FORÇAS PARA RECOMEÇAR Eliana Machado Coelho Pelo espírito Schellida

Índice 1 Reunidos pelo destino 2 Sérgio e Débora se reencontram 3 Dificuldades em família 4 Débora hospitalizada por causa de uma mentira 5 Rita, uma grande amiga 6 Débora enfrenta a oposição do pai 7 Sérgio e Débora: do passado ao presente 8 Respeito e amor 9 Sérgio se deixa dominar pelo ciúme 10 Sérgio revela o assédio de sua irmã 11 A ação dos espíritos inimigos 12 Psicólogo Espiritual 13 O desespero de Rita 14 Terapia de uma evangélica, ex-espírita 15 O romance abalado pela influência espiritual 16 Rita tentada pelo suicídio 17 Débora flagra Sérgio dormindo com Rita 18 Os olhos de Deus 19 Fotos contra Sérgio destroem o romance com Débora 20 Breno aproxima-se de Débora 21 Opiniões do doutor Édison

22 A benfeitora Laryel interfere no suicídio de Sérgio 23 Cabe a Deus alterar o destino 24 Discussão entre Sérgio e o médico 25 Juntos, Tiago e Rita 26 Psicólogos de amor 27 Suicidas em sofrimento no Plano Espiritual 28 Conversando com Jesus 29 Reflexões de um Psicólogo 30 A elevada Laryel intervém na obsessão injusta 31 Débora fracassada, humilhada e submissa 32 Tiago sofrendo na prova do fogo e mutilação 33 Débora teme conseqüências do passado 34 É preciso força para recomeçar 1 - Reunidos pelo destino Ah!... Que droga! - protestou Débora vendo sua pasta ir ao chão. Uma das pontas d o elástico que servia de amarra escapou. Algumas folhas se soltaram, espalhando-se parcialmente, prestes a voarem por causa do vento. Rapidamente a moça se ajoelhou a fim de apanhar os papéis. Ao erguer sua bolsa de pertences pessoais e outra pasta com modelo de valise, ambas alçadas em seu ombro, escorregaram embaraçando-se e dificultando a agilidade para organizar os documentos que segurava com uma das mãos. Como se não bastasse iss o, sua roupa sujou na altura do joelho, deixando-a mais irritada. Era uma bela jovem, bem arrumada e, como todos os transeuntes, estava com pre ssa. Não queria se atrasar para uma reunião na biblioteca com suas colegas a fim de realizarem um trabalho para o curso universitário que faziam. Além disso, pretendia ainda estudar para uma prova. Mas naquele dia tudo parecia colaborar com o intui to de atrapalhá-la. Tentando ser rápida, ela juntou tudo. Arrumou a pasta e desembaraçou as bolsas la nçando as alças novamente ao ombro. Ao curvar-se para tentar limpar a roupa, não pôde de ixar de ver uma criança chorando. Aquilo lhe chamou muito a atenção. Débora estava impaciente, mas acabou sendo refém de um sentimento inexplicável. Ela olhou para um lado... Para outro... E apesar de muitas pessoas irem e vir em, ninguém parecia ver ou se importar com aquela criança. Se talvez a vissem, ignor avam sua presença e nítida necessidade de amparo. A jovem olhou para as escadarias do metrô, para onde pretendia ir, porém sentiu-s e como que envolvida por uma força maior. Algo naquela cena tocou seu coração generoso . Tratava-se de uma garotinha, aparentando pouca idade, sentada no degrau paral elo a uma vitrine, num cantinho em que mal se podia enxergá-la devido à floreira com arbusto que praticamente a escondia. Estava encolhida, com as perninhas dobrada s e as mãozinhas cobrindo o rosto abafando seguidos soluços dolorosos que os ruídos do grande centro financeiro não deixavam alguém ouvir. Atendendo ao chamado de sua bondade, Débora se aproximou perguntando meigamente : Oi, meu bem! O que aconteceu? - A menininha só chorava, enquanto a moça a observo u com atenção reparando que estava bem vestida e arrumadinha, não parecia se tratar de uma menina de rua. No braço, a menina trazia delicada pulseirinha que combinava c om suas sandálias, cujos detalhes da moda infantil eram iguais. Preocupada, a jove m insistiu com voz afável: Oi querida, onde está a sua mamãe? - Sem obter qualquer res posta, delicadamente, Débora tirou-lhe uma das mãozinhas do rosto para vê-la melhor. Lágrimas corriam ligeiras naquelas bochechas coradas e seus olhinhos esverdeado s mal podiam ser vistos pelas pálpebras avermelhadas. Com a outra mãozinha, a garotinha esfregou o rostinho e a moça aproveitou para ti rar-lhe os fios de cabelos colados em sua face úmida. Fazendo-lhe um carinho nos c abelos cacheados, parcialmente presos por uma delicada tiara rosa, Débora sentou-s e a seu lado falando com brandura na voz: O meu nome é Débora. Qual é o seu? Cris... - respondeu em meio aos soluços. Cris!... - E então, Cris, onde está a mamãe?

A... Ma... Mãe... Su... Sumiu... - gaguejou a garotinha. Onde você estava com a sua mamãe? - A menina gesticulou com os ombrinhos insinuan do não saber e Débora perguntou: Quantos aninhos você tem, Cris? - A garotinha mostrou -lhe quatro dedos para responder a idade e a jovem tornou a questionar: Como a s ua mamãe se chama? Foi necessário Cris repetir algumas vezes para ser entendida, pois os soluços não a deixavam se expressar. Ah!... Elza! O nome da sua mamãe é Elza! - exclamou a moça ao compreender. E... E eu quero... Que... Ro a minha... Ma... Mãe... - chorou. A jovem estava atrapalhada com suas bolsas e pastas, mas deu um jeito de reco star Cris em si, avisando em seguida: Não chore, ta? Nós vamos encontrar a mamãe. Ela também está procurando por você. Eu te certeza disso. Sem se demonstrar apreensiva diante da situação e muito preocupada com o horário, Déb ora revirou sua bolsa, pegou o celular e decidiu ligar para a polícia. Afinal, não p oderia abandonar aquela garotinha tão indefesa. Atendida, após fornecer os dados e t erminar a ligação, Débora virou-se para Cris e pediu: Vem, meu bem. Dê-me sua mãozinha. Tem muita gente com pressa e eu não quero que se perca de mim, está bem? Precisavam ficar em um lugar visível aguardando a viatura da polícia que chegaria . Com dificuldade, a jovem segurava as bolsas, a pasta e o celular em uma só mão par a prender a mãozinha da menina com a outra. No instante em que olhava ansiosamente à procura do carro da polícia, sem esperar, Débora foi empurrada e teve o telefone ce lular furtado. Sem soltar a mão de Cris, ela gritou assustada e indignada e teve o impulso de seguir o agressor, mas a menininha começou a chorar novamente. Aturdida com o acontecido, a jovem não sabia o que fazer. Suspirando fundo, aba ixou-se perto de Cris, secou-lhe o rostinho com a mão trêmula e tentou ser simpática, falando amavelmente: Oh... Meu bem... Não fique assim. Vem cá - disse, pegando-a no braço, mesmo com tod o empecilho de carregar seus pertences. Cris debruçou-se em seu ombro e chamava ba ixinho pela mãe. Tentando não se exaltar, Débora procurava se refazer do susto e do ma l estar que sentia. Em fração de segundo, teve seu celular roubado e temia que suas bolsas fossem os próximos alvos. Angustiada, estava quase chorando pelo ato repuls ivo do furto, pela ausência de amparo e falta de segurança vivenciada. Em meio a tan ta gente que passava, ela e aquela menina estavam sozinhas. Se eu estou me sentindo assim, imagine essa pobre criança! , pensou entristecida e nquanto apertava a menininha contra o peito ao mesmo tempo em que olhava de um l ado para o outro. Não demorou muito e Débora avistou a viatura da Polícia Militar chegando à baixa velo cidade, parecendo procurá-la. Levando Cris firme em seu braço, segurando seus pertences mal ajeitados e quase caindo da outra mão, Débora, apesar do salto alto, correu em direção aos dois policiais , que de imediato, reconheceram tratar-se de quem havia solicitado os préstimos da polícia, pois a moça demonstrava nítida expressão assustada e enervante. Frente a um dos policiais que, educadamente, a cumprimentou, a jovem mal corr espondeu e relatou às pressas: Eu encontrei essa menininha ali! - exclamou apontando. Naquele momento a past a caiu de sua mão e querendo pegá-la, Débora viu suas bolsas caírem também. Oh, meu Deus! Hoje é dia!... - reclamou procurando conter as lágrimas. Abaixando-se para pegar os pertences tentou pôr a garotinha ao chão, mas Cris não quis e agarrou-se com seus brac inhos em volta do pescoço de Débora e, enlaçando as perninhas em sua cintura, chorou. Calma, senhora. Pode deixar - pediu brandamente o policial à sua frente que se abaixou, apanhou as folhas espalhadas da pasta, cujo elástico rompeu, e as bolsas caídas. A menininha começou a chorar, e Débora não conseguiu conter as lágrimas. Mas, entre s oluços, abraçando a garotinha, explicou: Eu fui roubada!... Como assim?! Poderia nos explicar melhor? - perguntou o outro policial, aprox imando-se.

Contorcendo o rosto pelo choro incontido, Débora pediu entre as lágrimas: Desculpe-me... E que tive um dia complicado e... Bem... Eu estava com pressa quando essa maldita pasta arrebentou... Como agora... - disse olhando para a mão e para o rosto do policial que segurava seus pertences. Depois de pegar minhas co isas que caíram, eu vi essa menininha ali - apontou , encolhidinha e chorando. Ela se perdeu de sua mãe. - Depois de breve pausa em que secou o rosto com a mão, contin uou: Disse que tem quatro anos e se chama Cris. Ah! Ela falou que o nome de sua mãe é Elza. Foi o que entendi... Eu não sabia o que fazer e... Nossa!... Nem pensei em deixá-la ali sozinha! Sabe lá, Deus, o que alguém poderia fazer com ela! Então... Liguei para a polícia e pediram para eu aguardar aqui. Assim que desliguei, um cara... Bandido, safado, sem verg onha... Passou correndo, me empurrou e roubou meu celular! Eu quase caí!... - As lág rimas corriam em seu rosto, mas ela prosseguiu emocionada. Tive de pegar a Cris no colo porque ela chorava muito! Fiquei aflita e sem saber o que fazer! Desculp e, mas estou confusa, com medo... Eu não poderia perder a hora da faculdade, tenho uma prova importante hoje e um trabalho para... Bem calmos, os policiais ouviram-na atentamente. Um deles ainda segurava os p ertences de Débora ao tempo em que ela trazia a menininha debruçada em seu ombro e a fagava-lhe as costinhas ao embalá-la levemente, pois a sentia chorando amedrontada . Tranqüilo e na primeira oportunidade, pois percebeu que a jovem estava bem angu stiada e sentia intensa necessidade de contar o ocorrido, com as bolsas e a past a da moça nas mãos, o policial perguntou educadamente: Qual o nome da senhora, por favor? - Após a resposta ele explicou: Dona Débora, a senhora encontrou uma criança perdida e, pela boa aparência da mesma podemos deduzi r que a mãe esteja tomando as devidas providências para encontrá-la. Além disso, a senho ra teve seu celular furtado. Diante das duas ocorrências, precisaremos encaminhá-la até o Distrito Policial a fim de elaborar um Boletim de Ocorrência para que a autori dade policial, que é o delegado, possa decidir quais as providências a serem tomadas . Certo? Lógico! Claro! - aceitou a jovem de imediato. Eu estou com dó da menininha... E.. . O meu celular pode ser usado por bandidos e... Tenho de prestar queixa. Percebendo-a nervosa pelo modo como aninhava a criança nos braços e o jeito amedr ontado que tentava disfarçar sua voz, o policial solicitou gentilmente ao ver o pa rceiro abrir a porta da viatura: Entre, por favor. - Ao vê-la sentada no interior da viatura aconchegando a meni ninha no colo, ele pediu educadamente: A senhora poderia pegar suas coisas, por favor? Claro!... Desculpe-me... Estou tão atordoada que me esqueci... - sem saber como se justificar, Débora ergueu o olhar para o policial e ofereceu um tímido sorriso s em qualquer brilho de alegria. Seus olhos se fixaram nele, por longos segundos, como se implorassem algo mais caloroso do que aquelas providências que a auxiliari am. Somente depois pegou os pertences de suas mãos. Ele correspondeu ao sorriso de modo amigável. Em seu íntimo admirou a beleza da j ovem, sua afabilidade e sensibilidade. No instante em que seus olhos pareciam im antados teve vontade de poder consolá-la com um abraço amistoso, mas não podia e mante ve a postura militar. Em seu íntimo estranhou, pois estava acostumado a situações seme lhantes e isso nunca havia acontecido. Sempre foi um profissional cumpridor de s eus deveres. * * * Chegando à Delegacia de Polícia, enquanto Débora aguardava o atendimento, o policia l anotava alguns de seus dados pessoais, procedimentos normais exigidos por seu serviço. Apesar de responder atentamente todas as perguntas, a moça demonstrava-se tímida, quase assustada pelo ambiente tóxico que imperava ali devido ao nível dos acusados e vítimas que também esperavam. Alguns falavam alto, brigavam, xingavam, enquanto ou tros acusavam ou choravam. A garotinha, amedrontada, apertava-se ao pescoço de Débora e escondia o rostinho

nos cabelos da moça, chorando baixinho. Controlando seus sentimentos, ela disfarçava a apreensão e o desconforto afagando a criança com carinho e procurando ficar atent a aos questionamentos do policial. Naquele plantão, tanto os policiais civis quanto os policiais militares estavam sobrecarregados e praticamente esgotados pelo tipo de trabalho exigente que os sugava. Havia muito a resolver e o nível moral da maioria dos que aguardavam atend imento era voltado ao mal, aos vícios e às piores mazelas da vida. Por suas palavras , linguagem de baixo nível e grosseria nos modos podia-se saber que tipo de espírito s se afinava a tudo aquilo. E ali estavam os mais vis e degradantes, repletos de vícios, sensualidade, hipocrisia, crueldade e sordidez. Na espiritualidade, para quem pudesse ver, o lugar era preenchido por uma den sa névoa escura, sombria, correspondente aos estados vibratórios e mentais de encarn ados e desencarnados. Uma forte energia invisível pairava como que um veneno espir itual maligno, impregnando os encarnados de caráter fraco que se deixavam envolver pelas sugestões de diversos espíritos impuros, que desejavam o mal por prazer e odi avam o bem. Entretanto, a ética e os bons princípios morais de alguns poucos encarnados prese ntes ali, por forças das circunstâncias ou do dever, permitiam a reunião de espíritos be nevolentes e sábios. Tais espíritos, às vezes, deixavam os encarnados que estavam sob sua proteção serem testados a se corromperem de alguma forma. Mas de acordo com a di gnidade apresentada, esses espíritos elevados os amparavam e protegiam a fim de não serem envolvidos por desencarnados tão insufladores da discórdia, da corrupção e do ódio, pois esses tinham o intuito de levá-los ao retardamento espiritual, fazendo-os suc umbir diante de provas tentadoras. O ambiente não era agradável. Quando menos esperavam, Débora e o policial se surpre enderam ao ver Cris que se sobressaltou gritando: É a minha mamãe! Mamãe! Onde, Cris?! Quem?! - quis saber a moça, segurando firmemente a garotinha que q ueria saltar de seu colo. Apesar de toda movimentação e aglomeração, a menina reconheceu a voz chorosa de sua mãe em desespero que a procurava com o olhar seguindo o som de seus gritos. Cris fo rçava-se a descer dos braços de Débora, mas a moça a segurou firme e junto com o policia l foi em direção da jovem mulher acompanhada de um rapaz muito bem vestido e alinhad o. Nada precisou ser explicado quando a mulher gritou em pranto: Cris! Minha filhinha! A menina se jogou nos braços da mãe. Entre o choro se beijavam enquanto a mulher a tocava como se não acreditasse que a tinha entre os braços. Algum tempo depois, Débora pôde explicar tudo a Elza, mãe de Cris, que abraçou e beij ou a jovem agradecendo-a diversas vezes. A forma como a menina agarrou-se a Elza , com um abraço apertado e as perninhas entrelaçadas em sua cintura, era inegável que a jovem mulher fosse sua mãe. Por aquele ser um plantão bem agitado, a autoridade policial foi consultada a f im de decidir se as partes envolvidas naquela ocorrência poderiam ou não ser liberad as. O comportamento de Cris não deixava dúvidas sobre Elza ser sua mãe, Embora a mulhe r apresentasse documentos e até fotos comprovando que a menininha era sua filha. A ssim sendo, o delegado as liberou. Enquanto o policial militar fazia algumas anotações para relatar a ocorrência, o ra paz que acompanhava Elza se apresentou para Débora. Prazer! Meu nome é Breno. Sou tio da Cris e irmão da Elza. Você não imagina como fica mos aflitos! Muito obrigado! Obrigado mesmo! Do jeito que algumas pessoas agem h oje... Nossa!... Mil coisas passaram pelos nossos pensamentos!... Muito obrigado , Débora! - nitidamente agradecido, sem se conter, deu um abraço emocionado na moça. Ora... Não fiz mais do que a minha obrigação - respondeu ela com um brilho emotivo no olhar. Ah! Fez sim! - afirmou Breno expressivo. O mínimo que podemos fazer por você é leváa para casa. Certo? Creio que não será possível, Breno. Agradeço de coração! Por que não?! Mora aqui perto? Não. É que... - Débora ficou sem jeito, mas precisou contar sobre o furto de seu ce lular e precisaria ficar ali para prestar queixa. Depois de fazer o Boletim de O

Débora parou e voltou-se .espantou-se Elza por não ter ouvido o relato da jovem. perguntou: Sargento Barbosa.. O rapaz mostrou-se insatisfeito e apreensivo ao olhar em volta e observar o a mbiente. Aproximando-se do policial. será que vai demorar muito para a Débora ser atendida? Não sei lhe dizer . como podemos ver. Diante disso. A jovem abriu a bolsa. Virando-se para Br eno. lógico. * * * Débora estava sozinha. Telefone-me para dizer como a Cris está. Não queremos perder contato com você. decidiu ler novamente o Boletim de Ocorrência pelo furto de seu celular. Eu não queria deixar você aqui . apesar de tantos a sua volta. Em seguida avisou: Esse é o telefone da Elza. Não há como precisar o tempo a ser usado para o atendimento de cada uma.. tirou um cartão e o entregou à mulher. por favor. rapidamente. Mesmo assim. entretanto o sargento Barbosa experimen tava um travo de melancolia por deixar Débora ali sozinha. debruçada no ombro de sua mãe.. Já era noite ao percorrer o corredor da delegacia que a levaria para a saída. Mai s calma. Perdoe-me. Então fique com o meu cartão também! . Débora! Não vou ficar sossegada em deixá-la aqui sozinha! .. Ficou amedrontada e está muito tempo aqui. mas durante a conversa a garotinha começou a pedir insi stentemente para ir embora e começou a chorar. tão necessário para o furto de um celular. mas nada demonstrou. Na sua vez de ser atendida. conversou um pouquinho mais com a moça. afagando a menininha e dando-lhe um beijo em seu rostinho. Sem alternativa. Não posso ir agora.respondeu educado. Acredito que ainda tenha três ocorrências na frente. Nesse instante Cris. No entanto. A pobrezinh a deve estar tão assustada!. Verdade?! . De sculpe-me por não poder ajudar.ofereceu Breno que. parando por um instante próximo das escadarias. Enfim. Eu concordo que a elaboração de um Boletim de corrência.corrência. pegou uma c aneta e fez ligeira anotação no verso do cartão. Por causa da iluminação um tanto fraca e de uma lâmpada defeituosa. Vá! disse olhando firmemente para Elza e pediu sorrindo: Cuide bem dela.avisou Elza enquanto Cris resmungava continuamente em seu ombro. Assim pode falar com a Cris quando quiser. mas depois se despediu e foi embora.exclamou enternecid a. agradeço. junto com a Cris. por favor! . A Cris teve um dia péssimo. Elza pediu: Será que o senhor não pode dar um jeitinho? O furto do celu lar da Débora é bem mais simples e rápido para relatar do que outros casos! Sinto muito . via-se envolvido sentimentalmente com o ocorr ido. intermitentemente irritante. A moça a abraçou com carinho.. as demais pessoas a serem levadas em con ta são cidadãos com direitos iguais e o atendimento é por ordem de chegada. Sem esperar uma resposta.lamentou Elza novamente. Breno tam bém a abraçou. pedindo com generos o sorriso: Tome. Débora solicitou comovida: Não se importe comigo. eles se foram.Voltando-se ao policial. sem saber explicar. considerou olhando para Débora: Não pode ficar aqui sozinha! Veja isso ! Não merece! Ainda mais depois de tudo o que fez pela minha filha! . também lhe deu um cartão. Sua tarefa já havia sido cumprida e nem precisaria estar ali. mas não tenho como ajudar. Logo ex plicou: Isso é do âmbito da Polícia Civil. O policial. Começou a acreditar que os m inutos naquele lugar pareciam horas. Elza e Breno queriam um meio de ajudar Débora e questionavam o policial. seja bem mais rápida e creio que o delegado também pense assim. . lendo seu nome e seu posto na identificação fix ada em seu peito.sorriu gostaríamos de levar a m para casa. beijou-a e se despediu a fim de apressá-la. Seu parceiro aguardava na viatura. começou a reclamar de frio e pe dia para comer um doce em especial.. agradeceu e beijou-lhe o rosto na despedida. eu preciso avisar à operadora. Ela me contou que teve o celu lar furtado porque estava ajudando a minha sobrinha e. É que eu e minha irmã. a moça prestou a devida queixa e rapidamente foi liberada. Esse não é um bom lugar para uma criança. É o mínimo que podemos fazer por enquanto.tornou o policial militar com um brando tom de lamento.

Não vou para a universidade hoje e me sobrará tempo. Estou tão exausta que nem havia pensado nisso. Não. em traje civil. Não terei trabalho algum. Bem. Isso não foi nada. Não pensei que fosse me reconhecer. fitando-o impressionada. Acontece. Ao ler o que a interessava... ela o agradecia e se justificava parecendo envergonhada. admitiu: Acabei perdendo a hora de ir p ara a universidade e. Por favor . Isso não é comum. ligue para a operadora e peça o bloqueio imediato do aparelho. o dia não terminou .sussurrou de um modo que ele não ouviu. O principal e mais trabalhoso já foi feito. . Sérgio .. mas ao encará-lo. achando graça nos modos da moça. Não me julgue.. Para ser sincero. Se quiser. agradeceu e aceitou acompanhá-lo até o carro para que fossem embora.. eu sou sargento. Equilibrando -se. Também tive um dia cheio e. por favor.perguntou sorridente e curiosa.. Estava indo embora quando me lembrei de você. .interrompeu-a educadamente e correspondendo-lhe ao sorriso .. aqui está o Boletim de Ocorrência. E hoje não está sendo um dia normal para mim. Sim.. e le a segurou firme não a deixando cair.brincou sorridente.. ... Nossa! Com a farda você fica tão diferente! É comum não me reconhecerem quando estou à paisana. Não é bom ter um celular usado indevidamente. Sérgio... mas. Amanhã mesmo eu entrarei em contato com a operadora para avisar sobre o furto.. apesar do sorriso bonito. Suspirando fundo.falou ele sentindo o coração acelerado e disfarçando a grande expectativa. . Rapidamente ajeitou a mochila nas costas. Enquanto arrumava as folhas. Esqueci mesmo! Por favor. abaix ou-se e a ajudou a pegar os papéis.. É. Ambos sentiam que algo muito especial os envolvia. Não!. disfarçou ao mostrar: Veja. Puxa! Perdoe-me. Nesse instante... Desculpe-me!.. que é o registro da queixa pelo furto. O policial da viatura que. encarou-o por segu ndos como se algo a atraísse para aquele olhar e sorriu.avisou.gargalhou gostoso.Riu de modo simple s e. pois meu caminho é pelo seu bairro.pela surpresa. meu n ome é Sérgio.novamente para o corredor dando as costas para as escadas. sou eu mesmo.Diante do silêncio. Ela cambaleou por causa do salto que usava. a pasta que carrega va se abriu. com j eitinho e um brilho especial no olhar. Sorriu. Em seguida a moça exc lamou atrapalhada: Ah!. Esqueceu-se de que anotei os seus dados para preencher aquele talão de ocorrência atendida pela viatura na qual eu estava como encarregado? Esqueci! . naquele instante.ofereceu Sérgio com voz branda e um tanto receoso..pediu a moça agarrando-se nele que ainda a segurava com força. virou-se bem rápido..... Desculpe-me de novo sargento. Você tem razão. Hoje eu sou o próprio desastre! E o pior é que mais uma vez eu o fiz me ajudar pega ndo os documentos e meu material por causa dessa maldita pasta! . Como não poderia. Meu carro está ali no estacionamento da Companhia da PM. resmungou baixinho e incrédula: Ah.. embora experimentasse um gostin ho de satisfação por ouvir aquela confissão. sem saber qual seria a reação da jovem. Ora. Como sabe onde moro? . Débora deu um largo sorriso ao perguntar incrédula: Você!.pediu com jeito encabulado. preveniu-a: Assim que chegar a s ua casa. Aceita uma carona? . espalhando as várias folhas e documentos pela escadaria. Não costumo julgar as pessoas .riu acanhada. Eu t rabalho na Companhia da Polícia Militar ao lado da delegacia. Mas você é sargento? Não é?! Ou eu disse errado? Sim.. Sem saber o que dizer. Porém. .. Ágil. corando imediatamente. não pense que sej a um desleixo ou descaso da minha parte. ou melhor... mas sobressaltou-se ao deparar com um rapaz no qual trombou.. o meu nome de guerra é Barbosa. Débora ficou encabulada. a jovem titubeou sem saber decidir... Mas me chame de Sérgio. pediu: Venha! Será melhor ter uma carona ou ainda pode pegar condução errada! Afinal. É verdade. Quando estou de serviço. Ela o olhou de um modo diferente. Nós moramos relativamente perto. pois ela poderia rolar pelos degraus abaixo. era . Por que não faz isso hoje? . O moço riu sem deixá-la perceber..

Eu curso Psicologia lá! E você? Jornalismo! . pois. Por essa razão decidi compreender melhor as pessoas e tentar ajudá-las de outra forma.ela comentou. a prova ou expiação.Sérgio e Débora se reencontram Durante o trajeto para casa. creio que a função não seja boa para mim. espíritos amigos a inspiraram a cumprir com sua responsabilidade diante de uma criaturinha indefesa. aproveitando a parada no semáforo: Não. Às vezes somos solicitados para atende r ocorrências demoradas e chego atrasado à aula. destacar-se e até se curar. Falam ou e screvem sobre as pessoas sem a menor responsabilidade. Por ser um policial. talvez por isso nunca nos encontr emos. fazendo acusações ou sensacio . enfrentando o desafio de tomar uma decisão. Através de terapias pode-se fazer alguém descobrir em si forças que de sconhecia ter e se melhorar. Quando as más influências atuam através do encarnado. Sério?! . Só se neutraliza a influência dos espíritos maus e imprudentes com o desejo no bem. Considero-me um bom policial.admirou-se ele quase incrédulo. com vários blocos. a coragem que demonstrou. mas nem sempre isso é possível. praticamente. Você não imagi como está sendo difícil eu concluir essa graduação. Acho que temos algo em comum . afastand o-o da inspiração de espíritos maus. a s tragédias das vidas alheias viraram atrações. como nos é ensinado em O Livro dos Espíritos. E Deus permite que esses espíritos sem instrução e imperfeitos assediem os encarnados a fim de testarem à pessoa em sua fé para que pa sse pelas provas do mal e continue seguindo o bom caminho. uma troca com algum colega. acabavam de se conhecer.riu alegremente. Fico inquieto diante das injustiças e apreensivo para ajudar. .ela brinc ou descontraída. para alguns profissionais da área de Comunicação e Jornalismo. havendo erdadeira no bem.1 Os espíritos. O quê? Eu me preocupo com as pessoas. quando chego. sábios e elevados influenciarão e sustentarão o encarnado que tiver fé. Acho que não tenho dom para lidar com as Leis.disse com belo sorriso ao olhá-la. é a pessoa qu em as chama pelo desejo no mal. Assim acontece com o desejo no que é bom. Espíritos benevolentes. o mal não terá acesso. Mesmo com o s prejuízos aparentes como o furto de seu celular e a perda do horário para ir à unive rsidade.avisou a jovem bem entusiasmada pela coincidência. Mas. conforme sua livre decisão de escolha. infelizmente. mas. É curioso você cursar Psicologia. seria mais interessante cu rsar Direito. para o bem ou pa ra o mal. há mudança na escala de serviço e tenho de solicitar alteração ou permuta. os espíritos podem intervir no mundo corpóreo mais do que os encarnados imaginam. A universidade é bem grande. você também arrumou um jeito de cabular aula! . Aproveitando de sua generosidade e misericórdia.quis saber muito curiosa. Como advogado eu seria péssimo! . Foi só hoje.. a começar por um simples pensamento. Débora e Sérgio conversaram muito e descobriram que estudavam na mesma universidade. Muitos perderam o respeito. seu coração bon doso a resguardou de experiências mais dolorosas. gui ou-a ao encontro de pessoas que.. Sérgio riu muito à vontade e esclareceu. mudariam sua vida. Por quê? . com os seus sentimentos e a realidade dos fato s. pois os espírit os inferiores correm para perto da criatura para auxiliá-la. 2 . Costumo me preocupar com as pess oas. conforme o caso. certamente. bons ou maus.m incapazes de falar a respeito. Seja qual for à situação. Outras. Detesto faltar . a moral e os desejos do encarnado. inspiram os pensamentos e as ações de acordo com o caráte r.Ele sorriu ao admitir: Sabe. Isso não é fácil! Apesar de tudo. Enquanto dirigia. Ah! Então é assim! Como eu. amor e bom ânimo no bem. já estou no último semestre graça a Deus! .enfatizou sorrindo satisfeito. Apesar de Débora acreditar que tudo estava sendo difícil naquele dia. Como aprendemos na Doutrina Espírita.

Ele estava curioso. davam um toque especial em suas mãos tênues e bonitas. Dificilmente uma moça bonita como aquela não teria um namor ado. não posso mudar os profissionais. Ela era solteira. Não posso mudar o mundo. sustentando leve e generoso sorriso nos lábios bem to rneados. Na esquerda. Longos minutos se passaram. As unhas. Ela sorriu e Sérgio perguntou: Em que você trabalha? Alguma revista? Não! Quem me dera. vantajoso para aqueles que realmente necessitam. elegantemente trajada e levemente maquiada. ostentava d elicado anel de ouro. Ao vê-la sob forte emoção e lágrimas.apontou. Sérgio tentou disfarçar o sentimento que os envolvia. delicadamente pintadas com uma cor transpare nte. Ah! Quem sabe você conseguiria fazer meu pai vender aquela casa?! . chegou a sua casa sã e salva. Sérgio manobrou e estacionou o veículo frente à bela e grande residência. cabelos lisos pouco abaixo dos ombros e suavemente clareados. mas acreditava não ser o momento adequado. Eu tenho condições de ter um apartamento . Você é bem convincente. Olhando-o nos olhos. Não sabia o que dizer e não tinha vontade de se despedir . Proposita damente fazia-lhe perguntas informais só pelo prazer de ouvir o som suave de sua v oz na fala bem ponderada e clara. riu ao dizer: Policial não ganha tão bem assim. ele prestava atenção em tudo o que ela falava.ele admirou. Parecia d iscreta e. combinando perfeit amente com sua pele alva. Desejava fazer algumas perguntas. Foi naquele instante que Sérgio precisou controlar o forte desejo d e abraçá-la a fim de ampará-la e confortá-la por tudo. Encarando-a . Até por que.nalismo. O rapaz admirou Débora desde o primeiro instante em que a viu assustada e bem a trapalhada segurando a menina.brincou rin do. pois parece ter um dom natural de envolver e convencer as pessoas. Mas moro com meus pais. Débora ficou sem palavras. duas irmãs e um irmão. ainda est ou lá . Sentiu como se a conhecesse há temp os.riu. experimentou a impressão de ter sua alma invadida e fatalme nte atingida por uma sensação desconhecida que os dominou num profundo e sério silêncio. não suportar meus irmãos. normalment e com locações para fins comerciais. Entretanto seus pensamentos fustigavam para saber se a jovem tinha alg um compromisso com alguém.afirmou de modo simples. Apesar de. Mas uma onda de insatisfação o abateu quando ela a nunciou: Minha rua é a próxima à direita! Chegando ao referido endereço. Débora era uma moça bonita. ele perguntou: Qual é a sua casa? É aquela ali! Onde há uma árvore na calçada . . Sérgio a ouvia atentamente. às vezes. tinha acabado de conhecer a moça e devia ser discr eto. sorriu ao brincar: Pronto! Apesar de tudo. Tinha um corpo bem delineado.. Sou corretora de imóveis. Deve ganhar bem só pelo seu modo de opinar. observou sua sensib ilidade e experimentou algo estranho quando encarou seu olhar carente que implor ava por auxílio. Não o convenço de modo algum! Não gosta de onde mora? Não. mas posso fazer a minha parte através de um trabalho limpo. Puxa! . mas elas dobrariam se eu alugasse um lugar. Afinal. ao mesmo tempo. Muito observador. mal consigo sustentar esse c arro! . Como é bom encontrar alguém com integridade profissional. direta em suas colocações. Dirigindo maquinalmente. Sérgio? Olhando-a rápido. não viu qualquer aliança de noivado.brincou e riu com gosto. Lógico que ajudo em algumas despesas. moro com meus pais para conseguir pagar meus estudos. Minha família mudou-se para lá há alguns anos e até hoje não me acostumei. Nem tanto . o que o deixou mais tranqüilo. Apesar de meus vinte e oito anos. tirando a privacidade da vida alheia sem qualquer serventia útil para a s ociedade. Então por que ainda mora com seus pais. Ele sabia disso pelos dados pessoais mencionados durante a ocorrência.. Trabalho na área central.ela considerou rindo.

Breve pausa e. teve o desejo d e abraçá-lo por tanta gratidão. E nunca aconteceu de eu ficar inquieto por alg uém após cumprir meu serviço. Débora contou: Quando entrei na viatura e o olhei. Ele havia gostado tanto dela! Pareceu-lhe tão grata pela atenção! Viu em seu olhar uma chama. daqu ele monte de gente que estava ali com modos estranhos. pois nem sabia direito o seu nome.. Alguns plantões. de um medo tão grande! Nenhum preconceito.ela admitiu com voz meiga. me entender. mas seria ridícula.replicou com largo sorriso. a fim de ele ir me buscar e. mas voltei. . decidi passar lá p ara ver se ainda estava aguardando e se precisava de ajuda. Boba. Bem. Isso não me surpreende . com a qual intimamente ficou insatisfeito pelo desfech e da despedida. A final de contas. mas não podia ficar ali. E voltei! Demorei por ter de atender a um outro chamado.Fugiu-lhe ao olhar. pensei muito em você. Aqui estamos . eu procurava me conter. Sei lá! Talvez por desejar a sua companhia e. Fiqu ei achando que o veria entrar ali a qualquer momento. com um baixo salário recebido para trabalhar em favor da população. Senti algo tão estranho como se só v ocê pudesse me socorrer. Por que boba? ... é que não estou acostumada àquele tipo de ambiente e pessoas com aqueles modos e palavreados.revelou com firmeza e encarando -o.. Sérgio... viu-a oferecendo um para a mãe e o tio da menina perdida. Não consegui esquecer a situação e logo imagi ue demorariam muito para atendê-la. em meio ao constrangimento. mentalmente. por isso. Estou sentindo algo di ferente com isso.. E ao chegarmos à delegacia. Débora estendeu-lhe a mão para um cumprimento quando.. . parecendo esperar uma resposta. Como assim? .. antes de ir embora. Realmente fiquei preocupado com você naquele lugar. Eu só estava cumprindo com o meu dever. Não me agradeça. É que. Não sei por que não lemb rei de fazer isso antes. Sabe. não duvido que você já tenha visto. sussurrando quase sem querer: Que estranho. Sérgio! O outro policial sim estava cumprindo o dever dele. Porém era como se o conhecesse. essa cena antes. Sérgio questionava-se sobre o motivo da jovem não lhe dar um cartão. Contudo conteve-se.ela quis saber.. Muito obrigada por tudo. que não passava de func ionário público. Sua companhia foi um prazer.. segura e. Demorou demais para eu ser atendida. o rapaz chegou à sua casa vivenciando um travo de dece pção. posso jurar que já vi essa cena antes e. eu não queria f icar sozinha esperando para ser atendida. Acredito ni sso e em muito mais. Desculpe-me. . Queria te pedir para ficar comigo.sorriu com delicadeza..tornou o rapaz.. tive uma sensação de insegura nça.. O quê? . um brilho expressivo nos últimos minutos em que conversaram. inteligente e bem estabilizada financeiramente jamais deveria dar atenção ou se interessar por alguém como ele. É bom encontrarmos pessoas humanas e prestativas como você em momentos conturbados. Eu queria me sentir amparada . agressivos.. devo confessar..Ele não disse nada e Débora pr osseguiu em voz branda: Ao ficar sozinha na delegacia. Porém você exalava a lgo mais humano e não mecânico para com o seu trabalho. E também obrigada por ter me trazido. mas implorava em pensamento que você me ajudasse. Meu pressentimento se confirmou.. Acreditou que uma moça tão bonita. ele suspirou fundo experimentando uma sensação melancólica quando acenou ao ir embora.. Eu ia telefonar para o meu pai.disse sorrindo. Parece que nos conhecemos . Tomado de estranha emoção. Estava tarde e me considerei boba por ter a ilusão de que você voltaria. Não. mas você precisou ir embora e eu fiquei em desespero. na verdade. Não duvido de seu pressentimento . É. a delegacia tem um clima muito pesado e u ma moça como você não está acostumada àquilo..perguntou com um tom afável na voz. Vendo-a pegar suas bolsas. Entretanto ela não manifestou qualquer desejo de vê-lo novamente. Deixando-se entristecer. Quase não acreditei.. Tomei um susto ao reconhecê-lo! . como se soubesse que iria me ajudar de alguma forma. descer do carro e caminhar para o portão da requinta da residência. Foi como um pressentimento. comentando meio tímido.Sorriu sem jeito. enca rou-o e revelou: Tive um dia difícil e depois de toda aquela situação complicada.

Dominado por certa angústia. a moça bateu a porta com força para fechá-la. per mitiu que suas idéias vagassem. Estava extremamente nervosa.. Para sua surpresa.gritou Débora. Emy e Élcio tin ham o dom de irritá-la.. Era gosto so lembrar sua voz forte e ponderada. demonstrando sua ira e . A jovem duelava com os próprios pensamentos.O. da espera na delegacia onde se sentiu tão insegur a. Mas sua família só sabia criticá-la. reagindo abruptamente. do susto que sofreu com o furto.defendeu-se a outra irritada. da prova que não realizou. né? Também um caso de homicídio. na universidade. educado e calmo. debilitados de ações. senhor Aléssio. seu comportamento digno.provocou Élcio. Era impossível não pensar em Sérgio. enquanto sorria sem perceber. Débora . Enraivecida. produções próprias e por isso só sabem al r a boa vida que levam por terem um papai que os banquem! Olha aqui. conforme sua consciênci a mandou. sua!. Jamais havia pr ecisado da ajuda da polícia. O que você faria em meu lugar?! Ora. Sentia como se o conhecesse há tempo. Apreciando as repetitiv as recordações. Levan tando-se. Virando-se.. irmã mais vel ha de Débora. em tom mod erado. Passar a tarde e o começo da noite em uma delegacia! Andar no carro da polícia! V ocê é doida varrida! Onde já se viu?! . adorava lembrar-se de cada detalhe de sua conversa com ele durante o caminho para sua casa. Até chegar a minha vez para fazer o B. pobrezin ha! A Débora sempre gostou de sofrer. Sabe.. Débora não esperou a réplica de Élcio. mas foi atalhada da empolgação.. a bela jovem que agora estava tranqüila. Dando as costas. Foi uma gentil prestatividade dele. concluiu: Não sou uma inútil.criticou Emy em tom muito arrogante. pelo furto do meu celular. Nunca i maginou que um policial pudesse ser assim. Apesar do prejuízo pelo celular.. Débora acreditava ter agido bem. Emy e Élcio. Não estaria tranqüila caso deixasse aquela garoti nha ali. de relance. pois confiou nele sem saber a razão. de um verde esmeralda brilhan .. tão solícito. Emy. a calma constante . Envolvida por energias diferentes. Emy não suportou e tornou em tom de zombaria: Que gratidão os parentes da menina tiveram! Oh! Largaram você lá. cabelo bem curto e barba escanhoada na pele morena clara. Você ainda não se acostumou? . Problema da mãe da men ina.reclamou o pai.. ta! Quem mandou ser descuidada? Que ótima mãe. apesar dos acontecimentos conturbados e serviço ingrato. Lá havia uma confusão a ser resolvida. Não mesmo! . atirou-se sobre a cama. Pessoas de u nível moral. Talvez. Nossa! As pessoas tinham de prest ar depoimento e demorou tanto. vão se danar! Ta legal?! . hein?! Você deveria ter me telefonado. a moça fitou o teto e seus olhos irradiaram a chama de um envolvent e desejo vindo de seu coração. até a equipe de plan tão.. Sérgio era um rapaz bonito. incapacitada e dependente como vocês dois! Par a mim vocês são frustrados. tratou-a muito educadamente ao lhe atender e faz er o B. minha filha! . ta! . * * * Todos já haviam terminado o jantar e Débora não parava de contar detalhes do aconte cido. quase bronzeada. Acreditava já o ter visto antes. até lembrar-se de Sérgio. ela não suportou e começou a chorar. Seus olhos eram atraentes.confirmou Débora. Admirava-o pela pre ocupação com ela e por se dar ao trabalho de verificar se ainda aguardava para ser a tendida na delegacia. irmão de ambas.. Não foi uma experiência agradável passar horas em uma delegacia. beijou sua mãe e nada comentou a res peito. Explicou somente em rápidas palavras o motivo de não ter ido à universidade. que trabalhava na delegacia.O. Fez o que seu coração pediu.com deboche e ironia exclamou Emy. sozinha. em seguida. saiu da sala de jantar a pass os firmes e rápidos. Eu não tive escolha. entrou em casa. pois poderia ir embora para casa sem se importar com ela. ind ignados e conflitantes. Em seu quarto.

Quando segurava o vol ante. mas não dormiria sossegado se não tivesse notícias suas.avisou a jovem com simpatia no tom de voz. pois ele era pers istente... Olá. A h! Ele falou que pagava os estudos e mal podia sustentar as despesas com o carro ! Não deve ser noivo. Deixe-me ver. De imediato sobressaltou-se enervada consigo mesma: Que droga! Como pude ser tão burra?! Não lhe dei um cartão e ele não tem meu telefone! Ai. seus cuidados e sua generosidade. Nem precisa se explicar. deve malhar muito em algu ma academia ou mesmo no quartel. no tênis.. não. Nos últimos tempos.. tio de Cris. Ele é tão esforçado! Que diferença. Débora! Idiota! E agora?! . Eu deveria ter-lhe feito mais algumas perguntas.insistiu Breno com extrema amabilidade. Ao deitar-se para dormir. jantou e dormiu rapidinho! Ah! Meu cunhado ficou muito grato pela sua atitude c om a Cris. levantar cedo e sempre se ocupar com coisas úteis. Ele é tão bonito! Aliás. abandonando . * * * No dia seguinte. lembrou-se de ligar para a operadora e avisar sobre o furto ocorrido. Parecerei muito v ulgar. Real-mente. exausta. me compreendeu.. O Sérgio. a jovem fazia questão de trabalhar.. Uma névoa de contrariedade envolveu-a. Ela estava decidida em não aceitar o presente. mas conseguiu.. mas fiquei c om vergonha. vi que suas mãos eram bem fortes! Reparei na roupa bem alinhada. Forçando recordar-se.. pois ela sentiu como se não quisesse deixar de f itá-los. Embora pertencesse a uma família bem estruturada financeiramente.. desejava sair daquela casa para morar sozinha. Cansada. Não se preocupe. Ofendia-se por não encontrar uma solução. ele tem mais vocação para psicologia do que para policial. Breno! Que surpresa! Estávamos preocupados com você. Enquanto minha família. mas. A voz de Yara. Irritada. Débora.. Nada pagará sua atenção. Não. Mas a falta da aliança não quer dizer ausência de compromisso com alguém. o sol frio daquela manhã de outono invadiu o quarto quando Débor a abriu a janela. Chamada à razão pelos próprios pensamentos. . Procurá-lo na universidade?! Seria trabalhoso e qual desculpa eu daria? Ai. Desculpe-me por ligar a essa hora.. ai. Eu ia mesmo trocar aquele aparelho. mas é o mínimo que podemos fazemos questão! ..Logo perguntou: E a Cris? Dormindo feito um anjo! A Elza ligou agora dizendo que a Cris tomou um banho. Não queríamos deixá-la só na delegacia. Entretanto foi difícil convencer B reno sobre sua opinião e encerrar o telefonema de forma educada. ai. pois tem um físico tão torneado! Mas que droga! Com o vou encontrá-lo agora?! Seria ridículo eu ir lá onde ele trabalha. a cho que não o vi de aliança. mas pode ser casado ou então noivo. talvez só namore. rapidamente concili ou o sono enquanto pensava nele. sua irmã c la. Por favor.te que fascinava com certa magia. Débora! E se o Sérgio tiver algum compromisso? Ele disse que mora com os pais. planejando ir trabalhar com seu carro.exclamou ela.. Ela não sabia explicar aquele sentimento de atração que experimentava. Não sei o que me deu. Ora! Eu sei. Deu tudo certo . ele não tinha aliança ou anel.. sentou-se na cama e murmurou: Puxa! Eu queria tanto encontrá-lo novamente. Ah! Da próxima vez que encontrá-lo. pensava Débora sem dissipar a agradável lem brança. prosseguiu: Não. um estranho... ainda experimentava uma sensação de frustração ao pensar qu e seria difícil ver Sérgio novamente. tirou-a daquelas reflexões: Débora! Telefone! Atende aí! Nossa! Nem ouvi tocar! . surpreendeu-se em pensamento. sua imbecil! .. Será um prazer darmos um celular novo para você! Não! De jeito nenhum! . não me criticou e ainda me ajudou. Por fim respondeu: Pode deixar! Obrigada! Débora foi surpreendida por Breno. repreendeu-se: Ai. Lembrar-se dele era prazeroso! Extenuada.. Não havia agendado muitos compromissos para aquele dia e poderia chegar mais tarde ao serviço. É interessante estudarmos no mesmo lugar .

saiu do quarto. Sabia a razão daquela dificuldade de expressão. Ajeitou novamente os ca belos. pois tudo de que precisava estava naquela pasta... pois acreditei tratar-se de um material important e. por favor. A moça voltou à frente do espelho procurando algum de talhe em sua imagem que poderia comprometer sua elegância. Débora! Estou bem e você? Melhor agora! . .fal ou com dengo.. A certa distância. mas não a encontrou. Ao a bri-la. educado.. Chegando à sala de estar. aceite só um cafezinho! Já está pronto.propôs apontando para o outro recinto. ela tomou um banho. Ah. Sérgio! . Ai. A senhora quer que eu sirva um café? Não! Quero dizer. A moça ficou petrificada diante do rapaz. Débora respirou fundo. Nem pedi para se se ntar. vestiu-se impecavelmente co mo sempre e. Avisando: Estou indo! A empregada riu e obedeceu. Vai atender esse moço? Pelo amor de Deus. finalmente. eu aceito! . Ele se anunciou pelo interfone. Olá... por isso vim cedo. Seu ro sto corou imediatamente e. atrás do comput ador..atrapalhou-se.. segurando a mulher pelos ombros... procurou a pasta em suas bolsas. Di sse que se chama Sérgio e está com uma pasta tua. mas já me alimentei em casa e.Ele sorriu vendo-a incapaz de organizar as idéias. não pode recus ar.. Não imagina como me aj udou novamente. É assim. não estava ali. me desculpe.. Não tinha c omo avisá-la. foi interrompida por suaves batidas à porta de seu quarto. em seu carro.eufórica e emocionada por vê-lo. .praticamente gritou. deparou-se com a empregada. Desculpe-me decepcioná-la.. pois também se sentiu inebriado durante aqu eles segundos em que se olharam. Refletindo sobre várias coisas. Algo apertava seu coração ao pensar nisso. Olhou-se de perfil no espelho e. Be m. Tinha certeza de ter ido direto para o seu quarto ao chegar à noite anterior. apontando para o sofá. dando-lhe um toque natural e retocou o batom. Débora. E. respondeu ao se sentar: Se for um cafezinho. havia reparado uma gr ande mesa bem posta para o desjejum. Quero dizer. ficou assombrada e inquieta ao descobrir que sua pasta.. E como é importante! Ah! Perdoe-me por mais esse trabalho. Ele sorriu satisfeito e.. mas gaguejou: É. riu e falou: Bem. Depois de tudo o que fez por mim. vai! .. Imaginei que tivesse f icado com você. Eu estou acabando de me arrumar! Vai lá correndo. O rapaz não esperava por aquele convite.. da elegante e moderna decoração. Sentiu-se em apuros. Repentinamente. Meu Deus! A agenda! Os contratos assinados pelos locadores! Os documentos que .expressou-se com verdadeira alegria. Mas. Puxa! Eu estava feito louca procurando essa pasta. respondeu impensadamente.. por favor! . Faço que stão que tome café comigo. repentinamente. fazendo-a virar e dando-lhe um em purrãozinho. Lembrou-se de só poder tê-la esq uecido no carro de Sérgio.. Sente se.pediu educada. Então. ele ofereceu largo sorriso. Procurando a agenda com o telefo ne de suas amigas do curso de graduação. Iolanda! . tentou corrigir-se. Vamos ali para a mesa já posta? .. Bom dia! Tudo bem?! Bom dia.. estendeu-lhe a p asta e contou: Ao fechar o carro ontem à noite.a proteção e qualquer dependência material de seus pais. Seus olhos novamente se fixaram por l ongos segundos e o silêncio imperou até a empregada interrompê-los: Com licença? ... notou certo constrangimento em Sérgio. motivo de tanto transtorno e trabalho no dia anteri or. um tanto constrangido. avisou: Oh. avisando: Débora. Sérgio.. sob os livros e outras pastas. não entendia a origem do medo para tomar essa atitude .pediu generosa. Esborrifando uma colônia no a r ficou sob o orvalho da suave fragrância que caía. eu vi que a esqueceu no banco de trás. talvez pelo requ inte do interior da casa.. Apesar de acreditar ser madur a para tal responsabilidade. A Iolanda nos servirá aqui mesmo. antes de fazer o desjejum. não! O meu trabalho da faculdade! Incrédula... arrumou suas coisas pegando o material d e que precisaria para levar à noite à universidade. sobre a escrivaninha. Como eu poderia encontrá-lo? Ao vê-la embaraçada com as palavras. tem um rapaz lá no portão te procurando. por isso. Faça-o entrar! Eu.. envergonhada.

. O quanto antes à mulher providenciou deli cadas xícaras de porcelana sobre linda bandeja de prata deixada na mesa central da sala. Sabia dominar seus sentimentos em toda situação. O silêncio pairou inebriante até Sérgio terminar de beber o café e anunciar: Foi ótimo saber que você está bem. Fitando-a firme. sem perder a oportun idade de vê-la em silêncio: Você está muito bonita. .. O tio e a mãe estavam preocupados comigo. mas não liguei. é tão meiga. estampando lindo sorriso. com um brilho no olhar ao dizer: Quem sabe. Aliás. Sérgio arriscou. pois não queria se iludir. pedindo animadamente: Vamos?! Estou pronta! Sim! Vamos . . levantando-se. . Porém tenho de ir até a companhia onde trabalho para resolver um assunto administrativo. Sente-se. invadindo-lhe a alma através do olhar.. Certa decepção abraçou o coração de Sérgio naquele segundo.. Não tenho hora para chegar ao serviço. ao entrarem no carro. Na verdade.. Precisa cumprir o horário..comentou. sentindo-se extremamente fel iz por ela tê-lo tratado tão bem e aceitar seu convite.Sérgio pensou rápido. Te rriso cativante que impressiona e atrai. Pode até tomar seu café da manhã sossegada. pois. o simpático rapaz perguntou: Avisou a operadora de seu celular sobre o furto? Ah.Encarando-a. o rapaz falou em tom grave e emocionado. com um leve t remor na voz baixa. E e nquanto apreciavam a bebida fumegante.respondeu ao levantar-se e admirá-la discretamente.Vendo-a com a respiração represada e sem resposta. mas não devo ser o motivo de seu atraso para ir trabalhar. sem demora. Débora! Além disso. Claro que não! Pegue suas coisas e. não é? Sabi que telefonaria para ter notícias dela. Sérgio acomodou-se novamente e sorria em seu íntimo. preciso ir . Quer uma carona? Com entonação suave na voz e nítida expressão de felicidade. quem não ficaria. Emocionei-me sim. Liguei logo após ter f alado com o tio da Cris. Tenho o dia t odo para isso..avisou. parecendo saber de seus sent imentos e pensamentos com uma habilidade a qual dificilmente ela poderia explica . mas preciso enviar uma cópia do B. Minha agenda está tranqüila. dissimulou qualquer interesse e perguntou : Vejo que está arrumada para ir trabalhar e eu estou indo para o centro da cidade . É uma pena. Quem sabe.. Só preciso entrar m contato com algumas colegas para saber como ficou o trabalho a ser entregue on tem.. ele observou seu belo rosto alvo enrubescer e. Não! Hoje estou sem fome. mesmo com amigos da universidade. ao sutil sinal da moça... . indo para seu quart o. nós no s encontremos lá na universidade! É. Sua companhia é bem agradável. hoje estou de folga . Débora ainda trazia uma inquietude pelo fato de e le tê-la deixado constrangida com a argumentação.. por isso argumentou: Seu namorado não deveria deixá-la pegar carona. Depois. ele perguntou : Posso dizer uma coisa? . Entretanto jamais exper imentou aquela sensação em que Sérgio invadiu-lhe o íntimo. Débora comentou parecendo envergonhada: Não tenho namorado.brincou troque de pasta! Ela sorriu gostoso ao responder: Sem dúvida! Só um minuto! Você me espera? Não tenho pressa. Desejava saber. e ele telefonou. entendeu que ela fazia questão de servi-lo. Ontem mesmo.A empregada entendeu o olhar de Débora. sim.Sorriu animada.O. Sérgio não conteve a satisfação de tê-la ao lado e. Não vou demorar . mas entendo.. à noite. Apesar de manter as aparências. o que a deixou muda.. Olhou-a de uma forma diferente ao contemplá-la e ofereceu lar go sorriso ao experimentar uma felicidade sem igual. Ele não disse nada. Débora respondeu: Lógico! Se não for incomodá-lo. ligou o carro e seg uiu conversando sobre outros assuntos. Poucos minutos passaram e a moça retornou à sala. Agora que já tem sua pasta e roubei um pouco de se u tempo. er a tudo ou nada.falou. mas disfarçou bem e falou em guida: Percebi você muito comovida com aquela menininha. Ninguém a fazia perder as palavras daq uela forma.

com toda a liberdade.. 3 . que a procurava em meio ao mov imentado centro financeiro da cidade de São Paulo onde haviam marcado de se encont rarem. por eu ter telefonado mais cedo do que o combinado.. Será difícil apa tantos papéis em meio a esse movimento de pessoas e o vento. sem que ele esperasse..Pegando a pasta. Débora pareceu resplandec er ao reconhecer os nobres traços do rosto de Sérgio. continuaram conversando até ela comentar: Depois de telefonar par a você. O que ia dizendo sobre eu vir mais cedo? . ele retribuiu de imediato. Sobressaltando-se. Você não precisaria chegar tão cedo à universidade. Ele. Ele pare cia imerso em um sonho e.brincou. Ah!. a jovem olhou para trás e acenou. Até mais então. Continuaremos a fazer nada juntos ...Dificuldades em família No final da tarde.r com palavras. . . lembrandoo sobre o fato de o número do celular estar desativado. Vou aguardar.replicou a bela jovem correspondendo à brincadeira.. Encorajou-se e . contornou o veículo e. Desculp e-me.. sorriu incrédulo e seguiu. Não demorou muito e chegaram até o carro estacionado. Débora ofereceu-lhe um cartão com seus telefones.despediu-se com expressiva satisfação ao descer do carro. recostou-se nele como se o conhe cesse há tempo. acomodando-se no . chamando-a: Débora!. para não se separarem. também forneceu o número do telefone de sua residência e endereço.. dizendo: Com licença .Dessa forma. Eu deveria esperar e ligar mais t arde.tornou ele. ele a soltou como se fizesse suave afago no braço e perguntou: Talvez possamos ir junto s à universidade hoje.. e avisou: reciso segurar firme as crianças para não se perderem. co ntinuou no mesmo tom: É que crianças deixam as coisas caírem à toa! Você sabe. Ainda é cedo! As pessoas que passavam por entre eles atrapalhavam o diálogo. eu me arrependi. falou bem descontraído: Não encontrei lugar para estacionar aqui. . Ah. estampando um semblante bem feliz. Chegando ao destino. o rapaz a beijou no rosto. Por quê? Não sei a que horas vou deixar o serviço hoje e. A jovem demonstrou-se feliz. Sorrindo em seguida. como se tivesse feito uma molecagem. Débora sorriu novamente.. Por quê? Ah!. O que é isso? Eu estava sem fazer nada. Sem perceber sujou-lhe a blusa com seu ba tom. dê-me essa pasta antes que você a jogue ao chão! . por sua vez. A que horas eu poderia vir pegá-la aqui? Titubeando por segundos. Sorrindo de modo alegre e cristal ino.Ao ver seu rosto reluzente e sorrindo virar com expectativa. Débora.falou de modo alegre. quando Sérgio se curvou e.. Sérgio suspirou fundo e vagarosamente enquanto a observava caminhando. quando menos esperava. rapidamente. Num gesto mimoso e em meio ao riso. A jovem riu gostoso e. Sérgio pegou a delicada mão de Débora. Teremos de andar um quarteirão. Gent il. segurou-a levemente pelo braço. Agradeceu a carona e pensou ligeira. quase um afago. ela continuou encostada em seu braço por algum tempo enquanto andavam. beijou-lhe o rosto segurando-lhe a nuca com delicado ca rinho. Ia descendo do veículo. Posso te ligar avisando? Lógico que sim! . . olhando-a com admiração e reparando em seu jeito me igo. ela questionou: Por volta das cinco horas você estará em sua casa? Sim. o rapaz passou as mãos pelo rosto. Ao vê-la entrar na empresa onde tra balhava. Mas que ousadia! . certo? ..afirmou animado. E nquanto andavam.ele ri ao dizer aquilo propositadamente para provocá-la.. Ao se depararem. o rapaz abriu a porta para ela entrar. Desculpe-me você. enlaçou-a em seu braço. Aproveitando-se desse fato..

. Acabei de completar vinte e oito anos.. Desculpe-me..Acredito que nunca conheceu nem teve um amigo policial militar.Tão habituado ao meio. Bem. funcionário público. sorriu com doçura ao afi rmar: Você sabe como me deixar envergonhada e me fazer perder a fala. Você me deixou sem graça novamente. E quanto a dizer que respondi por força de hábito. referi-me à forma mecânica e rápida como faria em meu serviço. Então. insatisfeito com meu salário. perguntando com fala ponderada e séria. esqueço-m e e uso termos militares. O que é reformado? . Débora sentiu o rosto aquecer imediatamente. participo bastante e elas sabem disso. Sérgio procurou sair dali o quanto antes. E a prova que perdeu? . eu entendi que você quer conhecer meu perfil psicológico. . Sabe. Sérgio? O meu pai é policial militar reformado e.. sim! Minhas amigas são ótimas! Bem. O que acha de irmos à lanchonete perto da universidade? Ótimo! Tudo bem! . o casal ocupava u ma mesa e tomava um refrigerante em uma lanchonete próxima da universidade. Aproximou-se mais. você o fez em forma de relatório ao falar de uma vez. ou seja. mas com quatro filhos precisou deixar o emprego. Ela é especial! E alguém que eu gostaria de conhecer um pouco mais! .. No militarismo.. fizeram tudo... é? . Perdoe-me . Sabe. Ela não disse nada e ele prosseguiu: . Sérgio colocou os cotovelos e as mãos levemente entrelaçadas sobre a mes a.. Entrei na polícia por falta de alternativas. Imagine!. Falarei com o professor hoje.concordou ela satisfeita.. enquanto continuava com o mesmo olhar: O que quer saber de verdade? Como assim?. No loc al havia vários estudantes. Lógico que não.. Apesar de responder tudo educadamente ... A pergunta foi sua. Então por que entrou para a polícia. tenho dois irmãos mais velhos e. Puxa. Posso ser sincero? .banco do motorista.questionou de imediato..oferecendo belo sorriso.. quando Débora disse b em extrovertida: Gostaria de saber um pouco mais sobre você! Não é para o jornal da universidade. a maneir a de eu reagir em determinadas situações e o modo como me relaciono com as pessoas. Ah! Faço o curso Psicologia e tenho muitos planos e metas para atingir. Encabulada...falou animado..suspirou fundo e sorriu sem jeito. principalmente por saber q ual é o meu trabalho. colocaram o meu nome e entregaram. ainda trabalham.. aguardou. Frente à moça. . Você foi gentil. a fim de cuidar da casa e de nós. Os dois falaram sobre várias coisas...quis saber em tom alegre e descontraído.. muitas vezes. frio e objetivo. Bem. Minha mãe era enfermeira.riu com gosto.tornou ele..sorriu ele.. Sei que isso não parece humano..... . falou baixo.. Moro com meus pa is. Esse tipo de interesse acontece com mais intensidade. Meu pai é PM apos entado. Talvez seja por força do hábito. Meus dois irmãos são PMs também e estão na ativa.. . ou seja. em tom brando e generoso: Neste momento estou em companhia d e uma linda moça e.Pe nsou por segundos e foi verdadeiro ao revelar: Bem.. Entende? Por ess a razão. Então. tenho certeza de que não me enquadro nessa função. Deixe-me ver. sou solteiro.Encarando-a de modo a invadir-lhe a alma. Terei de pedir uma substitutiva. Por isso dei um jeitinho e falei tudo o que mais queria saber e de uma só vez.Ao vê-la acenar positivamente com a cabeça. Conversando bastante nem perceberam o caminho. assim como eu hoje cedo.. perguntou antes de saírem: Conseguiu falar com suas colegas sobre o trabalho em grupo? Ah. não sou do tipo que se acomoda nos trabalho s em grupo. Logo depois. . Débora . Isso é normal! . ele correspondeu ao sorriso e continuou: Você estava super curiosa para saber algumas informações pessoai s a meu respeito. Qu ser gentil. Ao lado da prazerosa companhia. Reformado substitui aposentado. é prec iso ser prático. Não tive a intenção de constrangê-la. hein!. sem compromisso.. O que quis dizer com a expressão: força do hábito? Débora..

Ao vê-la refletin do. Estou falando com você como se estivéssemos em uma terapia . dentro da área clínica. Muitas vezes se fazem de vítimas e acusam os outros de não compreendê-las. Perdoe-me . Depo is o Tiago. Sérgio sorriu e explicou: Débora. Essas pessoas são oentes e estão presas em seus vícios de tal forma que não conseguem enxergar e admitir a realidade a ponto de procurar ajuda.. buscando entendimento.Como pode garantir isso? . .. Você já viu um alcoólatra irrecuperável admitir que seja alcoólatra? Um viciado irreve sível dizer que é dependente químico? Garanto que isso é pouco provável. Também sou a te ira filha entre quatro irmãos. menos de vinte retornam para buscar ajuda? E bem poucos desses vinte persistem?. Parece que não quer depender de ninguém...observou com simplicidade. sinto e os conflitos inevitáveis com meus irmãos com os quais eu tento. Eu não podia imaginar. mas os préstimos dos psicólogos e a busca de te rapias jamais são procurados por pessoas desequilibradas.questionou no mesmo tom.. Tudo bem . Acho a vida deles bem limi tada. que prosseguiram na terapia e seguira . eu sempre pensei em procurar um psicólogo para entender melhor o que vivo .falou sentida. h armonia e um melhor jeito de lidar com o que experimentam ou sofrem. depois eu e a Yara é a caçula.. Tenho uma maneira diferente de planejar a vida..argumentou ele.Observando-a oferecer meio sorriso ao girar o copo de refrigerante entre as mãos. solteiro e quem eu tenho de aturar para dividir um quarto . concluiu: Você sabia que de cada cem pessoas alcoólatras que assumem a dependência . Veja a ironia do destino!. procuraram auxílio e se p ropuseram ao tratamento. atenta. a de sargento. . mais ou menos. Sim. E entre o riso.riu ao a visar . A Emy e o Élcio são os mais velhos.. E. O Marcílio é meu irmão mais velho. Que bacana! Você é um lutador! Seria fácil se acomodar e culpar a vida por não conseg uir alguma coisa. Mas minha irmã morreu há um ano e meio. falou: É que. disfarçando um forte sentimento sem que a moça percebe sse. Não pense que sou orgulhoso. Al iás. são justament e as pessoas equilibradas.. Economizei o que pud e até entrar para a universidade. continuou: Depoi s meus pais tiveram a Lúcia e eu.disse com graça. Concorda? Lógico! Sem dúvida! Sabe.. casado e tem dois filhos. Muito ao contrário! Aquele s que admitem soluções para seus problemas ou dificuldades. Eu não quero ser como o meu pai e meus irmãos.perguntou mais séria. Se eu fizer nada por mim hoje. por isso eu os concluí em escola pública.calou-se e suspirou fundo.. Eu penso assim: tenho de começar a fazer algo e me transformar agora para estar melhor daqui a alguns anos..disse ligeira. . adolescente ainda. Isso é desequilíbrio. estou brincando. menos de quarenta conseguem êxito depois de um ano? E dos sessenta que desistiram. dependente do serviço público e. tenho mesmo. dizemos que essas são conscientes. tento e te nto me segurar. sinto muito em decepcioná-la. Aq uelas em torno de quarenta. Ai! Você vai zombar de mim! Por quê? .. não me acho nada parecido com a minha família. pois acreditam poder parar a qualquer momento com o que as escravizam sem a ajuda de profissionais ou grupo de apoio.. Consideram-se auto-suficientes e não admitem o vício do entio. Nossa! Eu não sabia disso! Entre todas as cem pessoas que admitiram a dependência. Porém a Emy e o Élcio fazem da min ha vida um inferno por eu não pensar ou agir como eles! E meus pais nunca se manif estam em minha defesa! O que os leva a essa incompatibilidade? . curioso: Eu perg untei algo errado? Não! De forma alguma tornou ela. serei e terei nada d aqui a alguns anos. nós dois nos damos muito bem. depois me sinto tão mal por fazer isso. Sérgio. A Yara é neutra em tudo. Há tanta diferença entre nós! Eu sinto a mesma coisa com relação à minha família! . não é Sérgio? . entrei na polícia e fiz cursos até chegar a uma graduação satisfatória. Em seguida contou: As despesas eram muitas e meu pai não poderia pagar meus e studos nem de meus irmãos. Acreditei que procurar um psicólogo demonstraria assumir ce rto desequilíbrio da minha parte.Mais sério.lembrou-se. Contudo não suporto e revido as agressões verbais.Mas você disse que tem dois irmãos ou eu ouvi errado? . buscam ajuda e fazem tratamento. Ele se interessou.

Nunca pensei por es se ponto de vista. dificuldades. Decidi e me adeqüei ao jornalismo. Por insistênc ia do meu pai eu comecei a fazer Direito e detestei. não estaria recebendo mesada pelo fato de prestar um serviço. Contudo todas aquelas que pr ocuram uma ajuda profissional são pessoas conscientes e que não desejam continuar ex perimentando determinados problemas.Oferecendo uma pausa. sem agressões de qualquer tipo. . mas um tormento angustioso tomou conta de seu coração por não desejar vê-la sofre r. Como disse no início. Débora encarou-o com largo e belo sorriso ao admitir: Eu desconhecia tudo isso. por sobre a mesa que os separava. Elas se libertam para uma evolução pessoal saudável. e desabafou: Meus pais nunca me valorizaram. ela abaixou a cabeça. dando-lhes apoio! Entende? . compreendendo e se integrando com os quais precisam e desejam conviver sem atritos. fiscal e civil para muitas companhi as e empresas de considerável porte. ele realiza serviços de despachante a lfandegário para liberação de importações e exportações. posso falar de mim. em minha opinião. O meu pai tem uma grande empresa que presta assessoria jurídica ampla: contábil. Mas. um crescimento espiritual digno. .. vendo-a atenta e pensativa. Inclusive por você trabalhar . misto a um olhar de melancolia. apesar de toda luta a interior e sacrifício. Não posso concordar.. às vezes acho que não pertenço à minha família. dúvidas. Neste momento não estou s endo terapeuta. ele estendeu os braços e afagou as delicadas mãos da jovem. Como você sabe disso?! . A Yara não sabe o que quer da vida e só faz cursinho. Ali te m muita coisa errada e. deter ao olhar para o alto sem encarar Sérgio. O meu pai nunca me amparou ou me protegeu. são as consc ientes.intrometeu-se com leve riso. Comecei a fazer Administração de Emp resas e não me adaptei.Sem esperar por uma resposta. . ele não podia ent ender.. outra é amizade ou coleguismo. baixa auto-es tima. contou: Meu pai não se con forma em me ver trabalhando como corretora de imóveis! Entretanto tenho o maior or gulho do que faço. os dois me ridicularizam e meu s pais se calam parecendo coniventes. mas logo falou: Sei muito sobre as atribuições de meus irmãos.m cada um dos doze passos. angústias.Um pouco de silêncio. eu gostaria de conhecê-la. O Élcio e a Emy se formaram em dir e. são as acomodadas.Ficou co m olhar perdido. Sérgio se . se mal a conhecia?! Inquieto e impulsivo. escondendo o rosto entre os cabelos e chorou em silêncio. certo? Errado! Conheço bem aquela empresa. Nem tinha dezoito anos aind a! Parei antes de terminar o primeiro semestre.. Como explicar tal sentimento. .Breve silêncio e contou: Bem. engrandecendo o s préstimos da empresa. As que desistem definitivamente voltam a crer na possib ilidade de serem auto-suficientes..... pois é um enorme prazer não viver da mesada dele igual aos meus irmão s.. Tenho até medo de conhecer mais. Sabendo um pouquinho sobre vo cê. Minha mãe finge se interessar pela profissão só para fugir dos assuntos da família.Riu e continuou: Como disse. . Os belos olhos castanhos de Débora se empossaram nas lágrimas que tentou. Na verdade não sei descrevê-la. Sempre tivemos uma vida privilegiada. colocando-as entre as suas. Fiquei tão magoada com a minha mãe. o rapaz desfechou em tom brando: Uma coisa é terapia. minha família me censura em tudo! Com exceção d a Yara.Breve pausa e exclamou: Nossa! Como me criticaram! A propósito. As que retornam são as determinadas a alcançar o fim de seus objetivos. desespe radamente. Querem justamente se livrar do que as incomoda a fim de viverem em harmoni a consigo mesmas.. Envergonhada.. trabalham com meus pais para terem onde se ancorar. Meus pais são advogados.... persistentes e equilibradas. De início. . Fomos criados pelas babás e est udamos nas melhores escolas. Obrigada pela explicação e exemplo. Meus irmãos não fazem absolutamente nad a! Só assinam alguns papéis para somarem número de advogados atuantes. .. mas as realizações dos serviços passam longe deles. se você trabalhasse na empresa de seu pai. sem auto-agressão ou auto flag elação. Por eu traba lhar. procurando não depender do meu pai para tudo.Sérgio pendeu c om a cabeça positivamente e ela prosseguiu: Você acredita que minha mãe veio conversar comigo e me perguntou se eu não estava com inveja da Emy e do Élcio?! Por que ela perguntou isso? Certamente por eu não agüentar mais as chacotas e o desrespeito deles para comigo e revidar à altura quando começam a me ridicularizar. Além disso. Estamos conversando .

expressou-se Débora. Quer entrar? Está. não me desligo do que me disseram e crio tormentos inúteis em vez de soluções. não.... mesmo? Não. Eu só quero um segun dinho da Débora! . Não sabia o que diz er.. Detesto chorar . ..... relaxam. pois ele falou a verdade... levantando-se e propondo: Por favor. gostaria de não perder sua amizade. sente -se conosco! Estamos esperando o horário. Após suspir ar fundo. desde que praticadas de forma saudável. quas e triste.exclamou alegre.. estendeu-lhe algumas folhas e explico u: Dé. ped iu: Desculpe-me..Sem demora Débora apresentou: Rita.Voltando-se para a amiga.. Eu não tenho o direito de invadir sua privacidade ou.. O casal não esperava. Por que me pergunta isso?! Essas atividades.Retribuiu o rapaz.. aqui está uma cópia do trabalho de ontem.. mas tenho de entregar este resumo. Ai! Que droga!. Creio que ninguém goste de ver os outros chorando por ninharias e ainda ouvir prob lemas. encarou -o sem dizer nada e fitou-o longamente com expressão indefinida. Que nada! Você já fez tanto pela gente! Mas.exclamou após beijá-lo novam ente e se afastar.. afagando-lhe rapidamente o ombro. e ele questionou parecendo adivinhar sua vi da: Há quanto tempo não sai. Sérgio. Dé? .. eu arranjaria uma desculpa para ir embora. vive tensa. aconchegando-a ao peito enquanto afa gava-lhe suavemente os cabelos.explic ou ligeira..expressou-se num murmurinho vivo e alegre ao sorrir. estendendo-lhe uma pasta ao chamá-la pelo apelido carinhoso. mas disfarça bem.. Prazer em conhecê-lo. Obrigada.perguntou.ela o interrompeu e foi bem direta . ao tempo em que fazia gracioso aceno com a mão. Rita! Tudo bem?! Oi! Tudo jóia e você?! .. Débora!. Minutos pass aram e ela procurou se recompor desculpando-se ao se afastar um pouco: Acabo de conhecê-lo e.. dando-lhe um beijo no rosto. esta é a Rita. Espere. Ele não disse nada e ela chorou um pouco escondend o o rosto discretamente com uma das mãos enquanto a outra o envolvia. não viaja nem conv a com algumas amigas sobre futilidades?.levantou. pediu: Perdoe-me. Sérgio.. Acho que não teve uma boa impressão a meu respeito e. Apesar de você apresentar-se bem disposta e alegre. não é? .. quando um vulto chamou-lhes a atenção e se voltaram para o la do vendo uma bonita jovem parada. Sérgio perguntou: Tem certeza de que não quer comer nada. Sérgio! Tchau.murmurou. Venho descobrindo algumas coisas daquela empresa que..correspondeu animada... Ei. tchau! . Arrependido.. Obrigadão! Ta! . Tem toda a razão. Deixa comigo! .. Ah. Débora se calou e não erguia o olhar. este é o Sérgio.. Acho que fic o tanto tempo presa. Bem! ... Só preciso de um favorzinho . m a colega de classe e melhor amiga! Prazer! .. com pensamentos inúteis nas críticas feitas por eles. Sentado ao lado de Débora que disfarçava os suaves tremores pela brisa fria e úmida . Acabo m e aborrecendo. Hoje nem vou entrar. Poderia me f azer esse favor. fazem bem para a ment e. É que..Com os olhos avermelhados. Já pensou que você pode estar bem errada com esse tipo de condenação e julgamento? . não! Obrigada! Fiquem à vontade! . sentou-se ao seu lado e a abraçou. Nos últimos tempos tem sido difícil eu to lerar tudo o que acontece lá em casa e. observando-a e acariciando-lhe suavemente as costas ao dizer: Não tem motivo para pedir perdão. Estou entendendo o motivo de minha tensão. Débora virou-se. Débora. Débora dissimulou e sorri u ao cumprimentá-la com um beijo: Oi. certo? Ela deteve as lágrimas e as palavras.agradeceu Rita dando-lhe um rápido beijo no rosto e avisou: Agor a preciso ir.. pegando a pasta.. Sérgio . não namora e não se diverte? Não passeia.tornou Rita sorridente. sorrindo e aguardando. secando o rosto com as mãos.. Caso isso me incomodasse... Ah! Obrigada! Se não fossem vocês!. Pare de s e punir. Aguardou o longo silêncio. O prazer é meu! .. de se julgar ou se criticar e tentar prever a opinião dos outros. Você não é obrigado a ouvir minhas lamúrias.

tantas pesquisas. ela perguntou: Quer ver onde é minha sala? Ah! Quero sim! .perguntou com pe nsamentos repletos de desejos positivos. A sala de aula é quente . ela aceitou rapidamente o suéter de lã que ele nova mente ofereceu. A pior coisa que o pai fez foi comprar esta casa para ajudar o Marcílio e a Ana . Estou farto de ajudar a financiar comprom issos que eu não assumi! Por que acha que não me casei?! Por que acha que estou estu dando. deu no que deu! O Marcílio sempre gastou mais do que ganha! Nunca pensou no dia seguinte!.Sem que a jovem esperasse.Acho que estou precisando de um psicólogo .. conforme havia combinado. Não era costume de sua mãe ficar até àquela hora aguardando-o. . Bênção. Ao entrar. A jovem não disse nada. quase num murmúrio. Deus o abençoe . Não vai se dar ao trabalho de me levar para casa.. Sérgio se encontrou com Débora e de ssa vez. deixando-se agasalhar daquela forma e ser conduzida. sempre f oi temperamental.. E tão acomodado que. Não.insistiu enquanto caminhavam. quando não conseguiu pagar o aluguel. Agora..tornou ele firme. Sérgio surpreendeuse ao vê-la. Não desejava saber detalhes de qualquer ocorrido. Satisfeito. * * * Era bem tarde quando Sérgio chegou a sua casa. ele perguntou: Quer meu suéter? Ficará grande.cumprimentou e a beijou. apanhando-as em seguida. O Marcílio nunca assumiu qualquer responsabilidade. O rapaz deu um suspiro e em seu belo semblante fulgurou um ar de insatisfação. ao se levantarem. ele avisou: Preciso saber onde pegá-la e a que horas. Entretanto viu-se na obrigação de perguntar: O que aconteceu? Ah!.correspondeu. cl aro! Eu não sei mais o que fazer.. conv enceu o pai a comprar esta maldita casa para vir morar conosco e se encostar. filho! Não suporto essas brigas! Nem eu! Cansei! . sorrindo sozinho. cantarolava baixinho. Aceite . Se fosse trabalho. Antes de descer do carro.. Ela engravidou para se casar e fugir do domínio possessivo do pa i. tornou a oferecer sua blusa. o moço sobrepôs o braço em seus ombros. Diante da educada recusa. Obrigada. Por que a senhora ainda está acordada? E tão tarde! Não consegui dormir. Preciso de voluntárias para a aplicação de alguns testes para meu trabalho de conclusão de curso. Débora fez questão de devolver -lhe o suéter.Mudando rapidamente o assunto.. e percebendoa tentar aquecer os braços com as mãos. por não resistir ao frio. perdendo o ânimo de imediato. Seu pai se meteu na briga e. não. Gostei da idéia! Vamos combinar isso direitinho! Vendo-a iluminar novamente pelo belo sorriso. brincando do mesmo jeito. o rapaz a deixou em casa. Durante o trajeto conversaram muito e s e conheceram um pouco mais. Hoje foi o maior inferno nesta casa. Alegre. por sua vez. vamos! Ele pôde sentir o vento cortante e inesperado. não iria me candidatar! Agora. Jogue-o nas costas. A mulher estava sentada à m esa da cozinha. A Ana. jogou as chaves do carro para o alto num gesto de brincadeira. estágios . Não é preciso .disse educada. vai? . Tinha idéia do que havia se passado. dando um duro danado para suportar a faculdade.. Sem perceber. Quer ser minha cobaia?! .. briga com o seu irmão. dona Marisa. mas não sentirá frio. Estava animado como há muito não se via. Sérgio! A Ana nunca se controla: bate nas crianças.riu com meiguice. mãe . Ao término das aulas. O de sempre. era observada por sua mãe.respondeu de modo mecânico. envolveu-a e recostou-a em si a fim de aquecê-la. expressando-se aborrecida por esperar o filho. mas Débora recusou parecendo constr angida. pois achava que ele estava com frio e não queria vê-lo ir sem vestir a blusa. Ao vê-la com seus materiais nas mãos e encolhendo-se.

esse casamento nunca começou! Para um casamento acontecer.. Não fazia nem faz nada na vida. ele falou em tom grave. não se casar.. Mãe ... Se ele bebe. e ela pensa que o companheiro mudará após se casarem. pobre de mim! Foi então que ela. Sérgio. E o enganado nessa história fui eu! A senhora acha que a Sueli demonstrou sua verdadeira personalidade antes?! Foram nos últimos meses e.. Sou muito observador. Porém nesses. ... O parceiro ou parce ira raramente mudam depois da união. Somando tudo isso ao carinho e à co mpreensão.lamentou a mulher.. eu conse gui ver que a Sueli era uma pessoa dominadora. E o tipo de pessoa que não admite a reali dade. le aldade.e situações inúmeras?! Sabe por quê? Por eu pensar no meu futuro! Não serei dependente e a comodado à vida toda! A Ana é bem esperta! Não é ingênua não! Ela engravidou para se casar. Quase dois anos! . . sai co m outras mulheres.. Egoísta só não! E la é egocêntrica! Para a senhora entender. mas demorei a notar o quanto ela representava bem.. Não fugi de casamento algum! Namoramos sério sim.. é burrice! Quando é carma. Senti algo errado e me recusei a um compromisso tão sério e definitivo.. Meu erro foi terminar algumas vezes. verdade.espalmando as mãos sobre a mesa. mãe. d esabafou: Ah. Não temos um perfil psico lógico compatível.corrigiu-a de imediato.. Ao contrário.alterou-se.. Puxa! A gente vive ao lado de alguém.Sérgio estava nitidamente insatisfeito. pois isso era o mesmo que ficar por baixo.. .. Dois anos foi tempo demais.. Não foi passatempo.. Não a quero nem como colega. Nunca. Se bem que nesse aspecto ela não deixa a desejar . estudar como precisava. carinhosa e lhe d irá toda a verdade depois de casarem... Sei lá.dona Marisa teve a voz inte rrompida pela emoção e de seus olhos transbordaram as lágrimas... olhando-a bem nos olhos . não dá atenção.Alguns segundos e prosseguiu com certa mágoa na expressão: Chegou a me chantagear para eu retomar o compromisso. Ao ver o quanto estava sendo difícil só com um filho. Eu nunca disse que ela era má. mais caprichosa..Andando vagarosamente de um lado para outro. Tinha sempre de me dedicar inte iramente a ela. mãe! .Breve pausa e protestou: Caramba! Será qu e não sabem planejar a vida?! Pensa que é só pôr filho no mundo e berrar para os outros se apiedarem e ajudar?! .. mas não concretizava nada de material ou espiritual.. sorridente e cativante até dominar as pessoas com seus mimos ou fazendo o tipo: sou vítima.. O ... Foi a melhor amiga da sua irmã. Perdão. o melhor é não se unir. fuma ou joga compulsivamente. Opa! Espere aí. chega! . É uma pessoa improdutiva com oc upações superficiais e fúteis. Que engan o! Se ele acredita que ela será menos irritada.. Posso até dizer que foi no último ano em que ela mostrou realm ente quem era e a sua índole. mascarando-se e manipulando todos a sua volta.. autoritária. egoísta e.Algu ns minutos e falou mais brando: Tentei fazê-la entender.. pois ela sempre se achou importante em tudo. O que a Ana e o Marcílio jamais tiveram! Quando há a menor dúvida sobre um desses itens. não em função dessa pessoa! . Era uma das poucas vezes que reclamava daquela forma. Não! Para mim.murmurou. Sinto algo. mas não adiantou. veja bem. Acho que o casamento deles acabou . A senhora não imagina. Ela me julgava como sendo de sua propriedade. Digo isso com conhecimento de causa. um corrige o outro! Como pode falar de casamento se nunca se casou. ela começou a falar em ca samento. parceria e confiança. Terminei o namoro e não deixei qualque r esperança da qual a Sueli pudesse se alimentar.. Que engano! Se isso não for carma. eu explico em detalhes: a Sueli acredita que tudo existe em função dela. Lamento ter demorado em descobrir isso. Exa tamente nessa época a Sueli revelou-se! Ela foi capaz de ofensas gratuitas contra mim com o intuito de sentir-se superior... Fui analisando e cheguei à conclusão de que a Sueli era fal sa demais e cruel. Sérgio?! Ao contrário! Acabou fug indo do casamento com a Sueli! Uma moça que. Parece que a enganou.. Eu dev eria lhe dar satisfações de tudo! Pelo amor de Deus! Isso era sufocante! Nunca conse gui trabalhar direito.. Dificilmente se a lterava. depois ficar com pena e reatar o namoro. Quase dois anos de compromisso.. por que se deixou engravidar d o segundo e agora do terceiro?! . . inconformado com a situação... ele precisa de m uito mais do que duas pessoas sob o mesmo teto! Em uma união é necessário respeito. re-sulta o amor. Porém cheguei a um ponto insuportável! Então foi definitivo. eles revelam um lado bem sombrio que antes não foi visto. nunca a iludi com promess as de casamento! Isso é história da cabeça dela! Ela é uma boa moça. Uma jovem alegre. Meu erro foi deixar esse namoro durar tanto tempo.

que. Sem demora.. Não sei por que a Ana briga tanto! A Ana e o Marcílio vivem dessa forma por falta de vergonha na cara. Blusa que a besta aqui lavará amanhã lá no tan que. não fico me esbaldando em farras. pesquisas. imensa atenção. Parte dessa culpa cabe à senhora e ao pai que os apóiam. por que se envolve com qualquer uma? Não dá para crer em todo esse esforço que relatou quando mostra tempo de sair e f icar na farra! O que a senhora disse?! . de alguma forma.Alguns segundos de silêncio e ele falou ma is tranqüilo: Só tem uma coisa: eu não fumo.. planejamento de vida e bom senso! Pense. alertou em tom grave e pausadamente: Mas eu não desisto! Nessa história toda. A vontade de desistir é imensa. ao mesmo tempo pagar o curso dessa graduação.. com deboche. Estou exausto. não bebo nem jogo. mãe! Saiba que eles brigam e batem nos filhos para a senhora e o pai. mãe do seu amigo. por não terem responsabilidade. eu agradeço a Deus pela oportunidade. E. bate nas crianças e engravida novamente! Porém.argumentou. pois a conhecemos. Não é fácil fazer tudo isso que faço. Namorariam em casa em vez de matar a ula com qualquer sem vergonha por aí! Como pôde conceber a idéia de eu matar aula?! . mas passei e passo muitas noites em claro estudando ou então traba lhando na polícia à noite. professor e médico de loucos. avisou: Com licença.Sem trégua.quis saber austero. com a responsabilidade que me é imposta. Foi isso mesmo o que ouviu. mãe. Vocês os susten tam na irresponsabilidade! Não pense que a Sueli seria diferente da Ana não! Tenho c erteza de que a Sueli seria bem pior! . Como posso falar sobre algo com você se nunca conversa comigo?! Acho que esse r ato te conhece melhor do que eu! Ah.intrigou-se. mãe. mãe! O que e le faz para melhorar essa situação?! . Dona Marisa sorriu.. vai! Nem cursos dentro da própria PM o Marcílio se esforçou para fazer. e o tal doutor Edison.. terapias e tarefas que exigem muito tempo. A tal dona Antônia. o pior é ainda ter de ajudar. Sérgio exclamou: Ele foge! Bebendo. o pai ou a sem vergonha da Ana o incentivaram ou até o forçaram! Ele é um moleque! Só que chega de viver às minhas custas! Você não entende que. Ah. espiritualmente ela ostentava um delírio de grandeza! A Sueli seria uma nora melhor do que a Ana. E em nenhum m omento deixei de corresponder à confiança em mim depositada e a ajuda recebida de me us superiores para eu poder estudar. manter-me na faculda de com as melhores notas. cuidando das crianças e f azendo pelos netos o que os pais deveriam! . nem joguei minhas notas no lixo! Sempre me esforcei e parece que nessa casa ninguém reconhece.perguntou um tanto irritado e. ao esclarecer de modo rude: Além de você estar impregnado de perfume. até dobrando escala pelo fato de o comandante permitir minh a permuta de horário porque eu estive.. Sabe. sem esperar su a mãe responder.... certamente o ouvem e conhecem a sua vida melhor do que eu. que fosse a Sueli. Ao ameaçar ir pa ra o quarto.. questionando com a intenção de irritá-lo: Se não pretende arrumar mulher e filho tão cedo. a Ana e o Marcílio não são os únicos culpados nessa história. da minha estabilidade e segurança para a poiar quem não merece! Ao fim do desabafo. mãe.falou com uma pit da de ironia.. Sérgio murmurou num tom grave: Não fale sobre o que a senhora não sabe. Quisesse ficar com alguém só por f icar. não! . Não é fácil ter o trabalho que tenho. xinga. referindo-se ao rato treinado por ele. financiar os gastos e conciliar dois irresponsáveis como a minha cunhada e meu irmão! Só que isso vai acabar! Ah. Apesar do sacrifício.. exclamou: Eu não arrumei mu lher nem filho porque planejo a minha vida! E não pretendo arrumar tão cedo! Por ess a razão não deixarei de cuidar do meu futuro. Para não deixar a situação acalorada. prosperar diante dess a situação?! Ela briga.Com postura mais firme. realizar os mais complexos e difíceis estágios. continuarem apoiando-os. sua própria mãe! . pois assim ele teria um salário melhor! Nem a senho ra. fazendo estágio para a mi nha graduação. co m dó dos meninos.. . grita. fumando.. vou r uma olhada no Tufi . incrédulo. Mal desmanchou o namoro com a Sueli e já está com out ra e querendo ter muita moral com suas opiniões!. jogando e ficando no b ar o quanto pode! E a Ana?! Como ela reage para restituir.. estudar. respeito. que é um perfum e bem caro! Sua blusa está suja de batom. Chega. . sustentando-os. retornando frente a ela.. ele suspirou fundo. Não sei se reparou. exaurido daquela situação. diga-se de passagem.. durante todo o dia. aliás. sim!. sua mãe exclamou.

tomou um banho e se deitou. Desencorajado de procurar forças interiores. Sérgio sentia-se indisposto. mãe. Se ouve. Sérgio. demorou a conciliar o sono. apaixonada.. Mesmo após um banho rápido. Nossa! A senhora já levantou?! Deus te abençoe .. acord aria sem disposição. Ainda deitada. ver seu lindo olhar penetrar sua alma.O filho a acompanhou com o olhar até ela se sent ar na outra lateral da mesa e contar: A Sueli telefonou ontem e. Estou atrasado! Depois de se arrumar rápido. Mas me preocupo! Já ligou para o celular dele? A ligação só cai na caixa postal . Muito pensativo. ouvi r seu riso contagiante.. não foi?! Mas ela quer falar com você. Débora preguiçosamente remexeu-se na cama. não me dá importância ne valor.. A senhora sabe. Porém seu sono foi afugentado ao chegar à cozinha. Por essa e outras razões. ver que sua mãe estava em pé e até pr eparando seu café da manhã. Bênção.. quem sabe. ao despertar. Você nem reparou? Não é a primeira vez que ele dorme fora e não avisa. .... Esto u preocupada com seu ir-mão. mãe. ao menos. Recordando-se de diversos detalhes. porém nunca me ouve e. mas no qual precisava mostrar-se à a ltura dos padrões preestabelecidos diante das inesperadas necessidades e urgências. Num gesto rápido. Qual deles? .. repentinamente. Tinha planos para aque . sentiu um pouco de alívio em seu coração magoado.. mostra-se bem alegre quando eu chego a casa. O rapaz não conseguiu resistir e falou firme: Desde que terminamos aquele maldito namoro. como sempre fez. trazia um suave sorriso no rosto ao se lembrar de Sérgio. Sérgio experimentou uma amargura indefinida.. interrompendo-a e sem começar o desjejum. Tratava-se de uma escala de serviço extra com a duração de vinte e quatro horas.disse a mulher.. Sérgio ofereceu meio sorriso e nada disse. 4 .Débora hospitalizada por causa de uma mentira Por dormir pouco. ele retornou à cozinha com uma bolsa onde guardava s eu fardamento e despediu-se de sua mãe o mais rápido que pôde. sentiu seu coração acelerar. perguntou: Não vai comer nada?! Não . Decepcionou-se muito com outro rapaz e resolveu dedicar-se ao estudo e ao trabalho. lembrou: Esqueci de te falar ontem. filho! Vou fazer de conta que não ouvi isso . Depois avisou: Não dormi. Nós duas conversamos um pouco e a Sueli insistiu par a eu te dar o recado. Gostaria de ficar na cama. Somente ao se lembrar de Débora. mas dona Marisa. O Tufi. Sonhou acordada por longo tempo até decidir se levantar. Havia tempo que não tinha compromiss o sério...respondeu sem se voltar e de modo que ela quase não o escutou.. ele lut ou consigo mesmo a fim de encontrar vontade e ânimo para enfrentar a constante pre ssão exigida por um serviço quase sempre ingrato.respondeu. pediu: Com licença. Acreditava até poder sentir o perfume gostoso de sua loção suave.Eu falo com a senhora. Acomodou-se melhor para o desjejum. O Tiago não voltou para casa. colocando-lhe a xícara. mas deveria ir trabalhar. ela liga todo dia! Eu já pedi para não me contar. Ficou feliz ao rever mentalmente a cena de ele ajudá-la a vestir o s uéter tão grande.respondeu insatisfeito. Ao vê-lo virar as costas. tinha os sentidos sonolentos e pensamentos desarranjados .. o filho se levantou. Desejou como nunca poder sair daq uela casa. A moça demonstrava-se encantada. Ligue para ela.o filho questionou sem vontade. Brincou um pouco com o ratinho e a pós devolvê-lo à gaiola. * * * Horas depois.

O Élcio e a Emy qu erem ficar em Angra. estampando largo sorr iso ao certificar-se de ter esquecido sua pasta.reclamou Débora. A moça pegou a bolsa e.. Um pouco mais tarde.le dia.desfechou com ironia ao encarar a irmã. Desejava comprar um celular novo. entretanto não sabia qual desculpa poderia dar para procurá-lo. Débora? Filha! Não me ouve?! O que. novamente. Sem dar importância ao chamado de seu pai.Pegando as chaves de seu carro. não abro ou manipulo dinheiro em paraísos fiscais para os grande s empresários. mãe. Descendo do veículo. para se l ivrarem dos impostos neste país! Isso é sujo demais para mim! Somente os deverasment e nojentos e imorais profissionais da sua área são capazes de se satisfazerem com su as empresas tão imundas! Chega! Vamos parar com isso! . Droga! . não faço cai xa dois com registros contábeis fraudulentos da posição patrimonial de uma organização ou de uma pessoa física... Eu não quero ir para o Rio! Não gosto daquele calor. Está tão longe! Nem chegamos ao meio do ano! É o momento ideal para as melhores reservas. Não demorou e uma senhora atendeu: Pois não! Boa tarde! O meu nome é Débora. Débora estacionou o carro frente à casa do endereço que Sérgio l he deu. não queria ficar em casa. Estudamos na mesma universida de. Virando-se para a mãe. Débora praticamente não conversou nem dava atenção ao que diziam. você sabe! . Não sei. Débora! Não vai querer ficar em um lug ar chinfrim?! Poderíamos ficar aqui mesmo . Al egre. Por que não passamos juntos só esse ano Podemos alugar um barco e brindar a passagem de ano vendo os fogos de Copacab ana! .. olhou por todo o quarto. quase gritou: Bendita pasta! . repentinamente. Então. As pessoas insignificantes só sabem reclamar e perturbar a fel icidade dos outros.protestou Débora. perguntou: O que você diz a? Estávamos falando do planejamento de férias para o final do ano. Mas claro! Somente os mais capacitados trabalham em nossa empresa . bate ndo a porta e atirou-se sobre a cama.. no carro de Sérgio. Com licença! . sou colega do Sérgio. mãe? .Vociferou o senhor Aléssio ofendido.perguntou ansiosa. olhou-se no espelho e arrumou rap idamente a roupa desalinhada. a jovem seguiu para seu quarto.propôs Débora. Estava imersa em lembranças do dia anterior até se sobre ssaltar com a indagação: Não é mesmo. Adoro ver neve no Natal! Ah. Levantou-se. já tinha outro compromisso. Talvez por serem tão impotentes e incompetentes. mãe! Não vê a divagação de sua filhinha? Seu olhar tão perdido. Parecia enfeiti por uma magia nimbada de imagens de castelos rutilantes onde vive um belo príncipe prodigioso . falando entre os dentes cerrados ao mesmo tempo em que fuzilava a irmã com o olhar.animou-se Élcio. ligou para sua amiga Rita e conversaram por l ongo tempo falando de várias coisas..explicou Débora com austeridade . só lhes resta f azer colunas pejorativas aos atuantes profissionais de grande sucesso nos jornai s baratos e de quinta categoria. Tornam-se simples vendedoras! Pelo menos eu tenho honestidade! . mas lembrava-se de Sérgio. Débora convidou-a para sair. saiu sem dar satisfações. Era tão bom ficar em sua companhia. a jovem não estava mais nervosa. Queria vê-lo.revidou E my em tom ofensivo. Não enche. Não fi co procurando meios de fazer com que outras empresas soneguem impostos. E só porque quer. pegou o telefone. em companhia de sua família. não hesitou em tocar a campainha e aguardar. alguns políticos safados e líderes protestantes sem-vergonha. mas o assunto principal foi sobre Sérgio.exclamou irritada. ficaremos socados aqui?! Não mesmo. Emy! . Ora. talvez você me acompanhe com o seu pai para a Europa. Pensava em sair. Ele está?! . Após desliga r.tornou Emy.perguntou voltando à realidade.atacou Débora com palavras expressivas. porém a colega não podia. Não vivo à custa do papai! . A Yara deseja ficar aqui. Que inferno de vida! Pouco depois.satirizou Emy em tom poético e sarcástico. . Quando não.pediu Débora com voz amarrada. Tenho o meu serviço e não sei se posso tirar férias . queridinha! ... Durante o desjejum.

Ele está trabalhando hoje e foi por isso que o celular ficou comigo.. Débora. é que estou fazendo a prova do vestido de noiva e.. Ah. Aqui é a Sueli. Débora. Sueli.. O Sérgi está trabalhando hoje. Obrigada! Tchau! Sueli desligou e jogou-se no sofá. filha . Só liguei porqu e ele está com meu material e.. Meu nome é Marisa.. Débora estranhou ouvir a voz de uma mulher e perguntou.perguntou a outra bem cínica. desencarnada havia um ano e meio. gargalhando satisfeita.. mas sentiu uma antipatia inexplicável pela jovem .A moça tentou argumentar.atendeu Sueli. propositadamente aconselhou: Ele foi trabalhar de carro. Você sabe. e. Ah. Eu sou a mãe dele. sim. noiva dele.. o aparelho fica desligado.sorriu. Constrangida . . Débora abriu sua bolsa...afirmou com voz trêmula.. Débora sorriu com simpatia ao explicar: Ontem o Sérgio me deu uma carona e.tornou a senhora. O espírito Lúcia a envolveu. Pensando rápido..disse completamente atordoada e incrédula..avisou a jovem com simplicidade.. . tirou o celular que acabara de comprar e registrou o núme ro fornecido pela mãe de Sérgio. Então eu digo que você ligou. Débora. mas esse número é do celular do Sérgio? É sim. Quando o Sérgio está ocupa do.. pegou o telefone e ligou: Sueli?! Bom dia. Você é colega dele? . Será que posso te ajudar. Com ligeiras orientações. a mulher planejou o que dizer ignorando estar sob a interferência dos desejos do espírito Lúcia. Sueli. A senhora manteve as aparências. mostrando-se amável. Satisfeita. Desculpe-me . Em seguida explicou: Estudamos na mesma U niversidade e. uma moça deve ligar para esse celular. mas a senhora a interrompeu: Escuta! Faça o que estou falando e bem rápido! Olha.. Se você não se importar. Pode ser assim? Claro. Na verdade eu nem sabia que ele estava de casamento marcado. Não. Perdoe-me. Não sabia que ele trabalhava aos sábados. Olha.. posso recebê-la mais tarde junto com os outros... Claro! Perdoe-me por tomar seu tempo! Felicidades. Como você se chama? Sueli! Ah. Débora? . Ele me falou de um grupo de amigos da faculdade que iria ligar para ver nossa futura casa e levar os presentes. educada: Desculpe-me.... Você atende dizendo que é noiva do Sérgio e..falou decepcionada.. até que a moça precisou desligar.. .. A conversa durou algum tempo. Um frio percorreu o corpo de Débora ao lembrar dele olhando em seus olhos. É que. desculpe-me não poder conversar mais. afir mando não ter nenhum compromisso. Ligue o celular que você deu ao Sérgio e ele te devolveu .interrompeu-a novamente. cruel..gaguejou Débora após segundos. mesmo sabendo o que aconteceria. pois o referido celul ar tocou: Alô? . eu mesma pegaria o material pa ra você. dona Marisa entrou. Sim. elas tramaram uma circunstância difícil de Sérgio explicar. Imediatamente um sentimento de aversão brotou no coração da mulher que se deixou dominar pela influência de sua filha Lúcia. Qual é o seu nome? . Foi então que percebeu a mesma cor do batom e sentiu o perfume que havia no suéter do filho.respondeu em tom bondoso. dona Marisa. Aquilo foi muito sórdido.... Ao ver a jovem partir...indagou à senhora abrindo o portão e se aproximan do da moça. Se estivesse aqui. Eu esqueci meu material da faculda de no carro dele. por isso é bom tentar algumas vezes! Eu não tenho o número .. a moça sorriu generosa e agradeceu muito antes de ir embora. passando-lhe intensos pensamentos. Tem onde anotar? .Não.. Sou . Mas por que não liga para o celular dele?! . preste muita atenção. Bem.. .

Entorpecida pelo sentimento que a invadiu tão inesperadamente.Em seguida falou o ende reço.QRA. É a viatura do soldado Félix e o soldado Martins.contou-lhe o soldado. Por aqui. constatou não ter viaturas disponíveis para atender aquela ocorrência . mal ouviu um grande estrondo. QSL? . avis ando: COPOM. pensava angustiada. Poderia repetir o QRA da proprietária do veículo envolvido? . abalroaram um veículo. corresponde a: Nome. Lembrou-se imed iatamente do momento no qual anotou aquele nome e endereço dias antes para a ocorrên cia da menininha perdida. O soldado Félix diz que eles só sofreram escori ações leves.QRA. QSL? . Positivo! O QRA da proprietária é: Débora Cristina Ribeiro Marins. Pelo fato do aparelho ser novo. Inesperadamente tomou frente ao rádio e exclamou. COPOM! Entendido! Estou à disposição e obrigado. Quem está no local prestando apoio? .QSL. Ao verificar. O COPOM está fazendo o levantamento dos dados do proprie tário e.Sérgio quis saber rápido.respondendo em código habitual. Uma das nossas viaturas está envolvida em um acidente! . Decidiu não parar o veículo e continuou dirigindo-o em uma avenid a cujos veículos estavam em alta velocidade.. o policial do COPOM falo u: QAP significa: Estou na escuta. Eles foram atender uma ocorrência. Naquele instante o policial do COPOM. sentiu-se confuso e quase não acreditando no que ouvia. conhecido como COPOM. Sargento Barbosa. Acabou de acontecer. Sérgio certificou -se de que ele mesmo deveria ir para o local prestar apoio. O Sérgio não precisava ter mentido! Foi por isso que não me deu nenhum número de celul ar! Como não teria um celular?! Por que ele me enganou?! . da proprietária do veículo é: Débora Cristina Ribeiro Marins. Depois de ordens ligeiras ao soldado que seria seu motorista.. Estavam com a sirene ligada e. comunicou os dados: O QRA . aqui é a base! QAP. ela se atrapalhou entre dirigir e desligar o cel ular e.. código correspondente ao nome próprio. Sérgio sentiu o rosto esfriar. Ao mesmo tempo em que escutavam o soldado falando ao rádio da viatura acidentad a com o Centro de Operações da PM. Parece que num cruzamento.QSL corresponde a: Entendido? QSL! Prossiga! Entendido! Tornou o operador.preocupou-se Sérgio. Como aconteceu?! . Apesar de ele não enfrentar qualquer problema no serviço interno que desempenhava. O soldado operador do rádio parecia aflito e o chamou de modo transtornado assi m que o viu: Sargento Barbosa! Corre aqui! O que foi?! . informou o policial do COPOM . em um cruzamento de avenidas importantes. Foi como Sér io desfechou a comunicação. Sérgio questionava detalhes: E o motorista do veículo? Parece que é uma mulher. experimentava um sabor de fel em seus sentimentos. enganada e tr aída de certa forma.Débora tinha os olhos nublados de lágrimas por se sentir humilhada. Ao ouvir o nome e mais detalhes. . pois todas as outras estavam em atividade por outros chamados. * * * Sem explicações aparentes. Ninguém ainda. a fim de apressá- . o sargento Sérgio Ba rbosa caminhava perto da sala de rádio onde se podia ouvir a comunicação entre as viat uras daquela unidade e o Centro de Operação da Polícia Militar. Depois de se ocupar com tarefas corriqueiras na Companhia. aquele dia parecia bem penoso para Sérgio. igua l a: Entendido? QSL! QRV e TKS. Sem demonstrar-se alterado.. COPOM. mas o outro veículo envolvido está torcido e preso entre a viatura e um pos te. que conversava com o soldado encarregad o da viatura acidentada.. ficou perplexa.. base! Prossiga! .tornou Sérgio controlado.

viu seu rosto escoriado e sangue escorrendo nele. mas estava bem.Oferecendo-lhe uma jaqueta de bombeiro do mesmo modo. segundo os policiais qu e se envolveram no acidente. o senhor está bem? .. Experiente. pa recendo vir de um machucado na cabeça.pediu piedoso. Vamos serrar as ferragens e. Ficarei. Policial Militar do Corpo de Bombeiros. bem perto do c arro. debruce ali e pod erá vê-la e segurar a sua mão.. ta? Verificando que a moça estava bem mais calma com a presença de Sérgio..Ao olhá-la melhor. Sérgio sentia crescer em seu pei to uma dor com misto de angústia insuportável pela expectativa.orientou-o ao jogar-lhe uma cobertura apropriad a. À medida que se aproximava do local do acidente. Está muito aflita e.. percebendo-o com expr essão alterada enquanto estavam a caminho. mas não souberam afirmar. Tente aca lmá-la. Me tira daqui! . mesmo assim o reconheceu.tornou ela em lágrimas.lo. A condutora parecia desfalecida.. Foi nesse instante que. pois a condut ora do veículo estava presa nas ferragens. Localizando os policiais de sua Companhia de Policiamento envolvidos no a cidente. avisou: Cubra-se também ou poderá se queimar . Ao vê-lo se posicionar. Apressando-se para perto do veículo. o sargento Barbosa aguardou e na primeira oportunidade se apresentou ao oficial. o senhor orientou comovido: Converse com ela. Erga-se. Vamos tirar você daí. sem demon strar sua aflição. pois está bem nervosa e. Venha e fique aqui. Ela obedeceu. Seu coração apertava a cada instante. Suspirando fundo. não deve tentar se mover ou se agita r.. Sérgio precisou manter-se firme para não ser impulsivo.pediu sério e comovido. Está tudo sob controle. verificou que as escoriações foram leves e superficiais. pelo seu estado. E sei que a Débora poderá ficar mais tranqüila e confiante se me vir.apontou. A jovem encontrava-se muito confusa e inqui eta.. ele pôde ouvir e reconhecer a voz chorosa e amedrontada de Débora. tenente .. minha querida. Sim estou . Sargento.. Contudo ouviu: Obrigado. Por favor.perguntou-lhe o motorista. Os pensamento s de Sérgio fervilhavam. Contudo o nome e o endereço não lhe deixa vam dúvidas. Apóie seu pé lá . Eles achavam-se ap arentemente bem e conversavam com outros policiais que chegavam ao local. ficou atordoado com o que via. não queria acreditar. o oficial do bombeiro chamou-o: Sargento! Cubra-a com isso. pois a s condições de Débora poderiam ser graves. dizendo estar al i para todo o apoio necessário.implorou chorando. Um oficial do Corpo de Bombeiros conversava com a moça presa nas ferragens do veículo. Eu a conheço. Fique comigo. Nem ouvia o que o soldado lhe falava vez e outra por estar atento às comunicações do rádio da viatura a fim ter mais notícias. Ele f alou: Calma. Seguindo as normas.. Sérgio!.. . Posicionado conforme indicado. Ele silenciou seu dese spero e calou qualquer emoção que denunciasse seu desejo de ajudá-la como o seu coração pe dia. desceu rapidamente e o verificou sendo interditado para a ação dos bomb eiros. ele conseguiu vê-la e a cha mou: Débora? .respondeu breve. Eu prometo! Segure minha mão bem firme. Sérgio fez exatamente como foi pedido. Foi quando soube que uma equipe do Corpo de Bombeiros se encaminhava para o lugar. Sérgio pendeu com a cabeça afirmativamente e procurou se manter o mais tranqüilo possível. O barulho da serra cortando a lataria era e . pois dificilmente a lguém sobreviveria dentro daquele amontoado de ferro. Sérgio se fez firme para pergunt ar se havia vítima fatal. Sérgio estava praticamente deitado sobre o carro amassado procurando confortá-la. o oficial comandante da operação pensou por instantes e decidiu: Tudo bem.. uma vez que o veículo retorcido não os deixava ver direito. passavam-lhe informações. No local. Você sabe. Serraremos a lataria do carro e as fagulhas poderão atingi-la! . Dê-me sua mão. tentando acalmá-la. . Receoso. Dê-me permissão para falar com ela. apesar de bem atordoada. Débora . ele informou ao COPOM que estava indo ao local do acidente. Ficou sério. mas sem o desespero de antes. sargento! Mas será melhor se afastar. Sérgio e stava com o coração aos saltos ao observar o carro contorcido entre a viatura amassa da e um poste. Nesse momento.

A moça tremia e chorava compulsivamente. Não consigo respirar direito! Estou sufocando! Daqui a pouco estará livre e será socorrida . O tr abalho foi muito delicado e ao chegar o momento de Sérgio precisar se afastar para os bombeiros tirarem-na das ferragens. Solte-me para que possam socorrê-la . Não te dei nenhum número de celular e não tenho noiva falou mais sério.Vendo-o desorientado. Débora a garrou-se a ele como se o enforcasse com um abraço.sussurrou no mesmo tom. calma! Está tudo bem. gritando por alguns sustos..sussur ou... minha querida. Sérgio! .falou mais firme. Durante uma pa usa no barulho. Repentinamente. Você está com um ferimento hemorrágico na perna.implorou em lágrimas. ele só viu os olhos de Débora repletos de lágrimas fitando-o num último relance antes de ser levada para os devidos socorros.. Não podemos usar força ou a machucaremos. Sua noiva. Mas ela parecia petrificada e segurava fortemente a camisa de Sérgio que. o senhor se aproximou. A movimentação no local não o deixava concatenar as idéias.. A jovem chorou pela dor e ficou amedrontada. Ele há segurou alguns minutos em seus braços enquanto os bombeiros a imobilizavam como precisava. ela o olhou de um modo estranho e murmurou: Você mentiu pra mim.Buscando olhar para o oficial que a ouviu e estudava sobre o próximo procedimento. Débora. além de várias escori elo corpo e corte na cabeça.. Calma. Ao vê-la ser cuidadosamente removida.... Acho que bati o carro. Liguei pro seu celular e... precisamos levá-la para o hospital mais próximo . Eu acho. prosseguiram com o trabalho. Irei vê-la o quanto antes.avisou baixinho e com ternura. Chorando muito. Você precisa de um médico levada a um hospital e isso precisa ser agora! Fica comigo!.. precisamos imobilizá-la e tirá-la do chão.. acreditando tratar-se de um delírio pe lo acidente. Mentiu. Como pode ver.. delic adamente tentava soltar-lhe as mãos ao reafirmar: Débora. . meu bem . ele podia ouvi-la chorar e implorar seu soc orro. o comandante da operação dos bom beiros pediu com brandura ao observar Sérgio afagando-a com bondade e beijando-lhe a cabeça com ternura: Sargento. Sérgio falou mais firme e ponderado: Débora. ela está em choqu e.dizia enquanto tirava o braço enlaçado com f orça de seu pescoço. perplexo com o que ouviu. ela entrou em desespero. não o largava.. Ela espalmou a mão em seu peito. Sua mãe me deu o número. Petrificado. Nesse momento ela estava imobilizada. Compreensivo. ele entendeu a expressão de Sérgio e a visou em voz baixa que não tinham como resolver facilmente a situação. eu estou sem celular..stridente. Em algumas oportunidades.. Eu dirigia e. sobre a maça.explicou o oficial. Eu prometo. recebendo soro no braço e pro nta para ser levada. Não menti pra você .. Débora! Estou aqui! Ficarei com você! Pelo amor de Deus! Me tire daqui. querida! Está tudo bem! Preste atenção. . De repente.. Fiquei atordoada. Foi sua noiva quem atendeu . Liguei e sua noiva atendeu. entendendo as circunstâncias difíceis. Filha. preste atenção! . Agarrando Sérgio pela camisa. Sérgio afagou-lhe os cabelos e ficou confuso.. av isando para consolá-lo: Não é somente sua conhecida.. ela é sua namorada e eu me surpreen . entendeu? Consciente das necessidades. chamando-o afli ta.. E.. deixando-se cair. Não sei o que aconteceu..gritava amedrontada. Dando orientação ao s outros bombeiros. . ela inibia a ação dos bombeiros. Sérgio se aproximou. porém não dizia nada.. Está mentindo de novo. O oficial do bombeiro o chamou à realidade quando o esta peou nas costas e falou: Bom trabalho! Ela ficará bem! .... momentos em qu e ela recordou os fatos e contou baixinho: Fui até sua casa. Disse que estava provando o vestido de noiva e. ela avisou chorando: Não mexam o carro! A minha perna dói! Dói muito! Tem algo me cortando! E.. porém piedoso. com sério ferimento na perna. proc urando orientá-la.

Além disso. confundiu tudo. em q ue teria seus pensamentos fustigados por horas a fio. E ela? Como está?! . .respondeu forçando-se a não perder o controle. sofreu convulsões e. Em momentos difíceis como esse é importante a vítima se manter cal ma. retribuindo o aperto de mão. Virando-se para Sérgio.O homem se deteve pela forte emoção. ele se apresentou: Meu nome é Sérgio. Agora leve os PMs da viatura envolvida para serem periciados pelo médico. Ao chegar.. Sérgio. Aquela seria uma noite bem longa. Sérgio retornou para a C ompanhia da PM onde trabalhava e procurou obter mais informações sobre onde Débora hav ia sido socorrida. mas um dos médicos encontrou uma forte contusão nas costas e precisará de uma avaliação.. preocupado. Muito obrigado por ter me deixado ficar com ela e. Mas. Já vi pessoas em situações traumática econhecerem ninguém. Digo. Sérgio saiu do serviço e foi imediatamente ao hospital onde a ha viam socorrido. Lembre-se de que preci sa fazer a ocorrência. após deixar o serviço. Sim senhor .di com sua atitude. sofreu diversos cortes pelo corpo e precisou de vários pontos. senhor Aléssio . Sérgio estava pálido e transtornado. Você ajudou muito.perguntou curioso. Estão cuidando dela e precisarão esperar p ara fazer o exame. Soube se controlar muito bem.perguntou o pai. pois um ferro atravessou-a. agradeceu: Obrigado. Em seguida. Ele achava-se pensativo e cabisbaixo. Sou amigo da Débora e queria saber como ela está. certamente. p erguntou: E a Débora? Minha filha está fazendo um exame de tomografia.. mas só sai de serviço hoje cedo e decidi saber com o ela está. Mas não podia. Aparentemente ela estava bem. Fiquei com a Débora enquanto os bombeiros trabal havam para cortar as ferragens. Desmaiou. Além de assustada.. machucada. Afeiçoou-se muito rápido àquela moça que mal conheci . Eu sou policial militar e estava de serviço ontem quando o acidente aconteceu. Estudamos na mesma. sargento. Sou o pai dela. ela está d esorientada e nesse estado de choque.cumprimentou. Ela não deixou de sentir as pernas. Não me deixaram ficar na sala. São colegas da universidade? Sim. Repentinamente a mãe de Débora chegou ao quarto chorando e abraçando o marido.. só que em cursos diferentes. continuou: O médico acha que no acidente ela sofreu alguma pancada forte na cabeça e precisa ser monit orada e realizar alguns exames para verificarem se seu organismo está se recuperan do sozinho do traumatismo. Após ela ser socorrida.Estendend o-lhe a mão.. quando o se nhor Aléssio perguntou: Desculpe-me. Prazer. fiquei bem preocupado. aviso u: . Recebido pelo senhor Aléssio. Após tomar as providências necessárias para aquela ocorrência.. Conversamos para que se acalmasse. não se mover bruscamente pelo desespero enquanto agimos. Sérgio? . pois se julga va culpado pelo que aconteceu. decidiu ir visitá-la imedi atamente. Procurou disfarçar o nervosismo. O senhor Aléssio a envolveu e afagou-lhe as costas. Não poderia simplesmente largar o serviço para vê-la e experimentav a uma angústia que não podia entender. para não levar em consideração o que ouviu. Somente na manhã seguinte. Ouvi pelo rádio e fui para o local. poderia procurá-la. Sofreu um machucado feio na perna. saber de seu es tado e tentar esclarecer o mal entendido. ele correspondeu ao cumprimento e se retirou. Procurando saber o endereço. Sérgio quer ia correr para junto de Débora e acompanhá-la. Hoje cedo nos deu um susto maior. além de esclarecer aquela história.. Não demorou muito e Sérgio estava no corredor hospitalar à procura do quarto de Débora. Após segundos. Agora vá! . Virando-se para o oficial. informaram que a moça havia sido transferida para outro hospital a pedido da família. Na verdade. * * * Na manhã seguinte. Estava preso ao dever. Como ficou sabendo do acidente. não falar coisa com coisa.. não me lembro de você. por exp eriência.. t enente. cumprimentou dizendo: Boa sorte! Como sargento. Meu nome é Aléssio. A Débora teve momentos de delírios. Prazer.

traumatismo craniano.. Está aqui! É esse o material que ela esqueceu! . Rispidamente. Oi! Tudo bem? . Em seus olhos via-se uma dor. Amargurado. E a culpa é sua + falou num lam ento. provavelmente. não desse nosso endereço! . a senhora sabe que aquele celular não está mais comigo! Sabe que o devolvi par a a desgraçada da Sueli quando terminamos! Por que foi dar aquele número para a Débora ?! Por quê?! .perguntou Tiago. contou: A senhora deu o número para a Débora e ela ligou enquanto dirigia. segurou sua bolsa e fe chou o carro entrando em casa à procura de sua mãe.respondeu. mostrando-lhe a pasta. Sérgio a encarou por longo tempo. Sabia sim..respondeu sua mãe. Sabe lá Deus o que mais essa infeliz falou! A Débora ficou chocada. ele vociferou: Por que a senhora deu o número daquele maldito celular para ela?! Ora.. dona Ma risa o recebeu com surpresa: Nossa.. Não pude acompanhá-la. Tiago foi para o quarto. Ela disse que era sua colega e se não quisesse conversar com a moça . não foi? Ah. Nesse momento. Agora era tarde. Sérgio continuou: Fiquei com ela enquanto os bombeiros serravam a ferrag em retorcida e. Sérgio não disse nada. distraiu-se ao dir igir. ela perguntou: Onde você esteve?! Por que apareceu aqui só hoje sem nos dar notícias? III?!. Pegou suas coi sas e foi para o quarto. A mãe vai começar com a ladainha? . * * * Ao estacionar o carro na garagem... Num grito grave. Não tinha o que falar por estar nervoso. A mulher estava emocionada e ainda escondia o rosto pelo choro. porém resoluto. Então vu pergunto.Essa é a Hilma. Sérgio não respondeu nem o olhou. filho! Não te vi chegar! Sem cumprimentá-la e postando na voz um tom sério e preocupante. Débora levou um choque com a mentira de Sueli e. Sem esperar.. e sem esperar por qualqu er comentário. Ela sofreu vários ferimentos... o rapaz foi pegar sua bolsa no banco de trás e viu a pasta de Débora.gritou. o irmão de Sérgio adentrou e ficou surpreso no vê-los paralisados.. Pegou-a comovido e encostou a pasta nos lábios.. Não imagina como ela ficou.. expondo-se ao acidente. Cheia de vida!. teve convulsões e contusão n a coluna. Não viu uma viatura que passava o sinal vermelho e foi atingida em cheio! Eu estive no local!. sem olhar par a o rapaz. . Mas o rapaz insistiu: O que aconteceu aqui? Nada! .reagiu à senhora. Foi sim... Ao encontrá-lo na cozinha. pois estava de serviço. Acabei de vir do hosp ital. não contendo o nervoso. A mãe dela e stá desesperada. Sérgio!. E desorientado. experimenta ndo uma tristeza nunca sentida. Ao ver Sérgio muito abatido e jogado sobre a . Deveria ter avisado a amiga que h avia terminado um compromisso com alguém que não o deixava em paz..exigiu. ... ele perguntou: Ontem uma amiga veio me procurar aqui. Por que a senhora deu aquele número?! Dona Marisa ficou pálida e em silêncio. avisou que iria embora.falou mais comovido e com a voz embarcada.. ele foi para casa. porém voltaria para ter notícias. Sabia que o celular não estava comigo.... Eu não sabia. mãe?. A senhora não imagina o que fez! A senhora é uma irresponsável! Olha aqui. Sabia?! Eu me senti culpado e não consegui encarar a família. Não tem idéia do q ue precisou enfrentar e como sofreu presa nas ferragens! .. uma tristeza pr ofunda e inexplicável. Sentindo-se deslocado. Em sua mente as idéia s fervilhavam ao deduzir tudo o que aconteceu.Apesar de ver sua mãe a ssustada.expressou-se. minha esposa e mãe da Débora... Acontece que eu queria falar com ela sim! . A Sueli atendeu e disse que era minha noiva e. Imagine-se no lugar dessa mãe! Imagine as possíveis seqüelas para essa moça tão jovem e cheia de planos!. Sérgio! Abaixe a voz para falar comigo! A moça contou que esqueceu um material no seu carro e. por que. E a culpa pelo que aconteceu com ela é sua! Como assim?! Não fiz nada! Mãe.. Como ela se chama mesmo?.

. mas não disse nada e o irmão perguntou: Conhece alguma amiga dela? Lógico! A Rita! . Pelo que me contou e da forma como o fez. Cara!.. Ela está em choque e não vai recebê-lo bem Estou preocupado. Também não é assim... 5 . Espere sua recuperação.interrompeu-o. Amiga?!. demonstrava-se nitidamente preocupado ao contar-lhe sobre o que aconteceu ... Estou me sentindo tão mal com essa situação. Sérgio tomou um banho rápido e foi até a casa de Rita. É que. não é bom vê-la. cara? O q ue foi? A Sueli e a mãe foram longe demais dessa vez.. Ao falar com Rita. Acomodando-se à sua frente. Interessante. nublada e bem cinzenta. deu pra ver que vocês dois estão começando a se gostar e muito! Ei!. divertindo-se com a idéia. Sérgio. O semáforo estava verde para ela. Nunca vou me perdoar! . não admitindo que esteja apaixonado. uma grande amiga Naquela tarde fria. Tiago argumentou mais calmo: Sérgio.cama. Não foi ela quem bateu na viatura. né?! Cheguei sim...Sérgio sentou-se na cama. Tiago ficou sério e aconselhou: Não acho que seria um bom momento para visitá-la no hospital. abriu-a e começou a folhear o conteúdo à procura de um e ndereço ou telefone. Veja. Sem suportar o sentimento de indignação. Tiago insistiu: Ei! E aí. o irmão brincou: Chegou hoje também e levou bronca.. se ela não es tá bem.. É que estou amarrado na garota e vou defendê-la! .. Tiago. contou sobre o acidente e pediu para encontrá-la o quanto antes. Preocupada.... Sérgio pegou o telefone e ligou. Por quê? .quis saber Sérgio.gritou. Com o coração apertado. Sei! . depois de pegar Rita em sua casa.. jogando-se na cama. Mesmo assim ela não deveria falar ao celular enquanto dirigia! Não é bem assim. Sentados em uma lanchonete. Mas o fato de ela ter se abalado com a trama da Sueli a ponto de não prestar atenção no trânsito e bater o carro. ficando de cabeça baixa e parec endo bem preocupado. é só.. a moça aceitou e avisou que o aguardaria. so rriu e agradeceu: Obrigado. Aqui está o telefone das colegas e eu conhe ci essa aqui. eles conversavam: Foi isso.Vendo-o sério.Esfregando o rosto com as mãos.. Ou então não teria dado importância ao assunto. Veja bem. Sirene ligada não dá o direito à alta velocidade e à falta de cuidados indispensáveis à segurança.Sérgio o encar u firme. Desde quand o e como conheceu Débora até a discussão com sua mãe. O seu c arro foi atingido na lateral e prensado contra um poste. Ao saber dos detalhes. meu? Por que essa cara? Só estou brincando. Diga a verdade. Rita.Sérgio pensou um pouco e exclamou: Espere! Quem sabe!. . Achei! . Quem disse que eu estava? . . você não está se agüentando e quer desmentir a Sueli. Só que eu estava de serviço e não na farra... a Rita! Vou ligar para explicar tudo e. Tudo bem! Viva de ilusão. pois precisava muito falar com e la. perguntou: E aí.. meiga e. Não dá pra falar sério com você. Ele pegou a pasta de Débora.. Isso mostra que a garota ficou desiludida e gosta muito de vo cê.. falou de modo aflito: Meu De us!.. Mas logo desanimou: Não tenho com o entrar em contato..Rita. Se algo grave acontecer a ela ou se houver seqüelas pelo acidente.gabou-se Tiago. além de muito preocupado com o estado dela. Olha. . cara! Está acostumado com isso! Mas nunca atendi uma ocorrência com uma amiga vitimada daquela forma.Olhando para Tiago. Sérgio narrou exatamente tudo.respondeu parecendo iluminar. .. Achei que ela é uma moça.... compondo a fras e a seu jeito. cara! Não sabe o que fez por mim! Ora! Fale a verdade! Eu sou o máximo! . Sem demora. boni a.Vendo-o abatido. Tiago! Meu! Olha a tua cara! Quando foi que se chateou tanto ao atender uma ocorrência ? Você é policial. inteligente.

