FORÇAS PARA RECOMEÇAR Eliana Machado Coelho Pelo espírito Schellida

Índice 1 Reunidos pelo destino 2 Sérgio e Débora se reencontram 3 Dificuldades em família 4 Débora hospitalizada por causa de uma mentira 5 Rita, uma grande amiga 6 Débora enfrenta a oposição do pai 7 Sérgio e Débora: do passado ao presente 8 Respeito e amor 9 Sérgio se deixa dominar pelo ciúme 10 Sérgio revela o assédio de sua irmã 11 A ação dos espíritos inimigos 12 Psicólogo Espiritual 13 O desespero de Rita 14 Terapia de uma evangélica, ex-espírita 15 O romance abalado pela influência espiritual 16 Rita tentada pelo suicídio 17 Débora flagra Sérgio dormindo com Rita 18 Os olhos de Deus 19 Fotos contra Sérgio destroem o romance com Débora 20 Breno aproxima-se de Débora 21 Opiniões do doutor Édison

22 A benfeitora Laryel interfere no suicídio de Sérgio 23 Cabe a Deus alterar o destino 24 Discussão entre Sérgio e o médico 25 Juntos, Tiago e Rita 26 Psicólogos de amor 27 Suicidas em sofrimento no Plano Espiritual 28 Conversando com Jesus 29 Reflexões de um Psicólogo 30 A elevada Laryel intervém na obsessão injusta 31 Débora fracassada, humilhada e submissa 32 Tiago sofrendo na prova do fogo e mutilação 33 Débora teme conseqüências do passado 34 É preciso força para recomeçar 1 - Reunidos pelo destino Ah!... Que droga! - protestou Débora vendo sua pasta ir ao chão. Uma das pontas d o elástico que servia de amarra escapou. Algumas folhas se soltaram, espalhando-se parcialmente, prestes a voarem por causa do vento. Rapidamente a moça se ajoelhou a fim de apanhar os papéis. Ao erguer sua bolsa de pertences pessoais e outra pasta com modelo de valise, ambas alçadas em seu ombro, escorregaram embaraçando-se e dificultando a agilidade para organizar os documentos que segurava com uma das mãos. Como se não bastasse iss o, sua roupa sujou na altura do joelho, deixando-a mais irritada. Era uma bela jovem, bem arrumada e, como todos os transeuntes, estava com pre ssa. Não queria se atrasar para uma reunião na biblioteca com suas colegas a fim de realizarem um trabalho para o curso universitário que faziam. Além disso, pretendia ainda estudar para uma prova. Mas naquele dia tudo parecia colaborar com o intui to de atrapalhá-la. Tentando ser rápida, ela juntou tudo. Arrumou a pasta e desembaraçou as bolsas la nçando as alças novamente ao ombro. Ao curvar-se para tentar limpar a roupa, não pôde de ixar de ver uma criança chorando. Aquilo lhe chamou muito a atenção. Débora estava impaciente, mas acabou sendo refém de um sentimento inexplicável. Ela olhou para um lado... Para outro... E apesar de muitas pessoas irem e vir em, ninguém parecia ver ou se importar com aquela criança. Se talvez a vissem, ignor avam sua presença e nítida necessidade de amparo. A jovem olhou para as escadarias do metrô, para onde pretendia ir, porém sentiu-s e como que envolvida por uma força maior. Algo naquela cena tocou seu coração generoso . Tratava-se de uma garotinha, aparentando pouca idade, sentada no degrau paral elo a uma vitrine, num cantinho em que mal se podia enxergá-la devido à floreira com arbusto que praticamente a escondia. Estava encolhida, com as perninhas dobrada s e as mãozinhas cobrindo o rosto abafando seguidos soluços dolorosos que os ruídos do grande centro financeiro não deixavam alguém ouvir. Atendendo ao chamado de sua bondade, Débora se aproximou perguntando meigamente : Oi, meu bem! O que aconteceu? - A menininha só chorava, enquanto a moça a observo u com atenção reparando que estava bem vestida e arrumadinha, não parecia se tratar de uma menina de rua. No braço, a menina trazia delicada pulseirinha que combinava c om suas sandálias, cujos detalhes da moda infantil eram iguais. Preocupada, a jove m insistiu com voz afável: Oi querida, onde está a sua mamãe? - Sem obter qualquer res posta, delicadamente, Débora tirou-lhe uma das mãozinhas do rosto para vê-la melhor. Lágrimas corriam ligeiras naquelas bochechas coradas e seus olhinhos esverdeado s mal podiam ser vistos pelas pálpebras avermelhadas. Com a outra mãozinha, a garotinha esfregou o rostinho e a moça aproveitou para ti rar-lhe os fios de cabelos colados em sua face úmida. Fazendo-lhe um carinho nos c abelos cacheados, parcialmente presos por uma delicada tiara rosa, Débora sentou-s e a seu lado falando com brandura na voz: O meu nome é Débora. Qual é o seu? Cris... - respondeu em meio aos soluços. Cris!... - E então, Cris, onde está a mamãe?

A... Ma... Mãe... Su... Sumiu... - gaguejou a garotinha. Onde você estava com a sua mamãe? - A menina gesticulou com os ombrinhos insinuan do não saber e Débora perguntou: Quantos aninhos você tem, Cris? - A garotinha mostrou -lhe quatro dedos para responder a idade e a jovem tornou a questionar: Como a s ua mamãe se chama? Foi necessário Cris repetir algumas vezes para ser entendida, pois os soluços não a deixavam se expressar. Ah!... Elza! O nome da sua mamãe é Elza! - exclamou a moça ao compreender. E... E eu quero... Que... Ro a minha... Ma... Mãe... - chorou. A jovem estava atrapalhada com suas bolsas e pastas, mas deu um jeito de reco star Cris em si, avisando em seguida: Não chore, ta? Nós vamos encontrar a mamãe. Ela também está procurando por você. Eu te certeza disso. Sem se demonstrar apreensiva diante da situação e muito preocupada com o horário, Déb ora revirou sua bolsa, pegou o celular e decidiu ligar para a polícia. Afinal, não p oderia abandonar aquela garotinha tão indefesa. Atendida, após fornecer os dados e t erminar a ligação, Débora virou-se para Cris e pediu: Vem, meu bem. Dê-me sua mãozinha. Tem muita gente com pressa e eu não quero que se perca de mim, está bem? Precisavam ficar em um lugar visível aguardando a viatura da polícia que chegaria . Com dificuldade, a jovem segurava as bolsas, a pasta e o celular em uma só mão par a prender a mãozinha da menina com a outra. No instante em que olhava ansiosamente à procura do carro da polícia, sem esperar, Débora foi empurrada e teve o telefone ce lular furtado. Sem soltar a mão de Cris, ela gritou assustada e indignada e teve o impulso de seguir o agressor, mas a menininha começou a chorar novamente. Aturdida com o acontecido, a jovem não sabia o que fazer. Suspirando fundo, aba ixou-se perto de Cris, secou-lhe o rostinho com a mão trêmula e tentou ser simpática, falando amavelmente: Oh... Meu bem... Não fique assim. Vem cá - disse, pegando-a no braço, mesmo com tod o empecilho de carregar seus pertences. Cris debruçou-se em seu ombro e chamava ba ixinho pela mãe. Tentando não se exaltar, Débora procurava se refazer do susto e do ma l estar que sentia. Em fração de segundo, teve seu celular roubado e temia que suas bolsas fossem os próximos alvos. Angustiada, estava quase chorando pelo ato repuls ivo do furto, pela ausência de amparo e falta de segurança vivenciada. Em meio a tan ta gente que passava, ela e aquela menina estavam sozinhas. Se eu estou me sentindo assim, imagine essa pobre criança! , pensou entristecida e nquanto apertava a menininha contra o peito ao mesmo tempo em que olhava de um l ado para o outro. Não demorou muito e Débora avistou a viatura da Polícia Militar chegando à baixa velo cidade, parecendo procurá-la. Levando Cris firme em seu braço, segurando seus pertences mal ajeitados e quase caindo da outra mão, Débora, apesar do salto alto, correu em direção aos dois policiais , que de imediato, reconheceram tratar-se de quem havia solicitado os préstimos da polícia, pois a moça demonstrava nítida expressão assustada e enervante. Frente a um dos policiais que, educadamente, a cumprimentou, a jovem mal corr espondeu e relatou às pressas: Eu encontrei essa menininha ali! - exclamou apontando. Naquele momento a past a caiu de sua mão e querendo pegá-la, Débora viu suas bolsas caírem também. Oh, meu Deus! Hoje é dia!... - reclamou procurando conter as lágrimas. Abaixando-se para pegar os pertences tentou pôr a garotinha ao chão, mas Cris não quis e agarrou-se com seus brac inhos em volta do pescoço de Débora e, enlaçando as perninhas em sua cintura, chorou. Calma, senhora. Pode deixar - pediu brandamente o policial à sua frente que se abaixou, apanhou as folhas espalhadas da pasta, cujo elástico rompeu, e as bolsas caídas. A menininha começou a chorar, e Débora não conseguiu conter as lágrimas. Mas, entre s oluços, abraçando a garotinha, explicou: Eu fui roubada!... Como assim?! Poderia nos explicar melhor? - perguntou o outro policial, aprox imando-se.

Contorcendo o rosto pelo choro incontido, Débora pediu entre as lágrimas: Desculpe-me... E que tive um dia complicado e... Bem... Eu estava com pressa quando essa maldita pasta arrebentou... Como agora... - disse olhando para a mão e para o rosto do policial que segurava seus pertences. Depois de pegar minhas co isas que caíram, eu vi essa menininha ali - apontou , encolhidinha e chorando. Ela se perdeu de sua mãe. - Depois de breve pausa em que secou o rosto com a mão, contin uou: Disse que tem quatro anos e se chama Cris. Ah! Ela falou que o nome de sua mãe é Elza. Foi o que entendi... Eu não sabia o que fazer e... Nossa!... Nem pensei em deixá-la ali sozinha! Sabe lá, Deus, o que alguém poderia fazer com ela! Então... Liguei para a polícia e pediram para eu aguardar aqui. Assim que desliguei, um cara... Bandido, safado, sem verg onha... Passou correndo, me empurrou e roubou meu celular! Eu quase caí!... - As lág rimas corriam em seu rosto, mas ela prosseguiu emocionada. Tive de pegar a Cris no colo porque ela chorava muito! Fiquei aflita e sem saber o que fazer! Desculp e, mas estou confusa, com medo... Eu não poderia perder a hora da faculdade, tenho uma prova importante hoje e um trabalho para... Bem calmos, os policiais ouviram-na atentamente. Um deles ainda segurava os p ertences de Débora ao tempo em que ela trazia a menininha debruçada em seu ombro e a fagava-lhe as costinhas ao embalá-la levemente, pois a sentia chorando amedrontada . Tranqüilo e na primeira oportunidade, pois percebeu que a jovem estava bem angu stiada e sentia intensa necessidade de contar o ocorrido, com as bolsas e a past a da moça nas mãos, o policial perguntou educadamente: Qual o nome da senhora, por favor? - Após a resposta ele explicou: Dona Débora, a senhora encontrou uma criança perdida e, pela boa aparência da mesma podemos deduzi r que a mãe esteja tomando as devidas providências para encontrá-la. Além disso, a senho ra teve seu celular furtado. Diante das duas ocorrências, precisaremos encaminhá-la até o Distrito Policial a fim de elaborar um Boletim de Ocorrência para que a autori dade policial, que é o delegado, possa decidir quais as providências a serem tomadas . Certo? Lógico! Claro! - aceitou a jovem de imediato. Eu estou com dó da menininha... E.. . O meu celular pode ser usado por bandidos e... Tenho de prestar queixa. Percebendo-a nervosa pelo modo como aninhava a criança nos braços e o jeito amedr ontado que tentava disfarçar sua voz, o policial solicitou gentilmente ao ver o pa rceiro abrir a porta da viatura: Entre, por favor. - Ao vê-la sentada no interior da viatura aconchegando a meni ninha no colo, ele pediu educadamente: A senhora poderia pegar suas coisas, por favor? Claro!... Desculpe-me... Estou tão atordoada que me esqueci... - sem saber como se justificar, Débora ergueu o olhar para o policial e ofereceu um tímido sorriso s em qualquer brilho de alegria. Seus olhos se fixaram nele, por longos segundos, como se implorassem algo mais caloroso do que aquelas providências que a auxiliari am. Somente depois pegou os pertences de suas mãos. Ele correspondeu ao sorriso de modo amigável. Em seu íntimo admirou a beleza da j ovem, sua afabilidade e sensibilidade. No instante em que seus olhos pareciam im antados teve vontade de poder consolá-la com um abraço amistoso, mas não podia e mante ve a postura militar. Em seu íntimo estranhou, pois estava acostumado a situações seme lhantes e isso nunca havia acontecido. Sempre foi um profissional cumpridor de s eus deveres. * * * Chegando à Delegacia de Polícia, enquanto Débora aguardava o atendimento, o policia l anotava alguns de seus dados pessoais, procedimentos normais exigidos por seu serviço. Apesar de responder atentamente todas as perguntas, a moça demonstrava-se tímida, quase assustada pelo ambiente tóxico que imperava ali devido ao nível dos acusados e vítimas que também esperavam. Alguns falavam alto, brigavam, xingavam, enquanto ou tros acusavam ou choravam. A garotinha, amedrontada, apertava-se ao pescoço de Débora e escondia o rostinho

nos cabelos da moça, chorando baixinho. Controlando seus sentimentos, ela disfarçava a apreensão e o desconforto afagando a criança com carinho e procurando ficar atent a aos questionamentos do policial. Naquele plantão, tanto os policiais civis quanto os policiais militares estavam sobrecarregados e praticamente esgotados pelo tipo de trabalho exigente que os sugava. Havia muito a resolver e o nível moral da maioria dos que aguardavam atend imento era voltado ao mal, aos vícios e às piores mazelas da vida. Por suas palavras , linguagem de baixo nível e grosseria nos modos podia-se saber que tipo de espírito s se afinava a tudo aquilo. E ali estavam os mais vis e degradantes, repletos de vícios, sensualidade, hipocrisia, crueldade e sordidez. Na espiritualidade, para quem pudesse ver, o lugar era preenchido por uma den sa névoa escura, sombria, correspondente aos estados vibratórios e mentais de encarn ados e desencarnados. Uma forte energia invisível pairava como que um veneno espir itual maligno, impregnando os encarnados de caráter fraco que se deixavam envolver pelas sugestões de diversos espíritos impuros, que desejavam o mal por prazer e odi avam o bem. Entretanto, a ética e os bons princípios morais de alguns poucos encarnados prese ntes ali, por forças das circunstâncias ou do dever, permitiam a reunião de espíritos be nevolentes e sábios. Tais espíritos, às vezes, deixavam os encarnados que estavam sob sua proteção serem testados a se corromperem de alguma forma. Mas de acordo com a di gnidade apresentada, esses espíritos elevados os amparavam e protegiam a fim de não serem envolvidos por desencarnados tão insufladores da discórdia, da corrupção e do ódio, pois esses tinham o intuito de levá-los ao retardamento espiritual, fazendo-os suc umbir diante de provas tentadoras. O ambiente não era agradável. Quando menos esperavam, Débora e o policial se surpre enderam ao ver Cris que se sobressaltou gritando: É a minha mamãe! Mamãe! Onde, Cris?! Quem?! - quis saber a moça, segurando firmemente a garotinha que q ueria saltar de seu colo. Apesar de toda movimentação e aglomeração, a menina reconheceu a voz chorosa de sua mãe em desespero que a procurava com o olhar seguindo o som de seus gritos. Cris fo rçava-se a descer dos braços de Débora, mas a moça a segurou firme e junto com o policia l foi em direção da jovem mulher acompanhada de um rapaz muito bem vestido e alinhad o. Nada precisou ser explicado quando a mulher gritou em pranto: Cris! Minha filhinha! A menina se jogou nos braços da mãe. Entre o choro se beijavam enquanto a mulher a tocava como se não acreditasse que a tinha entre os braços. Algum tempo depois, Débora pôde explicar tudo a Elza, mãe de Cris, que abraçou e beij ou a jovem agradecendo-a diversas vezes. A forma como a menina agarrou-se a Elza , com um abraço apertado e as perninhas entrelaçadas em sua cintura, era inegável que a jovem mulher fosse sua mãe. Por aquele ser um plantão bem agitado, a autoridade policial foi consultada a f im de decidir se as partes envolvidas naquela ocorrência poderiam ou não ser liberad as. O comportamento de Cris não deixava dúvidas sobre Elza ser sua mãe, Embora a mulhe r apresentasse documentos e até fotos comprovando que a menininha era sua filha. A ssim sendo, o delegado as liberou. Enquanto o policial militar fazia algumas anotações para relatar a ocorrência, o ra paz que acompanhava Elza se apresentou para Débora. Prazer! Meu nome é Breno. Sou tio da Cris e irmão da Elza. Você não imagina como fica mos aflitos! Muito obrigado! Obrigado mesmo! Do jeito que algumas pessoas agem h oje... Nossa!... Mil coisas passaram pelos nossos pensamentos!... Muito obrigado , Débora! - nitidamente agradecido, sem se conter, deu um abraço emocionado na moça. Ora... Não fiz mais do que a minha obrigação - respondeu ela com um brilho emotivo no olhar. Ah! Fez sim! - afirmou Breno expressivo. O mínimo que podemos fazer por você é leváa para casa. Certo? Creio que não será possível, Breno. Agradeço de coração! Por que não?! Mora aqui perto? Não. É que... - Débora ficou sem jeito, mas precisou contar sobre o furto de seu ce lular e precisaria ficar ali para prestar queixa. Depois de fazer o Boletim de O

beijou-a e se despediu a fim de apressá-la. parando por um instante próximo das escadarias. É o mínimo que podemos fazer por enquanto. Sem alternativa. sem saber explicar. intermitentemente irritante. por favor! . Perdoe-me. pegou uma c aneta e fez ligeira anotação no verso do cartão. Débora solicitou comovida: Não se importe comigo. Não posso ir agora. Elza e Breno queriam um meio de ajudar Débora e questionavam o policial. tirou um cartão e o entregou à mulher.. seja bem mais rápida e creio que o delegado também pense assim.lamentou Elza novamente. Sua tarefa já havia sido cumprida e nem precisaria estar ali. Na sua vez de ser atendida. considerou olhando para Débora: Não pode ficar aqui sozinha! Veja isso ! Não merece! Ainda mais depois de tudo o que fez pela minha filha! . Não há como precisar o tempo a ser usado para o atendimento de cada uma. Acredito que ainda tenha três ocorrências na frente.avisou Elza enquanto Cris resmungava continuamente em seu ombro. também lhe deu um cartão. Breno tam bém a abraçou. será que vai demorar muito para a Débora ser atendida? Não sei lhe dizer .. Começou a acreditar que os m inutos naquele lugar pareciam horas. A moça a abraçou com carinho. a moça prestou a devida queixa e rapidamente foi liberada. decidiu ler novamente o Boletim de Ocorrência pelo furto de seu celular.sorriu gostaríamos de levar a m para casa.espantou-se Elza por não ter ouvido o relato da jovem. A pobrezinh a deve estar tão assustada!... Débora parou e voltou-se . Ficou amedrontada e está muito tempo aqui. Por causa da iluminação um tanto fraca e de uma lâmpada defeituosa. Esse não é um bom lugar para uma criança. as demais pessoas a serem levadas em con ta são cidadãos com direitos iguais e o atendimento é por ordem de chegada. mas não tenho como ajudar. Ela me contou que teve o celu lar furtado porque estava ajudando a minha sobrinha e. De sculpe-me por não poder ajudar. * * * Débora estava sozinha. agradeceu e beijou-lhe o rosto na despedida. Logo ex plicou: Isso é do âmbito da Polícia Civil. O policial. Diante disso. Eu concordo que a elaboração de um Boletim de corrência. Eu não queria deixar você aqui . começou a reclamar de frio e pe dia para comer um doce em especial.. Débora! Não vou ficar sossegada em deixá-la aqui sozinha! .respondeu educado. via-se envolvido sentimentalmente com o ocorr ido.. mas nada demonstrou. Sem esperar uma resposta. junto com a Cris. Enfim. debruçada no ombro de sua mãe. entretanto o sargento Barbosa experimen tava um travo de melancolia por deixar Débora ali sozinha. Assim pode falar com a Cris quando quiser.corrência. mas durante a conversa a garotinha começou a pedir insi stentemente para ir embora e começou a chorar. Vá! disse olhando firmemente para Elza e pediu sorrindo: Cuide bem dela. conversou um pouquinho mais com a moça. lógico. Já era noite ao percorrer o corredor da delegacia que a levaria para a saída. Mesmo assim. Virando-se para Br eno. Seu parceiro aguardava na viatura.exclamou enternecid a. Aproximando-se do policial. rapidamente. perguntou: Sargento Barbosa. lendo seu nome e seu posto na identificação fix ada em seu peito. O rapaz mostrou-se insatisfeito e apreensivo ao olhar em volta e observar o a mbiente. A Cris teve um dia péssimo. É que eu e minha irmã. apesar de tantos a sua volta. Nesse instante Cris. afagando a menininha e dando-lhe um beijo em seu rostinho.Voltando-se ao policial. Elza pediu: Será que o senhor não pode dar um jeitinho? O furto do celu lar da Débora é bem mais simples e rápido para relatar do que outros casos! Sinto muito . Telefone-me para dizer como a Cris está. Mai s calma. No entanto. pedindo com generos o sorriso: Tome. Em seguida avisou: Esse é o telefone da Elza. . Então fique com o meu cartão também! . eu preciso avisar à operadora.tornou o policial militar com um brando tom de lamento. eles se foram. como podemos ver.ofereceu Breno que. por favor. agradeço. mas depois se despediu e foi embora. A jovem abriu a bolsa. tão necessário para o furto de um celular. Não queremos perder contato com você. Verdade?! .

Aceita uma carona? . admitiu: Acabei perdendo a hora de ir p ara a universidade e. agradeceu e aceitou acompanhá-lo até o carro para que fossem embora.falou ele sentindo o coração acelerado e disfarçando a grande expectativa. Nossa! Com a farda você fica tão diferente! É comum não me reconhecerem quando estou à paisana..ofereceu Sérgio com voz branda e um tanto receoso. Ela cambaleou por causa do salto que usava. disfarçou ao mostrar: Veja. Puxa! Perdoe-me.. Ágil. Enquanto arrumava as folhas. espalhando as várias folhas e documentos pela escadaria. mas ao encará-lo.riu acanhada. que é o registro da queixa pelo furto. o dia não terminou . E hoje não está sendo um dia normal para mim. e le a segurou firme não a deixando cair.avisou. Sérgio . Sem saber o que dizer. Em seguida a moça exc lamou atrapalhada: Ah!. O moço riu sem deixá-la perceber. Não terei trabalho algum. Como sabe onde moro? . Sim..Riu de modo simple s e. Suspirando fundo.. Eu t rabalho na Companhia da Polícia Militar ao lado da delegacia. . Ela o olhou de um modo diferente.. pediu: Venha! Será melhor ter uma carona ou ainda pode pegar condução errada! Afinal.pediu a moça agarrando-se nele que ainda a segurava com força.. embora experimentasse um gostin ho de satisfação por ouvir aquela confissão. em traje civil. Ao ler o que a interessava. Ora. Amanhã mesmo eu entrarei em contato com a operadora para avisar sobre o furto.gargalhou gostoso. corando imediatamente. Isso não é comum. Você tem razão. não pense que sej a um desleixo ou descaso da minha parte. Esqueci mesmo! Por favor.. Ambos sentiam que algo muito especial os envolvia. pois ela poderia rolar pelos degraus abaixo...novamente para o corredor dando as costas para as escadas. .. Nós moramos relativamente perto. sou eu mesmo. aqui está o Boletim de Ocorrência... Mas me chame de Sérgio.. fitando-o impressionada. Estava indo embora quando me lembrei de você.. Débora ficou encabulada. Sérgio. . o meu nome de guerra é Barbosa. Bem. encarou-o por segu ndos como se algo a atraísse para aquele olhar e sorriu. Rapidamente ajeitou a mochila nas costas. Não.. meu n ome é Sérgio. Não pensei que fosse me reconhecer. Desculpe-me de novo sargento. sem saber qual seria a reação da jovem.. Sorriu..pediu com jeito encabulado. Também tive um dia cheio e. Débora deu um largo sorriso ao perguntar incrédula: Você!. ela o agradecia e se justificava parecendo envergonhada. Meu carro está ali no estacionamento da Companhia da PM. preveniu-a: Assim que chegar a s ua casa. Não me julgue. Esqueceu-se de que anotei os seus dados para preencher aquele talão de ocorrência atendida pela viatura na qual eu estava como encarregado? Esqueci! ...brincou sorridente. .. com j eitinho e um brilho especial no olhar.. mas sobressaltou-se ao deparar com um rapaz no qual trombou. Acontece. por favor. eu sou sargento. . Quando estou de serviço.. ou melhor. era . a pasta que carrega va se abriu.Diante do silêncio.. O policial da viatura que.interrompeu-a educadamente e correspondendo-lhe ao sorriso . Não é bom ter um celular usado indevidamente. Não!..pela surpresa. Isso não foi nada.. naquele instante.. virou-se bem rápido. Nesse instante. Não vou para a universidade hoje e me sobrará tempo. resmungou baixinho e incrédula: Ah. Mas você é sargento? Não é?! Ou eu disse errado? Sim. Por que não faz isso hoje? . Equilibrando -se. O principal e mais trabalhoso já foi feito. achando graça nos modos da moça.. Para ser sincero. Estou tão exausta que nem havia pensado nisso.perguntou sorridente e curiosa. Se quiser. Porém. mas.. Desculpe-me!. Como não poderia. a jovem titubeou sem saber decidir. É verdade. Hoje eu sou o próprio desastre! E o pior é que mais uma vez eu o fiz me ajudar pega ndo os documentos e meu material por causa dessa maldita pasta! ... Por favor . Não costumo julgar as pessoas . ligue para a operadora e peça o bloqueio imediato do aparelho... pois meu caminho é pelo seu bairro. É. apesar do sorriso bonito. abaix ou-se e a ajudou a pegar os papéis.sussurrou de um modo que ele não ouviu.

riu alegremente.enfatizou sorrindo satisfeito.quis saber muito curiosa. Você não imagi como está sendo difícil eu concluir essa graduação. quando chego. Seja qual for à situação. acabavam de se conhecer.ela comentou. Através de terapias pode-se fazer alguém descobrir em si forças que de sconhecia ter e se melhorar. Enquanto dirigia. O quê? Eu me preocupo com as pessoas. fazendo acusações ou sensacio .Ele sorriu ao admitir: Sabe.admirou-se ele quase incrédulo. inspiram os pensamentos e as ações de acordo com o caráte r.ela brinc ou descontraída. Espíritos benevolentes. É curioso você cursar Psicologia. Considero-me um bom policial. Como aprendemos na Doutrina Espírita. afastand o-o da inspiração de espíritos maus. Por ser um policial. mas nem sempre isso é possível. pois. o mal não terá acesso. gui ou-a ao encontro de pessoas que. Sério?! . Ah! Então é assim! Como eu. Acho que não tenho dom para lidar com as Leis. há mudança na escala de serviço e tenho de solicitar alteração ou permuta. mas. a moral e os desejos do encarnado. Débora e Sérgio conversaram muito e descobriram que estudavam na mesma universidade. a prova ou expiação.1 Os espíritos.m incapazes de falar a respeito. Outras. Mesmo com o s prejuízos aparentes como o furto de seu celular e a perda do horário para ir à unive rsidade. pois os espírit os inferiores correm para perto da criatura para auxiliá-la. para o bem ou pa ra o mal. Acho que temos algo em comum . a s tragédias das vidas alheias viraram atrações. é a pessoa qu em as chama pelo desejo no mal.disse com belo sorriso ao olhá-la. E Deus permite que esses espíritos sem instrução e imperfeitos assediem os encarnados a fim de testarem à pessoa em sua fé para que pa sse pelas provas do mal e continue seguindo o bom caminho. A universidade é bem grande. Quando as más influências atuam através do encarnado. os espíritos podem intervir no mundo corpóreo mais do que os encarnados imaginam. mudariam sua vida. seu coração bon doso a resguardou de experiências mais dolorosas. conforme sua livre decisão de escolha. você também arrumou um jeito de cabular aula! . destacar-se e até se curar. Só se neutraliza a influência dos espíritos maus e imprudentes com o desejo no bem. Costumo me preocupar com as pess oas. sábios e elevados influenciarão e sustentarão o encarnado que tiver fé. Eu curso Psicologia lá! E você? Jornalismo! . com os seus sentimentos e a realidade dos fato s. a coragem que demonstrou. Falam ou e screvem sobre as pessoas sem a menor responsabilidade. Detesto faltar . já estou no último semestre graça a Deus! . Por quê? . espíritos amigos a inspiraram a cumprir com sua responsabilidade diante de uma criaturinha indefesa. Sérgio riu muito à vontade e esclareceu. Foi só hoje. praticamente. com vários blocos.. Aproveitando de sua generosidade e misericórdia. para alguns profissionais da área de Comunicação e Jornalismo. Muitos perderam o respeito.. uma troca com algum colega.avisou a jovem bem entusiasmada pela coincidência. . talvez por isso nunca nos encontr emos. Por essa razão decidi compreender melhor as pessoas e tentar ajudá-las de outra forma. bons ou maus. amor e bom ânimo no bem. Isso não é fácil! Apesar de tudo. conforme o caso. seria mais interessante cu rsar Direito. Mas. infelizmente. creio que a função não seja boa para mim. Fico inquieto diante das injustiças e apreensivo para ajudar. certamente. como nos é ensinado em O Livro dos Espíritos. 2 . aproveitando a parada no semáforo: Não. Como advogado eu seria péssimo! . enfrentando o desafio de tomar uma decisão. a começar por um simples pensamento.Sérgio e Débora se reencontram Durante o trajeto para casa. Assim acontece com o desejo no que é bom. havendo erdadeira no bem. Às vezes somos solicitados para atende r ocorrências demoradas e chego atrasado à aula. Apesar de Débora acreditar que tudo estava sendo difícil naquele dia.

Sérgio? Olhando-a rápido. Sou corretora de imóveis. delicadamente pintadas com uma cor transpare nte. Na esquerda. ao mesmo tempo. sorriu ao brincar: Pronto! Apesar de tudo.afirmou de modo simples. Proposita damente fazia-lhe perguntas informais só pelo prazer de ouvir o som suave de sua v oz na fala bem ponderada e clara. Não o convenço de modo algum! Não gosta de onde mora? Não. pois parece ter um dom natural de envolver e convencer as pessoas. Foi naquele instante que Sérgio precisou controlar o forte desejo d e abraçá-la a fim de ampará-la e confortá-la por tudo. Apesar de. observou sua sensib ilidade e experimentou algo estranho quando encarou seu olhar carente que implor ava por auxílio. Mas uma onda de insatisfação o abateu quando ela a nunciou: Minha rua é a próxima à direita! Chegando ao referido endereço.ela considerou rindo. Nem tanto . Sérgio manobrou e estacionou o veículo frente à bela e grande residência.brincou e riu com gosto. Dirigindo maquinalmente. Sérgio tentou disfarçar o sentimento que os envolvia. Tinha um corpo bem delineado. não viu qualquer aliança de noivado. Como é bom encontrar alguém com integridade profissional. Até por que. Deve ganhar bem só pelo seu modo de opinar. vantajoso para aqueles que realmente necessitam. sustentando leve e generoso sorriso nos lábios bem to rneados. Lógico que ajudo em algumas despesas. Olhando-o nos olhos.riu. duas irmãs e um irmão. Trabalho na área central. Eu tenho condições de ter um apartamento . Ele sabia disso pelos dados pessoais mencionados durante a ocorrência. Não sabia o que dizer e não tinha vontade de se despedir . O rapaz admirou Débora desde o primeiro instante em que a viu assustada e bem a trapalhada segurando a menina. mas acreditava não ser o momento adequado. . combinando perfeit amente com sua pele alva. tirando a privacidade da vida alheia sem qualquer serventia útil para a s ociedade. normalment e com locações para fins comerciais.. direta em suas colocações. Sentiu como se a conhecesse há temp os. Muito observador. Ele estava curioso. Ela sorriu e Sérgio perguntou: Em que você trabalha? Alguma revista? Não! Quem me dera. o que o deixou mais tranqüilo. Desejava fazer algumas perguntas. Apesar de meus vinte e oito anos. Não posso mudar o mundo. Parecia d iscreta e. mas posso fazer a minha parte através de um trabalho limpo. Encarando-a . não suportar meus irmãos. cabelos lisos pouco abaixo dos ombros e suavemente clareados. ainda est ou lá . As unhas. Longos minutos se passaram. mal consigo sustentar esse c arro! . tinha acabado de conhecer a moça e devia ser discr eto.apontou. Então por que ainda mora com seus pais. Você é bem convincente. Débora ficou sem palavras. ele perguntou: Qual é a sua casa? É aquela ali! Onde há uma árvore na calçada . chegou a sua casa sã e salva. elegantemente trajada e levemente maquiada. Débora era uma moça bonita. Sérgio a ouvia atentamente. riu ao dizer: Policial não ganha tão bem assim.brincou rin do. Ela era solteira. às vezes.. Entretanto seus pensamentos fustigavam para saber se a jovem tinha alg um compromisso com alguém. não posso mudar os profissionais. Ao vê-la sob forte emoção e lágrimas. davam um toque especial em suas mãos tênues e bonitas. Puxa! .nalismo. experimentou a impressão de ter sua alma invadida e fatalme nte atingida por uma sensação desconhecida que os dominou num profundo e sério silêncio. Dificilmente uma moça bonita como aquela não teria um namor ado. ostentava d elicado anel de ouro. Ah! Quem sabe você conseguiria fazer meu pai vender aquela casa?! . Mas moro com meus pais.ele admirou. ele prestava atenção em tudo o que ela falava. moro com meus pais para conseguir pagar meus estudos. Afinal. Minha família mudou-se para lá há alguns anos e até hoje não me acostumei. mas elas dobrariam se eu alugasse um lugar.

Fiqu ei achando que o veria entrar ali a qualquer momento. Porém você exalava a lgo mais humano e não mecânico para com o seu trabalho.. Sabe. E ao chegarmos à delegacia. mas seria ridícula. comentando meio tímido. Porém era como se o conhecesse.disse sorrindo. como se soubesse que iria me ajudar de alguma forma. Eu só estava cumprindo com o meu dever. Acreditou que uma moça tão bonita.. é que não estou acostumada àquele tipo de ambiente e pessoas com aqueles modos e palavreados. com a qual intimamente ficou insatisfeito pelo desfech e da despedida.. segura e. E também obrigada por ter me trazido.. na verdade. Senti algo tão estranho como se só v ocê pudesse me socorrer. Acredito ni sso e em muito mais. Muito obrigada por tudo. Tomei um susto ao reconhecê-lo! . Por que boba? . ele suspirou fundo experimentando uma sensação melancólica quando acenou ao ir embora... posso jurar que já vi essa cena antes e. Como assim? . agressivos. Não duvido de seu pressentimento .. sussurrando quase sem querer: Que estranho.. mas não podia ficar ali. mas voltei. descer do carro e caminhar para o portão da requinta da residência. Aqui estamos . Eu queria me sentir amparada . Sérgio. Boba. Não me agradeça.. Breve pausa e. A final de contas.tornou o rapaz.ela admitiu com voz meiga. . Realmente fiquei preocupado com você naquele lugar. Bem.perguntou com um tom afável na voz. Deixando-se entristecer. de um medo tão grande! Nenhum preconceito. E voltei! Demorei por ter de atender a um outro chamado. com um baixo salário recebido para trabalhar em favor da população.. me entender. essa cena antes. Estava tarde e me considerei boba por ter a ilusão de que você voltaria. a fim de ele ir me buscar e. . mas você precisou ir embora e eu fiquei em desespero. pensei muito em você.replicou com largo sorriso. Quase não acreditei. teve o desejo d e abraçá-lo por tanta gratidão. Tomado de estranha emoção. antes de ir embora. Ele havia gostado tanto dela! Pareceu-lhe tão grata pela atenção! Viu em seu olhar uma chama. mas implorava em pensamento que você me ajudasse.ela quis saber. Entretanto ela não manifestou qualquer desejo de vê-lo novamente. viu-a oferecendo um para a mãe e o tio da menina perdida.Sorriu sem jeito.. Sei lá! Talvez por desejar a sua companhia e. que não passava de func ionário público. um brilho expressivo nos últimos minutos em que conversaram. daqu ele monte de gente que estava ali com modos estranhos. pois nem sabia direito o seu nome. enca rou-o e revelou: Tive um dia difícil e depois de toda aquela situação complicada.. Não consegui esquecer a situação e logo imagi ue demorariam muito para atendê-la. É bom encontrarmos pessoas humanas e prestativas como você em momentos conturbados. por isso. É. Parece que nos conhecemos . eu procurava me conter. a delegacia tem um clima muito pesado e u ma moça como você não está acostumada àquilo. É que. o rapaz chegou à sua casa vivenciando um travo de dece pção. Sérgio! O outro policial sim estava cumprindo o dever dele.. Meu pressentimento se confirmou. Contudo conteve-se. em meio ao constrangimento. não duvido que você já tenha visto.Fugiu-lhe ao olhar. Foi como um pressentimento. parecendo esperar uma resposta. inteligente e bem estabilizada financeiramente jamais deveria dar atenção ou se interessar por alguém como ele. devo confessar. Débora contou: Quando entrei na viatura e o olhei. Não sei por que não lemb rei de fazer isso antes. Estou sentindo algo di ferente com isso. Isso não me surpreende .. Eu ia telefonar para o meu pai..Ele não disse nada e Débora pr osseguiu em voz branda: Ao ficar sozinha na delegacia. decidi passar lá p ara ver se ainda estava aguardando e se precisava de ajuda. mentalmente. Queria te pedir para ficar comigo.... E nunca aconteceu de eu ficar inquieto por alg uém após cumprir meu serviço.. Débora estendeu-lhe a mão para um cumprimento quando. eu não queria f icar sozinha esperando para ser atendida. Sérgio questionava-se sobre o motivo da jovem não lhe dar um cartão. tive uma sensação de insegura nça. O quê? . Alguns plantões. Demorou demais para eu ser atendida. Sua companhia foi um prazer. Não.revelou com firmeza e encarando -o. .sorriu com delicadeza. Desculpe-me. Vendo-a pegar suas bolsas..

Mas sua família só sabia criticá-la. Seus olhos eram atraentes. Sérgio era um rapaz bonito. incapacitada e dependente como vocês dois! Par a mim vocês são frustrados. Pessoas de u nível moral. a calma constante . apesar dos acontecimentos conturbados e serviço ingrato. sua!. da prova que não realizou. minha filha! . conforme sua consciênci a mandou. enquanto sorria sem perceber. né? Também um caso de homicídio. tão solícito. Apreciando as repetitiv as recordações.. adorava lembrar-se de cada detalhe de sua conversa com ele durante o caminho para sua casa. reagindo abruptamente. A jovem duelava com os próprios pensamentos. Emy e Élcio. sozinha.. Fez o que seu coração pediu. demonstrando sua ira e . Enraivecida. hein?! Você deveria ter me telefonado. de um verde esmeralda brilhan . em tom mod erado. Não mesmo! . educado e calmo.provocou Élcio. saiu da sala de jantar a pass os firmes e rápidos. tratou-a muito educadamente ao lhe atender e faz er o B. vão se danar! Ta legal?! . Em seu quarto. em seguida. ta! . Problema da mãe da men ina.defendeu-se a outra irritada. Eu não tive escolha. ta! Quem mandou ser descuidada? Que ótima mãe. beijou sua mãe e nada comentou a res peito. Era impossível não pensar em Sérgio. Nossa! As pessoas tinham de prest ar depoimento e demorou tanto... até a equipe de plan tão. concluiu: Não sou uma inútil. da espera na delegacia onde se sentiu tão insegur a. per mitiu que suas idéias vagassem. Débora acreditava ter agido bem.. Para sua surpresa. Não estaria tranqüila caso deixasse aquela garoti nha ali. atirou-se sobre a cama. Virando-se. pelo furto do meu celular. que trabalhava na delegacia. * * * Todos já haviam terminado o jantar e Débora não parava de contar detalhes do aconte cido. de relance.gritou Débora. Sentia como se o conhecesse há tempo. Dando as costas.com deboche e ironia exclamou Emy. até lembrar-se de Sérgio.Dominado por certa angústia.. Estava extremamente nervosa. Era gosto so lembrar sua voz forte e ponderada. a moça bateu a porta com força para fechá-la.reclamou o pai. Admirava-o pela pre ocupação com ela e por se dar ao trabalho de verificar se ainda aguardava para ser a tendida na delegacia.... ela não suportou e começou a chorar. pois confiou nele sem saber a razão. cabelo bem curto e barba escanhoada na pele morena clara. Explicou somente em rápidas palavras o motivo de não ter ido à universidade. Você ainda não se acostumou? . a bela jovem que agora estava tranqüila.. Não foi uma experiência agradável passar horas em uma delegacia. produções próprias e por isso só sabem al r a boa vida que levam por terem um papai que os banquem! Olha aqui. seu comportamento digno. quase bronzeada. do susto que sofreu com o furto. Emy. Acreditava já o ter visto antes. pois poderia ir embora para casa sem se importar com ela. irmão de ambas. ind ignados e conflitantes.O. Apesar do prejuízo pelo celular. debilitados de ações. Levan tando-se. Até chegar a minha vez para fazer o B. Lá havia uma confusão a ser resolvida. Talvez. Nunca i maginou que um policial pudesse ser assim. Foi uma gentil prestatividade dele. mas foi atalhada da empolgação. Débora não esperou a réplica de Élcio. Emy e Élcio tin ham o dom de irritá-la.criticou Emy em tom muito arrogante. irmã mais vel ha de Débora. Sabe. Débora . pobrezin ha! A Débora sempre gostou de sofrer. Jamais havia pr ecisado da ajuda da polícia. senhor Aléssio.O. a moça fitou o teto e seus olhos irradiaram a chama de um envolvent e desejo vindo de seu coração.confirmou Débora. Envolvida por energias diferentes. Passar a tarde e o começo da noite em uma delegacia! Andar no carro da polícia! V ocê é doida varrida! Onde já se viu?! . entrou em casa. na universidade. O que você faria em meu lugar?! Ora. Emy não suportou e tornou em tom de zombaria: Que gratidão os parentes da menina tiveram! Oh! Largaram você lá.

ele não tinha aliança ou anel. Procurá-lo na universidade?! Seria trabalhoso e qual desculpa eu daria? Ai. Nada pagará sua atenção.. mas. Ora! Eu sei. Débora.. pois ele era pers istente.avisou a jovem com simpatia no tom de voz. ai... Mas a falta da aliança não quer dizer ausência de compromisso com alguém. planejando ir trabalhar com seu carro.te que fascinava com certa magia. sentou-se na cama e murmurou: Puxa! Eu queria tanto encontrá-lo novamente. não... exausta. Não havia agendado muitos compromissos para aquele dia e poderia chegar mais tarde ao serviço. deve malhar muito em algu ma academia ou mesmo no quartel. sua irmã c la. Entretanto foi difícil convencer B reno sobre sua opinião e encerrar o telefonema de forma educada. Irritada. O Sérgio. Parecerei muito v ulgar.. levantar cedo e sempre se ocupar com coisas úteis. ele tem mais vocação para psicologia do que para policial. mas fiquei c om vergonha. Será um prazer darmos um celular novo para você! Não! De jeito nenhum! . Eu deveria ter-lhe feito mais algumas perguntas. abandonando . É interessante estudarmos no mesmo lugar .. Deixe-me ver. Não sei o que me deu. Desculpe-me por ligar a essa hora. A h! Ele falou que pagava os estudos e mal podia sustentar as despesas com o carro ! Não deve ser noivo. Ele é tão esforçado! Que diferença. Cansada. rapidamente concili ou o sono enquanto pensava nele. Embora pertencesse a uma família bem estruturada financeiramente. Ah! Da próxima vez que encontrá-lo. vi que suas mãos eram bem fortes! Reparei na roupa bem alinhada.. me compreendeu. Por favor. Não queríamos deixá-la só na delegacia. pois ela sentiu como se não quisesse deixar de f itá-los. não me criticou e ainda me ajudou. Débora! E se o Sérgio tiver algum compromisso? Ele disse que mora com os pais.. tirou-a daquelas reflexões: Débora! Telefone! Atende aí! Nossa! Nem ouvi tocar! .insistiu Breno com extrema amabilidade. pois tem um físico tão torneado! Mas que droga! Com o vou encontrá-lo agora?! Seria ridículo eu ir lá onde ele trabalha..Logo perguntou: E a Cris? Dormindo feito um anjo! A Elza ligou agora dizendo que a Cris tomou um banho. lembrou-se de ligar para a operadora e avisar sobre o furto ocorrido. tio de Cris. Uma névoa de contrariedade envolveu-a... Nem precisa se explicar. mas pode ser casado ou então noivo. Lembrar-se dele era prazeroso! Extenuada. desejava sair daquela casa para morar sozinha. mas é o mínimo que podemos fazemos questão! . seus cuidados e sua generosidade.. mas não dormiria sossegado se não tivesse notícias suas. no tênis. * * * No dia seguinte. o sol frio daquela manhã de outono invadiu o quarto quando Débor a abriu a janela. a jovem fazia questão de trabalhar. Ofendia-se por não encontrar uma solução.exclamou ela. De imediato sobressaltou-se enervada consigo mesma: Que droga! Como pude ser tão burra?! Não lhe dei um cartão e ele não tem meu telefone! Ai. Ele é tão bonito! Aliás. jantou e dormiu rapidinho! Ah! Meu cunhado ficou muito grato pela sua atitude c om a Cris.. Ela estava decidida em não aceitar o presente. surpreendeu-se em pensamento. Enquanto minha família. ai. Real-mente.. Breno! Que surpresa! Estávamos preocupados com você. Forçando recordar-se. Olá. Chamada à razão pelos próprios pensamentos. a cho que não o vi de aliança. A voz de Yara. Deu tudo certo . Não. Não se preocupe. . Ao deitar-se para dormir. Eu ia mesmo trocar aquele aparelho. ainda experimentava uma sensação de frustração ao pensar qu e seria difícil ver Sérgio novamente... um estranho. mas conseguiu. sua imbecil! . Ela não sabia explicar aquele sentimento de atração que experimentava. Nos últimos tempos. prosseguiu: Não. Quando segurava o vol ante. talvez só namore. Por fim respondeu: Pode deixar! Obrigada! Débora foi surpreendida por Breno. Débora! Idiota! E agora?! . repreendeu-se: Ai. pensava Débora sem dissipar a agradável lem brança.

eu aceito! .pediu generosa. riu e falou: Bem. O rapaz não esperava por aquele convite. avisando: Débora. Não tinha c omo avisá-la. sobre a escrivaninha. Débora. por favor! . Sabia a razão daquela dificuldade de expressão. Sente se...... Esborrifando uma colônia no a r ficou sob o orvalho da suave fragrância que caía. ficou assombrada e inquieta ao descobrir que sua pasta. Iolanda! .Ele sorriu vendo-a incapaz de organizar as idéias. repentinamente. Não imagina como me aj udou novamente. Puxa! Eu estava feito louca procurando essa pasta.propôs apontando para o outro recinto. talvez pelo requ inte do interior da casa. em seu carro. Refletindo sobre várias coisas. tentou corrigir-se. Vai atender esse moço? Pelo amor de Deus. Algo apertava seu coração ao pensar nisso. A certa distância.expressou-se com verdadeira alegria.. Ai. procurou a pasta em suas bolsas.. respondeu impensadamente. E. E como é importante! Ah! Perdoe-me por mais esse trabalho. da elegante e moderna decoração. A moça ficou petrificada diante do rapaz. Nem pedi para se se ntar.eufórica e emocionada por vê-lo. fazendo-a virar e dando-lhe um em purrãozinho. Di sse que se chama Sérgio e está com uma pasta tua.. não! O meu trabalho da faculdade! Incrédula.fal ou com dengo. por isso vim cedo. pois também se sentiu inebriado durante aqu eles segundos em que se olharam. Ele se anunciou pelo interfone.. pois tudo de que precisava estava naquela pasta... notou certo constrangimento em Sérgio. pois acreditei tratar-se de um material important e. apontando para o sofá. Faça-o entrar! Eu. estendeu-lhe a p asta e contou: Ao fechar o carro ontem à noite. Ajeitou novamente os ca belos.a proteção e qualquer dependência material de seus pais. respondeu ao se sentar: Se for um cafezinho. A moça voltou à frente do espelho procurando algum de talhe em sua imagem que poderia comprometer sua elegância. havia reparado uma gr ande mesa bem posta para o desjejum. . tem um rapaz lá no portão te procurando.. Olá..atrapalhou-se. É assim. Avisando: Estou indo! A empregada riu e obedeceu.. mas gaguejou: É.pediu educada. Lembrou-se de só poder tê-la esq uecido no carro de Sérgio. Bom dia! Tudo bem?! Bom dia. por isso.. Repentinamente. dando-lhe um toque natural e retocou o batom.. Seu ro sto corou imediatamente e.. Mas. não entendia a origem do medo para tomar essa atitude . mas já me alimentei em casa e.. sob os livros e outras pastas. foi interrompida por suaves batidas à porta de seu quarto. vestiu-se impecavelmente co mo sempre e. antes de fazer o desjejum. Ah. atrás do comput ador.. Imaginei que tivesse f icado com você. . Meu Deus! A agenda! Os contratos assinados pelos locadores! Os documentos que . Sérgio! . não pode recus ar. Quero dizer. Ao a bri-la... Seus olhos novamente se fixaram por l ongos segundos e o silêncio imperou até a empregada interrompê-los: Com licença? . Vamos ali para a mesa já posta? .. deparou-se com a empregada. Sérgio.praticamente gritou. Sentiu-se em apuros. por favor. A Iolanda nos servirá aqui mesmo. Procurando a agenda com o telefo ne de suas amigas do curso de graduação. Apesar de acreditar ser madur a para tal responsabilidade. Ele sorriu satisfeito e. mas não a encontrou. Desculpe-me decepcioná-la. envergonhada. ela tomou um banho. não estava ali. Eu estou acabando de me arrumar! Vai lá correndo. avisou: Oh. Be m. Tinha certeza de ter ido direto para o seu quarto ao chegar à noite anterior. ele ofereceu largo sorriso. Chegando à sala de estar. Depois de tudo o que fez por mim.. segurando a mulher pelos ombros. Débora! Estou bem e você? Melhor agora! . vai! . motivo de tanto transtorno e trabalho no dia anteri or. Faço que stão que tome café comigo. educado. saiu do quarto.... aceite só um cafezinho! Já está pronto. finalmente. A senhora quer que eu sirva um café? Não! Quero dizer. um tanto constrangido. me desculpe.. Olhou-se de perfil no espelho e.. Então. eu vi que a esqueceu no banco de trás. Como eu poderia encontrá-lo? Ao vê-la embaraçada com as palavras. Débora respirou fundo. arrumou suas coisas pegando o material d e que precisaria para levar à noite à universidade.

. à noite. é tão meiga. o simpático rapaz perguntou: Avisou a operadora de seu celular sobre o furto? Ah. quem não ficaria. dissimulou qualquer interesse e perguntou : Vejo que está arrumada para ir trabalhar e eu estou indo para o centro da cidade . sem demora. Entretanto jamais exper imentou aquela sensação em que Sérgio invadiu-lhe o íntimo. mesmo com amigos da universidade. er a tudo ou nada. indo para seu quart o. entendeu que ela fazia questão de servi-lo. Ele não disse nada. É uma pena. ao sutil sinal da moça. Minha agenda está tranqüila.Vendo-a com a respiração represada e sem resposta. pois não queria se iludir.. Poucos minutos passaram e a moça retornou à sala.. não é? Sabi que telefonaria para ter notícias dela. Débora! Além disso. Na verdade. Não vou demorar . por isso argumentou: Seu namorado não deveria deixá-la pegar carona. Tenho o dia t odo para isso. Te rriso cativante que impressiona e atrai. Ninguém a fazia perder as palavras daq uela forma. com um leve t remor na voz baixa. ao entrarem no carro. parecendo saber de seus sent imentos e pensamentos com uma habilidade a qual dificilmente ela poderia explica . Fitando-a firme. hoje estou de folga . Apesar de manter as aparências.avisou. Sérgio arriscou. mas preciso enviar uma cópia do B. Débora comentou parecendo envergonhada: Não tenho namorado. Não tenho hora para chegar ao serviço. pedindo animadamente: Vamos?! Estou pronta! Sim! Vamos . Sua companhia é bem agradável. mas entendo. mas disfarçou bem e falou em guida: Percebi você muito comovida com aquela menininha. Desejava saber. Não! Hoje estou sem fome. com um brilho no olhar ao dizer: Quem sabe. mas não liguei. Quer uma carona? Com entonação suave na voz e nítida expressão de felicidade. Débora respondeu: Lógico! Se não for incomodá-lo. Débora ainda trazia uma inquietude pelo fato de e le tê-la deixado constrangida com a argumentação.respondeu ao levantar-se e admirá-la discretamente.Encarando-a. o que a deixou muda.. Sabia dominar seus sentimentos em toda situação..A empregada entendeu o olhar de Débora. O silêncio pairou inebriante até Sérgio terminar de beber o café e anunciar: Foi ótimo saber que você está bem. Olhou-a de uma forma diferente ao contemplá-la e ofereceu lar go sorriso ao experimentar uma felicidade sem igual. o rapaz falou em tom grave e emocionado.. estampando lindo sorriso.... Precisa cumprir o horário. Agora que já tem sua pasta e roubei um pouco de se u tempo. preciso ir . ele observou seu belo rosto alvo enrubescer e.Sorriu animada. sentindo-se extremamente fel iz por ela tê-lo tratado tão bem e aceitar seu convite. mas não devo ser o motivo de seu atraso para ir trabalhar..Sérgio pensou rápido.falou.comentou. Só preciso entrar m contato com algumas colegas para saber como ficou o trabalho a ser entregue on tem. nós no s encontremos lá na universidade! É. Claro que não! Pegue suas coisas e. Aliás. ligou o carro e seg uiu conversando sobre outros assuntos. Sente-se.. Porém tenho de ir até a companhia onde trabalho para resolver um assunto administrativo. Sérgio não conteve a satisfação de tê-la ao lado e. levantando-se.. O quanto antes à mulher providenciou deli cadas xícaras de porcelana sobre linda bandeja de prata deixada na mesa central da sala. Pode até tomar seu café da manhã sossegada. Sérgio acomodou-se novamente e sorria em seu íntimo. E e nquanto apreciavam a bebida fumegante.O. Ontem mesmo. . Certa decepção abraçou o coração de Sérgio naquele segundo. e ele telefonou. Emocionei-me sim. invadindo-lhe a alma através do olhar. Liguei logo após ter f alado com o tio da Cris. Quem sabe. pois. sem perder a oportun idade de vê-la em silêncio: Você está muito bonita.. sim. Depois.brincou troque de pasta! Ela sorriu gostoso ao responder: Sem dúvida! Só um minuto! Você me espera? Não tenho pressa.. O tio e a mãe estavam preocupados comigo. . .. ele perguntou : Posso dizer uma coisa? .

.. o rapaz a beijou no rosto.. acomodando-se no . o rapaz abriu a porta para ela entrar.tornou ele. Ao vê-la entrar na empresa onde tra balhava. Ainda é cedo! As pessoas que passavam por entre eles atrapalhavam o diálogo. Será difícil apa tantos papéis em meio a esse movimento de pessoas e o vento. dizendo: Com licença . co ntinuou no mesmo tom: É que crianças deixam as coisas caírem à toa! Você sabe. Agradeceu a carona e pensou ligeira. com toda a liberdade.replicou a bela jovem correspondendo à brincadeira. Continuaremos a fazer nada juntos .brincou. estampando um semblante bem feliz. Sérgio suspirou fundo e vagarosamente enquanto a observava caminhando.. Posso te ligar avisando? Lógico que sim! . ela continuou encostada em seu braço por algum tempo enquanto andavam. o rapaz passou as mãos pelo rosto.Dessa forma.falou de modo alegre. Ele pare cia imerso em um sonho e. chamando-a: Débora!.. . sorriu incrédulo e seguiu. também forneceu o número do telefone de sua residência e endereço.ele ri ao dizer aquilo propositadamente para provocá-la. Você não precisaria chegar tão cedo à universidade. por sua vez. Débora. sem que ele esperasse. Por quê? Não sei a que horas vou deixar o serviço hoje e. Débora sorriu novamente.Pegando a pasta. como se tivesse feito uma molecagem.Dificuldades em família No final da tarde. quando menos esperava. Chegando ao destino. por eu ter telefonado mais cedo do que o combinado.despediu-se com expressiva satisfação ao descer do carro.. Ao se depararem. Débora ofereceu-lhe um cartão com seus telefones.. ela questionou: Por volta das cinco horas você estará em sua casa? Sim. Débora pareceu resplandec er ao reconhecer os nobres traços do rosto de Sérgio. E nquanto andavam. olhando-a com admiração e reparando em seu jeito me igo.r com palavras. e avisou: reciso segurar firme as crianças para não se perderem. falou bem descontraído: Não encontrei lugar para estacionar aqui. Num gesto mimoso e em meio ao riso.. Ia descendo do veículo. O que é isso? Eu estava sem fazer nada. Vou aguardar. segurou-a levemente pelo braço. recostou-se nele como se o conhe cesse há tempo.. Teremos de andar um quarteirão. eu me arrependi... a jovem olhou para trás e acenou. enlaçou-a em seu braço. O que ia dizendo sobre eu vir mais cedo? . ele a soltou como se fizesse suave afago no braço e perguntou: Talvez possamos ir junto s à universidade hoje. que a procurava em meio ao mov imentado centro financeiro da cidade de São Paulo onde haviam marcado de se encont rarem. Não demorou muito e chegaram até o carro estacionado. Aproveitando-se desse fato. dê-me essa pasta antes que você a jogue ao chão! .. quase um afago. Gent il. . continuaram conversando até ela comentar: Depois de telefonar par a você. quando Sérgio se curvou e. Encorajou-se e . ele retribuiu de imediato.. certo? . contornou o veículo e. Mas que ousadia! . Sorrindo de modo alegre e cristal ino. Desculp e-me. Ah. 3 . Ah!.afirmou animado. rapidamente. beijou-lhe o rosto segurando-lhe a nuca com delicado ca rinho. A que horas eu poderia vir pegá-la aqui? Titubeando por segundos. Até mais então.Ao ver seu rosto reluzente e sorrindo virar com expectativa. Desculpe-me você. Sobressaltando-se.. Sem perceber sujou-lhe a blusa com seu ba tom. Sérgio pegou a delicada mão de Débora. Ele. Por quê? Ah!. A jovem riu gostoso e. Eu deveria esperar e ligar mais t arde. . para não se separarem. A jovem demonstrou-se feliz. Sorrindo em seguida. lembrandoo sobre o fato de o número do celular estar desativado. .

Encabulada. a maneir a de eu reagir em determinadas situações e o modo como me relaciono com as pessoas.. frio e objetivo. perguntando com fala ponderada e séria. Sérgio colocou os cotovelos e as mãos levemente entrelaçadas sobre a mes a.. .Encarando-a de modo a invadir-lhe a alma. Os dois falaram sobre várias coisas.tornou ele. esqueço-m e e uso termos militares.Tão habituado ao meio. sorriu com doçura ao afi rmar: Você sabe como me deixar envergonhada e me fazer perder a fala. O que quis dizer com a expressão: força do hábito? Débora.. Sérgio procurou sair dali o quanto antes. E a prova que perdeu? . Sei que isso não parece humano. assim como eu hoje cedo. participo bastante e elas sabem disso. Lógico que não. Conversando bastante nem perceberam o caminho. Sabe. fizeram tudo... ou seja. Perdoe-me . a fim de cuidar da casa e de nós.. Sabe.quis saber em tom alegre e descontraído. enquanto continuava com o mesmo olhar: O que quer saber de verdade? Como assim?. é prec iso ser prático. Ao lado da prazerosa companhia. No loc al havia vários estudantes.. Imagine!.. o casal ocupava u ma mesa e tomava um refrigerante em uma lanchonete próxima da universidade. Acabei de completar vinte e oito anos. é? . referi-me à forma mecânica e rápida como faria em meu serviço..questionou de imediato.. muitas vezes. . E quanto a dizer que respondi por força de hábito. Minha mãe era enfermeira.riu com gosto. hein!... você o fez em forma de relatório ao falar de uma vez. Puxa.. Esse tipo de interesse acontece com mais intensidade.concordou ela satisfeita. . Ah! Faço o curso Psicologia e tenho muitos planos e metas para atingir. principalmente por saber q ual é o meu trabalho. Isso é normal! . O que é reformado? . aguardou.... ainda trabalham. Terei de pedir uma substitutiva. A pergunta foi sua. Frente à moça. não sou do tipo que se acomoda nos trabalho s em grupo. Entende? Por ess a razão... Reformado substitui aposentado.Acredito que nunca conheceu nem teve um amigo policial militar. Você me deixou sem graça novamente. Apesar de responder tudo educadamente . ou seja. O que acha de irmos à lanchonete perto da universidade? Ótimo! Tudo bem! . mas com quatro filhos precisou deixar o emprego. quando Débora disse b em extrovertida: Gostaria de saber um pouco mais sobre você! Não é para o jornal da universidade. eu entendi que você quer conhecer meu perfil psicológico.. perguntou antes de saírem: Conseguiu falar com suas colegas sobre o trabalho em grupo? Ah. Posso ser sincero? . colocaram o meu nome e entregaram. . Aproximou-se mais. Deixe-me ver.. Meus dois irmãos são PMs também e estão na ativa.. Por isso dei um jeitinho e falei tudo o que mais queria saber e de uma só vez.. em tom brando e generoso: Neste momento estou em companhia d e uma linda moça e. Qu ser gentil. Moro com meus pa is. sim! Minhas amigas são ótimas! Bem. sou solteiro. falou baixo. ele correspondeu ao sorriso e continuou: Você estava super curiosa para saber algumas informações pessoai s a meu respeito.. Então. Então.. tenho certeza de que não me enquadro nessa função.. Você foi gentil. insatisfeito com meu salário... .. tenho dois irmãos mais velhos e. Débora . Logo depois. Talvez seja por força do hábito. Ela não disse nada e ele prosseguiu: .. Bem. Não tive a intenção de constrangê-la.. Falarei com o professor hoje.falou animado. funcionário público. Ela é especial! E alguém que eu gostaria de conhecer um pouco mais! .banco do motorista... Entrei na polícia por falta de alternativas.Pe nsou por segundos e foi verdadeiro ao revelar: Bem.. Meu pai é PM apos entado.Ao vê-la acenar positivamente com a cabeça. Então por que entrou para a polícia.suspirou fundo e sorriu sem jeito. Desculpe-me. Bem.. No militarismo. sem compromisso. Sérgio? O meu pai é policial militar reformado e.oferecendo belo sorriso. Débora sentiu o rosto aquecer imediatamente.sorriu ele.

Contudo não suporto e revido as agressões verbais.. Que bacana! Você é um lutador! Seria fácil se acomodar e culpar a vida por não conseg uir alguma coisa. Também sou a te ira filha entre quatro irmãos.perguntou mais séria.argumentou ele. Acreditei que procurar um psicólogo demonstraria assumir ce rto desequilíbrio da minha parte. depois me sinto tão mal por fazer isso. que prosseguiram na terapia e seguira . adolescente ainda.. Depo is o Tiago. Veja a ironia do destino!.disse ligeira. entrei na polícia e fiz cursos até chegar a uma graduação satisfatória. Al iás. Há tanta diferença entre nós! Eu sinto a mesma coisa com relação à minha família! . Eu não podia imaginar... Economizei o que pud e até entrar para a universidade. Isso é desequilíbrio. mas os préstimos dos psicólogos e a busca de te rapias jamais são procurados por pessoas desequilibradas. procuraram auxílio e se p ropuseram ao tratamento. depois eu e a Yara é a caçula. sinto muito em decepcioná-la.Ao vê-la refletin do. continuou: Depoi s meus pais tiveram a Lúcia e eu. não me acho nada parecido com a minha família.Mas você disse que tem dois irmãos ou eu ouvi errado? . Em seguida contou: As despesas eram muitas e meu pai não poderia pagar meus e studos nem de meus irmãos.. Se eu fizer nada por mim hoje. Muitas vezes se fazem de vítimas e acusam os outros de não compreendê-las. Acho a vida deles bem limi tada. E entre o riso.. Ele se interessou.Mais sério. concluiu: Você sabia que de cada cem pessoas alcoólatras que assumem a dependência . solteiro e quem eu tenho de aturar para dividir um quarto ..disse com graça. menos de quarenta conseguem êxito depois de um ano? E dos sessenta que desistiram.. O Marcílio é meu irmão mais velho. casado e tem dois filhos. pois acreditam poder parar a qualquer momento com o que as escravizam sem a ajuda de profissionais ou grupo de apoio. Tudo bem . Muito ao contrário! Aquele s que admitem soluções para seus problemas ou dificuldades. Sérgio sorriu e explicou: Débora. Sérgio.falou sentida.observou com simplicidade. Concorda? Lógico! Sem dúvida! Sabe.. Não pense que sou orgulhoso. Mas minha irmã morreu há um ano e meio. buscando entendimento. disfarçando um forte sentimento sem que a moça percebe sse. menos de vinte retornam para buscar ajuda? E bem poucos desses vinte persistem?. buscam ajuda e fazem tratamento. tenho mesmo. A Emy e o Élcio são os mais velhos. Porém a Emy e o Élcio fazem da min ha vida um inferno por eu não pensar ou agir como eles! E meus pais nunca se manif estam em minha defesa! O que os leva a essa incompatibilidade? . Ai! Você vai zombar de mim! Por quê? . serei e terei nada d aqui a alguns anos..lembrou-se. por isso eu os concluí em escola pública. Perdoe-me ..Como pode garantir isso? . não é Sérgio? . estou brincando. a de sargento. dependente do serviço público e. curioso: Eu perg untei algo errado? Não! De forma alguma tornou ela. h armonia e um melhor jeito de lidar com o que experimentam ou sofrem. eu sempre pensei em procurar um psicólogo para entender melhor o que vivo .. sinto e os conflitos inevitáveis com meus irmãos com os quais eu tento. nós dois nos damos muito bem.calou-se e suspirou fundo. Sim. mais ou menos. E. Nossa! Eu não sabia disso! Entre todas as cem pessoas que admitiram a dependência. .Observando-a oferecer meio sorriso ao girar o copo de refrigerante entre as mãos. Eu penso assim: tenho de começar a fazer algo e me transformar agora para estar melhor daqui a alguns anos. dentro da área clínica. Consideram-se auto-suficientes e não admitem o vício do entio.. falou: É que. dizemos que essas são conscientes. A Yara é neutra em tudo.questionou no mesmo tom. Aq uelas em torno de quarenta. Estou falando com você como se estivéssemos em uma terapia . são justament e as pessoas equilibradas. atenta. Essas pessoas são oentes e estão presas em seus vícios de tal forma que não conseguem enxergar e admitir a realidade a ponto de procurar ajuda. Parece que não quer depender de ninguém.. . Eu não quero ser como o meu pai e meus irmãos.riu ao a visar . . Tenho uma maneira diferente de planejar a vida. Você já viu um alcoólatra irrecuperável admitir que seja alcoólatra? Um viciado irreve sível dizer que é dependente químico? Garanto que isso é pouco provável. tento e te nto me segurar.

Nunca pensei por es se ponto de vista. não estaria recebendo mesada pelo fato de prestar um serviço.. . . e desabafou: Meus pais nunca me valorizaram. Estamos conversando . mas um tormento angustioso tomou conta de seu coração por não desejar vê-la sofre r. Contudo todas aquelas que pr ocuram uma ajuda profissional são pessoas conscientes e que não desejam continuar ex perimentando determinados problemas. O meu pai tem uma grande empresa que presta assessoria jurídica ampla: contábil. Mas. Meus pais são advogados. . vendo-a atenta e pensativa. Por eu traba lhar. eu gostaria de conhecê-la. Obrigada pela explicação e exemplo. são as consc ientes. . deter ao olhar para o alto sem encarar Sérgio. Decidi e me adeqüei ao jornalismo. Débora encarou-o com largo e belo sorriso ao admitir: Eu desconhecia tudo isso. Meus irmãos não fazem absolutamente nad a! Só assinam alguns papéis para somarem número de advogados atuantes.. . mas logo falou: Sei muito sobre as atribuições de meus irmãos. pois é um enorme prazer não viver da mesada dele igual aos meus irmão s.Breve pausa e exclamou: Nossa! Como me criticaram! A propósito. Fiquei tão magoada com a minha mãe.. Sempre tivemos uma vida privilegiada. Sabendo um pouquinho sobre vo cê. trabalham com meus pais para terem onde se ancorar. angústias. contou: Meu pai não se con forma em me ver trabalhando como corretora de imóveis! Entretanto tenho o maior or gulho do que faço. Na verdade não sei descrevê-la. . às vezes acho que não pertenço à minha família.. Nem tinha dezoito anos aind a! Parei antes de terminar o primeiro semestre. um crescimento espiritual digno. misto a um olhar de melancolia. Como você sabe disso?! .. Por insistênc ia do meu pai eu comecei a fazer Direito e detestei. mas as realizações dos serviços passam longe deles.intrometeu-se com leve riso. sem auto-agressão ou auto flag elação. Os belos olhos castanhos de Débora se empossaram nas lágrimas que tentou. Ali te m muita coisa errada e.. em minha opinião. A Yara não sabe o que quer da vida e só faz cursinho. os dois me ridicularizam e meu s pais se calam parecendo coniventes. dando-lhes apoio! Entende? . Neste momento não estou s endo terapeuta. Não posso concordar. por sobre a mesa que os separava.. . De início. outra é amizade ou coleguismo. As que retornam são as determinadas a alcançar o fim de seus objetivos. O meu pai nunca me amparou ou me protegeu. são as acomodadas.. Fomos criados pelas babás e est udamos nas melhores escolas. escondendo o rosto entre os cabelos e chorou em silêncio. Envergonhada. colocando-as entre as suas.Breve silêncio e contou: Bem. Além disso. se você trabalhasse na empresa de seu pai.. se mal a conhecia?! Inquieto e impulsivo. O Élcio e a Emy se formaram em dir e.Oferecendo uma pausa. minha família me censura em tudo! Com exceção d a Yara... Tenho até medo de conhecer mais.Ficou co m olhar perdido. o rapaz desfechou em tom brando: Uma coisa é terapia. Como disse no início. ele realiza serviços de despachante a lfandegário para liberação de importações e exportações. dúvidas..Sérgio pendeu c om a cabeça positivamente e ela prosseguiu: Você acredita que minha mãe veio conversar comigo e me perguntou se eu não estava com inveja da Emy e do Élcio?! Por que ela perguntou isso? Certamente por eu não agüentar mais as chacotas e o desrespeito deles para comigo e revidar à altura quando começam a me ridicularizar. Comecei a fazer Administração de Emp resas e não me adaptei. engrandecendo o s préstimos da empresa. certo? Errado! Conheço bem aquela empresa. persistentes e equilibradas.Sem esperar por uma resposta. procurando não depender do meu pai para tudo.m cada um dos doze passos. ele não podia ent ender. dificuldades. Minha mãe finge se interessar pela profissão só para fugir dos assuntos da família.. sem agressões de qualquer tipo. Inclusive por você trabalhar . Como explicar tal sentimento. Sérgio se . ele estendeu os braços e afagou as delicadas mãos da jovem.Riu e continuou: Como disse.. As que desistem definitivamente voltam a crer na possib ilidade de serem auto-suficientes. ela abaixou a cabeça. Elas se libertam para uma evolução pessoal saudável. baixa auto-es tima.Um pouco de silêncio. compreendendo e se integrando com os quais precisam e desejam conviver sem atritos. fiscal e civil para muitas companhi as e empresas de considerável porte. desespe radamente. posso falar de mim. Querem justamente se livrar do que as incomoda a fim de viverem em harmoni a consigo mesmas.. apesar de toda luta a interior e sacrifício.

Débora dissimulou e sorri u ao cumprimentá-la com um beijo: Oi. sente -se conosco! Estamos esperando o horário.. Obrigada.murmurou... secando o rosto com as mãos. Acho que fic o tanto tempo presa. gostaria de não perder sua amizade. não. de se julgar ou se criticar e tentar prever a opinião dos outros. Sérgio! Tchau. Não sabia o que diz er. Sérgio perguntou: Tem certeza de que não quer comer nada... . este é o Sérgio. dando-lhe um beijo no rosto... Acho que não teve uma boa impressão a meu respeito e... mesmo? Não. Sérgio.. não é? . Sentado ao lado de Débora que disfarçava os suaves tremores pela brisa fria e úmida .correspondeu animada. Você não é obrigado a ouvir minhas lamúrias. desde que praticadas de forma saudável.Voltando-se para a amiga.explic ou ligeira. Caso isso me incomodasse. Débora virou-se. quas e triste.levantou..... Ah! Obrigada! Se não fossem vocês!... Aguardou o longo silêncio. Ele não disse nada e ela chorou um pouco escondend o o rosto discretamente com uma das mãos enquanto a outra o envolvia.ela o interrompeu e foi bem direta .. Pare de s e punir.. pediu: Perdoe-me. sentou-se ao seu lado e a abraçou.perguntou.. Prazer em conhecê-lo..exclamou após beijá-lo novam ente e se afastar..tornou Rita sorridente.. mas tenho de entregar este resumo. Poderia me f azer esse favor. Deixa comigo! .Retribuiu o rapaz.. quando um vulto chamou-lhes a atenção e se voltaram para o la do vendo uma bonita jovem parada. encarou -o sem dizer nada e fitou-o longamente com expressão indefinida.. É que. pois ele falou a verdade. estendeu-lhe algumas folhas e explico u: Dé. aqui está uma cópia do trabalho de ontem. observando-a e acariciando-lhe suavemente as costas ao dizer: Não tem motivo para pedir perdão. Eu só quero um segun dinho da Débora! . m a colega de classe e melhor amiga! Prazer! . não me desligo do que me disseram e crio tormentos inúteis em vez de soluções... Já pensou que você pode estar bem errada com esse tipo de condenação e julgamento? ... Dé? . Tem toda a razão. Débora!. Estou entendendo o motivo de minha tensão..exclamou alegre. Venho descobrindo algumas coisas daquela empresa que... Quer entrar? Está. Sérgio..Com os olhos avermelhados. Hoje nem vou entrar. Nos últimos tempos tem sido difícil eu to lerar tudo o que acontece lá em casa e. O casal não esperava. Só preciso de um favorzinho . Detesto chorar . O prazer é meu! . eu arranjaria uma desculpa para ir embora.Sem demora Débora apresentou: Rita. não namora e não se diverte? Não passeia. Bem! . Acabo m e aborrecendo. Ai! Que droga!.expressou-se Débora. Débora se calou e não erguia o olhar. afagando-lhe rapidamente o ombro. ao tempo em que fazia gracioso aceno com a mão. sorrindo e aguardando. levantando-se e propondo: Por favor.. Eu não tenho o direito de invadir sua privacidade ou. Ah. Minutos pass aram e ela procurou se recompor desculpando-se ao se afastar um pouco: Acabo de conhecê-lo e. Que nada! Você já fez tanto pela gente! Mas. Após suspir ar fundo.. mas disfarça bem. não viaja nem conv a com algumas amigas sobre futilidades?. Creio que ninguém goste de ver os outros chorando por ninharias e ainda ouvir prob lemas. Débora.agradeceu Rita dando-lhe um rápido beijo no rosto e avisou: Agor a preciso ir. vive tensa. Espere. Sérgio .... certo? Ela deteve as lágrimas e as palavras. Por que me pergunta isso?! Essas atividades. ped iu: Desculpe-me. aconchegando-a ao peito enquanto afa gava-lhe suavemente os cabelos. e ele questionou parecendo adivinhar sua vi da: Há quanto tempo não sai.. tchau! . não! Obrigada! Fiquem à vontade! . com pensamentos inúteis nas críticas feitas por eles. esta é a Rita. fazem bem para a ment e.. Apesar de você apresentar-se bem disposta e alegre. Rita! Tudo bem?! Oi! Tudo jóia e você?! . Obrigadão! Ta! . relaxam. Arrependido. estendendo-lhe uma pasta ao chamá-la pelo apelido carinhoso. Ei.expressou-se num murmurinho vivo e alegre ao sorrir.. pegando a pasta.

Jogue-o nas costas. Ao vê-la com seus materiais nas mãos e encolhendo-se. Seu pai se meteu na briga e. Quer ser minha cobaia?! . mãe . por não resistir ao frio.. apanhando-as em seguida. Ao entrar. dando um duro danado para suportar a faculdade. . Diante da educada recusa.Sem que a jovem esperasse. estágios .cumprimentou e a beijou. conv enceu o pai a comprar esta maldita casa para vir morar conosco e se encostar. não. Bênção. A Ana. Sem perceber. Ela engravidou para se casar e fugir do domínio possessivo do pa i.. cl aro! Eu não sei mais o que fazer. Estava animado como há muito não se via. A sala de aula é quente . Estou farto de ajudar a financiar comprom issos que eu não assumi! Por que acha que não me casei?! Por que acha que estou estu dando. Se fosse trabalho. E tão acomodado que. mas não sentirá frio. Não é preciso . pois achava que ele estava com frio e não queria vê-lo ir sem vestir a blusa.Mudando rapidamente o assunto. Sérgio! A Ana nunca se controla: bate nas crianças.. O de sempre. Ao término das aulas. Tinha idéia do que havia se passado. vamos! Ele pôde sentir o vento cortante e inesperado. dona Marisa. deu no que deu! O Marcílio sempre gastou mais do que ganha! Nunca pensou no dia seguinte!.perguntou com pe nsamentos repletos de desejos positivos. Aceite . Não era costume de sua mãe ficar até àquela hora aguardando-o. sorrindo sozinho. Agora. Gostei da idéia! Vamos combinar isso direitinho! Vendo-a iluminar novamente pelo belo sorriso. conforme havia combinado. A mulher estava sentada à m esa da cozinha.. brincando do mesmo jeito. O Marcílio nunca assumiu qualquer responsabilidade. era observada por sua mãe. ao se levantarem.Acho que estou precisando de um psicólogo .. jogou as chaves do carro para o alto num gesto de brincadeira. Satisfeito. perdendo o ânimo de imediato. Obrigada.correspondeu. Não. A jovem não disse nada.respondeu de modo mecânico. tornou a oferecer sua blusa.tornou ele firme.disse educada. o rapaz a deixou em casa. ele perguntou: Quer meu suéter? Ficará grande. Não vai se dar ao trabalho de me levar para casa. Antes de descer do carro. envolveu-a e recostou-a em si a fim de aquecê-la. Débora fez questão de devolver -lhe o suéter. Sérgio surpreendeuse ao vê-la. mas Débora recusou parecendo constr angida. Por que a senhora ainda está acordada? E tão tarde! Não consegui dormir.riu com meiguice. vai? .. Alegre. ele avisou: Preciso saber onde pegá-la e a que horas. Preciso de voluntárias para a aplicação de alguns testes para meu trabalho de conclusão de curso. * * * Era bem tarde quando Sérgio chegou a sua casa. Não desejava saber detalhes de qualquer ocorrido. quase num murmúrio. O rapaz deu um suspiro e em seu belo semblante fulgurou um ar de insatisfação. cantarolava baixinho.. e percebendoa tentar aquecer os braços com as mãos. Deus o abençoe . expressando-se aborrecida por esperar o filho. A pior coisa que o pai fez foi comprar esta casa para ajudar o Marcílio e a Ana .. não iria me candidatar! Agora. Entretanto viu-se na obrigação de perguntar: O que aconteceu? Ah!. ela aceitou rapidamente o suéter de lã que ele nova mente ofereceu.. quando não conseguiu pagar o aluguel.insistiu enquanto caminhavam. deixando-se agasalhar daquela forma e ser conduzida. ela perguntou: Quer ver onde é minha sala? Ah! Quero sim! . por sua vez. filho! Não suporto essas brigas! Nem eu! Cansei! . o moço sobrepôs o braço em seus ombros. Hoje foi o maior inferno nesta casa. Sérgio se encontrou com Débora e de ssa vez. briga com o seu irmão. tantas pesquisas. sempre f oi temperamental. Durante o trajeto conversaram muito e s e conheceram um pouco mais.

autoritária. Eu nunca disse que ela era má.. um corrige o outro! Como pode falar de casamento se nunca se casou. O parceiro ou parce ira raramente mudam depois da união. Sou muito observador. Meu erro foi terminar algumas vezes. esse casamento nunca começou! Para um casamento acontecer.. Exa tamente nessa época a Sueli revelou-se! Ela foi capaz de ofensas gratuitas contra mim com o intuito de sentir-se superior. nunca a iludi com promess as de casamento! Isso é história da cabeça dela! Ela é uma boa moça.corrigiu-a de imediato. .. sorridente e cativante até dominar as pessoas com seus mimos ou fazendo o tipo: sou vítima. inconformado com a situação. Dois anos foi tempo demais.. Uma jovem alegre. Não a quero nem como colega. verdade. não em função dessa pessoa! . é burrice! Quando é carma. Digo isso com conhecimento de causa.. Ela me julgava como sendo de sua propriedade. Egoísta só não! E la é egocêntrica! Para a senhora entender.. E o enganado nessa história fui eu! A senhora acha que a Sueli demonstrou sua verdadeira personalidade antes?! Foram nos últimos meses e. Mãe . É uma pessoa improdutiva com oc upações superficiais e fúteis. pobre de mim! Foi então que ela. A senhora não imagina. Não temos um perfil psico lógico compatível. eu explico em detalhes: a Sueli acredita que tudo existe em função dela... Porém cheguei a um ponto insuportável! Então foi definitivo. Senti algo errado e me recusei a um compromisso tão sério e definitivo. parceria e confiança. Posso até dizer que foi no último ano em que ela mostrou realm ente quem era e a sua índole.. egoísta e.. Parece que a enganou. Se bem que nesse aspecto ela não deixa a desejar ...Algu ns minutos e falou mais brando: Tentei fazê-la entender. Não foi passatempo. Terminei o namoro e não deixei qualque r esperança da qual a Sueli pudesse se alimentar. re-sulta o amor.. O . E o tipo de pessoa que não admite a reali dade. o melhor é não se unir. eles revelam um lado bem sombrio que antes não foi visto.. O que a Ana e o Marcílio jamais tiveram! Quando há a menor dúvida sobre um desses itens.. mãe. Ao ver o quanto estava sendo difícil só com um filho. mas não concretizava nada de material ou espiritual. Sérgio?! Ao contrário! Acabou fug indo do casamento com a Sueli! Uma moça que.. . fuma ou joga compulsivamente. estudar como precisava. mas não adiantou. depois ficar com pena e reatar o namoro... ele falou em tom grave. Tinha sempre de me dedicar inte iramente a ela.... mas demorei a notar o quanto ela representava bem. Que engan o! Se ele acredita que ela será menos irritada. veja bem.. Sei lá. mais caprichosa. sai co m outras mulheres. Ao contrário.. le aldade. Nunca.lamentou a mulher. Eu dev eria lhe dar satisfações de tudo! Pelo amor de Deus! Isso era sufocante! Nunca conse gui trabalhar direito. Não fazia nem faz nada na vida. chega! . pois ela sempre se achou importante em tudo. Era uma das poucas vezes que reclamava daquela forma.. Perdão..Andando vagarosamente de um lado para outro. Acho que o casamento deles acabou . Sinto algo. e ela pensa que o companheiro mudará após se casarem.. Não! Para mim.. Porém nesses. não dá atenção.. Quase dois anos de compromisso.. pois isso era o mesmo que ficar por baixo.espalmando as mãos sobre a mesa.. Se ele bebe. Foi a melhor amiga da sua irmã. Não fugi de casamento algum! Namoramos sério sim.Alguns segundos e prosseguiu com certa mágoa na expressão: Chegou a me chantagear para eu retomar o compromisso..e situações inúmeras?! Sabe por quê? Por eu pensar no meu futuro! Não serei dependente e a comodado à vida toda! A Ana é bem esperta! Não é ingênua não! Ela engravidou para se casar. eu conse gui ver que a Sueli era uma pessoa dominadora.dona Marisa teve a voz inte rrompida pela emoção e de seus olhos transbordaram as lágrimas.... Que engano! Se isso não for carma. carinhosa e lhe d irá toda a verdade depois de casarem. não se casar..Breve pausa e protestou: Caramba! Será qu e não sabem planejar a vida?! Pensa que é só pôr filho no mundo e berrar para os outros se apiedarem e ajudar?! . Dificilmente se a lterava. Somando tudo isso ao carinho e à co mpreensão.. Fui analisando e cheguei à conclusão de que a Sueli era fal sa demais e cruel. ele precisa de m uito mais do que duas pessoas sob o mesmo teto! Em uma união é necessário respeito. . .Sérgio estava nitidamente insatisfeito.alterou-se.. Puxa! A gente vive ao lado de alguém. d esabafou: Ah. mãe! .. olhando-a bem nos olhos . por que se deixou engravidar d o segundo e agora do terceiro?! . Meu erro foi deixar esse namoro durar tanto tempo. Lamento ter demorado em descobrir isso. mascarando-se e manipulando todos a sua volta.. Opa! Espere aí. ela começou a falar em ca samento.murmurou. Quase dois anos! . Sérgio.

durante todo o dia. fumando. continuarem apoiando-os. terapias e tarefas que exigem muito tempo. Sem demora. sua mãe exclamou. mãe! O que e le faz para melhorar essa situação?! . co m dó dos meninos.. não! . da minha estabilidade e segurança para a poiar quem não merece! Ao fim do desabafo. Não sei se reparou. não fico me esbaldando em farras.. e o tal doutor Edison. manter-me na faculda de com as melhores notas. sem esperar su a mãe responder. incrédulo. E. Quisesse ficar com alguém só por f icar.. Chega. prosperar diante dess a situação?! Ela briga. Ah. mãe..quis saber austero.Com postura mais firme.. pois assim ele teria um salário melhor! Nem a senho ra. . alertou em tom grave e pausadamente: Mas eu não desisto! Nessa história toda. estudar. A tal dona Antônia.. vai! Nem cursos dentro da própria PM o Marcílio se esforçou para fazer.. Vocês os susten tam na irresponsabilidade! Não pense que a Sueli seria diferente da Ana não! Tenho c erteza de que a Sueli seria bem pior! . fazendo estágio para a mi nha graduação. a Ana e o Marcílio não são os únicos culpados nessa história. exaurido daquela situação. bate nas crianças e engravida novamente! Porém. sim!. diga-se de passagem. Ao ameaçar ir pa ra o quarto... avisou: Com licença. pois a conhecemos.argumentou. grita.falou com uma pit da de ironia. Não sei por que a Ana briga tanto! A Ana e o Marcílio vivem dessa forma por falta de vergonha na cara. sustentando-os.perguntou um tanto irritado e. Blusa que a besta aqui lavará amanhã lá no tan que. ao esclarecer de modo rude: Além de você estar impregnado de perfume. imensa atenção. Apesar do sacrifício.. Como posso falar sobre algo com você se nunca conversa comigo?! Acho que esse r ato te conhece melhor do que eu! Ah. com a responsabilidade que me é imposta. mãe! Saiba que eles brigam e batem nos filhos para a senhora e o pai.. pesquisas. referindo-se ao rato treinado por ele. retornando frente a ela. .. Sabe. até dobrando escala pelo fato de o comandante permitir minh a permuta de horário porque eu estive. Não é fácil fazer tudo isso que faço. não bebo nem jogo. jogando e ficando no b ar o quanto pode! E a Ana?! Como ela reage para restituir. com deboche.. mãe. mãe do seu amigo. realizar os mais complexos e difíceis estágios. Sérgio exclamou: Ele foge! Bebendo... questionando com a intenção de irritá-lo: Se não pretende arrumar mulher e filho tão cedo. cuidando das crianças e f azendo pelos netos o que os pais deveriam! . Estou exausto..Sem trégua. o pior é ainda ter de ajudar. eu agradeço a Deus pela oportunidade. o pai ou a sem vergonha da Ana o incentivaram ou até o forçaram! Ele é um moleque! Só que chega de viver às minhas custas! Você não entende que. Parte dessa culpa cabe à senhora e ao pai que os apóiam.intrigou-se. Sérgio murmurou num tom grave: Não fale sobre o que a senhora não sabe. xinga. mãe. Namorariam em casa em vez de matar a ula com qualquer sem vergonha por aí! Como pôde conceber a idéia de eu matar aula?! . mas passei e passo muitas noites em claro estudando ou então traba lhando na polícia à noite. Não é fácil ter o trabalho que tenho. vou r uma olhada no Tufi . Para não deixar a situação acalorada. ele suspirou fundo. ao mesmo tempo pagar o curso dessa graduação. por que se envolve com qualquer uma? Não dá para crer em todo esse esforço que relatou quando mostra tempo de sair e f icar na farra! O que a senhora disse?! .que. Dona Marisa sorriu. nem joguei minhas notas no lixo! Sempre me esforcei e parece que nessa casa ninguém reconhece. professor e médico de loucos. Foi isso mesmo o que ouviu. sua própria mãe! . que fosse a Sueli. espiritualmente ela ostentava um delírio de grandeza! A Sueli seria uma nora melhor do que a Ana. aliás. de alguma forma. certamente o ouvem e conhecem a sua vida melhor do que eu. Mal desmanchou o namoro com a Sueli e já está com out ra e querendo ter muita moral com suas opiniões!.Alguns segundos de silêncio e ele falou ma is tranqüilo: Só tem uma coisa: eu não fumo. planejamento de vida e bom senso! Pense. respeito. financiar os gastos e conciliar dois irresponsáveis como a minha cunhada e meu irmão! Só que isso vai acabar! Ah. exclamou: Eu não arrumei mu lher nem filho porque planejo a minha vida! E não pretendo arrumar tão cedo! Por ess a razão não deixarei de cuidar do meu futuro. que é um perfum e bem caro! Sua blusa está suja de batom. E em nenhum m omento deixei de corresponder à confiança em mim depositada e a ajuda recebida de me us superiores para eu poder estudar. por não terem responsabilidade.. A vontade de desistir é imensa.

.disse a mulher.o filho questionou sem vontade. não me dá importância ne valor. acord aria sem disposição. Sérgio ofereceu meio sorriso e nada disse.. Se ouve. Gostaria de ficar na cama. Desejou como nunca poder sair daq uela casa. Muito pensativo. Nossa! A senhora já levantou?! Deus te abençoe .. sentiu um pouco de alívio em seu coração magoado. Desencorajado de procurar forças interiores. Mas me preocupo! Já ligou para o celular dele? A ligação só cai na caixa postal . pediu: Com licença. perguntou: Não vai comer nada?! Não . não foi?! Mas ela quer falar com você. mãe. filho! Vou fazer de conta que não ouvi isso . ele lut ou consigo mesmo a fim de encontrar vontade e ânimo para enfrentar a constante pre ssão exigida por um serviço quase sempre ingrato.respondeu insatisfeito.respondeu. Nós duas conversamos um pouco e a Sueli insistiu par a eu te dar o recado. Tratava-se de uma escala de serviço extra com a duração de vinte e quatro horas. O Tufi. como sempre fez. Acomodou-se melhor para o desjejum. Acreditava até poder sentir o perfume gostoso de sua loção suave. Porém seu sono foi afugentado ao chegar à cozinha. Ficou feliz ao rever mentalmente a cena de ele ajudá-la a vestir o s uéter tão grande. o filho se levantou.Débora hospitalizada por causa de uma mentira Por dormir pouco.. Havia tempo que não tinha compromiss o sério. tomou um banho e se deitou. A senhora sabe. colocando-lhe a xícara. 4 .Eu falo com a senhora. interrompendo-a e sem começar o desjejum. Ao vê-lo virar as costas. ouvi r seu riso contagiante. Esto u preocupada com seu ir-mão.. Brincou um pouco com o ratinho e a pós devolvê-lo à gaiola... ao menos. Mesmo após um banho rápido. ver seu lindo olhar penetrar sua alma. mostra-se bem alegre quando eu chego a casa. sentiu seu coração acelerar. Ainda deitada. Sonhou acordada por longo tempo até decidir se levantar. mãe.. trazia um suave sorriso no rosto ao se lembrar de Sérgio. Recordando-se de diversos detalhes. O Tiago não voltou para casa. lembrou: Esqueci de te falar ontem. Num gesto rápido. ver que sua mãe estava em pé e até pr eparando seu café da manhã. Qual deles? .. Por essa e outras razões. repentinamente. Sérgio. A moça demonstrava-se encantada. ao despertar. Sérgio experimentou uma amargura indefinida. mas no qual precisava mostrar-se à a ltura dos padrões preestabelecidos diante das inesperadas necessidades e urgências. quem sabe. Bênção. O rapaz não conseguiu resistir e falou firme: Desde que terminamos aquele maldito namoro.O filho a acompanhou com o olhar até ela se sent ar na outra lateral da mesa e contar: A Sueli telefonou ontem e. Estou atrasado! Depois de se arrumar rápido. demorou a conciliar o sono.. mas deveria ir trabalhar. ela liga todo dia! Eu já pedi para não me contar... Depois avisou: Não dormi. Ligue para ela. Sérgio sentia-se indisposto. Somente ao se lembrar de Débora. apaixonada. porém nunca me ouve e. Você nem reparou? Não é a primeira vez que ele dorme fora e não avisa.. mas dona Marisa. tinha os sentidos sonolentos e pensamentos desarranjados . ele retornou à cozinha com uma bolsa onde guardava s eu fardamento e despediu-se de sua mãe o mais rápido que pôde. Débora preguiçosamente remexeu-se na cama. * * * Horas depois. Tinha planos para aque ... . Decepcionou-se muito com outro rapaz e resolveu dedicar-se ao estudo e ao trabalho.respondeu sem se voltar e de modo que ela quase não o escutou..

A moça pegou a bolsa e.revidou E my em tom ofensivo.exclamou irritada. Após desliga r.perguntou ansiosa. A Yara deseja ficar aqui.. mãe! Não vê a divagação de sua filhinha? Seu olhar tão perdido. mas o assunto principal foi sobre Sérgio. ficaremos socados aqui?! Não mesmo. Está tão longe! Nem chegamos ao meio do ano! É o momento ideal para as melhores reservas.le dia. Estava imersa em lembranças do dia anterior até se sobre ssaltar com a indagação: Não é mesmo. repentinamente.pediu Débora com voz amarrada. você sabe! . Ele está?! .explicou Débora com austeridade . olhou por todo o quarto. a jovem não estava mais nervosa. Não sei. sou colega do Sérgio. em companhia de sua família. quase gritou: Bendita pasta! . mãe? . Mas claro! Somente os mais capacitados trabalham em nossa empresa . para se l ivrarem dos impostos neste país! Isso é sujo demais para mim! Somente os deverasment e nojentos e imorais profissionais da sua área são capazes de se satisfazerem com su as empresas tão imundas! Chega! Vamos parar com isso! . As pessoas insignificantes só sabem reclamar e perturbar a fel icidade dos outros. Tornam-se simples vendedoras! Pelo menos eu tenho honestidade! . Que inferno de vida! Pouco depois. Parecia enfeiti por uma magia nimbada de imagens de castelos rutilantes onde vive um belo príncipe prodigioso ...desfechou com ironia ao encarar a irmã. não abro ou manipulo dinheiro em paraísos fiscais para os grande s empresários. Desejava comprar um celular novo. entretanto não sabia qual desculpa poderia dar para procurá-lo.. Talvez por serem tão impotentes e incompetentes.protestou Débora. . olhou-se no espelho e arrumou rap idamente a roupa desalinhada. Não fi co procurando meios de fazer com que outras empresas soneguem impostos. porém a colega não podia.Vociferou o senhor Aléssio ofendido. Débora! Não vai querer ficar em um lug ar chinfrim?! Poderíamos ficar aqui mesmo . Virando-se para a mãe. mãe. Estudamos na mesma universida de. Ora. não hesitou em tocar a campainha e aguardar. Com licença! .satirizou Emy em tom poético e sarcástico. no carro de Sérgio.reclamou Débora. bate ndo a porta e atirou-se sobre a cama. Quando não. queridinha! . Então. novamente. a jovem seguiu para seu quarto. Não demorou e uma senhora atendeu: Pois não! Boa tarde! O meu nome é Débora. falando entre os dentes cerrados ao mesmo tempo em que fuzilava a irmã com o olhar. não faço cai xa dois com registros contábeis fraudulentos da posição patrimonial de uma organização ou de uma pessoa física. só lhes resta f azer colunas pejorativas aos atuantes profissionais de grande sucesso nos jornai s baratos e de quinta categoria.propôs Débora. Adoro ver neve no Natal! Ah. pegou o telefone. alguns políticos safados e líderes protestantes sem-vergonha. Débora praticamente não conversou nem dava atenção ao que diziam. Tenho o meu serviço e não sei se posso tirar férias .. Sem dar importância ao chamado de seu pai. estampando largo sorr iso ao certificar-se de ter esquecido sua pasta. Débora estacionou o carro frente à casa do endereço que Sérgio l he deu. Por que não passamos juntos só esse ano Podemos alugar um barco e brindar a passagem de ano vendo os fogos de Copacab ana! . O Élcio e a Emy qu erem ficar em Angra. Droga! . Um pouco mais tarde. Queria vê-lo. Emy! . E só porque quer. ligou para sua amiga Rita e conversaram por l ongo tempo falando de várias coisas. Débora? Filha! Não me ouve?! O que. Durante o desjejum. talvez você me acompanhe com o seu pai para a Europa.. já tinha outro compromisso. Débora convidou-a para sair. Levantou-se..perguntou voltando à realidade. perguntou: O que você diz a? Estávamos falando do planejamento de férias para o final do ano. saiu sem dar satisfações.. Eu não quero ir para o Rio! Não gosto daquele calor. Descendo do veículo. não queria ficar em casa. Pensava em sair.animou-se Élcio.tornou Emy. Não vivo à custa do papai! .Pegando as chaves de seu carro. Al egre. mas lembrava-se de Sérgio. Era tão bom ficar em sua companhia. Não enche.atacou Débora com palavras expressivas.

. preste muita atenção. Pode ser assim? Claro. Perdoe-me. Constrangida . Em seguida explicou: Estudamos na mesma U niversidade e. Com ligeiras orientações. educada: Desculpe-me. Claro! Perdoe-me por tomar seu tempo! Felicidades. Se estivesse aqui. o aparelho fica desligado... Desculpe-me . posso recebê-la mais tarde junto com os outros. . e. noiva dele... Não. Sim.falou decepcionada.. cruel. O Sérgi está trabalhando hoje... Você sabe.Não.. eu mesma pegaria o material pa ra você.respondeu em tom bondoso.gaguejou Débora após segundos... mas sentiu uma antipatia inexplicável pela jovem . Aquilo foi muito sórdido. Débora. Meu nome é Marisa..A moça tentou argumentar. Ah. Ligue o celular que você deu ao Sérgio e ele te devolveu .afirmou com voz trêmula. Imediatamente um sentimento de aversão brotou no coração da mulher que se deixou dominar pela influência de sua filha Lúcia. Um frio percorreu o corpo de Débora ao lembrar dele olhando em seus olhos.indagou à senhora abrindo o portão e se aproximan do da moça... Aqui é a Sueli.. Bem.. é que estou fazendo a prova do vestido de noiva e. Débora sorriu com simpatia ao explicar: Ontem o Sérgio me deu uma carona e... afir mando não ter nenhum compromisso. Sueli. mas a senhora a interrompeu: Escuta! Faça o que estou falando e bem rápido! Olha.. O espírito Lúcia a envolveu. filha . Olha. Satisfeita. .. A conversa durou algum tempo. Sueli. a moça sorriu generosa e agradeceu muito antes de ir embora. elas tramaram uma circunstância difícil de Sérgio explicar.tornou a senhora. passando-lhe intensos pensamentos. Débora.interrompeu-a novamente.atendeu Sueli.. Não sabia que ele trabalhava aos sábados. Então eu digo que você ligou. Quando o Sérgio está ocupa do. Débora estranhou ouvir a voz de uma mulher e perguntou. desculpe-me não poder conversar mais. por isso é bom tentar algumas vezes! Eu não tenho o número . . Foi então que percebeu a mesma cor do batom e sentiu o perfume que havia no suéter do filho... Débora. Será que posso te ajudar.. dona Marisa. até que a moça precisou desligar. uma moça deve ligar para esse celular..avisou a jovem com simplicidade. dona Marisa entrou. Obrigada! Tchau! Sueli desligou e jogou-se no sofá. Só liguei porqu e ele está com meu material e.. Qual é o seu nome? .perguntou a outra bem cínica. propositadamente aconselhou: Ele foi trabalhar de carro. mesmo sabendo o que aconteceria... Na verdade eu nem sabia que ele estava de casamento marcado.sorriu. sim.. Você atende dizendo que é noiva do Sérgio e. Débora abriu sua bolsa. pegou o telefone e ligou: Sueli?! Bom dia. Como você se chama? Sueli! Ah. desencarnada havia um ano e meio.. Tem onde anotar? .. mas esse número é do celular do Sérgio? É sim. .. gargalhando satisfeita. a mulher planejou o que dizer ignorando estar sob a interferência dos desejos do espírito Lúcia. Ele está trabalhando hoje e foi por isso que o celular ficou comigo.disse completamente atordoada e incrédula. Ah. Se você não se importar. Mas por que não liga para o celular dele?! . tirou o celular que acabara de comprar e registrou o núme ro fornecido pela mãe de Sérgio. Sou . A senhora manteve as aparências. Eu sou a mãe dele. Você é colega dele? . Débora? . pois o referido celul ar tocou: Alô? . Ao ver a jovem partir.. Ele me falou de um grupo de amigos da faculdade que iria ligar para ver nossa futura casa e levar os presentes.. É que. Eu esqueci meu material da faculda de no carro dele. mostrando-se amável. Pensando rápido.

. conhecido como COPOM. Entorpecida pelo sentimento que a invadiu tão inesperadamente. Sem demonstrar-se alterado.. * * * Sem explicações aparentes. Sérgio questionava detalhes: E o motorista do veículo? Parece que é uma mulher. Acabou de acontecer. O COPOM está fazendo o levantamento dos dados do proprie tário e.QSL. constatou não ter viaturas disponíveis para atender aquela ocorrência . o sargento Sérgio Ba rbosa caminhava perto da sala de rádio onde se podia ouvir a comunicação entre as viat uras daquela unidade e o Centro de Operação da Polícia Militar. corresponde a: Nome. Pelo fato do aparelho ser novo. Sargento Barbosa.tornou Sérgio controlado.Débora tinha os olhos nublados de lágrimas por se sentir humilhada. Inesperadamente tomou frente ao rádio e exclamou. O Sérgio não precisava ter mentido! Foi por isso que não me deu nenhum número de celul ar! Como não teria um celular?! Por que ele me enganou?! .. ela se atrapalhou entre dirigir e desligar o cel ular e.. o policial do COPOM falo u: QAP significa: Estou na escuta. avis ando: COPOM. experimentava um sabor de fel em seus sentimentos. abalroaram um veículo. COPOM. mal ouviu um grande estrondo.. Depois de se ocupar com tarefas corriqueiras na Companhia. Decidiu não parar o veículo e continuou dirigindo-o em uma avenid a cujos veículos estavam em alta velocidade. pois todas as outras estavam em atividade por outros chamados.respondendo em código habitual.QRA. código correspondente ao nome próprio.preocupou-se Sérgio.Sérgio quis saber rápido. Foi como Sér io desfechou a comunicação. O soldado Félix diz que eles só sofreram escori ações leves. Positivo! O QRA da proprietária é: Débora Cristina Ribeiro Marins. Depois de ordens ligeiras ao soldado que seria seu motorista. enganada e tr aída de certa forma. em um cruzamento de avenidas importantes. É a viatura do soldado Félix e o soldado Martins. Eles foram atender uma ocorrência. Ninguém ainda. Quem está no local prestando apoio? . Apesar de ele não enfrentar qualquer problema no serviço interno que desempenhava. mas o outro veículo envolvido está torcido e preso entre a viatura e um pos te.. informou o policial do COPOM . igua l a: Entendido? QSL! QRV e TKS. Uma das nossas viaturas está envolvida em um acidente! . a fim de apressá- . sentiu-se confuso e quase não acreditando no que ouvia. Ao ouvir o nome e mais detalhes. aqui é a base! QAP. Ao verificar. O soldado operador do rádio parecia aflito e o chamou de modo transtornado assi m que o viu: Sargento Barbosa! Corre aqui! O que foi?! . Sérgio sentiu o rosto esfriar. da proprietária do veículo é: Débora Cristina Ribeiro Marins. base! Prossiga! . que conversava com o soldado encarregad o da viatura acidentada. Como aconteceu?! . Ao mesmo tempo em que escutavam o soldado falando ao rádio da viatura acidentad a com o Centro de Operações da PM. ficou perplexa. comunicou os dados: O QRA . Sérgio certificou -se de que ele mesmo deveria ir para o local prestar apoio. . QSL? . Parece que num cruzamento.QSL corresponde a: Entendido? QSL! Prossiga! Entendido! Tornou o operador.QRA. pensava angustiada. aquele dia parecia bem penoso para Sérgio. Estavam com a sirene ligada e. Poderia repetir o QRA da proprietária do veículo envolvido? . QSL? . Lembrou-se imed iatamente do momento no qual anotou aquele nome e endereço dias antes para a ocorrên cia da menininha perdida.contou-lhe o soldado. COPOM! Entendido! Estou à disposição e obrigado. Naquele instante o policial do COPOM. Por aqui.Em seguida falou o ende reço.

Está muito aflita e. o oficial comandante da operação pensou por instantes e decidiu: Tudo bem. Policial Militar do Corpo de Bombeiros. Sérgio!. o senhor orientou comovido: Converse com ela. Ele silenciou seu dese spero e calou qualquer emoção que denunciasse seu desejo de ajudá-la como o seu coração pe dia. Vamos serrar as ferragens e. Eu a conheço. À medida que se aproximava do local do acidente.apontou. Débora . Sérgio precisou manter-se firme para não ser impulsivo. mesmo assim o reconheceu.. Dê-me permissão para falar com ela. Ficarei. No local. Receoso. Foi quando soube que uma equipe do Corpo de Bombeiros se encaminhava para o lugar. pa recendo vir de um machucado na cabeça. debruce ali e pod erá vê-la e segurar a sua mão.. Erga-se. Ficou sério. Foi nesse instante que. pois a condut ora do veículo estava presa nas ferragens.respondeu breve. Sérgio se fez firme para pergunt ar se havia vítima fatal. Ao vê-lo se posicionar. Você sabe... Apóie seu pé lá .. ta? Verificando que a moça estava bem mais calma com a presença de Sérgio. ele conseguiu vê-la e a cha mou: Débora? . Sérgio sentia crescer em seu pei to uma dor com misto de angústia insuportável pela expectativa. Experiente. ele pôde ouvir e reconhecer a voz chorosa e amedrontada de Débora. pois dificilmente a lguém sobreviveria dentro daquele amontoado de ferro. Está tudo sob controle..pediu sério e comovido..orientou-o ao jogar-lhe uma cobertura apropriad a. sargento! Mas será melhor se afastar. Posicionado conforme indicado. percebendo-o com expr essão alterada enquanto estavam a caminho. Fique comigo.lo.Oferecendo-lhe uma jaqueta de bombeiro do mesmo modo. o senhor está bem? .Ao olhá-la melhor. tenente . . Apressando-se para perto do veículo. Por favor. Sérgio fez exatamente como foi pedido. não deve tentar se mover ou se agita r. Eu prometo! Segure minha mão bem firme.perguntou-lhe o motorista. Me tira daqui! . não queria acreditar. o sargento Barbosa aguardou e na primeira oportunidade se apresentou ao oficial. Seu coração apertava a cada instante. A jovem encontrava-se muito confusa e inqui eta. minha querida. Vamos tirar você daí.tornou ela em lágrimas. pois a s condições de Débora poderiam ser graves. Dê-me sua mão. . O barulho da serra cortando a lataria era e . A condutora parecia desfalecida. Seguindo as normas. Sérgio pendeu com a cabeça afirmativamente e procurou se manter o mais tranqüilo possível. Um oficial do Corpo de Bombeiros conversava com a moça presa nas ferragens do veículo. Suspirando fundo.pediu piedoso.. Ela obedeceu... E sei que a Débora poderá ficar mais tranqüila e confiante se me vir. Tente aca lmá-la. uma vez que o veículo retorcido não os deixava ver direito. Sérgio e stava com o coração aos saltos ao observar o carro contorcido entre a viatura amassa da e um poste. apesar de bem atordoada. viu seu rosto escoriado e sangue escorrendo nele. pelo seu estado. verificou que as escoriações foram leves e superficiais.. Eles achavam-se ap arentemente bem e conversavam com outros policiais que chegavam ao local. bem perto do c arro. segundo os policiais qu e se envolveram no acidente. Contudo o nome e o endereço não lhe deixa vam dúvidas. mas estava bem. passavam-lhe informações. dizendo estar al i para todo o apoio necessário. sem demon strar sua aflição. avisou: Cubra-se também ou poderá se queimar . Ele f alou: Calma. Serraremos a lataria do carro e as fagulhas poderão atingi-la! . Sérgio estava praticamente deitado sobre o carro amassado procurando confortá-la.implorou chorando. mas não souberam afirmar. Nesse momento. Nem ouvia o que o soldado lhe falava vez e outra por estar atento às comunicações do rádio da viatura a fim ter mais notícias. mas sem o desespero de antes. Localizando os policiais de sua Companhia de Policiamento envolvidos no a cidente. Os pensamento s de Sérgio fervilhavam.. Sargento. Contudo ouviu: Obrigado. pois está bem nervosa e. tentando acalmá-la. ele informou ao COPOM que estava indo ao local do acidente. Venha e fique aqui. desceu rapidamente e o verificou sendo interditado para a ação dos bomb eiros. ficou atordoado com o que via. o oficial do bombeiro chamou-o: Sargento! Cubra-a com isso. Sim estou .

Não sei o que aconteceu. o comandante da operação dos bom beiros pediu com brandura ao observar Sérgio afagando-a com bondade e beijando-lhe a cabeça com ternura: Sargento. Em algumas oportunidades. gritando por alguns sustos. Foi sua noiva quem atendeu . porém não dizia nada. Eu acho.. Mentiu. precisamos imobilizá-la e tirá-la do chão. Não menti pra você . ela está em choqu e. ele podia ouvi-la chorar e implorar seu soc orro. Não te dei nenhum número de celular e não tenho noiva falou mais sério. ele entendeu a expressão de Sérgio e a visou em voz baixa que não tinham como resolver facilmente a situação. Ele há segurou alguns minutos em seus braços enquanto os bombeiros a imobilizavam como precisava. Agarrando Sérgio pela camisa.gritava amedrontada.. ela avisou chorando: Não mexam o carro! A minha perna dói! Dói muito! Tem algo me cortando! E..avisou baixinho e com ternura. Você precisa de um médico levada a um hospital e isso precisa ser agora! Fica comigo!. O tr abalho foi muito delicado e ao chegar o momento de Sérgio precisar se afastar para os bombeiros tirarem-na das ferragens.implorou em lágrimas..falou mais firme. Compreensivo. minha querida. Sérgio afagou-lhe os cabelos e ficou confuso. ela inibia a ação dos bombeiros... Eu prometo. calma! Está tudo bem.. preste atenção! . Sérgio! .. Repentinamente. Petrificado. Não consigo respirar direito! Estou sufocando! Daqui a pouco estará livre e será socorrida . proc urando orientá-la. com sério ferimento na perna. recebendo soro no braço e pro nta para ser levada.. A jovem chorou pela dor e ficou amedrontada.. Liguei e sua noiva atendeu. precisamos levá-la para o hospital mais próximo . entendeu? Consciente das necessidades...stridente. E. meu bem .. sobre a maça. . acreditando tratar-se de um delírio pe lo acidente. A movimentação no local não o deixava concatenar as idéias. . Chorando muito. não o largava. prosseguiram com o trabalho. Eu dirigia e.. Fiquei atordoada. Está mentindo de novo. ele só viu os olhos de Débora repletos de lágrimas fitando-o num último relance antes de ser levada para os devidos socorros. De repente. Dando orientação ao s outros bombeiros. Como pode ver. Sérgio falou mais firme e ponderado: Débora. Filha. Calma.. Você está com um ferimento hemorrágico na perna.. chamando-o afli ta.sussur ou. Sérgio se aproximou. delic adamente tentava soltar-lhe as mãos ao reafirmar: Débora. além de várias escori elo corpo e corte na cabeça. ela o olhou de um modo estranho e murmurou: Você mentiu pra mim. Não podemos usar força ou a machucaremos. momentos em qu e ela recordou os fatos e contou baixinho: Fui até sua casa. Mas ela parecia petrificada e segurava fortemente a camisa de Sérgio que. O oficial do bombeiro o chamou à realidade quando o esta peou nas costas e falou: Bom trabalho! Ela ficará bem! . . ela é sua namorada e eu me surpreen . o senhor se aproximou.. Acho que bati o carro. Ao vê-la ser cuidadosamente removida... porém piedoso.. Nesse momento ela estava imobilizada... Débora. Débora a garrou-se a ele como se o enforcasse com um abraço. av isando para consolá-lo: Não é somente sua conhecida.sussurrou no mesmo tom.Buscando olhar para o oficial que a ouviu e estudava sobre o próximo procedimento. Irei vê-la o quanto antes.. Liguei pro seu celular e.explicou o oficial. querida! Está tudo bem! Preste atenção.. entendendo as circunstâncias difíceis. Débora! Estou aqui! Ficarei com você! Pelo amor de Deus! Me tire daqui. Sua mãe me deu o número. ela entrou em desespero.... Disse que estava provando o vestido de noiva e. Sua noiva.dizia enquanto tirava o braço enlaçado com f orça de seu pescoço. perplexo com o que ouviu. A moça tremia e chorava compulsivamente. Durante uma pa usa no barulho.. eu estou sem celular.Vendo-o desorientado.. Ela espalmou a mão em seu peito. Solte-me para que possam socorrê-la . deixando-se cair.

decidiu ir visitá-la imedi atamente. p erguntou: E a Débora? Minha filha está fazendo um exame de tomografia. Procurou disfarçar o nervosismo..di com sua atitude.perguntou o pai. retribuindo o aperto de mão. Após ela ser socorrida. em q ue teria seus pensamentos fustigados por horas a fio. pois um ferro atravessou-a. fiquei bem preocupado.. Somente na manhã seguinte.perguntou curioso. Ao chegar. não se mover bruscamente pelo desespero enquanto agimos. Não me deixaram ficar na sala. não me lembro de você. Ele achava-se pensativo e cabisbaixo. Aquela seria uma noite bem longa. Soube se controlar muito bem. Muito obrigado por ter me deixado ficar com ela e. Após segundos. mas um dos médicos encontrou uma forte contusão nas costas e precisará de uma avaliação. Prazer. após deixar o serviço. Sérgio quer ia correr para junto de Débora e acompanhá-la. Sim senhor . não falar coisa com coisa. Aparentemente ela estava bem. ele se apresentou: Meu nome é Sérgio.respondeu forçando-se a não perder o controle.. cumprimentou dizendo: Boa sorte! Como sargento. Como ficou sabendo do acidente. t enente. Sofreu um machucado feio na perna. Sou o pai dela. certamente. Sérgio saiu do serviço e foi imediatamente ao hospital onde a ha viam socorrido. sargento. sofreu convulsões e. Afeiçoou-se muito rápido àquela moça que mal conheci .. Sérgio? . mas só sai de serviço hoje cedo e decidi saber com o ela está. Além de assustada. Sérgio retornou para a C ompanhia da PM onde trabalhava e procurou obter mais informações sobre onde Débora hav ia sido socorrida. Em seguida. só que em cursos diferentes. Não demorou muito e Sérgio estava no corredor hospitalar à procura do quarto de Débora. pois se julga va culpado pelo que aconteceu. senhor Aléssio . Procurando saber o endereço. ela está d esorientada e nesse estado de choque. Fiquei com a Débora enquanto os bombeiros trabal havam para cortar as ferragens. aviso u: . preocupado.. Lembre-se de que preci sa fazer a ocorrência. Após tomar as providências necessárias para aquela ocorrência. Agora leve os PMs da viatura envolvida para serem periciados pelo médico. Eu sou policial militar e estava de serviço ontem quando o acidente aconteceu. Além disso. Você ajudou muito. Virando-se para Sérgio. Agora vá! . Ela não deixou de sentir as pernas. São colegas da universidade? Sim. . Mas não podia. continuou: O médico acha que no acidente ela sofreu alguma pancada forte na cabeça e precisa ser monit orada e realizar alguns exames para verificarem se seu organismo está se recuperan do sozinho do traumatismo.. Estava preso ao dever. Repentinamente a mãe de Débora chegou ao quarto chorando e abraçando o marido. Estudamos na mesma.. Prazer. Na verdade. Não poderia simplesmente largar o serviço para vê-la e experimentav a uma angústia que não podia entender. para não levar em consideração o que ouviu. A Débora teve momentos de delírios. sofreu diversos cortes pelo corpo e precisou de vários pontos. Recebido pelo senhor Aléssio. confundiu tudo. Mas.. Sérgio estava pálido e transtornado. ele correspondeu ao cumprimento e se retirou. saber de seu es tado e tentar esclarecer o mal entendido.Estendend o-lhe a mão. machucada. * * * Na manhã seguinte. Hoje cedo nos deu um susto maior. por exp eriência.cumprimentou. quando o se nhor Aléssio perguntou: Desculpe-me. poderia procurá-la. E ela? Como está?! . Virando-se para o oficial. Sou amigo da Débora e queria saber como ela está. Meu nome é Aléssio. informaram que a moça havia sido transferida para outro hospital a pedido da família. Desmaiou. Em momentos difíceis como esse é importante a vítima se manter cal ma. Digo. agradeceu: Obrigado.. Já vi pessoas em situações traumática econhecerem ninguém.O homem se deteve pela forte emoção. Ouvi pelo rádio e fui para o local.. além de esclarecer aquela história. O senhor Aléssio a envolveu e afagou-lhe as costas. Conversamos para que se acalmasse. Sérgio. Estão cuidando dela e precisarão esperar p ara fazer o exame.

Rispidamente.. Sérgio a encarou por longo tempo.. provavelmente.reagiu à senhora.respondeu sua mãe. Sérgio!.. ele vociferou: Por que a senhora deu o número daquele maldito celular para ela?! Ora. não desse nosso endereço! .. o irmão de Sérgio adentrou e ficou surpreso no vê-los paralisados. Ela sofreu vários ferimentos. Deveria ter avisado a amiga que h avia terminado um compromisso com alguém que não o deixava em paz. Sérgio! Abaixe a voz para falar comigo! A moça contou que esqueceu um material no seu carro e. Sérgio não disse nada. ele perguntou: Ontem uma amiga veio me procurar aqui. Nesse momento. Ao ver Sérgio muito abatido e jogado sobre a . Por que a senhora deu aquele número?! Dona Marisa ficou pálida e em silêncio. dona Ma risa o recebeu com surpresa: Nossa. ela perguntou: Onde você esteve?! Por que apareceu aqui só hoje sem nos dar notícias? III?!.. não contendo o nervoso. contou: A senhora deu o número para a Débora e ela ligou enquanto dirigia.expressou-se.. Não tinha o que falar por estar nervoso. Cheia de vida!.perguntou Tiago. Sabe lá Deus o que mais essa infeliz falou! A Débora ficou chocada. distraiu-se ao dir igir. Em seus olhos via-se uma dor. E a culpa pelo que aconteceu com ela é sua! Como assim?! Não fiz nada! Mãe. por que. Em sua mente as idéia s fervilhavam ao deduzir tudo o que aconteceu. Acontece que eu queria falar com ela sim! ..gritou. .. * * * Ao estacionar o carro na garagem. E a culpa é sua + falou num lam ento. uma tristeza pr ofunda e inexplicável. pois estava de serviço. porém resoluto. Pegou-a comovido e encostou a pasta nos lábios. . expondo-se ao acidente. Mas o rapaz insistiu: O que aconteceu aqui? Nada! ... avisou que iria embora. traumatismo craniano.Apesar de ver sua mãe a ssustada. A mulher estava emocionada e ainda escondia o rosto pelo choro. Eu não sabia.. mostrando-lhe a pasta.. A Sueli atendeu e disse que era minha noiva e. filho! Não te vi chegar! Sem cumprimentá-la e postando na voz um tom sério e preocupante. Sérgio continuou: Fiquei com ela enquanto os bombeiros serravam a ferrag em retorcida e. a senhora sabe que aquele celular não está mais comigo! Sabe que o devolvi par a a desgraçada da Sueli quando terminamos! Por que foi dar aquele número para a Débora ?! Por quê?! . Sentindo-se deslocado. Ao encontrá-lo na cozinha. Débora levou um choque com a mentira de Sueli e. Tiago foi para o quarto. teve convulsões e contusão n a coluna. Ela disse que era sua colega e se não quisesse conversar com a moça . mãe?. Pegou suas coi sas e foi para o quarto. minha esposa e mãe da Débora... A mãe vai começar com a ladainha? . não foi? Ah. sem olhar par a o rapaz.. Agora era tarde.exigiu. Sabia?! Eu me senti culpado e não consegui encarar a família. Não tem idéia do q ue precisou enfrentar e como sofreu presa nas ferragens! ... Como ela se chama mesmo?.respondeu.. E desorientado. Foi sim. Acabei de vir do hosp ital. ele foi para casa. o rapaz foi pegar sua bolsa no banco de trás e viu a pasta de Débora. porém voltaria para ter notícias. Oi! Tudo bem? .. Sabia que o celular não estava comigo. Não viu uma viatura que passava o sinal vermelho e foi atingida em cheio! Eu estive no local!. Então vu pergunto. Imagine-se no lugar dessa mãe! Imagine as possíveis seqüelas para essa moça tão jovem e cheia de planos!.. Está aqui! É esse o material que ela esqueceu! . Não imagina como ela ficou. Sabia sim. experimenta ndo uma tristeza nunca sentida. segurou sua bolsa e fe chou o carro entrando em casa à procura de sua mãe.falou mais comovido e com a voz embarcada. Sérgio não respondeu nem o olhou..Essa é a Hilma.... Amargurado. A mãe dela e stá desesperada. A senhora não imagina o que fez! A senhora é uma irresponsável! Olha aqui.. Não pude acompanhá-la. Sem esperar. e sem esperar por qualqu er comentário. Num grito grave.

. . né?! Cheguei sim.. além de muito preocupado com o estado dela. inteligente.Sérgio sentou-se na cama.. Mas logo desanimou: Não tenho com o entrar em contato.. Também não é assim. Preocupada. Sei! .gritou. Aqui está o telefone das colegas e eu conhe ci essa aqui... perguntou: E aí. 5 .. Veja. Sérgio. Tiago argumentou mais calmo: Sérgio.. Tiago ficou sério e aconselhou: Não acho que seria um bom momento para visitá-la no hospital. . jogando-se na cama. contou sobre o acidente e pediu para encontrá-la o quanto antes. meu? Por que essa cara? Só estou brincando. Por quê? .gabou-se Tiago. pois precisava muito falar com e la.Vendo-o sério.. Sirene ligada não dá o direito à alta velocidade e à falta de cuidados indispensáveis à segurança. Mas o fato de ela ter se abalado com a trama da Sueli a ponto de não prestar atenção no trânsito e bater o carro. Estou me sentindo tão mal com essa situação..Esfregando o rosto com as mãos.. Tudo bem! Viva de ilusão.. Isso mostra que a garota ficou desiludida e gosta muito de vo cê. Olha. Rita. Mesmo assim ela não deveria falar ao celular enquanto dirigia! Não é bem assim. boni a. Sem suportar o sentimento de indignação. abriu-a e começou a folhear o conteúdo à procura de um e ndereço ou telefone. Interessante. Ela está em choque e não vai recebê-lo bem Estou preocupado.Sérgio pensou um pouco e exclamou: Espere! Quem sabe!. Não dá pra falar sério com você. . Espere sua recuperação. depois de pegar Rita em sua casa. Nunca vou me perdoar! . Sérgio narrou exatamente tudo. Tiago insistiu: Ei! E aí. compondo a fras e a seu jeito. Veja bem.. Ao saber dos detalhes. Tiago. Sem demora. ficando de cabeça baixa e parec endo bem preocupado. o irmão brincou: Chegou hoje também e levou bronca.. nublada e bem cinzenta. Sentados em uma lanchonete.Olhando para Tiago. uma grande amiga Naquela tarde fria.quis saber Sérgio.. Sérgio pegou o telefone e ligou. O seu c arro foi atingido na lateral e prensado contra um poste. é só.. ...Rita.. Acomodando-se à sua frente. cara! Não sabe o que fez por mim! Ora! Fale a verdade! Eu sou o máximo! . Se algo grave acontecer a ela ou se houver seqüelas pelo acidente.. Amiga?!. Achei que ela é uma moça. não é bom vê-la..respondeu parecendo iluminar. falou de modo aflito: Meu De us!. a moça aceitou e avisou que o aguardaria.. Pelo que me contou e da forma como o fez.. não admitindo que esteja apaixonado. mas não disse nada e o irmão perguntou: Conhece alguma amiga dela? Lógico! A Rita! . você não está se agüentando e quer desmentir a Sueli. Diga a verdade. se ela não es tá bem. eles conversavam: Foi isso. divertindo-se com a idéia. deu pra ver que vocês dois estão começando a se gostar e muito! Ei!. Ou então não teria dado importância ao assunto. so rriu e agradeceu: Obrigado. É que estou amarrado na garota e vou defendê-la! ... Cara!. É que.Sérgio o encar u firme. cara? O q ue foi? A Sueli e a mãe foram longe demais dessa vez.. Sérgio tomou um banho rápido e foi até a casa de Rita. Achei! . demonstrava-se nitidamente preocupado ao contar-lhe sobre o que aconteceu .cama. cara! Está acostumado com isso! Mas nunca atendi uma ocorrência com uma amiga vitimada daquela forma. Tiago! Meu! Olha a tua cara! Quando foi que se chateou tanto ao atender uma ocorrência ? Você é policial.Vendo-o abatido.interrompeu-o. Com o coração apertado.. Desde quand o e como conheceu Débora até a discussão com sua mãe. a Rita! Vou ligar para explicar tudo e.. meiga e. Só que eu estava de serviço e não na farra. Ao falar com Rita. Ele pegou a pasta de Débora. O semáforo estava verde para ela. Quem disse que eu estava? .. Não foi ela quem bateu na viatura.

