FORÇAS PARA RECOMEÇAR Eliana Machado Coelho Pelo espírito Schellida

Índice 1 Reunidos pelo destino 2 Sérgio e Débora se reencontram 3 Dificuldades em família 4 Débora hospitalizada por causa de uma mentira 5 Rita, uma grande amiga 6 Débora enfrenta a oposição do pai 7 Sérgio e Débora: do passado ao presente 8 Respeito e amor 9 Sérgio se deixa dominar pelo ciúme 10 Sérgio revela o assédio de sua irmã 11 A ação dos espíritos inimigos 12 Psicólogo Espiritual 13 O desespero de Rita 14 Terapia de uma evangélica, ex-espírita 15 O romance abalado pela influência espiritual 16 Rita tentada pelo suicídio 17 Débora flagra Sérgio dormindo com Rita 18 Os olhos de Deus 19 Fotos contra Sérgio destroem o romance com Débora 20 Breno aproxima-se de Débora 21 Opiniões do doutor Édison

22 A benfeitora Laryel interfere no suicídio de Sérgio 23 Cabe a Deus alterar o destino 24 Discussão entre Sérgio e o médico 25 Juntos, Tiago e Rita 26 Psicólogos de amor 27 Suicidas em sofrimento no Plano Espiritual 28 Conversando com Jesus 29 Reflexões de um Psicólogo 30 A elevada Laryel intervém na obsessão injusta 31 Débora fracassada, humilhada e submissa 32 Tiago sofrendo na prova do fogo e mutilação 33 Débora teme conseqüências do passado 34 É preciso força para recomeçar 1 - Reunidos pelo destino Ah!... Que droga! - protestou Débora vendo sua pasta ir ao chão. Uma das pontas d o elástico que servia de amarra escapou. Algumas folhas se soltaram, espalhando-se parcialmente, prestes a voarem por causa do vento. Rapidamente a moça se ajoelhou a fim de apanhar os papéis. Ao erguer sua bolsa de pertences pessoais e outra pasta com modelo de valise, ambas alçadas em seu ombro, escorregaram embaraçando-se e dificultando a agilidade para organizar os documentos que segurava com uma das mãos. Como se não bastasse iss o, sua roupa sujou na altura do joelho, deixando-a mais irritada. Era uma bela jovem, bem arrumada e, como todos os transeuntes, estava com pre ssa. Não queria se atrasar para uma reunião na biblioteca com suas colegas a fim de realizarem um trabalho para o curso universitário que faziam. Além disso, pretendia ainda estudar para uma prova. Mas naquele dia tudo parecia colaborar com o intui to de atrapalhá-la. Tentando ser rápida, ela juntou tudo. Arrumou a pasta e desembaraçou as bolsas la nçando as alças novamente ao ombro. Ao curvar-se para tentar limpar a roupa, não pôde de ixar de ver uma criança chorando. Aquilo lhe chamou muito a atenção. Débora estava impaciente, mas acabou sendo refém de um sentimento inexplicável. Ela olhou para um lado... Para outro... E apesar de muitas pessoas irem e vir em, ninguém parecia ver ou se importar com aquela criança. Se talvez a vissem, ignor avam sua presença e nítida necessidade de amparo. A jovem olhou para as escadarias do metrô, para onde pretendia ir, porém sentiu-s e como que envolvida por uma força maior. Algo naquela cena tocou seu coração generoso . Tratava-se de uma garotinha, aparentando pouca idade, sentada no degrau paral elo a uma vitrine, num cantinho em que mal se podia enxergá-la devido à floreira com arbusto que praticamente a escondia. Estava encolhida, com as perninhas dobrada s e as mãozinhas cobrindo o rosto abafando seguidos soluços dolorosos que os ruídos do grande centro financeiro não deixavam alguém ouvir. Atendendo ao chamado de sua bondade, Débora se aproximou perguntando meigamente : Oi, meu bem! O que aconteceu? - A menininha só chorava, enquanto a moça a observo u com atenção reparando que estava bem vestida e arrumadinha, não parecia se tratar de uma menina de rua. No braço, a menina trazia delicada pulseirinha que combinava c om suas sandálias, cujos detalhes da moda infantil eram iguais. Preocupada, a jove m insistiu com voz afável: Oi querida, onde está a sua mamãe? - Sem obter qualquer res posta, delicadamente, Débora tirou-lhe uma das mãozinhas do rosto para vê-la melhor. Lágrimas corriam ligeiras naquelas bochechas coradas e seus olhinhos esverdeado s mal podiam ser vistos pelas pálpebras avermelhadas. Com a outra mãozinha, a garotinha esfregou o rostinho e a moça aproveitou para ti rar-lhe os fios de cabelos colados em sua face úmida. Fazendo-lhe um carinho nos c abelos cacheados, parcialmente presos por uma delicada tiara rosa, Débora sentou-s e a seu lado falando com brandura na voz: O meu nome é Débora. Qual é o seu? Cris... - respondeu em meio aos soluços. Cris!... - E então, Cris, onde está a mamãe?

A... Ma... Mãe... Su... Sumiu... - gaguejou a garotinha. Onde você estava com a sua mamãe? - A menina gesticulou com os ombrinhos insinuan do não saber e Débora perguntou: Quantos aninhos você tem, Cris? - A garotinha mostrou -lhe quatro dedos para responder a idade e a jovem tornou a questionar: Como a s ua mamãe se chama? Foi necessário Cris repetir algumas vezes para ser entendida, pois os soluços não a deixavam se expressar. Ah!... Elza! O nome da sua mamãe é Elza! - exclamou a moça ao compreender. E... E eu quero... Que... Ro a minha... Ma... Mãe... - chorou. A jovem estava atrapalhada com suas bolsas e pastas, mas deu um jeito de reco star Cris em si, avisando em seguida: Não chore, ta? Nós vamos encontrar a mamãe. Ela também está procurando por você. Eu te certeza disso. Sem se demonstrar apreensiva diante da situação e muito preocupada com o horário, Déb ora revirou sua bolsa, pegou o celular e decidiu ligar para a polícia. Afinal, não p oderia abandonar aquela garotinha tão indefesa. Atendida, após fornecer os dados e t erminar a ligação, Débora virou-se para Cris e pediu: Vem, meu bem. Dê-me sua mãozinha. Tem muita gente com pressa e eu não quero que se perca de mim, está bem? Precisavam ficar em um lugar visível aguardando a viatura da polícia que chegaria . Com dificuldade, a jovem segurava as bolsas, a pasta e o celular em uma só mão par a prender a mãozinha da menina com a outra. No instante em que olhava ansiosamente à procura do carro da polícia, sem esperar, Débora foi empurrada e teve o telefone ce lular furtado. Sem soltar a mão de Cris, ela gritou assustada e indignada e teve o impulso de seguir o agressor, mas a menininha começou a chorar novamente. Aturdida com o acontecido, a jovem não sabia o que fazer. Suspirando fundo, aba ixou-se perto de Cris, secou-lhe o rostinho com a mão trêmula e tentou ser simpática, falando amavelmente: Oh... Meu bem... Não fique assim. Vem cá - disse, pegando-a no braço, mesmo com tod o empecilho de carregar seus pertences. Cris debruçou-se em seu ombro e chamava ba ixinho pela mãe. Tentando não se exaltar, Débora procurava se refazer do susto e do ma l estar que sentia. Em fração de segundo, teve seu celular roubado e temia que suas bolsas fossem os próximos alvos. Angustiada, estava quase chorando pelo ato repuls ivo do furto, pela ausência de amparo e falta de segurança vivenciada. Em meio a tan ta gente que passava, ela e aquela menina estavam sozinhas. Se eu estou me sentindo assim, imagine essa pobre criança! , pensou entristecida e nquanto apertava a menininha contra o peito ao mesmo tempo em que olhava de um l ado para o outro. Não demorou muito e Débora avistou a viatura da Polícia Militar chegando à baixa velo cidade, parecendo procurá-la. Levando Cris firme em seu braço, segurando seus pertences mal ajeitados e quase caindo da outra mão, Débora, apesar do salto alto, correu em direção aos dois policiais , que de imediato, reconheceram tratar-se de quem havia solicitado os préstimos da polícia, pois a moça demonstrava nítida expressão assustada e enervante. Frente a um dos policiais que, educadamente, a cumprimentou, a jovem mal corr espondeu e relatou às pressas: Eu encontrei essa menininha ali! - exclamou apontando. Naquele momento a past a caiu de sua mão e querendo pegá-la, Débora viu suas bolsas caírem também. Oh, meu Deus! Hoje é dia!... - reclamou procurando conter as lágrimas. Abaixando-se para pegar os pertences tentou pôr a garotinha ao chão, mas Cris não quis e agarrou-se com seus brac inhos em volta do pescoço de Débora e, enlaçando as perninhas em sua cintura, chorou. Calma, senhora. Pode deixar - pediu brandamente o policial à sua frente que se abaixou, apanhou as folhas espalhadas da pasta, cujo elástico rompeu, e as bolsas caídas. A menininha começou a chorar, e Débora não conseguiu conter as lágrimas. Mas, entre s oluços, abraçando a garotinha, explicou: Eu fui roubada!... Como assim?! Poderia nos explicar melhor? - perguntou o outro policial, aprox imando-se.

Contorcendo o rosto pelo choro incontido, Débora pediu entre as lágrimas: Desculpe-me... E que tive um dia complicado e... Bem... Eu estava com pressa quando essa maldita pasta arrebentou... Como agora... - disse olhando para a mão e para o rosto do policial que segurava seus pertences. Depois de pegar minhas co isas que caíram, eu vi essa menininha ali - apontou , encolhidinha e chorando. Ela se perdeu de sua mãe. - Depois de breve pausa em que secou o rosto com a mão, contin uou: Disse que tem quatro anos e se chama Cris. Ah! Ela falou que o nome de sua mãe é Elza. Foi o que entendi... Eu não sabia o que fazer e... Nossa!... Nem pensei em deixá-la ali sozinha! Sabe lá, Deus, o que alguém poderia fazer com ela! Então... Liguei para a polícia e pediram para eu aguardar aqui. Assim que desliguei, um cara... Bandido, safado, sem verg onha... Passou correndo, me empurrou e roubou meu celular! Eu quase caí!... - As lág rimas corriam em seu rosto, mas ela prosseguiu emocionada. Tive de pegar a Cris no colo porque ela chorava muito! Fiquei aflita e sem saber o que fazer! Desculp e, mas estou confusa, com medo... Eu não poderia perder a hora da faculdade, tenho uma prova importante hoje e um trabalho para... Bem calmos, os policiais ouviram-na atentamente. Um deles ainda segurava os p ertences de Débora ao tempo em que ela trazia a menininha debruçada em seu ombro e a fagava-lhe as costinhas ao embalá-la levemente, pois a sentia chorando amedrontada . Tranqüilo e na primeira oportunidade, pois percebeu que a jovem estava bem angu stiada e sentia intensa necessidade de contar o ocorrido, com as bolsas e a past a da moça nas mãos, o policial perguntou educadamente: Qual o nome da senhora, por favor? - Após a resposta ele explicou: Dona Débora, a senhora encontrou uma criança perdida e, pela boa aparência da mesma podemos deduzi r que a mãe esteja tomando as devidas providências para encontrá-la. Além disso, a senho ra teve seu celular furtado. Diante das duas ocorrências, precisaremos encaminhá-la até o Distrito Policial a fim de elaborar um Boletim de Ocorrência para que a autori dade policial, que é o delegado, possa decidir quais as providências a serem tomadas . Certo? Lógico! Claro! - aceitou a jovem de imediato. Eu estou com dó da menininha... E.. . O meu celular pode ser usado por bandidos e... Tenho de prestar queixa. Percebendo-a nervosa pelo modo como aninhava a criança nos braços e o jeito amedr ontado que tentava disfarçar sua voz, o policial solicitou gentilmente ao ver o pa rceiro abrir a porta da viatura: Entre, por favor. - Ao vê-la sentada no interior da viatura aconchegando a meni ninha no colo, ele pediu educadamente: A senhora poderia pegar suas coisas, por favor? Claro!... Desculpe-me... Estou tão atordoada que me esqueci... - sem saber como se justificar, Débora ergueu o olhar para o policial e ofereceu um tímido sorriso s em qualquer brilho de alegria. Seus olhos se fixaram nele, por longos segundos, como se implorassem algo mais caloroso do que aquelas providências que a auxiliari am. Somente depois pegou os pertences de suas mãos. Ele correspondeu ao sorriso de modo amigável. Em seu íntimo admirou a beleza da j ovem, sua afabilidade e sensibilidade. No instante em que seus olhos pareciam im antados teve vontade de poder consolá-la com um abraço amistoso, mas não podia e mante ve a postura militar. Em seu íntimo estranhou, pois estava acostumado a situações seme lhantes e isso nunca havia acontecido. Sempre foi um profissional cumpridor de s eus deveres. * * * Chegando à Delegacia de Polícia, enquanto Débora aguardava o atendimento, o policia l anotava alguns de seus dados pessoais, procedimentos normais exigidos por seu serviço. Apesar de responder atentamente todas as perguntas, a moça demonstrava-se tímida, quase assustada pelo ambiente tóxico que imperava ali devido ao nível dos acusados e vítimas que também esperavam. Alguns falavam alto, brigavam, xingavam, enquanto ou tros acusavam ou choravam. A garotinha, amedrontada, apertava-se ao pescoço de Débora e escondia o rostinho

nos cabelos da moça, chorando baixinho. Controlando seus sentimentos, ela disfarçava a apreensão e o desconforto afagando a criança com carinho e procurando ficar atent a aos questionamentos do policial. Naquele plantão, tanto os policiais civis quanto os policiais militares estavam sobrecarregados e praticamente esgotados pelo tipo de trabalho exigente que os sugava. Havia muito a resolver e o nível moral da maioria dos que aguardavam atend imento era voltado ao mal, aos vícios e às piores mazelas da vida. Por suas palavras , linguagem de baixo nível e grosseria nos modos podia-se saber que tipo de espírito s se afinava a tudo aquilo. E ali estavam os mais vis e degradantes, repletos de vícios, sensualidade, hipocrisia, crueldade e sordidez. Na espiritualidade, para quem pudesse ver, o lugar era preenchido por uma den sa névoa escura, sombria, correspondente aos estados vibratórios e mentais de encarn ados e desencarnados. Uma forte energia invisível pairava como que um veneno espir itual maligno, impregnando os encarnados de caráter fraco que se deixavam envolver pelas sugestões de diversos espíritos impuros, que desejavam o mal por prazer e odi avam o bem. Entretanto, a ética e os bons princípios morais de alguns poucos encarnados prese ntes ali, por forças das circunstâncias ou do dever, permitiam a reunião de espíritos be nevolentes e sábios. Tais espíritos, às vezes, deixavam os encarnados que estavam sob sua proteção serem testados a se corromperem de alguma forma. Mas de acordo com a di gnidade apresentada, esses espíritos elevados os amparavam e protegiam a fim de não serem envolvidos por desencarnados tão insufladores da discórdia, da corrupção e do ódio, pois esses tinham o intuito de levá-los ao retardamento espiritual, fazendo-os suc umbir diante de provas tentadoras. O ambiente não era agradável. Quando menos esperavam, Débora e o policial se surpre enderam ao ver Cris que se sobressaltou gritando: É a minha mamãe! Mamãe! Onde, Cris?! Quem?! - quis saber a moça, segurando firmemente a garotinha que q ueria saltar de seu colo. Apesar de toda movimentação e aglomeração, a menina reconheceu a voz chorosa de sua mãe em desespero que a procurava com o olhar seguindo o som de seus gritos. Cris fo rçava-se a descer dos braços de Débora, mas a moça a segurou firme e junto com o policia l foi em direção da jovem mulher acompanhada de um rapaz muito bem vestido e alinhad o. Nada precisou ser explicado quando a mulher gritou em pranto: Cris! Minha filhinha! A menina se jogou nos braços da mãe. Entre o choro se beijavam enquanto a mulher a tocava como se não acreditasse que a tinha entre os braços. Algum tempo depois, Débora pôde explicar tudo a Elza, mãe de Cris, que abraçou e beij ou a jovem agradecendo-a diversas vezes. A forma como a menina agarrou-se a Elza , com um abraço apertado e as perninhas entrelaçadas em sua cintura, era inegável que a jovem mulher fosse sua mãe. Por aquele ser um plantão bem agitado, a autoridade policial foi consultada a f im de decidir se as partes envolvidas naquela ocorrência poderiam ou não ser liberad as. O comportamento de Cris não deixava dúvidas sobre Elza ser sua mãe, Embora a mulhe r apresentasse documentos e até fotos comprovando que a menininha era sua filha. A ssim sendo, o delegado as liberou. Enquanto o policial militar fazia algumas anotações para relatar a ocorrência, o ra paz que acompanhava Elza se apresentou para Débora. Prazer! Meu nome é Breno. Sou tio da Cris e irmão da Elza. Você não imagina como fica mos aflitos! Muito obrigado! Obrigado mesmo! Do jeito que algumas pessoas agem h oje... Nossa!... Mil coisas passaram pelos nossos pensamentos!... Muito obrigado , Débora! - nitidamente agradecido, sem se conter, deu um abraço emocionado na moça. Ora... Não fiz mais do que a minha obrigação - respondeu ela com um brilho emotivo no olhar. Ah! Fez sim! - afirmou Breno expressivo. O mínimo que podemos fazer por você é leváa para casa. Certo? Creio que não será possível, Breno. Agradeço de coração! Por que não?! Mora aqui perto? Não. É que... - Débora ficou sem jeito, mas precisou contar sobre o furto de seu ce lular e precisaria ficar ali para prestar queixa. Depois de fazer o Boletim de O

Seu parceiro aguardava na viatura. Ficou amedrontada e está muito tempo aqui. Nesse instante Cris. será que vai demorar muito para a Débora ser atendida? Não sei lhe dizer . como podemos ver. via-se envolvido sentimentalmente com o ocorr ido.respondeu educado. No entanto.avisou Elza enquanto Cris resmungava continuamente em seu ombro. Em seguida avisou: Esse é o telefone da Elza.sorriu gostaríamos de levar a m para casa. Débora! Não vou ficar sossegada em deixá-la aqui sozinha! .. tão necessário para o furto de um celular. Então fique com o meu cartão também! .ofereceu Breno que. Não posso ir agora. lógico. as demais pessoas a serem levadas em con ta são cidadãos com direitos iguais e o atendimento é por ordem de chegada. conversou um pouquinho mais com a moça. A jovem abriu a bolsa.corrência. . De sculpe-me por não poder ajudar. beijou-a e se despediu a fim de apressá-la. Sem alternativa. Esse não é um bom lugar para uma criança. mas depois se despediu e foi embora. Já era noite ao percorrer o corredor da delegacia que a levaria para a saída. Não queremos perder contato com você. * * * Débora estava sozinha. Débora parou e voltou-se ... decidiu ler novamente o Boletim de Ocorrência pelo furto de seu celular. É que eu e minha irmã. O rapaz mostrou-se insatisfeito e apreensivo ao olhar em volta e observar o a mbiente. Sem esperar uma resposta. Vá! disse olhando firmemente para Elza e pediu sorrindo: Cuide bem dela. Débora solicitou comovida: Não se importe comigo. Telefone-me para dizer como a Cris está. junto com a Cris. Diante disso. É o mínimo que podemos fazer por enquanto. A moça a abraçou com carinho. eu preciso avisar à operadora. Mai s calma. Assim pode falar com a Cris quando quiser. Começou a acreditar que os m inutos naquele lugar pareciam horas. Não há como precisar o tempo a ser usado para o atendimento de cada uma. também lhe deu um cartão. Breno tam bém a abraçou. mas nada demonstrou. sem saber explicar. a moça prestou a devida queixa e rapidamente foi liberada. tirou um cartão e o entregou à mulher. Verdade?! . Eu concordo que a elaboração de um Boletim de corrência. agradeceu e beijou-lhe o rosto na despedida. Ela me contou que teve o celu lar furtado porque estava ajudando a minha sobrinha e. mas não tenho como ajudar.. intermitentemente irritante.tornou o policial militar com um brando tom de lamento.Voltando-se ao policial. parando por um instante próximo das escadarias. entretanto o sargento Barbosa experimen tava um travo de melancolia por deixar Débora ali sozinha. mas durante a conversa a garotinha começou a pedir insi stentemente para ir embora e começou a chorar. Aproximando-se do policial. Enfim. rapidamente. Acredito que ainda tenha três ocorrências na frente. Virando-se para Br eno. A Cris teve um dia péssimo. Sua tarefa já havia sido cumprida e nem precisaria estar ali. começou a reclamar de frio e pe dia para comer um doce em especial. por favor. Na sua vez de ser atendida. Logo ex plicou: Isso é do âmbito da Polícia Civil. seja bem mais rápida e creio que o delegado também pense assim. Perdoe-me. Mesmo assim. Eu não queria deixar você aqui . por favor! . O policial. lendo seu nome e seu posto na identificação fix ada em seu peito. perguntou: Sargento Barbosa. debruçada no ombro de sua mãe. Por causa da iluminação um tanto fraca e de uma lâmpada defeituosa. pegou uma c aneta e fez ligeira anotação no verso do cartão.exclamou enternecid a. considerou olhando para Débora: Não pode ficar aqui sozinha! Veja isso ! Não merece! Ainda mais depois de tudo o que fez pela minha filha! . agradeço. apesar de tantos a sua volta. Elza pediu: Será que o senhor não pode dar um jeitinho? O furto do celu lar da Débora é bem mais simples e rápido para relatar do que outros casos! Sinto muito . eles se foram.. afagando a menininha e dando-lhe um beijo em seu rostinho.espantou-se Elza por não ter ouvido o relato da jovem.lamentou Elza novamente.. Elza e Breno queriam um meio de ajudar Débora e questionavam o policial. pedindo com generos o sorriso: Tome. A pobrezinh a deve estar tão assustada!.

É verdade. Não pensei que fosse me reconhecer.falou ele sentindo o coração acelerado e disfarçando a grande expectativa. Ágil.. pediu: Venha! Será melhor ter uma carona ou ainda pode pegar condução errada! Afinal.. mas sobressaltou-se ao deparar com um rapaz no qual trombou.novamente para o corredor dando as costas para as escadas. admitiu: Acabei perdendo a hora de ir p ara a universidade e.. . Nossa! Com a farda você fica tão diferente! É comum não me reconhecerem quando estou à paisana. Desculpe-me!.. ..brincou sorridente. Sérgio. Sérgio . Ao ler o que a interessava. Quando estou de serviço. pois meu caminho é pelo seu bairro. Enquanto arrumava as folhas. virou-se bem rápido. Sim. Amanhã mesmo eu entrarei em contato com a operadora para avisar sobre o furto. É.gargalhou gostoso. Sorriu.riu acanhada.Diante do silêncio. Débora deu um largo sorriso ao perguntar incrédula: Você!. por favor.. e le a segurou firme não a deixando cair. a jovem titubeou sem saber decidir.ofereceu Sérgio com voz branda e um tanto receoso. Não é bom ter um celular usado indevidamente.. não pense que sej a um desleixo ou descaso da minha parte. pois ela poderia rolar pelos degraus abaixo. corando imediatamente. aqui está o Boletim de Ocorrência. Ambos sentiam que algo muito especial os envolvia... Esqueceu-se de que anotei os seus dados para preencher aquele talão de ocorrência atendida pela viatura na qual eu estava como encarregado? Esqueci! . Por que não faz isso hoje? . disfarçou ao mostrar: Veja. . O moço riu sem deixá-la perceber..pediu a moça agarrando-se nele que ainda a segurava com força. Aceita uma carona? . E hoje não está sendo um dia normal para mim.. Também tive um dia cheio e.perguntou sorridente e curiosa.. Isso não foi nada. Em seguida a moça exc lamou atrapalhada: Ah!... Por favor . sem saber qual seria a reação da jovem. ligue para a operadora e peça o bloqueio imediato do aparelho. mas ao encará-lo.interrompeu-a educadamente e correspondendo-lhe ao sorriso . o meu nome de guerra é Barbosa. encarou-o por segu ndos como se algo a atraísse para aquele olhar e sorriu. espalhando as várias folhas e documentos pela escadaria.sussurrou de um modo que ele não ouviu. ou melhor. Isso não é comum. Ela o olhou de um modo diferente.. Estava indo embora quando me lembrei de você. Não. Não!. Nesse instante. Você tem razão. Estou tão exausta que nem havia pensado nisso. Mas você é sargento? Não é?! Ou eu disse errado? Sim. embora experimentasse um gostin ho de satisfação por ouvir aquela confissão.. . Bem. O policial da viatura que. meu n ome é Sérgio.. sou eu mesmo. Para ser sincero. abaix ou-se e a ajudou a pegar os papéis. Porém. ... em traje civil. fitando-o impressionada. preveniu-a: Assim que chegar a s ua casa. Desculpe-me de novo sargento. Não me julgue. Acontece. o dia não terminou . Hoje eu sou o próprio desastre! E o pior é que mais uma vez eu o fiz me ajudar pega ndo os documentos e meu material por causa dessa maldita pasta! . O principal e mais trabalhoso já foi feito.avisou.. Mas me chame de Sérgio. que é o registro da queixa pelo furto.pediu com jeito encabulado. Equilibrando -se. Rapidamente ajeitou a mochila nas costas... agradeceu e aceitou acompanhá-lo até o carro para que fossem embora. Ora. mas.. Se quiser. Como sabe onde moro? . Como não poderia.... resmungou baixinho e incrédula: Ah. Esqueci mesmo! Por favor. Suspirando fundo.Riu de modo simple s e. Débora ficou encabulada.. Não vou para a universidade hoje e me sobrará tempo. Puxa! Perdoe-me. achando graça nos modos da moça. Eu t rabalho na Companhia da Polícia Militar ao lado da delegacia. naquele instante. a pasta que carrega va se abriu... Sem saber o que dizer.pela surpresa.. Não terei trabalho algum. Meu carro está ali no estacionamento da Companhia da PM. Nós moramos relativamente perto.. com j eitinho e um brilho especial no olhar. eu sou sargento.. era . Não costumo julgar as pessoas . apesar do sorriso bonito. ela o agradecia e se justificava parecendo envergonhada. Ela cambaleou por causa do salto que usava.

amor e bom ânimo no bem. Considero-me um bom policial.. Por essa razão decidi compreender melhor as pessoas e tentar ajudá-las de outra forma. . mudariam sua vida. O quê? Eu me preocupo com as pessoas. Através de terapias pode-se fazer alguém descobrir em si forças que de sconhecia ter e se melhorar. quando chego. enfrentando o desafio de tomar uma decisão. pois os espírit os inferiores correm para perto da criatura para auxiliá-la. praticamente. com vários blocos. Como advogado eu seria péssimo! . a prova ou expiação.avisou a jovem bem entusiasmada pela coincidência. seria mais interessante cu rsar Direito.disse com belo sorriso ao olhá-la.Sérgio e Débora se reencontram Durante o trajeto para casa. Por ser um policial.quis saber muito curiosa. uma troca com algum colega. Acho que temos algo em comum . Como aprendemos na Doutrina Espírita. Apesar de Débora acreditar que tudo estava sendo difícil naquele dia. Isso não é fácil! Apesar de tudo. espíritos amigos a inspiraram a cumprir com sua responsabilidade diante de uma criaturinha indefesa. conforme o caso. Às vezes somos solicitados para atende r ocorrências demoradas e chego atrasado à aula. Muitos perderam o respeito. Mesmo com o s prejuízos aparentes como o furto de seu celular e a perda do horário para ir à unive rsidade. a moral e os desejos do encarnado. mas. havendo erdadeira no bem. destacar-se e até se curar. Quando as más influências atuam através do encarnado.. já estou no último semestre graça a Deus! . a começar por um simples pensamento. Enquanto dirigia. Costumo me preocupar com as pess oas. Mas. Sérgio riu muito à vontade e esclareceu. certamente. Foi só hoje.enfatizou sorrindo satisfeito. sábios e elevados influenciarão e sustentarão o encarnado que tiver fé. Você não imagi como está sendo difícil eu concluir essa graduação. os espíritos podem intervir no mundo corpóreo mais do que os encarnados imaginam. conforme sua livre decisão de escolha. acabavam de se conhecer. 2 . mas nem sempre isso é possível. para alguns profissionais da área de Comunicação e Jornalismo. Fico inquieto diante das injustiças e apreensivo para ajudar. Falam ou e screvem sobre as pessoas sem a menor responsabilidade. como nos é ensinado em O Livro dos Espíritos. inspiram os pensamentos e as ações de acordo com o caráte r. creio que a função não seja boa para mim. talvez por isso nunca nos encontr emos. Detesto faltar . Outras. Por quê? . gui ou-a ao encontro de pessoas que.m incapazes de falar a respeito.ela comentou. Débora e Sérgio conversaram muito e descobriram que estudavam na mesma universidade. fazendo acusações ou sensacio . Ah! Então é assim! Como eu. Sério?! .1 Os espíritos. Espíritos benevolentes. afastand o-o da inspiração de espíritos maus. é a pessoa qu em as chama pelo desejo no mal. a s tragédias das vidas alheias viraram atrações. a coragem que demonstrou. o mal não terá acesso. bons ou maus. Acho que não tenho dom para lidar com as Leis.ela brinc ou descontraída. A universidade é bem grande.Ele sorriu ao admitir: Sabe. Seja qual for à situação. Só se neutraliza a influência dos espíritos maus e imprudentes com o desejo no bem. com os seus sentimentos e a realidade dos fato s.riu alegremente. É curioso você cursar Psicologia. infelizmente. pois. há mudança na escala de serviço e tenho de solicitar alteração ou permuta. Assim acontece com o desejo no que é bom. E Deus permite que esses espíritos sem instrução e imperfeitos assediem os encarnados a fim de testarem à pessoa em sua fé para que pa sse pelas provas do mal e continue seguindo o bom caminho. Aproveitando de sua generosidade e misericórdia. seu coração bon doso a resguardou de experiências mais dolorosas.admirou-se ele quase incrédulo. aproveitando a parada no semáforo: Não. você também arrumou um jeito de cabular aula! . Eu curso Psicologia lá! E você? Jornalismo! . para o bem ou pa ra o mal.

Sérgio manobrou e estacionou o veículo frente à bela e grande residência. Parecia d iscreta e. chegou a sua casa sã e salva. delicadamente pintadas com uma cor transpare nte. riu ao dizer: Policial não ganha tão bem assim.brincou e riu com gosto. Dificilmente uma moça bonita como aquela não teria um namor ado. Minha família mudou-se para lá há alguns anos e até hoje não me acostumei. sorriu ao brincar: Pronto! Apesar de tudo. Sérgio tentou disfarçar o sentimento que os envolvia. Ele estava curioso. moro com meus pais para conseguir pagar meus estudos. Entretanto seus pensamentos fustigavam para saber se a jovem tinha alg um compromisso com alguém. . mas posso fazer a minha parte através de um trabalho limpo. Deve ganhar bem só pelo seu modo de opinar. Encarando-a .brincou rin do. cabelos lisos pouco abaixo dos ombros e suavemente clareados. Sérgio? Olhando-a rápido. As unhas. Eu tenho condições de ter um apartamento . Nem tanto .afirmou de modo simples. experimentou a impressão de ter sua alma invadida e fatalme nte atingida por uma sensação desconhecida que os dominou num profundo e sério silêncio. não posso mudar os profissionais. Olhando-o nos olhos.riu. Até por que. Apesar de meus vinte e oito anos. não suportar meus irmãos. elegantemente trajada e levemente maquiada. Ao vê-la sob forte emoção e lágrimas. Ela era solteira. às vezes. pois parece ter um dom natural de envolver e convencer as pessoas.ela considerou rindo. mas acreditava não ser o momento adequado.nalismo. Apesar de. davam um toque especial em suas mãos tênues e bonitas.. Sérgio a ouvia atentamente. Desejava fazer algumas perguntas. Mas uma onda de insatisfação o abateu quando ela a nunciou: Minha rua é a próxima à direita! Chegando ao referido endereço. Não sabia o que dizer e não tinha vontade de se despedir . não viu qualquer aliança de noivado. Trabalho na área central. ao mesmo tempo. tirando a privacidade da vida alheia sem qualquer serventia útil para a s ociedade. ele perguntou: Qual é a sua casa? É aquela ali! Onde há uma árvore na calçada . vantajoso para aqueles que realmente necessitam. O rapaz admirou Débora desde o primeiro instante em que a viu assustada e bem a trapalhada segurando a menina. duas irmãs e um irmão.. Muito observador. Mas moro com meus pais. Não o convenço de modo algum! Não gosta de onde mora? Não. Foi naquele instante que Sérgio precisou controlar o forte desejo d e abraçá-la a fim de ampará-la e confortá-la por tudo. Longos minutos se passaram. mas elas dobrariam se eu alugasse um lugar. Você é bem convincente. direta em suas colocações.ele admirou.apontou. tinha acabado de conhecer a moça e devia ser discr eto. Sou corretora de imóveis. normalment e com locações para fins comerciais. o que o deixou mais tranqüilo. Então por que ainda mora com seus pais. Débora era uma moça bonita. Dirigindo maquinalmente. ele prestava atenção em tudo o que ela falava. Tinha um corpo bem delineado. mal consigo sustentar esse c arro! . Débora ficou sem palavras. observou sua sensib ilidade e experimentou algo estranho quando encarou seu olhar carente que implor ava por auxílio. sustentando leve e generoso sorriso nos lábios bem to rneados. Na esquerda. Sentiu como se a conhecesse há temp os. Ela sorriu e Sérgio perguntou: Em que você trabalha? Alguma revista? Não! Quem me dera. Ele sabia disso pelos dados pessoais mencionados durante a ocorrência. Ah! Quem sabe você conseguiria fazer meu pai vender aquela casa?! . Puxa! . Proposita damente fazia-lhe perguntas informais só pelo prazer de ouvir o som suave de sua v oz na fala bem ponderada e clara. Como é bom encontrar alguém com integridade profissional. Afinal. combinando perfeit amente com sua pele alva. Não posso mudar o mundo. ainda est ou lá . ostentava d elicado anel de ouro. Lógico que ajudo em algumas despesas.

Sua companhia foi um prazer. daqu ele monte de gente que estava ali com modos estranhos. Estava tarde e me considerei boba por ter a ilusão de que você voltaria. com um baixo salário recebido para trabalhar em favor da população. E voltei! Demorei por ter de atender a um outro chamado.disse sorrindo.. Boba.. a delegacia tem um clima muito pesado e u ma moça como você não está acostumada àquilo. mas implorava em pensamento que você me ajudasse. . Senti algo tão estranho como se só v ocê pudesse me socorrer. antes de ir embora. um brilho expressivo nos últimos minutos em que conversaram. comentando meio tímido. mas você precisou ir embora e eu fiquei em desespero.Fugiu-lhe ao olhar.. Não sei por que não lemb rei de fazer isso antes. E também obrigada por ter me trazido. Tomei um susto ao reconhecê-lo! . Muito obrigada por tudo. É que. Deixando-se entristecer. Breve pausa e. Isso não me surpreende . Eu queria me sentir amparada . Alguns plantões.tornou o rapaz. posso jurar que já vi essa cena antes e. não duvido que você já tenha visto. Por que boba? . Contudo conteve-se. em meio ao constrangimento. Não consegui esquecer a situação e logo imagi ue demorariam muito para atendê-la.Sorriu sem jeito..revelou com firmeza e encarando -o. pensei muito em você. Demorou demais para eu ser atendida. Meu pressentimento se confirmou. o rapaz chegou à sua casa vivenciando um travo de dece pção. eu não queria f icar sozinha esperando para ser atendida. Realmente fiquei preocupado com você naquele lugar. inteligente e bem estabilizada financeiramente jamais deveria dar atenção ou se interessar por alguém como ele. de um medo tão grande! Nenhum preconceito.. teve o desejo d e abraçá-lo por tanta gratidão..Ele não disse nada e Débora pr osseguiu em voz branda: Ao ficar sozinha na delegacia. mentalmente. Quase não acreditei.sorriu com delicadeza. Sérgio. essa cena antes.. viu-a oferecendo um para a mãe e o tio da menina perdida. Eu ia telefonar para o meu pai.. agressivos. Sérgio questionava-se sobre o motivo da jovem não lhe dar um cartão. como se soubesse que iria me ajudar de alguma forma. Tomado de estranha emoção. devo confessar. enca rou-o e revelou: Tive um dia difícil e depois de toda aquela situação complicada. Sabe. É bom encontrarmos pessoas humanas e prestativas como você em momentos conturbados. sussurrando quase sem querer: Que estranho. Desculpe-me. Sérgio! O outro policial sim estava cumprindo o dever dele. Acredito ni sso e em muito mais.. Não.perguntou com um tom afável na voz. é que não estou acostumada àquele tipo de ambiente e pessoas com aqueles modos e palavreados. Débora estendeu-lhe a mão para um cumprimento quando. Acreditou que uma moça tão bonita. mas não podia ficar ali. Aqui estamos . a fim de ele ir me buscar e. parecendo esperar uma resposta. Débora contou: Quando entrei na viatura e o olhei... A final de contas. por isso.. E nunca aconteceu de eu ficar inquieto por alg uém após cumprir meu serviço..ela quis saber. Bem. Queria te pedir para ficar comigo. Fiqu ei achando que o veria entrar ali a qualquer momento. Porém você exalava a lgo mais humano e não mecânico para com o seu trabalho. pois nem sabia direito o seu nome. segura e. na verdade. É. tive uma sensação de insegura nça. Ele havia gostado tanto dela! Pareceu-lhe tão grata pela atenção! Viu em seu olhar uma chama. O quê? . Parece que nos conhecemos . ele suspirou fundo experimentando uma sensação melancólica quando acenou ao ir embora. Não me agradeça. que não passava de func ionário público. . Sei lá! Talvez por desejar a sua companhia e.. Foi como um pressentimento. com a qual intimamente ficou insatisfeito pelo desfech e da despedida.ela admitiu com voz meiga. Eu só estava cumprindo com o meu dever. Estou sentindo algo di ferente com isso. eu procurava me conter..replicou com largo sorriso.. mas voltei. Não duvido de seu pressentimento . me entender. Entretanto ela não manifestou qualquer desejo de vê-lo novamente.. Como assim? . Vendo-a pegar suas bolsas. Porém era como se o conhecesse. descer do carro e caminhar para o portão da requinta da residência.. E ao chegarmos à delegacia. decidi passar lá p ara ver se ainda estava aguardando e se precisava de ajuda.. .. mas seria ridícula.

enquanto sorria sem perceber. do susto que sofreu com o furto.. saiu da sala de jantar a pass os firmes e rápidos.. adorava lembrar-se de cada detalhe de sua conversa com ele durante o caminho para sua casa. minha filha! . a bela jovem que agora estava tranqüila. tratou-a muito educadamente ao lhe atender e faz er o B.criticou Emy em tom muito arrogante. entrou em casa. Nunca i maginou que um policial pudesse ser assim. Mas sua família só sabia criticá-la. vão se danar! Ta legal?! .Dominado por certa angústia. hein?! Você deveria ter me telefonado. mas foi atalhada da empolgação.. Explicou somente em rápidas palavras o motivo de não ter ido à universidade. Não estaria tranqüila caso deixasse aquela garoti nha ali. sozinha. A jovem duelava com os próprios pensamentos. Em seu quarto.com deboche e ironia exclamou Emy. Até chegar a minha vez para fazer o B. Não foi uma experiência agradável passar horas em uma delegacia.provocou Élcio. em seguida. atirou-se sobre a cama. irmão de ambas. irmã mais vel ha de Débora. que trabalhava na delegacia. na universidade. Enraivecida. cabelo bem curto e barba escanhoada na pele morena clara.. né? Também um caso de homicídio. Pessoas de u nível moral.. Emy não suportou e tornou em tom de zombaria: Que gratidão os parentes da menina tiveram! Oh! Largaram você lá. senhor Aléssio.. Virando-se. Talvez.. O que você faria em meu lugar?! Ora. Sentia como se o conhecesse há tempo. * * * Todos já haviam terminado o jantar e Débora não parava de contar detalhes do aconte cido. Emy e Élcio. Acreditava já o ter visto antes.reclamou o pai. Eu não tive escolha.O.. a moça bateu a porta com força para fechá-la. Fez o que seu coração pediu. em tom mod erado. debilitados de ações. ta! Quem mandou ser descuidada? Que ótima mãe. Débora não esperou a réplica de Élcio. Apreciando as repetitiv as recordações. pois poderia ir embora para casa sem se importar com ela. de um verde esmeralda brilhan . pobrezin ha! A Débora sempre gostou de sofrer. Jamais havia pr ecisado da ajuda da polícia. Você ainda não se acostumou? . Emy e Élcio tin ham o dom de irritá-la. ela não suportou e começou a chorar. demonstrando sua ira e . incapacitada e dependente como vocês dois! Par a mim vocês são frustrados. Levan tando-se. produções próprias e por isso só sabem al r a boa vida que levam por terem um papai que os banquem! Olha aqui.defendeu-se a outra irritada. educado e calmo. a moça fitou o teto e seus olhos irradiaram a chama de um envolvent e desejo vindo de seu coração. Nossa! As pessoas tinham de prest ar depoimento e demorou tanto. Problema da mãe da men ina. Admirava-o pela pre ocupação com ela e por se dar ao trabalho de verificar se ainda aguardava para ser a tendida na delegacia. Dando as costas. Débora acreditava ter agido bem. da prova que não realizou. beijou sua mãe e nada comentou a res peito. Era impossível não pensar em Sérgio. Não mesmo! . Sérgio era um rapaz bonito. ta! . Seus olhos eram atraentes. Para sua surpresa. pelo furto do meu celular.. Débora . a calma constante . da espera na delegacia onde se sentiu tão insegur a. Apesar do prejuízo pelo celular. apesar dos acontecimentos conturbados e serviço ingrato. Emy.O. Sabe. sua!. reagindo abruptamente. Estava extremamente nervosa.confirmou Débora.gritou Débora. seu comportamento digno.. ind ignados e conflitantes. Envolvida por energias diferentes. conforme sua consciênci a mandou. concluiu: Não sou uma inútil. de relance. Era gosto so lembrar sua voz forte e ponderada. Passar a tarde e o começo da noite em uma delegacia! Andar no carro da polícia! V ocê é doida varrida! Onde já se viu?! . até a equipe de plan tão. tão solícito. Lá havia uma confusão a ser resolvida. per mitiu que suas idéias vagassem. Foi uma gentil prestatividade dele. até lembrar-se de Sérgio. pois confiou nele sem saber a razão. quase bronzeada.

. pois tem um físico tão torneado! Mas que droga! Com o vou encontrá-lo agora?! Seria ridículo eu ir lá onde ele trabalha. Nos últimos tempos. repreendeu-se: Ai. não. Forçando recordar-se. pois ele era pers istente. sua imbecil! . prosseguiu: Não.. Deu tudo certo . jantou e dormiu rapidinho! Ah! Meu cunhado ficou muito grato pela sua atitude c om a Cris. sua irmã c la... Lembrar-se dele era prazeroso! Extenuada.. Deixe-me ver.exclamou ela.. Olá. lembrou-se de ligar para a operadora e avisar sobre o furto ocorrido. De imediato sobressaltou-se enervada consigo mesma: Que droga! Como pude ser tão burra?! Não lhe dei um cartão e ele não tem meu telefone! Ai. levantar cedo e sempre se ocupar com coisas úteis. sentou-se na cama e murmurou: Puxa! Eu queria tanto encontrá-lo novamente.. tirou-a daquelas reflexões: Débora! Telefone! Atende aí! Nossa! Nem ouvi tocar! . ai. Não. Ofendia-se por não encontrar uma solução. seus cuidados e sua generosidade. o sol frio daquela manhã de outono invadiu o quarto quando Débor a abriu a janela. Nem precisa se explicar. pois ela sentiu como se não quisesse deixar de f itá-los. Débora. Não sei o que me deu. ele tem mais vocação para psicologia do que para policial.. Ao deitar-se para dormir. Mas a falta da aliança não quer dizer ausência de compromisso com alguém. mas é o mínimo que podemos fazemos questão! . .te que fascinava com certa magia. ainda experimentava uma sensação de frustração ao pensar qu e seria difícil ver Sérgio novamente. Será um prazer darmos um celular novo para você! Não! De jeito nenhum! .. pensava Débora sem dissipar a agradável lem brança.. Irritada. mas fiquei c om vergonha. a jovem fazia questão de trabalhar. desejava sair daquela casa para morar sozinha. Parecerei muito v ulgar. surpreendeu-se em pensamento. É interessante estudarmos no mesmo lugar .. Ah! Da próxima vez que encontrá-lo. talvez só namore. não me criticou e ainda me ajudou.. Ela não sabia explicar aquele sentimento de atração que experimentava. Não queríamos deixá-la só na delegacia. Eu deveria ter-lhe feito mais algumas perguntas. Cansada. Eu ia mesmo trocar aquele aparelho. no tênis. ele não tinha aliança ou anel. Por fim respondeu: Pode deixar! Obrigada! Débora foi surpreendida por Breno. A voz de Yara. um estranho. deve malhar muito em algu ma academia ou mesmo no quartel. Ele é tão bonito! Aliás. abandonando . Breno! Que surpresa! Estávamos preocupados com você. Enquanto minha família. Nada pagará sua atenção.. planejando ir trabalhar com seu carro. Não havia agendado muitos compromissos para aquele dia e poderia chegar mais tarde ao serviço. A h! Ele falou que pagava os estudos e mal podia sustentar as despesas com o carro ! Não deve ser noivo.insistiu Breno com extrema amabilidade. Chamada à razão pelos próprios pensamentos. mas pode ser casado ou então noivo. Débora! E se o Sérgio tiver algum compromisso? Ele disse que mora com os pais.. Por favor... me compreendeu. Uma névoa de contrariedade envolveu-a. mas. mas não dormiria sossegado se não tivesse notícias suas. Ela estava decidida em não aceitar o presente. mas conseguiu. Embora pertencesse a uma família bem estruturada financeiramente. a cho que não o vi de aliança. Real-mente.Logo perguntou: E a Cris? Dormindo feito um anjo! A Elza ligou agora dizendo que a Cris tomou um banho. Não se preocupe. Ora! Eu sei. rapidamente concili ou o sono enquanto pensava nele. vi que suas mãos eram bem fortes! Reparei na roupa bem alinhada. Procurá-lo na universidade?! Seria trabalhoso e qual desculpa eu daria? Ai. Entretanto foi difícil convencer B reno sobre sua opinião e encerrar o telefonema de forma educada. ai. Ele é tão esforçado! Que diferença. tio de Cris. O Sérgio.avisou a jovem com simpatia no tom de voz. exausta.. Desculpe-me por ligar a essa hora. Débora! Idiota! E agora?! . * * * No dia seguinte. Quando segurava o vol ante..

Chegando à sala de estar.. avisando: Débora. Puxa! Eu estava feito louca procurando essa pasta. um tanto constrangido. procurou a pasta em suas bolsas. Esborrifando uma colônia no a r ficou sob o orvalho da suave fragrância que caía. envergonhada. Sabia a razão daquela dificuldade de expressão. notou certo constrangimento em Sérgio. A moça ficou petrificada diante do rapaz. atrás do comput ador. Como eu poderia encontrá-lo? Ao vê-la embaraçada com as palavras. pois tudo de que precisava estava naquela pasta. foi interrompida por suaves batidas à porta de seu quarto.fal ou com dengo. Nem pedi para se se ntar... Avisando: Estou indo! A empregada riu e obedeceu. Olá. Algo apertava seu coração ao pensar nisso...propôs apontando para o outro recinto. Tinha certeza de ter ido direto para o seu quarto ao chegar à noite anterior.. eu vi que a esqueceu no banco de trás. saiu do quarto. aceite só um cafezinho! Já está pronto. Sente se. tem um rapaz lá no portão te procurando. riu e falou: Bem.. Di sse que se chama Sérgio e está com uma pasta tua. Ah. mas gaguejou: É. Mas. É assim.. A Iolanda nos servirá aqui mesmo... segurando a mulher pelos ombros. por favor.. . da elegante e moderna decoração.expressou-se com verdadeira alegria. não! O meu trabalho da faculdade! Incrédula.eufórica e emocionada por vê-lo. Então. Ele sorriu satisfeito e.. antes de fazer o desjejum. Olhou-se de perfil no espelho e. A senhora quer que eu sirva um café? Não! Quero dizer. E como é importante! Ah! Perdoe-me por mais esse trabalho. Procurando a agenda com o telefo ne de suas amigas do curso de graduação. Iolanda! . Be m. não entendia a origem do medo para tomar essa atitude . Seus olhos novamente se fixaram por l ongos segundos e o silêncio imperou até a empregada interrompê-los: Com licença? ..pediu educada.. Apesar de acreditar ser madur a para tal responsabilidade. Depois de tudo o que fez por mim... estendeu-lhe a p asta e contou: Ao fechar o carro ontem à noite.praticamente gritou. ficou assombrada e inquieta ao descobrir que sua pasta. Ao a bri-la. avisou: Oh. Faça-o entrar! Eu. Repentinamente. em seu carro. Débora respirou fundo. eu aceito! .pediu generosa. E. Imaginei que tivesse f icado com você. O rapaz não esperava por aquele convite.. Sentiu-se em apuros. mas não a encontrou. arrumou suas coisas pegando o material d e que precisaria para levar à noite à universidade. pois acreditei tratar-se de um material important e.. não pode recus ar. por isso vim cedo.atrapalhou-se. Lembrou-se de só poder tê-la esq uecido no carro de Sérgio. Ai.. mas já me alimentei em casa e. Bom dia! Tudo bem?! Bom dia. ela tomou um banho.. respondeu impensadamente. Vai atender esse moço? Pelo amor de Deus. Meu Deus! A agenda! Os contratos assinados pelos locadores! Os documentos que . sobre a escrivaninha.. não estava ali. finalmente.. tentou corrigir-se. . Sérgio! . Não imagina como me aj udou novamente. Vamos ali para a mesa já posta? . havia reparado uma gr ande mesa bem posta para o desjejum. educado. talvez pelo requ inte do interior da casa. Não tinha c omo avisá-la. sob os livros e outras pastas. pois também se sentiu inebriado durante aqu eles segundos em que se olharam. Desculpe-me decepcioná-la. Sérgio. A moça voltou à frente do espelho procurando algum de talhe em sua imagem que poderia comprometer sua elegância. Eu estou acabando de me arrumar! Vai lá correndo. motivo de tanto transtorno e trabalho no dia anteri or.. por favor! . apontando para o sofá.. Ajeitou novamente os ca belos. por isso.a proteção e qualquer dependência material de seus pais. vestiu-se impecavelmente co mo sempre e. repentinamente. vai! . ele ofereceu largo sorriso.. fazendo-a virar e dando-lhe um em purrãozinho.. respondeu ao se sentar: Se for um cafezinho. A certa distância. Débora. Refletindo sobre várias coisas. Seu ro sto corou imediatamente e.Ele sorriu vendo-a incapaz de organizar as idéias.. dando-lhe um toque natural e retocou o batom. Quero dizer. Débora! Estou bem e você? Melhor agora! . me desculpe. deparou-se com a empregada. Ele se anunciou pelo interfone. Faço que stão que tome café comigo..

Vendo-a com a respiração represada e sem resposta. o rapaz falou em tom grave e emocionado. Pode até tomar seu café da manhã sossegada.avisou. pedindo animadamente: Vamos?! Estou pronta! Sim! Vamos . preciso ir . pois não queria se iludir. mesmo com amigos da universidade.Encarando-a.falou. Sua companhia é bem agradável. Agora que já tem sua pasta e roubei um pouco de se u tempo. hoje estou de folga . Quer uma carona? Com entonação suave na voz e nítida expressão de felicidade. nós no s encontremos lá na universidade! É. Débora respondeu: Lógico! Se não for incomodá-lo. Sérgio acomodou-se novamente e sorria em seu íntimo. Na verdade. e ele telefonou. parecendo saber de seus sent imentos e pensamentos com uma habilidade a qual dificilmente ela poderia explica . O silêncio pairou inebriante até Sérgio terminar de beber o café e anunciar: Foi ótimo saber que você está bem.. Depois.. com um leve t remor na voz baixa. Sérgio não conteve a satisfação de tê-la ao lado e. Apesar de manter as aparências. er a tudo ou nada. Te rriso cativante que impressiona e atrai. Poucos minutos passaram e a moça retornou à sala. invadindo-lhe a alma através do olhar. quem não ficaria. Não tenho hora para chegar ao serviço. por isso argumentou: Seu namorado não deveria deixá-la pegar carona. à noite.respondeu ao levantar-se e admirá-la discretamente. entendeu que ela fazia questão de servi-lo.. Quem sabe. E e nquanto apreciavam a bebida fumegante..comentou. mas não devo ser o motivo de seu atraso para ir trabalhar. Débora comentou parecendo envergonhada: Não tenho namorado. Porém tenho de ir até a companhia onde trabalho para resolver um assunto administrativo. mas entendo. sem demora. Certa decepção abraçou o coração de Sérgio naquele segundo. pois. não é? Sabi que telefonaria para ter notícias dela. É uma pena. Ninguém a fazia perder as palavras daq uela forma.O. Só preciso entrar m contato com algumas colegas para saber como ficou o trabalho a ser entregue on tem.. Aliás.. o simpático rapaz perguntou: Avisou a operadora de seu celular sobre o furto? Ah. Precisa cumprir o horário. . mas não liguei. ele perguntou : Posso dizer uma coisa? .. Fitando-a firme. O tio e a mãe estavam preocupados comigo. . o que a deixou muda. Olhou-a de uma forma diferente ao contemplá-la e ofereceu lar go sorriso ao experimentar uma felicidade sem igual. . Minha agenda está tranqüila. com um brilho no olhar ao dizer: Quem sabe. Débora! Além disso. é tão meiga. Ele não disse nada. Débora ainda trazia uma inquietude pelo fato de e le tê-la deixado constrangida com a argumentação. Sérgio arriscou. Sabia dominar seus sentimentos em toda situação..Sorriu animada. estampando lindo sorriso.. Tenho o dia t odo para isso. sentindo-se extremamente fel iz por ela tê-lo tratado tão bem e aceitar seu convite. Emocionei-me sim. Claro que não! Pegue suas coisas e. ao entrarem no carro. Não! Hoje estou sem fome. sim. ao sutil sinal da moça. Não vou demorar . ele observou seu belo rosto alvo enrubescer e. ligou o carro e seg uiu conversando sobre outros assuntos. sem perder a oportun idade de vê-la em silêncio: Você está muito bonita. levantando-se. Sente-se..A empregada entendeu o olhar de Débora.. . indo para seu quart o.brincou troque de pasta! Ela sorriu gostoso ao responder: Sem dúvida! Só um minuto! Você me espera? Não tenho pressa.Sérgio pensou rápido... mas disfarçou bem e falou em guida: Percebi você muito comovida com aquela menininha. O quanto antes à mulher providenciou deli cadas xícaras de porcelana sobre linda bandeja de prata deixada na mesa central da sala. dissimulou qualquer interesse e perguntou : Vejo que está arrumada para ir trabalhar e eu estou indo para o centro da cidade . Desejava saber. Liguei logo após ter f alado com o tio da Cris. Ontem mesmo. Entretanto jamais exper imentou aquela sensação em que Sérgio invadiu-lhe o íntimo.. mas preciso enviar uma cópia do B.

. A jovem demonstrou-se feliz. Débora pareceu resplandec er ao reconhecer os nobres traços do rosto de Sérgio.. por eu ter telefonado mais cedo do que o combinado.. Até mais então. também forneceu o número do telefone de sua residência e endereço. Chegando ao destino. Débora sorriu novamente. por sua vez. chamando-a: Débora!. Por quê? Ah!. o rapaz a beijou no rosto. . o rapaz abriu a porta para ela entrar.falou de modo alegre. . Débora. segurou-a levemente pelo braço. Ah!. Num gesto mimoso e em meio ao riso. Sérgio pegou a delicada mão de Débora. continuaram conversando até ela comentar: Depois de telefonar par a você. como se tivesse feito uma molecagem. ela continuou encostada em seu braço por algum tempo enquanto andavam. quando Sérgio se curvou e. recostou-se nele como se o conhe cesse há tempo. Encorajou-se e .. rapidamente. sorriu incrédulo e seguiu.r com palavras. para não se separarem. estampando um semblante bem feliz. certo? .tornou ele. O que é isso? Eu estava sem fazer nada. ele retribuiu de imediato.brincou. dê-me essa pasta antes que você a jogue ao chão! . Não demorou muito e chegaram até o carro estacionado. Ele pare cia imerso em um sonho e. Ele.. ele a soltou como se fizesse suave afago no braço e perguntou: Talvez possamos ir junto s à universidade hoje. Por quê? Não sei a que horas vou deixar o serviço hoje e. Ia descendo do veículo. Desculpe-me você. . O que ia dizendo sobre eu vir mais cedo? . a jovem olhou para trás e acenou..Dessa forma.. A jovem riu gostoso e. Você não precisaria chegar tão cedo à universidade.Ao ver seu rosto reluzente e sorrindo virar com expectativa. Ainda é cedo! As pessoas que passavam por entre eles atrapalhavam o diálogo. Será difícil apa tantos papéis em meio a esse movimento de pessoas e o vento.Dificuldades em família No final da tarde. Vou aguardar. Sobressaltando-se. dizendo: Com licença . Sérgio suspirou fundo e vagarosamente enquanto a observava caminhando. enlaçou-a em seu braço. ela questionou: Por volta das cinco horas você estará em sua casa? Sim. contornou o veículo e.. beijou-lhe o rosto segurando-lhe a nuca com delicado ca rinho.replicou a bela jovem correspondendo à brincadeira. eu me arrependi. . olhando-a com admiração e reparando em seu jeito me igo. com toda a liberdade. Eu deveria esperar e ligar mais t arde.despediu-se com expressiva satisfação ao descer do carro. 3 .. Continuaremos a fazer nada juntos . co ntinuou no mesmo tom: É que crianças deixam as coisas caírem à toa! Você sabe. Desculp e-me. Sem perceber sujou-lhe a blusa com seu ba tom. Teremos de andar um quarteirão...ele ri ao dizer aquilo propositadamente para provocá-la. Sorrindo em seguida. Gent il. E nquanto andavam. quando menos esperava. Posso te ligar avisando? Lógico que sim! . o rapaz passou as mãos pelo rosto. Débora ofereceu-lhe um cartão com seus telefones. Mas que ousadia! . quase um afago. falou bem descontraído: Não encontrei lugar para estacionar aqui. acomodando-se no . Ao se depararem. Aproveitando-se desse fato.Pegando a pasta. Sorrindo de modo alegre e cristal ino. A que horas eu poderia vir pegá-la aqui? Titubeando por segundos. Agradeceu a carona e pensou ligeira.. lembrandoo sobre o fato de o número do celular estar desativado. Ah. sem que ele esperasse... Ao vê-la entrar na empresa onde tra balhava.afirmou animado. e avisou: reciso segurar firme as crianças para não se perderem. que a procurava em meio ao mov imentado centro financeiro da cidade de São Paulo onde haviam marcado de se encont rarem.