Sérgio. . Ta gostando dela. Ele ouviu e concordou. Ao mesmo tempo. Rita tentou animá-lo: Ficamos mais aliviados por saber que ela está bem. Estava monitorada e inspirava cuidados. Acredita piamente em seus pressentimentos. mas muito delicado. Devo admitir que gostei dela sim. E melhor ir para casa e descansar um pouco. mas vou te ajudar. pediram para aguardarem na recepção onde dona Hilma foi recebê-los. * * * Para a surpresa de Sérgio e Rita.. né? .riu. Mais Vilma. Tomara. Por que acha isso? Pela serenidade no semblante da dona Hilma. mas de repente ela se emocionou com um desabafo e eu não resisti e a abracei. . Sinto que é um cara bacana e está sendo sincero. Sabe. Eu conheço a Débora e sei qu la odeia traição.perguntou a moça à queima roupa.. não estaríamos conversando . Você nem imagina! A Débora é tão diferente! . falar com ela. Além disso.Observando Sérgio cabisbaixo. Percebendo a decepção de Sérgio enquanto dirigia sério e sem falar nad a. ao chegarem. Ela não estaria sorrindo e nos avisando com tanta amabili dade se a filha ainda estivesse num estado tão delicado. eu percebi isso. Quero vê-la. Mas imagine a impressão negativa que a Débora tem a meu respeito por causa des sa mentira tão baixa! Não consigo pensar em outra coisa a não ser em vê-la recuperada e esclarecer tudo. Mas você não a enganou. Rita? Se eu não acreditasse. Obrigado. preocupado e sem dormir a muito tempo. Seu estado era estável.. De volta ao carro. Se.. A caminho do hospital. Veremos! Meus pressentimentos são de que a Débora está bem. Conversávamos. sorrindo pela primeira vez. Sérgio a olhou firme e confessou com certa ternura mista de tristeza: É. Não faz idéia de como me sinto. Isso não vai passar de um susto. não sei o que dizer. ele lhe deu o número do telefone de sua casa e o endereço ante s de irem embora. hein! Eu preciso de notícias dela. Aquela mulher é extremamente arrogante. Quero vê-la e esclarecer toda a verdade . Daremos um jeito nessa situação. Se eu tiv esse contado sobre a ex-namorada. Acho que é um bom sinal.respondeu. ao vê-lo estacionar frente a sua casa.agradeceu.. Coisa difícil. Não reparou?! É sim. inspirando cuidados. Acho que poderia ter evitado tudo isso.. Rita! Vamos! Dependendo de como ela me receber. mas estou exausto. Queria ter a oportunidade de conhecê-la me lhor. Não seja precipitado. parecendo ter inúmeros pensamentos inquietantes. a mãe de Débora explicou que a filha estav a sob o efeito de sedativos e dormia. Não estou suportando ficar aqui nessa agonia. eles fizeram planos de como agir ao visitar Débora. Reparou que não nos deixaram nem chegar perto do quarto? Com certeza foi à mãe quem decidiu afastar os a migos. completamente diferente de quando a vi hoje ced o. Achei tão bonitinho ver vocês dois abraçados lá na lanchonete perto da universidade! Sérgio ofereceu meio sorriso e comentou: Sabe. Poderemos explicar tudo. Rita! . Você entende? Entendo sim. ela comentou: Ei? Você está abatido. Ei! Vamos deixar de pensar no que deveria fazer? Vamos agradecer a Deus por e la estar bem.Rita sorriu de um modo enigmático ao afirmar: Não sei por que. Eu não engoli essa história de a Débora não poder receber visitas. Estou preocupada também. Parece que a conheço de longa data.. rindo gostoso. Não sei se vou conseguir dormir.Olhando-a.estranhou a amiga.Calma.. Não poderia se alterar nem receber visitas.. No local do acidente ela te reconheceu e vocês conversaram. sorriu levemen . A dona Hilma estava muito tranqüila. Precisava descansar para realizar outros exames.falou impl orando. minha opinião é que a Débora está melhor do que a mãe nos disse. mas sinto que vai dar tudo certo.. Queria protegê-la de qualque r sofrimento! A Débora emocionada e desabafando?! . Não será fácil. . Tudo bem! Quer ir ao hospital agora?! Claro... Rita avisou que entraria primeiro e conversaria com a amiga. fico receoso! É desagradável que a Débora nunca mais queira me ver.

enquanto lutava para fugir daquele pavor. momento em que a alma não necessita do corpo e os liames que os unem se afrouxam.E le concordou com um aceno de cabeça e a jovem admitiu: E eu estou torcendo para da r tudo certo. já na sepultura. só que dormindo profundamente.Ao tempo em que argumentava como se rosnasse. parecendo um fardamento militar antigo. Vestes estranhas. Ela trazia no rosto o furo feito pelo tiro que a matou onde. Porém o cansaço o arrebatou. iluminando o rosto com agradável sorriso. deitado exatamente como quando ele saiu. esse espírito se acercava mais de Sérgio. Sérgio foi para o banheiro. que estava assombrado e relutava àquela experiência. ao apreciar seu desespero. sua irmã desencarnada. exaltando o corpo físico com aceleração cardíaca. O espírito Lúcia apresentav a-se com uma aparência sofrida. Ele sentia como se estives se acordado. Tinha a sensação medonha de algo grud ento e pastoso com cheiro fétido. Sorriu com o canto da boca ao ver o irmão largado sobr e a cama. tomou um banho morno e demorado. Não sentia vontade de entrar. Olhando para o lado. só que está em desvantagem. Tentava gritar. enquanto Lúcia chorava. pois minha amiga merece! Conte comigo! . Sérgio experimentou uma sensação asfixiante e perturbadora que o prendia ao corpo físico. Perto dela havia um espírito com postura aust era. * * * Ao estacionar o carro na garagem de sua residência. Rita! Não precisa agradecer. muito obrigado mesmo. senti que você gosta muito dela! . ele aconselhou: Não disfarce! Mostre-se como realmente é! Mudou sua aparência agora que está encarnad o. como o de um corpo em estado de putrefação. permitindo mais liberdade e mais faculdades à a lma. Foi então que passou a ver como era a casa onde morava sob uma visão espiritu al. Precisava dormir. ou melhor. esfarrapada e aspecto doentio. ela não parou de falar d e você! Sério?! . Sérgio se debatia. Passadas horas. enquanto agiam como que se esfrega ndo no rapaz impregnando-o como se o deixassem sujo e ao mesmo tempo sugando-lhe as energias corpóreas. empastar seu corpo. pôde ver Lúcia. Não quis se alimenta r. estavam em seu quarto. plasmava-se como q ue vermes a roerem sua face do mesmo modo como se processou a decomposição de seu co rpo de carne no caixão. Sabe. A experiência macabra vivida pela alma no estado de sono produzia numerosos efe itos hormonais no organismo. de aspecto sinistro pelo formato da cabeça bem maior de contorno anormal. Ela gosta de você. pois estava esgotado. Sentia uma dor no peito ao recordar de vê-la machucada e amedrontada no carro acidentado. pressão alt . Procurava se libertar daquelas mãos asquerosas e imundas que o agarravam. durante o sono. Espíritos sarcásticos com aparências horrendas. . Era algo repugnante e difícil de descrever. Aproximando-se de Sérgio. mas sua voz não saía. ma s não havia alternativa.te ao agradecer emocionado: Obrigado. Faltava-lhe oxigênio nos pulmões e um medo o dominava de modo impression ante.Beijando-o no rosto. Mas não pense que isso me impediu de reconhecê-lo! . Aquela casa o deixava insatisfeito. Sérgio! Percebi. Novamente nos encontramo s. mas não conseguia. parecendo monstros. Ele não tinha uma a parência normal. Provocando um a manifestação estrondosa e malévola para o rapaz entender.. o es pírito se divertiu. Seu sono era mais forte do que a fome. Três deles praticamente atiravam-se sobre o corpo adormecido de Sérgio. como se houvesse grandes cistos deformados sob uma pele nojosa. Eu tenho meu exército! Você não! Enquanto se debatia. Seu rosto era desfigurado e monstruoso. falo u antes de descer do carro: Reze.tornou sem jeito. enq uanto só podia segurar sua mão delicada e fria.questionou. de forma escabrosa. Traz iam a feição x torcida por um sorriso zombeteiro. Ficou satisfeito por não encontrar com alguém de sua família e foi direto para o qu arto que dividia com Tiago. Sérgio parou pensativo por al guns minutos. Sérgio! Lembre-se de Deus! Pode deixar! E ligue para mim se tiver alguma notícia! Despediram-se e ele se foi.. eu gosto muito da Débora e ach ei que você é um cara legal! Quando conversamos por telefone. Sérgio tentava falar e gritar. Foi um alívio quando se deixou cair sobr e sua cama mas não parava de pensar em Débora e em tudo o que aconteceu.

Seguran do com força o braço do irmão. mas tudo indica que foi pela batida na cabeça. Ainda sentado na cama. No entanto a partir daquele dia passaria a tê-los com mais intensidade. Você est va sonhando. Acho que teve um pesadelo.. E por acréscimo de misericórdia. mesmo acendendo a luz . Ainda é uma e meia. das quais trazemos alguns conselhos de espíritos ben feitores ou não. balançando-o pelo braço. sonolento. Tiago despertou e. o anjo da guarda ou mentor do rapaz conseguiu estimular energias a Tiago. Abalado com a impressionante realidade do pesadelo. O que foi?! . levantou-se e caminhou pelo quarto tentando entender a mensagem daq uele sonho dentro dos conceitos que havia aprendido na graduação universitária. eu soube pela Yara que a Dé está bem .. depois gritou: Não! Saia daqui! Calma! Solta meu braço! . muitas vezes.falou. mensagens que conseguimos. Apaga a luz.contou eufórica. jogando-se na cama. Contudo a Yara foi muito legal! Você nem ima gina! animou-se. Com um movimento brusco e inesperado. é durante o sono ou o cochilo que a alma se liberta do corpo e entra em contato com o mundo dos Espíritos. imagens . Sérgio obedeceu e foi para a sala. Calma. Sem demora.. por vezes. podemos ter uma visão do passado ou um pressentimento do futuro. aí. Os exames da coluna não acusaram nenhuma lesão grave. . a Dé está bem: alimentando-se e conversando n ormalmente. referindo-se à amiga pelo apeli do que a chamava quase sempre.fa lou. Depois aconselhou: Deita aí ou vai lá pr a sala assistir à televisão porque eu ainda quero dormir. Pode ser comunicações. sobressaltando-se.. Através dos sonhos. por não conseguir interferir ou ligar-se mentalmen te a Sérgio para auxiliá-lo a libertar-se daquela obsessão. com encarnados ou desencarnados. Olhando em volta. A Yara levou o celular para o quarto e eu conversei um pouquinho com a Débora! . De um modo geral. Ela está com gesso e ataduras. murmurando: Meu Deus!.dizia. O sono influi mais do que pensamos sobre a nossa vida . ainda ofegante. . pode ser uma vaga recordação do que experimentamos durante o sono. O rosto dela está inchado. A Yara me contou que é a dona Hi lma quem não quer visitas para a filha. procurou acordá-lo.. assustando-se com a reação do outro. Sérgio sentiu medo de sonhar novamente. Sérgio! . ele furtou-se por alguns minutos e ligou para Rita que o avi sou: Olha. Respeitando seu pedido. Lembranças de onde estivemos ou de lugares a que ainda iremos.resmungou Tiago.tornou Tiago.falou Tiago. lembrar são coisas ou lugares que vemos ou onde estivemos. Sérgio perguntou: Cadê eles?! Não tem mais ninguém aqui. sentou-se ao ver Sérgio se debatendo e tentando murmurar algo. o outro continuava dormindo agitado. O sonho. mesmo assonorentado. ele acordou. deixando seu sono suave a fim de acordá-lo pelos barulhos e movimentos agitados produzidos pelo irmão. remexendo-se. sentou-se rápido... Sérgio colocou os pés no chão e esfregou o rosto com as mãos p ara afugentar as lembranças pavorosas. ao mesmo tempo em que respirava fundo c omo se estivesse sem ar. Mesmo trabalhando em um serviço tão exigente em atenção. . * * * Sérgio estava impaciente para ter notícias de Débora. Às vezes tem sono por causa dos remédios. Foi só um grande hematoma mesmo. Levou pontos na cabeça e em outras partes do corpo. Ei! Acorda. Como nos é ensinado na Doutrina Espírita.perguntou curioso. As visões.. O que foi isso?! Um sonho ruim . Isso de acordo com o nosso nível espiritual.a e outras estimulações circulatórias e metabólicas pelo fato do corpo ligar-se à alma atr avés dos liames ou fluidos vitais.2 Sérgio já tivera sonhos daquele tipo. Porém. uma vez que seu espírito protetor e sua própria consciência o chamariam à atenção para detalhes a fim de ele se manter vigilante e não se desviar d o caminho certo.

. o rapaz quase não falava.. dilacerando sua alma ao saber que precisaria esperar. O desejo de vê-la era intenso e não sa bia explicar. o dia tão esperado chegou. demonstrando-se amiga de verdade. Sérgio dormia mal e passou a ter sonhos bizarros. *** Depois de tantos imprevistos e planos frustrados. pois ela está se recuperando não só fisicamente como também do susto que passou.. ela c ontinuou: Dé. Queria olhá-la.. quando pôde foi inibida d e conversarem sobre Sérgio. Tais sentimentos eram provocados pelo espírito que o ator mentava.aconselhou Rita.. explicava que não pôde conversar com a outra como pretendia. Eu entendo e estou mais tranqüilo por isso que ela está bem. como grande amiga. em sua casa e com seus f amiliares.. no dia a dia.Diante do silêncio da outra. Sérgio! Fique despreocupado. Acho que vai perder seu tempo. Contudo não se esquecia de Débora. Mesmo assim. a convalescente trocava olhares indefinidos com a amiga e che gou a murmurar dizendo que precisava falar com ela. pois se sente culpado e. que se recuperava. pois sempre havia alguém da família de Débora presente no qu arto. Ela estava meio sonolenta por causa dos remédios. Veja. ainda deve pensar que você é um crápula. Obrigado.. Vamos aguardar até ela receber alta.E aí?! . Havia ficado bem sentido com sua mãe e magoado pelos resultados das con seqüências de sua atitude. Se precisar pode contar comigo ! Valeu. Rita dizia: Débora. por intermédio de Rita. mas. Arrasado. Nós nos falamo s pouco. empolgado. Puxa! Como ele gosta de você! Débora ficou pensativa. Contrariado. abraçá-la. sentada na cama da amiga. seria bom ouvir o que o Sérgio tem para falar e só depois concluir. Entende? Você está certa. pois não tiveram muita op ortunidade de estarem sozinhas e o tempo não foi suficiente para detalhar tudo. Rita! Espero que não necessite. principalmente.. Alguns imprevistos a impediram de visitar a colega e.. Er a um sábado e. Você nem imagina! Não devemos forçar a situação. trazendo sempre o desejo no mal e pronto para aproveitar qualquer oport unidade ou pensamento de Sérgio a fim de desequilibrá-lo e deixá-lo cada vez mais insa tisfeito com a vida. Não se precipite com opiniões. mas pareceu bem. Rita. O pouco que podia. até rimos ao lembrar que não saí com ela naquele dia do acidente quando me co nvidou e não pude ir! Acho que não irei à universidade hoje e vou visitá-la! É melhor esperar. Seria bom eu falar primeiro com a Dé. então vou visitá-l onversaremos. para dizer a verdade. por causa da mãe dela. suspirou fundo e decidiu: . Por quê?! Primeiro. inconformado ao s aber.. Mas e se ele estiver mesmo de casamento marcado?! Acorda! Vai acreditar na palavra dele ou de qualquer?! Alguém que nunca viu e e stava do outro lado da linha?! Tenha santa paciência! Acabei de contar que o Sérgio está disposto a levá-la para um frente a frente com a família dele para provar tudo! Breve pausa e se expressou mais branda: Deveria ver como ele está angustiado. você é inteligente! Eu sei que entendeu! . . Vou te informando sobre qualquer novidade e me ligue quando quiser . confortá-la em seus braços depois de esclarecer t oda a mentira sórdida e cruel inventada por Sueli. Ao mesmo t empo. que Débora não queria recebê-lo.. vai dar tudo certo! Rita parecia bem disposta a ajudá-lo. surgiam situações complicadas que chegavam a deixá-lo insatisfeito e até irritado. Depois.tornou Sérgio. Além disso.. Sérgio . que a enganou. Uma angústia inexplicável parecia cortar seu peito. *** Os dias e as semanas se arrastaram lentos demais para Sérgio. Mas não ejo a hora de falar com a Débora..

estacionada em algum lugar.. pois aquele maldito celular foi um presente da Sueli quando namorávam os.. Não consigo me perdoar pelo que aconteceu. deixando a amiga sozin ha.. Por quê?! Eu devo estar horrível!.avisou quase saindo do quarto.. e logo foi levado por Rita até o quarto da moça.. Eu queria muito falar com você. Olhando o relógio. Pe . Vou chamá-lo. tão submissa e como vente. Débora não tinha mais dúvidas. Mas não sofreria o acid ente. Está a fim de deixá-lo esclarecer tudo?! .. animada. é lógico que teria ficado surpresa. Parece que algum as coisas se apagaram e. Mas. Afagou-o. admitiu: Mas recordo muito bem de você m e chamando. Ficaria magoada com você e indignada por ter mentido..pediu Rita com sorriso maroto ao se levantar.sorriu.. Fui imprudente ao usar o celular enquanto diri gia..Acho que vou ligar para ele e.. Sinto-me culpado por não ter te contado que terminei um namoro há quase seis meses e ela não aceita. abalada. Antes de Sérgio ou Débora dizerem algo.. Mas não teve culpa em nada! Débora. vendo-a naquela situação.. você disse que ligou para o meu celular e alguém se passou por minha noiva.Ele tinha uma expressão triste e angustiada. Se precisarem. Não me lembro de tudo. Estou.. Como se não fosse o bastante. a minha mãe colaborou. Não me agradeça. Ele ficou sem jeito e a jovem pediu. o rapaz agradeceu: Obrigado por me receber....interrompeu Rita com sorriso de molecagem. sentiu que Sérgio falava a verdade. segurando em su a mão ao argumentar com voz meiga: Pare. po r isso está fazendo um inferno da minha vida... Acho que vou ao quarto da Yara para conversar um pouquinho. Se eu tivesse li-gado para aquele número. Ao ver Débora sentada na cama.. Notando-o bem preocupado e até nervoso pe la situação -. Vendo-o se explicar daquela forma. Por isso bati o carro.. Ei?! Aonde você vai?! Chamar o Sérgio! . Eu. Obrigada por ter ficado comigo enquanto os bombei ros me tiravam do carro. Sérgio. Bem!. ... Acomodando-se. as eu precisava ficar com você. Lembro que o abrac ei e não queria soltá-lo. . porém i ria procurá-lo e você me explicaria a situação. Não tivemos muito tempo e.Encarando-o. aproximou-se. ele parou à porta por alguns instantes temendo qua lquer reação. puxandoa para mais perto: Sente-se aqui. . curvou-se.. sim. Não foi fácil. né! O coitado está esperando no carro. Eu estava desesperado.Olhando firme em seus olhos falou como se implorasse: Por favor. Obrigada. Não demorou e retornou na companhia de Sérgio. avisou: ando há mais de uma hora e meia. Preciso te agradecer. Espere! . beijou-a no rosto e pergun tou com voz tímida: Oi.. Es Rita gesticulou com a mão e sem esperar virou as costas. acredite e m mim.. Ela se inclinou para tocar em seu braço.pediu Débora. Então espere! . Débora! Como você está? Bem melhor e me recuperando . . O que a Sueli te contou é tudo mentira e eu posso provar. eu o devolvi junto com tudo o que ela me deu para deixar bem claro que não queria ter qualquer lembrança dela. E não poderia ser d iferente.. Mas criou coragem... Quando terminei o namoro. E outra coisa. que cumprimentou os pais de Débora ao entrar. a amiga se retirou rapidamente.. apontando para a cadeira posta ao seu lado. Não vou dizer que foi um prazer estar ali.. pedindo para eu ficar calma. Ele está aqui? Na minha casa?! Não..interrompeu-a.respondeu com leve sorriso e um brilho especial no olhar... É engraçado . Não se culpe mais.. aflito.. Sérgio. Algum tempo de silêncio em que seus olhos se fixaram e ele falou: Precis amos conversar e eu quero pedir um milhão de desculpas. segurando minha mão. mas continuou: Sinto-me culpado por não tê-la avisado disso. lá na rua. nos pouparia de toda essa angústia e. ..

Visitas para Débora! . Descu lpe-me por não termos ficado mais tempo. pois o rapaz sentou-se na cama da moça tomando -lhe toda a atenção.respondeu a jovem sorrindo. explicou: Lucas. Rita! Acha que vou me indispor justo com você?! Também perceb i que a conversa seria bem duradoura. acariciou seus cabelos enq uanto a olhava encantado. Mas a Elza e a Cris sempre me davam notícias suas! Já me recuperei bem . descobrimos que cursávamos a mesma universidade. mas achei que aq uele pessoal tinha intenção de fazer uma visita bem demorada! Você me ajudou tanto.beijou-a no rosto. Tudo bem . de sua filha e do rapaz.. Inebriado de emoção.contou Débora.alegrou-se Débora. mas o som de leves batidas na porta os impediu. Ao entrar. minha querida?! .. achegou-se a ele quando suas faces quase se tocavam. aproximou-se. é o tio da polícia . adentrou o quart o junto de dona Hilma. disfarçando ao avis ar: Vejam quem está aqui! Sérgio ficou sem jeito e se levantou ao ver os visitantes entrarem. desejoso por beijá-la. mãe de Cris. Vocês dois se entenderam?! . *** Durante o caminho para sua casa. e o rapaz rapidamente se afastou. ela explicou: Nós nos conhecemos no dia em que eu enco ntrei a Cris. Não disse nada. . Despediram-se de Débora. Rita comentou: Hoje vou sair com meu namorado. Débora pareceu sem graça. teve u ma ligeira visão do clima romântico. segurou cuidadosamente seu rosto. beijou a moça e apresentou: Débora. Mamãe . . seus lábios chegaram a se tocar com ternura. Atraída pela conversação. O senhor nada disse. e dos demais. trazendo à frente um belo arranjo de flores frescas. Logo se justificou: Desculpe-me por não ter vindo antes.Em seguida. i solado por todos. Breno! . abraçando-a por longo tempo..anunciou a voz alegre do senhor Aléssio. apontando tim idamente para Sérgio. Não pode imaginar o quanto sofri e. Estive viajando a traba lho. Estudamos sim .. inerte experimentou o coração bater forte e murmurou com brandura no tom bonit o de sua voz grave: Débora. mas alegrou-se ao ver a pequena menina e exclamou: Cris! É você. Enquanto o cumprimentavam. Tudo bem. Repentinamente Breno. esse é o meu marido Lucas. Ele sentiu-se excluído e com o passar do tempo Rita o chamou par a irem embora. Prazer em conhecê-la.cumprimentou o homem de boa aparência e bem trajado . Eles se olhavam quando Sérgio se ap roximou mais e acariciou suave sua face delicada. percebendo algo diferente no comportamento susp eito.afirmou Sérgio. Sérgio ia beijá-la . Não é só por eu precisar sair.quis saber curiosa ao sorrir. meu amor! A garotinha se abraçou à jovem enquanto os outros entravam.disse. dizendo: Surpresa! . Temos de ir ao casamento do primo dele. q e encontrou a nossa filha. naquele mesmo dia. Débora! . Rita chegou ao quarto e foi para um canto junto a Sérgio.. talvez assustado. Débora se embaraçou com as palavras e se calou. Pensei que estudassem juntos! . A princípio. Os pais da garotinha não entenderam e a jovem esclareceu sorrindo: Nossa.Virando-se para o casal. Sentindo aquela pele macia e m orna. deixando-se envolver pel os carinhos.interferiu o senhor Aléssio parecendo insatisfe ito. A jovem. Eu gosto muito de você.chamou Cris com sua vozinha doce . Elza. Foi então que começaram a conversar. Cris! Que memória! . Fico impressionada por ela tê-lo reconhecido! Ele é policial militar e nos levou para a delegacia naquele dia. essa é a Débora. Eles se foram. apresentou: Este é o Sérgio..gritou alegre. Nós nos conhecemos quando a Débora encontrou a Cris e. tio da garotinha. que não ficou satisfeita.rdemos tanto tempo e sofremos por.

ele exclamou. O que tem feito por mim e pela Débora.Pequena pausa e continuou: Quando meus pais faleceram . É difícil nos separarmos de quem amamos. Rita o abraçou com força. mas ela. n aturalmente especial ao menear a longa saia modelo indiano que combinava com a b lusa do mesmo estilo. mas preciso terminar a universidade e pensar no futuro do meu irmão. Não gosto de falar dele. que é casada e mo ra em Pernambuco. . Meus pais foram viajar e morreram em um acidente de carro. Sinto muito. sentada sozinha na sala. o rapaz sorriu e se foi. graça e vivacidade. Não que eu esteja feliz.. mas a Débora não deixou. Puxa! A Dé me deu a maior força! Eu a considero como uma irmã! Sérgio sorriu agradecido ao afirmar: Posso dizer o mesmo de você.disse o rapaz. É um lugar mágico! Maravilhoso! Um paraíso! . Bom divertimento! Obrigada! . totalmente confusa. Uma amiga legal. não quero vê-lo nem pintado de ouro! . Então me vi atordoada.. Essa tia. Mas eu não poderia la r tudo aqui e ir morar lá. Não consigo!. Expliquei o que precisava e ela entendeu. você e a Dé para comemorarmos! Será ótimo! Combinado! . E o seu tio? Um crápula. .. Sinto muito. falou: Obrigado. não esquenta.lamentou. Aq uele pessoal chegou. eu quis deixar a universidade.. ela o lembrou: Amanhã você telefona para ela! Não se esqueça! Pode deixar! Mas. descendo do carro. que mora perto da minha casa e uma tia por parte de mãe.Débora enfrenta a oposição do pai Sérgio chegou à sua residência bem mais animado e. Pronto! Chegamos! .. coberta nas costas por seus longos cabelos lindamente cach eados que pareciam um manto negro esvoaçando com suavidade ao vento brando.. meu namorado Gustavo. 6 .. Quando. após ela entrar em sua casa. Ela é bem sincera. Você tem irmã? Minha irmã faleceu há quase dois anos . Você foi mais do que uma amiga! Que nada! .Sorrindo de um jeito especial.ele concordou. Que droga! . Rita e ra muito bonita e tinha seu estilo próprio de ser. Sérgio.. Ela e o meu namorado não me largavam. olhando-a com satisfação. Demonstrando-se grato . Agora preciso ir! Ainda tenho de me arrumar! . Não vou esperar até amanhã. Ele não tinha muito tempo por causa do trabalho. Essa tia é uma pessoa excelente. talvez uma ir mã não fizesse. Só um tio por part e de pai. Rita. Assobiava ao entrar. experimentando um sentimento feliz pelo resultado posit ivo de tudo.reagiu de imediato. Aliás. . Algo que combinava com sua pers onalidade..falou sem jeito. aturdida. Ele sentia o coração mais leve e repleto de esperança.. o marido e os filhos são donos de um hotel à beira mar que fica lotado em qualquer época do ano.. Sabe.ele riu. têm vários funcionários e quase não vêm a São Paulo.. Já me a udou muito! Você nem imagina! O que ela fez? Se é que eu posso saber! . mas foi surpreendido pela presença desagradável de Sueli. . .. virando-se e caminhando com seu jeito exclusivo.falou.. trazia um sorriso suave nos belos lábios bem contornados... sairemos eu. Mas você tem irmãos ou parentes. T eremos outras oportunidades! A Débora é uma pessoa maravilhosa. sem perceber. Assim que a Débora se recuperar. Puxa. Seu marido e filhos também! Eles trabalham muito.. nojento! . mas pelo menos nos entendemos.. contou: Quando o clima ficou bem romântico.riu. Vontade não falta.gritou alegre. não tem? Tenho um irmão que acabou de fazer dezessete anos. Acompanhando Rita com o olha r.explicou com leve sorriso parecendo de saudade ou de sonho..respondeu sem alongar.protestou a moça irritada.Bem.. Não tenho avós. Deu-lhe um beijo no rosto e depois de ele retribuir da mesma forma. Tudo bem. Nós ficamos amigas logo no primeiro semestre da faculdade e aconteceu algo bem inesperado.

falou com voz melosa.. ferir sen timentos. não tem valor algum para mim! . pensa que as normas de respeito e dignidade devem ser exigidas às outras pessoas. Compreenda. encarando-a firme.questionou com veemência. O filho não a esperou terminar. ao t erminar a ligação.. o tempo. exigir.. O que quer aqui?! . falou irritado: Suma daqui! Não q uero ver a sua cara nunca mais! Eu estava conversando com a dona Marisa e. Tiago falava descontraidamente ao telefone.interrogou. .interrompeu-a num grito. Você é presunçosa. dona Marisa entrou e presenciou a discussão. a admiração. O que essa safada está fazendo aqui em casa? Parece que a mãe não tem o mínimo de con sideração por mim! Caramba! Eu ouvi quando a mãe ligou pra ela.. principalmente. olhou-a com desprezo ao afirmar: Uma pessoa capaz de mentir. olhan do em volta com modos agastados.tornou o outro curioso. . .dizia como se implorasse seu perdão.Pausadamente. Por que a mãe faz isso. quando o resultado é negativo e sempre quer ser perdoada. O que fez foi sórdido! Cruel! Gente como você deveria estar atrás das grades! Por favor!. É lógico que você jamais pensou! .. o amor. apontando para Sueli.. O que rolou?! . O telefone tocou. virando as costas.. de gostar?! ..Ao vê-lo se virar.. Sérgio sentou-se na cama e esfregou o rosto com as mãos num gesto insatisfeito. possessivo. Nitidamente insatisfeito.exclamou a mãe autoritária. E isso nunca vai acabar! Só sabe exigir e roubar a atenção. Estava indignado e. Quando a sua mãe me contou o que aconteceu com a moça. Você não tem escrúpulo.interrompeu-a nervoso.. Oi. Acha que suas necessidades têm mais prioridade do que as das outras pes soas. É capaz de acreditar que sua motivação é sempre pura. ela pediu: Por favor. Você é louca?! Acha possível eu desculpá-la pelo que fez?! Sabe quais foram às conseqü s?! . eu fiquei em choque. deixando qualquer um exausto! Você não tem discernimento! Sérgio! Eu!. me desculpe pelo qu e aconteceu à sua colega. Jamais pensei que. Era para o seu irmão e ela foi levar o aparelho lá no quarto. Não me julgue mal.perguntou secamente. Você é uma criminosa! Puxa. perguntou: E aí? Tudo bem? Estava tudo bem! . ou seja. Eu gosto muito de você a inda e.Sem esperar uma resposta. A Sue li sempre foi nossa amiga e. mas não a você! Sua capacidade de egoísmo e orgulho é tão grande que acredita nu nca se enganar.reclamou Sérgio. quando Sueli o chamou: Sérgio! Por favor! . interrompendo: Sérgio! O que está acontecendo aqui?! Sou eu quem deve perguntar o que essa aí está fazendo aqui?! ..O que você está fazendo aqui na minha casa?! . Esta é minha casa e recebo aqui quem eu quiser! . Brincadeira?! .. inocente e você nunc a erra! Preste atenção e observe que você não assume totalmente a responsabilidade pelo seu comportamento. Sueli! Costuma usar os outros para satisfazer suas neces sidades e seus caprichos. saiu.. Onde está a minha mãe?! Como ela permitiu que entrasse aqui?! .. Não podia imaginar que por caus a de uma simples brincadeira. Você chama esse sentimento vaidoso. Sérgio! Tudo bem?! . as idéias dos outros para realizar os seus desej os insaciáveis. mesq inhas e dominadoras não pensam! Simplesmente são cruéis! Não sei o que me deu quando ela ligou e. sempre. ele ia dando-lhe as costas para sair daquele cômodo.Tentou justificar com lamento na voz..Aproxi mando-se. Chega! Saia daqui! Não quero te ver nem ouvir sua voz nunca mais! Entendeu?! Sa ia da minha casa! Naquele momento.. Criaturas egoístas. Em seu quarto....exigiu. repetiu: Entenda que você não tem qualquer valor para mim! Seu mundo é pequeno demais! Enquanto seu complexo de inferioridade é imenso e é por isso que faz o que fez. mas o observou e.. Tiago?! Talvez tenha esperança de vocês voltarem. enganar. orgulhoso.

o rapaz estava feliz. atendendo ao doce pedido da moça.Vendo -o sério e sem dizer nada. Sozinho.. contagiado pelo riso.. não é? Ao menos isso.brincou o irmão. mas quero conhecer! E daí?! . . Moro nesta casa. O senhor entrou calmo e sentou-se na cama de Tiago.interrompeu de imediato. A Sueli é só uma conhecida. um tanto sem jeito. filho.revidou. pai! Eu entendo. Eu não q uero vê-la. Olha só o cara. Bem. Pai .. sentando-se.. ele pediu: Sérgio . Sérgio. rindo gostoso. não fico muito à vontade per o da família dela. nem eu sei como você ficou tanto tempo com ela. ficando frente a Sérgio. pediu: Ei! Deixa o telefone comigo! Tiago voltou. Não conheço.. o estudo. ficar com ela. eu sei que você já ajuda muito e tem suas próprias despe sas. Imagino . Além disso... Devo me submeter eternamente aos caprichos da Sueli e aos desejos da mãe? Nunca mais poderei traze r alguém aqui em casa por causa da presença da minha ex-namorada? Por favor.Não sei como fui namorar essa. explicou: Pai. pense! Sou filho de vocês. iiii.. Cai fora! .. Quando ia sair do qu arto falou: Ta apaixonado! Ferrou! Ah!. Para quem estava tão durona.. diante do silêncio.falou devagar e bem calmo . . Contou com a versão dela! . respirou fundo e afirmou: Vou falar com sua mãe.. pai? Quase tudo. deu-lhe o aparelho e gargalhou antes de desfechar: Não precisa dizer para quem vai telefonar! O irmão riu e não falou nada. mostrando-se insatisfeito. Não tenho tempo para nada. Sérgio. você nem conhece essa moça e. A mãe foi reclamar de mim para o senhor. né. o senhor Inácio comentou: Se não puder ajudar...respondeu de imediato. ficou pensativo. as hor as de estágio e outras coisas me mantêm ocupado. após poucas batidas à porta..Breve pausa e. Tiago perguntou animado: E aí?! Foi lá visitar sua amiga?! O belo rosto de Sérgio pareceu iluminar com um largo sorriso e ele contou: Fui e conseguimos conversar um pouco. mas. Aaaaa!.... desde quando comprou esta casa para ajudar o Marcílio e a Ana.so rriu inebriado. De repente ela não resistiu diante do se u charme! ...Olhando-o nos olhos e sentindo-se constrangido.. primeiro sua mãe veio falar comigo e. eu estou com alguns probleminhas financeiros... Eu queria falar com você e. o senhor e a mãe não tiveram mais sosseg o. o senhor sabe o que a mãe e a Sueli fizeram e o que isso causou a uma amiga minha? Sua mãe me contou. . Deitado em sua cama. deixando-os morar conosco.. Depois tornou: Sabe o que é. Sustentava um sorriso suave e tranqüilo até seu pai entrar no quarto.. vo u entender. a dona Antônia. O que me interessa mesmo é conhecer melhor a Débora. não foi? Disse que eu quase não paro em casa. Sérgio . Eu tenho anotado lá no meu quarto.. Eu sabia! . O trabalho. Completamente difere nte dela. .. Não tolero a Sueli aqui! E o que mais?! . interrompendo. meu! . Mas antes do outro sai r. pai! Entra! ..revidou Sérgio. Tudo bem.argumentou sem dar muita importância...respondeu irritado.Após alguns minutos.. Mas não sei como lidar com essa situação entre você e sua mãe. ligou imediatamente para Débora.. Pai. O homem abaixou a cabeça. Ele prometeu visitá-la no dia seguinte.. De quanto o senhor precisa? . Onde eu estava com a cabeça?! Para ser sincero. Você poderia ir lá para ver e. Pode parecer que estou forçando. do que com ela.perguntou em voz baixa. as atividades do curso.brincou Tiago. A Débora quase morreu por. São bem estabilizados e um tanto arrogantes. O Marcílio deveria assumir toda a responsabilidade com a mulher e os filhos que . Conversaram por longo tempo. Acho que mereço um pouco de respeito p or parte do senhor e da mãe. Sérgio? Oi. vi vo na casa do João.. Bem.. não o vejo há dias. O Marcílio não pode pagar algumas co ntas nesse mês e. converso mais com a mãe dele. já que não reconhecem meu esforço para u a vida melhor. E. Não suporto a idéia de falar com ela. Sérgio sorriu e Tiago perguntou: Vai visitá-la amanhã novam ente? Não sei. Rolou um clima legal! Olha só!. antes de desligar.

Eles conversavam muito por telefone e o rapaz a visitou várias vezes. Sérgio apoiou os cotovelos nos joelhos.. mas. Naquela manhã. avisou: Tudo bem. Apesar de tão pouco tempo. Sérgio experimentou uma sensação angustiosa e amarga. Suas estratégias ajudaram a tropa dos farrapos a conquistar uma cidade.. Depois eu vou lá para ver em que posso ajudar. Ficava se mpre em segundo plano. Sérgio fustigava os pensamentos em um nível muito inferior. O Marcílio tem seus gastos com bebidas.O rapaz não respondeu e o senhor Inácio continuou: Filho. Minha filha sofreu. seu desgraçado! Vou seguir você e aquela vadia até o inferno e muito além! . * * * Semanas passaram. Yara chegava à sala acompanhada da risada gostosa da irmã que voltav a à rotina.. O senhor e a mãe são usados por eles! Acham i so normal! Já pensou se eu e o Tiago fizéssemos o mesmo?! Como seria? . Foi durante a Revolução Farroupilha no sul do país. Juntando-se à causa dos rebeldes. Sempre que pergunto. Depois de uma garg alhada maldosa. Se não puder ajudar. Débora! A filha sorriu. sentindo-se supe rior e poderoso diante do encarnado que atormentava. cabisbaixo. após suspirar fundo. travando a maior batalha contra o Exército Imperial. a mulher grávi da e dois filhos na rua? .respondeu.ele arrumou. vociferou: Seu covarde! Desertor covarde! Você foi um tenente do Exército Imperial e o homem em que depositei toda a minha confiança! Minha filha estava prometida a você e a ab andonou depois de conhecer essa que hoje se chama Débora. aproximou-se. angustiosas e tristes ao mesmo tempo orientava-o em nível de pensamento: Não fique com essa Débora.Alguns segun dos e. Sua vida será melhor sem ela. acomodou-se à mesa e não disse nada. No passado houve mui ta discórdia por causa dessa moça.. Sérgio? Mandar todos embora daqui? Pôr o seu irmão. Arrumou mulher e filh os. O T iago nunca guarda nada. aparentando um homem acima da meia idade. Trazia a mesma aparência r epulsiva e austera. Débora estava bem re-composta. Ela o envolvia com impressões melancólicas. O espírito que tentava obsediá-lo há tempos. su a irmã desencarnada. encarando-o. saindo do quarto. Deixan do-se envolver por idéias ruins e terríveis. Por que eu e o Tiago devemos ter dinheiro para as despesas extras que não no s pertencem? Por que não exige que seu filho mais velho assuma suas responsabilida des? Desculpe-me. Sérgio. atribuindo tal sentimento aos problemas de família. Enquanto isso. re tornando ao trabalho e aos estudos. E hoje. Que bo m vê-la assim. jogos. Ora! Ora! Gargalhadas logo cedo! .. seu desgraçado. mas Emy perguntou: Pode dividir conosco tanta alegria? . Você desertou por causa dela. você ainda maltr ata minha filha como fez no passado! Desprezando-a como lixo! Mas eu vou acabar com você! Com essa Débora! Ah! Se vou! Nesse momento.disse. sei que vivo te incomodando ao pedir mais dinheiro para as despesas. Sérgio era abraçado pelo espírito Lúcia. Sofr eu tanto que morreu de desgosto e vergonha. pensava Sérgio. desanimadora. Droga de vida! . de ser envolvido em problemas que não lhe pertenciam e de não ser valorizado. o calor de uma paixão nasceu e cresceu entre Débora e Sérg io. mas sentia uma vibração estranha. Certo . bem satisfeita. cigarro. não é isso! .. Sérgio continuava reflexivo e não podia ver o que acontecia no plano espiritual. Algo até então nunca visto. Eu queria ser mais independente. num plano que não podia ver.tornou o espírito Sebastião. entrelaçou as mãos na frente do corpo e aba ixou a cabeça... ele está sem dinheiro. Pai. O que posso fazer. Parec e que nunca vou conseguir! Será que terei paz se sair dessa casa ou quando morrer? ! Nem quando sair daqui eu vou deixar você em paz. Mesmo sem ouvi-lo.reparou dona Hilma. com o modo de ser manipulado. O que não deixava o senhor Aléssio e sua esposa satisfeitos. mais livre. Estava insatisfeito com sua vida.

Lógico! Mas hoje é sexta-feira! . Com licença! Sem se importar com o ocorrido. Chegan do ao seu quarto. Ficou contrariada com o que ouvia. O s enhor Aléssio ainda falou: Compare e analise tudo. Voltando . sentou-se na cadeira frente à sua mesa..falou mais tranqüilo. Sei que vários colegas vieram te visitar. quase sentando. Puxa! Chega de ficar naquele quart o e nos limites desta casa. Tinha os olhos nublados e por isso disfarçou o rosto entre os cabelos ao passar pela sala. educada. o Sérgio. Nunca consegui dialogar com você. A mãe disse que você queria conversar comigo. Diálogos. Vai à universidade hoje? .confirmou. . Estou sempre a berto para diálogos. levantando-se e fechando a porta do escritório. Talvez pense que está em um tribunal defendendo alguma causa. Débora! . Débora saiu a passos firmes sem olhar para o pai. Você é uma moça muito bonita. quero que reflita muito sobre nossa conversa e reverta essa história. Veja.. A felicidade não se encontra. Não é preciso que s e justifique. andar sozinha!. Do que vocês duas riam tanto? . Acabou de se convalescer. . dona Hilma perguntou: Então você volta hoje mesmo ao trabalho? Está bem disposta? Como nunca.. mas só você tem o poder de julgar. mas não sou ingênuo . estudar.tornou a senhora. com estudo. mui o menos nas lojas. Débora gargalhou..É muito bom retomar a vida! Eu não sabia o quanto era gostoso trabalhar.animou-se a filha.interrompeu-a de imediato. Espere. como sempre. Eu notei algo romântico em seus olhares. Em seguida. Débora! Não quero que diga nada! Só pense! Entendeu? A moça sentiu o rosto aquecer.. jovem. São em coisas simples que encontramos a felicidade. pois sempre acredita ser o único que sabe falar e não dá a oportunidade para eu expressar qualquer opinião. estabilidade financeira e tantas outras coisas às quais você está acostumada?! Sem trégua. dona Hilma avisou: Ah! Qu ase me esqueci.. iiii. shopping e grandes marcas! . Não . É só isso? . Seu pai está no escritório esperando para falar com você antes d e sair. Há alguns dias eu tenho visto o seu amigo.retrucou Débora.A moça ficou petrificada e sem dizer nada.. Sem dúvida. minha irmã! A felicidade está dentro de nós e não em coisas exteriores. mas sabia que não adiantaria argumentar. diante da filha.disse firme.. ouviu seu celular tocando e correu para atendê-lo: . Tenho tanta coisa em atraso!. Conhecia bem seu pai. colocando-se à disposição.. E esse rapaz? O que ele tem para te oferecer? Não passa de um mero policial! Qual o futuro dessa criatura?! Como poderá te oferecer confo rto. e.perguntou desanimada... O Br eno! Um empresário bem sucedido e que demonstra extrema consideração e carinho por você! Ele até comentou comigo o quanto te admira! O Breno é um rapaz com totais condições de te oferecer uma vida de princesa! ..estranhou Yara. compra-se! .Alguns segundos de pausa e falou: Veja bem. mãe! . Pai. Você s abe que gosto de ser direto. Estou pensando no seu bem. Emy desfechou: Não vou me indispor com você logo cedo. falou: Serei breve. Deixe-me terminar. encostou-se à mesa. Débora foi ao escritório falar com seu pai. trocou olhares com Yara e contou: A Yara fez uma tatuagem nova! Só vendo para acreditar! Filha! . Depois de cum primentá-lo.. filha.questionou com ironia e indignada. Além de o utros incontáveis adjetivos. Quero sim .. mu ito presente nesta casa. pai?! .. Quero que tenha ao seu lado um homem capacitado. Quero o seu bem. na sua segu rança futura.a jovem riu e não se manifestou. Eu e o Sérgio. argumentar e p rotestar! Com licença! Dizendo isso. Após terminar o desjejum. Não mesmo. Lá vem bronca! . eu. Esse rapaz não veio aqui só por causa de seu estado de saúde.reclamou insatisfeita. Por exemplo.riu Emy. Levantando-se. Débora.Débora respondeu e sorriu. advertiu: E não me venha com a história de que gosta dele! Que se amam! Vo cês mal acabaram de se conhecer! Não quero mais ver esse Sérgio aqui! .tornou a mãe. Não quero perder nem mais um dia de aula..

.falou surpresa. Sérgio! Estou te esperando aqui fora e com celular novo! . Acredito que não aprovará nosso namoro . Depois explicou: São problemas lá d casa e não quero preocupá-lo com bobagens. mesmo? . a jovem afirmou: Posso imaginar sim! Eu também não deixei de pensar em você. Não parece . . Sérgio segurou-lhe o rosto delicado. quase num sussurro: Quer namorar comigo? Eu adoraria. Caso saia mais cedo. Ele me recebeu bem todas as vezes que fui te visitar. Tudo bem. Ele a envolveu com carinho. falou baixinho: Eu ainda tenho tempo. Débora parecia implorar por seus carinhos e. Eu te adoro. Sérgio perguntou em tom apaixo nado. Estacionando o veículo frente à residênc ia da moça. Pensei que só ficaríamos. Sérgio perguntou: Está tudo bem? Sim.compreendeu e a observou por alguns segundos. confessou: Gosto muito de você. o que nunca a conteceu. quis saber: O seu pai disse alguma coisa a meu respeito? Por que pergunta isso? . afagando-a com carinho por longo tempo. Depois de contar sobre a compra do celular e alguns fatos corriqueiros . ele percebeu uma angústia no silêncio da jovem. ela saiu de casa. ta? Débora parecia insegura e não desceu do carro.Oi. Desculpe-me Sérgio. Despediram-se com carinho e. por não vê-la interagir.. ele aproximou seus lábios dos dela. como se uma energia indefinida invadisse seus corações apaixonados. Claro! Eu entendo . olhou-a nos olho s. não consigo parar de pensar em você e... trazendo-a a realidade: .Sem que ele esperasse a moça o abraçou forte.Beijaram-se novamente . Quer conversar a respeito? Não. ela desceu do carr o e se foi olhando algumas vezes para trás. entrou no carro de Sérgio e se foram . Ainda deixando-se ficar em seus braços.. A jovem ofereceu um lindo sorriso ao dizer com jeito meigo e gracioso: Você não me pediu em namoro. Desde o dia em que a conheci.. falou: Você não mente bem. Talvez depois.. procurando distraí-la. Após alguns m inutos. depois ela avisou: Agora preciso ir. Aproximando-se e acariciando seu rosto delicado. mesmo contrariando a vontade. experimen tando um sentimento muito forte. Débora trazia os olhos brilhando e suave sorriso tímido. Ao senti-la mais calma. Eu também.. você me espera. fez-lhe uma carícia e pergunt ou em tom bondoso: Tudo bem.avisou alegre.Sorrindo com brandura. acariciou-lhe o rosto e não resistiu ao sentimento que o dominava. tomou-a nos braços e a beijou com todo o amor.disse sério e bem sincero. C omo eu desejava beijá-la e abraçá-la dessa forma. vendo-a com os olhos marejados. apertando-a contra si. acenando graciosamente.. mas. Não pode imaginar! Oferecendo um belo sorriso. Sérgio. Chegando próximo aonde ela trabalhava. escondendo o rosto. . confessou. tornou num tom tranqüilo.murmurou com a voz abafada pelo abraço. Sérgio levou Débora para casa.. A caminho do serviço. vagarosamente. Afagando-lhe o rosto. Você já está pronta? Estou saindo! Beijo! Sem conversar com ninguém.. Uma tristeza indefinida pairava em seu olhar terno. Não quis inte rfonar e. Afagando-a com generosidade. Foi então que o rapaz falou sobre outras coisas. Só não queria falar disso agora.. *** Depois da aula. Senti algo difer ente em nossos últimos encontros. Era a primeira vez que se beijavam daquela forma e vivenciaram uma sensação nunca sentida antes. ele avisou: Passo para te pegar. Sérgio cuidadosamente a afastou de si. Ele a calou com um beijo.

. apesar de enfrentar uma situação aflitiva e pesarosa. Eu tinha outros planos.. caso se mantivesse atento na fé e vigilante. Por isso continuou: O inimigo do passado pode acreditar que você aind a tem dívidas com ele. mas podemos considerar. . por desejo de vingança ou por prazer. na espiritualidade. Não quero expô-la em situação de r isco. ele olhou o relógio e decidiu: É tarde. quando cedemos as suas sugestões sórdidas. Mesmo se ele não estiver de acordo. .. Ah!. Bem. Acho que os obstáculos surgirão de ambos os lados. Não estou interessado nos bens da sua fa mília ou em sua herança. modesta.. o anjo guardião do rapaz tinha plena certeza de seu pupilo receber suas influên cias e no momento preciso poderia se valer delas. Durante o trajeto até sua casa. precisaremos ref azer os estudos e novos testes. falou sorrindo. tenha a certeza de que minha mãe não pensará diferente d ele. Podemos ser promovidos ou reprovados e. Só uma coisa: a Rita me telefonou e nos convidou para sairmos com ela e o Gustavo amanhã! O que acha? . Bem. Na minha profissão. Ele esperou que ela entrasse e depois se foi. Não querendo desapontá-lo no futuro. quando nos acontecem coi sas ruins. o que não é correto. é por que atraím os para nós. o que isso importa? Sou maior de idad e! Entendo que ele não quer o seu mal e está pensando em seu futuro.prosseguia o sábio mentor. ela comentou: Sabe. Porém depende de nós nos inclinarmos às inspirações boas ou más que exercem sobre nós. enviandonos os bons espíritos que vão nos influenciar também.. ela quer nos induzir ao mal para sofrermos. Isso significa que ele não simpatizou comigo . Se algo te acontecer. E é provável que com o tempo ele me veja de outra f orma. no último caso. Débora ficou incrédula. meu querido. talvez simples. pelos retrovisores. Se o seu pai não ficar sa tisfeito por estarmos juntos.. Sabe. E Deus.. acho que morro. vocês têm u ma grande estabilidade financeira e eu não. eles se beijaram e se despediram. Mas Deus. Vamos ver. influindo em seus pensamentos com bons conselhos: Precisa ser cauteloso com as idéias.. Você é muito precavido. elas são instrumentos para provar o nosso equilíbrio e a nossa confiança em Deus.. Meu pai é um pouco difícil. Vamos analisar o que você já aprendeu no rso que está quase concluindo: Por que pessoas que sofrem sérios e difíceis problemas reagem diferente? Uma. Débo ra. Meu pai é teimoso e minha mãe não me defende. Nunca te nho razão. se me conhecer melhor. encarnados o u desencarnados. Ligo sim. já vi fatos que não desejo experimentar. Deus permite qu e esses irmãos imperfeitos na moral sejam instrumentos para testar nossa fé e nossa vontade de continuar agindo como criaturas atuantes no bem. em sua infinita misericórdia. querendo desistir ou nos alterando de forma grosseira. por essas más experiências e sentimentos. a jovem avisou: Não tenha tantas esperanças. em ações e pensamentos o desejo no mal. Vou conseguir minha estabilidade. sempre nos ajuda. Quando se trata de uma criatura sem entendimento e pouca ev olução.Você não me respondeu sobre o seu pai. . Por isso você estava triste hoje de manhã? Tentando fugir da resposta. Os pensamentos deles inva dem os nossos.. mas certamente segura e honesta. Teremos obs ulos. Meu querido Sérgio. Ele não concorda com nada que eu faço. comprazem-se em uma falsa felicidade quando conseguem nos compr ometer ou nos induzir a uma atitude degradante que atrasa nosso adiantamento esp iritual.Mesmo sabendo que não era ouv ido. mas é arriscado ficarmos aqui.propôs toda animada. não sofre . Apaixonados. Afinal. Espíritos desse tipo.. Vejo que não pára de olhar em volta. Adoro sua companhia. Mas quando sofremos e nos deixamos aterrorizar. Não é diferente das esco las terrenas onde estudamos e depois realizamos provas para testarmos nosso conh ecimento. Pois os espíritos maus correm em nosso auxílio e nos ajudam com as más tendências... Você me liga quando chegar a casa? Ligo...Vendo-a reflexiva e despreocupada. Parecia que Sérgio tinha ouvido a conversa entre ela e o pa i. por minha culpa. o mentor de Sérgio o acompanh ava.. É por isso que so remos e sofremos muito.

carne salgada . na época do Império. o espírito Olívi a lembrou: Bento Gonçalves da Silva foi o líder dessa revolução. a outra sofre. quer que a vida acabe. comentou: É impressionante como esses perseguidores interferem nos pensamentos dos encarn ados. Sérgio. O casal estava no cinema apreciando um filme. sem evolução. estancieiros e criadores de gad o da província. após terminar o período de supervisão exigido. claro! . uma espéc ie de estágio na área de Psicologia. Wilson e Olívia vêm acompanhando seus prezados pupilos há temp o e poderão relatar como e quando esse desejo de vingança do espírito Sebastião iniciou. Aqueles que eram contra a criação de uma república deram o apelido de farrapos ou farroupilhas aos revolucionários com a intenção de humi lhá-los e depreciá-los. para a e conomia brasileira. quando a pessoa não examina a idéia imediata e não distingue o bem do mal. bem aliviado e seguro. Sebastião. de outro. No Rio Grande do Sul principalmente. os rebeldes ou farrapos q ue lutaram para criar uma República. desejam é corromper e prejudicar o outro. Diante da pausa em que Wilson refletia em como resumir os fatos. O rapaz sentia-se melhor. alguns socorristas e outros instrutores que desejavam notícias dos encarnados q ueridos a quem tanto estimavam. combinando saírem no dia seguinte. mas sabe que a e xperiência ruim é passageira. ca bendo a este cobrir inúmeras despesas da província de Santa Catarina e de outras reg iões por não conseguirem arcar com suas próprias despesas e o que recebiam do governo central era insuficiente.e co uros utilizados para a confecção de diversos artigos. cabendo a contribuição complementar de recursos vindos de .concordou o espírito Wilson. digno de aproveitamento para estudo. Havia no grupo alguns aprendizes que se interess aram e Wilson. o espírito protetor de Sérgio. seu escravo. mentor de Sérgio. Tratava-se de representantes da elite. havia outras inúmeras queixas. Além dessas. Sueli. O rapaz havia terminado o curso universitário. Antes de dormir. Chegando à sua casa. mentora de Débora. Isso. passava-lhe p ensamentos instrutivos e salutares a fim de seu protegido se alicerçar no bem com equilíbrio e pensamentos positivos que servem de incrível proteção às influências negativas de encarnados e desencarnados. Um doce e agradável romance acontecia entre Sérgio e Débora. É um caso clássico. por isso estava extremamente fel iz e mais tranqüilo do que nunca. no mal. direcionando-os e manipulando-os. Um dos instrutores acrescentou ao grupo: O que os espíritos. Sim. Os lugares e os interesses que queriam defender tinham grande impo rtância ao Império. deixando-se inclinar às tentações e erros de difíceis repar os futuros. mais especificamente no Rio Grande do Sul. Lúcia e Tiago se reencontraram. 7 . Olívia. contava: Alguns irmãos. contando: Na mais longa revolução da his tória do Brasil. pois a contribuição da província3. Entretanto esses líderes nada tinham de maltrapilhos. por uma ser u m espírito que cede aos maus conselhos e não é evoluída. Eles se davam muito be m. De um lado os adeptos da Monarquia ou governo Imperial. os mentores do casal encarnado trocavam conhecimento com um grupo de espíritos amigo s. muito ao contrário. Débora. a outra entra em extremo desespero. Durante o caminho sabiamente Wilson. Como anjo guardião não é ama seca. ligou par a Débora e conversaram por muito tempo. O grand e episódio chamado de Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha aconteceu no Sul do Brasil. ele estava simplesmente feliz e fez uma prece agradecendo e pedindo proteção. quando ainda presos no vício. aproveitando de todas as circunstâncias para isso. é o acerca do que acontece com Déb ora e Sérgio.Sérgio e Débora: do passado ao presente Os meses foram passando. apoiado por diversas camadas po pulares que estavam bem insatisfeitas com os altos valores dos impostos taxados pelo governo imperial sobre a produção de carnes para consumo . fazendo-o sua vítima. na crueldade sempre tentam n os incitar a cometer erros. era muito explorada..

Houve vitórias e derrotas de ambas as partes em di versos lugares da província. Após vencer as dificuldades para chegar até lá. Alguns meninos. comand ante do grupamento. fizeram o mesmo.. Dor. Chegando a um vilarejo bem pobre.outras províncias. sobrecarregando-as com impostos. Mas as tropas republicanas . precisando ser dominados com firmeza . Golpes de espadas zuniam no ar. parecendo em vantagem. criancin has. resfolegavam e trotavam em círculos. A cena aterrorizante petrificou Sérgio por alguns minutos. Dessa maneira. Sérgio surpreendeu-se com o comandante Sebastião procurando atacar. Marchavam para Porto Alegre. e ele con tou: Diversas batalhas sangrentas foram travadas no sul do país entre o exército imper ial e os rebeldes farroupilhas. Moças e mulheres foram brutalmente violentados por vários homens verdadeirame nte animalizados e depois eram mortos com crueldade. espírito impiedoso que até hoje persegue Sérgio. comandante da tropa. falante e sob o efeito de forte bebida alcoólica. com o intuit o de pedir que ordenasse o fim daquelas ações criminosas. na tentativa de emboscar Bento Gonçalves. Todos os poucos homens da vila já se achavam mortos. a certa distância. A filha do Marechal Sebastião era Su eli. ex-namorada de Sérgio na atual encarnação. A jornada seria longa.farroupilhas . Seus pensamentos fic aram terrivelmente perturbados. Entre muitas coisas presenciadas naquela guerra. era um comandante militar nessa época. enquanto as mulheres eram impiedosamente maltratadas. recebe ndo muitos méritos e até postos de destaque pelas vitórias e estratégias. viu Sebastião. as mulheres e as criança s foram poupados. Estava longe de se r uma guerra. como se lhe passasse a vez. Certa vez. repugnantes e cruéis. mesmo forçado. pobre e indefeso vilarejo. Sérgio desceu de seu cavalo e os soldados. tão chocados quanto ele e que lhe eram fiéis. choro e desespero. Eles não tinham como fugir. prometendo-lhes liberdade ao final da guerra. viram a bandeir a tremulando com as três cores dos defensores republicanos. algo bem comum naquele tempo. pois estavam bem assustados e nervosos. Sérgio e outros três do grupamento permaneceram montados enquanto seus animais re fugavam. Convocado para combater os revolucionários farroupilhas. Sérgio entrou na casa pobr e de madeira tosca e viu um soldado violentando uma menina que não tinha nem oito anos. tiros disparados e gr itos de pavor eram ouvidos. desde as grandes cidades até os mais distantes e pequen os vilarejos gaúchos. Tratava-se de um acordo de união arranjado e ntre as famílias. A chuva fina começou. o que significava um s inal de apoio aos rebeldes revolucionários farroupilhas. os imperiais derrotaram os far roupilhas em uma e outra luta. Sérgio. Sérgio tornou-se o oficial de maior conf iança do Marechal Sebastião. era a mais selvagem e vil atrocidade que testemunhou. A tropa d eu um grito de excitação. menininhas. o comandante do grupamento desembainhou sua espada e sinali zou o ataque dos soldados contra o pequeno. Foi então que. m atar os poucos homens que havia ali. pouco antes da prisão de Bento Gonçalves. A maioria dos soldados daquela tropa do Exército Imperial esta va alegre. Virando-se.. Ele tentava encontrar o comandante da tropa. O Marechal Sebastião. nem homens suficientes em condições d e defender os velhos. No vilarejo não havia combatentes. incluindo escravos e presos para se alistarem. da mesma forma viole . Nem mesmo os velhos. Sérgio cav algava cabisbaixo e completamente silencioso ao lado do Marechal Sebastião. açoitados e postos a invadir rapidamente o lugar.começaram a se unir e crescer por causa dos apelos d os oficiais do exército revolucionário. entrar em um dos casebres. pisoteando q uem estivesse pela frente. Uma ovação animalesca e voraz os dominou. Em 1836. A situação mudou. Algumas casas começaram a ser incendiadas e saqueadas como de costume. Naquele instante. sobre o cavalo a passos lentos. Atingiu o agressor bárbaro com um golpe forte e o derrubou. após frustradas tentativas. Sérgio prec isou seguir para o sul ou enfrentaria a rigorosa pena por deserção. A maioria dos cavalo s foram esporeados. nessa época. que angariaram recursos financeiros e soldad os. mulheres e crianças. Participou de al gumas lutas e ficou desgostoso com o que vivia e presenciava. era um jovem Tenente do Exército Imperial e de compromisso fir mado com a filha do Marechal Sebastião. até então. Em seguida ela trocou olhar com Wilson. Tudo piorou quando . mas isso não impediu os soldados apearem de seus cavalos.

Sérgio ajeitou a jovem envolta na coberta sobre o lombo do cavalo. viu o comandante Sebastião despertando. em pé na soleira da porta do casebre. perguntaram-lhe o que fazer. se fosse encontrado por uma tropa farroupilha seria morto co mo inimigo. Virando-se por um instante para dentro da casa. o jovem oficial sentiu-se enoj ado com o que presenciava e impotente para controlar aquela situação. ele percebeu que o tiro disparado para matá-lo atingiu a menininha fatalme nte. Foi quando doi s soldados dignos e de sua confiança. Momento em que Sérgio decidiu. mas os homens não o ouviam e continuavam com a prática insana. Tirando a moça do dorso do cavalo e ajeit ando-a junto ao tronco da árvore. Sérgio chutou-lhe o rosto até vê-lo desmaiado. Sérgio descobriu-lhe a cabeça e afrouxou a coberta n a qual estava enrolada.nta. cobrindo-a toda e. Aquilo não fazia parte de sua índole. Olhando para trás. ele decidiu descer do cavalo. De imedi ato. esposas ou filhas!. um dos soldados passou por el e. Parando próxi mo a uma grande árvore cuja copa lhes serviria de abrigo e a mata ao redor de prot eção. Ajoelhada. Após uma curta jornada. mas não sabia o que fazer com ela. Despediram -se. quando Sérg io reagiu investindo contra ele. Em meio ao pranto silencioso. dizendo: Não conseguiremos impedir essa barbaridade ! Não estou de acordo com atos tão imundos e cruéis. enrolou-a com rapidez. foram até Sérgio. o oficial viu os soldados da tropa imperial completamente sem controle como animais selvagens. crueldade e sordidez. ao olhar para trás. que caía sem trégua. segurando firme a jaqueta que lhe dera para se cobrir. ao mesmo tempo. Apiedado. Havia salvado aquela bela moça de indescritível brutalidade.um saco de couro curtido dividido em repartições para armazena . Era um desertor e precisava fugir com rapidez. como um bicho indomado. pois teriam mais chance de fugir uma vez que eram desertores e seri am procurados pelo Exército Imperial para serem julgados e. mas nem tinha para onde ir e ela o atrasaria. joga ndo-a sobre o ombro. Indo novamente até a porta. ele pôde ver as labaredas avermelhadas clareando a vila totalmente incendiada pela tropa impe rial que fez dali o que queria. já rasgadas. Indo a sua direção. siga-me! . ele orientou os dois soldados que o acompanhavam para s e separarem.. ele entrou novamente. Ele estava preocupado. Seus pensamentos fervilhavam enquanto aliviava o cavalo da sela e pr ocurava pelo bornal . a jovem tremia muito e não conseguia encará-lo. Montando seu cavalo. poderi am ser atacados por tropas farroupilhas que deveriam estar por perto. assombrados com a desnecessária violência dos co mpanheiros. Chegando à porta. Agrediu-o. Mas a moça resistiu.. mesmo no chão. mas ainda bem atordoado. Certificando-se de poderem passar a noite ali e não serem descobertos. pois poderiam ser nossas mães. Sérgio apoderou-se de uma coberta. Quem quiser. segurava um pedaço de pano de seu vestido todo rasga do para tentar cobrir o corpo exposto. usando suas últimas forças para agredi-lo. Pux o-a pelos cabelos. confuso e sem saber o que fazer. e ia atacando-a. o comandante atirou querendo matá-lo. Mesmo vendo-o desorientado. Tudo aconteci a muito rápido e ele sentia-se muito mal. O céu recoberto de nuvens cinzentas fez a noite chegar rapidamente. Após isso. Sérgio o esmurrou. uma outra jovem. apesar dos fracos socos e tapas que recebia. Sérgio tirou a jaqueta do uniform e que usava e a cobriu. e foi à direção da jovem ajoelhada e abraçada à irmãzinha morta. O Marechal Sebastião não lhe perdoaria e o mandaria para enfrentar um Conselho de Guerra. mas não desc obriu seu rosto para que não gritasse e a segurava firme para não cair ao trote do a nimal. viu a jovem chora ndo e abraçando o corpo da garotinha que ele havia defendido pouco antes. Nesse in stante. que estava à porta. Por outro lado. Num momento inesperado. Estou indo embora. Eles brigaram por algum t empo até Sebastião cair e. Sérgio gritou em voz de comando ordenando que todos parassem com aquele barbarismo. retirou-se a todo galope . Mesmo com a chuva fria e fina. agarrou-a pelas roupas. A jovem cho rava em desespero. Olhando a jovem encolhida ao chão. deixando-o sem sentidos. puxou-a para que se levantasse. o que significava encarar a mor te. Ao tempo em que Sebastião permanec ia sem sentidos. ficou mais tranqüilo. po is acreditou que seria maltratada. irmãs. Vendo-a com as vestes e percebendo que a jaqu eta não era suficiente para cobri-la. Sérgio assobiou para o cavalo que obedeceu ao chamado e foi ao seu enc ontro. saiu às presas. Não supo rtava ver tanta covardia.

precisava p roteger Débora em todos os sentidos. O comandante do grupo pediu uma trégua e fez muitas perguntas. Eles se amavam. sempre usando um ves tido branco de delicadas rendas com um xale que mal cobria os ombros. na atual encarnação. Sérgio tinha planos e sonhos com sua amada. Ele estava decidido a acompanhar o exército farroupil ha em uma última batalha a pedido dos oficiais revolucionários com a finalidade de m ostrar-lhes qual o melhor a fazer. principalmente o mau tempo. fizeram com que Sérgio e Débora se afeiçoassem mais. Entretanto não tinha outra vestimenta para usar. Sérgio sabia que precisava se livrar do uniforme e de outros artefatos que o ident ificavam como sendo do exército imperial. Certa noite em que a garoa pesada e fria os fazia se encolherem abraçados sob a capa e um arbusto. Dali foram levados para as terras de um charqueador . com um bom fogo de lareira e mate quente. Tratava-se de Tiago. A jovem contou-lhe tudo. Era o ano de 1837. decidiu aderir à causa.um homem muito bem posicionado e influente. . Ao vê-lo com Débora. a jovem sussurrou ao implor ar para que ele não a machucasse. Momento em que lhe afastou os cabelos para ver seu rost o e um sentimento indefinido o invadiu. foi realizada uma grande batalh a nas cidades de Rio Pardo e Caçapava. disfarçadamente. de peix es pegos com a lança certeira de Sérgio e frutos silvestres. Ao conversar mel hor com Débora reconheceu-a como sendo a filha de seu compadre. Estavam em fuga e as provisões acabado. sincera e íntima foi inevitável. o relincho do cavalo inquieto surpreendeu Sérgio. a água. Era uma im agem que ele nunca esquecia. A s dificuldades os uniam cada vez mais. Amedrontada. criando um vínculo de confiança. Entre uma e outra batalha Sérgio retornava à estância junto da tropa farroupilha. Essa jovem trata-se de Débora. por isso ignorava facilmente a tent ativa de sedução da outra jovem. A maior já vista contra o Exército Imperial em que os farroupilhas venceram. Em reuniões ou churrascos festivos dos líderes revolucionários. ele a cobriu com a capa que trazia e precisou ficar a seu lado a fim de se mante rem aquecidos. reencontrou um dos soldados que desertou com ele. pois como desertor do exército imperial ele seria bem-vindo ao exército revolucionário. Levantou e pegou a adaga para se defender sentind o que estavam sendo vigiados. Piedoso. admirando sem participar. foi cercado por pequena tropilha farr oupilha e um deles apontou-lhe a carabina inibindo-o de reagir. E ra difícil ficar longe dela por tanto tempo. pois iria protegê-la. para Sérgio com um comportamento sensual e bem provocativ o. Sérgio ficou sabendo da prisão do líder revolucionário Bento Gonçalves. Sérgio pediu que confiasse nele. a jovem filha do anfitrião se i nsinuava. na maioria das v ezes. Uma união mais carinhosa. os líderes da revolução. atualmente seu irmão.r provisões para a viagem. Ali mentavam-se de pequenas aves que demoravam a cair nas armadilhas feitas. Cavalgaram dias e enfrentou inúmeras dificuldades. mas permanecia constrangida. que apoiava a revolução. Durante a chuva da madrugada. Contudo nada interferia no amor que ele sentia por Débora. e pelas estratégias de Sérgio. Débora gritou. necessitavam de provisões e abrigo. rasgou um pedaço de carne salgada e o levou até a jovem ainda acuada. Rapidamente. Algumas vezes Tiago não seguia junto do s revolucionários e ficava para reforçar a segurança da estância. Em reuniões mais privadas em que a casa principal da estância acolhia.produtor de carne salga da . Mais de trinta dias passados juntos. Olharam-no com outros olhos. destacando-se. Deixando Débora ob os cuidados oferecidos na grande estância que servia de guarida aos farroupilha s. Nesse período. Porém ele se preocupava. só ouviam a distância. Sérgio recebia toda a atenção por sua eloqüência e estratagemas. Ele cobriu a jovem de modo que não a vissem. As mulheres. a j ovem não conseguia conter seu ciúme nem sua inveja. Mais uma vez o rapaz fi elmente o seguiu. cor reu e o abraçou. explicando a razão de estar com aquelas vestes e afirmou que sobreviveu graça s a Sérgio. pois conhecia as estratégias do Exercito Imperial. Não poderiam viver daquela forma. A jovem então aceit ou o alimento. Mas aconteceu algo que Sérgio não previa: a filha do nobre charqueador apaixonou-se por ele. amizade e o nascer de um forte sentimento. Ao encontrá-lo.

Os empregados estavam alvoroçados e a jovem contou que durante a noite. sua fil ha na época.A fuga de Bento Gonçalves do Forte do Mar. Wilson terminou a narrativa e Olívia explicou: Lúcia reencarnou como irmã de Sérgio a fim de se desprender do sentimento insano e obsessivo que tem por ele. Sabendo da festa d e antemão. Sem saber absolutamente do fato no qual foi injustamente acusado. Queria Sérgio livre para poder conquistá-lo. com muitas experiências m ilitares em guerras. Mas já se encontra de volta ao plano espiritual depois de ex perimentar exatamente o que fez no passado. O dia clareava quando a jovem filha do charqueador esperava por Sérgio e os dem ais fora da casa. não faltaram convite s insistentes para ele ficar. mas o rapaz queria uma vida tranqüila ao lado de Débora. ele montou um cavalo que não deu para ver. dispondo da total discrição dos irmãos daquela ordem para au xiliá-lo. Depois de um grito de lamento e das lágrimas que cor reram em sua face. mas nada disse. manteve contato com sua família e Sebastião soube que Sueli. Quase todos os empregados haviam se recolhido . Antes disso. Um homem encapuzado. ou seja. Sérgio conheceu esse líder revolucionário que lhe pediu para prosseguir a seu lado. Pretendia partir o quanto antes. dizendo simplesmente que estava indisposta. ofereceu mais força e corage m às tropas republicanas. conversando. Tal fato era de indescritível vergonha à família. naquela época. A jovem que planejou o assassinato de Débora. A jovem ficou enclausurada até que uma parteir a foi chamada para fazer o aborto. Bem rápido. ela ficou só. Para tentar encobrir o motivo da morte da jovem. mesmo assim buscou algumas peças de jóias valiosas. Sueli morreu durante a realização desse crime hed iondo. Ficou totalmente desequilibra da por não esquecer o instante em que Débora. Sérgio a havia desonrado. entrou exigindo jóias. filha do charqueador. Somente agradeceu o anfitrião. o que ela chama de amor. ter desejos inc estuosos. mantendo Débora como refém. um dos líderes da revolução deu-lhe considerável valor para começar ma vida nova e Sérgio aceitou. havia ficado grávida. A vitória dos farrapos em Rio Pardo e Caçapava teve imensas conseqüências para o coma ndante militar da província. divulgaram que ela falec eu de desgosto e tristeza pelo abandono do noivo e por vergonha de sua deserção. filosófica ou religiosa e passou a ser desequilibrada. mas naquela noite foi convidado para um churrasco de comemoração na estância vizinha. Ele criou lojas maçônicas por todo o sul e preparou um serviço de correspondências secretas. Sérgio retorn ou para a estância onde Débora o aguardava. No planejamento reencarnatório a idéia era de ela transformar essa possessividade em um sentimento mais suave e verdadeiro por ele. enquanto o homem apontava uma pistola. Após o enterro da companheira. irmã de Sérgio. mas ouviu o galope. a casa estava vazia. não falham por sermos os herdeiros d e nós mesmos. Bem tarde. quando a port a principal da sala foi aberta sem qualquer ruído. Ela tremia. A jovem contou que o homem guardava as peças quando Débora se mexeu e ele atiro u. reencarnou como Lúcia. Débora decidiu não ir nem comentar nada sob re o verdadeiro motivo. Por seus préstimos. prometendo-lhe a s jóias que lhe entregou como pagamento. No entanto Lúcia teve e tem extrema paixão pelo irmão. Mas a anfitriã insistia para que Débora permanecesse com ela frente à lareira forte. Para não desagradar o companheiro. Mas nada adiantou. na Bahia. cumpr imentou os oficiais farroupilhas e partiu. Bento Gonçalves era um homem rico. pois sua trama fracassou. Essa moça. A filha do charqueador ficou em prantos. a jovem filha do charqueador convenceu Débora a não ir e ficar ali. ela e Débora conversavam animadas na beira do fogo. Não aceitou a juda clínica. ele se calou. morreu em se us braços. ela alimentava a idéia e os sonhos de relacionar-se sexualmente . As Leis de Deus. E esse comandante era o Marechal Sebastião. enquant o todos dormiam. praticamente desfigurada. registradas na consciência. Adentrou correndo na casa e confirmou que Débora estav a morta com um tiro no rosto. Sérgio não suportou o golpe. A jovem ha via combinado com um funcionário da estância o assassinato de Débora. maltrapilh o e usando uma capa. que foi obrigado a enfrentar o temeroso Conselho de G uerra. Pela versão da moça. dizendo que no festejo teriam muitos homens sem classe que se embebedavam e criavam pro blemas. viveu seus dias em silencioso pesadelo pelo ato criminoso planejado.

Sérgio riu gostoso. Sebastião era torpe. meu protegido. . Sérgio é um espírito equilibrado... mentora de Débora. a criatura egoísta e o rgulhosa acredita ter toda a razão. força de vontade e bom ânimo para que se elevem nessa atu al experiência. Eu quero te dizer uma coisa. ameaçando levar aquilo ao conheci mento dos altos postos do Exército Imperial. Não adiantou.explicou Olívia. Os belos olhos verdes do rapaz brilharam ardentes enquanto ele sorria. O que foi? . o rapaz não entendeu. pediu desculpas e reparou mais detalhadame nte em seu vestido branco. . Dizendo isso. incrédula. . . Sentia pela irmã Lúcia o mesmo que por seus outros dois irmãos e nunca cedeu aos seus assédios.Olhando-a. O silêncio reinou. E rogamos para que nossos amigos Wilson e Olívia vejam se us protegidos munidos de fé. Ainda segurando-a com carinho.perguntou a moça com um jeito manso. . eu te amo. 8 . Era algo que lhe proporcionava prazer. com delicados contornos que Débora estava usando. o silêncio reinou por longos minutos a té Sérgio parar fazendo com que Débora permanecesse à sua frente. os mentores e os demais se despediram e f oram. .tornou Wilson. mas. ela afirmou estampando felicidade: Eu também te amo. leve.. Pas sos calmos e com o balanço das mãos entrelaçadas. que o repreendeu.. . Desejos. obscen o. E voltando-se para o grupo. sentimentos e vícios típicos de pobres irmãos sem evolução..Após os esclarecimentos.riu. Mas. a nimalescos e selvagens em batalhas desnecessárias. sem instrução. é nos ver prejudicados. Por essa razão devem os lembrar que o desejo no bem é prece a Deus e as bênçãos nos chegam como conseqüência do ue pensamos.. Desencarnado. Antes desse reencarne.. Nós sabemos . Sérgio. Sérgio não admitiu nem aceitou as práticas vis e hedi ondas de Sebastião. Pode me colocar no chão? É que meu vestido. a jovem se atirou em seus braços e ele a sustentou no ar rodopian do uma vez vagarosamente. mas ela não contro la a idéia fixa de seus desejos. caindo em desgraça como eles. Sebastião persegue Sérgio. um dos instrutores avisou: Tivemos uma grande lição. indecente por seu vício repugnante de atacar e violentar mulheres e crianças. O principal desejo desses irmãos. Depois de um instante paralisada. ele já tentou ajudar Lúcia.completou Olívia que mesmo na espiritualidade.Observando a expectativa guardada atrás do sorri so da jovem. O espírito Sebastião quer vingar-se de Sérgio por el e ter abandonado sua filha. Agora. Sérgio o havia repreendido sobre os atos desumanos. deixando-os em um estado que os faça cair em des espero e culpa . Foi então que o espírito Sebastião passou a dominá-la atr avés dos pensamentos. Ele está subindo!. mas. Quando estivermos em dificuldades. sregramentos bem comprometedores.com o próprio irmão. ele se elevará espiritualmente e concretizará a que veio nessa reencarnação. que passará por provas e tent ações.Respeito e amor A noite caia suavemente e o casal passeava de mãos dadas após saírem do cinema. O que Wilson contou foi somente um dos combates covardes e bru tais praticados por Sebastião. enganos. Lúcia não passa de mais uma vítima escravizad a por esse obsessor que a usa contra Sérgio. Seus pe nsamentos estarão invadidos de idéias e inspirações que podem levá-los à prática de falhas. Atualmente. entre outras coisas que sua con sciência imagina. ele explicou: Talvez você acredite que é cedo para eu dizer isso. Sérgio a beijou com toda a força de seu amor.. sentiu o coração acelerado e declarou quase num sussurro: Débora. Tanto Sérgio quanto Débora serão incentivados a cometerem erros. desertado do exército. a consciência de Sebastião alardeava cobranças constante e ele acreditava que isso era por culpa de Sérgio. ao passar as mãos discretamente na silhueta de seu bonito corp . alegre e desconfiado. desencarnada. Com fé em Deus e acreditando que nada nem ninguém têm mais poder do que o Pai da Vi da. que seja feita a sua vontade e não a minha . Com gestos suaves.ex-clamou enquanto tentava segurar a roupa. na verdade. Apertando-a contra si. Mas isso nunca aconteceu . Colocou-a no chão. lembremos de Jesus que nos ensin ou: Pai. sábio e rudente. e achou graça ao vê-la pedir r indo de modo constrangido ao falar com jeitinho delicado: Adoro ficar em seus braços.

com modo meigo e educado .. terapias alternativas como acupuntura.. esses planos para a clínica são para curto prazo..insistiu diante da demora. Sérgio .. Você pode ter visto uma cena do passa do ou. Mas?. Olha que vou aceitar a sugestão! . . Mas ao saber que você estava lá em casa para me devolver aquela past a!. Também senti algo muito forte! Uma coisa que não sei explicar! Sabe. você acha que eu precisarei conversar com seu pai para deixar claro que nós não estamos brincando e que nosso compromisso é sério? Eu não queria falar sobre isso.... é o seguinte..interrompeu-o.ela correspon deu alegre. Acredito que arrumamos um bom lugar e só estamo s aguardando o trâmite das documentações. Amo-te tanto. menina!.. Não. Como assim?! Nossas famílias oferecem resistência a aceitar nosso namoro. quando clinicar como psicólogo. levo-a para o serviço . Desde que nos vimos pel a primeira vez me apaixonei por você! Queria vê-la novamente e senti uma angústia por não me dar o seu telefone! Eu sei.. riu.riu. por isso quero ser bem tr ansparente quanto ao nosso relaciona-mento.. . depois ele comentou bem sér io: Débora.o. Abraçados.. precisa tomar cuidado. Parece que eu já vi essa cena antes. Agora. Que bom Sérgio! Fico feliz com isso! Mas.. ela alinhava o vestido quando ele elogiou com grande satisfação: Você está linda! Obrigada . Nossa Débora!..agradeceu com jeito meigo. Não brinque com isso.brincou ele. O rapaz sobrepôs o braço em seus ombros. seu guarda! Pode me levar presa! .. Tenho consciência de que no início. entre outras coisas. Retire esse nós nos trombamos ! Foi você quem bateu em m! Aliás. Débora. . eu e mais três legas vamos abrir uma clínica mesmo. florais. Ah! Seremos três psicólogos e um médico psiquiatra que foi nosso profess or na universidade e um verdadeiro mentor! Tem tudo para dar certo! No carro de Sérgio. Mas creio que conseguirei conciliar o horário com o serviço na polícia e com o agendamento dos pacientes. teve uma visão do futuro.ela retribuiu da mesma forma.. Nunca usei esse vestido quando saímos.. antes. riu com gosto. Quanto à minha mãe.. Desde que começamos a namorar não freqüentei mais a sua casa e você nunca foi até a m inha.. Tudo bem! Eu assumo a culpa..Eles brincara m e riam até ele falar mais sério: Débora. Nossas famílias não se conhecem e. Quase tive um infarto! Você acredita em reencarnação? Acredito! Quando nós nos trombamos na escadaria da delegacia e você me segurou pa ra eu não cair.. às vezes sinto como se a conhecesse há muito tempo. eu darei um jeito. senhora! . Eu te amo muito . Não imagina como fiquei irritada comigo mesma por não te dar o telefone da minh a casa! Como fui idiota! E a minha curiosidade para saber se você tinha alguém!. Eu não gostaria que co ntinuasse dessa forma. eu só vou buscá-la na universidade. começaram a caminhar enquanto conversavam. O foco da clínica será voltado para a Psico ia. homeopatia.. o nosso namoro. apertou-a junto a si e a jovem o enlaçou p ela cintura. Esses colegas são de confiança? Sim são! Nós temos várias idéias em mente. quando não. no entanto não vamos nos limitar só a isso.. foi uma cena que eu já tinha visto antes. saímos sozinhos ou com a Rita e o Gustavo. Sinto falta disso e g ostaria que fosse diferente. mas. Teremos um setor para massagens de r elaxamento de diferentes tipos. mas. eu sei. eles conversaram mais a respeito. não ganharei o sufi ciente para sustentar todos os meus gastos.beijou-a com ternura. Depende das condições financeiras. Seus olhos se fixaram e ele afirmou novamente: Adoro você.. como já te falei. Veja.. pois andou batendo em tudo pelo caminho . E o serviço na polícia?! Não pretendo continuar por muito tempo na polícia. estamos direto na casa da R ita. .exclamou perplexo. mas com suave sorriso..

. por causa dos no ssos encontros e. Sérgio. naquelas férias no fim do ano que eu não quis ir.Ela obedeceu mecanicamente e o namorado tornou a fala r no mesmo tom: Dê-me sua bolsa . por favor? Ele abriu o frigobar. não é? . ele pensou um pouco e disse: Não vamos correr o risco de ficarmos parados em uma esqu ina conversando e esperando para sermos assaltados. Débora estava com o olhar perdido e seus pe nsamentos pareciam bem distantes. Então preciso saber. nada disse de imediato. Certo? A jovem não o encarou. Já incomodamos a nossa amiga o bastante.questionou em tom bondoso.. . Nós não conversamos sobre esse assunto e se rá impossível fugirmos dele a vida toda..Com os olhos marejados. ta? Iremos para um lugar onde não nos Incomodem..ela não conteve as lágrimas.perguntou brando.respondeu olhando-o de modo indefinido.. olhou-a firme ao dizer. Acredita que o patrimônio de sua família é o a lvo de um pretendente como eu. Fechando a porta e colocando as chaves do carro sobre um móvel.. Que razões o senhor Aléssio tem para propor um absurd o desses? O Breno e o Lucas têm uma grande empresa de importação e exportação de bebidas. Espere. Por ca . Precavido. . Vendo-a com dificuldade para se explicar. Não estou entendendo. Precisam os de um lugar tranqüilo. eles adentraram ao quarto de um motel bem lu xuoso. Ei!. perguntou : Quer pedir alguma coisa para comer? Tomar um refrigerante? Pode me arrumar um pouco de água. Abaixou a cabeça e passou as mãos delicadamente pelo rosto s ecando as lágrimas que correram. não acha? Diante do silêncio.. Onde? . Gritamos um com o outro e o clima está péssimo lá em casa desde q uando eles retornaram da Europa. mas ela prosseguiu: Meu pai vem propondo que eu tenha um compro misso com o Breno. quase chorando. Precisamos esclarecer muitas coisas com urgência. Débora? Você está preocupada ou se sentindo incom odada com isso? Precisamos conversar. Ameaçou fazer algo contra você caso nós não nos separássemos. Quer falar a respeito? É um assunto delicado e.pediu com ternura. Tudo bem? A moça não disse nada.. . pegou a garrafa com água. . Confie em mim. ele a condu ziu para perto da cama e pediu gentilmente: Venha.pediu comovido ao vê-la daquele jeito.A verdade é que o meu pai vem discutindo comigo. colocou a bebida em um copo e a serviu... Reparando um comportamento estranho na jovem. E sperou-a beber alguns goles e depois que lhe devolveu o copo. . há algum tempo. Como?! ..Ao levar a bolsa para pô-la sobre o móvel. com a mão em suas costas. Precisamos dar um jeito nessa situação. porém incrédulo. Podemos ir à casa da Rita . Não fique assim. Levemente. Pouco depois. Nós brigamos muito. Sérgio. Com semblante bem sério. Descobri que a empresa d o meu pai fez e ainda faz negociações bem comprometedoras. não vou levá-la a um barzinho ou restaurante para falarmos sobre isso . Sente-se aqui.murmurou. ele tocou sua face gelada percebendo um leve tremor que pare cia vir de sua alma. Não é tão simples assim. sentando-se ao seu lado. Chegou até a me ameaçar.ela sugeriu. e quer vê-la compromissada com alguém de seu nível soci al. Mesmo dirigindo. O que está acontecendo? . A voz de Débora embargou. Sérgio ponderou: Vejo que temos muito que conversar. sua voz embargou. Só vamos conversar.. colocou-o sobre a mesa e quis saber: Algum problema por estarmos aqui... eu já te contei muitas coisas sobre minha família. Se esse assunto é delicado e a deixa sensível.. . Lágrimas rolaram.perguntou ela após algum tempo. fixou-os no namorado e revelou: O meu pai quer que eu me afaste definitivamente de você. Sérgio percebeu-a sem ação e parada após os primeiros passos.. Sérgio deduzi u: O seu pai quer que se afaste de mim. Não fique assim.

Só há uma maneira de resolver isso! Eu vou conversa r com o Breno! .. Depois de eles irem lá a casa o vínculo de amizade e negociação cresceu. pois meu pai sempre o co nvida. argumentou: Não se iluda. O que quer que eu faça?! . parecendo calmo. Ao mesmo tempo. gentil. Por que não me contou isso? .. Seus pensamentos se corroíam por uma imensa revolta e raiva. Algo o incomodava e. eu viro as costas e saio de casa. R ealmente. Ninguém pode obrigá-la a ter um compromisso ou se unir com alguém. Sérgio.Alguns segu ndos e revelou: Como se não bastasse não aprovarem nosso namoro. aumentaram as negociações. Ele a amava e nada comentou para não ser mais uma preo cupação. não faça nada. . Ele sempre foi educado. mas não queria que ela percebesse. me criticarem por e starmos juntos. pegou as mãos d e Débora fazendo-a encará-lo e argumentou com voz calma: Meu bem. . mas alg o está escuso.. Nem parece meu pai. olhando-a. como muitos ladrões. Eu tenho uma idéia melhor.. Quando fica para o jantar.chorou. Sentia obrigação de ampará-la.Nesse instante foi vencida por um pranto sentido e sufocado pelas mãos. A pressão lá em casa está muito forte sobre mim. manda-me flores ou presentes. . poi s presta diversos tipos de serviços para a empresa do Breno.. pediu amoroso: Calma. Por que não disse que estávamos namorando? Eu disse! Mas parece que ele ignorou isso. Qual? Estou decidida: vou sair de casa. acomodou-se melhor.Encarando-o. Daremos um jeito. . ele não paga o que deve mesmo tendo condições financeira s para isso ... desabafou: Era algo desagradáv el para eu te contar. no entanto ele sempre vai lá a casa e passa hora s conversando com meu pai.sa daquele acidente de trânsito meu pai os conheceu. comentou como um a ameaça: Se é que ficaremos somente no diálogo! Ele está passando dos limites! Não.. ela disse: Existe algo muito mais sério acontecendo que eu não sei explicar.tornou o rapaz. . E simplesmente ridículo o seu pai propor que tenha um comp romisso com o Breno só por prestar serviços à empresa dele.perguntou Sérgio calmamente.. ou melhor. Sérgio sentiu-se esquentar. Pelo visto ele é muito folgado. Com a voz embargada. Apesar da aparente fragilidade e delicadeza que a namorada aparentava. Sérgio.Débora silenciou por instantes. Esfregou o rosto.disse ao interrompê-lo. reconheceu-os.. Sérgio v iu sua força para enfrentar aquela dificuldade. seria pio r saber que um outro cara tenta impedir ou incomodar o nosso relacionamento. Beijando-a com carinho. Sérgio! Por favor. creio que teremos sossego. enquanto ele ficou pensativo. apoiá-la em tudo. preste atenção. Não me assediou nem se impôs.. porém não tinha como.. Talvez o Breno ou mesmo o seu pai não a deixe em paz. Ele é muito educado. O namorado estava preocupado. eles querem que eu tenha um compromisso com alguém do nosso nível. E o que você fez? . O senhor Aléssio está pensando em seu bem-estar porque é um homem r ico e.. Eu não vejo motivo para tanta aflição. Não existe razão para você querer conversar com o meu pai para tentar convencê-l o que nosso compromisso é sério ou coisa desse tipo. Há tempo quero fazer isso e acho que demorei demais. sou eu quem tem de dar um jeito nessa situação. É difícil brigar com gente assim! Eu fui firme pedindo para não me procurar mais.. Estamos juntos e eu quero protegê-la. Ele a abraçou forte e afagou-lhe os cabelos.perguntou num lamento. Não fique assim. sinto-me como se estivesse vivendo no século XVIII ou XIX. pois desejava ajudá-la. Repentinamente o Lucas e o Breno se uniram ao meu pai e à empresa.. Em seguida. Rico e.. Passou a me ligar quase todos os d ias. Além dos obstáculos que encontramos com nossa família. deixando-a desabafar. . Quando eu sair da casa do meu pai. Você não está só. Ele disse que está apaixona do e não consegue me esquecer. O Breno vem tentando se aproximar de mim e. Não estamos no século XIX! Com lágrimas a correr por seu lindo rosto. o meu pai vive discutindo comigo por dispensar uma pessoa da posição social do Breno. ela reclamou indignada: Sint o como se o meu pai quisesse me vender.avisou um pouco alterado pelo ciúme.

invadindo-lhe a alma.. Não te nte esconder o que aconteceu ou está acontecendo! É que. seus seguranças me agredirem. com sua grande habilidade de obse rvar minuciosamente o comportamento das pessoas. Isso me deixa intrigado.Erguendo o olhar e fazendo-o encará-la. Quando eu disse que talvez eu e o Breno não ficássemos só na conversa. .Vendo-o calad o. eu preciso saber em que estamos envolvidos e com quem. Tem uma vida social bem agitada por conseqüência dos seus negócios e passa a maior parte do tempo na Suíça.Ela agarrou-se em seu pescoço. . Ela parecia angustiada e preocupada com a decisão dele. eu. Algumas vezes em que a peguei ou levei par a sua casa.. Meu bem. ta? Meu amor. o Breno pediu para se casar comigo.. eu fiquei com medo que se irritasse e fizesse algo qu e comprometesse nossa felicidade. A moça ofereceu um sorriso leve e generoso ao tempo em que recebia um carinho n a bela face alva. Errei por omitir. Não admito agressão gratuita.. Ameaçou ao deixar em dúvida de que es sa conversa talvez não ficasse só nisso.falou sério ... por acreditar em resolver essa situação de outra forma. afastou-se vagarosamente e perguntou em tom generoso: Está tudo bem.. para mostr ar que era o melhor.avisou.... Calma . Fazendo-lhe constante e delicado afago. comentou: Sérgio. Quase não ficaríamos no Brasil. Bem.Não vou falar com o meu pai por um bom tempo e o Breno. conte-me tudo o que aconte cer. Omi ti por medo. estou passando por um período de grande mudança em minha vida profissio nal.. isso vai acabar quando eu sair de casa. atento. enquanto ele a abraçava e em seguida deitou-a cuidadosamente. Débora . encostou a face em seu peito e falou quase chorando: O Breno não é agressivo nem me impõe nada. . quando disse de só haver um jeito de r esolver isso e que iria conversar com ele e. Sérgio. Ele viaja muit o. aqueles sujeitos têm típic a postura de bandidos. . olhando-a nos olhos: Por que não me contou tudo isso? Principalmente o fato de ele pedi-la em casame nto. Acho que ele falou isso por falar. mas contou com receio: Em uma das vezes... Você é a coisa mais importante que aconteceu na minha vida.Em poucos segundos. Isso nunca! E policiais que agem assim não trabalham comigo.. Porém. Recostando-se no ombro de Sérgio. e afirmou bem baixinho: Débora. mas não o traí. Desculpe-me.titubeou. Sou f a você e tudo isso não passa de obstáculos que não vão interferir em nossas vidas. por você ser policial... . Amo demais. Não quis dizer que você era bandido. Itália ou em outros lugares. Eu te amo. Por favor.. Já precisei usar de força física. ao perceber que a namo rada não exibia mais sinais de choro ou tristeza no rosto tranqüilo. Não pode associar uma coisa à outra. ele segurou-lhe o queixo.pediu com voz terna ao interrompê-la. Para mim. Mas.. mas vou ajudá-la e apoiá-la no que puder. eu referi-me a ele reagir de alguma forma ou mandar um de seus capang as. porém nunca f ui além do necessário ou usei de crueldade por vantagem física. o namorado perguntou. mas foi para me defe nder ou defender outra pessoa e em ato de serviço. Desculpe-me... Isso é legítima defesa. O silêncio foi absoluto. Ela entregou-se ao longo beijo apaixonado. abaixando a cabeça. Débora comentou: Sérgio. Fiquei com medo da sua reação e!. por vingança... abraçando-o com força e escondendo o rosto em seu . é questão de tempo.. nós estamos tão bem! Eu te amo tanto e não queria preocupá-lo ou magoá-lo... sussurrava ele entre os beijos e sob o efeito de uma respir ação ofegante ao envolvê-la como que ria sob si e seus carinhos.. fitou-a nos olhos. Explicou que viajaríamos muito e isso me fa ria feliz o suficiente para esquecer você. não sou bandido. A troca de beijos e carícias foi duradoura até a jovem mur murar-lhe ao ouvido: Sérgio. meu am or? . Tudo bem que o Breno é bem privilegiado. vi os seguranças dele nos observando. quando conversamo s. Débora subitamente deteve as palavras e Sérgio. Estavam sentados lado a lado e Sérgio controlava imensa revolta e indignação. perguntou com aparente tranqüilidade: O que o Breno te pediu? Não quero lembrar isso.Abraçando-o pela cintura. Na ver dade.. Só diz qu e me admira e tem uma postura educada. mas não sei se preci saria de tanta segurança assim. .. Eu sou policial... bem calmo.. Quando ele me pediu. sentindo-a apree nsiva.. Talv ez como última tentativa. Te quero muito. continuou parecendo aflita: Agora mesmo. eles permaneceram em silêncio po r longos minutos... digo. eu te amo.

... Acho que perdemos a hora. Olhando-o em sono profundo.. Só que.... seus beijos.. seu respeito por ela. amo r.. olhando-o nos olhos. Primeiro não se desculpe. sentiu uma pitada de arrependimento. Vejo que tem dignidade e é por isso que estou aqui. Deixou que seus lábios se encontrassem com amor e a abraçou.. .. . perguntou.. deixando-a de frente para si. Após a lguns minutos. ela o chamou ba ixinho: Sérgio.pediu com leve sorriso. suspirou fundo e olhou em volta como não se recordasse imediatamente de onde estavam. envolvendo-a e se deixando envolver como el a queria. com toda a força de seu coração. falando baixinho e envergonhado: Não precisa se justificar. Débora. trocar de roupa e sair para resolv er uma coisa o quanto antes.. ele resolveu: Vou pedir o café da manhã e depois iremos. Desculpe-me. Sei que não vai me forçar a nada. Parece tão pensativa. Não quero que se frustre ou se decepcione comig o por eu ser sincera ao dizer a verdade sobre esse não ser o momento. Eu. meu amor. sussurrou amorosa e com ce rta vergonha: Por estarmos em um lugar tranqüilo..avisou com jeito gracioso. Desculpe-me.. Eu não fui legal e.murmurou. aproximando-se: Você está bem? Sim. Afagando ternamente seu belo rosto e o braço.. . Eu te amo muito! Eu também te quero!. surpreendeu-se: Nos sa! Meu vestido está todo amassado. desejo qu e seja algo bem especial. admirou sua dignidad e. Sérgio. Ela sorriu com doçura. Não quero constrangê-la e não vou forçá-la a nad Fui precipitado e.. Confio em você.. Só com você.. Depois explicou. Claro! Mas preciso saber o que pretende. . Hoje é sábado . Sérgio sorriu e nada respondeu. por favor. Eu queria sentir seu toque. Por amá-lo.Observando -a em profundo silêncio. por não forçá-la a nada. o rapaz disse com brandura: Desculpe-me. O rapaz abriu os olhos lentamente.. Sentando-se na cama. Não pense que só por estar em um motel comigo deva se submeter a qualquer intimidade. Dormi um sono tão pesado. Espera. Bem.falou de modo meigo. aca lmando-se e entendendo aquele momento. enquanto ele afagava suavemente suas costas com carinho. estou. A moça ainda escondia o rosto em seu ombro permanecendo imóvel. que dormia abraçado a ela. Por um segundo.. desejou que aquele momento não acabasse. na sua compreensão por eu não me sentir prep arada e.. Não! Você está certa! Eu entendo. ela falou em tom brando: Não peça desculpas. *** Uma luz pálida clareava suavemente o quarto quando Débora se deu conta de estar d eitada sobre o ombro de Sérgio.pediu em tom arrependido. tomar um banho... Só que eu queria pedir para me acompanhar..perguntou com jeito maroto. Roçando-lhe o rosto com os lábios.. Você tinha algum compromisso? . a jovem se levantou enq uanto ele permaneceu deitado por minutos... pois o queria muito. seus c arinhos. Apoiando-se sobre seu peito. Sérgio .. pára! . Em seguida. Já amanheceu. Ajeitando-a cuidadosamente na cama.. Logo sorriu. continuou d eitado ao seu lado apoiando-se em um dos braços. afagando-a com delicadeza. aproximou-se dele e pegou-lhe o braço colocando-o em torno de sua própria cintura. Eu disse que só queria um lugar tran qüilo e havia prometido. quase murmurando: Não esto u pensando nada.ombro. Quero chegar a minha casa. Pode ser só assim?.. Tomada de uma sensação estran ha ao lembrar que haviam passado a noite ali. Frente ao espelho.. abraçou-a com carinho e a b eijou dizendo com voz rouca: Bom dia. mas não me sinto preparada. Sérgio se virou e puxou-a delicadamente fazendo-a se deitar sobre ele. meu amor. Eu te quero também. Sérgio tirou-lhe o cabelo do rosto com gestos sutis de carícias. Somente trocaram carinho e conversar am bastante até adormecerem.

enquanto a embalava suavemente de um lado p ara outro. O fato de não ter acontecido um amor mais íntimo. Você me deixou nervosa. Eu te amo. Você está decepcionado. Se voltarmos aqui ou formos a outro lugar tranqüilo e seguro. como aconteceu hoje . Todos são pequenos. Se você concord ar. * * * A caminho da casa de Débora. Nenhum.. em que a invadia com seu olhar. por questão de segurança. O Tiago ainda freqüenta a academia e é faixa preta.Br eves segundos. Às vezes bato em meu irmão Tiago e. .. sou agredido e. pode ter certeza de que vou controlar meus desejos e. Seu safado! ... Estacionando em frente à luxuosa residência. desculpe-me por essa n oite.riu. por eu não. olhando-o nos olhos.. abraçou-o forte e disse ao ouvido: A cada minuto eu te adoro mais ainda! Só uma coisa. . deixando-a preocupada. Sustentando uma denotação d gravidade.exclamou sério. sabia?! O namorado riu com satisfação e a abraçou.. continuou: Eu menti para você quando disse que só usei de força física quand o necessário e por conseqüência da função. Sentindo o coração apertar. às vezes eu agrido. Não demorou e logo foram embora. mas para mim serve e eu gostaria da sua opinião. ela perguntou: Algum problema? Não. Saib a que me senti muito bem por sua sinceridade ao dizer que não estava preparada. Vou com você sim. expressou-se brincando: Imagine! Uma hora e meia para mim não é nada! ofer . Nunca vou forçá-la a nada.. . Não fico muito à vontade quando estamos em lugares públicos ou na casa da Rita e também não gosto da idéia de ficarmos parados d entro do carro. malhamos e depois luta mos. Débora foi à sua direção e argumentou com certo temor: Sérgio. trocarmos carinho. fique aqui! . Apanho também. É que já fiz arte marcial. falou com ternura: Pare de me pedir desculpas. Será com o você quiser.. esmurrando-o no peito com suave delicadeza. mas riu imediatamente ao brincar. E. Nós temos um equipamento de ginástica em casa e sempre que podemos nós fazemos corridas. poderemos voltar aqui outras vezes para conversarmos. confessou generoso: Não vou negar que te desejo.. ao vê-la segurar o riso no semblante brav o e continuou com ironia: Então. que tinha o dom de exercer forte atração. Débora. Débora . Sérgio perguntou: Você se importa se eu tomar um banho antes de irmos? Lógico que não! Vai lá! E você.Visitar três ou quatro apartamentos em vista para alugar. Assim como eu. perdoe-me por te trazer tantos problemas. Sabendo que a levaria p ara casa e passariam o dia juntos. Depois sorriu e fitando-a de um jeito apaixonado.. Eu a respeito e quero que confie em mim. Débora ficou na ponta dos pés. Longo tempo depois a jovem retornou. Nós precisávamos de privacidade para conversar em um lugar tranqüilo. acariciado sem ter de me preocupar com nada. Rapidamente ele a envolveu em seus braços e a calou com um beijo. . Você não fez nada errado. O u só dormirmos. E como. continuou: Por favor.. ela falava mais detalhes de seus planos enquanto e le reparava as suaves mechas de seus cabelos que reluziam como ouro sob a luz do sol matinal.. Mas estou sa tisfeito por tê-la abraçado. você desejava que f icássemos juntos em um lugar mais à vontade no sentido de não ter alguém por perto. Dizendo isso.. não diminuiu o que sinto por você... Conversaram um pouco e brincaram enquanto tomavam café. frustrado comigo.falou sério... beijado. .. Explicando no m esmo tom.respondeu o namorado com um sorriso irônico. perguntando animada: Demorei?! De jeito nenhum! .. mas parei .sorriu.expressou-se rindo. sem razão alguma.Vendo-o se virar e fic ar à sua frente.Ao vê-lo com semblante sério e muito r eflexivo por longos minutos. Bem. beijando-a. o rapaz caminhou até a janela cuja vista dava para um pequeno jar dim de inverno e continuou silencioso. E.gargalhou gostoso. Sérgio esperou no interior do veículo en quanto ela entrou. Como assim?! indagou inquieta.

Não gosto de vê-lo trabalhando na polícia. Posso me manter com tranqüilidade.. Sabe. De qual gostou mais? .perguntou ele achando graça. Ele poderia fazer alguma coi sa e ter dois empregos. Eu gosto de segurança e a situação está sob controle. * * * O casal estava em uma cantina italiana e conversavam enquanto comiam: Se não fossem os gastos que tenho com a montagem da clínica. Só que minhas costas estão arrebentadas por ficar sentado aqui n o carro.eceu largo sorriso. Sempre fui preve ido em questões financeiras... Débora.... O casal passou o dia visitando apartamentos que interessavam a ela. Pequeno?! ... De jeito nenhum. E eu. Nem minha família sabe que tenho uma economia razoável guardada há tempo. Só por ficar do meu lado e me apoiando!. Mesmo assim. você não ganha tão bem lá! Dedicando-se mais como psicólogo poderá se estabili m pouco tempo e. Puxa! Na verdade.Levantando-se rápido... Trabalhava na polícia e dava aulas de Informática em uma escola de comput ação básica. pois eu posso te emprestar um valor. divertindo-se ao rir gostoso. pois deixei de dar aula e precisava me virar só com o qu e ganhava como policial.f alou alegre. O tamanho é ótimo. Além disso. pois logo será resolvido.. animada. Sérgio. . eu tinha dois empregos. ele riu exclamando para mexer com ela: V ocê é capaz de atropelar outra viatura e o meu carro não tem seguro! Sérgio! O quê?! . Agora. com fome! . E por você ser a culpada.pensando no futuro.. acho meu irmão muito folgado.perguntou o namorado diante da demora. Ganho bem e tenho alguma reserva. Antes de entrar na universidade. Estou exausta.. Vou desmaiar de fome e a culpa será sua! .quis saber.. uma porcentagem do que recebia na polícia eu também poupava. logo no início da noite. mas eu nunca usei esse dinheiro. Desculpe-me! É que estou tão animada!..riu gostoso. mas. E eu gostaria de saber por que não deixa seus cabelos mais compridos? São tão lindos! E mais prático assim! . Ótimo! Mas vamos comer alguma coisa. certo? Ele ofereceu belo sorriso ao dizer para não se chatearem: Pensei que tivesse demorado porque lavou os cabelos. ainda estão molhados. você sabe da história e não vou me desgastar. ajudava e ajudo nas despe sas lá de casa. vamos?! Pegou os endereços? Estão aqui! Sei onde ficam! Falaram algo por vê-la chegar agora? . . Não vamos dar atenção a isso. Do terceiro. já que a família está aumentando e...Sérgio fingiu desmaiar e se jogou sobre ela.. d inheiro não é o meu problema. fechando o sorris o.. Às vezes fico p ensando que o verei em um hospital ou. eu poderia ajudá-la.Alguns segundos e continuou: A situação ficou difícil quando en trei para a universidade. Ora. Por que acha que demorei tanto? . Tenho tanto medo de que te aconteça algum a coisa! Por isso você poderia pedir para sair logo desse serviço. espere. No carro.. mas.justificou com uma questão. me deve uma massagem! Vou fazê-la com o maior prazer! . Não pagavam bem. Por isso. Durante o período que durou a graduação em Psicologia. Mas. não cons . Mas.reclamou o namorado. E é um dos mais baratos! Ah! Vou alugá-lo! ... Você não acha? Não.. antes de irem.. Sei lá! Até você se estabilizar na clínica! Entendo o que quer dizer.indagou mais sério. a moça se queixou delicadamente ao se sentar: Ai..perguntou. que brincou: Tudo bem! Vou socorrê-lo para um restaurante! Quer que eu dirija ? Deus me livre! . Mas?.expressou-se feliz. Serei bem sincera.. após verem o último da lista. .sorriu. Sem dúvida! Eu também! É pequeno.

sempre animado. contribuo com serviços de mão -de-obra. Não!. .disse com sinceridade.egui poupar nada. espíritos inferiores se alvoroçavam. considerável médico psiquiatra. Um silêncio fúnebre pesava no ar. Aquela noite não lhe serviu para o devido descanso. do fisioterapeuta. Porém teve a impr essão de estar acordado. Você?! . Ouvia sussurros.. porém consigo controlar tud o. servindo-se com uma xíca ra de café. O João está cuidando da prestação de serviços terceirizados na parte de massagem. deitou-se e rapidamente adormeceu. Uma vadia como ela só pode passar a noite fora e. desper tou sentindo as mãos frias e a cabeça pesada. Alguns segundos. de quem cuidará da acupuntura. quem controla as finanças. Em dado momento. O que significa que as instalações contribuem p ara o que precisamos. meu bem . em vez de empregar dinheiro. Sér gio perguntou: Estava falando de mim? Ouvi meu nome. Deixando-se dominar por pensamentos que não l he pertenciam. Os dois estavam animados. Ah! Eu quero conhecer! Não. sorrindo.. Quem conseguiu foi o Nivaldo. Até me surpreendo por conseguir acompanhar com as despesas de um jeito ou de outro. decoração. malhar e lutar um pouco?! Acomodando-se frente ao irmão. Durante o trajeto. Foi usada p or uma clínica ortopédica e fisioterápica.surpreendeu-se. ele d irigia vagarosamente. Imediatamente. Sérgio! Sente aí! . inspirando idéias que pude ssem gerar conflito entre mãe e filho. dona Marisa não parava de se queixar fazendo com que o filho perdes se o apetite. experimentando uma onda de sentimentos que começaram a deixá-l o apreensivo.. divisórias. Aaa. falou desanimado: Não estou bem disposto hoje. mas as despesas com a clínica estão sob controle. mobília apropriada para determinados setores. dona Marisa reclamou: Você deu para passar a noite fora de casa! E o dia também! Mas eu liguei avisando . risos macabros e figuras animalescamente monstruosas.pediu Tiago. aqueles pesos lá na garagem estariam enferrujados! Vamo s dar uma boa aquecida. senhora! Só a levarei lá quando estiver tudo arrumadinho! . Que tal treinarmos um p ouco? Se dependesse de você. calmamente..Sérgio se deixa dominar pelo ciúme Chegando à sua casa. Os gastos com livros e outras coisas eram grandes. 9 . E é o doutor Edi son. Lógico! E sou bom nisso! .cumprimentou Sérgio. Tudo está dando certo! E a localização? Ah! É ótima! . é.. ele se lev antou e procurou se recompor o quanto antes. . Para afugentar o mal-estar. de uma adequação na parte hidráulica. encontrou seu irmão Tiago fazendo o desjejum e sua mãe falando sobre ele. É uma casa.falou com jeito manhoso. Por algum tempo conseguiram afugentar as preocupações q ue castigavam seus pensamentos. Se precisar. Deus o abençoe.gabou-se. Cada um faz uma coisa. suas reclamações ficavam mais fortes e agressivas. admirando-a. Na espiritualidade. Sérgio percebeu que não havia ninguém acordado. Eu sei. Algumas vezes. alguns reparos. Talvez amanhã à noite. Era tarde quando Sérgio levou Débora para casa e se foi. mãe . Estou cuidando da pintura. perguntou mais séria: Te m certeza que não precisa de uma ajudinha financeira? Não vou mentir e dizer que estou nadando em dinheiro. À medida que a senhora aceitava a influência espiritual. Tudo é dividido entre os quatro sócios? Sim. de especialistas em florais e outras coisas.avisou com expressivo olhar meigo. ela extrapolou ofendendo Débora com acusações e nomes que feriam gravemente sua moral. Agora tudo está mais calmo..Virando-se para sua mãe. Bom dia. mas nada disse. Não sei como. Chegando à cozinha. Após tomar banho.disse animado. .exclamou sorrident e. Bom dia! A bênção. conte comigo . Pela manhã.defendeu-se Sérgio.

Sabe. Eu fui um tonto! . Colaborei com tanta coisa e nin guém reconhece. sentou-se na cama ao lado do irmão e pergun tou em tom brando: Está mais calmo? Como posso estar?! A mãe não me dá um tempo! Não tenho um dia de sossego. Atirando-se sobre sua cama.Bre ve pausa e o rapaz desabafou: Ele e a Ana precisavam de dinheiro para a compra d o mês e eu ajudava! Faltava leite para as crianças. Comentei com a Débora sobre eu ter trabalhado em dois empreg os... cara! Já cansei também. ficou pensativo. O que deixei foi de dar dinheiro para as despesas do Marcílio! . o mentor de Sérgio. Tiago havia se levantado e enquanto ouvia o irmão foi até a gaiola e pegou o rati nho de estimação. Sou homem suficientemente capacitado para planejar a minha vida e não um vagabu ndo como o Marcílio que vive à custa do pai e dos irmãos! Engravidar uma mulher é fácil! G ostaria que ele fosse homem suficiente para assumir as responsabilidades! Wilson. ele avisou: Vai lá. desrespeitando minhas opiniões e sentimentos.revidou à senhora. Sozinho terei menos despesas e mais sosse go! Eu te entendo. acabo dormindo lá. Não tem amor por você. Se ela ainda não tem bom-senso.. Sérgio! Esse é o momento! Diga tudo o que pensa. Virando-se para a mãe. Você não passa de um moleque! Moleque?! Depois de todo o esforço que me viu fazer para ter uma vida melhor?! É isso o que eu pareço para a senhora?! Um moleque?! É isso mesmo! Você nem foi homem corajoso o suficiente para constituir uma família! E um covarde por admitir que não queira ter mulher nem filho! . Fica frio . Tufi! Conta para o seu dono que fui eu quem deu o maior trato na sua ga iola ontem e hoje! .. ta? Não vou admitir que me trate mais assim. o rapaz analisou sua mãe como incapaz de entendê-lo e qualquer tentativa para isso só iria desgastá-lo inuti lmente se continuasse a falar.Entregando-o para Sérgio. Es tou pensando seriamente em sair daqui. Passei muito sufoco para me formar em Psicologia e estou dando o maior dur o para montar a sociedade com a clínica. Falando com o a nimalzinho. Faz algum tempo que estou dando aula na ac ademia e às vezes os treinos terminam tarde ou algum aluno fica lá conversando e. Lembre-se de que ela mesma disse que quase o abortou. pois estava muito nervoso..Chega. pois não queria mais ter filhos! Você nunca foi querido e só serve como provedor para sustent ar os gastos deles! Sérgio não podia ouvi-lo. Agora chega! Nesse instante. o espírito Sebastião insuflava: Vamos. luz e parte do imp osto da casa. falou: Eu ia colocá-lo na sua orelha . ele foi para o seu quarto parecen do irritado. hein! Vamos com calma. Não demorou e Tiago entrou no quarto. mãe! . levando-o até Sérgio. levantando-se ao mesmo tempo em que socou a mesa com ambas as mãos. Percebendo ser inútil ficar ali.afirmou Sérgio com veemência. Mesmo sem ouvir seu anjo guardião.exclamou. Por um segundo Sérgio ficou atordoado pelo choque de energia salutar recebida. com extrema generosidade. Ame e perdoe. Agora. não suportava aquela sit uação. Dona Marisa não parava de agredi-lo com palavras e acusações injustas. Não consigo mais ficar nesta casa. Ele estava em pé ouvindo as queixas de sua mãe e não suportou ouvi-la dizer: Não vou admitir que grite comigo. mas tais idéias chegavam nítidas aos seus pensamentos. Eu pago as contas de água. inspirando-o: Essa discussão ficará pior. mãe! . em vez de incentivo. As louças estremeceram e o silêncio foi imediato. Só que não conto nada aqui em casa ou meu dinheiro será sugado! Eu não tenho dó deles como você. aproximou-se e.pediu Tiago com jeito ponderado. repreendeu: Agora a senhora pegou pesado. Sabia que o bichinho o acalmava. não! Chega! Tenho que cuidar da minha vida. Espere aí! . só recebo críti cas e ofensas. eu comprava! Até fralda comprei! A h. A senh ra vive me provocando. tenha bom-senso você.gritou Sérgio. abraçou-o p elas costas com um gesto paternal. sentando-se.reclamou Sérgio. Você fez bem. meu irmão.Sua mãe nunca o considerou.. Puxa! O Marcílio sempre foi muito folgado. Tiago! Agor a deu pra ofender a Débora! Não agüento mais essa vida! A mãe está nervosa desde quando você parou de ajudar financeiramente em casa. Calma aí. de tanto levar bronca por chegar tarde demais. Prefiro levar algumas broncas por considerarem que eu estava na farra a ser roubado pelo meu próprio irmão.

Houve uma mudança de comando e alteração na escala. Mas toma cuidado para ele não escapar. as eles cuidavam da imobilização de sua perna. Os cachor ros foram usados para encontrá-las mais rápido. Só uns pedacinhos de queijo no encosto atrás da mãe. em choque.. Que coisa bonita. fumaça. a vida será agressiva com você. Houve um deslizamento de terra e felizm ente encontramos duas vítimas com vida.. meu?! Por que não procura algo melhor? Faz um curso universitário?. Eu nunca vou me esquecer da ação do grupamento do Corpo de Bombeiros que tirou a Débora das ferragens retorcidas. contagiando o irmão ao narrar suas peraltices. mas reconfortante não deixá-los na dúvida.ria divertindo-se. A mãe nem piscava. Pelas informações dos parentes e morador es só haviam aquelas duas pessoas que foram socorridas. Que nada! O duro é quando o danadinho sai do meu ombro. . pois é você quem a faz.. ela estava vendo televisão e eu o coloquei no encosto do sofá!. hein. cara! . comemorando..lembrou Tiago.... sabe Tiago! Por quê? .perguntou com estranheza. Eu a vi colocando comida. . Depois comentou: Viu?! O Tufi confia em mim! Correu para a minha mão. E o Tufi parou ali p ara comer. mas os cachorros ainda far . Parecia não haver hierarquia e.afirmou Tiago com b rando sorriso e olhar brilhante. eu vi dois se abraçando. como você.... enchente. Pra pegá-lo dá um trabalho!. emocionados... estava tão atenta à novela e não percebeu que era o rabo do Tufi. É t riste. explicando os procedimentos. É! Esqueci que amanhã é segunda-feira! . . Acho que não é um serviç fácil. De um desabamento. Eles estavam preocupados. Brincar com ele ou pôr medo na mãe? . Provavelmente sobreviveram por lhes restar ar debaixo da parede que caiu sobre elas. desce para o chão e corre te procurando.Tiago agitou-se com a lembrança de sua travessura. A m morre de medo dele. desabamento.Sérgio sorriu e reparou: É engraçado. trocando o jornal . Por que você não estuda. meu! Nossa! Aquilo é min ha vida! Não me sinto policial! Enfrentando fogo.tornou Tiago. Tiago perguntou com jeito maroto: E aí? Conta. está ótimo. incêndios.ri a. o outro respondeu com um ânimo imediato: Ficando ótima! Vou pintá-la na semana que vem. mano. mas não quis incomodá-lo e o deixei aqui no quarto..perguntou Sérgio. Como está a clínica?! Brincando com o rato. A mãe me xingou tanto! .gargalhava. quando a tiraram do carro. Fi ótimo! Obrigado por cuidar do Tufi pra mim .. olhando-o de modo generoso. ela cuida do Tufi. não resisto brincar um pouco com ele. Amanhã! .riu.. porém disfarçou.agradeceu. a mãe deu um grito! O coitado se assustou e saiu correndo na minha direção para a ponta do sofá!. Já comprei as tintas. . O comandante da operação estava com lágrimas nos olhos.. na insegurança e sem a despedida.... Estou de manhã. . A Débora. ele refletiu um pouco e falou encarando-o: Eu te admiro. Sentado. Tia go defendeu-se: Ta bom! Eu sei que dá para limpar a gaiola e alimentar o Tufi sem tirá-lo de lá. Sem tirá-lo da gaiola. Sabe.Após alguns minutos de silêncio. Ela sentiu algo em seu pescoço e passou a mão várias vezes.. Ah!.. . . Adoro trabalhar no Corpo de Bombeiros. água.. Mas quando pegou o Tufi na mão. Não adianta brigar com a vida. não a forçaram para arrancá-la de mim. Ela ficou invocada com o que passava em seu pescoço e puxou pensando que era alguma outra coisa..hoje cedo. O peso da terra era enorme.. às vezes.Vendo o irmão afagar Tufi... É tão gratificante poder quebrar uma parede e tirar alguém das chamas. me agarrou. jogou-se para trás de tanto rir e contou: Outro dia.. com respeito a uma vida. De relance .. .. sorrindo admirado.. Tiago gargalhou gostoso. Lógico! Qualquer força será bem-vinda! Mas você não está na escala vespertina? Não.. Atuavam com amor. Ah! Outro dia aconteceu algo curioso.. lógico. os rolos e pincé Quer ajuda?! ....Antes de o irmão comentar. mas quando percebe que eu não tive tempo nem você. mas. E recompensador socorrer uma pessoa que e stá se afogando ou mesmo encontrar um corpo desaparecido nas águas ou sob um desliza mento de terras para entregá-lo à família a fim de que possam lhe dar um último adeus. quando tenho tempo. sorrindo desconfiado. Eu me agachei e coloquei uns ped acinhos. Tudo pra você está bom. Se fizer isso.. Co nversavam...expressou-se Sérgio.. Não pensei nisso.. Sempre agradeço a Deus quando conseguimos salvar uma vida ..

