do amigo espiritual que saiu para buscá-lo. Como não consegui ter mais coragem de enfrentar a vida?! Venha. O fegante. Como pude chegar a esse ponto ?! . el e foi até o quarto. Apesar de sempre ser equilibrado e racional. viu jogada ao chão a arma e foi pegá-la. mas não disse nada. vamos para a cozinha que vou te fazer um chá e você me conta tudo.. Junto do que eu soube que o doutor Edison fez sem me dizer nada e a opinião dos meus cole-gas. acalmando-o de minuto a minuto . enquanto Sérgio bebia vagarosamente os goles da água adoçada. p ois isso não tira seu equilíbrio. Sérgio entrou em pranto incontrolável. ele olhou para Tiago que decidiu: Vou buscar um pouco de água e algo para passar na sua nuca que está sangrando. Tiago fo i induzido a passar as vistas pelo quarto quando. Sérgio?! Tudo bem? Bom dia. passou-lhe um anticépt ico na nuca enquanto falava com calma: Sérgio. correu às pressas até o quarto onde o irmão já se vestia.. mas com o semblante carregado de tristeza. Imediatamente Tiago tirou o pente carregador. Somente seus olhos se encheram de lágrimas. O espírito Wilson afastou-se de seu pupilo e junto aos demais só observou..Cabe a Deus alterar o destino Na manhã seguinte. pedindo perdão e agradec endo a ação espiritual que lhe poupou de inimagináveis aflições espirituais. Levantando-se.. Ficando somente com a cápsula deflagrada na mão. Sentiu-se gelar com as rápidas conclusões ao encontrar a cápsul a deflagrada e ver o furo do tiro na parede.lágrimas correram. Nunca senti tanta humilhação. cara! Você é bem capacitado e instruído para fazer alguma besteira com essa arma. Não suportando. e ele saberia esperar.. Ah!. Sentado no chão. O que tentou fazer com isso. que o forçou a se levantar do chão e o fez se sentar na ca ma. curvou-se sobre a cama rogando ajuda. desabafar como outro qualquer. Tiago. Não agüente i mais e quis morrer. 23 . que estava pront a para atirar novamente. você é um ser humano co m direito a expressar seus sentimentos. Sérgio levantou-se e o acompanhou contando exatamente tudo o que havia aconteci do. a munição do arma. Ao retornar.. direcionada por seu mentor. Alguns minutos e Tiago chegou sem ser percebido. Sérgio.... Era uma energia tranqüila. O que significa essa arma jogada ao chão. colocando-as em seus bolsos. É! Bom dia. . estou acostumado a ver pessoas em c rise emocional.

contou com a voz embargada: Minha mulher. . Obrigado. Decidiu que fa laria daquele assunto. Pensava em dizer o quanto se sentiu ferido e até ofendido pel o sócio Nivaldo. Ela mandou me chamar e. Olhando para o irmão.respondia sério ao fazer tudo mecanicamente. Caminhando pelo longo corredor daquele andar.. Afastando-se. abraçando-o firme por algum tempo e apoiado em seu ombro amigo. Sérgio não conseguiu argumentar diante da teimosia do irmão. Eu estou bem.. Apesar da surpresa amarga e triste. Ao perceber o v ulto atrás de si. Preciso resolver a situação sobre minha sociedade na clínica ou não terei sossego. desabafaria toda a impressão forte que o a sfixiava angustiosamente. Não .. o que aconteceu?. inesperadamente. que o pisoteou com palavras e ironia ao contar-lhe a verdade. Ele pediu segredo.abraçou-o firme. São em momentos como esse que os verdadeiros amigos nos acompanham. mas não precisaria ser tão arrog ante e insensível.. Vê-lo daquela forma. Uma névoa escura pairava em seus pensamentos repl etos de muitas idéias que pudessem contornar a situação. Por algumas vezes... Hoje é sábado! Vai trabalhar? .... Não. Chegando ao hospital. Tiago t ambém manifestou suas condo-lências. Minha companheira por anos. Vou só.Breve silêncio e prosseguiu ext enuado: Apesar do conhecimento e um pouco de entendimento. o doutor Edison se virou e Sérgio surpreendeu-se ao vê-lo com olhos vermelhos e rosto congestionado.... Começou a rever suas opiniões e reconhecer seu orgulho e vaidade.. o doutor Edison foi avisado de s ua presença e solicitou que o rapaz e o irmão fossem ao andar onde ele estava. carregado de sensação en ervante e indesejável. algo reavivou seus verdadeiros sentimentos pelos fortes laços de companheirismo e amizade que o s uniam. Em meus braços. traiu-o ao omitir os fatos.. * * * Na tarde do dia seguinte. Con fiava tanto no doutor Edison e justo ele o enganou. Sérgio sentia-se incapaz que qualquer ofensa ou acusação contra o doutor Edis on. Ele estava frente a um colega que repousava a mão em seu ombro. Irei com você. .. doutor Edison. ela ouviu . a qual considerava gravíssima.Sim. Obrigado por vir aqui. após algumas ligações. Sérgio reconheceu o médico de costa s. Oh.. não se preocupe. trouxe-o à sensatez imediata e o rapaz perguntou c auteloso: Doutor Edison. Depois de conversarmos. Tiago. recompondo-se. sem dúvida.estranhou Tiago. A entonação sentida na voz do médico doeu-lhe no fundo da alma. ela faleceu em. mas não dizia nada. típica aparência de quem havia chorado. Sou incapaz de não te r sentimento. O remorso dominou mais uma vez a mente de Sérgio que antes perdeu horas de sono ruminando em pensamento palavras capazes de exprimir como se sentia melindrado e constrangido no saber da verdade.. mas ainda expressando lamentável do r. Estava mais tranqüilo ao obs ervar a transformação do irmão.. parecendo ter planos. As horas foram passando e Tiago decidiu ir embora.exclamou firme. pois necessitava de explicações. Nada disso! .expressou-se Sérgio pela verdad eira compaixão. Tiago e Rita conversavam sen tados em um banco frente ao jardim onde o sopro de uma brisa morna balançava as fo lhas das árvores e plantas. Saindo do elevador. que invadiu seu coraçã eneroso minutos antes. na casa de dona Antônia. Sinto muito. É só o tempo de tomar um banho rápido para despertar e. Sérgio apresentava o semblante sisudo. Vai falar com o doutor Edison? Vou. Sérgio. Aceite meus pêsames . Ao observar a fisionomia sofrida do amigo. pegou o telefone e. soube que o médico estava no hospital.murmurou o médico.. Em seguida. Sérgio. . pensou em ferir o médico am igo que o ajudou no anonimato. Tiago estava apreensivo. mas contou à jovem o que Sérgio tentou num momento de desespero extremo. que ficou acompanhando o amigo e dando-lhe apoio.... Imediatamente Sérgio foi para lá. Ao vê-lo arrumado. Sentia-se magoado pela traição e. por isso não consigo deixar de chorar pela separação de uma pessoa tão que rida. compreendendo a situação do amigo e cedendo à mágoa.

aglomeram-se à no ssa volta afinando-se conosco e fortalecendo-nos na coragem para a prática de um a to tão cruel contra nosso ser. enca rando-a firme: Rita.disse o rapaz. e admitiu: Não julgo as pessoas. É difícil vencer a vergo nha.Trazendo um brilho lacrimoso nos lindos olhos grandes e negros. vo se sente uma coisa. Tudo isso foi tirado de mim e ainda. . estou surpreso e assustado por ver pessoas com entendimento e conhecimento como você e o Sérgio se desesperarem a ponto de quererem desistir da vida mesmo sabendo que o sofrimento depois da morte será pior! Fiquei assombrado! Você é espírita. Nossa! Como isso me assusta. nos levam a aceitar o que ela induz.. nos últimos tempos. sem esperanças. acima de tudo. aquilo que existe por existir. de Jesus e de mentores amigos que podem me guiar. o Sérgio segue essa filosofia e os dois possuem considerável noção do sof ento terrível por conta desse ato. A mente fica povoada de imagens ou cenas... mas é algo que pr oduz tanto terror e de uma força extraordinária Ou idéia fixa sobre morrer. Tiago.. Persuadiram você ao suicídio e a ajudaram . forçou-se a um sorriso tímido e encarou-o ao afirmar: Quando as perspectivas.. Só as observo. que são usadas como instrumento. E sabe o q ue é isso? É o desejo de espíritos inferiores que se comprazem no mal. aceitando o propósito de sua existência dentro daquelas novas condições ou t em a bênção de encontrar pessoas que te despertem.. se necessário. Por que eu seria tão orgulhoso? . É mais fácil ter a covardia e se deixar dominar pelas inspirações de espíritos cruéis u pessoas encarnadas.engoliu a seco e continuou: E. mas... retoma su a fé em Deus. Somos imortais. a expectativa. da humilhação. fazer dos amigos lata de lixo com minh as lamentações. de passar pela s mesmas dificuldades e sofrimentos que elas provocaram a si mesmas. de ter a coragem de viver respeitando a vida como ela é! É. sabia? Olhou-a. . bem parecido co m o irmão. com o objetivo de te ver ca ir.A jovem fitou seus lindos olhos verdes quando Tiago a chamou. .. comentou em tom lamentoso: O Sérgio?. Tiago! Ele é uma pessoa tão controlada e. Eu acredito e tenho um pouco de conhecimento nisso. Até Jesus aceitou ajuda nos últimos instantes de carregar s ua cruz. . abandona a ilusão e passa a pensar com a razão.atentamente cada detalhe. pisoteado. sentir-se humilhado. mas não tentou quando estava sozinha! Lembre-se do que o doutor Edison te falou e que me contou . acredito no socorro de Deus. No final. Quando se tem a sorte de retornar à realidade. argumentou : Acredito que a idéia de que o sofrimento termina com a morte é o que estimula alg uém ao suicídio. Talvez você não saiba como é chegar ao limite de suas forças. Rita! As palavras e a forma de uma pessoa se impor cont ra nós. Sabem o quanto é forte a tentação. mesmo assim ela exemplificou: É alg o como uma lebre delirante a nos entorpecer e dominar disputando ardentemente en tre a razão e a insanidade. Não nego a in fluência espiritual inferior. EU sei. à angústia e a o desespero. es gotado. de sua inferioridade por desejo tão inferior como o do suicídio. nós conversamos muito sobre a vida e spiritual e toda a responsabilidade que nos é atribuída pelas falhas cometidas. Rita. a fé num futuro melh or se acabam. Aí. Tenho lido a respeito e.Breve pausa e comentou: Não que eu vá deixa r para os outros assumirem meus encargos. angustia-se pela sua incapacidade de se erguer e buscar ajuda . . Então se depara com o gosto amargo da vergonha. não resistir e ceder ao que mais fere a Deus. Adqu irir esses conhecimentos me ajudou imensamente Reforçaram minhas opiniões e me deram novas reflexões. aflito e. . Infelizmente são em momentos assim que nos entregamos ao medo. as conseqüências espi . quando acabam suas forças diante de al guém tão miserável que se aproveita da situação. não temos mais ânimo para viver.Fez uma pausa e prosseguiu: Sabe. . um objeto inanimado. podem me enviar companheiros enca rnados para me ajudarem.. ofereceu simpático sorriso no belo rosto moreno claro. de lembranças o u impressões com profundos sentimentos indesejáveis e amargos de procedência desconhec ida.Abaixando a cabeça. você analisa sua intenção hedionda c ra a própria vida.Lágrimas rolaram. com respeito e compreensão.. mas não te m valor. . Somos seres individuais e temos consciência dos nosso s deveres e direitos como criaturas humanas e eles estão registrados em nossa ment e. E sem ter mais ninguém.. Quantas e quantas vez es aprendo com a dificuldade alheia para me desviar... considerou: Mas quem sou eu para criticá-lo? Você não tentou se matar. Rita desviou o olhar e silenciou. Ainda. deixando uma porta aberta em nossos pensamentos para a entrada de i déias estranhas e terríveis.

depois se foi. alegre com a minha decisão e beijou meu rosto como um amigo.Novas lágrimas..... encarou-a sério.. mas ainda não entendo como pessoas instruídas... me fez entender que era preciso enterrar os mortos e prosseguir com a saudad e. uma pessoa passa por provas ou expiações de infel dade. Medo do quê?! . o profundo martírio de forma lenta e intensa. ou melhor. Acreditei que meu sofrimento seria eterno e minha vida inútil.. . Na noite em que combinou com o meu irmão sobre irem para a repr esa.. por uma obsessão.. a o admitir: Ainda tenho medo de você insistir nessa idéia. podem se entregar ao desespero sem lembrar que tudo passa e o sofrimento daquele instante ou até de longa duração também passará. vazio.Respirou fundo e continuou: Então combinamos de dar um tempo. por ter ficado ao meu lado me dando o maior apoio quando meus pai s se foram. E eu estava com ele.. intolerável a ponto de cometermos o suicídio. Entendi que neguei o direit o dele ficar um pouco com ela.. eu me afastei para ela ter o mesmo direito de d espedida... Sempre quis ter de volta a família que um dia tive. Porém ela continuou firme: Após a morte do Rogério e do Gustavo. por prova para sua elevação espiritual ou tarefa e outras razões como a ilusão materialista de o sofrimento terminar com a morte do corpo físico. Nos primeiros dias. Mesmo que um espírito se m instrução e rebelde. desespero e tudo o que é insuportável para ela. ninguém.. com a dor e todo o sofrimento... alguns parentes do Gustavo cob ravam sobre a data do casamento e.Ela secou o rosto com as mãos e respirou fundo ao revelar: Tem algo que ni nguém sabe e isso me dói muito. Isso pode acontecer por alguma atitude desajustada em outra encarnação. eu vi a moça. somos culpad os e lastimaremos amargamente a ação. harmonia e felicidade. apego.. Apesar de induzido por um espírito inferior. mas meus pais morreram e restamos eu e meu irmão .... Com a perda dele junto a do Gustavo. Talvez fosse só amizade. Nós nos gostávamos muito. mas éramos só amigos e eu percebi que hav ia alguém nos pensamentos dele e. meu tio se aproximou e me disse aquela frase impiedosa sob re eu ter visto meu irmão. . lá no velório. religiosos.. invadindo sua alma com o olhar. Por essa razão. . alertar e despertar.. Eu senti que não deixei o Gustavo ser feliz m esmo quando percebi tudo entre nós bem diferente.. e a jovem prossegui u: Fui falar com o Gustavo e para minha surpresa ele disse que sentia o mesmo e talvez a origem disso tudo tenha sido o nosso noivado. Fiquei desorientada e não acreditei n os meus valores morais.. senti que era aquela moça discreta. mas. Sabe.. ainda assim. Tiago.lágrimas rolaram. Passei mal e foi por isso que não qui s retornar ao velório e ver o enterro. me senti reduzida a pó. Ele confessou que me cons iderava muito..Rita deteve as palavras. com o vocês. sem propós itos. Uma visão tão lógica e simples só se explica pela sua vação. Diante dos longos minutos. . Em seguida. Após ficarmos noivos. nenhum ser humano escapa dos resultados de suas próprias realizações. Por isso. Depois que soube da morte da minha tia. A jovem silenciou. A oportunidade de vida nos foi concedida po r Deus e Suas Leis são de amor... que a nossa amizade era incomparável.lágrimas correram. terminado. falei com o Gustavo a respeito de conversarmos com a família dele no dia segu inte ao voltarem do passeio e ele concordou. mas seu irmão. . Respiro u fundo e prosseguiu: O Sérgio foi instrumento de misericórdia Divina guiado para me salvar. uma angústia que deixava meu coração apertado.Engoliu u m soluço e contou: No velório.. Senti que ficou satisfeito. Porém é bom lembrar que. Rita sorriu com brandura ao concluir: Você é bem mais elevado. Eu sentia uma coisa. Co mo família só restou uma tia distante e aquele.Alguns segundos e pediu: P erdoe-me a falta de conhecimento. . Me vi só. Perdi meu irmão. Nós namoramos por tantos anos e o Gustavo s e viu na obrigação de não me abandonar. . Tia go. Tiago refletiu e depois confessou: Ainda tenho medo. Era uma dor. Medo?!. talvez por c ostume. Você achou que ele foi rude e frio. às vezes. Um tempo para não chocar a família e.. a c ulpa pelo suicídio é de quem o praticou. apesar do conhecimento. Tirando-lhe os cabelos que cobriam parcialmente seu rosto...ituais.. sirva como objeto destrutivo nos influenciando e nos conduzindo ao desesp ero extremo. deixando o olhar perdido no belo jardim. talvez por dó..indagou virando-se a ele.. . que Tiago aparou com a mão. um vazio!. . pois o tempo se encarrega de amenizar e ajusta . quando me afastei de seu caixão. oriundo de esferas inferiores com propósito de vingança ou puro p razer. Às vezes o via olhando quem ligava em seu celula r e ele não atendia. chorando perto..

tormento e desespero passam. Quer ir ao cinema? E escuto: Ah!. E Tiago continuou: Conheci o Gustavo quando ele ajudou o Sérgio em alg uma coisa lá na reforma da casa. mesmo que a luta pareça interminável. serei seu amigo enquanto for minha amiga. . eu concordo. absorvendo ca da palavra. Aprendi a pensar diferente e reconheço a loucura que desejei. Eu me afastarei quando pedir. . Não se julgue culpada. de verdade! Só que como um grande amigo. Rita. Que bonito! . Não queria sair hoje. Você me ajudou muito. me dedicando somente ao serviço.. correspondendo à brincadeira. toda a verdade do que aconteceu . Eu?! . acreditando não ter deixado o Gustav o viver com quem se apaixonou. beijou-lhe a cabeça... . perdoando. Tomado de impulso imediato. E o doutor Édison me ajudou muito nisso e me ajuda. pois estou aqui seguindo meu destino.. sem interesses. relaxand o e confiante..Riu com generosidade ao falar: Mas não precisa exagerar dizendo que sou o remédio que diminui as dores e o sofrimento! Delicadamente a moça afastou-se um pouco. Depois gargalhou ao comentar: Puxa! Como foi difícil tirá-l a de casa! Caramba! Ah! Viu como você foi o remédio para meus males?! Tiago sorriu com satisfação. à academia e sem m otivação.reclamou. Vendo-a tímida por elogiá-la com as palavras vinda s do coração. mas estou aprendendo a reconhecer meus valores e sou melhor do que tudo isso. A jovem o envolveu pela cintura . Veja. sentindo tranqüilidade na a lma e sem qualquer conflito íntimo como há tempos não experimentava. comentou: Obrigado por me considerar seu amigo. Tiago. Entendo seu amor pelo Gustavo e seu conflito por guardar o segredo do término do noivado. Sim. fechou os olhos e se permitiu longos minutos de paz. Olhou-o de um modo en igmático e o abraçou com força. Mas algumas coisas são tão dolorosas. Não dá para esquecer o que passei. arremedando-a de uma maneira engraçada: Chamo para sair e você diz: Ah. Sem demora ele lembrou. Tiago alargou um lindo sorriso e espontâneo que iluminou seu belo rosto trazend o um brilho lacrimoso em seus olhos. experimentei. Vi o quanto à família dele gosta de você e compreendo sua inse gurança e seu receio para revelar seus sentimentos verdadeiros. só que esse amor era de uma forma diferente. recostando-a em si ao embalá-la suavemente. Logo ele disse: Pode d eixar. mas depois comentou: Existem razões e ac ontecimentos na vida que às vezes não conseguimos entender. entender. Gosto da sua companhia e de fic ar ao seu lado.Ela só o olhava. Precisamos seguir vivendo...riu. Você foi fiel e não deixou de amá-lo.. Nós nos reuníamos para comer pizza!. Porém não gostaria que se afastasse de mim. Ele era um cara bem bacana e gostava muito de você.Silenciou.admirou o rapaz. sorriu lindamente como há tempo não se vi a e brincou ao dizer: Não diga isso! Não tem o direito de interferir em minhas opiniões! Ora! Você vive me contrariando! . ríamos de fatos engraçados que lembrávamos. fazer e viver. . devemos admitir que foi necessário vocês passarem e sse tempo juntos para alguma harmonização.sor riu com doce saudade no olhar. falou quase chorando: Você.. mantendo-a recostada ao peito e agasalhou-a entre seus braços com ternura. A culpa não foi sua! .... Rita. o remédio.riu com jeitinho.. Você é a bênção. . ela se ajeitou afastando-se um pouco. Não tenho m uitos amigos verdadeiros e desinteressados. Ele silenciou ent endendo a harmonia e o sossego que a fizeram se largar no abraço gostoso.r a vida. meu fiel amigo nesses momentos tão difíceis. Eu tinha uma outra vida. conversávamos. Eu ainda relutei em aceitar a verdade. principalmente.. a jovem soltou seu rosto e acomodou-se ao lado. Obrigada por ser meu amigo. .Oferecendo um sorriso doce e acan hado. o bálsamo que dimi dores e o sofrimento que podem me abalar. pois só a Deus cabe alterar o curso do nosso destino. Não. Essa era a forma como ele a amava. segurando-lhe a face entre as mãos mornas e delicadas: Não se preocupe tanto comigo. ele abraçou Rita por sobre os ombros. Abraçou-a.. sei que você adorav a e adora o seu irmão. Junto de você apreendi que existem coisas mais importantes para se compreend er. Devo ter al go importante a fazer. beijou-lhe o rosto e falou com brandura. esquecendo. Após longo repouso.. Toda aflição.. po r ele tê-la apoiado tanto.. acolhendo-a com c arinho. Acred itando que nada é por acaso. Penso também que o Rogério ficou ao seu lado .. Sensibilizado. Depois nós nos reuníamos no fim do dia. A d ona Antônia me recebeu e me acolhe como filha.

Toda família tem seus desentendimentos e por que a nossa seria diferente?! Não foi sua culpa essa separação. isso acontecerá de um jeito ou de outro.. Então eu acredito que foi o momento de eles irem. mas você tem uma nova família. eu.murmurou. Você sabe ouvir as pessoas e oferecer incentivo! Que tal Psicologia?! . seu único irmão. E eles? Por que se foram? Porque precisam continuar evoluindo e se aperfeiçoando.para aprenderem algo juntos. Guardando consigo profundas reflexões sobre conselhos. lembrando que todo aper feiçoamento e evolução exigem renúncias. Rita. Você já havia encontrado o Sérgio que a levou a conhe cer o João.. Tiago. Foi por causa do Rogério. É bem provável que não os identifique. Talvez não tenha percebido... O que importa isso? Talvez não precisasse e daí?! Lamentar. E eu precisava passar pelo que passei?. o doutor Edison. não os reconheça ou. dedicação. Rita! . sorrindo com doçura. Não cometeu qualquer loucura naquela época devido à força que o Gustavo te d eu para se recompor ainda mais.. . disciplina.exclamou Tiago sorridente. Eu sinto que a Débora vai voltar. Sérgio permanecia sentado no sofá. Vamos sim . crenças e pensamentos abalados ameaçando se .ele sorri u com terna brandura. afagou-lhe os longos. que você resistiu à tamanha dor quando perdeu seus pais. Eu o con sidero como um irmão! Sabe.... negros e ondulados cabelos lindamente soltos.Vendo-a quase em lágrimas. Silencioso. Tenha força para recomeçar. pois cumpriram os seus propósitos. como amigo fiel.Olhando-a de modo a invadir s ua alma delicada.. E a Débora que sumiu? Acabei com a vida do Sérgio que tanto me ajudou. perguntou: Vamos sair e dar uma volta? Sim. Para ajudar o seu novo irmão Sérgio.Sorridente. indagou: Mesmo sabendo que posso reencontrá-los e fazer algo melhor que fiz nessa vida por eles. não se abale nem se culpe por isso ou s erá mais um problema para ele.. agora. de não ter uma fa mília era a sua prova. Afagando-lhe a face tênue com delicado carinho. minha am iga! Você tem quem te apóia. a dona Antônia.brincou. Tiago e Rita saíram conversando e brincando para um passeio descontraído. Talvez se tivesse ficado sem seu irmão ao lado .. Eles te acompanharam ness vida terrena o tempo necessário de seus planejamentos reencarnatórios para que tive sse força para recomeçar. Acredite. Você tem outra família que te ama! . sorriu ao concluir: Ou até reconheça em alguma criança ou crianças as características indiscutivelmente individuais que somente eles tenham! . Já te contei os ta is fatos. considere. Onde está a sua fé? O apoio do Gustavo e do Rogério foi importante e imprescindível até você estar madura o suficien te para enfrentar a vida! Creio que a situação de sentir-se sozinha. conhecimentos e experiênci as.. naquela época. Deus pode fazê-la encontrá-los ainda nessa vida! . Levantando-se. modificou-se incrivelmente com aquela conversa e falou: Vamos! Mas aproveitaremos para conversar sobre você fazer um curso superior! Eu?! Estou velho para isso! .. Sérgio decidiu não permitir suas opiniões. Passe por isso sem sofrer.. Tanto que desencarnaram juntos.falava com ênfase e expressiva energia positiva.. olhando ao redor para as sombras das folhas de uma árvore que tremulavam nas paredes internas do ambiente. chorar. Já me disseram isso!. . * * * A noite se adensou naquela casa onde a luz fraca de um abajur deixava a sala na penumbra. não estaria perto de uma nova família. Não é fácil aceitar a separação. . na sua vida de algum jeito.sorriu. alinhando-os atrás da orelha para ver melhor seu rosto expressivo.. . pois me lembro de você ter contado que ele quase foi naquela viagem junto com seus pais. Foram unidos para o plano espiritual.Frente a ela ainda lembrou: Você tem vinte e cinco anos! Tem muito tempo e centenas de cria turinhas para conhecer e se for preciso eles surgirão no seu caminho. pois eu vi muita amizade entre eles.. ficar deprimi da e extremamente angustiada vai ajudá-la em quê? Supere! Reaja! Você é superior a isso.. se Deus acreditar que exi ste algo mais para viverem juntos. O amor não termina com a morte do corpo físico. pois o teve a o seu lado.. Você os amou e os ama do seu jeito e eles a amaram e a amam do jeito deles. chamou: Agora vamos? Rita estava animada.

mas não podendo ver. mas não sabia o que fazer. Foi até o quarto onde fez o escritório e havia diversos livros e materiais de estudo. Incontáveis imagens. Repentinamente ele se leva ntou repleto de vigor a ânimo. encarnados e desencarnados que se aglomer am por gostarem das mesmas práticas e idéias mesmo quando não se conhecem. mas agora se negaria a perder o controle das emoções e entre gar-se à aflição insana.argumentou Tiago. Sérgio recebia abençoado jorro de energia salutar qu e o resgatava do desânimo e o elevava. minúcias apresentadas em momentos de pa ticularidades e carinhos entre eles. No primeiro dia fiquei contrariada com você. tranqüilo e com imensa fé sem saber por quanto tempo. Sérgio estava determinado a experimentar a angústia . Enquanto isso a jovem pegou o celular. Os irmãos trocaram poucas palavras até ela retornar. esclarecer situações e se desvencilhar do que pudesse comprometer suas i déias.. Ela sabe que saímos. Depois ref letiu novamente.atalhou Sérgio . desenvolver idéias e conclusões.alegrou-se Sérgio. Sim. Sérgio? Lógico. Eu avisei . Sérgio não teve dificuldade de pesquisar.inform ou Tiago. assaltavam-no vivamente e tão fortes que parecia ouvir a voz generosa e delicada.. olhou-o com certa decepção e falou: Meu celular está com a bateria descarregada. Nós saímos para dar uma volta e decidi passar aqui antes de levar a Rita . Rogo u sustentação e força interior para prosseguir em seus propósitos a fim de superar as di ficuldades. Separou algumas obras que o aj udariam em determinada pesquisa e estudo sobre suicídio. Um demorado e profundo suspiro o deixou mais leve. incluindo espíritas. consumindo-o pela saudade. alertando-o de uma tris teza profunda e imensa amargura. Em outras palavras. pela presença de entidades bondosas e elevadas dispostas a benef iciá-lo com a sagrada vigilância e abençoado conhecimento. aprimorando seus conhecimentos. substituiu os pensamentos depressivos por prece equilibrada como se conversasse com Deus. não é? Estou sim. a elaboração intelectual e os ideais ocupados e concentrados no bem não abrem esp aço para as influências do mal. Sérgio não percebeu que era tarde quando ouviu Tiago chamá-lo: Estou aqui! . ligando-o aos espíritos de esferas superiores . A decisão foi certeira. Rita . a ment e tem o poder de atração de espíritos afins. recordações e situações alegres. Com o um mau presságio.. Ao chegar à sala. Também pediu luz. envolvimento sublime e amoroso aos encarnados e desencarnad os ainda dispostos a incomodá-lo. Que bom vê-los! . reproduções exatas. A simples concentração na leitura de um bom livro manteve s ua mente ocupada e seus pensamentos mais saudáveis. Ficou em silêncio. Orou e trocou a companhia dos espíritos inferiores. o riso cristalino ou mimoso do único amor em sua vida. desejando renunciar a vida. ele experimentava uma provocação por densas amarguras vindas de pe quenas lembranças. Posso usar o telefone. sentar e comentar: Achei melhor avisar a dona Antônia que eu estou aqui ou ela ficaria preocupada. Ele foi além. Os pensamen tos. Débora era a razão de tudo. Em pouco tempo a mesa do escritório estava repleta de literários e pequeno espaço o nde colocou grande caderno de anotações.avisou num grito e arrumou as anotações e o material espalhado. mas ele mudou a postura mental. cujo objetivo era fazê-lo sofrer. Não pense que agi por des .u equilíbrio e bem-estar. Acreditou que aquelas idéias eram sinais. Fechando os olhos. Contudo seu coração trancava uma tristeza. a dor e o sofrimento. A força. Seria bem cômodo e n atural deixar se enfraquecer com as idéias melancólicas insufladas. Valendo-se da Metodologia Científica aprendid a no curso universitário. um forte abraço e mostrava-se mais animada. dinâmicas e detalhistas do que vivenciaram. você está se dando muito bem com a dona Antônia. o poder dos nossos pensamentos são energias magnéticas que exerc em recursos e meios de impressionante atração espiritual. auxiliando-o nos objetivos daquela reencarnação.disse com leve sorriso. Sentindo.. Rita . mas hoje sou tão grata! Eu te considero muito. sorriu satisfeito por ver Rita que o cumprimentou com um beijo. Mas demoramos mais do que o de costume e. Sentia que ela precisava de sua ajuda. Rita! Nem precisa pedir. o fluido.

. filha.. meu irmão! Não podemos negar esse desejo. por exemplo..E les riram e ele continuou: Ela não quer saber se o médico está bem. a dona Antônia. o João. Sérgio . o mesmo acontece por parte de funcionár ios públicos ou outros profissionais na área de atendimento..murmurou sem jeito. . agressiva.. irmão. dias antes. E as reações das pessoas envolvidas são tão diferentes! . mas em outr s situações semelhantes?! Quantas vezes fomos tratados de modo vulgar. Foi uma situaçã ue enganou os olhos de Débora.. além de ser uma ligação com a educação. De você e de qualquer outro que se aproximasse dela. o comportamento faz parte da evoluç ral e espiritual de cada um . Deus nos avisa. você Sérgio. mas a moça não se manifestou.. Sabe. mãe. mul her. um bombeiro. Vocês já viram uma pessoa toda bem vestida . Até entre estranhos isso aconte ce. Quando esta mos à beira de cometer alguma burrada. E tudo começou com a Débora. . Sou bom observador e tenho certeza de que nada é por acaso. Tudo isso junto à maldade da minha ex-namorad . Não amam nem são amadas. desumano. É. mas que repentinamente se transforma em alguém animalizada e que só falta rosnar porque o médico não a atendeu no horário?! . Mas nem sem pre estamos alerta.. Ciúme de mim?! . Outras são orgulhosas e pensam que profissionais como você. que em algum aspecto de suas vidas não tiveram o resultado desejado.exclamou o irmão. Só tenho que agradecê-lo. o Tiago.Sérgi o não se intimidou e contou diversos ocorridos e detalhes que Rita já conhecia através de Tiago. Sérgio! Você foi um instrumento de misericórdia Divina inspirado c omo socorrista para me ajudar. Ora! E verdade! . filho.. Educado. tem outras coisas e.. o doutor Edison. por servid ores públicos como policiais. cul tura. bombeiros. . Esquecem que vocês são seres humanos.. médicos. educação. São inúteis ou impotentes com a família como pai. me alertar. séria à espera de uma consulta. Não se culpe. Quando aprendermos a trabalhar nossa hostilidade e nos controlarmos.acrescentou Rita.disse Sérgio... irmã.prezo ou algo assim. Mas suportei calado.. Acho que experimentamos muita influência espir itual inferior e aceitamos. Existem pessoas humanas.riu Tiago ao exclamar.Sérgio garg alhou. uma espécie de complexo de inferioridade gerado pela falta de respeito. falou ignorando que ela sabia: Você não conhece toda a história. Ao serem atendidas principalmente. Já me perguntei: Por que o caminhão do Corpo de Bombeiros não chegou um minuto ant es?! Por que estávamos passando por uma rua perto quando o rádio nos mandou atender determinada ocorrência e isso salvou uma vida ou vidas?.afirmou Rita. Não diga nada sobre isso. Psicologicamente falando. Uaaaaau! Um psicólogo falando desse jeito! . auster a e que não reconhecem o serviço prestado exibem um quadro de personalidade inferior izada. Você é meu novo irmão! Ora. se teve alguma eme rgência. marido. enfermeiros. Creio que. Esse comportamento most ra que são pessoas frustradas por algum complexo de inferioridade também. intolerante e são até desrespeito sas. São insatisfeitas consigo mesmas e complexadas. Você tem toda a razão .confirmou o rapaz. Sabe. eu fui dominado por uma crise de c iúme da Débora com o Tiago que se davam bem e conversavam bastante.riu.. . Foi .. não fazem mais do que suas obrigações . São criaturas de personalidade mal resolvida. Rita . com disposição ou atitude áspera. Sérgio riu e Tiago balançou a cabeça concordando.. Existem s que se emocionam e não se cansam de agradecer pelo socorro. É sim! Eu disse isso quando nos conhecemos e repeti o mesmo hoje para o Tiago. colocam suas vidas em risco e nem ganham bem para isso. pessoas assim. mas ela não ficou para explicarmos.Alguns segundos e falou em tom melancólico: Só sinto muito pela Débora.. estaremos alcançando a evolução e o equilíbrio.. Nunca me cansarei de agrad ecer a Deus por vocês aparecerem na minha vida.interrompeu o irmão . Mas veja bem. à vontade de dar um murro na mesa?! .. Além disso. solidárias! .. E quantas vezes nós já não agimos assim?! Talvez não nessa. Na da é por acaso. sorrindo. sobressaltando-se... Isso encon tramos em todas as classes sociais. Precisamos uns dos outros. nos dá sinais!.tornou ela. professores e outros algumas pessoas tomam uma postura rude.. mas.interrompeu-a Sérgio de imediato.disse Sérgio.. para eu ter uma chance.. De forma alguma. É q uase impossível resistir ao impulso.

Mas juro que eu não s abia sobre a Lúcia continuar com aquele comportamento insano . me deixou em desespero. Isso mesmo . por que não me procurou depois desse tempo todo? Po r que não te procurou após eu explicar a situação no consultório do doutor Edison? Vocês er m tão amigas! É isso o que eu estranho. Então veio a chuva de granizo batendo forte. Não posso acreditar.perguntou afoita. Então me desculpe.. 24 ..respondeu Tiago. Conhecia bem a Débora e sei que nunca fugiu de nada! De repente sumiu! Abandonou tudo. forrando de branco o chão da rua e as calçadas. apesar de muito sentido. ao interrompê-la. o céu começou a escurecer rapid amente. Sérgio! A Dé não aceitaria isso! Ela jamais iria se corromper. Depois brincou: Hoje a don a Antônia me bate ou me expulsa de casa! Vamos Tiago?! Eles se despediram e foram embora. que é muito manipulável. estou sem defesa. disse: Nossa! Já é essa hora?! Puxa vida! . O quê?! .Alguns minutos e Sérgio afagou -lhe as costas. distração. cara! Você era menor e eu deveria te defender.Tiago abaixou a cabeça e comentou constr angido: Você era um moleque e eu não saberia como conversaríamos sobre esse assunto pelo fa to dela ser nossa irmã. acreditando que existia uma razão para tudo. Disse que se a visse novamente. ..disse Sérgio. Fui até sua casa e me disseram que ela não está morando lá. formando uma cortina nevoenta . levantando-se rápido. pois a Lúcia parecia possuída e começou a me agredir ostensivamente. Eu ameacei a Lúcia.. nós discuti mos. Eu sei o que aconteceu . Ela te adora. Eu sabia . dizendo com mais ânimo: Ei! Acabou! Aconteceu o que precisava acon tecer. Por que não conversei com você. pois ele me machuca mui to porque eu adoro a Débora. Por isso eu fui conversar com ela e lhe dei uma bronca..afirmou Rita. Ao chamar a atenção da Lúcia. Provavelmente não sentia por mim o mesmo que sinto por ela. apesar de inocente. lembrando-se de algumas situações. Eu me lembro de vocês brigarem! Mas não sabia o motivo! . O pai morreria! Porém deveria ter falado comigo.murmurou Tiago. preocupada e. com o pai. Tiago parecia em choque ao ouvir as conclusões do irmão. dizendo que agi a como se estivesse tentando seduzi-lo. Não demorou e. O Breno se aproveitou da fragilida de da Débora quando tudo aconteceu entre nós e a proveu com trabalho. Acho que trocou os números dos tel efones. .. Meu Deus. O Breno?! ..tornou o irmão. a chuva caia pesada.. Meus sentimentos dizem que a irmã man ipulou a Débora.lamentou Tiago. Não atende às ligações.. Se fosse outra garota.surpreendeu-se. Ei! Já passou! Quanto à Débora.. não se abala va.. Olhando no relógio. Será mesmo?! Se isso é verdade.assustou-se Rita. c nforto e tudo mais o que sentia falta desde que saiu da casa e da proteção do pai. atenção. Sobre os assédios da Lúcia . nós brigamos feio. Na verdade. mas.. Havia algo incomum nos meus pensamentos frenét icos. Ela é uma moça sem responsabilidades. em plena tarde. muitas vezes. Vi nossa irmã...Discussão entre Sérgio e o médico Trovões rosnavam a distância. Sobre o quê?! .. Desculpe-me. . A mãe se meteu.. Suas manifestações de carinho eram carícias provocantes só com você. Não entendo o que acon teceu! Ela estava sem emprego.disse Tiago. O Breno se aproximou da Débora através da Yara e lhe deu toda assistência no momento em que mais precisava.afirmou Sérgio com tranqüilidade. brando. e novamente. Às vezes chego a pensar que ela usou essa situação c um motivo para romper comigo. Vamos parar com esse assunto.questionou Rita. Não suportei e dei-lhe um tapa.. o tratan do de uma forma bem estranha. Frente à janela de seu consultório. Sérgio ficou com seus próprios pensamentos e. Ficou um vazio. . Algo não resolvido entre nós.. A Yara. por isso não quis me ouvir. a Sueli. olhando os filetes de água escorrendo pelo vidro.a. Sérgio! . Sérgio permanecia em pé. Se o destino armou esses ataques.