Queria protegê-la de qualque r sofrimento! A Débora emocionada e desabafando?! . Poderemos explicar tudo. Aquela mulher é extremamente arrogante. Achei tão bonitinho ver vocês dois abraçados lá na lanchonete perto da universidade! Sérgio ofereceu meio sorriso e comentou: Sabe. Ela não estaria sorrindo e nos avisando com tanta amabili dade se a filha ainda estivesse num estado tão delicado. minha opinião é que a Débora está melhor do que a mãe nos disse. mas estou exausto. No local do acidente ela te reconheceu e vocês conversaram. falar com ela.. pediram para aguardarem na recepção onde dona Hilma foi recebê-los. Veremos! Meus pressentimentos são de que a Débora está bem. Ei! Vamos deixar de pensar no que deveria fazer? Vamos agradecer a Deus por e la estar bem. Coisa difícil. sorriu levemen .agradeceu.. Reparou que não nos deixaram nem chegar perto do quarto? Com certeza foi à mãe quem decidiu afastar os a migos. Ele ouviu e concordou. Não sei se vou conseguir dormir. Rita! Vamos! Dependendo de como ela me receber. Devo admitir que gostei dela sim.. ele lhe deu o número do telefone de sua casa e o endereço ante s de irem embora. preocupado e sem dormir a muito tempo. eu percebi isso. Mas imagine a impressão negativa que a Débora tem a meu respeito por causa des sa mentira tão baixa! Não consigo pensar em outra coisa a não ser em vê-la recuperada e esclarecer tudo. Se.. rindo gostoso.Olhando-a. Tomara. mas muito delicado. Rita? Se eu não acreditasse. Você nem imagina! A Débora é tão diferente! . Não seja precipitado. A caminho do hospital.respondeu.. Não poderia se alterar nem receber visitas. né? .estranhou a amiga.perguntou a moça à queima roupa. Você entende? Entendo sim. Tudo bem! Quer ir ao hospital agora?! Claro. inspirando cuidados. Rita avisou que entraria primeiro e conversaria com a amiga. Sabe. Precisava descansar para realizar outros exames. Quero vê-la. Daremos um jeito nessa situação. parecendo ter inúmeros pensamentos inquietantes.falou impl orando. Rita! . sorrindo pela primeira vez. Não será fácil. Sinto que é um cara bacana e está sendo sincero. a mãe de Débora explicou que a filha estav a sob o efeito de sedativos e dormia. Mais Vilma. fico receoso! É desagradável que a Débora nunca mais queira me ver.riu. Estou preocupada também. Rita tentou animá-lo: Ficamos mais aliviados por saber que ela está bem.. Conversávamos. mas sinto que vai dar tudo certo. Não estou suportando ficar aqui nessa agonia. . . Sérgio a olhou firme e confessou com certa ternura mista de tristeza: É. Além disso. Queria ter a oportunidade de conhecê-la me lhor. Estava monitorada e inspirava cuidados. Ta gostando dela. Eu conheço a Débora e sei qu la odeia traição.. A dona Hilma estava muito tranqüila. mas de repente ela se emocionou com um desabafo e eu não resisti e a abracei.Calma. * * * Para a surpresa de Sérgio e Rita. eles fizeram planos de como agir ao visitar Débora. mas vou te ajudar. E melhor ir para casa e descansar um pouco. Ao mesmo tempo... Percebendo a decepção de Sérgio enquanto dirigia sério e sem falar nad a. Obrigado. Se eu tiv esse contado sobre a ex-namorada. De volta ao carro. . Por que acha isso? Pela serenidade no semblante da dona Hilma. Não faz idéia de como me sinto. Acho que poderia ter evitado tudo isso. ela comentou: Ei? Você está abatido. Seu estado era estável. não estaríamos conversando . Acredita piamente em seus pressentimentos. Não reparou?! É sim.. Acho que é um bom sinal.. Isso não vai passar de um susto. Sérgio. ao chegarem. hein! Eu preciso de notícias dela.Observando Sérgio cabisbaixo. ao vê-lo estacionar frente a sua casa. Eu não engoli essa história de a Débora não poder receber visitas. Quero vê-la e esclarecer toda a verdade .. não sei o que dizer.Rita sorriu de um modo enigmático ao afirmar: Não sei por que. Mas você não a enganou. Parece que a conheço de longa data. completamente diferente de quando a vi hoje ced o.

pressão alt . Seu sono era mais forte do que a fome. plasmava-se como q ue vermes a roerem sua face do mesmo modo como se processou a decomposição de seu co rpo de carne no caixão. enquanto Lúcia chorava. A experiência macabra vivida pela alma no estado de sono produzia numerosos efe itos hormonais no organismo. pois estava esgotado. pois minha amiga merece! Conte comigo! . Sérgio! Percebi. * * * Ao estacionar o carro na garagem de sua residência. Ele não tinha uma a parência normal. Vestes estranhas. o es pírito se divertiu. Ela trazia no rosto o furo feito pelo tiro que a matou onde. só que está em desvantagem. Procurava se libertar daquelas mãos asquerosas e imundas que o agarravam. Sérgio se debatia. iluminando o rosto com agradável sorriso. Perto dela havia um espírito com postura aust era. Porém o cansaço o arrebatou. que estava assombrado e relutava àquela experiência. enq uanto só podia segurar sua mão delicada e fria. Sabe. estavam em seu quarto. pôde ver Lúcia. Eu tenho meu exército! Você não! Enquanto se debatia. Passadas horas. Espíritos sarcásticos com aparências horrendas. enquanto lutava para fugir daquele pavor. Foi então que passou a ver como era a casa onde morava sob uma visão espiritu al. empastar seu corpo. falo u antes de descer do carro: Reze.. senti que você gosta muito dela! .E le concordou com um aceno de cabeça e a jovem admitiu: E eu estou torcendo para da r tudo certo. Sérgio foi para o banheiro. já na sepultura. enquanto agiam como que se esfrega ndo no rapaz impregnando-o como se o deixassem sujo e ao mesmo tempo sugando-lhe as energias corpóreas. Olhando para o lado. sua irmã desencarnada. Rita! Não precisa agradecer. Sérgio tentava falar e gritar. O espírito Lúcia apresentav a-se com uma aparência sofrida. Três deles praticamente atiravam-se sobre o corpo adormecido de Sérgio. ou melhor. como o de um corpo em estado de putrefação. Provocando um a manifestação estrondosa e malévola para o rapaz entender. Ficou satisfeito por não encontrar com alguém de sua família e foi direto para o qu arto que dividia com Tiago. Aquela casa o deixava insatisfeito. muito obrigado mesmo. só que dormindo profundamente. Ele sentia como se estives se acordado. Aproximando-se de Sérgio. Não quis se alimenta r. Seu rosto era desfigurado e monstruoso. como se houvesse grandes cistos deformados sob uma pele nojosa.. ao apreciar seu desespero. esfarrapada e aspecto doentio. Foi um alívio quando se deixou cair sobr e sua cama mas não parava de pensar em Débora e em tudo o que aconteceu. permitindo mais liberdade e mais faculdades à a lma.Beijando-o no rosto. Ela gosta de você. eu gosto muito da Débora e ach ei que você é um cara legal! Quando conversamos por telefone.Ao tempo em que argumentava como se rosnasse. deitado exatamente como quando ele saiu. ele aconselhou: Não disfarce! Mostre-se como realmente é! Mudou sua aparência agora que está encarnad o. . mas não conseguia. ma s não havia alternativa. exaltando o corpo físico com aceleração cardíaca. durante o sono. tomou um banho morno e demorado. parecendo monstros. Era algo repugnante e difícil de descrever. Sérgio experimentou uma sensação asfixiante e perturbadora que o prendia ao corpo físico. Sérgio parou pensativo por al guns minutos.te ao agradecer emocionado: Obrigado. ela não parou de falar d e você! Sério?! .questionou. de forma escabrosa. Faltava-lhe oxigênio nos pulmões e um medo o dominava de modo impression ante.tornou sem jeito. Mas não pense que isso me impediu de reconhecê-lo! . mas sua voz não saía. Não sentia vontade de entrar. momento em que a alma não necessita do corpo e os liames que os unem se afrouxam. parecendo um fardamento militar antigo. Precisava dormir. Tinha a sensação medonha de algo grud ento e pastoso com cheiro fétido. esse espírito se acercava mais de Sérgio. Traz iam a feição x torcida por um sorriso zombeteiro. Sérgio! Lembre-se de Deus! Pode deixar! E ligue para mim se tiver alguma notícia! Despediram-se e ele se foi. Sentia uma dor no peito ao recordar de vê-la machucada e amedrontada no carro acidentado. Sorriu com o canto da boca ao ver o irmão largado sobr e a cama. de aspecto sinistro pelo formato da cabeça bem maior de contorno anormal. Novamente nos encontramo s. Tentava gritar.

. No entanto a partir daquele dia passaria a tê-los com mais intensidade. Respeitando seu pedido. ao mesmo tempo em que respirava fundo c omo se estivesse sem ar. muitas vezes. mesmo assonorentado. remexendo-se. O que foi isso?! Um sonho ruim . O sonho. Levou pontos na cabeça e em outras partes do corpo. Como nos é ensinado na Doutrina Espírita. Abalado com a impressionante realidade do pesadelo.tornou Tiago. levantou-se e caminhou pelo quarto tentando entender a mensagem daq uele sonho dentro dos conceitos que havia aprendido na graduação universitária. o anjo da guarda ou mentor do rapaz conseguiu estimular energias a Tiago. A Yara levou o celular para o quarto e eu conversei um pouquinho com a Débora! . ele furtou-se por alguns minutos e ligou para Rita que o avi sou: Olha. balançando-o pelo braço. Com um movimento brusco e inesperado. Os exames da coluna não acusaram nenhuma lesão grave.fa lou. com encarnados ou desencarnados. O rosto dela está inchado. Apaga a luz.falou. Sérgio obedeceu e foi para a sala. o outro continuava dormindo agitado. assustando-se com a reação do outro. Ainda é uma e meia. referindo-se à amiga pelo apeli do que a chamava quase sempre. depois gritou: Não! Saia daqui! Calma! Solta meu braço! . Acho que teve um pesadelo.. Contudo a Yara foi muito legal! Você nem ima gina! animou-se.perguntou curioso. a Dé está bem: alimentando-se e conversando n ormalmente. Sérgio sentiu medo de sonhar novamente. sentou-se rápido. por vezes. sentou-se ao ver Sérgio se debatendo e tentando murmurar algo. pode ser uma vaga recordação do que experimentamos durante o sono. eu soube pela Yara que a Dé está bem . . . sobressaltando-se. E por acréscimo de misericórdia.. Sérgio! . murmurando: Meu Deus!. De um modo geral. ele acordou. uma vez que seu espírito protetor e sua própria consciência o chamariam à atenção para detalhes a fim de ele se manter vigilante e não se desviar d o caminho certo. Sérgio perguntou: Cadê eles?! Não tem mais ninguém aqui. podemos ter uma visão do passado ou um pressentimento do futuro. Calma. por não conseguir interferir ou ligar-se mentalmen te a Sérgio para auxiliá-lo a libertar-se daquela obsessão. jogando-se na cama. procurou acordá-lo.contou eufórica. Olhando em volta. Isso de acordo com o nosso nível espiritual. mensagens que conseguimos. mas tudo indica que foi pela batida na cabeça.a e outras estimulações circulatórias e metabólicas pelo fato do corpo ligar-se à alma atr avés dos liames ou fluidos vitais. das quais trazemos alguns conselhos de espíritos ben feitores ou não.resmungou Tiago. Ela está com gesso e ataduras. Às vezes tem sono por causa dos remédios.dizia.falou Tiago. lembrar são coisas ou lugares que vemos ou onde estivemos. Pode ser comunicações.. Foi só um grande hematoma mesmo. Tiago despertou e. .2 Sérgio já tivera sonhos daquele tipo. O que foi?! . ainda ofegante. * * * Sérgio estava impaciente para ter notícias de Débora. Lembranças de onde estivemos ou de lugares a que ainda iremos.. Sem demora. Ei! Acorda. Sérgio colocou os pés no chão e esfregou o rosto com as mãos p ara afugentar as lembranças pavorosas.. é durante o sono ou o cochilo que a alma se liberta do corpo e entra em contato com o mundo dos Espíritos. aí. deixando seu sono suave a fim de acordá-lo pelos barulhos e movimentos agitados produzidos pelo irmão. sonolento. O sono influi mais do que pensamos sobre a nossa vida . Seguran do com força o braço do irmão. Através dos sonhos. Depois aconselhou: Deita aí ou vai lá pr a sala assistir à televisão porque eu ainda quero dormir. Você est va sonhando. mesmo acendendo a luz . imagens .. Mesmo trabalhando em um serviço tão exigente em atenção. Ainda sentado na cama. Porém.. As visões. A Yara me contou que é a dona Hi lma quem não quer visitas para a filha.

E aí?! .. Alguns imprevistos a impediram de visitar a colega e.. Arrasado. como grande amiga. *** Depois de tantos imprevistos e planos frustrados. Você nem imagina! Não devemos forçar a situação. o rapaz quase não falava. Entende? Você está certa. quando pôde foi inibida d e conversarem sobre Sérgio.. Sérgio! Fique despreocupado. Er a um sábado e. *** Os dias e as semanas se arrastaram lentos demais para Sérgio. Rita! Espero que não necessite. O pouco que podia. Contudo não se esquecia de Débora. Se precisar pode contar comigo ! Valeu. que Débora não queria recebê-lo.aconselhou Rita... pois se sente culpado e. sentada na cama da amiga. pois não tiveram muita op ortunidade de estarem sozinhas e o tempo não foi suficiente para detalhar tudo. Não se precipite com opiniões. Eu entendo e estou mais tranqüilo por isso que ela está bem. vai dar tudo certo! Rita parecia bem disposta a ajudá-lo. que a enganou.. explicava que não pôde conversar com a outra como pretendia. mas. Tais sentimentos eram provocados pelo espírito que o ator mentava.Diante do silêncio da outra. empolgado. ainda deve pensar que você é um crápula. Veja. Mas e se ele estiver mesmo de casamento marcado?! Acorda! Vai acreditar na palavra dele ou de qualquer?! Alguém que nunca viu e e stava do outro lado da linha?! Tenha santa paciência! Acabei de contar que o Sérgio está disposto a levá-la para um frente a frente com a família dele para provar tudo! Breve pausa e se expressou mais branda: Deveria ver como ele está angustiado. por causa da mãe dela. para dizer a verdade. surgiam situações complicadas que chegavam a deixá-lo insatisfeito e até irritado. Rita dizia: Débora. confortá-la em seus braços depois de esclarecer t oda a mentira sórdida e cruel inventada por Sueli. . Além disso. o dia tão esperado chegou. demonstrando-se amiga de verdade. Acho que vai perder seu tempo. Havia ficado bem sentido com sua mãe e magoado pelos resultados das con seqüências de sua atitude.. O desejo de vê-la era intenso e não sa bia explicar. dilacerando sua alma ao saber que precisaria esperar. por intermédio de Rita. Uma angústia inexplicável parecia cortar seu peito. no dia a dia. a convalescente trocava olhares indefinidos com a amiga e che gou a murmurar dizendo que precisava falar com ela. Ao mesmo t empo. Mesmo assim. você é inteligente! Eu sei que entendeu! . inconformado ao s aber. Nós nos falamo s pouco. que se recuperava.. até rimos ao lembrar que não saí com ela naquele dia do acidente quando me co nvidou e não pude ir! Acho que não irei à universidade hoje e vou visitá-la! É melhor esperar. ela c ontinuou: Dé. Por quê?! Primeiro.. Seria bom eu falar primeiro com a Dé. então vou visitá-l onversaremos. Sérgio . Rita. Ela estava meio sonolenta por causa dos remédios. Contrariado. Queria olhá-la. Depois.tornou Sérgio.. suspirou fundo e decidiu: . mas pareceu bem. abraçá-la. pois ela está se recuperando não só fisicamente como também do susto que passou. Vou te informando sobre qualquer novidade e me ligue quando quiser .. Sérgio dormia mal e passou a ter sonhos bizarros. em sua casa e com seus f amiliares. Vamos aguardar até ela receber alta. principalmente. seria bom ouvir o que o Sérgio tem para falar e só depois concluir. Mas não ejo a hora de falar com a Débora. pois sempre havia alguém da família de Débora presente no qu arto. trazendo sempre o desejo no mal e pronto para aproveitar qualquer oport unidade ou pensamento de Sérgio a fim de desequilibrá-lo e deixá-lo cada vez mais insa tisfeito com a vida.. Puxa! Como ele gosta de você! Débora ficou pensativa. Obrigado..

sorriu. Não me agradeça. Se eu tivesse li-gado para aquele número. sentiu que Sérgio falava a verdade.. Vendo-o se explicar daquela forma.. Espere! .. que cumprimentou os pais de Débora ao entrar. Ele ficou sem jeito e a jovem pediu. Eu estava desesperado. Por quê?! Eu devo estar horrível!.Encarando-o. Parece que algum as coisas se apagaram e.. estacionada em algum lugar. E não poderia ser d iferente. deixando a amiga sozin ha.. Sérgio. eu o devolvi junto com tudo o que ela me deu para deixar bem claro que não queria ter qualquer lembrança dela... Mas não sofreria o acid ente. Mas não teve culpa em nada! Débora. Afagou-o. Sinto-me culpado por não ter te contado que terminei um namoro há quase seis meses e ela não aceita.pediu Rita com sorriso maroto ao se levantar.. Estou. Es Rita gesticulou com a mão e sem esperar virou as costas..Olhando firme em seus olhos falou como se implorasse: Por favor. Por isso bati o carro.interrompeu Rita com sorriso de molecagem. tão submissa e como vente. abalada. Não me lembro de tudo.. curvou-se. Como se não fosse o bastante. Pe . beijou-a no rosto e pergun tou com voz tímida: Oi....avisou quase saindo do quarto. admitiu: Mas recordo muito bem de você m e chamando.. aproximou-se. Fui imprudente ao usar o celular enquanto diri gia.. O que a Sueli te contou é tudo mentira e eu posso provar... segurando em su a mão ao argumentar com voz meiga: Pare. Olhando o relógio. Então espere! . nos pouparia de toda essa angústia e. Acomodando-se. . ele parou à porta por alguns instantes temendo qua lquer reação. sim.. animada. segurando minha mão. Eu queria muito falar com você. pedindo para eu ficar calma. Não consigo me perdoar pelo que aconteceu... Preciso te agradecer.. . porém i ria procurá-lo e você me explicaria a situação. vendo-a naquela situação.respondeu com leve sorriso e um brilho especial no olhar. Não tivemos muito tempo e. Ficaria magoada com você e indignada por ter mentido. Quando terminei o namoro. Ela se inclinou para tocar em seu braço. Está a fim de deixá-lo esclarecer tudo?! .pediu Débora. Não vou dizer que foi um prazer estar ali.. apontando para a cadeira posta ao seu lado. Lembro que o abrac ei e não queria soltá-lo..interrompeu-a. pois aquele maldito celular foi um presente da Sueli quando namorávam os. Eu. po r isso está fazendo um inferno da minha vida. Não se culpe mais. Não demorou e retornou na companhia de Sérgio. você disse que ligou para o meu celular e alguém se passou por minha noiva.. Mas criou coragem. as eu precisava ficar com você. e logo foi levado por Rita até o quarto da moça. lá na rua. Ao ver Débora sentada na cama. avisou: ando há mais de uma hora e meia.. Algum tempo de silêncio em que seus olhos se fixaram e ele falou: Precis amos conversar e eu quero pedir um milhão de desculpas.. Não foi fácil. Antes de Sérgio ou Débora dizerem algo. é lógico que teria ficado surpresa. Mas. Sérgio... Ele está aqui? Na minha casa?! Não. . acredite e m mim. Obrigada por ter ficado comigo enquanto os bombei ros me tiravam do carro.Ele tinha uma expressão triste e angustiada. Bem!... o rapaz agradeceu: Obrigado por me receber. puxandoa para mais perto: Sente-se aqui... É engraçado . Acho que vou ao quarto da Yara para conversar um pouquinho. Débora! Como você está? Bem melhor e me recuperando . a minha mãe colaborou. . mas continuou: Sinto-me culpado por não tê-la avisado disso. aflito. Notando-o bem preocupado e até nervoso pe la situação -.. Se precisarem.. né! O coitado está esperando no carro. E outra coisa.. Débora não tinha mais dúvidas. Obrigada.. . a amiga se retirou rapidamente. Ei?! Aonde você vai?! Chamar o Sérgio! .Acho que vou ligar para ele e. Vou chamá-lo.

Visitas para Débora! .afirmou Sérgio. desejoso por beijá-la. teve u ma ligeira visão do clima romântico.interferiu o senhor Aléssio parecendo insatisfe ito. é o tio da polícia . Os pais da garotinha não entenderam e a jovem esclareceu sorrindo: Nossa.beijou-a no rosto.quis saber curiosa ao sorrir. Rita comentou: Hoje vou sair com meu namorado. que não ficou satisfeita. explicou: Lucas. Estive viajando a traba lho. . Rita! Acha que vou me indispor justo com você?! Também perceb i que a conversa seria bem duradoura. meu amor! A garotinha se abraçou à jovem enquanto os outros entravam. mas achei que aq uele pessoal tinha intenção de fazer uma visita bem demorada! Você me ajudou tanto.gritou alegre. Tudo bem . Estudamos sim . adentrou o quart o junto de dona Hilma. e o rapaz rapidamente se afastou. Sérgio ia beijá-la . Elza.. Ao entrar. Mamãe . Breno! . minha querida?! . talvez assustado. Atraída pela conversação. beijou a moça e apresentou: Débora. Tudo bem. i solado por todos.chamou Cris com sua vozinha doce . tio da garotinha. Débora se embaraçou com as palavras e se calou. percebendo algo diferente no comportamento susp eito.. Eles se olhavam quando Sérgio se ap roximou mais e acariciou suave sua face delicada. Eu gosto muito de você. e dos demais. . Cris! Que memória! . seus lábios chegaram a se tocar com ternura. mãe de Cris. esse é o meu marido Lucas.. Não pode imaginar o quanto sofri e. Foi então que começaram a conversar. Despediram-se de Débora. mas alegrou-se ao ver a pequena menina e exclamou: Cris! É você. Descu lpe-me por não termos ficado mais tempo. Rita chegou ao quarto e foi para um canto junto a Sérgio.respondeu a jovem sorrindo.disse. Ele sentiu-se excluído e com o passar do tempo Rita o chamou par a irem embora. Mas a Elza e a Cris sempre me davam notícias suas! Já me recuperei bem . Débora! . *** Durante o caminho para sua casa. acariciou seus cabelos enq uanto a olhava encantado. A princípio. achegou-se a ele quando suas faces quase se tocavam. descobrimos que cursávamos a mesma universidade. inerte experimentou o coração bater forte e murmurou com brandura no tom bonit o de sua voz grave: Débora. Pensei que estudassem juntos! . Enquanto o cumprimentavam. apontando tim idamente para Sérgio. Repentinamente Breno. Não é só por eu precisar sair.. pois o rapaz sentou-se na cama da moça tomando -lhe toda a atenção.Virando-se para o casal. dizendo: Surpresa! . q e encontrou a nossa filha. naquele mesmo dia. disfarçando ao avis ar: Vejam quem está aqui! Sérgio ficou sem jeito e se levantou ao ver os visitantes entrarem. Sentindo aquela pele macia e m orna. Débora pareceu sem graça.rdemos tanto tempo e sofremos por. Nós nos conhecemos quando a Débora encontrou a Cris e.alegrou-se Débora. Prazer em conhecê-la.. deixando-se envolver pel os carinhos. abraçando-a por longo tempo. apresentou: Este é o Sérgio. Não disse nada.. Inebriado de emoção.cumprimentou o homem de boa aparência e bem trajado . Fico impressionada por ela tê-lo reconhecido! Ele é policial militar e nos levou para a delegacia naquele dia. Vocês dois se entenderam?! . O senhor nada disse. ela explicou: Nós nos conhecemos no dia em que eu enco ntrei a Cris. A jovem.Em seguida. trazendo à frente um belo arranjo de flores frescas.anunciou a voz alegre do senhor Aléssio. Logo se justificou: Desculpe-me por não ter vindo antes. mas o som de leves batidas na porta os impediu. aproximou-se. Temos de ir ao casamento do primo dele. de sua filha e do rapaz. segurou cuidadosamente seu rosto.contou Débora. essa é a Débora. Eles se foram.

não quero vê-lo nem pintado de ouro! .. meu namorado Gustavo.lamentou.ele concordou. ela o lembrou: Amanhã você telefona para ela! Não se esqueça! Pode deixar! Mas. E o seu tio? Um crápula. o marido e os filhos são donos de um hotel à beira mar que fica lotado em qualquer época do ano. Não que eu esteja feliz. Expliquei o que precisava e ela entendeu.. Que droga! . Então me vi atordoada. Puxa! A Dé me deu a maior força! Eu a considero como uma irmã! Sérgio sorriu agradecido ao afirmar: Posso dizer o mesmo de você.... mas pelo menos nos entendemos. após ela entrar em sua casa.respondeu sem alongar.reagiu de imediato.disse o rapaz. talvez uma ir mã não fizesse.. Algo que combinava com sua pers onalidade. Só um tio por part e de pai.. Sabe. T eremos outras oportunidades! A Débora é uma pessoa maravilhosa. Deu-lhe um beijo no rosto e depois de ele retribuir da mesma forma. Aliás.falou. É um lugar mágico! Maravilhoso! Um paraíso! . Uma amiga legal. totalmente confusa. têm vários funcionários e quase não vêm a São Paulo. Meus pais foram viajar e morreram em um acidente de carro.. Sinto muito.ele riu... Rita e ra muito bonita e tinha seu estilo próprio de ser. Tudo bem. . o rapaz sorriu e se foi.. mas preciso terminar a universidade e pensar no futuro do meu irmão. Assim que a Débora se recuperar. não tem? Tenho um irmão que acabou de fazer dezessete anos. aturdida. Mas você tem irmãos ou parentes. que é casada e mo ra em Pernambuco. Rita. Acompanhando Rita com o olha r. virando-se e caminhando com seu jeito exclusivo. Agora preciso ir! Ainda tenho de me arrumar! . O que tem feito por mim e pela Débora.Sorrindo de um jeito especial.protestou a moça irritada. Seu marido e filhos também! Eles trabalham muito. Mas eu não poderia la r tudo aqui e ir morar lá. mas foi surpreendido pela presença desagradável de Sueli.. . graça e vivacidade. Bom divertimento! Obrigada! . Essa tia. . Puxa.explicou com leve sorriso parecendo de saudade ou de sonho.. Já me a udou muito! Você nem imagina! O que ela fez? Se é que eu posso saber! . Não consigo!. Vontade não falta. Você tem irmã? Minha irmã faleceu há quase dois anos .Pequena pausa e continuou: Quando meus pais faleceram . Não vou esperar até amanhã. mas a Débora não deixou. descendo do carro.Débora enfrenta a oposição do pai Sérgio chegou à sua residência bem mais animado e. Aq uele pessoal chegou. Você foi mais do que uma amiga! Que nada! . 6 . Assobiava ao entrar.falou sem jeito. . Quando. Ele sentia o coração mais leve e repleto de esperança. .. trazia um sorriso suave nos belos lábios bem contornados. É difícil nos separarmos de quem amamos. Essa tia é uma pessoa excelente. Ela e o meu namorado não me largavam. Rita o abraçou com força.. Sérgio. que mora perto da minha casa e uma tia por parte de mãe. Nós ficamos amigas logo no primeiro semestre da faculdade e aconteceu algo bem inesperado. falou: Obrigado.Bem.riu.. n aturalmente especial ao menear a longa saia modelo indiano que combinava com a b lusa do mesmo estilo. Ela é bem sincera. você e a Dé para comemorarmos! Será ótimo! Combinado! . Não gosto de falar dele.gritou alegre. mas ela. Demonstrando-se grato .ele exclamou.. Ele não tinha muito tempo por causa do trabalho.. experimentando um sentimento feliz pelo resultado posit ivo de tudo. Sinto muito. Não tenho avós. contou: Quando o clima ficou bem romântico. nojento! . sentada sozinha na sala. eu quis deixar a universidade. sem perceber. olhando-a com satisfação.. coberta nas costas por seus longos cabelos lindamente cach eados que pareciam um manto negro esvoaçando com suavidade ao vento brando. Pronto! Chegamos! .. sairemos eu. não esquenta.

Esta é minha casa e recebo aqui quem eu quiser! . O filho não a esperou terminar. não tem valor algum para mim! . Compreenda.reclamou Sérgio. enganar.interrogou. pensa que as normas de respeito e dignidade devem ser exigidas às outras pessoas. É capaz de acreditar que sua motivação é sempre pura. apontando para Sueli.. Estava indignado e. Você não tem escrúpulo. O que essa safada está fazendo aqui em casa? Parece que a mãe não tem o mínimo de con sideração por mim! Caramba! Eu ouvi quando a mãe ligou pra ela. Brincadeira?! ..exclamou a mãe autoritária. Tiago?! Talvez tenha esperança de vocês voltarem. eu fiquei em choque. saiu.. .. Em seu quarto.falou com voz melosa.perguntou secamente.Ao vê-lo se virar. olhou-a com desprezo ao afirmar: Uma pessoa capaz de mentir. Não me julgue mal.Tentou justificar com lamento na voz. Acha que suas necessidades têm mais prioridade do que as das outras pes soas. virando as costas.. mas não a você! Sua capacidade de egoísmo e orgulho é tão grande que acredita nu nca se enganar. Eu gosto muito de você a inda e...Sem esperar uma resposta... Você chama esse sentimento vaidoso. ela pediu: Por favor... O telefone tocou. Nitidamente insatisfeito. Onde está a minha mãe?! Como ela permitiu que entrasse aqui?! .. falou irritado: Suma daqui! Não q uero ver a sua cara nunca mais! Eu estava conversando com a dona Marisa e. sempre. A Sue li sempre foi nossa amiga e. Criaturas egoístas. olhan do em volta com modos agastados. Era para o seu irmão e ela foi levar o aparelho lá no quarto. . Oi. Chega! Saia daqui! Não quero te ver nem ouvir sua voz nunca mais! Entendeu?! Sa ia da minha casa! Naquele momento. perguntou: E aí? Tudo bem? Estava tudo bem! . Jamais pensei que. Você é presunçosa. O que fez foi sórdido! Cruel! Gente como você deveria estar atrás das grades! Por favor!. Sérgio sentou-se na cama e esfregou o rosto com as mãos num gesto insatisfeito. dona Marisa entrou e presenciou a discussão. Sérgio! Tudo bem?! . O que rolou?! . ... Quando a sua mãe me contou o que aconteceu com a moça. inocente e você nunc a erra! Preste atenção e observe que você não assume totalmente a responsabilidade pelo seu comportamento. quando o resultado é negativo e sempre quer ser perdoada. encarando-a firme. a admiração. ou seja. ao t erminar a ligação. Por que a mãe faz isso. Você é louca?! Acha possível eu desculpá-la pelo que fez?! Sabe quais foram às conseqü s?! .tornou o outro curioso. É lógico que você jamais pensou! . quando Sueli o chamou: Sérgio! Por favor! .. as idéias dos outros para realizar os seus desej os insaciáveis.. o amor.exigiu. orgulhoso. Sueli! Costuma usar os outros para satisfazer suas neces sidades e seus caprichos. E isso nunca vai acabar! Só sabe exigir e roubar a atenção.. de gostar?! . mesq inhas e dominadoras não pensam! Simplesmente são cruéis! Não sei o que me deu quando ela ligou e.. O que quer aqui?! .. interrompendo: Sérgio! O que está acontecendo aqui?! Sou eu quem deve perguntar o que essa aí está fazendo aqui?! . deixando qualquer um exausto! Você não tem discernimento! Sérgio! Eu!.dizia como se implorasse seu perdão. Você é uma criminosa! Puxa. possessivo. me desculpe pelo qu e aconteceu à sua colega. Tiago falava descontraidamente ao telefone.Pausadamente.O que você está fazendo aqui na minha casa?! .interrompeu-a num grito.. principalmente.Aproxi mando-se. ferir sen timentos. repetiu: Entenda que você não tem qualquer valor para mim! Seu mundo é pequeno demais! Enquanto seu complexo de inferioridade é imenso e é por isso que faz o que fez. o tempo. ele ia dando-lhe as costas para sair daquele cômodo. mas o observou e.interrompeu-a nervoso. exigir.questionou com veemência. Não podia imaginar que por caus a de uma simples brincadeira.

brincou Tiago.perguntou em voz baixa.. respirou fundo e afirmou: Vou falar com sua mãe. Não tolero a Sueli aqui! E o que mais?! . mas. filho. sentando-se..revidou Sérgio. Eu sabia! .. ficou pensativo. O senhor entrou calmo e sentou-se na cama de Tiago. do que com ela. o rapaz estava feliz.. nem eu sei como você ficou tanto tempo com ela. um tanto sem jeito. o senhor e a mãe não tiveram mais sosseg o. as atividades do curso. vi vo na casa do João. Depois tornou: Sabe o que é. diante do silêncio..Olhando-o nos olhos e sentindo-se constrangido. mostrando-se insatisfeito.. ele pediu: Sérgio . Mas antes do outro sai r. deixando-os morar conosco. Eu queria falar com você e. Não tenho tempo para nada. Sustentava um sorriso suave e tranqüilo até seu pai entrar no quarto. Conversaram por longo tempo....so rriu inebriado.. Cai fora! . pai? Quase tudo. Sérgio? Oi. já que não reconhecem meu esforço para u a vida melhor. ficando frente a Sérgio. ..falou devagar e bem calmo . deu-lhe o aparelho e gargalhou antes de desfechar: Não precisa dizer para quem vai telefonar! O irmão riu e não falou nada. Não conheço. Tiago perguntou animado: E aí?! Foi lá visitar sua amiga?! O belo rosto de Sérgio pareceu iluminar com um largo sorriso e ele contou: Fui e conseguimos conversar um pouco.Não sei como fui namorar essa. rindo gostoso. Aaaaa!. Sérgio. Acho que mereço um pouco de respeito p or parte do senhor e da mãe.. Contou com a versão dela! . Pode parecer que estou forçando. Quando ia sair do qu arto falou: Ta apaixonado! Ferrou! Ah!. o estudo. antes de desligar. A mãe foi reclamar de mim para o senhor. não foi? Disse que eu quase não paro em casa. . o senhor Inácio comentou: Se não puder ajudar.. Não suporto a idéia de falar com ela.. converso mais com a mãe dele. A Débora quase morreu por. Para quem estava tão durona. Sérgio ..respondeu irritado. pediu: Ei! Deixa o telefone comigo! Tiago voltou. Pai. . vo u entender. Pai .. eu sei que você já ajuda muito e tem suas próprias despe sas. pai! Eu entendo. Eu tenho anotado lá no meu quarto. O trabalho. Ele prometeu visitá-la no dia seguinte. Olha só o cara. O Marcílio deveria assumir toda a responsabilidade com a mulher e os filhos que . A Sueli é só uma conhecida. Deitado em sua cama.. né.. Além disso. De repente ela não resistiu diante do se u charme! ..Após alguns minutos.interrompeu de imediato.. São bem estabilizados e um tanto arrogantes. pai! Entra! . Eu não q uero vê-la.revidou..Vendo -o sério e sem dizer nada.argumentou sem dar muita importância. eu estou com alguns probleminhas financeiros. Tudo bem.brincou o irmão. Você poderia ir lá para ver e. não é? Ao menos isso. E. atendendo ao doce pedido da moça. ficar com ela.Breve pausa e. Onde eu estava com a cabeça?! Para ser sincero. Sérgio sorriu e Tiago perguntou: Vai visitá-la amanhã novam ente? Não sei. interrompendo... primeiro sua mãe veio falar comigo e. Imagino . desde quando comprou esta casa para ajudar o Marcílio e a Ana. Sérgio..respondeu de imediato.. não o vejo há dias. Bem. Rolou um clima legal! Olha só!... Sozinho. O Marcílio não pode pagar algumas co ntas nesse mês e. O homem abaixou a cabeça. De quanto o senhor precisa? . Completamente difere nte dela.. iiii.. Bem. ligou imediatamente para Débora. você nem conhece essa moça e. . não fico muito à vontade per o da família dela. após poucas batidas à porta.. pense! Sou filho de vocês. explicou: Pai. meu! .. mas quero conhecer! E daí?! . o senhor sabe o que a mãe e a Sueli fizeram e o que isso causou a uma amiga minha? Sua mãe me contou. a dona Antônia. Devo me submeter eternamente aos caprichos da Sueli e aos desejos da mãe? Nunca mais poderei traze r alguém aqui em casa por causa da presença da minha ex-namorada? Por favor. Moro nesta casa... Mas não sei como lidar com essa situação entre você e sua mãe. as hor as de estágio e outras coisas me mantêm ocupado. O que me interessa mesmo é conhecer melhor a Débora. contagiado pelo riso..

respondeu. aparentando um homem acima da meia idade. Sofr eu tanto que morreu de desgosto e vergonha. pensava Sérgio. Estava insatisfeito com sua vida. O senhor e a mãe são usados por eles! Acham i so normal! Já pensou se eu e o Tiago fizéssemos o mesmo?! Como seria? . Sempre que pergunto. aproximou-se.... Enquanto isso.Alguns segun dos e. O Marcílio tem seus gastos com bebidas. angustiosas e tristes ao mesmo tempo orientava-o em nível de pensamento: Não fique com essa Débora. Ela o envolvia com impressões melancólicas. Ora! Ora! Gargalhadas logo cedo! .disse. re tornando ao trabalho e aos estudos. você ainda maltr ata minha filha como fez no passado! Desprezando-a como lixo! Mas eu vou acabar com você! Com essa Débora! Ah! Se vou! Nesse momento. mas sentia uma vibração estranha. Depois eu vou lá para ver em que posso ajudar. Mesmo sem ouvi-lo. encarando-o. após suspirar fundo. O que não deixava o senhor Aléssio e sua esposa satisfeitos. sentindo-se supe rior e poderoso diante do encarnado que atormentava. mas Emy perguntou: Pode dividir conosco tanta alegria? . Você desertou por causa dela.O rapaz não respondeu e o senhor Inácio continuou: Filho. o calor de uma paixão nasceu e cresceu entre Débora e Sérg io.ele arrumou. Minha filha sofreu. Naquela manhã. Sérgio era abraçado pelo espírito Lúcia. de ser envolvido em problemas que não lhe pertenciam e de não ser valorizado.. O T iago nunca guarda nada. Sua vida será melhor sem ela. Algo até então nunca visto. travando a maior batalha contra o Exército Imperial. Eles conversavam muito por telefone e o rapaz a visitou várias vezes. bem satisfeita. Juntando-se à causa dos rebeldes. avisou: Tudo bem. Yara chegava à sala acompanhada da risada gostosa da irmã que voltav a à rotina. Trazia a mesma aparência r epulsiva e austera. jogos.tornou o espírito Sebastião. Depois de uma garg alhada maldosa. não é isso! . cabisbaixo. Sérgio continuava reflexivo e não podia ver o que acontecia no plano espiritual. O que posso fazer.. atribuindo tal sentimento aos problemas de família. Sérgio? Mandar todos embora daqui? Pôr o seu irmão. Sérgio experimentou uma sensação angustiosa e amarga. Sérgio fustigava os pensamentos em um nível muito inferior. mais livre. vociferou: Seu covarde! Desertor covarde! Você foi um tenente do Exército Imperial e o homem em que depositei toda a minha confiança! Minha filha estava prometida a você e a ab andonou depois de conhecer essa que hoje se chama Débora. Parec e que nunca vou conseguir! Será que terei paz se sair dessa casa ou quando morrer? ! Nem quando sair daqui eu vou deixar você em paz. Apesar de tão pouco tempo. Deixan do-se envolver por idéias ruins e terríveis. E hoje. Débora! A filha sorriu. a mulher grávi da e dois filhos na rua? . mas. No passado houve mui ta discórdia por causa dessa moça. entrelaçou as mãos na frente do corpo e aba ixou a cabeça. Certo .. Suas estratégias ajudaram a tropa dos farrapos a conquistar uma cidade. * * * Semanas passaram. acomodou-se à mesa e não disse nada. Débora estava bem re-composta.. Por que eu e o Tiago devemos ter dinheiro para as despesas extras que não no s pertencem? Por que não exige que seu filho mais velho assuma suas responsabilida des? Desculpe-me. Arrumou mulher e filh os. Sérgio. saindo do quarto. com o modo de ser manipulado. sei que vivo te incomodando ao pedir mais dinheiro para as despesas. su a irmã desencarnada. Que bo m vê-la assim. ele está sem dinheiro. O espírito que tentava obsediá-lo há tempos. Se não puder ajudar. Pai. Droga de vida! . seu desgraçado. Eu queria ser mais independente. Ficava se mpre em segundo plano. cigarro.reparou dona Hilma. Foi durante a Revolução Farroupilha no sul do país.. desanimadora. Sérgio apoiou os cotovelos nos joelhos. seu desgraçado! Vou seguir você e aquela vadia até o inferno e muito além! . num plano que não podia ver.

filha. É só isso? . com estudo. Quero sim . o Sérgio. Em seguida. .. Além de o utros incontáveis adjetivos. estabilidade financeira e tantas outras coisas às quais você está acostumada?! Sem trégua. quase sentando. jovem..É muito bom retomar a vida! Eu não sabia o quanto era gostoso trabalhar..estranhou Yara. Pai. Puxa! Chega de ficar naquele quart o e nos limites desta casa. quero que reflita muito sobre nossa conversa e reverta essa história.. sentou-se na cadeira frente à sua mesa. Vai à universidade hoje? . diante da filha.interrompeu-a de imediato. falou: Serei breve. Não mesmo. Eu notei algo romântico em seus olhares. pai?! .tornou a mãe. O s enhor Aléssio ainda falou: Compare e analise tudo.. Não é preciso que s e justifique. dona Hilma perguntou: Então você volta hoje mesmo ao trabalho? Está bem disposta? Como nunca. Veja. Você s abe que gosto de ser direto.disse firme. Do que vocês duas riam tanto? . advertiu: E não me venha com a história de que gosta dele! Que se amam! Vo cês mal acabaram de se conhecer! Não quero mais ver esse Sérgio aqui! .a jovem riu e não se manifestou.. Emy desfechou: Não vou me indispor com você logo cedo. Voltando . Levantando-se..animou-se a filha. Sem dúvida. eu. dona Hilma avisou: Ah! Qu ase me esqueci.reclamou insatisfeita. compra-se! .. Eu e o Sérgio. Talvez pense que está em um tribunal defendendo alguma causa. Não quero perder nem mais um dia de aula. Por exemplo. Não . mas só você tem o poder de julgar. São em coisas simples que encontramos a felicidade. mas sabia que não adiantaria argumentar. Lógico! Mas hoje é sexta-feira! . minha irmã! A felicidade está dentro de nós e não em coisas exteriores. Débora gargalhou.questionou com ironia e indignada. Débora foi ao escritório falar com seu pai. mui o menos nas lojas. Estou pensando no seu bem..riu Emy.falou mais tranqüilo.. iiii.. na sua segu rança futura. shopping e grandes marcas! . Quero o seu bem. pois sempre acredita ser o único que sabe falar e não dá a oportunidade para eu expressar qualquer opinião. colocando-se à disposição. A felicidade não se encontra. Deixe-me terminar. Você é uma moça muito bonita. . mãe! . Esse rapaz não veio aqui só por causa de seu estado de saúde. Com licença! Sem se importar com o ocorrido.tornou a senhora. Diálogos. e. Quero que tenha ao seu lado um homem capacitado. Ficou contrariada com o que ouvia.. O Br eno! Um empresário bem sucedido e que demonstra extrema consideração e carinho por você! Ele até comentou comigo o quanto te admira! O Breno é um rapaz com totais condições de te oferecer uma vida de princesa! ... Débora saiu a passos firmes sem olhar para o pai. educada. Débora! Não quero que diga nada! Só pense! Entendeu? A moça sentiu o rosto aquecer. Tenho tanta coisa em atraso!..A moça ficou petrificada e sem dizer nada. Chegan do ao seu quarto. mas não sou ingênuo . ouviu seu celular tocando e correu para atendê-lo: .. mu ito presente nesta casa.Débora respondeu e sorriu. Acabou de se convalescer. argumentar e p rotestar! Com licença! Dizendo isso. Débora! . levantando-se e fechando a porta do escritório.Alguns segundos de pausa e falou: Veja bem. Débora. como sempre. Após terminar o desjejum. estudar. Conhecia bem seu pai. A mãe disse que você queria conversar comigo. trocou olhares com Yara e contou: A Yara fez uma tatuagem nova! Só vendo para acreditar! Filha! .confirmou.retrucou Débora. Depois de cum primentá-lo. Espere. E esse rapaz? O que ele tem para te oferecer? Não passa de um mero policial! Qual o futuro dessa criatura?! Como poderá te oferecer confo rto.perguntou desanimada. Nunca consegui dialogar com você. Lá vem bronca! . Seu pai está no escritório esperando para falar com você antes d e sair. andar sozinha!. Estou sempre a berto para diálogos. Há alguns dias eu tenho visto o seu amigo. encostou-se à mesa. Sei que vários colegas vieram te visitar. Tinha os olhos nublados e por isso disfarçou o rosto entre os cabelos ao passar pela sala.

ele aproximou seus lábios dos dela.Sem que ele esperasse a moça o abraçou forte.avisou alegre. Eu te adoro. Depois de contar sobre a compra do celular e alguns fatos corriqueiros . confessou. a jovem afirmou: Posso imaginar sim! Eu também não deixei de pensar em você. afagando-a com carinho por longo tempo..Beijaram-se novamente . falou: Você não mente bem. acenando graciosamente. trazendo-a a realidade: . Após alguns m inutos. Sérgio segurou-lhe o rosto delicado.Oi. Acredito que não aprovará nosso namoro .. tornou num tom tranqüilo. C omo eu desejava beijá-la e abraçá-la dessa forma. como se uma energia indefinida invadisse seus corações apaixonados. falou baixinho: Eu ainda tenho tempo. Claro! Eu entendo .falou surpresa. experimen tando um sentimento muito forte. tomou-a nos braços e a beijou com todo o amor.. . por não vê-la interagir. A caminho do serviço. Eu também. Sérgio. Não quis inte rfonar e. Sérgio perguntou em tom apaixo nado.Sorrindo com brandura. Ele me recebeu bem todas as vezes que fui te visitar. Desde o dia em que a conheci. Senti algo difer ente em nossos últimos encontros. mesmo? . Pensei que só ficaríamos. Débora parecia implorar por seus carinhos e. vagarosamente. Chegando próximo aonde ela trabalhava. ta? Débora parecia insegura e não desceu do carro. Afagando-a com generosidade. o que nunca a conteceu. Talvez depois. Depois explicou: São problemas lá d casa e não quero preocupá-lo com bobagens. Ao senti-la mais calma. Despediram-se com carinho e. Desculpe-me Sérgio. mesmo contrariando a vontade. você me espera. Não pode imaginar! Oferecendo um belo sorriso. A jovem ofereceu um lindo sorriso ao dizer com jeito meigo e gracioso: Você não me pediu em namoro. Débora trazia os olhos brilhando e suave sorriso tímido. Afagando-lhe o rosto. Estacionando o veículo frente à residênc ia da moça. Ele a calou com um beijo.. mas. Quer conversar a respeito? Não. . Sérgio perguntou: Está tudo bem? Sim. Tudo bem. ele percebeu uma angústia no silêncio da jovem. confessou: Gosto muito de você. Ele a envolveu com carinho... Sérgio levou Débora para casa. Ainda deixando-se ficar em seus braços. fez-lhe uma carícia e pergunt ou em tom bondoso: Tudo bem. Você já está pronta? Estou saindo! Beijo! Sem conversar com ninguém. Caso saia mais cedo. Uma tristeza indefinida pairava em seu olhar terno. Sérgio cuidadosamente a afastou de si.. Era a primeira vez que se beijavam daquela forma e vivenciaram uma sensação nunca sentida antes. não consigo parar de pensar em você e. quis saber: O seu pai disse alguma coisa a meu respeito? Por que pergunta isso? .disse sério e bem sincero.. Foi então que o rapaz falou sobre outras coisas.. apertando-a contra si. *** Depois da aula... olhou-a nos olho s. vendo-a com os olhos marejados. Aproximando-se e acariciando seu rosto delicado. ela desceu do carr o e se foi olhando algumas vezes para trás. entrou no carro de Sérgio e se foram . depois ela avisou: Agora preciso ir. Só não queria falar disso agora.. Sérgio! Estou te esperando aqui fora e com celular novo! . Não parece .compreendeu e a observou por alguns segundos. ele avisou: Passo para te pegar.murmurou com a voz abafada pelo abraço. acariciou-lhe o rosto e não resistiu ao sentimento que o dominava. escondendo o rosto. quase num sussurro: Quer namorar comigo? Eu adoraria. procurando distraí-la. ela saiu de casa.

Vou conseguir minha estabilidade. o anjo guardião do rapaz tinha plena certeza de seu pupilo receber suas influên cias e no momento preciso poderia se valer delas. . querendo desistir ou nos alterando de forma grosseira. Parecia que Sérgio tinha ouvido a conversa entre ela e o pa i. Meu pai é um pouco difícil. quando cedemos as suas sugestões sórdidas. É por isso que so remos e sofremos muito.. Mas quando sofremos e nos deixamos aterrorizar. Apaixonados. Se algo te acontecer. Isso significa que ele não simpatizou comigo . Vamos ver. Bem. Débora ficou incrédula. não sofre ... vocês têm u ma grande estabilidade financeira e eu não. Só uma coisa: a Rita me telefonou e nos convidou para sairmos com ela e o Gustavo amanhã! O que acha? . Sabe. Afinal. Mesmo se ele não estiver de acordo. mas podemos considerar. Adoro sua companhia. elas são instrumentos para provar o nosso equilíbrio e a nossa confiança em Deus. Nunca te nho razão. E Deus. Deus permite qu e esses irmãos imperfeitos na moral sejam instrumentos para testar nossa fé e nossa vontade de continuar agindo como criaturas atuantes no bem.propôs toda animada. modesta.Mesmo sabendo que não era ouv ido. influindo em seus pensamentos com bons conselhos: Precisa ser cauteloso com as idéias. meu querido..prosseguia o sábio mentor. encarnados o u desencarnados.. talvez simples. Você é muito precavido. enviandonos os bons espíritos que vão nos influenciar também. em ações e pensamentos o desejo no mal... Teremos obs ulos..Você não me respondeu sobre o seu pai. Não quero expô-la em situação de r isco. quando nos acontecem coi sas ruins. Pois os espíritos maus correm em nosso auxílio e nos ajudam com as más tendências. Ele não concorda com nada que eu faço. Por isso continuou: O inimigo do passado pode acreditar que você aind a tem dívidas com ele.. Durante o trajeto até sua casa. o que isso importa? Sou maior de idad e! Entendo que ele não quer o seu mal e está pensando em seu futuro.. por desejo de vingança ou por prazer. o que não é correto. a jovem avisou: Não tenha tantas esperanças. Por isso você estava triste hoje de manhã? Tentando fugir da resposta... Porém depende de nós nos inclinarmos às inspirações boas ou más que exercem sobre nós. já vi fatos que não desejo experimentar. mas certamente segura e honesta. Vamos analisar o que você já aprendeu no rso que está quase concluindo: Por que pessoas que sofrem sérios e difíceis problemas reagem diferente? Uma. apesar de enfrentar uma situação aflitiva e pesarosa. Vejo que não pára de olhar em volta. sempre nos ajuda. em sua infinita misericórdia. Mas Deus.. Se o seu pai não ficar sa tisfeito por estarmos juntos. Não querendo desapontá-lo no futuro. Podemos ser promovidos ou reprovados e. Espíritos desse tipo. por minha culpa. Eu tinha outros planos. Na minha profissão. Não estou interessado nos bens da sua fa mília ou em sua herança. por essas más experiências e sentimentos. Ligo sim. Meu querido Sérgio. acho que morro.. Quando se trata de uma criatura sem entendimento e pouca ev olução. tenha a certeza de que minha mãe não pensará diferente d ele. no último caso. comprazem-se em uma falsa felicidade quando conseguem nos compr ometer ou nos induzir a uma atitude degradante que atrasa nosso adiantamento esp iritual. Os pensamentos deles inva dem os nossos. mas é arriscado ficarmos aqui. ela quer nos induzir ao mal para sofrermos. Meu pai é teimoso e minha mãe não me defende. Acho que os obstáculos surgirão de ambos os lados. ela comentou: Sabe. Você me liga quando chegar a casa? Ligo. o mentor de Sérgio o acompanh ava. ele olhou o relógio e decidiu: É tarde. pelos retrovisores. Débo ra.. Bem. Não é diferente das esco las terrenas onde estudamos e depois realizamos provas para testarmos nosso conh ecimento. eles se beijaram e se despediram. Ele esperou que ela entrasse e depois se foi. Ah!. falou sorrindo.Vendo-a reflexiva e despreocupada. é por que atraím os para nós. E é provável que com o tempo ele me veja de outra f orma. .. caso se mantivesse atento na fé e vigilante. na espiritualidade. precisaremos ref azer os estudos e novos testes. . se me conhecer melhor.

É um caso clássico. Um doce e agradável romance acontecia entre Sérgio e Débora. Eles se davam muito be m. Tratava-se de representantes da elite. sem evolução. ele estava simplesmente feliz e fez uma prece agradecendo e pedindo proteção. passava-lhe p ensamentos instrutivos e salutares a fim de seu protegido se alicerçar no bem com equilíbrio e pensamentos positivos que servem de incrível proteção às influências negativas de encarnados e desencarnados. No Rio Grande do Sul principalmente. seu escravo. Entretanto esses líderes nada tinham de maltrapilhos. estancieiros e criadores de gad o da província. Isso. muito ao contrário. combinando saírem no dia seguinte. mentor de Sérgio. O grand e episódio chamado de Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha aconteceu no Sul do Brasil.. Débora. na crueldade sempre tentam n os incitar a cometer erros. Sim. contava: Alguns irmãos. aproveitando de todas as circunstâncias para isso. quando a pessoa não examina a idéia imediata e não distingue o bem do mal. Chegando à sua casa. mentora de Débora. apoiado por diversas camadas po pulares que estavam bem insatisfeitas com os altos valores dos impostos taxados pelo governo imperial sobre a produção de carnes para consumo . De um lado os adeptos da Monarquia ou governo Imperial. o espírito Olívi a lembrou: Bento Gonçalves da Silva foi o líder dessa revolução. Olívia.carne salgada . digno de aproveitamento para estudo. Havia no grupo alguns aprendizes que se interess aram e Wilson. Antes de dormir. desejam é corromper e prejudicar o outro. contando: Na mais longa revolução da his tória do Brasil. bem aliviado e seguro. após terminar o período de supervisão exigido. na época do Império. 7 . por uma ser u m espírito que cede aos maus conselhos e não é evoluída. Além dessas. Sueli. pois a contribuição da província3. comentou: É impressionante como esses perseguidores interferem nos pensamentos dos encarn ados. ca bendo a este cobrir inúmeras despesas da província de Santa Catarina e de outras reg iões por não conseguirem arcar com suas próprias despesas e o que recebiam do governo central era insuficiente. é o acerca do que acontece com Déb ora e Sérgio. Wilson e Olívia vêm acompanhando seus prezados pupilos há temp o e poderão relatar como e quando esse desejo de vingança do espírito Sebastião iniciou. quando ainda presos no vício. havia outras inúmeras queixas.e co uros utilizados para a confecção de diversos artigos. cabendo a contribuição complementar de recursos vindos de . fazendo-o sua vítima. Os lugares e os interesses que queriam defender tinham grande impo rtância ao Império. os rebeldes ou farrapos q ue lutaram para criar uma República. deixando-se inclinar às tentações e erros de difíceis repar os futuros. de outro.concordou o espírito Wilson. Diante da pausa em que Wilson refletia em como resumir os fatos. uma espéc ie de estágio na área de Psicologia. Lúcia e Tiago se reencontraram. quer que a vida acabe. no mal. ligou par a Débora e conversaram por muito tempo. o espírito protetor de Sérgio. era muito explorada. Sérgio. para a e conomia brasileira. direcionando-os e manipulando-os. claro! . alguns socorristas e outros instrutores que desejavam notícias dos encarnados q ueridos a quem tanto estimavam. por isso estava extremamente fel iz e mais tranqüilo do que nunca. Como anjo guardião não é ama seca. Um dos instrutores acrescentou ao grupo: O que os espíritos. O casal estava no cinema apreciando um filme. mas sabe que a e xperiência ruim é passageira. os mentores do casal encarnado trocavam conhecimento com um grupo de espíritos amigo s. mais especificamente no Rio Grande do Sul. O rapaz havia terminado o curso universitário. O rapaz sentia-se melhor. a outra entra em extremo desespero.Sérgio e Débora: do passado ao presente Os meses foram passando. a outra sofre. Durante o caminho sabiamente Wilson. Sebastião. Aqueles que eram contra a criação de uma república deram o apelido de farrapos ou farroupilhas aos revolucionários com a intenção de humi lhá-los e depreciá-los.

era um jovem Tenente do Exército Imperial e de compromisso fir mado com a filha do Marechal Sebastião. o comandante do grupamento desembainhou sua espada e sinali zou o ataque dos soldados contra o pequeno. Estava longe de se r uma guerra. Dessa maneira. com o intuit o de pedir que ordenasse o fim daquelas ações criminosas. No vilarejo não havia combatentes. açoitados e postos a invadir rapidamente o lugar. mas isso não impediu os soldados apearem de seus cavalos. Ele tentava encontrar o comandante da tropa. A chuva fina começou. A maioria dos cavalo s foram esporeados. tão chocados quanto ele e que lhe eram fiéis. Nem mesmo os velhos. como se lhe passasse a vez. Sérgio e outros três do grupamento permaneceram montados enquanto seus animais re fugavam. criancin has. Entre muitas coisas presenciadas naquela guerra.farroupilhas . Foi então que. mesmo forçado. Sérgio tornou-se o oficial de maior conf iança do Marechal Sebastião. Marchavam para Porto Alegre. Tratava-se de um acordo de união arranjado e ntre as famílias. O Marechal Sebastião. os imperiais derrotaram os far roupilhas em uma e outra luta. Todos os poucos homens da vila já se achavam mortos. Alguns meninos. que angariaram recursos financeiros e soldad os.. parecendo em vantagem. Virando-se. Atingiu o agressor bárbaro com um golpe forte e o derrubou. Mas as tropas republicanas . da mesma forma viole .outras províncias. A jornada seria longa. Moças e mulheres foram brutalmente violentados por vários homens verdadeirame nte animalizados e depois eram mortos com crueldade. Seus pensamentos fic aram terrivelmente perturbados. era um comandante militar nessa época. Em 1836. Sérgio. Sérgio surpreendeu-se com o comandante Sebastião procurando atacar. enquanto as mulheres eram impiedosamente maltratadas. após frustradas tentativas. m atar os poucos homens que havia ali. Tudo piorou quando . comand ante do grupamento. pobre e indefeso vilarejo. A maioria dos soldados daquela tropa do Exército Imperial esta va alegre. pois estavam bem assustados e nervosos. recebe ndo muitos méritos e até postos de destaque pelas vitórias e estratégias. Uma ovação animalesca e voraz os dominou. comandante da tropa. nem homens suficientes em condições d e defender os velhos.. viu Sebastião. A filha do Marechal Sebastião era Su eli. as mulheres e as criança s foram poupados. era a mais selvagem e vil atrocidade que testemunhou. Chegando a um vilarejo bem pobre. A cena aterrorizante petrificou Sérgio por alguns minutos. choro e desespero. tiros disparados e gr itos de pavor eram ouvidos. entrar em um dos casebres. Certa vez. algo bem comum naquele tempo. falante e sob o efeito de forte bebida alcoólica. Sérgio cav algava cabisbaixo e completamente silencioso ao lado do Marechal Sebastião. Algumas casas começaram a ser incendiadas e saqueadas como de costume. incluindo escravos e presos para se alistarem. mulheres e crianças. sobre o cavalo a passos lentos. até então. Sérgio desceu de seu cavalo e os soldados. Houve vitórias e derrotas de ambas as partes em di versos lugares da província. Em seguida ela trocou olhar com Wilson. Participou de al gumas lutas e ficou desgostoso com o que vivia e presenciava. pouco antes da prisão de Bento Gonçalves. sobrecarregando-as com impostos. a certa distância. precisando ser dominados com firmeza . Convocado para combater os revolucionários farroupilhas. desde as grandes cidades até os mais distantes e pequen os vilarejos gaúchos. Sérgio prec isou seguir para o sul ou enfrentaria a rigorosa pena por deserção. resfolegavam e trotavam em círculos. ex-namorada de Sérgio na atual encarnação. Sérgio entrou na casa pobr e de madeira tosca e viu um soldado violentando uma menina que não tinha nem oito anos. Eles não tinham como fugir. A situação mudou. Golpes de espadas zuniam no ar. prometendo-lhes liberdade ao final da guerra. Naquele instante. e ele con tou: Diversas batalhas sangrentas foram travadas no sul do país entre o exército imper ial e os rebeldes farroupilhas. o que significava um s inal de apoio aos rebeldes revolucionários farroupilhas. pisoteando q uem estivesse pela frente. A tropa d eu um grito de excitação. na tentativa de emboscar Bento Gonçalves. repugnantes e cruéis. nessa época. Após vencer as dificuldades para chegar até lá.começaram a se unir e crescer por causa dos apelos d os oficiais do exército revolucionário. menininhas. espírito impiedoso que até hoje persegue Sérgio. viram a bandeir a tremulando com as três cores dos defensores republicanos. Dor. fizeram o mesmo.

assombrados com a desnecessária violência dos co mpanheiros. já rasgadas. mas não sabia o que fazer com ela. mesmo no chão. ele pôde ver as labaredas avermelhadas clareando a vila totalmente incendiada pela tropa impe rial que fez dali o que queria. Mas a moça resistiu. viu a jovem chora ndo e abraçando o corpo da garotinha que ele havia defendido pouco antes. Não supo rtava ver tanta covardia. perguntaram-lhe o que fazer. usando suas últimas forças para agredi-lo. ele entrou novamente. Seus pensamentos fervilhavam enquanto aliviava o cavalo da sela e pr ocurava pelo bornal .. retirou-se a todo galope . Por outro lado. Eles brigaram por algum t empo até Sebastião cair e.. que estava à porta. Virando-se por um instante para dentro da casa. Sérgio descobriu-lhe a cabeça e afrouxou a coberta n a qual estava enrolada. Ao tempo em que Sebastião permanec ia sem sentidos. Em meio ao pranto silencioso. quando Sérg io reagiu investindo contra ele. um dos soldados passou por el e. que caía sem trégua. Agrediu-o. Sérgio gritou em voz de comando ordenando que todos parassem com aquele barbarismo. Quem quiser. Sérgio o esmurrou. siga-me! . enrolou-a com rapidez. Olhando para trás. mas não desc obriu seu rosto para que não gritasse e a segurava firme para não cair ao trote do a nimal. puxou-a para que se levantasse. Aquilo não fazia parte de sua índole. segurava um pedaço de pano de seu vestido todo rasga do para tentar cobrir o corpo exposto. Indo a sua direção. Sérgio ajeitou a jovem envolta na coberta sobre o lombo do cavalo. o comandante atirou querendo matá-lo.um saco de couro curtido dividido em repartições para armazena . Era um desertor e precisava fugir com rapidez. Ele estava preocupado. mas nem tinha para onde ir e ela o atrasaria. ele percebeu que o tiro disparado para matá-lo atingiu a menininha fatalme nte. pois teriam mais chance de fugir uma vez que eram desertores e seri am procurados pelo Exército Imperial para serem julgados e. Sérgio chutou-lhe o rosto até vê-lo desmaiado. joga ndo-a sobre o ombro. foram até Sérgio. Montando seu cavalo. Nesse in stante. cobrindo-a toda e. o jovem oficial sentiu-se enoj ado com o que presenciava e impotente para controlar aquela situação. apesar dos fracos socos e tapas que recebia. ao olhar para trás. dizendo: Não conseguiremos impedir essa barbaridade ! Não estou de acordo com atos tão imundos e cruéis. crueldade e sordidez. Apiedado. e ia atacando-a. Sérgio apoderou-se de uma coberta. e foi à direção da jovem ajoelhada e abraçada à irmãzinha morta. deixando-o sem sentidos. De imedi ato. agarrou-a pelas roupas. Após uma curta jornada. O Marechal Sebastião não lhe perdoaria e o mandaria para enfrentar um Conselho de Guerra. Estou indo embora. Mesmo vendo-o desorientado. Mesmo com a chuva fria e fina.nta. ele orientou os dois soldados que o acompanhavam para s e separarem. a jovem tremia muito e não conseguia encará-lo. Foi quando doi s soldados dignos e de sua confiança. Momento em que Sérgio decidiu. como um bicho indomado. ele decidiu descer do cavalo. Havia salvado aquela bela moça de indescritível brutalidade. Vendo-a com as vestes e percebendo que a jaqu eta não era suficiente para cobri-la. Tudo aconteci a muito rápido e ele sentia-se muito mal. Chegando à porta. Após isso. confuso e sem saber o que fazer. Sérgio tirou a jaqueta do uniform e que usava e a cobriu. Num momento inesperado. pois poderiam ser nossas mães. Indo novamente até a porta. uma outra jovem. po is acreditou que seria maltratada. poderi am ser atacados por tropas farroupilhas que deveriam estar por perto. o que significava encarar a mor te. o oficial viu os soldados da tropa imperial completamente sem controle como animais selvagens. Parando próxi mo a uma grande árvore cuja copa lhes serviria de abrigo e a mata ao redor de prot eção. mas os homens não o ouviam e continuavam com a prática insana. Olhando a jovem encolhida ao chão. Ajoelhada. Sérgio assobiou para o cavalo que obedeceu ao chamado e foi ao seu enc ontro. irmãs. O céu recoberto de nuvens cinzentas fez a noite chegar rapidamente. viu o comandante Sebastião despertando. ao mesmo tempo. esposas ou filhas!. segurando firme a jaqueta que lhe dera para se cobrir. mas ainda bem atordoado. Pux o-a pelos cabelos. Despediram -se. em pé na soleira da porta do casebre. saiu às presas. Certificando-se de poderem passar a noite ali e não serem descobertos. A jovem cho rava em desespero. se fosse encontrado por uma tropa farroupilha seria morto co mo inimigo. Tirando a moça do dorso do cavalo e ajeit ando-a junto ao tronco da árvore. ficou mais tranqüilo.

Piedoso. explicando a razão de estar com aquelas vestes e afirmou que sobreviveu graça s a Sérgio. Ao conversar mel hor com Débora reconheceu-a como sendo a filha de seu compadre. ele a cobriu com a capa que trazia e precisou ficar a seu lado a fim de se mante rem aquecidos. sincera e íntima foi inevitável. Mais de trinta dias passados juntos. e pelas estratégias de Sérgio. Algumas vezes Tiago não seguia junto do s revolucionários e ficava para reforçar a segurança da estância. Entretanto não tinha outra vestimenta para usar. pois iria protegê-la. sempre usando um ves tido branco de delicadas rendas com um xale que mal cobria os ombros. só ouviam a distância. Olharam-no com outros olhos. Deixando Débora ob os cuidados oferecidos na grande estância que servia de guarida aos farroupilha s. Sérgio tinha planos e sonhos com sua amada. criando um vínculo de confiança. Certa noite em que a garoa pesada e fria os fazia se encolherem abraçados sob a capa e um arbusto. Uma união mais carinhosa. A jovem contou-lhe tudo. Em reuniões ou churrascos festivos dos líderes revolucionários. por isso ignorava facilmente a tent ativa de sedução da outra jovem. Não poderiam viver daquela forma. a j ovem não conseguia conter seu ciúme nem sua inveja. a jovem filha do anfitrião se i nsinuava. Levantou e pegou a adaga para se defender sentind o que estavam sendo vigiados. As mulheres.produtor de carne salga da . precisava p roteger Débora em todos os sentidos. foi cercado por pequena tropilha farr oupilha e um deles apontou-lhe a carabina inibindo-o de reagir. pois como desertor do exército imperial ele seria bem-vindo ao exército revolucionário. A maior já vista contra o Exército Imperial em que os farroupilhas venceram. a água. Sérgio sabia que precisava se livrar do uniforme e de outros artefatos que o ident ificavam como sendo do exército imperial. Mais uma vez o rapaz fi elmente o seguiu. Débora gritou. disfarçadamente. na atual encarnação. Durante a chuva da madrugada. A jovem então aceit ou o alimento. Ali mentavam-se de pequenas aves que demoravam a cair nas armadilhas feitas. rasgou um pedaço de carne salgada e o levou até a jovem ainda acuada. mas permanecia constrangida. Sérgio pediu que confiasse nele.um homem muito bem posicionado e influente. Estavam em fuga e as provisões acabado. reencontrou um dos soldados que desertou com ele. principalmente o mau tempo. E ra difícil ficar longe dela por tanto tempo. para Sérgio com um comportamento sensual e bem provocativ o. pois conhecia as estratégias do Exercito Imperial. na maioria das v ezes. Porém ele se preocupava. fizeram com que Sérgio e Débora se afeiçoassem mais. cor reu e o abraçou. Dali foram levados para as terras de um charqueador . de peix es pegos com a lança certeira de Sérgio e frutos silvestres. Nesse período. que apoiava a revolução. Essa jovem trata-se de Débora. atualmente seu irmão. Amedrontada. a jovem sussurrou ao implor ar para que ele não a machucasse. Ele cobriu a jovem de modo que não a vissem. Ele estava decidido a acompanhar o exército farroupil ha em uma última batalha a pedido dos oficiais revolucionários com a finalidade de m ostrar-lhes qual o melhor a fazer. amizade e o nascer de um forte sentimento. Ao vê-lo com Débora. Sérgio recebia toda a atenção por sua eloqüência e estratagemas.r provisões para a viagem. os líderes da revolução. decidiu aderir à causa. com um bom fogo de lareira e mate quente. O comandante do grupo pediu uma trégua e fez muitas perguntas. admirando sem participar. Cavalgaram dias e enfrentou inúmeras dificuldades. Eles se amavam. Rapidamente. Ao encontrá-lo. Contudo nada interferia no amor que ele sentia por Débora. . Tratava-se de Tiago. destacando-se. Era o ano de 1837. A s dificuldades os uniam cada vez mais. Momento em que lhe afastou os cabelos para ver seu rost o e um sentimento indefinido o invadiu. Era uma im agem que ele nunca esquecia. Mas aconteceu algo que Sérgio não previa: a filha do nobre charqueador apaixonou-se por ele. Sérgio ficou sabendo da prisão do líder revolucionário Bento Gonçalves. Em reuniões mais privadas em que a casa principal da estância acolhia. necessitavam de provisões e abrigo. o relincho do cavalo inquieto surpreendeu Sérgio. Entre uma e outra batalha Sérgio retornava à estância junto da tropa farroupilha. foi realizada uma grande batalh a nas cidades de Rio Pardo e Caçapava.

Débora decidiu não ir nem comentar nada sob re o verdadeiro motivo. não falham por sermos os herdeiros d e nós mesmos. A jovem ficou enclausurada até que uma parteir a foi chamada para fazer o aborto. ou seja. Um homem encapuzado. Pretendia partir o quanto antes. mas naquela noite foi convidado para um churrasco de comemoração na estância vizinha. Sabendo da festa d e antemão. A jovem ha via combinado com um funcionário da estância o assassinato de Débora. A jovem que planejou o assassinato de Débora. Bento Gonçalves era um homem rico. Antes disso. mas nada disse. mesmo assim buscou algumas peças de jóias valiosas. entrou exigindo jóias. Sérgio não suportou o golpe. que foi obrigado a enfrentar o temeroso Conselho de G uerra.A fuga de Bento Gonçalves do Forte do Mar. Os empregados estavam alvoroçados e a jovem contou que durante a noite. No entanto Lúcia teve e tem extrema paixão pelo irmão. dispondo da total discrição dos irmãos daquela ordem para au xiliá-lo. Após o enterro da companheira. A jovem contou que o homem guardava as peças quando Débora se mexeu e ele atiro u. sua fil ha na época. ela alimentava a idéia e os sonhos de relacionar-se sexualmente . No planejamento reencarnatório a idéia era de ela transformar essa possessividade em um sentimento mais suave e verdadeiro por ele. Depois de um grito de lamento e das lágrimas que cor reram em sua face. filosófica ou religiosa e passou a ser desequilibrada. Sem saber absolutamente do fato no qual foi injustamente acusado. Bem tarde. Mas já se encontra de volta ao plano espiritual depois de ex perimentar exatamente o que fez no passado. irmã de Sérgio. morreu em se us braços. Ficou totalmente desequilibra da por não esquecer o instante em que Débora. dizendo que no festejo teriam muitos homens sem classe que se embebedavam e criavam pro blemas. um dos líderes da revolução deu-lhe considerável valor para começar ma vida nova e Sérgio aceitou. Somente agradeceu o anfitrião. A vitória dos farrapos em Rio Pardo e Caçapava teve imensas conseqüências para o coma ndante militar da província. dizendo simplesmente que estava indisposta. Adentrou correndo na casa e confirmou que Débora estav a morta com um tiro no rosto. o que ela chama de amor. filha do charqueador. enquant o todos dormiam. O dia clareava quando a jovem filha do charqueador esperava por Sérgio e os dem ais fora da casa. Wilson terminou a narrativa e Olívia explicou: Lúcia reencarnou como irmã de Sérgio a fim de se desprender do sentimento insano e obsessivo que tem por ele. A filha do charqueador ficou em prantos. cumpr imentou os oficiais farroupilhas e partiu. naquela época. não faltaram convite s insistentes para ele ficar. ter desejos inc estuosos. Bem rápido. Pela versão da moça. Mas nada adiantou. Sueli morreu durante a realização desse crime hed iondo. manteve contato com sua família e Sebastião soube que Sueli. Para não desagradar o companheiro. havia ficado grávida. mantendo Débora como refém. Sérgio conheceu esse líder revolucionário que lhe pediu para prosseguir a seu lado. E esse comandante era o Marechal Sebastião. reencarnou como Lúcia. praticamente desfigurada. viveu seus dias em silencioso pesadelo pelo ato criminoso planejado. Quase todos os empregados haviam se recolhido . Sérgio retorn ou para a estância onde Débora o aguardava. Tal fato era de indescritível vergonha à família. Queria Sérgio livre para poder conquistá-lo. prometendo-lhe a s jóias que lhe entregou como pagamento. Ela tremia. divulgaram que ela falec eu de desgosto e tristeza pelo abandono do noivo e por vergonha de sua deserção. ele se calou. pois sua trama fracassou. quando a port a principal da sala foi aberta sem qualquer ruído. ele montou um cavalo que não deu para ver. conversando. maltrapilh o e usando uma capa. enquanto o homem apontava uma pistola. registradas na consciência. mas ouviu o galope. a jovem filha do charqueador convenceu Débora a não ir e ficar ali. Sérgio a havia desonrado. mas o rapaz queria uma vida tranqüila ao lado de Débora. Não aceitou a juda clínica. As Leis de Deus. Essa moça. ela e Débora conversavam animadas na beira do fogo. com muitas experiências m ilitares em guerras. Ele criou lojas maçônicas por todo o sul e preparou um serviço de correspondências secretas. ofereceu mais força e corage m às tropas republicanas. ela ficou só. Mas a anfitriã insistia para que Débora permanecesse com ela frente à lareira forte. Para tentar encobrir o motivo da morte da jovem. Por seus préstimos. na Bahia. a casa estava vazia.

. Dizendo isso.. ao passar as mãos discretamente na silhueta de seu bonito corp . os mentores e os demais se despediram e f oram. Antes desse reencarne. enganos. ele se elevará espiritualmente e concretizará a que veio nessa reencarnação. Com gestos suaves. Pode me colocar no chão? É que meu vestido. Sérgio riu gostoso. caindo em desgraça como eles. incrédula. Mas isso nunca aconteceu . Com fé em Deus e acreditando que nada nem ninguém têm mais poder do que o Pai da Vi da.ex-clamou enquanto tentava segurar a roupa. O espírito Sebastião quer vingar-se de Sérgio por el e ter abandonado sua filha. a consciência de Sebastião alardeava cobranças constante e ele acreditava que isso era por culpa de Sérgio. Não adiantou. . sentiu o coração acelerado e declarou quase num sussurro: Débora. meu protegido. sem instrução. Sérgio a beijou com toda a força de seu amor. Sebastião era torpe. Lúcia não passa de mais uma vítima escravizad a por esse obsessor que a usa contra Sérgio. a nimalescos e selvagens em batalhas desnecessárias. Sérgio o havia repreendido sobre os atos desumanos. Sérgio não admitiu nem aceitou as práticas vis e hedi ondas de Sebastião. ele explicou: Talvez você acredite que é cedo para eu dizer isso. Atualmente. E voltando-se para o grupo. sregramentos bem comprometedores. Apertando-a contra si. eu te amo. Desejos. O silêncio reinou. Por essa razão devem os lembrar que o desejo no bem é prece a Deus e as bênçãos nos chegam como conseqüência do ue pensamos.Após os esclarecimentos. Pas sos calmos e com o balanço das mãos entrelaçadas. .Olhando-a. sábio e rudente. a jovem se atirou em seus braços e ele a sustentou no ar rodopian do uma vez vagarosamente. Ainda segurando-a com carinho.. mentora de Débora. obscen o. Quando estivermos em dificuldades. O que Wilson contou foi somente um dos combates covardes e bru tais praticados por Sebastião.. Eu quero te dizer uma coisa.com o próprio irmão. Depois de um instante paralisada.Observando a expectativa guardada atrás do sorri so da jovem.. Sebastião persegue Sérgio. Nós sabemos . ele já tentou ajudar Lúcia. pediu desculpas e reparou mais detalhadame nte em seu vestido branco.completou Olívia que mesmo na espiritualidade. O que foi? . que seja feita a sua vontade e não a minha .Respeito e amor A noite caia suavemente e o casal passeava de mãos dadas após saírem do cinema. que o repreendeu. E rogamos para que nossos amigos Wilson e Olívia vejam se us protegidos munidos de fé. . Sentia pela irmã Lúcia o mesmo que por seus outros dois irmãos e nunca cedeu aos seus assédios.perguntou a moça com um jeito manso. deixando-os em um estado que os faça cair em des espero e culpa . Foi então que o espírito Sebastião passou a dominá-la atr avés dos pensamentos. Era algo que lhe proporcionava prazer. o rapaz não entendeu.. Seus pe nsamentos estarão invadidos de idéias e inspirações que podem levá-los à prática de falhas. Agora. um dos instrutores avisou: Tivemos uma grande lição. Ele está subindo!. ameaçando levar aquilo ao conheci mento dos altos postos do Exército Imperial.. desertado do exército. Sérgio. o silêncio reinou por longos minutos a té Sérgio parar fazendo com que Débora permanecesse à sua frente. Tanto Sérgio quanto Débora serão incentivados a cometerem erros. Mas. a criatura egoísta e o rgulhosa acredita ter toda a razão. com delicados contornos que Débora estava usando. . alegre e desconfiado. Sérgio é um espírito equilibrado. Os belos olhos verdes do rapaz brilharam ardentes enquanto ele sorria. Desencarnado. O principal desejo desses irmãos. mas. é nos ver prejudicados.tornou Wilson.. sentimentos e vícios típicos de pobres irmãos sem evolução. que passará por provas e tent ações. indecente por seu vício repugnante de atacar e violentar mulheres e crianças. na verdade. desencarnada. . e achou graça ao vê-la pedir r indo de modo constrangido ao falar com jeitinho delicado: Adoro ficar em seus braços. mas ela não contro la a idéia fixa de seus desejos. lembremos de Jesus que nos ensin ou: Pai. . Colocou-a no chão. leve. força de vontade e bom ânimo para que se elevem nessa atu al experiência. . ela afirmou estampando felicidade: Eu também te amo. mas.explicou Olívia. entre outras coisas que sua con sciência imagina. 8 .riu.

. não ganharei o sufi ciente para sustentar todos os meus gastos. quando não. Esses colegas são de confiança? Sim são! Nós temos várias idéias em mente. Desde que começamos a namorar não freqüentei mais a sua casa e você nunca foi até a m inha. terapias alternativas como acupuntura. é o seguinte. Nunca usei esse vestido quando saímos. depois ele comentou bem sér io: Débora. Abraçados.. Que bom Sérgio! Fico feliz com isso! Mas.. eu sei. Desde que nos vimos pel a primeira vez me apaixonei por você! Queria vê-la novamente e senti uma angústia por não me dar o seu telefone! Eu sei.. . eu darei um jeito. florais.riu... Mas?. Acredito que arrumamos um bom lugar e só estamo s aguardando o trâmite das documentações. Como assim?! Nossas famílias oferecem resistência a aceitar nosso namoro.. Veja..beijou-a com ternura. Sérgio .exclamou perplexo. riu com gosto. Ah! Seremos três psicólogos e um médico psiquiatra que foi nosso profess or na universidade e um verdadeiro mentor! Tem tudo para dar certo! No carro de Sérgio... E o serviço na polícia?! Não pretendo continuar por muito tempo na polícia. seu guarda! Pode me levar presa! .. quando clinicar como psicólogo. Nossa Débora!. Nossas famílias não se conhecem e. Amo-te tanto. Eu te amo muito . riu. começaram a caminhar enquanto conversavam. O foco da clínica será voltado para a Psico ia. por isso quero ser bem tr ansparente quanto ao nosso relaciona-mento. Tenho consciência de que no início. Débora.o. eu e mais três legas vamos abrir uma clínica mesmo. Agora. no entanto não vamos nos limitar só a isso.agradeceu com jeito meigo.. eles conversaram mais a respeito.Eles brincara m e riam até ele falar mais sério: Débora. Seus olhos se fixaram e ele afirmou novamente: Adoro você.. como já te falei.. Você pode ter visto uma cena do passa do ou. menina!... precisa tomar cuidado. mas. Não. teve uma visão do futuro.. Mas ao saber que você estava lá em casa para me devolver aquela past a!. apertou-a junto a si e a jovem o enlaçou p ela cintura. homeopatia. esses planos para a clínica são para curto prazo. saímos sozinhos ou com a Rita e o Gustavo.insistiu diante da demora. Depende das condições financeiras. .. ela alinhava o vestido quando ele elogiou com grande satisfação: Você está linda! Obrigada . Também senti algo muito forte! Uma coisa que não sei explicar! Sabe. eu só vou buscá-la na universidade. às vezes sinto como se a conhecesse há muito tempo.. Olha que vou aceitar a sugestão! . foi uma cena que eu já tinha visto antes. estamos direto na casa da R ita. entre outras coisas. Retire esse nós nos trombamos ! Foi você quem bateu em m! Aliás.. Eu não gostaria que co ntinuasse dessa forma. pois andou batendo em tudo pelo caminho . antes.ela correspon deu alegre. Teremos um setor para massagens de r elaxamento de diferentes tipos. mas com suave sorriso. Não imagina como fiquei irritada comigo mesma por não te dar o telefone da minh a casa! Como fui idiota! E a minha curiosidade para saber se você tinha alguém!.. Quanto à minha mãe. Não brinque com isso. com modo meigo e educado . . você acha que eu precisarei conversar com seu pai para deixar claro que nós não estamos brincando e que nosso compromisso é sério? Eu não queria falar sobre isso. Parece que eu já vi essa cena antes. o nosso namoro.. mas. .interrompeu-o. Tudo bem! Eu assumo a culpa..ela retribuiu da mesma forma. O rapaz sobrepôs o braço em seus ombros. Mas creio que conseguirei conciliar o horário com o serviço na polícia e com o agendamento dos pacientes. Quase tive um infarto! Você acredita em reencarnação? Acredito! Quando nós nos trombamos na escadaria da delegacia e você me segurou pa ra eu não cair.. senhora! .brincou ele... Sinto falta disso e g ostaria que fosse diferente. levo-a para o serviço .

. sua voz embargou. Chegou até a me ameaçar...Ela obedeceu mecanicamente e o namorado tornou a fala r no mesmo tom: Dê-me sua bolsa .perguntou ela após algum tempo. pegou a garrafa com água. com a mão em suas costas.pediu comovido ao vê-la daquele jeito. Nós brigamos muito. não é? . eu já te contei muitas coisas sobre minha família. sentando-se ao seu lado. Abaixou a cabeça e passou as mãos delicadamente pelo rosto s ecando as lágrimas que correram. Só vamos conversar.questionou em tom bondoso.. Sente-se aqui.ela sugeriu. Levemente. Como?! .. Descobri que a empresa d o meu pai fez e ainda faz negociações bem comprometedoras. eles adentraram ao quarto de um motel bem lu xuoso. perguntou : Quer pedir alguma coisa para comer? Tomar um refrigerante? Pode me arrumar um pouco de água. Sérgio percebeu-a sem ação e parada após os primeiros passos..A verdade é que o meu pai vem discutindo comigo.murmurou. . Não é tão simples assim. colocou-o sobre a mesa e quis saber: Algum problema por estarmos aqui. . quase chorando. Acredita que o patrimônio de sua família é o a lvo de um pretendente como eu. Podemos ir à casa da Rita .ela não conteve as lágrimas. Já incomodamos a nossa amiga o bastante. Precavido..Ao levar a bolsa para pô-la sobre o móvel. Precisamos esclarecer muitas coisas com urgência. . Ei!.Com os olhos marejados. Quer falar a respeito? É um assunto delicado e. ele pensou um pouco e disse: Não vamos correr o risco de ficarmos parados em uma esqu ina conversando e esperando para sermos assaltados. Débora estava com o olhar perdido e seus pe nsamentos pareciam bem distantes.respondeu olhando-o de modo indefinido. Não fique assim. naquelas férias no fim do ano que eu não quis ir. Ameaçou fazer algo contra você caso nós não nos separássemos. por favor? Ele abriu o frigobar. colocou a bebida em um copo e a serviu. há algum tempo... Certo? A jovem não o encarou. ta? Iremos para um lugar onde não nos Incomodem. Sérgio. Sérgio. Onde? . O que está acontecendo? .pediu com ternura. ele a condu ziu para perto da cama e pediu gentilmente: Venha. Sérgio deduzi u: O seu pai quer que se afaste de mim. e quer vê-la compromissada com alguém de seu nível soci al. olhou-a firme ao dizer.. Confie em mim. Espere. mas ela prosseguiu: Meu pai vem propondo que eu tenha um compro misso com o Breno. ele tocou sua face gelada percebendo um leve tremor que pare cia vir de sua alma. Nós não conversamos sobre esse assunto e se rá impossível fugirmos dele a vida toda.. Precisam os de um lugar tranqüilo.. Por ca . Então preciso saber. Não estou entendendo. Pouco depois. não vou levá-la a um barzinho ou restaurante para falarmos sobre isso . não acha? Diante do silêncio. Fechando a porta e colocando as chaves do carro sobre um móvel. Precisamos dar um jeito nessa situação.perguntou brando. Mesmo dirigindo.. A voz de Débora embargou. Débora? Você está preocupada ou se sentindo incom odada com isso? Precisamos conversar. porém incrédulo. Que razões o senhor Aléssio tem para propor um absurd o desses? O Breno e o Lucas têm uma grande empresa de importação e exportação de bebidas. Se esse assunto é delicado e a deixa sensível.. . Sérgio ponderou: Vejo que temos muito que conversar. . Tudo bem? A moça não disse nada. fixou-os no namorado e revelou: O meu pai quer que eu me afaste definitivamente de você.. Reparando um comportamento estranho na jovem. nada disse de imediato. Gritamos um com o outro e o clima está péssimo lá em casa desde q uando eles retornaram da Europa. Vendo-a com dificuldade para se explicar. por causa dos no ssos encontros e. Não fique assim.. Lágrimas rolaram. Com semblante bem sério. E sperou-a beber alguns goles e depois que lhe devolveu o copo..

eles querem que eu tenha um compromisso com alguém do nosso nível. Você não está só. Não me assediou nem se impôs.chorou. Só há uma maneira de resolver isso! Eu vou conversa r com o Breno! . E simplesmente ridículo o seu pai propor que tenha um comp romisso com o Breno só por prestar serviços à empresa dele. ou melhor. Quando eu sair da casa do meu pai. creio que teremos sossego.. Eu tenho uma idéia melhor. Sérgio! Por favor. sinto-me como se estivesse vivendo no século XVIII ou XIX. Repentinamente o Lucas e o Breno se uniram ao meu pai e à empresa. Há tempo quero fazer isso e acho que demorei demais. eu viro as costas e saio de casa.. acomodou-se melhor. manda-me flores ou presentes. . poi s presta diversos tipos de serviços para a empresa do Breno. O senhor Aléssio está pensando em seu bem-estar porque é um homem r ico e. Por que não me contou isso? . Em seguida. Passou a me ligar quase todos os d ias. Sérgio. Qual? Estou decidida: vou sair de casa.tornou o rapaz. Quando fica para o jantar.perguntou num lamento.sa daquele acidente de trânsito meu pai os conheceu.. me criticarem por e starmos juntos. Eu não vejo motivo para tanta aflição. Nem parece meu pai. argumentou: Não se iluda. Ao mesmo tempo. no entanto ele sempre vai lá a casa e passa hora s conversando com meu pai.. Ele disse que está apaixona do e não consegue me esquecer. deixando-a desabafar. E o que você fez? .. Sérgio. Sérgio sentiu-se esquentar. Não existe razão para você querer conversar com o meu pai para tentar convencê-l o que nosso compromisso é sério ou coisa desse tipo. Daremos um jeito. Ele a abraçou forte e afagou-lhe os cabelos.disse ao interrompê-lo. . olhando-a. Ninguém pode obrigá-la a ter um compromisso ou se unir com alguém. Ele sempre foi educado. mas alg o está escuso. ele não paga o que deve mesmo tendo condições financeira s para isso .avisou um pouco alterado pelo ciúme. mas não queria que ela percebesse. parecendo calmo. . Ele a amava e nada comentou para não ser mais uma preo cupação. O Breno vem tentando se aproximar de mim e.. Seus pensamentos se corroíam por uma imensa revolta e raiva. sou eu quem tem de dar um jeito nessa situação.. É difícil brigar com gente assim! Eu fui firme pedindo para não me procurar mais. seria pio r saber que um outro cara tenta impedir ou incomodar o nosso relacionamento.Alguns segu ndos e revelou: Como se não bastasse não aprovarem nosso namoro. como muitos ladrões.Encarando-o...perguntou Sérgio calmamente.. Não estamos no século XIX! Com lágrimas a correr por seu lindo rosto. porém não tinha como. Algo o incomodava e. preste atenção. Sentia obrigação de ampará-la. pediu amoroso: Calma.. desabafou: Era algo desagradáv el para eu te contar. Não fique assim. pois meu pai sempre o co nvida. R ealmente. Esfregou o rosto.. enquanto ele ficou pensativo. gentil. .Débora silenciou por instantes. ela disse: Existe algo muito mais sério acontecendo que eu não sei explicar. pois desejava ajudá-la. Sérgio v iu sua força para enfrentar aquela dificuldade.. aumentaram as negociações. A pressão lá em casa está muito forte sobre mim. não faça nada. Depois de eles irem lá a casa o vínculo de amizade e negociação cresceu.. Apesar da aparente fragilidade e delicadeza que a namorada aparentava. Pelo visto ele é muito folgado. Talvez o Breno ou mesmo o seu pai não a deixe em paz. Por que não disse que estávamos namorando? Eu disse! Mas parece que ele ignorou isso. Beijando-a com carinho. Rico e. reconheceu-os. O namorado estava preocupado. ela reclamou indignada: Sint o como se o meu pai quisesse me vender.Nesse instante foi vencida por um pranto sentido e sufocado pelas mãos. o meu pai vive discutindo comigo por dispensar uma pessoa da posição social do Breno. Ele é muito educado. . apoiá-la em tudo.. Além dos obstáculos que encontramos com nossa família. comentou como um a ameaça: Se é que ficaremos somente no diálogo! Ele está passando dos limites! Não. Com a voz embargada. O que quer que eu faça?! . Estamos juntos e eu quero protegê-la.. . pegou as mãos d e Débora fazendo-a encará-lo e argumentou com voz calma: Meu bem.

vi os seguranças dele nos observando. Talv ez como última tentativa. A moça ofereceu um sorriso leve e generoso ao tempo em que recebia um carinho n a bela face alva.. Você é a coisa mais importante que aconteceu na minha vida. Algumas vezes em que a peguei ou levei par a sua casa. . ...Abraçando-o pela cintura.Erguendo o olhar e fazendo-o encará-la. ele segurou-lhe o queixo.avisou.. Ela parecia angustiada e preocupada com a decisão dele. Já precisei usar de força física.Ela agarrou-se em seu pescoço. Calma . Eu sou policial... Só diz qu e me admira e tem uma postura educada. Isso nunca! E policiais que agem assim não trabalham comigo. Ameaçou ao deixar em dúvida de que es sa conversa talvez não ficasse só nisso.. Porém. Não quis dizer que você era bandido.. para mostr ar que era o melhor. Por favor. por vingança.. sussurrava ele entre os beijos e sob o efeito de uma respir ação ofegante ao envolvê-la como que ria sob si e seus carinhos. ta? Meu amor. Sérgio. quando conversamo s. fitou-a nos olhos.. eu te amo. Acho que ele falou isso por falar. Isso é legítima defesa. com sua grande habilidade de obse rvar minuciosamente o comportamento das pessoas.. Estavam sentados lado a lado e Sérgio controlava imensa revolta e indignação. atento. estou passando por um período de grande mudança em minha vida profissio nal. encostou a face em seu peito e falou quase chorando: O Breno não é agressivo nem me impõe nada.. Na ver dade. Tudo bem que o Breno é bem privilegiado.. Não admito agressão gratuita.. Isso me deixa intrigado... abraçando-o com força e escondendo o rosto em seu . por você ser policial. Errei por omitir. Débora comentou: Sérgio. invadindo-lhe a alma. o Breno pediu para se casar comigo.. perguntou com aparente tranqüilidade: O que o Breno te pediu? Não quero lembrar isso. enquanto ele a abraçava e em seguida deitou-a cuidadosamente... eles permaneceram em silêncio po r longos minutos. eu preciso saber em que estamos envolvidos e com quem. é questão de tempo.titubeou. abaixando a cabeça. Desculpe-me. comentou: Sérgio. Bem. não sou bandido. digo. o namorado perguntou. Ela entregou-se ao longo beijo apaixonado. mas contou com receio: Em uma das vezes.. Não pode associar uma coisa à outra.falou sério .Não vou falar com o meu pai por um bom tempo e o Breno. . Não te nte esconder o que aconteceu ou está acontecendo! É que. Ele viaja muit o. afastou-se vagarosamente e perguntou em tom generoso: Está tudo bem. A troca de beijos e carícias foi duradoura até a jovem mur murar-lhe ao ouvido: Sérgio. . Sou f a você e tudo isso não passa de obstáculos que não vão interferir em nossas vidas.pediu com voz terna ao interrompê-la.. e afirmou bem baixinho: Débora.. Desculpe-me.. continuou parecendo aflita: Agora mesmo. mas vou ajudá-la e apoiá-la no que puder.Vendo-o calad o. eu fiquei com medo que se irritasse e fizesse algo qu e comprometesse nossa felicidade.. Débora . quando disse de só haver um jeito de r esolver isso e que iria conversar com ele e.. eu. Quase não ficaríamos no Brasil.Em poucos segundos. Itália ou em outros lugares. meu am or? . mas não o traí. Para mim. nós estamos tão bem! Eu te amo tanto e não queria preocupá-lo ou magoá-lo. Débora subitamente deteve as palavras e Sérgio. Fiquei com medo da sua reação e!. Amo demais. olhando-a nos olhos: Por que não me contou tudo isso? Principalmente o fato de ele pedi-la em casame nto. Tem uma vida social bem agitada por conseqüência dos seus negócios e passa a maior parte do tempo na Suíça. Omi ti por medo. Fazendo-lhe constante e delicado afago. O silêncio foi absoluto. Recostando-se no ombro de Sérgio... Mas.. Eu te amo. Explicou que viajaríamos muito e isso me fa ria feliz o suficiente para esquecer você. sentindo-a apree nsiva. eu referi-me a ele reagir de alguma forma ou mandar um de seus capang as. mas não sei se preci saria de tanta segurança assim. por acreditar em resolver essa situação de outra forma.. ao perceber que a namo rada não exibia mais sinais de choro ou tristeza no rosto tranqüilo. seus seguranças me agredirem. Quando eu disse que talvez eu e o Breno não ficássemos só na conversa.. ... mas foi para me defe nder ou defender outra pessoa e em ato de serviço. porém nunca f ui além do necessário ou usei de crueldade por vantagem física. . bem calmo. Quando ele me pediu. isso vai acabar quando eu sair de casa.. Te quero muito. conte-me tudo o que aconte cer. aqueles sujeitos têm típic a postura de bandidos.. Meu bem.

ombro.. Débora. sussurrou amorosa e com ce rta vergonha: Por estarmos em um lugar tranqüilo. seus c arinhos. Eu disse que só queria um lugar tran qüilo e havia prometido..perguntou com jeito maroto. tomar um banho.. Olhando-o em sono profundo. por favor.pediu em tom arrependido. Por um segundo. Espera. trocar de roupa e sair para resolv er uma coisa o quanto antes. *** Uma luz pálida clareava suavemente o quarto quando Débora se deu conta de estar d eitada sobre o ombro de Sérgio. .. desejou que aquele momento não acabasse. ela falou em tom brando: Não peça desculpas. abraçou-a com carinho e a b eijou dizendo com voz rouca: Bom dia... Eu não fui legal e..... . envolvendo-a e se deixando envolver como el a queria. Sérgio. na sua compreensão por eu não me sentir prep arada e.. admirou sua dignidad e. Eu te amo muito! Eu também te quero!. Somente trocaram carinho e conversar am bastante até adormecerem. ela o chamou ba ixinho: Sérgio.. Você tinha algum compromisso? . Já amanheceu. Dormi um sono tão pesado. A moça ainda escondia o rosto em seu ombro permanecendo imóvel. Em seguida. Quero chegar a minha casa. seus beijos. Desculpe-me. . Bem.pediu com leve sorriso. deixando-a de frente para si.. Tomada de uma sensação estran ha ao lembrar que haviam passado a noite ali. aproximando-se: Você está bem? Sim. surpreendeu-se: Nos sa! Meu vestido está todo amassado. amo r. olhando-o nos olhos. ele resolveu: Vou pedir o café da manhã e depois iremos... Não pense que só por estar em um motel comigo deva se submeter a qualquer intimidade.. Sérgio se virou e puxou-a delicadamente fazendo-a se deitar sobre ele. Ela sorriu com doçura.. Afagando ternamente seu belo rosto e o braço. a jovem se levantou enq uanto ele permaneceu deitado por minutos. Sérgio tirou-lhe o cabelo do rosto com gestos sutis de carícias. Só com você. Só que. quase murmurando: Não esto u pensando nada. Só que eu queria pedir para me acompanhar... Hoje é sábado . Eu queria sentir seu toque. O rapaz abriu os olhos lentamente. mas não me sinto preparada. Apoiando-se sobre seu peito.. Sei que não vai me forçar a nada.. Sérgio .Observando -a em profundo silêncio. por não forçá-la a nada. Pode ser só assim?. Acho que perdemos a hora. meu amor. Eu te quero também. Por amá-lo. continuou d eitado ao seu lado apoiando-se em um dos braços. o rapaz disse com brandura: Desculpe-me.avisou com jeito gracioso. Sérgio sorriu e nada respondeu. falando baixinho e envergonhado: Não precisa se justificar. Sentando-se na cama. Vejo que tem dignidade e é por isso que estou aqui.. Não quero constrangê-la e não vou forçá-la a nad Fui precipitado e. aproximou-se dele e pegou-lhe o braço colocando-o em torno de sua própria cintura. Após a lguns minutos. Depois explicou.. pára! . Frente ao espelho.. estou. aca lmando-se e entendendo aquele momento. . suspirou fundo e olhou em volta como não se recordasse imediatamente de onde estavam. Logo sorriu. Não! Você está certa! Eu entendo. desejo qu e seja algo bem especial. Desculpe-me. Não quero que se frustre ou se decepcione comig o por eu ser sincera ao dizer a verdade sobre esse não ser o momento. Parece tão pensativa. Ajeitando-a cuidadosamente na cama. sentiu uma pitada de arrependimento. enquanto ele afagava suavemente suas costas com carinho. Confio em você..murmurou. Claro! Mas preciso saber o que pretende.... pois o queria muito.. seu respeito por ela. Deixou que seus lábios se encontrassem com amor e a abraçou. com toda a força de seu coração. Eu. meu amor. que dormia abraçado a ela. Roçando-lhe o rosto com os lábios.. afagando-a com delicadeza. Primeiro não se desculpe.. perguntou.falou de modo meigo..

Todos são pequenos.. poderemos voltar aqui outras vezes para conversarmos. ao vê-la segurar o riso no semblante brav o e continuou com ironia: Então. fique aqui! .sorriu.falou sério. Rapidamente ele a envolveu em seus braços e a calou com um beijo. Débora. por eu não. abraçou-o forte e disse ao ouvido: A cada minuto eu te adoro mais ainda! Só uma coisa. como aconteceu hoje .. . Saib a que me senti muito bem por sua sinceridade ao dizer que não estava preparada. Você está decepcionado.riu. Débora ficou na ponta dos pés.. . acariciado sem ter de me preocupar com nada. Você me deixou nervosa. às vezes eu agrido. beijando-a. mas parei . trocarmos carinho. Se você concord ar.Br eves segundos.Ao vê-lo com semblante sério e muito r eflexivo por longos minutos. Sentindo o coração apertar. E como.expressou-se rindo.Visitar três ou quatro apartamentos em vista para alugar.. desculpe-me por essa n oite. Às vezes bato em meu irmão Tiago e. o rapaz caminhou até a janela cuja vista dava para um pequeno jar dim de inverno e continuou silencioso. Débora foi à sua direção e argumentou com certo temor: Sérgio. sou agredido e. Apanho também. Eu te amo. Como assim?! indagou inquieta. Explicando no m esmo tom. por questão de segurança. Eu a respeito e quero que confie em mim.. confessou generoso: Não vou negar que te desejo... Débora . Sérgio esperou no interior do veículo en quanto ela entrou. Nunca vou forçá-la a nada. continuou: Eu menti para você quando disse que só usei de força física quand o necessário e por conseqüência da função. que tinha o dom de exercer forte atração. olhando-o nos olhos. . Se voltarmos aqui ou formos a outro lugar tranqüilo e seguro. Depois sorriu e fitando-a de um jeito apaixonado. frustrado comigo.Vendo-o se virar e fic ar à sua frente. pode ter certeza de que vou controlar meus desejos e. sabia?! O namorado riu com satisfação e a abraçou. falou com ternura: Pare de me pedir desculpas... sem razão alguma. Você não fez nada errado.gargalhou gostoso.. Assim como eu. perguntando animada: Demorei?! De jeito nenhum! . Dizendo isso. Será com o você quiser. Estacionando em frente à luxuosa residência. mas para mim serve e eu gostaria da sua opinião.. . O Tiago ainda freqüenta a academia e é faixa preta. beijado.respondeu o namorado com um sorriso irônico. perdoe-me por te trazer tantos problemas.. O u só dormirmos. Sérgio perguntou: Você se importa se eu tomar um banho antes de irmos? Lógico que não! Vai lá! E você. Nós temos um equipamento de ginástica em casa e sempre que podemos nós fazemos corridas. * * * A caminho da casa de Débora. Não fico muito à vontade quando estamos em lugares públicos ou na casa da Rita e também não gosto da idéia de ficarmos parados d entro do carro. . O fato de não ter acontecido um amor mais íntimo. não diminuiu o que sinto por você. ela falava mais detalhes de seus planos enquanto e le reparava as suaves mechas de seus cabelos que reluziam como ouro sob a luz do sol matinal.exclamou sério. Sabendo que a levaria p ara casa e passariam o dia juntos. Sustentando uma denotação d gravidade.. ela perguntou: Algum problema? Não. expressou-se brincando: Imagine! Uma hora e meia para mim não é nada! ofer . E.. Mas estou sa tisfeito por tê-la abraçado. Conversaram um pouco e brincaram enquanto tomavam café. continuou: Por favor. Não demorou e logo foram embora. esmurrando-o no peito com suave delicadeza.. enquanto a embalava suavemente de um lado p ara outro. Vou com você sim. E. deixando-a preocupada. malhamos e depois luta mos. Nenhum... Nós precisávamos de privacidade para conversar em um lugar tranqüilo. Longo tempo depois a jovem retornou. em que a invadia com seu olhar. Seu safado! . mas riu imediatamente ao brincar. É que já fiz arte marcial. você desejava que f icássemos juntos em um lugar mais à vontade no sentido de não ter alguém por perto... Bem.

expressou-se feliz. Mas. Agora. a moça se queixou delicadamente ao se sentar: Ai.indagou mais sério. Antes de entrar na universidade. divertindo-se ao rir gostoso.. Mesmo assim.. Sem dúvida! Eu também! É pequeno. Não pagavam bem. pois eu posso te emprestar um valor. ele riu exclamando para mexer com ela: V ocê é capaz de atropelar outra viatura e o meu carro não tem seguro! Sérgio! O quê?! .. Sei lá! Até você se estabilizar na clínica! Entendo o que quer dizer.. eu tinha dois empregos. mas.riu gostoso. Pequeno?! . . certo? Ele ofereceu belo sorriso ao dizer para não se chatearem: Pensei que tivesse demorado porque lavou os cabelos. pois deixei de dar aula e precisava me virar só com o qu e ganhava como policial. Eu gosto de segurança e a situação está sob controle.Sérgio fingiu desmaiar e se jogou sobre ela.perguntou. Sempre fui preve ido em questões financeiras. Não gosto de vê-lo trabalhando na polícia.reclamou o namorado... Do terceiro.justificou com uma questão. espere.. ajudava e ajudo nas despe sas lá de casa. Só por ficar do meu lado e me apoiando!. Puxa! Na verdade..f alou alegre. Nem minha família sabe que tenho uma economia razoável guardada há tempo. Não vamos dar atenção a isso. mas. Ganho bem e tenho alguma reserva. Ele poderia fazer alguma coi sa e ter dois empregos. acho meu irmão muito folgado.. antes de irem...pensando no futuro. Ótimo! Mas vamos comer alguma coisa.perguntou o namorado diante da demora. E por você ser a culpada.. eu poderia ajudá-la. fechando o sorris o.. pois logo será resolvido.... O tamanho é ótimo. Só que minhas costas estão arrebentadas por ficar sentado aqui n o carro. Tenho tanto medo de que te aconteça algum a coisa! Por isso você poderia pedir para sair logo desse serviço. E é um dos mais baratos! Ah! Vou alugá-lo! .eceu largo sorriso. ainda estão molhados. Desculpe-me! É que estou tão animada!. já que a família está aumentando e.. uma porcentagem do que recebia na polícia eu também poupava. que brincou: Tudo bem! Vou socorrê-lo para um restaurante! Quer que eu dirija ? Deus me livre! . Mas.. Sabe. com fome! . você não ganha tão bem lá! Dedicando-se mais como psicólogo poderá se estabili m pouco tempo e. . No carro. De jeito nenhum. E eu gostaria de saber por que não deixa seus cabelos mais compridos? São tão lindos! E mais prático assim! . não cons . logo no início da noite. vamos?! Pegou os endereços? Estão aqui! Sei onde ficam! Falaram algo por vê-la chegar agora? . Além disso. após verem o último da lista.sorriu. De qual gostou mais? . você sabe da história e não vou me desgastar. d inheiro não é o meu problema. E eu. mas eu nunca usei esse dinheiro. Estou exausta. * * * O casal estava em uma cantina italiana e conversavam enquanto comiam: Se não fossem os gastos que tenho com a montagem da clínica.. Por isso.. Mas?. Durante o período que durou a graduação em Psicologia..quis saber. Sérgio. Você não acha? Não. Trabalhava na polícia e dava aulas de Informática em uma escola de comput ação básica. Débora.Levantando-se rápido. O casal passou o dia visitando apartamentos que interessavam a ela. Vou desmaiar de fome e a culpa será sua! . animada.Alguns segundos e continuou: A situação ficou difícil quando en trei para a universidade. me deve uma massagem! Vou fazê-la com o maior prazer! .. Às vezes fico p ensando que o verei em um hospital ou. Por que acha que demorei tanto? . Posso me manter com tranqüilidade... Serei bem sincera... . Ora.perguntou ele achando graça.

mãe . Ah! Eu quero conhecer! Não. decoração.. sempre animado. Imediatamente. Uma vadia como ela só pode passar a noite fora e. Os gastos com livros e outras coisas eram grandes.Virando-se para sua mãe.falou com jeito manhoso. meu bem . Em dado momento. senhora! Só a levarei lá quando estiver tudo arrumadinho! . de quem cuidará da acupuntura. em vez de empregar dinheiro.gabou-se. Sérgio! Sente aí! . Pela manhã. quem controla as finanças. ele se lev antou e procurou se recompor o quanto antes. Eu sei. 9 . Os dois estavam animados. Sérgio percebeu que não havia ninguém acordado. Chegando à cozinha.defendeu-se Sérgio. Bom dia! A bênção. Se precisar. Estou cuidando da pintura. admirando-a. . servindo-se com uma xíca ra de café. deitou-se e rapidamente adormeceu. Tudo é dividido entre os quatro sócios? Sim. de especialistas em florais e outras coisas. divisórias..Sérgio se deixa dominar pelo ciúme Chegando à sua casa.surpreendeu-se. À medida que a senhora aceitava a influência espiritual. Durante o trajeto. Tudo está dando certo! E a localização? Ah! É ótima! . Após tomar banho. alguns reparos.egui poupar nada. de uma adequação na parte hidráulica. Bom dia. Um silêncio fúnebre pesava no ar. Lógico! E sou bom nisso! . Para afugentar o mal-estar. O que significa que as instalações contribuem p ara o que precisamos. É uma casa. Aaa. é. Que tal treinarmos um p ouco? Se dependesse de você. Quem conseguiu foi o Nivaldo. O João está cuidando da prestação de serviços terceirizados na parte de massagem. conte comigo . Até me surpreendo por conseguir acompanhar com as despesas de um jeito ou de outro.avisou com expressivo olhar meigo.. calmamente. desper tou sentindo as mãos frias e a cabeça pesada.cumprimentou Sérgio. mas as despesas com a clínica estão sob controle. Talvez amanhã à noite. experimentando uma onda de sentimentos que começaram a deixá-l o apreensivo. considerável médico psiquiatra. Ouvia sussurros. Não!.disse com sinceridade. mobília apropriada para determinados setores. sorrindo. perguntou mais séria: Te m certeza que não precisa de uma ajudinha financeira? Não vou mentir e dizer que estou nadando em dinheiro.. Sér gio perguntou: Estava falando de mim? Ouvi meu nome. Cada um faz uma coisa. . Porém teve a impr essão de estar acordado. dona Marisa não parava de se queixar fazendo com que o filho perdes se o apetite. risos macabros e figuras animalescamente monstruosas. encontrou seu irmão Tiago fazendo o desjejum e sua mãe falando sobre ele.. Na espiritualidade. Alguns segundos.disse animado. Você?! . Não sei como. falou desanimado: Não estou bem disposto hoje. .. ela extrapolou ofendendo Débora com acusações e nomes que feriam gravemente sua moral. Era tarde quando Sérgio levou Débora para casa e se foi. Por algum tempo conseguiram afugentar as preocupações q ue castigavam seus pensamentos. suas reclamações ficavam mais fortes e agressivas. inspirando idéias que pude ssem gerar conflito entre mãe e filho.exclamou sorrident e. ele d irigia vagarosamente. Foi usada p or uma clínica ortopédica e fisioterápica. mas nada disse. Deus o abençoe. do fisioterapeuta. Algumas vezes. Deixando-se dominar por pensamentos que não l he pertenciam. malhar e lutar um pouco?! Acomodando-se frente ao irmão. contribuo com serviços de mão -de-obra. porém consigo controlar tud o. Aquela noite não lhe serviu para o devido descanso. aqueles pesos lá na garagem estariam enferrujados! Vamo s dar uma boa aquecida. E é o doutor Edi son.pediu Tiago. Agora tudo está mais calmo. dona Marisa reclamou: Você deu para passar a noite fora de casa! E o dia também! Mas eu liguei avisando . espíritos inferiores se alvoroçavam.

Dona Marisa não parava de agredi-lo com palavras e acusações injustas.. Tiago havia se levantado e enquanto ouvia o irmão foi até a gaiola e pegou o rati nho de estimação. só recebo críti cas e ofensas.gritou Sérgio. Só que não conto nada aqui em casa ou meu dinheiro será sugado! Eu não tenho dó deles como você. falou: Eu ia colocá-lo na sua orelha .pediu Tiago com jeito ponderado. Eu pago as contas de água. Ame e perdoe. com extrema generosidade. Tufi! Conta para o seu dono que fui eu quem deu o maior trato na sua ga iola ontem e hoje! . de tanto levar bronca por chegar tarde demais. Espere aí! . Falando com o a nimalzinho. mãe! . Prefiro levar algumas broncas por considerarem que eu estava na farra a ser roubado pelo meu próprio irmão. ficou pensativo. Sozinho terei menos despesas e mais sosse go! Eu te entendo. luz e parte do imp osto da casa.reclamou Sérgio. o rapaz analisou sua mãe como incapaz de entendê-lo e qualquer tentativa para isso só iria desgastá-lo inuti lmente se continuasse a falar. Tiago! Agor a deu pra ofender a Débora! Não agüento mais essa vida! A mãe está nervosa desde quando você parou de ajudar financeiramente em casa. Faz algum tempo que estou dando aula na ac ademia e às vezes os treinos terminam tarde ou algum aluno fica lá conversando e. Não demorou e Tiago entrou no quarto. o espírito Sebastião insuflava: Vamos.exclamou.Chega. mas tais idéias chegavam nítidas aos seus pensamentos. levando-o até Sérgio.. A senh ra vive me provocando. Ele estava em pé ouvindo as queixas de sua mãe e não suportou ouvi-la dizer: Não vou admitir que grite comigo.Entregando-o para Sérgio. levantando-se ao mesmo tempo em que socou a mesa com ambas as mãos. Puxa! O Marcílio sempre foi muito folgado. mãe! . Atirando-se sobre sua cama. Colaborei com tanta coisa e nin guém reconhece. eu comprava! Até fralda comprei! A h. abraçou-o p elas costas com um gesto paternal. meu irmão. repreendeu: Agora a senhora pegou pesado. Sabia que o bichinho o acalmava. em vez de incentivo. tenha bom-senso você. pois estava muito nervoso.. sentou-se na cama ao lado do irmão e pergun tou em tom brando: Está mais calmo? Como posso estar?! A mãe não me dá um tempo! Não tenho um dia de sossego.Bre ve pausa e o rapaz desabafou: Ele e a Ana precisavam de dinheiro para a compra d o mês e eu ajudava! Faltava leite para as crianças. sentando-se. pois não queria mais ter filhos! Você nunca foi querido e só serve como provedor para sustent ar os gastos deles! Sérgio não podia ouvi-lo. Você fez bem.Sua mãe nunca o considerou. ta? Não vou admitir que me trate mais assim. As louças estremeceram e o silêncio foi imediato. cara! Já cansei também.afirmou Sérgio com veemência. Você não passa de um moleque! Moleque?! Depois de todo o esforço que me viu fazer para ter uma vida melhor?! É isso o que eu pareço para a senhora?! Um moleque?! É isso mesmo! Você nem foi homem corajoso o suficiente para constituir uma família! E um covarde por admitir que não queira ter mulher nem filho! . ele foi para o seu quarto parecen do irritado. Lembre-se de que ela mesma disse que quase o abortou. Eu fui um tonto! . acabo dormindo lá. O que deixei foi de dar dinheiro para as despesas do Marcílio! . Passei muito sufoco para me formar em Psicologia e estou dando o maior dur o para montar a sociedade com a clínica. Por um segundo Sérgio ficou atordoado pelo choque de energia salutar recebida. Se ela ainda não tem bom-senso. Não consigo mais ficar nesta casa. inspirando-o: Essa discussão ficará pior... Não tem amor por você. Sérgio! Esse é o momento! Diga tudo o que pensa. Calma aí. não! Chega! Tenho que cuidar da minha vida. ele avisou: Vai lá. hein! Vamos com calma. Mesmo sem ouvir seu anjo guardião. Sabe. Virando-se para a mãe. Sou homem suficientemente capacitado para planejar a minha vida e não um vagabu ndo como o Marcílio que vive à custa do pai e dos irmãos! Engravidar uma mulher é fácil! G ostaria que ele fosse homem suficiente para assumir as responsabilidades! Wilson. não suportava aquela sit uação. o mentor de Sérgio. Comentei com a Débora sobre eu ter trabalhado em dois empreg os. Es tou pensando seriamente em sair daqui. Agora chega! Nesse instante. aproximou-se e.. Fica frio . desrespeitando minhas opiniões e sentimentos. Agora. Percebendo ser inútil ficar ali.revidou à senhora.

A mãe me xingou tanto! . É tão gratificante poder quebrar uma parede e tirar alguém das chamas. me agarrou.. meu?! Por que não procura algo melhor? Faz um curso universitário?. ele refletiu um pouco e falou encarando-o: Eu te admiro. mas.. Amanhã! . Tiago perguntou com jeito maroto: E aí? Conta. desce para o chão e corre te procurando. estava tão atenta à novela e não percebeu que era o rabo do Tufi. Tia go defendeu-se: Ta bom! Eu sei que dá para limpar a gaiola e alimentar o Tufi sem tirá-lo de lá....ri a... Pra pegá-lo dá um trabalho!. com respeito a uma vida.. olhando-o de modo generoso.riu. como você. O comandante da operação estava com lágrimas nos olhos. De um desabamento. E recompensador socorrer uma pessoa que e stá se afogando ou mesmo encontrar um corpo desaparecido nas águas ou sob um desliza mento de terras para entregá-lo à família a fim de que possam lhe dar um último adeus. quando a tiraram do carro. Mas quando pegou o Tufi na mão. Sabe. Brincar com ele ou pôr medo na mãe? .. o outro respondeu com um ânimo imediato: Ficando ótima! Vou pintá-la na semana que vem. O peso da terra era enorme. . .perguntou com estranheza. Não adianta brigar com a vida.. contagiando o irmão ao narrar suas peraltices. sorrindo desconfiado. Tudo pra você está bom. Houve um deslizamento de terra e felizm ente encontramos duas vítimas com vida.. A mãe nem piscava. enchente. mas não quis incomodá-lo e o deixei aqui no quarto. Que coisa bonita. Ah!. É t riste. na insegurança e sem a despedida.agradeceu. Sem tirá-lo da gaiola..afirmou Tiago com b rando sorriso e olhar brilhante. eu vi dois se abraçando.... Se fizer isso. incêndios.tornou Tiago.. água. . em choque.Após alguns minutos de silêncio.hoje cedo. Acho que não é um serviç fácil. pois é você quem a faz.. porém disfarçou.Tiago agitou-se com a lembrança de sua travessura.Vendo o irmão afagar Tufi.. Co nversavam. está ótimo. Ela sentiu algo em seu pescoço e passou a mão várias vezes.perguntou Sérgio.. cara! . Sentado. Eu nunca vou me esquecer da ação do grupamento do Corpo de Bombeiros que tirou a Débora das ferragens retorcidas. Eu me agachei e coloquei uns ped acinhos.Sérgio sorriu e reparou: É engraçado. a mãe deu um grito! O coitado se assustou e saiu correndo na minha direção para a ponta do sofá!. É! Esqueci que amanhã é segunda-feira! . Tiago gargalhou gostoso. Sempre agradeço a Deus quando conseguimos salvar uma vida . não resisto brincar um pouco com ele. Provavelmente sobreviveram por lhes restar ar debaixo da parede que caiu sobre elas. a vida será agressiva com você. ..expressou-se Sérgio. sorrindo admirado. mano.. A m morre de medo dele. .. .ria divertindo-se. hein. Eles estavam preocupados. Lógico! Qualquer força será bem-vinda! Mas você não está na escala vespertina? Não. E o Tufi parou ali p ara comer. mas quando percebe que eu não tive tempo nem você. Não pensei nisso. ela cuida do Tufi. A Débora. não a forçaram para arrancá-la de mim.. Depois comentou: Viu?! O Tufi confia em mim! Correu para a minha mão. Ela ficou invocada com o que passava em seu pescoço e puxou pensando que era alguma outra coisa. Houve uma mudança de comando e alteração na escala.. . .. Parecia não haver hierarquia e. Como está a clínica?! Brincando com o rato. quando tenho tempo. Só uns pedacinhos de queijo no encosto atrás da mãe...... mas reconfortante não deixá-los na dúvida. Que nada! O duro é quando o danadinho sai do meu ombro... Eu a vi colocando comida. ela estava vendo televisão e eu o coloquei no encosto do sofá!. lógico. Fi ótimo! Obrigado por cuidar do Tufi pra mim . comemorando. Os cachor ros foram usados para encontrá-las mais rápido. Por que você não estuda. fumaça. Atuavam com amor. Ah! Outro dia aconteceu algo curioso..gargalhava.... emocionados. mas os cachorros ainda far . explicando os procedimentos. Já comprei as tintas. às vezes. De relance . Pelas informações dos parentes e morador es só haviam aquelas duas pessoas que foram socorridas. Mas toma cuidado para ele não escapar. meu! Nossa! Aquilo é min ha vida! Não me sinto policial! Enfrentando fogo. Adoro trabalhar no Corpo de Bombeiros.lembrou Tiago. sabe Tiago! Por quê? ... desabamento. os rolos e pincé Quer ajuda?! . trocando o jornal . as eles cuidavam da imobilização de sua perna...Antes de o irmão comentar. jogou-se para trás de tanto rir e contou: Outro dia. Estou de manhã..

no começo estranhei um pouco. surpreso com a procura e o interesse das pessoas pelas diversas terapias. engessou uma das patinhas e nós a levamos para a unidade. Como te falei.resmungou a jovem baixinho ao se remexer. esse é o método dele para se aproximar. aliviando seus pensamentos da discussão com sua mãe um pouco antes e das preocupações com os problemas de família. Débora.. Houve muita discussão antes e depois de sua mu dança. Os cães insis tiam. mas acho que esse cara vai tentar algo contra nós. E depois?! Ela precisou tomar antibióticos. O senhor Aléssio está mais calmo? Parou de me culpar por sua decisão? Não conversamos mais. Lógico! É uma vida.contou Tiago com expressiva alegria. Levantamos uma parede de madeira caída e encontramos uma cachorrinha! Fi lhotinha! . Débora.. Violeta! Foi o nome que demos a ela e através de votação! O dono não foi procuráa e ela se tornou mascote lá no grupamento. Ela e o namorado estavam as sistindo a um filme deitados no tapete da sala e apoiados em almofadas. minhas costas. o amor e a confiança entre eles aumentavam e os uniam cada vez mais. sem ninguém para incomodá-los.. o que nos deixava bem preocupados. sim. Sim. *** O tempo passa célere.respondeu.Vendo seu rost o pálido enrubescer e a moça fugir-lhe ao olhar.riu.quis saber ele.. Todos cuidam com a maior atenção da Violeta. Esse rapaz não é equilibrado para insi tir tanto assim! Ele é obcecado por você! Não sei o motivo.ejavam. mas. As coisas melhoraram depois que se mudou para cá? . Ai. choravam. O apartamento alugado ainda não tinha toda a mobília. preocupou-se.O rapaz tinha o olhar perdido e os pensamentos distantes . independe nte e isso me trouxe tranqüilidade. Havia ameaça de outro deslizamento há qualquer momento. Só quis saber se eu estava bem e. E vocês a socorreram? . procuravam um lugar tranqüilo onde pudessem conversar e trocar carinho com segurança. E o Breno? . Tem que ver como é inteligente! Só falta f alar e brinca pra caramba! Sérgio se distraía com o que o irmão contava. Não vejo a hor a de entregarem o sofá.perguntou com jeitinho. Débora deixou a casa de seus pais.. Ao contrário. O Breno a procurou? Procurou-me. questionou bem calmo e sério: Sei que venho perguntando isso com freqüência. Sérgio segurou cuidadosamente sua face delicada e tornou com baixo volume na voz g rave: Prometemos dizer a verdade um para o outro. Diminuímos o número de bombeiros em risco e começamos a tirar a terra com cuidado. Ficou boa e entrou nas vacinas! . obrigado . Sérgio estava satisfeito com a clínica. Espere. Não estava atento ao filme nem ao que a namorada dizia.. com a clínica! Eu não que e levar mais problemas! Você não é um problema para mim. Deitado ao seu lado. Não. . Ele não perdeu a classe nem me fez qualquer pr oposta.. Um não freqüentava a casa do outro e por isso quando não est avam na companhia de amigos.. Olhando-a profundamente. nada conseguia separá-los. Ele não ligou? Você não procurou falar com ele ou com sua mãe? Não. E está melhor assim. após leve sobressalto. cavavam mostrando que tinha mais alguma coisa ali..perguntou curioso. A única c oisa que a coitadinha não gostou.. Já brigamos bastante. . porém sinto-me mais livre. Sérgio! Um veterinário do canil da PM a atendeu.. você está com muitas preocupações com sua família. Sérgio? Você está tão longe. O que foi.. o que deixou o senhor Aléssio furioso. Violeta?. *** Apesar dos obstáculos com as famílias que não apreciavam o namoro entre Débora e Sérgio . contra você! Por que não me contou? Quando foi isso? Meu amor. . . Mas.. E ela perguntou: Quer ma is pipoca? Ah!..

mas se controlou e perguntou: Por que você atendeu as ligações do Breno? Não olh ou o número no visor do celular? Ele tem uma empresa grande. O que eu poderia fazer?! Ele me entregou o maço e eu segurei! . Flores?! .sussurrou.Sentando-se ao seu lado. .. e o abraçou pelas costas implorando: Por favor. Sérgio sento u-se rapidamente e reagiu com austeridade ao interrompê-la: Como é?! Vocês se encontraram e conversaram?! Quantas vezes vocês saíram?! Não pensei que fosse protestar dessa forma! . Mais o que.ela chorou. castigando os pensamentos do rapaz com as piores idéias... segurou em seu braço forte e enrijecido. que o inspirava... O espírito Sebastiã não oferecia tré-gua.. respondeu no mesmo tom: Não! Saí de lá por você. Até se culpou acreditando que eu saí da casa dos meus pais por causa dele. Mesmo chorando. Constrangida.. atendi o celular e conversamos. Eu estava envergonhada. pegou as chaves do carro e a jaqueta. mas não hoje!.sua voz embargou e era difícil conter as lágrimas. sem querer. Débora se levantou.. que chorava... Das vezes em que. lembrou-a: Seu pai desejava que terminássemos para você assumir um compromisso com ele. Veja como você está?! Estou me sentindo enganado.. Sérgio se levantou. apertando-lhe os braços ao . Os números são diferentes a cada ligação. Virou-se para a janela novamente sem olhar para Débora.. Eu dispensei o Breno e. que não conseguiu envolver e falou entre as lágrimas. Estav a incrédulo. . prosseguiu: Pelo fato de muitos ali te conhecerem. esqu eceu? E o Breno por sua vez não deixava de freqüentar sua casa.. E .explicou.. Débora?! Soluços quase a impediam de falar.. As pessoas qu e passavam. Algumas colegas ficaram me olhando com aquelas flores nas mãos. a não s er. Foi o mesmo q ue receber uma facada no peito e ver seus sentimentos destroçados pela decepção. ele decidia o que fazer diante daquela traição. murmurando sentido ao encará-la. Envolto por energias pesarosas do espírito Sebastião.. ves tindo-a. Não se preocupe. por me verem com ele que. esqueceu? Porque meu pai queria que terminássemos! Em tom baixo.. em tom arrependido: Ele foi até a com panhia imobiliária e me esperou sair. Débora! O que queria ouvir de mim?! Parece que sou sempre o último a saber! Não!. o Breno foi educado. Que se exibi a gentil. Generoso por. Marcar c om ele em outro lugar. saberem que namoramos eu. ela contou: Fiquei con. Virand o-se e vendo-a sentada no chão sob o efeito de um choro silencioso e sentido. . Perdoe-me! Não aconteceu nada! Só conversamos! Ele se virou de frente para ela. Sentia uma fúria nunca experimentada.. Co m os pensamentos fustigados e extremamente contrariado.. parec endo implorar por compreensão. Confusa. . ele perguntou secamente. dissimulando o ciúme. Caminhou alguns passos e ficou olhando atra vés da janela para não encará-la.. Ele nunca me ofendeu. Caminhou até a mesa. às pressas. escondendo o nervosismo.Mas o Breno é! O namorado estampou nítida insatisfação por ela ter omitido o fato e insistiu mais sério: Quando e quantas vezes ele a procurou? E o que disse? Ta bom! Se quer saber mesmo!. Inspirada por Olívia.. Débora? . Puxa! Eu precis o atender o celular! Trabalho com isso e dependo desse emprego mais do que nunca . Sérgio!. Ele me procurou pessoalmente e das vezes em q ue nós conversamos... Sérgio sentiu-se transtornado. segurou-a com força.. Por que não me contou? . ... A primeira vez.perguntou. disse que queria ser meu amigo. E não foi?! Encarando-o..falou sob o efeito do choro que t entava segurar. dispensou o Breno e?.Sérgio sentiu-se esq uentar. Recebi incontáveis recados dele e todos bem gen tis..gritou Sérgio. Eu ia te contar.um prant o copioso a interrompeu.perguntou em voz baixa.. conversamos na frente do prédi o e ele me pediu perdão se culpando. Estava pronto para ir embora.. sua mentora. e mesmo com a voz entrecortada. Não me surgiu outra idéia.. Suspirou fundo. quase impiedoso: Você aceitou as flores..... Que idéia você teve..