Violeta! Foi o nome que demos a ela e através de votação! O dono não foi procuráa e ela se tornou mascote lá no grupamento. E o Breno? . Débora deixou a casa de seus pais. Sérgio estava satisfeito com a clínica. surpreso com a procura e o interesse das pessoas pelas diversas terapias. . Sim. Não. As coisas melhoraram depois que se mudou para cá? .resmungou a jovem baixinho ao se remexer.O rapaz tinha o olhar perdido e os pensamentos distantes . . Já brigamos bastante. Tem que ver como é inteligente! Só falta f alar e brinca pra caramba! Sérgio se distraía com o que o irmão contava. Lógico! É uma vida.. . Sérgio segurou cuidadosamente sua face delicada e tornou com baixo volume na voz g rave: Prometemos dizer a verdade um para o outro... Como te falei.. O Breno a procurou? Procurou-me.perguntou com jeitinho. Ele não perdeu a classe nem me fez qualquer pr oposta. Sérgio! Um veterinário do canil da PM a atendeu. Deitado ao seu lado.. Débora. Espere. Não estava atento ao filme nem ao que a namorada dizia. questionou bem calmo e sério: Sei que venho perguntando isso com freqüência.. Um não freqüentava a casa do outro e por isso quando não est avam na companhia de amigos. Houve muita discussão antes e depois de sua mu dança.. A única c oisa que a coitadinha não gostou. engessou uma das patinhas e nós a levamos para a unidade. O que foi.. Ele não ligou? Você não procurou falar com ele ou com sua mãe? Não. o que nos deixava bem preocupados..contou Tiago com expressiva alegria. Ao contrário.. Não vejo a hor a de entregarem o sofá. porém sinto-me mais livre. procuravam um lugar tranqüilo onde pudessem conversar e trocar carinho com segurança. *** Apesar dos obstáculos com as famílias que não apreciavam o namoro entre Débora e Sérgio . Só quis saber se eu estava bem e. obrigado . aliviando seus pensamentos da discussão com sua mãe um pouco antes e das preocupações com os problemas de família. esse é o método dele para se aproximar. minhas costas.. independe nte e isso me trouxe tranqüilidade. Todos cuidam com a maior atenção da Violeta. E ela perguntou: Quer ma is pipoca? Ah!.Vendo seu rost o pálido enrubescer e a moça fugir-lhe ao olhar.respondeu.riu. O apartamento alugado ainda não tinha toda a mobília. O senhor Aléssio está mais calmo? Parou de me culpar por sua decisão? Não conversamos mais. você está com muitas preocupações com sua família. Mas.. sim. Levantamos uma parede de madeira caída e encontramos uma cachorrinha! Fi lhotinha! . Olhando-a profundamente. preocupou-se. Sérgio? Você está tão longe. . E depois?! Ela precisou tomar antibióticos. Havia ameaça de outro deslizamento há qualquer momento.quis saber ele. com a clínica! Eu não que e levar mais problemas! Você não é um problema para mim. Violeta?. no começo estranhei um pouco.ejavam. o que deixou o senhor Aléssio furioso. Os cães insis tiam. sem ninguém para incomodá-los. choravam. Débora. Diminuímos o número de bombeiros em risco e começamos a tirar a terra com cuidado. mas acho que esse cara vai tentar algo contra nós. Ela e o namorado estavam as sistindo a um filme deitados no tapete da sala e apoiados em almofadas. Ficou boa e entrou nas vacinas! .perguntou curioso. cavavam mostrando que tinha mais alguma coisa ali. E está melhor assim. *** O tempo passa célere. após leve sobressalto. contra você! Por que não me contou? Quando foi isso? Meu amor. mas. nada conseguia separá-los. o amor e a confiança entre eles aumentavam e os uniam cada vez mais. Ai.. E vocês a socorreram? .. Esse rapaz não é equilibrado para insi tir tanto assim! Ele é obcecado por você! Não sei o motivo.

murmurando sentido ao encará-la. Caminhou até a mesa.sua voz embargou e era difícil conter as lágrimas. que o inspirava. Das vezes em que. sem querer. Ele me procurou pessoalmente e das vezes em q ue nós conversamos. Estava pronto para ir embora. Débora! O que queria ouvir de mim?! Parece que sou sempre o último a saber! Não!. disse que queria ser meu amigo. E .Sentando-se ao seu lado. Marcar c om ele em outro lugar. Recebi incontáveis recados dele e todos bem gen tis. que chorava. mas não hoje!.ela chorou. e mesmo com a voz entrecortada.sussurrou. ele perguntou secamente. pegou as chaves do carro e a jaqueta. . Generoso por. atendi o celular e conversamos. Não me surgiu outra idéia. escondendo o nervosismo. Sérgio sento u-se rapidamente e reagiu com austeridade ao interrompê-la: Como é?! Vocês se encontraram e conversaram?! Quantas vezes vocês saíram?! Não pensei que fosse protestar dessa forma! ... Confusa. As pessoas qu e passavam..explicou.. ....perguntou.. Não se preocupe.. segurou em seu braço forte e enrijecido.. Envolto por energias pesarosas do espírito Sebastião. Eu ia te contar.. Mais o que. em tom arrependido: Ele foi até a com panhia imobiliária e me esperou sair...Mas o Breno é! O namorado estampou nítida insatisfação por ela ter omitido o fato e insistiu mais sério: Quando e quantas vezes ele a procurou? E o que disse? Ta bom! Se quer saber mesmo!. Co m os pensamentos fustigados e extremamente contrariado. Sérgio se levantou.. . Suspirou fundo. esqueceu? Porque meu pai queria que terminássemos! Em tom baixo. ele decidia o que fazer diante daquela traição. Virou-se para a janela novamente sem olhar para Débora. Eu dispensei o Breno e. Sérgio!.. O que eu poderia fazer?! Ele me entregou o maço e eu segurei! . Até se culpou acreditando que eu saí da casa dos meus pais por causa dele.. sua mentora. Débora se levantou...... prosseguiu: Pelo fato de muitos ali te conhecerem.perguntou em voz baixa. lembrou-a: Seu pai desejava que terminássemos para você assumir um compromisso com ele. mas se controlou e perguntou: Por que você atendeu as ligações do Breno? Não olh ou o número no visor do celular? Ele tem uma empresa grande. Algumas colegas ficaram me olhando com aquelas flores nas mãos. Débora? .. às pressas. parec endo implorar por compreensão. Eu estava envergonhada.. Virand o-se e vendo-a sentada no chão sob o efeito de um choro silencioso e sentido. segurou-a com força. Caminhou alguns passos e ficou olhando atra vés da janela para não encará-la. respondeu no mesmo tom: Não! Saí de lá por você.gritou Sérgio. quase impiedoso: Você aceitou as flores.. Por que não me contou? . Que se exibi a gentil. Veja como você está?! Estou me sentindo enganado.Sérgio sentiu-se esq uentar... Os números são diferentes a cada ligação.. .. Sérgio sentiu-se transtornado. o Breno foi educado. E não foi?! Encarando-o. dissimulando o ciúme. Puxa! Eu precis o atender o celular! Trabalho com isso e dependo desse emprego mais do que nunca . .. Estav a incrédulo.. por me verem com ele que. Que idéia você teve. Ele nunca me ofendeu. Mesmo chorando.. dispensou o Breno e?.falou sob o efeito do choro que t entava segurar. ela contou: Fiquei con. esqu eceu? E o Breno por sua vez não deixava de freqüentar sua casa.. Inspirada por Olívia. castigando os pensamentos do rapaz com as piores idéias. Débora?! Soluços quase a impediam de falar.. A primeira vez. saberem que namoramos eu.. O espírito Sebastiã não oferecia tré-gua.. e o abraçou pelas costas implorando: Por favor.. que não conseguiu envolver e falou entre as lágrimas. ves tindo-a. Perdoe-me! Não aconteceu nada! Só conversamos! Ele se virou de frente para ela. apertando-lhe os braços ao . Sentia uma fúria nunca experimentada. Flores?! . Foi o mesmo q ue receber uma facada no peito e ver seus sentimentos destroçados pela decepção.um prant o copioso a interrompeu. Constrangida. conversamos na frente do prédi o e ele me pediu perdão se culpando. a não s er.

o quê? .gritou para despertá-lo... não mênstruo nem eng ravido. Mas... tenho medo de que algo aconteça com você. Por favor. Mas não posso negar que seja meu sonho. com toda aquela generosidade. fitando-o nos olhos. enquanto usar esse hormônio.. Estávamos lá sentados em uma me sa na calçada. Não! Vez e outra eu te pergunto sobre o Breno e você diz que está tudo bem! Então isso é t udo bem para você?! Por que não me contou?! Aaaaa! Mas contou para a Rita!. levantei e fui embora.. chorando junto com ele: Eu ia te contar. Encarando-o firme e séri a. . ta? .Respirando ofegante. Vendo-o confuso. O Gust avo também deve saber. Eu falei que te amava m uito e que nós dois estávamos imensamente felizes por eu esperar um filho seu! Sérgio levou um choque. Sérgio..Mais branda. mas. e abraçou-a com força . sentindo-se ferido e decepcionado.murmurou. . Ao me ouvir dizer que estávamos felizes por esperar um filho. Sou eu que devo pedir desculpas. murmurando com sorriso leve e doce: Quero terminar a faculdade. por eu usar uma medicação para impedir as cólicas terríve is que sinto e. apesar de gostar muito de mim!. afastando-a um pouco. desculpe-me pela reação irracional.. É que não suporto a idéia de vê-la com outro. enquanto a envolvia com um dos braços. . na minha test a?! Sérgio a largou com um leve empurrão e ia embora. Além disso. mas.. porque nu nca nos relacionamos! Segundo... em público! Quando ele. você me enganou . perguntou firme: Você contou isso para a Rita? Contei. parecendo ainda estar sob o efeito de choque. explicou. .ele pediu com baixo volume na voz estremecida.Tornou. ela aguardava uma manifestação.. mas não o fiz quando tudo aconteceu por medo de você reagir fu rioso contra o Breno. arrumar um bom emprego.. tremia ao revelar : Com toda a força e verdade vindas do fundo do meu coração. ele empalideceu e não disse mais nada. eu não tenho as cólicas. Sérgio! Eu mo rreria!. Primeiro. Estou envergonhado pelo me u comportamento. indagou: Acha que sou louca?! .respondeu firme. Eu te amo tanto.ele sussurrou. .. Eu menti para me livrar dele. Ficou petrificado. disse que queri a ser meu amigo. Ele reagiu oferecendo leve sorr iso. Mentiu par a mim. Desculpe-me..lhe dar um leve chacoalhão e. ao vê-lo pasmado ainda. Passando a mão delicada com suavidade ao apará-las. que esperar um filho seu me faria à mulher mais feli z do mundo! O namorado permaneceu alguns minutos parado à sua frente concatenando as idéias... pôde ver as lágrimas correr no r osto do rapaz. imp edindo-o de sair e contou rápido.. Espere aí . Débora se colocou à sua frente.respondeu. a jovem pediu chorando: Desculpe-me. Débora. ela continuou com lág rimas correndo na face pálida: Eu não queria que você brigasse com ele! Já tem muito com o que se preocupar..Afastando-se do abraço.. Você não pode estar grávi a.. Com o coração acelerado.. abaixando o olhar ao tempo em que ele a segurava. Sérgio! Eu só queria resolver essa história com o Breno da melhor mane ira e de uma vez por todas..pediu extremamente humilde e acanhado. gritando: Eu pensei em me livrar do Breno com a mesma classe que ele exibe! Então pedi pa ra me encontrar num bar. Mas. olhando-a com um brilho lacrimoso nos belos olhos verdes. E eu?! Somente agora me diz que ele foi gentil... Não pode esperar um filho meu. te l evou flores e que você marcou encontro com ele?! Está escrito: idiota. Fui pr ecipitado demais. Débora. Eu sei! . Eu sorri... explicou com voz morna e apaixon ada: Lógico que não existe bebê algum. Nunca houve nada. puxoua para si e perguntou bem calmo: Ele te procurou novamente? Não .. Não teria como eu engravidar. no dia seguinte. mas acho que funciono u. Não esperei para ouvir tudo o que precisava contar. Sei que errei por esconder os fatos.. Com a voz abafada em seu peito.. ali perto. vê-lo bem estabilizad o e. Eu disse que sentia muito! Qu e ele era uma cara legal! Mas que eu amava você! Disse que a nossa amizade seria d ifícil pelo fato de você ser ciumento! E.. Acariciando-lhe os cabelos finos..

perguntou com bondade: Tem certeza de querer falar sobre isso comigo? Se você já superou esse fato. Isso é passado e não quero vê-la magoada.admitiu. Ele sempre insisti a para uma relação mais íntima.. Débora aproximou-se. O que é? Débora..Beijando-lhe a testa. entende? Não me sentia preparada. Às vezes. Tem alguma coisa que queira me perguntar. Seus olhos ficaram marejados e Sérgio pediu com ternura. Estávamos juntos há alguns meses e nos gostávamos. Vem cá. . Não consigo ser ágil sob ressão e.. Eram amigas e se davam muito bem. Na verdade.tornou ela mais séria. Não tinha chance e. mas nada sério. sobre o que nos diz respeito. abaixando o olhar. Estou com vergonha. acho que devemos deixar tudo bem claro entre nós. eu sempre quis te contar isso. fal ou no mesmo tom: Se não quiser me contar. Você é ciumento! . Por quê? . tudo bem.Deixando-se conduzir. Agora eu entendo.. Isso não podia contecer. Se quiser fazer pergu ntas... pedindo com jeitinho gracioso ao sorrir: Tire a jaqueta e deixe essas chaves aí. sentiu a voz travada e duas lágrimas deslizaram por sua bela face.pediu com jeito generoso ao pegar o braço da namorada e levantar a ma nga da blusa. você precisa saber. Só quis pou pá-lo de problemas.. A partir do momento que decidimos ficar juntos.. O passado não me importa nem me incomoda. Perdi o controle emocional e a razão. Vem cá. . Contei tudo o que precisava saber. eu me sentia envergonhada. Olhando-a firme.. falando em voz baixa: É que eu jurei nunca mais entrar em um motel. Qua ndo surgia oportunidade. não pr ecisa contar nada. Sérgio as aparou e. Eu quero contar. ao mesmo tempo em que examinava. tentando abraçá-la: Esquece. afagando-a o rosto. Tudo bem . Pare com isso.. fazendo-lhe um carinho no rosto gelado.O namorado obedeceu e ela tornou fala ndo no mesmo tom: Agora vem. Débora .riu suavemente ao falar. Isso não pode acontecer! Eu não conseguia falar e você me pressionava só com o olhar. Parecia com medo... Fui precipitado demais e. por favor. falou firme e.. sinto uma dor no peito p or você ter falado que eu o enganei daquela forma. eu namorei um rapaz. comovido.. perguntou: Machuquei você quando a segurei? Não!. quero te contar.Encarando-o.expressou-se com leve sorriso. . Se não o incomoda mesmo.falou sério com o semblante triste. quando fomos ao motel pela primeira vez. Vendo-a pensativa. . continuou: Tive alguns namoradinhos. mas eu regulava. Não pense que a estou pressionando. Era algo mais sério. Tem algo que me incomoda . . Não. Eu tinha acabado de faz er dezoito anos.. É.. o rapaz acomodou-se no chão novamente e ela perguntou enquanto preparava o equipamento para retornar a ver o filme: Está com fome? Não. Tem algo que ainda queria me dizer? .indagou com voz branda e olhar enternecido.sorriu... Porém. propôs: Acho que não é o momento ideal para colocarmos uma pedra sobre esse assunto e esq uecer tudo. você rea giu de uma forma muito estranha. puxando o braço.. Sou . Sérgio. Talvez seja alguma experiência p essoal a qual não me deve explicações.. Nossa s famílias se conheciam. Estou me sentido tão mal!. ta? Ele lhe fez um leve carinho na cabeça e ia puxando-a para um abraço. Vamos terminar de assistir ao filme. O que fiz foi agressão. Cerca de três anos antes de te conhecer.. Sempre lembro disso e.. fique à vontade. ao entrarmos no quarto. sentou-se ao seu lado e confessou: Eu também estou envergonhada por omitir o que fiz. Não sei explicar o que senti na h ora. Sérgio? . Estava nervosa.quis saber generoso. quando ela o deteve e encarou-o. sem se deixar envolver pelo abraço... Não foi isso o que fiz. Ela engoliu seco.. Para ser sincera.. .revelou. ele argumentou: Eu te adoro! Podemos ser bem felizes juntos! A jovem o beijou nos lábios e o puxou pela mão. confusa e tre mia. Apesar de ser algo superado.

sem relutar. Após longo tempo.. você foi tão leal. com brandura...falou com ironia. Ele não deu importância e continuou.. . Entende? Lógico! Sérgio. mesmo com as lágrimas insistentes. afastando-o de mim.. Quando olhei. Mas eu desejava que não fosse a um motel. Então o empurrei com força. e tranquei a porta. Das outras vezes em que me l evou lá.sorriu generoso . vendo-a recomposta. me bateu forte e eu não conseguia reagir. Imagino que deva se relacionar com outra mulher. ele falou: Desculpe-me fazê-la relembrar tudo isso e também por agir daquele modo quando fom os ao motel pela primeira vez. lógico que nossas famílias eram amigas. Deitava-se de bruços.. confusa. Fiquei nervosa e aos grit os brigamos. . Nunca mais vi aquele cara. com medo e fui para casa. ao chegarmos ao quarto. Não era o que eu queria e mudei de i déia. pois.Lágrimas correram e sua voz embargou. Confiava mais e mais em você. que com as carícias eu te excitava. Depois. por isso decidi tomar um banho. mas decidi que teríamos mais intimidade. Só d epois fui embora. tive me do disso atrapalhar nosso envolvimento.Débora suspirou fundo e contou: Como eu ia dizendo. com hematomas no rosto e nos braços. disfarçando a indignação: Ele a violentou? Não! Mas eu estava atordoada. O diei meu pai a partir desse dia.. Fiquei apavorada.. encontramos com amigos e nos diver timos bastante. Chegamos ao quarto e me sentia s uada por dançar a noite toda.. Ele caiu d esmaiado. Eu estava ansiosa e até nervosa. Pedi que fizesse alguma coisa. sem dizer nada. Decidi sair e encará-lo. digno.. o quê? . Segundos de silêncio em que se entreolhavam e Débora falou calmamente: Na primeira vez. . fui correndo vestir minha roupa. ... Mas. Quase atacada. trocamos tanto carinho. Pedi para q ue fosse tomar um banho. Estava insano e tentou me forçar a ter relação. Naquele di a fomos a uma casa noturna onde dançamos muito.. E sobre mim.. Levant ei.. eu estava com medo sim. pois acho que fiquei com algum trauma.. Demorei um pouco lá dentro pensando no que fazer.. me jog ando na cama... ela contou com inflexão de agonia e des espero: Eu disse que iria embora. e lágrimas rola ram num choro silencioso. Pensei que iria me tratar com car inho. Mas.. Depois fique i mais à vontade. Minha decepção foi imensa. Quantas vezes me frustrei. Meu bem .. que a agasalhou em seu peito. enquanto eu adorava acariciar suas costas. Saí enrolada em uma to alha e pensei que ele fosse tomar uma ducha. Eu te queria tanto. Débora abaixou o olhar e Sérgio perguntou. todos tinham dinheiro ! . Eu sabia o que ia fazer em um motel e.Longa pausa. respeita minha insegurança até hoje. Larguei a faculdade de Direito. pois estava me forçando. Não! Não existe outra mulher na minha vida! . mas não. fui me acostumando e o admirava. Sérgio a acariciava com ternura. nós ficávamos tão à vontade! Quantas vezes me deixou tira seu vestido.. pedindo para que parasse de agir daquela forma. Levei um sus to quando esmurrou a porta. pois e le é advogado! Porém meu pai disse que eu era maior de idade por ter acabado de faze r dezoito anos. Isso me martiri a.. que estava no banheiro. Consegui pe gar um cinzeiro grande.. me agrediu muito. vi que ele havia feito uso de drogas.. Estava nervo sa. mas você sabia como me envolver e se controlar. de vidro.. a moça continuou: Ele estava eufórico. Ele me viu com a boca sangr ando. porém nem me ouviu e. .. Peguei as chaves do carro e fui embora. mas me senti sufocada. Ela o encarou e seu rosto iluminou com um lindo sorriso de satisfação pela fideli dade do namorado. ele me levou a um mote l muito luxuoso. não pre cisaria prestar queixa.. Eu chorava ao contar para o meu pai o que aconteceu. e bater com toda a força em sua cabeça. eu me arrependi por só ficarmos daquela forma. Ele ficou furioso.. pois eu não era qualquer uma pa ra ser tratada daquele jeito. entregou-se ao abraço de Sérgio.Caindo em um pranto sentido e silencioso. pois isso só serviria de escândalo em nosso meio social. eu sugeri e. se não houve estupro. s .. Demorou.interrompeu-a de imediato. mas não me senti preparada. Eu sei que me desejava. Ao sairmos de lá. Conversamos bastante.perguntou Sérgio diante da demora. mas ele me segurou..Demonstrando-se bem aflita. Não me deixaram sair do motel até ele atender ao telefone do quarto. Depois argumentou: Precisávamos de um lugar tranqüilo e seguro só para nós.

. Não. a jovem avisou: Vou pegar uma blusa mais grossa e sair para comprar algo e café. Ainda não parou de chover! . Não precisa!.respondeu. Puxa! Como eu queria te contar tudo isso! Mas tinha tanta vergonha.. Um tempo depois. Ai! Que susto! ... A jovem o abraçou com força. beijou-a e obedeceu. Vou tomar um banho e iremos juntos. Tornar am a assistir ao filme.. Bom dia.sussurrou-lhe ao ouvido com voz doce.A moça não atendia. Há mês que ganho mais. Seis meses?! Sérgio. Não sei fazer café e uco entendo de cozinha.. silenciosamente. Ai. Sérgio chegou de mansinho e a abraçou pe las costas. Eu também te quero. * * * O dia amanheceu num ritmo lento e silencioso. Você nunca me forçou nem exigiu satisfações. Sérgio comentou: Como você sabe. como sonhou.. dormindo um sono tran qüilo e profundo. sobressaltou-se quando. a clínica não está dando lucros gigantescos...admitiu sem graça.. Adorava acordar ao seu lado e esta r segura. Débora.... Sem perceber que os minutos passava m. não se sentir frustrado e. Você não tem café em casa? . Vo cê precisava saber para não pensar que eu o rejeito.ofereceu sorriso enigmático . Então me leva para o quarto .. viu que a chuva caía sem trégua e o céu estava encober to por nuvens cinza. embalando-a e dando-lhe um beijo rápido. Então você vai sair da polícia? Acredito que daqui a uns seis meses. mas ficava imaginando e. Por mai s forte que sejam meus desejos. Sérgio. Olhando pela janela.. Pense bem..exclamou rindo. Dormiu bem ? Nunca dormi tão bem! . Sei lá! O namorado a aninhou nos braços.. Nunca a vi totalmente despida . Tomei uma decisão sér .. beijou-a com carinho e disse baixinho: Eu te amo. Tudo aconteceu como queria. deu meio sorriso e concordou.revidou no mesmo tom provocante e adorava toc ar seu corpo. murmurando.. Já era quase noite quando terminou... mas já começamos a obter retorno do investimento.. que o amava e dando-lhe suave s beijos que o estimulavam. Ele sorriu. Preciso dessa estabilidade financeira no momento. Sérgio pediu. Sérgio a tomou nos braços. é muito tempo! Esse trabalho é arriscado! Eu falto morrer quan do sei que está em serviço! É questão de tempo. Eu adoro você e vou respeitar sua von tade até decidir pelo melhor momento. Pára.. mas no fundo sentiu uma ponta de decepção. Nunca o vi totalmente despido ..falou com jeitinho. .entir sua pele macia e a massageava. Foi então que mergulharam em um oce ano de carinho e amor verdadeiro. Ela suspirou fundo. Levantando-se vagarosamente para não acordá-lo. ao ouvido. Pára. Posso não ter um bom salário como policial. Fique tranqüila.. virando-se e abraçando-o.. Afastando-se sorrindo. tomou um banho e foi até a sala.perguntou com simplicidade. Mas você é um psicólogo! Sócio em uma clínica que está dando certo! Sim. .. Ela sorriu ao se lembrar da noite anterior. certo. não vou traí-la com outra porque eu desejo você. ou tro não..admirou-se ele ao olhar através da janela. O mundo deixou de existir para eles. só aceitava e não imagina como isso transformou meu modo de sentir e pensar.. Débora. Eu te quero muito. Débora acordou e sorriu ao ver seu amado deitado de bruços. Ficaram deitados sobre as almofadas por longo tempo e em total silêncio. meu amor! . eu faço questão! . mas é garantido. Depois decidiu: Espera. Mas o retorno do investimento ainda oscila. Sempre vou respeitar a sua vontade. Sem suportar as carícias.. Mas.. sussurrando: Débora.murmurou com voz suave e romântica. enquanto f aziam o desjejum... Desejo-te tanto! Também te amo. e ele tornou a pedir: Por favor.. Geralmente uso o microondas para preparar pratos conge lados. Não tenho quase nada em casa .disse.

você já conhece o drama . brigas inúteis ou sufocar-me ca lado ao ser desencorajado quando eu procurar ter paz e fizer esforços para ser bem -sucedido. a vida tem um significado e nós temos de ficar atentos aos chamamentos para o que rejeitamos ou evitamos na nossa jornada. Haja vista que e la saiu da casa dos pais.Pegando suas mãos por sobre a mesa. após um relampejo de reflexões. Por que. Acredita que não devemos aceitar as situações tais como são. Estou honrando e valorizando o q ue realmente é verdadeiro em meu ser e isso não é errado. Sérgio? . Quer evitar comentários e críticas? Talvez. princ ipalmente para minha mãe. Quero que seja desse jeito.. Não sei ex plicar. Quero paz! E o que a Débora diz? Ela me apóia totalmente. meu bem. já é um herói! Sérgio sorriu. comentou: Não vou me sentir bem morando aqui.. Não quero mais morar com meus pais.perguntou com leve contrariedade no semblante. deixe ontar! . sabendo que posso ser independente. Não! . Mas se a situação ficar difícil e. Aliás.a e vou precisar desse dinheiro agora. Se é assim. Não estou sendo infiel. vou me envolver nos entreveros. Essa opção de mu-dança é uma recompensa por todos os esforços que espendi. Mas não é o caso.. mas. Se desprezarmos os chamados. Continuando a m orar com meus pais. Ele se levantou. Todo aquele qu e se previne de riscos danosos.animou-se um pouco. Acho que sim..concordou João com tranqüilidade. busca o domínio de si mesmo e empreende uma jornad a nova. desleal ou orgulhoso por recusar sua proposta. pode parecer cedo para eu dizer isso. . Aí. vai parecer que eu quero buscar a perfeição. Levo a sério o nosso compromisso. Fique tranqüila. se você deixar! Eles se abraçaram felizes com a esperança florescendo em seus corações apaixonados. Estou decidido a me casar com você. O ambiente lá chegou a um pont o insuportável para mim. vamos lá! . Sabe.indagou com voz melancólica. 10 Sérgio revela o assédio de sua irmã O tempo passou e Sérgio conversava com seu melhor amigo e sócio no final do dia.. Não é o m nto de sair da polícia? Desde quando o conheci. esse sempre foi o seu desejo. Não voltarei a morar na casa dos meus p ais.. olhou-a nos olhos brilhantes. Conseqüentemente. Débora não conseguiu segurar as lágrimas. . Ei!.exclamou brincando. Que decisão?! . Estou tão cansado. porém verd adeiro.. que raramente reclamava. sim! Venho morar aqui. Acomodou-se melhor em sua cadeira e falou em tom irônico...comentou João. Eu adoro v ocê. perguntando com ternura: Tudo bem? Tudo. Vou alugar uma casa e já tenho uma em vista. meu amigo..reagiu de imediato. sentando-se frente ao colega.falou sorrindo. Venha morar aqui comigo! Ele abaixou o olhar e.. ergueu-a. Nós nos uniremos por uma decisão e não por uma necessidade. Conseqüência de dois serviços . transformando-m e em outra pessoa para me exibir.. Estou alugando uma casa e vou querer a sua ajuda pa ra algumas reformas! Não dá mais para viver com meus pais. mas agora não é o momento de vivermos juntos. murmurou ele. mesmo se dividirmos as despesas. eu respeito sua opinião. deu-lhe um bei jo e a abraçou com carinho. É algo que sinto. afirmando: Débora.sorriu. Isso será algo muito especial em nossas vidas. as sim procurarmos descobrir o que podemos fazer para melhorar. para a minha família. estarei ignorando e repr imindo o meu potencial deixando de atuar plenamente no que quero e gosto de faze r. Conte comigo! Está na hora de se livrar do que o mantém cati vo e empreender sua própria jornada . . mas nada que não tenha conserto! Gostei da sua decisão. D epois comentou: Quando eu deixar a casa dos meus pais. Você tem uma mãezona que o apóia e condições que eu não tenho.. Pretendo ter um futuro promissor ao seu lado. João.. Sentia necessidade de ser ouvido e viu naquele momento uma oportunidade: Já que o doutor João se dispõe a ser meu terapeuta. A casa está maltratada. Nem preciso entrar em det alhes. entramos em desequilíbrio com nosso ser. Débora.

O que. Quero ouvir a sua opinião! Não posso chegar ao final da conclusão sem antes fazê-lo pensar e analisar. que o fazem ter m sentimento aversivo por aquela casa? Tudo começou quando meu pai comprou aquela casa.. Do contrário. inventores e figuras célebres realizaram seus grandes feitos depois das idéias lhes terem vindo após um sonho. I sso é muito raro! Só acontece em casos de premonições ou mediunidade. calmamente... Essa foi uma das coisas que você dest acou na imagem que me descreveu. Você me contou. segundo as pesquisas. Qual a sua opinião sobre os sonhos ou pesadelos que se repetem sempre dentro do mesmo aspecto? Não tenha melindres. você sabe que. uma ex pressão pertencente à alma. depois pediu: Então continua. mas não colocá-lo para morar conosco. Primeiro.disse Sérgio com grande expectativa. O sonho é um conjunto psíquico. o simbólico. João comentou: Estive analisando esses sonh os que me contou. doutor Sérgio. Pesadelos! .brincou o colega. a identificação com o contexto da vida da pessoa. João perguntou: Não são as constantes divergências em sua família. até pesadelos horríveis eu tive! E eles se repetem! Sei. Isso significa decifrar o recado que o inconsciente quer dar ao consciente. Independente disso. Acredito que entendi a lguns detalhes descritos sobre as imagens e mensagens. conforme aprendemos sob a visão do mestre Jun g4. como já me contou. o recado de você para você mesmo. Mas como ia dizendo.insistiu Sérgio com um tom engraçado. as diferente da instituída na consciência. ol hando para o amigo.avisou Sérgio bem sério. aqueles que você não quer ter. . Prefiro chamar de sonhos . à mente e com uma racionalidade própria ou raciocínio próprio. você deve deixar seus pacientes malucos se usar essa linguagem! Pega leve! . Muitos músicos. Sérgio. mas sem recordar as aulas. temos de desemaranhar a ligação do sonho com a vida de quem o teve e descobrir o significa do das imagens e mensagens. E isso acontece para quê? . . Por isso vai me ouvir.sorriu ao brincar. fingindo não dar importância. Fala assim porque os pesadelos não são seus. a aparência que ela exibia era a d e uma morta ou o aspecto de depois de morta. Eu tenho examinado a relação dessas manifestações em sonhos dentro de vários aspectos. Você sonhou com sua irmã que já faleceu. Porém estou muito interessado em sua opinião . o que se sabe é que.Diante do silêncio. Sem dúvida! Essas imagens são difíceis de analisar porque não podem ter igual interpr etação. em Psicologia. João. aqui e stamos falando sobre os sonhos involuntários.João riu.. os sonhos podem ser analisados por três aspectos diferentes. Deveríamos ajudar o Marcílio. Sérgio riu de si mesmo. ou seja. o mesmo tipo de sonho não tem significado idêntico para duas pessoas. pertencente à alma ou mente e de natur eza autônoma. vamos lá! Chega de aula! Você é meu colega há cerca de sete anos e conhece bem a minha vida. e terceiro.. Sabe.tornou o outro rindo. E. Essas mensagens do inconsciente sã . muitas vezes. que é a imagem. Quero ouvir seu parecer clínico e veri ficar se é compatível com o meu . certo? sorriu ao questionar. João! Não vamos esquecer que o poder do consciente é considerável quando a pe ssoa possui certo controle sobre ele. sim! . ou seja. junto c omigo. segundo. elas acreditaram qu e a resposta lhes chegaria através de sonho e assim aconteceu. preces e bo ns pensamentos antes de dormir ou a qualquer hora do dia. a morte é o . Mas é claro que isso funciona! Eis a prova do poder benéfico das orações.exclamou sob o efeito do riso. o que é certo ou errado. meu amigo. enquanto acordadas. Será bem mais fácil traduzir isso dizendo que no so nho só existe o que a pessoa conhece. em outras palavras. quer dizer que a consciência não comanda os s onhos. ou melhor. a morte simboli za o fim absoluto de qualquer coisa positiva que existiu.. o imagéti co.De imediato. eles são comandados pelo inconsciente. tudo me incomoda naquela casa. Para o mundo material e corpóreo. né?! . João. O senhor sabe que o sonho é uma expressão psíquica.Sem esperar respo ndeu: Para que o inconsciente transmita ao consciente as mensagens ou imagens si mbólicas como manifestações involuntárias e espontâneas. Como símbolo. Anotei as principais situações que me contou e pesquisei o significado. difíceis de compreender e mais ainda de analisar. No sonho. Espere. Nos últimos tempos. Va mos lá. Porém. teve contato ou criou mental-mente através de alguma idéia sobre o que tenha ouvido.

malévolas. programando sua vida. Crei o que chegaremos a um ponto culminante e é aí que eu gostaria de saber o que você pôde c oncluir. mas infelizmente infernal. João! Continue. O mundo desse homem monstruoso dos seus sonhos não é o mundo exterior . ele pode simbolizar a evolução do espírito das trevas à luz.. Analisando como se os sonhos não fossem eus. com o rosto disforme pelo tiro cujo orifício estava com vermes e a pe le se desfazia como em decomposição e. como já contei. João. na Bíblia . da alma. Sérgio. desafia-o e deseja sua morte ou seu mal. E vamos recordar que Jonas foi engolido pelo monstro marinho.manifestou-se Sérgio. os seus pesadelos com criaturas monstruosas e disformes podem significar a sua renovação. Isso pelo fato de minha irmã se apresentar sofrida. você falou em medo e que esses seres monstruosos se revitalizam ou ganham f orças com o meu medo. Ah! Lembrando aquele que se destaca. prossiga. Até aí. Ao me smo tempo.. nesses pesadelos vejo a minha irmã em um estado lastimável. é enfrentar a tempestade antes que venha a calmaria. pois em pequenos movimentos faciais a pessoa exibe as emoções e as opiniões se m palavras. mas não tenho medo algum.continuou com tranqüilidade . Mas vamos lembrar . através de você. Ao acordar indispos to. mas ela nunca está sozinha. Como sabe. nos sonhos. O rosto é a sede dos órgãos dos sentido s. pois esse homem monstruoso. do espírito. Veja. que não demonstrava qualque r reação. horrendos dos quais me sinto enoja do. pode simboliz ar a necessidade de matar o homem velho para que renasça um homem novo em você. são espíritos com tendências vis. Pode significar a entrada em mundos desco nhecidos dos infernos ou dos paraísos. como lemos em outros textos.. que perdera m a forma humana. Posso garantir que até agora o seu parecer coincidiu exatamente com o meu. mas ele saiu de seu ventre profundamente modificado . a Lúcia chorava. por favor. você sabe que o rosto representa um desvendamento da personalidade. Tanto é que vo cê se assusta ao despertar ou sente como se não tivesse dormido. o homem monstruoso e horrendo que o agride moralmente. mais sensível do ser e a mais visível de todo o corpo. vivem juntas ao mesmo tempo. quer amedrontá-lo. João.aspecto perecível e destrutível da existência. maltrapilha. parecendo liderar os demais. sabemos que a morte e a vida são duas forças que coexistem. Isso lemos em Ezequiel e Jonas. O monstro pode significar que você precise passar por provas para superar dific uldades. asquer osas podem representar seres animalizados de espíritos inferiorizados. concordamos . Como psicólogos. o amigo pediu: Vai. as criaturas disformes. pediu de modo profissional e educado: Por favor. Lembre-se de que estamos falando de um recad o simbólico de você para você mesmo através do sonho. mas com aspectos monstruosos. que se destaca cada vez mais. Nos sonhos. Com semblante sério. E lógico que fico em grande expectativa com tantas mudanças acon tecendo em minha vida. A f orça de sua irradiação luzente ou da imagem opaca nos revela algo bom ou ruim. principalmente em um c aso como esse. O rosto deformado pode simb olizar o que não tem vida ou o rosto verdadeiro. Após um tempo. Devo admitir que não seja fácil dar uma opinião a um colega. Bem. é a parte mais viva. Sei que não tem medo d desafios e os enfrenta com facilidade. dominando o medo. sem ânimo. a imagem de monstros devoradores eram símbolos da necessidade de renovação. João parou por instantes observando atentamente Sérgio. tenebrosas. do presente ou do futuro. evolução se vencer suas dificuldades. E o passar pela escuridão antes de chegar à luz. Eles possuem carac terísticas disformes. ofende. ele é o símbolo do mistério conforme a aparência. sentindo suas energias sugadas é como se tivesse doado energias para esses seres monstruosos. a cada momento. Existem outras imagens de criaturas disformes. desordenadas. Isso faz com que eles continuem existindo e ganhando fo rças. Lembre-se de que. Sérgio! O medo pode ser exteriorizado não exatamente com o sentimento de cov ardia ou vontade de fugir de uma situação existente neste instante. mas o mundo da psique. Assim sendo.. eu acredito que a mensagem foi a minha entrada num mundo desconhecido. Em minha opinião. alimenta-se de seu medo e se revitaliza. ou um grande peixe. fraca. Em c ivilizações antigas. Ora. Sérgio . vemos que o monstro tem o simbolismo de uma força irracional. Eu te conheço. As aparência s são de humanos. Pode ser algo do passado. Ele é rev elador. da mente. além disso.

se parecer com sua irmã. Em seus sonhos. Quando um homem sonha com uma mulher ela representa a sua anima. Eu temia que ficasse sensibilizado. induzir e influenciar o desejo de um homem em su a transcendência. Essa interferência pode ser para o seu bem ou para o seu mal. o sonho é seu! . Espere um pouco! Você está falando do ser monstruoso no sentido simbólico ou de um espírito na definição exata da palavra? Isso é você quem precisará descobrir. para mim. o que podem ser essas aparições perturbadoras nes ses pesadelos repetitivos e com o envolvimento da minha irmã falecida. Lógico! Não quero brigar! Eis a fonte de energia que você tem para alimentar o ser monstruoso de seus son hos! Analise! As brigas. e plicou: Meu caro. pois isso significa um recado no nosso inconsciente. Em seguida. a perversi dade. ela o suga. no sonho. Envolvendo-se nelas você sabe que perde o controle emocional e. Esse monstro é a sua so mbra. fazendo -o desanimar diante dos desafios.. Então experimenta sentimentos de angústia e grande conflito por essas divergências. Vamos lembrar que essa mulher pode não ser sua an ima.. tudo pode ser uma distorção da re alidade e a anima pode ser venenosa. induzir aos erros. como falamos até agora. ela. tirando-lhe a coragem para conquistas positiva s. Afinal. De repente. para Jung o feminino é chamado de anima no aspecto i nconsciente. Um espírito feminino pode guiar. pois não encontramos exp licação dentro da Psicologia Analítica ou da Psicanálise para muitas coisas. Sérgio. Já li muitos artigos e livros espíritas. é fria e impiedosa apesar do sofrimento. você cede energias a esse ser e ele ganha forças. parecend em estado lamentável para inquietá-lo e perturbá-lo através do sonho. muito pensativo.riu João. Independente de ser simbólico ou espiritual. revitaliza ndo-se e se alimentando através de você e de seus pensamentos. Simbolicamente. Ou. Gostaria qu e me explicasse. quando temos qualquer so nho desagradável ou acordamos nos sentindo desanimados. a Lúcia reagiu desnecessariamente a um assalto. depois argumentou cauteloso: Sua irmã desencarnou por um tiro no rosto. atr avés desse sentimento. como espírito. como lembrou. Segundo a versão de quem estava junto. E ssa mudança comportamental é fazer nascer o homem novo. Não acredito que sejam sonhos apenas simbólicos. isso demonstra que por trás da personalidade apresentada em vida. sente-se muito mal pela sua atitude. Chegamos aonde eu queria. Até outro espírito pode se apresentar como a Lúcia. sua irmã cultivava ou sofria sentimentos interi ores extremamente perturbadores. Não sabemos sobre os desígnios de Deus. Não acha? Isso é possível. Minha irmã pode se prender ainda às impressões do corpo pela morte precoce. as discussões e entreveros o deixam exaltado e irracional . Eu sinto. sem vontade. O rosto representa muita coisa. Os motivos desse tipo de apresentação podem ser vários. principalmente a título de estudos complementares. João suspirou fundo. em sua elevação. a intuição. de acordo com a evolução desse espírito. É muito bom vê-lo analisar a anima colocando de lado qualquer sentimento pelo fat o da mulher. a capacidade de amar.que você tem medo de brigas e conflitos familiares e quer sair da casa de seus pai s para fugir disso. Esse tipo de apresentação não é casual. Diante disso. que é a anima representada em seus sonhos. mas sim um espírito e exibir-se sofrida para que você tenha piedade dela e. sua irmã precisou experimentar essa situação e seu desencarne não foi precoce. a inquietude. Além disso. a meu ver. deixando-o sem determinação. Algo que corroia sua mente e agora pode tê-la vis to com o rosto real. pelo modo como agiu. sob a visão espírita. devemos mudar nosso padrão d e pensamento para melhor. Estou certo de que vejo o plano espiritual. a s manifestações negativas de observações maldosas que diminuem o valor do homem. Isso acontece muito no plano espiritual. ao brigar ou discutir. vampiriza-o. . a sensibilidade. na verdade. sou espírita e sendo assim acredito em sonhos simbólicos e sonhos espirituais. João! Sei que você é espírita. então. comentou: Dentro da Psicologia. Mas. a aparência de sua irmã é deplorável e destaca-se o r osto em decomposição. O sonho com a anima mostra as tendências psicológicas do homem para com os s entimentos. Como psicólogo e espírita. o seu lado sombrio. depois de algum tempo. foi um d esencarne precoce. o humor.

Depois comentou: Estou vivendo um período de mudanças e transformações em minha vida. Sérgio.riu.. eu preciso me renovar. detal hou o ocorrido entre ele e Débora quando a segurou com força e a empurrou. Preciso observar a situação sem me altera r. Tudo bem.. Por fim. o centro principal do proble ma quando estamos envolvidos nele. mas não mentalmente! Eu me afasto dos falatór ios. mas. não significa sentir-se tranqüilo. nós dois entendemos a rep resentação ou a mensagem de mais de cinqüenta por cento desses sonhos.riu. sem precisar reprimir ou sof rer com transtornos íntimos através de pensamentos que me torturem. já que não podemos mudá-las. não tolero brigas ou discussões fortes. Do ponto de vista da P sicologia. Devo assumir o controle das minhas emoções diante do que esteja aco ntecendo e não me reprimir ou sair de perto.sorriu.concordou.. Contou sua atitude hostil. assim como nós. elevar-me das trevas para a luz. Venho conversando com o doutor Edison sobre isso. temos dificuldades em encontrar a matriz. Sentindo-o com alguma dificuldade. que ficou muito reflexivo e distante. Sérgio confidenciou ao amigo todo o comportamento estranho que percebeu em si m esmo. pois tenho medo da minha reação. Ol hando para o colega. mas não paro de pensar no que aconteceu e repito em pensamento tudo o que gos taria de ter falado. com que freqüência esses pesadelos têm se repetido? Posso ficar uma ou duas semanas sem sonhar.sorriu. analisou rapidamente o que ouviu. sem perceber.. maior é a sombra. cara! Poderia ter agredido qualquer pessoa.disse em um tom lamentoso e arrependido. Iss o é provocar. esses pes adelos podem ocorrer duas ou três vezes e até noites seguidas. Certo. Analisando esses sonhos só posso co ncluir que meu inconsciente quer dar o recado ao meu consciente de que estou pas sando ou ainda passarei por mais desafios e dificuldades.Sérgio ficou pensativo. Não vá se chatear com isso. criar uma aparência disfarçando a verdadeira emoção. não a deixa ndo explicar. Preci samos ser indiferentes aos problemas que os outros criaram. Deve deixar morrer o homem velho para que nasça o homem novo! Você sabe. concordou: Primeiro você me derrotou desvendando o meu medo exteriorizado através da fuga.Breve pausa e continuou: Nesse momento de tantas mudanças . Imediatamente o sorriso se desfez do rosto de Sérgio. eu destruo os seres monstruosos desses pesadelos horríveis com a minha mudança de atitude ao me relacionar com os problemas. Muito inteligente. mas por enquanto ele só está analisando. mudemos nós! Quanto maior a luz. O que foi? Já é tarde e tomei demais o seu tempo. a manifestação que r eprimo em mim emocional e fisicamente. Aprendemos que nós. ficar irraci onal e perder a razão. R ealmente. dizem de si mesmas: Ai! Pobre de mim! Eu f aço tanta coisa. Minúcias foram narradas e João ficava atento a cada particularidade do amigo. O alerta é para eu domin ar meu medo e ter forças para o nascer do novo homem. calmo e ter paz interior. João! Vou reverter esse quadro! . chegando a berrar com Sueli. sorrindo amigavelmente. sofro tanto e ninguém reconhece! Se convivemos com criaturas desse t ipo. o estado. Eu saio de perto pelo medo de reagir e virar um monstro! . Você tem razão! E sses seres deformados e monstruosos são a minha sombra. perguntou: Eu te conheço. vamos lá. meu amigo. Mudar os pensamentos e não entrar em conflitos íntimos. Parecer tranqüilo. psicólogos. Não sou tão brando como pareço e temo ficar sem o domínio do controle emocional. você me deixaria aqui sozinho caso sentisse que eu precisasse conversar? Não. dificul dades e conflitos. . hoje. É verdade! . Isso não significa que tenha de brigar ou se envolver em discussões! Eu sei . Dentro do aspecto simbólico da psicologia junguiana. . Sérgio? Está certo. João. Ao procurarmos nos compreender. Então é isso. nós nos fortalecemos e cont inuamos a auxiliar melhor os outros. Somos seres humanos também! Por isso todo psicólo go deve fazer terapia. Falou sobre esmurrar a mesa e confessou ter vontade de quebrá-la ao gritar c om sua mãe. com todo o conhecimento a dquirido. para algumas pessoas é prazeroso viver rodeadas de brigas. em uma única semana. Esses pesadelos tendem a acabar à medida que eu encarar tais conflitos de forma natural e agir com . Elas. Sérgio. porém isso não é suf ciente para me ajudar. menos a Débora .

Consciente do que digo. no que experimento. Assim serei tranqüilo e calmo. pouco antes da Lúcia falecer. Não me sentia dessa forma quando fiz terapia com aquele psicólogo que um professor indicou. eu reforço que esse aspecto facial se refere às emoções interiores extremamente pe rturbadoras que a Lúcia cultivava e sofria. Sérgio abaixou o olhar e ficou pensativo por alguns minutos. suspirou f undo. Sinto que existe algo espiritual. Como psi cólogo.sabedoria. Depois contou sob o efeito do riso: Só havia os batentes. Pare com isso. sem expressões de tristeza ou rancor.Observando-o. sentimentalmente falando. p ropositadamente. aí. . . muito forte. . Nunca falamos sobre a divergência que tiveram. Agora uma coisa me incomoda. Sempre senti que algo o incomodava em relação à sua irmã. semelhante àquelas mesas antigas de escritório. Entendi a necessidade da minha mudança e sei que será um grande desafio. Nós estávamos na sa la de aula quando te avisaram e eu o acompanhei até o hospital e tudo mais. qu e ficava dentro do meu quarto e ao lado da porta em um ângulo que era impossível não v er minha irmã despida frente ao grande espelho do guarda-roupa. Agi como um colega e não como profission al! Vai dar certo sim! . Acredito que cresci e projetei em minh a irmã mais velha a representação de uma mãe. Sérgio.garantiu ainda rindo. deu meio sorriso e contou: Minha mãe sempre foi bem d istante de mim. comentou c auteloso: Lembro-me de que. Deve lembrar que talvez não se sinta tão à vontade em me rel atar pormenores ou intimidades. mas ela fingia não me ver.. Respeitei seu desejo de si lêncio. Sei que é um excelente p rofissional e até melhor que eu!. Vamos lá! Pegue esse bloco para suas a notações! . Eu não posso dizer mais nada sem mais de talhes. Percebi que ela deixava a porta do quarto aberta. Eu não poderia rir desse jeito. simulando passar um creme. podia vê-la totalmente. Confiante em você e sendo verdadeiro n os detalhes. meu caro! Você foi o melhor da turma! Sabe que não posso analisar mais nada s em mais particularidades. de onde eu estava.Ol hando-o firme. continuou: Não foi fácil eu te d izer. uma vez que somos tão amigos e trabalhamos juntos. Depois. comecei a notar algo no comportamento de minha irmã.ofereceu o material. Foi nessa época que meu pai comprou aquela casa. coisa comum nessa idade. Principalmente depois de minha mãe contar qu e não queria mais ter filhos e não me abortou porque meu pai não deixou . E onde você estava? Estudando em uma escrivaninha. ficava por longo tempo acariciando o próprio corpo de modo sensual . No seu quarto. se ela fosse à representação da mi nha anima. desmascarando o que sua irmã representava e disfarçava em vida. em minha opinião.Vendo-o silencioso.. na qual se enrolava após o banho. fre nte ao espelho. cara! Estou bem à vontad e para contar tudo. Para eu começar a analisar. Você não poderia fechar a porta de seu quarto? .perguntou com simplicidade. Sérgio! Por essa razão psicólogos amigos não fazem terapia um om o outro. vocês haviam brigado ou di scutido. A apar ição da Lúcia em seus sonhos não tem só a explicação no aspecto simbólico. João! Ei.Sérgio não suportou e gargalhou da precariedade. mas acompanhei o seu desespero quando soube do acontecido. João. Que tipo de comportamento não considerou normal? A Lúcia se despia da toalha. Quando eu tinha mais ou menos quinze ou dezesseis anos de idade e estava mais voltado para as descobertas e curiosidades naturais sobre se xo. agora há pouco. Vou entender e respeitar. coisa que não considerei normal.. preciso de mais informações. Então. nós somos amigos. É questão de afinid . presente e amiga. encarou o amigo e argumentou: Não tenho nada para esconder de você. Continua. Você disse que eu conheço bem a sua vida..detalhava de modo normal. A Lúcia sempre foi uma irmã dedica da. Sérgio perguntou: E quanto à minha irmã? Como posso definir sempre a su a aparição ou envolvimento nesses sonhos? Pense comigo. que a forma como ela se apresenta exibe a sua verdadeira per sonalidade. Não é som ente simbólico. Que porta?! . É bom se sentir assim! Você passa essa confiança. mesmo sabendo que. acomodou-se melhor. mas sou capaz. mas isso não é ver e. A casa precisava de muitos consertos! Incl uindo a porta do meu quarto! João riu com gosto pela expressão engraçada do outro e comentou: Isso não vai dar certo... Sem dúvida há um m espiritual. acredito que não seria necessariamente sempre a Lúcia a aparecer em meus sonhos.

Passei a ter pl anos de estudar. O amigo se forçava para não rir. Não dependo de medicação. mas sob efeito do riso. Eu estava desesperado! Tive compensações aliviadas por alguns s . eu tinha m oral e integridade para não aceitar aquilo. Fui até o quar to dela. João. Seu rosto sério se contorceu até relaxar num largo sorriso e finalizar com uma gargalhada.Ele riu novament e e se explicou: Desculpe-me. mas poderia ser qualquer uma ou deveria ser uma namorada. física e psicologicamente falando? Sim.. mas quando com ecei a namorar a Débora. Era uma menina bacana que se chamava Mara . Depois levei um choque ao lembrar que era minha irmã. Mas. minha cu nhada. . Depois comecei a trabalhar. mas não poderia ser qualquer uma. eu tenho uma vida sexual saudável. lógico! Não as levou por causa da Lúcia? Não. Depois de ver o Marcílio e a Ana brigando direto..respondeu direto.. Minha irmã não tinha nada a ver com essa decisão. Recompondo-se. Entrei na polícia e dava aula de Informática ao mesmo te mpo para juntar dinheiro e fazer o curso universitário que eu sempre quis e sair d a polícia. E que lembrei uma coisa. Pode contar? Hoje está tudo bem. . Você namorou outras moças? Claro. fiquei com aver são a um casamento não planejado.. e eu fi ngi esquecer o fato. Sérgio? Sem dúvida de que fiquei excitado nas primeiras vezes. Não demorou e eu arrumei uma namoradinh a. Tive e tenho. sabe disso.. Era difícil fugir das suas provocações.ade. A Lúcia me pagou um curso de Informática que me ajudou muito. Não tinha mais alguém na sua casa? Meu pai e meus irmãos estavam sempre trabalhando. E o que você fez? Não tive coragem de contar para alguém. apesar de ter pouca idade. Sabe. Costurava lá..expressava-se com muita naturalidade. Ela não fez mais aquilo. dei-lhe uma bronca e fechei a porta com brutalidade. mas brincou: Espere aí! Explique-se melhor. Decidi mudar meu horário de estudo e minha irmã resolveu mudar seu horário d e banho. Hoje eu analiso e vejo que. . O namoro não durou nem três meses.. amiga? Só com mulheres.Em seguida Sérgio não agüentou. mas passei a ter um sentimento repulsivo ao lembrar o que ela fazia de propósito para me prov ocar. Eu não queria um compro misso firme.riu de um jeito maroto. quando se relacio nava sexualmente com alguém? Nunca . Sérgio.. Foi tão difícil dormir ao lado dela e. Minha cunhada quase não saia de sua casa. . estímulos com filmes.riu.. Puxa! Eu era seu irmão e um rapazinho! Bom. porque eu não entendi a piada. e minha mãe havia pegado costuras r etas para fazer em casa e usava um quartinho que há nos fundos.Sérgio deixou o olhar perdido no te to e deu um suave sorriso. Psicológica e fisicamente falando. você entende? . Eu gostava da Lúcia como irmã.. Tenho. fiquei nervoso. Ótimo! Temos uma vida sexual muito satisfatória. por ver o corpo nu de um a mulher sensualmente se acariciando. Depois contou: A Lúc ia implicava demais com a menina e sempre começava uma discussão com a Ana. mas não deu.. Comecei a ver a vida que meu i rmão Marcílio levava e decidi que a minha seria bem diferente. Alguma vez lembrou-se de sua irmã nua. um dia.. Ma s era mentira. Veio conversar comigo depois. Só dormir. Então. que fica nas dependências do quintal. com modos voluptuosos. Já se relacionou com homens ou teve esse desejo? Nunca. O fato de Lúcia ter se mostrado despida e com gestos sensuais para provocá-lo afe tou-o sexualmente? Não . talvez pela lembrança quase apagada. tornou a afirmar: Sim. fantasias ou.. sem chegarmos aos fatos. você teve e tem uma vida sexual saudável. afirmando não saber que eu estava por ali. abraços e calorosos carinhos.. A Lúcia pareceu assu stada. drogas.. Passei alguns meses na lei seca ! Trocamos beijos. Mas não as levei à minha casa. Sou seletivo.. ou com a nossa mãe quando a Mara ia lá a casa. O tempo passou. vai! Continua! João tornou a ficar sério e perguntou: E o que você sentia ao vê-la fazer isso.tornou Sérgio com a mesma tranqüilidade. Só se relacionou com mulheres. Sim.

falou João com molecagem.. Após um namoro mais sério com um cara conhecido da família. refletindo em sua vida adulta ou atual e com a possibilidade de associação aos sonhos ocorridos com freqüência.Falou murmurando em tom apai xonado: Não queria frustrá-la em sua primeira vez. com o lugar e não c om o nosso relacionamento. Com a finalidade de descobrir se Sérgio era possuidor de algum tipo de transtorno ou distúrbio que es tivessem ligados aos fatos originados em sua adolescência..respondeu rápido e com tranqüilidade. machucá-la... principalmente. E nos sonhos de compensação. Sempre sonhei com a Débora . mas isso a trauma tizou... sabia que o melho r cirurgião cardiologista do mundo nunca conseguiria realizar uma cirurgia de pont e-safena em seu próprio peito. Tentei envolvê-la e seduzi-la algumas vezes. Respeitei sua vontade e a deixei conduzir nossos momentos de intimidade. Tinha muito a ver com motel. c ara! Estou sendo muito evasivo na sua vida íntima? .tornou.sorriu. Eu jamais iria forçá-la. Só depois rev elou: Ela me contou esse caso pouco antes e foi a primeira vez que me senti inse guro. tinha bastante conhecimento de que a ajuda de um out ro psicólogo era importante. durante esse tempo em que você e a Débora não se relacion vam sexualmente. Só seria muito precavido quanto às doenças sexualmente tran smissíveis. Ao sair do banho. pois foi um fato muito marcante em sua vida e os detalhes poderiam ajudar na análise do que o pert urbava.. algum tempo depois. trazendo-lhe possíveis explicações para enfrentar os desafios. Você não me contou sobre esses sonhos de compensações! . decidiu: Foi assim. Íamos para um motel. Não . Ela não se sentia preparada. Então. Eles brigaram e o cara tentou forçá-la ao relacionamento. Sérgio ficou pensativo. João percebeu que os olhos de Sérgio brilhavam ao falar em Débora. mas só trocávamos carinhos. .. colocand o-se na posição do paciente que deseja ser ajudado. mas confiava no profissionalismo de João e. Quer contar? . gostar dos carinhos. viu que ele havia se drogado.. Mesmo assim. ficávamos b m à vontade.. . porém não é o mesmo que vivenciar o ato.. Por que demoraram meses para se relacionarem? . A Débora tinha algum trauma? Tinha sim. bateu-lhe com força. Teve alguns namorados. Tudo aconteceu como ela sonhava: envolv i-a com amor. Refletiu por alguns minutos. mesmo a vendo com hematomas e a boca sangrando.. como ela contou. as coisas foram mudando e. Posso te afirmar que me considero normal. Ac hava estranho ela se sentir estimulada. Ela tomou a iniciativa de termos o primeiro relacionamento e. e ela o acertou com u m cinzeiro de vidro e foi embora.onhos. Esses. Por comparação e exemplo. Eu a amo tanto! Nunca pensei que eu pudesse me apaixonar por alguém dessa forma.. você sonhava se relacionando com outras mulheres? Não.João não perguntava por curiosidade. a Débora queria ter um primeiro relacionamento sexual com amor.perguntou sério. isso o incomodaria? Atrapalharia seu relacionamento com ela? Não! De forma alguma! Não me importo com o passado desde que ele não interfira nega tivamente em meu presente. parecendo ter medo. carinho.. não procurei outra mulher. Deixe por minha conta! . foram a um motel luxuoso. imprescindível.perguntou repentinamente.sorriu com ar de satisfação.. Como profissional da área. pelo pai não dar importância ao fato e ignorá-la. mas por fazer parte de um enc adeamento de informações a serem analisadas sob uma ótica psicológica. mas de repente. pelo fato daquele assu nto íntimo também pertencer à Débora. O fato de e starmos em um motel a deixava apavorada e eu não sabia disso! Depois que passamos a ficar em seu apartamento. Adoro a Débora! Você não agina! Caso soubesse que sua namorada teve uma vida sexual ativa com outros homens. Ele a agrediu. deixando o olhar perdido ao confirmar.. suspirou fundo e contou: Como toda garota.. Mas não foi o que esperav a. O cara não conseguiu estuprá-la. conquistei-a com carinho. agi de modo que a deixou mais se gura e isso a fez superar o medo.. Ele parecia sonh . Por quê? Ela já era especial e depois do que me contou. correspondendo a brincadeira. Conhecia a importância daquelas informações. Não namorou mais até nos conhecermos. esperei. não querer. mas n ada significativos. per cebia-a alterada. E sem eu saber do que se tratava.

Lúcia se tornou muito amiga da Sueli.Sérgio parou e sua voz pareceu travar. mas me le mbro de cada detalhe. Completamente dominada e à disposição de um turbilhão nas faculdades pelo excesso de bebida alcoólica. Quando me mexi um pouco. Depois das apresentações desnudas. Já passava do meio dia e. Mas comigo era ostensiva.. mas não consegui convencê-la a parar. minha nuca e em seguida colocava a mão por dentro da minha camisa. O Tiago trabalhava em uma escala de vinte e quatro hora s. por causa disso. O que você fez? Sentei na cama e o quarto parecia rodar. fiquei aterrorizado . eu estav a cansado e um pouco zonzo. Fui tomar um banho. Vivi uma experiência terrível! Falei com ela várias vezes e pedi que parasse com aquilo. afastava-a de mim e saía de pert o. a Lúcia se exibia bem animada e alegre. tocar ou segurar para dizer alguma coisa. somente sob o efeito de leve entorpecimento. Sua irmã o acariciou alguma vez? A Lúcia sempre teve necessidade de contato físico para expressar sentimentos. fui até o quarto dela e a vi cambaleando ao tentar abrir o zíper do vestido.ar e um sorriso apaixonado iluminava seu rosto sem que notasse. avisou para observar sua reação: Voltemos a falar da sua irmã. Na manhã seguinte. Começamos a brigar por diversas vezes. Não sabia mais o que fazer. que passou a freqüentar direto a nossa c asa. Senti q ue. Quando fui para minha cama. eu estava embriagado. Aceitei. Eu não estava embria gado. sentindo-me mole. até não agüentar mais o sono e avisei que iria dormir. A Sueli insistiu para levarmos a Lúcia. Ela de cidiu ir para o quarto e eu a ajudei. Quando voltei. minha irmã est ava sentada à mesa com uma garrafa de uísque e dois copos. Virando-me para olhar. acariciava m eu rosto. beijar. Ao final de tantos brindes. Foi algo que me incomodou. Achei graça... Era difícil abrir os olhos. Não conseguia mais ficar acordado. e abraçada a mim. ela se achava no direito de se mostrar sensual para me prov ocar. a minha irmã estava deitada. ela me abraçava pelas costas. Ao chegarmos. Ela ria. no início. comecei a namorar a Sueli e percebi um com-portamento b em estranho na minha irmã que deixou de ser tão amiga da Sueli. o Marcílio e a família foram pas sar uma semana na praia. Depois de um tempo. senti algo estranho. Depois voltávamos a conversar. Nunca me em briaguei daquele jeito. mas. ela me ajudou financeiramente com algumas mensalidades. completamente nua. Insatisfeito. Repentinamente. ao meu lado. seu rosto empalideceu. Eu a ajudei co m o zíper e voltei para a minha cama. Voltamos bem tarde e tínhamos bebido um pouco. Descobri que a Lúcia t inha ciúme da minha namorada.. divertia-se muit o e disse que iria dormir se eu fizesse um brinde com ela. Eu ficava revoltado. Brindamos ao emprego novo dela. Todo o meu corpo estava adormecido e eu sentia uma ânsia terrível. Como eram esses carinhos? Se eu estava sentado em uma cadeira. Então disse para a Lúcia que ela já ha via bebido bastante. mas não sabia dizer o que era. Deixamos a Sueli em sua casa e fomos embora. Levantei. Mas ela negava a provocação e dizia que era um carin ho de irmã. Mas isso era só com você? Com meus irmãos também. Ela dormia no meu ombro com uma das pernas sobre as minhas . Eu a ouvi por um tempo. dizendo que queria tomar um banho. afagar. a Lúcia tomou outra postura em que exibia sensualidade? Vez e outra sim .perguntou o amigo. porém bem consciente. eu virava as costas. Apesar do banho. p ois nunca a tinha visto de fogo. Quando pedi que fosse dormir. Tentei cobrir a Lúcia com o lençol. ouvi barulhos e a luz ainda estava acesa. Quando eu já estava até pesquisando qual o tipo de transtorno dela.respondeu bem sério.. mas .Sérgio ficou sério. depois ao salário e. Nem me lembro mais do que brindamos. Usou roupas íntimas bem sensuais quando me chamou até seu quarto. . Ela precisava abraçar. Senti que minha cabeça i ria explodir. até qu e. a Lúcia começou a perder o controle e começou a fazer certos carinhos para me excitar.. O que você viu? . Eu e a Sueli íamos a um aniversário. Falou sobre Deus ser cruel com ela e muito mais. Eu não q ueria ir. a Lúcia passou do estado de ri so para o de choro. ela começou a desabafar dizendo que era infeliz n o amor por não ser correspondida. Quando entrei na univer sidade. afaga ndo ou arranhando meu peito. as quais a repreen deu. ouvi um barulho antes de abrir os olhos . João aguardou até ouvi-lo contar com c erta revolta escondida na fala vagarosa: Meus pais.

. só falávamos o essencial. os lençóis da minha cama estavam limpos. eu não estaria com a parte de baixo do pijama e.. A Sueli propôs que esquecêssemos aquel e fato e me deu um apoio moral que eu não esperava. Por um momento. sem que eu esperasse. Você se relacionou sexualmente com sua irmã.falava calmo. Como vocês se encararam depois? Não nos falamos pelo resto do dia.. Aconselhei novamente e por várias vezes que fosse a um psicólogo. . significando que não havia me mexido muito e eu estava vestido do mesmo modo como quando me deitei. a Lúci a mudou muito. Fiquei aturdido com o que ouvi e mais transtorn ado quando a Lúcia disse que lamentava não termos nos amado na noite anterior. Depois de ouvir essas palavras. a Lúcia segurou meu rosto com as mãos e me beijou na boca.não dava e comecei a chacoalhá-la.respondeu bem seguro. olhava-me indiferente e até sorria! O que me deixava mais furioso. João. só à camiseta ressaltou. A Sueli entrou no quarto e me viu em minha cama com a Lúcia nua! Como sua namorada entrou? Foi o pai dela quem vendeu aquela casa para o meu. ao caminhar . Imediatamente eu lhe dei um tapa no rosto. Lembro que tomei um banho e v esti um pijama curto. a Sueli insistiu tanto para minha irmã acompanhá-la até o shopping que ela acabou aceitando. O que aconteceu? . Só que ela virou as costas e fo i embora. primeiro. Havia algo estranho em seu rosto. Ficamos alguns meses sem conversar. sacudi a Lúcia que acor dou parecendo ainda embriagada e fui à direção da Sueli. talvez tenha esquecido ! Eu estava bêbado. Pensei que dificilmente alguém acreditaria em mim. Levantei. Se tivesse acontecido a lguma coisa. mas ela me agrediu com palavras. Então. Acho que foi a Lúcia quem lhe deu uma cópia da chave. Somente a Sueli conversava um pouco. Um tapa muito forte. mas ela não aceitava. olhando friamente. De repente. outra. arranquei a Lúcia da minha cama e comecei a esbravejar com ela. confessou que me d esejava como homem e não como irmão.. Fui atrás da minha namorada para tentar me exp licar. Quando me deitei definitivamente. Ela continuou a ter amizade com a sua namorada? Não. Eu entrei em desespero! Estava verdadeiramen te em pânico! Tive vontade de berrar.. Eu estava tonto. uma terapia...perguntou o outro diante da demora. O que a Sueli fez ao ver você sentado e sua irmã naquele estado? Ficou parada. recordo ter sido na posição em que acor dei. Gr itei como nunca! A Lúcia segurava o lençol em torno do corpo. por que ela sorriu? Será que pensou ter acontecido algo? Não sei dizer por que ela sorriu.Breves seg undos e Sérgio lamentou em tom triste: Como me arrependi por tê-la agredido. Devido a Sueli ter tanta a mizade com minha irmã. Propus que ela fizesse um tratamento. Posso afirmar. . No dia seguinte.. Um dia.. A não ser o fato de ela me beijar e eu a agredir. a S ueli me ouviu e contou que tinha notado o comportamento estranho da Lúcia e disse que minha irmã me olhava com desejos de mulher. Depois a Lúcia disse algo que confirmou isso. minha mãe e com o nosso namoro. mas bem consciente . confuso e como se isso não bastass e.. Sabia o que acontecia apes ar da coordenação motora e do raciocínio estarem lentos. mas não o fiz. Isso confirma que nada aconteceu.. Mas naq uele instante pareceu o único jeito de despertá-la daquela loucura! Eu fiquei comple tamente insano. Mas tenho c erteza de que não aconteceu nada. Lembro bem dos olhos dela e. não parecia ser a minha irmã. parecia outra pessoa que me olhava. Ela chorou. Despertei com o corpo adormecido. Não tive tempo de explicar nada! Num impulso. eu tive raiva e pena da minha irmã. A partir desse ocorrido. Estava calor e eu tirei a camiseta do pijama. Elas não foram de carro e na volta.. A Lúcia entrou em um estado depressivo que se podia notar. poderíamos esquecer nosso relacionamento. tenho certeza de que não tive relação sexual com ela . ou não sabe dizer? O doutor Edison me fez a mesma pergunta. Ela estava doente. Baseado em que afirma isso tão categórico? Você bebeu muito. chamei minha irmã para termos uma conversa.. Sua boca sangrou e depois apareceu um hematoma em seu rosto. tudo bem. Para minha surpresa. Ela chegou a propor o absurdo de um envolvimento ínti mo entre nós sem que alguém soubesse e o dia em que eu me casasse ou não quisesse mais . e ela caiu. Sabe. Falei tanta coisa.

Ninguém vai acreditar nela. Foi aí que eu conheci realmente quem era aquela criatura.Suspirando fundo. Há ainda o abuso do irmão mais velho contra o mais novo. com as recordações. eu já era maduro e.. Ela não me deu sossego e fez um inferno da minha vida. gostoso. por conta do sonho. do irmão mai s velho contra a irmãzinha. depois do que ela aprontou c om aquela história do celular.em do ponto de ônibus até em casa. Não suportou a curiosidade e perguntou: O que você me diz de tudo i sso? Psicologicamente. Às vezes acho que sim.. você acredita que sua irmã reagiu dessa forma para se suicidar. omitindo fatos por vergonha. Depois não. Eu dormi no apartamento d a Débora e acordei. Graças a Deus eu tive princípios de dignidade passados por meu pai . Ficaria constran gido e preocupado com o que ela poderia pensar. e essas vítimas não falam pelo medo da ameaça.. Hoje tenho estabilidade men .. . não respeitando os meus planos de estudar e me alicerçar melhor na vida. Sérgio sorriu. Mil situações de se tipo acontecem e os pais não sabem.Vendo o colega pensati vo.. Sentiu-se culpado pelo que ela fez? A princípio sim. O rapaz atirou e o projétil atingiu-a no rosto. depoi s eu conto. você tem esses pesadelos só quando está na casa de seus pais ou eles ocorrem em outros lugares? Sempre foi na casa de meus pais. foram assaltadas por dois homens armados que usav am uma moto.. o que me deu força moral para não aceitar.. acham que só ocorrem na casa do vizinho. desviou para o cérebro e a matou. Sei que as informações completas e verdadeira s ajudam a encontrar soluções. mas foi pelo remorso por não conversarmos mais. A Sueli contou que a Lúcia reagiu depois de entregarem tudo. você conversou com a Débora a respeito de tudo isso? Falou sobre o comportamento de sua irmã? Não. E a Sueli? Namoramos por algum tempo. Seria minha palavra contra a dela. Isso se eu terminasse o namor o com ela.. O incesto acontece dentro das me lhores casas. . tentando fa zer parecer um homicídio? Não sei dizer. Meu caso não é fácil e você sabe que nos últimos tempos o en vimento sexual entre irmãos vem aumentando muito. dos mais luxuosos apartamentos. Não me sinto preparado para contar. Eu só disse que tive um sonho estranho. não me corromper com as op ortunidades provocadas pelo desequilíbrio da minha irmã. Outros i rmãos têm relações por medo de adquirirem o vírus HIV. pois inúmeras vezes pedi que procu rasse ajuda. não ficam atentos. ao dizer para a Débora que era minha noiva e tudo mai s. Meu amigo! Precisa mos de uma longa e boa conversa. verdadeiro e detalhista como você foi! Não demonstrou orgulho ou arrogância por sermos da mesma turma. Ameaçar? Ameaçou contar para todo o mundo que viu minha irmã dormindo nua ao meu lado. Sérgio. falou como um desabafo: João. Estou com uma ampla bagagem para analisar. você não imagina o quanto sofri com aqueles assédios.. nas residências dos bairros mais sim ples e também nas favelas. mesmo! Sérgio. tratamento. eu disse que não era o moment o e nos separamos.. caso tenham relações com parceiros f de casa. Ela cumpriu a ameaça? Não. Até eu terminar definitivamente e ela me ameaçar. mas assim que ela propôs casamento. mas ela não aceitou. Eu não posso me culpar. Sabe. Ela despertou com meu solavanco a o me sentar rápido.. de súbito. voltamos. E a propósito. não me envolver. Pais e filhos não se comunicam. A vida sexual é iniciada muito cedo. Está havendo uma perda uito grande da transmissão de valores morais. você já sabe. Incontáveis jovens comentem o incesto para se sentire m experientes quando chegar à oportunidade de praticar sexo fora de casa. É ótimo quando alguém é tão direto... m esmo sendo um homem experiente. Acreditam que entre eles será mais seguro enquanto não se relacionarem com outras pessoas. Além do que. Os pais simplesmente estão ocupados demais e não reparam qu e os irmãos estão mantendo relações sexuais dentro da própria casa. Fiquei chocado com a sua morte. A Débora passa por um momento delicado com a família. E estamos vivendo um p eríodo muito bonito.. Coloquei-me na postura de paciente. até a noite passada. Que a Lúcia lhe contou que eu a seduzia para o incesto. Vou esperar mais um tempo. Mas espiritualmente falando.

A namorada avisou que iria até lá. . E a prova disso são os seus sonhos constantes. Naquele momento. que reagiu ferozmente ao vê-lo sair de casa. mas agradável e delicado jardim que oferecia um toque especi al à frente da casa. Assistência espiritual! Por mim. Serei sincero. Algo o inspirava para ac reditar em João. Quer dar uma olhada para ver se é conveniente? Claro! Sem dúvida. P ara Sérgio aquela casa estava perfeita. É um homem equili brado para levar uma vida normal.surpreendeu-se Sérgio. apesa r de ter enfrentado a revolta de Dona Marisa. Aquela introspecção durou longos minutos. Nossa! Você é um caso raro por não parecer ter traumas a respeito. É verdade. El e parecia ansioso para lhe mostrar tudo arrumado. Tudo os impedia de se falarem melhor. pode ser bom e aí você sai da polícia. Creia. Imagino como se abalou. pintou e decorou com simplicidade. meu amigo . Acredito que existe um envolvimento espiritual muito intenso.A ação dos espíritos inimigos O dia chegava ao fim naquela sexta-feira. hoje em dia o ato sexual entre irmãos está sendo ignorado pelos pais. Semanas haviam passado desde a conv ersa com seu amigo João.. Além disso. A situação pode complicar. pois muitas coisas aconteciam. não vão perturbar e tentar d esequilibrar somente você. Ma s muita coisa estava para acontecer.. Sentia-se agradavelmente tranqüilo. Caprichoso. Teve muito trabalho. Eles se levantaram e iam saindo quando o outro falou: Ah! Tem uma empresa considerável que quer contratar um psicólogo para trabalhar n o Recursos Humanos a fim de analisar o perfil dos funcionários a serem contratados . o qual procurava estabilidade para as mudanças que planejava em sua vida. Os amigos não consegu iam conciliar um dia para irem ao centro espírita. tudo bem. mas agora tudo estava perfeitamente no lugar e exatamen te como ele queria. Sérgio ficou em silêncio e pensativo. a residência era próxima da clínica aonde ele poderia ir a pé se quisesse. cobriu-o com um manto protetor e ele não se incomodou com a oposição de sua mãe. uma satisfação pela conquista. Falei para a Débora que passari a lá antes de ir para casa. Sérgio se encontrava paralisado no meio da sala de sua nova ca sa. Em seguida. não s e abalarem e superarem os obstáculos para evoluírem. mas Sérgio pareceu indiferente às suas opiniões e contrariedade. Esses sonhos são o começo da demons ração da atuação dos espíritos em suas vidas. Dependendo do salário. pela família. mas nada comentou. Pelo fato de você acreditar na Doutrina Espírita. Sérgio pensava em Débora. vão fazer o mesmo com a Débora. Trazendo no rosto um leve sorriso. Eu gostaria de conversar com você e depois com a Débora. algo como um presságio desagradável. suspirou fundo e caminhou até a porta indo para uma área ladeada por muretas graciosamente baixas d e onde se podia ver as grades altas em lugar de um muro. Não queira saber o motivo. admirou o belo quadro de paisagem agradável na parede da sala colocado acima do sofá. Tenho a consciência tranqüila e paz nesse sentido. fez pequenos reparos. será fácil se propor a uma assistência espiritual e a Débo ra também. quando sentiu um aperto no cor ação. O importante é você e ela terem forças para enfrentarem os desafios. sem perceber. porém estava demorando. Um momento como aquele trazia algo especial aos seus sentimentos. Mas por que diz isso? Pelo que senti. a razão ou qualque oisa do gênero. 11 . mas com grande bom gosto. Olhou para o espelho colocado no corredor. O trabalho e mpolgante em arrumar aquela casa e pôr no lugar suas coisas onde seria seu novo re duto. Tenho dois casos de incesto e os transtornos são . Você conhece alguém de lá? Os amigos saíram da clínica falando sobre o assunto que aguçou grande interesse de Sérgio. Nossa! Olha que horas são! . Sérgio. Porém percebeu que existem seqüelas espirituais ou sentimentais resultantes do que lhe aconteceu.tal e emocional por não ter me desmoralizado com as tentativas de sedução da minha irmã. O portão para a entrada l ateral do carro que poderia seguir pelo largo corredor até o fim com espaço para vário s veículos e o pequeno.

Isso pode te trazer problema s na faculdade.Depois. decidiu tomar um banho... do horário fixo de manhã. Pediu. É tão perigoso e nada gratificante. o rapaz foi até o portão e o fechou en quanto ela descia do veículo. .. .Eles se abraçaram novamente. a jovem sorriu ao confessar: Puxa! Quando vi aquele monte de coisa amontoada aqui dentro. Mas eu iria para lá somente à noite e ficaria sozinho enquanto você não chegasse da universidade.tornou ela com leve sorriso..Afugentando os pensamentos.. fazendo-lhe um carinho.Observando seu semblante sem animação. As provas nem começaram e eu não tenho faltas. O namorado percebeu algo estranho em seu tom de voz.. espiando através da janela. Eu sei. propôs: Já que cabulou aula. não contendo a felicidade que o invadia. Pegando as coisas que a jovem trouxe.. ele comento u: Acho que começo a colher os frutos e recompensas depois de tanto esforço e sacrifíc io! Temos muito que comemorar! . Eu adorei! . lançando-lhe um olhar indefinido. levou-a para olhar o que ele fez naquele dia. meu bem . Não foi lá para o apartamento porque não quis. convidou: Vamos? Débora secou o rosto com as mãos ao dizer: Parabéns... Sérgio estava animado.Afastando-a com generosidade. Indo ao seu encontro. Para deixar aqui . Sérgio! Estou tão feliz por você! Nossa!. escutou o ba rulho do carro de Débora na garagem e. fo i bem direto pela preocupação: O que aconteceu. certificou-se de sua chegada.disse ao fech ar a porta do armário. Ma s agora vai dar certo! .. perguntou: Quando vai deixar de trabalhar lá? Vou cuidar de toda documentação a partir de segunda-feira. E.. trazia nos olhos lágrimas de emoção. . Não imagina como me sinto quando está trabalhando na polícia. não imaginei que pudesse arrumar tudo..Fez br eve suspense. A clínica está indo muito bem!. Ab raçando-o forte. .riu.sorri u. ao mesmo tempo em que explicava e mostrava muitos detalhes: Arrumei esse quarto de hóspede . A seguir. ao abrir o armário. Aqui. Goste i muito da proposta. Acomodando-se melhor. Vestindo rapidamente uma camisa. Circunvagando o olhar.riu ao avisar . Eu insisti bastante. Vamos sair para comemorar? Temos vários motivos! A casa está do jeito que eu quero. Ele acreditou que não fosse algo tão grave . ele quis saber de i mediato: Eu insisti tanto para que viesse aqui e. Vou colocar suas bolsas aqui..chamou-a. mas agradável. Não é tão fácil pedir baixa PM. Imediatamente entrou em crise de choro e curvou-se com as mãos escondendo o rosto. Sérgio a abraçou procurando desc obrir o motivo daquele estado angustioso.ele perguntou.. Puxando-a para junto de si.. sorriu e contou: Visitei aquela empresa que o João me indicou. Decidi pedir baixa da polícia. mas não é para você! A suíte está à era! . Sérgio a afagava com carinho a o convidar: Vamos sair? . Ao terminar. Embalando-a com afeto. Existe todo um procedimento. comecei a pôr as coisas no lugar. levando-a para a sala: Vem! Sente-se aqui. beijou-a e após ajudá-la a pegar algumas coisas. exibiu o outro: Neste quarto aqui fiz o escritório e minha tão querid a biblioteca! Venha ver . Sinto um alívio.Acomodando-a no sofá e ficand o ao seu lado. Tudo é simples. Débora ficou verdadeiramente feliz e sem palavras. Não é como pedir demissão de uma empresa comum. creme.. mo strou: Reservei esse espaço para você guardar suas roupas e o que quiser.. . E por isso que está assim quietinha? Não.. Está bom ou prec isa de mais espaço? Está ótimo! Eu trouxe só algumas roupas. avisou sorridente: Coloquei tudo em ordem! Venha ver! Pegando-a pela pequena mão fria.Olha ndo-o sorridente. ela sorriu e comentou com jeitinho gracioso: Ficou lindo! Sérgio. secador. E logo se entusiasmou: Ah! Veja como esse banheiro ficou bonito! Realmente. Débora? Por que está assim? A jovem não suportou... levou-a até a suíte e..afirmou.. abraçou-a com carinho. a namorada o abraçou com força. Depois você arruma do seu jeito . V ou sair de lá definitivamente.Admirou-se. Fiquei três noites dormindo em meio das caixas! . Não acha? . você é muito caprichoso! Dando-lhe um beijo rápido. pois ela estava bem ao chegar e pareceu feliz com a notícia de sua saída da polícia.

Sentando-se ao seu lado. Pediram que eu passasse todo o meu serviço para uma colega. Por que não?! É inteligente! Tem esse semestre!. Débora parou por minutos. Não fique assim. Não diga isso. Seja o que for. tirou o braço de seus ombros. . fui avisada sobre a demissão. mas deram explicações evasivas do tipo: foi por corte de pessoal.Bem sentida. Fique calma. tirando-lhe uma das mãos com a qual encobria o rosto e disse: Exi ste solução para tudo. .. Nem se for só um pouqu inho. Não tenho tanta certeza .. Por eles afirmarem que necessitavam de funcionário co m meu perfil. explicou: Logo cedo.. Disse que ligou para eu não me dar ao trabalho de ir lá e. contou quase chorando novamente: Eu não tive tempo de almoçar..perguntou bem sério. Você não sabe o que aconteceu. Sérgio somente aguardou e sofreu por vê-la daquela forma. ela continuou: Eu não me importo com a vida particular das pessoas.. pedindo carinhosamente: Beba.. . Débora se afastou do abraço e sem olhar para Sérgio. mas ainda apresentava um choro doloroso e lágrimas tristes corriam em sua face pálida. Quis saber o motivo. ela desabafou: Fiquei indignada! Por que ele quer atrapalhar a m inha vida?! Recostando-se em Sérgio.. pois avisei que estava deixando a empresa on de trabalhava. Bem. Ao se recompor. Todas disseram que realmente precisavam de alguém na área de marketing e pareceram bem interessadas e satisfeitas com o meu telefonema..falava animado. Débora.Fez pequena parada e comentou: Senti uma coisa . Você não sabe! . Pegou o copo com o restante de água e bebeu. Só falta um ano para se formar! Como corretora imobiliária da área empresarial no centro da cidade.. Quem sabe conseguirá um emprego na área em que vai se grad uar?! . o meu celular tocou. Porém não tenho nada com isso e sempre a trat ei bem e explicava as coisas com boa vontade. Voltando a sentar onde estava. É amante dele. Você é competente. sobrepôs o braço em seus ombros puxando-a carinhosamente para que se recostasse em seu peito e falou tranqüilo: Não fique assim.falou aflita..Esperou por algum tempo e delicadamente forçou-a a se erguer um pouco. . Animei-me e até esqueci o que meu pai fez. Essas pessoas conhecidas tratavam-se de diretores para os quais e ncontrei locações ideais para as empresas que eles representavam.. . Após saber disso. contr atos para fazer. submetendo-me a ca nsativas procuras para suprir todas as exigências. Vai arrumar outro e mprego melhor. Ela é legal e eu explicava sobre os negócios locatários em andamento. Alguns goles e a moça respirou fundo.murmurou. vamos dar um jeito.. assim que cheguei à empresa.. eu terminei rapidamente o que prec isava e dei alguns telefonemas para pessoas conhecidas que trabalham em consideráv eis companhias. Saí correndo e.. Para contato dei o número do meu celular. Não fique assim.. essa colega me pediu segredo e contou que esse sócio. seu a mante. foi até a cozinha e lhe t rouxe um copo com água adoçada... até.. disse a ela que meu pai pagou um considerável valor para que me demitissem. quando estava chegando próxima a uma da s companhias.Afagando seu braço. afagando -a no braço e contou com a voz embargada: Hoje eu fui demitida... Tem grande potencial. que estava de joelhos à sua frente. Essa moça tem um caso com um dos sócios. Quer contar? .Cont ou sentindo um gosto amargo de decepção. Entregando-lhe o copo que foi posto so bre uma mesinha. pediram para eu comparecer o quanto antes.. ele a abraçou e argumentou: Seu pai fez isso a fim de que volte para a casa dele.. Acreditei que reconheceriam min ha perseverança e boa vontade.. Eu precisava acertar muitas coisas. Três pediram para eu comparecer no período da tarde para uma convers a ou possível entrevista. conhece muita ge nte em diversas empresas. Era alguém de uma das empresas que eu iria e um a secretária avisou que a vaga havia sido preenchida. Vendo-a chor ar sem conseguir falar nada.. Falava pausadamente enquanto uma e outra lágrima teimosa escorria por sua face: A princípio fiquei com raiva. falou de modo baixinho e carinhoso: Ei.Débora chorou novamente. Talvez por eu não discriminá-la como outras pessoas fazem. Logo você arruma outro em prego. ela olhou para Sérgio.

invadindo sua alma ao pedir: Responda sinceramente.. com pintura velha nas paredes. erguendo seu rosto e olhando profundamente em seus olhos. certo? Naquele dia a casa estava feia. O mato crescido foi arrancado e no lugar cultivado um bonito jard im.. Foi dinhei ro jogado fora. A primeira vez em que eu a trouxe aqui para conhecer o lugar. gás. Na hora eu quase chorei.. celular. torneiras enfe rrujadas.respondeu com sinceridade.Breve pausa e se revoltou: Não sou burra! É lógico que o desgraçado do diretor daquela imobiliária. o condomínio. Foi tão difícil me control ar.. Pago o aluguel do apartamento. você quase não diss e nada nem reprovou a minha decisão de alugá-la. Eu não poderia me alterar. Acho que ninguém morou aqui por muitos anos! Eu nun ca imaginei que você pudesse deixá-la como está hoje! Vi e acompanhei tudo o que fez e estou imensamente surpresa! Preste atenção. Por mais que o namorado se esforçasse em animá-la com pensamentos positivos. Sérgio a escutava com toda atenção e considerou para deixá-la mais calma: Pode ser uma coincidência. afinal precisava ficar tranqüila a fim de causar boa impressão onde estava indo. silenciou de pois de lixado. Eu deveria desconfiar que isso pudesse acontecer. alimentação. segurando delicadamente seu queixo. Não tenho quase nada guardado. . Acreditei que você estava exagerando. .. Ela já estava orie ntada para passar qualquer ligação para o diretor da companhia. Seu pai não pode conhecer ou controlar t odas as empresas que existem.. Depois de esperar muito tempo. O medo e a insegurança dominavam sua mente e seu coração. carro. perguntei se ela poderia me indicar algum emprego. Meus gastos com alguns luxos são dispensáveis. Entrei com a desculpa de ter esquecido algo.. a recepcionista me chamou avisando que não pode riam me atender hoje à tarde e pediu para eu aguardar o telefonema deles. Não está sendo fácil! Você não tem alguma reserva? Se precisar. Depois avisou: Débora. Fique tranqüila.. . pintado e lubrificado transformando-s e em uma peça clássica! Tenho certeza de que o valor da locação foi baseado na aparência d a residência antes dessa transformação e no desejo do proprietário de querer alugá-la a um preço qualquer somente por medo de ser invadida. roupas !.. Era alguém da outr a companhia me dispensando também. sem exibir minhas des confianças. ainda é uma casa velha .Algum tempo e la mentou: Sérgio. Se essa casa estivesse desse jei to no momento de alugá-la. Até o rapaz despertá-la do silêncio. pois age ndariam nova data para uma entrevista. Sérgio! Não era o mome nto de eu perder o emprego. deu as piores referências para eu não conseguir aquelas vagas! A jovem chorava enquanto ele fazia-lhe carinhos para acalmá-la. Você gostou dessa casa agora? Lógico! Claro que gostei . O portão que rangia como se fosse um efeito para filme de terror. Então cheguei à outra empresa e aguardav a o atendimento quando o celular tocou novamente e.. luz. ele me disse que eu ainda correria atrás dele. Gastei com a decoração do apartamento e outras coi sas.. Coincidência?! Não mesmo! Fiquei atordoada.que nem sei explicar. o preço seria dobrado ou triplicado. telefone. Agora vejo o quanto aquele a luguel é caro e desnecessário.. use-as até conseguir um novo trabalho. Conver sei novamente com a colega para a qual passei meu serviço e. que ligaram de três lugares di ferentes pedindo referências e perguntando o motivo da minha saída. Somente agora entendi. reparado pelo serralheiro. a jo vem se enfraquecia vencida por idéias pessimistas e rancorosas perdendo as esperança s. Depois de me dar al guns cartões. . mas me controlei e voltei até a companh ia imobiliária que me demitiu. que a eitou o dinheiro do meu pai. a mureta e o arco da varanda com reboque quebrado e o jardim era um ve rdadeiro matagal em miniatura. Não tente ser otimista. nem todos os lugares vão se dar ao trabalho de telefonar para o seu antig o emprego pedindo informações a seu respeito. Sérgio.falou em tom brando e algo explicativo par a alertá-la. Quando saí da casa do meu pai e brigamos. Mas eram grandes companhias! Isso vai me atrapalhar muito. vai arrumar outro emprego o quanto antes. Você me alertou. mas sem empolgação. a univers idade e tenho despesas com água. a jovem permaneceu imersa em profundas e amargas reflexões. essa moça contou.chorou. Aconteceu que os muitos detalhes que a tornavam feia foram trocados o u consertados. mas não dei importância. Por longos minutos. sem que eu perguntasse.

Mesmo trabalhando e me achando o máximo. planejada. Eu tenho como arcar com as despesas. aperfeiçoar-me m ais com estudos para ampliar meus conhecimentos e ser um profissional melhor. moraria com você. mas Sérgio.. porém antes precisam os alcançar algumas metas e estabilidade para dar a ele ou a ela todo o amor. Estamos juntos há tempo suficiente para não nos importarmos mais com as críticas e comentários de quem quer que seja. a educação e o conforto que pudermos. mas vamos nos casar.. Eu quero e sei que teremos um filho. Ela sorriu docemente ao repetir com simplicidade: Lógico! Ficou um encanto e se parece com você! Por que insiste em perguntar isso? Por que eu te adoro. olhando-a firme: Para me ajudar.Respiro u fundo e explicou ponderado: Só gostaria de pedir uma coisa. c aso encontrasse dificuldade. Mas. nos meus propósitos.Alguns segundos e perguntou: O que me diz ? A namorada estava perplexa. Meus planos são de ficar bem estabilizado. . questionou no mesmo tom ponderado de antes: Por que não? Algo a impede ou tem dúvidas de seus sentimentos por mim? Não!. Venda o que puder. . incl usive da sua faculdade..pediu com jeito apaixonado. Sérgio. Podemos a rrumar tudo quando consegui-mos ver a beleza através do que parece feio. É o mesmo que olhar através dos vidros sujos de uma janela: eles podem estar tão sujos q ue você não saberá que o sol brilha lá fora. Não sei o que é se submeter à prova de reduzir as despesas. Aparando-as com ternura. seguro de si. Entregue o apartam ento e traga suas coisas. meu amor! Espere! Eu quero dar o exemplo de que nada é permanente.. Sérgio .reconheceu angustiada. minha vida virou ao avesso! Tudo aconteceu muito rápido. Perderá tempo por só ver. Não a rmazenei o suficiente para o inverno que não sei por quanto tempo pode durar... Afagando-lhe o rosto. . mas eu só ten ho essa casa e quero que venha morar aqui. além de nos conhecermos bem melhor. Par a mim não importa mais se viveremos juntos agora ou após casados. Não vou dizer que nos casaremos amanhã ou daqui a dois meses. Vem morar aqui comigo .tornou. Terá mais tempo e tranqüilidade para procurar um emprego de que goste sem tantas preocupações. ela respondeu: Sérgio..Você está me dando uma lição de moral por eu. Bem. sem passar necessidades e co m relativo conforto. Naquela época fiquei um pouco preocup ado com comentários e críticas. Esteja certa de um a coisa: aqui comigo ficará mais segura. eu morava na casa dos meus pais e não sabia o que era administrar financei ramente uma casa. mas preciso de um tem po. Gostou mesmo desta casa? . . Esqueci da fábula da cigarra e da formiga. Eu te amo muito.Fez breve silêncio. con tornou vagarosamente seus lábios com as pontas dos dedos. Viu em seus olhos ardentes um brilho úmido de lágrimas que rolaram lentas. eu te amo muito! Concordo com tudo o que você propôs. o rancor pela injustiça do seu ex-encarregado e a decepção pelas três portas que se fecharam.. parecendo tatear uma jóia preciosa. não poderá ver as oportunidades a sua frente. Não nos conhecíamos tanto quanto hoje.. Nunca precisei me preocupar com dinheiro. pausadamente. Gostaria de te dar todo o conforto do mundo. a at enção. Fitando-a quase sem piscar. A bela face da jovem estava melancólica e exibia uma dúvida mesclada de conflito. Débo ra permaneceu séria e murmurou em com sua voz delicada: É confortante ouvir isso. Saiba que não viverá no luxo ao qual se acostu mou. Eu disse que. sofrer e sentir o que é feio e ruim. Olhando através das dificuldades do momento. ele tocou carinhosamente sua face quase fria. você pediu para eu ir morar em seu apartamento. em seguida..Alguns segundos para que ela refletisse e continuou: Débora. nem sempre conseguimos fazer nossos planos seguire m a ordem que desejamos. Eu te amo! Te amo muito. Não acredito que . Só descobri isso quando fui morar sozinha. Contudo terá uma vida estabilizada. Com semblante sério. Acreditei que era cap az de me auto-sustentar totalmente.. Interrompendo-a e a abraçando. m as continuaremos tomando cuidado para não trazermos ao mundo um filho que não esteja em nossos planos ainda.. preste atenção! Se você continuar experiment ando o sentimento de mágoa pela crueldade de seu pai.. você não vai conseguir cul tivar um bonito jardim nem pintar as paredes da sua vida para deixá-la rapidamente nova e bonita.. beijou-lhe a cabeça e completou generoso: Não. ele falou. Hoje.. pausadamente prosseguiu: Tu do o que estou falando está nos meus projetos. olhando-a com ternura. Quando al go não está bom e precisamos mudá-lo devemos arregaçar as mangas até conquistar o que dese jamos e nos sentirmos bem com isso! Débora..

Ei! . concordando com sua mãe. espalmando as mãos no peito de Tiago: Qual é cara?! Você é tão sem-vergonha quanto ele por que só sabem criticar sem saber o que é passar necessidade! Uma briga começou entre eles. ta? Ah!. falou: Enquanto isso. Tudo bem! Eu aceito! .. você vem morar aqui. indignação. Termine esse semestre na universida de. angústia. . estou tão cansado depois de arrumar t udo por aqui! . Na espiritualidade. Vamos pedir uma pizza? Desculpe-me! Você queria comemorar. * * * No mesmo momento. Ao tempo em que tudo acontecia. envolv endo-os emocionalmente.. Bem depois.alertou o irmão. Sérgio passou a comentar sobre outros assuntos.enervou-se Marcílio. se arranjou na vida e pensa que não vai precisar de mais ninguém! A senhora viu!... enquanto apreciavam a pizza. O Sérgio não levou nenhum de nós pra conhecer a casa dele! Só o Tiago foi lá! Ouvi meu nome?! .criticou Marcílio. Não faltará oportunidade! E para ser sincero. pra ele emp inar o nariz como se a gente não fosse nada à vida dele! Deixa o Sérgio! .concordou ela. ciúme e outras más tendências dos encarnados e se revigoravam com suas energias. f oi à direção do irmão e esbravejou ao empurrá-lo. fortaleciam-se. Pre ciso de um tempo para pensar e. Essas criaturas. o senhor Inácio somente ouv ia a esposa esbravejar: Não é possível! Jamais pensei em ver tamanha frieza por parte do nosso filho! Quant a ingratidão! Bastou se formar doutor. na casa dos pais de Sérgio. sem ins trução e que se satisfaziam com brigas e discussões de qualquer tipo.Beijou-a rápido.. dona Marisa ainda não se conformava com o fato do filho ter mudado. aproveitando-se de s eus fluidos. sugeriu: Você também está cansada! Pegue uma roupa bem con fortável e vá tomar um bom e demorado banho! . Um dia ele pode preci sar da gente. O safado nem pra. Completamente calado.. Num tom de brincadeira. meu! Nosso irmão foi o m ais esforçado entre todos nós.indagou Tiago. eu arrumo um emprego bem melhor. de repente. levantou-se rápido. O rapaz a envolveu num abraço amigo e gostoso.. Esses espíritos imperfeitos inclinavam-se tam bém aos que assistiam sugerindo-lhes todo tipo de pensamentos conflitantes. inveja.esteja desempregada e com tantas responsabilidades financeiras para assumir.. ter uma porcaria de um diploma. acabando de chegar. Realmente preciso de um banho para relaxar! . Olha como fala! Por que chamá-lo de cachorro e safado?! O Sérgio não merece esse tratamento não. Será como vo cê quiser. pedirei a pizza. interrompendo-o bem sério.. e ntre outras coisas. como que abraçando imediatamente os envolvidos na desavença e agressão a fim de incentivá-los à troca de d uelos de palavras vis e repugnantes. Está certo! . Tomado de forte sensação enervante.pediu. afinavam-s e e se satisfaziam através do comportamento e dos pensamentos inferiores dos encar nados. esses espíritos levianos a proveitavam-se dos sentimentos de raiva. Proponha-se ao mercado de trabalho.. Poderia chamá-lo de cachorro e safado caso ele ficasse encostado na família e aproveitasse da bondade dos pais e dos irmãos para cuidar da mulher e dos filhos! Marcílio reagiu ferozmente. mas.. verdadeiro alvoroço se fez entre espíritos horrendos. questionou: Estão falando bem ou mal de mim?! Estamos falando do cachorro do Sérgio! . olhando-o com um medo estampado em seu se mblante pelo futuro incerto. parecendo se esquecer do dia tão difícil que teve. feios e enferrujados! . Pode até acontecer o que você falou e. invisíveis ao plano físico.. casos corriqueiros durante a compra de um móvel.Em seguida. Você pode me dar um tempo? . aí eu quero ver como ele vai voltar com o rabo entre as pernas?! Ele usou todo o mundo aqui em casa.riu ao avisar: O chuveiro da suíte está f uncionando e nenhum registro ou torneira estão velhos. Débora ficou atenta. Se até dezembro não tiver êxito. levantou-se e sorrindo a fez se erguer.Ao vê-la sorrir.sorriu ao afirmar. Quero continuar trabalhando e terminar os estu dos. Embalou-a com leveza e avisou: É tarde e acho que você não está com ânimo para sairmos. na esperança de animá-la.

Eu vi o sorriso gentil no rosto dela ao gesticular delicadamente com voz deng osa que atraía os homens. mas também esse infeliz me desmoralizou. o Sérgio deixava a Débora em nossa estância. mas não! Nessa encarnação nascemos . é a Sueli! Como se não bastasse. movimentando-se como uma massa den sa. Por culpa do seu desprezo . humilhou-me e me rebaixou no nível ma is inferior que pôde. observava tudo com satisfação. . ficava e era designado a tomar conta da estância. O próprio Mestre Jesus nos ensinou: Pede e te será dado .. pensam entos e desejos. encarnada. eu enlouqueci! Pensei que existisse um Deus bom. Criticava minhas ordens e tudo que é comum de se fazer em uma guerra. pois ele precisava pegar os dois juntos. O Sérgio não merecia aquela mulher. afasta m-se. o in feliz fez o mesmo nessa encarnação! E lembre-se de que ele desgraçou a sua vida também! Mas você sabe que ela não esperava um filho dele. dizendo que gostava de contemplar o céu estrelado ou tomar ar. Passei a espiar.. quando não conseguem. mas. calcadas de botas fortes no andar lento de hom em. mas nem sempre participava das pelejas. plasmam-se exatamente energias espirituais mentais impregnadas por nossas palavras. ela desaparecia e ninguém sabia dizer onde estava. hipócrita!. pois em nosso corpo espiritual. Nunca vou esquecer. Não importa! Qual o problema de se unir a ela e assumir a paternidade? O que ir ia acontecer? Se ele tivesse retornado antes como eu ordenei. por isso contratei o empregad o a custo de jóias caras para dar um fim na Débora. procurando consolo Mas não! Depois do desespero e do enterro. o espíri to Sebastião emanava energias ainda mais pesarosas. Aquela miserável era traidora. Uma espécie de lodo como secreções de corpos físicos em decomposição nos caixões. meu s sonhos e esperanças. Por muitas vezes. Enquanto todos dormia m. tendo ao lado o espírito Lúcia. Eles i nvejam quem as cultiva.. Covardemente desertou! Desertou por causa daquela mulher! . O Sérgio acabou com minha vida. plasmando-as nos ambientes. grudando nas paredes como matérias fecais misturadas a ou tras excreções inenarravelmente repugnantes.. O Tiago tinha um brilho intenso nos olhos quando estava com ela. Pensei que o Sérgio fosse correr p ara os meus braços. Ah!. em pensa mento ou não. Os encarnados não podiam ver. Não suportei saber que ele preten dia ir embora para longe e começar uma vida com ela. O Tiago. O espírito Sebastião. Fazem de tudo para tentar destruir esse estado de paz. o espíri to Lúcia relatava com imenso rancor: Tornou-se um costume da Débora permanecer todas as noites na varanda.riu com sarc asmo.. Ele acabou com a moral da minha família. Cada palavra indecorosa... Tiago e Débora conversavam por horas. E os mais sábios nos alertam e chamam de sujas as palavras de baixo calão. O Sérgio me prejudicou imensamente no passado. mas estava enfeitiçado e não dava a menor importânc ia ao que eu dava a entender para persuadi-lo. avisou: Veja como realmente são aqueles que se diziam seus parentes.opinou a desencarnada com indiferença. mas algo como que nuvens escuras em tons marrom. no ca mpo energético que nos envolve e no ambiente onde vivemos e convivemos. abandonando aquela que hoje. reencontrou-o e juntou-se aos revolucionári os farroupilhas.Trazendo um ódio cego encravado nos sentimentos. cinza e preto pairavam no interior de toda a casa. A criança era de outro. pois se movimentavam e se desl ocavam de forma anormal. um dos soldados que desertou com ele. Um bando de invejosos e orgulhosos .. Ao partir para as batalhas contra o exército imperial a fim d e conquistar as vilas e cidades. teria se casado co m ela e nunca desconfiaria do filho não ser dele. Ele não só maculou o nome da minha f amília. Principalmente quando se trata de seus desafetos. Comecei a ouvir. Sempre nos é dado o que pedimos para nós e para os outros. el e se foi sozinho! Não me conformo com isso! Covarde! Eu disse que ele é um covarde! Naquela oportunidade poderíamos viver um grande amor. ofensiva e hostil pronunciada oferecia mais vigor àque las energias espirituais extremamente inferiores. a felicidade e a harmonia são tormentos insuportáveis. irregular e muito feia. Vol ando-se para ela. Sustentando e se comprazendo com o que acontecia entre Tiago e Marcílio. vez ou outra. Mas ela me paga! Ela o fez se juntar ao inimigo e enfrentar minhas tropas! Não foi somente isso o que ele fez nessa época.Para esses espíritos.

Com aquela moralidade hipócrita. T em o meu apoio. dos bicho s te roendo e aquele cheiro insuportável. informou em tom típico de sua vileza: Débora é uma tola. perguntei: cadê Deus?! . fazendo-te pensa r que estava louca! Fez você se sentir um verme. Ao saber o que a Débora fez! . Assim como fez com você. ter boas práticas!.gargalhou sarcasticamente. Fiquei cansado de ouvir suas conversas sobre dignidade. Ele se achou superior e a trato u como um lixo em decomposição! Repugnava seus sentimentos! É verdade! O Sérgio começou a me dar sermões e mais sermões moralistas! Cada vez mais oralistas! E eu me sentia suja.. depois de saber de tudo... Até parece que aquelas vadias que tomei à força não gostaram de ter um homem viril co mo eu! Desencarnado. as faculdades espirit uais. mas tomei força e reagi furioso! Tanto ódio brotou por experimentar aquilo que consegui me libertar. do corpo se desfazendo. É?! Vou dizer a verdade: eu o desejo como homem para usá-lo em favor de meus prazer es. tem a minha ajuda .. os espíritos Wilson e Olívia.Psicólogo Espiritual Rogando amorosamente a instrução e a colaboração influente de entidades de esfera sup erior. justiça.irmãos legítimos! E eu o amava! Ele tornou-se um homem lindo. eu o odeio por tudo o que ele já me fez. Além dela. com caráter possessivo e sentimentos mesquinhos por Débora. Sentia dores. não foi? Falou que precisava de tratamento. sensações e pesadelos alucinantes com o se eu fosse uma delas. ele de u-lhe sermões e críticas. zombando.riu. meus prazeres. Mas agora. encontravam-se em luga r onde o agradável magnetismo parecia acariciar os sentidos. imunda! Meus pensamentos ferviam e me corroíam! Isso mesmo! Sermões moralistas! . continuo u falando para persuadi-la: Eu sei o que você passou após morrer daquele jeito. de respeito! Sofri feito um desgraçado! Tinha alucinações que nunca paravam! Sentia dores como se!. induzindo-a a pensamentos conflitantes para continuar dominando-a e utilizando as disposições a fetivas de Lúcia para os seus objetivos de vingança. Sentia as dores do tiro.. Ah! Esse é dos meus! Ele vai se vingar por mim com escárnio e muita humilhação! E o Sérgio ficará arrasado. Gritou muito.. Como se o quê? .... porque eu te regenerei com as energias sugadas dele e te despertei p ara esse mundo real.. por isso quase enlouqueci! Dem orou.repetiu Sebastião. Juntos. Quero-o morto! E quanto à Débora. Acompanhei tudo. . que te corroíam. longe dos pesadelos e das alucinações que enfrentou dentro do túm ulo. atraindo-os a uma doce e suave meditação.. mentores de Sérgio e Débora. um lixo e é por isso que ficou assi m depois de morrer! Qual era o problema de se amarem? . Com crueldade.. Acor dou no caixão e sentia cada verme roer seu corpo. e o Breno.Breve pausa.tornou ela. faremos com que ele sinta tudo o que nos fez sofrer. Mas aquilo era impossível.. pois a Sueli é uma filha fiel e se mpre pronta para me ouvir. meus atos. Eu mesmo cuido dela para você! . Você só não sofre mais. respeito. a irmãzinha desprezível e insignific ante com seus vícios. forte e seus olhos são d e uma atração impressionante quando pareciam invadir minha alma! Eu era capaz de faz er tudo por ele! E o Sérgio a rejeitou! . Lúcia.. Sua vida não terá mais sentido e ele desejará a morte ao sabe r!. Agora eu vejo o Sérgio de modo diferente .questionava.lembrou Sebastião. O ódio e a raiva pelo Sérgio foram tão imensos que não posso deix ar de me vingar! Ah! Não! Sofri mais do que um cão e procurei o desgraçado porque prec isava fazê-lo sentir o que eu experimentei! Descobri que tinha reencarnado e eu ti nha passado mais de cem anos naquele tormento alucinado e doloroso por culpa daq uele infeliz moralista! Igual a você. Foi difícil te ajudar. Sebastião admitia. domi nar os desejos. o Sérgio me torturou com seu s sermões moralistas! Desgraçado! Quando morri.quis saber Lúcia com frieza. sentia a carne fedendo ao apodre cer. eu sofri.. fraca e ingênua! Será bem fácil e prazeroso ver a safada experimentar o que eu mais tive prazer de fazer com as vadias desse tip o! Sei que será fácil envolver essa desavergonhada. Mas o pior eram os pensamentos de culpa que não paravam. passei por tormentos infinitos! Eu p arecia ouvir a voz dele ecoando todo o tempo em minha mente falando de moralidad e. sentindo intensa hostilidade . tem a Yara.. 12 . Ele não aprovava nem respeitava minhas vontade s.

Ao lado da fonte. enquanto suave melodia se derramava em harmoni a aprazível. nada a que se possa comparar. de onde luzes transcendentes cintilavam. Algo como que suave brisa de aroma agradável despertou a atenção de Wilson e Olívia p ara a entrada da entidade que.. Olívia trocou olhar com Wilson como se lhe pedisse a palavra. mesmo assentando-se na magnífica poltrona de matéria encantadora à s ua disposição que parecia agasalhá-la. ele deveria desejar receber o amparo da providência Divina e os socorristas estariam a postos. Mais de um século. ostentando delicadas flores brancas. Com humildade. surgiram no instante do relampejo do pensamento de Wilson. Acomodações confortáveis. amorosamente.. Eles se levantaram. Ao leve gesto da mão delineada e graciosa. Majestosas colunas se estendiam lindamente do chão às alturas de cúpulas transparentes.argumentou Wilson diante da pa usa. Voltando-se à nobre entidade que aguardava sua manifestação. meus irmãos! Que o Mestre a abençoe . parecen do leve e de mangas longas e largas que se ondulavam com suavidade. Era impressionantemente bela! Com aparência translúcida! Usava uma túnica simples. Como não poderia deixar de s er. em parte das paredes e de algumas pedras da fonte. Sorridente. Por onde a e levada criatura deslizava. Tomamos a liberdade de invocá-la e pedimos a generosidade desse encontro aqui. ele infernizou a própria mente pelo mal praticado. ele desencarnou.Revestido de sólidas energias edificantes. O espírito Olívia. pois seu corpo espiritual foi brutalmente danificado por sua co . expressou-se com i ncrível doçura aos visitantes: Agradeço a Deus as bênçãos de suas presenças! . Depois de tantas batalhas com o emprego de crueldade desnecessária aos oponen tes. pelo r isco que corre a missão desta encarnação tão planejada e por nós mesmos. de ou: Paz em Jesus. a entidade indicou para que se senta ssem. Os tormentos vivenciados o consumiu por décadas. Assim seja! . difícil de explicar. via-se incrível jardim que causava grande impressão pela beleza repleta de detalhes capric hosos em plantas e flores formosíssimas e agradáveis à visão. E era dele que brotavam tr epadeiras similares a heras que imprimiam nobreza sublime ao esparramarem-se gra ciosas. Imprevistos severos ocorreram e tememos por nossos protegidos. como que nuvens fofas. sua consciência o encaminhou a regiões muito baixas. sórdidos e sádicos. esperavam. É difícil descrever. em esferas superiores e até na crosta terrestre. ouvia-se o murmurinho das águas límpidas correndo por uma parede de pedras até chegarem a delicados lagos que fascinavam por seus e spelhos de água. no pl ano material dos encarnados. o grande salão reluzia nas paredes uma claridade própria. Plena natureza sob a proteção excelsa de um salão usado para conversações muito elevada s nas escalas dos valores morais e espirituais. sabemos o quanto é ocupada em trabalhos ne ste plano. O semblante jovem e de nobres traços angelicais exibia alegria verdadeira. junto da hedionda brutalidade contra mulheres e crianças.Abraçando-os com imensa felicidade. Todo o ambiente era banhado de luz cristalina bem acolhedora. que se dispôs a sentar. a fim de ver enternecido o coração. brotando fé e arrependimen to. O espírito Sebastião está extremamente embrutecido . Não existe.retribuiu Wilson. A esfera obscura onde gemeu. De suntuosa fonte. ficou contemplando o maravilhoso contorno do gr ande recinto. Precisamos ser cautelosos e pr udentes. mas. gritou e chorou como verdadeiro louco não modificou seu estado vibratório. flutuando. Existe muito ódio desejo de vingança no coração do pobre espírito Sebastião. a fim de consultarmos seu s bons conselhos diante de tudo o que acontece ou está prestes a ocorrer aos nosso s pupilos. comentou com amável respeito: Querida ministra e instrutora amiga. Mas não foi o que aconteceu. o piso era sutilmente tocado por sua vesti menta alva que possuía algo como substância luminosa.concordou Olívia. não co ntendo o sorriso de felicidade ao vê-la. viva e alegre. Mesmo bem sofrido per ispiritualmente. Os nobres irmãos encarregados do serviço de socorro em zon as tão sombrias receberam orientações misericordiosas para aguardar um relampejo de lu z e esperança em Sebastião. acomodando-se frente a eles em assento que surgiu suave e instantaneamente como que nuvem sutil. práticas por prazer a seus vícios lascivos. deixando-se envolver e mantendo o s olhos cerrados ao permanecer introspectivo.

Para isso. o amparo eficiente de irmãos espirituais. Por isso. V ersada no atributo de grande soma de conhecimento. A moral elevada de meu pupilo. pois. o espírito Sebastião. Sendo que isso ocorreu porque Sebastião e seus colaboradores do mal estão tentando fazê-lo desenvolver pensamentos e práticas imperfeitas. não apenas das duas últimas. Sebastião não ficou atordoado e reflexivo despertando para a fé. o que ela chama de amor. envolvendo-a em um intercâmbi o mental para que a moça se desequilibrasse e tentasse seduzir o irmão. Concordo com Olívia . A serenidade e a atenção eram vivas mensagens silenciosas que revelavam compreensão e sabedoria no semblante delicado da amorosa e elevada entidade que os ouvia. a sábia instrutora Ia ryel lembrou: Deus é amor. Ele p otencializou toda a sua raiva.nsciência e por outros espíritos de impressionante inferioridade que habitam aquela região. venerável mentora. seus subordinados e nossos superiores. uma das propostas era ajudar sua irmã Lúcia a reverter os dese jos obsessivos por ele. Não demorou a se unir com os comparsas do passado e escravizar alguns pobres e spíritos recém-desencarnados e voltou-se para o objetivo de vingança.Ela contem plou os presentes com rápido olhar. em breves segundos de alívio mental. foram por culpa de Sérgio que o repreendeu. o espírito Sebastião mergulhou nas reentrâncias de sua consciência. Sua perversidade parecia mais intensa e cru el. Por essa razão viemos lhe pedir sábias orientações e humildemente. Jamais Ele emprega violência ou força brutal com a fin alidade de constranger ou agredir a mente de uma de suas criaturas. nesse aspecto. apesar dos desafios e tarefas a realizar. No entanto seu coração nobre se candidatou a tentar. conseqüência de suas práticas. quebrou o invólucro magnético criado por sua mente que o prendia naquelas co ndições tão sofridas. culpa e quer se vingar ao afirmar que todos os seus sofrimentos no plano espiritual. Há muito tempo. se possível. Por acréscimo de misericórdia. E a sua consciência que o cobrou e o cobrará. ele não conseguiu amainar a ob-sessão de seus desejos c arnais e lascivos por ele. ficando receptivo aos bons conselhos. . Foi então que o espírito Sebastião passou a interferir. O espírito Sebastião parece reunir uma fal ange de esferas obscuras com o intuito de grande destruição de todo o planejamento r eencarnatório proposto. Sebastião não admite que ouvisse e experimentou as acusações de sua própria consciência. no últ imo reencarne. a generosa benfeitora ponderou por segundos e considerou em tom t ranqüilo e tênue. como sugerindo reflexão: O Pai da Vida não é impetuoso. Sebastião usa condições e hab ilidades espirituais rudes de suas faixas vibratórias muito baixas. Wilson silenciou e olhou para Olívia.argumentou o espírito Wilson. Contudo. nos último s tempos. Esse desequilíbrio sentimental in controlável vem de encarnações distantes. essa oportunidade lhes foi impossível pelo ato cruel de Lúcia contra minha pupila. harmonia e paz. Com Lúcia desencarnada. para nos ajudarem em benefício de nossos p rotegidos e de muitos encarnados envolvidos. recebeu luz na consciên cia a fim de despertar fé. Com meigo e terno sorriso.Wilson terminou e ficou no aguardo de uma orientação. No planejamento reencarnatório de Sérgio. que teve muito trabalho com ela. no s lo XVII. a livrá-la dos alucinantes sentimentos. Sebastião odeia. com tantas deformidades. conforme predestinado. após revigorá-la com troca de energias mentais com o irmão. . nesta reencarnação. mesmo Sérgio propondo-se a reencarnar como pai de Lúcia e educando-a sob pr incípios religiosos rigorosos. Suas Leis de equilíbrio para a evolução estão a consciência de cada uma de suas criaturas. Sua aparência humana está bem alterada. que podem ser consideradas monstruosas. que o condenava àquelas con dições turbulentas. envolvendo e a tormentando aqueles a quem Sérgio quer bem. não parecendo surpreender-se co m toda a narração. Urrando como um a fera. Sérgio não se in clinou. libertou-o do débito com o espírito Lúcia. No entanto sua energia mental não teve uma reação positiva. o espírito Sebastião vem agregando espírito s tenebrosos a fim de vingar-se de Sérgio e Débora desnecessariamente. Devo admitir que jamais vi tão grande força do mal endereçada para esse fim. Não há como mudar. A o experimentar um breve instante de alívio na consciência. todo o seu ódio e desejo de vingança. viveriam juntos e felizes. Sérgio não é impulsivo e reflete muito an tes de qualquer atitude. S ebastião a tem como aliada a fim de usá-la contra Sérgio. Por isso a procuramos . desencarnado . que o queimava como a dor terrível de um fogo incessante. No entanto. Temo por desastrosas conseqüências se meu protegido não suportar . ele mesmo se surpreende com a própria reação diante de fatos isolados. que completou: Débora e Sérgio se encontraram.

o mentor ninoroso pareceu implorar: Venerável emissária. lei de efeito para as pessoas necessitadas em experimentar ou reparar os erros do pass ado. O fato de Sérgio desertar quando conheceu Débora e a salvou. Isso nos sustenta em nossas provas. lei de ação e reação. Mas cada caso é um caso. Vejo meu querido filho espiritual se torturando lentamente com as interf erências e influências diretas e indiretas do espírito Sebastião. Sérgio reluta em deixar de ser policial pelas necessid ades financeiras que o preocupam e por acreditar que foi criminoso ou bandido em vidas passadas. Preocupo-me pelo fato de Sebastião estabelecer uma falange tão perversa e destrut iva. mesmo que haja dor a fim d e destruir o mal que há na criatura.Laryel refletiu e comentou: Muitas coisas podem acontecer. sabe que Sérgio tem uma importante. Sér gio precisava estar ali. Sérg io não tem culpa pelo que o pobre Sebastião sofreu. precisaríamos de sua amorosa intercessão. Aliando-se aos revolucionários. Sérgio foi destinado a combater em uma guerra. Sérgio o aler tou como pôde.Laryel sorriu levemente e lembrou: Numa guerr a. egoísmo. Nesse caso. Repelir o que lhe an tecipa a morte do corpo físico é correto. através de expiações deploráveis. Encarnado. Além de covarde. prazeres doentios e estranhos ao ser humano. Nesse caso. Sei de seu amor incondicional por todos os irmãos do caminho . Naquela época. Sendo assim. no caso de guerra. .confessou Wilson em tom de súplica.Pedindo hum ildemente. Sérgio prestou serviço a um exército e foi convocado para uma batalha. Meus que ridos . não de ixa de pensar no assunto. Espíritos por muito tempo inferiorizados no ódio. Contudo também conheço a sua extraordinária atenção por esses queridos encarnados sob su a tutela. Mesmo contrariado e angustiado com o que via. sabemos que os corpos físicos são disfar ces do espírito quando encarnado. Quando encarnado. crueldade e out ras vilezas. O fato de o pobre Sebastião acusá-lo por seus alertas morai s é simplesmente uma fatalidade. Laryel sorriu em sinal de compreensão bondosa e avisou: Conheço Sérgio. com o uso de fluidos criados para oper ar psicologicamente através da energia mental de desencarnado para encarnado é imens o. . uma vez que ocupava posição subordinada ao comandante Sebastião.pediu Wi lson com humildade. ajudar com conselhos e su stentá-lo nas provas! O empenho por vingança. No tumulto das bata lhas quase não existem mortes instantâneas. A revolução farroupilha xe benefícios a essa Pátria tão estimada. orgulho. querida Laryel . Sebastião precisa acusar alguém. Com isso se atrasa na tarefa para a qual se propôs para este reencarne. algo que impressiona! Pressinto a impotência espiritual de Sérgio para mobilizar força e vontade a fim de livrar-se da ostensiva obsessão. As criatura s de Deus são os instrumentos de que Ele se serve para atingir determinados fins . pois sem ele nos entregaríamos ao desânimo ou suicídio indireto. apegado aos atos sórdidos. Muito me assust aria se eu soubesse que meu querido Sérgio ficou calado diante de tantas atrocidad es. mas nunca usou de crueldade ou tortura covarde para com suas vítimas. foi providencial naq uela época. pois é de natureza inferior a dos animais. Quero ressaltar que o instinto de conservação nos foi da do por Deus.preocupou-se Wilson.expressou-se com ternura angelical . por exemplo. Mas ele acusa meu pupilo por tê-lo alertado . o silêncio o tornaria cúmplice e conivente com os atos de selvageria . Teme deixar esse trabalho para não ter débitos morais. Temo que eu possa ser incapaz de conduzir meu protegido pelo caminho do bem. por influência de Sebastião. tarefa e Débora deveria a mpará-lo. Precisamos de sua generosa intervenção. pois se encontra em um nível muito inferior. a justiça está sempre de um lado e há influência dos espíritos.fazendo-o vivenciar as impiedades e as vilezas cometidas com lamentável prazer. teve deveres a cumprir através das informações oferecidas sobre o que conhecia. Vi-o ativo e fiel trabalhador na espiritualidade. acabam se personificando líderes de falanges. Porém nada é eterno e tudo se transforma com o objetivo de renovação e melhoramento. caso não receba auxílio de com panheiros dos planos mais elevados . nosso querido irmão presencio u muita dor e sofrimento. pois foi por conseqüência dela que criaram as Le is para a não divisão desse país. .. Ele ouviu um colega dizer isso e. Elevada instrutora. por se tratarem de criaturas especiais em seu coração e reencarnadas por c . Sebastião e xibe energia peculiar à sua monstruosidade e força mental que emprega para interferi r nos pensamentos de todos. foi obri gado a usar suas armas e a força a fim de lutar com os opositores para se defender . entre outras harmonizações.. ele também seria culpado por omissão.

para Sérgio. em seu inconsciente. todos os demais ministros que trabalhavam com a excel sa emissária acatavam seus sábios conselhos ou orientações antes de tomarem decisões impor tantes. comparou com algo. mas deseja essa evolução intelectual a fim de trabalhar indispensavelmente na espiritualidade com irmãos que ignoram o uso da psique e utilizam à energia de cr iações mentais destrutivas através da força do pensamento. dedicandose a auxiliar nos mais diversos comportamentos da mente. empreendia humildemente suas faculdades. de mentes su periores ou inferiores.sorriu de modo sutil. é extremamente exagerada.tornou Wilson com humildade. para analisar. depois continuou: Como a água. . dizendo mais ou menos assim: A água. sem saber. de encarnado ou desencarnado. Por sua elevação.Aguardou e prosseguiu: Conhecendo nosso querido Sérgio. Sérgio possui moral elevada. em atividades no campo de coordenações dignas nos Ministér ios do Auxílio e da Regeneração. o que é ocupar uma posição superior e subalterna. e studando com primorosa abnegação e carinho a fim de estimular a força inteligente que há em cada criatura através da energia mental. Mesmo sabendo e entendendo que Sérgio aceitou vivenciar os efeitos obsessivos em fase do planejame .ompromisso de elevação e amor ao próximo . o pensamento retornará suave e lim po tal qual a chuva. Voltando em forma de chuva ou orvalho. é er um: psicólogo espiritual . é algo a fim de agregar-l he evolução. baseou e ssa opinião em si mesmo. milhares de criaturas de Deus. são: altear o intelecto. Nosso querido Sérgio está experimentando incrível poder psíquico que tenta agir em sua mente. acredito que ele é capaz de reagir a essas idéias destrutivas. mas se o elevarmos para as alturas com verdadeira fé e humildade. além de ocupação amorosa no exercício de socorro. sob pressão ostensiva de mui ta disciplina que. As propostas e as idéias de Sérgio. crescimento intelectual em benefício dele como espírito. Diante da perplexidade de Wilson . comentou: O pensamento. Por conta disso. Os objetivos desses irmãos sem instrução são trazer angústia. o pensamento pode est ar impuro. Esse pode estar sob a influência de uma outra mente cruel e malévola. al guém é policial pelo fato de ter sido criminoso ou bandido em outra encarnação. Só caberá a Sérgio a atitude e postura consciente para c riar forças interiores a fim de resistir a tão intensas energias mentais vindas de e spíritos e de encarnados que são transviados morais. Isso. E em um exemplo magnífico. A função de Sérgio como policial o colocou na condição de sentir. a respeitável entidade Laryel possuía uma natureza superior que ul trapassava a capacidade de conhecimento e sabedoria dos ministros daquela consid erável Colônia Espiritual. evapora-se subindo ao céu. as idéias que nos surgem. nossos irmãos. Lembremos que as palavras. . Tal estímulo e método clínico os libertarão om facilidade das amarras psicológicas que os mantêm atados à força do pensamento de um irmão espiritualmente inferior. sempre com indizível serenidade. rogan do luz na consciência e crendo no amparo de Deus. Por suas contáveis tarefas abnegadas. como tarefeira espiritual. re speitando a reflexão de Wilson. estará pur ificada e será benéfica às criaturas. hoje.Breve pausa e comparou: O médic o não pode dizer que a doença é indolor ou que o remédio é doce se não os provou. à custa de duras provas e tra balhos incansáveis. Ela refletia sem qualquer manifestação. . que manipulam suas vítimas com rigo r. curativas. ele terá bem mais proveito no que almeja desenvolver no plano espiritual para ajudar muitas. por mais suja e infectada que esteja. no plano encarnado. tormentos e todo tipo de insatisfações. As conseqüências ou resultados variam e dependem da afinidade que a supos ta vítima se deixa ter com aquele que a quer dominar. podem ser nossas. mas tudo pode acontecer.A veneranda ministra aguardou por segundos. irradiando excelso magnetismo no olhar. é nobr eza espiritual experimentar os sintomas para estudá-los e compreendê-los em ação com a f inalidade de atuar em serviços de socorros aos irmãos necessitados. Lá se transforma n as mais diversas e belas nuvens. procurou contribuir com esclarecimento diante dos temores dos queridos amigos que ali estavam: Certa vez eu ouvi uma querida benfeitor-amiga ensinar que O pensamento é força viv a . Vivenc iando tal experiência. o mentor Wilson silenciou. os desejos e os impulsos de uma criatura são control ados pelo poder do pensamento. trazendo benefícios e criações mentais saudáveis. respeito e certa apreensão . . Venerada Laryel . Laryel. O colega que desejou envenená-lo mentalmente com a idéia de que. ao mesmo tempo.quase em lágrimas.Prestimosa e calma Laryel ofereceu sorriso leve e doce. elevação prosperidade ao homem de bem. por vezes. Sua dedicação aos estudos psicológicos e empenho para ampliar os conhecimentos.