E quanto a dizer que respondi por força de hábito.oferecendo belo sorriso. a fim de cuidar da casa e de nós.falou animado.. Deixe-me ver. Sei que isso não parece humano. Ao lado da prazerosa companhia... Moro com meus pa is..suspirou fundo e sorriu sem jeito. O que é reformado? . Minha mãe era enfermeira. Bem. assim como eu hoje cedo. você o fez em forma de relatório ao falar de uma vez. a maneir a de eu reagir em determinadas situações e o modo como me relaciono com as pessoas. hein!. muitas vezes. Meu pai é PM apos entado. sem compromisso. Posso ser sincero? . Você foi gentil.. Imagine!. Logo depois..questionou de imediato.. Talvez seja por força do hábito. Frente à moça. Terei de pedir uma substitutiva. referi-me à forma mecânica e rápida como faria em meu serviço. Entrei na polícia por falta de alternativas.. ou seja... em tom brando e generoso: Neste momento estou em companhia d e uma linda moça e.Pe nsou por segundos e foi verdadeiro ao revelar: Bem. Falarei com o professor hoje.. Aproximou-se mais. ou seja. insatisfeito com meu salário.. O que acha de irmos à lanchonete perto da universidade? Ótimo! Tudo bem! . Por isso dei um jeitinho e falei tudo o que mais queria saber e de uma só vez..concordou ela satisfeita. falou baixo. . Perdoe-me . Ah! Faço o curso Psicologia e tenho muitos planos e metas para atingir. Conversando bastante nem perceberam o caminho. E a prova que perdeu? . Então. . Você me deixou sem graça novamente. . Encabulada. Apesar de responder tudo educadamente . perguntou antes de saírem: Conseguiu falar com suas colegas sobre o trabalho em grupo? Ah. frio e objetivo. colocaram o meu nome e entregaram. participo bastante e elas sabem disso.. não sou do tipo que se acomoda nos trabalho s em grupo. Sabe.. ele correspondeu ao sorriso e continuou: Você estava super curiosa para saber algumas informações pessoai s a meu respeito. Bem. aguardou. fizeram tudo.riu com gosto. é? .. eu entendi que você quer conhecer meu perfil psicológico. é prec iso ser prático... Ela não disse nada e ele prosseguiu: .. .sorriu ele... Lógico que não. Puxa. A pergunta foi sua. ainda trabalham. mas com quatro filhos precisou deixar o emprego. sim! Minhas amigas são ótimas! Bem.tornou ele. Esse tipo de interesse acontece com mais intensidade. Ela é especial! E alguém que eu gostaria de conhecer um pouco mais! .Tão habituado ao meio. Então. Meus dois irmãos são PMs também e estão na ativa. No loc al havia vários estudantes. Então por que entrou para a polícia. principalmente por saber q ual é o meu trabalho. Reformado substitui aposentado. Os dois falaram sobre várias coisas. Qu ser gentil. tenho dois irmãos mais velhos e.Encarando-a de modo a invadir-lhe a alma.banco do motorista.. Débora .. funcionário público.. sou solteiro. Sérgio? O meu pai é policial militar reformado e.. Débora sentiu o rosto aquecer imediatamente. sorriu com doçura ao afi rmar: Você sabe como me deixar envergonhada e me fazer perder a fala. o casal ocupava u ma mesa e tomava um refrigerante em uma lanchonete próxima da universidade... enquanto continuava com o mesmo olhar: O que quer saber de verdade? Como assim?. No militarismo. tenho certeza de que não me enquadro nessa função.quis saber em tom alegre e descontraído. Entende? Por ess a razão. Sabe. Não tive a intenção de constrangê-la. Acabei de completar vinte e oito anos. Isso é normal! .. Desculpe-me..Acredito que nunca conheceu nem teve um amigo policial militar... Sérgio colocou os cotovelos e as mãos levemente entrelaçadas sobre a mes a.. Sérgio procurou sair dali o quanto antes. esqueço-m e e uso termos militares. quando Débora disse b em extrovertida: Gostaria de saber um pouco mais sobre você! Não é para o jornal da universidade. . perguntando com fala ponderada e séria. O que quis dizer com a expressão: força do hábito? Débora...Ao vê-la acenar positivamente com a cabeça.

Que bacana! Você é um lutador! Seria fácil se acomodar e culpar a vida por não conseg uir alguma coisa. dizemos que essas são conscientes. Veja a ironia do destino!.. Ele se interessou. Não pense que sou orgulhoso. nós dois nos damos muito bem. são justament e as pessoas equilibradas. Contudo não suporto e revido as agressões verbais.. dentro da área clínica.Como pode garantir isso? .perguntou mais séria. Ai! Você vai zombar de mim! Por quê? . concluiu: Você sabia que de cada cem pessoas alcoólatras que assumem a dependência . Al iás. curioso: Eu perg untei algo errado? Não! De forma alguma tornou ela.Mais sério..argumentou ele.disse com graça. mais ou menos.riu ao a visar . Muito ao contrário! Aquele s que admitem soluções para seus problemas ou dificuldades. A Emy e o Élcio são os mais velhos. Acho a vida deles bem limi tada.. eu sempre pensei em procurar um psicólogo para entender melhor o que vivo . Você já viu um alcoólatra irrecuperável admitir que seja alcoólatra? Um viciado irreve sível dizer que é dependente químico? Garanto que isso é pouco provável. Isso é desequilíbrio.. mas os préstimos dos psicólogos e a busca de te rapias jamais são procurados por pessoas desequilibradas. Aq uelas em torno de quarenta. a de sargento.. sinto muito em decepcioná-la. menos de quarenta conseguem êxito depois de um ano? E dos sessenta que desistiram.observou com simplicidade. Concorda? Lógico! Sem dúvida! Sabe. Estou falando com você como se estivéssemos em uma terapia . tenho mesmo. tento e te nto me segurar. . procuraram auxílio e se p ropuseram ao tratamento. Parece que não quer depender de ninguém. serei e terei nada d aqui a alguns anos. falou: É que. por isso eu os concluí em escola pública..calou-se e suspirou fundo.Mas você disse que tem dois irmãos ou eu ouvi errado? . Há tanta diferença entre nós! Eu sinto a mesma coisa com relação à minha família! . não me acho nada parecido com a minha família.. atenta. Perdoe-me . adolescente ainda. . disfarçando um forte sentimento sem que a moça percebe sse..Observando-a oferecer meio sorriso ao girar o copo de refrigerante entre as mãos.. Se eu fizer nada por mim hoje. buscando entendimento. Essas pessoas são oentes e estão presas em seus vícios de tal forma que não conseguem enxergar e admitir a realidade a ponto de procurar ajuda.. estou brincando. menos de vinte retornam para buscar ajuda? E bem poucos desses vinte persistem?. E. Consideram-se auto-suficientes e não admitem o vício do entio. Mas minha irmã morreu há um ano e meio. Em seguida contou: As despesas eram muitas e meu pai não poderia pagar meus e studos nem de meus irmãos.questionou no mesmo tom. depois eu e a Yara é a caçula. Sérgio sorriu e explicou: Débora. Eu penso assim: tenho de começar a fazer algo e me transformar agora para estar melhor daqui a alguns anos. casado e tem dois filhos.. h armonia e um melhor jeito de lidar com o que experimentam ou sofrem. pois acreditam poder parar a qualquer momento com o que as escravizam sem a ajuda de profissionais ou grupo de apoio. Tudo bem . Eu não quero ser como o meu pai e meus irmãos. Depo is o Tiago. continuou: Depoi s meus pais tiveram a Lúcia e eu.. solteiro e quem eu tenho de aturar para dividir um quarto . depois me sinto tão mal por fazer isso. Sérgio. A Yara é neutra em tudo. .disse ligeira. Muitas vezes se fazem de vítimas e acusam os outros de não compreendê-las. sinto e os conflitos inevitáveis com meus irmãos com os quais eu tento. Nossa! Eu não sabia disso! Entre todas as cem pessoas que admitiram a dependência.Ao vê-la refletin do. entrei na polícia e fiz cursos até chegar a uma graduação satisfatória. Porém a Emy e o Élcio fazem da min ha vida um inferno por eu não pensar ou agir como eles! E meus pais nunca se manif estam em minha defesa! O que os leva a essa incompatibilidade? . não é Sérgio? .lembrou-se. dependente do serviço público e.falou sentida. Também sou a te ira filha entre quatro irmãos.. que prosseguiram na terapia e seguira . E entre o riso. Eu não podia imaginar. Acreditei que procurar um psicólogo demonstraria assumir ce rto desequilíbrio da minha parte. Sim. Tenho uma maneira diferente de planejar a vida. buscam ajuda e fazem tratamento. O Marcílio é meu irmão mais velho. Economizei o que pud e até entrar para a universidade.

Sabendo um pouquinho sobre vo cê.. ele estendeu os braços e afagou as delicadas mãos da jovem. Como disse no início. mas um tormento angustioso tomou conta de seu coração por não desejar vê-la sofre r. escondendo o rosto entre os cabelos e chorou em silêncio. O Élcio e a Emy se formaram em dir e.. vendo-a atenta e pensativa. minha família me censura em tudo! Com exceção d a Yara. ela abaixou a cabeça.Riu e continuou: Como disse. Nem tinha dezoito anos aind a! Parei antes de terminar o primeiro semestre. se você trabalhasse na empresa de seu pai. Obrigada pela explicação e exemplo. Decidi e me adeqüei ao jornalismo. Estamos conversando . Querem justamente se livrar do que as incomoda a fim de viverem em harmoni a consigo mesmas. não estaria recebendo mesada pelo fato de prestar um serviço. o rapaz desfechou em tom brando: Uma coisa é terapia. Minha mãe finge se interessar pela profissão só para fugir dos assuntos da família. dúvidas.Sérgio pendeu c om a cabeça positivamente e ela prosseguiu: Você acredita que minha mãe veio conversar comigo e me perguntou se eu não estava com inveja da Emy e do Élcio?! Por que ela perguntou isso? Certamente por eu não agüentar mais as chacotas e o desrespeito deles para comigo e revidar à altura quando começam a me ridicularizar. fiscal e civil para muitas companhi as e empresas de considerável porte. trabalham com meus pais para terem onde se ancorar. procurando não depender do meu pai para tudo. ele não podia ent ender. por sobre a mesa que os separava. Fomos criados pelas babás e est udamos nas melhores escolas. às vezes acho que não pertenço à minha família. Meus pais são advogados... apesar de toda luta a interior e sacrifício. Envergonhada.. Sérgio se . angústias. Por eu traba lhar. . certo? Errado! Conheço bem aquela empresa. O meu pai nunca me amparou ou me protegeu. deter ao olhar para o alto sem encarar Sérgio.. Por insistênc ia do meu pai eu comecei a fazer Direito e detestei. misto a um olhar de melancolia. Mas. outra é amizade ou coleguismo. mas logo falou: Sei muito sobre as atribuições de meus irmãos.. sem auto-agressão ou auto flag elação. . desespe radamente. são as acomodadas. um crescimento espiritual digno. Tenho até medo de conhecer mais.Breve pausa e exclamou: Nossa! Como me criticaram! A propósito. sem agressões de qualquer tipo. engrandecendo o s préstimos da empresa. contou: Meu pai não se con forma em me ver trabalhando como corretora de imóveis! Entretanto tenho o maior or gulho do que faço. As que retornam são as determinadas a alcançar o fim de seus objetivos.Sem esperar por uma resposta. e desabafou: Meus pais nunca me valorizaram. Contudo todas aquelas que pr ocuram uma ajuda profissional são pessoas conscientes e que não desejam continuar ex perimentando determinados problemas.Breve silêncio e contou: Bem. baixa auto-es tima. De início. pois é um enorme prazer não viver da mesada dele igual aos meus irmão s. ele realiza serviços de despachante a lfandegário para liberação de importações e exportações. dificuldades. Ali te m muita coisa errada e. posso falar de mim.. os dois me ridicularizam e meu s pais se calam parecendo coniventes. Além disso. Não posso concordar.Ficou co m olhar perdido. são as consc ientes. colocando-as entre as suas.m cada um dos doze passos. As que desistem definitivamente voltam a crer na possib ilidade de serem auto-suficientes. Meus irmãos não fazem absolutamente nad a! Só assinam alguns papéis para somarem número de advogados atuantes.. compreendendo e se integrando com os quais precisam e desejam conviver sem atritos.. O meu pai tem uma grande empresa que presta assessoria jurídica ampla: contábil.. Elas se libertam para uma evolução pessoal saudável. Como você sabe disso?! . Fiquei tão magoada com a minha mãe. dando-lhes apoio! Entende? . . Na verdade não sei descrevê-la.Oferecendo uma pausa.Um pouco de silêncio.intrometeu-se com leve riso. se mal a conhecia?! Inquieto e impulsivo. . Os belos olhos castanhos de Débora se empossaram nas lágrimas que tentou. em minha opinião.. Como explicar tal sentimento. . Comecei a fazer Administração de Emp resas e não me adaptei.. Nunca pensei por es se ponto de vista. Débora encarou-o com largo e belo sorriso ao admitir: Eu desconhecia tudo isso.. Inclusive por você trabalhar . persistentes e equilibradas. . A Yara não sabe o que quer da vida e só faz cursinho. Sempre tivemos uma vida privilegiada. eu gostaria de conhecê-la.. mas as realizações dos serviços passam longe deles. . Neste momento não estou s endo terapeuta.

Pare de s e punir....Retribuiu o rapaz. Venho descobrindo algumas coisas daquela empresa que.perguntou. Já pensou que você pode estar bem errada com esse tipo de condenação e julgamento? .explic ou ligeira.Sem demora Débora apresentou: Rita. Caso isso me incomodasse.. Quer entrar? Está. pois ele falou a verdade. .exclamou após beijá-lo novam ente e se afastar.. não me desligo do que me disseram e crio tormentos inúteis em vez de soluções. estendeu-lhe algumas folhas e explico u: Dé. afagando-lhe rapidamente o ombro. vive tensa. Minutos pass aram e ela procurou se recompor desculpando-se ao se afastar um pouco: Acabo de conhecê-lo e. Creio que ninguém goste de ver os outros chorando por ninharias e ainda ouvir prob lemas.exclamou alegre. Nos últimos tempos tem sido difícil eu to lerar tudo o que acontece lá em casa e.ela o interrompeu e foi bem direta . ped iu: Desculpe-me.. não. relaxam. mas disfarça bem. Débora.. Débora virou-se. Por que me pergunta isso?! Essas atividades.. Você não é obrigado a ouvir minhas lamúrias. certo? Ela deteve as lágrimas e as palavras.. Ele não disse nada e ela chorou um pouco escondend o o rosto discretamente com uma das mãos enquanto a outra o envolvia... dando-lhe um beijo no rosto. não viaja nem conv a com algumas amigas sobre futilidades?.. Sérgio perguntou: Tem certeza de que não quer comer nada. com pensamentos inúteis nas críticas feitas por eles. Que nada! Você já fez tanto pela gente! Mas. Ei. Detesto chorar . este é o Sérgio.expressou-se num murmurinho vivo e alegre ao sorrir. desde que praticadas de forma saudável. esta é a Rita.agradeceu Rita dando-lhe um rápido beijo no rosto e avisou: Agor a preciso ir. estendendo-lhe uma pasta ao chamá-la pelo apelido carinhoso. Espere. m a colega de classe e melhor amiga! Prazer! . pegando a pasta. gostaria de não perder sua amizade. observando-a e acariciando-lhe suavemente as costas ao dizer: Não tem motivo para pedir perdão.expressou-se Débora.. Rita! Tudo bem?! Oi! Tudo jóia e você?! . Dé? . Acho que não teve uma boa impressão a meu respeito e. fazem bem para a ment e. Acabo m e aborrecendo. secando o rosto com as mãos... Aguardou o longo silêncio. Bem! . não é? .levantou... aconchegando-a ao peito enquanto afa gava-lhe suavemente os cabelos. Sentado ao lado de Débora que disfarçava os suaves tremores pela brisa fria e úmida . Estou entendendo o motivo de minha tensão. Sérgio. sorrindo e aguardando.. não! Obrigada! Fiquem à vontade! ... É que. Só preciso de um favorzinho .. Tem toda a razão. O prazer é meu! . levantando-se e propondo: Por favor. Obrigadão! Ta! .correspondeu animada. Após suspir ar fundo. Eu não tenho o direito de invadir sua privacidade ou. e ele questionou parecendo adivinhar sua vi da: Há quanto tempo não sai. de se julgar ou se criticar e tentar prever a opinião dos outros. O casal não esperava... quas e triste.. Arrependido. quando um vulto chamou-lhes a atenção e se voltaram para o la do vendo uma bonita jovem parada. Não sabia o que diz er.. tchau! . encarou -o sem dizer nada e fitou-o longamente com expressão indefinida. Hoje nem vou entrar. não namora e não se diverte? Não passeia.. Sérgio ... eu arranjaria uma desculpa para ir embora.Voltando-se para a amiga. Apesar de você apresentar-se bem disposta e alegre. Acho que fic o tanto tempo presa. Débora dissimulou e sorri u ao cumprimentá-la com um beijo: Oi... Ah! Obrigada! Se não fossem vocês!.murmurou. aqui está uma cópia do trabalho de ontem.. Obrigada.tornou Rita sorridente. Ah. Deixa comigo! . sente -se conosco! Estamos esperando o horário. ao tempo em que fazia gracioso aceno com a mão.. sentou-se ao seu lado e a abraçou. Sérgio. mas tenho de entregar este resumo.. Sérgio! Tchau.Com os olhos avermelhados.. Poderia me f azer esse favor. Eu só quero um segun dinho da Débora! .. Ai! Que droga!. pediu: Perdoe-me. Débora!. mesmo? Não. Prazer em conhecê-lo...... Débora se calou e não erguia o olhar.

O rapaz deu um suspiro e em seu belo semblante fulgurou um ar de insatisfação. filho! Não suporto essas brigas! Nem eu! Cansei! . Débora fez questão de devolver -lhe o suéter. Por que a senhora ainda está acordada? E tão tarde! Não consegui dormir. Tinha idéia do que havia se passado. Satisfeito.. ela perguntou: Quer ver onde é minha sala? Ah! Quero sim! . . deixando-se agasalhar daquela forma e ser conduzida. Sérgio se encontrou com Débora e de ssa vez. A Ana. ele avisou: Preciso saber onde pegá-la e a que horas. Ao vê-la com seus materiais nas mãos e encolhendo-se. vamos! Ele pôde sentir o vento cortante e inesperado. A pior coisa que o pai fez foi comprar esta casa para ajudar o Marcílio e a Ana . Entretanto viu-se na obrigação de perguntar: O que aconteceu? Ah!. O Marcílio nunca assumiu qualquer responsabilidade.riu com meiguice. vai? . Estava animado como há muito não se via. Aceite . sempre f oi temperamental.insistiu enquanto caminhavam. Antes de descer do carro.cumprimentou e a beijou. ela aceitou rapidamente o suéter de lã que ele nova mente ofereceu. Alegre. Ela engravidou para se casar e fugir do domínio possessivo do pa i. Não desejava saber detalhes de qualquer ocorrido. tornou a oferecer sua blusa. A sala de aula é quente . dando um duro danado para suportar a faculdade. Bênção.. perdendo o ânimo de imediato. Se fosse trabalho. O de sempre. quando não conseguiu pagar o aluguel. Deus o abençoe .Sem que a jovem esperasse. Ao término das aulas. Hoje foi o maior inferno nesta casa.Acho que estou precisando de um psicólogo . era observada por sua mãe.Mudando rapidamente o assunto. o moço sobrepôs o braço em seus ombros. não. Diante da educada recusa. A jovem não disse nada. Sem perceber.. tantas pesquisas. e percebendoa tentar aquecer os braços com as mãos. E tão acomodado que. dona Marisa. Quer ser minha cobaia?! . Sérgio surpreendeuse ao vê-la. não iria me candidatar! Agora. Ao entrar. estágios .. apanhando-as em seguida. Agora.tornou ele firme.disse educada. Obrigada. conforme havia combinado. pois achava que ele estava com frio e não queria vê-lo ir sem vestir a blusa. ele perguntou: Quer meu suéter? Ficará grande. * * * Era bem tarde quando Sérgio chegou a sua casa. cl aro! Eu não sei mais o que fazer. mãe . Sérgio! A Ana nunca se controla: bate nas crianças. deu no que deu! O Marcílio sempre gastou mais do que ganha! Nunca pensou no dia seguinte!. Durante o trajeto conversaram muito e s e conheceram um pouco mais. cantarolava baixinho. expressando-se aborrecida por esperar o filho. jogou as chaves do carro para o alto num gesto de brincadeira. A mulher estava sentada à m esa da cozinha. Não vai se dar ao trabalho de me levar para casa. mas não sentirá frio. ao se levantarem. mas Débora recusou parecendo constr angida. envolveu-a e recostou-a em si a fim de aquecê-la. o rapaz a deixou em casa.correspondeu.. quase num murmúrio. Seu pai se meteu na briga e. Não é preciso . sorrindo sozinho. Jogue-o nas costas. Estou farto de ajudar a financiar comprom issos que eu não assumi! Por que acha que não me casei?! Por que acha que estou estu dando. por sua vez.... briga com o seu irmão.perguntou com pe nsamentos repletos de desejos positivos.respondeu de modo mecânico. brincando do mesmo jeito. conv enceu o pai a comprar esta maldita casa para vir morar conosco e se encostar. Não.. Não era costume de sua mãe ficar até àquela hora aguardando-o. Gostei da idéia! Vamos combinar isso direitinho! Vendo-a iluminar novamente pelo belo sorriso. Preciso de voluntárias para a aplicação de alguns testes para meu trabalho de conclusão de curso. por não resistir ao frio.

murmurou.. Sinto algo. Uma jovem alegre. Ao ver o quanto estava sendo difícil só com um filho.. Opa! Espere aí.. Dificilmente se a lterava. Não a quero nem como colega.. É uma pessoa improdutiva com oc upações superficiais e fúteis.Algu ns minutos e falou mais brando: Tentei fazê-la entender. O que a Ana e o Marcílio jamais tiveram! Quando há a menor dúvida sobre um desses itens.. Parece que a enganou. . estudar como precisava.. Porém nesses. Lamento ter demorado em descobrir isso.. parceria e confiança. le aldade. Perdão. chega! . Puxa! A gente vive ao lado de alguém.corrigiu-a de imediato.. Digo isso com conhecimento de causa. fuma ou joga compulsivamente.. pobre de mim! Foi então que ela. mãe. ela começou a falar em ca samento. mas não concretizava nada de material ou espiritual.. Acho que o casamento deles acabou ... d esabafou: Ah... Se ele bebe.. olhando-a bem nos olhos . sorridente e cativante até dominar as pessoas com seus mimos ou fazendo o tipo: sou vítima. mas não adiantou.e situações inúmeras?! Sabe por quê? Por eu pensar no meu futuro! Não serei dependente e a comodado à vida toda! A Ana é bem esperta! Não é ingênua não! Ela engravidou para se casar. Eu nunca disse que ela era má.Breve pausa e protestou: Caramba! Será qu e não sabem planejar a vida?! Pensa que é só pôr filho no mundo e berrar para os outros se apiedarem e ajudar?! . pois ela sempre se achou importante em tudo. Nunca. Sérgio.. sai co m outras mulheres. não dá atenção.dona Marisa teve a voz inte rrompida pela emoção e de seus olhos transbordaram as lágrimas. mãe! . .. Sei lá. Tinha sempre de me dedicar inte iramente a ela. Exa tamente nessa época a Sueli revelou-se! Ela foi capaz de ofensas gratuitas contra mim com o intuito de sentir-se superior. Não fugi de casamento algum! Namoramos sério sim. o melhor é não se unir. Posso até dizer que foi no último ano em que ela mostrou realm ente quem era e a sua índole. Meu erro foi deixar esse namoro durar tanto tempo. Foi a melhor amiga da sua irmã.alterou-se.Andando vagarosamente de um lado para outro. carinhosa e lhe d irá toda a verdade depois de casarem. mascarando-se e manipulando todos a sua volta. veja bem. E o tipo de pessoa que não admite a reali dade. Egoísta só não! E la é egocêntrica! Para a senhora entender. E o enganado nessa história fui eu! A senhora acha que a Sueli demonstrou sua verdadeira personalidade antes?! Foram nos últimos meses e. Não! Para mim. não em função dessa pessoa! . Mãe . pois isso era o mesmo que ficar por baixo. Ao contrário... nunca a iludi com promess as de casamento! Isso é história da cabeça dela! Ela é uma boa moça. Fui analisando e cheguei à conclusão de que a Sueli era fal sa demais e cruel. .. O parceiro ou parce ira raramente mudam depois da união.. mas demorei a notar o quanto ela representava bem.. Ela me julgava como sendo de sua propriedade. Que engano! Se isso não for carma.. Porém cheguei a um ponto insuportável! Então foi definitivo. Não temos um perfil psico lógico compatível.. Se bem que nesse aspecto ela não deixa a desejar . um corrige o outro! Como pode falar de casamento se nunca se casou. A senhora não imagina. eu conse gui ver que a Sueli era uma pessoa dominadora. autoritária. Quase dois anos de compromisso. Somando tudo isso ao carinho e à co mpreensão. Não fazia nem faz nada na vida... inconformado com a situação.. Era uma das poucas vezes que reclamava daquela forma. por que se deixou engravidar d o segundo e agora do terceiro?! .. esse casamento nunca começou! Para um casamento acontecer. não se casar.. eles revelam um lado bem sombrio que antes não foi visto. ele precisa de m uito mais do que duas pessoas sob o mesmo teto! Em uma união é necessário respeito. depois ficar com pena e reatar o namoro. Dois anos foi tempo demais.. ele falou em tom grave... Senti algo errado e me recusei a um compromisso tão sério e definitivo... verdade..lamentou a mulher. Meu erro foi terminar algumas vezes. e ela pensa que o companheiro mudará após se casarem. Quase dois anos! . egoísta e. re-sulta o amor. Que engan o! Se ele acredita que ela será menos irritada.espalmando as mãos sobre a mesa. Sérgio?! Ao contrário! Acabou fug indo do casamento com a Sueli! Uma moça que.Sérgio estava nitidamente insatisfeito.. Eu dev eria lhe dar satisfações de tudo! Pelo amor de Deus! Isso era sufocante! Nunca conse gui trabalhar direito. é burrice! Quando é carma. Sou muito observador.. eu explico em detalhes: a Sueli acredita que tudo existe em função dela.Alguns segundos e prosseguiu com certa mágoa na expressão: Chegou a me chantagear para eu retomar o compromisso. Não foi passatempo. O . mais caprichosa.. .. Terminei o namoro e não deixei qualque r esperança da qual a Sueli pudesse se alimentar.

Sem demora. por não terem responsabilidade. pesquisas. fazendo estágio para a mi nha graduação. retornando frente a ela. não fico me esbaldando em farras. Sérgio murmurou num tom grave: Não fale sobre o que a senhora não sabe. o pior é ainda ter de ajudar. por que se envolve com qualquer uma? Não dá para crer em todo esse esforço que relatou quando mostra tempo de sair e f icar na farra! O que a senhora disse?! . manter-me na faculda de com as melhores notas. jogando e ficando no b ar o quanto pode! E a Ana?! Como ela reage para restituir. nem joguei minhas notas no lixo! Sempre me esforcei e parece que nessa casa ninguém reconhece. ao esclarecer de modo rude: Além de você estar impregnado de perfume. o pai ou a sem vergonha da Ana o incentivaram ou até o forçaram! Ele é um moleque! Só que chega de viver às minhas custas! Você não entende que.. cuidando das crianças e f azendo pelos netos o que os pais deveriam! . . exaurido daquela situação. xinga. co m dó dos meninos. Dona Marisa sorriu. mãe! O que e le faz para melhorar essa situação?! . Quisesse ficar com alguém só por f icar.. mãe! Saiba que eles brigam e batem nos filhos para a senhora e o pai.Alguns segundos de silêncio e ele falou ma is tranqüilo: Só tem uma coisa: eu não fumo. Sérgio exclamou: Ele foge! Bebendo. incrédulo. vou r uma olhada no Tufi .que. continuarem apoiando-os. não! ..intrigou-se. fumando. espiritualmente ela ostentava um delírio de grandeza! A Sueli seria uma nora melhor do que a Ana. que é um perfum e bem caro! Sua blusa está suja de batom. A tal dona Antônia. diga-se de passagem. Mal desmanchou o namoro com a Sueli e já está com out ra e querendo ter muita moral com suas opiniões!. Sabe. Chega. realizar os mais complexos e difíceis estágios. mãe. eu agradeço a Deus pela oportunidade. imensa atenção. ao mesmo tempo pagar o curso dessa graduação... exclamou: Eu não arrumei mu lher nem filho porque planejo a minha vida! E não pretendo arrumar tão cedo! Por ess a razão não deixarei de cuidar do meu futuro. professor e médico de loucos. Apesar do sacrifício. referindo-se ao rato treinado por ele. grita. a Ana e o Marcílio não são os únicos culpados nessa história.quis saber austero.. Parte dessa culpa cabe à senhora e ao pai que os apóiam. Vocês os susten tam na irresponsabilidade! Não pense que a Sueli seria diferente da Ana não! Tenho c erteza de que a Sueli seria bem pior! ... mãe. e o tal doutor Edison. . sua própria mãe! . sem esperar su a mãe responder. bate nas crianças e engravida novamente! Porém. planejamento de vida e bom senso! Pense. da minha estabilidade e segurança para a poiar quem não merece! Ao fim do desabafo. estudar. avisou: Com licença. Ah... Como posso falar sobre algo com você se nunca conversa comigo?! Acho que esse r ato te conhece melhor do que eu! Ah. sim!. aliás. E em nenhum m omento deixei de corresponder à confiança em mim depositada e a ajuda recebida de me us superiores para eu poder estudar. prosperar diante dess a situação?! Ela briga. certamente o ouvem e conhecem a sua vida melhor do que eu. Estou exausto.. questionando com a intenção de irritá-lo: Se não pretende arrumar mulher e filho tão cedo. respeito. vai! Nem cursos dentro da própria PM o Marcílio se esforçou para fazer... Para não deixar a situação acalorada. E. Não sei se reparou. com deboche. financiar os gastos e conciliar dois irresponsáveis como a minha cunhada e meu irmão! Só que isso vai acabar! Ah. alertou em tom grave e pausadamente: Mas eu não desisto! Nessa história toda. mãe.. Não é fácil ter o trabalho que tenho. Blusa que a besta aqui lavará amanhã lá no tan que... pois assim ele teria um salário melhor! Nem a senho ra.argumentou. mãe do seu amigo. que fosse a Sueli. mas passei e passo muitas noites em claro estudando ou então traba lhando na polícia à noite.Com postura mais firme.falou com uma pit da de ironia. até dobrando escala pelo fato de o comandante permitir minh a permuta de horário porque eu estive. sua mãe exclamou. ele suspirou fundo. com a responsabilidade que me é imposta. Foi isso mesmo o que ouviu. Namorariam em casa em vez de matar a ula com qualquer sem vergonha por aí! Como pôde conceber a idéia de eu matar aula?! . pois a conhecemos.. Ao ameaçar ir pa ra o quarto. terapias e tarefas que exigem muito tempo.perguntou um tanto irritado e. Não é fácil fazer tudo isso que faço. sustentando-os. Não sei por que a Ana briga tanto! A Ana e o Marcílio vivem dessa forma por falta de vergonha na cara. de alguma forma. durante todo o dia.Sem trégua. não bebo nem jogo. A vontade de desistir é imensa.

Num gesto rápido. não foi?! Mas ela quer falar com você. O rapaz não conseguiu resistir e falou firme: Desde que terminamos aquele maldito namoro. Se ouve. Ficou feliz ao rever mentalmente a cena de ele ajudá-la a vestir o s uéter tão grande. porém nunca me ouve e... * * * Horas depois. mostra-se bem alegre quando eu chego a casa. A senhora sabe. perguntou: Não vai comer nada?! Não .. Tinha planos para aque . não me dá importância ne valor. Gostaria de ficar na cama. mãe.Eu falo com a senhora. tomou um banho e se deitou. colocando-lhe a xícara. Havia tempo que não tinha compromiss o sério. sentiu um pouco de alívio em seu coração magoado. Acreditava até poder sentir o perfume gostoso de sua loção suave.. ver que sua mãe estava em pé e até pr eparando seu café da manhã. ver seu lindo olhar penetrar sua alma. Sérgio ofereceu meio sorriso e nada disse. . ao despertar.Débora hospitalizada por causa de uma mentira Por dormir pouco.. acord aria sem disposição.. Estou atrasado! Depois de se arrumar rápido. Sérgio.. pediu: Com licença. Mesmo após um banho rápido. Desencorajado de procurar forças interiores.. mas dona Marisa.respondeu sem se voltar e de modo que ela quase não o escutou.. Mas me preocupo! Já ligou para o celular dele? A ligação só cai na caixa postal . Esto u preocupada com seu ir-mão. o filho se levantou..O filho a acompanhou com o olhar até ela se sent ar na outra lateral da mesa e contar: A Sueli telefonou ontem e. O Tiago não voltou para casa. lembrou: Esqueci de te falar ontem.. Decepcionou-se muito com outro rapaz e resolveu dedicar-se ao estudo e ao trabalho.respondeu. Sonhou acordada por longo tempo até decidir se levantar. Débora preguiçosamente remexeu-se na cama. Você nem reparou? Não é a primeira vez que ele dorme fora e não avisa. Muito pensativo. Ligue para ela. Sérgio sentia-se indisposto. filho! Vou fazer de conta que não ouvi isso . A moça demonstrava-se encantada. Brincou um pouco com o ratinho e a pós devolvê-lo à gaiola.o filho questionou sem vontade. Desejou como nunca poder sair daq uela casa. Recordando-se de diversos detalhes. Somente ao se lembrar de Débora. Sérgio experimentou uma amargura indefinida. Ainda deitada.respondeu insatisfeito. ela liga todo dia! Eu já pedi para não me contar. Porém seu sono foi afugentado ao chegar à cozinha. Ao vê-lo virar as costas. Acomodou-se melhor para o desjejum.. mas deveria ir trabalhar. Bênção. Qual deles? . Nós duas conversamos um pouco e a Sueli insistiu par a eu te dar o recado. interrompendo-a e sem começar o desjejum. apaixonada. Nossa! A senhora já levantou?! Deus te abençoe .. mas no qual precisava mostrar-se à a ltura dos padrões preestabelecidos diante das inesperadas necessidades e urgências.disse a mulher. trazia um suave sorriso no rosto ao se lembrar de Sérgio. quem sabe. repentinamente. ele lut ou consigo mesmo a fim de encontrar vontade e ânimo para enfrentar a constante pre ssão exigida por um serviço quase sempre ingrato. tinha os sentidos sonolentos e pensamentos desarranjados . ele retornou à cozinha com uma bolsa onde guardava s eu fardamento e despediu-se de sua mãe o mais rápido que pôde. Tratava-se de uma escala de serviço extra com a duração de vinte e quatro horas. ao menos. demorou a conciliar o sono. O Tufi. ouvi r seu riso contagiante. mãe. Por essa e outras razões. como sempre fez. 4 .. sentiu seu coração acelerar. Depois avisou: Não dormi...

em companhia de sua família. no carro de Sérgio. Virando-se para a mãe. mãe? .. Não enche. Droga! . Não sei.pediu Débora com voz amarrada.animou-se Élcio. já tinha outro compromisso. Mas claro! Somente os mais capacitados trabalham em nossa empresa . talvez você me acompanhe com o seu pai para a Europa. saiu sem dar satisfações. E só porque quer. você sabe! . ligou para sua amiga Rita e conversaram por l ongo tempo falando de várias coisas.. Talvez por serem tão impotentes e incompetentes.Pegando as chaves de seu carro. Não demorou e uma senhora atendeu: Pois não! Boa tarde! O meu nome é Débora. pegou o telefone. mãe! Não vê a divagação de sua filhinha? Seu olhar tão perdido.le dia. alguns políticos safados e líderes protestantes sem-vergonha..protestou Débora. Levantou-se.. ficaremos socados aqui?! Não mesmo.. bate ndo a porta e atirou-se sobre a cama.Vociferou o senhor Aléssio ofendido.perguntou ansiosa. Não vivo à custa do papai! . Com licença! . . Débora? Filha! Não me ouve?! O que. Al egre.explicou Débora com austeridade . Estava imersa em lembranças do dia anterior até se sobre ssaltar com a indagação: Não é mesmo. não abro ou manipulo dinheiro em paraísos fiscais para os grande s empresários. Após desliga r. mas lembrava-se de Sérgio. Parecia enfeiti por uma magia nimbada de imagens de castelos rutilantes onde vive um belo príncipe prodigioso . sou colega do Sérgio. Que inferno de vida! Pouco depois. perguntou: O que você diz a? Estávamos falando do planejamento de férias para o final do ano.reclamou Débora. olhou-se no espelho e arrumou rap idamente a roupa desalinhada.atacou Débora com palavras expressivas. Tornam-se simples vendedoras! Pelo menos eu tenho honestidade! .satirizou Emy em tom poético e sarcástico. olhou por todo o quarto.exclamou irritada. mas o assunto principal foi sobre Sérgio. Era tão bom ficar em sua companhia. Estudamos na mesma universida de. Ora. mãe. Pensava em sair. a jovem não estava mais nervosa. A Yara deseja ficar aqui. não faço cai xa dois com registros contábeis fraudulentos da posição patrimonial de uma organização ou de uma pessoa física.desfechou com ironia ao encarar a irmã. Débora! Não vai querer ficar em um lug ar chinfrim?! Poderíamos ficar aqui mesmo . A moça pegou a bolsa e.. estampando largo sorr iso ao certificar-se de ter esquecido sua pasta. Emy! . a jovem seguiu para seu quarto. As pessoas insignificantes só sabem reclamar e perturbar a fel icidade dos outros. Queria vê-lo. Ele está?! . Descendo do veículo. Por que não passamos juntos só esse ano Podemos alugar um barco e brindar a passagem de ano vendo os fogos de Copacab ana! . Eu não quero ir para o Rio! Não gosto daquele calor. Um pouco mais tarde. Durante o desjejum. Adoro ver neve no Natal! Ah. não hesitou em tocar a campainha e aguardar.perguntou voltando à realidade. porém a colega não podia. novamente. Débora convidou-a para sair. Então. Está tão longe! Nem chegamos ao meio do ano! É o momento ideal para as melhores reservas. Débora estacionou o carro frente à casa do endereço que Sérgio l he deu. Sem dar importância ao chamado de seu pai... repentinamente. não queria ficar em casa.propôs Débora. O Élcio e a Emy qu erem ficar em Angra. entretanto não sabia qual desculpa poderia dar para procurá-lo. quase gritou: Bendita pasta! . só lhes resta f azer colunas pejorativas aos atuantes profissionais de grande sucesso nos jornai s baratos e de quinta categoria. Não fi co procurando meios de fazer com que outras empresas soneguem impostos. Tenho o meu serviço e não sei se posso tirar férias . Quando não. queridinha! . falando entre os dentes cerrados ao mesmo tempo em que fuzilava a irmã com o olhar.revidou E my em tom ofensivo. Débora praticamente não conversou nem dava atenção ao que diziam.tornou Emy. Desejava comprar um celular novo. para se l ivrarem dos impostos neste país! Isso é sujo demais para mim! Somente os deverasment e nojentos e imorais profissionais da sua área são capazes de se satisfazerem com su as empresas tão imundas! Chega! Vamos parar com isso! .

. Foi então que percebeu a mesma cor do batom e sentiu o perfume que havia no suéter do filho. Sim. Sueli. A senhora manteve as aparências. Aqui é a Sueli.. até que a moça precisou desligar. elas tramaram uma circunstância difícil de Sérgio explicar. Bem. a mulher planejou o que dizer ignorando estar sob a interferência dos desejos do espírito Lúcia. É que.. e. O Sérgi está trabalhando hoje.falou decepcionada. Então eu digo que você ligou... Pode ser assim? Claro. Constrangida . passando-lhe intensos pensamentos..Não. Como você se chama? Sueli! Ah.gaguejou Débora após segundos. dona Marisa entrou.. Você é colega dele? . Débora estranhou ouvir a voz de uma mulher e perguntou. Só liguei porqu e ele está com meu material e. . preste muita atenção.atendeu Sueli... Mas por que não liga para o celular dele?! . desencarnada havia um ano e meio.. Se você não se importar.. Ah. Ao ver a jovem partir. cruel.indagou à senhora abrindo o portão e se aproximan do da moça.. Quando o Sérgio está ocupa do. uma moça deve ligar para esse celular. Meu nome é Marisa. Um frio percorreu o corpo de Débora ao lembrar dele olhando em seus olhos..A moça tentou argumentar.. pois o referido celul ar tocou: Alô? . tirou o celular que acabara de comprar e registrou o núme ro fornecido pela mãe de Sérgio... Débora? .. dona Marisa. Com ligeiras orientações. Desculpe-me ..respondeu em tom bondoso. sim..sorriu. Imediatamente um sentimento de aversão brotou no coração da mulher que se deixou dominar pela influência de sua filha Lúcia.. posso recebê-la mais tarde junto com os outros. O espírito Lúcia a envolveu.. Ligue o celular que você deu ao Sérgio e ele te devolveu . mas a senhora a interrompeu: Escuta! Faça o que estou falando e bem rápido! Olha. Satisfeita.. Na verdade eu nem sabia que ele estava de casamento marcado. . A conversa durou algum tempo.. por isso é bom tentar algumas vezes! Eu não tenho o número . Perdoe-me. mostrando-se amável.disse completamente atordoada e incrédula. Tem onde anotar? . Você sabe. Pensando rápido. . Aquilo foi muito sórdido. o aparelho fica desligado.perguntou a outra bem cínica. Eu sou a mãe dele.. afir mando não ter nenhum compromisso.. Qual é o seu nome? . mas sentiu uma antipatia inexplicável pela jovem . Não. Olha.. Não sabia que ele trabalhava aos sábados.. Ele me falou de um grupo de amigos da faculdade que iria ligar para ver nossa futura casa e levar os presentes. filha .... Se estivesse aqui. Em seguida explicou: Estudamos na mesma U niversidade e.. Débora abriu sua bolsa. Débora sorriu com simpatia ao explicar: Ontem o Sérgio me deu uma carona e.tornou a senhora..interrompeu-a novamente. noiva dele... a moça sorriu generosa e agradeceu muito antes de ir embora. educada: Desculpe-me. Obrigada! Tchau! Sueli desligou e jogou-se no sofá. Débora. Ele está trabalhando hoje e foi por isso que o celular ficou comigo. mas esse número é do celular do Sérgio? É sim. Débora. gargalhando satisfeita. Eu esqueci meu material da faculda de no carro dele. é que estou fazendo a prova do vestido de noiva e. Claro! Perdoe-me por tomar seu tempo! Felicidades. Ah. mesmo sabendo o que aconteceria. desculpe-me não poder conversar mais. propositadamente aconselhou: Ele foi trabalhar de carro. .afirmou com voz trêmula.avisou a jovem com simplicidade. Será que posso te ajudar. Sueli. Sou . Você atende dizendo que é noiva do Sérgio e. pegou o telefone e ligou: Sueli?! Bom dia. Débora. eu mesma pegaria o material pa ra você.

. que conversava com o soldado encarregad o da viatura acidentada. O soldado Félix diz que eles só sofreram escori ações leves.respondendo em código habitual. informou o policial do COPOM . Decidiu não parar o veículo e continuou dirigindo-o em uma avenid a cujos veículos estavam em alta velocidade. Depois de se ocupar com tarefas corriqueiras na Companhia. Pelo fato do aparelho ser novo. pois todas as outras estavam em atividade por outros chamados.QRA. Parece que num cruzamento. base! Prossiga! . aquele dia parecia bem penoso para Sérgio. experimentava um sabor de fel em seus sentimentos. código correspondente ao nome próprio. da proprietária do veículo é: Débora Cristina Ribeiro Marins. o policial do COPOM falo u: QAP significa: Estou na escuta. Sérgio questionava detalhes: E o motorista do veículo? Parece que é uma mulher.. corresponde a: Nome. aqui é a base! QAP. pensava angustiada. Por aqui. a fim de apressá- . Sargento Barbosa. Poderia repetir o QRA da proprietária do veículo envolvido? . O Sérgio não precisava ter mentido! Foi por isso que não me deu nenhum número de celul ar! Como não teria um celular?! Por que ele me enganou?! . enganada e tr aída de certa forma. É a viatura do soldado Félix e o soldado Martins. avis ando: COPOM. ficou perplexa. COPOM.Em seguida falou o ende reço. COPOM! Entendido! Estou à disposição e obrigado. Apesar de ele não enfrentar qualquer problema no serviço interno que desempenhava.. Entorpecida pelo sentimento que a invadiu tão inesperadamente. Depois de ordens ligeiras ao soldado que seria seu motorista. mal ouviu um grande estrondo. constatou não ter viaturas disponíveis para atender aquela ocorrência . Ao ouvir o nome e mais detalhes. igua l a: Entendido? QSL! QRV e TKS.tornou Sérgio controlado. em um cruzamento de avenidas importantes. QSL? . comunicou os dados: O QRA .QSL.Débora tinha os olhos nublados de lágrimas por se sentir humilhada. Lembrou-se imed iatamente do momento no qual anotou aquele nome e endereço dias antes para a ocorrên cia da menininha perdida.contou-lhe o soldado. . QSL? . Estavam com a sirene ligada e. Eles foram atender uma ocorrência. o sargento Sérgio Ba rbosa caminhava perto da sala de rádio onde se podia ouvir a comunicação entre as viat uras daquela unidade e o Centro de Operação da Polícia Militar. abalroaram um veículo. Acabou de acontecer.QSL corresponde a: Entendido? QSL! Prossiga! Entendido! Tornou o operador. Quem está no local prestando apoio? ... mas o outro veículo envolvido está torcido e preso entre a viatura e um pos te. Ao mesmo tempo em que escutavam o soldado falando ao rádio da viatura acidentad a com o Centro de Operações da PM. Naquele instante o policial do COPOM. O soldado operador do rádio parecia aflito e o chamou de modo transtornado assi m que o viu: Sargento Barbosa! Corre aqui! O que foi?! . Sérgio certificou -se de que ele mesmo deveria ir para o local prestar apoio. O COPOM está fazendo o levantamento dos dados do proprie tário e. Sérgio sentiu o rosto esfriar. Como aconteceu?! . conhecido como COPOM. Ao verificar. * * * Sem explicações aparentes. Ninguém ainda. Positivo! O QRA da proprietária é: Débora Cristina Ribeiro Marins. Uma das nossas viaturas está envolvida em um acidente! . ela se atrapalhou entre dirigir e desligar o cel ular e.. Foi como Sér io desfechou a comunicação. sentiu-se confuso e quase não acreditando no que ouvia.preocupou-se Sérgio.Sérgio quis saber rápido.QRA. Sem demonstrar-se alterado. Inesperadamente tomou frente ao rádio e exclamou.

ficou atordoado com o que via. Seu coração apertava a cada instante. A jovem encontrava-se muito confusa e inqui eta.lo.orientou-o ao jogar-lhe uma cobertura apropriad a. Sérgio estava praticamente deitado sobre o carro amassado procurando confortá-la.Oferecendo-lhe uma jaqueta de bombeiro do mesmo modo. Fique comigo. Sérgio precisou manter-se firme para não ser impulsivo. mas estava bem. Sargento. o senhor está bem? . Localizando os policiais de sua Companhia de Policiamento envolvidos no a cidente. Apressando-se para perto do veículo. minha querida. não queria acreditar. uma vez que o veículo retorcido não os deixava ver direito. Suspirando fundo. pa recendo vir de um machucado na cabeça. Um oficial do Corpo de Bombeiros conversava com a moça presa nas ferragens do veículo. E sei que a Débora poderá ficar mais tranqüila e confiante se me vir. Está tudo sob controle. Débora . Ele f alou: Calma. Sim estou . Ela obedeceu. Contudo ouviu: Obrigado. o sargento Barbosa aguardou e na primeira oportunidade se apresentou ao oficial. ele pôde ouvir e reconhecer a voz chorosa e amedrontada de Débora. Dê-me permissão para falar com ela. Nesse momento.pediu piedoso. Dê-me sua mão. Eu prometo! Segure minha mão bem firme.. Venha e fique aqui. Por favor. pelo seu estado. Ficou sério. bem perto do c arro. pois dificilmente a lguém sobreviveria dentro daquele amontoado de ferro. Foi quando soube que uma equipe do Corpo de Bombeiros se encaminhava para o lugar.pediu sério e comovido. Seguindo as normas. Sérgio pendeu com a cabeça afirmativamente e procurou se manter o mais tranqüilo possível. Sérgio se fez firme para pergunt ar se havia vítima fatal.. verificou que as escoriações foram leves e superficiais. ele informou ao COPOM que estava indo ao local do acidente. Receoso. viu seu rosto escoriado e sangue escorrendo nele.apontou. Sérgio!. Sérgio fez exatamente como foi pedido. desceu rapidamente e o verificou sendo interditado para a ação dos bomb eiros. o oficial do bombeiro chamou-o: Sargento! Cubra-a com isso. Ele silenciou seu dese spero e calou qualquer emoção que denunciasse seu desejo de ajudá-la como o seu coração pe dia. mas sem o desespero de antes. Posicionado conforme indicado. . Erga-se.. debruce ali e pod erá vê-la e segurar a sua mão.. Apóie seu pé lá . Ao vê-lo se posicionar. Sérgio sentia crescer em seu pei to uma dor com misto de angústia insuportável pela expectativa.perguntou-lhe o motorista.respondeu breve.. Serraremos a lataria do carro e as fagulhas poderão atingi-la! . segundo os policiais qu e se envolveram no acidente. tentando acalmá-la.. Tente aca lmá-la. ta? Verificando que a moça estava bem mais calma com a presença de Sérgio. O barulho da serra cortando a lataria era e . Está muito aflita e. Ficarei. apesar de bem atordoada. não deve tentar se mover ou se agita r. Me tira daqui! . Sérgio e stava com o coração aos saltos ao observar o carro contorcido entre a viatura amassa da e um poste. Foi nesse instante que.. Eu a conheço. o oficial comandante da operação pensou por instantes e decidiu: Tudo bem.. mesmo assim o reconheceu. tenente . mas não souberam afirmar. pois a s condições de Débora poderiam ser graves. Contudo o nome e o endereço não lhe deixa vam dúvidas.tornou ela em lágrimas. Os pensamento s de Sérgio fervilhavam. ele conseguiu vê-la e a cha mou: Débora? . Eles achavam-se ap arentemente bem e conversavam com outros policiais que chegavam ao local. À medida que se aproximava do local do acidente. Você sabe. Nem ouvia o que o soldado lhe falava vez e outra por estar atento às comunicações do rádio da viatura a fim ter mais notícias. o senhor orientou comovido: Converse com ela.implorou chorando. Vamos serrar as ferragens e.. A condutora parecia desfalecida. percebendo-o com expr essão alterada enquanto estavam a caminho. avisou: Cubra-se também ou poderá se queimar . Vamos tirar você daí. Experiente. pois a condut ora do veículo estava presa nas ferragens.. passavam-lhe informações. No local. sem demon strar sua aflição. sargento! Mas será melhor se afastar.. Policial Militar do Corpo de Bombeiros.. dizendo estar al i para todo o apoio necessário. . pois está bem nervosa e.Ao olhá-la melhor.

. De repente.explicou o oficial.. entendeu? Consciente das necessidades.... Mentiu. O tr abalho foi muito delicado e ao chegar o momento de Sérgio precisar se afastar para os bombeiros tirarem-na das ferragens.. Irei vê-la o quanto antes. ele entendeu a expressão de Sérgio e a visou em voz baixa que não tinham como resolver facilmente a situação... sobre a maça. Não podemos usar força ou a machucaremos. Chorando muito. porém não dizia nada. chamando-o afli ta.implorou em lágrimas.. ele podia ouvi-la chorar e implorar seu soc orro. gritando por alguns sustos. Ele há segurou alguns minutos em seus braços enquanto os bombeiros a imobilizavam como precisava. Fiquei atordoada.. Você está com um ferimento hemorrágico na perna. Sérgio falou mais firme e ponderado: Débora. Em algumas oportunidades. ela avisou chorando: Não mexam o carro! A minha perna dói! Dói muito! Tem algo me cortando! E. ele só viu os olhos de Débora repletos de lágrimas fitando-o num último relance antes de ser levada para os devidos socorros. Sérgio afagou-lhe os cabelos e ficou confuso.dizia enquanto tirava o braço enlaçado com f orça de seu pescoço. Sua noiva. Acho que bati o carro. Durante uma pa usa no barulho. Ela espalmou a mão em seu peito. preste atenção! . Não menti pra você ... Débora. Petrificado.. meu bem . ela inibia a ação dos bombeiros.Buscando olhar para o oficial que a ouviu e estudava sobre o próximo procedimento. proc urando orientá-la. Repentinamente. perplexo com o que ouviu. querida! Está tudo bem! Preste atenção. O oficial do bombeiro o chamou à realidade quando o esta peou nas costas e falou: Bom trabalho! Ela ficará bem! . Liguei e sua noiva atendeu. com sério ferimento na perna. Liguei pro seu celular e.. Sérgio! . av isando para consolá-lo: Não é somente sua conhecida. precisamos levá-la para o hospital mais próximo .sussur ou. não o largava. eu estou sem celular. entendendo as circunstâncias difíceis. ela o olhou de um modo estranho e murmurou: Você mentiu pra mim.. . . E. calma! Está tudo bem. Solte-me para que possam socorrê-la . A moça tremia e chorava compulsivamente. ela é sua namorada e eu me surpreen . prosseguiram com o trabalho. acreditando tratar-se de um delírio pe lo acidente.. Ao vê-la ser cuidadosamente removida.... Não te dei nenhum número de celular e não tenho noiva falou mais sério. deixando-se cair. Sérgio se aproximou. Débora a garrou-se a ele como se o enforcasse com um abraço. Débora! Estou aqui! Ficarei com você! Pelo amor de Deus! Me tire daqui. o senhor se aproximou. Foi sua noiva quem atendeu . Nesse momento ela estava imobilizada.sussurrou no mesmo tom.. Dando orientação ao s outros bombeiros. A jovem chorou pela dor e ficou amedrontada. ela entrou em desespero.avisou baixinho e com ternura. porém piedoso. precisamos imobilizá-la e tirá-la do chão. Está mentindo de novo. minha querida..... Filha. Calma. Disse que estava provando o vestido de noiva e.stridente. Como pode ver. . recebendo soro no braço e pro nta para ser levada. Sua mãe me deu o número..Vendo-o desorientado. Eu prometo. Eu dirigia e..gritava amedrontada. o comandante da operação dos bom beiros pediu com brandura ao observar Sérgio afagando-a com bondade e beijando-lhe a cabeça com ternura: Sargento. Compreensivo.. Não consigo respirar direito! Estou sufocando! Daqui a pouco estará livre e será socorrida .. A movimentação no local não o deixava concatenar as idéias. Agarrando Sérgio pela camisa. Mas ela parecia petrificada e segurava fortemente a camisa de Sérgio que.falou mais firme. além de várias escori elo corpo e corte na cabeça. Você precisa de um médico levada a um hospital e isso precisa ser agora! Fica comigo!. delic adamente tentava soltar-lhe as mãos ao reafirmar: Débora. Eu acho. ela está em choqu e. momentos em qu e ela recordou os fatos e contou baixinho: Fui até sua casa. Não sei o que aconteceu..

mas só sai de serviço hoje cedo e decidi saber com o ela está. Além de assustada. Somente na manhã seguinte. agradeceu: Obrigado. senhor Aléssio . pois um ferro atravessou-a. Conversamos para que se acalmasse. Após segundos.. Recebido pelo senhor Aléssio.. para não levar em consideração o que ouviu. Agora leve os PMs da viatura envolvida para serem periciados pelo médico. machucada. Sérgio retornou para a C ompanhia da PM onde trabalhava e procurou obter mais informações sobre onde Débora hav ia sido socorrida. Além disso. Aquela seria uma noite bem longa. Agora vá! . decidiu ir visitá-la imedi atamente.di com sua atitude. após deixar o serviço. * * * Na manhã seguinte. Ouvi pelo rádio e fui para o local. Sou o pai dela. sofreu convulsões e.Estendend o-lhe a mão. certamente. preocupado. Virando-se para Sérgio. Após tomar as providências necessárias para aquela ocorrência. confundiu tudo. Sérgio estava pálido e transtornado. Aparentemente ela estava bem. sofreu diversos cortes pelo corpo e precisou de vários pontos.O homem se deteve pela forte emoção. Estão cuidando dela e precisarão esperar p ara fazer o exame. Virando-se para o oficial. Procurando saber o endereço. Lembre-se de que preci sa fazer a ocorrência. Sofreu um machucado feio na perna. Soube se controlar muito bem. Ao chegar. retribuindo o aperto de mão. Você ajudou muito. pois se julga va culpado pelo que aconteceu. Desmaiou. Eu sou policial militar e estava de serviço ontem quando o acidente aconteceu.cumprimentou. O senhor Aléssio a envolveu e afagou-lhe as costas. poderia procurá-la. quando o se nhor Aléssio perguntou: Desculpe-me. saber de seu es tado e tentar esclarecer o mal entendido.perguntou o pai. Estudamos na mesma. Mas não podia. São colegas da universidade? Sim. Ela não deixou de sentir as pernas. Meu nome é Aléssio. Sérgio? .. Em momentos difíceis como esse é importante a vítima se manter cal ma.respondeu forçando-se a não perder o controle. cumprimentou dizendo: Boa sorte! Como sargento. aviso u: .. Sérgio.. E ela? Como está?! . Muito obrigado por ter me deixado ficar com ela e. informaram que a moça havia sido transferida para outro hospital a pedido da família. Mas. mas um dos médicos encontrou uma forte contusão nas costas e precisará de uma avaliação. Hoje cedo nos deu um susto maior. fiquei bem preocupado. Não demorou muito e Sérgio estava no corredor hospitalar à procura do quarto de Débora. Não poderia simplesmente largar o serviço para vê-la e experimentav a uma angústia que não podia entender. só que em cursos diferentes. não se mover bruscamente pelo desespero enquanto agimos.. sargento. por exp eriência. continuou: O médico acha que no acidente ela sofreu alguma pancada forte na cabeça e precisa ser monit orada e realizar alguns exames para verificarem se seu organismo está se recuperan do sozinho do traumatismo. p erguntou: E a Débora? Minha filha está fazendo um exame de tomografia. t enente. Sim senhor . Fiquei com a Débora enquanto os bombeiros trabal havam para cortar as ferragens. Repentinamente a mãe de Débora chegou ao quarto chorando e abraçando o marido. Prazer. em q ue teria seus pensamentos fustigados por horas a fio. Ele achava-se pensativo e cabisbaixo.. Após ela ser socorrida. Não me deixaram ficar na sala. Prazer. ele correspondeu ao cumprimento e se retirou. Sou amigo da Débora e queria saber como ela está. Em seguida. Como ficou sabendo do acidente.perguntou curioso. ele se apresentou: Meu nome é Sérgio.. Na verdade. Afeiçoou-se muito rápido àquela moça que mal conheci . . além de esclarecer aquela história. Estava preso ao dever. ela está d esorientada e nesse estado de choque. Procurou disfarçar o nervosismo. Sérgio saiu do serviço e foi imediatamente ao hospital onde a ha viam socorrido. não falar coisa com coisa. Já vi pessoas em situações traumática econhecerem ninguém. Sérgio quer ia correr para junto de Débora e acompanhá-la. não me lembro de você. Digo.. A Débora teve momentos de delírios..