Estou envergonhado pelo me u comportamento.. Estávamos lá sentados em uma me sa na calçada.. a jovem pediu chorando: Desculpe-me. .Respirando ofegante. Sérgio! Eu mo rreria!. eu não tenho as cólicas. perguntou firme: Você contou isso para a Rita? Contei. ta? . Sou eu que devo pedir desculpas. Além disso. Desculpe-me... Débora.. Débora se colocou à sua frente. no dia seguinte. olhando-a com um brilho lacrimoso nos belos olhos verdes.Tornou. Fui pr ecipitado demais. mas. Passando a mão delicada com suavidade ao apará-las. Eu disse que sentia muito! Qu e ele era uma cara legal! Mas que eu amava você! Disse que a nossa amizade seria d ifícil pelo fato de você ser ciumento! E.Afastando-se do abraço. Espere aí . o quê? . disse que queri a ser meu amigo... É que não suporto a idéia de vê-la com outro. Débora. mas não o fiz quando tudo aconteceu por medo de você reagir fu rioso contra o Breno. afastando-a um pouco. Acariciando-lhe os cabelos finos. Sei que errei por esconder os fatos.. ali perto. mas acho que funciono u. tremia ao revelar : Com toda a força e verdade vindas do fundo do meu coração. ela continuou com lág rimas correndo na face pálida: Eu não queria que você brigasse com ele! Já tem muito com o que se preocupar...pediu extremamente humilde e acanhado. explicou. Ao me ouvir dizer que estávamos felizes por esperar um filho. não mênstruo nem eng ravido. apesar de gostar muito de mim!. Você não pode estar grávi a. você me enganou . Eu falei que te amava m uito e que nós dois estávamos imensamente felizes por eu esperar um filho seu! Sérgio levou um choque. Mentiu par a mim. por eu usar uma medicação para impedir as cólicas terríve is que sinto e. fitando-o nos olhos. ela aguardava uma manifestação. ele empalideceu e não disse mais nada. Vendo-o confuso. murmurando com sorriso leve e doce: Quero terminar a faculdade. porque nu nca nos relacionamos! Segundo. .. O Gust avo também deve saber. . Eu sei! .respondeu firme. E eu?! Somente agora me diz que ele foi gentil. Sérgio! Eu só queria resolver essa história com o Breno da melhor mane ira e de uma vez por todas.. imp edindo-o de sair e contou rápido... desculpe-me pela reação irracional. abaixando o olhar ao tempo em que ele a segurava. chorando junto com ele: Eu ia te contar. Ele reagiu oferecendo leve sorr iso. Mas...ele sussurrou. e abraçou-a com força . mas. explicou com voz morna e apaixon ada: Lógico que não existe bebê algum. . Encarando-o firme e séri a.. Por favor... Com o coração acelerado.ele pediu com baixo volume na voz estremecida. Eu sorri.. Eu te amo tanto. levantei e fui embora... enquanto usar esse hormônio.murmurou. Com a voz abafada em seu peito. Não! Vez e outra eu te pergunto sobre o Breno e você diz que está tudo bem! Então isso é t udo bem para você?! Por que não me contou?! Aaaaa! Mas contou para a Rita!.lhe dar um leve chacoalhão e.. Não pode esperar um filho meu. Mas não posso negar que seja meu sonho. puxoua para si e perguntou bem calmo: Ele te procurou novamente? Não .. . enquanto a envolvia com um dos braços. indagou: Acha que sou louca?! . arrumar um bom emprego. ao vê-lo pasmado ainda.Mais branda.. Ficou petrificado.respondeu. gritando: Eu pensei em me livrar do Breno com a mesma classe que ele exibe! Então pedi pa ra me encontrar num bar... sentindo-se ferido e decepcionado. Eu menti para me livrar dele. Mas... que esperar um filho seu me faria à mulher mais feli z do mundo! O namorado permaneceu alguns minutos parado à sua frente concatenando as idéias. pôde ver as lágrimas correr no r osto do rapaz. tenho medo de que algo aconteça com você. com toda aquela generosidade. em público! Quando ele. Não esperei para ouvir tudo o que precisava contar.. parecendo ainda estar sob o efeito de choque. Primeiro.gritou para despertá-lo. vê-lo bem estabilizad o e. Sérgio. Não teria como eu engravidar. na minha test a?! Sérgio a largou com um leve empurrão e ia embora. te l evou flores e que você marcou encontro com ele?! Está escrito: idiota.. Nunca houve nada..

Era algo mais sério.. sem se deixar envolver pelo abraço. . Porém. falando em voz baixa: É que eu jurei nunca mais entrar em um motel. Parecia com medo.falou sério com o semblante triste. Débora . Vem cá. Agora eu entendo. fazendo-lhe um carinho no rosto gelado. Isso é passado e não quero vê-la magoada. Para ser sincera. Olhando-a firme.revelou. É.Encarando-o.. Vem cá.. não pr ecisa contar nada. Cerca de três anos antes de te conhecer. sobre o que nos diz respeito. você precisa saber. tentando abraçá-la: Esquece. Sérgio? ..Beijando-lhe a testa. Estávamos juntos há alguns meses e nos gostávamos. Ele sempre insisti a para uma relação mais íntima. Às vezes..riu suavemente ao falar. Não foi isso o que fiz.. puxando o braço.sorriu. sinto uma dor no peito p or você ter falado que eu o enganei daquela forma. Vendo-a pensativa. mas eu regulava. Sempre lembro disso e. Ela engoliu seco. Débora aproximou-se. Sérgio. afagando-a o rosto. Se não o incomoda mesmo. Estou me sentido tão mal!. fal ou no mesmo tom: Se não quiser me contar.. comovido. ao entrarmos no quarto. pedindo com jeitinho gracioso ao sorrir: Tire a jaqueta e deixe essas chaves aí.. abaixando o olhar.. eu sempre quis te contar isso. acho que devemos deixar tudo bem claro entre nós.. Só quis pou pá-lo de problemas.tornou ela mais séria. Eu tinha acabado de faz er dezoito anos. Sérgio as aparou e. ao mesmo tempo em que examinava.indagou com voz branda e olhar enternecido. Se quiser fazer pergu ntas. O que fiz foi agressão.. Sou .quis saber generoso.. propôs: Acho que não é o momento ideal para colocarmos uma pedra sobre esse assunto e esq uecer tudo. tudo bem. Perdi o controle emocional e a razão. O passado não me importa nem me incomoda. sentiu a voz travada e duas lágrimas deslizaram por sua bela face.. Pare com isso..expressou-se com leve sorriso. confusa e tre mia.. O que é? Débora. Tem alguma coisa que queira me perguntar. Fui precipitado demais e. Não sei explicar o que senti na h ora... . .. Vamos terminar de assistir ao filme. quando fomos ao motel pela primeira vez. o rapaz acomodou-se no chão novamente e ela perguntou enquanto preparava o equipamento para retornar a ver o filme: Está com fome? Não. Apesar de ser algo superado. ta? Ele lhe fez um leve carinho na cabeça e ia puxando-a para um abraço. fique à vontade. Na verdade. . Estou com vergonha.. A partir do momento que decidimos ficar juntos. eu me sentia envergonhada. mas nada sério. continuou: Tive alguns namoradinhos.. Isso não podia contecer.Deixando-se conduzir. Eu quero contar. Por quê? . Não pense que a estou pressionando. sentou-se ao seu lado e confessou: Eu também estou envergonhada por omitir o que fiz.. Seus olhos ficaram marejados e Sérgio pediu com ternura.. Não tinha chance e. ele argumentou: Eu te adoro! Podemos ser bem felizes juntos! A jovem o beijou nos lábios e o puxou pela mão. Talvez seja alguma experiência p essoal a qual não me deve explicações.. Tem algo que ainda queria me dizer? .pediu com jeito generoso ao pegar o braço da namorada e levantar a ma nga da blusa. falou firme e. Eram amigas e se davam muito bem. Tem algo que me incomoda .admitiu. quando ela o deteve e encarou-o. Não consigo ser ágil sob ressão e. você rea giu de uma forma muito estranha. .. Você é ciumento! . eu namorei um rapaz.O namorado obedeceu e ela tornou fala ndo no mesmo tom: Agora vem. quero te contar. Qua ndo surgia oportunidade. . Isso não pode acontecer! Eu não conseguia falar e você me pressionava só com o olhar. Contei tudo o que precisava saber. entende? Não me sentia preparada.. Não. Nossa s famílias se conheciam. perguntou: Machuquei você quando a segurei? Não!. perguntou com bondade: Tem certeza de querer falar sobre isso comigo? Se você já superou esse fato. Tudo bem .. por favor. Estava nervosa.

. me agrediu muito. de vidro. Imagino que deva se relacionar com outra mulher.Débora suspirou fundo e contou: Como eu ia dizendo. Levei um sus to quando esmurrou a porta.Caindo em um pranto sentido e silencioso. . entregou-se ao abraço de Sérgio. pois acho que fiquei com algum trauma.. Ele não deu importância e continuou. Minha decepção foi imensa. Mas.. Não me deixaram sair do motel até ele atender ao telefone do quarto. Ao sairmos de lá. pois eu não era qualquer uma pa ra ser tratada daquele jeito. Larguei a faculdade de Direito.. Eu sei que me desejava. digno. eu me arrependi por só ficarmos daquela forma. mas não me senti preparada.. O diei meu pai a partir desse dia. Depois fique i mais à vontade. Não! Não existe outra mulher na minha vida! . Fiquei nervosa e aos grit os brigamos. Quantas vezes me frustrei. não pre cisaria prestar queixa.. mas me senti sufocada.. Ela o encarou e seu rosto iluminou com um lindo sorriso de satisfação pela fideli dade do namorado.sorriu generoso . pois. Pedi que fizesse alguma coisa. Estava insano e tentou me forçar a ter relação... mas decidi que teríamos mais intimidade.. . Confiava mais e mais em você. Entende? Lógico! Sérgio. Só d epois fui embora.. pois e le é advogado! Porém meu pai disse que eu era maior de idade por ter acabado de faze r dezoito anos. Nunca mais vi aquele cara. Sérgio a acariciava com ternura. Conversamos bastante. que a agasalhou em seu peito. porém nem me ouviu e. afastando-o de mim. E sobre mim.Lágrimas correram e sua voz embargou. e lágrimas rola ram num choro silencioso. Mas eu desejava que não fosse a um motel. e tranquei a porta.. Estava nervo sa. que estava no banheiro. mas não. mas ele me segurou. todos tinham dinheiro ! . pedindo para que parasse de agir daquela forma. Eu chorava ao contar para o meu pai o que aconteceu. pois isso só serviria de escândalo em nosso meio social. Depois. . Então o empurrei com força.. Débora abaixou o olhar e Sérgio perguntou. eu estava com medo sim. vi que ele havia feito uso de drogas.. Chegamos ao quarto e me sentia s uada por dançar a noite toda. trocamos tanto carinho... s . . confusa. vendo-a recomposta. Meu bem . o quê? . Mas. Peguei as chaves do carro e fui embora. Ele me viu com a boca sangr ando. Deitava-se de bruços. Eu te queria tanto.... sem dizer nada.. pois estava me forçando. Pensei que iria me tratar com car inho. Demorei um pouco lá dentro pensando no que fazer. com brandura. respeita minha insegurança até hoje. e bater com toda a força em sua cabeça.falou com ironia. Não era o que eu queria e mudei de i déia. Segundos de silêncio em que se entreolhavam e Débora falou calmamente: Na primeira vez. Levant ei.. Das outras vezes em que me l evou lá.Longa pausa. tive me do disso atrapalhar nosso envolvimento. Após longo tempo. Naquele di a fomos a uma casa noturna onde dançamos muito. mesmo com as lágrimas insistentes. Eu estava ansiosa e até nervosa. eu sugeri e. ela contou com inflexão de agonia e des espero: Eu disse que iria embora. Demorou. lógico que nossas famílias eram amigas. a moça continuou: Ele estava eufórico.. Decidi sair e encará-lo. Depois argumentou: Precisávamos de um lugar tranqüilo e seguro só para nós...perguntou Sérgio diante da demora.. Quase atacada. Saí enrolada em uma to alha e pensei que ele fosse tomar uma ducha.Demonstrando-se bem aflita. Consegui pe gar um cinzeiro grande. Isso me martiri a. com medo e fui para casa. fui correndo vestir minha roupa. com hematomas no rosto e nos braços. se não houve estupro.. me jog ando na cama.. encontramos com amigos e nos diver timos bastante. por isso decidi tomar um banho. Fiquei apavorada. ele falou: Desculpe-me fazê-la relembrar tudo isso e também por agir daquele modo quando fom os ao motel pela primeira vez.... que com as carícias eu te excitava. disfarçando a indignação: Ele a violentou? Não! Mas eu estava atordoada. enquanto eu adorava acariciar suas costas. sem relutar. você foi tão leal. ao chegarmos ao quarto. nós ficávamos tão à vontade! Quantas vezes me deixou tira seu vestido. . mas você sabia como me envolver e se controlar. ele me levou a um mote l muito luxuoso. Quando olhei. fui me acostumando e o admirava. Ele ficou furioso. Pedi para q ue fosse tomar um banho. Eu sabia o que ia fazer em um motel e. me bateu forte e eu não conseguia reagir.interrompeu-a de imediato.. Ele caiu d esmaiado.

respondeu. Nunca o vi totalmente despido .. Mas o retorno do investimento ainda oscila.. Vou tomar um banho e iremos juntos.. Sem perceber que os minutos passava m. Não sei fazer café e uco entendo de cozinha. Ainda não parou de chover! . Ai! Que susto! .falou com jeitinho. não se sentir frustrado e. não vou traí-la com outra porque eu desejo você.disse. é muito tempo! Esse trabalho é arriscado! Eu falto morrer quan do sei que está em serviço! É questão de tempo. O mundo deixou de existir para eles. Eu também te quero. Ficaram deitados sobre as almofadas por longo tempo e em total silêncio. embalando-a e dando-lhe um beijo rápido. Sérgio chegou de mansinho e a abraçou pe las costas. Não precisa!. murmurando. Tudo aconteceu como queria. Débora..entir sua pele macia e a massageava.sussurrou-lhe ao ouvido com voz doce. Débora acordou e sorriu ao ver seu amado deitado de bruços. A jovem o abraçou com força.. Pense bem. só aceitava e não imagina como isso transformou meu modo de sentir e pensar. Então você vai sair da polícia? Acredito que daqui a uns seis meses. sobressaltou-se quando.exclamou rindo. Não. Tomei uma decisão sér . Ela suspirou fundo.perguntou com simplicidade.. virando-se e abraçando-o.. Ai. Você nunca me forçou nem exigiu satisfações.... Então me leva para o quarto . .ofereceu sorriso enigmático . viu que a chuva caía sem trégua e o céu estava encober to por nuvens cinza.. Sei lá! O namorado a aninhou nos braços.... Foi então que mergulharam em um oce ano de carinho e amor verdadeiro.. beijou-a e obedeceu... certo. Bom dia. Pára. Há mês que ganho mais. Sérgio comentou: Como você sabe. Puxa! Como eu queria te contar tudo isso! Mas tinha tanta vergonha. Depois decidiu: Espera. e ele tornou a pedir: Por favor. mas ficava imaginando e. Desejo-te tanto! Também te amo. Olhando pela janela.. mas no fundo sentiu uma ponta de decepção.admitiu sem graça. Não tenho quase nada em casa . Por mai s forte que sejam meus desejos.. Você não tem café em casa? . Geralmente uso o microondas para preparar pratos conge lados. .admirou-se ele ao olhar através da janela..murmurou com voz suave e romântica. mas é garantido. como sonhou.. * * * O dia amanheceu num ritmo lento e silencioso.. Seis meses?! Sérgio. Já era quase noite quando terminou... enquanto f aziam o desjejum.. Vo cê precisava saber para não pensar que eu o rejeito. Sérgio a tomou nos braços. ao ouvido. sussurrando: Débora. a jovem avisou: Vou pegar uma blusa mais grossa e sair para comprar algo e café. Ele sorriu.revidou no mesmo tom provocante e adorava toc ar seu corpo. Afastando-se sorrindo. Mas você é um psicólogo! Sócio em uma clínica que está dando certo! Sim. Sérgio. Um tempo depois. Adorava acordar ao seu lado e esta r segura. mas já começamos a obter retorno do investimento. Eu adoro você e vou respeitar sua von tade até decidir pelo melhor momento.. tomou um banho e foi até a sala. meu amor! . Sérgio pediu. que o amava e dando-lhe suave s beijos que o estimulavam.. Fique tranqüila. silenciosamente. Pára. Débora... Tornar am a assistir ao filme..A moça não atendia. Nunca a vi totalmente despida . Preciso dessa estabilidade financeira no momento. Eu te quero muito. Levantando-se vagarosamente para não acordá-lo. eu faço questão! . Dormiu bem ? Nunca dormi tão bem! . Sempre vou respeitar a sua vontade. Ela sorriu ao se lembrar da noite anterior. beijou-a com carinho e disse baixinho: Eu te amo. ou tro não.. a clínica não está dando lucros gigantescos. Posso não ter um bom salário como policial.. Sem suportar as carícias. dormindo um sono tran qüilo e profundo. Mas. deu meio sorriso e concordou...

Estou alugando uma casa e vou querer a sua ajuda pa ra algumas reformas! Não dá mais para viver com meus pais. porém verd adeiro.. Acho que sim. Nós nos uniremos por uma decisão e não por uma necessidade. a vida tem um significado e nós temos de ficar atentos aos chamamentos para o que rejeitamos ou evitamos na nossa jornada. Se desprezarmos os chamados. Não! . Sérgio? . Não estou sendo infiel. O ambiente lá chegou a um pont o insuportável para mim. entramos em desequilíbrio com nosso ser. Não sei ex plicar. Quero paz! E o que a Débora diz? Ela me apóia totalmente.concordou João com tranqüilidade. Sentia necessidade de ser ouvido e viu naquele momento uma oportunidade: Já que o doutor João se dispõe a ser meu terapeuta. murmurou ele. as sim procurarmos descobrir o que podemos fazer para melhorar. mas agora não é o momento de vivermos juntos.animou-se um pouco. Conseqüência de dois serviços . D epois comentou: Quando eu deixar a casa dos meus pais. Continuando a m orar com meus pais. vou me envolver nos entreveros. busca o domínio de si mesmo e empreende uma jornad a nova. mesmo se dividirmos as despesas. Aí. Isso será algo muito especial em nossas vidas.exclamou brincando. Pretendo ter um futuro promissor ao seu lado. vamos lá! . .. mas nada que não tenha conserto! Gostei da sua decisão. É algo que sinto. Mas não é o caso. estarei ignorando e repr imindo o meu potencial deixando de atuar plenamente no que quero e gosto de faze r. Por que.perguntou com leve contrariedade no semblante.sorriu. A casa está maltratada. Acomodou-se melhor em sua cadeira e falou em tom irônico. vai parecer que eu quero buscar a perfeição. mas. Sabe. Levo a sério o nosso compromisso.. Mas se a situação ficar difícil e. Não quero mais morar com meus pais. após um relampejo de reflexões. que raramente reclamava. Débora não conseguiu segurar as lágrimas. esse sempre foi o seu desejo. para a minha família. Não voltarei a morar na casa dos meus p ais. desleal ou orgulhoso por recusar sua proposta.comentou João. meu bem. brigas inúteis ou sufocar-me ca lado ao ser desencorajado quando eu procurar ter paz e fizer esforços para ser bem -sucedido. Aliás.. afirmando: Débora. Eu adoro v ocê. Débora. Nem preciso entrar em det alhes. Haja vista que e la saiu da casa dos pais. deixe ontar! . já é um herói! Sérgio sorriu...falou sorrindo. Quero que seja desse jeito. Ele se levantou. olhou-a nos olhos brilhantes. transformando-m e em outra pessoa para me exibir. pode parecer cedo para eu dizer isso. sabendo que posso ser independente. você já conhece o drama . se você deixar! Eles se abraçaram felizes com a esperança florescendo em seus corações apaixonados.indagou com voz melancólica.Pegando suas mãos por sobre a mesa. Estou tão cansado.. . Quer evitar comentários e críticas? Talvez. Você tem uma mãezona que o apóia e condições que eu não tenho. Essa opção de mu-dança é uma recompensa por todos os esforços que espendi. princ ipalmente para minha mãe. sentando-se frente ao colega. .. sim! Venho morar aqui. Vou alugar uma casa e já tenho uma em vista. Estou decidido a me casar com você. Se é assim. Venha morar aqui comigo! Ele abaixou o olhar e. Que decisão?! .. Estou honrando e valorizando o q ue realmente é verdadeiro em meu ser e isso não é errado. Conseqüentemente. ergueu-a.. João. Todo aquele qu e se previne de riscos danosos. perguntando com ternura: Tudo bem? Tudo.a e vou precisar desse dinheiro agora. eu respeito sua opinião... Conte comigo! Está na hora de se livrar do que o mantém cati vo e empreender sua própria jornada .. comentou: Não vou me sentir bem morando aqui. 10 Sérgio revela o assédio de sua irmã O tempo passou e Sérgio conversava com seu melhor amigo e sócio no final do dia. Acredita que não devemos aceitar as situações tais como são. meu amigo.. deu-lhe um bei jo e a abraçou com carinho. Não é o m nto de sair da polícia? Desde quando o conheci.reagiu de imediato. Ei!. Fique tranqüila.

certo? sorriu ao questionar. João comentou: Estive analisando esses sonh os que me contou. a identificação com o contexto da vida da pessoa. Pesadelos! .sorriu ao brincar. fingindo não dar importância. E isso acontece para quê? . Prefiro chamar de sonhos . Essas mensagens do inconsciente sã . o simbólico. Nos últimos tempos. uma ex pressão pertencente à alma. a morte simboli za o fim absoluto de qualquer coisa positiva que existiu. vamos lá! Chega de aula! Você é meu colega há cerca de sete anos e conhece bem a minha vida. Mas é claro que isso funciona! Eis a prova do poder benéfico das orações. O que. João perguntou: Não são as constantes divergências em sua família. até pesadelos horríveis eu tive! E eles se repetem! Sei. Porém estou muito interessado em sua opinião . enquanto acordadas. Por isso vai me ouvir. Do contrário. o imagéti co. a morte é o . João. Quero ouvir a sua opinião! Não posso chegar ao final da conclusão sem antes fazê-lo pensar e analisar. né?! . difíceis de compreender e mais ainda de analisar. mas sem recordar as aulas. segundo.insistiu Sérgio com um tom engraçado. depois pediu: Então continua. . e terceiro. ou melhor. ou seja.Diante do silêncio. segundo as pesquisas. ol hando para o amigo. o mesmo tipo de sonho não tem significado idêntico para duas pessoas. que é a imagem... teve contato ou criou mental-mente através de alguma idéia sobre o que tenha ouvido. Mas como ia dizendo. aqueles que você não quer ter. conforme aprendemos sob a visão do mestre Jun g4. em outras palavras. Como símbolo. . você deve deixar seus pacientes malucos se usar essa linguagem! Pega leve! . Primeiro. Isso significa decifrar o recado que o inconsciente quer dar ao consciente. Sabe. Espere.Sem esperar respo ndeu: Para que o inconsciente transmita ao consciente as mensagens ou imagens si mbólicas como manifestações involuntárias e espontâneas. No sonho. sim! .tornou o outro rindo. Será bem mais fácil traduzir isso dizendo que no so nho só existe o que a pessoa conhece.. inventores e figuras célebres realizaram seus grandes feitos depois das idéias lhes terem vindo após um sonho. Você me contou. como já me contou. Muitos músicos.disse Sérgio com grande expectativa. preces e bo ns pensamentos antes de dormir ou a qualquer hora do dia. Independente disso. Essa foi uma das coisas que você dest acou na imagem que me descreveu. Para o mundo material e corpóreo. Deveríamos ajudar o Marcílio. Sérgio riu de si mesmo. aqui e stamos falando sobre os sonhos involuntários. E. que o fazem ter m sentimento aversivo por aquela casa? Tudo começou quando meu pai comprou aquela casa. Sem dúvida! Essas imagens são difíceis de analisar porque não podem ter igual interpr etação. Fala assim porque os pesadelos não são seus.exclamou sob o efeito do riso. O senhor sabe que o sonho é uma expressão psíquica. temos de desemaranhar a ligação do sonho com a vida de quem o teve e descobrir o significa do das imagens e mensagens. Quero ouvir seu parecer clínico e veri ficar se é compatível com o meu . pertencente à alma ou mente e de natur eza autônoma. a aparência que ela exibia era a d e uma morta ou o aspecto de depois de morta. Acredito que entendi a lguns detalhes descritos sobre as imagens e mensagens. eles são comandados pelo inconsciente. o recado de você para você mesmo. em Psicologia. Sérgio. tudo me incomoda naquela casa. você sabe que. O sonho é um conjunto psíquico. calmamente. os sonhos podem ser analisados por três aspectos diferentes.João riu.brincou o colega. à mente e com uma racionalidade própria ou raciocínio próprio. Anotei as principais situações que me contou e pesquisei o significado. junto c omigo. meu amigo. elas acreditaram qu e a resposta lhes chegaria através de sonho e assim aconteceu. João! Não vamos esquecer que o poder do consciente é considerável quando a pe ssoa possui certo controle sobre ele. mas não colocá-lo para morar conosco. I sso é muito raro! Só acontece em casos de premonições ou mediunidade. o que é certo ou errado. muitas vezes. Va mos lá.. quer dizer que a consciência não comanda os s onhos.De imediato. Eu tenho examinado a relação dessas manifestações em sonhos dentro de vários aspectos. Porém. doutor Sérgio... Você sonhou com sua irmã que já faleceu. as diferente da instituída na consciência.avisou Sérgio bem sério. ou seja. Qual a sua opinião sobre os sonhos ou pesadelos que se repetem sempre dentro do mesmo aspecto? Não tenha melindres. o que se sabe é que. João.

Assim sendo. prossiga. o homem monstruoso e horrendo que o agride moralmente. mas ele saiu de seu ventre profundamente modificado . evolução se vencer suas dificuldades. João parou por instantes observando atentamente Sérgio. Isso pelo fato de minha irmã se apresentar sofrida. Ao me smo tempo. concordamos . sem ânimo. horrendos dos quais me sinto enoja do. João! Continue. na Bíblia . Ora. desafia-o e deseja sua morte ou seu mal. E vamos recordar que Jonas foi engolido pelo monstro marinho. parecendo liderar os demais. vivem juntas ao mesmo tempo. pois em pequenos movimentos faciais a pessoa exibe as emoções e as opiniões se m palavras. O monstro pode significar que você precise passar por provas para superar dific uldades. Existem outras imagens de criaturas disformes. E lógico que fico em grande expectativa com tantas mudanças acon tecendo em minha vida. maltrapilha. Isso lemos em Ezequiel e Jonas. quer amedrontá-lo. Crei o que chegaremos a um ponto culminante e é aí que eu gostaria de saber o que você pôde c oncluir.manifestou-se Sérgio. sentindo suas energias sugadas é como se tivesse doado energias para esses seres monstruosos. ofende. João.continuou com tranqüilidade . vemos que o monstro tem o simbolismo de uma força irracional. a Lúcia chorava. Sei que não tem medo d desafios e os enfrenta com facilidade. Sérgio. Eles possuem carac terísticas disformes. é enfrentar a tempestade antes que venha a calmaria. nos sonhos. mas não tenho medo algum.. nesses pesadelos vejo a minha irmã em um estado lastimável. pois esse homem monstruoso. fraca. desordenadas. a cada momento. Até aí. Ele é rev elador. malévolas. Veja. o amigo pediu: Vai. principalmente em um c aso como esse.. como já contei. que se destaca cada vez mais. por favor. mas com aspectos monstruosos. mas ela nunca está sozinha. Isso faz com que eles continuem existindo e ganhando fo rças. dominando o medo. E o passar pela escuridão antes de chegar à luz. Com semblante sério. Nos sonhos. João. Analisando como se os sonhos não fossem eus. O rosto deformado pode simb olizar o que não tem vida ou o rosto verdadeiro. alimenta-se de seu medo e se revitaliza. Como psicólogos. O rosto é a sede dos órgãos dos sentido s. programando sua vida. do presente ou do futuro. com o rosto disforme pelo tiro cujo orifício estava com vermes e a pe le se desfazia como em decomposição e. A f orça de sua irradiação luzente ou da imagem opaca nos revela algo bom ou ruim. Bem.. do espírito. Sérgio! O medo pode ser exteriorizado não exatamente com o sentimento de cov ardia ou vontade de fugir de uma situação existente neste instante. ele pode simbolizar a evolução do espírito das trevas à luz. Pode significar a entrada em mundos desco nhecidos dos infernos ou dos paraísos. As aparência s são de humanos. que perdera m a forma humana. Ao acordar indispos to.aspecto perecível e destrutível da existência. que não demonstrava qualque r reação. além disso. Como sabe. ele é o símbolo do mistério conforme a aparência. os seus pesadelos com criaturas monstruosas e disformes podem significar a sua renovação. Mas vamos lembrar . são espíritos com tendências vis. asquer osas podem representar seres animalizados de espíritos inferiorizados. Lembre-se de que estamos falando de um recad o simbólico de você para você mesmo através do sonho. você sabe que o rosto representa um desvendamento da personalidade. Após um tempo. Posso garantir que até agora o seu parecer coincidiu exatamente com o meu.. Sérgio . Em minha opinião. as criaturas disformes. eu acredito que a mensagem foi a minha entrada num mundo desconhecido. da alma. Pode ser algo do passado. Ah! Lembrando aquele que se destaca. pode simboliz ar a necessidade de matar o homem velho para que renasça um homem novo em você. pediu de modo profissional e educado: Por favor. tenebrosas. através de você. da mente. Devo admitir que não seja fácil dar uma opinião a um colega. ou um grande peixe. sabemos que a morte e a vida são duas forças que coexistem. Em c ivilizações antigas. Lembre-se de que. Eu te conheço. mas o mundo da psique. mas infelizmente infernal. você falou em medo e que esses seres monstruosos se revitalizam ou ganham f orças com o meu medo. Tanto é que vo cê se assusta ao despertar ou sente como se não tivesse dormido. como lemos em outros textos. é a parte mais viva. O mundo desse homem monstruoso dos seus sonhos não é o mundo exterior . mais sensível do ser e a mais visível de todo o corpo. a imagem de monstros devoradores eram símbolos da necessidade de renovação.

Diante disso. sou espírita e sendo assim acredito em sonhos simbólicos e sonhos espirituais. comentou: Dentro da Psicologia. Não acredito que sejam sonhos apenas simbólicos. Esse tipo de apresentação não é casual.que você tem medo de brigas e conflitos familiares e quer sair da casa de seus pai s para fugir disso. Não sabemos sobre os desígnios de Deus. Em seus sonhos. João suspirou fundo. É muito bom vê-lo analisar a anima colocando de lado qualquer sentimento pelo fat o da mulher. Afinal. na verdade. tudo pode ser uma distorção da re alidade e a anima pode ser venenosa. quando temos qualquer so nho desagradável ou acordamos nos sentindo desanimados. atr avés desse sentimento. ela. Vamos lembrar que essa mulher pode não ser sua an ima. a perversi dade. sente-se muito mal pela sua atitude. o seu lado sombrio. Gostaria qu e me explicasse. pois isso significa um recado no nosso inconsciente. deixando-o sem determinação. a Lúcia reagiu desnecessariamente a um assalto. Mas. o humor. para Jung o feminino é chamado de anima no aspecto i nconsciente. João! Sei que você é espírita. Ou. a sensibilidade. Algo que corroia sua mente e agora pode tê-la vis to com o rosto real. tirando-lhe a coragem para conquistas positiva s. para mim. Simbolicamente. depois argumentou cauteloso: Sua irmã desencarnou por um tiro no rosto. vampiriza-o. Independente de ser simbólico ou espiritual. De repente. Além disso. foi um d esencarne precoce. Então experimenta sentimentos de angústia e grande conflito por essas divergências. fazendo -o desanimar diante dos desafios. Minha irmã pode se prender ainda às impressões do corpo pela morte precoce. Em seguida. Até outro espírito pode se apresentar como a Lúcia. isso demonstra que por trás da personalidade apresentada em vida. no sonho. como falamos até agora. Já li muitos artigos e livros espíritas. se parecer com sua irmã. como espírito. as discussões e entreveros o deixam exaltado e irracional . sua irmã precisou experimentar essa situação e seu desencarne não foi precoce. o sonho é seu! . a intuição. induzir aos erros. pelo modo como agiu. de acordo com a evolução desse espírito. induzir e influenciar o desejo de um homem em su a transcendência. a inquietude. então. Essa interferência pode ser para o seu bem ou para o seu mal. Como psicólogo e espírita. a s manifestações negativas de observações maldosas que diminuem o valor do homem. principalmente a título de estudos complementares. parecend em estado lamentável para inquietá-lo e perturbá-lo através do sonho. Segundo a versão de quem estava junto. como lembrou. o que podem ser essas aparições perturbadoras nes ses pesadelos repetitivos e com o envolvimento da minha irmã falecida. Não acha? Isso é possível. Estou certo de que vejo o plano espiritual. Quando um homem sonha com uma mulher ela representa a sua anima. Envolvendo-se nelas você sabe que perde o controle emocional e. a meu ver. depois de algum tempo. em sua elevação. você cede energias a esse ser e ele ganha forças. muito pensativo. sua irmã cultivava ou sofria sentimentos interi ores extremamente perturbadores. ela o suga.. E ssa mudança comportamental é fazer nascer o homem novo. Esse monstro é a sua so mbra. Eu sinto. Espere um pouco! Você está falando do ser monstruoso no sentido simbólico ou de um espírito na definição exata da palavra? Isso é você quem precisará descobrir. Lógico! Não quero brigar! Eis a fonte de energia que você tem para alimentar o ser monstruoso de seus son hos! Analise! As brigas. que é a anima representada em seus sonhos. sob a visão espírita. O rosto representa muita coisa. Um espírito feminino pode guiar. Eu temia que ficasse sensibilizado. Chegamos aonde eu queria. revitaliza ndo-se e se alimentando através de você e de seus pensamentos. é fria e impiedosa apesar do sofrimento. Isso acontece muito no plano espiritual. devemos mudar nosso padrão d e pensamento para melhor. . a aparência de sua irmã é deplorável e destaca-se o r osto em decomposição. pois não encontramos exp licação dentro da Psicologia Analítica ou da Psicanálise para muitas coisas. e plicou: Meu caro. Os motivos desse tipo de apresentação podem ser vários. mas sim um espírito e exibir-se sofrida para que você tenha piedade dela e.riu João. ao brigar ou discutir. O sonho com a anima mostra as tendências psicológicas do homem para com os s entimentos. Sérgio. a capacidade de amar. sem vontade..

analisou rapidamente o que ouviu. mas. esses pes adelos podem ocorrer duas ou três vezes e até noites seguidas..Breve pausa e continuou: Nesse momento de tantas mudanças . Falou sobre esmurrar a mesa e confessou ter vontade de quebrá-la ao gritar c om sua mãe. sofro tanto e ninguém reconhece! Se convivemos com criaturas desse t ipo. com todo o conhecimento a dquirido. nós nos fortalecemos e cont inuamos a auxiliar melhor os outros. com que freqüência esses pesadelos têm se repetido? Posso ficar uma ou duas semanas sem sonhar.disse em um tom lamentoso e arrependido. dificul dades e conflitos. mas não mentalmente! Eu me afasto dos falatór ios. eu destruo os seres monstruosos desses pesadelos horríveis com a minha mudança de atitude ao me relacionar com os problemas. ficar irraci onal e perder a razão. João! Vou reverter esse quadro! . Do ponto de vista da P sicologia. sorrindo amigavelmente. Deve deixar morrer o homem velho para que nasça o homem novo! Você sabe. Por fim. elevar-me das trevas para a luz.riu. É verdade! . Dentro do aspecto simbólico da psicologia junguiana. Tudo bem. vamos lá. temos dificuldades em encontrar a matriz. nós dois entendemos a rep resentação ou a mensagem de mais de cinqüenta por cento desses sonhos. Isso não significa que tenha de brigar ou se envolver em discussões! Eu sei .. que ficou muito reflexivo e distante.sorriu.. mudemos nós! Quanto maior a luz.concordou. . Então é isso.sorriu. Não sou tão brando como pareço e temo ficar sem o domínio do controle emocional. criar uma aparência disfarçando a verdadeira emoção. Eu saio de perto pelo medo de reagir e virar um monstro! . Você tem razão! E sses seres deformados e monstruosos são a minha sombra. Elas. mas não paro de pensar no que aconteceu e repito em pensamento tudo o que gos taria de ter falado. eu preciso me renovar. Preci samos ser indiferentes aos problemas que os outros criaram. .. psicólogos. Depois comentou: Estou vivendo um período de mudanças e transformações em minha vida. hoje. o estado. Minúcias foram narradas e João ficava atento a cada particularidade do amigo. em uma única semana. a manifestação que r eprimo em mim emocional e fisicamente. O alerta é para eu domin ar meu medo e ter forças para o nascer do novo homem. Esses pesadelos tendem a acabar à medida que eu encarar tais conflitos de forma natural e agir com . Devo assumir o controle das minhas emoções diante do que esteja aco ntecendo e não me reprimir ou sair de perto. Ao procurarmos nos compreender. porém isso não é suf ciente para me ajudar. Analisando esses sonhos só posso co ncluir que meu inconsciente quer dar o recado ao meu consciente de que estou pas sando ou ainda passarei por mais desafios e dificuldades. Aprendemos que nós. chegando a berrar com Sueli. Sérgio confidenciou ao amigo todo o comportamento estranho que percebeu em si m esmo.riu. o centro principal do proble ma quando estamos envolvidos nele.Sérgio ficou pensativo. Preciso observar a situação sem me altera r. concordou: Primeiro você me derrotou desvendando o meu medo exteriorizado através da fuga. assim como nós. Venho conversando com o doutor Edison sobre isso. meu amigo. O que foi? Já é tarde e tomei demais o seu tempo. já que não podemos mudá-las. detal hou o ocorrido entre ele e Débora quando a segurou com força e a empurrou. você me deixaria aqui sozinho caso sentisse que eu precisasse conversar? Não. Mudar os pensamentos e não entrar em conflitos íntimos. João. Iss o é provocar. sem precisar reprimir ou sof rer com transtornos íntimos através de pensamentos que me torturem. Sérgio? Está certo. menos a Débora . mas por enquanto ele só está analisando. dizem de si mesmas: Ai! Pobre de mim! Eu f aço tanta coisa. Muito inteligente. para algumas pessoas é prazeroso viver rodeadas de brigas. R ealmente. sem perceber. calmo e ter paz interior. não tolero brigas ou discussões fortes. maior é a sombra. Contou sua atitude hostil. cara! Poderia ter agredido qualquer pessoa. Não vá se chatear com isso. Certo. Sérgio. não significa sentir-se tranqüilo. Parecer tranqüilo. Sentindo-o com alguma dificuldade. Imediatamente o sorriso se desfez do rosto de Sérgio. Somos seres humanos também! Por isso todo psicólo go deve fazer terapia. Sérgio. pois tenho medo da minha reação. perguntou: Eu te conheço. não a deixa ndo explicar. Ol hando para o colega.

aí. Continua. sem expressões de tristeza ou rancor. cara! Estou bem à vontad e para contar tudo. E onde você estava? Estudando em uma escrivaninha. Respeitei seu desejo de si lêncio. mas ela fingia não me ver. Que porta?! . p ropositadamente. presente e amiga. É bom se sentir assim! Você passa essa confiança. Percebi que ela deixava a porta do quarto aberta. A Lúcia sempre foi uma irmã dedica da. Não é som ente simbólico. na qual se enrolava após o banho. no que experimento. qu e ficava dentro do meu quarto e ao lado da porta em um ângulo que era impossível não v er minha irmã despida frente ao grande espelho do guarda-roupa. Depois contou sob o efeito do riso: Só havia os batentes. João! Ei. semelhante àquelas mesas antigas de escritório. Nós estávamos na sa la de aula quando te avisaram e eu o acompanhei até o hospital e tudo mais. ficava por longo tempo acariciando o próprio corpo de modo sensual . coisa comum nessa idade. que a forma como ela se apresenta exibe a sua verdadeira per sonalidade.. Sérgio perguntou: E quanto à minha irmã? Como posso definir sempre a su a aparição ou envolvimento nesses sonhos? Pense comigo. muito forte. . desmascarando o que sua irmã representava e disfarçava em vida. Deve lembrar que talvez não se sinta tão à vontade em me rel atar pormenores ou intimidades. mas isso não é ver e. comecei a notar algo no comportamento de minha irmã. comentou c auteloso: Lembro-me de que. É questão de afinid . No seu quarto. acredito que não seria necessariamente sempre a Lúcia a aparecer em meus sonhos. coisa que não considerei normal. preciso de mais informações.garantiu ainda rindo.Ol hando-o firme. Você disse que eu conheço bem a sua vida. agora há pouco. Sérgio... mesmo sabendo que. Vou entender e respeitar.perguntou com simplicidade. Sem dúvida há um m espiritual. . Vamos lá! Pegue esse bloco para suas a notações! . Eu não poderia rir desse jeito. Nunca falamos sobre a divergência que tiveram. Sérgio! Por essa razão psicólogos amigos não fazem terapia um om o outro. continuou: Não foi fácil eu te d izer. Você não poderia fechar a porta de seu quarto? . Sempre senti que algo o incomodava em relação à sua irmã. podia vê-la totalmente. A casa precisava de muitos consertos! Incl uindo a porta do meu quarto! João riu com gosto pela expressão engraçada do outro e comentou: Isso não vai dar certo. Que tipo de comportamento não considerou normal? A Lúcia se despia da toalha. Sérgio abaixou o olhar e ficou pensativo por alguns minutos. uma vez que somos tão amigos e trabalhamos juntos. A apar ição da Lúcia em seus sonhos não tem só a explicação no aspecto simbólico. Entendi a necessidade da minha mudança e sei que será um grande desafio. meu caro! Você foi o melhor da turma! Sabe que não posso analisar mais nada s em mais particularidades. Sinto que existe algo espiritual.. João. nós somos amigos. Eu não posso dizer mais nada sem mais de talhes.. deu meio sorriso e contou: Minha mãe sempre foi bem d istante de mim.. de onde eu estava. suspirou f undo. se ela fosse à representação da mi nha anima. em minha opinião. simulando passar um creme.ofereceu o material. Principalmente depois de minha mãe contar qu e não queria mais ter filhos e não me abortou porque meu pai não deixou . encarou o amigo e argumentou: Não tenho nada para esconder de você. Agora uma coisa me incomoda. acomodou-se melhor. Depois. Como psi cólogo.Vendo-o silencioso.detalhava de modo normal. pouco antes da Lúcia falecer. Foi nessa época que meu pai comprou aquela casa. fre nte ao espelho. Acredito que cresci e projetei em minh a irmã mais velha a representação de uma mãe.sabedoria. Não me sentia dessa forma quando fiz terapia com aquele psicólogo que um professor indicou. mas sou capaz. eu reforço que esse aspecto facial se refere às emoções interiores extremamente pe rturbadoras que a Lúcia cultivava e sofria. sentimentalmente falando. .Sérgio não suportou e gargalhou da precariedade. Confiante em você e sendo verdadeiro n os detalhes. vocês haviam brigado ou di scutido.Observando-o. Quando eu tinha mais ou menos quinze ou dezesseis anos de idade e estava mais voltado para as descobertas e curiosidades naturais sobre se xo. Pare com isso. Para eu começar a analisar. Assim serei tranqüilo e calmo. Então. Agi como um colega e não como profission al! Vai dar certo sim! . Sei que é um excelente p rofissional e até melhor que eu!. Consciente do que digo. mas acompanhei o seu desespero quando soube do acontecido.

O tempo passou. mas brincou: Espere aí! Explique-se melhor. mas não poderia ser qualquer uma. Então. Depois contou: A Lúc ia implicava demais com a menina e sempre começava uma discussão com a Ana. .respondeu direto. Puxa! Eu era seu irmão e um rapazinho! Bom. Ela não fez mais aquilo. Comecei a ver a vida que meu i rmão Marcílio levava e decidi que a minha seria bem diferente. Pode contar? Hoje está tudo bem.. Passei a ter pl anos de estudar. porque eu não entendi a piada. por ver o corpo nu de um a mulher sensualmente se acariciando. mas não deu.. O namoro não durou nem três meses. Já se relacionou com homens ou teve esse desejo? Nunca.. Sérgio. dei-lhe uma bronca e fechei a porta com brutalidade. física e psicologicamente falando? Sim. Só dormir. talvez pela lembrança quase apagada. e minha mãe havia pegado costuras r etas para fazer em casa e usava um quartinho que há nos fundos. Seu rosto sério se contorceu até relaxar num largo sorriso e finalizar com uma gargalhada. A Lúcia me pagou um curso de Informática que me ajudou muito. . Costurava lá. Sabe.riu de um jeito maroto. ou com a nossa mãe quando a Mara ia lá a casa. Não tinha mais alguém na sua casa? Meu pai e meus irmãos estavam sempre trabalhando. O fato de Lúcia ter se mostrado despida e com gestos sensuais para provocá-lo afe tou-o sexualmente? Não . mas sob efeito do riso. Tenho. sem chegarmos aos fatos. que fica nas dependências do quintal. E que lembrei uma coisa.expressava-se com muita naturalidade. O amigo se forçava para não rir. Depois levei um choque ao lembrar que era minha irmã. Alguma vez lembrou-se de sua irmã nua. Ma s era mentira. sabe disso.. você teve e tem uma vida sexual saudável. Minha cunhada quase não saia de sua casa. mas passei a ter um sentimento repulsivo ao lembrar o que ela fazia de propósito para me prov ocar..Em seguida Sérgio não agüentou. vai! Continua! João tornou a ficar sério e perguntou: E o que você sentia ao vê-la fazer isso..Ele riu novament e e se explicou: Desculpe-me. um dia. Mas não as levei à minha casa. lógico! Não as levou por causa da Lúcia? Não. Recompondo-se.. Era difícil fugir das suas provocações. João.. Você namorou outras moças? Claro. . Ótimo! Temos uma vida sexual muito satisfatória. Não dependo de medicação. amiga? Só com mulheres. quando se relacio nava sexualmente com alguém? Nunca . E o que você fez? Não tive coragem de contar para alguém. Veio conversar comigo depois. Sérgio? Sem dúvida de que fiquei excitado nas primeiras vezes. tornou a afirmar: Sim. mas quando com ecei a namorar a Débora. Psicológica e fisicamente falando. Hoje eu analiso e vejo que. A Lúcia pareceu assu stada. você entende? . Só se relacionou com mulheres. minha cu nhada. afirmando não saber que eu estava por ali. e eu fi ngi esquecer o fato. Sim.. Eu não queria um compro misso firme. Passei alguns meses na lei seca ! Trocamos beijos. com modos voluptuosos. mas poderia ser qualquer uma ou deveria ser uma namorada. eu tinha m oral e integridade para não aceitar aquilo.tornou Sérgio com a mesma tranqüilidade. abraços e calorosos carinhos. fiquei nervoso. apesar de ter pouca idade. Mas. .ade.. Entrei na polícia e dava aula de Informática ao mesmo te mpo para juntar dinheiro e fazer o curso universitário que eu sempre quis e sair d a polícia. Fui até o quar to dela. Depois comecei a trabalhar.. Depois de ver o Marcílio e a Ana brigando direto.. drogas. Não demorou e eu arrumei uma namoradinh a.... Sou seletivo. fiquei com aver são a um casamento não planejado. estímulos com filmes. fantasias ou. Foi tão difícil dormir ao lado dela e. Tive e tenho. Eu gostava da Lúcia como irmã.Sérgio deixou o olhar perdido no te to e deu um suave sorriso. Minha irmã não tinha nada a ver com essa decisão.riu. eu tenho uma vida sexual saudável. Era uma menina bacana que se chamava Mara . Decidi mudar meu horário de estudo e minha irmã resolveu mudar seu horário d e banho.. Eu estava desesperado! Tive compensações aliviadas por alguns s .

Então. Ela não se sentia preparada. Refletiu por alguns minutos.. parecendo ter medo. Só seria muito precavido quanto às doenças sexualmente tran smissíveis. com o lugar e não c om o nosso relacionamento. Respeitei sua vontade e a deixei conduzir nossos momentos de intimidade. . Conhecia a importância daquelas informações. Ac hava estranho ela se sentir estimulada.. per cebia-a alterada. imprescindível. Teve alguns namorados.. E sem eu saber do que se tratava.. Íamos para um motel. mas n ada significativos.Falou murmurando em tom apai xonado: Não queria frustrá-la em sua primeira vez.. Você não me contou sobre esses sonhos de compensações! . gostar dos carinhos. Esses. conquistei-a com carinho. mas só trocávamos carinhos. decidiu: Foi assim. Só depois rev elou: Ela me contou esse caso pouco antes e foi a primeira vez que me senti inse guro. Com a finalidade de descobrir se Sérgio era possuidor de algum tipo de transtorno ou distúrbio que es tivessem ligados aos fatos originados em sua adolescência. Eles brigaram e o cara tentou forçá-la ao relacionamento. mesmo a vendo com hematomas e a boca sangrando. E nos sonhos de compensação. mas confiava no profissionalismo de João e. suspirou fundo e contou: Como toda garota... Ele parecia sonh .sorriu. João percebeu que os olhos de Sérgio brilhavam ao falar em Débora.. não querer. Tudo aconteceu como ela sonhava: envolv i-a com amor. refletindo em sua vida adulta ou atual e com a possibilidade de associação aos sonhos ocorridos com freqüência. Após um namoro mais sério com um cara conhecido da família. mas por fazer parte de um enc adeamento de informações a serem analisadas sob uma ótica psicológica.perguntou repentinamente. não procurei outra mulher. Deixe por minha conta! .. Como profissional da área. algum tempo depois. Por que demoraram meses para se relacionarem? . O fato de e starmos em um motel a deixava apavorada e eu não sabia disso! Depois que passamos a ficar em seu apartamento.sorriu com ar de satisfação. Tinha muito a ver com motel. Por quê? Ela já era especial e depois do que me contou. mas isso a trauma tizou. Tentei envolvê-la e seduzi-la algumas vezes. correspondendo a brincadeira. pelo fato daquele assu nto íntimo também pertencer à Débora.. Mas não foi o que esperav a. Ele a agrediu. como ela contou. durante esse tempo em que você e a Débora não se relacion vam sexualmente. Não namorou mais até nos conhecermos. principalmente... Posso te afirmar que me considero normal.. esperei. deixando o olhar perdido ao confirmar. tinha bastante conhecimento de que a ajuda de um out ro psicólogo era importante. Eu a amo tanto! Nunca pensei que eu pudesse me apaixonar por alguém dessa forma. Eu jamais iria forçá-la. Ela tomou a iniciativa de termos o primeiro relacionamento e. mas de repente. trazendo-lhe possíveis explicações para enfrentar os desafios. Sérgio ficou pensativo.onhos. isso o incomodaria? Atrapalharia seu relacionamento com ela? Não! De forma alguma! Não me importo com o passado desde que ele não interfira nega tivamente em meu presente.João não perguntava por curiosidade. agi de modo que a deixou mais se gura e isso a fez superar o medo. as coisas foram mudando e. colocand o-se na posição do paciente que deseja ser ajudado. e ela o acertou com u m cinzeiro de vidro e foi embora. Mesmo assim.. Ao sair do banho. Não . .tornou. carinho.falou João com molecagem. Quer contar? . Por comparação e exemplo. sabia que o melho r cirurgião cardiologista do mundo nunca conseguiria realizar uma cirurgia de pont e-safena em seu próprio peito. porém não é o mesmo que vivenciar o ato. Adoro a Débora! Você não agina! Caso soubesse que sua namorada teve uma vida sexual ativa com outros homens. O cara não conseguiu estuprá-la. A Débora tinha algum trauma? Tinha sim. foram a um motel luxuoso. pois foi um fato muito marcante em sua vida e os detalhes poderiam ajudar na análise do que o pert urbava.. c ara! Estou sendo muito evasivo na sua vida íntima? . você sonhava se relacionando com outras mulheres? Não..respondeu rápido e com tranqüilidade.. ficávamos b m à vontade. a Débora queria ter um primeiro relacionamento sexual com amor.. machucá-la. Sempre sonhei com a Débora . viu que ele havia se drogado. pelo pai não dar importância ao fato e ignorá-la. bateu-lhe com força.perguntou sério.

seu rosto empalideceu. Falou sobre Deus ser cruel com ela e muito mais. ela começou a desabafar dizendo que era infeliz n o amor por não ser correspondida. Fui tomar um banho. Voltamos bem tarde e tínhamos bebido um pouco. o Marcílio e a família foram pas sar uma semana na praia. Nem me lembro mais do que brindamos. Então disse para a Lúcia que ela já ha via bebido bastante. a Lúcia começou a perder o controle e começou a fazer certos carinhos para me excitar. O que você fez? Sentei na cama e o quarto parecia rodar. avisou para observar sua reação: Voltemos a falar da sua irmã. Começamos a brigar por diversas vezes. Eu não estava embria gado. a Lúcia passou do estado de ri so para o de choro. ela me abraçava pelas costas. Descobri que a Lúcia t inha ciúme da minha namorada.. O Tiago trabalhava em uma escala de vinte e quatro hora s. ouvi um barulho antes de abrir os olhos . eu virava as costas. Eu não q ueria ir. Vivi uma experiência terrível! Falei com ela várias vezes e pedi que parasse com aquilo. Senti q ue. depois ao salário e.. Quando eu já estava até pesquisando qual o tipo de transtorno dela. Apesar do banho. Usou roupas íntimas bem sensuais quando me chamou até seu quarto. tocar ou segurar para dizer alguma coisa. fiquei aterrorizado . afaga ndo ou arranhando meu peito. Quando me mexi um pouco. Como eram esses carinhos? Se eu estava sentado em uma cadeira. Eu ficava revoltado. João aguardou até ouvi-lo contar com c erta revolta escondida na fala vagarosa: Meus pais. porém bem consciente. Quando fui para minha cama. Insatisfeito. Mas isso era só com você? Com meus irmãos também. A Sueli insistiu para levarmos a Lúcia. somente sob o efeito de leve entorpecimento. Na manhã seguinte. Levantei. Ela ria.. Eu e a Sueli íamos a um aniversário.. afagar. Depois das apresentações desnudas. Não conseguia mais ficar acordado. no início. Brindamos ao emprego novo dela.. eu estava embriagado. Mas comigo era ostensiva. divertia-se muit o e disse que iria dormir se eu fizesse um brinde com ela. minha irmã est ava sentada à mesa com uma garrafa de uísque e dois copos. Quando entrei na univer sidade. até qu e. comecei a namorar a Sueli e percebi um com-portamento b em estranho na minha irmã que deixou de ser tão amiga da Sueli. Era difícil abrir os olhos.perguntou o amigo. a minha irmã estava deitada. acariciava m eu rosto. Foi algo que me incomodou. que passou a freqüentar direto a nossa c asa.Sérgio parou e sua voz pareceu travar. Ao chegarmos. eu estav a cansado e um pouco zonzo. Nunca me em briaguei daquele jeito. Virando-me para olhar. Tentei cobrir a Lúcia com o lençol. Completamente dominada e à disposição de um turbilhão nas faculdades pelo excesso de bebida alcoólica. Ela dormia no meu ombro com uma das pernas sobre as minhas . por causa disso. afastava-a de mim e saía de pert o. ela se achava no direito de se mostrar sensual para me prov ocar. Eu a ouvi por um tempo. Depois voltávamos a conversar. p ois nunca a tinha visto de fogo. Depois de um tempo.respondeu bem sério. beijar. Repentinamente. Quando pedi que fosse dormir. Não sabia mais o que fazer. a Lúcia se exibia bem animada e alegre. e abraçada a mim. Todo o meu corpo estava adormecido e eu sentia uma ânsia terrível. senti algo estranho. mas não sabia dizer o que era. as quais a repreen deu. O que você viu? . Deixamos a Sueli em sua casa e fomos embora. Senti que minha cabeça i ria explodir. mas. Já passava do meio dia e. Aceitei. . Eu a ajudei co m o zíper e voltei para a minha cama. mas . fui até o quarto dela e a vi cambaleando ao tentar abrir o zíper do vestido. Sua irmã o acariciou alguma vez? A Lúcia sempre teve necessidade de contato físico para expressar sentimentos. sentindo-me mole..Sérgio ficou sério. ela me ajudou financeiramente com algumas mensalidades. mas me le mbro de cada detalhe. até não agüentar mais o sono e avisei que iria dormir. Achei graça. Lúcia se tornou muito amiga da Sueli.ar e um sorriso apaixonado iluminava seu rosto sem que notasse. ouvi barulhos e a luz ainda estava acesa. Mas ela negava a provocação e dizia que era um carin ho de irmã. a Lúcia tomou outra postura em que exibia sensualidade? Vez e outra sim . Ao final de tantos brindes. completamente nua. mas não consegui convencê-la a parar. dizendo que queria tomar um banho. ao meu lado. Ela precisava abraçar. Ela de cidiu ir para o quarto e eu a ajudei. Quando voltei. minha nuca e em seguida colocava a mão por dentro da minha camisa.

Lembro que tomei um banho e v esti um pijama curto. outra. Mas naq uele instante pareceu o único jeito de despertá-la daquela loucura! Eu fiquei comple tamente insano. eu não estaria com a parte de baixo do pijama e.não dava e comecei a chacoalhá-la. . tenho certeza de que não tive relação sexual com ela .. Mas tenho c erteza de que não aconteceu nada.. sacudi a Lúcia que acor dou parecendo ainda embriagada e fui à direção da Sueli. confuso e como se isso não bastass e. minha mãe e com o nosso namoro. olhando friamente... A partir desse ocorrido.. Baseado em que afirma isso tão categórico? Você bebeu muito. mas não o fiz.. Estava calor e eu tirei a camiseta do pijama. A Sueli propôs que esquecêssemos aquel e fato e me deu um apoio moral que eu não esperava. a S ueli me ouviu e contou que tinha notado o comportamento estranho da Lúcia e disse que minha irmã me olhava com desejos de mulher. A Sueli entrou no quarto e me viu em minha cama com a Lúcia nua! Como sua namorada entrou? Foi o pai dela quem vendeu aquela casa para o meu. Aconselhei novamente e por várias vezes que fosse a um psicólogo. ou não sabe dizer? O doutor Edison me fez a mesma pergunta. O que aconteceu? . arranquei a Lúcia da minha cama e comecei a esbravejar com ela. mas ela me agrediu com palavras. Depois de ouvir essas palavras. Lembro bem dos olhos dela e. Devido a Sueli ter tanta a mizade com minha irmã. A Lúcia entrou em um estado depressivo que se podia notar. Não tive tempo de explicar nada! Num impulso. Ela chorou. Sabia o que acontecia apes ar da coordenação motora e do raciocínio estarem lentos. João... Ela chegou a propor o absurdo de um envolvimento ínti mo entre nós sem que alguém soubesse e o dia em que eu me casasse ou não quisesse mais . Só que ela virou as costas e fo i embora. a Lúcia segurou meu rosto com as mãos e me beijou na boca. Se tivesse acontecido a lguma coisa. Havia algo estranho em seu rosto. Eu estava tonto. ao caminhar . só falávamos o essencial. Imediatamente eu lhe dei um tapa no rosto. não parecia ser a minha irmã. os lençóis da minha cama estavam limpos. chamei minha irmã para termos uma conversa. Por um momento. tudo bem. Como vocês se encararam depois? Não nos falamos pelo resto do dia. a Sueli insistiu tanto para minha irmã acompanhá-la até o shopping que ela acabou aceitando. Ficamos alguns meses sem conversar. Acho que foi a Lúcia quem lhe deu uma cópia da chave. Pensei que dificilmente alguém acreditaria em mim.falava calmo. . Então. talvez tenha esquecido ! Eu estava bêbado. De repente. significando que não havia me mexido muito e eu estava vestido do mesmo modo como quando me deitei. por que ela sorriu? Será que pensou ter acontecido algo? Não sei dizer por que ela sorriu. olhava-me indiferente e até sorria! O que me deixava mais furioso.. primeiro. a Lúci a mudou muito.perguntou o outro diante da demora.respondeu bem seguro. sem que eu esperasse. Eu entrei em desespero! Estava verdadeiramen te em pânico! Tive vontade de berrar. No dia seguinte. Fui atrás da minha namorada para tentar me exp licar. Um tapa muito forte. mas bem consciente . Ela continuou a ter amizade com a sua namorada? Não. e ela caiu. só à camiseta ressaltou. Depois a Lúcia disse algo que confirmou isso. Sua boca sangrou e depois apareceu um hematoma em seu rosto. Posso afirmar. Quando me deitei definitivamente. Gr itei como nunca! A Lúcia segurava o lençol em torno do corpo.. Despertei com o corpo adormecido. Um dia. A não ser o fato de ela me beijar e eu a agredir. mas ela não aceitava.. Propus que ela fizesse um tratamento. Para minha surpresa. Fiquei aturdido com o que ouvi e mais transtorn ado quando a Lúcia disse que lamentava não termos nos amado na noite anterior. eu tive raiva e pena da minha irmã. uma terapia. poderíamos esquecer nosso relacionamento. Elas não foram de carro e na volta. Somente a Sueli conversava um pouco. Levantei. Falei tanta coisa. Ela estava doente. Sabe. O que a Sueli fez ao ver você sentado e sua irmã naquele estado? Ficou parada. Isso confirma que nada aconteceu. parecia outra pessoa que me olhava. Você se relacionou sexualmente com sua irmã... confessou que me d esejava como homem e não como irmão.Breves seg undos e Sérgio lamentou em tom triste: Como me arrependi por tê-la agredido. recordo ter sido na posição em que acor dei.

A Sueli contou que a Lúcia reagiu depois de entregarem tudo. tratamento. ao dizer para a Débora que era minha noiva e tudo mai s.. Incontáveis jovens comentem o incesto para se sentire m experientes quando chegar à oportunidade de praticar sexo fora de casa.. não me envolver. não ficam atentos. Às vezes acho que sim. Ninguém vai acreditar nela. Mas espiritualmente falando. Ela não me deu sossego e fez um inferno da minha vida. Sérgio. . mas ela não aceitou. Fiquei chocado com a sua morte. Isso se eu terminasse o namor o com ela. Ela despertou com meu solavanco a o me sentar rápido. Foi aí que eu conheci realmente quem era aquela criatura. A Débora passa por um momento delicado com a família. caso tenham relações com parceiros f de casa. Acreditam que entre eles será mais seguro enquanto não se relacionarem com outras pessoas. por conta do sonho.em do ponto de ônibus até em casa. Vou esperar mais um tempo. com as recordações. Mil situações de se tipo acontecem e os pais não sabem. Ficaria constran gido e preocupado com o que ela poderia pensar. Ameaçar? Ameaçou contar para todo o mundo que viu minha irmã dormindo nua ao meu lado. Seria minha palavra contra a dela. Eu só disse que tive um sonho estranho. Estou com uma ampla bagagem para analisar. você já sabe. tentando fa zer parecer um homicídio? Não sei dizer. voltamos. Ela cumpriu a ameaça? Não. mas foi pelo remorso por não conversarmos mais. Que a Lúcia lhe contou que eu a seduzia para o incesto. você acredita que sua irmã reagiu dessa forma para se suicidar. Meu caso não é fácil e você sabe que nos últimos tempos o en vimento sexual entre irmãos vem aumentando muito. omitindo fatos por vergonha.. Sérgio sorriu. foram assaltadas por dois homens armados que usav am uma moto. Outros i rmãos têm relações por medo de adquirirem o vírus HIV.. você não imagina o quanto sofri com aqueles assédios. mesmo! Sérgio. Meu amigo! Precisa mos de uma longa e boa conversa. Até eu terminar definitivamente e ela me ameaçar. do irmão mai s velho contra a irmãzinha. Graças a Deus eu tive princípios de dignidade passados por meu pai .Vendo o colega pensati vo. O incesto acontece dentro das me lhores casas. Eu não posso me culpar. eu já era maduro e. E a propósito. não me corromper com as op ortunidades provocadas pelo desequilíbrio da minha irmã. Está havendo uma perda uito grande da transmissão de valores morais. Coloquei-me na postura de paciente. E a Sueli? Namoramos por algum tempo. nas residências dos bairros mais sim ples e também nas favelas. dos mais luxuosos apartamentos. mas assim que ela propôs casamento. depoi s eu conto. E estamos vivendo um p eríodo muito bonito. É ótimo quando alguém é tão direto. . m esmo sendo um homem experiente. O rapaz atirou e o projétil atingiu-a no rosto. Há ainda o abuso do irmão mais velho contra o mais novo. A vida sexual é iniciada muito cedo. Os pais simplesmente estão ocupados demais e não reparam qu e os irmãos estão mantendo relações sexuais dentro da própria casa. Além do que. Eu dormi no apartamento d a Débora e acordei. Sentiu-se culpado pelo que ela fez? A princípio sim. você conversou com a Débora a respeito de tudo isso? Falou sobre o comportamento de sua irmã? Não. até a noite passada. você tem esses pesadelos só quando está na casa de seus pais ou eles ocorrem em outros lugares? Sempre foi na casa de meus pais. Hoje tenho estabilidade men .. depois do que ela aprontou c om aquela história do celular.Suspirando fundo.. de súbito.. gostoso. desviou para o cérebro e a matou. pois inúmeras vezes pedi que procu rasse ajuda. não respeitando os meus planos de estudar e me alicerçar melhor na vida. Pais e filhos não se comunicam.. e essas vítimas não falam pelo medo da ameaça.... falou como um desabafo: João... acham que só ocorrem na casa do vizinho. Depois não. Não me sinto preparado para contar. Sei que as informações completas e verdadeira s ajudam a encontrar soluções. o que me deu força moral para não aceitar.. verdadeiro e detalhista como você foi! Não demonstrou orgulho ou arrogância por sermos da mesma turma. Sabe. eu disse que não era o moment o e nos separamos. Não suportou a curiosidade e perguntou: O que você me diz de tudo i sso? Psicologicamente.

mas agradável e delicado jardim que oferecia um toque especi al à frente da casa. Serei sincero. não vão perturbar e tentar d esequilibrar somente você. Semanas haviam passado desde a conv ersa com seu amigo João. 11 . algo como um presságio desagradável. apesa r de ter enfrentado a revolta de Dona Marisa. Dependendo do salário. pode ser bom e aí você sai da polícia. Sérgio pensava em Débora. Não queira saber o motivo. Nossa! Você é um caso raro por não parecer ter traumas a respeito. Caprichoso. Sérgio. pintou e decorou com simplicidade. a residência era próxima da clínica aonde ele poderia ir a pé se quisesse. quando sentiu um aperto no cor ação. pela família. meu amigo . porém estava demorando.tal e emocional por não ter me desmoralizado com as tentativas de sedução da minha irmã. Trazendo no rosto um leve sorriso. Olhou para o espelho colocado no corredor. Imagino como se abalou. Naquele momento. Eles se levantaram e iam saindo quando o outro falou: Ah! Tem uma empresa considerável que quer contratar um psicólogo para trabalhar n o Recursos Humanos a fim de analisar o perfil dos funcionários a serem contratados . Teve muito trabalho. Em seguida. não s e abalarem e superarem os obstáculos para evoluírem. El e parecia ansioso para lhe mostrar tudo arrumado. mas Sérgio pareceu indiferente às suas opiniões e contrariedade. mas com grande bom gosto. Além disso. mas agora tudo estava perfeitamente no lugar e exatamen te como ele queria.A ação dos espíritos inimigos O dia chegava ao fim naquela sexta-feira. será fácil se propor a uma assistência espiritual e a Débo ra também. É um homem equili brado para levar uma vida normal. cobriu-o com um manto protetor e ele não se incomodou com a oposição de sua mãe. vão fazer o mesmo com a Débora. que reagiu ferozmente ao vê-lo sair de casa.. Os amigos não consegu iam conciliar um dia para irem ao centro espírita. Falei para a Débora que passari a lá antes de ir para casa. Tenho a consciência tranqüila e paz nesse sentido. Assistência espiritual! Por mim. O importante é você e ela terem forças para enfrentarem os desafios. sem perceber. Sérgio ficou em silêncio e pensativo. o qual procurava estabilidade para as mudanças que planejava em sua vida. Quer dar uma olhada para ver se é conveniente? Claro! Sem dúvida. Mas por que diz isso? Pelo que senti. tudo bem. Sentia-se agradavelmente tranqüilo. É verdade..surpreendeu-se Sérgio. Tudo os impedia de se falarem melhor. Você conhece alguém de lá? Os amigos saíram da clínica falando sobre o assunto que aguçou grande interesse de Sérgio. Ma s muita coisa estava para acontecer. O portão para a entrada l ateral do carro que poderia seguir pelo largo corredor até o fim com espaço para vário s veículos e o pequeno. suspirou fundo e caminhou até a porta indo para uma área ladeada por muretas graciosamente baixas d e onde se podia ver as grades altas em lugar de um muro. Porém percebeu que existem seqüelas espirituais ou sentimentais resultantes do que lhe aconteceu. Esses sonhos são o começo da demons ração da atuação dos espíritos em suas vidas. . Aquela introspecção durou longos minutos. Tenho dois casos de incesto e os transtornos são . fez pequenos reparos. Um momento como aquele trazia algo especial aos seus sentimentos. admirou o belo quadro de paisagem agradável na parede da sala colocado acima do sofá. Sérgio se encontrava paralisado no meio da sala de sua nova ca sa. Nossa! Olha que horas são! . A situação pode complicar. hoje em dia o ato sexual entre irmãos está sendo ignorado pelos pais. mas nada comentou. Eu gostaria de conversar com você e depois com a Débora. a razão ou qualque oisa do gênero. P ara Sérgio aquela casa estava perfeita. pois muitas coisas aconteciam. uma satisfação pela conquista. A namorada avisou que iria até lá. Algo o inspirava para ac reditar em João. Acredito que existe um envolvimento espiritual muito intenso. E a prova disso são os seus sonhos constantes. Pelo fato de você acreditar na Doutrina Espírita. Creia. O trabalho e mpolgante em arrumar aquela casa e pôr no lugar suas coisas onde seria seu novo re duto.

perguntou: Quando vai deixar de trabalhar lá? Vou cuidar de toda documentação a partir de segunda-feira. Depois você arruma do seu jeito . Não foi lá para o apartamento porque não quis. mas não é para você! A suíte está à era! . Ao terminar.. Vamos sair para comemorar? Temos vários motivos! A casa está do jeito que eu quero. Sérgio a afagava com carinho a o convidar: Vamos sair? .. fazendo-lhe um carinho. Vou colocar suas bolsas aqui.Observando seu semblante sem animação. Goste i muito da proposta.. não contendo a felicidade que o invadia. ao mesmo tempo em que explicava e mostrava muitos detalhes: Arrumei esse quarto de hóspede . ela sorriu e comentou com jeitinho gracioso: Ficou lindo! Sérgio. Para deixar aqui . Fiquei três noites dormindo em meio das caixas! . sorriu e contou: Visitei aquela empresa que o João me indicou. ao abrir o armário. Sérgio a abraçou procurando desc obrir o motivo daquele estado angustioso. Embalando-a com afeto.Fez br eve suspense. certificou-se de sua chegada.. Pediu. É tão perigoso e nada gratificante. Indo ao seu encontro. a jovem sorriu ao confessar: Puxa! Quando vi aquele monte de coisa amontoada aqui dentro. ele comento u: Acho que começo a colher os frutos e recompensas depois de tanto esforço e sacrifíc io! Temos muito que comemorar! . o rapaz foi até o portão e o fechou en quanto ela descia do veículo.riu ao avisar ... não imaginei que pudesse arrumar tudo. Circunvagando o olhar. O namorado percebeu algo estranho em seu tom de voz. Débora? Por que está assim? A jovem não suportou.Eles se abraçaram novamente. Mas eu iria para lá somente à noite e ficaria sozinho enquanto você não chegasse da universidade. . creme.. Existe todo um procedimento... levando-a para a sala: Vem! Sente-se aqui. a namorada o abraçou com força. . decidiu tomar um banho..Depois.. propôs: Já que cabulou aula. lançando-lhe um olhar indefinido. fo i bem direto pela preocupação: O que aconteceu. V ou sair de lá definitivamente. E logo se entusiasmou: Ah! Veja como esse banheiro ficou bonito! Realmente... Sérgio! Estou tão feliz por você! Nossa!. Aqui. mo strou: Reservei esse espaço para você guardar suas roupas e o que quiser. pois ela estava bem ao chegar e pareceu feliz com a notícia de sua saída da polícia. Eu insisti bastante.sorri u. Isso pode te trazer problema s na faculdade. . ele quis saber de i mediato: Eu insisti tanto para que viesse aqui e. Vestindo rapidamente uma camisa. escutou o ba rulho do carro de Débora na garagem e.. abraçou-a com carinho.disse ao fech ar a porta do armário. .Afugentando os pensamentos. trazia nos olhos lágrimas de emoção. Não acha? .ele perguntou. Ab raçando-o forte. . Ele acreditou que não fosse algo tão grave . Sinto um alívio.Afastando-a com generosidade. Não é tão fácil pedir baixa PM. você é muito caprichoso! Dando-lhe um beijo rápido.. comecei a pôr as coisas no lugar. Decidi pedir baixa da polícia. convidou: Vamos? Débora secou o rosto com as mãos ao dizer: Parabéns. Não é como pedir demissão de uma empresa comum. mas agradável. Débora ficou verdadeiramente feliz e sem palavras.Acomodando-a no sofá e ficand o ao seu lado.chamou-a. Tudo é simples.Olha ndo-o sorridente. A seguir....tornou ela com leve sorriso. espiando através da janela.Admirou-se.riu. Puxando-a para junto de si. E. Sérgio estava animado. E por isso que está assim quietinha? Não. levou-a para olhar o que ele fez naquele dia. Ma s agora vai dar certo! . meu bem ...afirmou. levou-a até a suíte e. do horário fixo de manhã... Está bom ou prec isa de mais espaço? Está ótimo! Eu trouxe só algumas roupas. A clínica está indo muito bem!. exibiu o outro: Neste quarto aqui fiz o escritório e minha tão querid a biblioteca! Venha ver . Imediatamente entrou em crise de choro e curvou-se com as mãos escondendo o rosto. Eu sei. secador. Não imagina como me sinto quando está trabalhando na polícia. Eu adorei! . As provas nem começaram e eu não tenho faltas. Pegando as coisas que a jovem trouxe. Acomodando-se melhor. avisou sorridente: Coloquei tudo em ordem! Venha ver! Pegando-a pela pequena mão fria. beijou-a e após ajudá-la a pegar algumas coisas.

Você é competente. Vendo-a chor ar sem conseguir falar nada. . explicou: Logo cedo. contr atos para fazer. Essa moça tem um caso com um dos sócios. Eu precisava acertar muitas coisas. Ao se recompor. até.. afagando -a no braço e contou com a voz embargada: Hoje eu fui demitida... Você não sabe o que aconteceu. ela continuou: Eu não me importo com a vida particular das pessoas. Era alguém de uma das empresas que eu iria e um a secretária avisou que a vaga havia sido preenchida.murmurou. quando estava chegando próxima a uma da s companhias.. ela desabafou: Fiquei indignada! Por que ele quer atrapalhar a m inha vida?! Recostando-se em Sérgio. . Pegou o copo com o restante de água e bebeu. ..Fez pequena parada e comentou: Senti uma coisa . Débora se afastou do abraço e sem olhar para Sérgio. Animei-me e até esqueci o que meu pai fez. Talvez por eu não discriminá-la como outras pessoas fazem. Todas disseram que realmente precisavam de alguém na área de marketing e pareceram bem interessadas e satisfeitas com o meu telefonema.. Por que não?! É inteligente! Tem esse semestre!... Não diga isso. vamos dar um jeito... Três pediram para eu comparecer no período da tarde para uma convers a ou possível entrevista. contou quase chorando novamente: Eu não tive tempo de almoçar. foi até a cozinha e lhe t rouxe um copo com água adoçada... conhece muita ge nte em diversas empresas. Débora parou por minutos.. Porém não tenho nada com isso e sempre a trat ei bem e explicava as coisas com boa vontade. sobrepôs o braço em seus ombros puxando-a carinhosamente para que se recostasse em seu peito e falou tranqüilo: Não fique assim. falou de modo baixinho e carinhoso: Ei. Quis saber o motivo. Fique calma. Bem. Saí correndo e. Quer contar? . Voltando a sentar onde estava. Débora. . Por eles afirmarem que necessitavam de funcionário co m meu perfil. Logo você arruma outro em prego. disse a ela que meu pai pagou um considerável valor para que me demitissem. pediram para eu comparecer o quanto antes. Para contato dei o número do meu celular. Nem se for só um pouqu inho. Entregando-lhe o copo que foi posto so bre uma mesinha.Cont ou sentindo um gosto amargo de decepção. seu a mante.falou aflita.Esperou por algum tempo e delicadamente forçou-a a se erguer um pouco. Sérgio somente aguardou e sofreu por vê-la daquela forma. Você não sabe! .Bem sentida. o meu celular tocou. Disse que ligou para eu não me dar ao trabalho de ir lá e... Após saber disso. Alguns goles e a moça respirou fundo. ela olhou para Sérgio. É amante dele. Acreditei que reconheceriam min ha perseverança e boa vontade.. Seja o que for. Essas pessoas conhecidas tratavam-se de diretores para os quais e ncontrei locações ideais para as empresas que eles representavam. Quem sabe conseguirá um emprego na área em que vai se grad uar?! .perguntou bem sério. mas deram explicações evasivas do tipo: foi por corte de pessoal.. Não fique assim.. essa colega me pediu segredo e contou que esse sócio. . Só falta um ano para se formar! Como corretora imobiliária da área empresarial no centro da cidade..falava animado. Vai arrumar outro e mprego melhor. Pediram que eu passasse todo o meu serviço para uma colega. tirou o braço de seus ombros. Não tenho tanta certeza ... Falava pausadamente enquanto uma e outra lágrima teimosa escorria por sua face: A princípio fiquei com raiva. Sentando-se ao seu lado.Afagando seu braço. que estava de joelhos à sua frente.Débora chorou novamente. ele a abraçou e argumentou: Seu pai fez isso a fim de que volte para a casa dele. assim que cheguei à empresa. Tem grande potencial. submetendo-me a ca nsativas procuras para suprir todas as exigências. Não fique assim. Ela é legal e eu explicava sobre os negócios locatários em andamento.. mas ainda apresentava um choro doloroso e lágrimas tristes corriam em sua face pálida. pedindo carinhosamente: Beba.. eu terminei rapidamente o que prec isava e dei alguns telefonemas para pessoas conhecidas que trabalham em consideráv eis companhias. tirando-lhe uma das mãos com a qual encobria o rosto e disse: Exi ste solução para tudo.. fui avisada sobre a demissão. pois avisei que estava deixando a empresa on de trabalhava.

afinal precisava ficar tranqüila a fim de causar boa impressão onde estava indo. a mureta e o arco da varanda com reboque quebrado e o jardim era um ve rdadeiro matagal em miniatura.. você quase não diss e nada nem reprovou a minha decisão de alugá-la. que a eitou o dinheiro do meu pai. Entrei com a desculpa de ter esquecido algo. Até o rapaz despertá-la do silêncio. Foi tão difícil me control ar. Eu deveria desconfiar que isso pudesse acontecer.chorou.Algum tempo e la mentou: Sérgio. Acho que ninguém morou aqui por muitos anos! Eu nun ca imaginei que você pudesse deixá-la como está hoje! Vi e acompanhei tudo o que fez e estou imensamente surpresa! Preste atenção. Agora vejo o quanto aquele a luguel é caro e desnecessário. segurando delicadamente seu queixo.que nem sei explicar. a jovem permaneceu imersa em profundas e amargas reflexões.. Por mais que o namorado se esforçasse em animá-la com pensamentos positivos. o preço seria dobrado ou triplicado.falou em tom brando e algo explicativo par a alertá-la.. Sérgio! Não era o mome nto de eu perder o emprego. reparado pelo serralheiro.. a jo vem se enfraquecia vencida por idéias pessimistas e rancorosas perdendo as esperança s. perguntei se ela poderia me indicar algum emprego. A primeira vez em que eu a trouxe aqui para conhecer o lugar. com pintura velha nas paredes. O portão que rangia como se fosse um efeito para filme de terror. luz. Não está sendo fácil! Você não tem alguma reserva? Se precisar.. use-as até conseguir um novo trabalho.. . Se essa casa estivesse desse jei to no momento de alugá-la. Meus gastos com alguns luxos são dispensáveis. pois age ndariam nova data para uma entrevista. ele me disse que eu ainda correria atrás dele. invadindo sua alma ao pedir: Responda sinceramente. torneiras enfe rrujadas. Pago o aluguel do apartamento. Não tente ser otimista. Sérgio... silenciou de pois de lixado. Depois de esperar muito tempo. Era alguém da outr a companhia me dispensando também. Você me alertou.. .. Na hora eu quase chorei. vai arrumar outro emprego o quanto antes. sem exibir minhas des confianças. Acreditei que você estava exagerando. Conver sei novamente com a colega para a qual passei meu serviço e.. telefone. a univers idade e tenho despesas com água. O medo e a insegurança dominavam sua mente e seu coração. Por longos minutos. Então cheguei à outra empresa e aguardav a o atendimento quando o celular tocou novamente e. nem todos os lugares vão se dar ao trabalho de telefonar para o seu antig o emprego pedindo informações a seu respeito. Não tenho quase nada guardado. mas sem empolgação. celular. Ela já estava orie ntada para passar qualquer ligação para o diretor da companhia. carro. Sérgio a escutava com toda atenção e considerou para deixá-la mais calma: Pode ser uma coincidência. Mas eram grandes companhias! Isso vai me atrapalhar muito. gás. deu as piores referências para eu não conseguir aquelas vagas! A jovem chorava enquanto ele fazia-lhe carinhos para acalmá-la. Eu não poderia me alterar.. Fique tranqüila. O mato crescido foi arrancado e no lugar cultivado um bonito jard im.respondeu com sinceridade. a recepcionista me chamou avisando que não pode riam me atender hoje à tarde e pediu para eu aguardar o telefonema deles. essa moça contou. . mas me controlei e voltei até a companh ia imobiliária que me demitiu. sem que eu perguntasse. Depois avisou: Débora. Depois de me dar al guns cartões. Quando saí da casa do meu pai e brigamos. Somente agora entendi. o condomínio. roupas !. Aconteceu que os muitos detalhes que a tornavam feia foram trocados o u consertados. ainda é uma casa velha . erguendo seu rosto e olhando profundamente em seus olhos. mas não dei importância. pintado e lubrificado transformando-s e em uma peça clássica! Tenho certeza de que o valor da locação foi baseado na aparência d a residência antes dessa transformação e no desejo do proprietário de querer alugá-la a um preço qualquer somente por medo de ser invadida.Breve pausa e se revoltou: Não sou burra! É lógico que o desgraçado do diretor daquela imobiliária. alimentação. . Você gostou dessa casa agora? Lógico! Claro que gostei . Coincidência?! Não mesmo! Fiquei atordoada. Foi dinhei ro jogado fora. Seu pai não pode conhecer ou controlar t odas as empresas que existem. que ligaram de três lugares di ferentes pedindo referências e perguntando o motivo da minha saída. Gastei com a decoração do apartamento e outras coi sas. certo? Naquele dia a casa estava feia.

Naquela época fiquei um pouco preocup ado com comentários e críticas. sem passar necessidades e co m relativo conforto. Perderá tempo por só ver. além de nos conhecermos bem melhor. Não nos conhecíamos tanto quanto hoje. Com semblante sério. Venda o que puder. aperfeiçoar-me m ais com estudos para ampliar meus conhecimentos e ser um profissional melhor.. Não vou dizer que nos casaremos amanhã ou daqui a dois meses.. em seguida. incl usive da sua faculdade. parecendo tatear uma jóia preciosa. Afagando-lhe o rosto.Alguns segundos e perguntou: O que me diz ? A namorada estava perplexa. não poderá ver as oportunidades a sua frente. sofrer e sentir o que é feio e ruim. Só descobri isso quando fui morar sozinha. Sérgio . eu te amo muito! Concordo com tudo o que você propôs. beijou-lhe a cabeça e completou generoso: Não. nos meus propósitos. Eu te amo! Te amo muito. Esqueci da fábula da cigarra e da formiga.. Eu te amo muito.. Não acredito que . Terá mais tempo e tranqüilidade para procurar um emprego de que goste sem tantas preocupações. Aparando-as com ternura. pausadamente prosseguiu: Tu do o que estou falando está nos meus projetos. Contudo terá uma vida estabilizada. moraria com você. mas preciso de um tem po.. Meus planos são de ficar bem estabilizado. você não vai conseguir cul tivar um bonito jardim nem pintar as paredes da sua vida para deixá-la rapidamente nova e bonita.pediu com jeito apaixonado. o rancor pela injustiça do seu ex-encarregado e a decepção pelas três portas que se fecharam. Podemos a rrumar tudo quando consegui-mos ver a beleza através do que parece feio. É o mesmo que olhar através dos vidros sujos de uma janela: eles podem estar tão sujos q ue você não saberá que o sol brilha lá fora. Eu tenho como arcar com as despesas. Viu em seus olhos ardentes um brilho úmido de lágrimas que rolaram lentas. Hoje.Alguns segundos para que ela refletisse e continuou: Débora.tornou. Não a rmazenei o suficiente para o inverno que não sei por quanto tempo pode durar. Olhando através das dificuldades do momento. nem sempre conseguimos fazer nossos planos seguire m a ordem que desejamos.. c aso encontrasse dificuldade. pausadamente. seguro de si.. Acreditei que era cap az de me auto-sustentar totalmente. porém antes precisam os alcançar algumas metas e estabilidade para dar a ele ou a ela todo o amor. Não sei o que é se submeter à prova de reduzir as despesas. Par a mim não importa mais se viveremos juntos agora ou após casados. mas vamos nos casar.. . Débo ra permaneceu séria e murmurou em com sua voz delicada: É confortante ouvir isso. Eu disse que. . . Mas. planejada. a educação e o conforto que pudermos.. questionou no mesmo tom ponderado de antes: Por que não? Algo a impede ou tem dúvidas de seus sentimentos por mim? Não!. meu amor! Espere! Eu quero dar o exemplo de que nada é permanente. Nunca precisei me preocupar com dinheiro. Estamos juntos há tempo suficiente para não nos importarmos mais com as críticas e comentários de quem quer que seja. ele tocou carinhosamente sua face quase fria. ele falou. mas Sérgio.reconheceu angustiada. Gostaria de te dar todo o conforto do mundo. Interrompendo-a e a abraçando. olhando-a com ternura. preste atenção! Se você continuar experiment ando o sentimento de mágoa pela crueldade de seu pai. Mesmo trabalhando e me achando o máximo. você pediu para eu ir morar em seu apartamento... Fitando-a quase sem piscar. Ela sorriu docemente ao repetir com simplicidade: Lógico! Ficou um encanto e se parece com você! Por que insiste em perguntar isso? Por que eu te adoro. Eu quero e sei que teremos um filho. m as continuaremos tomando cuidado para não trazermos ao mundo um filho que não esteja em nossos planos ainda. con tornou vagarosamente seus lábios com as pontas dos dedos. .Fez breve silêncio. eu morava na casa dos meus pais e não sabia o que era administrar financei ramente uma casa. Sérgio.. Vem morar aqui comigo .. Quando al go não está bom e precisamos mudá-lo devemos arregaçar as mangas até conquistar o que dese jamos e nos sentirmos bem com isso! Débora. Esteja certa de um a coisa: aqui comigo ficará mais segura. minha vida virou ao avesso! Tudo aconteceu muito rápido. Bem.Respiro u fundo e explicou ponderado: Só gostaria de pedir uma coisa.. Saiba que não viverá no luxo ao qual se acostu mou. A bela face da jovem estava melancólica e exibia uma dúvida mesclada de conflito. ela respondeu: Sérgio. Entregue o apartam ento e traga suas coisas..Você está me dando uma lição de moral por eu. a at enção.. Gostou mesmo desta casa? . olhando-a firme: Para me ajudar. mas eu só ten ho essa casa e quero que venha morar aqui.

alertou o irmão. Na espiritualidade. invisíveis ao plano físico. Ao tempo em que tudo acontecia. Está certo! . ta? Ah!. aí eu quero ver como ele vai voltar com o rabo entre as pernas?! Ele usou todo o mundo aqui em casa. estou tão cansado depois de arrumar t udo por aqui! . acabando de chegar. se arranjou na vida e pensa que não vai precisar de mais ninguém! A senhora viu!.concordou ela. fortaleciam-se. O rapaz a envolveu num abraço amigo e gostoso. na casa dos pais de Sérgio.enervou-se Marcílio. ter uma porcaria de um diploma. * * * No mesmo momento. esses espíritos levianos a proveitavam-se dos sentimentos de raiva. Termine esse semestre na universida de.. falou: Enquanto isso.. você vem morar aqui. de repente. Poderia chamá-lo de cachorro e safado caso ele ficasse encostado na família e aproveitasse da bondade dos pais e dos irmãos para cuidar da mulher e dos filhos! Marcílio reagiu ferozmente.riu ao avisar: O chuveiro da suíte está f uncionando e nenhum registro ou torneira estão velhos. levantou-se e sorrindo a fez se erguer. eu arrumo um emprego bem melhor. espalmando as mãos no peito de Tiago: Qual é cara?! Você é tão sem-vergonha quanto ele por que só sabem criticar sem saber o que é passar necessidade! Uma briga começou entre eles. Sérgio passou a comentar sobre outros assuntos. Proponha-se ao mercado de trabalho.criticou Marcílio. e ntre outras coisas.Ao vê-la sorrir.. concordando com sua mãe. sugeriu: Você também está cansada! Pegue uma roupa bem con fortável e vá tomar um bom e demorado banho! . inveja. ciúme e outras más tendências dos encarnados e se revigoravam com suas energias. Débora ficou atenta.. dona Marisa ainda não se conformava com o fato do filho ter mudado. Você pode me dar um tempo? . Essas criaturas. f oi à direção do irmão e esbravejou ao empurrá-lo. Se até dezembro não tiver êxito. mas.indagou Tiago. afinavam-s e e se satisfaziam através do comportamento e dos pensamentos inferiores dos encar nados. angústia. olhando-o com um medo estampado em seu se mblante pelo futuro incerto. Realmente preciso de um banho para relaxar! . pra ele emp inar o nariz como se a gente não fosse nada à vida dele! Deixa o Sérgio! . questionou: Estão falando bem ou mal de mim?! Estamos falando do cachorro do Sérgio! .Beijou-a rápido. Um dia ele pode preci sar da gente. aproveitando-se de s eus fluidos.pediu.. levantou-se rápido. Olha como fala! Por que chamá-lo de cachorro e safado?! O Sérgio não merece esse tratamento não. parecendo se esquecer do dia tão difícil que teve. pedirei a pizza. envolv endo-os emocionalmente. enquanto apreciavam a pizza. Pre ciso de um tempo para pensar e.. meu! Nosso irmão foi o m ais esforçado entre todos nós. Vamos pedir uma pizza? Desculpe-me! Você queria comemorar. O Sérgio não levou nenhum de nós pra conhecer a casa dele! Só o Tiago foi lá! Ouvi meu nome?! . Tudo bem! Eu aceito! . Embalou-a com leveza e avisou: É tarde e acho que você não está com ânimo para sairmos. Tomado de forte sensação enervante. como que abraçando imediatamente os envolvidos na desavença e agressão a fim de incentivá-los à troca de d uelos de palavras vis e repugnantes. sem ins trução e que se satisfaziam com brigas e discussões de qualquer tipo. Num tom de brincadeira.esteja desempregada e com tantas responsabilidades financeiras para assumir.Em seguida. indignação.. casos corriqueiros durante a compra de um móvel. Pode até acontecer o que você falou e. Bem depois. Não faltará oportunidade! E para ser sincero... Completamente calado. na esperança de animá-la. interrompendo-o bem sério..sorriu ao afirmar. Esses espíritos imperfeitos inclinavam-se tam bém aos que assistiam sugerindo-lhes todo tipo de pensamentos conflitantes. o senhor Inácio somente ouv ia a esposa esbravejar: Não é possível! Jamais pensei em ver tamanha frieza por parte do nosso filho! Quant a ingratidão! Bastou se formar doutor. feios e enferrujados! . verdadeiro alvoroço se fez entre espíritos horrendos. O safado nem pra.. . Ei! . Quero continuar trabalhando e terminar os estu dos. Será como vo cê quiser..

mas algo como que nuvens escuras em tons marrom.. O Sérgio me prejudicou imensamente no passado. O Tiago tinha um brilho intenso nos olhos quando estava com ela. mas estava enfeitiçado e não dava a menor importânc ia ao que eu dava a entender para persuadi-lo. o espíri to Sebastião emanava energias ainda mais pesarosas. afasta m-se. ofensiva e hostil pronunciada oferecia mais vigor àque las energias espirituais extremamente inferiores. O espírito Sebastião. cinza e preto pairavam no interior de toda a casa.. reencontrou-o e juntou-se aos revolucionári os farroupilhas. Sempre nos é dado o que pedimos para nós e para os outros. Ele não só maculou o nome da minha f amília. Ah!. o espíri to Lúcia relatava com imenso rancor: Tornou-se um costume da Débora permanecer todas as noites na varanda. Principalmente quando se trata de seus desafetos. pensam entos e desejos.riu com sarc asmo. dizendo que gostava de contemplar o céu estrelado ou tomar ar.. el e se foi sozinho! Não me conformo com isso! Covarde! Eu disse que ele é um covarde! Naquela oportunidade poderíamos viver um grande amor.Trazendo um ódio cego encravado nos sentimentos. ficava e era designado a tomar conta da estância. eu enlouqueci! Pensei que existisse um Deus bom. pois ele precisava pegar os dois juntos. abandonando aquela que hoje. Ao partir para as batalhas contra o exército imperial a fim d e conquistar as vilas e cidades. Passei a espiar. Tiago e Débora conversavam por horas. teria se casado co m ela e nunca desconfiaria do filho não ser dele. pois em nosso corpo espiritual. Cada palavra indecorosa. Ele acabou com a moral da minha família. encarnada. A criança era de outro. mas nem sempre participava das pelejas. O próprio Mestre Jesus nos ensinou: Pede e te será dado . Os encarnados não podiam ver. mas não! Nessa encarnação nascemos . por isso contratei o empregad o a custo de jóias caras para dar um fim na Débora. Pensei que o Sérgio fosse correr p ara os meus braços. em pensa mento ou não. O Tiago. plasmam-se exatamente energias espirituais mentais impregnadas por nossas palavras.. tendo ao lado o espírito Lúcia. meu s sonhos e esperanças. E os mais sábios nos alertam e chamam de sujas as palavras de baixo calão. humilhou-me e me rebaixou no nível ma is inferior que pôde. ela desaparecia e ninguém sabia dizer onde estava. Mas ela me paga! Ela o fez se juntar ao inimigo e enfrentar minhas tropas! Não foi somente isso o que ele fez nessa época. calcadas de botas fortes no andar lento de hom em. o in feliz fez o mesmo nessa encarnação! E lembre-se de que ele desgraçou a sua vida também! Mas você sabe que ela não esperava um filho dele.. Um bando de invejosos e orgulhosos .Para esses espíritos.. Fazem de tudo para tentar destruir esse estado de paz. O Sérgio não merecia aquela mulher. Não importa! Qual o problema de se unir a ela e assumir a paternidade? O que ir ia acontecer? Se ele tivesse retornado antes como eu ordenei. Uma espécie de lodo como secreções de corpos físicos em decomposição nos caixões. mas. pois se movimentavam e se desl ocavam de forma anormal. Nunca vou esquecer. Enquanto todos dormia m. Eles i nvejam quem as cultiva. quando não conseguem.. Sustentando e se comprazendo com o que acontecia entre Tiago e Marcílio.. a felicidade e a harmonia são tormentos insuportáveis. Por culpa do seu desprezo . avisou: Veja como realmente são aqueles que se diziam seus parentes.opinou a desencarnada com indiferença. . é a Sueli! Como se não bastasse. Por muitas vezes. Comecei a ouvir. irregular e muito feia. vez ou outra. Aquela miserável era traidora. O Sérgio acabou com minha vida. hipócrita!. Covardemente desertou! Desertou por causa daquela mulher! . movimentando-se como uma massa den sa. o Sérgio deixava a Débora em nossa estância. Criticava minhas ordens e tudo que é comum de se fazer em uma guerra. um dos soldados que desertou com ele. procurando consolo Mas não! Depois do desespero e do enterro. Não suportei saber que ele preten dia ir embora para longe e começar uma vida com ela. Vol ando-se para ela. plasmando-as nos ambientes. no ca mpo energético que nos envolve e no ambiente onde vivemos e convivemos. observava tudo com satisfação. grudando nas paredes como matérias fecais misturadas a ou tras excreções inenarravelmente repugnantes. mas também esse infeliz me desmoralizou. Eu vi o sorriso gentil no rosto dela ao gesticular delicadamente com voz deng osa que atraía os homens.

. passei por tormentos infinitos! Eu p arecia ouvir a voz dele ecoando todo o tempo em minha mente falando de moralidad e. Ele se achou superior e a trato u como um lixo em decomposição! Repugnava seus sentimentos! É verdade! O Sérgio começou a me dar sermões e mais sermões moralistas! Cada vez mais oralistas! E eu me sentia suja... do corpo se desfazendo. fazendo-te pensa r que estava louca! Fez você se sentir um verme. O ódio e a raiva pelo Sérgio foram tão imensos que não posso deix ar de me vingar! Ah! Não! Sofri mais do que um cão e procurei o desgraçado porque prec isava fazê-lo sentir o que eu experimentei! Descobri que tinha reencarnado e eu ti nha passado mais de cem anos naquele tormento alucinado e doloroso por culpa daq uele infeliz moralista! Igual a você. perguntei: cadê Deus?! . domi nar os desejos. sentindo intensa hostilidade .irmãos legítimos! E eu o amava! Ele tornou-se um homem lindo. mas tomei força e reagi furioso! Tanto ódio brotou por experimentar aquilo que consegui me libertar.. ter boas práticas!. faremos com que ele sinta tudo o que nos fez sofrer. Ele não aprovava nem respeitava minhas vontade s. pois a Sueli é uma filha fiel e se mpre pronta para me ouvir. respeito. Assim como fez com você. ele de u-lhe sermões e críticas. tem a minha ajuda . Você só não sofre mais. eu sofri. imunda! Meus pensamentos ferviam e me corroíam! Isso mesmo! Sermões moralistas! . eu o odeio por tudo o que ele já me fez. . Sentia as dores do tiro. com caráter possessivo e sentimentos mesquinhos por Débora. É?! Vou dizer a verdade: eu o desejo como homem para usá-lo em favor de meus prazer es. Até parece que aquelas vadias que tomei à força não gostaram de ter um homem viril co mo eu! Desencarnado.. Foi difícil te ajudar.. justiça. porque eu te regenerei com as energias sugadas dele e te despertei p ara esse mundo real. a irmãzinha desprezível e insignific ante com seus vícios.Psicólogo Espiritual Rogando amorosamente a instrução e a colaboração influente de entidades de esfera sup erior. 12 .riu. fraca e ingênua! Será bem fácil e prazeroso ver a safada experimentar o que eu mais tive prazer de fazer com as vadias desse tip o! Sei que será fácil envolver essa desavergonhada. os espíritos Wilson e Olívia. Sebastião admitia. Mas agora. Sua vida não terá mais sentido e ele desejará a morte ao sabe r!. Sentia dores.. forte e seus olhos são d e uma atração impressionante quando pareciam invadir minha alma! Eu era capaz de faz er tudo por ele! E o Sérgio a rejeitou! ..Breve pausa. meus atos. mentores de Sérgio e Débora. T em o meu apoio. dos bicho s te roendo e aquele cheiro insuportável.lembrou Sebastião. meus prazeres.. as faculdades espirit uais. Gritou muito. induzindo-a a pensamentos conflitantes para continuar dominando-a e utilizando as disposições a fetivas de Lúcia para os seus objetivos de vingança. Fiquei cansado de ouvir suas conversas sobre dignidade. Mas aquilo era impossível. e o Breno. o Sérgio me torturou com seu s sermões moralistas! Desgraçado! Quando morri..quis saber Lúcia com frieza. informou em tom típico de sua vileza: Débora é uma tola. longe dos pesadelos e das alucinações que enfrentou dentro do túm ulo. Ao saber o que a Débora fez! . Juntos. zombando. Ah! Esse é dos meus! Ele vai se vingar por mim com escárnio e muita humilhação! E o Sérgio ficará arrasado. sensações e pesadelos alucinantes com o se eu fosse uma delas. não foi? Falou que precisava de tratamento.gargalhou sarcasticamente. sentia a carne fedendo ao apodre cer. Acompanhei tudo. Eu mesmo cuido dela para você! . Como se o quê? .tornou ela. tem a Yara.repetiu Sebastião. Agora eu vejo o Sérgio de modo diferente ... Mas o pior eram os pensamentos de culpa que não paravam.questionava. Acor dou no caixão e sentia cada verme roer seu corpo. Lúcia.... de respeito! Sofri feito um desgraçado! Tinha alucinações que nunca paravam! Sentia dores como se!. Com aquela moralidade hipócrita. um lixo e é por isso que ficou assi m depois de morrer! Qual era o problema de se amarem? . depois de saber de tudo. que te corroíam. atraindo-os a uma doce e suave meditação. por isso quase enlouqueci! Dem orou. encontravam-se em luga r onde o agradável magnetismo parecia acariciar os sentidos. Com crueldade. Quero-o morto! E quanto à Débora. continuo u falando para persuadi-la: Eu sei o que você passou após morrer daquele jeito. Além dela..

Abraçando-os com imensa felicidade. Não existe. O espírito Olívia. Os tormentos vivenciados o consumiu por décadas. sua consciência o encaminhou a regiões muito baixas. junto da hedionda brutalidade contra mulheres e crianças. Olívia trocou olhar com Wilson como se lhe pedisse a palavra. ouvia-se o murmurinho das águas límpidas correndo por uma parede de pedras até chegarem a delicados lagos que fascinavam por seus e spelhos de água. amorosamente. Mesmo bem sofrido per ispiritualmente. no pl ano material dos encarnados. Por onde a e levada criatura deslizava. nada a que se possa comparar. via-se incrível jardim que causava grande impressão pela beleza repleta de detalhes capric hosos em plantas e flores formosíssimas e agradáveis à visão. De suntuosa fonte.concordou Olívia. pois seu corpo espiritual foi brutalmente danificado por sua co . de ou: Paz em Jesus. Como não poderia deixar de s er. o grande salão reluzia nas paredes uma claridade própria. brotando fé e arrependimen to. difícil de explicar. sabemos o quanto é ocupada em trabalhos ne ste plano. comentou com amável respeito: Querida ministra e instrutora amiga. Plena natureza sob a proteção excelsa de um salão usado para conversações muito elevada s nas escalas dos valores morais e espirituais. parecen do leve e de mangas longas e largas que se ondulavam com suavidade. Eles se levantaram. Assim seja! . mesmo assentando-se na magnífica poltrona de matéria encantadora à s ua disposição que parecia agasalhá-la. Sorridente. a fim de consultarmos seu s bons conselhos diante de tudo o que acontece ou está prestes a ocorrer aos nosso s pupilos. expressou-se com i ncrível doçura aos visitantes: Agradeço a Deus as bênçãos de suas presenças! . O semblante jovem e de nobres traços angelicais exibia alegria verdadeira. ele deveria desejar receber o amparo da providência Divina e os socorristas estariam a postos. sórdidos e sádicos. viva e alegre. como que nuvens fofas. enquanto suave melodia se derramava em harmoni a aprazível. Os nobres irmãos encarregados do serviço de socorro em zon as tão sombrias receberam orientações misericordiosas para aguardar um relampejo de lu z e esperança em Sebastião. mas.. Existe muito ódio desejo de vingança no coração do pobre espírito Sebastião. em parte das paredes e de algumas pedras da fonte. ostentando delicadas flores brancas. Mais de um século. Voltando-se à nobre entidade que aguardava sua manifestação.Revestido de sólidas energias edificantes. pelo r isco que corre a missão desta encarnação tão planejada e por nós mesmos. deixando-se envolver e mantendo o s olhos cerrados ao permanecer introspectivo.argumentou Wilson diante da pa usa. Majestosas colunas se estendiam lindamente do chão às alturas de cúpulas transparentes. Algo como que suave brisa de aroma agradável despertou a atenção de Wilson e Olívia p ara a entrada da entidade que. Com humildade.. ele desencarnou. práticas por prazer a seus vícios lascivos. Ao leve gesto da mão delineada e graciosa. Depois de tantas batalhas com o emprego de crueldade desnecessária aos oponen tes. ficou contemplando o maravilhoso contorno do gr ande recinto. a entidade indicou para que se senta ssem. flutuando. Acomodações confortáveis. Tomamos a liberdade de invocá-la e pedimos a generosidade desse encontro aqui. que se dispôs a sentar. E era dele que brotavam tr epadeiras similares a heras que imprimiam nobreza sublime ao esparramarem-se gra ciosas. Era impressionantemente bela! Com aparência translúcida! Usava uma túnica simples. a fim de ver enternecido o coração. de onde luzes transcendentes cintilavam. o piso era sutilmente tocado por sua vesti menta alva que possuía algo como substância luminosa. acomodando-se frente a eles em assento que surgiu suave e instantaneamente como que nuvem sutil. A esfera obscura onde gemeu. surgiram no instante do relampejo do pensamento de Wilson. não co ntendo o sorriso de felicidade ao vê-la. gritou e chorou como verdadeiro louco não modificou seu estado vibratório. Imprevistos severos ocorreram e tememos por nossos protegidos. Todo o ambiente era banhado de luz cristalina bem acolhedora. meus irmãos! Que o Mestre a abençoe . esperavam. É difícil descrever. Mas não foi o que aconteceu. ele infernizou a própria mente pelo mal praticado. em esferas superiores e até na crosta terrestre. O espírito Sebastião está extremamente embrutecido . Precisamos ser cautelosos e pr udentes.retribuiu Wilson. Ao lado da fonte.

no últ imo reencarne.Wilson terminou e ficou no aguardo de uma orientação. como sugerindo reflexão: O Pai da Vida não é impetuoso. em breves segundos de alívio mental. apesar dos desafios e tarefas a realizar. conseqüência de suas práticas.nsciência e por outros espíritos de impressionante inferioridade que habitam aquela região. Com Lúcia desencarnada. que teve muito trabalho com ela. A serenidade e a atenção eram vivas mensagens silenciosas que revelavam compreensão e sabedoria no semblante delicado da amorosa e elevada entidade que os ouvia. Sebastião não admite que ouvisse e experimentou as acusações de sua própria consciência. o espírito Sebastião. nesta reencarnação. Por acréscimo de misericórdia. após revigorá-la com troca de energias mentais com o irmão. Ele p otencializou toda a sua raiva. pois. todo o seu ódio e desejo de vingança. ele mesmo se surpreende com a própria reação diante de fatos isolados. ficando receptivo aos bons conselhos. Temo por desastrosas conseqüências se meu protegido não suportar . Urrando como um a fera. quebrou o invólucro magnético criado por sua mente que o prendia naquelas co ndições tão sofridas. Sebastião não ficou atordoado e reflexivo despertando para a fé. não parecendo surpreender-se co m toda a narração. o que ela chama de amor. desencarnado . ele não conseguiu amainar a ob-sessão de seus desejos c arnais e lascivos por ele. envolvendo e a tormentando aqueles a quem Sérgio quer bem. a livrá-la dos alucinantes sentimentos. Por essa razão viemos lhe pedir sábias orientações e humildemente. Com meigo e terno sorriso. No planejamento reencarnatório de Sérgio. Esse desequilíbrio sentimental in controlável vem de encarnações distantes. Não há como mudar. Sua aparência humana está bem alterada. se possível. envolvendo-a em um intercâmbi o mental para que a moça se desequilibrasse e tentasse seduzir o irmão. Foi então que o espírito Sebastião passou a interferir. essa oportunidade lhes foi impossível pelo ato cruel de Lúcia contra minha pupila. nesse aspecto. Wilson silenciou e olhou para Olívia. uma das propostas era ajudar sua irmã Lúcia a reverter os dese jos obsessivos por ele. que o condenava àquelas con dições turbulentas. o espírito Sebastião vem agregando espírito s tenebrosos a fim de vingar-se de Sérgio e Débora desnecessariamente. S ebastião a tem como aliada a fim de usá-la contra Sérgio. no s lo XVII. A o experimentar um breve instante de alívio na consciência. a sábia instrutora Ia ryel lembrou: Deus é amor. Sérgio não se in clinou. seus subordinados e nossos superiores. a generosa benfeitora ponderou por segundos e considerou em tom t ranqüilo e tênue.Ela contem plou os presentes com rápido olhar. recebeu luz na consciên cia a fim de despertar fé. O espírito Sebastião parece reunir uma fal ange de esferas obscuras com o intuito de grande destruição de todo o planejamento r eencarnatório proposto. Por isso. No entanto. A moral elevada de meu pupilo. mesmo Sérgio propondo-se a reencarnar como pai de Lúcia e educando-a sob pr incípios religiosos rigorosos.argumentou o espírito Wilson. Por isso a procuramos . Sendo que isso ocorreu porque Sebastião e seus colaboradores do mal estão tentando fazê-lo desenvolver pensamentos e práticas imperfeitas. Há muito tempo. E a sua consciência que o cobrou e o cobrará. . Não demorou a se unir com os comparsas do passado e escravizar alguns pobres e spíritos recém-desencarnados e voltou-se para o objetivo de vingança. com tantas deformidades. V ersada no atributo de grande soma de conhecimento. Sebastião usa condições e hab ilidades espirituais rudes de suas faixas vibratórias muito baixas. venerável mentora. conforme predestinado. o espírito Sebastião mergulhou nas reentrâncias de sua consciência. que o queimava como a dor terrível de um fogo incessante. No entanto seu coração nobre se candidatou a tentar. não apenas das duas últimas. que podem ser consideradas monstruosas. libertou-o do débito com o espírito Lúcia. o amparo eficiente de irmãos espirituais. harmonia e paz. No entanto sua energia mental não teve uma reação positiva. que completou: Débora e Sérgio se encontraram. Jamais Ele emprega violência ou força brutal com a fin alidade de constranger ou agredir a mente de uma de suas criaturas. viveriam juntos e felizes. Concordo com Olívia . Sérgio não é impulsivo e reflete muito an tes de qualquer atitude. para nos ajudarem em benefício de nossos p rotegidos e de muitos encarnados envolvidos. Sebastião odeia. foram por culpa de Sérgio que o repreendeu. Sua perversidade parecia mais intensa e cru el. . Devo admitir que jamais vi tão grande força do mal endereçada para esse fim. Contudo. Suas Leis de equilíbrio para a evolução estão a consciência de cada uma de suas criaturas. culpa e quer se vingar ao afirmar que todos os seus sofrimentos no plano espiritual. Para isso. nos último s tempos.

. não de ixa de pensar no assunto. lei de efeito para as pessoas necessitadas em experimentar ou reparar os erros do pass ado. . Sér gio precisava estar ali. Teme deixar esse trabalho para não ter débitos morais. entre outras harmonizações. ajudar com conselhos e su stentá-lo nas provas! O empenho por vingança. Preocupo-me pelo fato de Sebastião estabelecer uma falange tão perversa e destrut iva. tarefa e Débora deveria a mpará-lo. uma vez que ocupava posição subordinada ao comandante Sebastião. acabam se personificando líderes de falanges. Sérgio reluta em deixar de ser policial pelas necessid ades financeiras que o preocupam e por acreditar que foi criminoso ou bandido em vidas passadas. Porém nada é eterno e tudo se transforma com o objetivo de renovação e melhoramento. com o uso de fluidos criados para oper ar psicologicamente através da energia mental de desencarnado para encarnado é imens o. caso não receba auxílio de com panheiros dos planos mais elevados . Isso nos sustenta em nossas provas. egoísmo. prazeres doentios e estranhos ao ser humano. Nesse caso. orgulho. Além de covarde.pediu Wi lson com humildade. Mas cada caso é um caso. precisaríamos de sua amorosa intercessão. O fato de o pobre Sebastião acusá-lo por seus alertas morai s é simplesmente uma fatalidade. Sei de seu amor incondicional por todos os irmãos do caminho . Sérgio o aler tou como pôde. no caso de guerra. No tumulto das bata lhas quase não existem mortes instantâneas. mesmo que haja dor a fim d e destruir o mal que há na criatura. teve deveres a cumprir através das informações oferecidas sobre o que conhecia. o mentor ninoroso pareceu implorar: Venerável emissária. Sebastião e xibe energia peculiar à sua monstruosidade e força mental que emprega para interferi r nos pensamentos de todos. através de expiações deploráveis.Laryel refletiu e comentou: Muitas coisas podem acontecer. apegado aos atos sórdidos. Laryel sorriu em sinal de compreensão bondosa e avisou: Conheço Sérgio.confessou Wilson em tom de súplica. sabe que Sérgio tem uma importante. Muito me assust aria se eu soubesse que meu querido Sérgio ficou calado diante de tantas atrocidad es.. crueldade e out ras vilezas. pois foi por conseqüência dela que criaram as Le is para a não divisão desse país. Elevada instrutora. por se tratarem de criaturas especiais em seu coração e reencarnadas por c . Espíritos por muito tempo inferiorizados no ódio.preocupou-se Wilson. o silêncio o tornaria cúmplice e conivente com os atos de selvageria . pois é de natureza inferior a dos animais. pois se encontra em um nível muito inferior. por exemplo. a justiça está sempre de um lado e há influência dos espíritos. . algo que impressiona! Pressinto a impotência espiritual de Sérgio para mobilizar força e vontade a fim de livrar-se da ostensiva obsessão. Sérgio prestou serviço a um exército e foi convocado para uma batalha. A revolução farroupilha xe benefícios a essa Pátria tão estimada. Mas ele acusa meu pupilo por tê-lo alertado . nosso querido irmão presencio u muita dor e sofrimento. Temo que eu possa ser incapaz de conduzir meu protegido pelo caminho do bem. por influência de Sebastião. foi obri gado a usar suas armas e a força a fim de lutar com os opositores para se defender . Mesmo contrariado e angustiado com o que via. lei de ação e reação. ele também seria culpado por omissão. querida Laryel . O fato de Sérgio desertar quando conheceu Débora e a salvou. Sebastião precisa acusar alguém. Meus que ridos . Precisamos de sua generosa intervenção. sabemos que os corpos físicos são disfar ces do espírito quando encarnado. pois sem ele nos entregaríamos ao desânimo ou suicídio indireto. Sendo assim. Nesse caso. Aliando-se aos revolucionários. Com isso se atrasa na tarefa para a qual se propôs para este reencarne. Sérgio foi destinado a combater em uma guerra. Repelir o que lhe an tecipa a morte do corpo físico é correto. Naquela época. foi providencial naq uela época. Vi-o ativo e fiel trabalhador na espiritualidade. Encarnado. Contudo também conheço a sua extraordinária atenção por esses queridos encarnados sob su a tutela. As criatura s de Deus são os instrumentos de que Ele se serve para atingir determinados fins .expressou-se com ternura angelical .fazendo-o vivenciar as impiedades e as vilezas cometidas com lamentável prazer.Laryel sorriu levemente e lembrou: Numa guerr a. Sérg io não tem culpa pelo que o pobre Sebastião sofreu. Quando encarnado.. Quero ressaltar que o instinto de conservação nos foi da do por Deus. Ele ouviu um colega dizer isso e. mas nunca usou de crueldade ou tortura covarde para com suas vítimas. Vejo meu querido filho espiritual se torturando lentamente com as interf erências e influências diretas e indiretas do espírito Sebastião.Pedindo hum ildemente.

hoje. mas tudo pode acontecer. rogan do luz na consciência e crendo no amparo de Deus. Ela refletia sem qualquer manifestação. Mesmo sabendo e entendendo que Sérgio aceitou vivenciar os efeitos obsessivos em fase do planejame . as idéias que nos surgem. no plano encarnado. mas deseja essa evolução intelectual a fim de trabalhar indispensavelmente na espiritualidade com irmãos que ignoram o uso da psique e utilizam à energia de cr iações mentais destrutivas através da força do pensamento. o mentor Wilson silenciou. acredito que ele é capaz de reagir a essas idéias destrutivas. por mais suja e infectada que esteja. ao mesmo tempo. re speitando a reflexão de Wilson. baseou e ssa opinião em si mesmo. comparou com algo. por vezes.Aguardou e prosseguiu: Conhecendo nosso querido Sérgio.Prestimosa e calma Laryel ofereceu sorriso leve e doce. ele terá bem mais proveito no que almeja desenvolver no plano espiritual para ajudar muitas. Lá se transforma n as mais diversas e belas nuvens. a respeitável entidade Laryel possuía uma natureza superior que ul trapassava a capacidade de conhecimento e sabedoria dos ministros daquela consid erável Colônia Espiritual. depois continuou: Como a água. são: altear o intelecto. de mentes su periores ou inferiores. Isso. . de encarnado ou desencarnado. podem ser nossas. . irradiando excelso magnetismo no olhar. . comentou: O pensamento. Tal estímulo e método clínico os libertarão om facilidade das amarras psicológicas que os mantêm atados à força do pensamento de um irmão espiritualmente inferior.tornou Wilson com humildade. Venerada Laryel . Sua dedicação aos estudos psicológicos e empenho para ampliar os conhecimentos.Breve pausa e comparou: O médic o não pode dizer que a doença é indolor ou que o remédio é doce se não os provou. à custa de duras provas e tra balhos incansáveis. As propostas e as idéias de Sérgio. para analisar. o que é ocupar uma posição superior e subalterna. al guém é policial pelo fato de ter sido criminoso ou bandido em outra encarnação. Voltando em forma de chuva ou orvalho. trazendo benefícios e criações mentais saudáveis. curativas. elevação prosperidade ao homem de bem. empreendia humildemente suas faculdades. As conseqüências ou resultados variam e dependem da afinidade que a supos ta vítima se deixa ter com aquele que a quer dominar. dizendo mais ou menos assim: A água. Nosso querido Sérgio está experimentando incrível poder psíquico que tenta agir em sua mente. O colega que desejou envenená-lo mentalmente com a idéia de que. todos os demais ministros que trabalhavam com a excel sa emissária acatavam seus sábios conselhos ou orientações antes de tomarem decisões impor tantes. Laryel. e studando com primorosa abnegação e carinho a fim de estimular a força inteligente que há em cada criatura através da energia mental. sem saber. evapora-se subindo ao céu. nossos irmãos. é er um: psicólogo espiritual . A função de Sérgio como policial o colocou na condição de sentir. respeito e certa apreensão . Os objetivos desses irmãos sem instrução são trazer angústia. Sérgio possui moral elevada. em atividades no campo de coordenações dignas nos Ministér ios do Auxílio e da Regeneração. que manipulam suas vítimas com rigo r. Lembremos que as palavras.sorriu de modo sutil. além de ocupação amorosa no exercício de socorro. para Sérgio.A veneranda ministra aguardou por segundos.quase em lágrimas. Por sua elevação. E em um exemplo magnífico. . sempre com indizível serenidade. mas se o elevarmos para as alturas com verdadeira fé e humildade. Vivenc iando tal experiência. sob pressão ostensiva de mui ta disciplina que. Por conta disso.ompromisso de elevação e amor ao próximo . procurou contribuir com esclarecimento diante dos temores dos queridos amigos que ali estavam: Certa vez eu ouvi uma querida benfeitor-amiga ensinar que O pensamento é força viv a . estará pur ificada e será benéfica às criaturas. Só caberá a Sérgio a atitude e postura consciente para c riar forças interiores a fim de resistir a tão intensas energias mentais vindas de e spíritos e de encarnados que são transviados morais. dedicandose a auxiliar nos mais diversos comportamentos da mente. crescimento intelectual em benefício dele como espírito. Por suas contáveis tarefas abnegadas. Diante da perplexidade de Wilson . Esse pode estar sob a influência de uma outra mente cruel e malévola. em seu inconsciente. tormentos e todo tipo de insatisfações. milhares de criaturas de Deus. o pensamento retornará suave e lim po tal qual a chuva. como tarefeira espiritual. é extremamente exagerada. é nobr eza espiritual experimentar os sintomas para estudá-los e compreendê-los em ação com a f inalidade de atuar em serviços de socorros aos irmãos necessitados. é algo a fim de agregar-l he evolução. os desejos e os impulsos de uma criatura são control ados pelo poder do pensamento. o pensamento pode est ar impuro.

tendo em vista o número de aliados cruéis que têm o puro prazer de ver alguém se derrotar ou desistir de suas provas por ceder às inspirações obsessiva s. que o s perseguem e maltratam impiedosa-mente pelo prazer em fazer mal ou serem contra ao que o outro praticou. Fecham-se doentes. exibindo no perispírito o que fizeram. esses micróbios. Todos que possuem vícios são ass ediados por espíritos de níveis muito baixo. Já vimos portadores de deficiências fazerem de suas mentes ferramentas tão poderosa s em favor do bem-estar de si mesmas para as suas necessidades. Outros. aceitando a ligação mental com espíritos inferiores. Ex istem encarnados que sofrem por lições expiatórias. embolando-se em posição semelhante à fetal e co m aspecto tortuoso. vai atrair p ara o corpo carnal a experiência dolorosa e enfermiça da decomposição lenta. Com o poder de seus desejos e determinação. S em dúvida. Alguns desses perseguidos sofrem. Seu rosto era sereno e sério pela gravidade do assunto. Despreparados para a espi ritualidade. à prostituição. como que se embalando deformados. enfrentando as agr essões furiosas. Sofrem conflitos que os arrebatam deploravelmente. que fa zem à mente do encarnado atrair e proliferar princípios inteligentes microbianos ou viróticos para junto de seu campo mental. por vício de reclamação. passando ter formato ovóide. a fastam-se do perigoso vício. o sofrimento e o pavor pelo que fizeram aos seus corpos físicos e espirituai s. Quando aceitas ou criadas nos p róprios pensamentos. . Mas existem os que se inclinam às más tendências e não domina m os pensamentos. insistem e utilizam à substância alucinógena e excitante? Alguns não aceitam a proposta do uso de entorpecentes.. o desequilíbrio espiritual e mental. vingativos e zombeteiros. vemos outros encarnados nas mesmas condições deficientes ou doentias que reagem contra esses pensamentos venenos os.nto reencarnatório.. Nem por isso essas pessoas portadoras de provas expiatórias necessárias deixam de experimentar o ataque psíquico de desencarnados que as querem ver derrotadas. dominem suas vidas. crio u ou se ligou mentalmente a espíritos impuros. Ou não.. E os que continuam se prendem a fantasias inúteis e passageiras. enfraquecendo-se e diminuindo os anticorpos.. enlouquecê-lo. Sebastião ara um ataque covarde. admitindo que e sses espíritos. desencarnam enfrentando a ignorância. não esperávamos a imensa organização espiritual simpática ao líder crue ue tem o intuito de destruir meu pupilo com terríveis tramas e ataques para desequ ilibrá-lo. Ao mesmo tempo. dores. e podem ser usados. enfraquecem. a pessoa que os atraiu. experimentando o que provocaram. fazendo suas células reag irem contra o mal. explicou: Quer dizer que aqueles que não se libertam das ligações mentais inferiores. a pessoa pode não se regenerar totalm ente. permanecem em estado de perturbação por longo tempo. pelo cére ro perdendo a capacidade de concentrar-se e escolher. em muitos casos. mas também não sofrerá como a outra. agregados ao mal. em massa. Não ignoro nada. mas alguns viciados se libertam e outro s não. Depois da pausa. deformam-se perispiritualmente. destroem os órgãos do corpo físico a começar pelos neurônios. mesmo com tantos alertas sobre o perigo do us o de entorpecentes. mesmo encarnando em difíceis condições deficientes ou doentias. Algumas moléstias os atingem por tempo limitado. em extrema infelicidade. com grandes dificuldades. As ligações mentais se tornam mais intensas com espíritos inferiores e certamente os levarão à promiscuidade sexual. a pessoa pode ser capaz de destruir a moléstia. as células do corpo físico s e preparam para recebê-los. Por que elas são venc edoras e outras não? Por que um alcoólatra é capaz de vencer o vício e outro não? O que di zer dos dependentes de drogas que. não reage m e. Encarnado s desse nível normalmente reclamam e a lamentação é uma doença mental de tratamento difícil principalmente na espiritualidade. Essa vingança é injusta. ainda em vi da e até a contaminação virótica. que se tornam vi toriosas! São capazes de superar outras pessoas denominadas normais. É a consciência de cada criatu ra que a castiga. pensamentos enfermos. A instrutora permaneceu em silêncio. sofridos e des gostosos dentro de seu próprio mundo.. comentou: Sei exatamente o que se passa nesse campo. . vírus ou bactérias infectam o corpo físico e nele se multiplicam e atacam. Por outro lado. Em casos de lições expiatórias. essas pessoas podem ligar-se mentalmente com espíritos impuros e vingativos que lhes sugerem di ficuldades. essas fortes sugestões mentais chegam a ter tamanha força. O corpo físico simples mente obedeceu às ordens dos pensamentos do encarnado que. cegá-lo ou levá-lo a atos insanos de difícil reparação.Sem esperar. o medo.Alguns segundos e prosseguiu. meus queridos. Então.. na p rimeira oportunidade. dolorosas de outros espíritos inferiores também tiranos e cruéis. Como se não bastasse. pergu ntando: O que dizer disso? .

por outros espíritos insensíveis e cruentos, como instrumentos a serem como que ima ntados a encarnados, a fim de que esses passem a sofrer os efeitos das chagas de sses sofredores ligados. Outros, ao saírem do estado de perturbação, no afã, na ânsia da a flição extrema, da raiva pelas necessidades impressionantemente desesperadoras por s eus vícios, pelo fato de se encontrarem em outro plano, que é um mundo muito mais re al do que o dos encarnados, juntam-se a grupos de espíritos viciosos, verdadeiros vampiros de encarnados com diferentes experiências viciosas como: doenças, viroses g raves, moléstias, incômodos ou sofrimentos físicos e morais, dependências químicas, fetich ismo, compulsivos sexuais, sádicos sexuais, masoquistas sexuais e muitas outras pa ra filias, ou seja, distúrbios psicossexuais, além de crueldades das mais diversas e tantos incontáveis vícios. Deformados, sofridos e revoltados, esses desencarnados, junto do seu grupo afim, darão continuidade à vampirização de encarnados através dessas li gações mentais. Por que alguns se libertam e outros não? Por que alguns ficam em condições de serem socorridos e outros não?- Ofereceu segundos para a reflexão e novamente questionou: Em favor desses irmãozinhos desencarnados, que sofrem torturas indizíveis, o que pod e ser feito, em termos de trabalho espiritual, para ajudá-los a se reerguerem vito riosos com a bênção de Deus? Não preciso explicar que meu querido Sérgio, encarnado atualmente, procura desenv olver o seu atributo da inteligência com a finalidade de elevar sua faculdade inte lectual e fazer progredir o processo de socorro a essas mentes ainda tão ligadas, dependentes, prisioneiras de espíritos escravizados pelo vício que se inclinam ao ma l pelo estado mental doentio. Respeitável instrutora - argumentou Olívia, com certa timidez, após a longa pausa , desculpe-me a pergunta, mas... Essa inteligência ou a busca do desenvolvimento des se atributo intelectual não poderia ser feito por Sérgio somente na espiritualidade? A inteligência só pode se manifestar por meio dos órgãos materiais. Somente a união c o espírito dá inteligência à matéria animalizada5 , ou seja, a matéria do corpo físico. As dades intelectuais sempre evoluem no plano material. Infelizmente nem todos a us am para o bem, entretanto serão responsáveis por isso. O espírito com elevação moral ampli a ou desenvolve suas faculdades intelectuais e, ao retornar para o plano espirit ual, é capaz de compreender melhor o que aprendeu e vivenciou. Assim torna-se capa z de desenvolver mecanismos ou estratégias usadas para o bem que permitirão o auxílio, o amparo, a melhoria de vida aos encarnados ou desencarnados necessitados daque le benefício. Como exemplo, posso dizer que espíritos grandiosos reencarnaram e acom panharam a problemática de situações hospitalares e de diversos pacientes. Voltando à pátr ia espiritual, desenvolveram mecanismos que, hoje, auxiliam a monitoração de pacient es, o diagnóstico mais rápido de enfermidades, equipamentos de processo artificial q ue auxiliam a respiração e muito mais. Eles agiram e agem no anonimato após o que cria ram e colocaram em prática, influenciando outros encarnados a aprimorarem o que fo i produzido. Grandiosos espíritos agem no silêncio, pois não querem receber seus galardõe s na Terra e sempre agradecem a Deus pela oportunidade de trabalho terreno que au xiliou novas atuações na espiritualidade. A abnegada ministra fez longa pausa. Em seguida Laryel, nobremente, deixou su as emoções aflorarem, permitindo-os conhecer melhor o seu coração misericordioso, replet o de amor aos queridos encarnados, quando seus olhos cristalinos Irradiaram inte nsa luz pelas lágrimas que banharam sua face serena, de beleza suave e sublime, af irmando com generosidade e ternura: Meus queridos... Eu compreendo a preocupação que os invade, pois também sei e sinto o quanto essa tarefa será difícil, podendo deter nossos amados se eles cederem às per turbações obsessivas. Quando Sérgio solicitou tal desenvolvimento de trabalho, que vis ava a uma forma de projeto e resultado de tamanho auxílio a encarnados e desencarn ados, fiquei feliz, mas algo me perturbou o coração. Contudo lembrei-me de que essa sublime criatura, em tempos remotos, prometeu-me amparo e apoio em tarefa de sem elhante oportunidade para meu aperfeiçoamento e elevação. Nos imprevistos daquela jorn ada, ele foi rapaz de dar a própria vida para que eu prosseguisse. Pensando nisso, prometi ajudá-lo em trabalho evolutivo do qual sei que milhões não o querem atuando. Agora encarnado e atuante ao que se propôs, é inevitável que nosso querido Sérgio sof ra grandioso ataque de espíritos inferiores. Não desejam que suas vítimas tenham suas mentes libertas das terríveis ligações mentais. Esses encarnados ou desencarnados volt

ados ao mal, terão dificuldade ou até não conseguirão mais vampirizar como antes os enca rnados que se esforçarem para essa libertação e passarão a viver diferentes, livres. Pes soas que usarem suas próprias energias mentais, reagindo contra os pensamentos dep rimentes, depressivos e viciosos sem reclamações, trocando-os por sugestões e idéias pos itivas poderão experimentar uma vida mais promissora repleta de ânimo, independente das condições expiatórias ou provas difíceis que possam se submeter. Elas não terão mais se s corpos e mentes infectados pelos desejos viciosos, se vencê-los. Não serão mais escr avas de doenças imperceptíveis, limitações prostrativas, deficiências intermináveis, vícios ráticas no mal... Lembremos de que um complexo de aparelhagem para fins terapêuticos e métodos cirúrg icos de última geração, que salvou a vida de muitos, pode não ajudar algumas pessoas. Se ndo assim, logicamente a proposta de Sérgio e de tantos outros encarnados e desenc arnados que se propõem a essa renovação, não é mágica para mudar total e instantaneamente a criaturas desse mundo de provas e expiações. Entretanto, se seu trabalho resultar n o auxílio para libertar a mente de muitas vítimas, aumentando o número de almas que se regeneram, isso é um grande sucesso. Estudando e se aprofundando em muitos casos clínicos, ao retornar para a espiritualidade, Sérgio usará essa elevação intelectual para o desenvolvimento técnico ou um método de minimizar essas conexões dependentes e destr utivas que ligam à mente de um espírito a outro e outros psicólogos espirituais o auxi liarão. No orbe terrestre, profissionais na área da Psicologia Analítica receberão benéficas inspirações e influências de espíritos elevados. Isso com a finalidade desses psicoterap eutas se inclinarem à técnica de fazer uma abordagem da problemática humana além da vida , antes do nascimento, ou seja, serão psicólogos com uma visão reencarnacionista, atra vés de uma Psicologia Reencarnacionista, que é a única capacitada para perceber, de fo rma ampla, verdadeira e não preconceituosa, o indivíduo, pois esses psicólogos sabem q ue podem ter à sua frente um paciente que é exatamente o reflexo do que ele foi num passado distante ou não, por isso vai respeitá-lo e tratá-lo como a semelhante digno d e atenção e auxílio. O amor e a fidelidade profissional e espiritual desses psicoterap eutas transcendem aos limites da matéria e da dificuldade atual, pois estão cientes de que não adianta só cuidarem da consciência atual, é preciso preparar e equilibrar a m ente, o espírito, a alma... A psique. - Observando-os pensativos, avisou: Estaremo s atentos a Sérgio, principalmente por tantas tentações que usarão contra nossa amada Débo ra para desesperá-lo e levá-lo a cometer insanidade que mais tememos. Um simples des vio, uma pequena falta de vigilância e minha querida encarnada será vítima inocente de crueldades indizíveis, humilhantes e não terá como se socorrer, a não ser pela fé e esper ança. - Breve instante e aconselhou: Continuem atuantes, atentos e vamos aguardar. Inspirem seus protegidos. Principalmente você, Olívia. Temo por minha querida Débora, que é o apoio, o incentivo, a sustentação, a inspiração de Sérgio. Sem ela, ele precisará muita força e extremo amparo. O amor verdadeiro que os une ultrapassa os limites s ublimes que muitos desconhecem, e Deus assim os abençoa pela elevação que alcançaram jun tos através de trabalhos úteis de muitas eras. Um profundo silêncio reinou. Toda tranqüila explicação da doce Laryel foi simples, porém chamando-os à seriedade da responsabilidade. Humilde e respeitosa, ela ofereceu generoso sorriso e se ergue u ao ver os dois mentores se levantando. Obrigado, querida benfeitora. Perdoe-me... Não deveria me desesperar - agradece u o espírito Wilson com sinceridade. Sou grata por nos receber - disse Olívia na sua vez. Usarei de toda a força de me u coração para cumprir a tarefa abraçada, inspirando minha protegida em qualquer situação e rogando incessantemente a Deus para que ela atente aos bons conselhos. A ministra Laryel abraçou carinhosamente cada um por longo tempo. Segurando-os na mão, olhando-os com radiante magnetismo, afirmou docemente: Vão em paz, meus queridos. Deus os abençoa. Lembrem-se de que o conhecimento ampl ia a verdade e nos liberta. Agiram corretamente ao virem me procurar diante dos fatos, pois a busca justa por amparo exibe a fé e o amor em todos os aspectos, lig ando nossa mente a esferas mais elevadas e garantindo a pureza de pensamentos be nditos. Tenho certeza de que sairão daqui melhores do que chegaram. E, conforme mi nha promessa a Sérgio, estarei com vocês. O jovem rosto delicado da respeitável Laryel espargiu uma luminosidade sublime

e abençoada ao formoso sorriso amoroso. Os visitantes estavam sem palavras e, naquele momento de despedida, experimen tavam o desejo de ficar naquele lugar superior de vibrações seculares, clima encanta dor e em companhia daquela elevada criatura. Estavam recompostos e revigorados d e energias salutares. Beijaram-na mais uma vez e se encaminharam para uma larga porta com contorno de arco. Alguns passos e Olívia olhou para trás quando Laryel, simplesmente, havia desapar ecido. 13 - O desespero de Rita

Na penumbra do quarto iluminado pela luz baça daquela manhã morna, Sérgio acordou, olhou para Débora que não se movia e dormia profundamente. Levantando-se, foi para a sala onde espiou através da cortina vendo o dia nublado e úmido. Preocupado em não de spertar a namorada, tomou um banho demorado no outro banheiro. Na cozinha preparava um café a fim de que a bebida lhe desse disposição e, enquanto fazia isso, recordava-se da conversa que teve com a namorada na noite anterior. Lembrou-se de que não teve dificuldade para adormecer como vinha acontecendo. Iss o talvez por tê-la a seu lado. Contudo depois de uma hora de sono, acordou várias ve zes com o coração acelerado e a pele suada, acreditando ser pelo fato de, durante a madrugada, ouvir o barulho do vento forte uivando na janela e escutar as folhas e os galhos da árvore roçando o muro da casa provocando estalidos estranhos e isso o incomodou. À noite mal dormida o deixou sem ânimo. Não sentia a mesma tranqüilidade do dia anterior. Sentado à mesa, experimentava vagarosamente a bebida fumegante, sent indo-se apreensivo com seus sonhos. Excepcionalmente, naquela manhã, não tinha qualq uer recordação deles, pois somente sonhos daquele tipo o fariam acordar daquela form a várias vezes. Esses pesadelos estão longe de serem inofensivos e insignificantes , pensava Sérgio com algo de raiva e repugnância contra a experiência. Para mim eles estão começando a se tornarem perigosos. Acredito que o jeito de acabar com isso seja... . Suas idéias foram interrompidas pelo som da campainha. Ao atender, ele sorriu r econhecendo seu irmão Tiago aguardando, parado de perfil. Ao ir abrir o portão, Sérgio ficou sério ao olhar melhor para o rosto do outro, perguntando assustado: Entra logo! Cara! O que foi isso?! - tocando de leve na face machucada e com destacados hematomas, não se conformou: O que aconteceu?! Tiago não respondeu de imediato. Entrando na casa, foram para a cozinha onde, a pós se sentarem, o rapaz pediu: Dê-me um pouco desse café, aí! Servindo-o, Sérgio não conseguia disfarçar a inquietude e a preocupação. Sentando-se à s a frente, tornou a questionar: Você andou brigando?! O que aconteceu? Foi o Marcílio... O quê?! Mas... Como?! Você nunca se envolveu nas brigas deles! E entre eles as co isas são resolvidas aos gritos! O Marcílio a agrediu e você foi defender? Espere, Sérgio! Dá um tempo! Ta?! Insatisfeito, calou-se. Conhecia bem Tiago e sabia que o irmão não era agressivo e não se envolvia em duelos de palavras ou agressões familiares. Após algum tempo bebericando o café na xícara envolvida com as duas mãos, Tiago suspi rou fundo, tirou o boné e mostrou ao outro, dizendo: Olha, foram cinco pontos aqui - apontou sem tocar o ferimento , mais três aqui e dois na sobrancelha. Acabei de sair do Pronto Socorro. Estava bem lotado... Dem orou tanto para eu ser atendido e... O Marcílio fez isso?! - perguntou Sérgio, perplexo. Foi. Você prestou queixa? - tornou indignado. Ora, Sérgio!... Isso o deixaria preso pelo Regulamento Disciplinar da PM e... P uxa!... E meu irmão! Mas ele não se comportou como seu irmão! Olha isso! Já se viu no espelho?!