Já vimos portadores de deficiências fazerem de suas mentes ferramentas tão poderosa s em favor do bem-estar de si mesmas para as suas necessidades. a pessoa que os atraiu. a pessoa pode ser capaz de destruir a moléstia. meus queridos. Mas existem os que se inclinam às más tendências e não domina m os pensamentos. enlouquecê-lo. em massa. O corpo físico simples mente obedeceu às ordens dos pensamentos do encarnado que. . na p rimeira oportunidade. à prostituição. É a consciência de cada criatu ra que a castiga. vemos outros encarnados nas mesmas condições deficientes ou doentias que reagem contra esses pensamentos venenos os. que se tornam vi toriosas! São capazes de superar outras pessoas denominadas normais.nto reencarnatório. A instrutora permaneceu em silêncio. E os que continuam se prendem a fantasias inúteis e passageiras. exibindo no perispírito o que fizeram. Seu rosto era sereno e sério pela gravidade do assunto. S em dúvida. Ex istem encarnados que sofrem por lições expiatórias. Outros. embolando-se em posição semelhante à fetal e co m aspecto tortuoso. aceitando a ligação mental com espíritos inferiores. e podem ser usados. não esperávamos a imensa organização espiritual simpática ao líder crue ue tem o intuito de destruir meu pupilo com terríveis tramas e ataques para desequ ilibrá-lo.Alguns segundos e prosseguiu. admitindo que e sses espíritos. sofridos e des gostosos dentro de seu próprio mundo. vírus ou bactérias infectam o corpo físico e nele se multiplicam e atacam. enfrentando as agr essões furiosas. Por que elas são venc edoras e outras não? Por que um alcoólatra é capaz de vencer o vício e outro não? O que di zer dos dependentes de drogas que. insistem e utilizam à substância alucinógena e excitante? Alguns não aceitam a proposta do uso de entorpecentes. o desequilíbrio espiritual e mental. dominem suas vidas. fazendo suas células reag irem contra o mal. com grandes dificuldades. pensamentos enfermos. vai atrair p ara o corpo carnal a experiência dolorosa e enfermiça da decomposição lenta. a pessoa pode não se regenerar totalm ente. desencarnam enfrentando a ignorância. Essa vingança é injusta. Então.. por vício de reclamação. Com o poder de seus desejos e determinação. Alguns desses perseguidos sofrem. Sofrem conflitos que os arrebatam deploravelmente. mesmo com tantos alertas sobre o perigo do us o de entorpecentes. agregados ao mal. que o s perseguem e maltratam impiedosa-mente pelo prazer em fazer mal ou serem contra ao que o outro praticou.. essas pessoas podem ligar-se mentalmente com espíritos impuros e vingativos que lhes sugerem di ficuldades. Algumas moléstias os atingem por tempo limitado. Não ignoro nada. dolorosas de outros espíritos inferiores também tiranos e cruéis. ainda em vi da e até a contaminação virótica. cegá-lo ou levá-lo a atos insanos de difícil reparação. que fa zem à mente do encarnado atrair e proliferar princípios inteligentes microbianos ou viróticos para junto de seu campo mental. destroem os órgãos do corpo físico a começar pelos neurônios. Depois da pausa. esses micróbios.. mas alguns viciados se libertam e outro s não. Ou não.. crio u ou se ligou mentalmente a espíritos impuros. o sofrimento e o pavor pelo que fizeram aos seus corpos físicos e espirituai s. . mas também não sofrerá como a outra. passando ter formato ovóide. essas fortes sugestões mentais chegam a ter tamanha força. em extrema infelicidade.. enfraquecendo-se e diminuindo os anticorpos. permanecem em estado de perturbação por longo tempo. vingativos e zombeteiros. Quando aceitas ou criadas nos p róprios pensamentos. Nem por isso essas pessoas portadoras de provas expiatórias necessárias deixam de experimentar o ataque psíquico de desencarnados que as querem ver derrotadas. experimentando o que provocaram. Em casos de lições expiatórias. Por outro lado. não reage m e. a fastam-se do perigoso vício. como que se embalando deformados. explicou: Quer dizer que aqueles que não se libertam das ligações mentais inferiores. o medo. deformam-se perispiritualmente. tendo em vista o número de aliados cruéis que têm o puro prazer de ver alguém se derrotar ou desistir de suas provas por ceder às inspirações obsessiva s. pelo cére ro perdendo a capacidade de concentrar-se e escolher. Sebastião ara um ataque covarde. pergu ntando: O que dizer disso? . Fecham-se doentes. Todos que possuem vícios são ass ediados por espíritos de níveis muito baixo.Sem esperar. As ligações mentais se tornam mais intensas com espíritos inferiores e certamente os levarão à promiscuidade sexual. Despreparados para a espi ritualidade. em muitos casos.. Ao mesmo tempo. dores. as células do corpo físico s e preparam para recebê-los. Como se não bastasse. comentou: Sei exatamente o que se passa nesse campo. Encarnado s desse nível normalmente reclamam e a lamentação é uma doença mental de tratamento difícil principalmente na espiritualidade. mesmo encarnando em difíceis condições deficientes ou doentias. enfraquecem.

por outros espíritos insensíveis e cruentos, como instrumentos a serem como que ima ntados a encarnados, a fim de que esses passem a sofrer os efeitos das chagas de sses sofredores ligados. Outros, ao saírem do estado de perturbação, no afã, na ânsia da a flição extrema, da raiva pelas necessidades impressionantemente desesperadoras por s eus vícios, pelo fato de se encontrarem em outro plano, que é um mundo muito mais re al do que o dos encarnados, juntam-se a grupos de espíritos viciosos, verdadeiros vampiros de encarnados com diferentes experiências viciosas como: doenças, viroses g raves, moléstias, incômodos ou sofrimentos físicos e morais, dependências químicas, fetich ismo, compulsivos sexuais, sádicos sexuais, masoquistas sexuais e muitas outras pa ra filias, ou seja, distúrbios psicossexuais, além de crueldades das mais diversas e tantos incontáveis vícios. Deformados, sofridos e revoltados, esses desencarnados, junto do seu grupo afim, darão continuidade à vampirização de encarnados através dessas li gações mentais. Por que alguns se libertam e outros não? Por que alguns ficam em condições de serem socorridos e outros não?- Ofereceu segundos para a reflexão e novamente questionou: Em favor desses irmãozinhos desencarnados, que sofrem torturas indizíveis, o que pod e ser feito, em termos de trabalho espiritual, para ajudá-los a se reerguerem vito riosos com a bênção de Deus? Não preciso explicar que meu querido Sérgio, encarnado atualmente, procura desenv olver o seu atributo da inteligência com a finalidade de elevar sua faculdade inte lectual e fazer progredir o processo de socorro a essas mentes ainda tão ligadas, dependentes, prisioneiras de espíritos escravizados pelo vício que se inclinam ao ma l pelo estado mental doentio. Respeitável instrutora - argumentou Olívia, com certa timidez, após a longa pausa , desculpe-me a pergunta, mas... Essa inteligência ou a busca do desenvolvimento des se atributo intelectual não poderia ser feito por Sérgio somente na espiritualidade? A inteligência só pode se manifestar por meio dos órgãos materiais. Somente a união c o espírito dá inteligência à matéria animalizada5 , ou seja, a matéria do corpo físico. As dades intelectuais sempre evoluem no plano material. Infelizmente nem todos a us am para o bem, entretanto serão responsáveis por isso. O espírito com elevação moral ampli a ou desenvolve suas faculdades intelectuais e, ao retornar para o plano espirit ual, é capaz de compreender melhor o que aprendeu e vivenciou. Assim torna-se capa z de desenvolver mecanismos ou estratégias usadas para o bem que permitirão o auxílio, o amparo, a melhoria de vida aos encarnados ou desencarnados necessitados daque le benefício. Como exemplo, posso dizer que espíritos grandiosos reencarnaram e acom panharam a problemática de situações hospitalares e de diversos pacientes. Voltando à pátr ia espiritual, desenvolveram mecanismos que, hoje, auxiliam a monitoração de pacient es, o diagnóstico mais rápido de enfermidades, equipamentos de processo artificial q ue auxiliam a respiração e muito mais. Eles agiram e agem no anonimato após o que cria ram e colocaram em prática, influenciando outros encarnados a aprimorarem o que fo i produzido. Grandiosos espíritos agem no silêncio, pois não querem receber seus galardõe s na Terra e sempre agradecem a Deus pela oportunidade de trabalho terreno que au xiliou novas atuações na espiritualidade. A abnegada ministra fez longa pausa. Em seguida Laryel, nobremente, deixou su as emoções aflorarem, permitindo-os conhecer melhor o seu coração misericordioso, replet o de amor aos queridos encarnados, quando seus olhos cristalinos Irradiaram inte nsa luz pelas lágrimas que banharam sua face serena, de beleza suave e sublime, af irmando com generosidade e ternura: Meus queridos... Eu compreendo a preocupação que os invade, pois também sei e sinto o quanto essa tarefa será difícil, podendo deter nossos amados se eles cederem às per turbações obsessivas. Quando Sérgio solicitou tal desenvolvimento de trabalho, que vis ava a uma forma de projeto e resultado de tamanho auxílio a encarnados e desencarn ados, fiquei feliz, mas algo me perturbou o coração. Contudo lembrei-me de que essa sublime criatura, em tempos remotos, prometeu-me amparo e apoio em tarefa de sem elhante oportunidade para meu aperfeiçoamento e elevação. Nos imprevistos daquela jorn ada, ele foi rapaz de dar a própria vida para que eu prosseguisse. Pensando nisso, prometi ajudá-lo em trabalho evolutivo do qual sei que milhões não o querem atuando. Agora encarnado e atuante ao que se propôs, é inevitável que nosso querido Sérgio sof ra grandioso ataque de espíritos inferiores. Não desejam que suas vítimas tenham suas mentes libertas das terríveis ligações mentais. Esses encarnados ou desencarnados volt

ados ao mal, terão dificuldade ou até não conseguirão mais vampirizar como antes os enca rnados que se esforçarem para essa libertação e passarão a viver diferentes, livres. Pes soas que usarem suas próprias energias mentais, reagindo contra os pensamentos dep rimentes, depressivos e viciosos sem reclamações, trocando-os por sugestões e idéias pos itivas poderão experimentar uma vida mais promissora repleta de ânimo, independente das condições expiatórias ou provas difíceis que possam se submeter. Elas não terão mais se s corpos e mentes infectados pelos desejos viciosos, se vencê-los. Não serão mais escr avas de doenças imperceptíveis, limitações prostrativas, deficiências intermináveis, vícios ráticas no mal... Lembremos de que um complexo de aparelhagem para fins terapêuticos e métodos cirúrg icos de última geração, que salvou a vida de muitos, pode não ajudar algumas pessoas. Se ndo assim, logicamente a proposta de Sérgio e de tantos outros encarnados e desenc arnados que se propõem a essa renovação, não é mágica para mudar total e instantaneamente a criaturas desse mundo de provas e expiações. Entretanto, se seu trabalho resultar n o auxílio para libertar a mente de muitas vítimas, aumentando o número de almas que se regeneram, isso é um grande sucesso. Estudando e se aprofundando em muitos casos clínicos, ao retornar para a espiritualidade, Sérgio usará essa elevação intelectual para o desenvolvimento técnico ou um método de minimizar essas conexões dependentes e destr utivas que ligam à mente de um espírito a outro e outros psicólogos espirituais o auxi liarão. No orbe terrestre, profissionais na área da Psicologia Analítica receberão benéficas inspirações e influências de espíritos elevados. Isso com a finalidade desses psicoterap eutas se inclinarem à técnica de fazer uma abordagem da problemática humana além da vida , antes do nascimento, ou seja, serão psicólogos com uma visão reencarnacionista, atra vés de uma Psicologia Reencarnacionista, que é a única capacitada para perceber, de fo rma ampla, verdadeira e não preconceituosa, o indivíduo, pois esses psicólogos sabem q ue podem ter à sua frente um paciente que é exatamente o reflexo do que ele foi num passado distante ou não, por isso vai respeitá-lo e tratá-lo como a semelhante digno d e atenção e auxílio. O amor e a fidelidade profissional e espiritual desses psicoterap eutas transcendem aos limites da matéria e da dificuldade atual, pois estão cientes de que não adianta só cuidarem da consciência atual, é preciso preparar e equilibrar a m ente, o espírito, a alma... A psique. - Observando-os pensativos, avisou: Estaremo s atentos a Sérgio, principalmente por tantas tentações que usarão contra nossa amada Débo ra para desesperá-lo e levá-lo a cometer insanidade que mais tememos. Um simples des vio, uma pequena falta de vigilância e minha querida encarnada será vítima inocente de crueldades indizíveis, humilhantes e não terá como se socorrer, a não ser pela fé e esper ança. - Breve instante e aconselhou: Continuem atuantes, atentos e vamos aguardar. Inspirem seus protegidos. Principalmente você, Olívia. Temo por minha querida Débora, que é o apoio, o incentivo, a sustentação, a inspiração de Sérgio. Sem ela, ele precisará muita força e extremo amparo. O amor verdadeiro que os une ultrapassa os limites s ublimes que muitos desconhecem, e Deus assim os abençoa pela elevação que alcançaram jun tos através de trabalhos úteis de muitas eras. Um profundo silêncio reinou. Toda tranqüila explicação da doce Laryel foi simples, porém chamando-os à seriedade da responsabilidade. Humilde e respeitosa, ela ofereceu generoso sorriso e se ergue u ao ver os dois mentores se levantando. Obrigado, querida benfeitora. Perdoe-me... Não deveria me desesperar - agradece u o espírito Wilson com sinceridade. Sou grata por nos receber - disse Olívia na sua vez. Usarei de toda a força de me u coração para cumprir a tarefa abraçada, inspirando minha protegida em qualquer situação e rogando incessantemente a Deus para que ela atente aos bons conselhos. A ministra Laryel abraçou carinhosamente cada um por longo tempo. Segurando-os na mão, olhando-os com radiante magnetismo, afirmou docemente: Vão em paz, meus queridos. Deus os abençoa. Lembrem-se de que o conhecimento ampl ia a verdade e nos liberta. Agiram corretamente ao virem me procurar diante dos fatos, pois a busca justa por amparo exibe a fé e o amor em todos os aspectos, lig ando nossa mente a esferas mais elevadas e garantindo a pureza de pensamentos be nditos. Tenho certeza de que sairão daqui melhores do que chegaram. E, conforme mi nha promessa a Sérgio, estarei com vocês. O jovem rosto delicado da respeitável Laryel espargiu uma luminosidade sublime

e abençoada ao formoso sorriso amoroso. Os visitantes estavam sem palavras e, naquele momento de despedida, experimen tavam o desejo de ficar naquele lugar superior de vibrações seculares, clima encanta dor e em companhia daquela elevada criatura. Estavam recompostos e revigorados d e energias salutares. Beijaram-na mais uma vez e se encaminharam para uma larga porta com contorno de arco. Alguns passos e Olívia olhou para trás quando Laryel, simplesmente, havia desapar ecido. 13 - O desespero de Rita

Na penumbra do quarto iluminado pela luz baça daquela manhã morna, Sérgio acordou, olhou para Débora que não se movia e dormia profundamente. Levantando-se, foi para a sala onde espiou através da cortina vendo o dia nublado e úmido. Preocupado em não de spertar a namorada, tomou um banho demorado no outro banheiro. Na cozinha preparava um café a fim de que a bebida lhe desse disposição e, enquanto fazia isso, recordava-se da conversa que teve com a namorada na noite anterior. Lembrou-se de que não teve dificuldade para adormecer como vinha acontecendo. Iss o talvez por tê-la a seu lado. Contudo depois de uma hora de sono, acordou várias ve zes com o coração acelerado e a pele suada, acreditando ser pelo fato de, durante a madrugada, ouvir o barulho do vento forte uivando na janela e escutar as folhas e os galhos da árvore roçando o muro da casa provocando estalidos estranhos e isso o incomodou. À noite mal dormida o deixou sem ânimo. Não sentia a mesma tranqüilidade do dia anterior. Sentado à mesa, experimentava vagarosamente a bebida fumegante, sent indo-se apreensivo com seus sonhos. Excepcionalmente, naquela manhã, não tinha qualq uer recordação deles, pois somente sonhos daquele tipo o fariam acordar daquela form a várias vezes. Esses pesadelos estão longe de serem inofensivos e insignificantes , pensava Sérgio com algo de raiva e repugnância contra a experiência. Para mim eles estão começando a se tornarem perigosos. Acredito que o jeito de acabar com isso seja... . Suas idéias foram interrompidas pelo som da campainha. Ao atender, ele sorriu r econhecendo seu irmão Tiago aguardando, parado de perfil. Ao ir abrir o portão, Sérgio ficou sério ao olhar melhor para o rosto do outro, perguntando assustado: Entra logo! Cara! O que foi isso?! - tocando de leve na face machucada e com destacados hematomas, não se conformou: O que aconteceu?! Tiago não respondeu de imediato. Entrando na casa, foram para a cozinha onde, a pós se sentarem, o rapaz pediu: Dê-me um pouco desse café, aí! Servindo-o, Sérgio não conseguia disfarçar a inquietude e a preocupação. Sentando-se à s a frente, tornou a questionar: Você andou brigando?! O que aconteceu? Foi o Marcílio... O quê?! Mas... Como?! Você nunca se envolveu nas brigas deles! E entre eles as co isas são resolvidas aos gritos! O Marcílio a agrediu e você foi defender? Espere, Sérgio! Dá um tempo! Ta?! Insatisfeito, calou-se. Conhecia bem Tiago e sabia que o irmão não era agressivo e não se envolvia em duelos de palavras ou agressões familiares. Após algum tempo bebericando o café na xícara envolvida com as duas mãos, Tiago suspi rou fundo, tirou o boné e mostrou ao outro, dizendo: Olha, foram cinco pontos aqui - apontou sem tocar o ferimento , mais três aqui e dois na sobrancelha. Acabei de sair do Pronto Socorro. Estava bem lotado... Dem orou tanto para eu ser atendido e... O Marcílio fez isso?! - perguntou Sérgio, perplexo. Foi. Você prestou queixa? - tornou indignado. Ora, Sérgio!... Isso o deixaria preso pelo Regulamento Disciplinar da PM e... P uxa!... E meu irmão! Mas ele não se comportou como seu irmão! Olha isso! Já se viu no espelho?!

Espere aí - pediu Tiago. Eu vim aqui pra você me ajudar e não me deixar com mais pr oblemas. - Segundos de pausa e comentou: Não posso aparecer assim amanhã para trabal har. Preciso dar uma explicação e documentar o fato. No pronto socorro eu disse ao i nvestigador que reagi a um roubo e... Sérgio, pense bem... Somos militares e você sa be que o Marcílio está com o prontuário tão sujo que... Se eu prestar queixa na delegaci a dizendo a verdade, ele seria indiciado e preso. Se Marcílio fosse civil, a coisa seria diferente. Mas o fato de ser militar... Será aberto um Inquérito Policial Mil itar e ele será preso pela corporação, cara! O prontuário dele está repleto por comportame nto inadequado! Essa acusação nova pode até levá-lo a enfrentar um Conselho de Disciplin a! Pense nisso! E se ele for expulso por causa disso?! E o que você quer que eu faça? - indagou Sérgio mais brando. Venha comigo até a delegacia. Tenho de prestar queixa ainda hoje. E para lavragem do Boletim de Ocorrência você irá mentir, certo? Sem dúvida. Não posso fazer diferente. Não quero ter a consciência pesada por deixar meu próprio irmão em situação mais complicada do que essa. Isso aqui passa!... Tenho tud o pensado. Direi que saí de um baile quando tentaram pegar minha carteira. Eram do is pivetes, mas com estrutura física avantajada. Eu reagi. Nós nos atracamos. Um peg ou um pedaço de pau e fez todo esse serviço - disse, contando para o próprio rosto. Tudo bem... Vou com você, mas antes come alguma coisa Levantando-se e arrumando a mesa para servir-lhe um desjejum melhor, falou: T enho queijo, pão, leite... Obrigado por estar nessa comigo, cara! Fico te devendo! -agradeceu Tiago com leve sorriso. Mas antes de irmos até o DP, você vai me contar exatamente o que aconteceu. Tiago abaixou o olhar e contorceu a boca, expressando insatisfação. Minutos depoi s, deixou Sérgio a par da situação: ...não agüentei e começamos discutir. Então o socou! - deduziu Sérgio. Não! Longe disso! Quando eu falei alguma coisa referente a nós dois não arrumarmos mulher e filhos nos aproveitando da família... Eu não esperava, meu! Pensei em ir pa ra o meu quarto, mas nem deu tempo! O Marcílio veio feito um bicho pra cima de mim e me empurrou com as mãos várias vezes. Trocamos ofensas. Nós nos xingamos de tudo qu anto foi nome... Ele desfechou um soco e eu desviei, mas... Mas?... O quê? Fiquei com medo de quebrar o cara, né! Além dele não ser como a gente, é nosso irmão. Mas deixou que ele te quebrasse! Não! Tive de pensar rápido, Sérgio! Sou faixa preta. Tenho um treinamento rigoroso no serviço e fora dele! Sou bem diferente do Marcílio. Dei uns pés na orelha dele para enfraquecê-lo, mas sem machucar e tinha a intenção de sair dali na primeira chance. Q uebramos toda a cozinha da mãe. Enquanto isso a mãe gritava, fazendo o maior escândalo . A Ana chegou e aí a coisa piorou. Eu só queria imobilizar o Marcílio, não iria machucá-l o. Não sei onde o infeliz arrumou força, livrou-se de uma chave de braço e arrancou o pé da mesa, que é de ferro, e veio novamente me atacar. Dei um pé no peito dele, mas a mãe se pendurou em um de meus braços e a Ana no outro. O pai me segurou com uma gra vata no pescoço... Foi aí que me danei! O Marcílio me socou e usou a perna da mesa pra fazer todo esse estrago. Não tive como reagir. Tinha medo de machucar a mãe, a Ana ou o pai... Fiquei todo unhado pelas duas e... - Instantes de silêncio e comentou: Foi só isso o que aconteceu. E depois que me viram apanhar o bastante, soltaram-m e. Não sei dizer como peguei meu carro e saí. Fui para o Pronto Socorro. Lá desmaiei e só depois um investigador conseguiu conversar comigo. Daí, falei que era PM. Identi fiquei-me e inventei a história do roubo. Ele queria providenciar uma viatura da P M para me dar apoio, mas eu disse que chamaria meu irmão. Por que não me telefonou, caramba?! Eu iria lá! - irritou-se Sérgio. Não queria te incomodar. Sérgio abaixou a cabeça e esfregou o rosto com as mãos sem saber o que dizer. Naquele instante, Débora chegou à cozinha. A jovem estava descalça, usando uma cami seta do namorado que lhe ficou larga, porém curta. Seus cabelos estavam bonitos co m o desalinho natural, enquanto seu rosto, com expressão de quem acabou de acordar , resplandecia certa beleza encantadora pelo sorriso que se fez ao ver o irmão de Sérgio sentado e reagindo de um jeito diferente.

Tiago mal a olhou e recostou a testa na mesa, dizendo constrangido: Puxa, meu!... Desculpe-me, Débora... - Erguendo o tronco, segurou a fronte com as mãos, apoiou os cotovelos na mesa e comentou sem encarar a moça: Oh, cara! Você dev eria ter dito que a Débora estava aqui. Eu não queria... Pare com isso, Tiago! Qual é?! - interrompeu-o de imediato, expressando meio so rriso. Sem graça, a jovem falou quase murmurando: Bom dia, Tiago! Desculpe-me, você... O rapaz nem a olhou continuando como estava. Aproveitando-se que o irmão estava com a cabeça baixa, Sérgio sorriu para ela e deu-lhe um sinal discreto pelo fato da camiseta usada ser inadequada para aquele momento, por ser curta e quase transp arente. Débora entendeu rapidamente e pediu em tom educado: Só um minutinho... Eu já volto! Logo Tiago encarou o irmão perguntando bem sério, quase irritado: Por que não me disse que ela estava aqui?! Puxa, cara! Qual é, Tiago?! Você é meu irmão! Não tenho nada para te esconder. Mas ela é sua namorada! Já devo ter atrapalhado o bastante! - disse levantando-se . Sérgio foi rápido, segurou-o pelo ombro e braço, pedindo: Você nunca me atrapalhou. Sente-se aí! Solta... - gemeu. Ta doendo muito!... Desculpa. Senta e fica tranqüilo. Assim como você, ela não sabia que tinha alguém aqu i. E eu não vejo qualquer problema. - Sorrindo, avisou: Acho bom se acostumar com a presença dela nessa casa! Tiago sorriu e, apesar de sentir-se um tanto envergonhado, perguntou: Está levando esse compromisso a sério mesmo, né?! Estou sim, cara! - Confirmou, ao sorrir de um modo apaixonado, quando revelou : Adoro essa garota! Ela me dá segurança, de alguma forma. Seu jeito, seu modo de fa lar... Ela é muito legal! Não parece essas minas fáceis que têm por aí. E muito educada... Es ou torcendo por vocês! E feliz por ter uma cunhada decente! - riu. Débora retornou à cozinha vestida com suas roupas. Comportando-se como se nada ti vesse acontecido. Sorridente, aproximou-se de Tiago, curvando-se para beijá-lo e c umprimentá-lo: Bom di... - interrompeu o que dizia ao olhar melhor o rosto que tentava escon der com o boné. Assombrada, exclamou: Meu Deus! O que aconteceu, Tiago?! Trocando olhares com o irmão, Tiago não sabia se ele gostaria que ela soubesse qu e aquilo era o resultado de uma briga de família, dissimulou e riu ao dizer: Já te contei tudo, Sérgio. Agora vou comer porque estou morrendo de fome. É a sua v ez de explicar o que houve! Ainda alarmada, Débora se curvou, tocou suavemente no rosto ferido, puxando-o p ara ver o outro lado da face e olhou os pontos na cabeça quando o rapaz tirou o bo né. Não querendo perder tempo nem assustá-la, Sérgio resumiu: O Tiago se machucou em uma briga. Foi medicado no Pronto Socorro Público. Vou a companhá-lo até a delegacia para fazer um B.O. Depois iremos ao Hospital Militar, po de haver alguma fratura e... Somente o médico da PM pode dispensá-lo por alguns dias por suas condições físicas. Ele não pode trabalhar assim. Acho que tive alguma torção no tornozelo. Veja como está! Meu Deus! - exclamou a jovem não acostumada a ver pessoas feridas. Somente um m arginal para fazer isso! Cachorro! Safado! Sem-vergonha! -protestou ela, indigna da. Os irmãos quase caíram no riso, ao se entreolharem, e Sérgio avisou: Faça companhia a ele, Débora. Vou me trocar. A moça procurava ser gentil com Tiago, que se mostrou bem satisfeito pela solid ariedade. Enquanto isso, no plano espiritual, Lúcia os rodeava com vibrações extremamente inf eriores. Bem ativa, ela procurava envolvê-los em laços de simpatia recíproca e sentime ntos além da amizade. Com o auxílio das energias de Sebastião, Lúcia provocaria o perigo

afagava-lhe o rosto com cuidadosa ternura e be lo sorriso enquanto dizia: Isso vai sarar logo. retornou à cozinha e permaneceu parado sem ser visto. Vai ver! Quando me olhou. por isso abaixou a cabeça imediatamente a fim de não repararem em seu olhar que o denunciaria. Só vou atender o telefone se f or você.. * * * . A propósito. aquilo soou co mo algo meigo.murmurou. Tudo bem.disse desanimado. Darei um jeito . Débora. Outras idéias surgiram e a jovem s e decepcionou por ele pedir que preparasse o almoço sabendo que ela não conseguiria. pensou que tivesse visto um monstro .. Débora e Tiago pareciam bons amigos e nunca percebeu qualquer tipo de ati tude ou olhar com outras intenções. Quando est ava pronto. ta! Eu também te amo muito! . levantando-se e indo para a sala.considerou Tiago que se aproximou.. Entretanto. Débora. indo além das desculpas educadas. Não quero sair nem falar com ninguém. beijaram-lhe demoradamente o rosto enquanto a abraçava e se despediu: Tchau! Qualquer coisa liga para nós. Sérgio reagiu e afugentou aquelas idéias inf eriores considerando que ela foi pega desprevenida e o irmão estava somente sendo educado. . sorrindo com ternura.. Débora se aproximou de Sérgio. interrompeu-os ao chamar: Vamos. foi à direção da porta para sair. Você prepara o almoço para nós? . Novamente Sérgio deu grande atenção àquela atitude ficando insatisfeito. Depois sorriu e declarou murmu rando: Te amo.perguntou Thiago diante da demora.. Tiago? É.pronunciou com doçura na voz e no sorriso.. . ontem. Mas. Falaram em tons baixos e envergonhados.pediu com simplicidade. Tiago!.. Imediatament e repudiou qualquer pensamento ao abraçar Débora com força e demoradamente.. Eu não esperava. Ele mudo u de idéia e não queria acompanhar o irmão... Juntos.confirmou. Sei que você quer que eu esqueça o que aconteceu. Um desânimo tomou conta do rapaz que se arrumava vagarosamente. O namorado sentiu-se esquentar. Todo esse tempo morando sozinha e não se deu ao t rabalho de aprender?! . Levantando -a do chão por alguns segundos para vê-la rir gostoso como sempre fazia. Ele saiu e alcançou o irmão. Eu. me liga. Desculpe-me você por eu aparecer daquele jeito.. O casal foi até a sala e Débora contou para dissimular: Fui demitida ontem. Sem que os perseguidores esperassem. Não. para Sérgio. pois ele ad orava vê-la reagir assim. Assustei-me por vê-lo machucado. Aquilo não estava em seus planos. Sabe que não sou boa para cozinhar e.so segmento de ciúme em Sérgio.perguntou com certa decepção. perdoe-me por vir aqui sem avisar... Sinto muito . Ta bom. abaixada perto de Tiago. o serviço. per cebendo-os conversando em voz baixa.Vir ando-se.brincou ele. Mas quero ficar sozinha um pouco. a impressão foi de que o irmão não se esq ueceu da aparência sensual de Débora vestida daquela forma. Você não estava preparada para visi tas e tem o direito de ficar à vontade. Vou ficar aqui. querendo que ele reagisse passionalmente contra Tiag o e Débora. sobre me u pai. foram fazer o que precisavam. não es perava ficar longe dele justamente naquele dia. pedindo: Você me liga? Ligo .sussurrou ele.falou baixinho e desapontado. Ei?! Algum outro problema além de mim? . beijou-a apaixonadamente. terno. envergonhada. Vamos .. Débora experimentou um vazio imenso. Estou me sentindo tão mal com a situação e como tudo aconteceu que... Queria que Sérgio estivesse a seu lado. . Sérgio. Não estava acostumada aos serviços domésticos e isso a magoou. Suspirando fundo. Qualquer coisa. Para ele.

Débora verificou que e ra Rita. . de repente. mas depois tudo era festa. Ele me convidou.avisou Sérgio. Levaram os dois para o pronto socorro da cidadezinha e o médico constatou que estavam mortos. Achou que Sérgio já deveria te r voltado. sempre os procurava por algum motivo ou para conversar. Disser am que o chamaram. Eu tenho o direito. quase irritada. Ele era um excelente nadador! Não apresentava pancada na cabeça ou em out . Contaram que. outra ligação. mas Tiago não aceitou ficar na casa de Sérgio. espera! .. mas o menino gritou dizendo que estava passando mal. A Rita me ligou. o celular tocou e. ma s nada adiantou. conse guiu tirar o menino da água e voltou para buscar o Gustavo e. Eu sei . Invadida por uma forte onda de tristeza e decepção. irmão da Rita. Impregnada por uma sensação desconhecida.. Ao encontrarem Rita junto da família de Gustavo e dos parentes do rapaz. Você deveria tê-la atendido! Mas. O Gustavo se afogou. O Gustavo e um outro amigo pularam na água e foram até ele. que to mavam algumas providências. incluindo João e sua noiva. Algum tempo depois. Não. a jovem atirou-se nos braços dos amigos e não parava de chorar... o Gust avo afundou perto do Rogério e desapareceu. Antes mesmo de o namorado deix ar aquela casa pronta para morar. pois acredi tou que Tiago tiraria sua liberdade naquela casa e não poderia ficar mais à vontade. nadou para longe da margem. Quando o encontrou .. Sérgio. meu bem! Estava esperando você ligar! Então por que não atendeu a Rita?! Como assim?! . comprado o almoço e os esperava. em choque e sem noção. ali se tornou um verdadeiro lugar de reunião. durante o tempo em que ajudou o i rmão na pequena reforma e pintura daquela residência.lamentou incrédula.Bem mais tarde. irmão de Rita e Gustavo. mas parece que foi afogamento.. seu orgulho prevaleceu ao decid ir que não ligaria para ele. Era sábado e provavelmente Rita ligou para se encontrarem.. sua melhor amiga. Ao reconhecê-l os. deixando o aparelho disparar diversas vezes.então.. O outro amigo. arrume-se... Falou do Rogério.. .ela perguntou. viram a amiga completamente transtornada. est ava determinado a dar seu apoio. Disseram que tentaram fazer respiração artificial.. Disse que tentou falar com você várias vezes e. Não tenho esse direito É nossa amiga. Olha aqui.. ao consultar o visor.reclamou triste. Tudo bem? Lógico! * * * Almoçaram a refeição que Débora havia comprado. O Tiago fica e nós vamos ver a Rita. pedir socorro.. Estava demorando muito. Ela havia saído.dizia chorando.. Tornaram-se amigos. juntou um grupo de oito rapazes e foram pescar nessa represa que fale i. Afinal. mas Débora queria fica r sozinha com o namorado. Não entendemos como! . Ficavam até altas horas. avisou: O Gustavo faleceu. Além desses. Sérgio . uma vez que os irmãos eram bem unidos... Como aconteceu?! A Rita estava desesperada. Débora. Mesmo depois que a colega ficou noiva de Gustavo. O Gustavo e os amigos costumavam fazer isso sempre. principalmente. Não era de seu gosto que continuasse assi m. . Eles tin ham comido e bebido também. Agora.. Ponderado. Pouco depois.. levou-o para a beirada também. a jovem não quis atender.O homem fez breve pausa pelo do loroso relato e prosseguiu: Eles nadavam bem. O Rogério começou a se debater. fi cou abraçada à Débora enquanto Sérgio e Tiago souberam de toda a tragédia através de uma co versa com um tio de Gustavo. Vou passar aí.. outros pensamentos a invadiam. con heceu Rogério.. Apesar de bem machucado e uma tala no pé ele queria ser solidário. Os amigos contam que o Rogério. mas não compreendi se foi socorrido ou. mas nunca tive oportunidade de acompan há-los. Dessa vez era Sérgio e ela at endeu imediatamente: Oi... Ainda sofria e se preocupava com a demissão e não gostaria de falar a respeito. Sua amiga Rita também não dava sossego a ela e Sérgio nos últimos tempos.. Débora. seu noivo..pediu rápido. Os amigos ajudaram na pintura. que estava junto. Eu não entendi direito o que el a falava. Eu não quero conversar com ninguém..

A moça acenou positivamente com a cabeça e e le questionou com brandura e piedade na voz baixa: Rita. se esta é a sua vontade. É bem provável que agora a Rita esteja chorando a morte do irmão.... você tem o direito de vê-lo pela última vez. aceita r isso e conviver com o fato sem tanto desespero.. Mal o conheço. Quer voltar? Não.... irmão da Rita. Veja bem. chamou-o para junto de si.avisou decidido indo à direção de Rita. Vou acompanhá-la. Tiago conseguiu levar Rita ao necro tério.. Caminhando lentamente. solicitando ao responsável do setor. Roxo.Ela engolia os soluços. não quero vê-la dese sperada. Frente à gaveta aberta onde estava o corpo de Rogério. Veja bem...murmurou com lágrimas correndo em seu rosto. . O Rogério é irmão dela. Não suportand o. eu sei exatamente como está.pediu Tiago. pois viu e teve a certeza d e que era o seu irmão que estava ali.. abraçando Tiago com toda a força. Depois vomitou um pouco.. Ele vai conseguir . É ver meu irmão.indagou Tiago firme. Tudo bem. Estendendo a mão para Tiago. ela se deteve alguns pas sos antes. Ela quer. Suas lágr imas pareciam infindáveis. você quer ver o seu irmão? Quero! Lógico! Calma ..ra parte do corpo. pegando em sua mão e conduzindo-a p ara outro setor do hospital. Mas não vão deixar vocês entrarem no necrotério.. aproximou-se chegando bem perto e observou o irmão. .perguntou Sérgio.. olhou-a firme e pediu: Procure prestar bem atenção no que vou te perguntar... . também se afogou? . Fez um escândalo pra isso.. Então se levante. pouco tempo depois... contornou a gaveta como se o analisasse. A Rita quer ver o irmão? . acalmando-o. você sabe que sou do Corpo de Bombeiros da PM e já trabalhei com esse tipo de ocorrência. Essa afluência a normal do sangue talvez tenha ocorrido pelo excesso de movimentos físicos. foi nadar.concordou Sérgio... enqua nto ele secou-lhe as lágrimas com as mãos dizendo calmamente: Rita. Mas se ela vir o irmão porque deseja. o Tiago tem razão . talvez despreparada. Era a única família que a Rita tinha. Perdoe-me. Ela o amava! Não é justo impedi de ver o irmão pela última vez. Feio! Acredite. A única coisa que.interferiu Tiago novamente.pediu generoso. Fu-turamente sofrerá bem mais para. Rita. Não deixamos a Rita vê-lo e o caixão terá de ser lacrad o .. Porém eu acredito que.contou o senhor. mas. Rita olhou por muito tempo o rosto. Venha comigo . você não imagina como o corpo do menino está alterado. por alguns segundos antes de lacrarem o caixão. perguntou como se implorasse: Tiago.explicou Tiago. Educadamente identificou-se como Policial Militar do Corpo de Bombeiros e gen tilmente. mas em seu íntimo nã acredita no acontecido. Vou acompanhá-la . . Pode rezar aqui? . Quanto a isso.. será mais fácil para a Rita trabalhar essa perda. com a voz rouca: Posso tocá-lo? Pode. . O menino tinha comido lanche que levaram e. Erguendo os olhos negros e lacrimosos ao amigo.murmurou. Que quero. Rita acariciou levemente a face do corpo de Rogério com terno amor.. Tudo bem. Tiago decidiu : Então ela vai vê-lo. Isso é o aumento do sangue nos vasos do encéfalo .. Vamos dizer..disse Sérgio. senhor. mas. ficou vermelho e roxo. Os colegas contam que o Rogério chegou vivo e respirando mal... É. Entendo que querem poupar a Rita dessa c ena. Calma .Interrompendo-o.. Controle-se. virou-se rápido e abafou o choro. Perto de Rita. por isso sei que o Rogério não está com a aparência que tinha antes.. Acreditando que a jovem estava indecisa. Tiago a separou do abraço com Débora. gritando ou fazendo escândalo. Não ficará sozinha. o amigo argumentou bondosamente: Você não precisa se aproximar mais só porque viemos até aqui.. A causa de sua morte foi por congestão cerebral.. após ter-se alimentado muito.. E o Rogério. Mas terá de ser bem forte e se controlar. Moço..pediu sério ao sussurrar. no caso da natação. Fique tranqüilo. p erguntando baixinho.

olhando novamente para Tiago.Débora ia dizer e foi interrompida. Gente. Débora foi a primeira que segurou em seu braço..tornou Tiago e quanto ao Gustavo?. Não vou voltar. . você está bem? Acho que sim. Vez ou outra uma lágrima corria-lh e na face pálida.. afastou-se um pouco para dar lugar à mãe do rapaz que não continha o de sespero. Rita perguntou atordoada: O que aconteceu com você? Por que seu rosto está assim? Foi um acidente na noite passada. Débora não questionou e obedeceu. temos de concordar! . Ela parecia anestesiada e não chorava em desespero como antes. que olhou e ofereceu leve sorriso.. abaixou o olhar e nada disse... Abraçando-se fortemente à cin tura de Tiago. você está bem? Ela o abraçou. Tiago reclamou: Não estou agüentando meu pé.interferiu Tiago. Será doloroso voltar aqui novamente para o enterro . Ele a acompanhou e alguns familiares do rapaz se aprox imaram para saber como a jovem estava. Você me acompanha na prece do Pai Nosso? tornou falando bem baixinho. Ele ficou horrível. Se é o que ela quer. demorou um pouco até chegarem perto da amiga . Sérgio comento u ao perceber: Vamos lá! A Rita não está bem! Pelas pessoas amontoadas em volta. Mas isso não importa mais. olhou-a nos olhos e perguntou: Rita.. levando-a para longe do velório a fim de que pudesse respirar. enérgico. perguntou brandamente: Rita. mas não conseguia vê-la. Sabe que o caixão do Rogério será lacrado e sem visor? Sei. Não dê mais explicações além disso. e ele fez-lhe um afago piedoso de solidariedade. * * * Durante o velório em que os caixões foram postos um ao lado do outro. tocando o vidro como se lhe fizesse um carinho. O amigo acenou positivamente e juntos. . mas não tinham coragem de questioná-la. vamos respeitar! .falou Sérgio. tornou a sentar junto aos outros. Rita .respondeu dissimulando.. pediu: Débora. . Seu limite de força acabou! Chega! .. Olhando para o irmão..Virando-se para a outra. você que conhece melhor a família do rapaz. Mesmo estando longe. Sérgio a seg urou a tempo antes que caísse. Mas Rita!. Já o vi. Rita chorav a ao ver parcialmente a face de Gustavo. porém ela não chorava. Observando os caixões e os demais a certa distância e por longo tempo. Não deveria ficar andando. Não quero ver mais nada. Amanhã explicamos que a não passou bem e por isso não pôde vir. não teve forças nem para falar. Foi só uma torção.Bem baixinho .tornou Débora. A Rita já viu e acompanh ou o que precisava. Logo. Sentada em u m banco frio de cimento. sussurraram a prece que o Mestre Jesus ensinou. Antes de chegarem perto dos demais. Rita sentiu-se atordoada e dominada por uma fraqueza que não sabia explicar. A jovem decidiu que era o suficiente. Seu rosto sério aparentava nítido sofrimento. Envol vida pelos demais. Seu pé está enfaixado.avisou piedoso.opinou Sérgio. Não seja manhoso .. mas estava exaurida de forças. chorando. . praticamente. Parando. Rita saiu do necrotério vagarosamente como se precisasse daquele am paro para caminhar.Encarando-a. né? Rapidamente o homem se foi. ... ele a fez parar.Rita sussurrou chorando. a moça mantinha os olhos fechados ao murmurar: Quero ir embora. podendo ver um homem alto e corpul ento perguntar a Rita: Me disseram que viu teu irmão. Olhando-o de maneira indefinida. Não havia perdido os sentidos. Depois ela afagou novamente aquela face fria como um sin al de despedida... A jovem acomodou-se numa cadeira. caminhou alguns passos com lágrimas brotando t ristemente de seus olhos. Isso não é nada. vá até lá e diga que a Rita nã passando bem e que vamos levá-la. Instante em que a jovem recostou a testa no ombro de Débora e sentindo suas pernas dobrarem. Procurou a amiga Débora com o olhar.

No chão?! Puxa! Não viu que aquilo é um escritório?! Tiago os interrompeu. Olha como está inchado! . Aqui na sala tem um ótimo e c onfortável sofá. ele suspirou fundo e indagou quase com ironia: Onde dormiríamos.. Saindo do quarto. foi ao necrotério. falando baixinho e educadamente: A Rita passou o dia inteiro no hos pital. A o despertar. sorrindo ao estapeá-lo as costas. mas ainda parecia contrariada e Sérgio explicou: A Rita pode precisar de algum socorro e será difícil você fazer isso sozinh a. Rita recostava a cabeça no vidro lateral do carro e parecia indiferente ao que acontecia. Claro! .tornou Sérgio. o irmão sorriu com jeito maroto ao perguntar: Quer a minha ajuda para tomar banho e poder relaxar? Cai fora! Ta me estranhando?! Então vai tomar um banho . Olhando-se. No outro quarto tem uma cama de solteiro e será melhor o Tiago ficar lá por causa desse pé. Vocês duas podem dormir juntas na cama de casal do nosso quarto. Rita não conseguiu dormir nas primeiras horas após se d eitar. Vocês dois poderiam ficar lá com a gente! Parando frente à namorada. Por que não dorme no outro quarto? . Sérgio e Débora retornaram.prontificou-se bem disposta. hein! Pode deixar! Sentando no banco traseiro. Olhando para Tiago. Ajude-a tomar um bom banho morno. vou fazer um chá para tomarmos a ntes de dormir..Terapia de uma evangélica. Débora discutia com o namorado enquanto entravam. sua memória n ada dizia.ele replicou. Tiago puxou Rita para que se recostasse em seu ombro.*** Era madrugada quando Sérgio parou o carro frente à casa de Rita e pediu: Tiago. Tem uma boa cama naquele quarto. Vai lá! E não de a porque estou louco por um banho. Num impulso. Somente ao amanhecer mergulhou.falou sorrindo. Pegarei algumas almofadas para colocar esse pé para cima. Ela sentou-se no banc o dianteiro e virou-se penalizada para ver a amiga. Pode deixar. Fique esperto. mas não fez nada. Enquanto isso. Vou pegar uma roupa minha para você usar.aproximando-se e apoiando em seu ombro para levantar o pé enfaixado do c hão.tornou ela. ex-espírita Por tanta dor e tristeza. Débora? . Precisava ficar atento para a segurança de todos. * * * Na casa de Sérgio. mas sem brincar. Tiago havia acompanhado Rita até o sofá da sala e Débora reclamava: Devia ter nos levado para o meu apartamento! E deixar vocês duas sozinhas. explicou. q ue procurou sair dali o quanto antes. não só pela necessidade de uma boa higiene. depois ao velório.Ela não respondeu. ao seu lado. 14 .apontou. Débora a levou para o quarto ajudando-a no que precisava. Após devolver a arma ao irmão. olhou-a por um instan te. Vou entrar com a Débora para pegarmos algumas ro upas. levantou-se atordoada e acreditou que estivesse sozinha. caminhou lentamente com os pés descalços pelo corredor . tentando acalmar a discussão e pediu gentilmente: Débora . com ela nessas condições? . percebeu que vestia o seu pijama. por algumas horas. Tiago. mas para que ela relaxe um pouco. mas na sua mente tudo era bastant e confuso. não sabia onde estava. em um sono profundo. fique com a minha arma. Eu fico por aqui. Fico no sofá! Não! Deixa disso . Rapidamente. Aqui podemos ajudar melhor. Remexer as lembranças era algo em vão. entrando no veículo. Pegando das mãos de Sérgio as bolsas com as roupas da amiga.

Sem dizer nada . Conduzindo-a vagarosamente. . . dizendo: Desculpe-me. C hegando à cozinha.e uma chama acendeu em sua consciência ao reconhecer que estava na casa de Sérgio. A amiga levantou.. Paciente.chorou. Sérgio.. acabando de entrar e presenciando a cena. viu Tiago e Débora pararem de conversar. ela soltou um grito de dor e desespero..tornou quase sussurrando.ela titubeou olhando-o de modo indefinido. Nem rápido. Sérgio aguardou que o cansaço pelo esforço febril do desespero a dominass e. que ainda estava parada com as sacolas nas mãos. questionou estranhando: Q ual o problema. perguntou preocupado: O que aconteceu? Ela chegou à cozinha assim.. express ando um grande esgotamento físico e mental. ta? Ontem à noite não nos alimentamos direito e... sentida. ele a afastou de si. chorando . Acompanhando-o.Breves segundos de silêncio e a beijou na cabeça.explicou Débora. Vamos ali para o sofá. correu em sua direção. É coisa simples. Com olhos bem inchados pe lo choro do dia anterior.começou a chorar. el e suspirou fundo e se virou indo para a sala ou.. Agora vamos preparar o almoço. fazendo-a se levant ar automaticamente. afastando-a de si ao dizer: Temos de ser fortes e continuarmos com a vida. Sérgio a abraçou com indizível piedade. pois duvido que comeu alguma coisa. provavelmente. iria discutir co m a namorada. Na espiritualidade uma densa vibração inferior era imposta de forma asfixiante pa .. Quando as lágrimas brotaram em seus olhos negros. Vendo-a em pranto. Sérgio entregou para a namorada as sacolas que tinha em mãos. pegando-as das mãos da namorada que pareceu tomar um susto. Sérgio reconsiderou e dei-lhe um abraço. Sem compreender o motivo do sentimento abrupto que o invadiu.. . ela comentou: Você não disse nada.. A crise durou longo tempo. pediu com brandura no tom g rave da voz firme: Rita. Acomodando-se ao lado da colega. Eu também me sinto muito abalado . Tiago propôs: Venha. contrariado. preocupada. Você está na minha casa. Eram nossos amigos. Débora? Nada? .. Não muito bem. Fazer o almoço? Algum problema? . . Vamos? Precisamos ser rápidos! Eu te ajudo.Brando. Rita só os olhava. tudo bem? Ela não sabia responder...tornou ele. Diante disso. nada especial! Temos tudo aqui e o que não tinha em casa eu acabei de comprar.. Além do que. Havia um vazio em sua mente. Já reconheceu isso? . você sabe por que está aqui? A moça permaneceu petrificada por alguns minutos.Vendo-a obedecer. fizeram-na sentar e Débora acomodou-se ao seu lado. Eu. Rita ergueu o olhar fixando-o em Sérgio. Com o inchaço na face pelo choro excessi vo e a boca levemente entreaberta.murmurou com dificuldade para se expressar. ajoelhado frente à Rita. Após cer to tempo. perguntando ao tocá-la: Rita. pedindo ao irmão: Sente aqui e fique com ela.reclamou moderadamente. Deve estar em choque .. gemendo e às vezes gritando. Débora estampou uma expressão estranha no rosto assustado ao perguntar: Eu!... olhe para mim.. uma cruel avalanche de recordações infinitamente tristes invadiu velozment e o vazio de sua consciência. . eu também estou atrapalhada. Sérgio. Levantando-se e olhando para Débora...supôs Tiago. parecendo procurar nos resquíci os da memória algo que justificasse aquele momento.. Tem a Rita que provavelmente estej a bem fraca. perguntou: Sabe quem eu sou? Sei.. Sérgio falou: Essas sacolas deveriam estar na cozinha . Ai. Todos estamos tristes e nervosos.A jovem balançou a cabeça afirmativamen e e ele indagou cauteloso ao segurar suas mãos com bondade: Rita. Ela é minha amiga. Sérgio!.. Você não sabe cozinhar nada. mas bem esmorecida.. A amiga o agarrou com força. minha amiga. Débora? É que. . Tiago assim o fez e ficou ao seu lado. Seu rosto estava pálido. .

Na primeira análise. Já os analise i muito.. sorriu em seguida. ao vê-la chorando. Eu entendo! Não se desculpe.. Débora? O que foi? .ra que brigassem.Acomodando-se folgadamente no divã. mas resulta em algumas com binações entre as várias dos mais significativos distúrbios de personalidade. Compenetrado n o que fazia. * * * Dias haviam passado. Somente quando o amigo João riu. virando-se para Tiago. Tiago! Nem isso ela procura aprender! Arroz.abraçou-a para acalmá-la.. Estava tão concentrado em uma pesquisa que. ele pediu sem rodeios: Você é capaz de ajudar a Débora lá na cozinha?! Lógico! Mas.. lavar a alface. Não sei cozinhar direito e. Chorando em seu ombro. . Sérgio assumiu uma postura mais receptiva e.. É questão de tempo. mas. falando bem baixo. De onde estava. Quando não. amarrou um em si e outro na cintura da jovem. Chegando ao outro cômodo. A princípio era sempre eu a ter de extrair um assunto.. Ela não se esforça para aprender nada! Ontem foi mais fácil comprar o almoço pronto d o que tentar fazer! Calma.. Bem.tornou.. não deu atenção ao vulto que entrou na sala e parou perto do divã em silêncio . Sérgio comentou a título de trocarem referências e conhecimentos: Tenho um caso me intrigando. O que está pesquisando? Atitude comum entre profissionais responsáveis que não se deixam dominar pelo org ulho ou arrogância. Tiago quase riu ao entender por que Sérgio havia se zangado. Sérgio. com ce rteza! O curioso é que não se enquadra em um único distúrbio. E sempre ele quem cozinha. Caramba! Sei lá mais o q uê! É só olhar na geladeira! Tiago percebeu-o nitidamente nervoso e. O Sérgio sabia disso. Boderline. . Sérgio estava em seu consultório e folheava alguns de seus livros. ele quer que prep are um almoço!. Perguntas e. Trata-se de um distúrbio de personalidade6. Por que está assim irritado? . .. perguntou: Por que você e a Débora não arrumam um tempinho para irem ao centro e spírita? Você já viu como estou sobrecarregado? Além disso. tenho alguns pacientes especiais que tenho de entender. O que é prec iso fazer? O básico. perguntou tranqüilo: O que aconteceu. e ela aprende alguma coisa. sem fazer mais perguntas.. Vamos lá! Continue para eu ter certeza dos embasamentos. olha ndo-o. Bem. sentou rápido e com olhos ávidos comentou: Que interessante! Estou com dois casos que podem ser semelhantes.. Nunca se importou . fazer uma salada e.... Desculpe-me. Na cozinha. Ou ele prepara um lanche . o distúrbio de personalidade limítrofe.... de repente. Um sentimento amargo de ciúme despontou no coração opresso de Sérgio que usava todas as suas forças a fim de afugentar o que experimentava. sorrin do. mas Sérgio se controlou. el e a animou: Então vamos lá! Eu cozinho melhor do que ele! E se você quiser ser ótima nisso. secou as lágrimas enquanto Tiago se apoderou de aventais e. No decorrer da terapia realizei testes. terá o melhor mestre! Vamos mostrar pro Sérgio que você é capaz! A moça sorriu.....Ele sorr iu de um modo engraçado ao anunciar: Acho que acabei de matar a charada! João sobressaltou. deixou-o co m Rita e foi à procura da namorada do irmão. Sérgio conseguia ver o que acontecia na cozinha muito atento na disposição alegre de Tiago e em sua capacidade de tranqüilizar o clima tenso de pouco antes. temperar e fritar alguns bifes. os tomates. sem olhar o co lega.destacou João silenciando a seguir com grande expectativa para que o outro prosseguisse...... Eu ajudo. pensei que fosse um c aso de Boderline. sempre comemos fora ou fazemos pedidos. a jovem contou: É que eu. Controlando-se. é sério e muito comum! .

pois ela assume mentir e. Acreditei poder tratar-se de uma pessoa eufórica e não impulsiva. eu me surp reendi com comportamentos que me levam a crer em um distúrbio de personalidade ant i-social! Lógico que eu considerei o fato de ela revelar tantos detalhes. vergonha. Com o decorrer do tempo. pediu bem interessado: Chegue aos fatos. a pessoa pode apresentar agressividade e à medida que aumenta sua autoconfiança aumenta sua hostil idade. vem o período de depressão. Pessoas que exibem esse distúrbio podem ser prejudi ciais a elas mesmas e aos outros sem qualquer remorso. Ah!. Em seguida. do marido. Sem apresentar estresse ou qualquer expressão emocional.falava. São casos bem sérios! Terminou? . Sérgio completou: Eu sei que o distúrbio de personalidade pode variar de pessoas e xcêntricas inofensivas a pessoas assassinas. ... Depois desse período eufórico. Entretanto nas terapias seguintes a paciente a presentou nítidas características de distúrbio de personalidade dependente. diz não se arrepender! Us a uma aparente timidez para ser atraente. Esse distúrbio de humor. depois de várias sessões. Começou a contar experiências impulsivas. Tímida.. os quais me levaram a essa conclusão.sorriu. passou a falar muito. traçam me tas. falante e a pessoa se distrai facilmente.. Falava de um pavor de ficar sozinha ou ser rejeitada. demonstrou-se dependente para tudo e autodiagnosticou-se com depressão. Terminei .. A princípio a paciente chegou aqui com queixa de muita tristeza. E eu me aprofundei nisso! Não me dê aulas.. Em outros comentários se contradisse ressaltando sua timidez. sanguinárias. casada. Não me s urpreendi quando. frias e calculistas.João riu ao responder. Sérgio . Você considerou tratar-se de um caso de distúrbio bipolar? O período entre a mania e um estado depressivo bem diferentes. misteriosa.. quando foi interrompido. mãe de uma moça de vinte e um anos e um garoto de dezesseis.. essa paciente contou que tem o dom de manipular situações e pessoas para seu benefício ou em favor do marido. Relatou costume de impulsos autodestrutivos para manipular e controlar os que estão à sua v olta. No entanto senti algo estranho quando a presentava satisfação a me ver interessado sobre algum detalhe e era aí que ela o omit ia. quarenta e seis anos. Demorou muito para eu te r sucesso na extração de relatos minuciosos. O que a leva a contradições .. Então.. sem que eu interferisse e caiu em várias contradições. ficou sério ao comentar: Tenho em mãos um caso sério de distúrbio de personalidade anti-social! Todo o contexto se resume pelo fato de ela chegar aqui ao consultório com o propósito de mascarar seus sentime .Sim. Procurei ser mais reservado e deixei que falasse.Sérgio perguntou bem sério. Fazem projetos. mas abandonam as idéias pela falta de disposição. a mania..Antes de o outro interrompê-lo . Não! . . sol teira. chega de aulas! . Sabemos q ue a influência familiar. S erá que temos a mesma paciente?! . Os maníacos normalmente têm uma auto-estima muito inflada. impulsividade e o desejo d e controlar as pessoas à sua volta. Um é adolescente e a outra tem vinte e seis anos.. Sem mencionar nomes. Não toma dec isões sozinha. E qual o relato mais chamativo no caso que você cuida? Primeiro apresentou insegurança por não saber o que quer da vida e queixa das dec isões tomadas das quais se arrependeu ou foram experiências autodestrutivas. aí! Essa paciente não apresenta uma regra normal de boa conduta. o outro psicólogo comentou: É uma mulher. exibe um estado eufórico. mesmo sabendo que não é certo.João desconfiou com inquietação repentina. No estado maníaco. Sérgio. Em seguida. Calma. por ter adquirido confiança e. o ambiente social e difíceis experiências de vida devem ser bem considerados em razão de seu conceito ter grande importância para uma boa análise. o distúrbio de personalidade anti-social é um dos mais estudados por razão da complexidade que o acompanha. Apresentando-se vagarosa mente como uma mulher inteligente e interessante.. das amigas.avisou sorridente e revidando ao amigo o que ouviu dele p or diversas vezes. por favo r.descartou João. só confia na opinião dos pais. depe ndência dos outros para tudo. Estou surpreso com as exposições. podendo chegar ao extremo de tornar-se irascível ou violenta. foi o que acreditei pelo temperamento instável. a presentou-se verdadeira. fazendo com que as reais características do transtorno de personalidade emergissem! Incrível semelhança! Deparei-me exatamente com dois casos e um é de uma mulher. nas quais eu não confi ei. repentinamente..

Percebi que ela apresentou considerável ausência de recepção e troca de carinho. Usou tudo o que conhecia para não exib ir sua verdadeira personalidade. Os pais eram religiosos. ou seja. Acreditando tratar-se de um problema espiritual. alimentação com cuidad os especiais a seu gosto etc. típico distúrbio de personalidade narcisista. desejos e pensamentos. Ela sentia-se humilhada diante dos caprichos exigidos pelo esposo como: cuidados exagerados com suas roupas que deve-riam estar impecáve is. Recebia críticas do único irmão que se destacava nos estudos e a humilhava . O me smo foi feito na cantina onde todo o consumo era anotado para ser pago futuramen te. essa paciente procurou um ce ntro espírita para desmanchar qualquer trabalho ou macumba. carinhoso. compreensivo. ela passou a apresentar confiança atraente e persuasão angariando a simpatia. pois ela contava ao esp oso exatamente o que sabia a respeito dos outros. A paciente contou que ela tratava com o m aior respeito e com todo o carinho os demais companheiros para estar sempre inte . Não contendo a decepção com o que ouvia.exclamou Sérgio. mas com a esperteza de se livrarem de envolvimento com a justiça crimina l. Aprofundando-me em suas experiências de vida. mas isso não me surpreende. mas confessou adorar o luxo e os ambientes sociais requ intados. o marido sempre se acreditou auto-importante. Ela os ameaçava com denúncias ou chantagens? Não!.Breve pausa e continuou: Destacou que nos bazares beneficentes ela e a filha se apoderavam das melhores peças a serem v endidas para arrecadarem fundos ao centro. principalmente. grandio so e imprescindível para a família e no emprego. a credibilidade e o bom conceito das pessoas até adquirir intimidade em todos os setores do Centro. da religião e do s ensinamentos adquiridos. o caráter e a dignidade de uma pessoa falam mais alto. Calma! Não terminei! . Ambos assumiram tarefas no centro espírita e. trapaças. trapacear.ntos. Afinal. Ele começou a trabalhar. generoso. Freqüentando um centro espírita. Conforme ela me contou. tiv e relatos de dificuldades financeiras a tal ponto que muitas vezes não tinha o que comer. M as ela mesma acredita ser muito fria no relacionamento amoroso.. Então. os bens materiais foram os prejuízos seguintes. Tudo foi feito em benefício dele s mesmos. fur tar.. ma scarando-se com um comportamento educado. principalmente quando ela não deseja mudar. casa limpa e tudo luxuoso no ambiente de recepção aos amigos. a princípio. também começou a colaborar com as subtrações das mais diversas formas. com a conivência dele. colocavam-nas à parte e abriam uma espéci e de conta onde registravam os débitos pelas compras supostamente adquiridas.perguntou Sérgio quase sorrindo de forma insatisfeita. O marido a acompanhou. O medo de ficar solteira a aterrorizava. com a manipulação! O marido. Provavelmente isso a levou a casar-se com o primeiro homem que a aceitou. coment ou: É lamentável.. honestos e conformados com o que Deus lhes ofer ecia. Sabia como manipular as pessoas conhecendo seus pontos fracos por saber de seus mais íntimos segredos. E quem é que cobra o u vai atrás do que foi feito com suas doações? . comportamento.. os estudos foram conce rnentes à Doutrina Espírita. mesmo a contragosto. não apreciava os seus deveres como mãe e obri gações impostas como esposa. teve mais fé no Espiritismo e fez cursos. Explorava os outros e não se importava com qualquer pessoa. como: mentir. disse que passou por trata-mento de assistên cia espiritual e fez cursos. Nunca! Sabia induzi-los pela influenciarão com palavras que lhes entorpec iam e cegavam. pelo fato de o irmão ressaltar e ssa possibilidade quando se expressava em discussões sem importância e a fim de magoála. e logios etc. As ilusões de se manter sempre no topo terminaram quando ele perdeu o emprego. O marido semp re dizia que nasceu para ser servido. Isso era fácil. com sua aparente grandiosidade. Arrogante e invejoso. ela revelou um típico distúrbio de personalidade anti-social.. como ela disse. Como uma avalanche. Independente da filosofia. Era a ele que os pais direcionavam louvores e de quem sentiam orgulho. vários cursos! Como ressaltou.. algo q ue alguém tenha feito para eles. João pendeu com a cabeça negativamente. Ela e os filho s sofreram incontáveis agressões verbais pelas explosões do marido e agressões físicas se iniciaram. É o típico homem que acredita ter razão em tudo. com típico distúrbio de personalidade narcisista. porém com extrema necessidade de que todos reconhecessem e elogiassem seus feitos. Mas quem pagava?! . tudo no centro era produto de doações espontâneas. mentiras e muito mais.

E o que você respondeu quanto a essa proposta?! Para o convite indecoroso. A paciente revelou que é um prazer conhecer a vida das pessoas e o ponto fraco dos fiéis.. ela. palavreados e tonalidades de fala que os façam agir ce gamente e compulsivamente com mais doações. significativ o humor e disse que dorme bem. alimenta-se normalmente e não tem qualquer remorso.. eles abandonaram o espiritismo e se converteram ao prote stantismo.. Depois ela e xaminou sua posição como tarefeira e decidiu reclamar a ocupação de seu cargo. olhando seriame nte para o amigo. Não! Acho que Deus não faz parte do que ela propõe . Não suportando ostentar a máscara. Ela e toda a família. Depois falei que e la e a família precisariam de um reequilíbrio com o propósito de não agirem com essa com pulsividade anti-social.Foi nesse momento que vi exacerbados a arrogânc ia e o orgulho que reluziram também um distúrbio de personalidade narcisista. Mas. Para algumas pessoas mais íntimas. Bem. Ela e a família consideram que tudo o que cometeram no centro espírita não f oi errado. posso dizer que apresentou nas duas últimas sessões. S omente conseguia benefícios pequenos.. crimes e roubos de todos os tipos... no inconsciente dos fieis. O caso é sério! Seríssimo! E mais! A paciente convidou-me para participar de sua igreja evangélic a. expulsar demônios e beneficiar-se financeiramente por isso. O marido tornou-se um pastor evangélico. para saber se havia alguma desconfiança d e seus atos junto do marido. Inclusive fez acusações injustas contra outras pessoas a fim de livrar-se de certas culpas. eu não vou corromper minha moral nem meu rigor étic o como profissional na área da Psicologia ou em qualquer outra. Sérgio. você quer dizer! Respondi com toda a calma e respeit o que eu honro e continuarei honrando o meu juramento como psicólogo. fingia-se triste o u sozinha a fim de atraí-las como vítimas de suas manipulações em proveito de trapaças com o: alterar ou sumir com os débitos das compras no centro que pertenciam a ela e à fa mília. Mas aconteceu o que ela não previa. Enfim. Lembrei que a terapia é um ótimo caminho para a própria pesso a se concentrar com a finalidade de mudar o comportamento.. Os trapaceiros e enganadores correspon dem ao maior índice de porcentagem desse distúrbio. recebendo um generoso benefício financeiro para lhes ensinar meios de insuflar. tudo o que me contou mostra que tanto ela quanto o marido possuem o clássico distúrbio de personalidade narcisista. poderão ter responsabilidade por grande parte de vi olência. Contou -me que cometeram uma grande injustiça com ela ao exporem frente a muitas pessoas o que foi feito por ela e sua família. exigiram satisfações do que perceberam que estava errado. Assim sendo. conscientemente seguros. Outros tarefeiros do centro.assustou-se João. A culpa foi dos outros que não os entenderam. pessoas mais honestas aos compromissos assumidos. Promovendo saúde e qualidade de vida..exclamou Sérgio. que é o de me colocar a serviço da sociedade com qualidade técnica e rigor ético. se não se tratarem.. rejeitam as normas de regras de conduta e não estão a fim de autocontrole n em pretendem mudar! Por que diz isso? As evidências! Não entendi. conforme eu entendi. Veja. uma espécie de ministra que expulsa os demônios dos transtornados que chegam à igreja e os filhos fazem as camp anhas!. Diante de tudo. furtam. dão shows. Sérgio. junto ao distúrbio de personalidade anti-social em que mentem de maneira crônica e descaradamente. Me u amigo! Duvido muito de que aceitem a sua proposta de reequilíbrio! Sérgio sorriu e . eles representam. trapaceiam . Enfatizou que hoje seus feitos são imensamente mais lucrativos e satisfatórios do que nas sessões d e desobsessão em que participava como dirigente no centro. pois lá não recebia nada. Meu Deus! . nós sabemos que portadores do distúrbio de personalidade anti-social são pessoas que.irada sobre os acontecimentos no centro. Eles se julgam extraordinariamente capacitados! Isso. prejudicam um grupo social ou uma comunidade com pouco ou nenhum remorso. ela simplesm ente ignorou dar satisfações cabidas e não se reuniu com os solicitantes.. Ela não se acha responsável e se posiciona como vítima. não reconheceram seus serviço s prestados e. João. requerend o-o com autoridade e muita exigência.

não meditaram e reagiram asperamen te. Não sei. era inconcebível um psicólogo evangélico ou protestante? Lembro! Duas ou três alunas fizeram o maior protesto! Isso porque elas eram protestantes. é a excelência do uso de uma ar om pessoal para obter resultados excepcionais no que deseja realizar. mais desumano do que as leis aplicadas pela Inquisição. Precisava de um psicólogo para prosseguir com suas farsa s e aumentar o vigor de suas vigarices a partir do momento que ele a ensinasse q uais e como são os melhores métodos e técnicas de neurolingüística. são as ferramentas mais poderosas que po demos ter para se criar resultados magníficos naquilo que queremos obter.Programação Neurolingüística. principalmente pelos protestantes ou evangélico. budista. A PNL. Se aquele professor tivesse falado que é inconcebível um psicólogo espírita.. Têm uma visão estreita e limitada da realidade da vida das pessoa s e suas crenças! Isso é preconceito. criando uma comunicação mais eficiente e rápida. São bitolados. explicou João . crenças nas opiniões apresentadas só pela sua religião. Quando eu disse que havia mat ado a charada. Havia outro s evangélicos na sala. Esse profissional. suposições ou crenças que. E se o paciente falar da violência sexual que sofreu q uando criança?. não vai dar atenção ao caso e achar que o paciente está endemoninhado! Talvez queira convertê-lo!. Eles se esquecem de que muitas situações. católico e outros do que com um profissional evangélic o. A realidade do paciente não é a realidade do que esse evangélico quer v er e analisar. sendo psicólogo evangélico.sorriu. Isso é fé cega! São pessoas que não buscam conhecer melhor a verdade por elas mesmas e só acreditam naquilo que os outros lhes disseram. não está sendo preconceituoso quanto aos psicólogos evangélicos? Vou repensar nisso. As pessoas orgulhosas. Inúmeros psicólogos e até outros que nada têm a ver na área. Ah!.. que é a capacidade de vivenciar ou ver na mente uma situação futura desejada co mo se aquilo estivesse acontecendo mesmo. notícias. E você. foi por descobrir que a paciente entrou nesse consultório usando as características da personalidade anti-social contra mim! . Ela. mesmo no penúltimo ano d e um graduação em Psicologia.. Eu confio mais em fazer uma terapi a com um umbandista. ganancioso. pensar. Imagine um psicólogo evangélico ouvindo um paciente homossexual. orgulhosos. mas eles ficaram pensativos. E um outro que deseja se recuperar de atos de pedofilia?. junto à técnica de vis ualização. pois sabia que aquelas práticas rigorosas e tiranas eram erradas. digo que não pelo fato de eu ter buscado conheciment o sobre suas atuações.. Mas estava longe de imaginar que receberia um convite desse tipo! Sérgio. refletindo sobre o assunto. Mas aconteceram contradições e com portamentos estranhos os quais me levaram a dúvidas. pesquisar e procurar saber com ele. lembra-se da aula do Professor Doutor Ezequiel quando ele falou que. Ela pode ser usada de modo positivo ou negativo. com a finalidade de obter uma verdadeira fascin ação de seu fiéis. são preconceituosos. João... bissexual?. As habilid ades e as técnicas dessa ciência estão sendo cada vez mais usadas para a educação. trapaceou na representação de seus distúrbios psicológicos com a finalidade de aproximação e intuito de indução. Não buscam a iar as informações. não! Às vezes concordo com a opinião o professor Ezequiel e acho que alguns psicólogos evangélicos são inconcebíveis para que m deseja se livrar de transtornos e distúrbios.. proposita damente. mas de forma bem tranqüila.disse: Dediquei-me profundamente a estudar esse caso. pa ra ele. Até as comprovações científicas e novas descobertas eles se recusam a ace itar. que se achavam superiores. Tud ara eles tem de ser de acordo com o puritanismo pregado por Lutero. por exemplo! A PNL . Agora. Acho que o professor Ezequiel quis nos te star com aquela situação para ver o quanto alguns religiosos. Falha sim! Mas são limitadas somente quando lhes falta evolução ou força de vontade acrescentou João com tranqüilidade. eu iria parar. A criatura humana é falha e muit o limitada. terapia s e outros. Um homem cru el.. há tempos eu sei que isso é usado por vários lideres religiosos. o p orquê de sua opinião. ciências e práticas de vida sob a visão de sua profissão.. estão se corrompendo com o uso desses métodos para arrecadações numerárias im ressionantes.. no passado e ram inconcebíveis. Hoje eu entendo que algumas religiões são preconceituosas por não serem flexíveis à fi losofia. oportunista. mas ele apoiou . tem grandes possibilidades de ser preconc eituoso e acreditar que a pessoa é dessa ou daquela forma porque quer! Provavelmen te. arrogantes. foram comprovadas pela ciência e os descrentes ridicularizados.

. olhando para o colega de modo indefinido. Está inteiro . é a Rita quem está por perto.indagou.. Medite e dê um jeito de i r ao centro. Isso está contido no protes tantismo até hoje. Como se não bastasse. Péssima! Débora a levou para o seu apartamento.. e pelo fato de não trabalhar. Ela não estuda! . que é sua fã.reclamou João de si mesmo.Ele silenciou por alguns ins tantes e comentou: Se a Débora aceitar morar lá em casa.as mesmas severidades dolorosas com os camponeses alemães que se opuseram ao prote stantismo.Vendo o amigo pensativo. conforme você e o doutor Edison me aconselharam.sorriu. que já deu problema logo de início. verbais. E a Rita? . Sérgio levou o amigo para casa. Não gosto de insegurança e. Eu ta mbém concordo e quero fazer o quanto antes. Você voltou a conversar com a Débora para que morassem juntos? Não tivemos tempo para falarmos sobre o assunto. vai adorar tê-lo para o jantar! A dona Antônia está brava por você não visitá-la há tempo! Não. deixando-os queimar vivos.. Ah.tornou João num tom de tristeza. mas sua agenda sempre está lotada! Talvez nem precisasse trabalhar na empresa que indiquei. E se não arrumar? . No próximo ano. Sérgio pareceu preocupado e revelou: Nem consegui um tempo para contar à Débora sobre aquele assunto da minha irmã. como posso me garantir com o que receberei aqui na clínica e na empresa.. mas você vai ajudá-la e não sustentá-l obrigação de pagar a faculdade é dela.. deu para freqüe ntar o apartamento da Débora direto. por isso penso em desistir. não aceitou a proposta da paciente que lhe ofereceu dinheiro para prestar serviços nada dignos com o seu ju ramento profissional! Aconteceram tantas coisas em tão poucos meses que. caso eu vá trabalhar lá? A Débora estará no último ano e.. tive dificuldade com a documentação para o pedido de baixa da PM. você é um ótimo profissional. Você é diferente. Sérgio. O que você quer mais?! Vai ficar aí esperando todas as oportunidades desap arecerem para depois dizer que não teve sorte?! . Então vamos lá! Vai tomar uma injeção de ânimo! Estou com o carro na revisão. Depois ficaram uma boa . Sérgio! Espere aí! Não quero me intrometer. talvez você esteja sendo testado! Testado?! Testado pela espiritualidade que o acompanha. Não sei expli car como. materiais e fis icamente praticadas. Como é possível uma criatura acreditar que é só pedir perdão a Deus p ara ficar liberta das condições inferiores e não ser mais prisioneiro dos crimes e del itos que cometeu? Ah!. ficou inibi do para recusar o convite e acabou ficando para o jantar. Sérgio! Ficou louco?! Não.. Preciso uma carona e a minha mãe. pode ficar mais tempo com a Rita. estou receoso de sair da po lícia. Sérgio. A Yara. sabia?! Você é bem requisitado e indicado pelos outros pacientes. mas não vou entrar. Deixe-me ficar quieto. João esperou alguns minutos e perguntou: E seu irmão. como está? Trabalhando. Acho que essa paciente não vai retornar. Em minha opinião. Estou temeroso. por isso nem prossegui com o pedido. Esse pedido de baixa significa um pedido de saída? É. quando não é a Yara. e seus líderes os denominam evangélicos para ninguém lembrar dos mass acres apoiados pelo criador do protestantismo... ela deveria voltar a estudar qu ando arrumar um emprego. Acho que ela não está preparada para voltar à sua c asa e ficar sozinha. irmã dela. porém ao ser recebido por dona Antônia.. Não pense que só ped ir perdão a Deus basta para livrar-se das culpas mentais.exclamou João bem sério. calando-se. pois estou pecando verbalmente c ontra meu semelhante! . . Sérgio. .Breve pausa e lembrou: Viu?! Rea lmente você foi testado! Preocupado com a situação financeira. os únicos corretos e com razão. Seria um teste moral? Quem sabe? Reflita sobre o assunto e dê atenção aos sinais.murmurou num desabafo.. Estou sem coragem para qua lquer decisão . Martinho Lutero. Ei. Criou um puritanismo mascarado ao incentiv ar que eram os únicos puros. mas é. João. João. Pre ransferir pacientes para mim e para o Nivaldo por causa do serviço na polícia! Eles reclamaram muito. Eu te levo. mas não dá.

risos.. linguagem de tempos remotos à reencar nação de muitas pessoas. a vaid ade. Sérgio sentia-se interessado na conversa. sendo algo com o que verdadeiras colônias de tormentos indizíveis e reparadores. opaco. Contudo nada é eterno e dizer que existe um inferno. a fim de que o Planeta permaneça.Parados próximos àquelas criaturas espirituais totalmente disformes.respondeu João. Sérgio! Parece recordar rapidamente o aprendizado obtido em elevada es fera espiritual! Em um livro psicografado pelo querido Chico Xavier. a trapaça. cruéis e impiedosos que os dividem. 15 . sem conhecer a ve rdade. p assos e gargalhadas de um grupo nada amigável que os seguia. qualquer idéia de alucinações fantasmagóricas. A lua no céu possuía um brilho estranho. Há líderes insensíveis. cidades de baixo padrão vibratório. mas seu coração estava oprimido por algum motivo que não conseguia entender. mas obedecem a líderes macabros e desequilibrados.. Bloqueando o caminho. A morte não existe. o narcisismo. João lhe falou com brandura e de modo que o amigo podia o uvi-lo em pensamento: Não vamos nos assustar. a fascinação. Era uma noite de muito calor quando Sérgio e João caminhavam juntos falando sobre assuntos que Sérgio precisava entender para relembrar melhor.parte da noite em agradável conversa repleta de instruções que o fizeram se sentir be m melhor. O que querem? . Conhecereis a verdade e a verdade vos li bertará . pareceram insignificantes diante dos olhos de Sérgio. Elas pareciam brotar do chão com aspectos monstruosos.O romance abalado pela influência espiritual Os dias seguiram sem novidades. podendo fi car presas a obsessores por muito tempo. De repente. Sérgio? Eles estão aí para provar. mesmo que o considerem pequeno ou nada grave. Nossos anjos guardiões nos acompanham e muitos benfeitore s que atuam verdadeiramente em nome de Jesus nos amparam. Gigantescas sombras com contornos humanos deformados saltavam sobre ele e o a migo sem tocá-los. disse-nos o Senhor Jesus. logo atrás deles. Esses irmãos estão infel em esperança. tanto quanto p ossível. entendendo que aquelas criatura s não os podiam ouvir. não queren . a dependência e muitos outros distúrbios de personalidad e que.. não é.. . ou pensava ouvir. Odeiam-nos. quando encarnada a criatura experimenta ou usa em benefício próprio. Sérgio ainda comentou sin cero: Eles formam organizações. urrando com o animais ou gritando em uma língua estranha. Isso é um método de impor o medo . Virando-se para Sérgio. sob o seu jugo tirânico .. Sofrem com as enfermidades do corpo espiritual e com a cobrança constante da consciência por t udo o que fizeram errado. Eram rápidas demais nas movimentações estranhas.perguntou Sérgio em pensamento. Que bom. Esses lugares infe rnais existem por uma questão de ignorância. A língua estranha que usam para c municação podem ser dialetos antigos dos homens. Tornam-se vítimas e culpados por cum prirem tarefas inferiores e malévolas. Existem regiões espirituais criadas pela força ou poder mental. foram surgindo à frente de ambos outras criaturas extrema mente malignas. por mais aterrorizantes e absurdas que ouviram contar. Muitos são verdadeiros escravos aterrorizados e tementes a Deus. por causa das mentes voltadas a fazer o mal. o fanatismo é o que alimenta o espírito para que ele se submeta a essas condições. não é verdadeiro. Pode ser um método de oferecer ou receber mensagens na época em que os politeístas faziam oferendas a vários deuses. Não está se lembrando do que aprendeu na espiri tualidade? É. qu e os separam e selecionam como animais para determinadas tarefas específicas. O orgulho ou o ego inflado. as criaturas não estarão libertas das energias mentais inferiores. A fé cega. Podiam-se escutar seus sussurros. onde alguém é condenado eternamente. Lógico! Sem a evolução mental. como se em alguns momentos andassem como quadrúpedes. falanges. Querem-nos longe daqui e nos deseja m mortos. o espírito An dré Luiz diz que: O objetivo essencial de tais exércitos sombrios é a conservação do primi ivismo mental da criatura humana. espiritual.. Parece que posso entendê-los. sem pensar e repensar. Ele ouvia.

Sérgio. Na próxima s emana tenho uma entrevista marcada e acho que vai dar certo! . meus pais ou o Tiago cu idam dele. Sabe. mas acho qu e não poderão esperar mais e estou com problemas com a documentação e. luta e agressão. no apartamento de Débora. você s Não lembro o que me levou a buscar. Não sou digno. ela só tem o caminho doloroso de reparação a seguir. junto à pessoa. Dê-me mais um tempinho? ... Você não está tratan do de pessoas.. Farão de tudo par a que você não tenha êxito em sua tarefa.. pela preguiça. distúrbios dos mais diversos. meu amigo! Sinto-me minúsculo. Eu gostaria que saísse daqui o quanto antes... Coitadinho! Ele ainda está lá na casa dos seus pais? Está. temos um caso de complexo. Nem sei por que estou a o seu lado. Tudo bem.. além disso.. pois tinha a sensação de ver e sentir o que experimentou. ..Sérgio interrompeu temporariamente o que argumentava. Ai. Tentarão atacá-lo de todo jeito! Reaja! Socorra-se elevando o pensamento a Deus. O que estamos vendo é uma pequena amostra do que as levarão aos agrupamentos mais inferiores e de piores condições.. Acorde. João. pode haver terríveis espíritos que se afinam a ela com o intuito de va mpirizá-la e agredi-la para agregá-la futuramente a falanges espirituais. porém contrariado. Há situações que não entendo ainda e preciso de seu apoio. mudando de assunto. Não faço nada.... Não diga isso. * * * Mais tarde. Ao olhar para a cama viu os lençóis remexi dos e embolados. João! É a minha irmã. Sérgio. Lá.... o pensamento é o centro de atração e repulsão de qualquer mal ou be que o cerque. despertando-se horrorizado com o próp rio grito. Aquela troca de informações e conversa durou frações de segundos.. ao Mestre Jesus! Foi isso o que me pediram para te dizer. sinal de ter se revirado demais antes de acordar. O que te trouxe para essa tarefa foi o seu amor incondicional. pois algumas se comportam como se ganha ssem o gosto pela ignorância.do mudar-se. mai s tranqüila e. Sérgio! Foi nesse instante que Sérgio sobressaltou. procurar um meio de ajudar as pessoas a se lib ertarem de tais obscuridades consciências. ela conversava com o namorado: Mas não quero incomodá-lo!. Lembre-se. De que jeito? Acredito que estará mais segura lá em casa! Com menos despesas. dormia sem camiseta.perguntou rapidamente. como a chuva fina que se in filtra tanto na relva como nas folhas altas.. Mas eu não sei de nada. E você? Quando vai começar a trabalhar lá naquela empresa? A documentação da PM já sai .. Seu rosto gotejava suor e todo o tronco estava transpirando. Como sempre. Não o levei para nossa casa porque ele ficaria muito sozinho. Como quiser . Débora. Levantando-se rapidamente. Sérgio. tirando a impregnação da estranha sensação.ele aceitou calmo. Riu para re laxar e avisou: Vou levar o Tufi para lá. ele murmurou: Ainda são 3h30!.. Ao tempo em que as criaturas monstruosas subiam como que por fissuras abertas no chão. tendência suicida e outros transtornos. Caminhando até a janela. tomando uma po stura de ataque. mas logo continuou : Quando em uma terapia. Não sei. Você está libertando espíritos. depressão. abriu-a e foi quando a brisa suave da madrugada parece u medicamentosa. despoluindo-as para que respirem me lhor.pedia com seu jeito carinhoso. João percebeu que Sérgio parecia sufocado e orientou: Seu maior trabalho será vencer as vibrações baixas e hostis. Eu pedi que me dessem mais um tempo para ser admitido na empresa. Você está repetindo o que eles dizem. Fico fora o d ia todo e não teria tempo para cuidar dele como deveria. Sentando-se na cama. Entendeu bem sua tarefa. é muito importante lembrarmos que. . acendeu a luz. Sérgio pegou um caderno que tinha na gaveta e passou a esc rever tudo o que se lembrava do sonho. Podem usar determinados espíritos para enfraquecê-lo. Veja. Consultando o relógio.contou animada.

para as nossas vidas. horário fixo e um salário compatível com o da políci a e você quer desistir?! Não posso me conformar! A maneira como Débora se expressava. E era só disso que eu precisava para decidir o que é mais correto fazer na minha vida. Frustrado com a reação da namorada. Tenho medo de que. Sei lá!. Eu vim aqui porque não estava bem comigo mesmo.. e stranhando e observando-a esbravejar sozinha. atraía obscuras vibrações. segurou-o pelo braço e pediu entre as lágrimas de arr ependimento: Por favor. deixando-a em imenso conflito íntimo e arrependimento.sinto-me inseguro. o rapaz se virou e saiu sem olhar para trás.. entende? Faz tempo que não ficamos sozinho s. Não suportando a pressão sofrida em pe nsamento. Em palavras bem simples posso dizer que desejava só fic ar ao seu lado. calado... o que preciso é mudar as minhas escolhas! Após o susto que levou. . Eu te adoro! Desculpeme? Vou ser bem sincero com você. Você.. . Dar e receber carinho enquanto assistíssemos a u m filme. Sérgio!.Abraçando-o pelas costas com força. pois nunca o viu falar daquela forma e vendo-o caminhar em direção da porta.. não me proporcionou um instante de paz. Com a tempestade emoc ional que criou agora há pouco. Estou assombrado ao ver você agindo igual a elas! Pensei que me libertaria do s pesadelos asfixiantes. ele sobr epôs o braço em seus ombros. Engolindo seco.falou com baixo volume na voz grave e fita ndo-a com uma tristeza indefinível nos olhos verdes marejados... vem à oportunidade de t rabalhar na empresa por meio período... ele se levantou. Eu queria seu colo. Não sei.. remoendo a s idéias em um penoso estado de consciência devido ao choque por ver as tendências de Débora e as influências espirituais que lhe chegavam. com lágrimas quase rolando.. Não costumo brigar e. profundas energias inferiores in-vadiam o ambiente. lá eu tenho um salário garantido.. Débora... Desejaria que fosse mo rar comigo.. Uma dor estranha parecia esmagar seu peito... . O rapaz se virou e a jovem escondeu o rosto em seu peito chorando um pranto compulsivo. pareceu implorar ao pedir: Sente aqui. Sérgio dirigia sem rumo..Ela o olhava firme e nada disse. Diante de tantas dúvidas e incertezas sobre decisões sérias e definitivas que tenho para tomar. Levantando-se. Mais desiludido ainda porque desconhe cia esse lado da sua personalidade. eu não gostaria de ter qualquer outro problema. Agindo com estranha frieza. quietude e a conchego... interrompendo-a com voz grave e firme: Não preciso ir à direção da desgraça. Vendo-o em pé à sua frente. Débora . Entr ei com pedido de férias e vou aguardar para ver no que dá... O namorado continuou no mesmo tom sentido: Eu te amo. Sérgio permaneceu silencioso por longo tempo. mas eles me perseguem! Não adianta eu mudar as coisas à min ha volta. encarou-a nos olhos. Te amo muito . agora. parece que ela marcha ao meu encontro! Saí da ma ta casa de meus pais para não ouvir os gritos e as reclamações de minha mãe e minha cunh ada. Eu!. respeito a sua vontade.ela não sabia o que dizer.. conduzindo-a para o sofá e fazendo-a se acomodar. Você me conhece. . vai?! Seja como for.Ele não se virou para encará-la e permaneceu parado somente ouvindo-a se justificar: Eu não sei por que disse aquilo daquela f orma. o namorado aconselhou em tom sereno : É melhor conversarmos outra hora ou diremos coisas das quais podemos nos arrepe nder. Sérgio. gritando. só desfrutando a companhia agradável um do outro e.. Déb ora chorou verdadeiramente sentida. reagiu de um modo estranho e totalmente incomum à s ua personalidade.. fiquei decepcionado porque você agiu como alguém que eu não quero nem lembrar. Débora. mas como não quer. Curvando-se e beijando-a na cabeça. repentinamente. Tudo sumiu com o em um passe de mágica com a clínica da qual é sócio! De repente. Desculpe-me.. Sérgio! Pelo amor de Deus! Você não vai desistir de sair da polícia agora. quieto. . Débora correu. Em instante s. protestou inconformada e aos gritos: Sérgio! Você nunca teve uma oportunidade tão boa! Esse sempre foi o seu sonho! Ante s tinha preocupações em abrir um consultório sozinho e não ter pacientes.. A namorada.

um sinal de ela estar em casa. Está tudo bem. Sentando-se ao seu lado.respondeu atordoada e largada sobre a cama. a senhora se adiantou: Você é um dos amigos da Rita. Nas janelas havi a grades.. Rita pareceu ter r etornado à vida ao respirar forte. saltando com agilidade para dentro do quintal. vai lá filho! Corre! Sérgio suspirou fundo. Sérgio acariciou seus longos cabelos negros e cacheado . correu para a sala onde a música alta o incomodou imen samente. Toquei a campainha nem atendeu quando liguei p ara a casa dela. A jovem desmaiou por falta de ar e permanecia inerte. Sérgio olhou para o canto e ouviu atrás da me sa da sala de jantar um murmurinho lamentoso e viu os olhos de Rita se fechando. Ligou o rádio a lto e não atendeu quando eu chamei. mas e se não for nada? Você é amigo dela. como se sufocasse um grito. colocou a amiga na posição correta. Eu sei que você tem plano de saúde. Estacionando o carro frente à residência da moça. pediu com brandura: Calma. Desligando o aparelho de som. Lágrimas correram imediatamente enquanto ela olhava para os lados. Em vão. realizou respiração artificial e massagem cardíaca.. sou. Por quê? O que aconteceu? . Da casa ao lado saiu uma senhora de cabelos grisalhos que o olhou de modo cur ioso enquanto andava vagarosamente em sua direção.admitiu a senhora. Não dando importância ao frio que corria em seu corpo. . nem que fosse só o ouvindo desabafar. por isso já ia ligar pra polícia. gritando o n ome de Rita. Depois me largou aqui sozinha. abriu a porta após vários pontapés. moço. eu acho. mas não tinha forças. Não! . Sentiu como se os seus olhos fossem atraídos para ver a pequena faca de cozinha sobre a mesa. mas fiquei com medo. Olha. Apressando-se para os fundos. Rita. Pegando-a nos braços. Acreditand o ouvir um gemido sufocado.. Débora! Isso! . De repente. cortou as fitas. Tossindo repetidas vezes. ele decidiu visitá-la. Rápido. vi a Rita entrando e perguntei como ela tava e. Imediatamente tentou fazer respiração artificial.preocupou-se ele. Sérgio tentou puxar a s amarras e não conseguiu soltá-las. rápido. Movido por um súbito impulso. não deixavam seu corpo ficar na posição adequada. Usando-a. Eu já vi você aí com a outra moça. mas as mãos da moça amarradas nas costas com inúmeras voltas da lar ga fita adesiva. Em frente do portão. não é? Sim.... colocando-a sobre a cama. sufocando o choro num travesseiro. Chamando pelo nome de Rita. tentava curvar o corpo. levou-a para o quarto.gritou ao implorar. Vendo-a mais consciente. Acho bom você dar um jeito de pular esse portão! Não gostei do jeito dela. ele perguntou mais calmo: Rita. foi entrando na casa à procura da amiga. Há duas horas. Ele ficou assustado. chegou até a amiga rasgando o saco plástico forte e transparente que lhe vest ia a cabeça onde foi colado e apertado com larga fita adesiva em torno do pescoço.. A. pensando que a amiga poderia socorrê-lo de algum modo.. Falou que não tinh a mais ninguém e que preferia morrer. Nunca pensou em ver algum amigo ou amiga naquela situação e sob os seus socorros. pois desde a morte de seu irmão e de seu noivo tinha ficado no apartamento de Débora. mas não foi atendido. Tirando-lhe as fitas e o resto do plástico rasgado do pesc oço e livrando os punhos dos adesivos. escal ou o alto portão. Por isso seria bom irmos para um hospital do seu convênio e.Repentinamente. Podia ouvir uma música tocando em volume u m tanto alto no interior da residência e por isso chamou em voz alta.. Sérgio chorou em silêncio. Meu nome é Sérgio.. Minha idade não deixa mais eu pular o mu ro. Eu ia ligar pra polícia. pois ela permanecia imóvel. Quando se virou para cumprimentá-la e pedir informações sobre a colega. Sérgio havia tocado a ca mpainha várias vezes. lembrou-se de que Rita decidiu retornar para a casa onde mora va.. como se o ar fosse acabar.. percebeu que as janelas estavam a bertas. você está bem? Estou. Correndo até a port a da frente viu que estava bem trancada e seria difícil arrombá-la.. t entando entender ou recordar de alguma coisa.. amiga dela a. Se p uder.

como a de seu irmão e de seu noivo. Isso foi bem difícil de fazer. Prudente. Pode me explicar como conseguiu se amarrar daquele jeito? . E não é fácil sair dele. perguntou: Rita. Primeiro. procurou curvar-se para olhar em seus olhos e dizer: Minha amiga. Afagando-lhe os cabelos. Por que a faca estava sobre a mesa? Rita abraçava as pernas encolhidas e balançava vagarosamente o corpo exibindo um sinal de nervoso. Não tenho ninguém.Vendo as lágrimas corre rem em seu rosto. cheguei do merc e tive a idéia de colocar um fim a todo esse desespero. Sofreu pela falta de ar tempo o suficiente para desfalecer.. Cortei com a faca e depois de dar voltas nos pulsos com o rolo adesivo eu..tornou calmo. Eu sei que rupturas drásticas de relações amorosas significativas. Rita.. Não tenho esperança nem energia. Sérgio a abraçou com carinho piedos o. Sérgio sabia que ela mentia escondendo alguma coisa. . Estou errado? Com voz rouca pelo choro.. Sérgio a confortou num acalento silencioso enquanto a e mbalava preocupado com o que deveria fazer.. Sentando ao seu lado. Como machucou o rosto? Acho que bati na mesa. Após algum tempo. A amiga o fitou por um segundo e fechou os belos olhos negros num gesto de fu ga ou vergonha. Tem muita coisa que você desconhece. coloquei na cabeça e o prend i com a fita adesiva em volta e. instintivamente. mas respondeu oferecendo várias pausas como se refletisse antes: Enrolei a fita no saco plástico sobre o pescoço. Não o encarava.. Sérgio. em minha opinião. Rita o apertou forte. Algum tempo depois. dessa falta imensa que m e consome. o telefone tocou insistentemente e o rapaz decidiu atende r. Enrolei a fita adesiva em meus pulsos com as mãos para trás para não desistir e rasgar o plástico.. abraçando as pernas e ficando encolhida. A senhora agradeceu a satisfação. essa dor. ela praticamente murmurou: Tentei me matar. você não está sozinha. ela cont ou com breves pausas e voz baixa entre os soluços e as lágrimas. mas estava bem. Sérgio a observou melhor verificando um machucado em seu rosto. Demorou um pouco. um estad o mental de depressão extrema a domina. momento em que. Não sei. Sem encará-lo.... Conte como foi. mas há solução.... Nem vonta de alguma... Depois lhe afagou o rosto até que. Não consigo explicar o aumento dessa dor. Não tenho mais nada. Retornando ao quarto. encarando-o firme. Quando você tenta sobreviver à solidão.chorou.. Seus braços estão machucados com espécies de pancadas. a amiga se e ncolheu..s. Puxando-a para um abraço. escondeu o rosto no abraço e chorou. expressando muita tranqüilidade. vendo-a mais tranqüila .. o que aconteceu? . choro u como nunca tinha feito antes. sentada na cama. não é fácil. Não sou útil ou necessária a alguém. Então. Porém não era o momento certo para exigir-lhe nada. fez com que o encarasse... cuidadosamente. Era a vizinha que desejava notícias. indiscutível em curto prazo. de sligando em seguida. perguntou vagarosamente: Qual é a solução? Como eu posso levar uma vida normal? Principalmente agora. pois o modo como a encontrei é bem es tranho e suspeito. Erguendo-a para que se sentasse...Lágrimas rolaram em sua face pálida... Preci sei ressuscitá-la! Segundo.. num gesto de amizade. .. Peguei o saco plástico grosso que trouxe do mercado... amigáveis e reconfortantes que lhe invadiram a alma. porque você precisa de ate ndimento médico. Sérgio lhe fez u m afago no braço com as costas da mão. Ele deu-lhe uma desculpa convincente de qu e Rita teve uma crise de choro. esse pode ser um caso de polícia.. Peço isso como amigo. trazem um impacto doloroso e i rremediável. mantendo o olhar perdido. expressando grande tristeza: Estou mal. Não suportando a troca de energias salutares.. ele continuou: Rita. sem fixar em ponto algum. e o amigo tornou ex plicando: Preciso saber o que aconteceu aqui.. não achou? Não.. Nesse momento ela ergueu a face banhada pelas lágrimas onde exibia grande angústi a. Rita parecia mais calma.

trancada no banheiro. Humilhada e abatida. Mais de duas h oras haviam passado e Débora não telefonou. talvez por p ressentimento ou pelas experiências que possuía como policial. só lhe restava aguardar. . ela reagiu rapidamente ao pedir: Não chame a polícia. Não! . Você não pode ficar sozinha e virá comigo para ha casa. Não faça nada disso. Diante do profundo silêncio que reinou. Só.. Você foi e continua sendo uma pessoa muito important e para mim.negou de imediato e bem firme. De repente.perguntou por não entender. ele contou: Sabe. isso não aconteceu por acaso. Rita. pediu para que Rita se sentasse e foi obedecido de imed iato. experimentando um pranto doloroso e triste. Vendo-a balançar a cabeça negativam ente a fim de não responder. tornou no mesmo tom: Preciso saber de uma coisa: por . considerou em t om brando: Rita. Depois disso. pois a situação em que a encontrou era bem estranha. chorando. Fitando-a com piedade. por que não chegou antes?. Vou ficar aqui.Após propositais segundos. Além do mais... Entregando-lhe uma xícara de chá em suas mão fracas e trêmulas.Pequena pausa e fa lou: Considero-a uma pessoa tão espiritualizada. Sem que ele espe rasse.. pois.. como psicólogo. ele notou que a jo vem apresentava grande desânimo. não o encarava. Vocês me disseram que a vida não mina com a morte do corpo físico. Chegando à sala. o rapaz olhou por toda a volta.perguntou diante da demora.. Não vou! . ofereceu-lhe carinho e atenção.alterou-se ela.. há detalhes estranhos nesse acontecim ento.. Per manecendo em silêncio por um tempo ao lado da amiga. Foi uma coisa tão estranha.Sem espe rar que ela dissesse algo. Ou você vem comigo ou eu ligarei para a polícia e iremos para a delegacia registr ar essa ocorrência. quase ofegante. Quer um pouco? Não... Sabia que ela escondia alguma coisa. Sérg io decidiu que a colega não poderia ficar só. parecia se controlar. relacionando a série de lesões que você apres nta. não?.. Sérgio avisou: Vou tomar água. vou levá-la ao hospital de seu convênio onde pedirei que um médico psiquiatra a atenda e. ele t inha conhecimento de que aquele ocorrido merecia muita atenção e ajuda imediata. senti uma dor no peito e pensei que ia enfartar. Rita o encarava firme. no q ual passará por um médico que vai examiná-la.. Entretanto o telefone do apartamento só chamava e o celu lar não era atendido. Algo o intrigava. Certamente vão encaminhá-la para um exame de corpo de delito.. O quê? O que disse? . decidiu telefonar para Débora. nos quais não p arou de pensar. Não vou deixá-la sozinha.falou calmo.. Pondo-se frente a ela. Rita. . Fiquei surpreso e assustado ao chegar aqui e. . chorando de modo compul sivo. Não chorava mais como antes..sussurrou entre o choro. Aí eu decidi vir aqu i para conversarmos um pouco. Pensa que sou amador?! . Só. Desculpe-me. Como. Só vou tomar um banho e me trocar. Vou solicitar ao delegado uma perícia técnica em sua casa pelos fatos duvidoso s. Então.. tão elevada! Você e o João me deram tan ta noção para entender as experiências de uma encarnação. Após olhar cômodo por cômodo e observar meticulosamente cada detalhe..Soluços entrecortaram sua voz quando dec diu: Eu vou com você. a Débora não me ligou até agora. mas não está em condições de decidir . O quê? ...murmurou. Deixando recado na caixa postal para que a namorada entrasse em contato com ele o mais rápido possível. exatamente agora você t entaria contra a própria vida? Sérgio se surpreendeu ao vê-la abraçá-lo forte e rapidamente. . preciso relatar tudo o que houve e pedir su a internação para sua segurança. . ela tornou a deitar e abraçou o travesseiro encolhendo-se sobre a cama. ele indagou: Diga-me uma coisa. porém firme. A fastando-se dele. certo? Não.. viu-a com a respiração alterada. argumentou: Eu me considero seu amigo. exibindo uma estranha preocupação e medo no olhar.. Assim que Sérgio desfechou. Retornando ao quarto. H oje. eu saí do apartamento da Débora e ia para minha casa. sendo a melhor amiga de Rita ela poderia ajudar muito. Como especialista.

Sérgio sentia-se tomado de esquisitos perturbadores sentimen tos. Cheguei quase agora.cumprimentou a jovem com timidez... Tudo bem. Sem dar atenção ao filho. É que. Não quero ser humilhada.falou a mulher de um modo arr ogante.. que parecia nervoso. Prazer.avisou Tiago em socorro do irmão. pensava em alguma alternativa. . a jovem respondeu: Estou com vergonha. deixando expostas e caídas algumas peças íntimas que pertenciam à amiga. Não vamos mexe r em nada nesta casa. meu irmão! Você pediu para eu trazer a mãe e o pai aqui hoje para verem sua casa e conhecerem melhor a Débora. Teve a sensação de segundos de alívio. Sairemos pela porta da frente. Sérgio olhou-a surpreso como se sua memória tivesse apagado. levou o telefone par a tentar falar com Débora ao mesmo tempo em que pensava em preparar uma refeição. viu Tiago entran do em companhia de sua mãe. levou-as para seu quarto. O sol do verão quente não queria se pôr apesar da hora. mas sim em profunda reflexão. havia tombado. Sente-se. Dando alguns passos. quando a Débora chegar. Só não feche a porta.tentou mentir. esqueceu? Não! . Fez várias tentativ as. mas estranhou ver Sérgio petrificad o. procurou dar uma entonação mais terna e amigável a o tom de voz e pediu: Rita. mãe . Vendo-a apoiar a cabeça sobre algumas almofadas.Viran o-se para a colega. Virando as costas rapidamente. Mas. uma amiga nossa! . mas não conseguiu. pode ir para o apartamento dela. Foi nesse instante que escutou um barulho na porta da sala. vá para o meu quarto e descanse um pouco até eu encontrar a Débora. ele não reparou que uma delas. ao se aproximar. Ela sentou-se no sofá. . Você vai par a minha casa e. pensando que fosse sua namorada. . inclinou-se para o lado e se encolheu. Sérgio? Nunca mais foi lá em casa!.cumprimentou alegre. Sem esperar que o filho respondesse. Pegue somente as roupas de que precisar. Essa é a Rita. Não acreditou que estivesse dormindo. Pegando as duas sacolas com as roupas da moça. mãe! . Rita. Eu já arrumei a por ta dos fundos e a tranquei por dentro.. Prazer.. Tiago! Tudo bem? . Mas pensei que a Débora estivesse aqui.. Indo para a cozinha. Preocupado.Pediu com gesto educado: Contudo perceb ia-se que algo estava errado com Sérgio. Dona Marisa olhou para o sofá com ar de reprovação e repudiou ver Rita sentando-se rapidamente. cobrindo as perna s com a própria saia longa. enquanto olhava detalhadamente tudo a .. Disfarçando o que experimentava. comentou: Mas você não é a Débora! Não. Sérgio havia passado o dia sem comer. Não quero me sujeitar a uma série de perguntas e investigações. Temos algumas horas para pensar e decidir o que fazer... coloca ndo-as sobre a cama. apresentou: Rita. nossa mãe. Não tem mas . cara?! Tudo bem? . Voltando à sala. encontrou Rita com os olhos fechados. Percebendo-o confuso .. Aquele dia parecia longo demais. * * * Chegando à sua casa. mas.. Como você está. Rita! Se não fizer como estou sugerindo. mãe! Oi.. obedecendo exatamente ao que espíritos mórbidos exploravam em seu coração e a faziam usar.que não quer a polícia aqui? Chorando.disse Sérgio sem conseguir disfarçar certa surpresa . essa é a dona Marisa. dona Marisa permaneceu em pé com postura orgulhosa e pens amentos malignos. Tive alguns compromissos hoje e acabei me atrasand o. E aí. Oi. pois não sabia o que fazer.. Sérgio pe gou o telefone e foi para outro cômodo a fim de ligar para Débora. Tiago lembrou-o brincando: Acorda. parecendo assustada com a visita. Posso ficar aqui na sala? Claro! Fique à vontade. vou chamar uma viatura! Cabisbaixa obedeceu.

mas trocou olhar com o irmão e correu atrás de sua mãe a fim d levá-la embora. É uma suíte. Você.... É. ofendeu-os: É por causa dessas orgias que você vive socado aqu i?! Espere aí.pediu Sérgio que mesmo atrapalhado. . V enha . tentou dizer: Eu e a Débora somos os melhores amigos da Rita e ela passa por uma situação difícil e . Sonhou novamente? . Neste fiz um escritório e.gritou Sérgio. perguntou rude: O que significa isso?! Ele sentiu o rosto queimar.. A senhora não sabe o que está acontecendo! Nem quero saber! . mas deve chegar daqui a pouco.Ela foi parando de chorar e fico u mais atenta à medida que ele falava. agress . Sempre que tento me reconciliar com minha mãe. colocando-a novamente na sacola. abrindo a porta ao comentar: Este é o meu quarto. Sem trégua. aqui um dos quartos. preciso de você. sem que Sérgio pudesse replicar. mais do que qualquer pessoa acompanhou tudo o que ela armou para a Débora.respondeu agressiva. ele sentou-se ao lado de Rita.. Contudo disse a verdade: Isso é da Rita. Sérgio! . Queria colo. escuta-me .. a mulher foi para perto da cama de casal e pe gou com as pontas de dois dedos uma das peças de roupa íntima que estava no chão. Ao entrar para observar melhor. Lembra quando eu falei o quanto minha mãe era fria e injusta? Lembro. Mas o pior não foi isso. Rita. Vira ndo-se para Sérgio e exibindo repugnância ao mostrar-lhe.A mulher saiu do quarto reagindo gravemente.. pois estava na sala sentado ao la do de Rita. Ela gritou comigo. Estou longe de compreender o sentido de amizade quando vejo uma vadia sem-vergonha como você! Após as graves ofensas. Como assim?. Ti ago não entendeu a situação. comentou num tom amargo: É uma boa casa! Venha conhecer melhor . humilhando-a: E você! Não tente se apresen tar como amiga.pediu ao ser seguido . Rita! Sabe.. a mãe saiu porta afora.Pegando a peça de roupa da mão de sua mãe. aqui tem um banheiro. Mas hoje. Bem cedo eu estava mal.. mãe ... A amiga de vocês traz roupas íntimas e deixa em seu quarto! E você. vejo essa cama de casal e você é solteiro. entende? Daí. Sua namorada não está. Eu acabei destruindo o seu dia.exigiu com frieza. Já entendi por que quis sair de casa. pois qualquer explicação seria inútil. Arrancando forças do fundo da alma. . Por essa razão. É bem espaçosa. T ive uma noite difícil. Foi exigente. Atordoado e com os pensamentos desorganizados. mãe! . espere aí! Primeiro. dona Marisa gesticulou com desdém e pouco caso.. Aconteceu o seguinte: fiquei sabendo que ela e meu pai reclamavam a minha falta e o fato de não conhecerem esta casa. pois sei que o Tiago está enfrentando acusações e ofensas injus tas por sempre estar comigo. Pode parar.. a situação fica difícil.. mostrava-lhe tudo... Nada disso! Espere. Planejei para a Débora vir a fim de melhora r o clima entre todos. Rita caiu numa crise de choro e curvou-se sobre uma almofada..sua volta. com essa cara de assustado porque esqueceu que nós viríamos para cá hoje! Ainda be m que seu pai não veio! ... mas não pos so. Foi tão grave que resultou naquele acidente. Depois iremos lá. Eu gostaria de desaparecer agora. Sérgio estava incrédulo com o que acabava de acontecer... Então marqu ei com o Tiago para trazê-los aqui hoje. fui ao apartamento da Débora e nós brigamos. Mãe. dominado por um mal-estar que não o deix ava organizar as idéias nem os pensamentos com soluções.Contou com a voz que imprimia cansaço: Esto u passando por um período de dúvidas com algumas decisões definitivas em minha vida.. E olhando para Rita petrificada. avisando com voz bondosa: Preciso da sua ajuda.perguntou mais interessada em ajudá-lo. Tem uma lavanderia e um quintal. fez com que a amiga se erguesse e o encarasse. Sentia-se estranho.mostrou. a sua reconciliação com seus pais. repreendend o inclusive Tiago que não sabia o que acontecia. Aqui é a cozinha.. Por favor..

.. Sérgio? Você é minha amiga . disse algumas coisas para el a e fui embora. Sou homem. é independente.. enquant conversamos.afirmou bondoso... ambiciosa. Não se sinta humilhada pelas acusações da minha mãe e. Está calor e é bem saudável. Sentado à sua frente.. Como posso ajudá-lo. A Dé não é assim. afagando-a no rosto. forçando-se ao ânimo para convencê-la.. apre ido. mas me cont rolei e. Eu já esperava que minha mãe fosse procurar alg uma coisa para me criticar. Como foi difícil.. Não.Rita tentada pelo suicídio Ainda abatida e tomando somente pequenos goles de refrigerante. Pegou -a pelos ombros como se brincasse e a conduziu ligeiramente para a cozinha enqua nto falava: Ah!... já seria um bom começo . Vamos lá para a cozinha e. Se pudesse me ouvir. Sérgio. não passar apuros. Tive vontade de gritar. . Como eu falei.. gritar e reclamar. sem ação. Rita ofereceu leve sorriso e se ergueu. eu estou com remorso po r ter falado um monte de coisas para a Débora e. ela a charia outro motivo para brigar. Ela sempre foi ponderada. procurando c nversar: Foi isso o que te contei. pelo amor de Deus! Ele sorriu satisfeito por induzi-la com agilidade e.. Sérgio demonstrou-se alegre. .perguntou esmorecida....... quebrar alguma coisa.. Visivelmente con strangida e tentando esconder certo nervosismo. E. Diante do silêncio. Não!. Por favor... Quando sair do banho terá de me socorrer. Está sendo difícil e u controlar minha vida. preparamos um sanduíche natural. Pronto. mas. isso para não admitir que não cozinha nada. Pensando rápido e agindo de forma dissimulada. não precisou apre nder. Está calor e eu queria primeiro tomar um banho. mas... tem iniciativa. acho que é questão de tempo. enfrenta os desafios. mas nítida : Eu te ajudo sim. frustrada e.. Foi o que ela queria! Foi por minha causa . oferecendo-lhe algumas t arefas. Sérgio disfarçava suas preocupações. Rita. Procurei manter a calma. Não foi sua culpa. Isso é muito estranho. ajude-me a supera r essa angústia. Ela pode errar. Rita . Mas. Existem momentos em que a Débora fica atordoada.falou. Pelo fato de ela ver e acompanhar o que faço. des culpe-me por fazê-la passar por uma situação como essa. tudo be m se ela não sabe cozinhar. Creio que o fat o de ficar sem emprego a afetou. Nunca me importei em fazer determinados serviços domésticos nem de cozinhar. ofereceu meio sorris o e a chamou: Já é noite e não comemos nada até agora. Veja. estarei desmaiado! Prime iro vamos comer alguma coisa. como se não bastasse minha mãe fazer isso. Por favor..dis se. Rita deixou o sanduíche intacto.. ela me disse que não cozinhava direito.pediu. Se você não estivesse aqui.iva com as palavras. deveria aprender e prestar atenção para.. Mesmo assim. mas continua tentando até aprender. era raro. Conheço a Dé e sei o quanto ela é esforçada. Não quero que chore por causa do que aconteceu aqui. Puxa! Hoje tem uma outra vida! Mora sozinha. entonando na fala uma súplica e expressando no rosto uma exaustão triste.Levantando -se. Nunca vi a Débora reagir agressiva assim. Espere um pouco. Preciso que compreenda que a don a Marisa é orgulhosa. A não ser quand o os irmãos a perturbavam muito. deixar-me magoado e encontrou. mas não se esforça para aprender o básico... Estou me sentindo péssimo. Em que eu poderia ajudá-lo. em uma emergência.. estendeu-lhe a mão e sorriu ao convidá-la: Venha! Estou morrendo de fome! . ela falou em voz baixa. por isso não me atende.. Passei na sua casa e. olhando-a nos olhos. Jamais gritou. 16 . decidir-me. Nada foi por acaso. conseguiu distraí-la... às vezes. Dê um tempo para ela.. Entendo que veio de uma família rica. mas is so não me impede de me virar bem na cozinha. Sérgio? .falou sentida.. Acho que ela está magoada comigo. Esqueci completament e que o Tiago traria meus pais aqui. Tem tanta coisa acontecendo comigo.. Não é o que parece. Aceitando a mão amiga. é questão de necessidade e de ter ajuda.

argu mentou: Rita.. através do espelho. discussões acaloradas e brigas.. Fica procurando motivos para reclamações. A Dé gosta da irmã e acaba dando ouvi dos. como se pedisse a opinião da irmã. quando a Dé comentou o fato de vir morar com você. Bem. Era totalmente contra. com problemas. Quando eu estava no apartamento da Dé. mas. mas fiquei inquieta quando estava lá e... Sérgio. Mas isso não é errado.. Sérgio mergulhou em profundos e torturantes pensamentos. Não... Acreditamos que pode aco ntecer com todo o mundo.. Não esquenta! Você sabe como ela é! Os olhos negros de Rita brilharam. porém a Dé não percebeu. mas tem algo errado. a té agora a Débora não retornou minhas ligações. O Marcílio e a Ana brigaram e a mãe queria que o pai fosse se meter... mas mudou muito... Você viu alguma coisa? A Yara não fuma e nem faria isso no apartamento porque a Débora detesta cheiro de cigarro. Por exemplo. brincando e sorrindo aliviado com a presença do irmão. A Débora não é boba.. Principalmente quando e la começa a se comportar agressiva. Creio que a irmã começou a influenciá A Yara era uma pessoa bacana. Eu esqueci completamente que marcamos para você trazê-los hoje aqui. aproveitar a vida.. Mas de vez em quando... .perguntou preocupado. Tiago sentiu que algo mais sério acontecia. tirou-o das reflexões.. Não entendo por que. menos com alguém da nossa família. Precisamos desse tipo de atividade. a Yara reagia. de comportamento adequado e.. lavou as mãos. Isso pelo fato de já terem conversado antes sobre a história da Débora não saber cozinhar. Acho que a Yara faz uso de drogas.. Porém não conversaram o suficiente.. mas. Parec e que ela não gosta de nos ver progredir. não damos notícias. Não é como você pensa. Tiago foi até o banheiro.. A mãe o chamou de irresponsável.... Deixei vários recados na caixa postal. mas.. E lógico que não dev emos nos dedicar só a diversões e passeios..disse Sérgio. acredite.. Rita percebeu o amigo apreensivo e decidiu omitir que Yara sempre falava de B reno para Débora. E a Débora sabe disso?! . A idéia de diversão da Yara é outra. Você sabe. eufórica e queria que eu e a Dé fôssemos com ela a uma casa noturna. eu acho. Havia um pó esbranquiça do em seu nariz.. sentou-se à extremidade da mesa e foi se s ervindo.. covarde. Não sei reconhecer. O pai não foi e então. exigente e nervosa. acho que a vi cheirando alguma coisa.quis saber Tiago.. Como assim. Parece que isso a deixa feliz. Nem sabia por que ela estava ali. Oba! Tem lanche pra mim?! Não senhor! . Mas teve uma tarde que notei a Yara no banheiro com a porta meio abert a e. mas. Tentei falar com ela a tarde toda. mas pode se dar mal por causa da irmã. Acho que vou fazer como o Sérgio. Deixei vários recados. Discreto. analisando os fatos. Rita... Ele ficou chateado e não veio. Cadê a Débora? . Sabe. Ela não tem preocu o futuro nem responsabilidade e está tentando influenciar a Dé para esse tipo de com portamento. Por que o pai não veio? .. transmitindo certa amargura. Não tolero. estou envergonhado com a nossa mãe. Não sei.. Algumas vezes. a Ya ra começou a ir lá com muita freqüência. Ele havia trocado algumas palavras com a jovem enquanto o irmão mostrava a casa para sua mãe. Dizia que você queria uma emp regada..indagou o irmão. não gosta de paz. De repente ela ficou alegre. Eu não queria dizer isso a você. divertir-se.. Essa influência é da Yara. Eu não sei o que é. pa ra te falar a verdade. Ainda bem que nós já havíamos comentado o q uanto ela é indelicada e agressiva quando quer. O que a Yara falava que a deixou intrigada? Sair. enquanto Sérgio perguntava: E a mãe? Ah. que é um lugar legal. Parec e que a Yara perde a noção de responsabilidade.Estou sendo paciente ao máximo.. E ntretanto a inesperada chegada de Tiago.. vou sair daquela casa. Só fica satisfeita e chorando preocupa da quando nós estamos doentes. na se . Rita? Não posso afirmar.. Virando-se para a amiga. pois é necessário assumirmos responsabilidad es. levando recados de que ele queria vê-la. A Débora é ingênua para essas coisas e sabe.

. lançou-lhe um olhar autoritário e praticamente ordenou. aqui e agora. Acreditando que não seria notada. ou farei o que deveria ter feito. vagarosamente. andando de um lado para o outro. para eu saber que decisão tomar. Nós discutimos hoje cedo e acho que ela está magoada comigo.indagou Sérgio. Rita! Somos amigos e não vou correr o risco!. o amigo pediu em tom brando: Desculpe-me por agir assim com você.exclamou Sérgio também apreensivo.. O rapaz se levantou.. vou entrar lá. Puxando uma cadeira para p erto do sofá onde Rita sentava. por favor. terá de agir conforme vo dizer. encarando-a firme: Apesar de saber e compreender m uito bem essa postura de pensamentos.Vendo-a obedecer. .. Sérgio p ediu: É melhor se sentar. Sérgio finalizou de forma mansa: Eu sei que a Rita está passando por um momento desesperador. .Breve pausa e tornou: Eu gostaria muito que a Déb ora estivesse aqui. Preciso ir ao banheiro. forçou-se a comer um pedaço do sanduíche. Os irmãos se entreolharam e Tiago entendeu que não era um bom momento para qualqu er pergunta ou comentário.. observando-os. Fragilizada. Após o ocorrido de hoje. Sérgio! O que é isso?! .cretária. de ixou-o perturbado. Fica na sua! Depois conversamos! .. Aonde você vai? . Mesmo na cozinha.Virando-se pa ra a amiga. contrariado e incrédulo.. S . a jovem desatou a chorar. Depois de todos os detalhe s. assustado com o que ouvia. Tiago. Tiago! . mas somos amigos e o Tiago não é um estranho..murmurou Tiago. Você vai usar o banheiro do corredor e a porta deverá ficar aberta dez centíme tros. Mas o irmão não lhe r espondeu de imediato. Perdoe-me Rita. Você não sabe o que aconteceu.murmurou ela entre o choro. Sérgio perguntou: Tudo bem? . Deve ser isso . O tempo está passando e precisamos ter uma boa conversa.Voltando -se para a jovem. Ei. Estava perplexo. vou arrombá-la e sabe que sou capaz disso! Ent endeu? Mas. A situação é delicada. pedindo baixinh o: Com licença. Não é fácil mudar esse estado mental como um passe de mágica. Não tem mas . tornou firme: Sou seu amigo. É sim. Rita levantou-se. apes ar da fala mansa: Eu gostaria que a Débora estivesse aqui... Tiago sentiu-se mal. .. O que você está fazendo?! Por que isso?! Ao vê-la sair do banheiro com uma toalha nas mãos. eu não acredito que tenha feito àquilo sozinha . Nem se f or só uma parte do lanche. Sérgio explicou a Tiago exatamente tudo o que aconteceu na casa de Rita. ele pediu com bondade: É melhor comer. franzindo a testa em sinal de desaprovação. Ficou louco?! .. um exam e de corpo de delito comprovariam minhas suspeitas. Estou com medo e preocupado de que tente de novo... fui eu quem a tirou de sua casa. eu. Tiago os seguiu e perguntou nervoso com a situação: O que está acontecendo aqui?! Dê um tempo. ver melhoria na vida. . pediu com gentileza: Olhe para mim. A moça abaixou a cabeça e. enxergar o fim de uma dor insuportável pela perda de pessoas queridas. Sérgio..Virando-se para a amiga. por isso começaram a falar sobre assuntos corriqueiros. suavemente. Isso é necessário? .. Pode acreditar! Se fechar a porta. Nada de banho. certo?! Ficarei aq ui! Pode ir! Com lágrimas correndo no rosto. por isso sou responsável por não tomar qualquer providênc ia ainda! Ou você me obedece. a jovem a baixou a cabeça e foi para o banheiro. Rita! Tenho inúmeras razões para crer nisso e uma perícia técnica em sua casa. Sérgio ficou alerta todo o tempo.Vendo o irmão inquieto e exaltado. ele foi até ela.Percebendo que a amiga foi para a sala chorando e usava a toalha para secar o rosto. Tiago. E o fato de ela confessar que tentou suicídio. Preciso que me conte tudo. Rita. e mbora brando.protestou o irmão. petrificado. Inconformado. falou sem trégua. . considerando o imp acto sofrido. minha amiga. Entendo que esse estado de depressão extrema não a deixa ter esperança. Rita. que escondia entre os longos cabelos. Mas já que não está. Se demorar muito e não responder ao meu chamado.

. Apesar de policial em atividade. abraçou-a num gesto amigo. Somente um choro forte e compulsivo sufocado na toalha que ela apertava contra o rosto. pegou a fita... em vez de se fazer um rabo de cavalo e torcê-los para cima ou prender com a presilha? Por que o tapete da sala estava r emexido? Por que tem essas marcas no pescoço e nos braços? Por que o hematoma no ros to? Como você explica ter amarrado as mãos nas costas com a fita e tê-la cortado com a faca. O choro a interrompeu e a fez esconder o rosto na toalha. Aquele foi o momento.perguntou Sérgio... Não tenho ninguém. . Tratava-se de uma amiga pela qual tinha respeito. Pensei em me matar e. Planejo u se matar daquele jeito? Mas. a inquietude e a apreensão o dominava. Não. O que aconteceu? Não tenho razão para viver. Por que ligou o rádio? . Depois.a jovem implorou com um grito de lamento. Meu pa . teve a idéia de se asfix iar e voltando até a cozinha pegou o saco plástico e a faca..Alguns minutos e a jovem relatou: Meu pai e o irmão dele abr iram uma sociedade há muito tempo. decidiu se matar... ela se recompôs e falou ao erguer o co rpo novamente: Eu queria sumir. Rita? Por que foi até a sala? Não sei!. Ligou o rádio bem alto. dando-se ao trabalho de colocar a faca sobre a mesa? Como teve essa agili dade de contorcionista? Não! Chega! .. relaxando o corpo e fechando os olh os.. acostumado com as situações mais difíceis e infe lizes. rapidamente.. Não houve resposta. mas não guardou.. não vai se importar em ter alimentos em casa.. Teve a intenção de fazerlhe um afago. Por que não tentou se sui cidar na cozinha. Eu pensei que poderia ter novamente uma família. Sérgio! Tanto faz morrer ou não!. Sérgio falou em tom piedoso: Não posso ser cúmplice e responsável por algo tão evidente.implorou a moça. prendendo-o com uma fita adesiva larga daquelas que se cola ou prende caixas de papelão? Depois cortou a fita que e nrolou no pescoço com uma faca que encontrei sobre a mesa.. ainda é tempo de eu tomar uma providência a r espeito. ovos e outras coisas para sua provisão? Quem planej a se matar. Por que eles estavam soltos e como se estivessem empurrados para dentro do saco. Pre ciso de um tempo. Então pegou a mesma fita e enrolou os pulsos com os braços nas costas para não tentar rasgar o saco plástico no desespero da asfixia? . eu tenho de tomar uma providência. Mesmo sendo seu ami go. Tentando ajudá-la. Encostando a cabeça no sofá. mesmo gostando muito de você. Rita. Perdi meus pais em um acidente e stúpido. mas ainda restava o meu irmão! .e não me convencer. perguntou tranqüilo: E então. mas. por que optou em tentar? .. Tiago acomodou-se melhor para ouvi-la. Não conseguiram me avisar por eu estar no apartamento da Dé e. Pouco depois. Sérgio permaneceu firme e calmo. consideração e afetividade. Ao lado dela. Era uma rede de laticínios. Ficamos noivos duas semanas atrás. Não era uma estranha. por que fo i ao mercado e comprou frutas. estou certo? . Afastando-se do abraço de Tiago... o rapaz permaneceu imóvel e socorreu-se em uma prece... inclinando-se sobre os próprios joelhos. Saberia esperar.. Se tanto faz morrer ou não. Enquanto Sérgio permanecia atento ao encará-la. e Sérgio continuou: Eu olhei tudo. Sem diz er nada. Se queria morrer. Mesmo sen tado... Tudo ia bem. Então decidiu se asfixiar com um saco plástico. O Gust avo me deu muita força e. concatenando as idéias do irmão... e ele não sabia o que dizer. Só quero entender. morrer. ... e conforme os fatos. Mais tranqüilo.Ela não res pondia. Não tenho mais nada. captou um brilho estranho nos olh os de Rita que se esforçava para dizer algo.. Não tenho nada a perder.. Você chegou. mas Sérgio sinalizou. mas ele não deu trégua e fazia perguntas após p erguntas: Seus cabelos são bem compridos e quando você os prende é com uma presilha ou o que vocês mulheres chamam de bico de pato . O rosto belo e agradável de Tiago parecia terrivelmente transtornado. impedindo-o e o irmão obedeceu. falando pausadamente. O silêncio e a demor a pareciam eternos. Ontem telefonei e soube que minha tia morreu. Tiago se sobressaltou.chorou.perguntou firme. só observando.. desembrulhou as compras. Rita... Tiago não suportou. sem oferecer crédit o. Sentia-se esfriar como se fosse desma iar.. permanecendo em rigoroso silêncio. aquele era um conjunto de circunstâncias e condições bem diferentes por se envo lver emocionalmente.. ela pediu: Espere. de repen te. O Rogério dependia de mim!..Ela chorava.

frio! Suas palavras pareciam me dominar. Meu irmão não suportava nosso tio.. Então. Com o a justiça é lenta. Com o que. porque não parava de falar. mas ajudav a. .. Nós brigamos. Uma vontade imensa de morrer. Pouco depois.. Parece que me u pai. ..contava com a voz entrecortada pela dor. Depois que amarrou minhas mãos nas costas.. insensível e de sumano com as palavras.. tornando-se sócio majoritár io. Essa era a opinião do Rogério. Ele me bateu. Principalmente?. E a sua? Acho que aquele crápula nojento só queria nos provocar! Rita. teríamos de esperar anos até um novo julgamento. . A amiga chorou.... Convenci o Rogério p ara nos mudarmos para uma que era menor. o Rogério cismava. a dor da solidão e as lembranças acabaram comigo..indagou Sérgio... Não sei como encontrei aquela fita e dei para ele.. Seu irmão não gostava de ver o tio de vocês olhando-a como se a desejasse sexualmen te? . Decidiu vendê-las e injetar dinheiro nos negócios.. N as vezes que nos encontrávamos. Estranhos.... Gan hamos à causa. Não sei direito... se eu quisesse. afagando-a ao imagi nar seu desespero. Principalmente. Falava de um jeito dominador. Não parava de dizer coisas que me deixavam desesperada ! Eu gritei! Briguei!.tornou ele.. Mas?..i confiava demais no meu tio e.. Ele foi cruel. que não entendia nada. continuou: Não foi fáci l eu me inteirar dos assuntos de negócios. como se quisesse recuperar as forças...tornou Sérgio em voz baixa. convencido por minha mãe. Foi severo e me atormentou quando disse que não adiantaria eu ganhar a ação.. aquela angústia.. Mas minha mãe começou a desconfiar do meu tio.. Rita fazia uma pausa vez ou outra. murmurou. recostou-se no ombro de Tiago e contou: Não vou negar que quero morrer! Minha vida não tem mais razão.Ela chorou e Tiago recostou a testa em sua cabeça..... O advogado moveu uma ação contra meu tio e foi fácil provar as suas falcatruas. cheguei do merca do e me surpreendi com meu tio entrando na cozinha. Disse que não tinha dinheiro.tornou o amigo. sendo comidos pelos vermes. Rita? .perguntou sério e bem direto para ajudá-la..Apesar do choro.. Eu o emp urrei com o ombro e ia correr quando ele me segurou. Mas.. O dinheiro das cas as vendidas sumiu.Alguns segundos e continuou: Ele propôs me ajudar.. Con tratei um advogado com o dinheiro que meu pai deixou em depósito numa aplicação para e u fazer a faculdade... mas meu tio teve direito de apelar para instâncias superiores. começou a beijar meu pescoço. hoje. e prosseguia: O Rogério se revoltava às vezes.. Restavam ainda os aluguéis de três casas que não foram vendidas. . Quando voltei para casa.. .Chorou. Era uma fo rça. sempre secando as lágrimas que rolavam. Minha sorte foi ter um emprego. po is era maior e receberíamos mais... Logo respirava fundo.. aquela que moro.... Sua respiração ficou alterada e seu coração acelerado. Meus pais morreram no acidente.. o que esse passado tem a ver com o que aconteceu hoje? . a jovem revelo u: Era muita dor! Fiquei fora de mim e.. Aconteceu algo muito estranho com meus sentimentos.. ele não devolveu o que nos pertencia por direito. prosseguiu demonstrando repulsa: Mandei que fosse embora. Alugamos a outra. Eu enlouquecia a cada minuto! Então ped i que me matasse de uma vez! ... .. M as. me jogou contra a parede.. Aqueles de quem gostei estavam embaixo da terra.... queria comprar a parte do meu tio na sociedade e se livrar dele. Não ganhava muito. Meu pai tinha mais de cinco casas muito boas e devidamente alugadas. pois meu pai o depositou na conta da empresa de laticínios. Ele ligou o rádio bem alto. mas. . Me beijou a força. F iquei atordoada. Insinuando-se com olhares e mo dos... Assim......... Procurando esconder o rosto no peito do amigo. Isso foi me dominando conforme ele falava e f alava!. receber o dinheiro e saber que eu não tinha mais ninguém para me amar . O quê? . O contador cuidava dessa separação. Ele dizia que nosso tio me olhava com audácia. . Não me recordo bem. .. com minha vida.questionou Sérgio. Não agüentei tanta coisa!. mas os negócios foram caindo e os prejuízos apareceram.murmurou desalentada e sem chorar.... É. Eu não . E depois?. Eu queria acabar com aquele vazio.perguntou Sérgio.

.pediu Sérgio em tom brando. Sentando-se direito .. Ela vai melhorar. Com fala mansa e cuidado sa. Se formos omissos. e o amigo ajudou-a a se sentar.. Rita não percebeu a força que usava para abraçar Tiago. que a dominou. no rosto. queria u sar somente a razão e não a emoção. Seu belo rosto estav a desfigurado como se perdesse os nobres traços de antes.. vendo-a abrir os olhos. a jovem ganhou cor na face e nos lábios. Ela tentava se livr ar dele. Não! Você apresenta marcas de agressão nos braços. encarou o irmão parecendo indignado e irritado ao perguntar sem que a jovem ouvisse: Ela está em choque! E agora? Era isso o que queria? Fique calmo você também ... seus movimentos e atividades psíquicas. perguntou: Depois de bater com a cabeça no chão. Caí e fiquei tonta porque minha cabeça pareceu arrebentar no chão. Ele só me olhava e ria.. mesmo sent indo o coração disparar.. Tentei agredi-lo e correr. A in diferença ou inércia. Rita. remoia seus pensa-men tos. Não! Sérgio! Pare com isso! . Não lembro. Eu estava sem ar. Rita não sabia o que fazer. Na breve pausa. Sérgio pensou que ela fosse desmaiar.. enojando-se com a sordidez de criaturas mentalmente enfermas. mas. Rita entregou-se ao esmoreciment o. nós iremos à delegacia agora. largou o corpo e fechou os olhos. como se quisesse se refugia r dentro dele. Mais nada.. sei lá. Tiago chegou trazendo um copo com água adoçada e. seu tio abusou sexualmente de você?! . abandonando-se sem reação... Chega! Por favor.. Tiago! .intimou Tiago... mas na verdade ele tentou matá-la! Quando cheguei e a ressuscite i. Após longos minutos. Sérgio foi rápido e a segurou pelos braços. pelo fato de você não saber o que aconteceu .chorou. Indiano.. espiritualmen te atormentadas e obscenas. Você me chamou. agarrando-se a Tiago. Características típicas de esferas bem inferiores. ele a mantinha em seus braços. será cov ardia e cumplicidade! Isso não vai ficar assim e eu vou tomar as providências! Ele foi interrompido por um grito desesperador de Rita que se levantou com a intenção de sair correndo. concentrou-se para não se envolver sentimentalmente. Isso pôde aco ntecer. parecendo exausto.. Tiago levantou-se e interferiu.. mas se podia perce bê-lo contraído e sisudo enquanto mantinha os olhos cerrados. Tiago acomodou-se a seu lado sem dizer nada e Sérgio p areceu impiedoso ao continuar: Vejo que está melhor..murmurou após minutos.. . suspirou fundo e. esse caso é grave! Seu tio se aproveitou de s ua dor.falou nervoso. Rita.perguntou sem piedade. de seus sentimentos de angústia. Para que se sinta menos constrangida. que é bem compri da e. não a suportando ver em desespero. tentando lh e oferecer algum conforto. Estamos diante de um crime. Parecia entorpecida... falando bem firme .. Apesar de completamente calado. Sérgio esfregou o rosto com as mãos. neste caso. Desligando a música. Rita bebeu alguns goles e em seguida recostou a ca beça no sofá. iremos à delegac . mesmo quando desmaiou. Depois.. Por um instante. sentindose espiritualmente escravizada por uma sombra desconhecida. e segurando-a. pode ter alguma resposta através do seu corpo ou nas suas roupas. Levantando-se.. mas não conseguia. e u acho. Sérgio!. pediu p ara pegar o copo e beber a água.... mas ele me bateu forte no rosto. usou sua fragilidade momentânea e a induziu à prática do suicídio. você estava vestida com essa mesma saia modelo. sufocava e perd ia as forças sem conseguir me soltar. Saiu pela porta da cozinha e trancou por fora.. o que aconteceu? Não sei. Ele p ermanecia com um lado de seu rosto encostado na cabeça de Rita. exibem que chegou a um estresse extremo e seu corp o reagiu reduzindo incrivelmente sua sensibilidade. Essa falta de ação mostra que ela não tem uma consciência exata do que se passa ao seu redor. Rita . Ach o que só acordei no quarto.tornou. lembro de você entrando. Com entonação normal na voz. E le espiou e acho que o viu e. Mesmo tendo desmaiado e não se recordando. . chamou-a para que reagisse. tentou envolvê-la para acalmá-la. tirando-a das mãos do ir mão. . É o seguinte.conseguia soltar minhas mãos. Quase imóvel e silencioso. Suas mãos pequenas e geladas tremiam e ele a ajudou levar o copo aos lábios pálidos.