Apesar de ver sua mãe a ssustada. provavelmente. expondo-se ao acidente. não foi? Ah. porém resoluto. Sérgio não disse nada. A mãe dela e stá desesperada. Sabia sim. segurou sua bolsa e fe chou o carro entrando em casa à procura de sua mãe.... Como ela se chama mesmo?. A senhora não imagina o que fez! A senhora é uma irresponsável! Olha aqui. Deveria ter avisado a amiga que h avia terminado um compromisso com alguém que não o deixava em paz. Nesse momento. Sérgio não respondeu nem o olhou. Ao encontrá-lo na cozinha.. a senhora sabe que aquele celular não está mais comigo! Sabe que o devolvi par a a desgraçada da Sueli quando terminamos! Por que foi dar aquele número para a Débora ?! Por quê?! .. Está aqui! É esse o material que ela esqueceu! .. Por que a senhora deu aquele número?! Dona Marisa ficou pálida e em silêncio. Em sua mente as idéia s fervilhavam ao deduzir tudo o que aconteceu. traumatismo craniano.reagiu à senhora. Acabei de vir do hosp ital.. Mas o rapaz insistiu: O que aconteceu aqui? Nada! . minha esposa e mãe da Débora. Rispidamente. contou: A senhora deu o número para a Débora e ela ligou enquanto dirigia. dona Ma risa o recebeu com surpresa: Nossa. não contendo o nervoso.gritou. ela perguntou: Onde você esteve?! Por que apareceu aqui só hoje sem nos dar notícias? III?!. Eu não sabia. experimenta ndo uma tristeza nunca sentida.. Sabia que o celular não estava comigo.. Ela disse que era sua colega e se não quisesse conversar com a moça . e sem esperar por qualqu er comentário.. mãe?.. filho! Não te vi chegar! Sem cumprimentá-la e postando na voz um tom sério e preocupante. não desse nosso endereço! .Essa é a Hilma. E a culpa pelo que aconteceu com ela é sua! Como assim?! Não fiz nada! Mãe. Então vu pergunto. Oi! Tudo bem? . A Sueli atendeu e disse que era minha noiva e... Acontece que eu queria falar com ela sim! . uma tristeza pr ofunda e inexplicável. ele perguntou: Ontem uma amiga veio me procurar aqui. Sérgio! Abaixe a voz para falar comigo! A moça contou que esqueceu um material no seu carro e.respondeu. distraiu-se ao dir igir. avisou que iria embora.. Pegou-a comovido e encostou a pasta nos lábios. Sem esperar. Não tinha o que falar por estar nervoso. o irmão de Sérgio adentrou e ficou surpreso no vê-los paralisados... * * * Ao estacionar o carro na garagem... Num grito grave. pois estava de serviço. Ao ver Sérgio muito abatido e jogado sobre a . Sérgio a encarou por longo tempo. Ela sofreu vários ferimentos. Amargurado. Débora levou um choque com a mentira de Sueli e. ele vociferou: Por que a senhora deu o número daquele maldito celular para ela?! Ora. Não tem idéia do q ue precisou enfrentar e como sofreu presa nas ferragens! .. sem olhar par a o rapaz.. Sabe lá Deus o que mais essa infeliz falou! A Débora ficou chocada. mostrando-lhe a pasta..perguntou Tiago. teve convulsões e contusão n a coluna. por que. Agora era tarde..exigiu. Foi sim.respondeu sua mãe. Não imagina como ela ficou. Sérgio continuou: Fiquei com ela enquanto os bombeiros serravam a ferrag em retorcida e. Sentindo-se deslocado.. Sérgio!.. A mulher estava emocionada e ainda escondia o rosto pelo choro. Em seus olhos via-se uma dor. ele foi para casa.falou mais comovido e com a voz embarcada. Cheia de vida!. Não pude acompanhá-la. Sabia?! Eu me senti culpado e não consegui encarar a família. . porém voltaria para ter notícias.. E a culpa é sua + falou num lam ento. . Não viu uma viatura que passava o sinal vermelho e foi atingida em cheio! Eu estive no local!. o rapaz foi pegar sua bolsa no banco de trás e viu a pasta de Débora. Pegou suas coi sas e foi para o quarto. Tiago foi para o quarto. E desorientado. Imagine-se no lugar dessa mãe! Imagine as possíveis seqüelas para essa moça tão jovem e cheia de planos!. A mãe vai começar com a ladainha? .expressou-se.

Tiago insistiu: Ei! E aí. contou sobre o acidente e pediu para encontrá-la o quanto antes. perguntou: E aí. Por quê? .. Tiago. divertindo-se com a idéia... Achei que ela é uma moça. Tiago argumentou mais calmo: Sérgio. Preocupada. É que estou amarrado na garota e vou defendê-la! . a Rita! Vou ligar para explicar tudo e... Só que eu estava de serviço e não na farra. Veja bem. Ou então não teria dado importância ao assunto. Estou me sentindo tão mal com essa situação. é só. inteligente.. meiga e. . so rriu e agradeceu: Obrigado. 5 . É que. Sérgio pegou o telefone e ligou. pois precisava muito falar com e la. Ao saber dos detalhes. Isso mostra que a garota ficou desiludida e gosta muito de vo cê. Tiago ficou sério e aconselhou: Não acho que seria um bom momento para visitá-la no hospital.Esfregando o rosto com as mãos. Amiga?!. Pelo que me contou e da forma como o fez. Mesmo assim ela não deveria falar ao celular enquanto dirigia! Não é bem assim.Vendo-o abatido. Desde quand o e como conheceu Débora até a discussão com sua mãe.gabou-se Tiago. Rita. cara? O q ue foi? A Sueli e a mãe foram longe demais dessa vez. O seu c arro foi atingido na lateral e prensado contra um poste. .. .. O semáforo estava verde para ela.Vendo-o sério. . Veja. nublada e bem cinzenta.Olhando para Tiago. Interessante. cara! Está acostumado com isso! Mas nunca atendi uma ocorrência com uma amiga vitimada daquela forma. Tudo bem! Viva de ilusão. Achei! .interrompeu-o. jogando-se na cama. Sei! .. . Também não é assim... Ela está em choque e não vai recebê-lo bem Estou preocupado.. mas não disse nada e o irmão perguntou: Conhece alguma amiga dela? Lógico! A Rita! . Olha. compondo a fras e a seu jeito. deu pra ver que vocês dois estão começando a se gostar e muito! Ei!. Sentados em uma lanchonete. Sirene ligada não dá o direito à alta velocidade e à falta de cuidados indispensáveis à segurança. Mas o fato de ela ter se abalado com a trama da Sueli a ponto de não prestar atenção no trânsito e bater o carro. uma grande amiga Naquela tarde fria. Aqui está o telefone das colegas e eu conhe ci essa aqui..gritou. o irmão brincou: Chegou hoje também e levou bronca. não é bom vê-la. falou de modo aflito: Meu De us!. Não foi ela quem bateu na viatura.quis saber Sérgio. Sérgio.. eles conversavam: Foi isso. você não está se agüentando e quer desmentir a Sueli.cama. Cara!. Sem demora. Com o coração apertado. demonstrava-se nitidamente preocupado ao contar-lhe sobre o que aconteceu . Quem disse que eu estava? . Sem suportar o sentimento de indignação. abriu-a e começou a folhear o conteúdo à procura de um e ndereço ou telefone.. depois de pegar Rita em sua casa. meu? Por que essa cara? Só estou brincando. Ao falar com Rita..Sérgio pensou um pouco e exclamou: Espere! Quem sabe!.. Sérgio tomou um banho rápido e foi até a casa de Rita. não admitindo que esteja apaixonado.Sérgio o encar u firme.. se ela não es tá bem.. Acomodando-se à sua frente.. Mas logo desanimou: Não tenho com o entrar em contato... Sérgio narrou exatamente tudo.Sérgio sentou-se na cama. boni a..respondeu parecendo iluminar. Não dá pra falar sério com você..Rita. Se algo grave acontecer a ela ou se houver seqüelas pelo acidente. cara! Não sabe o que fez por mim! Ora! Fale a verdade! Eu sou o máximo! .. Diga a verdade. Ele pegou a pasta de Débora. Tiago! Meu! Olha a tua cara! Quando foi que se chateou tanto ao atender uma ocorrência ? Você é policial. Nunca vou me perdoar! .. além de muito preocupado com o estado dela... né?! Cheguei sim. a moça aceitou e avisou que o aguardaria. ficando de cabeça baixa e parec endo bem preocupado. Espere sua recuperação.

Quero vê-la e esclarecer toda a verdade . No local do acidente ela te reconheceu e vocês conversaram. Obrigado. Reparou que não nos deixaram nem chegar perto do quarto? Com certeza foi à mãe quem decidiu afastar os a migos.Olhando-a. minha opinião é que a Débora está melhor do que a mãe nos disse. Não sei se vou conseguir dormir. Estou preocupada também. Se eu tiv esse contado sobre a ex-namorada. Não seja precipitado. Veremos! Meus pressentimentos são de que a Débora está bem. eles fizeram planos de como agir ao visitar Débora. Sinto que é um cara bacana e está sendo sincero. Não será fácil. Rita avisou que entraria primeiro e conversaria com a amiga. Não estou suportando ficar aqui nessa agonia. Ei! Vamos deixar de pensar no que deveria fazer? Vamos agradecer a Deus por e la estar bem. parecendo ter inúmeros pensamentos inquietantes. completamente diferente de quando a vi hoje ced o.riu. Sabe. Poderemos explicar tudo. E melhor ir para casa e descansar um pouco. Além disso. Devo admitir que gostei dela sim. A dona Hilma estava muito tranqüila. Rita? Se eu não acreditasse. Acho que poderia ter evitado tudo isso... mas sinto que vai dar tudo certo.. Percebendo a decepção de Sérgio enquanto dirigia sério e sem falar nad a. Ao mesmo tempo.. Rita tentou animá-lo: Ficamos mais aliviados por saber que ela está bem... né? . Achei tão bonitinho ver vocês dois abraçados lá na lanchonete perto da universidade! Sérgio ofereceu meio sorriso e comentou: Sabe.Observando Sérgio cabisbaixo. mas estou exausto. mas vou te ajudar. a mãe de Débora explicou que a filha estav a sob o efeito de sedativos e dormia. Você entende? Entendo sim.agradeceu. Ta gostando dela. Aquela mulher é extremamente arrogante.estranhou a amiga.Rita sorriu de um modo enigmático ao afirmar: Não sei por que. não sei o que dizer. Ela não estaria sorrindo e nos avisando com tanta amabili dade se a filha ainda estivesse num estado tão delicado.respondeu. De volta ao carro. Sérgio a olhou firme e confessou com certa ternura mista de tristeza: É. * * * Para a surpresa de Sérgio e Rita..falou impl orando. Mas você não a enganou.. Eu conheço a Débora e sei qu la odeia traição. Estava monitorada e inspirava cuidados. Conversávamos. mas muito delicado.. Sérgio. Precisava descansar para realizar outros exames. não estaríamos conversando . . Queria ter a oportunidade de conhecê-la me lhor. Não faz idéia de como me sinto. preocupado e sem dormir a muito tempo. Daremos um jeito nessa situação. Eu não engoli essa história de a Débora não poder receber visitas. Acho que é um bom sinal. sorrindo pela primeira vez. ao chegarem. ela comentou: Ei? Você está abatido. Coisa difícil. Parece que a conheço de longa data..Calma. fico receoso! É desagradável que a Débora nunca mais queira me ver. rindo gostoso. Mas imagine a impressão negativa que a Débora tem a meu respeito por causa des sa mentira tão baixa! Não consigo pensar em outra coisa a não ser em vê-la recuperada e esclarecer tudo. eu percebi isso. Por que acha isso? Pela serenidade no semblante da dona Hilma.. Acredita piamente em seus pressentimentos. inspirando cuidados. Tudo bem! Quer ir ao hospital agora?! Claro. Seu estado era estável. hein! Eu preciso de notícias dela. ao vê-lo estacionar frente a sua casa. Mais Vilma. mas de repente ela se emocionou com um desabafo e eu não resisti e a abracei.perguntou a moça à queima roupa. sorriu levemen . pediram para aguardarem na recepção onde dona Hilma foi recebê-los. Tomara.. Não reparou?! É sim. Rita! Vamos! Dependendo de como ela me receber. Se. Isso não vai passar de um susto. . ele lhe deu o número do telefone de sua casa e o endereço ante s de irem embora. Rita! . A caminho do hospital. Você nem imagina! A Débora é tão diferente! . Ele ouviu e concordou. . Quero vê-la. Não poderia se alterar nem receber visitas. Queria protegê-la de qualque r sofrimento! A Débora emocionada e desabafando?! . falar com ela.

Ficou satisfeito por não encontrar com alguém de sua família e foi direto para o qu arto que dividia com Tiago. Novamente nos encontramo s. Seu sono era mais forte do que a fome. como se houvesse grandes cistos deformados sob uma pele nojosa. esse espírito se acercava mais de Sérgio. Sérgio se debatia. o es pírito se divertiu. Foi um alívio quando se deixou cair sobr e sua cama mas não parava de pensar em Débora e em tudo o que aconteceu. Ele sentia como se estives se acordado. já na sepultura. eu gosto muito da Débora e ach ei que você é um cara legal! Quando conversamos por telefone. parecendo monstros.Ao tempo em que argumentava como se rosnasse. pressão alt . ma s não havia alternativa. Sabe. enquanto agiam como que se esfrega ndo no rapaz impregnando-o como se o deixassem sujo e ao mesmo tempo sugando-lhe as energias corpóreas.E le concordou com um aceno de cabeça e a jovem admitiu: E eu estou torcendo para da r tudo certo. parecendo um fardamento militar antigo. esfarrapada e aspecto doentio. Tinha a sensação medonha de algo grud ento e pastoso com cheiro fétido. Passadas horas. Aproximando-se de Sérgio. iluminando o rosto com agradável sorriso. Seu rosto era desfigurado e monstruoso.. Sérgio! Percebi. deitado exatamente como quando ele saiu. Mas não pense que isso me impediu de reconhecê-lo! . Aquela casa o deixava insatisfeito. como o de um corpo em estado de putrefação.te ao agradecer emocionado: Obrigado. O espírito Lúcia apresentav a-se com uma aparência sofrida. de aspecto sinistro pelo formato da cabeça bem maior de contorno anormal. durante o sono. mas não conseguia. Traz iam a feição x torcida por um sorriso zombeteiro. Espíritos sarcásticos com aparências horrendas. pôde ver Lúcia. Ela gosta de você. Rita! Não precisa agradecer. ele aconselhou: Não disfarce! Mostre-se como realmente é! Mudou sua aparência agora que está encarnad o. ela não parou de falar d e você! Sério?! . Perto dela havia um espírito com postura aust era. sua irmã desencarnada. Sérgio! Lembre-se de Deus! Pode deixar! E ligue para mim se tiver alguma notícia! Despediram-se e ele se foi. enquanto Lúcia chorava. Eu tenho meu exército! Você não! Enquanto se debatia. Porém o cansaço o arrebatou. muito obrigado mesmo. permitindo mais liberdade e mais faculdades à a lma. Vestes estranhas. Sentia uma dor no peito ao recordar de vê-la machucada e amedrontada no carro acidentado. Foi então que passou a ver como era a casa onde morava sob uma visão espiritu al. Três deles praticamente atiravam-se sobre o corpo adormecido de Sérgio. mas sua voz não saía. Não sentia vontade de entrar. Procurava se libertar daquelas mãos asquerosas e imundas que o agarravam. Precisava dormir.Beijando-o no rosto. Era algo repugnante e difícil de descrever. * * * Ao estacionar o carro na garagem de sua residência. Ele não tinha uma a parência normal. Sérgio tentava falar e gritar. exaltando o corpo físico com aceleração cardíaca. Ela trazia no rosto o furo feito pelo tiro que a matou onde. Sérgio foi para o banheiro. . Sérgio parou pensativo por al guns minutos. pois estava esgotado. empastar seu corpo.questionou. Faltava-lhe oxigênio nos pulmões e um medo o dominava de modo impression ante. senti que você gosta muito dela! . Tentava gritar. plasmava-se como q ue vermes a roerem sua face do mesmo modo como se processou a decomposição de seu co rpo de carne no caixão. enq uanto só podia segurar sua mão delicada e fria. Sérgio experimentou uma sensação asfixiante e perturbadora que o prendia ao corpo físico. só que está em desvantagem. pois minha amiga merece! Conte comigo! .tornou sem jeito. enquanto lutava para fugir daquele pavor. Não quis se alimenta r. falo u antes de descer do carro: Reze. que estava assombrado e relutava àquela experiência. de forma escabrosa. ao apreciar seu desespero. só que dormindo profundamente. Olhando para o lado. Provocando um a manifestação estrondosa e malévola para o rapaz entender. tomou um banho morno e demorado. ou melhor. estavam em seu quarto.. A experiência macabra vivida pela alma no estado de sono produzia numerosos efe itos hormonais no organismo. momento em que a alma não necessita do corpo e os liames que os unem se afrouxam. Sorriu com o canto da boca ao ver o irmão largado sobr e a cama.

Calma. ele acordou. mesmo acendendo a luz . o anjo da guarda ou mentor do rapaz conseguiu estimular energias a Tiago. Ainda é uma e meia. balançando-o pelo braço. Sérgio colocou os pés no chão e esfregou o rosto com as mãos p ara afugentar as lembranças pavorosas. ainda ofegante. A Yara levou o celular para o quarto e eu conversei um pouquinho com a Débora! . As visões. Ei! Acorda. . sonolento. Respeitando seu pedido. Levou pontos na cabeça e em outras partes do corpo.. lembrar são coisas ou lugares que vemos ou onde estivemos. Seguran do com força o braço do irmão. com encarnados ou desencarnados. . mensagens que conseguimos.falou. O sonho. podemos ter uma visão do passado ou um pressentimento do futuro. imagens . Mesmo trabalhando em um serviço tão exigente em atenção. eu soube pela Yara que a Dé está bem . referindo-se à amiga pelo apeli do que a chamava quase sempre.. jogando-se na cama.. levantou-se e caminhou pelo quarto tentando entender a mensagem daq uele sonho dentro dos conceitos que havia aprendido na graduação universitária. é durante o sono ou o cochilo que a alma se liberta do corpo e entra em contato com o mundo dos Espíritos.. ao mesmo tempo em que respirava fundo c omo se estivesse sem ar. Pode ser comunicações. Contudo a Yara foi muito legal! Você nem ima gina! animou-se.contou eufórica. mas tudo indica que foi pela batida na cabeça. aí. * * * Sérgio estava impaciente para ter notícias de Débora. Os exames da coluna não acusaram nenhuma lesão grave. procurou acordá-lo.. pode ser uma vaga recordação do que experimentamos durante o sono. depois gritou: Não! Saia daqui! Calma! Solta meu braço! . assustando-se com a reação do outro. O que foi isso?! Um sonho ruim .a e outras estimulações circulatórias e metabólicas pelo fato do corpo ligar-se à alma atr avés dos liames ou fluidos vitais. Olhando em volta.falou Tiago. por não conseguir interferir ou ligar-se mentalmen te a Sérgio para auxiliá-lo a libertar-se daquela obsessão. Foi só um grande hematoma mesmo. Sérgio! . O que foi?! . Com um movimento brusco e inesperado. mesmo assonorentado. remexendo-se.perguntou curioso. das quais trazemos alguns conselhos de espíritos ben feitores ou não. ele furtou-se por alguns minutos e ligou para Rita que o avi sou: Olha. Acho que teve um pesadelo. deixando seu sono suave a fim de acordá-lo pelos barulhos e movimentos agitados produzidos pelo irmão. o outro continuava dormindo agitado. murmurando: Meu Deus!. por vezes. O rosto dela está inchado.. Depois aconselhou: Deita aí ou vai lá pr a sala assistir à televisão porque eu ainda quero dormir. Abalado com a impressionante realidade do pesadelo. sentou-se ao ver Sérgio se debatendo e tentando murmurar algo.tornou Tiago. Sem demora. . Através dos sonhos.dizia. sentou-se rápido.. a Dé está bem: alimentando-se e conversando n ormalmente. uma vez que seu espírito protetor e sua própria consciência o chamariam à atenção para detalhes a fim de ele se manter vigilante e não se desviar d o caminho certo. De um modo geral. Ela está com gesso e ataduras. O sono influi mais do que pensamos sobre a nossa vida .resmungou Tiago.fa lou. Sérgio sentiu medo de sonhar novamente. Lembranças de onde estivemos ou de lugares a que ainda iremos. Você est va sonhando. Ainda sentado na cama. E por acréscimo de misericórdia. muitas vezes. sobressaltando-se.2 Sérgio já tivera sonhos daquele tipo. Porém. Apaga a luz. Como nos é ensinado na Doutrina Espírita. No entanto a partir daquele dia passaria a tê-los com mais intensidade. Às vezes tem sono por causa dos remédios. Sérgio perguntou: Cadê eles?! Não tem mais ninguém aqui. A Yara me contou que é a dona Hi lma quem não quer visitas para a filha. Sérgio obedeceu e foi para a sala. Tiago despertou e.. Isso de acordo com o nosso nível espiritual.

pois não tiveram muita op ortunidade de estarem sozinhas e o tempo não foi suficiente para detalhar tudo.. Sérgio! Fique despreocupado. confortá-la em seus braços depois de esclarecer t oda a mentira sórdida e cruel inventada por Sueli. Contrariado. Puxa! Como ele gosta de você! Débora ficou pensativa. no dia a dia. Rita! Espero que não necessite...aconselhou Rita. Rita dizia: Débora. até rimos ao lembrar que não saí com ela naquele dia do acidente quando me co nvidou e não pude ir! Acho que não irei à universidade hoje e vou visitá-la! É melhor esperar. dilacerando sua alma ao saber que precisaria esperar.. Uma angústia inexplicável parecia cortar seu peito. Er a um sábado e. sentada na cama da amiga. mas pareceu bem. Rita. principalmente. Contudo não se esquecia de Débora. Depois.. Mesmo assim. Nós nos falamo s pouco. pois sempre havia alguém da família de Débora presente no qu arto. .E aí?! . Arrasado. inconformado ao s aber. mas... você é inteligente! Eu sei que entendeu! . Havia ficado bem sentido com sua mãe e magoado pelos resultados das con seqüências de sua atitude. Sérgio . Ela estava meio sonolenta por causa dos remédios. Alguns imprevistos a impediram de visitar a colega e.. Obrigado. para dizer a verdade.. que Débora não queria recebê-lo. que se recuperava. empolgado. Por quê?! Primeiro.tornou Sérgio. vai dar tudo certo! Rita parecia bem disposta a ajudá-lo. em sua casa e com seus f amiliares.. pois ela está se recuperando não só fisicamente como também do susto que passou. como grande amiga. Vamos aguardar até ela receber alta. pois se sente culpado e. quando pôde foi inibida d e conversarem sobre Sérgio. trazendo sempre o desejo no mal e pronto para aproveitar qualquer oport unidade ou pensamento de Sérgio a fim de desequilibrá-lo e deixá-lo cada vez mais insa tisfeito com a vida. Queria olhá-la. suspirou fundo e decidiu: . O desejo de vê-la era intenso e não sa bia explicar. Seria bom eu falar primeiro com a Dé. Ao mesmo t empo. ela c ontinuou: Dé.. *** Os dias e as semanas se arrastaram lentos demais para Sérgio. ainda deve pensar que você é um crápula.. O pouco que podia. Mas e se ele estiver mesmo de casamento marcado?! Acorda! Vai acreditar na palavra dele ou de qualquer?! Alguém que nunca viu e e stava do outro lado da linha?! Tenha santa paciência! Acabei de contar que o Sérgio está disposto a levá-la para um frente a frente com a família dele para provar tudo! Breve pausa e se expressou mais branda: Deveria ver como ele está angustiado. surgiam situações complicadas que chegavam a deixá-lo insatisfeito e até irritado. Mas não ejo a hora de falar com a Débora. Eu entendo e estou mais tranqüilo por isso que ela está bem. Entende? Você está certa. *** Depois de tantos imprevistos e planos frustrados. Tais sentimentos eram provocados pelo espírito que o ator mentava. Você nem imagina! Não devemos forçar a situação. por causa da mãe dela. Sérgio dormia mal e passou a ter sonhos bizarros. o rapaz quase não falava.. Além disso. que a enganou. seria bom ouvir o que o Sérgio tem para falar e só depois concluir. Veja. o dia tão esperado chegou. a convalescente trocava olhares indefinidos com a amiga e che gou a murmurar dizendo que precisava falar com ela. Não se precipite com opiniões. Se precisar pode contar comigo ! Valeu. Acho que vai perder seu tempo. então vou visitá-l onversaremos. explicava que não pôde conversar com a outra como pretendia. por intermédio de Rita. abraçá-la. Vou te informando sobre qualquer novidade e me ligue quando quiser .Diante do silêncio da outra. demonstrando-se amiga de verdade.

deixando a amiga sozin ha... Ao ver Débora sentada na cama.. porém i ria procurá-lo e você me explicaria a situação. Estou. Afagou-o. as eu precisava ficar com você.. Se eu tivesse li-gado para aquele número. Ele está aqui? Na minha casa?! Não. abalada. Antes de Sérgio ou Débora dizerem algo... você disse que ligou para o meu celular e alguém se passou por minha noiva.. eu o devolvi junto com tudo o que ela me deu para deixar bem claro que não queria ter qualquer lembrança dela. Não foi fácil.. Não se culpe mais. Débora! Como você está? Bem melhor e me recuperando . .. Mas criou coragem. Não vou dizer que foi um prazer estar ali. que cumprimentou os pais de Débora ao entrar... Quando terminei o namoro. vendo-a naquela situação.. E outra coisa. Não demorou e retornou na companhia de Sérgio.Ele tinha uma expressão triste e angustiada.. Es Rita gesticulou com a mão e sem esperar virou as costas. Olhando o relógio. Notando-o bem preocupado e até nervoso pe la situação -.pediu Débora. puxandoa para mais perto: Sente-se aqui.. Débora não tinha mais dúvidas. po r isso está fazendo um inferno da minha vida. Vendo-o se explicar daquela forma. . Vou chamá-lo. Obrigada por ter ficado comigo enquanto os bombei ros me tiravam do carro. curvou-se. admitiu: Mas recordo muito bem de você m e chamando. a minha mãe colaborou. Está a fim de deixá-lo esclarecer tudo?! . Eu estava desesperado.interrompeu-a.. estacionada em algum lugar.. Sinto-me culpado por não ter te contado que terminei um namoro há quase seis meses e ela não aceita. Mas não teve culpa em nada! Débora. Não tivemos muito tempo e. aproximou-se. Se precisarem. . Ela se inclinou para tocar em seu braço.. né! O coitado está esperando no carro. Acho que vou ao quarto da Yara para conversar um pouquinho. beijou-a no rosto e pergun tou com voz tímida: Oi. aflito. Ficaria magoada com você e indignada por ter mentido. a amiga se retirou rapidamente. Pe . Mas.pediu Rita com sorriso maroto ao se levantar. segurando minha mão. Sérgio. Parece que algum as coisas se apagaram e.. . Acomodando-se. pois aquele maldito celular foi um presente da Sueli quando namorávam os.Encarando-o. Lembro que o abrac ei e não queria soltá-lo. O que a Sueli te contou é tudo mentira e eu posso provar. tão submissa e como vente. Algum tempo de silêncio em que seus olhos se fixaram e ele falou: Precis amos conversar e eu quero pedir um milhão de desculpas.Olhando firme em seus olhos falou como se implorasse: Por favor. ele parou à porta por alguns instantes temendo qua lquer reação. E não poderia ser d iferente. é lógico que teria ficado surpresa. Sérgio.respondeu com leve sorriso e um brilho especial no olhar.. É engraçado . lá na rua. Ei?! Aonde você vai?! Chamar o Sérgio! . segurando em su a mão ao argumentar com voz meiga: Pare. Eu. animada.. Eu queria muito falar com você...avisou quase saindo do quarto.interrompeu Rita com sorriso de molecagem. ...sorriu. sim. Bem!. mas continuou: Sinto-me culpado por não tê-la avisado disso. o rapaz agradeceu: Obrigado por me receber. sentiu que Sérgio falava a verdade.. avisou: ando há mais de uma hora e meia...Acho que vou ligar para ele e.. Preciso te agradecer. Fui imprudente ao usar o celular enquanto diri gia. e logo foi levado por Rita até o quarto da moça.. Não consigo me perdoar pelo que aconteceu. Como se não fosse o bastante..... Espere! .. apontando para a cadeira posta ao seu lado. Ele ficou sem jeito e a jovem pediu. Por quê?! Eu devo estar horrível!.. Não me agradeça. Por isso bati o carro. pedindo para eu ficar calma. acredite e m mim. Não me lembro de tudo. Obrigada.. nos pouparia de toda essa angústia e. Então espere! . Mas não sofreria o acid ente.

talvez assustado. Estudamos sim . Ao entrar. pois o rapaz sentou-se na cama da moça tomando -lhe toda a atenção. *** Durante o caminho para sua casa. minha querida?! .. teve u ma ligeira visão do clima romântico. desejoso por beijá-la. Rita chegou ao quarto e foi para um canto junto a Sérgio. q e encontrou a nossa filha. Rita! Acha que vou me indispor justo com você?! Também perceb i que a conversa seria bem duradoura. beijou a moça e apresentou: Débora. mas o som de leves batidas na porta os impediu. Atraída pela conversação. trazendo à frente um belo arranjo de flores frescas. Não pode imaginar o quanto sofri e. abraçando-a por longo tempo. Sérgio ia beijá-la . essa é a Débora. Débora se embaraçou com as palavras e se calou. . Tudo bem. Temos de ir ao casamento do primo dele. Pensei que estudassem juntos! . mas achei que aq uele pessoal tinha intenção de fazer uma visita bem demorada! Você me ajudou tanto.afirmou Sérgio. . que não ficou satisfeita. i solado por todos. A jovem.beijou-a no rosto. Vocês dois se entenderam?! . Mas a Elza e a Cris sempre me davam notícias suas! Já me recuperei bem . é o tio da polícia . Cris! Que memória! . Não disse nada.alegrou-se Débora. percebendo algo diferente no comportamento susp eito. Logo se justificou: Desculpe-me por não ter vindo antes.interferiu o senhor Aléssio parecendo insatisfe ito. ela explicou: Nós nos conhecemos no dia em que eu enco ntrei a Cris.contou Débora.rdemos tanto tempo e sofremos por. Eles se olhavam quando Sérgio se ap roximou mais e acariciou suave sua face delicada. Os pais da garotinha não entenderam e a jovem esclareceu sorrindo: Nossa. adentrou o quart o junto de dona Hilma.. O senhor nada disse.disse. Descu lpe-me por não termos ficado mais tempo. descobrimos que cursávamos a mesma universidade. deixando-se envolver pel os carinhos. Inebriado de emoção. Ele sentiu-se excluído e com o passar do tempo Rita o chamou par a irem embora. apontando tim idamente para Sérgio.chamou Cris com sua vozinha doce .. A princípio. Eles se foram. Rita comentou: Hoje vou sair com meu namorado. Nós nos conhecemos quando a Débora encontrou a Cris e. Não é só por eu precisar sair. esse é o meu marido Lucas. segurou cuidadosamente seu rosto..Virando-se para o casal. apresentou: Este é o Sérgio. Elza.respondeu a jovem sorrindo. achegou-se a ele quando suas faces quase se tocavam. inerte experimentou o coração bater forte e murmurou com brandura no tom bonit o de sua voz grave: Débora..anunciou a voz alegre do senhor Aléssio. Despediram-se de Débora. acariciou seus cabelos enq uanto a olhava encantado. dizendo: Surpresa! . Mamãe . meu amor! A garotinha se abraçou à jovem enquanto os outros entravam. Sentindo aquela pele macia e m orna.Em seguida. mas alegrou-se ao ver a pequena menina e exclamou: Cris! É você. Débora! . mãe de Cris. Visitas para Débora! . aproximou-se.gritou alegre. Prazer em conhecê-la. Eu gosto muito de você. tio da garotinha. seus lábios chegaram a se tocar com ternura. Débora pareceu sem graça.cumprimentou o homem de boa aparência e bem trajado . disfarçando ao avis ar: Vejam quem está aqui! Sérgio ficou sem jeito e se levantou ao ver os visitantes entrarem. e o rapaz rapidamente se afastou. Tudo bem . Breno! . Fico impressionada por ela tê-lo reconhecido! Ele é policial militar e nos levou para a delegacia naquele dia. Enquanto o cumprimentavam.quis saber curiosa ao sorrir. explicou: Lucas. e dos demais. naquele mesmo dia. de sua filha e do rapaz. Foi então que começaram a conversar.. Estive viajando a traba lho. Repentinamente Breno.

. Você foi mais do que uma amiga! Que nada! . Não consigo!. meu namorado Gustavo. . Sinto muito. Não vou esperar até amanhã. Rita e ra muito bonita e tinha seu estilo próprio de ser.. mas preciso terminar a universidade e pensar no futuro do meu irmão. . falou: Obrigado. Sabe.Débora enfrenta a oposição do pai Sérgio chegou à sua residência bem mais animado e.. mas foi surpreendido pela presença desagradável de Sueli. . Essa tia. Ela é bem sincera.. talvez uma ir mã não fizesse. Você tem irmã? Minha irmã faleceu há quase dois anos . que mora perto da minha casa e uma tia por parte de mãe. sentada sozinha na sala. Nós ficamos amigas logo no primeiro semestre da faculdade e aconteceu algo bem inesperado. Pronto! Chegamos! . sairemos eu. o marido e os filhos são donos de um hotel à beira mar que fica lotado em qualquer época do ano. Não gosto de falar dele. É um lugar mágico! Maravilhoso! Um paraíso! . Algo que combinava com sua pers onalidade.. Expliquei o que precisava e ela entendeu. mas a Débora não deixou. Mas você tem irmãos ou parentes.. Ela e o meu namorado não me largavam. Não tenho avós.explicou com leve sorriso parecendo de saudade ou de sonho. não esquenta.. olhando-a com satisfação. Aq uele pessoal chegou. Que droga! .. Só um tio por part e de pai. Aliás.disse o rapaz. após ela entrar em sua casa.falou sem jeito.. que é casada e mo ra em Pernambuco. O que tem feito por mim e pela Débora.ele concordou. Demonstrando-se grato . Assobiava ao entrar. Ele não tinha muito tempo por causa do trabalho... não tem? Tenho um irmão que acabou de fazer dezessete anos. graça e vivacidade. Já me a udou muito! Você nem imagina! O que ela fez? Se é que eu posso saber! . virando-se e caminhando com seu jeito exclusivo.. . Assim que a Débora se recuperar. você e a Dé para comemorarmos! Será ótimo! Combinado! .. Bom divertimento! Obrigada! . ela o lembrou: Amanhã você telefona para ela! Não se esqueça! Pode deixar! Mas. Não que eu esteja feliz. Essa tia é uma pessoa excelente. Mas eu não poderia la r tudo aqui e ir morar lá. o rapaz sorriu e se foi. Rita o abraçou com força. Quando.ele riu. Ele sentia o coração mais leve e repleto de esperança.respondeu sem alongar.. Agora preciso ir! Ainda tenho de me arrumar! . n aturalmente especial ao menear a longa saia modelo indiano que combinava com a b lusa do mesmo estilo. Tudo bem.lamentou. Uma amiga legal. coberta nas costas por seus longos cabelos lindamente cach eados que pareciam um manto negro esvoaçando com suavidade ao vento brando... Vontade não falta. Puxa! A Dé me deu a maior força! Eu a considero como uma irmã! Sérgio sorriu agradecido ao afirmar: Posso dizer o mesmo de você. mas ela. trazia um sorriso suave nos belos lábios bem contornados. Meus pais foram viajar e morreram em um acidente de carro. Acompanhando Rita com o olha r.reagiu de imediato. Sérgio.Sorrindo de um jeito especial. descendo do carro.riu.. mas pelo menos nos entendemos. E o seu tio? Um crápula. 6 . contou: Quando o clima ficou bem romântico.Bem.protestou a moça irritada. têm vários funcionários e quase não vêm a São Paulo.falou.. não quero vê-lo nem pintado de ouro! .ele exclamou. T eremos outras oportunidades! A Débora é uma pessoa maravilhosa. nojento! .Pequena pausa e continuou: Quando meus pais faleceram . É difícil nos separarmos de quem amamos... Seu marido e filhos também! Eles trabalham muito.gritou alegre. Então me vi atordoada. Deu-lhe um beijo no rosto e depois de ele retribuir da mesma forma. Puxa. eu quis deixar a universidade. totalmente confusa. sem perceber. Rita. Sinto muito. aturdida. experimentando um sentimento feliz pelo resultado posit ivo de tudo..

pensa que as normas de respeito e dignidade devem ser exigidas às outras pessoas. Estava indignado e. Você é louca?! Acha possível eu desculpá-la pelo que fez?! Sabe quais foram às conseqü s?! . ou seja.. É lógico que você jamais pensou! . interrompendo: Sérgio! O que está acontecendo aqui?! Sou eu quem deve perguntar o que essa aí está fazendo aqui?! . É capaz de acreditar que sua motivação é sempre pura. Tiago?! Talvez tenha esperança de vocês voltarem. repetiu: Entenda que você não tem qualquer valor para mim! Seu mundo é pequeno demais! Enquanto seu complexo de inferioridade é imenso e é por isso que faz o que fez. enganar. virando as costas.. encarando-a firme. inocente e você nunc a erra! Preste atenção e observe que você não assume totalmente a responsabilidade pelo seu comportamento. Sérgio sentou-se na cama e esfregou o rosto com as mãos num gesto insatisfeito. sempre.Tentou justificar com lamento na voz. olhan do em volta com modos agastados.interrompeu-a nervoso.. dona Marisa entrou e presenciou a discussão. falou irritado: Suma daqui! Não q uero ver a sua cara nunca mais! Eu estava conversando com a dona Marisa e. Não me julgue mal.questionou com veemência.. Em seu quarto. olhou-a com desprezo ao afirmar: Uma pessoa capaz de mentir. O que essa safada está fazendo aqui em casa? Parece que a mãe não tem o mínimo de con sideração por mim! Caramba! Eu ouvi quando a mãe ligou pra ela. Era para o seu irmão e ela foi levar o aparelho lá no quarto. não tem valor algum para mim! .. Sueli! Costuma usar os outros para satisfazer suas neces sidades e seus caprichos.. Jamais pensei que. . Tiago falava descontraidamente ao telefone. Acha que suas necessidades têm mais prioridade do que as das outras pes soas. .Aproxi mando-se. de gostar?! . Você é uma criminosa! Puxa... ao t erminar a ligação. Não podia imaginar que por caus a de uma simples brincadeira. ele ia dando-lhe as costas para sair daquele cômodo. principalmente.. Por que a mãe faz isso.reclamou Sérgio. Sérgio! Tudo bem?! . eu fiquei em choque. ela pediu: Por favor. O que quer aqui?! . O que fez foi sórdido! Cruel! Gente como você deveria estar atrás das grades! Por favor!. ferir sen timentos.O que você está fazendo aqui na minha casa?! . perguntou: E aí? Tudo bem? Estava tudo bem! . Brincadeira?! . O telefone tocou. deixando qualquer um exausto! Você não tem discernimento! Sérgio! Eu!. Criaturas egoístas. apontando para Sueli. Compreenda.. o amor. a admiração. E isso nunca vai acabar! Só sabe exigir e roubar a atenção.dizia como se implorasse seu perdão. mas o observou e. .. me desculpe pelo qu e aconteceu à sua colega. Você chama esse sentimento vaidoso. O filho não a esperou terminar. O que rolou?! .tornou o outro curioso.Sem esperar uma resposta.perguntou secamente.. Onde está a minha mãe?! Como ela permitiu que entrasse aqui?! .Ao vê-lo se virar.Pausadamente. Nitidamente insatisfeito..interrogou. Quando a sua mãe me contou o que aconteceu com a moça. o tempo.falou com voz melosa...exclamou a mãe autoritária.. mas não a você! Sua capacidade de egoísmo e orgulho é tão grande que acredita nu nca se enganar. possessivo. exigir. Chega! Saia daqui! Não quero te ver nem ouvir sua voz nunca mais! Entendeu?! Sa ia da minha casa! Naquele momento. orgulhoso. Você não tem escrúpulo. Você é presunçosa. as idéias dos outros para realizar os seus desej os insaciáveis..interrompeu-a num grito.exigiu. Esta é minha casa e recebo aqui quem eu quiser! . quando o resultado é negativo e sempre quer ser perdoada. Eu gosto muito de você a inda e.. Oi. A Sue li sempre foi nossa amiga e.. mesq inhas e dominadoras não pensam! Simplesmente são cruéis! Não sei o que me deu quando ela ligou e. saiu.. quando Sueli o chamou: Sérgio! Por favor! .

Sérgio. pense! Sou filho de vocês.. Eu queria falar com você e. explicou: Pai... o senhor sabe o que a mãe e a Sueli fizeram e o que isso causou a uma amiga minha? Sua mãe me contou. o rapaz estava feliz. Pai . ficando frente a Sérgio. Eu sabia! . pai? Quase tudo. A Sueli é só uma conhecida. Ele prometeu visitá-la no dia seguinte. Contou com a versão dela! . as hor as de estágio e outras coisas me mantêm ocupado. rindo gostoso.brincou Tiago. Além disso. pediu: Ei! Deixa o telefone comigo! Tiago voltou. não fico muito à vontade per o da família dela...respondeu de imediato. não o vejo há dias... o senhor e a mãe não tiveram mais sosseg o.. Eu tenho anotado lá no meu quarto. E.. ele pediu: Sérgio . Sérgio . Sérgio. O homem abaixou a cabeça. Não tenho tempo para nada. Imagino . atendendo ao doce pedido da moça. desde quando comprou esta casa para ajudar o Marcílio e a Ana. Sérgio? Oi. A mãe foi reclamar de mim para o senhor. Não suporto a idéia de falar com ela. Deitado em sua cama. Depois tornou: Sabe o que é. meu! .. Para quem estava tão durona. Você poderia ir lá para ver e. Sustentava um sorriso suave e tranqüilo até seu pai entrar no quarto.Não sei como fui namorar essa.. converso mais com a mãe dele.. eu estou com alguns probleminhas financeiros. O Marcílio não pode pagar algumas co ntas nesse mês e.. Mas não sei como lidar com essa situação entre você e sua mãe. Bem.argumentou sem dar muita importância. ficar com ela. primeiro sua mãe veio falar comigo e. A Débora quase morreu por.. vi vo na casa do João. O trabalho...Vendo -o sério e sem dizer nada..Após alguns minutos..revidou.. Sérgio sorriu e Tiago perguntou: Vai visitá-la amanhã novam ente? Não sei. mostrando-se insatisfeito.respondeu irritado.... Aaaaa!. do que com ela. Mas antes do outro sai r. Rolou um clima legal! Olha só!.interrompeu de imediato.Olhando-o nos olhos e sentindo-se constrangido.. filho. O que me interessa mesmo é conhecer melhor a Débora. Tudo bem.. já que não reconhecem meu esforço para u a vida melhor. né. pai! Eu entendo. De quanto o senhor precisa? . São bem estabilizados e um tanto arrogantes.. Bem. Sozinho. O Marcílio deveria assumir toda a responsabilidade com a mulher e os filhos que . . . Cai fora! . O senhor entrou calmo e sentou-se na cama de Tiago. vo u entender. Eu não q uero vê-la.perguntou em voz baixa. sentando-se.. Onde eu estava com a cabeça?! Para ser sincero... Não conheço. Completamente difere nte dela. Tiago perguntou animado: E aí?! Foi lá visitar sua amiga?! O belo rosto de Sérgio pareceu iluminar com um largo sorriso e ele contou: Fui e conseguimos conversar um pouco. o estudo. interrompendo. Moro nesta casa.falou devagar e bem calmo .brincou o irmão. mas quero conhecer! E daí?! . eu sei que você já ajuda muito e tem suas próprias despe sas. diante do silêncio... ligou imediatamente para Débora. Quando ia sair do qu arto falou: Ta apaixonado! Ferrou! Ah!.revidou Sérgio. não foi? Disse que eu quase não paro em casa. De repente ela não resistiu diante do se u charme! . respirou fundo e afirmou: Vou falar com sua mãe.. . Conversaram por longo tempo. Pode parecer que estou forçando. mas. você nem conhece essa moça e. .Breve pausa e.. a dona Antônia. não é? Ao menos isso. pai! Entra! . Acho que mereço um pouco de respeito p or parte do senhor e da mãe. Olha só o cara. nem eu sei como você ficou tanto tempo com ela. Devo me submeter eternamente aos caprichos da Sueli e aos desejos da mãe? Nunca mais poderei traze r alguém aqui em casa por causa da presença da minha ex-namorada? Por favor. as atividades do curso. um tanto sem jeito. deixando-os morar conosco. o senhor Inácio comentou: Se não puder ajudar. contagiado pelo riso. antes de desligar.so rriu inebriado. Pai. Não tolero a Sueli aqui! E o que mais?! .. iiii.. deu-lhe o aparelho e gargalhou antes de desfechar: Não precisa dizer para quem vai telefonar! O irmão riu e não falou nada. ficou pensativo. após poucas batidas à porta.

ele está sem dinheiro. O que não deixava o senhor Aléssio e sua esposa satisfeitos.. O senhor e a mãe são usados por eles! Acham i so normal! Já pensou se eu e o Tiago fizéssemos o mesmo?! Como seria? . Pai. Sempre que pergunto. Juntando-se à causa dos rebeldes.. Sérgio continuava reflexivo e não podia ver o que acontecia no plano espiritual. atribuindo tal sentimento aos problemas de família. Sofr eu tanto que morreu de desgosto e vergonha. O que posso fazer.. Estava insatisfeito com sua vida. Ela o envolvia com impressões melancólicas. Suas estratégias ajudaram a tropa dos farrapos a conquistar uma cidade. E hoje. O T iago nunca guarda nada. aproximou-se. Que bo m vê-la assim.disse. aparentando um homem acima da meia idade. No passado houve mui ta discórdia por causa dessa moça... Parec e que nunca vou conseguir! Será que terei paz se sair dessa casa ou quando morrer? ! Nem quando sair daqui eu vou deixar você em paz. Deixan do-se envolver por idéias ruins e terríveis. saindo do quarto. Débora! A filha sorriu.ele arrumou. Sérgio apoiou os cotovelos nos joelhos. Eles conversavam muito por telefone e o rapaz a visitou várias vezes.reparou dona Hilma. jogos. Ficava se mpre em segundo plano. Minha filha sofreu. entrelaçou as mãos na frente do corpo e aba ixou a cabeça. Apesar de tão pouco tempo.tornou o espírito Sebastião. seu desgraçado. Sérgio? Mandar todos embora daqui? Pôr o seu irmão. bem satisfeita. encarando-o.. não é isso! . a mulher grávi da e dois filhos na rua? . de ser envolvido em problemas que não lhe pertenciam e de não ser valorizado. Eu queria ser mais independente. com o modo de ser manipulado. cigarro. * * * Semanas passaram. Sérgio era abraçado pelo espírito Lúcia. mas. Sérgio fustigava os pensamentos em um nível muito inferior. Depois de uma garg alhada maldosa. avisou: Tudo bem. Arrumou mulher e filh os.. após suspirar fundo. Droga de vida! . mas Emy perguntou: Pode dividir conosco tanta alegria? . O Marcílio tem seus gastos com bebidas. Algo até então nunca visto. Sérgio experimentou uma sensação angustiosa e amarga. su a irmã desencarnada. Sua vida será melhor sem ela. Yara chegava à sala acompanhada da risada gostosa da irmã que voltav a à rotina. Depois eu vou lá para ver em que posso ajudar.respondeu. Foi durante a Revolução Farroupilha no sul do país. Débora estava bem re-composta. vociferou: Seu covarde! Desertor covarde! Você foi um tenente do Exército Imperial e o homem em que depositei toda a minha confiança! Minha filha estava prometida a você e a ab andonou depois de conhecer essa que hoje se chama Débora. acomodou-se à mesa e não disse nada. cabisbaixo. Trazia a mesma aparência r epulsiva e austera. O espírito que tentava obsediá-lo há tempos. travando a maior batalha contra o Exército Imperial. angustiosas e tristes ao mesmo tempo orientava-o em nível de pensamento: Não fique com essa Débora. re tornando ao trabalho e aos estudos. num plano que não podia ver. sei que vivo te incomodando ao pedir mais dinheiro para as despesas. Certo . Ora! Ora! Gargalhadas logo cedo! . seu desgraçado! Vou seguir você e aquela vadia até o inferno e muito além! . Por que eu e o Tiago devemos ter dinheiro para as despesas extras que não no s pertencem? Por que não exige que seu filho mais velho assuma suas responsabilida des? Desculpe-me.. Você desertou por causa dela. você ainda maltr ata minha filha como fez no passado! Desprezando-a como lixo! Mas eu vou acabar com você! Com essa Débora! Ah! Se vou! Nesse momento.Alguns segun dos e. Naquela manhã. Mesmo sem ouvi-lo. sentindo-se supe rior e poderoso diante do encarnado que atormentava. Se não puder ajudar. desanimadora. mas sentia uma vibração estranha. pensava Sérgio.O rapaz não respondeu e o senhor Inácio continuou: Filho. mais livre. o calor de uma paixão nasceu e cresceu entre Débora e Sérg io. Enquanto isso. Sérgio.

Por exemplo.. Vai à universidade hoje? . Veja. Voltando .. Do que vocês duas riam tanto? . Diálogos. argumentar e p rotestar! Com licença! Dizendo isso. Eu e o Sérgio. com estudo. compra-se! .. São em coisas simples que encontramos a felicidade.A moça ficou petrificada e sem dizer nada. eu. . mãe! . mas sabia que não adiantaria argumentar. Chegan do ao seu quarto.. Quero sim . iiii. Há alguns dias eu tenho visto o seu amigo. Deixe-me terminar. mas não sou ingênuo . estabilidade financeira e tantas outras coisas às quais você está acostumada?! Sem trégua. Seu pai está no escritório esperando para falar com você antes d e sair. educada.estranhou Yara. Não mesmo. Levantando-se. pois sempre acredita ser o único que sabe falar e não dá a oportunidade para eu expressar qualquer opinião. andar sozinha!.. Em seguida. Débora foi ao escritório falar com seu pai. Com licença! Sem se importar com o ocorrido. Lógico! Mas hoje é sexta-feira! . Débora gargalhou. quase sentando.falou mais tranqüilo. Ficou contrariada com o que ouvia. minha irmã! A felicidade está dentro de nós e não em coisas exteriores.interrompeu-a de imediato. Estou sempre a berto para diálogos. Esse rapaz não veio aqui só por causa de seu estado de saúde.. trocou olhares com Yara e contou: A Yara fez uma tatuagem nova! Só vendo para acreditar! Filha! . Tenho tanta coisa em atraso!. mu ito presente nesta casa. quero que reflita muito sobre nossa conversa e reverta essa história. E esse rapaz? O que ele tem para te oferecer? Não passa de um mero policial! Qual o futuro dessa criatura?! Como poderá te oferecer confo rto. dona Hilma avisou: Ah! Qu ase me esqueci.tornou a senhora.. Após terminar o desjejum. Depois de cum primentá-lo.. dona Hilma perguntou: Então você volta hoje mesmo ao trabalho? Está bem disposta? Como nunca.tornou a mãe. Nunca consegui dialogar com você. ouviu seu celular tocando e correu para atendê-lo: . mas só você tem o poder de julgar. Quero que tenha ao seu lado um homem capacitado.. sentou-se na cadeira frente à sua mesa. A felicidade não se encontra.disse firme. e. Débora! . Você s abe que gosto de ser direto. Conhecia bem seu pai. Não quero perder nem mais um dia de aula. Sei que vários colegas vieram te visitar. Talvez pense que está em um tribunal defendendo alguma causa. jovem. Não . diante da filha.. encostou-se à mesa. Espere.É muito bom retomar a vida! Eu não sabia o quanto era gostoso trabalhar.animou-se a filha. filha. Pai..a jovem riu e não se manifestou.. Estou pensando no seu bem..perguntou desanimada. shopping e grandes marcas! . Débora. como sempre. Acabou de se convalescer. advertiu: E não me venha com a história de que gosta dele! Que se amam! Vo cês mal acabaram de se conhecer! Não quero mais ver esse Sérgio aqui! . pai?! .Alguns segundos de pausa e falou: Veja bem. Débora saiu a passos firmes sem olhar para o pai. O s enhor Aléssio ainda falou: Compare e analise tudo. Débora! Não quero que diga nada! Só pense! Entendeu? A moça sentiu o rosto aquecer. Quero o seu bem. Não é preciso que s e justifique. A mãe disse que você queria conversar comigo.retrucou Débora... . na sua segu rança futura. estudar. Você é uma moça muito bonita. O Br eno! Um empresário bem sucedido e que demonstra extrema consideração e carinho por você! Ele até comentou comigo o quanto te admira! O Breno é um rapaz com totais condições de te oferecer uma vida de princesa! . falou: Serei breve. Emy desfechou: Não vou me indispor com você logo cedo..questionou com ironia e indignada. Além de o utros incontáveis adjetivos. Tinha os olhos nublados e por isso disfarçou o rosto entre os cabelos ao passar pela sala. colocando-se à disposição.confirmou. Lá vem bronca! .Débora respondeu e sorriu.reclamou insatisfeita. o Sérgio. É só isso? . Sem dúvida. Puxa! Chega de ficar naquele quart o e nos limites desta casa. mui o menos nas lojas. Eu notei algo romântico em seus olhares.riu Emy. levantando-se e fechando a porta do escritório.

A caminho do serviço. ela desceu do carr o e se foi olhando algumas vezes para trás. Estacionando o veículo frente à residênc ia da moça. *** Depois da aula. apertando-a contra si. vagarosamente. Afagando-a com generosidade. Ele me recebeu bem todas as vezes que fui te visitar. por não vê-la interagir.Sem que ele esperasse a moça o abraçou forte.. ele aproximou seus lábios dos dela.. mas. não consigo parar de pensar em você e. Talvez depois.Oi..Beijaram-se novamente . Só não queria falar disso agora. mesmo contrariando a vontade.compreendeu e a observou por alguns segundos. Sérgio perguntou em tom apaixo nado.falou surpresa. Tudo bem. Foi então que o rapaz falou sobre outras coisas. confessou: Gosto muito de você. Senti algo difer ente em nossos últimos encontros. Quer conversar a respeito? Não. C omo eu desejava beijá-la e abraçá-la dessa forma. acariciou-lhe o rosto e não resistiu ao sentimento que o dominava.disse sério e bem sincero. o que nunca a conteceu. Após alguns m inutos. Você já está pronta? Estou saindo! Beijo! Sem conversar com ninguém. Ao senti-la mais calma.. Não parece . falou: Você não mente bem.avisou alegre. Débora trazia os olhos brilhando e suave sorriso tímido. você me espera. ta? Débora parecia insegura e não desceu do carro. Eu também. Aproximando-se e acariciando seu rosto delicado. tornou num tom tranqüilo. Chegando próximo aonde ela trabalhava. procurando distraí-la. Sérgio.. Desculpe-me Sérgio.. Claro! Eu entendo . . Ele a envolveu com carinho. falou baixinho: Eu ainda tenho tempo. . tomou-a nos braços e a beijou com todo o amor. escondendo o rosto. Pensei que só ficaríamos.. Depois de contar sobre a compra do celular e alguns fatos corriqueiros . trazendo-a a realidade: . Desde o dia em que a conheci. ela saiu de casa... Uma tristeza indefinida pairava em seu olhar terno. quis saber: O seu pai disse alguma coisa a meu respeito? Por que pergunta isso? . ele percebeu uma angústia no silêncio da jovem. Sérgio segurou-lhe o rosto delicado. fez-lhe uma carícia e pergunt ou em tom bondoso: Tudo bem. Sérgio perguntou: Está tudo bem? Sim. quase num sussurro: Quer namorar comigo? Eu adoraria. afagando-a com carinho por longo tempo. a jovem afirmou: Posso imaginar sim! Eu também não deixei de pensar em você. Débora parecia implorar por seus carinhos e. Sérgio! Estou te esperando aqui fora e com celular novo! . experimen tando um sentimento muito forte. entrou no carro de Sérgio e se foram .Sorrindo com brandura. vendo-a com os olhos marejados. ele avisou: Passo para te pegar. Acredito que não aprovará nosso namoro . A jovem ofereceu um lindo sorriso ao dizer com jeito meigo e gracioso: Você não me pediu em namoro. Sérgio cuidadosamente a afastou de si. olhou-a nos olho s. Sérgio levou Débora para casa. Depois explicou: São problemas lá d casa e não quero preocupá-lo com bobagens. Afagando-lhe o rosto. depois ela avisou: Agora preciso ir.. Era a primeira vez que se beijavam daquela forma e vivenciaram uma sensação nunca sentida antes.. como se uma energia indefinida invadisse seus corações apaixonados. Não quis inte rfonar e. confessou. Caso saia mais cedo. mesmo? . Ainda deixando-se ficar em seus braços.murmurou com a voz abafada pelo abraço. Eu te adoro. Não pode imaginar! Oferecendo um belo sorriso. Despediram-se com carinho e.. Ele a calou com um beijo. acenando graciosamente.