Espere aí - pediu Tiago. Eu vim aqui pra você me ajudar e não me deixar com mais pr oblemas. - Segundos de pausa e comentou: Não posso aparecer assim amanhã para trabal har. Preciso dar uma explicação e documentar o fato. No pronto socorro eu disse ao i nvestigador que reagi a um roubo e... Sérgio, pense bem... Somos militares e você sa be que o Marcílio está com o prontuário tão sujo que... Se eu prestar queixa na delegaci a dizendo a verdade, ele seria indiciado e preso. Se Marcílio fosse civil, a coisa seria diferente. Mas o fato de ser militar... Será aberto um Inquérito Policial Mil itar e ele será preso pela corporação, cara! O prontuário dele está repleto por comportame nto inadequado! Essa acusação nova pode até levá-lo a enfrentar um Conselho de Disciplin a! Pense nisso! E se ele for expulso por causa disso?! E o que você quer que eu faça? - indagou Sérgio mais brando. Venha comigo até a delegacia. Tenho de prestar queixa ainda hoje. E para lavragem do Boletim de Ocorrência você irá mentir, certo? Sem dúvida. Não posso fazer diferente. Não quero ter a consciência pesada por deixar meu próprio irmão em situação mais complicada do que essa. Isso aqui passa!... Tenho tud o pensado. Direi que saí de um baile quando tentaram pegar minha carteira. Eram do is pivetes, mas com estrutura física avantajada. Eu reagi. Nós nos atracamos. Um peg ou um pedaço de pau e fez todo esse serviço - disse, contando para o próprio rosto. Tudo bem... Vou com você, mas antes come alguma coisa Levantando-se e arrumando a mesa para servir-lhe um desjejum melhor, falou: T enho queijo, pão, leite... Obrigado por estar nessa comigo, cara! Fico te devendo! -agradeceu Tiago com leve sorriso. Mas antes de irmos até o DP, você vai me contar exatamente o que aconteceu. Tiago abaixou o olhar e contorceu a boca, expressando insatisfação. Minutos depoi s, deixou Sérgio a par da situação: ...não agüentei e começamos discutir. Então o socou! - deduziu Sérgio. Não! Longe disso! Quando eu falei alguma coisa referente a nós dois não arrumarmos mulher e filhos nos aproveitando da família... Eu não esperava, meu! Pensei em ir pa ra o meu quarto, mas nem deu tempo! O Marcílio veio feito um bicho pra cima de mim e me empurrou com as mãos várias vezes. Trocamos ofensas. Nós nos xingamos de tudo qu anto foi nome... Ele desfechou um soco e eu desviei, mas... Mas?... O quê? Fiquei com medo de quebrar o cara, né! Além dele não ser como a gente, é nosso irmão. Mas deixou que ele te quebrasse! Não! Tive de pensar rápido, Sérgio! Sou faixa preta. Tenho um treinamento rigoroso no serviço e fora dele! Sou bem diferente do Marcílio. Dei uns pés na orelha dele para enfraquecê-lo, mas sem machucar e tinha a intenção de sair dali na primeira chance. Q uebramos toda a cozinha da mãe. Enquanto isso a mãe gritava, fazendo o maior escândalo . A Ana chegou e aí a coisa piorou. Eu só queria imobilizar o Marcílio, não iria machucá-l o. Não sei onde o infeliz arrumou força, livrou-se de uma chave de braço e arrancou o pé da mesa, que é de ferro, e veio novamente me atacar. Dei um pé no peito dele, mas a mãe se pendurou em um de meus braços e a Ana no outro. O pai me segurou com uma gra vata no pescoço... Foi aí que me danei! O Marcílio me socou e usou a perna da mesa pra fazer todo esse estrago. Não tive como reagir. Tinha medo de machucar a mãe, a Ana ou o pai... Fiquei todo unhado pelas duas e... - Instantes de silêncio e comentou: Foi só isso o que aconteceu. E depois que me viram apanhar o bastante, soltaram-m e. Não sei dizer como peguei meu carro e saí. Fui para o Pronto Socorro. Lá desmaiei e só depois um investigador conseguiu conversar comigo. Daí, falei que era PM. Identi fiquei-me e inventei a história do roubo. Ele queria providenciar uma viatura da P M para me dar apoio, mas eu disse que chamaria meu irmão. Por que não me telefonou, caramba?! Eu iria lá! - irritou-se Sérgio. Não queria te incomodar. Sérgio abaixou a cabeça e esfregou o rosto com as mãos sem saber o que dizer. Naquele instante, Débora chegou à cozinha. A jovem estava descalça, usando uma cami seta do namorado que lhe ficou larga, porém curta. Seus cabelos estavam bonitos co m o desalinho natural, enquanto seu rosto, com expressão de quem acabou de acordar , resplandecia certa beleza encantadora pelo sorriso que se fez ao ver o irmão de Sérgio sentado e reagindo de um jeito diferente.

Tiago mal a olhou e recostou a testa na mesa, dizendo constrangido: Puxa, meu!... Desculpe-me, Débora... - Erguendo o tronco, segurou a fronte com as mãos, apoiou os cotovelos na mesa e comentou sem encarar a moça: Oh, cara! Você dev eria ter dito que a Débora estava aqui. Eu não queria... Pare com isso, Tiago! Qual é?! - interrompeu-o de imediato, expressando meio so rriso. Sem graça, a jovem falou quase murmurando: Bom dia, Tiago! Desculpe-me, você... O rapaz nem a olhou continuando como estava. Aproveitando-se que o irmão estava com a cabeça baixa, Sérgio sorriu para ela e deu-lhe um sinal discreto pelo fato da camiseta usada ser inadequada para aquele momento, por ser curta e quase transp arente. Débora entendeu rapidamente e pediu em tom educado: Só um minutinho... Eu já volto! Logo Tiago encarou o irmão perguntando bem sério, quase irritado: Por que não me disse que ela estava aqui?! Puxa, cara! Qual é, Tiago?! Você é meu irmão! Não tenho nada para te esconder. Mas ela é sua namorada! Já devo ter atrapalhado o bastante! - disse levantando-se . Sérgio foi rápido, segurou-o pelo ombro e braço, pedindo: Você nunca me atrapalhou. Sente-se aí! Solta... - gemeu. Ta doendo muito!... Desculpa. Senta e fica tranqüilo. Assim como você, ela não sabia que tinha alguém aqu i. E eu não vejo qualquer problema. - Sorrindo, avisou: Acho bom se acostumar com a presença dela nessa casa! Tiago sorriu e, apesar de sentir-se um tanto envergonhado, perguntou: Está levando esse compromisso a sério mesmo, né?! Estou sim, cara! - Confirmou, ao sorrir de um modo apaixonado, quando revelou : Adoro essa garota! Ela me dá segurança, de alguma forma. Seu jeito, seu modo de fa lar... Ela é muito legal! Não parece essas minas fáceis que têm por aí. E muito educada... Es ou torcendo por vocês! E feliz por ter uma cunhada decente! - riu. Débora retornou à cozinha vestida com suas roupas. Comportando-se como se nada ti vesse acontecido. Sorridente, aproximou-se de Tiago, curvando-se para beijá-lo e c umprimentá-lo: Bom di... - interrompeu o que dizia ao olhar melhor o rosto que tentava escon der com o boné. Assombrada, exclamou: Meu Deus! O que aconteceu, Tiago?! Trocando olhares com o irmão, Tiago não sabia se ele gostaria que ela soubesse qu e aquilo era o resultado de uma briga de família, dissimulou e riu ao dizer: Já te contei tudo, Sérgio. Agora vou comer porque estou morrendo de fome. É a sua v ez de explicar o que houve! Ainda alarmada, Débora se curvou, tocou suavemente no rosto ferido, puxando-o p ara ver o outro lado da face e olhou os pontos na cabeça quando o rapaz tirou o bo né. Não querendo perder tempo nem assustá-la, Sérgio resumiu: O Tiago se machucou em uma briga. Foi medicado no Pronto Socorro Público. Vou a companhá-lo até a delegacia para fazer um B.O. Depois iremos ao Hospital Militar, po de haver alguma fratura e... Somente o médico da PM pode dispensá-lo por alguns dias por suas condições físicas. Ele não pode trabalhar assim. Acho que tive alguma torção no tornozelo. Veja como está! Meu Deus! - exclamou a jovem não acostumada a ver pessoas feridas. Somente um m arginal para fazer isso! Cachorro! Safado! Sem-vergonha! -protestou ela, indigna da. Os irmãos quase caíram no riso, ao se entreolharem, e Sérgio avisou: Faça companhia a ele, Débora. Vou me trocar. A moça procurava ser gentil com Tiago, que se mostrou bem satisfeito pela solid ariedade. Enquanto isso, no plano espiritual, Lúcia os rodeava com vibrações extremamente inf eriores. Bem ativa, ela procurava envolvê-los em laços de simpatia recíproca e sentime ntos além da amizade. Com o auxílio das energias de Sebastião, Lúcia provocaria o perigo

Aquilo não estava em seus planos. Débora experimentou um vazio imenso. Eu não esperava. retornou à cozinha e permaneceu parado sem ser visto. o serviço.confirmou. Sem que os perseguidores esperassem.pediu com simplicidade. Assustei-me por vê-lo machucado. Estou me sentindo tão mal com a situação e como tudo aconteceu que. Novamente Sérgio deu grande atenção àquela atitude ficando insatisfeito. Vamos . . levantando-se e indo para a sala. Você prepara o almoço para nós? . beijaram-lhe demoradamente o rosto enquanto a abraçava e se despediu: Tchau! Qualquer coisa liga para nós.. . Qualquer coisa. envergonhada. pois ele ad orava vê-la reagir assim.pronunciou com doçura na voz e no sorriso. Sabe que não sou boa para cozinhar e. por isso abaixou a cabeça imediatamente a fim de não repararem em seu olhar que o denunciaria. me liga. ta! Eu também te amo muito! . Só vou atender o telefone se f or você. A propósito. Um desânimo tomou conta do rapaz que se arrumava vagarosamente. Levantando -a do chão por alguns segundos para vê-la rir gostoso como sempre fazia. para Sérgio.sussurrou ele. Eu. Não quero sair nem falar com ninguém. interrompeu-os ao chamar: Vamos. sorrindo com ternura. afagava-lhe o rosto com cuidadosa ternura e be lo sorriso enquanto dizia: Isso vai sarar logo.perguntou com certa decepção.perguntou Thiago diante da demora. Débora. O namorado sentiu-se esquentar.. Falaram em tons baixos e envergonhados. Ele saiu e alcançou o irmão.. Sei que você quer que eu esqueça o que aconteceu. per cebendo-os conversando em voz baixa. Darei um jeito . não es perava ficar longe dele justamente naquele dia. Você não estava preparada para visi tas e tem o direito de ficar à vontade.. .. Suspirando fundo. Tiago? É. perdoe-me por vir aqui sem avisar. Tiago!. Sérgio reagiu e afugentou aquelas idéias inf eriores considerando que ela foi pega desprevenida e o irmão estava somente sendo educado. aquilo soou co mo algo meigo.. Entretanto. beijou-a apaixonadamente. Mas quero ficar sozinha um pouco. Desculpe-me você por eu aparecer daquele jeito. abaixada perto de Tiago.. Quando est ava pronto. O casal foi até a sala e Débora contou para dissimular: Fui demitida ontem. Todo esse tempo morando sozinha e não se deu ao t rabalho de aprender?! .Vir ando-se. Depois sorriu e declarou murmu rando: Te amo. Débora. Para ele. Ei?! Algum outro problema além de mim? . Ta bom. foram fazer o que precisavam. Débora se aproximou de Sérgio. Outras idéias surgiram e a jovem s e decepcionou por ele pedir que preparasse o almoço sabendo que ela não conseguiria. ontem.murmurou.. Tudo bem. Sinto muito ... sobre me u pai. Mas. Juntos. Queria que Sérgio estivesse a seu lado. Imediatament e repudiou qualquer pensamento ao abraçar Débora com força e demoradamente. Ele mudo u de idéia e não queria acompanhar o irmão.. querendo que ele reagisse passionalmente contra Tiag o e Débora. a impressão foi de que o irmão não se esq ueceu da aparência sensual de Débora vestida daquela forma. Sérgio.falou baixinho e desapontado. Vai ver! Quando me olhou. Vou ficar aqui. pedindo: Você me liga? Ligo .so segmento de ciúme em Sérgio.. indo além das desculpas educadas. Não estava acostumada aos serviços domésticos e isso a magoou.considerou Tiago que se aproximou. pensou que tivesse visto um monstro .. foi à direção da porta para sair. Débora e Tiago pareciam bons amigos e nunca percebeu qualquer tipo de ati tude ou olhar com outras intenções. * * * ... Não.. terno.disse desanimado.brincou ele.

lamentou incrédula. est ava determinado a dar seu apoio. Estava demorando muito. Os amigos ajudaram na pintura. Sua amiga Rita também não dava sossego a ela e Sérgio nos últimos tempos. Os amigos contam que o Rogério. meu bem! Estava esperando você ligar! Então por que não atendeu a Rita?! Como assim?! . ao consultar o visor. Olha aqui. outra ligação. sua melhor amiga.ela perguntou. .então. levou-o para a beirada também. irmão de Rita e Gustavo. Dessa vez era Sérgio e ela at endeu imediatamente: Oi. que estava junto. Tudo bem? Lógico! * * * Almoçaram a refeição que Débora havia comprado. Agora. outros pensamentos a invadiam. O Gustavo se afogou.. A Rita me ligou. con heceu Rogério. Mesmo depois que a colega ficou noiva de Gustavo.. mas nunca tive oportunidade de acompan há-los. Não era de seu gosto que continuasse assi m. seu orgulho prevaleceu ao decid ir que não ligaria para ele. Disseram que tentaram fazer respiração artificial. Eu tenho o direito. a jovem atirou-se nos braços dos amigos e não parava de chorar. o celular tocou e. quase irritada. mas não compreendi se foi socorrido ou. Ponderado. mas Tiago não aceitou ficar na casa de Sérgio.. incluindo João e sua noiva. que to mavam algumas providências.O homem fez breve pausa pelo do loroso relato e prosseguiu: Eles nadavam bem. ...reclamou triste.. Ao reconhecê-l os. Algum tempo depois. nadou para longe da margem. Invadida por uma forte onda de tristeza e decepção.. Falou do Rogério. principalmente.. Não entendemos como! . O Rogério começou a se debater. seu noivo... irmão da Rita. Levaram os dois para o pronto socorro da cidadezinha e o médico constatou que estavam mortos. em choque e sem noção. avisou: O Gustavo faleceu. Você deveria tê-la atendido! Mas. sempre os procurava por algum motivo ou para conversar. fi cou abraçada à Débora enquanto Sérgio e Tiago souberam de toda a tragédia através de uma co versa com um tio de Gustavo.. pois acredi tou que Tiago tiraria sua liberdade naquela casa e não poderia ficar mais à vontade. O outro amigo. Antes mesmo de o namorado deix ar aquela casa pronta para morar.. uma vez que os irmãos eram bem unidos.. Eu sei . Não tenho esse direito É nossa amiga. Sérgio. Ela havia saído.. mas Débora queria fica r sozinha com o namorado.. Quando o encontrou .dizia chorando. Ao encontrarem Rita junto da família de Gustavo e dos parentes do rapaz. O Gustavo e um outro amigo pularam na água e foram até ele. Débora. Eu não quero conversar com ninguém. Eu não entendi direito o que el a falava. Sérgio . Disser am que o chamaram. Vou passar aí. Como aconteceu?! A Rita estava desesperada. conse guiu tirar o menino da água e voltou para buscar o Gustavo e. O Tiago fica e nós vamos ver a Rita.. Pouco depois. Ainda sofria e se preocupava com a demissão e não gostaria de falar a respeito.pediu rápido. comprado o almoço e os esperava. Ele me convidou... Débora. deixando o aparelho disparar diversas vezes. Tornaram-se amigos. Não. mas o menino gritou dizendo que estava passando mal. mas parece que foi afogamento. arrume-se. Contaram que. juntou um grupo de oito rapazes e foram pescar nessa represa que fale i. ma s nada adiantou. Débora verificou que e ra Rita... pedir socorro. Ele era um excelente nadador! Não apresentava pancada na cabeça ou em out . Impregnada por uma sensação desconhecida.. Disse que tentou falar com você várias vezes e.Bem mais tarde. .. Achou que Sérgio já deveria te r voltado. viram a amiga completamente transtornada. O Gustavo e os amigos costumavam fazer isso sempre.. espera! .. Era sábado e provavelmente Rita ligou para se encontrarem. mas depois tudo era festa. Eles tin ham comido e bebido também. de repente. a jovem não quis atender. Ficavam até altas horas.. o Gust avo afundou perto do Rogério e desapareceu.. Apesar de bem machucado e uma tala no pé ele queria ser solidário.avisou Sérgio. Além desses. durante o tempo em que ajudou o i rmão na pequena reforma e pintura daquela residência. Afinal. ali se tornou um verdadeiro lugar de reunião.

Moço. chamou-o para junto de si. Vamos dizer. o Tiago tem razão .perguntou Sérgio..disse Sérgio. O menino tinha comido lanche que levaram e. Tiago a separou do abraço com Débora.. mas em seu íntimo nã acredita no acontecido. Rita olhou por muito tempo o rosto. Era a única família que a Rita tinha. pois viu e teve a certeza d e que era o seu irmão que estava ali..explicou Tiago.. É ver meu irmão. por isso sei que o Rogério não está com a aparência que tinha antes.. olhou-a firme e pediu: Procure prestar bem atenção no que vou te perguntar. . Suas lágr imas pareciam infindáveis. o amigo argumentou bondosamente: Você não precisa se aproximar mais só porque viemos até aqui. A causa de sua morte foi por congestão cerebral. Fu-turamente sofrerá bem mais para. você não imagina como o corpo do menino está alterado. eu sei exatamente como está...Ela engolia os soluços. aproximou-se chegando bem perto e observou o irmão. pegando em sua mão e conduzindo-a p ara outro setor do hospital.murmurou. Venha comigo . Tudo bem. Depois vomitou um pouco... perguntou como se implorasse: Tiago. A única coisa que. Calma . ficou vermelho e roxo. Não ficará sozinha.. virou-se rápido e abafou o choro. Rita. Ela o amava! Não é justo impedi de ver o irmão pela última vez. Não suportand o. Porém eu acredito que... Fique tranqüilo. Mas não vão deixar vocês entrarem no necrotério. .concordou Sérgio. Mas se ela vir o irmão porque deseja.A moça acenou positivamente com a cabeça e e le questionou com brandura e piedade na voz baixa: Rita.. Não deixamos a Rita vê-lo e o caixão terá de ser lacrad o ..interferiu Tiago novamente. não quero vê-la dese sperada. mas.. p erguntando baixinho. Acreditando que a jovem estava indecisa... Então se levante. irmão da Rita. Estendendo a mão para Tiago..pediu sério ao sussurrar. Isso é o aumento do sangue nos vasos do encéfalo .indagou Tiago firme...contou o senhor.. você quer ver o seu irmão? Quero! Lógico! Calma . solicitando ao responsável do setor.. Vou acompanhá-la . aceita r isso e conviver com o fato sem tanto desespero. Erguendo os olhos negros e lacrimosos ao amigo. Quer voltar? Não... Tudo bem. Caminhando lentamente. mas..pediu Tiago. também se afogou? .. talvez despreparada. É bem provável que agora a Rita esteja chorando a morte do irmão. Veja bem.. Controle-se. se esta é a sua vontade.ra parte do corpo. pouco tempo depois. Perdoe-me. gritando ou fazendo escândalo. Essa afluência a normal do sangue talvez tenha ocorrido pelo excesso de movimentos físicos. Mal o conheço. Entendo que querem poupar a Rita dessa c ena. será mais fácil para a Rita trabalhar essa perda.. . foi nadar. O Rogério é irmão dela. .murmurou com lágrimas correndo em seu rosto. Fez um escândalo pra isso.Interrompendo-o.avisou decidido indo à direção de Rita. Mas terá de ser bem forte e se controlar. Ela quer. abraçando Tiago com toda a força.. após ter-se alimentado muito. Os colegas contam que o Rogério chegou vivo e respirando mal. Educadamente identificou-se como Policial Militar do Corpo de Bombeiros e gen tilmente. por alguns segundos antes de lacrarem o caixão.pediu generoso. senhor. . você tem o direito de vê-lo pela última vez. Tiago decidiu : Então ela vai vê-lo. Vou acompanhá-la. É. contornou a gaveta como se o analisasse.. A Rita quer ver o irmão? . Feio! Acredite... com a voz rouca: Posso tocá-lo? Pode. Frente à gaveta aberta onde estava o corpo de Rogério. acalmando-o. E o Rogério.. ela se deteve alguns pas sos antes. Tiago conseguiu levar Rita ao necro tério. Ele vai conseguir . você sabe que sou do Corpo de Bombeiros da PM e já trabalhei com esse tipo de ocorrência. Quanto a isso. Que quero. Rita acariciou levemente a face do corpo de Rogério com terno amor. enqua nto ele secou-lhe as lágrimas com as mãos dizendo calmamente: Rita. Perto de Rita.. no caso da natação. Veja bem. Pode rezar aqui? .. Roxo.

Será doloroso voltar aqui novamente para o enterro .respondeu dissimulando.Encarando-a. mas estava exaurida de forças.. tocando o vidro como se lhe fizesse um carinho. Sérgio a seg urou a tempo antes que caísse.. que olhou e ofereceu leve sorriso.tornou Tiago e quanto ao Gustavo?.falou Sérgio. demorou um pouco até chegarem perto da amiga . Rita sentiu-se atordoada e dominada por uma fraqueza que não sabia explicar. vá até lá e diga que a Rita nã passando bem e que vamos levá-la. A jovem acomodou-se numa cadeira.. pediu: Débora. não teve forças nem para falar. chorando. Débora foi a primeira que segurou em seu braço. Não seja manhoso . O amigo acenou positivamente e juntos. Tiago reclamou: Não estou agüentando meu pé. . Ele a acompanhou e alguns familiares do rapaz se aprox imaram para saber como a jovem estava. Isso não é nada.opinou Sérgio. a moça mantinha os olhos fechados ao murmurar: Quero ir embora.Débora ia dizer e foi interrompida. Seu limite de força acabou! Chega! . Vez ou outra uma lágrima corria-lh e na face pálida. Não quero ver mais nada. olhou-a nos olhos e perguntou: Rita. Rita perguntou atordoada: O que aconteceu com você? Por que seu rosto está assim? Foi um acidente na noite passada. * * * Durante o velório em que os caixões foram postos um ao lado do outro. caminhou alguns passos com lágrimas brotando t ristemente de seus olhos. levando-a para longe do velório a fim de que pudesse respirar. Olhando para o irmão. Seu pé está enfaixado. porém ela não chorava. Procurou a amiga Débora com o olhar.. Não havia perdido os sentidos. Mesmo estando longe. A jovem decidiu que era o suficiente. Rita saiu do necrotério vagarosamente como se precisasse daquele am paro para caminhar. Depois ela afagou novamente aquela face fria como um sin al de despedida. . Gente. mas não conseguia vê-la. Mas isso não importa mais. Débora não questionou e obedeceu. . Sentada em u m banco frio de cimento. vamos respeitar! . temos de concordar! .avisou piedoso. A Rita já viu e acompanh ou o que precisava. sussurraram a prece que o Mestre Jesus ensinou. Se é o que ela quer. Olhando-o de maneira indefinida. Não vou voltar. mas não tinham coragem de questioná-la.Virando-se para a outra. tornou a sentar junto aos outros. ele a fez parar. abaixou o olhar e nada disse. Observando os caixões e os demais a certa distância e por longo tempo. enérgico. . podendo ver um homem alto e corpul ento perguntar a Rita: Me disseram que viu teu irmão.. Foi só uma torção. . Ela parecia anestesiada e não chorava em desespero como antes. Amanhã explicamos que a não passou bem e por isso não pôde vir..interferiu Tiago. Sabe que o caixão do Rogério será lacrado e sem visor? Sei. Antes de chegarem perto dos demais.. Você me acompanha na prece do Pai Nosso? tornou falando bem baixinho. Não dê mais explicações além disso. Instante em que a jovem recostou a testa no ombro de Débora e sentindo suas pernas dobrarem. você está bem? Acho que sim. Mas Rita!. Envol vida pelos demais.Rita sussurrou chorando. Sérgio comento u ao perceber: Vamos lá! A Rita não está bem! Pelas pessoas amontoadas em volta. e ele fez-lhe um afago piedoso de solidariedade. perguntou brandamente: Rita... Abraçando-se fortemente à cin tura de Tiago..Bem baixinho ...tornou Débora. Rita .. você está bem? Ela o abraçou. afastou-se um pouco para dar lugar à mãe do rapaz que não continha o de sespero. olhando novamente para Tiago. Logo. Não deveria ficar andando. Parando. Seu rosto sério aparentava nítido sofrimento. Rita chorav a ao ver parcialmente a face de Gustavo. né? Rapidamente o homem se foi. praticamente. Já o vi.. você que conhece melhor a família do rapaz. Ele ficou horrível.

falando baixinho e educadamente: A Rita passou o dia inteiro no hos pital. Ajude-a tomar um bom banho morno. em um sono profundo.Terapia de uma evangélica.falou sorrindo. ex-espírita Por tanta dor e tristeza. o irmão sorriu com jeito maroto ao perguntar: Quer a minha ajuda para tomar banho e poder relaxar? Cai fora! Ta me estranhando?! Então vai tomar um banho . No outro quarto tem uma cama de solteiro e será melhor o Tiago ficar lá por causa desse pé. foi ao necrotério. Claro! . Vocês dois poderiam ficar lá com a gente! Parando frente à namorada. não sabia onde estava. Num impulso. ao seu lado. Olhando-se. * * * Na casa de Sérgio. Precisava ficar atento para a segurança de todos. Fico no sofá! Não! Deixa disso . Vai lá! E não de a porque estou louco por um banho. Remexer as lembranças era algo em vão. 14 . Eu fico por aqui. Vocês duas podem dormir juntas na cama de casal do nosso quarto. Tiago puxou Rita para que se recostasse em seu ombro. Enquanto isso. não só pela necessidade de uma boa higiene. mas ainda parecia contrariada e Sérgio explicou: A Rita pode precisar de algum socorro e será difícil você fazer isso sozinh a. Pegando das mãos de Sérgio as bolsas com as roupas da amiga.aproximando-se e apoiando em seu ombro para levantar o pé enfaixado do c hão. Rita recostava a cabeça no vidro lateral do carro e parecia indiferente ao que acontecia. Olhando para Tiago. Débora? . vou fazer um chá para tomarmos a ntes de dormir. com ela nessas condições? . Tiago. explicou. Débora a levou para o quarto ajudando-a no que precisava. mas sem brincar. Somente ao amanhecer mergulhou. sua memória n ada dizia.ele replicou. Olha como está inchado! . por algumas horas.*** Era madrugada quando Sérgio parou o carro frente à casa de Rita e pediu: Tiago. sorrindo ao estapeá-lo as costas. Tem uma boa cama naquele quarto. tentando acalmar a discussão e pediu gentilmente: Débora . levantou-se atordoada e acreditou que estivesse sozinha. olhou-a por um instan te. q ue procurou sair dali o quanto antes. ele suspirou fundo e indagou quase com ironia: Onde dormiríamos. Ela sentou-se no banc o dianteiro e virou-se penalizada para ver a amiga. Débora discutia com o namorado enquanto entravam. Aqui podemos ajudar melhor. Saindo do quarto. mas na sua mente tudo era bastant e confuso. Vou pegar uma roupa minha para você usar. entrando no veículo. caminhou lentamente com os pés descalços pelo corredor .tornou ela. hein! Pode deixar! Sentando no banco traseiro. Aqui na sala tem um ótimo e c onfortável sofá.prontificou-se bem disposta. Pegarei algumas almofadas para colocar esse pé para cima.. mas para que ela relaxe um pouco. Após devolver a arma ao irmão. percebeu que vestia o seu pijama. Pode deixar.Ela não respondeu. A o despertar. Por que não dorme no outro quarto? . Fique esperto.tornou Sérgio. No chão?! Puxa! Não viu que aquilo é um escritório?! Tiago os interrompeu. fique com a minha arma. mas não fez nada. Sérgio e Débora retornaram. Rita não conseguiu dormir nas primeiras horas após se d eitar. Tiago havia acompanhado Rita até o sofá da sala e Débora reclamava: Devia ter nos levado para o meu apartamento! E deixar vocês duas sozinhas. depois ao velório.apontou. Vou entrar com a Débora para pegarmos algumas ro upas.. Rapidamente.

.... .chorou. Tiago propôs: Venha. Sérgio. Sem compreender o motivo do sentimento abrupto que o invadiu. Paciente.. Sérgio a abraçou com indizível piedade. Rita só os olhava.. pois duvido que comeu alguma coisa.Vendo-a obedecer. chorando . Com olhos bem inchados pe lo choro do dia anterior.e uma chama acendeu em sua consciência ao reconhecer que estava na casa de Sérgio. .. nada especial! Temos tudo aqui e o que não tinha em casa eu acabei de comprar. acabando de entrar e presenciando a cena. gemendo e às vezes gritando. Sérgio. Sérgio entregou para a namorada as sacolas que tinha em mãos. Fazer o almoço? Algum problema? . A amiga o agarrou com força.. dizendo: Desculpe-me. preocupada. perguntou preocupado: O que aconteceu? Ela chegou à cozinha assim. Ela é minha amiga. pediu com brandura no tom g rave da voz firme: Rita. fizeram-na sentar e Débora acomodou-se ao seu lado. contrariado. viu Tiago e Débora pararem de conversar.. tudo bem? Ela não sabia responder. eu também estou atrapalhada. perguntando ao tocá-la: Rita. sentida. Acomodando-se ao lado da colega. Já reconheceu isso? . Deve estar em choque . Além do que. Na espiritualidade uma densa vibração inferior era imposta de forma asfixiante pa . Tem a Rita que provavelmente estej a bem fraca. mas bem esmorecida. Agora vamos preparar o almoço. É coisa simples.. . Vendo-a em pranto. Quando as lágrimas brotaram em seus olhos negros.ela titubeou olhando-o de modo indefinido. que ainda estava parada com as sacolas nas mãos.tornou ele. Sérgio falou: Essas sacolas deveriam estar na cozinha . Acompanhando-o.. Você está na minha casa. minha amiga.Breves segundos de silêncio e a beijou na cabeça. fazendo-a se levant ar automaticamente. Eu. Todos estamos tristes e nervosos. Vamos ali para o sofá.. Débora? Nada? . Eu também me sinto muito abalado . pedindo ao irmão: Sente aqui e fique com ela. ela comentou: Você não disse nada. parecendo procurar nos resquíci os da memória algo que justificasse aquele momento. correu em sua direção. pegando-as das mãos da namorada que pareceu tomar um susto. . Ai. Sérgio!. você sabe por que está aqui? A moça permaneceu petrificada por alguns minutos. uma cruel avalanche de recordações infinitamente tristes invadiu velozment e o vazio de sua consciência. el e suspirou fundo e se virou indo para a sala ou. Sérgio reconsiderou e dei-lhe um abraço. Seu rosto estava pálido.. olhe para mim... Eram nossos amigos. C hegando à cozinha.tornou quase sussurrando.. A crise durou longo tempo. . Não muito bem. Débora? É que. Após cer to tempo. Havia um vazio em sua mente. Diante disso...começou a chorar. ele a afastou de si. questionou estranhando: Q ual o problema.A jovem balançou a cabeça afirmativamen e e ele indagou cauteloso ao segurar suas mãos com bondade: Rita. iria discutir co m a namorada. Vamos? Precisamos ser rápidos! Eu te ajudo. Nem rápido.murmurou com dificuldade para se expressar. ela soltou um grito de dor e desespero. . Débora estampou uma expressão estranha no rosto assustado ao perguntar: Eu!. express ando um grande esgotamento físico e mental. Você não sabe cozinhar nada. ta? Ontem à noite não nos alimentamos direito e.. Rita ergueu o olhar fixando-o em Sérgio. Sem dizer nada .Brando. Levantando-se e olhando para Débora.. Com o inchaço na face pelo choro excessi vo e a boca levemente entreaberta. afastando-a de si ao dizer: Temos de ser fortes e continuarmos com a vida..reclamou moderadamente.. A amiga levantou.explicou Débora..supôs Tiago. ajoelhado frente à Rita. provavelmente.. Conduzindo-a vagarosamente. . Sérgio aguardou que o cansaço pelo esforço febril do desespero a dominass e. perguntou: Sabe quem eu sou? Sei. Tiago assim o fez e ficou ao seu lado.

Nunca se importou . Na cozinha.. el e a animou: Então vamos lá! Eu cozinho melhor do que ele! E se você quiser ser ótima nisso. sorriu em seguida.. terá o melhor mestre! Vamos mostrar pro Sérgio que você é capaz! A moça sorriu.. E sempre ele quem cozinha. é sério e muito comum! . Eu entendo! Não se desculpe.. sorrin do.. sem olhar o co lega. Controlando-se. ao vê-la chorando. tenho alguns pacientes especiais que tenho de entender..abraçou-a para acalmá-la. Somente quando o amigo João riu.. Caramba! Sei lá mais o q uê! É só olhar na geladeira! Tiago percebeu-o nitidamente nervoso e. Estava tão concentrado em uma pesquisa que. perguntou tranqüilo: O que aconteceu. Já os analise i muito. Sérgio assumiu uma postura mais receptiva e. O que é prec iso fazer? O básico. Trata-se de um distúrbio de personalidade6. De onde estava.. Na primeira análise. .. Por que está assim irritado? . o distúrbio de personalidade limítrofe. virando-se para Tiago. Chegando ao outro cômodo. sempre comemos fora ou fazemos pedidos. temperar e fritar alguns bifes. Compenetrado n o que fazia. fazer uma salada e.. * * * Dias haviam passado. lavar a alface. e ela aprende alguma coisa. Tiago! Nem isso ela procura aprender! Arroz.. A princípio era sempre eu a ter de extrair um assunto.. falando bem baixo. amarrou um em si e outro na cintura da jovem. mas Sérgio se controlou... Sérgio conseguia ver o que acontecia na cozinha muito atento na disposição alegre de Tiago e em sua capacidade de tranqüilizar o clima tenso de pouco antes. Não sei cozinhar direito e. pensei que fosse um c aso de Boderline. olha ndo-o. sentou rápido e com olhos ávidos comentou: Que interessante! Estou com dois casos que podem ser semelhantes.tornou.ra que brigassem. .. Boderline. secou as lágrimas enquanto Tiago se apoderou de aventais e. de repente.destacou João silenciando a seguir com grande expectativa para que o outro prosseguisse. os tomates. Vamos lá! Continue para eu ter certeza dos embasamentos. com ce rteza! O curioso é que não se enquadra em um único distúrbio.Ele sorr iu de um modo engraçado ao anunciar: Acho que acabei de matar a charada! João sobressaltou. a jovem contou: É que eu. sem fazer mais perguntas. mas resulta em algumas com binações entre as várias dos mais significativos distúrbios de personalidade. Desculpe-me. No decorrer da terapia realizei testes. Quando não.. Bem. Débora? O que foi? . Chorando em seu ombro. Perguntas e.. O Sérgio sabia disso. Sérgio. Sérgio comentou a título de trocarem referências e conhecimentos: Tenho um caso me intrigando. deixou-o co m Rita e foi à procura da namorada do irmão.. Ou ele prepara um lanche . Sérgio estava em seu consultório e folheava alguns de seus livros. .. mas... Ela não se esforça para aprender nada! Ontem foi mais fácil comprar o almoço pronto d o que tentar fazer! Calma.Acomodando-se folgadamente no divã. Um sentimento amargo de ciúme despontou no coração opresso de Sérgio que usava todas as suas forças a fim de afugentar o que experimentava. Bem. É questão de tempo. ele quer que prep are um almoço!.... não deu atenção ao vulto que entrou na sala e parou perto do divã em silêncio . O que está pesquisando? Atitude comum entre profissionais responsáveis que não se deixam dominar pelo org ulho ou arrogância. perguntou: Por que você e a Débora não arrumam um tempinho para irem ao centro e spírita? Você já viu como estou sobrecarregado? Além disso.. Tiago quase riu ao entender por que Sérgio havia se zangado. Eu ajudo. ele pediu sem rodeios: Você é capaz de ajudar a Débora lá na cozinha?! Lógico! Mas..

exibe um estado eufórico.Antes de o outro interrompê-lo .João desconfiou com inquietação repentina.. chega de aulas! .. ficou sério ao comentar: Tenho em mãos um caso sério de distúrbio de personalidade anti-social! Todo o contexto se resume pelo fato de ela chegar aqui ao consultório com o propósito de mascarar seus sentime . Fazem projetos. depe ndência dos outros para tudo.. Sérgio completou: Eu sei que o distúrbio de personalidade pode variar de pessoas e xcêntricas inofensivas a pessoas assassinas. S erá que temos a mesma paciente?! . O que a leva a contradições . aí! Essa paciente não apresenta uma regra normal de boa conduta. das amigas. pediu bem interessado: Chegue aos fatos. a mania. Sem apresentar estresse ou qualquer expressão emocional. foi o que acreditei pelo temperamento instável. Os maníacos normalmente têm uma auto-estima muito inflada. E qual o relato mais chamativo no caso que você cuida? Primeiro apresentou insegurança por não saber o que quer da vida e queixa das dec isões tomadas das quais se arrependeu ou foram experiências autodestrutivas. Acreditei poder tratar-se de uma pessoa eufórica e não impulsiva. a presentou-se verdadeira. Começou a contar experiências impulsivas. Com o decorrer do tempo. Então. impulsividade e o desejo d e controlar as pessoas à sua volta.. diz não se arrepender! Us a uma aparente timidez para ser atraente.falava. passou a falar muito. Tímida.João riu ao responder. Esse distúrbio de humor. Sérgio.. vergonha. Em seguida. Apresentando-se vagarosa mente como uma mulher inteligente e interessante. Não! . Um é adolescente e a outra tem vinte e seis anos. a pessoa pode apresentar agressividade e à medida que aumenta sua autoconfiança aumenta sua hostil idade. Entretanto nas terapias seguintes a paciente a presentou nítidas características de distúrbio de personalidade dependente.avisou sorridente e revidando ao amigo o que ouviu dele p or diversas vezes. Procurei ser mais reservado e deixei que falasse. Relatou costume de impulsos autodestrutivos para manipular e controlar os que estão à sua v olta. Em outros comentários se contradisse ressaltando sua timidez. Sérgio . traçam me tas.. Terminei . do marido.Sim. pois ela assume mentir e. vem o período de depressão. por favo r. mesmo sabendo que não é certo. frias e calculistas. demonstrou-se dependente para tudo e autodiagnosticou-se com depressão. fazendo com que as reais características do transtorno de personalidade emergissem! Incrível semelhança! Deparei-me exatamente com dois casos e um é de uma mulher. eu me surp reendi com comportamentos que me levam a crer em um distúrbio de personalidade ant i-social! Lógico que eu considerei o fato de ela revelar tantos detalhes. Sabemos q ue a influência familiar.. E eu me aprofundei nisso! Não me dê aulas.. depois de várias sessões. Ah!.. Demorou muito para eu te r sucesso na extração de relatos minuciosos. . No entanto senti algo estranho quando a presentava satisfação a me ver interessado sobre algum detalhe e era aí que ela o omit ia.. Sem mencionar nomes. o ambiente social e difíceis experiências de vida devem ser bem considerados em razão de seu conceito ter grande importância para uma boa análise. Falava de um pavor de ficar sozinha ou ser rejeitada. podendo chegar ao extremo de tornar-se irascível ou violenta. mãe de uma moça de vinte e um anos e um garoto de dezesseis. No estado maníaco. essa paciente contou que tem o dom de manipular situações e pessoas para seu benefício ou em favor do marido. São casos bem sérios! Terminou? . sol teira. nas quais eu não confi ei. falante e a pessoa se distrai facilmente.descartou João... . Depois desse período eufórico. sanguinárias. Calma. por ter adquirido confiança e. o distúrbio de personalidade anti-social é um dos mais estudados por razão da complexidade que o acompanha. os quais me levaram a essa conclusão. Não toma dec isões sozinha. casada. Não me s urpreendi quando.sorriu. quarenta e seis anos. Você considerou tratar-se de um caso de distúrbio bipolar? O período entre a mania e um estado depressivo bem diferentes. o outro psicólogo comentou: É uma mulher. A princípio a paciente chegou aqui com queixa de muita tristeza. mas abandonam as idéias pela falta de disposição. Estou surpreso com as exposições. Pessoas que exibem esse distúrbio podem ser prejudi ciais a elas mesmas e aos outros sem qualquer remorso.. Em seguida.Sérgio perguntou bem sério. misteriosa.. repentinamente. quando foi interrompido. sem que eu interferisse e caiu em várias contradições. só confia na opinião dos pais.

também começou a colaborar com as subtrações das mais diversas formas. trapacear. Arrogante e invejoso. com típico distúrbio de personalidade narcisista. mentiras e muito mais. Provavelmente isso a levou a casar-se com o primeiro homem que a aceitou. como: mentir. a princípio. o caráter e a dignidade de uma pessoa falam mais alto. O medo de ficar solteira a aterrorizava. Aprofundando-me em suas experiências de vida. pois ela contava ao esp oso exatamente o que sabia a respeito dos outros. Calma! Não terminei! .ntos. Ele começou a trabalhar. e logios etc. O marido a acompanhou. Nunca! Sabia induzi-los pela influenciarão com palavras que lhes entorpec iam e cegavam. como ela disse. carinhoso. a credibilidade e o bom conceito das pessoas até adquirir intimidade em todos os setores do Centro. As ilusões de se manter sempre no topo terminaram quando ele perdeu o emprego. casa limpa e tudo luxuoso no ambiente de recepção aos amigos. generoso.perguntou Sérgio quase sorrindo de forma insatisfeita. E quem é que cobra o u vai atrás do que foi feito com suas doações? . tiv e relatos de dificuldades financeiras a tal ponto que muitas vezes não tinha o que comer. A paciente contou que ela tratava com o m aior respeito e com todo o carinho os demais companheiros para estar sempre inte . com a manipulação! O marido.. honestos e conformados com o que Deus lhes ofer ecia. Usou tudo o que conhecia para não exib ir sua verdadeira personalidade. João pendeu com a cabeça negativamente. da religião e do s ensinamentos adquiridos. Ambos assumiram tarefas no centro espírita e.. teve mais fé no Espiritismo e fez cursos. não apreciava os seus deveres como mãe e obri gações impostas como esposa. essa paciente procurou um ce ntro espírita para desmanchar qualquer trabalho ou macumba. Afinal. com a conivência dele. desejos e pensamentos. É o típico homem que acredita ter razão em tudo. Mas quem pagava?! . Tudo foi feito em benefício dele s mesmos. fur tar. os estudos foram conce rnentes à Doutrina Espírita. M as ela mesma acredita ser muito fria no relacionamento amoroso.Breve pausa e continuou: Destacou que nos bazares beneficentes ela e a filha se apoderavam das melhores peças a serem v endidas para arrecadarem fundos ao centro.. comportamento.. Conforme ela me contou. algo q ue alguém tenha feito para eles. ela revelou um típico distúrbio de personalidade anti-social. coment ou: É lamentável. Percebi que ela apresentou considerável ausência de recepção e troca de carinho. porém com extrema necessidade de que todos reconhecessem e elogiassem seus feitos. ma scarando-se com um comportamento educado. Acreditando tratar-se de um problema espiritual. trapaças. Não contendo a decepção com o que ouvia. os bens materiais foram os prejuízos seguintes.exclamou Sérgio. pelo fato de o irmão ressaltar e ssa possibilidade quando se expressava em discussões sem importância e a fim de magoála. Ela sentia-se humilhada diante dos caprichos exigidos pelo esposo como: cuidados exagerados com suas roupas que deve-riam estar impecáve is. Independente da filosofia. Isso era fácil. típico distúrbio de personalidade narcisista. vários cursos! Como ressaltou. O marido semp re dizia que nasceu para ser servido. o marido sempre se acreditou auto-importante. Sabia como manipular as pessoas conhecendo seus pontos fracos por saber de seus mais íntimos segredos. mas isso não me surpreende. Era a ele que os pais direcionavam louvores e de quem sentiam orgulho. Freqüentando um centro espírita. alimentação com cuidad os especiais a seu gosto etc.. Explorava os outros e não se importava com qualquer pessoa. principalmente. ou seja. mas com a esperteza de se livrarem de envolvimento com a justiça crimina l. Os pais eram religiosos. tudo no centro era produto de doações espontâneas. disse que passou por trata-mento de assistên cia espiritual e fez cursos. com sua aparente grandiosidade. Recebia críticas do único irmão que se destacava nos estudos e a humilhava . colocavam-nas à parte e abriam uma espéci e de conta onde registravam os débitos pelas compras supostamente adquiridas. mesmo a contragosto. Ela os ameaçava com denúncias ou chantagens? Não!. grandio so e imprescindível para a família e no emprego. ela passou a apresentar confiança atraente e persuasão angariando a simpatia. Como uma avalanche. O me smo foi feito na cantina onde todo o consumo era anotado para ser pago futuramen te. compreensivo. principalmente quando ela não deseja mudar.. Então. Ela e os filho s sofreram incontáveis agressões verbais pelas explosões do marido e agressões físicas se iniciaram. mas confessou adorar o luxo e os ambientes sociais requ intados.

João. Veja. Enfatizou que hoje seus feitos são imensamente mais lucrativos e satisfatórios do que nas sessões d e desobsessão em que participava como dirigente no centro. Lembrei que a terapia é um ótimo caminho para a própria pesso a se concentrar com a finalidade de mudar o comportamento. Mas. conforme eu entendi.. alimenta-se normalmente e não tem qualquer remorso. significativ o humor e disse que dorme bem. Me u amigo! Duvido muito de que aceitem a sua proposta de reequilíbrio! Sérgio sorriu e . Ela e toda a família. furtam. que é o de me colocar a serviço da sociedade com qualidade técnica e rigor ético... A paciente revelou que é um prazer conhecer a vida das pessoas e o ponto fraco dos fiéis. dão shows. pois lá não recebia nada. Ela não se acha responsável e se posiciona como vítima. eu não vou corromper minha moral nem meu rigor étic o como profissional na área da Psicologia ou em qualquer outra... no inconsciente dos fieis. O caso é sério! Seríssimo! E mais! A paciente convidou-me para participar de sua igreja evangélic a. Depois ela e xaminou sua posição como tarefeira e decidiu reclamar a ocupação de seu cargo. Não suportando ostentar a máscara.. crimes e roubos de todos os tipos. E o que você respondeu quanto a essa proposta?! Para o convite indecoroso. uma espécie de ministra que expulsa os demônios dos transtornados que chegam à igreja e os filhos fazem as camp anhas!.assustou-se João. você quer dizer! Respondi com toda a calma e respeit o que eu honro e continuarei honrando o meu juramento como psicólogo. recebendo um generoso benefício financeiro para lhes ensinar meios de insuflar. Promovendo saúde e qualidade de vida. Sérgio. S omente conseguia benefícios pequenos.exclamou Sérgio. Não! Acho que Deus não faz parte do que ela propõe . Contou -me que cometeram uma grande injustiça com ela ao exporem frente a muitas pessoas o que foi feito por ela e sua família. para saber se havia alguma desconfiança d e seus atos junto do marido. não reconheceram seus serviço s prestados e. Depois falei que e la e a família precisariam de um reequilíbrio com o propósito de não agirem com essa com pulsividade anti-social. Bem. tudo o que me contou mostra que tanto ela quanto o marido possuem o clássico distúrbio de personalidade narcisista. ela. Ela e a família consideram que tudo o que cometeram no centro espírita não f oi errado. requerend o-o com autoridade e muita exigência.. Sérgio. posso dizer que apresentou nas duas últimas sessões.. prejudicam um grupo social ou uma comunidade com pouco ou nenhum remorso.. A culpa foi dos outros que não os entenderam. Eles se julgam extraordinariamente capacitados! Isso. nós sabemos que portadores do distúrbio de personalidade anti-social são pessoas que. junto ao distúrbio de personalidade anti-social em que mentem de maneira crônica e descaradamente. Diante de tudo. rejeitam as normas de regras de conduta e não estão a fim de autocontrole n em pretendem mudar! Por que diz isso? As evidências! Não entendi. pessoas mais honestas aos compromissos assumidos. eles representam. Outros tarefeiros do centro. se não se tratarem. O marido tornou-se um pastor evangélico. Meu Deus! . poderão ter responsabilidade por grande parte de vi olência. Os trapaceiros e enganadores correspon dem ao maior índice de porcentagem desse distúrbio. exigiram satisfações do que perceberam que estava errado. Inclusive fez acusações injustas contra outras pessoas a fim de livrar-se de certas culpas. expulsar demônios e beneficiar-se financeiramente por isso. trapaceiam . Para algumas pessoas mais íntimas. fingia-se triste o u sozinha a fim de atraí-las como vítimas de suas manipulações em proveito de trapaças com o: alterar ou sumir com os débitos das compras no centro que pertenciam a ela e à fa mília. Mas aconteceu o que ela não previa.Foi nesse momento que vi exacerbados a arrogânc ia e o orgulho que reluziram também um distúrbio de personalidade narcisista.irada sobre os acontecimentos no centro. olhando seriame nte para o amigo. conscientemente seguros. palavreados e tonalidades de fala que os façam agir ce gamente e compulsivamente com mais doações. ela simplesm ente ignorou dar satisfações cabidas e não se reuniu com os solicitantes. eles abandonaram o espiritismo e se converteram ao prote stantismo. Assim sendo.. Enfim.

terapia s e outros. que é a capacidade de vivenciar ou ver na mente uma situação futura desejada co mo se aquilo estivesse acontecendo mesmo. orgulhosos. por exemplo! A PNL . Não sei.. Inúmeros psicólogos e até outros que nada têm a ver na área. bissexual?. explicou João . Mas estava longe de imaginar que receberia um convite desse tipo! Sérgio. não! Às vezes concordo com a opinião o professor Ezequiel e acho que alguns psicólogos evangélicos são inconcebíveis para que m deseja se livrar de transtornos e distúrbios. católico e outros do que com um profissional evangélic o.. Ela pode ser usada de modo positivo ou negativo.disse: Dediquei-me profundamente a estudar esse caso. não está sendo preconceituoso quanto aos psicólogos evangélicos? Vou repensar nisso. com a finalidade de obter uma verdadeira fascin ação de seu fiéis. pesquisar e procurar saber com ele.Programação Neurolingüística. Esse profissional. pa ra ele. Um homem cru el. pois sabia que aquelas práticas rigorosas e tiranas eram erradas. As pessoas orgulhosas. junto à técnica de vis ualização. A criatura humana é falha e muit o limitada. lembra-se da aula do Professor Doutor Ezequiel quando ele falou que. Falha sim! Mas são limitadas somente quando lhes falta evolução ou força de vontade acrescentou João com tranqüilidade. crenças nas opiniões apresentadas só pela sua religião. pensar. mas eles ficaram pensativos. no passado e ram inconcebíveis. foram comprovadas pela ciência e os descrentes ridicularizados.. ganancioso. notícias. são as ferramentas mais poderosas que po demos ter para se criar resultados magníficos naquilo que queremos obter. foi por descobrir que a paciente entrou nesse consultório usando as características da personalidade anti-social contra mim! . Hoje eu entendo que algumas religiões são preconceituosas por não serem flexíveis à fi losofia. refletindo sobre o assunto. principalmente pelos protestantes ou evangélico. mas ele apoiou . Eu confio mais em fazer uma terapi a com um umbandista. mesmo no penúltimo ano d e um graduação em Psicologia. sendo psicólogo evangélico.. é a excelência do uso de uma ar om pessoal para obter resultados excepcionais no que deseja realizar. eu iria parar. E se o paciente falar da violência sexual que sofreu q uando criança?.. há tempos eu sei que isso é usado por vários lideres religiosos. são preconceituosos. que se achavam superiores. proposita damente. não meditaram e reagiram asperamen te. arrogantes. suposições ou crenças que... Eles se esquecem de que muitas situações. A realidade do paciente não é a realidade do que esse evangélico quer v er e analisar. Quando eu disse que havia mat ado a charada. Isso é fé cega! São pessoas que não buscam conhecer melhor a verdade por elas mesmas e só acreditam naquilo que os outros lhes disseram. o p orquê de sua opinião. criando uma comunicação mais eficiente e rápida. era inconcebível um psicólogo evangélico ou protestante? Lembro! Duas ou três alunas fizeram o maior protesto! Isso porque elas eram protestantes. não vai dar atenção ao caso e achar que o paciente está endemoninhado! Talvez queira convertê-lo!. tem grandes possibilidades de ser preconc eituoso e acreditar que a pessoa é dessa ou daquela forma porque quer! Provavelmen te. E você. Ah!. budista. Acho que o professor Ezequiel quis nos te star com aquela situação para ver o quanto alguns religiosos. João.. mas de forma bem tranqüila. oportunista. estão se corrompendo com o uso desses métodos para arrecadações numerárias im ressionantes. ciências e práticas de vida sob a visão de sua profissão. Mas aconteceram contradições e com portamentos estranhos os quais me levaram a dúvidas. As habilid ades e as técnicas dessa ciência estão sendo cada vez mais usadas para a educação. Têm uma visão estreita e limitada da realidade da vida das pessoa s e suas crenças! Isso é preconceito. trapaceou na representação de seus distúrbios psicológicos com a finalidade de aproximação e intuito de indução. Se aquele professor tivesse falado que é inconcebível um psicólogo espírita. Precisava de um psicólogo para prosseguir com suas farsa s e aumentar o vigor de suas vigarices a partir do momento que ele a ensinasse q uais e como são os melhores métodos e técnicas de neurolingüística. mais desumano do que as leis aplicadas pela Inquisição. Não buscam a iar as informações.. São bitolados. Agora. A PNL.. Ela. digo que não pelo fato de eu ter buscado conheciment o sobre suas atuações. E um outro que deseja se recuperar de atos de pedofilia?. Até as comprovações científicas e novas descobertas eles se recusam a ace itar. Havia outro s evangélicos na sala. Tud ara eles tem de ser de acordo com o puritanismo pregado por Lutero.sorriu. Imagine um psicólogo evangélico ouvindo um paciente homossexual.

Pre ransferir pacientes para mim e para o Nivaldo por causa do serviço na polícia! Eles reclamaram muito. Sérgio.as mesmas severidades dolorosas com os camponeses alemães que se opuseram ao prote stantismo. Seria um teste moral? Quem sabe? Reflita sobre o assunto e dê atenção aos sinais. os únicos corretos e com razão. olhando para o colega de modo indefinido. por isso nem prossegui com o pedido. Estou sem coragem para qua lquer decisão . Estou temeroso. . quando não é a Yara. que já deu problema logo de início.. pois estou pecando verbalmente c ontra meu semelhante! . Ei.. e pelo fato de não trabalhar.. tive dificuldade com a documentação para o pedido de baixa da PM. Está inteiro .reclamou João de si mesmo. João esperou alguns minutos e perguntou: E seu irmão. Sérgio. como está? Trabalhando.. Sérgio! Espere aí! Não quero me intrometer.. materiais e fis icamente praticadas. Isso está contido no protes tantismo até hoje. Acho que ela não está preparada para voltar à sua c asa e ficar sozinha. Medite e dê um jeito de i r ao centro.. ficou inibi do para recusar o convite e acabou ficando para o jantar. que é sua fã.. Ela não estuda! . mas é. Não gosto de insegurança e. conforme você e o doutor Edison me aconselharam. Acho que essa paciente não vai retornar. mas não vou entrar. vai adorar tê-lo para o jantar! A dona Antônia está brava por você não visitá-la há tempo! Não. Não pense que só ped ir perdão a Deus basta para livrar-se das culpas mentais. Sérgio. Depois ficaram uma boa . Sérgio levou o amigo para casa.Breve pausa e lembrou: Viu?! Rea lmente você foi testado! Preocupado com a situação financeira. No próximo ano. Péssima! Débora a levou para o seu apartamento.tornou João num tom de tristeza. E a Rita? . mas você vai ajudá-la e não sustentá-l obrigação de pagar a faculdade é dela. Deixe-me ficar quieto. Ah. e seus líderes os denominam evangélicos para ninguém lembrar dos mass acres apoiados pelo criador do protestantismo. Sérgio pareceu preocupado e revelou: Nem consegui um tempo para contar à Débora sobre aquele assunto da minha irmã. porém ao ser recebido por dona Antônia. caso eu vá trabalhar lá? A Débora estará no último ano e. por isso penso em desistir.. Não sei expli car como. Você é diferente. A Yara. Então vamos lá! Vai tomar uma injeção de ânimo! Estou com o carro na revisão. Eu ta mbém concordo e quero fazer o quanto antes. como posso me garantir com o que receberei aqui na clínica e na empresa. O que você quer mais?! Vai ficar aí esperando todas as oportunidades desap arecerem para depois dizer que não teve sorte?! . é a Rita quem está por perto.Ele silenciou por alguns ins tantes e comentou: Se a Débora aceitar morar lá em casa. verbais. mas não dá. Em minha opinião. Esse pedido de baixa significa um pedido de saída? É. Preciso uma carona e a minha mãe.exclamou João bem sério. ela deveria voltar a estudar qu ando arrumar um emprego. mas sua agenda sempre está lotada! Talvez nem precisasse trabalhar na empresa que indiquei. não aceitou a proposta da paciente que lhe ofereceu dinheiro para prestar serviços nada dignos com o seu ju ramento profissional! Aconteceram tantas coisas em tão poucos meses que..indagou.murmurou num desabafo. Martinho Lutero. E se não arrumar? . pode ficar mais tempo com a Rita. Você voltou a conversar com a Débora para que morassem juntos? Não tivemos tempo para falarmos sobre o assunto. João. Eu te levo. estou receoso de sair da po lícia. calando-se. Sérgio! Ficou louco?! Não.. . irmã dela.sorriu. Como é possível uma criatura acreditar que é só pedir perdão a Deus p ara ficar liberta das condições inferiores e não ser mais prisioneiro dos crimes e del itos que cometeu? Ah!. Como se não bastasse. deixando-os queimar vivos. sabia?! Você é bem requisitado e indicado pelos outros pacientes. você é um ótimo profissional. deu para freqüe ntar o apartamento da Débora direto.Vendo o amigo pensativo.. João.. Criou um puritanismo mascarado ao incentiv ar que eram os únicos puros. talvez você esteja sendo testado! Testado?! Testado pela espiritualidade que o acompanha.

falanges.. disse-nos o Senhor Jesus. mas seu coração estava oprimido por algum motivo que não conseguia entender. Esses irmãos estão infel em esperança.respondeu João. Querem-nos longe daqui e nos deseja m mortos. como se em alguns momentos andassem como quadrúpedes. Não está se lembrando do que aprendeu na espiri tualidade? É. Sérgio? Eles estão aí para provar. Ele ouvia. sem conhecer a ve rdade. Virando-se para Sérgio. Odeiam-nos. linguagem de tempos remotos à reencar nação de muitas pessoas. por causa das mentes voltadas a fazer o mal. a vaid ade.. a trapaça. Existem regiões espirituais criadas pela força ou poder mental. o espírito An dré Luiz diz que: O objetivo essencial de tais exércitos sombrios é a conservação do primi ivismo mental da criatura humana. A morte não existe. Sérgio! Parece recordar rapidamente o aprendizado obtido em elevada es fera espiritual! Em um livro psicografado pelo querido Chico Xavier. mesmo que o considerem pequeno ou nada grave. a fascinação. Parece que posso entendê-los. foram surgindo à frente de ambos outras criaturas extrema mente malignas. cidades de baixo padrão vibratório. sendo algo com o que verdadeiras colônias de tormentos indizíveis e reparadores. 15 . Pode ser um método de oferecer ou receber mensagens na época em que os politeístas faziam oferendas a vários deuses. O que querem? . pareceram insignificantes diante dos olhos de Sérgio. Conhecereis a verdade e a verdade vos li bertará . quando encarnada a criatura experimenta ou usa em benefício próprio. Que bom. De repente. não queren . A fé cega. A língua estranha que usam para c municação podem ser dialetos antigos dos homens. .. a dependência e muitos outros distúrbios de personalidad e que. por mais aterrorizantes e absurdas que ouviram contar.. Esses lugares infe rnais existem por uma questão de ignorância. o narcisismo. Era uma noite de muito calor quando Sérgio e João caminhavam juntos falando sobre assuntos que Sérgio precisava entender para relembrar melhor. logo atrás deles. A lua no céu possuía um brilho estranho. João lhe falou com brandura e de modo que o amigo podia o uvi-lo em pensamento: Não vamos nos assustar. Nossos anjos guardiões nos acompanham e muitos benfeitore s que atuam verdadeiramente em nome de Jesus nos amparam. Contudo nada é eterno e dizer que existe um inferno. Sofrem com as enfermidades do corpo espiritual e com a cobrança constante da consciência por t udo o que fizeram errado. as criaturas não estarão libertas das energias mentais inferiores. Tornam-se vítimas e culpados por cum prirem tarefas inferiores e malévolas. Isso é um método de impor o medo . podendo fi car presas a obsessores por muito tempo. Gigantescas sombras com contornos humanos deformados saltavam sobre ele e o a migo sem tocá-los. qu e os separam e selecionam como animais para determinadas tarefas específicas. ou pensava ouvir. mas obedecem a líderes macabros e desequilibrados. Sérgio sentia-se interessado na conversa. tanto quanto p ossível.. p assos e gargalhadas de um grupo nada amigável que os seguia.Parados próximos àquelas criaturas espirituais totalmente disformes. risos.parte da noite em agradável conversa repleta de instruções que o fizeram se sentir be m melhor. espiritual. O orgulho ou o ego inflado. opaco. entendendo que aquelas criatura s não os podiam ouvir. Lógico! Sem a evolução mental. cruéis e impiedosos que os dividem. Elas pareciam brotar do chão com aspectos monstruosos. urrando com o animais ou gritando em uma língua estranha. sem pensar e repensar. Há líderes insensíveis.perguntou Sérgio em pensamento.. Podiam-se escutar seus sussurros. Bloqueando o caminho. não é verdadeiro. sob o seu jugo tirânico . Muitos são verdadeiros escravos aterrorizados e tementes a Deus. a fim de que o Planeta permaneça. qualquer idéia de alucinações fantasmagóricas. Sérgio ainda comentou sin cero: Eles formam organizações. não é. Eram rápidas demais nas movimentações estranhas. o fanatismo é o que alimenta o espírito para que ele se submeta a essas condições.O romance abalado pela influência espiritual Os dias seguiram sem novidades. onde alguém é condenado eternamente.

. mai s tranqüila e. acendeu a luz. Ao olhar para a cama viu os lençóis remexi dos e embolados. ao Mestre Jesus! Foi isso o que me pediram para te dizer. Não sou digno. E você? Quando vai começar a trabalhar lá naquela empresa? A documentação da PM já sai . Seu rosto gotejava suor e todo o tronco estava transpirando. você s Não lembro o que me levou a buscar. Fico fora o d ia todo e não teria tempo para cuidar dele como deveria. Farão de tudo par a que você não tenha êxito em sua tarefa.pedia com seu jeito carinhoso. mas logo continuou : Quando em uma terapia. Ao tempo em que as criaturas monstruosas subiam como que por fissuras abertas no chão. O que estamos vendo é uma pequena amostra do que as levarão aos agrupamentos mais inferiores e de piores condições. Entendeu bem sua tarefa. Veja. Dê-me mais um tempinho? .... como a chuva fina que se in filtra tanto na relva como nas folhas altas. Sérgio. ela só tem o caminho doloroso de reparação a seguir.. porém contrariado. Sabe. tomando uma po stura de ataque. Não diga isso. além disso. despoluindo-as para que respirem me lhor. Tudo bem. Tentarão atacá-lo de todo jeito! Reaja! Socorra-se elevando o pensamento a Deus. distúrbios dos mais diversos. Eu gostaria que saísse daqui o quanto antes. Você está repetindo o que eles dizem.. pois algumas se comportam como se ganha ssem o gosto pela ignorância. Mas eu não sei de nada.do mudar-se. Lá. tirando a impregnação da estranha sensação. Nem sei por que estou a o seu lado. João.Sérgio interrompeu temporariamente o que argumentava.. Coitadinho! Ele ainda está lá na casa dos seus pais? Está. tendência suicida e outros transtornos.. Sérgio.. Riu para re laxar e avisou: Vou levar o Tufi para lá. Você não está tratan do de pessoas. Você está libertando espíritos. Consultando o relógio. Como sempre.. Levantando-se rapidamente. Podem usar determinados espíritos para enfraquecê-lo. pela preguiça. pode haver terríveis espíritos que se afinam a ela com o intuito de va mpirizá-la e agredi-la para agregá-la futuramente a falanges espirituais.. Como quiser . De que jeito? Acredito que estará mais segura lá em casa! Com menos despesas. procurar um meio de ajudar as pessoas a se lib ertarem de tais obscuridades consciências. * * * Mais tarde. Sentando-se na cama. ele murmurou: Ainda são 3h30!. abriu-a e foi quando a brisa suave da madrugada parece u medicamentosa. dormia sem camiseta. . temos um caso de complexo. mas acho qu e não poderão esperar mais e estou com problemas com a documentação e.ele aceitou calmo.... Aquela troca de informações e conversa durou frações de segundos. pois tinha a sensação de ver e sentir o que experimentou. . João percebeu que Sérgio parecia sufocado e orientou: Seu maior trabalho será vencer as vibrações baixas e hostis. Lembre-se. ela conversava com o namorado: Mas não quero incomodá-lo!. meu amigo! Sinto-me minúsculo. no apartamento de Débora. Ai. Sérgio. sinal de ter se revirado demais antes de acordar. é muito importante lembrarmos que. luta e agressão. mudando de assunto.. Acorde. depressão. João! É a minha irmã. o pensamento é o centro de atração e repulsão de qualquer mal ou be que o cerque.. Não faço nada.perguntou rapidamente. Na próxima s emana tenho uma entrevista marcada e acho que vai dar certo! . junto à pessoa. Não o levei para nossa casa porque ele ficaria muito sozinho.. Não sei. Há situações que não entendo ainda e preciso de seu apoio. Sérgio! Foi nesse instante que Sérgio sobressaltou. Eu pedi que me dessem mais um tempo para ser admitido na empresa. Sérgio pegou um caderno que tinha na gaveta e passou a esc rever tudo o que se lembrava do sonho. despertando-se horrorizado com o próp rio grito. O que te trouxe para essa tarefa foi o seu amor incondicional.. Débora. meus pais ou o Tiago cu idam dele.contou animada. Caminhando até a janela...

o que preciso é mudar as minhas escolhas! Após o susto que levou. Eu queria seu colo. ele se levantou. pois nunca o viu falar daquela forma e vendo-o caminhar em direção da porta. vai?! Seja como for. agora.. para as nossas vidas. parece que ela marcha ao meu encontro! Saí da ma ta casa de meus pais para não ouvir os gritos e as reclamações de minha mãe e minha cunh ada. Curvando-se e beijando-a na cabeça. Eu!. com lágrimas quase rolando.. conduzindo-a para o sofá e fazendo-a se acomodar. Mais desiludido ainda porque desconhe cia esse lado da sua personalidade. gritando. Levantando-se. Vendo-o em pé à sua frente.... entende? Faz tempo que não ficamos sozinho s. profundas energias inferiores in-vadiam o ambiente.. O namorado continuou no mesmo tom sentido: Eu te amo. Tenho medo de que. quietude e a conchego... remoendo a s idéias em um penoso estado de consciência devido ao choque por ver as tendências de Débora e as influências espirituais que lhe chegavam. mas eles me perseguem! Não adianta eu mudar as coisas à min ha volta.. Eu te adoro! Desculpeme? Vou ser bem sincero com você.Abraçando-o pelas costas com força.ela não sabia o que dizer. pareceu implorar ao pedir: Sente aqui.. Sérgio! Pelo amor de Deus! Você não vai desistir de sair da polícia agora. Não sei. Sei lá!.. deixando-a em imenso conflito íntimo e arrependimento. Tudo sumiu com o em um passe de mágica com a clínica da qual é sócio! De repente. . A namorada. . Te amo muito . o namorado aconselhou em tom sereno : É melhor conversarmos outra hora ou diremos coisas das quais podemos nos arrepe nder.. Diante de tantas dúvidas e incertezas sobre decisões sérias e definitivas que tenho para tomar. Com a tempestade emoc ional que criou agora há pouco. Dar e receber carinho enquanto assistíssemos a u m filme.. Frustrado com a reação da namorada. vem à oportunidade de t rabalhar na empresa por meio período. Sérgio permaneceu silencioso por longo tempo. Desejaria que fosse mo rar comigo. eu não gostaria de ter qualquer outro problema. .. Débora correu. respeito a sua vontade. lá eu tenho um salário garantido. Agindo com estranha frieza. quieto. .Ele não se virou para encará-la e permaneceu parado somente ouvindo-a se justificar: Eu não sei por que disse aquilo daquela f orma. . Débora. Sérgio dirigia sem rumo..... Em instante s. atraía obscuras vibrações. não me proporcionou um instante de paz. Uma dor estranha parecia esmagar seu peito.. fiquei decepcionado porque você agiu como alguém que eu não quero nem lembrar. repentinamente. Engolindo seco. Não costumo brigar e.. Você me conhece.sinto-me inseguro. Déb ora chorou verdadeiramente sentida. só desfrutando a companhia agradável um do outro e.. E era só disso que eu precisava para decidir o que é mais correto fazer na minha vida. e stranhando e observando-a esbravejar sozinha. interrompendo-a com voz grave e firme: Não preciso ir à direção da desgraça. Não suportando a pressão sofrida em pe nsamento. Você. Desculpe-me.Ela o olhava firme e nada disse. protestou inconformada e aos gritos: Sérgio! Você nunca teve uma oportunidade tão boa! Esse sempre foi o seu sonho! Ante s tinha preocupações em abrir um consultório sozinho e não ter pacientes.. reagiu de um modo estranho e totalmente incomum à s ua personalidade. o rapaz se virou e saiu sem olhar para trás.. encarou-a nos olhos... segurou-o pelo braço e pediu entre as lágrimas de arr ependimento: Por favor. Débora . Estou assombrado ao ver você agindo igual a elas! Pensei que me libertaria do s pesadelos asfixiantes. Débora. Em palavras bem simples posso dizer que desejava só fic ar ao seu lado. Eu vim aqui porque não estava bem comigo mesmo. mas como não quer. Entr ei com pedido de férias e vou aguardar para ver no que dá. Sérgio!. Sérgio.. calado... O rapaz se virou e a jovem escondeu o rosto em seu peito chorando um pranto compulsivo.falou com baixo volume na voz grave e fita ndo-a com uma tristeza indefinível nos olhos verdes marejados. horário fixo e um salário compatível com o da políci a e você quer desistir?! Não posso me conformar! A maneira como Débora se expressava. ele sobr epôs o braço em seus ombros.

Sérgio tentou puxar a s amarras e não conseguiu soltá-las. Débora! Isso! . Acho bom você dar um jeito de pular esse portão! Não gostei do jeito dela. eu acho. saltando com agilidade para dentro do quintal.. colocou a amiga na posição correta. Ele ficou assustado. vai lá filho! Corre! Sérgio suspirou fundo. Falou que não tinh a mais ninguém e que preferia morrer. pensando que a amiga poderia socorrê-lo de algum modo. nem que fosse só o ouvindo desabafar. foi entrando na casa à procura da amiga. . como se o ar fosse acabar. vi a Rita entrando e perguntei como ela tava e. mas as mãos da moça amarradas nas costas com inúmeras voltas da lar ga fita adesiva. abriu a porta após vários pontapés. colocando-a sobre a cama. Podia ouvir uma música tocando em volume u m tanto alto no interior da residência e por isso chamou em voz alta. Tossindo repetidas vezes. Desligando o aparelho de som. Pegando-a nos braços. De repente. Por isso seria bom irmos para um hospital do seu convênio e. a senhora se adiantou: Você é um dos amigos da Rita. Toquei a campainha nem atendeu quando liguei p ara a casa dela. Não! . não é? Sim.admitiu a senhora.respondeu atordoada e largada sobre a cama. Acreditand o ouvir um gemido sufocado. Eu ia ligar pra polícia. t entando entender ou recordar de alguma coisa. por isso já ia ligar pra polícia. mas e se não for nada? Você é amigo dela. pois desde a morte de seu irmão e de seu noivo tinha ficado no apartamento de Débora. pediu com brandura: Calma. gritando o n ome de Rita.. Estacionando o carro frente à residência da moça. Se p uder. Movido por um súbito impulso. amiga dela a. sou. Meu nome é Sérgio. sufocando o choro num travesseiro.preocupou-se ele. mas não foi atendido.... Vendo-a mais consciente. Quando se virou para cumprimentá-la e pedir informações sobre a colega. Ligou o rádio a lto e não atendeu quando eu chamei.. Usando-a. Rita pareceu ter r etornado à vida ao respirar forte. Nunca pensou em ver algum amigo ou amiga naquela situação e sob os seus socorros. Sérgio chorou em silêncio. realizou respiração artificial e massagem cardíaca. Nas janelas havi a grades.. Sérgio olhou para o canto e ouviu atrás da me sa da sala de jantar um murmurinho lamentoso e viu os olhos de Rita se fechando. Imediatamente tentou fazer respiração artificial. Olha. mas fiquei com medo. A jovem desmaiou por falta de ar e permanecia inerte. ele decidiu visitá-la.. Sérgio acariciou seus longos cabelos negros e cacheado . Rápido. Apressando-se para os fundos. Tirando-lhe as fitas e o resto do plástico rasgado do pesc oço e livrando os punhos dos adesivos.. Está tudo bem. percebeu que as janelas estavam a bertas. pois ela permanecia imóvel. A. Rita.. Em vão. Sentando-se ao seu lado. não deixavam seu corpo ficar na posição adequada.. tentava curvar o corpo. escal ou o alto portão. Em frente do portão. ele perguntou mais calmo: Rita. Depois me largou aqui sozinha.. um sinal de ela estar em casa. você está bem? Estou. levou-a para o quarto. como se sufocasse um grito... Sentiu como se os seus olhos fossem atraídos para ver a pequena faca de cozinha sobre a mesa. Minha idade não deixa mais eu pular o mu ro. moço. Há duas horas. correu para a sala onde a música alta o incomodou imen samente. rápido. Eu já vi você aí com a outra moça. Sérgio havia tocado a ca mpainha várias vezes. Correndo até a port a da frente viu que estava bem trancada e seria difícil arrombá-la. Lágrimas correram imediatamente enquanto ela olhava para os lados.gritou ao implorar. lembrou-se de que Rita decidiu retornar para a casa onde mora va. Não dando importância ao frio que corria em seu corpo.Repentinamente. Chamando pelo nome de Rita. Eu sei que você tem plano de saúde. Por quê? O que aconteceu? . chegou até a amiga rasgando o saco plástico forte e transparente que lhe vest ia a cabeça onde foi colado e apertado com larga fita adesiva em torno do pescoço. Da casa ao lado saiu uma senhora de cabelos grisalhos que o olhou de modo cur ioso enquanto andava vagarosamente em sua direção. mas não tinha forças. cortou as fitas.

Lágrimas rolaram em sua face pálida.. expressando grande tristeza: Estou mal. Afagando-lhe os cabelos. Não tenho ninguém. .. Não sei.. Enrolei a fita adesiva em meus pulsos com as mãos para trás para não desistir e rasgar o plástico.. Eu sei que rupturas drásticas de relações amorosas significativas.. A amiga o fitou por um segundo e fechou os belos olhos negros num gesto de fu ga ou vergonha. Conte como foi. Sérgio a abraçou com carinho piedos o.. E não é fácil sair dele. .... Primeiro. Prudente. Sérgio a observou melhor verificando um machucado em seu rosto.. Preci sei ressuscitá-la! Segundo. Demorou um pouco. cuidadosamente. Peguei o saco plástico grosso que trouxe do mercado. em minha opinião. Tem muita coisa que você desconhece. você não está sozinha. instintivamente. A senhora agradeceu a satisfação. Erguendo-a para que se sentasse.. Puxando-a para um abraço. Pode me explicar como conseguiu se amarrar daquele jeito? . Depois lhe afagou o rosto até que. num gesto de amizade... procurou curvar-se para olhar em seus olhos e dizer: Minha amiga. ele continuou: Rita. perguntou vagarosamente: Qual é a solução? Como eu posso levar uma vida normal? Principalmente agora. mas respondeu oferecendo várias pausas como se refletisse antes: Enrolei a fita no saco plástico sobre o pescoço. trazem um impacto doloroso e i rremediável. ela praticamente murmurou: Tentei me matar. esse pode ser um caso de polícia. escondeu o rosto no abraço e chorou. mas estava bem. fez com que o encarasse. como a de seu irmão e de seu noivo.. essa dor. Não suportando a troca de energias salutares.. sentada na cama.chorou. Nesse momento ela ergueu a face banhada pelas lágrimas onde exibia grande angústi a. sem fixar em ponto algum. Sérgio sabia que ela mentia escondendo alguma coisa. cheguei do merc e tive a idéia de colocar um fim a todo esse desespero... Como machucou o rosto? Acho que bati na mesa. choro u como nunca tinha feito antes. Sérgio lhe fez u m afago no braço com as costas da mão.. pois o modo como a encontrei é bem es tranho e suspeito. um estad o mental de depressão extrema a domina. Não o encarava. a amiga se e ncolheu.. Quando você tenta sobreviver à solidão. Peço isso como amigo. o telefone tocou insistentemente e o rapaz decidiu atende r. Sentando ao seu lado. Sérgio.tornou calmo. Ele deu-lhe uma desculpa convincente de qu e Rita teve uma crise de choro. Era a vizinha que desejava notícias... vendo-a mais tranqüila .. indiscutível em curto prazo.. Nem vonta de alguma. momento em que. de sligando em seguida... Não sou útil ou necessária a alguém. Sem encará-lo. encarando-o firme. Não tenho esperança nem energia. perguntou: Rita. amigáveis e reconfortantes que lhe invadiram a alma. Sérgio a confortou num acalento silencioso enquanto a e mbalava preocupado com o que deveria fazer. Rita parecia mais calma.Vendo as lágrimas corre rem em seu rosto.s.. não é fácil. dessa falta imensa que m e consome. abraçando as pernas e ficando encolhida... Rita. e o amigo tornou ex plicando: Preciso saber o que aconteceu aqui. Sofreu pela falta de ar tempo o suficiente para desfalecer. Seus braços estão machucados com espécies de pancadas.. o que aconteceu? . coloquei na cabeça e o prend i com a fita adesiva em volta e. ela cont ou com breves pausas e voz baixa entre os soluços e as lágrimas. mas há solução. Retornando ao quarto. Então. Isso foi bem difícil de fazer. Após algum tempo. Cortei com a faca e depois de dar voltas nos pulsos com o rolo adesivo eu. Porém não era o momento certo para exigir-lhe nada.. não achou? Não. Não tenho mais nada. Por que a faca estava sobre a mesa? Rita abraçava as pernas encolhidas e balançava vagarosamente o corpo exibindo um sinal de nervoso. Algum tempo depois... expressando muita tranqüilidade. porque você precisa de ate ndimento médico. Estou errado? Com voz rouca pelo choro. Não consigo explicar o aumento dessa dor. Rita o apertou forte. mantendo o olhar perdido.

Como especialista. Desculpe-me. nos quais não p arou de pensar.. H oje.perguntou diante da demora. tornou no mesmo tom: Preciso saber de uma coisa: por . O quê? O que disse? . O quê? . ela reagiu rapidamente ao pedir: Não chame a polícia. Vocês me disseram que a vida não mina com a morte do corpo físico. Você foi e continua sendo uma pessoa muito important e para mim. não o encarava.. parecia se controlar... Quer um pouco? Não. ela tornou a deitar e abraçou o travesseiro encolhendo-se sobre a cama.murmurou. Fitando-a com piedade. pediu para que Rita se sentasse e foi obedecido de imed iato. Per manecendo em silêncio por um tempo ao lado da amiga. chorando de modo compul sivo. sendo a melhor amiga de Rita ela poderia ajudar muito. Pondo-se frente a ela. Vou ficar aqui.. Humilhada e abatida. Algo o intrigava.. argumentou: Eu me considero seu amigo. Deixando recado na caixa postal para que a namorada entrasse em contato com ele o mais rápido possível. certo? Não. . ofereceu-lhe carinho e atenção. Além do mais. Foi uma coisa tão estranha. Só. Vou solicitar ao delegado uma perícia técnica em sua casa pelos fatos duvidoso s. experimentando um pranto doloroso e triste. viu-a com a respiração alterada. chorando. o rapaz olhou por toda a volta.. Só. Não faça nada disso. isso não aconteceu por acaso.sussurrou entre o choro. relacionando a série de lesões que você apres nta. Não vou! . há detalhes estranhos nesse acontecim ento. Ou você vem comigo ou eu ligarei para a polícia e iremos para a delegacia registr ar essa ocorrência. . mas não está em condições de decidir . decidiu telefonar para Débora..Pequena pausa e fa lou: Considero-a uma pessoa tão espiritualizada. Não chorava mais como antes. exatamente agora você t entaria contra a própria vida? Sérgio se surpreendeu ao vê-la abraçá-lo forte e rapidamente..Após propositais segundos.. Após olhar cômodo por cômodo e observar meticulosamente cada detalhe. senti uma dor no peito e pensei que ia enfartar. eu saí do apartamento da Débora e ia para minha casa. preciso relatar tudo o que houve e pedir su a internação para sua segurança. Entretanto o telefone do apartamento só chamava e o celu lar não era atendido. Assim que Sérgio desfechou. Sérgio avisou: Vou tomar água. Rita. talvez por p ressentimento ou pelas experiências que possuía como policial. Sem que ele espe rasse. Não! . Rita.. Fiquei surpreso e assustado ao chegar aqui e..negou de imediato e bem firme.. pois. Como. Depois disso. tão elevada! Você e o João me deram tan ta noção para entender as experiências de uma encarnação.. considerou em t om brando: Rita. Retornando ao quarto. quase ofegante.perguntou por não entender. ele notou que a jo vem apresentava grande desânimo. Então. ele indagou: Diga-me uma coisa. Só vou tomar um banho e me trocar. Você não pode ficar sozinha e virá comigo para ha casa. Vendo-a balançar a cabeça negativam ente a fim de não responder. exibindo uma estranha preocupação e medo no olhar. porém firme. ... Chegando à sala.. Aí eu decidi vir aqu i para conversarmos um pouco. só lhe restava aguardar. como psicólogo. pois a situação em que a encontrou era bem estranha. .alterou-se ela. a Débora não me ligou até agora.. . ele contou: Sabe.falou calmo.. Entregando-lhe uma xícara de chá em suas mão fracas e trêmulas. ele t inha conhecimento de que aquele ocorrido merecia muita atenção e ajuda imediata. Sabia que ela escondia alguma coisa. Sérg io decidiu que a colega não poderia ficar só. Rita o encarava firme.Soluços entrecortaram sua voz quando dec diu: Eu vou com você. Certamente vão encaminhá-la para um exame de corpo de delito. Não vou deixá-la sozinha.. Diante do profundo silêncio que reinou. não?. por que não chegou antes?. De repente.Sem espe rar que ela dissesse algo. Mais de duas h oras haviam passado e Débora não telefonou. trancada no banheiro. no q ual passará por um médico que vai examiná-la. A fastando-se dele.. Pensa que sou amador?! . vou levá-la ao hospital de seu convênio onde pedirei que um médico psiquiatra a atenda e.

Sairemos pela porta da frente. Rita. Voltando à sala. Só não feche a porta. pode ir para o apartamento dela. É que. Ela sentou-se no sofá. Eu já arrumei a por ta dos fundos e a tranquei por dentro. Preocupado.. Pegando as duas sacolas com as roupas da moça.. Você vai par a minha casa e. Dona Marisa olhou para o sofá com ar de reprovação e repudiou ver Rita sentando-se rapidamente. . Essa é a Rita. Vendo-a apoiar a cabeça sobre algumas almofadas.. pensava em alguma alternativa.. Sérgio sentia-se tomado de esquisitos perturbadores sentimen tos. pensando que fosse sua namorada. que parecia nervoso.Viran o-se para a colega. vá para o meu quarto e descanse um pouco até eu encontrar a Débora.. essa é a dona Marisa.. mas. Não vamos mexe r em nada nesta casa. Não tem mas . ao se aproximar.Pediu com gesto educado: Contudo perceb ia-se que algo estava errado com Sérgio. Temos algumas horas para pensar e decidir o que fazer. quando a Débora chegar.. Tudo bem. viu Tiago entran do em companhia de sua mãe. Foi nesse instante que escutou um barulho na porta da sala. Não quero me sujeitar a uma série de perguntas e investigações. Oi. mãe! . Sem dar atenção ao filho. havia tombado. enquanto olhava detalhadamente tudo a . nossa mãe.cumprimentou alegre. vou chamar uma viatura! Cabisbaixa obedeceu.. Sérgio? Nunca mais foi lá em casa!..cumprimentou a jovem com timidez. . deixando expostas e caídas algumas peças íntimas que pertenciam à amiga. cara?! Tudo bem? . Como você está. E aí. Sente-se. inclinou-se para o lado e se encolheu.. levou-as para seu quarto. procurou dar uma entonação mais terna e amigável a o tom de voz e pediu: Rita. Tiago lembrou-o brincando: Acorda. Pegue somente as roupas de que precisar. mas sim em profunda reflexão. cobrindo as perna s com a própria saia longa.que não quer a polícia aqui? Chorando. Tive alguns compromissos hoje e acabei me atrasand o. ele não reparou que uma delas. Virando as costas rapidamente. Sem esperar que o filho respondesse. coloca ndo-as sobre a cama. pois não sabia o que fazer. Mas pensei que a Débora estivesse aqui. mas estranhou ver Sérgio petrificad o. O sol do verão quente não queria se pôr apesar da hora. Mas. .tentou mentir. Não acreditou que estivesse dormindo. Sérgio olhou-a surpreso como se sua memória tivesse apagado. mãe! Oi. Sérgio havia passado o dia sem comer. * * * Chegando à sua casa. obedecendo exatamente ao que espíritos mórbidos exploravam em seu coração e a faziam usar. encontrou Rita com os olhos fechados. Tiago! Tudo bem? . apresentou: Rita. meu irmão! Você pediu para eu trazer a mãe e o pai aqui hoje para verem sua casa e conhecerem melhor a Débora. esqueceu? Não! . mãe . Disfarçando o que experimentava.disse Sérgio sem conseguir disfarçar certa surpresa . Sérgio pe gou o telefone e foi para outro cômodo a fim de ligar para Débora. Percebendo-o confuso . Aquele dia parecia longo demais. Não quero ser humilhada. Rita! Se não fizer como estou sugerindo.. Indo para a cozinha. Dando alguns passos. a jovem respondeu: Estou com vergonha. comentou: Mas você não é a Débora! Não. Fez várias tentativ as. uma amiga nossa! . Cheguei quase agora. dona Marisa permaneceu em pé com postura orgulhosa e pens amentos malignos. parecendo assustada com a visita. levou o telefone par a tentar falar com Débora ao mesmo tempo em que pensava em preparar uma refeição.falou a mulher de um modo arr ogante.. mas não conseguiu.avisou Tiago em socorro do irmão.. Posso ficar aqui na sala? Claro! Fique à vontade. Prazer. Prazer. Teve a sensação de segundos de alívio.

repreendend o inclusive Tiago que não sabia o que acontecia.. aqui tem um banheiro.Pegando a peça de roupa da mão de sua mãe. Você. Contudo disse a verdade: Isso é da Rita.exigiu com frieza. Por essa razão. escuta-me .. Tem uma lavanderia e um quintal. mostrava-lhe tudo... Estou longe de compreender o sentido de amizade quando vejo uma vadia sem-vergonha como você! Após as graves ofensas. aqui um dos quartos.. Sempre que tento me reconciliar com minha mãe. mãe . entende? Daí.. Sentia-se estranho.Ela foi parando de chorar e fico u mais atenta à medida que ele falava. Foi tão grave que resultou naquele acidente.A mulher saiu do quarto reagindo gravemente..mostrou. T ive uma noite difícil. pois qualquer explicação seria inútil. Como assim?. mais do que qualquer pessoa acompanhou tudo o que ela armou para a Débora. É uma suíte. Rita! Sabe. humilhando-a: E você! Não tente se apresen tar como amiga. A senhora não sabe o que está acontecendo! Nem quero saber! . Sem trégua.. . sem que Sérgio pudesse replicar.. Já entendi por que quis sair de casa. dona Marisa gesticulou com desdém e pouco caso. Ti ago não entendeu a situação. perguntou rude: O que significa isso?! Ele sentiu o rosto queimar. Atordoado e com os pensamentos desorganizados. Então marqu ei com o Tiago para trazê-los aqui hoje. Bem cedo eu estava mal. Mas o pior não foi isso.. Ao entrar para observar melhor. dominado por um mal-estar que não o deix ava organizar as idéias nem os pensamentos com soluções. preciso de você. a sua reconciliação com seus pais.. Neste fiz um escritório e. Mãe. avisando com voz bondosa: Preciso da sua ajuda. Sérgio! . Queria colo. É. mãe! . Rita caiu numa crise de choro e curvou-se sobre uma almofada. Ela gritou comigo.. mas não pos so. Aconteceu o seguinte: fiquei sabendo que ela e meu pai reclamavam a minha falta e o fato de não conhecerem esta casa. ele sentou-se ao lado de Rita.pediu Sérgio que mesmo atrapalhado..gritou Sérgio. Vira ndo-se para Sérgio e exibindo repugnância ao mostrar-lhe. ofendeu-os: É por causa dessas orgias que você vive socado aqu i?! Espere aí. agress . Arrancando forças do fundo da alma.. Mas hoje. Lembra quando eu falei o quanto minha mãe era fria e injusta? Lembro. Rita. mas trocou olhar com o irmão e correu atrás de sua mãe a fim d levá-la embora. Sua namorada não está.. com essa cara de assustado porque esqueceu que nós viríamos para cá hoje! Ainda be m que seu pai não veio! . a mãe saiu porta afora.pediu ao ser seguido . colocando-a novamente na sacola.sua volta. A amiga de vocês traz roupas íntimas e deixa em seu quarto! E você... tentou dizer: Eu e a Débora somos os melhores amigos da Rita e ela passa por uma situação difícil e .. a mulher foi para perto da cama de casal e pe gou com as pontas de dois dedos uma das peças de roupa íntima que estava no chão. fui ao apartamento da Débora e nós brigamos. . pois estava na sala sentado ao la do de Rita. fez com que a amiga se erguesse e o encarasse. abrindo a porta ao comentar: Este é o meu quarto.perguntou mais interessada em ajudá-lo. Sonhou novamente? .. mas deve chegar daqui a pouco. Sérgio estava incrédulo com o que acabava de acontecer. V enha . Depois iremos lá. comentou num tom amargo: É uma boa casa! Venha conhecer melhor . Planejei para a Débora vir a fim de melhora r o clima entre todos. É bem espaçosa. vejo essa cama de casal e você é solteiro. Por favor..Contou com a voz que imprimia cansaço: Esto u passando por um período de dúvidas com algumas decisões definitivas em minha vida.... Foi exigente. espere aí! Primeiro. a situação fica difícil. Eu acabei destruindo o seu dia. pois sei que o Tiago está enfrentando acusações e ofensas injus tas por sempre estar comigo. Aqui é a cozinha.respondeu agressiva. Nada disso! Espere. Pode parar.. E olhando para Rita petrificada. Eu gostaria de desaparecer agora.

tudo be m se ela não sabe cozinhar. 16 . Rita. ajude-me a supera r essa angústia.iva com as palavras.. A Dé não é assim.. des culpe-me por fazê-la passar por uma situação como essa. Como eu falei. Tem tanta coisa acontecendo comigo. Não quero que chore por causa do que aconteceu aqui. decidir-me. Nunca me importei em fazer determinados serviços domésticos nem de cozinhar. pelo amor de Deus! Ele sorriu satisfeito por induzi-la com agilidade e. tem iniciativa. Diante do silêncio... Aceitando a mão amiga. Eu já esperava que minha mãe fosse procurar alg uma coisa para me criticar.dis se. entonando na fala uma súplica e expressando no rosto uma exaustão triste. é questão de necessidade e de ter ajuda. Tive vontade de gritar.. Ela pode errar. Passei na sua casa e. como se não bastasse minha mãe fazer isso. Está calor e é bem saudável. é independente. Não é o que parece.. Conheço a Dé e sei o quanto ela é esforçada. Espere um pouco.. enquant conversamos. Ela sempre foi ponderada. Procurei manter a calma. Preciso que compreenda que a don a Marisa é orgulhosa... estendeu-lhe a mão e sorriu ao convidá-la: Venha! Estou morrendo de fome! . Sou homem.perguntou esmorecida.. acho que é questão de tempo. E. Sentado à sua frente. Entendo que veio de uma família rica. procurando c nversar: Foi isso o que te contei. mas continua tentando até aprender. Rita ofereceu leve sorriso e se ergueu. ela me disse que não cozinhava direito. era raro. Pronto.. Vamos lá para a cozinha e. já seria um bom começo . Mas. Por favor.. Sérgio? . . ela a charia outro motivo para brigar. eu estou com remorso po r ter falado um monte de coisas para a Débora e. Como posso ajudá-lo. Acho que ela está magoada comigo. Existem momentos em que a Débora fica atordoada... mas is so não me impede de me virar bem na cozinha.. afagando-a no rosto.afirmou bondoso. Dê um tempo para ela. Quando sair do banho terá de me socorrer.falou sentida.. enfrenta os desafios.. Sérgio demonstrou-se alegre.. sem ação. Pensando rápido e agindo de forma dissimulada. forçando-se ao ânimo para convencê-la.pediu. Está sendo difícil e u controlar minha vida. oferecendo-lhe algumas t arefas. Se pudesse me ouvir. estarei desmaiado! Prime iro vamos comer alguma coisa. Pelo fato de ela ver e acompanhar o que faço.. deveria aprender e prestar atenção para. Visivelmente con strangida e tentando esconder certo nervosismo.. por isso não me atende.. Estou me sentindo péssimo. Pegou -a pelos ombros como se brincasse e a conduziu ligeiramente para a cozinha enqua nto falava: Ah!.. Sérgio. Isso é muito estranho. Jamais gritou. ela falou em voz baixa. conseguiu distraí-la. Puxa! Hoje tem uma outra vida! Mora sozinha. Sérgio disfarçava suas preocupações. Veja. Não.. olhando-a nos olhos....Levantando -se.. ambiciosa. Sérgio? Você é minha amiga . Está calor e eu queria primeiro tomar um banho. isso para não admitir que não cozinha nada..falou. Rita . disse algumas coisas para el a e fui embora. ... Creio que o fat o de ficar sem emprego a afetou.. Mesmo assim. em uma emergência. às vezes. mas não se esforça para aprender o básico.. não precisou apre nder.. Não!. mas.. Rita deixou o sanduíche intacto. Esqueci completament e que o Tiago traria meus pais aqui. Não se sinta humilhada pelas acusações da minha mãe e. não passar apuros. frustrada e. Em que eu poderia ajudá-lo. gritar e reclamar. apre ido. Nunca vi a Débora reagir agressiva assim. preparamos um sanduíche natural. A não ser quand o os irmãos a perturbavam muito. Como foi difícil. Por favor. Foi o que ela queria! Foi por minha causa .Rita tentada pelo suicídio Ainda abatida e tomando somente pequenos goles de refrigerante. Nada foi por acaso. ofereceu meio sorris o e a chamou: Já é noite e não comemos nada até agora. Se você não estivesse aqui. deixar-me magoado e encontrou. quebrar alguma coisa. mas. Não foi sua culpa. mas nítida : Eu te ajudo sim. mas me cont rolei e...

Tentei falar com ela a tarde toda.. quando a Dé comentou o fato de vir morar com você. Só fica satisfeita e chorando preocupa da quando nós estamos doentes.. lavou as mãos.. Algumas vezes... discussões acaloradas e brigas. menos com alguém da nossa família. Não esquenta! Você sabe como ela é! Os olhos negros de Rita brilharam.. transmitindo certa amargura. Acho que vou fazer como o Sérgio. Virando-se para a amiga. sentou-se à extremidade da mesa e foi se s ervindo. Mas isso não é errado... Ele ficou chateado e não veio. pois é necessário assumirmos responsabilidad es.indagou o irmão. Não sei reconhecer. Quando eu estava no apartamento da Dé.. Deixei vários recados na caixa postal.. mas fiquei inquieta quando estava lá e. Acreditamos que pode aco ntecer com todo o mundo. Principalmente quando e la começa a se comportar agressiva. que é um lugar legal. O Marcílio e a Ana brigaram e a mãe queria que o pai fosse se meter. Discreto. vou sair daquela casa. Creio que a irmã começou a influenciá A Yara era uma pessoa bacana. Não. covarde. Rita percebeu o amigo apreensivo e decidiu omitir que Yara sempre falava de B reno para Débora. acho que a vi cheirando alguma coisa.. analisando os fatos. estou envergonhado com a nossa mãe.. Dizia que você queria uma emp regada. . através do espelho. mas. Essa influência é da Yara. Você viu alguma coisa? A Yara não fuma e nem faria isso no apartamento porque a Débora detesta cheiro de cigarro. mas. Ele havia trocado algumas palavras com a jovem enquanto o irmão mostrava a casa para sua mãe. com problemas. Ainda bem que nós já havíamos comentado o q uanto ela é indelicada e agressiva quando quer. Parec e que ela não gosta de nos ver progredir. Rita? Não posso afirmar. não damos notícias..perguntou preocupado.. Deixei vários recados. Você sabe.. Tiago foi até o banheiro. a Ya ra começou a ir lá com muita freqüência. na se . Ela não tem preocu o futuro nem responsabilidade e está tentando influenciar a Dé para esse tipo de com portamento.. A Dé gosta da irmã e acaba dando ouvi dos. brincando e sorrindo aliviado com a presença do irmão. Parece que isso a deixa feliz.. enquanto Sérgio perguntava: E a mãe? Ah. Como assim. eu acho. Oba! Tem lanche pra mim?! Não senhor! . Nem sabia por que ela estava ali.. Mas teve uma tarde que notei a Yara no banheiro com a porta meio abert a e.. argu mentou: Rita... Rita. levando recados de que ele queria vê-la. mas. Precisamos desse tipo de atividade.. aproveitar a vida. Eu não queria dizer isso a você. E lógico que não dev emos nos dedicar só a diversões e passeios.. Por que o pai não veio? . Era totalmente contra. Mas de vez em quando. Sabe... Bem.. E a Débora sabe disso?! . mas pode se dar mal por causa da irmã. de comportamento adequado e. Não entendo por que. Fica procurando motivos para reclamações. Não é como você pensa. a té agora a Débora não retornou minhas ligações. A Débora é ingênua para essas coisas e sabe. Não sei. Tiago sentiu que algo mais sério acontecia.. a Yara reagia.. Sérgio mergulhou em profundos e torturantes pensamentos. Isso pelo fato de já terem conversado antes sobre a história da Débora não saber cozinhar.. Porém não conversaram o suficiente.. não gosta de paz.disse Sérgio. pa ra te falar a verdade..Estou sendo paciente ao máximo... Parec e que a Yara perde a noção de responsabilidade. Havia um pó esbranquiça do em seu nariz.... De repente ela ficou alegre. Eu esqueci completamente que marcamos para você trazê-los hoje aqui. A mãe o chamou de irresponsável. mas mudou muito. como se pedisse a opinião da irmã. acredite. Não tolero.quis saber Tiago. E ntretanto a inesperada chegada de Tiago. divertir-se. Sérgio. porém a Dé não percebeu. exigente e nervosa.... mas. Eu não sei o que é. A Débora não é boba. Acho que a Yara faz uso de drogas. Cadê a Débora? . tirou-o das reflexões. Por exemplo. A idéia de diversão da Yara é outra. mas tem algo errado. O pai não foi e então. O que a Yara falava que a deixou intrigada? Sair. eufórica e queria que eu e a Dé fôssemos com ela a uma casa noturna.

indagou Sérgio.Vendo-a obedecer. andando de um lado para o outro. Preciso que me conte tudo. Nem se f or só uma parte do lanche. Sérgio explicou a Tiago exatamente tudo o que aconteceu na casa de Rita. Depois de todos os detalhe s.. A situação é delicada.. suavemente. eu. apes ar da fala mansa: Eu gostaria que a Débora estivesse aqui. Ei. Rita. minha amiga. O tempo está passando e precisamos ter uma boa conversa. Rita! Tenho inúmeras razões para crer nisso e uma perícia técnica em sua casa. ele pediu com bondade: É melhor comer.protestou o irmão. Sérgio ficou alerta todo o tempo. Tiago sentiu-se mal. Tiago! . Após o ocorrido de hoje. a jovem desatou a chorar. por isso sou responsável por não tomar qualquer providênc ia ainda! Ou você me obedece. Mas o irmão não lhe r espondeu de imediato.. ver melhoria na vida. vagarosamente. . que escondia entre os longos cabelos. falou sem trégua.murmurou ela entre o choro. um exam e de corpo de delito comprovariam minhas suspeitas.. Perdoe-me Rita. Inconformado. Rita. Rita! Somos amigos e não vou correr o risco!. Nós discutimos hoje cedo e acho que ela está magoada comigo. . Mesmo na cozinha. Puxando uma cadeira para p erto do sofá onde Rita sentava. tornou firme: Sou seu amigo. ..murmurou Tiago.. ou farei o que deveria ter feito..Virando-se pa ra a amiga. Entendo que esse estado de depressão extrema não a deixa ter esperança. Sérgio. Sérgio perguntou: Tudo bem? . Você não sabe o que aconteceu. enxergar o fim de uma dor insuportável pela perda de pessoas queridas.exclamou Sérgio também apreensivo. Você vai usar o banheiro do corredor e a porta deverá ficar aberta dez centíme tros. Acreditando que não seria notada. S . encarando-a firme: Apesar de saber e compreender m uito bem essa postura de pensamentos. Não tem mas . . Estava perplexo. Isso é necessário? .Percebendo que a amiga foi para a sala chorando e usava a toalha para secar o rosto. Aonde você vai? . Nada de banho. Fragilizada. o amigo pediu em tom brando: Desculpe-me por agir assim com você. O que você está fazendo?! Por que isso?! Ao vê-la sair do banheiro com uma toalha nas mãos.. mas somos amigos e o Tiago não é um estranho. eu não acredito que tenha feito àquilo sozinha . de ixou-o perturbado. para eu saber que decisão tomar. certo?! Ficarei aq ui! Pode ir! Com lágrimas correndo no rosto. pedindo baixinh o: Com licença. aqui e agora. por isso começaram a falar sobre assuntos corriqueiros. Tiago. Não é fácil mudar esse estado mental como um passe de mágica. Sérgio finalizou de forma mansa: Eu sei que a Rita está passando por um momento desesperador.Virando-se para a amiga.. O rapaz se levantou. franzindo a testa em sinal de desaprovação. petrificado. É sim. terá de agir conforme vo dizer... fui eu quem a tirou de sua casa.Vendo o irmão inquieto e exaltado. por favor. assustado com o que ouvia. a jovem a baixou a cabeça e foi para o banheiro. Rita levantou-se. Pode acreditar! Se fechar a porta. ele foi até ela. Estou com medo e preocupado de que tente de novo. considerando o imp acto sofrido..Voltando -se para a jovem... Tiago os seguiu e perguntou nervoso com a situação: O que está acontecendo aqui?! Dê um tempo. vou entrar lá. e mbora brando.. Preciso ir ao banheiro. pediu com gentileza: Olhe para mim. Fica na sua! Depois conversamos! . lançou-lhe um olhar autoritário e praticamente ordenou. E o fato de ela confessar que tentou suicídio.. Mas já que não está. A moça abaixou a cabeça e.Breve pausa e tornou: Eu gostaria muito que a Déb ora estivesse aqui. Se demorar muito e não responder ao meu chamado. Deve ser isso . Tiago.cretária. Sérgio! O que é isso?! . contrariado e incrédulo. Os irmãos se entreolharam e Tiago entendeu que não era um bom momento para qualqu er pergunta ou comentário. . vou arrombá-la e sabe que sou capaz disso! Ent endeu? Mas. Sérgio p ediu: É melhor se sentar. Ficou louco?! . observando-os. forçou-se a comer um pedaço do sanduíche.

. Ontem telefonei e soube que minha tia morreu. e ele não sabia o que dizer. Afastando-se do abraço de Tiago. Tiago se sobressaltou.. mas ele não deu trégua e fazia perguntas após p erguntas: Seus cabelos são bem compridos e quando você os prende é com uma presilha ou o que vocês mulheres chamam de bico de pato . ela pediu: Espere... não vai se importar em ter alimentos em casa.. Mais tranqüilo.. Ficamos noivos duas semanas atrás. mas. Não conseguiram me avisar por eu estar no apartamento da Dé e. Perdi meus pais em um acidente e stúpido. por que optou em tentar? . acostumado com as situações mais difíceis e infe lizes. mas Sérgio sinalizou.perguntou Sérgio. Não tenho ninguém. Teve a intenção de fazerlhe um afago.. Planejo u se matar daquele jeito? Mas. concatenando as idéias do irmão.. Não tenho nada a perder. Então pegou a mesma fita e enrolou os pulsos com os braços nas costas para não tentar rasgar o saco plástico no desespero da asfixia? . Sérgio permaneceu firme e calmo. Enquanto Sérgio permanecia atento ao encará-la. Mesmo sendo seu ami go. Só quero entender.chorou. e Sérgio continuou: Eu olhei tudo. Sérgio! Tanto faz morrer ou não!. Saberia esperar. Pensei em me matar e. Não era uma estranha. o rapaz permaneceu imóvel e socorreu-se em uma prece. ovos e outras coisas para sua provisão? Quem planej a se matar. Tratava-se de uma amiga pela qual tinha respeito.. a inquietude e a apreensão o dominava. e conforme os fatos. ela se recompôs e falou ao erguer o co rpo novamente: Eu queria sumir. Por que ligou o rádio? . em vez de se fazer um rabo de cavalo e torcê-los para cima ou prender com a presilha? Por que o tapete da sala estava r emexido? Por que tem essas marcas no pescoço e nos braços? Por que o hematoma no ros to? Como você explica ter amarrado as mãos nas costas com a fita e tê-la cortado com a faca. sem oferecer crédit o. Ligou o rádio bem alto. captou um brilho estranho nos olh os de Rita que se esforçava para dizer algo. morrer. mesmo gostando muito de você. Era uma rede de laticínios. Não. Então decidiu se asfixiar com um saco plástico. teve a idéia de se asfix iar e voltando até a cozinha pegou o saco plástico e a faca.. só observando. Não tenho mais nada. O que aconteceu? Não tenho razão para viver. inclinando-se sobre os próprios joelhos. Ao lado dela. rapidamente. permanecendo em rigoroso silêncio.. Sentia-se esfriar como se fosse desma iar. Mesmo sen tado. relaxando o corpo e fechando os olh os.. de repen te.. Por que não tentou se sui cidar na cozinha.. pegou a fita. mas ainda restava o meu irmão! . abraçou-a num gesto amigo. Sérgio falou em tom piedoso: Não posso ser cúmplice e responsável por algo tão evidente. Rita. desembrulhou as compras. estou certo? .. O rosto belo e agradável de Tiago parecia terrivelmente transtornado.Ela chorava.Ela não res pondia. Somente um choro forte e compulsivo sufocado na toalha que ela apertava contra o rosto. falando pausadamente. Pre ciso de um tempo. impedindo-o e o irmão obedeceu. O silêncio e a demor a pareciam eternos.implorou a moça..e não me convencer. ainda é tempo de eu tomar uma providência a r espeito. Tiago não suportou.. Por que eles estavam soltos e como se estivessem empurrados para dentro do saco.Alguns minutos e a jovem relatou: Meu pai e o irmão dele abr iram uma sociedade há muito tempo. Se queria morrer. Tentando ajudá-la. Tiago acomodou-se melhor para ouvi-la. perguntou tranqüilo: E então... O choro a interrompeu e a fez esconder o rosto na toalha. decidiu se matar... prendendo-o com uma fita adesiva larga daquelas que se cola ou prende caixas de papelão? Depois cortou a fita que e nrolou no pescoço com uma faca que encontrei sobre a mesa. .. Rita? Por que foi até a sala? Não sei!. Rita. O Rogério dependia de mim!. por que fo i ao mercado e comprou frutas. O Gust avo me deu muita força e.perguntou firme. Meu pa . dando-se ao trabalho de colocar a faca sobre a mesa? Como teve essa agili dade de contorcionista? Não! Chega! ... Aquele foi o momento.. Você chegou.. aquele era um conjunto de circunstâncias e condições bem diferentes por se envo lver emocionalmente. Encostando a cabeça no sofá. Depois. mas não guardou. Sem diz er nada... . Apesar de policial em atividade.. Tudo ia bem.. eu tenho de tomar uma providência. Não houve resposta. Eu pensei que poderia ter novamente uma família.. consideração e afetividade. Se tanto faz morrer ou não.. Pouco depois...a jovem implorou com um grito de lamento.

. . mas. Ele me bateu..... sendo comidos pelos vermes.perguntou sério e bem direto para ajudá-la.. receber o dinheiro e saber que eu não tinha mais ninguém para me amar . Quando voltei para casa.. Logo respirava fundo. hoje.. Ele foi cruel. recostou-se no ombro de Tiago e contou: Não vou negar que quero morrer! Minha vida não tem mais razão.. como se quisesse recuperar as forças. Foi severo e me atormentou quando disse que não adiantaria eu ganhar a ação. Aqueles de quem gostei estavam embaixo da terra.. Mas minha mãe começou a desconfiar do meu tio.. a jovem revelo u: Era muita dor! Fiquei fora de mim e. Gan hamos à causa. Restavam ainda os aluguéis de três casas que não foram vendidas. Minha sorte foi ter um emprego. Alugamos a outra.. O advogado moveu uma ação contra meu tio e foi fácil provar as suas falcatruas.. ele não devolveu o que nos pertencia por direito..murmurou desalentada e sem chorar. Eu queria acabar com aquele vazio. aquela que moro. Procurando esconder o rosto no peito do amigo. com minha vida.tornou ele.. Ele dizia que nosso tio me olhava com audácia. E depois?.. afagando-a ao imagi nar seu desespero... prosseguiu demonstrando repulsa: Mandei que fosse embora.. . mas ajudav a.. o que esse passado tem a ver com o que aconteceu hoje? . Rita fazia uma pausa vez ou outra.tornou o amigo.. me jogou contra a parede.. sempre secando as lágrimas que rolavam. . insensível e de sumano com as palavras. murmurou. Depois que amarrou minhas mãos nas costas.. Principalmente.... . É. .... Sua respiração ficou alterada e seu coração acelerado.Chorou. O dinheiro das cas as vendidas sumiu.. Não ganhava muito. Estranhos. Ele ligou o rádio bem alto... O contador cuidava dessa separação.. Eu não . Eu enlouquecia a cada minuto! Então ped i que me matasse de uma vez! . Seu irmão não gostava de ver o tio de vocês olhando-a como se a desejasse sexualmen te? . Não parava de dizer coisas que me deixavam desesperada ! Eu gritei! Briguei!.. Não me recordo bem.. Com o a justiça é lenta. Não sei como encontrei aquela fita e dei para ele.. N as vezes que nos encontrávamos. po is era maior e receberíamos mais.. . E a sua? Acho que aquele crápula nojento só queria nos provocar! Rita.perguntou Sérgio. mas meu tio teve direito de apelar para instâncias superiores. . F iquei atordoada. Parece que me u pai..... Meu irmão não suportava nosso tio. o Rogério cismava. Essa era a opinião do Rogério... Com o que. M as..i confiava demais no meu tio e.. porque não parava de falar. mas os negócios foram caindo e os prejuízos apareceram.... continuou: Não foi fáci l eu me inteirar dos assuntos de negócios. pois meu pai o depositou na conta da empresa de laticínios...Apesar do choro. Uma vontade imensa de morrer. Principalmente?.. O quê? .. Meus pais morreram no acidente. Mas?.. Pouco depois.. e prosseguia: O Rogério se revoltava às vezes. frio! Suas palavras pareciam me dominar.. .. Falava de um jeito dominador. Decidiu vendê-las e injetar dinheiro nos negócios. aquela angústia. Não agüentei tanta coisa!.. Aconteceu algo muito estranho com meus sentimentos.Alguns segundos e continuou: Ele propôs me ajudar.. Eu o emp urrei com o ombro e ia correr quando ele me segurou. Me beijou a força.Ela chorou e Tiago recostou a testa em sua cabeça. cheguei do merca do e me surpreendi com meu tio entrando na cozinha. Con tratei um advogado com o dinheiro que meu pai deixou em depósito numa aplicação para e u fazer a faculdade. Então. que não entendia nada... se eu quisesse. Isso foi me dominando conforme ele falava e f alava!.. começou a beijar meu pescoço. Mas. Convenci o Rogério p ara nos mudarmos para uma que era menor.. Não sei direito. tornando-se sócio majoritár io... A amiga chorou. Disse que não tinha dinheiro. queria comprar a parte do meu tio na sociedade e se livrar dele. Meu pai tinha mais de cinco casas muito boas e devidamente alugadas.. Nós brigamos..tornou Sérgio em voz baixa. convencido por minha mãe. Assim. a dor da solidão e as lembranças acabaram comigo..questionou Sérgio.. Era uma fo rça. ..indagou Sérgio.contava com a voz entrecortada pela dor. teríamos de esperar anos até um novo julgamento. Rita? . Insinuando-se com olhares e mo dos.

... Sentando-se direito .. Para que se sinta menos constrangida. perguntou: Depois de bater com a cabeça no chão. tentando lh e oferecer algum conforto.. como se quisesse se refugia r dentro dele.. . de seus sentimentos de angústia. Você me chamou. Ele p ermanecia com um lado de seu rosto encostado na cabeça de Rita. tentou envolvê-la para acalmá-la. É o seguinte. Depois. Sérgio foi rápido e a segurou pelos braços. mas ele me bateu forte no rosto. nós iremos à delegacia agora. Parecia entorpecida. sufocava e perd ia as forças sem conseguir me soltar. no rosto.. Estamos diante de um crime.perguntou sem piedade. Essa falta de ação mostra que ela não tem uma consciência exata do que se passa ao seu redor. mesmo quando desmaiou. Eu estava sem ar.conseguia soltar minhas mãos. vendo-a abrir os olhos. Não lembro.. lembro de você entrando. Rita. Saiu pela porta da cozinha e trancou por fora. Tiago levantou-se e interferiu. iremos à delegac . e u acho. pelo fato de você não saber o que aconteceu .tornou. parecendo exausto. suspirou fundo e. enojando-se com a sordidez de criaturas mentalmente enfermas. chamou-a para que reagisse.. Mais nada. mas na verdade ele tentou matá-la! Quando cheguei e a ressuscite i. Chega! Por favor. Rita... Ela vai melhorar. Desligando a música. Rita não percebeu a força que usava para abraçar Tiago. falando bem firme . Rita ... Tiago acomodou-se a seu lado sem dizer nada e Sérgio p areceu impiedoso ao continuar: Vejo que está melhor. seu tio abusou sexualmente de você?! . A in diferença ou inércia.murmurou após minutos. Rita entregou-se ao esmoreciment o. Se formos omissos. não a suportando ver em desespero. Sérgio esfregou o rosto com as mãos. . Sérgio pensou que ela fosse desmaiar.. exibem que chegou a um estresse extremo e seu corp o reagiu reduzindo incrivelmente sua sensibilidade. o que aconteceu? Não sei. Mesmo tendo desmaiado e não se recordando. Por um instante. Suas mãos pequenas e geladas tremiam e ele a ajudou levar o copo aos lábios pálidos.. Sérgio!... Tiago! . Rita bebeu alguns goles e em seguida recostou a ca beça no sofá. Levantando-se. ele a mantinha em seus braços. tirando-a das mãos do ir mão. Após longos minutos.. Rita não sabia o que fazer. Quase imóvel e silencioso. encarou o irmão parecendo indignado e irritado ao perguntar sem que a jovem ouvisse: Ela está em choque! E agora? Era isso o que queria? Fique calmo você também . a jovem ganhou cor na face e nos lábios. Características típicas de esferas bem inferiores. usou sua fragilidade momentânea e a induziu à prática do suicídio. concentrou-se para não se envolver sentimentalmente.. sei lá. queria u sar somente a razão e não a emoção.. Tentei agredi-lo e correr... Seu belo rosto estav a desfigurado como se perdesse os nobres traços de antes. e segurando-a. sentindose espiritualmente escravizada por uma sombra desconhecida. mesmo sent indo o coração disparar. mas não conseguia. Apesar de completamente calado.. Com entonação normal na voz. largou o corpo e fechou os olhos. mas se podia perce bê-lo contraído e sisudo enquanto mantinha os olhos cerrados. agarrando-se a Tiago. Com fala mansa e cuidado sa. Isso pôde aco ntecer. Ele só me olhava e ria. seus movimentos e atividades psíquicas.pediu Sérgio em tom brando. Na breve pausa. que é bem compri da e. mas. Não! Sérgio! Pare com isso! .. Não! Você apresenta marcas de agressão nos braços.intimou Tiago. Ela tentava se livr ar dele.falou nervoso. abandonando-se sem reação. esse caso é grave! Seu tio se aproveitou de s ua dor. você estava vestida com essa mesma saia modelo. e o amigo ajudou-a a se sentar. será cov ardia e cumplicidade! Isso não vai ficar assim e eu vou tomar as providências! Ele foi interrompido por um grito desesperador de Rita que se levantou com a intenção de sair correndo. Tiago chegou trazendo um copo com água adoçada e. espiritualmen te atormentadas e obscenas. E le espiou e acho que o viu e. Ach o que só acordei no quarto. neste caso.... ... pode ter alguma resposta através do seu corpo ou nas suas roupas. pediu p ara pegar o copo e beber a água. Caí e fiquei tonta porque minha cabeça pareceu arrebentar no chão. remoia seus pensa-men tos. que a dominou. Indiano.chorou.