Breve pausa. di minuindo suas atividades. Mas eu estava enganado. ou seja. Voltou. porém controlou a surpresa e a ansiedade. Eu experimentava uma tristeza. ele pensava em dar novos rumos à sua vida. não é. Ao se afastar. eu primeiro me analiso antes de determinada opinião. Temos um assunto muito import ante para esclarecer.. o rompimento dos laços de afeto e. Sérgio . quando contou sua vida e os fatos desagradáveis que enfrentou.Ao olhar. falou mostrando firmeza e tranqüilidade na voz: Um dia antes do falecimento de sua esposa eu experimentei momentos extremamen te desesperadores. Precisava arrumar um jeit o de abordá-lo sobre tudo o que Nivaldo contou.. ... O doutor Edison ficou longe de entender o significado do olhar expressivo de Sérgio que se fixou nele de modo enigmático.. experimentou um sentimento indefinido. cuja fo nte habitual de sustentação para planos futuros desapareceu de repente. Como psicólogo. amp arou as mãos nas costas da poltrona vazia onde antes havia se sentado e frente ao médico. Eu acompanhei tudo o que aconteceu com você.. No entanto. Sentando-se em uma poltrona e vendo o psicólogo acomodar-se à sua frente. Correspondendo muito educado. Certo! Pode falar! Sérgio se levantou.. a plicando-se e ampliando mais a sua carreira. Eu cheguei à cerca de uma hora e... Permanecendo em silêncio. Olá. a rejeição. mantendo cons igo mesmo um diálogo mental sobre situações e fatos a esclarecer até que se lembrou do d outor Edison. Foi nesse instante que poucas batidas à porta chamaram Sérgio à realidade e ele per mitiu em voz alta: Pode entrar! . Preciso retornar à ativa e o quanto antes. mas não uma depressão. Mudava de pensamento. Sérgio comentou: Estou surpreso em vê-lo! O senhor está bem? Sim. mas me recuperei por conta da nossa conversa.a situação mal resolvida entre mim e a Débora. pós-graduações. acho que eu sofreria se ela decidisse me deixar.perguntou o doutor Edison aproximando-se e e stendendo a mão para cumprimentá-lo. respirou fundo e deu alguns passos sem encará-lo. Est ou consciente de não ter superado . Confesso que naquele dia e u queria morrer. o médico contou: A secretária disse que a m aioria dos pacientes desmarcou na última hora por causa do dilúvio que está caindo. que não via desde o enterro de sua esposa. . O senhor sabe explicar mel hor do que eu o resultado do sentimento de abandono num caso como o meu. encarou-o fi rme até o rapaz argumentar: Foi bom o senhor me procurar para conversarmos. o rapaz estapeou-lhe as costas ao mesmo tempo e m que lhe pegou a mão. pois cheguei onde estava com meus próprios esforços e depois de tanta luta.afirmou calmo e com seu olhar típico de invadir a alma do ou tro. Aond e quer chegar? Não estou te entendendo. doutor Edison? Descobri que os créditos pelo sucesso não eram meus. Apesar de experiente. Um assomo de acontecimento s desagradáveis invadiu minha vida repentinamente e eu acordei em um hospital para me recompor. mas estava inseguro pelo período de luto do médico e deveria respeitá-lo. faço questão de diferenciar d epressão de tristeza. Mas vai entender . decidi vir conversar com você. Pensou e prosseguiu: É difíc il apagar da memória a injustiça que resultou na perda simbólica de uma pessoa querida . Fui traído.. Sabemos que muitas pessoas respondem ou reagem às bruscas perdas e separações. Por conta disso e pelas dificuldades já enfrentadas na minha vida. Sérgio! Como você está? Tudo bem? . principalmente.Breves segundos e continuou: Tenho certeza de que o senhor acompanhou atentamente o meu último encontro com a Débora aqui nesta clínica. Devo admitir que o senhor me ajudou muito. em sua sala e na sua presença.Enquanto observava a ação da natureza. Aquela demora o torturava. Espere. Bem. Iria me dedicar a especializações. mas o médico o puxou para um forte abraço. conforme o caso. o médico não consegui u decifrá-lo e isso o fez perder as palavras.. Agora entendo o que o senhor me contou sobre entrar em um mun do de escuridão e infelicidade no qual a vida não tem mais razão dizia calmamente. saber como estão as coisas. mas seria diferente.pediu educado. Se nós t ivéssemos conversado por mais tempo e de outra forma. Então me esforcei e superei a dor por ter outras atividades importantes para fazer. Valorizei minha resistência e me agarrei ao reforço de exercer uma atividade profissional que eu am o e muita coisa melhorou quando saí da polícia.

culpa e seus valores humanos. mais vejo que nada sei . por favor! Sérgio o fitava de modo indefinido.expressou-se menos agressivo. Bem. Um segundo antes ou no instante em que apertei o gatilho.Bem calmo. a capacidade de ouvir que nos dá c . Não foi por acaso. cada detalhe do que escutou de Nivaldo. Depois. perdi completamente o controle e não vi razão para continuar vivendo e quer saber?! Quer saber o que me fez viver após pegar a pistola automática. mas bem firme: Sérgio. Só esperava uma oportunidade melho r tendo em vista as dificuldades em diversos setores de sua vida.gritou Sérgio. direto e objetivo.perguntou o médico bem sério. Eu dei um tiro para estourar a mi nha cabeça. Sérgio?! . quer você acredite ou não eu ia te contar. Que ninguém tente Deus. É por isso que estou decidido a deixar de trabalhai aqui. Algo dardejante parecia escapar de seu olha r. Encontrei em O Livro dos Médiuns.. fui à busca de explicações científicas e razão para isso ter acontecido comigo. nos proteger e. eu nunca lhe pedi nada. Entretanto.. de seus sentimentos penosos d e insegurança.continuou calmo. amor e caridad e a cada dia para conseguir cumprir um pouco da minha tarefa de planejamento par a essa encarnação. ouvindo-o normalmente. o doutor Edison falou de maneira ponderada. foi como se alguém desse um soco na minha mão e arrancado à arma. falou veemente e irritado: Porém me senti um inútil. Nessa fração de segundo. Entendi a necessidade de adquirir energias novas para mudar meus defeitos. Apesar disso. contudo sua fisionomia era firme e tranqüila. sei o quanto você é racional.. Mas não houve te mpo. adorei . sem capacidade e um pobre coitado por não ter recurs os financeiros e fazer parte de uma sociedade que não está a minha altura! Nunca sen ti tanta humilhação. tive a certeza de que Deus tem misericór dia e envia um anjo da guarda para nos vigiar. A automática caiu no chão. Porém isso não é razão para se torturar dessa forma! Use a situação para autotransform observação.falou com leve sorri so. doutor Edison . Suspirando fundo. Sabe. precisamos esclarecer muitas coisas. no segundo seguinte. falou sem rodeios: Gostei da idéia que teve para ampliar a clínica. Ofereceu uma pausa. Eu só vi que fracassei em tudo! Eu estava em casa sozinho quando entrei em desespero. colocá-la na minha cabeça e apertar o gatilh o?! O quê?! . contou: Acredite ou não. voltou-se de cost as para o médico e olhava os relâmpagos fortes que se faziam seguidos de trovões que r oncavam. pensando que Ele irá intervir no momento crucial de tamanha insanidade! Estou estudando e apren dendo muito e. reflexão e ação! Você não é nenhum menino e tem muito potencial! Tem grandes v s humanos e imensos valores morais! Meus valores morais foram pro inferno! .comentou em baixo tom.. imprestável.defendeu-se em tom suave . Aproveitando-se da pausa. . tanta vergonha!. O senhor me traiu ao omitir que pagou parte do que caberia a mim como sócio para a montagem desta clínica! Pediu sigilo aos outr os para eu não me sentir ofendido! Fez-me acreditar que os meus serviços prestados f oram relativos aos custos e valores do que foi investido pelos outros! O homem exibiu um olhar triste. O qu e aconteceu comigo não é comum. Isso mesmo! . fazendo o tiro pegar na parede após passar de raspão na minha n uca. mas. Aliás.gritou o médico assustado. quase exigindo. Lembrando .. quanto mais estudo. Os clarões repelidos dos relâmpagos e os estouros dos trovões repercutiam sem trégua. Com a postura de quem adquiriu equilíbrio íntimo. E ncarava Sérgio sem se manifestar. É impossível eu co ntinuar me sentindo acolhido e respeitado por meus colegas e sócios da mesma forma que os acolho e respeito quando um sentimento de injustiça os incomoda pela sua p redileção por mim. o doutor Édison o encarou falando com segurança: Sérgio. falou: Quero que seja mais claro.O que quer dizer. Olhei em volta e não tinha ninguém. isso aconteceu comigo. em outros livros da Codificação e nas obras de relatos das pesquisas cie ntíficas feitas por Allan Kardec publicadas na Revista Espírita de 1858 a 1869. As rajadas da chuva forte batiam nas vidraças. fracassado.. me smo vendo o outro com expressão apavorada: . O rapaz contou-lhe exatam ente tudo. t rabalhar a minha Sombra a fim de efetuar uma tarefa de utilidade. ouvi uma voz estrondosa ecoar por todo o quarto gritando meu nome duas vezes e ordena ndo que eu parasse. por isso vamos usar a única coisa que nos difer encia dos animais: a comunicação! É o poder de falar.

perguntou sério.. Você sabe que todos os que tentaram ou se suicidaram e todos os que falam em co metê-lo apresentam caráter de dois aspectos. certamente. Etc. Sérgio. culpa. no seu caso. Só tenho uma coisa a te dizer .. virou para o senhor e. Enganei?! . como a situação se repete! Acorde! Lembra-se de que não con tou para sua namorada sobre o problema com sua irmã. Não.. Tem os o que merecemos e conseguimos suportar. Olhando Sérgio nos olhos. É mais fácil confiar na palavr a de um outro e não na de seu amigo que o considera como um filho! Sérgio sentiu-se desarmado de palavras. parecendo envergonh ado. Entre elas a solidão. apontam como causa às tentativas ou aos suicídios os distúrbio s. A quem muito é dado. que vai acabar com tudo vêm de inspirações de espíritos inferiores. O médic o prosseguiu: Clínica ou cientificamente falando. contra o Criador. pois todos os pacientes com tendências suicidas que já tratei ou ain da cuido. muito será pedido. dois valores opostos! Ao mesmo tempo a pessoa deseja uma situação que é a morte. cientistas. . de um jeito ou de outro. Em seguida. pediu: Desculpe-me. com todas as su as pesquisas e estudos. o médico se leva . Etc. Por isso não tome decisão alguma. mas você ficou sabendo por i ntermédio de palavras fortes ou cruéis que o feriram.lareza e objetividade. Por quê? Não sei. mas sente que não quer aquilo! É um grito de soc orro! Ninguém estuda ou pensa: de onde vem um e outro desejo que são tão diferentes ao me smo tempo? A vontade de se matar e acreditar. seguem inúmeras explicações pelas tent ativas mal sucedidas de suicídio e milhares de suicídios consumados anualmente. o médico ainda falou: Eu acredito na intervenção dos espíritos. Você tem a liberdade de escolha e os espíritos bons não ficarão interferindo na sua von tade.. espíritos bons e sábios. Sérgio. Orai e vigiai. Você ouviu e sentiu a atuação d s. estupidamente. O que te aconteceu não foi por acaso.gritou. fechou os olhos esprem endo-os e respirou fundo. não abuse da proteção Divina. E Jesus fal ou quando tentado a se jogar do penhasco: Não tentarás ao Senhor teu Deus! Mas exist e algo curioso. a vergonha por algum fracasso. Olhou para o chão. Não! Eu omiti. Peço gentilmente que se sente e me ouça.. Não é necessário você se torturar! .. Sabe por quê? . mas avisei aos outros que eu iria conversar depois com você! Veja. é que eu ia te contar. A partir de análises de casos clínicos leva-se a crer em diversas razões para o suicídio. relatam que receberam pequeno alerta o u sinais para não cometerem esse ato.O rapaz ficou em silêncio e o do utor Edison respondeu: Porque todos são importantes para Deus. é inspiração do guardião. pois isso é raro. Pare com isso! Não preciso das suas desculpas por ter minhas opiniões formadas. principalmente. que todo e qualquer motivo que leva alguém à tentativa ou à prática do suicídio existe a atração de u influência espiritual. por ignorância.Depois de esbravejar. vendo-o brando e pensativo. Mas o senhor me enganou. remorso. A prova da atuação dos bons espírito s é que você está aqui. nesta reencarnação. A prova da intervenção de espíritos inferiores para que você não tenha êxito e se detenh caindo em ruínas. fuga de situação insuportável. as síndromes ou condições específicas e situações do cotidiano.falou de modo rigoroso . desejo de manipular ou controlar os outro s etc. Eu. O desejo oposto e conflitante de não quer er morrer. todos. Quero dizer que especialistas renomados. O índi ce é muito alto e se eleva a cada dia. Está me dando aula por acreditar que eu não entendi ou perdi alguma coisa no curs o de Psicologia? . medo de castigos e agressões. esperando um momento oportuno ? Não teve tempo e agora quer que a Débora acredite nas suas explicações e não nas acusaçõe njustas e provas falsas! Da mesma forma. mas uma dureza permanecia em seu olhar firme e rosto sério. isso com a finalidade de chegarmos a um entendimento just o e viável. Depende somente d a pessoa escolher de que lado quer ficar.O rapaz obedeceu. quando s trata de cientistas americanos uma vez que a religião protestante lidera naquele país e não aceitam por ceticismos ou por orgulho e não sabem.. reação impulsiva por perdas. apesar de a indagação parecer irônica. você não é capaz de acreditar em mim nem dese ja ouvir minhas justificativas e me agride com acusações. O suicídio e o aborto são os maiores crimes que podemos praticar contra a vida.. assustando-o. Nenhum fardo é tão pesado. d epressão crônica.

Ao vê-los. Já foi. Tiago se aproximou. Como o senhor quiser. Sérgio tomou um banho demorado para relaxar e só depois foi preparar algo para o jantar. Sérgio: você não tem perso nalismo. autotortura. S orriu e completou: Está cansado mesmo! . exibindo-se asso . autoflagelação.Voltando-se para Sérgio. né? Saindo em seguida. . pense muito sobre nossa conversa. mas tem um grande descrédito pessoal. que estava sem pacientes e lia um livro. Sem titubear. posicionand o-se melhor quando Sérgio acomodou-lhe o braço e o cobriu. fechou a porta do quarto para o outro descansar. enquanto o doutor Edison falava sério e firme: Sérgio. Rindo ao ver que o irmão não acordou. O temporal atrapalhou a vinda de todos à clínica . Suas qualidades morais e virtudes espirituais não são exibições mascaradas com a titudes ou palavras. João ficou calado e observando. mas deduziu tratar-se do assunto sobre a sociedade daquela clínica. Sérgio chegou à sua casa e. a todos os recursos exteriores à su a volta e neles centralizam os sentimentos e as idéias magnetizando-os com fluidos conflitantes e deploráveis que serão aceitos lentamente por você com uma visão errada d a verdade.Tiago resmungou e se remexeu. Quando digo que é o sal. remorsos ou reações impulsivas tomarão espaço em sua me nte junto à autopunição. ao ver uma camisa sobre o sofá.. É preciso desenvolver o auto-amor par a não deixar seus pensamentos servirem de brinquedos. falou: Acho que a Rita deu jeito em você. a solidão. Não. é por você fazer a diferença no sabor da vida daqu eles que seguem o caminho que você aponta. São forças vivas que fazem e farão diferença na vida das pessoas e dos espíritos. com um ar de vitória em seu semblant e.. sentindo-se atordoado. provavelmente. João sorriu e os cumprimentou dizendo em seguida: Que chuva. a ilusão de fracasso. Somente olhava para um e para outro sem entend er nada. como estudioso e capacitado às pesquisas metodológicas. lembre-se de que nem todos são merecedores de tamanho empr ego de forças ou energias fluídicas vitais do plano espiritual! . viu-o largado de bruços sobre a cama e o braço caído com a mão encostada no chão. Entraram na sala de J oão.justificou João. hein?! A cidade está alagada! E o Nivaldo?! . é a Terapia da Oração e a vigilância com hábitos físicos e mentais na ética Cristã nisso. instrumentos aos espíritos vul gares que se apegam a tudo o que lhe acontece. o sentimento de culpa e outros tipos de arrependimentos.perguntou o médico sem rodeios. explicaria a situação. * * * Alguns dias depois. Algum tempo na cozinha. meu caro! Você vai muito além do profissionalismo e dos ensinamentos ac adêmicos. pois ouviu isso anteriormente . O doutor Edison o encarou. . perguntou: Pode ser assim? Claro. Eu quero conversar com vocês três. mas. Sabia dos fortes laços de amiza de verdadeira entre João e Sérgio que. Só lhe dou um aviso. Depois olhou pela janela certificando-se de a chuva ter diminuído de intensidad e. Sem demora. ded uziu que Tiago estava lá. Não é um mero psicólogo preso às terapias. para nada servirá. O único remédio para uma pessoa como Sérgio. João permaneceu em total silêncio. Se o sa for sem sabor. Resgatando-o das reflexões. Faz tempo que não o vejo assim. o médico se despediu deixando-os a sós. quase sorrindo.Leve sorriso enigmát ico e falou com ar de satisfação: Isso só aconteceu porque você é o sal da terra. relembrou muitos acontecime ntos em sua vida. A rigor. Meses ha viam passado e nenhuma notícia. vagarosamente. Sérgio o acompanhou. Em pouco tempo. Uma pitada de tortura o feria quando pensava em Débora.ntou e pediu: Venha comigo! Vamos resolver esse assunto agora mesmo! Veremos se o Nivaldo e o João estão livres. Podemos d eixar para amanhã. Indo até o quarto onde o irmão sempre dormia. O caminho profissional que escolheu foi por um ideal inconsciente. hein?! falou normalmente sem acordar o outro.falou o homem insatisfeito. travando um diálogo mental. Você tem um objetivo espiritual para isso e talvez ainda o ignore. O que o senhor quer dizer? questionou surpreso.

o irmão falou: Boa noite! Não sabia se deveria acordá-lo. informou: Recuso-me a receber um não como resposta. pela comid a . Sérgio! Você se mudou para ter seu canto! Eu me mudei para ter paz. Sérgio gargalhou com muito gosto e atirou-se para trás da cadeira.Sem deixá-lo falar mais. estava na academia ou nas baladas? Depois de mais de trinta e seis horas de extremo trabalho tenso e delicado. Ei! Ei! Ei! Espere! Não pense muito. Psicologia . Ali nada muda.. Oi!. Sério?! . Daí você sabe.titubeou.. Sabe. boa forma e muita dispo sição mental e física.. Além disso.De repente.perguntou brincando. A Ana só grita.. Puxa! Meu serviço exige atenção. não é organizada e quando o Marcílio chega.Sérgio deteve-se por ins tantes espremendo os olhos como quem tivesse uma idéia relâmpago e perguntou: Você ter minou de fazer aquele curso de massagem?! Sim.. ..tornou Sérgio.. cara! É.gritou. fa lou rindo: Eu sabia! Ta tirando uma com a minha cara?! Lógico que não! Eu sempre falei da sua capacidade e paciência para ouvir pessoas e.. Ela é uma mulher que não tem disciplina. Venha morar aqui de uma v ez por todas! O que está esperando? É que. Ao vê-lo. mas estou preocupado com o horário na polícia. como se isso resolvesse seus problemas. os meninos não têm educação nem limite.. levantando-se. vamos dar um jeito nessa situação. Ninguém consegue se concentrar direito no que faz se não dormir bem . os irmãos jantaram e conversavam tranqüilos Como está lá na casa do pai? . É. vendo-o se sentar e esfregar o rosto. ma s está insuportável e é por isso que venho para cá.. eu te ajudo! Para não ficar parado.murmurou Tiago. Entram no arto me acordam com gritos. Eu sei bem o que é isso! . Sérgio. mude-se para cá e. Agora com mais uma criança chorando. parecendo ordenar: Peça baixa! Saia da polícia! O quê? Ficou louco?! Como vou pagar o curso?! No que for preciso. A Rita vem me convencendo há tempo e só agora acordei. Ei?! Sabe que me deu uma boa idéia! . Eeeeeeh! Vai querer me cobrar aluguel pelas noites que durmo aqui. terá tranqüilidade e todos meus livros à disposição! Se precisar de algo mais. Tiago.brincou. Vai tomar um banho para nós jantarmos .indagou empolgado.. Já viu. Tiago! Saia da PM. pois lá não consigo descansar tão pouco rmir. o doutor Edison quer ampliar a clínica e logicamente precisará de profissi onais nessa área. Sérgio falou sério.. e stou um pó! Um dia é enchente. Gostaria de conversar um pouco com você. Você não me incomoda em nada. E o que vai fazer?! .... lembrou: Nossa! Fiquei de ligar para a Rita e. levantando-se. Gosto de crianças.. Olhando-o firme. . .quis saber.aconselhou Sérgio.norentado. poderá estudar e.. Mais tarde você telefona . E aí? . .sorriu. e u te ajudo! . Pouco depois. dê aula em alguma academi a. né?! Sempre aquela briga! E a mãe se metendo.alegrou-se o outro num grito. no outro desabamento. Que horas são? Quase oito da noite. O salário quase se equipara ao seu. .. Puxa! Como estou contente! Que legal.. Estou pensando em fazer um curso superior e já me in screvi para o vestibular. Pegue suas coisas e se mude para cá! Não. Olha. entendendo a necessidade de melhorar minha vida.. Por quê? A clínica! . Trabalhou muito... depois incêndio. mora ndo aqui. .murmurou com voz rouca. Riram.. Em seguida. O quê? Tiago.

Sei lá! Fiquei hipnotizado pela Rita! ...indagou Sérgio com brandura... Sérgio!. . Tentei ser profissional. brincando e rindo ao encostar-se em você. cara. . Agor a ela não fala. Ela contou que gostava dele. fazendo-o pensar! Mas.. Como assim?! Entendeu muito bem a minha pergunta. fixando olhar tranqüilo no irmão. medrosa..enfatizou. mas não suportou e disse de uma vez: Agora eu entendi melhor por que aconselham que não é viável terapia com parentes e amigos. . acuada.. em dese spero que vimos aqui?! .. tão arrependido! .. A Rita se lembrou dos seus livros e. não perca a oportunidade! Tenho certeza de que a Rita vai concordar comigo e vai te incentivar! . Não temos nada além de uma sincera amizade e respeito ..Eu não sei.. seu jeito travesso. Depois explicou: Por essa razão. respondeu: Está sorridente ao seu lado! Só fal ta criarem coragem para assumir.. seu modo de andar. Que pensamentos? . Mas.. eu a entendo e respeito.. Parece que ele tinha outra. Sérgio. de se vestir.. porque você é essa referência. Eu prometi ser seu amigo e só me afast aria se ela pedisse! Você entende?! . ela pode se afastar de mim caso não seja isso o que queira.Breve pausa e lamentou: Que absurdo! Nossa! Ao saber como ele morreu.sorriu. seu riso.....Vendo o irmão em dificuldade para se explica r. Não termina ram o noivado para não causar um choque na família que os apoiava. Eu gostava dele. Seu jeito. Onde está aquela jovem assombrada. Mas além da amizade?! . Breves segundos e Tiago suspirou fundo. Adorei toda aquela espontaneidade... de repente.Ao ver o irmão sorrir. O cara era legal. sem qualquer outro envolvimento. Muito mesmo! . Pare com isso! Ela está livre de recordações e isso dá pra ver em seus olhos quando e stá com você! Já falou sobre seus sentimentos por ela? Não posso. E eu. Certo. Sérgio perguntou propositadamente: Você e a Rita. se torn ou noivo. quase nervoso. o perfume. Claro! Não pense muito. implorei perdão ao Gustavo e prometi cuidar da Rita mesmo se fosse só pela amiz ade. mas havia se acostumado e. ela confia em você. um namorado que.. esfregou o rosto com as mãos e admitiu: Gosto muito da Rita. por não te r muitos amigos verdadeiros.. Logo que a conheci. Será?! . A Rita falou muito no ex-noivo e.. de falar. Fi quei enciumado ao saber que havia um outro. Não começa! Por quê? Não quer admitir que gosta dela? Ou não quer que ela saiba ou tenha certez a de seus sentimentos? . . Veja bem.Tiago quase chorou ao dizer: Pedi tanto perdão a Deus por aquelas i déias. às vezes me arrependo por alguns pensamentos.. meu modo de pensar e de ver o mundo.. Sei o quan to ela ainda ama o Gustavo e. pois comparti lhou tantas coisas pessoais.. Ela só me quer como amigo! Sérgio contorceu o rosto tentando segurar o riso. Sérgio! É uma situação difícil. Sérgio sentou-se à sua frente.disse Tiago. observando suas reações. sugestões.disse.riu gostoso.. Eu.. E se ela gostar de você com a mesma intensidade e tiver o mesmo medo seu? Não creio. Posso usá-los no curso e não t erei tantos gastos.. . Depois de tantos anos de namoro e pouco tempo de noivado. Tiago. Eu e a Rita somos amigos! Isso eu sei. .Logo revelou: Só fiquei com a consciência ma is tranqüila quando ela disse que o compromisso deles não estava indo bem.Sem esperar. Nossa! Nunca me senti tão mal.gaguejou.revelou um pouco constrangido. Bem. Mas e quanto aos seus sentimentos pela Rita? Ei.tornou preocupado e curioso. Não quero afastá-la de mim! De modo algum! be. Ela me considera um amigo. mas não deixava de pensar em afogar a quele sujeito se eu fosse designado a salvar sua vida.. terminarem não fazia sentido... Foi por causa da Rita qu e mudei radicalmente minha vida.!-. c omo estão?! É.. parecendo uma resp osta afirmativa às ou. Eu sei disso..Sorriu ao repetir Como vocês estão? Em que pé está o envolvimento de vocês? Ora.. eu. Ela era uma mulher carente e falou no ex-noivo por não ter outra referência. íntimas que não fez com ninguém! A Rita aceitou sua compa nhia até para ir ao doutor Edison! Já a vi abraçando-o pela cintura. Lógico! A Rita me pediu com todas as letras para eu não me afastar dela.

Tiago. Afeiçoou-se demais e chegou a falar comigo a respeito. Tiago e Rita . . na verdade. é por sua causa. Acorda. baladas!. um abraço... aceita o seu braço sobreposto em seu ombro e parece se sentir abrigada. o trata.Além de cego.. Sérgio argumentou: Vocês estão tão ligados que passaram a ser dependentes um da opinião do outro. A Rita está preocupada com as despesas. pela falta do marido. um afago. Eles estão bem estabilizados financeiramente. vou ter de você?! Como é? Vai encarar?! Eles riram e o irmão avisou mais sério: Se a Rita quer sair de lá. A Rita sabe disso e.retrucou o irmão brincando ao se levantar para atend er ao telefone.Preocupado. Ela gosta muito da Rita.S orrindo apaixonado. Sérgio sorriu e foi arrumar a cozinha. Não que o João deixe de lhe dar atenção ou carinho. pois não a deixam contribuir co m nada. Não posso negar que adoro ficar com a dona Antônia. Tiago sentia o coração acelerado. o amor te deixou burro! . a Rita.Nesse in stante o telefone tocou. conversam diariamente por tel efone. aos filhos que adotou crescidos como eu. A Rita é especial! Acredito que vocês dois tenham o mesmo medo: admitir os sentimentos e achar que um vai se afastar do outro porque era só uma amizade. ela transf eriu sua afetividade às crianças que cuida voluntariamente na creche. Ei! Qual é?! .. Não acho uma boa idéia.. Escuta. esclareceu: Aquelas eram diferentes. É para você! É a Rita! Deixe de ser engraçadinho! . Você tem certeza? . Explique o que vem acontecendo nos últimos tempos. Como se pudesse ler seus pensamentos.Pode atender. pois a vi passando a mão em seu rosto com gesto de carinho. teme ver sua vida íntima invadida pelas possíveis opiniões da senhora que praticamente a adotou....Pequena pausa e comentou: Existem mulheres e mulh eres. Quando parou de rir. Sérgio riu e disse: . sem contar com os incentivos positivos que trocam em meio às idéias.brincou Sérgio. Bem que ela poderia ser minha mãe! Opa! Eu disse isso primeiro! . A dona Antônia ficou viúva cedo. certo? É.. Reparo u nisso? Não conseguem ficar muito tempo sem se ver. que é filho le gítimo... Aquela casa tem tanta paz! Su as conversas são tranqüilas.protestou o irmão de modo ingênuo. pois tenho m edo de pensar que estará sozinha e.. Teve somente um filho e é uma mãe carente. Não acredito que você é meu irmão mais velho! Não acredito que estou falando com aquel cara chegado a festas. mas. Ela quer liberdade. você. 25 . Mas eu entendi.gargalhou. Sabia que a conversa dos dois seria longa. A Rita pensou em sair da casa da dona Antônia. recostando-se em você. Realmente era Rita... ficou pe nsativo. .perguntou sério. Recordando-se rapidamente de detalhes. o incômodo. Geralmente segura a sua mão como se não quisesse que tirasse o braço de seus ombros. comentou: A dona Antônia percebe u que ela quer voltar a morar em uma das casas do pai e eu a vi chorando.exclamou com ironia ao rir. Tiago! Ela reconhe ceu a amizade verdadeira e pediu que continuasse ao seu lado! Entendeu? A Rita não mencionou que o quer exclusivamente só como amigo. . se preocupa com você. ficou triste.Juntos. você está me ofendendo! . Tiago! Tenho observado como ela o olha. Não tenho medo do João. a Rita abandonou o passado! Se ela pede para não se afastar dela é porque g osta de tê-lo ao lado! Admitiu total confiança em você pela amizade verdadeira! Sim! E eu prometi ser seu amigo! Oh! Mas que irmão gênio! . você não namorou não?! E aquela mulherada que vivia te telefonando?! Sérgio. Sérgio voltou a falar de modo mais esclarecedor: Cara. Nunca dei valor à coisa fácil e não encontrei alguém por quem me interessasse. pr otegida... Não entendeu nada. Além disso.

Em outras palavras. Tenho consideráve l salário por meu trabalho em congressos. q uando o médico falou: Assim que comecei a dar aula na graduação para a turma de Psicologia. Vamos lembrar que outor Édison assumiu tudo.. mas não foi por dinhe iro. fiquei de olho no Sérgio. vocês três sobr essaíram. E se o do utor Édison fosse o pai do Sérgio. nem sairá do seu lso. O rapaz sentiu-se aquecer. Então chamei o João e o Nivaldo e avisei sobre eu custe ar a parte do Sérgio. mas não tive tempo e soube que o Nivaldo. Todos aqui são espíritas e essa filosofia Cristã nos chama para uma auto-avaliação. viu Nivaldo?! Não adianta trabalharmos aqui com má vontade. insatisfeito . está muito enganado! Quem imagin ar isso está pensando igual aos crentes. por favor! Não fale besteiras! pediu o médico com um jeito eng raçado e incomum. Foi o seu pai. Deixei claro que eu conversaria com ele a respeito disso. Nivaldo. eu quis me unir a vocês.. que encontrei um meio de ser o simples médico humano. Cuidado. . reclamou ao João sobre o meu protecionismo financeiro ao Sérgio. É primordial selecionarmos os lugares que freqüentamos. Olhando para Sérgio. ficar duas ou t rês horas por semana no centro espírita e depois passar de cinco a dez horas nas bal adas. Sou um professor doutor renomado. tomar água fluidificada e fazer o Evangelho no Lar é o bastante para se r recolhido em uma Colônia Espiritual como Nosso Lar . Acontecimentos em minha vida me desvendaram um novo mundo onde eu deveria a tuar e não preciso dar detalhes.. orientador e amigo. evangélicos ou protestantes por que basta p .falou bravo. Eu não cobro os atendimentos clínicos que faço aqui nem dos pacientes que vocês me encaminham. chamando minha atenção. faço o maior empenho para conseguir os medicamentos necessários. seus esforços. Nivaldo?! Qual prejuízo terá?! Não saiu. junto de vocês. ele não é falso. sua dedicação. percebi que isso aconteceu porque eu mudei as idéias simples que tive ram e ampliei os horizontes. Sérgio fique quieto.. os hábitos inferiores que temo s. Es perei por um período de trégua. bem com o a tolerância. agora resolvi inúmeros problemas e posso arcar com a parte que me cabia e o doutor Édison omitiu.. Nessa ampliação da clínica. Aos sem condições. O doutor Édison continuo u firme e sério: Lá na universidade. não eram e não ascaradas por ele. Não nego! . Acompanhei seu sacrifício .reforçou João com nítida tranqüilidade. rec eber passes. E também. ficarei no prejuízo sua proteção ou auxílio financeiro ao Sérgio! Mas qual prejuízo você teve. pediremos ao contador para calcular o que devo a vocês e. a caridade e a socialização. não seria o mesmo? É o seguinte . Chamou-nos aqui para ressaltar seus atos caridosos. Sérgio calou-se com o susto e João quase riu.inquiriu Nivald o sério. palestras. que é o mais difícil de fazer. Logo percebi que ele precisava e precisa se harmonizar com a sombra do descrédito pessoal. Estavam todos sentados em sua sala. assistir a palestras. Nivaldo .admitiu Nivaldo severo. Sérgio?! . Mas foi aqui.Breve pausa e continuou: Q uando vi logo de início que o Sérgio não teria total condições financeiras de arcar com al guns gastos. Foi por essa razão que o ajude i! Além do que. Estamos reunidos para uma avaliação de nossos feitos e se você aprende com o exemplo alheio aprenderá a duras penas. rapaz! Vigie seus pensamentos e suas palavras! O que sai da boca vem do coração. Se alguém aqui tem a ilusão de que ir ao centro espírita. a parte que cabe ao Sérgio investir! Fui eu quem pagou e pagarei. Ao vê-los com planos de montar uma simples clínica em so ciedade e focados em valores humanos. É algo parecido! Você teve ajuda de seu pai e isso não nos prejudicou. psicoterapias em meu consultóri o particular e outras tarefas. Precisamos de decisões e soluções maleáveis para termos um melhor relacionamento aqui dentro! . É necessário crescermos e cuidarmos da vida mental.interferiu Sérgio que estava inquieto ao ver Nivaldo com o rosto v ermelho e olhar colérico . doutor? . sua humildade e aceitação. Lembre-se de que Jesu s aceitou ajuda para carregar a cruz! Você não deve nada aos sócios ou à clínica! Eu fiz o que eu quis! Dê de graça o que de graça recebeu! Entendeu. mas irônico. advertiu: Espero que não seja orgulhoso. Sua ética moral.O quanto antes o doutor Édison marcou a reunião com os três psicólogos sócios da clínica pois por inúmeros motivos precisaram adiá-la.. e não você ou o João! Isso é verdade. a idéia de ampliar a clínica foi minha e o prejudiquei. quem o ajudou finance iramente para fazer parte dessa sociedade na clínica e quem também pagou a sua facul dade. não se esqueça. como já disse.tornou o médico com fala firme. mas não sabia o que argumentar.

iniciaremos a seleção de profissionais bem qualificados para as áreas alternativas.interrompeu o médico. escondendo um sentimen to rancoroso: Peço desculpas ao Sérgio por eu ter me precipitado e. mas procurar ajuda! Os melhores psiquiatras e Psicólogos são aqueles que faz em terapias com outros profissionais qualificados. Doutor Édison .. praticando bate-papos inúteis.. inferiores à elevação moral. . Tudo o que fizermos p recisará ser de boa vontade ou criaremos um ambiente hostil e isso é muito ruim. creches etc. Não é.perguntou. Quanta s vezes fomos a uma casa espírita para uma palestra ou uma atuação caridosa e vemos um trabalhador. Nós vamos nos centrar nos valores humanos a começar por nós. A gora. É bom aceitarmos ou admitirmos nossos defeitos e começarmos a nos transformar.. Sérgio!. O que pensam que acontece?! Ah! Fico excitado! .. Parecer educado.chamou Sérgio . desânimo. Nivaldo disse sem encarar ninguém. pois são eles que m vão recebê-los na espiritualidade quando desencarnarem. Isso eu vou discutir em particular com o Nivaldo. corrigindo pensamento após pensamento e conter os comentários venenosos re sponsáveis por grandes crueldades e geradores de fracasso... Os futuros médicos o u psicólogos terão seus espaços individuais e pagarão aluguel pelo que ocuparem. imagens ou mensagens pornôs.. vamos ao que interessa. sites pornográficos. Iss o inclui os trabalhos não remunerados. comprei o prédio ao lado para ampliarmos a clínica. nada equilibrado. Saibam que vou custear toda a reforma para a ampliação desta clínica.. alterando-se. O Nivaldo tem seus defeitos de c aráter ou de comportamento.edir perdão e só! Não! E preciso seletividade das ações físicas e mentais! Deixar de ir aos barezinhos pensando que beber. . hospitais. Preparem-se. fofocar com os amigos. fumar. meus querid os! Porque a energia que o envolve pela compulsividade sexual. excelsas. Na internet .. doutor. de prevenções ou terapias para alívio de transtornos diversos. . De onde acham que vem n energia excitante? De espíritos que se com prazem com o sexo promiscuo. com . não pagos.Interrompeu o médico. Pensa que correr toda sema na ao centro espírita e receber passe vai ajudar a ir para Nosso Lar ? Não. gesticulando de modo singular e falando com um tom irônico e voz baixa: Faça um favor para mim?! Pare de pensar! O imóvel me pertenc e e para que não achem que estou protegendo alguém. psicoló ica. realizados aqui ou instituições como c asas de repousos. se estamos aqui encarnado s. Você não imagina as conse qüências do que fez! João! .respondeu à própria pergunta.tornou o doutor Edison . Somos seres humanos e. suicídio.. Vou dar um exemplo que todos conhecemos. um tarefeiro ou dirigente do centro. eu não me sinto bem com a decisão de ficar isento de arte dos custos para a formação da sociedade desta clínica. promíscuos e bem inferiores.Avisou sem demora: Eu já comprei este prédio. Não vamos nos castigar po r isso. que é uma pessoa boazinha. assim como nós. Sejamos honestos uns com os outros! Vamos acabar com o personalismo e a menti ra! Não estamos juntos por acaso. Se alguém não se opuser. mas o outro não respondeu . quando passam horas e horas vendo beste iras. meus qu eridos! Vocês estarão se afinando e recebendo energias de espíritos beberrões. Aproveitando a pausa.advertiu o doutor Édison. Não paga remos mais aluguel. Então penso na possibilidade de pagar uma porcentagem maior na ampliação e. Mas ele precisa se controlar! João! . atencioso ou bonzinho não significa dedicado e afetivo.exclamou João. di a após dia. Nesse período. pelo prazer em ve r filmes pornôs são mais densas e impregnam no corpo espiritual e não dão espaço aos passe s de bênçãos sublimes. Fui claro?! Nossa sociedade continuará com o percentual cabível a cada um. Só e stou aguardando a documentação.. mas devemos ser sinceros. eu gostaria de me en carregar da seleção dos profissionais que trabalharão aqui na área da saúde mental. zombeteir os. Perdoe-me. Nivaldo?! . contar piadas indec entes ou ficar olhando para o bumbum das mulheres serve para relaxar! Não. Abalou-o de alguma forma?! . Além disso. é por termos a necessidade de mudar algo inferior em nós. mesmo que esse pro fissional venha a alugar uma sala. doenças. sabiam? Eles sabem que são sere s humanos e permitem a ajuda de alguém ou simplesmente desabafam ou ainda permitem -se à orientação. Talvez eu o tenha abalado de alguma forma.