Não é diferente das esco las terrenas onde estudamos e depois realizamos provas para testarmos nosso conh ecimento. Se o seu pai não ficar sa tisfeito por estarmos juntos.. Meu pai é teimoso e minha mãe não me defende. Bem. Vou conseguir minha estabilidade. Débo ra. ela comentou: Sabe.propôs toda animada. Você me liga quando chegar a casa? Ligo. pelos retrovisores. Sabe.. mas certamente segura e honesta. comprazem-se em uma falsa felicidade quando conseguem nos compr ometer ou nos induzir a uma atitude degradante que atrasa nosso adiantamento esp iritual. é por que atraím os para nós. Não quero expô-la em situação de r isco. Não querendo desapontá-lo no futuro. .. E Deus. Parecia que Sérgio tinha ouvido a conversa entre ela e o pa i. por minha culpa. em sua infinita misericórdia. o anjo guardião do rapaz tinha plena certeza de seu pupilo receber suas influên cias e no momento preciso poderia se valer delas.. meu querido. a jovem avisou: Não tenha tantas esperanças.Você não me respondeu sobre o seu pai. o que isso importa? Sou maior de idad e! Entendo que ele não quer o seu mal e está pensando em seu futuro. Você é muito precavido. Quando se trata de uma criatura sem entendimento e pouca ev olução. por desejo de vingança ou por prazer.. Espíritos desse tipo. Deus permite qu e esses irmãos imperfeitos na moral sejam instrumentos para testar nossa fé e nossa vontade de continuar agindo como criaturas atuantes no bem. ela quer nos induzir ao mal para sofrermos. Porém depende de nós nos inclinarmos às inspirações boas ou más que exercem sobre nós. eles se beijaram e se despediram.. precisaremos ref azer os estudos e novos testes. Teremos obs ulos. Por isso continuou: O inimigo do passado pode acreditar que você aind a tem dívidas com ele. talvez simples.. ele olhou o relógio e decidiu: É tarde. tenha a certeza de que minha mãe não pensará diferente d ele. caso se mantivesse atento na fé e vigilante. Vejo que não pára de olhar em volta. E é provável que com o tempo ele me veja de outra f orma.. Só uma coisa: a Rita me telefonou e nos convidou para sairmos com ela e o Gustavo amanhã! O que acha? . o mentor de Sérgio o acompanh ava. vocês têm u ma grande estabilidade financeira e eu não. . apesar de enfrentar uma situação aflitiva e pesarosa. Afinal. elas são instrumentos para provar o nosso equilíbrio e a nossa confiança em Deus. Ligo sim. Ele não concorda com nada que eu faço. Pois os espíritos maus correm em nosso auxílio e nos ajudam com as más tendências. falou sorrindo. Podemos ser promovidos ou reprovados e. Na minha profissão. influindo em seus pensamentos com bons conselhos: Precisa ser cauteloso com as idéias. Débora ficou incrédula. Vamos ver.Vendo-a reflexiva e despreocupada. Bem.Mesmo sabendo que não era ouv ido. quando nos acontecem coi sas ruins. encarnados o u desencarnados. querendo desistir ou nos alterando de forma grosseira... Mas quando sofremos e nos deixamos aterrorizar. . Por isso você estava triste hoje de manhã? Tentando fugir da resposta. enviandonos os bons espíritos que vão nos influenciar também.prosseguia o sábio mentor. já vi fatos que não desejo experimentar. quando cedemos as suas sugestões sórdidas.. Se algo te acontecer. em ações e pensamentos o desejo no mal. mas é arriscado ficarmos aqui. Meu querido Sérgio. no último caso... modesta. Eu tinha outros planos. sempre nos ajuda. Mas Deus. É por isso que so remos e sofremos muito. mas podemos considerar. na espiritualidade. Nunca te nho razão. o que não é correto. Os pensamentos deles inva dem os nossos. não sofre . Mesmo se ele não estiver de acordo.. se me conhecer melhor. Apaixonados. Meu pai é um pouco difícil. Ah!. acho que morro. por essas más experiências e sentimentos. Não estou interessado nos bens da sua fa mília ou em sua herança. Adoro sua companhia. Acho que os obstáculos surgirão de ambos os lados.. Vamos analisar o que você já aprendeu no rso que está quase concluindo: Por que pessoas que sofrem sérios e difíceis problemas reagem diferente? Uma. Ele esperou que ela entrasse e depois se foi. Isso significa que ele não simpatizou comigo . Durante o trajeto até sua casa..

É um caso clássico. ligou par a Débora e conversaram por muito tempo. quando a pessoa não examina a idéia imediata e não distingue o bem do mal. cabendo a contribuição complementar de recursos vindos de . por uma ser u m espírito que cede aos maus conselhos e não é evoluída. De um lado os adeptos da Monarquia ou governo Imperial. na crueldade sempre tentam n os incitar a cometer erros. mas sabe que a e xperiência ruim é passageira. contava: Alguns irmãos. Sueli. de outro. o espírito protetor de Sérgio. na época do Império. mentor de Sérgio. ca bendo a este cobrir inúmeras despesas da província de Santa Catarina e de outras reg iões por não conseguirem arcar com suas próprias despesas e o que recebiam do governo central era insuficiente. é o acerca do que acontece com Déb ora e Sérgio. fazendo-o sua vítima. direcionando-os e manipulando-os. Débora. mais especificamente no Rio Grande do Sul.concordou o espírito Wilson. comentou: É impressionante como esses perseguidores interferem nos pensamentos dos encarn ados. Os lugares e os interesses que queriam defender tinham grande impo rtância ao Império. no mal. Aqueles que eram contra a criação de uma república deram o apelido de farrapos ou farroupilhas aos revolucionários com a intenção de humi lhá-los e depreciá-los.carne salgada . Eles se davam muito be m. claro! . Um dos instrutores acrescentou ao grupo: O que os espíritos. para a e conomia brasileira. Sebastião.. Durante o caminho sabiamente Wilson. passava-lhe p ensamentos instrutivos e salutares a fim de seu protegido se alicerçar no bem com equilíbrio e pensamentos positivos que servem de incrível proteção às influências negativas de encarnados e desencarnados. mentora de Débora. Isso. aproveitando de todas as circunstâncias para isso. por isso estava extremamente fel iz e mais tranqüilo do que nunca. os mentores do casal encarnado trocavam conhecimento com um grupo de espíritos amigo s. Wilson e Olívia vêm acompanhando seus prezados pupilos há temp o e poderão relatar como e quando esse desejo de vingança do espírito Sebastião iniciou. Como anjo guardião não é ama seca. Um doce e agradável romance acontecia entre Sérgio e Débora. a outra entra em extremo desespero. O casal estava no cinema apreciando um filme. muito ao contrário. Antes de dormir. Além dessas. os rebeldes ou farrapos q ue lutaram para criar uma República. havia outras inúmeras queixas. No Rio Grande do Sul principalmente. era muito explorada. desejam é corromper e prejudicar o outro. quando ainda presos no vício. o espírito Olívi a lembrou: Bento Gonçalves da Silva foi o líder dessa revolução. ele estava simplesmente feliz e fez uma prece agradecendo e pedindo proteção. Entretanto esses líderes nada tinham de maltrapilhos.e co uros utilizados para a confecção de diversos artigos. combinando saírem no dia seguinte. Havia no grupo alguns aprendizes que se interess aram e Wilson. Sim. O rapaz havia terminado o curso universitário. a outra sofre. sem evolução. Lúcia e Tiago se reencontraram. Olívia. O grand e episódio chamado de Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha aconteceu no Sul do Brasil. Sérgio. 7 . após terminar o período de supervisão exigido. estancieiros e criadores de gad o da província. bem aliviado e seguro. Tratava-se de representantes da elite. uma espéc ie de estágio na área de Psicologia.Sérgio e Débora: do passado ao presente Os meses foram passando. Diante da pausa em que Wilson refletia em como resumir os fatos. apoiado por diversas camadas po pulares que estavam bem insatisfeitas com os altos valores dos impostos taxados pelo governo imperial sobre a produção de carnes para consumo . quer que a vida acabe. digno de aproveitamento para estudo. seu escravo. contando: Na mais longa revolução da his tória do Brasil. Chegando à sua casa. pois a contribuição da província3. alguns socorristas e outros instrutores que desejavam notícias dos encarnados q ueridos a quem tanto estimavam. deixando-se inclinar às tentações e erros de difíceis repar os futuros. O rapaz sentia-se melhor.

Naquele instante.. Dessa maneira. Estava longe de se r uma guerra.começaram a se unir e crescer por causa dos apelos d os oficiais do exército revolucionário. pobre e indefeso vilarejo. os imperiais derrotaram os far roupilhas em uma e outra luta. Mas as tropas republicanas . A maioria dos soldados daquela tropa do Exército Imperial esta va alegre. a certa distância. pois estavam bem assustados e nervosos. sobrecarregando-as com impostos. menininhas. Chegando a um vilarejo bem pobre. fizeram o mesmo. Tratava-se de um acordo de união arranjado e ntre as famílias. A filha do Marechal Sebastião era Su eli. as mulheres e as criança s foram poupados. era a mais selvagem e vil atrocidade que testemunhou. viram a bandeir a tremulando com as três cores dos defensores republicanos. Em 1836. Convocado para combater os revolucionários farroupilhas. A tropa d eu um grito de excitação.farroupilhas . resfolegavam e trotavam em círculos. Nem mesmo os velhos. Entre muitas coisas presenciadas naquela guerra. Eles não tinham como fugir. criancin has. como se lhe passasse a vez. A jornada seria longa. choro e desespero. Certa vez. Houve vitórias e derrotas de ambas as partes em di versos lugares da província. na tentativa de emboscar Bento Gonçalves. comandante da tropa. Participou de al gumas lutas e ficou desgostoso com o que vivia e presenciava. No vilarejo não havia combatentes.. e ele con tou: Diversas batalhas sangrentas foram travadas no sul do país entre o exército imper ial e os rebeldes farroupilhas. algo bem comum naquele tempo. viu Sebastião. Seus pensamentos fic aram terrivelmente perturbados. Atingiu o agressor bárbaro com um golpe forte e o derrubou. Sérgio prec isou seguir para o sul ou enfrentaria a rigorosa pena por deserção. Marchavam para Porto Alegre. Em seguida ela trocou olhar com Wilson. recebe ndo muitos méritos e até postos de destaque pelas vitórias e estratégias. o que significava um s inal de apoio aos rebeldes revolucionários farroupilhas. parecendo em vantagem. enquanto as mulheres eram impiedosamente maltratadas. A maioria dos cavalo s foram esporeados. Sérgio e outros três do grupamento permaneceram montados enquanto seus animais re fugavam. entrar em um dos casebres. incluindo escravos e presos para se alistarem. nem homens suficientes em condições d e defender os velhos. Dor. tiros disparados e gr itos de pavor eram ouvidos. açoitados e postos a invadir rapidamente o lugar. mas isso não impediu os soldados apearem de seus cavalos. A cena aterrorizante petrificou Sérgio por alguns minutos. após frustradas tentativas. Todos os poucos homens da vila já se achavam mortos. Sérgio tornou-se o oficial de maior conf iança do Marechal Sebastião. Sérgio entrou na casa pobr e de madeira tosca e viu um soldado violentando uma menina que não tinha nem oito anos. O Marechal Sebastião. espírito impiedoso que até hoje persegue Sérgio. Uma ovação animalesca e voraz os dominou. repugnantes e cruéis. mesmo forçado. Moças e mulheres foram brutalmente violentados por vários homens verdadeirame nte animalizados e depois eram mortos com crueldade. desde as grandes cidades até os mais distantes e pequen os vilarejos gaúchos. falante e sob o efeito de forte bebida alcoólica. Sérgio desceu de seu cavalo e os soldados. Virando-se. até então. Golpes de espadas zuniam no ar. mulheres e crianças. Sérgio cav algava cabisbaixo e completamente silencioso ao lado do Marechal Sebastião. pisoteando q uem estivesse pela frente. Após vencer as dificuldades para chegar até lá. da mesma forma viole . Foi então que. pouco antes da prisão de Bento Gonçalves. o comandante do grupamento desembainhou sua espada e sinali zou o ataque dos soldados contra o pequeno. Sérgio. m atar os poucos homens que havia ali. sobre o cavalo a passos lentos. Tudo piorou quando . ex-namorada de Sérgio na atual encarnação. Ele tentava encontrar o comandante da tropa. nessa época.outras províncias. era um comandante militar nessa época. Alguns meninos. A situação mudou. com o intuit o de pedir que ordenasse o fim daquelas ações criminosas. tão chocados quanto ele e que lhe eram fiéis. prometendo-lhes liberdade ao final da guerra. precisando ser dominados com firmeza . Algumas casas começaram a ser incendiadas e saqueadas como de costume. era um jovem Tenente do Exército Imperial e de compromisso fir mado com a filha do Marechal Sebastião. que angariaram recursos financeiros e soldad os. comand ante do grupamento. Sérgio surpreendeu-se com o comandante Sebastião procurando atacar. A chuva fina começou.

Ajoelhada. segurava um pedaço de pano de seu vestido todo rasga do para tentar cobrir o corpo exposto. Despediram -se. O Marechal Sebastião não lhe perdoaria e o mandaria para enfrentar um Conselho de Guerra. enrolou-a com rapidez. Não supo rtava ver tanta covardia. saiu às presas. esposas ou filhas!. Olhando a jovem encolhida ao chão. Tudo aconteci a muito rápido e ele sentia-se muito mal. perguntaram-lhe o que fazer. puxou-a para que se levantasse. e ia atacando-a. A jovem cho rava em desespero. uma outra jovem. ele pôde ver as labaredas avermelhadas clareando a vila totalmente incendiada pela tropa impe rial que fez dali o que queria. Sérgio assobiou para o cavalo que obedeceu ao chamado e foi ao seu enc ontro. Virando-se por um instante para dentro da casa.. mesmo no chão. mas nem tinha para onde ir e ela o atrasaria. ele orientou os dois soldados que o acompanhavam para s e separarem. se fosse encontrado por uma tropa farroupilha seria morto co mo inimigo. Pux o-a pelos cabelos. Num momento inesperado. deixando-o sem sentidos. mas os homens não o ouviam e continuavam com a prática insana. Estou indo embora. Seus pensamentos fervilhavam enquanto aliviava o cavalo da sela e pr ocurava pelo bornal . poderi am ser atacados por tropas farroupilhas que deveriam estar por perto. Chegando à porta. um dos soldados passou por el e. foram até Sérgio. Aquilo não fazia parte de sua índole. joga ndo-a sobre o ombro. retirou-se a todo galope . Sérgio tirou a jaqueta do uniform e que usava e a cobriu. Sérgio ajeitou a jovem envolta na coberta sobre o lombo do cavalo. Havia salvado aquela bela moça de indescritível brutalidade. dizendo: Não conseguiremos impedir essa barbaridade ! Não estou de acordo com atos tão imundos e cruéis. pois teriam mais chance de fugir uma vez que eram desertores e seri am procurados pelo Exército Imperial para serem julgados e. siga-me! . a jovem tremia muito e não conseguia encará-lo. Sérgio gritou em voz de comando ordenando que todos parassem com aquele barbarismo. Foi quando doi s soldados dignos e de sua confiança.. Por outro lado. Certificando-se de poderem passar a noite ali e não serem descobertos. De imedi ato. viu a jovem chora ndo e abraçando o corpo da garotinha que ele havia defendido pouco antes. mas não desc obriu seu rosto para que não gritasse e a segurava firme para não cair ao trote do a nimal. viu o comandante Sebastião despertando. ele entrou novamente. Indo novamente até a porta. Sérgio o esmurrou. o jovem oficial sentiu-se enoj ado com o que presenciava e impotente para controlar aquela situação. como um bicho indomado. Após isso. Tirando a moça do dorso do cavalo e ajeit ando-a junto ao tronco da árvore. Montando seu cavalo. agarrou-a pelas roupas. confuso e sem saber o que fazer. que estava à porta. Indo a sua direção. apesar dos fracos socos e tapas que recebia. Quem quiser. Em meio ao pranto silencioso. Nesse in stante. ele percebeu que o tiro disparado para matá-lo atingiu a menininha fatalme nte. Mas a moça resistiu. cobrindo-a toda e. Eles brigaram por algum t empo até Sebastião cair e. ao mesmo tempo.nta. ficou mais tranqüilo. Parando próxi mo a uma grande árvore cuja copa lhes serviria de abrigo e a mata ao redor de prot eção. pois poderiam ser nossas mães. Era um desertor e precisava fugir com rapidez. Sérgio chutou-lhe o rosto até vê-lo desmaiado. Vendo-a com as vestes e percebendo que a jaqu eta não era suficiente para cobri-la. Mesmo com a chuva fria e fina. mas não sabia o que fazer com ela. segurando firme a jaqueta que lhe dera para se cobrir. Sérgio apoderou-se de uma coberta. usando suas últimas forças para agredi-lo. Agrediu-o. em pé na soleira da porta do casebre. Apiedado. mas ainda bem atordoado. ao olhar para trás. Ao tempo em que Sebastião permanec ia sem sentidos. o que significava encarar a mor te. Após uma curta jornada. O céu recoberto de nuvens cinzentas fez a noite chegar rapidamente. Sérgio descobriu-lhe a cabeça e afrouxou a coberta n a qual estava enrolada. Ele estava preocupado. ele decidiu descer do cavalo. assombrados com a desnecessária violência dos co mpanheiros. o comandante atirou querendo matá-lo. irmãs. e foi à direção da jovem ajoelhada e abraçada à irmãzinha morta. quando Sérg io reagiu investindo contra ele. já rasgadas. que caía sem trégua. crueldade e sordidez. po is acreditou que seria maltratada. o oficial viu os soldados da tropa imperial completamente sem controle como animais selvagens. Mesmo vendo-o desorientado. Momento em que Sérgio decidiu.um saco de couro curtido dividido em repartições para armazena . Olhando para trás.

sincera e íntima foi inevitável. Algumas vezes Tiago não seguia junto do s revolucionários e ficava para reforçar a segurança da estância. Contudo nada interferia no amor que ele sentia por Débora. A jovem então aceit ou o alimento. Sérgio sabia que precisava se livrar do uniforme e de outros artefatos que o ident ificavam como sendo do exército imperial. Débora gritou. A jovem contou-lhe tudo. Porém ele se preocupava. para Sérgio com um comportamento sensual e bem provocativ o. Eles se amavam. decidiu aderir à causa. Sérgio pediu que confiasse nele. explicando a razão de estar com aquelas vestes e afirmou que sobreviveu graça s a Sérgio. com um bom fogo de lareira e mate quente. destacando-se. Sérgio recebia toda a atenção por sua eloqüência e estratagemas. Entre uma e outra batalha Sérgio retornava à estância junto da tropa farroupilha. na maioria das v ezes. E ra difícil ficar longe dela por tanto tempo. A s dificuldades os uniam cada vez mais.um homem muito bem posicionado e influente. e pelas estratégias de Sérgio. rasgou um pedaço de carne salgada e o levou até a jovem ainda acuada. Ele estava decidido a acompanhar o exército farroupil ha em uma última batalha a pedido dos oficiais revolucionários com a finalidade de m ostrar-lhes qual o melhor a fazer. amizade e o nascer de um forte sentimento. necessitavam de provisões e abrigo. Ele cobriu a jovem de modo que não a vissem. Nesse período. pois conhecia as estratégias do Exercito Imperial. de peix es pegos com a lança certeira de Sérgio e frutos silvestres. disfarçadamente. Essa jovem trata-se de Débora. Estavam em fuga e as provisões acabado. por isso ignorava facilmente a tent ativa de sedução da outra jovem. fizeram com que Sérgio e Débora se afeiçoassem mais. As mulheres. precisava p roteger Débora em todos os sentidos. Não poderiam viver daquela forma. que apoiava a revolução. Mais de trinta dias passados juntos. Entretanto não tinha outra vestimenta para usar. Ao conversar mel hor com Débora reconheceu-a como sendo a filha de seu compadre. Em reuniões mais privadas em que a casa principal da estância acolhia. principalmente o mau tempo. Ali mentavam-se de pequenas aves que demoravam a cair nas armadilhas feitas. Rapidamente. Dali foram levados para as terras de um charqueador . na atual encarnação. Mais uma vez o rapaz fi elmente o seguiu. a jovem filha do anfitrião se i nsinuava. a j ovem não conseguia conter seu ciúme nem sua inveja. Sérgio tinha planos e sonhos com sua amada. Uma união mais carinhosa. ele a cobriu com a capa que trazia e precisou ficar a seu lado a fim de se mante rem aquecidos. criando um vínculo de confiança. Cavalgaram dias e enfrentou inúmeras dificuldades. Momento em que lhe afastou os cabelos para ver seu rost o e um sentimento indefinido o invadiu. Em reuniões ou churrascos festivos dos líderes revolucionários. admirando sem participar. Durante a chuva da madrugada. foi realizada uma grande batalh a nas cidades de Rio Pardo e Caçapava. foi cercado por pequena tropilha farr oupilha e um deles apontou-lhe a carabina inibindo-o de reagir. Piedoso. Ao encontrá-lo. a jovem sussurrou ao implor ar para que ele não a machucasse. o relincho do cavalo inquieto surpreendeu Sérgio. pois como desertor do exército imperial ele seria bem-vindo ao exército revolucionário. Olharam-no com outros olhos.r provisões para a viagem. Certa noite em que a garoa pesada e fria os fazia se encolherem abraçados sob a capa e um arbusto. mas permanecia constrangida. sempre usando um ves tido branco de delicadas rendas com um xale que mal cobria os ombros. O comandante do grupo pediu uma trégua e fez muitas perguntas. a água.produtor de carne salga da . Era uma im agem que ele nunca esquecia. só ouviam a distância. reencontrou um dos soldados que desertou com ele. Amedrontada. Era o ano de 1837. os líderes da revolução. Deixando Débora ob os cuidados oferecidos na grande estância que servia de guarida aos farroupilha s. cor reu e o abraçou. Tratava-se de Tiago. Sérgio ficou sabendo da prisão do líder revolucionário Bento Gonçalves. Mas aconteceu algo que Sérgio não previa: a filha do nobre charqueador apaixonou-se por ele. A maior já vista contra o Exército Imperial em que os farroupilhas venceram. Ao vê-lo com Débora. pois iria protegê-la. . Levantou e pegou a adaga para se defender sentind o que estavam sendo vigiados. atualmente seu irmão.

enquanto o homem apontava uma pistola. Ficou totalmente desequilibra da por não esquecer o instante em que Débora. Somente agradeceu o anfitrião. Ele criou lojas maçônicas por todo o sul e preparou um serviço de correspondências secretas. Adentrou correndo na casa e confirmou que Débora estav a morta com um tiro no rosto. havia ficado grávida. Para não desagradar o companheiro. que foi obrigado a enfrentar o temeroso Conselho de G uerra. ofereceu mais força e corage m às tropas republicanas. prometendo-lhe a s jóias que lhe entregou como pagamento. mantendo Débora como refém. morreu em se us braços. Bento Gonçalves era um homem rico. Sabendo da festa d e antemão. Essa moça. viveu seus dias em silencioso pesadelo pelo ato criminoso planejado. Quase todos os empregados haviam se recolhido . A filha do charqueador ficou em prantos. ele montou um cavalo que não deu para ver. filosófica ou religiosa e passou a ser desequilibrada. Por seus préstimos. mas nada disse. na Bahia. maltrapilh o e usando uma capa. um dos líderes da revolução deu-lhe considerável valor para começar ma vida nova e Sérgio aceitou. Para tentar encobrir o motivo da morte da jovem. reencarnou como Lúcia. A vitória dos farrapos em Rio Pardo e Caçapava teve imensas conseqüências para o coma ndante militar da província. Ela tremia. Um homem encapuzado. dizendo simplesmente que estava indisposta. Sérgio a havia desonrado. mas ouviu o galope. O dia clareava quando a jovem filha do charqueador esperava por Sérgio e os dem ais fora da casa. ela ficou só. Mas nada adiantou. com muitas experiências m ilitares em guerras. sua fil ha na época. irmã de Sérgio. Sueli morreu durante a realização desse crime hed iondo. não falham por sermos os herdeiros d e nós mesmos. ou seja. Após o enterro da companheira. divulgaram que ela falec eu de desgosto e tristeza pelo abandono do noivo e por vergonha de sua deserção. o que ela chama de amor. Mas já se encontra de volta ao plano espiritual depois de ex perimentar exatamente o que fez no passado. manteve contato com sua família e Sebastião soube que Sueli. Débora decidiu não ir nem comentar nada sob re o verdadeiro motivo. Sérgio conheceu esse líder revolucionário que lhe pediu para prosseguir a seu lado. Não aceitou a juda clínica. não faltaram convite s insistentes para ele ficar. ela e Débora conversavam animadas na beira do fogo. cumpr imentou os oficiais farroupilhas e partiu. dizendo que no festejo teriam muitos homens sem classe que se embebedavam e criavam pro blemas. Pretendia partir o quanto antes. Sérgio não suportou o golpe. A jovem ha via combinado com um funcionário da estância o assassinato de Débora. E esse comandante era o Marechal Sebastião. a jovem filha do charqueador convenceu Débora a não ir e ficar ali. naquela época. Antes disso. Bem rápido. No entanto Lúcia teve e tem extrema paixão pelo irmão. enquant o todos dormiam. A jovem ficou enclausurada até que uma parteir a foi chamada para fazer o aborto. conversando. entrou exigindo jóias. praticamente desfigurada. mesmo assim buscou algumas peças de jóias valiosas. mas naquela noite foi convidado para um churrasco de comemoração na estância vizinha. ela alimentava a idéia e os sonhos de relacionar-se sexualmente . a casa estava vazia. Sem saber absolutamente do fato no qual foi injustamente acusado. No planejamento reencarnatório a idéia era de ela transformar essa possessividade em um sentimento mais suave e verdadeiro por ele. ter desejos inc estuosos. Mas a anfitriã insistia para que Débora permanecesse com ela frente à lareira forte.A fuga de Bento Gonçalves do Forte do Mar. Depois de um grito de lamento e das lágrimas que cor reram em sua face. As Leis de Deus. Pela versão da moça. Tal fato era de indescritível vergonha à família. Queria Sérgio livre para poder conquistá-lo. ele se calou. quando a port a principal da sala foi aberta sem qualquer ruído. Os empregados estavam alvoroçados e a jovem contou que durante a noite. mas o rapaz queria uma vida tranqüila ao lado de Débora. registradas na consciência. filha do charqueador. A jovem que planejou o assassinato de Débora. Sérgio retorn ou para a estância onde Débora o aguardava. dispondo da total discrição dos irmãos daquela ordem para au xiliá-lo. Wilson terminou a narrativa e Olívia explicou: Lúcia reencarnou como irmã de Sérgio a fim de se desprender do sentimento insano e obsessivo que tem por ele. Bem tarde. A jovem contou que o homem guardava as peças quando Débora se mexeu e ele atiro u. pois sua trama fracassou.

Foi então que o espírito Sebastião passou a dominá-la atr avés dos pensamentos.ex-clamou enquanto tentava segurar a roupa. Os belos olhos verdes do rapaz brilharam ardentes enquanto ele sorria. ao passar as mãos discretamente na silhueta de seu bonito corp . que seja feita a sua vontade e não a minha . ele se elevará espiritualmente e concretizará a que veio nessa reencarnação. ela afirmou estampando felicidade: Eu também te amo. Mas isso nunca aconteceu . Dizendo isso.explicou Olívia.. sregramentos bem comprometedores. os mentores e os demais se despediram e f oram. Era algo que lhe proporcionava prazer. sentimentos e vícios típicos de pobres irmãos sem evolução. Desejos. Mas. na verdade.perguntou a moça com um jeito manso. O que Wilson contou foi somente um dos combates covardes e bru tais praticados por Sebastião. Sentia pela irmã Lúcia o mesmo que por seus outros dois irmãos e nunca cedeu aos seus assédios. ele já tentou ajudar Lúcia. lembremos de Jesus que nos ensin ou: Pai. Lúcia não passa de mais uma vítima escravizad a por esse obsessor que a usa contra Sérgio.. mas. um dos instrutores avisou: Tivemos uma grande lição.. sábio e rudente.Após os esclarecimentos. Pas sos calmos e com o balanço das mãos entrelaçadas. .riu. Ele está subindo!. Ainda segurando-a com carinho. Antes desse reencarne.tornou Wilson. Pode me colocar no chão? É que meu vestido. pediu desculpas e reparou mais detalhadame nte em seu vestido branco. Sérgio é um espírito equilibrado.Olhando-a. sentiu o coração acelerado e declarou quase num sussurro: Débora.com o próprio irmão. mas. Com fé em Deus e acreditando que nada nem ninguém têm mais poder do que o Pai da Vi da. Atualmente. Eu quero te dizer uma coisa. alegre e desconfiado. Sérgio a beijou com toda a força de seu amor. desertado do exército. a consciência de Sebastião alardeava cobranças constante e ele acreditava que isso era por culpa de Sérgio. Seus pe nsamentos estarão invadidos de idéias e inspirações que podem levá-los à prática de falhas. . caindo em desgraça como eles. Sérgio. Sebastião era torpe.. Não adiantou. .. . 8 . incrédula. Sebastião persegue Sérgio. mas ela não contro la a idéia fixa de seus desejos. obscen o. Apertando-a contra si. leve. Agora. força de vontade e bom ânimo para que se elevem nessa atu al experiência. Depois de um instante paralisada. deixando-os em um estado que os faça cair em des espero e culpa . O espírito Sebastião quer vingar-se de Sérgio por el e ter abandonado sua filha. ele explicou: Talvez você acredite que é cedo para eu dizer isso. indecente por seu vício repugnante de atacar e violentar mulheres e crianças. Com gestos suaves. entre outras coisas que sua con sciência imagina. a jovem se atirou em seus braços e ele a sustentou no ar rodopian do uma vez vagarosamente.. O que foi? . E voltando-se para o grupo. mentora de Débora. a nimalescos e selvagens em batalhas desnecessárias. Sérgio o havia repreendido sobre os atos desumanos. com delicados contornos que Débora estava usando. Colocou-a no chão.Respeito e amor A noite caia suavemente e o casal passeava de mãos dadas após saírem do cinema. Sérgio não admitiu nem aceitou as práticas vis e hedi ondas de Sebastião. . enganos. e achou graça ao vê-la pedir r indo de modo constrangido ao falar com jeitinho delicado: Adoro ficar em seus braços. E rogamos para que nossos amigos Wilson e Olívia vejam se us protegidos munidos de fé. eu te amo. que passará por provas e tent ações. meu protegido. Tanto Sérgio quanto Débora serão incentivados a cometerem erros.completou Olívia que mesmo na espiritualidade. Por essa razão devem os lembrar que o desejo no bem é prece a Deus e as bênçãos nos chegam como conseqüência do ue pensamos. O principal desejo desses irmãos. é nos ver prejudicados. ameaçando levar aquilo ao conheci mento dos altos postos do Exército Imperial. desencarnada. . . Nós sabemos . o silêncio reinou por longos minutos a té Sérgio parar fazendo com que Débora permanecesse à sua frente. que o repreendeu. a criatura egoísta e o rgulhosa acredita ter toda a razão. Sérgio riu gostoso.Observando a expectativa guardada atrás do sorri so da jovem.. O silêncio reinou. o rapaz não entendeu. Quando estivermos em dificuldades.. Desencarnado. sem instrução.

.. às vezes sinto como se a conhecesse há muito tempo. Quanto à minha mãe. é o seguinte. Sérgio . Eu te amo muito . E o serviço na polícia?! Não pretendo continuar por muito tempo na polícia. Não imagina como fiquei irritada comigo mesma por não te dar o telefone da minh a casa! Como fui idiota! E a minha curiosidade para saber se você tinha alguém!. Abraçados. O foco da clínica será voltado para a Psico ia. Seus olhos se fixaram e ele afirmou novamente: Adoro você. florais.ela correspon deu alegre. Eu não gostaria que co ntinuasse dessa forma... o nosso namoro.insistiu diante da demora. Sinto falta disso e g ostaria que fosse diferente. Tudo bem! Eu assumo a culpa.. não ganharei o sufi ciente para sustentar todos os meus gastos. ... riu com gosto. Não brinque com isso.. terapias alternativas como acupuntura. pois andou batendo em tudo pelo caminho .Eles brincara m e riam até ele falar mais sério: Débora. começaram a caminhar enquanto conversavam. Esses colegas são de confiança? Sim são! Nós temos várias idéias em mente. estamos direto na casa da R ita..o. . apertou-a junto a si e a jovem o enlaçou p ela cintura.. Amo-te tanto. saímos sozinhos ou com a Rita e o Gustavo. no entanto não vamos nos limitar só a isso. eu e mais três legas vamos abrir uma clínica mesmo. como já te falei. Depende das condições financeiras.. Parece que eu já vi essa cena antes. esses planos para a clínica são para curto prazo.exclamou perplexo.. entre outras coisas. eles conversaram mais a respeito. . mas. Nunca usei esse vestido quando saímos. Olha que vou aceitar a sugestão! .. antes. quando não. menina!.riu. com modo meigo e educado . Tenho consciência de que no início. depois ele comentou bem sér io: Débora. Não... Teremos um setor para massagens de r elaxamento de diferentes tipos. precisa tomar cuidado.. Agora.. Também senti algo muito forte! Uma coisa que não sei explicar! Sabe.. Veja.interrompeu-o.. eu só vou buscá-la na universidade. Débora. O rapaz sobrepôs o braço em seus ombros.agradeceu com jeito meigo.. ... Quase tive um infarto! Você acredita em reencarnação? Acredito! Quando nós nos trombamos na escadaria da delegacia e você me segurou pa ra eu não cair.. Você pode ter visto uma cena do passa do ou. levo-a para o serviço . Mas ao saber que você estava lá em casa para me devolver aquela past a!. Nossas famílias não se conhecem e. homeopatia. Acredito que arrumamos um bom lugar e só estamo s aguardando o trâmite das documentações. ela alinhava o vestido quando ele elogiou com grande satisfação: Você está linda! Obrigada . eu darei um jeito. Desde que nos vimos pel a primeira vez me apaixonei por você! Queria vê-la novamente e senti uma angústia por não me dar o seu telefone! Eu sei. Ah! Seremos três psicólogos e um médico psiquiatra que foi nosso profess or na universidade e um verdadeiro mentor! Tem tudo para dar certo! No carro de Sérgio. foi uma cena que eu já tinha visto antes. teve uma visão do futuro. Como assim?! Nossas famílias oferecem resistência a aceitar nosso namoro.. quando clinicar como psicólogo. riu. eu sei. você acha que eu precisarei conversar com seu pai para deixar claro que nós não estamos brincando e que nosso compromisso é sério? Eu não queria falar sobre isso.beijou-a com ternura.ela retribuiu da mesma forma. Mas?. Nossa Débora!. senhora! . Retire esse nós nos trombamos ! Foi você quem bateu em m! Aliás.. mas com suave sorriso. por isso quero ser bem tr ansparente quanto ao nosso relaciona-mento. Desde que começamos a namorar não freqüentei mais a sua casa e você nunca foi até a m inha. Que bom Sérgio! Fico feliz com isso! Mas. mas. seu guarda! Pode me levar presa! . Mas creio que conseguirei conciliar o horário com o serviço na polícia e com o agendamento dos pacientes.brincou ele..

Não estou entendendo. e quer vê-la compromissada com alguém de seu nível soci al. Nós não conversamos sobre esse assunto e se rá impossível fugirmos dele a vida toda. perguntou : Quer pedir alguma coisa para comer? Tomar um refrigerante? Pode me arrumar um pouco de água.ela sugeriu.Ao levar a bolsa para pô-la sobre o móvel... colocou a bebida em um copo e a serviu. eles adentraram ao quarto de um motel bem lu xuoso. Levemente.. Não fique assim. Débora estava com o olhar perdido e seus pe nsamentos pareciam bem distantes. eu já te contei muitas coisas sobre minha família. . . sua voz embargou. não é? .respondeu olhando-o de modo indefinido. Só vamos conversar. Vendo-a com dificuldade para se explicar. Chegou até a me ameaçar. Por ca . Pouco depois. Sérgio. naquelas férias no fim do ano que eu não quis ir. Tudo bem? A moça não disse nada. Onde? . . Acredita que o patrimônio de sua família é o a lvo de um pretendente como eu. Gritamos um com o outro e o clima está péssimo lá em casa desde q uando eles retornaram da Europa. Nós brigamos muito. .. Espere.. Não fique assim. olhou-a firme ao dizer. Como?! .questionou em tom bondoso. ele tocou sua face gelada percebendo um leve tremor que pare cia vir de sua alma. Mesmo dirigindo. mas ela prosseguiu: Meu pai vem propondo que eu tenha um compro misso com o Breno.A verdade é que o meu pai vem discutindo comigo.. não vou levá-la a um barzinho ou restaurante para falarmos sobre isso . Descobri que a empresa d o meu pai fez e ainda faz negociações bem comprometedoras. .. ele pensou um pouco e disse: Não vamos correr o risco de ficarmos parados em uma esqu ina conversando e esperando para sermos assaltados. sentando-se ao seu lado. Abaixou a cabeça e passou as mãos delicadamente pelo rosto s ecando as lágrimas que correram.. Precisam os de um lugar tranqüilo.pediu com ternura. quase chorando.pediu comovido ao vê-la daquele jeito. colocou-o sobre a mesa e quis saber: Algum problema por estarmos aqui.. Lágrimas rolaram. Ei!. pegou a garrafa com água. Débora? Você está preocupada ou se sentindo incom odada com isso? Precisamos conversar. Sérgio. com a mão em suas costas.Com os olhos marejados. ta? Iremos para um lugar onde não nos Incomodem. Ameaçou fazer algo contra você caso nós não nos separássemos. Se esse assunto é delicado e a deixa sensível. Com semblante bem sério. Precisamos esclarecer muitas coisas com urgência. E sperou-a beber alguns goles e depois que lhe devolveu o copo..Ela obedeceu mecanicamente e o namorado tornou a fala r no mesmo tom: Dê-me sua bolsa . Certo? A jovem não o encarou. Sérgio ponderou: Vejo que temos muito que conversar. A voz de Débora embargou.perguntou ela após algum tempo. O que está acontecendo? . Precavido. Sérgio deduzi u: O seu pai quer que se afaste de mim.ela não conteve as lágrimas. Já incomodamos a nossa amiga o bastante. . Precisamos dar um jeito nessa situação. Quer falar a respeito? É um assunto delicado e. Sente-se aqui. porém incrédulo. Que razões o senhor Aléssio tem para propor um absurd o desses? O Breno e o Lucas têm uma grande empresa de importação e exportação de bebidas. Não é tão simples assim. Então preciso saber.perguntou brando. não acha? Diante do silêncio. fixou-os no namorado e revelou: O meu pai quer que eu me afaste definitivamente de você. Fechando a porta e colocando as chaves do carro sobre um móvel.. Reparando um comportamento estranho na jovem... por favor? Ele abriu o frigobar. há algum tempo. Podemos ir à casa da Rita . Confie em mim. Sérgio percebeu-a sem ação e parada após os primeiros passos.. por causa dos no ssos encontros e.. ele a condu ziu para perto da cama e pediu gentilmente: Venha. nada disse de imediato..murmurou.

Com a voz embargada.. parecendo calmo. Eu tenho uma idéia melhor. Nem parece meu pai.. Ninguém pode obrigá-la a ter um compromisso ou se unir com alguém. Seus pensamentos se corroíam por uma imensa revolta e raiva. pois meu pai sempre o co nvida. olhando-a. A pressão lá em casa está muito forte sobre mim. Além dos obstáculos que encontramos com nossa família. O Breno vem tentando se aproximar de mim e. Ao mesmo tempo. eu viro as costas e saio de casa. Há tempo quero fazer isso e acho que demorei demais... poi s presta diversos tipos de serviços para a empresa do Breno. Em seguida. O senhor Aléssio está pensando em seu bem-estar porque é um homem r ico e. Por que não disse que estávamos namorando? Eu disse! Mas parece que ele ignorou isso. Qual? Estou decidida: vou sair de casa. deixando-a desabafar... Ele sempre foi educado.perguntou Sérgio calmamente. Não fique assim. . Sérgio v iu sua força para enfrentar aquela dificuldade. preste atenção. gentil.. O que quer que eu faça?! . Não me assediou nem se impôs. reconheceu-os. Esfregou o rosto. ela reclamou indignada: Sint o como se o meu pai quisesse me vender. Por que não me contou isso? . Beijando-a com carinho. Passou a me ligar quase todos os d ias.. Você não está só. .. Quando eu sair da casa do meu pai. Ele disse que está apaixona do e não consegue me esquecer. Algo o incomodava e. . Apesar da aparente fragilidade e delicadeza que a namorada aparentava. acomodou-se melhor. apoiá-la em tudo.Débora silenciou por instantes..sa daquele acidente de trânsito meu pai os conheceu. Não existe razão para você querer conversar com o meu pai para tentar convencê-l o que nosso compromisso é sério ou coisa desse tipo. como muitos ladrões. Não estamos no século XIX! Com lágrimas a correr por seu lindo rosto. Sérgio. sou eu quem tem de dar um jeito nessa situação. eles querem que eu tenha um compromisso com alguém do nosso nível. o meu pai vive discutindo comigo por dispensar uma pessoa da posição social do Breno. Só há uma maneira de resolver isso! Eu vou conversa r com o Breno! . no entanto ele sempre vai lá a casa e passa hora s conversando com meu pai. É difícil brigar com gente assim! Eu fui firme pedindo para não me procurar mais. Estamos juntos e eu quero protegê-la.avisou um pouco alterado pelo ciúme. não faça nada. ele não paga o que deve mesmo tendo condições financeira s para isso .chorou. argumentou: Não se iluda. Ele a amava e nada comentou para não ser mais uma preo cupação. Depois de eles irem lá a casa o vínculo de amizade e negociação cresceu. pediu amoroso: Calma.tornou o rapaz. . Pelo visto ele é muito folgado. comentou como um a ameaça: Se é que ficaremos somente no diálogo! Ele está passando dos limites! Não. R ealmente. Eu não vejo motivo para tanta aflição. E o que você fez? . sinto-me como se estivesse vivendo no século XVIII ou XIX. Ele a abraçou forte e afagou-lhe os cabelos. Repentinamente o Lucas e o Breno se uniram ao meu pai e à empresa. porém não tinha como. Ele é muito educado. mas não queria que ela percebesse.. enquanto ele ficou pensativo. Sentia obrigação de ampará-la. Sérgio sentiu-se esquentar.. O namorado estava preocupado. manda-me flores ou presentes.Nesse instante foi vencida por um pranto sentido e sufocado pelas mãos. me criticarem por e starmos juntos.. creio que teremos sossego. pegou as mãos d e Débora fazendo-a encará-lo e argumentou com voz calma: Meu bem. aumentaram as negociações.. Sérgio! Por favor.. Talvez o Breno ou mesmo o seu pai não a deixe em paz. pois desejava ajudá-la. seria pio r saber que um outro cara tenta impedir ou incomodar o nosso relacionamento.Alguns segu ndos e revelou: Como se não bastasse não aprovarem nosso namoro. ou melhor. mas alg o está escuso. . Sérgio.perguntou num lamento. Rico e.Encarando-o. desabafou: Era algo desagradáv el para eu te contar. . Quando fica para o jantar.. E simplesmente ridículo o seu pai propor que tenha um comp romisso com o Breno só por prestar serviços à empresa dele. Daremos um jeito. ela disse: Existe algo muito mais sério acontecendo que eu não sei explicar.disse ao interrompê-lo.

mas não o traí.. Amo demais. por você ser policial. Te quero muito. Errei por omitir. Mas.. Estavam sentados lado a lado e Sérgio controlava imensa revolta e indignação.... nós estamos tão bem! Eu te amo tanto e não queria preocupá-lo ou magoá-lo. Fiquei com medo da sua reação e!.. conte-me tudo o que aconte cer. Débora subitamente deteve as palavras e Sérgio. é questão de tempo. eu preciso saber em que estamos envolvidos e com quem. não sou bandido... Isso é legítima defesa. invadindo-lhe a alma. abraçando-o com força e escondendo o rosto em seu . Bem. Não admito agressão gratuita.. . mas não sei se preci saria de tanta segurança assim. Ela parecia angustiada e preocupada com a decisão dele.falou sério . . Por favor. Algumas vezes em que a peguei ou levei par a sua casa.. Quando ele me pediu. Meu bem. . Tem uma vida social bem agitada por conseqüência dos seus negócios e passa a maior parte do tempo na Suíça.. isso vai acabar quando eu sair de casa. Recostando-se no ombro de Sérgio. ta? Meu amor. A troca de beijos e carícias foi duradoura até a jovem mur murar-lhe ao ouvido: Sérgio. mas contou com receio: Em uma das vezes.. eles permaneceram em silêncio po r longos minutos. eu fiquei com medo que se irritasse e fizesse algo qu e comprometesse nossa felicidade. digo. olhando-a nos olhos: Por que não me contou tudo isso? Principalmente o fato de ele pedi-la em casame nto. A moça ofereceu um sorriso leve e generoso ao tempo em que recebia um carinho n a bela face alva.. Quase não ficaríamos no Brasil. por vingança. Para mim.. Ele viaja muit o. Ela entregou-se ao longo beijo apaixonado. Explicou que viajaríamos muito e isso me fa ria feliz o suficiente para esquecer você. perguntou com aparente tranqüilidade: O que o Breno te pediu? Não quero lembrar isso. afastou-se vagarosamente e perguntou em tom generoso: Está tudo bem. Isso me deixa intrigado. . Ameaçou ao deixar em dúvida de que es sa conversa talvez não ficasse só nisso. Quando eu disse que talvez eu e o Breno não ficássemos só na conversa. quando disse de só haver um jeito de r esolver isso e que iria conversar com ele e.... Acho que ele falou isso por falar. bem calmo. para mostr ar que era o melhor. fitou-a nos olhos. . continuou parecendo aflita: Agora mesmo..Em poucos segundos. Não te nte esconder o que aconteceu ou está acontecendo! É que. Débora comentou: Sérgio.. Tudo bem que o Breno é bem privilegiado.pediu com voz terna ao interrompê-la.avisou. e afirmou bem baixinho: Débora. sussurrava ele entre os beijos e sob o efeito de uma respir ação ofegante ao envolvê-la como que ria sob si e seus carinhos. vi os seguranças dele nos observando. Sérgio.. meu am or? . Só diz qu e me admira e tem uma postura educada. quando conversamo s. seus seguranças me agredirem. Na ver dade..Abraçando-o pela cintura.titubeou. eu... mas vou ajudá-la e apoiá-la no que puder. comentou: Sérgio. ao perceber que a namo rada não exibia mais sinais de choro ou tristeza no rosto tranqüilo. Talv ez como última tentativa. sentindo-a apree nsiva. abaixando a cabeça... Não quis dizer que você era bandido.Erguendo o olhar e fazendo-o encará-la. Isso nunca! E policiais que agem assim não trabalham comigo.. eu referi-me a ele reagir de alguma forma ou mandar um de seus capang as. Não pode associar uma coisa à outra. Fazendo-lhe constante e delicado afago. enquanto ele a abraçava e em seguida deitou-a cuidadosamente. por acreditar em resolver essa situação de outra forma. Desculpe-me. Porém. Já precisei usar de força física. O silêncio foi absoluto.. ele segurou-lhe o queixo. Itália ou em outros lugares. encostou a face em seu peito e falou quase chorando: O Breno não é agressivo nem me impõe nada.. Calma . porém nunca f ui além do necessário ou usei de crueldade por vantagem física. o namorado perguntou. Eu sou policial. .. o Breno pediu para se casar comigo. aqueles sujeitos têm típic a postura de bandidos. estou passando por um período de grande mudança em minha vida profissio nal. mas foi para me defe nder ou defender outra pessoa e em ato de serviço.. atento. Você é a coisa mais importante que aconteceu na minha vida. Desculpe-me.Não vou falar com o meu pai por um bom tempo e o Breno.Ela agarrou-se em seu pescoço. eu te amo. Eu te amo. com sua grande habilidade de obse rvar minuciosamente o comportamento das pessoas.. Sou f a você e tudo isso não passa de obstáculos que não vão interferir em nossas vidas.. Omi ti por medo.. Débora ..Vendo-o calad o.

Por um segundo. sussurrou amorosa e com ce rta vergonha: Por estarmos em um lugar tranqüilo. por não forçá-la a nada. A moça ainda escondia o rosto em seu ombro permanecendo imóvel.. aca lmando-se e entendendo aquele momento. deixando-a de frente para si. o rapaz disse com brandura: Desculpe-me. Bem. ele resolveu: Vou pedir o café da manhã e depois iremos. por favor. Dormi um sono tão pesado. Não quero constrangê-la e não vou forçá-la a nad Fui precipitado e.pediu com leve sorriso.avisou com jeito gracioso. envolvendo-a e se deixando envolver como el a queria. Afagando ternamente seu belo rosto e o braço.. Ela sorriu com doçura. que dormia abraçado a ela. Depois explicou. enquanto ele afagava suavemente suas costas com carinho. pois o queria muito. Hoje é sábado .. Eu não fui legal e. Sérgio se virou e puxou-a delicadamente fazendo-a se deitar sobre ele. meu amor. Tomada de uma sensação estran ha ao lembrar que haviam passado a noite ali. surpreendeu-se: Nos sa! Meu vestido está todo amassado. Somente trocaram carinho e conversar am bastante até adormecerem.. ela falou em tom brando: Não peça desculpas. Em seguida. a jovem se levantou enq uanto ele permaneceu deitado por minutos. . sentiu uma pitada de arrependimento... falando baixinho e envergonhado: Não precisa se justificar. desejo qu e seja algo bem especial. Claro! Mas preciso saber o que pretende. Sérgio . Confio em você. Só que. aproximou-se dele e pegou-lhe o braço colocando-o em torno de sua própria cintura. Eu te quero também. Ajeitando-a cuidadosamente na cama. afagando-a com delicadeza. pára! . mas não me sinto preparada.. ela o chamou ba ixinho: Sérgio.. seus c arinhos. Débora. na sua compreensão por eu não me sentir prep arada e. desejou que aquele momento não acabasse. Sérgio sorriu e nada respondeu. Quero chegar a minha casa... Desculpe-me. Espera. Você tinha algum compromisso? . Não! Você está certa! Eu entendo. O rapaz abriu os olhos lentamente. Sérgio..pediu em tom arrependido. Frente ao espelho. ... perguntou... Sérgio tirou-lhe o cabelo do rosto com gestos sutis de carícias. Deixou que seus lábios se encontrassem com amor e a abraçou. tomar um banho. quase murmurando: Não esto u pensando nada. meu amor. Só com você. trocar de roupa e sair para resolv er uma coisa o quanto antes.ombro. Eu te amo muito! Eu também te quero!. Após a lguns minutos. olhando-o nos olhos. continuou d eitado ao seu lado apoiando-se em um dos braços. amo r. Eu. *** Uma luz pálida clareava suavemente o quarto quando Débora se deu conta de estar d eitada sobre o ombro de Sérgio. aproximando-se: Você está bem? Sim. Parece tão pensativa.. admirou sua dignidad e. abraçou-a com carinho e a b eijou dizendo com voz rouca: Bom dia. Já amanheceu. suspirou fundo e olhou em volta como não se recordasse imediatamente de onde estavam. seu respeito por ela. Acho que perdemos a hora..falou de modo meigo. Pode ser só assim?.Observando -a em profundo silêncio.... Eu disse que só queria um lugar tran qüilo e havia prometido... Vejo que tem dignidade e é por isso que estou aqui. Primeiro não se desculpe. Desculpe-me..... Eu queria sentir seu toque. estou. Por amá-lo. Sentando-se na cama. Não pense que só por estar em um motel comigo deva se submeter a qualquer intimidade.. Só que eu queria pedir para me acompanhar. Logo sorriu. ..perguntou com jeito maroto. com toda a força de seu coração... Olhando-o em sono profundo. Roçando-lhe o rosto com os lábios. . seus beijos.. Não quero que se frustre ou se decepcione comig o por eu ser sincera ao dizer a verdade sobre esse não ser o momento. Sei que não vai me forçar a nada.murmurou.. Apoiando-se sobre seu peito.

poderemos voltar aqui outras vezes para conversarmos.exclamou sério. . Sérgio perguntou: Você se importa se eu tomar um banho antes de irmos? Lógico que não! Vai lá! E você. que tinha o dom de exercer forte atração. não diminuiu o que sinto por você. fique aqui! . olhando-o nos olhos.. mas para mim serve e eu gostaria da sua opinião.sorriu. E. ao vê-la segurar o riso no semblante brav o e continuou com ironia: Então.respondeu o namorado com um sorriso irônico. Se você concord ar. expressou-se brincando: Imagine! Uma hora e meia para mim não é nada! ofer .. Saib a que me senti muito bem por sua sinceridade ao dizer que não estava preparada.. Débora ficou na ponta dos pés.. como aconteceu hoje . beijado. Débora foi à sua direção e argumentou com certo temor: Sérgio. o rapaz caminhou até a janela cuja vista dava para um pequeno jar dim de inverno e continuou silencioso. . Débora . sou agredido e.. continuou: Por favor.falou sério. mas parei .. perguntando animada: Demorei?! De jeito nenhum! .Br eves segundos. ela falava mais detalhes de seus planos enquanto e le reparava as suaves mechas de seus cabelos que reluziam como ouro sob a luz do sol matinal. desculpe-me por essa n oite. Todos são pequenos. Eu a respeito e quero que confie em mim. Você não fez nada errado. por questão de segurança. Nunca vou forçá-la a nada. frustrado comigo. mas riu imediatamente ao brincar.. Não fico muito à vontade quando estamos em lugares públicos ou na casa da Rita e também não gosto da idéia de ficarmos parados d entro do carro. Será com o você quiser. .riu.expressou-se rindo.Ao vê-lo com semblante sério e muito r eflexivo por longos minutos. ela perguntou: Algum problema? Não. Você me deixou nervosa. Sabendo que a levaria p ara casa e passariam o dia juntos.. * * * A caminho da casa de Débora.gargalhou gostoso. Rapidamente ele a envolveu em seus braços e a calou com um beijo... às vezes eu agrido... em que a invadia com seu olhar. Apanho também. Nós temos um equipamento de ginástica em casa e sempre que podemos nós fazemos corridas.. Explicando no m esmo tom. esmurrando-o no peito com suave delicadeza. Sustentando uma denotação d gravidade. continuou: Eu menti para você quando disse que só usei de força física quand o necessário e por conseqüência da função.. Bem. Mas estou sa tisfeito por tê-la abraçado. Longo tempo depois a jovem retornou. Como assim?! indagou inquieta. Sentindo o coração apertar. Vou com você sim. E como. acariciado sem ter de me preocupar com nada. . sabia?! O namorado riu com satisfação e a abraçou. Não demorou e logo foram embora. enquanto a embalava suavemente de um lado p ara outro. Dizendo isso. você desejava que f icássemos juntos em um lugar mais à vontade no sentido de não ter alguém por perto.Visitar três ou quatro apartamentos em vista para alugar. Depois sorriu e fitando-a de um jeito apaixonado. Sérgio esperou no interior do veículo en quanto ela entrou. Você está decepcionado. Assim como eu. . deixando-a preocupada. pode ter certeza de que vou controlar meus desejos e. por eu não. Seu safado! . malhamos e depois luta mos. falou com ternura: Pare de me pedir desculpas. É que já fiz arte marcial. O Tiago ainda freqüenta a academia e é faixa preta. Nós precisávamos de privacidade para conversar em um lugar tranqüilo. Eu te amo.. Débora. E. Estacionando em frente à luxuosa residência. Às vezes bato em meu irmão Tiago e. perdoe-me por te trazer tantos problemas. abraçou-o forte e disse ao ouvido: A cada minuto eu te adoro mais ainda! Só uma coisa. trocarmos carinho.Vendo-o se virar e fic ar à sua frente.. Se voltarmos aqui ou formos a outro lugar tranqüilo e seguro.. O u só dormirmos. Nenhum. confessou generoso: Não vou negar que te desejo. sem razão alguma. Conversaram um pouco e brincaram enquanto tomavam café... O fato de não ter acontecido um amor mais íntimo. beijando-a.

perguntou. a moça se queixou delicadamente ao se sentar: Ai. Não vamos dar atenção a isso. Além disso.. Por que acha que demorei tanto? . já que a família está aumentando e.eceu largo sorriso.reclamou o namorado. espere. você sabe da história e não vou me desgastar. pois logo será resolvido. uma porcentagem do que recebia na polícia eu também poupava. * * * O casal estava em uma cantina italiana e conversavam enquanto comiam: Se não fossem os gastos que tenho com a montagem da clínica..quis saber. Sérgio. mas. .. me deve uma massagem! Vou fazê-la com o maior prazer! . divertindo-se ao rir gostoso.f alou alegre. E eu. eu tinha dois empregos. Só que minhas costas estão arrebentadas por ficar sentado aqui n o carro..indagou mais sério. Ótimo! Mas vamos comer alguma coisa.Sérgio fingiu desmaiar e se jogou sobre ela. Estou exausta. antes de irem. ainda estão molhados. Não pagavam bem.perguntou ele achando graça. E por você ser a culpada.. animada. ele riu exclamando para mexer com ela: V ocê é capaz de atropelar outra viatura e o meu carro não tem seguro! Sérgio! O quê?! . Tenho tanto medo de que te aconteça algum a coisa! Por isso você poderia pedir para sair logo desse serviço.. Serei bem sincera. Sem dúvida! Eu também! É pequeno... E é um dos mais baratos! Ah! Vou alugá-lo! . Puxa! Na verdade. acho meu irmão muito folgado. Não gosto de vê-lo trabalhando na polícia.. De qual gostou mais? . Ganho bem e tenho alguma reserva. Posso me manter com tranqüilidade. Sabe...justificou com uma questão.sorriu. Eu gosto de segurança e a situação está sob controle. De jeito nenhum. Mas?. E eu gostaria de saber por que não deixa seus cabelos mais compridos? São tão lindos! E mais prático assim! . O tamanho é ótimo..Levantando-se rápido.. Antes de entrar na universidade. d inheiro não é o meu problema. . Sei lá! Até você se estabilizar na clínica! Entendo o que quer dizer. Pequeno?! .. Mesmo assim.. Por isso.riu gostoso. Só por ficar do meu lado e me apoiando!... No carro. Ora. Você não acha? Não. Durante o período que durou a graduação em Psicologia. pois eu posso te emprestar um valor. Do terceiro. com fome! . você não ganha tão bem lá! Dedicando-se mais como psicólogo poderá se estabili m pouco tempo e..perguntou o namorado diante da demora. ajudava e ajudo nas despe sas lá de casa. Trabalhava na polícia e dava aulas de Informática em uma escola de comput ação básica.pensando no futuro. pois deixei de dar aula e precisava me virar só com o qu e ganhava como policial. Desculpe-me! É que estou tão animada!.. mas. Às vezes fico p ensando que o verei em um hospital ou. Agora. Sempre fui preve ido em questões financeiras. Mas. . vamos?! Pegou os endereços? Estão aqui! Sei onde ficam! Falaram algo por vê-la chegar agora? ... Mas... Débora.. fechando o sorris o. não cons .. Vou desmaiar de fome e a culpa será sua! . logo no início da noite..Alguns segundos e continuou: A situação ficou difícil quando en trei para a universidade. certo? Ele ofereceu belo sorriso ao dizer para não se chatearem: Pensei que tivesse demorado porque lavou os cabelos. mas eu nunca usei esse dinheiro. Nem minha família sabe que tenho uma economia razoável guardada há tempo.expressou-se feliz. após verem o último da lista. eu poderia ajudá-la. que brincou: Tudo bem! Vou socorrê-lo para um restaurante! Quer que eu dirija ? Deus me livre! . Ele poderia fazer alguma coi sa e ter dois empregos. O casal passou o dia visitando apartamentos que interessavam a ela.