. Está sozinha no mundo! Forçá-la a prestar queixa. ta? Ta. . chega! . Não importa.. desmaiar.... E deixá-lo sem uma punição? . Quer tomar um b anho.ela falou com a voz sufocada.disse Sérgio em tom piedoso. Só vou pedir ma coisa . Você foi vítima.. lágrimas rolaram em sua face enquanto acenou positivamente com a cabeça. abraçada aos próprios joelhos.murmurou indo para a suíte. Ao ficar soz inho com o irmão. Não vou! Não quero ir! Eu queria me matar.. Estou com nojo de mim. Virando-se para ela...insistiu Sérgio...vociferou Tiago.reclamou Sérgio. Não quero falar disso! Não quero lembrar isso. .. Foi. Pare e pense. Eu queria morrer e ele ia me ajudar!. Se é meu amigo como diz. continuam livres! Estou assustado com você.. Mas ele me bateu.. Sérgio! ... depois murmurou: Não tenho nada. Sérgio! . Acho que o vi. Não quero falar mais nada. Ajoelhou-se ao seu lado e a abraçou com carinho fraterno.. Foi aí que reagiu?! .. pegue suas roupas e fique à vontade. Se você visse como eu a encontrei!. minha querida... O que te deu? Fiquei revoltado com o cara.tornou Sérgio nervoso com a situação. .. afastando-a do abraço. Fiquei tonta... Não. Não há do que se envergonhar. protestou em tom moderado: Não acredito no que você fez.Sérgio se de teve por um sentimento de indignação e ódio. Deixe-a fazer como quer! Você não entende que. impiedoso..O irmão ficou pensativo e Tiago comentou: Você foi mui to duro com ela. Você não pode obrigá-la a denunciar um cr de estupro. exames e tudo mais é vio lentar a vontade dela! É constrangimento ilegal! Já não basta a Rita querer morrer?! O que acha que ela está pensando?! Mas esse infeliz precisava ser preso em flagrante! . O que é mais importante para você: prender o vagabundo em flagrante ou o bem-esta r psicológico da nossa amiga? . queria morrer.o irmão se impôs com olhar furioso. Sérgio. Precisamos tomar um a providência. não! ...tornou ele em tom bondoso. chama.. Mas não pensou que ele fosse beijá-la. Não! O que ele fez foi tentativa de homicídio! Isso é crime! Entendeu?! ..Imediatamente. Com suave sorriso. Por favor. Chega.interrompeu Tiago firme. vendo-a chorar. mas não tranque.. Pressionou-a tanto! Inquiriu de modo rígido. chorando em desespero. .. chorando por longos mi nutos um pranto doloroso e triste. Contrariado e nervoso.. passar por interrogatório.... Tiago! O que aquele desgraçado fez foi um crime! Sérgio.decidiu firme ao encará-lo.. Não! . desgraçados como ele. Depois contou com um brilho lacrimoso no olhar: Logo vi que seria impossível ela se amarrar daquele jeito e sozinha! Peguei .confessou.implorou. feche a por ta do quarto e do banheiro. sim! Vão pensar ou o advogado dele vai falar: se ela queria morrer qual o pro blema de ele a usar? Rita. A vítima precisa dar queixa por vontade própria! Não é um crime de ação públic As vítimas têm vergonha e é por isso que.ia da mulher e. Sérgio não conseguiu manter a firmeza que apresentava. Qualquer coisa.. Além disso..tornou ela chorando.expressou-se com doce compreensão no olhar e no tom de voz .. pode tê-la violentado! Não! Estou falando como seu amigo! Eu a considero como uma irmã! Você não sabe dizer o q ue aconteceu! Ou não quer admitir?! Não. Sérgio. Tiago aconsel hou: Então vá para o quarto do Sérgio. Há. Rita aceitou o ombro amigo... Rita.. trocar de roupa e relaxar um pouco? . mas não vou passar pela humilhação de contar essa história novamente. mas vejo que não está muito bem e pode se sentir mal. acariciá-la.. .. pára! ..interrompeu-o de imediato. Confio em você. . não vai me forçara nada.. Não tenho ninguém. ajudou-a a levantar e perguntou com brandura e delicadeza: Você está cansada. Sérgio andou de um lado para outro da sala.. Nem por exames!. Ela passou por muita pressão.

Parecia que tudo o irrita va. Mas fiquei. Beijando-lhe a testa. ofereceu brando sorriso antes de apagar a luz e saiu do quarto. comentando baixinho: Acreditei que nada iria mais me derrubar nesta vida. Não admito violência contra uma mul er e. Algo típico de violência e luta. Quero matar o desgraçado. Não conseguia parar de pensar em Débora. mas logo perguntou: Não posso levar a Rita embora e deixá-la sozinha. Aman hã conversamos. mas não é por isso que vou agredir. . Ainda na sala. mas nós estaremos com você.. escutou um choro. obrigada. Tiago prontificou-se em arrumar a cama no quarto de Sérgio.-a no colo e a levei para o quarto para acomodá-la na cama e. Vendo Rita à porta a conversa foi interrompida. Ao seu lado. fazendo com que a amiga se deitasse. Tirando a camiseta úmida de suor... Segundos depois. magoar e maltratar mais ainda a minha amiga. No entanto. Sentou-se e deu-lhe um abraço apertado e demorado. Ela se emocionou. Você ficou violento com as palavras. Que bom! Sabe.. por ser alguém que considero... teve certeza de que era Rita em seu quarto e correu até lá. pois foi um golpe duro. murmurando. Estou preocupado com ela e sem sono. os irmãos conversaram um pouco até Tiago sentir-se dominado pelo s ono e ir para o outro quarto.Débora flagra Sérgio dormindo com Rita Por horas Sérgio ficou completamente insone e ligou várias vezes para a namorada.. Em vez de nos desesperarmos e desistirmos devemos cavar uma saída. Sua vida não será como antes. Ficou refletindo sobre seu irmão reclamar da sua agressividade com a amiga e preocupou-se com isso. Agora durma. Quero que sa iba de uma coisa: você tem amigos que a querem muito bem. despertou-a de um sonho ruim. Qualquer coisa. muitas vezes nós nos vemos em um túnel escuro e sem recurso. Não. Não deixe o Sérgio fazer qualquer denúncia . Não.. Sem problemas! Então ela dorme no meu quarto e eu fico aqui no sofá. É só me chamar.disse Tiago com tranqüilidade.disse Sérgio em tom brando. Sempre te admirei por ser uma pessoa firme. por isso decidiu abrir a janela da sala para que a br isa da noite refrescasse o ambiente. imaginando o motivo de ela não telefonar ou ir até lá depois de tantos recados que ele deixou na caixa postal do celular e na se cretária eletrônica do apartamento. Aguçando os ouvidos.. Quero matar aquele desgraçado! Eu também quero . Rita. Está tudo bem? .. a saia que usava subiu e não pude deixar de notar marcas fortes na região interna das pernas. Eu sei. Apesar de longa.. O calor estava forte. Desculpe-me por ter sido tão cruel com você. Puxa! Nunca pensei que fosse tão difícil. Sérgio..tornou Tiago. e la falou baixinho: Quero pedir desculpas a vocês dois. por isso não vai ficar soz inha. Quer que ligue o ventilador? Não.. Você dorme por aqui? Claro. o rapaz a jogou no sofá e foi até a cozinha beber água. Não tem motivos para pedir desculpas. Não vou deixar. A jovem quase gritou ao respirar fundo acordando rápido e sentando-se bem ligei ra. Eu não o reconheci! Toma c uidado! O outro ficou pensativo por alguns minutos. Rita. 17 .. Boa noite! Boa noite . Acendendo a luz. Tiago a cobriu com leve lençol e perguntou: Está calor.. Tudo é recente e você vai s uperar. Talvez a Débora me ligue e. Acomodando-se. Está mais calma? Acho que consigo pensar melhor..... enquanto Sérgio tomou um banho e deitou-se no sofá... Sérgio falou generoso: Calma.respondeu. Rita . estarei aqui na sala.murmurou triste. gentil e algo arrependido. Não quer que eu fique no sofá? .

Além de vingar-se dele por não ter sido comparsa das maldades praticadas por alguns daq uele grupo no passado.A princípio.disse chorando. Está tudo bem. rapidamente afastou-se dela.exigiu. Rita entrou em pânico. Eu confiava em vocês dois como nunca confiei em alguém! Ao vê-la abrir a porta para sair. No entanto energias pesadas arrebataram o rapaz num sono irre sistível e ele adormeceu ali mesmo. Sabia entender o valor e a importância daquele desabafo. Fique tranqüila. Tive um pesadelo horrível! Espere. Sérgio a segurou firme pelo braço. .. Vem.. Não me deixe sozinha! Não apague a luz! Tudo bem. a porta da sala foi aberta com delic ado cuidado para não fazer barulho e fechada com a mesma cautela. Não foi fácil o amigo conseguir acalmá-la. Vou fazer uma surpresa! . incrivelmente amedrontada. Coitado! Deve ter se cansado de me esperar . Sem se conter. Correndo atrás dela.pediu com bondade. Na espiritualidade Sebastião e sua equipe de companheiros. Olhand o-a. reclamar e desabafar como se precisasse contar sobre sua vida. Levantando-se às pressas. mas decidiu demorar um pouco temendo que ela acordasse. sobrepondo o braço n os ombros da amiga que recostou o rosto em seu peito.. Ah! Não?! . deitado na cama abraçando-a!. mas acabou adormecendo sobre o ombro do amigo. vagarosamente. Débora ficou petrificada ao ver Rita deitada naquela cama e sobr e o ombro de Sérgio. Você está segura aqui.tent ou terminar a frase. Entrando na sala . Sérgio pensou em ajeitá-la e se levantar. enquanto colocava as sandálias. ele se aproximou da namorada. ela c omeçou falar. Depo is de vê-lo pôr a mão na face. Ela tirou as sandálias deixando-as na sala para não fazer ruídos e foi para a suíte. Alguns segun dos e a jovem abraçou-o com força chorando muito. colocando ambas as mãos para tampar a própria boca a fim de segurar um grito e o choro. Débora respirou fundo. pensava. Tire suas mãos de mim! . A postura estava incômoda para sua coluna e Sérgio se ajeitou.. Parando à porta.suplicou humilhantemente. ao virar para olhá-la novamente. ela o encarou com forte . enquanto ele inclinava a cabeça sobre a moça ao envolvê-la com o braço. mas sem machucála e pediu em tom de desespero: Por favor... Sent ou-se ao seu lado e percebeu que Rita não queria se recostar. Estou com medo! Não quero dormir! . Algum tempo depois. Imediatamente. A amiga teve outra crise de choro e se abraçou a ele. ele. Horas haviam passado quando. Tirando o braço da amiga que o envolvia. que estava paralisada à porta em verdadeiro choque pelo as sombro. moveu-se para acender um abajur na cômoda ao lado e apa gou a luz forte do quarto no interruptor perto da cabeceira da cama. cuidadoso. ela olhou para os lados como se não recordasse de tudo. Vou pegar alguns travesseiros aqui no armário para que fique quase sent ada . Débora sorriu ao ver a janela aberta e a suave luz que vinha do quarto do namora do. Rita ainda exibia medo. Sérgio tentou explicar: Débora. e sussurrou em desespero: Débora! Não julgue! Pelo amor de Deus! Você não sabe o que aconteceu! Vamos. Olhe para você! Sem ca misa. atuavam com incrível fervor. me ouça! Débora estava em pranto.gritou chorando.dizia Sérgio com generosidade.. Abraçava-o pela cintura. não é nada disso que está pensando! . foi interrompido.. Olhando para o lado viu Rita dormindo. mas reagiu furiosa e deu-lhe forte tapa no rosto. sobre as dificuldades enfrentadas desde quando perdeu os pais. e u. O verdadeiro propósito era desequilibrá-lo e a primeira coisa a fazer era deixar o rapaz sem estrutura emocional. secando as lágrimas no lençol. lentamente. mas ao tocá-la. O rapaz ajeitou os travesseiros para que ela se sentisse mais confortável. O objetivo era atrapalhar o máximo possível à vida de Sérgio a fim de que ele não cumprisse sua proposta reencarnatória. impressionantemente voltados para o mal. dando-lhe as costas e indo para a sala. Sérgio acordou e reconheceu a namorada perplexa fitando-o de for ma incrédula. Eu fico aqui. Encoste-se aqui . O que quer que eu pense?! Ela é minha amiga. Aos poucos Rita se acalmou e com a intenção de vê-la ador mecer.

Atraído pela conversação. induzindo-a a decisão de ir até a casa de Sérgio e ver o namorado deitado ao lado de sua melhor amiga. excessivamente abalada. o espírito Lúcia se comprazia imensamente com os últimos a contecimentos. Parecia sentir tanto nojo de mim. Tiago chegou à sala no momento em que Débora estapeou o namor ado. percebendo o irmão desolado e incrédulo aproximou-se e indagou ligeiro: O que aconteceu?! O outro... medo e estado atônito. atraindo Sérgio. mesmo com o coração opresso que palpit ava amargosa dor. quando esta dormia. Ao olharem. Sérgio i ria se desequilibrar. pegou suas roupas e saiu do recinto sem atender aos chamados de Tiago que confortava Rita. fazendo-o tomar uma postura incomum à sua personalidade ao produzir extremo sofrimento moral à amig a. gritou e chorou agindo de forma quase insana. Em seguida. Tomado de súbita revolta.. vagarosamente. que deixou seu coração piedoso envolver a a miga tão carente e. Perceben do Sérgio confuso e inquieto com os últimos acontecimentos. mas ela não quis me ouvir. sob o e feito de horrível pesadelo.murmurou Sérgio sem acreditar no que acontecia. pois as condições e o conjunto de acontecimento s. Com a ajuda do espírito Sebastião... foi até o quarto.dizendo isso. Sérgio não disse nada e saiu. diante das circunstâncias. No quarto. obrigando-a contar à verdade que nem lembrava pelo choque. ela saiu e foi embora sem olhar para trás. fazendo os pensamentos do rapaz se ocuparem com outras coi sas a fim de ele não olhar para trás após o barulho sutil da sacola tombando. afinal. Por que o destino lhe estava sendo tão cru el? Ele amava Débora com toda a força de sua alma. Mas o auge do sucesso das más influências e inspirações desses espíritos tão inferioriza os foi o envolvimento de Débora. Sérgio não percebia ou admitia que os estranhos acontecimentos eram facilitados e os sentimentos de angústia impostos por espíritos maus. Tiago tentou segurála e ao envolvê-la com cuidado foi vítima de vários murros e tapas que Rita desfechava em seu peito. Assim não foi difícil o espírito Sebastião atormentar a moça. . ele só viu aquela cena e não sabia o que estava acontecendo. Ela não acreditaria e m sua palavra ou em qualquer explicação. murmurou perplexo: Tentei explicar. Repentinamente um assomo de idéias e de lembranças terríveis invadiu seus pensament os. principalmente pelo seu amor por Débora. mas com sua própria irmã. eram indiscutíveis. Lentamente foi se acalmando e.gritou Tiago correndo atrás da amiga. Os irmãos estavam sentados no sofá e um vulto chamou-lhes a atenção. Sérgio ficou atordoado. mas ficou à distância sem ser visto para não se envolver. Trocando-se rápido. Meu Deus. Por se encontrar em uma situação em que o passado parecia bater-lhe à porta. Aproximando-se. * * * . Sérgio permanecia paralisado fazendo uma retrospectiva do pass ado em que a ex-namorada Sueli o encontrou em situação quase semelhante. momento em que esses companheiros espirituais envolver am dona Marisa para reagir abruptamente no quarto do filho e ofender a jovem Rit a já bem abalada com suas particularidades. algozes do passado e outros que não queriam ver realizadas as tarefas às quais ele se propôs e ajudariam a muitos . só vir am rapidamente Rita se virar e correr. não foi difícil inspirá-lo a m ostrar a casa para sua mãe. Enquanto tudo acontecia. Não sabia o que fazer. ela fez com que Sérgio se distraísse a o colocar as sacolas com as roupas de Rita sobre a cama sem os cuidados necessário s para que não virasse. a jovem teve uma forte crise de nervos e. parecendo em choque. Sentado na sala. contou tudo pausadamente. esvaído de força e ânimo. Naquele dia tudo se repetiu..mágoa intimando-o ao exigir entre os dentes cerrados: Tire suas mãos imundas de mim e nunca mais me procure! . Rita! Rita! . D epois. ela o abraçou forte e chorou muito. dominá-los pelo sono e p elo efeito de energias pesadas. Depois os mesmos espíritos inspiraram Sérg io a revoltar-se com os fatos e as condições que ocorreram com Rita. que a namorada presenciou. Tanto ódio.

.. P me adotar como sua mãe do coração. meu filho . mas se continha. A mulher se aproximou. sorrindo com brandura... tão elevada espiritualmente. Apreensivo diante da colocação. Ah!. meu filho. eu sabia que. ele sentiu amarg o gosto de decepção ao saber que o amigo não estava. Obrigado... porque toda árvore boa dá bon rutos . Sérgio. pouco entendimento. dona Antônia . Mas como Deus é sábio. quase marejados. Não demorou e lá estava ele sentado à mesa tomando uma xícara de chá com dona Antônia. . Atento c omo de costume. Você está sem rumo. Tantas coisas aconteceram repentinamente. Sabe.Deu leve sorriso e confessou: Já me pergun tei: por que a minha mãe não é como à senhora? Ou. .. . Sérgio. o desassossego queimaria sua alma.falou desanimado. a senhora não sabe o que estou passando. Sei que iss o está sendo insuportável. . q e oferecia: Aceita mais um pedaço de bolo? Não. bom e justo deixou-me adotá-lo como filh o do coração. mas não sou tão bom e e evado como à senhora imagina. Eu o adotei bem crescidinho! . Obrigado. Vem. meu filho. Sentia vontade de chorar. Obrigado.o rapaz sentiu um trav o na voz e lágrimas quentes brotando em seus olhos.riu com gosto.. mas. Não sei se posso afirmar que sofro algum tipo de influência dos espíritos maus ou s . mas. o rapaz se deixou conduzir como se algo envolvesse seus sentimentos e nublasse seus pensamentos conflitantes. dona Antônia. entre. Já reparei . Agradeci tanto a Deus por tê-lo encontrado e deixado que seus primeiros passos dentro do Espiritismo fossem sob a luz do pou co entendimento que tenho. mas eu sinto. Acredito que converso mai s com a senhora do que com a minha mãe.Após não encontrar Débora em seu apartamento nem conseguir falar com ela através de l igações para o celular. Está com a mente longe.afirmou. tribulações aconteceriam e o inevi tável sofrimento tentaria desgostá-lo de tudo.tentou dizer. dona Antônia.riu a senhora... Para não chorar fez-se firme e s uspirou fundo levantando a face para o teto e circunvagando o olhar para se dist rair. Eu já esperava por isso. É sim! Desde quando o João te trouxe aqui nesta casa. a aflição pelo fu turo indeterminado sejam as ferramentas de uma espécie de ataque espiritual invest ido contra você com a finalidade de atrapalhar os seus feitos. filho. filho. que te deu a vida. .Pequena pausa para ele refletir e continuou: Sérgio.. Sem entender o que acontecia consigo..Percebendo que o rapaz não compreendia... em dete rminado tempo. dona Antônia preocupou-se e avisou: Posso não saber detalhes do que está te fazendo sofrer. você é uma criatura tão boa. Como assim? Perdoe-me.. mas nunca deixe de amar a mãe que te trouxe ao mundo . Dona Antônia. Desculpe-me se não consigo ficar tão. Vós sois a Luz do mundo! .. pois não sabia o que fazer. É que. sentindo o coração oprimido. Talvez a incerteza. . Aind a estou sob o impacto de um choque. a mulher observou sem alarido: Você está abatido.pediu a dona da casa com agradável prazer. E sei também que não é por acaso que está aqu agora. Acho que precisamos conversar. por isso fico muito feliz quando vem aqui em casa. seus trabalhos dete rminados no auxílio. Sérgio. mãe de João. que eu gostaria que f osse meu filho legítimo. Sérgio ficou p aralisado e novamente a senhora o chamou: Entre! Ele não vai demorar. Não entendi. com toda a certeza. Antecipando a retomada do assunto. Sérgio sentiu-se desesperado e foi até a casa do amigo João. Recebido pela agradável dona Antônia. dona Antônia o abordou com delicada generosidade: Já reparou que eu gosto muito de chamá-lo de filho? Sim.. Sérgio comentou vacilante: A senhora conhece muitas coisas sobre a minha vida. mas pareceu desorientado e seus olhos estavam brilhantes..exclamou sorrindo. a impaciência. mas de prática cristã. Porque não podemos colher uvas de espinheiros . eu soube o quanto você era bom. Sinto-me lisonjeado pela consideração. pegou em seu braço e comentou com brandura: Venha. Entendo. Ora! Entre. Por que a senhora não é a minha mãe? Você é meu filho de coração. Em seguida falou bem séria: Você é e uz. Emanando indescritível tranqüilidade.

A senhora riu ao comentar: Vejo que l ivros que te dei! Agora fica mais fácil conversarmos. Por isso não pense que. mas sim com aqueles que es tão à minha volta. mas é bom lembrar que o espírito é a alma da criatura humana na espiritualida de. Como comentei. eu reagi de maneira muito e stranha do meu modo de ser. pois o corpo físico é o disfarce que usamos quando encarnados. mudarmos e nos reformarmos intimamente. você fará esse espírito se cansar. além disso . Não tenho muito estudo. Disseram isso agora nos meus pensamentos. po rém para o paciente a situação era um bicho de sete cabeças. vivi experiências espirituais quando morava na casa dos meus pai s. . nos últimos tempos. Com erteza.. E m O Livro dos Espíritos. Adquirir conhecimento através da Doutrina Espírita é fácil. mas sei que você. Mas isso se aprende com o tempo. provocando situações irreversíveis.em instrução. Depois desfechou: Então. Até porque nada aconteceu comigo diretamente. diz: Aquele que se julga perfeito está longe da perfeição . mas as principais variedades são: a obsessão simple s. A mulher ficou pensativa e silenciosa por longos minutos. as quai considero mais que alguns parentes acabam tendo problemas graves e ao tentar aj udar me envolvo em situações difíceis.Os dois sorriram e el continuou: Então ao adquirir conhecimento através de cursos e estudos sérios e sob a Luz da Doutrina Espírita. Não é só isso! Não é tão simples assim! . É isso. segurou a Débora como se a agredisse. usam sua preocupação ou o seu medo para te atormentar.. Daí vem o seu medo de sair da polícia e perde oportunidades de trabalho. você mantiver o caráter.Alguns segundos de reflexão e falou: Quando se chega ao ponto de fascinação. ele contou-lhe tudo o que aconteceu nos últimos tempos. e depois o preveniu : Você passa por uma obsessão. não é? . Sérgio. Isso acontece com médiuns que nem sabem que sã iuns. pode dizer que não tem algum defeito. magoá-lo e angustiá-l o. Você é médium. quando alguém morre. A influência e a inspiração salutar de seu anjo da guard a ou mentor podem afastar esses espíritos ignorantes e inferiores se.Olhando-a nos olhos. Veja. . Aliás. Tem que rez ar. Sérgio. Mas agindo pacificamente. Sérgio experimentou-se esv aído de forças e alternativas. perder a paciência. filho! Existem vários tipos de obsessão. Sérgio. a questão 192. É o que eu sinto. Esse sofrimento. É lógico que reagiu. demonstr ando calma com tudo que parece acontecer a fim de desiludi-lo. a obsessão pelo estado de fascinação e a obsessão de subjugação. dos encarnados. Como se procurasse refúgio naquele coração materno atento a o que o castigava. Não! Os e spíritos têm a invisibilidade a seu favor e agem nos pensamentos dos encarnados quan do encontram um terreno fértil. Isso é coisa bem fácil de ser feita por espíritos maus e sem evolução. para atingi-lo e deixá-lo aflito usam situações à sua volta com a intenção de perturbá-lo e cegá-lo para o q rto. Pessoas que são importantes. Depois que me mudei. todos somos em maior ou menor grau. Alguns com tarefas ost ensivas outros não. esse espírito será persistente e teimoso. tem gente que não admite ter o defeito de sempre acr . dona Antônia.Ele ficou pensativo e silencioso e dona Antônia expr essou-se melhor: Por exemplo. Não. Sim. esmurrou mesa. Não pode negar isso. é porque a pessoa já passou pelos outro s estágios de obsessão e o seu orgulho é o principal instrumento do espírito obsessor qu e pode arrastá-la à obsessão por subjugação. já esteve diante de casos simples demais. Mas uma coisa é certa: a aquisição de informações e instruções através dos livros da icação Espírita é uma atitude de grandioso valor em caso de obsessão.. Você acredita? Lógico! Acho que sei como é. Quem. pois já superou sua prova. Não sei o que fazer. como psicólogo. com a mudança de pensamento e comportamento você provará ao es pírito obsessor que quer perturbá-lo que não será mais possível enganar e abalar você. Como contei. o pensamento elevado e a fé constante. gritou. a moral. e somente se . Temos tantas deficiên ias que não é fácil admiti-las. essa angústia ue vive agora é por coisas que aconteceram para você. O espírito obsessor é o único que consegue t a nossa máscara. É bom que você admita seus erros. vira santo ou vai para o céu. O João comentou isso com a senhora? Não. Só a mudança de pensame comportamento pode nos livrar de qualquer tipo de obsessão. algum hábito ruim. Sei que já estu ou isso. as energias e ele sairá da sua v ida ou será retirado por entidades mais elevadas para ser encaminhado a lugar propíc io.. Difícil é mudar verdadeira te o comportamento. tudo ficou mais calmo até a Débora ficar sem emprego. algum a falta de caridade? Quem?! .

.. nossos vícios se identificarem com os fluid os dos espíritos inferiores. . Débora! Precisamos nos ver! Você não sabe o que aconteceu. O rapaz sorriu levemente. pois provocou seus sentimentos e o deixou se ridicularizar. Mas.. E agora? Ainda não tenho qualquer solução. como se estivesse com febre. Ele só se afasta e observa a sua inclinação às inspirações do espírito inferior. E se não encontrar a moça como pretende? Você tem que pensar em todas as pos sibilidades. a senhora sabe! Às vezes nossos planos não seguem conforme queremos. Ele levantou o olhar parecendo beber-lhe os elevad os conselhos. suplicar para que os espíritos bons e evoluídos se liguem a nós. Isso mostra q ue você é um ser humano em evolução e necessita ter bom-senso diante dos fatos.tornou ela com paciência peculiar. criticam a atitude dos companheiros de jornada. O rapaz tomou alguns goles.. Isso significa que o espírito obsessor arrancou a minha máscara? Sim. por favor.puro silêncio. E eu não sei como tem coragem de tentar s e explicar depois de tudo o que ela viu! É muita cara-de-pau! Yara. rogar. nossas más tendências. Rendendo-se ao seu maior temor. quem acr edita estar ao seu lado? O seu anjo da guarda ou um espírito sem evolução que quer seu mal? Sérgio riu e comentou: Meu mentor ou anjo da guarda deve ir para bem longe! Não. Sentia minha cabeça literalmente q uente. mas poucos ficam alerta. O que vai fazer? . O que você quer? Yara. não desligue . Mas nem quer ouvir a sua voz. a senhora ofereceu: Ligue daqui mesmo. Por favor. Em alguns não faltam somente à caridade material. Outros o hábito ruim do mau pensam ento. do ciúme. do desejo de que um conhecido não tenha sucesso. sendo vi gilante nas atitudes. não julgue. chegando ao extremo de agir e reagir como você realmente é. fazer nossa ref orma íntima para nos afastarmos das más inspirações. mas a caridade por não demonstrar pieda de com a língua afiada que comenta o que não se deve. Não é um assunto para ser conversado por tel efone.. o espírito obse r produziu impressões em seus pensamentos e você não suportou o tormento. Ela está com você? Está sim. jamais nos elevaremos para que as boas entidades nos inspirem. do desrespeito. E eles acreditam que nenhum ma l fazem com a língua enquanto ferem o próprio espírito por suas más tendências.. Até para situações imprevistas. depois comentou: Cheguei aqui com os pensamentos fervilhando. Quem sabe ela tem alguma informação..disse a moça friamente. pois precisaremos manter o controle. ele ligou para o celular de Yara e foi atendido: Eu já esperava por sua ligação. coma ndar as emoções. Preciso encontrar a Débora e esclarecer tudo.. Não conseguia organizar as idéias e... . dona Antônia serviu-lhe mais chá e aguardou.editar que tem razão em tudo ou que conhece tudo. preste atenção e. concordando positivamente ao acenar a cabeça.. Depois ele prossegui u: Eu preciso falar com a Débora. O tele fone do apartamento da namorada não era atendido e o mesmo acontecia com o celular .. Adoro a Débora.. mas se não tiver escolha. respirou fundo e foi até a sala como proposto.. Respeitando sua reflexão no semblante preocupado. por isso devemos nos prepara r para tudo. mas sinto que posso organizar as prioridades. Sérgio . ou seja. Como últ ima alternativa. Sérgio sentiu-se estremecer. Não sei. mas a empregada avisou que a jovem havia saído. maldizem sobre a vida alheia. Vá! Fique à vontade. deixe-me falar com a Débora! Longos segundos e escutou: Alô?.. mas enquanto nossos pensamentos... Se não encontrá-la. pensamentos e reações. Muitos rec ebem advertências por seus defeitos e vícios. Sérgio telefonou para a casa dos pais de Débora e pediu para falar com Yara.Breve pausa e advertiu bem séria: Se você sufocou suas verdadeiras reações até hoje. pois não sabe de nada. Logo anunciou: Vou novamente até o apartamento da Débora e se não estiver lá vou para casa e ligarei para a Yara. a irmã dela. Nos momentos em que se irrita. Não fique apreensivo até chegar lá. Apontando para a sala como se pressentisse algo. Temos que mudar nossa forma de pensar e agir..

.afirmou com voz de choro. com fala mansa e meticulosa. Essa menina. .. Não tem idéia de como me fez sofrer. . Dona Antônia olhou para o filho e aconselhou: O almoço está quase pronto. . Preciso ir para. ainda sob o efeito de sérias preocupações. .tornou a senhora. Largando-se ao recostar no sofá..perguntou Sérgio. pois minha vontade é morrer! Não temos nada para conversar. pelo amor de Deus... Sérgio se sentiu derrotado... pediu: Descul pem-me por incomodar. contou: A Débora não quer me ver mais.disse dona Antônia. Não poderia ser mais cruel. Preciso ir.. Sérgio! . Sérgio? .. Convide os dois . desumano. . Dona Antônia espiou a distância e decidiu não incomodá-lo com perguntas. Me atraiu até sua casa para vê-lo com a Rita. Depois de tudo não será bom que ela fique em sua c asa. Sérgio?! Eu te amo. Ora.. Ora. mas está de férias. ergunte para alguma mulher o que significa ser trocada por outra.. Minha melhor amiga! Como fui idiot a ao me deixar enganar! O que vai inventar agora? Que a Rita estava se sentindo só?! Que ela queria morrer?! Que ela apareceu no meio da madrugada pensando em sui cídio e por isso foi dormir com você e na nossa cama?! Não fale assim. Sim. . na sec retária eletrônica de seu apartamento?! Eu estava desesperado atrás de você para que fos se até a minha casa! Depois da forma como me tratou em meu apartamento?! Não poderia se vingar de mi m de forma mais cruel pelo fato de eu gritar com você! Você foi insensível.. O colega abriu os olhos avermelhados...... O que aconteceu com a Rita? .. Sentindo-se atordoado. Débora! Por favor. vamos conversar pessoalmente! Meu irmão estava na m inha casa!.. Débora desligou.... Eu te imploro. João o chamou: Sérgio?. O que vou dizer para ela? . Dona Antônia explicoulhe abreviadamente o acontecido e. Essa menina é simpática e eu gosto de comp anhia.. após algum tempo. Sérgio! O que precisa resolver pode ser adiado e é até melhor que seja assim.Levantando-se. parecendo suplicar. menino!..exclamou João conduzindo-o para o quarto.quis saber João. Eu mesma vi! Não precisa me contar! Débora.. ser enganada. Sérgio bebia vagarosamente o c fé oferecido quando dona Antônia comentou: Eu estive pensando.. não é. deixando-o imerso em seus pensamentos.. Por que não a traz para cá hoje para me visitar? Dona Antônia.tentou argumentar.. A Rita não deve ficar sozinha... Leve o Sérgio para o seu quarto e ele te conta tudo. A senhora não está pensando em. Obrigado.... Você acabou com a minha fé. com a minha esperança em algo melhor. Mas. pois terá mais tempo para pensar sem perturbar a menina . Como quer que eu fale. fechou os olhos dese jando sumir. Sérgio se deixou guiar e. Sérgio? Esse é o meu problema.chorava. desaparecer.. não tem ninguém e pelo que entendi não é b om que fique sozinha. * * * Após o almoço.. seu irmão estará lá e tudo mais calmo. Não estou pensando nada.. Não. Mas.... Mais de uma hora havia passado quando o amigo João chegou.Ah!. pense! Quantos recados deixei em seu celular. bem mais à vontade contou ao ami go tudo o que havia acontecido. Pobre moça. Ela trabalha. Estou arrasado. Justamente quando eu passo por um momento tão difícil.. Você não sabe o que fez comigo. Cabisbaixo. . De pois vocês vêm para almoçar. Sei sim! . Não tem mas . mas saiba que você acabou com a minha vida! No segundo imediato. Assim que chegar a sua casa. Vamos conversar junto do Tiago e da Rita para esclarecermos tudo. a Rita.. acomodou-se corretamente e esfregou o r osto com as mãos.pedia.

Se o que te aconteceu é uma prova ou uma expiação. Aceite os desafios com r esponsabilidade.Os olhos de Deus o. abaixando o olhar. 18 . mas sei que tenho um a njo da guarda ou mentor e entendi que não estou só. mas. Sérgio ficou relutante. Então busquei socorro na questão e na resposta completa de O Livro dos Espíritos. Nele. pois essa meta é o próprio Deus. mas João o encorajou e ele fez o proposto quase mecanicam ente. o rapaz sentia-se melhor. Se tenho talentos. Se tenho instrução... coragem e fé dentro dos conceitos Cristãos a fim de cumprir com seu propósito nesta existência terrena. João completou: Mas não pode parar sua vida por conta de tudo. to e: us Na tarde do dia seguinte. devo educar. não humilhado. Sua mente ficou receptiva ao ambiente vibratório elevado e à linguagem simples so bre temas e aconselhamentos tão importantes em busca de soluções. É que o suporte ostentand o o cartão me chamou a atenção. Isso atraiu entidades nobres que os envolveram em um círculo de e nergias balsâmicas e elevadas. A única criatura que pode tirar a sua coragem é você mesmo. ou seja. Apesar da dor posso reagir com o s seus conselhos sábios se eu não ficar em crise.. .O Livro dos Espíritos. Sérgio! Desculpe-me a invasão e por xeretar sua mesa. mas humilde. Em momentos difíceis lembramos qu e Deus vê tudo. Não penseis em lhes ocultar nada. apesar das circunstâncias. eu não me contentei só com o trecho.para me visitarem e venham para cá. Meu espírito protetor jamais me aban donará se eu me sustentar com coragem e prece para as provações da vida. Um profundo silêncio reinou naquela sala com as palavras que ofereceram um gost o de coragem. Não. pois eles são os olhos de De e não os podeis enganar! .respondeu Sérgio em tom triste.Encarando João. Como entendi em O Livro dos Espíritos eu tenho uma meta à qual não posso fa ltar. apesar das preocup ações. porém em total bênção do esquecimento na presente encarnação. por não vê-l ia saindo quando olhou sem pretensões sobre a mesa do amigo e viu um cartão escri com uma bela letra e sobreposto em um suporte que chamou sua atenção. Realmente. devo instruir. porque somente assim estarei sendo Cristão. Preocupado com a Rita.anjos da guarda. Sérgio saboreava uma conscientização espi ritual e moral bem elevada no caminho a seguir.. resposta da questão 495.. João sorria admirado.. se está pagand por algum débito do passado ou sofrendo uma obsessão. . ela não atende. mas é preciso aguardar e isso é o mais doloroso. é uma mensagem de considerável reflexão. No plano espiritual. lia-s . surpreendendo-o: Olá! E aí? Tudo bem? Oi.Sérgio fez breve pausa e desabafou: Eu adoro a Débora. Adorei e fiquei admirado. Após a conversa com a sábia senhora. Não vou dizer que deixei de sofrer. siga adiante e evolua. é o desígnio que Ele traçou para mim de ac ordo com as minhas forças. Desde quando a vi pela primeira vez!. é seu dever crer em Deus e segu ir humilde. Após longo silêncio. simpáticos aos encarnados e seus re . amando e valorizando o que o p róprio Mestre Jesus exemplificou. João adentrou na sala onde Sérgio clinicava e.repetiu reforçando. Parar para lamentar só fará a minha jornada mais tri ste. Siga os ens inamentos do Mestre Jesus. Estou aflito com o que não consegui explic ar a ela. Tenho várias para meditação e a que casualmente peguei hoje é es a. . a letra é bonita e a frase de profunda reflexão. ele parecia se desprender do que o segurava para a realização de seus propósitos na atual encarnação: a obsessão. Essas forças energéticas que se fizeram em torno de Sérgi o foram alimentadas por sua postura mental peculiar que veio do âmago de seu ser e foi aprimorada através de diversas existências corpóreas nas quais se empenhou para e voluir. pois não estamos aqui por mero acaso.. quando Sérgio entrou. Ent endi melhor o que vivo.perguntou o amigo. pois se ele e stá ao meu lado é por ordem de Deus. São as frases do dia. explicações e criações me is construtivas. por amor e a fim de que eu não pare. Logo explicou: Acho q ue ao identificar o número que está ligando.. pois. novamente comentou: Ao pegar essa frase para meditação hoje. a união de bons espíritos. Mesmo com o sofrimento íntimo.. Conseguiu falar com a Débora? .. longa e sem propósitos.

O espírito Sebastião estava revoltado.Depois de rir... Entretanto não posso continuar vivendo em função de uma pessoa qu e despreza ouvir a minha versão dos fatos.Pequena pausa. torturava e c ulpava por não conseguir atormentar Sérgio nem aproximar-se dele a fim de absorver-l he as energias físicas e espirituais para enfraquecê-lo e atacá-lo mentalmente... Senti como se estivesse abandonando a minha amiga quando a deixei lá.. Ele os afligia. educada e mudou muito de ontem para hoje. mas ao mesmo tempo em que defendiam a resignação. o espírito Sebas protestava e enfrentava uma energia que o repelia dali. Quase me esqueci. atuavam neutralizando a ação dos maus. avisou em vibrações cavernosas: Não sei o que te aconteceu. Por insistir nos objetivos de má influência nos pensamentos do encarnado e.. desgraçado! Mas tenha certeza de que eu voltarei para acabar com você! Se não consigo te abalar.. Não podia ver a presença das entidades mais el evadas que estavam ali por ligarem-se aos encarnados pela postura mental e disce rnimento. Só os que experimentam o mais alto grau de esquizofrenia não sentem n em sofrem. sem o sofriment o aflitivo.. . Sebastião desapareceu seguido por seus acompanhant es como um aglomerado das mais profundas trevas. E. busca ndo estruturação e referências para prosseguir com minha vida até tudo se acertar. os esclarecimentos obtidos na Codificação Espírita me ajudaram imensamente. tentando fazê-la acreditar no que ela não quer. . Seus gritos repetitivos como os de um verdadeiro louco estremeciam os que se uniam a ele. Peguei O Livro dos Espírito s. A ausência de espíritos inferiores deixou o ambiente mais leve e sereno. para as separações.exclamou Sérgio repentinamente. sei como vou te enlouquecer! Após outro urro repleto de ódio. da sublime energia do ambiente. Está sendo difícil. Senti-me muito melhor depois. Berros em onda s vibratórias que causavam terror e gemidos de medo entre alguns de seus seguidore s. Nunca pens ei que pudesse existir um sentimento tão forte como esse.. Senti o quanto à postura mental nos faz adquirir resistência e imunidad e psíquica contra pensamentos que nos doem na alma. as recordações. E pela primeir a vez. Sabe. fazend o-o sofrer e vampirizando suas forças.murmurou João satisfeito. João sorri u e perguntou: O que aconteceu com você de ontem para hoje? Não dormi. Apre ndi a orar de todo meu coração e a ter mais fé. com leve tristeza no olhar e falou em voz baixa: Eu adoro a Débora. contou: Ah!. Eles não podiam ver. mas em vez de deixar meus pensamentos e m brasa e me revirando na cama. Não conseguimos passar pelo sofrimento sem sofrer. Mas!. Não pos so ficar parado lamentando nem correndo atrás da Débora.. .. O Livro dos Médiuns e comecei a ler. verdadeiros escravos. Mostra-se sociável. Uma questão ou ensinamento me levava a busca r outro e. Você sabe como a dona Antônia é! Logo cedo. com aquele jeitinho que só minha mãe tem. Vamos lá! . por c onseqüência. de sofrimento. não nego. o respeito às leis de harmonização e o amor aos propósitos abraçados com todo o coração. Incapaz de reconhecer-se mau. mas tud o é recente e sei que com o tempo encontrarei recursos para não me torturar tanto co m as lembranças. explicou Sérgio. O conhecimento que tenho sobre o mundo espiri tual. o espírit o Sebastião sentiu-se enfraquecido e algo como que uma vertigem o fez dobrar os jo elhos que pareceram forçados a forte pancada no chão. olhando para Sérgio. Diga. sorriu e comentou: Nossa! C omo você e a dona Antônia me ajudaram. inesperadamente. eu as vi fazendo planos de saír em para comprar nem sei o quê! Minha mãe envolve as pessoas de um modo impressionant e! Parece que a Rita mora lá em casa há meses! Depois a dona Antônia avisou que o Tiag o se comprometeu em passar lá e levar a Rita à universidade. E seguindo em frente.Suspirou fundo. o pobre e ignorante Sebastião agredia e golpeava os que permaneciam como que escravos de sua mente.. na maldade e tantos outros vícios. Mas eu posso vivenciar as condições desse sofrimento sem desespero. Como ser humano e como psicólogo eu sei que não somos e não estamos preparados para as per das. Estou vendo! . Fiquei completamente insone. Por isso elaborei uma postura mental na qual reconheço minhas def iciências e busco equilíbrio constante que me ajude a viver sem ela. Sebastião recuou sob o e feito de um choque que lhe penetrou nas fibras mais íntimas do ser. É um período de dor. É. após milênios endurecido no orgulho. Enfraquecido... como a Rita está? Apresenta-se bem. decidi levantar e ler.spectivos mentores.. . João.. rosnou feito um bicho enquanto se levantou e.

sorriu. Não é fácil obter aprovação do pedido de féri tão rápido assim.riu. Vou até lá dizendo que você propositadamente não me deu o recado e ficou me enrolando. João! O Nivaldo é testemunha! .. não posso mentir. Comovido. Fiquei tão surpreso... Não podia deixá-la morando com você nem que voltasse para ca a e ficasse sozinha. Rita! Tudo bem? . Mas vou dar um jeito nisso.. chamou-o olhando-o firme.. Muito me admira. E se ela vier conversar sobre isso comigo? Eu duvido. sempre damos um jeito. Em seguida. com lágrimas correndo pela face. Em seguida. E como ajuda! E de repente.. Isso é verdade! .. . vo cê e o Tiago. pa ra não dizer que me assusta. implorei!. Chegará à hora ce rta.. Quase desi sti do curso universitário por causa do serviço na polícia. de ver alguns profissionais psicólogos clinicarem sem f azer a supervisão acompanhada por um Doutor Psicólogo ou Psiquiatra mais experiente e que nos leva a outro mundo completamente fora.. eu. E quando reclamamos da supervisão re comendada. Desculpe-me..concordou João.. Afastando-se. montamos a clínica! .. Prometo! Hoje mesmo. a supervisão é importante e oferece segurança ao Psicólogo muito mais ao paciente. de fazer terapia?. Eu te prejudiquei muito com a Débora. Nossa! Como me lembro de seu trabalho de conclusão de curs o. Explique que houve uma situação delicada e que na universidade não é o local . Além de simples. coisas qu e se encontram somente na prática.. Quase não acre ditei que conseguiria fazer aqueles estágios para licenciatura docente. Eles riram e saíram juntos da sala. tornou a perguntar: Você está bem? Estou. Vamos deixar a situação esfriar. esse foi atender ao telefone e Sérgio logo se deparo u com Rita. Oi. Agora vai! . eu tentei falar com a Débora nem sei quantas vezes! Pedi.perguntou Sérgio.disse rindo. minha miga.Sérgio elogiou. na sala de aula.Subitam ente avisou: Ah! Consegui minhas férias para daqui a uma semana! Quase ia me esque cendo de contar! Sabe. *** Mais tarde Sérgio decidiu ir até a casa de dona Antônia para saber como Rita estava ... Sem problemas . Rita.. Eu não tinha alternativa.. Durante o trajeto João comentou: O tempo passa tão rápido! Outro dia estávamos prestando vestibular... Depois falou sério: Você vai até lá para e tudar e não conversar sobre o que não é conveniente num local como aquele. fazíamos os estágios e. . encontramos alternat ivas. A dona Antônia é maravilhosa! Ei! Você não tem pacientes agora à tarde? Não. Ei! Ei! Ei! . por cinco anos.defendeu-se rindo. se insistimos.Nada é por acaso. João avisou: Nossa. Sérgio. sussurrando. na habilidade adquirida com o exercício constante na profissão. ela. Foi incrível! O melhor! Que exagero. Depois. Somos amigos dela e amigos de verdade não se abandonam. que estava pronta para ir à universidade e Tiago a esperava. Entrando na casa do amigo. você não é ingênua e sabe que estou sofrendo sim. Faz teorias e suposições. Parabéns! Queira Deus que nesse período você consiga seu pedido de demissão aprovado! Já pensou?! Quem sabe? Hoje entrei com nova solicitação. Certo? Mas. As duas pacientes eram mãe e filha e cancelaram por luto na família. . Veja. abraçou-a com generosidade. sentindo-se envergonhada: Sérgio.murmurou com voz fraca.. Eles continuaram conversando até chegarem ao destino... É ela q uem não quer saber a verdade..admirou-se Sérgio.. Mas. Levando a mão na cabeça e franzindo o rosto em sinal de lamentação. beijando-a no rosto. Sérgio! Esqueci! O doutor Edison pediu para falar com você. embalando-a co m gesto afetuoso. peça para que conversemos nós quatro juntos: eu. Não sabíamos que era e é a cois a mais importante em nosso trabalho e o que mais nos ajuda..interrompeu-a. É fácil desistir. A supervisão com o doutor Edison é excelente! . É. Em todo caso. mas achei que estava com paciente e. quando piscamos .... ele pôde ver seus olhos lacrimosos.

prazeres. Cientificamente o tempo é importante para que se possa estudar a parte experimental das manifestações gerais.. Em alguns momentos. Então desisti. Tiago se aproximou e lembrou: Vai chegar atrasada se não formos agora. Sérgio sentou-se direito e falou de mod o mais animado: Eu quero aprender mais sobre Espiritismo. mentem adotando falsamente o nome de espíritos que. abraçou-a. sempre com o desejo de instruir e elevar a moral dos encarnados. Ignoram os livros da Codificação Espírita e confundem tudo! Não admitem que o estudo da Codificação feito em grupo e com um expositor.. que é pensar e repensar. Assim como as pessoas. com grupos de estudo r espeitáveis que se dispõem ao conhecimento mais profundo da Codificação Espírita. Desistiu? Você gosta dessa moça e ela de você! . O melhor é você fazer os cursos. Só uma vez por semana?! Pára o estudo. freqüentemente brinc am. Se a Débora quiser. Ela é um amor de menina! Curvou e recostou o rosto carinhosamente no ombro da mulher e murmurou: Se não fosse à senhora. Li e reli os livros qu e a senhora me deu.Mudando rapidamente de assunto. Sou eu que deve agradecer sua confiança.adequado para ela saber de tudo. Devo voltar às carteiras primárias da escola! . Mas deve ir assistir às palestras evangélicas que servirão de com plemento aos conhecimentos adquiridos. Tiago estapeou as costas do ir mão e se foram. No início poderão parecer água com açúcar. ac omodou-se e o puxou com generosidade materna ao falar: Já sei que você quer colo. foram pessoas veneráveis e importantes. fazem acusações indevidas. beijoua no rosto e agradeceu: Obrigado por tudo. . Não! .. Tem gente que leu um ou dois romances espíritas e acha que já sabe tu do.correspondeu ao sorriso. . Por exemplo: os espíritos superiores gostam de reuniões. Fazendo-o se sentar.. levando o rapaz para o sofá. as manifestações fúteis. por duas horas mais ou menos. quando encarna dos. É uma dor de verdade. irei buscá-las e conversaremos na minha casa. Somente assim será capaz de reconhecer uma mistificação. vem! . O que.. Ou ela não gosta de mim o suficiente para ouvir minhas explicações e depois tirar s uas conclusões ou então está se deixando influenciar pela opinião da irmã ou sei lá mais de quem!. Fechou os olhos enquanto a bondosa senhora afagava-lhe o rosto de belo contorno e sussurrou: Tanta coisa aconteceu na minha vida em tão pouco tempo.. levando os encarnados ao erro. nada radical.. os espíritos se atraem por simpatizarem com a naturez a moral do ambiente ou da criatura humana que tenha os mesmos gostos. mistificam.. intuitos.. mas quero ampliar meus conhecimentos.. Não queira correr e aprender tudo de uma ve z.. Está bem assim? Rita pendeu com a cabeça concordando. com basta nte conhecimento e sendo uma pessoa bem flexível. Sérgio? . .chamou-o. às prática s não dignas. O tempo entre uma aula e outra é bom e necessário para filosofar. uma espécie de professor. uma far sa. mas ito necessários...brincou sorrindo. Olhando para dona Antônia que os observava. Sérgio se aproximou. Bem.admirou-se dona Antônia. paixões inferiores. Liguei para a Débora várias vezes e ela não atendeu. é muito importante..distúrbio de personalidade. Uma vez por semana não é pouco para o estudo? O Espiritismo é uma filosofia e uma ciência. Em um centro Espírita sério. dão falsas esperanças e comume te elogiam os encarnados ressaltando-lhes o orgulho e a vaidade.. inúteis de espíritos baderneiros e médiuns mentirosos ou orgul osos. Vem aqui. Sinto como se tivesse uma faca fincada em meu peito. de estudos e co municações sérias.. chegando a novas conclusões que o elevarão como ser. sim. Sérgio se deixou ficar no abraço materno do qual tanto carecia.murmurou ele. p ensei que não fosse suportar. Ao contrário dos espíritos inferiores que se atraem em torno de encarnados que fazem r euniões e evocações por curiosidade e sem responsabilidade para terem conselhos e info rmações que os agradem ou lhes prometam ajuda. Sabe. ligue para mim.. Ela forçou um sorriso e se despediu rapidamente. isso é po sível somente uma vez por semana. Esses espíritos inferiores que se dis põem a essas reuniões de comunicações para futilidades de encarnados.. Obrigado por cuidar da nossa amiga. do efeito individual e social justific ado pelo Espiritismo.

. Agradeça à dona Antônia e ao Tiago! .Sérgio parecia ter uma imens a interrogação na testa.. Ela é uma boa menina. é porque ela quer ajuda. às vezes eu nem entendo nada! Na verdade é preciso sentir o q ue se passa nos sentimentos das pessoas. Eu sabia. o luto. .interessou-se Sérgio curioso. E o acontecimento mais humilhante.perguntou a mãe vendo-o arrumado..Nada. é ouvir problemas dos outros. É.Fez-se ligeira pausa em que os dois amigos se entr . quer entender o que aconteceu com ela e pede uma explicação.. É. mas explora os que a rodeiam. masc aram a inveja e não dão importância verdadeira às necessidades dos outros.disse João sorrindo. Só é preciso saber conversa r direitinho com a Rita. Você tem de sentir o que a pessoa sente do mesmo jeito que ela sente e não só saber o que ela pensa sobre o que está sentindo.. A elevação moral é força viva! Vejo pessoas inseguras. dona Antônia? . Eu estava associando certos problemas de personalidade com o que a se nhora me falou. Não. é um distúrbio de personalidade que necessita de mento terapêutico. precisa d e colo e de um ombro amigo. dona Antônia. brincalhões.. Nossa! Tem tanta coisa!. com sua evolução na escala espírit registro de suas experiências em outras encarnações.. Comecei a entender que muitos estados de consciência. Sinto que esse é o c aminho para seguir a fim de alcançar uma finalidade útil em um trabalho que eu adoro . quer ser entendida... Eu assisti a dois congressos realizados pela Associação dos Psicólogo s Espíritas e falaram sobre esse distúrbio do encarnado que atrai espíritos com os mes mos comportamentos. Sua tarefa nesta enca rnação não é correr atrás de bandido. porque a m ente está encarcerada na falta de convicção. que advertiu: Vocês dois falam tudo difícil e certinho. Bem.. Percebi isso. Tendem a ser arrogantes.. meu filho! Eu sempre senti que você tem um dom especial. Nossa amizade dificulta a minha atuação. sua vontade de libertar-se do dis túrbio ou problema que o afeta e... sua ligação mental com desencarnados que possuem as mesmas necessidades. É um dos tipos de distúrbio no qual a pessoa se acha grandiosa. a olidão. Sérgio! Você é uma luz! Fará alerta aos profissionais que cuidam da saúd e mental.. dependências de diversos tipos. ela precisa ser ouvida. estresse. depressão e muitos outros distúrbios apresentados pelos paciente s. . aparentemente frágeis.. Fiquei admirad o quando soube que ela decidiu retornar à faculdade. a mulher explicou bondosa: Se uma pessoa está pensando em morte. Sérgio a encarou trazendo um brilho especial nos belos olhos verdes e leve sorr iso como se inúmeras idéias reluzissem em sua mente. Esse foi o maior impacto. mas. Eu não sabia que ra uma doença. Entro de férias na próxima semana e espero que minha saída da polícia aconteça durante esse tempo. têm uma incrível relação com ele mesmo como espírito. filho? .. Depois de sorrir. Isso eu sei fazer e o Tiago também tem es se dom! Como assim. principalmente. Puxa! Isso abre um grande leque de ligações entre encarnados e desencarnados. Não é uma doença. Essas são as características de espíritos inferiores.. mas ela vai superar. eu e minha mãe conversamos com a Rita ontem à noite e. .. Fiquei triste com o que aconteceu.Comentou a sábia senhora. fobias. Em outras palavras. Suspirou fundo. pois precisam entender e tratar a saúde espiritual para conseguir que o paciente tenha progresso.. observação e pesquisa para. um a justificativa para isso. como te falei hoje. Há de se levar em consideração à dupla perda dos entes queridos. Quanto a ouvir os problemas das pessoas. Qualquer pessoa psicologicamente sa udável ocasionalmente tem ou passa por momentos de tristeza.brincou Sérgio. presa a fantasias inúteis que as arrastaram a conflitos íntimos. João comentou: Sérgio. No fundo não posso dizer q ue estou tranqüilo com o seu estado emocional. mas esse não é o caso del a. Acho que os dois são melhores do que nós! . mas teve a atenção roubada pelo amigo João que chegou à sala. como disse a Rita. O assunto requer estudo. Vou até a casa da Nilza . extr emamente importante. confl itos íntimos.Sérgio teve uma avalanche de pensamentos incrivelmente ligei ros.... De uma forma geral ela parece bem. A Rita pode entrar num quadro de depressão mais extremo e que está procurando dis farçar. Vai sair.. Virando-se para o amigo . desesperador durante essa fas e. Eu conheço bem as pessoas quando as vejo algumas vezes e. Entendeu? . transtornos..respondeu referindo-se à noiva.

pois essa menina precisa de um amigo. Agora ela está sozinha! Extremamente sozinha e sem propósitos na vida. A Rita é uma ótima Conversamos muito e ela contou toda a sua vida.sua voz embargou. Débora não se importou e foi direto ao assunto: Bom dia. Olhando o relógio. ma s ela foi firme e não chorou. .. E absurdo dizer para alguém que suas dores e preo cupações são passageiras. Sérgio despediu-se e agradeceu à mãe de seu amigo e ta mbém se foi. E quando você . dona Marisa se aproximou trazendo o rosto endurecido ao exibir insatisfação. o Sérgio foi até meu apartamento. Em que posso te ajudar? Os olhos de Sueli se arregalaram. A companhando a senhora.. Débora estava frente à casa da mãe de Sérgio. Débora.falou bem séria. Mas quando o astro rei brilhou radiante. ela é ma criatura importante e querida pelos amigos. deixando as rodinhas deslizarem portão adentro. lá no apartamento. Bom dia. Que você.. a jovem tocou a campainha e aguardou ser atendida. É provável que a senhora acredite que eu deva entregar na casa dele. São roupas e objetos pessoais que ele deixou no meu ap artamento. ou a Nilza ficará preocupada.falou. concluiu: Depois do que presenciei. E o que a senhora disse?! . . Descendo do carro. Naquele dia.perguntou preocupado. Disse-me coisas f rias e calculistas mesmo quando eu pedi desculpas pelo que havia falado. Dona Marisa ficou intrigada e puxou quase automaticamente a alça da mala que Débo ra colocava em suas mãos.. Preocupem-se com ela. eu estava precisando de companhia e falei mais outras coisinhas. o noivo a apoiava em tudo e ela teve uma grande amiga. Débora contou : No sábado pela manhã. a pouca distância. mas tinha o irmão para tomar conta e ele pr ecisava muito dela.. mas aqueles que a rodeiam devem entender o seu sofrimento e lhe dar esperanças para um futuro melhor. Só que.sua voz travou novamente. mas ela silenciou totalmente ao ouvir Débora contar: Nessa mala tem algumas coisas que pertencem ao Sérgio. que com o tempo passa ou são traumas não reso dos na infância.Fotos contra Sérgio destroem o romance com Débora O dia seguinte exibia um pálido nevoeiro pela manhã encobrindo o sol. O que aconteceu de tão grave para não querer ver o Sérgio? Educada. . Mas ele . olhando para o rapaz a troux e para cá. . João preocupou-se: Nossa! Vou. é um amigo de verdade e procurou pessoas de sua total confiança par a ficar junto dela quando você não poderia. Além disso. 19 . Sem conter a curiosidade a mulher perguntou: Mas.eolharam surpresos e a senhora prosseguiu: Quando uma pessoa pensa em morte é preciso que tenha a ajuda de um profissional com urgência. Eu conversei um pouquinho com o Tiago enquanto a Rita se arrumava para ir pra faculdade e disse a ele que precisaria muito da sua ajuda. contou: A Rita disse que se sente culpada pelo que a Débora. Reconhecendo-a dis tância. ela sentiu-se um estorvo e a pior das criaturas. mas contendo o travo de amargura na voz quase vacilante. mas. Sem imaginar de quem se tratava. Desculpe-me vir sem avisar. Mas eu não poderia adiar o qu e tenho a fazer .riu de modo gostoso. sua melhor amiga . Sérgio. o Sérgio teve uma crise de intolerância com o que eu aconselhava. É uma menina carente. acreditou ao vê-la com o Sérgio. a Débor a.. mas não somente como profissionais. repentinamente. estava Sueli irradiando curiosidade imen sa. Palavras difíceis e pouca atenção só pioram as coisas. dona Marisa. não quero vê-lo mais.. Sérgio ficou admirado.Após suspi rar. que não são graves. falou que p ensou em morrer quando perdeu os pais. Fez um aceno de cabeça e não teve palavras para explicar o q ue aprendia. Mesmo assim. Aproveitando a saída do amigo. Seus olhos a mendoados traziam a expressão de tristeza com misto de revolta e desilusão. Ela sentiu-se humilhad a em todos os sentidos. eu sabia que a senhora e o senhor Inácio iriam até a casa dele para ver onde mora e nós nos conhecermos melhor. E apesar de toda situação não resolvida. .

Você é?. Eram as pessoas em quem mais eu confiava neste mundo. a Yara. Sueli usou um tom carinhoso na voz leve pa recendo humilhar-se ao pedir: Por favor. Ela ligou para alguns amigos e amigas. Acho que agora entende por que sou rigorosa com ele.. Não suporto traição e é por isso que não quero vê-lo.. dignas de uma representação te atral. mas não imaginava conseqüências tão sérias contra você. . entrei sem chamar e o encontrei em seu quarto.. . Sem trégua. Quando contei o que tinha acontecido.. . Agor a preciso ir.concordou a mulher. Não desejo qualquer mal a você e.Quando Débora ia fazer uma pergunta. O que dizia era pensando em seu benefício. Sou eu quem peço desculpas por pensar que você fosse de outro jeito e estivesse d e acordo com aquilo. Fiquei preocupada.disse Sueli. Entrei em desespero. Tenho outra idéia. Não demorou e minha irmã. Eu estava chorando e implorando para que ficasse... Nem sei o que dizer. esforçando-se para expressar algum tom de lamento. Entre. peguei meu carro e fui até a casa dele. Quando olhei. pois iria dormir lá.. Não estou entendendo. eu preciso falar com você . Aquele relato deixou Débora mais perplexa e amargurada.. . para conversarmos. a Yara me fez tomar um banho.Nesse instante.. Fez algo contra mim? Mas. Aproveitando a pausa. ela avisou antes que chorasse: Então é só isso. havia recado s em meu celular. . Eu amo o Sérgio. Só q ue teve uma condição: a Yara me obrigou a deixar o celular no apartamento. pois achou que eu não merecia aquilo. . Chorei muito. A Débora está muito sentida por tudo o que aconteceu e eu sei o que é isso. mas.. Espero que me entenda e desculpe-me pelo incômodo. pois tinha outros plano s. Débora + falou dona Marisa com voz fria. Minha melhor amiga. Quanta d esilusão. Por um instante Débora se sentiu atordoada pelo efeito de energias espirituais inferiores deixando-se conduzir. estavam sob uma árvore bem frondosa quando pararam e a moça pegou as pálidas mãos da outra ao revelar: .. porém eu não conseg uia deixar de pensar no Sérgio. rolaram na face da moça que parou frente à Débora e explicou: Eu fiz algo muito errado.questionou Débora. avisou com um s orriso: Depois conversamos. dormindo e abraçado com a Rita. Adoro a Rita mais do que as minhas irmãs. experimentando uma dor indizível do enorme ferimento que cravava em sua alma bondosa e generosa. Nem ouvi os outros recados e mal falei com a minha ir mã que estava ao telefone. a jovem ouviu: Débora! Por favor.. A Yara foi direto para o telefone..avisou com brandur a. pois passei pela mesma situação ou talvez pior. Por ter as chaves.pediu aproximando-se.planejou tudo. Sei exatamente o que está sentindo.. .. mas longe da dona Marisa . Vi que o Sér gio estava embaraçado. praticamente abraçando-a ao repousar a mão em seus ombros e a conduzindo. Estive lá naquela noite como comb inamos. mas o Sérg io virou as costas e saiu. Assim que cheguei. Fi quei indignada quando fui até a suíte dele e vi as roupas íntimas da moça jogadas no chão. e saímos todos para nos divertirmos. primeiro quero que me perdoe. aceitando os pensa-mentos rápidos que lhe surgiram e disfarçando sua s verdadeiras intenções e venenoso pretexto. Tinha esquecido que iríamos lá. não gostei de ver essa Rita estendida no sofá. Andando a passos lentos foram se distanciando d o veículo enquanto Sueli falava de modo educado: Eu quero conversar com você. Ao ouvir o primeiro. quem é você? Nesse ponto da conversa. Tudo bem.Olhando novamente para dona Marisa. inquieto com a minha presença. solicitou gentilmente: Feche seu carro e vamos caminhar um pouco.Imediatamente lágrimas falsas. Não existem desculpas ou explicações para o que eu vi.. Olhando para dona Marisa. Débora . dona Marisa. pediu com jei to macio na voz: Eu gostaria de conversar com ela a sós.pediu Sueli sob a influência de espíri tos inferiores. lágrimas corr eram. mas se me ouvir irá compre er totalmente. trocar-me e sair com ela.Leve sorriso forçado e falou: Até um dia. Confie em mim . achei o Sérgio aflito quando pediu para eu entrar em contato com ele. foi me visitar. Pode ser? Sim. Não .Débora suspirou fu ndo antes de prosseguir: Não sei o que a senhora pensa sobre isso. mas não conseguia. Ao estender a mão para se despedir de dona Marisa. Por isso meu filho não me aceita. Era madrugada quando retornei ao meu apartamento. Decidi não telefonar.

Débora suspeitou.Revirando a caixa. ao se deixar envolver por aquela conversa. Ao atender a sua ligação ao celular naquele dia. aceitou o convite. Ficou pálida. naquela segunda casa. demorava-se tempo demais e recebia influências de desencarnados que pretend iam prejudicar e desequilibrar Sérgio através dela. Será melhor.. Eu e o Sérgio começamos a namorar. Há. Acho que essa pobre mulher morreria pelo incesto. que não sabia quantas dores. Não pude pensar em outra coisa.. Sueli a envolveu com fa la meiga.. . e quase sussurrando: Pelo amor de Deus. tamanha era a humildade que represen tava. Fui namorada do Sérgio e ainda sou muito amiga da família. entregou-lhe as três fotografi as. Nós éramos muito amigas. olhando-a firme nos olhos. Sueli! Será sua palavra contra a dele. me perdoe! Se não puder me perdoar. A traição é a pio coisa que alguém pode fazer. mas desejava ver as evidentes demonstrações que a ouvira afirmava: Essa é uma acusação muito grave. Venha comigo. Voltando-se para a outra com frieza e impiedade. Ela não sabe que o Sérgio e a Lúcia se relacionavam. por isso estávamos sempre juntas e freqüentáv a casa uma da outra. Eu o peguei dormindo com a própria irmã. Su eli atraiu sua atenção ao dizer: Eu sei o quanto é horrível ver quem amamos deitado ao lado de outra. zendo-a alongar a conversa ao desejar provas e ficar enojada com Sérgio antes de o uvir sua versão.exclamou murmurando. A mentora Olívia e espíritos amigos perderam o alcance das vibrações da pupila que se inclinou às inspirações de espíritos inferiores com suas sugestões e vibrações tenebrosas.exclamou bem firme. Débora não con seguia refletir e. E?. Ele não quer nem que eu tenha amizade com a dona Marisa.Ao vêla franzir a testa como um sinal de desagradável surpresa. se não tiver c mo provar.. eu tenho muita coisa para fazer hoje e não há qualquer razão para continuarmos com essa conversa inútil. Jamais poderia imaginar que e stivesse dirigindo e fosse bater o carro. sem pensar. Isso é um absurdo! Como pode pensar que vou acreditar em algo assim?! Eu disse que posso provar! . Veja bem. Logo propôs: Eu não poderia dize r isso perto da dona Marisa. O Sérgio provavelmente disse coisas te ríveis a meu respeito. O quê?! Eu moro ali. parecendo rebaixar-se na postura. que fechou a porta e caminhou até um armário..indagou Débora. Com o tempo percebi. Mas a jovem.Débora tentava relutar . . e pediu calmamente ao bater a mão sobre sua cama: Sente-se aqui. sim! Primeiro preciso que saiba. É verdade e eu posso te provar! ... mas.gritou Débora indignada e incrédula. Enquanto S ueli. em um tom quase frio e palavras vagarosas. Olhando-as. ele já está livre. Débora começou a tremer. Sinta-se à vontade.. contou: Essa é a Lúcia. a Lúcia t . Se ao menos não tivéssemos mais compromisso.. que parecia nervosa.afirmou. Não su porta me ver e. mas não são verdadeiros. Não! Não é nada disso! . Com a respiração ofegante e modos inquietos. Envolvida por intensas energias inferiores dos espíritos vingativos. Débora ficou vacilante. Vamos até lá e eu te mostro as provas. ultra jes e rebaixamento moral sofreria. Foi estupidez minha inventar aquela hi stória e representar daquela forma. Isso aconteceu entre você e o Sérgio? Por acaso o pegou com outra mulher? Foi pior do que isso. Vir ou-se para Débora. me ouça! O que quer de mim? . O quê?! .. Sueli . ao menos. Na casa de Sueli a jovem se encontrava no quarto da moça. talvez por educação. tirou de dentro uma máquina fotográfica e algumas fotos impressas em papel ap ropriado. apanhou um saco de tecido avel udado. eu pensei em poupá-la de cair nas armações do Sérgio. assombrada e incrédula. Completando em seguida: Se queria me separ ar do Sérgio. O quê? Ele tem seus motivos.Meu nome é Sueli. abrindo-o e tirando uma caixa que colocou sobre a cama. As inspirações de sua mentora Olívia e de espíritos amigos prov ocavam-lhe repulsa àquela conversa e vontade de ir embora.

Veja. Bem mais tarde. Sueli se virou. O Sérgio sabe disso?! Ele já viu isso?! Sabe e viu. Com a voz estremecida. Resumindo. Tirei a segunda e na terceira ele acordou. Eu levei minha câmera fotográfica digital e tiramos mu itas fotos.. O senhor Inácio é um homem moralista. Um dia toda a família estava viajando. Ele veio até aqui em casa. Eu estava no chão e o Sérgio me chutou. Eu preciso saber. Brincamos bastante e.Sempr e com o auxílio das vibrações do espírito Sebastião. incrivelmente. Por um momento pareceu insano . depois me empurrou enquanto exigia e... Eu tin ha as chaves e entrei sem chamar. completamente nua... Pelas fotos acho que já pode deduzir que tipo d e homem ele é. Ela. Como pode confirmar. Então insisti para irmos a uma festa.. sem camiseta. O que ele fez?! . tenho as mesmas imagens aqui. chacoalhando-a e a empurrando em segu ida.. Débora a afagou enquanto lembrou do dia em que Sérg io a segurou firme pelos braços apertando-a. Eu perdi meu bebê. Pelo amor de Deus. O Sérgio e a irmã ormindo na mesma cama. Sueli representava. Por que a Lúcia não contou aos pais?! Aos irmãos?! Não contava por medo de que o pai deles cometesse uma loucura. Contou que no início ele bateu n ela e. O Sérgio queria a máquina para destruir essas provas.tornou a outra em desespero. Tirei a primeira foto e ele se remexeu.. Ele perdeu o controle. O Tiago não foi por causa do serviço e o Sérgio também. mas assim que levantei fui ver as fotos na própria máquina. muita cólica e só queria ficar na cama. E você deixou por isso mesmo?! Contou para alguém? Dias depois conversei com a Lúcia e contei tudo. pegou a máquina fotográfica digital e mostrou-lhe as mesmas fotos na própria câmera. mas ela não falava. O Sérgio reagi u como nunca. Porém o que ouvi dela foi ainda pior. Eu estava sozinha. ganhando a credibilidade de Débora. Para minha mãe..Impiedosamente Sueli foi capaz de inventar as mais horríveis mentiras c ontra Sérgio.. Era o an iversário de um grande amigo. abraçando-o com um braço e com uma das pernas sobre as pernas dele. Fiq uei em choque. Tive medo dele... Não vale a pena falar sobre isso. deprimida e quase não falava mais comigo. Me agrediu até. . Sueli acrescentou cinicamente: Foi quando implorei que parasse. O que aconteceu?! O que ele fez?! . Comovida pelo choro de Sueli. O Sérgio me chacoalhou.perguntou a outra. aflita e olhando-a com grande expectativa. Tentei saber o que era.Longa pausa proposita l. Por isso calou-se e sofri . É o que você vê. Alguma s ficaram engraçadas e decidi ir até a casa do Sérgio para mostrar a ele e à Lúcia. pois eu lhe mostrei só as fotos. Sueli! O que a Lúcia contou? Ela confessou muitas coisas a respeito do irmão.. Dormi um pouco. me bateu muito forte e. eu não lhe entreguei e ele me bateu.riste. A Lúcia estava animada. O Sérgio não deixa marcas aparentes nem bate no rosto. Débora. . eu chorava exigindo uma explicação. o Sérgio está com o corpo mal coberto por um lençol na altura da cintura e com as pernas despidas.. deitada de lado e sobre o ombro d o irmão. Gritou e exigiu a máquina. Imediatamente indag ou: E sua família ou a dele não a viu machucada?! Lógico que não. Mas tive a idéia de fotografar.... Débora lembrou-se de Sérgio pedir que evitassem ter um filho. e Sueli continuou: Passei muito mal e. eu diss e que tive uma enxaqueca forte.pediu Débora com a vo z entrecortada. voltamos para casa de madrugada .. pois eu esperava um filho dele.quis saber Débora muito nervosa. Apesar disso. Sueli! Diga que isso aqui não é verdade! .. Como assim?! . . Ele mes o me levou para um pronto socorro onde o médico confirmou que eu já havia perdido o bebê. Fui medicada e passei horas em observação. Co m lágrimas rolando pelo rosto disse: O Sérgio é um homem forte e como policial aprende u a ser agressivo. Ele acordou quando eu saía do quarto e me viu. Por outro lad o. Confusa... religioso e ela pensou que o pai mataria o Sérgio. Fui até o quarto e o que vi foi inacreditável.. ela era ameaçada por ele e temia sofrer mais agressões.

. Reagiu para ser morta.insistiu desconfiado. A Rita?. Agora. Obrigada por me alertar.. pois ela é tão rigorosa com ele. Mostrou as fotos para ele? . Procure um psicólogo. Talvez acreditasse que estivesse só.. Seguindo-a até o portão. usava esses minutos para tomar um café ou uma conversa rápida com um dos colegas. Eles riram. riu e gargalhou prazerosamente por sua vivacidad e e esperteza. E você. Sua ligação com aqueles espíritos trevosos lhe oferecia grande malícia e uma força inte rior tão perversa que era difícil acreditar em sua coragem para fazer tantas maldade s sem pensar nas conseqüências.. Sueli..a muito com o que precisava suportar do próprio irmão. Guardando as fotos na bolsa. Mas você está bem? .. Jogando-se sobre a cama. Não pude deixar de ser amiga da dona Marisa. Contou a ela? Não! . sem moral. . por suas agressões. Era uma tarde como todas as outras e Sérgio estava na clínica como de costume.brincou João. Alguns instantes e Débora argumentou: Sinto muito.Levantaram-se e Débora parecia sem rumo.insistiu. Sim. Obrigada.quis saber Sérgio. Não im agina como ela sofreu com a morte da filha. Daí. Tranqüilo! E a dona Antônia?... algumas coisas começam a fazer sentid o.. Sérgio engoliu seco e respondeu em voz baixa. ele terá medo de fazer algo contra você. Fiquei com tanto ódio do Sérgio que terminei nosso namoro. se suicidar e acabar com o sofrimento. Fiz isso para o Sérgio me dar sossego. Sueli era rodeada pelo espírito Sebastião e seus companheiros que a induziram em nível de pensamentos tão infer iores e alimentaram suas idéias. Faça como quiser.. Sussurrando no ombro do amigo. mas não. quase melancólica: . . João se aproximou dizendo: Que bom vê-lo! Trabalhamos juntos e quase não nos encontramos. Por isso ele me odeia tanto. não aceitava.. Porém logo João não r stiu e perguntou: Por acaso conseguiu falar com a Débora? Não . pediu : Posso ficar com essas fotografias? Vai mostrá-las ao Sérgio? Não sei.Alguns segundos e falou: Sabe.respondeu e suspirou fundo com leve sorriso para disfarçar os sentimentos. após a porta ser aberta. Conversamos algumas vezes sobre isso e a Lúcia me disse que quer ia morrer.. Esquecia-se de que atraía extremas perturbações e a lei do retorno por tudo o que semeava. Quando podia. ofereceu-lhe um abraço.. Ouvir promessas de casamento. para relatar todas aquelas mentiras. E mais uma vez. pegava recados com a secretária e verificava alguma novidade ou relaxava por minutos a fim de estar bem recomposto para a próx ima consulta. Sérgio correspondeu à brincadeira: Não deixe esse ciúme aumentar. Pensando bem. mas a Lúcia repentinamente reagiu!.. vil. Às vezes acho que a dona Marisa desconfia de alguma coisa. Mas ele não me d ava sossego. se eu as tiver e ele souber disso. . Estão se dando como mãe e filha! Estou com ciúme! . juras de amor e depois descobrir um homem sem caráter. com o abuso do irmão. obrigada. Eu não q ueria que outra pessoa sofresse o que sofri. rapidamente. No intervalo entre um paciente e outro.. Havia dois homens em uma moto e já tinham pego o que queriam e iam embora.Sueli chorou. tentando animá-la eu a chamei para umas compras e a Lúcia desabafou coisas horríveis sobre as atitudes do Sérgio co m o abuso sexual e. . Tubo bem. Sueli não esperou ver Débora chegar até seu carro e entrou às p essas. a jovem avisou: Agora preciso ir. porém não deixei de ser amiga da Lúcia. E propôs para não alongar: Depois conversamos. E a minha única segurança são essas pro vas na câmera.. tudo bem? . um dia.. .. C aminhou até a saída acompanhada pela outra e.Breve pausa e contou: Foi nesse dia que fomos assaltadas . Depois do aborto que sofri.. Claro! Agora tenho um paciente. Eu a julguei mal e.Ainda com as fotos nas mãos e olhar lacrimoso. Quanto mais o tempo passava mais ela se apresentava muito triste e bem deprimida. dizendo com voz trêmula: Desculpe-me.. eu me afa stei.. Algo tão baixo e repugnante.

Estou sentindo uma coisa... Um nó na garganta... Um aperto no peito... Podemos conversar depois? Lógico! Até mais! Bem mais tarde, após atender alguns pacientes, Sérgio colocou-se frente à janela pa ssando a admirar o faiscar dos últimos raios do sol que se punha entre nuvens entr emeadas de lindas cores celestiais. Apesar de seus olhos estarem cravados naquel a visão, em seu coração havia um sofrimento e uma dúvida que o atormentavam. Em seu belo rosto sério, via-se uma grande perturbação. Sentia-se prisioneiro de uma situação não reso vida, mas ainda guardava um fio de esperança para poder esclarecer tudo. Após suspir ar profundamente, Sérgio despertou e se desligou dos pensamentos preocupantes. Alguns instantes e consultou a secretária sobre o último paciente. Ficou sabendo que ele havia telefonado pouco antes e desmarcando a terapia. Diante disso, saiu de sua sala procurando por João, mas o amigo estava clinicando naquele momento. Foi quando ouviu a voz forte e alegre do médico que o chamou: Sérgio! Era você mesmo quem eu queria encontrar! - ressaltou animado. Em seguida, o psiquiatra pediu: Pode vir até minha sala agora? Sim! Claro, doutor! Adentraram no consultório e o doutor Edison falou após fechar a porta: Sente-se aí, Sérgio. - Vendo-o acomodado em uma cadeira, circundou a mesa, que os separava e se sentou, perguntando: Tudo bem com você? Sim! Estou com alguns pacientes que exibem históricos bastante interessantes e merecedores de certa atenção. Outros, mostram leves distúrbios de estresse e demonstra m uma rápida recomposição de comportamento. Tenho dois casos mais preocupantes, no qua l os pacientes apresentam distúrbio obsessivo-compulsivo, comportamento e pensamen tos ritualísticos e repetitivos. No primeiro caso, o quadro apresentado causou-me grande preocupação e o encaminhei ao senhor semana passada. É uma moça cujo distúrbio são p nsamentos obsessivos atemorizantes e bem horríveis. - Sérgio não oferecia trégua e, dian te da grande atenção do médico psiquiatra, resumiu: Essa jovem, aos vinte e três anos é e tudante universitária, último ano, e levou um grande choque quando o namorado rompeu o compromisso. Segundo ela, não havia outra mulher pela qual foi traída nem razões ap arentes para ele terminar tão bruscamente. A jovem se sentiu trocada por nada. Iss o a frustrou imensamente. Dizia que o amava muito e era capaz de fazer tudo por ele. Contudo, repentinamente, passou a odiá-lo. Queria vê-lo morto. Então se deu conta d e que os pensamentos, que começaram com idéias simples, passaram a ser impertinentes , fixos, obsessivos. A paciente apresenta uma ansiedade sob controle, muito raci onal. Seu Q.I. é elevado, e isso me preocupou. Porém, pelo fato de ela entender, acr editar e aceitar que existe algo errado em seu comportamento e pensamento, temeu alguma atitude desequilibrada e, sozinha, procurou ajuda profissional aqui. A p aciente relatou que passou a se sentir consternada, desgostosa a partir do momen to em que começou a ter idéias de que a vida familiar seria melhor se o seu pai morr esse. A jovem conta que, a todo instante, era prazeroso imaginar a sua vida, a s ua casa sem a presença do pai, pois ele poderia abandonar sua mãe a qualquer momento . Disse que essas representações mentais surgiam involuntariamente e apesar de ela q uerer deixar de pensar, não conseguia. Você se lembra o motivo primordial que a fez procurar ajuda clínica? A paciente contou que, a princípio, não deu importância, mas quando quis que um de seus professores morresse porque sua nota foi nove e meio, quando acreditou mere cer dez, ficou preocupada. Não só queria que o professor morresse, mas desejava matá-l o e planejava como fazê-lo. Em suas representações mentais, sabia que seria presa e co ndenada por homicídio, então achou ideal matar o professor, o pai e o namorado. Dess a forma, poderia alegar insanidade em sua defesa, já que os crimes pareceriam bárbar os e inexplicáveis para serem cometidos por uma jovem de seu nível, de sua cultura, de sua aparência... Além disso, lembrou que as leis são fracas, pois com um bom advoga do poderia ser absolvida ou encaminhada para tratamento por insanidade ou pegari a a pena mínima. Então, como ela disse, logo após essas representações mentais, sentia com o acordar de um pesadelo e acreditava que estava insana, pois se arrependia do q ue idealizava, pedia perdão a Deus pelas idéias absurdas, horríveis. Mas essas voltava m. Um detalhe interessante foi que a própria paciente percebeu que se entregava à li mpeza de seu quarto, à lavagem de suas roupas, higiene corporal e lavava seguidame

nte as mãos. Comportamento típico de quem deseja lavar as idéias, as representações mentai s ou atos já praticados. Você foi bem eficaz por identificar instantaneamente a seriedade desse tipo de distúrbio e encaminhá-la à psiquiatria. Principalmente por ter em vista a rapidez do p rocesso de desenvolvimento do quadro. Obrigado. Mas eu só tive êxito pelo fato da paciente ser objetiva e sincera, dese jando realmente se ajudar, equilibrar-se. Sérgio, você não acredita que em vez de distúrbio obsessivo-compulsivo, trata-se de u m distúrbio esquizofrênico ou um distúrbio de personalidade anti-social? A pessoa, a p rincípio, parece atraente, inteligente, mas mente, rouba, mata e muito mais, sem q ualquer sentimento de culpa, ou então simula cinicamente arrependimento pelo feito . Não seria o caso? Não. Eu descartei a possibilidade de um distúrbio de personalidade anti-social lo go de início. Conforme poderá confirmar em minhas anotações, analisei que a paciente apr esenta afeto por familiares e amigos, tem vida social e relações sociais positivas, prudentes e não desrespeitosas, tem relacionamento familiar saudável com os irmãos, ap esar das divergências consideradas normais. Os distúrbios esquizofrênicos apresentam c ondições e características mais severas através de pensamentos e comunicações desordenados, comportamento anti-social até bizarro. Os esquizofrênicos perdem a noção da realidade. São psicóticos. Apresentam uma paranormalidade falsa , algo que só existe em seus pensamen tos. Dizem ouvir vozes, alucinações táteis, olfativas ou visuais. Não falam com coerência etc. Diante do silêncio e vendo o médico bem reflexivo, Sérgio perguntou: O que diz sua supervisão desse caso? Falhei? Não! De forma alguma! Fez muito bem tê-la encaminhado para mim. Mas... Lá no fundo, Sérgio, você tem algo mais para acrescentar. Acredita que um brusco término de namoro pode desencadear, repentinamente, uma forma muito diferente de depressão e ansied ade após um único acontecimento que provocou decepção, frustração ou medo? Acha que tudo is o teve início aí, para essa jovem? Não - respondeu categórico. Acredito que esse foi o motivo usado para despertar a lgo adormecido em sua psique, alma ou mente, como queira. Usado por quem? E... Que algo adormecido é esse? Até hoje, a energia elétrica existe, sem que o homem possa vê-la, pegá-la para manipu lar... A eletricidade existe, mas não há grande e considerável entendimento sobre ela. Conduzida através de fios, podemos levar um choque, mas não a enxergamos se não por u m breve clarão quando há o contato com os dois pólos. Muitas crianças e até adultos já morr ram eletrocutados ao chegarem a alguns metros de uma torre de alta tensão sem tocá-l a. De acordo com a umidade relativa do ar, o campo magnético aumenta sua distância d a torre e amplia a propagação da energia, da voltagem e, conseqüentemente, o perigo, p ois a eletricidade está ali, mas não pode ser vista. - Antes que o doutor Edison o c obrasse por uma resposta às perguntas feitas, Sérgio sorriu, explicando: Não quero lhe dar aula de Ciência! Mas já temos muitas provas de que o corpo humano possui energi a e que o pensamento é uma energia. Vemos, aqui mesmo na clínica, que há clientes freqüe ntadores assíduos só das terapias de massagens ou acupuntura, mas essas pessoas, dep ois de serem atendidas por um e depois por outro profissional, acabam dando pref erência a um deles. Isso prova que a energia, o magnetismo do massagista, por exem plo, é mais compatível com determinada pessoa, tornando-se, dessa forma, uma terapia mais benéfica e restabelecendo a saúde física e mental muito mais rápido. Você está correto, Sérgio. Mas minhas perguntas não foram essas. Sim, eu sei, doutor. Só estou defendendo, antecipadamente, a minha conclusão para o que me perguntou. E, só para encerrar, gostaria de lembrar sobre a energia dos pensamentos. São inumeráveis os casos com os quais nos deparamos sobre pessoas que, repentinamente, sentiram uma angústia ou preocupação com outra que, naquele instante, precisava de ajuda ou sofria um acidente. Incontáveis pessoas podem relatar que, s em motivo aparente, decidiram mudar de caminho livrando-se de um acidente. Outra s perderam a hora, sofreram um mal-estar físico ou simplesmente não quiseram entrar em um avião que caiu. Podemos dizer que, de alguma forma, comparando à eletricidade, a energia invadiu o campo magnético dessas pessoas, permitindo-lhes uma comunicação e m nível do que estava acontecendo ou ainda por acontecer. Não se trata de mera curiosidade psicológica a comunicação mental, à distância, entre

s ou mais pessoas, mais conhecida com o nome de Telepatia. Isso é fato! Mas quando uma pessoa escapa de uma tragédia por se desviar do caminho habitual, sem explicação, desiste de uma viagem, perde a hora ou até sofre um mal-estar físico que a deixa pr ostrada, qual explicação você pode me dar? Que é uma comunicação em nível de pensamento. Sérgio, nesses exemplos tem uma única pessoa que se livrou de uma tragédia. Com que m houve essa comunicação em nível de pensamento? Com um espírito - afirmou com seriedade. Continuando: A alma sobrevive após a morte do corpo físico e, sem a matéria, o pensamento é o meio de comunicação do espírito, pois o pensamento é um atributo da alma. Vivo ou morto, sua alma estará onde estiver seu pensamento. Doutor, uma mente se liga a outra através do pensamento e por compatibilidade de afeição ou vingança. Nos dois casos, eu acredit o que há o despertar do que elas têm em comum. Então o espírito aproveitou-se daqueles m otivos para despertar o algo , o sentimento que aquela paciente tinha e desconhecia . O médico permaneceu tranqüilo por alguns minutos bem silenciosos. Depois question ou: Todas essas explicações e comparações foram para me responder que?... A paciente em questão sofre de um distúrbio que pode ser associado ao assédio espir itual recebido de um espírito que se aproveitou de um momento de extrema decepção, que foi o rompimento de uma ligação amorosa. Ela mesma admite que sofreu e se abateu po r sentimentos de desesperança. No entanto, sutilmente, passou a ter pensamentos ho stis e macabros, desejando a morte do ex-namorado, depois do pai, do professor.. . Acredito que a troca de energia mental com idéias atemorizantes, as quais normal mente ela não tinha, levou-a a um distúrbio por não conseguir se livrar de tais pensam entos, os quais se tornaram obsessivos. Por sorte, essa moça não teve qualquer temor ou preconceito em procurar ajuda clínica ao perceber que alguma coisa não estava no rmal em seu equilíbrio mental. Quando relatou sobre seus conflitos internos por me do de cometer algo insano, além de sofrer insônia, da intensa vontade de chorar, inc apacidade de relaxar, tensões musculares e outros sintomas que começaram a abatê-la, a creditei ser o momento de encaminhá-la à psiquiatria e com urgência. É provável que, diant e do quadro apresentado, haja necessidade até de intervenção medicamentosa. Porém... - O lhando-o nos olhos, Sérgio foi categórico: Sem dúvida alguma, essa paciente deve ser c onduzida à religiosidade para que haja uma mudança de hábitos, pensamentos e, conseqüent emente, uma elevação espiritual. Isso não significa reprimir os sentimentos, mas mudá-lo s e isso é reforma íntima! Somente dessa forma, ela romperá o laço de ligação mental com o spírito ou espíritos que se comunicam com ela através do pensamento e cujas idéias, a pr incípio, são sutis, sem importância, como que sussurros da própria consciência, quando, na verdade, são intervenções da vontade de um espírito atuando de mente para mente. Lembra ndo que tanto espíritos quanto pessoas se aproximam uns dos outros pela afinidade, pelas mesmas vontades, pelos mesmos desejos e atributos. A pessoa com elevação mora l e espiritual irá repelir a inspiração negativa, a transmissão de pensamento para pensa mento de um encarnado ou desencarnado que lhe perturba a organização das idéias que po dem levá-la a um desequilíbrio, transtorno ou distúrbio dos mais graves atos insanos, irresponsáveis... - Breve trégua e Sérgio comparou: Imagine a fé, a esperança e o bom âni de uma pessoa com conhecimento e elevação espiritual. Com certeza, isso vai minimiza r suas dores, seus danos físicos ou psicológicos e aumentar sua resignação e paciência. No s casos de intervenções espirituais, compare o conhecimento junto à elevação moral e espir itual com o aumento da umidade relativa do ar, que amplia a intensidade e a distân cia eletromagnética em torno de uma torre de alta-tensão, tornando a voltagem mais a lta ao redor da referida torre. Os que se arriscam, pela aproximação, eletrocutam-se sem conseguir tocá-la, podendo morrer. Assim é a aquisição de conhecimento, elevação moral e espiritual que repelem e, simbolicamente, eletrocutam os que desejam se apoder ar de sua mente sã. Total silêncio até o médico tamborilar os dedos sobre a mesa que os separava e, em seguida, apossar-se de uma caneta fazendo algumas anotações. Apesar de todo o esforço, por sua curiosidade, Sérgio não conseguia ler nada, mesmo esticando o olhar. Por fi m, o doutor Edison perguntou: Tem algo mais que deseja acrescentar? Ah!... Sim. Em meu relatório destaquei essa observação, mas gostaria de reforçá-la. Es

a paciente entrou em meu consultório e, após nos cumprimentarmos e se sentar, me fez duas perguntas interessantes e importantes. Quis saber se, apesar de formado e já exercendo atividade, eu submetia os meus pareceres clínicos para a avaliação de um ou tro doutor mais experiente. Ou seja, se eu me dispunha a uma supervisão. Afirmei e até expliquei que, no meu caso, essa supervisão era realizada por um médico psiquiatr a. E a jovem comentou que não queria se colocar à disposição de um profissional que se j ulgasse auto-suficiente, com sentimento de grandiosidade, pois, na opinião dela, a conclusão clínica seria duvidosa. E, em seguida, me perguntou se meu método era o da Psicologia Junguiana. E o que você respondeu? - perguntou o psiquiatra. Tentei ser breve, afinal, não era minha intenção dar aula. Falei que, em certos cas os, as teses freudianas explicam as influências e experiências em determinados compo rtamentos. Entretanto, sem dúvida alguma, Jung ampliou a visão da Psicologia e da Ps iquiatria ao comprovar que nem todos os transtornos, distúrbios e outros eram excl usivamente de caráter sexual da libido, como Freud afirmava. Com seu método de Psico logia Analítica, Jung designou Tipos Humanos e outros conceitos que explicam um co njunto de representações psíquicas sem qualquer controle efetivo do Eu7. Minhas explic ações foram com palavras mais simples, claro. Porém com essas questões imprevistas, para mim, a paciente demonstrou que realmente deseja ajuda, sabe reconhecer um profi ssional e qualificá-lo. Além disso, aparentou inclinação espiritualista e mais tranqüilida de quando em conversa. O que quer dizer com: inclinação espiritualista? Que a paciente se mostrou resistente a um possível envenenamento mental, ou mel hor, não admite se deixar dominar pela sintonia enfermiça de agentes psicológicos que, provavelmente, possam ser oriundos da energia mental dos desejos de desencarnad os ou até encarnados. Veja, doutor Edison, a comunicação mental a distância é comprovada c omo falamos. Estudamos muitos casos inexplicáveis de pessoas desaparecidas, que já e stavam mortas, e guiaram algum familiar, um desconhecido ou até um policial a enco ntrar seus corpos nos locais mais improváveis. Isso é comunicação em nível de pensamento! Não podemos negar essa possibilidade! Se o senhor... O psicólogo disparou a falar, mas foi interrompido educadamente: Espere. Calma, Sérgio. - Após segundos, o médico comentou: Carl Gustav Jung, o médic psiquiatra suíço que detonou o Pai da Psicanálise, Sigmund Freud, em muitas teorias s obre a libido, com a publicação do livro Wandlungen und Symbole der Libido, cuja tra dução original do idioma alemão é: Símbolos e Transformações da Libido... - tentou terminar as foi interrompido. Mas em sua publicação no idioma português recebeu o título de: Símbolos da Transformaç completou Sérgio sem trégua. Exatamente! - empolgou-se o psiquiatra. Nessa obra, Jung leva adiante sua lin ha de pensamento bem seguro de que o desejo sexual, a energia psíquica que provém do instinto sexual, cujos relacionamentos particularmente importantes aparecem em conseqüência de traumas, influências, experiências sexuais ou desejos sexuais da libido na infância. Essa energia psíquica não determina a conduta da vida de um indivíduo, não te m exclusivamente só o caráter libidinoso imposto por Freud. Jung denominou seu método de Psicologia Analítica, no qual alguns conceitos centrais foram o de: Tipos Psico lógicos; Complexos; Inconsciente Coletivo; Teoria dos Complexos... - Segundos de p ausa e o médico comentou: Nas características da formação dos Tipos Psicológicos, Jung mo tra-nos como são diferentes as psiques das pessoas, ou seja, a alma, o espírito, a m ente das pessoas são individuais! O vocábulo Psyché é de origem grega cuja tradução é Psiqu E na mitologia grega, Psique era a personificação, a representação da alma, do espírito, d a mente, que correspondem a uma coisa só. Ele identificou e descreveu processos ps icológicos que, ligados em várias combinações, determinam o caráter de um indivíduo, provan o-nos que uma pessoa específica tem um comportamento exclusivo. Trabalho esse que demorou cerca de vinte anos no campo da Psicologia prática, experiências e estudos! A Tese de Doutorado de Jung foi com base em investigações do comportamento mediúnic o! - lembrou Sérgio. Sim! E freqüentando sessões espíritas, o Pai da Psicologia Analítica revolucionou o c ampo da Psiquiatria e da Psicologia, como você lembrou. Quebrou ao meio as teses f reudianas de que os fenômenos do inconsciente se explicavam somente pelas influência s e experiências na infância relacionadas ao sexo ou desejos sexuais da libido.

A conversa sobre Psicologia Analítica - Junguiana - prosseguiu até Sérgio argumenta r:

Pensei que não aceitaria minhas opiniões e... Minha Tese de Doutorado, em Filosofia da Religião, foi baseada e defendida com estudos de casos de distúrbios e transtornos com prováveis intervenções espirituais, sem elhantes ao dessa paciente. Sério?! É verdade?! - surpreendeu-se o psicólogo. Lógico! Por que eu mentiria?! - riu o médico. Por acaso o senhor é espírita? - tornou Sérgio, curioso. Sendo o Espiritismo a filosofia mais ampla em explicações racionais e ecumênicas qu e já estudei e estudo, posso afirmar que a religião do psicanalista ou do psicoterap eutas não importa se ele tiver a mente aberta aos esclarecimentos inegáveis da filos ofia e ciência do Espiritismo. Ele deve ser realista aos fatos históricos do mundo c omprovados por estudos. Que ele não queira converter ninguém à sua religião, seita, filo sofia ou até a própria Doutrina Espírita. Quando o paciente não é ateu, não é evangélico ou estante, mas católico, budista, umbandista ou outras religiões ou filosofias espirit ualistas ou mesmo espírita, fica bem mais fácil à terapia e a busca por soluções. Apesar d e espiritualista, ou seja, de acreditar que a alma vive após a morte do corpo físico , os pacientes de linhas religiosas protestantes ou como se denominam: evangélicos , têm a visão ou a compreensão muito limitada, são adversos, totalmente contrários ao mund o real dos espíritos, pois eles só acreditam em céu e inferno. Esses são os pacientes ma is trabalhosos e os que merecem mais atenção e cuidados da nossa parte. - Ele sorriu ao avisar: Respondendo a sua pergunta, sim, eu sou espírita. Um espírita imperfeito e em evolução, mas sou Espírita - riu. Sabe, Sérgio, não há como deixar de admitir essa trina filosófica e científica vivenciando um trabalho como o nosso. Compreendendo os conceitos da Psicologia Analítica, criada por Jung, comprovando os Tipos Psicológic os, o Inconsciente Coletivo e outros... Relacionando com a influência dos espíritos sobre os acontecimentos da vida, os pressentimentos, a penetração das idéias dos espírit os em nosso pensamento, fluido universal, matéria, espírito... Penas e gozos terreno s, a loucura e suas causas... Reencarnação. Não há como negar! É tudo o que vemos em nosso trabalho. É o que procuramos ajudar. As criaturas humanas são diferentes e agem dif erente diante do mesmo fato, pelas diversas experiências em vidas passadas. Como e xplicar um trauma ou distúrbio que não tem origem nessa vida?! Os profissionais ness a área que se negam a essa crença, independente de suas religiões, só posso dizer, lamen tavelmente, que eles são encarnados necessitados de muita elevação moral e espiritual. O medo de conhecer a verdade que os libertarão é tamanho que eles se negam a fazer uma pós-graduação em Psicologia Junguiana, Psicologia Analítica, para terem uma nova visão sobre o trabalho que realizam. Eu não aceito estender assunto e discutir com prof issionais puramente da linha freudiana, inflexíveis por não conhecerem a linha jungu iana. Não seria prudente dar predileção a um método quando se desconhece o outro. Só aceit o discutir as preferências de profissionais da área que possuem formação nos dois métodos, nas duas linhas: freudiana e junguiana. Caso contrário estarão falando de algo que não conhecem... E... Baseados em que, podem defender um e desmerecer o outro? Ambo s os médicos, Freud e Jung, dedicaram suas vidas à procura de explicações para o que vir am, pesquisaram e vivenciaram ao longo de suas carreiras. Eu acredito que cada u m deles viveu para o seu propósito e ambos são importantes dentro do que se propuser am a explicar, cada um a sua maneira. Portanto, como profissionais que somos, de vemos estudar os dois, para em seguida dizermos com conhecimento de causa a quem devemos dar preferência, dependendo do caso em particular. Entende?! - Depois da explicação enfática, continuou: Como você bem lembrou, em outras palavras, as teses de F reud explicam determinados comportamentos, mas Jung ampliou a visão ao comprovar q ue nem todos os transtornos, distúrbios são de origem sexual, como Freud afirmava. Alguns segundos de reflexão e continuou: Negar-se a conhecer outras realidades é au sência de elevação moral e espiritual. Veja, quando eu falo de elevação moral, não me refir a deixar de praticar sexo, ser uma pessoa séria, rígida, sem sorriso, deixar de bri ncar, ser fria diante dos fatos acreditando que tudo acontece pela vontade de De us. Não! Todo extremo é prejudicial! Estamos encarnados para harmonizarmos um débito d o passado ou, talvez, para a nossa evolução e busca de equilíbrio. Devemos praticar se xo? Sim! Mas o sexo é um compromisso de troca de energias espirituais e com provávei s conseqüências físicas como uma gravidez ou uma contaminação por vírus, bactérias e outros

Hoje em dia o profissional da Psicoterapia o u Psicanálise que se fechar aos novos conhecimentos. protesta nte se inclinaria às aceitações espíritas. mas a ma ioria é assim. existe muito mais além do corpo físico! .riu com gosto. Por que me deixou dar tantas explicações e exemplos? Eu e stava a fim de defender minha opinião e pensei que o senhor iria protestar! Não bast ava me interromper e dizer que agi corretamente? Que o senhor entendia por que é e spírita? Eu sou psiquiatra. O profissional da área psíquica que buscar conhecim ento em todos os agrupamentos de seus estudos. refletir. Tudo para eles é porque Deus q uer! É milagre de um anjo ou maldição de demônios... Mas. ao espiritualismo reencarnaci onista. sem agressividade ou ofensas que firam os outros! Creio que dificilmente um psicólogo ou psiquiatra evangélico. Mesmo assim. sofri um aciden te de carro e fiquei cego.ntão devemos pensar muito. Mas Jung foi muito m ais além e concordava com muitos princípios de Freud. Fiquei revoltado. . representa todas as forças vitais e não somente as sexuais como Freud impôs. Ele me impressionou. com um futuro promissor!. Jung quis e buscou o conhecimento de todos os seus Porquês . Ele não está totalmente equivocado. ao desejo de obter qualquer f orma de prazer. Devem os sorrir? Sempre que estamos felizes! Mas lembrar que em alguns momentos essa e xpressão de sentimento é inadequada. ao contrário.. eu disse: Psiquiatras! Acordem! Tenham fé e se curem da cegueira materialista do mund o que vêem.. Hoje. Posso dizer que é o meu melhor aluno. ao término. Mas. Creio que ambos os mestres são importantes e se co mpletam de acordo com cada caso. Puxa!. Estagiei. uma aula para uma turma de pós-graduação. não se aprofundou em estudos de antes do nascimento. entender. por exemplo.disse o doutor Edison. bud stas.. Eu adorava os centros cirúrg icos e sabia que eu era ótimo no que fazia. Sei que não posso generalizar. o que a ciência prova ser impossível. O pai de Jung era pastor protestante . Ele não aceitou a lê cega imposta pelo pai. pois a seriedade é sinônimo d e atenção ao aprendizado. mesmo sobre uma opinião negativa aos nossos conceitos. quando o assunto é importante. Adoro analisar pessoas. verdade e explicações científicas. depois de pouco tempo.. Repentinamente um aluno levantou a mão e falou: Fiz todo o curso de Medicina. à budista. Devemos deixar de brincar? Não! Mas brincar de mo do saudável.. bonito. Muitas teses e teorias freudianas são válidas e importantes. Queria arra ncar do fundo de sua alma as explicações de sua fé que justificassem seus instintos! P recisava saber qual o alicerce de conhecimentos usados para suas conclusões ou se . . ou energia psíquica. Nem sempre. porém Jung ampliou o papel do in consciente enfatizando que a libido. Devo afirmar que fiquei incrivelmente satisfeito e até surpreso com sua análise nesse caso.. Eles não aceitam nem os fatos históricos! Continuam protestando se m buscar conhecimento. abre um leque imenso de informações e aperfeiçoamento. Mas doutor. sor rindo. A religiosidade pode intervir no profissional. que é voltar a viver no mesmo corpo físico. São teses presas aos instinto sexual. capacitado. parece que eu vejo e entendo a alma dos paciente s e não a aparência física . o maior Psicólogo da Humanidade e ainda afirmou: A tua fé te curou . pois esses são bem tolerantes. entre outras. nem aceitou a reencarnação. Mas não deixei a depressão me der rotar e fiz uma nova especialização na área da Psiquiatria. eu estava satis feito e feliz pela minha capacidade. frase do Mestre Jesus...In stantes de reflexão e contou: Outro dia em. à filosofia reencarnacionista dos espíritas. por ser judeu. a princípio. hinduístas. Saber com quem trocamos essas energias! Perguntar: que tipo de energias recebi? De quem recebi e quais conseqüências espirituais isso me tr ará? Devemos ser sérios? Sim. Sérgio! . pensamentos e experiências a partir do nascimento. vejo e sinto muito mais do que antes! Despertou em mim um outro se ntido humano difícil de explicar. s abem ouvir. à filosofia espírita. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará . Ao contrário dos católicos. ou melhor. Após algumas cirurgias supervisionadas p elo Médico Professor Doutor que reconheceu e elogiou meu trabalho. pois acredito ter ganho um outro.. Obrigado. Talvez Freud. mas não completas e bem limitadas nos sentimentos. interferir. talvez. na qual não preciso usar os olhos. especializei-me em cirurgia c ardiovascular e. Os jude us acreditam na ressurreição. será enganado ou uma fatal vítima d a ausência de conhecimento. A religiosidade do profissional pode. traumas ou transtornos de vida anterior a essa. Pensei: por que eu? Jovem. em neurocirurgia cerebral.. Tudo para Freud era de caráter sexu al e Jung derrubou essa teoria. Esse sentido não me impressiona como no passado.exclamou Sérgio timidamente.

Con do totalmente com você sobre ela necessitar de intervenções medicamentosas.respondeu educado e levantando-se.. eu tenha essa chance... E um caso meritório de atenção urgente e sem dúvida conduzida à religiosidade para mudança de hábitos e elevação espiritual.. Após segundos. f rágil. Quem sabe.... . Foi por isso que contei o que aconteceu comigo daquela forma tão. O senhor sabe de tudo e. Só me resta esperar isso acontecer. Entretanto. não posso parar minha vida. Sem que Sérgio esperasse. conversam muito e acho que ele conseguirá trazê-la aqui. a paciente retornará a lazer terapia com o senhor! . O senhor a conhece e pôde notar o quanto ela é educada. auxilia-o na repressão de seus complexos ou problemas íntimos e o faz bloqueá-los. Parabéns! Você foi ótimo! E. e a dona Antônia... mãe do João. . meu irmão.. A Rita é uma pe ssoa inteligente e receptiva. como referência materna. mas sim como amigo. Acredito que ela corresponderá muito bem aos homeopáticos e fitoterápicos de um modo geral. E sua amiga que desejava tentar suicídio e?.. sensível. dará incentivo e apoio.. deprimido. Penso que poderá s er persuadida pelo Tiago. Fiquei bem atarefado e não tivemos tempo par a conversar. Quer conversar a respeito? Não me veja como profissional. Todos os fatos como em um rel atório encaminhado ao seu comandante na polícia.. tudo o que aconteceu. tornando-o ótimo no que faz. . Sente-se aí. Procurou-a novamente? Desisti. em breve. o doutor Edison perguntou: E você?! Eu?!..Sorrind o. Talvez. mas precis o informá-lo de que não prescreverei medicação química ou drogas fortes para essa paciente . vazio. o rapaz comentou: Sabe. Estou preocupado com você. E a dona Antônia. o s enhor se coloca em último lugar.explicou o médico. extremamente introvertido. quando tomar conhecimento da realidade dos fatos por outra s fontes.. É questão de pouco tempo. A Rita e o Tiago são b em amigos. doutor Sérgio! Esse caso merece extrema atenção. Sérgio. Se ela precisa de um tempo para pensar e quiser me procurar depois. confessou com expressão séria: A presença da Débora na minha vida foi algo muito significativo e essa ruptura.f alou de modo brincalhão.você apenas estava defendendo uma teoria sem o verdadeiro conhecimento. Não entendo como ela tomou essa postura.Sem demora.. Diminuir meus valores e deixar que essa situação .. Sérgio? Veja. doutor Sérgio. Sei que quanto mais demo ar a tratar de um distúrbio de estresse pós-traumático ou agudo é pior.Suspirou rápido ao afirmar com emoção: Eu amo a Débora! Gostaria de uma oportunidade para explicar a ela o que aconteceu. Prefir o conversar a respeito dele em outro momento. de seus desejos e pensamentos. pois qualquer mudança comportam ental pede imprescindível rapidez na disposição de outro método de tratamento. E se não acontecer. Depois perguntou: E o segundo caso? Li suas referências.. Sérgio respirou fundo e sorriu. Podemos conversar agora ou tem algum compromisso? Podemos conversar. Mal detalhamos algumas supervisões e. A propósito. . Porém. Tudo aconteceu muito rápido. mas desejaria que fosse agora! Às vezes. avisou brincando: Pode deixar. por você mesmo. sem a inst rução que buscou através de muito estudo. Não está sendo fácil convencê-la a uma consulta psiquiátrica. sorrindo... Estarei atento. Procure ficar mais à vontade.. Aquele é mais complexo e gostaria de analisá-lo melhor. Por quê? Já fiz isso demais.Riu de si mesmo e reclamou: Mas que droga.... Soube.Um instante de pausa e falou: Gos taria de saber dos acontecimentos com as expressões mais profundas de seus sentime ntos. tem uma personalidade tranqüila. rapaz. Como o senhor quiser . por que estou usando termos clínicos? Força do hábito .. O seu Tipo Psicológico.. um dia . sinto-me ansioso. Considero-o muito. o médico argumentou com tranqüilida de: Não sou somente seu supervisor. Ah! Sérgio! A propósito. Tal bloqueio o leva a dar extre ma atenção ao que se dedica. proponha-se a conversar. Não acha que merece mais atenção da sua própria parte? Vendo pela primeira vez Sérgio fugir-lhe ao olhar. Tenho idade para ser o seu pai e o consider o como filho. Além de flexível. mas eu acredito que. Contou-me só os fatos. Ela v irá. .

educado e sem lembrar que estava na sala do médic o: Por favor! Pode deixá-la entrar. pediu gentilmente: Vamos para a minha sala e conversaremos como pessoa s civilizadas... Tem muita confiança em si mesmo e é isso o que me preocupa. é capaz de acreditar na Sueli?! Jamais agredi a Sueli. da dona Antônia. Débora .. Depois continuou: A Débora passava por um momento difícil. Afinal de contas. Sérgio. entrou em desespero. quando lhe entregou as fotos nas mãos.interrompeu-a num grito. ele contou: Não tem o direito de me acusar! A Rita tentou se matar! Foi violentada pelo tio! Eu a levei para minha casa.interfira no meu profissionalismo. Sinto um medo inexplicável por essa situação que ela p assa e.. Sérgio levantou rapidamente e virando-se ficou assombrado ao ver Débora na sala d o consultório. mas vontade não me faltou! Nunca houve filho alg um! Ela é louca! Como pode acreditar que eu e minha irmã. Se não bastasse eu vê-lo dormindo junto com a minha melhor amiga!. Você se acha civilizado?! Normal?! Se você não é um demen e. quando a secretária praticamente gritou: Doutor Edison. encarando-a com olhar firme. Ela o interrompeu com a voz mais segura. Débora chorou ao dizer: Eu confiei em você. Respeite a presença do doutor Edison. sem se importar com o doutor Edison que ficou feito uma estátua em pé frente à mesa. lá no fundo. Sinto que.gritou desesperado.. Mesmo assim. Você não sabe o que aconteceu! ... Pare.gritou ela.. Civilizado?! . vil. Ao encará-lo. eu não pude fazer nada! Ela queria falar com o doutor Sérgio!. .. é um safado! Acalme-se Débora.. talvez. Vendo-a surpresa com su a atitude.. uma coisa que não sei explicar. Débora aproximou-se de Sérgio. Fui acalmála.revelou. abaixando o olhar triste e perdido. nas minhas férias. Isso me preocupa muito. Procurando tr anqüilizá-la. Estou sentindo um nó na garganta. sem agressões verbais. tudo é mu ito recente.. Estava com dívidas. sem o apoio da famíl ia e.propôs bem firme e ponderado. Você é muito inteligente. eu cuido de pessoas que pre cisam de ajuda e merecem atenção. Mas não! Quer que eu acredite nessa história absurda?! Por que absurda?! Que provas tem contra mim?! Como pode me acusar se não ouviu a versão da Rita. a Lúcia se matou por sua causa ! Ficou louca... Sérgio! Conversei com a Sueli e ela me contou que a agrediu a p onto de ela abortar o filho que esperava! Um filho que era seu! Você a agrediu por ela descobrir o incesto entre você e a Lúcia! Você forçava a sua irmã a se relacionar sex ualmente com você! E na oportunidade daquele assalto. do Tiago.perguntou.. sentei ao seu lado e conversamos! Se eu peguei no sono. deixando mil recados. Um aperto no peito. n conseguiu deter as lágrimas nem a respiração ofegante. Seria irresponsabilidade minha. existe algo que o aflige. Imaginei que assumiria seu arrependimento por tudo o que já fez! Que até se propori a a um tratamento. inescrupuloso. falou com voz trêmu la: Precisava vê-lo! Precisava olhar em seus olhos para acreditar como alguém pode se r tão cínico. o Tiago no outro e eu fiquei na sala sem sono pensando no que te aconteceu! Quer confirmar isso?! Verifique as horas de todas as minhas ligações para você! Acho que estava quase amanhecendo quan do eu desisti de ligar e a Rita teve um pesadelo.murmurou o rapaz com nítido nervosismo na voz grave. foi porque não agüentei mais ficar acordado te esperando! Aquele foi um dia terrível para mim! Você é capaz de entender isso?! . E sperava há horas e. que está nos ajudando?! Eu sei de tudo. Confiei demais! Pensei que fosse honesto e me pediria perdão. apesar do choro.. tão cruel. certo? Além do mais. Assim que a secretária fechou a porta. Débora?! . a porta da sala foi aberta abruptamente e as vozes feminina s estavam alteradas. Tentei encontrar você. enquanto perguntava baixo e pausadamente: . apesar disso. sem emprego. Depois de tudo.. mas não retornou nenhuma das minhas ligações! Onde você estava quando mais precisei?! Então a Rita teve de dormir no meu quarto. Não posso minimizar a concentração no que faço por causa a falta de maturidade de alguém que eu amo e não quer conversar comigo para ouvir a minha versão dos fatos. Até eu preciso de um tempo para pensar.. po is quero saber do que você está falando! .. pediu.. Naquele instante. Vamos para minha sala.

você re cebe uma medicação intravenosa adequada que vai aliviá-lo da dor. Não entendo por que ele me enganou ta nto. precisaremos imobilizá-lo. novamente. Sérgio sentia-se inteiramente acor . a moça saiu sem olhar para trás. filho . alerta. Confiei nele. o médico o segurou pelo braço ao perguntar: Você está bem? O rosto branco e gelado voltou-se para o doutor Edison e tentou balbuciar.chorou. 20 .Apontando para o outro médico. Foi no exato momento em que as lembranças chegaram ter ríveis como o clarão de uma explosão de recordações... Eu e a Sueli temos outras.. contornado pelos cabelos grisalhos e cacheados do amigo. . Bom dia. Mas não posso ficar ao lado de uma pessoa assim. . A perplexidade não o deixava concatenar as idéias e um torpor o dominava.Como não acreditar na Sueli?! Veja. pára próximo do leito e o rosto tranqüilo. Não reconhece um hospital?! . ma s não conseguiu dizer nada.... ela questionou: Ainda quer que eu acredite em você. Impiedosamente. As fotos falam por si só. Sérgio estava em choque. Estávamos conversando. Através do soro. Pode ficar com as fotos. Correndo ao seu lado.brincou. Seu corpo caía lentamente como se fosse tragado. o rapaz levantou a cabeça e chamou com voz fraca: Doutor Edison. Não tentou dizer nada. Débora ainda falou em tom brand o. Como assim? Onde estou? E. mas se quer mesmo saber são nove horas da manhã. Sentia a boca seca. doutor Sérgio! Pensei que fosse dormir o dia t odo! .. .. Em seguida aconse lhou: Não se agite. Sérgio ouviu o som de passos vagarosos aproxi mando-se dele. Uma conversa em voz baixa a traiu sua atenção. mas.. . Apesar da visão embaçada. o rapaz olhou para o médico e acenou positivamente com a cabeça. afundan do em uma sombra. Petrificado. que escurecia sua visão. sem forças e decepcionada: Cuide bem dele. apresentou: Este é o doutor Vicente. Sérgio?! O que tem a me dizer agora? A versão da Sueli sobre isso é mentira. Calma. Alguns passos. Num grande esforço. Não conseguia entender o que estava acontecendo. mas espe rei por mais de uma hora e meia lá fora.perguntou Sérgio. ua irmã. olhando-o firme... até um sopro de frio mortal atravessá-lo como uma espada. . não é?! É a sua cama?!. fechando vagarosamente a porta. * * * Sérgio acordou e se viu deitado sobre a mesma cama.. Que horas são? . Tentando se virar.. Débora ainda o torturou ao pergu ntar em tom brando: É impressão minha ou esse aqui é você.Sérgio tinha as mão s trêmulas ao olhar as fotografias. pálido e mudo. fazendo-o olhar para o lado e ver o doutor Edison em companhia de outro médico.. o rapaz deu um gem ido de lamento alucinante... pois eu já i a embora.tentou se defe nder. mas sentia os pensamentos confusos. Desculpe-me por invadir seu consultório.. Vendo-o petrificado. . doutor Edison. E... contrações súbitas da muscul tura de duração variável. e a Lúcia.Breno aproxima-se de Débora Remexendo-se lentamente no leito. Não sei qual a utilidade...Virando-se para o médico. Caso comece a se mex er. Virando-se. Por um instante. deitado de costas..alegrou-se. Essas dores são resultados dos espasmos. Calma. surgiu sorrindo: Ora! Ora! . era tomado por uma espécie de adormecimento que começou a reduzir as dores. Cumprimentando rapidamente o doutor Vicente. o coração batendo com dificuldade e.tornou o outro. olhou para o lado reconhecendo a figura do médico amigo.disse..Lágrimas correram pela face e ela ainda acrescentou: Eu o adoro. deitada sobre você?! É o seu quarto. que teve enquanto perdeu os sentidos devido à exaltação inesperad nas funções orgânicas produzida pelo nervoso extremo e estresse. Isso tem uma explicação. naquele instante. pois sentia doer todo o corpo.pediu a voz tranqüila do doutor Edison. completamente nua. pálido feito cera. O Sérgio precisa de aju da.. brincando. Não quero ouvir mais nada .

.. Preciso ir. doutor Edison?! Estou me sentindo bem demais para fi car num hospital! Preciso ir ao trabalho e. * * * Em seu apartamento. Você falou e pensou hoje mais do que devia. Não suportando. O Sérgio não sabe menti r e ele estava bem franco.. informou: Eu só queria confirmar se o s outros recados deixados na secretária eletrônica foram após esse horário e o que dizia m. No último. inconformada.. Em todos disse que tinha a contecido uma coisa grave e pedia para eu ligar.. você não tinha o direito de apagar os recados deixados na minha secretária! Por que está tão irritada?! De que eles adiantariam?! Para que ouvi-los?! Só se você for masoquista e quiser sofrer mais! E pare de gritar. Sérgio nem pensava enquanto falava.... Trazendo os pensamentos em ruínas e sofrendo com os conflitos interiores. Yara! Deixe-me pensar! Por favor! Pensar em quê?! Foi algo que o Sérgio falou sobre a Rita tentar se matar e para eu verificar os recados que ele me deixou e os horários. apesar de inconformado. Débora! Depois de tudo o que a Sueli contou e te provou com aque las fotografias!. A jovem sentiu verdade em suas palavras. Ainda tem alguma esperança de que esse safado pode se defender de tudo o que você mesma viu?! Ah! Não! . a não se r deitar-se novamente ou ler. Débora estava nervosa com a atitude da irmã e reclamava: Yara. o cara não negou! Disse que a Sueli mentiu! Em instantes. Você viu as fotos! Quando contou que mostrou para ele. inspirada por espíritos malfeitores. mas sua voz pareceu fra . Afirmou não haver filho algum.Virando-se para sair. falou: Ainda bem que eu tirei cópias ou você seria capaz de dizer que não viu direito aquela atitude imunda d ele com a irmã! Enquanto Yara vociferava e gesticulava andando de um lado para outro. Apesar de nunca tê-lo visto tão austero. apressou-se para acompa nhar o doutor Edison.. À tarde volto para vê-lo e decidir se merece receber alta ou se precisa ficar mais tranqüilo. Quando eu disse que sabia de toda a verda de. Ainda disse que me amava. . em seu o lhar penetrante que invadiu seu ser. Questionou como fui capaz de a creditar na Sueli.. pergunt ou afoito: Não vai me deixar aqui.. Nunca vi o Sérg io daquele jeito. porém não sabia o que era. Ah! Eu matava os d ois! Além dessa magnífica cena. Eu o conheço. não é.. Aproveite e descanse. Sérgio! . E o que posso dizer por agora. que a Rita estava lá e precisava de mim.dado e lembrava-se de cada detalhe do ocorrido. ele não entendeu sobre o que eu estava falando. Está aí ao lado.. avisou mais calmo enquanto caminhava: Eu trouxe um livro para você. O doutor Vicent e cuidará de você.exclamava Yara. Sérgio ainda tentou protestar: Mas eu penso que. Se eram mais detalhistas!. pois tentava ignorar um frágil conselho que lhe sussurrava no fundo da alma a favor de Sérgio. O que ele contou e a forma como contou ofereci a ao rapaz um voto de confiança. Mas Yara.Débora falava brandamente.. Mas. . avisou que estava em c asa. Eu não acredito. confuso e sem alternativas. Ela sentia que havia algo errado naquela história. Tudo há seu tempo! Não acha? Ficará em observação até ar vinte e quatro horas de sua internação. pedindo para eu entrar em contato. ao pegar as fotos que entreguei. Melhoras! O outro médico ofereceu leve sorriso e. Gritou ao dizer que nunca a agrediu e disse com lealdade que não faltou vontade para isso. Se eu pegas se meu namorado dormindo na cama com a minha melhor amiga!. deixando Sérgio aturdido. Ele esbravejou e se defendeu bem firme. sem dizer nada. No tom de sua voz aflita e firme ao dar tan tas explicações. Não pareceu mentir. Esforçando-se para sentar. Você não entende! Ele encheu a caixa postal do celular.. pediu: Espere. ficou pálido e tentou falar..interrompeu-o firme. . não parava de falar e sua energia devorava o fio de esperança que existia em Débora.. O último recado foi quase às duas da madrugada.. Débora se ntou-se cabisbaixa e desolada. Ele tremia.Brev e pausa ao perder o olhar ficando pensativa... refletindo so bre cada detalhe: Havia sinceridade em suas palavras. Perguntou se eu estav a louca.

Débora se deixava convencer pela irmã. beijando-lhe o rosto ao pergunta r: Você está bem.Pequena pausa e comentou menos irr itada: Lembra a mentira que contou ao Breno sobre estar grávida e era por isso que ficaria com o Sérgio? Ele ficou triste. a jovem ficou envergonhada. mas respondeu: . No instante em que a campainha tocou. Pensei que fosse desmaiar. avisou: Mandei subir. deixando a coitada tão desesperada que até se matou por isso?! Não acredito que esteja defendendo esse doente. Ele disse que havia uma explicação. deixando-a ne rvosa. com satisfação e orgulho. E veja como ele é um cara ba cana. Depois de cumprimentar Breno. Secando-as com as mãos. o nosso irmão. Yara abriu a porta sem se importar com a irmã. seus vermes malditos! Somos soldados guerreiros! Ajeitem o grupo e me sigam! . Você é louca! Depois de tudo o que viu.ca e gaguejou. Eu não poderia dizer p ara não vir. mas não reagiu. Não demorou muito e o interfo ne tocou.. Agora o Sérgio por qualquer coisinha fica todo nervosinho! Qual é?! Não vou esquecer quando cheguei aqui e vi v ocê chorando feito uma condenada por causa do Sérgio! Um cara que te agrediu com um chacoalhão. triste e ele não agüentou saber de seu sofrimento e pediu para vir aqui. olhando-se e misturando-se sem sab er o que fazer. para organi zar esses atrapalhados.Débora não disse nada e a irmã esbravejo u: Deixe de ser idiota! Queira quem a quer! . Mas como?! Não. Essa infeliz precisa pagar por tudo o que fez. o Sérgio fica mais fraco. Gritando para um grupo de espíritos gro sseiros que o acompanhava. imagine se morassem j untos! Na espiritualidade Sebastião ria com gosto e saboreava. Vão! Vão logo! Os outros ficarão comigo. c om pensamentos tristes e conflitantes. nem ligou e continuou seu amigo. Débora estava visivelmente abatida. Breno modero u o sorriso. . avisou: Entre. Sem a Débora. Não procure justificativas para o que não tem defesa! Ele é safado e esperto! A corda. exigindo dos demais: Vamos.Reunindo os espíritos que desejava. quando soube que era mentira. Eu deveria ter conversado ou ouvido como ele propôs. também não disse nada e continuou seu amigo. aquele covarde não teria desertado. Aliás. Eu disse que você estava com problemas. ouviu e das provas incontestáveis contra el e dormindo com a irmã. Yara! Não quero conversar com ninguém! Ele ligou antes de você chegar. com o ânimo reduzido a migalhas.Vend o-os como um grupo de soldados desorientados. Ao retornar. com você abraçando-o pela cintura. Imediatamente Yara tomou a iniciativa de atender. apon tando: Vocês! Vão tomar conta do desgraçado do Sérgio! Corram! Ficarei aqui para não perder qualquer oportunidade. as pernas sob re as dele e ele meio coberto por um lençol?! . Sinto um arrependimento por isso!.gritou Yara. Foi frio. tive a impressão de que ele começou a passar mal. ou eu mesmo manusearei uma boa tira de couro em suas cos tas para que aprenda botar juízo naquelas cabeças! O servo arregalou os olhos horríveis e inquietos. só iria te enrolar ! Ele é profissional nisso! Pense comigo: como você explicaria uma foto com você nua. o sofrimento experimentado por Débora e Sérgio. minha amiga? Ela o encarou com os olhos empoçados em lágrimas.falou com ironia. o servo daquele líder saiu rapidamente para cumprir as ordens de forma alucinada. eu não t eria ouvido e sofrido por mais de um século. porém não sei o que me deu! O Sérgio. Débora! . É o Breno. que não demoraram a escorrer por sua face pálida. indicando: Você! Seja hábil com o chicote. Sebastião ordenou como se rosnasse com ferocidade.. Sebastião urrou. mas não fiquei para saber. grosso com as palavras e virou as costas te desprezando e não querendo conversar! Pense nisso! Se agora o sujeito é assim. aproximou-se e sentou ao seu lado. Se não fosse por ela. Depois quando soube que foi mentira sua. Enquanto isso.. deitada sobre o Elcio.. a Débora está aqui na sala. Débora! O Sérgio te enganou! Quer continuar te enganando e pelo visto está cons eguindo! Ele não quer manchar a sua imagem de doutor Sérgio! . com as habilidades no emprego das técnicas sugestivas. Contou para ele sobre mim e o Sérgio?! Contei! Qual o problema?! Chega de mentira! Já bastou aquela história que você inve ntou sobre estar grávida do Sérgio só para afastar o Breno.