ele pegou alguns papéi s e mostrou-lhes: Aqui tenho três instituições que precisam de assistência psicológica. . intimamente. Ótimo! Parabéns! João se levantou e pegou um dos papéis. mostrando a importância da tarefa de cada um. por exemplo.falou o médico firme. elev ando a auto-estima. senhor. ouvindo pacientemente pessoas simples ou intelectuais comentando de alguma dificuldade. a camuflagem de um comportamento calmo. Tiremos primeiro a trave dos no ssos olhos para depois tirarmos o argueiro do olho do nosso irmão. ter essa ou aquela profissão. pois alguém precisa ficar ativo no serv iço. As pessoas voluntárias relatam sentirem-se úteis no serv iço de caridade e melhoraram consideravelmente a auto-estima.. Só duas horas! E me diga já obteve algum resultado? Sim. acho que nem toma banho.quis saber o médico. Qual o tempo gasto para isso? . Apesar de poucos meses. confo rme o caso. Comecei com esse traba lho para ocupar o tempo e os pensamentos. avisou: Mas não só para as crianças. muitas com comportamentos preocupantes de agressividade . Há alguns meses eu faço esse tipo de assis tência em uma creche e uso o seguinte método: primeiro observo as crianças. porque veio chamar os pecadores ao arrependimento e não os justos. Fez alguns ou todos os cursos existentes sobre a Doutrina Espírita e ac reditam serem sábios o suficiente! Vamos lembrar de Jesus sentado com os publicano s e pecadores dizendo que os sãos não precisam de médico.. . sorridente e gentil. ensinando-lhes o Evangelho. um médium ou passista no centro espírita.. de problemas. mas sim os doentes. um dirigente.falou parecendo envergonhado. deixar de usar a máscara. na verdade. ou seja. a vaidade e a hip ocrisia. cerca de seis. aparentemente passivo. do trabalho amoroso. repentinamente. Vamos trabalhar dentro de princípios Cristãos. O Mestre falou sobre querer misericórdia e não sacrifício. Lá. as crianças. Jesus sentou-se com pecadores. transformaram o quadro clínico. um psiquiatra. provavelmente pela falta de afetividade em casa com os pais ou responsáveis. dos sãos. Vamos abandonar o personalismo.. cultiva o orgulho. do acolhimento fraterno e todas as ét icas Cristãs. por isso dá para o senhor falar de higiene? . Resultados bem positivos. também.fala angelical. mas eu diria que a s reuniões se transformaram em um reforço moral. Cerca de duas horas por semana. um advogado. Fico cerca de uma hora com as crianças e depois peço a alguns funcionários e voluntários para se reunirem no refeitório. do hálito de alguém n em falou da falta de banho de um outro. Sérgio fez o mesmo e Nivaldo o acompanhou. psicológico e sugestões de uma forma ge ral. . quando. . Só que depois esse tarefeiro bonzinho cheg a até nós reclamando: ai. min imizaram o comportamento à medida que as professoras e Voluntárias passaram a recebe r orientação de como tratá-las.o médico deu uma pausa e continuou: Acho que leram dois ou três livrinhos espíritas e pensam sabe r de tudo.Sér gio pensou um pouco e revelou: Eu fui o mais beneficiado. Não posso chamar de terapia em grupo. É aquele que sabe de tudo! Mas.. Sorrindo. Vira ndo-se para o outro.Sem demora. doutor! Aquele sujeito é desequilibrado! Aquela outra ali é um fardo! Ai! Dá um jeito naquela ali que tem mau hálito! Aquele outro sempre está suado. daremos palestras? Ora! Nivaldo! Você é psicólogo e deveria ter a resposta! . Trata-se de pess oas de diversas religiões e por isso me vigio para não destacar o Espiritismo e resp eito às outras crenças. é ser perfeito! . Registrei dois casos de voluntários depressivos que. O que o senhor quer dizer com tudo isso? perguntou Nivaldo. perguntou: O que acha. É preciso fazer com que os trabalhadores e voluntários sejam beneficiados psicologicamente para que se sintam mais disposto s na prática da tolerância. dos doutores das leis. O que faremos com essas pessoas. Não dou uma palestra.enfatizou. eu converso com eles. publicanos e muitos outros. A diretora da creche me disse que o número de voluntários vem aumentando por ca usa dessas reuniões em grupo. ser um voluntário. por ser um médico. Não reclamou das queixas que ouviu. um psicólogo. o persona lismo dos sábios. O personalismo é acreditar que. um tarefeiro do centro . mas dou-lhes um reforço moral. Jesus só não admitia a hipocrisia. faço algumas perguntas aos funcionários e até dou orientações especificas a determinada criança. pois sou ser humano. está pensando cobras e lagartos a respeito de todos ou de alguns à sua v olta. a falsidade. Sérgio?! Bem..

concordou a moça. onde Rita comentou: Ai!. Tiago chegou e. Cairá um dilúvio amanhã na cidade! Não estou vendo suas coisas espalhadas! Ah!. Mas não disseram nada.. Eufórica ela gritou em seu ouvido: Ah! Consegui! Parabéns! Estou tão feliz quanto você.gritou Sérgio. sim. Que alívio! Que bom terminar a graduação! Viu?! Sorriu com jeitinho delicado : Agora sou jornalista! .. Que pena..correspondeu. brincando. Não quero que se sobrec arregue. Podemos ir? Quase não consigo te ouvir! . foi à procura do irmão. Sentado a seu lado o rapaz se virou para olhá-la e perguntou: Eu?! Não fiz nada! Os méritos são seus! . Tiago corria o olhar entre os estudantes b uscando Rita. o doutor Édison comentou: Sérgio.prontificou-se o médico. mas tive a impressão de que a mãe se sentiu aliviada. Não demorou e a jovem veio correndo ao seu encontro. eu soube que se inscreveu para fazer pós-graduação. vendo a luz acesa. Depois o aviso . Pode ser agora? Sem dúvida . Não reparou em nada? No quê? . encolhendo as pernas num forte abraço quand o ele a sustentou e sorriu por saber do que se tratava. além da dose de conhecimento. Você já realiza trabalho s lhante. Um ano havia se passado. Sérgio? Puxa! Desculpe-me! Não sabia que já era o proprietário . expressando ime nsa alegria ao atirar-se em seus braços.Em seguida argumentou: Tantas coisas aconteceram. Sentiu falta de um livro e foi procurá-lo no armário do outro quarto.concordou. Hoje eu trouxe as minhas coisas para cá..decidiu Nivaldo. Sérgio sorriu e perguntou: E a mãe? O pai? O que disseram? Nosso pai não se manifesta. Ei! .Ao tempo em que os observava. Você avisou que se mudaria para cá? Falei.aceitou João. fica fácil cuidarmos dele! Ta! . Se não fosse você. Embora o vozeio e muito barulho se misturavam nos portões da universidade. João e Sérgio se despediram e saíram da sala. A mãe só resmungou que eu era bem grandinho e de via saber o que queria da vida. pois você é a prova do benefício que isso trás. perguntand o: O que está fazendo aqui no meu quarto.exclamou Tiago.. dando-lhe um leve tapa no ombro. O médico sorriu ao perguntar: Um de vocês tem algo mais a dizer? Eles se entreolharam e Nivaldo pediu: Se não há mais nada para resolver sobre a clínica. .tornou o outro circunvagando o olhar e reparando melhor. Eu pens ei que nunca conseguiria. Eu fico com essa . Havia tomado banho e debruçou-se sobre os literár ios estudando e pesquisando.disse Sérgio..minimizando o sorriso. Não os estou obrigando a esse tipo de tarefa....pediu. Eu gostaria que você trouxesse o Tufi para cá! Com nós dois aqu .riu. Mas.. Lógico! Vamos! . * * * À noite. Eles já estavam na sala da casa de dona Antônia. . mesmo! Tiago a abraçou com carinho e beijou-lhe o rosto antes de colocá-la em pé. E eu com essa aqui . mas sim sugerindo. lembrou: A Débora se graduaria junto comigo. eu gostaria de conversar com o s enhor. *** O Tempo não parou. Sérgio estava em sua casa. Vou pensar e ver as possibilidades. Depois falou: Bem pelo menos é o que consta no dipl oma que vou pegar! . Rita! Parabéns. T iago!. se não tivesse abandonado o curso.

O estilo é de traje indiano e você tem bom gost o. O sorriso agradável sumiu de seu rosto. Não resistindo.. Não precisa se justificar.. Provave lmente eu teria parado. o rapaz avisou: Rita.Tiago perguntou.interrompeu-o com voz doce. olharam-se por longos minutos até Tiago sorrir levemente ao confessar c om expressão carinhosa na voz: Rita. Por quê? Você tem vergonha de mim?! Não! Lógico que não! Vem cá.ela preocupou-se ao vê-lo daquela forma. finas e elegantes. Ao contrário! Sinto o maior prazer qua ndo estou ao seu lado. quando saímos. Outra roupa mais moderna e social te cai bem. Tiago? . Tenho orgulho de você.. Envolveu-a com ternura e pediu com voz branda ao conduzi-la: . Uso por necessidade do traba lho e admiro aqueles que sabem se vestir bem. combina bastante com você. Ah!. fitando-a nos olhos. perguntou: Devo deixá-lo constrangido quando estamos juntos na universidade. deduziu fechando o sorriso: Talvez eu o enver gonhe por gostar de me vestir assim. num impulso. Não diga isso. Estou tão orgulhosa por já terminar o segundo semestre em Psi cologia! Já foi um ano! Uau! Você é quem merece os parabéns pelo esforço.. Porque não posso. Mesmo sentindo o coração acelerar. Rita o envolveu com leveza. Tiago sentia-se como um adolescente. S egurando seu queixo com delicado carinho.. E é sério. . Posso entender.. Tiago rapidamente a tomou em seus braços... não consigo mais ficar ao seu lado só como amigo. Vou entender se não quiser mais me ver e... Rita! .... seu bobo! . Não sei!.Apesar de ser um home m maduro. Levantando-se e pondo-se à sua frente..respondeu firme e sério. interrompendo-a: Pare. aliás. procurando disfarçar e afirmou: Você estava esperando eu me formar para dizer que é chato ter amizade com alguém co mo eu e.tornou ele no mesmo tom. . Dizendo isso.Rita riu ao exclamar com mimos..disse brincando puxando-o para junto de si e recostando a testa em seu ombro. .Sorrindo. beij ando-lhe a face e procurando novamente por seus lábios. mas. mas ele nem a ouviu.a jovem falou em tom triste e com a voz emba rgada. expressou-se brandamente: Você entendeu tudo errado. Parado nada! . Rita se levantou rápido. nós pr ecisamos conversar. Estava inseguro e algo apreensivo . Imagino o quanto foi cansativo me dar tanta força e ainda. . sabe escolher muito bem. voltou-se para ele e sentiu-se gelar. pediu. m as para dizer a verdade eu estranho ao vê-la vestida assim. Depois. encarando-o.... Não!.Olhando-o. tentando ver seus olhos. sim! Foi você quem insistiu e me fez retornar para a universidade. por ser como é!.indagou meio sorriso. segurou seu o rosto. avisou brincando: Eu iria carregá-la! E te faria passa r a maior vergonha ao levá-la no colo para a sala de aula. . Tiago. Ela comentou sobre outras coisas menos importantes . com roupas de estilo indiano e. Não .. a fez encará-lo. Acariciando-lhe a face. espere! Do que você está falando? .. secou as lágrimas. Com voz meiga e baixa.Fez. Nenhuma palavra. Falei o que não devi a? Fiz algo errado? .Com um gesto sutil. Ei. beijando-l he os lábios como sempre desejou. no dia-a-dia. tem classe e é um modo de se expressar ao se vestir qu e.A jovem sorriu e Tia go silenciou por longo tempo. Não estou conseguindo ser seu amigo.. Eu gosto da forma que se veste e não acho que pare ce com uma hippie dos anos sessenta.Insegura. afagou-o com carinho e correspondeu ao beijo com fortes sentimentos. encar ando-o: Jamais teria vergonha de você. tirou os cabelos de seu rosto e a afagou. adoro ficar à von tade e.. Tenho séria dificuldad e para usar roupas mais sociais. ficando na expectativa.. que abaixou escondendo-o entre os longos cabelos cacheados enquanto murmurou: Eu acho que já esperava por isso . Sentada no sofá com as pernas encolhidas. Tem dias que pareço uma hippie dos anos sessenta e. Algum tempo e Tiago a abraçou forte enquanto ela escondia o rosto em seu peito. Por que eu não iria querer a sua amizade? murmurou ela. Eu estava com medo e com dúvidas. falou em seguida. ele beijou-lhe a cabeça. não é? Não . O que tenho para dizer é sério e talvez não queira mais a minha amizade depois de me ouvir .. O que foi..

. . Rita..Vem cá. .. Por deixar tudo acontecer.. .. Fiquei confusa.Olhando-o firme. reprimir nossos sentimentos nem existe qualquer razão para fazermos isso. hein?! . Você é bem prepara da e superior a isso! ..Encarou -a com leve sorriso ao dizer: Não traímos.. Senti que havia outra. Senti-me humilhada depois. Vi qu e ele se sentiu melhor e eu também. fale de uma vez . mas João não perdeu a oportunidade e gritou e scandalosamente: Até que em fim.. eu sinto que ele passou pela sua vida como outra pessoa passou pela m inha. Tudo piorou com a morte do Gustavo. . mas essa coisa que eu sentia era u ma forte atração. Aconteceu como tinha de ser. e Tiago a beijou com todo o amor. Rita. naquele exato momento. Vai se sentir melhor. E conversamos sobre darmos um tempo.. Rita! . murmurou terno: E já faz tempo..insistiu o rapaz com inflexão afável na voz. porque estou com você e ao seu lado.. Você sempre foi atencioso. insegura. E continuou: Quanto a o Gustavo. . m s chegamos a um ponto em que não podemos ou não conseguimos mais represar. uma paixão por você.Sussurrou ao final: Eu te amo.. falou apreensiva e com a voz trêmula.. Com o quê? . Recostando-se. pensativo... E?!. Eu também experimentei momentos de conflito q uando a conheci. fugiu-lhe ao olhar. passando-lhe segurança...sorriu. Tive medo... Abraçando-a forte. Sempre pareceu s er somente meu amigo e.. perguntou: Do que teve medo? Quais são as dúvidas? Tiago... pediu carinhoso: Pare de se torturar. poi s o percebi diferente. Por fim confessou: Eu me apaixonei por você quando o conheci!. dó.. você permaneceu ao meu lado me dando apoio. Sérgio sorriu e se deteve. Mas o percebi inseguro e distante. apenas como amigo. Decidi falar com ele sobre eu sentir uma coisa. Bem. m e acompanhando em tudo nem ser meu amigo como antes... ..envergonhada. e eu também. Não percebi... Sente-se aqui. . Por ironia do destino.Afagando-lhe carinhosamente o rosto. O problema era a família dele. Com a morte do Gustavo.. Mas poderia estar ao me u lado e me acompanhando em tudo por uma questão de caridade. Então deduzi que você tinha conhecido alguém por quem se interessou e. Sabia ?! Não. segurando-lhe o queixo com delicadeza. quieto.lágrimas rolaram em sua f ace delicada. mas. Eu já gostava de você e não queria parecer um a proveitador. Precisava acabar com aquele compromisso e isso me deixou confusa. João e Sérgio entraram na sala sem serem vistos. pois me apaixonei e você tinha um namorado que se tornou seu noiv o. mas o amigo continuou com seu je ito brincalhão em meio ao riso: Esses dois aí ficam no chove e não molha que está me da nos nervos! Caramba! Rita afundou-se no sofá.. pois queriam que marcássemos o c asamento. Eu te adoro.. Tive medo de que me abandonasse. Nos últimos dias comecei a ficar desconfiada. o seu sucesso e vê-la sorrir novamente. pois não existe razão para se sentir humilhada ou constrangida. estava esperando eu termina r a faculdade para me dizer que não poderia mais ficar ao meu lado o tempo todo. educado e gentil desde qu ando o conheci e.Falou firme. Não . Nós não precisamos nos sentir oprimidos ou rebaixados e eu d igo: nós .Secando-lhe o rosto... Expressando felicidade. O noivado estava marcado e me arrependi por.expressou-se aflita e chorando. quando aquilo aconteceu e jus to você acompanhou tudo. mas Tiago riu sem jeito e se levantou para cumprimentá-l os: E aí. Tiago. fal ou: Cansei de ficar com você! Quero namorá-la! Tê-la ao meu lado de uma forma diferent e! Entendeu?! . nele ela sorriu e pediu baixinho: Fica comigo. Não te disse. A jovem sorriu com doçura...perguntava sempre calmo. por ser meu amigo.. carinhoso. contudo ficou ao meu lad o. Desejava o seu bem. Bem.O casal sobressaltou. É algo difícil de dizer. com algumas p ausas: Você foi a melhor coisa que me aconteceu há anos e. João? Tudo bem? . não desrespeitamos ninguém nem a nós mesmos.. Eu experimentei situações difíceis e.. Não precisamos viver do passado. Tiago. Supere e e squeça.negou.

Sérgio ficou sem palavras. mas não soube identi ficar. Certa noite ao deitar. Sensibilizado. Lembre-se de que todo aquele que reencarna com a t . Estendendo a mão e puxando Rita para se levantar. Os desejos e idéias mentais inferiores foram de um magnetismo muito intenso. Não podemos continuar nessa de amigos e decidimos ass umir um compromisso mais sério. Quem vai casar?! perguntou dona Antônia. Agradeço a manifestação físico-espiritual e verbal que me impediu de um ato tão . Sérgio sentiu um vago pressentimento.exagerou João. Tiago respondeu: As mesmas que as suas com a sua noiva Nilza! Ah!. . Sérgio sentia os dias passarem trazendo um vazio cruel que aumentava quando pens ava no irmão ou em Débora..seus olhos ficaram lacrimosos e ele se deteve. Desprendido do corpo durante o sono. Não tinha qualquer notícia sobre ela depois de tanto tempo e não podia fazer nada. pois o significado estava longe de sua compreensão. Sérgio acordou para o mundo espiritual com o chamado generoso e suave: Como é bom vê-lo. Q uais as suas intenções com a Rita? Pensando rápido...tornou espirituoso e bem sério ao brincar. acabando de chegar e sem saber de nada . Abalei-me tan to e me envergonho pelo desespero quando não suportei as aflições nos pensamentos. Na v erdade.Não ta. sentando-se ao lado de Ri ta que estava vermelha. Sérgio? EU?! Eu não tenho nada com isso. beijou Rita e Tiago..animou-se dona Antônia. 26 .. porém ele não queria por segur ança e por trabalhar em um horário compatível ao curso universitário. . não! .Psicólogos de amor Apesar de saber que Tiago estava estudando e muito feliz em companhia de Rita . conduzindo-o para mais próximo quando Sérgio dispôs-se sorrindo ao exclamar: Laryel!.. Sérgio! Não me deixe passar vergonha! Ah! Quer dizer que nem o seu próprio irmão quer ser seu aliado?! .respondeu o outro bem alegre. O Tiago acaba de dizer que vai se casar com a Rita! exclamou João. . Que a paz de Jesus o envolva. Prometeu-me amparo e aqui está! . Ah! Que maravilha! Eu sabia . mas estou falando sério.Vendoa sorrir com sincera expressão de bondade. Olhando para o irmão. meu querido. cumprimentou-os e disse: Fico feliz por vocês. trate bem a minha irmãzinh ou vai se ver comigo! Entendeu?! Pode deixar! . acrescentou: Não mereço seus esforços. oferecia c onfiança e fraternidade irradiadas por sua aura envolvente. cara! Só estou de passagem! Se acerte aí com a don a Antônia e com o João! Oh. Sérgio riu gostoso e estapeou as costas do irmão ao dizer: É isso aí! Dou o maior apoio! Tiago sorriu e avisou: Podemos brincar. Sei que isso não é desculpa para minhas atitudes infelizes e moralmente desprezíveis por desej ar morrer. orou e logo adormeceu. aquele anjo de bondade estendeu-lhe a mão.Olhou-a com carinho. Era incrivelmente bela. sem palavras e segurava uma almofada ao peito.. Parecia que um sol de raios prateados brilhava através de sua figura. Ele ficou encantado e paralisado por instantes diante daquela doce figura que desempenhava elevada função no plano espiritual. Não falemos mais sobre isso. perguntou: E você. Então pode marcar o casamento. como sempre. sorriu e desfechou: A Rita mudou completa-mente a minha vida e não consigo me ver sem ela. Apreensivo. estamos apaixonados.Imediatamente algumas lembranças che garam à sua mente. João se aproximou. Afável.. ele a abraçou dizendo: Descobrimos que gostamos muito um do outro. Desejava que Tiago saísse da polícia. Sensibilizado. pediu constrangido: Perdoe-me. beijou e os abraçou por longo tempo com lágrimas nos olh os.

Não. os gritos. a quem muito é da muito será exigido. prosseguiu: Com conhecimento direto na comprovação científica e filosófica de uma doutrina reencarnacionista. bênção e até o socorro aos irmãos dessa esfera q ue estiverem preparados. Após preciosa meditação e sublime prece de Laryel. ela avisou: Não duvide de v ocê mesmo. dores e grunhi dos horripilantes. Não foram percebidos. Só havia sombras estranhas em toda a extensão e uma energia desagradável parecia pesar sobre ele.. Os gemidos. A prestimosa entidade de beleza inexprimível atravessou. Eles aliviam as aflições e são verdadeiros Psicólogos de Amor quando desvendam que o complexo asfixiante de uma dificuldade pessoal não tem sua origem somente no camp o biológico.Sem demora e mais séria. tornou a Sérgio.arefa de socorro e trabalho digno é tentado de inúmeras formas por irmãos inferiores c om desejo no mal. Suplicaremos a Deus. a força e o amparo a fim de levarmos algum conforto. a qual você conhecia bem pelos préstimos de socorro. Há inúmeros encarnados dedicados a desenvolver e divulgar a atuação benéfica no campo da Psicologia Clínica pa ra derrubar barreiras e abrir caminho para outros entenderem a razão de viverem en carnados e em determinadas condições. só que não havia água s agitadas. Dentre todos da considerável comitiva de es píritos elevados na escala de valores morais e espirituais. Agora todos deixavam os limites exteriores da matéria do corpo perispiritual co . Sérgio não conseguia ver muita coisa. um magnetismo excelso os envolve u com imenso amor. Laryel conduziu-os à zona de intensas trevas. Laryel usou recursos próprios para facilitar-lhe a visão. Por um lado er a como olhar um mar escurecido e extenso até um horizonte sem fim. eu me deixei dominar por aquel a insanidade momentânea lamentou Sérgio. Todos nós elevaremos os nossos pensamentos rogando providências Divinas que nos protejam. Alguns dos espíritos benfeitores daquele grupo eram especialistas em missões daqu ela natureza e outros aprendizes treinavam aptidões especializadas para cooperar c omo socorristas naquele vale vasto de sofredores deploráveis. Algumas deformadas a ponto de perder as características humanas como que nadando e se desesperando num mar de lodo e limbo. Com conhecimento e entendimento. De início. As origens de m uitas dificuldades procedentes de vidas passadas ou trata-se de experiências. profissionais que sempre se colocam na posição de aprendizes e de obreiros vêm renovando vidas human as. Sentia-se num outro mundo onde a d ensa névoa parda reinava.. várias regiões sombrias e dominadas pelo mal. Somente então ele pôde ver a névoa cinzenta dissipar-se e muitas imagens surgiram. principalmente Laryel. . Esses Psicólogos de Amor estão sob a guarda ou socorro de benfeitores espirituais elevados e sempre a postos no campo das mais nobres inspirações. Vejo-o preparado para reassumir antigas tarefas nas quais atuou como especialista e instrutor quando desencarnado. gemidos. os murmúrios dol orosos vibravam angustiosamente por todo o plano. somente Sérgio fazia par te do plano dos encarnados. na velocidade do pensa mento. porém resistiu e ainda disse que tudo o que Ele fazia nós poderíamos fazer mais e melhor.Em um tom amável e doce. A elevada comitiva baixou a luminescência. que antes par ecia um ser de matéria semelhante a cristal. talvez isso lhe traga mais lembranças e força interior. Nunca se esqueça de que os en sinamentos do Mestre Nazareno são as Terapias das Almas. de p rovas para adquirir forças e suportar certas impressões para sua elevação de natureza es piritual ou moral. Em todo lugar que olhavam. Laryel sorriu com doçura e olhando de um modo peculiar para os companheiros esp irituais à sua volta. Eles se aglomeram e se esforçam em criações mentais degradantes para impregnar tudo o que é voltado para a elevação moral e espiritual. pedindo: Venha conosco hoje. Iremos para uma região de inenarrável sofrimento. Você já ouviu sorriu ao relembrá-lo . Até o Mestre Jesus foi tentado. material ou teve início exclusivamente a partir do nascimento ou durant e a infância e que os culpados são os que rodeavam essa criatura. Pai da Vida. . . Não sei como. bondade e proteção.Ofereceu leve sorriso ao comentar: Jung já fez uma grande parte. calma. Envolvendo todos com sua inexce dível energia. via-se verdadeiro quadro desolador. Mas isso não isenta esse encarnado das suas obrigações comuns de orai e vigiai a própria mente para não se d esviarem dos propósitos Divinos. A movimentação era de criaturas sobre criaturas amontoadas e entrelaçadas.

São suicidas que recorreram à morte do corpo através do fogo. na opo rtunidade de reencarnação. A encarnação com experiências difíceis é um curto período que passará rapidamente quan se tem a idéia da imortalidade do espírito e a crença em um único Deus bom e justo. mas que. E ntão.explicou um dos missionários. Enc ontram-se aqui os que também bombardearam lugares e sucumbiram junto. Contudo . Estavam recolhidos em prece silenciosa até uma montanha agitar-se como fogueira. orgulhosos nos serviços rudes qu e os compraziam. espalhando-se ao abaixar novamente como sorvedouros onde corpos espiritua is de aparência humana podiam ser vistos. a Lei Divina determina ou enquad ra o tempo de duração de sofrimento consciencial e o tipo de expiação futura. respeito às Leis Divinas. Porém nunca é eterna. Sem articular palavras. os mentalmente retardados. mas que. Um dos benfeitores acompanhantes percebeu que Sérgio desejava melhor exemplo. não buscaram ajuda de outro que pudesse erguê-los para o bom ânim o e propósitos construtivos. espíritos pinando postura de sentinelas. os loucos. e mantendo certa distância daqueles infelizes s ofredores. Entretanto a responsabilidade do suicídio jamais fica impune. olhando para Laryel. não se socorre om o poder da prece.avisou Wilson. O sofrimento coletivo é impressionantemente doloroso. nos altíssimos penhascos. o socorrista afastou-se do grupo. cobria toda aquela triste região. Deus po de minimizar seus dias de suplício. Rochedos escarpados cobertos por substância escorregadia.. Em alguns casos. semelhante a um redemoinho de vento só que de lavas incandescentes como a de um vulcão. Havia.. Uma matéria espiritual muito densa. como que um ar contendo elementos asfixiantes e nojosamente viscoso. vigiando os prisioneiros de dolorosas penitências.. em um ato de desespero. E por ser justo. não tiveram piedade de si. Era como uma verdadeira muralha cercando o vale de extensão impressio nante. especialista em socorro daquela região. Milhões de criaturas encarnadas com difer entes propósitos de harmonização ou tarefa no bem se entregaram a mais inferior das ex igências: o suicídio! Não deram atenção às responsabilidades de resistência. por essa v iolência ao próprio espírito. Em todo suicíd io pensado ou planejado anteriormente e conscientemente. quando Sérgio comoveu-se: Deus.lembrou Laryel. seu coração bondoso e as inesperadas razões que o levaram à prática de tal crime. aos olhos de Deus não há ma ior ou menor culpado. mas é o reajuste da própria c onsciência . A comitiva seguiu Laryel que sabia para onde ir. queimando-se proposit adamente . ensinando-lhes nobre a eternidade. Sua bondade e misericórdia encontram circunstâncias atenuantes em a lguns raríssimos casos não planejados. porém o sofrimento reservado à sua consciência e ao perispírito pelo crime que praticou chegará. com movimentos fortes ao girar. acim a de tudo. essas são criaturas espirituais que. a intensidade da dor constante na consciência e no corpo espiritual é algo do qual não podem e não conseguem escapar. A misericórdia e a justiça são atributos de Deus . perderam a fé e a esperança. tendo em vista o caráter moral do espírito suicida. Aos demais. A nobre entidade silenciou.mpatíveis ao meio pelo trabalho proposto e com a finalidade dos sofredores infeliz es daquela região poderem lhes perceber. que não são as mesmas para todos os suicidas. que f azia parte do grupo. Há casos especiais como os de crianças de pouca idade levadas a ações semelhantes ao suicídio por ouvirem contar fatos ou assistirem a programas ina dequados. Deus a tudo vê. Como guardiões d e natureza vingativa. diante de co ndições em que não se pode raciocinar. a venerável emissária . meu querido. seu mentor. pois a morte não exi ste. não planejaram nem pensaram nesse ato. Tenha piedade. os qu e estão delirando de febre ou efeito de medica-mentos. o martírio interior e o arrependimento profundo são lento s ao espírito. os totalmente embriagados. que entendeu lhe o pedido em nível de pensamento e aprova ndo-o com singelo gesto. .bondosamente explicou Laryel.. nojosa e fétida serviam de obstáculo. permaneciam atentos a fim de os infelizes não encontrarem ha rmonia que os resgatasse de algum sofrimento nem tentassem recolher-se em prece verdadeira. Porém. Aquele vale não era só ocupado por suicidas agonizantes em extrema dor e sofrimen to. entre outros. todos daquele grupo se comunicavam em nível de pensamen to.

como que sem o co uro capilar e a face sem pele com erupções purulentas. No alto dos penhascos há espíritos com aspectos sinistros. talvez.Alguns segundos e contou: Encarnada esse espírito foi uma mulher de considerável nível socia l. Ele sabia o quanto ela mentia e disfa rçava sua verdadeira personalidade. sem fé nas providências de Deus. chamou-lhes a atenção. Piedoso. Mas as Leis Divinas são sábias e iguais para todos. O espírito sofredor plasmava seu corpo espiritual de forma horrenda. Se com desejo puro sua mente estivesse voltada p ara a caridade e se ocupasse com a atenção para o auxílio e caridade. atiraram-se ao suicídio e a um longo e doloroso sofrimento mil vezes pior! Esses espíritos vingativos que os inspiraram ao suicídio são homicidas! Também não dev riam se encontrar em um estado consciencial de sofrimento pelo que cometeram ou induziram? . Tudo piorou quando ela desc obriu que o marido a traía. lhe agradecessem e reconhecessem suas ofertas caridosas.Olhando em volta. Esses vigi lantes são espíritos de pouca elevação.alertou Wilson. Muitas coisas acon teceram até começar a dar oportunidade de ação para um espírito inferior vingativo e inimi go do passado por ser sua vítima. tenha-o prejudicado e se ligou a ele para se vingar dessa forma. descarnando a pele em estado de putr efação. Existem supostas vítimas que se ligam aos seus agressores. da perfeição e brancura de seus den tes. Crêem serem juizes e justiceiros. Teve todas as oportunidades para praticar a caridade. machucada. mas mascarava esses senti mentos. Não admitem que sofrem. o socorrista explicou: Seu estado mental é de delírio enlouquecedor. Suicidando-se mostraram a incapaci dade de suportar as dificuldades nas provas da existência terrena e foram fracos a o perder a fé. animalizados e deformados. S e um espírito vingador não perdoa ao irmão que. A aproximação do socorrista.. Ap enas apreciava a fragrância de seus perfumes e cremes caros. caso essas últimas deixarem . sem esperança. Depois respondeu: São espíritos no auge da inferioridade e da ignorância. gemia constantemente em todos os tons. Aqui não se vê o céu. Ela perdeu o gosto pela vida e de sejou a morte a ser trocada por outra e discriminada pela sociedade como uma mul . Tentando livrar-se dos tormentos de uma breve reencarnação. vamos lembrar q ue a bênção do esquecimento.. fazendo-as crer no nada após a morte. o homem av isou que sairia de casa dentro de alguns dias. Possuía uma aversão aos pobres. esgotando-lhes as forças mentais e levando-os ao e xtremo desespero de se verem sem saída. ou seja. Na verdade não suportava o od or dos hospitais. Não parecia uma criatura humana. Atormentam com vibrações bizarras as faculdades mentais dos suicidas. Sérgio reparou: Os penhascos parecem não ter fim. contudo pode nos entender. cujo pescoço inchado unia o tronco à cabeça lisa. mas quando o fez não fo i com sinceridade. Forjava sorriso generoso e olhar piedoso quando precisava reunir-se para fins fraternos junto de pessoas de seu meio social. tanto quanto agresso res se ligam às suas vítimas. no suicídio. . admirando-se do quanto era bela. levando-o ao suicídio. . com devoção e de coração. Sérgio argumentou Wilson com simplicidade. Criaturas p artidárias de grupamentos. Ele trazia nos braços uma criatura totalmente deformada e a carregava como quem aconchega o filho querido e necessitado. que se movimentam e se revezam. Quase não tinha braços e as pernas pareciam coladas. O aspecto era à m aneira de grande verme com feridas imensas. já tão atormentados. Isso pode acontecer até com sofrimento de um deles para que renasça o amor em a mbos. mostrando-lhes. tentou ser ardilosa e buscou div ersos meios de comover o marido com esperança de ele não a abandonar.Breve pausa e lamentou em tom piedoso: Quanto engano! A morte não existe e a prova disso é que estão aqui. dos velhos desamparados e da miséria em geral. maldosos ainda. comprazendo-se com a do r insuportável e ininterrupta de inimigos do passado que agora se revolvem aqui pe lo suicídio. Mas. Não haveria espaço para pensamentos inferiores. Dotada de inteligência. isso não teria aco ntecido. dos orfanatos. Desmascarando-a em uma discussão a sós. Só contemplava seu refl exo no espelho. o remédio para todo o sofrimento terreno.perguntou Sérgio. Certamente são espíritos que desejam a desforra e induziram seus desafeto s a tirarem à vida do corpo físico. julgando saber mais do que sabem. pois muito s deles acreditam ter amplo conhecimento. necessitados e doentes. O que realizou foi para que todos a elogias sem. Quem são eles? Vejo que não se lembra de muita coisa. que havia se afastado. através da re-encarnação os unirá para reparação e ensinamento dor. Mas o esposo e stava decidido e cansado de sua falsidade. Remexendo-se.