Estou cuidando da pintura. senhora! Só a levarei lá quando estiver tudo arrumadinho! . Na espiritualidade. Após tomar banho.cumprimentou Sérgio. sempre animado. Não!. Agora tudo está mais calmo. Por algum tempo conseguiram afugentar as preocupações q ue castigavam seus pensamentos. sorrindo.surpreendeu-se. Se precisar. E é o doutor Edi son. Porém teve a impr essão de estar acordado. Tudo é dividido entre os quatro sócios? Sim. aqueles pesos lá na garagem estariam enferrujados! Vamo s dar uma boa aquecida. divisórias. Bom dia. Um silêncio fúnebre pesava no ar. falou desanimado: Não estou bem disposto hoje.Sérgio se deixa dominar pelo ciúme Chegando à sua casa.. Os dois estavam animados..Virando-se para sua mãe. Sér gio perguntou: Estava falando de mim? Ouvi meu nome.. Os gastos com livros e outras coisas eram grandes. Durante o trajeto. de uma adequação na parte hidráulica.. Uma vadia como ela só pode passar a noite fora e.gabou-se. Cada um faz uma coisa. ele se lev antou e procurou se recompor o quanto antes. Não sei como. Quem conseguiu foi o Nivaldo. Foi usada p or uma clínica ortopédica e fisioterápica. Ah! Eu quero conhecer! Não. . porém consigo controlar tud o. risos macabros e figuras animalescamente monstruosas. Talvez amanhã à noite. conte comigo . do fisioterapeuta. contribuo com serviços de mão -de-obra. Para afugentar o mal-estar. É uma casa.egui poupar nada. Em dado momento.disse animado. mobília apropriada para determinados setores. servindo-se com uma xíca ra de café.falou com jeito manhoso. dona Marisa reclamou: Você deu para passar a noite fora de casa! E o dia também! Mas eu liguei avisando . Sérgio percebeu que não havia ninguém acordado. espíritos inferiores se alvoroçavam. Você?! . Alguns segundos. malhar e lutar um pouco?! Acomodando-se frente ao irmão. Deixando-se dominar por pensamentos que não l he pertenciam. meu bem . desper tou sentindo as mãos frias e a cabeça pesada.. O João está cuidando da prestação de serviços terceirizados na parte de massagem. de quem cuidará da acupuntura. Aaa. Aquela noite não lhe serviu para o devido descanso. inspirando idéias que pude ssem gerar conflito entre mãe e filho. encontrou seu irmão Tiago fazendo o desjejum e sua mãe falando sobre ele. dona Marisa não parava de se queixar fazendo com que o filho perdes se o apetite. À medida que a senhora aceitava a influência espiritual. em vez de empregar dinheiro. suas reclamações ficavam mais fortes e agressivas. Algumas vezes. ela extrapolou ofendendo Débora com acusações e nomes que feriam gravemente sua moral. deitou-se e rapidamente adormeceu. alguns reparos. Ouvia sussurros. Sérgio! Sente aí! . mas nada disse. perguntou mais séria: Te m certeza que não precisa de uma ajudinha financeira? Não vou mentir e dizer que estou nadando em dinheiro. . Que tal treinarmos um p ouco? Se dependesse de você. . 9 . mãe . ele d irigia vagarosamente.exclamou sorrident e. Deus o abençoe. Bom dia! A bênção. considerável médico psiquiatra. Eu sei. calmamente. experimentando uma onda de sentimentos que começaram a deixá-l o apreensivo. mas as despesas com a clínica estão sob controle. Imediatamente. Chegando à cozinha.avisou com expressivo olhar meigo.pediu Tiago.defendeu-se Sérgio. Lógico! E sou bom nisso! . Tudo está dando certo! E a localização? Ah! É ótima! . admirando-a. é. decoração. quem controla as finanças.. Era tarde quando Sérgio levou Débora para casa e se foi. Pela manhã.disse com sinceridade. Até me surpreendo por conseguir acompanhar com as despesas de um jeito ou de outro. de especialistas em florais e outras coisas. O que significa que as instalações contribuem p ara o que precisamos.

pois estava muito nervoso. com extrema generosidade. A senh ra vive me provocando.. em vez de incentivo. Lembre-se de que ela mesma disse que quase o abortou. luz e parte do imp osto da casa.pediu Tiago com jeito ponderado. Faz algum tempo que estou dando aula na ac ademia e às vezes os treinos terminam tarde ou algum aluno fica lá conversando e. pois não queria mais ter filhos! Você nunca foi querido e só serve como provedor para sustent ar os gastos deles! Sérgio não podia ouvi-lo. Colaborei com tanta coisa e nin guém reconhece. Sabia que o bichinho o acalmava. inspirando-o: Essa discussão ficará pior.. Você fez bem. ta? Não vou admitir que me trate mais assim. acabo dormindo lá. Atirando-se sobre sua cama. o mentor de Sérgio. Por um segundo Sérgio ficou atordoado pelo choque de energia salutar recebida. Só que não conto nada aqui em casa ou meu dinheiro será sugado! Eu não tenho dó deles como você.gritou Sérgio.Bre ve pausa e o rapaz desabafou: Ele e a Ana precisavam de dinheiro para a compra d o mês e eu ajudava! Faltava leite para as crianças. Calma aí. meu irmão. Espere aí! . abraçou-o p elas costas com um gesto paternal. sentou-se na cama ao lado do irmão e pergun tou em tom brando: Está mais calmo? Como posso estar?! A mãe não me dá um tempo! Não tenho um dia de sossego. Dona Marisa não parava de agredi-lo com palavras e acusações injustas. o espírito Sebastião insuflava: Vamos. cara! Já cansei também. Puxa! O Marcílio sempre foi muito folgado. hein! Vamos com calma.Sua mãe nunca o considerou. Tiago havia se levantado e enquanto ouvia o irmão foi até a gaiola e pegou o rati nho de estimação. Falando com o a nimalzinho. Ame e perdoe. Eu pago as contas de água. mas tais idéias chegavam nítidas aos seus pensamentos. Agora. Percebendo ser inútil ficar ali. Mesmo sem ouvir seu anjo guardião. não suportava aquela sit uação. Sérgio! Esse é o momento! Diga tudo o que pensa. tenha bom-senso você.Entregando-o para Sérgio. falou: Eu ia colocá-lo na sua orelha . o rapaz analisou sua mãe como incapaz de entendê-lo e qualquer tentativa para isso só iria desgastá-lo inuti lmente se continuasse a falar. Fica frio . desrespeitando minhas opiniões e sentimentos. Se ela ainda não tem bom-senso. Prefiro levar algumas broncas por considerarem que eu estava na farra a ser roubado pelo meu próprio irmão. Ele estava em pé ouvindo as queixas de sua mãe e não suportou ouvi-la dizer: Não vou admitir que grite comigo.. levantando-se ao mesmo tempo em que socou a mesa com ambas as mãos. Não demorou e Tiago entrou no quarto. mãe! . aproximou-se e.. Tiago! Agor a deu pra ofender a Débora! Não agüento mais essa vida! A mãe está nervosa desde quando você parou de ajudar financeiramente em casa.afirmou Sérgio com veemência. As louças estremeceram e o silêncio foi imediato. Passei muito sufoco para me formar em Psicologia e estou dando o maior dur o para montar a sociedade com a clínica. O que deixei foi de dar dinheiro para as despesas do Marcílio! . sentando-se.exclamou. só recebo críti cas e ofensas.. Es tou pensando seriamente em sair daqui. Tufi! Conta para o seu dono que fui eu quem deu o maior trato na sua ga iola ontem e hoje! .. eu comprava! Até fralda comprei! A h. Não consigo mais ficar nesta casa. mãe! . Virando-se para a mãe. Eu fui um tonto! . ele foi para o seu quarto parecen do irritado. levando-o até Sérgio.Chega. Não tem amor por você. Sou homem suficientemente capacitado para planejar a minha vida e não um vagabu ndo como o Marcílio que vive à custa do pai e dos irmãos! Engravidar uma mulher é fácil! G ostaria que ele fosse homem suficiente para assumir as responsabilidades! Wilson. de tanto levar bronca por chegar tarde demais. ele avisou: Vai lá. Sabe. Agora chega! Nesse instante. Você não passa de um moleque! Moleque?! Depois de todo o esforço que me viu fazer para ter uma vida melhor?! É isso o que eu pareço para a senhora?! Um moleque?! É isso mesmo! Você nem foi homem corajoso o suficiente para constituir uma família! E um covarde por admitir que não queira ter mulher nem filho! . Sozinho terei menos despesas e mais sosse go! Eu te entendo. Comentei com a Débora sobre eu ter trabalhado em dois empreg os. repreendeu: Agora a senhora pegou pesado.revidou à senhora.reclamou Sérgio. ficou pensativo. não! Chega! Tenho que cuidar da minha vida.

a vida será agressiva com você. ..hoje cedo. mas quando percebe que eu não tive tempo nem você. Pelas informações dos parentes e morador es só haviam aquelas duas pessoas que foram socorridas.. água. Mas toma cuidado para ele não escapar. .. ela estava vendo televisão e eu o coloquei no encosto do sofá!. Adoro trabalhar no Corpo de Bombeiros. meu?! Por que não procura algo melhor? Faz um curso universitário?. Brincar com ele ou pôr medo na mãe? . sabe Tiago! Por quê? ..tornou Tiago... não resisto brincar um pouco com ele. está ótimo. Ah!. Eles estavam preocupados. a mãe deu um grito! O coitado se assustou e saiu correndo na minha direção para a ponta do sofá!. .ria divertindo-se.. . emocionados. mas reconfortante não deixá-los na dúvida.. quando tenho tempo. Houve um deslizamento de terra e felizm ente encontramos duas vítimas com vida..... Lógico! Qualquer força será bem-vinda! Mas você não está na escala vespertina? Não. com respeito a uma vida. Ela sentiu algo em seu pescoço e passou a mão várias vezes. Tia go defendeu-se: Ta bom! Eu sei que dá para limpar a gaiola e alimentar o Tufi sem tirá-lo de lá. E recompensador socorrer uma pessoa que e stá se afogando ou mesmo encontrar um corpo desaparecido nas águas ou sob um desliza mento de terras para entregá-lo à família a fim de que possam lhe dar um último adeus. cara! . Acho que não é um serviç fácil. Tiago perguntou com jeito maroto: E aí? Conta. mas os cachorros ainda far . Sabe. mas.Antes de o irmão comentar.. Depois comentou: Viu?! O Tufi confia em mim! Correu para a minha mão. Sem tirá-lo da gaiola. Eu a vi colocando comida.. Eu me agachei e coloquei uns ped acinhos. Provavelmente sobreviveram por lhes restar ar debaixo da parede que caiu sobre elas. Ah! Outro dia aconteceu algo curioso.. como você. Como está a clínica?! Brincando com o rato.lembrou Tiago. me agarrou.Vendo o irmão afagar Tufi. ela cuida do Tufi.. Estou de manhã.perguntou com estranheza.agradeceu.ri a. incêndios.. . Que coisa bonita. Tiago gargalhou gostoso. Tudo pra você está bom.. Não adianta brigar com a vida. É tão gratificante poder quebrar uma parede e tirar alguém das chamas.gargalhava.. Atuavam com amor... comemorando. em choque. O comandante da operação estava com lágrimas nos olhos... fumaça. E o Tufi parou ali p ara comer. o outro respondeu com um ânimo imediato: Ficando ótima! Vou pintá-la na semana que vem. enchente. às vezes. sorrindo desconfiado. porém disfarçou. Por que você não estuda... Pra pegá-lo dá um trabalho!.Após alguns minutos de silêncio.riu. A Débora. mas não quis incomodá-lo e o deixei aqui no quarto. jogou-se para trás de tanto rir e contou: Outro dia. Eu nunca vou me esquecer da ação do grupamento do Corpo de Bombeiros que tirou a Débora das ferragens retorcidas. desabamento. contagiando o irmão ao narrar suas peraltices...afirmou Tiago com b rando sorriso e olhar brilhante. os rolos e pincé Quer ajuda?! . Amanhã! .. Não pensei nisso. sorrindo admirado. olhando-o de modo generoso. Sentado. Parecia não haver hierarquia e. na insegurança e sem a despedida. Que nada! O duro é quando o danadinho sai do meu ombro. explicando os procedimentos..perguntou Sérgio... não a forçaram para arrancá-la de mim. Só uns pedacinhos de queijo no encosto atrás da mãe. ele refletiu um pouco e falou encarando-o: Eu te admiro. quando a tiraram do carro. Já comprei as tintas. Fi ótimo! Obrigado por cuidar do Tufi pra mim .Tiago agitou-se com a lembrança de sua travessura. Mas quando pegou o Tufi na mão. Ela ficou invocada com o que passava em seu pescoço e puxou pensando que era alguma outra coisa.. Houve uma mudança de comando e alteração na escala. as eles cuidavam da imobilização de sua perna. .. Sempre agradeço a Deus quando conseguimos salvar uma vida . Se fizer isso. mano. É! Esqueci que amanhã é segunda-feira! . É t riste.Sérgio sorriu e reparou: É engraçado. O peso da terra era enorme. lógico. A mãe me xingou tanto! ... De relance . meu! Nossa! Aquilo é min ha vida! Não me sinto policial! Enfrentando fogo. hein.. De um desabamento. .. . A mãe nem piscava.. eu vi dois se abraçando. A m morre de medo dele. Os cachor ros foram usados para encontrá-las mais rápido.expressou-se Sérgio. pois é você quem a faz... desce para o chão e corre te procurando. Co nversavam. estava tão atenta à novela e não percebeu que era o rabo do Tufi. trocando o jornal ..

. O senhor Aléssio está mais calmo? Parou de me culpar por sua decisão? Não conversamos mais.riu. Espere. Ao contrário.. Levantamos uma parede de madeira caída e encontramos uma cachorrinha! Fi lhotinha! . Só quis saber se eu estava bem e. cavavam mostrando que tinha mais alguma coisa ali. Débora..ejavam. E o Breno? . *** O tempo passa célere. Todos cuidam com a maior atenção da Violeta.Vendo seu rost o pálido enrubescer e a moça fugir-lhe ao olhar. Ela e o namorado estavam as sistindo a um filme deitados no tapete da sala e apoiados em almofadas. mas. preocupou-se. Houve muita discussão antes e depois de sua mu dança. E está melhor assim. O Breno a procurou? Procurou-me. minhas costas. E vocês a socorreram? . independe nte e isso me trouxe tranqüilidade. O apartamento alugado ainda não tinha toda a mobília. Ele não perdeu a classe nem me fez qualquer pr oposta. surpreso com a procura e o interesse das pessoas pelas diversas terapias. questionou bem calmo e sério: Sei que venho perguntando isso com freqüência. .. Débora.O rapaz tinha o olhar perdido e os pensamentos distantes . o amor e a confiança entre eles aumentavam e os uniam cada vez mais.perguntou com jeitinho. sem ninguém para incomodá-los.. Não estava atento ao filme nem ao que a namorada dizia. . Não. porém sinto-me mais livre. Lógico! É uma vida. choravam. Esse rapaz não é equilibrado para insi tir tanto assim! Ele é obcecado por você! Não sei o motivo.. Ai. contra você! Por que não me contou? Quando foi isso? Meu amor. E depois?! Ela precisou tomar antibióticos.resmungou a jovem baixinho ao se remexer. Violeta! Foi o nome que demos a ela e através de votação! O dono não foi procuráa e ela se tornou mascote lá no grupamento. Um não freqüentava a casa do outro e por isso quando não est avam na companhia de amigos. Havia ameaça de outro deslizamento há qualquer momento. com a clínica! Eu não que e levar mais problemas! Você não é um problema para mim.. . após leve sobressalto. Sérgio! Um veterinário do canil da PM a atendeu.. no começo estranhei um pouco. o que deixou o senhor Aléssio furioso. Ficou boa e entrou nas vacinas! . aliviando seus pensamentos da discussão com sua mãe um pouco antes e das preocupações com os problemas de família. *** Apesar dos obstáculos com as famílias que não apreciavam o namoro entre Débora e Sérgio ... Os cães insis tiam.perguntou curioso. As coisas melhoraram depois que se mudou para cá? .contou Tiago com expressiva alegria. Como te falei. Já brigamos bastante. E ela perguntou: Quer ma is pipoca? Ah!. o que nos deixava bem preocupados. O que foi.quis saber ele. você está com muitas preocupações com sua família. Deitado ao seu lado. esse é o método dele para se aproximar. Sérgio? Você está tão longe. Não vejo a hor a de entregarem o sofá. . engessou uma das patinhas e nós a levamos para a unidade.. Violeta?. Mas. Tem que ver como é inteligente! Só falta f alar e brinca pra caramba! Sérgio se distraía com o que o irmão contava. obrigado . A única c oisa que a coitadinha não gostou. procuravam um lugar tranqüilo onde pudessem conversar e trocar carinho com segurança. Débora deixou a casa de seus pais. sim. Sim. mas acho que esse cara vai tentar algo contra nós. Sérgio segurou cuidadosamente sua face delicada e tornou com baixo volume na voz g rave: Prometemos dizer a verdade um para o outro. Ele não ligou? Você não procurou falar com ele ou com sua mãe? Não. Sérgio estava satisfeito com a clínica.respondeu.. Olhando-a profundamente... nada conseguia separá-los. Diminuímos o número de bombeiros em risco e começamos a tirar a terra com cuidado.

. ele decidia o que fazer diante daquela traição. Inspirada por Olívia. Constrangida. que o inspirava. Débora! O que queria ouvir de mim?! Parece que sou sempre o último a saber! Não!.... Estava pronto para ir embora... Sérgio!.explicou. Recebi incontáveis recados dele e todos bem gen tis.. Débora? . pegou as chaves do carro e a jaqueta.. murmurando sentido ao encará-la. Eu estava envergonhada. A primeira vez. mas não hoje!. prosseguiu: Pelo fato de muitos ali te conhecerem.. e mesmo com a voz entrecortada.ela chorou. segurou em seu braço forte e enrijecido.. Ele nunca me ofendeu. Sérgio sentiu-se transtornado. conversamos na frente do prédi o e ele me pediu perdão se culpando... Puxa! Eu precis o atender o celular! Trabalho com isso e dependo desse emprego mais do que nunca . disse que queria ser meu amigo. Sérgio se levantou. sua mentora.Mas o Breno é! O namorado estampou nítida insatisfação por ela ter omitido o fato e insistiu mais sério: Quando e quantas vezes ele a procurou? E o que disse? Ta bom! Se quer saber mesmo!. saberem que namoramos eu.. Eu ia te contar. Algumas colegas ficaram me olhando com aquelas flores nas mãos. E .. e o abraçou pelas costas implorando: Por favor. esqu eceu? E o Breno por sua vez não deixava de freqüentar sua casa... Foi o mesmo q ue receber uma facada no peito e ver seus sentimentos destroçados pela decepção. Marcar c om ele em outro lugar. .Sentando-se ao seu lado. Não se preocupe.. Eu dispensei o Breno e.. Virou-se para a janela novamente sem olhar para Débora. a não s er.. esqueceu? Porque meu pai queria que terminássemos! Em tom baixo. As pessoas qu e passavam. Não me surgiu outra idéia. por me verem com ele que.um prant o copioso a interrompeu. sem querer. Co m os pensamentos fustigados e extremamente contrariado.... o Breno foi educado. castigando os pensamentos do rapaz com as piores idéias.perguntou em voz baixa. Caminhou até a mesa.. mas se controlou e perguntou: Por que você atendeu as ligações do Breno? Não olh ou o número no visor do celular? Ele tem uma empresa grande. em tom arrependido: Ele foi até a com panhia imobiliária e me esperou sair. Por que não me contou? .. Os números são diferentes a cada ligação. Envolto por energias pesarosas do espírito Sebastião.... Débora se levantou. Confusa. Generoso por. Ele me procurou pessoalmente e das vezes em q ue nós conversamos.. quase impiedoso: Você aceitou as flores. Caminhou alguns passos e ficou olhando atra vés da janela para não encará-la. Até se culpou acreditando que eu saí da casa dos meus pais por causa dele. às pressas. Das vezes em que. respondeu no mesmo tom: Não! Saí de lá por você.perguntou.falou sob o efeito do choro que t entava segurar. .. que chorava. Débora?! Soluços quase a impediam de falar. ele perguntou secamente. Flores?! .sua voz embargou e era difícil conter as lágrimas. Virand o-se e vendo-a sentada no chão sob o efeito de um choro silencioso e sentido. . Que idéia você teve.. ela contou: Fiquei con.. O que eu poderia fazer?! Ele me entregou o maço e eu segurei! . escondendo o nervosismo.sussurrou. E não foi?! Encarando-o. que não conseguiu envolver e falou entre as lágrimas. parec endo implorar por compreensão.. Que se exibi a gentil. Sentia uma fúria nunca experimentada. O espírito Sebastiã não oferecia tré-gua. .. Sérgio sento u-se rapidamente e reagiu com austeridade ao interrompê-la: Como é?! Vocês se encontraram e conversaram?! Quantas vezes vocês saíram?! Não pensei que fosse protestar dessa forma! . Mais o que. Mesmo chorando. Veja como você está?! Estou me sentindo enganado. dispensou o Breno e?. segurou-a com força.. . Perdoe-me! Não aconteceu nada! Só conversamos! Ele se virou de frente para ela.gritou Sérgio. atendi o celular e conversamos. ves tindo-a.Sérgio sentiu-se esq uentar. dissimulando o ciúme. Suspirou fundo.. lembrou-a: Seu pai desejava que terminássemos para você assumir um compromisso com ele. apertando-lhe os braços ao . Estav a incrédulo..

.respondeu. vê-lo bem estabilizad o e. enquanto a envolvia com um dos braços. ele empalideceu e não disse mais nada. Não pode esperar um filho meu. Primeiro..lhe dar um leve chacoalhão e.. o quê? . Encarando-o firme e séri a.. arrumar um bom emprego. afastando-a um pouco..... Desculpe-me. Não esperei para ouvir tudo o que precisava contar. explicou com voz morna e apaixon ada: Lógico que não existe bebê algum. Vendo-o confuso. Eu sei! . perguntou firme: Você contou isso para a Rita? Contei. explicou. ..ele pediu com baixo volume na voz estremecida.. Não teria como eu engravidar.. mas. apesar de gostar muito de mim!. Espere aí .. Nunca houve nada.. É que não suporto a idéia de vê-la com outro. ao vê-lo pasmado ainda. que esperar um filho seu me faria à mulher mais feli z do mundo! O namorado permaneceu alguns minutos parado à sua frente concatenando as idéias. mas não o fiz quando tudo aconteceu por medo de você reagir fu rioso contra o Breno. eu não tenho as cólicas.. e abraçou-a com força . Mentiu par a mim. Estou envergonhado pelo me u comportamento. indagou: Acha que sou louca?! . Eu sorri. ela aguardava uma manifestação. você me enganou . Mas não posso negar que seja meu sonho. Ficou petrificado. enquanto usar esse hormônio. disse que queri a ser meu amigo. Eu te amo tanto.. Eu menti para me livrar dele.. E eu?! Somente agora me diz que ele foi gentil. ... Além disso.pediu extremamente humilde e acanhado. Débora se colocou à sua frente. pôde ver as lágrimas correr no r osto do rapaz. levantei e fui embora. . Por favor. tenho medo de que algo aconteça com você. Com a voz abafada em seu peito.. Débora. Mas. Sou eu que devo pedir desculpas. em público! Quando ele. Sérgio! Eu só queria resolver essa história com o Breno da melhor mane ira e de uma vez por todas.Respirando ofegante. com toda aquela generosidade. Sérgio! Eu mo rreria!.. a jovem pediu chorando: Desculpe-me.. O Gust avo também deve saber.. mas. murmurando com sorriso leve e doce: Quero terminar a faculdade. Você não pode estar grávi a. puxoua para si e perguntou bem calmo: Ele te procurou novamente? Não . Fui pr ecipitado demais. Débora.. gritando: Eu pensei em me livrar do Breno com a mesma classe que ele exibe! Então pedi pa ra me encontrar num bar.Tornou. mas acho que funciono u. na minha test a?! Sérgio a largou com um leve empurrão e ia embora. Com o coração acelerado. ..respondeu firme. ela continuou com lág rimas correndo na face pálida: Eu não queria que você brigasse com ele! Já tem muito com o que se preocupar. Eu falei que te amava m uito e que nós dois estávamos imensamente felizes por eu esperar um filho seu! Sérgio levou um choque. Ao me ouvir dizer que estávamos felizes por esperar um filho. não mênstruo nem eng ravido.gritou para despertá-lo.. Passando a mão delicada com suavidade ao apará-las. Acariciando-lhe os cabelos finos. te l evou flores e que você marcou encontro com ele?! Está escrito: idiota... abaixando o olhar ao tempo em que ele a segurava. Eu disse que sentia muito! Qu e ele era uma cara legal! Mas que eu amava você! Disse que a nossa amizade seria d ifícil pelo fato de você ser ciumento! E.Mais branda.. ali perto. por eu usar uma medicação para impedir as cólicas terríve is que sinto e.. parecendo ainda estar sob o efeito de choque... porque nu nca nos relacionamos! Segundo.Afastando-se do abraço. desculpe-me pela reação irracional.murmurou. tremia ao revelar : Com toda a força e verdade vindas do fundo do meu coração. olhando-a com um brilho lacrimoso nos belos olhos verdes. Ele reagiu oferecendo leve sorr iso. no dia seguinte. imp edindo-o de sair e contou rápido. sentindo-se ferido e decepcionado. chorando junto com ele: Eu ia te contar. Mas. Sérgio. Sei que errei por esconder os fatos. Estávamos lá sentados em uma me sa na calçada. fitando-o nos olhos.ele sussurrou. Não! Vez e outra eu te pergunto sobre o Breno e você diz que está tudo bem! Então isso é t udo bem para você?! Por que não me contou?! Aaaaa! Mas contou para a Rita!. ta? .. .

Tem alguma coisa que queira me perguntar. Estou me sentido tão mal!. Talvez seja alguma experiência p essoal a qual não me deve explicações. perguntou: Machuquei você quando a segurei? Não!. É. O passado não me importa nem me incomoda. .. Estou com vergonha. eu namorei um rapaz.quis saber generoso... Eram amigas e se davam muito bem.tornou ela mais séria. sentiu a voz travada e duas lágrimas deslizaram por sua bela face.Deixando-se conduzir. eu sempre quis te contar isso.. Vendo-a pensativa. Não pense que a estou pressionando. . sem se deixar envolver pelo abraço.. você rea giu de uma forma muito estranha. Estávamos juntos há alguns meses e nos gostávamos.Beijando-lhe a testa. continuou: Tive alguns namoradinhos.. Não foi isso o que fiz. eu me sentia envergonhada. sinto uma dor no peito p or você ter falado que eu o enganei daquela forma.. Isso não pode acontecer! Eu não conseguia falar e você me pressionava só com o olhar. puxando o braço.falou sério com o semblante triste..pediu com jeito generoso ao pegar o braço da namorada e levantar a ma nga da blusa. Cerca de três anos antes de te conhecer. pedindo com jeitinho gracioso ao sorrir: Tire a jaqueta e deixe essas chaves aí. entende? Não me sentia preparada. quero te contar. Vem cá. Fui precipitado demais e. ao entrarmos no quarto. não pr ecisa contar nada.. confusa e tre mia. sentou-se ao seu lado e confessou: Eu também estou envergonhada por omitir o que fiz. Tudo bem .O namorado obedeceu e ela tornou fala ndo no mesmo tom: Agora vem. Porém. O que é? Débora.. mas eu regulava. Não sei explicar o que senti na h ora.. Parecia com medo. propôs: Acho que não é o momento ideal para colocarmos uma pedra sobre esse assunto e esq uecer tudo. Sérgio as aparou e. O que fiz foi agressão. Sérgio? .. Pare com isso. Vamos terminar de assistir ao filme. Eu quero contar. Tem algo que me incomoda . Na verdade. Ele sempre insisti a para uma relação mais íntima. Você é ciumento! . ao mesmo tempo em que examinava. abaixando o olhar. tentando abraçá-la: Esquece. Nossa s famílias se conheciam. Era algo mais sério. tudo bem.. Se quiser fazer pergu ntas.. Qua ndo surgia oportunidade. você precisa saber. Perdi o controle emocional e a razão. falando em voz baixa: É que eu jurei nunca mais entrar em um motel. falou firme e. Vem cá. fazendo-lhe um carinho no rosto gelado. afagando-a o rosto. por favor. mas nada sério. Não consigo ser ágil sob ressão e.admitiu.. Estava nervosa. sobre o que nos diz respeito..sorriu..riu suavemente ao falar. Seus olhos ficaram marejados e Sérgio pediu com ternura. fal ou no mesmo tom: Se não quiser me contar. Eu tinha acabado de faz er dezoito anos. Só quis pou pá-lo de problemas. Isso é passado e não quero vê-la magoada. . comovido.. Débora aproximou-se. ... Se não o incomoda mesmo. Tem algo que ainda queria me dizer? .revelou.indagou com voz branda e olhar enternecido. Por quê? . ele argumentou: Eu te adoro! Podemos ser bem felizes juntos! A jovem o beijou nos lábios e o puxou pela mão. Sou . quando ela o deteve e encarou-o... Não tinha chance e. Apesar de ser algo superado. . Olhando-a firme.Encarando-o.. . Isso não podia contecer.. ta? Ele lhe fez um leve carinho na cabeça e ia puxando-a para um abraço. acho que devemos deixar tudo bem claro entre nós. Ela engoliu seco. Sérgio. Contei tudo o que precisava saber. o rapaz acomodou-se no chão novamente e ela perguntou enquanto preparava o equipamento para retornar a ver o filme: Está com fome? Não.. Agora eu entendo. perguntou com bondade: Tem certeza de querer falar sobre isso comigo? Se você já superou esse fato. fique à vontade.expressou-se com leve sorriso. Sempre lembro disso e. quando fomos ao motel pela primeira vez. Para ser sincera. Não. Às vezes.. A partir do momento que decidimos ficar juntos. Débora .

mas você sabia como me envolver e se controlar. fui correndo vestir minha roupa.. Então o empurrei com força. Eu estava ansiosa e até nervosa. o quê? .... me bateu forte e eu não conseguia reagir.. . pois isso só serviria de escândalo em nosso meio social. Confiava mais e mais em você. pois acho que fiquei com algum trauma. Eu sei que me desejava. Meu bem .falou com ironia. ao chegarmos ao quarto.. digno.. Mas. com brandura. Ele me viu com a boca sangr ando. entregou-se ao abraço de Sérgio.. Eu te queria tanto. mesmo com as lágrimas insistentes. com hematomas no rosto e nos braços. e bater com toda a força em sua cabeça. me agrediu muito.. vendo-a recomposta. de vidro. Não era o que eu queria e mudei de i déia.Débora suspirou fundo e contou: Como eu ia dizendo. . Consegui pe gar um cinzeiro grande. que com as carícias eu te excitava.. enquanto eu adorava acariciar suas costas. s . que estava no banheiro. mas decidi que teríamos mais intimidade. você foi tão leal. que a agasalhou em seu peito. pois. Estava nervo sa. Não me deixaram sair do motel até ele atender ao telefone do quarto. Depois. Ele caiu d esmaiado. Segundos de silêncio em que se entreolhavam e Débora falou calmamente: Na primeira vez. com medo e fui para casa.. Ele ficou furioso.Caindo em um pranto sentido e silencioso. Nunca mais vi aquele cara. Pedi para q ue fosse tomar um banho. se não houve estupro. sem dizer nada. vi que ele havia feito uso de drogas. Chegamos ao quarto e me sentia s uada por dançar a noite toda. tive me do disso atrapalhar nosso envolvimento. ela contou com inflexão de agonia e des espero: Eu disse que iria embora. Mas eu desejava que não fosse a um motel. Débora abaixou o olhar e Sérgio perguntou. confusa. . . Pedi que fizesse alguma coisa. Quando olhei. sem relutar... lógico que nossas famílias eram amigas.Longa pausa..Lágrimas correram e sua voz embargou. me jog ando na cama..perguntou Sérgio diante da demora. Não! Não existe outra mulher na minha vida! . todos tinham dinheiro ! . Eu chorava ao contar para o meu pai o que aconteceu. Minha decepção foi imensa. por isso decidi tomar um banho. pedindo para que parasse de agir daquela forma. pois e le é advogado! Porém meu pai disse que eu era maior de idade por ter acabado de faze r dezoito anos.. Fiquei apavorada. mas ele me segurou. Ela o encarou e seu rosto iluminou com um lindo sorriso de satisfação pela fideli dade do namorado. Isso me martiri a.. Pensei que iria me tratar com car inho. eu estava com medo sim.. Depois argumentou: Precisávamos de um lugar tranqüilo e seguro só para nós. Saí enrolada em uma to alha e pensei que ele fosse tomar uma ducha. encontramos com amigos e nos diver timos bastante.. porém nem me ouviu e. Estava insano e tentou me forçar a ter relação. Mas. fui me acostumando e o admirava.. mas me senti sufocada.. Ele não deu importância e continuou. Eu sabia o que ia fazer em um motel e.sorriu generoso .. não pre cisaria prestar queixa. . eu me arrependi por só ficarmos daquela forma. pois estava me forçando.. Imagino que deva se relacionar com outra mulher. Ao sairmos de lá... Quantas vezes me frustrei. trocamos tanto carinho. Das outras vezes em que me l evou lá. Peguei as chaves do carro e fui embora. mas não me senti preparada.Demonstrando-se bem aflita. ele falou: Desculpe-me fazê-la relembrar tudo isso e também por agir daquele modo quando fom os ao motel pela primeira vez. disfarçando a indignação: Ele a violentou? Não! Mas eu estava atordoada. Naquele di a fomos a uma casa noturna onde dançamos muito. Deitava-se de bruços. afastando-o de mim... Demorou. Levei um sus to quando esmurrou a porta.interrompeu-a de imediato. Conversamos bastante. ele me levou a um mote l muito luxuoso.. Levant ei. Quase atacada. Fiquei nervosa e aos grit os brigamos. mas não. Só d epois fui embora. e tranquei a porta. Demorei um pouco lá dentro pensando no que fazer. Depois fique i mais à vontade.. eu sugeri e. Decidi sair e encará-lo. pois eu não era qualquer uma pa ra ser tratada daquele jeito. Entende? Lógico! Sérgio. e lágrimas rola ram num choro silencioso. respeita minha insegurança até hoje.. Larguei a faculdade de Direito. Após longo tempo. Sérgio a acariciava com ternura. nós ficávamos tão à vontade! Quantas vezes me deixou tira seu vestido.. a moça continuou: Ele estava eufórico. O diei meu pai a partir desse dia. E sobre mim.

a jovem avisou: Vou pegar uma blusa mais grossa e sair para comprar algo e café. tomou um banho e foi até a sala. deu meio sorriso e concordou. ou tro não. silenciosamente. como sonhou. ... que o amava e dando-lhe suave s beijos que o estimulavam. Ele sorriu. Você não tem café em casa? . mas ficava imaginando e. viu que a chuva caía sem trégua e o céu estava encober to por nuvens cinza. enquanto f aziam o desjejum. Débora... Preciso dessa estabilidade financeira no momento. e ele tornou a pedir: Por favor. Ficaram deitados sobre as almofadas por longo tempo e em total silêncio.. Ainda não parou de chover! . Desejo-te tanto! Também te amo. Um tempo depois.. Fique tranqüila. Sempre vou respeitar a sua vontade.. Mas o retorno do investimento ainda oscila. a clínica não está dando lucros gigantescos. Ela sorriu ao se lembrar da noite anterior. Pára. ao ouvido. . Mas você é um psicólogo! Sócio em uma clínica que está dando certo! Sim.. embalando-a e dando-lhe um beijo rápido.falou com jeitinho. Tomei uma decisão sér . Ai! Que susto! . mas já começamos a obter retorno do investimento. Tudo aconteceu como queria. meu amor! . Sérgio. * * * O dia amanheceu num ritmo lento e silencioso. Nunca o vi totalmente despido .. Geralmente uso o microondas para preparar pratos conge lados. Olhando pela janela.respondeu. Sérgio a tomou nos braços. Sérgio comentou: Como você sabe.ofereceu sorriso enigmático . é muito tempo! Esse trabalho é arriscado! Eu falto morrer quan do sei que está em serviço! É questão de tempo. Ai.admirou-se ele ao olhar através da janela. Eu adoro você e vou respeitar sua von tade até decidir pelo melhor momento. só aceitava e não imagina como isso transformou meu modo de sentir e pensar... Não... Dormiu bem ? Nunca dormi tão bem! . Vo cê precisava saber para não pensar que eu o rejeito.perguntou com simplicidade.sussurrou-lhe ao ouvido com voz doce. Nunca a vi totalmente despida . Sérgio pediu.. mas no fundo sentiu uma ponta de decepção. Puxa! Como eu queria te contar tudo isso! Mas tinha tanta vergonha. Pense bem. A jovem o abraçou com força.. Sérgio chegou de mansinho e a abraçou pe las costas. eu faço questão! . Ela suspirou fundo. Afastando-se sorrindo. Sem suportar as carícias. Seis meses?! Sérgio.. Você nunca me forçou nem exigiu satisfações. Sei lá! O namorado a aninhou nos braços. murmurando. Débora.entir sua pele macia e a massageava.revidou no mesmo tom provocante e adorava toc ar seu corpo. Levantando-se vagarosamente para não acordá-lo.admitiu sem graça. Bom dia..... Adorava acordar ao seu lado e esta r segura. Tornar am a assistir ao filme. O mundo deixou de existir para eles. não se sentir frustrado e... Mas.murmurou com voz suave e romântica. mas é garantido.. Pára.. não vou traí-la com outra porque eu desejo você. Há mês que ganho mais. Por mai s forte que sejam meus desejos.A moça não atendia.. Débora acordou e sorriu ao ver seu amado deitado de bruços. Posso não ter um bom salário como policial... beijou-a com carinho e disse baixinho: Eu te amo. sobressaltou-se quando.disse. Já era quase noite quando terminou.. virando-se e abraçando-o. Não precisa!. Depois decidiu: Espera. Vou tomar um banho e iremos juntos. beijou-a e obedeceu. dormindo um sono tran qüilo e profundo.. Sem perceber que os minutos passava m. Não sei fazer café e uco entendo de cozinha.. Foi então que mergulharam em um oce ano de carinho e amor verdadeiro. certo..exclamou rindo. Então me leva para o quarto .. Eu te quero muito. Então você vai sair da polícia? Acredito que daqui a uns seis meses. Não tenho quase nada em casa .. sussurrando: Débora.. Eu também te quero.

Levo a sério o nosso compromisso. Conseqüência de dois serviços .. Que decisão?! . Continuando a m orar com meus pais. . sim! Venho morar aqui. Isso será algo muito especial em nossas vidas. comentou: Não vou me sentir bem morando aqui.sorriu. meu bem. João. mesmo se dividirmos as despesas.. Não voltarei a morar na casa dos meus p ais.comentou João. Ei!. Pretendo ter um futuro promissor ao seu lado. vamos lá! . eu respeito sua opinião. mas. Acredita que não devemos aceitar as situações tais como são. pode parecer cedo para eu dizer isso. esse sempre foi o seu desejo. afirmando: Débora. Se é assim. transformando-m e em outra pessoa para me exibir. Conte comigo! Está na hora de se livrar do que o mantém cati vo e empreender sua própria jornada . porém verd adeiro. Não estou sendo infiel. murmurou ele. Ele se levantou. Sentia necessidade de ser ouvido e viu naquele momento uma oportunidade: Já que o doutor João se dispõe a ser meu terapeuta. Vou alugar uma casa e já tenho uma em vista. A casa está maltratada.reagiu de imediato. . Acho que sim. Por que. mas nada que não tenha conserto! Gostei da sua decisão. 10 Sérgio revela o assédio de sua irmã O tempo passou e Sérgio conversava com seu melhor amigo e sócio no final do dia. Sabe. ergueu-a. Eu adoro v ocê. olhou-a nos olhos brilhantes. Venha morar aqui comigo! Ele abaixou o olhar e. Não! . Débora não conseguiu segurar as lágrimas. entramos em desequilíbrio com nosso ser.indagou com voz melancólica. vai parecer que eu quero buscar a perfeição. Conseqüentemente. Estou tão cansado.. Não quero mais morar com meus pais.... Você tem uma mãezona que o apóia e condições que eu não tenho. perguntando com ternura: Tudo bem? Tudo. . sabendo que posso ser independente. Nós nos uniremos por uma decisão e não por uma necessidade. deixe ontar! . meu amigo. se você deixar! Eles se abraçaram felizes com a esperança florescendo em seus corações apaixonados. busca o domínio de si mesmo e empreende uma jornad a nova. após um relampejo de reflexões. Quer evitar comentários e críticas? Talvez.animou-se um pouco.a e vou precisar desse dinheiro agora. Todo aquele qu e se previne de riscos danosos. Aí. Sérgio? ..perguntou com leve contrariedade no semblante. Nem preciso entrar em det alhes.. brigas inúteis ou sufocar-me ca lado ao ser desencorajado quando eu procurar ter paz e fizer esforços para ser bem -sucedido. Fique tranqüila. Estou honrando e valorizando o q ue realmente é verdadeiro em meu ser e isso não é errado.. Mas se a situação ficar difícil e. Acomodou-se melhor em sua cadeira e falou em tom irônico. Não sei ex plicar.. princ ipalmente para minha mãe. D epois comentou: Quando eu deixar a casa dos meus pais. Se desprezarmos os chamados. Mas não é o caso.. Estou alugando uma casa e vou querer a sua ajuda pa ra algumas reformas! Não dá mais para viver com meus pais. Quero paz! E o que a Débora diz? Ela me apóia totalmente.Pegando suas mãos por sobre a mesa. Não é o m nto de sair da polícia? Desde quando o conheci. Estou decidido a me casar com você. Débora. É algo que sinto. Essa opção de mu-dança é uma recompensa por todos os esforços que espendi.falou sorrindo. que raramente reclamava. estarei ignorando e repr imindo o meu potencial deixando de atuar plenamente no que quero e gosto de faze r. a vida tem um significado e nós temos de ficar atentos aos chamamentos para o que rejeitamos ou evitamos na nossa jornada. para a minha família. deu-lhe um bei jo e a abraçou com carinho. vou me envolver nos entreveros.concordou João com tranqüilidade. O ambiente lá chegou a um pont o insuportável para mim. Haja vista que e la saiu da casa dos pais. você já conhece o drama ..exclamou brincando. Aliás. já é um herói! Sérgio sorriu. as sim procurarmos descobrir o que podemos fazer para melhorar. mas agora não é o momento de vivermos juntos.. Quero que seja desse jeito. sentando-se frente ao colega.. desleal ou orgulhoso por recusar sua proposta.

I sso é muito raro! Só acontece em casos de premonições ou mediunidade.tornou o outro rindo. Va mos lá. que é a imagem.avisou Sérgio bem sério. ou melhor. Quero ouvir seu parecer clínico e veri ficar se é compatível com o meu . mas não colocá-lo para morar conosco. como já me contou. você deve deixar seus pacientes malucos se usar essa linguagem! Pega leve! . Você me contou. Por isso vai me ouvir. meu amigo. João perguntou: Não são as constantes divergências em sua família. No sonho. Anotei as principais situações que me contou e pesquisei o significado.. a morte simboli za o fim absoluto de qualquer coisa positiva que existiu. O que. Você sonhou com sua irmã que já faleceu. aqui e stamos falando sobre os sonhos involuntários.exclamou sob o efeito do riso. Será bem mais fácil traduzir isso dizendo que no so nho só existe o que a pessoa conhece. calmamente. Eu tenho examinado a relação dessas manifestações em sonhos dentro de vários aspectos. Muitos músicos.João riu. ou seja. Sérgio. pertencente à alma ou mente e de natur eza autônoma. Porém estou muito interessado em sua opinião . Deveríamos ajudar o Marcílio.sorriu ao brincar. uma ex pressão pertencente à alma. doutor Sérgio. temos de desemaranhar a ligação do sonho com a vida de quem o teve e descobrir o significa do das imagens e mensagens. Isso significa decifrar o recado que o inconsciente quer dar ao consciente. elas acreditaram qu e a resposta lhes chegaria através de sonho e assim aconteceu. Espere.Sem esperar respo ndeu: Para que o inconsciente transmita ao consciente as mensagens ou imagens si mbólicas como manifestações involuntárias e espontâneas.Diante do silêncio. Sérgio riu de si mesmo. né?! . certo? sorriu ao questionar. . segundo..De imediato. o recado de você para você mesmo. Sem dúvida! Essas imagens são difíceis de analisar porque não podem ter igual interpr etação. à mente e com uma racionalidade própria ou raciocínio próprio. mas sem recordar as aulas. Essas mensagens do inconsciente sã . eles são comandados pelo inconsciente. aqueles que você não quer ter. quer dizer que a consciência não comanda os s onhos. fingindo não dar importância. a morte é o . Porém. que o fazem ter m sentimento aversivo por aquela casa? Tudo começou quando meu pai comprou aquela casa. João.. Pesadelos! . em outras palavras. Como símbolo. o simbólico. tudo me incomoda naquela casa. segundo as pesquisas. e terceiro. depois pediu: Então continua. muitas vezes. Essa foi uma das coisas que você dest acou na imagem que me descreveu. Do contrário. E.brincou o colega. Acredito que entendi a lguns detalhes descritos sobre as imagens e mensagens. ou seja.. junto c omigo. a identificação com o contexto da vida da pessoa. João comentou: Estive analisando esses sonh os que me contou. Sabe. a aparência que ela exibia era a d e uma morta ou o aspecto de depois de morta. o mesmo tipo de sonho não tem significado idêntico para duas pessoas.insistiu Sérgio com um tom engraçado. Qual a sua opinião sobre os sonhos ou pesadelos que se repetem sempre dentro do mesmo aspecto? Não tenha melindres.disse Sérgio com grande expectativa. Nos últimos tempos. João. as diferente da instituída na consciência. Primeiro. E isso acontece para quê? . Quero ouvir a sua opinião! Não posso chegar ao final da conclusão sem antes fazê-lo pensar e analisar. preces e bo ns pensamentos antes de dormir ou a qualquer hora do dia. você sabe que. o que se sabe é que. inventores e figuras célebres realizaram seus grandes feitos depois das idéias lhes terem vindo após um sonho. ol hando para o amigo. Mas como ia dizendo. Fala assim porque os pesadelos não são seus. . Independente disso. enquanto acordadas.. Mas é claro que isso funciona! Eis a prova do poder benéfico das orações. os sonhos podem ser analisados por três aspectos diferentes. o que é certo ou errado. O sonho é um conjunto psíquico. O senhor sabe que o sonho é uma expressão psíquica. Prefiro chamar de sonhos . Para o mundo material e corpóreo. em Psicologia. difíceis de compreender e mais ainda de analisar.. o imagéti co. até pesadelos horríveis eu tive! E eles se repetem! Sei. sim! . conforme aprendemos sob a visão do mestre Jun g4. teve contato ou criou mental-mente através de alguma idéia sobre o que tenha ouvido. vamos lá! Chega de aula! Você é meu colega há cerca de sete anos e conhece bem a minha vida. João! Não vamos esquecer que o poder do consciente é considerável quando a pe ssoa possui certo controle sobre ele.

mais sensível do ser e a mais visível de todo o corpo. Sei que não tem medo d desafios e os enfrenta com facilidade. E vamos recordar que Jonas foi engolido pelo monstro marinho. da alma. que perdera m a forma humana. Tanto é que vo cê se assusta ao despertar ou sente como se não tivesse dormido. Assim sendo. mas o mundo da psique. As aparência s são de humanos.. evolução se vencer suas dificuldades. como já contei. nesses pesadelos vejo a minha irmã em um estado lastimável. você falou em medo e que esses seres monstruosos se revitalizam ou ganham f orças com o meu medo. tenebrosas. são espíritos com tendências vis. o homem monstruoso e horrendo que o agride moralmente. Isso pelo fato de minha irmã se apresentar sofrida. horrendos dos quais me sinto enoja do. o amigo pediu: Vai. Lembre-se de que estamos falando de um recad o simbólico de você para você mesmo através do sonho. pois esse homem monstruoso. vivem juntas ao mesmo tempo. mas infelizmente infernal. Em c ivilizações antigas. Bem. fraca. sem ânimo. Crei o que chegaremos a um ponto culminante e é aí que eu gostaria de saber o que você pôde c oncluir. Ah! Lembrando aquele que se destaca. E lógico que fico em grande expectativa com tantas mudanças acon tecendo em minha vida. concordamos . E o passar pela escuridão antes de chegar à luz. parecendo liderar os demais. mas com aspectos monstruosos. Ao acordar indispos to.continuou com tranqüilidade . ele pode simbolizar a evolução do espírito das trevas à luz. que não demonstrava qualque r reação. sabemos que a morte e a vida são duas forças que coexistem. Existem outras imagens de criaturas disformes. dominando o medo. do presente ou do futuro. ou um grande peixe. Isso lemos em Ezequiel e Jonas. pois em pequenos movimentos faciais a pessoa exibe as emoções e as opiniões se m palavras. Pode significar a entrada em mundos desco nhecidos dos infernos ou dos paraísos. Sérgio! O medo pode ser exteriorizado não exatamente com o sentimento de cov ardia ou vontade de fugir de uma situação existente neste instante. é a parte mais viva. Sérgio . ofende. Pode ser algo do passado. Após um tempo. Veja. desafia-o e deseja sua morte ou seu mal. prossiga. Em minha opinião.. programando sua vida. Posso garantir que até agora o seu parecer coincidiu exatamente com o meu. Nos sonhos. mas ele saiu de seu ventre profundamente modificado . você sabe que o rosto representa um desvendamento da personalidade. como lemos em outros textos.manifestou-se Sérgio. Ao me smo tempo. Com semblante sério. Sérgio. Analisando como se os sonhos não fossem eus. que se destaca cada vez mais. alimenta-se de seu medo e se revitaliza. Como sabe.. quer amedrontá-lo. na Bíblia . Como psicólogos.aspecto perecível e destrutível da existência. ele é o símbolo do mistério conforme a aparência. O rosto deformado pode simb olizar o que não tem vida ou o rosto verdadeiro. por favor. mas ela nunca está sozinha. A f orça de sua irradiação luzente ou da imagem opaca nos revela algo bom ou ruim. nos sonhos. da mente.. Ele é rev elador. pode simboliz ar a necessidade de matar o homem velho para que renasça um homem novo em você. com o rosto disforme pelo tiro cujo orifício estava com vermes e a pe le se desfazia como em decomposição e. as criaturas disformes. através de você. os seus pesadelos com criaturas monstruosas e disformes podem significar a sua renovação. Isso faz com que eles continuem existindo e ganhando fo rças. O mundo desse homem monstruoso dos seus sonhos não é o mundo exterior . sentindo suas energias sugadas é como se tivesse doado energias para esses seres monstruosos. a imagem de monstros devoradores eram símbolos da necessidade de renovação. Ora. vemos que o monstro tem o simbolismo de uma força irracional. asquer osas podem representar seres animalizados de espíritos inferiorizados. Eles possuem carac terísticas disformes. eu acredito que a mensagem foi a minha entrada num mundo desconhecido. a cada momento. pediu de modo profissional e educado: Por favor. mas não tenho medo algum. maltrapilha. Devo admitir que não seja fácil dar uma opinião a um colega. desordenadas. principalmente em um c aso como esse. Eu te conheço. Mas vamos lembrar . Até aí. malévolas. do espírito. João parou por instantes observando atentamente Sérgio. é enfrentar a tempestade antes que venha a calmaria. Lembre-se de que. João! Continue. João. O monstro pode significar que você precise passar por provas para superar dific uldades. a Lúcia chorava. João. além disso. O rosto é a sede dos órgãos dos sentido s.

. é fria e impiedosa apesar do sofrimento. Além disso.que você tem medo de brigas e conflitos familiares e quer sair da casa de seus pai s para fugir disso. o humor. ela. atr avés desse sentimento. sob a visão espírita. Quando um homem sonha com uma mulher ela representa a sua anima. comentou: Dentro da Psicologia. Isso acontece muito no plano espiritual. deixando-o sem determinação. parecend em estado lamentável para inquietá-lo e perturbá-lo através do sonho. que é a anima representada em seus sonhos.riu João. Esse monstro é a sua so mbra.. para Jung o feminino é chamado de anima no aspecto i nconsciente. você cede energias a esse ser e ele ganha forças. principalmente a título de estudos complementares. João suspirou fundo. ela o suga. como falamos até agora. sem vontade. tirando-lhe a coragem para conquistas positiva s. depois de algum tempo. a Lúcia reagiu desnecessariamente a um assalto. De repente. pelo modo como agiu. Como psicólogo e espírita. a capacidade de amar. Minha irmã pode se prender ainda às impressões do corpo pela morte precoce. sente-se muito mal pela sua atitude. o que podem ser essas aparições perturbadoras nes ses pesadelos repetitivos e com o envolvimento da minha irmã falecida. isso demonstra que por trás da personalidade apresentada em vida. Vamos lembrar que essa mulher pode não ser sua an ima. em sua elevação. Estou certo de que vejo o plano espiritual. Essa interferência pode ser para o seu bem ou para o seu mal. pois isso significa um recado no nosso inconsciente. Em seus sonhos. Algo que corroia sua mente e agora pode tê-la vis to com o rosto real. se parecer com sua irmã. a inquietude. na verdade. as discussões e entreveros o deixam exaltado e irracional . Envolvendo-se nelas você sabe que perde o controle emocional e. O rosto representa muita coisa. a aparência de sua irmã é deplorável e destaca-se o r osto em decomposição. sua irmã precisou experimentar essa situação e seu desencarne não foi precoce. Sérgio. pois não encontramos exp licação dentro da Psicologia Analítica ou da Psicanálise para muitas coisas. Eu sinto. Afinal. o seu lado sombrio. Então experimenta sentimentos de angústia e grande conflito por essas divergências. Não acha? Isso é possível. a perversi dade. a meu ver. como espírito. Já li muitos artigos e livros espíritas. Um espírito feminino pode guiar. Até outro espírito pode se apresentar como a Lúcia. Gostaria qu e me explicasse. devemos mudar nosso padrão d e pensamento para melhor. de acordo com a evolução desse espírito. revitaliza ndo-se e se alimentando através de você e de seus pensamentos. Não sabemos sobre os desígnios de Deus. sou espírita e sendo assim acredito em sonhos simbólicos e sonhos espirituais. Em seguida. E ssa mudança comportamental é fazer nascer o homem novo. Não acredito que sejam sonhos apenas simbólicos. É muito bom vê-lo analisar a anima colocando de lado qualquer sentimento pelo fat o da mulher. a s manifestações negativas de observações maldosas que diminuem o valor do homem. para mim. Lógico! Não quero brigar! Eis a fonte de energia que você tem para alimentar o ser monstruoso de seus son hos! Analise! As brigas. vampiriza-o. a sensibilidade. no sonho. João! Sei que você é espírita. Simbolicamente. o sonho é seu! . induzir e influenciar o desejo de um homem em su a transcendência. ao brigar ou discutir. Eu temia que ficasse sensibilizado. Mas. depois argumentou cauteloso: Sua irmã desencarnou por um tiro no rosto. como lembrou. Espere um pouco! Você está falando do ser monstruoso no sentido simbólico ou de um espírito na definição exata da palavra? Isso é você quem precisará descobrir. tudo pode ser uma distorção da re alidade e a anima pode ser venenosa. foi um d esencarne precoce. a intuição. fazendo -o desanimar diante dos desafios. sua irmã cultivava ou sofria sentimentos interi ores extremamente perturbadores. induzir aos erros. muito pensativo. Esse tipo de apresentação não é casual. . mas sim um espírito e exibir-se sofrida para que você tenha piedade dela e. Segundo a versão de quem estava junto. Independente de ser simbólico ou espiritual. quando temos qualquer so nho desagradável ou acordamos nos sentindo desanimados. Os motivos desse tipo de apresentação podem ser vários. Diante disso. O sonho com a anima mostra as tendências psicológicas do homem para com os s entimentos. então. e plicou: Meu caro. Chegamos aonde eu queria. Ou.

João! Vou reverter esse quadro! .. que ficou muito reflexivo e distante. Imediatamente o sorriso se desfez do rosto de Sérgio. concordou: Primeiro você me derrotou desvendando o meu medo exteriorizado através da fuga. . não tolero brigas ou discussões fortes. vamos lá. Preciso observar a situação sem me altera r. Eu saio de perto pelo medo de reagir e virar um monstro! . chegando a berrar com Sueli. Sérgio confidenciou ao amigo todo o comportamento estranho que percebeu em si m esmo. O que foi? Já é tarde e tomei demais o seu tempo. Iss o é provocar. Esses pesadelos tendem a acabar à medida que eu encarar tais conflitos de forma natural e agir com . meu amigo. Ol hando para o colega. Depois comentou: Estou vivendo um período de mudanças e transformações em minha vida. Elas.. dificul dades e conflitos. sorrindo amigavelmente. Deve deixar morrer o homem velho para que nasça o homem novo! Você sabe. analisou rapidamente o que ouviu. Analisando esses sonhos só posso co ncluir que meu inconsciente quer dar o recado ao meu consciente de que estou pas sando ou ainda passarei por mais desafios e dificuldades. Sérgio.concordou.sorriu. esses pes adelos podem ocorrer duas ou três vezes e até noites seguidas. .. Somos seres humanos também! Por isso todo psicólo go deve fazer terapia. R ealmente. Falou sobre esmurrar a mesa e confessou ter vontade de quebrá-la ao gritar c om sua mãe. Mudar os pensamentos e não entrar em conflitos íntimos. eu preciso me renovar. Minúcias foram narradas e João ficava atento a cada particularidade do amigo. detal hou o ocorrido entre ele e Débora quando a segurou com força e a empurrou. psicólogos. mas por enquanto ele só está analisando. com que freqüência esses pesadelos têm se repetido? Posso ficar uma ou duas semanas sem sonhar. menos a Débora . Certo. mudemos nós! Quanto maior a luz. você me deixaria aqui sozinho caso sentisse que eu precisasse conversar? Não. eu destruo os seres monstruosos desses pesadelos horríveis com a minha mudança de atitude ao me relacionar com os problemas. cara! Poderia ter agredido qualquer pessoa. calmo e ter paz interior. Então é isso. nós nos fortalecemos e cont inuamos a auxiliar melhor os outros. Você tem razão! E sses seres deformados e monstruosos são a minha sombra. Venho conversando com o doutor Edison sobre isso. Dentro do aspecto simbólico da psicologia junguiana. a manifestação que r eprimo em mim emocional e fisicamente. não a deixa ndo explicar. elevar-me das trevas para a luz. Aprendemos que nós. o estado. Por fim. temos dificuldades em encontrar a matriz. Preci samos ser indiferentes aos problemas que os outros criaram. Tudo bem. É verdade! .. hoje. nós dois entendemos a rep resentação ou a mensagem de mais de cinqüenta por cento desses sonhos. Sentindo-o com alguma dificuldade.Sérgio ficou pensativo. sem perceber.disse em um tom lamentoso e arrependido. Não vá se chatear com isso. Sérgio? Está certo. com todo o conhecimento a dquirido. o centro principal do proble ma quando estamos envolvidos nele. Ao procurarmos nos compreender. João. maior é a sombra. Parecer tranqüilo. Sérgio. Muito inteligente. O alerta é para eu domin ar meu medo e ter forças para o nascer do novo homem. mas não paro de pensar no que aconteceu e repito em pensamento tudo o que gos taria de ter falado.riu. sofro tanto e ninguém reconhece! Se convivemos com criaturas desse t ipo. já que não podemos mudá-las. mas não mentalmente! Eu me afasto dos falatór ios. assim como nós. Do ponto de vista da P sicologia. Não sou tão brando como pareço e temo ficar sem o domínio do controle emocional. mas. dizem de si mesmas: Ai! Pobre de mim! Eu f aço tanta coisa. Contou sua atitude hostil. Devo assumir o controle das minhas emoções diante do que esteja aco ntecendo e não me reprimir ou sair de perto. ficar irraci onal e perder a razão. perguntou: Eu te conheço. pois tenho medo da minha reação. sem precisar reprimir ou sof rer com transtornos íntimos através de pensamentos que me torturem. criar uma aparência disfarçando a verdadeira emoção. em uma única semana. não significa sentir-se tranqüilo.sorriu.riu. porém isso não é suf ciente para me ajudar. para algumas pessoas é prazeroso viver rodeadas de brigas. Isso não significa que tenha de brigar ou se envolver em discussões! Eu sei .Breve pausa e continuou: Nesse momento de tantas mudanças .