Foi aí que reagiu?! . . Confio em você. Não! O que ele fez foi tentativa de homicídio! Isso é crime! Entendeu?! . Sérgio não conseguiu manter a firmeza que apresentava. feche a por ta do quarto e do banheiro.reclamou Sérgio.ia da mulher e. Não quero falar mais nada..ela falou com a voz sufocada. ... protestou em tom moderado: Não acredito no que você fez..confessou. Sérgio! . Não importa. Qualquer coisa.interrompeu-o de imediato. Tiago aconsel hou: Então vá para o quarto do Sérgio.implorou.. Há.Imediatamente.. minha querida... Não tenho ninguém.. afastando-a do abraço.. Não! ... Mas não pensou que ele fosse beijá-la. Sérgio andou de um lado para outro da sala. Além disso. lágrimas rolaram em sua face enquanto acenou positivamente com a cabeça..disse Sérgio em tom piedoso. Virando-se para ela. Estou com nojo de mim. Nem por exames!... não! . mas não tranque. Deixe-a fazer como quer! Você não entende que. Mas ele me bateu. Foi.Sérgio se de teve por um sentimento de indignação e ódio.. Depois contou com um brilho lacrimoso no olhar: Logo vi que seria impossível ela se amarrar daquele jeito e sozinha! Peguei . Pressionou-a tanto! Inquiriu de modo rígido.vociferou Tiago. Ela passou por muita pressão.. pegue suas roupas e fique à vontade. Quer tomar um b anho.interrompeu Tiago firme. chega! .. sim! Vão pensar ou o advogado dele vai falar: se ela queria morrer qual o pro blema de ele a usar? Rita.... exames e tudo mais é vio lentar a vontade dela! É constrangimento ilegal! Já não basta a Rita querer morrer?! O que acha que ela está pensando?! Mas esse infeliz precisava ser preso em flagrante! .. mas vejo que não está muito bem e pode se sentir mal.. Sérgio. desmaiar. Não há do que se envergonhar. Não..insistiu Sérgio.. Contrariado e nervoso. impiedoso. continuam livres! Estou assustado com você... chorando em desespero...... depois murmurou: Não tenho nada. . Rita aceitou o ombro amigo. ajudou-a a levantar e perguntou com brandura e delicadeza: Você está cansada. Por favor. Se você visse como eu a encontrei!. O que é mais importante para você: prender o vagabundo em flagrante ou o bem-esta r psicológico da nossa amiga? .tornou ele em tom bondoso. Não quero falar disso! Não quero lembrar isso.... vendo-a chorar. Ao ficar soz inho com o irmão. Você não pode obrigá-la a denunciar um cr de estupro.. Se é meu amigo como diz. Chega. E deixá-lo sem uma punição? .o irmão se impôs com olhar furioso.. chorando por longos mi nutos um pranto doloroso e triste. pára! . Só vou pedir ma coisa . Tiago! O que aquele desgraçado fez foi um crime! Sérgio. mas não vou passar pela humilhação de contar essa história novamente. não vai me forçara nada. Rita. passar por interrogatório. chama. Precisamos tomar um a providência.murmurou indo para a suíte. queria morrer. Você foi vítima. Fiquei tonta. Sérgio. Com suave sorriso.. Acho que o vi.tornou Sérgio nervoso com a situação. pode tê-la violentado! Não! Estou falando como seu amigo! Eu a considero como uma irmã! Você não sabe dizer o q ue aconteceu! Ou não quer admitir?! Não. O que te deu? Fiquei revoltado com o cara.. trocar de roupa e relaxar um pouco? .tornou ela chorando.. Ajoelhou-se ao seu lado e a abraçou com carinho fraterno. Sérgio! .. Pare e pense. Eu queria morrer e ele ia me ajudar!. . abraçada aos próprios joelhos. .O irmão ficou pensativo e Tiago comentou: Você foi mui to duro com ela.. . A vítima precisa dar queixa por vontade própria! Não é um crime de ação públic As vítimas têm vergonha e é por isso que. Está sozinha no mundo! Forçá-la a prestar queixa.decidiu firme ao encará-lo. Não vou! Não quero ir! Eu queria me matar. desgraçados como ele.. acariciá-la.expressou-se com doce compreensão no olhar e no tom de voz . ta? Ta... .

respondeu. Agora durma. Ainda na sala. imaginando o motivo de ela não telefonar ou ir até lá depois de tantos recados que ele deixou na caixa postal do celular e na se cretária eletrônica do apartamento. Vendo Rita à porta a conversa foi interrompida. Sempre te admirei por ser uma pessoa firme.. por ser alguém que considero. magoar e maltratar mais ainda a minha amiga. gentil e algo arrependido.. comentando baixinho: Acreditei que nada iria mais me derrubar nesta vida.. Quero matar aquele desgraçado! Eu também quero . Algo típico de violência e luta. Quer que ligue o ventilador? Não. Não vou deixar. mas não é por isso que vou agredir.murmurou triste. Não tem motivos para pedir desculpas. Tirando a camiseta úmida de suor. Eu sei. enquanto Sérgio tomou um banho e deitou-se no sofá. Rita.. Não deixe o Sérgio fazer qualquer denúncia . Que bom! Sabe. despertou-a de um sonho ruim. Rita... Tudo é recente e você vai s uperar. Sentou-se e deu-lhe um abraço apertado e demorado. fazendo com que a amiga se deitasse.. ofereceu brando sorriso antes de apagar a luz e saiu do quarto.disse Tiago com tranqüilidade. Puxa! Nunca pensei que fosse tão difícil. mas logo perguntou: Não posso levar a Rita embora e deixá-la sozinha. Beijando-lhe a testa. .Débora flagra Sérgio dormindo com Rita Por horas Sérgio ficou completamente insone e ligou várias vezes para a namorada..disse Sérgio em tom brando. por isso não vai ficar soz inha. murmurando. Ela se emocionou. Mas fiquei. Estou preocupado com ela e sem sono.. Boa noite! Boa noite .. e la falou baixinho: Quero pedir desculpas a vocês dois..-a no colo e a levei para o quarto para acomodá-la na cama e.. É só me chamar. Parecia que tudo o irrita va. A jovem quase gritou ao respirar fundo acordando rápido e sentando-se bem ligei ra.. Tiago a cobriu com leve lençol e perguntou: Está calor. Você dorme por aqui? Claro.. muitas vezes nós nos vemos em um túnel escuro e sem recurso. Segundos depois. Desculpe-me por ter sido tão cruel com você. Sua vida não será como antes. por isso decidiu abrir a janela da sala para que a br isa da noite refrescasse o ambiente. Tiago prontificou-se em arrumar a cama no quarto de Sérgio.. Qualquer coisa. Rita ... Ficou refletindo sobre seu irmão reclamar da sua agressividade com a amiga e preocupou-se com isso.. Está mais calma? Acho que consigo pensar melhor. Não quer que eu fique no sofá? . Aman hã conversamos. escutou um choro. Está tudo bem? .. Sérgio falou generoso: Calma. Talvez a Débora me ligue e. Sem problemas! Então ela dorme no meu quarto e eu fico aqui no sofá. teve certeza de que era Rita em seu quarto e correu até lá. Apesar de longa. Não conseguia parar de pensar em Débora. os irmãos conversaram um pouco até Tiago sentir-se dominado pelo s ono e ir para o outro quarto. obrigada. O calor estava forte. Não admito violência contra uma mul er e. Quero que sa iba de uma coisa: você tem amigos que a querem muito bem. Em vez de nos desesperarmos e desistirmos devemos cavar uma saída. Sérgio. Acendendo a luz. Acomodando-se.. a saia que usava subiu e não pude deixar de notar marcas fortes na região interna das pernas. Ao seu lado. pois foi um golpe duro. Quero matar o desgraçado. Aguçando os ouvidos. Não. o rapaz a jogou no sofá e foi até a cozinha beber água. estarei aqui na sala. 17 . Não.tornou Tiago. Eu não o reconheci! Toma c uidado! O outro ficou pensativo por alguns minutos. mas nós estaremos com você. Você ficou violento com as palavras.. No entanto.

pediu com bondade. mas reagiu furiosa e deu-lhe forte tapa no rosto. Olhand o-a. não é nada disso que está pensando! . vagarosamente. enquanto colocava as sandálias. deitado na cama abraçando-a!. Rita entrou em pânico. sobre as dificuldades enfrentadas desde quando perdeu os pais. Tive um pesadelo horrível! Espere. Está tudo bem..suplicou humilhantemente. Coitado! Deve ter se cansado de me esperar . Rita ainda exibia medo. Tire suas mãos de mim! . O verdadeiro propósito era desequilibrá-lo e a primeira coisa a fazer era deixar o rapaz sem estrutura emocional. secando as lágrimas no lençol. Não me deixe sozinha! Não apague a luz! Tudo bem. mas ao tocá-la. A amiga teve outra crise de choro e se abraçou a ele. ele. Depo is de vê-lo pôr a mão na face.gritou chorando.. e sussurrou em desespero: Débora! Não julgue! Pelo amor de Deus! Você não sabe o que aconteceu! Vamos. Correndo atrás dela. Sem se conter. Além de vingar-se dele por não ter sido comparsa das maldades praticadas por alguns daq uele grupo no passado. ela olhou para os lados como se não recordasse de tudo. Eu fico aqui. Sérgio acordou e reconheceu a namorada perplexa fitando-o de for ma incrédula. me ouça! Débora estava em pranto. Imediatamente. Débora sorriu ao ver a janela aberta e a suave luz que vinha do quarto do namora do. Você está segura aqui. Alguns segun dos e a jovem abraçou-o com força chorando muito. enquanto ele inclinava a cabeça sobre a moça ao envolvê-la com o braço. Entrando na sala . Sérgio tentou explicar: Débora. Não foi fácil o amigo conseguir acalmá-la. reclamar e desabafar como se precisasse contar sobre sua vida. Sérgio a segurou firme pelo braço. mas sem machucála e pediu em tom de desespero: Por favor. lentamente. Tirando o braço da amiga que o envolvia. Ela tirou as sandálias deixando-as na sala para não fazer ruídos e foi para a suíte. .exigiu. ela c omeçou falar. rapidamente afastou-se dela. Ah! Não?! . Encoste-se aqui .. que estava paralisada à porta em verdadeiro choque pelo as sombro. ele se aproximou da namorada. impressionantemente voltados para o mal. Débora respirou fundo. Parando à porta. moveu-se para acender um abajur na cômoda ao lado e apa gou a luz forte do quarto no interruptor perto da cabeceira da cama. ela o encarou com forte .. O objetivo era atrapalhar o máximo possível à vida de Sérgio a fim de que ele não cumprisse sua proposta reencarnatória. Vou fazer uma surpresa! . A postura estava incômoda para sua coluna e Sérgio se ajeitou. sobrepondo o braço n os ombros da amiga que recostou o rosto em seu peito. mas decidiu demorar um pouco temendo que ela acordasse. Horas haviam passado quando. a porta da sala foi aberta com delic ado cuidado para não fazer barulho e fechada com a mesma cautela. No entanto energias pesadas arrebataram o rapaz num sono irre sistível e ele adormeceu ali mesmo. cuidadoso. Na espiritualidade Sebastião e sua equipe de companheiros.. colocando ambas as mãos para tampar a própria boca a fim de segurar um grito e o choro. Eu confiava em vocês dois como nunca confiei em alguém! Ao vê-la abrir a porta para sair. mas acabou adormecendo sobre o ombro do amigo. e u.. Sent ou-se ao seu lado e percebeu que Rita não queria se recostar.dizia Sérgio com generosidade. O que quer que eu pense?! Ela é minha amiga. Sérgio pensou em ajeitá-la e se levantar...disse chorando. O rapaz ajeitou os travesseiros para que ela se sentisse mais confortável. Algum tempo depois. incrivelmente amedrontada. Sabia entender o valor e a importância daquele desabafo. pensava. Vem.tent ou terminar a frase. Olhe para você! Sem ca misa. dando-lhe as costas e indo para a sala. ao virar para olhá-la novamente. foi interrompido. Fique tranqüila. Débora ficou petrificada ao ver Rita deitada naquela cama e sobr e o ombro de Sérgio.A princípio. Vou pegar alguns travesseiros aqui no armário para que fique quase sent ada . atuavam com incrível fervor. Levantando-se às pressas. Olhando para o lado viu Rita dormindo. Estou com medo! Não quero dormir! . Aos poucos Rita se acalmou e com a intenção de vê-la ador mecer. Abraçava-o pela cintura.

algozes do passado e outros que não queriam ver realizadas as tarefas às quais ele se propôs e ajudariam a muitos . Sérgio permanecia paralisado fazendo uma retrospectiva do pass ado em que a ex-namorada Sueli o encontrou em situação quase semelhante. excessivamente abalada. Ela não acreditaria e m sua palavra ou em qualquer explicação. Atraído pela conversação. Repentinamente um assomo de idéias e de lembranças terríveis invadiu seus pensament os. Mas o auge do sucesso das más influências e inspirações desses espíritos tão inferioriza os foi o envolvimento de Débora. principalmente pelo seu amor por Débora. percebendo o irmão desolado e incrédulo aproximou-se e indagou ligeiro: O que aconteceu?! O outro. induzindo-a a decisão de ir até a casa de Sérgio e ver o namorado deitado ao lado de sua melhor amiga. Sérgio ficou atordoado. pegou suas roupas e saiu do recinto sem atender aos chamados de Tiago que confortava Rita. .mágoa intimando-o ao exigir entre os dentes cerrados: Tire suas mãos imundas de mim e nunca mais me procure! . atraindo Sérgio. Aproximando-se.. medo e estado atônito. Tanto ódio. Com a ajuda do espírito Sebastião. foi até o quarto. No quarto. Sérgio não disse nada e saiu. ela saiu e foi embora sem olhar para trás. momento em que esses companheiros espirituais envolver am dona Marisa para reagir abruptamente no quarto do filho e ofender a jovem Rit a já bem abalada com suas particularidades. Perceben do Sérgio confuso e inquieto com os últimos acontecimentos. o espírito Lúcia se comprazia imensamente com os últimos a contecimentos.gritou Tiago correndo atrás da amiga. esvaído de força e ânimo. eram indiscutíveis. só vir am rapidamente Rita se virar e correr. Assim não foi difícil o espírito Sebastião atormentar a moça. afinal. Não sabia o que fazer. murmurou perplexo: Tentei explicar. mas com sua própria irmã. ele só viu aquela cena e não sabia o que estava acontecendo. Por que o destino lhe estava sendo tão cru el? Ele amava Débora com toda a força de sua alma. ela o abraçou forte e chorou muito. ela fez com que Sérgio se distraísse a o colocar as sacolas com as roupas de Rita sobre a cama sem os cuidados necessário s para que não virasse. Sérgio não percebia ou admitia que os estranhos acontecimentos eram facilitados e os sentimentos de angústia impostos por espíritos maus.murmurou Sérgio sem acreditar no que acontecia. fazendo-o tomar uma postura incomum à sua personalidade ao produzir extremo sofrimento moral à amig a. Por se encontrar em uma situação em que o passado parecia bater-lhe à porta. Tiago chegou à sala no momento em que Débora estapeou o namor ado... Lentamente foi se acalmando e. fazendo os pensamentos do rapaz se ocuparem com outras coi sas a fim de ele não olhar para trás após o barulho sutil da sacola tombando. que a namorada presenciou. Os irmãos estavam sentados no sofá e um vulto chamou-lhes a atenção. parecendo em choque. Tomado de súbita revolta. Depois os mesmos espíritos inspiraram Sérg io a revoltar-se com os fatos e as condições que ocorreram com Rita. diante das circunstâncias. Rita! Rita! . que deixou seu coração piedoso envolver a a miga tão carente e. Tiago tentou segurála e ao envolvê-la com cuidado foi vítima de vários murros e tapas que Rita desfechava em seu peito. Sérgio i ria se desequilibrar. contou tudo pausadamente. Em seguida. obrigando-a contar à verdade que nem lembrava pelo choque.. não foi difícil inspirá-lo a m ostrar a casa para sua mãe. Parecia sentir tanto nojo de mim. Trocando-se rápido.dizendo isso. mesmo com o coração opresso que palpit ava amargosa dor. mas ela não quis me ouvir. Enquanto tudo acontecia. vagarosamente. dominá-los pelo sono e p elo efeito de energias pesadas. mas ficou à distância sem ser visto para não se envolver. Meu Deus.. quando esta dormia. D epois. pois as condições e o conjunto de acontecimento s. a jovem teve uma forte crise de nervos e. Sentado na sala. gritou e chorou agindo de forma quase insana. * * * .. Naquele dia tudo se repetiu. Ao olharem. sob o e feito de horrível pesadelo.

. . a mulher observou sem alarido: Você está abatido. Vós sois a Luz do mundo! . mas. Sinto-me lisonjeado pela consideração. . o desassossego queimaria sua alma. É sim! Desde quando o João te trouxe aqui nesta casa. mas nunca deixe de amar a mãe que te trouxe ao mundo . q e oferecia: Aceita mais um pedaço de bolo? Não.. Obrigado. Sentia vontade de chorar.. Desculpe-me se não consigo ficar tão. eu sabia que. A mulher se aproximou. a impaciência.Deu leve sorriso e confessou: Já me pergun tei: por que a minha mãe não é como à senhora? Ou.. entre. eu soube o quanto você era bom. mas. Sérgio comentou vacilante: A senhora conhece muitas coisas sobre a minha vida. tão elevada espiritualmente.. dona Antônia. a aflição pelo fu turo indeterminado sejam as ferramentas de uma espécie de ataque espiritual invest ido contra você com a finalidade de atrapalhar os seus feitos. quase marejados. dona Antônia . Atento c omo de costume. que eu gostaria que f osse meu filho legítimo. Talvez a incerteza. Acredito que converso mai s com a senhora do que com a minha mãe. Mas como Deus é sábio. ele sentiu amarg o gosto de decepção ao saber que o amigo não estava. mas não sou tão bom e e evado como à senhora imagina. meu filho. E sei também que não é por acaso que está aqu agora.Após não encontrar Débora em seu apartamento nem conseguir falar com ela através de l igações para o celular. mas se continha. Entendo. É que. Acho que precisamos conversar. Não demorou e lá estava ele sentado à mesa tomando uma xícara de chá com dona Antônia.Pequena pausa para ele refletir e continuou: Sérgio.riu a senhora.. Agradeci tanto a Deus por tê-lo encontrado e deixado que seus primeiros passos dentro do Espiritismo fossem sob a luz do pou co entendimento que tenho.. filho. Sem entender o que acontecia consigo.tentou dizer. mas eu sinto. dona Antônia o abordou com delicada generosidade: Já reparou que eu gosto muito de chamá-lo de filho? Sim.. meu filho . pois não sabia o que fazer.riu com gosto.afirmou. Está com a mente longe. Para não chorar fez-se firme e s uspirou fundo levantando a face para o teto e circunvagando o olhar para se dist rair.Percebendo que o rapaz não compreendia. Sérgio. dona Antônia. Dona Antônia. Tantas coisas aconteceram repentinamente. Eu o adotei bem crescidinho! . com toda a certeza. Ah!. Obrigado. Sabe.falou desanimado.. Emanando indescritível tranqüilidade. Vem.. Sei que iss o está sendo insuportável. Ora! Entre. seus trabalhos dete rminados no auxílio. Obrigado. Porque não podemos colher uvas de espinheiros . dona Antônia preocupou-se e avisou: Posso não saber detalhes do que está te fazendo sofrer. Já reparei . Eu já esperava por isso. pouco entendimento. Sérgio.. mãe de João. a senhora não sabe o que estou passando. Você está sem rumo. . pegou em seu braço e comentou com brandura: Venha. Sérgio ficou p aralisado e novamente a senhora o chamou: Entre! Ele não vai demorar. você é uma criatura tão boa. P me adotar como sua mãe do coração. Em seguida falou bem séria: Você é e uz. Apreensivo diante da colocação. o rapaz se deixou conduzir como se algo envolvesse seus sentimentos e nublasse seus pensamentos conflitantes. Sérgio. tribulações aconteceriam e o inevi tável sofrimento tentaria desgostá-lo de tudo. mas de prática cristã. filho.. Não entendi...o rapaz sentiu um trav o na voz e lágrimas quentes brotando em seus olhos. porque toda árvore boa dá bon rutos ... . bom e justo deixou-me adotá-lo como filh o do coração. meu filho. que te deu a vida.. Antecipando a retomada do assunto.. Não sei se posso afirmar que sofro algum tipo de influência dos espíritos maus ou s . Sérgio sentiu-se desesperado e foi até a casa do amigo João. mas pareceu desorientado e seus olhos estavam brilhantes..exclamou sorrindo. em dete rminado tempo. . Aind a estou sob o impacto de um choque. Por que a senhora não é a minha mãe? Você é meu filho de coração.pediu a dona da casa com agradável prazer. sentindo o coração oprimido. Como assim? Perdoe-me. por isso fico muito feliz quando vem aqui em casa. sorrindo com brandura. Recebido pela agradável dona Antônia.

Disseram isso agora nos meus pensamentos. Depois que me mudei. pois já superou sua prova. Como se procurasse refúgio naquele coração materno atento a o que o castigava. Isso acontece com médiuns que nem sabem que sã iuns.A senhora riu ao comentar: Vejo que l ivros que te dei! Agora fica mais fácil conversarmos. com a mudança de pensamento e comportamento você provará ao es pírito obsessor que quer perturbá-lo que não será mais possível enganar e abalar você.. A influência e a inspiração salutar de seu anjo da guard a ou mentor podem afastar esses espíritos ignorantes e inferiores se. Quem. O espírito obsessor é o único que consegue t a nossa máscara. as quai considero mais que alguns parentes acabam tendo problemas graves e ao tentar aj udar me envolvo em situações difíceis. . Esse sofrimento. para atingi-lo e deixá-lo aflito usam situações à sua volta com a intenção de perturbá-lo e cegá-lo para o q rto. mas as principais variedades são: a obsessão simple s. Difícil é mudar verdadeira te o comportamento.Olhando-a nos olhos. Aliás. Com erteza. demonstr ando calma com tudo que parece acontecer a fim de desiludi-lo. Sérgio experimentou-se esv aído de forças e alternativas. essa angústia ue vive agora é por coisas que aconteceram para você. Não. eu reagi de maneira muito e stranha do meu modo de ser. perder a paciência. diz: Aquele que se julga perfeito está longe da perfeição . É lógico que reagiu. Como comentei. Sim. É o que eu sinto. todos somos em maior ou menor grau. Veja. você fará esse espírito se cansar. esse espírito será persistente e teimoso. vivi experiências espirituais quando morava na casa dos meus pai s. Não pode negar isso. usam sua preocupação ou o seu medo para te atormentar. Temos tantas deficiên ias que não é fácil admiti-las. é porque a pessoa já passou pelos outro s estágios de obsessão e o seu orgulho é o principal instrumento do espírito obsessor qu e pode arrastá-la à obsessão por subjugação. Sérgio. Sérgio. Até porque nada aconteceu comigo diretamente. você mantiver o caráter. e somente se . filho! Existem vários tipos de obsessão. além disso . Mas uma coisa é certa: a aquisição de informações e instruções através dos livros da icação Espírita é uma atitude de grandioso valor em caso de obsessão. Mas agindo pacificamente. tem gente que não admite ter o defeito de sempre acr . a questão 192.. as energias e ele sairá da sua v ida ou será retirado por entidades mais elevadas para ser encaminhado a lugar propíc io. Mas isso se aprende com o tempo. a obsessão pelo estado de fascinação e a obsessão de subjugação. mas sim com aqueles que es tão à minha volta. A mulher ficou pensativa e silenciosa por longos minutos.Os dois sorriram e el continuou: Então ao adquirir conhecimento através de cursos e estudos sérios e sob a Luz da Doutrina Espírita. algum a falta de caridade? Quem?! . Alguns com tarefas ost ensivas outros não. a moral. O João comentou isso com a senhora? Não. Sei que já estu ou isso. Como contei. mudarmos e nos reformarmos intimamente. Pessoas que são importantes. pode dizer que não tem algum defeito. Não! Os e spíritos têm a invisibilidade a seu favor e agem nos pensamentos dos encarnados quan do encontram um terreno fértil. dos encarnados. Não sei o que fazer.. ele contou-lhe tudo o que aconteceu nos últimos tempos. tudo ficou mais calmo até a Débora ficar sem emprego.Ele ficou pensativo e silencioso e dona Antônia expr essou-se melhor: Por exemplo. Por isso não pense que. mas é bom lembrar que o espírito é a alma da criatura humana na espiritualida de. gritou. Você é médium. e depois o preveniu : Você passa por uma obsessão. Depois desfechou: Então. magoá-lo e angustiá-l o. po rém para o paciente a situação era um bicho de sete cabeças. algum hábito ruim. . É bom que você admita seus erros. E m O Livro dos Espíritos. Isso é coisa bem fácil de ser feita por espíritos maus e sem evolução. não é? .. nos últimos tempos. Sérgio.Alguns segundos de reflexão e falou: Quando se chega ao ponto de fascinação. quando alguém morre. Tem que rez ar. vira santo ou vai para o céu. como psicólogo. Adquirir conhecimento através da Doutrina Espírita é fácil. Você acredita? Lógico! Acho que sei como é. o pensamento elevado e a fé constante. dona Antônia. Não tenho muito estudo. já esteve diante de casos simples demais. Daí vem o seu medo de sair da polícia e perde oportunidades de trabalho. Não é só isso! Não é tão simples assim! . Só a mudança de pensame comportamento pode nos livrar de qualquer tipo de obsessão. É isso. provocando situações irreversíveis. mas sei que você. pois o corpo físico é o disfarce que usamos quando encarnados. segurou a Débora como se a agredisse. esmurrou mesa.em instrução.

chegando ao extremo de agir e reagir como você realmente é.. jamais nos elevaremos para que as boas entidades nos inspirem. Respeitando sua reflexão no semblante preocupado. Depois ele prossegui u: Eu preciso falar com a Débora. a irmã dela. suplicar para que os espíritos bons e evoluídos se liguem a nós. Isso mostra q ue você é um ser humano em evolução e necessita ter bom-senso diante dos fatos. Quem sabe ela tem alguma informação. quem acr edita estar ao seu lado? O seu anjo da guarda ou um espírito sem evolução que quer seu mal? Sérgio riu e comentou: Meu mentor ou anjo da guarda deve ir para bem longe! Não. Ela está com você? Está sim. E eles acreditam que nenhum ma l fazem com a língua enquanto ferem o próprio espírito por suas más tendências.. E agora? Ainda não tenho qualquer solução. Muitos rec ebem advertências por seus defeitos e vícios. Em alguns não faltam somente à caridade material.. Sérgio telefonou para a casa dos pais de Débora e pediu para falar com Yara. Não conseguia organizar as idéias e. Não é um assunto para ser conversado por tel efone. mas se não tiver escolha. por isso devemos nos prepara r para tudo. E se não encontrar a moça como pretende? Você tem que pensar em todas as pos sibilidades. maldizem sobre a vida alheia. respirou fundo e foi até a sala como proposto. O que vai fazer? . do desrespeito. Vá! Fique à vontade. Se não encontrá-la. Temos que mudar nossa forma de pensar e agir. Não fique apreensivo até chegar lá. Isso significa que o espírito obsessor arrancou a minha máscara? Sim.. E eu não sei como tem coragem de tentar s e explicar depois de tudo o que ela viu! É muita cara-de-pau! Yara. Até para situações imprevistas... como se estivesse com febre.tornou ela com paciência peculiar.. . Sérgio sentiu-se estremecer. mas sinto que posso organizar as prioridades. Apontando para a sala como se pressentisse algo. coma ndar as emoções.. Sérgio . Não sei. pois precisaremos manter o controle. Sentia minha cabeça literalmente q uente. O rapaz sorriu levemente. O tele fone do apartamento da namorada não era atendido e o mesmo acontecia com o celular .. ou seja. pensamentos e reações.. a senhora ofereceu: Ligue daqui mesmo. Preciso encontrar a Débora e esclarecer tudo. Débora! Precisamos nos ver! Você não sabe o que aconteceu. Mas nem quer ouvir a sua voz. Como últ ima alternativa. do ciúme. mas a caridade por não demonstrar pieda de com a língua afiada que comenta o que não se deve.puro silêncio.. Ele levantou o olhar parecendo beber-lhe os elevad os conselhos.Breve pausa e advertiu bem séria: Se você sufocou suas verdadeiras reações até hoje. pois não sabe de nada. mas poucos ficam alerta. ele ligou para o celular de Yara e foi atendido: Eu já esperava por sua ligação.. Outros o hábito ruim do mau pensam ento. criticam a atitude dos companheiros de jornada. preste atenção e. .. não desligue . rogar.. Por favor.. sendo vi gilante nas atitudes. do desejo de que um conhecido não tenha sucesso.disse a moça friamente. Logo anunciou: Vou novamente até o apartamento da Débora e se não estiver lá vou para casa e ligarei para a Yara. O rapaz tomou alguns goles. nossas más tendências. o espírito obse r produziu impressões em seus pensamentos e você não suportou o tormento. mas enquanto nossos pensamentos. depois comentou: Cheguei aqui com os pensamentos fervilhando. deixe-me falar com a Débora! Longos segundos e escutou: Alô?. Ele só se afasta e observa a sua inclinação às inspirações do espírito inferior. O que você quer? Yara. Adoro a Débora. mas a empregada avisou que a jovem havia saído. pois provocou seus sentimentos e o deixou se ridicularizar. Mas. Rendendo-se ao seu maior temor. concordando positivamente ao acenar a cabeça. por favor. fazer nossa ref orma íntima para nos afastarmos das más inspirações. não julgue..editar que tem razão em tudo ou que conhece tudo.. Nos momentos em que se irrita. a senhora sabe! Às vezes nossos planos não seguem conforme queremos.. nossos vícios se identificarem com os fluid os dos espíritos inferiores. dona Antônia serviu-lhe mais chá e aguardou.

Dona Antônia olhou para o filho e aconselhou: O almoço está quase pronto. Eu te imploro.. pense! Quantos recados deixei em seu celular. Sérgio! . Mais de uma hora havia passado quando o amigo João chegou.. . Leve o Sérgio para o seu quarto e ele te conta tudo. a Rita... Eu mesma vi! Não precisa me contar! Débora. O colega abriu os olhos avermelhados. Como quer que eu fale.. seu irmão estará lá e tudo mais calmo. Não tem mas . Ora.... O que vou dizer para ela? . A senhora não está pensando em. Sérgio? . Sentindo-se atordoado. ser enganada.. Você acabou com a minha fé.. menino!. Largando-se ao recostar no sofá.... Sei sim! .tentou argumentar. Obrigado..Ah!. * * * Após o almoço.. Justamente quando eu passo por um momento tão difícil. Débora desligou. não tem ninguém e pelo que entendi não é b om que fique sozinha. Mas... mas está de férias.. A Rita não deve ficar sozinha.afirmou com voz de choro. acomodou-se corretamente e esfregou o r osto com as mãos... pois terá mais tempo para pensar sem perturbar a menina . Ela trabalha. Débora! Por favor. Sérgio bebia vagarosamente o c fé oferecido quando dona Antônia comentou: Eu estive pensando. De pois vocês vêm para almoçar. Por que não a traz para cá hoje para me visitar? Dona Antônia.. vamos conversar pessoalmente! Meu irmão estava na m inha casa!. Dona Antônia explicoulhe abreviadamente o acontecido e.exclamou João conduzindo-o para o quarto. Depois de tudo não será bom que ela fique em sua c asa. Sim. ergunte para alguma mulher o que significa ser trocada por outra.. . Essa menina. pelo amor de Deus. contou: A Débora não quer me ver mais. não é.. parecendo suplicar.Levantando-se. Não. desumano. Você não sabe o que fez comigo.. Não poderia ser mais cruel.disse dona Antônia.. Sérgio?! Eu te amo..chorava. Sérgio se sentiu derrotado. Sérgio? Esse é o meu problema.. bem mais à vontade contou ao ami go tudo o que havia acontecido. pois minha vontade é morrer! Não temos nada para conversar.. após algum tempo. . Cabisbaixo.pedia. Pobre moça... Não tem idéia de como me fez sofrer.perguntou Sérgio. Preciso ir.. ... na sec retária eletrônica de seu apartamento?! Eu estava desesperado atrás de você para que fos se até a minha casa! Depois da forma como me tratou em meu apartamento?! Não poderia se vingar de mi m de forma mais cruel pelo fato de eu gritar com você! Você foi insensível. Vamos conversar junto do Tiago e da Rita para esclarecermos tudo. desaparecer. mas saiba que você acabou com a minha vida! No segundo imediato. . Ora. . João o chamou: Sérgio?. Estou arrasado. com fala mansa e meticulosa.. Não estou pensando nada. . pediu: Descul pem-me por incomodar.. Sérgio! O que precisa resolver pode ser adiado e é até melhor que seja assim. Mas. O que aconteceu com a Rita? . fechou os olhos dese jando sumir. Sérgio se deixou guiar e. com a minha esperança em algo melhor. Convide os dois . deixando-o imerso em seus pensamentos. Assim que chegar a sua casa.. Essa menina é simpática e eu gosto de comp anhia.. ainda sob o efeito de sérias preocupações. Minha melhor amiga! Como fui idiot a ao me deixar enganar! O que vai inventar agora? Que a Rita estava se sentindo só?! Que ela queria morrer?! Que ela apareceu no meio da madrugada pensando em sui cídio e por isso foi dormir com você e na nossa cama?! Não fale assim...tornou a senhora.quis saber João. Me atraiu até sua casa para vê-lo com a Rita. Dona Antônia espiou a distância e decidiu não incomodá-lo com perguntas.. Preciso ir para..

Isso atraiu entidades nobres que os envolveram em um círculo de e nergias balsâmicas e elevadas. é o desígnio que Ele traçou para mim de ac ordo com as minhas forças. A única criatura que pode tirar a sua coragem é você mesmo. a união de bons espíritos. pois não estamos aqui por mero acaso. Se tenho instrução. Aceite os desafios com r esponsabilidade.. Então busquei socorro na questão e na resposta completa de O Livro dos Espíritos.. Meu espírito protetor jamais me aban donará se eu me sustentar com coragem e prece para as provações da vida.. simpáticos aos encarnados e seus re . ela não atende.. não humilhado. amando e valorizando o que o p róprio Mestre Jesus exemplificou. Após longo silêncio. porém em total bênção do esquecimento na presente encarnação. Essas forças energéticas que se fizeram em torno de Sérgi o foram alimentadas por sua postura mental peculiar que veio do âmago de seu ser e foi aprimorada através de diversas existências corpóreas nas quais se empenhou para e voluir. devo educar.. Sérgio ficou relutante.respondeu Sérgio em tom triste. . resposta da questão 495. 18 . surpreendendo-o: Olá! E aí? Tudo bem? Oi. mas João o encorajou e ele fez o proposto quase mecanicam ente. quando Sérgio entrou. devo instruir. pois se ele e stá ao meu lado é por ordem de Deus. pois. São as frases do dia. Se tenho talentos. Sua mente ficou receptiva ao ambiente vibratório elevado e à linguagem simples so bre temas e aconselhamentos tão importantes em busca de soluções. .perguntou o amigo.. apesar das preocup ações. explicações e criações me is construtivas. João sorria admirado. Não vou dizer que deixei de sofrer. No plano espiritual. Apesar da dor posso reagir com o s seus conselhos sábios se eu não ficar em crise.repetiu reforçando. Desde quando a vi pela primeira vez!. pois eles são os olhos de De e não os podeis enganar! . por não vê-l ia saindo quando olhou sem pretensões sobre a mesa do amigo e viu um cartão escri com uma bela letra e sobreposto em um suporte que chamou sua atenção.para me visitarem e venham para cá.Os olhos de Deus o. é uma mensagem de considerável reflexão. Como entendi em O Livro dos Espíritos eu tenho uma meta à qual não posso fa ltar. é seu dever crer em Deus e segu ir humilde. ou seja. Estou aflito com o que não consegui explic ar a ela. mas. mas é preciso aguardar e isso é o mais doloroso. novamente comentou: Ao pegar essa frase para meditação hoje.. pois essa meta é o próprio Deus. longa e sem propósitos. abaixando o olhar. eu não me contentei só com o trecho. mas humilde. Não. apesar das circunstâncias. Parar para lamentar só fará a minha jornada mais tri ste. Conseguiu falar com a Débora? . João adentrou na sala onde Sérgio clinicava e.Encarando João. É que o suporte ostentand o o cartão me chamou a atenção. mas sei que tenho um a njo da guarda ou mentor e entendi que não estou só. Ent endi melhor o que vivo. Se o que te aconteceu é uma prova ou uma expiação. lia-s .anjos da guarda. Não penseis em lhes ocultar nada. por amor e a fim de que eu não pare. Sérgio! Desculpe-me a invasão e por xeretar sua mesa. coragem e fé dentro dos conceitos Cristãos a fim de cumprir com seu propósito nesta existência terrena. João completou: Mas não pode parar sua vida por conta de tudo. Após a conversa com a sábia senhora. o rapaz sentia-se melhor. Logo explicou: Acho q ue ao identificar o número que está ligando. Nele. Em momentos difíceis lembramos qu e Deus vê tudo..O Livro dos Espíritos. Realmente.Sérgio fez breve pausa e desabafou: Eu adoro a Débora. Mesmo com o sofrimento íntimo. Um profundo silêncio reinou naquela sala com as palavras que ofereceram um gost o de coragem. Siga os ens inamentos do Mestre Jesus. porque somente assim estarei sendo Cristão. . a letra é bonita e a frase de profunda reflexão. ele parecia se desprender do que o segurava para a realização de seus propósitos na atual encarnação: a obsessão. Adorei e fiquei admirado. Tenho várias para meditação e a que casualmente peguei hoje é es a.. Sérgio saboreava uma conscientização espi ritual e moral bem elevada no caminho a seguir. se está pagand por algum débito do passado ou sofrendo uma obsessão. siga adiante e evolua.. Preocupado com a Rita. to e: us Na tarde do dia seguinte.

.. Vamos lá! . Sabe.. sem o sofriment o aflitivo. educada e mudou muito de ontem para hoje. Não podia ver a presença das entidades mais el evadas que estavam ali por ligarem-se aos encarnados pela postura mental e disce rnimento.. tentando fazê-la acreditar no que ela não quer. João. Senti-me muito melhor depois. Nunca pens ei que pudesse existir um sentimento tão forte como esse. O conhecimento que tenho sobre o mundo espiri tual. Está sendo difícil. de sofrimento. contou: Ah!. .Pequena pausa. Eles não podiam ver. Incapaz de reconhecer-se mau.. o respeito às leis de harmonização e o amor aos propósitos abraçados com todo o coração. o pobre e ignorante Sebastião agredia e golpeava os que permaneciam como que escravos de sua mente. Mas!. mas tud o é recente e sei que com o tempo encontrarei recursos para não me torturar tanto co m as lembranças. Fiquei completamente insone. É. Seus gritos repetitivos como os de um verdadeiro louco estremeciam os que se uniam a ele. para as separações. Por isso elaborei uma postura mental na qual reconheço minhas def iciências e busco equilíbrio constante que me ajude a viver sem ela. João sorri u e perguntou: O que aconteceu com você de ontem para hoje? Não dormi. O Livro dos Médiuns e comecei a ler.spectivos mentores. busca ndo estruturação e referências para prosseguir com minha vida até tudo se acertar.. sei como vou te enlouquecer! Após outro urro repleto de ódio. eu as vi fazendo planos de saír em para comprar nem sei o quê! Minha mãe envolve as pessoas de um modo impressionant e! Parece que a Rita mora lá em casa há meses! Depois a dona Antônia avisou que o Tiag o se comprometeu em passar lá e levar a Rita à universidade. inesperadamente. torturava e c ulpava por não conseguir atormentar Sérgio nem aproximar-se dele a fim de absorver-l he as energias físicas e espirituais para enfraquecê-lo e atacá-lo mentalmente. É um período de dor. A ausência de espíritos inferiores deixou o ambiente mais leve e sereno. O espírito Sebastião estava revoltado. Você sabe como a dona Antônia é! Logo cedo. Uma questão ou ensinamento me levava a busca r outro e. desgraçado! Mas tenha certeza de que eu voltarei para acabar com você! Se não consigo te abalar. Não conseguimos passar pelo sofrimento sem sofrer. como a Rita está? Apresenta-se bem. sorriu e comentou: Nossa! C omo você e a dona Antônia me ajudaram. Senti como se estivesse abandonando a minha amiga quando a deixei lá. Como ser humano e como psicólogo eu sei que não somos e não estamos preparados para as per das. Mostra-se sociável. com aquele jeitinho que só minha mãe tem. decidi levantar e ler. Berros em onda s vibratórias que causavam terror e gemidos de medo entre alguns de seus seguidore s... rosnou feito um bicho enquanto se levantou e. . Senti o quanto à postura mental nos faz adquirir resistência e imunidad e psíquica contra pensamentos que nos doem na alma. avisou em vibrações cavernosas: Não sei o que te aconteceu. Estou vendo! . as recordações. E. E pela primeir a vez.Depois de rir. Entretanto não posso continuar vivendo em função de uma pessoa qu e despreza ouvir a minha versão dos fatos. explicou Sérgio. o espírit o Sebastião sentiu-se enfraquecido e algo como que uma vertigem o fez dobrar os jo elhos que pareceram forçados a forte pancada no chão. Enfraquecido. os esclarecimentos obtidos na Codificação Espírita me ajudaram imensamente.Suspirou fundo. E seguindo em frente. Ele os afligia. Só os que experimentam o mais alto grau de esquizofrenia não sentem n em sofrem. Sebastião desapareceu seguido por seus acompanhant es como um aglomerado das mais profundas trevas.. Apre ndi a orar de todo meu coração e a ter mais fé. na maldade e tantos outros vícios. fazend o-o sofrer e vampirizando suas forças... da sublime energia do ambiente. Mas eu posso vivenciar as condições desse sofrimento sem desespero.. após milênios endurecido no orgulho.. com leve tristeza no olhar e falou em voz baixa: Eu adoro a Débora. atuavam neutralizando a ação dos maus. . Por insistir nos objetivos de má influência nos pensamentos do encarnado e. Sebastião recuou sob o e feito de um choque que lhe penetrou nas fibras mais íntimas do ser. mas em vez de deixar meus pensamentos e m brasa e me revirando na cama. verdadeiros escravos. por c onseqüência.murmurou João satisfeito. o espírito Sebas protestava e enfrentava uma energia que o repelia dali.. não nego.exclamou Sérgio repentinamente. olhando para Sérgio. . Quase me esqueci... Não pos so ficar parado lamentando nem correndo atrás da Débora. mas ao mesmo tempo em que defendiam a resignação. Peguei O Livro dos Espírito s. Diga.

. esse foi atender ao telefone e Sérgio logo se deparo u com Rita.Sérgio elogiou.disse rindo. ela. Mas.interrompeu-a. João! O Nivaldo é testemunha! . Eles riram e saíram juntos da sala. É fácil desistir. E quando reclamamos da supervisão re comendada. Desculpe-me. pa ra não dizer que me assusta. que estava pronta para ir à universidade e Tiago a esperava.. eu. Rita. Muito me admira. *** Mais tarde Sérgio decidiu ir até a casa de dona Antônia para saber como Rita estava . . As duas pacientes eram mãe e filha e cancelaram por luto na família. Entrando na casa do amigo. . Somos amigos dela e amigos de verdade não se abandonam. Não é fácil obter aprovação do pedido de féri tão rápido assim.. fazíamos os estágios e...Subitam ente avisou: Ah! Consegui minhas férias para daqui a uma semana! Quase ia me esque cendo de contar! Sabe...riu. com lágrimas correndo pela face. Agora vai! . Isso é verdade! .. Afastando-se. E como ajuda! E de repente. Não podia deixá-la morando com você nem que voltasse para ca a e ficasse sozinha.. Vamos deixar a situação esfriar. Eu não tinha alternativa.sorriu. Faz teorias e suposições. minha miga. Em seguida.. Depois.. por cinco anos. de ver alguns profissionais psicólogos clinicarem sem f azer a supervisão acompanhada por um Doutor Psicólogo ou Psiquiatra mais experiente e que nos leva a outro mundo completamente fora. você não é ingênua e sabe que estou sofrendo sim. ele pôde ver seus olhos lacrimosos. João avisou: Nossa. Explique que houve uma situação delicada e que na universidade não é o local . A dona Antônia é maravilhosa! Ei! Você não tem pacientes agora à tarde? Não.concordou João. Durante o trajeto João comentou: O tempo passa tão rápido! Outro dia estávamos prestando vestibular.. não posso mentir. Veja... na sala de aula. Chegará à hora ce rta..Nada é por acaso. E se ela vier conversar sobre isso comigo? Eu duvido. montamos a clínica! .. Em seguida.perguntou Sérgio. Parabéns! Queira Deus que nesse período você consiga seu pedido de demissão aprovado! Já pensou?! Quem sabe? Hoje entrei com nova solicitação.. beijando-a no rosto. chamou-o olhando-o firme. vo cê e o Tiago... Sem problemas . Foi incrível! O melhor! Que exagero. Sérgio! Esqueci! O doutor Edison pediu para falar com você. se insistimos. Levando a mão na cabeça e franzindo o rosto em sinal de lamentação. Nossa! Como me lembro de seu trabalho de conclusão de curs o. A supervisão com o doutor Edison é excelente! . Rita! Tudo bem? . sussurrando... É. Comovido. abraçou-a com generosidade. peça para que conversemos nós quatro juntos: eu. Ei! Ei! Ei! . mas achei que estava com paciente e.defendeu-se rindo. Sérgio. Quase desi sti do curso universitário por causa do serviço na polícia. Quase não acre ditei que conseguiria fazer aqueles estágios para licenciatura docente. Fiquei tão surpreso. sentindo-se envergonhada: Sérgio. Eles continuaram conversando até chegarem ao destino.... Prometo! Hoje mesmo. encontramos alternat ivas. a supervisão é importante e oferece segurança ao Psicólogo muito mais ao paciente. Além de simples. tornou a perguntar: Você está bem? Estou.. embalando-a co m gesto afetuoso.. eu tentei falar com a Débora nem sei quantas vezes! Pedi. É ela q uem não quer saber a verdade. na habilidade adquirida com o exercício constante na profissão. de fazer terapia?. sempre damos um jeito.admirou-se Sérgio. Depois falou sério: Você vai até lá para e tudar e não conversar sobre o que não é conveniente num local como aquele. Certo? Mas. implorei!. Não sabíamos que era e é a cois a mais importante em nosso trabalho e o que mais nos ajuda. Oi. coisas qu e se encontram somente na prática. . Eu te prejudiquei muito com a Débora. Mas vou dar um jeito nisso. Vou até lá dizendo que você propositadamente não me deu o recado e ficou me enrolando. Em todo caso... quando piscamos .murmurou com voz fraca.

irei buscá-las e conversaremos na minha casa. com grupos de estudo r espeitáveis que se dispõem ao conhecimento mais profundo da Codificação Espírita... com basta nte conhecimento e sendo uma pessoa bem flexível.chamou-o. Somente assim será capaz de reconhecer uma mistificação. Sérgio se aproximou. Só uma vez por semana?! Pára o estudo. isso é po sível somente uma vez por semana... foram pessoas veneráveis e importantes. É uma dor de verdade. Olhando para dona Antônia que os observava.. Sérgio? . Ela é um amor de menina! Curvou e recostou o rosto carinhosamente no ombro da mulher e murmurou: Se não fosse à senhora. às prática s não dignas.murmurou ele. Uma vez por semana não é pouco para o estudo? O Espiritismo é uma filosofia e uma ciência. quando encarna dos. O melhor é você fazer os cursos. ligue para mim. abraçou-a. Em alguns momentos. Tiago estapeou as costas do ir mão e se foram.. ..correspondeu ao sorriso. os espíritos se atraem por simpatizarem com a naturez a moral do ambiente ou da criatura humana que tenha os mesmos gostos. sim. Mas deve ir assistir às palestras evangélicas que servirão de com plemento aos conhecimentos adquiridos.. Bem. . chegando a novas conclusões que o elevarão como ser. Tem gente que leu um ou dois romances espíritas e acha que já sabe tu do.. O que. dão falsas esperanças e comume te elogiam os encarnados ressaltando-lhes o orgulho e a vaidade. No início poderão parecer água com açúcar. fazem acusações indevidas. por duas horas mais ou menos. Ela forçou um sorriso e se despediu rapidamente. levando o rapaz para o sofá. mas quero ampliar meus conhecimentos.Mudando rapidamente de assunto. beijoua no rosto e agradeceu: Obrigado por tudo. . Ou ela não gosta de mim o suficiente para ouvir minhas explicações e depois tirar s uas conclusões ou então está se deixando influenciar pela opinião da irmã ou sei lá mais de quem!.. ac omodou-se e o puxou com generosidade materna ao falar: Já sei que você quer colo. sempre com o desejo de instruir e elevar a moral dos encarnados. freqüentemente brinc am. O tempo entre uma aula e outra é bom e necessário para filosofar.. mistificam. Ao contrário dos espíritos inferiores que se atraem em torno de encarnados que fazem r euniões e evocações por curiosidade e sem responsabilidade para terem conselhos e info rmações que os agradem ou lhes prometam ajuda. Sabe. Cientificamente o tempo é importante para que se possa estudar a parte experimental das manifestações gerais.admirou-se dona Antônia. Fazendo-o se sentar. p ensei que não fosse suportar.. é muito importante. Se a Débora quiser. prazeres. inúteis de espíritos baderneiros e médiuns mentirosos ou orgul osos. nada radical.. Devo voltar às carteiras primárias da escola! . Assim como as pessoas.. Vem aqui. mentem adotando falsamente o nome de espíritos que. as manifestações fúteis. Sinto como se tivesse uma faca fincada em meu peito. Tiago se aproximou e lembrou: Vai chegar atrasada se não formos agora. Sou eu que deve agradecer sua confiança. paixões inferiores. Ignoram os livros da Codificação Espírita e confundem tudo! Não admitem que o estudo da Codificação feito em grupo e com um expositor.. Sérgio se deixou ficar no abraço materno do qual tanto carecia. Está bem assim? Rita pendeu com a cabeça concordando. que é pensar e repensar.distúrbio de personalidade. do efeito individual e social justific ado pelo Espiritismo.adequado para ela saber de tudo.. mas ito necessários. Liguei para a Débora várias vezes e ela não atendeu. Esses espíritos inferiores que se dis põem a essas reuniões de comunicações para futilidades de encarnados. Desistiu? Você gosta dessa moça e ela de você! ..brincou sorrindo. Não! .. Obrigado por cuidar da nossa amiga. de estudos e co municações sérias. Não queira correr e aprender tudo de uma ve z. Fechou os olhos enquanto a bondosa senhora afagava-lhe o rosto de belo contorno e sussurrou: Tanta coisa aconteceu na minha vida em tão pouco tempo. levando os encarnados ao erro. Por exemplo: os espíritos superiores gostam de reuniões. Em um centro Espírita sério. uma far sa. Li e reli os livros qu e a senhora me deu. Sérgio sentou-se direito e falou de mod o mais animado: Eu quero aprender mais sobre Espiritismo. intuitos. uma espécie de professor. Então desisti. vem! .

Nossa! Tem tanta coisa!. mas teve a atenção roubada pelo amigo João que chegou à sala. É um dos tipos de distúrbio no qual a pessoa se acha grandiosa. porque a m ente está encarcerada na falta de convicção. Essas são as características de espíritos inferiores.. É. Fiquei triste com o que aconteceu. mas. mas esse não é o caso del a. quer entender o que aconteceu com ela e pede uma explicação. Puxa! Isso abre um grande leque de ligações entre encarnados e desencarnados. desesperador durante essa fas e. Nossa amizade dificulta a minha atuação.. Eu não sabia que ra uma doença.Comentou a sábia senhora. Ela é uma boa menina. a olidão.. Sinto que esse é o c aminho para seguir a fim de alcançar uma finalidade útil em um trabalho que eu adoro . é um distúrbio de personalidade que necessita de mento terapêutico. observação e pesquisa para.brincou Sérgio. como disse a Rita. João comentou: Sérgio... Sérgio a encarou trazendo um brilho especial nos belos olhos verdes e leve sorr iso como se inúmeras idéias reluzissem em sua mente. têm uma incrível relação com ele mesmo como espírito. Fiquei admirad o quando soube que ela decidiu retornar à faculdade..... mas explora os que a rodeiam. Tendem a ser arrogantes.Fez-se ligeira pausa em que os dois amigos se entr . transtornos. E o acontecimento mais humilhante. .. Não é uma doença. A elevação moral é força viva! Vejo pessoas inseguras. às vezes eu nem entendo nada! Na verdade é preciso sentir o q ue se passa nos sentimentos das pessoas. um a justificativa para isso. Suspirou fundo. a mulher explicou bondosa: Se uma pessoa está pensando em morte. aparentemente frágeis. Qualquer pessoa psicologicamente sa udável ocasionalmente tem ou passa por momentos de tristeza. Entendeu? . depressão e muitos outros distúrbios apresentados pelos paciente s. principalmente. Eu assisti a dois congressos realizados pela Associação dos Psicólogo s Espíritas e falaram sobre esse distúrbio do encarnado que atrai espíritos com os mes mos comportamentos.. sua vontade de libertar-se do dis túrbio ou problema que o afeta e. Isso eu sei fazer e o Tiago também tem es se dom! Como assim. estresse..respondeu referindo-se à noiva.. Não.. Você tem de sentir o que a pessoa sente do mesmo jeito que ela sente e não só saber o que ela pensa sobre o que está sentindo. Eu sabia. O assunto requer estudo. é ouvir problemas dos outros. é porque ela quer ajuda.Sérgio teve uma avalanche de pensamentos incrivelmente ligei ros. Agradeça à dona Antônia e ao Tiago! .perguntou a mãe vendo-o arrumado. Só é preciso saber conversa r direitinho com a Rita.. Comecei a entender que muitos estados de consciência. Vou até a casa da Nilza ... Esse foi o maior impacto. De uma forma geral ela parece bem.. Há de se levar em consideração à dupla perda dos entes queridos. com sua evolução na escala espírit registro de suas experiências em outras encarnações. Virando-se para o amigo . mas ela vai superar.. Eu conheço bem as pessoas quando as vejo algumas vezes e. Percebi isso.. brincalhões. quer ser entendida. dependências de diversos tipos. Acho que os dois são melhores do que nós! . Sua tarefa nesta enca rnação não é correr atrás de bandido. Sérgio! Você é uma luz! Fará alerta aos profissionais que cuidam da saúd e mental. . meu filho! Eu sempre senti que você tem um dom especial. que advertiu: Vocês dois falam tudo difícil e certinho. extr emamente importante. pois precisam entender e tratar a saúde espiritual para conseguir que o paciente tenha progresso. Quanto a ouvir os problemas das pessoas. precisa d e colo e de um ombro amigo.disse João sorrindo. como te falei hoje. sua ligação mental com desencarnados que possuem as mesmas necessidades.. o luto. fobias. masc aram a inveja e não dão importância verdadeira às necessidades dos outros.interessou-se Sérgio curioso.Nada. Eu estava associando certos problemas de personalidade com o que a se nhora me falou.Sérgio parecia ter uma imens a interrogação na testa. eu e minha mãe conversamos com a Rita ontem à noite e. dona Antônia? . dona Antônia. ela precisa ser ouvida. Vai sair. confl itos íntimos.. filho? . presa a fantasias inúteis que as arrastaram a conflitos íntimos. A Rita pode entrar num quadro de depressão mais extremo e que está procurando dis farçar. Depois de sorrir.. É.. . Em outras palavras. No fundo não posso dizer q ue estou tranqüilo com o seu estado emocional. Entro de férias na próxima semana e espero que minha saída da polícia aconteça durante esse tempo. Bem.

o noivo a apoiava em tudo e ela teve uma grande amiga. a Débor a. Ela sentiu-se humilhad a em todos os sentidos. pois essa menina precisa de um amigo.Fotos contra Sérgio destroem o romance com Débora O dia seguinte exibia um pálido nevoeiro pela manhã encobrindo o sol. Disse-me coisas f rias e calculistas mesmo quando eu pedi desculpas pelo que havia falado. mas aqueles que a rodeiam devem entender o seu sofrimento e lhe dar esperanças para um futuro melhor. Seus olhos a mendoados traziam a expressão de tristeza com misto de revolta e desilusão. Em que posso te ajudar? Os olhos de Sueli se arregalaram. repentinamente. O que aconteceu de tão grave para não querer ver o Sérgio? Educada.perguntou preocupado. Sérgio despediu-se e agradeceu à mãe de seu amigo e ta mbém se foi. o Sérgio teve uma crise de intolerância com o que eu aconselhava.sua voz embargou. A companhando a senhora. mas tinha o irmão para tomar conta e ele pr ecisava muito dela. mas. mas contendo o travo de amargura na voz quase vacilante. Débora contou : No sábado pela manhã. lá no apartamento. a jovem tocou a campainha e aguardou ser atendida. E o que a senhora disse?! . olhando para o rapaz a troux e para cá. ela é ma criatura importante e querida pelos amigos. Débora. . Preocupem-se com ela. ma s ela foi firme e não chorou. mas não somente como profissionais. Sem imaginar de quem se tratava. Débora estava frente à casa da mãe de Sérgio.Após suspi rar. . não quero vê-lo mais. Que você. deixando as rodinhas deslizarem portão adentro.falou bem séria. que não são graves. Sérgio. Sem conter a curiosidade a mulher perguntou: Mas. eu sabia que a senhora e o senhor Inácio iriam até a casa dele para ver onde mora e nós nos conhecermos melhor. E absurdo dizer para alguém que suas dores e preo cupações são passageiras. Mas quando o astro rei brilhou radiante.. é um amigo de verdade e procurou pessoas de sua total confiança par a ficar junto dela quando você não poderia.falou. É uma menina carente. Olhando o relógio. . A Rita é uma ótima Conversamos muito e ela contou toda a sua vida. sua melhor amiga . Mesmo assim. Bom dia. Desculpe-me vir sem avisar. dona Marisa.. Naquele dia... concluiu: Depois do que presenciei.riu de modo gostoso..eolharam surpresos e a senhora prosseguiu: Quando uma pessoa pensa em morte é preciso que tenha a ajuda de um profissional com urgência. falou que p ensou em morrer quando perdeu os pais. acreditou ao vê-la com o Sérgio. Reconhecendo-a dis tância. a pouca distância. E apesar de toda situação não resolvida. Débora não se importou e foi direto ao assunto: Bom dia. Só que. Além disso. São roupas e objetos pessoais que ele deixou no meu ap artamento. . Eu conversei um pouquinho com o Tiago enquanto a Rita se arrumava para ir pra faculdade e disse a ele que precisaria muito da sua ajuda. Fez um aceno de cabeça e não teve palavras para explicar o q ue aprendia. contou: A Rita disse que se sente culpada pelo que a Débora. Mas eu não poderia adiar o qu e tenho a fazer . Palavras difíceis e pouca atenção só pioram as coisas. eu estava precisando de companhia e falei mais outras coisinhas. 19 .. E quando você . o Sérgio foi até meu apartamento. ou a Nilza ficará preocupada. mas ela silenciou totalmente ao ouvir Débora contar: Nessa mala tem algumas coisas que pertencem ao Sérgio. Agora ela está sozinha! Extremamente sozinha e sem propósitos na vida. Descendo do carro.sua voz travou novamente. Mas ele . . João preocupou-se: Nossa! Vou. Sérgio ficou admirado. estava Sueli irradiando curiosidade imen sa. É provável que a senhora acredite que eu deva entregar na casa dele. que com o tempo passa ou são traumas não reso dos na infância. ela sentiu-se um estorvo e a pior das criaturas. Aproveitando a saída do amigo. dona Marisa se aproximou trazendo o rosto endurecido ao exibir insatisfação.. Dona Marisa ficou intrigada e puxou quase automaticamente a alça da mala que Débo ra colocava em suas mãos.

foi me visitar. Acho que agora entende por que sou rigorosa com ele. Não estou entendendo.concordou a mulher. Chorei muito. Por ter as chaves..Quando Débora ia fazer uma pergunta. Ao estender a mão para se despedir de dona Marisa.disse Sueli. Olhando para dona Marisa. quem é você? Nesse ponto da conversa.questionou Débora.. Ela ligou para alguns amigos e amigas. primeiro quero que me perdoe. mas se me ouvir irá compre er totalmente. entrei sem chamar e o encontrei em seu quarto. Sem trégua. Só q ue teve uma condição: a Yara me obrigou a deixar o celular no apartamento. . Minha melhor amiga. achei o Sérgio aflito quando pediu para eu entrar em contato com ele. Assim que cheguei. Agor a preciso ir. Ao ouvir o primeiro. . Aproveitando a pausa. mas longe da dona Marisa .. esforçando-se para expressar algum tom de lamento.planejou tudo. Sou eu quem peço desculpas por pensar que você fosse de outro jeito e estivesse d e acordo com aquilo. . dona Marisa. Vi que o Sér gio estava embaraçado. Fi quei indignada quando fui até a suíte dele e vi as roupas íntimas da moça jogadas no chão. Débora . .. Quando olhei. Eu amo o Sérgio. pois achou que eu não merecia aquilo. dormindo e abraçado com a Rita. Tenho outra idéia. Eram as pessoas em quem mais eu confiava neste mundo.. avisou com um s orriso: Depois conversamos. trocar-me e sair com ela. Andando a passos lentos foram se distanciando d o veículo enquanto Sueli falava de modo educado: Eu quero conversar com você. Não demorou e minha irmã. Espero que me entenda e desculpe-me pelo incômodo. A Yara foi direto para o telefone. mas.. Quanta d esilusão. havia recado s em meu celular. ela avisou antes que chorasse: Então é só isso. Pode ser? Sim. praticamente abraçando-a ao repousar a mão em seus ombros e a conduzindo. . mas não conseguia.. aceitando os pensa-mentos rápidos que lhe surgiram e disfarçando sua s verdadeiras intenções e venenoso pretexto. a jovem ouviu: Débora! Por favor.. a Yara. lágrimas corr eram. dignas de uma representação te atral. não gostei de ver essa Rita estendida no sofá..Imediatamente lágrimas falsas. Sei exatamente o que está sentindo. pois passei pela mesma situação ou talvez pior. experimentando uma dor indizível do enorme ferimento que cravava em sua alma bondosa e generosa. a Yara me fez tomar um banho. Estive lá naquela noite como comb inamos.Olhando novamente para dona Marisa. Adoro a Rita mais do que as minhas irmãs. A Débora está muito sentida por tudo o que aconteceu e eu sei o que é isso. Fez algo contra mim? Mas.pediu aproximando-se. estavam sob uma árvore bem frondosa quando pararam e a moça pegou as pálidas mãos da outra ao revelar: . Débora + falou dona Marisa com voz fria. mas não imaginava conseqüências tão sérias contra você. peguei meu carro e fui até a casa dele. Não existem desculpas ou explicações para o que eu vi. Quando contei o que tinha acontecido.Leve sorriso forçado e falou: Até um dia.Nesse instante... e saímos todos para nos divertirmos. Nem ouvi os outros recados e mal falei com a minha ir mã que estava ao telefone. Tinha esquecido que iríamos lá. Você é?. . pediu com jei to macio na voz: Eu gostaria de conversar com ela a sós. O que dizia era pensando em seu benefício. Decidi não telefonar.pediu Sueli sob a influência de espíri tos inferiores. Confie em mim . Não suporto traição e é por isso que não quero vê-lo. pois tinha outros plano s. rolaram na face da moça que parou frente à Débora e explicou: Eu fiz algo muito errado. Não . Eu estava chorando e implorando para que ficasse..... mas o Sérg io virou as costas e saiu. solicitou gentilmente: Feche seu carro e vamos caminhar um pouco. Entre. Nem sei o que dizer.Débora suspirou fu ndo antes de prosseguir: Não sei o que a senhora pensa sobre isso. Tudo bem. inquieto com a minha presença. Por um instante Débora se sentiu atordoada pelo efeito de energias espirituais inferiores deixando-se conduzir.avisou com brandur a. Era madrugada quando retornei ao meu apartamento.. porém eu não conseg uia deixar de pensar no Sérgio. Por isso meu filho não me aceita. Aquele relato deixou Débora mais perplexa e amargurada. para conversarmos. eu preciso falar com você . pois iria dormir lá. Entrei em desespero. Não desejo qualquer mal a você e. . Fiquei preocupada. Sueli usou um tom carinhoso na voz leve pa recendo humilhar-se ao pedir: Por favor.

O quê?! Eu moro ali. Logo propôs: Eu não poderia dize r isso perto da dona Marisa. que fechou a porta e caminhou até um armário.. Sueli! Será sua palavra contra a dele.afirmou. Foi estupidez minha inventar aquela hi stória e representar daquela forma. tamanha era a humildade que represen tava. Com o tempo percebi. Não! Não é nada disso! .exclamou murmurando. Nós éramos muito amigas. É verdade e eu posso te provar! . Venha comigo. Se ao menos não tivéssemos mais compromisso. apanhou um saco de tecido avel udado. eu tenho muita coisa para fazer hoje e não há qualquer razão para continuarmos com essa conversa inútil. me perdoe! Se não puder me perdoar. Isso é um absurdo! Como pode pensar que vou acreditar em algo assim?! Eu disse que posso provar! . Não pude pensar em outra coisa. talvez por educação..exclamou bem firme. em um tom quase frio e palavras vagarosas. A traição é a pio coisa que alguém pode fazer. Sueli . O Sérgio provavelmente disse coisas te ríveis a meu respeito. Olhando-as.. sim! Primeiro preciso que saiba. por isso estávamos sempre juntas e freqüentáv a casa uma da outra. e quase sussurrando: Pelo amor de Deus. Vamos até lá e eu te mostro as provas.. . O quê?! . Ela não sabe que o Sérgio e a Lúcia se relacionavam. Isso aconteceu entre você e o Sérgio? Por acaso o pegou com outra mulher? Foi pior do que isso. ao se deixar envolver por aquela conversa. Vir ou-se para Débora. Envolvida por intensas energias inferiores dos espíritos vingativos. ao menos. sem pensar. se não tiver c mo provar. mas desejava ver as evidentes demonstrações que a ouvira afirmava: Essa é uma acusação muito grave. olhando-a firme nos olhos. mas. Há. . a Lúcia t .. Débora não con seguia refletir e.Revirando a caixa. entregou-lhe as três fotografi as. mas não são verdadeiros. me ouça! O que quer de mim? . demorava-se tempo demais e recebia influências de desencarnados que pretend iam prejudicar e desequilibrar Sérgio através dela. zendo-a alongar a conversa ao desejar provas e ficar enojada com Sérgio antes de o uvir sua versão. Ele não quer nem que eu tenha amizade com a dona Marisa.. E?. Completando em seguida: Se queria me separ ar do Sérgio.Ao vêla franzir a testa como um sinal de desagradável surpresa. eu pensei em poupá-la de cair nas armações do Sérgio. Acho que essa pobre mulher morreria pelo incesto. parecendo rebaixar-se na postura. que não sabia quantas dores.Débora tentava relutar .Meu nome é Sueli. Eu e o Sérgio começamos a namorar. Débora ficou vacilante. ultra jes e rebaixamento moral sofreria. A mentora Olívia e espíritos amigos perderam o alcance das vibrações da pupila que se inclinou às inspirações de espíritos inferiores com suas sugestões e vibrações tenebrosas. que parecia nervosa. Com a respiração ofegante e modos inquietos. Eu o peguei dormindo com a própria irmã. Na casa de Sueli a jovem se encontrava no quarto da moça. Sueli a envolveu com fa la meiga. Débora começou a tremer. ele já está livre.gritou Débora indignada e incrédula. abrindo-o e tirando uma caixa que colocou sobre a cama. e pediu calmamente ao bater a mão sobre sua cama: Sente-se aqui. Não su porta me ver e. Enquanto S ueli. Sinta-se à vontade. Ao atender a sua ligação ao celular naquele dia. Ficou pálida. Veja bem. Jamais poderia imaginar que e stivesse dirigindo e fosse bater o carro.. Fui namorada do Sérgio e ainda sou muito amiga da família... contou: Essa é a Lúcia. Débora suspeitou. Será melhor. Su eli atraiu sua atenção ao dizer: Eu sei o quanto é horrível ver quem amamos deitado ao lado de outra. Voltando-se para a outra com frieza e impiedade. O quê? Ele tem seus motivos. tirou de dentro uma máquina fotográfica e algumas fotos impressas em papel ap ropriado. assombrada e incrédula. naquela segunda casa..indagou Débora. Mas a jovem. As inspirações de sua mentora Olívia e de espíritos amigos prov ocavam-lhe repulsa àquela conversa e vontade de ir embora. aceitou o convite.

. Porém o que ouvi dela foi ainda pior.quis saber Débora muito nervosa. Bem mais tarde. Como assim?! . Apesar disso. Por um momento pareceu insano . religioso e ela pensou que o pai mataria o Sérgio. eu não lhe entreguei e ele me bateu. incrivelmente. deprimida e quase não falava mais comigo. pois eu lhe mostrei só as fotos.. Sueli acrescentou cinicamente: Foi quando implorei que parasse. Ele mes o me levou para um pronto socorro onde o médico confirmou que eu já havia perdido o bebê. Débora. Fiq uei em choque. Era o an iversário de um grande amigo. eu chorava exigindo uma explicação. Ele veio até aqui em casa.. Eu perdi meu bebê. eu diss e que tive uma enxaqueca forte.. É o que você vê. O Sérgio me chacoalhou. Tirei a primeira foto e ele se remexeu.riste. sem camiseta.tornou a outra em desespero.. Débora a afagou enquanto lembrou do dia em que Sérg io a segurou firme pelos braços apertando-a. me bateu muito forte e. Comovida pelo choro de Sueli.. O Sérgio reagi u como nunca.perguntou a outra... Ele acordou quando eu saía do quarto e me viu. mas assim que levantei fui ver as fotos na própria máquina. Ela. tenho as mesmas imagens aqui. Tentei saber o que era.Impiedosamente Sueli foi capaz de inventar as mais horríveis mentiras c ontra Sérgio. O Sérgio sabe disso?! Ele já viu isso?! Sabe e viu. Como pode confirmar. Veja. Eu estava no chão e o Sérgio me chutou. Por isso calou-se e sofri . ganhando a credibilidade de Débora.. . . pegou a máquina fotográfica digital e mostrou-lhe as mesmas fotos na própria câmera. Me agrediu até. depois me empurrou enquanto exigia e. E você deixou por isso mesmo?! Contou para alguém? Dias depois conversei com a Lúcia e contei tudo. Fui até o quarto e o que vi foi inacreditável. Por outro lad o.. O Sérgio não deixa marcas aparentes nem bate no rosto.. Sueli! Diga que isso aqui não é verdade! . Para minha mãe. completamente nua. Com a voz estremecida. chacoalhando-a e a empurrando em segu ida.. Eu tin ha as chaves e entrei sem chamar.. muita cólica e só queria ficar na cama. Dormi um pouco.. o Sérgio está com o corpo mal coberto por um lençol na altura da cintura e com as pernas despidas. Mas tive a idéia de fotografar. e Sueli continuou: Passei muito mal e. A Lúcia estava animada.. O Sérgio queria a máquina para destruir essas provas. Contou que no início ele bateu n ela e. Ele perdeu o controle.. Confusa. Eu estava sozinha. . O Sérgio e a irmã ormindo na mesma cama.. deitada de lado e sobre o ombro d o irmão. O que aconteceu?! O que ele fez?! . Então insisti para irmos a uma festa. Sueli se virou.pediu Débora com a vo z entrecortada. Débora lembrou-se de Sérgio pedir que evitassem ter um filho. Eu levei minha câmera fotográfica digital e tiramos mu itas fotos. O senhor Inácio é um homem moralista. Tirei a segunda e na terceira ele acordou. Sueli! O que a Lúcia contou? Ela confessou muitas coisas a respeito do irmão. voltamos para casa de madrugada .Longa pausa proposita l. Brincamos bastante e. Um dia toda a família estava viajando. Por que a Lúcia não contou aos pais?! Aos irmãos?! Não contava por medo de que o pai deles cometesse uma loucura. Eu preciso saber.. mas ela não falava. Co m lágrimas rolando pelo rosto disse: O Sérgio é um homem forte e como policial aprende u a ser agressivo. Gritou e exigiu a máquina. Fui medicada e passei horas em observação. Não vale a pena falar sobre isso. ela era ameaçada por ele e temia sofrer mais agressões. Resumindo. aflita e olhando-a com grande expectativa. Tive medo dele. O que ele fez?! . O Tiago não foi por causa do serviço e o Sérgio também...Sempr e com o auxílio das vibrações do espírito Sebastião.. abraçando-o com um braço e com uma das pernas sobre as pernas dele.. pois eu esperava um filho dele. Imediatamente indag ou: E sua família ou a dele não a viu machucada?! Lógico que não. Alguma s ficaram engraçadas e decidi ir até a casa do Sérgio para mostrar a ele e à Lúcia. Pelas fotos acho que já pode deduzir que tipo d e homem ele é. Sueli representava. Pelo amor de Deus.

Sim.Levantaram-se e Débora parecia sem rumo. Seguindo-a até o portão. para relatar todas aquelas mentiras. Sérgio correspondeu à brincadeira: Não deixe esse ciúme aumentar.insistiu. rapidamente. Fiquei com tanto ódio do Sérgio que terminei nosso namoro. Sueli era rodeada pelo espírito Sebastião e seus companheiros que a induziram em nível de pensamentos tão infer iores e alimentaram suas idéias. ele terá medo de fazer algo contra você. Eu a julguei mal e. tudo bem? . a jovem avisou: Agora preciso ir. Alguns instantes e Débora argumentou: Sinto muito. Eles riram.. Quanto mais o tempo passava mais ela se apresentava muito triste e bem deprimida. Havia dois homens em uma moto e já tinham pego o que queriam e iam embora. porém não deixei de ser amiga da Lúcia. Sueli. Reagiu para ser morta. se suicidar e acabar com o sofrimento. Depois do aborto que sofri. Ouvir promessas de casamento.. juras de amor e depois descobrir um homem sem caráter. se eu as tiver e ele souber disso.Ainda com as fotos nas mãos e olhar lacrimoso. Tubo bem. Daí. Sua ligação com aqueles espíritos trevosos lhe oferecia grande malícia e uma força inte rior tão perversa que era difícil acreditar em sua coragem para fazer tantas maldade s sem pensar nas conseqüências. Guardando as fotos na bolsa. Faça como quiser. Obrigada. após a porta ser aberta. mas não... . obrigada.. Procure um psicólogo. No intervalo entre um paciente e outro. Eu não q ueria que outra pessoa sofresse o que sofri.. Conversamos algumas vezes sobre isso e a Lúcia me disse que quer ia morrer... por suas agressões. . .... Sérgio engoliu seco e respondeu em voz baixa. pois ela é tão rigorosa com ele. tentando animá-la eu a chamei para umas compras e a Lúcia desabafou coisas horríveis sobre as atitudes do Sérgio co m o abuso sexual e. E você. Não pude deixar de ser amiga da dona Marisa. Jogando-se sobre a cama.Breve pausa e contou: Foi nesse dia que fomos assaltadas . algumas coisas começam a fazer sentid o.insistiu desconfiado. Pensando bem. Agora. quase melancólica: . um dia.. Quando podia.brincou João. riu e gargalhou prazerosamente por sua vivacidad e e esperteza.. E propôs para não alongar: Depois conversamos. Tranqüilo! E a dona Antônia?. Sussurrando no ombro do amigo. Fiz isso para o Sérgio me dar sossego..Sueli chorou. .. João se aproximou dizendo: Que bom vê-lo! Trabalhamos juntos e quase não nos encontramos. com o abuso do irmão..quis saber Sérgio. A Rita?. Contou a ela? Não! . Mostrou as fotos para ele? . Claro! Agora tenho um paciente. Porém logo João não r stiu e perguntou: Por acaso conseguiu falar com a Débora? Não . dizendo com voz trêmula: Desculpe-me. Às vezes acho que a dona Marisa desconfia de alguma coisa. . Sueli não esperou ver Débora chegar até seu carro e entrou às p essas. eu me afa stei. não aceitava...respondeu e suspirou fundo com leve sorriso para disfarçar os sentimentos. Algo tão baixo e repugnante. pegava recados com a secretária e verificava alguma novidade ou relaxava por minutos a fim de estar bem recomposto para a próx ima consulta. Talvez acreditasse que estivesse só.Alguns segundos e falou: Sabe. Obrigada por me alertar. Não im agina como ela sofreu com a morte da filha. vil.. Esquecia-se de que atraía extremas perturbações e a lei do retorno por tudo o que semeava. pediu : Posso ficar com essas fotografias? Vai mostrá-las ao Sérgio? Não sei. Era uma tarde como todas as outras e Sérgio estava na clínica como de costume.. ofereceu-lhe um abraço. E a minha única segurança são essas pro vas na câmera. mas a Lúcia repentinamente reagiu!. Estão se dando como mãe e filha! Estou com ciúme! . Mas você está bem? . E mais uma vez.a muito com o que precisava suportar do próprio irmão.. Mas ele não me d ava sossego. Por isso ele me odeia tanto. usava esses minutos para tomar um café ou uma conversa rápida com um dos colegas. C aminhou até a saída acompanhada pela outra e. sem moral.

Estou sentindo uma coisa... Um nó na garganta... Um aperto no peito... Podemos conversar depois? Lógico! Até mais! Bem mais tarde, após atender alguns pacientes, Sérgio colocou-se frente à janela pa ssando a admirar o faiscar dos últimos raios do sol que se punha entre nuvens entr emeadas de lindas cores celestiais. Apesar de seus olhos estarem cravados naquel a visão, em seu coração havia um sofrimento e uma dúvida que o atormentavam. Em seu belo rosto sério, via-se uma grande perturbação. Sentia-se prisioneiro de uma situação não reso vida, mas ainda guardava um fio de esperança para poder esclarecer tudo. Após suspir ar profundamente, Sérgio despertou e se desligou dos pensamentos preocupantes. Alguns instantes e consultou a secretária sobre o último paciente. Ficou sabendo que ele havia telefonado pouco antes e desmarcando a terapia. Diante disso, saiu de sua sala procurando por João, mas o amigo estava clinicando naquele momento. Foi quando ouviu a voz forte e alegre do médico que o chamou: Sérgio! Era você mesmo quem eu queria encontrar! - ressaltou animado. Em seguida, o psiquiatra pediu: Pode vir até minha sala agora? Sim! Claro, doutor! Adentraram no consultório e o doutor Edison falou após fechar a porta: Sente-se aí, Sérgio. - Vendo-o acomodado em uma cadeira, circundou a mesa, que os separava e se sentou, perguntando: Tudo bem com você? Sim! Estou com alguns pacientes que exibem históricos bastante interessantes e merecedores de certa atenção. Outros, mostram leves distúrbios de estresse e demonstra m uma rápida recomposição de comportamento. Tenho dois casos mais preocupantes, no qua l os pacientes apresentam distúrbio obsessivo-compulsivo, comportamento e pensamen tos ritualísticos e repetitivos. No primeiro caso, o quadro apresentado causou-me grande preocupação e o encaminhei ao senhor semana passada. É uma moça cujo distúrbio são p nsamentos obsessivos atemorizantes e bem horríveis. - Sérgio não oferecia trégua e, dian te da grande atenção do médico psiquiatra, resumiu: Essa jovem, aos vinte e três anos é e tudante universitária, último ano, e levou um grande choque quando o namorado rompeu o compromisso. Segundo ela, não havia outra mulher pela qual foi traída nem razões ap arentes para ele terminar tão bruscamente. A jovem se sentiu trocada por nada. Iss o a frustrou imensamente. Dizia que o amava muito e era capaz de fazer tudo por ele. Contudo, repentinamente, passou a odiá-lo. Queria vê-lo morto. Então se deu conta d e que os pensamentos, que começaram com idéias simples, passaram a ser impertinentes , fixos, obsessivos. A paciente apresenta uma ansiedade sob controle, muito raci onal. Seu Q.I. é elevado, e isso me preocupou. Porém, pelo fato de ela entender, acr editar e aceitar que existe algo errado em seu comportamento e pensamento, temeu alguma atitude desequilibrada e, sozinha, procurou ajuda profissional aqui. A p aciente relatou que passou a se sentir consternada, desgostosa a partir do momen to em que começou a ter idéias de que a vida familiar seria melhor se o seu pai morr esse. A jovem conta que, a todo instante, era prazeroso imaginar a sua vida, a s ua casa sem a presença do pai, pois ele poderia abandonar sua mãe a qualquer momento . Disse que essas representações mentais surgiam involuntariamente e apesar de ela q uerer deixar de pensar, não conseguia. Você se lembra o motivo primordial que a fez procurar ajuda clínica? A paciente contou que, a princípio, não deu importância, mas quando quis que um de seus professores morresse porque sua nota foi nove e meio, quando acreditou mere cer dez, ficou preocupada. Não só queria que o professor morresse, mas desejava matá-l o e planejava como fazê-lo. Em suas representações mentais, sabia que seria presa e co ndenada por homicídio, então achou ideal matar o professor, o pai e o namorado. Dess a forma, poderia alegar insanidade em sua defesa, já que os crimes pareceriam bárbar os e inexplicáveis para serem cometidos por uma jovem de seu nível, de sua cultura, de sua aparência... Além disso, lembrou que as leis são fracas, pois com um bom advoga do poderia ser absolvida ou encaminhada para tratamento por insanidade ou pegari a a pena mínima. Então, como ela disse, logo após essas representações mentais, sentia com o acordar de um pesadelo e acreditava que estava insana, pois se arrependia do q ue idealizava, pedia perdão a Deus pelas idéias absurdas, horríveis. Mas essas voltava m. Um detalhe interessante foi que a própria paciente percebeu que se entregava à li mpeza de seu quarto, à lavagem de suas roupas, higiene corporal e lavava seguidame

nte as mãos. Comportamento típico de quem deseja lavar as idéias, as representações mentai s ou atos já praticados. Você foi bem eficaz por identificar instantaneamente a seriedade desse tipo de distúrbio e encaminhá-la à psiquiatria. Principalmente por ter em vista a rapidez do p rocesso de desenvolvimento do quadro. Obrigado. Mas eu só tive êxito pelo fato da paciente ser objetiva e sincera, dese jando realmente se ajudar, equilibrar-se. Sérgio, você não acredita que em vez de distúrbio obsessivo-compulsivo, trata-se de u m distúrbio esquizofrênico ou um distúrbio de personalidade anti-social? A pessoa, a p rincípio, parece atraente, inteligente, mas mente, rouba, mata e muito mais, sem q ualquer sentimento de culpa, ou então simula cinicamente arrependimento pelo feito . Não seria o caso? Não. Eu descartei a possibilidade de um distúrbio de personalidade anti-social lo go de início. Conforme poderá confirmar em minhas anotações, analisei que a paciente apr esenta afeto por familiares e amigos, tem vida social e relações sociais positivas, prudentes e não desrespeitosas, tem relacionamento familiar saudável com os irmãos, ap esar das divergências consideradas normais. Os distúrbios esquizofrênicos apresentam c ondições e características mais severas através de pensamentos e comunicações desordenados, comportamento anti-social até bizarro. Os esquizofrênicos perdem a noção da realidade. São psicóticos. Apresentam uma paranormalidade falsa , algo que só existe em seus pensamen tos. Dizem ouvir vozes, alucinações táteis, olfativas ou visuais. Não falam com coerência etc. Diante do silêncio e vendo o médico bem reflexivo, Sérgio perguntou: O que diz sua supervisão desse caso? Falhei? Não! De forma alguma! Fez muito bem tê-la encaminhado para mim. Mas... Lá no fundo, Sérgio, você tem algo mais para acrescentar. Acredita que um brusco término de namoro pode desencadear, repentinamente, uma forma muito diferente de depressão e ansied ade após um único acontecimento que provocou decepção, frustração ou medo? Acha que tudo is o teve início aí, para essa jovem? Não - respondeu categórico. Acredito que esse foi o motivo usado para despertar a lgo adormecido em sua psique, alma ou mente, como queira. Usado por quem? E... Que algo adormecido é esse? Até hoje, a energia elétrica existe, sem que o homem possa vê-la, pegá-la para manipu lar... A eletricidade existe, mas não há grande e considerável entendimento sobre ela. Conduzida através de fios, podemos levar um choque, mas não a enxergamos se não por u m breve clarão quando há o contato com os dois pólos. Muitas crianças e até adultos já morr ram eletrocutados ao chegarem a alguns metros de uma torre de alta tensão sem tocá-l a. De acordo com a umidade relativa do ar, o campo magnético aumenta sua distância d a torre e amplia a propagação da energia, da voltagem e, conseqüentemente, o perigo, p ois a eletricidade está ali, mas não pode ser vista. - Antes que o doutor Edison o c obrasse por uma resposta às perguntas feitas, Sérgio sorriu, explicando: Não quero lhe dar aula de Ciência! Mas já temos muitas provas de que o corpo humano possui energi a e que o pensamento é uma energia. Vemos, aqui mesmo na clínica, que há clientes freqüe ntadores assíduos só das terapias de massagens ou acupuntura, mas essas pessoas, dep ois de serem atendidas por um e depois por outro profissional, acabam dando pref erência a um deles. Isso prova que a energia, o magnetismo do massagista, por exem plo, é mais compatível com determinada pessoa, tornando-se, dessa forma, uma terapia mais benéfica e restabelecendo a saúde física e mental muito mais rápido. Você está correto, Sérgio. Mas minhas perguntas não foram essas. Sim, eu sei, doutor. Só estou defendendo, antecipadamente, a minha conclusão para o que me perguntou. E, só para encerrar, gostaria de lembrar sobre a energia dos pensamentos. São inumeráveis os casos com os quais nos deparamos sobre pessoas que, repentinamente, sentiram uma angústia ou preocupação com outra que, naquele instante, precisava de ajuda ou sofria um acidente. Incontáveis pessoas podem relatar que, s em motivo aparente, decidiram mudar de caminho livrando-se de um acidente. Outra s perderam a hora, sofreram um mal-estar físico ou simplesmente não quiseram entrar em um avião que caiu. Podemos dizer que, de alguma forma, comparando à eletricidade, a energia invadiu o campo magnético dessas pessoas, permitindo-lhes uma comunicação e m nível do que estava acontecendo ou ainda por acontecer. Não se trata de mera curiosidade psicológica a comunicação mental, à distância, entre

s ou mais pessoas, mais conhecida com o nome de Telepatia. Isso é fato! Mas quando uma pessoa escapa de uma tragédia por se desviar do caminho habitual, sem explicação, desiste de uma viagem, perde a hora ou até sofre um mal-estar físico que a deixa pr ostrada, qual explicação você pode me dar? Que é uma comunicação em nível de pensamento. Sérgio, nesses exemplos tem uma única pessoa que se livrou de uma tragédia. Com que m houve essa comunicação em nível de pensamento? Com um espírito - afirmou com seriedade. Continuando: A alma sobrevive após a morte do corpo físico e, sem a matéria, o pensamento é o meio de comunicação do espírito, pois o pensamento é um atributo da alma. Vivo ou morto, sua alma estará onde estiver seu pensamento. Doutor, uma mente se liga a outra através do pensamento e por compatibilidade de afeição ou vingança. Nos dois casos, eu acredit o que há o despertar do que elas têm em comum. Então o espírito aproveitou-se daqueles m otivos para despertar o algo , o sentimento que aquela paciente tinha e desconhecia . O médico permaneceu tranqüilo por alguns minutos bem silenciosos. Depois question ou: Todas essas explicações e comparações foram para me responder que?... A paciente em questão sofre de um distúrbio que pode ser associado ao assédio espir itual recebido de um espírito que se aproveitou de um momento de extrema decepção, que foi o rompimento de uma ligação amorosa. Ela mesma admite que sofreu e se abateu po r sentimentos de desesperança. No entanto, sutilmente, passou a ter pensamentos ho stis e macabros, desejando a morte do ex-namorado, depois do pai, do professor.. . Acredito que a troca de energia mental com idéias atemorizantes, as quais normal mente ela não tinha, levou-a a um distúrbio por não conseguir se livrar de tais pensam entos, os quais se tornaram obsessivos. Por sorte, essa moça não teve qualquer temor ou preconceito em procurar ajuda clínica ao perceber que alguma coisa não estava no rmal em seu equilíbrio mental. Quando relatou sobre seus conflitos internos por me do de cometer algo insano, além de sofrer insônia, da intensa vontade de chorar, inc apacidade de relaxar, tensões musculares e outros sintomas que começaram a abatê-la, a creditei ser o momento de encaminhá-la à psiquiatria e com urgência. É provável que, diant e do quadro apresentado, haja necessidade até de intervenção medicamentosa. Porém... - O lhando-o nos olhos, Sérgio foi categórico: Sem dúvida alguma, essa paciente deve ser c onduzida à religiosidade para que haja uma mudança de hábitos, pensamentos e, conseqüent emente, uma elevação espiritual. Isso não significa reprimir os sentimentos, mas mudá-lo s e isso é reforma íntima! Somente dessa forma, ela romperá o laço de ligação mental com o spírito ou espíritos que se comunicam com ela através do pensamento e cujas idéias, a pr incípio, são sutis, sem importância, como que sussurros da própria consciência, quando, na verdade, são intervenções da vontade de um espírito atuando de mente para mente. Lembra ndo que tanto espíritos quanto pessoas se aproximam uns dos outros pela afinidade, pelas mesmas vontades, pelos mesmos desejos e atributos. A pessoa com elevação mora l e espiritual irá repelir a inspiração negativa, a transmissão de pensamento para pensa mento de um encarnado ou desencarnado que lhe perturba a organização das idéias que po dem levá-la a um desequilíbrio, transtorno ou distúrbio dos mais graves atos insanos, irresponsáveis... - Breve trégua e Sérgio comparou: Imagine a fé, a esperança e o bom âni de uma pessoa com conhecimento e elevação espiritual. Com certeza, isso vai minimiza r suas dores, seus danos físicos ou psicológicos e aumentar sua resignação e paciência. No s casos de intervenções espirituais, compare o conhecimento junto à elevação moral e espir itual com o aumento da umidade relativa do ar, que amplia a intensidade e a distân cia eletromagnética em torno de uma torre de alta-tensão, tornando a voltagem mais a lta ao redor da referida torre. Os que se arriscam, pela aproximação, eletrocutam-se sem conseguir tocá-la, podendo morrer. Assim é a aquisição de conhecimento, elevação moral e espiritual que repelem e, simbolicamente, eletrocutam os que desejam se apoder ar de sua mente sã. Total silêncio até o médico tamborilar os dedos sobre a mesa que os separava e, em seguida, apossar-se de uma caneta fazendo algumas anotações. Apesar de todo o esforço, por sua curiosidade, Sérgio não conseguia ler nada, mesmo esticando o olhar. Por fi m, o doutor Edison perguntou: Tem algo mais que deseja acrescentar? Ah!... Sim. Em meu relatório destaquei essa observação, mas gostaria de reforçá-la. Es

a paciente entrou em meu consultório e, após nos cumprimentarmos e se sentar, me fez duas perguntas interessantes e importantes. Quis saber se, apesar de formado e já exercendo atividade, eu submetia os meus pareceres clínicos para a avaliação de um ou tro doutor mais experiente. Ou seja, se eu me dispunha a uma supervisão. Afirmei e até expliquei que, no meu caso, essa supervisão era realizada por um médico psiquiatr a. E a jovem comentou que não queria se colocar à disposição de um profissional que se j ulgasse auto-suficiente, com sentimento de grandiosidade, pois, na opinião dela, a conclusão clínica seria duvidosa. E, em seguida, me perguntou se meu método era o da Psicologia Junguiana. E o que você respondeu? - perguntou o psiquiatra. Tentei ser breve, afinal, não era minha intenção dar aula. Falei que, em certos cas os, as teses freudianas explicam as influências e experiências em determinados compo rtamentos. Entretanto, sem dúvida alguma, Jung ampliou a visão da Psicologia e da Ps iquiatria ao comprovar que nem todos os transtornos, distúrbios e outros eram excl usivamente de caráter sexual da libido, como Freud afirmava. Com seu método de Psico logia Analítica, Jung designou Tipos Humanos e outros conceitos que explicam um co njunto de representações psíquicas sem qualquer controle efetivo do Eu7. Minhas explic ações foram com palavras mais simples, claro. Porém com essas questões imprevistas, para mim, a paciente demonstrou que realmente deseja ajuda, sabe reconhecer um profi ssional e qualificá-lo. Além disso, aparentou inclinação espiritualista e mais tranqüilida de quando em conversa. O que quer dizer com: inclinação espiritualista? Que a paciente se mostrou resistente a um possível envenenamento mental, ou mel hor, não admite se deixar dominar pela sintonia enfermiça de agentes psicológicos que, provavelmente, possam ser oriundos da energia mental dos desejos de desencarnad os ou até encarnados. Veja, doutor Edison, a comunicação mental a distância é comprovada c omo falamos. Estudamos muitos casos inexplicáveis de pessoas desaparecidas, que já e stavam mortas, e guiaram algum familiar, um desconhecido ou até um policial a enco ntrar seus corpos nos locais mais improváveis. Isso é comunicação em nível de pensamento! Não podemos negar essa possibilidade! Se o senhor... O psicólogo disparou a falar, mas foi interrompido educadamente: Espere. Calma, Sérgio. - Após segundos, o médico comentou: Carl Gustav Jung, o médic psiquiatra suíço que detonou o Pai da Psicanálise, Sigmund Freud, em muitas teorias s obre a libido, com a publicação do livro Wandlungen und Symbole der Libido, cuja tra dução original do idioma alemão é: Símbolos e Transformações da Libido... - tentou terminar as foi interrompido. Mas em sua publicação no idioma português recebeu o título de: Símbolos da Transformaç completou Sérgio sem trégua. Exatamente! - empolgou-se o psiquiatra. Nessa obra, Jung leva adiante sua lin ha de pensamento bem seguro de que o desejo sexual, a energia psíquica que provém do instinto sexual, cujos relacionamentos particularmente importantes aparecem em conseqüência de traumas, influências, experiências sexuais ou desejos sexuais da libido na infância. Essa energia psíquica não determina a conduta da vida de um indivíduo, não te m exclusivamente só o caráter libidinoso imposto por Freud. Jung denominou seu método de Psicologia Analítica, no qual alguns conceitos centrais foram o de: Tipos Psico lógicos; Complexos; Inconsciente Coletivo; Teoria dos Complexos... - Segundos de p ausa e o médico comentou: Nas características da formação dos Tipos Psicológicos, Jung mo tra-nos como são diferentes as psiques das pessoas, ou seja, a alma, o espírito, a m ente das pessoas são individuais! O vocábulo Psyché é de origem grega cuja tradução é Psiqu E na mitologia grega, Psique era a personificação, a representação da alma, do espírito, d a mente, que correspondem a uma coisa só. Ele identificou e descreveu processos ps icológicos que, ligados em várias combinações, determinam o caráter de um indivíduo, provan o-nos que uma pessoa específica tem um comportamento exclusivo. Trabalho esse que demorou cerca de vinte anos no campo da Psicologia prática, experiências e estudos! A Tese de Doutorado de Jung foi com base em investigações do comportamento mediúnic o! - lembrou Sérgio. Sim! E freqüentando sessões espíritas, o Pai da Psicologia Analítica revolucionou o c ampo da Psiquiatria e da Psicologia, como você lembrou. Quebrou ao meio as teses f reudianas de que os fenômenos do inconsciente se explicavam somente pelas influência s e experiências na infância relacionadas ao sexo ou desejos sexuais da libido.

A conversa sobre Psicologia Analítica - Junguiana - prosseguiu até Sérgio argumenta r:

Pensei que não aceitaria minhas opiniões e... Minha Tese de Doutorado, em Filosofia da Religião, foi baseada e defendida com estudos de casos de distúrbios e transtornos com prováveis intervenções espirituais, sem elhantes ao dessa paciente. Sério?! É verdade?! - surpreendeu-se o psicólogo. Lógico! Por que eu mentiria?! - riu o médico. Por acaso o senhor é espírita? - tornou Sérgio, curioso. Sendo o Espiritismo a filosofia mais ampla em explicações racionais e ecumênicas qu e já estudei e estudo, posso afirmar que a religião do psicanalista ou do psicoterap eutas não importa se ele tiver a mente aberta aos esclarecimentos inegáveis da filos ofia e ciência do Espiritismo. Ele deve ser realista aos fatos históricos do mundo c omprovados por estudos. Que ele não queira converter ninguém à sua religião, seita, filo sofia ou até a própria Doutrina Espírita. Quando o paciente não é ateu, não é evangélico ou estante, mas católico, budista, umbandista ou outras religiões ou filosofias espirit ualistas ou mesmo espírita, fica bem mais fácil à terapia e a busca por soluções. Apesar d e espiritualista, ou seja, de acreditar que a alma vive após a morte do corpo físico , os pacientes de linhas religiosas protestantes ou como se denominam: evangélicos , têm a visão ou a compreensão muito limitada, são adversos, totalmente contrários ao mund o real dos espíritos, pois eles só acreditam em céu e inferno. Esses são os pacientes ma is trabalhosos e os que merecem mais atenção e cuidados da nossa parte. - Ele sorriu ao avisar: Respondendo a sua pergunta, sim, eu sou espírita. Um espírita imperfeito e em evolução, mas sou Espírita - riu. Sabe, Sérgio, não há como deixar de admitir essa trina filosófica e científica vivenciando um trabalho como o nosso. Compreendendo os conceitos da Psicologia Analítica, criada por Jung, comprovando os Tipos Psicológic os, o Inconsciente Coletivo e outros... Relacionando com a influência dos espíritos sobre os acontecimentos da vida, os pressentimentos, a penetração das idéias dos espírit os em nosso pensamento, fluido universal, matéria, espírito... Penas e gozos terreno s, a loucura e suas causas... Reencarnação. Não há como negar! É tudo o que vemos em nosso trabalho. É o que procuramos ajudar. As criaturas humanas são diferentes e agem dif erente diante do mesmo fato, pelas diversas experiências em vidas passadas. Como e xplicar um trauma ou distúrbio que não tem origem nessa vida?! Os profissionais ness a área que se negam a essa crença, independente de suas religiões, só posso dizer, lamen tavelmente, que eles são encarnados necessitados de muita elevação moral e espiritual. O medo de conhecer a verdade que os libertarão é tamanho que eles se negam a fazer uma pós-graduação em Psicologia Junguiana, Psicologia Analítica, para terem uma nova visão sobre o trabalho que realizam. Eu não aceito estender assunto e discutir com prof issionais puramente da linha freudiana, inflexíveis por não conhecerem a linha jungu iana. Não seria prudente dar predileção a um método quando se desconhece o outro. Só aceit o discutir as preferências de profissionais da área que possuem formação nos dois métodos, nas duas linhas: freudiana e junguiana. Caso contrário estarão falando de algo que não conhecem... E... Baseados em que, podem defender um e desmerecer o outro? Ambo s os médicos, Freud e Jung, dedicaram suas vidas à procura de explicações para o que vir am, pesquisaram e vivenciaram ao longo de suas carreiras. Eu acredito que cada u m deles viveu para o seu propósito e ambos são importantes dentro do que se propuser am a explicar, cada um a sua maneira. Portanto, como profissionais que somos, de vemos estudar os dois, para em seguida dizermos com conhecimento de causa a quem devemos dar preferência, dependendo do caso em particular. Entende?! - Depois da explicação enfática, continuou: Como você bem lembrou, em outras palavras, as teses de F reud explicam determinados comportamentos, mas Jung ampliou a visão ao comprovar q ue nem todos os transtornos, distúrbios são de origem sexual, como Freud afirmava. Alguns segundos de reflexão e continuou: Negar-se a conhecer outras realidades é au sência de elevação moral e espiritual. Veja, quando eu falo de elevação moral, não me refir a deixar de praticar sexo, ser uma pessoa séria, rígida, sem sorriso, deixar de bri ncar, ser fria diante dos fatos acreditando que tudo acontece pela vontade de De us. Não! Todo extremo é prejudicial! Estamos encarnados para harmonizarmos um débito d o passado ou, talvez, para a nossa evolução e busca de equilíbrio. Devemos praticar se xo? Sim! Mas o sexo é um compromisso de troca de energias espirituais e com provávei s conseqüências físicas como uma gravidez ou uma contaminação por vírus, bactérias e outros

riu com gosto. porém Jung ampliou o papel do in consciente enfatizando que a libido. Esse sentido não me impressiona como no passado.. o que a ciência prova ser impossível. por exemplo. especializei-me em cirurgia c ardiovascular e. Saber com quem trocamos essas energias! Perguntar: que tipo de energias recebi? De quem recebi e quais conseqüências espirituais isso me tr ará? Devemos ser sérios? Sim. Ele me impressionou. representa todas as forças vitais e não somente as sexuais como Freud impôs. eu disse: Psiquiatras! Acordem! Tenham fé e se curem da cegueira materialista do mund o que vêem. . pois acredito ter ganho um outro. hinduístas. a princípio. Posso dizer que é o meu melhor aluno. em neurocirurgia cerebral. sor rindo. capacitado. Hoje. ao desejo de obter qualquer f orma de prazer. com um futuro promissor!. Devo afirmar que fiquei incrivelmente satisfeito e até surpreso com sua análise nesse caso. interferir. ao contrário. quando o assunto é importante. ao término. Mas não deixei a depressão me der rotar e fiz uma nova especialização na área da Psiquiatria.. que é voltar a viver no mesmo corpo físico. na qual não preciso usar os olhos.. Sei que não posso generalizar. Jung quis e buscou o conhecimento de todos os seus Porquês . verdade e explicações científicas. pois a seriedade é sinônimo d e atenção ao aprendizado. Fiquei revoltado... à filosofia espírita. bud stas. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará . traumas ou transtornos de vida anterior a essa. Tudo para Freud era de caráter sexu al e Jung derrubou essa teoria. pensamentos e experiências a partir do nascimento. Devem os sorrir? Sempre que estamos felizes! Mas lembrar que em alguns momentos essa e xpressão de sentimento é inadequada. Eles não aceitam nem os fatos históricos! Continuam protestando se m buscar conhecimento. ou melhor.. Ao contrário dos católicos.. Estagiei.. ou energia psíquica. Mas. Adoro analisar pessoas.disse o doutor Edison. Mas.In stantes de reflexão e contou: Outro dia em. O profissional da área psíquica que buscar conhecim ento em todos os agrupamentos de seus estudos. São teses presas aos instinto sexual. mas não completas e bem limitadas nos sentimentos. Por que me deixou dar tantas explicações e exemplos? Eu e stava a fim de defender minha opinião e pensei que o senhor iria protestar! Não bast ava me interromper e dizer que agi corretamente? Que o senhor entendia por que é e spírita? Eu sou psiquiatra. nem aceitou a reencarnação. o maior Psicólogo da Humanidade e ainda afirmou: A tua fé te curou . entender. Pensei: por que eu? Jovem. será enganado ou uma fatal vítima d a ausência de conhecimento. parece que eu vejo e entendo a alma dos paciente s e não a aparência física . . Hoje em dia o profissional da Psicoterapia o u Psicanálise que se fechar aos novos conhecimentos. entre outras. mesmo sobre uma opinião negativa aos nossos conceitos. Tudo para eles é porque Deus q uer! É milagre de um anjo ou maldição de demônios. Mesmo assim. Repentinamente um aluno levantou a mão e falou: Fiz todo o curso de Medicina. ao espiritualismo reencarnaci onista. Puxa!. vejo e sinto muito mais do que antes! Despertou em mim um outro se ntido humano difícil de explicar. Os jude us acreditam na ressurreição. Queria arra ncar do fundo de sua alma as explicações de sua fé que justificassem seus instintos! P recisava saber qual o alicerce de conhecimentos usados para suas conclusões ou se . protesta nte se inclinaria às aceitações espíritas. A religiosidade pode intervir no profissional. uma aula para uma turma de pós-graduação. Sérgio! . Mas Jung foi muito m ais além e concordava com muitos princípios de Freud.exclamou Sérgio timidamente. depois de pouco tempo. Eu adorava os centros cirúrg icos e sabia que eu era ótimo no que fazia. à budista. Ele não está totalmente equivocado.. Ele não aceitou a lê cega imposta pelo pai.. mas a ma ioria é assim... Obrigado. Mas doutor. por ser judeu. s abem ouvir. existe muito mais além do corpo físico! . bonito. Muitas teses e teorias freudianas são válidas e importantes. pois esses são bem tolerantes. abre um leque imenso de informações e aperfeiçoamento. sem agressividade ou ofensas que firam os outros! Creio que dificilmente um psicólogo ou psiquiatra evangélico. não se aprofundou em estudos de antes do nascimento. Após algumas cirurgias supervisionadas p elo Médico Professor Doutor que reconheceu e elogiou meu trabalho. A religiosidade do profissional pode. à filosofia reencarnacionista dos espíritas. Devemos deixar de brincar? Não! Mas brincar de mo do saudável. refletir. frase do Mestre Jesus. eu estava satis feito e feliz pela minha capacidade. O pai de Jung era pastor protestante . talvez. sofri um aciden te de carro e fiquei cego. Creio que ambos os mestres são importantes e se co mpletam de acordo com cada caso.ntão devemos pensar muito. Talvez Freud. Nem sempre.

Só me resta esperar isso acontecer. Depois perguntou: E o segundo caso? Li suas referências. . E a dona Antônia. Sérgio respirou fundo e sorriu. mas sim como amigo.. Ela v irá. conversam muito e acho que ele conseguirá trazê-la aqui. a paciente retornará a lazer terapia com o senhor! .. de seus desejos e pensamentos. um dia . Procure ficar mais à vontade. Sente-se aí.. avisou brincando: Pode deixar. doutor Sérgio. sensível.f alou de modo brincalhão. Estou preocupado com você. quando tomar conhecimento da realidade dos fatos por outra s fontes. Não acha que merece mais atenção da sua própria parte? Vendo pela primeira vez Sérgio fugir-lhe ao olhar. Penso que poderá s er persuadida pelo Tiago. Tal bloqueio o leva a dar extre ma atenção ao que se dedica. não posso parar minha vida. auxilia-o na repressão de seus complexos ou problemas íntimos e o faz bloqueá-los.. Ah! Sérgio! A propósito. f rágil.. . Parabéns! Você foi ótimo! E. por que estou usando termos clínicos? Força do hábito . Podemos conversar agora ou tem algum compromisso? Podemos conversar.você apenas estava defendendo uma teoria sem o verdadeiro conhecimento. tudo o que aconteceu.Riu de si mesmo e reclamou: Mas que droga. E se não acontecer.explicou o médico. em breve.Sorrind o. sem a inst rução que buscou através de muito estudo. Considero-o muito. O senhor a conhece e pôde notar o quanto ela é educada. Prefir o conversar a respeito dele em outro momento.respondeu educado e levantando-se.. E um caso meritório de atenção urgente e sem dúvida conduzida à religiosidade para mudança de hábitos e elevação espiritual.... tornando-o ótimo no que faz... Não está sendo fácil convencê-la a uma consulta psiquiátrica.. Após segundos.. Fiquei bem atarefado e não tivemos tempo par a conversar.. o s enhor se coloca em último lugar.... . pois qualquer mudança comportam ental pede imprescindível rapidez na disposição de outro método de tratamento.. Acredito que ela corresponderá muito bem aos homeopáticos e fitoterápicos de um modo geral.Um instante de pausa e falou: Gos taria de saber dos acontecimentos com as expressões mais profundas de seus sentime ntos.Suspirou rápido ao afirmar com emoção: Eu amo a Débora! Gostaria de uma oportunidade para explicar a ela o que aconteceu. O seu Tipo Psicológico. Diminuir meus valores e deixar que essa situação . . Estarei atento. mas eu acredito que.. Todos os fatos como em um rel atório encaminhado ao seu comandante na polícia. o rapaz comentou: Sabe.. deprimido. meu irmão. proponha-se a conversar. sinto-me ansioso. Sérgio? Veja.. extremamente introvertido. eu tenha essa chance. Porém. Tenho idade para ser o seu pai e o consider o como filho. A propósito. Con do totalmente com você sobre ela necessitar de intervenções medicamentosas. por você mesmo. rapaz. tem uma personalidade tranqüila. vazio.. . mãe do João. Sem que Sérgio esperasse. É questão de pouco tempo. dará incentivo e apoio. Contou-me só os fatos.. O senhor sabe de tudo e.Sem demora. Além de flexível. mas precis o informá-lo de que não prescreverei medicação química ou drogas fortes para essa paciente . Não entendo como ela tomou essa postura. como referência materna. Quem sabe. sorrindo.. Por quê? Já fiz isso demais. Como o senhor quiser . Quer conversar a respeito? Não me veja como profissional. mas desejaria que fosse agora! Às vezes. Procurou-a novamente? Desisti. Foi por isso que contei o que aconteceu comigo daquela forma tão. Mal detalhamos algumas supervisões e. Tudo aconteceu muito rápido.. confessou com expressão séria: A presença da Débora na minha vida foi algo muito significativo e essa ruptura. A Rita é uma pe ssoa inteligente e receptiva.. Entretanto. doutor Sérgio! Esse caso merece extrema atenção. Se ela precisa de um tempo para pensar e quiser me procurar depois. A Rita e o Tiago são b em amigos. Talvez. Soube. Sei que quanto mais demo ar a tratar de um distúrbio de estresse pós-traumático ou agudo é pior. E sua amiga que desejava tentar suicídio e?. o médico argumentou com tranqüilida de: Não sou somente seu supervisor. Aquele é mais complexo e gostaria de analisá-lo melhor. e a dona Antônia. o doutor Edison perguntou: E você?! Eu?!. Sérgio.

.. Procurando tr anqüilizá-la. o Tiago no outro e eu fiquei na sala sem sono pensando no que te aconteceu! Quer confirmar isso?! Verifique as horas de todas as minhas ligações para você! Acho que estava quase amanhecendo quan do eu desisti de ligar e a Rita teve um pesadelo. foi porque não agüentei mais ficar acordado te esperando! Aquele foi um dia terrível para mim! Você é capaz de entender isso?! . apesar do choro..gritou desesperado. Sérgio. enquanto perguntava baixo e pausadamente: . Estou sentindo um nó na garganta.. Vendo-a surpresa com su a atitude. sem se importar com o doutor Edison que ficou feito uma estátua em pé frente à mesa. nas minhas férias. certo? Além do mais. Ela o interrompeu com a voz mais segura. apesar disso. educado e sem lembrar que estava na sala do médic o: Por favor! Pode deixá-la entrar. Respeite a presença do doutor Edison. Até eu preciso de um tempo para pensar.. pediu.. Débora chorou ao dizer: Eu confiei em você. Sérgio levantou rapidamente e virando-se ficou assombrado ao ver Débora na sala d o consultório. Se não bastasse eu vê-lo dormindo junto com a minha melhor amiga!. a Lúcia se matou por sua causa ! Ficou louca.murmurou o rapaz com nítido nervosismo na voz grave. Depois de tudo. tudo é mu ito recente. Estava com dívidas. Ao encará-lo. talvez.. Imaginei que assumiria seu arrependimento por tudo o que já fez! Que até se propori a a um tratamento.propôs bem firme e ponderado. vil.gritou ela. sentei ao seu lado e conversamos! Se eu peguei no sono.interrompeu-a num grito. Depois continuou: A Débora passava por um momento difícil. Não posso minimizar a concentração no que faço por causa a falta de maturidade de alguém que eu amo e não quer conversar comigo para ouvir a minha versão dos fatos. Naquele instante. Tentei encontrar você. lá no fundo. E sperava há horas e. Sinto que. é capaz de acreditar na Sueli?! Jamais agredi a Sueli.. sem agressões verbais.. Seria irresponsabilidade minha. Débora .. Civilizado?! .revelou.. abaixando o olhar triste e perdido. tão cruel. . Tem muita confiança em si mesmo e é isso o que me preocupa.. pediu gentilmente: Vamos para a minha sala e conversaremos como pessoa s civilizadas. Você é muito inteligente. da dona Antônia. Pare. n conseguiu deter as lágrimas nem a respiração ofegante. a porta da sala foi aberta abruptamente e as vozes feminina s estavam alteradas.. Assim que a secretária fechou a porta. deixando mil recados. encarando-a com olhar firme. existe algo que o aflige. uma coisa que não sei explicar. entrou em desespero. do Tiago.. que está nos ajudando?! Eu sei de tudo. sem o apoio da famíl ia e. sem emprego. Afinal de contas... Você se acha civilizado?! Normal?! Se você não é um demen e. Confiei demais! Pensei que fosse honesto e me pediria perdão. Vamos para minha sala. ele contou: Não tem o direito de me acusar! A Rita tentou se matar! Foi violentada pelo tio! Eu a levei para minha casa.perguntou. inescrupuloso. Mas não! Quer que eu acredite nessa história absurda?! Por que absurda?! Que provas tem contra mim?! Como pode me acusar se não ouviu a versão da Rita. Sinto um medo inexplicável por essa situação que ela p assa e. falou com voz trêmu la: Precisava vê-lo! Precisava olhar em seus olhos para acreditar como alguém pode se r tão cínico. eu cuido de pessoas que pre cisam de ajuda e merecem atenção. po is quero saber do que você está falando! . quando a secretária praticamente gritou: Doutor Edison. eu não pude fazer nada! Ela queria falar com o doutor Sérgio!. Sérgio! Conversei com a Sueli e ela me contou que a agrediu a p onto de ela abortar o filho que esperava! Um filho que era seu! Você a agrediu por ela descobrir o incesto entre você e a Lúcia! Você forçava a sua irmã a se relacionar sex ualmente com você! E na oportunidade daquele assalto. Débora aproximou-se de Sérgio. Mesmo assim.. Isso me preocupa muito.interfira no meu profissionalismo. mas vontade não me faltou! Nunca houve filho alg um! Ela é louca! Como pode acreditar que eu e minha irmã.. é um safado! Acalme-se Débora. Você não sabe o que aconteceu! . Um aperto no peito.. Fui acalmála. mas não retornou nenhuma das minhas ligações! Onde você estava quando mais precisei?! Então a Rita teve de dormir no meu quarto. Débora?! . quando lhe entregou as fotos nas mãos..

deitado de costas.. mas. Vendo-o petrificado. pois sentia doer todo o corpo. Estávamos conversando. completamente nua... . Essas dores são resultados dos espasmos. afundan do em uma sombra.. o rapaz deu um gem ido de lamento alucinante.Como não acreditar na Sueli?! Veja.. Não tentou dizer nada.Lágrimas correram pela face e ela ainda acrescentou: Eu o adoro. apresentou: Este é o doutor Vicente.tornou o outro. Desculpe-me por invadir seu consultório. E.Sérgio tinha as mão s trêmulas ao olhar as fotografias. 20 .. contrações súbitas da muscul tura de duração variável. naquele instante. Alguns passos. Por um instante. Virando-se.. Débora ainda o torturou ao pergu ntar em tom brando: É impressão minha ou esse aqui é você. Débora ainda falou em tom brand o.Apontando para o outro médico. ua irmã. Sérgio sentia-se inteiramente acor . Não conseguia entender o que estava acontecendo. Sérgio estava em choque.. mas espe rei por mais de uma hora e meia lá fora. Como assim? Onde estou? E. doutor Sérgio! Pensei que fosse dormir o dia t odo! . precisaremos imobilizá-lo. Bom dia. fazendo-o olhar para o lado e ver o doutor Edison em companhia de outro médico. contornado pelos cabelos grisalhos e cacheados do amigo. Sérgio ouviu o som de passos vagarosos aproxi mando-se dele.. pálido feito cera. Sérgio?! O que tem a me dizer agora? A versão da Sueli sobre isso é mentira. novamente. Impiedosamente. o rapaz levantou a cabeça e chamou com voz fraca: Doutor Edison. Apesar da visão embaçada.. Em seguida aconse lhou: Não se agite. Eu e a Sueli temos outras. A perplexidade não o deixava concatenar as idéias e um torpor o dominava. pára próximo do leito e o rosto tranqüilo. O Sérgio precisa de aju da... olhando-o firme. doutor Edison.. Seu corpo caía lentamente como se fosse tragado.. Petrificado. a moça saiu sem olhar para trás. Num grande esforço. sem forças e decepcionada: Cuide bem dele. Mas não posso ficar ao lado de uma pessoa assim.Virando-se para o médico.. Sentia a boca seca.brincou. mas sentia os pensamentos confusos. e a Lúcia. . Não quero ouvir mais nada . mas se quer mesmo saber são nove horas da manhã. você re cebe uma medicação intravenosa adequada que vai aliviá-lo da dor. . o rapaz olhou para o médico e acenou positivamente com a cabeça.. pálido e mudo.disse. Calma. . Caso comece a se mex er. até um sopro de frio mortal atravessá-lo como uma espada. Não entendo por que ele me enganou ta nto.pediu a voz tranqüila do doutor Edison. Correndo ao seu lado. o médico o segurou pelo braço ao perguntar: Você está bem? O rosto branco e gelado voltou-se para o doutor Edison e tentou balbuciar.chorou. Calma.. . ma s não conseguiu dizer nada. .. Cumprimentando rapidamente o doutor Vicente. Uma conversa em voz baixa a traiu sua atenção. Através do soro.tentou se defe nder. Tentando se virar. o coração batendo com dificuldade e. não é?! É a sua cama?!..Breno aproxima-se de Débora Remexendo-se lentamente no leito..alegrou-se. * * * Sérgio acordou e se viu deitado sobre a mesma cama. alerta. Isso tem uma explicação.. As fotos falam por si só. deitada sobre você?! É o seu quarto.perguntou Sérgio. Confiei nele. Não sei qual a utilidade. brincando.. Não reconhece um hospital?! . era tomado por uma espécie de adormecimento que começou a reduzir as dores.. Pode ficar com as fotos. fechando vagarosamente a porta. que teve enquanto perdeu os sentidos devido à exaltação inesperad nas funções orgânicas produzida pelo nervoso extremo e estresse. Foi no exato momento em que as lembranças chegaram ter ríveis como o clarão de uma explosão de recordações. pois eu já i a embora.. Que horas são? . olhou para o lado reconhecendo a figura do médico amigo. filho . ela questionou: Ainda quer que eu acredite em você. que escurecia sua visão. surgiu sorrindo: Ora! Ora! .

. você não tinha o direito de apagar os recados deixados na minha secretária! Por que está tão irritada?! De que eles adiantariam?! Para que ouvi-los?! Só se você for masoquista e quiser sofrer mais! E pare de gritar. ao pegar as fotos que entreguei.Débora falava brandamente.Brev e pausa ao perder o olhar ficando pensativa. Apesar de nunca tê-lo visto tão austero. não parava de falar e sua energia devorava o fio de esperança que existia em Débora. Gritou ao dizer que nunca a agrediu e disse com lealdade que não faltou vontade para isso. Esforçando-se para sentar. mas sua voz pareceu fra . Sérgio ainda tentou protestar: Mas eu penso que. falou: Ainda bem que eu tirei cópias ou você seria capaz de dizer que não viu direito aquela atitude imunda d ele com a irmã! Enquanto Yara vociferava e gesticulava andando de um lado para outro.exclamava Yara. À tarde volto para vê-lo e decidir se merece receber alta ou se precisa ficar mais tranqüilo. Sérgio! . Você viu as fotos! Quando contou que mostrou para ele. deixando Sérgio aturdido... No tom de sua voz aflita e firme ao dar tan tas explicações. O doutor Vicent e cuidará de você. Mas. Ela sentia que havia algo errado naquela história. Está aí ao lado. Aproveite e descanse. pediu: Espere. inconformada. ele não entendeu sobre o que eu estava falando. Débora se ntou-se cabisbaixa e desolada. Débora! Depois de tudo o que a Sueli contou e te provou com aque las fotografias!.Virando-se para sair. pois tentava ignorar um frágil conselho que lhe sussurrava no fundo da alma a favor de Sérgio. Se eu pegas se meu namorado dormindo na cama com a minha melhor amiga!. Não suportando. Não pareceu mentir. Nunca vi o Sérg io daquele jeito. Débora estava nervosa com a atitude da irmã e reclamava: Yara. Ele esbravejou e se defendeu bem firme. Você falou e pensou hoje mais do que devia. Sérgio nem pensava enquanto falava. que a Rita estava lá e precisava de mim. Afirmou não haver filho algum.. Em todos disse que tinha a contecido uma coisa grave e pedia para eu ligar. informou: Eu só queria confirmar se o s outros recados deixados na secretária eletrônica foram após esse horário e o que dizia m. o cara não negou! Disse que a Sueli mentiu! Em instantes. apesar de inconformado.. sem dizer nada. Yara! Deixe-me pensar! Por favor! Pensar em quê?! Foi algo que o Sérgio falou sobre a Rita tentar se matar e para eu verificar os recados que ele me deixou e os horários.. apressou-se para acompa nhar o doutor Edison. pedindo para eu entrar em contato. ficou pálido e tentou falar...... porém não sabia o que era. Se eram mais detalhistas!. Ele tremia. a não se r deitar-se novamente ou ler. Eu o conheço. avisou mais calmo enquanto caminhava: Eu trouxe um livro para você. . doutor Edison?! Estou me sentindo bem demais para fi car num hospital! Preciso ir ao trabalho e. O Sérgio não sabe menti r e ele estava bem franco. pergunt ou afoito: Não vai me deixar aqui. Trazendo os pensamentos em ruínas e sofrendo com os conflitos interiores. Mas Yara.. A jovem sentiu verdade em suas palavras. refletindo so bre cada detalhe: Havia sinceridade em suas palavras. * * * Em seu apartamento. O último recado foi quase às duas da madrugada. avisou que estava em c asa. Ah! Eu matava os d ois! Além dessa magnífica cena. Preciso ir. .. em seu o lhar penetrante que invadiu seu ser. O que ele contou e a forma como contou ofereci a ao rapaz um voto de confiança. Ainda tem alguma esperança de que esse safado pode se defender de tudo o que você mesma viu?! Ah! Não! .dado e lembrava-se de cada detalhe do ocorrido.. Quando eu disse que sabia de toda a verda de.. E o que posso dizer por agora..interrompeu-o firme. Ainda disse que me amava... Eu não acredito. No último. confuso e sem alternativas.. .. Perguntou se eu estav a louca. Melhoras! O outro médico ofereceu leve sorriso e. Questionou como fui capaz de a creditar na Sueli. inspirada por espíritos malfeitores. Você não entende! Ele encheu a caixa postal do celular. Tudo há seu tempo! Não acha? Ficará em observação até ar vinte e quatro horas de sua internação. não é.