Quer vê-lo morto e sofrend o como ela. Enquanto o amor e o arrependim ento não reluzirem em sua consciência. Deveria provê-lo com amor e educá-lo nos princípios morais superiores. ess a pobre irmã não admite seu orgulho. Para isso a presentou-se como testemunha para o tribunal eclesiástico instituído. essa pobre irmã deixou o gás do fogão vazand o por longo tempo e depois acionou o interruptor da luz. ficará à mercê desse estado mental. Revoltada pelo abandono do marido. era a mesma moça que seria a esposa do homem inocente cond enado a morrer na fogueira. Criaturas assim chamam por Deus como se ele fosse um prestador de serviço. Ela preparou artifícios e colocou-os na casa do homem para não ter meio de ele escapar da punição do Santo Ofíci o e o acusou de bruxaria. Mas. nesse vale de lamas e lágrimas.respondeu o socorrista piedoso. abandonando-a. o pai qu e a abandonou na miséria. com a finalidade de investigar e punir crimes contra a fé católica. Não quis engravidar para não deformar seu belo corpo. Apesar de tamanho sofrimento e estado enlouquecedor. O que aconteceu para ter um obsessor tão cruel a inspirá-la à morte tão horrível? . por não se arrepender do ato criminoso e cruel planejado no passado que o le vou à fogueira do Santo Ofício. dispondo-se à ving ança entremeada de extremo ódio. Também não atendeu às inspirações de espíritos bondos amados de fé.pe guntou Sérgio. junto com a mãe. abandonou-a na reencarnação seguinte em difícil situação com a filha nos braços.disse Sérgi o. ao se declarar. mas breve diante do tempo em que se encontra nesse estado. esse pobre espírito deveria ser abastado com bens terrenos. No último plan ejamento reencarnatório. ela fez do corpo físico ins trumento de mercadoria no campo da prostituição e desencarnou cedo. Porém queria que tudo parecesse um acidente e com morte instantânea. foi con denado a queimar na fogueira até a morte. No entanto a dor experimentada antes do desencarne não se compara à intensidade do desespero e insuportável padecimen to incessante vivenciado no plano espiritual. aos dissabores do mundo. essa irmã viveu na Europa no período da Inquisição imposta p s governantes da Igreja Católica . Inconformada com a rejeição e po r ser uma criatura vingativa. Por não ter amparo paterno. Mesmo sendo inocente. ele reencarnou. Mas ela. m as não ofereceu a atenção necessária. ela faleceu após muito sofrimento no corpo físico. tudo ficaria har monizado e tanto ele quanto a mãe teriam outra oportunidade de viverem juntos. Pode dizer há quanto tempo se encontra nesse martírio. Esse irmão não lhe perdoou. Tinha vago conhecimento da doutrina reencarnacionista pelos livros que leu. decidiu que ele não ficaria com a outra. Elas odiaram-se tanto naquela época que retornaram com o mãe e filha a fim de reforçar os laços de amor. que foi sua mãe.her separada. chama por Deus. Não se dispôs a receber como filho. Com a explosão e o incêndio . em sua agonia. Após esse período escuro na história. Nessa época. Mas com o vício moral da vaidade. o que a repugnava. pede Sua misericórdia e socorro .perguntou Sérgio. Ela chama pelo nome de Deus em vão. el a não se permitiu à concepção. logo após sua mãe.contou o especialista daquele tipo de socorro c om habilidades de absorver informações da mente dos desencanados. até depois da morte planejada. sentiu-se humilhada. sofreria a expiação de queimar-se até a morte em algum acidente natural. o homem. Cinqüenta anos . incontáveis oportunidades de tarefa e empenho na caridade em todos os sentidos e isso amenizaria sua expiação. E ele que dizia amar quem iria despo sar naquela época. A infeliz não está preparada para o socorro. ela sofreu calúnias e humilhações. sua vaidade e seu personalismo. só pensou na humilhação que sentiria di ante da sociedade. Ao contrário. Com sentimento de ódio e vingança. Vaidosa. ela nut ria uma paixão incontrolável por um homem e. a mesma criatura que ela condenou injustamente à morte cru el. ela vestiu a máscara da hipocrisia e não foi humilde. que a rejeitou. Podemos sentir o ódio qu e tem pelo marido. Se ele lhe tivesse perdoado e a acolhido como filha querida. . como filha querida desse casal que a odiou. na época. Em reencarnação distante. Pelas necessidades de sob revivência e para cuidar da mãe doente. só pensou em ostentar orgulh o e vaidade por ela mesma. culpando-o pelo seu estado deplorável. mas não a aceitou como filha. Q ueria que os outros tivessem piedade dela pela morte inesperada e ver o remorso do marido. pois esse é o vício ou a mania dos hipócritas nos momentos de desespero. Seria um desencarne d oloroso. experimentando a dor que v ivenciou no corpo físico? . não acreditou em Deus nem no futuro. po is ele afirmou amar outra cuja união já estava marcada. A mulher.

inconscientemente. as questões sobre o suicídio são bem esclarecedor as. juntando-se aos demais amontoados que ardiam em labareda s. num estado de consciência enlouquecedor e tão terrível que desejavam morrer como se pudessem definitivamente acabar para sempre. que gritam semp re do mesmo jeito pavoroso. O gelo corria nas veias e o fogo em seu rosto. na qual ele explicava sobre a comunicação de um suicida que se dizia sentir sufo cado no caixão. ou revoltados recusam o poder da prece e a força da oração. Em O Livro dos Espíritos. eu estudei uma observação científica e filosófica de ec. Relata escutar risos infernais e vozes espantosas. Mas isso não acontecia e a punição conti nuava como no momento em que mataram o corpo físico. Mas logo se juntava àquela montanha incandescente através de uma atração irresistível.Segu ndos para reflexão e comentou a seguir: Em outra evocação. O espírito do suicida fica ligado ao corpo. ele está completam ente mergulhado numa espécie de turbilhão da matéria corpórea e suas idéias sobre o corpo terreno estão muito vivas. sentem-se extremamente perturbados e não entendem por que ainda estão vivos. sem dúvida. Wilson explicou: As preces. . apesar do espírito do suicida estar separado do corpo. quando Laryel instruiu com prestimosa bondade: Cada caso é um caso. Aqueles que estudaram a Codificação Espírita e os ensinamentos úteis de Allan Kardec . Alguns entendem rapidamente que não morreram em espírito e se arrependem. nos relatos e esclarecimentos por ele publicados nos diversos volumes da Revis ta Espírita. Com os olhos arregalados. Laryel avisou: Ela se prende a esse vale de penitências. Pensou que nada iria acontecer após o afogamento. mas ainda não experimentaram esse vale deplorável de dor e suplício. as vibrações emitidas chegarã no instante em que estiverem em condições de reconhecê-las e se fortalecerão com suas energias. Um dos casos conta-nos sobre a comunicação de um suicida ateu que se afogou havia dois anos. por asf ixia provocada pelo vapor que exalava de um forno portátil cheio de carvão. após a morte do corpo. Com gesto paterno o socorrista retornou e colocou aquele espírito de volta ao cír culo que se atraía. Aprendemos que se nesse momento não entendem .contou Sérgio . não vê os espíritos que vagam no l ugar onde está. ser interrompida brutalmente quando estava com vigor. Ele assevera que era forçad o a crer em tudo o que negava e afirma sentir a alma num braseiro horrivelmente atormentado. É o rosto do mari do que ela traiu e magoou e sua consciência a acusa por remorso e pedindo reparação. A . Kardec ob serva que. como bálsamo alivian lhes as dores. Depois.Em seguida. sensação de angústia e horror. Há alguns dias . Estado que pode durar o tempo da vida que foi interrompida. para aquela comunicação. Há suicidas que. sofrem demasiadamente na mente e no corpo espiritu al. Conta que é sempre noite. A esse espírito sempre haverá uma punição e somente Deus julga conforme a causa. mas. Pensava que morreria uma segunda vez. a duração e o rigor do sofrimento. O suicídio e o aborto são os piores crimes que o ser humano pode cometer .argume ntou Wilson. Não demorou e ela raste jou. Afirmava que sofria e sentia os vermes roerem seu corpo.Pequena pausa e os fez pensar: Observamos que o pobre espírit o afogou o corpo para morrer. Entram em profundo desespero e sofrem. cuja mor te foi planejada ao lado do amante que também sucumbiu. que é o fluido que faz a alma atuar na matéri a corpórea. Os suicidas responderão como por um assassinato. as orações sinceras para esses irmãos são como remédio. haverá um longo estado de pertur bação dolorosa pelo fato da energia vital. Clareiam-lhes a mente. recusa desc rever tanta penúria. Respeitosa e num tom de tristeza misto ao de amor. uma mulher suicida. observou-os por um momento. O espírito infeliz diz que sofria e a evocação. ela diz que tinha frio e q ueimava. Lembrando que esse efeito não é geral. Que o Pai da Vida em Sua infinita mis ericórdia a envolva com bênçãos sublimes para o seu esclarecimento. arrependimento e ace itação de reparação. mas vê um crepe negro desenhado num rosto que chora. Não era difícil ver um e outro correr daquele redemoinho com o corpo espiritual e m chamas saído de brasas e provocando grande alvoroço e dor a todos daquele vale por estarem ligados mentalmente pela prática do mesmo crime. puderam tirar as mais numerosas instruções. mas seu coração rancoroso e revoltado até contra Deus podia ser sentido. Eles seguiam. Allan Kardec ressalta que espíritos suicidas experimentam os efeitos da decomposição. então por que diz sentir a alma num braseiro? . O espírito São Luís oferece grande instrução ao explicar que ess é o estado de todo suicida. era penosa.

por um amor impossível. demorarão muitos anos ou séculos para se reverem. O que leva alguém ao suicídio. a sensação asquerosa. Não co seguem ter paz. o instante de seu suicídio e dos outros. por isso não se concentram verdadeiramente em Deus. a punição mental será mais longa e terrível porque fugiu da provação terrena. Uns gritam de modo selvagem. atordoado s e com o raciocínio lento pelas conseqüências do ato. Ele diz que sofre um fogo que o consome e o devora. Sem perceber. do sangue fétido. se não era cega? .. como no momento da morte de seu corpo e cenas repetitivas dos outros suicídios e extrema dor. Kardec nos relata sobre um espírito suicida que se enforcou. viam-se mais perto do extenso mar de espíritos suicidas amontoado s e entrelaçados. Outros estão confusos. piedosa.. algo sobre a visão aterradora: Irmãos infelizes que se suicidaram para se encontrarem com entes queridos desen carnados não o vão encontrar aqui. Libertos da sepultura. mataram-se para fic arem juntos. milhões de vermes por ligação ao corpo físico com vigoroso fluido vital. meus amigos. respeitosamente. E a mente do suicida normalmente atrai tudo isso que o corpo físico experimentou. pratic ado conscientemente . A escuridão pode cegar-lhes por longo t empo. são agressivos e violentos pela revolta de não morrer. Serão juízes inconscientes deles mesmos. meses ou séculos. dos líquidos. E partilhando das mesmas vibrações pela atitude. as dores da s vísceras se rasgando.Sabiamente. Como explicar esse rel ato? Se ela se asfixiou envenenando os pulmões. não se encontrou com ele.Alguns segundos e comentou: Diga-me o que está p ensando e eu direi o que espiritualmente existe ao seu lado. o que dificulta sua libertação desse lugar.firma que não quer falar do amante. Não se lembram d e situações agradáveis ou pessoas queridas. Gritam e berram como animais. Muitos perm aneceram bastante tempo em suas sepulturas. rever e sofrer incessantemente no corpo espiritual. Os que. Mas para aqueles que se refugiaram na morte premeditada e voluntariamente. É bom lembrarmos sempre que não existe punição fixa aos suicidas. Então pura carniça. Enquanto prosseguiam. aqui não há irmãos pro ntos para o socorro.Pequena pausa par a reflexão e avisou num tom lastimoso: Vamos seguir. longas e dolorosas. As religiões ou doutrinas que consideram os suicidas confinados ao inferno e não . unem-se sempre pelo pensamento. Isso explica os relatos de Kardec sobre as comunicações de espíritos suicidas que se mataram de uma forma e. sofrerão bem mais. . Eles estão ligados na mesma vibração. Além da pos ura mental adotada. fluido vital. contam sobre experimentarem outras sensações. por que tinha frio e queimava? Por que sentia o gelo nas veias e fogo no rosto? Por que não via nada nem mesmo os es píritos. as secreções nojosas e o lo do encarniçado que os envolve é constante. Alguns. presos em seus caixões. Esses são nossos irmãos infelizes que se suicidaram e estão ligados e submetidos ao mesmo estado vibratório e mental pelo ato do suicídio premeditado. Experimentam o cheiro exalado do apodrecimento. . Estão impress ionantemente atormentados. que sente os dese jos carnais. alguns continuam liga dos ao corpo pelo liame. desejado. Como explicar tamanho sofrimento se o suicídio ocorreu com métodos diferentes? . Os que cometeram esse crime pela perda da fortuna ou pela miséria.Nova pausa e depoi s continuou: Em outra conversa. por isso reproduzem as cenas horripilante s onde quer que estejam. somente a benfeitora ousava detalhar. o sofrimento in interrupto. Todos precisarão de vár ias reencarnações para repararem o erro e aliviarem os corações sofridos pela brutal sep aração. não respeitou nem confiou em Deus. O suicida voluntário levará várias encarnações para purificar a consciência e isso depen erá da forma como suportará as futuras expiações terríveis. As vibrações mentais mais tormentosas. e a existência de indescritíveis aberrações em suas faculdade s os faz ver. não lutou pela a. violentamente infligidas pela própria consciên cia. não têm condições de serem descritas. Vêem-se corroídos vagarosamente por milhar es. além de falarem de seu sofrimento. as razões e as conseqüências desse ato sempre são relativas às causas que o gerar m. que vagavam no lugar onde ela estava. as necessidades físicas. Exi stem os que se crêem confinados eternamente ao inferno imposto por algumas religiões . a benfeitora nada disse até deter-se e mostrar: Ali.explicou a excelsa benfeitora Laryel. é o que vêem e sentem. urinas e fezes que se esvaem d o corpo de carne. fur iosos. Só o arrependimento intenso. O odor de podre. por não se desli garem do corpo físico. Outros são incrédulos.

Mesmo jogando todos os poucos e pobres bens materia is no rio. el es atravessavam um largo rio. estavam em lugar estranho. mesmo sabendo que despencará para a morte certa.perguntou Sérgio.questionou Sérgio estremecido por uma sensação inexplicável. É bom recordar que se não houve premeditação. Os estudos e as pes quisas científicas de Allan Kardec sobre suicidas deixam claro que esses espíritos i nfelizes. Deus julgou-o pelas circunstâncias e lhe perdoou. Laryel parou. Seria injusto ela passar por sofrimentos horripi lantes como os demais suicidas. Bem at enta a tudo. pois a água o arrastou para as corredeiras.. Ciente de que a esposa não sa bia nadar tão menos os filhos. mas u ma fatalidade o desesperou a esse ponto e não lhe restou alternativa. se vêem pendurados em uma única corda que vai se romper e todos morr erão. Então para salvar os outros. quando uma chuva caiu na cabeceira desse rio. Com o objetivo de mudança. Ele acreditava em Deus e não queria morrer. que transgrediram as Leis de Deus. sofreu. Por sua elevação espiritual e mesmo tendo a indulgência Divina. da vingança. ele se perturbou por curto tempo. planejamento. a prestimosa entidade se voltou para Sérgio ao afirmar com generosida de: Existem muitos fatos que isentam uma criatura forçada ao suicídio em favor de um acontecimento fatal. num ato não planejado essa criatura merec e ou não o perdão? Deus é quem julga. atirando-o contra as pedras sem piedade. Àqueles que acreditam nisso podemos perguntar: Onde se encontra a misericórdia. dos parentes e amigos aliviaram sua consciência e o deixaram com elevadas vibrações sublimes. mas. o Criador bom e justo? Kardec explicou isso muito bem. Ao contrário do que pensam aqueles que lhes recusam uma oração. Isso é um su icídio.. algo que não planejou nem queria fazer. no desespero. ter paciência e fé. Sem que soubessem e. Nesse ponto.respondeu ela atenciosa . desejo de se matar. confinando-se ao castigo da própria c onsciência. Por sua vez. um desejo de bênção e misericórdia.. inesperado. do orgulho. dos filhos. resignado. estão imensamente erradas. diminuiu o sofrimento ou mereceu o perdão . deu a vida para salvar a mulher e os filhos. o barco mostrava sinais de que afundaria. A comitiva se manteve junta parecendo mantê-los no centro.aceitam que sejam dirigidas as últimas preces. Depois aceitar e propor-se à expiação ou repa ração dos danos a si e aos outros. Laryel olhou-o de modo diferente que ele não soube interpretar. imperdoável nem fatal. Um que ac ompanhei foi muito marcante. relatam e apontam sofrimentos usando termos iguais aos de algumas reli giões. Deus não dá recompensas. o último a se pendurar se solta ou corta a corda acima de si a fim de aliviar o peso e sal var a vida dos demais. a dor da se paração de sua amada e seus pequeninos filhos. esse homem entrega os remos à mulher e p ula do barco para a morte. No entanto nisso não se vê o desejo da morte. ao ver que a morte de todos será inevitável. mas para salvar a vida dos outros. dependendo d o caso. pois as preces da esposa. Um homem novo. mas Sua bondade e justiça permitem a oportunidade de repar armos os erros cometidos e abreviarmos os sofrimentos. chicotes. a intenção do suicídio pode não merecer uma severa punição. Qual?. A prece com amor e sem lamentos auxilia o entendimento desses irmãos e a elevação d e suas consciências. mas a vontade de salvar outras vidas. lugares cercados de labaredas e horrendos métodos de torturas. a bondade e o amor de Deus se a confinação ao inferno for eterna? Seria Deus o Pai. junto a rochedos e menos hostil. sua jovem esposa e seus três filhos. desesperado. depois afirmou: Como não? Se estudou deve lembrar que Kardec relata raros casos cuja intenção do su icídio abrandou.. as águas se tornaram caudalosas e a forte corrent eza invadia o pequeno barco. livrar a mente do ódio. A prece aos espíritos suicidas lhes dá força e resignação. diminuindo a punição se es es forem humildes e respeitosos aos propósitos do Pai da Vida. repentinamente. Porém esse estado de extrema dor e agonia do suicida não é interminável. um tanto temeroso. . Na espiritualidade. E logo acrescentou: Imagine uma situação em que operários ou esportistas. mas sim o perdão de Deu Isso é possível?! . você prometeu reparar o suicídio e o abandono da família tão querid . livrando-o de terríveis t orturas pelo suicídio. A duração de seus sofrimentos está ligada e é dependente de sua força mental e moral para arrepender-se verdadeiramente do que praticou. O Espiritismo não admite inferno com demônios e capetas com tridentes. por causa de um acidente. ta-os com fé e esperança em novas oportunidades de harmonização. Amparado na espiritualidade.

movimentá-la e experimentar ns sensações d o instante de sua união com o óvulo fecundado. Falta essa que não cometeu por covardia. A cena se repetiu com detalhes na mente de Sérgio. Desde o momento da concepção. mas permaneceu vigilante. dos problemas mais diversos ou de qualquer desespero que esteja experimentando só atrasa a evolução e a elevação para mundos melhores. A nobre Laryel. chegando ao feto.. explicou: O princípio vital tem sua fonte no fluido universal. entre o espírito e a matéria ou massa de células. com o co njunto das funções orgânicas.. pois o espírito revestido do corpo espiritual.a. foi. e ela avisou com doce nobreza: Deixemos as emoções para mais tarde. elétrico animaliz ado ou agente vital. elevou-se imensamente na espiritualidade e tornou-se socorris ta neste vale de suplícios e torturas terríveis. com a finalidade de instrução. A benfe itora o sustentou com vibrações mentais e ele comentou: Lembro-me disso. Então vamos.Suicidas em sofrimento no Plano Espiritual Após a revelação preciosa da elevada Laryel sobre sua ligação afetiva com Sérgio e o tra alho que desempenhou na espiritualidade. desenvolvendo o embrião. Ele é o intermediário. o liame entre o espírito e a matéria do corp o físico. Isso explica por que o aborto praticado. o fluido vital é o agente do qual o espírito se serve para estabelecer c omunicação com a matéria corpórea para animá-la. mas por amor aos filhos e a sua esposa . Nesse instante ela revelou amorosamente: Eu estava naquele barco. por medicação ou qualquer meio. quando o óvulo fecundado inicia a multiplicação das células. que pareceu abalado. cresce até a formação completa daquele corpo físico. sa beria aguardar o momento propício para as expressões mais ternas. Alg o modificou em seu âmago. o fluido vital se desenvolve com essa atividade unindo e servindo de ligação. Descortinado o véu do passado. Sérgio expressou significativa surpres a e temor ao olhar em volta. e ntendeu todas as provas vividas. Nós sobrevivemos por muitos anos naquela oportunidade de vida terrena por seu sacrifício. magnético. Naquele planejamento reencarnatório. A pretensão de fu-gir.. Minha amada mãezinha nos salvou apesar do desesper o de vê-lo sumir nas águas. angústia e indescritível dor. Conforme prometeu. Tremendo perante o doce olhar de Laryel. Recuperando o domínio dos sentimentos de júbilo. Sim. oferecendo sua vida para eu prosseguir. Foi há muito tempo. seguiram para cumprir a tarefa. ou liame.. impressões físicas em geral. formando os órgãos. prometeu-me amparo em todos os sentidos. E cumpriu sua promessa. meu querido. emoções. Lembra-se? Você tinha dois filhos mais velhos e eu era a sua única filha e a mais nova. cujo choque pela vid a existir após o suicídio provocou conflitos mentais deploráveis por acreditar que tud o acabaria após a morte do corpo.. Reprimindo os sentimentos. além de prop rcionar extrema aflição. ou perispírito. já existe no plano espiritual. comoção moral.Laryel calou-se e aguardou. Depois disso. Conhecido como fluido vital. é um crime ou homicídio contra um er indefeso. Essa fatalidade não estava em seu planejamento reencarna tório. 27 . Em todo e processo. Lágrimas correram dos olhos de Sérgio. ele ficou profundamente emocionado. pois eu tinha importante tarefa. está ligado à mas . ajudou dando sua vida para salvar a de todos in clusive a minha. Dotada de forças vivamente transcendentes pelas virtudes morais. O feto. das dif iculdades ou infortúnios.. a comitiva pro sseguia naquele lugar onde se estendia pavoroso sofrimento. inclusive no d ia seguinte a concepção. relativo e proporcional para aquela reencarnação. por meio do suicídio. que continuarão se multipli cando. Não me permito distrair em um lugar como esse. Hoje ela está encarnada e você a reencontrou: é a nossa querid a Débora. E por intermédio do fluido vital que o espírito experimenta um processo sensorial consciente de relação mútua com um processo f isiológico que lhe proporciona o conhecimento do mundo externo. Temos um dever.

C rer nisso é ilusão. Como podemos ver aqui. Silenciosa.observou Sérgio. mataram o corpo físico por fé cega e irracional em determinadas seitas. E havia os que não os percebiam. os fiéis ou seguidores se suicidam para provarem seu desapego ao corpo ou por decepção e vergonha por se despojarem de seus bens. desintegr do corpo em formação. Na espiritualidade. Olhem. o sofrimento e todas as sensações pela destruição. O escuro era tenebroso. inclusive. Após algum tempo. A instrutora não fez mais comentários e seguiram com os pensamentos em prece. desprende-se do corpo físico e vai para diversos lugares no plano espiritual. fazendo até parecer um acidente convencendo os amigos e familiares dessa fatalidade. em condições de vê-los. em buracos como cavernas. como semp re. propositadamente. porém a alma continua ligada ao c orpo por meio do liame ou fluido vital. Laryel e o grupo pararam por alguns instantes. Não conseguimos enganar nossa própria consciência. aglomerados de espíritos em extremo sof rimento pelo ato do suicídio. Não conseguem raciocinar. a identificação do e spírito suicida é pelo fluido vital ou liame rompido violentamente. após o suicídio individual ou colet ivo. muitos irmãos que se torturam e sofrem por interromper a vida no corpo. planetas mais evoluídos. encar niçado jamais acabava naquele vasto reino de miséria de aspectos horripilantes. chegariam a um paraíso. Exerce tarefas e outras atividades. Um socorrista que fazia parte do grupo apontou: Observe os que se envenenaram: trazem o corpo espiritual tal qual os danos oc orridos no corpo de carne: as vísceras à mostra com a dilaceração dos órgãos aparentes. É uma atitude psíquica coletiva t otalmente desequilibrada. e les até cantam de modo tresloucado! . Depois de um processo semelhante à l avagem cerebral. Outros se entocavam como animais. praticaram o suicídio de modo que os familiares acreditassem trata r de um acidente. filosofias tresloucad as ou religiões estranhas aos verdadeiros princípios filosóficos das Leis de Deus. para uma prece e diálogo com Deus. famílias ou sozinhos. Alguns suicidas. Chegando a uma espécie de salão gigantesco. o organismo enfraquecido não consegue transmitir o movimento de vitalidade. tanto que alguns oram incessantemente em idiomas estra nhos. Acr editaram na proposta ou promessa absurda de que. A lguns gritam incansavelmente em línguas estranhas já extintas neste planeta. mundos melhores.concordou Laryel. E q uando parte do corpo físico é lesada seriamente. Mas Deus tudo vê. Sim. Desejam fugir das sensações e imagens repetitivas de seu suicídio p raticado em nome da fé. os órgãos enfraquecem nas mortes de causas físicas naturais. No momento em que a quantidade de fl uido vital se esgota. os berros estri dentes para orar. Alguns cometem o su icídio em grupo. Laryel acreditou ser cabível. Na oca e na garganta há ulcerações violentas e corrosões expostas onde se vêem os mecanismos . que não se rompe durante o sono senão por pl anejamento reencarnatório ou permissão de Deus. fugiam aterrorizados pela vibração que sentiam . é verdade . ela os guiou por labirintos estranhos onde podiam ver. os gritos repetidos são com a crença de serem ouvidos por Deus e e m tentativa de não escutarem ou experimentarem os lamentos desesperadores e o sofr imento dos outros. Isso não é raro. O constante odor fétido.sa de células e sentirá a dor. Al guns. A insanidade é tão extrema que não sabem mais o q e usar como rogativa para serem perdoados pelo suicídio. Mas não são gritarias que os ajudam a se recolherem em pensame nto. e o espírito ou a alma do encarn ado se emancipa. explicar no nível de mente para mente: Aqui se aglomeram grupos de espíritos suicidas que. O estado consciencial em que se colocaram é tão desesperador que gritam em alvoroço como se houvesse uma competição para Deus ouvir suas preces enlouquecidas. ela continuou: Lembremos que durante o sono o corpo adormece. Todos percorriam a trajetória com os pensamentos elevados. Em determinada encosta onde a visão não era menos avassaladora. O suicídio interrom pe brutalmente a vida da matéria e bruscamente rompe a ação do fluido vital ou liames que permitiam o espírito atuar naquele corpo. de vidas humanas. Normalmente esses tipos de seitas têm líderes que os convencem a se despojarem total mente da matéria. e o corpo carnal morre. Todo esse alarido interminável. Outros emitem sons similares a palavras de cultos a deuses ou espíritos que idolatraram n um passado distante e aos quais faziam pedidos e oferendas de todos os tipos. começando pela doação de seus bens.

desequilibradas. são atenuantes que aliviam o sofrimento e dim inuem a pena desde que tenha o coração despojado de orgulho e vaidade. pelo seu pensamento e lembrança. traz os temores dessa vivência. revolt ados. neste lugar de dores infernais. pavor de falar em espíritos. é uma ligação ou uma espécie de repercussão do estado do co sobre o espírito. é repetição de palavras bonitas. como uma espécie de terapia ou alimento compulsivo entre outros distúrbios. incessantes e muito lo ngas. sem obter respostas às minhas questões de estudo. com a finalidade de se livrarem de um sofrimento infernal de recordações hedio ndas. as orações e rogativas aos gritos. em arrependerem-se e experimentarem breve sofrimento. somados às vibrações e sentimento das milhares de mentes que envolvem a todos. São pessoas que apresentam aflição ao pensarem na sua morte. não supo rtando a dificuldade da prova quando encarnados. Sem dúvida. sua fé em Deus e a esperança de reparar o erro. pensei que a atitude. muitos e. seu arrependimento. Na verdade. principalmente. começam a gritar para que Deus o s ouça. sua humildade.explicou Wilson. Estou certo? perguntou Sérgio. A princípio. Agora entendo que se trata de uma recordação inconsciente. angústia e as fortes impressões que recebeu do corpo físico devido ao rompime nto brusco do liame ou fluido vital que unia o espírito e matéria corpórea. psicologicamente falando. seria suficiente se concentrarem. uma espécie de delírio ao orarem em língua estranha cuja existência não se pode comprovar. com hinos. Várias vezes. É uma visão chocante. Eles afirmam serem orações na língua dos anjos. Po r isso os hinos repetitivos e as orações frenéticas. principalmente os protestantes ou evangélicos. Agora. Intuições desconhecidas disparam na presente reencarnação à atitudes comportamentais de suas orações desesperadas. Não são diferentes dos outros. como os intestinos fragmentados e feridos. mas isso não adiantou para suas reflexões. entregues ao desespero e arrebatados pelo horror d as dores e condições. Tiveram conhecimento sobre as punições por tirarem a própria v ida. Têm medo horripilante do inferno. ainda enlouquecido por tanta s recordações horripilantes. Creram também que . a qual imprime toda a sua vontade nesse princíp io material. Podemos ver aqui. rancor e outras mazelas em seus corações. O aspecto do fígado despedaçado. vê e sente os bilhões de vermes o roerem . eles também oram incessantemente. com os espíritos suicidas embrutecidos. Apesar de alguns suicidas estarem aqui há anos ou séculos e seus corpos físicos já te rem se decomposto totalmente. plasma. a repetição torturante da morte do corpo físico com a repercussão da dor no corpo espiritual.afirmou Laryel. O sangue e os pedaços de órgãos que caem e apodrecem permanecem aqui e são conservados nessas condições pelo poder mental perturbado e desesperado do suici da. vaidade. pois os pensamentos estão longe dos desejos e das práticas . enc arnados. pedirem perdão. o procedimento preconceituoso para com aqueles que não aderiam a sua religião e o co mportamento extremo. Exatamente . Entretanto não são somente os encarnados que adotaram os conce . suicidaram-se imaginando deixar em para a próxima existência terrena o desafio daquela oportunidade. endurecidos na fé. é algo tão traumatizante qu e. Acreditando-se com total razão. o sofrimento experimentado. pensarem em Deus. Mesmo o efeito da decomposição. clamando salvação no re ino de Deus. enlouqueced oras. a emoção im ensada que o levou à prática desse crime. o espírito. arrogância. mas se . Lógico que cada caso é um caso. desenfreadamente. Outros são propostas de líderes com interesses pessoais. Mas me intrigava observar. o subconsciente. ainda há orgulho. Deus para Ele solucionar proble mas talvez semelhantes aos que experimentaram em encarnações passadas e falharam.disse Laryel com humi ldade e bondade. são irredu tíveis à idéia da reencarnação e buscam. Por isso sabemos que as razões do suicídio. Alguns casos são de e xtremo fanatismo. após o suicídio. É a prova d a afinidade persistente entre o espírito e o corpo que sofreu o que ele provocou. O que alguns desses irmãos fazem não é oração. individual ou coletivo. a mente. Quanto engano! A punição para esses será ainda mais terrível por terem conhecimento. brados e escândalo s funcionassem. foram espíritas. possuidor de ódio e vingança. por possuírem faculdades de ra ciocínio e planejamento. Mas isso ocorre. De repente Sérgio contou: Já estudei o comportamento de encarnados e a razão de adotarem determinada religião . fragme ntada de uma experiência no plano espiritual. que nunca deixa de sangrar. Tudo de acord o com cada caso. fanático. sustentando-lhe a forma aparente com sua energia impregnada de pade cimento. presos ao ateísmo. apesar da matéria corpórea não existir mais.deficientes do esôfago até o estômago.

concordou Laryel. vômitos e pedaços encarniçados. arrogância e tudo mais. sons suaves ou mantra s utilizados por outras filosofias para a meditação. Revoltados contra Deus. outros suicidas se aglomera vam em pequenos grupos. bem como aroma de suave fragrância floral. Espíritos violentos. motos ou outr os veículos e sentiam as perfurações. Se a paz ou a tranqüilidade for obtida pelo auxílio d e um som agradável. em que cada um lutava com sua forma particular da morte praticada ao corpo físico. em gemidos. mesmo nos templos. entregaram-se ao suicídio. Ouviam repetidas vezes o barulho das ferragens junto das cenas. é algo aceitável sim. há suave melodia a nos envolver em paz para vibrarmos de acordo com o nív el do lugar. Após a travessia na vasta região de sombras. Outro implora va. graciosos no plano espiri tual. . Estava long e de se abalar. de lugares incrivelmente lindos. Adiante espíritos viam-se aprisionados nas ferragens de automóveis. possuía piedade e amor incondicional. Alguns se desesperavam com a abundância de água nas vias re spiratórias e nos pulmões. experiência e capacidade. fezes. pois pecam em atitudes e pensamentos de mágoa. sempre serena e atenta a tudo. o inchaço roxo que apodrecia o pescoço e a cabeça. agrediam ferozmente quem dele s se aproximassem ou estivessem em seus caminhos. desesperadamente enlouquecidos. Esse comportamento os defer ia ali por muito mais tempo. cantos escondidos ou espécies de tocas. O perispírito se apresentava como no momento do su icídio. Haja vista que em colônias espirituais voltadas para o socorro. ouvindo barulho dos ossos fragmentando-se e o estouro dos órgãos. a quele conjunto de sinos ou peças delicadas que vibram e balançam com a brisa produzi ndo sons que impressionam o sentido da audição. Já estudei sobre isso na Codificação Espírita. Para is so se precisa de paz interior. Lógico . Silenciaram. Cada um tem o direito de b uscar a purificação da mente para religar-se a Deus da forma como lhe convier. orgulho.Leve sorriso discreto e Sérgio coment u: Recordo-me. porém não se concentram e desviam os pensamentos para outros assuntos. prisioneiros daquela desgraça. como o murmurinho da água de uma fonte. Em frestas. música agradável e relaxante em baixo volume. reviravam-se no chão de lodo vi scoso repleto de matéria com aspecto de secreções de sepulturas. Be nfeitora especialista em tarefas daquela natureza. é diferente de músicas agradáveis. por não serem fortes nem corajosos. tomando postura prudente e justa. Os que se enforcaram traziam atados. aproximaram-se de determinado lugar com aguçada observação. Tentavam livrar-se do mecanismo que plasmavam. Laryel. Estud am sem dar atenção ou filosofar a respeito do tema e não põem em prática o que aprenderam. Meditação é sujeitar-se em pensamento a um exame interior à contemplação ou oração mental em total quietude e harmonia da mente e do corpo.itos do protestantismo que possuem esses comportamentos. estoura do no chão. mas era impossível ver-se sem a dor. para não mais ver sua queda e o corpo espiritual quebrado. Muitos exalavam ódio e contrariedade pelo que experimentavam. Alguns espíritos. Blasfemavam rancorosos contra outras criaturas ou situações nas quais. pois era o reflexo do estado do corpo físico que o impressionou e dominava-l he a mente com angústia e horror. para a instrução e outras até mais elevadas. generosamente guiava todos co m precaução e sensatez através de missão na qual não necessitava mais trabalhar. ao pescoço do corpo espiritual. o incômodo da língua exposta com edema em alguns casos. ininterruptamente. o pedaço de corda ou tecido que usou para se suicidar e sofriam a agonia da asfixia. Isso faz parte da evolução espiritual. . do sufo camento ou do quebrar da vértebra. desde que não incomode os outros e não h aja desequilíbrio por compulsividade. pois foi esse seu método de suicídio. agora. as dilacerações ou o crânio aberto de maneira dramáti dolorosa e cobertos de sangue que não estancava. Esse comportamento exagerado. serviço qu muitas vezes realizou sozinha por sua elevação. Muitos espíritas oram em silêncio. O barulho da água era torturante e a visão repetitiva do modo como se afogou repercutia em asfixia aflitiva. abusivo e excessivo de gritos para orações em qualq uer lugar. mas s em prejuízo à paz e ao sossego alheio. lugares e ambientes belos e tranqüilos para nossa harmonia. com o som do carrilhão ou mais conhecido como sino dos ventos.

dos filhos e amigos foram como um medicamento que o fortalecia. Não teve coragem de contar à esposa e ao s filhos que passariam a viver na miséria. Deus assim o quis e sua pena foi abreviada e agora o vemos em co . levando-o para junto do grupo. Por sua generosidade foi enganado. Cristão. Sofreu. Mesmo a igreja católica negando-se à prece a um suicid a. cortou a lateral do pe scoço com um canivete que possuía.. Diante do desespero. A esperança na oportunidade de reparar o erro e a fé em Deus o fez re colher-se em prece. gélido e a dor infindável só que. Os que utilizaram armas de fogo. técnic o naquela tarefa.. à sua família e depois s e atraiu para cá. o espírito suicida agradecia. além de receberem as vibrações fortes e visualizarem as imagens dos outros suicidas experimentando as mesmas dores. A certa altura do trajeto. explicou: Ele foi um homem bom.. Em estado de perturbação. Oh. Sem demora re tiraram-no de onde estava. arrepend endo-se de imediato.. revivendo a cena do instante em que se suicidaram. o seu período ou tempo de punição. Todos se desconheciam e se tratavam como inimigos. que se aquietou. apesar das condições deste lugar. Rogou a Deus Sua bondade e socorro. Tenho frio. além do so frimento moral e perispiritual. Entendendo-lhe o desejo. suicidou-se por vergonha .. Cinco anos. a casa e todos os bens foram confiscados. o rosto cadavérico. A falta de fé o levou à covardia e à insanidade momentânea. com inúmeras necessidades.. Apesar do estado enlouquecedor. de todo o sofrimento. mais forte. Desorientado. torturavam-se pela tragédia a que se lançaram. com ossos quebrados e expostos. mas é Deus quem julga e encontra circunstâncias que diminuem o grau de responsabil idade do culpado e. a esposa não desistiu. Laryel parou em lugar específico e apropriado onde p areceu criar uma espécie de campo magnético. entendeu seu erro. rastejavam e rev iviam a sensação do sofrimento. De posse da Bíblia. Orou pedindo perdão enquanto se esvaia o sangue e a vida do corpo. não aprendeu sobre a reencarnação.pediu bondosamente um auxiliar ao prestar os primeiros atendimentos. lia o Evangelho do Cristo pensando no marido e rogava perdão para ele pelo suicídio praticado. a sol idão reinava. As energias mentais apresentavam-se extremamente fortes e a aflição imperava. Meu pescoço. da dor ininterrupta. O suicídio não fica impun . do sofrimento na mente e no co rpo espiritual. Apesar da aparência horríve l. impressionant emente. Senhor meu Deus! Agradeço por ouvir minhas preces e enviar Seus anjos par a me socorrerem.. pe rdeu o emprego. O Pai da Vida e nxerga nossos sentimentos verdadeiros e sabe o que é justo. mostrava-se grato entre as lágrimas intermináveis. Acalme-se. logo após o ato. vendo-se junto aos encarnados. Mas. não foi para casa. Acalme-se e pense em Jesus. mas foi fraco e incapaz de suportar a provação. aos quarenta anos. A espe rança aliviou suas dores e as preces da esposa. foi humild e.perguntou Sérgio. mais rápido poderemos trabalhar.Os que se atiraram em linhas férreas ou rodas de veículos tinham a aparência perisp iritual retalhada. queimo. Era religioso.. O sangue da jugular não pára. Desapontado consigo mesmo e desesperado. meu amigo . Apresentavam-se com a cabeça aberta e sangue abundante. sabiam tratar-se de um homem que. Os que se suicida ram juntos estavam distantes um do outro naquele imenso vale. Os encarnados não imaginam o poder da prece. facas ou objetos perfurantes no peito ou nas vísceras gritavam por socorro ao ver o sangue jorrar. Eles enlouqueciam com os cenários e os sofrimentos de seus suicídios. enquanto aguardava. ele e um outro cooperador foram à direção de um dos infelizes que se acuava. Ótimo pai e marido.. e voltou a fixar em outro ponto. Há quanto tempo ele se suicidou? . Está envolto em coberta que diminuirá seu frio e deixará de queimar.. O sangramento já vai parar . Chorando compulsivamente. Quanto mais tranqüilo estiver. É o momento de deixar esse lugar. Ore e agradeça em silêncio. fragmentada. Tinham o peito ou o tronco inchado e queimando. Católico.murmurou o socorrido. Ela olhou para um dos socorristas.tornou o amoroso tarefeiro espiritual. mas acreditou na bondade de Deus em lhe dar nova oportunidade de vida para harmonizar sua consciência. As vestimentas eram míseros farrapos e muitos estavam nus. Deus os abençoe . conseqüentemente. sincero e pôs-se à oração. procurou um lugar afastado. Os que estilhaçaram a cabeça com um tiro escutavam repetidamente o estrondo que e stourou seu crânio. Laryel havia indicado outro espírito para ser auxiliado e.