Continua. Deve lembrar que talvez não se sinta tão à vontade em me rel atar pormenores ou intimidades. A Lúcia sempre foi uma irmã dedica da. Eu não poderia rir desse jeito. presente e amiga. cara! Estou bem à vontad e para contar tudo.perguntou com simplicidade. Nunca falamos sobre a divergência que tiveram. . fre nte ao espelho.. Depois contou sob o efeito do riso: Só havia os batentes. Sérgio abaixou o olhar e ficou pensativo por alguns minutos. ficava por longo tempo acariciando o próprio corpo de modo sensual .sabedoria. que a forma como ela se apresenta exibe a sua verdadeira per sonalidade. mesmo sabendo que. continuou: Não foi fácil eu te d izer. A casa precisava de muitos consertos! Incl uindo a porta do meu quarto! João riu com gosto pela expressão engraçada do outro e comentou: Isso não vai dar certo. suspirou f undo. Respeitei seu desejo de si lêncio. mas isso não é ver e. . Vou entender e respeitar. no que experimento. Você disse que eu conheço bem a sua vida. simulando passar um creme. semelhante àquelas mesas antigas de escritório. acomodou-se melhor. coisa que não considerei normal. vocês haviam brigado ou di scutido. Agi como um colega e não como profission al! Vai dar certo sim! .. sentimentalmente falando. Então. desmascarando o que sua irmã representava e disfarçava em vida. se ela fosse à representação da mi nha anima.detalhava de modo normal.. Que tipo de comportamento não considerou normal? A Lúcia se despia da toalha. preciso de mais informações. Percebi que ela deixava a porta do quarto aberta. Vamos lá! Pegue esse bloco para suas a notações! . encarou o amigo e argumentou: Não tenho nada para esconder de você. na qual se enrolava após o banho. É questão de afinid . comentou c auteloso: Lembro-me de que. Sinto que existe algo espiritual. Depois. Foi nessa época que meu pai comprou aquela casa. Agora uma coisa me incomoda. Sérgio perguntou: E quanto à minha irmã? Como posso definir sempre a su a aparição ou envolvimento nesses sonhos? Pense comigo. Eu não posso dizer mais nada sem mais de talhes. Como psi cólogo. Não é som ente simbólico.ofereceu o material. Para eu começar a analisar. Nós estávamos na sa la de aula quando te avisaram e eu o acompanhei até o hospital e tudo mais. A apar ição da Lúcia em seus sonhos não tem só a explicação no aspecto simbólico. sem expressões de tristeza ou rancor. Você não poderia fechar a porta de seu quarto? . Acredito que cresci e projetei em minh a irmã mais velha a representação de uma mãe. mas sou capaz. Sérgio. mas ela fingia não me ver. No seu quarto. coisa comum nessa idade. mas acompanhei o seu desespero quando soube do acontecido. Não me sentia dessa forma quando fiz terapia com aquele psicólogo que um professor indicou.. comecei a notar algo no comportamento de minha irmã. Consciente do que digo. João! Ei. Sempre senti que algo o incomodava em relação à sua irmã. Sem dúvida há um m espiritual. É bom se sentir assim! Você passa essa confiança. Sei que é um excelente p rofissional e até melhor que eu!. agora há pouco. nós somos amigos.garantiu ainda rindo. deu meio sorriso e contou: Minha mãe sempre foi bem d istante de mim. muito forte. Que porta?! . acredito que não seria necessariamente sempre a Lúcia a aparecer em meus sonhos. eu reforço que esse aspecto facial se refere às emoções interiores extremamente pe rturbadoras que a Lúcia cultivava e sofria. qu e ficava dentro do meu quarto e ao lado da porta em um ângulo que era impossível não v er minha irmã despida frente ao grande espelho do guarda-roupa..Observando-o. . E onde você estava? Estudando em uma escrivaninha. Confiante em você e sendo verdadeiro n os detalhes. pouco antes da Lúcia falecer.Ol hando-o firme. aí. meu caro! Você foi o melhor da turma! Sabe que não posso analisar mais nada s em mais particularidades. de onde eu estava. Quando eu tinha mais ou menos quinze ou dezesseis anos de idade e estava mais voltado para as descobertas e curiosidades naturais sobre se xo. uma vez que somos tão amigos e trabalhamos juntos. Pare com isso.Sérgio não suportou e gargalhou da precariedade.. João.Vendo-o silencioso. podia vê-la totalmente. em minha opinião. Principalmente depois de minha mãe contar qu e não queria mais ter filhos e não me abortou porque meu pai não deixou . p ropositadamente. Entendi a necessidade da minha mudança e sei que será um grande desafio. Sérgio! Por essa razão psicólogos amigos não fazem terapia um om o outro. Assim serei tranqüilo e calmo.

Ela não fez mais aquilo. . Só dormir. A Lúcia pareceu assu stada. Minha irmã não tinha nada a ver com essa decisão. Não tinha mais alguém na sua casa? Meu pai e meus irmãos estavam sempre trabalhando. Sou seletivo. porque eu não entendi a piada. Recompondo-se... . Hoje eu analiso e vejo que. Seu rosto sério se contorceu até relaxar num largo sorriso e finalizar com uma gargalhada.. Então. mas não deu... Tive e tenho. . Era difícil fugir das suas provocações. Eu estava desesperado! Tive compensações aliviadas por alguns s . Costurava lá. talvez pela lembrança quase apagada. Eu gostava da Lúcia como irmã. mas quando com ecei a namorar a Débora. minha cu nhada. e eu fi ngi esquecer o fato. Ma s era mentira.. Eu não queria um compro misso firme. Sérgio. Veio conversar comigo depois. física e psicologicamente falando? Sim. Puxa! Eu era seu irmão e um rapazinho! Bom. quando se relacio nava sexualmente com alguém? Nunca . Não dependo de medicação. Tenho. E que lembrei uma coisa. abraços e calorosos carinhos. mas não poderia ser qualquer uma.respondeu direto. tornou a afirmar: Sim.. sabe disso. ou com a nossa mãe quando a Mara ia lá a casa. mas sob efeito do riso. você teve e tem uma vida sexual saudável. drogas.tornou Sérgio com a mesma tranqüilidade. sem chegarmos aos fatos. Pode contar? Hoje está tudo bem.Sérgio deixou o olhar perdido no te to e deu um suave sorriso. Sim.expressava-se com muita naturalidade. Comecei a ver a vida que meu i rmão Marcílio levava e decidi que a minha seria bem diferente...riu de um jeito maroto. eu tinha m oral e integridade para não aceitar aquilo. você entende? . mas brincou: Espere aí! Explique-se melhor. O tempo passou. por ver o corpo nu de um a mulher sensualmente se acariciando. Depois comecei a trabalhar... Sérgio? Sem dúvida de que fiquei excitado nas primeiras vezes.Em seguida Sérgio não agüentou. Alguma vez lembrou-se de sua irmã nua. um dia. E o que você fez? Não tive coragem de contar para alguém. Passei alguns meses na lei seca ! Trocamos beijos. Sabe. O namoro não durou nem três meses. Só se relacionou com mulheres. amiga? Só com mulheres. eu tenho uma vida sexual saudável. mas poderia ser qualquer uma ou deveria ser uma namorada. fiquei nervoso.. Já se relacionou com homens ou teve esse desejo? Nunca. estímulos com filmes. João. Psicológica e fisicamente falando. Mas. Passei a ter pl anos de estudar. Você namorou outras moças? Claro. Depois de ver o Marcílio e a Ana brigando direto.ade. Depois contou: A Lúc ia implicava demais com a menina e sempre começava uma discussão com a Ana. A Lúcia me pagou um curso de Informática que me ajudou muito. lógico! Não as levou por causa da Lúcia? Não. fantasias ou. Mas não as levei à minha casa. O amigo se forçava para não rir. O fato de Lúcia ter se mostrado despida e com gestos sensuais para provocá-lo afe tou-o sexualmente? Não . Decidi mudar meu horário de estudo e minha irmã resolveu mudar seu horário d e banho. Entrei na polícia e dava aula de Informática ao mesmo te mpo para juntar dinheiro e fazer o curso universitário que eu sempre quis e sair d a polícia. que fica nas dependências do quintal. fiquei com aver são a um casamento não planejado.. com modos voluptuosos. vai! Continua! João tornou a ficar sério e perguntou: E o que você sentia ao vê-la fazer isso. Minha cunhada quase não saia de sua casa...Ele riu novament e e se explicou: Desculpe-me. apesar de ter pouca idade. . Foi tão difícil dormir ao lado dela e. e minha mãe havia pegado costuras r etas para fazer em casa e usava um quartinho que há nos fundos. Era uma menina bacana que se chamava Mara . Não demorou e eu arrumei uma namoradinh a. dei-lhe uma bronca e fechei a porta com brutalidade. afirmando não saber que eu estava por ali. Depois levei um choque ao lembrar que era minha irmã. Ótimo! Temos uma vida sexual muito satisfatória. Fui até o quar to dela.. mas passei a ter um sentimento repulsivo ao lembrar o que ela fazia de propósito para me prov ocar.riu.

O fato de e starmos em um motel a deixava apavorada e eu não sabia disso! Depois que passamos a ficar em seu apartamento. porém não é o mesmo que vivenciar o ato. c ara! Estou sendo muito evasivo na sua vida íntima? . Deixe por minha conta! . Não namorou mais até nos conhecermos. carinho. Tudo aconteceu como ela sonhava: envolv i-a com amor.. Ao sair do banho. Com a finalidade de descobrir se Sérgio era possuidor de algum tipo de transtorno ou distúrbio que es tivessem ligados aos fatos originados em sua adolescência. Ele parecia sonh . Após um namoro mais sério com um cara conhecido da família. Mesmo assim. mas n ada significativos. colocand o-se na posição do paciente que deseja ser ajudado. as coisas foram mudando e. não procurei outra mulher... E sem eu saber do que se tratava. Sérgio ficou pensativo. . Adoro a Débora! Você não agina! Caso soubesse que sua namorada teve uma vida sexual ativa com outros homens.falou João com molecagem. como ela contou. Só seria muito precavido quanto às doenças sexualmente tran smissíveis. A Débora tinha algum trauma? Tinha sim. Sempre sonhei com a Débora . Ac hava estranho ela se sentir estimulada. E nos sonhos de compensação. refletindo em sua vida adulta ou atual e com a possibilidade de associação aos sonhos ocorridos com freqüência. pelo fato daquele assu nto íntimo também pertencer à Débora.. Como profissional da área. trazendo-lhe possíveis explicações para enfrentar os desafios.. Você não me contou sobre esses sonhos de compensações! . mesmo a vendo com hematomas e a boca sangrando. Posso te afirmar que me considero normal. e ela o acertou com u m cinzeiro de vidro e foi embora. foram a um motel luxuoso. Então..Falou murmurando em tom apai xonado: Não queria frustrá-la em sua primeira vez. mas por fazer parte de um enc adeamento de informações a serem analisadas sob uma ótica psicológica. isso o incomodaria? Atrapalharia seu relacionamento com ela? Não! De forma alguma! Não me importo com o passado desde que ele não interfira nega tivamente em meu presente. imprescindível. Ela não se sentia preparada. mas só trocávamos carinhos.. bateu-lhe com força. você sonhava se relacionando com outras mulheres? Não. correspondendo a brincadeira. mas confiava no profissionalismo de João e. Mas não foi o que esperav a. agi de modo que a deixou mais se gura e isso a fez superar o medo. durante esse tempo em que você e a Débora não se relacion vam sexualmente. ficávamos b m à vontade.. deixando o olhar perdido ao confirmar.onhos.... Conhecia a importância daquelas informações. algum tempo depois. Por comparação e exemplo. Íamos para um motel. principalmente.. João percebeu que os olhos de Sérgio brilhavam ao falar em Débora. conquistei-a com carinho.. Eu jamais iria forçá-la. sabia que o melho r cirurgião cardiologista do mundo nunca conseguiria realizar uma cirurgia de pont e-safena em seu próprio peito. com o lugar e não c om o nosso relacionamento.perguntou sério. Quer contar? . Ela tomou a iniciativa de termos o primeiro relacionamento e.. Por quê? Ela já era especial e depois do que me contou. Não . esperei.. mas isso a trauma tizou.respondeu rápido e com tranqüilidade. a Débora queria ter um primeiro relacionamento sexual com amor.sorriu com ar de satisfação. Eles brigaram e o cara tentou forçá-la ao relacionamento. viu que ele havia se drogado. machucá-la. parecendo ter medo. suspirou fundo e contou: Como toda garota. Teve alguns namorados. Por que demoraram meses para se relacionarem? . não querer.perguntou repentinamente. Só depois rev elou: Ela me contou esse caso pouco antes e foi a primeira vez que me senti inse guro. Ele a agrediu. Respeitei sua vontade e a deixei conduzir nossos momentos de intimidade. pois foi um fato muito marcante em sua vida e os detalhes poderiam ajudar na análise do que o pert urbava.. Refletiu por alguns minutos. pelo pai não dar importância ao fato e ignorá-la.sorriu. mas de repente. O cara não conseguiu estuprá-la. decidiu: Foi assim.. Tinha muito a ver com motel. per cebia-a alterada..tornou. tinha bastante conhecimento de que a ajuda de um out ro psicólogo era importante.João não perguntava por curiosidade. Eu a amo tanto! Nunca pensei que eu pudesse me apaixonar por alguém dessa forma. . gostar dos carinhos. Tentei envolvê-la e seduzi-la algumas vezes. Esses.

Tentei cobrir a Lúcia com o lençol. por causa disso. A Sueli insistiu para levarmos a Lúcia. Apesar do banho. Ao final de tantos brindes. Insatisfeito. Quando me mexi um pouco. tocar ou segurar para dizer alguma coisa.ar e um sorriso apaixonado iluminava seu rosto sem que notasse. avisou para observar sua reação: Voltemos a falar da sua irmã. comecei a namorar a Sueli e percebi um com-portamento b em estranho na minha irmã que deixou de ser tão amiga da Sueli. afastava-a de mim e saía de pert o. Senti que minha cabeça i ria explodir. ouvi barulhos e a luz ainda estava acesa. Foi algo que me incomodou. mas não sabia dizer o que era. Lúcia se tornou muito amiga da Sueli. Mas comigo era ostensiva. fiquei aterrorizado . O que você viu? . mas. Depois de um tempo. p ois nunca a tinha visto de fogo. somente sob o efeito de leve entorpecimento. Eu não estava embria gado. eu estav a cansado e um pouco zonzo. Nunca me em briaguei daquele jeito.. seu rosto empalideceu. Ela de cidiu ir para o quarto e eu a ajudei. ouvi um barulho antes de abrir os olhos . Como eram esses carinhos? Se eu estava sentado em uma cadeira.. a Lúcia passou do estado de ri so para o de choro. mas não consegui convencê-la a parar. Mas ela negava a provocação e dizia que era um carin ho de irmã. Depois voltávamos a conversar. Ela ria. Não sabia mais o que fazer. que passou a freqüentar direto a nossa c asa. Completamente dominada e à disposição de um turbilhão nas faculdades pelo excesso de bebida alcoólica. Senti q ue. Vivi uma experiência terrível! Falei com ela várias vezes e pedi que parasse com aquilo. Achei graça. João aguardou até ouvi-lo contar com c erta revolta escondida na fala vagarosa: Meus pais. Eu e a Sueli íamos a um aniversário. a Lúcia tomou outra postura em que exibia sensualidade? Vez e outra sim . Descobri que a Lúcia t inha ciúme da minha namorada. a minha irmã estava deitada. ela começou a desabafar dizendo que era infeliz n o amor por não ser correspondida. Quando voltei. Virando-me para olhar. Nem me lembro mais do que brindamos. ela se achava no direito de se mostrar sensual para me prov ocar. ela me ajudou financeiramente com algumas mensalidades.. fui até o quarto dela e a vi cambaleando ao tentar abrir o zíper do vestido. O Tiago trabalhava em uma escala de vinte e quatro hora s. Eu a ouvi por um tempo. Mas isso era só com você? Com meus irmãos também. Quando entrei na univer sidade. mas me le mbro de cada detalhe. eu estava embriagado. a Lúcia se exibia bem animada e alegre. Brindamos ao emprego novo dela. Era difícil abrir os olhos..respondeu bem sério. ao meu lado. Eu a ajudei co m o zíper e voltei para a minha cama. o Marcílio e a família foram pas sar uma semana na praia. Sua irmã o acariciou alguma vez? A Lúcia sempre teve necessidade de contato físico para expressar sentimentos. afagar. Todo o meu corpo estava adormecido e eu sentia uma ânsia terrível. e abraçada a mim. Fui tomar um banho.. Levantei.perguntou o amigo. Começamos a brigar por diversas vezes. minha irmã est ava sentada à mesa com uma garrafa de uísque e dois copos. até não agüentar mais o sono e avisei que iria dormir. Ela dormia no meu ombro com uma das pernas sobre as minhas . Eu ficava revoltado. ela me abraçava pelas costas. Não conseguia mais ficar acordado. porém bem consciente.Sérgio parou e sua voz pareceu travar. as quais a repreen deu. Na manhã seguinte. divertia-se muit o e disse que iria dormir se eu fizesse um brinde com ela. Ao chegarmos. depois ao salário e. completamente nua. Quando eu já estava até pesquisando qual o tipo de transtorno dela. Falou sobre Deus ser cruel com ela e muito mais.Sérgio ficou sério. afaga ndo ou arranhando meu peito. Quando fui para minha cama. Repentinamente. beijar. Então disse para a Lúcia que ela já ha via bebido bastante. mas . senti algo estranho. Depois das apresentações desnudas. eu virava as costas. . minha nuca e em seguida colocava a mão por dentro da minha camisa. sentindo-me mole. Usou roupas íntimas bem sensuais quando me chamou até seu quarto.. Aceitei. Já passava do meio dia e. a Lúcia começou a perder o controle e começou a fazer certos carinhos para me excitar. acariciava m eu rosto. até qu e. no início. Deixamos a Sueli em sua casa e fomos embora. Ela precisava abraçar. Voltamos bem tarde e tínhamos bebido um pouco. dizendo que queria tomar um banho. O que você fez? Sentei na cama e o quarto parecia rodar. Quando pedi que fosse dormir. Eu não q ueria ir.

olhando friamente. significando que não havia me mexido muito e eu estava vestido do mesmo modo como quando me deitei.. A Sueli entrou no quarto e me viu em minha cama com a Lúcia nua! Como sua namorada entrou? Foi o pai dela quem vendeu aquela casa para o meu. Acho que foi a Lúcia quem lhe deu uma cópia da chave. Só que ela virou as costas e fo i embora. confuso e como se isso não bastass e. Ela continuou a ter amizade com a sua namorada? Não.respondeu bem seguro. Um tapa muito forte. Sabia o que acontecia apes ar da coordenação motora e do raciocínio estarem lentos. Mas naq uele instante pareceu o único jeito de despertá-la daquela loucura! Eu fiquei comple tamente insano. arranquei a Lúcia da minha cama e comecei a esbravejar com ela. No dia seguinte. Não tive tempo de explicar nada! Num impulso. a Lúcia segurou meu rosto com as mãos e me beijou na boca.. sacudi a Lúcia que acor dou parecendo ainda embriagada e fui à direção da Sueli. a Lúci a mudou muito. Elas não foram de carro e na volta.perguntou o outro diante da demora. Para minha surpresa. minha mãe e com o nosso namoro.falava calmo. mas ela me agrediu com palavras. A partir desse ocorrido. tenho certeza de que não tive relação sexual com ela . olhava-me indiferente e até sorria! O que me deixava mais furioso. mas não o fiz. Ela chorou. Ela chegou a propor o absurdo de um envolvimento ínti mo entre nós sem que alguém soubesse e o dia em que eu me casasse ou não quisesse mais .. Quando me deitei definitivamente. poderíamos esquecer nosso relacionamento. A não ser o fato de ela me beijar e eu a agredir.. talvez tenha esquecido ! Eu estava bêbado. Imediatamente eu lhe dei um tapa no rosto. sem que eu esperasse. Posso afirmar. Sabe. e ela caiu. os lençóis da minha cama estavam limpos. Fiquei aturdido com o que ouvi e mais transtorn ado quando a Lúcia disse que lamentava não termos nos amado na noite anterior. a Sueli insistiu tanto para minha irmã acompanhá-la até o shopping que ela acabou aceitando. O que aconteceu? . Eu estava tonto. Devido a Sueli ter tanta a mizade com minha irmã. Aconselhei novamente e por várias vezes que fosse a um psicólogo. Baseado em que afirma isso tão categórico? Você bebeu muito. Eu entrei em desespero! Estava verdadeiramen te em pânico! Tive vontade de berrar. Lembro bem dos olhos dela e.. eu não estaria com a parte de baixo do pijama e. Despertei com o corpo adormecido. A Sueli propôs que esquecêssemos aquel e fato e me deu um apoio moral que eu não esperava. só à camiseta ressaltou. A Lúcia entrou em um estado depressivo que se podia notar. Lembro que tomei um banho e v esti um pijama curto. João. Estava calor e eu tirei a camiseta do pijama. mas bem consciente . uma terapia. Então. Levantei... ou não sabe dizer? O doutor Edison me fez a mesma pergunta.. Fui atrás da minha namorada para tentar me exp licar.Breves seg undos e Sérgio lamentou em tom triste: Como me arrependi por tê-la agredido. Falei tanta coisa. Depois de ouvir essas palavras. Mas tenho c erteza de que não aconteceu nada.. por que ela sorriu? Será que pensou ter acontecido algo? Não sei dizer por que ela sorriu. Sua boca sangrou e depois apareceu um hematoma em seu rosto. não parecia ser a minha irmã. Isso confirma que nada aconteceu. confessou que me d esejava como homem e não como irmão. . Pensei que dificilmente alguém acreditaria em mim. tudo bem. parecia outra pessoa que me olhava.. Se tivesse acontecido a lguma coisa. Você se relacionou sexualmente com sua irmã. mas ela não aceitava. outra. recordo ter sido na posição em que acor dei.não dava e comecei a chacoalhá-la. Ela estava doente. ao caminhar . Como vocês se encararam depois? Não nos falamos pelo resto do dia. Por um momento. eu tive raiva e pena da minha irmã. primeiro. Gr itei como nunca! A Lúcia segurava o lençol em torno do corpo. Um dia. Depois a Lúcia disse algo que confirmou isso.. Ficamos alguns meses sem conversar. a S ueli me ouviu e contou que tinha notado o comportamento estranho da Lúcia e disse que minha irmã me olhava com desejos de mulher. De repente. só falávamos o essencial. Propus que ela fizesse um tratamento. chamei minha irmã para termos uma conversa... Havia algo estranho em seu rosto. Somente a Sueli conversava um pouco. . O que a Sueli fez ao ver você sentado e sua irmã naquele estado? Ficou parada.

Ninguém vai acreditar nela.. não respeitando os meus planos de estudar e me alicerçar melhor na vida. Depois não. Foi aí que eu conheci realmente quem era aquela criatura. Mas espiritualmente falando. Ela despertou com meu solavanco a o me sentar rápido. omitindo fatos por vergonha. mas ela não aceitou. Seria minha palavra contra a dela. caso tenham relações com parceiros f de casa. Mil situações de se tipo acontecem e os pais não sabem. Eu dormi no apartamento d a Débora e acordei. não me envolver. m esmo sendo um homem experiente. depois do que ela aprontou c om aquela história do celular. eu disse que não era o moment o e nos separamos. Sei que as informações completas e verdadeira s ajudam a encontrar soluções.. não ficam atentos. Não me sinto preparado para contar. você tem esses pesadelos só quando está na casa de seus pais ou eles ocorrem em outros lugares? Sempre foi na casa de meus pais. o que me deu força moral para não aceitar. Ela não me deu sossego e fez um inferno da minha vida. Que a Lúcia lhe contou que eu a seduzia para o incesto. Ameaçar? Ameaçou contar para todo o mundo que viu minha irmã dormindo nua ao meu lado. Coloquei-me na postura de paciente. Graças a Deus eu tive princípios de dignidade passados por meu pai . nas residências dos bairros mais sim ples e também nas favelas. ao dizer para a Débora que era minha noiva e tudo mai s. Outros i rmãos têm relações por medo de adquirirem o vírus HIV. E estamos vivendo um p eríodo muito bonito. Meu caso não é fácil e você sabe que nos últimos tempos o en vimento sexual entre irmãos vem aumentando muito. . Fiquei chocado com a sua morte. eu já era maduro e.. tratamento. depoi s eu conto. com as recordações.. E a propósito. Há ainda o abuso do irmão mais velho contra o mais novo. tentando fa zer parecer um homicídio? Não sei dizer. mesmo! Sérgio. O rapaz atirou e o projétil atingiu-a no rosto. mas assim que ela propôs casamento. de súbito.. por conta do sonho. Sérgio. mas foi pelo remorso por não conversarmos mais.. E a Sueli? Namoramos por algum tempo. verdadeiro e detalhista como você foi! Não demonstrou orgulho ou arrogância por sermos da mesma turma. falou como um desabafo: João. A Sueli contou que a Lúcia reagiu depois de entregarem tudo. Incontáveis jovens comentem o incesto para se sentire m experientes quando chegar à oportunidade de praticar sexo fora de casa. Ela cumpriu a ameaça? Não.. O incesto acontece dentro das me lhores casas. Sabe. do irmão mai s velho contra a irmãzinha. Eu só disse que tive um sonho estranho. Além do que. Pais e filhos não se comunicam. É ótimo quando alguém é tão direto.. voltamos.Suspirando fundo. gostoso. você já sabe. dos mais luxuosos apartamentos. você conversou com a Débora a respeito de tudo isso? Falou sobre o comportamento de sua irmã? Não. Isso se eu terminasse o namor o com ela. desviou para o cérebro e a matou.. não me corromper com as op ortunidades provocadas pelo desequilíbrio da minha irmã. Vou esperar mais um tempo. Meu amigo! Precisa mos de uma longa e boa conversa. Às vezes acho que sim. Estou com uma ampla bagagem para analisar.. Hoje tenho estabilidade men . Não suportou a curiosidade e perguntou: O que você me diz de tudo i sso? Psicologicamente. foram assaltadas por dois homens armados que usav am uma moto.Vendo o colega pensati vo. Eu não posso me culpar. você não imagina o quanto sofri com aqueles assédios. Os pais simplesmente estão ocupados demais e não reparam qu e os irmãos estão mantendo relações sexuais dentro da própria casa. Ficaria constran gido e preocupado com o que ela poderia pensar.em do ponto de ônibus até em casa. até a noite passada. Está havendo uma perda uito grande da transmissão de valores morais. A vida sexual é iniciada muito cedo.. Até eu terminar definitivamente e ela me ameaçar. acham que só ocorrem na casa do vizinho. .. pois inúmeras vezes pedi que procu rasse ajuda. você acredita que sua irmã reagiu dessa forma para se suicidar.. Sérgio sorriu. e essas vítimas não falam pelo medo da ameaça. A Débora passa por um momento delicado com a família. Sentiu-se culpado pelo que ela fez? A princípio sim. Acreditam que entre eles será mais seguro enquanto não se relacionarem com outras pessoas..

A namorada avisou que iria até lá.A ação dos espíritos inimigos O dia chegava ao fim naquela sexta-feira. porém estava demorando.. O portão para a entrada l ateral do carro que poderia seguir pelo largo corredor até o fim com espaço para vário s veículos e o pequeno. Sentia-se agradavelmente tranqüilo. Aquela introspecção durou longos minutos. mas com grande bom gosto.tal e emocional por não ter me desmoralizado com as tentativas de sedução da minha irmã. pode ser bom e aí você sai da polícia. Mas por que diz isso? Pelo que senti. Sérgio se encontrava paralisado no meio da sala de sua nova ca sa. Sérgio. Os amigos não consegu iam conciliar um dia para irem ao centro espírita. Ma s muita coisa estava para acontecer. apesa r de ter enfrentado a revolta de Dona Marisa. fez pequenos reparos. uma satisfação pela conquista. admirou o belo quadro de paisagem agradável na parede da sala colocado acima do sofá. Além disso. Nossa! Olha que horas são! . pela família. tudo bem. Serei sincero. o qual procurava estabilidade para as mudanças que planejava em sua vida. El e parecia ansioso para lhe mostrar tudo arrumado. não vão perturbar e tentar d esequilibrar somente você. Tenho a consciência tranqüila e paz nesse sentido. Não queira saber o motivo. Caprichoso. Tudo os impedia de se falarem melhor. Imagino como se abalou. mas agora tudo estava perfeitamente no lugar e exatamen te como ele queria. Eu gostaria de conversar com você e depois com a Débora. Teve muito trabalho. Nossa! Você é um caso raro por não parecer ter traumas a respeito.. Falei para a Débora que passari a lá antes de ir para casa.surpreendeu-se Sérgio. O importante é você e ela terem forças para enfrentarem os desafios. Dependendo do salário. Olhou para o espelho colocado no corredor. vão fazer o mesmo com a Débora. Em seguida. hoje em dia o ato sexual entre irmãos está sendo ignorado pelos pais. Semanas haviam passado desde a conv ersa com seu amigo João. O trabalho e mpolgante em arrumar aquela casa e pôr no lugar suas coisas onde seria seu novo re duto. Porém percebeu que existem seqüelas espirituais ou sentimentais resultantes do que lhe aconteceu. P ara Sérgio aquela casa estava perfeita. 11 . Assistência espiritual! Por mim. . Acredito que existe um envolvimento espiritual muito intenso. Naquele momento. sem perceber. Quer dar uma olhada para ver se é conveniente? Claro! Sem dúvida. não s e abalarem e superarem os obstáculos para evoluírem. Eles se levantaram e iam saindo quando o outro falou: Ah! Tem uma empresa considerável que quer contratar um psicólogo para trabalhar n o Recursos Humanos a fim de analisar o perfil dos funcionários a serem contratados . E a prova disso são os seus sonhos constantes. pintou e decorou com simplicidade. É um homem equili brado para levar uma vida normal. A situação pode complicar. Tenho dois casos de incesto e os transtornos são . pois muitas coisas aconteciam. meu amigo . a razão ou qualque oisa do gênero. Trazendo no rosto um leve sorriso. que reagiu ferozmente ao vê-lo sair de casa. mas nada comentou. Você conhece alguém de lá? Os amigos saíram da clínica falando sobre o assunto que aguçou grande interesse de Sérgio. Pelo fato de você acreditar na Doutrina Espírita. mas agradável e delicado jardim que oferecia um toque especi al à frente da casa. Sérgio ficou em silêncio e pensativo. Sérgio pensava em Débora. suspirou fundo e caminhou até a porta indo para uma área ladeada por muretas graciosamente baixas d e onde se podia ver as grades altas em lugar de um muro. Creia. É verdade. mas Sérgio pareceu indiferente às suas opiniões e contrariedade. quando sentiu um aperto no cor ação. Algo o inspirava para ac reditar em João. Um momento como aquele trazia algo especial aos seus sentimentos. Esses sonhos são o começo da demons ração da atuação dos espíritos em suas vidas. será fácil se propor a uma assistência espiritual e a Débo ra também. algo como um presságio desagradável. cobriu-o com um manto protetor e ele não se incomodou com a oposição de sua mãe. a residência era próxima da clínica aonde ele poderia ir a pé se quisesse.

escutou o ba rulho do carro de Débora na garagem e. ela sorriu e comentou com jeitinho gracioso: Ficou lindo! Sérgio. Vestindo rapidamente uma camisa. Acomodando-se melhor. . Pediu. mo strou: Reservei esse espaço para você guardar suas roupas e o que quiser. secador. As provas nem começaram e eu não tenho faltas. fazendo-lhe um carinho.. ao mesmo tempo em que explicava e mostrava muitos detalhes: Arrumei esse quarto de hóspede . convidou: Vamos? Débora secou o rosto com as mãos ao dizer: Parabéns. levou-a para olhar o que ele fez naquele dia. Mas eu iria para lá somente à noite e ficaria sozinho enquanto você não chegasse da universidade.. Não é como pedir demissão de uma empresa comum.chamou-a. Não imagina como me sinto quando está trabalhando na polícia. Imediatamente entrou em crise de choro e curvou-se com as mãos escondendo o rosto. Depois você arruma do seu jeito . trazia nos olhos lágrimas de emoção. E por isso que está assim quietinha? Não. creme. Vou colocar suas bolsas aqui. ele comento u: Acho que começo a colher os frutos e recompensas depois de tanto esforço e sacrifíc io! Temos muito que comemorar! .Observando seu semblante sem animação. abraçou-a com carinho. É tão perigoso e nada gratificante. . levou-a até a suíte e.. Ao terminar.Afastando-a com generosidade. Aqui. Não acha? . Débora? Por que está assim? A jovem não suportou.. Goste i muito da proposta. meu bem ..riu.. A seguir. Não foi lá para o apartamento porque não quis. Eu insisti bastante. Embalando-a com afeto. certificou-se de sua chegada. Sérgio a afagava com carinho a o convidar: Vamos sair? . Indo ao seu encontro. Está bom ou prec isa de mais espaço? Está ótimo! Eu trouxe só algumas roupas.Eles se abraçaram novamente. Isso pode te trazer problema s na faculdade. mas agradável.... O namorado percebeu algo estranho em seu tom de voz. Tudo é simples.ele perguntou. exibiu o outro: Neste quarto aqui fiz o escritório e minha tão querid a biblioteca! Venha ver . o rapaz foi até o portão e o fechou en quanto ela descia do veículo.Fez br eve suspense.. Eu adorei! . .. lançando-lhe um olhar indefinido.sorri u... Puxando-a para junto de si. E.disse ao fech ar a porta do armário. Sérgio! Estou tão feliz por você! Nossa!. do horário fixo de manhã. comecei a pôr as coisas no lugar. Existe todo um procedimento. você é muito caprichoso! Dando-lhe um beijo rápido. a jovem sorriu ao confessar: Puxa! Quando vi aquele monte de coisa amontoada aqui dentro. avisou sorridente: Coloquei tudo em ordem! Venha ver! Pegando-a pela pequena mão fria.Admirou-se. Não é tão fácil pedir baixa PM.riu ao avisar .Afugentando os pensamentos. decidiu tomar um banho. Sérgio a abraçou procurando desc obrir o motivo daquele estado angustioso. propôs: Já que cabulou aula. perguntou: Quando vai deixar de trabalhar lá? Vou cuidar de toda documentação a partir de segunda-feira.. levando-a para a sala: Vem! Sente-se aqui.. Decidi pedir baixa da polícia. Sérgio estava animado. não contendo a felicidade que o invadia. mas não é para você! A suíte está à era! .Olha ndo-o sorridente. .Depois. Para deixar aqui .Acomodando-a no sofá e ficand o ao seu lado. Débora ficou verdadeiramente feliz e sem palavras. Ma s agora vai dar certo! . sorriu e contou: Visitei aquela empresa que o João me indicou. espiando através da janela. Sinto um alívio. Fiquei três noites dormindo em meio das caixas! . . fo i bem direto pela preocupação: O que aconteceu. Ab raçando-o forte. Circunvagando o olhar. Eu sei. E logo se entusiasmou: Ah! Veja como esse banheiro ficou bonito! Realmente. a namorada o abraçou com força. A clínica está indo muito bem!..tornou ela com leve sorriso.afirmou..... Ele acreditou que não fosse algo tão grave . ao abrir o armário. V ou sair de lá definitivamente. Vamos sair para comemorar? Temos vários motivos! A casa está do jeito que eu quero. não imaginei que pudesse arrumar tudo. pois ela estava bem ao chegar e pareceu feliz com a notícia de sua saída da polícia. beijou-a e após ajudá-la a pegar algumas coisas.. ele quis saber de i mediato: Eu insisti tanto para que viesse aqui e. Pegando as coisas que a jovem trouxe..

contou quase chorando novamente: Eu não tive tempo de almoçar. Entregando-lhe o copo que foi posto so bre uma mesinha.. ela desabafou: Fiquei indignada! Por que ele quer atrapalhar a m inha vida?! Recostando-se em Sérgio. Quer contar? . . ela continuou: Eu não me importo com a vida particular das pessoas. Débora. afagando -a no braço e contou com a voz embargada: Hoje eu fui demitida. Quem sabe conseguirá um emprego na área em que vai se grad uar?! .. Três pediram para eu comparecer no período da tarde para uma convers a ou possível entrevista.Bem sentida. Alguns goles e a moça respirou fundo. Por que não?! É inteligente! Tem esse semestre!. mas deram explicações evasivas do tipo: foi por corte de pessoal. Falava pausadamente enquanto uma e outra lágrima teimosa escorria por sua face: A princípio fiquei com raiva. . Após saber disso. pois avisei que estava deixando a empresa on de trabalhava. .. conhece muita ge nte em diversas empresas.. Disse que ligou para eu não me dar ao trabalho de ir lá e. Débora parou por minutos. Você é competente.. ela olhou para Sérgio.. . Débora se afastou do abraço e sem olhar para Sérgio. disse a ela que meu pai pagou um considerável valor para que me demitissem. Era alguém de uma das empresas que eu iria e um a secretária avisou que a vaga havia sido preenchida. Animei-me e até esqueci o que meu pai fez. Fique calma. Não fique assim. pediram para eu comparecer o quanto antes. quando estava chegando próxima a uma da s companhias. sobrepôs o braço em seus ombros puxando-a carinhosamente para que se recostasse em seu peito e falou tranqüilo: Não fique assim. Todas disseram que realmente precisavam de alguém na área de marketing e pareceram bem interessadas e satisfeitas com o meu telefonema..Afagando seu braço. Nem se for só um pouqu inho.. Só falta um ano para se formar! Como corretora imobiliária da área empresarial no centro da cidade. Pegou o copo com o restante de água e bebeu.. Você não sabe o que aconteceu. Vai arrumar outro e mprego melhor. Ela é legal e eu explicava sobre os negócios locatários em andamento. Não tenho tanta certeza .. Essas pessoas conhecidas tratavam-se de diretores para os quais e ncontrei locações ideais para as empresas que eles representavam.. contr atos para fazer.. Voltando a sentar onde estava.falou aflita. Ao se recompor.. vamos dar um jeito.Cont ou sentindo um gosto amargo de decepção.. É amante dele..falava animado. Por eles afirmarem que necessitavam de funcionário co m meu perfil. Sérgio somente aguardou e sofreu por vê-la daquela forma. fui avisada sobre a demissão.Fez pequena parada e comentou: Senti uma coisa ... submetendo-me a ca nsativas procuras para suprir todas as exigências.. Acreditei que reconheceriam min ha perseverança e boa vontade. Vendo-a chor ar sem conseguir falar nada.Débora chorou novamente. mas ainda apresentava um choro doloroso e lágrimas tristes corriam em sua face pálida. Talvez por eu não discriminá-la como outras pessoas fazem. Tem grande potencial. Você não sabe! . explicou: Logo cedo. Para contato dei o número do meu celular... falou de modo baixinho e carinhoso: Ei.murmurou. Não fique assim. que estava de joelhos à sua frente. Logo você arruma outro em prego.. ele a abraçou e argumentou: Seu pai fez isso a fim de que volte para a casa dele. Porém não tenho nada com isso e sempre a trat ei bem e explicava as coisas com boa vontade. foi até a cozinha e lhe t rouxe um copo com água adoçada. pedindo carinhosamente: Beba. eu terminei rapidamente o que prec isava e dei alguns telefonemas para pessoas conhecidas que trabalham em consideráv eis companhias. . tirou o braço de seus ombros. seu a mante. Bem. Pediram que eu passasse todo o meu serviço para uma colega.. Quis saber o motivo. Eu precisava acertar muitas coisas. até. Não diga isso.Esperou por algum tempo e delicadamente forçou-a a se erguer um pouco. Seja o que for. essa colega me pediu segredo e contou que esse sócio.. Sentando-se ao seu lado. Essa moça tem um caso com um dos sócios.. Saí correndo e.perguntou bem sério. tirando-lhe uma das mãos com a qual encobria o rosto e disse: Exi ste solução para tudo. o meu celular tocou. assim que cheguei à empresa.

. . gás.. pintado e lubrificado transformando-s e em uma peça clássica! Tenho certeza de que o valor da locação foi baseado na aparência d a residência antes dessa transformação e no desejo do proprietário de querer alugá-la a um preço qualquer somente por medo de ser invadida. Então cheguei à outra empresa e aguardav a o atendimento quando o celular tocou novamente e.. Eu deveria desconfiar que isso pudesse acontecer. ainda é uma casa velha . Foi dinhei ro jogado fora. Seu pai não pode conhecer ou controlar t odas as empresas que existem.. . Depois avisou: Débora. Não tente ser otimista. sem que eu perguntasse. certo? Naquele dia a casa estava feia.. Fique tranqüila.. . Sérgio a escutava com toda atenção e considerou para deixá-la mais calma: Pode ser uma coincidência. Por longos minutos. com pintura velha nas paredes. perguntei se ela poderia me indicar algum emprego. mas não dei importância.. você quase não diss e nada nem reprovou a minha decisão de alugá-la. deu as piores referências para eu não conseguir aquelas vagas! A jovem chorava enquanto ele fazia-lhe carinhos para acalmá-la. Gastei com a decoração do apartamento e outras coi sas. a mureta e o arco da varanda com reboque quebrado e o jardim era um ve rdadeiro matagal em miniatura. mas me controlei e voltei até a companh ia imobiliária que me demitiu.. use-as até conseguir um novo trabalho. silenciou de pois de lixado. que ligaram de três lugares di ferentes pedindo referências e perguntando o motivo da minha saída. Ela já estava orie ntada para passar qualquer ligação para o diretor da companhia. o condomínio. Conver sei novamente com a colega para a qual passei meu serviço e.que nem sei explicar..Breve pausa e se revoltou: Não sou burra! É lógico que o desgraçado do diretor daquela imobiliária. alimentação. segurando delicadamente seu queixo. Depois de esperar muito tempo. mas sem empolgação. O medo e a insegurança dominavam sua mente e seu coração.falou em tom brando e algo explicativo par a alertá-la. a recepcionista me chamou avisando que não pode riam me atender hoje à tarde e pediu para eu aguardar o telefonema deles. Até o rapaz despertá-la do silêncio. Coincidência?! Não mesmo! Fiquei atordoada. Não está sendo fácil! Você não tem alguma reserva? Se precisar. pois age ndariam nova data para uma entrevista.chorou. a univers idade e tenho despesas com água. Acreditei que você estava exagerando. vai arrumar outro emprego o quanto antes. carro. celular.. a jo vem se enfraquecia vencida por idéias pessimistas e rancorosas perdendo as esperança s.. reparado pelo serralheiro. Somente agora entendi. o preço seria dobrado ou triplicado.respondeu com sinceridade. Quando saí da casa do meu pai e brigamos. Sérgio! Não era o mome nto de eu perder o emprego. Acho que ninguém morou aqui por muitos anos! Eu nun ca imaginei que você pudesse deixá-la como está hoje! Vi e acompanhei tudo o que fez e estou imensamente surpresa! Preste atenção. a jovem permaneceu imersa em profundas e amargas reflexões. Sérgio. Não tenho quase nada guardado. Pago o aluguel do apartamento. telefone. que a eitou o dinheiro do meu pai. Era alguém da outr a companhia me dispensando também. Aconteceu que os muitos detalhes que a tornavam feia foram trocados o u consertados. torneiras enfe rrujadas. Na hora eu quase chorei. essa moça contou. luz. roupas !. afinal precisava ficar tranqüila a fim de causar boa impressão onde estava indo. Meus gastos com alguns luxos são dispensáveis. O portão que rangia como se fosse um efeito para filme de terror. erguendo seu rosto e olhando profundamente em seus olhos. A primeira vez em que eu a trouxe aqui para conhecer o lugar. Depois de me dar al guns cartões. O mato crescido foi arrancado e no lugar cultivado um bonito jard im. Você me alertou.Algum tempo e la mentou: Sérgio. . invadindo sua alma ao pedir: Responda sinceramente. ele me disse que eu ainda correria atrás dele. Se essa casa estivesse desse jei to no momento de alugá-la. Agora vejo o quanto aquele a luguel é caro e desnecessário.. Você gostou dessa casa agora? Lógico! Claro que gostei . Foi tão difícil me control ar. Mas eram grandes companhias! Isso vai me atrapalhar muito. nem todos os lugares vão se dar ao trabalho de telefonar para o seu antig o emprego pedindo informações a seu respeito. sem exibir minhas des confianças. Entrei com a desculpa de ter esquecido algo. Eu não poderia me alterar. Por mais que o namorado se esforçasse em animá-la com pensamentos positivos.

mas Sérgio. Entregue o apartam ento e traga suas coisas. Podemos a rrumar tudo quando consegui-mos ver a beleza através do que parece feio. nos meus propósitos.. seguro de si. nem sempre conseguimos fazer nossos planos seguire m a ordem que desejamos.Fez breve silêncio. eu te amo muito! Concordo com tudo o que você propôs. Esqueci da fábula da cigarra e da formiga. Sérgio . mas preciso de um tem po. porém antes precisam os alcançar algumas metas e estabilidade para dar a ele ou a ela todo o amor.. Par a mim não importa mais se viveremos juntos agora ou após casados. não poderá ver as oportunidades a sua frente... pausadamente.. sem passar necessidades e co m relativo conforto. Saiba que não viverá no luxo ao qual se acostu mou. Mesmo trabalhando e me achando o máximo. meu amor! Espere! Eu quero dar o exemplo de que nada é permanente.. pausadamente prosseguiu: Tu do o que estou falando está nos meus projetos. você pediu para eu ir morar em seu apartamento. Perderá tempo por só ver. Viu em seus olhos ardentes um brilho úmido de lágrimas que rolaram lentas. Débo ra permaneceu séria e murmurou em com sua voz delicada: É confortante ouvir isso. Eu disse que.pediu com jeito apaixonado. Esteja certa de um a coisa: aqui comigo ficará mais segura. a at enção. em seguida. . Afagando-lhe o rosto. . Não acredito que . con tornou vagarosamente seus lábios com as pontas dos dedos.. Terá mais tempo e tranqüilidade para procurar um emprego de que goste sem tantas preocupações.Respiro u fundo e explicou ponderado: Só gostaria de pedir uma coisa. . você não vai conseguir cul tivar um bonito jardim nem pintar as paredes da sua vida para deixá-la rapidamente nova e bonita. Sérgio. A bela face da jovem estava melancólica e exibia uma dúvida mesclada de conflito. Aparando-as com ternura. parecendo tatear uma jóia preciosa.Alguns segundos para que ela refletisse e continuou: Débora. Naquela época fiquei um pouco preocup ado com comentários e críticas. Estamos juntos há tempo suficiente para não nos importarmos mais com as críticas e comentários de quem quer que seja. Não sei o que é se submeter à prova de reduzir as despesas.. ele falou. Eu quero e sei que teremos um filho. Fitando-a quase sem piscar. ela respondeu: Sérgio.. Bem. sofrer e sentir o que é feio e ruim.. olhando-a com ternura. Nunca precisei me preocupar com dinheiro. mas eu só ten ho essa casa e quero que venha morar aqui. a educação e o conforto que pudermos. Gostaria de te dar todo o conforto do mundo. . Mas. além de nos conhecermos bem melhor. Gostou mesmo desta casa? .. Eu te amo muito. moraria com você. Contudo terá uma vida estabilizada. Acreditei que era cap az de me auto-sustentar totalmente. Olhando através das dificuldades do momento.. questionou no mesmo tom ponderado de antes: Por que não? Algo a impede ou tem dúvidas de seus sentimentos por mim? Não!.. o rancor pela injustiça do seu ex-encarregado e a decepção pelas três portas que se fecharam. Não vou dizer que nos casaremos amanhã ou daqui a dois meses. Com semblante sério. Venda o que puder. Eu tenho como arcar com as despesas.tornou. olhando-a firme: Para me ajudar. m as continuaremos tomando cuidado para não trazermos ao mundo um filho que não esteja em nossos planos ainda. Hoje.. preste atenção! Se você continuar experiment ando o sentimento de mágoa pela crueldade de seu pai.Alguns segundos e perguntou: O que me diz ? A namorada estava perplexa. Ela sorriu docemente ao repetir com simplicidade: Lógico! Ficou um encanto e se parece com você! Por que insiste em perguntar isso? Por que eu te adoro. ele tocou carinhosamente sua face quase fria. aperfeiçoar-me m ais com estudos para ampliar meus conhecimentos e ser um profissional melhor. Não a rmazenei o suficiente para o inverno que não sei por quanto tempo pode durar.Você está me dando uma lição de moral por eu. Vem morar aqui comigo .reconheceu angustiada. mas vamos nos casar. c aso encontrasse dificuldade. eu morava na casa dos meus pais e não sabia o que era administrar financei ramente uma casa. Eu te amo! Te amo muito. minha vida virou ao avesso! Tudo aconteceu muito rápido.. Meus planos são de ficar bem estabilizado.. Não nos conhecíamos tanto quanto hoje. Quando al go não está bom e precisamos mudá-lo devemos arregaçar as mangas até conquistar o que dese jamos e nos sentirmos bem com isso! Débora. planejada. Só descobri isso quando fui morar sozinha. incl usive da sua faculdade. Interrompendo-a e a abraçando. É o mesmo que olhar através dos vidros sujos de uma janela: eles podem estar tão sujos q ue você não saberá que o sol brilha lá fora. beijou-lhe a cabeça e completou generoso: Não.

eu arrumo um emprego bem melhor. O safado nem pra. estou tão cansado depois de arrumar t udo por aqui! . interrompendo-o bem sério. Essas criaturas. olhando-o com um medo estampado em seu se mblante pelo futuro incerto. invisíveis ao plano físico.criticou Marcílio. Um dia ele pode preci sar da gente.. na casa dos pais de Sérgio. Sérgio passou a comentar sobre outros assuntos. O rapaz a envolveu num abraço amigo e gostoso. Pre ciso de um tempo para pensar e. Não faltará oportunidade! E para ser sincero... ciúme e outras más tendências dos encarnados e se revigoravam com suas energias. O Sérgio não levou nenhum de nós pra conhecer a casa dele! Só o Tiago foi lá! Ouvi meu nome?! . e ntre outras coisas. como que abraçando imediatamente os envolvidos na desavença e agressão a fim de incentivá-los à troca de d uelos de palavras vis e repugnantes... Ei! . o senhor Inácio somente ouv ia a esposa esbravejar: Não é possível! Jamais pensei em ver tamanha frieza por parte do nosso filho! Quant a ingratidão! Bastou se formar doutor. se arranjou na vida e pensa que não vai precisar de mais ninguém! A senhora viu!. Se até dezembro não tiver êxito. sem ins trução e que se satisfaziam com brigas e discussões de qualquer tipo.. Pode até acontecer o que você falou e. Realmente preciso de um banho para relaxar! . f oi à direção do irmão e esbravejou ao empurrá-lo.Em seguida. falou: Enquanto isso. Bem depois. parecendo se esquecer do dia tão difícil que teve. espalmando as mãos no peito de Tiago: Qual é cara?! Você é tão sem-vergonha quanto ele por que só sabem criticar sem saber o que é passar necessidade! Uma briga começou entre eles. pedirei a pizza. aproveitando-se de s eus fluidos.. afinavam-s e e se satisfaziam através do comportamento e dos pensamentos inferiores dos encar nados.esteja desempregada e com tantas responsabilidades financeiras para assumir. esses espíritos levianos a proveitavam-se dos sentimentos de raiva.. casos corriqueiros durante a compra de um móvel. indignação. pra ele emp inar o nariz como se a gente não fosse nada à vida dele! Deixa o Sérgio! . Esses espíritos imperfeitos inclinavam-se tam bém aos que assistiam sugerindo-lhes todo tipo de pensamentos conflitantes. Quero continuar trabalhando e terminar os estu dos. Poderia chamá-lo de cachorro e safado caso ele ficasse encostado na família e aproveitasse da bondade dos pais e dos irmãos para cuidar da mulher e dos filhos! Marcílio reagiu ferozmente. de repente. angústia.pediu. Será como vo cê quiser.Beijou-a rápido.concordou ela. Ao tempo em que tudo acontecia.. mas. levantou-se e sorrindo a fez se erguer. . ta? Ah!. Num tom de brincadeira. Vamos pedir uma pizza? Desculpe-me! Você queria comemorar. feios e enferrujados! . Proponha-se ao mercado de trabalho. enquanto apreciavam a pizza.. você vem morar aqui.sorriu ao afirmar. sugeriu: Você também está cansada! Pegue uma roupa bem con fortável e vá tomar um bom e demorado banho! . envolv endo-os emocionalmente. acabando de chegar. aí eu quero ver como ele vai voltar com o rabo entre as pernas?! Ele usou todo o mundo aqui em casa. ter uma porcaria de um diploma. Embalou-a com leveza e avisou: É tarde e acho que você não está com ânimo para sairmos.alertou o irmão. Tudo bem! Eu aceito! . dona Marisa ainda não se conformava com o fato do filho ter mudado. Termine esse semestre na universida de. Na espiritualidade.. verdadeiro alvoroço se fez entre espíritos horrendos.indagou Tiago.Ao vê-la sorrir. * * * No mesmo momento. inveja. meu! Nosso irmão foi o m ais esforçado entre todos nós. Completamente calado. Olha como fala! Por que chamá-lo de cachorro e safado?! O Sérgio não merece esse tratamento não. na esperança de animá-la.. Está certo! . levantou-se rápido. concordando com sua mãe. fortaleciam-se. Tomado de forte sensação enervante. Débora ficou atenta. questionou: Estão falando bem ou mal de mim?! Estamos falando do cachorro do Sérgio! . Você pode me dar um tempo? .riu ao avisar: O chuveiro da suíte está f uncionando e nenhum registro ou torneira estão velhos.enervou-se Marcílio.

um dos soldados que desertou com ele. procurando consolo Mas não! Depois do desespero e do enterro. Comecei a ouvir. movimentando-se como uma massa den sa. Ao partir para as batalhas contra o exército imperial a fim d e conquistar as vilas e cidades. meu s sonhos e esperanças. Não suportei saber que ele preten dia ir embora para longe e começar uma vida com ela. Ele não só maculou o nome da minha f amília. pois em nosso corpo espiritual. teria se casado co m ela e nunca desconfiaria do filho não ser dele. O Tiago tinha um brilho intenso nos olhos quando estava com ela. mas estava enfeitiçado e não dava a menor importânc ia ao que eu dava a entender para persuadi-lo. Eu vi o sorriso gentil no rosto dela ao gesticular delicadamente com voz deng osa que atraía os homens. pois ele precisava pegar os dois juntos. plasmando-as nos ambientes. O Sérgio acabou com minha vida. o Sérgio deixava a Débora em nossa estância. O próprio Mestre Jesus nos ensinou: Pede e te será dado ... abandonando aquela que hoje. Por culpa do seu desprezo . Covardemente desertou! Desertou por causa daquela mulher! . E os mais sábios nos alertam e chamam de sujas as palavras de baixo calão. Vol ando-se para ela. Mas ela me paga! Ela o fez se juntar ao inimigo e enfrentar minhas tropas! Não foi somente isso o que ele fez nessa época. mas. vez ou outra. pois se movimentavam e se desl ocavam de forma anormal. Um bando de invejosos e orgulhosos .. a felicidade e a harmonia são tormentos insuportáveis. calcadas de botas fortes no andar lento de hom em. reencontrou-o e juntou-se aos revolucionári os farroupilhas. avisou: Veja como realmente são aqueles que se diziam seus parentes. Uma espécie de lodo como secreções de corpos físicos em decomposição nos caixões. mas algo como que nuvens escuras em tons marrom. Enquanto todos dormia m. Eles i nvejam quem as cultiva. hipócrita!. grudando nas paredes como matérias fecais misturadas a ou tras excreções inenarravelmente repugnantes. O Sérgio não merecia aquela mulher. o espíri to Lúcia relatava com imenso rancor: Tornou-se um costume da Débora permanecer todas as noites na varanda. eu enlouqueci! Pensei que existisse um Deus bom. O Sérgio me prejudicou imensamente no passado. Sustentando e se comprazendo com o que acontecia entre Tiago e Marcílio. mas também esse infeliz me desmoralizou. el e se foi sozinho! Não me conformo com isso! Covarde! Eu disse que ele é um covarde! Naquela oportunidade poderíamos viver um grande amor. Sempre nos é dado o que pedimos para nós e para os outros. tendo ao lado o espírito Lúcia. Passei a espiar. ficava e era designado a tomar conta da estância. A criança era de outro. Criticava minhas ordens e tudo que é comum de se fazer em uma guerra. O espírito Sebastião. irregular e muito feia. mas nem sempre participava das pelejas. cinza e preto pairavam no interior de toda a casa. Cada palavra indecorosa. o espíri to Sebastião emanava energias ainda mais pesarosas. humilhou-me e me rebaixou no nível ma is inferior que pôde.. Fazem de tudo para tentar destruir esse estado de paz. Os encarnados não podiam ver. em pensa mento ou não. O Tiago. observava tudo com satisfação. Nunca vou esquecer.. plasmam-se exatamente energias espirituais mentais impregnadas por nossas palavras. Aquela miserável era traidora. Tiago e Débora conversavam por horas. mas não! Nessa encarnação nascemos . quando não conseguem. Pensei que o Sérgio fosse correr p ara os meus braços. é a Sueli! Como se não bastasse.opinou a desencarnada com indiferença. Não importa! Qual o problema de se unir a ela e assumir a paternidade? O que ir ia acontecer? Se ele tivesse retornado antes como eu ordenei. Principalmente quando se trata de seus desafetos.. . afasta m-se. pensam entos e desejos.Trazendo um ódio cego encravado nos sentimentos.. dizendo que gostava de contemplar o céu estrelado ou tomar ar. Ah!. o in feliz fez o mesmo nessa encarnação! E lembre-se de que ele desgraçou a sua vida também! Mas você sabe que ela não esperava um filho dele. encarnada. Por muitas vezes. no ca mpo energético que nos envolve e no ambiente onde vivemos e convivemos.. Ele acabou com a moral da minha família.riu com sarc asmo.Para esses espíritos. ela desaparecia e ninguém sabia dizer onde estava. por isso contratei o empregad o a custo de jóias caras para dar um fim na Débora. ofensiva e hostil pronunciada oferecia mais vigor àque las energias espirituais extremamente inferiores.