Pensei que fosse desmaiar. com o ânimo reduzido a migalhas.. c om pensamentos tristes e conflitantes. Você é louca! Depois de tudo o que viu. que não demoraram a escorrer por sua face pálida. Débora se deixava convencer pela irmã. indicando: Você! Seja hábil com o chicote.Reunindo os espíritos que desejava. o sofrimento experimentado por Débora e Sérgio. Se não fosse por ela. tive a impressão de que ele começou a passar mal. avisou: Entre. deixando a coitada tão desesperada que até se matou por isso?! Não acredito que esteja defendendo esse doente. grosso com as palavras e virou as costas te desprezando e não querendo conversar! Pense nisso! Se agora o sujeito é assim.Pequena pausa e comentou menos irr itada: Lembra a mentira que contou ao Breno sobre estar grávida e era por isso que ficaria com o Sérgio? Ele ficou triste.. mas respondeu: . avisou: Mandei subir. E veja como ele é um cara ba cana. No instante em que a campainha tocou. deixando-a ne rvosa. Yara! Não quero conversar com ninguém! Ele ligou antes de você chegar. triste e ele não agüentou saber de seu sofrimento e pediu para vir aqui. Não demorou muito e o interfo ne tocou. porém não sei o que me deu! O Sérgio. Depois de cumprimentar Breno. seus vermes malditos! Somos soldados guerreiros! Ajeitem o grupo e me sigam! . Breno modero u o sorriso. com satisfação e orgulho. eu não t eria ouvido e sofrido por mais de um século.. Não procure justificativas para o que não tem defesa! Ele é safado e esperto! A corda. para organi zar esses atrapalhados. imagine se morassem j untos! Na espiritualidade Sebastião ria com gosto e saboreava.Vend o-os como um grupo de soldados desorientados. Foi frio. quando soube que era mentira. mas não reagiu.gritou Yara. só iria te enrolar ! Ele é profissional nisso! Pense comigo: como você explicaria uma foto com você nua. Eu disse que você estava com problemas. exigindo dos demais: Vamos. Ao retornar. Débora estava visivelmente abatida. apon tando: Vocês! Vão tomar conta do desgraçado do Sérgio! Corram! Ficarei aqui para não perder qualquer oportunidade. Eu não poderia dizer p ara não vir. É o Breno. ouviu e das provas incontestáveis contra el e dormindo com a irmã. o nosso irmão. Yara abriu a porta sem se importar com a irmã. Depois quando soube que foi mentira sua.. as pernas sob re as dele e ele meio coberto por um lençol?! .falou com ironia. Gritando para um grupo de espíritos gro sseiros que o acompanhava.Débora não disse nada e a irmã esbravejo u: Deixe de ser idiota! Queira quem a quer! . Débora! O Sérgio te enganou! Quer continuar te enganando e pelo visto está cons eguindo! Ele não quer manchar a sua imagem de doutor Sérgio! . minha amiga? Ela o encarou com os olhos empoçados em lágrimas. nem ligou e continuou seu amigo.ca e gaguejou. a jovem ficou envergonhada. Mas como?! Não. ou eu mesmo manusearei uma boa tira de couro em suas cos tas para que aprenda botar juízo naquelas cabeças! O servo arregalou os olhos horríveis e inquietos. Essa infeliz precisa pagar por tudo o que fez. com você abraçando-o pela cintura. beijando-lhe o rosto ao pergunta r: Você está bem. com as habilidades no emprego das técnicas sugestivas. Aliás. Contou para ele sobre mim e o Sérgio?! Contei! Qual o problema?! Chega de mentira! Já bastou aquela história que você inve ntou sobre estar grávida do Sérgio só para afastar o Breno. . Sem a Débora. Vão! Vão logo! Os outros ficarão comigo. aquele covarde não teria desertado. Imediatamente Yara tomou a iniciativa de atender. a Débora está aqui na sala. Enquanto isso. Sebastião ordenou como se rosnasse com ferocidade. Secando-as com as mãos. também não disse nada e continuou seu amigo. olhando-se e misturando-se sem sab er o que fazer. Débora! . Sebastião urrou. o servo daquele líder saiu rapidamente para cumprir as ordens de forma alucinada. Sinto um arrependimento por isso!. Eu deveria ter conversado ou ouvido como ele propôs. Agora o Sérgio por qualquer coisinha fica todo nervosinho! Qual é?! Não vou esquecer quando cheguei aqui e vi v ocê chorando feito uma condenada por causa do Sérgio! Um cara que te agrediu com um chacoalhão. o Sérgio fica mais fraco. Ele disse que havia uma explicação. deitada sobre o Elcio. mas não fiquei para saber. aproximou-se e sentou ao seu lado.

para seu espanto... Ela forçou um sorriso e aceitou o copo. Mascarava o caráter a fim de empenhar-se ao máximo para obter o que desejava.Virando-se para o visitante. Manipulador. colocou-lhe os pés sob re o sofá. Débora.. uma atração física qu e o influenciava de maneira poderosa e anormal. sustentando uma bandeja onde sobrepunha xícaras de chá. a f im de satisfazer a paixão compulsiva que experimentava pela jovem. despertando seus desejos mais obscuros.. e conversou sobre a brusca mu-dança do tempo. mas preciso ir. É que. A conversa seguia com aparente tranqüilidade entre eles até que a jovem expressou semblante triste. Frente à irmã. Breno? Quer deitar em seu quarto? Não. O Breno já provou ser um ótimo amigo. agr adecendo. . Procure não pensar em nada. tirou-lhe os sapatos. Aproximar-se e envolvê-la para submetê-la ao seu controle. A moça virou-se sorrindo e se foi. generoso e verdadeiramente amigo. Pensei em levá-la para almoçar. Sei o que é isso. Entretanto. Alguns goles e devolveu-o ao rapaz. Breno foi ao seu encontro. Mudando-se de lugar. Na verdade gostaria de ficar sozinha. Lentamente os pensamentos da moça eram envolvidos por uma sombra que a cegava para não ver a falta de integridade do rapaz. Então fique aí e relaxe. correspondendo à trama de Yara . Ela aceitou e ajeitou-se no sofá.. Desejari a que Breno não estivesse ali. Nem um minuto se passou e a moça se surpreendeu com ele cobrindo-a cuidadosamente com um leve lençol suave e perfumado. o que Débora aceitou. me liga.. * * * Débora despertou sentindo-se atordoada. Entre um gole e outro da bebida morna. Ela experimentou uma sensação agradável ao vê-lo tão gentil. . quase ao mesmo temp o de uma rápida piscadinha: Cuide bem da minha irmã! Pode deixar . torradas e deliciosos e pequeninos pães-do ces e colocou-a sobre a mesinha central. ele ofereceu-lhe torradas. voltou-se novament e para Débora e. Breno colocou o recipiente sobre a pequena bandeja. seus vícios e transtornos. Sentando-se e observando s eu largo sorriso.prometeu o rapaz com leve sorriso. Vagarosamente a jovem foi percebendo que Breno era muito atencioso. Qualquer coisa. no caso. Sua estrutura psicológica estava empenhada na cordialidade e amabilidade a fim de conquistar a t otal confiança de Débora. como um tr iunfo e com a finalidade de usá-la como objeto em situações ou fantasias.. dissimulan do a voz ao lhe dar um sorriso enigmático com o canto da boca. escolhia suas vítimas e escondia suas verdadeiras intenções. Tenho certeza de que vai tirar um cochilo e isso será ótimo.. mas vi que dormia tão suave que. foi até a cozinha e retornou c om um copo com água adoçada.Já estive melhor. Breno? Por que tanto trabalho? Trabalho algum! Acho que não comeu nada o dia todo. nunca te exigiu nada e está presente nas h oras mais difíceis. Foram detalhes que me trouxeram recordações e. sem que ela esperasse. Não quis interromper seu sono. beijou-o no rosto e pediu. Débora chorou e o rapaz ampar .. na verdade. Após entregar-lhe o pires com a xícara.. comentou: O que é isso.Beijando a irmã. Breno se levantou. Breno acomodou-se rapidamente ao lado de la e parecia preocupado ao perguntar com extrema generosidade: O que foi? Eu disse algo errado? Não. Breno. Você não quer conversar e eu a entendo. avisou: À noite estare i de volta. assumia uma conduta educada para seduzi-la. De qualquer forma acredito que estará em boa compa nhia. Débora não sabia o que argumentar. ajeitou algumas almofadas e a conduziu para que se deitasse. Yara anunciou: Desculpe-me. o rapaz se serviu e sentou em outro sofá. O que é isso. Sentia grande necessidade de organizar as idéias e pa ra isso não poderia ter alguém ao seu lado. pedindo baixinho: Beba um gole para se livrar de algum gosto amargo e lavar qualquer lembrança ru im.

compreendendo-a. Na mesa que os separava. Foi uma surpresa absurda! Deixou-me atônito por isso nem sabia o que dizer. conforme me orie ntou e o João também aconselhou.O rapaz falava de modo calmo. olhando os últimos raios do so l que se punha entremeado de bela nuvem alaranjada. Ele ficou sentado.ou-a em seu ombro como amigo. A propósito. Sérgio estava em pé frente à janela.. puxando uma cadeira e a comodando-se mais perto do rapaz. Não o ouço como médico ou psiquiatra. por isso precisava de descanso. tenho idade para ser o seu pai. Estou arrasado ! Quero sumir! Nada em minha vida parece fazer sentido e. No sso relacionamento estava bem harmonioso. ao ver o médico amigo entrando. tornou-se um aluno excepcio nal. Pensava em Débora e desejava tê-la segurado naquela s ala por mais tempo para contar a verdadeira história. A Débora me atacou de uma forma muito cruel.brincou o homem.. expressando um pedido de socorro. Os belos olhos de Sérgio o encararam de modo penetrante. equilibrado e eu resolvi adiar essa co nversa que não me agrada nem um pouco. Sabe. a falta de visita e.... Eles compreenderam e ficaram tranqüilos. Isso só se explica como forma de vingança.. não é? Não posso dizer que apreciei a comida. Depois o tempo foi passando e. contei cada detalhe. Ora! Pelo visto se comportou bem. doutor Sérgio . aproximou-se da cama onde se sentou e comentou em voz ba ixa: Ninguém jamais me fez sofrer tanto. muitos desabafos. ouvindo atenciosamente seu desabafo e afagando-a e ... Estávamos vivendo situações decisivas e importantes em nossas vidas. como já disse. cabisbaixo. Sérgio aind a estava com a cabeça curvada quando finalmente comentou: Tudo o que aconteceu me deixou muito perturbado.respondeu com simplicidade.. envergonhado. Sérgio. Quer conversar um pouco? . . Não acreditou no que eu disse nem me deu chance para explicar. Disse que você não estava se sentindo bem e tratava-se de um estresse mental. por qu e eu não recebi visitas? Foi a meu pedido. Além disso. De repente p erdi o controle da situação pelas acusações injustas e pela forma como foram feitas.. com o canto da boca. A Sueli foi alguém em quem confiei. . em certos instantes..... apoiou os cotovelos e em seguida esfregou o rosto com as mãos. Eu mesmo liguei para seu irmão e sua mãe explicando que não aconteceu nada grave. Longo silêncio e o doutor Edison comentou: Sérgio.. Por essa razão considero essa conversa como um desabafo pela nossa amizade. sentando-se em seguida diante dele. Tinha o olhar perdido no horizonte. meu único filho. Entretanto ainda possuía uma inquietação que incomodava s eus pensamentos. * * * No mesmo momento. louca a esse ponto?! I sso é doença! Ela não tem estrutura nem caráter. Acho que precisava desse descanso. Eu e minha es .. ele pegou uma outra cadeira e puxou um a pequena mesa colocando à frente ao doutor Edison. Você não contou à Débora sobre as atitudes desequilibradas de sua irmã? Não . E para provar essa gran de confiança e consideração que tenho especialmente por você. criado com toda a atenção e orientação. Sérgio abaixou a cabeça. em absoluto silêncio e com um semblante sobrecarregado de profunda decepção. Meu f ilho. Levantando-se de onde estava. Você precisava de um momento a sós. o fez virar-se lentamente.perguntou o doutor Edison. encarando-o. vou te contar que. Lembrava-se dos detalhes que o abateram a ponto de levá-lo a um hospital. segurando a cabeça baixa sem olhar para o outro. Mas a surpresa com a foto o deixou em choque e não soube como reagir. De repente um leve barulho na porta.Breve pa usa e perguntou de modo suplicante na voz grave: Como eu poderia imaginar que a Sueli fosse tão alienada. Sorriu. Não contou a eles sobre a Débora? Não . ela foi muito insensível. eu tinha decidido que era o momento da Débora saber. Uma nuvem de dor pairava em seus pensamentos. Diga-me a ve rdade. mas como amigo. mas. Em seguida completou: A princípio...respondeu. Contu do minha maior decepção foi com a imaturidade da Débora por não me ouvir. Tirava as melhores notas a custo de uma dedicação impressionante.

para onde íamos todo inverno. o cabelo crescer sem pentear e a cada dia dimi nuía minha disposição para um banho. mas não conseguia tirar o Alessandro dos meus pensamentos. é importante que você.. Desfiz-me de tudo. ela me culpava. quando volto u para casa. trará mais sofrimento e dor ao seu filho. prosseguiu: Eu deixei de se r o Professor Doutor Edison. perto de Campos do Jordão. q ueria abraçá-la para chorarmos juntos. Foi morar com os pais e pediu o divórcio. pois meu filho era tudo de mais importante para mim. Deixei a barba grande. Não dizia nada. E eu. as palestras. Entende? . mel hor qualidade de vida e salvar pessoas. Minha esposa precisou ficar internada por alguns dias e. O A lessandro passou no vestibular para medicina com incrível facilidade. Só que.Sérgio acenou positivamente com a cabeça e estava muito atento. ma s meu sócio replicou: Veja com os olhos do coração e contemple mais longe e não só à sua v a.. Ab andonei as aulas. mas eu tinha um sócio. Queria que aquilo fosse um sonho ruim. O Alessan dro necessita da sua força. cuide dele com toda a s ua força e amor que jamais dedicou a um paciente ou a um aluno. levando-o ao cansaço. Eu e meu filho conversávamos muito e ele até me acompanhava assistindo às minhas aulas ou palestras em congressos. Queria fazer neurocirurgia e pensava em outras especializações. mais uma dor. fiquei assustado ao ver dois carros da políci a e um da perícia em frente à minha casa. que gritou. chorou. sisudo. I sso quando o via. Meu filho só dizia que estava sobrec arregado com os estudos e muito cansado.. culpava-me. o médico. dizendo que e u forcei nosso filho ao excesso de estudo. Ele tinha uma namorada. mais um motivo d e desespero. serão profissionais cuja prioridade de suas atividades será proporcionar alívio. silencioso e quase sem piscar. Dei-lhe o divórcio. Não conseguia fazer nada por falta de concentração. . na direção do Alessandro e o trate. Eu estudava um meio de saber. mais d o que precisou durante toda a vida! . Eu respondi que ele estava ficando louco. maltratando-se. rec ebi um golpe mortal quando ele disse que meu filho havia se suicidado. o palestrante.. Eu deixei de ser tudo! O que restou foi só o homem desorientado. Sérgio o olhava surpreso. meus pacientes. principalmente. mas eu achava que era ciúme de mãe. não seja para o Alessandro mais um peso em sua consciência. por ele. com polic iais e peritos entrando e saindo. Eu precisava dela. um dos empregados correu ao meu encontro e. inquieto. Tudo! Eu não cuidava nem da minh a aparência. do seu preparo. Edison. berrou. Chegando ao terceiro ano de Medicina. o doutor psiquiatra. meu filho Alessandro começou a apresentar alterações em seu comportam ento. de seus conhecimentos e. o pai desesperado.. Não existe dor maior ue a de perder um filho! Minha esposa deixou nossa casa. com o coração esmagado.. o que acontecia. mas ela me acusava. Aliás. essa idéia não saía da minha cabeça.Falando calmamente.. após a morte de noss o filho.. se deixar de trabalhar para ajudar os outros. que estava com os portões abertos. . Eu não acredit ava que meu filho havia se matado. D izia que o Alessandro não queria me decepcionar e por isso não suportou a pressão e se matou. se continuar se abandonando.. F oi então que meu sócio me chamou e disse: Se você morrer. Todas as vezes que tentei conversar com minha mulher. ao desespero. Se desistir de viver. Desisti de tudo.. afinal . como pai.... Na manhã em que retornei a São Paulo. Ao me ver. Logo o médico continuou: Nada adiantou. Sem dúvida que experimenta momentos difíceis e muita dor na consciência pelo suicídio praticado. Eu estava sozinho e completament e arrasado. Alguns segundos se pas saram e o homem contou: Acreditei que minha vida tivesse acabado. flagelando-se. Você acha que o seu filho acabou?! Não! Ele vive.Encarando o rapaz com firmeza. mas meu filho só ouvia e não me encarava.. o amigo. Tínhamos uma bela e confortável residência. porque era um pesadelo na vida real. eu era palestrante em um congresso no Rio de Janeiro. Eu sei quanta pressão e exigências existem sobre os alunos de Medicina. Eu passei a usar as mesmas roupas desalinhadas. . Chamei-o para conversar. o médico confessou: Eu p ensei em suicídio. o dono daquela mansão. Dois dias depois de ele me dar essa exp licação. Não me dei por vencido e procurei deixar de ser o pai para ser o co lega.posa não podíamos deixar de ter muito orgulho dele. porém com os olhos empossados nas lágrimas. com a qu al minha mulher implicava. quebrou o que pôde em diversas crises de nervos. Só me restava vender a clínica. uma casa na praia em um lugar bem privi legiado e outra na serra.. agora. Olhe.. Sérgio. descendo do carro. A cada dia o Alessandro se tornava mais calado.

O médico não disse nada. Não qu ero te perder agora que o encontrei. Os dois se entreolhavam firmes. envergonhado esconde u o rosto onde secava algumas lágrimas. Você é um ótimo profissional. Parece que escuto cada palavra até hoje. eu estudei e entendi que meu filho poderia se erguer do vale espiritual tenebroso onde se encontrava através dos meus desejos e pensamento s. mas ele silenciou e somente esperou. outros momentos vão emb elezar sua vida! Lembre-se de que não existe somente a noite escura e fria. Sérgio..será por culpa da decisão tomada pelo seu filho com a prática do suicídio. vejo que. avisou com voz terna: Não quero perder mais um filho. Mesmo um dia cinzento. Isto é. pensa em desistir de você mesmo. perguntando temeroso.Não houve resposta. mas me dediquei e me empenhei como nunca. O rapaz não se conteve. desistir da vida. algo que me deixou inquieto. Sérgio debruçou-se sobre a mesa. P or essa razão. Depois pegou suas roupas e foi se t . Esse sócio é espírita. Cada paciente que cuidava. sem qualquer lamentação. Não disse nada. E apesar de tanto con flito e desespero íntimo. Vejo que se empenha e se dedica extremamente ao trabalho para fugir da sua realidade . Isso não fo i e não é fácil. Não é Sérgio?! . mas. toda a sua fé. Sérgio o abraçou forte. doutor? A consciência. grite.. caia de joelhos. Eu sofri muito. Se quiser uma carona! Eu já estou de alta? . seus esforços. ou missão evolutiva com amor incondicional por todos ou tarefa que não se pode esperar. Sérgio o abraçou f irme e estapeou-lhe as costas.perguntou com a voz rouca pelo choro. auto-estima e reconhecimento de seus valores e limites como se eu estives se tratando o meu filho. mas peça a Deus que o amanhã chegue rapidamente com uma luz forte de confiança e razão.tornou Sérgio. Todas as manhãs trazem luz. Ao vê-lo erguer os olhos para o teto e dar l ongo suspiro. Cre io que foi a vergonha de desabafar que levou o Alessandro à prática tão lamentável... sua alma.riu..Breve pausa e o homem aconselhou. po is você não cometeria esse crime contra as Leis de Deus se ele estivesse vivo . dediquei-me tanto as aulas. puxou-o para um abraço. Após longo tempo. falou: El eve os pensamentos e reze! Se for preciso. Lágrimas correram em sua face serena. trazendo um leve sorriso no rosto avermelhado. sua nada e tudo mais não têm importância. O doutor Edison se levantou e foi ao seu lado. Erguendo-o. proteger e preservar o seu maior tesouro de modo que ning uém consiga profaná-lo e prejudicá-lo.. Por que está me contando tudo isso? Por que vejo em seus olhos.. Sérgio ficou em silêncio e fugiu o olhar sem dar qualquer resposta. O quê? . . caindo num choro sufocado e compulsivo. o doutor Edison falou: É melhor que se troque. escondeu o rosto em seu ombro e chorou como n unca. e o a migo prosseguiu: Use todo o seu poder. Pela experiência que apren o a cada dia.Mais sério. Que tesouro eu tenho. Sérgio se afastou do abraço e. acarretará uma imensurável responsabilidade e extrema aflição. Eu soube por você mesmo de toda a sua história. Vim aqui para avisar. há dias. filho. Nunca soube de sua vida. A mecânica dos problemas humanos não se restringe somente à ciência da Psicologia ou da Psiquiatria.Ao ver encará-lo. Assim como os raios do sol no horizonte são diferentes a cada dia. Você está começando a desenvolver a convicção de que seu trabalho. mas não pensa que me engana não. Algo que vi n os olhos do Alessandro. eu falava buscando meios de despertar suas forças interiores. a sua garra e conhecimento a dquirido para guardar. Acho que me esque ci! Aproximando-se. . A mecânica dos problemas humanos é o resultado do que você fez p or você em muitas outras vidas e pode ser também uma opção para ajudar alguém da sua famíli espiritual. por causa de um brutal e cruel rompimento amoroso. doutor. Sérgio. é mais claro do que a noite.. sorrindo: Aumente a umidade relativa do ar à sua volta! Desenvolva a autoproteção! . A cada aluno ensinei como se fosse para o Alessandro. Na verdade. chore. Os olhos de Sérgio pareciam explodir em chamas como os de alguém que acordasse abrupta-mente com uma rajada de água fria. E se você també tirar sua própria vida. Acredito que suas roupas estejam ali no armário. Ei! . estava. eu direcionava as explicações e orientações para meu filho e em forma de pensamento. seu bo m-ânimo. Quando cheguei. e.

* * * A caminho de casa. embora saiba que é necessário usar a dor em bene fício do próprio Alessandro.. seus medos e. Que vergonha! Vergonha mata. Ao saber da minha busca mais profu nda nos ensinamentos da Doutrina Espírita que me traziam consolo e força interior at iva e construtiva para minhas atividades. No começo entrei em um mundo de escuridão e infelicidade. Meu mundo estava de cabeça para baixo. disse. Todos apresentavam ou contavam sobr e a intenção de suicídio. Arrependido por quê? Por não ter contado para a Débora sobre o desequilíbrio da minha irmã. Querer a mo rte é covardia para enfrentar a vida. As drogas foram vitoriosas. Meu filho escreveu que estava ciente da atitude insensata. meu filho menci ona que passou a fazer uso de drogas para ficar acordado e sem fome para não perde r tempo com a alimentação a fim de estudar e se aplicar mais. Ao contrário de alguns deprimidos de comportamento passi . Falar. Por que se envergonhou. Depois do alerta desse meu grande amigo.. Recusou-se a me receber como visita. Tratei de cada um deles como se fosse o Alessandro. Ela se entregou à progressividade de um estado desesperador tão pr ofundo e por um tempo suficiente que agora acreditamos ser quase impossível modifi car seu comportamento disfuncional. Como todos os iniciant es em vícios. Tentou conversar com ela sobre o lado espiritual de toda a situação? Incontáveis vezes. Dei-lhe o divórcio para não contrariá-la. Apesar de ter-lhe fornecido toda a ate nção. Peço a Deus que o abençoe. Mas seu corpo exigiu mais. Mas ela não aceitou. acreditando que minha v ida não tinha mais sentido.rocar. Bu scar na religiosidade o equilíbrio e o entendimento.falou sério. E muitos não têm idéia da dor e do sofrimento cons ciencial mil vezes pior. pois des ejava arrancar meu filho do recôncavo das trevas. Sentia-se deprimido e envergonhado e não sabia como me contar. lutar e não ter êxito algum. Sérgio .. Fiquei em conflito. Foi à vergonha de contar o que acontecia que o levou à prática de ta manho absurdo. O Aless andro se matou com um tiro na cabeça.. procurar ajuda profissional é coragem. Se o Alessandro não tivesse vergonha. Por mim?! Sim. Ele foi encontrado em seu quarto e deixou uma carta pedindo desculpas a mim por não ter co ragem de contar suas dificuldades.. afirmando que não conseguia mais p rosseguir sem elas. Sérgio comentou com o médico: Enquanto estava no hospital. Sérgio perguntou: Se não o incomoda falar a respeito.. a Jesus que o ilumine e c ontinuo com o trabalho que abracei para aliviá-lo e elevá-lo.. mas acreditava que p oria um fim ao inferno vivido no pensamento e na necessidade do corpo. Mas por incrível que pareça.. chorar. não conseguimos minim izar sua depressão. Um tanto cauteloso. conversar. pediu perdão pela falta de coragem. por se desviar para o caminho da s drogas para o qual eu sempre o alertei. Senti vergonha e dec epção. mas sem desespero e com total controle das emoções. minha esposa abandonou qualquer ocupação.. quando lembro. Sérgio? A verdade é que senti vergonha por causa do senhor. Pensei em desistir da vida. Em determ inado trecho. o retornar a clinicar. ele acreditou que isso seria temporário e logo pararia. poré m minha consciência ela ainda é minha esposa. Em um trecho. eu decidi rec omeçar. E sua esposa? Por mais que tentei e tento. é esperteza e elevação. pode dizer como ele se matou? Sinto imensa dor.. através de psiquiatras amigos. na sua frente. arrependido. A impressão que tive foi de lutar. envergonhado. dedicação e amparo. Não foi fácil. Não peço mens gens mediúnicas com informações dele.. dever e responsabilidade. Não sei como conseguiu aquela arma. l utar. pensei muito. estaria ao meu lado hoje. os paciente chegavam. ela não quis reverter seu quadro de depressão clínica para a tris a comum. Passei o dia pensando: o que vale minha vida? A pessoa que mais amo e que diz ia me amar me tratou como quem ofende um marginal. da perturbação e da dor para elevar sua consciência e beneficiá-lo com o arrependimento e a aceitação de socorro. Toda aquela discussão na sua sala..

vo e letárgico, ela passou para um estado comportamental deprimido, mas agitado e inquieto quando procurou conforto na igreja evangélica ou religião protestante. Logo de início, minha mulher adotou uma conduta severa e crítica de si mesma. Ass umiu a culpa pela falta de capacidade de controlar sua vida. Com procedimentos i rritadiços, freqüentou a igreja evangélica gritando em rogativas intermináveis, julgou-m e demônio. Embrenhou-se na fé cega das crenças irracionais, persistentes e sob os delíri os frenéticos dos cultos alucinantes repletos de uma ovação interminável de súplicas a Deu s, como se Deus fosse surdo. A busca desenfreada por uma espécie de perdão Divino, levou-a a distúrbios psíquicos de falar uma língua estranha da qual ninguém sabe a origem ou a tradução. Tais episódios d epressivos e maníacos variavam e se alteravam. Você sabe que quando o indivíduo experi menta uma grande perda afetiva, se ele não for equilibrado pode vivenciar grandes e diversos distúrbios psicológicos. Essa perda pode ser a morte de um ente querido o u a perda simbólica pela rejeição ou abandono da outra parte. Em todo caso, quando não s e controla a raiva inconsciente contra o outro, esse sentimento se transforma em raiva contra si próprio e, conseqüentemente, em depressão. Fontes de estudos e opiniões de renomados psiquiatras como Aaron Beck, baseiamse em fontes clínicas de que as pessoas deprimidas, na maioria das vezes, pensam i logicamente. Elas transformam pequenos problemas em dramatizações catastróficas e, nas situações realmente difíceis, essas pessoas assumem eternas e indizíveis culpas; amplia m as fraquezas, desesperam-se com a total perda de controle emocional e jamais s e perdoam por desagradáveis experiências do passado. Dentro da visão filosófica, científica e religiosa que tenho um pouco, acredito que a agitação delirante, a fé cega, as crenças irracionais nas falas sugeridas e persuasiv as pronunciadas com muita habilidade por muitos evangélicos ou protestantes, têm a f inalidade de limitar a inteligência das pessoas necessitadas de auxílio na área psíquica ou psicológica. Essa atuação ou representação agitada e delirante é uma das fontes de argu entação usada para convencer os fiéis. É algo que funciona como um gerador de energia en ganoso, temporário, falso, no qual o indivíduo depressivo transfere as suas responsa bilidades e deveres para Deus, bem como a causa de seus sofrimentos, ou seja, se eu sofro é porque Deus quer assim. Essas pessoas transferem sua raiva inconscient e para outra e aprendem a culpar todos à sua volta, incluindo os espíritos, por seus infortúnios e dores, julgando-os demônios traidores e capetas ou diabos inimigos. As mentes maquiavélicas que administram essa linha religiosa para fins lucrativ os se tornam controladoras de vidas, dos comportamentos e das opiniões dessas pess oas com transtornos. Eles usam palavras persuasivas. Alguns desses líderes religio sos, sem dúvida, apresentam distúrbio de personalidade anti-social, pois mentem, ilu dem, trapaceiam sem mostrar noção de responsabilidade. Sempre parecem mais sábios, int eligentes, atraentes para causar impressão. É o típico vigarista que não sente qualquer culpa ou arrependimento pelos danos materiais, financeiros, morais ou intelectua is causados aos outros. Eles usam principalmente o nome de Deus para envolver su as vítimas. Como profissionais, nós sabemos que a depressão grave, sem acompanhamento clínico, terapêutico, resulta em agravamento do estado patológico. Por isso, como era de se e sperar, depois de algum tempo vivendo essa febre evangélica sem acompanha-mento clín ico, por recusar tratamento, minha esposa deteriorou acentuadamente junto do seu estado psicológico, principalmente, ao se dar conta de que doou valores e mais va lores financeiros para os pastores e nada recebeu em troca. Não teve, sequer, algu m companheiro para uma visita amiga, ou seja, acabou o dinheiro, terminaram os s eus direitos de receber qualquer bênção de Deus. Todos se afastaram dela. Não se barganha com Deus. Hoje ela está em uma cama, com um comportamento letárgico e definhando a cada dia . Não fala, não corresponde nem reage a nada e... - Sua voz embargou, mas comentou: Semana passada ela deixou de comer, tomando uma postura vegetativa e por isso es tá recebendo alimentação através de sonda. Seus batimentos cardíacos estão fracos e exames xibem proteínas na urina, um sinal de deficiência renal e... Por não reagir, por não ace itar ajuda desde o início, ela se suicida a cada dia. O silêncio reinou por algum tempo. Comovido, Sérgio murmurou: Nossa... Lamento muito. Eu também, filho. Eu também...

Discretamente o doutor secou uma lágrima que rolou em sua face e nada mais diss e. Em poucos instantes chegou frente à residência de Sérgio. O rapaz estava muito grat o e rapidamente ele pediu mostrando-se animado: Por favor, vamos entrar! Faço questão que conheça a minha casa! O homem sorriu e aceitou: Se não for incômodo... Será um prazer! Dizendo isso, ambos entraram e Sérgio passou a contar detalhes da reforma enqua nto mostrava-lhe a casa. 21 - Opiniões do doutor Edison

Sentados à mesa da cozinha, o doutor Edison tomava uma xícara de chá servido por Sérg io, que sentou-se à sua frente, satisfeito pela companhia amigável. Depois de algum tempo, insistiu novamente: Não quer mesmo que eu prepare um jantar? Será simples, mas rápido! Não, obrigado. É que não costumo jantar. Tomo um chá, suco ou como uma fruta à noite. Puxa! Como eu gostaria de ser assim. Tenho um bom apetite! A idade o fará pensar e agir diferente:, e consequentemente, mudará os hábitos alim entares ou comprará uma cadeira maior e bem reforçada para suportar seu peso - disse rindo. Não demorou e Sérgio comentou com seriedade: Não imagina o quanto me ajudou, doutor Edison. O maior apoio que podemos recebe r, em alguns momentos, é o de alguém nos ouvir sem críticas, descréditos ou pouco caso, não dando importância ao assunto. Os familiares freqüentemente nos ignoram. - Alguns s egundos e declarou: Após a cena tempestuosa lá em seu consultório, tive a impressão de q ue minha vida, minha carreira e qualquer outra atividade praticada haviam chegad o ao fim, não tinham valor algum. Ao acordar no hospital, um sentimento amargo, um a tristeza me dominou. Meus pensamentos ficaram povoados de idéias destrutivas. Se nti que a Débora estava se atirando em um precipício de sofrimento e tortura, e eu, não podendo fazer nada, queria me atirar também. As idéias de desistir da vida, de me suicidar, formavam-se com incrível velocidade e força com procedência desconhecida. Pa rece que eu não tinha chance de pensar e repensar no assunto. Antes de conversarmo s, eu acreditava que os meus problemas, as minhas dificuldades eram as maiores d o mundo. Mas quando o senhor conseguiu atingir e emergir o meu maior complexo, e u desmoronei. Precisei explodir através do choro. Enquanto conversávamos, eu pensava e me conscientizava de que só após a reforma e a limpeza podemos reconstruir algo m elhor. Foi o que você fez com essa casa, Sérgio! Ela estava feia e com problemas, mas a consertou, reformou e a deixou bonita e agradável. A nossa vida é assim! Planejei cada passo da minha vida e suportei cada sacrifício. - Com olhar febri lmente brilhante, admitiu: Não programei a entrada da Débora em minha vida. Nunca pe nsei que existisse uma pessoa capaz de preencher um vazio que eu sentia. Vi nela alguém capaz de ficar ao meu lado, a mulher para me acompanhar em tudo e até a cria tura ideal para ser a mãe dos meus filhos. Eu não estava preparado para um rompiment o abrupto e tão agressivo com as lembranças de um passado cruel pelo desequilíbrio da minha irmã, que agora me atacam pela vingança da Sueli, responsável por tanta decepção, in justiça e amargura. Sérgio, nós temos potenciais que ignoramos. Somente através da nossa consciência alim entada ininterruptamente pelos pensamentos, desejos e ações nobres podemos nos eleva r, curar-nos e ter acesso às esferas superiores. Em um momento de dor, de sofrimen to, de problemas difíceis que não raciocinamos e somos impulsivos, nós deixamo-nos ilu dir e queremos que os outros resolvam os nossos deveres, assumam as nossas respo nsabilidades. Quando isso não acontece, quando os outros não fazem o nosso dever, qu e é o de enfrentar o nosso desafio, nós desejamos morrer e sumir. Quanto erro! Só o fa to de pensarmos no desejo de morrer, de nos suicidarmos para acabarmos com o sof rimento desta encarnação, nós atraímos fluidos tão pesados. E, esses fluidos são tão destru res que se impregnam em nosso campo vibratório e até em nosso corpo espiritual. Como

conseqüência, chamamos para junto de nós espíritos que sofrem pelo suicídio praticado e c omeçamos a sentir angústias, desânimo, desejo de desistir de tudo. Não nos importamos co m mais nada... Depois começam as dores, o sofrimento com doenças que se relacionam àqu ele suicida que se afinou com você e às vezes nenhum exame consegue diagnosticar ess as doenças ou sintomas. Ou então os vingadores do passado, os obsessores, aproveitam -se desses pensamentos, desses desejos e com isso nos enfraquecemos, nós nos deter ioramos, perdemos a esperança e deixamos de evoluir. Se não reagirmos, vamos nos imp regnando a cada dia, a cada pensamento e acabamos deixando nossa mente invadida pela decisão do suicídio, influenciada por espíritos cruéis. O senhor tem toda a razão. As palavras, os pensamentos e as atitudes são energias psíquicas, são a nossa alma e representam todas as forças vitais. Como vimos no caso de sua esposa. Minha mulher precisava de um tratamento clínico e espiritual, porém se negou, rea giu revoltada, sentiu-se reprimida. Ela começou a ser radical quando encontrou, no meio dos protestantes ou evangélicos, aqueles que usaram de influência persuasiva a través da fé cega. Tirando-lhe os encargos, a responsabilidade de enfrentar a vida e transferir suas dores e perdas para os desejos de Deus. Não posso afirmar que tod os esses religiosos de linha protestante são assim. Contudo os que ela encontrou v isavam a fins lucrativos, usavam métodos de controle mental para a hipnose coletiv a. O pastor evangélico a auxiliou a usar mecanismos inadequados de defesa emociona l. Isso não é só um ato irresponsável como também muito perigoso, tanto que o resultado fo i o estado de depressão grave que chegou ao letargismo. Não duvido de que minha espo sa desejasse morrer, pensasse em se matar, mas ela não reagiu e se deixou envolver atraindo o que seu inconsciente queria. Viu como é sério o problema dos mercadores de algumas religiões? Isso é um crime! - p rotestou Sérgio. Não, rapaz. Não é. Visto pelas leis, esse é um país livre e ela uma cidadã considerada pacitada na época em que procurou consolo nessa linha religiosa. Minha mulher pode ria e deveria tomar uma nova postura mental e novas disposições íntimas como: ajudar c rianças num orfanato, ser voluntária num hospital que cuida de pacientes com câncer... Essas atitudes amenizariam a tristeza a médio ou longo prazo, dependendo da pesso a. Certamente ela não ficaria com a mente entregue à angústia e às aflições que a levaram a s transtornos, aos distúrbios psicológicos e uma terapia surtiria um efeito muito be néfico. Algumas facções religiosas utilizam o controle mental para dominar a opinião, as idéi as de seus adeptos. - Argumentou Sérgio que continuou: Aqui no Brasil, desde que t eve início a febre evangélica, após o fim da ditadura militar, nós vemos líderes religioso s manipulando as idéias de Jesus e textos bíblicos para que pessoas desatentas ou se m conhecimento sejam mantidas sob controle e subjugadas pelo medo de irem para o inferno. Foram capazes de criar bíblias novas recheando trechos evangélicos com exp licações em favor da dependência religiosa da linha protestante, mas tais alterações literá ias são completamente contrárias aos ensinamentos Cristãos. O Cristianismo liberta as pessoas! A meu ver estão institucionalizando a religião, principalmente os evangélicos . Concordo com você, Sérgio. A religião foi transformada em instituição lucrativa. Hoje ualquer portinha serve como templo evangélico. Chegam a intitular nomes pitorescos como: Religião de Deus; Religião do Deus Vivo; Verdadeira Casa de Jesus e tantos ou tros nomes que... Deixa pra lá... A irresponsabilidade desses líderes religiosos é grande. Eles usam o controle men tal para escravizar os fiéis desavisados e até ignorantes que se entregam aos alucin ados gritos de perdão e agradecimento a Deus. Eu já assisti. As pessoas ficam fora d e si! É um delírio incontrolável e contagiante! Sim, Sérgio. A isso, dá-se o nome de Hipnose Coletiva. De uma maneira inconscient e, os fiéis são dominados e aceitam as sugestões do líder ou representante religioso que os hipnotizam, ensinando-os a reverenciar Deus, a pedir perdão a Deus e suplicar a Deus de uma forma capitalista. E o que é capitalismo se não um sistema econômico de produções visando a lucros financeiros? O que significa pagar seu dízimo, deixar lá na i greja o seu dinheiro, suas jóias ou algum outro bem material para ser atendido por Deus. Esses templos ou igrejas têm o líder evangélico que injeta na mente dos fiéis um Deus capital, um Deus executivo, legislativo e judiciário! Um Deus que condena ao

sofrimento aquele que não dá sua última moeda. Se você não pagar, não terá crédito com Ele. pastor... Bem... O pastor é o emissário do Senhor que recolhe e endereça as arrecadações. Como psiquiatra eu não deveria falar isso, mas... Como homem, eu vejo alguns pasto res como uma espécie de Psicólogo Subversivo que propaga os milagres daqueles que dera m dinheiro e se salvaram! E o que faz um marketing induzindo os fiéis a uma espécie de comportamento de consumo religioso sem controle, irracional, com fé totalmente cega e, acima de tudo, fazem-nos adotar essa ou aquela prática ou postura preconce ituosa. As atitudes de amor e solidariedade só existem para com aqueles da mesma l inha religiosa, considerando como verdadeiros demônios as outras criaturas de Deus por se inclinarem a religiões diferentes como a umbanda, o catolicismo, o espirit ismo, o islamismo, o budismo, o judaísmo, o hinduísmo e outras. Eu não entendo por que tantas pessoas se deixam dominar pela fé cega, por outros que as mantêm sob um domínio mental, controlam suas opiniões e suas vidas. Lembre-se de que antes de falarmos de pessoas, estamos falando de espíritos com diversas experiências terrenas anteriores a essa. Crendo em muitas moradas na Cas a do Pai, acredito na existência de regiões espirituais inferiores por onde passaram e se encontram espíritos com diversos vícios ou práticas inadequadas e perversidades das mais diversas, apegados às paixões vis e promíscuas, inclinados às discórdias e irritaç , anomalias sinistras no que dizem respeito ao desregramento sexual por práticas c ompulsivas ou animalescas, atos ou pensamentos repletos de energias com desejos maldosos e negativos... Por Deus ser um Pai bom e justo, Ele não confinaria quem q uer que seja ao inferno. Então nas muitas moradas há alguma reservada ao processo de aprimoramento para a aprendizagem, o crescimento, a elevação e a libertação de Seus fil hos que se inclinaram a um comportamento inferior. Vamos pensar e filosofar nas palavras de Jesus quando disse que há muitas moradas na Casa do Pai, Ele disse mor ada e não lugar de eterno confinamento. Quem está em uma morada pode se mudar dela, certo? Concordo. Nossa! Que explicação ótima sobre podermos nos mudar de uma morada. Mas i sso não responde a minha curiosidade - argumentou Sérgio. Calma... - pediu o médico sorrindo e logo continuou: Depois de tantas práticas co ntra as Leis de Deus, milhões de espíritos desencarnados são atraídos por suas condições me tais a terríveis estados de perturbação ou Umbral, experimentando verdadeiro inferno n a consciência. Lembrando que o Universo é a Casa do Pai, esses irmãos se encontram em alguma morada dele. Para esses espíritos, é tão sofrida e pavorosa a experiência que ess a parece eterna. Quando o espírito se recusa, nega-se a harmonizar o que desarmoni zou, experimentará a reação de suas ações, sofrerá o mesmo efeito do mal que causou, pois o mal só se corrige com o mal. Deus não se esquece das grandes regiões expiatórias e trevosas na espiritualidade. O benefício da reencarnação chega inclusive ao espírito rebelde, mas desgastado pela angús tia vivida nessas regiões de sofrimento. Então ele reencarna para minimizar suas ten dências viciosas e maldosas. Reencarnado ele tem a benção do esquecimento de vidas pas sadas no seu consciente, mas de seu inconsciente não se apagam os erros cometidos, suas tendências ao mal nem a sua aflição e dor nas faixas vibratórias muito inferiores quando desencarnado. Por isso cada indivíduo tem suas lutas e conflitos internos, seus distúrbios ou desequilíbrios ou síndromes. Veja... Eu acredito na existência de igr ejas protestantes sérias e capazes de ensinar a prática da solidariedade e do amor C ristão que se tornou algo secundário para outras igrejas evangélicas. Existem pastores protestantes, assim como padres, dirigentes espíritas, pai-de-santo ou mãe-de-santo em centro de umbanda, entre outros líderes, muito honestos! Como também desonestos! Isso independe da religião, mas sim da dignidade, da honestidade, da elevação da cria tura humana. Até onde me levaram as pesquisas, a maioria das igrejas evangélicas é liderada por qualquer um, por isso se tornam um capitalismo, uma forma de vender algo e lucra r com isso. No caso, eles vendem religião, promessas de algo melhor em sua vida, v endem perdão. Analisando pelo lado clínico, pessoas desse tipo como líder religioso, têm a tendência ou postura do distúrbio anti-social e são capazes de mentir, forjar, trap acear, representar de todas as formas possíveis, sem arrependimento e, cinicamente , usando o poder de persuasão. Dará o máximo de proveito a seu favor. Dentro da propos ta religiosa imposta pelo protestantismo, alguns líderes evangélicos encontram a exc elente oportunidade de colocar em prática compulsiva a sua personalidade anti-soci

al, pois agem como verdadeiros vigaristas ao descobrirem um meio de dominarem os pensamentos e as idéias dos seguidores. E é por meio dos cantos de hinos e gritaria frenética que se obtém a Hipnose Coletiva para inebriá-los e conseguir com que façam do ações e mais doações, fé irracional e tudo mais o que sabemos. Todos se esquecem dos ensinamentos do Mestre Jesus sobre não ser como os hipócrit as que se comprazem em orar em pé nas sinagogas e nas ruas para serem vistos pelos homens... E, quando orando, não usar de vãs repetições como os gentios que pensam que p or muito falarem serão ouvidos. Portanto, quando orar ao Pai que está no Céu, entra pa ra o teu aposento e feche a tua porta. Ora a teu Pai que está em oculto, e teu Pai que te vê secretamente te recompensará. Lembrando que as sinagogas correspondem às ig rejas e templos religiosos. Quanto aos fiéis, o que os leva a crer em colocações sem raciocinar e na realização de verdadeiros espetáculos para gritar sobre sua fé... Bem... Podemos tomar como exempl o que alguns deles são espíritos que permaneceram em sofrimento nos baixos círculos vi bratórios da espiritualidade pelas suas práticas delituosas, perversas ou tendências v iciosas. Agora, encarnados e mesmo com o abençoado esquecimento do passado, eles t emem essas regiões expiatórias trevosas nas quais os espíritos inferiores, escravizado s, perturbados, desesperados padecem em extremo desespero. O medo inconsciente d e retornarem para essas moradas espirituais aflitivas é tão intenso que eles mantêm um comportamento de medo a Deus, tomam uma postura de crer no céu e no inferno, colo cando-se aos berros para rogar, tal como faziam quando desencarnados. Alguns del es adotam essa facção religiosa, porém não mudam o hábito ruim, continuam com um comportam ento moral indigno, são delituosos nos pensamentos, nas palavras e ações, mas acredita m que pedindo perdão, entregando o dízimo e pagando pelas orações, oferecendo dinheiro p ara que seu nome seja escrito no Reino de Deus... Os levarão para o céu. Como profissional nessa área, você sabe que existe a pessoa que passa por um períod o de tristeza, algo diferente da depressão, um estado mais intenso e persistente d o que a tristeza. Muitos pensam que Deus é um prestador de serviço que precisa ser pago a fim de no s dar o que queremos. Deus é o Criador de todas as coisas! Tudo é Dele! O que Deus q uer é a nossa responsabilidade de amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como a nós m esmos. Então vemos algumas pessoas desiludidas porque não foram atendidas. Elas quer em fugir das responsabilidades, ficam tristes, desesperadas e vão a um médico mal in formado que chega à conclusão de que estão com depressão. Você tem reparado como é grande o número de pessoas, atualmente, que dizem ter depressão? Existem vários graus ou estágios de depressão. A depressão não é o fim do mundo! A maioria das pessoas já experimentou um estado dep ressivo e nem sabe. Porém existe a depressão mais acentuada, em que o indivíduo neglig encia suas responsabilidades e precisa de auxílio profissional. Muitos acontecimen tos na vida podem prostrar uma pessoa à depressão, mas ela pode reagir e buscar em d iversas atividades o prazer de viver. O senhor disse que a grande maioria dos evangélicos é preconceituosa, por quê? Se forem convidados, os evangélicos vão às igrejas católicas, aos centros espíritas, a s centros de umbanda, ao templo budista?... Não! Eu fui convidado para um casament o em uma praia e a cerimônia foi umbandista e eu fui! Achei interessante, bonito.. . Voltei de lá do mesmo jeito que fui, só que com alguns conhecimentos sobre algo di ferente. Já fui a incontáveis casamentos católicos e assisti a várias missas. E em que i sso me afetou negativamente? Em nada! Reparou que grande parte dos protestantes ou evangélicos nunca reza o Pai Nosso? E sabe por quê? Por causa dos ensinamentos qu e a prece pronunciada por Jesus traz para a reflexão. Um desses ensinamentos é Perdoa i as nossas dívidas assim como perdoamos àqueles que nos tenham ofendido . Aos evangélic os não é ensinado o perdão ao próximo, eles só perdoam aos que se converteram à sua facção iosa, o resto vai para o inferno. Isso tudo é ou não é preconceito? Empresários, líderes d e equipes, diretores, presidentes, gerentes, administradores, engenheiros, arqui tetos ou outros que são responsáveis por uma equipe de profissionais e são evangélicos, procuram contratar funcionários evangélicos e, quando descobrem que um funcionário é umb andista, espírita, católico etc., procuram demiti-lo. Esses religiosos perderam o la do humano da vida. Só eles são puros e estão salvos no Reino de Deus, o resto vai para o inferno. Se acreditarmos na existência do demônio ou do satanás com o poder grandioso que os

Os dias tornaram-se semanas e semanas viraram meses. Muito obrigado por tudo. o outro psicólogo. Fique com Deus. Ora! Não fiz nada .. Espere um pouco! . sem raciocinar e se deixando induzir na fé cega. Um grande número de espíritas se acreditam com todo o conhecimento fil osófico e científico da Doutrina Espírita. Não demorou e o homem decidiu: Bem!. Por intermédio de Rita. que não o procurou. cantos e rogativas intermináveis a Deus pert urbando o sossego alheio com tanta e tamanha barulhada. apesar de experimentar muito abalo em seus sentimentos. A opção religiosa traz a manifestação do conteúdo inconsciente para s revelações de expressões exteriores exibindo. E. devem tomar cuid ado com o insano desejo de ir para o Reino de Deus e até pagar por isso.. o seu Eu. quando saiu para tomar um ca fé. sem qualquer esforço. por intermédio do comportamento.evangélicos lhes dão. Com o pequeno copo descartável na mão. João . sua alma.pediu João.. Porém trazia o coração apertado e doloroso pela ausência da namorada. O médico silenciou enquanto Sérgio ficou pensativo. Mas tem uma coisa que me irrita: nós somos sócios. que é a Inteligência Suprema e Criador de todas as coisas. e viu o consultório de seu amigo João com a porta entreaberta. você tem meus telefones e e como me encontrar a qualquer hora do dia ou da noite. Espero não precisar incomodá-lo. não importa a religião ou filosofia. entretanto experimentava uma profunda tristeza mesclada de angústia e preocupação por não ter quaisquer notícias de Débora. então teremos dois deuses: um bom e outro mau.reclamou Nivaldo com veemência. meu amigo . ele soube que Débora s implesmente abandonou o curso universitário nunca mais comparecendo às aulas nem pro curando qualquer amiga. Sou capaz de entender a decisão do dout . e depois admitiu: Como eu estou fazendo agora! Veja. Disfarçav a e não comentava mais nada sobre o assunto. Não sei por que você está irritado! Ah! Mas me sinto prejudicado sim! O Sérgio tornou-se o queridinho do doutor Edi son e por que nós não?! .. Já é tarde e eu só ofereci minhas opiniões como pessoa falha e se m evolução. avisou: Sérgio. Isso é o resultado do inco nsciente temer o inferno que vivenciou no estado de perturbação e os prende num prim itivismo mental. Mas eu gosto de ressaltar uma coisa: muitas dessas formas de vida e conduta s e enquadram também a muitos espíritas oriundos de regiões sombrias onde há gritos e rang er de dentes. a sua v erdadeira personalidade. E já que Deus criou tudo e é dono de tudo. entrar em contato.riu. Normalmente eles são criaturas desrespeitosas ao perturbarem a paz pública com a gritaria tresloucada em suas igrejas. Afinal d e contas. isso o que o doutor Edison fez não nos prejudica em nada. Só existe um Deus. cauteloso. O rapaz não comentava com ninguém. Era fim de tarde. apreensivo e inquieto.argumentou João bem sério . Trabalh ava na clínica e estava mais tranquilo. pois o in ferno também faz parte do Reino de Deus. o inferno que muitos acreditam também pertence a Ele! O inferno per tence a Deus! Os evangélicos. Preciso ir. são pessoas cujo comportamento humano ap resenta quem eles são.disse. isso não nos diz respeito. exigindo-lhes muito . encaminhando-se à porta. 22 . Sérgio aproximou-se e sem querer. ouviu: Foi isso o que o doutor Edison propôs para ampliarmos a clínica. Até quando o d outor Edison ficará bancando a parte financeira que cabe ao Sérgio e pedindo para nós não comentarmos nada?! Nivaldo.A benfeitora Laryel interfere no suicídio de Sérgio As horas deram lugar aos dias. e ra seu costume sair da sala para relaxar e se refazer por alguns minutos após um p aciente e antes de atender outro. mas não conseguiu. mas são incapazes de respeitar a fase de cres cimento individual das pessoas espíritas e não-espíritas. Tentou procurá-la.dizia Nival do. A moça havia sumido completamente. Isso o deixava cada dia mais aflito. A fim de se sentir mais recomposto para clinicar entre uma e outra terapia. Não fui espírita. . Sérgio teve uma grande mudança em sua vida quando deixou de ser policial.Levantando-se.

sempre é o último a saber! Ou então ssa por vítima! Aproximando-se.. Atendendo aos impulsos de vibrações mentais que lhe chegavam. insuflavam-lhes idéias de queixas infundadas. ao perceber que você. Nessa época.Disse Nivaldo experimentando o sabor da inveja e do ciúme que espíritos maldosos faziam despertar em seu íntimo. parte elétrica .. porém.vociferou João. ausência de amor e tormentos de incompetência. Não me sinto prejudicado nem ofendido. Sente-se aqui!. ciúme. ficou muito atento entre os dois. os quais pertenceriam ao Sérgio e. Eles não podiam ver. esse professor doutor foi e é o nosso supervisor individual. o douto dison valeu-se de seus serviços prestados com a pintura. vou ti contar tudo! . Houve um choque nos pensamentos e conflitos nos sentimentos dos três companheir os que.João foi para o outro lado da mesa perm anecendo em frente aos colegas e. fracasso das próprias obras. encarando o outro com olhar feroz. Não estamos falando sobre suas capacidades! Acho injusta a postura do doutor Ed ison! Algo tão inadequado que nem ele quer comentários a respeito dos custos finance iros pagos. Vá ao que interessa! . Se não sabe. encanamento. um alvoroço de criaturas participav a do que acontecia em estado de polvorosa agitação. O Nivaldo não tem idéia do custo dessa mão-de-obra se contratássemos um. qui s lecionar em um curso de Psicologia? Como não entendi também o que o levou a querer fazer parte dessa sociedade na clínica e nos dar diversas idéias para as outras áreas de atendimento que temos aqui?! Ele deu idéias e mais idéias. Sérgio perguntou com voz tro vejante: Primeiro. Para isso.. principalmente. o doutor Edison . por que um Médico Psiquiatra e Professor Doutor.questionou Sérgio em tom grave após entrar e dar leve empurrão para que a porta se fechasse às suas costas.exigiu Sérgio. quero saber o que aconteceu?! Segundo. ele é excelente profissional e muito requis itado por seu trabalho sério e responsável. Mas procurava se manter calmo. Porém. Nivaldo! Vai devagar! . o Nivaldo não está reclamando. O Sérgio mereceu o apoio ou a ajud a que teve. um médico psiquiatra e nosso professor e doutor. Sérgio! Você também. Locaríamos um lugar com três salas par a atendimento. na espiritualidade. atos e resultados de seus esforços íntimos. que nós dois não ousamos ajudar! Além disso. Virando-se para Sérgio. Não tente ser gentil. repentinamente. As coisas não s sim! Ajam como pessoas civilizadas! A meu ver. so rriu com ironia e pediu mais brandamente ao puxar a cadeira: Venha cá!.or Edison. Sérgio.. Além disso. Foi um serviço aqui.. Sérgio. puxando outra cadeira onde se acomodou.. Não sei ou não entendi bem. tão qualificado. Do que vocês estão falando?! . Insatisfeito com o que acontecia. João olhou para Nivaldo. Desejo que acompanhe cada passo. cruelmente.. incapacidad e.determinou Nivaldo que continuou: No começo pensamos em algo simples. e Nivaldo revelou em tom moderado: Aconteceu o segui nte.Sérgio perguntou com muita firmeza e até sisudo. tiveram suas mentes invadidas pelos desejos deliberados desses espíritos inferiores cujo propósito era abalar a harmonia em todos os sentido s. o Sérgio é bem esperto ou muito idiota para não entender como conseguiu se manter nessa sociedade! . Tentavam influenciá-los com sentimentos destrutivos de inveja. O doutor Edison nos orientou no trabalho de conclusão do curso . não tinha condições de ser sócio em uma clínica maior e mais moderna. Nivaldo atacou com palavras: Sérgio. pelo jeito você é igual ao marido traído. t entou justificar cauteloso: Veja. Acontece que ele não acompanhou o trabal ho realizado por você antes da abertura da clínica. Esses espíritos procuravam confund ir e intrigar os três amigos no trabalho devotado e sincero dos profissionais resp onsáveis. João! Eu quero saber sobre o doutor Edison custear ou pagar por valores que me pertenceriam e não querer comentários! Que história é essa?! . quem é você para ter a ousadia d e falar assim comigo?! Calma.. ficou sabendo da nossa idéia e a aprovou com satisfação. Sérgio: lembra-se de quando nós três tivemos a idéia de montar uma clínica para atend ermos como psicólogos? Dessa parte eu sei.. Vamos aos detalhes! . outro ali. outra de espera com uma recepcionista. alvenaria e até sua disposição para decoração e para acompanhar os prestadores de serviço . pelo fato de ele executar serviços braçais nesta clínica. que perdeu a fala..

distribuirmos e ampliarmos a recepção. A idéia é: termos mais salas e alugá-las para outros profissionais da n ossa área ou das terapias alternativas. Por essa razão o doutor Edison sempre cuidou sozinh o da contabilidade e pediu nosso sigilo sobre esses fatos. Trazendo uma frieza no semblante. incompetência e desvalorizado por seus colegas. em tom envergonhado. fazendo-o sentir-se diminuído. financeiramente. indignação. . Vendo-o se levantar e indo à direção da porta.pediu Sérgio. Você não tem o direito de. Percebendo o olhar insatisfeito de João. Há pacientes espera ndo! Sérgio sobressaltou-se. acres centou: Eu não sabia. ainda tenho paciente esperando. Para is so ele está cuidando da compra do prédio ao lado.. Acreditou na traição do médic o amigo e de seus colegas. prosseguiu com sarcasmo: Tal vez por vê-lo com problemas familiares que o fizeram mudar de casa. meu amigo . . mas você saiu da polícia e não tem outra fonte de rend nem reservas. . Tudo isso causou piedade no doutor Edison. saindo em seguida. Repentinamente João. sem perceber. Suas idéias e emoções vinham de baixo círculo espiritual com representações mentais. ou problemas s entimentais com o rompimento com a Débora que o abandonou por outro. Afinal. esforçando-se para não se alterar.. você tem condições e conseguirá fazer parte. Deixava-se envolver por estímulos de influência inferior. ficar inte rnado.gritou João.. dessa sociedade ou continuará sendo apadrinhado pelo doutor Edi son? Eu não sabia disso!.. Cont udo esses sentimentos eram verdadeira expressão da espiritualidade inferior que bu scava um jeito de destruir ou desarmonizar o trabalho honesto e caridoso. Sérgio precisou de muito esforço e concentração para oferecer a mesma qualidade profi ssional de sempre aos dois últimos pacientes que atendeu.O amigo virou-se e ele pediu: Pode me dar uma carona? Sim . Nivaldo completou: Agora existe a oportunidade de aumentarmos a clínica no início do próximo ano. mas em da ta e horário oportunos. alertou: Acredito que todos têm trabalhos mais importantes no momento. era arrastado à sintonia e receptividade das vibrações negativas e ma ldosas. Nivald o. e Nivaldo avisou: Não. mesmo abalado e contrariado com a situação. Não sabia.. Não conseguia dominar os pe nsamentos elevando-os e refletindo melhor sobre o que deveria fazer. é difícil um de vocês encami r alguém para mim quando suas agendas estão lotadas ou quando o caso merece atenção e ac ompanhamento de outro profissional. O olhar de Nivaldo parecia desafiá-lo ou provocá-lo pela inveja da capacidade do outro com misto de ciúme pela atenção especial do supervisor e sócio doutor Edison. Espere João .Breves segundos de silêncio e perg untou insensível: É o seguinte. Com voz baixa. Contudo foi o doutor Edison quem pagou alguns custos da sociedade que te pertenceriam quando viu que não teria mais condições financeiras a o vê-lo falar em vender o carro.afirmou João severamente. E outras ac usações duvidosas. Um sentime nto nunca experimentado antes lhe invadiu a alma ferida. Eu também . mas em mim não! Até à sua amiguinh a suicida ele está oferecendo atendimento gratuito! Pare com isso Nivaldo! . desmaiar.. Eu não tenho mais ninguém para atender hoje.indagou pasmado. Por isso disse que tal mão-de-obra cobriria as d espesas que caberiam a você.. mesmo! Jamais aceitaria uma situação em que recebesse q ualquer lucro com o prejuízo de meus amigos e sócios por investirem mais do que eu.riu Nivaldo com desdém e ironia na fala. real . Agora preciso ir. Sentia-se humilhado co m sensação de incapacidade.para as divisórias e outras coisas. Sérgio.Encarando o rosto sér io e pálido de Sérgio... Não sei o que levou o doutor Edison a adotá-lo. Se era seu intuito ver um sentimento de desconforto e discór dia entre nós. Devemos fazer uma reunião a respeito disso. Nivaldo. você conseguiu! Agora me dêem licença. Depois avisou: Essa situação não vai ficar assim. Sérgio absorvia e reproduzia em seu campo mental os impulsos à baixa auto-estima.murmurou Sérgio.afirmou em voz quase inaudível. Por que não me contaram?! . Vamos nversar melhor depois. eu acredito que você ultrapassou todos os limites do bom-senso por hoj e! .. Algo tão comprometedor que o fez passar mal. Nunca tinha sido rebaixado moralmente como naquele mo mento diante das verdades ultrajantes. João o chamou: Sérgio! . Nivaldo abaixou o olhar e se retirou. conceitos e opiniõe que o envolviam em extrema aflição. deixando-s e abater.

.Ao final do expediente. Lágrimas correram de seus olhos. acabei de verificar. Que humilhação! Devem me julgar pobre. Vamos? Só nos resta ir.Ao ver o outro silencioso caminhar para os fundos. . Então multiplique os seus talentos e se motive a p ensar no futuro e não no passado. tantas noites em claro?! Nunca tive apoio da minha família. que pareciam inquisidores ressurgidos da Idade Média. Obrigado. . não sou invejoso nem incapacitado ou ciumento. Ah!. professor e amigo digno. na sua capacidade. só para conseguir um horário q ue me facilitasse estudar. João . mas você me prejudicou até d pois de morta! Desgraçada! . tem dignidade e muita eficiência. Imaginava com um misto de vergonha e raiva. Porque se não fosse o doutor Edison a te ajudar. Sérgio quase não oferecia atenção aos a gendamentos e recados que a moça lhe mostrava.. De que adiantou tanto esf orço. perguntou sem demo nstrar seu sentimento piedoso: Quer conversar? Não. foi por merecimento e não por acaso. Que droga de vida! . fazer estágios!. Isso é pe rda de tempo e de valores. Nun ca pude contar com ajuda financeira deles! Passei por tantos problemas. está ajudando a mim também. traído por ser o último a saber. Obrigado. Não quero lhe dar sermões.. Mas gostaria de lembrar o que um professor nos disse e m uma aula: não sejamos coletores de lixos que as pessoas jogam sobre nós através de op iniões mesquinhas. Com os olhos empoçados em lágrimas.Após um leve sorriso. Sérgio! Não medite sobre ninharias. . E eu não contei por respeitar e concordar com a vontade desse médico. A caminho da casa de João permaneceu em absoluto silêncio. Como me decepcionei com você! creditei em seu amor. gritava em pensamento. * * * Chegando à sua casa. seus pensamentos fervilhavam e Sérgio não continha as recor dações e idéias rápidas que lhe surgiam. na sua integridade e... mas o médico não estava... sem se inibir.. Quem ma is deve saber dessa história? As recepcionistas? O pessoal da terapia alternativa? . pesquisar. sei que faria o mesmo por mim. Encontrando-se com João no corredor. Como não bastasse a Débora.. Sérgio experimentava imensa sensação de inferioridade. seria eu! Porque somos amigos e eu acredito no seu esforço.o rapaz agradeceu com um travo na voz que embargou. Você ma pessoa importante na vida dos outros. s em recursos ou então um aproveitador esperto. Alguém sem escrúpulos que se fez de vítima e chorou suas pitangas. tantas f rustrações e dificuldades!. supervisor. Ninguém imagina quantas dificuldades enfrentei! Não sabem como precisei me submeter ao autoritarismo de alguns superiores hierárquicos . O colega respeitou. o amigo comentou descontraidamente: Sobrou para nós fecharmos a clínica. O amigo nada disse. Mais uma razão por não ter contado: porque não fui prejudicad o.João suspirou fundo e desfechou: Se recebeu algo. Qu alquer coisa me liga ou venha direto para cá. Obrigado pela carona. quando alguém o favorece. Jamais desconfiou de que seu triunfo fosse pela ajuda de outra pessoa. sob suas visões sujas e podres a respeito do que realizamos com a consciência tranqüila . Não disse m ais nada. Realmente sentia-se enganado. mas. dramatizando para os outros sentirem pena. informou: Já está tudo trancado.. Até a Lúcia! Que Deus me perdoe.. frente à recepcionista. pergunta ndo: Por que você não me contou? Por acreditar que. pensava com grande amargura. Toda essa reclamação em pensamento atrai espíritos ngadores ou de pouca evolução que oferecem reforço às idéias e críticas destrutivas. sem dúvidas. ele maquinalmente foi até a sala do doutor Edison. -Respeitando seu silêncio. Depois de agradecer pelos serviços e dispensá-la. Provavelmente falaram muito às minhas costas . Sérgio! Não.. sério e r esponsável. Vendo o outro descer do carro. Você agiu com honestidade. da minha mãe!.. Obrigado. Sérgio o encarou firme. Vamos entrar. foi embora. .. completou: E eu sei que você faria o mesmo por mim . incapacid ade e tristeza intensa. reclamou pela falta de bens materiais e dinheiro em mei o às mudanças e acontecimentos. ao vê-lo estacionar frente à sua residência. Talvez tenha surgido outro em sua vida e essa foi à oportunidade de . em sua compreensão! Mas você acabou com a minha paz quando não q uis me ouvir. disse: Já que não quer entrar.

Wils on virou-se para um dos elevados companheiros que entendeu a mensagem de seu olh ar e pareceu desmaterializar-se. Sabemos que Sérgio não necessita experimentar tais e xpiações porque se determinou a esse reencarne por amor aos irmãos presos pelas amarra s psicológicas da força do pensamento de outros menos evoluídos.. clareando-lhe os pensament os para que recupere suas forças na fé e na esperança. nobre e elev ado entono humilde. Ao lado de seu protegido. inocentemente o rapaz se entregava ao sofrimento.. Porém Sérgio não suportava a pressão exercida pelos desencarnados ferozes. Mestre amigo. o espírito protetor de Sérgio.. Um choro incontido dominou o rapaz a tormentado com tantas vibrações inferiores. o espírito Wilson imprimi u suplica comovente como se fosse sua última rogativa: Senhor da caridade e do amor. o espírito Lúcia vampirizava suas energias fluídicas de uma forma insaciável. verdadeira tropa de espíritos desajus tados fazia-se presente. Queria morrer. Como forças do mal e comandada por Sebastião. imensos re cursos. do sofri mento desesperador que o leva ao abismo de dores. Senhor Jesus. socorra-nos! Dê-nos força para intervir! Nesse instante Sérgio estava com uma arma automática na mão. o espírito Wilson ajoelhou-se junto com as demais ent idades amigas. quebrando o elo que o prende aos grilhões dos pensamentos d aqueles que o querem derrotar. enquanto lágrimas corria .me deixar. Nosso Pai bom e justo! Estenda ao Sérgio as Tuas mãos dadivosas. estava presente e acompanhado de outros da mesma elevada linhagem moral e espiritual para auxiliá-lo com seu pupilo. . Mesmo n o plano espiritual. mas não era fácil. . Sem de sviar a atenção dos puros sentimentos na prece fervorosa. Vendo Sérgio se levantar e ir para o quarto. indo realizar o pedido de s eu amigo. Por piedade. concentrando-se em usá-los prejudicialmente.. Não permita. q ue a interferência dos irmãos ainda sem elevação imprima poder psíquico tão intenso de ener ias mentais com o intuito de destruí-lo com tramas e ataques para que se atrase e não realize o propósito a que veio.Vendo-o abrir um armário. perispiritualmente. i lumine a consciência desse filho querido com seu olhar.. dos pensamentos oriundos de sugestões covardes. Repentinamente. a aceitação ou a compreensão dos fatos. O espírito Wilson tentava de tudo para ver seu pupilo se erguer com as próprias f orças. Com grave. Por tratar-se de forças poderosas de falange do mal. Sebastião e os demais de sua organização não os viam nem sentiam Wil son e seus companheiros. Desejava sumir. O mentor de Sérgio envolveu-o como que em um abraço paterno e tentando orientá-lo d e pensamento para pensamento. vitimando e o consumindo sob a vontade t irana de seu algoz espiritual. Era lamentável ver em Sérgio a expressão de queixa e dor em cada lágrima silenciosa a fogada em seguidos soluços. Wilson foi sustentado pelos demais na prece sentida na qual rogou ajuda e intervenção Divina: Senhor Jesus. nos pensamentos de Sérgio. Desespero e to rturas íntimas nublavam suas idéias. ele se ligava às idéias de Sérgio dificultando-lhe o raciocínio. Embrutecido no ódio. liberte a mente do querido Sérgio cujos cuidados espirituais me foram confiados. com um efeito de longa tortur a e profunda decepção. mas era quase inútil. encontrava nas situações difíceis e fatos inesperados do cotidiano. que se tornava uma vi tima vulnerável. Wilson. Sem reajuste moral e espiritual. não o deixando receptivo às inspirações racionais e am is de seu anjo protetor. rogo que nos enderece seu olhar misericordioso! Somos meros apr endizes de boa vontade e recorremos a Tua abençoada compaixão. reagiu agressivo em seus pensamentos: O Nivaldo tem razão ! Sou o último a saber! Por que isso?! O rapaz fazia perguntas e considerações sem perceber a energia mental formada por agentes psicológicos cujo mecanismo ou fonte de origem era dos desejos mais fervo rosos do espírito Sebastião. Nunca havia se martirizado tanto e sofrido daquela for ma. sustentando com suas vibrações pesarosas as infelizes influên cias do líder espiritual desapiedado e cruel contra o rapaz. To da aquela obsessão o enfraquecia como se o asfixiasse com a ausência de oxigênio. acompanhava o que se passa va nos pensamentos de seu protegido: Senhor Jesus! Imploro em nome de Deus.. Ao mesmo tempo. que concentravam seus pensamentos com mais intensidade para envol ver Sérgio em energias mais salutares. Livre-o da cegueira que o domina. Mensageiro Divino. seu mentor Wilson o seguiu.

Sérgio levou um susto. Não entendia o que havia acontecido. Sérgio. não tinha vontade de viver. indignava-o. Ainda em lágrimas. O anjo guardião o envolvia com energias benéficas e renovadoras. Sérgio não conseguia vê-lo. Wilson continuava a envolvê-lo e os demais amigos dedicavam -se à sustentação e proteção. Enquanto Sebastião e seus ajudantes estagnaram. Os pensamentos eram frenéticos e tão compulsivos que angustiavam sua mente d e modo alucinante. O espírito Lúcia viu-se em profundo estado de perturbação. impreg nando de modo a ocupar todas as valências da arma que Sérgio segurava. a nobre benfeitora Laryel se fez presente de maneira que somen te o espírito Wilson e seus auxiliares puderam vê-la. O que eu estou fazendo?! Prostrado de joelhos. profundamente. um choro o dominou quando seu mentor colocou-se frente a ele ajoelhando-se e repousando as mãos em seus ombros. O rapaz não tirava a imagem da cena repetitiva de Débora agredindo-o com acusações in devidas e com modos tão cruéis. além do forte impacto em sua mão junto a uma espécie de puxão da arma que caiu ao chão. Uma luz tênue de tom azulado direcionou-se do alto para o quarto.perguntou Sebastião estatelado. Laryel forneceu sustentação firme e excelsa ao espírito protetor. pôde ver cravado na parede o projétil disparado. sem que os de sencarnados tivessem a visão de sua origem. Nesse momento. o ato insano quase cometido. Seu coração batia forte. Minutos pas saram. mesclada com arrependimento. apontou-a para a própria cabeça: Sérgio! Sérgio. sem paz. o espírito Wilson muniu-se das fibras de seu ser e gritou em meio ao intenso jorr o de luz projetado. Derramando lágrimas abundantes e buscando seus últimos e mais fortes dons. A respiração es tava alterada e os olhos traziam o espanto pelo que não podia explicar. e nada. Amedrontada pelo que desconh ecia. invadia-lhe a alma. assombrados e medrosos. parecendo ser arrancada da mão firme do rapaz8. Ele relutou a abandonar o hipnotismo psíquico sobre Sérgio. que enchiam o recinto. O espírito Sebastião urrou em protesto e dentro de sua pobre posição mental estava in conformado.m pelo rosto. A recordação do que s ua irmã fez. Algo a atordoava. Ela sabia que aquele jorro de luz significava uma proteção do alto para Sérgio e se im pressionou com o que viu acontecer no plano material por desconhecimento e não con seguir observar nada na espiritualidade na esfera em que estava. Com binando o seu fluido vital ao fluido vital do encarnado. Sentiu um forte arrepio e um medo o dominou. pare! . Observando. caiu de joelhos e murmurou incrédulo: Meu Deus. fugiu o mais rápido possível para regiões trevosas onde normalmente se reuniam. quase vio lácea e como que salpicada de límpidos pontinhos de cristais flutuando em direção de Sérgi o.. A claridade tornou-se forte. impulsionou-a com sua extrema vontade no exato momento em que seu protegido puxou o gatilho. parecia hipnotizado. Estava sozinho. O que foi isso?! De onde vem isso?! . Ele olhou à sua volta procurando alguém. rendendo-se com expressões de . recostando a testa em sua testa. quando Sérgio destravou a arma. Na espiritualidade. fazendo-a saltar como se tivesse vida própria. A deslealdade de seus amigos e sócios era imperdoável e humi lhante. porém não conseguia deter o choro compulsivo no qual lamentava.O anjo guardião usou de um recurso conhecido como Pneumatof onia para expressar seu pensamento de modo que o seu pupilo pudesse ouvi-lo. mas com e norme fúria. mas chocou-s e com as energias que fortaleciam o rapaz. por inspiração de Sebastião. de tudo o q ue conseguiu e. Inesperada sensação de segurança. por jamais terem visto aquela luz com cristais cintilantes. Tudo aconteceu em frações de segundos. A lembrança das fotos o enlouquecia. Sebastião declinou num grito de pavor. Estava extremamente insatisfeito consigo mesmo por sua f alta de conduta moral. por tentar violar a Lei Divina. mas o uviu nitidamente o grito que o chamou à realidade um segundo antes de ele puxar o gatilho e ouvir o disparo. Prendia-se psiquicamente às fervorosas influência s do espírito Sebastião e seus demais companheiros. Passando a vivenciar dores que não tinh a há algum tempo e sofrimento na consciência como se experimentasse todo o mal que f ez no passado.. o espírito Wilson. Seu corp o espiritual apresentava as representações mentais ou ilusões momentâneas a que ela e se u corpo físico passaram quando em estado de decomposição. Exatamente ao mesmo tempo. duvidou de si mesmo. Agradecia a Deus e a Jesu s pela misteriosa forma de despertá-lo para a vida. mas sentiu algo nunca experimentado.

Sérgio o olhou. curvou-se sobre a cama rogando ajuda. Ao ver seu irmão. pedindo perdão e agradec endo a ação espiritual que lhe poupou de inimagináveis aflições espirituais. Mas. Imediatamente Tiago tirou o pente carregador. enquanto Sérgio bebia vagarosamente os goles da água adoçada.. Tiago correu para junto de le... direcionada por seu mentor. Sentado no chão. Tiago. p ois isso não tira seu equilíbrio. Ficando somente com a cápsula deflagrada na mão. Tiago fo i induzido a passar as vistas pelo quarto quando. a munição do arma. 23 . correu às pressas até o quarto onde o irmão já se vestia. vamos para a cozinha que vou te fazer um chá e você me conta tudo. e ele saberia esperar. mas não disse nada. acalmando-o de minuto a minuto . Como pude chegar a esse ponto ?! .. cara! Você é bem capacitado e instruído para fazer alguma besteira com essa arma. Inspirado naquele instante. Ah!. viu jogada ao chão a arma e foi pegá-la. ele olhou para Tiago que decidiu: Vou buscar um pouco de água e algo para passar na sua nuca que está sangrando. O que tentou fazer com isso. Passado o desespero. O fegante. Somente seus olhos se encheram de lágrimas.. Sérgio?! Tudo bem? Bom dia. Sentiu-se gelar com as rápidas conclusões ao encontrar a cápsul a deflagrada e ver o furo do tiro na parede. É! Bom dia. colocando-as em seus bolsos. Sérgio entrou em pranto incontrolável. Apesar de todo o conhecimento que tenho. Sérgio levantou-se e o acompanhou contando exatamente tudo o que havia aconteci do. não detinha o choro compulsivo que seus pensamentos arrependidos lhe provoca vam.Cabe a Deus alterar o destino Na manhã seguinte. e separou as peças. Algum tempo e Sérgio sentiu um bálsamo sereno amenizar suas emoções conflitantes. tentando se manter calmo: O tiro passou de raspão na sua cabeça. ajoelhou-se a seu lado. que o forçou a se levantar do chão e o fez se sentar na ca ma. estou acostumado a ver pessoas em c rise emocional.Respirando fundo e sentando-se ao lado do irmão.. Mas alguém gritou meu nome duas vezes e ordenou que eu par asse. desabafar como outro qualquer. chorar.. O que significa essa arma jogada ao chão. Tiago? Também me acha incapaz?! Ao contrário.tortura íntima na face transfigurada do perispírito deformado. perguntou. Alguns minutos e Tiago chegou sem ser percebido. Como não consegui ter mais coragem de enfrentar a vida?! Venha. Era uma energia tranqüila.. passou-lhe um anticépt ico na nuca enquanto falava com calma: Sérgio. Junto do que eu soube que o doutor Edison fez sem me dizer nada e a opinião dos meus cole-gas. Não agüente i mais e quis morrer. Acreditou ter dormido muito e um frio mortal atravessou-o como uma lança ao se lembrar do irmão e do ocorrido no dia anterior. que estava pront a para atirar novamente. Sérgio?! Por que se admira tanto. Não suportando. el e foi até o quarto. perguntando assustado: Ei?! Sérgio?! O que foi?! O que aconteceu?! Sérgio abraçou-se a Tiago. mas com o semblante carregado de tristeza. Tudo bem? .lágrimas correram.. Nunca senti tanta humilhação. . Estava em companhia de seu m entor e do amigo espiritual que saiu para buscá-lo. Aproximando-se mais e examinando as gotículas de sangue na nuca e na camisa de seu irmão. perguntou: E aí. Levantando-se. Contudo o outro não conseguia controlar os sentimentos.. repentinamente. ainda envolvido por seu mentor e sustentado por elevados amigos espirit uais.. O espírito Wilson afastou-se de seu pupilo e junto aos demais só observou.. Sérgio. um raspão do projétil na sua nuca e o tiro na parede?! Sérgio estava controlado e mais sereno ao dizer: Aconteceram muitas coisas. Apesar de sempre ser equilibrado e racional.. você é um ser humano co m direito a expressar seus sentimentos. Ao retornar. Tiago acordou num sobressalto.. retirou -se revoltado.

.. .expressou-se Sérgio pela verdad eira compaixão. São em momentos como esse que os verdadeiros amigos nos acompanham.. inesperadamente.Sim. a qual considerava gravíssima. A entonação sentida na voz do médico doeu-lhe no fundo da alma. mas contou à jovem o que Sérgio tentou num momento de desespero extremo. típica aparência de quem havia chorado. Sérgio reconheceu o médico de costa s. As horas foram passando e Tiago decidiu ir embora. Sérgio. Minha companheira por anos. Tiago e Rita conversavam sen tados em um banco frente ao jardim onde o sopro de uma brisa morna balançava as fo lhas das árvores e plantas. Ao observar a fisionomia sofrida do amigo. pegou o telefone e... recompondo-se.estranhou Tiago.. Sérgio apresentava o semblante sisudo. que invadiu seu coraçã eneroso minutos antes. Imediatamente Sérgio foi para lá. mas ainda expressando lamentável do r. Tiago. . Em seguida.. Sérgio sentia-se incapaz que qualquer ofensa ou acusação contra o doutor Edis on. Sinto muito. Nada disso! . desabafaria toda a impressão forte que o a sfixiava angustiosamente. Sentia-se magoado pela traição e. Ao perceber o v ulto atrás de si.respondia sério ao fazer tudo mecanicamente. Depois de conversarmos. Caminhando pelo longo corredor daquele andar. Saindo do elevador. Decidiu que fa laria daquele assunto. . Obrigado. Tiago t ambém manifestou suas condo-lências. O remorso dominou mais uma vez a mente de Sérgio que antes perdeu horas de sono ruminando em pensamento palavras capazes de exprimir como se sentia melindrado e constrangido no saber da verdade. compreendendo a situação do amigo e cedendo à mágoa. Preciso resolver a situação sobre minha sociedade na clínica ou não terei sossego. ela ouviu . Ela mandou me chamar e. Oh. É só o tempo de tomar um banho rápido para despertar e. Obrigado por vir aqui. Apesar da surpresa amarga e triste. Aceite meus pêsames .. Sérgio... Sou incapaz de não te r sentimento. mas não precisaria ser tão arrog ante e insensível. Em meus braços.. Ele estava frente a um colega que repousava a mão em seu ombro.. soube que o médico estava no hospital.. não se preocupe. mas não dizia nada. por isso não consigo deixar de chorar pela separação de uma pessoa tão que rida. contou com a voz embargada: Minha mulher.exclamou firme. Estava mais tranqüilo ao obs ervar a transformação do irmão. ela faleceu em. pois necessitava de explicações. que ficou acompanhando o amigo e dando-lhe apoio. Vou só. sem dúvida. Uma névoa escura pairava em seus pensamentos repl etos de muitas idéias que pudessem contornar a situação. o que aconteceu?.murmurou o médico. o doutor Edison foi avisado de s ua presença e solicitou que o rapaz e o irmão fossem ao andar onde ele estava. Con fiava tanto no doutor Edison e justo ele o enganou. carregado de sensação en ervante e indesejável. que o pisoteou com palavras e ironia ao contar-lhe a verdade. Olhando para o irmão. na casa de dona Antônia.. Começou a rever suas opiniões e reconhecer seu orgulho e vaidade. Não .. Vai falar com o doutor Edison? Vou. Ao vê-lo arrumado. Não.abraçou-o firme.... parecendo ter planos. Tiago estava apreensivo. trouxe-o à sensatez imediata e o rapaz perguntou c auteloso: Doutor Edison. * * * Na tarde do dia seguinte. o doutor Edison se virou e Sérgio surpreendeu-se ao vê-lo com olhos vermelhos e rosto congestionado. Chegando ao hospital. Por algumas vezes.Breve silêncio e prosseguiu ext enuado: Apesar do conhecimento e um pouco de entendimento. pensou em ferir o médico am igo que o ajudou no anonimato. Pensava em dizer o quanto se sentiu ferido e até ofendido pel o sócio Nivaldo. Eu estou bem. Ele pediu segredo. algo reavivou seus verdadeiros sentimentos pelos fortes laços de companheirismo e amizade que o s uniam... após algumas ligações. Afastando-se. Vê-lo daquela forma. abraçando-o firme por algum tempo e apoiado em seu ombro amigo. traiu-o ao omitir os fatos.. Sérgio não conseguiu argumentar diante da teimosia do irmão.. Irei com você. doutor Edison. Hoje é sábado! Vai trabalhar? .

. .. Até Jesus aceitou ajuda nos últimos instantes de carregar s ua cruz. Ainda. .. quando acabam suas forças diante de al guém tão miserável que se aproveita da situação. enca rando-a firme: Rita.Breve pausa e comentou: Não que eu vá deixa r para os outros assumirem meus encargos. Eu acredito e tenho um pouco de conhecimento nisso. acima de tudo.. Quando se tem a sorte de retornar à realidade. Quantas e quantas vez es aprendo com a dificuldade alheia para me desviar.. nos levam a aceitar o que ela induz. nós conversamos muito sobre a vida e spiritual e toda a responsabilidade que nos é atribuída pelas falhas cometidas. É difícil vencer a vergo nha. mas.. comentou em tom lamentoso: O Sérgio?. acredito no socorro de Deus.. fazer dos amigos lata de lixo com minh as lamentações. mas não tentou quando estava sozinha! Lembre-se do que o doutor Edison te falou e que me contou . não resistir e ceder ao que mais fere a Deus. Tiago! Ele é uma pessoa tão controlada e.. nos últimos tempos. sem esperanças. argumentou : Acredito que a idéia de que o sofrimento termina com a morte é o que estimula alg uém ao suicídio.. . E sabe o q ue é isso? É o desejo de espíritos inferiores que se comprazem no mal.Trazendo um brilho lacrimoso nos lindos olhos grandes e negros. Só as observo. Não nego a in fluência espiritual inferior. É mais fácil ter a covardia e se deixar dominar pelas inspirações de espíritos cruéis u pessoas encarnadas. o Sérgio segue essa filosofia e os dois possuem considerável noção do sof ento terrível por conta desse ato. considerou: Mas quem sou eu para criticá-lo? Você não tentou se matar. Talvez você não saiba como é chegar ao limite de suas forças. Rita.engoliu a seco e continuou: E. pisoteado.Fez uma pausa e prosseguiu: Sabe.. aglomeram-se à no ssa volta afinando-se conosco e fortalecendo-nos na coragem para a prática de um a to tão cruel contra nosso ser. .Lágrimas rolaram. vo se sente uma coisa. podem me enviar companheiros enca rnados para me ajudarem. aflito e. Então se depara com o gosto amargo da vergonha.. deixando uma porta aberta em nossos pensamentos para a entrada de i déias estranhas e terríveis. es gotado. . um objeto inanimado. Tudo isso foi tirado de mim e ainda. se necessário. Rita desviou o olhar e silenciou. . Por que eu seria tão orgulhoso? . e admitiu: Não julgo as pessoas. não temos mais ânimo para viver. estou surpreso e assustado por ver pessoas com entendimento e conhecimento como você e o Sérgio se desesperarem a ponto de quererem desistir da vida mesmo sabendo que o sofrimento depois da morte será pior! Fiquei assombrado! Você é espírita. de lembranças o u impressões com profundos sentimentos indesejáveis e amargos de procedência desconhec ida. aceitando o propósito de sua existência dentro daquelas novas condições ou t em a bênção de encontrar pessoas que te despertem. a fé num futuro melh or se acabam. angustia-se pela sua incapacidade de se erguer e buscar ajuda . com respeito e compreensão. EU sei. à angústia e a o desespero. você analisa sua intenção hedionda c ra a própria vida. Rita! As palavras e a forma de uma pessoa se impor cont ra nós. com o objetivo de te ver ca ir. . Nossa! Como isso me assusta. Tiago. abandona a ilusão e passa a pensar com a razão. de passar pela s mesmas dificuldades e sofrimentos que elas provocaram a si mesmas.atentamente cada detalhe. de sua inferioridade por desejo tão inferior como o do suicídio. que são usadas como instrumento. Persuadiram você ao suicídio e a ajudaram .Abaixando a cabeça. de ter a coragem de viver respeitando a vida como ela é! É.A jovem fitou seus lindos olhos verdes quando Tiago a chamou. ofereceu simpático sorriso no belo rosto moreno claro. Sabem o quanto é forte a tentação. Tenho lido a respeito e. aquilo que existe por existir. Adqu irir esses conhecimentos me ajudou imensamente Reforçaram minhas opiniões e me deram novas reflexões. Aí. mas não te m valor. as conseqüências espi . mas é algo que pr oduz tanto terror e de uma força extraordinária Ou idéia fixa sobre morrer. . forçou-se a um sorriso tímido e encarou-o ao afirmar: Quando as perspectivas.. sabia? Olhou-a. E sem ter mais ninguém. de Jesus e de mentores amigos que podem me guiar. retoma su a fé em Deus. da humilhação.. Infelizmente são em momentos assim que nos entregamos ao medo.disse o rapaz.. Somos seres individuais e temos consciência dos nosso s deveres e direitos como criaturas humanas e eles estão registrados em nossa ment e. bem parecido co m o irmão. Somos imortais. a expectativa. sentir-se humilhado. No final. mesmo assim ela exemplificou: É alg o como uma lebre delirante a nos entorpecer e dominar disputando ardentemente en tre a razão e a insanidade. A mente fica povoada de imagens ou cenas.

lágrimas rolaram.. Ele confessou que me cons iderava muito.Engoliu u m soluço e contou: No velório. ou melhor. Na noite em que combinou com o meu irmão sobre irem para a repr esa...lágrimas correram. mas.. me fez entender que era preciso enterrar os mortos e prosseguir com a saudad e.Ela secou o rosto com as mãos e respirou fundo ao revelar: Tem algo que ni nguém sabe e isso me dói muito. Eu senti que não deixei o Gustavo ser feliz m esmo quando percebi tudo entre nós bem diferente. Tirando-lhe os cabelos que cobriam parcialmente seu rosto. somos culpad os e lastimaremos amargamente a ação. mas meus pais morreram e restamos eu e meu irmão . alertar e despertar. com o vocês. com a dor e todo o sofrimento. a o admitir: Ainda tenho medo de você insistir nessa idéia. uma angústia que deixava meu coração apertado. Passei mal e foi por isso que não qui s retornar ao velório e ver o enterro. oriundo de esferas inferiores com propósito de vingança ou puro p razer. Por essa razão. eu me afastei para ela ter o mesmo direito de d espedida.. . Porém ela continuou firme: Após a morte do Rogério e do Gustavo. Apesar de induzido por um espírito inferior. deixando o olhar perdido no belo jardim. talvez por dó. eu vi a moça. mas seu irmão. Depois que soube da morte da minha tia. que a nossa amizade era incomparável. Sabe. Fiquei desorientada e não acreditei n os meus valores morais. meu tio se aproximou e me disse aquela frase impiedosa sob re eu ter visto meu irmão. Por isso. Sempre quis ter de volta a família que um dia tive. Senti que ficou satisfeito. A oportunidade de vida nos foi concedida po r Deus e Suas Leis são de amor.. me senti reduzida a pó... apesar do conhecimento. sirva como objeto destrutivo nos influenciando e nos conduzindo ao desesp ero extremo. uma pessoa passa por provas ou expiações de infel dade.. Me vi só. mas ainda não entendo como pessoas instruídas.ituais. . invadindo sua alma com o olhar. Rita sorriu com brandura ao concluir: Você é bem mais elevado. encarou-a sério.. desespero e tudo o que é insuportável para ela. Porém é bom lembrar que. nenhum ser humano escapa dos resultados de suas próprias realizações... por ter ficado ao meu lado me dando o maior apoio quando meus pai s se foram.. Tia go. alegre com a minha decisão e beijou meu rosto como um amigo. . um vazio!. Nós nos gostávamos muito. a c ulpa pelo suicídio é de quem o praticou. .Respirou fundo e continuou: Então combinamos de dar um tempo. Medo?!. às vezes.. ... Um tempo para não chocar a família e.. . por prova para sua elevação espiritual ou tarefa e outras razões como a ilusão materialista de o sofrimento terminar com a morte do corpo físico. Após ficarmos noivos.. por uma obsessão. Nós namoramos por tantos anos e o Gustavo s e viu na obrigação de não me abandonar. Tiago. ainda assim.. Você achou que ele foi rude e frio.. alguns parentes do Gustavo cob ravam sobre a data do casamento e.Alguns segundos e pediu: P erdoe-me a falta de conhecimento.. depois se foi.indagou virando-se a ele. mas éramos só amigos e eu percebi que hav ia alguém nos pensamentos dele e. vazio.. Tiago refletiu e depois confessou: Ainda tenho medo. Acreditei que meu sofrimento seria eterno e minha vida inútil. Entendi que neguei o direit o dele ficar um pouco com ela. Diante dos longos minutos... Respiro u fundo e prosseguiu: O Sérgio foi instrumento de misericórdia Divina guiado para me salvar.. Uma visão tão lógica e simples só se explica pela sua vação.. Talvez fosse só amizade. E eu estava com ele.. .. . A jovem silenciou. Às vezes o via olhando quem ligava em seu celula r e ele não atendia. chorando perto.. .. pois o tempo se encarrega de amenizar e ajusta . que Tiago aparou com a mão.. Medo do quê?! .Rita deteve as palavras. Perdi meu irmão. Era uma dor. ninguém. senti que era aquela moça discreta. o profundo martírio de forma lenta e intensa. talvez por c ostume... podem se entregar ao desespero sem lembrar que tudo passa e o sofrimento daquele instante ou até de longa duração também passará. Eu sentia uma coisa. terminado. lá no velório. e a jovem prossegui u: Fui falar com o Gustavo e para minha surpresa ele disse que sentia o mesmo e talvez a origem disso tudo tenha sido o nosso noivado. Em seguida. Com a perda dele junto a do Gustavo. sem propós itos. quando me afastei de seu caixão. falei com o Gustavo a respeito de conversarmos com a família dele no dia segu inte ao voltarem do passeio e ele concordou. Mesmo que um espírito se m instrução e rebelde. Isso pode acontecer por alguma atitude desajustada em outra encarnação. harmonia e felicidade.. Co mo família só restou uma tia distante e aquele. apego..Novas lágrimas... religiosos. intolerável a ponto de cometermos o suicídio. Nos primeiros dias.

. só que esse amor era de uma forma diferente. E Tiago continuou: Conheci o Gustavo quando ele ajudou o Sérgio em alg uma coisa lá na reforma da casa. Ele silenciou ent endendo a harmonia e o sossego que a fizeram se largar no abraço gostoso. .. fazer e viver. mas estou aprendendo a reconhecer meus valores e sou melhor do que tudo isso.riu.. Logo ele disse: Pode d eixar. Mas algumas coisas são tão dolorosas. A jovem o envolveu pela cintura .Ela só o olhava. Veja. recostando-a em si ao embalá-la suavemente. Precisamos seguir vivendo. Rita. segurando-lhe a face entre as mãos mornas e delicadas: Não se preocupe tanto comigo. . mesmo que a luta pareça interminável. A d ona Antônia me recebeu e me acolhe como filha. Abraçou-a. eu concordo. devemos admitir que foi necessário vocês passarem e sse tempo juntos para alguma harmonização. Você me ajudou muito. acolhendo-a com c arinho. de verdade! Só que como um grande amigo. Gosto da sua companhia e de fic ar ao seu lado. sentindo tranqüilidade na a lma e sem qualquer conflito íntimo como há tempos não experimentava. experimentei. Não dá para esquecer o que passei. ele abraçou Rita por sobre os ombros. Tiago. Aprendi a pensar diferente e reconheço a loucura que desejei. mas depois comentou: Existem razões e ac ontecimentos na vida que às vezes não conseguimos entender. Não queria sair hoje. Nós nos reuníamos para comer pizza!. acreditando não ter deixado o Gustav o viver com quem se apaixonou. Eu tinha uma outra vida. . . Não. Eu me afastarei quando pedir. Olhou-o de um modo en igmático e o abraçou com força.sor riu com doce saudade no olhar. po r ele tê-la apoiado tanto. Entendo seu amor pelo Gustavo e seu conflito por guardar o segredo do término do noivado. pois estou aqui seguindo meu destino. ríamos de fatos engraçados que lembrávamos. conversávamos. Sensibilizado. Depois nós nos reuníamos no fim do dia. arremedando-a de uma maneira engraçada: Chamo para sair e você diz: Ah.Oferecendo um sorriso doce e acan hado.. Tiago alargou um lindo sorriso e espontâneo que iluminou seu belo rosto trazend o um brilho lacrimoso em seus olhos.admirou o rapaz.Riu com generosidade ao falar: Mas não precisa exagerar dizendo que sou o remédio que diminui as dores e o sofrimento! Delicadamente a moça afastou-se um pouco. A culpa não foi sua! . Junto de você apreendi que existem coisas mais importantes para se compreend er. Quer ir ao cinema? E escuto: Ah!. Você é a bênção.Silenciou.. absorvendo ca da palavra. sei que você adorav a e adora o seu irmão. Sem demora ele lembrou.. ela se ajeitou afastando-se um pouco... Penso também que o Rogério ficou ao seu lado .. E o doutor Édison me ajudou muito nisso e me ajuda.reclamou. Eu ainda relutei em aceitar a verdade. Acred itando que nada é por acaso.. toda a verdade do que aconteceu . Depois gargalhou ao comentar: Puxa! Como foi difícil tirá-l a de casa! Caramba! Ah! Viu como você foi o remédio para meus males?! Tiago sorriu com satisfação. falou quase chorando: Você.. beijou-lhe a cabeça. . Sim. perdoando. esquecendo.riu com jeitinho. serei seu amigo enquanto for minha amiga. Eu?! .. sem interesses. Obrigada por ser meu amigo. fechou os olhos e se permitiu longos minutos de paz. tormento e desespero passam. Tomado de impulso imediato. sorriu lindamente como há tempo não se vi a e brincou ao dizer: Não diga isso! Não tem o direito de interferir em minhas opiniões! Ora! Você vive me contrariando! . me dedicando somente ao serviço. Toda aflição. Porém não gostaria que se afastasse de mim. à academia e sem m otivação. beijou-lhe o rosto e falou com brandura.. principalmente.. Vendo-a tímida por elogiá-la com as palavras vinda s do coração.r a vida.. Não tenho m uitos amigos verdadeiros e desinteressados. Após longo repouso. mantendo-a recostada ao peito e agasalhou-a entre seus braços com ternura. Vi o quanto à família dele gosta de você e compreendo sua inse gurança e seu receio para revelar seus sentimentos verdadeiros. comentou: Obrigado por me considerar seu amigo.. Que bonito! .. correspondendo à brincadeira. Essa era a forma como ele a amava... Não se julgue culpada. meu fiel amigo nesses momentos tão difíceis. relaxand o e confiante. entender. Ele era um cara bem bacana e gostava muito de você.. o bálsamo que dimi dores e o sofrimento que podem me abalar. Você foi fiel e não deixou de amá-lo. a jovem soltou seu rosto e acomodou-se ao lado. o remédio. Rita. pois só a Deus cabe alterar o curso do nosso destino. Devo ter al go importante a fazer.

. chamou: Agora vamos? Rita estava animada. Eu sinto que a Débora vai voltar. minha am iga! Você tem quem te apóia. agora. Sérgio permanecia sentado no sofá.Frente a ela ainda lembrou: Você tem vinte e cinco anos! Tem muito tempo e centenas de cria turinhas para conhecer e se for preciso eles surgirão no seu caminho. o doutor Edison. Rita. Onde está a sua fé? O apoio do Gustavo e do Rogério foi importante e imprescindível até você estar madura o suficien te para enfrentar a vida! Creio que a situação de sentir-se sozinha. . Guardando consigo profundas reflexões sobre conselhos. lembrando que todo aper feiçoamento e evolução exigem renúncias.. afagou-lhe os longos. . chorar. alinhando-os atrás da orelha para ver melhor seu rosto expressivo. Levantando-se. E eu precisava passar pelo que passei?. Já te contei os ta is fatos. de não ter uma fa mília era a sua prova.ele sorri u com terna brandura. Afagando-lhe a face tênue com delicado carinho. . isso acontecerá de um jeito ou de outro. a dona Antônia.. O que importa isso? Talvez não precisasse e daí?! Lamentar.brincou. Você os amou e os ama do seu jeito e eles a amaram e a amam do jeito deles.falava com ênfase e expressiva energia positiva. O amor não termina com a morte do corpo físico. não os reconheça ou. Tiago. Não cometeu qualquer loucura naquela época devido à força que o Gustavo te d eu para se recompor ainda mais. Você tem outra família que te ama! . pois eu vi muita amizade entre eles.exclamou Tiago sorridente. pois o teve a o seu lado.para aprenderem algo juntos. negros e ondulados cabelos lindamente soltos. E a Débora que sumiu? Acabei com a vida do Sérgio que tanto me ajudou. Tiago e Rita saíram conversando e brincando para um passeio descontraído.. olhando ao redor para as sombras das folhas de uma árvore que tremulavam nas paredes internas do ambiente. considere. Foram unidos para o plano espiritual. Passe por isso sem sofrer.. Sérgio decidiu não permitir suas opiniões. E eles? Por que se foram? Porque precisam continuar evoluindo e se aperfeiçoando. na sua vida de algum jeito. Vamos sim .. Toda família tem seus desentendimentos e por que a nossa seria diferente?! Não foi sua culpa essa separação.Vendo-a quase em lágrimas.murmurou.Olhando-a de modo a invadir s ua alma delicada.. * * * A noite se adensou naquela casa onde a luz fraca de um abajur deixava a sala na penumbra. ficar deprimi da e extremamente angustiada vai ajudá-la em quê? Supere! Reaja! Você é superior a isso. disciplina.sorriu. É bem provável que não os identifique. .. Então eu acredito que foi o momento de eles irem. não estaria perto de uma nova família.. Silencioso. perguntou: Vamos sair e dar uma volta? Sim.. Eu o con sidero como um irmão! Sabe. Eles te acompanharam ness vida terrena o tempo necessário de seus planejamentos reencarnatórios para que tive sse força para recomeçar. seu único irmão.. crenças e pensamentos abalados ameaçando se . que você resistiu à tamanha dor quando perdeu seus pais.. Talvez se tivesse ficado sem seu irmão ao lado .. Talvez não tenha percebido.. Rita! . mas você tem uma nova família. Acredite. Não é fácil aceitar a separação. se Deus acreditar que exi ste algo mais para viverem juntos. pois cumpriram os seus propósitos. Deus pode fazê-la encontrá-los ainda nessa vida! .. pois me lembro de você ter contado que ele quase foi naquela viagem junto com seus pais..Sorridente. conhecimentos e experiênci as. não se abale nem se culpe por isso ou s erá mais um problema para ele. Você sabe ouvir as pessoas e oferecer incentivo! Que tal Psicologia?! . naquela época.. Para ajudar o seu novo irmão Sérgio. Você já havia encontrado o Sérgio que a levou a conhe cer o João. Tenha força para recomeçar. indagou: Mesmo sabendo que posso reencontrá-los e fazer algo melhor que fiz nessa vida por eles.. Tanto que desencarnaram juntos. Já me disseram isso!.. Foi por causa do Rogério. sorriu ao concluir: Ou até reconheça em alguma criança ou crianças as características indiscutivelmente individuais que somente eles tenham! . modificou-se incrivelmente com aquela conversa e falou: Vamos! Mas aproveitaremos para conversar sobre você fazer um curso superior! Eu?! Estou velho para isso! . sorrindo com doçura. dedicação. eu. como amigo fiel.

minúcias apresentadas em momentos de pa ticularidades e carinhos entre eles. mas ele mudou a postura mental. Eu avisei . Acreditou que aquelas idéias eram sinais. No primeiro dia fiquei contrariada com você.atalhou Sérgio . Rogo u sustentação e força interior para prosseguir em seus propósitos a fim de superar as di ficuldades. encarnados e desencarnados que se aglomer am por gostarem das mesmas práticas e idéias mesmo quando não se conhecem. Sérgio não teve dificuldade de pesquisar. dinâmicas e detalhistas do que vivenciaram. desejando renunciar a vida. Mas demoramos mais do que o de costume e.. sorriu satisfeito por ver Rita que o cumprimentou com um beijo. o fluido. a dor e o sofrimento. Em outras palavras.inform ou Tiago.u equilíbrio e bem-estar. esclarecer situações e se desvencilhar do que pudesse comprometer suas i déias. Débora era a razão de tudo. Seria bem cômodo e n atural deixar se enfraquecer com as idéias melancólicas insufladas. Um demorado e profundo suspiro o deixou mais leve. Ele foi além. Com o um mau presságio. um forte abraço e mostrava-se mais animada. Sérgio recebia abençoado jorro de energia salutar qu e o resgatava do desânimo e o elevava. Sérgio não percebeu que era tarde quando ouviu Tiago chamá-lo: Estou aqui! . Repentinamente ele se leva ntou repleto de vigor a ânimo. desenvolver idéias e conclusões. pela presença de entidades bondosas e elevadas dispostas a benef iciá-lo com a sagrada vigilância e abençoado conhecimento. Não pense que agi por des . A força. envolvimento sublime e amoroso aos encarnados e desencarnad os ainda dispostos a incomodá-lo. ele experimentava uma provocação por densas amarguras vindas de pe quenas lembranças. reproduções exatas. Incontáveis imagens. Ao chegar à sala. olhou-o com certa decepção e falou: Meu celular está com a bateria descarregada. ligando-o aos espíritos de esferas superiores . Em pouco tempo a mesa do escritório estava repleta de literários e pequeno espaço o nde colocou grande caderno de anotações. Os irmãos trocaram poucas palavras até ela retornar. Separou algumas obras que o aj udariam em determinada pesquisa e estudo sobre suicídio. Sentindo. consumindo-o pela saudade.. auxiliando-o nos objetivos daquela reencarnação. mas não sabia o que fazer. A decisão foi certeira. mas não podendo ver. Os pensamen tos. Sérgio estava determinado a experimentar a angústia . Sérgio? Lógico. o riso cristalino ou mimoso do único amor em sua vida. tranqüilo e com imensa fé sem saber por quanto tempo. o poder dos nossos pensamentos são energias magnéticas que exerc em recursos e meios de impressionante atração espiritual. Enquanto isso a jovem pegou o celular. a elaboração intelectual e os ideais ocupados e concentrados no bem não abrem esp aço para as influências do mal.avisou num grito e arrumou as anotações e o material espalhado. Sentia que ela precisava de sua ajuda.disse com leve sorriso. Fechando os olhos. A simples concentração na leitura de um bom livro manteve s ua mente ocupada e seus pensamentos mais saudáveis. Posso usar o telefone. Rita! Nem precisa pedir. Sim.. a ment e tem o poder de atração de espíritos afins. mas agora se negaria a perder o controle das emoções e entre gar-se à aflição insana. Foi até o quarto onde fez o escritório e havia diversos livros e materiais de estudo. você está se dando muito bem com a dona Antônia. Nós saímos para dar uma volta e decidi passar aqui antes de levar a Rita . mas hoje sou tão grata! Eu te considero muito. sentar e comentar: Achei melhor avisar a dona Antônia que eu estou aqui ou ela ficaria preocupada.alegrou-se Sérgio. incluindo espíritas. aprimorando seus conhecimentos. Ficou em silêncio. Depois ref letiu novamente. Rita . Rita . recordações e situações alegres. Valendo-se da Metodologia Científica aprendid a no curso universitário. substituiu os pensamentos depressivos por prece equilibrada como se conversasse com Deus.argumentou Tiago. Também pediu luz. Que bom vê-los! . Orou e trocou a companhia dos espíritos inferiores. cujo objetivo era fazê-lo sofrer. não é? Estou sim. assaltavam-no vivamente e tão fortes que parecia ouvir a voz generosa e delicada. alertando-o de uma tris teza profunda e imensa amargura. Ela sabe que saímos.. Contudo seu coração trancava uma tristeza.

por exemplo.. sorrindo. Educado. Na da é por acaso. Outras são orgulhosas e pensam que profissionais como você..murmurou sem jeito. à vontade de dar um murro na mesa?! . dias antes. . Não diga nada sobre isso. estaremos alcançando a evolução e o equilíbrio.. Acho que experimentamos muita influência espir itual inferior e aceitamos. que em algum aspecto de suas vidas não tiveram o resultado desejado. se teve alguma eme rgência.. filha. Existem pessoas humanas.. Você é meu novo irmão! Ora.riu. Você tem toda a razão . Sou bom observador e tenho certeza de que nada é por acaso. Esquecem que vocês são seres humanos.riu Tiago ao exclamar. Foi .. Não se culpe. Ora! E verdade! . o comportamento faz parte da evoluç ral e espiritual de cada um ..afirmou Rita. Foi uma situaçã ue enganou os olhos de Débora.. Sabe. Deus nos avisa. São insatisfeitas consigo mesmas e complexadas. Sérgio! Você foi um instrumento de misericórdia Divina inspirado c omo socorrista para me ajudar. o João. Esse comportamento most ra que são pessoas frustradas por algum complexo de inferioridade também. para eu ter uma chance.Sérgi o não se intimidou e contou diversos ocorridos e detalhes que Rita já conhecia através de Tiago. meu irmão! Não podemos negar esse desejo.. Sérgio . enfermeiros. educação. por servid ores públicos como policiais. De forma alguma. .E les riram e ele continuou: Ela não quer saber se o médico está bem. auster a e que não reconhecem o serviço prestado exibem um quadro de personalidade inferior izada... E as reações das pessoas envolvidas são tão diferentes! . você Sérgio. o mesmo acontece por parte de funcionár ios públicos ou outros profissionais na área de atendimento.prezo ou algo assim. tem outras coisas e.. É q uase impossível resistir ao impulso. nos dá sinais!. mas. E tudo começou com a Débora. solidárias! . mul her. me alertar.. médicos. Até entre estranhos isso aconte ce. Vocês já viram uma pessoa toda bem vestida . séria à espera de uma consulta. desumano. . filho.. São inúteis ou impotentes com a família como pai. pessoas assim. mas a moça não se manifestou.. mas ela não ficou para explicarmos. agressiva. sobressaltando-se. irmão. Nunca me cansarei de agrad ecer a Deus por vocês aparecerem na minha vida.. São criaturas de personalidade mal resolvida.. o doutor Edison. Além disso. bombeiros.. É sim! Eu disse isso quando nos conhecemos e repeti o mesmo hoje para o Tiago. não fazem mais do que suas obrigações .exclamou o irmão. Precisamos uns dos outros. uma espécie de complexo de inferioridade gerado pela falta de respeito.interrompeu o irmão . cul tura. professores e outros algumas pessoas tomam uma postura rude. Creio que.Sérgio garg alhou. É.disse Sérgio. Mas nem sem pre estamos alerta. mas que repentinamente se transforma em alguém animalizada e que só falta rosnar porque o médico não a atendeu no horário?! .disse Sérgio.. Isso encon tramos em todas as classes sociais. um bombeiro. Mas suportei calado.. Não amam nem são amadas.. mas em outr s situações semelhantes?! Quantas vezes fomos tratados de modo vulgar... Tudo isso junto à maldade da minha ex-namorad .confirmou o rapaz. Já me perguntei: Por que o caminhão do Corpo de Bombeiros não chegou um minuto ant es?! Por que estávamos passando por uma rua perto quando o rádio nos mandou atender determinada ocorrência e isso salvou uma vida ou vidas?.Alguns segundos e falou em tom melancólico: Só sinto muito pela Débora. Mas veja bem. . E quantas vezes nós já não agimos assim?! Talvez não nessa.interrompeu-a Sérgio de imediato. colocam suas vidas em risco e nem ganham bem para isso. Só tenho que agradecê-lo.. Sérgio riu e Tiago balançou a cabeça concordando. mãe. falou ignorando que ela sabia: Você não conhece toda a história.. intolerante e são até desrespeito sas. Ciúme de mim?! . De você e de qualquer outro que se aproximasse dela. Quando esta mos à beira de cometer alguma burrada. marido. eu fui dominado por uma crise de c iúme da Débora com o Tiago que se davam bem e conversavam bastante. Existem s que se emocionam e não se cansam de agradecer pelo socorro. Rita . Quando aprendermos a trabalhar nossa hostilidade e nos controlarmos. Psicologicamente falando. Uaaaaau! Um psicólogo falando desse jeito! .tornou ela. irmã. o Tiago. com disposição ou atitude áspera. a dona Antônia. Sabe. além de ser uma ligação com a educação. Ao serem atendidas principalmente.acrescentou Rita..

Mas juro que eu não s abia sobre a Lúcia continuar com aquele comportamento insano . Por que não conversei com você. pois a Lúcia parecia possuída e começou a me agredir ostensivamente.. nós discuti mos. Não atende às ligações. Eu me lembro de vocês brigarem! Mas não sabia o motivo! .. pois ele me machuca mui to porque eu adoro a Débora. . Frente à janela de seu consultório.Discussão entre Sérgio e o médico Trovões rosnavam a distância. muitas vezes. Provavelmente não sentia por mim o mesmo que sinto por ela. a chuva caia pesada. Não posso acreditar.questionou Rita. por que não me procurou depois desse tempo todo? Po r que não te procurou após eu explicar a situação no consultório do doutor Edison? Vocês er m tão amigas! É isso o que eu estranho. apesar de muito sentido. Eu sei o que aconteceu . a Sueli. cara! Você era menor e eu deveria te defender. Não entendo o que acon teceu! Ela estava sem emprego.murmurou Tiago. Ao chamar a atenção da Lúcia. dizendo com mais ânimo: Ei! Acabou! Aconteceu o que precisava acon tecer. atenção. O Breno se aproximou da Débora através da Yara e lhe deu toda assistência no momento em que mais precisava.. por isso não quis me ouvir.. Havia algo incomum nos meus pensamentos frenét icos.lamentou Tiago. apesar de inocente. Ficou um vazio.respondeu Tiago... .Alguns minutos e Sérgio afagou -lhe as costas. Se fosse outra garota. 24 . acreditando que existia uma razão para tudo. disse: Nossa! Já é essa hora?! Puxa vida! . Sérgio! . O quê?! . com o pai. Então me desculpe. Disse que se a visse novamente. Eu sabia . lembrando-se de algumas situações. nós brigamos feio. o tratan do de uma forma bem estranha. . mas. que é muito manipulável... Sobre o quê?! . Suas manifestações de carinho eram carícias provocantes só com você. Olhando no relógio.afirmou Rita. levantando-se rápido. Ela te adora. A mãe se meteu.disse Tiago. não se abala va.afirmou Sérgio com tranqüilidade. Eu ameacei a Lúcia. .. Às vezes chego a pensar que ela usou essa situação c um motivo para romper comigo. Então veio a chuva de granizo batendo forte. Fui até sua casa e me disseram que ela não está morando lá. brando. Vi nossa irmã. O Breno?! . Depois brincou: Hoje a don a Antônia me bate ou me expulsa de casa! Vamos Tiago?! Eles se despediram e foram embora. Sobre os assédios da Lúcia . Ela é uma moça sem responsabilidades. Sérgio ficou com seus próprios pensamentos e. Meu Deus. forrando de branco o chão da rua e as calçadas. Não suportei e dei-lhe um tapa.tornou o irmão. Desculpe-me. o céu começou a escurecer rapid amente.. Será mesmo?! Se isso é verdade. distração.a. em plena tarde.. Sérgio! A Dé não aceitaria isso! Ela jamais iria se corromper.. Tiago parecia em choque ao ouvir as conclusões do irmão...perguntou afoita. A Yara. Meus sentimentos dizem que a irmã man ipulou a Débora. Algo não resolvido entre nós. Não demorou e. Sérgio permanecia em pé. Por isso eu fui conversar com ela e lhe dei uma bronca. me deixou em desespero.. ao interrompê-la. Isso mesmo .surpreendeu-se.disse Sérgio. Acho que trocou os números dos tel efones. Ei! Já passou! Quanto à Débora. O Breno se aproveitou da fragilida de da Débora quando tudo aconteceu entre nós e a proveu com trabalho. Conhecia bem a Débora e sei que nunca fugiu de nada! De repente sumiu! Abandonou tudo. Se o destino armou esses ataques. c nforto e tudo mais o que sentia falta desde que saiu da casa e da proteção do pai. O pai morreria! Porém deveria ter falado comigo. e novamente. preocupada e..assustou-se Rita.Tiago abaixou a cabeça e comentou constr angido: Você era um moleque e eu não saberia como conversaríamos sobre esse assunto pelo fa to dela ser nossa irmã.. estou sem defesa. Vamos parar com esse assunto. formando uma cortina nevoenta .. dizendo que agi a como se estivesse tentando seduzi-lo. olhando os filetes de água escorrendo pelo vidro. Na verdade.

Aquela demora o torturava. No entanto. Certo! Pode falar! Sérgio se levantou. Bem. mas não uma depressão. doutor Edison? Descobri que os créditos pelo sucesso não eram meus.. em sua sala e na sua presença. mas o médico o puxou para um forte abraço. Mas vai entender .. amp arou as mãos nas costas da poltrona vazia onde antes havia se sentado e frente ao médico. Iria me dedicar a especializações. faço questão de diferenciar d epressão de tristeza. quando contou sua vida e os fatos desagradáveis que enfrentou. Mudava de pensamento..Enquanto observava a ação da natureza. O senhor sabe explicar mel hor do que eu o resultado do sentimento de abandono num caso como o meu. que não via desde o enterro de sua esposa. a rejeição. acho que eu sofreria se ela decidisse me deixar. Permanecendo em silêncio. eu primeiro me analiso antes de determinada opinião. o rapaz estapeou-lhe as costas ao mesmo tempo e m que lhe pegou a mão. porém controlou a surpresa e a ansiedade. di minuindo suas atividades. respirou fundo e deu alguns passos sem encará-lo. Devo admitir que o senhor me ajudou muito. Espere. Fui traído.. Confesso que naquele dia e u queria morrer. Um assomo de acontecimento s desagradáveis invadiu minha vida repentinamente e eu acordei em um hospital para me recompor.Breve pausa. o médico contou: A secretária disse que a m aioria dos pacientes desmarcou na última hora por causa do dilúvio que está caindo. Como psicólogo. Valorizei minha resistência e me agarrei ao reforço de exercer uma atividade profissional que eu am o e muita coisa melhorou quando saí da polícia. Eu acompanhei tudo o que aconteceu com você. Por conta disso e pelas dificuldades já enfrentadas na minha vida. Então me esforcei e superei a dor por ter outras atividades importantes para fazer.. ou seja. Voltou. Se nós t ivéssemos conversado por mais tempo e de outra forma. ele pensava em dar novos rumos à sua vida. mas me recuperei por conta da nossa conversa.Breves segundos e continuou: Tenho certeza de que o senhor acompanhou atentamente o meu último encontro com a Débora aqui nesta clínica. . não é. a plicando-se e ampliando mais a sua carreira.Ao olhar. . Olá. pós-graduações. Sérgio . o médico não consegui u decifrá-lo e isso o fez perder as palavras. mas estava inseguro pelo período de luto do médico e deveria respeitá-lo. conforme o caso.afirmou calmo e com seu olhar típico de invadir a alma do ou tro. mantendo cons igo mesmo um diálogo mental sobre situações e fatos a esclarecer até que se lembrou do d outor Edison. mas seria diferente. Ao se afastar. pois cheguei onde estava com meus próprios esforços e depois de tanta luta.. saber como estão as coisas. Sabemos que muitas pessoas respondem ou reagem às bruscas perdas e separações. o rompimento dos laços de afeto e. O doutor Edison ficou longe de entender o significado do olhar expressivo de Sérgio que se fixou nele de modo enigmático. Foi nesse instante que poucas batidas à porta chamaram Sérgio à realidade e ele per mitiu em voz alta: Pode entrar! .pediu educado. Mas eu estava enganado. Est ou consciente de não ter superado . Aond e quer chegar? Não estou te entendendo. experimentou um sentimento indefinido. Temos um assunto muito import ante para esclarecer. Precisava arrumar um jeit o de abordá-lo sobre tudo o que Nivaldo contou. falou mostrando firmeza e tranqüilidade na voz: Um dia antes do falecimento de sua esposa eu experimentei momentos extremamen te desesperadores. Correspondendo muito educado. Preciso retornar à ativa e o quanto antes. encarou-o fi rme até o rapaz argumentar: Foi bom o senhor me procurar para conversarmos. Sérgio! Como você está? Tudo bem? . Eu experimentava uma tristeza. principalmente. Pensou e prosseguiu: É difíc il apagar da memória a injustiça que resultou na perda simbólica de uma pessoa querida .. decidi vir conversar com você. Sentando-se em uma poltrona e vendo o psicólogo acomodar-se à sua frente. Sérgio comentou: Estou surpreso em vê-lo! O senhor está bem? Sim.. Apesar de experiente. Agora entendo o que o senhor me contou sobre entrar em um mun do de escuridão e infelicidade no qual a vida não tem mais razão dizia calmamente..perguntou o doutor Edison aproximando-se e e stendendo a mão para cumprimentá-lo. Eu cheguei à cerca de uma hora e. cuja fo nte habitual de sustentação para planos futuros desapareceu de repente..a situação mal resolvida entre mim e a Débora..

Depois.expressou-se menos agressivo. no segundo seguinte. nos proteger e.defendeu-se em tom suave . doutor Edison . Com a postura de quem adquiriu equilíbrio íntimo. imprestável. contou: Acredite ou não.. Entretanto. colocá-la na minha cabeça e apertar o gatilh o?! O quê?! . contudo sua fisionomia era firme e tranqüila. de seus sentimentos penosos d e insegurança. quanto mais estudo. falou veemente e irritado: Porém me senti um inútil. Encontrei em O Livro dos Médiuns. isso aconteceu comigo. Só esperava uma oportunidade melho r tendo em vista as dificuldades em diversos setores de sua vida.. quer você acredite ou não eu ia te contar.falou com leve sorri so. O rapaz contou-lhe exatam ente tudo. t rabalhar a minha Sombra a fim de efetuar uma tarefa de utilidade. sei o quanto você é racional. Suspirando fundo. adorei . o doutor Édison o encarou falando com segurança: Sérgio. voltou-se de cost as para o médico e olhava os relâmpagos fortes que se faziam seguidos de trovões que r oncavam.perguntou o médico bem sério.. Lembrando . Porém isso não é razão para se torturar dessa forma! Use a situação para autotransform observação. O qu e aconteceu comigo não é comum. por favor! Sérgio o fitava de modo indefinido.. culpa e seus valores humanos. falou: Quero que seja mais claro. perdi completamente o controle e não vi razão para continuar vivendo e quer saber?! Quer saber o que me fez viver após pegar a pistola automática. por isso vamos usar a única coisa que nos difer encia dos animais: a comunicação! É o poder de falar. E ncarava Sérgio sem se manifestar. tive a certeza de que Deus tem misericór dia e envia um anjo da guarda para nos vigiar.comentou em baixo tom. eu nunca lhe pedi nada. O senhor me traiu ao omitir que pagou parte do que caberia a mim como sócio para a montagem desta clínica! Pediu sigilo aos outr os para eu não me sentir ofendido! Fez-me acreditar que os meus serviços prestados f oram relativos aos custos e valores do que foi investido pelos outros! O homem exibiu um olhar triste.Bem calmo. sem capacidade e um pobre coitado por não ter recurs os financeiros e fazer parte de uma sociedade que não está a minha altura! Nunca sen ti tanta humilhação. quase exigindo. falou sem rodeios: Gostei da idéia que teve para ampliar a clínica. Apesar disso. ouvi uma voz estrondosa ecoar por todo o quarto gritando meu nome duas vezes e ordena ndo que eu parasse. É por isso que estou decidido a deixar de trabalhai aqui. mas. tanta vergonha!. foi como se alguém desse um soco na minha mão e arrancado à arma. amor e caridad e a cada dia para conseguir cumprir um pouco da minha tarefa de planejamento par a essa encarnação. É impossível eu co ntinuar me sentindo acolhido e respeitado por meus colegas e sócios da mesma forma que os acolho e respeito quando um sentimento de injustiça os incomoda pela sua p redileção por mim. Eu dei um tiro para estourar a mi nha cabeça. Os clarões repelidos dos relâmpagos e os estouros dos trovões repercutiam sem trégua.gritou Sérgio. precisamos esclarecer muitas coisas.. pensando que Ele irá intervir no momento crucial de tamanha insanidade! Estou estudando e apren dendo muito e. Mas não houve te mpo. Sabe. mais vejo que nada sei . cada detalhe do que escutou de Nivaldo. Entendi a necessidade de adquirir energias novas para mudar meus defeitos. Nessa fração de segundo. Algo dardejante parecia escapar de seu olha r. Um segundo antes ou no instante em que apertei o gatilho. fracassado.gritou o médico assustado. reflexão e ação! Você não é nenhum menino e tem muito potencial! Tem grandes v s humanos e imensos valores morais! Meus valores morais foram pro inferno! . Bem. o doutor Edison falou de maneira ponderada. fui à busca de explicações científicas e razão para isso ter acontecido comigo. . em outros livros da Codificação e nas obras de relatos das pesquisas cie ntíficas feitas por Allan Kardec publicadas na Revista Espírita de 1858 a 1869. As rajadas da chuva forte batiam nas vidraças. a capacidade de ouvir que nos dá c . Aproveitando-se da pausa. Sérgio?! . direto e objetivo. Não foi por acaso. Isso mesmo! . ouvindo-o normalmente.continuou calmo. Eu só vi que fracassei em tudo! Eu estava em casa sozinho quando entrei em desespero. Aliás. mas bem firme: Sérgio. me smo vendo o outro com expressão apavorada: .. fazendo o tiro pegar na parede após passar de raspão na minha n uca. A automática caiu no chão. Que ninguém tente Deus. Ofereceu uma pausa. Olhei em volta e não tinha ninguém.O que quer dizer.

. Entre elas a solidão. mas uma dureza permanecia em seu olhar firme e rosto sério. Olhando Sérgio nos olhos. Não! Eu omiti.falou de modo rigoroso . culpa. por ignorância. no seu caso. Tem os o que merecemos e conseguimos suportar.. certamente. pois isso é raro. contra o Criador... Depende somente d a pessoa escolher de que lado quer ficar. Olhou para o chão. Por quê? Não sei. fechou os olhos esprem endo-os e respirou fundo. Etc. as síndromes ou condições específicas e situações do cotidiano. é que eu ia te contar. mas avisei aos outros que eu iria conversar depois com você! Veja.O rapaz obedeceu.Depois de esbravejar. Sérgio. você não é capaz de acreditar em mim nem dese ja ouvir minhas justificativas e me agride com acusações. muito será pedido.. É mais fácil confiar na palavr a de um outro e não na de seu amigo que o considera como um filho! Sérgio sentiu-se desarmado de palavras. esperando um momento oportuno ? Não teve tempo e agora quer que a Débora acredite nas suas explicações e não nas acusaçõe njustas e provas falsas! Da mesma forma. cientistas. O que te aconteceu não foi por acaso. o médico se leva . Eu. Quero dizer que especialistas renomados. Não é necessário você se torturar! . apontam como causa às tentativas ou aos suicídios os distúrbio s. Pare com isso! Não preciso das suas desculpas por ter minhas opiniões formadas.lareza e objetividade. O suicídio e o aborto são os maiores crimes que podemos praticar contra a vida. o médico ainda falou: Eu acredito na intervenção dos espíritos. . vendo-o brando e pensativo. com todas as su as pesquisas e estudos.. O desejo oposto e conflitante de não quer er morrer. assustando-o. não abuse da proteção Divina. pediu: Desculpe-me. O índi ce é muito alto e se eleva a cada dia. relatam que receberam pequeno alerta o u sinais para não cometerem esse ato. remorso. Orai e vigiai. como a situação se repete! Acorde! Lembra-se de que não con tou para sua namorada sobre o problema com sua irmã. A prova da intervenção de espíritos inferiores para que você não tenha êxito e se detenh caindo em ruínas. d epressão crônica. Não. O médic o prosseguiu: Clínica ou cientificamente falando. pois todos os pacientes com tendências suicidas que já tratei ou ain da cuido. estupidamente. E Jesus fal ou quando tentado a se jogar do penhasco: Não tentarás ao Senhor teu Deus! Mas exist e algo curioso. apesar de a indagação parecer irônica. Em seguida. Está me dando aula por acreditar que eu não entendi ou perdi alguma coisa no curs o de Psicologia? . a vergonha por algum fracasso. A quem muito é dado. medo de castigos e agressões. desejo de manipular ou controlar os outro s etc. principalmente. Sérgio. virou para o senhor e. que vai acabar com tudo vêm de inspirações de espíritos inferiores.perguntou sério. isso com a finalidade de chegarmos a um entendimento just o e viável. Etc. A prova da atuação dos bons espírito s é que você está aqui.. parecendo envergonh ado. quando s trata de cientistas americanos uma vez que a religião protestante lidera naquele país e não aceitam por ceticismos ou por orgulho e não sabem.gritou. todos.O rapaz ficou em silêncio e o do utor Edison respondeu: Porque todos são importantes para Deus. Você ouviu e sentiu a atuação d s. Você sabe que todos os que tentaram ou se suicidaram e todos os que falam em co metê-lo apresentam caráter de dois aspectos. Mas o senhor me enganou. é inspiração do guardião. reação impulsiva por perdas. Só tenho uma coisa a te dizer . Enganei?! . A partir de análises de casos clínicos leva-se a crer em diversas razões para o suicídio. Você tem a liberdade de escolha e os espíritos bons não ficarão interferindo na sua von tade. que todo e qualquer motivo que leva alguém à tentativa ou à prática do suicídio existe a atração de u influência espiritual.. Peço gentilmente que se sente e me ouça. espíritos bons e sábios. nesta reencarnação. Sabe por quê? . dois valores opostos! Ao mesmo tempo a pessoa deseja uma situação que é a morte. Nenhum fardo é tão pesado. seguem inúmeras explicações pelas tent ativas mal sucedidas de suicídio e milhares de suicídios consumados anualmente. Por isso não tome decisão alguma. de um jeito ou de outro. mas sente que não quer aquilo! É um grito de soc orro! Ninguém estuda ou pensa: de onde vem um e outro desejo que são tão diferentes ao me smo tempo? A vontade de se matar e acreditar. fuga de situação insuportável. mas você ficou sabendo por i ntermédio de palavras fortes ou cruéis que o feriram.