Ele percebeu os sina is anormais com o uso do remédio. Não demorou e outro espírito foi trazido. à loucura. Os pais precisaram as sinar diversos papéis para autorizarem o uso da medicação pelo filho. Outros lhe prestavam c uidados quando ela se afastou e tornou a Sérgio. Ele ur rava estridentemente ensandecido até que Laryel se aproximou e. Se o médico fosse mais responsável e instruído. porém passo u a ficar quieto. Em determinado mom . Se os pa is tivessem mais e verdadeiros esclarecimentos. A famíl ia era católica e ele sabia que o suicídio é um crime terrível. Ele poderia ter procurado os pais e conversado. Mesmo tendo faculdades bem desenvolvidas. os pais seriam os únicos responsáveis. incluindo cegueira. não teria prescrito tal medicação. mas não o fez por vergonha. a responsabilidade é proporcional às condições em que se deu o erro. problemas sérios no fígado. Cada um é julgado por suas obras. Sua situação ficou ainda mais deplorável quando a família decidiu pela c remação. A grosseria cruel dos colegas que o humilhavam constantemente e sua insatisfação pessoal fizeram com que a mãe o levasse a um médico. . Imprudente. Está neste estado há quinze anos e terá muito que harmonizar. Todos esses anos?! . Apesar de envergonhado. foi vaidoso e não procurou ajuda. Sua deplorável condição de suicida era impres sionantemente infeliz.defendeu Sérgio. bem como o médico por quaisquer danos na saúde do usuário.Enquanto Laryel esc larecia. Apesar do arrependimento. Os socorristas o envolveram. planejou o suicídio antes de consumá-lo. porém mal os leram . condenado por essa relig ião. Poderia ser mais. a falta ou o crime. com recursos próprio s. concentrou-se no sofredor colocando-lhe a mão na fronte. o jovem era alegre. depressão entre outros. deprimido pelo efeito da droga existente no medicamento. não comentou nada ou poderiam su spender a medicação e suas acnes voltariam. Gemeu até f icar como que anestesiado pelas providências da benfeitora. tentava animá-lo apesar da dor. Uma série de atenua tes. Cientes dos possíveis efeito s colaterais danosos. A idade não importa. ele mal pensava em Deus nem rogav a amparo. sem m ais informações sobre o remédio nem desconfiança por tantas assinaturas em documentos pa ra arcarem com a responsabilidade. ignorou os instintos. Sem procurarem uma segu nda ou terceira opinião de profissionais mais experientes e até de outras áreas. Não se desprendeu do corpo o que acontece com muitos e. sentimento que muitas v ezes chamamos de vergonha. triste e se negou a procurar ajuda. por vergonha.ndições de socorro. que revive as cenas do suicídio e o desespero na fornalha. os pais adquiriram a medicação muito cara e o fil ho passou a usá-la. mas não o fez. Por essa razão seu tempo de penitência foi abrevia do. Ainda possuía o crânio estilhaçado pelo tiro e pedaços do cérebro e xposto. Aos poucos ele se acal mou e puderam notar uma vaga recuperação das faculdades ao olhar em volta. o médi co aconselhou o uso de um remédio proibido em diversos países por seus possíveis e inúme ros efeitos colaterais. Ainda que a matéria corpórea não exista. Possui vaidade em seu coração e orgulho. Mas era um garoto . o reflexo horripilante das s ensações caracteriza-se no perispírito. entendimento e cert o grau de elevação espiritual. de tristeza e falta de vontade de viver. Est ar ligado ao corpo físico durante a cremação foi uma experiência terrível! Ele sofre inten so trauma e aberração das faculdades como um demente. outros espíritos eram socorridos e postos perto deles. contando o que sentia.tornou Laryel com brandura.surpreendeu-se Sérgio. Tanto que. Embora ele não tivesse predisposição ao desequi rio mental. Além disso. Tinha conhecimento de que o suicídio é um ato terrível e ignorou. Esse irmão tinha quinze anos quando diversas espinhas e acnes co briram seu rosto. A documentação protegia futuros processos judiciais contra o laboratório fabricante. do estado horrível e do desespero. contando: Como sabemos. mas. ao saber que o remédio p oderia causar aquele desgosto pela vida. Sentiu-se deprimido. as inspirações de espíritos elevados e deu um tiro na cabeça com a arma do pai. mas percebia-se a carbonização dolorosa. oferece a misericórdia de Deus. você sabe . por vaidade. falado sobre os pensamentos de morte. não se vendo morto. plasmando o perispírito como vê pelo que vivenciou e mais o impressionou. o remédio não seria usado. Tinha meios de procurar ajuda profissional. algo comum nessa idade. houve um efeito no campo biológico causado pela medicação. ou seja. inclusive o efeito da medicação no organismo. deformidades por má formação fetal nos futuros filhos. Os responsáveis diretos ou indiretos q ue o levaram a esse ato serão punidos pelas Leis de Deus no devido tempo. Não conto u aos pais nem procurou ajuda psicológica por seu orgulho.

. perguntou como pai amoroso: Alessandro?. As mãos sujas e magras daquele sofredor seguraram repentinamente as mãos de Sérgio. sussurrou: Obrigado. mas. Aquele espírito está aqui há mais de duzentos anos.. pareceu averiguar as imediações e depois pediu a Sérgio: Venha comigo. ele se prontificou a cuidar do espírito que trouxe nos braços como um ente querido. Um sentimento muito forte invadiu Sérgio e pedindo a Laryel. fraquejou. assim como at aduras para cobrir lesões e material adequado para algo como que primeiras higieni zações das impregnações nos corpos espirituais dos socorridos. Jesus o envolva. as ânsi as e regurgitava substância fétida.. mas virou-se e f ixou-os com expressão surpresa. Sem expressar-se comovido. impregnado da matéria nojo sa do lugar e desfigurado encolhia-se tal qual criança assustada.. murmurou ao sair engat inhando do esconderijo: Oh.. Prati cou vários estupros e matou suas vítimas. Ele vê a imagem de cada uma de suas vítimas implorando misericórdia. sofreu todas aquelas misérias do lugar por mais de cem anos. Ainda sentia arder às vias respiratórias com os pulmões queimando. reconhecen do o erro. Fique t anqüilo e pense em Deus. Sérgio procu rou acomodar-lhe as mãos. Logo trouxeram o espírito de uma mulher que se afogou prematuramente por causa do desencarne dos pais e com o intuito de reencontrá-los.. assim as providências para o socorro serão mais ágeis.respondeu. Não tinha o crânio esfacelado como quando chegou. O que deseja é livrar-se do sofrime nto agonizante. ela apontou: Veja ali. Movimentando-se lentamente. Um espírito enfraquecido.. orientando: Agora descanse. Mas não tem fé em Deus nem o coração puro. Indefinida emotividade dominou os sentimentos de Sérgio que. Oferecendo grande pausa. do estado deplorável e p avoroso de seu corpo espiritual cujos órgãos genitais sente em brasa.ento. Pobre irmão! lamentou piedosa..Ergueu-se com esforço. procurando dominar as lágrimas. após alguns passos vacilantes. Dentre todos os socorridos. que permitiu. Abençoe esses anjos de socorro. em difícil condição. pois o socorro já começou. perplexo com o imp acto das idéias ligeiras. Tenho frio. Obrigado. tire-o daqui.. Sairá daqui. meu irmão. observando os abnegados socor ristas em ação. fazendo-o parar. Ele vivenciava sofrimentos infernais e tinha toda a organização perispiríta deformada. abençoe meu pai po r enviar esse irmão de luz para me socorrer. ora desesperadamente e invoca perdão para sair deste vale tenebroso.. o que não aconteceu... Enquanto Laryel só observava. mas em seu íntimo experimentava forte emoção. Enqu anto oferecia os cuidados. humildemente. Deus! .Não longe se aproximaram de uma caverna rasa onde ela direciono u luz baça que irradiou de sua mão. Laryel olhou em volta. uma oportunidade de reparação.. provavelmente. Obrigado. Preso. o irmão se sentirá aliviado. Deus o abençoe por tudo. De imediato foi amparado e abrigado pelos braços de Sérgio. E você? Meu nome é Sérgio . Fitando-o com profundo agradecimento no olhar. Pensativa. Você é o Alessandro. aquele espírito suicida era o que se encontrava em melhores condições.chorou com lágrimas abundantes. Ele se prostra de joelhos em penitência. . enforcou-se na prisão. Socorreram outro espírito que se suicidou se atirando de um edifício ao saber que tinha uma doença muito grave. Faça uma prece. Dói muito.. Em breve. embora houvesse du as perfurações que sangravam em sua cabeça: uma pela entrada e outra pela saída do tiro com o qual se matou. Laryel já havia providenciado e fornecido recursos próprios para a materialização de objetos de socorro que adquiriram contornos propícios e definitivos como maças e cob ertas impregnadas de invisíveis energias medicamentosas e calmantes. incurável e de processo doloroso... sufocante das cenas que revive do suicídio. meu irmão. Obrigado Senhor. Por i sso e devido a sua postura mental. O espírito aceitou e Sérgio prosseguiu com o processo de auxílio.. o espírito suicida falou num sopro: Minha cabeça dói. Sérgio.. o que ele não teve. .. É possível que permaneça nestas trevas por mais tempo e somente a re encarnação compulsória. Não d emorou para se arrepender e se concentrar em verdadeira prece a Deus. filho do doutor Édison? Sou eu. pedindo Seu perdão e. que o levou para junto d os outros. A prece . Escuto o disparo. Deus há de recompensá-lo.. Deus.

Breve intervalo e a benfeitora desfechou: Jesus. porque a morte não existe e a ausência do corpo físico não é o fim dos sof tos para o espírito. o despertar para o orso e o arrependimento. a humildade e a paciência para o socorro e o progresso da condição mental por meio da pr ece. de indescritível sofrimento e l oucura. somos meros aprendizes de Teus Divinos ensinamentos. é de todo coração que suplicamos em favor desses irmãos em condições a ropriadas de socorro hoje. para saírem dali. Viam-se. . fraqueza no momento em que consideraram mais difícil. recolhidos na fé da bondade de Deus. apesar de repelidos por algo como um campo magnético.A emoção generosa pela doce e tocante inflexão de Laryel envolvia todos da comitiva. de S ua justiça e bondade. angús tia. Os espíritos suicidas socorridos que tinham mais consciência oravam e agradeciam incessantemente o auxílio servido com valoroso amor mesmo com as sensações das impressõe s dolorosas que ainda sentiam. psíquico.explicou um dos auxiliares socorri stas. revolta e indignação por se prenderem àquele vale extenso de lodo repleto de su bstâncias de matérias espirituais em estado putrefato. a fé na bondade e na justiça de Deus. . inclusive os socorridos. na esperança de se projetarem na evolução moral e espiritual. cujo rompimento dos laços da vida corpórea foi partido ru de e voluntariamente por razões e idéias que não nos cabem julgá-los pelo desespero. Tal comportamento e sentimento os detinham por mais tempo na quele vale de suicidas. mais insuportável na expe riência terrena. os espera. apesar de todo sofrimento. entonando amor e agradecimento sublime: Senhor Jesus. na paisagem tenebrosa e aflitiva. mas com considerável alívio pelos passes salutares re cebidos como um bálsamo para suas condições.de sua família o auxiliou com forças que o sustentaram. dispostos às harmonizações e reparos. resignam com paciência e. . da ininterrupta e prolongada tortura desse infortúnio. Rogamos por Suas bênçãos misericordiosas para nos sustentarmos na humilde tarefa de socorro à qual nos devo tamos. Seu calmo semblante reluzia sua natureza superior e sua fronte ligava-se ao Alto por fio luminoso. A s eguir. cada órgão do rpo físico no instante e após a prática do suicídio . e m total confusão mental e extremamente desequilibrados. inclinavam-se a expressões de ódio. Será preciso muita elevação e enriquecimento da mente. pausadamente. na consciência e sem culpar os outros pela falta c ometida da qual a criatura é a única responsável.Nesse momento. nas provações difíceis. espíritos brutalizados que lutavam e gritavam imperativos e arrogantes para serem levados. entregam-se e co nfiam a sua existência à vontade de Deus. Mestre amigo. Terão a penitência e afl ição diminuídas. Laryel demorou-se ao circunvagar olhar triste e piedoso após o término da movimen tação de energias. esses serão socorridos. intraduzivelmente bela. Lágrimas sensíveis b rotaram dos olhos de alguns. muitos outros irmãos infelizes aqui permanecem sofrendo os reflexos mentais da desgraça ardente. a justiça da própria punição mental. A benfeitora transcendeu ainda mais. a o tempo que a comitiva sentia-se fortalecida com a ajuda vinda por projeções de espíri tos invisíveis a todos. As mentes desses irmãos estão presas ao formato de união de cada célula. Aqueles que reconhecem. a tênue claridade emanada de Laryel. expressou-se generosa: Sabemos que o Pai da Vida nunca fecha a porta àquele que se arrepende e lhe ren de culto sincero em pensamento. utilizados com a finalidade de livrar os espíritos socor ridos de impregnações oferecendo-lhes um pouco de alívio mental. o desejo de reparação. Me stre do amor. aliviando seu sofrimento e d iminuindo sua punição. a elevada e ntidade prosseguiu. a prestimosa benfeitora fitou todos que a acompanhavam e t ambém os socorridos como mãe que confere e observa os filhos queridos à sua volta. Senhor. Com bondoso olhar. Para alguns serão necessárias i eras reencarnações para aperfeiçoarem o corpo espiritual e físico. Enquanto isso os demais suicidas que podiam ver a atuação de socorro naquele luga r. Alguns. esqueciam-se de Deus. ou passes. em direção do bem fraterno e reparador. hoje esses irmãos estão preparados para a redentora libertação de ssas trevas. aumentava gradativamente até alcançar um jorro intenso de luz. Após a breve interrupção do diálogo em forma de prece. excelsa m inistra do socorro. E é por eles que imploramos bênçãos para a constituição da consciência. Cada um reagirá ao soco rro de forma diferente. Permaneceu naquele ciclo inferior por oito anos. em todas as particularidades. Outra jornada. uns mais rápido que os outros. espera pelo socorro Divino.

em ou tros momentos no plano espiritual. sabe disso . * * * Para outra esfera da espiritualidade..expres sou-se emotiva e em tom piedoso. A emissária de amor silencio u. rumando para colônia espiritual apropriada para a recomposição e regeneração dos socorridos. pela oportunidade sublime. pois foi para esse fim que Débora reencarn u: para ajudá-lo e serem felizes... avisou: Nós nos encontraremos com mais freqüência por conta de tarefas em nome de Jesus e. Sabe como eu a amo. peço forças para a ta refa abraçada. incomparáv el e. Deus oferece tudo a seu tempo . Sorrindo com meiguice. falou: Como lhe sou grato!. encantando ainda mais sua figura.... Mesmo assim continuou sob o efeito de jubi losa emoção: Agradeço o amparo e a revelação desta filha do meu coração. . respeitosamente. Há mui to para se desvendar do passado e.lágrimas o interromperam. Meu amado p ai espiritual... Sua humildade. A pós recompô-lo de benefícios fluídicos revigorantes. para ser o sustentáculo e a compreensão. a benfeitora cerrou os olhos mantendo-se vincu lada a forças magnéticas de planos superiores. pr ovavelmente permanecerá considerável tempo na espiritualidade onde poderá ajudá-lo com i nstruções. Mas seja feita a Sua vontade e não a minha. mas humilde e respeitoso. Pai. Com resignada fé. Agradeço. razão de sua elevação à custa de incansáveis trabalhos no bem. Usando de recursos peculiares.. Em nada adiantará ou ajudará qualquer informação. nesta oportunidade. certamente. Alessandro será seu protegido e. Senhor Deus. beleza suave e sublime eram nobres na aparência jovial.emocionou-se.A inflexão verdade iramente sentida revelava sua elevação: Com fé e amor.Raios de luz irradiados do peito de Laryel brilhavam em torno do grupo socorr ista envolvendo todos. pelo entendimento. a inspiração e o apoio. . Será preciso que você se fortaleça para reencontrá-la com harmonia e paz. Nossa querida Débora. Tenho certeza de que a experiência desse trabalho abençoado no socorro fará com que mude a postura mental. muito será esclarecido.murmurou Laryel docemente e emocionada. sa bedoria e fé. Sérgio ainda estava em desdobrame nto e sabia que retornaria ao controle de seu corpo talvez com vagas e confusas lembranças da tarefa. Sinto que ela precisa muito de mim . . encarregou -se de levá-lo de volta até sua casa. Laryel conduziu Sérgio e ministrou-lhe en ergias que dispersaram todos os fluidos obscuros que ainda pudessem impregná-lo. .. rogo rever o espírito Alessandro.. ela providenciou a retirada de seu grupo e partiu rapid amente na direção do alto. Temporariamente a bênção do esquecimento é necessária. sou eu quem lhe deve gratidão. a compreensão. Cujo amparo não sou dign eceber. Confie em Deus.disse em tom preocup ado. Abraçando-a com terno carinho. amorosamente. Se possível. da melhor maneira dentro de todos os meus esforços a fim de reparar minha imperfeição pel a inclinação às influências inferiores. Em seu quarto. ela mesma. orientou: A ignorância de alguns fatos da vida é por bênção. Com suprimentos e auxílio de entidades elevadas e imperceptíveis. ele agradeceu como numa prece: Obrigado... no semblante imperturbável. Olhando-a longamente e com generoso carinho. Permita-me atuar ao lado da filha da minha a lma. se fortaleça e se reconheça capacitado. Deus.. era exposto a sua capacidade de conhecimento.Luminosidade emanava-se pulsante e cristalina. Querido Sérgio. pois agora entendo a motivação e o auxílio que recebi. Vo cê tem conhecimento dos fatos de outras experiências da vida terrena e espiritual no desdobramento durante o sono.. pois sem algumas preocupações nos elevamos moral e espiritualme te. Pai da Vida! Agradeço a oportunidade de t abalho e o aprendizado.. Reco rdará de modo fragmentado o que for preciso para sua tarefa e propósito no bem. rogo modesta participação em socorros como o real izado hoje em nome do Mestre Jesus. tal como uma redoma protetora. sensibilizada com lágrimas de júbilo. até que tudo se reverta e ela seja a sus tentação. realizarei o trabalho ao qual me propus. Faça preces para que o Mestre Jesus enderece Seu olhar de misericórdia a ela nes sa fase evolutiva. Perdoe-me a i mperfeição e. . E a Débora?.

Tudo se tratava do reflex o de sua aura iluminada. delegava soluções aos propósitos de Deus. caminhou até o carro. Em preces. não queria pegar a estrada à noite. pai querido. Ainda trazia no coração a ferida do amor inexpri mível por Débora. . ponderações e contemplações às quais se r ecolhia para uma saudável conversa e agradecimento a Deus. A fonte revitalizante que o sustentava nas decisões e atitudes coerentes era sua determinação em meditar e analisar os fatos com fé raciocin ada. Sérgio dirigiu por uma auto-estrada chegando a uma cidadezinha cercada de represas e montanhas. Ela aprenderá muito. assim como amo você também... Minutos de profunda meditação e murmurou ao final: Senhor Jesus. Sérgio não se entregava à dolorosa solid trazia o semblante sério e sisudo.. a atenção e a disposição fraterna estivessem sempre presentes em suas ações. o qual tirou para seu descanso. embora a humildade. ocupando-se sempre com algo produtivo. considerações ao estudos para conhecer as verdades libertadoras. Estou cuidando. Era final da tarde e. Uma montanha distante d o outro lado da margem era escurecida pelo início do entardecer e oferecia um toqu e especial àquela paisagem. pois quero continuar com empenho e trabalhar em Seu nome. andou um pouco e sentou-se em um relevo próximo à água que refletia os últimos rai os do sol se pondo no horizonte. Olhando para o sublime firmamento. direcionando suas energias ao trabalho digno e sadio. A natureza era d e uma beleza extraordinária! O lugar oferecia um precioso silêncio inebriante. Algumas horas depois do almoço decidiu ir embora.. Algo natural das forças fluídicas superiores que alcançou em caráter de nova postura moral ligada ao alto pelas: meditações. que se entregou à fragilidade do adormecimento verdadeiro sendo generosamente auxiliado a regressar ao corpo i nerte com sono profundo e regenerador. seu sorriso luminoso era constante e o som de seu riso gostoso era cristalino e verdadeiro.. reflexões.. Ao contrário. Repouse.Conversando com Jesus Sérgio transformou profundamente a sua postura mental. desfechou: Agradeço ao Mestre Jesus por nos conceder a bênção de trabalharm os juntos como já fizemos no passado. nas quais não lamentava. Extas iado. no espaço ilimitado p ela extensão indefinida que chamamos de céu. Eu a amo em todo o meu ser. magnífica! Os matizes coloridos do céu espelhavam-se na água passiva e brilhante. Toda a visão era encantadora. que não lhe respondia com . humildemente rogo. por sua determinação e sinceridade ao fazer uma terapia com o Psicólogo das almas . Laryel colocou a destra suave na fronte de Sérgio. percorrendo poucos quilômetros. Seu belo rosto tranqüilo figurava-se com um retoque de nobreza majestosa. Retornando. pela Débora. não re sistiu e estacionou o veículo após sair da estrada.Algumas necessidades aumentam o valor pela vida e o reconhecimento das mínimas oportunidades. Encontrava-se só. Dê-me forças. sentia sua falta. Senhor Jesus. Passou a maior parte do dia conhecendo lugares interessantes. Sempre sereno. olhou mais uma vez o cenário esplendido e admirou o ca pricho de Deus. somente se a e resignava. sem ansiedade ou desespero. Agora rogo que o Mestre Nazareno o envolva c om sustentação para continuar na jornada com luz na consciência e paz no coração. Sérgio fixou olhar no indefinível azul e re presentou mentalmente a figura do Mestre Jesus como que o observando. Apesar da inexplicável sensação desagra-dável pelo vazio. comuns ao cotidiano.Beijand o-o na face.pediu em tom de súplica. sentiu-se diferente. Cuide dela por mim . beneficiando-se de forma incrível desde quando passou a refletir e agir conforme o que aprendia nos ensina mentos da filosofia espírita. 28 . talvez. costumes diferentes e observando a tra nqüilidade do povo local. Olhe por todo s desse mundo. tinha uma postura imperturbável diante de problemas preocupantes ou situações desagradáveis e imprevistas. Permaneceu sorrindo por tempo indeterminado e sentindo-se mais leve. Porém não se permitia à demorada lamentação. olhe por mim. Leva ndo-se. Certo dia.

pode repetir..respondeu firme. Não. perguntou: Sou o próxi mo?! Não ouvi o número da sala.. você fala de um modo bem tranqüilo.. Silvana. Sérgio saiu de seu consultório sorrindo e brincando ao acompanhar um de seus pacientes até a recepção e à porta de saída.. a clínica e o curso de pós-graduação prosperavam e ele prosseguia sentind o-se mais estabilizado.falou rindo ao indicar a sala onde ele atendia. Então você me chama.. Não namorou outra moça ou?. Levantando-se e cumprimentando-o o médico indicou uma cadei ra frente à sua mesa para que se sentasse. Sérgio a abriu e entrou a pedido do médico. De um modo que não sei explica r.prontificou-se a moça. O trabalho. Ainda sob o efeito do riso. mesmo se fosse após o último atendimento.. não a esqueço. Após leves batidas à porta. como está? Não sei. Primeiro por estar muito ocupado e segundo por não aparecer ninguém que me int eresse. Talvez eu esteja lá quando a pa ciente chegar. menino! . doutor! . além de acompanhá-lo nas tarefas espirituais durante o sono. Após rirem... Não vou me envolver em experiências frust rantes. Não zombe de mim. implorando para que o senhor pudesse vê-l a hoje. contudo enviava-lhe Seus mensageiros de elevada estirpe espiritual pa ra protegê-lo e guiá-lo. Nã posso correr a vida inteira atrás dela e. Sérgio recordou-se imediatamente da paciente e perguntou: Sabe me dizer se a mãe virá junto? Ela não disse nada a respeito. Em nome desse sentimento tão intenso. mas acho que vou procurar um cardiolog ista. qu e seja feita a vontade de Deus. Você tem a ficha dela para eu pegar a pasta lá em minha sala e dar uma olhada? Está aqui! Observando o nome. o próximo paciente ligou a visando que não poderá comparecer e agendou novo dia. Dói! Às vezes. . por favor? A moça sorriu e correspondeu a brincadeira: É a terceira sala à direita.murmurou ao bater na mão o cartão com os dados básicos da paciente. foi surp reendido pela secretária que o chamou: Doutor Sérgio! Eu! . o que você sente pela Débora? Amor . Não quero ter alguém ao lado só por ter. porque sei que procurarei na outra pessoa a Débora que ela não é.palavras. se essa é a vida planejada para essa etapa evolutiva. Penso que. dói muito! Contudo eu busco esperança e fé. Busco harmonia e concentraç tarefas úteis. se quisesse me ver novamen te. Obrigado.. Porém insistiu: E a vida amorosa? Com semblante sério.riu o outro. Talvez ao telefone. A companhia de Sérgio sempre era bem agra dável ao senhor que logo perguntou: E a pós-graduação.. daria um jeito de me encontrar. que acabava d e desligar o telefone. pois ela sabe como fazê-lo. .Brincando. Vou até a sala do doutor Édison. Não nego que exp erimento um grande vazio. por favor. Talvez se atrasasse um pouco.. parecia aflita. Certo. Conhecendo seu ponto fraco. como está? Ótima! Excepcionalmente esclarecedora e abrangente em detalhes que não foram tota lmente abordados na graduação. o médico indagou: E o coração. doutor. Não sinto nada. devolveu-o para a secretária e perguntou: O doutor Édison já chegou? Chegou sim. Então eu comentei sobre a desistência nesse horário e ela avisou que estava vindo para cá. Diga-me uma coisa. pois acabei de passar uma lig ação.. ao se aproximar do balcão de atendimento. Logo em seguida uma outra paci ente telefonou e. E por amá-la de verdade. seguindo por este corredor! . mas imperturbável o rapaz respondeu: A Débora desapareceu completamente. Em s eguida. Sérgio. Pode deixar. Bem. . Está em sua sala. como se houvesse superado e nenhum sent imento o incomodasse. E até agora não chegou.brincou Sérgio. Não tive qualquer notícia apesar de procurá-la. Certa ocasião. eu respeito à decisão dela e não vo incomodá-la com minha simples presença se voltarmos a nos encontrar. ela avisou: Doutor.

. A inesperada atitude. Quero morrer... Dissimulando o susto. Marina era menor. Sérgio pediu licença ao médico e foi para sua sala. Eu quero ajudá-la! Olhe para mim.. Usando de força controlada. segurou seus pulsos e novamente falou firme. Não imagina como é. rapidamente. Mas me solte para conversarmos melhor. Para sua surpresa. Isso não foi nada.pediu enquanto tentava livrar-se de suas mãos delicadas. Mil idéias passavam rápidas por seus pensamentos.. que o envolviam: Calma. encostando-se nele sobre as mãos que o seguravam com força... Era al ta. Não queria machucá-la. puxou uma cadeira e sentouse ficando à altura da paciente. a jovem murmurava entre os soluços algo que ele não consegui a entender. Me ajude! Só confio em você! Então me solta! . Por favor. mas não me restou outra opção por você perder o controle. Tinha um corpo bonito. Marina. o psicólogo livrou-se do abraço. doutor! Quanto às mi nhas mãos. Que tipo de pensamentos? Quais são as idéias? Só confio em você! Não imagina como me ajudou a ter auto-estima. Sérgio jamais imaginou vivenciar tal situação. Consegui esconder de todo mundo o que sinto. Marina. pediu para que ela se acomodasse e ligou determinado equipamento que a jov em não percebeu. Idéias!. me ajude pelo amor de Deus! Tire isso de mim! Sérgio sentiu seu peito doer e um mau pressentimento rodeava seus pensamentos. Eu me odiava.. Marina? Que pensamentos são esses? Morte. me revolta. pediu enquanto puxava-lhe os braços.. por isso apertou-lhe cada uma das mãos que o agarrava. O que a incomoda agora? Estou confusa. deixando-o inquieto. Não! Não! . Tentou saber. doutor! Antes que eu faça uma besteira. Marina. no entanto tentou calmament e controlar a situação..Ela se deixou co nduzir e o psicólogo pediu: Por favor. longos e cacheados e fazia terapia com Sérgio há cerca de um ano.. São pensamentos!. disse: Minha cabeça dói e está fervendo! Parece que existe um buraco no meu peito! Um furo enorme que gira e me vara de lado a lado! Não sabe o que é isso. Pode me soltar! Seja lá o que aí estiver abalando. solte a minha camisa. perguntou: Como você está. ao chegar ao seu consultório e olhar para a jovem. Mas. desculpe-me. Dete stava o meu rosto deformado com aquelas espinhas! Mas agora você está bem.. pediu. Tratava-se de uma bela jovem de dezessete anos. Curvando-se.. Ele permaneceu equilibrado e sereno. mas tudo me irrita. Era a secretária avisando sobre a chegada da paciente. mas a certa distância. vamos! . Sérgio respirou fundo. Deixando-se cair de joelhos diante dele. Não sei! . viu-a tra nstornada e com o rosto inchado pelo choro. tranqüilamente. Levante-se e se acomode nesse divã para conversarmos. ao segurá-la pelos ombros: Venha. Procurando se manter inalterável. a moça esfregava as mãos doloridas ao ch orar... Preste atenção. deixou-o perplexo. ela o segurou pelas vestes na altura do colarinho. ele fechou a p orta.desatou a chorar.murmurou entre o pranto desesperado. pele e olhos claros. Não a diantava ser educado. Não sei se me entende.gritou. porém sereno: Marina. não respondia às perguntas. Em seguida. Aca lme-se um pouco para eu entender o que está acontecendo. .Naquele instante o telefone tocou. mas alguns começaram a me achar estranha e por isso choro escondida. perguntando em tom amigável e tranqüilo: O que a deixa angustiada e nesse desespero? Se eu souber. Subitamente Marina se levantou e abraçou Sérgio com toda a força que possuía. farei tudo para aju dá-la. sofro muito! Tenho medo e vergonha! Por que. Abafand o o rosto em seu peito. Estava desacompanhada e em extremo desespero. Marina? O que a trouxe aqui tão de repente? Pondo-se a chorar compulsivamente. Preciso de você. .Ela não obedecia e curvava a cabeça. sem ma chucar a jovem. Deixe-me ver suas mãos? Marina o encarou e ainda com voz de choro. cabelos loiros. Com voz firme. aqui você está segu ra. eu sei que você pode se controlar. Isso me faz pensar coisas erradas!. Veja como sua pele mudou? Já aumentamos o tempo entre as s essões de terapia por se sentir ótima. espre mendo-lhe os dedos até ela soltá-lo depois de um gemido de dor.

naquele acontecimento.disse.. Insistiu e sentando-se... Sérgio suspirou fundo e elevou o pensamento em rápida oração pedindo a mparo espiritual.. Você não vai sair da clínica. mas sentindo certo temor em seu íntimo. espere. pediu: Por favor. pegou o telefone e p erguntou à secretária se o doutor Édison estava livre. andando de um lado para outro. me diz uma coisa .. Isso acontece por c ausa da ajuda que recebem. Parecia ter vivido caso parecido. Por que não me contou? Não queria que você se decepcionasse comigo. Não! . Sérgio teve um relampejo nas idéias e perguntou: Está tomando algum remédio? Sim. então está tudo normal... V . Tudo fica pior a cada dia. Sonhar acordada te desejando ao lado foi o que me prendeu a algum tipo de esperança e por isso não cometi uma loucura! Entendeu?! Sim. passando a mão na altura do estômago.. Mas?. Não tenho fome nem sono.. Ao ouvir a resposta.. Mas não poss o imaginar sofrimento maior do que o meu. Qu ero gritar e chorar sem motivo. Li em livros que a morte não existe e o suicida sofre muito.Ela não atendeu ao pedido e ele orientou : Psiquiatras não são médicos de loucos.revoltou-se. . Obrigado.. Cauteloso.Breve pau sa e indagou em tom educado: Mas me conta. entregou nas mãos da jovem um copo com água que ela be beu.falava com naturalidade .. é uma transferência. Está desorientada e sem acompanhante. Muitas alunas se apaixonam por seus professores. Mas sinto uma dor atravessada aqui .gritava. Sérgio! Você é a única coisa que me prende a esse mundo. É um remédio importado. Foi até sua mesa. psicólogo. Ess e estado de angústia é pela medicação que toma. Estou viva por sua causa. Ofendida. Sinto uma tristeza. Não quero falar com mais ninguém! Desejo sumir! Marina. Não! Você não quer me ver! Não entende que te amo! Caminhando até a cadeira. você foi ao médico recentemen te. desde quando vem sentindo isso? Começou aos poucos. avise-o de que vou à sala dele com minha paciente. A vida continua após a morte do corpo. Deixe-me explicar. . Mas..gritou. não sei dizer.. Em seguida.Levantando-se. mas sentiu um punhal cravar em seu peito.respondeu calmo. reclamou chorando e falando muito alto: Confiei em você! O doutor Édison é médico para louco! Não pense que vou falar para ele t do o que te contei! Acalme-se. perguntou: Você está se alimentando direito? Não . Não agüento mais e p efiro morrer.. Sente-se. por favor. Eu não estou assim porque te amo. Por que me decepcionaria? Lágrimas rolaram em seu rosto quando disse: Eu te amo! Sérgio não se alterou nem se demonstrou surpreso. É um sentimento de gratidão confundido com algo mais fort e. ela pegou sua bolsa quando Sérgio se aproximou avisando : Marina. Te nho esperança de ficar com você. fisiot erapeuta. Você não entendeu! . mas aquilo nunca lhe tinha acont ecido. Marina. . realizou algum tipo de exame ou sente sintomas estranhos em seu corpo como a lguma dor? Vou periodicamente à dermatologista que ajudou com o tratamento contra as acnes . Você acredita no sofrimento do suicida? Acredito . Ouça. Eu entendi .. Algo. mas. Mesmo assim.. É pecado. levantando-se. bem agitada. orientou: Marina.. Não tenho depressão! Você me traiu! Quer me encaminhar para um psiquiatra porque as sumi que te amo! .. O psicólogo levantou-se rápido e preocupado. para minha pele.. Acredito que descobri a razão do que sente. Vou explicar a razão desse seu estado depressivo e pe nsamentos. Mas preciso de um médico para confirmar is so.balbuciou. Mas disse que confiava em mim. trazia-lhe uma impressão de semelhança que não conse guia lembrar. porque sonho em ficar em teus braços.tornou ele. Fiz exames de sangue há uns três meses e fiz ultra-som de fígado.afirmou absoluto. não é raro o paciente ter sentimentos fortes por um médico. Na verdade. Mas ela não disse nada.

Colocando o estilete na lateral do próprio pescoço. e o doutor Édison surgiu em meio à surpresa. Vamos. numa ação quase involuntária. . o doutor Édison vai embora e nós dois vamos conversar. Ele só ria. sou eu . A jovem leva ntou-se rápido e começou a berrar horrorizada ao ver Sérgio de joelhos tendo uma mão seg urando o estilete e a outra na garganta. Então vem! . Sérgio foi à direção de Marina e segurou-lhe a mão. O rapaz aper tava o próprio pescoço. O doutor Édison aproximou-se. a porta do consultório foi aberta..disse o médico em tom suave. tentando estancar o sangue. Sérgio estava atento e viu quando a ponta do estilete fincava o pescoço da jovem determinada a cortar a jugular. .correspondeu Sérgio. Marina ...Olhando para João falou: Não ac edito que tenha atingido alguma artéria importante. Sérgio parecia entorpecido. mas nunca se sabe.gritou de posse de um estilete que tirou da bolsa. sentia-se bem. contorcendo o rosto para não rir. Eu sei o que está sentin do e prometo te ajudar. Marina . Inesperadamente. ele mostrou-se calmo. que sangrava. Sérgio estava de volta à clínica e usava uma band agem sobre os pontos no pescoço. É. você não falava nem nada! disse João. Não tente falar nada. Porém a jovem aproveitou-se da oportunidade. Achei que ela tivesse cortado sua veia jugular! Cara.pediu o médico. doutor Édison . Que joelhada?! . Ele precisa de socorro urgente. esperando que o cansaço a dominasse. quem sabe. lamuriando em choro int erminável: Confiei em você. Calma . após poucas batidas. Niva ldo e outros trabalhadores da clínica. pois ela não parou de falar. Vim aqui porque demoraram.murmurou em pranto. Não a desejando agredir. Não.. deixe-me ver isso! João prostrou-se ao lado e viu o instrumento afiado cair ao chão num gesto como s e o corpo se largasse. Desculpe-me .disse o doutor Édison. e o médic não conseguia ver o ferimento. Pensei que o senhor res peitasse a ética profissional. agredindo-o e se jogando sobre ele. Marina se revoltou. Num gesto rápido. Esse é um caso em que podemos removê-lo..ou detê-la e chamar seus pais para explicar seu estado. Não precisava falar sobre isso. sorrindo engraçado. Puxa.Vendo-o tentar falar al go ainda. Vamos socorrê-lo! Não é melhor chamar uma ambulância? Talvez demore e não podemos esperar. talvez.resmungou Sérgio.. Quando estava na sala do doutor Édison. vamos fazer o seguinte: você me entrega esse est ilete. Sérgio. * * * No dia seguinte ao acontecimento. Sérgio. Mas posso sair ou. quase impensado.argumentou o psicólogo .. Não tenho mais nada de útil.João e Nivaldo perguntaram num coro. . Venha me deter e eu me mato! Corto seu pescoço e depois o meu! Sem tirar os olhos da paciente. Não queria se render nem largar o instrumento. Pensei que fosse desmaiar e morrer! Mas não foi o cortinho que o deixou daquele jeito. Minha esperança acabou e ele. deixe-me examinar esse corte. Olhando a própria mão ensangüentada. Sérgio! Por que chamou esse homem?! Minha vida é um inferno e inútil e você ainda me desprezou! Calma.. E a resistia. ele puxou-lhe a mão para tirar o estilete de seu poder. Fora! . Sérgio. foi à joelhada .revelou o dou tor Édison.. Fica esperto . Muitas brincadeiras e piadas foram feitas pelos a migos. Você me decepcionou. Quero morrer.pediu o psicólogo. desequilibrando-o. pediu: Calma. João e Nival do o viram lá e entraram para conversar: Eu não poderia imaginar que em uma profissão tão tranqüila corrêssemos risco de morte brincou Nivaldo.exigiu a jovem com voz fraca. ajoelhando-se para examiná-lo. gritou: Segurem-na! O Sérgio está ferido! Levem-na daqui! Nivaldo tomou a frente e João ficou na sala. Ao vê-los à porta. apressadamente.. Uma conversa tran qüila seria bem útil. Os gritos atraíram João. . entendendo a gravidade da situação. quando os viu no chão.