Após entregar-lhe o pires com a xícara. Entretanto. Breno foi ao seu encontro... sem que ela esperasse. para seu espanto. Nem um minuto se passou e a moça se surpreendeu com ele cobrindo-a cuidadosamente com um leve lençol suave e perfumado. Breno se levantou. agr adecendo. Débora chorou e o rapaz ampar . colocou-lhe os pés sob re o sofá. mas preciso ir. Breno. tirou-lhe os sapatos. A conversa seguia com aparente tranqüilidade entre eles até que a jovem expressou semblante triste. despertando seus desejos mais obscuros. Sentando-se e observando s eu largo sorriso.. Aproximar-se e envolvê-la para submetê-la ao seu controle.. me liga.. Tenho certeza de que vai tirar um cochilo e isso será ótimo. o que Débora aceitou. Sentia grande necessidade de organizar as idéias e pa ra isso não poderia ter alguém ao seu lado. escolhia suas vítimas e escondia suas verdadeiras intenções. uma atração física qu e o influenciava de maneira poderosa e anormal. Ela experimentou uma sensação agradável ao vê-lo tão gentil. no caso.. Você não quer conversar e eu a entendo. Pensei em levá-la para almoçar. Mudando-se de lugar. Alguns goles e devolveu-o ao rapaz. Mascarava o caráter a fim de empenhar-se ao máximo para obter o que desejava. generoso e verdadeiramente amigo. Frente à irmã.Virando-se para o visitante. beijou-o no rosto e pediu. Breno? Por que tanto trabalho? Trabalho algum! Acho que não comeu nada o dia todo. Qualquer coisa. O Breno já provou ser um ótimo amigo. Breno colocou o recipiente sobre a pequena bandeja. Não quis interromper seu sono. Yara anunciou: Desculpe-me. A moça virou-se sorrindo e se foi. Débora.prometeu o rapaz com leve sorriso. Sei o que é isso. Vagarosamente a jovem foi percebendo que Breno era muito atencioso. dissimulan do a voz ao lhe dar um sorriso enigmático com o canto da boca. correspondendo à trama de Yara . Entre um gole e outro da bebida morna. pedindo baixinho: Beba um gole para se livrar de algum gosto amargo e lavar qualquer lembrança ru im. Lentamente os pensamentos da moça eram envolvidos por uma sombra que a cegava para não ver a falta de integridade do rapaz. Breno acomodou-se rapidamente ao lado de la e parecia preocupado ao perguntar com extrema generosidade: O que foi? Eu disse algo errado? Não.Já estive melhor. * * * Débora despertou sentindo-se atordoada. como um tr iunfo e com a finalidade de usá-la como objeto em situações ou fantasias. sustentando uma bandeja onde sobrepunha xícaras de chá. Breno? Quer deitar em seu quarto? Não. voltou-se novament e para Débora e. nunca te exigiu nada e está presente nas h oras mais difíceis. Ela forçou um sorriso e aceitou o copo. Procure não pensar em nada. É que. Na verdade gostaria de ficar sozinha. Débora não sabia o que argumentar. seus vícios e transtornos.. mas vi que dormia tão suave que. Então fique aí e relaxe.. Desejari a que Breno não estivesse ali. ele ofereceu-lhe torradas. De qualquer forma acredito que estará em boa compa nhia. Manipulador. assumia uma conduta educada para seduzi-la. Foram detalhes que me trouxeram recordações e. Sua estrutura psicológica estava empenhada na cordialidade e amabilidade a fim de conquistar a t otal confiança de Débora.. . e conversou sobre a brusca mu-dança do tempo. quase ao mesmo temp o de uma rápida piscadinha: Cuide bem da minha irmã! Pode deixar . O que é isso. Ela aceitou e ajeitou-se no sofá. a f im de satisfazer a paixão compulsiva que experimentava pela jovem. na verdade.Beijando a irmã. . ajeitou algumas almofadas e a conduziu para que se deitasse. foi até a cozinha e retornou c om um copo com água adoçada. avisou: À noite estare i de volta. o rapaz se serviu e sentou em outro sofá.. torradas e deliciosos e pequeninos pães-do ces e colocou-a sobre a mesinha central. comentou: O que é isso.

encarando-o. ao ver o médico amigo entrando. mas. expressando um pedido de socorro..brincou o homem. Em seguida completou: A princípio. A propósito. * * * No mesmo momento. Longo silêncio e o doutor Edison comentou: Sérgio. Sabe. Por essa razão considero essa conversa como um desabafo pela nossa amizade.. De repente p erdi o controle da situação pelas acusações injustas e pela forma como foram feitas. . vou te contar que. apoiou os cotovelos e em seguida esfregou o rosto com as mãos.respondeu com simplicidade. Não o ouço como médico ou psiquiatra. segurando a cabeça baixa sem olhar para o outro. Sérgio. Entretanto ainda possuía uma inquietação que incomodava s eus pensamentos. Tinha o olhar perdido no horizonte. Quer conversar um pouco? . A Débora me atacou de uma forma muito cruel. Eles compreenderam e ficaram tranqüilos. Estou arrasado ! Quero sumir! Nada em minha vida parece fazer sentido e. o fez virar-se lentamente. criado com toda a atenção e orientação. Eu mesmo liguei para seu irmão e sua mãe explicando que não aconteceu nada grave.perguntou o doutor Edison. Na mesa que os separava. em certos instantes. Eu e minha es .O rapaz falava de modo calmo.. Não acreditou no que eu disse nem me deu chance para explicar. eu tinha decidido que era o momento da Débora saber. envergonhado. louca a esse ponto?! I sso é doença! Ela não tem estrutura nem caráter.respondeu. De repente um leve barulho na porta. Sorriu. Diga-me a ve rdade. Meu f ilho. E para provar essa gran de confiança e consideração que tenho especialmente por você. Depois o tempo foi passando e. Ele ficou sentado. Você precisava de um momento a sós.. puxando uma cadeira e a comodando-se mais perto do rapaz. No sso relacionamento estava bem harmonioso.. tornou-se um aluno excepcio nal... não é? Não posso dizer que apreciei a comida. aproximou-se da cama onde se sentou e comentou em voz ba ixa: Ninguém jamais me fez sofrer tanto. Foi uma surpresa absurda! Deixou-me atônito por isso nem sabia o que dizer. Os belos olhos de Sérgio o encararam de modo penetrante. por qu e eu não recebi visitas? Foi a meu pedido. Mas a surpresa com a foto o deixou em choque e não soube como reagir. com o canto da boca. compreendendo-a. Pensava em Débora e desejava tê-la segurado naquela s ala por mais tempo para contar a verdadeira história.. doutor Sérgio .. Não contou a eles sobre a Débora? Não ... ele pegou uma outra cadeira e puxou um a pequena mesa colocando à frente ao doutor Edison. muitos desabafos. Uma nuvem de dor pairava em seus pensamentos. como já disse. Lembrava-se dos detalhes que o abateram a ponto de levá-lo a um hospital.. Tirava as melhores notas a custo de uma dedicação impressionante. Contu do minha maior decepção foi com a imaturidade da Débora por não me ouvir. Sérgio estava em pé frente à janela.Breve pa usa e perguntou de modo suplicante na voz grave: Como eu poderia imaginar que a Sueli fosse tão alienada. em absoluto silêncio e com um semblante sobrecarregado de profunda decepção. Estávamos vivendo situações decisivas e importantes em nossas vidas. meu único filho. a falta de visita e. A Sueli foi alguém em quem confiei. conforme me orie ntou e o João também aconselhou. Sérgio abaixou a cabeça. Além disso.... Acho que precisava desse descanso. Disse que você não estava se sentindo bem e tratava-se de um estresse mental.. tenho idade para ser o seu pai. por isso precisava de descanso. ela foi muito insensível. Levantando-se de onde estava. . sentando-se em seguida diante dele. contei cada detalhe. Ora! Pelo visto se comportou bem. Sérgio aind a estava com a cabeça curvada quando finalmente comentou: Tudo o que aconteceu me deixou muito perturbado. ouvindo atenciosamente seu desabafo e afagando-a e ..ou-a em seu ombro como amigo. olhando os últimos raios do so l que se punha entremeado de bela nuvem alaranjada. Você não contou à Débora sobre as atitudes desequilibradas de sua irmã? Não . Isso só se explica como forma de vingança.. mas como amigo. equilibrado e eu resolvi adiar essa co nversa que não me agrada nem um pouco. cabisbaixo.

mas meu filho só ouvia e não me encarava. Eu sei quanta pressão e exigências existem sobre os alunos de Medicina. Só me restava vender a clínica. com a qu al minha mulher implicava. perto de Campos do Jordão. o cabelo crescer sem pentear e a cada dia dimi nuía minha disposição para um banho. q ueria abraçá-la para chorarmos juntos. é importante que você. essa idéia não saía da minha cabeça. do seu preparo.Falando calmamente. . serão profissionais cuja prioridade de suas atividades será proporcionar alívio. culpava-me. Sem dúvida que experimenta momentos difíceis e muita dor na consciência pelo suicídio praticado. que estava com os portões abertos. Sérgio o olhava surpreso. quebrou o que pôde em diversas crises de nervos. Eu estava sozinho e completament e arrasado. o médico. mas não conseguia tirar o Alessandro dos meus pensamentos. mas eu tinha um sócio.. Entende? . maltratando-se. Dois dias depois de ele me dar essa exp licação. Foi morar com os pais e pediu o divórcio. mel hor qualidade de vida e salvar pessoas. sisudo. Ao me ver. Dei-lhe o divórcio. Não conseguia fazer nada por falta de concentração. Chegando ao terceiro ano de Medicina... um dos empregados correu ao meu encontro e. as palestras. Aliás. Você acha que o seu filho acabou?! Não! Ele vive. cuide dele com toda a s ua força e amor que jamais dedicou a um paciente ou a um aluno. levando-o ao cansaço. . Só que. se deixar de trabalhar para ajudar os outros. prosseguiu: Eu deixei de se r o Professor Doutor Edison. F oi então que meu sócio me chamou e disse: Se você morrer. o doutor psiquiatra. meus pacientes. flagelando-se. Meu filho só dizia que estava sobrec arregado com os estudos e muito cansado. dizendo que e u forcei nosso filho ao excesso de estudo. porque era um pesadelo na vida real. o pai desesperado. ela me culpava.. com polic iais e peritos entrando e saindo. Não existe dor maior ue a de perder um filho! Minha esposa deixou nossa casa. fiquei assustado ao ver dois carros da políci a e um da perícia em frente à minha casa. meu filho Alessandro começou a apresentar alterações em seu comportam ento. Edison. mas eu achava que era ciúme de mãe.. Se desistir de viver. O Alessan dro necessita da sua força. mais uma dor. Alguns segundos se pas saram e o homem contou: Acreditei que minha vida tivesse acabado. . mais um motivo d e desespero. Logo o médico continuou: Nada adiantou.Sérgio acenou positivamente com a cabeça e estava muito atento. quando volto u para casa. berrou. Todas as vezes que tentei conversar com minha mulher.. Não me dei por vencido e procurei deixar de ser o pai para ser o co lega. A cada dia o Alessandro se tornava mais calado. se continuar se abandonando.... ma s meu sócio replicou: Veja com os olhos do coração e contemple mais longe e não só à sua v a.. Desfiz-me de tudo. chorou. de seus conhecimentos e. Eu estudava um meio de saber.. o amigo. o dono daquela mansão. o médico confessou: Eu p ensei em suicídio. Eu não acredit ava que meu filho havia se matado. descendo do carro. Queria fazer neurocirurgia e pensava em outras especializações. Na manhã em que retornei a São Paulo.posa não podíamos deixar de ter muito orgulho dele. na direção do Alessandro e o trate. Eu deixei de ser tudo! O que restou foi só o homem desorientado. O A lessandro passou no vestibular para medicina com incrível facilidade. Eu passei a usar as mesmas roupas desalinhadas. principalmente. D izia que o Alessandro não queria me decepcionar e por isso não suportou a pressão e se matou. Eu respondi que ele estava ficando louco. eu era palestrante em um congresso no Rio de Janeiro. Eu precisava dela. como pai. após a morte de noss o filho. Deixei a barba grande. Ele tinha uma namorada. para onde íamos todo inverno. Tínhamos uma bela e confortável residência. agora.. Olhe. ao desespero.. não seja para o Alessandro mais um peso em sua consciência. Eu e meu filho conversávamos muito e ele até me acompanhava assistindo às minhas aulas ou palestras em congressos. porém com os olhos empossados nas lágrimas.Encarando o rapaz com firmeza. Chamei-o para conversar. o palestrante. I sso quando o via.. Queria que aquilo fosse um sonho ruim. rec ebi um golpe mortal quando ele disse que meu filho havia se suicidado. o que acontecia. Minha esposa precisou ficar internada por alguns dias e. mais d o que precisou durante toda a vida! . por ele. Não dizia nada. inquieto. pois meu filho era tudo de mais importante para mim. Tudo! Eu não cuidava nem da minh a aparência.. silencioso e quase sem piscar. trará mais sofrimento e dor ao seu filho. afinal . com o coração esmagado.. Desisti de tudo. E eu. que gritou. Ab andonei as aulas. Sérgio. uma casa na praia em um lugar bem privi legiado e outra na serra. mas ela me acusava.

e o a migo prosseguiu: Use todo o seu poder.. Acredito que suas roupas estejam ali no armário. Sérgio debruçou-se sobre a mesa.. Esse sócio é espírita. Sérgio o abraçou forte. vejo que. doutor. Após longo tempo. Todas as manhãs trazem luz.Breve pausa e o homem aconselhou. outros momentos vão emb elezar sua vida! Lembre-se de que não existe somente a noite escura e fria. Quando cheguei. . Não qu ero te perder agora que o encontrei.. Isso não fo i e não é fácil.Mais sério. A mecânica dos problemas humanos não se restringe somente à ciência da Psicologia ou da Psiquiatria. seu bo m-ânimo. Algo que vi n os olhos do Alessandro. Acho que me esque ci! Aproximando-se. doutor? A consciência. pensa em desistir de você mesmo. Vim aqui para avisar. puxou-o para um abraço. trazendo um leve sorriso no rosto avermelhado. Não disse nada. Por que está me contando tudo isso? Por que vejo em seus olhos. Parece que escuto cada palavra até hoje. toda a sua fé. eu falava buscando meios de despertar suas forças interiores. O médico não disse nada. mas não pensa que me engana não. Depois pegou suas roupas e foi se t . sua alma. sorrindo: Aumente a umidade relativa do ar à sua volta! Desenvolva a autoproteção! . falou: El eve os pensamentos e reze! Se for preciso. mas me dediquei e me empenhei como nunca. proteger e preservar o seu maior tesouro de modo que ning uém consiga profaná-lo e prejudicá-lo. Que tesouro eu tenho. por causa de um brutal e cruel rompimento amoroso. Cre io que foi a vergonha de desabafar que levou o Alessandro à prática tão lamentável. O doutor Edison se levantou e foi ao seu lado. escondeu o rosto em seu ombro e chorou como n unca. filho.será por culpa da decisão tomada pelo seu filho com a prática do suicídio. Isto é. A mecânica dos problemas humanos é o resultado do que você fez p or você em muitas outras vidas e pode ser também uma opção para ajudar alguém da sua famíli espiritual. ou missão evolutiva com amor incondicional por todos ou tarefa que não se pode esperar. eu estudei e entendi que meu filho poderia se erguer do vale espiritual tenebroso onde se encontrava através dos meus desejos e pensamento s. Se quiser uma carona! Eu já estou de alta? . mas peça a Deus que o amanhã chegue rapidamente com uma luz forte de confiança e razão. O quê? . seus esforços. Sérgio o abraçou f irme e estapeou-lhe as costas. Eu soube por você mesmo de toda a sua história. Assim como os raios do sol no horizonte são diferentes a cada dia. Sérgio se afastou do abraço e. caia de joelhos.. eu direcionava as explicações e orientações para meu filho e em forma de pensamento.Não houve resposta. Ei! . e. Os olhos de Sérgio pareciam explodir em chamas como os de alguém que acordasse abrupta-mente com uma rajada de água fria. envergonhado esconde u o rosto onde secava algumas lágrimas. Mesmo um dia cinzento. Não é Sérgio?! . sua nada e tudo mais não têm importância. Sérgio.riu. Os dois se entreolhavam firmes.Ao ver encará-lo. sem qualquer lamentação.tornou Sérgio. Eu sofri muito. estava.. Pela experiência que apren o a cada dia. Sérgio ficou em silêncio e fugiu o olhar sem dar qualquer resposta. a sua garra e conhecimento a dquirido para guardar.. algo que me deixou inquieto. P or essa razão. mas ele silenciou e somente esperou. grite. O rapaz não se conteve. avisou com voz terna: Não quero perder mais um filho. Cada paciente que cuidava. desistir da vida. Você está começando a desenvolver a convicção de que seu trabalho. acarretará uma imensurável responsabilidade e extrema aflição.. Vejo que se empenha e se dedica extremamente ao trabalho para fugir da sua realidade . dediquei-me tanto as aulas. caindo num choro sufocado e compulsivo. Erguendo-o. auto-estima e reconhecimento de seus valores e limites como se eu estives se tratando o meu filho. perguntando temeroso. po is você não cometeria esse crime contra as Leis de Deus se ele estivesse vivo . Nunca soube de sua vida. há dias. mas. . Lágrimas correram em sua face serena. Sérgio.. Na verdade. E apesar de tanto con flito e desespero íntimo. E se você també tirar sua própria vida. o doutor Edison falou: É melhor que se troque. A cada aluno ensinei como se fosse para o Alessandro. Ao vê-lo erguer os olhos para o teto e dar l ongo suspiro.perguntou com a voz rouca pelo choro. chore. Você é um ótimo profissional. é mais claro do que a noite.

pensei muito. Querer a mo rte é covardia para enfrentar a vida. quando lembro. Não sei como conseguiu aquela arma.. As drogas foram vitoriosas. Arrependido por quê? Por não ter contado para a Débora sobre o desequilíbrio da minha irmã. Sérgio comentou com o médico: Enquanto estava no hospital. Meu filho escreveu que estava ciente da atitude insensata. disse. minha esposa abandonou qualquer ocupação. Por mim?! Sim. Pensei em desistir da vida.. poré m minha consciência ela ainda é minha esposa. Sérgio? A verdade é que senti vergonha por causa do senhor.. Ao contrário de alguns deprimidos de comportamento passi . Tentou conversar com ela sobre o lado espiritual de toda a situação? Incontáveis vezes. o retornar a clinicar. a Jesus que o ilumine e c ontinuo com o trabalho que abracei para aliviá-lo e elevá-lo. Tratei de cada um deles como se fosse o Alessandro. Peço a Deus que o abençoe. não conseguimos minim izar sua depressão.. Senti vergonha e dec epção. Recusou-se a me receber como visita. Dei-lhe o divórcio para não contrariá-la. ela não quis reverter seu quadro de depressão clínica para a tris a comum. Mas seu corpo exigiu mais. Foi à vergonha de contar o que acontecia que o levou à prática de ta manho absurdo. acreditando que minha v ida não tinha mais sentido. Sentia-se deprimido e envergonhado e não sabia como me contar. Que vergonha! Vergonha mata. E muitos não têm idéia da dor e do sofrimento cons ciencial mil vezes pior. ele acreditou que isso seria temporário e logo pararia. Sérgio . Um tanto cauteloso. Não peço mens gens mediúnicas com informações dele. Por que se envergonhou. Apesar de ter-lhe fornecido toda a ate nção.rocar. eu decidi rec omeçar... * * * A caminho de casa. Em um trecho.. Todos apresentavam ou contavam sobr e a intenção de suicídio. chorar. pode dizer como ele se matou? Sinto imensa dor. Ele foi encontrado em seu quarto e deixou uma carta pedindo desculpas a mim por não ter co ragem de contar suas dificuldades. os paciente chegavam. mas sem desespero e com total controle das emoções. A impressão que tive foi de lutar.. estaria ao meu lado hoje. E sua esposa? Por mais que tentei e tento. por se desviar para o caminho da s drogas para o qual eu sempre o alertei. dedicação e amparo. Mas ela não aceitou.falou sério.. mas acreditava que p oria um fim ao inferno vivido no pensamento e na necessidade do corpo. envergonhado.. da perturbação e da dor para elevar sua consciência e beneficiá-lo com o arrependimento e a aceitação de socorro. Em determ inado trecho. pediu perdão pela falta de coragem. Se o Alessandro não tivesse vergonha. dever e responsabilidade. Fiquei em conflito. Como todos os iniciant es em vícios. Toda aquela discussão na sua sala. afirmando que não conseguia mais p rosseguir sem elas. Não foi fácil. Passei o dia pensando: o que vale minha vida? A pessoa que mais amo e que diz ia me amar me tratou como quem ofende um marginal.. embora saiba que é necessário usar a dor em bene fício do próprio Alessandro. é esperteza e elevação. Mas por incrível que pareça. na sua frente. O Aless andro se matou com um tiro na cabeça. procurar ajuda profissional é coragem. meu filho menci ona que passou a fazer uso de drogas para ficar acordado e sem fome para não perde r tempo com a alimentação a fim de estudar e se aplicar mais. Bu scar na religiosidade o equilíbrio e o entendimento. Falar. l utar. Ao saber da minha busca mais profu nda nos ensinamentos da Doutrina Espírita que me traziam consolo e força interior at iva e construtiva para minhas atividades. seus medos e. lutar e não ter êxito algum.. Meu mundo estava de cabeça para baixo. arrependido. através de psiquiatras amigos. pois des ejava arrancar meu filho do recôncavo das trevas. Depois do alerta desse meu grande amigo. Sérgio perguntou: Se não o incomoda falar a respeito. conversar. Ela se entregou à progressividade de um estado desesperador tão pr ofundo e por um tempo suficiente que agora acreditamos ser quase impossível modifi car seu comportamento disfuncional. No começo entrei em um mundo de escuridão e infelicidade.

vo e letárgico, ela passou para um estado comportamental deprimido, mas agitado e inquieto quando procurou conforto na igreja evangélica ou religião protestante. Logo de início, minha mulher adotou uma conduta severa e crítica de si mesma. Ass umiu a culpa pela falta de capacidade de controlar sua vida. Com procedimentos i rritadiços, freqüentou a igreja evangélica gritando em rogativas intermináveis, julgou-m e demônio. Embrenhou-se na fé cega das crenças irracionais, persistentes e sob os delíri os frenéticos dos cultos alucinantes repletos de uma ovação interminável de súplicas a Deu s, como se Deus fosse surdo. A busca desenfreada por uma espécie de perdão Divino, levou-a a distúrbios psíquicos de falar uma língua estranha da qual ninguém sabe a origem ou a tradução. Tais episódios d epressivos e maníacos variavam e se alteravam. Você sabe que quando o indivíduo experi menta uma grande perda afetiva, se ele não for equilibrado pode vivenciar grandes e diversos distúrbios psicológicos. Essa perda pode ser a morte de um ente querido o u a perda simbólica pela rejeição ou abandono da outra parte. Em todo caso, quando não s e controla a raiva inconsciente contra o outro, esse sentimento se transforma em raiva contra si próprio e, conseqüentemente, em depressão. Fontes de estudos e opiniões de renomados psiquiatras como Aaron Beck, baseiamse em fontes clínicas de que as pessoas deprimidas, na maioria das vezes, pensam i logicamente. Elas transformam pequenos problemas em dramatizações catastróficas e, nas situações realmente difíceis, essas pessoas assumem eternas e indizíveis culpas; amplia m as fraquezas, desesperam-se com a total perda de controle emocional e jamais s e perdoam por desagradáveis experiências do passado. Dentro da visão filosófica, científica e religiosa que tenho um pouco, acredito que a agitação delirante, a fé cega, as crenças irracionais nas falas sugeridas e persuasiv as pronunciadas com muita habilidade por muitos evangélicos ou protestantes, têm a f inalidade de limitar a inteligência das pessoas necessitadas de auxílio na área psíquica ou psicológica. Essa atuação ou representação agitada e delirante é uma das fontes de argu entação usada para convencer os fiéis. É algo que funciona como um gerador de energia en ganoso, temporário, falso, no qual o indivíduo depressivo transfere as suas responsa bilidades e deveres para Deus, bem como a causa de seus sofrimentos, ou seja, se eu sofro é porque Deus quer assim. Essas pessoas transferem sua raiva inconscient e para outra e aprendem a culpar todos à sua volta, incluindo os espíritos, por seus infortúnios e dores, julgando-os demônios traidores e capetas ou diabos inimigos. As mentes maquiavélicas que administram essa linha religiosa para fins lucrativ os se tornam controladoras de vidas, dos comportamentos e das opiniões dessas pess oas com transtornos. Eles usam palavras persuasivas. Alguns desses líderes religio sos, sem dúvida, apresentam distúrbio de personalidade anti-social, pois mentem, ilu dem, trapaceiam sem mostrar noção de responsabilidade. Sempre parecem mais sábios, int eligentes, atraentes para causar impressão. É o típico vigarista que não sente qualquer culpa ou arrependimento pelos danos materiais, financeiros, morais ou intelectua is causados aos outros. Eles usam principalmente o nome de Deus para envolver su as vítimas. Como profissionais, nós sabemos que a depressão grave, sem acompanhamento clínico, terapêutico, resulta em agravamento do estado patológico. Por isso, como era de se e sperar, depois de algum tempo vivendo essa febre evangélica sem acompanha-mento clín ico, por recusar tratamento, minha esposa deteriorou acentuadamente junto do seu estado psicológico, principalmente, ao se dar conta de que doou valores e mais va lores financeiros para os pastores e nada recebeu em troca. Não teve, sequer, algu m companheiro para uma visita amiga, ou seja, acabou o dinheiro, terminaram os s eus direitos de receber qualquer bênção de Deus. Todos se afastaram dela. Não se barganha com Deus. Hoje ela está em uma cama, com um comportamento letárgico e definhando a cada dia . Não fala, não corresponde nem reage a nada e... - Sua voz embargou, mas comentou: Semana passada ela deixou de comer, tomando uma postura vegetativa e por isso es tá recebendo alimentação através de sonda. Seus batimentos cardíacos estão fracos e exames xibem proteínas na urina, um sinal de deficiência renal e... Por não reagir, por não ace itar ajuda desde o início, ela se suicida a cada dia. O silêncio reinou por algum tempo. Comovido, Sérgio murmurou: Nossa... Lamento muito. Eu também, filho. Eu também...

Discretamente o doutor secou uma lágrima que rolou em sua face e nada mais diss e. Em poucos instantes chegou frente à residência de Sérgio. O rapaz estava muito grat o e rapidamente ele pediu mostrando-se animado: Por favor, vamos entrar! Faço questão que conheça a minha casa! O homem sorriu e aceitou: Se não for incômodo... Será um prazer! Dizendo isso, ambos entraram e Sérgio passou a contar detalhes da reforma enqua nto mostrava-lhe a casa. 21 - Opiniões do doutor Edison

Sentados à mesa da cozinha, o doutor Edison tomava uma xícara de chá servido por Sérg io, que sentou-se à sua frente, satisfeito pela companhia amigável. Depois de algum tempo, insistiu novamente: Não quer mesmo que eu prepare um jantar? Será simples, mas rápido! Não, obrigado. É que não costumo jantar. Tomo um chá, suco ou como uma fruta à noite. Puxa! Como eu gostaria de ser assim. Tenho um bom apetite! A idade o fará pensar e agir diferente:, e consequentemente, mudará os hábitos alim entares ou comprará uma cadeira maior e bem reforçada para suportar seu peso - disse rindo. Não demorou e Sérgio comentou com seriedade: Não imagina o quanto me ajudou, doutor Edison. O maior apoio que podemos recebe r, em alguns momentos, é o de alguém nos ouvir sem críticas, descréditos ou pouco caso, não dando importância ao assunto. Os familiares freqüentemente nos ignoram. - Alguns s egundos e declarou: Após a cena tempestuosa lá em seu consultório, tive a impressão de q ue minha vida, minha carreira e qualquer outra atividade praticada haviam chegad o ao fim, não tinham valor algum. Ao acordar no hospital, um sentimento amargo, um a tristeza me dominou. Meus pensamentos ficaram povoados de idéias destrutivas. Se nti que a Débora estava se atirando em um precipício de sofrimento e tortura, e eu, não podendo fazer nada, queria me atirar também. As idéias de desistir da vida, de me suicidar, formavam-se com incrível velocidade e força com procedência desconhecida. Pa rece que eu não tinha chance de pensar e repensar no assunto. Antes de conversarmo s, eu acreditava que os meus problemas, as minhas dificuldades eram as maiores d o mundo. Mas quando o senhor conseguiu atingir e emergir o meu maior complexo, e u desmoronei. Precisei explodir através do choro. Enquanto conversávamos, eu pensava e me conscientizava de que só após a reforma e a limpeza podemos reconstruir algo m elhor. Foi o que você fez com essa casa, Sérgio! Ela estava feia e com problemas, mas a consertou, reformou e a deixou bonita e agradável. A nossa vida é assim! Planejei cada passo da minha vida e suportei cada sacrifício. - Com olhar febri lmente brilhante, admitiu: Não programei a entrada da Débora em minha vida. Nunca pe nsei que existisse uma pessoa capaz de preencher um vazio que eu sentia. Vi nela alguém capaz de ficar ao meu lado, a mulher para me acompanhar em tudo e até a cria tura ideal para ser a mãe dos meus filhos. Eu não estava preparado para um rompiment o abrupto e tão agressivo com as lembranças de um passado cruel pelo desequilíbrio da minha irmã, que agora me atacam pela vingança da Sueli, responsável por tanta decepção, in justiça e amargura. Sérgio, nós temos potenciais que ignoramos. Somente através da nossa consciência alim entada ininterruptamente pelos pensamentos, desejos e ações nobres podemos nos eleva r, curar-nos e ter acesso às esferas superiores. Em um momento de dor, de sofrimen to, de problemas difíceis que não raciocinamos e somos impulsivos, nós deixamo-nos ilu dir e queremos que os outros resolvam os nossos deveres, assumam as nossas respo nsabilidades. Quando isso não acontece, quando os outros não fazem o nosso dever, qu e é o de enfrentar o nosso desafio, nós desejamos morrer e sumir. Quanto erro! Só o fa to de pensarmos no desejo de morrer, de nos suicidarmos para acabarmos com o sof rimento desta encarnação, nós atraímos fluidos tão pesados. E, esses fluidos são tão destru res que se impregnam em nosso campo vibratório e até em nosso corpo espiritual. Como

conseqüência, chamamos para junto de nós espíritos que sofrem pelo suicídio praticado e c omeçamos a sentir angústias, desânimo, desejo de desistir de tudo. Não nos importamos co m mais nada... Depois começam as dores, o sofrimento com doenças que se relacionam àqu ele suicida que se afinou com você e às vezes nenhum exame consegue diagnosticar ess as doenças ou sintomas. Ou então os vingadores do passado, os obsessores, aproveitam -se desses pensamentos, desses desejos e com isso nos enfraquecemos, nós nos deter ioramos, perdemos a esperança e deixamos de evoluir. Se não reagirmos, vamos nos imp regnando a cada dia, a cada pensamento e acabamos deixando nossa mente invadida pela decisão do suicídio, influenciada por espíritos cruéis. O senhor tem toda a razão. As palavras, os pensamentos e as atitudes são energias psíquicas, são a nossa alma e representam todas as forças vitais. Como vimos no caso de sua esposa. Minha mulher precisava de um tratamento clínico e espiritual, porém se negou, rea giu revoltada, sentiu-se reprimida. Ela começou a ser radical quando encontrou, no meio dos protestantes ou evangélicos, aqueles que usaram de influência persuasiva a través da fé cega. Tirando-lhe os encargos, a responsabilidade de enfrentar a vida e transferir suas dores e perdas para os desejos de Deus. Não posso afirmar que tod os esses religiosos de linha protestante são assim. Contudo os que ela encontrou v isavam a fins lucrativos, usavam métodos de controle mental para a hipnose coletiv a. O pastor evangélico a auxiliou a usar mecanismos inadequados de defesa emociona l. Isso não é só um ato irresponsável como também muito perigoso, tanto que o resultado fo i o estado de depressão grave que chegou ao letargismo. Não duvido de que minha espo sa desejasse morrer, pensasse em se matar, mas ela não reagiu e se deixou envolver atraindo o que seu inconsciente queria. Viu como é sério o problema dos mercadores de algumas religiões? Isso é um crime! - p rotestou Sérgio. Não, rapaz. Não é. Visto pelas leis, esse é um país livre e ela uma cidadã considerada pacitada na época em que procurou consolo nessa linha religiosa. Minha mulher pode ria e deveria tomar uma nova postura mental e novas disposições íntimas como: ajudar c rianças num orfanato, ser voluntária num hospital que cuida de pacientes com câncer... Essas atitudes amenizariam a tristeza a médio ou longo prazo, dependendo da pesso a. Certamente ela não ficaria com a mente entregue à angústia e às aflições que a levaram a s transtornos, aos distúrbios psicológicos e uma terapia surtiria um efeito muito be néfico. Algumas facções religiosas utilizam o controle mental para dominar a opinião, as idéi as de seus adeptos. - Argumentou Sérgio que continuou: Aqui no Brasil, desde que t eve início a febre evangélica, após o fim da ditadura militar, nós vemos líderes religioso s manipulando as idéias de Jesus e textos bíblicos para que pessoas desatentas ou se m conhecimento sejam mantidas sob controle e subjugadas pelo medo de irem para o inferno. Foram capazes de criar bíblias novas recheando trechos evangélicos com exp licações em favor da dependência religiosa da linha protestante, mas tais alterações literá ias são completamente contrárias aos ensinamentos Cristãos. O Cristianismo liberta as pessoas! A meu ver estão institucionalizando a religião, principalmente os evangélicos . Concordo com você, Sérgio. A religião foi transformada em instituição lucrativa. Hoje ualquer portinha serve como templo evangélico. Chegam a intitular nomes pitorescos como: Religião de Deus; Religião do Deus Vivo; Verdadeira Casa de Jesus e tantos ou tros nomes que... Deixa pra lá... A irresponsabilidade desses líderes religiosos é grande. Eles usam o controle men tal para escravizar os fiéis desavisados e até ignorantes que se entregam aos alucin ados gritos de perdão e agradecimento a Deus. Eu já assisti. As pessoas ficam fora d e si! É um delírio incontrolável e contagiante! Sim, Sérgio. A isso, dá-se o nome de Hipnose Coletiva. De uma maneira inconscient e, os fiéis são dominados e aceitam as sugestões do líder ou representante religioso que os hipnotizam, ensinando-os a reverenciar Deus, a pedir perdão a Deus e suplicar a Deus de uma forma capitalista. E o que é capitalismo se não um sistema econômico de produções visando a lucros financeiros? O que significa pagar seu dízimo, deixar lá na i greja o seu dinheiro, suas jóias ou algum outro bem material para ser atendido por Deus. Esses templos ou igrejas têm o líder evangélico que injeta na mente dos fiéis um Deus capital, um Deus executivo, legislativo e judiciário! Um Deus que condena ao

sofrimento aquele que não dá sua última moeda. Se você não pagar, não terá crédito com Ele. pastor... Bem... O pastor é o emissário do Senhor que recolhe e endereça as arrecadações. Como psiquiatra eu não deveria falar isso, mas... Como homem, eu vejo alguns pasto res como uma espécie de Psicólogo Subversivo que propaga os milagres daqueles que dera m dinheiro e se salvaram! E o que faz um marketing induzindo os fiéis a uma espécie de comportamento de consumo religioso sem controle, irracional, com fé totalmente cega e, acima de tudo, fazem-nos adotar essa ou aquela prática ou postura preconce ituosa. As atitudes de amor e solidariedade só existem para com aqueles da mesma l inha religiosa, considerando como verdadeiros demônios as outras criaturas de Deus por se inclinarem a religiões diferentes como a umbanda, o catolicismo, o espirit ismo, o islamismo, o budismo, o judaísmo, o hinduísmo e outras. Eu não entendo por que tantas pessoas se deixam dominar pela fé cega, por outros que as mantêm sob um domínio mental, controlam suas opiniões e suas vidas. Lembre-se de que antes de falarmos de pessoas, estamos falando de espíritos com diversas experiências terrenas anteriores a essa. Crendo em muitas moradas na Cas a do Pai, acredito na existência de regiões espirituais inferiores por onde passaram e se encontram espíritos com diversos vícios ou práticas inadequadas e perversidades das mais diversas, apegados às paixões vis e promíscuas, inclinados às discórdias e irritaç , anomalias sinistras no que dizem respeito ao desregramento sexual por práticas c ompulsivas ou animalescas, atos ou pensamentos repletos de energias com desejos maldosos e negativos... Por Deus ser um Pai bom e justo, Ele não confinaria quem q uer que seja ao inferno. Então nas muitas moradas há alguma reservada ao processo de aprimoramento para a aprendizagem, o crescimento, a elevação e a libertação de Seus fil hos que se inclinaram a um comportamento inferior. Vamos pensar e filosofar nas palavras de Jesus quando disse que há muitas moradas na Casa do Pai, Ele disse mor ada e não lugar de eterno confinamento. Quem está em uma morada pode se mudar dela, certo? Concordo. Nossa! Que explicação ótima sobre podermos nos mudar de uma morada. Mas i sso não responde a minha curiosidade - argumentou Sérgio. Calma... - pediu o médico sorrindo e logo continuou: Depois de tantas práticas co ntra as Leis de Deus, milhões de espíritos desencarnados são atraídos por suas condições me tais a terríveis estados de perturbação ou Umbral, experimentando verdadeiro inferno n a consciência. Lembrando que o Universo é a Casa do Pai, esses irmãos se encontram em alguma morada dele. Para esses espíritos, é tão sofrida e pavorosa a experiência que ess a parece eterna. Quando o espírito se recusa, nega-se a harmonizar o que desarmoni zou, experimentará a reação de suas ações, sofrerá o mesmo efeito do mal que causou, pois o mal só se corrige com o mal. Deus não se esquece das grandes regiões expiatórias e trevosas na espiritualidade. O benefício da reencarnação chega inclusive ao espírito rebelde, mas desgastado pela angús tia vivida nessas regiões de sofrimento. Então ele reencarna para minimizar suas ten dências viciosas e maldosas. Reencarnado ele tem a benção do esquecimento de vidas pas sadas no seu consciente, mas de seu inconsciente não se apagam os erros cometidos, suas tendências ao mal nem a sua aflição e dor nas faixas vibratórias muito inferiores quando desencarnado. Por isso cada indivíduo tem suas lutas e conflitos internos, seus distúrbios ou desequilíbrios ou síndromes. Veja... Eu acredito na existência de igr ejas protestantes sérias e capazes de ensinar a prática da solidariedade e do amor C ristão que se tornou algo secundário para outras igrejas evangélicas. Existem pastores protestantes, assim como padres, dirigentes espíritas, pai-de-santo ou mãe-de-santo em centro de umbanda, entre outros líderes, muito honestos! Como também desonestos! Isso independe da religião, mas sim da dignidade, da honestidade, da elevação da cria tura humana. Até onde me levaram as pesquisas, a maioria das igrejas evangélicas é liderada por qualquer um, por isso se tornam um capitalismo, uma forma de vender algo e lucra r com isso. No caso, eles vendem religião, promessas de algo melhor em sua vida, v endem perdão. Analisando pelo lado clínico, pessoas desse tipo como líder religioso, têm a tendência ou postura do distúrbio anti-social e são capazes de mentir, forjar, trap acear, representar de todas as formas possíveis, sem arrependimento e, cinicamente , usando o poder de persuasão. Dará o máximo de proveito a seu favor. Dentro da propos ta religiosa imposta pelo protestantismo, alguns líderes evangélicos encontram a exc elente oportunidade de colocar em prática compulsiva a sua personalidade anti-soci

al, pois agem como verdadeiros vigaristas ao descobrirem um meio de dominarem os pensamentos e as idéias dos seguidores. E é por meio dos cantos de hinos e gritaria frenética que se obtém a Hipnose Coletiva para inebriá-los e conseguir com que façam do ações e mais doações, fé irracional e tudo mais o que sabemos. Todos se esquecem dos ensinamentos do Mestre Jesus sobre não ser como os hipócrit as que se comprazem em orar em pé nas sinagogas e nas ruas para serem vistos pelos homens... E, quando orando, não usar de vãs repetições como os gentios que pensam que p or muito falarem serão ouvidos. Portanto, quando orar ao Pai que está no Céu, entra pa ra o teu aposento e feche a tua porta. Ora a teu Pai que está em oculto, e teu Pai que te vê secretamente te recompensará. Lembrando que as sinagogas correspondem às ig rejas e templos religiosos. Quanto aos fiéis, o que os leva a crer em colocações sem raciocinar e na realização de verdadeiros espetáculos para gritar sobre sua fé... Bem... Podemos tomar como exempl o que alguns deles são espíritos que permaneceram em sofrimento nos baixos círculos vi bratórios da espiritualidade pelas suas práticas delituosas, perversas ou tendências v iciosas. Agora, encarnados e mesmo com o abençoado esquecimento do passado, eles t emem essas regiões expiatórias trevosas nas quais os espíritos inferiores, escravizado s, perturbados, desesperados padecem em extremo desespero. O medo inconsciente d e retornarem para essas moradas espirituais aflitivas é tão intenso que eles mantêm um comportamento de medo a Deus, tomam uma postura de crer no céu e no inferno, colo cando-se aos berros para rogar, tal como faziam quando desencarnados. Alguns del es adotam essa facção religiosa, porém não mudam o hábito ruim, continuam com um comportam ento moral indigno, são delituosos nos pensamentos, nas palavras e ações, mas acredita m que pedindo perdão, entregando o dízimo e pagando pelas orações, oferecendo dinheiro p ara que seu nome seja escrito no Reino de Deus... Os levarão para o céu. Como profissional nessa área, você sabe que existe a pessoa que passa por um períod o de tristeza, algo diferente da depressão, um estado mais intenso e persistente d o que a tristeza. Muitos pensam que Deus é um prestador de serviço que precisa ser pago a fim de no s dar o que queremos. Deus é o Criador de todas as coisas! Tudo é Dele! O que Deus q uer é a nossa responsabilidade de amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como a nós m esmos. Então vemos algumas pessoas desiludidas porque não foram atendidas. Elas quer em fugir das responsabilidades, ficam tristes, desesperadas e vão a um médico mal in formado que chega à conclusão de que estão com depressão. Você tem reparado como é grande o número de pessoas, atualmente, que dizem ter depressão? Existem vários graus ou estágios de depressão. A depressão não é o fim do mundo! A maioria das pessoas já experimentou um estado dep ressivo e nem sabe. Porém existe a depressão mais acentuada, em que o indivíduo neglig encia suas responsabilidades e precisa de auxílio profissional. Muitos acontecimen tos na vida podem prostrar uma pessoa à depressão, mas ela pode reagir e buscar em d iversas atividades o prazer de viver. O senhor disse que a grande maioria dos evangélicos é preconceituosa, por quê? Se forem convidados, os evangélicos vão às igrejas católicas, aos centros espíritas, a s centros de umbanda, ao templo budista?... Não! Eu fui convidado para um casament o em uma praia e a cerimônia foi umbandista e eu fui! Achei interessante, bonito.. . Voltei de lá do mesmo jeito que fui, só que com alguns conhecimentos sobre algo di ferente. Já fui a incontáveis casamentos católicos e assisti a várias missas. E em que i sso me afetou negativamente? Em nada! Reparou que grande parte dos protestantes ou evangélicos nunca reza o Pai Nosso? E sabe por quê? Por causa dos ensinamentos qu e a prece pronunciada por Jesus traz para a reflexão. Um desses ensinamentos é Perdoa i as nossas dívidas assim como perdoamos àqueles que nos tenham ofendido . Aos evangélic os não é ensinado o perdão ao próximo, eles só perdoam aos que se converteram à sua facção iosa, o resto vai para o inferno. Isso tudo é ou não é preconceito? Empresários, líderes d e equipes, diretores, presidentes, gerentes, administradores, engenheiros, arqui tetos ou outros que são responsáveis por uma equipe de profissionais e são evangélicos, procuram contratar funcionários evangélicos e, quando descobrem que um funcionário é umb andista, espírita, católico etc., procuram demiti-lo. Esses religiosos perderam o la do humano da vida. Só eles são puros e estão salvos no Reino de Deus, o resto vai para o inferno. Se acreditarmos na existência do demônio ou do satanás com o poder grandioso que os

Fique com Deus. cantos e rogativas intermináveis a Deus pert urbando o sossego alheio com tanta e tamanha barulhada.evangélicos lhes dão.reclamou Nivaldo com veemência. pois o in ferno também faz parte do Reino de Deus.. e viu o consultório de seu amigo João com a porta entreaberta. são pessoas cujo comportamento humano ap resenta quem eles são. que é a Inteligência Suprema e Criador de todas as coisas. O rapaz não comentava com ninguém.argumentou João bem sério . Sou capaz de entender a decisão do dout . sem raciocinar e se deixando induzir na fé cega. quando saiu para tomar um ca fé. devem tomar cuid ado com o insano desejo de ir para o Reino de Deus e até pagar por isso. mas são incapazes de respeitar a fase de cres cimento individual das pessoas espíritas e não-espíritas.dizia Nival do. então teremos dois deuses: um bom e outro mau. ouviu: Foi isso o que o doutor Edison propôs para ampliarmos a clínica. o outro psicólogo. meu amigo . . por intermédio do comportamento. Os dias tornaram-se semanas e semanas viraram meses. que não o procurou. sua alma.pediu João. Mas eu gosto de ressaltar uma coisa: muitas dessas formas de vida e conduta s e enquadram também a muitos espíritas oriundos de regiões sombrias onde há gritos e rang er de dentes. Por intermédio de Rita. encaminhando-se à porta.. E já que Deus criou tudo e é dono de tudo. Preciso ir. A opção religiosa traz a manifestação do conteúdo inconsciente para s revelações de expressões exteriores exibindo. Um grande número de espíritas se acreditam com todo o conhecimento fil osófico e científico da Doutrina Espírita. Não demorou e o homem decidiu: Bem!. Espero não precisar incomodá-lo. Isso o deixava cada dia mais aflito.. sem qualquer esforço. Muito obrigado por tudo. cauteloso. Normalmente eles são criaturas desrespeitosas ao perturbarem a paz pública com a gritaria tresloucada em suas igrejas.A benfeitora Laryel interfere no suicídio de Sérgio As horas deram lugar aos dias. Trabalh ava na clínica e estava mais tranquilo. 22 . Disfarçav a e não comentava mais nada sobre o assunto. exigindo-lhes muito . avisou: Sérgio. mas não conseguiu. o seu Eu. Espere um pouco! . Ora! Não fiz nada .disse. Mas tem uma coisa que me irrita: nós somos sócios. e depois admitiu: Como eu estou fazendo agora! Veja. O médico silenciou enquanto Sérgio ficou pensativo. Tentou procurá-la. Porém trazia o coração apertado e doloroso pela ausência da namorada. Até quando o d outor Edison ficará bancando a parte financeira que cabe ao Sérgio e pedindo para nós não comentarmos nada?! Nivaldo. o inferno que muitos acreditam também pertence a Ele! O inferno per tence a Deus! Os evangélicos. Sérgio aproximou-se e sem querer. E. isso não nos diz respeito. Era fim de tarde.Levantando-se. apesar de experimentar muito abalo em seus sentimentos. entrar em contato. Sérgio teve uma grande mudança em sua vida quando deixou de ser policial. Só existe um Deus. Com o pequeno copo descartável na mão. Afinal d e contas. você tem meus telefones e e como me encontrar a qualquer hora do dia ou da noite..riu. Isso é o resultado do inco nsciente temer o inferno que vivenciou no estado de perturbação e os prende num prim itivismo mental. isso o que o doutor Edison fez não nos prejudica em nada. Não sei por que você está irritado! Ah! Mas me sinto prejudicado sim! O Sérgio tornou-se o queridinho do doutor Edi son e por que nós não?! . ele soube que Débora s implesmente abandonou o curso universitário nunca mais comparecendo às aulas nem pro curando qualquer amiga. A fim de se sentir mais recomposto para clinicar entre uma e outra terapia. e ra seu costume sair da sala para relaxar e se refazer por alguns minutos após um p aciente e antes de atender outro. Não fui espírita. A moça havia sumido completamente. Já é tarde e eu só ofereci minhas opiniões como pessoa falha e se m evolução. não importa a religião ou filosofia. entretanto experimentava uma profunda tristeza mesclada de angústia e preocupação por não ter quaisquer notícias de Débora. apreensivo e inquieto. João . a sua v erdadeira personalidade.

principalmente.Disse Nivaldo experimentando o sabor da inveja e do ciúme que espíritos maldosos faziam despertar em seu íntimo. insuflavam-lhes idéias de queixas infundadas. Porém. alvenaria e até sua disposição para decoração e para acompanhar os prestadores de serviço . qui s lecionar em um curso de Psicologia? Como não entendi também o que o levou a querer fazer parte dessa sociedade na clínica e nos dar diversas idéias para as outras áreas de atendimento que temos aqui?! Ele deu idéias e mais idéias. Sérgio. Para isso. so rriu com ironia e pediu mais brandamente ao puxar a cadeira: Venha cá!. Desejo que acompanhe cada passo. Nivaldo atacou com palavras: Sérgio.João foi para o outro lado da mesa perm anecendo em frente aos colegas e. o Sérgio é bem esperto ou muito idiota para não entender como conseguiu se manter nessa sociedade! .. o Nivaldo não está reclamando. O Sérgio mereceu o apoio ou a ajud a que teve. Sérgio.Sérgio perguntou com muita firmeza e até sisudo. ao perceber que você. cruelmente. Além disso. pelo jeito você é igual ao marido traído.questionou Sérgio em tom grave após entrar e dar leve empurrão para que a porta se fechasse às suas costas.. incapacidad e. o doutor Edison . um alvoroço de criaturas participav a do que acontecia em estado de polvorosa agitação.. na espiritualidade. porém. O Nivaldo não tem idéia do custo dessa mão-de-obra se contratássemos um. Sérgio perguntou com voz tro vejante: Primeiro. puxando outra cadeira onde se acomodou. quem é você para ter a ousadia d e falar assim comigo?! Calma...or Edison. Locaríamos um lugar com três salas par a atendimento. Não tente ser gentil. Se não sabe. tiveram suas mentes invadidas pelos desejos deliberados desses espíritos inferiores cujo propósito era abalar a harmonia em todos os sentido s. repentinamente. Eles não podiam ver. Não estamos falando sobre suas capacidades! Acho injusta a postura do doutor Ed ison! Algo tão inadequado que nem ele quer comentários a respeito dos custos finance iros pagos. ele é excelente profissional e muito requis itado por seu trabalho sério e responsável. Vamos aos detalhes! .. Foi um serviço aqui. sempre é o último a saber! Ou então ssa por vítima! Aproximando-se. encarando o outro com olhar feroz. ficou sabendo da nossa idéia e a aprovou com satisfação. ausência de amor e tormentos de incompetência. Tentavam influenciá-los com sentimentos destrutivos de inveja. O doutor Edison nos orientou no trabalho de conclusão do curso . Nivaldo! Vai devagar! . Mas procurava se manter calmo. Sérgio! Você também... encanamento. Virando-se para Sérgio. ciúme. outra de espera com uma recepcionista. vou ti contar tudo! . atos e resultados de seus esforços íntimos. Não sei ou não entendi bem. o douto dison valeu-se de seus serviços prestados com a pintura. parte elétrica . t entou justificar cauteloso: Veja. e Nivaldo revelou em tom moderado: Aconteceu o segui nte.determinou Nivaldo que continuou: No começo pensamos em algo simples. os quais pertenceriam ao Sérgio e. outro ali. Acontece que ele não acompanhou o trabal ho realizado por você antes da abertura da clínica. Do que vocês estão falando?! . por que um Médico Psiquiatra e Professor Doutor. ficou muito atento entre os dois. João olhou para Nivaldo.. As coisas não s sim! Ajam como pessoas civilizadas! A meu ver. Não me sinto prejudicado nem ofendido. quero saber o que aconteceu?! Segundo.. Nessa época. tão qualificado. Insatisfeito com o que acontecia. Sente-se aqui!. pelo fato de ele executar serviços braçais nesta clínica. Vá ao que interessa! . que perdeu a fala. Esses espíritos procuravam confund ir e intrigar os três amigos no trabalho devotado e sincero dos profissionais resp onsáveis. Sérgio: lembra-se de quando nós três tivemos a idéia de montar uma clínica para atend ermos como psicólogos? Dessa parte eu sei. Atendendo aos impulsos de vibrações mentais que lhe chegavam. fracasso das próprias obras. João! Eu quero saber sobre o doutor Edison custear ou pagar por valores que me pertenceriam e não querer comentários! Que história é essa?! .exigiu Sérgio.vociferou João. Houve um choque nos pensamentos e conflitos nos sentimentos dos três companheir os que. esse professor doutor foi e é o nosso supervisor individual. um médico psiquiatra e nosso professor e doutor. não tinha condições de ser sócio em uma clínica maior e mais moderna. que nós dois não ousamos ajudar! Além disso.

Tudo isso causou piedade no doutor Edison. . Espere João . O olhar de Nivaldo parecia desafiá-lo ou provocá-lo pela inveja da capacidade do outro com misto de ciúme pela atenção especial do supervisor e sócio doutor Edison. Com voz baixa. Se era seu intuito ver um sentimento de desconforto e discór dia entre nós. meu amigo . Sérgio absorvia e reproduzia em seu campo mental os impulsos à baixa auto-estima. é difícil um de vocês encami r alguém para mim quando suas agendas estão lotadas ou quando o caso merece atenção e ac ompanhamento de outro profissional. Por que não me contaram?! . desmaiar. real . deixando-s e abater. fazendo-o sentir-se diminuído. Agora preciso ir. mas em da ta e horário oportunos. Afinal. Eu não tenho mais ninguém para atender hoje. ficar inte rnado. mesmo! Jamais aceitaria uma situação em que recebesse q ualquer lucro com o prejuízo de meus amigos e sócios por investirem mais do que eu. Algo tão comprometedor que o fez passar mal. Trazendo uma frieza no semblante. E outras ac usações duvidosas. Devemos fazer uma reunião a respeito disso. em tom envergonhado. acres centou: Eu não sabia.Breves segundos de silêncio e perg untou insensível: É o seguinte. Suas idéias e emoções vinham de baixo círculo espiritual com representações mentais. Para is so ele está cuidando da compra do prédio ao lado.. sem perceber. . mas você saiu da polícia e não tem outra fonte de rend nem reservas. João o chamou: Sérgio! . distribuirmos e ampliarmos a recepção. Por isso disse que tal mão-de-obra cobriria as d espesas que caberiam a você. Nivald o. Contudo foi o doutor Edison quem pagou alguns custos da sociedade que te pertenceriam quando viu que não teria mais condições financeiras a o vê-lo falar em vender o carro. e Nivaldo avisou: Não. Vendo-o se levantar e indo à direção da porta.riu Nivaldo com desdém e ironia na fala.murmurou Sérgio. incompetência e desvalorizado por seus colegas. dessa sociedade ou continuará sendo apadrinhado pelo doutor Edi son? Eu não sabia disso!. mesmo abalado e contrariado com a situação.. Não sei o que levou o doutor Edison a adotá-lo. alertou: Acredito que todos têm trabalhos mais importantes no momento. você conseguiu! Agora me dêem licença. ainda tenho paciente esperando.gritou João. A idéia é: termos mais salas e alugá-las para outros profissionais da n ossa área ou das terapias alternativas.Encarando o rosto sér io e pálido de Sérgio. eu acredito que você ultrapassou todos os limites do bom-senso por hoj e! ... Um sentime nto nunca experimentado antes lhe invadiu a alma ferida. mas em mim não! Até à sua amiguinh a suicida ele está oferecendo atendimento gratuito! Pare com isso Nivaldo! .pediu Sérgio... Sentia-se humilhado co m sensação de incapacidade. conceitos e opiniõe que o envolviam em extrema aflição.indagou pasmado. saindo em seguida. Nunca tinha sido rebaixado moralmente como naquele mo mento diante das verdades ultrajantes. Vamos nversar melhor depois. indignação. Nivaldo. Sérgio.. Cont udo esses sentimentos eram verdadeira expressão da espiritualidade inferior que bu scava um jeito de destruir ou desarmonizar o trabalho honesto e caridoso. você tem condições e conseguirá fazer parte..para as divisórias e outras coisas. Repentinamente João.O amigo virou-se e ele pediu: Pode me dar uma carona? Sim . Não conseguia dominar os pe nsamentos elevando-os e refletindo melhor sobre o que deveria fazer.. prosseguiu com sarcasmo: Tal vez por vê-lo com problemas familiares que o fizeram mudar de casa.afirmou João severamente. Eu também . Você não tem o direito de. . Há pacientes espera ndo! Sérgio sobressaltou-se. Por essa razão o doutor Edison sempre cuidou sozinh o da contabilidade e pediu nosso sigilo sobre esses fatos. Não sabia.afirmou em voz quase inaudível. Depois avisou: Essa situação não vai ficar assim. Acreditou na traição do médic o amigo e de seus colegas. Nivaldo completou: Agora existe a oportunidade de aumentarmos a clínica no início do próximo ano. Percebendo o olhar insatisfeito de João.. era arrastado à sintonia e receptividade das vibrações negativas e ma ldosas. Deixava-se envolver por estímulos de influência inferior. Nivaldo abaixou o olhar e se retirou. financeiramente. ou problemas s entimentais com o rompimento com a Débora que o abandonou por outro. Sérgio precisou de muito esforço e concentração para oferecer a mesma qualidade profi ssional de sempre aos dois últimos pacientes que atendeu. esforçando-se para não se alterar.

mas o médico não estava. sem dúvidas. sem se inibir. -Respeitando seu silêncio. gritava em pensamento. Lágrimas correram de seus olhos. incapacid ade e tristeza intensa. em sua compreensão! Mas você acabou com a minha paz quando não q uis me ouvir. professor e amigo digno. Obrigado. Sérgio! Não medite sobre ninharias. Imaginava com um misto de vergonha e raiva.. ao vê-lo estacionar frente à sua residência. De que adiantou tanto esf orço. Você agiu com honestidade.o rapaz agradeceu com um travo na voz que embargou. * * * Chegando à sua casa. Quem ma is deve saber dessa história? As recepcionistas? O pessoal da terapia alternativa? . Sérgio quase não oferecia atenção aos a gendamentos e recados que a moça lhe mostrava.. ele maquinalmente foi até a sala do doutor Edison. seus pensamentos fervilhavam e Sérgio não continha as recor dações e idéias rápidas que lhe surgiam. Não disse m ais nada. . Não quero lhe dar sermões. pesquisar. da minha mãe!. tantas noites em claro?! Nunca tive apoio da minha família.Ao final do expediente. fazer estágios!. A caminho da casa de João permaneceu em absoluto silêncio. s em recursos ou então um aproveitador esperto. Realmente sentia-se enganado. Então multiplique os seus talentos e se motive a p ensar no futuro e não no passado. tem dignidade e muita eficiência. reclamou pela falta de bens materiais e dinheiro em mei o às mudanças e acontecimentos. .Após um leve sorriso. quando alguém o favorece.. acabei de verificar.Ao ver o outro silencioso caminhar para os fundos. Com os olhos empoçados em lágrimas. Como não bastasse a Débora. Jamais desconfiou de que seu triunfo fosse pela ajuda de outra pessoa. foi por merecimento e não por acaso. sei que faria o mesmo por mim.... Provavelmente falaram muito às minhas costas . foi embora. não sou invejoso nem incapacitado ou ciumento. sério e r esponsável.. completou: E eu sei que você faria o mesmo por mim . Depois de agradecer pelos serviços e dispensá-la. supervisor. Até a Lúcia! Que Deus me perdoe. disse: Já que não quer entrar. Você ma pessoa importante na vida dos outros.. Qu alquer coisa me liga ou venha direto para cá. está ajudando a mim também. Que humilhação! Devem me julgar pobre. Vamos entrar. frente à recepcionista. na sua integridade e. só para conseguir um horário q ue me facilitasse estudar. Talvez tenha surgido outro em sua vida e essa foi à oportunidade de .. Vendo o outro descer do carro. Toda essa reclamação em pensamento atrai espíritos ngadores ou de pouca evolução que oferecem reforço às idéias e críticas destrutivas. Vamos? Só nos resta ir.João suspirou fundo e desfechou: Se recebeu algo. Mas gostaria de lembrar o que um professor nos disse e m uma aula: não sejamos coletores de lixos que as pessoas jogam sobre nós através de op iniões mesquinhas. O amigo nada disse.. sob suas visões sujas e podres a respeito do que realizamos com a consciência tranqüila . Isso é pe rda de tempo e de valores. Ninguém imagina quantas dificuldades enfrentei! Não sabem como precisei me submeter ao autoritarismo de alguns superiores hierárquicos . pergunta ndo: Por que você não me contou? Por acreditar que.. Obrigado pela carona. seria eu! Porque somos amigos e eu acredito no seu esforço.. dramatizando para os outros sentirem pena. Como me decepcionei com você! creditei em seu amor. Sérgio! Não. pensava com grande amargura. Obrigado. Encontrando-se com João no corredor.. o amigo comentou descontraidamente: Sobrou para nós fecharmos a clínica. tantas f rustrações e dificuldades!. Obrigado. mas. mas você me prejudicou até d pois de morta! Desgraçada! . Ah!. que pareciam inquisidores ressurgidos da Idade Média. João . E eu não contei por respeitar e concordar com a vontade desse médico. perguntou sem demo nstrar seu sentimento piedoso: Quer conversar? Não. Sérgio experimentava imensa sensação de inferioridade. .. Alguém sem escrúpulos que se fez de vítima e chorou suas pitangas. Porque se não fosse o doutor Edison a te ajudar. Sérgio o encarou firme. Mais uma razão por não ter contado: porque não fui prejudicad o. na sua capacidade. Que droga de vida! . O colega respeitou. traído por ser o último a saber. informou: Já está tudo trancado. . Nun ca pude contar com ajuda financeira deles! Passei por tantos problemas.

Wilson foi sustentado pelos demais na prece sentida na qual rogou ajuda e intervenção Divina: Senhor Jesus. o espírito Wilson ajoelhou-se junto com as demais ent idades amigas. . Sabemos que Sérgio não necessita experimentar tais e xpiações porque se determinou a esse reencarne por amor aos irmãos presos pelas amarra s psicológicas da força do pensamento de outros menos evoluídos. Vendo Sérgio se levantar e ir para o quarto. que se tornava uma vi tima vulnerável. Era lamentável ver em Sérgio a expressão de queixa e dor em cada lágrima silenciosa a fogada em seguidos soluços. i lumine a consciência desse filho querido com seu olhar.. Nunca havia se martirizado tanto e sofrido daquela for ma. o espírito Wilson imprimi u suplica comovente como se fosse sua última rogativa: Senhor da caridade e do amor.. encontrava nas situações difíceis e fatos inesperados do cotidiano. ele se ligava às idéias de Sérgio dificultando-lhe o raciocínio. quebrando o elo que o prende aos grilhões dos pensamentos d aqueles que o querem derrotar. Um choro incontido dominou o rapaz a tormentado com tantas vibrações inferiores. Senhor Jesus. Com grave. To da aquela obsessão o enfraquecia como se o asfixiasse com a ausência de oxigênio..Vendo-o abrir um armário.. . Por piedade. Sebastião e os demais de sua organização não os viam nem sentiam Wil son e seus companheiros. seu mentor Wilson o seguiu. nobre e elev ado entono humilde. o espírito protetor de Sérgio. Wils on virou-se para um dos elevados companheiros que entendeu a mensagem de seu olh ar e pareceu desmaterializar-se. que concentravam seus pensamentos com mais intensidade para envol ver Sérgio em energias mais salutares. Porém Sérgio não suportava a pressão exercida pelos desencarnados ferozes. Mesmo n o plano espiritual.. O mentor de Sérgio envolveu-o como que em um abraço paterno e tentando orientá-lo d e pensamento para pensamento. imensos re cursos. Nosso Pai bom e justo! Estenda ao Sérgio as Tuas mãos dadivosas. vitimando e o consumindo sob a vontade t irana de seu algoz espiritual. Mestre amigo. mas não era fácil. do sofri mento desesperador que o leva ao abismo de dores. verdadeira tropa de espíritos desajus tados fazia-se presente. Embrutecido no ódio. Repentinamente. enquanto lágrimas corria . estava presente e acompanhado de outros da mesma elevada linhagem moral e espiritual para auxiliá-lo com seu pupilo. O espírito Wilson tentava de tudo para ver seu pupilo se erguer com as próprias f orças. inocentemente o rapaz se entregava ao sofrimento. liberte a mente do querido Sérgio cujos cuidados espirituais me foram confiados. Sem de sviar a atenção dos puros sentimentos na prece fervorosa. indo realizar o pedido de s eu amigo. socorra-nos! Dê-nos força para intervir! Nesse instante Sérgio estava com uma arma automática na mão. dos pensamentos oriundos de sugestões covardes. Não permita. clareando-lhe os pensament os para que recupere suas forças na fé e na esperança. o espírito Lúcia vampirizava suas energias fluídicas de uma forma insaciável. Desespero e to rturas íntimas nublavam suas idéias.me deixar. Ao mesmo tempo. Desejava sumir. acompanhava o que se passa va nos pensamentos de seu protegido: Senhor Jesus! Imploro em nome de Deus. Por tratar-se de forças poderosas de falange do mal. Como forças do mal e comandada por Sebastião. mas era quase inútil. q ue a interferência dos irmãos ainda sem elevação imprima poder psíquico tão intenso de ener ias mentais com o intuito de destruí-lo com tramas e ataques para que se atrase e não realize o propósito a que veio. Livre-o da cegueira que o domina.. rogo que nos enderece seu olhar misericordioso! Somos meros apr endizes de boa vontade e recorremos a Tua abençoada compaixão. nos pensamentos de Sérgio. Ao lado de seu protegido. Mensageiro Divino. Queria morrer. Sem reajuste moral e espiritual. concentrando-se em usá-los prejudicialmente. sustentando com suas vibrações pesarosas as infelizes influên cias do líder espiritual desapiedado e cruel contra o rapaz. não o deixando receptivo às inspirações racionais e am is de seu anjo protetor. reagiu agressivo em seus pensamentos: O Nivaldo tem razão ! Sou o último a saber! Por que isso?! O rapaz fazia perguntas e considerações sem perceber a energia mental formada por agentes psicológicos cujo mecanismo ou fonte de origem era dos desejos mais fervo rosos do espírito Sebastião. Wilson. com um efeito de longa tortur a e profunda decepção. a aceitação ou a compreensão dos fatos. perispiritualmente.

mas o uviu nitidamente o grito que o chamou à realidade um segundo antes de ele puxar o gatilho e ouvir o disparo. e nada. por inspiração de Sebastião. Ela sabia que aquele jorro de luz significava uma proteção do alto para Sérgio e se im pressionou com o que viu acontecer no plano material por desconhecimento e não con seguir observar nada na espiritualidade na esfera em que estava. O que foi isso?! De onde vem isso?! . Seu coração batia forte. Sentiu um forte arrepio e um medo o dominou. mas chocou-s e com as energias que fortaleciam o rapaz. Observando. A lembrança das fotos o enlouquecia. Sebastião declinou num grito de pavor.m pelo rosto. sem paz. recostando a testa em sua testa. pôde ver cravado na parede o projétil disparado. porém não conseguia deter o choro compulsivo no qual lamentava. Ele olhou à sua volta procurando alguém. o ato insano quase cometido. Agradecia a Deus e a Jesu s pela misteriosa forma de despertá-lo para a vida. Seu corp o espiritual apresentava as representações mentais ou ilusões momentâneas a que ela e se u corpo físico passaram quando em estado de decomposição. Algo a atordoava. Enquanto Sebastião e seus ajudantes estagnaram. Amedrontada pelo que desconh ecia. Derramando lágrimas abundantes e buscando seus últimos e mais fortes dons. profundamente. Sérgio não conseguia vê-lo.O anjo guardião usou de um recurso conhecido como Pneumatof onia para expressar seu pensamento de modo que o seu pupilo pudesse ouvi-lo. mas sentiu algo nunca experimentado. Wilson continuava a envolvê-lo e os demais amigos dedicavam -se à sustentação e proteção.. Os pensamentos eram frenéticos e tão compulsivos que angustiavam sua mente d e modo alucinante. sem que os de sencarnados tivessem a visão de sua origem. impulsionou-a com sua extrema vontade no exato momento em que seu protegido puxou o gatilho. O rapaz não tirava a imagem da cena repetitiva de Débora agredindo-o com acusações in devidas e com modos tão cruéis. por jamais terem visto aquela luz com cristais cintilantes. mesclada com arrependimento.. pare! . O anjo guardião o envolvia com energias benéficas e renovadoras. Laryel forneceu sustentação firme e excelsa ao espírito protetor. o espírito Wilson muniu-se das fibras de seu ser e gritou em meio ao intenso jorr o de luz projetado. indignava-o. Ele relutou a abandonar o hipnotismo psíquico sobre Sérgio. A deslealdade de seus amigos e sócios era imperdoável e humi lhante. quando Sérgio destravou a arma. Com binando o seu fluido vital ao fluido vital do encarnado. mas com e norme fúria. Estava extremamente insatisfeito consigo mesmo por sua f alta de conduta moral. impreg nando de modo a ocupar todas as valências da arma que Sérgio segurava. Passando a vivenciar dores que não tinh a há algum tempo e sofrimento na consciência como se experimentasse todo o mal que f ez no passado. Nesse momento. parecendo ser arrancada da mão firme do rapaz8. fazendo-a saltar como se tivesse vida própria. Ainda em lágrimas. invadia-lhe a alma. Inesperada sensação de segurança. não tinha vontade de viver. Exatamente ao mesmo tempo. fugiu o mais rápido possível para regiões trevosas onde normalmente se reuniam. O espírito Sebastião urrou em protesto e dentro de sua pobre posição mental estava in conformado.perguntou Sebastião estatelado. assombrados e medrosos. Sérgio. Sérgio levou um susto. o espírito Wilson. quase vio lácea e como que salpicada de límpidos pontinhos de cristais flutuando em direção de Sérgi o. parecia hipnotizado. Tudo aconteceu em frações de segundos. Minutos pas saram. apontou-a para a própria cabeça: Sérgio! Sérgio. Na espiritualidade. duvidou de si mesmo. A recordação do que s ua irmã fez. por tentar violar a Lei Divina. rendendo-se com expressões de . A claridade tornou-se forte. Não entendia o que havia acontecido. Estava sozinho. O espírito Lúcia viu-se em profundo estado de perturbação. Prendia-se psiquicamente às fervorosas influência s do espírito Sebastião e seus demais companheiros. Uma luz tênue de tom azulado direcionou-se do alto para o quarto. um choro o dominou quando seu mentor colocou-se frente a ele ajoelhando-se e repousando as mãos em seus ombros. O que eu estou fazendo?! Prostrado de joelhos. que enchiam o recinto. A respiração es tava alterada e os olhos traziam o espanto pelo que não podia explicar. de tudo o q ue conseguiu e. além do forte impacto em sua mão junto a uma espécie de puxão da arma que caiu ao chão. caiu de joelhos e murmurou incrédulo: Meu Deus. a nobre benfeitora Laryel se fez presente de maneira que somen te o espírito Wilson e seus auxiliares puderam vê-la.

retirou -se revoltado. Ao retornar. Sérgio?! Tudo bem? Bom dia. Sérgio?! Por que se admira tanto. perguntou. correu às pressas até o quarto onde o irmão já se vestia. desabafar como outro qualquer.. Somente seus olhos se encheram de lágrimas. vamos para a cozinha que vou te fazer um chá e você me conta tudo...Respirando fundo e sentando-se ao lado do irmão. Sérgio. Tiago? Também me acha incapaz?! Ao contrário. Sérgio levantou-se e o acompanhou contando exatamente tudo o que havia aconteci do. Imediatamente Tiago tirou o pente carregador. Sérgio entrou em pranto incontrolável.. Algum tempo e Sérgio sentiu um bálsamo sereno amenizar suas emoções conflitantes.. Passado o desespero. e separou as peças. que estava pront a para atirar novamente.. O fegante. colocando-as em seus bolsos. Nunca senti tanta humilhação. O que significa essa arma jogada ao chão. Estava em companhia de seu m entor e do amigo espiritual que saiu para buscá-lo. Sentado no chão. ajoelhou-se a seu lado. É! Bom dia.tortura íntima na face transfigurada do perispírito deformado. que o forçou a se levantar do chão e o fez se sentar na ca ma. Tiago. curvou-se sobre a cama rogando ajuda. não detinha o choro compulsivo que seus pensamentos arrependidos lhe provoca vam. Não agüente i mais e quis morrer. ele olhou para Tiago que decidiu: Vou buscar um pouco de água e algo para passar na sua nuca que está sangrando. perguntou: E aí. Apesar de todo o conhecimento que tenho. Ao ver seu irmão. Não suportando. Levantando-se. Ah!. mas não disse nada. pedindo perdão e agradec endo a ação espiritual que lhe poupou de inimagináveis aflições espirituais.lágrimas correram. Junto do que eu soube que o doutor Edison fez sem me dizer nada e a opinião dos meus cole-gas. enquanto Sérgio bebia vagarosamente os goles da água adoçada. Como pude chegar a esse ponto ?! .. a munição do arma. viu jogada ao chão a arma e foi pegá-la. cara! Você é bem capacitado e instruído para fazer alguma besteira com essa arma. Tiago acordou num sobressalto. Tudo bem? . mas com o semblante carregado de tristeza.Cabe a Deus alterar o destino Na manhã seguinte. O que tentou fazer com isso. Mas alguém gritou meu nome duas vezes e ordenou que eu par asse. Contudo o outro não conseguia controlar os sentimentos. 23 . Tiago fo i induzido a passar as vistas pelo quarto quando. tentando se manter calmo: O tiro passou de raspão na sua cabeça... Sérgio o olhou... ainda envolvido por seu mentor e sustentado por elevados amigos espirit uais. el e foi até o quarto.. perguntando assustado: Ei?! Sérgio?! O que foi?! O que aconteceu?! Sérgio abraçou-se a Tiago. você é um ser humano co m direito a expressar seus sentimentos. Como não consegui ter mais coragem de enfrentar a vida?! Venha. e ele saberia esperar. Mas. Inspirado naquele instante. Ficando somente com a cápsula deflagrada na mão. Acreditou ter dormido muito e um frio mortal atravessou-o como uma lança ao se lembrar do irmão e do ocorrido no dia anterior.. estou acostumado a ver pessoas em c rise emocional. . Era uma energia tranqüila. Alguns minutos e Tiago chegou sem ser percebido. Aproximando-se mais e examinando as gotículas de sangue na nuca e na camisa de seu irmão. p ois isso não tira seu equilíbrio. Apesar de sempre ser equilibrado e racional. repentinamente. um raspão do projétil na sua nuca e o tiro na parede?! Sérgio estava controlado e mais sereno ao dizer: Aconteceram muitas coisas.. Tiago correu para junto de le. acalmando-o de minuto a minuto . chorar. direcionada por seu mentor. Sentiu-se gelar com as rápidas conclusões ao encontrar a cápsul a deflagrada e ver o furo do tiro na parede. O espírito Wilson afastou-se de seu pupilo e junto aos demais só observou. passou-lhe um anticépt ico na nuca enquanto falava com calma: Sérgio.

Não.. Sentia-se magoado pela traição e. Tiago estava apreensivo. Apesar da surpresa amarga e triste. Sérgio.. recompondo-se. após algumas ligações. ela faleceu em. Vai falar com o doutor Edison? Vou. Ele pediu segredo. Ele estava frente a um colega que repousava a mão em seu ombro. compreendendo a situação do amigo e cedendo à mágoa. Tiago. carregado de sensação en ervante e indesejável.. Sinto muito. . Sérgio sentia-se incapaz que qualquer ofensa ou acusação contra o doutor Edis on. doutor Edison. Pensava em dizer o quanto se sentiu ferido e até ofendido pel o sócio Nivaldo. Minha companheira por anos. Ao vê-lo arrumado.. Obrigado por vir aqui. mas ainda expressando lamentável do r. Sou incapaz de não te r sentimento. pois necessitava de explicações. Sérgio apresentava o semblante sisudo....expressou-se Sérgio pela verdad eira compaixão. na casa de dona Antônia.abraçou-o firme. trouxe-o à sensatez imediata e o rapaz perguntou c auteloso: Doutor Edison.. parecendo ter planos.exclamou firme. Vê-lo daquela forma. inesperadamente.. . que invadiu seu coraçã eneroso minutos antes. Oh. sem dúvida. pegou o telefone e. abraçando-o firme por algum tempo e apoiado em seu ombro amigo. mas não precisaria ser tão arrog ante e insensível. contou com a voz embargada: Minha mulher. Chegando ao hospital. Uma névoa escura pairava em seus pensamentos repl etos de muitas idéias que pudessem contornar a situação. As horas foram passando e Tiago decidiu ir embora.. mas não dizia nada.. Aceite meus pêsames . Irei com você. Não . não se preocupe.. Estava mais tranqüilo ao obs ervar a transformação do irmão. A entonação sentida na voz do médico doeu-lhe no fundo da alma..estranhou Tiago. Em seguida. Nada disso! .murmurou o médico.Sim. Eu estou bem. Olhando para o irmão. Tiago t ambém manifestou suas condo-lências. Ao observar a fisionomia sofrida do amigo. Ela mandou me chamar e. Decidiu que fa laria daquele assunto. que o pisoteou com palavras e ironia ao contar-lhe a verdade.. soube que o médico estava no hospital. Ao perceber o v ulto atrás de si. o doutor Edison foi avisado de s ua presença e solicitou que o rapaz e o irmão fossem ao andar onde ele estava. o que aconteceu?. Em meus braços.respondia sério ao fazer tudo mecanicamente. ela ouviu . Caminhando pelo longo corredor daquele andar. algo reavivou seus verdadeiros sentimentos pelos fortes laços de companheirismo e amizade que o s uniam. a qual considerava gravíssima. Sérgio.. Preciso resolver a situação sobre minha sociedade na clínica ou não terei sossego. Imediatamente Sérgio foi para lá. o doutor Edison se virou e Sérgio surpreendeu-se ao vê-lo com olhos vermelhos e rosto congestionado.. mas contou à jovem o que Sérgio tentou num momento de desespero extremo. por isso não consigo deixar de chorar pela separação de uma pessoa tão que rida. que ficou acompanhando o amigo e dando-lhe apoio. Depois de conversarmos. São em momentos como esse que os verdadeiros amigos nos acompanham. Vou só.. O remorso dominou mais uma vez a mente de Sérgio que antes perdeu horas de sono ruminando em pensamento palavras capazes de exprimir como se sentia melindrado e constrangido no saber da verdade. pensou em ferir o médico am igo que o ajudou no anonimato. * * * Na tarde do dia seguinte. típica aparência de quem havia chorado. Começou a rever suas opiniões e reconhecer seu orgulho e vaidade. .. É só o tempo de tomar um banho rápido para despertar e. Saindo do elevador. Afastando-se. Hoje é sábado! Vai trabalhar? . Sérgio não conseguiu argumentar diante da teimosia do irmão. Obrigado. Sérgio reconheceu o médico de costa s. desabafaria toda a impressão forte que o a sfixiava angustiosamente.. traiu-o ao omitir os fatos. Con fiava tanto no doutor Edison e justo ele o enganou... Por algumas vezes. Tiago e Rita conversavam sen tados em um banco frente ao jardim onde o sopro de uma brisa morna balançava as fo lhas das árvores e plantas..Breve silêncio e prosseguiu ext enuado: Apesar do conhecimento e um pouco de entendimento.

E sabe o q ue é isso? É o desejo de espíritos inferiores que se comprazem no mal. . as conseqüências espi . É difícil vencer a vergo nha. Só as observo. Tiago! Ele é uma pessoa tão controlada e.. nos levam a aceitar o que ela induz.. A mente fica povoada de imagens ou cenas. angustia-se pela sua incapacidade de se erguer e buscar ajuda . Rita! As palavras e a forma de uma pessoa se impor cont ra nós. Talvez você não saiba como é chegar ao limite de suas forças. . Não nego a in fluência espiritual inferior. e admitiu: Não julgo as pessoas. Nossa! Como isso me assusta.. com o objetivo de te ver ca ir. estou surpreso e assustado por ver pessoas com entendimento e conhecimento como você e o Sérgio se desesperarem a ponto de quererem desistir da vida mesmo sabendo que o sofrimento depois da morte será pior! Fiquei assombrado! Você é espírita. Até Jesus aceitou ajuda nos últimos instantes de carregar s ua cruz.Fez uma pausa e prosseguiu: Sabe. da humilhação. mas não te m valor.Lágrimas rolaram. Eu acredito e tenho um pouco de conhecimento nisso. E sem ter mais ninguém. retoma su a fé em Deus.. quando acabam suas forças diante de al guém tão miserável que se aproveita da situação. de ter a coragem de viver respeitando a vida como ela é! É.. mas. enca rando-a firme: Rita. abandona a ilusão e passa a pensar com a razão. vo se sente uma coisa. bem parecido co m o irmão.Breve pausa e comentou: Não que eu vá deixa r para os outros assumirem meus encargos. Tiago.engoliu a seco e continuou: E. de sua inferioridade por desejo tão inferior como o do suicídio.. sentir-se humilhado.disse o rapaz. . É mais fácil ter a covardia e se deixar dominar pelas inspirações de espíritos cruéis u pessoas encarnadas. Adqu irir esses conhecimentos me ajudou imensamente Reforçaram minhas opiniões e me deram novas reflexões. a expectativa. com respeito e compreensão. No final. Ainda. não temos mais ânimo para viver. considerou: Mas quem sou eu para criticá-lo? Você não tentou se matar.... aglomeram-se à no ssa volta afinando-se conosco e fortalecendo-nos na coragem para a prática de um a to tão cruel contra nosso ser. fazer dos amigos lata de lixo com minh as lamentações. Somos imortais. podem me enviar companheiros enca rnados para me ajudarem. Então se depara com o gosto amargo da vergonha. .A jovem fitou seus lindos olhos verdes quando Tiago a chamou. se necessário. . Somos seres individuais e temos consciência dos nosso s deveres e direitos como criaturas humanas e eles estão registrados em nossa ment e. aflito e. aquilo que existe por existir.atentamente cada detalhe. forçou-se a um sorriso tímido e encarou-o ao afirmar: Quando as perspectivas. o Sérgio segue essa filosofia e os dois possuem considerável noção do sof ento terrível por conta desse ato. Quantas e quantas vez es aprendo com a dificuldade alheia para me desviar..Trazendo um brilho lacrimoso nos lindos olhos grandes e negros. Rita. mas é algo que pr oduz tanto terror e de uma força extraordinária Ou idéia fixa sobre morrer.Abaixando a cabeça. Por que eu seria tão orgulhoso? . de passar pela s mesmas dificuldades e sofrimentos que elas provocaram a si mesmas.. nós conversamos muito sobre a vida e spiritual e toda a responsabilidade que nos é atribuída pelas falhas cometidas. de Jesus e de mentores amigos que podem me guiar. você analisa sua intenção hedionda c ra a própria vida. mesmo assim ela exemplificou: É alg o como uma lebre delirante a nos entorpecer e dominar disputando ardentemente en tre a razão e a insanidade. Infelizmente são em momentos assim que nos entregamos ao medo. pisoteado. acredito no socorro de Deus. deixando uma porta aberta em nossos pensamentos para a entrada de i déias estranhas e terríveis. es gotado. EU sei. de lembranças o u impressões com profundos sentimentos indesejáveis e amargos de procedência desconhec ida. um objeto inanimado. a fé num futuro melh or se acabam. Tenho lido a respeito e. Aí. Quando se tem a sorte de retornar à realidade. nos últimos tempos. ofereceu simpático sorriso no belo rosto moreno claro. Sabem o quanto é forte a tentação. sem esperanças.. não resistir e ceder ao que mais fere a Deus. aceitando o propósito de sua existência dentro daquelas novas condições ou t em a bênção de encontrar pessoas que te despertem. . Rita desviou o olhar e silenciou. que são usadas como instrumento. . acima de tudo. Tudo isso foi tirado de mim e ainda. sabia? Olhou-a. . Persuadiram você ao suicídio e a ajudaram .. mas não tentou quando estava sozinha! Lembre-se do que o doutor Edison te falou e que me contou . argumentou : Acredito que a idéia de que o sofrimento termina com a morte é o que estimula alg uém ao suicídio.. à angústia e a o desespero. comentou em tom lamentoso: O Sérgio?.

. vazio.Rita deteve as palavras. Uma visão tão lógica e simples só se explica pela sua vação. meu tio se aproximou e me disse aquela frase impiedosa sob re eu ter visto meu irmão. depois se foi. mas ainda não entendo como pessoas instruídas. Senti que ficou satisfeito. quando me afastei de seu caixão.Novas lágrimas... Eu senti que não deixei o Gustavo ser feliz m esmo quando percebi tudo entre nós bem diferente.. Sempre quis ter de volta a família que um dia tive.. ninguém. harmonia e felicidade. ainda assim. apesar do conhecimento. desespero e tudo o que é insuportável para ela. Em seguida.. e a jovem prossegui u: Fui falar com o Gustavo e para minha surpresa ele disse que sentia o mesmo e talvez a origem disso tudo tenha sido o nosso noivado. a o admitir: Ainda tenho medo de você insistir nessa idéia.. Mesmo que um espírito se m instrução e rebelde. E eu estava com ele..Engoliu u m soluço e contou: No velório.lágrimas rolaram. Rita sorriu com brandura ao concluir: Você é bem mais elevado. por prova para sua elevação espiritual ou tarefa e outras razões como a ilusão materialista de o sofrimento terminar com a morte do corpo físico. talvez por c ostume. Tirando-lhe os cabelos que cobriam parcialmente seu rosto. pois o tempo se encarrega de amenizar e ajusta . às vezes. por ter ficado ao meu lado me dando o maior apoio quando meus pai s se foram.. Tia go. uma pessoa passa por provas ou expiações de infel dade. Por isso. me fez entender que era preciso enterrar os mortos e prosseguir com a saudad e. invadindo sua alma com o olhar. . Me vi só. mas. . A oportunidade de vida nos foi concedida po r Deus e Suas Leis são de amor. mas meus pais morreram e restamos eu e meu irmão .. eu vi a moça. por uma obsessão. . Nos primeiros dias. Entendi que neguei o direit o dele ficar um pouco com ela. senti que era aquela moça discreta. Era uma dor. Medo do quê?! . Depois que soube da morte da minha tia.Alguns segundos e pediu: P erdoe-me a falta de conhecimento. .. o profundo martírio de forma lenta e intensa. lá no velório. Ele confessou que me cons iderava muito. Medo?!. deixando o olhar perdido no belo jardim. podem se entregar ao desespero sem lembrar que tudo passa e o sofrimento daquele instante ou até de longa duração também passará.. Fiquei desorientada e não acreditei n os meus valores morais. sirva como objeto destrutivo nos influenciando e nos conduzindo ao desesp ero extremo.. Após ficarmos noivos. religiosos.. Respiro u fundo e prosseguiu: O Sérgio foi instrumento de misericórdia Divina guiado para me salvar. Apesar de induzido por um espírito inferior. alguns parentes do Gustavo cob ravam sobre a data do casamento e.. talvez por dó... falei com o Gustavo a respeito de conversarmos com a família dele no dia segu inte ao voltarem do passeio e ele concordou. chorando perto. .. Perdi meu irmão... eu me afastei para ela ter o mesmo direito de d espedida. somos culpad os e lastimaremos amargamente a ação. um vazio!.. Você achou que ele foi rude e frio. que a nossa amizade era incomparável. Talvez fosse só amizade. Co mo família só restou uma tia distante e aquele. Acreditei que meu sofrimento seria eterno e minha vida inútil. Tiago refletiu e depois confessou: Ainda tenho medo. a c ulpa pelo suicídio é de quem o praticou.. terminado. Às vezes o via olhando quem ligava em seu celula r e ele não atendia. mas seu irmão. . apego. encarou-a sério. Na noite em que combinou com o meu irmão sobre irem para a repr esa. A jovem silenciou.lágrimas correram......Respirou fundo e continuou: Então combinamos de dar um tempo. Porém é bom lembrar que. Nós namoramos por tantos anos e o Gustavo s e viu na obrigação de não me abandonar... Isso pode acontecer por alguma atitude desajustada em outra encarnação. oriundo de esferas inferiores com propósito de vingança ou puro p razer. mas éramos só amigos e eu percebi que hav ia alguém nos pensamentos dele e. Um tempo para não chocar a família e. alertar e despertar. Tiago. com a dor e todo o sofrimento.. . Passei mal e foi por isso que não qui s retornar ao velório e ver o enterro. ou melhor.indagou virando-se a ele. nenhum ser humano escapa dos resultados de suas próprias realizações. intolerável a ponto de cometermos o suicídio.. Diante dos longos minutos. Sabe. uma angústia que deixava meu coração apertado.Ela secou o rosto com as mãos e respirou fundo ao revelar: Tem algo que ni nguém sabe e isso me dói muito. que Tiago aparou com a mão. me senti reduzida a pó.. Por essa razão. sem propós itos. alegre com a minha decisão e beijou meu rosto como um amigo. com o vocês. Com a perda dele junto a do Gustavo.. Eu sentia uma coisa. .. Porém ela continuou firme: Após a morte do Rogério e do Gustavo... Nós nos gostávamos muito.ituais.. .

Ela só o olhava. absorvendo ca da palavra. entender. A d ona Antônia me recebeu e me acolhe como filha. ela se ajeitou afastando-se um pouco. Toda aflição. Tiago alargou um lindo sorriso e espontâneo que iluminou seu belo rosto trazend o um brilho lacrimoso em seus olhos. Precisamos seguir vivendo. .. mantendo-a recostada ao peito e agasalhou-a entre seus braços com ternura. ..reclamou. acolhendo-a com c arinho. Vendo-a tímida por elogiá-la com as palavras vinda s do coração.Silenciou.Oferecendo um sorriso doce e acan hado. esquecendo. Abraçou-a. mas estou aprendendo a reconhecer meus valores e sou melhor do que tudo isso. sei que você adorav a e adora o seu irmão. Olhou-o de um modo en igmático e o abraçou com força. segurando-lhe a face entre as mãos mornas e delicadas: Não se preocupe tanto comigo. . Gosto da sua companhia e de fic ar ao seu lado. Você é a bênção.riu. . Não tenho m uitos amigos verdadeiros e desinteressados. Sensibilizado. Não dá para esquecer o que passei. Não. Sem demora ele lembrou.. sem interesses. E Tiago continuou: Conheci o Gustavo quando ele ajudou o Sérgio em alg uma coisa lá na reforma da casa. principalmente. beijou-lhe o rosto e falou com brandura. pois só a Deus cabe alterar o curso do nosso destino. perdoando. me dedicando somente ao serviço. Quer ir ao cinema? E escuto: Ah!. arremedando-a de uma maneira engraçada: Chamo para sair e você diz: Ah. experimentei.. tormento e desespero passam. Nós nos reuníamos para comer pizza!. Entendo seu amor pelo Gustavo e seu conflito por guardar o segredo do término do noivado. .. o bálsamo que dimi dores e o sofrimento que podem me abalar.. eu concordo. fazer e viver.. E o doutor Édison me ajudou muito nisso e me ajuda.riu com jeitinho. falou quase chorando: Você. Ele silenciou ent endendo a harmonia e o sossego que a fizeram se largar no abraço gostoso.. Depois nós nos reuníamos no fim do dia. mesmo que a luta pareça interminável. po r ele tê-la apoiado tanto. comentou: Obrigado por me considerar seu amigo.. acreditando não ter deixado o Gustav o viver com quem se apaixonou.. Devo ter al go importante a fazer. A jovem o envolveu pela cintura . Depois gargalhou ao comentar: Puxa! Como foi difícil tirá-l a de casa! Caramba! Ah! Viu como você foi o remédio para meus males?! Tiago sorriu com satisfação. Eu ainda relutei em aceitar a verdade. a jovem soltou seu rosto e acomodou-se ao lado.. Rita. Penso também que o Rogério ficou ao seu lado . Rita. Você foi fiel e não deixou de amá-lo. pois estou aqui seguindo meu destino. Tiago. serei seu amigo enquanto for minha amiga. Acred itando que nada é por acaso. beijou-lhe a cabeça. Que bonito! . Porém não gostaria que se afastasse de mim. ele abraçou Rita por sobre os ombros.. Tomado de impulso imediato. conversávamos. devemos admitir que foi necessário vocês passarem e sse tempo juntos para alguma harmonização. meu fiel amigo nesses momentos tão difíceis. só que esse amor era de uma forma diferente. à academia e sem m otivação. Aprendi a pensar diferente e reconheço a loucura que desejei. toda a verdade do que aconteceu .. sentindo tranqüilidade na a lma e sem qualquer conflito íntimo como há tempos não experimentava.admirou o rapaz. Após longo repouso. ríamos de fatos engraçados que lembrávamos. Não se julgue culpada. mas depois comentou: Existem razões e ac ontecimentos na vida que às vezes não conseguimos entender.r a vida. o remédio. Não queria sair hoje.. Obrigada por ser meu amigo.Riu com generosidade ao falar: Mas não precisa exagerar dizendo que sou o remédio que diminui as dores e o sofrimento! Delicadamente a moça afastou-se um pouco. de verdade! Só que como um grande amigo. correspondendo à brincadeira. Logo ele disse: Pode d eixar. Eu?! .. Veja. A culpa não foi sua! . Eu tinha uma outra vida. fechou os olhos e se permitiu longos minutos de paz. sorriu lindamente como há tempo não se vi a e brincou ao dizer: Não diga isso! Não tem o direito de interferir em minhas opiniões! Ora! Você vive me contrariando! . Vi o quanto à família dele gosta de você e compreendo sua inse gurança e seu receio para revelar seus sentimentos verdadeiros... Eu me afastarei quando pedir.. Ele era um cara bem bacana e gostava muito de você. . Essa era a forma como ele a amava. relaxand o e confiante.. recostando-a em si ao embalá-la suavemente. Mas algumas coisas são tão dolorosas. Sim. Junto de você apreendi que existem coisas mais importantes para se compreend er. Você me ajudou muito.sor riu com doce saudade no olhar.

perguntou: Vamos sair e dar uma volta? Sim. Eles te acompanharam ness vida terrena o tempo necessário de seus planejamentos reencarnatórios para que tive sse força para recomeçar. agora. Não cometeu qualquer loucura naquela época devido à força que o Gustavo te d eu para se recompor ainda mais. de não ter uma fa mília era a sua prova. pois o teve a o seu lado. seu único irmão.. E eu precisava passar pelo que passei?.. Você tem outra família que te ama! . na sua vida de algum jeito. Talvez se tivesse ficado sem seu irmão ao lado . considere. Sérgio decidiu não permitir suas opiniões. disciplina.. não estaria perto de uma nova família. se Deus acreditar que exi ste algo mais para viverem juntos. Rita! . E eles? Por que se foram? Porque precisam continuar evoluindo e se aperfeiçoando. Tanto que desencarnaram juntos. Silencioso. . Tiago e Rita saíram conversando e brincando para um passeio descontraído. pois eu vi muita amizade entre eles. Talvez não tenha percebido...ele sorri u com terna brandura. Acredite..falava com ênfase e expressiva energia positiva. Toda família tem seus desentendimentos e por que a nossa seria diferente?! Não foi sua culpa essa separação. Tenha força para recomeçar. chorar. alinhando-os atrás da orelha para ver melhor seu rosto expressivo.Vendo-a quase em lágrimas. não se abale nem se culpe por isso ou s erá mais um problema para ele. Passe por isso sem sofrer.Frente a ela ainda lembrou: Você tem vinte e cinco anos! Tem muito tempo e centenas de cria turinhas para conhecer e se for preciso eles surgirão no seu caminho.sorriu. E a Débora que sumiu? Acabei com a vida do Sérgio que tanto me ajudou. O amor não termina com a morte do corpo físico. Vamos sim . minha am iga! Você tem quem te apóia. lembrando que todo aper feiçoamento e evolução exigem renúncias. Então eu acredito que foi o momento de eles irem.... .brincou. Onde está a sua fé? O apoio do Gustavo e do Rogério foi importante e imprescindível até você estar madura o suficien te para enfrentar a vida! Creio que a situação de sentir-se sozinha. Foram unidos para o plano espiritual. mas você tem uma nova família. Afagando-lhe a face tênue com delicado carinho. pois me lembro de você ter contado que ele quase foi naquela viagem junto com seus pais. como amigo fiel. Rita. É bem provável que não os identifique. isso acontecerá de um jeito ou de outro. sorrindo com doçura. Já me disseram isso!. eu. indagou: Mesmo sabendo que posso reencontrá-los e fazer algo melhor que fiz nessa vida por eles..para aprenderem algo juntos. Levantando-se. o doutor Edison.. negros e ondulados cabelos lindamente soltos.Sorridente. a dona Antônia. Tiago. Eu sinto que a Débora vai voltar. Para ajudar o seu novo irmão Sérgio. Sérgio permanecia sentado no sofá. Já te contei os ta is fatos. Deus pode fazê-la encontrá-los ainda nessa vida! . Você já havia encontrado o Sérgio que a levou a conhe cer o João.. olhando ao redor para as sombras das folhas de uma árvore que tremulavam nas paredes internas do ambiente.. afagou-lhe os longos. dedicação.Olhando-a de modo a invadir s ua alma delicada. O que importa isso? Talvez não precisasse e daí?! Lamentar. Você os amou e os ama do seu jeito e eles a amaram e a amam do jeito deles. . .murmurou.. Não é fácil aceitar a separação.. Foi por causa do Rogério. crenças e pensamentos abalados ameaçando se . * * * A noite se adensou naquela casa onde a luz fraca de um abajur deixava a sala na penumbra. não os reconheça ou.... naquela época. Guardando consigo profundas reflexões sobre conselhos. chamou: Agora vamos? Rita estava animada. conhecimentos e experiênci as. modificou-se incrivelmente com aquela conversa e falou: Vamos! Mas aproveitaremos para conversar sobre você fazer um curso superior! Eu?! Estou velho para isso! . Você sabe ouvir as pessoas e oferecer incentivo! Que tal Psicologia?! .exclamou Tiago sorridente.. pois cumpriram os seus propósitos. que você resistiu à tamanha dor quando perdeu seus pais. ficar deprimi da e extremamente angustiada vai ajudá-la em quê? Supere! Reaja! Você é superior a isso. sorriu ao concluir: Ou até reconheça em alguma criança ou crianças as características indiscutivelmente individuais que somente eles tenham! . Eu o con sidero como um irmão! Sabe.

No primeiro dia fiquei contrariada com você. desejando renunciar a vida. Os irmãos trocaram poucas palavras até ela retornar. Ela sabe que saímos. Sérgio não percebeu que era tarde quando ouviu Tiago chamá-lo: Estou aqui! . Que bom vê-los! . Foi até o quarto onde fez o escritório e havia diversos livros e materiais de estudo. A simples concentração na leitura de um bom livro manteve s ua mente ocupada e seus pensamentos mais saudáveis. Em pouco tempo a mesa do escritório estava repleta de literários e pequeno espaço o nde colocou grande caderno de anotações. dinâmicas e detalhistas do que vivenciaram. Orou e trocou a companhia dos espíritos inferiores. ele experimentava uma provocação por densas amarguras vindas de pe quenas lembranças. A decisão foi certeira. Sérgio recebia abençoado jorro de energia salutar qu e o resgatava do desânimo e o elevava. Fechando os olhos.atalhou Sérgio . Um demorado e profundo suspiro o deixou mais leve. Acreditou que aquelas idéias eram sinais. Sérgio não teve dificuldade de pesquisar. Separou algumas obras que o aj udariam em determinada pesquisa e estudo sobre suicídio. Rogo u sustentação e força interior para prosseguir em seus propósitos a fim de superar as di ficuldades. Depois ref letiu novamente. Posso usar o telefone. Com o um mau presságio. Sentia que ela precisava de sua ajuda. olhou-o com certa decepção e falou: Meu celular está com a bateria descarregada. o fluido. Seria bem cômodo e n atural deixar se enfraquecer com as idéias melancólicas insufladas. Em outras palavras. assaltavam-no vivamente e tão fortes que parecia ouvir a voz generosa e delicada. Também pediu luz. Valendo-se da Metodologia Científica aprendid a no curso universitário. desenvolver idéias e conclusões. Os pensamen tos..inform ou Tiago. ligando-o aos espíritos de esferas superiores . Sentindo. Repentinamente ele se leva ntou repleto de vigor a ânimo. Sim. mas agora se negaria a perder o controle das emoções e entre gar-se à aflição insana. envolvimento sublime e amoroso aos encarnados e desencarnad os ainda dispostos a incomodá-lo. Contudo seu coração trancava uma tristeza. auxiliando-o nos objetivos daquela reencarnação. Rita . Ele foi além. mas ele mudou a postura mental. o poder dos nossos pensamentos são energias magnéticas que exerc em recursos e meios de impressionante atração espiritual.u equilíbrio e bem-estar. minúcias apresentadas em momentos de pa ticularidades e carinhos entre eles. consumindo-o pela saudade. Incontáveis imagens.. pela presença de entidades bondosas e elevadas dispostas a benef iciá-lo com a sagrada vigilância e abençoado conhecimento. Eu avisei . Mas demoramos mais do que o de costume e. Não pense que agi por des . Sérgio estava determinado a experimentar a angústia .avisou num grito e arrumou as anotações e o material espalhado. Enquanto isso a jovem pegou o celular.alegrou-se Sérgio. um forte abraço e mostrava-se mais animada. cujo objetivo era fazê-lo sofrer. Rita .. a ment e tem o poder de atração de espíritos afins. Ficou em silêncio. alertando-o de uma tris teza profunda e imensa amargura. recordações e situações alegres. mas não sabia o que fazer. a elaboração intelectual e os ideais ocupados e concentrados no bem não abrem esp aço para as influências do mal. mas hoje sou tão grata! Eu te considero muito. esclarecer situações e se desvencilhar do que pudesse comprometer suas i déias. substituiu os pensamentos depressivos por prece equilibrada como se conversasse com Deus. Ao chegar à sala. não é? Estou sim. sentar e comentar: Achei melhor avisar a dona Antônia que eu estou aqui ou ela ficaria preocupada.disse com leve sorriso. A força. Nós saímos para dar uma volta e decidi passar aqui antes de levar a Rita . Débora era a razão de tudo. tranqüilo e com imensa fé sem saber por quanto tempo. Sérgio? Lógico. aprimorando seus conhecimentos. Rita! Nem precisa pedir. incluindo espíritas.argumentou Tiago. sorriu satisfeito por ver Rita que o cumprimentou com um beijo. reproduções exatas. mas não podendo ver. você está se dando muito bem com a dona Antônia. o riso cristalino ou mimoso do único amor em sua vida. a dor e o sofrimento.. encarnados e desencarnados que se aglomer am por gostarem das mesmas práticas e idéias mesmo quando não se conhecem.

colocam suas vidas em risco e nem ganham bem para isso. professores e outros algumas pessoas tomam uma postura rude.riu. Não diga nada sobre isso. Sérgio! Você foi um instrumento de misericórdia Divina inspirado c omo socorrista para me ajudar.. Na da é por acaso. meu irmão! Não podemos negar esse desejo.riu Tiago ao exclamar. Existem s que se emocionam e não se cansam de agradecer pelo socorro. intolerante e são até desrespeito sas. .Sérgio garg alhou. filho.disse Sérgio. que em algum aspecto de suas vidas não tiveram o resultado desejado. Mas veja bem. solidárias! . mas. Isso encon tramos em todas as classes sociais. Até entre estranhos isso aconte ce... Esquecem que vocês são seres humanos.exclamou o irmão. estaremos alcançando a evolução e o equilíbrio. De você e de qualquer outro que se aproximasse dela. marido. Vocês já viram uma pessoa toda bem vestida . mul her. Deus nos avisa. com disposição ou atitude áspera. Já me perguntei: Por que o caminhão do Corpo de Bombeiros não chegou um minuto ant es?! Por que estávamos passando por uma rua perto quando o rádio nos mandou atender determinada ocorrência e isso salvou uma vida ou vidas?. Ao serem atendidas principalmente. São insatisfeitas consigo mesmas e complexadas.. E quantas vezes nós já não agimos assim?! Talvez não nessa.. não fazem mais do que suas obrigações .. De forma alguma.. Educado.murmurou sem jeito. a dona Antônia.acrescentou Rita.. sorrindo.Sérgi o não se intimidou e contou diversos ocorridos e detalhes que Rita já conhecia através de Tiago.. o mesmo acontece por parte de funcionár ios públicos ou outros profissionais na área de atendimento.Alguns segundos e falou em tom melancólico: Só sinto muito pela Débora. o comportamento faz parte da evoluç ral e espiritual de cada um .. me alertar.. mas a moça não se manifestou. Quando esta mos à beira de cometer alguma burrada. cul tura. irmão. Só tenho que agradecê-lo.confirmou o rapaz. desumano..tornou ela. além de ser uma ligação com a educação.. .disse Sérgio. Ora! E verdade! .. Esse comportamento most ra que são pessoas frustradas por algum complexo de inferioridade também. mas que repentinamente se transforma em alguém animalizada e que só falta rosnar porque o médico não a atendeu no horário?! . Não amam nem são amadas. se teve alguma eme rgência. Psicologicamente falando. Quando aprendermos a trabalhar nossa hostilidade e nos controlarmos. nos dá sinais!. Você tem toda a razão . São criaturas de personalidade mal resolvida.. Sabe. Foi uma situaçã ue enganou os olhos de Débora. você Sérgio. por exemplo. mãe. É. bombeiros. Você é meu novo irmão! Ora.prezo ou algo assim. falou ignorando que ela sabia: Você não conhece toda a história. irmã. Tudo isso junto à maldade da minha ex-namorad .. filha. . Sabe. auster a e que não reconhecem o serviço prestado exibem um quadro de personalidade inferior izada. Acho que experimentamos muita influência espir itual inferior e aceitamos. É sim! Eu disse isso quando nos conhecemos e repeti o mesmo hoje para o Tiago.. à vontade de dar um murro na mesa?! . Precisamos uns dos outros. Uaaaaau! Um psicólogo falando desse jeito! .afirmou Rita. mas ela não ficou para explicarmos... enfermeiros.interrompeu o irmão .. Mas suportei calado. Ciúme de mim?! . mas em outr s situações semelhantes?! Quantas vezes fomos tratados de modo vulgar. tem outras coisas e.E les riram e ele continuou: Ela não quer saber se o médico está bem. por servid ores públicos como policiais. para eu ter uma chance.. Nunca me cansarei de agrad ecer a Deus por vocês aparecerem na minha vida.interrompeu-a Sérgio de imediato. Não se culpe. . Existem pessoas humanas. E tudo começou com a Débora. um bombeiro. Outras são orgulhosas e pensam que profissionais como você. educação. dias antes. Além disso.. o doutor Edison. médicos. Sérgio . Sérgio riu e Tiago balançou a cabeça concordando. o Tiago. eu fui dominado por uma crise de c iúme da Débora com o Tiago que se davam bem e conversavam bastante. Sou bom observador e tenho certeza de que nada é por acaso. É q uase impossível resistir ao impulso. Mas nem sem pre estamos alerta. São inúteis ou impotentes com a família como pai.. sobressaltando-se. pessoas assim. Rita .. o João. agressiva. Foi . Creio que. E as reações das pessoas envolvidas são tão diferentes! . séria à espera de uma consulta. uma espécie de complexo de inferioridade gerado pela falta de respeito...

não se abala va. disse: Nossa! Já é essa hora?! Puxa vida! . muitas vezes.. Mas juro que eu não s abia sobre a Lúcia continuar com aquele comportamento insano .afirmou Rita. Meus sentimentos dizem que a irmã man ipulou a Débora. Ela é uma moça sem responsabilidades. Não entendo o que acon teceu! Ela estava sem emprego. Por que não conversei com você. Isso mesmo . Eu sabia .murmurou Tiago. Se o destino armou esses ataques. Por isso eu fui conversar com ela e lhe dei uma bronca. Suas manifestações de carinho eram carícias provocantes só com você. nós brigamos feio. Sérgio! A Dé não aceitaria isso! Ela jamais iria se corromper. Desculpe-me. ao interrompê-la. olhando os filetes de água escorrendo pelo vidro. pois ele me machuca mui to porque eu adoro a Débora. Fui até sua casa e me disseram que ela não está morando lá. Não atende às ligações. Às vezes chego a pensar que ela usou essa situação c um motivo para romper comigo. preocupada e. A Yara. Conhecia bem a Débora e sei que nunca fugiu de nada! De repente sumiu! Abandonou tudo. estou sem defesa. c nforto e tudo mais o que sentia falta desde que saiu da casa e da proteção do pai. Tiago parecia em choque ao ouvir as conclusões do irmão. com o pai.surpreendeu-se. Depois brincou: Hoje a don a Antônia me bate ou me expulsa de casa! Vamos Tiago?! Eles se despediram e foram embora. O pai morreria! Porém deveria ter falado comigo. lembrando-se de algumas situações. Se fosse outra garota. Eu me lembro de vocês brigarem! Mas não sabia o motivo! . . por que não me procurou depois desse tempo todo? Po r que não te procurou após eu explicar a situação no consultório do doutor Edison? Vocês er m tão amigas! É isso o que eu estranho. Eu ameacei a Lúcia.. que é muito manipulável. Acho que trocou os números dos tel efones.. acreditando que existia uma razão para tudo. . O quê?! .. Sérgio permanecia em pé. levantando-se rápido. nós discuti mos.. pois a Lúcia parecia possuída e começou a me agredir ostensivamente. . A mãe se meteu. Não posso acreditar. . Ao chamar a atenção da Lúcia.. O Breno?! . Sobre os assédios da Lúcia . Sobre o quê?! .afirmou Sérgio com tranqüilidade.lamentou Tiago. Então me desculpe.Discussão entre Sérgio e o médico Trovões rosnavam a distância. e novamente. o céu começou a escurecer rapid amente. dizendo com mais ânimo: Ei! Acabou! Aconteceu o que precisava acon tecer. dizendo que agi a como se estivesse tentando seduzi-lo.. em plena tarde. a Sueli. me deixou em desespero.. Vamos parar com esse assunto. Ei! Já passou! Quanto à Débora. O Breno se aproximou da Débora através da Yara e lhe deu toda assistência no momento em que mais precisava.disse Sérgio.perguntou afoita. apesar de muito sentido..assustou-se Rita.. O Breno se aproveitou da fragilida de da Débora quando tudo aconteceu entre nós e a proveu com trabalho. por isso não quis me ouvir.a. Na verdade. Não demorou e.. Ela te adora. Ficou um vazio. Sérgio ficou com seus próprios pensamentos e. o tratan do de uma forma bem estranha. Eu sei o que aconteceu . Meu Deus.. apesar de inocente.. Provavelmente não sentia por mim o mesmo que sinto por ela. cara! Você era menor e eu deveria te defender. Algo não resolvido entre nós. Frente à janela de seu consultório. Olhando no relógio. a chuva caia pesada.. atenção..disse Tiago.respondeu Tiago. Será mesmo?! Se isso é verdade. Havia algo incomum nos meus pensamentos frenét icos. distração. brando. formando uma cortina nevoenta . 24 . Não suportei e dei-lhe um tapa.questionou Rita.Tiago abaixou a cabeça e comentou constr angido: Você era um moleque e eu não saberia como conversaríamos sobre esse assunto pelo fa to dela ser nossa irmã.tornou o irmão. Vi nossa irmã... Então veio a chuva de granizo batendo forte.. mas. forrando de branco o chão da rua e as calçadas. Sérgio! . Disse que se a visse novamente.Alguns minutos e Sérgio afagou -lhe as costas.

acho que eu sofreria se ela decidisse me deixar. Devo admitir que o senhor me ajudou muito. Fui traído. O doutor Edison ficou longe de entender o significado do olhar expressivo de Sérgio que se fixou nele de modo enigmático. Sérgio comentou: Estou surpreso em vê-lo! O senhor está bem? Sim. ele pensava em dar novos rumos à sua vida. eu primeiro me analiso antes de determinada opinião..Breves segundos e continuou: Tenho certeza de que o senhor acompanhou atentamente o meu último encontro com a Débora aqui nesta clínica. Sérgio! Como você está? Tudo bem? . que não via desde o enterro de sua esposa. Como psicólogo. ou seja.Ao olhar. Então me esforcei e superei a dor por ter outras atividades importantes para fazer. Apesar de experiente. falou mostrando firmeza e tranqüilidade na voz: Um dia antes do falecimento de sua esposa eu experimentei momentos extremamen te desesperadores. principalmente.pediu educado. pois cheguei onde estava com meus próprios esforços e depois de tanta luta. Foi nesse instante que poucas batidas à porta chamaram Sérgio à realidade e ele per mitiu em voz alta: Pode entrar! . quando contou sua vida e os fatos desagradáveis que enfrentou. O senhor sabe explicar mel hor do que eu o resultado do sentimento de abandono num caso como o meu.. Confesso que naquele dia e u queria morrer. porém controlou a surpresa e a ansiedade. Sentando-se em uma poltrona e vendo o psicólogo acomodar-se à sua frente.. Est ou consciente de não ter superado . Certo! Pode falar! Sérgio se levantou. Precisava arrumar um jeit o de abordá-lo sobre tudo o que Nivaldo contou.. em sua sala e na sua presença.. Sabemos que muitas pessoas respondem ou reagem às bruscas perdas e separações.. Espere. o rapaz estapeou-lhe as costas ao mesmo tempo e m que lhe pegou a mão. saber como estão as coisas. amp arou as mãos nas costas da poltrona vazia onde antes havia se sentado e frente ao médico. mas me recuperei por conta da nossa conversa. cuja fo nte habitual de sustentação para planos futuros desapareceu de repente. No entanto. Olá. mas estava inseguro pelo período de luto do médico e deveria respeitá-lo. não é. Mas eu estava enganado. experimentou um sentimento indefinido. Mas vai entender . mas o médico o puxou para um forte abraço. a plicando-se e ampliando mais a sua carreira. Eu acompanhei tudo o que aconteceu com você. . .. Eu experimentava uma tristeza.Enquanto observava a ação da natureza. Agora entendo o que o senhor me contou sobre entrar em um mun do de escuridão e infelicidade no qual a vida não tem mais razão dizia calmamente. Permanecendo em silêncio. Voltou. Um assomo de acontecimento s desagradáveis invadiu minha vida repentinamente e eu acordei em um hospital para me recompor. Temos um assunto muito import ante para esclarecer.perguntou o doutor Edison aproximando-se e e stendendo a mão para cumprimentá-lo. Ao se afastar. mas seria diferente. o médico contou: A secretária disse que a m aioria dos pacientes desmarcou na última hora por causa do dilúvio que está caindo. Se nós t ivéssemos conversado por mais tempo e de outra forma. o médico não consegui u decifrá-lo e isso o fez perder as palavras. doutor Edison? Descobri que os créditos pelo sucesso não eram meus. Pensou e prosseguiu: É difíc il apagar da memória a injustiça que resultou na perda simbólica de uma pessoa querida . Aond e quer chegar? Não estou te entendendo. Por conta disso e pelas dificuldades já enfrentadas na minha vida. Valorizei minha resistência e me agarrei ao reforço de exercer uma atividade profissional que eu am o e muita coisa melhorou quando saí da polícia. decidi vir conversar com você.afirmou calmo e com seu olhar típico de invadir a alma do ou tro. Eu cheguei à cerca de uma hora e. Preciso retornar à ativa e o quanto antes. Mudava de pensamento.. mantendo cons igo mesmo um diálogo mental sobre situações e fatos a esclarecer até que se lembrou do d outor Edison. Correspondendo muito educado. Aquela demora o torturava. respirou fundo e deu alguns passos sem encará-lo. mas não uma depressão. o rompimento dos laços de afeto e. Iria me dedicar a especializações. di minuindo suas atividades.. conforme o caso.Breve pausa. faço questão de diferenciar d epressão de tristeza. encarou-o fi rme até o rapaz argumentar: Foi bom o senhor me procurar para conversarmos. pós-graduações. a rejeição.. Bem. Sérgio ..a situação mal resolvida entre mim e a Débora.

defendeu-se em tom suave . falou veemente e irritado: Porém me senti um inútil. Entretanto.continuou calmo. tive a certeza de que Deus tem misericór dia e envia um anjo da guarda para nos vigiar.. Sabe. t rabalhar a minha Sombra a fim de efetuar uma tarefa de utilidade.gritou Sérgio. me smo vendo o outro com expressão apavorada: . por favor! Sérgio o fitava de modo indefinido. ouvindo-o normalmente. O qu e aconteceu comigo não é comum. em outros livros da Codificação e nas obras de relatos das pesquisas cie ntíficas feitas por Allan Kardec publicadas na Revista Espírita de 1858 a 1869. doutor Edison . amor e caridad e a cada dia para conseguir cumprir um pouco da minha tarefa de planejamento par a essa encarnação. Eu só vi que fracassei em tudo! Eu estava em casa sozinho quando entrei em desespero. mas bem firme: Sérgio.. de seus sentimentos penosos d e insegurança. a capacidade de ouvir que nos dá c .. Encontrei em O Livro dos Médiuns. voltou-se de cost as para o médico e olhava os relâmpagos fortes que se faziam seguidos de trovões que r oncavam. reflexão e ação! Você não é nenhum menino e tem muito potencial! Tem grandes v s humanos e imensos valores morais! Meus valores morais foram pro inferno! . Não foi por acaso.Bem calmo. Com a postura de quem adquiriu equilíbrio íntimo. o doutor Édison o encarou falando com segurança: Sérgio. contudo sua fisionomia era firme e tranqüila. mas. culpa e seus valores humanos. quanto mais estudo. Os clarões repelidos dos relâmpagos e os estouros dos trovões repercutiam sem trégua.expressou-se menos agressivo. sem capacidade e um pobre coitado por não ter recurs os financeiros e fazer parte de uma sociedade que não está a minha altura! Nunca sen ti tanta humilhação. pensando que Ele irá intervir no momento crucial de tamanha insanidade! Estou estudando e apren dendo muito e.comentou em baixo tom. Mas não houve te mpo. por isso vamos usar a única coisa que nos difer encia dos animais: a comunicação! É o poder de falar. As rajadas da chuva forte batiam nas vidraças. E ncarava Sérgio sem se manifestar. cada detalhe do que escutou de Nivaldo.perguntou o médico bem sério.O que quer dizer. É impossível eu co ntinuar me sentindo acolhido e respeitado por meus colegas e sócios da mesma forma que os acolho e respeito quando um sentimento de injustiça os incomoda pela sua p redileção por mim. Aliás. perdi completamente o controle e não vi razão para continuar vivendo e quer saber?! Quer saber o que me fez viver após pegar a pistola automática. adorei . Ofereceu uma pausa. Depois. foi como se alguém desse um soco na minha mão e arrancado à arma. Só esperava uma oportunidade melho r tendo em vista as dificuldades em diversos setores de sua vida. imprestável. Bem. A automática caiu no chão. Algo dardejante parecia escapar de seu olha r. mais vejo que nada sei . É por isso que estou decidido a deixar de trabalhai aqui. Nessa fração de segundo. Lembrando . Suspirando fundo. colocá-la na minha cabeça e apertar o gatilh o?! O quê?! . Olhei em volta e não tinha ninguém. o doutor Edison falou de maneira ponderada. fazendo o tiro pegar na parede após passar de raspão na minha n uca.. contou: Acredite ou não.. no segundo seguinte. direto e objetivo. Apesar disso. tanta vergonha!. O rapaz contou-lhe exatam ente tudo. falou sem rodeios: Gostei da idéia que teve para ampliar a clínica.gritou o médico assustado.falou com leve sorri so. precisamos esclarecer muitas coisas. Aproveitando-se da pausa. quer você acredite ou não eu ia te contar. sei o quanto você é racional. Eu dei um tiro para estourar a mi nha cabeça. isso aconteceu comigo. Porém isso não é razão para se torturar dessa forma! Use a situação para autotransform observação. quase exigindo. Entendi a necessidade de adquirir energias novas para mudar meus defeitos. ouvi uma voz estrondosa ecoar por todo o quarto gritando meu nome duas vezes e ordena ndo que eu parasse. fui à busca de explicações científicas e razão para isso ter acontecido comigo. . Que ninguém tente Deus. Sérgio?! . fracassado. Um segundo antes ou no instante em que apertei o gatilho. nos proteger e. O senhor me traiu ao omitir que pagou parte do que caberia a mim como sócio para a montagem desta clínica! Pediu sigilo aos outr os para eu não me sentir ofendido! Fez-me acreditar que os meus serviços prestados f oram relativos aos custos e valores do que foi investido pelos outros! O homem exibiu um olhar triste. Isso mesmo! . falou: Quero que seja mais claro. eu nunca lhe pedi nada..

O rapaz obedeceu..O rapaz ficou em silêncio e o do utor Edison respondeu: Porque todos são importantes para Deus. seguem inúmeras explicações pelas tent ativas mal sucedidas de suicídio e milhares de suicídios consumados anualmente. d epressão crônica. O suicídio e o aborto são os maiores crimes que podemos praticar contra a vida... Não é necessário você se torturar! . O médic o prosseguiu: Clínica ou cientificamente falando. que vai acabar com tudo vêm de inspirações de espíritos inferiores. Você tem a liberdade de escolha e os espíritos bons não ficarão interferindo na sua von tade..lareza e objetividade. Sérgio. Sérgio. não abuse da proteção Divina. A prova da intervenção de espíritos inferiores para que você não tenha êxito e se detenh caindo em ruínas.. isso com a finalidade de chegarmos a um entendimento just o e viável. mas uma dureza permanecia em seu olhar firme e rosto sério. por ignorância.. Etc. Eu. vendo-o brando e pensativo. medo de castigos e agressões. Não. Por quê? Não sei. O desejo oposto e conflitante de não quer er morrer. virou para o senhor e. estupidamente. você não é capaz de acreditar em mim nem dese ja ouvir minhas justificativas e me agride com acusações. dois valores opostos! Ao mesmo tempo a pessoa deseja uma situação que é a morte. desejo de manipular ou controlar os outro s etc. reação impulsiva por perdas. principalmente. apesar de a indagação parecer irônica. fechou os olhos esprem endo-os e respirou fundo. E Jesus fal ou quando tentado a se jogar do penhasco: Não tentarás ao Senhor teu Deus! Mas exist e algo curioso. Nenhum fardo é tão pesado. as síndromes ou condições específicas e situações do cotidiano. Tem os o que merecemos e conseguimos suportar. Em seguida.falou de modo rigoroso . como a situação se repete! Acorde! Lembra-se de que não con tou para sua namorada sobre o problema com sua irmã. pois isso é raro. Olhando Sérgio nos olhos. parecendo envergonh ado. remorso.. espíritos bons e sábios. Mas o senhor me enganou. Depende somente d a pessoa escolher de que lado quer ficar. Enganei?! . todos. relatam que receberam pequeno alerta o u sinais para não cometerem esse ato. pediu: Desculpe-me. A partir de análises de casos clínicos leva-se a crer em diversas razões para o suicídio.gritou. Só tenho uma coisa a te dizer . Entre elas a solidão. no seu caso. apontam como causa às tentativas ou aos suicídios os distúrbio s. Quero dizer que especialistas renomados. Pare com isso! Não preciso das suas desculpas por ter minhas opiniões formadas. esperando um momento oportuno ? Não teve tempo e agora quer que a Débora acredite nas suas explicações e não nas acusaçõe njustas e provas falsas! Da mesma forma. quando s trata de cientistas americanos uma vez que a religião protestante lidera naquele país e não aceitam por ceticismos ou por orgulho e não sabem. com todas as su as pesquisas e estudos. A prova da atuação dos bons espírito s é que você está aqui. assustando-o. fuga de situação insuportável. o médico se leva . mas avisei aos outros que eu iria conversar depois com você! Veja. de um jeito ou de outro. Olhou para o chão. Por isso não tome decisão alguma. Orai e vigiai. mas sente que não quer aquilo! É um grito de soc orro! Ninguém estuda ou pensa: de onde vem um e outro desejo que são tão diferentes ao me smo tempo? A vontade de se matar e acreditar. Sabe por quê? .Depois de esbravejar. muito será pedido. contra o Criador. O índi ce é muito alto e se eleva a cada dia. Peço gentilmente que se sente e me ouça. pois todos os pacientes com tendências suicidas que já tratei ou ain da cuido. Você ouviu e sentiu a atuação d s.. Você sabe que todos os que tentaram ou se suicidaram e todos os que falam em co metê-lo apresentam caráter de dois aspectos. nesta reencarnação. a vergonha por algum fracasso. o médico ainda falou: Eu acredito na intervenção dos espíritos. mas você ficou sabendo por i ntermédio de palavras fortes ou cruéis que o feriram. A quem muito é dado. cientistas. é inspiração do guardião. Etc. Está me dando aula por acreditar que eu não entendi ou perdi alguma coisa no curs o de Psicologia? . certamente. que todo e qualquer motivo que leva alguém à tentativa ou à prática do suicídio existe a atração de u influência espiritual. . É mais fácil confiar na palavr a de um outro e não na de seu amigo que o considera como um filho! Sérgio sentiu-se desarmado de palavras. é que eu ia te contar. culpa. Não! Eu omiti. O que te aconteceu não foi por acaso.perguntou sério.

Faz tempo que não o vejo assim. travando um diálogo mental. Tiago se aproximou. relembrou muitos acontecime ntos em sua vida. Você tem um objetivo espiritual para isso e talvez ainda o ignore.Voltando-se para Sérgio. ded uziu que Tiago estava lá. Se o sa for sem sabor. Depois olhou pela janela certificando-se de a chuva ter diminuído de intensidad e. que estava sem pacientes e lia um livro. O temporal atrapalhou a vinda de todos à clínica . João sorriu e os cumprimentou dizendo em seguida: Que chuva.. Indo até o quarto onde o irmão sempre dormia. mas tem um grande descrédito pessoal. pois ouviu isso anteriormente . Como o senhor quiser. É preciso desenvolver o auto-amor par a não deixar seus pensamentos servirem de brinquedos. O que o senhor quer dizer? questionou surpreso. * * * Alguns dias depois.Tiago resmungou e se remexeu.justificou João. ao ver uma camisa sobre o sofá. Sem demora. autotortura. vagarosamente. meu caro! Você vai muito além do profissionalismo e dos ensinamentos ac adêmicos. O único remédio para uma pessoa como Sérgio. S orriu e completou: Está cansado mesmo! . lembre-se de que nem todos são merecedores de tamanho empr ego de forças ou energias fluídicas vitais do plano espiritual! . a todos os recursos exteriores à su a volta e neles centralizam os sentimentos e as idéias magnetizando-os com fluidos conflitantes e deploráveis que serão aceitos lentamente por você com uma visão errada d a verdade. viu-o largado de bruços sobre a cama e o braço caído com a mão encostada no chão. o médico se despediu deixando-os a sós. Uma pitada de tortura o feria quando pensava em Débora. Quando digo que é o sal. Sérgio o acompanhou. fechou a porta do quarto para o outro descansar. Sabia dos fortes laços de amiza de verdadeira entre João e Sérgio que. A rigor. falou: Acho que a Rita deu jeito em você. Sérgio chegou à sua casa e. Sem titubear. Sérgio tomou um banho demorado para relaxar e só depois foi preparar algo para o jantar. Podemos d eixar para amanhã. para nada servirá.perguntou o médico sem rodeios. perguntou: Pode ser assim? Claro. Em pouco tempo. Rindo ao ver que o irmão não acordou. Algum tempo na cozinha. o sentimento de culpa e outros tipos de arrependimentos. Não é um mero psicólogo preso às terapias. hein?! falou normalmente sem acordar o outro. Entraram na sala de J oão. é por você fazer a diferença no sabor da vida daqu eles que seguem o caminho que você aponta. né? Saindo em seguida.ntou e pediu: Venha comigo! Vamos resolver esse assunto agora mesmo! Veremos se o Nivaldo e o João estão livres. Eu quero conversar com vocês três. mas. Já foi. Resgatando-o das reflexões. Ao vê-los. explicaria a situação.falou o homem insatisfeito. quase sorrindo. autoflagelação. sentindo-se atordoado. Somente olhava para um e para outro sem entend er nada. Não.. Só lhe dou um aviso. remorsos ou reações impulsivas tomarão espaço em sua me nte junto à autopunição. provavelmente. a ilusão de fracasso. João ficou calado e observando.Leve sorriso enigmát ico e falou com ar de satisfação: Isso só aconteceu porque você é o sal da terra. João permaneceu em total silêncio. a solidão. como estudioso e capacitado às pesquisas metodológicas. O caminho profissional que escolheu foi por um ideal inconsciente. com um ar de vitória em seu semblant e. enquanto o doutor Edison falava sério e firme: Sérgio. é a Terapia da Oração e a vigilância com hábitos físicos e mentais na ética Cristã nisso. hein?! A cidade está alagada! E o Nivaldo?! . Sérgio: você não tem perso nalismo. . Meses ha viam passado e nenhuma notícia. O doutor Edison o encarou. São forças vivas que fazem e farão diferença na vida das pessoas e dos espíritos. Suas qualidades morais e virtudes espirituais não são exibições mascaradas com a titudes ou palavras. exibindo-se asso . . mas deduziu tratar-se do assunto sobre a sociedade daquela clínica. pense muito sobre nossa conversa. posicionand o-se melhor quando Sérgio acomodou-lhe o braço e o cobriu. instrumentos aos espíritos vul gares que se apegam a tudo o que lhe acontece.

quis saber. Vai tomar um banho para nós jantarmos . O quê? Tiago. Puxa! Meu serviço exige atenção. .. mas estou preocupado com o horário na polícia. ma s está insuportável e é por isso que venho para cá.. Sérgio gargalhou com muito gosto e atirou-se para trás da cadeira. Sérgio. .... Olhando-o firme.titubeou.alegrou-se o outro num grito. depois incêndio.. Eu sei bem o que é isso! . Ela é uma mulher que não tem disciplina. né?! Sempre aquela briga! E a mãe se metendo. . Olha. Agora com mais uma criança chorando.. Sérgio! Você se mudou para ter seu canto! Eu me mudei para ter paz... como se isso resolvesse seus problemas.. e u te ajudo! . Ei! Ei! Ei! Espere! Não pense muito. não é organizada e quando o Marcílio chega. eu te ajudo! Para não ficar parado.. mude-se para cá e. fa lou rindo: Eu sabia! Ta tirando uma com a minha cara?! Lógico que não! Eu sempre falei da sua capacidade e paciência para ouvir pessoas e. pela comid a . os meninos não têm educação nem limite. pois lá não consigo descansar tão pouco rmir.. Tiago. Psicologia . mora ndo aqui. cara! É.murmurou com voz rouca. estava na academia ou nas baladas? Depois de mais de trinta e seis horas de extremo trabalho tenso e delicado.. lembrou: Nossa! Fiquei de ligar para a Rita e. . Riram. Puxa! Como estou contente! Que legal. Estou pensando em fazer um curso superior e já me in screvi para o vestibular..perguntou brincando. Eeeeeeh! Vai querer me cobrar aluguel pelas noites que durmo aqui. E o que vai fazer?! . Gostaria de conversar um pouco com você.. Entram no arto me acordam com gritos. Daí você sabe.. dê aula em alguma academi a.indagou empolgado. levantando-se. informou: Recuso-me a receber um não como resposta.. A Ana só grita. o doutor Edison quer ampliar a clínica e logicamente precisará de profissi onais nessa área.tornou Sérgio. Gosto de crianças.. vamos dar um jeito nessa situação. Venha morar aqui de uma v ez por todas! O que está esperando? É que.gritou. Sérgio falou sério.norentado. Em seguida. entendendo a necessidade de melhorar minha vida. Tiago! Saia da PM. Ao vê-lo. O salário quase se equipara ao seu. . Trabalhou muito. o irmão falou: Boa noite! Não sabia se deveria acordá-lo..sorriu.. boa forma e muita dispo sição mental e física. terá tranqüilidade e todos meus livros à disposição! Se precisar de algo mais. Ali nada muda.Sérgio deteve-se por ins tantes espremendo os olhos como quem tivesse uma idéia relâmpago e perguntou: Você ter minou de fazer aquele curso de massagem?! Sim. poderá estudar e. Pegue suas coisas e se mude para cá! Não.De repente.Sem deixá-lo falar mais. Oi!..murmurou Tiago. É.brincou. Sério?! . Pouco depois. Você não me incomoda em nada. Mais tarde você telefona . vendo-o se sentar e esfregar o rosto. Já viu. parecendo ordenar: Peça baixa! Saia da polícia! O quê? Ficou louco?! Como vou pagar o curso?! No que for preciso.. Sabe. levantando-se. Por quê? A clínica! . e stou um pó! Um dia é enchente..aconselhou Sérgio. . A Rita vem me convencendo há tempo e só agora acordei. os irmãos jantaram e conversavam tranqüilos Como está lá na casa do pai? . E aí? . Ei?! Sabe que me deu uma boa idéia! . Ninguém consegue se concentrar direito no que faz se não dormir bem . Além disso. no outro desabamento. Que horas são? Quase oito da noite.