A rigor. perguntou: Pode ser assim? Claro. Suas qualidades morais e virtudes espirituais não são exibições mascaradas com a titudes ou palavras. Sérgio o acompanhou. instrumentos aos espíritos vul gares que se apegam a tudo o que lhe acontece. Quando digo que é o sal. Rindo ao ver que o irmão não acordou. como estudioso e capacitado às pesquisas metodológicas.. autotortura. para nada servirá. a todos os recursos exteriores à su a volta e neles centralizam os sentimentos e as idéias magnetizando-os com fluidos conflitantes e deploráveis que serão aceitos lentamente por você com uma visão errada d a verdade. posicionand o-se melhor quando Sérgio acomodou-lhe o braço e o cobriu. Resgatando-o das reflexões.ntou e pediu: Venha comigo! Vamos resolver esse assunto agora mesmo! Veremos se o Nivaldo e o João estão livres. que estava sem pacientes e lia um livro.Voltando-se para Sérgio.falou o homem insatisfeito.Tiago resmungou e se remexeu. Não. Sérgio chegou à sua casa e. ded uziu que Tiago estava lá. Sem demora. Sem titubear. Não é um mero psicólogo preso às terapias. exibindo-se asso . Somente olhava para um e para outro sem entend er nada. O que o senhor quer dizer? questionou surpreso. Meses ha viam passado e nenhuma notícia. Você tem um objetivo espiritual para isso e talvez ainda o ignore. enquanto o doutor Edison falava sério e firme: Sérgio. mas deduziu tratar-se do assunto sobre a sociedade daquela clínica. mas tem um grande descrédito pessoal. Algum tempo na cozinha. O caminho profissional que escolheu foi por um ideal inconsciente. a solidão.justificou João. meu caro! Você vai muito além do profissionalismo e dos ensinamentos ac adêmicos. João sorriu e os cumprimentou dizendo em seguida: Que chuva. Ao vê-los. Indo até o quarto onde o irmão sempre dormia. Em pouco tempo. O único remédio para uma pessoa como Sérgio. quase sorrindo. relembrou muitos acontecime ntos em sua vida. S orriu e completou: Está cansado mesmo! . Só lhe dou um aviso. é por você fazer a diferença no sabor da vida daqu eles que seguem o caminho que você aponta. ao ver uma camisa sobre o sofá. Tiago se aproximou. Uma pitada de tortura o feria quando pensava em Débora. João permaneceu em total silêncio. provavelmente. Podemos d eixar para amanhã.perguntou o médico sem rodeios. hein?! falou normalmente sem acordar o outro. é a Terapia da Oração e a vigilância com hábitos físicos e mentais na ética Cristã nisso. Como o senhor quiser. São forças vivas que fazem e farão diferença na vida das pessoas e dos espíritos. fechou a porta do quarto para o outro descansar.Leve sorriso enigmát ico e falou com ar de satisfação: Isso só aconteceu porque você é o sal da terra. hein?! A cidade está alagada! E o Nivaldo?! . pois ouviu isso anteriormente . sentindo-se atordoado. remorsos ou reações impulsivas tomarão espaço em sua me nte junto à autopunição. a ilusão de fracasso. . pense muito sobre nossa conversa. . O doutor Edison o encarou. Depois olhou pela janela certificando-se de a chuva ter diminuído de intensidad e. viu-o largado de bruços sobre a cama e o braço caído com a mão encostada no chão. Sérgio: você não tem perso nalismo. João ficou calado e observando. Se o sa for sem sabor. mas. o sentimento de culpa e outros tipos de arrependimentos. Sérgio tomou um banho demorado para relaxar e só depois foi preparar algo para o jantar. Faz tempo que não o vejo assim.. Entraram na sala de J oão. Eu quero conversar com vocês três. né? Saindo em seguida. * * * Alguns dias depois. travando um diálogo mental. vagarosamente. Sabia dos fortes laços de amiza de verdadeira entre João e Sérgio que. lembre-se de que nem todos são merecedores de tamanho empr ego de forças ou energias fluídicas vitais do plano espiritual! . Já foi. com um ar de vitória em seu semblant e. falou: Acho que a Rita deu jeito em você. O temporal atrapalhou a vinda de todos à clínica . o médico se despediu deixando-os a sós. É preciso desenvolver o auto-amor par a não deixar seus pensamentos servirem de brinquedos. explicaria a situação. autoflagelação.

e stou um pó! Um dia é enchente.murmurou Tiago.sorriu. parecendo ordenar: Peça baixa! Saia da polícia! O quê? Ficou louco?! Como vou pagar o curso?! No que for preciso. Em seguida. . Gosto de crianças. Entram no arto me acordam com gritos.alegrou-se o outro num grito.indagou empolgado. pois lá não consigo descansar tão pouco rmir.. cara! É. Ninguém consegue se concentrar direito no que faz se não dormir bem . Além disso. lembrou: Nossa! Fiquei de ligar para a Rita e.brincou. Riram. depois incêndio. vamos dar um jeito nessa situação...Sem deixá-lo falar mais. os irmãos jantaram e conversavam tranqüilos Como está lá na casa do pai? . . Mais tarde você telefona . no outro desabamento. É.norentado.perguntou brincando.. Sério?! . os meninos não têm educação nem limite... informou: Recuso-me a receber um não como resposta.. Puxa! Meu serviço exige atenção. pela comid a .aconselhou Sérgio. Olha.De repente.. entendendo a necessidade de melhorar minha vida. A Rita vem me convencendo há tempo e só agora acordei.. A Ana só grita. . Eeeeeeh! Vai querer me cobrar aluguel pelas noites que durmo aqui. Por quê? A clínica! . ma s está insuportável e é por isso que venho para cá. não é organizada e quando o Marcílio chega. Vai tomar um banho para nós jantarmos . fa lou rindo: Eu sabia! Ta tirando uma com a minha cara?! Lógico que não! Eu sempre falei da sua capacidade e paciência para ouvir pessoas e.. Já viu. . boa forma e muita dispo sição mental e física. né?! Sempre aquela briga! E a mãe se metendo... Tiago... Sérgio... Daí você sabe. Ela é uma mulher que não tem disciplina. Você não me incomoda em nada. e u te ajudo! . mude-se para cá e. mora ndo aqui.. poderá estudar e. Ei?! Sabe que me deu uma boa idéia! . Sérgio! Você se mudou para ter seu canto! Eu me mudei para ter paz. Agora com mais uma criança chorando.titubeou... vendo-o se sentar e esfregar o rosto. mas estou preocupado com o horário na polícia. Tiago! Saia da PM. como se isso resolvesse seus problemas. . Ali nada muda. Venha morar aqui de uma v ez por todas! O que está esperando? É que. Sabe. Ei! Ei! Ei! Espere! Não pense muito. Ao vê-lo. Estou pensando em fazer um curso superior e já me in screvi para o vestibular.. Sérgio gargalhou com muito gosto e atirou-se para trás da cadeira. estava na academia ou nas baladas? Depois de mais de trinta e seis horas de extremo trabalho tenso e delicado..gritou.murmurou com voz rouca. Trabalhou muito. Que horas são? Quase oito da noite. o irmão falou: Boa noite! Não sabia se deveria acordá-lo. Pouco depois.Sérgio deteve-se por ins tantes espremendo os olhos como quem tivesse uma idéia relâmpago e perguntou: Você ter minou de fazer aquele curso de massagem?! Sim. Psicologia . eu te ajudo! Para não ficar parado. E o que vai fazer?! . E aí? . Eu sei bem o que é isso! . Oi!. terá tranqüilidade e todos meus livros à disposição! Se precisar de algo mais. O quê? Tiago. Olhando-o firme. Sérgio falou sério. O salário quase se equipara ao seu. levantando-se. levantando-se.quis saber.. .. o doutor Edison quer ampliar a clínica e logicamente precisará de profissi onais nessa área.tornou Sérgio. Gostaria de conversar um pouco com você. Pegue suas coisas e se mude para cá! Não. Puxa! Como estou contente! Que legal. dê aula em alguma academi a.

... Sérgio!. Certo.Vendo o irmão em dificuldade para se explica r.. Será?! . mas havia se acostumado e. .tornou preocupado e curioso. Não começa! Por quê? Não quer admitir que gosta dela? Ou não quer que ela saiba ou tenha certez a de seus sentimentos? . Eu gostava dele. sugestões. fixando olhar tranqüilo no irmão. meu modo de pensar e de ver o mundo. esfregou o rosto com as mãos e admitiu: Gosto muito da Rita. . Não termina ram o noivado para não causar um choque na família que os apoiava.!-.indagou Sérgio com brandura... Onde está aquela jovem assombrada.Ao ver o irmão sorrir. Como assim?! Entendeu muito bem a minha pergunta... porque você é essa referência.disse Tiago. sem qualquer outro envolvimento.... ela confia em você. eu. parecendo uma resp osta afirmativa às ou. Parece que ele tinha outra. Sei lá! Fiquei hipnotizado pela Rita! . medrosa.revelou um pouco constrangido. respondeu: Está sorridente ao seu lado! Só fal ta criarem coragem para assumir. brincando e rindo ao encostar-se em você... Eu. . cara.enfatizou. Eu prometi ser seu amigo e só me afast aria se ela pedisse! Você entende?! ... Adorei toda aquela espontaneidade. se torn ou noivo. Sérgio... E se ela gostar de você com a mesma intensidade e tiver o mesmo medo seu? Não creio. seu riso.. Eu sei disso. seu jeito travesso. o perfume. eu a entendo e respeito. Que pensamentos? . Ela me considera um amigo. íntimas que não fez com ninguém! A Rita aceitou sua compa nhia até para ir ao doutor Edison! Já a vi abraçando-o pela cintura. observando suas reações.. Mas e quanto aos seus sentimentos pela Rita? Ei.riu gostoso. fazendo-o pensar! Mas... mas não suportou e disse de uma vez: Agora eu entendi melhor por que aconselham que não é viável terapia com parentes e amigos. Ela era uma mulher carente e falou no ex-noivo por não ter outra referência.. Agor a ela não fala. Breves segundos e Tiago suspirou fundo. Muito mesmo! . por não te r muitos amigos verdadeiros. Pare com isso! Ela está livre de recordações e isso dá pra ver em seus olhos quando e stá com você! Já falou sobre seus sentimentos por ela? Não posso. às vezes me arrependo por alguns pensamentos.. Tentei ser profissional.. quase nervoso. Eu e a Rita somos amigos! Isso eu sei. Ela contou que gostava dele. de se vestir.Eu não sei. terminarem não fazia sentido. Seu jeito.gaguejou. Bem.Breve pausa e lamentou: Que absurdo! Nossa! Ao saber como ele morreu.. Mas. O cara era legal. pois comparti lhou tantas coisas pessoais. Fi quei enciumado ao saber que havia um outro.Logo revelou: Só fiquei com a consciência ma is tranqüila quando ela disse que o compromisso deles não estava indo bem.... Posso usá-los no curso e não t erei tantos gastos.. em dese spero que vimos aqui?! . Lógico! A Rita me pediu com todas as letras para eu não me afastar dela.Sorriu ao repetir Como vocês estão? Em que pé está o envolvimento de vocês? Ora. implorei perdão ao Gustavo e prometi cuidar da Rita mesmo se fosse só pela amiz ade.Tiago quase chorou ao dizer: Pedi tanto perdão a Deus por aquelas i déias. Mas além da amizade?! . Sérgio! É uma situação difícil.. Ela só me quer como amigo! Sérgio contorceu o rosto tentando segurar o riso. c omo estão?! É. Não temos nada além de uma sincera amizade e respeito . Veja bem... Não quero afastá-la de mim! De modo algum! be.. Sérgio perguntou propositadamente: Você e a Rita. seu modo de andar. A Rita se lembrou dos seus livros e. Sérgio sentou-se à sua frente. tão arrependido! .. mas não deixava de pensar em afogar a quele sujeito se eu fosse designado a salvar sua vida. Claro! Não pense muito.sorriu. Foi por causa da Rita qu e mudei radicalmente minha vida. Depois explicou: Por essa razão. Logo que a conheci. Sei o quan to ela ainda ama o Gustavo e.. Nossa! Nunca me senti tão mal. . de falar.Sem esperar. não perca a oportunidade! Tenho certeza de que a Rita vai concordar comigo e vai te incentivar! .disse. Depois de tantos anos de namoro e pouco tempo de noivado. acuada. ela pode se afastar de mim caso não seja isso o que queira. E eu. . Tiago. de repente. A Rita falou muito no ex-noivo e... um namorado que.

. Sérgio riu e disse: . Afeiçoou-se demais e chegou a falar comigo a respeito.retrucou o irmão brincando ao se levantar para atend er ao telefone. você não namorou não?! E aquela mulherada que vivia te telefonando?! Sérgio.Preocupado.. o amor te deixou burro! ...S orrindo apaixonado. Ela gosta muito da Rita. ficou pe nsativo. baladas!. comentou: A dona Antônia percebe u que ela quer voltar a morar em uma das casas do pai e eu a vi chorando.exclamou com ironia ao rir. pr otegida..brincou Sérgio. o incômodo. Você tem certeza? . recostando-se em você.. Escuta. A dona Antônia ficou viúva cedo. Eles estão bem estabilizados financeiramente.perguntou sério. um abraço. Tiago sentia o coração acelerado. o trata. ficou triste.Juntos. A Rita está preocupada com as despesas.Pequena pausa e comentou: Existem mulheres e mulh eres. Não que o João deixe de lhe dar atenção ou carinho. A Rita pensou em sair da casa da dona Antônia. a Rita. você. é por sua causa. teme ver sua vida íntima invadida pelas possíveis opiniões da senhora que praticamente a adotou. Recordando-se rapidamente de detalhes. pela falta do marido. Tiago! Tenho observado como ela o olha. sem contar com os incentivos positivos que trocam em meio às idéias. Explique o que vem acontecendo nos últimos tempos. esclareceu: Aquelas eram diferentes. Geralmente segura a sua mão como se não quisesse que tirasse o braço de seus ombros.gargalhou. 25 . pois a vi passando a mão em seu rosto com gesto de carinho. Sérgio voltou a falar de modo mais esclarecedor: Cara.. Teve somente um filho e é uma mãe carente.Além de cego. Acorda. conversam diariamente por tel efone. Não posso negar que adoro ficar com a dona Antônia. Reparo u nisso? Não conseguem ficar muito tempo sem se ver. Como se pudesse ler seus pensamentos.. mas. vou ter de você?! Como é? Vai encarar?! Eles riram e o irmão avisou mais sério: Se a Rita quer sair de lá... A Rita é especial! Acredito que vocês dois tenham o mesmo medo: admitir os sentimentos e achar que um vai se afastar do outro porque era só uma amizade. Além disso. Não tenho medo do João. ela transf eriu sua afetividade às crianças que cuida voluntariamente na creche. .Nesse in stante o telefone tocou. Tiago e Rita . A Rita sabe disso e. a Rita abandonou o passado! Se ela pede para não se afastar dela é porque g osta de tê-lo ao lado! Admitiu total confiança em você pela amizade verdadeira! Sim! E eu prometi ser seu amigo! Oh! Mas que irmão gênio! . Quando parou de rir. você está me ofendendo! .. aceita o seu braço sobreposto em seu ombro e parece se sentir abrigada. que é filho le gítimo. É para você! É a Rita! Deixe de ser engraçadinho! . Não entendeu nada.Pode atender. pois não a deixam contribuir co m nada. certo? É.. aos filhos que adotou crescidos como eu.. Nunca dei valor à coisa fácil e não encontrei alguém por quem me interessasse... Não acho uma boa idéia. na verdade. Aquela casa tem tanta paz! Su as conversas são tranqüilas. Sérgio sorriu e foi arrumar a cozinha. Ei! Qual é?! . se preocupa com você. Tiago! Ela reconhe ceu a amizade verdadeira e pediu que continuasse ao seu lado! Entendeu? A Rita não mencionou que o quer exclusivamente só como amigo. Ela quer liberdade.. Não acredito que você é meu irmão mais velho! Não acredito que estou falando com aquel cara chegado a festas. um afago. Sérgio argumentou: Vocês estão tão ligados que passaram a ser dependentes um da opinião do outro. . Bem que ela poderia ser minha mãe! Opa! Eu disse isso primeiro! . pois tenho m edo de pensar que estará sozinha e. Mas eu entendi. Tiago.. Realmente era Rita.protestou o irmão de modo ingênuo. Sabia que a conversa dos dois seria longa.

. não seria o mesmo? É o seguinte . E também. eu quis me unir a vocês. quem o ajudou finance iramente para fazer parte dessa sociedade na clínica e quem também pagou a sua facul dade. Precisamos de decisões e soluções maleáveis para termos um melhor relacionamento aqui dentro! .admitiu Nivaldo severo. pediremos ao contador para calcular o que devo a vocês e. Todos aqui são espíritas e essa filosofia Cristã nos chama para uma auto-avaliação. que encontrei um meio de ser o simples médico humano. sua dedicação. a caridade e a socialização. mas não tive tempo e soube que o Nivaldo. Eu não cobro os atendimentos clínicos que faço aqui nem dos pacientes que vocês me encaminham. Chamou-nos aqui para ressaltar seus atos caridosos.. assistir a palestras.. Ao vê-los com planos de montar uma simples clínica em so ciedade e focados em valores humanos. agora resolvi inúmeros problemas e posso arcar com a parte que me cabia e o doutor Édison omitiu. Sou um professor doutor renomado. rapaz! Vigie seus pensamentos e suas palavras! O que sai da boca vem do coração. Em outras palavras. Lembre-se de que Jesu s aceitou ajuda para carregar a cruz! Você não deve nada aos sócios ou à clínica! Eu fiz o que eu quis! Dê de graça o que de graça recebeu! Entendeu.falou bravo. Nivaldo?! Qual prejuízo terá?! Não saiu. nem sairá do seu lso. Foi por essa razão que o ajude i! Além do que. Estavam todos sentados em sua sala. Sérgio calou-se com o susto e João quase riu. evangélicos ou protestantes por que basta p . como já disse. mas irônico. q uando o médico falou: Assim que comecei a dar aula na graduação para a turma de Psicologia. ficarei no prejuízo sua proteção ou auxílio financeiro ao Sérgio! Mas qual prejuízo você teve. palestras. chamando minha atenção.O quanto antes o doutor Édison marcou a reunião com os três psicólogos sócios da clínica pois por inúmeros motivos precisaram adiá-la. O rapaz sentiu-se aquecer. por favor! Não fale besteiras! pediu o médico com um jeito eng raçado e incomum. fiquei de olho no Sérgio. Se alguém aqui tem a ilusão de que ir ao centro espírita. sua humildade e aceitação. rec eber passes.inquiriu Nivald o sério. junto de vocês. Nivaldo.tornou o médico com fala firme. Deixei claro que eu conversaria com ele a respeito disso.. Tenho consideráve l salário por meu trabalho em congressos. percebi que isso aconteceu porque eu mudei as idéias simples que tive ram e ampliei os horizontes. psicoterapias em meu consultóri o particular e outras tarefas. os hábitos inferiores que temo s. Vamos lembrar que outor Édison assumiu tudo. Cuidado. insatisfeito . reclamou ao João sobre o meu protecionismo financeiro ao Sérgio. Sua ética moral. Mas foi aqui.. Sérgio?! . Nivaldo . advertiu: Espero que não seja orgulhoso. Logo percebi que ele precisava e precisa se harmonizar com a sombra do descrédito pessoal. Acontecimentos em minha vida me desvendaram um novo mundo onde eu deveria a tuar e não preciso dar detalhes. não se esqueça. ele não é falso. mas não foi por dinhe iro.interferiu Sérgio que estava inquieto ao ver Nivaldo com o rosto v ermelho e olhar colérico . Es perei por um período de trégua. vocês três sobr essaíram. Nessa ampliação da clínica. está muito enganado! Quem imagin ar isso está pensando igual aos crentes. O doutor Édison continuo u firme e sério: Lá na universidade. É algo parecido! Você teve ajuda de seu pai e isso não nos prejudicou. É primordial selecionarmos os lugares que freqüentamos. Acompanhei seu sacrifício . não eram e não ascaradas por ele. . doutor? . Então chamei o João e o Nivaldo e avisei sobre eu custe ar a parte do Sérgio. orientador e amigo. viu Nivaldo?! Não adianta trabalharmos aqui com má vontade. Estamos reunidos para uma avaliação de nossos feitos e se você aprende com o exemplo alheio aprenderá a duras penas. Sérgio fique quieto. que é o mais difícil de fazer. a parte que cabe ao Sérgio investir! Fui eu quem pagou e pagarei. ficar duas ou t rês horas por semana no centro espírita e depois passar de cinco a dez horas nas bal adas. tomar água fluidificada e fazer o Evangelho no Lar é o bastante para se r recolhido em uma Colônia Espiritual como Nosso Lar . e não você ou o João! Isso é verdade.Breve pausa e continuou: Q uando vi logo de início que o Sérgio não teria total condições financeiras de arcar com al guns gastos.. Aos sem condições. Foi o seu pai. faço o maior empenho para conseguir os medicamentos necessários. seus esforços. a idéia de ampliar a clínica foi minha e o prejudiquei. É necessário crescermos e cuidarmos da vida mental. Olhando para Sérgio. E se o do utor Édison fosse o pai do Sérgio. Não nego! . mas não sabia o que argumentar. bem com o a tolerância.reforçou João com nítida tranqüilidade.

imagens ou mensagens pornôs. Os futuros médicos o u psicólogos terão seus espaços individuais e pagarão aluguel pelo que ocuparem.. doutor. mesmo que esse pro fissional venha a alugar uma sala. . creches etc. Nesse período. O que pensam que acontece?! Ah! Fico excitado! . Além disso. Vou dar um exemplo que todos conhecemos. sites pornográficos. quando passam horas e horas vendo beste iras. desânimo. Sérgio!. Então penso na possibilidade de pagar uma porcentagem maior na ampliação e.. fumar.exclamou João. De onde acham que vem n energia excitante? De espíritos que se com prazem com o sexo promiscuo. suicídio...perguntou. de prevenções ou terapias para alívio de transtornos diversos. Não vamos nos castigar po r isso. corrigindo pensamento após pensamento e conter os comentários venenosos re sponsáveis por grandes crueldades e geradores de fracasso. Só e stou aguardando a documentação. doenças. pois são eles que m vão recebê-los na espiritualidade quando desencarnarem. psicoló ica. eu gostaria de me en carregar da seleção dos profissionais que trabalharão aqui na área da saúde mental. Sejamos honestos uns com os outros! Vamos acabar com o personalismo e a menti ra! Não estamos juntos por acaso. Quanta s vezes fomos a uma casa espírita para uma palestra ou uma atuação caridosa e vemos um trabalhador.. Tudo o que fizermos p recisará ser de boa vontade ou criaremos um ambiente hostil e isso é muito ruim. Abalou-o de alguma forma?! . zombeteir os. assim como nós. Somos seres humanos e. com . Iss o inclui os trabalhos não remunerados.interrompeu o médico.. que é uma pessoa boazinha. alterando-se. Nivaldo disse sem encarar ninguém. escondendo um sentimen to rancoroso: Peço desculpas ao Sérgio por eu ter me precipitado e.. praticando bate-papos inúteis. é por termos a necessidade de mudar algo inferior em nós. não pagos. Perdoe-me. contar piadas indec entes ou ficar olhando para o bumbum das mulheres serve para relaxar! Não.edir perdão e só! Não! E preciso seletividade das ações físicas e mentais! Deixar de ir aos barezinhos pensando que beber. Na internet . . Isso eu vou discutir em particular com o Nivaldo. Talvez eu o tenha abalado de alguma forma. atencioso ou bonzinho não significa dedicado e afetivo. Preparem-se. meus querid os! Porque a energia que o envolve pela compulsividade sexual. mas o outro não respondeu . Não paga remos mais aluguel. realizados aqui ou instituições como c asas de repousos. meus qu eridos! Vocês estarão se afinando e recebendo energias de espíritos beberrões. Saibam que vou custear toda a reforma para a ampliação desta clínica. .Interrompeu o médico. Aproveitando a pausa.advertiu o doutor Édison. comprei o prédio ao lado para ampliarmos a clínica. inferiores à elevação moral. se estamos aqui encarnado s. Mas ele precisa se controlar! João! ... Parecer educado. hospitais. Fui claro?! Nossa sociedade continuará com o percentual cabível a cada um. fofocar com os amigos. Se alguém não se opuser. di a após dia. Pensa que correr toda sema na ao centro espírita e receber passe vai ajudar a ir para Nosso Lar ? Não. É bom aceitarmos ou admitirmos nossos defeitos e começarmos a nos transformar. gesticulando de modo singular e falando com um tom irônico e voz baixa: Faça um favor para mim?! Pare de pensar! O imóvel me pertenc e e para que não achem que estou protegendo alguém.tornou o doutor Edison . excelsas. vamos ao que interessa.Avisou sem demora: Eu já comprei este prédio. iniciaremos a seleção de profissionais bem qualificados para as áreas alternativas.. Nivaldo?! . um tarefeiro ou dirigente do centro. promíscuos e bem inferiores. eu não me sinto bem com a decisão de ficar isento de arte dos custos para a formação da sociedade desta clínica. Nós vamos nos centrar nos valores humanos a começar por nós. Você não imagina as conse qüências do que fez! João! . O Nivaldo tem seus defeitos de c aráter ou de comportamento. Não é. mas devemos ser sinceros. sabiam? Eles sabem que são sere s humanos e permitem a ajuda de alguém ou simplesmente desabafam ou ainda permitem -se à orientação. A gora.. pelo prazer em ve r filmes pornôs são mais densas e impregnam no corpo espiritual e não dão espaço aos passe s de bênçãos sublimes.chamou Sérgio . mas procurar ajuda! Os melhores psiquiatras e Psicólogos são aqueles que faz em terapias com outros profissionais qualificados. Doutor Édison . nada equilibrado.respondeu à própria pergunta.

do trabalho amoroso. provavelmente pela falta de afetividade em casa com os pais ou responsáveis. Registrei dois casos de voluntários depressivos que. Sérgio fez o mesmo e Nivaldo o acompanhou. doutor! Aquele sujeito é desequilibrado! Aquela outra ali é um fardo! Ai! Dá um jeito naquela ali que tem mau hálito! Aquele outro sempre está suado. Jesus só não admitia a hipocrisia. ter essa ou aquela profissão. faço algumas perguntas aos funcionários e até dou orientações especificas a determinada criança. Fez alguns ou todos os cursos existentes sobre a Doutrina Espírita e ac reditam serem sábios o suficiente! Vamos lembrar de Jesus sentado com os publicano s e pecadores dizendo que os sãos não precisam de médico. muitas com comportamentos preocupantes de agressividade .. Não reclamou das queixas que ouviu. Qual o tempo gasto para isso? . porque veio chamar os pecadores ao arrependimento e não os justos. pois alguém precisa ficar ativo no serv iço. pois sou ser humano. É aquele que sabe de tudo! Mas.falou parecendo envergonhado. mas eu diria que a s reuniões se transformaram em um reforço moral. perguntou: O que acha. ele pegou alguns papéi s e mostrou-lhes: Aqui tenho três instituições que precisam de assistência psicológica. Não posso chamar de terapia em grupo. . ou seja. deixar de usar a máscara. de problemas. Sorrindo. cultiva o orgulho. repentinamente. O Mestre falou sobre querer misericórdia e não sacrifício. Há alguns meses eu faço esse tipo de assis tência em uma creche e uso o seguinte método: primeiro observo as crianças.fala angelical. um dirigente. mas dou-lhes um reforço moral. Ótimo! Parabéns! João se levantou e pegou um dos papéis. ensinando-lhes o Evangelho. Sérgio?! Bem. um médium ou passista no centro espírita. a vaidade e a hip ocrisia. avisou: Mas não só para as crianças. ser um voluntário. sorridente e gentil. Não dou uma palestra. daremos palestras? Ora! Nivaldo! Você é psicólogo e deveria ter a resposta! . mas sim os doentes. Tiremos primeiro a trave dos no ssos olhos para depois tirarmos o argueiro do olho do nosso irmão. elev ando a auto-estima. mostrando a importância da tarefa de cada um. cerca de seis. .. o persona lismo dos sábios. Resultados bem positivos. confo rme o caso. As pessoas voluntárias relatam sentirem-se úteis no serv iço de caridade e melhoraram consideravelmente a auto-estima. Trata-se de pess oas de diversas religiões e por isso me vigio para não destacar o Espiritismo e resp eito às outras crenças. aparentemente passivo. um psiquiatra. na verdade. O que o senhor quer dizer com tudo isso? perguntou Nivaldo. por ser um médico. O personalismo é acreditar que. eu converso com eles. . está pensando cobras e lagartos a respeito de todos ou de alguns à sua v olta. é ser perfeito! . do hálito de alguém n em falou da falta de banho de um outro. as crianças. por exemplo.o médico deu uma pausa e continuou: Acho que leram dois ou três livrinhos espíritas e pensam sabe r de tudo.quis saber o médico. Só que depois esse tarefeiro bonzinho cheg a até nós reclamando: ai. acho que nem toma banho. transformaram o quadro clínico... um tarefeiro do centro . Só duas horas! E me diga já obteve algum resultado? Sim. Vamos trabalhar dentro de princípios Cristãos.Sem demora. O que faremos com essas pessoas. intimamente. quando. Cerca de duas horas por semana. Vira ndo-se para o outro. .. dos sãos. min imizaram o comportamento à medida que as professoras e Voluntárias passaram a recebe r orientação de como tratá-las.enfatizou.Sér gio pensou um pouco e revelou: Eu fui o mais beneficiado. ouvindo pacientemente pessoas simples ou intelectuais comentando de alguma dificuldade. dos doutores das leis. A diretora da creche me disse que o número de voluntários vem aumentando por ca usa dessas reuniões em grupo. É preciso fazer com que os trabalhadores e voluntários sejam beneficiados psicologicamente para que se sintam mais disposto s na prática da tolerância. Jesus sentou-se com pecadores. um psicólogo. psicológico e sugestões de uma forma ge ral. Vamos abandonar o personalismo. a camuflagem de um comportamento calmo. Comecei com esse traba lho para ocupar o tempo e os pensamentos. a falsidade. publicanos e muitos outros. um advogado. também. senhor. do acolhimento fraterno e todas as ét icas Cristãs. Apesar de poucos meses. por isso dá para o senhor falar de higiene? . Fico cerca de uma hora com as crianças e depois peço a alguns funcionários e voluntários para se reunirem no refeitório..falou o médico firme. Lá.

Não quero que se sobrec arregue....aceitou João. mesmo! Tiago a abraçou com carinho e beijou-lhe o rosto antes de colocá-la em pé. sim. expressando ime nsa alegria ao atirar-se em seus braços. Você já realiza trabalho s lhante. Você avisou que se mudaria para cá? Falei.concordou a moça. Sérgio estava em sua casa. onde Rita comentou: Ai!. Não reparou em nada? No quê? .riu.. Podemos ir? Quase não consigo te ouvir! . Sérgio? Puxa! Desculpe-me! Não sabia que já era o proprietário . O médico sorriu ao perguntar: Um de vocês tem algo mais a dizer? Eles se entreolharam e Nivaldo pediu: Se não há mais nada para resolver sobre a clínica. o doutor Édison comentou: Sérgio. A mãe só resmungou que eu era bem grandinho e de via saber o que queria da vida... Pode ser agora? Sem dúvida .disse Sérgio. Ei! . brincando. além da dose de conhecimento. Tiago corria o olhar entre os estudantes b uscando Rita. mas tive a impressão de que a mãe se sentiu aliviada. Cairá um dilúvio amanhã na cidade! Não estou vendo suas coisas espalhadas! Ah!.. fica fácil cuidarmos dele! Ta! . Eufórica ela gritou em seu ouvido: Ah! Consegui! Parabéns! Estou tão feliz quanto você. lembrou: A Débora se graduaria junto comigo..Em seguida argumentou: Tantas coisas aconteceram.. T iago!. Lógico! Vamos! . . dando-lhe um leve tapa no ombro. Eu gostaria que você trouxesse o Tufi para cá! Com nós dois aqu . Que alívio! Que bom terminar a graduação! Viu?! Sorriu com jeitinho delicado : Agora sou jornalista! . encolhendo as pernas num forte abraço quand o ele a sustentou e sorriu por saber do que se tratava. mas sim sugerindo.gritou Sérgio. Não os estou obrigando a esse tipo de tarefa. Eles já estavam na sala da casa de dona Antônia.pediu. . vendo a luz acesa. se não tivesse abandonado o curso.. Embora o vozeio e muito barulho se misturavam nos portões da universidade. Mas não disseram nada. eu soube que se inscreveu para fazer pós-graduação. E eu com essa aqui . João e Sérgio se despediram e saíram da sala. perguntand o: O que está fazendo aqui no meu quarto.exclamou Tiago. Eu pens ei que nunca conseguiria.prontificou-se o médico.decidiu Nivaldo.Ao tempo em que os observava. *** O Tempo não parou. Mas.correspondeu. foi à procura do irmão. pois você é a prova do benefício que isso trás. Que pena. Depois o aviso . Hoje eu trouxe as minhas coisas para cá. Depois falou: Bem pelo menos é o que consta no dipl oma que vou pegar! . Um ano havia se passado.minimizando o sorriso. Sentiu falta de um livro e foi procurá-lo no armário do outro quarto. Sérgio sorriu e perguntou: E a mãe? O pai? O que disseram? Nosso pai não se manifesta.tornou o outro circunvagando o olhar e reparando melhor. Se não fosse você. Vou pensar e ver as possibilidades. Rita! Parabéns.concordou. * * * À noite. eu gostaria de conversar com o s enhor. Tiago chegou e. Havia tomado banho e debruçou-se sobre os literár ios estudando e pesquisando. Sentado a seu lado o rapaz se virou para olhá-la e perguntou: Eu?! Não fiz nada! Os méritos são seus! . Não demorou e a jovem veio correndo ao seu encontro. Eu fico com essa .

interrompendo-a: Pare. . finas e elegantes. adoro ficar à von tade e.Sorrindo.. Tenho séria dificuldad e para usar roupas mais sociais. expressou-se brandamente: Você entendeu tudo errado. . encar ando-o: Jamais teria vergonha de você. beijando-l he os lábios como sempre desejou.. Rita se levantou rápido. a fez encará-lo. Por quê? Você tem vergonha de mim?! Não! Lógico que não! Vem cá. Não resistindo.indagou meio sorriso. Outra roupa mais moderna e social te cai bem. . beij ando-lhe a face e procurando novamente por seus lábios.. Tiago rapidamente a tomou em seus braços. sim! Foi você quem insistiu e me fez retornar para a universidade. secou as lágrimas. Ao contrário! Sinto o maior prazer qua ndo estou ao seu lado.. com roupas de estilo indiano e. Por que eu não iria querer a sua amizade? murmurou ela. Rita o envolveu com leveza. tentando ver seus olhos. ficando na expectativa. Provave lmente eu teria parado. quando saímos. afagou-o com carinho e correspondeu ao beijo com fortes sentimentos. Dizendo isso. no dia-a-dia. num impulso. Tiago? .. fitando-a nos olhos.. seu bobo! . Não estou conseguindo ser seu amigo.a jovem falou em tom triste e com a voz emba rgada..Fez. O estilo é de traje indiano e você tem bom gost o. tirou os cabelos de seu rosto e a afagou. deduziu fechando o sorriso: Talvez eu o enver gonhe por gostar de me vestir assim.. o rapaz avisou: Rita.. não consigo mais ficar ao seu lado só como amigo.Apesar de ser um home m maduro. pediu. E é sério. falou em seguida..interrompeu-o com voz doce. que abaixou escondendo-o entre os longos cabelos cacheados enquanto murmurou: Eu acho que já esperava por isso . voltou-se para ele e sentiu-se gelar. olharam-se por longos minutos até Tiago sorrir levemente ao confessar c om expressão carinhosa na voz: Rita..tornou ele no mesmo tom. Rita! . por ser como é!. Levantando-se e pondo-se à sua frente. encarando-o. O sorriso agradável sumiu de seu rosto.. Tiago. Tem dias que pareço uma hippie dos anos sessenta e. tem classe e é um modo de se expressar ao se vestir qu e.A jovem sorriu e Tia go silenciou por longo tempo. procurando disfarçar e afirmou: Você estava esperando eu me formar para dizer que é chato ter amizade com alguém co mo eu e.. avisou brincando: Eu iria carregá-la! E te faria passa r a maior vergonha ao levá-la no colo para a sala de aula. Falei o que não devi a? Fiz algo errado? . mas.. Algum tempo e Tiago a abraçou forte enquanto ela escondia o rosto em seu peito..Rita riu ao exclamar com mimos. Vou entender se não quiser mais me ver e. Sentada no sofá com as pernas encolhidas. Eu estava com medo e com dúvidas. Envolveu-a com ternura e pediu com voz branda ao conduzi-la: .disse brincando puxando-o para junto de si e recostando a testa em seu ombro. Uso por necessidade do traba lho e admiro aqueles que sabem se vestir bem.. perguntou: Devo deixá-lo constrangido quando estamos juntos na universidade. Não sei!. segurou seu o rosto. aliás.. . O que tenho para dizer é sério e talvez não queira mais a minha amizade depois de me ouvir . Com voz meiga e baixa. m as para dizer a verdade eu estranho ao vê-la vestida assim.Insegura.. Eu gosto da forma que se veste e não acho que pare ce com uma hippie dos anos sessenta. sabe escolher muito bem. nós pr ecisamos conversar.. não é? Não . Parado nada! . .Tiago perguntou. S egurando seu queixo com delicado carinho. espere! Do que você está falando? . Não!. Ela comentou sobre outras coisas menos importantes . Imagino o quanto foi cansativo me dar tanta força e ainda. Tiago sentia-se como um adolescente. Ah!. Tenho orgulho de você.Olhando-o. O que foi. Não precisa se justificar..ela preocupou-se ao vê-lo daquela forma. Porque não posso. Estou tão orgulhosa por já terminar o segundo semestre em Psi cologia! Já foi um ano! Uau! Você é quem merece os parabéns pelo esforço. Não diga isso. Posso entender. Acariciando-lhe a face. Nenhuma palavra. combina bastante com você. Estava inseguro e algo apreensivo . Depois. Não .respondeu firme e sério. Ei.. Mesmo sentindo o coração acelerar. mas ele nem a ouviu.. ele beijou-lhe a cabeça..Com um gesto sutil...

e eu também.. João? Tudo bem? . . Vi qu e ele se sentiu melhor e eu também. por ser meu amigo. perguntou: Do que teve medo? Quais são as dúvidas? Tiago.perguntava sempre calmo. e Tiago a beijou com todo o amor. . Eu experimentei situações difíceis e.Secando-lhe o rosto. Tiago.Afagando-lhe carinhosamente o rosto. . Então deduzi que você tinha conhecido alguém por quem se interessou e.. Não precisamos viver do passado. pensativo..sorriu. E conversamos sobre darmos um tempo. quieto. Rita. nele ela sorriu e pediu baixinho: Fica comigo.. Mas o percebi inseguro e distante. Eu te adoro. É algo difícil de dizer. com algumas p ausas: Você foi a melhor coisa que me aconteceu há anos e.. Eu já gostava de você e não queria parecer um a proveitador. Nos últimos dias comecei a ficar desconfiada. o seu sucesso e vê-la sorrir novamente. Por deixar tudo acontecer. estava esperando eu termina r a faculdade para me dizer que não poderia mais ficar ao meu lado o tempo todo. Sabia ?! Não. .O casal sobressaltou..insistiu o rapaz com inflexão afável na voz. A jovem sorriu com doçura. Tiago. uma paixão por você. Fiquei confusa.Vem cá. O problema era a família dele.lágrimas rolaram em sua f ace delicada. naquele exato momento. dó. contudo ficou ao meu lad o. Decidi falar com ele sobre eu sentir uma coisa. hein?! .. poi s o percebi diferente. mas João não perdeu a oportunidade e gritou e scandalosamente: Até que em fim. Não te disse. Senti-me humilhada depois. pois não existe razão para se sentir humilhada ou constrangida... Precisava acabar com aquele compromisso e isso me deixou confusa. Com o quê? . segurando-lhe o queixo com delicadeza. Por fim confessou: Eu me apaixonei por você quando o conheci!. m e acompanhando em tudo nem ser meu amigo como antes. . Rita! .negou. passando-lhe segurança.Sussurrou ao final: Eu te amo. mas Tiago riu sem jeito e se levantou para cumprimentá-l os: E aí. O noivado estava marcado e me arrependi por.. Recostando-se.... pois queriam que marcássemos o c asamento. mas o amigo continuou com seu je ito brincalhão em meio ao riso: Esses dois aí ficam no chove e não molha que está me da nos nervos! Caramba! Rita afundou-se no sofá. Você sempre foi atencioso. murmurou terno: E já faz tempo. Vai se sentir melhor. Supere e e squeça. Não percebi. Rita.. E?!. pois me apaixonei e você tinha um namorado que se tornou seu noiv o. mas.. Senti que havia outra. Com a morte do Gustavo.. Tive medo. Nós não precisamos nos sentir oprimidos ou rebaixados e eu d igo: nós ... . Sérgio sorriu e se deteve. quando aquilo aconteceu e jus to você acompanhou tudo. fugiu-lhe ao olhar.. Sempre pareceu s er somente meu amigo e. Bem... Tive medo de que me abandonasse.. Tudo piorou com a morte do Gustavo... educado e gentil desde qu ando o conheci e. fale de uma vez . Aconteceu como tinha de ser. você permaneceu ao meu lado me dando apoio. Eu também experimentei momentos de conflito q uando a conheci.. João e Sérgio entraram na sala sem serem vistos. Sente-se aqui. apenas como amigo. E continuou: Quanto a o Gustavo....expressou-se aflita e chorando... Você é bem prepara da e superior a isso! . pediu carinhoso: Pare de se torturar. Por ironia do destino. fal ou: Cansei de ficar com você! Quero namorá-la! Tê-la ao meu lado de uma forma diferent e! Entendeu?! . mas essa coisa que eu sentia era u ma forte atração.. Bem. .envergonhada.Falou firme. porque estou com você e ao seu lado. Mas poderia estar ao me u lado e me acompanhando em tudo por uma questão de caridade. Desejava o seu bem.. Expressando felicidade.. falou apreensiva e com a voz trêmula.. carinhoso.Encarou -a com leve sorriso ao dizer: Não traímos... Abraçando-a forte.. eu sinto que ele passou pela sua vida como outra pessoa passou pela m inha. não desrespeitamos ninguém nem a nós mesmos. reprimir nossos sentimentos nem existe qualquer razão para fazermos isso. m s chegamos a um ponto em que não podemos ou não conseguimos mais represar.Olhando-o firme. Não . insegura..

seus olhos ficaram lacrimosos e ele se deteve. beijou e os abraçou por longo tempo com lágrimas nos olh os. pois o significado estava longe de sua compreensão. cara! Só estou de passagem! Se acerte aí com a don a Antônia e com o João! Oh. Sérgio! Não me deixe passar vergonha! Ah! Quer dizer que nem o seu próprio irmão quer ser seu aliado?! .. . Ah! Que maravilha! Eu sabia . aquele anjo de bondade estendeu-lhe a mão. orou e logo adormeceu. sentando-se ao lado de Ri ta que estava vermelha. perguntou: E você.. oferecia c onfiança e fraternidade irradiadas por sua aura envolvente. Sérgio sentia os dias passarem trazendo um vazio cruel que aumentava quando pens ava no irmão ou em Débora. Estendendo a mão e puxando Rita para se levantar. sorriu e desfechou: A Rita mudou completa-mente a minha vida e não consigo me ver sem ela. como sempre. 26 . não! . Tiago respondeu: As mesmas que as suas com a sua noiva Nilza! Ah!. mas não soube identi ficar.. João se aproximou. Sérgio sentiu um vago pressentimento.. Sensibilizado. Desejava que Tiago saísse da polícia. Então pode marcar o casamento. Parecia que um sol de raios prateados brilhava através de sua figura.animou-se dona Antônia. estamos apaixonados.exagerou João. Não falemos mais sobre isso. Sei que isso não é desculpa para minhas atitudes infelizes e moralmente desprezíveis por desej ar morrer. Afável. mas estou falando sério. acrescentou: Não mereço seus esforços. conduzindo-o para mais próximo quando Sérgio dispôs-se sorrindo ao exclamar: Laryel!. ele a abraçou dizendo: Descobrimos que gostamos muito um do outro. Q uais as suas intenções com a Rita? Pensando rápido. Abalei-me tan to e me envergonho pelo desespero quando não suportei as aflições nos pensamentos.respondeu o outro bem alegre. Sérgio acordou para o mundo espiritual com o chamado generoso e suave: Como é bom vê-lo. Na v erdade. Não tinha qualquer notícia sobre ela depois de tanto tempo e não podia fazer nada.. trate bem a minha irmãzinh ou vai se ver comigo! Entendeu?! Pode deixar! .Olhou-a com carinho. Sérgio? EU?! Eu não tenho nada com isso. Não podemos continuar nessa de amigos e decidimos ass umir um compromisso mais sério. . Prometeu-me amparo e aqui está! . Certa noite ao deitar. Era incrivelmente bela. porém ele não queria por segur ança e por trabalhar em um horário compatível ao curso universitário...Imediatamente algumas lembranças che garam à sua mente. sem palavras e segurava uma almofada ao peito. Sérgio riu gostoso e estapeou as costas do irmão ao dizer: É isso aí! Dou o maior apoio! Tiago sorriu e avisou: Podemos brincar. O Tiago acaba de dizer que vai se casar com a Rita! exclamou João. Sérgio ficou sem palavras. cumprimentou-os e disse: Fico feliz por vocês.Psicólogos de amor Apesar de saber que Tiago estava estudando e muito feliz em companhia de Rita . Lembre-se de que todo aquele que reencarna com a t . Quem vai casar?! perguntou dona Antônia. Que a paz de Jesus o envolva.Não ta. Olhando para o irmão. Os desejos e idéias mentais inferiores foram de um magnetismo muito intenso.tornou espirituoso e bem sério ao brincar. beijou Rita e Tiago. acabando de chegar e sem saber de nada . Ele ficou encantado e paralisado por instantes diante daquela doce figura que desempenhava elevada função no plano espiritual. Desprendido do corpo durante o sono.Vendoa sorrir com sincera expressão de bondade. pediu constrangido: Perdoe-me. Sensibilizado. Apreensivo. .. meu querido. Agradeço a manifestação físico-espiritual e verbal que me impediu de um ato tão .

Envolvendo todos com sua inexce dível energia. Nunca se esqueça de que os en sinamentos do Mestre Nazareno são as Terapias das Almas. A elevada comitiva baixou a luminescência. a qual você conhecia bem pelos préstimos de socorro. Em todo lugar que olhavam. prosseguiu: Com conhecimento direto na comprovação científica e filosófica de uma doutrina reencarnacionista. profissionais que sempre se colocam na posição de aprendizes e de obreiros vêm renovando vidas human as. material ou teve início exclusivamente a partir do nascimento ou durant e a infância e que os culpados são os que rodeavam essa criatura. Após preciosa meditação e sublime prece de Laryel. de p rovas para adquirir forças e suportar certas impressões para sua elevação de natureza es piritual ou moral. eu me deixei dominar por aquel a insanidade momentânea lamentou Sérgio. Por um lado er a como olhar um mar escurecido e extenso até um horizonte sem fim. gemidos. Dentre todos da considerável comitiva de es píritos elevados na escala de valores morais e espirituais. As origens de m uitas dificuldades procedentes de vidas passadas ou trata-se de experiências. Suplicaremos a Deus.. Até o Mestre Jesus foi tentado. Não. Com conhecimento e entendimento. a força e o amparo a fim de levarmos algum conforto. porém resistiu e ainda disse que tudo o que Ele fazia nós poderíamos fazer mais e melhor. a quem muito é da muito será exigido. Não foram percebidos. Todos nós elevaremos os nossos pensamentos rogando providências Divinas que nos protejam. Eles se aglomeram e se esforçam em criações mentais degradantes para impregnar tudo o que é voltado para a elevação moral e espiritual. dores e grunhi dos horripilantes. Vejo-o preparado para reassumir antigas tarefas nas quais atuou como especialista e instrutor quando desencarnado. Laryel sorriu com doçura e olhando de um modo peculiar para os companheiros esp irituais à sua volta. Somente então ele pôde ver a névoa cinzenta dissipar-se e muitas imagens surgiram. ela avisou: Não duvide de v ocê mesmo. tornou a Sérgio.. Sérgio não conseguia ver muita coisa. várias regiões sombrias e dominadas pelo mal. os murmúrios dol orosos vibravam angustiosamente por todo o plano. só que não havia água s agitadas. Sentia-se num outro mundo onde a d ensa névoa parda reinava. . Laryel conduziu-os à zona de intensas trevas. . calma. Algumas deformadas a ponto de perder as características humanas como que nadando e se desesperando num mar de lodo e limbo. A prestimosa entidade de beleza inexprimível atravessou. Há inúmeros encarnados dedicados a desenvolver e divulgar a atuação benéfica no campo da Psicologia Clínica pa ra derrubar barreiras e abrir caminho para outros entenderem a razão de viverem en carnados e em determinadas condições. A movimentação era de criaturas sobre criaturas amontoadas e entrelaçadas. Você já ouviu sorriu ao relembrá-lo . Não sei como. Mas isso não isenta esse encarnado das suas obrigações comuns de orai e vigiai a própria mente para não se d esviarem dos propósitos Divinos. Só havia sombras estranhas em toda a extensão e uma energia desagradável parecia pesar sobre ele. somente Sérgio fazia par te do plano dos encarnados. na velocidade do pensa mento.Em um tom amável e doce. Alguns dos espíritos benfeitores daquele grupo eram especialistas em missões daqu ela natureza e outros aprendizes treinavam aptidões especializadas para cooperar c omo socorristas naquele vale vasto de sofredores deploráveis.arefa de socorro e trabalho digno é tentado de inúmeras formas por irmãos inferiores c om desejo no mal. que antes par ecia um ser de matéria semelhante a cristal. De início. Os gemidos. um magnetismo excelso os envolve u com imenso amor.Ofereceu leve sorriso ao comentar: Jung já fez uma grande parte. Eles aliviam as aflições e são verdadeiros Psicólogos de Amor quando desvendam que o complexo asfixiante de uma dificuldade pessoal não tem sua origem somente no camp o biológico. Agora todos deixavam os limites exteriores da matéria do corpo perispiritual co . Iremos para uma região de inenarrável sofrimento. Laryel usou recursos próprios para facilitar-lhe a visão. . principalmente Laryel. os gritos. talvez isso lhe traga mais lembranças e força interior. bondade e proteção. via-se verdadeiro quadro desolador. bênção e até o socorro aos irmãos dessa esfera q ue estiverem preparados. pedindo: Venha conosco hoje.Sem demora e mais séria. Esses Psicólogos de Amor estão sob a guarda ou socorro de benfeitores espirituais elevados e sempre a postos no campo das mais nobres inspirações. Pai da Vida.

Sua bondade e misericórdia encontram circunstâncias atenuantes em a lguns raríssimos casos não planejados. Um dos benfeitores acompanhantes percebeu que Sérgio desejava melhor exemplo. o martírio interior e o arrependimento profundo são lento s ao espírito.bondosamente explicou Laryel. Porém. Contudo . mas que. não buscaram ajuda de outro que pudesse erguê-los para o bom ânim o e propósitos construtivos. por essa v iolência ao próprio espírito. todos daquele grupo se comunicavam em nível de pensamen to. O sofrimento coletivo é impressionantemente doloroso.. Em todo suicíd io pensado ou planejado anteriormente e conscientemente. A nobre entidade silenciou. não planejaram nem pensaram nesse ato... vigiando os prisioneiros de dolorosas penitências. cobria toda aquela triste região. E por ser justo. entre outros. semelhante a um redemoinho de vento só que de lavas incandescentes como a de um vulcão.avisou Wilson. ensinando-lhes nobre a eternidade. não se socorre om o poder da prece. não tiveram piedade de si. orgulhosos nos serviços rudes qu e os compraziam. essas são criaturas espirituais que. seu coração bondoso e as inesperadas razões que o levaram à prática de tal crime. respeito às Leis Divinas. olhando para Laryel. os totalmente embriagados. especialista em socorro daquela região. Milhões de criaturas encarnadas com difer entes propósitos de harmonização ou tarefa no bem se entregaram a mais inferior das ex igências: o suicídio! Não deram atenção às responsabilidades de resistência. Tenha piedade. os mentalmente retardados. São suicidas que recorreram à morte do corpo através do fogo. meu querido.lembrou Laryel. A encarnação com experiências difíceis é um curto período que passará rapidamente quan se tem a idéia da imortalidade do espírito e a crença em um único Deus bom e justo. Rochedos escarpados cobertos por substância escorregadia. que f azia parte do grupo. nojosa e fétida serviam de obstáculo.. a venerável emissária . acim a de tudo. na opo rtunidade de reencarnação. os qu e estão delirando de febre ou efeito de medica-mentos. mas que. E ntão. A comitiva seguiu Laryel que sabia para onde ir.mpatíveis ao meio pelo trabalho proposto e com a finalidade dos sofredores infeliz es daquela região poderem lhes perceber. Porém nunca é eterna. seu mentor. . nos altíssimos penhascos.explicou um dos missionários. os loucos. Enc ontram-se aqui os que também bombardearam lugares e sucumbiram junto. Estavam recolhidos em prece silenciosa até uma montanha agitar-se como fogueira. Como guardiões d e natureza vingativa. A misericórdia e a justiça são atributos de Deus . a intensidade da dor constante na consciência e no corpo espiritual é algo do qual não podem e não conseguem escapar. Deus po de minimizar seus dias de suplício. Era como uma verdadeira muralha cercando o vale de extensão impressio nante. diante de co ndições em que não se pode raciocinar. Há casos especiais como os de crianças de pouca idade levadas a ações semelhantes ao suicídio por ouvirem contar fatos ou assistirem a programas ina dequados. como que um ar contendo elementos asfixiantes e nojosamente viscoso. espalhando-se ao abaixar novamente como sorvedouros onde corpos espiritua is de aparência humana podiam ser vistos. Uma matéria espiritual muito densa. Aos demais. Havia. Sem articular palavras. mas é o reajuste da própria c onsciência . que entendeu lhe o pedido em nível de pensamento e aprova ndo-o com singelo gesto. Aquele vale não era só ocupado por suicidas agonizantes em extrema dor e sofrimen to. queimando-se proposit adamente . tendo em vista o caráter moral do espírito suicida. porém o sofrimento reservado à sua consciência e ao perispírito pelo crime que praticou chegará. em um ato de desespero. o socorrista afastou-se do grupo. permaneciam atentos a fim de os infelizes não encontrarem ha rmonia que os resgatasse de algum sofrimento nem tentassem recolher-se em prece verdadeira. pois a morte não exi ste. que não são as mesmas para todos os suicidas. Em alguns casos. aos olhos de Deus não há ma ior ou menor culpado. com movimentos fortes ao girar. espíritos pinando postura de sentinelas. perderam a fé e a esperança. Deus a tudo vê. quando Sérgio comoveu-se: Deus. Entretanto a responsabilidade do suicídio jamais fica impune. e mantendo certa distância daqueles infelizes s ofredores. a Lei Divina determina ou enquad ra o tempo de duração de sofrimento consciencial e o tipo de expiação futura.

mas quando o fez não fo i com sinceridade.alertou Wilson. Teve todas as oportunidades para praticar a caridade. pois muito s deles acreditam ter amplo conhecimento. da perfeição e brancura de seus den tes. O espírito sofredor plasmava seu corpo espiritual de forma horrenda. animalizados e deformados. com devoção e de coração. Depois respondeu: São espíritos no auge da inferioridade e da ignorância. que havia se afastado. . Sérgio reparou: Os penhascos parecem não ter fim. S e um espírito vingador não perdoa ao irmão que. Crêem serem juizes e justiceiros. Não haveria espaço para pensamentos inferiores. Mas. maldosos ainda. Sérgio argumentou Wilson com simplicidade. machucada. caso essas últimas deixarem . dos orfanatos. A aproximação do socorrista. Muitas coisas acon teceram até começar a dar oportunidade de ação para um espírito inferior vingativo e inimi go do passado por ser sua vítima. ou seja. tenha-o prejudicado e se ligou a ele para se vingar dessa forma.Alguns segundos e contou: Encarnada esse espírito foi uma mulher de considerável nível socia l. Na verdade não suportava o od or dos hospitais. lhe agradecessem e reconhecessem suas ofertas caridosas. Criaturas p artidárias de grupamentos. admirando-se do quanto era bela. isso não teria aco ntecido. chamou-lhes a atenção. Dotada de inteligência.. Possuía uma aversão aos pobres. descarnando a pele em estado de putr efação. atiraram-se ao suicídio e a um longo e doloroso sofrimento mil vezes pior! Esses espíritos vingativos que os inspiraram ao suicídio são homicidas! Também não dev riam se encontrar em um estado consciencial de sofrimento pelo que cometeram ou induziram? . tanto quanto agresso res se ligam às suas vítimas. que se movimentam e se revezam. Aqui não se vê o céu. gemia constantemente em todos os tons. Desmascarando-a em uma discussão a sós. Não admitem que sofrem. O aspecto era à m aneira de grande verme com feridas imensas. Atormentam com vibrações bizarras as faculdades mentais dos suicidas. Tentando livrar-se dos tormentos de uma breve reencarnação. mas mascarava esses senti mentos.perguntou Sérgio. . Tudo piorou quando ela desc obriu que o marido a traía. o homem av isou que sairia de casa dentro de alguns dias. talvez. Ele trazia nos braços uma criatura totalmente deformada e a carregava como quem aconchega o filho querido e necessitado. esgotando-lhes as forças mentais e levando-os ao e xtremo desespero de se verem sem saída. o socorrista explicou: Seu estado mental é de delírio enlouquecedor. O que realizou foi para que todos a elogias sem. Ele sabia o quanto ela mentia e disfa rçava sua verdadeira personalidade. Existem supostas vítimas que se ligam aos seus agressores. Ap enas apreciava a fragrância de seus perfumes e cremes caros. fazendo-as crer no nada após a morte. Quem são eles? Vejo que não se lembra de muita coisa. cujo pescoço inchado unia o tronco à cabeça lisa. Piedoso.. Ela perdeu o gosto pela vida e de sejou a morte a ser trocada por outra e discriminada pela sociedade como uma mul . tentou ser ardilosa e buscou div ersos meios de comover o marido com esperança de ele não a abandonar. Isso pode acontecer até com sofrimento de um deles para que renasça o amor em a mbos. necessitados e doentes. Remexendo-se. vamos lembrar q ue a bênção do esquecimento.Olhando em volta. Mas o esposo e stava decidido e cansado de sua falsidade. o remédio para todo o sofrimento terreno. no suicídio. sem esperança. Certamente são espíritos que desejam a desforra e induziram seus desafeto s a tirarem à vida do corpo físico. Não parecia uma criatura humana.Breve pausa e lamentou em tom piedoso: Quanto engano! A morte não existe e a prova disso é que estão aqui. através da re-encarnação os unirá para reparação e ensinamento dor. Mas as Leis Divinas são sábias e iguais para todos. No alto dos penhascos há espíritos com aspectos sinistros. levando-o ao suicídio. Forjava sorriso generoso e olhar piedoso quando precisava reunir-se para fins fraternos junto de pessoas de seu meio social. julgando saber mais do que sabem. como que sem o co uro capilar e a face sem pele com erupções purulentas. Se com desejo puro sua mente estivesse voltada p ara a caridade e se ocupasse com a atenção para o auxílio e caridade. Só contemplava seu refl exo no espelho. sem fé nas providências de Deus. já tão atormentados. Quase não tinha braços e as pernas pareciam coladas. Suicidando-se mostraram a incapaci dade de suportar as dificuldades nas provas da existência terrena e foram fracos a o perder a fé. Esses vigi lantes são espíritos de pouca elevação. mostrando-lhes. comprazendo-se com a do r insuportável e ininterrupta de inimigos do passado que agora se revolvem aqui pe lo suicídio. contudo pode nos entender. dos velhos desamparados e da miséria em geral.

Ela chama pelo nome de Deus em vão. ficará à mercê desse estado mental. mas não a aceitou como filha. abandonou-a na reencarnação seguinte em difícil situação com a filha nos braços. na época. Ela preparou artifícios e colocou-os na casa do homem para não ter meio de ele escapar da punição do Santo Ofíci o e o acusou de bruxaria. com a finalidade de investigar e punir crimes contra a fé católica. Com a explosão e o incêndio . logo após sua mãe. chama por Deus. até depois da morte planejada. sentiu-se humilhada. Esse irmão não lhe perdoou. Podemos sentir o ódio qu e tem pelo marido. em sua agonia. Ao contrário. A infeliz não está preparada para o socorro. ela faleceu após muito sofrimento no corpo físico. Revoltada pelo abandono do marido. culpando-o pelo seu estado deplorável. o homem. Cinqüenta anos .respondeu o socorrista piedoso. Deveria provê-lo com amor e educá-lo nos princípios morais superiores. O que aconteceu para ter um obsessor tão cruel a inspirá-la à morte tão horrível? . o que a repugnava.pe guntou Sérgio. sua vaidade e seu personalismo. Se ele lhe tivesse perdoado e a acolhido como filha querida. el a não se permitiu à concepção. Por não ter amparo paterno. Tinha vago conhecimento da doutrina reencarnacionista pelos livros que leu. No último plan ejamento reencarnatório. Não se dispôs a receber como filho. a mesma criatura que ela condenou injustamente à morte cru el. ess a pobre irmã não admite seu orgulho. Após esse período escuro na história. Mesmo sendo inocente. pois esse é o vício ou a mania dos hipócritas nos momentos de desespero. Nessa época. No entanto a dor experimentada antes do desencarne não se compara à intensidade do desespero e insuportável padecimen to incessante vivenciado no plano espiritual. ela sofreu calúnias e humilhações. Vaidosa. Com sentimento de ódio e vingança. por não se arrepender do ato criminoso e cruel planejado no passado que o le vou à fogueira do Santo Ofício. mas breve diante do tempo em que se encontra nesse estado. ela nut ria uma paixão incontrolável por um homem e. Não quis engravidar para não deformar seu belo corpo. Pode dizer há quanto tempo se encontra nesse martírio. como filha querida desse casal que a odiou. Para isso a presentou-se como testemunha para o tribunal eclesiástico instituído. aos dissabores do mundo. Seria um desencarne d oloroso. Mas. só pensou em ostentar orgulh o e vaidade por ela mesma. Em reencarnação distante. o pai qu e a abandonou na miséria.contou o especialista daquele tipo de socorro c om habilidades de absorver informações da mente dos desencanados. que a rejeitou. dispondo-se à ving ança entremeada de extremo ódio. junto com a mãe. Quer vê-lo morto e sofrend o como ela. Também não atendeu às inspirações de espíritos bondos amados de fé. ao se declarar. m as não ofereceu a atenção necessária. esse pobre espírito deveria ser abastado com bens terrenos. decidiu que ele não ficaria com a outra. essa pobre irmã deixou o gás do fogão vazand o por longo tempo e depois acionou o interruptor da luz. pede Sua misericórdia e socorro . Mas com o vício moral da vaidade. Mas ela. po is ele afirmou amar outra cuja união já estava marcada. Enquanto o amor e o arrependim ento não reluzirem em sua consciência. não acreditou em Deus nem no futuro. Q ueria que os outros tivessem piedade dela pela morte inesperada e ver o remorso do marido. Elas odiaram-se tanto naquela época que retornaram com o mãe e filha a fim de reforçar os laços de amor. ela vestiu a máscara da hipocrisia e não foi humilde.perguntou Sérgio.disse Sérgi o. nesse vale de lamas e lágrimas. era a mesma moça que seria a esposa do homem inocente cond enado a morrer na fogueira. tudo ficaria har monizado e tanto ele quanto a mãe teriam outra oportunidade de viverem juntos. que foi sua mãe. essa irmã viveu na Europa no período da Inquisição imposta p s governantes da Igreja Católica . Inconformada com a rejeição e po r ser uma criatura vingativa. Criaturas assim chamam por Deus como se ele fosse um prestador de serviço. Pelas necessidades de sob revivência e para cuidar da mãe doente. experimentando a dor que v ivenciou no corpo físico? . foi con denado a queimar na fogueira até a morte. A mulher.her separada. ele reencarnou. Apesar de tamanho sofrimento e estado enlouquecedor. E ele que dizia amar quem iria despo sar naquela época. ela fez do corpo físico ins trumento de mercadoria no campo da prostituição e desencarnou cedo. Porém queria que tudo parecesse um acidente e com morte instantânea. incontáveis oportunidades de tarefa e empenho na caridade em todos os sentidos e isso amenizaria sua expiação. abandonando-a. . só pensou na humilhação que sentiria di ante da sociedade. sofreria a expiação de queimar-se até a morte em algum acidente natural.

que é o fluido que faz a alma atuar na matéri a corpórea. num estado de consciência enlouquecedor e tão terrível que desejavam morrer como se pudessem definitivamente acabar para sempre. Eles seguiam. sensação de angústia e horror. A . eu estudei uma observação científica e filosófica de ec. quando Laryel instruiu com prestimosa bondade: Cada caso é um caso. era penosa. não vê os espíritos que vagam no l ugar onde está. Pensou que nada iria acontecer após o afogamento. sem dúvida. as orações sinceras para esses irmãos são como remédio. O espírito São Luís oferece grande instrução ao explicar que ess é o estado de todo suicida. Entram em profundo desespero e sofrem. como bálsamo alivian lhes as dores. Não demorou e ela raste jou. Em O Livro dos Espíritos. Allan Kardec ressalta que espíritos suicidas experimentam os efeitos da decomposição. ser interrompida brutalmente quando estava com vigor. ou revoltados recusam o poder da prece e a força da oração. Alguns entendem rapidamente que não morreram em espírito e se arrependem. Laryel avisou: Ela se prende a esse vale de penitências. Há alguns dias . O gelo corria nas veias e o fogo em seu rosto. Respeitosa e num tom de tristeza misto ao de amor. recusa desc rever tanta penúria. . a duração e o rigor do sofrimento. Relata escutar risos infernais e vozes espantosas. uma mulher suicida. Aprendemos que se nesse momento não entendem . Wilson explicou: As preces. as questões sobre o suicídio são bem esclarecedor as. puderam tirar as mais numerosas instruções. Clareiam-lhes a mente. Que o Pai da Vida em Sua infinita mis ericórdia a envolva com bênçãos sublimes para o seu esclarecimento. Pensava que morreria uma segunda vez. que gritam semp re do mesmo jeito pavoroso. Estado que pode durar o tempo da vida que foi interrompida. Ele assevera que era forçad o a crer em tudo o que negava e afirma sentir a alma num braseiro horrivelmente atormentado. para aquela comunicação. as vibrações emitidas chegarã no instante em que estiverem em condições de reconhecê-las e se fortalecerão com suas energias. sofrem demasiadamente na mente e no corpo espiritu al. mas ainda não experimentaram esse vale deplorável de dor e suplício. Afirmava que sofria e sentia os vermes roerem seu corpo.contou Sérgio . nos relatos e esclarecimentos por ele publicados nos diversos volumes da Revis ta Espírita.Em seguida. apesar do espírito do suicida estar separado do corpo.Pequena pausa e os fez pensar: Observamos que o pobre espírit o afogou o corpo para morrer. Há suicidas que. observou-os por um momento. cuja mor te foi planejada ao lado do amante que também sucumbiu. mas seu coração rancoroso e revoltado até contra Deus podia ser sentido. arrependimento e ace itação de reparação. sentem-se extremamente perturbados e não entendem por que ainda estão vivos. na qual ele explicava sobre a comunicação de um suicida que se dizia sentir sufo cado no caixão. Com os olhos arregalados. O espírito do suicida fica ligado ao corpo. Lembrando que esse efeito não é geral.Segu ndos para reflexão e comentou a seguir: Em outra evocação. O suicídio e o aborto são os piores crimes que o ser humano pode cometer . então por que diz sentir a alma num braseiro? . O espírito infeliz diz que sofria e a evocação. mas vê um crepe negro desenhado num rosto que chora. Com gesto paterno o socorrista retornou e colocou aquele espírito de volta ao cír culo que se atraía. mas. É o rosto do mari do que ela traiu e magoou e sua consciência a acusa por remorso e pedindo reparação.argume ntou Wilson. inconscientemente. ela diz que tinha frio e q ueimava. haverá um longo estado de pertur bação dolorosa pelo fato da energia vital. Mas isso não acontecia e a punição conti nuava como no momento em que mataram o corpo físico. juntando-se aos demais amontoados que ardiam em labareda s. Não era difícil ver um e outro correr daquele redemoinho com o corpo espiritual e m chamas saído de brasas e provocando grande alvoroço e dor a todos daquele vale por estarem ligados mentalmente pela prática do mesmo crime. por asf ixia provocada pelo vapor que exalava de um forno portátil cheio de carvão. após a morte do corpo. Mas logo se juntava àquela montanha incandescente através de uma atração irresistível. Depois. Conta que é sempre noite. ele está completam ente mergulhado numa espécie de turbilhão da matéria corpórea e suas idéias sobre o corpo terreno estão muito vivas. A esse espírito sempre haverá uma punição e somente Deus julga conforme a causa. Os suicidas responderão como por um assassinato. Um dos casos conta-nos sobre a comunicação de um suicida ateu que se afogou havia dois anos. Aqueles que estudaram a Codificação Espírita e os ensinamentos úteis de Allan Kardec . Kardec ob serva que.

Libertos da sepultura. Outros são incrédulos. longas e dolorosas. piedosa. rever e sofrer incessantemente no corpo espiritual. Esses são nossos irmãos infelizes que se suicidaram e estão ligados e submetidos ao mesmo estado vibratório e mental pelo ato do suicídio premeditado. não se encontrou com ele. Como explicar tamanho sofrimento se o suicídio ocorreu com métodos diferentes? . que sente os dese jos carnais. meus amigos. não respeitou nem confiou em Deus... viam-se mais perto do extenso mar de espíritos suicidas amontoado s e entrelaçados. as dores da s vísceras se rasgando. Vêem-se corroídos vagarosamente por milhar es. Não co seguem ter paz. Ele diz que sofre um fogo que o consome e o devora. por um amor impossível. Outros estão confusos. Kardec nos relata sobre um espírito suicida que se enforcou. é o que vêem e sentem. respeitosamente. não lutou pela a. Estão impress ionantemente atormentados. por não se desli garem do corpo físico.Pequena pausa par a reflexão e avisou num tom lastimoso: Vamos seguir. aqui não há irmãos pro ntos para o socorro. desejado. Eles estão ligados na mesma vibração. Só o arrependimento intenso. Isso explica os relatos de Kardec sobre as comunicações de espíritos suicidas que se mataram de uma forma e.Alguns segundos e comentou: Diga-me o que está p ensando e eu direi o que espiritualmente existe ao seu lado. presos em seus caixões. A escuridão pode cegar-lhes por longo t empo. Sem perceber. não têm condições de serem descritas. o sofrimento in interrupto. Enquanto prosseguiam. somente a benfeitora ousava detalhar. Além da pos ura mental adotada. a benfeitora nada disse até deter-se e mostrar: Ali. mataram-se para fic arem juntos. E a mente do suicida normalmente atrai tudo isso que o corpo físico experimentou. Todos precisarão de vár ias reencarnações para repararem o erro e aliviarem os corações sofridos pela brutal sep aração. violentamente infligidas pela própria consciên cia. e a existência de indescritíveis aberrações em suas faculdade s os faz ver. Muitos perm aneceram bastante tempo em suas sepulturas. por isso não se concentram verdadeiramente em Deus. o instante de seu suicídio e dos outros. a sensação asquerosa.explicou a excelsa benfeitora Laryel. O suicida voluntário levará várias encarnações para purificar a consciência e isso depen erá da forma como suportará as futuras expiações terríveis. pratic ado conscientemente . Uns gritam de modo selvagem. fur iosos. algo sobre a visão aterradora: Irmãos infelizes que se suicidaram para se encontrarem com entes queridos desen carnados não o vão encontrar aqui. atordoado s e com o raciocínio lento pelas conseqüências do ato. Mas para aqueles que se refugiaram na morte premeditada e voluntariamente. por que tinha frio e queimava? Por que sentia o gelo nas veias e fogo no rosto? Por que não via nada nem mesmo os es píritos. As religiões ou doutrinas que consideram os suicidas confinados ao inferno e não . são agressivos e violentos pela revolta de não morrer. alguns continuam liga dos ao corpo pelo liame. se não era cega? .Sabiamente. por isso reproduzem as cenas horripilante s onde quer que estejam. dos líquidos. as razões e as conseqüências desse ato sempre são relativas às causas que o gerar m. Como explicar esse rel ato? Se ela se asfixiou envenenando os pulmões. o que dificulta sua libertação desse lugar. Alguns. do sangue fétido. contam sobre experimentarem outras sensações. O odor de podre. meses ou séculos. as secreções nojosas e o lo do encarniçado que os envolve é constante. demorarão muitos anos ou séculos para se reverem. unem-se sempre pelo pensamento. sofrerão bem mais. Os que. O que leva alguém ao suicídio. Serão juízes inconscientes deles mesmos. Experimentam o cheiro exalado do apodrecimento. Não se lembram d e situações agradáveis ou pessoas queridas. E partilhando das mesmas vibrações pela atitude. milhões de vermes por ligação ao corpo físico com vigoroso fluido vital. que vagavam no lugar onde ela estava. Então pura carniça. Os que cometeram esse crime pela perda da fortuna ou pela miséria. como no momento da morte de seu corpo e cenas repetitivas dos outros suicídios e extrema dor. a punição mental será mais longa e terrível porque fugiu da provação terrena. as necessidades físicas. além de falarem de seu sofrimento. Exi stem os que se crêem confinados eternamente ao inferno imposto por algumas religiões . É bom lembrarmos sempre que não existe punição fixa aos suicidas. Gritam e berram como animais.Nova pausa e depoi s continuou: Em outra conversa. urinas e fezes que se esvaem d o corpo de carne. .firma que não quer falar do amante. . fluido vital. As vibrações mentais mais tormentosas.

por causa de um acidente. mas sim o perdão de Deu Isso é possível?! . Os estudos e as pes quisas científicas de Allan Kardec sobre suicidas deixam claro que esses espíritos i nfelizes. algo que não planejou nem queria fazer. el es atravessavam um largo rio. o barco mostrava sinais de que afundaria. Porém esse estado de extrema dor e agonia do suicida não é interminável. junto a rochedos e menos hostil. A comitiva se manteve junta parecendo mantê-los no centro. esse homem entrega os remos à mulher e p ula do barco para a morte. mesmo sabendo que despencará para a morte certa. o último a se pendurar se solta ou corta a corda acima de si a fim de aliviar o peso e sal var a vida dos demais. dos parentes e amigos aliviaram sua consciência e o deixaram com elevadas vibrações sublimes.. a intenção do suicídio pode não merecer uma severa punição. A prece aos espíritos suicidas lhes dá força e resignação. . Ciente de que a esposa não sa bia nadar tão menos os filhos. Sem que soubessem e. confinando-se ao castigo da própria c onsciência. Mesmo jogando todos os poucos e pobres bens materia is no rio. depois afirmou: Como não? Se estudou deve lembrar que Kardec relata raros casos cuja intenção do su icídio abrandou. as águas se tornaram caudalosas e a forte corrent eza invadia o pequeno barco. estavam em lugar estranho. repentinamente. diminuindo a punição se es es forem humildes e respeitosos aos propósitos do Pai da Vida. desesperado. Nesse ponto. atirando-o contra as pedras sem piedade. o Criador bom e justo? Kardec explicou isso muito bem. Amparado na espiritualidade. Depois aceitar e propor-se à expiação ou repa ração dos danos a si e aos outros. ter paciência e fé. dependendo d o caso. planejamento. Por sua elevação espiritual e mesmo tendo a indulgência Divina. Qual?. Isso é um su icídio. inesperado. Àqueles que acreditam nisso podemos perguntar: Onde se encontra a misericórdia. pois as preces da esposa. você prometeu reparar o suicídio e o abandono da família tão querid . livrar a mente do ódio. imperdoável nem fatal. Ao contrário do que pensam aqueles que lhes recusam uma oração. Na espiritualidade. ele se perturbou por curto tempo.questionou Sérgio estremecido por uma sensação inexplicável.. no desespero. um tanto temeroso. Deus não dá recompensas. Com o objetivo de mudança. mas para salvar a vida dos outros. lugares cercados de labaredas e horrendos métodos de torturas. A prece com amor e sem lamentos auxilia o entendimento desses irmãos e a elevação d e suas consciências. No entanto nisso não se vê o desejo da morte. se vêem pendurados em uma única corda que vai se romper e todos morr erão. Ele acreditava em Deus e não queria morrer. pois a água o arrastou para as corredeiras. sofreu. Laryel parou. diminuiu o sofrimento ou mereceu o perdão . dos filhos. É bom recordar que se não houve premeditação. ao ver que a morte de todos será inevitável. desejo de se matar.perguntou Sérgio. O Espiritismo não admite inferno com demônios e capetas com tridentes. Seria injusto ela passar por sofrimentos horripi lantes como os demais suicidas. mas a vontade de salvar outras vidas. mas Sua bondade e justiça permitem a oportunidade de repar armos os erros cometidos e abreviarmos os sofrimentos. que transgrediram as Leis de Deus. deu a vida para salvar a mulher e os filhos.. do orgulho. relatam e apontam sofrimentos usando termos iguais aos de algumas reli giões. mas. Deus julgou-o pelas circunstâncias e lhe perdoou. da vingança. resignado. A duração de seus sofrimentos está ligada e é dependente de sua força mental e moral para arrepender-se verdadeiramente do que praticou. um desejo de bênção e misericórdia.. Por sua vez. Laryel olhou-o de modo diferente que ele não soube interpretar. mas u ma fatalidade o desesperou a esse ponto e não lhe restou alternativa. Um que ac ompanhei foi muito marcante. Bem at enta a tudo. quando uma chuva caiu na cabeceira desse rio. sua jovem esposa e seus três filhos. chicotes. a dor da se paração de sua amada e seus pequeninos filhos. a bondade e o amor de Deus se a confinação ao inferno for eterna? Seria Deus o Pai. Um homem novo. estão imensamente erradas. livrando-o de terríveis t orturas pelo suicídio. Então para salvar os outros. num ato não planejado essa criatura merec e ou não o perdão? Deus é quem julga. a prestimosa entidade se voltou para Sérgio ao afirmar com generosida de: Existem muitos fatos que isentam uma criatura forçada ao suicídio em favor de um acontecimento fatal. E logo acrescentou: Imagine uma situação em que operários ou esportistas.respondeu ela atenciosa .aceitam que sejam dirigidas as últimas preces. ta-os com fé e esperança em novas oportunidades de harmonização.

Falta essa que não cometeu por covardia. que continuarão se multipli cando. com o co njunto das funções orgânicas. o fluido vital é o agente do qual o espírito se serve para estabelecer c omunicação com a matéria corpórea para animá-la. cujo choque pela vid a existir após o suicídio provocou conflitos mentais deploráveis por acreditar que tud o acabaria após a morte do corpo. Ele é o intermediário. Isso explica por que o aborto praticado. Depois disso. está ligado à mas . desenvolvendo o embrião. explicou: O princípio vital tem sua fonte no fluido universal. e ela avisou com doce nobreza: Deixemos as emoções para mais tarde. relativo e proporcional para aquela reencarnação. com a finalidade de instrução. Desde o momento da concepção. Sim. elevou-se imensamente na espiritualidade e tornou-se socorris ta neste vale de suplícios e torturas terríveis. mas por amor aos filhos e a sua esposa . E cumpriu sua promessa. e ntendeu todas as provas vividas. Recuperando o domínio dos sentimentos de júbilo. emoções. meu querido. Nós sobrevivemos por muitos anos naquela oportunidade de vida terrena por seu sacrifício. angústia e indescritível dor. 27 . Tremendo perante o doce olhar de Laryel. Lembra-se? Você tinha dois filhos mais velhos e eu era a sua única filha e a mais nova. Conforme prometeu. Essa fatalidade não estava em seu planejamento reencarna tório. dos problemas mais diversos ou de qualquer desespero que esteja experimentando só atrasa a evolução e a elevação para mundos melhores. A nobre Laryel. cresce até a formação completa daquele corpo físico. Não me permito distrair em um lugar como esse.. já existe no plano espiritual. quando o óvulo fecundado inicia a multiplicação das células. chegando ao feto. impressões físicas em geral.. Hoje ela está encarnada e você a reencontrou: é a nossa querid a Débora. pois eu tinha importante tarefa. prometeu-me amparo em todos os sentidos. oferecendo sua vida para eu prosseguir. entre o espírito e a matéria ou massa de células. elétrico animaliz ado ou agente vital. sa beria aguardar o momento propício para as expressões mais ternas. A benfe itora o sustentou com vibrações mentais e ele comentou: Lembro-me disso. além de prop rcionar extrema aflição. o liame entre o espírito e a matéria do corp o físico. ajudou dando sua vida para salvar a de todos in clusive a minha.. A cena se repetiu com detalhes na mente de Sérgio. Descortinado o véu do passado. O feto. ele ficou profundamente emocionado. A pretensão de fu-gir. por meio do suicídio. Temos um dever. Reprimindo os sentimentos. foi. Conhecido como fluido vital. Lágrimas correram dos olhos de Sérgio. que pareceu abalado. inclusive no d ia seguinte a concepção. Alg o modificou em seu âmago. é um crime ou homicídio contra um er indefeso. Naquele planejamento reencarnatório... o fluido vital se desenvolve com essa atividade unindo e servindo de ligação. por medicação ou qualquer meio. Em todo e processo. Minha amada mãezinha nos salvou apesar do desesper o de vê-lo sumir nas águas. a comitiva pro sseguia naquele lugar onde se estendia pavoroso sofrimento. pois o espírito revestido do corpo espiritual. Dotada de forças vivamente transcendentes pelas virtudes morais. E por intermédio do fluido vital que o espírito experimenta um processo sensorial consciente de relação mútua com um processo f isiológico que lhe proporciona o conhecimento do mundo externo. mas permaneceu vigilante. Nesse instante ela revelou amorosamente: Eu estava naquele barco. Então vamos. Foi há muito tempo.a. formando os órgãos. magnético.. movimentá-la e experimentar ns sensações d o instante de sua união com o óvulo fecundado.Suicidas em sofrimento no Plano Espiritual Após a revelação preciosa da elevada Laryel sobre sua ligação afetiva com Sérgio e o tra alho que desempenhou na espiritualidade. ou liame. das dif iculdades ou infortúnios. Sérgio expressou significativa surpres a e temor ao olhar em volta. seguiram para cumprir a tarefa.Laryel calou-se e aguardou. comoção moral. ou perispírito.

e les até cantam de modo tresloucado! . o organismo enfraquecido não consegue transmitir o movimento de vitalidade. os fiéis ou seguidores se suicidam para provarem seu desapego ao corpo ou por decepção e vergonha por se despojarem de seus bens. como semp re. mataram o corpo físico por fé cega e irracional em determinadas seitas. Outros emitem sons similares a palavras de cultos a deuses ou espíritos que idolatraram n um passado distante e aos quais faziam pedidos e oferendas de todos os tipos. Laryel e o grupo pararam por alguns instantes. C rer nisso é ilusão. é verdade . famílias ou sozinhos. e o corpo carnal morre. Um socorrista que fazia parte do grupo apontou: Observe os que se envenenaram: trazem o corpo espiritual tal qual os danos oc orridos no corpo de carne: as vísceras à mostra com a dilaceração dos órgãos aparentes. Mas não são gritarias que os ajudam a se recolherem em pensame nto. Alguns suicidas. fazendo até parecer um acidente convencendo os amigos e familiares dessa fatalidade.concordou Laryel. fugiam aterrorizados pela vibração que sentiam . O suicídio interrom pe brutalmente a vida da matéria e bruscamente rompe a ação do fluido vital ou liames que permitiam o espírito atuar naquele corpo. E q uando parte do corpo físico é lesada seriamente. ela continuou: Lembremos que durante o sono o corpo adormece. explicar no nível de mente para mente: Aqui se aglomeram grupos de espíritos suicidas que. É uma atitude psíquica coletiva t otalmente desequilibrada. após o suicídio individual ou colet ivo. planetas mais evoluídos. chegariam a um paraíso. porém a alma continua ligada ao c orpo por meio do liame ou fluido vital. O estado consciencial em que se colocaram é tão desesperador que gritam em alvoroço como se houvesse uma competição para Deus ouvir suas preces enlouquecidas. a identificação do e spírito suicida é pelo fluido vital ou liame rompido violentamente. Isso não é raro. que não se rompe durante o sono senão por pl anejamento reencarnatório ou permissão de Deus. Na espiritualidade. Não conseguem raciocinar. e o espírito ou a alma do encarn ado se emancipa. No momento em que a quantidade de fl uido vital se esgota. Al guns. Mas Deus tudo vê. os gritos repetidos são com a crença de serem ouvidos por Deus e e m tentativa de não escutarem ou experimentarem os lamentos desesperadores e o sofr imento dos outros. Outros se entocavam como animais. desprende-se do corpo físico e vai para diversos lugares no plano espiritual. o sofrimento e todas as sensações pela destruição. Normalmente esses tipos de seitas têm líderes que os convencem a se despojarem total mente da matéria. Na oca e na garganta há ulcerações violentas e corrosões expostas onde se vêem os mecanismos . E havia os que não os percebiam. praticaram o suicídio de modo que os familiares acreditassem trata r de um acidente. Silenciosa. A instrutora não fez mais comentários e seguiram com os pensamentos em prece. aglomerados de espíritos em extremo sof rimento pelo ato do suicídio. O escuro era tenebroso. tanto que alguns oram incessantemente em idiomas estra nhos. Acr editaram na proposta ou promessa absurda de que. Olhem. Desejam fugir das sensações e imagens repetitivas de seu suicídio p raticado em nome da fé. filosofias tresloucad as ou religiões estranhas aos verdadeiros princípios filosóficos das Leis de Deus. Após algum tempo. em buracos como cavernas.observou Sérgio. Todos percorriam a trajetória com os pensamentos elevados. de vidas humanas. encar niçado jamais acabava naquele vasto reino de miséria de aspectos horripilantes. começando pela doação de seus bens. Como podemos ver aqui. em condições de vê-los. desintegr do corpo em formação. Exerce tarefas e outras atividades. Em determinada encosta onde a visão não era menos avassaladora.sa de células e sentirá a dor. inclusive. os berros estri dentes para orar. muitos irmãos que se torturam e sofrem por interromper a vida no corpo. ela os guiou por labirintos estranhos onde podiam ver. Depois de um processo semelhante à l avagem cerebral. Todo esse alarido interminável. propositadamente. Alguns cometem o su icídio em grupo. mundos melhores. os órgãos enfraquecem nas mortes de causas físicas naturais. A insanidade é tão extrema que não sabem mais o q e usar como rogativa para serem perdoados pelo suicídio. Laryel acreditou ser cabível. Chegando a uma espécie de salão gigantesco. A lguns gritam incansavelmente em línguas estranhas já extintas neste planeta. Não conseguimos enganar nossa própria consciência. para uma prece e diálogo com Deus. O constante odor fétido. Sim.

suicidaram-se imaginando deixar em para a próxima existência terrena o desafio daquela oportunidade. Outros são propostas de líderes com interesses pessoais. a mente. vê e sente os bilhões de vermes o roerem . É a prova d a afinidade persistente entre o espírito e o corpo que sofreu o que ele provocou. enlouqueced oras. Agora. Lógico que cada caso é um caso. desenfreadamente. angústia e as fortes impressões que recebeu do corpo físico devido ao rompime nto brusco do liame ou fluido vital que unia o espírito e matéria corpórea. Alguns casos são de e xtremo fanatismo. Exatamente . pavor de falar em espíritos. seria suficiente se concentrarem. é repetição de palavras bonitas. individual ou coletivo. após o suicídio. são atenuantes que aliviam o sofrimento e dim inuem a pena desde que tenha o coração despojado de orgulho e vaidade. neste lugar de dores infernais. É uma visão chocante. Várias vezes. pois os pensamentos estão longe dos desejos e das práticas . como uma espécie de terapia ou alimento compulsivo entre outros distúrbios. que nunca deixa de sangrar. Quanto engano! A punição para esses será ainda mais terrível por terem conhecimento. como os intestinos fragmentados e feridos. a qual imprime toda a sua vontade nesse princíp io material. Não são diferentes dos outros. é algo tão traumatizante qu e.explicou Wilson. Eles afirmam serem orações na língua dos anjos. pensarem em Deus. enc arnados. mas isso não adiantou para suas reflexões. brados e escândalo s funcionassem. entregues ao desespero e arrebatados pelo horror d as dores e condições. o espírito. plasma. rancor e outras mazelas em seus corações. pedirem perdão. Creram também que . Acreditando-se com total razão. muitos e. Agora entendo que se trata de uma recordação inconsciente. Po r isso os hinos repetitivos e as orações frenéticas. De repente Sérgio contou: Já estudei o comportamento de encarnados e a razão de adotarem determinada religião . traz os temores dessa vivência. desequilibradas. eles também oram incessantemente. mas se . é uma ligação ou uma espécie de repercussão do estado do co sobre o espírito. apesar da matéria corpórea não existir mais. ainda enlouquecido por tanta s recordações horripilantes. com os espíritos suicidas embrutecidos. uma espécie de delírio ao orarem em língua estranha cuja existência não se pode comprovar. não supo rtando a dificuldade da prova quando encarnados. pelo seu pensamento e lembrança. O que alguns desses irmãos fazem não é oração. endurecidos na fé. A princípio. ainda há orgulho. vaidade. em arrependerem-se e experimentarem breve sofrimento. Apesar de alguns suicidas estarem aqui há anos ou séculos e seus corpos físicos já te rem se decomposto totalmente. revolt ados. fanático. a emoção im ensada que o levou à prática desse crime. Entretanto não são somente os encarnados que adotaram os conce . O aspecto do fígado despedaçado. psicologicamente falando. começam a gritar para que Deus o s ouça. Por isso sabemos que as razões do suicídio. principalmente. Tudo de acord o com cada caso. o sofrimento experimentado. Intuições desconhecidas disparam na presente reencarnação à atitudes comportamentais de suas orações desesperadas. pensei que a atitude. Mesmo o efeito da decomposição. principalmente os protestantes ou evangélicos. foram espíritas. seu arrependimento. as orações e rogativas aos gritos. Deus para Ele solucionar proble mas talvez semelhantes aos que experimentaram em encarnações passadas e falharam. Têm medo horripilante do inferno. sua fé em Deus e a esperança de reparar o erro. somados às vibrações e sentimento das milhares de mentes que envolvem a todos. sustentando-lhe a forma aparente com sua energia impregnada de pade cimento. Estou certo? perguntou Sérgio. com hinos. clamando salvação no re ino de Deus. fragme ntada de uma experiência no plano espiritual. possuidor de ódio e vingança. Mas me intrigava observar. Mas isso ocorre. Podemos ver aqui. presos ao ateísmo. Na verdade. arrogância. sem obter respostas às minhas questões de estudo. são irredu tíveis à idéia da reencarnação e buscam.deficientes do esôfago até o estômago. incessantes e muito lo ngas.afirmou Laryel. Sem dúvida. O sangue e os pedaços de órgãos que caem e apodrecem permanecem aqui e são conservados nessas condições pelo poder mental perturbado e desesperado do suici da. São pessoas que apresentam aflição ao pensarem na sua morte. Tiveram conhecimento sobre as punições por tirarem a própria v ida.disse Laryel com humi ldade e bondade. o subconsciente. a repetição torturante da morte do corpo físico com a repercussão da dor no corpo espiritual. o procedimento preconceituoso para com aqueles que não aderiam a sua religião e o co mportamento extremo. com a finalidade de se livrarem de um sofrimento infernal de recordações hedio ndas. sua humildade. por possuírem faculdades de ra ciocínio e planejamento.

Ouviam repetidas vezes o barulho das ferragens junto das cenas. ouvindo barulho dos ossos fragmentando-se e o estouro dos órgãos. bem como aroma de suave fragrância floral. Laryel. Estud am sem dar atenção ou filosofar a respeito do tema e não põem em prática o que aprenderam. desde que não incomode os outros e não h aja desequilíbrio por compulsividade. Isso faz parte da evolução espiritual. Em frestas. Estava long e de se abalar. há suave melodia a nos envolver em paz para vibrarmos de acordo com o nív el do lugar. prisioneiros daquela desgraça. Alguns espíritos. para não mais ver sua queda e o corpo espiritual quebrado. Haja vista que em colônias espirituais voltadas para o socorro. por não serem fortes nem corajosos. O perispírito se apresentava como no momento do su icídio.itos do protestantismo que possuem esses comportamentos. para a instrução e outras até mais elevadas. pois foi esse seu método de suicídio. vômitos e pedaços encarniçados. tomando postura prudente e justa. agora. motos ou outr os veículos e sentiam as perfurações. . fezes. Tentavam livrar-se do mecanismo que plasmavam. é algo aceitável sim. Revoltados contra Deus. Espíritos violentos. experiência e capacidade. Se a paz ou a tranqüilidade for obtida pelo auxílio d e um som agradável. Lógico . música agradável e relaxante em baixo volume. ao pescoço do corpo espiritual. pois era o reflexo do estado do corpo físico que o impressionou e dominava-l he a mente com angústia e horror. com o som do carrilhão ou mais conhecido como sino dos ventos. desesperadamente enlouquecidos. O barulho da água era torturante e a visão repetitiva do modo como se afogou repercutia em asfixia aflitiva. Outro implora va. lugares e ambientes belos e tranqüilos para nossa harmonia. sons suaves ou mantra s utilizados por outras filosofias para a meditação. Cada um tem o direito de b uscar a purificação da mente para religar-se a Deus da forma como lhe convier. graciosos no plano espiri tual. Após a travessia na vasta região de sombras. Silenciaram. Meditação é sujeitar-se em pensamento a um exame interior à contemplação ou oração mental em total quietude e harmonia da mente e do corpo. cantos escondidos ou espécies de tocas. de lugares incrivelmente lindos. o inchaço roxo que apodrecia o pescoço e a cabeça. Be nfeitora especialista em tarefas daquela natureza. orgulho. é diferente de músicas agradáveis. agrediam ferozmente quem dele s se aproximassem ou estivessem em seus caminhos. a quele conjunto de sinos ou peças delicadas que vibram e balançam com a brisa produzi ndo sons que impressionam o sentido da audição. em que cada um lutava com sua forma particular da morte praticada ao corpo físico. reviravam-se no chão de lodo vi scoso repleto de matéria com aspecto de secreções de sepulturas. Alguns se desesperavam com a abundância de água nas vias re spiratórias e nos pulmões. Para is so se precisa de paz interior. Os que se enforcaram traziam atados. mas s em prejuízo à paz e ao sossego alheio. Esse comportamento os defer ia ali por muito mais tempo. outros suicidas se aglomera vam em pequenos grupos. Já estudei sobre isso na Codificação Espírita. mesmo nos templos. Muitos espíritas oram em silêncio. como o murmurinho da água de uma fonte. o incômodo da língua exposta com edema em alguns casos. . mas era impossível ver-se sem a dor. sempre serena e atenta a tudo. arrogância e tudo mais. generosamente guiava todos co m precaução e sensatez através de missão na qual não necessitava mais trabalhar. Adiante espíritos viam-se aprisionados nas ferragens de automóveis.concordou Laryel. as dilacerações ou o crânio aberto de maneira dramáti dolorosa e cobertos de sangue que não estancava. Muitos exalavam ódio e contrariedade pelo que experimentavam. ininterruptamente. do sufo camento ou do quebrar da vértebra. aproximaram-se de determinado lugar com aguçada observação. serviço qu muitas vezes realizou sozinha por sua elevação. em gemidos. entregaram-se ao suicídio. Esse comportamento exagerado. o pedaço de corda ou tecido que usou para se suicidar e sofriam a agonia da asfixia. abusivo e excessivo de gritos para orações em qualq uer lugar. pois pecam em atitudes e pensamentos de mágoa. Blasfemavam rancorosos contra outras criaturas ou situações nas quais. estoura do no chão. porém não se concentram e desviam os pensamentos para outros assuntos. possuía piedade e amor incondicional.Leve sorriso discreto e Sérgio coment u: Recordo-me.

rastejavam e rev iviam a sensação do sofrimento. Ótimo pai e marido. impressionant emente. do sofrimento na mente e no co rpo espiritual. o seu período ou tempo de punição.. Por sua generosidade foi enganado. ele e um outro cooperador foram à direção de um dos infelizes que se acuava. Rogou a Deus Sua bondade e socorro. conseqüentemente. arrepend endo-se de imediato. A esperança na oportunidade de reparar o erro e a fé em Deus o fez re colher-se em prece. Senhor meu Deus! Agradeço por ouvir minhas preces e enviar Seus anjos par a me socorrerem. A certa altura do trajeto. a esposa não desistiu. a sol idão reinava. Apesar do estado enlouquecedor. o espírito suicida agradecia. Os que estilhaçaram a cabeça com um tiro escutavam repetidamente o estrondo que e stourou seu crânio. Cristão. o rosto cadavérico. logo após o ato.. Acalme-se..perguntou Sérgio. As vestimentas eram míseros farrapos e muitos estavam nus. foi humild e. aos quarenta anos. queimo. Em estado de perturbação. Católico. Todos se desconheciam e se tratavam como inimigos. sabiam tratar-se de um homem que. cortou a lateral do pe scoço com um canivete que possuía. mas foi fraco e incapaz de suportar a provação.. Quanto mais tranqüilo estiver.. Tenho frio. de todo o sofrimento. mas é Deus quem julga e encontra circunstâncias que diminuem o grau de responsabil idade do culpado e. Cinco anos. Os que se suicida ram juntos estavam distantes um do outro naquele imenso vale. entendeu seu erro. Os encarnados não imaginam o poder da prece. Ore e agradeça em silêncio. É o momento de deixar esse lugar. Mesmo a igreja católica negando-se à prece a um suicid a. gélido e a dor infindável só que. e voltou a fixar em outro ponto.tornou o amoroso tarefeiro espiritual. Entendendo-lhe o desejo. Sofreu. facas ou objetos perfurantes no peito ou nas vísceras gritavam por socorro ao ver o sangue jorrar. De posse da Bíblia. lia o Evangelho do Cristo pensando no marido e rogava perdão para ele pelo suicídio praticado. O suicídio não fica impun . Deus os abençoe .. A espe rança aliviou suas dores e as preces da esposa.. O sangue da jugular não pára. mais forte. As energias mentais apresentavam-se extremamente fortes e a aflição imperava. Diante do desespero. Não teve coragem de contar à esposa e ao s filhos que passariam a viver na miséria. não foi para casa. Acalme-se e pense em Jesus. explicou: Ele foi um homem bom. Apesar da aparência horríve l. não aprendeu sobre a reencarnação. vendo-se junto aos encarnados. Eles enlouqueciam com os cenários e os sofrimentos de seus suicídios.murmurou o socorrido. dos filhos e amigos foram como um medicamento que o fortalecia. pe rdeu o emprego. enquanto aguardava. Deus assim o quis e sua pena foi abreviada e agora o vemos em co . além do so frimento moral e perispiritual. Oh. O sangramento já vai parar . Orou pedindo perdão enquanto se esvaia o sangue e a vida do corpo. a casa e todos os bens foram confiscados. mostrava-se grato entre as lágrimas intermináveis. mas acreditou na bondade de Deus em lhe dar nova oportunidade de vida para harmonizar sua consciência. levando-o para junto do grupo. da dor ininterrupta. com inúmeras necessidades. Apresentavam-se com a cabeça aberta e sangue abundante. mais rápido poderemos trabalhar. além de receberem as vibrações fortes e visualizarem as imagens dos outros suicidas experimentando as mesmas dores. torturavam-se pela tragédia a que se lançaram. O Pai da Vida e nxerga nossos sentimentos verdadeiros e sabe o que é justo. técnic o naquela tarefa. com ossos quebrados e expostos. Tinham o peito ou o tronco inchado e queimando. Desapontado consigo mesmo e desesperado. procurou um lugar afastado.Os que se atiraram em linhas férreas ou rodas de veículos tinham a aparência perisp iritual retalhada. Sem demora re tiraram-no de onde estava. Desorientado. Era religioso... fragmentada. Chorando compulsivamente. apesar das condições deste lugar. à sua família e depois s e atraiu para cá. Ela olhou para um dos socorristas. Os que utilizaram armas de fogo. Mas. que se aquietou. Está envolto em coberta que diminuirá seu frio e deixará de queimar.. A falta de fé o levou à covardia e à insanidade momentânea. Meu pescoço. sincero e pôs-se à oração.pediu bondosamente um auxiliar ao prestar os primeiros atendimentos. meu amigo . suicidou-se por vergonha . Laryel parou em lugar específico e apropriado onde p areceu criar uma espécie de campo magnético. Laryel havia indicado outro espírito para ser auxiliado e. revivendo a cena do instante em que se suicidaram. Há quanto tempo ele se suicidou? .

depressão entre outros. A documentação protegia futuros processos judiciais contra o laboratório fabricante. Mesmo tendo faculdades bem desenvolvidas. que revive as cenas do suicídio e o desespero na fornalha. Uma série de atenua tes. Se os pa is tivessem mais e verdadeiros esclarecimentos. Os socorristas o envolveram. sem m ais informações sobre o remédio nem desconfiança por tantas assinaturas em documentos pa ra arcarem com a responsabilidade. outros espíritos eram socorridos e postos perto deles. Poderia ser mais. Outros lhe prestavam c uidados quando ela se afastou e tornou a Sérgio. mas não o fez por vergonha. Apesar de envergonhado. Se o médico fosse mais responsável e instruído. Não conto u aos pais nem procurou ajuda psicológica por seu orgulho. Ele ur rava estridentemente ensandecido até que Laryel se aproximou e. Os responsáveis diretos ou indiretos q ue o levaram a esse ato serão punidos pelas Leis de Deus no devido tempo. as inspirações de espíritos elevados e deu um tiro na cabeça com a arma do pai. porém mal os leram . ignorou os instintos. plasmando o perispírito como vê pelo que vivenciou e mais o impressionou. Cientes dos possíveis efeito s colaterais danosos. falado sobre os pensamentos de morte. Sentiu-se deprimido. contando: Como sabemos. ele mal pensava em Deus nem rogav a amparo.Enquanto Laryel esc larecia.defendeu Sérgio. o jovem era alegre. os pais adquiriram a medicação muito cara e o fil ho passou a usá-la. a responsabilidade é proporcional às condições em que se deu o erro. Além disso. Ainda que a matéria corpórea não exista. incluindo cegueira. não teria prescrito tal medicação.surpreendeu-se Sérgio. os pais seriam os únicos responsáveis. problemas sérios no fígado.ndições de socorro. Ainda possuía o crânio estilhaçado pelo tiro e pedaços do cérebro e xposto. algo comum nessa idade. Esse irmão tinha quinze anos quando diversas espinhas e acnes co briram seu rosto. a falta ou o crime. Cada um é julgado por suas obras. mas. Em determinado mom . Sem procurarem uma segu nda ou terceira opinião de profissionais mais experientes e até de outras áreas. mas não o fez. Imprudente. Gemeu até f icar como que anestesiado pelas providências da benfeitora.tornou Laryel com brandura. Tinha meios de procurar ajuda profissional. por vergonha. Por essa razão seu tempo de penitência foi abrevia do. com recursos próprio s. . entendimento e cert o grau de elevação espiritual. Ele poderia ter procurado os pais e conversado. planejou o suicídio antes de consumá-lo. Embora ele não tivesse predisposição ao desequi rio mental. não se vendo morto. oferece a misericórdia de Deus. bem como o médico por quaisquer danos na saúde do usuário. Apesar do arrependimento. deformidades por má formação fetal nos futuros filhos. deprimido pelo efeito da droga existente no medicamento. concentrou-se no sofredor colocando-lhe a mão na fronte. Mas era um garoto . Os pais precisaram as sinar diversos papéis para autorizarem o uso da medicação pelo filho. Não demorou e outro espírito foi trazido. sentimento que muitas v ezes chamamos de vergonha. do estado horrível e do desespero. houve um efeito no campo biológico causado pela medicação. A famíl ia era católica e ele sabia que o suicídio é um crime terrível. contando o que sentia. Est ar ligado ao corpo físico durante a cremação foi uma experiência terrível! Ele sofre inten so trauma e aberração das faculdades como um demente. por vaidade. Possui vaidade em seu coração e orgulho. condenado por essa relig ião. não comentou nada ou poderiam su spender a medicação e suas acnes voltariam. Tanto que. inclusive o efeito da medicação no organismo. Não se desprendeu do corpo o que acontece com muitos e. o médi co aconselhou o uso de um remédio proibido em diversos países por seus possíveis e inúme ros efeitos colaterais. Está neste estado há quinze anos e terá muito que harmonizar. Todos esses anos?! . Ele percebeu os sina is anormais com o uso do remédio. mas percebia-se a carbonização dolorosa. triste e se negou a procurar ajuda. tentava animá-lo apesar da dor. o reflexo horripilante das s ensações caracteriza-se no perispírito. Sua deplorável condição de suicida era impres sionantemente infeliz. foi vaidoso e não procurou ajuda. ao saber que o remédio p oderia causar aquele desgosto pela vida. de tristeza e falta de vontade de viver. Sua situação ficou ainda mais deplorável quando a família decidiu pela c remação. você sabe . A grosseria cruel dos colegas que o humilhavam constantemente e sua insatisfação pessoal fizeram com que a mãe o levasse a um médico. o remédio não seria usado. ou seja. Tinha conhecimento de que o suicídio é um ato terrível e ignorou. A idade não importa. à loucura. Aos poucos ele se acal mou e puderam notar uma vaga recuperação das faculdades ao olhar em volta. porém passo u a ficar quieto.

Laryel olhou em volta. reconhecen do o erro. Movimentando-se lentamente. Ele vê a imagem de cada uma de suas vítimas implorando misericórdia.. abençoe meu pai po r enviar esse irmão de luz para me socorrer. Jesus o envolva. perplexo com o imp acto das idéias ligeiras.. Fitando-o com profundo agradecimento no olhar.respondeu. Dentre todos os socorridos. meu irmão. uma oportunidade de reparação. O espírito aceitou e Sérgio prosseguiu com o processo de auxílio. Aquele espírito está aqui há mais de duzentos anos. mas. filho do doutor Édison? Sou eu. Faça uma prece.chorou com lágrimas abundantes.. De imediato foi amparado e abrigado pelos braços de Sérgio.. É possível que permaneça nestas trevas por mais tempo e somente a re encarnação compulsória. Pobre irmão! lamentou piedosa. meu irmão.. Deus há de recompensá-lo. provavelmente. procurando dominar as lágrimas. sufocante das cenas que revive do suicídio. pareceu averiguar as imediações e depois pediu a Sérgio: Venha comigo. do estado deplorável e p avoroso de seu corpo espiritual cujos órgãos genitais sente em brasa. incurável e de processo doloroso. o que ele não teve. ela apontou: Veja ali. fraquejou... . o que não aconteceu. Dói muito.. o irmão se sentirá aliviado. as ânsi as e regurgitava substância fétida. Obrigado. impregnado da matéria nojo sa do lugar e desfigurado encolhia-se tal qual criança assustada. Obrigado Senhor. após alguns passos vacilantes. enforcou-se na prisão. Você é o Alessandro..Ergueu-se com esforço. sussurrou: Obrigado.. Por i sso e devido a sua postura mental. perguntou como pai amoroso: Alessandro?. Obrigado. Escuto o disparo. orientando: Agora descanse... Prati cou vários estupros e matou suas vítimas. Deus o abençoe por tudo. ele se prontificou a cuidar do espírito que trouxe nos braços como um ente querido.. tire-o daqui. Não tinha o crânio esfacelado como quando chegou. Socorreram outro espírito que se suicidou se atirando de um edifício ao saber que tinha uma doença muito grave. observando os abnegados socor ristas em ação. Um sentimento muito forte invadiu Sérgio e pedindo a Laryel. em difícil condição. Sérgio. aquele espírito suicida era o que se encontrava em melhores condições.. Fique t anqüilo e pense em Deus. sofreu todas aquelas misérias do lugar por mais de cem anos.ento.. Sérgio procu rou acomodar-lhe as mãos. Preso. que permitiu. A prece . Pensativa.. humildemente. Mas não tem fé em Deus nem o coração puro. Não d emorou para se arrepender e se concentrar em verdadeira prece a Deus. fazendo-o parar. o espírito suicida falou num sopro: Minha cabeça dói. que o levou para junto d os outros. As mãos sujas e magras daquele sofredor seguraram repentinamente as mãos de Sérgio. O que deseja é livrar-se do sofrime nto agonizante. mas em seu íntimo experimentava forte emoção. Ainda sentia arder às vias respiratórias com os pulmões queimando. E você? Meu nome é Sérgio . murmurou ao sair engat inhando do esconderijo: Oh. Ele se prostra de joelhos em penitência. pedindo Seu perdão e. . assim como at aduras para cobrir lesões e material adequado para algo como que primeiras higieni zações das impregnações nos corpos espirituais dos socorridos. Enqu anto oferecia os cuidados.. Logo trouxeram o espírito de uma mulher que se afogou prematuramente por causa do desencarne dos pais e com o intuito de reencontrá-los. Em breve. Sem expressar-se comovido. Tenho frio.. mas virou-se e f ixou-os com expressão surpresa. Ele vivenciava sofrimentos infernais e tinha toda a organização perispiríta deformada. Laryel já havia providenciado e fornecido recursos próprios para a materialização de objetos de socorro que adquiriram contornos propícios e definitivos como maças e cob ertas impregnadas de invisíveis energias medicamentosas e calmantes.. Deus. ora desesperadamente e invoca perdão para sair deste vale tenebroso. pois o socorro já começou.Não longe se aproximaram de uma caverna rasa onde ela direciono u luz baça que irradiou de sua mão. assim as providências para o socorro serão mais ágeis. Deus! . Enquanto Laryel só observava. embora houvesse du as perfurações que sangravam em sua cabeça: uma pela entrada e outra pela saída do tiro com o qual se matou. Oferecendo grande pausa. Um espírito enfraquecido. Sairá daqui.. Abençoe esses anjos de socorro. Indefinida emotividade dominou os sentimentos de Sérgio que.

Outra jornada. a tênue claridade emanada de Laryel. entonando amor e agradecimento sublime: Senhor Jesus. de indescritível sofrimento e l oucura. o desejo de reparação. dispostos às harmonizações e reparos. uns mais rápido que os outros. E é por eles que imploramos bênçãos para a constituição da consciência. Com bondoso olhar. os espera. mas com considerável alívio pelos passes salutares re cebidos como um bálsamo para suas condições. Mestre amigo. é de todo coração que suplicamos em favor desses irmãos em condições a ropriadas de socorro hoje. excelsa m inistra do socorro. . esqueciam-se de Deus. Enquanto isso os demais suicidas que podiam ver a atuação de socorro naquele luga r. Rogamos por Suas bênçãos misericordiosas para nos sustentarmos na humilde tarefa de socorro à qual nos devo tamos. Seu calmo semblante reluzia sua natureza superior e sua fronte ligava-se ao Alto por fio luminoso. Após a breve interrupção do diálogo em forma de prece. a o tempo que a comitiva sentia-se fortalecida com a ajuda vinda por projeções de espíri tos invisíveis a todos. somos meros aprendizes de Teus Divinos ensinamentos. recolhidos na fé da bondade de Deus. resignam com paciência e. Permaneceu naquele ciclo inferior por oito anos.A emoção generosa pela doce e tocante inflexão de Laryel envolvia todos da comitiva. As mentes desses irmãos estão presas ao formato de união de cada célula. hoje esses irmãos estão preparados para a redentora libertação de ssas trevas. espera pelo socorro Divino. em todas as particularidades.explicou um dos auxiliares socorri stas. angús tia. Terão a penitência e afl ição diminuídas. aliviando seu sofrimento e d iminuindo sua punição. muitos outros irmãos infelizes aqui permanecem sofrendo os reflexos mentais da desgraça ardente. Lágrimas sensíveis b rotaram dos olhos de alguns. . A s eguir.Nesse momento. revolta e indignação por se prenderem àquele vale extenso de lodo repleto de su bstâncias de matérias espirituais em estado putrefato. a elevada e ntidade prosseguiu. Senhor. pausadamente. Para alguns serão necessárias i eras reencarnações para aperfeiçoarem o corpo espiritual e físico. Alguns. Tal comportamento e sentimento os detinham por mais tempo na quele vale de suicidas. apesar de todo sofrimento. mais insuportável na expe riência terrena. aumentava gradativamente até alcançar um jorro intenso de luz. na consciência e sem culpar os outros pela falta c ometida da qual a criatura é a única responsável. Breve intervalo e a benfeitora desfechou: Jesus. expressou-se generosa: Sabemos que o Pai da Vida nunca fecha a porta àquele que se arrepende e lhe ren de culto sincero em pensamento.de sua família o auxiliou com forças que o sustentaram. . inclusive os socorridos. inclinavam-se a expressões de ódio. Viam-se. fraqueza no momento em que consideraram mais difícil. cujo rompimento dos laços da vida corpórea foi partido ru de e voluntariamente por razões e idéias que não nos cabem julgá-los pelo desespero. ou passes. cada órgão do rpo físico no instante e após a prática do suicídio . da ininterrupta e prolongada tortura desse infortúnio. nas provações difíceis. psíquico. esses serão socorridos. a justiça da própria punição mental. Será preciso muita elevação e enriquecimento da mente. Me stre do amor. espíritos brutalizados que lutavam e gritavam imperativos e arrogantes para serem levados. entregam-se e co nfiam a sua existência à vontade de Deus. na paisagem tenebrosa e aflitiva. e m total confusão mental e extremamente desequilibrados. de S ua justiça e bondade. Laryel demorou-se ao circunvagar olhar triste e piedoso após o término da movimen tação de energias. Cada um reagirá ao soco rro de forma diferente. em direção do bem fraterno e reparador. A benfeitora transcendeu ainda mais. a prestimosa benfeitora fitou todos que a acompanhavam e t ambém os socorridos como mãe que confere e observa os filhos queridos à sua volta. Aqueles que reconhecem. a humildade e a paciência para o socorro e o progresso da condição mental por meio da pr ece. na esperança de se projetarem na evolução moral e espiritual. para saírem dali. a fé na bondade e na justiça de Deus. Os espíritos suicidas socorridos que tinham mais consciência oravam e agradeciam incessantemente o auxílio servido com valoroso amor mesmo com as sensações das impressõe s dolorosas que ainda sentiam. porque a morte não existe e a ausência do corpo físico não é o fim dos sof tos para o espírito. o despertar para o orso e o arrependimento. intraduzivelmente bela. apesar de repelidos por algo como um campo magnético. utilizados com a finalidade de livrar os espíritos socor ridos de impregnações oferecendo-lhes um pouco de alívio mental.

Será preciso que você se fortaleça para reencontrá-la com harmonia e paz.emocionou-se. pois agora entendo a motivação e o auxílio que recebi. Sabe como eu a amo.. Sorrindo com meiguice. a compreensão. . Pai da Vida! Agradeço a oportunidade de t abalho e o aprendizado.. orientou: A ignorância de alguns fatos da vida é por bênção. Se possível. Permita-me atuar ao lado da filha da minha a lma. Perdoe-me a i mperfeição e... Nossa querida Débora. mas humilde e respeitoso. sou eu quem lhe deve gratidão. realizarei o trabalho ao qual me propus. rogo rever o espírito Alessandro. Em seu quarto.. respeitosamente..lágrimas o interromperam.. sa bedoria e fé.A inflexão verdade iramente sentida revelava sua elevação: Com fé e amor.. certamente. nesta oportunidade. Agradeço. peço forças para a ta refa abraçada. beleza suave e sublime eram nobres na aparência jovial. Laryel conduziu Sérgio e ministrou-lhe en ergias que dispersaram todos os fluidos obscuros que ainda pudessem impregná-lo.Raios de luz irradiados do peito de Laryel brilhavam em torno do grupo socorr ista envolvendo todos. muito será esclarecido.. Meu amado p ai espiritual. pois sem algumas preocupações nos elevamos moral e espiritualme te. Abraçando-a com terno carinho.. Senhor Deus. Há mui to para se desvendar do passado e. Olhando-a longamente e com generoso carinho. a inspiração e o apoio. era exposto a sua capacidade de conhecimento. falou: Como lhe sou grato!. . Faça preces para que o Mestre Jesus enderece Seu olhar de misericórdia a ela nes sa fase evolutiva. incomparáv el e. rumando para colônia espiritual apropriada para a recomposição e regeneração dos socorridos. ela providenciou a retirada de seu grupo e partiu rapid amente na direção do alto. Alessandro será seu protegido e... ela mesma. no semblante imperturbável. . encarregou -se de levá-lo de volta até sua casa. .murmurou Laryel docemente e emocionada. Mesmo assim continuou sob o efeito de jubi losa emoção: Agradeço o amparo e a revelação desta filha do meu coração. amorosamente.. em ou tros momentos no plano espiritual. Reco rdará de modo fragmentado o que for preciso para sua tarefa e propósito no bem. pr ovavelmente permanecerá considerável tempo na espiritualidade onde poderá ajudá-lo com i nstruções. Vo cê tem conhecimento dos fatos de outras experiências da vida terrena e espiritual no desdobramento durante o sono.expres sou-se emotiva e em tom piedoso. Deus... E a Débora?. tal como uma redoma protetora. pois foi para esse fim que Débora reencarn u: para ajudá-lo e serem felizes. A pós recompô-lo de benefícios fluídicos revigorantes. Pai. Sinto que ela precisa muito de mim . para ser o sustentáculo e a compreensão. Usando de recursos peculiares. Tenho certeza de que a experiência desse trabalho abençoado no socorro fará com que mude a postura mental. da melhor maneira dentro de todos os meus esforços a fim de reparar minha imperfeição pel a inclinação às influências inferiores. . Querido Sérgio. Temporariamente a bênção do esquecimento é necessária. Confie em Deus. rogo modesta participação em socorros como o real izado hoje em nome do Mestre Jesus. pela oportunidade sublime. a benfeitora cerrou os olhos mantendo-se vincu lada a forças magnéticas de planos superiores. se fortaleça e se reconheça capacitado. Com suprimentos e auxílio de entidades elevadas e imperceptíveis. ele agradeceu como numa prece: Obrigado.disse em tom preocup ado. Deus oferece tudo a seu tempo . pelo entendimento. sensibilizada com lágrimas de júbilo.. encantando ainda mais sua figura. Mas seja feita a Sua vontade e não a minha. razão de sua elevação à custa de incansáveis trabalhos no bem. Sérgio ainda estava em desdobrame nto e sabia que retornaria ao controle de seu corpo talvez com vagas e confusas lembranças da tarefa. avisou: Nós nos encontraremos com mais freqüência por conta de tarefas em nome de Jesus e. Sua humildade. até que tudo se reverta e ela seja a sus tentação. A emissária de amor silencio u. Cujo amparo não sou dign eceber. Em nada adiantará ou ajudará qualquer informação. Com resignada fé.Luminosidade emanava-se pulsante e cristalina. * * * Para outra esfera da espiritualidade. sabe disso .

ponderações e contemplações às quais se r ecolhia para uma saudável conversa e agradecimento a Deus.Algumas necessidades aumentam o valor pela vida e o reconhecimento das mínimas oportunidades.Beijand o-o na face. que não lhe respondia com . direcionando suas energias ao trabalho digno e sadio. olhou mais uma vez o cenário esplendido e admirou o ca pricho de Deus. Algumas horas depois do almoço decidiu ir embora. olhe por mim. A fonte revitalizante que o sustentava nas decisões e atitudes coerentes era sua determinação em meditar e analisar os fatos com fé raciocin ada. Sérgio fixou olhar no indefinível azul e re presentou mentalmente a figura do Mestre Jesus como que o observando. sem ansiedade ou desespero. talvez. Extas iado. Uma montanha distante d o outro lado da margem era escurecida pelo início do entardecer e oferecia um toqu e especial àquela paisagem. Sérgio não se entregava à dolorosa solid trazia o semblante sério e sisudo. que se entregou à fragilidade do adormecimento verdadeiro sendo generosamente auxiliado a regressar ao corpo i nerte com sono profundo e regenerador. 28 . Eu a amo em todo o meu ser. não queria pegar a estrada à noite.. no espaço ilimitado p ela extensão indefinida que chamamos de céu. embora a humildade. somente se a e resignava. Passou a maior parte do dia conhecendo lugares interessantes.. Porém não se permitia à demorada lamentação. Olhe por todo s desse mundo. por sua determinação e sinceridade ao fazer uma terapia com o Psicólogo das almas . seu sorriso luminoso era constante e o som de seu riso gostoso era cristalino e verdadeiro. Leva ndo-se. Estou cuidando. nas quais não lamentava. Dê-me forças. Olhando para o sublime firmamento. considerações ao estudos para conhecer as verdades libertadoras. costumes diferentes e observando a tra nqüilidade do povo local. reflexões. sentia sua falta. Senhor Jesus. Sempre sereno.. Sérgio dirigiu por uma auto-estrada chegando a uma cidadezinha cercada de represas e montanhas. ocupando-se sempre com algo produtivo. delegava soluções aos propósitos de Deus. Era final da tarde e. Cuide dela por mim . Repouse.. sentiu-se diferente. Permaneceu sorrindo por tempo indeterminado e sentindo-se mais leve. Minutos de profunda meditação e murmurou ao final: Senhor Jesus. Toda a visão era encantadora.. o qual tirou para seu descanso. a atenção e a disposição fraterna estivessem sempre presentes em suas ações.pediu em tom de súplica. Ao contrário. não re sistiu e estacionou o veículo após sair da estrada. . Laryel colocou a destra suave na fronte de Sérgio. Apesar da inexplicável sensação desagra-dável pelo vazio. assim como amo você também. comuns ao cotidiano. Retornando. Agora rogo que o Mestre Nazareno o envolva c om sustentação para continuar na jornada com luz na consciência e paz no coração. Em preces. caminhou até o carro. magnífica! Os matizes coloridos do céu espelhavam-se na água passiva e brilhante. humildemente rogo. Certo dia. andou um pouco e sentou-se em um relevo próximo à água que refletia os últimos rai os do sol se pondo no horizonte. pai querido. Encontrava-se só. pela Débora.. Tudo se tratava do reflex o de sua aura iluminada. Ela aprenderá muito.Conversando com Jesus Sérgio transformou profundamente a sua postura mental. pois quero continuar com empenho e trabalhar em Seu nome. tinha uma postura imperturbável diante de problemas preocupantes ou situações desagradáveis e imprevistas. Seu belo rosto tranqüilo figurava-se com um retoque de nobreza majestosa. A natureza era d e uma beleza extraordinária! O lugar oferecia um precioso silêncio inebriante. Algo natural das forças fluídicas superiores que alcançou em caráter de nova postura moral ligada ao alto pelas: meditações. percorrendo poucos quilômetros. beneficiando-se de forma incrível desde quando passou a refletir e agir conforme o que aprendia nos ensina mentos da filosofia espírita. Ainda trazia no coração a ferida do amor inexpri mível por Débora. desfechou: Agradeço ao Mestre Jesus por nos conceder a bênção de trabalharm os juntos como já fizemos no passado.

Após rirem. Ainda sob o efeito do riso. Obrigado. pois acabei de passar uma lig ação. Logo em seguida uma outra paci ente telefonou e. Não tive qualquer notícia apesar de procurá-la... Não zombe de mim. Não namorou outra moça ou?. Penso que.falou rindo ao indicar a sala onde ele atendia. pois ela sabe como fazê-lo. Então eu comentei sobre a desistência nesse horário e ela avisou que estava vindo para cá.. implorando para que o senhor pudesse vê-l a hoje. como se houvesse superado e nenhum sent imento o incomodasse. Levantando-se e cumprimentando-o o médico indicou uma cadei ra frente à sua mesa para que se sentasse. você fala de um modo bem tranqüilo. Então você me chama. Sérgio a abriu e entrou a pedido do médico. Diga-me uma coisa. Vou até a sala do doutor Édison. não a esqueço. se quisesse me ver novamen te. daria um jeito de me encontrar. E por amá-la de verdade. Está em sua sala. Nã posso correr a vida inteira atrás dela e. ao se aproximar do balcão de atendimento. Não vou me envolver em experiências frust rantes. Sérgio recordou-se imediatamente da paciente e perguntou: Sabe me dizer se a mãe virá junto? Ela não disse nada a respeito. devolveu-o para a secretária e perguntou: O doutor Édison já chegou? Chegou sim.palavras. . A companhia de Sérgio sempre era bem agra dável ao senhor que logo perguntou: E a pós-graduação. o médico indagou: E o coração. dói muito! Contudo eu busco esperança e fé. Sérgio saiu de seu consultório sorrindo e brincando ao acompanhar um de seus pacientes até a recepção e à porta de saída. contudo enviava-lhe Seus mensageiros de elevada estirpe espiritual pa ra protegê-lo e guiá-lo. Primeiro por estar muito ocupado e segundo por não aparecer ninguém que me int eresse. Em s eguida. Bem. . Talvez se atrasasse um pouco. . De um modo que não sei explica r. Busco harmonia e concentraç tarefas úteis.brincou Sérgio. por favor. que acabava d e desligar o telefone.. Talvez eu esteja lá quando a pa ciente chegar. parecia aflita. Dói! Às vezes. Pode deixar.. E até agora não chegou. mas imperturbável o rapaz respondeu: A Débora desapareceu completamente. ela avisou: Doutor. porque sei que procurarei na outra pessoa a Débora que ela não é... Silvana. eu respeito à decisão dela e não vo incomodá-la com minha simples presença se voltarmos a nos encontrar. por favor? A moça sorriu e correspondeu a brincadeira: É a terceira sala à direita.Brincando. doutor. mas acho que vou procurar um cardiolog ista. o próximo paciente ligou a visando que não poderá comparecer e agendou novo dia.riu o outro. pode repetir.murmurou ao bater na mão o cartão com os dados básicos da paciente. mesmo se fosse após o último atendimento. doutor! . Talvez ao telefone. menino! .. Conhecendo seu ponto fraco. como está? Ótima! Excepcionalmente esclarecedora e abrangente em detalhes que não foram tota lmente abordados na graduação. Em nome desse sentimento tão intenso. Certa ocasião.. Não sinto nada. Sérgio. O trabalho. além de acompanhá-lo nas tarefas espirituais durante o sono. como está? Não sei.. se essa é a vida planejada para essa etapa evolutiva. Não.respondeu firme. Após leves batidas à porta. o que você sente pela Débora? Amor .. Certo.prontificou-se a moça. foi surp reendido pela secretária que o chamou: Doutor Sérgio! Eu! . seguindo por este corredor! . qu e seja feita a vontade de Deus.. Não nego que exp erimento um grande vazio. Porém insistiu: E a vida amorosa? Com semblante sério. Não quero ter alguém ao lado só por ter. Você tem a ficha dela para eu pegar a pasta lá em minha sala e dar uma olhada? Está aqui! Observando o nome. perguntou: Sou o próxi mo?! Não ouvi o número da sala. a clínica e o curso de pós-graduação prosperavam e ele prosseguia sentind o-se mais estabilizado.

pediu enquanto puxava-lhe os braços. Me ajude! Só confio em você! Então me solta! . Procurando se manter inalterável. Não imagina como é. deixando-o inquieto. me ajude pelo amor de Deus! Tire isso de mim! Sérgio sentiu seu peito doer e um mau pressentimento rodeava seus pensamentos.. farei tudo para aju dá-la. Mas.. Era al ta. pediu para que ela se acomodasse e ligou determinado equipamento que a jov em não percebeu.. mas a certa distância. Não a diantava ser educado. Em seguida. Com voz firme. Mas me solte para conversarmos melhor. Deixe-me ver suas mãos? Marina o encarou e ainda com voz de choro. Ele permaneceu equilibrado e sereno. no entanto tentou calmament e controlar a situação.murmurou entre o pranto desesperado.. Não queria machucá-la. Dissimulando o susto. mas não me restou outra opção por você perder o controle. Sérgio respirou fundo. Eu quero ajudá-la! Olhe para mim. rapidamente.. Tratava-se de uma bela jovem de dezessete anos. Era a secretária avisando sobre a chegada da paciente. A inesperada atitude. aqui você está segu ra. Por favor. Eu me odiava. perguntou: Como você está.. deixou-o perplexo. São pensamentos!. Subitamente Marina se levantou e abraçou Sérgio com toda a força que possuía. Idéias!. me revolta. solte a minha camisa. Deixando-se cair de joelhos diante dele.Naquele instante o telefone tocou. segurou seus pulsos e novamente falou firme. Não sei se me entende. Para sua surpresa. Preste atenção. Usando de força controlada. perguntando em tom amigável e tranqüilo: O que a deixa angustiada e nesse desespero? Se eu souber. espre mendo-lhe os dedos até ela soltá-lo depois de um gemido de dor. ao segurá-la pelos ombros: Venha. sofro muito! Tenho medo e vergonha! Por que. a moça esfregava as mãos doloridas ao ch orar. . Aca lme-se um pouco para eu entender o que está acontecendo. Sérgio pediu licença ao médico e foi para sua sala.gritou. que o envolviam: Calma. Isso não foi nada. ele fechou a p orta. Marina. cabelos loiros. não respondia às perguntas. doutor! Quanto às mi nhas mãos. . Não sei! . Dete stava o meu rosto deformado com aquelas espinhas! Mas agora você está bem. ao chegar ao seu consultório e olhar para a jovem. sem ma chucar a jovem.Ela não obedecia e curvava a cabeça. porém sereno: Marina. Curvando-se. Preciso de você. longos e cacheados e fazia terapia com Sérgio há cerca de um ano. viu-a tra nstornada e com o rosto inchado pelo choro..desatou a chorar. Mil idéias passavam rápidas por seus pensamentos. Tinha um corpo bonito. Levante-se e se acomode nesse divã para conversarmos. vamos! .. ela o segurou pelas vestes na altura do colarinho.Ela se deixou co nduzir e o psicólogo pediu: Por favor. Marina? O que a trouxe aqui tão de repente? Pondo-se a chorar compulsivamente.. doutor! Antes que eu faça uma besteira. tranqüilamente. Estava desacompanhada e em extremo desespero. eu sei que você pode se controlar... Marina. puxou uma cadeira e sentouse ficando à altura da paciente. Marina era menor. Abafand o o rosto em seu peito.. Não! Não! . Marina. a jovem murmurava entre os soluços algo que ele não consegui a entender.. Quero morrer. mas tudo me irrita. Tentou saber. Sérgio jamais imaginou vivenciar tal situação. pediu.. Pode me soltar! Seja lá o que aí estiver abalando.pediu enquanto tentava livrar-se de suas mãos delicadas. . mas alguns começaram a me achar estranha e por isso choro escondida. Consegui esconder de todo mundo o que sinto. Veja como sua pele mudou? Já aumentamos o tempo entre as s essões de terapia por se sentir ótima. Isso me faz pensar coisas erradas!. o psicólogo livrou-se do abraço. disse: Minha cabeça dói e está fervendo! Parece que existe um buraco no meu peito! Um furo enorme que gira e me vara de lado a lado! Não sabe o que é isso. O que a incomoda agora? Estou confusa. Que tipo de pensamentos? Quais são as idéias? Só confio em você! Não imagina como me ajudou a ter auto-estima. Marina? Que pensamentos são esses? Morte. pele e olhos claros. por isso apertou-lhe cada uma das mãos que o agarrava. desculpe-me. encostando-se nele sobre as mãos que o seguravam com força.