29 . Nem vi ou senti quando ela me cortou a garganta. Por isso o pa ciente deve exigir o máximo de informações sobre o que lhe foi prescrito e os psicólogos procurarem saber com o que seu paciente se medica. Mas não vou apresentá-la aos pais. mediante a solicitação do juiz.perguntou o médico. Vou colocar um detector de metais na porta . pois esses remédios não alteram a saúde física ou mental dos pacientes. Eles não sabiam desses efeitos e já suspenderam o medica ento. Já estou bem.pediu o médico com jeito maroto. para diversos fins. Existem ou ros medicamentos muito eficientes contra espinhas e acnes.Espere! . má formação fetal dos filhos e outras c onseqüências. responsáveis por essa mudança de comportamento. O senhor contou aos pais da moça? .. Nada de termos de responsabi lidade.. Bem. A menina precisará de acompanhamento terapêutico até se reestruturar do que fez e vão fazer um acompanhamento clínico dos possíveis efeitos que podem ocorrer. E os dois seguiram conversando sobre esse e outros assuntos. Estamos brincando. Só sinto um cansaço pelos efeitos dos remédios que tomei. por ética. É uma droga muito cara e não é vendid a em farmácias convencionais nem de manipulação... Sérgio e o médico foram para a casa de dona Antônia e os outros retornaram ao serviço. Qu sabe.quis saber Nivaldo. mas. Temi machucá-la e não usei força. mas sim testemunhando fatos que precisei depo r na delegacia onde registramos a ocorrência. Apresentarei ao juiz. Acertou-me com uma joelhada tão forte que caí pros trado pelo golpe baixo. Amanhã você desarma seus pacientes antes da terapia! . Lógico! .admirou-se João. Por causa de um medicamento. João reclamou: Minha mãe só teve um filho. procure um psicólogo e faça terapia .informou Sérgio. Então vamos lá! Eu quero conhecer a dona Antônia! . Amanhã retorno normalmente. O senhor sabe.correspondeu Sérgio. o caso foi grave . É bom fic armos atentos a isso.. mas foi liberado novamente. Estou cansado e preciso ir.brincou Nivaldo.. aos pais. serei adotado! Em meio ao riso. pois o fígado da jovem está muito prejudicado. Sim. existem muitos outro s. São medicamentos simple s ou fórmulas manipuladas somente com receituário médico. Bem. Há dias não vejo a dona Antônia e ela está ocupada comigo.exclamou o médico brincalhão.. mas naque le momento eu não estava clinicando. Já?! . uma jovem daquele nível tomou a titudes descontroladas. mas adotou um bando de marmanjos! Se está revoltado. precisará apresentar a gr avação. aos advogados. Quer uma carona. à promotoria. Pensei que fosse desmaiar. Sérgio? . Quero sim! Só que vou para a casa do João..Reflexões de um Psicólogo . No caminho.disse o doutor Édison.. Sérgio. o doutor Édison perguntou: Você gravou a sessão de terapia da Marina? Sim. Mas que joelhada foi essa?! . Esse medicamento já proibido no Brasil. despediram-se. desde depressão profunda. Por isso uma série de documentação para os responsáveis assinarem.afirmou o médico. No entanto se a moça mudar de idéia e acusá-lo de algo que não fez. e os pesadelos? Sabe que já faz tempo que eu não os tenho! Tinha até me esquecido. Isso é culpa de médicos irresponsáveis . Ao puxar sua mão la se jogou sobre mim e. sem dúvida. Virando-se para sair da sala. não dominou uma menina e ainda apanhou dela?! Sérgio ria ao tentar esclarecer: Não é correto dizer que eu apanhei. . Também estou indo. Ela estava segura ao assumir o que aconteceu. Nossa. Aí sim isso será necessário. Mas não pe nsem que só esse medicamento causa essa alteração comportamental.. Eu tenho ética profissional. rindo. por isso perguntei.comentou Nivaldo. Lógico. Você não comentou mais nada. completou: Com t odo esse tamanho. Trazem efeitos sérios para grande parte dos usuários.riu Sérgio. cegueira. Rindo.tornou Nivaldo curioso.

eram em vão contra Sérgio ant e seu vigoroso equilíbrio mental e o poder da prece. viram Sérgio cumprimentar os alunos co m indefiníveis boas-vindas. inclinando-nos aos profundos estudos nessa área valoros a de uma ciência tão abrangente. ou só se desgarravam e acabavam escravizados por outros espíritos de grup os hostis rivais. Eles estavam sequiosos e eu chamei o Sérgio para oferecer uma apresentação ou palavras de incentivo. mente. ao glorioso dom da centelha Divina. A seguir temos Psico. impostando a voz de modo a atrair atenção e consideráv el respeito pelo silêncio: É praticamente inconcebível um Psicólogo ateu! A crença em um Criador e em muitas questões sobre os 'porquês' da vida é um sentiment o inerente ao ser humano e associado à sua crença de 'algo' que sobrevive após a morte . Isso deixava o espírito Sebastião furioso. Ninguém escapa aos débitos da consciência. a não ser pela Psicologia. por essa ser a grafia da vigésima terceira letra do alfabeto grego Psi. Ele nos emocionou e nos fe z refletir com o que falou. do espírito. Esses. Ela explica o motivo que levou a mente de nossos ancestrais a certas crenças. mas que se entregariam às expiações dos próprios crim es. inclusive durante o sono. originário do grego Psyché. seus seguidores o abandonavam vagarosamente. e quaisquer enigmas desse terreno não delimitado. precisa ter o dom d . Eu posso errar ou vocês poderão tirar algum proveito se busc arem conhecimento Alguns segundos e continuou. esperteza e possibilidades profissionais para atingirmos os nossos objeti vos de auxílio! Comparado. Talvez alguns não concordem. Seu ódio desequilibrava sua organização peri spiríta. que sig nifica estudo ou ciência. dando im tância ao ser humano. no estudo da estrutura e formação da palavra. Psicologia! Estudo da alma. à qual o profissional resp onsável se dedica e busca a fim de dilatar sua sabedoria. a entidades excelsas pel o poder da oração. O espírito Sebastião sentia imensa interferência invisível no grupamento de desencarn ados que o seguiam como fiéis soldados à disposição de seu comandante. indo servir out ros líderes. Ações que são comprovadas nas mais remotas eras pré-históricas. costumes etc.. mas não conseguiam pela incompatibilidade. alcançava magnitudes inatingíveis aos espíritos inferiores que desejava m atormentá-lo. de alguma forma. Para nos ajudar na caminhada de elevadas conq uistas morais. nós sempre rogamos condições mentais repletas de vivac idade. humildemente. sublime claridade azul-radiante a envolvê-lo. também vingativos. Ampliando sua visão nessa bela ciência. orgulhosos e revoltados. A sua luminescência espiritual. auxiliada por sua ligação. temos lógica. a princípio. mas devemos admitir que ninguém tem a r azão absoluta das coisas. a el evada condição mental assumida e praticada por Sérgio. que é a judar! A Psicologia é simbolizada pela figura de um tridente. Psi corresponde à primeira divisão silábica da palavra Psi-co-lo-gi-a. Ele perdia o controle e suas forças ficavam cada vez mais rarefeitas em sua mente confusa. é por termos fé e esperança na evolução da mente. Percebendo que Sebastião enfraquecia seu domínio s obre os encarnados. Por fim. dizendo em seguida: Caros colegas. não são desvend ados por outras ciências inábeis. n o plano invisível. ou seja. espírito. Todos atentos às cenas gravadas pelo médico. eu só vou tentar dizer algumas palavras sobre a minha humilde Ref lexão de Psicólogo. Não passavam de espí itos rebeldes que. Se nós estamos aqui hoje. o psicólogo. ofereceu-lhe. em português Psique relativo à Psíquico que significa alma. dentro do conju nto de disciplinas de um grande leque de conhecimentos. Na morfologia. comportamentos. Vejam só. * * * Em determinada oportunidade. da mente! E uma ciência.As vibrações constantes pelas preces verdadeiramente sentidas e consagradas. As perturbações. o doutor Édison comentava empolgado em uma reunião n a clínica: Era uma turma nova naquela pós-graduação. não admitiam o profundo lamento pela o portunidade reencarnatória perdida. gradativamente.. valor à vida!. no inconsciente de nosso s ancestrais.

.. Você é a pessoa especial que faz a diferença na vida de muitos. apontando o caminho para o cam po da liberdade! Mansos e humildes de coração.. O recurso aos que implora m por forças íntimas. O alívio aos que se abalam com os traumas da vida. Não podemos ser indiferentes e virarmos as costas para as desgraças do mundo! Nem nos desesperarmos. pois se formos capazes de fazer a diferença para uma pessoa. É a ajuda que ampara os feridos da jornada. no dia-a-dia. nós podemo s nos melhorar para minimizarmos e aliviarmos as dores dos fatigados e oprimidos . A instituição não garante nosso profissionalismo . Você é a direção para o aperfeiçoamento suave e edificante. e encontrareis descanso para vossas almas . dotados de d ignidade e compaixão. ao absolutismo pessoal e infl exibilidade. É a fonte geradora de valores à vida. com o que vemos acontecer. foi meditando sobre tal filosofia que eu posso afi rmar: Psicólogo. A claridade aos carentes de luz. O equilíbrio para os que não se sustentam soz inhos. É a esperança para os que pe rderam a fé. Você é o bom ânimo aos que se encontram sem vontade. É o suprimento dadi voso que regenera e salva. para um grupo ou. O abrigo aos que padecem assustados e tristes. cabe-nos conhecer primeiro a nós mesmos e nos devo tarmos aos chamados do mundo. Todo extremo é prejudicial! Mas. E a fortale za que impede muitas criaturas aos despenhadeiros das sombras. É a luz que conduz ao caminho do equilíbrio. ou seja. O amparo aos necessitados de apoio. Ele precisa sim. É o mensageir o de bondade dos que se prendem nas ilusões. abnegados colegas. E o elo radioso àqueles que dão os 'primeiros passos'. E o futuro aos que se relegaram aos precipícios do passado. ca az de ofertar esperança e fé. cuja filosofia e exempl o de amor são aceitos por incontáveis religiões e filosofias. O bálsamo m edicamentoso aos feridos da jornada. também chamado de 'Psicólogo das almas'. Você é o caminho que conduz muitos à paz. O sorriso que socorre os corações feridos. A resposta aos que pedem entendimento e socorro. de sensibilidade. levando descanso para suas almas. Nós podemos fazer a diferença! Todos nós podemos fazer a diferença diante das catástrofes da vida tomando uma postura equilibrada nos vendavais das paixões terren as.. E o dia para os que vivem na e scuridão da noite. Essas nobres palavras não são as mais adequadas às reflexões e ao silencioso jurament o moral de um Psicólogo?! Queridos amigos e colegas. A influência benéfica aos que se afli gem pelos erros. Você é a fonte de água para o viajante sedento no deserto. A força para os que se enfraquecem no caminho.. Um sábio Nazareno. teremos o dom de fazer um pedacinho de o mundo ser um lugar melhor! Não importa o nome renomado ou não da universidade que nos graduou. É a estrela celeste c apaz de iluminar o caminho.. quem sabe. como nos ensinou e exemplificou o sensato e prudente Nazareno. A compreensão aos carentes de amor e paz. secamos as lágrimas do desespero e descortinamos as influenciações dolorosas das ilusões.. independente do tempo. afirmou: Vinde a mim todo s os que estão cansados e oprimidos e eu vos aliviarei.. Eternos aprendizes. de dedicação. para centenas de criaturas. Mesmo como aprendizes. E o auxílio dos que suplicam entendimento. tresloucados e desgostosos. Você é a energia aos que se sentem atrofiados pela própria imprevidência. e aprendei de mim que so u manso e humilde de coração. sempre. A alegria aos qu e estão desgostosos e angustiados. 'Eu tenho razão em tudo!' Nem se entregar ao marasmo de sua alma desanimada.. Você é a bondade que compreende e ajuda os incapazes de amar. Você é o orientador às mentes confusas carentes de equilíbrio. Você é a porta de liberdade dos aprisionados nos velhos cárceres do Eu. A paz para os desalentados da sorte. O benfeitor nos cenários atribulados das criaturas. de intuição. É o vento que faz o pássaro vôo. nós fazemos a diferença quando. despertando para a atmosfera de misericórdia e bondade ao nosso alcance. perde ndo a esperança e a fé. aliviamos os corações sofridos. É o coração repleto de dádivas. Os matizes colorido s aos cegos de emoções sublimes. de amor f raterno!. Você é a liberdade para os prisioneiros da própria mente. A fé aos que perderam a esperança. Por isso.e auxiliar sem se prender ao seu próprio dogmatismo. há mais de dois mil anos!..

Talvez transmitindo algumas sementes de bons-frutos. trêmula pelo frio. Viu que se tratava de uma silhueta feminina. Após deixar Rita na casa de dona Antônia sob os cuidado s maternais da amorosa senhora e também do doutor Édison. viu um vulto de uma pessoa enca puzada com a própria blusa. da nossa mente. . O médico orientador e amigo valia-se dessas reuniões periódicas com a finalidade de promover afinidade entre os profissionais. A garoa forte. está tudo bem. Vamos! Ele abriu o portão social. chorando compulsivamente. encosta va-se nele. sentada no degrau do portão social e.. mas p ermaneceu imperturbável e. descobriu a cabeça erguendo o rosto para vê-lo melhor. ali. convidou com voz generosa: Vamo s entrar? Fique calma. mas não conseguiu identificar. ele não abriu o portão da garagem e desceu vagarosamente do veículo.. João estapeou-lhe as costas.Curvando-se. olhando atentamente para os lados. que se prontificou a cuida r da jovem. O médico interrompeu a gravação. ali est ará também o vosso coração'. Usaremos tudo isso para o que escolhemos ser na vida: Psicólogos! O silêncio na sala era absoluto. Sérgio sentia-se sem jeito. Ele retorn ou um tanto inquieto e conversou rapidamente com o doutor Édison avisando-o sobre que não poderia ficar... Não sabia o que pensar nem como agir. Com amor. Estava angustiado e a preocupação corroia seus pensamentos enquanto ia para sua residência. a secretária os interrompeu chamando Sérgio pa ra atender uma ligação urgente. O médico mostrou-se preocupado. temendo um assalto. Esse Mestre Nazareno sabiamente disse: 'Onde estiver o vosso tesouro. Foi então que Sérgio quase gritou ao mesmo tempo em que corre u em sua direção: Débora! . afagando-a com ternura. cumpriment aram-no com grande reconhecimento e satisfação. Nesse momento. cada um de nós pode fazer a diferença por intermédio das aquis ições e aperfeiçoamentos de conhecimentos novos! E com as dádivas abençoadas da nossa alma . Ao posicionar o veículo para entrar na garagem. ajudou-a e pediu em voz baixa: Venha. novas reflexões e nos reformamos intimamente deixando de ser preconceituosos. depois à porta da sala e conduzindo-a pediu que se sen tasse no sofá e o esperasse. mas não disse nada. como deixou aquele 'Psicól ogo das almas'. encolhida. humilde e responsável! Um diploma não tem ta nto valor como o que somos e em que nos transformamos diariamente quando admitim os novos conceitos corretos. Sérgio se foi. Nivaldo levantou-se e puxou para um abraço e os demais profissionais da área presentes e que prestavam serviços na clínica. tomar um banho e retornar ao h ospital. esclarecimentos de possíveis dificulda des ou encontro de soluções para alguns assuntos. ela o abraçou com toda a força. fina e fria começou a molhá-lo p orque ele demorava observando a distância. mas bem sujo. Levante-se. O que Débo ra queria. Sérgio estava enganado. viu-a tremendo e abraçada a uma almofada onde sufocava um choro tr iste. * * * A surpresa desagradável de sérios acontecimentos tomou todo o tempo de Sérgio naque la tarde e princípio de noite. Contornou o carro para saber quem era e o que queria. Posso te ajudar? Lentamente a pessoa se moveu e. usando toda a força de vontade e todo o desejo de coração. Desconfiado. pedindo que telefonasse depois.Em pé. O coração de Sérgio estava aos saltos. há mais de dois mil anos!. Baseando-nos nessa filosofia de sensata reflexão.. pois precisava guardar o carro na garagem.. Pensava em chegar. Pro curando conter as emoções. Reparando em detalhes. atrás de seu carro.honesto. Boa noite. sem que esperassem. naquelas condições depois de tanto tempo? Ao retornar.. Ele estava comovido. Os outros continuaram conversando a respeito apesar de sua ausência. .falou receoso. não nos dá diploma de ser humano. viu melhor seu rosto pálido e lágrimas a correr por ele.. Assim c . Imaginou que nenhum outro acontecimento inesperado poderia surgir. ele pode ver o tênis de qualidade.

é uma cachorrinha . sobre a cachorrinha que ele adotou e Débora se interessou: Você tem um cachorro? Na verdade.respondeu com voz fraca. Toda molhada p ela garoa fria do início do inverno.. viu-a pálida como nunca. avisou: Vou tomar um banho e já vol to para jantarmos. Observando se us cabelos molhados. seu sorriso era anuviado por uma tristeza. ainda estava claro . sentiu-a gelada. . grande preocupação e i ncontáveis perguntas. Apesa r de delicada como sempre. Ela se adaptou bem. Ele a levou até seu quarto e procurou por um agasalho quente que servisse. como diz? Oferecendo-lhe generoso sorriso estimulante. Eu gostaria de.omo o jeans que parecia usar há vários dias. Débora não trazia qualquer bolsa. não é barulhenta . Eu t ambém preciso de um banho.riu. Você quer trocá-las? Tomar um banho quente? Desculpe-me. mas estava esmorecida. Desta vez.Vendo-a concordar. essas roupas molhadas te farão muito mal. Depois comeremos algo e convers aremos o que for preciso.perguntou. tremia de frio. com bondo sa tranqüilidade. perguntou: Há quanto tempo ficou me esperando? Não sei.a voz da moça enfraqueceu e um suor gotejou rapidamente em seu rosto.. Você toma um banho e se agasalha porque pegou muita friagem.. Será melhor secar bem os cabe los ou pegará um resfriado.. no meio das costas. Fazendo-a olhá-lo.. Seus cabelos estavam compridos. Pedindo que se levantasse... ele preparou uma sopa e fez algumas torra das. .ela sussurrou. Débora tomou várias colheradas da sopa quente e comeu alg umas torradas. ajudou-a com firmeza levando-a para a sala pa ra que se sentasse no sofá. Está no lugar de sempre.tentou dizer. Abaixando e pondo-se de joelhos frente a ela. Débora. Acho que. esqu ecendo-se de outras roupas que ela havia deixado lá e ele guardou em um canto do a rmário. Não demorou e os dois estavam na cozinha. Débora . Ao vê-la sair do quarto ele ligou a televisão para distraí-la. Uma camiseta simples e uma blusa de lã fi na que quase não aquecia. Pegando uma manta.interrompeu-a com inflexão suave. Sérgio a fez encará-lo e... . ele se levantou e retornou sem muita demora... Débora olhou-o e largo sorriso moldurou seu rosto on de pareceu acender uma chama de energia. Tudo bem para você? Você ainda é capaz de permitir que eu use a sua casa e tuas coisas.explicou. Estendendo os braços para Sérgio. Percebendo-o em pé à sua frente.. levantando e ficando ao seu lado ao vê-la segurar a testa com as mãos. há quantos dias você não come? Vendo-a abaixar a cabeça e chorar. dizendo: Venha logo! Vamos encontrar uma roupa lá no armário e depois nos falamos. era Sérgio quem não conseguia comer pelo excesso de preocupações e surpresa. cobriu-a. deixando-a encolhida e re costada nas almofadas amontoadas. Ele comentou sobre assuntos sem importância como a mudança brusca do tempo. sentados à mesa arrumada por ele. perguntou em voz baixa e tom comovido ao observá-la: Débora.. Desculpe-me. Mas quando cheguei. Débora! Tudo bem? . Vendo-a desorientada e com visíveis nece ssidades físicas. Abaixando-se frente a ela. Não queria incomodá-lo. Não. sugeriu com tranqüilidade: Pegue o secador lá no armário.. Só a deixo en trar aqui quando eu ou o Tiago estamos em casa. Enquanto Débora se demorava no banho. admirou e pediu com mimo de alegria na voz frágil : Ai! Que coisinha linda! Posso pegar? . Não us ava maquiagem e estava muito magra. pegou-a pela mão fria. pois estou bem cansado. Colocando a mão em seu rosto. . ele propôs com paciência: Vamos fazer o seguinte: pegaremos roupas l impas e quentes. ap resentando vergonha no olhar lacrimoso. Vez e outra. Mas eu não tinha a quem procurar e. Adaptei para ela uma entradinha do qu intal para a lavanderia e com uma cama melhor do que a minha! . Estava inquieto e queria organizar os pensamentos para saber quais providênci as tomar.

a cachorrinha entendia a entonação do carinho na voz. Lembro que me contou que.exclamou Sérgio sorrindo. o Tufi obedecia. Tivemos alguns problemas e o Tiago decidiu estudar e veio morar aqui. os doi s só o deixavam passear do lado de fora da gaiola. Ela é um amor! Onde a conseguiu? Eu tinha o Tufi. O Tiago e meu pai pegavam e brincavam com o Tufi sem deixá-lo ir para o chão. estava bem inch ado. Você gostava muito dele disse em tom triste enquanto aca riciava a cachorrinha que se aquietou em seu colo. Ela é enorme! Examinando-a. mas descartei essa idéia por estar bem ativo. ao chamá-lo. ele contou que ela chorava enquanto recolhia o Tufi do chão com uma pá. O professor queria fazer uma análise mais profunda e exames mais apurad os. Ele não precisou olhar muito para descobrir e me m ostrar uma espécie de picada onde havia um endurecimento pelo acúmulo de algum líquido injetado. Talvez seus sobrinhos. Bem. e sem que nossa mãe o visse. É! Ela gostou de você! . mas não o soltava. sem raça definida. minha mãe cuidava dele. sub ia por sua roupa e corria em seu braço até pegar a recompensa em sua mão.. Acho que foi doloroso. pois era ensinado e não ia para o chão. orelhinhas triangulares e dobradas... esta é a Princesa! Princesa. Apesar de receosa e até com medo. Mas. Ele disse que nossa mãe não conseguiu disfarçar quando o viu. enquanto ele andava por fora da gaiola. então. deixando a cabeça de fora como se estivesse dormindo. apanhou algumas marg aridas e arrumou em volta dele e pediu para o Tiago trazê-lo para mim. pois minha mãe tinha o maior pavor. mas não sabia explicar como ele foi para r no chão. certamente. Foi até o jardim. . Então pedi a ele que trouxesse o Tufi. Ela mesma pegou a bolinha e a corda. Não pensei duas vezes e o levei na hora lá na universidade. Eu não podia trazê-lo para cá e deixá-lo sozinho.. comida. pelos lisos. vi que alguém afastou as grades aumentando a abertura.. Por essa razão ele ficou na ca sa dos meus pais.. Aquele ratinho que treinei... Depois pedi ao Tiago que me trouxesse a gaiola. mas. Podia-se trocar a água. Entregando-a para Débora. Jurou que não o soltou.Ele sorriu com gosto e apresentou: Débora. quando meu irmão chegou à casa dos meus pais. O que me intrigou foi o Tufi estar fora da gaiola e. Eu estava trabalhando n a clínica. esta é a Débora! Tratava-se de uma cachorrinha d e pequeno porte. ela pegou um a caixa de sapato enorme. jornal da bandeja do fundo e a arei a por fora sem que ele saísse da gaiola. Depois o colocou lá e o cobriu com um paninho. E o Tufi saiu por essa abertura? Com certeza. Ele era bem treinado e não desceria da gaiola. Limpavam e escovavam os brinquedos dele. Nossa mãe falava sozinha lamenta ndo: Meu Deus! O que aconteceu? Eu tinha medo desse bichinho. Princesa parecia se contorcer de satisfação pelos carinho s que recebia. Acho que. Uma espécie de autópsia? Sim. Mas eu não deixei. Somente o Tiago e meu pai sabiam o segred o. colocou uma toalha fofa dentro. Você disse que iria trazê-lo para cá. ela abanava o rabinho curto com tanta força que se remexia toda p ara exibir sua felicidade ao olhar para a moça. ele passeava por toda parte. Ela olhava o Tu fi morto e chorava. quando o colocava f ora da gaiola. Não. E foi justamente naquela manhã. Isso mesmo. Para eles não fazerem isso. Procurei um profess or da área de graduação em Veterinária. O Tiago não perguntou o que ocorreu? Lógico. coloquei o Tufi como minha mãe havia fe ito e o enterrei aí no jardim. brinquedos de que o Tufi mais gost ava e os ajeitou na caixa. alguém o pegou e aplicou-lhe uma injeção. Muito alegre. morto há poucas horas. encanta da e generosa como se o animalzinho pudesse entender o significado de suas palav ras. Ele era muito esperto. na polícia e não teria tempo para cuidar dele. A jovem conversava com a cachorrinha exprimindo voz doce. pois dav a um trabalho enorme para voltar quando eu não estava para chamá-lo. mas gostava dele! C oitadinho! . Ou. arrumando-a como um co lchão e. curtos e acastanhados com pequena mancha branca na garganta. Será que não pisaram nele? Fiquei triste sim. Sabe. algo que fazia sem ir para o chão. Achei interessante saber que minha mãe chorou por ele e. Voltei para casa. A princípio. pe nsei que fosse pela idade. eu coloquei um cadeado de segredo na portinha po r onde ele saía.

espere um pouco! ..Breve pausa e contou: Quando eu era pequeno. preocupada com um bich inho de que tinha medo e.. Era engraçado. ao abrir a porta. eu. Fiquei até bem tarde na clínica e o segurança da noite estava olhando pelo vidro da porta impressionado com a chuva que caía. entendeu? Nunca tivemos nada além de amizade e respeito. A minha presença pode causar problemas en tre você e a Rita e.. . tive u m cachorro que não me largava. Foi jogada para o lado e caiu estonteada ao chão. dando lugar a uma expressão de constrangimen to e melancolia. pois o aroma que ela exalava estava difícil de suportar. ficou f eito uma bolinha e só no dia seguinte deu sinal de vida.. quase pisei essa coitad a! Parecia uma bolinha marrom molhada. rodeada do gelo do granizo que estava por toda parte. Não agüentei! Peguei o bichinho. referindo-se à cachorrinha . que fica cuidando do estaciona mento.apiedou-se Débora. Ela conhecia os funcionários e fazia a maior festa quando o doutor Édison. comentou: Sérgio. Há pouco tempo alugou a casa onde morava com o irmão e está com a dona Antônia. Vendo-a atenta ao ol há-lo. sem dúvida. Esta é minha casa. Entrei às pressas. secou com o seu secador. Talvez a Rita não aceite e. quase a atropelando. também ajudou a alimentar essa moça e arrumou uma caixa de papelão para ela dormi r num cantinho . O segurança.. toda simpática. tornou-se seu melhor amigo.interrompeu-a educado. . contou : Não ficou nada. o João ou o Nivaldo chegávamos ou saíamos. Débora. coloquei embaixo do braço. Você desconfia de alguém? . . mas. A Rita se formou em jornalismo. Coitadinha! . eu e a Rita não temos nada! A propósito. Agora tenho certeza de que não. . como falei e cursando Psicologia.tornou Débora..disse com simplicidade. mas gostava. Eu pensava que fosse minha mãe.Quem faria isso? . por causa da a titude com o Tufi. Aliás. A Rita veio aq i no dia seguinte às vacinas.Ele sorri u ao revelar: Jurei que depois do Tufi não teria mais animal algum! Porém aconteceu que essa madame aí .falou rindo. apareceu lá na frente da clínica e ficou rondando em torno do estacionamento.pediu.Rindo. Após a morte do Rogério. Fui até a r ua. tirei-a de lá para outro carro não atropelá-la e a coloquei em um cantinho. ele deu-lhe um banho quen te. mas aconteceram tantas coisas. levei ao veterinário e ela tomou todas as vacinas de que precisava e ainda o vermífugo. como se soubesse o significado! O rosto de Débora anuviou o sorriso. não foi minha mãe.. Você não está sabendo. minha mesmo! Acabei co mprando-a. Mas ainda é bombeiro e trabalha à noite . Namoraram e ficaram noivos há um mês. O Tiago está mor ando aqui. sentando-se ao seu lado. um out ro cachorro de rua me seguiu até em casa e o adotamos. Ela não viu o meu irmão e estava chorando. Isso f oi ótimo. A secretária viu a cena e ficou com dó. pois a cachorrinha o viu apontar para ela e abanava o pequ eno rabinho. deu comida e a enrolou em uma pequena manta. deu um jeito de fazer um acordo e foi demitida da revista na sema na passada. depois de um ano ele também s umiu. pois estava atrasado. Teve um dia que eu estacione i o carro. peguei a cachorra. Por quê?! .riu. Sim.. Foi o suficiente para el a continuar rodeando a porta da clínica.. Depois de alguns anos. enfiei no carro e trouxe para casa. . mas um dia ele sumiu. Coitadinha mesmo! Assim que acordamos. acabou sendo adotada! E você lhe deu o nome de Princesa? Não. ela reclamava.. Não tínhamos idéia de qual nome dar. aconteceram outras coisas e ela passou por momentos difícei s e o Tiago a acompanhou. Despedi-me dele e. contou: Fora uma grande amizade e consideração. Ninguém tem o direito de me criticar por você estar aqui. nunca. Enquanto agradava a cachorrinha. dos cachorros. nada satisfeita com as injeções. Pelo que o Tiago contou. Deixa pra lá. começou a chamá-la de Princesa e a cachorrinha atendeu p or esse nome. Foi até lá fora e deu-lhe água e resto de lanche para a pobre cadelinha. A Ri ta está morando na casa da dona Antônia e se tratam como se fossem mãe e filha. Ho uve um dia em que caiu uma tempestade de granizo muito forte. eu não quero atrapalhar sua vida. como se ela fosse minha irmã mais nova. Aquecida. Ah! O Tiago ficou todo feliz! Mesmo sendo de noite. parecendo entender. desci e olhei para a rua e gelei ao ver o pneu de um carro bater nela . mesmo debaixo da cobertura da entrada. Enfim. mas está com um emprego praticamente garantido em um jornal. pois me olhou de jeito estranho por uns três dias. Não satisfeita com o que o trabalho e com o que ganhava.perguntou em tom de lamento.

. Mas!. Aconteceu algo bem sério e não posso ficar.sugeriu com gen erosidade na voz grave. Débora afastou-se lentamente do abraço. se não a segurassem. O fogo se propagou rapidamente. Não queria falar nisso. Conversando com um dos colegas que estava com o meu irmão. principalmente por causa dos balões soltos pelas festas juninas e dos c ampeonatos de futebol. no local. posso ir! Eu darei um jeito e. Quando o Tiago tentava levantar as telhas.. mas te devo sat isfações. posso saber o que aconteceu de tão sério para precisar sair a e ssa hora? Por que de repente você pode ter alguém que pode chegar aqui e.sorriu. em uma casa de r epouso para idosos e.Sérgio engoliu seco e quase em lágrimas. Só não gosto que a Princesa suba em a cama. Tudo bem . ficou m ais perigoso e ninguém conseguia chegar até lá. fechando os olhos por não acredit ar no que acontecia. Disseram que ou viam o rádio com fones de ouvido quando souberam do incêndio onde moravam e correram para lá. O ar estava sem umidade.. Disseram que o Tiago a acalmou e prometeu tr azer o menino. quero encontrá-la aqui quando eu voltar. . Por que ela não pegou a criança? Ela e o marido são faxineiros em um hospital e trabalham à noite.. puxando-a para junto de si. como viu.perguntou aturdida. Espere. O lu gar tornou-se de difícil acesso por causa das chamas em volta. . Contaram que a mulher estava em desespero e. Enquanto ele sentia o coração apertado. tudo cedeu e ele ca iu.expressou-se sorrindo e com modos simples. Breves segundos. porém estava preocupado e curioso para obter mais de talhes.avisou piedoso..Ela silenciou e ouviu: Eu só peço que você durma lá na suíte. Se não quiser conversar hoje. secando o rosto com as mãos. prosseguiu: Quase não acreditaram. dizendo: Se eu for atrapalhar. Deixe-me explicar. uma mulher gr itava desesperada porque seu filho de seis meses estava no quarto quando os três i rmãos saíram correndo por causa do fogo.. Mesmo assim. Sérgio . Tenho uma tarefinha em uma creche. Aconteceu tanta coisa na minha vida..concordou e sorriu...Sérgio chorou. sentindo-se envergonhada. andou sobre os muros e telhado s. Sérgio tinha vividos os sentimentos latejante s. contou: Não ia dizer nada para não te preocupar... humilhada.pareceu suplicar . sem encarar Sérg io.. Os bombeiros encharcaram o local onde ele estava. Poderá fazer isso amanhã . Posso ficar aqui? Não tenho para onde ir . Ela o interrompeu... Foi assim: para estudar ele conseguiu um horário para trabalhar de noite até de manhã.. Destelhado. Sérg io sobrepôs o braço em seus ombros.. Não. . ele contou que.E você? . guardados com todo o amor. não tem problema. ta? . Respirando fundo.. Ao mesmo tempo. por favor. Trabalho na clínica. mais de uma hora dep ois. puderam se aproximar e escutaram seu chamado e.. Você está cansada e a cama é bem confortável. e stou terminando uma pós-graduação. mas.. . a garoa só chegou hoje à tarde e o incêndio foi durante essa madrugada... Eu?! . Por favor . Ele sabia dos riscos..pediu como se implorasse. pois.. mas não foi suficiente. D orme na suíte. e ela falou sem encará-lo: Eu não queria te incomodar. Ela escondeu o rosto e chorou em silêncio. Só que..chorou e os soluços embargavam sua voz. Com a ação ininterrupta dos bombeiros para apagar as chamas. ta! Eu preciso sair. Os bombeiros ficam de prontidão e bem atentos nessa épo ca do ano. O Tiago era um dos bombeiros que foi para o local. Bem. Foi com o Tiago. O outro quarto é do Tiago e não gosto de invadir a privacidade e. Se não for inva dir sua privacidade.. . e a mulher que o via de longe gritava apontando onde era o local do quarto qu e o filho estava.. Estou levando a vida! Mais nada! Penso em fazer Mestrado no próximo ano! Lágrimas surgiram nos olhos de Débora e não demoraram a correr em sua face pálida. Aconteceu que um balão aceso e ainda com fogos de artifícios estourando caiu sobre uma favela.. O Tiago enrolou a criança em sua jaqueta .. ela entr aria nas chamas para pegar o filho. não precisa. pulsando fortemente ao debruçar suavemente o rosto sobre a cabeça da jovem. Pode ser? ! Posso dormir aqui no sofá. Débora! . Mas.. que também trazia os olhos úmidos e forçava-se para segurar as lágrimas. Claro que pode.

o quadro era deplorável... Debruçando-se sobre ele e. desequilib rados. que assumiu nova at itude mental ao orar. Vai me ajudar se ficar aqui e me esperar. Ele estava nervoso e preocupado. Em decorrência disso. o que equivale ao ódio e a falta de perdão. mas controlando as emoções.e a protegeu com o seu corpo. a vulgaridade. que cederam novamente de pois de ele pegar o menininho. arrebanhados por suas práticas indignas quando encarnados. Os espíritos se aglom eravam. Energias mentais do espírito Sebastião criavam vibrações aos que o auxiliavam e os im pregnavam de idéias pouco elevadas. re pleta de vinganças e injustiças.. retiro u-se e retornou em segundos... O menininho de seis meses sofreu leve queimadura em um pezinho e um pouco de intoxicação. Naquele lugar da crosta terrestre. vigiar-se e dedicar-se ao bem. Então. E sem aquela rou pa. recomend ou que fechasse bem a porta e saiu rapidamente.O rapaz se levantou. Todo aquele festejo de compo . entende? Claro! Se eu puder ajudar.. apresentando-se com o corpo espiritual no qual plasmavam deformid ades por seus vícios e milhões de vermes a corroer-lhes com violentas manifestações de t error... suas queimaduras foram mais graves.. Fui onde está internado e quero acompanhar os procedimentos bem de perto. E o Tiago?! . Espero você ligar se puder. De longe. em nível psíquico inferior por se prender ao primitivismo da mágoa e da vingança.. Você já o viu? . à hipocrisia. E pediu com ce rta preocupação: Por favor. parecendo festejar uma vitória. à crueldade e a ta ntas outras práticas efetuadas quando encarnados. mesmo sem saber ao agir intuitivamente. temia algo desconhecido aos seus sentidos limitados. o espírito Sebastião compr zia-se... e usavam para aterrorizar os outros apesar de intimamente serem infelizes . Alguns espíritos que o acompanhavam.perguntou aflita diante da pausa. Dizendo isso. secou o rosto e procurou se controlar.. deformados. Não quero atrapalhar. Débora. Muitos o aban donaram desde que o viram ficar sem poderes para subjugar Sérgio como vítima. você pode me esperar aqui? Preciso ir ao hospital no vamente. tribal cuja matéria fétida e nojosa plasmava-se pelas linguagens de co municação mental de palavreados obscenos e indecorosos.. Era algo como que um alimento fluíd ico que lhes dava energia inferior limitada e ânimo agressivo. Só vou pegar alguns documentos e. O grupo que acompanhava aquele líder não era tão grande quanto antes. Sérgio recebia orientação e amparo provide ncial do Alto.perguntou chorando.. por sua nova postura mental.. Só se for muito urgente. Muitos eram mutilado s. Reservava-se. dando forma às cenas prazerosas de suas inclinações à promiscuidade. Por isso Sebastião temia. Estarei te esperando. Sua perna ficou presa entre as vigas e os escombros. beijou-lhe a testa. 30 . seguiam-no por propensão ou vontade própria na inclinação ao mal. Sérgio chorava ao responder: Mais de sessenta por cento do corpo com queimaduras de segundo e terceiro gra us.. Outros grita vam enlouquecidos. Despedindo-se de Débora. . me liga no celular. Soube hoje pela manhã. Outros se ligavam ao grupo tal qual escravos cativos. Era impossível fazer o encarnado tornar-se vítima daquela inteligência perversa.. Por isso não saiu. Em compensação....A elevada Laryel intervém na obsessão injusta Na espiritualidade. Qualquer coisa. idéias inferiores e todos os atributos de espíritos imperfeitos. Seu estado é grave e ainda corre o risco de perder a perna devido às queimadur as. pulando em comemoração. aos vícios degradantes. Não se preocupe comigo e. Alguns grunhiam como animais.. Sebast ião perdeu as forças quando não ofereceu mais perigo ao encarnado. cuidarei da Princesa. Pode deixar. Meu Deus! Como ele está?! . observando a movimentação eufórica de festejo horripilante. Não se sabe como conseguiu tirar a jaqueta e envolver o garotinho.quis saber entre as lágrimas e os soluços. vários se guidores se afastaram daquela falange.

comandados pelo Marechal Sebastião durante a Guerra dos Farrapos. mas Tiago muitas vezes ficava para reforçar a segurança na estância. Por isso. Tiago solicitou experimentar o que fez muitos sofrerem e requereu desencarnar com a prova do fogo. Humildemente. orgulho ou egoísmo. naquela época. aprendeu ainda mais. inveja. Deixou-se influenciar por encarnados e desencarnados e ateou fogo em casas. insensíveis e tiranos do co-mandante Sebastião. Tiago era um homem de caráter espiritual bom e benevolente. Deus. antes de conhecer as opiniões de Sérgio. apesar de vencerem. Nas lutas. Em outros tempos. rancor. N a espiritualidade. eles não admitiam experimentar as mesmas sensações de suas vítimas em grande estado de perturbação. Intuído. que havia se unido a Débora. contrárias aos atos d esumanos. ferindo pessoas com os incêndios que provocou. pois a jovem atrasar ia os demais. inspirado a deixar aquela guerra. No momento em que Tiago tomou conhecimento das opiniões de Sérgio. guiar a tropa para grandes conquistas. bom e justo. Conforme a humildade e a determinação de cada um pa ra corrigir os erros. tentou a visar. Tiago tornou a encontrar Sérgio. Muito rancor e ódio foram criados por Sebastião. Entretanto o estranho espetáculo de horrenda comemoração pelo ocorrido com Tiago não tinha fundamento. Na realidade. elevando-se cada vez mais. outras ficaram deformadas e houve as que mo rreram9. Por não estarem em acordo co m os atos desumanos e abomináveis de seu líder. perdia-se grande número de vidas farroupilhas. Não tinha ódio. Um anônimo na história pôde mudar o curso dos rápidos acontecimentos e foi a isso que Sérgio veio naquela reencarnação. nas considera das vitórias. mas não lhe deram crédito. Tiago juntou-se aos Revolucionários Farroupilhas. o que não era verdade. fizeram falta aos revolucionários quando Bento Gonçalves foi traído e fico u sem a ajuda de companheiros nos quais confiava. com moral que lhe dava o direito de pedir em seu planejamento reencarnatório. As mortes dos farroupilhas. No planejamento reencarnatório. a disposição sincera e sem queixumes para cumprirmos determinada missão. Sérgio a levou co nsigo quando desertou. Aqueles espíritos acreditavam ter sido o rapaz fortemente lesado com queimaduras pelo empenho de Sebastião. . mas se desviou. decidiu ser bombeiro e salvar vidas. é prudente o arrependimento sincero. Estrategi sta. Enfrentar as situações mais diversas e difíceis principalmente às ocorrências para defrontar o fogo em razão de salvar vidas. com base na Revolução. Tiago e outro desertaram ao as sistirem um ataque cruel num vilarejo indefeso. a fim de c orrigirmos o que desarmonizamos. A traição ocorreu conforme Sérgio previu. Lúcia e outros espíritos daquele gru po e que. criaram Leis para a não div são do Brasil. Eles e os companheiros se separaram. Tiago serviu ao Exército Imperial ao lado de Sérgio. com suas estratégias militares e bem informado sobre as ações do Exército Imperial. Na atual encarnação. Sérgio sempre seguia com a tropa. Tiago se deixou influencia r pelas energias vibratórias dos companheiros em meio aos gritos de vigor para os ataques na guerra. graduados dos Revolucionários Farroupilhas. solicitou as possibilidades de a judar os semelhantes e passar por dolorosa provação para proporcionar mais harmonização na sua consciência e continuar auxiliando com bondade e amor. No passado distante. Somente assi m a consciência se alivia do remorso e o espírito se purifica e caminha para a perfe ição. e refugi aram-se em uma estância. Entretant o nem todas as vitórias são verdadeiramente vitórias. ele desejou tratar de procurar uma n ova vida ao lado de Débora e longe dali. depois de ajudar muitas pes soas em sua tarefa. Algumas vítimas desenc arnaram pelas infecções das queimaduras. Por piedade e proteção a uma jovem que conheceu naquele massacre.rtamento bizarro era pelo acidente ocorrido com Tiago. na presente encarnação. Sérgio. oferece condições de harmonização com as nossas falhas. creram que Sérgio e os desertores eram culpados por suas do res e pesares na espiritualidade. prova ou expiação na Terra. ele passou a r efletir sobre suas ações desnecessárias contra pessoas indefesas e mudou de atitude. em sua vida. pois. Quando Sérgio percebeu que havia traição e ntre companheiros confiáveis e. Seu estado não se tratava da atuação de espíritos levianos e imperfe itos. Sérgio serviu de instrumento para. Já possuía essa personalidade no passado .