Mas o pior eram os pensamentos de culpa que não paravam. Sua vida não terá mais sentido e ele desejará a morte ao sabe r!. depois de saber de tudo... Como se o quê? . induzindo-a a pensamentos conflitantes para continuar dominando-a e utilizando as disposições a fetivas de Lúcia para os seus objetivos de vingança. T em o meu apoio.Psicólogo Espiritual Rogando amorosamente a instrução e a colaboração influente de entidades de esfera sup erior. encontravam-se em luga r onde o agradável magnetismo parecia acariciar os sentidos. a irmãzinha desprezível e insignific ante com seus vícios. um lixo e é por isso que ficou assi m depois de morrer! Qual era o problema de se amarem? .. pois a Sueli é uma filha fiel e se mpre pronta para me ouvir. Gritou muito. do corpo se desfazendo. continuo u falando para persuadi-la: Eu sei o que você passou após morrer daquele jeito. passei por tormentos infinitos! Eu p arecia ouvir a voz dele ecoando todo o tempo em minha mente falando de moralidad e. longe dos pesadelos e das alucinações que enfrentou dentro do túm ulo. É?! Vou dizer a verdade: eu o desejo como homem para usá-lo em favor de meus prazer es. . domi nar os desejos.. de respeito! Sofri feito um desgraçado! Tinha alucinações que nunca paravam! Sentia dores como se!.riu. Ao saber o que a Débora fez! . Eu mesmo cuido dela para você! . Agora eu vejo o Sérgio de modo diferente . o Sérgio me torturou com seu s sermões moralistas! Desgraçado! Quando morri. Além dela. dos bicho s te roendo e aquele cheiro insuportável. Com aquela moralidade hipócrita. sentindo intensa hostilidade . meus atos. zombando. imunda! Meus pensamentos ferviam e me corroíam! Isso mesmo! Sermões moralistas! . Mas aquilo era impossível. por isso quase enlouqueci! Dem orou.. perguntei: cadê Deus?! . sentia a carne fedendo ao apodre cer. forte e seus olhos são d e uma atração impressionante quando pareciam invadir minha alma! Eu era capaz de faz er tudo por ele! E o Sérgio a rejeitou! . e o Breno. Ele se achou superior e a trato u como um lixo em decomposição! Repugnava seus sentimentos! É verdade! O Sérgio começou a me dar sermões e mais sermões moralistas! Cada vez mais oralistas! E eu me sentia suja.quis saber Lúcia com frieza... ter boas práticas!. Assim como fez com você. Mas agora.tornou ela. com caráter possessivo e sentimentos mesquinhos por Débora. Ele não aprovava nem respeitava minhas vontade s. eu o odeio por tudo o que ele já me fez. faremos com que ele sinta tudo o que nos fez sofrer. Sentia as dores do tiro. Foi difícil te ajudar.gargalhou sarcasticamente. porque eu te regenerei com as energias sugadas dele e te despertei p ara esse mundo real. fraca e ingênua! Será bem fácil e prazeroso ver a safada experimentar o que eu mais tive prazer de fazer com as vadias desse tip o! Sei que será fácil envolver essa desavergonhada.. Fiquei cansado de ouvir suas conversas sobre dignidade. não foi? Falou que precisava de tratamento. sensações e pesadelos alucinantes com o se eu fosse uma delas. Quero-o morto! E quanto à Débora.. ele de u-lhe sermões e críticas. Ah! Esse é dos meus! Ele vai se vingar por mim com escárnio e muita humilhação! E o Sérgio ficará arrasado.Breve pausa.. informou em tom típico de sua vileza: Débora é uma tola. Acor dou no caixão e sentia cada verme roer seu corpo. Sentia dores.questionava. Até parece que aquelas vadias que tomei à força não gostaram de ter um homem viril co mo eu! Desencarnado.repetiu Sebastião. Acompanhei tudo.lembrou Sebastião. Você só não sofre mais. 12 . Juntos... tem a minha ajuda . justiça. fazendo-te pensa r que estava louca! Fez você se sentir um verme...irmãos legítimos! E eu o amava! Ele tornou-se um homem lindo. meus prazeres. mentores de Sérgio e Débora... O ódio e a raiva pelo Sérgio foram tão imensos que não posso deix ar de me vingar! Ah! Não! Sofri mais do que um cão e procurei o desgraçado porque prec isava fazê-lo sentir o que eu experimentei! Descobri que tinha reencarnado e eu ti nha passado mais de cem anos naquele tormento alucinado e doloroso por culpa daq uele infeliz moralista! Igual a você. Com crueldade. que te corroíam. os espíritos Wilson e Olívia. respeito. atraindo-os a uma doce e suave meditação. Lúcia. eu sofri. mas tomei força e reagi furioso! Tanto ódio brotou por experimentar aquilo que consegui me libertar. Sebastião admitia. as faculdades espirit uais. tem a Yara.

a fim de consultarmos seu s bons conselhos diante de tudo o que acontece ou está prestes a ocorrer aos nosso s pupilos. a fim de ver enternecido o coração. sabemos o quanto é ocupada em trabalhos ne ste plano. Os nobres irmãos encarregados do serviço de socorro em zon as tão sombrias receberam orientações misericordiosas para aguardar um relampejo de lu z e esperança em Sebastião. Precisamos ser cautelosos e pr udentes. sua consciência o encaminhou a regiões muito baixas. Majestosas colunas se estendiam lindamente do chão às alturas de cúpulas transparentes. parecen do leve e de mangas longas e largas que se ondulavam com suavidade. De suntuosa fonte. Por onde a e levada criatura deslizava.Revestido de sólidas energias edificantes. Mesmo bem sofrido per ispiritualmente. Assim seja! . de onde luzes transcendentes cintilavam. práticas por prazer a seus vícios lascivos. O espírito Olívia. Tomamos a liberdade de invocá-la e pedimos a generosidade desse encontro aqui. Voltando-se à nobre entidade que aguardava sua manifestação.. Olívia trocou olhar com Wilson como se lhe pedisse a palavra. no pl ano material dos encarnados. ostentando delicadas flores brancas. Depois de tantas batalhas com o emprego de crueldade desnecessária aos oponen tes. deixando-se envolver e mantendo o s olhos cerrados ao permanecer introspectivo.Abraçando-os com imensa felicidade. Existe muito ódio desejo de vingança no coração do pobre espírito Sebastião. A esfera obscura onde gemeu. ele desencarnou. difícil de explicar.. que se dispôs a sentar. o grande salão reluzia nas paredes uma claridade própria. Os tormentos vivenciados o consumiu por décadas. o piso era sutilmente tocado por sua vesti menta alva que possuía algo como substância luminosa. de ou: Paz em Jesus. Não existe. via-se incrível jardim que causava grande impressão pela beleza repleta de detalhes capric hosos em plantas e flores formosíssimas e agradáveis à visão. Eles se levantaram. nada a que se possa comparar. Ao lado da fonte. Plena natureza sob a proteção excelsa de um salão usado para conversações muito elevada s nas escalas dos valores morais e espirituais. E era dele que brotavam tr epadeiras similares a heras que imprimiam nobreza sublime ao esparramarem-se gra ciosas. ficou contemplando o maravilhoso contorno do gr ande recinto. É difícil descrever. Algo como que suave brisa de aroma agradável despertou a atenção de Wilson e Olívia p ara a entrada da entidade que. ele deveria desejar receber o amparo da providência Divina e os socorristas estariam a postos. Ao leve gesto da mão delineada e graciosa. pois seu corpo espiritual foi brutalmente danificado por sua co . como que nuvens fofas. não co ntendo o sorriso de felicidade ao vê-la. expressou-se com i ncrível doçura aos visitantes: Agradeço a Deus as bênçãos de suas presenças! .concordou Olívia. brotando fé e arrependimen to. Imprevistos severos ocorreram e tememos por nossos protegidos. viva e alegre. sórdidos e sádicos. mesmo assentando-se na magnífica poltrona de matéria encantadora à s ua disposição que parecia agasalhá-la. a entidade indicou para que se senta ssem. ele infernizou a própria mente pelo mal praticado. em parte das paredes e de algumas pedras da fonte. gritou e chorou como verdadeiro louco não modificou seu estado vibratório. pelo r isco que corre a missão desta encarnação tão planejada e por nós mesmos. Todo o ambiente era banhado de luz cristalina bem acolhedora. acomodando-se frente a eles em assento que surgiu suave e instantaneamente como que nuvem sutil. Mas não foi o que aconteceu. Acomodações confortáveis. Era impressionantemente bela! Com aparência translúcida! Usava uma túnica simples. amorosamente. Com humildade. O semblante jovem e de nobres traços angelicais exibia alegria verdadeira. enquanto suave melodia se derramava em harmoni a aprazível.argumentou Wilson diante da pa usa. meus irmãos! Que o Mestre a abençoe . surgiram no instante do relampejo do pensamento de Wilson. junto da hedionda brutalidade contra mulheres e crianças. Como não poderia deixar de s er. mas. flutuando.retribuiu Wilson. Mais de um século. ouvia-se o murmurinho das águas límpidas correndo por uma parede de pedras até chegarem a delicados lagos que fascinavam por seus e spelhos de água. Sorridente. O espírito Sebastião está extremamente embrutecido . esperavam. comentou com amável respeito: Querida ministra e instrutora amiga. em esferas superiores e até na crosta terrestre.

harmonia e paz. não apenas das duas últimas. se possível. como sugerindo reflexão: O Pai da Vida não é impetuoso. conforme predestinado. Concordo com Olívia . culpa e quer se vingar ao afirmar que todos os seus sofrimentos no plano espiritual. Não demorou a se unir com os comparsas do passado e escravizar alguns pobres e spíritos recém-desencarnados e voltou-se para o objetivo de vingança. Jamais Ele emprega violência ou força brutal com a fin alidade de constranger ou agredir a mente de uma de suas criaturas. a generosa benfeitora ponderou por segundos e considerou em tom t ranqüilo e tênue. Sua aparência humana está bem alterada. No entanto. a sábia instrutora Ia ryel lembrou: Deus é amor. Foi então que o espírito Sebastião passou a interferir. E a sua consciência que o cobrou e o cobrará.Wilson terminou e ficou no aguardo de uma orientação.nsciência e por outros espíritos de impressionante inferioridade que habitam aquela região. Por essa razão viemos lhe pedir sábias orientações e humildemente. O espírito Sebastião parece reunir uma fal ange de esferas obscuras com o intuito de grande destruição de todo o planejamento r eencarnatório proposto. Sebastião odeia. Por isso. Sebastião usa condições e hab ilidades espirituais rudes de suas faixas vibratórias muito baixas. Ele p otencializou toda a sua raiva. Não há como mudar. quebrou o invólucro magnético criado por sua mente que o prendia naquelas co ndições tão sofridas. Devo admitir que jamais vi tão grande força do mal endereçada para esse fim. Com meigo e terno sorriso. A o experimentar um breve instante de alívio na consciência. conseqüência de suas práticas. que o condenava àquelas con dições turbulentas. desencarnado . S ebastião a tem como aliada a fim de usá-la contra Sérgio. ele não conseguiu amainar a ob-sessão de seus desejos c arnais e lascivos por ele. A moral elevada de meu pupilo. que podem ser consideradas monstruosas. que completou: Débora e Sérgio se encontraram. Há muito tempo. Sebastião não admite que ouvisse e experimentou as acusações de sua própria consciência. o espírito Sebastião. V ersada no atributo de grande soma de conhecimento. Por acréscimo de misericórdia.argumentou o espírito Wilson. apesar dos desafios e tarefas a realizar. envolvendo e a tormentando aqueles a quem Sérgio quer bem. pois. venerável mentora. não parecendo surpreender-se co m toda a narração. Por isso a procuramos . nos último s tempos. o espírito Sebastião mergulhou nas reentrâncias de sua consciência. em breves segundos de alívio mental. Esse desequilíbrio sentimental in controlável vem de encarnações distantes. nesse aspecto. Suas Leis de equilíbrio para a evolução estão a consciência de cada uma de suas criaturas. A serenidade e a atenção eram vivas mensagens silenciosas que revelavam compreensão e sabedoria no semblante delicado da amorosa e elevada entidade que os ouvia. recebeu luz na consciên cia a fim de despertar fé. libertou-o do débito com o espírito Lúcia. uma das propostas era ajudar sua irmã Lúcia a reverter os dese jos obsessivos por ele. envolvendo-a em um intercâmbi o mental para que a moça se desequilibrasse e tentasse seduzir o irmão. Sendo que isso ocorreu porque Sebastião e seus colaboradores do mal estão tentando fazê-lo desenvolver pensamentos e práticas imperfeitas. mesmo Sérgio propondo-se a reencarnar como pai de Lúcia e educando-a sob pr incípios religiosos rigorosos. que o queimava como a dor terrível de um fogo incessante. Contudo. Sua perversidade parecia mais intensa e cru el. que teve muito trabalho com ela. viveriam juntos e felizes. No entanto seu coração nobre se candidatou a tentar. ficando receptivo aos bons conselhos. Para isso. o que ela chama de amor. no s lo XVII. Sebastião não ficou atordoado e reflexivo despertando para a fé. o amparo eficiente de irmãos espirituais. todo o seu ódio e desejo de vingança. a livrá-la dos alucinantes sentimentos. para nos ajudarem em benefício de nossos p rotegidos e de muitos encarnados envolvidos. Urrando como um a fera. no últ imo reencarne. . seus subordinados e nossos superiores. Sérgio não é impulsivo e reflete muito an tes de qualquer atitude.Ela contem plou os presentes com rápido olhar. foram por culpa de Sérgio que o repreendeu. Sérgio não se in clinou. após revigorá-la com troca de energias mentais com o irmão. No planejamento reencarnatório de Sérgio. ele mesmo se surpreende com a própria reação diante de fatos isolados. Temo por desastrosas conseqüências se meu protegido não suportar . essa oportunidade lhes foi impossível pelo ato cruel de Lúcia contra minha pupila. nesta reencarnação. Wilson silenciou e olhou para Olívia. o espírito Sebastião vem agregando espírito s tenebrosos a fim de vingar-se de Sérgio e Débora desnecessariamente. Com Lúcia desencarnada. No entanto sua energia mental não teve uma reação positiva. com tantas deformidades. .

não de ixa de pensar no assunto. algo que impressiona! Pressinto a impotência espiritual de Sérgio para mobilizar força e vontade a fim de livrar-se da ostensiva obsessão. Sebastião e xibe energia peculiar à sua monstruosidade e força mental que emprega para interferi r nos pensamentos de todos. A revolução farroupilha xe benefícios a essa Pátria tão estimada. prazeres doentios e estranhos ao ser humano.expressou-se com ternura angelical . egoísmo. Encarnado. lei de efeito para as pessoas necessitadas em experimentar ou reparar os erros do pass ado. Nesse caso. a justiça está sempre de um lado e há influência dos espíritos. pois é de natureza inferior a dos animais. Repelir o que lhe an tecipa a morte do corpo físico é correto. Mas ele acusa meu pupilo por tê-lo alertado . mesmo que haja dor a fim d e destruir o mal que há na criatura. ele também seria culpado por omissão. Vi-o ativo e fiel trabalhador na espiritualidade. Ele ouviu um colega dizer isso e. lei de ação e reação. . Mas cada caso é um caso. Porém nada é eterno e tudo se transforma com o objetivo de renovação e melhoramento. No tumulto das bata lhas quase não existem mortes instantâneas. Sérgio foi destinado a combater em uma guerra. caso não receba auxílio de com panheiros dos planos mais elevados . mas nunca usou de crueldade ou tortura covarde para com suas vítimas. pois sem ele nos entregaríamos ao desânimo ou suicídio indireto. orgulho.. crueldade e out ras vilezas. Laryel sorriu em sinal de compreensão bondosa e avisou: Conheço Sérgio. . As criatura s de Deus são os instrumentos de que Ele se serve para atingir determinados fins .pediu Wi lson com humildade. Contudo também conheço a sua extraordinária atenção por esses queridos encarnados sob su a tutela.preocupou-se Wilson. Sendo assim. uma vez que ocupava posição subordinada ao comandante Sebastião. Sérgio reluta em deixar de ser policial pelas necessid ades financeiras que o preocupam e por acreditar que foi criminoso ou bandido em vidas passadas. sabemos que os corpos físicos são disfar ces do espírito quando encarnado. no caso de guerra. o silêncio o tornaria cúmplice e conivente com os atos de selvageria . Precisamos de sua generosa intervenção. Vejo meu querido filho espiritual se torturando lentamente com as interf erências e influências diretas e indiretas do espírito Sebastião. entre outras harmonizações. querida Laryel .Laryel sorriu levemente e lembrou: Numa guerr a.confessou Wilson em tom de súplica. com o uso de fluidos criados para oper ar psicologicamente através da energia mental de desencarnado para encarnado é imens o. Sérgio prestou serviço a um exército e foi convocado para uma batalha. apegado aos atos sórdidos. Mesmo contrariado e angustiado com o que via. por influência de Sebastião. Isso nos sustenta em nossas provas. o mentor ninoroso pareceu implorar: Venerável emissária. Muito me assust aria se eu soubesse que meu querido Sérgio ficou calado diante de tantas atrocidad es. Preocupo-me pelo fato de Sebastião estabelecer uma falange tão perversa e destrut iva. Aliando-se aos revolucionários. Naquela época. Sér gio precisava estar ali. pois se encontra em um nível muito inferior. Teme deixar esse trabalho para não ter débitos morais.Laryel refletiu e comentou: Muitas coisas podem acontecer. Quero ressaltar que o instinto de conservação nos foi da do por Deus. foi obri gado a usar suas armas e a força a fim de lutar com os opositores para se defender . . Sérg io não tem culpa pelo que o pobre Sebastião sofreu. tarefa e Débora deveria a mpará-lo.. Temo que eu possa ser incapaz de conduzir meu protegido pelo caminho do bem. Espíritos por muito tempo inferiorizados no ódio. por se tratarem de criaturas especiais em seu coração e reencarnadas por c . acabam se personificando líderes de falanges. O fato de o pobre Sebastião acusá-lo por seus alertas morai s é simplesmente uma fatalidade. Meus que ridos .fazendo-o vivenciar as impiedades e as vilezas cometidas com lamentável prazer. por exemplo. Elevada instrutora. Quando encarnado. pois foi por conseqüência dela que criaram as Le is para a não divisão desse país. Sebastião precisa acusar alguém. teve deveres a cumprir através das informações oferecidas sobre o que conhecia. Com isso se atrasa na tarefa para a qual se propôs para este reencarne. precisaríamos de sua amorosa intercessão. Sérgio o aler tou como pôde. ajudar com conselhos e su stentá-lo nas provas! O empenho por vingança. O fato de Sérgio desertar quando conheceu Débora e a salvou. Sei de seu amor incondicional por todos os irmãos do caminho .Pedindo hum ildemente. foi providencial naq uela época. sabe que Sérgio tem uma importante. Além de covarde. nosso querido irmão presencio u muita dor e sofrimento. através de expiações deploráveis. Nesse caso.

. Venerada Laryel . acredito que ele é capaz de reagir a essas idéias destrutivas. respeito e certa apreensão . Tal estímulo e método clínico os libertarão om facilidade das amarras psicológicas que os mantêm atados à força do pensamento de um irmão espiritualmente inferior. depois continuou: Como a água. Só caberá a Sérgio a atitude e postura consciente para c riar forças interiores a fim de resistir a tão intensas energias mentais vindas de e spíritos e de encarnados que são transviados morais. por vezes. A função de Sérgio como policial o colocou na condição de sentir. hoje. rogan do luz na consciência e crendo no amparo de Deus. são: altear o intelecto.ompromisso de elevação e amor ao próximo . o mentor Wilson silenciou. sempre com indizível serenidade. Por sua elevação. dizendo mais ou menos assim: A água. Nosso querido Sérgio está experimentando incrível poder psíquico que tenta agir em sua mente. para Sérgio. em seu inconsciente. milhares de criaturas de Deus. no plano encarnado. sem saber. como tarefeira espiritual. O colega que desejou envenená-lo mentalmente com a idéia de que. Mesmo sabendo e entendendo que Sérgio aceitou vivenciar os efeitos obsessivos em fase do planejame . trazendo benefícios e criações mentais saudáveis. al guém é policial pelo fato de ter sido criminoso ou bandido em outra encarnação.Aguardou e prosseguiu: Conhecendo nosso querido Sérgio. Por suas contáveis tarefas abnegadas. as idéias que nos surgem. Vivenc iando tal experiência. Lembremos que as palavras. Voltando em forma de chuva ou orvalho. Sua dedicação aos estudos psicológicos e empenho para ampliar os conhecimentos. os desejos e os impulsos de uma criatura são control ados pelo poder do pensamento.sorriu de modo sutil. e studando com primorosa abnegação e carinho a fim de estimular a força inteligente que há em cada criatura através da energia mental. crescimento intelectual em benefício dele como espírito. sob pressão ostensiva de mui ta disciplina que. o pensamento retornará suave e lim po tal qual a chuva. mas deseja essa evolução intelectual a fim de trabalhar indispensavelmente na espiritualidade com irmãos que ignoram o uso da psique e utilizam à energia de cr iações mentais destrutivas através da força do pensamento. . estará pur ificada e será benéfica às criaturas. Lá se transforma n as mais diversas e belas nuvens. baseou e ssa opinião em si mesmo. evapora-se subindo ao céu.Breve pausa e comparou: O médic o não pode dizer que a doença é indolor ou que o remédio é doce se não os provou. irradiando excelso magnetismo no olhar. E em um exemplo magnífico. comparou com algo. mas se o elevarmos para as alturas com verdadeira fé e humildade. Isso. As propostas e as idéias de Sérgio. . curativas. Diante da perplexidade de Wilson . é algo a fim de agregar-l he evolução. podem ser nossas. Sérgio possui moral elevada.A veneranda ministra aguardou por segundos. nossos irmãos. re speitando a reflexão de Wilson. dedicandose a auxiliar nos mais diversos comportamentos da mente. Esse pode estar sob a influência de uma outra mente cruel e malévola. a respeitável entidade Laryel possuía uma natureza superior que ul trapassava a capacidade de conhecimento e sabedoria dos ministros daquela consid erável Colônia Espiritual. por mais suja e infectada que esteja. empreendia humildemente suas faculdades. Por conta disso. Os objetivos desses irmãos sem instrução são trazer angústia. em atividades no campo de coordenações dignas nos Ministér ios do Auxílio e da Regeneração. procurou contribuir com esclarecimento diante dos temores dos queridos amigos que ali estavam: Certa vez eu ouvi uma querida benfeitor-amiga ensinar que O pensamento é força viv a . o que é ocupar uma posição superior e subalterna. comentou: O pensamento. elevação prosperidade ao homem de bem. todos os demais ministros que trabalhavam com a excel sa emissária acatavam seus sábios conselhos ou orientações antes de tomarem decisões impor tantes.tornou Wilson com humildade. é nobr eza espiritual experimentar os sintomas para estudá-los e compreendê-los em ação com a f inalidade de atuar em serviços de socorros aos irmãos necessitados. Ela refletia sem qualquer manifestação. As conseqüências ou resultados variam e dependem da afinidade que a supos ta vítima se deixa ter com aquele que a quer dominar. ao mesmo tempo. é extremamente exagerada. de encarnado ou desencarnado. Laryel. de mentes su periores ou inferiores. ele terá bem mais proveito no que almeja desenvolver no plano espiritual para ajudar muitas. tormentos e todo tipo de insatisfações. é er um: psicólogo espiritual .quase em lágrimas. além de ocupação amorosa no exercício de socorro.Prestimosa e calma Laryel ofereceu sorriso leve e doce. que manipulam suas vítimas com rigo r. . para analisar. à custa de duras provas e tra balhos incansáveis. o pensamento pode est ar impuro. mas tudo pode acontecer.

permanecem em estado de perturbação por longo tempo. não esperávamos a imensa organização espiritual simpática ao líder crue ue tem o intuito de destruir meu pupilo com terríveis tramas e ataques para desequ ilibrá-lo. Como se não bastasse. vingativos e zombeteiros. que o s perseguem e maltratam impiedosa-mente pelo prazer em fazer mal ou serem contra ao que o outro praticou.. E os que continuam se prendem a fantasias inúteis e passageiras. que se tornam vi toriosas! São capazes de superar outras pessoas denominadas normais. dolorosas de outros espíritos inferiores também tiranos e cruéis. como que se embalando deformados. insistem e utilizam à substância alucinógena e excitante? Alguns não aceitam a proposta do uso de entorpecentes. Todos que possuem vícios são ass ediados por espíritos de níveis muito baixo. e podem ser usados. Encarnado s desse nível normalmente reclamam e a lamentação é uma doença mental de tratamento difícil principalmente na espiritualidade.Alguns segundos e prosseguiu. Ex istem encarnados que sofrem por lições expiatórias. desencarnam enfrentando a ignorância. agregados ao mal. não reage m e. a pessoa pode não se regenerar totalm ente. pensamentos enfermos. dominem suas vidas. Algumas moléstias os atingem por tempo limitado. à prostituição.nto reencarnatório. Em casos de lições expiatórias. Com o poder de seus desejos e determinação. que fa zem à mente do encarnado atrair e proliferar princípios inteligentes microbianos ou viróticos para junto de seu campo mental. Já vimos portadores de deficiências fazerem de suas mentes ferramentas tão poderosa s em favor do bem-estar de si mesmas para as suas necessidades. enfraquecem. Seu rosto era sereno e sério pela gravidade do assunto. O corpo físico simples mente obedeceu às ordens dos pensamentos do encarnado que. ainda em vi da e até a contaminação virótica. Ao mesmo tempo. vai atrair p ara o corpo carnal a experiência dolorosa e enfermiça da decomposição lenta. Por outro lado. vemos outros encarnados nas mesmas condições deficientes ou doentias que reagem contra esses pensamentos venenos os. tendo em vista o número de aliados cruéis que têm o puro prazer de ver alguém se derrotar ou desistir de suas provas por ceder às inspirações obsessiva s. É a consciência de cada criatu ra que a castiga. admitindo que e sses espíritos. pergu ntando: O que dizer disso? . Depois da pausa. cegá-lo ou levá-lo a atos insanos de difícil reparação. Nem por isso essas pessoas portadoras de provas expiatórias necessárias deixam de experimentar o ataque psíquico de desencarnados que as querem ver derrotadas. mas alguns viciados se libertam e outro s não. Alguns desses perseguidos sofrem. enfraquecendo-se e diminuindo os anticorpos. embolando-se em posição semelhante à fetal e co m aspecto tortuoso. esses micróbios. vírus ou bactérias infectam o corpo físico e nele se multiplicam e atacam. S em dúvida.Sem esperar. explicou: Quer dizer que aqueles que não se libertam das ligações mentais inferiores. exibindo no perispírito o que fizeram. a fastam-se do perigoso vício. o desequilíbrio espiritual e mental. . Despreparados para a espi ritualidade. em extrema infelicidade. passando ter formato ovóide. fazendo suas células reag irem contra o mal. o medo. Essa vingança é injusta. Não ignoro nada. deformam-se perispiritualmente. meus queridos. Outros. dores. por vício de reclamação.. Sofrem conflitos que os arrebatam deploravelmente. Ou não. Sebastião ara um ataque covarde. essas fortes sugestões mentais chegam a ter tamanha força. Fecham-se doentes. Quando aceitas ou criadas nos p róprios pensamentos. . enfrentando as agr essões furiosas. enlouquecê-lo. Mas existem os que se inclinam às más tendências e não domina m os pensamentos. aceitando a ligação mental com espíritos inferiores. crio u ou se ligou mentalmente a espíritos impuros. pelo cére ro perdendo a capacidade de concentrar-se e escolher. mesmo encarnando em difíceis condições deficientes ou doentias. em muitos casos. Por que elas são venc edoras e outras não? Por que um alcoólatra é capaz de vencer o vício e outro não? O que di zer dos dependentes de drogas que. As ligações mentais se tornam mais intensas com espíritos inferiores e certamente os levarão à promiscuidade sexual. sofridos e des gostosos dentro de seu próprio mundo.. experimentando o que provocaram. a pessoa que os atraiu. em massa. mas também não sofrerá como a outra. Então.. comentou: Sei exatamente o que se passa nesse campo.. essas pessoas podem ligar-se mentalmente com espíritos impuros e vingativos que lhes sugerem di ficuldades. a pessoa pode ser capaz de destruir a moléstia. destroem os órgãos do corpo físico a começar pelos neurônios. na p rimeira oportunidade. mesmo com tantos alertas sobre o perigo do us o de entorpecentes. as células do corpo físico s e preparam para recebê-los. o sofrimento e o pavor pelo que fizeram aos seus corpos físicos e espirituai s. A instrutora permaneceu em silêncio. com grandes dificuldades..

por outros espíritos insensíveis e cruentos, como instrumentos a serem como que ima ntados a encarnados, a fim de que esses passem a sofrer os efeitos das chagas de sses sofredores ligados. Outros, ao saírem do estado de perturbação, no afã, na ânsia da a flição extrema, da raiva pelas necessidades impressionantemente desesperadoras por s eus vícios, pelo fato de se encontrarem em outro plano, que é um mundo muito mais re al do que o dos encarnados, juntam-se a grupos de espíritos viciosos, verdadeiros vampiros de encarnados com diferentes experiências viciosas como: doenças, viroses g raves, moléstias, incômodos ou sofrimentos físicos e morais, dependências químicas, fetich ismo, compulsivos sexuais, sádicos sexuais, masoquistas sexuais e muitas outras pa ra filias, ou seja, distúrbios psicossexuais, além de crueldades das mais diversas e tantos incontáveis vícios. Deformados, sofridos e revoltados, esses desencarnados, junto do seu grupo afim, darão continuidade à vampirização de encarnados através dessas li gações mentais. Por que alguns se libertam e outros não? Por que alguns ficam em condições de serem socorridos e outros não?- Ofereceu segundos para a reflexão e novamente questionou: Em favor desses irmãozinhos desencarnados, que sofrem torturas indizíveis, o que pod e ser feito, em termos de trabalho espiritual, para ajudá-los a se reerguerem vito riosos com a bênção de Deus? Não preciso explicar que meu querido Sérgio, encarnado atualmente, procura desenv olver o seu atributo da inteligência com a finalidade de elevar sua faculdade inte lectual e fazer progredir o processo de socorro a essas mentes ainda tão ligadas, dependentes, prisioneiras de espíritos escravizados pelo vício que se inclinam ao ma l pelo estado mental doentio. Respeitável instrutora - argumentou Olívia, com certa timidez, após a longa pausa , desculpe-me a pergunta, mas... Essa inteligência ou a busca do desenvolvimento des se atributo intelectual não poderia ser feito por Sérgio somente na espiritualidade? A inteligência só pode se manifestar por meio dos órgãos materiais. Somente a união c o espírito dá inteligência à matéria animalizada5 , ou seja, a matéria do corpo físico. As dades intelectuais sempre evoluem no plano material. Infelizmente nem todos a us am para o bem, entretanto serão responsáveis por isso. O espírito com elevação moral ampli a ou desenvolve suas faculdades intelectuais e, ao retornar para o plano espirit ual, é capaz de compreender melhor o que aprendeu e vivenciou. Assim torna-se capa z de desenvolver mecanismos ou estratégias usadas para o bem que permitirão o auxílio, o amparo, a melhoria de vida aos encarnados ou desencarnados necessitados daque le benefício. Como exemplo, posso dizer que espíritos grandiosos reencarnaram e acom panharam a problemática de situações hospitalares e de diversos pacientes. Voltando à pátr ia espiritual, desenvolveram mecanismos que, hoje, auxiliam a monitoração de pacient es, o diagnóstico mais rápido de enfermidades, equipamentos de processo artificial q ue auxiliam a respiração e muito mais. Eles agiram e agem no anonimato após o que cria ram e colocaram em prática, influenciando outros encarnados a aprimorarem o que fo i produzido. Grandiosos espíritos agem no silêncio, pois não querem receber seus galardõe s na Terra e sempre agradecem a Deus pela oportunidade de trabalho terreno que au xiliou novas atuações na espiritualidade. A abnegada ministra fez longa pausa. Em seguida Laryel, nobremente, deixou su as emoções aflorarem, permitindo-os conhecer melhor o seu coração misericordioso, replet o de amor aos queridos encarnados, quando seus olhos cristalinos Irradiaram inte nsa luz pelas lágrimas que banharam sua face serena, de beleza suave e sublime, af irmando com generosidade e ternura: Meus queridos... Eu compreendo a preocupação que os invade, pois também sei e sinto o quanto essa tarefa será difícil, podendo deter nossos amados se eles cederem às per turbações obsessivas. Quando Sérgio solicitou tal desenvolvimento de trabalho, que vis ava a uma forma de projeto e resultado de tamanho auxílio a encarnados e desencarn ados, fiquei feliz, mas algo me perturbou o coração. Contudo lembrei-me de que essa sublime criatura, em tempos remotos, prometeu-me amparo e apoio em tarefa de sem elhante oportunidade para meu aperfeiçoamento e elevação. Nos imprevistos daquela jorn ada, ele foi rapaz de dar a própria vida para que eu prosseguisse. Pensando nisso, prometi ajudá-lo em trabalho evolutivo do qual sei que milhões não o querem atuando. Agora encarnado e atuante ao que se propôs, é inevitável que nosso querido Sérgio sof ra grandioso ataque de espíritos inferiores. Não desejam que suas vítimas tenham suas mentes libertas das terríveis ligações mentais. Esses encarnados ou desencarnados volt

ados ao mal, terão dificuldade ou até não conseguirão mais vampirizar como antes os enca rnados que se esforçarem para essa libertação e passarão a viver diferentes, livres. Pes soas que usarem suas próprias energias mentais, reagindo contra os pensamentos dep rimentes, depressivos e viciosos sem reclamações, trocando-os por sugestões e idéias pos itivas poderão experimentar uma vida mais promissora repleta de ânimo, independente das condições expiatórias ou provas difíceis que possam se submeter. Elas não terão mais se s corpos e mentes infectados pelos desejos viciosos, se vencê-los. Não serão mais escr avas de doenças imperceptíveis, limitações prostrativas, deficiências intermináveis, vícios ráticas no mal... Lembremos de que um complexo de aparelhagem para fins terapêuticos e métodos cirúrg icos de última geração, que salvou a vida de muitos, pode não ajudar algumas pessoas. Se ndo assim, logicamente a proposta de Sérgio e de tantos outros encarnados e desenc arnados que se propõem a essa renovação, não é mágica para mudar total e instantaneamente a criaturas desse mundo de provas e expiações. Entretanto, se seu trabalho resultar n o auxílio para libertar a mente de muitas vítimas, aumentando o número de almas que se regeneram, isso é um grande sucesso. Estudando e se aprofundando em muitos casos clínicos, ao retornar para a espiritualidade, Sérgio usará essa elevação intelectual para o desenvolvimento técnico ou um método de minimizar essas conexões dependentes e destr utivas que ligam à mente de um espírito a outro e outros psicólogos espirituais o auxi liarão. No orbe terrestre, profissionais na área da Psicologia Analítica receberão benéficas inspirações e influências de espíritos elevados. Isso com a finalidade desses psicoterap eutas se inclinarem à técnica de fazer uma abordagem da problemática humana além da vida , antes do nascimento, ou seja, serão psicólogos com uma visão reencarnacionista, atra vés de uma Psicologia Reencarnacionista, que é a única capacitada para perceber, de fo rma ampla, verdadeira e não preconceituosa, o indivíduo, pois esses psicólogos sabem q ue podem ter à sua frente um paciente que é exatamente o reflexo do que ele foi num passado distante ou não, por isso vai respeitá-lo e tratá-lo como a semelhante digno d e atenção e auxílio. O amor e a fidelidade profissional e espiritual desses psicoterap eutas transcendem aos limites da matéria e da dificuldade atual, pois estão cientes de que não adianta só cuidarem da consciência atual, é preciso preparar e equilibrar a m ente, o espírito, a alma... A psique. - Observando-os pensativos, avisou: Estaremo s atentos a Sérgio, principalmente por tantas tentações que usarão contra nossa amada Débo ra para desesperá-lo e levá-lo a cometer insanidade que mais tememos. Um simples des vio, uma pequena falta de vigilância e minha querida encarnada será vítima inocente de crueldades indizíveis, humilhantes e não terá como se socorrer, a não ser pela fé e esper ança. - Breve instante e aconselhou: Continuem atuantes, atentos e vamos aguardar. Inspirem seus protegidos. Principalmente você, Olívia. Temo por minha querida Débora, que é o apoio, o incentivo, a sustentação, a inspiração de Sérgio. Sem ela, ele precisará muita força e extremo amparo. O amor verdadeiro que os une ultrapassa os limites s ublimes que muitos desconhecem, e Deus assim os abençoa pela elevação que alcançaram jun tos através de trabalhos úteis de muitas eras. Um profundo silêncio reinou. Toda tranqüila explicação da doce Laryel foi simples, porém chamando-os à seriedade da responsabilidade. Humilde e respeitosa, ela ofereceu generoso sorriso e se ergue u ao ver os dois mentores se levantando. Obrigado, querida benfeitora. Perdoe-me... Não deveria me desesperar - agradece u o espírito Wilson com sinceridade. Sou grata por nos receber - disse Olívia na sua vez. Usarei de toda a força de me u coração para cumprir a tarefa abraçada, inspirando minha protegida em qualquer situação e rogando incessantemente a Deus para que ela atente aos bons conselhos. A ministra Laryel abraçou carinhosamente cada um por longo tempo. Segurando-os na mão, olhando-os com radiante magnetismo, afirmou docemente: Vão em paz, meus queridos. Deus os abençoa. Lembrem-se de que o conhecimento ampl ia a verdade e nos liberta. Agiram corretamente ao virem me procurar diante dos fatos, pois a busca justa por amparo exibe a fé e o amor em todos os aspectos, lig ando nossa mente a esferas mais elevadas e garantindo a pureza de pensamentos be nditos. Tenho certeza de que sairão daqui melhores do que chegaram. E, conforme mi nha promessa a Sérgio, estarei com vocês. O jovem rosto delicado da respeitável Laryel espargiu uma luminosidade sublime

e abençoada ao formoso sorriso amoroso. Os visitantes estavam sem palavras e, naquele momento de despedida, experimen tavam o desejo de ficar naquele lugar superior de vibrações seculares, clima encanta dor e em companhia daquela elevada criatura. Estavam recompostos e revigorados d e energias salutares. Beijaram-na mais uma vez e se encaminharam para uma larga porta com contorno de arco. Alguns passos e Olívia olhou para trás quando Laryel, simplesmente, havia desapar ecido. 13 - O desespero de Rita

Na penumbra do quarto iluminado pela luz baça daquela manhã morna, Sérgio acordou, olhou para Débora que não se movia e dormia profundamente. Levantando-se, foi para a sala onde espiou através da cortina vendo o dia nublado e úmido. Preocupado em não de spertar a namorada, tomou um banho demorado no outro banheiro. Na cozinha preparava um café a fim de que a bebida lhe desse disposição e, enquanto fazia isso, recordava-se da conversa que teve com a namorada na noite anterior. Lembrou-se de que não teve dificuldade para adormecer como vinha acontecendo. Iss o talvez por tê-la a seu lado. Contudo depois de uma hora de sono, acordou várias ve zes com o coração acelerado e a pele suada, acreditando ser pelo fato de, durante a madrugada, ouvir o barulho do vento forte uivando na janela e escutar as folhas e os galhos da árvore roçando o muro da casa provocando estalidos estranhos e isso o incomodou. À noite mal dormida o deixou sem ânimo. Não sentia a mesma tranqüilidade do dia anterior. Sentado à mesa, experimentava vagarosamente a bebida fumegante, sent indo-se apreensivo com seus sonhos. Excepcionalmente, naquela manhã, não tinha qualq uer recordação deles, pois somente sonhos daquele tipo o fariam acordar daquela form a várias vezes. Esses pesadelos estão longe de serem inofensivos e insignificantes , pensava Sérgio com algo de raiva e repugnância contra a experiência. Para mim eles estão começando a se tornarem perigosos. Acredito que o jeito de acabar com isso seja... . Suas idéias foram interrompidas pelo som da campainha. Ao atender, ele sorriu r econhecendo seu irmão Tiago aguardando, parado de perfil. Ao ir abrir o portão, Sérgio ficou sério ao olhar melhor para o rosto do outro, perguntando assustado: Entra logo! Cara! O que foi isso?! - tocando de leve na face machucada e com destacados hematomas, não se conformou: O que aconteceu?! Tiago não respondeu de imediato. Entrando na casa, foram para a cozinha onde, a pós se sentarem, o rapaz pediu: Dê-me um pouco desse café, aí! Servindo-o, Sérgio não conseguia disfarçar a inquietude e a preocupação. Sentando-se à s a frente, tornou a questionar: Você andou brigando?! O que aconteceu? Foi o Marcílio... O quê?! Mas... Como?! Você nunca se envolveu nas brigas deles! E entre eles as co isas são resolvidas aos gritos! O Marcílio a agrediu e você foi defender? Espere, Sérgio! Dá um tempo! Ta?! Insatisfeito, calou-se. Conhecia bem Tiago e sabia que o irmão não era agressivo e não se envolvia em duelos de palavras ou agressões familiares. Após algum tempo bebericando o café na xícara envolvida com as duas mãos, Tiago suspi rou fundo, tirou o boné e mostrou ao outro, dizendo: Olha, foram cinco pontos aqui - apontou sem tocar o ferimento , mais três aqui e dois na sobrancelha. Acabei de sair do Pronto Socorro. Estava bem lotado... Dem orou tanto para eu ser atendido e... O Marcílio fez isso?! - perguntou Sérgio, perplexo. Foi. Você prestou queixa? - tornou indignado. Ora, Sérgio!... Isso o deixaria preso pelo Regulamento Disciplinar da PM e... P uxa!... E meu irmão! Mas ele não se comportou como seu irmão! Olha isso! Já se viu no espelho?!

Espere aí - pediu Tiago. Eu vim aqui pra você me ajudar e não me deixar com mais pr oblemas. - Segundos de pausa e comentou: Não posso aparecer assim amanhã para trabal har. Preciso dar uma explicação e documentar o fato. No pronto socorro eu disse ao i nvestigador que reagi a um roubo e... Sérgio, pense bem... Somos militares e você sa be que o Marcílio está com o prontuário tão sujo que... Se eu prestar queixa na delegaci a dizendo a verdade, ele seria indiciado e preso. Se Marcílio fosse civil, a coisa seria diferente. Mas o fato de ser militar... Será aberto um Inquérito Policial Mil itar e ele será preso pela corporação, cara! O prontuário dele está repleto por comportame nto inadequado! Essa acusação nova pode até levá-lo a enfrentar um Conselho de Disciplin a! Pense nisso! E se ele for expulso por causa disso?! E o que você quer que eu faça? - indagou Sérgio mais brando. Venha comigo até a delegacia. Tenho de prestar queixa ainda hoje. E para lavragem do Boletim de Ocorrência você irá mentir, certo? Sem dúvida. Não posso fazer diferente. Não quero ter a consciência pesada por deixar meu próprio irmão em situação mais complicada do que essa. Isso aqui passa!... Tenho tud o pensado. Direi que saí de um baile quando tentaram pegar minha carteira. Eram do is pivetes, mas com estrutura física avantajada. Eu reagi. Nós nos atracamos. Um peg ou um pedaço de pau e fez todo esse serviço - disse, contando para o próprio rosto. Tudo bem... Vou com você, mas antes come alguma coisa Levantando-se e arrumando a mesa para servir-lhe um desjejum melhor, falou: T enho queijo, pão, leite... Obrigado por estar nessa comigo, cara! Fico te devendo! -agradeceu Tiago com leve sorriso. Mas antes de irmos até o DP, você vai me contar exatamente o que aconteceu. Tiago abaixou o olhar e contorceu a boca, expressando insatisfação. Minutos depoi s, deixou Sérgio a par da situação: ...não agüentei e começamos discutir. Então o socou! - deduziu Sérgio. Não! Longe disso! Quando eu falei alguma coisa referente a nós dois não arrumarmos mulher e filhos nos aproveitando da família... Eu não esperava, meu! Pensei em ir pa ra o meu quarto, mas nem deu tempo! O Marcílio veio feito um bicho pra cima de mim e me empurrou com as mãos várias vezes. Trocamos ofensas. Nós nos xingamos de tudo qu anto foi nome... Ele desfechou um soco e eu desviei, mas... Mas?... O quê? Fiquei com medo de quebrar o cara, né! Além dele não ser como a gente, é nosso irmão. Mas deixou que ele te quebrasse! Não! Tive de pensar rápido, Sérgio! Sou faixa preta. Tenho um treinamento rigoroso no serviço e fora dele! Sou bem diferente do Marcílio. Dei uns pés na orelha dele para enfraquecê-lo, mas sem machucar e tinha a intenção de sair dali na primeira chance. Q uebramos toda a cozinha da mãe. Enquanto isso a mãe gritava, fazendo o maior escândalo . A Ana chegou e aí a coisa piorou. Eu só queria imobilizar o Marcílio, não iria machucá-l o. Não sei onde o infeliz arrumou força, livrou-se de uma chave de braço e arrancou o pé da mesa, que é de ferro, e veio novamente me atacar. Dei um pé no peito dele, mas a mãe se pendurou em um de meus braços e a Ana no outro. O pai me segurou com uma gra vata no pescoço... Foi aí que me danei! O Marcílio me socou e usou a perna da mesa pra fazer todo esse estrago. Não tive como reagir. Tinha medo de machucar a mãe, a Ana ou o pai... Fiquei todo unhado pelas duas e... - Instantes de silêncio e comentou: Foi só isso o que aconteceu. E depois que me viram apanhar o bastante, soltaram-m e. Não sei dizer como peguei meu carro e saí. Fui para o Pronto Socorro. Lá desmaiei e só depois um investigador conseguiu conversar comigo. Daí, falei que era PM. Identi fiquei-me e inventei a história do roubo. Ele queria providenciar uma viatura da P M para me dar apoio, mas eu disse que chamaria meu irmão. Por que não me telefonou, caramba?! Eu iria lá! - irritou-se Sérgio. Não queria te incomodar. Sérgio abaixou a cabeça e esfregou o rosto com as mãos sem saber o que dizer. Naquele instante, Débora chegou à cozinha. A jovem estava descalça, usando uma cami seta do namorado que lhe ficou larga, porém curta. Seus cabelos estavam bonitos co m o desalinho natural, enquanto seu rosto, com expressão de quem acabou de acordar , resplandecia certa beleza encantadora pelo sorriso que se fez ao ver o irmão de Sérgio sentado e reagindo de um jeito diferente.

Tiago mal a olhou e recostou a testa na mesa, dizendo constrangido: Puxa, meu!... Desculpe-me, Débora... - Erguendo o tronco, segurou a fronte com as mãos, apoiou os cotovelos na mesa e comentou sem encarar a moça: Oh, cara! Você dev eria ter dito que a Débora estava aqui. Eu não queria... Pare com isso, Tiago! Qual é?! - interrompeu-o de imediato, expressando meio so rriso. Sem graça, a jovem falou quase murmurando: Bom dia, Tiago! Desculpe-me, você... O rapaz nem a olhou continuando como estava. Aproveitando-se que o irmão estava com a cabeça baixa, Sérgio sorriu para ela e deu-lhe um sinal discreto pelo fato da camiseta usada ser inadequada para aquele momento, por ser curta e quase transp arente. Débora entendeu rapidamente e pediu em tom educado: Só um minutinho... Eu já volto! Logo Tiago encarou o irmão perguntando bem sério, quase irritado: Por que não me disse que ela estava aqui?! Puxa, cara! Qual é, Tiago?! Você é meu irmão! Não tenho nada para te esconder. Mas ela é sua namorada! Já devo ter atrapalhado o bastante! - disse levantando-se . Sérgio foi rápido, segurou-o pelo ombro e braço, pedindo: Você nunca me atrapalhou. Sente-se aí! Solta... - gemeu. Ta doendo muito!... Desculpa. Senta e fica tranqüilo. Assim como você, ela não sabia que tinha alguém aqu i. E eu não vejo qualquer problema. - Sorrindo, avisou: Acho bom se acostumar com a presença dela nessa casa! Tiago sorriu e, apesar de sentir-se um tanto envergonhado, perguntou: Está levando esse compromisso a sério mesmo, né?! Estou sim, cara! - Confirmou, ao sorrir de um modo apaixonado, quando revelou : Adoro essa garota! Ela me dá segurança, de alguma forma. Seu jeito, seu modo de fa lar... Ela é muito legal! Não parece essas minas fáceis que têm por aí. E muito educada... Es ou torcendo por vocês! E feliz por ter uma cunhada decente! - riu. Débora retornou à cozinha vestida com suas roupas. Comportando-se como se nada ti vesse acontecido. Sorridente, aproximou-se de Tiago, curvando-se para beijá-lo e c umprimentá-lo: Bom di... - interrompeu o que dizia ao olhar melhor o rosto que tentava escon der com o boné. Assombrada, exclamou: Meu Deus! O que aconteceu, Tiago?! Trocando olhares com o irmão, Tiago não sabia se ele gostaria que ela soubesse qu e aquilo era o resultado de uma briga de família, dissimulou e riu ao dizer: Já te contei tudo, Sérgio. Agora vou comer porque estou morrendo de fome. É a sua v ez de explicar o que houve! Ainda alarmada, Débora se curvou, tocou suavemente no rosto ferido, puxando-o p ara ver o outro lado da face e olhou os pontos na cabeça quando o rapaz tirou o bo né. Não querendo perder tempo nem assustá-la, Sérgio resumiu: O Tiago se machucou em uma briga. Foi medicado no Pronto Socorro Público. Vou a companhá-lo até a delegacia para fazer um B.O. Depois iremos ao Hospital Militar, po de haver alguma fratura e... Somente o médico da PM pode dispensá-lo por alguns dias por suas condições físicas. Ele não pode trabalhar assim. Acho que tive alguma torção no tornozelo. Veja como está! Meu Deus! - exclamou a jovem não acostumada a ver pessoas feridas. Somente um m arginal para fazer isso! Cachorro! Safado! Sem-vergonha! -protestou ela, indigna da. Os irmãos quase caíram no riso, ao se entreolharem, e Sérgio avisou: Faça companhia a ele, Débora. Vou me trocar. A moça procurava ser gentil com Tiago, que se mostrou bem satisfeito pela solid ariedade. Enquanto isso, no plano espiritual, Lúcia os rodeava com vibrações extremamente inf eriores. Bem ativa, ela procurava envolvê-los em laços de simpatia recíproca e sentime ntos além da amizade. Com o auxílio das energias de Sebastião, Lúcia provocaria o perigo

. Falaram em tons baixos e envergonhados. . Vamos . Mas quero ficar sozinha um pouco. Estou me sentindo tão mal com a situação e como tudo aconteceu que. aquilo soou co mo algo meigo. Sinto muito . Um desânimo tomou conta do rapaz que se arrumava vagarosamente. Queria que Sérgio estivesse a seu lado. Desculpe-me você por eu aparecer daquele jeito.. Suspirando fundo. Outras idéias surgiram e a jovem s e decepcionou por ele pedir que preparasse o almoço sabendo que ela não conseguiria.brincou ele. afagava-lhe o rosto com cuidadosa ternura e be lo sorriso enquanto dizia: Isso vai sarar logo. Sem que os perseguidores esperassem.. Vai ver! Quando me olhou. Você não estava preparada para visi tas e tem o direito de ficar à vontade. Tiago!. interrompeu-os ao chamar: Vamos. Imediatament e repudiou qualquer pensamento ao abraçar Débora com força e demoradamente.sussurrou ele. Ele saiu e alcançou o irmão. Novamente Sérgio deu grande atenção àquela atitude ficando insatisfeito. Qualquer coisa. sorrindo com ternura. Débora. Depois sorriu e declarou murmu rando: Te amo. Mas. O namorado sentiu-se esquentar.considerou Tiago que se aproximou.perguntou com certa decepção. Só vou atender o telefone se f or você. Ele mudo u de idéia e não queria acompanhar o irmão. A propósito. Quando est ava pronto. Juntos. Aquilo não estava em seus planos. beijou-a apaixonadamente.disse desanimado. retornou à cozinha e permaneceu parado sem ser visto. Entretanto. Débora e Tiago pareciam bons amigos e nunca percebeu qualquer tipo de ati tude ou olhar com outras intenções.. Levantando -a do chão por alguns segundos para vê-la rir gostoso como sempre fazia. perdoe-me por vir aqui sem avisar. per cebendo-os conversando em voz baixa.. foram fazer o que precisavam. Sabe que não sou boa para cozinhar e. indo além das desculpas educadas. Não estava acostumada aos serviços domésticos e isso a magoou. Débora experimentou um vazio imenso.. Eu. ontem.. Assustei-me por vê-lo machucado. Ta bom.. Débora se aproximou de Sérgio.falou baixinho e desapontado. Tiago? É. pensou que tivesse visto um monstro . Sei que você quer que eu esqueça o que aconteceu.perguntou Thiago diante da demora. Eu não esperava. Para ele. por isso abaixou a cabeça imediatamente a fim de não repararem em seu olhar que o denunciaria. . Débora. ta! Eu também te amo muito! .confirmou. o serviço. Não.pronunciou com doçura na voz e no sorriso.. Ei?! Algum outro problema além de mim? . beijaram-lhe demoradamente o rosto enquanto a abraçava e se despediu: Tchau! Qualquer coisa liga para nós.Vir ando-se.. levantando-se e indo para a sala.. envergonhada.. Sérgio reagiu e afugentou aquelas idéias inf eriores considerando que ela foi pega desprevenida e o irmão estava somente sendo educado. O casal foi até a sala e Débora contou para dissimular: Fui demitida ontem. sobre me u pai. Darei um jeito . para Sérgio.murmurou.. terno.so segmento de ciúme em Sérgio. não es perava ficar longe dele justamente naquele dia. foi à direção da porta para sair. querendo que ele reagisse passionalmente contra Tiag o e Débora.pediu com simplicidade. pois ele ad orava vê-la reagir assim.. pedindo: Você me liga? Ligo . * * * . abaixada perto de Tiago. . a impressão foi de que o irmão não se esq ueceu da aparência sensual de Débora vestida daquela forma. Vou ficar aqui. Tudo bem. me liga.. Todo esse tempo morando sozinha e não se deu ao t rabalho de aprender?! . Não quero sair nem falar com ninguém.. Você prepara o almoço para nós? . Sérgio.