Sinto uma tristeza. reclamou chorando e falando muito alto: Confiei em você! O doutor Édison é médico para louco! Não pense que vou falar para ele t do o que te contei! Acalme-se...afirmou absoluto. porque sonho em ficar em teus braços. Cauteloso. Te nho esperança de ficar com você.. Isso acontece por c ausa da ajuda que recebem. Mas ela não disse nada. V . Foi até sua mesa. Não! . Li em livros que a morte não existe e o suicida sofre muito.. Mas?. perguntou: Você está se alimentando direito? Não . mas. Insistiu e sentando-se. Mas disse que confiava em mim. .Levantando-se. mas sentindo certo temor em seu íntimo. pegou o telefone e p erguntou à secretária se o doutor Édison estava livre. mas sentiu um punhal cravar em seu peito.revoltou-se. avise-o de que vou à sala dele com minha paciente. ela pegou sua bolsa quando Sérgio se aproximou avisando : Marina. Algo. fisiot erapeuta..balbuciou. Você não entendeu! . Obrigado. É um sentimento de gratidão confundido com algo mais fort e. realizou algum tipo de exame ou sente sintomas estranhos em seu corpo como a lguma dor? Vou periodicamente à dermatologista que ajudou com o tratamento contra as acnes . . Fiz exames de sangue há uns três meses e fiz ultra-som de fígado. Deixe-me explicar. naquele acontecimento. pediu: Por favor.. Não quero falar com mais ninguém! Desejo sumir! Marina. Estou viva por sua causa.falava com naturalidade . Tudo fica pior a cada dia. psicólogo. Não! Você não quer me ver! Não entende que te amo! Caminhando até a cadeira.. Não tenho depressão! Você me traiu! Quer me encaminhar para um psiquiatra porque as sumi que te amo! . não é raro o paciente ter sentimentos fortes por um médico.. então está tudo normal. Você não vai sair da clínica. desde quando vem sentindo isso? Começou aos poucos. O psicólogo levantou-se rápido e preocupado. trazia-lhe uma impressão de semelhança que não conse guia lembrar. Acredito que descobri a razão do que sente.. Sérgio teve um relampejo nas idéias e perguntou: Está tomando algum remédio? Sim. É pecado. Sérgio suspirou fundo e elevou o pensamento em rápida oração pedindo a mparo espiritual. bem agitada. A vida continua após a morte do corpo. Vou explicar a razão desse seu estado depressivo e pe nsamentos. Mesmo assim. Ao ouvir a resposta. Por que não me contou? Não queria que você se decepcionasse comigo.gritava.. passando a mão na altura do estômago. me diz uma coisa .. Parecia ter vivido caso parecido. É um remédio importado...Breve pau sa e indagou em tom educado: Mas me conta. Qu ero gritar e chorar sem motivo... Ofendida. Mas. Eu entendi .. levantando-se. Marina.. Mas preciso de um médico para confirmar is so. Você acredita no sofrimento do suicida? Acredito . orientou: Marina. Ess e estado de angústia é pela medicação que toma. espere. Em seguida. Não agüento mais e p efiro morrer. Sérgio! Você é a única coisa que me prende a esse mundo. Na verdade. . não sei dizer. Mas não poss o imaginar sofrimento maior do que o meu. é uma transferência.gritou. Sente-se. Mas sinto uma dor atravessada aqui . entregou nas mãos da jovem um copo com água que ela be beu.. Sonhar acordada te desejando ao lado foi o que me prendeu a algum tipo de esperança e por isso não cometi uma loucura! Entendeu?! Sim.disse. por favor. para minha pele. você foi ao médico recentemen te. andando de um lado para outro. Não tenho fome nem sono.respondeu calmo..Ela não atendeu ao pedido e ele orientou : Psiquiatras não são médicos de loucos. Está desorientada e sem acompanhante. Eu não estou assim porque te amo. mas aquilo nunca lhe tinha acont ecido. Por que me decepcionaria? Lágrimas rolaram em seu rosto quando disse: Eu te amo! Sérgio não se alterou nem se demonstrou surpreso. Ouça..tornou ele. Muitas alunas se apaixonam por seus professores.

Sérgio. Ele precisa de socorro urgente. a porta do consultório foi aberta. gritou: Segurem-na! O Sérgio está ferido! Levem-na daqui! Nivaldo tomou a frente e João ficou na sala. numa ação quase involuntária. Quando estava na sala do doutor Édison. E a resistia. sorrindo engraçado.revelou o dou tor Édison. Pensei que o senhor res peitasse a ética profissional. esperando que o cansaço a dominasse.argumentou o psicólogo .pediu o médico.. Venha me deter e eu me mato! Corto seu pescoço e depois o meu! Sem tirar os olhos da paciente. Vim aqui porque demoraram. Ele só ria.disse o médico em tom suave. Colocando o estilete na lateral do próprio pescoço.ou detê-la e chamar seus pais para explicar seu estado.João e Nivaldo perguntaram num coro. Que joelhada?! . vamos fazer o seguinte: você me entrega esse est ilete. que sangrava. Não queria se render nem largar o instrumento. Minha esperança acabou e ele. Vamos.disse o doutor Édison. apressadamente. Fora! . Num gesto rápido. Então vem! . você não falava nem nada! disse João. A jovem leva ntou-se rápido e começou a berrar horrorizada ao ver Sérgio de joelhos tendo uma mão seg urando o estilete e a outra na garganta. foi à joelhada . deixe-me ver isso! João prostrou-se ao lado e viu o instrumento afiado cair ao chão num gesto como s e o corpo se largasse. ..resmungou Sérgio. Sérgio. . Uma conversa tran qüila seria bem útil.. Olhando a própria mão ensangüentada. desequilibrando-o. Não tenho mais nada de útil. Puxa.. Marina . Você me decepcionou.correspondeu Sérgio.. tentando estancar o sangue. sentia-se bem. Porém a jovem aproveitou-se da oportunidade. Sérgio. Não precisava falar sobre isso. quem sabe. ajoelhando-se para examiná-lo. * * * No dia seguinte ao acontecimento. Não. quando os viu no chão. Não tente falar nada. Achei que ela tivesse cortado sua veia jugular! Cara. . João e Nival do o viram lá e entraram para conversar: Eu não poderia imaginar que em uma profissão tão tranqüila corrêssemos risco de morte brincou Nivaldo. lamuriando em choro int erminável: Confiei em você. Mas posso sair ou. Sérgio estava atento e viu quando a ponta do estilete fincava o pescoço da jovem determinada a cortar a jugular... quase impensado. Desculpe-me . O rapaz aper tava o próprio pescoço. agredindo-o e se jogando sobre ele. Marina se revoltou. mas nunca se sabe... após poucas batidas. Niva ldo e outros trabalhadores da clínica. contorcendo o rosto para não rir. Ao vê-los à porta. ele puxou-lhe a mão para tirar o estilete de seu poder.gritou de posse de um estilete que tirou da bolsa. e o doutor Édison surgiu em meio à surpresa. Não a desejando agredir. pois ela não parou de falar. o doutor Édison vai embora e nós dois vamos conversar. Muitas brincadeiras e piadas foram feitas pelos a migos. Pensei que fosse desmaiar e morrer! Mas não foi o cortinho que o deixou daquele jeito. Fica esperto .exigiu a jovem com voz fraca. Quero morrer. Os gritos atraíram João. doutor Édison . entendendo a gravidade da situação.pediu o psicólogo. O doutor Édison aproximou-se. Esse é um caso em que podemos removê-lo. É. talvez. Inesperadamente. Marina . Sérgio foi à direção de Marina e segurou-lhe a mão. sou eu .Vendo-o tentar falar al go ainda. Sérgio! Por que chamou esse homem?! Minha vida é um inferno e inútil e você ainda me desprezou! Calma. e o médic não conseguia ver o ferimento. .murmurou em pranto. Sérgio estava de volta à clínica e usava uma band agem sobre os pontos no pescoço.Olhando para João falou: Não ac edito que tenha atingido alguma artéria importante. pediu: Calma.. Sérgio parecia entorpecido. Vamos socorrê-lo! Não é melhor chamar uma ambulância? Talvez demore e não podemos esperar. Eu sei o que está sentin do e prometo te ajudar. Calma . ele mostrou-se calmo. deixe-me examinar esse corte.

completou: Com t odo esse tamanho. Nossa. Esse medicamento já proibido no Brasil. serei adotado! Em meio ao riso.comentou Nivaldo. não dominou uma menina e ainda apanhou dela?! Sérgio ria ao tentar esclarecer: Não é correto dizer que eu apanhei. Qu sabe. má formação fetal dos filhos e outras c onseqüências. Rindo. Bem.Espere! . para diversos fins. por isso perguntei. É uma droga muito cara e não é vendid a em farmácias convencionais nem de manipulação. o caso foi grave . Bem. Estou cansado e preciso ir.. 29 . E os dois seguiram conversando sobre esse e outros assuntos. Então vamos lá! Eu quero conhecer a dona Antônia! . Trazem efeitos sérios para grande parte dos usuários.. mas adotou um bando de marmanjos! Se está revoltado. No caminho. Apresentarei ao juiz. mas sim testemunhando fatos que precisei depo r na delegacia onde registramos a ocorrência. mediante a solicitação do juiz. mas foi liberado novamente. É bom fic armos atentos a isso. Nada de termos de responsabi lidade. precisará apresentar a gr avação.riu Sérgio. O senhor sabe. e os pesadelos? Sabe que já faz tempo que eu não os tenho! Tinha até me esquecido. No entanto se a moça mudar de idéia e acusá-lo de algo que não fez. mas. Aí sim isso será necessário. São medicamentos simple s ou fórmulas manipuladas somente com receituário médico. Acertou-me com uma joelhada tão forte que caí pros trado pelo golpe baixo. . pois o fígado da jovem está muito prejudicado. Mas não pe nsem que só esse medicamento causa essa alteração comportamental. Sérgio e o médico foram para a casa de dona Antônia e os outros retornaram ao serviço.. Só sinto um cansaço pelos efeitos dos remédios que tomei. o doutor Édison perguntou: Você gravou a sessão de terapia da Marina? Sim. Sérgio. Ela estava segura ao assumir o que aconteceu. Mas que joelhada foi essa?! .informou Sérgio.. Amanhã retorno normalmente.. à promotoria.correspondeu Sérgio. Por causa de um medicamento. Lógico. Quero sim! Só que vou para a casa do João.afirmou o médico. existem muitos outro s.. Por isso uma série de documentação para os responsáveis assinarem. Amanhã você desarma seus pacientes antes da terapia! .disse o doutor Édison. Vou colocar um detector de metais na porta .. mas naque le momento eu não estava clinicando. Também estou indo.Reflexões de um Psicólogo . por ética.exclamou o médico brincalhão. Sérgio? . Existem ou ros medicamentos muito eficientes contra espinhas e acnes. uma jovem daquele nível tomou a titudes descontroladas. aos pais. Mas não vou apresentá-la aos pais. Há dias não vejo a dona Antônia e ela está ocupada comigo. Eles não sabiam desses efeitos e já suspenderam o medica ento.. Já estou bem. Isso é culpa de médicos irresponsáveis .perguntou o médico. Por isso o pa ciente deve exigir o máximo de informações sobre o que lhe foi prescrito e os psicólogos procurarem saber com o que seu paciente se medica.. O senhor contou aos pais da moça? . rindo. Virando-se para sair da sala.admirou-se João. cegueira. aos advogados.pediu o médico com jeito maroto. João reclamou: Minha mãe só teve um filho. Pensei que fosse desmaiar. procure um psicólogo e faça terapia . Quer uma carona.. Já?! . Temi machucá-la e não usei força.quis saber Nivaldo. desde depressão profunda. Ao puxar sua mão la se jogou sobre mim e.tornou Nivaldo curioso. Você não comentou mais nada. pois esses remédios não alteram a saúde física ou mental dos pacientes. Nem vi ou senti quando ela me cortou a garganta. Eu tenho ética profissional. responsáveis por essa mudança de comportamento. Lógico! . despediram-se. Estamos brincando.brincou Nivaldo. A menina precisará de acompanhamento terapêutico até se reestruturar do que fez e vão fazer um acompanhamento clínico dos possíveis efeitos que podem ocorrer. sem dúvida. Sim.

valor à vida!. As perturbações. no inconsciente de nosso s ancestrais. O espírito Sebastião sentia imensa interferência invisível no grupamento de desencarn ados que o seguiam como fiéis soldados à disposição de seu comandante. que sig nifica estudo ou ciência. no estudo da estrutura e formação da palavra. Percebendo que Sebastião enfraquecia seu domínio s obre os encarnados.. Ações que são comprovadas nas mais remotas eras pré-históricas.As vibrações constantes pelas preces verdadeiramente sentidas e consagradas. não são desvend ados por outras ciências inábeis. o psicólogo. precisa ter o dom d . sublime claridade azul-radiante a envolvê-lo. Esses. ao glorioso dom da centelha Divina. também vingativos. Eles estavam sequiosos e eu chamei o Sérgio para oferecer uma apresentação ou palavras de incentivo. inclinando-nos aos profundos estudos nessa área valoros a de uma ciência tão abrangente. orgulhosos e revoltados. em português Psique relativo à Psíquico que significa alma. Isso deixava o espírito Sebastião furioso. é por termos fé e esperança na evolução da mente. eu só vou tentar dizer algumas palavras sobre a minha humilde Ref lexão de Psicólogo. que é a judar! A Psicologia é simbolizada pela figura de um tridente. esperteza e possibilidades profissionais para atingirmos os nossos objeti vos de auxílio! Comparado. dizendo em seguida: Caros colegas. Todos atentos às cenas gravadas pelo médico. A sua luminescência espiritual. Ninguém escapa aos débitos da consciência. humildemente. a não ser pela Psicologia. mas não conseguiam pela incompatibilidade. do espírito. por essa ser a grafia da vigésima terceira letra do alfabeto grego Psi. Psi corresponde à primeira divisão silábica da palavra Psi-co-lo-gi-a.. à qual o profissional resp onsável se dedica e busca a fim de dilatar sua sabedoria. Para nos ajudar na caminhada de elevadas conq uistas morais. eram em vão contra Sérgio ant e seu vigoroso equilíbrio mental e o poder da prece. a el evada condição mental assumida e praticada por Sérgio. temos lógica. indo servir out ros líderes. mas devemos admitir que ninguém tem a r azão absoluta das coisas. * * * Em determinada oportunidade. mas que se entregariam às expiações dos próprios crim es. impostando a voz de modo a atrair atenção e consideráv el respeito pelo silêncio: É praticamente inconcebível um Psicólogo ateu! A crença em um Criador e em muitas questões sobre os 'porquês' da vida é um sentiment o inerente ao ser humano e associado à sua crença de 'algo' que sobrevive após a morte . seus seguidores o abandonavam vagarosamente. Seu ódio desequilibrava sua organização peri spiríta. espírito. a entidades excelsas pel o poder da oração. de alguma forma. Ele nos emocionou e nos fe z refletir com o que falou. Ampliando sua visão nessa bela ciência. o doutor Édison comentava empolgado em uma reunião n a clínica: Era uma turma nova naquela pós-graduação. A seguir temos Psico. Vejam só. viram Sérgio cumprimentar os alunos co m indefiníveis boas-vindas. auxiliada por sua ligação. dentro do conju nto de disciplinas de um grande leque de conhecimentos. Psicologia! Estudo da alma. Talvez alguns não concordem. costumes etc. ofereceu-lhe. Eu posso errar ou vocês poderão tirar algum proveito se busc arem conhecimento Alguns segundos e continuou. a princípio. Por fim. alcançava magnitudes inatingíveis aos espíritos inferiores que desejava m atormentá-lo. originário do grego Psyché. dando im tância ao ser humano. comportamentos. inclusive durante o sono. Ele perdia o controle e suas forças ficavam cada vez mais rarefeitas em sua mente confusa. Na morfologia. Se nós estamos aqui hoje. e quaisquer enigmas desse terreno não delimitado. da mente! E uma ciência. ou seja. nós sempre rogamos condições mentais repletas de vivac idade. n o plano invisível. ou só se desgarravam e acabavam escravizados por outros espíritos de grup os hostis rivais. não admitiam o profundo lamento pela o portunidade reencarnatória perdida. Não passavam de espí itos rebeldes que. gradativamente. mente. Ela explica o motivo que levou a mente de nossos ancestrais a certas crenças.

É a luz que conduz ao caminho do equilíbrio. Eternos aprendizes.. ca az de ofertar esperança e fé. É a esperança para os que pe rderam a fé. A paz para os desalentados da sorte. para um grupo ou. E o elo radioso àqueles que dão os 'primeiros passos'. Você é o bom ânimo aos que se encontram sem vontade. há mais de dois mil anos!. O equilíbrio para os que não se sustentam soz inhos. Mesmo como aprendizes. A instituição não garante nosso profissionalismo . afirmou: Vinde a mim todo s os que estão cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. ao absolutismo pessoal e infl exibilidade. Os matizes colorido s aos cegos de emoções sublimes. É a fonte geradora de valores à vida. Nós podemos fazer a diferença! Todos nós podemos fazer a diferença diante das catástrofes da vida tomando uma postura equilibrada nos vendavais das paixões terren as. nós fazemos a diferença quando.. aliviamos os corações sofridos. A força para os que se enfraquecem no caminho. Você é a energia aos que se sentem atrofiados pela própria imprevidência. O recurso aos que implora m por forças íntimas. perde ndo a esperança e a fé. quem sabe. E o auxílio dos que suplicam entendimento. O amparo aos necessitados de apoio. Ele precisa sim. A alegria aos qu e estão desgostosos e angustiados. É a estrela celeste c apaz de iluminar o caminho. despertando para a atmosfera de misericórdia e bondade ao nosso alcance. E o futuro aos que se relegaram aos precipícios do passado.e auxiliar sem se prender ao seu próprio dogmatismo.. sempre. de sensibilidade. O sorriso que socorre os corações feridos. Essas nobres palavras não são as mais adequadas às reflexões e ao silencioso jurament o moral de um Psicólogo?! Queridos amigos e colegas. A compreensão aos carentes de amor e paz. dotados de d ignidade e compaixão.. cuja filosofia e exempl o de amor são aceitos por incontáveis religiões e filosofias. O abrigo aos que padecem assustados e tristes. secamos as lágrimas do desespero e descortinamos as influenciações dolorosas das ilusões. Você é a porta de liberdade dos aprisionados nos velhos cárceres do Eu. teremos o dom de fazer um pedacinho de o mundo ser um lugar melhor! Não importa o nome renomado ou não da universidade que nos graduou. apontando o caminho para o cam po da liberdade! Mansos e humildes de coração. como nos ensinou e exemplificou o sensato e prudente Nazareno. de amor f raterno!. É o vento que faz o pássaro vôo. A resposta aos que pedem entendimento e socorro. pois se formos capazes de fazer a diferença para uma pessoa. E a fortale za que impede muitas criaturas aos despenhadeiros das sombras. Todo extremo é prejudicial! Mas. Você é o caminho que conduz muitos à paz. no dia-a-dia. tresloucados e desgostosos.. Você é a bondade que compreende e ajuda os incapazes de amar. É a ajuda que ampara os feridos da jornada. A influência benéfica aos que se afli gem pelos erros. também chamado de 'Psicólogo das almas'. de dedicação. O benfeitor nos cenários atribulados das criaturas. cabe-nos conhecer primeiro a nós mesmos e nos devo tarmos aos chamados do mundo. com o que vemos acontecer.. independente do tempo.. A fé aos que perderam a esperança. e encontrareis descanso para vossas almas . O alívio aos que se abalam com os traumas da vida. para centenas de criaturas. É o mensageir o de bondade dos que se prendem nas ilusões. levando descanso para suas almas. abnegados colegas. Um sábio Nazareno. Por isso.. ou seja. Você é o orientador às mentes confusas carentes de equilíbrio. É o suprimento dadi voso que regenera e salva. Não podemos ser indiferentes e virarmos as costas para as desgraças do mundo! Nem nos desesperarmos.. É o coração repleto de dádivas.. foi meditando sobre tal filosofia que eu posso afi rmar: Psicólogo. Você é a pessoa especial que faz a diferença na vida de muitos. e aprendei de mim que so u manso e humilde de coração. Você é a liberdade para os prisioneiros da própria mente. Você é a direção para o aperfeiçoamento suave e edificante. nós podemo s nos melhorar para minimizarmos e aliviarmos as dores dos fatigados e oprimidos . O bálsamo m edicamentoso aos feridos da jornada. E o dia para os que vivem na e scuridão da noite. de intuição. Você é a fonte de água para o viajante sedento no deserto. A claridade aos carentes de luz. 'Eu tenho razão em tudo!' Nem se entregar ao marasmo de sua alma desanimada.

Boa noite. ela o abraçou com toda a força. ele pode ver o tênis de qualidade. viu um vulto de uma pessoa enca puzada com a própria blusa. mas não disse nada.. . João estapeou-lhe as costas. * * * A surpresa desagradável de sérios acontecimentos tomou todo o tempo de Sérgio naque la tarde e princípio de noite.. Baseando-nos nessa filosofia de sensata reflexão. viu melhor seu rosto pálido e lágrimas a correr por ele. cumpriment aram-no com grande reconhecimento e satisfação. da nossa mente. ali. pois precisava guardar o carro na garagem. Nivaldo levantou-se e puxou para um abraço e os demais profissionais da área presentes e que prestavam serviços na clínica. Usaremos tudo isso para o que escolhemos ser na vida: Psicólogos! O silêncio na sala era absoluto.. Assim c . Contornou o carro para saber quem era e o que queria. O médico mostrou-se preocupado.. viu-a tremendo e abraçada a uma almofada onde sufocava um choro tr iste. Não sabia o que pensar nem como agir. não nos dá diploma de ser humano. Talvez transmitindo algumas sementes de bons-frutos. usando toda a força de vontade e todo o desejo de coração. Desconfiado. Com amor.honesto. depois à porta da sala e conduzindo-a pediu que se sen tasse no sofá e o esperasse. trêmula pelo frio. Os outros continuaram conversando a respeito apesar de sua ausência. novas reflexões e nos reformamos intimamente deixando de ser preconceituosos. como deixou aquele 'Psicól ogo das almas'. pedindo que telefonasse depois. Sérgio sentia-se sem jeito. Nesse momento. Ele estava comovido. Após deixar Rita na casa de dona Antônia sob os cuidado s maternais da amorosa senhora e também do doutor Édison.. Imaginou que nenhum outro acontecimento inesperado poderia surgir.Curvando-se. Sérgio estava enganado. olhando atentamente para os lados. O coração de Sérgio estava aos saltos. naquelas condições depois de tanto tempo? Ao retornar. a secretária os interrompeu chamando Sérgio pa ra atender uma ligação urgente. Foi então que Sérgio quase gritou ao mesmo tempo em que corre u em sua direção: Débora! . Esse Mestre Nazareno sabiamente disse: 'Onde estiver o vosso tesouro. Posso te ajudar? Lentamente a pessoa se moveu e. chorando compulsivamente. sentada no degrau do portão social e. afagando-a com ternura.. O médico interrompeu a gravação. que se prontificou a cuida r da jovem. Ele retorn ou um tanto inquieto e conversou rapidamente com o doutor Édison avisando-o sobre que não poderia ficar. ele não abriu o portão da garagem e desceu vagarosamente do veículo. . há mais de dois mil anos!... descobriu a cabeça erguendo o rosto para vê-lo melhor. fina e fria começou a molhá-lo p orque ele demorava observando a distância. humilde e responsável! Um diploma não tem ta nto valor como o que somos e em que nos transformamos diariamente quando admitim os novos conceitos corretos. cada um de nós pode fazer a diferença por intermédio das aquis ições e aperfeiçoamentos de conhecimentos novos! E com as dádivas abençoadas da nossa alma .Em pé. ali est ará também o vosso coração'. sem que esperassem. temendo um assalto. encolhida. tomar um banho e retornar ao h ospital. Sérgio se foi. O médico orientador e amigo valia-se dessas reuniões periódicas com a finalidade de promover afinidade entre os profissionais. está tudo bem. encosta va-se nele. mas p ermaneceu imperturbável e. Vamos! Ele abriu o portão social. ajudou-a e pediu em voz baixa: Venha. Reparando em detalhes. mas não conseguiu identificar. mas bem sujo.falou receoso. A garoa forte. Ao posicionar o veículo para entrar na garagem. Pensava em chegar. convidou com voz generosa: Vamo s entrar? Fique calma. esclarecimentos de possíveis dificulda des ou encontro de soluções para alguns assuntos. Estava angustiado e a preocupação corroia seus pensamentos enquanto ia para sua residência. O que Débo ra queria. atrás de seu carro. Pro curando conter as emoções. Levante-se. Viu que se tratava de uma silhueta feminina.

ap resentando vergonha no olhar lacrimoso.omo o jeans que parecia usar há vários dias. sentados à mesa arrumada por ele. grande preocupação e i ncontáveis perguntas.Vendo-a concordar. esqu ecendo-se de outras roupas que ela havia deixado lá e ele guardou em um canto do a rmário. Depois comeremos algo e convers aremos o que for preciso. Acho que. Vendo-a desorientada e com visíveis nece ssidades físicas.. Débora não trazia qualquer bolsa... . ajudou-a com firmeza levando-a para a sala pa ra que se sentasse no sofá..tentou dizer. com bondo sa tranqüilidade.riu. é uma cachorrinha . Débora! Tudo bem? . Percebendo-o em pé à sua frente. viu-a pálida como nunca. Pedindo que se levantasse. . não é barulhenta . Eu t ambém preciso de um banho.. Débora olhou-o e largo sorriso moldurou seu rosto on de pareceu acender uma chama de energia. como diz? Oferecendo-lhe generoso sorriso estimulante. Desculpe-me. ainda estava claro . Ela se adaptou bem. Tudo bem para você? Você ainda é capaz de permitir que eu use a sua casa e tuas coisas.. dizendo: Venha logo! Vamos encontrar uma roupa lá no armário e depois nos falamos. ele propôs com paciência: Vamos fazer o seguinte: pegaremos roupas l impas e quentes. . ele se levantou e retornou sem muita demora. Abaixando e pondo-se de joelhos frente a ela. sentiu-a gelada. ele preparou uma sopa e fez algumas torra das. Eu gostaria de. era Sérgio quem não conseguia comer pelo excesso de preocupações e surpresa. Pegando uma manta. Estendendo os braços para Sérgio.a voz da moça enfraqueceu e um suor gotejou rapidamente em seu rosto.. . Colocando a mão em seu rosto. Observando se us cabelos molhados. pois estou bem cansado. Você quer trocá-las? Tomar um banho quente? Desculpe-me. Uma camiseta simples e uma blusa de lã fi na que quase não aquecia. Está no lugar de sempre. mas estava esmorecida. Não demorou e os dois estavam na cozinha. tremia de frio. Ele comentou sobre assuntos sem importância como a mudança brusca do tempo.interrompeu-a com inflexão suave. Toda molhada p ela garoa fria do início do inverno. sobre a cachorrinha que ele adotou e Débora se interessou: Você tem um cachorro? Na verdade. Só a deixo en trar aqui quando eu ou o Tiago estamos em casa. pegou-a pela mão fria.. Fazendo-a olhá-lo. Sérgio a fez encará-lo e. essas roupas molhadas te farão muito mal. deixando-a encolhida e re costada nas almofadas amontoadas. cobriu-a. Abaixando-se frente a ela. Vez e outra.perguntou. perguntou: Há quanto tempo ficou me esperando? Não sei. seu sorriso era anuviado por uma tristeza. admirou e pediu com mimo de alegria na voz frágil : Ai! Que coisinha linda! Posso pegar? . Mas quando cheguei. Mas eu não tinha a quem procurar e. Enquanto Débora se demorava no banho. avisou: Vou tomar um banho e já vol to para jantarmos. Adaptei para ela uma entradinha do qu intal para a lavanderia e com uma cama melhor do que a minha! . levantando e ficando ao seu lado ao vê-la segurar a testa com as mãos. Ao vê-la sair do quarto ele ligou a televisão para distraí-la... há quantos dias você não come? Vendo-a abaixar a cabeça e chorar. Você toma um banho e se agasalha porque pegou muita friagem.. no meio das costas. Apesa r de delicada como sempre..explicou. Débora .. Não. Não us ava maquiagem e estava muito magra. perguntou em voz baixa e tom comovido ao observá-la: Débora. Será melhor secar bem os cabe los ou pegará um resfriado. Ele a levou até seu quarto e procurou por um agasalho quente que servisse. sugeriu com tranqüilidade: Pegue o secador lá no armário.. Estava inquieto e queria organizar os pensamentos para saber quais providênci as tomar. Não queria incomodá-lo. Débora.ela sussurrou. Seus cabelos estavam compridos. Desta vez. Débora tomou várias colheradas da sopa quente e comeu alg umas torradas.respondeu com voz fraca.

curtos e acastanhados com pequena mancha branca na garganta. ela abanava o rabinho curto com tanta força que se remexia toda p ara exibir sua felicidade ao olhar para a moça. E foi justamente naquela manhã. coloquei o Tufi como minha mãe havia fe ito e o enterrei aí no jardim. mas não sabia explicar como ele foi para r no chão. esta é a Princesa! Princesa. Voltei para casa. Ela é um amor! Onde a conseguiu? Eu tinha o Tufi. ele contou que ela chorava enquanto recolhia o Tufi do chão com uma pá. jornal da bandeja do fundo e a arei a por fora sem que ele saísse da gaiola. Ele era bem treinado e não desceria da gaiola. Mas. ao chamá-lo. Ele não precisou olhar muito para descobrir e me m ostrar uma espécie de picada onde havia um endurecimento pelo acúmulo de algum líquido injetado. Depois pedi ao Tiago que me trouxesse a gaiola. comida. Princesa parecia se contorcer de satisfação pelos carinho s que recebia. E o Tufi saiu por essa abertura? Com certeza.. sub ia por sua roupa e corria em seu braço até pegar a recompensa em sua mão. ela pegou um a caixa de sapato enorme. mas gostava dele! C oitadinho! .. os doi s só o deixavam passear do lado de fora da gaiola. morto há poucas horas. sem raça definida. pois minha mãe tinha o maior pavor. Acho que foi doloroso. Não pensei duas vezes e o levei na hora lá na universidade. Então pedi a ele que trouxesse o Tufi. O Tiago não perguntou o que ocorreu? Lógico. .. arrumando-a como um co lchão e. eu coloquei um cadeado de segredo na portinha po r onde ele saía. Aquele ratinho que treinei. Será que não pisaram nele? Fiquei triste sim. Entregando-a para Débora. colocou uma toalha fofa dentro. pois era ensinado e não ia para o chão. Foi até o jardim.. Procurei um profess or da área de graduação em Veterinária. apanhou algumas marg aridas e arrumou em volta dele e pediu para o Tiago trazê-lo para mim. O que me intrigou foi o Tufi estar fora da gaiola e. É! Ela gostou de você! . Não.exclamou Sérgio sorrindo. pe nsei que fosse pela idade. Apesar de receosa e até com medo. o Tufi obedecia. Lembro que me contou que. alguém o pegou e aplicou-lhe uma injeção. pois dav a um trabalho enorme para voltar quando eu não estava para chamá-lo. Eu estava trabalhando n a clínica. Talvez seus sobrinhos. Achei interessante saber que minha mãe chorou por ele e. quando meu irmão chegou à casa dos meus pais. Isso mesmo. deixando a cabeça de fora como se estivesse dormindo. O professor queria fazer uma análise mais profunda e exames mais apurad os. a cachorrinha entendia a entonação do carinho na voz. vi que alguém afastou as grades aumentando a abertura. Para eles não fazerem isso. esta é a Débora! Tratava-se de uma cachorrinha d e pequeno porte. Por essa razão ele ficou na ca sa dos meus pais. Mas eu não deixei. e sem que nossa mãe o visse. Ela olhava o Tu fi morto e chorava. estava bem inch ado. Você disse que iria trazê-lo para cá. Ela mesma pegou a bolinha e a corda. A jovem conversava com a cachorrinha exprimindo voz doce. A princípio. mas descartei essa idéia por estar bem ativo. na polícia e não teria tempo para cuidar dele.Ele sorriu com gosto e apresentou: Débora. algo que fazia sem ir para o chão. minha mãe cuidava dele. Uma espécie de autópsia? Sim. Acho que. então. Ou. Bem. certamente. Jurou que não o soltou. Podia-se trocar a água. Ele disse que nossa mãe não conseguiu disfarçar quando o viu. orelhinhas triangulares e dobradas. mas não o soltava. Você gostava muito dele disse em tom triste enquanto aca riciava a cachorrinha que se aquietou em seu colo.. Tivemos alguns problemas e o Tiago decidiu estudar e veio morar aqui.. Limpavam e escovavam os brinquedos dele. Somente o Tiago e meu pai sabiam o segred o. encanta da e generosa como se o animalzinho pudesse entender o significado de suas palav ras. Depois o colocou lá e o cobriu com um paninho. enquanto ele andava por fora da gaiola. quando o colocava f ora da gaiola. O Tiago e meu pai pegavam e brincavam com o Tufi sem deixá-lo ir para o chão. pelos lisos. Ela é enorme! Examinando-a. Muito alegre.. Sabe. Nossa mãe falava sozinha lamenta ndo: Meu Deus! O que aconteceu? Eu tinha medo desse bichinho. ele passeava por toda parte.. Ele era muito esperto. mas. brinquedos de que o Tufi mais gost ava e os ajeitou na caixa. Eu não podia trazê-lo para cá e deixá-lo sozinho.

eu e a Rita não temos nada! A propósito. um out ro cachorro de rua me seguiu até em casa e o adotamos.. mesmo debaixo da cobertura da entrada. como se soubesse o significado! O rosto de Débora anuviou o sorriso. ele deu-lhe um banho quen te.. Eu pensava que fosse minha mãe. . Ela conhecia os funcionários e fazia a maior festa quando o doutor Édison. Aliás. O segurança.. comentou: Sérgio. toda simpática. Talvez a Rita não aceite e. A secretária viu a cena e ficou com dó.tornou Débora.falou rindo. ficou f eito uma bolinha e só no dia seguinte deu sinal de vida.perguntou em tom de lamento. como falei e cursando Psicologia. Há pouco tempo alugou a casa onde morava com o irmão e está com a dona Antônia. Foi jogada para o lado e caiu estonteada ao chão. pois me olhou de jeito estranho por uns três dias. Coitadinha! . depois de um ano ele também s umiu.Quem faria isso? . coloquei embaixo do braço. Esta é minha casa. mas está com um emprego praticamente garantido em um jornal. eu não quero atrapalhar sua vida. Agora tenho certeza de que não. quase a atropelando. A minha presença pode causar problemas en tre você e a Rita e.. Namoraram e ficaram noivos há um mês. Fui até a r ua.Rindo. Vendo-a atenta ao ol há-lo. ela reclamava. contou : Não ficou nada. enfiei no carro e trouxe para casa. A Rita veio aq i no dia seguinte às vacinas. apareceu lá na frente da clínica e ficou rondando em torno do estacionamento. Foi o suficiente para el a continuar rodeando a porta da clínica. dando lugar a uma expressão de constrangimen to e melancolia. secou com o seu secador. Era engraçado. Entrei às pressas. Fiquei até bem tarde na clínica e o segurança da noite estava olhando pelo vidro da porta impressionado com a chuva que caía. Não tínhamos idéia de qual nome dar. entendeu? Nunca tivemos nada além de amizade e respeito. minha mesmo! Acabei co mprando-a. pois o aroma que ela exalava estava difícil de suportar. levei ao veterinário e ela tomou todas as vacinas de que precisava e ainda o vermífugo. pois estava atrasado. deu um jeito de fazer um acordo e foi demitida da revista na sema na passada. mas. Após a morte do Rogério.Ele sorri u ao revelar: Jurei que depois do Tufi não teria mais animal algum! Porém aconteceu que essa madame aí . tirei-a de lá para outro carro não atropelá-la e a coloquei em um cantinho. Débora.apiedou-se Débora. A Ri ta está morando na casa da dona Antônia e se tratam como se fossem mãe e filha. deu comida e a enrolou em uma pequena manta. mas aconteceram tantas coisas. Pelo que o Tiago contou. Foi até lá fora e deu-lhe água e resto de lanche para a pobre cadelinha. Aquecida. Deixa pra lá. Não agüentei! Peguei o bichinho. Ho uve um dia em que caiu uma tempestade de granizo muito forte. referindo-se à cachorrinha . Isso f oi ótimo. Não satisfeita com o que o trabalho e com o que ganhava. também ajudou a alimentar essa moça e arrumou uma caixa de papelão para ela dormi r num cantinho . rodeada do gelo do granizo que estava por toda parte. contou: Fora uma grande amizade e consideração. Despedi-me dele e. mas gostava. Enquanto agradava a cachorrinha. Enfim. Você não está sabendo. tive u m cachorro que não me largava. O Tiago está mor ando aqui. . acabou sendo adotada! E você lhe deu o nome de Princesa? Não. . eu.pediu. desci e olhei para a rua e gelei ao ver o pneu de um carro bater nela . A Rita se formou em jornalismo. Coitadinha mesmo! Assim que acordamos.. nunca.Breve pausa e contou: Quando eu era pequeno. Ah! O Tiago ficou todo feliz! Mesmo sendo de noite. Ninguém tem o direito de me criticar por você estar aqui. parecendo entender. começou a chamá-la de Princesa e a cachorrinha atendeu p or esse nome. Depois de alguns anos.. nada satisfeita com as injeções.interrompeu-a educado. Sim. Você desconfia de alguém? .riu.disse com simplicidade. ao abrir a porta. . peguei a cachorra. como se ela fosse minha irmã mais nova. Mas ainda é bombeiro e trabalha à noite . . Teve um dia que eu estacione i o carro. mas um dia ele sumiu. quase pisei essa coitad a! Parecia uma bolinha marrom molhada. que fica cuidando do estaciona mento. por causa da a titude com o Tufi... Por quê?! . preocupada com um bich inho de que tinha medo e. pois a cachorrinha o viu apontar para ela e abanava o pequ eno rabinho. o João ou o Nivaldo chegávamos ou saíamos. espere um pouco! . aconteceram outras coisas e ela passou por momentos difícei s e o Tiago a acompanhou. sem dúvida.. Ela não viu o meu irmão e estava chorando.. dos cachorros. não foi minha mãe. tornou-se seu melhor amigo. sentando-se ao seu lado.

não tem problema. em uma casa de r epouso para idosos e.sugeriu com gen erosidade na voz grave. sentindo-se envergonhada.. Mas. Débora! . Breves segundos. Se não quiser conversar hoje. Débora afastou-se lentamente do abraço. . ta! Eu preciso sair.chorou e os soluços embargavam sua voz. contou: Não ia dizer nada para não te preocupar.. uma mulher gr itava desesperada porque seu filho de seis meses estava no quarto quando os três i rmãos saíram correndo por causa do fogo. posso saber o que aconteceu de tão sério para precisar sair a e ssa hora? Por que de repente você pode ter alguém que pode chegar aqui e. O Tiago era um dos bombeiros que foi para o local. secando o rosto com as mãos. Não queria falar nisso.. se não a segurassem.. Respirando fundo. O outro quarto é do Tiago e não gosto de invadir a privacidade e.avisou piedoso. O lu gar tornou-se de difícil acesso por causa das chamas em volta. Claro que pode. D orme na suíte. a garoa só chegou hoje à tarde e o incêndio foi durante essa madrugada.. Quando o Tiago tentava levantar as telhas. Não. ta? . Por favor .. andou sobre os muros e telhado s. e ela falou sem encará-lo: Eu não queria te incomodar.pediu como se implorasse.Ela silenciou e ouviu: Eu só peço que você durma lá na suíte. Pode ser? ! Posso dormir aqui no sofá. Posso ficar aqui? Não tenho para onde ir . puderam se aproximar e escutaram seu chamado e. Aconteceu algo bem sério e não posso ficar. Destelhado.E você? . Aconteceu tanta coisa na minha vida. Sérgio tinha vividos os sentimentos latejante s.. . Trabalho na clínica. quero encontrá-la aqui quando eu voltar. que também trazia os olhos úmidos e forçava-se para segurar as lágrimas. tudo cedeu e ele ca iu. O fogo se propagou rapidamente... Com a ação ininterrupta dos bombeiros para apagar as chamas.Sérgio chorou..sorriu. Aconteceu que um balão aceso e ainda com fogos de artifícios estourando caiu sobre uma favela. não precisa. . Você está cansada e a cama é bem confortável. Tenho uma tarefinha em uma creche. Ao mesmo tempo.. Só não gosto que a Princesa suba em a cama. Contaram que a mulher estava em desespero e. Os bombeiros ficam de prontidão e bem atentos nessa épo ca do ano.. sem encarar Sérg io.. e stou terminando uma pós-graduação. dizendo: Se eu for atrapalhar. mas. pois. no local. Foi com o Tiago. Sérgio . humilhada. Sérg io sobrepôs o braço em seus ombros. Enquanto ele sentia o coração apertado. .. Poderá fazer isso amanhã .concordou e sorriu. Mesmo assim... Disseram que o Tiago a acalmou e prometeu tr azer o menino. e a mulher que o via de longe gritava apontando onde era o local do quarto qu e o filho estava.expressou-se sorrindo e com modos simples. O ar estava sem umidade. Ele sabia dos riscos. Só que. Se não for inva dir sua privacidade. mas não foi suficiente... Espere. .Sérgio engoliu seco e quase em lágrimas. porém estava preocupado e curioso para obter mais de talhes. principalmente por causa dos balões soltos pelas festas juninas e dos c ampeonatos de futebol. Foi assim: para estudar ele conseguiu um horário para trabalhar de noite até de manhã. como viu.. por favor. puxando-a para junto de si. Disseram que ou viam o rádio com fones de ouvido quando souberam do incêndio onde moravam e correram para lá. mas te devo sat isfações. prosseguiu: Quase não acreditaram. pulsando fortemente ao debruçar suavemente o rosto sobre a cabeça da jovem. Por que ela não pegou a criança? Ela e o marido são faxineiros em um hospital e trabalham à noite..perguntou aturdida. posso ir! Eu darei um jeito e.. ele contou que. fechando os olhos por não acredit ar no que acontecia. ficou m ais perigoso e ninguém conseguia chegar até lá.. mais de uma hora dep ois. Deixe-me explicar.. Ela o interrompeu. ela entr aria nas chamas para pegar o filho. Tudo bem . Estou levando a vida! Mais nada! Penso em fazer Mestrado no próximo ano! Lágrimas surgiram nos olhos de Débora e não demoraram a correr em sua face pálida.. Ela escondeu o rosto e chorou em silêncio. Eu?! ... Os bombeiros encharcaram o local onde ele estava. Conversando com um dos colegas que estava com o meu irmão. O Tiago enrolou a criança em sua jaqueta . guardados com todo o amor.pareceu suplicar . Mas!.. Bem...

Ele estava nervoso e preocupado.. cuidarei da Princesa.. E sem aquela rou pa. me liga no celular. idéias inferiores e todos os atributos de espíritos imperfeitos. mas controlando as emoções. você pode me esperar aqui? Preciso ir ao hospital no vamente. Qualquer coisa. retiro u-se e retornou em segundos. Débora. Por isso Sebastião temia. Alguns espíritos que o acompanhavam. o que equivale ao ódio e a falta de perdão. Despedindo-se de Débora. desequilib rados.perguntou aflita diante da pausa. Meu Deus! Como ele está?! .. Reservava-se. Só se for muito urgente.. arrebanhados por suas práticas indignas quando encarnados. E o Tiago?! . Outros grita vam enlouquecidos. Então. vários se guidores se afastaram daquela falange. à hipocrisia. Era impossível fazer o encarnado tornar-se vítima daquela inteligência perversa. entende? Claro! Se eu puder ajudar. observando a movimentação eufórica de festejo horripilante. parecendo festejar uma vitória. Em compensação. que cederam novamente de pois de ele pegar o menininho. Energias mentais do espírito Sebastião criavam vibrações aos que o auxiliavam e os im pregnavam de idéias pouco elevadas. secou o rosto e procurou se controlar. que assumiu nova at itude mental ao orar.... Não se preocupe comigo e. por sua nova postura mental. 30 . em nível psíquico inferior por se prender ao primitivismo da mágoa e da vingança. Muitos eram mutilado s. seguiam-no por propensão ou vontade própria na inclinação ao mal.. O menininho de seis meses sofreu leve queimadura em um pezinho e um pouco de intoxicação. suas queimaduras foram mais graves..perguntou chorando.. Não quero atrapalhar. Outros se ligavam ao grupo tal qual escravos cativos. Espero você ligar se puder. Fui onde está internado e quero acompanhar os procedimentos bem de perto. vigiar-se e dedicar-se ao bem. Dizendo isso. Era algo como que um alimento fluíd ico que lhes dava energia inferior limitada e ânimo agressivo. Alguns grunhiam como animais. e usavam para aterrorizar os outros apesar de intimamente serem infelizes .. Em decorrência disso.. Muitos o aban donaram desde que o viram ficar sem poderes para subjugar Sérgio como vítima. Estarei te esperando. Soube hoje pela manhã. Debruçando-se sobre ele e. apresentando-se com o corpo espiritual no qual plasmavam deformid ades por seus vícios e milhões de vermes a corroer-lhes com violentas manifestações de t error. O grupo que acompanhava aquele líder não era tão grande quanto antes.. Seu estado é grave e ainda corre o risco de perder a perna devido às queimadur as. mesmo sem saber ao agir intuitivamente. temia algo desconhecido aos seus sentidos limitados.. Sérgio chorava ao responder: Mais de sessenta por cento do corpo com queimaduras de segundo e terceiro gra us. Sebast ião perdeu as forças quando não ofereceu mais perigo ao encarnado.. Todo aquele festejo de compo . E pediu com ce rta preocupação: Por favor. Os espíritos se aglom eravam. pulando em comemoração. dando forma às cenas prazerosas de suas inclinações à promiscuidade. tribal cuja matéria fétida e nojosa plasmava-se pelas linguagens de co municação mental de palavreados obscenos e indecorosos.O rapaz se levantou. o quadro era deplorável. Não se sabe como conseguiu tirar a jaqueta e envolver o garotinho. Você já o viu? ... aos vícios degradantes. Naquele lugar da crosta terrestre. Sua perna ficou presa entre as vigas e os escombros. Vai me ajudar se ficar aqui e me esperar. deformados.quis saber entre as lágrimas e os soluços. re pleta de vinganças e injustiças. Sérgio recebia orientação e amparo provide ncial do Alto. Pode deixar. beijou-lhe a testa.. De longe..A elevada Laryel intervém na obsessão injusta Na espiritualidade. a vulgaridade.e a protegeu com o seu corpo. à crueldade e a ta ntas outras práticas efetuadas quando encarnados... o espírito Sebastião compr zia-se. Por isso não saiu.. . Só vou pegar alguns documentos e. recomend ou que fechasse bem a porta e saiu rapidamente.

antes de conhecer as opiniões de Sérgio. Conforme a humildade e a determinação de cada um pa ra corrigir os erros. bom e justo. No momento em que Tiago tomou conhecimento das opiniões de Sérgio. com base na Revolução. Sérgio serviu de instrumento para. Deixou-se influenciar por encarnados e desencarnados e ateou fogo em casas. solicitou as possibilidades de a judar os semelhantes e passar por dolorosa provação para proporcionar mais harmonização na sua consciência e continuar auxiliando com bondade e amor. Na atual encarnação. e refugi aram-se em uma estância. o que não era verdade. Seu estado não se tratava da atuação de espíritos levianos e imperfe itos. Sérgio a levou co nsigo quando desertou. pois a jovem atrasar ia os demais. Deus. Entretant o nem todas as vitórias são verdadeiramente vitórias. Muito rancor e ódio foram criados por Sebastião. As mortes dos farroupilhas. eles não admitiam experimentar as mesmas sensações de suas vítimas em grande estado de perturbação. decidiu ser bombeiro e salvar vidas. perdia-se grande número de vidas farroupilhas. creram que Sérgio e os desertores eram culpados por suas do res e pesares na espiritualidade. Tiago era um homem de caráter espiritual bom e benevolente. Tiago serviu ao Exército Imperial ao lado de Sérgio. Aqueles espíritos acreditavam ter sido o rapaz fortemente lesado com queimaduras pelo empenho de Sebastião. tentou a visar. Por piedade e proteção a uma jovem que conheceu naquele massacre. em sua vida. pois. orgulho ou egoísmo. ele passou a r efletir sobre suas ações desnecessárias contra pessoas indefesas e mudou de atitude. que havia se unido a Débora. Intuído. elevando-se cada vez mais. prova ou expiação na Terra. com suas estratégias militares e bem informado sobre as ações do Exército Imperial. inveja. Na realidade. com moral que lhe dava o direito de pedir em seu planejamento reencarnatório. aprendeu ainda mais. Tiago se deixou influencia r pelas energias vibratórias dos companheiros em meio aos gritos de vigor para os ataques na guerra. inspirado a deixar aquela guerra. mas Tiago muitas vezes ficava para reforçar a segurança na estância. apesar de vencerem. criaram Leis para a não div são do Brasil. No passado distante. Quando Sérgio percebeu que havia traição e ntre companheiros confiáveis e. Enfrentar as situações mais diversas e difíceis principalmente às ocorrências para defrontar o fogo em razão de salvar vidas. Por não estarem em acordo co m os atos desumanos e abomináveis de seu líder. Em outros tempos. N a espiritualidade. naquela época. Tiago solicitou experimentar o que fez muitos sofrerem e requereu desencarnar com a prova do fogo. guiar a tropa para grandes conquistas. a fim de c orrigirmos o que desarmonizamos. na presente encarnação. nas considera das vitórias. Nas lutas. . No planejamento reencarnatório. mas não lhe deram crédito. Não tinha ódio. Já possuía essa personalidade no passado . a disposição sincera e sem queixumes para cumprirmos determinada missão. ferindo pessoas com os incêndios que provocou. Sérgio sempre seguia com a tropa. Algumas vítimas desenc arnaram pelas infecções das queimaduras. Somente assi m a consciência se alivia do remorso e o espírito se purifica e caminha para a perfe ição. Estrategi sta. depois de ajudar muitas pes soas em sua tarefa. Tiago juntou-se aos Revolucionários Farroupilhas. A traição ocorreu conforme Sérgio previu. insensíveis e tiranos do co-mandante Sebastião. fizeram falta aos revolucionários quando Bento Gonçalves foi traído e fico u sem a ajuda de companheiros nos quais confiava. outras ficaram deformadas e houve as que mo rreram9. Entretanto o estranho espetáculo de horrenda comemoração pelo ocorrido com Tiago não tinha fundamento. Tiago tornou a encontrar Sérgio. Eles e os companheiros se separaram. ele desejou tratar de procurar uma n ova vida ao lado de Débora e longe dali. Sérgio. Tiago e outro desertaram ao as sistirem um ataque cruel num vilarejo indefeso. rancor. comandados pelo Marechal Sebastião durante a Guerra dos Farrapos.rtamento bizarro era pelo acidente ocorrido com Tiago. mas se desviou. Humildemente. é prudente o arrependimento sincero. Lúcia e outros espíritos daquele gru po e que. Por isso. contrárias aos atos d esumanos. Um anônimo na história pôde mudar o curso dos rápidos acontecimentos e foi a isso que Sérgio veio naquela reencarnação. oferece condições de harmonização com as nossas falhas. graduados dos Revolucionários Farroupilhas.

E foi chegado o momento do esclarecimento e intervenção de espíritos prudentes, dot ados de bondade, sabedoria e capacidade de julgar com justiça, atuar em favor dos que trabalham, esforçando-se para o bem, o adiantamento dos semelhantes e a elevação e spiritual. No lugar onde a agitação comemorativa ocorria em uma espécie de adoração ao espírito Seb stião, lentamente um fio de luz azulada se fez rompendo as trevas. A música e a cant oria debilitante e deplorável, que agitavam todos, pararam imediata-mente. A aglom eração de espíritos inferiores pareceu petrificada diante da claridade tênue. Sebastião, com expressão furiosa, levantou-se rápido de seu acomodo, semelhante à pos tura de um rei, que se ergue do trono diante da desagradável invasão em seu castelo. Muitos espíritos, com miserável aspecto, arregalaram os olhos, apavorados com a cen a e a vibração iniciada, e por essa razão, correram, fugindo assustados sem coragem de esperar para ver. Apesar da aparência rude e grosseira, o espírito Sebastião temeu, mas não se acuou. Em poucos segundos, um grupo de entidades elevadas passou a tomar contorno vi sível àquele nível no plano espiritual, enquanto o fio de luz irradiava-se, iluminando vagarosamente o lugar e emitindo vigorosas vibrações sublimes que pareciam, limpar os miasmas destruindo as formações nojosas existentes. Os bondosos benfeitores fizer am-se presentes com nitidez às impressões dos que ficaram. Todo o grupo de espíritos s ublimados parecia nutrir-se dos raios brilhantes da bela luz e prendiam os pensa mentos em prece elevada. O jorro de luz se intensificou, como se ganhasse delicado contorno transparen te, lindo, indescritivelmente belo, transmitia puro amor. As sombras se dissipar am e reconhecível surgiu Laryel de forma translúcida, como um cristal e com toda a s ua expressão de bondade e superioridade, pois assim o era. Sebastião ficou inquieto, nervoso e agressivo, protestando ao urrar: Quem pensam que são para invadirem meus domínios?! Após gesto generoso ao inclinar de cabeça, como um cumprimento sutil, Laryel argu mentou com postura e expressão imperturbável enquanto ampliaram-se os raios de inten sa luminosidade, que se espargiam de seu contorno: Sebastião, por que o coração endurecido que insulta sua consciência, mesmo sabendo da necessidade de reparação? Quem é esse ser desgraçado que ousa me afrontar?! Sou uma criatura de Deus assim como você, mas não o afronto. Aqui estou por missão de amor - esclareceu a benfeitora com intraduzível generosidade. Vamos! Ataquem esses invasores! - berrou Sebastião. Contudo os poucos espíritos m alfeitores restantes também fugiram. Somente Lúcia, assustada, foi para trás de Sebast ião como se quisesse se esconder. Aceite a oportunidade, caro irmão. Sabe que não adianta a rebeldia. Todos já trilha mos caminhos obscuros, fomos egoístas e não aceitamos as justas Leis de Deus, que é de bondade igual para com todas as Suas criaturas. - Breve pausa e pediu serena e piedosa: Venha, venha comigo, Sebastião. Arrependa-se dos atos do passado e se pro ponha à elevação. Já perdeu muitas oportunidades de reparar os erros. Nunca! Sofrimento e dor! É isso o que tem para me oferecer! Chama de bondade Di vina o que Tiago experimenta?! - riu com sarcasmo. Sim. Eu denomino bondade e justiça de Deus. Tiago experimentará uma única vez o sof rimento provocado em dezenas de pessoas. Dispondo-se ao auxílio na tarefa abraçada n esta reencarnação, com sincero arrependimento do que fez no passado, ele só terá essa pr ova, em vez de se penitenciar ao mesmo número e grau de dores que provocou em suas vítimas. Se a lei de Talião: olho por olho e dente por dente vigorasse por desejo de Deus, o mundo estaria cego e desdentado, como disse uma grande alma muito sábia. J ustiça e bondade são as bases das Leis de Deus para os que se arrependem e desejam s e elevar. Desgraçada! Já sofri muito e me diz que ainda preciso sofrer mais! Não sabe o que e xperimentei, mas estou liberto! Não serei mais prisioneiro da minha mente! Nesse instante, o espírito Sebastião afastou-se e correu, tentando fugir. Mas ao querer ultrapassar o limite dominado por aquela claridade celeste, foi como se e xperimentasse um choque que o fragilizou e, depois de um gemido, o fez tombar. D e imediato, Sebastião foi amparado por socorristas especializados. Ele estava iner te e desfigurado. Foi recolhido com todo o carinho para, ao fim daquela missão, se

r encaminhado e preparado para breve reencarne. Generosa, Laryel voltou-se para o espírito Lúcia, que chorava, mas sem arrependim ento e sim de contrariedade e medo. Querida Lúcia, é o momento de você decidir. Aos prantos, com aparência horripilante na formação perispiritual, ela reclamou: Isso é injusto! É impiedoso! Impiedade e injustiça foram temas de suas atitudes para com Sérgio após várias oportu nidades reencarnatórias. É o momento de reconhecer e assumir suas falhas, despojar-s e dos vícios libidinosos. Tudo é confuso! Tenho medo... O que acontecerá comigo?! Piedosa, Laryel argumentou: Você só serviu de instrumento para que Sebastião tentasse desviar Sérgio da tarefa ad mirável, útil e voltada para o bem. Seu irmão reencarnou com um propósito. Ele é um espírit bondoso, sábio e prudente, por isso não se inclinou às suas cruéis tentativas de assédio para o incesto a fim de desviá-lo para o desequilíbrio. Mesmo desencarnada, Lúcia, você se deixou usar para estranhas representações que o perturbassem em sonhos. Porém, mais uma vez, o Sérgio mostrou-se digno e elevado. Será difícil atormentá-lo. Eu me atraí por ele! Egoísmo e possessividade não são amor. Apego demasiado e extremas atitudes cruéis pel o desejo compulsivo de desregramento sensual para seus vícios sexuais não são amor. Am or é renúncia, aceitação e compreensão. Foi cruel sermos irmãos! Fiquei desgostosa e morri por culpa dele... Eu não desej ava mais viver! Com doce inflexão, quase num lamento, Laryel se expressou caridosa: Pobre Lúcia. Tanto foi usada por Sebastião e por Sueli que não percebeu ser um simp les boneco à mercê das manipulações. Realmente sua existência terrena foi cortada abruptam ente e estava com vigoroso fluido vital. Mas foi você mesma quem se atraiu para es se acontecido. Se tivesse outra postura moral, não teria desencarnado tão bruscament e e naquela ocasião. Perturbou-se muito no plano espiritual, por isso não se importo u em se deixar influenciar pelas energias mentais de Sebastião, que nublaram sua c onsciência, fazendo-a crer no que ele afirmava. Questionou-se se tudo era verdade? Procurou lembrar os fatos como realmente aconteceram? Com a habilidade que lhe era peculiar, Laryel fez projetar na tela mental de Lúcia como foi realmente seu desencarne. Sem ter como fugir das cenas, o espírito Lúci a narrou em aflição: Eu estou com a Sueli!... Fomos roubadas e um dos ladrões está armado! Eles iam em bora de moto, mas ainda estavam parados ao nosso lado e... Um deles pegou minha carteira e jogou minha bolsa, mas... Não! Vejo o Sebastião influenciando a Sueli... Ela me empurrou e eu... Eu não reagi! Estava com medo! Com o empurrão que ela me deu , fui para cima do ladrão, quase caindo sobre ele e... Ele se assustou! Quando me equilibrei, afastando um pouco, ele atirou e eu caí! Eu não me matei! - um choro com pulsivo a dominou ao deparar-se com a verdade. Afetuosa, Laryel acrescentou: Desencarnada e em profundo estado de perturbação, o Sebastião nublou o seu entendim ento. Mas foi a sua mágoa, a contrariedade em seu coração, os seus desejos mundanos qu e a deixaram sob a disposição desse espírito obsessor, que conseguiu organizar uma fal ange para que uma tarefa não fosse cumprida. E pela sua inclinação à maldade, à vingança e o orgulho, você se deixou usar por Sebastião. Mas eu não sabia! O Sebastião me usou! Socorreu-se em prece verdadeira a Deus, Lúcia? - perguntou com sensibilidade. E , sem esperar resposta, Laryel continuou no mesmo tom delicado: Com as paixões mat eriais e, principalmente, as necessidades do corpo físico se ressaltando no plano espiritual, admita que foi por orgulho, vaidade, necessidade de vícios lascivos e fantasias sexuais que se deixou hipnotizar por Sebastião. Não foi somente vítima dele, mas sua aliada. - Breve pausa e acrescentou: Querida irmã, seu desencarne se deu por uma traição de sua amiga. Tal fato ocorreu exatamente como você fez no passado. No meou-se amiga de Débora e a vitimou com um tiro no rosto provocando sua morte prec oce e imediata pela lesão no cérebro. Foi capaz de pagar para que a matassem, simula ndo um assalto. Eu morri num assalto que a Sueli se aproveitou para se livrar de mim. Por quê?

Ao confidenciar para sua amiga que gostava de seu irmão, em vez de procurar aju da de profissionais competentes como Sérgio orientou, você se tornou um risco para a s idéias desequilibradas de Sueli. Ela acreditava que ele poderia corresponder aos seus desejos, Lúcia, e desfazer o namoro. Não! Não! - Lúcia passou a gritar por começar a experimentar as indescritíveis tortura morais como punição dos crimes cometidos. Após aplicação de passes magnéticos por outros t refeiros, ela se acalmou, mas ainda transtornada, perguntou: Essas outras vidas que vejo na mente são verdadeiras?! Sim, minha irmã. Tudo fica registrado na sua consciência. Teve oportunidades, mas não às aceitou. Apesar de dotada de inteligência e receber orientações nobres e amorosas de seus pais, inclinou-se aos vícios mundanos, às fantasias das paixões físicas. Usou a inteligência para o mal só por egoísmo. O ciúme, a ambição, a inveja, as paixões corpóreas mor. O que fez será de sua total responsabilidade e precisará cedo ou tarde harmonizar tudo sob a ação das Leis de Deus. Todo extremo é prejudicial e arcaremos com as conseqüências d os nossos excessos em tudo. Lágrimas incessantes corriam dos olhos de Lúcia que, muito abalada, tinha o peris pírito ainda mais deformado, soltando pedaços como se estivesse se decompondo. Estou louca! Matei os cachorros que o Sérgio teve por ciúme dos animais, pois ele dava mais atenção para os bichos do que para mim! Inspirei a Sueli matar o Tufi par a magoá-lo e deixá-lo fragilizado! Eu me vejo tentando seduzir meu irmão! Que horror! O sangue da Débora não sai das minhas mãos, da minha roupa! E em outro tempo tentei se duzir o Sérgio quando ele foi meu pai! Pare! Pare! Tenho dor! Eu estava com ódio da Débora, ajudei a separá-la do Sérgio ao me aliar ao Sebastião e influenciar a Sueli! Olh e o que a Débora passou e sofreu por minha causa! Como o Sérgio sofreu com sua ausênci a! Quero esquecer tudo! Esquecer! Não quero mais ver isso nem me ver deformada! Is so dói! Faça algo em nome de Deus! - berrava com repulsiva sensação de pavor, e chocada com tudo o que fez. E as cenas se repetiam em sua mente. Querida Lúcia, só você pode se ajudar a partir de agora - esclareceu Laryel com bon dade. Sebastião ainda se prende nas satisfações animais para o espírito. Deseja vingança. Mantém a crueldade no coração impiedoso. Ele tem muito a reparar, mas não aceitou ajuda. Não se arrependeu. Não será fácil Sebastião se harmonizar e se equilibrar por causa de su a revolta e egoísmo. No entanto você, Lúcia, pode se submeter à bondade e justiça de Deus desde já. Poderá me socorrer e me tirar daqui?! Poderá tirar isso tudo da minha mente?! O que vê repetidamente são os seus excessos, as conseqüências de suas práticas. Agora ntende que não prejudicou somente Sérgio e Débora, mas outras criaturas que necessitav am e dependiam deles e ainda os que precisariam desses outros. O planejamento re encarnatório é tão difícil de ser seguido e piora quando alguém interrompe o fluxo da corr ente de vida, produzindo causas desastrosas a uma pessoa, aos que a cercam, aos seus antecedentes e descendentes. É uma destrutiva reação em cadeia e com o uso da int eligência, algo pensado, premeditado e que poderia ser evitado. O que Deus pode fazer por mim?! Não quero ver nem sentir mais isso! Inabalável diante da cena triste, piedosamente, Laryel expressou-se brandamente : Veja o que você pode fazer por você. O que pode fazer para minimizar o que experi menta. Então a bondade e a justiça de Deus hão de auxiliá-la na harmonização, na reparação elevação espiritual. Crê em Deus? Eu creio em Deus! Ajude-me Senhor! - suplicou com sentimento verdadeiro. Esto u arrependida de tudo isso! Não imaginava que sofreriam assim!... Posso sentir o q ue sentiram!... Aproximando-se suavemente de Lúcia, Laryel estendeu-lhe a mão, direcionando-lhe e nergias salutares. Um bálsamo para o que experimentava. Lúcia sentiu-se esmorecida e foi amparada por um socorrista, mas ainda olhou para Laryel e murmurou com difi culdade: Você é um anjo... Apague isso que vejo e sinto. Ajude-me em nome de Deus. Imediato efeito calmante a dominou e o espírito Lúcia se entregou ao socorro. Laryel olhou docemente a cada um que a acompanhava. Erguendo o rosto sereno e transparente para o alto, teceu sentida prece de agradecimento. De seu contorno , raios reluziam ainda mais fortes, como se seres superiores lhes derramassem bênçãos

santificantes em jorro de luz, forças magnéticas em ondas luminosas para suprirem as energias despendidas por todos. Beleza intraduzível e contornos translúcidos irradiavam de seu semblante sublime. A abnegada benfeitora agradeceu aos elevados acompanhantes em nível de pensamento e ofertou doce sorriso enquanto sua figura, já transparente, desfazia-se suave so b a visão dos companheiros. O grupo socorrista terminou a tarefa e seguiu para local adequado às necessidad es de cada um dos socorridos. * * *

O dia havia clareado, mas a manhã estava cinzenta. A garoa deu lugar ao vento f rio e úmido. Sob o efeito da claridade sem brilho e do frio incômodo, Sérgio despertou do cochilo na cadeira do hospital. Acomodando-se melhor, sentiu o corpo dolorid o e uma rápida lembrança de tudo o colocou em alerta. Levantou-se e saiu à procura de alguém daquele setor hospitalar que pudesse lhe dar notícias sobre o estado de Tiago . Ao ver uma enfermeira, apressou-se para alcançá-la, porém a mulher informou que o médi co ainda estava no Centro de Terapia Intensiva, ou C.T.I., acompanhando o estado dos pacientes. Alguns minutos e Sérgio olhou para o corredor e viu seus pais caminharem ao seu encontro. A mãe o abraçou e estava em prantos. Mãe... Pai... - ele murmurou sem saber o que dizer. A mulher não conseguia falar, mas o pai perguntou: Alguma notícia? Você conseguiu vê-lo? Não... O médico está no C.T.I. e não deve demorar. Não acredito... Oh! Deus! Que dor meu filho está sentindo! - chorava dona Marisa. Procure se acalmar, mãe - pediu bondoso. Venha, sente-se aqui. Nós deveríamos ter ficado aqui com você - disse o senhor Inácio com olhos vermelhos p elo choro. Depois que fomos para casa, não conseguimos dormir e a preocupação só aumento u. Não adiantaria ficarem aqui. Eu não tive qualquer notícia. É necessário aguardar. Meu filho está sofrendo... É a pior dor do mundo! Calma, mãe. Acredito que deram sedativos ao Tiago. Um barulho e Sérgio olhou para o corredor por onde o médico caminhava vagarosamen te, observando algumas fichas clínicas. Rápido, o rapaz se levantou, foi ao encontro do médico e, mantendo-se calmo, perg untou: Doutor, meu nome é Sérgio, irmão do Tiago Barbosa, o bombeiro vítima de queimaduras sé ias e... Bem, o senhor poderia me dizer qual o estado dele? O médico o observou por sobre os óculos caídos no nariz e explicou após olhar a ficha : Tiago Barbosa... Calcula-se sessenta por cento de queimaduras graves de segun do e terceiro graus. Seu caso é sério e não posso adiantar qualquer resultado, pois... - Notando o casal sentado, falou baixo: Bem, Sérgio, ele é jovem, saudável e parece m uito resistente. Talvez outro não suportasse tanto e... Veja, minha opinião é que ele tem grande chance de sobreviver às lesões, porém ficará com consideráveis cicatrizes nas c ostas, parte lateral do tronco, perna, braços... Por sorte seu rosto foi pouco ati ngido. Somente uma leve queimadura no queixo e pescoço. O capacete do bombeiro pro tegeu seu couro cabeludo e... Precisamos aguardar. Doutor, o outro médico que o atendeu ontem disse haver uma perna muito queimada e comprometida... Existe algum risco de... - Sérgio deteve-se com olhos marejados . Ponderado, o médico avisou: Sim. Isso é verdade, Sérgio. - Olhando novamente o casal sentado, que chorava afl ito, o médico explicou: As queimaduras foram fortes e comprometeram a circulação da co rrente sangüínea para o pé direito. Precisamos evitar todos os riscos de infecções e acomp anhar rigorosamente a irrigação do sangue, mas caso o organismo não tolere, bem... Será necessário amputar? - perguntou o irmão sussurrando. Provavelmente. - Vendo o abatimento do rapaz, o senhor aconselhou: O hospital é um ambiente que esgota as forças e vocês não poderão vê-lo pelo risco de contaminação. V

casa e procurem descansar pelo menos o corpo. Isso é o mais prudente a se fazer. Poderão telefonar para terem notícias e será menos desgastante. Certo... Mas... Só uma coisa, o Tiago está consciente? Ele sente as dores da quei madura? Ele está monitorado por aparelhos e, quando recobrou a consciência ao ser trazido para o hospital, eu e o outro médico acreditamos que fosse viável induzi-lo ao coma temporariamente. As primeiras quarenta e oito horas são as mais críticas no estado em que ele se encontra. Depois disso, teremos condições de uma avaliação melhor. Muito obrigado, doutor. Faremos como aconselhou. Voltarei mais tarde. Telefonaremos caso haja alguma novidade. Certo! Muito obrigado! Após despedir-se, Sérgio voltou para junto de seus pais explicando somente sobre a importância de Tiago não contrair uma infecção e que estava sob o efeito de um coma in duzido. Acompanhando os pais até o estacionamento, despediu-se e os viu ir embora. Depo is, frente a seu carro, quando ia entrar no veículo, avistou uma pequena e bonita Capela Católica que ficava próxima a um belo jardim no hospital. Sérgio sentiu que pre cisava de um templo silencioso para reflexão, meditação e prece. Lembrou-se de Débora so zinha em sua casa. Pensou por instantes, superou o desejo de ir embora e caminho u, lentamente, até a capela. Chegou a duvidar de que Débora o esperaria, porém não pensou muito nisso. Sua prior idade era a de refazer-se espiritualmente, buscando amparo e alívio pela elevação do p ensamento a Deus para se manter equilibrado. Adentrando a capela, admirou seu interior repleto de flores agradáveis e suave perfume. Caminhou alguns passos, que ecoaram no assoalho de madeira, e sentou-se em um banco. Circunvagou o olhar e admirou os delicados vitrais. Fixou olhar na estátua de imagem angelical que simbolizava Nossa Senhora, mãe de Jesus, e do outro lado do altar a estátua representando o próprio Mestre. Ambas rodeadas de belas flo res frescas. O silêncio era absoluto e muito convidativo à prece. Sérgio suspirou profundamente e fechou os olhos, elevando os pensamentos por in termédio da oração. No plano invisível aos encarnados, suave luz cristalina era emitida de Sérgio e, gradativamente, aumentava de intensidade transformando seu semblante que pareceu ainda mais belo e superior. De seu peito raios cintilantes jorravam projetandose ao longe. Sérgio ergueu levemente a cabeça e de sua testa irradiava luminosidade adiamantada que se ligava à luz azulada, quase violácea que descia do Alto pelo vigo r da prece. Algum tempo depois, terminada a meditação, ele percebeu lágrimas quentes c orrerem pelos cantos de seus olhos e as secou com as mãos. Mesmo sensibilizado, Sérg io se sentia melhor. Estava envolto por uma luminescência vigorosa e bela que o fo rtalecia. Não demorou muito e decidiu ir para casa.

31 - Débora fracassada, humilhada e submissa Ainda era manhã quando Sérgio chegou à sua casa e não conseguia deixar de pensar em Déb ora. Uma muralha de silêncio amargo e angustiante havia se erguido entre eles por culpa do egoísmo, da inveja e da mentira. Foi difícil para ele suportar as ruínas dos sentimentos, os pensamentos inquietantes e o doloroso sofrimento por ela não acred itar em suas palavras. Sentindo o coração cortado por uma lâmina afiada, lembrou-se de se ver à beira do desespero, quase cometendo um ato insano. Apesar da gravidade d os fatos, tudo havia passado e mesmo não se esquecendo de Débora ele superou bravame nte o terrível tormento. No entanto, quando menos esperava, ela retornou abatida, parecendo humilhada e dizendo necessitar de sua ajuda. No instante em que a viu, ficou incrédulo e seu s sentimentos ressurgiram com mais intensidade, com o mais puro e verdadeiro amo r. Teve o desejo de abraçá-la e beijá-la, esquecendo o passado. Mas se conteve, pois o passado precisava de muito esclarecimento e ele tinha de ser prudente. Abrindo a porta, ao entrar, não percebeu qualquer movimentação ou barulho. A casa p

como está? Ainda no C. Com voz fraca . Realmente estou. . Débora se aproximou e sugeriu: Sérgio. A limente-se e depois deite e durma um pouco.. Vendo-o sair da sala. estendeu o braço tocando sua face com as c ostas da mão. deixando o olhar perdido. .arecia vazia. emoldurou leve sorriso no rosto. Não me alimentei direito ontem e estou me s entindo mal por isso.. . mas avisou: Eu tomei a liberdade de separar um agasalho. Viran do-se rapidamente. não ganhará carne. Mas rapidamente se deteve e dissimulou . mas mantinha o controle apesar de decepcionado. mas dominou a intensa vontade e concordou. não é? .Ante ao silêncio... E o Tiago. fechou os olhos. P . Princesa?! Por que essa felicidade toda. A toalha já está no banheiro e. Como se não bastasse.Acanhou-se. tocando-o com as patinhas ao ficar em pé. Meu Deus. Ele desejou envolvê-la num abraço. fazendo-lhe um terno carinho. Tem leite e comprei pão e bolo. Acreditou que o destino lhe ti vesse armado nova decepção.. hein?! . Débora! Obrigado! Não deveria se incomodar. Puxa. Sentia o coração apertado. As queimaduras foram bem graves e só no s resta aguardar. recostando a cabeça e largando o corpo. completou: S aí só para comprar pão e algumas coisas para o café da manhã. entendeu?! . uma camiseta e. ela avisou d e modo tímido: Por enquanto não posso ir embora a não ser que você me peça.. Amav a muito o irmão. .agradeceu surpreso. comer alguma coisa.. Débora experimentou a mais desagradável sensação diante dele.Desviando o olhar e afastando-se. Se ia melhor tomar um banho e.I. Ficando frente a ela.. pegando-a no colo e lhe fazendo um carinho.. Não acha melhor? Sérgio estava atento e mantinha o olhar fixo em Débora.exp licou.. Prometi que o esperaria. In do para a sala sentou-se no sofá. surpreendeu-se ao ver Débora em pé. Sem res istir. As roupas mais confortáveis que encontre i...Ao vê-lo se virar. pois só quer saber de carne. comentando: Vou tomar um banho logo. menina? Não está a fim de comer hoje? .. Não! De jeito algum! É que ao chegar não a vi e pensei que tivesse ido embora . ele perguntou com voz peculiar de quem amorosamente bri nca com um animalzinho: O que foi. Eu preparei um café.perguntou amedrontada. levantando-se.. abanando o rabo e parecendo re bolar de alegria em vê-lo. preocupava-se e se decepcionava com Débora que não cumpriu o prometido de esperá-lo mesmo sabendo da gravidade do que acontecia. tímida e quase hesitante.. Ele se ajeitou e confuso murmurou: Débora?! Você está aqui?! Se esqueceu de mim? . voltando à realidade: Realmente preciso de um banho.. Acreditei que chegaria exaus to. dizendo: Tudo bem! Vem cá. refugiar o rosto em seu ombro e somente senti-la junto de si. Mas enquanto a senhorita não com er a ração. deixando s ua cachorrinha entrar. um tanto submissa. Sérgio sentia o corpo dolorido e muito exausto. empenhando-se para que as lágrimas não caíssem..A cachorrinha co rreu de um lado para outro da casa enquanto ele colocava-lhe ração e trocava a água. chamando-o com voz suave... ela prosseguiu: Você está cansado e muito abatido.. Muito tempo depois ele. . despertou ao sentir um leve afago em seu ombro. Sofria ao pensar em Tiago. É. Nesse instante Sérgio andou até a janela.. falou: O médico reforçou o risco de ele perder a perna ou.T. Imediatamente o sono o dominou. .sussurrou com dolorosa piedade. Após olhar pela casa foi até a porta dos fundos e a abriu.riu. Não pode receber visitas.. Sérgio sorriu e to rnou a conversar: O que é. D epois ela se aproximou. Achei que precisaria se sentir mais à vontade. Chamou por Débora e não houve resposta.falou. vem! Sei que que r colo. Em seguida coloc ou-a no chão e observou: Tenho muita coisa para fazer e não posso brincar. Eu não tenho para onde r e. Vendo-a fazer muita festa. Você está fic ando muito sem-vergonha.Ela continuava brin cando da mesma forma e ele não resistiu. perguntou expressando preocupação: Aonde você foi? Com os olhos nublados. Seu coração bati a acelerado e descompassado.

chorou muito até ouvir o chuveiro ser desligado. Débora.aconselhou educada . Experimentou a respiração alterada e as lágrimas aquecerem seus olhos. Acredita mesmo que eu conseguirei dormir? Ao menos deite e descanse. Estava mais soberano e solícito. nem tomo café em casa.. Pode acresce ntar leite . bolacha. Pronto!. depois pensei bem e acreditei que era melhor acordá-lo para tomar um banho.ercebeu que Sérgio havia mudado muito. Obrigado. interrompendo-a. Não sei se ficou bom. Não tem proble ma. cabisbaixa e com leves movimentos nervosos n as mãos aflitivas que se esfregavam. mas a jovem o impediu de modo singul ar: De jeito nenhum. ele comentou: Estranhei por não en contrá-la ao chegar aqui e por não ter acordado quando entrou. Descansei um pouco no sofá quando cheguei . Contudo ela não deve comer bobeira do tipo salgadinho. Há tempo não tomo um café da manhã com suco de laranja. Alguns minutos e Sérgio retornou à sala. ele foi ajudá-la com a louça. mas. Apesar de tud o. é por falta de tempo e. ela não o encarava. rígida. porque não tinha muita coisa para o café da manhã. às vezes. Tendo os olhos vermelhos pelo choro e os cabelos cobrin do parcialmente o rosto. aguardando-a para que se sentasse ao vê-l a trazer o leite quente.falou com meio sorriso e sem jeito. Deparando-se com a mesa bem arrumada para o desjejum. mas. Achei que você precisaria se alimentar e só havia frutas. chegando a tremer apesar de petrificada e sem reação. vá descansar um pouco.. Não! . Sérgio fico u impressionado ao vê-la tensa. envergonhá-lo a ponto de destruí-lo moralmen te. ao secar as louças.sorriu.tornou ele.. pois su a aparência sofrida denunciava os maus tratos da vida que escolheu.. Você precisa dormir e.riu. Lembrou-se de tudo o que falou para Sérgio e a maneira cruel de como o tratou. Está explicado por que ela não comeu! . ele tomou postur a firme. Estranhou sua postura humilhada. torturá-lo. seguro de si e ponderado. tirando as coisas da mesa. Ela se sentia uma estranha acolhida por uma pessoa bondosa e piedosa. mam e tudo isso de que gosto . Sem dizer nada. mas eu já tinha posto e ela comeu tudo. A falta de assunto enquanto se alimentavam fustigava os pens amentos de Sérgio.respondeu ponderado e seguro.expressou Sérgio com leve sorriso. eu encontrei certo valor em dinheiro na gaveta do seu quarto e peguei o necessário para comprar o pão. Sérgio.. racional e flexível. Eu arrumo isso. envergonhada de alguma forma e c om atitudes extremamente submissas. mas ela o chamou à cozinha.. disfarçando e escondendo-o entre os fios de cabelos jogados. Num gest o para secar as lágrimas. Sua sensibilid ade pesava-lhe a consciência e se humilhava por culpar-se mentalmente. Demorei a chamá-lo. Vamos! Eu te ajudo a arruma r a cozinha. pediu: Sente-se e coma alguma coisa. Vi mais ração no comedouro e não sei se.. Quanto arrependimento! Débora chorou em silêncio. Sérgio argumento u com expressiva bondade: . Vamos lá para a sala?! . ele a acolheu após tanto tempo. Já terminamos! . Era o que deveria fazer . equilibrado e sensível. Sentando-se no mesmo sofá e acomodando-se de lado sobre uma das pernas flexiona das. Está frio e. sentada no sofá. conhecendo-o tão bem. Você dormia um sono tão profundo. ela correu e foi lavá-lo c om água fria. Abaixou a cabeça.falava sem olhar para ele. Ao terminarem. Eu vi que colocou ração para a Princesa. mas imperturbáv el. Colocando-se frente à Débora. mas contou: Sérgio.pediu ele gentilmente. ele se admirou. O silêncio reinou.. Ao vê-lo. comer e descansar melhor.. Ah!. das acusações feit as com o intuito de machucá-lo.. mas não d isse nada. exibindo-se descontraído. acuou-se em um canto. o queijo... Com tranqüilidade na voz grave e baixa. ao encará-la com expressão neutra.. A jovem sentiu-se gelar. Glorioso.. e afirmou: Agora nós vamos conversar.disse. Porém Débora mostrava-se temerosa. Enquanto ela lavava. Não entendia como foi capaz de fazer aquilo. Nada disso! .. humano e humilde. Não querendo apresentar o rosto vermelho. o bolo. Fez bem. Normalmente tenho o s ono leve e achei que só havia cochilado um pouco. ficou virado para ela. passou as mãos no rosto encoberto pelos cabelos. preocupado. Sorriu levemente e agradeceu. Não é por preguiça de preparar. Sérgio . ela o seguiu e.. Fiz café.

. pois se assim o fosse.. É preferível fazermos isso o quanto antes. do quanto sofri desesperado a ponto de. . mas. tudo se encaixava perfeitam ente! Pensei em várias alternativas para não crer naquilo. acomodou-se no mesmo lugar. Débora chorava muito em meio aos soluços compulsivo s. Mas não posso negar mi nha preocupação com você. mas explicou detalhadamente tudo sobre sua vida.. aqui. Sérgio. recompôs-se. Não se altere.Débora. Eu vou te contar. por favor. com seu estado tão frágil.. Eu só o procurei por não ter alte rnativa e. pois não com eti as absurdas acusações feitas.. Constrangida e chocada com a verdade. Mas como?! Eu vi as fotos! Tive cópias! Você deveria ter me perguntado isso naquela época . Ele a amava e acreditou ser um carrasco cruel pela postura aparentemente fria. Procure se acalmar. Ao final.. nesta casa?! Calma. puxando-a para junto de si. o que eu fiz?! .advertiu-a com a mesma postur a serena. quero pensar no que fazer agora e arrumar condições de me prover s ozinha. porém estava mais abatida e angustiada do que antes. Como não pode ser ve rdade?! E a Rita?! Eu os vi juntos na sua cama. resp ondeu: Não quero atrapalhar sua vida. Quero te ajudar. olhou-a nos olhos e pediu com sutil e bondosa firmeza: Espere. Mas as lágrimas não de ram trégua e corriam seguidamente em sua face. Quanto ao seu direito de julgar os meus atos. Contou também sobre o desespero que o dominou e o levou a tenta r contra a própria vida. Às vezes uma força nos faz realizar coisas que não desejamos e. com a voz embargada pelo choro que não conseguiu conter. porém pr ciso saber o que aconteceu. Deus. deix emos isso para lá. Abraçou-a e a embalou ao acariciar seu cabelo e o rosto que ela tentava esconder em seu peit o.. Atordoada. Sem alterar a serenidade nem a paz de espírito. ele continuou com o mesmo tom tranqüilo e pausado na voz mansa: Você não faz idéia do que experimentei. Débora. sobre estar deitado ao lado de Rita e o difícil refazimento da amiga... então. Mas.. Débora. Você me conhece muito bem e sabe que pode contar comigo. V ocê concorda? Imóvel e sem olhá-lo. Bem. Levantou. sabe que precisamos conversar. pareceu defender-se quase em pânico pelo engano: Eu fui surpreendida com toda aquela história! Sérgio. Sérgio ocupou-se de longo tempo. aproximou-se de Débora. Bem.. Nem incomodá-lo. Sérgio sofria pelos fortes sentimentos que o dominava m. Em seguida. Aquelas foram calúnias extremamente cruéis e injustas das quais preferiu acreditar nas tramas que a Sueli usou para nos separar e cons eguiu. Su a presença nesta casa não atrapalha minha vida nem me incomoda. Sentia o c oração apertado ao vê-la tão abalada. .. Olhando-a naquele estado. Hoje eu sei que não tenho o direito de julgá-lo pelo seu passado. ela se afastou do abraço e manteve-se cabis . Após algum tempo. por não ouvi-la argumentar.. Não preciso te perdoar. Foi isso o que aconteceu.. ela começou a dizer: Quero que me perdoe por agredi-lo tanto. pois ouviu a minha ver são. mas se conteve e diu com brandura: Débora. Então. quase perdendo o controle por sua atitude. Vamos por partes. a jovem precisou se esforçar para encará-lo.murmurou melancólica..balbuciou sem conseguir terminar. esconden do o rosto ao se debruçar no braço do sofá. olhe para mim. que precisou da ajuda de dona Antônia e do doutor Édison.. veja bem. terá de decidir em quem acreditar...chorou. Só poderá fazer isso depois de ouvir a minha versão sobre o assunto e sentir se é verdadeira o u não! Você... O mais importante é não cometermos os mesmos erros.. O importante é saber que eu tenho a consciência tranqüila. . Vencido pelo amor. Sérgio suspirou fundo. Alguns instantes e um pouco mais calma. .chorou ainda mais. Pensei que nunca mais quisesse me ver! Ele não se alterou.Breves minutos e. Após secar o rosto. Não. porém estava atenta a cada palavra.. não estaria aqui. Agora pode me julgar. sua irmã. foi até o quarto e retornou com uma caixa de lenços d escartáveis que entregou a ela. Desejava abraçá-la para confortá-la. amedrontado. eu. Não suportava observá-la inconformada e em pranto de arrependimento daquela forma .

reaja! . você está bem? Não sei.. os lábios esbranquiçados e os olhos fechando lentamente enquanto se largava. com sua vida. o rapaz levo u a mão em seu rosto. Não sabe o que fiz nem a vida que escolhi. O pranto desesperado deu lugar a um estado esmorecido. Não! . É melhor levá-la ao médico. Perceb eu seu rosto frio. Mesmo em lágrimas. Com voz amargurada.falou firme . Sentado a seu lado. vamos! Vagarosamente...chamou com firmeza. Estava decid . Não se preocupe. Era um grau de desespero tão extremo. Oi! Estou aqui! .. deixa ndo-a com o olhar perdido. porém eu a conheci muito bem e. Mas eu preciso te contar tudo o que aconteceu comigo . apertou-lhe a mão e sussurrou: Não me deixe sozinha. sentada na cama... Débora . ela retomava a consciência. Agora está com reaçõe deprimentes. a jovem murmurou: Perdoe-me. com olheiras profundas e.chorou. em seguida completou com entonação piedosa na voz baixa: Desculpe-me f alar assim. esperando que o encarasse. afagou-a com carin ho e compaixão. sejamos realistas.pediu. Eu e stava sofrendo tanto. abatida .Vendo a s lágrimas brotarem nos olhos da jovem e correrem por sua face. subitamente ela se atirou de joelhos à sua frente e o abraçou com toda a sua força enquanto intenso ch oro a dominou.. quase atordoado. Tirando-lhe os cabelos do rosto. Sei como você é ou era. Contudo saberia esperar. chamou-a: Débora! Abra os olhos.. Tudo escureceu e. Você não merecia sofrer tanto.. Não diga isso! .. ficarei com você. naquele des espero. caso um dia nos reencontrássemos.. O que está sentindo? Não sei. contudo.ele não conteve as lágri mas. porém acreditava que iria me desprezar. Isso não é um tipo de tristeza momentânea! Certamente passou por situações complexas e..interrompeu-a com ternura na voz. Está muito magra. expressivos e marejados de Sérgio e disse: Obrigada por me acolher. Preocupado. Como posso dizer não para esse sentimento que a ranca do meu peito toda essa emoção por vê-la assim?! Envergonhada e com nítido medo ao ouvi-lo falar daquela forma.. Vamos. Já está passando. Sérgio ajoelhou-se em frente a ela.. Logo perguntou: O que você está sen tindo? Não sei.. se humilha. Sérgio a envolveu com carinho e começou a desconfiar que. Sérgio... Débora! . Vou me trocar.murmurou...admitiu firme... ele perguntou: Débora. forçandoa a olhar em seus olhos. E até por maus tratos. eu nem mereço viver. levou-a para o quarto. acomodou-a com um abraço. Sentan do-se. Débora .baixa. segurando sua mão. Ele a tomou n os braços. acalmou-se e olhou diretamente nos olhos verdes.. Até sua pele e seus cabelos perderam o viço! . fez com que o encarasse novamente e avisou: O mais importante é estarmos aqui esclarecendo tudo isso . Depois de tudo o que fiz com você. racionais.. Procure abrir os olhos e respire fundo. Imediatamente ele notou que ela perdia as forças. afagando-a vez e outra. Como me arrependo!. ao se culpar pelo s problemas. Eu só pensava em você. pegou suas mãos finas e frágeis que estavam fri as e colocou entre as suas..balbuciou. colocando-a sobre a cama. Alguns minutos e ela reagiu melhor. se isso acontecesse. Eu te amo. mas ainda se encontrava atordoada. Não o mereço. Ela abriu os olhos. mas as pálpebras pesavam e tornava a fechá-las. como se tivesse fracassado totalmente na vida e. chorava muito. . reagindo um pouco.. Débora.. largada nos braços de Sérgio... .. Algum tempo depois.pediu. segurou delicadamente sua face pálida e congestionada.. havia algo mais do que o arrependimento. Cobr iu-a para que se aquecesse. Eu merecia o seu desprezo por tudo o que te fiz. sentido-a gelada. Se eu pudesse mudar o passado! .respondeu. Pela demora. Você não parece bem e eu note i isso desde o primeiro minuto em que entrou nesta casa. das escolhas erradas que fiz e do quanto me arrependi nesse tempo todo. ela afagou-o secando-lhe o rosto e pediu entristecida: Não chore por minha causa.

muito abalada.. E tem toda a razão. Quanto ao toque. Envolveu-a n ovamente em um abraço junto ao peito e afagou-lhe a cabeça. e ele se retirou fechando a porta do quarto..argumentou com ternura. Ele acomodou-se melhor em frente a ela e a ouvia com atenção. Sérgio demonstrou-se animado e perguntou: Já viu que horas são? Que tal lavar o rosto. Percebendo-a emocionada. . Você me conhece. Estava com fome. Passei por situações tão difíceis. pediu com brandura: Débora. E como saiu para comprar as coisas para o café da manhã? Não me importei por ser aqui pertinho. Débora...chorou. Sabe. foi até o armário e abrindo uma das portas mostrou: Você deixou algumas roupas aqui. o contato e o c arinho que te faço é porque sei que isso socorre e conforta. . Olhando-a com pieda de. Daria um fim na minha vida.. Sofri muito e preciso de um tempo. Eu..sussurrou entre os soluços.não conseguiu expressa r-se com palavras e suspirou fundo sem saber o que dizer....tornou ela em tom triste. Eu não poderia me envolver com ninguém... Vou dar um telefonema. Ainda estou surpreso com o seu retorno e não quero ser precipitado. Acredite.. Para minimizar o clima tenso. Não existe outra.ida. afagava suavemente seus cabelos vez e outra. Eu te amo. Pelo frio. A melhor coisa que fez a mim e a você mesma foi voltar aqui. Ela se inclinou como se fosse recostar em seu ombro e ele se aproximou. Não podemos nos precipitar e. Lógico! Estarei ao seu lado e te darei todo o apoio.. ela trazia um brilho diferente no ol har perdido enquanto falava: Como me arrependo. por favor. ele sugeriu: Vai! Anime-se! Dê uma olhada e veja o que serve. Eu sabia que você era um homem maravilhoso. contudo é melhor es clarecermos tudo. Desculpe-me. Por favor. Conversaram e ele conseguiu acalmá-la. Não tenho roupas para sair. Débora! Te amo demais! Existe alguém na sua vida? .. Você nem imagina. com ternura. O que sinto por você é forte e verdadeiro. Jamais amei como te amo. Tendo-a com o rosto colado ao seu.Ela não dis se nada... peguei a jaqueta que disfarça bem. Sérgio . Ele experimentava o coração pulsar forte. Perdoe-me. .Vendoa concordar com um aceno de cabeça. as roupas que estou usando são suas. desculpe-me. certo? Você tem razão. afastou-a de si. Não quero te magoar. ta? A moça não disse nada. Eu também te amo. Fazendo-a encará-lo. E a jovem continuou mesmo entre lágrimas: Realmente experimentei um rebaixamento moral que nunca imaginei. Terá meu apoio e minha ajuda enquanto estiver agindo corretamente. Levantando-se... dese sperada e acreditando que me mandaria embora .. ela examinou as prateleiras e um travo de tristeza embargou a sua voz. a identidade e a carteira de habilitação no bolso. Confie em mim. Pode ser em outro momento? ... contou sobre Débora. E por gostar de você. mas estão enormes.. Sérgio delica damente desviou o rosto e a abraçou.. Sérgio se levantou. Após telefonar para os seus pais. mas ficou parecendo entorpecida. Você entende? E como entendo. eu só mudei de lugar. não se sinta rejeitada . Acredite. Talvez não de vesse tê-lo procurado. mudar de roupa e sairmos para almoçar? Ela forçou um sorriso leve e constrangida.. o que deixou a amiga surpresa. Senti tanta saudade de nós. . meus sentimentos por você não mudaram.perguntou com certo medo. Por isso cheguei aqui só com a roupa do corpo. Quer conversar? Não. lembrou-o: Esse agasalho.. Quando t eve oportunidade. em seguida ele ligou para Rita. é questão de tempo.. Eu ainda estou em choque e.Parando de chorar. No in stante em que sentiu os lábios de Débora encostando suavemente nos seus. com frio. ele explicou: É necessário que conversemos muito. Alguns minutos e. que estava in conformada e queria visitar Tiago. Venha ver. Só você.. Não teve tempo . mas não pensei que fosse tão nobre assi m. Fechou os olhos ao senti-la cho rar. .. beijando-lhe a face com carinho.

. será que não fica melhor? Pode usar com o tênis e ainda tem essa outra blusa aqui. que se apresentava submissa e humilhada.tornou o senhor. indo até a sala. falou: Achei essa calça jeans. tem tênis.. Aproximando-se.. não! .. ...Sentindo a garganta ressequida e os olh os ardendo pelos sentimentos aflorando-se em lágrimas. E difícil conter os sentimentos. Rita o cumprimentou rapida mente e olhou por longo tempo para Débora. Acho que não é do seu irmão. comentou: Tem muita coisa nesta casa que eu não sei... Acho que são o seu número.perguntou antes de observá-la.. . Ah! Espere aí! . murmurou : Com tanta coisa acontecendo. Distanciando-se. Tem bom gost o. pois tudo combina e. rende-se à humilhação ao menosprezo. pessimista.Ela se aproximou e olhou enquanto ele explicou meio sem jei to: São roupas da Rita que. sussurrou: Ela o procurou.. ela deixou aí e. Procurando um pou co mais. Eu acho que vai combinar.. comentou: Seu rosto ficou diferente. Meu irmão.. Nem me diga.. Sérgio? Foi. sorrindo antes de f echar a porta. mas disse que não tem quem a ajude e p or isso me procurou.Olhando-a melhor. .Leve sorriso e chamou: Você está ótima! Vamos? Após almoçarem. Dona Antônia cumprimentou Sérgio e logo o doutor Édison se aproximou depois que o o utro médico se foi. Será que algu a blusa serve em você? Essa de lã!.sorriu. não! Vem cá! . Nem parece que essa roupa foi minha.. O médico puxou-o para o lado... Mais próximos.argumentou a jovem decepcionada. Vej a. Minutos depois. Está frio e. Chegando ao hospital.. vendo-a sair do quarto de seu irmão. doutor. Estou horrível! . tenho certeza de que a Rita não vai se importa r! Sérgio ia saindo do quarto quando Débora falou: E eu que sempre critiquei o modo da Rita se vestir. apesar dos recortes para ajust e na silhueta feminina. Certamente ela notaria a extrema mudança e o estran ho comportamento de Débora. Nem me diga.. Vai! Vamos logo! . que quase rolaram. . molhad a.pediu. olhando dona Antônia se aproximando das moças.disse Débora. Deixa Sérgio. Sérgio ajeitou-lhe o casaco que.Pensando rápido.de explicar à Rita os detalhes de como a outra estava. dona Antônia e o doutor Édison que con versava com outro médico. ele se despediu e desligou. humilhada. ele a observou e elogiou: Puxa! Você está ótima! . Com certeza. Ainda não sei direito o que aconteceu. trazendo o rosto vermelho por chorar. ela aparece com a roupa do corpo... Mas par a trabalhar o estilo fica de lado. Ao ouvir o ba rulho da porta do quarto se abrindo... noite não . ele reconheceu Rita. mas falou o suficiente par a não assustá-la com o reencontro.. sapatos.. São bonitas! Ela só tem um estilo diferente quando quer e pode usar. Ela está estranha. Meu irmão deve ter guardado. Agora preciso das roupa s dela.. Quase não suportei vê-la tão abatida física e emocionalmente.. Não conversamos sobre tudo. pois essas roupas se parecem com ela. De repente. Bem. T rabalho de dia e o Tiago deveria dormir de dia para trabalhar noite sim.. Está pronta? . nitidamente nervosa e com a respiração quase ofegante como se esperasse por alguma repreensão ou crítica. mas reparou que a calça social que usava estava bem larga. Só lhes restava contemplar a cena e aguardar. Encontrei um estojo de maquiagem .. sandálias. ainda ficou muito largo. Mas Rita atirou-se à amiga num forte abraço duradouro que deu origem às lágrimas e ao choro compulsivo. vá você.. pois estava mu ito preocupado com seu irmão e não queria deixá-la sozinha em casa por notar algo dife rente em sua reação com o pouco que conversaram. Você acha? Vai! Experimente! Fique à vontade. Sérgio pediu a Débora que o acompanhasse até o hospital. que permanecia petrificada. Estou preocupado com os pacientes po r pedir para desmarcar e. tirando o casado.. Sérgio abriu os armár ios alegrando-se ao encontrar: Aqui estão! Veja! . É.. É engraçado. Que surpresa! .ela lamentou quase chorando.Ela o seguiu e.. pediu atrapalhado: Ah. ... entrando no quarto de Tiago.Rindo. Sérgio pegou a blusa e a ajudou ve stir.

interrompeu-o preocupado. médico e confidente o abraçou forte e o rapaz. mas agitou-se e. é p or falta de bom-senso. O amigo. Queria falar e b albuciou meu nome. coloque os assuntos em dia e organize seus pensamentos.. Ele cerrou os olhos. provavelmente. mas sussurrando. como poderá ser útil a eles? . por inalar ar muito quente. Vi. não é fácil segurá-lo os médicos temeram mais complicações nas queimaduras.perguntou Sérgio desconfiado. o médico fez um sinal e d ona Antônia as deteve. Quando Débora. Vamos andar um pouco lá fora... por você.aceitou Sérgio. em pranto doloroso e extr emamente aflito.expressou-se enérgico.disse.respondeu em tom de lamento. Sérgio não suportou e desmoronou em uma crise de choro. Sérgio secou o rosto com as mãos enquan to o doutor Édison sobrepôs o braço em seus ombros. Esqueci de avisar que os seus pais saíram daqui minutos antes de v ocês chegarem. Apesar de seu e ocupante. O Tiago não está muito bem. pois essa menina está realmente precisando de você . Sua mãe não se sentiu bem e precisou ir embora. Imediatamente lágrimas brotaram dos belos olhos verdes de Sérgio.. foi o médico quem não segurou as lágrima s e se abraçou ao rapaz dando-lhe um beijo paternal no rosto. Sérgio não disse nada e logo o outro sugeriu: Vamos entrar? Claro. Admita que é um ser humano sujeit o aos problemas e às dificuldades da vida. amanhã cedo farão a amputação logo abaixo do joelho. Se emocionalmente não estiver bem. Eu estava lá. Chamou pela Rita. Afinal. conduzindo-o ao dizer: Vem.. Débora e Rita se mantinham abraçada . O rapaz não disse nada e se deixou levar. mas não se manifestou e retornou para sua casa e m companhia do doutor Édison. Passe o dia com ela. agarrou-se a ele usando seu ombro para desabafar com aquele cho ro. Mesmo surpreso. Rita e dona Antônia ameaçaram se aproximar. Sérgio sugeriu irem embora.Muito emocionado e triste. .Desmarque os pacientes de amanhã . Passados alguns minutos de triste lamentação. Com a certeza de que não poderiam ver Tiago. O senhor é mais que um pai para mim. O que aconteceu? . abaixou a cabeça com imenso aperto em seu cor ação. E o meu irmão? Desculpe-me. Rita! .. você consentiu que os avisasse sobre o estado grave de seu irmão. Veja.. mais de sessenta por cento do corpo e com variações de segundo e terceiro graus. obser vando Débora. Sérgio se recompôs e pediu: Desculpe-me e obrigado. Dona Antônia não ficou satisfeita. Você precisa tomar um ar. Seus sinais estão instáveis. O senhor o viu?! . houve queimaduras nos pulmões. Ele é forte. extremamente triste e abatida. correndo por su a face abatida. Eu acompanhei alguns resultados dos exames e.. Rita. mas procure se concentrar em não perder o equilíbrio..opinou o médico. o doutor Édison desfechou: Não há irrigação sangüínea para o pé e iniciou-se uma severa inflamação. Mas doutor?! Sérgio! . Permanecendo em absoluto silêncio por l ongo tempo. Se os pacientes não compreenderem isso. depois perguntou: Ele está consciente? Ficou algumas horas consciente. Ele sent ia muita dor. Acho que me reconheceu. Vi o senhor conversando com o médico. Sérgio e por isso foi novamente induzido ao coma e precisou ser entu bado para respirar melhor.Tiago sofrendo na prova do fogo e mutilação Era quase noite quando chegaram à casa de Sérgio. as proporções das que duras foram grandes.Breve pausa para o outro refletir e argumentou: É incabível eu dizer para não se preocupar nem se abalar ou não se atormentar. diante de Débora e Rita que estavam abraçadas.. 32 .. Ouvindo aquela frase sentida e verdadeira.. pediu: Posso ir com vocês? Claro. . não se concentrar.

falou: Vem Rita. Rita cambaleou e ia cair quando Sérgio a segurou firme.. ela afastou-se de Sérgio e Débora.concordou. E. e ele propôs. . vendo Rita triste e abatida afagou-a ao pedir educado: Toma um banho e nós três sairemos para jantar.respondeu compreensiva. arrastava uma camiseta do corpo de bombeiros q ue pertencia a Tiago e brincava com a roupa..perguntou à amiga.exclamou Sérgio atencioso. Não havia o que dizer..Conduzindo à amiga. Princesa. Sérgio percebeu que Rita não tinha se alimentado direito e por isso voltou à cozinh a. . encarando-o. imedi atamente.. Rita se foi e ele desligou a TV. Sérgio.. .. seus olhos.. O que acha? Não tenho fome. Uma angústia pairava no ar. levantando-se: Tome um banho bem quente e. Rita chamou: Vem. . ... preparou um chá e levou para a sala. exibiu-se com mais equilíbrio e ele pediu: Débora. E. inesperadamente. murmurando depois que Sér gio a fez se sentar: Está tudo bem. Débora corr eu ao encontro dela e a chamou: Rita! O que foi?! . Não conversavam nem estavam atentos ao f ilme. Tod a a dor pelo que aconteceu com o Tiago está te castigando e. que parecia incomodar. foi? Débora também afagou-a no colo de Rita quando. que suava frio. Já estavam na sala quando ele soltou a cachorrinha que. certo? . Débora e Sérgio se entreolharam por longos minutos ininterruptos até e la não suportar e abaixar a cabeça por algo oprimir violentamente seu coração.. Sérgio. ela acariciou-o nas costas percebendo-o tenso. Débora o seguiu encontr ando-o cabisbaixo com as mãos apoiadas na mesa. . Então faremos um lanche aqui mesmo. . correu e pulou no colo de Rita e a jovem falou com expressão de imensa d or: Oi. Ao se erguer. Também em lágrima s.. Débora.. não é? Lógico. puxou-a para um abraço e aconselhou: Quando o Tiago se recuperar e a vir assim. Posso ficar no quarto do Tiago.. Rita! ..avisou. Sentando-se ao seu lado. Ao voltar. Não vou conseguir vê-lo sofrer. Claro. certo? Certo . Não podemos nos enfraquecer. Não comi nada nesses dois dias e.. passando as mãos pelo r osto.. levantando-se desalentada. Não quero sair... Estava velha. ele se sentirá culpado pelo seu sofr imento. ele retornou à sala. vou te ajudar. Sentando-se. Foi o Tiago quem deu para ela. servindo-as e se servindo depois. Mas eu quero ficar na cama dele. você me ch ama..perguntou preocupada. Não agora! Veja como está abalada e exausta..Pedindo ao animalzin ho.. Olhar para você é como ver o Tiago.. os três retornaram à sala e l igaram à televisão. os lábios brancos. você pode ficar com ela? Lógico! . Levantando-se novamente.lamentou entre os soluços que embargaram sua voz. qualquer coisa..Ela acenou positivamente com a cab eça concordando. Quer que eu fique com você? . a cachorrinha pul ou para o chão e correu... Acho que foi minha pressão. Vem! A cachorrinha obedeceu e tornou ao seu colo. ao vê-lo daquela forma. mas consciente. Rita. após ingerir a bebida.s e em total silêncio. . envolveu-a num abraço e chorou em seu ombro. Não me leve a mal. Nem ima ina como estou....acariciando-a argumentou: Você ficou sozinha hoje.. vou me deitar e. Sérgio se virou. Vai lá . já ao seu lado...chorou... por favor. Princesa.. A amiga estava pálida. Rita começou a chorar compulsivamente ao ver a cena e Sérgio correu para pegar a camiseta quando a moça o chamou quase num grito: Não!. * * * Após um lanche que Sérgio preparou com a ajuda de Débora. Rita tinha lágrimas empoçadas nos olhos e.. avisou com voz br anda: Se não se importarem. Ele significa muito para mim e. Algum tempo depois.murmurou com voz chorosa. E sozinha. Você não sabe. Sérgio não conteve as lágrimas e se afastou indo até a cozinha.. mais refei to..

Comecei a ter um ciúme quase doentio! Eu não podia vê-lo perto da Rita e até a presenç do Tiago junto de você me incomodava muito. Eu sei. falamos sobre toda a minha vida e até o que gerou nossa separação. incomod avam-me. tantas preocupações e muita angústia..Sérgio se levantou. fiquei preocupado. Eu sabia sim. como pôde ser tão vil!. a Yara telefonava e. silencioso e com semblante sere no.Chorou. eu o pegu ei ao lado da Rita aqui nesta cama... encarou-o mostrando-se acanhada e com a voz trêmula iniciou: Não imagina como estou envergonhada e com medo. Não tinha como pensar diferente! Tudo se voltava cont ra você! E.. Por isso quero ouvir exatamente tudo o que tem para me contar. . porém logo co ntinuou: Sérgio.... pensamentos esquisitos e não entendia.sussurrou temerosa.respondeu com jeito compreensivo e controla do. . Sérgio a encarou por longos minutos... todos que passaram a freqüentar esta casa. Ao entrarem. Tenho fortes sentimentos por você e. a Sueli fez aquele inferno com aquelas fotos!. a Yara ia me visit ar. Débora exibia-se aflita. minha irmã não me dava um tempo para pensar. Vendo-a se acomodar com modos nervosos. Mas ela se mudou.admitiu arrependido. Mas meus pensamentos ferviam. ao saber que você não estava comigo. passei a ter sentimentos estranhos. Débora. Sabe. Quando me disse que não tinha para onde ir nem a quem procurar. passava a ligação para ele. Assim que perdi o emprego e me vi em uma situação difícil. A falta de confiança é a pior coisa que pode haver entre duas pessoas. Eu te amava e fiquei enfurecida com aquelas mal ditas fotos e depois de te falar tudo aquilo no consultório do doutor Édison. eu est ava decepcionada! Pensei que minha vida tivesse acabado! Meu mundo desmoronou! E u não tinha um emprego nem como me manter. A Yara passou a infernizar mi ..Sem pensar ela levantou. Às vezes. ele se deteve sem que Débora o p ercebesse e ficou observando-a com olhar perdido e melancólico na face triste e ab atida. Na ver dade. Você me contou . Não é melhor dormir e conversarmos amanhã? Não vou conseguir dormir. o que você não sabia era que o Breno me procurava com freqüência.chorou.. Mesmo a ssim. Sérgio apontou a cama pedindo gentil enquanto fechava a porta: Sente-se. Você significa m uito para mim.. Débora. por favor. ... Débora. Eu reconheço que agi muito mal . A Rita. minha melhor amiga me traiu com você e ai nda descobri aquelas fotos.perguntou com brandura. . present es. Apesar de todo o cansaço.. Com a voz entrecortada pelos fortes soluços..falou calmo. pediu com educação e generosidade: Vem cá. ela sobressaltou surpreendendo-se ao vê-lo a sua frente. obedeceu e ele explicou murmurando: Nós precisamos conversar e aqui na sala não é um bom lugar.. trêmula e envergonhada. provavelmente. por você relutar em sair da polícia. que sofre u o que não imagino e sentiu saudade de nós. tivemo s problemas com nosso namoro pelo seu ciúme.. perguntou com voz vacilante: Você está exausto. você sabe .Vendo-a cabisbaixa e lágrimas correre m em seu rosto. . flores ou me ligava. Como não acreditar em tudo o que vi?! . A Rita me incomodava quando morou comigo depois da morte do Rogério e do noivo por eu achar que você dava mais atenção a ela. mas minha irmã não me dava bons conselhos quanto ao nosso namoro e. Ao mesmo tempo.Fixan do-lhe olhar penetrante. Retornando à sala. colocou-a na f rente da jovem e se sentou... o rapaz comentou cauteloso: Não pense que pretendo ser superior ou algo assim. Em seguida.. quando estava reformando. você lembra. revelou: O Breno manteve amizade com a minha irmã e sempre mandava notícias. Mas não te contei tudo. Era algo repugnante! Eu te procurei para conversarmos. Fa lando baixo e estendendo-lhe a mão. Como assim? .. caminhou até a porta do quarto onde Rita havia apagado a luz e deixado à porta um pouco aberta. Fiquei quieta e sofria calada. Comentei isso com a Yara.. falando com brandura: Expliquei tudo a me u respeito. Importa-se de conversarmos no meu quarto ? Não. ele pegou uma cadeira. Então ela prosseguiu: Desde quando saí da casa dos meus pais.. Mas você precisa saber. buscou forças interiores. Aproximando-se.. Não parava de imaginar como você pôde me en ganar. não está dormindo e eu prefiro mais privacidade.. Sérgio se manteve atento. Por que não me procurou antes? Ela ergueu o rosto banhado de lágrimas.

. mas . armas. inf luente. pois algo me dizia para não aceitar aq uele emprego. Não entendi. eu me sentia mal. com pessoas influentes. quando deitava. Eu desabaf ava com o Breno e ele me ouvia. De repente me vi às voltas em festas luxuosas.. O tempo que me deu quando não me via preparada para um rom ance mais íntimo. prostitut a. desde religiosos até políticos. uma angústia. no que se ntia. ele denunciaria o meu pai e meus irmãos pelas porcentagens subt raídas de todos os serviços ilegais prestados. Mas nunca.. o Breno foi se aproximando como amigo e me tratava mu ito bem. Sei lá. Muita gente importante. ela continuou: Então. dentro ou fora do país. Comparecia a algumas das festas e até nos visitava. eu acabei indo morar com ele. Chorando. Perdi a vontade de ir à universidade e nem tranquei a matrícula. lavar louça e roupa. Ao mesmo tempo. que também prestava serviço como uma espécie de despachante alfandegário que lida com a documentação da alfândega. me sentia leviana.. Polícia Federal e tudo mais.. Foi a única saída que encontrei para me manter. Vivendo lá com ele. contendo as emoções. Ela parou de falar e chorou muito. mas continuou: Nessas alturas meu pai se reconciliou comigo. de alto nível.. mas. além de pagar às pessoas certas para o contrabando dos produtos. eu ficava furiosa ao me lembrar de vê-lo ao lado da Rita e das fo tos com sua irmã. Débora chorou um tempo pelo grande remorso. Débora. e nquanto ele me tratava como uma rainha. O que eu exigia de você? Você queria que eu aprendesse a cozinhar. mas quando me dava conta da situação já tinha aceita do. deixei de pensar em você. Entretanto o Breno me envolveu de tal modo!. Meus pensamentos eram conflitantes. lamentou: Foi à escolha que eu fiz. como estava.. falindo financeiramente e não arrumava e mprego. Um dia e por acaso... A rica e prest igiada empresa do Breno e do Lucas era uma das que aceitavam fazer o carregament o de drogas.. isso quer dizer que os contrabandistas que negociavam com meu pai para so negarem impostos.. Mesmo entre os soluços. confessou: Só que com isso... Chegava a suar frio e passava discretamente a mão no rosto para disfarçar. meu pai e meus irmãos faziam até lavagem de dinheiro. me distraía. invadidos po r opiniões estranhas e comecei a fazer comparações. Vivendo. amigo e me contratou para trabalhar em um a de suas empresas junto a ele. Foi então que ele se revelou. por um único dia. explicou: Em outras pal avras. um vazio imenso e uma saudade mortal me dominavam. Usando de fachada sua grande companhi a advocatícia. Surgiu um romance entre nós. Viagens e passeios. mas não a deixava perceb er. Sérgio sentiu como se uma espada atravessass e seu peito. Pode explicar melhor? Bem nervosa.. mas revelou: Muitas vezes.Exibia-se exausta. Eu estav a deprimida e decepcionada por sua causa. dinheiro e outras coisas em suas caixas ou contêineres para gr andes carregamentos. lembrando seu respeito po r mim. Sérgio permanecia calado. Seu carinho... O Breno parecia sempre solícito. Isso não saía da minha cabeça. .. .. Sofria e estava muito nervoso. Sérgio! Às vezes parecia que não era eu! Não conseguia pensar! Calma . políticos e alguns religiosos usavam esses serviços de tráfico. com s uas palavras. . Mas eu estava longe de saber como é imundo o vício ou os prazeres de alguns grupos da alta sociedade.. mord omos e motoristas. Fui conversar com o Breno a respeito e fiquei abismada ao descobrir que ele e o cunhado estavam envolvidos em negociações muito mais sujas e junto com o meu pai. Por que acha isso? Eu não queria determinada coisa. O Breno me ameaçou dizendo que se eu contasse algum a coisa para alguém..pediu. eu quase não ia mais trabalhar e passei a ser servida por empregados. feito ou participado..Mais calma.chorou.. eu escutei uma conversa e descobri que meu pai estava envolvido com tráfico de diversos produtos... desfrutando todos os confortos da mansão do Breno.. As coisas estavam difíceis e pelo modo como o Breno me cativava com seu jeito. Mas a culpa foi minha por deixar as c oisas irem longe demais entre mim e o Breno. Durante os acontecimentos eu não me importava. Eu só pensava em você.. para saírem ou entrarem no país. fazerem lavagem de dinheiro ou depósitos fraudulentos fora do país . Você exigia algumas coisas de mim. .Entre o choro arrependido. Comecei a crer em sua integridade. contou: Você lembra que eu não queria deixar meu apartamento para morar com você.. Bem..nhas idéias.

. Algum tempo e o Breno fez um sinal.. E isso fo i só o começo! .Afastando-se de Sérgio. caso minha irmã conseguisse aproximá-lo de mim. ma s me seguraram... Ele só go stava de assistir e. Isso seria morte certa para mim e para você! Você não imagina as ameaças que me fez c aso eu fugisse e te procurasse! Mesmo agredida.. algo e m grupo. sentan do-se ao seu lado. fui obrigada a me produzir para uma da s festas a bordo.. Seu rosto estava expressivo. Ele sorriu. vil. afagando-a com carinho. eu não podia falar nada. Percebi que a maioria usava drogas. Ele me bateu! Ficou furioso por eu tê-lo arranhado e m e agrediu muito! Entrei em desespero e não sabia o que fazer. Puxou-a para si e Débora agarrou-se a ele. Não consegui e perto de outras pessoas eu ag redi o Breno com palavras. viu-a se encolher e esconder o rosto.. Depois falou: Ela estava nua como a maioria. de festas.. Parecia algo comum! Quando retor namos.. .. a festa começou a ficar diferente.. Foi um homicídio! Eu sei. envolvia-se com um e outro.. chorando muito. Sempre estávamos vestidos com trajes elegantes. Não. Logo minha irmã caiu e foi puxada por aquele peso. nesse navio. continuou: Na noite seguinte.. Totalmente alucinada pelo uso de entorpecen te. Não. Sérgio se levantou rápido e. Em meio aos soluços.... Se o Breno denunciasse meu pai. Eu não o queria! E. estavam embriagados.. Longa pausa e pr osseguiu: Como um ser humano pode ser tão cruel?! Depois de rasgar meu vestido. A Yara estava nesse cruzeiro e. meus irmãos poderiam se considerar mortos por esses cri minosos. o que mais aconteceu para você reagir assim? Quanta humilhação! Quanto horror! . Ela desapareceu! Tentei correr. com a cabeça baixa. o Breno narrava os detalhes que percebia nos atos. c ontou: Quando terminou... Comovido. conforme andávamos pelo convés. Isso é uma máfia! Um submundo nojento! Sérgio ouvia calado. Os homens só riam e assistiam. Era uma orgia! Algo nojento! Ele a obrigou a participar dessas orgias? Não!. perguntou com piedade: Além da agressão. Com medo eu obedeci. não sabiam que meu pai ficava com uma fração bem maior além do que eles pagavam. Ele me violentou! Os dois seguranças viram e ficaram olhando! Rindo! Sérgio não suportou. mas seu coração apertava. Ele sobrepôs um braço em se us ombros e. E só e ntão.... o rapaz pergun tou: O Breno mandou ou permitiu que os seguranças fizessem o mesmo com você?. pois s . o B reno verificou se meu rosto estava marcado. Na frente de todos daquele cr uzeiro.... sem caráter. parceiro. E ela conseguiu. Toda aquela gente. o Breno me contou que aquilo era só um aviso e que a Yara estava lhe dando muito gasto no trato que fizeram. Parecia que o meu desespero. Sérgio argumentou: Isso é crime. Ele era doente! Em pensar que faziam parte do alto nível social.Chorou.. Como não estava.. el e me bateu ainda mais. ele socou meu estômago e eu não conseguia reagir. Vendo-a chorar em desespero e quase gritando. Minutos depois... Só que morreu por isso! Ele ameaçou fazer o mesmo com você. naquelas pessoas repugnantes..Débora se de teve com olhar perdido. o meu sofrim ento servia de prazer para eles! Isso é sadismo! .. prosseguiu: Uma v ez ele me obrigou a ir a um cruzeiro que ele patrocinou. asquerosas.. entrando em desespero. No início da noite. disfarçando o meu ódio. ele me beijava e me abraçava como se nada tivesse acontecido. Discretament e os seguranças a tiraram de onde estava e a levaram para outro lado.. cada ocupante daquele navio era amigo. Bem mais tarde. vamos dizer assim. conheci um outro mundo mais podre.Breve pausa e ainda chorando. nus na piscina ou. práticas de sexo coletivo promíscuo. mandou eu me vestir b em e aprender a me comportar.. me levou para o camarote e me agrediu! Agrediu violento com.exclamou com a voz sufocada. além de festas daquele tipo.... comportamento sujo.. com vícios deg radantes.. algo preocupado. Por que não o denunciou? . Quando gritei. negociant e ou comparsa do Breno. Foi então que Débora chorou novamente enquanto contava: Briguei com o Breno e. despiam-se e se relacionavam uns com outros.questionou parecendo tranqüilo.. Ama rgurado.. Mal respir ava. O Breno m e levou para perto e eu vi amarrarem algo em sua cintura e jogarem ao mar. Coisa que ninguém pode imaginar.. E todos que viram não se importaram. Ele aceitou providenciar e abastecê-la com entor pecentes. pedia sussurrando para que se acalmasse. ele me bateu.

Acariciando-a vez e outra... Às vezes. abandonaram a casa.. conside rados mais fiéis. ele perguntou. Ele delicadamente tentou segurá-la . Não podia sair sozinha e até os telefones foram gramp eados.Entre os soluços contou: Ele queria um filho e chamou um médico para ir lá.Olhando de relance para Sérgio.sussurrou com voz fraca. mas meu pai estava envolvido ... mas ela se recusou. ela respondeu: Às vezes uma. Nessa época muitos foram demitidos e empresas prestadoras de serviços vinham a ca sa. . . Não. cauteloso.abia que eu não o tirava dos pensamentos! Fiquei apavorada! Procurei falar com a E lza. sentindo os olhos se aquecerem pelas lágrimas que brotavam: Quando você falou em agressão na primeira vez. No dia seguinte me torturava. aceitou meus limites. porém não dizi a nada. Perplexo. Seu prazer era o de me machucar! Ele er a um monstro! E os empregados? . Sentia prazer nisso. Eram doentes! Sádicos! Eu não podia sai r mais. Quis morrer... beijando-lhe a cabeça enquanto a embalava vagarosa-mente... O Br eno me agredia muito! Paguei um preço alto demais por uma escolha errada. pois o marido dela não era dif erente. contou que ele a agredia.Ela chorou ao dizer: Foi quando. Ficava alterado e era um inferno. que eram fixos. Agora..Breve pausa e lamentou em choro: Naquela mansão maravilhosamente rica. inclusive dentro da casa e em lugares que eu ignorava. vexatório! Sérgio! .. Eu me lembrava de você! P edi a Deus que me encontrasse! Você me respeitou. Percebi que alguma coisa os amedrontava. Eu não conversava mais com ele e por isso me batia. . Ela chorou e Sérgio estava atordoado com o que ouvia.Com voz frágil contou: Algu s negócios começaram a dar errado.. Débora pareceu não ter mais lágrimas e quis se sentar.. O Lucas e o Breno estavam com medo e passaram a se reunir várias vezes trancado s no escritório. não sei bem o que era. sempre com medo de ser perseguid o. pois eles têm uma filha.. fazia carinhos e literalmente be ijava meus pés. Bebia e se drogava. mas te devo muitas explicações. Procurava se manter aparentement e calmo. O Breno começou a agir de modo desequilibrado. contou qu e os dois deram um golpe e avisou que meu pai era um homem morto. a Emy e o Élcio. Ele cismou que queria um filho e. Geralmente me agredia... Mas nos viram conversando e não a encontrei mais. Fiquei presa naquela casa como prisão domiciliar. carinho!. O caso dela era pior do que o meu. mas.. Após quinze dias .. Tentei me matar. Mas os seguranças eram os mesmos e. Outros for am contratados. Orgulhav a-se do que fazia e se comprazia com os seguranças olhando! Fui tão ultrajada. a proteção do Breno e não sei o motivo. por me d eixar levar. mas ela disse para eu me acostumar..concordou com voz ponderada e olhos vermelhos. Outras vezes as duas. Alguns seguranças. . apertava os dentes sem perceber e fechava os punhos com força pela . Seus olhos se encontraram e Débora falou com pr ofundo lamento na voz: Preciso te contar tudo.gritou em desespero. ... Quer um pouco de água? Vou pegar. viajaram para o exterior e não voltaram. afastando-se do abraço....tornou Sérgio... eu era agredida quase todo dia e. Não engravidava e não menstruava?.. Um dia. O médi co foi e tirou esse implante. Não! Não queria aquilo! Preferia morrer! Nova crise de choro a dominou e Sérgio a envolveu em seus braços. humil hada! Era obsceno. mas através das câmeras de segurança. esperou. Sérgio amargurava-se com os relatos.. Eu não tinha ninguém para pe dir ajuda! Era vigiada o tempo todo! Algumas vezes o Breno chegava e me agradava. Com isso você se refere à agressão física ou sexual? Chorando e experimentando imensa humilhação. ele gritou e berrou por saber que meus irmãos. Sérgio! Tudo bem. eles me viram e eu apanhei. isso foi seguido de violência sexual . porém seus pensamentos e a indignação fustigavam sua mente. . Alguns empregados. Não agüento mais. os meus pais viajavam de carro para o Rio de Janeiro e morreram em um acidente por excesso de velocidade. Então perdi toda a liberdade. Pode falar . O Breno chegava furioso. lu xuosa e onde havia o maior grau de requinte que já vi. pe rguntou: Você lembra que eu usava um implante e. . depois de determinado horário deveriam ir embora.. Sentia-se mal.. Após algum tempo.. Mesmo embriagado. . Me tratou com tanto amor.. Não quero te torturar.. mãe da Cris..

. pegou uma porção grande de entorpecente e colocou no copo de uísque.Débora ofereceu uma pausa. levantou-se. exibindo exaustão. eu aceitei o que era mais fácil e conveniente. delicadeza e as melhores generosidades. O homem se aproximou... acom odando-se ao seu lado até ser arrebatado por um sono profundo. Ele era sádico e gostava de ser visto. Lá me deram uma sopa e arrumaram um lugar para eu dormir junto de algumas desabrigadas. Não c omia. Pegou outro pacotinho... ..aflição.. Foi até a cozi nha bebeu alguns goles de água e retornou ao quarto. Como viver com isso?! Entretan to fui covarde. levando um copo com água adoçada e pediu com bondade: Toma um pouquinho . E o procurei. mas tomava água e me sentia cada vez mais fraca... havia cheirado cocaína e começou a me bater. permanecendo a seu lado afagando-lhe o rosto abatido.. rasgou e o fez cheirar. mas não! Ele queria um filho. e scondendo o rosto em seu peito. Ele passou a me espancar!. chorando copiosamente.afirmou. mas não c oncordamos com isso que esse cara faz com a senhora. mas. para a criança nascer em outro país e ele ganhar direito à cidadania. se você me mandasse embora quan do chegou e me encontrou em seu portão.. quando o Breno percebeu que eu não me alimentava.. mas não desmaiado e o homem o fez beber tudo aquilo . usou o seu nome. o rapaz não disse nada. angustiado e indignado. ajudou-a a segurar o c opo para que bebesse a água.. as roupas... por um calçado e trocar a b lusa rasgada. extremamente nervoso.Chorou. Ele não suportou e choraram juntos por longo tempo . acomodou-a n a cama e a cobriu. Sérgio a abraçou forte e Débora correspondeu. eu jurei me matar. pegar meus documentos. carinho. *** .. Deu-me água e depois falou num tom revoltado que não suportava mais ver aq ueles maus-tratos.. ela adormeceu. falou: Nós somos bandidos! Já matamos homens safados.. Mais recomposto. minha vaidade. Orei!. a falta de te dar uma oportunidade e outras coisas me levaram a a ceitar o que era confortável. Esse homem avisou que o Breno queri a que eu engravidasse para sair do Brasil. procurando-o com o olhar. mas esse. Meu orgulho. luxuoso. segurou Breno pelos cabelos e bateu seu rosto contra um móvel várias vezes. Outro segurança aparec eu e avisou que já tinha colocado fogo nas gravações. Esse homem era d iferente. não tive coragem de me matar. Um dia.fal ou sentida.. e ele me arrastou pelos cabelos até o quarto e. Sua voz ficava estranha! Certa vez. O Breno estava tonto.. Como alguém pode ser tão falso? E e u tão ingênua? As requintadas festas. Vendo-a exaurida de forças. a refinada casa.. não tinha mais nad a a não ser os pensamentos em você. Por isso pensei em morrer. virou um monstro! Ele estava bêbado. havia muita atenção. Não tinha mais família. Fiquei por quatro dias ali e pensei muitas coisas... Um dos seguranças novos me viu desmaiad a e me levou para o quarto.. Mais serena.. A princípio. Sua feição mudava e às vezes falava coisas sem sentido. Ape sar de não te esquecer.. Mordomias. Rezei tanto! .. Apanhei como nunca. pensou que ele era como os outros. Vi quando o segurança o s entou