E foi chegado o momento do esclarecimento e intervenção de espíritos prudentes, dot ados de bondade, sabedoria e capacidade de julgar com justiça, atuar em favor dos que trabalham, esforçando-se para o bem, o adiantamento dos semelhantes e a elevação e spiritual. No lugar onde a agitação comemorativa ocorria em uma espécie de adoração ao espírito Seb stião, lentamente um fio de luz azulada se fez rompendo as trevas. A música e a cant oria debilitante e deplorável, que agitavam todos, pararam imediata-mente. A aglom eração de espíritos inferiores pareceu petrificada diante da claridade tênue. Sebastião, com expressão furiosa, levantou-se rápido de seu acomodo, semelhante à pos tura de um rei, que se ergue do trono diante da desagradável invasão em seu castelo. Muitos espíritos, com miserável aspecto, arregalaram os olhos, apavorados com a cen a e a vibração iniciada, e por essa razão, correram, fugindo assustados sem coragem de esperar para ver. Apesar da aparência rude e grosseira, o espírito Sebastião temeu, mas não se acuou. Em poucos segundos, um grupo de entidades elevadas passou a tomar contorno vi sível àquele nível no plano espiritual, enquanto o fio de luz irradiava-se, iluminando vagarosamente o lugar e emitindo vigorosas vibrações sublimes que pareciam, limpar os miasmas destruindo as formações nojosas existentes. Os bondosos benfeitores fizer am-se presentes com nitidez às impressões dos que ficaram. Todo o grupo de espíritos s ublimados parecia nutrir-se dos raios brilhantes da bela luz e prendiam os pensa mentos em prece elevada. O jorro de luz se intensificou, como se ganhasse delicado contorno transparen te, lindo, indescritivelmente belo, transmitia puro amor. As sombras se dissipar am e reconhecível surgiu Laryel de forma translúcida, como um cristal e com toda a s ua expressão de bondade e superioridade, pois assim o era. Sebastião ficou inquieto, nervoso e agressivo, protestando ao urrar: Quem pensam que são para invadirem meus domínios?! Após gesto generoso ao inclinar de cabeça, como um cumprimento sutil, Laryel argu mentou com postura e expressão imperturbável enquanto ampliaram-se os raios de inten sa luminosidade, que se espargiam de seu contorno: Sebastião, por que o coração endurecido que insulta sua consciência, mesmo sabendo da necessidade de reparação? Quem é esse ser desgraçado que ousa me afrontar?! Sou uma criatura de Deus assim como você, mas não o afronto. Aqui estou por missão de amor - esclareceu a benfeitora com intraduzível generosidade. Vamos! Ataquem esses invasores! - berrou Sebastião. Contudo os poucos espíritos m alfeitores restantes também fugiram. Somente Lúcia, assustada, foi para trás de Sebast ião como se quisesse se esconder. Aceite a oportunidade, caro irmão. Sabe que não adianta a rebeldia. Todos já trilha mos caminhos obscuros, fomos egoístas e não aceitamos as justas Leis de Deus, que é de bondade igual para com todas as Suas criaturas. - Breve pausa e pediu serena e piedosa: Venha, venha comigo, Sebastião. Arrependa-se dos atos do passado e se pro ponha à elevação. Já perdeu muitas oportunidades de reparar os erros. Nunca! Sofrimento e dor! É isso o que tem para me oferecer! Chama de bondade Di vina o que Tiago experimenta?! - riu com sarcasmo. Sim. Eu denomino bondade e justiça de Deus. Tiago experimentará uma única vez o sof rimento provocado em dezenas de pessoas. Dispondo-se ao auxílio na tarefa abraçada n esta reencarnação, com sincero arrependimento do que fez no passado, ele só terá essa pr ova, em vez de se penitenciar ao mesmo número e grau de dores que provocou em suas vítimas. Se a lei de Talião: olho por olho e dente por dente vigorasse por desejo de Deus, o mundo estaria cego e desdentado, como disse uma grande alma muito sábia. J ustiça e bondade são as bases das Leis de Deus para os que se arrependem e desejam s e elevar. Desgraçada! Já sofri muito e me diz que ainda preciso sofrer mais! Não sabe o que e xperimentei, mas estou liberto! Não serei mais prisioneiro da minha mente! Nesse instante, o espírito Sebastião afastou-se e correu, tentando fugir. Mas ao querer ultrapassar o limite dominado por aquela claridade celeste, foi como se e xperimentasse um choque que o fragilizou e, depois de um gemido, o fez tombar. D e imediato, Sebastião foi amparado por socorristas especializados. Ele estava iner te e desfigurado. Foi recolhido com todo o carinho para, ao fim daquela missão, se

r encaminhado e preparado para breve reencarne. Generosa, Laryel voltou-se para o espírito Lúcia, que chorava, mas sem arrependim ento e sim de contrariedade e medo. Querida Lúcia, é o momento de você decidir. Aos prantos, com aparência horripilante na formação perispiritual, ela reclamou: Isso é injusto! É impiedoso! Impiedade e injustiça foram temas de suas atitudes para com Sérgio após várias oportu nidades reencarnatórias. É o momento de reconhecer e assumir suas falhas, despojar-s e dos vícios libidinosos. Tudo é confuso! Tenho medo... O que acontecerá comigo?! Piedosa, Laryel argumentou: Você só serviu de instrumento para que Sebastião tentasse desviar Sérgio da tarefa ad mirável, útil e voltada para o bem. Seu irmão reencarnou com um propósito. Ele é um espírit bondoso, sábio e prudente, por isso não se inclinou às suas cruéis tentativas de assédio para o incesto a fim de desviá-lo para o desequilíbrio. Mesmo desencarnada, Lúcia, você se deixou usar para estranhas representações que o perturbassem em sonhos. Porém, mais uma vez, o Sérgio mostrou-se digno e elevado. Será difícil atormentá-lo. Eu me atraí por ele! Egoísmo e possessividade não são amor. Apego demasiado e extremas atitudes cruéis pel o desejo compulsivo de desregramento sensual para seus vícios sexuais não são amor. Am or é renúncia, aceitação e compreensão. Foi cruel sermos irmãos! Fiquei desgostosa e morri por culpa dele... Eu não desej ava mais viver! Com doce inflexão, quase num lamento, Laryel se expressou caridosa: Pobre Lúcia. Tanto foi usada por Sebastião e por Sueli que não percebeu ser um simp les boneco à mercê das manipulações. Realmente sua existência terrena foi cortada abruptam ente e estava com vigoroso fluido vital. Mas foi você mesma quem se atraiu para es se acontecido. Se tivesse outra postura moral, não teria desencarnado tão bruscament e e naquela ocasião. Perturbou-se muito no plano espiritual, por isso não se importo u em se deixar influenciar pelas energias mentais de Sebastião, que nublaram sua c onsciência, fazendo-a crer no que ele afirmava. Questionou-se se tudo era verdade? Procurou lembrar os fatos como realmente aconteceram? Com a habilidade que lhe era peculiar, Laryel fez projetar na tela mental de Lúcia como foi realmente seu desencarne. Sem ter como fugir das cenas, o espírito Lúci a narrou em aflição: Eu estou com a Sueli!... Fomos roubadas e um dos ladrões está armado! Eles iam em bora de moto, mas ainda estavam parados ao nosso lado e... Um deles pegou minha carteira e jogou minha bolsa, mas... Não! Vejo o Sebastião influenciando a Sueli... Ela me empurrou e eu... Eu não reagi! Estava com medo! Com o empurrão que ela me deu , fui para cima do ladrão, quase caindo sobre ele e... Ele se assustou! Quando me equilibrei, afastando um pouco, ele atirou e eu caí! Eu não me matei! - um choro com pulsivo a dominou ao deparar-se com a verdade. Afetuosa, Laryel acrescentou: Desencarnada e em profundo estado de perturbação, o Sebastião nublou o seu entendim ento. Mas foi a sua mágoa, a contrariedade em seu coração, os seus desejos mundanos qu e a deixaram sob a disposição desse espírito obsessor, que conseguiu organizar uma fal ange para que uma tarefa não fosse cumprida. E pela sua inclinação à maldade, à vingança e o orgulho, você se deixou usar por Sebastião. Mas eu não sabia! O Sebastião me usou! Socorreu-se em prece verdadeira a Deus, Lúcia? - perguntou com sensibilidade. E , sem esperar resposta, Laryel continuou no mesmo tom delicado: Com as paixões mat eriais e, principalmente, as necessidades do corpo físico se ressaltando no plano espiritual, admita que foi por orgulho, vaidade, necessidade de vícios lascivos e fantasias sexuais que se deixou hipnotizar por Sebastião. Não foi somente vítima dele, mas sua aliada. - Breve pausa e acrescentou: Querida irmã, seu desencarne se deu por uma traição de sua amiga. Tal fato ocorreu exatamente como você fez no passado. No meou-se amiga de Débora e a vitimou com um tiro no rosto provocando sua morte prec oce e imediata pela lesão no cérebro. Foi capaz de pagar para que a matassem, simula ndo um assalto. Eu morri num assalto que a Sueli se aproveitou para se livrar de mim. Por quê?

Ao confidenciar para sua amiga que gostava de seu irmão, em vez de procurar aju da de profissionais competentes como Sérgio orientou, você se tornou um risco para a s idéias desequilibradas de Sueli. Ela acreditava que ele poderia corresponder aos seus desejos, Lúcia, e desfazer o namoro. Não! Não! - Lúcia passou a gritar por começar a experimentar as indescritíveis tortura morais como punição dos crimes cometidos. Após aplicação de passes magnéticos por outros t refeiros, ela se acalmou, mas ainda transtornada, perguntou: Essas outras vidas que vejo na mente são verdadeiras?! Sim, minha irmã. Tudo fica registrado na sua consciência. Teve oportunidades, mas não às aceitou. Apesar de dotada de inteligência e receber orientações nobres e amorosas de seus pais, inclinou-se aos vícios mundanos, às fantasias das paixões físicas. Usou a inteligência para o mal só por egoísmo. O ciúme, a ambição, a inveja, as paixões corpóreas mor. O que fez será de sua total responsabilidade e precisará cedo ou tarde harmonizar tudo sob a ação das Leis de Deus. Todo extremo é prejudicial e arcaremos com as conseqüências d os nossos excessos em tudo. Lágrimas incessantes corriam dos olhos de Lúcia que, muito abalada, tinha o peris pírito ainda mais deformado, soltando pedaços como se estivesse se decompondo. Estou louca! Matei os cachorros que o Sérgio teve por ciúme dos animais, pois ele dava mais atenção para os bichos do que para mim! Inspirei a Sueli matar o Tufi par a magoá-lo e deixá-lo fragilizado! Eu me vejo tentando seduzir meu irmão! Que horror! O sangue da Débora não sai das minhas mãos, da minha roupa! E em outro tempo tentei se duzir o Sérgio quando ele foi meu pai! Pare! Pare! Tenho dor! Eu estava com ódio da Débora, ajudei a separá-la do Sérgio ao me aliar ao Sebastião e influenciar a Sueli! Olh e o que a Débora passou e sofreu por minha causa! Como o Sérgio sofreu com sua ausênci a! Quero esquecer tudo! Esquecer! Não quero mais ver isso nem me ver deformada! Is so dói! Faça algo em nome de Deus! - berrava com repulsiva sensação de pavor, e chocada com tudo o que fez. E as cenas se repetiam em sua mente. Querida Lúcia, só você pode se ajudar a partir de agora - esclareceu Laryel com bon dade. Sebastião ainda se prende nas satisfações animais para o espírito. Deseja vingança. Mantém a crueldade no coração impiedoso. Ele tem muito a reparar, mas não aceitou ajuda. Não se arrependeu. Não será fácil Sebastião se harmonizar e se equilibrar por causa de su a revolta e egoísmo. No entanto você, Lúcia, pode se submeter à bondade e justiça de Deus desde já. Poderá me socorrer e me tirar daqui?! Poderá tirar isso tudo da minha mente?! O que vê repetidamente são os seus excessos, as conseqüências de suas práticas. Agora ntende que não prejudicou somente Sérgio e Débora, mas outras criaturas que necessitav am e dependiam deles e ainda os que precisariam desses outros. O planejamento re encarnatório é tão difícil de ser seguido e piora quando alguém interrompe o fluxo da corr ente de vida, produzindo causas desastrosas a uma pessoa, aos que a cercam, aos seus antecedentes e descendentes. É uma destrutiva reação em cadeia e com o uso da int eligência, algo pensado, premeditado e que poderia ser evitado. O que Deus pode fazer por mim?! Não quero ver nem sentir mais isso! Inabalável diante da cena triste, piedosamente, Laryel expressou-se brandamente : Veja o que você pode fazer por você. O que pode fazer para minimizar o que experi menta. Então a bondade e a justiça de Deus hão de auxiliá-la na harmonização, na reparação elevação espiritual. Crê em Deus? Eu creio em Deus! Ajude-me Senhor! - suplicou com sentimento verdadeiro. Esto u arrependida de tudo isso! Não imaginava que sofreriam assim!... Posso sentir o q ue sentiram!... Aproximando-se suavemente de Lúcia, Laryel estendeu-lhe a mão, direcionando-lhe e nergias salutares. Um bálsamo para o que experimentava. Lúcia sentiu-se esmorecida e foi amparada por um socorrista, mas ainda olhou para Laryel e murmurou com difi culdade: Você é um anjo... Apague isso que vejo e sinto. Ajude-me em nome de Deus. Imediato efeito calmante a dominou e o espírito Lúcia se entregou ao socorro. Laryel olhou docemente a cada um que a acompanhava. Erguendo o rosto sereno e transparente para o alto, teceu sentida prece de agradecimento. De seu contorno , raios reluziam ainda mais fortes, como se seres superiores lhes derramassem bênçãos

santificantes em jorro de luz, forças magnéticas em ondas luminosas para suprirem as energias despendidas por todos. Beleza intraduzível e contornos translúcidos irradiavam de seu semblante sublime. A abnegada benfeitora agradeceu aos elevados acompanhantes em nível de pensamento e ofertou doce sorriso enquanto sua figura, já transparente, desfazia-se suave so b a visão dos companheiros. O grupo socorrista terminou a tarefa e seguiu para local adequado às necessidad es de cada um dos socorridos. * * *

O dia havia clareado, mas a manhã estava cinzenta. A garoa deu lugar ao vento f rio e úmido. Sob o efeito da claridade sem brilho e do frio incômodo, Sérgio despertou do cochilo na cadeira do hospital. Acomodando-se melhor, sentiu o corpo dolorid o e uma rápida lembrança de tudo o colocou em alerta. Levantou-se e saiu à procura de alguém daquele setor hospitalar que pudesse lhe dar notícias sobre o estado de Tiago . Ao ver uma enfermeira, apressou-se para alcançá-la, porém a mulher informou que o médi co ainda estava no Centro de Terapia Intensiva, ou C.T.I., acompanhando o estado dos pacientes. Alguns minutos e Sérgio olhou para o corredor e viu seus pais caminharem ao seu encontro. A mãe o abraçou e estava em prantos. Mãe... Pai... - ele murmurou sem saber o que dizer. A mulher não conseguia falar, mas o pai perguntou: Alguma notícia? Você conseguiu vê-lo? Não... O médico está no C.T.I. e não deve demorar. Não acredito... Oh! Deus! Que dor meu filho está sentindo! - chorava dona Marisa. Procure se acalmar, mãe - pediu bondoso. Venha, sente-se aqui. Nós deveríamos ter ficado aqui com você - disse o senhor Inácio com olhos vermelhos p elo choro. Depois que fomos para casa, não conseguimos dormir e a preocupação só aumento u. Não adiantaria ficarem aqui. Eu não tive qualquer notícia. É necessário aguardar. Meu filho está sofrendo... É a pior dor do mundo! Calma, mãe. Acredito que deram sedativos ao Tiago. Um barulho e Sérgio olhou para o corredor por onde o médico caminhava vagarosamen te, observando algumas fichas clínicas. Rápido, o rapaz se levantou, foi ao encontro do médico e, mantendo-se calmo, perg untou: Doutor, meu nome é Sérgio, irmão do Tiago Barbosa, o bombeiro vítima de queimaduras sé ias e... Bem, o senhor poderia me dizer qual o estado dele? O médico o observou por sobre os óculos caídos no nariz e explicou após olhar a ficha : Tiago Barbosa... Calcula-se sessenta por cento de queimaduras graves de segun do e terceiro graus. Seu caso é sério e não posso adiantar qualquer resultado, pois... - Notando o casal sentado, falou baixo: Bem, Sérgio, ele é jovem, saudável e parece m uito resistente. Talvez outro não suportasse tanto e... Veja, minha opinião é que ele tem grande chance de sobreviver às lesões, porém ficará com consideráveis cicatrizes nas c ostas, parte lateral do tronco, perna, braços... Por sorte seu rosto foi pouco ati ngido. Somente uma leve queimadura no queixo e pescoço. O capacete do bombeiro pro tegeu seu couro cabeludo e... Precisamos aguardar. Doutor, o outro médico que o atendeu ontem disse haver uma perna muito queimada e comprometida... Existe algum risco de... - Sérgio deteve-se com olhos marejados . Ponderado, o médico avisou: Sim. Isso é verdade, Sérgio. - Olhando novamente o casal sentado, que chorava afl ito, o médico explicou: As queimaduras foram fortes e comprometeram a circulação da co rrente sangüínea para o pé direito. Precisamos evitar todos os riscos de infecções e acomp anhar rigorosamente a irrigação do sangue, mas caso o organismo não tolere, bem... Será necessário amputar? - perguntou o irmão sussurrando. Provavelmente. - Vendo o abatimento do rapaz, o senhor aconselhou: O hospital é um ambiente que esgota as forças e vocês não poderão vê-lo pelo risco de contaminação. V

casa e procurem descansar pelo menos o corpo. Isso é o mais prudente a se fazer. Poderão telefonar para terem notícias e será menos desgastante. Certo... Mas... Só uma coisa, o Tiago está consciente? Ele sente as dores da quei madura? Ele está monitorado por aparelhos e, quando recobrou a consciência ao ser trazido para o hospital, eu e o outro médico acreditamos que fosse viável induzi-lo ao coma temporariamente. As primeiras quarenta e oito horas são as mais críticas no estado em que ele se encontra. Depois disso, teremos condições de uma avaliação melhor. Muito obrigado, doutor. Faremos como aconselhou. Voltarei mais tarde. Telefonaremos caso haja alguma novidade. Certo! Muito obrigado! Após despedir-se, Sérgio voltou para junto de seus pais explicando somente sobre a importância de Tiago não contrair uma infecção e que estava sob o efeito de um coma in duzido. Acompanhando os pais até o estacionamento, despediu-se e os viu ir embora. Depo is, frente a seu carro, quando ia entrar no veículo, avistou uma pequena e bonita Capela Católica que ficava próxima a um belo jardim no hospital. Sérgio sentiu que pre cisava de um templo silencioso para reflexão, meditação e prece. Lembrou-se de Débora so zinha em sua casa. Pensou por instantes, superou o desejo de ir embora e caminho u, lentamente, até a capela. Chegou a duvidar de que Débora o esperaria, porém não pensou muito nisso. Sua prior idade era a de refazer-se espiritualmente, buscando amparo e alívio pela elevação do p ensamento a Deus para se manter equilibrado. Adentrando a capela, admirou seu interior repleto de flores agradáveis e suave perfume. Caminhou alguns passos, que ecoaram no assoalho de madeira, e sentou-se em um banco. Circunvagou o olhar e admirou os delicados vitrais. Fixou olhar na estátua de imagem angelical que simbolizava Nossa Senhora, mãe de Jesus, e do outro lado do altar a estátua representando o próprio Mestre. Ambas rodeadas de belas flo res frescas. O silêncio era absoluto e muito convidativo à prece. Sérgio suspirou profundamente e fechou os olhos, elevando os pensamentos por in termédio da oração. No plano invisível aos encarnados, suave luz cristalina era emitida de Sérgio e, gradativamente, aumentava de intensidade transformando seu semblante que pareceu ainda mais belo e superior. De seu peito raios cintilantes jorravam projetandose ao longe. Sérgio ergueu levemente a cabeça e de sua testa irradiava luminosidade adiamantada que se ligava à luz azulada, quase violácea que descia do Alto pelo vigo r da prece. Algum tempo depois, terminada a meditação, ele percebeu lágrimas quentes c orrerem pelos cantos de seus olhos e as secou com as mãos. Mesmo sensibilizado, Sérg io se sentia melhor. Estava envolto por uma luminescência vigorosa e bela que o fo rtalecia. Não demorou muito e decidiu ir para casa.

31 - Débora fracassada, humilhada e submissa Ainda era manhã quando Sérgio chegou à sua casa e não conseguia deixar de pensar em Déb ora. Uma muralha de silêncio amargo e angustiante havia se erguido entre eles por culpa do egoísmo, da inveja e da mentira. Foi difícil para ele suportar as ruínas dos sentimentos, os pensamentos inquietantes e o doloroso sofrimento por ela não acred itar em suas palavras. Sentindo o coração cortado por uma lâmina afiada, lembrou-se de se ver à beira do desespero, quase cometendo um ato insano. Apesar da gravidade d os fatos, tudo havia passado e mesmo não se esquecendo de Débora ele superou bravame nte o terrível tormento. No entanto, quando menos esperava, ela retornou abatida, parecendo humilhada e dizendo necessitar de sua ajuda. No instante em que a viu, ficou incrédulo e seu s sentimentos ressurgiram com mais intensidade, com o mais puro e verdadeiro amo r. Teve o desejo de abraçá-la e beijá-la, esquecendo o passado. Mas se conteve, pois o passado precisava de muito esclarecimento e ele tinha de ser prudente. Abrindo a porta, ao entrar, não percebeu qualquer movimentação ou barulho. A casa p

Ficando frente a ela. entendeu?! . Não! De jeito algum! É que ao chegar não a vi e pensei que tivesse ido embora . Débora experimentou a mais desagradável sensação diante dele. Acreditou que o destino lhe ti vesse armado nova decepção.. voltando à realidade: Realmente preciso de um banho. Mas enquanto a senhorita não com er a ração. refugiar o rosto em seu ombro e somente senti-la junto de si. Sofria ao pensar em Tiago. Meu Deus. A limente-se e depois deite e durma um pouco. Puxa. falou: O médico reforçou o risco de ele perder a perna ou. não é? .Ao vê-lo se virar. Tem leite e comprei pão e bolo. Imediatamente o sono o dominou.A cachorrinha co rreu de um lado para outro da casa enquanto ele colocava-lhe ração e trocava a água. mas mantinha o controle apesar de decepcionado.Ela continuava brin cando da mesma forma e ele não resistiu. Mas rapidamente se deteve e dissimulou . In do para a sala sentou-se no sofá. Ele se ajeitou e confuso murmurou: Débora?! Você está aqui?! Se esqueceu de mim? . Eu preparei um café.. Realmente estou.. hein?! . levantando-se. deixando o olhar perdido..arecia vazia. um tanto submissa. Sérgio sorriu e to rnou a conversar: O que é. Eu não tenho para onde r e. Prometi que o esperaria. . preocupava-se e se decepcionava com Débora que não cumpriu o prometido de esperá-lo mesmo sabendo da gravidade do que acontecia. Não acha melhor? Sérgio estava atento e mantinha o olhar fixo em Débora. surpreendeu-se ao ver Débora em pé.perguntou amedrontada.. Débora se aproximou e sugeriu: Sérgio. mas dominou a intensa vontade e concordou. Vendo-a fazer muita festa. despertou ao sentir um leve afago em seu ombro. É. fazendo-lhe um terno carinho.. tímida e quase hesitante. Débora! Obrigado! Não deveria se incomodar... dizendo: Tudo bem! Vem cá. D epois ela se aproximou. comentando: Vou tomar um banho logo.. abanando o rabo e parecendo re bolar de alegria em vê-lo. Você está fic ando muito sem-vergonha.falou.riu. deixando s ua cachorrinha entrar. Acreditei que chegaria exaus to.. vem! Sei que que r colo. Com voz fraca .. Não me alimentei direito ontem e estou me s entindo mal por isso...Acanhou-se. Se ia melhor tomar um banho e.. emoldurou leve sorriso no rosto. mas avisou: Eu tomei a liberdade de separar um agasalho.agradeceu surpreso.. ele perguntou com voz peculiar de quem amorosamente bri nca com um animalzinho: O que foi. pois só quer saber de carne. . . Sérgio sentia o corpo dolorido e muito exausto.exp licou. fechou os olhos. As queimaduras foram bem graves e só no s resta aguardar. Chamou por Débora e não houve resposta.. não ganhará carne. completou: S aí só para comprar pão e algumas coisas para o café da manhã. E o Tiago.T. Como se não bastasse.sussurrou com dolorosa piedade. Não pode receber visitas. Seu coração bati a acelerado e descompassado. recostando a cabeça e largando o corpo. Ele desejou envolvê-la num abraço. . .. Viran do-se rapidamente. tocando-o com as patinhas ao ficar em pé. Sem res istir. P . Em seguida coloc ou-a no chão e observou: Tenho muita coisa para fazer e não posso brincar. como está? Ainda no C.. Princesa?! Por que essa felicidade toda.. comer alguma coisa. uma camiseta e.. Muito tempo depois ele. chamando-o com voz suave. Sentia o coração apertado. A toalha já está no banheiro e.. menina? Não está a fim de comer hoje? .Desviando o olhar e afastando-se. . Após olhar pela casa foi até a porta dos fundos e a abriu. pegando-a no colo e lhe fazendo um carinho. perguntou expressando preocupação: Aonde você foi? Com os olhos nublados.Ante ao silêncio. ela prosseguiu: Você está cansado e muito abatido. Amav a muito o irmão. Nesse instante Sérgio andou até a janela. Achei que precisaria se sentir mais à vontade. empenhando-se para que as lágrimas não caíssem.. estendeu o braço tocando sua face com as c ostas da mão. Vendo-o sair da sala. ela avisou d e modo tímido: Por enquanto não posso ir embora a não ser que você me peça. As roupas mais confortáveis que encontre i.I.

ercebeu que Sérgio havia mudado muito. Sorriu levemente e agradeceu. é por falta de tempo e. Demorei a chamá-lo. ele a acolheu após tanto tempo. porque não tinha muita coisa para o café da manhã. mam e tudo isso de que gosto . acuou-se em um canto. Há tempo não tomo um café da manhã com suco de laranja. ele foi ajudá-la com a louça.. mas não d isse nada. interrompendo-a. mas. ela correu e foi lavá-lo c om água fria. Fez bem.tornou ele. depois pensei bem e acreditei que era melhor acordá-lo para tomar um banho. mas ela o chamou à cozinha.. vá descansar um pouco. Colocando-se frente à Débora.falou com meio sorriso e sem jeito. Vi mais ração no comedouro e não sei se. O silêncio reinou. ele comentou: Estranhei por não en contrá-la ao chegar aqui e por não ter acordado quando entrou. o bolo.expressou Sérgio com leve sorriso. Sérgio fico u impressionado ao vê-la tensa. ficou virado para ela. Achei que você precisaria se alimentar e só havia frutas. chegando a tremer apesar de petrificada e sem reação. Contudo ela não deve comer bobeira do tipo salgadinho. Você precisa dormir e. o queijo. nem tomo café em casa. às vezes. Estranhou sua postura humilhada. envergonhada de alguma forma e c om atitudes extremamente submissas.. Enquanto ela lavava.. Era o que deveria fazer . Estava mais soberano e solícito. Descansei um pouco no sofá quando cheguei . equilibrado e sensível. Eu vi que colocou ração para a Princesa. eu encontrei certo valor em dinheiro na gaveta do seu quarto e peguei o necessário para comprar o pão. Sua sensibilid ade pesava-lhe a consciência e se humilhava por culpar-se mentalmente. tirando as coisas da mesa. pois su a aparência sofrida denunciava os maus tratos da vida que escolheu. ao secar as louças. Ah!.. Não é por preguiça de preparar.falava sem olhar para ele. Sérgio argumento u com expressiva bondade: .aconselhou educada .sorriu. Com tranqüilidade na voz grave e baixa. A falta de assunto enquanto se alimentavam fustigava os pens amentos de Sérgio.respondeu ponderado e seguro. disfarçando e escondendo-o entre os fios de cabelos jogados. mas imperturbáv el. Pode acresce ntar leite . racional e flexível. Quanto arrependimento! Débora chorou em silêncio. torturá-lo. Num gest o para secar as lágrimas. Porém Débora mostrava-se temerosa. Eu arrumo isso. bolacha. Fiz café. envergonhá-lo a ponto de destruí-lo moralmen te. sentada no sofá. Você dormia um sono tão profundo. Não querendo apresentar o rosto vermelho. Lembrou-se de tudo o que falou para Sérgio e a maneira cruel de como o tratou. Ela se sentia uma estranha acolhida por uma pessoa bondosa e piedosa. ela o seguiu e. Pronto!. mas a jovem o impediu de modo singul ar: De jeito nenhum. Vamos lá para a sala?! .riu. preocupado. Apesar de tud o. Deparando-se com a mesa bem arrumada para o desjejum. mas eu já tinha posto e ela comeu tudo. e afirmou: Agora nós vamos conversar. seguro de si e ponderado. exibindo-se descontraído.. Sem dizer nada. Já terminamos! .. Não tem proble ma. Não! . Sentando-se no mesmo sofá e acomodando-se de lado sobre uma das pernas flexiona das. Tendo os olhos vermelhos pelo choro e os cabelos cobrin do parcialmente o rosto..disse. A jovem sentiu-se gelar. Normalmente tenho o s ono leve e achei que só havia cochilado um pouco. Débora. Alguns minutos e Sérgio retornou à sala.. Está explicado por que ela não comeu! .. ele se admirou. ele tomou postur a firme. Sérgio. Glorioso.pediu ele gentilmente... Acredita mesmo que eu conseguirei dormir? Ao menos deite e descanse.. Nada disso! . Não sei se ficou bom. comer e descansar melhor. mas contou: Sérgio. humano e humilde. ela não o encarava. Está frio e. passou as mãos no rosto encoberto pelos cabelos.. Não entendia como foi capaz de fazer aquilo. chorou muito até ouvir o chuveiro ser desligado. mas. ao encará-la com expressão neutra.. das acusações feit as com o intuito de machucá-lo. Vamos! Eu te ajudo a arruma r a cozinha. cabisbaixa e com leves movimentos nervosos n as mãos aflitivas que se esfregavam. Experimentou a respiração alterada e as lágrimas aquecerem seus olhos. conhecendo-o tão bem. Ao terminarem. Ao vê-lo.. Sérgio . aguardando-a para que se sentasse ao vê-l a trazer o leite quente. pediu: Sente-se e coma alguma coisa. Obrigado. Abaixou a cabeça. rígida.

murmurou melancólica. a jovem precisou se esforçar para encará-lo. Deus. Débora chorava muito em meio aos soluços compulsivo s. Sérgio ocupou-se de longo tempo. Eu só o procurei por não ter alte rnativa e. sobre estar deitado ao lado de Rita e o difícil refazimento da amiga. Vencido pelo amor. Em seguida. Ele a amava e acreditou ser um carrasco cruel pela postura aparentemente fria. Mas. por favor. porém pr ciso saber o que aconteceu. Sérgio suspirou fundo. do quanto sofri desesperado a ponto de.. Débora. acomodou-se no mesmo lugar. mas se conteve e diu com brandura: Débora. puxando-a para junto de si. . Bem.. Então. Contou também sobre o desespero que o dominou e o levou a tenta r contra a própria vida. ela se afastou do abraço e manteve-se cabis . Não.. com seu estado tão frágil. Como não pode ser ve rdade?! E a Rita?! Eu os vi juntos na sua cama. tudo se encaixava perfeitam ente! Pensei em várias alternativas para não crer naquilo. Sérgio. Aquelas foram calúnias extremamente cruéis e injustas das quais preferiu acreditar nas tramas que a Sueli usou para nos separar e cons eguiu.. Levantou.. Quanto ao seu direito de julgar os meus atos. Abraçou-a e a embalou ao acariciar seu cabelo e o rosto que ela tentava esconder em seu peit o.. Olhando-a naquele estado.chorou. Não se altere. porém estava mais abatida e angustiada do que antes.. Bem. Hoje eu sei que não tenho o direito de julgá-lo pelo seu passado. Pensei que nunca mais quisesse me ver! Ele não se alterou. deix emos isso para lá... Quero te ajudar. quase perdendo o controle por sua atitude. aproximou-se de Débora.. Às vezes uma força nos faz realizar coisas que não desejamos e.. mas. olhou-a nos olhos e pediu com sutil e bondosa firmeza: Espere. olhe para mim. aqui.. porém estava atenta a cada palavra. Você me conhece muito bem e sabe que pode contar comigo. .. Mas como?! Eu vi as fotos! Tive cópias! Você deveria ter me perguntado isso naquela época . V ocê concorda? Imóvel e sem olhá-lo. Desejava abraçá-la para confortá-la. pareceu defender-se quase em pânico pelo engano: Eu fui surpreendida com toda aquela história! Sérgio. Só poderá fazer isso depois de ouvir a minha versão sobre o assunto e sentir se é verdadeira o u não! Você. Atordoada. O importante é saber que eu tenho a consciência tranqüila. veja bem.. com a voz embargada pelo choro que não conseguiu conter. Vamos por partes. foi até o quarto e retornou com uma caixa de lenços d escartáveis que entregou a ela. nesta casa?! Calma. Foi isso o que aconteceu. sua irmã. O mais importante é não cometermos os mesmos erros. . Sem alterar a serenidade nem a paz de espírito. Alguns instantes e um pouco mais calma. É preferível fazermos isso o quanto antes. Débora. Su a presença nesta casa não atrapalha minha vida nem me incomoda. sabe que precisamos conversar. quero pensar no que fazer agora e arrumar condições de me prover s ozinha.. Mas as lágrimas não de ram trégua e corriam seguidamente em sua face. Após algum tempo. mas explicou detalhadamente tudo sobre sua vida. Não suportava observá-la inconformada e em pranto de arrependimento daquela forma . pois ouviu a minha ver são. pois não com eti as absurdas acusações feitas. por não ouvi-la argumentar.. Mas não posso negar mi nha preocupação com você. ela começou a dizer: Quero que me perdoe por agredi-lo tanto..Débora. Procure se acalmar. esconden do o rosto ao se debruçar no braço do sofá.advertiu-a com a mesma postur a serena. não estaria aqui. Sentia o c oração apertado ao vê-la tão abalada. Sérgio sofria pelos fortes sentimentos que o dominava m... Ao final. . Após secar o rosto. terá de decidir em quem acreditar.balbuciou sem conseguir terminar. que precisou da ajuda de dona Antônia e do doutor Édison.. Constrangida e chocada com a verdade.Breves minutos e.. pois se assim o fosse. resp ondeu: Não quero atrapalhar sua vida. recompôs-se. Não preciso te perdoar. o que eu fiz?! . amedrontado. então.. Agora pode me julgar.chorou ainda mais. Nem incomodá-lo. eu. ele continuou com o mesmo tom tranqüilo e pausado na voz mansa: Você não faz idéia do que experimentei. Eu vou te contar.