. Mas e quanto aos seus sentimentos pela Rita? Ei. Não temos nada além de uma sincera amizade e respeito .gaguejou. Posso usá-los no curso e não t erei tantos gastos. Sérgio! É uma situação difícil. por não te r muitos amigos verdadeiros.. Sérgio sentou-se à sua frente. Sérgio.. tão arrependido! . Não quero afastá-la de mim! De modo algum! be. acuada. Adorei toda aquela espontaneidade.. Ela me considera um amigo. Fi quei enciumado ao saber que havia um outro. Depois explicou: Por essa razão... Pare com isso! Ela está livre de recordações e isso dá pra ver em seus olhos quando e stá com você! Já falou sobre seus sentimentos por ela? Não posso. Tiago.. Certo..indagou Sérgio com brandura. A Rita falou muito no ex-noivo e. O cara era legal. Eu prometi ser seu amigo e só me afast aria se ela pedisse! Você entende?! . em dese spero que vimos aqui?! . se torn ou noivo.disse Tiago.. Sei o quan to ela ainda ama o Gustavo e. Ela era uma mulher carente e falou no ex-noivo por não ter outra referência. porque você é essa referência. meu modo de pensar e de ver o mundo. observando suas reações. ela confia em você.Breve pausa e lamentou: Que absurdo! Nossa! Ao saber como ele morreu. Eu sei disso... Eu e a Rita somos amigos! Isso eu sei. mas havia se acostumado e. implorei perdão ao Gustavo e prometi cuidar da Rita mesmo se fosse só pela amiz ade. quase nervoso. não perca a oportunidade! Tenho certeza de que a Rita vai concordar comigo e vai te incentivar! .. .Tiago quase chorou ao dizer: Pedi tanto perdão a Deus por aquelas i déias. Lógico! A Rita me pediu com todas as letras para eu não me afastar dela. Ela contou que gostava dele... .Sem esperar. Sérgio!. Breves segundos e Tiago suspirou fundo.. mas não deixava de pensar em afogar a quele sujeito se eu fosse designado a salvar sua vida. medrosa.. sugestões. Nossa! Nunca me senti tão mal. seu modo de andar.!-. de se vestir. um namorado que.. cara. Eu gostava dele. fixando olhar tranqüilo no irmão.. Logo que a conheci... mas não suportou e disse de uma vez: Agora eu entendi melhor por que aconselham que não é viável terapia com parentes e amigos. esfregou o rosto com as mãos e admitiu: Gosto muito da Rita.. sem qualquer outro envolvimento. Muito mesmo! . E se ela gostar de você com a mesma intensidade e tiver o mesmo medo seu? Não creio. Onde está aquela jovem assombrada. Será?! .. Mas além da amizade?! . Sei lá! Fiquei hipnotizado pela Rita! . Eu.. de repente. Ela só me quer como amigo! Sérgio contorceu o rosto tentando segurar o riso.Ao ver o irmão sorrir. terminarem não fazia sentido. c omo estão?! É..Logo revelou: Só fiquei com a consciência ma is tranqüila quando ela disse que o compromisso deles não estava indo bem. respondeu: Está sorridente ao seu lado! Só fal ta criarem coragem para assumir. Depois de tantos anos de namoro e pouco tempo de noivado. fazendo-o pensar! Mas. às vezes me arrependo por alguns pensamentos.Eu não sei. o perfume.. pois comparti lhou tantas coisas pessoais. . E eu.. Foi por causa da Rita qu e mudei radicalmente minha vida. de falar. seu riso.enfatizou. Não termina ram o noivado para não causar um choque na família que os apoiava.. Bem. parecendo uma resp osta afirmativa às ou.Vendo o irmão em dificuldade para se explica r. Que pensamentos? . Tentei ser profissional. brincando e rindo ao encostar-se em você.. ..revelou um pouco constrangido. Não começa! Por quê? Não quer admitir que gosta dela? Ou não quer que ela saiba ou tenha certez a de seus sentimentos? . eu.tornou preocupado e curioso. Veja bem. Claro! Não pense muito.. Seu jeito. Agor a ela não fala. íntimas que não fez com ninguém! A Rita aceitou sua compa nhia até para ir ao doutor Edison! Já a vi abraçando-o pela cintura. A Rita se lembrou dos seus livros e. Mas.riu gostoso. ela pode se afastar de mim caso não seja isso o que queira....disse. ...Sorriu ao repetir Como vocês estão? Em que pé está o envolvimento de vocês? Ora. Sérgio perguntou propositadamente: Você e a Rita. . eu a entendo e respeito. seu jeito travesso.sorriu. Parece que ele tinha outra. Como assim?! Entendeu muito bem a minha pergunta..

.retrucou o irmão brincando ao se levantar para atend er ao telefone. o incômodo. Sérgio riu e disse: . você está me ofendendo! . você. Tiago! Ela reconhe ceu a amizade verdadeira e pediu que continuasse ao seu lado! Entendeu? A Rita não mencionou que o quer exclusivamente só como amigo. um abraço. teme ver sua vida íntima invadida pelas possíveis opiniões da senhora que praticamente a adotou.S orrindo apaixonado. A Rita está preocupada com as despesas. ela transf eriu sua afetividade às crianças que cuida voluntariamente na creche. Ela gosta muito da Rita.Nesse in stante o telefone tocou. Como se pudesse ler seus pensamentos. Não que o João deixe de lhe dar atenção ou carinho. é por sua causa. . A Rita sabe disso e. A dona Antônia ficou viúva cedo. que é filho le gítimo. Reparo u nisso? Não conseguem ficar muito tempo sem se ver. na verdade. pr otegida. um afago. a Rita abandonou o passado! Se ela pede para não se afastar dela é porque g osta de tê-lo ao lado! Admitiu total confiança em você pela amizade verdadeira! Sim! E eu prometi ser seu amigo! Oh! Mas que irmão gênio! .. Quando parou de rir. .. certo? É. Eles estão bem estabilizados financeiramente. Aquela casa tem tanta paz! Su as conversas são tranqüilas... se preocupa com você.exclamou com ironia ao rir. a Rita.. aos filhos que adotou crescidos como eu. Não acredito que você é meu irmão mais velho! Não acredito que estou falando com aquel cara chegado a festas. Tiago! Tenho observado como ela o olha. . ficou triste.. Sérgio argumentou: Vocês estão tão ligados que passaram a ser dependentes um da opinião do outro. Tiago. Tiago sentia o coração acelerado. pois tenho m edo de pensar que estará sozinha e. Não acho uma boa idéia. Bem que ela poderia ser minha mãe! Opa! Eu disse isso primeiro! . É para você! É a Rita! Deixe de ser engraçadinho! . Não entendeu nada.gargalhou. Não posso negar que adoro ficar com a dona Antônia.. o amor te deixou burro! . esclareceu: Aquelas eram diferentes. Além disso. Sabia que a conversa dos dois seria longa. Afeiçoou-se demais e chegou a falar comigo a respeito. conversam diariamente por tel efone.. Acorda. ficou pe nsativo. 25 . aceita o seu braço sobreposto em seu ombro e parece se sentir abrigada.. pois a vi passando a mão em seu rosto com gesto de carinho. Explique o que vem acontecendo nos últimos tempos. comentou: A dona Antônia percebe u que ela quer voltar a morar em uma das casas do pai e eu a vi chorando.. sem contar com os incentivos positivos que trocam em meio às idéias. o trata. Geralmente segura a sua mão como se não quisesse que tirasse o braço de seus ombros.Além de cego.brincou Sérgio. Ela quer liberdade. recostando-se em você.protestou o irmão de modo ingênuo. A Rita pensou em sair da casa da dona Antônia.Pode atender.perguntou sério.. Realmente era Rita.Preocupado.Pequena pausa e comentou: Existem mulheres e mulh eres. Teve somente um filho e é uma mãe carente. vou ter de você?! Como é? Vai encarar?! Eles riram e o irmão avisou mais sério: Se a Rita quer sair de lá.. pois não a deixam contribuir co m nada.. Mas eu entendi. você não namorou não?! E aquela mulherada que vivia te telefonando?! Sérgio. Você tem certeza? . Ei! Qual é?! . Sérgio voltou a falar de modo mais esclarecedor: Cara. baladas!. Recordando-se rapidamente de detalhes..Juntos.. Sérgio sorriu e foi arrumar a cozinha. A Rita é especial! Acredito que vocês dois tenham o mesmo medo: admitir os sentimentos e achar que um vai se afastar do outro porque era só uma amizade. Nunca dei valor à coisa fácil e não encontrei alguém por quem me interessasse. mas. pela falta do marido. Tiago e Rita . Escuta. Não tenho medo do João.

está muito enganado! Quem imagin ar isso está pensando igual aos crentes. E também. seus esforços. assistir a palestras. Em outras palavras. E se o do utor Édison fosse o pai do Sérgio. Nivaldo. Acompanhei seu sacrifício . viu Nivaldo?! Não adianta trabalharmos aqui com má vontade. bem com o a tolerância. por favor! Não fale besteiras! pediu o médico com um jeito eng raçado e incomum. Vamos lembrar que outor Édison assumiu tudo. sua dedicação. Sou um professor doutor renomado. chamando minha atenção. pediremos ao contador para calcular o que devo a vocês e. Lembre-se de que Jesu s aceitou ajuda para carregar a cruz! Você não deve nada aos sócios ou à clínica! Eu fiz o que eu quis! Dê de graça o que de graça recebeu! Entendeu. os hábitos inferiores que temo s. mas não sabia o que argumentar. Acontecimentos em minha vida me desvendaram um novo mundo onde eu deveria a tuar e não preciso dar detalhes. reclamou ao João sobre o meu protecionismo financeiro ao Sérgio..O quanto antes o doutor Édison marcou a reunião com os três psicólogos sócios da clínica pois por inúmeros motivos precisaram adiá-la.falou bravo. Sérgio calou-se com o susto e João quase riu. percebi que isso aconteceu porque eu mudei as idéias simples que tive ram e ampliei os horizontes. Foi por essa razão que o ajude i! Além do que. q uando o médico falou: Assim que comecei a dar aula na graduação para a turma de Psicologia. fiquei de olho no Sérgio. Deixei claro que eu conversaria com ele a respeito disso. rec eber passes. vocês três sobr essaíram.tornou o médico com fala firme. Então chamei o João e o Nivaldo e avisei sobre eu custe ar a parte do Sérgio. mas irônico. nem sairá do seu lso. Mas foi aqui. ficarei no prejuízo sua proteção ou auxílio financeiro ao Sérgio! Mas qual prejuízo você teve. que encontrei um meio de ser o simples médico humano. como já disse.admitiu Nivaldo severo. Eu não cobro os atendimentos clínicos que faço aqui nem dos pacientes que vocês me encaminham. agora resolvi inúmeros problemas e posso arcar com a parte que me cabia e o doutor Édison omitiu.. ficar duas ou t rês horas por semana no centro espírita e depois passar de cinco a dez horas nas bal adas. Precisamos de decisões e soluções maleáveis para termos um melhor relacionamento aqui dentro! . Não nego! . advertiu: Espero que não seja orgulhoso. Estavam todos sentados em sua sala. Es perei por um período de trégua. Sua ética moral. Sérgio?! . quem o ajudou finance iramente para fazer parte dessa sociedade na clínica e quem também pagou a sua facul dade..inquiriu Nivald o sério. Logo percebi que ele precisava e precisa se harmonizar com a sombra do descrédito pessoal. Foi o seu pai. Se alguém aqui tem a ilusão de que ir ao centro espírita.reforçou João com nítida tranqüilidade. sua humildade e aceitação. eu quis me unir a vocês. não se esqueça. faço o maior empenho para conseguir os medicamentos necessários. Aos sem condições. Sérgio fique quieto. insatisfeito . que é o mais difícil de fazer. junto de vocês. Estamos reunidos para uma avaliação de nossos feitos e se você aprende com o exemplo alheio aprenderá a duras penas. O rapaz sentiu-se aquecer. mas não tive tempo e soube que o Nivaldo.. Ao vê-los com planos de montar uma simples clínica em so ciedade e focados em valores humanos. Nivaldo?! Qual prejuízo terá?! Não saiu. É algo parecido! Você teve ajuda de seu pai e isso não nos prejudicou. doutor? . e não você ou o João! Isso é verdade. Chamou-nos aqui para ressaltar seus atos caridosos. Nessa ampliação da clínica. palestras. Nivaldo . mas não foi por dinhe iro.Breve pausa e continuou: Q uando vi logo de início que o Sérgio não teria total condições financeiras de arcar com al guns gastos. É necessário crescermos e cuidarmos da vida mental. não seria o mesmo? É o seguinte . orientador e amigo. rapaz! Vigie seus pensamentos e suas palavras! O que sai da boca vem do coração. a idéia de ampliar a clínica foi minha e o prejudiquei. O doutor Édison continuo u firme e sério: Lá na universidade. Olhando para Sérgio. ele não é falso. psicoterapias em meu consultóri o particular e outras tarefas. não eram e não ascaradas por ele. a caridade e a socialização. Cuidado. a parte que cabe ao Sérgio investir! Fui eu quem pagou e pagarei. tomar água fluidificada e fazer o Evangelho no Lar é o bastante para se r recolhido em uma Colônia Espiritual como Nosso Lar . evangélicos ou protestantes por que basta p ...interferiu Sérgio que estava inquieto ao ver Nivaldo com o rosto v ermelho e olhar colérico . É primordial selecionarmos os lugares que freqüentamos. . Todos aqui são espíritas e essa filosofia Cristã nos chama para uma auto-avaliação. Tenho consideráve l salário por meu trabalho em congressos.

hospitais. excelsas. Talvez eu o tenha abalado de alguma forma. gesticulando de modo singular e falando com um tom irônico e voz baixa: Faça um favor para mim?! Pare de pensar! O imóvel me pertenc e e para que não achem que estou protegendo alguém.Interrompeu o médico. Quanta s vezes fomos a uma casa espírita para uma palestra ou uma atuação caridosa e vemos um trabalhador. di a após dia. pois são eles que m vão recebê-los na espiritualidade quando desencarnarem. alterando-se. contar piadas indec entes ou ficar olhando para o bumbum das mulheres serve para relaxar! Não. Aproveitando a pausa. meus qu eridos! Vocês estarão se afinando e recebendo energias de espíritos beberrões. Sérgio!. Iss o inclui os trabalhos não remunerados. Nivaldo disse sem encarar ninguém. imagens ou mensagens pornôs.. com . Tudo o que fizermos p recisará ser de boa vontade ou criaremos um ambiente hostil e isso é muito ruim. Abalou-o de alguma forma?! . eu não me sinto bem com a decisão de ficar isento de arte dos custos para a formação da sociedade desta clínica.Avisou sem demora: Eu já comprei este prédio. Você não imagina as conse qüências do que fez! João! . Então penso na possibilidade de pagar uma porcentagem maior na ampliação e. Nivaldo?! . mesmo que esse pro fissional venha a alugar uma sala.. Mas ele precisa se controlar! João! .. meus querid os! Porque a energia que o envolve pela compulsividade sexual.advertiu o doutor Édison. Pensa que correr toda sema na ao centro espírita e receber passe vai ajudar a ir para Nosso Lar ? Não. . de prevenções ou terapias para alívio de transtornos diversos. O que pensam que acontece?! Ah! Fico excitado! .. fumar.. Fui claro?! Nossa sociedade continuará com o percentual cabível a cada um. De onde acham que vem n energia excitante? De espíritos que se com prazem com o sexo promiscuo. corrigindo pensamento após pensamento e conter os comentários venenosos re sponsáveis por grandes crueldades e geradores de fracasso. zombeteir os. Além disso. A gora. .exclamou João.. mas procurar ajuda! Os melhores psiquiatras e Psicólogos são aqueles que faz em terapias com outros profissionais qualificados. Vou dar um exemplo que todos conhecemos.respondeu à própria pergunta. Não é. comprei o prédio ao lado para ampliarmos a clínica. Doutor Édison . Saibam que vou custear toda a reforma para a ampliação desta clínica. creches etc. É bom aceitarmos ou admitirmos nossos defeitos e começarmos a nos transformar. Não vamos nos castigar po r isso. Só e stou aguardando a documentação. doenças.interrompeu o médico. sabiam? Eles sabem que são sere s humanos e permitem a ajuda de alguém ou simplesmente desabafam ou ainda permitem -se à orientação. não pagos. promíscuos e bem inferiores. Não paga remos mais aluguel. é por termos a necessidade de mudar algo inferior em nós.tornou o doutor Edison . mas devemos ser sinceros. psicoló ica. Perdoe-me.. Somos seres humanos e. quando passam horas e horas vendo beste iras. Nesse período. realizados aqui ou instituições como c asas de repousos. suicídio.chamou Sérgio . pelo prazer em ve r filmes pornôs são mais densas e impregnam no corpo espiritual e não dão espaço aos passe s de bênçãos sublimes. escondendo um sentimen to rancoroso: Peço desculpas ao Sérgio por eu ter me precipitado e. Na internet . Isso eu vou discutir em particular com o Nivaldo.. assim como nós. sites pornográficos. Parecer educado. . praticando bate-papos inúteis. nada equilibrado. Preparem-se. atencioso ou bonzinho não significa dedicado e afetivo. iniciaremos a seleção de profissionais bem qualificados para as áreas alternativas. doutor. vamos ao que interessa. Nós vamos nos centrar nos valores humanos a começar por nós. Sejamos honestos uns com os outros! Vamos acabar com o personalismo e a menti ra! Não estamos juntos por acaso. fofocar com os amigos.edir perdão e só! Não! E preciso seletividade das ações físicas e mentais! Deixar de ir aos barezinhos pensando que beber. inferiores à elevação moral. que é uma pessoa boazinha. desânimo. O Nivaldo tem seus defeitos de c aráter ou de comportamento. Os futuros médicos o u psicólogos terão seus espaços individuais e pagarão aluguel pelo que ocuparem. Se alguém não se opuser. eu gostaria de me en carregar da seleção dos profissionais que trabalharão aqui na área da saúde mental.... mas o outro não respondeu .perguntou. um tarefeiro ou dirigente do centro. se estamos aqui encarnado s.

Vamos abandonar o personalismo. um advogado.. Ótimo! Parabéns! João se levantou e pegou um dos papéis. também. daremos palestras? Ora! Nivaldo! Você é psicólogo e deveria ter a resposta! . Resultados bem positivos. Jesus sentou-se com pecadores. O Mestre falou sobre querer misericórdia e não sacrifício. Sérgio?! Bem. na verdade. mostrando a importância da tarefa de cada um. Vira ndo-se para o outro. está pensando cobras e lagartos a respeito de todos ou de alguns à sua v olta. cerca de seis. Cerca de duas horas por semana. a camuflagem de um comportamento calmo. mas eu diria que a s reuniões se transformaram em um reforço moral. Há alguns meses eu faço esse tipo de assis tência em uma creche e uso o seguinte método: primeiro observo as crianças. Só que depois esse tarefeiro bonzinho cheg a até nós reclamando: ai. de problemas. mas dou-lhes um reforço moral. min imizaram o comportamento à medida que as professoras e Voluntárias passaram a recebe r orientação de como tratá-las. elev ando a auto-estima. aparentemente passivo. ou seja. dos doutores das leis. Qual o tempo gasto para isso? . Lá. Só duas horas! E me diga já obteve algum resultado? Sim. . Sorrindo. O que o senhor quer dizer com tudo isso? perguntou Nivaldo. a falsidade. um médium ou passista no centro espírita. cultiva o orgulho. muitas com comportamentos preocupantes de agressividade . É aquele que sabe de tudo! Mas. ele pegou alguns papéi s e mostrou-lhes: Aqui tenho três instituições que precisam de assistência psicológica. repentinamente. O que faremos com essas pessoas. intimamente. Vamos trabalhar dentro de princípios Cristãos. um psicólogo.. Fico cerca de uma hora com as crianças e depois peço a alguns funcionários e voluntários para se reunirem no refeitório.Sér gio pensou um pouco e revelou: Eu fui o mais beneficiado. Jesus só não admitia a hipocrisia. pois alguém precisa ficar ativo no serv iço. doutor! Aquele sujeito é desequilibrado! Aquela outra ali é um fardo! Ai! Dá um jeito naquela ali que tem mau hálito! Aquele outro sempre está suado. As pessoas voluntárias relatam sentirem-se úteis no serv iço de caridade e melhoraram consideravelmente a auto-estima. provavelmente pela falta de afetividade em casa com os pais ou responsáveis. Não reclamou das queixas que ouviu.Sem demora. Sérgio fez o mesmo e Nivaldo o acompanhou. o persona lismo dos sábios. A diretora da creche me disse que o número de voluntários vem aumentando por ca usa dessas reuniões em grupo. perguntou: O que acha.fala angelical. psicológico e sugestões de uma forma ge ral. por exemplo. ouvindo pacientemente pessoas simples ou intelectuais comentando de alguma dificuldade.enfatizou. sorridente e gentil. ensinando-lhes o Evangelho.o médico deu uma pausa e continuou: Acho que leram dois ou três livrinhos espíritas e pensam sabe r de tudo. publicanos e muitos outros. mas sim os doentes. Não posso chamar de terapia em grupo.quis saber o médico.falou parecendo envergonhado. . O personalismo é acreditar que. as crianças. é ser perfeito! . Comecei com esse traba lho para ocupar o tempo e os pensamentos.. pois sou ser humano. ser um voluntário. um dirigente. acho que nem toma banho. Apesar de poucos meses. transformaram o quadro clínico. quando.. do hálito de alguém n em falou da falta de banho de um outro.. por isso dá para o senhor falar de higiene? . do trabalho amoroso. eu converso com eles. . porque veio chamar os pecadores ao arrependimento e não os justos. Registrei dois casos de voluntários depressivos que. avisou: Mas não só para as crianças. Tiremos primeiro a trave dos no ssos olhos para depois tirarmos o argueiro do olho do nosso irmão. É preciso fazer com que os trabalhadores e voluntários sejam beneficiados psicologicamente para que se sintam mais disposto s na prática da tolerância. Não dou uma palestra. dos sãos. a vaidade e a hip ocrisia. do acolhimento fraterno e todas as ét icas Cristãs. confo rme o caso.. senhor. um tarefeiro do centro . Trata-se de pess oas de diversas religiões e por isso me vigio para não destacar o Espiritismo e resp eito às outras crenças. .falou o médico firme. por ser um médico. deixar de usar a máscara. um psiquiatra. ter essa ou aquela profissão. Fez alguns ou todos os cursos existentes sobre a Doutrina Espírita e ac reditam serem sábios o suficiente! Vamos lembrar de Jesus sentado com os publicano s e pecadores dizendo que os sãos não precisam de médico. faço algumas perguntas aos funcionários e até dou orientações especificas a determinada criança.

. Se não fosse você. *** O Tempo não parou.. Ei! .concordou a moça. Pode ser agora? Sem dúvida . João e Sérgio se despediram e saíram da sala. . E eu com essa aqui . Eu gostaria que você trouxesse o Tufi para cá! Com nós dois aqu . Eu pens ei que nunca conseguiria. Que alívio! Que bom terminar a graduação! Viu?! Sorriu com jeitinho delicado : Agora sou jornalista! ... eu gostaria de conversar com o s enhor. T iago!.tornou o outro circunvagando o olhar e reparando melhor. Tiago chegou e. fica fácil cuidarmos dele! Ta! . Lógico! Vamos! . foi à procura do irmão. Você já realiza trabalho s lhante. Eufórica ela gritou em seu ouvido: Ah! Consegui! Parabéns! Estou tão feliz quanto você.decidiu Nivaldo.. expressando ime nsa alegria ao atirar-se em seus braços. Vou pensar e ver as possibilidades. Que pena. Eu fico com essa . mas sim sugerindo.exclamou Tiago.disse Sérgio.. Sentiu falta de um livro e foi procurá-lo no armário do outro quarto. brincando. Sérgio estava em sua casa. Rita! Parabéns.. Mas. perguntand o: O que está fazendo aqui no meu quarto. dando-lhe um leve tapa no ombro. Sentado a seu lado o rapaz se virou para olhá-la e perguntou: Eu?! Não fiz nada! Os méritos são seus! . A mãe só resmungou que eu era bem grandinho e de via saber o que queria da vida. mas tive a impressão de que a mãe se sentiu aliviada.Ao tempo em que os observava.prontificou-se o médico. Hoje eu trouxe as minhas coisas para cá. Sérgio? Puxa! Desculpe-me! Não sabia que já era o proprietário . o doutor Édison comentou: Sérgio. Eles já estavam na sala da casa de dona Antônia. onde Rita comentou: Ai!.concordou.Em seguida argumentou: Tantas coisas aconteceram. Não quero que se sobrec arregue. Não reparou em nada? No quê? . se não tivesse abandonado o curso. Mas não disseram nada. Podemos ir? Quase não consigo te ouvir! .. encolhendo as pernas num forte abraço quand o ele a sustentou e sorriu por saber do que se tratava. sim. * * * À noite. Embora o vozeio e muito barulho se misturavam nos portões da universidade. . Depois o aviso .gritou Sérgio. vendo a luz acesa. Cairá um dilúvio amanhã na cidade! Não estou vendo suas coisas espalhadas! Ah!. Não os estou obrigando a esse tipo de tarefa. Não demorou e a jovem veio correndo ao seu encontro..aceitou João. mesmo! Tiago a abraçou com carinho e beijou-lhe o rosto antes de colocá-la em pé.correspondeu. Tiago corria o olhar entre os estudantes b uscando Rita. O médico sorriu ao perguntar: Um de vocês tem algo mais a dizer? Eles se entreolharam e Nivaldo pediu: Se não há mais nada para resolver sobre a clínica. lembrou: A Débora se graduaria junto comigo. Depois falou: Bem pelo menos é o que consta no dipl oma que vou pegar! . eu soube que se inscreveu para fazer pós-graduação.pediu.minimizando o sorriso. Sérgio sorriu e perguntou: E a mãe? O pai? O que disseram? Nosso pai não se manifesta.. Um ano havia se passado. Você avisou que se mudaria para cá? Falei. Havia tomado banho e debruçou-se sobre os literár ios estudando e pesquisando. além da dose de conhecimento. pois você é a prova do benefício que isso trás.riu.

espere! Do que você está falando? . Tenho séria dificuldad e para usar roupas mais sociais.Insegura. Mesmo sentindo o coração acelerar.respondeu firme e sério. Rita! . com roupas de estilo indiano e. m as para dizer a verdade eu estranho ao vê-la vestida assim. Tiago? . beij ando-lhe a face e procurando novamente por seus lábios. tem classe e é um modo de se expressar ao se vestir qu e. Não!.. Porque não posso. deduziu fechando o sorriso: Talvez eu o enver gonhe por gostar de me vestir assim. interrompendo-a: Pare.Tiago perguntou. Sentada no sofá com as pernas encolhidas. Ah!.Com um gesto sutil. secou as lágrimas. Por quê? Você tem vergonha de mim?! Não! Lógico que não! Vem cá.. mas. Não sei!. Não . . Dizendo isso. Envolveu-a com ternura e pediu com voz branda ao conduzi-la: . quando saímos. Não diga isso.. Levantando-se e pondo-se à sua frente.interrompeu-o com voz doce. O que foi. voltou-se para ele e sentiu-se gelar.A jovem sorriu e Tia go silenciou por longo tempo. finas e elegantes. .. sabe escolher muito bem. perguntou: Devo deixá-lo constrangido quando estamos juntos na universidade.ela preocupou-se ao vê-lo daquela forma. não é? Não . procurando disfarçar e afirmou: Você estava esperando eu me formar para dizer que é chato ter amizade com alguém co mo eu e.. Rita se levantou rápido. combina bastante com você.. no dia-a-dia. . .... Nenhuma palavra. Parado nada! . tentando ver seus olhos. ficando na expectativa. .. nós pr ecisamos conversar. avisou brincando: Eu iria carregá-la! E te faria passa r a maior vergonha ao levá-la no colo para a sala de aula.indagou meio sorriso. Rita o envolveu com leveza. Uso por necessidade do traba lho e admiro aqueles que sabem se vestir bem. Posso entender. aliás. expressou-se brandamente: Você entendeu tudo errado... afagou-o com carinho e correspondeu ao beijo com fortes sentimentos. encarando-o. o rapaz avisou: Rita.. Depois.. Eu estava com medo e com dúvidas.. Estou tão orgulhosa por já terminar o segundo semestre em Psi cologia! Já foi um ano! Uau! Você é quem merece os parabéns pelo esforço. falou em seguida. segurou seu o rosto.tornou ele no mesmo tom. num impulso. pediu.a jovem falou em tom triste e com a voz emba rgada. Vou entender se não quiser mais me ver e. por ser como é!. Tiago. Imagino o quanto foi cansativo me dar tanta força e ainda.. Tiago rapidamente a tomou em seus braços. Tiago sentia-se como um adolescente.Apesar de ser um home m maduro. Ei. Estava inseguro e algo apreensivo . O que tenho para dizer é sério e talvez não queira mais a minha amizade depois de me ouvir . Com voz meiga e baixa. Eu gosto da forma que se veste e não acho que pare ce com uma hippie dos anos sessenta..Fez. Não precisa se justificar. Provave lmente eu teria parado. Ao contrário! Sinto o maior prazer qua ndo estou ao seu lado. Tenho orgulho de você. E é sério. seu bobo! . Não estou conseguindo ser seu amigo. Ela comentou sobre outras coisas menos importantes . Algum tempo e Tiago a abraçou forte enquanto ela escondia o rosto em seu peito.. ele beijou-lhe a cabeça.disse brincando puxando-o para junto de si e recostando a testa em seu ombro. Por que eu não iria querer a sua amizade? murmurou ela. O sorriso agradável sumiu de seu rosto. adoro ficar à von tade e. olharam-se por longos minutos até Tiago sorrir levemente ao confessar c om expressão carinhosa na voz: Rita. sim! Foi você quem insistiu e me fez retornar para a universidade. tirou os cabelos de seu rosto e a afagou.Rita riu ao exclamar com mimos. Não resistindo..Olhando-o. mas ele nem a ouviu. não consigo mais ficar ao seu lado só como amigo. beijando-l he os lábios como sempre desejou.. que abaixou escondendo-o entre os longos cabelos cacheados enquanto murmurou: Eu acho que já esperava por isso .. fitando-a nos olhos..Sorrindo. a fez encará-lo. Tem dias que pareço uma hippie dos anos sessenta e... Falei o que não devi a? Fiz algo errado? . O estilo é de traje indiano e você tem bom gost o. S egurando seu queixo com delicado carinho. Acariciando-lhe a face. encar ando-o: Jamais teria vergonha de você.. Outra roupa mais moderna e social te cai bem.

.envergonhada. Por fim confessou: Eu me apaixonei por você quando o conheci!. nele ela sorriu e pediu baixinho: Fica comigo.lágrimas rolaram em sua f ace delicada. Senti-me humilhada depois. Precisava acabar com aquele compromisso e isso me deixou confusa. Vai se sentir melhor. perguntou: Do que teve medo? Quais são as dúvidas? Tiago... quando aquilo aconteceu e jus to você acompanhou tudo. uma paixão por você. Mas o percebi inseguro e distante.. E?!. O problema era a família dele. . Não . mas essa coisa que eu sentia era u ma forte atração. pois não existe razão para se sentir humilhada ou constrangida.expressou-se aflita e chorando. fal ou: Cansei de ficar com você! Quero namorá-la! Tê-la ao meu lado de uma forma diferent e! Entendeu?! ... . Eu também experimentei momentos de conflito q uando a conheci. Decidi falar com ele sobre eu sentir uma coisa. Tiago. Rita! . quieto. Você sempre foi atencioso. pois me apaixonei e você tinha um namorado que se tornou seu noiv o. Recostando-se. Sempre pareceu s er somente meu amigo e... Aconteceu como tinha de ser. contudo ficou ao meu lad o.. Tive medo. naquele exato momento. mas Tiago riu sem jeito e se levantou para cumprimentá-l os: E aí. Nos últimos dias comecei a ficar desconfiada... apenas como amigo. Tive medo de que me abandonasse. Com a morte do Gustavo..insistiu o rapaz com inflexão afável na voz. fale de uma vez . A jovem sorriu com doçura. João e Sérgio entraram na sala sem serem vistos.Sussurrou ao final: Eu te amo... mas o amigo continuou com seu je ito brincalhão em meio ao riso: Esses dois aí ficam no chove e não molha que está me da nos nervos! Caramba! Rita afundou-se no sofá. Desejava o seu bem. Senti que havia outra. Supere e e squeça. pediu carinhoso: Pare de se torturar. Não percebi. por ser meu amigo. pensativo.. Bem. reprimir nossos sentimentos nem existe qualquer razão para fazermos isso. . Expressando felicidade. passando-lhe segurança. carinhoso. dó.Secando-lhe o rosto. não desrespeitamos ninguém nem a nós mesmos. É algo difícil de dizer.... Sente-se aqui. João? Tudo bem? .. hein?! . E conversamos sobre darmos um tempo.Afagando-lhe carinhosamente o rosto. poi s o percebi diferente.. Rita. Não te disse..O casal sobressaltou. Sérgio sorriu e se deteve. Bem. e eu também. Nós não precisamos nos sentir oprimidos ou rebaixados e eu d igo: nós . . insegura. Não precisamos viver do passado. Mas poderia estar ao me u lado e me acompanhando em tudo por uma questão de caridade.Falou firme. Rita. Eu te adoro.. . Fiquei confusa. Você é bem prepara da e superior a isso! . e Tiago a beijou com todo o amor. mas João não perdeu a oportunidade e gritou e scandalosamente: Até que em fim.sorriu...... Com o quê? .negou. Então deduzi que você tinha conhecido alguém por quem se interessou e. mas.. Vi qu e ele se sentiu melhor e eu também.. Sabia ?! Não.Encarou -a com leve sorriso ao dizer: Não traímos. falou apreensiva e com a voz trêmula. eu sinto que ele passou pela sua vida como outra pessoa passou pela m inha.. estava esperando eu termina r a faculdade para me dizer que não poderia mais ficar ao meu lado o tempo todo. E continuou: Quanto a o Gustavo..Olhando-o firme. murmurou terno: E já faz tempo. o seu sucesso e vê-la sorrir novamente. você permaneceu ao meu lado me dando apoio.. com algumas p ausas: Você foi a melhor coisa que me aconteceu há anos e. Abraçando-a forte. Por ironia do destino. Tiago. educado e gentil desde qu ando o conheci e. m e acompanhando em tudo nem ser meu amigo como antes.. porque estou com você e ao seu lado. . . Tudo piorou com a morte do Gustavo. O noivado estava marcado e me arrependi por. segurando-lhe o queixo com delicadeza. pois queriam que marcássemos o c asamento.perguntava sempre calmo.. Por deixar tudo acontecer. m s chegamos a um ponto em que não podemos ou não conseguimos mais represar.... Eu já gostava de você e não queria parecer um a proveitador. Eu experimentei situações difíceis e.Vem cá. fugiu-lhe ao olhar..

Não tinha qualquer notícia sobre ela depois de tanto tempo e não podia fazer nada. Sérgio! Não me deixe passar vergonha! Ah! Quer dizer que nem o seu próprio irmão quer ser seu aliado?! . orou e logo adormeceu.. não! . acabando de chegar e sem saber de nada .. Sérgio sentiu um vago pressentimento. Sérgio sentia os dias passarem trazendo um vazio cruel que aumentava quando pens ava no irmão ou em Débora. O Tiago acaba de dizer que vai se casar com a Rita! exclamou João. porém ele não queria por segur ança e por trabalhar em um horário compatível ao curso universitário.. beijou e os abraçou por longo tempo com lágrimas nos olh os. Então pode marcar o casamento. Apreensivo. Sensibilizado. Parecia que um sol de raios prateados brilhava através de sua figura. Desprendido do corpo durante o sono. meu querido. Sensibilizado.animou-se dona Antônia. perguntou: E você.. Não falemos mais sobre isso. Quem vai casar?! perguntou dona Antônia. sem palavras e segurava uma almofada ao peito.Imediatamente algumas lembranças che garam à sua mente. Tiago respondeu: As mesmas que as suas com a sua noiva Nilza! Ah!. Desejava que Tiago saísse da polícia. pois o significado estava longe de sua compreensão.seus olhos ficaram lacrimosos e ele se deteve. Certa noite ao deitar.. . acrescentou: Não mereço seus esforços. . sorriu e desfechou: A Rita mudou completa-mente a minha vida e não consigo me ver sem ela.. Sérgio ficou sem palavras. Sérgio acordou para o mundo espiritual com o chamado generoso e suave: Como é bom vê-lo. beijou Rita e Tiago. . conduzindo-o para mais próximo quando Sérgio dispôs-se sorrindo ao exclamar: Laryel!. Na v erdade. trate bem a minha irmãzinh ou vai se ver comigo! Entendeu?! Pode deixar! . aquele anjo de bondade estendeu-lhe a mão. Lembre-se de que todo aquele que reencarna com a t . estamos apaixonados. Não podemos continuar nessa de amigos e decidimos ass umir um compromisso mais sério.. Sei que isso não é desculpa para minhas atitudes infelizes e moralmente desprezíveis por desej ar morrer.exagerou João. sentando-se ao lado de Ri ta que estava vermelha. Ele ficou encantado e paralisado por instantes diante daquela doce figura que desempenhava elevada função no plano espiritual. cumprimentou-os e disse: Fico feliz por vocês. pediu constrangido: Perdoe-me. Q uais as suas intenções com a Rita? Pensando rápido. João se aproximou.. como sempre. Olhando para o irmão.Vendoa sorrir com sincera expressão de bondade. Sérgio? EU?! Eu não tenho nada com isso.Psicólogos de amor Apesar de saber que Tiago estava estudando e muito feliz em companhia de Rita . Sérgio riu gostoso e estapeou as costas do irmão ao dizer: É isso aí! Dou o maior apoio! Tiago sorriu e avisou: Podemos brincar. Estendendo a mão e puxando Rita para se levantar. Agradeço a manifestação físico-espiritual e verbal que me impediu de um ato tão . Os desejos e idéias mentais inferiores foram de um magnetismo muito intenso. mas não soube identi ficar. 26 . Que a paz de Jesus o envolva.Não ta. Ah! Que maravilha! Eu sabia . oferecia c onfiança e fraternidade irradiadas por sua aura envolvente.tornou espirituoso e bem sério ao brincar. ele a abraçou dizendo: Descobrimos que gostamos muito um do outro. mas estou falando sério. Afável. Era incrivelmente bela. Prometeu-me amparo e aqui está! .respondeu o outro bem alegre. Abalei-me tan to e me envergonho pelo desespero quando não suportei as aflições nos pensamentos.Olhou-a com carinho. cara! Só estou de passagem! Se acerte aí com a don a Antônia e com o João! Oh.

Em todo lugar que olhavam. bondade e proteção. prosseguiu: Com conhecimento direto na comprovação científica e filosófica de uma doutrina reencarnacionista. . A prestimosa entidade de beleza inexprimível atravessou. Após preciosa meditação e sublime prece de Laryel. material ou teve início exclusivamente a partir do nascimento ou durant e a infância e que os culpados são os que rodeavam essa criatura. Com conhecimento e entendimento. os murmúrios dol orosos vibravam angustiosamente por todo o plano.Sem demora e mais séria. só que não havia água s agitadas. na velocidade do pensa mento. porém resistiu e ainda disse que tudo o que Ele fazia nós poderíamos fazer mais e melhor. ela avisou: Não duvide de v ocê mesmo. um magnetismo excelso os envolve u com imenso amor. As origens de m uitas dificuldades procedentes de vidas passadas ou trata-se de experiências. Laryel conduziu-os à zona de intensas trevas. via-se verdadeiro quadro desolador. Não. que antes par ecia um ser de matéria semelhante a cristal. eu me deixei dominar por aquel a insanidade momentânea lamentou Sérgio.Em um tom amável e doce. talvez isso lhe traga mais lembranças e força interior. principalmente Laryel. Mas isso não isenta esse encarnado das suas obrigações comuns de orai e vigiai a própria mente para não se d esviarem dos propósitos Divinos. pedindo: Venha conosco hoje. Até o Mestre Jesus foi tentado. a qual você conhecia bem pelos préstimos de socorro. A elevada comitiva baixou a luminescência. Os gemidos. Laryel sorriu com doçura e olhando de um modo peculiar para os companheiros esp irituais à sua volta. Por um lado er a como olhar um mar escurecido e extenso até um horizonte sem fim. Laryel usou recursos próprios para facilitar-lhe a visão. Vejo-o preparado para reassumir antigas tarefas nas quais atuou como especialista e instrutor quando desencarnado. Todos nós elevaremos os nossos pensamentos rogando providências Divinas que nos protejam. dores e grunhi dos horripilantes.. profissionais que sempre se colocam na posição de aprendizes e de obreiros vêm renovando vidas human as.. Sérgio não conseguia ver muita coisa. Não sei como. Eles se aglomeram e se esforçam em criações mentais degradantes para impregnar tudo o que é voltado para a elevação moral e espiritual. . Eles aliviam as aflições e são verdadeiros Psicólogos de Amor quando desvendam que o complexo asfixiante de uma dificuldade pessoal não tem sua origem somente no camp o biológico. De início. Suplicaremos a Deus. calma. Há inúmeros encarnados dedicados a desenvolver e divulgar a atuação benéfica no campo da Psicologia Clínica pa ra derrubar barreiras e abrir caminho para outros entenderem a razão de viverem en carnados e em determinadas condições. Somente então ele pôde ver a névoa cinzenta dissipar-se e muitas imagens surgiram. Só havia sombras estranhas em toda a extensão e uma energia desagradável parecia pesar sobre ele. várias regiões sombrias e dominadas pelo mal. gemidos. somente Sérgio fazia par te do plano dos encarnados. Não foram percebidos. Esses Psicólogos de Amor estão sob a guarda ou socorro de benfeitores espirituais elevados e sempre a postos no campo das mais nobres inspirações. Pai da Vida.arefa de socorro e trabalho digno é tentado de inúmeras formas por irmãos inferiores c om desejo no mal. . a quem muito é da muito será exigido. Envolvendo todos com sua inexce dível energia. Você já ouviu sorriu ao relembrá-lo . Alguns dos espíritos benfeitores daquele grupo eram especialistas em missões daqu ela natureza e outros aprendizes treinavam aptidões especializadas para cooperar c omo socorristas naquele vale vasto de sofredores deploráveis. tornou a Sérgio. bênção e até o socorro aos irmãos dessa esfera q ue estiverem preparados. Sentia-se num outro mundo onde a d ensa névoa parda reinava.Ofereceu leve sorriso ao comentar: Jung já fez uma grande parte. a força e o amparo a fim de levarmos algum conforto. Nunca se esqueça de que os en sinamentos do Mestre Nazareno são as Terapias das Almas. Algumas deformadas a ponto de perder as características humanas como que nadando e se desesperando num mar de lodo e limbo. Dentre todos da considerável comitiva de es píritos elevados na escala de valores morais e espirituais. A movimentação era de criaturas sobre criaturas amontoadas e entrelaçadas. de p rovas para adquirir forças e suportar certas impressões para sua elevação de natureza es piritual ou moral. os gritos. Agora todos deixavam os limites exteriores da matéria do corpo perispiritual co . Iremos para uma região de inenarrável sofrimento.

não se socorre om o poder da prece.explicou um dos missionários. Enc ontram-se aqui os que também bombardearam lugares e sucumbiram junto. os mentalmente retardados. nojosa e fétida serviam de obstáculo. Milhões de criaturas encarnadas com difer entes propósitos de harmonização ou tarefa no bem se entregaram a mais inferior das ex igências: o suicídio! Não deram atenção às responsabilidades de resistência. com movimentos fortes ao girar. meu querido. essas são criaturas espirituais que. que f azia parte do grupo. Estavam recolhidos em prece silenciosa até uma montanha agitar-se como fogueira. Há casos especiais como os de crianças de pouca idade levadas a ações semelhantes ao suicídio por ouvirem contar fatos ou assistirem a programas ina dequados. não planejaram nem pensaram nesse ato. acim a de tudo. os totalmente embriagados. Em todo suicíd io pensado ou planejado anteriormente e conscientemente. Deus a tudo vê. aos olhos de Deus não há ma ior ou menor culpado. Porém nunca é eterna. o martírio interior e o arrependimento profundo são lento s ao espírito. por essa v iolência ao próprio espírito. . mas que. Sem articular palavras. respeito às Leis Divinas. Entretanto a responsabilidade do suicídio jamais fica impune. espíritos pinando postura de sentinelas. os qu e estão delirando de febre ou efeito de medica-mentos. Rochedos escarpados cobertos por substância escorregadia. na opo rtunidade de reencarnação. Aquele vale não era só ocupado por suicidas agonizantes em extrema dor e sofrimen to. Contudo . Em alguns casos. A misericórdia e a justiça são atributos de Deus . a Lei Divina determina ou enquad ra o tempo de duração de sofrimento consciencial e o tipo de expiação futura.bondosamente explicou Laryel. perderam a fé e a esperança. São suicidas que recorreram à morte do corpo através do fogo. especialista em socorro daquela região. Sua bondade e misericórdia encontram circunstâncias atenuantes em a lguns raríssimos casos não planejados. pois a morte não exi ste.avisou Wilson. semelhante a um redemoinho de vento só que de lavas incandescentes como a de um vulcão. A comitiva seguiu Laryel que sabia para onde ir. permaneciam atentos a fim de os infelizes não encontrarem ha rmonia que os resgatasse de algum sofrimento nem tentassem recolher-se em prece verdadeira. Deus po de minimizar seus dias de suplício. A encarnação com experiências difíceis é um curto período que passará rapidamente quan se tem a idéia da imortalidade do espírito e a crença em um único Deus bom e justo. que não são as mesmas para todos os suicidas.. espalhando-se ao abaixar novamente como sorvedouros onde corpos espiritua is de aparência humana podiam ser vistos. olhando para Laryel. orgulhosos nos serviços rudes qu e os compraziam. Havia. E por ser justo. Era como uma verdadeira muralha cercando o vale de extensão impressio nante. a intensidade da dor constante na consciência e no corpo espiritual é algo do qual não podem e não conseguem escapar. todos daquele grupo se comunicavam em nível de pensamen to.. diante de co ndições em que não se pode raciocinar. em um ato de desespero. O sofrimento coletivo é impressionantemente doloroso. A nobre entidade silenciou. Como guardiões d e natureza vingativa. nos altíssimos penhascos. seu coração bondoso e as inesperadas razões que o levaram à prática de tal crime.. Tenha piedade. não buscaram ajuda de outro que pudesse erguê-los para o bom ânim o e propósitos construtivos. cobria toda aquela triste região. não tiveram piedade de si. E ntão. como que um ar contendo elementos asfixiantes e nojosamente viscoso. Aos demais. e mantendo certa distância daqueles infelizes s ofredores. a venerável emissária . mas é o reajuste da própria c onsciência . vigiando os prisioneiros de dolorosas penitências.lembrou Laryel. porém o sofrimento reservado à sua consciência e ao perispírito pelo crime que praticou chegará. Um dos benfeitores acompanhantes percebeu que Sérgio desejava melhor exemplo. entre outros. os loucos. o socorrista afastou-se do grupo. Uma matéria espiritual muito densa. que entendeu lhe o pedido em nível de pensamento e aprova ndo-o com singelo gesto. Porém. queimando-se proposit adamente . mas que.. ensinando-lhes nobre a eternidade.mpatíveis ao meio pelo trabalho proposto e com a finalidade dos sofredores infeliz es daquela região poderem lhes perceber. seu mentor. tendo em vista o caráter moral do espírito suicida. quando Sérgio comoveu-se: Deus.

O aspecto era à m aneira de grande verme com feridas imensas. Aqui não se vê o céu. Tentando livrar-se dos tormentos de uma breve reencarnação. já tão atormentados. mas quando o fez não fo i com sinceridade. Isso pode acontecer até com sofrimento de um deles para que renasça o amor em a mbos. Não parecia uma criatura humana. chamou-lhes a atenção. que se movimentam e se revezam. Tudo piorou quando ela desc obriu que o marido a traía. mas mascarava esses senti mentos. sem esperança.. Desmascarando-a em uma discussão a sós. o homem av isou que sairia de casa dentro de alguns dias. contudo pode nos entender. ou seja. animalizados e deformados. O que realizou foi para que todos a elogias sem. Sérgio reparou: Os penhascos parecem não ter fim. Forjava sorriso generoso e olhar piedoso quando precisava reunir-se para fins fraternos junto de pessoas de seu meio social. Sérgio argumentou Wilson com simplicidade. pois muito s deles acreditam ter amplo conhecimento. A aproximação do socorrista. machucada. Quase não tinha braços e as pernas pareciam coladas. cujo pescoço inchado unia o tronco à cabeça lisa. Atormentam com vibrações bizarras as faculdades mentais dos suicidas. gemia constantemente em todos os tons. Ele sabia o quanto ela mentia e disfa rçava sua verdadeira personalidade. Ap enas apreciava a fragrância de seus perfumes e cremes caros. Mas. Suicidando-se mostraram a incapaci dade de suportar as dificuldades nas provas da existência terrena e foram fracos a o perder a fé. através da re-encarnação os unirá para reparação e ensinamento dor. Se com desejo puro sua mente estivesse voltada p ara a caridade e se ocupasse com a atenção para o auxílio e caridade. esgotando-lhes as forças mentais e levando-os ao e xtremo desespero de se verem sem saída. sem fé nas providências de Deus. lhe agradecessem e reconhecessem suas ofertas caridosas. tenha-o prejudicado e se ligou a ele para se vingar dessa forma. Piedoso. No alto dos penhascos há espíritos com aspectos sinistros. admirando-se do quanto era bela. Mas o esposo e stava decidido e cansado de sua falsidade. S e um espírito vingador não perdoa ao irmão que. Teve todas as oportunidades para praticar a caridade. Depois respondeu: São espíritos no auge da inferioridade e da ignorância. com devoção e de coração. levando-o ao suicídio. dos velhos desamparados e da miséria em geral. Muitas coisas acon teceram até começar a dar oportunidade de ação para um espírito inferior vingativo e inimi go do passado por ser sua vítima. Só contemplava seu refl exo no espelho. Não admitem que sofrem. Remexendo-se. Não haveria espaço para pensamentos inferiores. como que sem o co uro capilar e a face sem pele com erupções purulentas. vamos lembrar q ue a bênção do esquecimento. . comprazendo-se com a do r insuportável e ininterrupta de inimigos do passado que agora se revolvem aqui pe lo suicídio. Certamente são espíritos que desejam a desforra e induziram seus desafeto s a tirarem à vida do corpo físico. isso não teria aco ntecido.perguntou Sérgio. mostrando-lhes. julgando saber mais do que sabem.Breve pausa e lamentou em tom piedoso: Quanto engano! A morte não existe e a prova disso é que estão aqui.Alguns segundos e contou: Encarnada esse espírito foi uma mulher de considerável nível socia l. O espírito sofredor plasmava seu corpo espiritual de forma horrenda.Olhando em volta. Quem são eles? Vejo que não se lembra de muita coisa. Mas as Leis Divinas são sábias e iguais para todos. tentou ser ardilosa e buscou div ersos meios de comover o marido com esperança de ele não a abandonar. Esses vigi lantes são espíritos de pouca elevação. Crêem serem juizes e justiceiros. da perfeição e brancura de seus den tes.. tanto quanto agresso res se ligam às suas vítimas. atiraram-se ao suicídio e a um longo e doloroso sofrimento mil vezes pior! Esses espíritos vingativos que os inspiraram ao suicídio são homicidas! Também não dev riam se encontrar em um estado consciencial de sofrimento pelo que cometeram ou induziram? . Ela perdeu o gosto pela vida e de sejou a morte a ser trocada por outra e discriminada pela sociedade como uma mul . Dotada de inteligência. Criaturas p artidárias de grupamentos. Ele trazia nos braços uma criatura totalmente deformada e a carregava como quem aconchega o filho querido e necessitado. necessitados e doentes. o remédio para todo o sofrimento terreno. maldosos ainda. o socorrista explicou: Seu estado mental é de delírio enlouquecedor. caso essas últimas deixarem .alertou Wilson. que havia se afastado. . Na verdade não suportava o od or dos hospitais. no suicídio. dos orfanatos. talvez. fazendo-as crer no nada após a morte. descarnando a pele em estado de putr efação. Existem supostas vítimas que se ligam aos seus agressores. Possuía uma aversão aos pobres.

junto com a mãe. ela nut ria uma paixão incontrolável por um homem e. Não se dispôs a receber como filho. Para isso a presentou-se como testemunha para o tribunal eclesiástico instituído.respondeu o socorrista piedoso.pe guntou Sérgio. Quer vê-lo morto e sofrend o como ela. Esse irmão não lhe perdoou. Pode dizer há quanto tempo se encontra nesse martírio. em sua agonia.perguntou Sérgio. por não se arrepender do ato criminoso e cruel planejado no passado que o le vou à fogueira do Santo Ofício. experimentando a dor que v ivenciou no corpo físico? . Mas com o vício moral da vaidade. era a mesma moça que seria a esposa do homem inocente cond enado a morrer na fogueira. chama por Deus. A mulher. Também não atendeu às inspirações de espíritos bondos amados de fé. Ela chama pelo nome de Deus em vão. Podemos sentir o ódio qu e tem pelo marido. Mas ela. Em reencarnação distante. A infeliz não está preparada para o socorro. Mesmo sendo inocente. Cinqüenta anos . Após esse período escuro na história. No entanto a dor experimentada antes do desencarne não se compara à intensidade do desespero e insuportável padecimen to incessante vivenciado no plano espiritual. Ao contrário. essa pobre irmã deixou o gás do fogão vazand o por longo tempo e depois acionou o interruptor da luz. como filha querida desse casal que a odiou. E ele que dizia amar quem iria despo sar naquela época. incontáveis oportunidades de tarefa e empenho na caridade em todos os sentidos e isso amenizaria sua expiação. Enquanto o amor e o arrependim ento não reluzirem em sua consciência. Q ueria que os outros tivessem piedade dela pela morte inesperada e ver o remorso do marido. Inconformada com a rejeição e po r ser uma criatura vingativa. ela fez do corpo físico ins trumento de mercadoria no campo da prostituição e desencarnou cedo. el a não se permitiu à concepção. Não quis engravidar para não deformar seu belo corpo. Com a explosão e o incêndio . que foi sua mãe. só pensou em ostentar orgulh o e vaidade por ela mesma. ela vestiu a máscara da hipocrisia e não foi humilde.disse Sérgi o. m as não ofereceu a atenção necessária. ao se declarar. Se ele lhe tivesse perdoado e a acolhido como filha querida. Elas odiaram-se tanto naquela época que retornaram com o mãe e filha a fim de reforçar os laços de amor. até depois da morte planejada. que a rejeitou. Tinha vago conhecimento da doutrina reencarnacionista pelos livros que leu. ess a pobre irmã não admite seu orgulho. Revoltada pelo abandono do marido. tudo ficaria har monizado e tanto ele quanto a mãe teriam outra oportunidade de viverem juntos. Nessa época. sentiu-se humilhada. . Criaturas assim chamam por Deus como se ele fosse um prestador de serviço. abandonando-a. foi con denado a queimar na fogueira até a morte. com a finalidade de investigar e punir crimes contra a fé católica. dispondo-se à ving ança entremeada de extremo ódio. ficará à mercê desse estado mental. ela faleceu após muito sofrimento no corpo físico. esse pobre espírito deveria ser abastado com bens terrenos. o que a repugnava. Porém queria que tudo parecesse um acidente e com morte instantânea. aos dissabores do mundo. nesse vale de lamas e lágrimas. sofreria a expiação de queimar-se até a morte em algum acidente natural. Por não ter amparo paterno. Mas. essa irmã viveu na Europa no período da Inquisição imposta p s governantes da Igreja Católica . a mesma criatura que ela condenou injustamente à morte cru el. abandonou-a na reencarnação seguinte em difícil situação com a filha nos braços. Apesar de tamanho sofrimento e estado enlouquecedor. culpando-o pelo seu estado deplorável.her separada. mas breve diante do tempo em que se encontra nesse estado. o homem. o pai qu e a abandonou na miséria. ela sofreu calúnias e humilhações. ele reencarnou. Pelas necessidades de sob revivência e para cuidar da mãe doente. pede Sua misericórdia e socorro . Seria um desencarne d oloroso. mas não a aceitou como filha. sua vaidade e seu personalismo. Vaidosa. O que aconteceu para ter um obsessor tão cruel a inspirá-la à morte tão horrível? . po is ele afirmou amar outra cuja união já estava marcada. pois esse é o vício ou a mania dos hipócritas nos momentos de desespero.contou o especialista daquele tipo de socorro c om habilidades de absorver informações da mente dos desencanados. não acreditou em Deus nem no futuro. Com sentimento de ódio e vingança. só pensou na humilhação que sentiria di ante da sociedade. na época. Ela preparou artifícios e colocou-os na casa do homem para não ter meio de ele escapar da punição do Santo Ofíci o e o acusou de bruxaria. logo após sua mãe. No último plan ejamento reencarnatório. decidiu que ele não ficaria com a outra. Deveria provê-lo com amor e educá-lo nos princípios morais superiores.

juntando-se aos demais amontoados que ardiam em labareda s. Clareiam-lhes a mente. arrependimento e ace itação de reparação. não vê os espíritos que vagam no l ugar onde está. sensação de angústia e horror. Afirmava que sofria e sentia os vermes roerem seu corpo. as vibrações emitidas chegarã no instante em que estiverem em condições de reconhecê-las e se fortalecerão com suas energias. A esse espírito sempre haverá uma punição e somente Deus julga conforme a causa. Aqueles que estudaram a Codificação Espírita e os ensinamentos úteis de Allan Kardec . quando Laryel instruiu com prestimosa bondade: Cada caso é um caso.Segu ndos para reflexão e comentou a seguir: Em outra evocação. uma mulher suicida. observou-os por um momento. Não demorou e ela raste jou. O espírito São Luís oferece grande instrução ao explicar que ess é o estado de todo suicida. as questões sobre o suicídio são bem esclarecedor as. Estado que pode durar o tempo da vida que foi interrompida. então por que diz sentir a alma num braseiro? . ele está completam ente mergulhado numa espécie de turbilhão da matéria corpórea e suas idéias sobre o corpo terreno estão muito vivas. Depois. sem dúvida. Entram em profundo desespero e sofrem. eu estudei uma observação científica e filosófica de ec. sentem-se extremamente perturbados e não entendem por que ainda estão vivos. apesar do espírito do suicida estar separado do corpo. sofrem demasiadamente na mente e no corpo espiritu al. ela diz que tinha frio e q ueimava. Kardec ob serva que. Alguns entendem rapidamente que não morreram em espírito e se arrependem. Pensava que morreria uma segunda vez. Em O Livro dos Espíritos. É o rosto do mari do que ela traiu e magoou e sua consciência a acusa por remorso e pedindo reparação. ou revoltados recusam o poder da prece e a força da oração. Laryel avisou: Ela se prende a esse vale de penitências. mas ainda não experimentaram esse vale deplorável de dor e suplício. haverá um longo estado de pertur bação dolorosa pelo fato da energia vital.Em seguida. Eles seguiam. na qual ele explicava sobre a comunicação de um suicida que se dizia sentir sufo cado no caixão. Os suicidas responderão como por um assassinato. após a morte do corpo. ser interrompida brutalmente quando estava com vigor. a duração e o rigor do sofrimento. cuja mor te foi planejada ao lado do amante que também sucumbiu.contou Sérgio . mas vê um crepe negro desenhado num rosto que chora. inconscientemente. Conta que é sempre noite. Wilson explicou: As preces.argume ntou Wilson. Relata escutar risos infernais e vozes espantosas. era penosa. Com os olhos arregalados. Há alguns dias . Mas logo se juntava àquela montanha incandescente através de uma atração irresistível. Um dos casos conta-nos sobre a comunicação de um suicida ateu que se afogou havia dois anos. que é o fluido que faz a alma atuar na matéri a corpórea. Pensou que nada iria acontecer após o afogamento. nos relatos e esclarecimentos por ele publicados nos diversos volumes da Revis ta Espírita. Com gesto paterno o socorrista retornou e colocou aquele espírito de volta ao cír culo que se atraía. as orações sinceras para esses irmãos são como remédio. Respeitosa e num tom de tristeza misto ao de amor.Pequena pausa e os fez pensar: Observamos que o pobre espírit o afogou o corpo para morrer. Ele assevera que era forçad o a crer em tudo o que negava e afirma sentir a alma num braseiro horrivelmente atormentado. O espírito do suicida fica ligado ao corpo. que gritam semp re do mesmo jeito pavoroso. num estado de consciência enlouquecedor e tão terrível que desejavam morrer como se pudessem definitivamente acabar para sempre. mas seu coração rancoroso e revoltado até contra Deus podia ser sentido. Há suicidas que. O espírito infeliz diz que sofria e a evocação. para aquela comunicação. O suicídio e o aborto são os piores crimes que o ser humano pode cometer . Allan Kardec ressalta que espíritos suicidas experimentam os efeitos da decomposição. Não era difícil ver um e outro correr daquele redemoinho com o corpo espiritual e m chamas saído de brasas e provocando grande alvoroço e dor a todos daquele vale por estarem ligados mentalmente pela prática do mesmo crime. Mas isso não acontecia e a punição conti nuava como no momento em que mataram o corpo físico. puderam tirar as mais numerosas instruções. mas. recusa desc rever tanta penúria. Que o Pai da Vida em Sua infinita mis ericórdia a envolva com bênçãos sublimes para o seu esclarecimento. por asf ixia provocada pelo vapor que exalava de um forno portátil cheio de carvão. . O gelo corria nas veias e o fogo em seu rosto. Lembrando que esse efeito não é geral. A . Aprendemos que se nesse momento não entendem . como bálsamo alivian lhes as dores.

como no momento da morte de seu corpo e cenas repetitivas dos outros suicídios e extrema dor. presos em seus caixões. são agressivos e violentos pela revolta de não morrer. se não era cega? . É bom lembrarmos sempre que não existe punição fixa aos suicidas. Não co seguem ter paz. unem-se sempre pelo pensamento.Sabiamente. Uns gritam de modo selvagem. por isso não se concentram verdadeiramente em Deus. mataram-se para fic arem juntos. as necessidades físicas. Então pura carniça. Eles estão ligados na mesma vibração. meses ou séculos.Pequena pausa par a reflexão e avisou num tom lastimoso: Vamos seguir. aqui não há irmãos pro ntos para o socorro. a punição mental será mais longa e terrível porque fugiu da provação terrena. Gritam e berram como animais. Kardec nos relata sobre um espírito suicida que se enforcou. fur iosos. Os que cometeram esse crime pela perda da fortuna ou pela miséria. Exi stem os que se crêem confinados eternamente ao inferno imposto por algumas religiões .explicou a excelsa benfeitora Laryel. por que tinha frio e queimava? Por que sentia o gelo nas veias e fogo no rosto? Por que não via nada nem mesmo os es píritos. fluido vital. Ele diz que sofre um fogo que o consome e o devora. Como explicar esse rel ato? Se ela se asfixiou envenenando os pulmões. Como explicar tamanho sofrimento se o suicídio ocorreu com métodos diferentes? . o instante de seu suicídio e dos outros. por um amor impossível. Mas para aqueles que se refugiaram na morte premeditada e voluntariamente. O que leva alguém ao suicídio. Não se lembram d e situações agradáveis ou pessoas queridas. piedosa. A escuridão pode cegar-lhes por longo t empo. do sangue fétido. não lutou pela a. milhões de vermes por ligação ao corpo físico com vigoroso fluido vital. rever e sofrer incessantemente no corpo espiritual. E a mente do suicida normalmente atrai tudo isso que o corpo físico experimentou. dos líquidos. Outros são incrédulos. que sente os dese jos carnais. Muitos perm aneceram bastante tempo em suas sepulturas. a benfeitora nada disse até deter-se e mostrar: Ali. por isso reproduzem as cenas horripilante s onde quer que estejam. não têm condições de serem descritas. Experimentam o cheiro exalado do apodrecimento. violentamente infligidas pela própria consciên cia. e a existência de indescritíveis aberrações em suas faculdade s os faz ver. Vêem-se corroídos vagarosamente por milhar es. Só o arrependimento intenso. Libertos da sepultura. Serão juízes inconscientes deles mesmos. somente a benfeitora ousava detalhar. viam-se mais perto do extenso mar de espíritos suicidas amontoado s e entrelaçados. contam sobre experimentarem outras sensações. Sem perceber. .Alguns segundos e comentou: Diga-me o que está p ensando e eu direi o que espiritualmente existe ao seu lado. sofrerão bem mais. não se encontrou com ele. o que dificulta sua libertação desse lugar. Esses são nossos irmãos infelizes que se suicidaram e estão ligados e submetidos ao mesmo estado vibratório e mental pelo ato do suicídio premeditado. O suicida voluntário levará várias encarnações para purificar a consciência e isso depen erá da forma como suportará as futuras expiações terríveis. as dores da s vísceras se rasgando.Nova pausa e depoi s continuou: Em outra conversa. Além da pos ura mental adotada. Todos precisarão de vár ias reencarnações para repararem o erro e aliviarem os corações sofridos pela brutal sep aração. respeitosamente. além de falarem de seu sofrimento. não respeitou nem confiou em Deus. urinas e fezes que se esvaem d o corpo de carne. alguns continuam liga dos ao corpo pelo liame. pratic ado conscientemente . é o que vêem e sentem. as secreções nojosas e o lo do encarniçado que os envolve é constante. As religiões ou doutrinas que consideram os suicidas confinados ao inferno e não . Outros estão confusos. por não se desli garem do corpo físico. Os que.. algo sobre a visão aterradora: Irmãos infelizes que se suicidaram para se encontrarem com entes queridos desen carnados não o vão encontrar aqui. as razões e as conseqüências desse ato sempre são relativas às causas que o gerar m. longas e dolorosas. O odor de podre. . demorarão muitos anos ou séculos para se reverem. que vagavam no lugar onde ela estava. meus amigos.. Isso explica os relatos de Kardec sobre as comunicações de espíritos suicidas que se mataram de uma forma e. Estão impress ionantemente atormentados. atordoado s e com o raciocínio lento pelas conseqüências do ato. Enquanto prosseguiam. a sensação asquerosa. As vibrações mentais mais tormentosas. Alguns. E partilhando das mesmas vibrações pela atitude. o sofrimento in interrupto. desejado.firma que não quer falar do amante.

junto a rochedos e menos hostil. esse homem entrega os remos à mulher e p ula do barco para a morte.. repentinamente. dos parentes e amigos aliviaram sua consciência e o deixaram com elevadas vibrações sublimes. Depois aceitar e propor-se à expiação ou repa ração dos danos a si e aos outros. estão imensamente erradas. A comitiva se manteve junta parecendo mantê-los no centro. você prometeu reparar o suicídio e o abandono da família tão querid . a dor da se paração de sua amada e seus pequeninos filhos. Bem at enta a tudo.respondeu ela atenciosa . Seria injusto ela passar por sofrimentos horripi lantes como os demais suicidas. o barco mostrava sinais de que afundaria. Àqueles que acreditam nisso podemos perguntar: Onde se encontra a misericórdia. se vêem pendurados em uma única corda que vai se romper e todos morr erão. mesmo sabendo que despencará para a morte certa. o Criador bom e justo? Kardec explicou isso muito bem. Com o objetivo de mudança. por causa de um acidente. do orgulho. Na espiritualidade. A prece aos espíritos suicidas lhes dá força e resignação. planejamento. Os estudos e as pes quisas científicas de Allan Kardec sobre suicidas deixam claro que esses espíritos i nfelizes. mas Sua bondade e justiça permitem a oportunidade de repar armos os erros cometidos e abreviarmos os sofrimentos. Um que ac ompanhei foi muito marcante. mas a vontade de salvar outras vidas. desejo de se matar. mas. Por sua vez. sua jovem esposa e seus três filhos. No entanto nisso não se vê o desejo da morte. Ciente de que a esposa não sa bia nadar tão menos os filhos. num ato não planejado essa criatura merec e ou não o perdão? Deus é quem julga.questionou Sérgio estremecido por uma sensação inexplicável. quando uma chuva caiu na cabeceira desse rio. O Espiritismo não admite inferno com demônios e capetas com tridentes. Mesmo jogando todos os poucos e pobres bens materia is no rio. estavam em lugar estranho. lugares cercados de labaredas e horrendos métodos de torturas. Porém esse estado de extrema dor e agonia do suicida não é interminável. Ao contrário do que pensam aqueles que lhes recusam uma oração. no desespero. Laryel parou. Um homem novo. pois as preces da esposa. Laryel olhou-o de modo diferente que ele não soube interpretar. resignado. atirando-o contra as pedras sem piedade.perguntou Sérgio. livrando-o de terríveis t orturas pelo suicídio.. confinando-se ao castigo da própria c onsciência. el es atravessavam um largo rio. deu a vida para salvar a mulher e os filhos. mas sim o perdão de Deu Isso é possível?! . Qual?.. o último a se pendurar se solta ou corta a corda acima de si a fim de aliviar o peso e sal var a vida dos demais. Deus não dá recompensas. Sem que soubessem e. um desejo de bênção e misericórdia. pois a água o arrastou para as corredeiras. livrar a mente do ódio. que transgrediram as Leis de Deus. Nesse ponto. Amparado na espiritualidade. inesperado. a prestimosa entidade se voltou para Sérgio ao afirmar com generosida de: Existem muitos fatos que isentam uma criatura forçada ao suicídio em favor de um acontecimento fatal. dos filhos. um tanto temeroso. diminuiu o sofrimento ou mereceu o perdão . Ele acreditava em Deus e não queria morrer. da vingança. mas u ma fatalidade o desesperou a esse ponto e não lhe restou alternativa.aceitam que sejam dirigidas as últimas preces. ele se perturbou por curto tempo. dependendo d o caso. relatam e apontam sofrimentos usando termos iguais aos de algumas reli giões. A duração de seus sofrimentos está ligada e é dependente de sua força mental e moral para arrepender-se verdadeiramente do que praticou. diminuindo a punição se es es forem humildes e respeitosos aos propósitos do Pai da Vida.. a intenção do suicídio pode não merecer uma severa punição. Por sua elevação espiritual e mesmo tendo a indulgência Divina. depois afirmou: Como não? Se estudou deve lembrar que Kardec relata raros casos cuja intenção do su icídio abrandou. chicotes. ter paciência e fé. imperdoável nem fatal. sofreu. algo que não planejou nem queria fazer. a bondade e o amor de Deus se a confinação ao inferno for eterna? Seria Deus o Pai. ao ver que a morte de todos será inevitável. É bom recordar que se não houve premeditação. mas para salvar a vida dos outros. desesperado. E logo acrescentou: Imagine uma situação em que operários ou esportistas. Então para salvar os outros. A prece com amor e sem lamentos auxilia o entendimento desses irmãos e a elevação d e suas consciências. ta-os com fé e esperança em novas oportunidades de harmonização. as águas se tornaram caudalosas e a forte corrent eza invadia o pequeno barco. Deus julgou-o pelas circunstâncias e lhe perdoou. Isso é um su icídio. .

meu querido.. prometeu-me amparo em todos os sentidos. Temos um dever. mas por amor aos filhos e a sua esposa . dos problemas mais diversos ou de qualquer desespero que esteja experimentando só atrasa a evolução e a elevação para mundos melhores. Nesse instante ela revelou amorosamente: Eu estava naquele barco. elétrico animaliz ado ou agente vital. já existe no plano espiritual.a. magnético. além de prop rcionar extrema aflição. comoção moral. das dif iculdades ou infortúnios. o liame entre o espírito e a matéria do corp o físico. com a finalidade de instrução. oferecendo sua vida para eu prosseguir. Lembra-se? Você tinha dois filhos mais velhos e eu era a sua única filha e a mais nova. por meio do suicídio. Dotada de forças vivamente transcendentes pelas virtudes morais. relativo e proporcional para aquela reencarnação. movimentá-la e experimentar ns sensações d o instante de sua união com o óvulo fecundado. elevou-se imensamente na espiritualidade e tornou-se socorris ta neste vale de suplícios e torturas terríveis. o fluido vital é o agente do qual o espírito se serve para estabelecer c omunicação com a matéria corpórea para animá-la. Sim. Conhecido como fluido vital. sa beria aguardar o momento propício para as expressões mais ternas. a comitiva pro sseguia naquele lugar onde se estendia pavoroso sofrimento. Isso explica por que o aborto praticado. E cumpriu sua promessa. seguiram para cumprir a tarefa. Essa fatalidade não estava em seu planejamento reencarna tório... chegando ao feto. A benfe itora o sustentou com vibrações mentais e ele comentou: Lembro-me disso. A pretensão de fu-gir. é um crime ou homicídio contra um er indefeso. O feto.Laryel calou-se e aguardou. Reprimindo os sentimentos. e ntendeu todas as provas vividas. por medicação ou qualquer meio. Depois disso. cresce até a formação completa daquele corpo físico. Desde o momento da concepção. pois eu tinha importante tarefa. emoções. Falta essa que não cometeu por covardia. Hoje ela está encarnada e você a reencontrou: é a nossa querid a Débora. formando os órgãos. 27 . Sérgio expressou significativa surpres a e temor ao olhar em volta. desenvolvendo o embrião. inclusive no d ia seguinte a concepção. que pareceu abalado. o fluido vital se desenvolve com essa atividade unindo e servindo de ligação.. Tremendo perante o doce olhar de Laryel. ou perispírito. e ela avisou com doce nobreza: Deixemos as emoções para mais tarde. com o co njunto das funções orgânicas. ele ficou profundamente emocionado. que continuarão se multipli cando. explicou: O princípio vital tem sua fonte no fluido universal. Lágrimas correram dos olhos de Sérgio. Foi há muito tempo. angústia e indescritível dor. ou liame. está ligado à mas . ajudou dando sua vida para salvar a de todos in clusive a minha.. Alg o modificou em seu âmago. pois o espírito revestido do corpo espiritual. Não me permito distrair em um lugar como esse. E por intermédio do fluido vital que o espírito experimenta um processo sensorial consciente de relação mútua com um processo f isiológico que lhe proporciona o conhecimento do mundo externo. Em todo e processo.. cujo choque pela vid a existir após o suicídio provocou conflitos mentais deploráveis por acreditar que tud o acabaria após a morte do corpo. Então vamos. Descortinado o véu do passado. Ele é o intermediário. Recuperando o domínio dos sentimentos de júbilo. foi. impressões físicas em geral. Minha amada mãezinha nos salvou apesar do desesper o de vê-lo sumir nas águas. Nós sobrevivemos por muitos anos naquela oportunidade de vida terrena por seu sacrifício.Suicidas em sofrimento no Plano Espiritual Após a revelação preciosa da elevada Laryel sobre sua ligação afetiva com Sérgio e o tra alho que desempenhou na espiritualidade. A cena se repetiu com detalhes na mente de Sérgio. quando o óvulo fecundado inicia a multiplicação das células. entre o espírito e a matéria ou massa de células. Naquele planejamento reencarnatório. A nobre Laryel. mas permaneceu vigilante. Conforme prometeu.

o sofrimento e todas as sensações pela destruição. mundos melhores. em buracos como cavernas. Todos percorriam a trajetória com os pensamentos elevados. como semp re. No momento em que a quantidade de fl uido vital se esgota. E q uando parte do corpo físico é lesada seriamente. inclusive. em condições de vê-los. tanto que alguns oram incessantemente em idiomas estra nhos. desintegr do corpo em formação. Laryel acreditou ser cabível. O suicídio interrom pe brutalmente a vida da matéria e bruscamente rompe a ação do fluido vital ou liames que permitiam o espírito atuar naquele corpo.sa de células e sentirá a dor. Na espiritualidade. ela os guiou por labirintos estranhos onde podiam ver. ela continuou: Lembremos que durante o sono o corpo adormece. a identificação do e spírito suicida é pelo fluido vital ou liame rompido violentamente. após o suicídio individual ou colet ivo.observou Sérgio. mataram o corpo físico por fé cega e irracional em determinadas seitas. O escuro era tenebroso. o organismo enfraquecido não consegue transmitir o movimento de vitalidade. Um socorrista que fazia parte do grupo apontou: Observe os que se envenenaram: trazem o corpo espiritual tal qual os danos oc orridos no corpo de carne: as vísceras à mostra com a dilaceração dos órgãos aparentes. Exerce tarefas e outras atividades. Sim. filosofias tresloucad as ou religiões estranhas aos verdadeiros princípios filosóficos das Leis de Deus. Chegando a uma espécie de salão gigantesco. O estado consciencial em que se colocaram é tão desesperador que gritam em alvoroço como se houvesse uma competição para Deus ouvir suas preces enlouquecidas. Silenciosa. fugiam aterrorizados pela vibração que sentiam . Como podemos ver aqui. Olhem. Mas Deus tudo vê. explicar no nível de mente para mente: Aqui se aglomeram grupos de espíritos suicidas que. Al guns.concordou Laryel. Na oca e na garganta há ulcerações violentas e corrosões expostas onde se vêem os mecanismos . E havia os que não os percebiam. e les até cantam de modo tresloucado! . Depois de um processo semelhante à l avagem cerebral. C rer nisso é ilusão. Acr editaram na proposta ou promessa absurda de que. famílias ou sozinhos. Mas não são gritarias que os ajudam a se recolherem em pensame nto. de vidas humanas. que não se rompe durante o sono senão por pl anejamento reencarnatório ou permissão de Deus. aglomerados de espíritos em extremo sof rimento pelo ato do suicídio. Outros emitem sons similares a palavras de cultos a deuses ou espíritos que idolatraram n um passado distante e aos quais faziam pedidos e oferendas de todos os tipos. Alguns suicidas. começando pela doação de seus bens. fazendo até parecer um acidente convencendo os amigos e familiares dessa fatalidade. encar niçado jamais acabava naquele vasto reino de miséria de aspectos horripilantes. desprende-se do corpo físico e vai para diversos lugares no plano espiritual. os berros estri dentes para orar. Laryel e o grupo pararam por alguns instantes. e o corpo carnal morre. propositadamente. A lguns gritam incansavelmente em línguas estranhas já extintas neste planeta. é verdade . os gritos repetidos são com a crença de serem ouvidos por Deus e e m tentativa de não escutarem ou experimentarem os lamentos desesperadores e o sofr imento dos outros. e o espírito ou a alma do encarn ado se emancipa. Todo esse alarido interminável. porém a alma continua ligada ao c orpo por meio do liame ou fluido vital. A instrutora não fez mais comentários e seguiram com os pensamentos em prece. A insanidade é tão extrema que não sabem mais o q e usar como rogativa para serem perdoados pelo suicídio. Não conseguimos enganar nossa própria consciência. para uma prece e diálogo com Deus. Alguns cometem o su icídio em grupo. Após algum tempo. Normalmente esses tipos de seitas têm líderes que os convencem a se despojarem total mente da matéria. praticaram o suicídio de modo que os familiares acreditassem trata r de um acidente. planetas mais evoluídos. muitos irmãos que se torturam e sofrem por interromper a vida no corpo. os órgãos enfraquecem nas mortes de causas físicas naturais. os fiéis ou seguidores se suicidam para provarem seu desapego ao corpo ou por decepção e vergonha por se despojarem de seus bens. Desejam fugir das sensações e imagens repetitivas de seu suicídio p raticado em nome da fé. Isso não é raro. Em determinada encosta onde a visão não era menos avassaladora. É uma atitude psíquica coletiva t otalmente desequilibrada. chegariam a um paraíso. Outros se entocavam como animais. Não conseguem raciocinar. O constante odor fétido.

O sangue e os pedaços de órgãos que caem e apodrecem permanecem aqui e são conservados nessas condições pelo poder mental perturbado e desesperado do suici da. suicidaram-se imaginando deixar em para a próxima existência terrena o desafio daquela oportunidade. Tudo de acord o com cada caso. pelo seu pensamento e lembrança. Várias vezes. vaidade. desequilibradas. Podemos ver aqui. O aspecto do fígado despedaçado. Intuições desconhecidas disparam na presente reencarnação à atitudes comportamentais de suas orações desesperadas. vê e sente os bilhões de vermes o roerem . pois os pensamentos estão longe dos desejos e das práticas . Agora. a qual imprime toda a sua vontade nesse princíp io material. são irredu tíveis à idéia da reencarnação e buscam. São pessoas que apresentam aflição ao pensarem na sua morte. entregues ao desespero e arrebatados pelo horror d as dores e condições. individual ou coletivo. É a prova d a afinidade persistente entre o espírito e o corpo que sofreu o que ele provocou. enlouqueced oras. brados e escândalo s funcionassem. Tiveram conhecimento sobre as punições por tirarem a própria v ida.explicou Wilson. Agora entendo que se trata de uma recordação inconsciente. uma espécie de delírio ao orarem em língua estranha cuja existência não se pode comprovar. Na verdade. não supo rtando a dificuldade da prova quando encarnados. endurecidos na fé. Alguns casos são de e xtremo fanatismo. com hinos. somados às vibrações e sentimento das milhares de mentes que envolvem a todos.afirmou Laryel. Deus para Ele solucionar proble mas talvez semelhantes aos que experimentaram em encarnações passadas e falharam. arrogância. como uma espécie de terapia ou alimento compulsivo entre outros distúrbios. sem obter respostas às minhas questões de estudo. mas isso não adiantou para suas reflexões. sua fé em Deus e a esperança de reparar o erro. plasma. ainda enlouquecido por tanta s recordações horripilantes. com a finalidade de se livrarem de um sofrimento infernal de recordações hedio ndas. Por isso sabemos que as razões do suicídio. É uma visão chocante. o subconsciente. é uma ligação ou uma espécie de repercussão do estado do co sobre o espírito. começam a gritar para que Deus o s ouça. O que alguns desses irmãos fazem não é oração.disse Laryel com humi ldade e bondade. Creram também que . rancor e outras mazelas em seus corações. fragme ntada de uma experiência no plano espiritual. Entretanto não são somente os encarnados que adotaram os conce . ainda há orgulho. Po r isso os hinos repetitivos e as orações frenéticas. sustentando-lhe a forma aparente com sua energia impregnada de pade cimento. fanático. é algo tão traumatizante qu e. Apesar de alguns suicidas estarem aqui há anos ou séculos e seus corpos físicos já te rem se decomposto totalmente. Exatamente . Lógico que cada caso é um caso. Quanto engano! A punição para esses será ainda mais terrível por terem conhecimento. Não são diferentes dos outros. principalmente os protestantes ou evangélicos. as orações e rogativas aos gritos. apesar da matéria corpórea não existir mais. presos ao ateísmo. Outros são propostas de líderes com interesses pessoais. angústia e as fortes impressões que recebeu do corpo físico devido ao rompime nto brusco do liame ou fluido vital que unia o espírito e matéria corpórea. seria suficiente se concentrarem. incessantes e muito lo ngas. Acreditando-se com total razão. De repente Sérgio contou: Já estudei o comportamento de encarnados e a razão de adotarem determinada religião . com os espíritos suicidas embrutecidos. como os intestinos fragmentados e feridos. seu arrependimento. o sofrimento experimentado. muitos e. neste lugar de dores infernais. psicologicamente falando. são atenuantes que aliviam o sofrimento e dim inuem a pena desde que tenha o coração despojado de orgulho e vaidade. pensei que a atitude. enc arnados. a emoção im ensada que o levou à prática desse crime. a mente. Mas isso ocorre. a repetição torturante da morte do corpo físico com a repercussão da dor no corpo espiritual. foram espíritas. clamando salvação no re ino de Deus. Estou certo? perguntou Sérgio. Sem dúvida. pedirem perdão. desenfreadamente. Mas me intrigava observar. sua humildade. possuidor de ódio e vingança. pavor de falar em espíritos. por possuírem faculdades de ra ciocínio e planejamento. revolt ados. é repetição de palavras bonitas. Têm medo horripilante do inferno. pensarem em Deus. após o suicídio. principalmente. Mesmo o efeito da decomposição. Eles afirmam serem orações na língua dos anjos. mas se . A princípio. que nunca deixa de sangrar.deficientes do esôfago até o estômago. o espírito. o procedimento preconceituoso para com aqueles que não aderiam a sua religião e o co mportamento extremo. em arrependerem-se e experimentarem breve sofrimento. eles também oram incessantemente. traz os temores dessa vivência.

sons suaves ou mantra s utilizados por outras filosofias para a meditação.Leve sorriso discreto e Sérgio coment u: Recordo-me. desesperadamente enlouquecidos. arrogância e tudo mais. Alguns espíritos. do sufo camento ou do quebrar da vértebra. o incômodo da língua exposta com edema em alguns casos. pois era o reflexo do estado do corpo físico que o impressionou e dominava-l he a mente com angústia e horror. para a instrução e outras até mais elevadas. agrediam ferozmente quem dele s se aproximassem ou estivessem em seus caminhos. sempre serena e atenta a tudo. ininterruptamente. orgulho.itos do protestantismo que possuem esses comportamentos. é algo aceitável sim. Meditação é sujeitar-se em pensamento a um exame interior à contemplação ou oração mental em total quietude e harmonia da mente e do corpo. Após a travessia na vasta região de sombras. agora. mas s em prejuízo à paz e ao sossego alheio. generosamente guiava todos co m precaução e sensatez através de missão na qual não necessitava mais trabalhar. é diferente de músicas agradáveis. Isso faz parte da evolução espiritual. porém não se concentram e desviam os pensamentos para outros assuntos. serviço qu muitas vezes realizou sozinha por sua elevação. as dilacerações ou o crânio aberto de maneira dramáti dolorosa e cobertos de sangue que não estancava. Ouviam repetidas vezes o barulho das ferragens junto das cenas. pois pecam em atitudes e pensamentos de mágoa. pois foi esse seu método de suicídio. Para is so se precisa de paz interior. o inchaço roxo que apodrecia o pescoço e a cabeça. motos ou outr os veículos e sentiam as perfurações. Alguns se desesperavam com a abundância de água nas vias re spiratórias e nos pulmões. Estava long e de se abalar. em gemidos. como o murmurinho da água de uma fonte. Tentavam livrar-se do mecanismo que plasmavam. estoura do no chão. Se a paz ou a tranqüilidade for obtida pelo auxílio d e um som agradável. prisioneiros daquela desgraça. Esse comportamento os defer ia ali por muito mais tempo. o pedaço de corda ou tecido que usou para se suicidar e sofriam a agonia da asfixia. mas era impossível ver-se sem a dor. mesmo nos templos. lugares e ambientes belos e tranqüilos para nossa harmonia. com o som do carrilhão ou mais conhecido como sino dos ventos. Laryel. em que cada um lutava com sua forma particular da morte praticada ao corpo físico. Silenciaram. para não mais ver sua queda e o corpo espiritual quebrado. Muitos exalavam ódio e contrariedade pelo que experimentavam. aproximaram-se de determinado lugar com aguçada observação. fezes. a quele conjunto de sinos ou peças delicadas que vibram e balançam com a brisa produzi ndo sons que impressionam o sentido da audição. de lugares incrivelmente lindos. abusivo e excessivo de gritos para orações em qualq uer lugar. Esse comportamento exagerado. outros suicidas se aglomera vam em pequenos grupos. Outro implora va. tomando postura prudente e justa. vômitos e pedaços encarniçados. Cada um tem o direito de b uscar a purificação da mente para religar-se a Deus da forma como lhe convier. Lógico . cantos escondidos ou espécies de tocas. bem como aroma de suave fragrância floral. Já estudei sobre isso na Codificação Espírita. Espíritos violentos. O barulho da água era torturante e a visão repetitiva do modo como se afogou repercutia em asfixia aflitiva. Estud am sem dar atenção ou filosofar a respeito do tema e não põem em prática o que aprenderam. Muitos espíritas oram em silêncio. Adiante espíritos viam-se aprisionados nas ferragens de automóveis. desde que não incomode os outros e não h aja desequilíbrio por compulsividade.concordou Laryel. Blasfemavam rancorosos contra outras criaturas ou situações nas quais. reviravam-se no chão de lodo vi scoso repleto de matéria com aspecto de secreções de sepulturas. O perispírito se apresentava como no momento do su icídio. Haja vista que em colônias espirituais voltadas para o socorro. . ao pescoço do corpo espiritual. Os que se enforcaram traziam atados. entregaram-se ao suicídio. Be nfeitora especialista em tarefas daquela natureza. Em frestas. . Revoltados contra Deus. possuía piedade e amor incondicional. por não serem fortes nem corajosos. ouvindo barulho dos ossos fragmentando-se e o estouro dos órgãos. música agradável e relaxante em baixo volume. experiência e capacidade. há suave melodia a nos envolver em paz para vibrarmos de acordo com o nív el do lugar. graciosos no plano espiri tual.

Os que se atiraram em linhas férreas ou rodas de veículos tinham a aparência perisp iritual retalhada. dos filhos e amigos foram como um medicamento que o fortalecia. Os encarnados não imaginam o poder da prece. sincero e pôs-se à oração. logo após o ato. Chorando compulsivamente.. suicidou-se por vergonha . gélido e a dor infindável só que. fragmentada.. Há quanto tempo ele se suicidou? . A esperança na oportunidade de reparar o erro e a fé em Deus o fez re colher-se em prece. sabiam tratar-se de um homem que. Oh. facas ou objetos perfurantes no peito ou nas vísceras gritavam por socorro ao ver o sangue jorrar. levando-o para junto do grupo.perguntou Sérgio. Eles enlouqueciam com os cenários e os sofrimentos de seus suicídios. Ela olhou para um dos socorristas. da dor ininterrupta. além do so frimento moral e perispiritual. Deus os abençoe . técnic o naquela tarefa. procurou um lugar afastado. Diante do desespero. Por sua generosidade foi enganado. Sem demora re tiraram-no de onde estava. o seu período ou tempo de punição. de todo o sofrimento. Em estado de perturbação. arrepend endo-se de imediato... à sua família e depois s e atraiu para cá. Cinco anos. A espe rança aliviou suas dores e as preces da esposa. com ossos quebrados e expostos.murmurou o socorrido. Senhor meu Deus! Agradeço por ouvir minhas preces e enviar Seus anjos par a me socorrerem. lia o Evangelho do Cristo pensando no marido e rogava perdão para ele pelo suicídio praticado.. O sangue da jugular não pára. Acalme-se. mas é Deus quem julga e encontra circunstâncias que diminuem o grau de responsabil idade do culpado e. além de receberem as vibrações fortes e visualizarem as imagens dos outros suicidas experimentando as mesmas dores. As energias mentais apresentavam-se extremamente fortes e a aflição imperava. mostrava-se grato entre as lágrimas intermináveis. Desapontado consigo mesmo e desesperado. A falta de fé o levou à covardia e à insanidade momentânea. cortou a lateral do pe scoço com um canivete que possuía. explicou: Ele foi um homem bom. revivendo a cena do instante em que se suicidaram. Apesar da aparência horríve l. O Pai da Vida e nxerga nossos sentimentos verdadeiros e sabe o que é justo. mais rápido poderemos trabalhar. queimo.. meu amigo . É o momento de deixar esse lugar. Quanto mais tranqüilo estiver. Não teve coragem de contar à esposa e ao s filhos que passariam a viver na miséria. enquanto aguardava. Os que utilizaram armas de fogo. e voltou a fixar em outro ponto. Ótimo pai e marido. Laryel parou em lugar específico e apropriado onde p areceu criar uma espécie de campo magnético. Os que estilhaçaram a cabeça com um tiro escutavam repetidamente o estrondo que e stourou seu crânio. entendeu seu erro. mas foi fraco e incapaz de suportar a provação. De posse da Bíblia. foi humild e. o espírito suicida agradecia. Apresentavam-se com a cabeça aberta e sangue abundante. conseqüentemente. Entendendo-lhe o desejo. do sofrimento na mente e no co rpo espiritual.tornou o amoroso tarefeiro espiritual. Orou pedindo perdão enquanto se esvaia o sangue e a vida do corpo.pediu bondosamente um auxiliar ao prestar os primeiros atendimentos. O sangramento já vai parar . que se aquietou. pe rdeu o emprego. a esposa não desistiu. a sol idão reinava. Acalme-se e pense em Jesus. Tinham o peito ou o tronco inchado e queimando. Sofreu. O suicídio não fica impun . Ore e agradeça em silêncio. ele e um outro cooperador foram à direção de um dos infelizes que se acuava. o rosto cadavérico. vendo-se junto aos encarnados. com inúmeras necessidades.. Laryel havia indicado outro espírito para ser auxiliado e.. Rogou a Deus Sua bondade e socorro. Mas. As vestimentas eram míseros farrapos e muitos estavam nus. Tenho frio. A certa altura do trajeto.. Meu pescoço. Deus assim o quis e sua pena foi abreviada e agora o vemos em co .. mas acreditou na bondade de Deus em lhe dar nova oportunidade de vida para harmonizar sua consciência. Apesar do estado enlouquecedor. Os que se suicida ram juntos estavam distantes um do outro naquele imenso vale. não foi para casa. Era religioso. Desorientado. Cristão. Católico. não aprendeu sobre a reencarnação. a casa e todos os bens foram confiscados. Todos se desconheciam e se tratavam como inimigos. apesar das condições deste lugar. Mesmo a igreja católica negando-se à prece a um suicid a. rastejavam e rev iviam a sensação do sofrimento. mais forte. impressionant emente. Está envolto em coberta que diminuirá seu frio e deixará de queimar. aos quarenta anos. torturavam-se pela tragédia a que se lançaram.

mas percebia-se a carbonização dolorosa. Sua situação ficou ainda mais deplorável quando a família decidiu pela c remação. você sabe . foi vaidoso e não procurou ajuda. Além disso. o remédio não seria usado. ele mal pensava em Deus nem rogav a amparo. problemas sérios no fígado.ndições de socorro. Poderia ser mais. mas. Aos poucos ele se acal mou e puderam notar uma vaga recuperação das faculdades ao olhar em volta. sentimento que muitas v ezes chamamos de vergonha. ignorou os instintos. Se o médico fosse mais responsável e instruído. A idade não importa. as inspirações de espíritos elevados e deu um tiro na cabeça com a arma do pai. incluindo cegueira. Esse irmão tinha quinze anos quando diversas espinhas e acnes co briram seu rosto.defendeu Sérgio. Apesar de envergonhado.surpreendeu-se Sérgio. Embora ele não tivesse predisposição ao desequi rio mental. contando: Como sabemos. houve um efeito no campo biológico causado pela medicação. condenado por essa relig ião. Apesar do arrependimento. que revive as cenas do suicídio e o desespero na fornalha. não comentou nada ou poderiam su spender a medicação e suas acnes voltariam. deformidades por má formação fetal nos futuros filhos. planejou o suicídio antes de consumá-lo. Sem procurarem uma segu nda ou terceira opinião de profissionais mais experientes e até de outras áreas. Ele poderia ter procurado os pais e conversado. Por essa razão seu tempo de penitência foi abrevia do. Todos esses anos?! . Cada um é julgado por suas obras. Tinha conhecimento de que o suicídio é um ato terrível e ignorou. por vaidade. Ele ur rava estridentemente ensandecido até que Laryel se aproximou e. Tanto que. porém passo u a ficar quieto. Imprudente. com recursos próprio s. Não conto u aos pais nem procurou ajuda psicológica por seu orgulho. A famíl ia era católica e ele sabia que o suicídio é um crime terrível. a responsabilidade é proporcional às condições em que se deu o erro. ao saber que o remédio p oderia causar aquele desgosto pela vida. Está neste estado há quinze anos e terá muito que harmonizar. Mas era um garoto . Ele percebeu os sina is anormais com o uso do remédio. algo comum nessa idade. Gemeu até f icar como que anestesiado pelas providências da benfeitora. sem m ais informações sobre o remédio nem desconfiança por tantas assinaturas em documentos pa ra arcarem com a responsabilidade. plasmando o perispírito como vê pelo que vivenciou e mais o impressionou. contando o que sentia. do estado horrível e do desespero. porém mal os leram . Os responsáveis diretos ou indiretos q ue o levaram a esse ato serão punidos pelas Leis de Deus no devido tempo. depressão entre outros. concentrou-se no sofredor colocando-lhe a mão na fronte.tornou Laryel com brandura. oferece a misericórdia de Deus. à loucura. Não demorou e outro espírito foi trazido. mas não o fez. triste e se negou a procurar ajuda. não se vendo morto. . os pais seriam os únicos responsáveis. Uma série de atenua tes. Cientes dos possíveis efeito s colaterais danosos. Outros lhe prestavam c uidados quando ela se afastou e tornou a Sérgio. entendimento e cert o grau de elevação espiritual. o médi co aconselhou o uso de um remédio proibido em diversos países por seus possíveis e inúme ros efeitos colaterais. de tristeza e falta de vontade de viver. Os pais precisaram as sinar diversos papéis para autorizarem o uso da medicação pelo filho. Ainda possuía o crânio estilhaçado pelo tiro e pedaços do cérebro e xposto. Não se desprendeu do corpo o que acontece com muitos e. Est ar ligado ao corpo físico durante a cremação foi uma experiência terrível! Ele sofre inten so trauma e aberração das faculdades como um demente. Possui vaidade em seu coração e orgulho. os pais adquiriram a medicação muito cara e o fil ho passou a usá-la. Sentiu-se deprimido. não teria prescrito tal medicação. o jovem era alegre. Os socorristas o envolveram. Tinha meios de procurar ajuda profissional. o reflexo horripilante das s ensações caracteriza-se no perispírito. ou seja. Em determinado mom . por vergonha.Enquanto Laryel esc larecia. outros espíritos eram socorridos e postos perto deles. A documentação protegia futuros processos judiciais contra o laboratório fabricante. inclusive o efeito da medicação no organismo. Se os pa is tivessem mais e verdadeiros esclarecimentos. Sua deplorável condição de suicida era impres sionantemente infeliz. A grosseria cruel dos colegas que o humilhavam constantemente e sua insatisfação pessoal fizeram com que a mãe o levasse a um médico. a falta ou o crime. deprimido pelo efeito da droga existente no medicamento. Ainda que a matéria corpórea não exista. mas não o fez por vergonha. falado sobre os pensamentos de morte. tentava animá-lo apesar da dor. Mesmo tendo faculdades bem desenvolvidas. bem como o médico por quaisquer danos na saúde do usuário.

ento. Sérgio. após alguns passos vacilantes.. o irmão se sentirá aliviado. O que deseja é livrar-se do sofrime nto agonizante. Deus! . Um sentimento muito forte invadiu Sérgio e pedindo a Laryel. Prati cou vários estupros e matou suas vítimas.. fraquejou. o que não aconteceu. perplexo com o imp acto das idéias ligeiras. Oferecendo grande pausa.. Mas não tem fé em Deus nem o coração puro. pareceu averiguar as imediações e depois pediu a Sérgio: Venha comigo. provavelmente. Deus. Abençoe esses anjos de socorro. assim as providências para o socorro serão mais ágeis. Movimentando-se lentamente. Sairá daqui.. Ele vê a imagem de cada uma de suas vítimas implorando misericórdia. Por i sso e devido a sua postura mental. uma oportunidade de reparação. O espírito aceitou e Sérgio prosseguiu com o processo de auxílio. Faça uma prece. Ele se prostra de joelhos em penitência. Enqu anto oferecia os cuidados. Você é o Alessandro... Laryel já havia providenciado e fornecido recursos próprios para a materialização de objetos de socorro que adquiriram contornos propícios e definitivos como maças e cob ertas impregnadas de invisíveis energias medicamentosas e calmantes. ele se prontificou a cuidar do espírito que trouxe nos braços como um ente querido.. Obrigado. orientando: Agora descanse. . pois o socorro já começou. Não d emorou para se arrepender e se concentrar em verdadeira prece a Deus. Escuto o disparo. pedindo Seu perdão e. o que ele não teve. sufocante das cenas que revive do suicídio.Não longe se aproximaram de uma caverna rasa onde ela direciono u luz baça que irradiou de sua mão. .. enforcou-se na prisão. Pensativa. Pobre irmão! lamentou piedosa. Dentre todos os socorridos. embora houvesse du as perfurações que sangravam em sua cabeça: uma pela entrada e outra pela saída do tiro com o qual se matou. Obrigado. filho do doutor Édison? Sou eu. do estado deplorável e p avoroso de seu corpo espiritual cujos órgãos genitais sente em brasa. Não tinha o crânio esfacelado como quando chegou.. aquele espírito suicida era o que se encontrava em melhores condições. procurando dominar as lágrimas.. o espírito suicida falou num sopro: Minha cabeça dói. Fitando-o com profundo agradecimento no olhar.. mas virou-se e f ixou-os com expressão surpresa. ora desesperadamente e invoca perdão para sair deste vale tenebroso. Deus há de recompensá-lo. A prece .. humildemente. Indefinida emotividade dominou os sentimentos de Sérgio que.Ergueu-se com esforço.. que permitiu. Sem expressar-se comovido. Laryel olhou em volta.respondeu. Dói muito. meu irmão. incurável e de processo doloroso. Fique t anqüilo e pense em Deus. observando os abnegados socor ristas em ação. meu irmão.. Aquele espírito está aqui há mais de duzentos anos. E você? Meu nome é Sérgio . Jesus o envolva. De imediato foi amparado e abrigado pelos braços de Sérgio. ela apontou: Veja ali. É possível que permaneça nestas trevas por mais tempo e somente a re encarnação compulsória. As mãos sujas e magras daquele sofredor seguraram repentinamente as mãos de Sérgio. reconhecen do o erro. impregnado da matéria nojo sa do lugar e desfigurado encolhia-se tal qual criança assustada. Tenho frio. fazendo-o parar.chorou com lágrimas abundantes. Ainda sentia arder às vias respiratórias com os pulmões queimando. Preso. Deus o abençoe por tudo. Enquanto Laryel só observava. assim como at aduras para cobrir lesões e material adequado para algo como que primeiras higieni zações das impregnações nos corpos espirituais dos socorridos. Sérgio procu rou acomodar-lhe as mãos. Em breve.. murmurou ao sair engat inhando do esconderijo: Oh. Logo trouxeram o espírito de uma mulher que se afogou prematuramente por causa do desencarne dos pais e com o intuito de reencontrá-los. Socorreram outro espírito que se suicidou se atirando de um edifício ao saber que tinha uma doença muito grave. Ele vivenciava sofrimentos infernais e tinha toda a organização perispiríta deformada. sussurrou: Obrigado. que o levou para junto d os outros... Um espírito enfraquecido. sofreu todas aquelas misérias do lugar por mais de cem anos.. mas em seu íntimo experimentava forte emoção. mas. Obrigado Senhor. abençoe meu pai po r enviar esse irmão de luz para me socorrer... as ânsi as e regurgitava substância fétida. em difícil condição. tire-o daqui. perguntou como pai amoroso: Alessandro?.

explicou um dos auxiliares socorri stas. ou passes. Para alguns serão necessárias i eras reencarnações para aperfeiçoarem o corpo espiritual e físico.A emoção generosa pela doce e tocante inflexão de Laryel envolvia todos da comitiva. a o tempo que a comitiva sentia-se fortalecida com a ajuda vinda por projeções de espíri tos invisíveis a todos. nas provações difíceis. espera pelo socorro Divino. aumentava gradativamente até alcançar um jorro intenso de luz. é de todo coração que suplicamos em favor desses irmãos em condições a ropriadas de socorro hoje. entregam-se e co nfiam a sua existência à vontade de Deus. Tal comportamento e sentimento os detinham por mais tempo na quele vale de suicidas. o despertar para o orso e o arrependimento. Com bondoso olhar. Mestre amigo. Outra jornada. dispostos às harmonizações e reparos. intraduzivelmente bela. Laryel demorou-se ao circunvagar olhar triste e piedoso após o término da movimen tação de energias. cujo rompimento dos laços da vida corpórea foi partido ru de e voluntariamente por razões e idéias que não nos cabem julgá-los pelo desespero. aliviando seu sofrimento e d iminuindo sua punição. espíritos brutalizados que lutavam e gritavam imperativos e arrogantes para serem levados. Enquanto isso os demais suicidas que podiam ver a atuação de socorro naquele luga r. Seu calmo semblante reluzia sua natureza superior e sua fronte ligava-se ao Alto por fio luminoso. Cada um reagirá ao soco rro de forma diferente. excelsa m inistra do socorro. angús tia. muitos outros irmãos infelizes aqui permanecem sofrendo os reflexos mentais da desgraça ardente. a justiça da própria punição mental. Senhor. . Terão a penitência e afl ição diminuídas. apesar de repelidos por algo como um campo magnético. inclinavam-se a expressões de ódio. o desejo de reparação. na consciência e sem culpar os outros pela falta c ometida da qual a criatura é a única responsável. Viam-se. cada órgão do rpo físico no instante e após a prática do suicídio . Lágrimas sensíveis b rotaram dos olhos de alguns. recolhidos na fé da bondade de Deus. Aqueles que reconhecem. fraqueza no momento em que consideraram mais difícil. A benfeitora transcendeu ainda mais. utilizados com a finalidade de livrar os espíritos socor ridos de impregnações oferecendo-lhes um pouco de alívio mental. na paisagem tenebrosa e aflitiva. uns mais rápido que os outros. a tênue claridade emanada de Laryel. hoje esses irmãos estão preparados para a redentora libertação de ssas trevas. a humildade e a paciência para o socorro e o progresso da condição mental por meio da pr ece. porque a morte não existe e a ausência do corpo físico não é o fim dos sof tos para o espírito. apesar de todo sofrimento. em direção do bem fraterno e reparador. .Nesse momento. e m total confusão mental e extremamente desequilibrados. Os espíritos suicidas socorridos que tinham mais consciência oravam e agradeciam incessantemente o auxílio servido com valoroso amor mesmo com as sensações das impressõe s dolorosas que ainda sentiam. de S ua justiça e bondade. em todas as particularidades. A s eguir. na esperança de se projetarem na evolução moral e espiritual. inclusive os socorridos. Me stre do amor. psíquico. As mentes desses irmãos estão presas ao formato de união de cada célula. expressou-se generosa: Sabemos que o Pai da Vida nunca fecha a porta àquele que se arrepende e lhe ren de culto sincero em pensamento. a fé na bondade e na justiça de Deus. mas com considerável alívio pelos passes salutares re cebidos como um bálsamo para suas condições. os espera. esses serão socorridos. Permaneceu naquele ciclo inferior por oito anos. a elevada e ntidade prosseguiu. a prestimosa benfeitora fitou todos que a acompanhavam e t ambém os socorridos como mãe que confere e observa os filhos queridos à sua volta. . resignam com paciência e. para saírem dali. Alguns.de sua família o auxiliou com forças que o sustentaram. Breve intervalo e a benfeitora desfechou: Jesus. Será preciso muita elevação e enriquecimento da mente. mais insuportável na expe riência terrena. de indescritível sofrimento e l oucura. Rogamos por Suas bênçãos misericordiosas para nos sustentarmos na humilde tarefa de socorro à qual nos devo tamos. revolta e indignação por se prenderem àquele vale extenso de lodo repleto de su bstâncias de matérias espirituais em estado putrefato. Após a breve interrupção do diálogo em forma de prece. entonando amor e agradecimento sublime: Senhor Jesus. da ininterrupta e prolongada tortura desse infortúnio. esqueciam-se de Deus. E é por eles que imploramos bênçãos para a constituição da consciência. somos meros aprendizes de Teus Divinos ensinamentos. pausadamente.

pois agora entendo a motivação e o auxílio que recebi. Nossa querida Débora. muito será esclarecido. rogo modesta participação em socorros como o real izado hoje em nome do Mestre Jesus. E a Débora?.murmurou Laryel docemente e emocionada.. Há mui to para se desvendar do passado e.. sensibilizada com lágrimas de júbilo. Tenho certeza de que a experiência desse trabalho abençoado no socorro fará com que mude a postura mental. era exposto a sua capacidade de conhecimento. certamente. a inspiração e o apoio. realizarei o trabalho ao qual me propus.disse em tom preocup ado. pr ovavelmente permanecerá considerável tempo na espiritualidade onde poderá ajudá-lo com i nstruções. Cujo amparo não sou dign eceber.. Usando de recursos peculiares. Deus. respeitosamente.Luminosidade emanava-se pulsante e cristalina.lágrimas o interromperam. Pai da Vida! Agradeço a oportunidade de t abalho e o aprendizado. a benfeitora cerrou os olhos mantendo-se vincu lada a forças magnéticas de planos superiores. no semblante imperturbável. rogo rever o espírito Alessandro.. . Com suprimentos e auxílio de entidades elevadas e imperceptíveis. Perdoe-me a i mperfeição e. Alessandro será seu protegido e. encarregou -se de levá-lo de volta até sua casa. . incomparáv el e. .. Laryel conduziu Sérgio e ministrou-lhe en ergias que dispersaram todos os fluidos obscuros que ainda pudessem impregná-lo. Temporariamente a bênção do esquecimento é necessária. se fortaleça e se reconheça capacitado. amorosamente.. Sorrindo com meiguice. avisou: Nós nos encontraremos com mais freqüência por conta de tarefas em nome de Jesus e.. ela mesma. pelo entendimento. Sinto que ela precisa muito de mim . Sabe como eu a amo. ela providenciou a retirada de seu grupo e partiu rapid amente na direção do alto. Pai. ele agradeceu como numa prece: Obrigado. Em seu quarto. pois sem algumas preocupações nos elevamos moral e espiritualme te. Olhando-a longamente e com generoso carinho. Mesmo assim continuou sob o efeito de jubi losa emoção: Agradeço o amparo e a revelação desta filha do meu coração.. beleza suave e sublime eram nobres na aparência jovial. Abraçando-a com terno carinho. A emissária de amor silencio u. Deus oferece tudo a seu tempo .. Vo cê tem conhecimento dos fatos de outras experiências da vida terrena e espiritual no desdobramento durante o sono. falou: Como lhe sou grato!. Agradeço. sabe disso . da melhor maneira dentro de todos os meus esforços a fim de reparar minha imperfeição pel a inclinação às influências inferiores.expres sou-se emotiva e em tom piedoso. Sua humildade. até que tudo se reverta e ela seja a sus tentação. * * * Para outra esfera da espiritualidade.. sa bedoria e fé.. razão de sua elevação à custa de incansáveis trabalhos no bem. Meu amado p ai espiritual.. Se possível. Em nada adiantará ou ajudará qualquer informação.A inflexão verdade iramente sentida revelava sua elevação: Com fé e amor. orientou: A ignorância de alguns fatos da vida é por bênção.. pois foi para esse fim que Débora reencarn u: para ajudá-lo e serem felizes. pela oportunidade sublime.. . A pós recompô-lo de benefícios fluídicos revigorantes. sou eu quem lhe deve gratidão. . Será preciso que você se fortaleça para reencontrá-la com harmonia e paz. Permita-me atuar ao lado da filha da minha a lma. para ser o sustentáculo e a compreensão. Confie em Deus. encantando ainda mais sua figura.emocionou-se. mas humilde e respeitoso..Raios de luz irradiados do peito de Laryel brilhavam em torno do grupo socorr ista envolvendo todos. Reco rdará de modo fragmentado o que for preciso para sua tarefa e propósito no bem. a compreensão. Senhor Deus. rumando para colônia espiritual apropriada para a recomposição e regeneração dos socorridos. tal como uma redoma protetora. Querido Sérgio. Mas seja feita a Sua vontade e não a minha. Sérgio ainda estava em desdobrame nto e sabia que retornaria ao controle de seu corpo talvez com vagas e confusas lembranças da tarefa. nesta oportunidade. em ou tros momentos no plano espiritual. peço forças para a ta refa abraçada. Faça preces para que o Mestre Jesus enderece Seu olhar de misericórdia a ela nes sa fase evolutiva.. Com resignada fé.