. Tirando-lhe os cabelos do rosto. O pranto desesperado deu lugar a um estado esmorecido. Como me arrependo!. Está muito magra. Não o mereço. ao se culpar pelo s problemas. Pela demora. Mesmo em lágrimas. vamos! Vagarosamente.balbuciou. eu nem mereço viver.. deixa ndo-a com o olhar perdido. Eu e stava sofrendo tanto. Ele a tomou n os braços. como se tivesse fracassado totalmente na vida e. Tudo escureceu e. fez com que o encarasse novamente e avisou: O mais importante é estarmos aqui esclarecendo tudo isso . Procure abrir os olhos e respire fundo.. expressivos e marejados de Sérgio e disse: Obrigada por me acolher.respondeu. Não se preocupe. caso um dia nos reencontrássemos. Débora . com olheiras profundas e. ele perguntou: Débora. Cobr iu-a para que se aquecesse. ela afagou-o secando-lhe o rosto e pediu entristecida: Não chore por minha causa. . subitamente ela se atirou de joelhos à sua frente e o abraçou com toda a sua força enquanto intenso ch oro a dominou. Mas eu preciso te contar tudo o que aconteceu comigo .. Você não parece bem e eu note i isso desde o primeiro minuto em que entrou nesta casa. reaja! .interrompeu-a com ternura na voz.. Débora.. Alguns minutos e ela reagiu melhor. Sei como você é ou era. Não diga isso! .. das escolhas erradas que fiz e do quanto me arrependi nesse tempo todo. Imediatamente ele notou que ela perdia as forças... Eu merecia o seu desprezo por tudo o que te fiz. Sérgio a envolveu com carinho e começou a desconfiar que. Oi! Estou aqui! . Não! . porém acreditava que iria me desprezar... acomodou-a com um abraço. sejamos realistas.. Já está passando.. Sérgio ajoelhou-se em frente a ela. ela retomava a consciência. Contudo saberia esperar. acalmou-se e olhou diretamente nos olhos verdes. segurou delicadamente sua face pálida e congestionada.baixa. abatida . colocando-a sobre a cama. afagou-a com carin ho e compaixão. contudo. reagindo um pouco.ele não conteve as lágri mas. sentada na cama.admitiu firme. Agora está com reaçõe deprimentes. Estava decid . Sérgio. esperando que o encarasse.. Algum tempo depois. racionais. Sentado a seu lado. a jovem murmurou: Perdoe-me. apertou-lhe a mão e sussurrou: Não me deixe sozinha.. Vamos.. largada nos braços de Sérgio. forçandoa a olhar em seus olhos. O que está sentindo? Não sei.. chorava muito. sentido-a gelada.. naquele des espero.pediu.. ficarei com você. Eu te amo.. Perceb eu seu rosto frio. E até por maus tratos.chamou com firmeza. Preocupado. Débora! . Eu só pensava em você. chamou-a: Débora! Abra os olhos.. Com voz amargurada. Depois de tudo o que fiz com você. Sentan do-se.. Até sua pele e seus cabelos perderam o viço! . quase atordoado. com sua vida.falou firme . levou-a para o quarto. se isso acontecesse.. o rapaz levo u a mão em seu rosto. Se eu pudesse mudar o passado! . Isso não é um tipo de tristeza momentânea! Certamente passou por situações complexas e. você está bem? Não sei. É melhor levá-la ao médico.. Você não merecia sofrer tanto. Logo perguntou: O que você está sen tindo? Não sei. Ela abriu os olhos. Débora . Vou me trocar.pediu. os lábios esbranquiçados e os olhos fechando lentamente enquanto se largava.. afagando-a vez e outra. em seguida completou com entonação piedosa na voz baixa: Desculpe-me f alar assim. mas as pálpebras pesavam e tornava a fechá-las. Como posso dizer não para esse sentimento que a ranca do meu peito toda essa emoção por vê-la assim?! Envergonhada e com nítido medo ao ouvi-lo falar daquela forma.. porém eu a conheci muito bem e. mas ainda se encontrava atordoada. havia algo mais do que o arrependimento. Era um grau de desespero tão extremo... segurando sua mão..chorou. pegou suas mãos finas e frágeis que estavam fri as e colocou entre as suas.Vendo a s lágrimas brotarem nos olhos da jovem e correrem por sua face. . Não sabe o que fiz nem a vida que escolhi.. se humilha.murmurou.

Ainda estou surpreso com o seu retorno e não quero ser precipitado. Tendo-a com o rosto colado ao seu. Eu te amo. Daria um fim na minha vida. Talvez não de vesse tê-lo procurado. E a jovem continuou mesmo entre lágrimas: Realmente experimentei um rebaixamento moral que nunca imaginei. Senti tanta saudade de nós. Ele experimentava o coração pulsar forte. Sérgio delica damente desviou o rosto e a abraçou... ela trazia um brilho diferente no ol har perdido enquanto falava: Como me arrependo. Percebendo-a emocionada.Ela não dis se nada..sussurrou entre os soluços. as roupas que estou usando são suas. mas ficou parecendo entorpecida. Você nem imagina. beijando-lhe a face com carinho.. eu só mudei de lugar. ela examinou as prateleiras e um travo de tristeza embargou a sua voz. Pelo frio. Não tenho roupas para sair. Desculpe-me. . Eu ainda estou em choque e. por favor.. mas estão enormes. não se sinta rejeitada .. Confie em mim. Perdoe-me. ..não conseguiu expressa r-se com palavras e suspirou fundo sem saber o que dizer. A melhor coisa que fez a mim e a você mesma foi voltar aqui. Por favor.chorou. Lógico! Estarei ao seu lado e te darei todo o apoio. ele sugeriu: Vai! Anime-se! Dê uma olhada e veja o que serve. que estava in conformada e queria visitar Tiago.argumentou com ternura. afagava suavemente seus cabelos vez e outra. Sabe. Não quero te magoar. Olhando-a com pieda de. Alguns minutos e. Eu não poderia me envolver com ninguém. Estava com fome. . peguei a jaqueta que disfarça bem. Débora! Te amo demais! Existe alguém na sua vida? .. Débora.. certo? Você tem razão.. muito abalada. meus sentimentos por você não mudaram. o que deixou a amiga surpresa. Ele acomodou-se melhor em frente a ela e a ouvia com atenção. Envolveu-a n ovamente em um abraço junto ao peito e afagou-lhe a cabeça. afastou-a de si.ida. Quando t eve oportunidade. foi até o armário e abrindo uma das portas mostrou: Você deixou algumas roupas aqui.. é questão de tempo. Pode ser em outro momento? . Quer conversar? Não. Quanto ao toque. O que sinto por você é forte e verdadeiro.. Eu sabia que você era um homem maravilhoso.. Jamais amei como te amo. Ela se inclinou como se fosse recostar em seu ombro e ele se aproximou. ta? A moça não disse nada. pediu com brandura: Débora. e ele se retirou fechando a porta do quarto.. Fechou os olhos ao senti-la cho rar. E como saiu para comprar as coisas para o café da manhã? Não me importei por ser aqui pertinho.. com ternura. . Acredite.. Levantando-se.tornou ela em tom triste. Passei por situações tão difíceis.Parando de chorar.. Acredite. mas não pensei que fosse tão nobre assi m. E tem toda a razão. dese sperada e acreditando que me mandaria embora . Eu. Só você. lembrou-o: Esse agasalho. Vou dar um telefonema. Sofri muito e preciso de um tempo.. Não existe outra. Para minimizar o clima tenso.. Não podemos nos precipitar e. E por gostar de você... contou sobre Débora. . Conversaram e ele conseguiu acalmá-la. Você entende? E como entendo. Sérgio demonstrou-se animado e perguntou: Já viu que horas são? Que tal lavar o rosto. a identidade e a carteira de habilitação no bolso..perguntou com certo medo. No in stante em que sentiu os lábios de Débora encostando suavemente nos seus.. Por isso cheguei aqui só com a roupa do corpo. Terá meu apoio e minha ajuda enquanto estiver agindo corretamente. desculpe-me.Vendoa concordar com um aceno de cabeça. Sérgio .. o contato e o c arinho que te faço é porque sei que isso socorre e conforta. Não teve tempo . Eu também te amo. ele explicou: É necessário que conversemos muito. mudar de roupa e sairmos para almoçar? Ela forçou um sorriso leve e constrangida.. Sérgio se levantou. Fazendo-a encará-lo. Você me conhece. com frio... Venha ver. Após telefonar para os seus pais.. em seguida ele ligou para Rita. contudo é melhor es clarecermos tudo.

. doutor. trazendo o rosto vermelho por chorar. Está pronta? .. rende-se à humilhação ao menosprezo. mas reparou que a calça social que usava estava bem larga. Rita o cumprimentou rapida mente e olhou por longo tempo para Débora. E difícil conter os sentimentos.. Mas par a trabalhar o estilo fica de lado. Encontrei um estojo de maquiagem ..Ela se aproximou e olhou enquanto ele explicou meio sem jei to: São roupas da Rita que... será que não fica melhor? Pode usar com o tênis e ainda tem essa outra blusa aqui. . indo até a sala. . pois tudo combina e.. Certamente ela notaria a extrema mudança e o estran ho comportamento de Débora. Acho que não é do seu irmão.Sentindo a garganta ressequida e os olh os ardendo pelos sentimentos aflorando-se em lágrimas.. olhando dona Antônia se aproximando das moças.. Quase não suportei vê-la tão abatida física e emocionalmente. sapatos. Você acha? Vai! Experimente! Fique à vontade..ela lamentou quase chorando. Minutos depois. Nem parece que essa roupa foi minha. noite não . Dona Antônia cumprimentou Sérgio e logo o doutor Édison se aproximou depois que o o utro médico se foi.disse Débora. Está frio e. não! ..de explicar à Rita os detalhes de como a outra estava. ele a observou e elogiou: Puxa! Você está ótima! . vá você. falou: Achei essa calça jeans.... Sérgio? Foi. Sérgio pediu a Débora que o acompanhasse até o hospital. Sérgio abriu os armár ios alegrando-se ao encontrar: Aqui estão! Veja! ..perguntou antes de observá-la. não! Vem cá! . Sérgio ajeitou-lhe o casaco que. Distanciando-se. Mas Rita atirou-se à amiga num forte abraço duradouro que deu origem às lágrimas e ao choro compulsivo.. Que surpresa! . ela aparece com a roupa do corpo. comentou: Seu rosto ficou diferente. Com certeza. .Ela o seguiu e. que permanecia petrificada... O médico puxou-o para o lado.. De repente. Bem.. sussurrou: Ela o procurou. sandálias.Rindo. Eu acho que vai combinar. Sérgio pegou a blusa e a ajudou ve stir. murmurou : Com tanta coisa acontecendo. nitidamente nervosa e com a respiração quase ofegante como se esperasse por alguma repreensão ou crítica. É engraçado. que quase rolaram. molhad a.tornou o senhor. Meu irmão. humilhada.. pois essas roupas se parecem com ela. Meu irmão deve ter guardado. É. apesar dos recortes para ajust e na silhueta feminina.argumentou a jovem decepcionada. mas falou o suficiente par a não assustá-la com o reencontro. tirando o casado. comentou: Tem muita coisa nesta casa que eu não sei. . vendo-a sair do quarto de seu irmão. Será que algu a blusa serve em você? Essa de lã!.. ela deixou aí e.. sorrindo antes de f echar a porta. Vej a. Ainda não sei direito o que aconteceu.. Só lhes restava contemplar a cena e aguardar. T rabalho de dia e o Tiago deveria dormir de dia para trabalhar noite sim. Ao ouvir o ba rulho da porta do quarto se abrindo..Olhando-a melhor. Aproximando-se. Ela está estranha.. pediu atrapalhado: Ah. Estou horrível! .. dona Antônia e o doutor Édison que con versava com outro médico.. pois estava mu ito preocupado com seu irmão e não queria deixá-la sozinha em casa por notar algo dife rente em sua reação com o pouco que conversaram. São bonitas! Ela só tem um estilo diferente quando quer e pode usar. Nem me diga.sorriu. Deixa Sérgio. Acho que são o seu número. . Agora preciso das roupa s dela. tem tênis. Não conversamos sobre tudo.. Mais próximos. tenho certeza de que a Rita não vai se importa r! Sérgio ia saindo do quarto quando Débora falou: E eu que sempre critiquei o modo da Rita se vestir. Procurando um pou co mais.Leve sorriso e chamou: Você está ótima! Vamos? Após almoçarem. Estou preocupado com os pacientes po r pedir para desmarcar e. Nem me diga.Pensando rápido. Vai! Vamos logo! .. ainda ficou muito largo... ele reconheceu Rita.pediu... Ah! Espere aí! . que se apresentava submissa e humilhada. pessimista. ele se despediu e desligou. mas disse que não tem quem a ajude e p or isso me procurou. Tem bom gost o. entrando no quarto de Tiago. Chegando ao hospital.

obser vando Débora.disse. Sérgio e por isso foi novamente induzido ao coma e precisou ser entu bado para respirar melhor. mais de sessenta por cento do corpo e com variações de segundo e terceiro graus. O rapaz não disse nada e se deixou levar. Sua mãe não se sentiu bem e precisou ir embora. Ouvindo aquela frase sentida e verdadeira. . Rita e dona Antônia ameaçaram se aproximar. Imediatamente lágrimas brotaram dos belos olhos verdes de Sérgio. extremamente triste e abatida.. O Tiago não está muito bem. provavelmente. Com a certeza de que não poderiam ver Tiago. Vi. Chamou pela Rita. E o meu irmão? Desculpe-me.respondeu em tom de lamento. Ele é forte. conduzindo-o ao dizer: Vem. mas sussurrando... abaixou a cabeça com imenso aperto em seu cor ação. O senhor é mais que um pai para mim. Débora e Rita se mantinham abraçada . foi o médico quem não segurou as lágrima s e se abraçou ao rapaz dando-lhe um beijo paternal no rosto. Sérgio sugeriu irem embora. mas agitou-se e.. correndo por su a face abatida. o doutor Édison desfechou: Não há irrigação sangüínea para o pé e iniciou-se uma severa inflamação.interrompeu-o preocupado. Rita! .. O senhor o viu?! . Se os pacientes não compreenderem isso. mas procure se concentrar em não perder o equilíbrio. Passe o dia com ela. Ele cerrou os olhos. Dona Antônia não ficou satisfeita. Permanecendo em absoluto silêncio por l ongo tempo.. pediu: Posso ir com vocês? Claro.. Sérgio não suportou e desmoronou em uma crise de choro. Você precisa tomar um ar. Vamos andar um pouco lá fora. mas não se manifestou e retornou para sua casa e m companhia do doutor Édison.aceitou Sérgio. 32 . por inalar ar muito quente. Afinal. o médico fez um sinal e d ona Antônia as deteve. Ele sent ia muita dor. agarrou-se a ele usando seu ombro para desabafar com aquele cho ro. por você. Eu estava lá. Quando Débora. diante de Débora e Rita que estavam abraçadas. Admita que é um ser humano sujeit o aos problemas e às dificuldades da vida. Mas doutor?! Sérgio! . coloque os assuntos em dia e organize seus pensamentos.Muito emocionado e triste. Esqueci de avisar que os seus pais saíram daqui minutos antes de v ocês chegarem. . como poderá ser útil a eles? . médico e confidente o abraçou forte e o rapaz.perguntou Sérgio desconfiado.Tiago sofrendo na prova do fogo e mutilação Era quase noite quando chegaram à casa de Sérgio.Breve pausa para o outro refletir e argumentou: É incabível eu dizer para não se preocupar nem se abalar ou não se atormentar. as proporções das que duras foram grandes. Acho que me reconheceu. Eu acompanhei alguns resultados dos exames e.expressou-se enérgico. Sérgio não disse nada e logo o outro sugeriu: Vamos entrar? Claro. você consentiu que os avisasse sobre o estado grave de seu irmão. Apesar de seu e ocupante.. O amigo. Se emocionalmente não estiver bem. Passados alguns minutos de triste lamentação. Sérgio secou o rosto com as mãos enquan to o doutor Édison sobrepôs o braço em seus ombros.opinou o médico. depois perguntou: Ele está consciente? Ficou algumas horas consciente.. em pranto doloroso e extr emamente aflito. houve queimaduras nos pulmões. Mesmo surpreso. Rita. Seus sinais estão instáveis. amanhã cedo farão a amputação logo abaixo do joelho. Queria falar e b albuciou meu nome. Veja.. não é fácil segurá-lo os médicos temeram mais complicações nas queimaduras.Desmarque os pacientes de amanhã .. Sérgio se recompôs e pediu: Desculpe-me e obrigado. não se concentrar. é p or falta de bom-senso.. pois essa menina está realmente precisando de você . O que aconteceu? . Vi o senhor conversando com o médico.

perguntou preocupada. falou: Vem Rita. Foi o Tiago quem deu para ela. Débora o seguiu encontr ando-o cabisbaixo com as mãos apoiadas na mesa. Nem ima ina como estou. Sérgio não conteve as lágrimas e se afastou indo até a cozinha. mas consciente. Tod a a dor pelo que aconteceu com o Tiago está te castigando e. ele se sentirá culpado pelo seu sofr imento. inesperadamente.acariciando-a argumentou: Você ficou sozinha hoje. por favor... seus olhos... ao vê-lo daquela forma. Mas eu quero ficar na cama dele..exclamou Sérgio atencioso. Débora corr eu ao encontro dela e a chamou: Rita! O que foi?! . você pode ficar com ela? Lógico! . ela acariciou-o nas costas percebendo-o tenso. . vou te ajudar. servindo-as e se servindo depois.chorou. Não comi nada nesses dois dias e.Conduzindo à amiga. a cachorrinha pul ou para o chão e correu. correu e pulou no colo de Rita e a jovem falou com expressão de imensa d or: Oi. vendo Rita triste e abatida afagou-a ao pedir educado: Toma um banho e nós três sairemos para jantar. * * * Após um lanche que Sérgio preparou com a ajuda de Débora.. Rita chamou: Vem. Posso ficar no quarto do Tiago. Vem! A cachorrinha obedeceu e tornou ao seu colo. ... Ao voltar.. ele retornou à sala. certo? Certo .. você me ch ama. Acho que foi minha pressão. Ao se erguer. foi? Débora também afagou-a no colo de Rita quando. Levantando-se novamente. E sozinha. Rita! . Não vou conseguir vê-lo sofrer.. já ao seu lado. preparou um chá e levou para a sala. envolveu-a num abraço e chorou em seu ombro.. Rita se foi e ele desligou a TV. Sentando-se.perguntou à amiga. os três retornaram à sala e l igaram à televisão.. ..Ela acenou positivamente com a cab eça concordando.Pedindo ao animalzin ho.. A amiga estava pálida. Vai lá . Ele significa muito para mim e. Estava velha. qualquer coisa. ..respondeu compreensiva.. Rita tinha lágrimas empoçadas nos olhos e. que suava frio. após ingerir a bebida.. Uma angústia pairava no ar. mais refei to.lamentou entre os soluços que embargaram sua voz. Também em lágrima s. arrastava uma camiseta do corpo de bombeiros q ue pertencia a Tiago e brincava com a roupa. Claro. os lábios brancos... E.. Sérgio percebeu que Rita não tinha se alimentado direito e por isso voltou à cozinh a.. Não quero sair. vou me deitar e. Então faremos um lanche aqui mesmo.. levantando-se: Tome um banho bem quente e. Não havia o que dizer. . Não agora! Veja como está abalada e exausta. Débora e Sérgio se entreolharam por longos minutos ininterruptos até e la não suportar e abaixar a cabeça por algo oprimir violentamente seu coração. Algum tempo depois. E. Sérgio.concordou... Rita.. levantando-se desalentada.s e em total silêncio.. Já estavam na sala quando ele soltou a cachorrinha que. .avisou. encarando-o.. O que acha? Não tenho fome. avisou com voz br anda: Se não se importarem. não é? Lógico. Sentando-se ao seu lado. Princesa.. Não conversavam nem estavam atentos ao f ilme. puxou-a para um abraço e aconselhou: Quando o Tiago se recuperar e a vir assim. Você não sabe. Princesa. Rita começou a chorar compulsivamente ao ver a cena e Sérgio correu para pegar a camiseta quando a moça o chamou quase num grito: Não!. . Olhar para você é como ver o Tiago. Não me leve a mal. Sérgio se virou. exibiu-se com mais equilíbrio e ele pediu: Débora. Sérgio. certo? .. passando as mãos pelo r osto. Débora. .. que parecia incomodar.. Quer que eu fique com você? ..... murmurando depois que Sér gio a fez se sentar: Está tudo bem. e ele propôs. ela afastou-se de Sérgio e Débora. imedi atamente.murmurou com voz chorosa. Rita cambaleou e ia cair quando Sérgio a segurou firme. Não podemos nos enfraquecer..

.falou calmo.. ela sobressaltou surpreendendo-se ao vê-lo a sua frente.. ele se deteve sem que Débora o p ercebesse e ficou observando-a com olhar perdido e melancólico na face triste e ab atida... como pôde ser tão vil!.. Assim que perdi o emprego e me vi em uma situação difícil. Débora. caminhou até a porta do quarto onde Rita havia apagado a luz e deixado à porta um pouco aberta.. Então ela prosseguiu: Desde quando saí da casa dos meus pais.. . mas minha irmã não me dava bons conselhos quanto ao nosso namoro e. Mas meus pensamentos ferviam. A falta de confiança é a pior coisa que pode haver entre duas pessoas. A Yara passou a infernizar mi . provavelmente..perguntou com brandura. .Vendo-a cabisbaixa e lágrimas correre m em seu rosto. Retornando à sala. Não tinha como pensar diferente! Tudo se voltava cont ra você! E.Sérgio se levantou..Chorou. Eu reconheço que agi muito mal . obedeceu e ele explicou murmurando: Nós precisamos conversar e aqui na sala não é um bom lugar. . você sabe . trêmula e envergonhada.sussurrou temerosa...Sem pensar ela levantou. eu o pegu ei ao lado da Rita aqui nesta cama. Às vezes. .admitiu arrependido. não está dormindo e eu prefiro mais privacidade. Em seguida. present es. Como não acreditar em tudo o que vi?! . Sérgio a encarou por longos minutos. todos que passaram a freqüentar esta casa.. a Sueli fez aquele inferno com aquelas fotos!. encarou-o mostrando-se acanhada e com a voz trêmula iniciou: Não imagina como estou envergonhada e com medo. eu est ava decepcionada! Pensei que minha vida tivesse acabado! Meu mundo desmoronou! E u não tinha um emprego nem como me manter. colocou-a na f rente da jovem e se sentou. falamos sobre toda a minha vida e até o que gerou nossa separação. Aproximando-se. Tenho fortes sentimentos por você e. Mas ela se mudou. Como assim? . buscou forças interiores. Eu sei. Fa lando baixo e estendendo-lhe a mão. passava a ligação para ele. . o que você não sabia era que o Breno me procurava com freqüência.. pediu com educação e generosidade: Vem cá. Mesmo a ssim. A Rita. Eu te amava e fiquei enfurecida com aquelas mal ditas fotos e depois de te falar tudo aquilo no consultório do doutor Édison. flores ou me ligava.. tivemo s problemas com nosso namoro pelo seu ciúme. perguntou com voz vacilante: Você está exausto. ao saber que você não estava comigo. Mas não te contei tudo. Fiquei quieta e sofria calada. o rapaz comentou cauteloso: Não pense que pretendo ser superior ou algo assim.. Você significa m uito para mim. Por isso quero ouvir exatamente tudo o que tem para me contar. Ao mesmo tempo. Não é melhor dormir e conversarmos amanhã? Não vou conseguir dormir. silencioso e com semblante sere no.Fixan do-lhe olhar penetrante.. Com a voz entrecortada pelos fortes soluços. minha melhor amiga me traiu com você e ai nda descobri aquelas fotos. tantas preocupações e muita angústia.. porém logo co ntinuou: Sérgio. Ao entrarem. que sofre u o que não imagino e sentiu saudade de nós. pensamentos esquisitos e não entendia. passei a ter sentimentos estranhos.chorou. a Yara telefonava e. Não parava de imaginar como você pôde me en ganar.. Débora. A Rita me incomodava quando morou comigo depois da morte do Rogério e do noivo por eu achar que você dava mais atenção a ela. Comentei isso com a Yara. minha irmã não me dava um tempo para pensar.. Era algo repugnante! Eu te procurei para conversarmos. Você me contou .. quando estava reformando. Quando me disse que não tinha para onde ir nem a quem procurar. Sabe. Débora. revelou: O Breno manteve amizade com a minha irmã e sempre mandava notícias. Débora exibia-se aflita. Comecei a ter um ciúme quase doentio! Eu não podia vê-lo perto da Rita e até a presenç do Tiago junto de você me incomodava muito. Eu sabia sim.. fiquei preocupado. Apesar de todo o cansaço. incomod avam-me. Vendo-a se acomodar com modos nervosos. falando com brandura: Expliquei tudo a me u respeito... a Yara ia me visit ar. Sérgio se manteve atento. por favor.. você lembra. Mas você precisa saber. por você relutar em sair da polícia. Por que não me procurou antes? Ela ergueu o rosto banhado de lágrimas. Na ver dade. Importa-se de conversarmos no meu quarto ? Não. ele pegou uma cadeira.respondeu com jeito compreensivo e controla do.. Sérgio apontou a cama pedindo gentil enquanto fechava a porta: Sente-se.

Eu estav a deprimida e decepcionada por sua causa. uma angústia. Mesmo entre os soluços. Isso não saía da minha cabeça. amigo e me contratou para trabalhar em um a de suas empresas junto a ele.. O Breno parecia sempre solícito. eu me sentia mal. de alto nível. feito ou participado. Usando de fachada sua grande companhi a advocatícia. Eu só pensava em você. com pessoas influentes.. lembrando seu respeito po r mim. ela continuou: Então... como estava. mas não a deixava perceb er. Débora chorou um tempo pelo grande remorso. por um único dia. Meus pensamentos eram conflitantes. Você exigia algumas coisas de mim. confessou: Só que com isso. Vivendo lá com ele. eu quase não ia mais trabalhar e passei a ser servida por empregados. prostitut a. Sérgio permanecia calado.chorou.. invadidos po r opiniões estranhas e comecei a fazer comparações.. contou: Você lembra que eu não queria deixar meu apartamento para morar com você. eu escutei uma conversa e descobri que meu pai estava envolvido com tráfico de diversos produtos. ele denunciaria o meu pai e meus irmãos pelas porcentagens subt raídas de todos os serviços ilegais prestados.... As coisas estavam difíceis e pelo modo como o Breno me cativava com seu jeito. mas quando me dava conta da situação já tinha aceita do. Foi a única saída que encontrei para me manter. dentro ou fora do país. . mas. Durante os acontecimentos eu não me importava. além de pagar às pessoas certas para o contrabando dos produtos. eu acabei indo morar com ele. Comparecia a algumas das festas e até nos visitava. A rica e prest igiada empresa do Breno e do Lucas era uma das que aceitavam fazer o carregament o de drogas. Sofria e estava muito nervoso. armas. Perdi a vontade de ir à universidade e nem tranquei a matrícula. mas continuou: Nessas alturas meu pai se reconciliou comigo. Mas a culpa foi minha por deixar as c oisas irem longe demais entre mim e o Breno. para saírem ou entrarem no país.. Eu desabaf ava com o Breno e ele me ouvia.. Bem. Ela parou de falar e chorou muito. lavar louça e roupa... Polícia Federal e tudo mais. meu pai e meus irmãos faziam até lavagem de dinheiro. mord omos e motoristas. me sentia leviana. Ao mesmo tempo. O Breno me ameaçou dizendo que se eu contasse algum a coisa para alguém. Mas nunca..... deixei de pensar em você. me distraía. lamentou: Foi à escolha que eu fiz. Por que acha isso? Eu não queria determinada coisa. fazerem lavagem de dinheiro ou depósitos fraudulentos fora do país . políticos e alguns religiosos usavam esses serviços de tráfico. mas . Fui conversar com o Breno a respeito e fiquei abismada ao descobrir que ele e o cunhado estavam envolvidos em negociações muito mais sujas e junto com o meu pai. dinheiro e outras coisas em suas caixas ou contêineres para gr andes carregamentos.Entre o choro arrependido. Viagens e passeios. Débora. Chegava a suar frio e passava discretamente a mão no rosto para disfarçar. e nquanto ele me tratava como uma rainha.. Foi então que ele se revelou...Exibia-se exausta. Pode explicar melhor? Bem nervosa. falindo financeiramente e não arrumava e mprego. Chorando.. De repente me vi às voltas em festas luxuosas. mas revelou: Muitas vezes. Mas eu estava longe de saber como é imundo o vício ou os prazeres de alguns grupos da alta sociedade. Sérgio sentiu como se uma espada atravessass e seu peito.. Surgiu um romance entre nós.. desde religiosos até políticos. um vazio imenso e uma saudade mortal me dominavam. eu ficava furiosa ao me lembrar de vê-lo ao lado da Rita e das fo tos com sua irmã.pediu. quando deitava. explicou: Em outras pal avras.. . Comecei a crer em sua integridade.Mais calma.. O tempo que me deu quando não me via preparada para um rom ance mais íntimo.nhas idéias. contendo as emoções. pois algo me dizia para não aceitar aq uele emprego. O que eu exigia de você? Você queria que eu aprendesse a cozinhar. o Breno foi se aproximando como amigo e me tratava mu ito bem. inf luente. no que se ntia. desfrutando todos os confortos da mansão do Breno. Um dia e por acaso. isso quer dizer que os contrabandistas que negociavam com meu pai para so negarem impostos. Seu carinho. Sei lá. Entretanto o Breno me envolveu de tal modo!... . . Sérgio! Às vezes parecia que não era eu! Não conseguia pensar! Calma . Não entendi. que também prestava serviço como uma espécie de despachante alfandegário que lida com a documentação da alfândega.. Vivendo. com s uas palavras. Muita gente importante.

despiam-se e se relacionavam uns com outros. Na frente de todos daquele cr uzeiro. Toda aquela gente. Sérgio argumentou: Isso é crime. sem caráter... Ele só go stava de assistir e. vil. E só e ntão. Ama rgurado. O Breno m e levou para perto e eu vi amarrarem algo em sua cintura e jogarem ao mar.. Ele era doente! Em pensar que faziam parte do alto nível social. estavam embriagados. Não. o que mais aconteceu para você reagir assim? Quanta humilhação! Quanto horror! .. prosseguiu: Uma v ez ele me obrigou a ir a um cruzeiro que ele patrocinou. Por que não o denunciou? . conforme andávamos pelo convés. Percebi que a maioria usava drogas. E ela conseguiu. Eu não o queria! E. parceiro. asquerosas. Minutos depois. Não.Breve pausa e ainda chorando. o Breno me contou que aquilo era só um aviso e que a Yara estava lhe dando muito gasto no trato que fizeram. Só que morreu por isso! Ele ameaçou fazer o mesmo com você. Com medo eu obedeci. não sabiam que meu pai ficava com uma fração bem maior além do que eles pagavam. sentan do-se ao seu lado... Isso seria morte certa para mim e para você! Você não imagina as ameaças que me fez c aso eu fugisse e te procurasse! Mesmo agredida. fui obrigada a me produzir para uma da s festas a bordo.. o Breno narrava os detalhes que percebia nos atos. . com a cabeça baixa. conheci um outro mundo mais podre.. Seu rosto estava expressivo. Se o Breno denunciasse meu pai. Como não estava. afagando-a com carinho. . chorando muito. Sérgio se levantou rápido e. Os homens só riam e assistiam. Ele me violentou! Os dois seguranças viram e ficaram olhando! Rindo! Sérgio não suportou. Coisa que ninguém pode imaginar. envolvia-se com um e outro.. Foi então que Débora chorou novamente enquanto contava: Briguei com o Breno e.. mandou eu me vestir b em e aprender a me comportar. Ele sobrepôs um braço em se us ombros e. caso minha irmã conseguisse aproximá-lo de mim..questionou parecendo tranqüilo..exclamou com a voz sufocada. Vendo-a chorar em desespero e quase gritando.. nus na piscina ou..Afastando-se de Sérgio.. Quando gritei. com vícios deg radantes. Logo minha irmã caiu e foi puxada por aquele peso. Parecia algo comum! Quando retor namos. ele me bateu.. Discretament e os seguranças a tiraram de onde estava e a levaram para outro lado. Puxou-a para si e Débora agarrou-se a ele... Era uma orgia! Algo nojento! Ele a obrigou a participar dessas orgias? Não!.. Mal respir ava. o rapaz pergun tou: O Breno mandou ou permitiu que os seguranças fizessem o mesmo com você?. ma s me seguraram. pois s .. Não consegui e perto de outras pessoas eu ag redi o Breno com palavras.. continuou: Na noite seguinte. eu não podia falar nada. vamos dizer assim. viu-a se encolher e esconder o rosto. comportamento sujo. algo e m grupo. Ela desapareceu! Tentei correr.. Ele aceitou providenciar e abastecê-la com entor pecentes. entrando em desespero.. cada ocupante daquele navio era amigo. A Yara estava nesse cruzeiro e. o meu sofrim ento servia de prazer para eles! Isso é sadismo! . Longa pausa e pr osseguiu: Como um ser humano pode ser tão cruel?! Depois de rasgar meu vestido. disfarçando o meu ódio. Isso é uma máfia! Um submundo nojento! Sérgio ouvia calado.. Ele me bateu! Ficou furioso por eu tê-lo arranhado e m e agrediu muito! Entrei em desespero e não sabia o que fazer. Comovido. el e me bateu ainda mais. E isso fo i só o começo! . Depois falou: Ela estava nua como a maioria. de festas. No início da noite. pedia sussurrando para que se acalmasse. perguntou com piedade: Além da agressão.. naquelas pessoas repugnantes. a festa começou a ficar diferente. mas seu coração apertava.. práticas de sexo coletivo promíscuo.. meus irmãos poderiam se considerar mortos por esses cri minosos. negociant e ou comparsa do Breno...Chorou. E todos que viram não se importaram.... ele me beijava e me abraçava como se nada tivesse acontecido.. nesse navio. além de festas daquele tipo. o B reno verificou se meu rosto estava marcado. Parecia que o meu desespero.. Algum tempo e o Breno fez um sinal.... me levou para o camarote e me agrediu! Agrediu violento com.. ele socou meu estômago e eu não conseguia reagir. Sempre estávamos vestidos com trajes elegantes. Totalmente alucinada pelo uso de entorpecen te. Foi um homicídio! Eu sei. Bem mais tarde. Em meio aos soluços. Ele sorriu.. c ontou: Quando terminou.Débora se de teve com olhar perdido. algo preocupado...

Mas os seguranças eram os mesmos e.. O Breno chegava furioso.. Eu não tinha ninguém para pe dir ajuda! Era vigiada o tempo todo! Algumas vezes o Breno chegava e me agradava.. os meus pais viajavam de carro para o Rio de Janeiro e morreram em um acidente por excesso de velocidade. Ficava alterado e era um inferno. Bebia e se drogava. eles me viram e eu apanhei. Ele delicadamente tentou segurá-la .. mãe da Cris. apertava os dentes sem perceber e fechava os punhos com força pela . Após quinze dias . Sentia-se mal. mas através das câmeras de segurança... esperou. Ele cismou que queria um filho e. Não! Não queria aquilo! Preferia morrer! Nova crise de choro a dominou e Sérgio a envolveu em seus braços. Sérgio! Tudo bem.. O Breno começou a agir de modo desequilibrado. O médi co foi e tirou esse implante.. pois eles têm uma filha.. viajaram para o exterior e não voltaram.abia que eu não o tirava dos pensamentos! Fiquei apavorada! Procurei falar com a E lza. . Quer um pouco de água? Vou pegar. O Lucas e o Breno estavam com medo e passaram a se reunir várias vezes trancado s no escritório. Geralmente me agredia. mas ela se recusou.. Procurava se manter aparentement e calmo. humil hada! Era obsceno. isso foi seguido de violência sexual . contou qu e os dois deram um golpe e avisou que meu pai era um homem morto. . Não quero te torturar. Eu me lembrava de você! P edi a Deus que me encontrasse! Você me respeitou. por me d eixar levar. Sérgio amargurava-se com os relatos. Às vezes.sussurrou com voz fraca. Não agüento mais. Perplexo. fazia carinhos e literalmente be ijava meus pés... . No dia seguinte me torturava. depois de determinado horário deveriam ir embora.Breve pausa e lamentou em choro: Naquela mansão maravilhosamente rica. Eram doentes! Sádicos! Eu não podia sai r mais.. .. Mesmo embriagado.. porém não dizi a nada. Acariciando-a vez e outra. ela respondeu: Às vezes uma.gritou em desespero. pe rguntou: Você lembra que eu usava um implante e... Após algum tempo. Alguns seguranças. . Orgulhav a-se do que fazia e se comprazia com os seguranças olhando! Fui tão ultrajada.. mas te devo muitas explicações. aceitou meus limites.. Percebi que alguma coisa os amedrontava.. Não engravidava e não menstruava?. lu xuosa e onde havia o maior grau de requinte que já vi.. Eu não conversava mais com ele e por isso me batia.Com voz frágil contou: Algu s negócios começaram a dar errado.Ela chorou ao dizer: Foi quando. conside rados mais fiéis. cauteloso.tornou Sérgio. a Emy e o Élcio. Quis morrer. O caso dela era pior do que o meu. afastando-se do abraço. Fiquei presa naquela casa como prisão domiciliar. Um dia.. Alguns empregados.. ele perguntou. mas meu pai estava envolvido . Pode falar .. mas ela disse para eu me acostumar..concordou com voz ponderada e olhos vermelhos. . sempre com medo de ser perseguid o. não sei bem o que era. Seu prazer era o de me machucar! Ele er a um monstro! E os empregados? . que eram fixos.Entre os soluços contou: Ele queria um filho e chamou um médico para ir lá. ele gritou e berrou por saber que meus irmãos.. sentindo os olhos se aquecerem pelas lágrimas que brotavam: Quando você falou em agressão na primeira vez. Débora pareceu não ter mais lágrimas e quis se sentar. Não.Olhando de relance para Sérgio. eu era agredida quase todo dia e.. abandonaram a casa.. porém seus pensamentos e a indignação fustigavam sua mente. Mas nos viram conversando e não a encontrei mais. Outros for am contratados.. Me tratou com tanto amor. vexatório! Sérgio! . Então perdi toda a liberdade. Sentia prazer nisso. inclusive dentro da casa e em lugares que eu ignorava.. carinho!. Agora. mas. contou que ele a agredia. pois o marido dela não era dif erente. Seus olhos se