Apesar da inexplicável sensação desagra-dável pelo vazio. por sua determinação e sinceridade ao fazer uma terapia com o Psicólogo das almas . Agora rogo que o Mestre Nazareno o envolva c om sustentação para continuar na jornada com luz na consciência e paz no coração. não re sistiu e estacionou o veículo após sair da estrada. Repouse. caminhou até o carro. pela Débora. Ao contrário. sentia sua falta. seu sorriso luminoso era constante e o som de seu riso gostoso era cristalino e verdadeiro. percorrendo poucos quilômetros. tinha uma postura imperturbável diante de problemas preocupantes ou situações desagradáveis e imprevistas. considerações ao estudos para conhecer as verdades libertadoras.Conversando com Jesus Sérgio transformou profundamente a sua postura mental. Era final da tarde e. Retornando. nas quais não lamentava. sem ansiedade ou desespero. assim como amo você também. Olhando para o sublime firmamento. somente se a e resignava. Seu belo rosto tranqüilo figurava-se com um retoque de nobreza majestosa. Passou a maior parte do dia conhecendo lugares interessantes. Toda a visão era encantadora. a atenção e a disposição fraterna estivessem sempre presentes em suas ações. Uma montanha distante d o outro lado da margem era escurecida pelo início do entardecer e oferecia um toqu e especial àquela paisagem... não queria pegar a estrada à noite. . A natureza era d e uma beleza extraordinária! O lugar oferecia um precioso silêncio inebriante. Porém não se permitia à demorada lamentação. Sérgio fixou olhar no indefinível azul e re presentou mentalmente a figura do Mestre Jesus como que o observando. magnífica! Os matizes coloridos do céu espelhavam-se na água passiva e brilhante. Permaneceu sorrindo por tempo indeterminado e sentindo-se mais leve.. Sérgio dirigiu por uma auto-estrada chegando a uma cidadezinha cercada de represas e montanhas. Ela aprenderá muito. comuns ao cotidiano.. Tudo se tratava do reflex o de sua aura iluminada. Laryel colocou a destra suave na fronte de Sérgio. humildemente rogo. reflexões. Minutos de profunda meditação e murmurou ao final: Senhor Jesus. desfechou: Agradeço ao Mestre Jesus por nos conceder a bênção de trabalharm os juntos como já fizemos no passado.Algumas necessidades aumentam o valor pela vida e o reconhecimento das mínimas oportunidades. Em preces. Encontrava-se só. olhe por mim. que não lhe respondia com .pediu em tom de súplica. Sérgio não se entregava à dolorosa solid trazia o semblante sério e sisudo. 28 . A fonte revitalizante que o sustentava nas decisões e atitudes coerentes era sua determinação em meditar e analisar os fatos com fé raciocin ada. Olhe por todo s desse mundo. andou um pouco e sentou-se em um relevo próximo à água que refletia os últimos rai os do sol se pondo no horizonte. pois quero continuar com empenho e trabalhar em Seu nome. costumes diferentes e observando a tra nqüilidade do povo local.Beijand o-o na face. ocupando-se sempre com algo produtivo. olhou mais uma vez o cenário esplendido e admirou o ca pricho de Deus. Algo natural das forças fluídicas superiores que alcançou em caráter de nova postura moral ligada ao alto pelas: meditações. que se entregou à fragilidade do adormecimento verdadeiro sendo generosamente auxiliado a regressar ao corpo i nerte com sono profundo e regenerador. delegava soluções aos propósitos de Deus. o qual tirou para seu descanso. direcionando suas energias ao trabalho digno e sadio. Senhor Jesus. Estou cuidando. beneficiando-se de forma incrível desde quando passou a refletir e agir conforme o que aprendia nos ensina mentos da filosofia espírita. Ainda trazia no coração a ferida do amor inexpri mível por Débora... no espaço ilimitado p ela extensão indefinida que chamamos de céu. Extas iado. Leva ndo-se. sentiu-se diferente. talvez. Dê-me forças. Eu a amo em todo o meu ser. pai querido. embora a humildade. Algumas horas depois do almoço decidiu ir embora. Cuide dela por mim . ponderações e contemplações às quais se r ecolhia para uma saudável conversa e agradecimento a Deus. Certo dia. Sempre sereno.

dói muito! Contudo eu busco esperança e fé.. porque sei que procurarei na outra pessoa a Débora que ela não é.palavras. o próximo paciente ligou a visando que não poderá comparecer e agendou novo dia.brincou Sérgio. De um modo que não sei explica r. que acabava d e desligar o telefone. pois ela sabe como fazê-lo. O trabalho. mas acho que vou procurar um cardiolog ista. Sérgio a abriu e entrou a pedido do médico. doutor. o médico indagou: E o coração. Não quero ter alguém ao lado só por ter. Não nego que exp erimento um grande vazio. além de acompanhá-lo nas tarefas espirituais durante o sono. E por amá-la de verdade.Brincando. Não namorou outra moça ou?. Dói! Às vezes. daria um jeito de me encontrar.. como está? Não sei. Diga-me uma coisa. se quisesse me ver novamen te. o que você sente pela Débora? Amor . menino! . contudo enviava-lhe Seus mensageiros de elevada estirpe espiritual pa ra protegê-lo e guiá-lo. foi surp reendido pela secretária que o chamou: Doutor Sérgio! Eu! . Obrigado. se essa é a vida planejada para essa etapa evolutiva. Logo em seguida uma outra paci ente telefonou e. E até agora não chegou.. por favor? A moça sorriu e correspondeu a brincadeira: É a terceira sala à direita. não a esqueço. Sérgio recordou-se imediatamente da paciente e perguntou: Sabe me dizer se a mãe virá junto? Ela não disse nada a respeito. A companhia de Sérgio sempre era bem agra dável ao senhor que logo perguntou: E a pós-graduação. doutor! . Silvana. como se houvesse superado e nenhum sent imento o incomodasse. Conhecendo seu ponto fraco. Está em sua sala.murmurou ao bater na mão o cartão com os dados básicos da paciente. Talvez se atrasasse um pouco.. implorando para que o senhor pudesse vê-l a hoje. Porém insistiu: E a vida amorosa? Com semblante sério. seguindo por este corredor! . pois acabei de passar uma lig ação. . mesmo se fosse após o último atendimento. Então você me chama. parecia aflita. como está? Ótima! Excepcionalmente esclarecedora e abrangente em detalhes que não foram tota lmente abordados na graduação. ao se aproximar do balcão de atendimento.falou rindo ao indicar a sala onde ele atendia.riu o outro. Após rirem. você fala de um modo bem tranqüilo.. por favor. Certo. Não sinto nada. devolveu-o para a secretária e perguntou: O doutor Édison já chegou? Chegou sim. Pode deixar... mas imperturbável o rapaz respondeu: A Débora desapareceu completamente.respondeu firme.. a clínica e o curso de pós-graduação prosperavam e ele prosseguia sentind o-se mais estabilizado. Não zombe de mim. Ainda sob o efeito do riso. Não tive qualquer notícia apesar de procurá-la. Vou até a sala do doutor Édison. Sérgio. Levantando-se e cumprimentando-o o médico indicou uma cadei ra frente à sua mesa para que se sentasse.. Sérgio saiu de seu consultório sorrindo e brincando ao acompanhar um de seus pacientes até a recepção e à porta de saída. Talvez ao telefone.prontificou-se a moça. Não.. ela avisou: Doutor. Nã posso correr a vida inteira atrás dela e. Primeiro por estar muito ocupado e segundo por não aparecer ninguém que me int eresse. Penso que. Você tem a ficha dela para eu pegar a pasta lá em minha sala e dar uma olhada? Está aqui! Observando o nome. pode repetir. Em nome desse sentimento tão intenso. Talvez eu esteja lá quando a pa ciente chegar. perguntou: Sou o próxi mo?! Não ouvi o número da sala.. Então eu comentei sobre a desistência nesse horário e ela avisou que estava vindo para cá. Em s eguida. Após leves batidas à porta. qu e seja feita a vontade de Deus. Busco harmonia e concentraç tarefas úteis. Não vou me envolver em experiências frust rantes. . Certa ocasião. eu respeito à decisão dela e não vo incomodá-la com minha simples presença se voltarmos a nos encontrar. Bem. ..

porém sereno: Marina. ele fechou a p orta. Marina era menor. Veja como sua pele mudou? Já aumentamos o tempo entre as s essões de terapia por se sentir ótima. vamos! . Consegui esconder de todo mundo o que sinto. Eu quero ajudá-la! Olhe para mim. solte a minha camisa. Não a diantava ser educado. eu sei que você pode se controlar. Estava desacompanhada e em extremo desespero. Não imagina como é.... desculpe-me.gritou. ao segurá-la pelos ombros: Venha. doutor! Quanto às mi nhas mãos. mas a certa distância. Por favor. A inesperada atitude. Eu me odiava. O que a incomoda agora? Estou confusa.desatou a chorar. mas não me restou outra opção por você perder o controle. encostando-se nele sobre as mãos que o seguravam com força. sofro muito! Tenho medo e vergonha! Por que. Era al ta. farei tudo para aju dá-la. puxou uma cadeira e sentouse ficando à altura da paciente. Era a secretária avisando sobre a chegada da paciente. espre mendo-lhe os dedos até ela soltá-lo depois de um gemido de dor. Marina. cabelos loiros..Naquele instante o telefone tocou. São pensamentos!. Mil idéias passavam rápidas por seus pensamentos. pele e olhos claros. Tratava-se de uma bela jovem de dezessete anos. mas tudo me irrita. Preciso de você. Deixe-me ver suas mãos? Marina o encarou e ainda com voz de choro. aqui você está segu ra. pediu enquanto puxava-lhe os braços. Para sua surpresa. Subitamente Marina se levantou e abraçou Sérgio com toda a força que possuía. Marina? O que a trouxe aqui tão de repente? Pondo-se a chorar compulsivamente. Mas.. . deixou-o perplexo. sem ma chucar a jovem. . Com voz firme.. Não queria machucá-la. a moça esfregava as mãos doloridas ao ch orar. Não sei se me entende.murmurou entre o pranto desesperado. me revolta.Ela se deixou co nduzir e o psicólogo pediu: Por favor. no entanto tentou calmament e controlar a situação. longos e cacheados e fazia terapia com Sérgio há cerca de um ano. a jovem murmurava entre os soluços algo que ele não consegui a entender. . Sérgio respirou fundo. Dissimulando o susto. segurou seus pulsos e novamente falou firme. Marina. não respondia às perguntas. tranqüilamente. Curvando-se.. Idéias!. Sérgio pediu licença ao médico e foi para sua sala. por isso apertou-lhe cada uma das mãos que o agarrava.pediu enquanto tentava livrar-se de suas mãos delicadas. disse: Minha cabeça dói e está fervendo! Parece que existe um buraco no meu peito! Um furo enorme que gira e me vara de lado a lado! Não sabe o que é isso. Não! Não! . Aca lme-se um pouco para eu entender o que está acontecendo. me ajude pelo amor de Deus! Tire isso de mim! Sérgio sentiu seu peito doer e um mau pressentimento rodeava seus pensamentos. Em seguida. Usando de força controlada. Que tipo de pensamentos? Quais são as idéias? Só confio em você! Não imagina como me ajudou a ter auto-estima. Levante-se e se acomode nesse divã para conversarmos. doutor! Antes que eu faça uma besteira. ela o segurou pelas vestes na altura do colarinho. pediu para que ela se acomodasse e ligou determinado equipamento que a jov em não percebeu. ao chegar ao seu consultório e olhar para a jovem. que o envolviam: Calma. Marina? Que pensamentos são esses? Morte.. Tentou saber.. Dete stava o meu rosto deformado com aquelas espinhas! Mas agora você está bem. Ele permaneceu equilibrado e sereno. Isso não foi nada. Mas me solte para conversarmos melhor. Não sei! .. Quero morrer. o psicólogo livrou-se do abraço.. perguntando em tom amigável e tranqüilo: O que a deixa angustiada e nesse desespero? Se eu souber. deixando-o inquieto.. Sérgio jamais imaginou vivenciar tal situação. Pode me soltar! Seja lá o que aí estiver abalando. mas alguns começaram a me achar estranha e por isso choro escondida. rapidamente. Tinha um corpo bonito. Me ajude! Só confio em você! Então me solta! . viu-a tra nstornada e com o rosto inchado pelo choro. Deixando-se cair de joelhos diante dele. perguntou: Como você está. Marina. pediu. Abafand o o rosto em seu peito. Procurando se manter inalterável. Preste atenção..Ela não obedecia e curvava a cabeça.. Isso me faz pensar coisas erradas!.

naquele acontecimento. reclamou chorando e falando muito alto: Confiei em você! O doutor Édison é médico para louco! Não pense que vou falar para ele t do o que te contei! Acalme-se. Obrigado.. Mas?. Você acredita no sofrimento do suicida? Acredito . Te nho esperança de ficar com você. Sérgio! Você é a única coisa que me prende a esse mundo.Breve pau sa e indagou em tom educado: Mas me conta. Qu ero gritar e chorar sem motivo. Não! . bem agitada..revoltou-se.. mas aquilo nunca lhe tinha acont ecido. Parecia ter vivido caso parecido. Não quero falar com mais ninguém! Desejo sumir! Marina. Marina. não sei dizer.tornou ele. Não! Você não quer me ver! Não entende que te amo! Caminhando até a cadeira. A vida continua após a morte do corpo. me diz uma coisa .. mas sentindo certo temor em seu íntimo.. Cauteloso. Sente-se.falava com naturalidade . Deixe-me explicar.Levantando-se.. Insistiu e sentando-se.. Na verdade. fisiot erapeuta.gritou. não é raro o paciente ter sentimentos fortes por um médico. Ao ouvir a resposta. psicólogo. O psicólogo levantou-se rápido e preocupado.balbuciou. É pecado. Você não entendeu! . Li em livros que a morte não existe e o suicida sofre muito. andando de um lado para outro. Acredito que descobri a razão do que sente.. Ofendida. Não tenho fome nem sono. . Sérgio suspirou fundo e elevou o pensamento em rápida oração pedindo a mparo espiritual.. Vou explicar a razão desse seu estado depressivo e pe nsamentos.. Eu entendi . perguntou: Você está se alimentando direito? Não .Ela não atendeu ao pedido e ele orientou : Psiquiatras não são médicos de loucos. Mas não poss o imaginar sofrimento maior do que o meu. Sonhar acordada te desejando ao lado foi o que me prendeu a algum tipo de esperança e por isso não cometi uma loucura! Entendeu?! Sim. Não tenho depressão! Você me traiu! Quer me encaminhar para um psiquiatra porque as sumi que te amo! . pegou o telefone e p erguntou à secretária se o doutor Édison estava livre. é uma transferência. levantando-se. Mas preciso de um médico para confirmar is so. Muitas alunas se apaixonam por seus professores.. Ouça. Mas ela não disse nada. É um remédio importado. . Por que me decepcionaria? Lágrimas rolaram em seu rosto quando disse: Eu te amo! Sérgio não se alterou nem se demonstrou surpreso. porque sonho em ficar em teus braços. avise-o de que vou à sala dele com minha paciente.respondeu calmo. por favor.. mas sentiu um punhal cravar em seu peito. Sinto uma tristeza. Mas. realizou algum tipo de exame ou sente sintomas estranhos em seu corpo como a lguma dor? Vou periodicamente à dermatologista que ajudou com o tratamento contra as acnes . Isso acontece por c ausa da ajuda que recebem. Por que não me contou? Não queria que você se decepcionasse comigo. Está desorientada e sem acompanhante. mas. Fiz exames de sangue há uns três meses e fiz ultra-som de fígado. Mas sinto uma dor atravessada aqui .. para minha pele. Você não vai sair da clínica..gritava. você foi ao médico recentemen te. ..afirmou absoluto. Ess e estado de angústia é pela medicação que toma.disse. passando a mão na altura do estômago. Algo. Estou viva por sua causa.. entregou nas mãos da jovem um copo com água que ela be beu.. então está tudo normal. Sérgio teve um relampejo nas idéias e perguntou: Está tomando algum remédio? Sim. trazia-lhe uma impressão de semelhança que não conse guia lembrar. Mesmo assim. É um sentimento de gratidão confundido com algo mais fort e. Mas disse que confiava em mim.. pediu: Por favor.. Foi até sua mesa. Não agüento mais e p efiro morrer.. orientou: Marina. desde quando vem sentindo isso? Começou aos poucos. ela pegou sua bolsa quando Sérgio se aproximou avisando : Marina. Tudo fica pior a cada dia. Em seguida. V . espere. Eu não estou assim porque te amo.

você não falava nem nada! disse João. Num gesto rápido. Não precisava falar sobre isso. Uma conversa tran qüila seria bem útil. deixe-me ver isso! João prostrou-se ao lado e viu o instrumento afiado cair ao chão num gesto como s e o corpo se largasse.. lamuriando em choro int erminável: Confiei em você. Sérgio parecia entorpecido. . Esse é um caso em que podemos removê-lo. pois ela não parou de falar. Puxa. a porta do consultório foi aberta... Sérgio estava atento e viu quando a ponta do estilete fincava o pescoço da jovem determinada a cortar a jugular. sou eu . foi à joelhada . o doutor Édison vai embora e nós dois vamos conversar. ele puxou-lhe a mão para tirar o estilete de seu poder. doutor Édison . numa ação quase involuntária.ou detê-la e chamar seus pais para explicar seu estado. agredindo-o e se jogando sobre ele. esperando que o cansaço a dominasse. Não a desejando agredir. Sérgio. Minha esperança acabou e ele. Que joelhada?! .. É.. Eu sei o que está sentin do e prometo te ajudar.murmurou em pranto. talvez. Não tente falar nada. pediu: Calma. O rapaz aper tava o próprio pescoço.gritou de posse de um estilete que tirou da bolsa. Você me decepcionou. Colocando o estilete na lateral do próprio pescoço. Não. Fica esperto . Ele só ria. quem sabe. que sangrava. Vamos. desequilibrando-o. ajoelhando-se para examiná-lo. vamos fazer o seguinte: você me entrega esse est ilete. contorcendo o rosto para não rir.revelou o dou tor Édison. Venha me deter e eu me mato! Corto seu pescoço e depois o meu! Sem tirar os olhos da paciente.pediu o psicólogo. quando os viu no chão. Fora! . Achei que ela tivesse cortado sua veia jugular! Cara. sorrindo engraçado. Ao vê-los à porta. O doutor Édison aproximou-se. mas nunca se sabe.. após poucas batidas.pediu o médico.argumentou o psicólogo . Inesperadamente. Vamos socorrê-lo! Não é melhor chamar uma ambulância? Talvez demore e não podemos esperar. Os gritos atraíram João. Sérgio. Vim aqui porque demoraram. Calma . A jovem leva ntou-se rápido e começou a berrar horrorizada ao ver Sérgio de joelhos tendo uma mão seg urando o estilete e a outra na garganta. sentia-se bem. Marina . Olhando a própria mão ensangüentada. Porém a jovem aproveitou-se da oportunidade. .disse o doutor Édison. E a resistia. Sérgio estava de volta à clínica e usava uma band agem sobre os pontos no pescoço.exigiu a jovem com voz fraca.resmungou Sérgio. Muitas brincadeiras e piadas foram feitas pelos a migos. Niva ldo e outros trabalhadores da clínica. João e Nival do o viram lá e entraram para conversar: Eu não poderia imaginar que em uma profissão tão tranqüila corrêssemos risco de morte brincou Nivaldo.. Mas posso sair ou. Não tenho mais nada de útil.Olhando para João falou: Não ac edito que tenha atingido alguma artéria importante. Marina . Quero morrer. e o doutor Édison surgiu em meio à surpresa. tentando estancar o sangue. e o médic não conseguia ver o ferimento.Vendo-o tentar falar al go ainda. Sérgio... Então vem! . Pensei que o senhor res peitasse a ética profissional. . * * * No dia seguinte ao acontecimento. . Sérgio! Por que chamou esse homem?! Minha vida é um inferno e inútil e você ainda me desprezou! Calma. Desculpe-me . apressadamente. Ele precisa de socorro urgente. quase impensado. gritou: Segurem-na! O Sérgio está ferido! Levem-na daqui! Nivaldo tomou a frente e João ficou na sala. deixe-me examinar esse corte. Não queria se render nem largar o instrumento. ele mostrou-se calmo. Pensei que fosse desmaiar e morrer! Mas não foi o cortinho que o deixou daquele jeito. Marina se revoltou. Quando estava na sala do doutor Édison.João e Nivaldo perguntaram num coro. entendendo a gravidade da situação.correspondeu Sérgio.disse o médico em tom suave.. Sérgio foi à direção de Marina e segurou-lhe a mão.

pois esses remédios não alteram a saúde física ou mental dos pacientes.informou Sérgio.brincou Nivaldo. por isso perguntei. Aí sim isso será necessário. Rindo. rindo. Há dias não vejo a dona Antônia e ela está ocupada comigo.. Mas que joelhada foi essa?! .Espere! . Virando-se para sair da sala. Também estou indo.perguntou o médico. Mas não pe nsem que só esse medicamento causa essa alteração comportamental. Sérgio. Sérgio? .exclamou o médico brincalhão.tornou Nivaldo curioso. No entanto se a moça mudar de idéia e acusá-lo de algo que não fez. e os pesadelos? Sabe que já faz tempo que eu não os tenho! Tinha até me esquecido. O senhor sabe. Isso é culpa de médicos irresponsáveis .correspondeu Sérgio. Sérgio e o médico foram para a casa de dona Antônia e os outros retornaram ao serviço.quis saber Nivaldo. mas... São medicamentos simple s ou fórmulas manipuladas somente com receituário médico. o doutor Édison perguntou: Você gravou a sessão de terapia da Marina? Sim. Nem vi ou senti quando ela me cortou a garganta. Já?! . Mas não vou apresentá-la aos pais. No caminho.. completou: Com t odo esse tamanho. O senhor contou aos pais da moça? . despediram-se. à promotoria..Reflexões de um Psicólogo .pediu o médico com jeito maroto. Por causa de um medicamento. Trazem efeitos sérios para grande parte dos usuários.. Então vamos lá! Eu quero conhecer a dona Antônia! .. Eu tenho ética profissional. para diversos fins. Pensei que fosse desmaiar. 29 . Amanhã você desarma seus pacientes antes da terapia! . mas naque le momento eu não estava clinicando. Quero sim! Só que vou para a casa do João. o caso foi grave . Existem ou ros medicamentos muito eficientes contra espinhas e acnes. Estamos brincando. precisará apresentar a gr avação.admirou-se João. Bem. Temi machucá-la e não usei força. A menina precisará de acompanhamento terapêutico até se reestruturar do que fez e vão fazer um acompanhamento clínico dos possíveis efeitos que podem ocorrer. Nossa. Apresentarei ao juiz. Bem. Quer uma carona. Nada de termos de responsabi lidade. João reclamou: Minha mãe só teve um filho. mas adotou um bando de marmanjos! Se está revoltado. Eles não sabiam desses efeitos e já suspenderam o medica ento. Já estou bem. Por isso uma série de documentação para os responsáveis assinarem. mediante a solicitação do juiz.afirmou o médico.. É bom fic armos atentos a isso. serei adotado! Em meio ao riso. mas sim testemunhando fatos que precisei depo r na delegacia onde registramos a ocorrência. Só sinto um cansaço pelos efeitos dos remédios que tomei. E os dois seguiram conversando sobre esse e outros assuntos.riu Sérgio. má formação fetal dos filhos e outras c onseqüências. Lógico! .. procure um psicólogo e faça terapia . Qu sabe. Você não comentou mais nada. desde depressão profunda. uma jovem daquele nível tomou a titudes descontroladas. sem dúvida. Acertou-me com uma joelhada tão forte que caí pros trado pelo golpe baixo.disse o doutor Édison.. É uma droga muito cara e não é vendid a em farmácias convencionais nem de manipulação. Ela estava segura ao assumir o que aconteceu.comentou Nivaldo. aos pais. pois o fígado da jovem está muito prejudicado. por ética. existem muitos outro s. Lógico. cegueira. Ao puxar sua mão la se jogou sobre mim e. mas foi liberado novamente. não dominou uma menina e ainda apanhou dela?! Sérgio ria ao tentar esclarecer: Não é correto dizer que eu apanhei. Por isso o pa ciente deve exigir o máximo de informações sobre o que lhe foi prescrito e os psicólogos procurarem saber com o que seu paciente se medica. . responsáveis por essa mudança de comportamento. Vou colocar um detector de metais na porta . Esse medicamento já proibido no Brasil. Amanhã retorno normalmente. aos advogados. Sim. Estou cansado e preciso ir.

auxiliada por sua ligação.. A seguir temos Psico. Isso deixava o espírito Sebastião furioso. mente. humildemente. à qual o profissional resp onsável se dedica e busca a fim de dilatar sua sabedoria. ao glorioso dom da centelha Divina. não são desvend ados por outras ciências inábeis. no inconsciente de nosso s ancestrais. em português Psique relativo à Psíquico que significa alma. esperteza e possibilidades profissionais para atingirmos os nossos objeti vos de auxílio! Comparado. não admitiam o profundo lamento pela o portunidade reencarnatória perdida. da mente! E uma ciência. a princípio. nós sempre rogamos condições mentais repletas de vivac idade. orgulhosos e revoltados. A sua luminescência espiritual. Todos atentos às cenas gravadas pelo médico. indo servir out ros líderes. Esses. dizendo em seguida: Caros colegas. dando im tância ao ser humano. Se nós estamos aqui hoje. O espírito Sebastião sentia imensa interferência invisível no grupamento de desencarn ados que o seguiam como fiéis soldados à disposição de seu comandante.. Por fim. Psicologia! Estudo da alma. precisa ter o dom d . Ele perdia o controle e suas forças ficavam cada vez mais rarefeitas em sua mente confusa. n o plano invisível. mas devemos admitir que ninguém tem a r azão absoluta das coisas. impostando a voz de modo a atrair atenção e consideráv el respeito pelo silêncio: É praticamente inconcebível um Psicólogo ateu! A crença em um Criador e em muitas questões sobre os 'porquês' da vida é um sentiment o inerente ao ser humano e associado à sua crença de 'algo' que sobrevive após a morte . viram Sérgio cumprimentar os alunos co m indefiníveis boas-vindas. comportamentos.As vibrações constantes pelas preces verdadeiramente sentidas e consagradas. valor à vida!. Vejam só. de alguma forma. temos lógica. As perturbações. Eles estavam sequiosos e eu chamei o Sérgio para oferecer uma apresentação ou palavras de incentivo. espírito. Ela explica o motivo que levou a mente de nossos ancestrais a certas crenças. a não ser pela Psicologia. gradativamente. Seu ódio desequilibrava sua organização peri spiríta. o doutor Édison comentava empolgado em uma reunião n a clínica: Era uma turma nova naquela pós-graduação. alcançava magnitudes inatingíveis aos espíritos inferiores que desejava m atormentá-lo. originário do grego Psyché. que sig nifica estudo ou ciência. Eu posso errar ou vocês poderão tirar algum proveito se busc arem conhecimento Alguns segundos e continuou. Ele nos emocionou e nos fe z refletir com o que falou. Ampliando sua visão nessa bela ciência. no estudo da estrutura e formação da palavra. ou seja. é por termos fé e esperança na evolução da mente. sublime claridade azul-radiante a envolvê-lo. e quaisquer enigmas desse terreno não delimitado. que é a judar! A Psicologia é simbolizada pela figura de um tridente. seus seguidores o abandonavam vagarosamente. ou só se desgarravam e acabavam escravizados por outros espíritos de grup os hostis rivais. mas que se entregariam às expiações dos próprios crim es. Ações que são comprovadas nas mais remotas eras pré-históricas. Talvez alguns não concordem. ofereceu-lhe. o psicólogo. dentro do conju nto de disciplinas de um grande leque de conhecimentos. também vingativos. * * * Em determinada oportunidade. Psi corresponde à primeira divisão silábica da palavra Psi-co-lo-gi-a. eu só vou tentar dizer algumas palavras sobre a minha humilde Ref lexão de Psicólogo. a el evada condição mental assumida e praticada por Sérgio. Ninguém escapa aos débitos da consciência. por essa ser a grafia da vigésima terceira letra do alfabeto grego Psi. Não passavam de espí itos rebeldes que. costumes etc. Para nos ajudar na caminhada de elevadas conq uistas morais. a entidades excelsas pel o poder da oração. Na morfologia. do espírito. mas não conseguiam pela incompatibilidade. inclinando-nos aos profundos estudos nessa área valoros a de uma ciência tão abrangente. eram em vão contra Sérgio ant e seu vigoroso equilíbrio mental e o poder da prece. Percebendo que Sebastião enfraquecia seu domínio s obre os encarnados. inclusive durante o sono.

Eternos aprendizes. A instituição não garante nosso profissionalismo . Não podemos ser indiferentes e virarmos as costas para as desgraças do mundo! Nem nos desesperarmos. A resposta aos que pedem entendimento e socorro. O amparo aos necessitados de apoio. A fé aos que perderam a esperança. O benfeitor nos cenários atribulados das criaturas. E o futuro aos que se relegaram aos precipícios do passado. de sensibilidade. sempre.. perde ndo a esperança e a fé. independente do tempo. Um sábio Nazareno. e encontrareis descanso para vossas almas . É o coração repleto de dádivas. apontando o caminho para o cam po da liberdade! Mansos e humildes de coração. e aprendei de mim que so u manso e humilde de coração.. E o auxílio dos que suplicam entendimento. despertando para a atmosfera de misericórdia e bondade ao nosso alcance. para centenas de criaturas. Você é a bondade que compreende e ajuda os incapazes de amar. com o que vemos acontecer. há mais de dois mil anos!. cabe-nos conhecer primeiro a nós mesmos e nos devo tarmos aos chamados do mundo. O sorriso que socorre os corações feridos. Você é a liberdade para os prisioneiros da própria mente. A paz para os desalentados da sorte. secamos as lágrimas do desespero e descortinamos as influenciações dolorosas das ilusões. O bálsamo m edicamentoso aos feridos da jornada.. de amor f raterno!. no dia-a-dia. E o dia para os que vivem na e scuridão da noite. É a esperança para os que pe rderam a fé. cuja filosofia e exempl o de amor são aceitos por incontáveis religiões e filosofias. Por isso. É o vento que faz o pássaro vôo. A alegria aos qu e estão desgostosos e angustiados. quem sabe. aliviamos os corações sofridos. pois se formos capazes de fazer a diferença para uma pessoa.. Mesmo como aprendizes. Você é a fonte de água para o viajante sedento no deserto. ao absolutismo pessoal e infl exibilidade. É a fonte geradora de valores à vida. É o mensageir o de bondade dos que se prendem nas ilusões. A força para os que se enfraquecem no caminho. Nós podemos fazer a diferença! Todos nós podemos fazer a diferença diante das catástrofes da vida tomando uma postura equilibrada nos vendavais das paixões terren as. nós fazemos a diferença quando. É a estrela celeste c apaz de iluminar o caminho. O abrigo aos que padecem assustados e tristes.. É a luz que conduz ao caminho do equilíbrio. Você é a pessoa especial que faz a diferença na vida de muitos. levando descanso para suas almas. É a ajuda que ampara os feridos da jornada. Você é o caminho que conduz muitos à paz. de dedicação. ca az de ofertar esperança e fé.. Você é a porta de liberdade dos aprisionados nos velhos cárceres do Eu. Todo extremo é prejudicial! Mas.. E o elo radioso àqueles que dão os 'primeiros passos'. Os matizes colorido s aos cegos de emoções sublimes. Você é o orientador às mentes confusas carentes de equilíbrio. de intuição.. afirmou: Vinde a mim todo s os que estão cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. abnegados colegas. como nos ensinou e exemplificou o sensato e prudente Nazareno. Ele precisa sim. O recurso aos que implora m por forças íntimas. Você é o bom ânimo aos que se encontram sem vontade. tresloucados e desgostosos. ou seja. nós podemo s nos melhorar para minimizarmos e aliviarmos as dores dos fatigados e oprimidos . Essas nobres palavras não são as mais adequadas às reflexões e ao silencioso jurament o moral de um Psicólogo?! Queridos amigos e colegas. Você é a energia aos que se sentem atrofiados pela própria imprevidência. Você é a direção para o aperfeiçoamento suave e edificante. para um grupo ou. A compreensão aos carentes de amor e paz. É o suprimento dadi voso que regenera e salva. E a fortale za que impede muitas criaturas aos despenhadeiros das sombras. O alívio aos que se abalam com os traumas da vida. foi meditando sobre tal filosofia que eu posso afi rmar: Psicólogo. A claridade aos carentes de luz.e auxiliar sem se prender ao seu próprio dogmatismo. A influência benéfica aos que se afli gem pelos erros. também chamado de 'Psicólogo das almas'. O equilíbrio para os que não se sustentam soz inhos... 'Eu tenho razão em tudo!' Nem se entregar ao marasmo de sua alma desanimada. teremos o dom de fazer um pedacinho de o mundo ser um lugar melhor! Não importa o nome renomado ou não da universidade que nos graduou. dotados de d ignidade e compaixão.

Não sabia o que pensar nem como agir. convidou com voz generosa: Vamo s entrar? Fique calma. Contornou o carro para saber quem era e o que queria. humilde e responsável! Um diploma não tem ta nto valor como o que somos e em que nos transformamos diariamente quando admitim os novos conceitos corretos. ela o abraçou com toda a força. mas p ermaneceu imperturbável e. sentada no degrau do portão social e. O que Débo ra queria. atrás de seu carro. João estapeou-lhe as costas. que se prontificou a cuida r da jovem.honesto. sem que esperassem. pois precisava guardar o carro na garagem.Curvando-se. Sérgio estava enganado. Levante-se. usando toda a força de vontade e todo o desejo de coração. temendo um assalto. Boa noite.Em pé. olhando atentamente para os lados. a secretária os interrompeu chamando Sérgio pa ra atender uma ligação urgente. depois à porta da sala e conduzindo-a pediu que se sen tasse no sofá e o esperasse. Estava angustiado e a preocupação corroia seus pensamentos enquanto ia para sua residência.. Pro curando conter as emoções. trêmula pelo frio. Foi então que Sérgio quase gritou ao mesmo tempo em que corre u em sua direção: Débora! . Nesse momento. Posso te ajudar? Lentamente a pessoa se moveu e. Pensava em chegar. A garoa forte. * * * A surpresa desagradável de sérios acontecimentos tomou todo o tempo de Sérgio naque la tarde e princípio de noite. viu um vulto de uma pessoa enca puzada com a própria blusa. Sérgio se foi. O coração de Sérgio estava aos saltos. chorando compulsivamente. viu melhor seu rosto pálido e lágrimas a correr por ele. afagando-a com ternura. . como deixou aquele 'Psicól ogo das almas'. Usaremos tudo isso para o que escolhemos ser na vida: Psicólogos! O silêncio na sala era absoluto. novas reflexões e nos reformamos intimamente deixando de ser preconceituosos. . cada um de nós pode fazer a diferença por intermédio das aquis ições e aperfeiçoamentos de conhecimentos novos! E com as dádivas abençoadas da nossa alma .. mas não disse nada. Desconfiado. Com amor. Sérgio sentia-se sem jeito. naquelas condições depois de tanto tempo? Ao retornar. Vamos! Ele abriu o portão social. Ao posicionar o veículo para entrar na garagem. Baseando-nos nessa filosofia de sensata reflexão. mas não conseguiu identificar. Nivaldo levantou-se e puxou para um abraço e os demais profissionais da área presentes e que prestavam serviços na clínica. há mais de dois mil anos!.. não nos dá diploma de ser humano. Assim c . Os outros continuaram conversando a respeito apesar de sua ausência. cumpriment aram-no com grande reconhecimento e satisfação. O médico mostrou-se preocupado. pedindo que telefonasse depois.. encolhida. Imaginou que nenhum outro acontecimento inesperado poderia surgir.. está tudo bem. viu-a tremendo e abraçada a uma almofada onde sufocava um choro tr iste.. Reparando em detalhes. ajudou-a e pediu em voz baixa: Venha.. descobriu a cabeça erguendo o rosto para vê-lo melhor. da nossa mente. Talvez transmitindo algumas sementes de bons-frutos. ali. O médico orientador e amigo valia-se dessas reuniões periódicas com a finalidade de promover afinidade entre os profissionais. tomar um banho e retornar ao h ospital. Viu que se tratava de uma silhueta feminina. Ele estava comovido. ele não abriu o portão da garagem e desceu vagarosamente do veículo.. encosta va-se nele. Após deixar Rita na casa de dona Antônia sob os cuidado s maternais da amorosa senhora e também do doutor Édison. esclarecimentos de possíveis dificulda des ou encontro de soluções para alguns assuntos. O médico interrompeu a gravação. Esse Mestre Nazareno sabiamente disse: 'Onde estiver o vosso tesouro. Ele retorn ou um tanto inquieto e conversou rapidamente com o doutor Édison avisando-o sobre que não poderia ficar. ali est ará também o vosso coração'. fina e fria começou a molhá-lo p orque ele demorava observando a distância. mas bem sujo.falou receoso. ele pode ver o tênis de qualidade.

Ele a levou até seu quarto e procurou por um agasalho quente que servisse. Só a deixo en trar aqui quando eu ou o Tiago estamos em casa. admirou e pediu com mimo de alegria na voz frágil : Ai! Que coisinha linda! Posso pegar? . sentados à mesa arrumada por ele. era Sérgio quem não conseguia comer pelo excesso de preocupações e surpresa. viu-a pálida como nunca. ap resentando vergonha no olhar lacrimoso. Uma camiseta simples e uma blusa de lã fi na que quase não aquecia. sugeriu com tranqüilidade: Pegue o secador lá no armário.. ...Vendo-a concordar. Será melhor secar bem os cabe los ou pegará um resfriado. não é barulhenta . Débora olhou-o e largo sorriso moldurou seu rosto on de pareceu acender uma chama de energia. . Estava inquieto e queria organizar os pensamentos para saber quais providênci as tomar.ela sussurrou. Pegando uma manta. com bondo sa tranqüilidade.riu. esqu ecendo-se de outras roupas que ela havia deixado lá e ele guardou em um canto do a rmário. pegou-a pela mão fria. Depois comeremos algo e convers aremos o que for preciso.perguntou.respondeu com voz fraca. Seus cabelos estavam compridos. Toda molhada p ela garoa fria do início do inverno. Débora tomou várias colheradas da sopa quente e comeu alg umas torradas. levantando e ficando ao seu lado ao vê-la segurar a testa com as mãos. ele propôs com paciência: Vamos fazer o seguinte: pegaremos roupas l impas e quentes. Pedindo que se levantasse. Adaptei para ela uma entradinha do qu intal para a lavanderia e com uma cama melhor do que a minha! . mas estava esmorecida. Estendendo os braços para Sérgio. no meio das costas. seu sorriso era anuviado por uma tristeza. Ao vê-la sair do quarto ele ligou a televisão para distraí-la. ainda estava claro . perguntou: Há quanto tempo ficou me esperando? Não sei. Não demorou e os dois estavam na cozinha.. Você toma um banho e se agasalha porque pegou muita friagem. Desculpe-me. . Enquanto Débora se demorava no banho. Débora. Débora . há quantos dias você não come? Vendo-a abaixar a cabeça e chorar..explicou. grande preocupação e i ncontáveis perguntas. Não queria incomodá-lo. Eu t ambém preciso de um banho. Débora! Tudo bem? .. Abaixando-se frente a ela. Apesa r de delicada como sempre. Ele comentou sobre assuntos sem importância como a mudança brusca do tempo. perguntou em voz baixa e tom comovido ao observá-la: Débora. Colocando a mão em seu rosto. Sérgio a fez encará-lo e. tremia de frio. Vendo-a desorientada e com visíveis nece ssidades físicas..tentou dizer. Acho que. pois estou bem cansado.... Mas quando cheguei. dizendo: Venha logo! Vamos encontrar uma roupa lá no armário e depois nos falamos.omo o jeans que parecia usar há vários dias. Vez e outra.. Você quer trocá-las? Tomar um banho quente? Desculpe-me. ele se levantou e retornou sem muita demora.. Observando se us cabelos molhados.. avisou: Vou tomar um banho e já vol to para jantarmos. essas roupas molhadas te farão muito mal. Fazendo-a olhá-lo. é uma cachorrinha . ajudou-a com firmeza levando-a para a sala pa ra que se sentasse no sofá. Tudo bem para você? Você ainda é capaz de permitir que eu use a sua casa e tuas coisas.interrompeu-a com inflexão suave. Ela se adaptou bem. Abaixando e pondo-se de joelhos frente a ela. Não us ava maquiagem e estava muito magra. Débora não trazia qualquer bolsa. .. Percebendo-o em pé à sua frente. deixando-a encolhida e re costada nas almofadas amontoadas. como diz? Oferecendo-lhe generoso sorriso estimulante. sentiu-a gelada. Está no lugar de sempre.a voz da moça enfraqueceu e um suor gotejou rapidamente em seu rosto. Mas eu não tinha a quem procurar e. cobriu-a. ele preparou uma sopa e fez algumas torra das. Desta vez. Eu gostaria de. sobre a cachorrinha que ele adotou e Débora se interessou: Você tem um cachorro? Na verdade. Não.

Foi até o jardim. Ela é enorme! Examinando-a. Para eles não fazerem isso. Lembro que me contou que. Ela é um amor! Onde a conseguiu? Eu tinha o Tufi. algo que fazia sem ir para o chão. Eu não podia trazê-lo para cá e deixá-lo sozinho. Isso mesmo. Eu estava trabalhando n a clínica.. pe nsei que fosse pela idade. estava bem inch ado. Limpavam e escovavam os brinquedos dele.. arrumando-a como um co lchão e. deixando a cabeça de fora como se estivesse dormindo. a cachorrinha entendia a entonação do carinho na voz. ela pegou um a caixa de sapato enorme. ele contou que ela chorava enquanto recolhia o Tufi do chão com uma pá. quando meu irmão chegou à casa dos meus pais. vi que alguém afastou as grades aumentando a abertura. Muito alegre.. curtos e acastanhados com pequena mancha branca na garganta. Princesa parecia se contorcer de satisfação pelos carinho s que recebia. mas descartei essa idéia por estar bem ativo. Você disse que iria trazê-lo para cá. jornal da bandeja do fundo e a arei a por fora sem que ele saísse da gaiola. Acho que foi doloroso. esta é a Princesa! Princesa. Somente o Tiago e meu pai sabiam o segred o. Então pedi a ele que trouxesse o Tufi. ela abanava o rabinho curto com tanta força que se remexia toda p ara exibir sua felicidade ao olhar para a moça. E foi justamente naquela manhã. mas não sabia explicar como ele foi para r no chão. Talvez seus sobrinhos. morto há poucas horas. então. mas não o soltava. Depois o colocou lá e o cobriu com um paninho. coloquei o Tufi como minha mãe havia fe ito e o enterrei aí no jardim. colocou uma toalha fofa dentro. minha mãe cuidava dele. O professor queria fazer uma análise mais profunda e exames mais apurad os. Podia-se trocar a água. Aquele ratinho que treinei. pois era ensinado e não ia para o chão. Ela olhava o Tu fi morto e chorava. brinquedos de que o Tufi mais gost ava e os ajeitou na caixa. A princípio. os doi s só o deixavam passear do lado de fora da gaiola. O Tiago não perguntou o que ocorreu? Lógico. Voltei para casa. Sabe. Não. Entregando-a para Débora. ao chamá-lo. comida.Ele sorriu com gosto e apresentou: Débora. sub ia por sua roupa e corria em seu braço até pegar a recompensa em sua mão... Mas. encanta da e generosa como se o animalzinho pudesse entender o significado de suas palav ras. Mas eu não deixei. O que me intrigou foi o Tufi estar fora da gaiola e. o Tufi obedecia. Será que não pisaram nele? Fiquei triste sim. Você gostava muito dele disse em tom triste enquanto aca riciava a cachorrinha que se aquietou em seu colo. Ou. e sem que nossa mãe o visse. Ele era muito esperto. Depois pedi ao Tiago que me trouxesse a gaiola.exclamou Sérgio sorrindo. Ele era bem treinado e não desceria da gaiola. Procurei um profess or da área de graduação em Veterinária. pelos lisos. pois minha mãe tinha o maior pavor. Nossa mãe falava sozinha lamenta ndo: Meu Deus! O que aconteceu? Eu tinha medo desse bichinho.. Achei interessante saber que minha mãe chorou por ele e. O Tiago e meu pai pegavam e brincavam com o Tufi sem deixá-lo ir para o chão. Acho que. na polícia e não teria tempo para cuidar dele. sem raça definida. A jovem conversava com a cachorrinha exprimindo voz doce. Tivemos alguns problemas e o Tiago decidiu estudar e veio morar aqui. alguém o pegou e aplicou-lhe uma injeção. . E o Tufi saiu por essa abertura? Com certeza. Ele disse que nossa mãe não conseguiu disfarçar quando o viu. Ele não precisou olhar muito para descobrir e me m ostrar uma espécie de picada onde havia um endurecimento pelo acúmulo de algum líquido injetado. Por essa razão ele ficou na ca sa dos meus pais. mas gostava dele! C oitadinho! . Não pensei duas vezes e o levei na hora lá na universidade. pois dav a um trabalho enorme para voltar quando eu não estava para chamá-lo. Apesar de receosa e até com medo. certamente.. Uma espécie de autópsia? Sim. mas. ele passeava por toda parte. enquanto ele andava por fora da gaiola. esta é a Débora! Tratava-se de uma cachorrinha d e pequeno porte. quando o colocava f ora da gaiola.. Jurou que não o soltou. Ela mesma pegou a bolinha e a corda. Bem. É! Ela gostou de você! . eu coloquei um cadeado de segredo na portinha po r onde ele saía. orelhinhas triangulares e dobradas. apanhou algumas marg aridas e arrumou em volta dele e pediu para o Tiago trazê-lo para mim.

A minha presença pode causar problemas en tre você e a Rita e.pediu. eu. Não satisfeita com o que o trabalho e com o que ganhava. deu um jeito de fazer um acordo e foi demitida da revista na sema na passada.interrompeu-a educado. pois a cachorrinha o viu apontar para ela e abanava o pequ eno rabinho. rodeada do gelo do granizo que estava por toda parte. Entrei às pressas. espere um pouco! . enfiei no carro e trouxe para casa. ficou f eito uma bolinha e só no dia seguinte deu sinal de vida. Sim. entendeu? Nunca tivemos nada além de amizade e respeito. quase pisei essa coitad a! Parecia uma bolinha marrom molhada. sem dúvida.. secou com o seu secador. nunca. Foi o suficiente para el a continuar rodeando a porta da clínica. tornou-se seu melhor amigo. .perguntou em tom de lamento. eu e a Rita não temos nada! A propósito. deu comida e a enrolou em uma pequena manta. Débora. também ajudou a alimentar essa moça e arrumou uma caixa de papelão para ela dormi r num cantinho .. não foi minha mãe. pois estava atrasado. Aquecida.tornou Débora. um out ro cachorro de rua me seguiu até em casa e o adotamos. A Rita veio aq i no dia seguinte às vacinas. preocupada com um bich inho de que tinha medo e. Pelo que o Tiago contou.falou rindo.. Não agüentei! Peguei o bichinho. A Rita se formou em jornalismo. eu não quero atrapalhar sua vida. mesmo debaixo da cobertura da entrada. minha mesmo! Acabei co mprando-a. Ninguém tem o direito de me criticar por você estar aqui. mas está com um emprego praticamente garantido em um jornal.. tirei-a de lá para outro carro não atropelá-la e a coloquei em um cantinho. que fica cuidando do estaciona mento. sentando-se ao seu lado. pois o aroma que ela exalava estava difícil de suportar. Há pouco tempo alugou a casa onde morava com o irmão e está com a dona Antônia. toda simpática. quase a atropelando. Mas ainda é bombeiro e trabalha à noite . Ah! O Tiago ficou todo feliz! Mesmo sendo de noite.apiedou-se Débora. apareceu lá na frente da clínica e ficou rondando em torno do estacionamento. Talvez a Rita não aceite e. Era engraçado. Deixa pra lá. Depois de alguns anos. Enfim. dando lugar a uma expressão de constrangimen to e melancolia.. coloquei embaixo do braço.Rindo. ela reclamava.. . aconteceram outras coisas e ela passou por momentos difícei s e o Tiago a acompanhou. .Quem faria isso? . Coitadinha mesmo! Assim que acordamos. mas gostava.. tive u m cachorro que não me largava. depois de um ano ele também s umiu. Após a morte do Rogério. Enquanto agradava a cachorrinha. ele deu-lhe um banho quen te.Ele sorri u ao revelar: Jurei que depois do Tufi não teria mais animal algum! Porém aconteceu que essa madame aí . Eu pensava que fosse minha mãe. ao abrir a porta. mas aconteceram tantas coisas. Ela não viu o meu irmão e estava chorando. como se ela fosse minha irmã mais nova. acabou sendo adotada! E você lhe deu o nome de Princesa? Não. Você desconfia de alguém? . comentou: Sérgio. Fui até a r ua. Foi até lá fora e deu-lhe água e resto de lanche para a pobre cadelinha. parecendo entender. pois me olhou de jeito estranho por uns três dias. Teve um dia que eu estacione i o carro. O Tiago está mor ando aqui.. Foi jogada para o lado e caiu estonteada ao chão. Ho uve um dia em que caiu uma tempestade de granizo muito forte.Breve pausa e contou: Quando eu era pequeno. desci e olhei para a rua e gelei ao ver o pneu de um carro bater nela . peguei a cachorra. Despedi-me dele e. Você não está sabendo. mas um dia ele sumiu. como falei e cursando Psicologia. Namoraram e ficaram noivos há um mês. como se soubesse o significado! O rosto de Débora anuviou o sorriso. mas. contou : Não ficou nada.. contou: Fora uma grande amizade e consideração. dos cachorros.disse com simplicidade. Ela conhecia os funcionários e fazia a maior festa quando o doutor Édison. por causa da a titude com o Tufi. Isso f oi ótimo. . Não tínhamos idéia de qual nome dar. Por quê?! . .riu. o João ou o Nivaldo chegávamos ou saíamos. nada satisfeita com as injeções. Coitadinha! . Aliás. começou a chamá-la de Princesa e a cachorrinha atendeu p or esse nome. O segurança.. A secretária viu a cena e ficou com dó. A Ri ta está morando na casa da dona Antônia e se tratam como se fossem mãe e filha. Agora tenho certeza de que não. Fiquei até bem tarde na clínica e o segurança da noite estava olhando pelo vidro da porta impressionado com a chuva que caía. Vendo-a atenta ao ol há-lo. levei ao veterinário e ela tomou todas as vacinas de que precisava e ainda o vermífugo. Esta é minha casa. referindo-se à cachorrinha .

não precisa. puxando-a para junto de si. Poderá fazer isso amanhã . Por que ela não pegou a criança? Ela e o marido são faxineiros em um hospital e trabalham à noite. porém estava preocupado e curioso para obter mais de talhes.. Sérgio .perguntou aturdida. no local. dizendo: Se eu for atrapalhar... Os bombeiros ficam de prontidão e bem atentos nessa épo ca do ano. Não.... Débora afastou-se lentamente do abraço. Bem. . e a mulher que o via de longe gritava apontando onde era o local do quarto qu e o filho estava.. Conversando com um dos colegas que estava com o meu irmão. por favor. Mesmo assim. Deixe-me explicar. Quando o Tiago tentava levantar as telhas. Você está cansada e a cama é bem confortável.. Com a ação ininterrupta dos bombeiros para apagar as chamas.chorou e os soluços embargavam sua voz. mas. pois. mais de uma hora dep ois. ta! Eu preciso sair. ficou m ais perigoso e ninguém conseguia chegar até lá. posso ir! Eu darei um jeito e. O Tiago enrolou a criança em sua jaqueta .. e stou terminando uma pós-graduação. Ela escondeu o rosto e chorou em silêncio. . sem encarar Sérg io. Respirando fundo.. Foi assim: para estudar ele conseguiu um horário para trabalhar de noite até de manhã. Claro que pode..pediu como se implorasse. Só não gosto que a Princesa suba em a cama. Sérg io sobrepôs o braço em seus ombros. principalmente por causa dos balões soltos pelas festas juninas e dos c ampeonatos de futebol. Estou levando a vida! Mais nada! Penso em fazer Mestrado no próximo ano! Lágrimas surgiram nos olhos de Débora e não demoraram a correr em sua face pálida. como viu. Ela o interrompeu. Pode ser? ! Posso dormir aqui no sofá. O ar estava sem umidade. quero encontrá-la aqui quando eu voltar. Ao mesmo tempo. O fogo se propagou rapidamente... e ela falou sem encará-lo: Eu não queria te incomodar. Sérgio tinha vividos os sentimentos latejante s. O Tiago era um dos bombeiros que foi para o local.Sérgio chorou.. Disseram que ou viam o rádio com fones de ouvido quando souberam do incêndio onde moravam e correram para lá. puderam se aproximar e escutaram seu chamado e..expressou-se sorrindo e com modos simples. Se não quiser conversar hoje. Por favor . .. Só que. . sentindo-se envergonhada. andou sobre os muros e telhado s. secando o rosto com as mãos. Aconteceu que um balão aceso e ainda com fogos de artifícios estourando caiu sobre uma favela. Se não for inva dir sua privacidade. Destelhado.. pulsando fortemente ao debruçar suavemente o rosto sobre a cabeça da jovem.Sérgio engoliu seco e quase em lágrimas.. que também trazia os olhos úmidos e forçava-se para segurar as lágrimas. Foi com o Tiago. fechando os olhos por não acredit ar no que acontecia. Eu?! ..Ela silenciou e ouviu: Eu só peço que você durma lá na suíte. Aconteceu tanta coisa na minha vida. Aconteceu algo bem sério e não posso ficar.. se não a segurassem. ele contou que. Breves segundos.pareceu suplicar . a garoa só chegou hoje à tarde e o incêndio foi durante essa madrugada. Mas!...sorriu. Débora! . Disseram que o Tiago a acalmou e prometeu tr azer o menino. Contaram que a mulher estava em desespero e.E você? .. Posso ficar aqui? Não tenho para onde ir .. O outro quarto é do Tiago e não gosto de invadir a privacidade e. O lu gar tornou-se de difícil acesso por causa das chamas em volta. posso saber o que aconteceu de tão sério para precisar sair a e ssa hora? Por que de repente você pode ter alguém que pode chegar aqui e. uma mulher gr itava desesperada porque seu filho de seis meses estava no quarto quando os três i rmãos saíram correndo por causa do fogo.. não tem problema.. tudo cedeu e ele ca iu. prosseguiu: Quase não acreditaram. humilhada.. guardados com todo o amor. Tudo bem . Mas. contou: Não ia dizer nada para não te preocupar. Os bombeiros encharcaram o local onde ele estava. D orme na suíte. Trabalho na clínica.avisou piedoso. ela entr aria nas chamas para pegar o filho. Enquanto ele sentia o coração apertado.. Não queria falar nisso.. em uma casa de r epouso para idosos e. . mas não foi suficiente. Ele sabia dos riscos.concordou e sorriu. ta? . mas te devo sat isfações. Tenho uma tarefinha em uma creche.sugeriu com gen erosidade na voz grave. Espere.

Você já o viu? . beijou-lhe a testa... Naquele lugar da crosta terrestre. Sérgio recebia orientação e amparo provide ncial do Alto. re pleta de vinganças e injustiças. Era algo como que um alimento fluíd ico que lhes dava energia inferior limitada e ânimo agressivo. o quadro era deplorável. pulando em comemoração. mesmo sem saber ao agir intuitivamente. Os espíritos se aglom eravam. deformados. em nível psíquico inferior por se prender ao primitivismo da mágoa e da vingança. Sebast ião perdeu as forças quando não ofereceu mais perigo ao encarnado. Então. e usavam para aterrorizar os outros apesar de intimamente serem infelizes ... Estarei te esperando. Sua perna ficou presa entre as vigas e os escombros.. vigiar-se e dedicar-se ao bem. 30 . arrebanhados por suas práticas indignas quando encarnados. Energias mentais do espírito Sebastião criavam vibrações aos que o auxiliavam e os im pregnavam de idéias pouco elevadas. Muitos o aban donaram desde que o viram ficar sem poderes para subjugar Sérgio como vítima. que cederam novamente de pois de ele pegar o menininho. E sem aquela rou pa.. Em decorrência disso. ... seguiam-no por propensão ou vontade própria na inclinação ao mal. que assumiu nova at itude mental ao orar. apresentando-se com o corpo espiritual no qual plasmavam deformid ades por seus vícios e milhões de vermes a corroer-lhes com violentas manifestações de t error. vários se guidores se afastaram daquela falange. aos vícios degradantes. Outros grita vam enlouquecidos.perguntou chorando. E o Tiago?! . parecendo festejar uma vitória. suas queimaduras foram mais graves. Soube hoje pela manhã. Outros se ligavam ao grupo tal qual escravos cativos.. Qualquer coisa. Vai me ajudar se ficar aqui e me esperar. Seu estado é grave e ainda corre o risco de perder a perna devido às queimadur as. Pode deixar. De longe. à hipocrisia. Alguns espíritos que o acompanhavam.. Ele estava nervoso e preocupado. Só vou pegar alguns documentos e...A elevada Laryel intervém na obsessão injusta Na espiritualidade. secou o rosto e procurou se controlar. o espírito Sebastião compr zia-se.. Não se preocupe comigo e. Em compensação. Sérgio chorava ao responder: Mais de sessenta por cento do corpo com queimaduras de segundo e terceiro gra us. Muitos eram mutilado s. Fui onde está internado e quero acompanhar os procedimentos bem de perto. entende? Claro! Se eu puder ajudar.perguntou aflita diante da pausa. desequilib rados.. mas controlando as emoções. Despedindo-se de Débora. Reservava-se.quis saber entre as lágrimas e os soluços. recomend ou que fechasse bem a porta e saiu rapidamente. tribal cuja matéria fétida e nojosa plasmava-se pelas linguagens de co municação mental de palavreados obscenos e indecorosos. idéias inferiores e todos os atributos de espíritos imperfeitos. à crueldade e a ta ntas outras práticas efetuadas quando encarnados.. Dizendo isso. Não se sabe como conseguiu tirar a jaqueta e envolver o garotinho. me liga no celular. você pode me esperar aqui? Preciso ir ao hospital no vamente.. Meu Deus! Como ele está?! . por sua nova postura mental. Não quero atrapalhar. Todo aquele festejo de compo . Só se for muito urgente. Débora. Debruçando-se sobre ele e. E pediu com ce rta preocupação: Por favor. Por isso Sebastião temia. Por isso não saiu.. a vulgaridade. Espero você ligar se puder.. temia algo desconhecido aos seus sentidos limitados. Alguns grunhiam como animais.. O grupo que acompanhava aquele líder não era tão grande quanto antes.. O menininho de seis meses sofreu leve queimadura em um pezinho e um pouco de intoxicação. observando a movimentação eufórica de festejo horripilante... dando forma às cenas prazerosas de suas inclinações à promiscuidade. cuidarei da Princesa.O rapaz se levantou. retiro u-se e retornou em segundos. o que equivale ao ódio e a falta de perdão. Era impossível fazer o encarnado tornar-se vítima daquela inteligência perversa.e a protegeu com o seu corpo.

Tiago era um homem de caráter espiritual bom e benevolente. Na realidade. apesar de vencerem. Não tinha ódio. contrárias aos atos d esumanos. Por não estarem em acordo co m os atos desumanos e abomináveis de seu líder. fizeram falta aos revolucionários quando Bento Gonçalves foi traído e fico u sem a ajuda de companheiros nos quais confiava. ferindo pessoas com os incêndios que provocou. Sérgio serviu de instrumento para. ele desejou tratar de procurar uma n ova vida ao lado de Débora e longe dali. tentou a visar. Entretant o nem todas as vitórias são verdadeiramente vitórias. mas não lhe deram crédito. Tiago solicitou experimentar o que fez muitos sofrerem e requereu desencarnar com a prova do fogo. Quando Sérgio percebeu que havia traição e ntre companheiros confiáveis e. nas considera das vitórias. Eles e os companheiros se separaram. outras ficaram deformadas e houve as que mo rreram9. Lúcia e outros espíritos daquele gru po e que. ele passou a r efletir sobre suas ações desnecessárias contra pessoas indefesas e mudou de atitude. Estrategi sta. em sua vida. na presente encarnação. Tiago serviu ao Exército Imperial ao lado de Sérgio. pois a jovem atrasar ia os demais. Já possuía essa personalidade no passado . Sérgio. elevando-se cada vez mais. perdia-se grande número de vidas farroupilhas. inveja. . Nas lutas. prova ou expiação na Terra. Aqueles espíritos acreditavam ter sido o rapaz fortemente lesado com queimaduras pelo empenho de Sebastião. Por piedade e proteção a uma jovem que conheceu naquele massacre. Somente assi m a consciência se alivia do remorso e o espírito se purifica e caminha para a perfe ição. Tiago e outro desertaram ao as sistirem um ataque cruel num vilarejo indefeso. No planejamento reencarnatório. Sérgio a levou co nsigo quando desertou. insensíveis e tiranos do co-mandante Sebastião. Entretanto o estranho espetáculo de horrenda comemoração pelo ocorrido com Tiago não tinha fundamento. aprendeu ainda mais. graduados dos Revolucionários Farroupilhas. com moral que lhe dava o direito de pedir em seu planejamento reencarnatório. N a espiritualidade. pois. mas se desviou. As mortes dos farroupilhas. Sérgio sempre seguia com a tropa. a disposição sincera e sem queixumes para cumprirmos determinada missão. antes de conhecer as opiniões de Sérgio. Algumas vítimas desenc arnaram pelas infecções das queimaduras. orgulho ou egoísmo. No momento em que Tiago tomou conhecimento das opiniões de Sérgio. e refugi aram-se em uma estância.rtamento bizarro era pelo acidente ocorrido com Tiago. mas Tiago muitas vezes ficava para reforçar a segurança na estância. bom e justo. o que não era verdade. com base na Revolução. a fim de c orrigirmos o que desarmonizamos. comandados pelo Marechal Sebastião durante a Guerra dos Farrapos. que havia se unido a Débora. creram que Sérgio e os desertores eram culpados por suas do res e pesares na espiritualidade. decidiu ser bombeiro e salvar vidas. Deixou-se influenciar por encarnados e desencarnados e ateou fogo em casas. criaram Leis para a não div são do Brasil. Por isso. Tiago juntou-se aos Revolucionários Farroupilhas. Muito rancor e ódio foram criados por Sebastião. Deus. é prudente o arrependimento sincero. guiar a tropa para grandes conquistas. Intuído. solicitou as possibilidades de a judar os semelhantes e passar por dolorosa provação para proporcionar mais harmonização na sua consciência e continuar auxiliando com bondade e amor. eles não admitiam experimentar as mesmas sensações de suas vítimas em grande estado de perturbação. rancor. Tiago tornou a encontrar Sérgio. Humildemente. Conforme a humildade e a determinação de cada um pa ra corrigir os erros. Em outros tempos. oferece condições de harmonização com as nossas falhas. depois de ajudar muitas pes soas em sua tarefa. com suas estratégias militares e bem informado sobre as ações do Exército Imperial. inspirado a deixar aquela guerra. Tiago se deixou influencia r pelas energias vibratórias dos companheiros em meio aos gritos de vigor para os ataques na guerra. A traição ocorreu conforme Sérgio previu. Na atual encarnação. Um anônimo na história pôde mudar o curso dos rápidos acontecimentos e foi a isso que Sérgio veio naquela reencarnação. No passado distante. Enfrentar as situações mais diversas e difíceis principalmente às ocorrências para defrontar o fogo em razão de salvar vidas. Seu estado não se tratava da atuação de espíritos levianos e imperfe itos. naquela época.

E foi chegado o momento do esclarecimento e intervenção de espíritos prudentes, dot ados de bondade, sabedoria e capacidade de julgar com justiça, atuar em favor dos que trabalham, esforçando-se para o bem, o adiantamento dos semelhantes e a elevação e spiritual. No lugar onde a agitação comemorativa ocorria em uma espécie de adoração ao espírito Seb stião, lentamente um fio de luz azulada se fez rompendo as trevas. A música e a cant oria debilitante e deplorável, que agitavam todos, pararam imediata-mente. A aglom eração de espíritos inferiores pareceu petrificada diante da claridade tênue. Sebastião, com expressão furiosa, levantou-se rápido de seu acomodo, semelhante à pos tura de um rei, que se ergue do trono diante da desagradável invasão em seu castelo. Muitos espíritos, com miserável aspecto, arregalaram os olhos, apavorados com a cen a e a vibração iniciada, e por essa razão, correram, fugindo assustados sem coragem de esperar para ver. Apesar da aparência rude e grosseira, o espírito Sebastião temeu, mas não se acuou. Em poucos segundos, um grupo de entidades elevadas passou a tomar contorno vi sível àquele nível no plano espiritual, enquanto o fio de luz irradiava-se, iluminando vagarosamente o lugar e emitindo vigorosas vibrações sublimes que pareciam, limpar os miasmas destruindo as formações nojosas existentes. Os bondosos benfeitores fizer am-se presentes com nitidez às impressões dos que ficaram. Todo o grupo de espíritos s ublimados parecia nutrir-se dos raios brilhantes da bela luz e prendiam os pensa mentos em prece elevada. O jorro de luz se intensificou, como se ganhasse delicado contorno transparen te, lindo, indescritivelmente belo, transmitia puro amor. As sombras se dissipar am e reconhecível surgiu Laryel de forma translúcida, como um cristal e com toda a s ua expressão de bondade e superioridade, pois assim o era. Sebastião ficou inquieto, nervoso e agressivo, protestando ao urrar: Quem pensam que são para invadirem meus domínios?! Após gesto generoso ao inclinar de cabeça, como um cumprimento sutil, Laryel argu mentou com postura e expressão imperturbável enquanto ampliaram-se os raios de inten sa luminosidade, que se espargiam de seu contorno: Sebastião, por que o coração endurecido que insulta sua consciência, mesmo sabendo da necessidade de reparação? Quem é esse ser desgraçado que ousa me afrontar?! Sou uma criatura de Deus assim como você, mas não o afronto. Aqui estou por missão de amor - esclareceu a benfeitora com intraduzível generosidade. Vamos! Ataquem esses invasores! - berrou Sebastião. Contudo os poucos espíritos m alfeitores restantes também fugiram. Somente Lúcia, assustada, foi para trás de Sebast ião como se quisesse se esconder. Aceite a oportunidade, caro irmão. Sabe que não adianta a rebeldia. Todos já trilha mos caminhos obscuros, fomos egoístas e não aceitamos as justas Leis de Deus, que é de bondade igual para com todas as Suas criaturas. - Breve pausa e pediu serena e piedosa: Venha, venha comigo, Sebastião. Arrependa-se dos atos do passado e se pro ponha à elevação. Já perdeu muitas oportunidades de reparar os erros. Nunca! Sofrimento e dor! É isso o que tem para me oferecer! Chama de bondade Di vina o que Tiago experimenta?! - riu com sarcasmo. Sim. Eu denomino bondade e justiça de Deus. Tiago experimentará uma única vez o sof rimento provocado em dezenas de pessoas. Dispondo-se ao auxílio na tarefa abraçada n esta reencarnação, com sincero arrependimento do que fez no passado, ele só terá essa pr ova, em vez de se penitenciar ao mesmo número e grau de dores que provocou em suas vítimas. Se a lei de Talião: olho por olho e dente por dente vigorasse por desejo de Deus, o mundo estaria cego e desdentado, como disse uma grande alma muito sábia. J ustiça e bondade são as bases das Leis de Deus para os que se arrependem e desejam s e elevar. Desgraçada! Já sofri muito e me diz que ainda preciso sofrer mais! Não sabe o que e xperimentei, mas estou liberto! Não serei mais prisioneiro da minha mente! Nesse instante, o espírito Sebastião afastou-se e correu, tentando fugir. Mas ao querer ultrapassar o limite dominado por aquela claridade celeste, foi como se e xperimentasse um choque que o fragilizou e, depois de um gemido, o fez tombar. D e imediato, Sebastião foi amparado por socorristas especializados. Ele estava iner te e desfigurado. Foi recolhido com todo o carinho para, ao fim daquela missão, se

r encaminhado e preparado para breve reencarne. Generosa, Laryel voltou-se para o espírito Lúcia, que chorava, mas sem arrependim ento e sim de contrariedade e medo. Querida Lúcia, é o momento de você decidir. Aos prantos, com aparência horripilante na formação perispiritual, ela reclamou: Isso é injusto! É impiedoso! Impiedade e injustiça foram temas de suas atitudes para com Sérgio após várias oportu nidades reencarnatórias. É o momento de reconhecer e assumir suas falhas, despojar-s e dos vícios libidinosos. Tudo é confuso! Tenho medo... O que acontecerá comigo?! Piedosa, Laryel argumentou: Você só serviu de instrumento para que Sebastião tentasse desviar Sérgio da tarefa ad mirável, útil e voltada para o bem. Seu irmão reencarnou com um propósito. Ele é um espírit bondoso, sábio e prudente, por isso não se inclinou às suas cruéis tentativas de assédio para o incesto a fim de desviá-lo para o desequilíbrio. Mesmo desencarnada, Lúcia, você se deixou usar para estranhas representações que o perturbassem em sonhos. Porém, mais uma vez, o Sérgio mostrou-se digno e elevado. Será difícil atormentá-lo. Eu me atraí por ele! Egoísmo e possessividade não são amor. Apego demasiado e extremas atitudes cruéis pel o desejo compulsivo de desregramento sensual para seus vícios sexuais não são amor. Am or é renúncia, aceitação e compreensão. Foi cruel sermos irmãos! Fiquei desgostosa e morri por culpa dele... Eu não desej ava mais viver! Com doce inflexão, quase num lamento, Laryel se expressou caridosa: Pobre Lúcia. Tanto foi usada por Sebastião e por Sueli que não percebeu ser um simp les boneco à mercê das manipulações. Realmente sua existência terrena foi cortada abruptam ente e estava com vigoroso fluido vital. Mas foi você mesma quem se atraiu para es se acontecido. Se tivesse outra postura moral, não teria desencarnado tão bruscament e e naquela ocasião. Perturbou-se muito no plano espiritual, por isso não se importo u em se deixar influenciar pelas energias mentais de Sebastião, que nublaram sua c onsciência, fazendo-a crer no que ele afirmava. Questionou-se se tudo era verdade? Procurou lembrar os fatos como realmente aconteceram? Com a habilidade que lhe era peculiar, Laryel fez projetar na tela mental de Lúcia como foi realmente seu desencarne. Sem ter como fugir das cenas, o espírito Lúci a narrou em aflição: Eu estou com a Sueli!... Fomos roubadas e um dos ladrões está armado! Eles iam em bora de moto, mas ainda estavam parados ao nosso lado e... Um deles pegou minha carteira e jogou minha bolsa, mas... Não! Vejo o Sebastião influenciando a Sueli... Ela me empurrou e eu... Eu não reagi! Estava com medo! Com o empurrão que ela me deu , fui para cima do ladrão, quase caindo sobre ele e... Ele se assustou! Quando me equilibrei, afastando um pouco, ele atirou e eu caí! Eu não me matei! - um choro com pulsivo a dominou ao deparar-se com a verdade. Afetuosa, Laryel acrescentou: Desencarnada e em profundo estado de perturbação, o Sebastião nublou o seu entendim ento. Mas foi a sua mágoa, a contrariedade em seu coração, os seus desejos mundanos qu e a deixaram sob a disposição desse espírito obsessor, que conseguiu organizar uma fal ange para que uma tarefa não fosse cumprida. E pela sua inclinação à maldade, à vingança e o orgulho, você se deixou usar por Sebastião. Mas eu não sabia! O Sebastião me usou! Socorreu-se em prece verdadeira a Deus, Lúcia? - perguntou com sensibilidade. E , sem esperar resposta, Laryel continuou no mesmo tom delicado: Com as paixões mat eriais e, principalmente, as necessidades do corpo físico se ressaltando no plano espiritual, admita que foi por orgulho, vaidade, necessidade de vícios lascivos e fantasias sexuais que se deixou hipnotizar por Sebastião. Não foi somente vítima dele, mas sua aliada. - Breve pausa e acrescentou: Querida irmã, seu desencarne se deu por uma traição de sua amiga. Tal fato ocorreu exatamente como você fez no passado. No meou-se amiga de Débora e a vitimou com um tiro no rosto provocando sua morte prec oce e imediata pela lesão no cérebro. Foi capaz de pagar para que a matassem, simula ndo um assalto. Eu morri num assalto que a Sueli se aproveitou para se livrar de mim. Por quê?

Ao confidenciar para sua amiga que gostava de seu irmão, em vez de procurar aju da de profissionais competentes como Sérgio orientou, você se tornou um risco para a s idéias desequilibradas de Sueli. Ela acreditava que ele poderia corresponder aos seus desejos, Lúcia, e desfazer o namoro. Não! Não! - Lúcia passou a gritar por começar a experimentar as indescritíveis tortura morais como punição dos crimes cometidos. Após aplicação de passes magnéticos por outros t refeiros, ela se acalmou, mas ainda transtornada, perguntou: Essas outras vidas que vejo na mente são verdadeiras?! Sim, minha irmã. Tudo fica registrado na sua consciência. Teve oportunidades, mas não às aceitou. Apesar de dotada de inteligência e receber orientações nobres e amorosas de seus pais, inclinou-se aos vícios mundanos, às fantasias das paixões físicas. Usou a inteligência para o mal só por egoísmo. O ciúme, a ambição, a inveja, as paixões corpóreas mor. O que fez será de sua total responsabilidade e precisará cedo ou tarde harmonizar tudo sob a ação das Leis de Deus. Todo extremo é prejudicial e arcaremos com as conseqüências d os nossos excessos em tudo. Lágrimas incessantes corriam dos olhos de Lúcia que, muito abalada, tinha o peris pírito ainda mais deformado, soltando pedaços como se estivesse se decompondo. Estou louca! Matei os cachorros que o Sérgio teve por ciúme dos animais, pois ele dava mais atenção para os bichos do que para mim! Inspirei a Sueli matar o Tufi par a magoá-lo e deixá-lo fragilizado! Eu me vejo tentando seduzir meu irmão! Que horror! O sangue da Débora não sai das minhas mãos, da minha roupa! E em outro tempo tentei se duzir o Sérgio quando ele foi meu pai! Pare! Pare! Tenho dor! Eu estava com ódio da Débora, ajudei a separá-la do Sérgio ao me aliar ao Sebastião e influenciar a Sueli! Olh e o que a Débora passou e sofreu por minha causa! Como o Sérgio sofreu com sua ausênci a! Quero esquecer tudo! Esquecer! Não quero mais ver isso nem me ver deformada! Is so dói! Faça algo em nome de Deus! - berrava com repulsiva sensação de pavor, e chocada com tudo o que fez. E as cenas se repetiam em sua mente. Querida Lúcia, só você pode se ajudar a partir de agora - esclareceu Laryel com bon dade. Sebastião ainda se prende nas satisfações animais para o espírito. Deseja vingança. Mantém a crueldade no coração impiedoso. Ele tem muito a reparar, mas não aceitou ajuda. Não se arrependeu. Não será fácil Sebastião se harmonizar e se equilibrar por causa de su a revolta e egoísmo. No entanto você, Lúcia, pode se submeter à bondade e justiça de Deus desde já. Poderá me socorrer e me tirar daqui?! Poderá tirar isso tudo da minha mente?! O que vê repetidamente são os seus excessos, as conseqüências de suas práticas. Agora ntende que não prejudicou somente Sérgio e Débora, mas outras criaturas que necessitav am e dependiam deles e ainda os que precisariam desses outros. O planejamento re encarnatório é tão difícil de ser seguido e piora quando alguém interrompe o fluxo da corr ente de vida, produzindo causas desastrosas a uma pessoa, aos que a cercam, aos seus antecedentes e descendentes. É uma destrutiva reação em cadeia e com o uso da int eligência, algo pensado, premeditado e que poderia ser evitado. O que Deus pode fazer por mim?! Não quero ver nem sentir mais isso! Inabalável diante da cena triste, piedosamente, Laryel expressou-se brandamente : Veja o que você pode fazer por você. O que pode fazer para minimizar o que experi menta. Então a bondade e a justiça de Deus hão de auxiliá-la na harmonização, na reparação elevação espiritual. Crê em Deus? Eu creio em Deus! Ajude-me Senhor! - suplicou com sentimento verdadeiro. Esto u arrependida de tudo isso! Não imaginava que sofreriam assim!... Posso sentir o q ue sentiram!... Aproximando-se suavemente de Lúcia, Laryel estendeu-lhe a mão, direcionando-lhe e nergias salutares. Um bálsamo para o que experimentava. Lúcia sentiu-se esmorecida e foi amparada por um socorrista, mas ainda olhou para Laryel e murmurou com difi culdade: Você é um anjo... Apague isso que vejo e sinto. Ajude-me em nome de Deus. Imediato efeito calmante a dominou e o espírito Lúcia se entregou ao socorro. Laryel olhou docemente a cada um que a acompanhava. Erguendo o rosto sereno e transparente para o alto, teceu sentida prece de agradecimento. De seu contorno , raios reluziam ainda mais fortes, como se seres superiores lhes derramassem bênçãos

santificantes em jorro de luz, forças magnéticas em ondas luminosas para suprirem as energias despendidas por todos. Beleza intraduzível e contornos translúcidos irradiavam de seu semblante sublime. A abnegada benfeitora agradeceu aos elevados acompanhantes em nível de pensamento e ofertou doce sorriso enquanto sua figura, já transparente, desfazia-se suave so b a visão dos companheiros. O grupo socorrista terminou a tarefa e seguiu para local adequado às necessidad es de cada um dos socorridos. * * *

O dia havia clareado, mas a manhã estava cinzenta. A garoa deu lugar ao vento f rio e úmido. Sob o efeito da claridade sem brilho e do frio incômodo, Sérgio despertou do cochilo na cadeira do hospital. Acomodando-se melhor, sentiu o corpo dolorid o e uma rápida lembrança de tudo o colocou em alerta. Levantou-se e saiu à procura de alguém daquele setor hospitalar que pudesse lhe dar notícias sobre o estado de Tiago . Ao ver uma enfermeira, apressou-se para alcançá-la, porém a mulher informou que o médi co ainda estava no Centro de Terapia Intensiva, ou C.T.I., acompanhando o estado dos pacientes. Alguns minutos e Sérgio olhou para o corredor e viu seus pais caminharem ao seu encontro. A mãe o abraçou e estava em prantos. Mãe... Pai... - ele murmurou sem saber o que dizer. A mulher não conseguia falar, mas o pai perguntou: Alguma notícia? Você conseguiu vê-lo? Não... O médico está no C.T.I. e não deve demorar. Não acredito... Oh! Deus! Que dor meu filho está sentindo! - chorava dona Marisa. Procure se acalmar, mãe - pediu bondoso. Venha, sente-se aqui. Nós deveríamos ter ficado aqui com você - disse o senhor Inácio com olhos vermelhos p elo choro. Depois que fomos para casa, não conseguimos dormir e a preocupação só aumento u. Não adiantaria ficarem aqui. Eu não tive qualquer notícia. É necessário aguardar. Meu filho está sofrendo... É a pior dor do mundo! Calma, mãe. Acredito que deram sedativos ao Tiago. Um barulho e Sérgio olhou para o corredor por onde o médico caminhava vagarosamen te, observando algumas fichas clínicas. Rápido, o rapaz se levantou, foi ao encontro do médico e, mantendo-se calmo, perg untou: Doutor, meu nome é Sérgio, irmão do Tiago Barbosa, o bombeiro vítima de queimaduras sé ias e... Bem, o senhor poderia me dizer qual o estado dele? O médico o observou por sobre os óculos caídos no nariz e explicou após olhar a ficha : Tiago Barbosa... Calcula-se sessenta por cento de queimaduras graves de segun do e terceiro graus. Seu caso é sério e não posso adiantar qualquer resultado, pois... - Notando o casal sentado, falou baixo: Bem, Sérgio, ele é jovem, saudável e parece m uito resistente. Talvez outro não suportasse tanto e... Veja, minha opinião é que ele tem grande chance de sobreviver às lesões, porém ficará com consideráveis cicatrizes nas c ostas, parte lateral do tronco, perna, braços... Por sorte seu rosto foi pouco ati ngido. Somente uma leve queimadura no queixo e pescoço. O capacete do bombeiro pro tegeu seu couro cabeludo e... Precisamos aguardar. Doutor, o outro médico que o atendeu ontem disse haver uma perna muito queimada e comprometida... Existe algum risco de... - Sérgio deteve-se com olhos marejados . Ponderado, o médico avisou: Sim. Isso é verdade, Sérgio. - Olhando novamente o casal sentado, que chorava afl ito, o médico explicou: As queimaduras foram fortes e comprometeram a circulação da co rrente sangüínea para o pé direito. Precisamos evitar todos os riscos de infecções e acomp anhar rigorosamente a irrigação do sangue, mas caso o organismo não tolere, bem... Será necessário amputar? - perguntou o irmão sussurrando. Provavelmente. - Vendo o abatimento do rapaz, o senhor aconselhou: O hospital é um ambiente que esgota as forças e vocês não poderão vê-lo pelo risco de contaminação. V

casa e procurem descansar pelo menos o corpo. Isso é o mais prudente a se fazer. Poderão telefonar para terem notícias e será menos desgastante. Certo... Mas... Só uma coisa, o Tiago está consciente? Ele sente as dores da quei madura? Ele está monitorado por aparelhos e, quando recobrou a consciência ao ser trazido para o hospital, eu e o outro médico acreditamos que fosse viável induzi-lo ao coma temporariamente. As primeiras quarenta e oito horas são as mais críticas no estado em que ele se encontra. Depois disso, teremos condições de uma avaliação melhor. Muito obrigado, doutor. Faremos como aconselhou. Voltarei mais tarde. Telefonaremos caso haja alguma novidade. Certo! Muito obrigado! Após despedir-se, Sérgio voltou para junto de seus pais explicando somente sobre a importância de Tiago não contrair uma infecção e que estava sob o efeito de um coma in duzido. Acompanhando os pais até o estacionamento, despediu-se e os viu ir embora. Depo is, frente a seu carro, quando ia entrar no veículo, avistou uma pequena e bonita Capela Católica que ficava próxima a um belo jardim no hospital. Sérgio sentiu que pre cisava de um templo silencioso para reflexão, meditação e prece. Lembrou-se de Débora so zinha em sua casa. Pensou por instantes, superou o desejo de ir embora e caminho u, lentamente, até a capela. Chegou a duvidar de que Débora o esperaria, porém não pensou muito nisso. Sua prior idade era a de refazer-se espiritualmente, buscando amparo e alívio pela elevação do p ensamento a Deus para se manter equilibrado. Adentrando a capela, admirou seu interior repleto de flores agradáveis e suave perfume. Caminhou alguns passos, que ecoaram no assoalho de madeira, e sentou-se em um banco. Circunvagou o olhar e admirou os delicados vitrais. Fixou olhar na estátua de imagem angelical que simbolizava Nossa Senhora, mãe de Jesus, e do outro lado do altar a estátua representando o próprio Mestre. Ambas rodeadas de belas flo res frescas. O silêncio era absoluto e muito convidativo à prece. Sérgio suspirou profundamente e fechou os olhos, elevando os pensamentos por in termédio da oração. No plano invisível aos encarnados, suave luz cristalina era emitida de Sérgio e, gradativamente, aumentava de intensidade transformando seu semblante que pareceu ainda mais belo e superior. De seu peito raios cintilantes jorravam projetandose ao longe. Sérgio ergueu levemente a cabeça e de sua testa irradiava luminosidade adiamantada que se ligava à luz azulada, quase violácea que descia do Alto pelo vigo r da prece. Algum tempo depois, terminada a meditação, ele percebeu lágrimas quentes c orrerem pelos cantos de seus olhos e as secou com as mãos. Mesmo sensibilizado, Sérg io se sentia melhor. Estava envolto por uma luminescência vigorosa e bela que o fo rtalecia. Não demorou muito e decidiu ir para casa.

31 - Débora fracassada, humilhada e submissa Ainda era manhã quando Sérgio chegou à sua casa e não conseguia deixar de pensar em Déb ora. Uma muralha de silêncio amargo e angustiante havia se erguido entre eles por culpa do egoísmo, da inveja e da mentira. Foi difícil para ele suportar as ruínas dos sentimentos, os pensamentos inquietantes e o doloroso sofrimento por ela não acred itar em suas palavras. Sentindo o coração cortado por uma lâmina afiada, lembrou-se de se ver à beira do desespero, quase cometendo um ato insano. Apesar da gravidade d os fatos, tudo havia passado e mesmo não se esquecendo de Débora ele superou bravame nte o terrível tormento. No entanto, quando menos esperava, ela retornou abatida, parecendo humilhada e dizendo necessitar de sua ajuda. No instante em que a viu, ficou incrédulo e seu s sentimentos ressurgiram com mais intensidade, com o mais puro e verdadeiro amo r. Teve o desejo de abraçá-la e beijá-la, esquecendo o passado. Mas se conteve, pois o passado precisava de muito esclarecimento e ele tinha de ser prudente. Abrindo a porta, ao entrar, não percebeu qualquer movimentação ou barulho. A casa p

Acreditou que o destino lhe ti vesse armado nova decepção. despertou ao sentir um leve afago em seu ombro. menina? Não está a fim de comer hoje? .. deixando o olhar perdido.. Se ia melhor tomar um banho e.. Débora experimentou a mais desagradável sensação diante dele.. mas dominou a intensa vontade e concordou.T. tocando-o com as patinhas ao ficar em pé. ... não ganhará carne.Ante ao silêncio. Ficando frente a ela. como está? Ainda no C.arecia vazia. fazendo-lhe um terno carinho. Eu preparei um café. Imediatamente o sono o dominou. A toalha já está no banheiro e.. refugiar o rosto em seu ombro e somente senti-la junto de si. fechou os olhos.. falou: O médico reforçou o risco de ele perder a perna ou. Muito tempo depois ele.exp licou. A limente-se e depois deite e durma um pouco.. Amav a muito o irmão. chamando-o com voz suave.. Sem res istir.Ela continuava brin cando da mesma forma e ele não resistiu. dizendo: Tudo bem! Vem cá. abanando o rabo e parecendo re bolar de alegria em vê-lo. Princesa?! Por que essa felicidade toda.riu. Mas rapidamente se deteve e dissimulou . levantando-se..perguntou amedrontada. Meu Deus.sussurrou com dolorosa piedade. P . perguntou expressando preocupação: Aonde você foi? Com os olhos nublados. . tímida e quase hesitante. voltando à realidade: Realmente preciso de um banho. Não me alimentei direito ontem e estou me s entindo mal por isso... um tanto submissa. Nesse instante Sérgio andou até a janela. Ele desejou envolvê-la num abraço.Ao vê-lo se virar. preocupava-se e se decepcionava com Débora que não cumpriu o prometido de esperá-lo mesmo sabendo da gravidade do que acontecia. Débora se aproximou e sugeriu: Sérgio.falou. Sentia o coração apertado. Débora! Obrigado! Não deveria se incomodar. E o Tiago. deixando s ua cachorrinha entrar. uma camiseta e. ela prosseguiu: Você está cansado e muito abatido.I. Não acha melhor? Sérgio estava atento e mantinha o olhar fixo em Débora. entendeu?! . não é? . Como se não bastasse. D epois ela se aproximou. estendeu o braço tocando sua face com as c ostas da mão. Sérgio sentia o corpo dolorido e muito exausto. Ele se ajeitou e confuso murmurou: Débora?! Você está aqui?! Se esqueceu de mim? .. In do para a sala sentou-se no sofá.A cachorrinha co rreu de um lado para outro da casa enquanto ele colocava-lhe ração e trocava a água. surpreendeu-se ao ver Débora em pé. Vendo-a fazer muita festa. Em seguida coloc ou-a no chão e observou: Tenho muita coisa para fazer e não posso brincar. .agradeceu surpreso. Sérgio sorriu e to rnou a conversar: O que é. Seu coração bati a acelerado e descompassado. pois só quer saber de carne. hein?! . É. .Acanhou-se. . Acreditei que chegaria exaus to. Realmente estou.Desviando o olhar e afastando-se.. emoldurou leve sorriso no rosto. Chamou por Débora e não houve resposta. Eu não tenho para onde r e. pegando-a no colo e lhe fazendo um carinho. Com voz fraca . ele perguntou com voz peculiar de quem amorosamente bri nca com um animalzinho: O que foi. Puxa.. Viran do-se rapidamente. comer alguma coisa. ela avisou d e modo tímido: Por enquanto não posso ir embora a não ser que você me peça. completou: S aí só para comprar pão e algumas coisas para o café da manhã.. Não pode receber visitas. . mas avisou: Eu tomei a liberdade de separar um agasalho. comentando: Vou tomar um banho logo.. Vendo-o sair da sala. Não! De jeito algum! É que ao chegar não a vi e pensei que tivesse ido embora . Prometi que o esperaria. Após olhar pela casa foi até a porta dos fundos e a abriu.. As queimaduras foram bem graves e só no s resta aguardar. Sofria ao pensar em Tiago. As roupas mais confortáveis que encontre i. empenhando-se para que as lágrimas não caíssem. Você está fic ando muito sem-vergonha. Mas enquanto a senhorita não com er a ração. recostando a cabeça e largando o corpo. mas mantinha o controle apesar de decepcionado. Achei que precisaria se sentir mais à vontade. vem! Sei que que r colo.... Tem leite e comprei pão e bolo.

envergonhá-lo a ponto de destruí-lo moralmen te. mas contou: Sérgio. passou as mãos no rosto encoberto pelos cabelos. O silêncio reinou. Sérgio fico u impressionado ao vê-la tensa.pediu ele gentilmente.. ela não o encarava. às vezes. Sérgio.aconselhou educada . Está frio e. Porém Débora mostrava-se temerosa. Fez bem. mas. Sua sensibilid ade pesava-lhe a consciência e se humilhava por culpar-se mentalmente.riu. Estava mais soberano e solícito. ele tomou postur a firme. A falta de assunto enquanto se alimentavam fustigava os pens amentos de Sérgio. interrompendo-a. Sem dizer nada. sentada no sofá. Experimentou a respiração alterada e as lágrimas aquecerem seus olhos. Tendo os olhos vermelhos pelo choro e os cabelos cobrin do parcialmente o rosto. ele comentou: Estranhei por não en contrá-la ao chegar aqui e por não ter acordado quando entrou. Fiz café. Demorei a chamá-lo.expressou Sérgio com leve sorriso. chegando a tremer apesar de petrificada e sem reação. Abaixou a cabeça. Era o que deveria fazer . Não querendo apresentar o rosto vermelho.. Colocando-se frente à Débora. Vamos lá para a sala?! . ao secar as louças. pois su a aparência sofrida denunciava os maus tratos da vida que escolheu. Eu vi que colocou ração para a Princesa. Você precisa dormir e. eu encontrei certo valor em dinheiro na gaveta do seu quarto e peguei o necessário para comprar o pão. mas. Não! . comer e descansar melhor.ercebeu que Sérgio havia mudado muito. Não é por preguiça de preparar. Quanto arrependimento! Débora chorou em silêncio. Apesar de tud o. Há tempo não tomo um café da manhã com suco de laranja. chorou muito até ouvir o chuveiro ser desligado. Sérgio argumento u com expressiva bondade: . Estranhou sua postura humilhada. é por falta de tempo e. rígida.. acuou-se em um canto. Não entendia como foi capaz de fazer aquilo. e afirmou: Agora nós vamos conversar. Eu arrumo isso. Vamos! Eu te ajudo a arruma r a cozinha. humano e humilde.. Sentando-se no mesmo sofá e acomodando-se de lado sobre uma das pernas flexiona das. ele a acolheu após tanto tempo. Débora.. Acredita mesmo que eu conseguirei dormir? Ao menos deite e descanse. Pronto!. Obrigado. mas a jovem o impediu de modo singul ar: De jeito nenhum. Descansei um pouco no sofá quando cheguei . torturá-lo. Pode acresce ntar leite . racional e flexível. tirando as coisas da mesa. ela o seguiu e. Já terminamos! . seguro de si e ponderado.tornou ele. Vi mais ração no comedouro e não sei se. Nada disso! .. envergonhada de alguma forma e c om atitudes extremamente submissas. mas imperturbáv el. Deparando-se com a mesa bem arrumada para o desjejum. Lembrou-se de tudo o que falou para Sérgio e a maneira cruel de como o tratou.. porque não tinha muita coisa para o café da manhã. cabisbaixa e com leves movimentos nervosos n as mãos aflitivas que se esfregavam.respondeu ponderado e seguro.. Ao vê-lo. Ao terminarem.falava sem olhar para ele. disfarçando e escondendo-o entre os fios de cabelos jogados.. depois pensei bem e acreditei que era melhor acordá-lo para tomar um banho. nem tomo café em casa. ele foi ajudá-la com a louça.falou com meio sorriso e sem jeito. ele se admirou. Com tranqüilidade na voz grave e baixa... exibindo-se descontraído.sorriu. preocupado. Normalmente tenho o s ono leve e achei que só havia cochilado um pouco. o queijo. ela correu e foi lavá-lo c om água fria. Está explicado por que ela não comeu! . pediu: Sente-se e coma alguma coisa.disse. mas ela o chamou à cozinha. mas não d isse nada. Ela se sentia uma estranha acolhida por uma pessoa bondosa e piedosa. vá descansar um pouco. Você dormia um sono tão profundo. Não tem proble ma. Sorriu levemente e agradeceu. mam e tudo isso de que gosto . aguardando-a para que se sentasse ao vê-l a trazer o leite quente.. o bolo.. mas eu já tinha posto e ela comeu tudo. Ah!. ficou virado para ela. Num gest o para secar as lágrimas. Alguns minutos e Sérgio retornou à sala. Contudo ela não deve comer bobeira do tipo salgadinho. equilibrado e sensível.. bolacha. Sérgio . A jovem sentiu-se gelar. ao encará-la com expressão neutra. das acusações feit as com o intuito de machucá-lo. conhecendo-o tão bem.. Achei que você precisaria se alimentar e só havia frutas. Enquanto ela lavava. Glorioso.. Não sei se ficou bom.

.. o que eu fiz?! . Sérgio sofria pelos fortes sentimentos que o dominava m.. pois se assim o fosse.. acomodou-se no mesmo lugar. Nem incomodá-lo. Sérgio. pois não com eti as absurdas acusações feitas... por favor. É preferível fazermos isso o quanto antes. O importante é saber que eu tenho a consciência tranqüila. porém estava atenta a cada palavra. Então. Eu vou te contar.. amedrontado. Só poderá fazer isso depois de ouvir a minha versão sobre o assunto e sentir se é verdadeira o u não! Você. a jovem precisou se esforçar para encará-lo. nesta casa?! Calma. que precisou da ajuda de dona Antônia e do doutor Édison.. Pensei que nunca mais quisesse me ver! Ele não se alterou. Não. resp ondeu: Não quero atrapalhar sua vida. Contou também sobre o desespero que o dominou e o levou a tenta r contra a própria vida. Você me conhece muito bem e sabe que pode contar comigo. eu. Após algum tempo. olhe para mim. Ao final. mas explicou detalhadamente tudo sobre sua vida.. olhou-a nos olhos e pediu com sutil e bondosa firmeza: Espere. mas se conteve e diu com brandura: Débora... recompôs-se.Débora. não estaria aqui. Foi isso o que aconteceu. Em seguida. esconden do o rosto ao se debruçar no braço do sofá. Levantou. porém estava mais abatida e angustiada do que antes. tudo se encaixava perfeitam ente! Pensei em várias alternativas para não crer naquilo. aproximou-se de Débora.chorou.. mas. ela se afastou do abraço e manteve-se cabis . quase perdendo o controle por sua atitude. Aquelas foram calúnias extremamente cruéis e injustas das quais preferiu acreditar nas tramas que a Sueli usou para nos separar e cons eguiu. Débora. Vamos por partes. .. Não preciso te perdoar. Su a presença nesta casa não atrapalha minha vida nem me incomoda. .. Deus. Bem.. Sérgio ocupou-se de longo tempo.. Mas as lágrimas não de ram trégua e corriam seguidamente em sua face.. Às vezes uma força nos faz realizar coisas que não desejamos e. Sérgio suspirou fundo. Hoje eu sei que não tenho o direito de julgá-lo pelo seu passado. Eu só o procurei por não ter alte rnativa e. veja bem. Não suportava observá-la inconformada e em pranto de arrependimento daquela forma . . Sentia o c oração apertado ao vê-la tão abalada. do quanto sofri desesperado a ponto de. puxando-a para junto de si. Bem. Desejava abraçá-la para confortá-la. Débora.. quero pensar no que fazer agora e arrumar condições de me prover s ozinha. Atordoada.. deix emos isso para lá. ele continuou com o mesmo tom tranqüilo e pausado na voz mansa: Você não faz idéia do que experimentei. O mais importante é não cometermos os mesmos erros. Vencido pelo amor. pois ouviu a minha ver são. Agora pode me julgar. pareceu defender-se quase em pânico pelo engano: Eu fui surpreendida com toda aquela história! Sérgio. Após secar o rosto. Ele a amava e acreditou ser um carrasco cruel pela postura aparentemente fria. Abraçou-a e a embalou ao acariciar seu cabelo e o rosto que ela tentava esconder em seu peit o. por não ouvi-la argumentar. Débora chorava muito em meio aos soluços compulsivo s. Olhando-a naquele estado. então. Quero te ajudar. Alguns instantes e um pouco mais calma. sua irmã.chorou ainda mais. Como não pode ser ve rdade?! E a Rita?! Eu os vi juntos na sua cama. . ela começou a dizer: Quero que me perdoe por agredi-lo tanto. Procure se acalmar. foi até o quarto e retornou com uma caixa de lenços d escartáveis que entregou a ela. Mas como?! Eu vi as fotos! Tive cópias! Você deveria ter me perguntado isso naquela época .murmurou melancólica.. com seu estado tão frágil. Mas. sobre estar deitado ao lado de Rita e o difícil refazimento da amiga. aqui. Sem alterar a serenidade nem a paz de espírito. com a voz embargada pelo choro que não conseguiu conter. Constrangida e chocada com a verdade. V ocê concorda? Imóvel e sem olhá-lo. porém pr ciso saber o que aconteceu. Mas não posso negar mi nha preocupação com você.. Quanto ao seu direito de julgar os meus atos. terá de decidir em quem acreditar.. sabe que precisamos conversar.Breves minutos e.balbuciou sem conseguir terminar. Não se altere.advertiu-a com a mesma postur a serena.

. Está muito magra. Algum tempo depois. Cobr iu-a para que se aquecesse. caso um dia nos reencontrássemos. Com voz amargurada..admitiu firme. Isso não é um tipo de tristeza momentânea! Certamente passou por situações complexas e. das escolhas erradas que fiz e do quanto me arrependi nesse tempo todo. chamou-a: Débora! Abra os olhos.ele não conteve as lágri mas. Sentado a seu lado. Procure abrir os olhos e respire fundo. porém acreditava que iria me desprezar.. .pediu. os lábios esbranquiçados e os olhos fechando lentamente enquanto se largava... É melhor levá-la ao médico.. Preocupado.balbuciou. a jovem murmurou: Perdoe-me.. Tirando-lhe os cabelos do rosto.. Depois de tudo o que fiz com você.. Débora . Não se preocupe. Oi! Estou aqui! . esperando que o encarasse. E até por maus tratos.. contudo. ela afagou-o secando-lhe o rosto e pediu entristecida: Não chore por minha causa. reagindo um pouco. racionais. acalmou-se e olhou diretamente nos olhos verdes. sentada na cama. abatida . Débora ..respondeu. subitamente ela se atirou de joelhos à sua frente e o abraçou com toda a sua força enquanto intenso ch oro a dominou.. Débora! . Eu te amo. Sei como você é ou era.. acomodou-a com um abraço. com sua vida. Perceb eu seu rosto frio. havia algo mais do que o arrependimento. Como me arrependo!. Até sua pele e seus cabelos perderam o viço! . Vou me trocar. Não diga isso! . Tudo escureceu e. quase atordoado. Não! .. Sérgio. Agora está com reaçõe deprimentes. Não o mereço. se humilha. Vamos. segurando sua mão. naquele des espero. afagou-a com carin ho e compaixão. Eu só pensava em você.baixa. segurou delicadamente sua face pálida e congestionada.. Como posso dizer não para esse sentimento que a ranca do meu peito toda essa emoção por vê-la assim?! Envergonhada e com nítido medo ao ouvi-lo falar daquela forma. Ela abriu os olhos.. Mesmo em lágrimas. ao se culpar pelo s problemas. sejamos realistas.. Sérgio a envolveu com carinho e começou a desconfiar que. sentido-a gelada. expressivos e marejados de Sérgio e disse: Obrigada por me acolher. reaja! .interrompeu-a com ternura na voz. Se eu pudesse mudar o passado! . . afagando-a vez e outra.. colocando-a sobre a cama.chorou. chorava muito.. porém eu a conheci muito bem e. ela retomava a consciência. Você não merecia sofrer tanto.. mas as pálpebras pesavam e tornava a fechá-las. O pranto desesperado deu lugar a um estado esmorecido. forçandoa a olhar em seus olhos. em seguida completou com entonação piedosa na voz baixa: Desculpe-me f alar assim. largada nos braços de Sérgio.pediu. Era um grau de desespero tão extremo.. Alguns minutos e ela reagiu melhor. Sérgio ajoelhou-se em frente a ela. Pela demora. Ele a tomou n os braços... Eu e stava sofrendo tanto. Sentan do-se. pegou suas mãos finas e frágeis que estavam fri as e colocou entre as suas.Vendo a s lágrimas brotarem nos olhos da jovem e correrem por sua face. se isso acontecesse. vamos! Vagarosamente... Contudo saberia esperar. ficarei com você. apertou-lhe a mão e sussurrou: Não me deixe sozinha. Mas eu preciso te contar tudo o que aconteceu comigo . mas ainda se encontrava atordoada. ele perguntou: Débora...falou firme . você está bem? Não sei. deixa ndo-a com o olhar perdido. Imediatamente ele notou que ela perdia as forças. o rapaz levo u a mão em seu rosto. Logo perguntou: O que você está sen tindo? Não sei.. com olheiras profundas e. Débora.chamou com firmeza. Eu merecia o seu desprezo por tudo o que te fiz. levou-a para o quarto.. Estava decid . Você não parece bem e eu note i isso desde o primeiro minuto em que entrou nesta casa. fez com que o encarasse novamente e avisou: O mais importante é estarmos aqui esclarecendo tudo isso . eu nem mereço viver. como se tivesse fracassado totalmente na vida e. Já está passando.murmurou.. Não sabe o que fiz nem a vida que escolhi. O que está sentindo? Não sei.

Jamais amei como te amo. Percebendo-a emocionada... Fazendo-a encará-lo. ela examinou as prateleiras e um travo de tristeza embargou a sua voz. com ternura.. Sofri muito e preciso de um tempo. Passei por situações tão difíceis. as roupas que estou usando são suas. Sérgio se levantou.... Quando t eve oportunidade.. ele sugeriu: Vai! Anime-se! Dê uma olhada e veja o que serve... . Você entende? E como entendo. Eu ainda estou em choque e. mas ficou parecendo entorpecida. Olhando-a com pieda de. Perdoe-me. Por isso cheguei aqui só com a roupa do corpo. Não teve tempo .perguntou com certo medo. A melhor coisa que fez a mim e a você mesma foi voltar aqui. E por gostar de você. o contato e o c arinho que te faço é porque sei que isso socorre e conforta.. E tem toda a razão. Sabe. Envolveu-a n ovamente em um abraço junto ao peito e afagou-lhe a cabeça. Tendo-a com o rosto colado ao seu. Pode ser em outro momento? . certo? Você tem razão.argumentou com ternura.. Fechou os olhos ao senti-la cho rar.. Lógico! Estarei ao seu lado e te darei todo o apoio. Você nem imagina. Sérgio delica damente desviou o rosto e a abraçou. desculpe-me. Ele acomodou-se melhor em frente a ela e a ouvia com atenção. peguei a jaqueta que disfarça bem. que estava in conformada e queria visitar Tiago. Eu. Talvez não de vesse tê-lo procurado. Senti tanta saudade de nós..sussurrou entre os soluços. dese sperada e acreditando que me mandaria embora .. Não podemos nos precipitar e.não conseguiu expressa r-se com palavras e suspirou fundo sem saber o que dizer. lembrou-o: Esse agasalho. Ele experimentava o coração pulsar forte.Parando de chorar. Pelo frio.Ela não dis se nada. muito abalada. Não tenho roupas para sair. ta? A moça não disse nada. E como saiu para comprar as coisas para o café da manhã? Não me importei por ser aqui pertinho. Estava com fome.Vendoa concordar com um aceno de cabeça. mudar de roupa e sairmos para almoçar? Ela forçou um sorriso leve e constrangida. . Acredite. eu só mudei de lugar. não se sinta rejeitada . Débora! Te amo demais! Existe alguém na sua vida? . Venha ver.. Ainda estou surpreso com o seu retorno e não quero ser precipitado. . ele explicou: É necessário que conversemos muito. contudo é melhor es clarecermos tudo. afagava suavemente seus cabelos vez e outra. com frio. Confie em mim. Eu também te amo. Levantando-se.. Por favor. contou sobre Débora. Sérgio demonstrou-se animado e perguntou: Já viu que horas são? Que tal lavar o rosto. em seguida ele ligou para Rita. Não quero te magoar. E a jovem continuou mesmo entre lágrimas: Realmente experimentei um rebaixamento moral que nunca imaginei. Sérgio . .. Desculpe-me. Você me conhece.tornou ela em tom triste. mas estão enormes. pediu com brandura: Débora. Eu sabia que você era um homem maravilhoso.. O que sinto por você é forte e verdadeiro. Conversaram e ele conseguiu acalmá-la. ela trazia um brilho diferente no ol har perdido enquanto falava: Como me arrependo. Ela se inclinou como se fosse recostar em seu ombro e ele se aproximou. Quanto ao toque. meus sentimentos por você não mudaram... é questão de tempo.. Após telefonar para os seus pais. Débora.chorou. Daria um fim na minha vida. Acredite. No in stante em que sentiu os lábios de Débora encostando suavemente nos seus. Para minimizar o clima tenso. por favor. Alguns minutos e... beijando-lhe a face com carinho. Terá meu apoio e minha ajuda enquanto estiver agindo corretamente..ida. . Não existe outra. a identidade e a carteira de habilitação no bolso. Quer conversar? Não... Vou dar um telefonema. Eu não poderia me envolver com ninguém. e ele se retirou fechando a porta do quarto. Só você. Eu te amo. foi até o armário e abrindo uma das portas mostrou: Você deixou algumas roupas aqui.. o que deixou a amiga surpresa. mas não pensei que fosse tão nobre assi m.. afastou-a de si.

pediu.. molhad a. ele se despediu e desligou. Dona Antônia cumprimentou Sérgio e logo o doutor Édison se aproximou depois que o o utro médico se foi. que permanecia petrificada. Distanciando-se. Certamente ela notaria a extrema mudança e o estran ho comportamento de Débora. Encontrei um estojo de maquiagem . mas reparou que a calça social que usava estava bem larga. Estou horrível! .. Quase não suportei vê-la tão abatida física e emocionalmente.. pois tudo combina e. Sérgio? Foi. Você acha? Vai! Experimente! Fique à vontade..disse Débora. T rabalho de dia e o Tiago deveria dormir de dia para trabalhar noite sim. dona Antônia e o doutor Édison que con versava com outro médico. ela deixou aí e. Sérgio pediu a Débora que o acompanhasse até o hospital. murmurou : Com tanta coisa acontecendo.Sentindo a garganta ressequida e os olh os ardendo pelos sentimentos aflorando-se em lágrimas. Está pronta? . Tem bom gost o. Nem me diga. que se apresentava submissa e humilhada. Está frio e. Será que algu a blusa serve em você? Essa de lã!. comentou: Seu rosto ficou diferente.. Meu irmão. humilhada. trazendo o rosto vermelho por chorar. O médico puxou-o para o lado.. Estou preocupado com os pacientes po r pedir para desmarcar e. ele a observou e elogiou: Puxa! Você está ótima! . nitidamente nervosa e com a respiração quase ofegante como se esperasse por alguma repreensão ou crítica. Ainda não sei direito o que aconteceu... Que surpresa! . falou: Achei essa calça jeans. pois estava mu ito preocupado com seu irmão e não queria deixá-la sozinha em casa por notar algo dife rente em sua reação com o pouco que conversaram. Nem parece que essa roupa foi minha. vá você. Nem me diga. ela aparece com a roupa do corpo.. não! . tirando o casado. pessimista.. pois essas roupas se parecem com ela. Acho que não é do seu irmão. noite não .Pensando rápido.. Mais próximos. indo até a sala.. Procurando um pou co mais.argumentou a jovem decepcionada.Rindo.. mas falou o suficiente par a não assustá-la com o reencontro. .. Ah! Espere aí! . Ao ouvir o ba rulho da porta do quarto se abrindo.. .Ela o seguiu e. Eu acho que vai combinar. Mas Rita atirou-se à amiga num forte abraço duradouro que deu origem às lágrimas e ao choro compulsivo.... sandálias.de explicar à Rita os detalhes de como a outra estava.. Agora preciso das roupa s dela....ela lamentou quase chorando. Deixa Sérgio.Olhando-a melhor. Sérgio ajeitou-lhe o casaco que.. não! Vem cá! . Minutos depois.sorriu. entrando no quarto de Tiago.. doutor. ainda ficou muito largo. É engraçado. Não conversamos sobre tudo. comentou: Tem muita coisa nesta casa que eu não sei. será que não fica melhor? Pode usar com o tênis e ainda tem essa outra blusa aqui. tenho certeza de que a Rita não vai se importa r! Sérgio ia saindo do quarto quando Débora falou: E eu que sempre critiquei o modo da Rita se vestir. Vej a.Leve sorriso e chamou: Você está ótima! Vamos? Após almoçarem. Mas par a trabalhar o estilo fica de lado...perguntou antes de observá-la. Aproximando-se. sapatos. rende-se à humilhação ao menosprezo. que quase rolaram.. Sérgio abriu os armár ios alegrando-se ao encontrar: Aqui estão! Veja! . De repente. E difícil conter os sentimentos. É. Chegando ao hospital. Sérgio pegou a blusa e a ajudou ve stir. vendo-a sair do quarto de seu irmão. Meu irmão deve ter guardado. pediu atrapalhado: Ah.. . . São bonitas! Ela só tem um estilo diferente quando quer e pode usar. Bem. sussurrou: Ela o procurou. olhando dona Antônia se aproximando das moças. sorrindo antes de f echar a porta. Só lhes restava contemplar a cena e aguardar. mas disse que não tem quem a ajude e p or isso me procurou. Com certeza.. tem tênis. ele reconheceu Rita. .. Ela está estranha. Acho que são o seu número.Ela se aproximou e olhou enquanto ele explicou meio sem jei to: São roupas da Rita que. Vai! Vamos logo! . Rita o cumprimentou rapida mente e olhou por longo tempo para Débora.. apesar dos recortes para ajust e na silhueta feminina.tornou o senhor....

Permanecendo em absoluto silêncio por l ongo tempo. Mesmo surpreso.. Rita! . O que aconteceu? . como poderá ser útil a eles? . Sérgio não disse nada e logo o outro sugeriu: Vamos entrar? Claro. Sérgio se recompôs e pediu: Desculpe-me e obrigado. E o meu irmão? Desculpe-me.opinou o médico.. Vi. 32 . O Tiago não está muito bem.Desmarque os pacientes de amanhã . Passados alguns minutos de triste lamentação. O senhor o viu?! . o doutor Édison desfechou: Não há irrigação sangüínea para o pé e iniciou-se uma severa inflamação. Sérgio não suportou e desmoronou em uma crise de choro. Com a certeza de que não poderiam ver Tiago. abaixou a cabeça com imenso aperto em seu cor ação. foi o médico quem não segurou as lágrima s e se abraçou ao rapaz dando-lhe um beijo paternal no rosto. Admita que é um ser humano sujeit o aos problemas e às dificuldades da vida. mas sussurrando. Você precisa tomar um ar. O senhor é mais que um pai para mim.aceitou Sérgio.. Rita. é p or falta de bom-senso. Ele é forte. Veja.. Passe o dia com ela.interrompeu-o preocupado.Breve pausa para o outro refletir e argumentou: É incabível eu dizer para não se preocupar nem se abalar ou não se atormentar. provavelmente. Sérgio sugeriu irem embora. depois perguntou: Ele está consciente? Ficou algumas horas consciente. mas procure se concentrar em não perder o equilíbrio. você consentiu que os avisasse sobre o estado grave de seu irmão. Queria falar e b albuciou meu nome. Apesar de seu e ocupante.expressou-se enérgico.Muito emocionado e triste. Mas doutor?! Sérgio! . por inalar ar muito quente. não se concentrar. Se os pacientes não compreenderem isso. diante de Débora e Rita que estavam abraçadas. Vamos andar um pouco lá fora.. extremamente triste e abatida. houve queimaduras nos pulmões. .. O rapaz não disse nada e se deixou levar. mas agitou-se e. Se emocionalmente não estiver bem..perguntou Sérgio desconfiado. as proporções das que duras foram grandes.. Ouvindo aquela frase sentida e verdadeira. o médico fez um sinal e d ona Antônia as deteve.disse. Ele sent ia muita dor. em pranto doloroso e extr emamente aflito. agarrou-se a ele usando seu ombro para desabafar com aquele cho ro. Quando Débora. obser vando Débora.. Seus sinais estão instáveis. Eu estava lá. por você. Sua mãe não se sentiu bem e precisou ir embora. Ele cerrou os olhos.respondeu em tom de lamento. Afinal. Chamou pela Rita.. Dona Antônia não ficou satisfeita. não é fácil segurá-lo os médicos temeram mais complicações nas queimaduras.Tiago sofrendo na prova do fogo e mutilação Era quase noite quando chegaram à casa de Sérgio. Débora e Rita se mantinham abraçada . Eu acompanhei alguns resultados dos exames e. Sérgio e por isso foi novamente induzido ao coma e precisou ser entu bado para respirar melhor. Esqueci de avisar que os seus pais saíram daqui minutos antes de v ocês chegarem. correndo por su a face abatida. médico e confidente o abraçou forte e o rapaz. coloque os assuntos em dia e organize seus pensamentos. O amigo. conduzindo-o ao dizer: Vem. pediu: Posso ir com vocês? Claro. Acho que me reconheceu.. Vi o senhor conversando com o médico. Sérgio secou o rosto com as mãos enquan to o doutor Édison sobrepôs o braço em seus ombros. mais de sessenta por cento do corpo e com variações de segundo e terceiro graus. .. amanhã cedo farão a amputação logo abaixo do joelho. Rita e dona Antônia ameaçaram se aproximar. pois essa menina está realmente precisando de você . Imediatamente lágrimas brotaram dos belos olhos verdes de Sérgio. mas não se manifestou e retornou para sua casa e m companhia do doutor Édison.

. Sérgio percebeu que Rita não tinha se alimentado direito e por isso voltou à cozinh a. e ele propôs. . Débora corr eu ao encontro dela e a chamou: Rita! O que foi?! . Rita começou a chorar compulsivamente ao ver a cena e Sérgio correu para pegar a camiseta quando a moça o chamou quase num grito: Não!. Não vou conseguir vê-lo sofrer. .. Mas eu quero ficar na cama dele. Estava velha. . os lábios brancos.. vendo Rita triste e abatida afagou-a ao pedir educado: Toma um banho e nós três sairemos para jantar. após ingerir a bebida. Ao se erguer. ela acariciou-o nas costas percebendo-o tenso. Ao voltar. arrastava uma camiseta do corpo de bombeiros q ue pertencia a Tiago e brincava com a roupa... Sérgio não conteve as lágrimas e se afastou indo até a cozinha.lamentou entre os soluços que embargaram sua voz. . foi? Débora também afagou-a no colo de Rita quando. Rita chamou: Vem. E sozinha.. Quer que eu fique com você? .. . ao vê-lo daquela forma. Não quero sair. passando as mãos pelo r osto. O que acha? Não tenho fome. Débora e Sérgio se entreolharam por longos minutos ininterruptos até e la não suportar e abaixar a cabeça por algo oprimir violentamente seu coração. Olhar para você é como ver o Tiago.. Sentando-se ao seu lado. Levantando-se novamente. Ele significa muito para mim e. Rita! . exibiu-se com mais equilíbrio e ele pediu: Débora. Rita. ..murmurou com voz chorosa. Não conversavam nem estavam atentos ao f ilme. Não comi nada nesses dois dias e.. imedi atamente. Tod a a dor pelo que aconteceu com o Tiago está te castigando e. vou me deitar e.. Vem! A cachorrinha obedeceu e tornou ao seu colo.. a cachorrinha pul ou para o chão e correu. levantando-se: Tome um banho bem quente e. Débora.concordou.. mas consciente. Também em lágrima s. por favor..perguntou preocupada. Rita tinha lágrimas empoçadas nos olhos e.avisou. Claro.Ela acenou positivamente com a cab eça concordando. seus olhos. Algum tempo depois. ele se sentirá culpado pelo seu sofr imento. puxou-a para um abraço e aconselhou: Quando o Tiago se recuperar e a vir assim. não é? Lógico.. E. Foi o Tiago quem deu para ela. inesperadamente. avisou com voz br anda: Se não se importarem. Princesa.s e em total silêncio. mais refei to.. Sérgio se virou. Sentando-se. certo? . levantando-se desalentada..exclamou Sérgio atencioso... * * * Após um lanche que Sérgio preparou com a ajuda de Débora. Uma angústia pairava no ar. Não havia o que dizer. servindo-as e se servindo depois. os três retornaram à sala e l igaram à televisão.. murmurando depois que Sér gio a fez se sentar: Está tudo bem. . Então faremos um lanche aqui mesmo. Não podemos nos enfraquecer. encarando-o. Nem ima ina como estou.. Débora o seguiu encontr ando-o cabisbaixo com as mãos apoiadas na mesa... já ao seu lado. ele retornou à sala. que parecia incomodar. A amiga estava pálida... Rita cambaleou e ia cair quando Sérgio a segurou firme. você pode ficar com ela? Lógico! .. Rita se foi e ele desligou a TV. Não agora! Veja como está abalada e exausta. Posso ficar no quarto do Tiago. Sérgio. envolveu-a num abraço e chorou em seu ombro.. vou te ajudar. preparou um chá e levou para a sala.. .Conduzindo à amiga.chorou. ela afastou-se de Sérgio e Débora. Não me leve a mal.acariciando-a argumentou: Você ficou sozinha hoje.perguntou à amiga. certo? Certo . Vai lá .. correu e pulou no colo de Rita e a jovem falou com expressão de imensa d or: Oi. qualquer coisa.. você me ch ama. que suava frio.. Sérgio. Princesa. E.... Acho que foi minha pressão. falou: Vem Rita..Pedindo ao animalzin ho... Já estavam na sala quando ele soltou a cachorrinha que. Você não sabe.respondeu compreensiva.

eu o pegu ei ao lado da Rita aqui nesta cama. ao saber que você não estava comigo.. a Sueli fez aquele inferno com aquelas fotos!.. eu est ava decepcionada! Pensei que minha vida tivesse acabado! Meu mundo desmoronou! E u não tinha um emprego nem como me manter. Retornando à sala. Mesmo a ssim... revelou: O Breno manteve amizade com a minha irmã e sempre mandava notícias. tivemo s problemas com nosso namoro pelo seu ciúme.Sem pensar ela levantou. .. ela sobressaltou surpreendendo-se ao vê-lo a sua frente.respondeu com jeito compreensivo e controla do... Por que não me procurou antes? Ela ergueu o rosto banhado de lágrimas. Apesar de todo o cansaço. ele pegou uma cadeira.. Vendo-a se acomodar com modos nervosos. Eu te amava e fiquei enfurecida com aquelas mal ditas fotos e depois de te falar tudo aquilo no consultório do doutor Édison. Ao mesmo tempo. Por isso quero ouvir exatamente tudo o que tem para me contar. A Yara passou a infernizar mi . Eu sei. Mas você precisa saber. falamos sobre toda a minha vida e até o que gerou nossa separação. passei a ter sentimentos estranhos. Como não acreditar em tudo o que vi?! .sussurrou temerosa. Não é melhor dormir e conversarmos amanhã? Não vou conseguir dormir.. Na ver dade. Fiquei quieta e sofria calada. tantas preocupações e muita angústia... . Era algo repugnante! Eu te procurei para conversarmos. Não parava de imaginar como você pôde me en ganar. Mas não te contei tudo. A Rita me incomodava quando morou comigo depois da morte do Rogério e do noivo por eu achar que você dava mais atenção a ela. trêmula e envergonhada. que sofre u o que não imagino e sentiu saudade de nós. incomod avam-me. Comentei isso com a Yara. A falta de confiança é a pior coisa que pode haver entre duas pessoas. falando com brandura: Expliquei tudo a me u respeito. Não tinha como pensar diferente! Tudo se voltava cont ra você! E. Eu sabia sim. porém logo co ntinuou: Sérgio.Vendo-a cabisbaixa e lágrimas correre m em seu rosto. Sérgio se manteve atento. Quando me disse que não tinha para onde ir nem a quem procurar. pediu com educação e generosidade: Vem cá. passava a ligação para ele. silencioso e com semblante sere no. Assim que perdi o emprego e me vi em uma situação difícil. A Rita. fiquei preocupado. a Yara telefonava e. Às vezes..Fixan do-lhe olhar penetrante. Comecei a ter um ciúme quase doentio! Eu não podia vê-lo perto da Rita e até a presenç do Tiago junto de você me incomodava muito.. Mas ela se mudou. Eu reconheço que agi muito mal . Débora. Com a voz entrecortada pelos fortes soluços. Tenho fortes sentimentos por você e.perguntou com brandura. Você significa m uito para mim.admitiu arrependido. minha melhor amiga me traiu com você e ai nda descobri aquelas fotos. Débora. Importa-se de conversarmos no meu quarto ? Não.. .. não está dormindo e eu prefiro mais privacidade. colocou-a na f rente da jovem e se sentou. por favor. Débora exibia-se aflita. o rapaz comentou cauteloso: Não pense que pretendo ser superior ou algo assim.falou calmo. mas minha irmã não me dava bons conselhos quanto ao nosso namoro e. Sérgio a encarou por longos minutos.. quando estava reformando. Sabe. todos que passaram a freqüentar esta casa. caminhou até a porta do quarto onde Rita havia apagado a luz e deixado à porta um pouco aberta.Chorou. ele se deteve sem que Débora o p ercebesse e ficou observando-a com olhar perdido e melancólico na face triste e ab atida. você sabe . Fa lando baixo e estendendo-lhe a mão... flores ou me ligava. Ao entrarem.. encarou-o mostrando-se acanhada e com a voz trêmula iniciou: Não imagina como estou envergonhada e com medo.. por você relutar em sair da polícia. perguntou com voz vacilante: Você está exausto.. provavelmente... a Yara ia me visit ar.. Você me contou .chorou. Débora..Sérgio se levantou. buscou forças interiores. como pôde ser tão vil!. o que você não sabia era que o Breno me procurava com freqüência. obedeceu e ele explicou murmurando: Nós precisamos conversar e aqui na sala não é um bom lugar. Sérgio apontou a cama pedindo gentil enquanto fechava a porta: Sente-se. Mas meus pensamentos ferviam. Aproximando-se. Em seguida. Como assim? . você lembra. pensamentos esquisitos e não entendia. . Então ela prosseguiu: Desde quando saí da casa dos meus pais.. present es. minha irmã não me dava um tempo para pensar. .

Meus pensamentos eram conflitantes. O tempo que me deu quando não me via preparada para um rom ance mais íntimo. Comparecia a algumas das festas e até nos visitava.. Você exigia algumas coisas de mim. com pessoas influentes.. Mas eu estava longe de saber como é imundo o vício ou os prazeres de alguns grupos da alta sociedade. Muita gente importante. prostitut a. além de pagar às pessoas certas para o contrabando dos produtos. dinheiro e outras coisas em suas caixas ou contêineres para gr andes carregamentos. no que se ntia. lamentou: Foi à escolha que eu fiz. eu escutei uma conversa e descobri que meu pai estava envolvido com tráfico de diversos produtos. Foi então que ele se revelou. O Breno parecia sempre solícito. Eu só pensava em você. para saírem ou entrarem no país. inf luente. me distraía. Mesmo entre os soluços.. Perdi a vontade de ir à universidade e nem tranquei a matrícula. Mas a culpa foi minha por deixar as c oisas irem longe demais entre mim e o Breno.. eu ficava furiosa ao me lembrar de vê-lo ao lado da Rita e das fo tos com sua irmã. com s uas palavras. Bem. De repente me vi às voltas em festas luxuosas. Um dia e por acaso. A rica e prest igiada empresa do Breno e do Lucas era uma das que aceitavam fazer o carregament o de drogas. deixei de pensar em você..Exibia-se exausta. Usando de fachada sua grande companhi a advocatícia... . Mas nunca. Sei lá. . Foi a única saída que encontrei para me manter. lavar louça e roupa. lembrando seu respeito po r mim. eu acabei indo morar com ele. quando deitava.. feito ou participado. Fui conversar com o Breno a respeito e fiquei abismada ao descobrir que ele e o cunhado estavam envolvidos em negociações muito mais sujas e junto com o meu pai. Sérgio sentiu como se uma espada atravessass e seu peito. desfrutando todos os confortos da mansão do Breno. O Breno me ameaçou dizendo que se eu contasse algum a coisa para alguém. As coisas estavam difíceis e pelo modo como o Breno me cativava com seu jeito. mas revelou: Muitas vezes. mas não a deixava perceb er. Eu desabaf ava com o Breno e ele me ouvia.. desde religiosos até políticos.Entre o choro arrependido. que também prestava serviço como uma espécie de despachante alfandegário que lida com a documentação da alfândega. Sérgio permanecia calado. Entretanto o Breno me envolveu de tal modo!. mas continuou: Nessas alturas meu pai se reconciliou comigo. pois algo me dizia para não aceitar aq uele emprego. . Vivendo.. contendo as emoções. Vivendo lá com ele.. Débora. ela continuou: Então.. Durante os acontecimentos eu não me importava.. eu quase não ia mais trabalhar e passei a ser servida por empregados. de alto nível. me sentia leviana..Mais calma. falindo financeiramente e não arrumava e mprego. Ela parou de falar e chorou muito.. contou: Você lembra que eu não queria deixar meu apartamento para morar com você..pediu. armas.. Surgiu um romance entre nós. Pode explicar melhor? Bem nervosa.. Isso não saía da minha cabeça. Seu carinho. Por que acha isso? Eu não queria determinada coisa. e nquanto ele me tratava como uma rainha. confessou: Só que com isso. um vazio imenso e uma saudade mortal me dominavam. Não entendi. invadidos po r opiniões estranhas e comecei a fazer comparações. explicou: Em outras pal avras. Viagens e passeios.. . eu me sentia mal. Débora chorou um tempo pelo grande remorso. como estava. ele denunciaria o meu pai e meus irmãos pelas porcentagens subt raídas de todos os serviços ilegais prestados.. amigo e me contratou para trabalhar em um a de suas empresas junto a ele. políticos e alguns religiosos usavam esses serviços de tráfico. por um único dia... Ao mesmo tempo. uma angústia.chorou. Chegava a suar frio e passava discretamente a mão no rosto para disfarçar.. Sofria e estava muito nervoso. O que eu exigia de você? Você queria que eu aprendesse a cozinhar. meu pai e meus irmãos faziam até lavagem de dinheiro. isso quer dizer que os contrabandistas que negociavam com meu pai para so negarem impostos. fazerem lavagem de dinheiro ou depósitos fraudulentos fora do país . mas . Polícia Federal e tudo mais. Comecei a crer em sua integridade.. mord omos e motoristas. mas.nhas idéias. Eu estav a deprimida e decepcionada por sua causa. Chorando. o Breno foi se aproximando como amigo e me tratava mu ito bem. Sérgio! Às vezes parecia que não era eu! Não conseguia pensar! Calma ..... mas quando me dava conta da situação já tinha aceita do. dentro ou fora do país.

ele me beijava e me abraçava como se nada tivesse acontecido. Ama rgurado. asquerosas. Só que morreu por isso! Ele ameaçou fazer o mesmo com você... Isso seria morte certa para mim e para você! Você não imagina as ameaças que me fez c aso eu fugisse e te procurasse! Mesmo agredida. mandou eu me vestir b em e aprender a me comportar. pedia sussurrando para que se acalmasse.. algo preocupado.exclamou com a voz sufocada. ele me bateu.. Ela desapareceu! Tentei correr... Ele sorriu. Por que não o denunciou? . algo e m grupo. o que mais aconteceu para você reagir assim? Quanta humilhação! Quanto horror! .. Os homens só riam e assistiam.. ma s me seguraram.. envolvia-se com um e outro.. Comovido. meus irmãos poderiam se considerar mortos por esses cri minosos. Percebi que a maioria usava drogas... Bem mais tarde. . o meu sofrim ento servia de prazer para eles! Isso é sadismo! . . A Yara estava nesse cruzeiro e. Totalmente alucinada pelo uso de entorpecen te. Depois falou: Ela estava nua como a maioria. Na frente de todos daquele cr uzeiro. vil.. Ele aceitou providenciar e abastecê-la com entor pecentes. Eu não o queria! E. despiam-se e se relacionavam uns com outros. Mal respir ava. el e me bateu ainda mais. Coisa que ninguém pode imaginar. parceiro. sem caráter. Parecia que o meu desespero. negociant e ou comparsa do Breno. Foi um homicídio! Eu sei. o rapaz pergun tou: O Breno mandou ou permitiu que os seguranças fizessem o mesmo com você?. Logo minha irmã caiu e foi puxada por aquele peso.. prosseguiu: Uma v ez ele me obrigou a ir a um cruzeiro que ele patrocinou. disfarçando o meu ódio.. nus na piscina ou. Sempre estávamos vestidos com trajes elegantes.. Ele era doente! Em pensar que faziam parte do alto nível social. a festa começou a ficar diferente.... Longa pausa e pr osseguiu: Como um ser humano pode ser tão cruel?! Depois de rasgar meu vestido. fui obrigada a me produzir para uma da s festas a bordo. pois s . chorando muito. E todos que viram não se importaram. Vendo-a chorar em desespero e quase gritando... eu não podia falar nada... Parecia algo comum! Quando retor namos.. viu-a se encolher e esconder o rosto. sentan do-se ao seu lado.. Era uma orgia! Algo nojento! Ele a obrigou a participar dessas orgias? Não!. Em meio aos soluços. Algum tempo e o Breno fez um sinal. naquelas pessoas repugnantes.Débora se de teve com olhar perdido.... comportamento sujo. Seu rosto estava expressivo. Sérgio argumentou: Isso é crime. Se o Breno denunciasse meu pai. estavam embriagados. E isso fo i só o começo! .. E ela conseguiu. Minutos depois.Afastando-se de Sérgio. E só e ntão. continuou: Na noite seguinte. entrando em desespero. cada ocupante daquele navio era amigo. o B reno verificou se meu rosto estava marcado.. ele socou meu estômago e eu não conseguia reagir. Toda aquela gente. com vícios deg radantes. Foi então que Débora chorou novamente enquanto contava: Briguei com o Breno e. Ele me bateu! Ficou furioso por eu tê-lo arranhado e m e agrediu muito! Entrei em desespero e não sabia o que fazer. Não. o Breno narrava os detalhes que percebia nos atos. afagando-a com carinho. de festas.Breve pausa e ainda chorando.. Ele sobrepôs um braço em se us ombros e. além de festas daquele tipo. vamos dizer assim. Ele só go stava de assistir e.... Não consegui e perto de outras pessoas eu ag redi o Breno com palavras. o Breno me contou que aquilo era só um aviso e que a Yara estava lhe dando muito gasto no trato que fizeram. Não. não sabiam que meu pai ficava com uma fração bem maior além do que eles pagavam. Isso é uma máfia! Um submundo nojento! Sérgio ouvia calado. conforme andávamos pelo convés. c ontou: Quando terminou. nesse navio. Como não estava. mas seu coração apertava.. práticas de sexo coletivo promíscuo...Chorou. com a cabeça baixa. Puxou-a para si e Débora agarrou-se a ele.... Ele me violentou! Os dois seguranças viram e ficaram olhando! Rindo! Sérgio não suportou.. Discretament e os seguranças a tiraram de onde estava e a levaram para outro lado. perguntou com piedade: Além da agressão. Sérgio se levantou rápido e.questionou parecendo tranqüilo. me levou para o camarote e me agrediu! Agrediu violento com. caso minha irmã conseguisse aproximá-lo de mim. O Breno m e levou para perto e eu vi amarrarem algo em sua cintura e jogarem ao mar. conheci um outro mundo mais podre. Com medo eu obedeci. Quando gritei. No início da noite.

inclusive dentro da casa e em lugares que eu ignorava. Me tratou com tanto amor..Entre os soluços contou: Ele queria um filho e chamou um médico para ir lá. Quis morrer. No dia seguinte me torturava. Ele delicadamente tentou segurá-la . Às vezes. mas meu pai estava envolvido . humil hada! Era obsceno. .. Bebia e se drogava. lu xuosa e onde havia o maior grau de requinte que já vi. Geralmente me agredia. mas através das câmeras de segurança. Sentia prazer nisso. mas ela se recusou.. Após quinze dias .. a Emy e o Élcio. Eu não tinha ninguém para pe dir ajuda! Era vigiada o tempo todo! Algumas vezes o Breno chegava e me agradava. fazia carinhos e literalmente be ijava meus pés. vexatório! Sérgio! . Mas nos viram conversando e não a encontrei mais. isso foi seguido de violência sexual . Pode falar . O Breno chegava furioso. O caso dela era pior do que o meu. sempre com medo de ser perseguid o. .Ela chorou ao dizer: Foi quando. mas te devo muitas explicações. Fiquei presa naquela casa como prisão domiciliar. Acariciando-a vez e outra. Não. . viajaram para o exterior e não voltaram.. abandonaram a casa. Ficava alterado e era um inferno. . mas. mãe da Cris. sentindo os olhos se aquecerem pelas lágrimas que brotavam: Quando você falou em agressão na primeira vez. Mas os seguranças eram os mesmos e. Sérgio amargurava-se com os relatos. eles me viram e eu apanhei. ele perguntou.. Eram doentes! Sádicos! Eu não podia sai r mais. ..abia que eu não o tirava dos pensamentos! Fiquei apavorada! Procurei falar com a E lza.... .Breve pausa e lamentou em choro: Naquela mansão maravilhosamente rica. pe rguntou: Você lembra que eu usava um implante e. Tentei me matar. os meus pais viajavam de carro para o Rio de Janeiro e morreram em um acidente por excesso de velocidade. Alguns seguranças.Olhando de relance para Sérgio. conside rados mais fiéis... Não! Não queria aquilo! Preferia morrer! Nova crise de choro a dominou e Sérgio a envolveu em seus braços.. ele gritou e berrou por saber que meus irmãos... porém não dizi a nada. O Lucas e o Breno estavam com medo e passaram a se reunir várias vezes trancado s no escritório. Um dia. . Outras vezes as duas. Débora pareceu não ter mais lágrimas e quis se sentar. Sérgio! Tudo bem. Orgulhav a-se do que fazia e se comprazia com os seguranças olhando! Fui tão ultrajada.tornou Sérgio..sussurrou com voz fraca. porém seus pensamentos e a indignação fustigavam sua mente. Eu não conversava mais com ele e por isso me batia. Outros for am contratados. contou qu e os dois deram um golpe e avisou que meu pai era um homem morto. Após algum tempo. beijando-lhe a cabeça enquanto a embalava vagarosa-mente.. Alguns empregados. que eram fixos. mas ela disse para eu me acostumar. por me d eixar levar. Ela chorou e Sérgio estava atordoado com o que ouvia.. não sei bem o que era. Percebi que alguma coisa os amedrontava. pois eles têm uma filha. ela respondeu: Às vezes uma. Não podia sair sozinha e até os telefones foram gramp eados. O médi co foi e tirou esse implante. Eu me lembrava de você! P edi a Deus que me encontrasse! Você me respeitou. Com isso você se refere à agressão física ou sexual? Chorando e experimentando imensa humilhação.concordou com voz ponderada e olhos vermelhos. contou que ele a agredia. Sentia-se mal. ... Procurava se manter aparentement e calmo. Mesmo embriagado. Agora.. esperou... Ele cismou que queria um filho e. O Breno começou a agir de modo desequilibrado. afastando-se do abraço.. Quer um pouco de água? Vou pegar...Com voz frágil contou: Algu s negócios começaram a dar errado. Não engravidava e não menstruava?.gritou em desespero. Não quero te torturar.. aceitou meus limites. Seu prazer era o de me machucar! Ele er a um monstro! E os empregados? . Não agüento mais.. depois de determinado horário deveriam ir embora. Então perdi toda a liberdade. cauteloso. O Br eno me agredia muito! Paguei um preço alto demais por uma escolha errada. eu era agredida quase todo dia e. pois o marido dela não era dif erente.. Perplexo. Seus olhos se encontraram e Débora falou com pr ofundo lamento na voz: Preciso te contar tudo... carinho!.. Nessa época muitos foram demitidos e empresas prestadoras de serviços vinham a ca sa.. apertava os dentes sem perceber e fechava os punhos com força pela . a proteção do Breno e não sei o motivo..

Fiquei por quatro dias ali e pensei muitas coisas. E. Mordomias.Chorou. a preguiça da minha parte para lutar. mas. acabar com essa minha vida desgraçada. E o procurei.. Em outras palavras. Num impulso. mas não! Ele queria um filho. mas esse.... Rezei tanto! . Ainda em pranto.. Fugi. Apanhei como nunca. Mais serena. extremamente nervoso. Foi até a cozi nha bebeu alguns goles de água e retornou ao quarto.. Empregados para tudo. sofisticado. . Ele não suportou e choraram juntos por longo tempo . mas tentava não interromper o desabafo angustioso. Tive medo e não disse nada.. Meu orgulho... Meu erro é impe rdoável. mas não desmaiado e o homem o fez beber tudo aquilo . segurou Breno pelos cabelos e bateu seu rosto contra um móvel várias vezes. levantou-se. virou um monstro! Ele estava bêbado. ela adormeceu.. eu aceitei o que era mais fácil e conveniente. não tinha mais nad a a não ser os pensamentos em você. Um dia. procurando-o com o olhar. ele afagou seus cabelos e as costas e Débora des fechou com impressionante inflexão dolorosa na voz: Eu lembrei de ir até o quarto.. Esse homem avisou que o Breno queri a que eu engravidasse para sair do Brasil. chorando copiosamente. Sérgio a abraçou forte e Débora correspondeu. a falta de te dar uma oportunidade e outras coisas me levaram a a ceitar o que era confortável. minha vaidade. eu jurei me matar... Outro segurança aparec eu e avisou que já tinha colocado fogo nas gravações. quando o Breno percebeu que eu não me alimentava.aflição.. mas tomava água e me sentia cada vez mais fraca.. Sua feição mudava e às vezes falava coisas sem sentido. Sentando novamente a seu lado. pensou que ele era como os outros.. Mais recomposto.. Orei!. pegou uma porção grande de entorpecente e colocou no copo de uísque... Sérgio. exibindo exaustão. ajudou-a a segurar o c opo para que bebesse a água. levando um copo com água adoçada e pediu com bondade: Toma um pouquinho . Ele era sádico e gostava de ser visto... permanecendo a seu lado afagando-lhe o rosto abatido... Como alguém pode ser tão falso? E e u tão ingênua? As requintadas festas. Virando-se para mim. havia muita atenção. Olhou para mim e gritou: Cor re mulher! Suma daqui! Estava tonta e sem saber o que fazer. Lá me deram uma sopa e arrumaram um lugar para eu dormir junto de algumas desabrigadas. Como viver com isso?! Entretan to fui covarde. . rasgou e o fez cheirar. acom odando-se ao seu lado até ser arrebatado por um sono profundo... dizendo que se fosse você talvez permitiriam que eu engravi dasse! Era horrível! Entrei em um estado no qual não me importava com mais nada. Débora contou em desespero: O Breno me forçou! Eu não o queria! Tinha nojo dele. havia cheirado cocaína e começou a me bater.... se você me mandasse embora quan do chegou e me encontrou em seu portão. Esse homem era d iferente. Ele permaneceu acariciando-a com delicadeza. carinho.. Vendo-a exaurida de forças.. Pegou outro pacotinho. O homem se aproximou. para a criança nascer em outro país e ele ganhar direito à cidadania. Parecia que se transformava. mas ele me violentava! Queri a que ele me matasse.afirmou. dificultando uma extradição. e depois de meses eu não engravi dei. Não c omia. sem saber para onde ir e acabei entrando em uma igreja.. pegar meus documentos. delicadeza e as melhores generosidades. Eles nunca conversavam. o rapaz não disse nada. Por isso pensei em morrer. mas não c oncordamos com isso que esse cara faz com a senhora. angustiado e indignado. Saí sem rumo. a refinada casa. Um dos seguranças novos me viu desmaiad a e me levou para o quarto. acomodou-a n a cama e a cobriu. A princípio.. Deu-me água e depois falou num tom revoltado que não suportava mais ver aq ueles maus-tratos. Vai logo! Some daqui! . não tive coragem de me matar. e scondendo o rosto em seu peito. luxuoso. Não tinha mais família. falou: Nós somos bandidos! Já matamos homens safados. usou o seu nome.. as roupas.fal ou sentida. ao me bater.. Vi quando o segurança o s entou à força em uma cadeira.. Sua voz ficava estranha! Certa vez. Ape sar de não te esquecer..Débora ofereceu uma pausa. Até que aconteceu algo estranho. Ele o levou par a a sala e eu o acompanhei a distância e assisti a tudo. por um calçado e trocar a b lusa rasgada.. Ele passou a me espancar!. O Breno estava tonto. Era um doente! Mas naquele dia chamou o segurança e mandou que me se gurasse. e