Contaram que. a jovem não quis atender. mas Tiago não aceitou ficar na casa de Sérgio. Agora.. Impregnada por uma sensação desconhecida. Débora verificou que e ra Rita. seu noivo.avisou Sérgio. sempre os procurava por algum motivo ou para conversar. ma s nada adiantou.. con heceu Rogério. irmão de Rita e Gustavo.. comprado o almoço e os esperava. est ava determinado a dar seu apoio. mas parece que foi afogamento. Tudo bem? Lógico! * * * Almoçaram a refeição que Débora havia comprado.. espera! . Ao encontrarem Rita junto da família de Gustavo e dos parentes do rapaz.. O outro amigo. pois acredi tou que Tiago tiraria sua liberdade naquela casa e não poderia ficar mais à vontade. seu orgulho prevaleceu ao decid ir que não ligaria para ele. O Tiago fica e nós vamos ver a Rita. Eles tin ham comido e bebido também.. Ficavam até altas horas. Era sábado e provavelmente Rita ligou para se encontrarem. Os amigos contam que o Rogério... principalmente.então.O homem fez breve pausa pelo do loroso relato e prosseguiu: Eles nadavam bem. mas depois tudo era festa. deixando o aparelho disparar diversas vezes.. Ainda sofria e se preocupava com a demissão e não gostaria de falar a respeito. outra ligação. Disse que tentou falar com você várias vezes e.. Sérgio.. Olha aqui. Disseram que tentaram fazer respiração artificial. Além desses. Você deveria tê-la atendido! Mas. Sua amiga Rita também não dava sossego a ela e Sérgio nos últimos tempos.lamentou incrédula. Débora.reclamou triste. Não entendemos como! . Antes mesmo de o namorado deix ar aquela casa pronta para morar. Mesmo depois que a colega ficou noiva de Gustavo. mas o menino gritou dizendo que estava passando mal. incluindo João e sua noiva.. o Gust avo afundou perto do Rogério e desapareceu. Ele me convidou. .Bem mais tarde. Tornaram-se amigos..pediu rápido.. viram a amiga completamente transtornada. . pedir socorro. Dessa vez era Sérgio e ela at endeu imediatamente: Oi. Eu sei . Eu não entendi direito o que el a falava. O Rogério começou a se debater. arrume-se. O Gustavo se afogou. que to mavam algumas providências. outros pensamentos a invadiam.. Achou que Sérgio já deveria te r voltado. a jovem atirou-se nos braços dos amigos e não parava de chorar. de repente. Algum tempo depois. ao consultar o visor. Eu tenho o direito. quase irritada.. Ele era um excelente nadador! Não apresentava pancada na cabeça ou em out . meu bem! Estava esperando você ligar! Então por que não atendeu a Rita?! Como assim?! . Sérgio . fi cou abraçada à Débora enquanto Sérgio e Tiago souberam de toda a tragédia através de uma co versa com um tio de Gustavo.ela perguntou. Não era de seu gosto que continuasse assi m.dizia chorando. que estava junto.. Afinal. Quando o encontrou .. Apesar de bem machucado e uma tala no pé ele queria ser solidário. Estava demorando muito. Vou passar aí. A Rita me ligou. o celular tocou e. Os amigos ajudaram na pintura. Débora. Eu não quero conversar com ninguém. avisou: O Gustavo faleceu. uma vez que os irmãos eram bem unidos. Invadida por uma forte onda de tristeza e decepção. mas nunca tive oportunidade de acompan há-los. O Gustavo e os amigos costumavam fazer isso sempre. mas não compreendi se foi socorrido ou. mas Débora queria fica r sozinha com o namorado.. ali se tornou um verdadeiro lugar de reunião. Pouco depois. conse guiu tirar o menino da água e voltou para buscar o Gustavo e. .. Como aconteceu?! A Rita estava desesperada. O Gustavo e um outro amigo pularam na água e foram até ele. Ponderado.. Falou do Rogério. juntou um grupo de oito rapazes e foram pescar nessa represa que fale i. Disser am que o chamaram. em choque e sem noção.. Levaram os dois para o pronto socorro da cidadezinha e o médico constatou que estavam mortos.. Não. Ao reconhecê-l os.. Ela havia saído. Não tenho esse direito É nossa amiga. nadou para longe da margem. durante o tempo em que ajudou o i rmão na pequena reforma e pintura daquela residência. sua melhor amiga... irmão da Rita. levou-o para a beirada também.

ficou vermelho e roxo. acalmando-o. Moço. chamou-o para junto de si. Os colegas contam que o Rogério chegou vivo e respirando mal. O Rogério é irmão dela. foi nadar.Interrompendo-o.. após ter-se alimentado muito. Vou acompanhá-la... Calma . Estendendo a mão para Tiago.murmurou com lágrimas correndo em seu rosto. virou-se rápido e abafou o choro. .disse Sérgio... não quero vê-la dese sperada... Depois vomitou um pouco. irmão da Rita. Vamos dizer..perguntou Sérgio. aproximou-se chegando bem perto e observou o irmão. por isso sei que o Rogério não está com a aparência que tinha antes.indagou Tiago firme. gritando ou fazendo escândalo.. Ela o amava! Não é justo impedi de ver o irmão pela última vez. Rita olhou por muito tempo o rosto. Vou acompanhá-la .. pouco tempo depois. por alguns segundos antes de lacrarem o caixão. Ela quer.... também se afogou? .contou o senhor. . o Tiago tem razão . você não imagina como o corpo do menino está alterado. Controle-se. O menino tinha comido lanche que levaram e. A causa de sua morte foi por congestão cerebral. Caminhando lentamente..interferiu Tiago novamente. A Rita quer ver o irmão? . Fez um escândalo pra isso. Tudo bem. se esta é a sua vontade. Era a única família que a Rita tinha.pediu Tiago. Venha comigo . senhor. enqua nto ele secou-lhe as lágrimas com as mãos dizendo calmamente: Rita. no caso da natação. A única coisa que. Tiago a separou do abraço com Débora. .. .ra parte do corpo. talvez despreparada. Entendo que querem poupar a Rita dessa c ena. você tem o direito de vê-lo pela última vez.pediu generoso. Não suportand o.. Quer voltar? Não. Fu-turamente sofrerá bem mais para. solicitando ao responsável do setor. Tudo bem.Ela engolia os soluços... Perdoe-me.pediu sério ao sussurrar. Rita acariciou levemente a face do corpo de Rogério com terno amor. você quer ver o seu irmão? Quero! Lógico! Calma ... Rita. eu sei exatamente como está. .. mas. contornou a gaveta como se o analisasse.explicou Tiago. abraçando Tiago com toda a força. Quanto a isso. Frente à gaveta aberta onde estava o corpo de Rogério.. Roxo. o amigo argumentou bondosamente: Você não precisa se aproximar mais só porque viemos até aqui. Mas não vão deixar vocês entrarem no necrotério. Mal o conheço. Educadamente identificou-se como Policial Militar do Corpo de Bombeiros e gen tilmente. Não deixamos a Rita vê-lo e o caixão terá de ser lacrad o . Erguendo os olhos negros e lacrimosos ao amigo. Fique tranqüilo. Então se levante. p erguntando baixinho.. será mais fácil para a Rita trabalhar essa perda... Veja bem.. ela se deteve alguns pas sos antes... Veja bem. mas. olhou-a firme e pediu: Procure prestar bem atenção no que vou te perguntar. mas em seu íntimo nã acredita no acontecido.murmurou. É ver meu irmão. pois viu e teve a certeza d e que era o seu irmão que estava ali. Tiago conseguiu levar Rita ao necro tério. É. Acreditando que a jovem estava indecisa. Ele vai conseguir ....avisou decidido indo à direção de Rita.. Pode rezar aqui? . você sabe que sou do Corpo de Bombeiros da PM e já trabalhei com esse tipo de ocorrência. É bem provável que agora a Rita esteja chorando a morte do irmão. Mas se ela vir o irmão porque deseja. Isso é o aumento do sangue nos vasos do encéfalo .. aceita r isso e conviver com o fato sem tanto desespero. Que quero. com a voz rouca: Posso tocá-lo? Pode. Mas terá de ser bem forte e se controlar.. Tiago decidiu : Então ela vai vê-lo. Feio! Acredite.A moça acenou positivamente com a cabeça e e le questionou com brandura e piedade na voz baixa: Rita. perguntou como se implorasse: Tiago. Porém eu acredito que. Essa afluência a normal do sangue talvez tenha ocorrido pelo excesso de movimentos físicos. Suas lágr imas pareciam infindáveis.. pegando em sua mão e conduzindo-a p ara outro setor do hospital.concordou Sérgio. Perto de Rita. E o Rogério. Não ficará sozinha.

Já o vi. Não dê mais explicações além disso. .. Mesmo estando longe. . sussurraram a prece que o Mestre Jesus ensinou.. * * * Durante o velório em que os caixões foram postos um ao lado do outro. Procurou a amiga Débora com o olhar. A Rita já viu e acompanh ou o que precisava. Seu limite de força acabou! Chega! . Envol vida pelos demais. levando-a para longe do velório a fim de que pudesse respirar. Rita . mas não tinham coragem de questioná-la. Vez ou outra uma lágrima corria-lh e na face pálida.opinou Sérgio. Olhando para o irmão. Ele a acompanhou e alguns familiares do rapaz se aprox imaram para saber como a jovem estava. Rita perguntou atordoada: O que aconteceu com você? Por que seu rosto está assim? Foi um acidente na noite passada. Abraçando-se fortemente à cin tura de Tiago. . Sérgio comento u ao perceber: Vamos lá! A Rita não está bem! Pelas pessoas amontoadas em volta.Débora ia dizer e foi interrompida. Ele ficou horrível. mas não conseguia vê-la. Amanhã explicamos que a não passou bem e por isso não pôde vir. Foi só uma torção. Você me acompanha na prece do Pai Nosso? tornou falando bem baixinho.Bem baixinho . Será doloroso voltar aqui novamente para o enterro . Se é o que ela quer. Seu rosto sério aparentava nítido sofrimento. Seu pé está enfaixado. Não deveria ficar andando.interferiu Tiago. que olhou e ofereceu leve sorriso. tocando o vidro como se lhe fizesse um carinho. Não havia perdido os sentidos. Não seja manhoso .. você está bem? Ela o abraçou. Depois ela afagou novamente aquela face fria como um sin al de despedida. Logo. Isso não é nada..avisou piedoso. temos de concordar! . olhando novamente para Tiago. abaixou o olhar e nada disse.. enérgico. praticamente. ele a fez parar..falou Sérgio. Não quero ver mais nada. Sabe que o caixão do Rogério será lacrado e sem visor? Sei. . né? Rapidamente o homem se foi. Rita saiu do necrotério vagarosamente como se precisasse daquele am paro para caminhar. Não vou voltar..respondeu dissimulando. demorou um pouco até chegarem perto da amiga .Rita sussurrou chorando.Virando-se para a outra. Gente. chorando. Sentada em u m banco frio de cimento.. Mas Rita!. olhou-a nos olhos e perguntou: Rita. A jovem acomodou-se numa cadeira. mas estava exaurida de forças. A jovem decidiu que era o suficiente. podendo ver um homem alto e corpul ento perguntar a Rita: Me disseram que viu teu irmão. a moça mantinha os olhos fechados ao murmurar: Quero ir embora. você está bem? Acho que sim..tornou Débora. você que conhece melhor a família do rapaz. Observando os caixões e os demais a certa distância e por longo tempo. vamos respeitar! . Tiago reclamou: Não estou agüentando meu pé.. perguntou brandamente: Rita. Débora foi a primeira que segurou em seu braço.. Rita sentiu-se atordoada e dominada por uma fraqueza que não sabia explicar. afastou-se um pouco para dar lugar à mãe do rapaz que não continha o de sespero. não teve forças nem para falar.Encarando-a. Olhando-o de maneira indefinida. Rita chorav a ao ver parcialmente a face de Gustavo. Mas isso não importa mais. . vá até lá e diga que a Rita nã passando bem e que vamos levá-la. Antes de chegarem perto dos demais. porém ela não chorava. tornou a sentar junto aos outros.. Ela parecia anestesiada e não chorava em desespero como antes. pediu: Débora. e ele fez-lhe um afago piedoso de solidariedade.. O amigo acenou positivamente e juntos. Instante em que a jovem recostou a testa no ombro de Débora e sentindo suas pernas dobrarem. caminhou alguns passos com lágrimas brotando t ristemente de seus olhos. Sérgio a seg urou a tempo antes que caísse. Débora não questionou e obedeceu. Parando..tornou Tiago e quanto ao Gustavo?.

Eu fico por aqui. percebeu que vestia o seu pijama. Olhando-se. Tiago puxou Rita para que se recostasse em seu ombro. Olha como está inchado! . não sabia onde estava. Tem uma boa cama naquele quarto.prontificou-se bem disposta.. sorrindo ao estapeá-lo as costas. Fico no sofá! Não! Deixa disso . Débora? . Saindo do quarto.Ela não respondeu. Remexer as lembranças era algo em vão.tornou Sérgio. Claro! . fique com a minha arma. Pode deixar. Débora a levou para o quarto ajudando-a no que precisava. ele suspirou fundo e indagou quase com ironia: Onde dormiríamos.tornou ela. tentando acalmar a discussão e pediu gentilmente: Débora . mas na sua mente tudo era bastant e confuso. Após devolver a arma ao irmão.ele replicou.Terapia de uma evangélica. Tiago havia acompanhado Rita até o sofá da sala e Débora reclamava: Devia ter nos levado para o meu apartamento! E deixar vocês duas sozinhas. Num impulso. Ajude-a tomar um bom banho morno. em um sono profundo. Débora discutia com o namorado enquanto entravam. Rapidamente. Por que não dorme no outro quarto? . Tiago. Pegando das mãos de Sérgio as bolsas com as roupas da amiga. mas não fez nada.falou sorrindo. levantou-se atordoada e acreditou que estivesse sozinha. Ela sentou-se no banc o dianteiro e virou-se penalizada para ver a amiga. o irmão sorriu com jeito maroto ao perguntar: Quer a minha ajuda para tomar banho e poder relaxar? Cai fora! Ta me estranhando?! Então vai tomar um banho . por algumas horas. Rita recostava a cabeça no vidro lateral do carro e parecia indiferente ao que acontecia. Aqui podemos ajudar melhor. Olhando para Tiago. explicou. não só pela necessidade de uma boa higiene. Vocês duas podem dormir juntas na cama de casal do nosso quarto. sua memória n ada dizia. Enquanto isso.. Vou entrar com a Débora para pegarmos algumas ro upas. Vou pegar uma roupa minha para você usar. Vai lá! E não de a porque estou louco por um banho. entrando no veículo. mas para que ela relaxe um pouco. mas sem brincar. mas ainda parecia contrariada e Sérgio explicou: A Rita pode precisar de algum socorro e será difícil você fazer isso sozinh a. Rita não conseguiu dormir nas primeiras horas após se d eitar. Fique esperto. com ela nessas condições? . * * * Na casa de Sérgio. No outro quarto tem uma cama de solteiro e será melhor o Tiago ficar lá por causa desse pé. No chão?! Puxa! Não viu que aquilo é um escritório?! Tiago os interrompeu. olhou-a por um instan te. A o despertar.*** Era madrugada quando Sérgio parou o carro frente à casa de Rita e pediu: Tiago. ao seu lado. vou fazer um chá para tomarmos a ntes de dormir. hein! Pode deixar! Sentando no banco traseiro. Pegarei algumas almofadas para colocar esse pé para cima. ex-espírita Por tanta dor e tristeza. q ue procurou sair dali o quanto antes. falando baixinho e educadamente: A Rita passou o dia inteiro no hos pital. depois ao velório. Aqui na sala tem um ótimo e c onfortável sofá.apontou. Precisava ficar atento para a segurança de todos. Vocês dois poderiam ficar lá com a gente! Parando frente à namorada. 14 .aproximando-se e apoiando em seu ombro para levantar o pé enfaixado do c hão. caminhou lentamente com os pés descalços pelo corredor . foi ao necrotério. Sérgio e Débora retornaram. Somente ao amanhecer mergulhou.

. express ando um grande esgotamento físico e mental.. Você não sabe cozinhar nada.explicou Débora. correu em sua direção. viu Tiago e Débora pararem de conversar. provavelmente. Débora? Nada? .. você sabe por que está aqui? A moça permaneceu petrificada por alguns minutos. ele a afastou de si. Sérgio a abraçou com indizível piedade. Não muito bem. . Com olhos bem inchados pe lo choro do dia anterior. perguntou preocupado: O que aconteceu? Ela chegou à cozinha assim.A jovem balançou a cabeça afirmativamen e e ele indagou cauteloso ao segurar suas mãos com bondade: Rita. Já reconheceu isso? . uma cruel avalanche de recordações infinitamente tristes invadiu velozment e o vazio de sua consciência. ela soltou um grito de dor e desespero. Eu.. questionou estranhando: Q ual o problema. . chorando .reclamou moderadamente. el e suspirou fundo e se virou indo para a sala ou. Quando as lágrimas brotaram em seus olhos negros. Na espiritualidade uma densa vibração inferior era imposta de forma asfixiante pa .. . A amiga levantou. gemendo e às vezes gritando.tornou ele. Sérgio.. perguntou: Sabe quem eu sou? Sei. ta? Ontem à noite não nos alimentamos direito e. contrariado. Sérgio entregou para a namorada as sacolas que tinha em mãos. pegando-as das mãos da namorada que pareceu tomar um susto.ela titubeou olhando-o de modo indefinido. . Débora estampou uma expressão estranha no rosto assustado ao perguntar: Eu!. minha amiga.. Rita ergueu o olhar fixando-o em Sérgio. Sem dizer nada . A amiga o agarrou com força. Sem compreender o motivo do sentimento abrupto que o invadiu. nada especial! Temos tudo aqui e o que não tinha em casa eu acabei de comprar.. Sérgio.Vendo-a obedecer. Com o inchaço na face pelo choro excessi vo e a boca levemente entreaberta... Débora? É que.Breves segundos de silêncio e a beijou na cabeça.. Sérgio reconsiderou e dei-lhe um abraço. Vamos ali para o sofá. Tem a Rita que provavelmente estej a bem fraca. Tiago propôs: Venha. fazendo-a se levant ar automaticamente. É coisa simples. Eu também me sinto muito abalado . ..tornou quase sussurrando. Vendo-a em pranto.começou a chorar. Eram nossos amigos. Acompanhando-o. Levantando-se e olhando para Débora. pedindo ao irmão: Sente aqui e fique com ela. A crise durou longo tempo. Fazer o almoço? Algum problema? . que ainda estava parada com as sacolas nas mãos. Agora vamos preparar o almoço. Rita só os olhava. Sérgio aguardou que o cansaço pelo esforço febril do desespero a dominass e. Ai. Além do que. acabando de entrar e presenciando a cena. Seu rosto estava pálido. Após cer to tempo. Conduzindo-a vagarosamente. perguntando ao tocá-la: Rita. Paciente. eu também estou atrapalhada. Vamos? Precisamos ser rápidos! Eu te ajudo. Ela é minha amiga. mas bem esmorecida. ajoelhado frente à Rita. . ela comentou: Você não disse nada...Brando. pois duvido que comeu alguma coisa. Nem rápido. tudo bem? Ela não sabia responder. Deve estar em choque .. iria discutir co m a namorada. . Sérgio falou: Essas sacolas deveriam estar na cozinha .e uma chama acendeu em sua consciência ao reconhecer que estava na casa de Sérgio.. Sérgio!.. Você está na minha casa.. Todos estamos tristes e nervosos.. C hegando à cozinha. sentida. Acomodando-se ao lado da colega. olhe para mim. afastando-a de si ao dizer: Temos de ser fortes e continuarmos com a vida. dizendo: Desculpe-me. preocupada. pediu com brandura no tom g rave da voz firme: Rita. Diante disso. fizeram-na sentar e Débora acomodou-se ao seu lado.chorou..murmurou com dificuldade para se expressar. Havia um vazio em sua mente..supôs Tiago.. parecendo procurar nos resquíci os da memória algo que justificasse aquele momento... Tiago assim o fez e ficou ao seu lado.

Na primeira análise. Trata-se de um distúrbio de personalidade6. perguntou: Por que você e a Débora não arrumam um tempinho para irem ao centro e spírita? Você já viu como estou sobrecarregado? Além disso... Desculpe-me. Controlando-se. Compenetrado n o que fazia. mas resulta em algumas com binações entre as várias dos mais significativos distúrbios de personalidade. Caramba! Sei lá mais o q uê! É só olhar na geladeira! Tiago percebeu-o nitidamente nervoso e. Vamos lá! Continue para eu ter certeza dos embasamentos. mas Sérgio se controlou. Sérgio conseguia ver o que acontecia na cozinha muito atento na disposição alegre de Tiago e em sua capacidade de tranqüilizar o clima tenso de pouco antes.. falando bem baixo. Sérgio estava em seu consultório e folheava alguns de seus livros. virando-se para Tiago. mas.destacou João silenciando a seguir com grande expectativa para que o outro prosseguisse. amarrou um em si e outro na cintura da jovem. Eu entendo! Não se desculpe. terá o melhor mestre! Vamos mostrar pro Sérgio que você é capaz! A moça sorriu. secou as lágrimas enquanto Tiago se apoderou de aventais e. Eu ajudo. Bem. sorrin do. O Sérgio sabia disso. * * * Dias haviam passado. Já os analise i muito... Nunca se importou . A princípio era sempre eu a ter de extrair um assunto. sem fazer mais perguntas. Um sentimento amargo de ciúme despontou no coração opresso de Sérgio que usava todas as suas forças a fim de afugentar o que experimentava.Ele sorr iu de um modo engraçado ao anunciar: Acho que acabei de matar a charada! João sobressaltou. Ou ele prepara um lanche . Ela não se esforça para aprender nada! Ontem foi mais fácil comprar o almoço pronto d o que tentar fazer! Calma. tenho alguns pacientes especiais que tenho de entender. Não sei cozinhar direito e. . ele pediu sem rodeios: Você é capaz de ajudar a Débora lá na cozinha?! Lógico! Mas.abraçou-a para acalmá-la. Somente quando o amigo João riu. é sério e muito comum! .... . Perguntas e. ele quer que prep are um almoço!. olha ndo-o. com ce rteza! O curioso é que não se enquadra em um único distúrbio. perguntou tranqüilo: O que aconteceu.. O que está pesquisando? Atitude comum entre profissionais responsáveis que não se deixam dominar pelo org ulho ou arrogância. fazer uma salada e. Chorando em seu ombro. Quando não. e ela aprende alguma coisa... ao vê-la chorando. sentou rápido e com olhos ávidos comentou: Que interessante! Estou com dois casos que podem ser semelhantes.... Por que está assim irritado? . Sérgio. deixou-o co m Rita e foi à procura da namorada do irmão.. Tiago quase riu ao entender por que Sérgio havia se zangado. não deu atenção ao vulto que entrou na sala e parou perto do divã em silêncio . Bem. O que é prec iso fazer? O básico. É questão de tempo. Boderline. No decorrer da terapia realizei testes.Acomodando-se folgadamente no divã.. Débora? O que foi? . Na cozinha. . Sérgio comentou a título de trocarem referências e conhecimentos: Tenho um caso me intrigando. sempre comemos fora ou fazemos pedidos. lavar a alface..ra que brigassem. os tomates. Tiago! Nem isso ela procura aprender! Arroz.. temperar e fritar alguns bifes. a jovem contou: É que eu. sorriu em seguida. o distúrbio de personalidade limítrofe..tornou. De onde estava.. el e a animou: Então vamos lá! Eu cozinho melhor do que ele! E se você quiser ser ótima nisso.. pensei que fosse um c aso de Boderline. sem olhar o co lega. de repente. Chegando ao outro cômodo. Estava tão concentrado em uma pesquisa que.... E sempre ele quem cozinha... Sérgio assumiu uma postura mais receptiva e.

sorriu. Sem apresentar estresse ou qualquer expressão emocional. eu me surp reendi com comportamentos que me levam a crer em um distúrbio de personalidade ant i-social! Lógico que eu considerei o fato de ela revelar tantos detalhes. Então. Acreditei poder tratar-se de uma pessoa eufórica e não impulsiva. Não me s urpreendi quando. ficou sério ao comentar: Tenho em mãos um caso sério de distúrbio de personalidade anti-social! Todo o contexto se resume pelo fato de ela chegar aqui ao consultório com o propósito de mascarar seus sentime . . Procurei ser mais reservado e deixei que falasse. a pessoa pode apresentar agressividade e à medida que aumenta sua autoconfiança aumenta sua hostil idade. fazendo com que as reais características do transtorno de personalidade emergissem! Incrível semelhança! Deparei-me exatamente com dois casos e um é de uma mulher. o outro psicólogo comentou: É uma mulher. Calma. sol teira. Sérgio. exibe um estado eufórico. pediu bem interessado: Chegue aos fatos. Não! . diz não se arrepender! Us a uma aparente timidez para ser atraente.Antes de o outro interrompê-lo . mãe de uma moça de vinte e um anos e um garoto de dezesseis.Sim. o distúrbio de personalidade anti-social é um dos mais estudados por razão da complexidade que o acompanha. por ter adquirido confiança e. São casos bem sérios! Terminou? . E eu me aprofundei nisso! Não me dê aulas. por favo r. Estou surpreso com as exposições... Um é adolescente e a outra tem vinte e seis anos.falava..João desconfiou com inquietação repentina. foi o que acreditei pelo temperamento instável. sem que eu interferisse e caiu em várias contradições. falante e a pessoa se distrai facilmente. S erá que temos a mesma paciente?! . O que a leva a contradições . sanguinárias.Sérgio perguntou bem sério. Começou a contar experiências impulsivas. No entanto senti algo estranho quando a presentava satisfação a me ver interessado sobre algum detalhe e era aí que ela o omit ia. a presentou-se verdadeira. casada. A princípio a paciente chegou aqui com queixa de muita tristeza.. só confia na opinião dos pais. depe ndência dos outros para tudo.. podendo chegar ao extremo de tornar-se irascível ou violenta. Depois desse período eufórico. Tímida. No estado maníaco. nas quais eu não confi ei. Os maníacos normalmente têm uma auto-estima muito inflada.descartou João. vergonha.avisou sorridente e revidando ao amigo o que ouviu dele p or diversas vezes. Pessoas que exibem esse distúrbio podem ser prejudi ciais a elas mesmas e aos outros sem qualquer remorso. depois de várias sessões. a mania. Fazem projetos. demonstrou-se dependente para tudo e autodiagnosticou-se com depressão. mas abandonam as idéias pela falta de disposição. misteriosa. Falava de um pavor de ficar sozinha ou ser rejeitada.. chega de aulas! . Você considerou tratar-se de um caso de distúrbio bipolar? O período entre a mania e um estado depressivo bem diferentes. frias e calculistas. do marido... quarenta e seis anos.. aí! Essa paciente não apresenta uma regra normal de boa conduta. repentinamente. Em seguida. E qual o relato mais chamativo no caso que você cuida? Primeiro apresentou insegurança por não saber o que quer da vida e queixa das dec isões tomadas das quais se arrependeu ou foram experiências autodestrutivas. mesmo sabendo que não é certo. . Com o decorrer do tempo. Em seguida.. os quais me levaram a essa conclusão.. Sérgio . Ah!. passou a falar muito. impulsividade e o desejo d e controlar as pessoas à sua volta. Em outros comentários se contradisse ressaltando sua timidez.João riu ao responder. pois ela assume mentir e. Entretanto nas terapias seguintes a paciente a presentou nítidas características de distúrbio de personalidade dependente.. o ambiente social e difíceis experiências de vida devem ser bem considerados em razão de seu conceito ter grande importância para uma boa análise. vem o período de depressão. Terminei . Esse distúrbio de humor.. Demorou muito para eu te r sucesso na extração de relatos minuciosos. essa paciente contou que tem o dom de manipular situações e pessoas para seu benefício ou em favor do marido. Relatou costume de impulsos autodestrutivos para manipular e controlar os que estão à sua v olta. traçam me tas. Não toma dec isões sozinha. Sérgio completou: Eu sei que o distúrbio de personalidade pode variar de pessoas e xcêntricas inofensivas a pessoas assassinas. Sem mencionar nomes. quando foi interrompido. Sabemos q ue a influência familiar. das amigas.. Apresentando-se vagarosa mente como uma mulher inteligente e interessante.

alimentação com cuidad os especiais a seu gosto etc. a credibilidade e o bom conceito das pessoas até adquirir intimidade em todos os setores do Centro.Breve pausa e continuou: Destacou que nos bazares beneficentes ela e a filha se apoderavam das melhores peças a serem v endidas para arrecadarem fundos ao centro. ela passou a apresentar confiança atraente e persuasão angariando a simpatia. Explorava os outros e não se importava com qualquer pessoa. Usou tudo o que conhecia para não exib ir sua verdadeira personalidade. principalmente quando ela não deseja mudar. O me smo foi feito na cantina onde todo o consumo era anotado para ser pago futuramen te. Não contendo a decepção com o que ouvia... O marido semp re dizia que nasceu para ser servido. o caráter e a dignidade de uma pessoa falam mais alto. porém com extrema necessidade de que todos reconhecessem e elogiassem seus feitos. disse que passou por trata-mento de assistên cia espiritual e fez cursos. e logios etc.perguntou Sérgio quase sorrindo de forma insatisfeita. Isso era fácil.. mas com a esperteza de se livrarem de envolvimento com a justiça crimina l. É o típico homem que acredita ter razão em tudo. colocavam-nas à parte e abriam uma espéci e de conta onde registravam os débitos pelas compras supostamente adquiridas.exclamou Sérgio. honestos e conformados com o que Deus lhes ofer ecia. Aprofundando-me em suas experiências de vida. como: mentir.ntos. o marido sempre se acreditou auto-importante. ou seja. essa paciente procurou um ce ntro espírita para desmanchar qualquer trabalho ou macumba. Percebi que ela apresentou considerável ausência de recepção e troca de carinho. A paciente contou que ela tratava com o m aior respeito e com todo o carinho os demais companheiros para estar sempre inte . Ela os ameaçava com denúncias ou chantagens? Não!. mentiras e muito mais. os estudos foram conce rnentes à Doutrina Espírita. os bens materiais foram os prejuízos seguintes. Sabia como manipular as pessoas conhecendo seus pontos fracos por saber de seus mais íntimos segredos. Afinal. Nunca! Sabia induzi-los pela influenciarão com palavras que lhes entorpec iam e cegavam. mas confessou adorar o luxo e os ambientes sociais requ intados. coment ou: É lamentável. Ela sentia-se humilhada diante dos caprichos exigidos pelo esposo como: cuidados exagerados com suas roupas que deve-riam estar impecáve is. Ambos assumiram tarefas no centro espírita e. Provavelmente isso a levou a casar-se com o primeiro homem que a aceitou. vários cursos! Como ressaltou. fur tar. tudo no centro era produto de doações espontâneas. Conforme ela me contou. casa limpa e tudo luxuoso no ambiente de recepção aos amigos. ela revelou um típico distúrbio de personalidade anti-social. também começou a colaborar com as subtrações das mais diversas formas. típico distúrbio de personalidade narcisista. comportamento. Como uma avalanche. ma scarando-se com um comportamento educado. Recebia críticas do único irmão que se destacava nos estudos e a humilhava .. principalmente.. O medo de ficar solteira a aterrorizava. mas isso não me surpreende. tiv e relatos de dificuldades financeiras a tal ponto que muitas vezes não tinha o que comer. João pendeu com a cabeça negativamente. Independente da filosofia. Os pais eram religiosos. trapaças. com a manipulação! O marido. grandio so e imprescindível para a família e no emprego. Tudo foi feito em benefício dele s mesmos.. As ilusões de se manter sempre no topo terminaram quando ele perdeu o emprego. O marido a acompanhou. Acreditando tratar-se de um problema espiritual. E quem é que cobra o u vai atrás do que foi feito com suas doações? . generoso. mesmo a contragosto. M as ela mesma acredita ser muito fria no relacionamento amoroso. trapacear. Então. Freqüentando um centro espírita. desejos e pensamentos. carinhoso. como ela disse. algo q ue alguém tenha feito para eles. Ela e os filho s sofreram incontáveis agressões verbais pelas explosões do marido e agressões físicas se iniciaram. Calma! Não terminei! . a princípio. com sua aparente grandiosidade. com a conivência dele. Era a ele que os pais direcionavam louvores e de quem sentiam orgulho. compreensivo. da religião e do s ensinamentos adquiridos. pois ela contava ao esp oso exatamente o que sabia a respeito dos outros. teve mais fé no Espiritismo e fez cursos. Ele começou a trabalhar. com típico distúrbio de personalidade narcisista. pelo fato de o irmão ressaltar e ssa possibilidade quando se expressava em discussões sem importância e a fim de magoála. Arrogante e invejoso. não apreciava os seus deveres como mãe e obri gações impostas como esposa. Mas quem pagava?! .

exigiram satisfações do que perceberam que estava errado. Ela não se acha responsável e se posiciona como vítima. A culpa foi dos outros que não os entenderam. S omente conseguia benefícios pequenos. Outros tarefeiros do centro. requerend o-o com autoridade e muita exigência. Meu Deus! . trapaceiam . eles representam.. Sérgio. furtam. fingia-se triste o u sozinha a fim de atraí-las como vítimas de suas manipulações em proveito de trapaças com o: alterar ou sumir com os débitos das compras no centro que pertenciam a ela e à fa mília. Veja. recebendo um generoso benefício financeiro para lhes ensinar meios de insuflar. pessoas mais honestas aos compromissos assumidos.. Para algumas pessoas mais íntimas.assustou-se João. Enfatizou que hoje seus feitos são imensamente mais lucrativos e satisfatórios do que nas sessões d e desobsessão em que participava como dirigente no centro. se não se tratarem. Enfim. O marido tornou-se um pastor evangélico. uma espécie de ministra que expulsa os demônios dos transtornados que chegam à igreja e os filhos fazem as camp anhas!. dão shows. O caso é sério! Seríssimo! E mais! A paciente convidou-me para participar de sua igreja evangélic a. posso dizer que apresentou nas duas últimas sessões.. Diante de tudo. que é o de me colocar a serviço da sociedade com qualidade técnica e rigor ético. A paciente revelou que é um prazer conhecer a vida das pessoas e o ponto fraco dos fiéis. Não suportando ostentar a máscara.. Assim sendo. Ela e toda a família.. Ela e a família consideram que tudo o que cometeram no centro espírita não f oi errado. poderão ter responsabilidade por grande parte de vi olência. Inclusive fez acusações injustas contra outras pessoas a fim de livrar-se de certas culpas. Lembrei que a terapia é um ótimo caminho para a própria pesso a se concentrar com a finalidade de mudar o comportamento. crimes e roubos de todos os tipos.irada sobre os acontecimentos no centro. Bem. João. Mas aconteceu o que ela não previa. Promovendo saúde e qualidade de vida.. Mas. você quer dizer! Respondi com toda a calma e respeit o que eu honro e continuarei honrando o meu juramento como psicólogo. prejudicam um grupo social ou uma comunidade com pouco ou nenhum remorso. Os trapaceiros e enganadores correspon dem ao maior índice de porcentagem desse distúrbio... olhando seriame nte para o amigo. Eles se julgam extraordinariamente capacitados! Isso.. nós sabemos que portadores do distúrbio de personalidade anti-social são pessoas que. expulsar demônios e beneficiar-se financeiramente por isso.exclamou Sérgio. junto ao distúrbio de personalidade anti-social em que mentem de maneira crônica e descaradamente. Depois falei que e la e a família precisariam de um reequilíbrio com o propósito de não agirem com essa com pulsividade anti-social. palavreados e tonalidades de fala que os façam agir ce gamente e compulsivamente com mais doações. Depois ela e xaminou sua posição como tarefeira e decidiu reclamar a ocupação de seu cargo. Não! Acho que Deus não faz parte do que ela propõe .. E o que você respondeu quanto a essa proposta?! Para o convite indecoroso. alimenta-se normalmente e não tem qualquer remorso. ela simplesm ente ignorou dar satisfações cabidas e não se reuniu com os solicitantes. tudo o que me contou mostra que tanto ela quanto o marido possuem o clássico distúrbio de personalidade narcisista. eles abandonaram o espiritismo e se converteram ao prote stantismo. Me u amigo! Duvido muito de que aceitem a sua proposta de reequilíbrio! Sérgio sorriu e . pois lá não recebia nada. conscientemente seguros. Contou -me que cometeram uma grande injustiça com ela ao exporem frente a muitas pessoas o que foi feito por ela e sua família. no inconsciente dos fieis. Sérgio. não reconheceram seus serviço s prestados e.Foi nesse momento que vi exacerbados a arrogânc ia e o orgulho que reluziram também um distúrbio de personalidade narcisista. ela. eu não vou corromper minha moral nem meu rigor étic o como profissional na área da Psicologia ou em qualquer outra. para saber se havia alguma desconfiança d e seus atos junto do marido. conforme eu entendi. rejeitam as normas de regras de conduta e não estão a fim de autocontrole n em pretendem mudar! Por que diz isso? As evidências! Não entendi. significativ o humor e disse que dorme bem.

por exemplo! A PNL . lembra-se da aula do Professor Doutor Ezequiel quando ele falou que. A PNL. Mas estava longe de imaginar que receberia um convite desse tipo! Sérgio. As habilid ades e as técnicas dessa ciência estão sendo cada vez mais usadas para a educação. refletindo sobre o assunto. são preconceituosos. digo que não pelo fato de eu ter buscado conheciment o sobre suas atuações. mesmo no penúltimo ano d e um graduação em Psicologia. são as ferramentas mais poderosas que po demos ter para se criar resultados magníficos naquilo que queremos obter. é a excelência do uso de uma ar om pessoal para obter resultados excepcionais no que deseja realizar. As pessoas orgulhosas. eu iria parar. Eles se esquecem de que muitas situações. Têm uma visão estreita e limitada da realidade da vida das pessoa s e suas crenças! Isso é preconceito. bissexual?. Falha sim! Mas são limitadas somente quando lhes falta evolução ou força de vontade acrescentou João com tranqüilidade. Não buscam a iar as informações. não meditaram e reagiram asperamen te. mas eles ficaram pensativos.. o p orquê de sua opinião. pensar.sorriu. não! Às vezes concordo com a opinião o professor Ezequiel e acho que alguns psicólogos evangélicos são inconcebíveis para que m deseja se livrar de transtornos e distúrbios.. Eu confio mais em fazer uma terapi a com um umbandista... E se o paciente falar da violência sexual que sofreu q uando criança?. tem grandes possibilidades de ser preconc eituoso e acreditar que a pessoa é dessa ou daquela forma porque quer! Provavelmen te. há tempos eu sei que isso é usado por vários lideres religiosos. Ela. não está sendo preconceituoso quanto aos psicólogos evangélicos? Vou repensar nisso.Programação Neurolingüística. A criatura humana é falha e muit o limitada. foi por descobrir que a paciente entrou nesse consultório usando as características da personalidade anti-social contra mim! . João. Agora. estão se corrompendo com o uso desses métodos para arrecadações numerárias im ressionantes. E um outro que deseja se recuperar de atos de pedofilia?. Tud ara eles tem de ser de acordo com o puritanismo pregado por Lutero. Quando eu disse que havia mat ado a charada. terapia s e outros. que se achavam superiores. suposições ou crenças que. pesquisar e procurar saber com ele. notícias. proposita damente. foram comprovadas pela ciência e os descrentes ridicularizados. Ela pode ser usada de modo positivo ou negativo.. Inúmeros psicólogos e até outros que nada têm a ver na área. budista. crenças nas opiniões apresentadas só pela sua religião. trapaceou na representação de seus distúrbios psicológicos com a finalidade de aproximação e intuito de indução. orgulhosos. mas ele apoiou . Mas aconteceram contradições e com portamentos estranhos os quais me levaram a dúvidas. ciências e práticas de vida sob a visão de sua profissão. Havia outro s evangélicos na sala. Se aquele professor tivesse falado que é inconcebível um psicólogo espírita. arrogantes. sendo psicólogo evangélico.disse: Dediquei-me profundamente a estudar esse caso.. principalmente pelos protestantes ou evangélico. Esse profissional. oportunista. que é a capacidade de vivenciar ou ver na mente uma situação futura desejada co mo se aquilo estivesse acontecendo mesmo. Isso é fé cega! São pessoas que não buscam conhecer melhor a verdade por elas mesmas e só acreditam naquilo que os outros lhes disseram. pois sabia que aquelas práticas rigorosas e tiranas eram erradas. não vai dar atenção ao caso e achar que o paciente está endemoninhado! Talvez queira convertê-lo!.. explicou João . com a finalidade de obter uma verdadeira fascin ação de seu fiéis. São bitolados. Ah!. Não sei. ganancioso. mas de forma bem tranqüila. Um homem cru el. E você. Acho que o professor Ezequiel quis nos te star com aquela situação para ver o quanto alguns religiosos. pa ra ele. Até as comprovações científicas e novas descobertas eles se recusam a ace itar. A realidade do paciente não é a realidade do que esse evangélico quer v er e analisar.. criando uma comunicação mais eficiente e rápida.. Imagine um psicólogo evangélico ouvindo um paciente homossexual. Precisava de um psicólogo para prosseguir com suas farsa s e aumentar o vigor de suas vigarices a partir do momento que ele a ensinasse q uais e como são os melhores métodos e técnicas de neurolingüística. no passado e ram inconcebíveis. mais desumano do que as leis aplicadas pela Inquisição.. Hoje eu entendo que algumas religiões são preconceituosas por não serem flexíveis à fi losofia. católico e outros do que com um profissional evangélic o. junto à técnica de vis ualização. era inconcebível um psicólogo evangélico ou protestante? Lembro! Duas ou três alunas fizeram o maior protesto! Isso porque elas eram protestantes.

reclamou João de si mesmo. Em minha opinião.. Sérgio. E a Rita? . Preciso uma carona e a minha mãe. Sérgio. João. por isso nem prossegui com o pedido. talvez você esteja sendo testado! Testado?! Testado pela espiritualidade que o acompanha.murmurou num desabafo. Sérgio! Espere aí! Não quero me intrometer. que já deu problema logo de início. mas não dá.Breve pausa e lembrou: Viu?! Rea lmente você foi testado! Preocupado com a situação financeira. João..sorriu.. olhando para o colega de modo indefinido.. como posso me garantir com o que receberei aqui na clínica e na empresa. conforme você e o doutor Edison me aconselharam. No próximo ano. por isso penso em desistir. Como se não bastasse. pois estou pecando verbalmente c ontra meu semelhante! . mas é. Eu ta mbém concordo e quero fazer o quanto antes. mas sua agenda sempre está lotada! Talvez nem precisasse trabalhar na empresa que indiquei. tive dificuldade com a documentação para o pedido de baixa da PM. Seria um teste moral? Quem sabe? Reflita sobre o assunto e dê atenção aos sinais. Sérgio pareceu preocupado e revelou: Nem consegui um tempo para contar à Débora sobre aquele assunto da minha irmã. mas você vai ajudá-la e não sustentá-l obrigação de pagar a faculdade é dela. que é sua fã. Medite e dê um jeito de i r ao centro..indagou. Como é possível uma criatura acreditar que é só pedir perdão a Deus p ara ficar liberta das condições inferiores e não ser mais prisioneiro dos crimes e del itos que cometeu? Ah!. deu para freqüe ntar o apartamento da Débora direto. Não gosto de insegurança e.as mesmas severidades dolorosas com os camponeses alemães que se opuseram ao prote stantismo. Sérgio. . Sérgio levou o amigo para casa. Estou temeroso. estou receoso de sair da po lícia. calando-se. Você é diferente. é a Rita quem está por perto. Criou um puritanismo mascarado ao incentiv ar que eram os únicos puros.. Acho que essa paciente não vai retornar. Não sei expli car como. Não pense que só ped ir perdão a Deus basta para livrar-se das culpas mentais... deixando-os queimar vivos. ficou inibi do para recusar o convite e acabou ficando para o jantar. Deixe-me ficar quieto. . quando não é a Yara. Isso está contido no protes tantismo até hoje. e seus líderes os denominam evangélicos para ninguém lembrar dos mass acres apoiados pelo criador do protestantismo. caso eu vá trabalhar lá? A Débora estará no último ano e. verbais. os únicos corretos e com razão. Pre ransferir pacientes para mim e para o Nivaldo por causa do serviço na polícia! Eles reclamaram muito. Sérgio! Ficou louco?! Não. Ah.Ele silenciou por alguns ins tantes e comentou: Se a Débora aceitar morar lá em casa.. Péssima! Débora a levou para o seu apartamento. Estou sem coragem para qua lquer decisão . Ela não estuda! .tornou João num tom de tristeza. Depois ficaram uma boa . A Yara.exclamou João bem sério. sabia?! Você é bem requisitado e indicado pelos outros pacientes. Martinho Lutero.. porém ao ser recebido por dona Antônia. pode ficar mais tempo com a Rita. mas não vou entrar. ela deveria voltar a estudar qu ando arrumar um emprego. vai adorar tê-lo para o jantar! A dona Antônia está brava por você não visitá-la há tempo! Não. O que você quer mais?! Vai ficar aí esperando todas as oportunidades desap arecerem para depois dizer que não teve sorte?! . Esse pedido de baixa significa um pedido de saída? É. Acho que ela não está preparada para voltar à sua c asa e ficar sozinha. Você voltou a conversar com a Débora para que morassem juntos? Não tivemos tempo para falarmos sobre o assunto. Então vamos lá! Vai tomar uma injeção de ânimo! Estou com o carro na revisão.Vendo o amigo pensativo. João esperou alguns minutos e perguntou: E seu irmão.. você é um ótimo profissional.. como está? Trabalhando. Ei. E se não arrumar? . Está inteiro . não aceitou a proposta da paciente que lhe ofereceu dinheiro para prestar serviços nada dignos com o seu ju ramento profissional! Aconteceram tantas coisas em tão poucos meses que. Eu te levo. irmã dela. e pelo fato de não trabalhar. materiais e fis icamente praticadas.

por mais aterrorizantes e absurdas que ouviram contar. mesmo que o considerem pequeno ou nada grave. disse-nos o Senhor Jesus. Tornam-se vítimas e culpados por cum prirem tarefas inferiores e malévolas. a dependência e muitos outros distúrbios de personalidad e que. Sérgio ainda comentou sin cero: Eles formam organizações. pareceram insignificantes diante dos olhos de Sérgio. Sofrem com as enfermidades do corpo espiritual e com a cobrança constante da consciência por t udo o que fizeram errado. De repente. qualquer idéia de alucinações fantasmagóricas. Esses irmãos estão infel em esperança. Que bom.O romance abalado pela influência espiritual Os dias seguiram sem novidades. Gigantescas sombras com contornos humanos deformados saltavam sobre ele e o a migo sem tocá-los. onde alguém é condenado eternamente. Lógico! Sem a evolução mental. Eram rápidas demais nas movimentações estranhas. sem conhecer a ve rdade. Contudo nada é eterno e dizer que existe um inferno. as criaturas não estarão libertas das energias mentais inferiores. A morte não existe. ou pensava ouvir. Sérgio sentia-se interessado na conversa. quando encarnada a criatura experimenta ou usa em benefício próprio. como se em alguns momentos andassem como quadrúpedes.respondeu João. Era uma noite de muito calor quando Sérgio e João caminhavam juntos falando sobre assuntos que Sérgio precisava entender para relembrar melhor. o fanatismo é o que alimenta o espírito para que ele se submeta a essas condições. risos. a trapaça. a vaid ade.. A lua no céu possuía um brilho estranho. p assos e gargalhadas de um grupo nada amigável que os seguia. Querem-nos longe daqui e nos deseja m mortos. Bloqueando o caminho. Ele ouvia.. entendendo que aquelas criatura s não os podiam ouvir. Esses lugares infe rnais existem por uma questão de ignorância. espiritual. por causa das mentes voltadas a fazer o mal. O orgulho ou o ego inflado. Parece que posso entendê-los. o espírito An dré Luiz diz que: O objetivo essencial de tais exércitos sombrios é a conservação do primi ivismo mental da criatura humana. sendo algo com o que verdadeiras colônias de tormentos indizíveis e reparadores.. Existem regiões espirituais criadas pela força ou poder mental. Isso é um método de impor o medo . qu e os separam e selecionam como animais para determinadas tarefas específicas. cruéis e impiedosos que os dividem. linguagem de tempos remotos à reencar nação de muitas pessoas. o narcisismo. a fascinação. João lhe falou com brandura e de modo que o amigo podia o uvi-lo em pensamento: Não vamos nos assustar. cidades de baixo padrão vibratório. não queren . Nossos anjos guardiões nos acompanham e muitos benfeitore s que atuam verdadeiramente em nome de Jesus nos amparam. Há líderes insensíveis. podendo fi car presas a obsessores por muito tempo. falanges. Sérgio! Parece recordar rapidamente o aprendizado obtido em elevada es fera espiritual! Em um livro psicografado pelo querido Chico Xavier. não é verdadeiro. Odeiam-nos. . sem pensar e repensar. opaco. não é. Conhecereis a verdade e a verdade vos li bertará .. Muitos são verdadeiros escravos aterrorizados e tementes a Deus. mas obedecem a líderes macabros e desequilibrados.parte da noite em agradável conversa repleta de instruções que o fizeram se sentir be m melhor. foram surgindo à frente de ambos outras criaturas extrema mente malignas. sob o seu jugo tirânico .Parados próximos àquelas criaturas espirituais totalmente disformes. Podiam-se escutar seus sussurros. Sérgio? Eles estão aí para provar.. O que querem? . Pode ser um método de oferecer ou receber mensagens na época em que os politeístas faziam oferendas a vários deuses. A língua estranha que usam para c municação podem ser dialetos antigos dos homens. logo atrás deles. mas seu coração estava oprimido por algum motivo que não conseguia entender. tanto quanto p ossível.perguntou Sérgio em pensamento. Virando-se para Sérgio. a fim de que o Planeta permaneça.. urrando com o animais ou gritando em uma língua estranha. A fé cega. 15 . Elas pareciam brotar do chão com aspectos monstruosos. Não está se lembrando do que aprendeu na espiri tualidade? É.

Lá... João! É a minha irmã. pela preguiça... Débora. Sabe. Podem usar determinados espíritos para enfraquecê-lo..pedia com seu jeito carinhoso. ela conversava com o namorado: Mas não quero incomodá-lo!.. Você está libertando espíritos. Veja.. Sérgio. Coitadinho! Ele ainda está lá na casa dos seus pais? Está. Não sou digno.. Dê-me mais um tempinho? .. Sérgio. Não diga isso. depressão.contou animada. mas logo continuou : Quando em uma terapia. junto à pessoa. Riu para re laxar e avisou: Vou levar o Tufi para lá. Eu gostaria que saísse daqui o quanto antes. como a chuva fina que se in filtra tanto na relva como nas folhas altas. distúrbios dos mais diversos. meu amigo! Sinto-me minúsculo. acendeu a luz. ele murmurou: Ainda são 3h30!. no apartamento de Débora. Ao olhar para a cama viu os lençóis remexi dos e embolados. Não o levei para nossa casa porque ele ficaria muito sozinho. porém contrariado. sinal de ter se revirado demais antes de acordar. é muito importante lembrarmos que. E você? Quando vai começar a trabalhar lá naquela empresa? A documentação da PM já sai . abriu-a e foi quando a brisa suave da madrugada parece u medicamentosa.. Consultando o relógio. Você está repetindo o que eles dizem. De que jeito? Acredito que estará mais segura lá em casa! Com menos despesas. Fico fora o d ia todo e não teria tempo para cuidar dele como deveria. * * * Mais tarde.. Mas eu não sei de nada. tirando a impregnação da estranha sensação. pois tinha a sensação de ver e sentir o que experimentou. Lembre-se.. ela só tem o caminho doloroso de reparação a seguir. Acorde.ele aceitou calmo. pois algumas se comportam como se ganha ssem o gosto pela ignorância. Seu rosto gotejava suor e todo o tronco estava transpirando. além disso. Entendeu bem sua tarefa. pode haver terríveis espíritos que se afinam a ela com o intuito de va mpirizá-la e agredi-la para agregá-la futuramente a falanges espirituais. Tentarão atacá-lo de todo jeito! Reaja! Socorra-se elevando o pensamento a Deus.perguntou rapidamente. Sérgio pegou um caderno que tinha na gaveta e passou a esc rever tudo o que se lembrava do sonho. Sentando-se na cama. Farão de tudo par a que você não tenha êxito em sua tarefa. Sérgio. mudando de assunto. Eu pedi que me dessem mais um tempo para ser admitido na empresa... Aquela troca de informações e conversa durou frações de segundos. temos um caso de complexo. o pensamento é o centro de atração e repulsão de qualquer mal ou be que o cerque.. João. você s Não lembro o que me levou a buscar. Ao tempo em que as criaturas monstruosas subiam como que por fissuras abertas no chão. Há situações que não entendo ainda e preciso de seu apoio. Levantando-se rapidamente.. Como sempre.. meus pais ou o Tiago cu idam dele. despertando-se horrorizado com o próp rio grito. mai s tranqüila e..do mudar-se. dormia sem camiseta. Não sei. O que estamos vendo é uma pequena amostra do que as levarão aos agrupamentos mais inferiores e de piores condições. tomando uma po stura de ataque. procurar um meio de ajudar as pessoas a se lib ertarem de tais obscuridades consciências. ao Mestre Jesus! Foi isso o que me pediram para te dizer. Como quiser . . Na próxima s emana tenho uma entrevista marcada e acho que vai dar certo! .Sérgio interrompeu temporariamente o que argumentava. Tudo bem. Nem sei por que estou a o seu lado. Ai. João percebeu que Sérgio parecia sufocado e orientou: Seu maior trabalho será vencer as vibrações baixas e hostis. despoluindo-as para que respirem me lhor. Sérgio! Foi nesse instante que Sérgio sobressaltou. .. O que te trouxe para essa tarefa foi o seu amor incondicional. Caminhando até a janela. luta e agressão. mas acho qu e não poderão esperar mais e estou com problemas com a documentação e. Você não está tratan do de pessoas. tendência suicida e outros transtornos.. Não faço nada.

Eu te adoro! Desculpeme? Vou ser bem sincero com você. Mais desiludido ainda porque desconhe cia esse lado da sua personalidade.. mas eles me perseguem! Não adianta eu mudar as coisas à min ha volta. Não sei. mas como não quer. Débora . ele se levantou. fiquei decepcionado porque você agiu como alguém que eu não quero nem lembrar. só desfrutando a companhia agradável um do outro e. quieto.. Débora correu. ele sobr epôs o braço em seus ombros. Eu queria seu colo. Uma dor estranha parecia esmagar seu peito. O rapaz se virou e a jovem escondeu o rosto em seu peito chorando um pranto compulsivo.Ele não se virou para encará-la e permaneceu parado somente ouvindo-a se justificar: Eu não sei por que disse aquilo daquela f orma... Curvando-se e beijando-a na cabeça. vem à oportunidade de t rabalhar na empresa por meio período. Estou assombrado ao ver você agindo igual a elas! Pensei que me libertaria do s pesadelos asfixiantes. Entr ei com pedido de férias e vou aguardar para ver no que dá. Frustrado com a reação da namorada. para as nossas vidas.... vai?! Seja como for. Dar e receber carinho enquanto assistíssemos a u m filme. Débora. Déb ora chorou verdadeiramente sentida.. . Agindo com estranha frieza. Sérgio! Pelo amor de Deus! Você não vai desistir de sair da polícia agora. Tenho medo de que.falou com baixo volume na voz grave e fita ndo-a com uma tristeza indefinível nos olhos verdes marejados. encarou-a nos olhos. segurou-o pelo braço e pediu entre as lágrimas de arr ependimento: Por favor.. Não suportando a pressão sofrida em pe nsamento. A namorada.. quietude e a conchego.. Sérgio permaneceu silencioso por longo tempo. o rapaz se virou e saiu sem olhar para trás.Abraçando-o pelas costas com força. reagiu de um modo estranho e totalmente incomum à s ua personalidade.. eu não gostaria de ter qualquer outro problema.. Débora...sinto-me inseguro. Eu!.. o namorado aconselhou em tom sereno : É melhor conversarmos outra hora ou diremos coisas das quais podemos nos arrepe nder. entende? Faz tempo que não ficamos sozinho s. Em palavras bem simples posso dizer que desejava só fic ar ao seu lado. Sérgio!. profundas energias inferiores in-vadiam o ambiente... Você... e stranhando e observando-a esbravejar sozinha. Diante de tantas dúvidas e incertezas sobre decisões sérias e definitivas que tenho para tomar. pois nunca o viu falar daquela forma e vendo-o caminhar em direção da porta.. Eu vim aqui porque não estava bem comigo mesmo. lá eu tenho um salário garantido. Sérgio. Em instante s.. . respeito a sua vontade.. gritando. parece que ela marcha ao meu encontro! Saí da ma ta casa de meus pais para não ouvir os gritos e as reclamações de minha mãe e minha cunh ada. Vendo-o em pé à sua frente.. interrompendo-a com voz grave e firme: Não preciso ir à direção da desgraça... Sérgio dirigia sem rumo. conduzindo-a para o sofá e fazendo-a se acomodar. Levantando-se. o que preciso é mudar as minhas escolhas! Após o susto que levou. pareceu implorar ao pedir: Sente aqui. agora. Desejaria que fosse mo rar comigo. Não costumo brigar e. Desculpe-me. deixando-a em imenso conflito íntimo e arrependimento. atraía obscuras vibrações. . com lágrimas quase rolando. Com a tempestade emoc ional que criou agora há pouco. horário fixo e um salário compatível com o da políci a e você quer desistir?! Não posso me conformar! A maneira como Débora se expressava.ela não sabia o que dizer. Tudo sumiu com o em um passe de mágica com a clínica da qual é sócio! De repente. Sei lá!. . E era só disso que eu precisava para decidir o que é mais correto fazer na minha vida.. Você me conhece.. calado. Engolindo seco. O namorado continuou no mesmo tom sentido: Eu te amo. protestou inconformada e aos gritos: Sérgio! Você nunca teve uma oportunidade tão boa! Esse sempre foi o seu sonho! Ante s tinha preocupações em abrir um consultório sozinho e não ter pacientes.Ela o olhava firme e nada disse. Te amo muito . repentinamente. não me proporcionou um instante de paz. . remoendo a s idéias em um penoso estado de consciência devido ao choque por ver as tendências de Débora e as influências espirituais que lhe chegavam.

Ele ficou assustado.. como se sufocasse um grito. você está bem? Estou.. A jovem desmaiou por falta de ar e permanecia inerte. Imediatamente tentou fazer respiração artificial. Quando se virou para cumprimentá-la e pedir informações sobre a colega. amiga dela a. pois desde a morte de seu irmão e de seu noivo tinha ficado no apartamento de Débora. gritando o n ome de Rita. moço. não é? Sim. a senhora se adiantou: Você é um dos amigos da Rita. Sérgio tentou puxar a s amarras e não conseguiu soltá-las. vi a Rita entrando e perguntei como ela tava e.. correu para a sala onde a música alta o incomodou imen samente. Falou que não tinh a mais ninguém e que preferia morrer.. colocou a amiga na posição correta. Vendo-a mais consciente. Rita pareceu ter r etornado à vida ao respirar forte. Estacionando o carro frente à residência da moça.. Há duas horas. Se p uder. sufocando o choro num travesseiro. Não dando importância ao frio que corria em seu corpo. Ligou o rádio a lto e não atendeu quando eu chamei. Tossindo repetidas vezes. mas fiquei com medo. percebeu que as janelas estavam a bertas. pensando que a amiga poderia socorrê-lo de algum modo. Eu já vi você aí com a outra moça.. Em frente do portão. saltando com agilidade para dentro do quintal. levou-a para o quarto. Eu sei que você tem plano de saúde. Sentando-se ao seu lado. De repente. Minha idade não deixa mais eu pular o mu ro. Da casa ao lado saiu uma senhora de cabelos grisalhos que o olhou de modo cur ioso enquanto andava vagarosamente em sua direção. mas não foi atendido. escal ou o alto portão. Lágrimas correram imediatamente enquanto ela olhava para os lados. Débora! Isso! . Toquei a campainha nem atendeu quando liguei p ara a casa dela. Sérgio havia tocado a ca mpainha várias vezes.. Tirando-lhe as fitas e o resto do plástico rasgado do pesc oço e livrando os punhos dos adesivos. Não! . rápido. como se o ar fosse acabar. vai lá filho! Corre! Sérgio suspirou fundo.gritou ao implorar. Por quê? O que aconteceu? .admitiu a senhora. tentava curvar o corpo. Nas janelas havi a grades.preocupou-se ele. sou. Em vão. Apressando-se para os fundos. Por isso seria bom irmos para um hospital do seu convênio e.Repentinamente. Sentiu como se os seus olhos fossem atraídos para ver a pequena faca de cozinha sobre a mesa. lembrou-se de que Rita decidiu retornar para a casa onde mora va. realizou respiração artificial e massagem cardíaca.respondeu atordoada e largada sobre a cama... Acreditand o ouvir um gemido sufocado. t entando entender ou recordar de alguma coisa. Meu nome é Sérgio. pediu com brandura: Calma. Pegando-a nos braços. pois ela permanecia imóvel. Usando-a. foi entrando na casa à procura da amiga. mas e se não for nada? Você é amigo dela. nem que fosse só o ouvindo desabafar. Nunca pensou em ver algum amigo ou amiga naquela situação e sob os seus socorros. Está tudo bem... Olha.. Movido por um súbito impulso. Sérgio acariciou seus longos cabelos negros e cacheado . Sérgio chorou em silêncio. Rápido. Correndo até a port a da frente viu que estava bem trancada e seria difícil arrombá-la. Chamando pelo nome de Rita. Rita. abriu a porta após vários pontapés. mas as mãos da moça amarradas nas costas com inúmeras voltas da lar ga fita adesiva. não deixavam seu corpo ficar na posição adequada. Eu ia ligar pra polícia. Sérgio olhou para o canto e ouviu atrás da me sa da sala de jantar um murmurinho lamentoso e viu os olhos de Rita se fechando. ele perguntou mais calmo: Rita. um sinal de ela estar em casa. colocando-a sobre a cama. Desligando o aparelho de som. por isso já ia ligar pra polícia. eu acho.. Depois me largou aqui sozinha.. ele decidiu visitá-la. Podia ouvir uma música tocando em volume u m tanto alto no interior da residência e por isso chamou em voz alta. chegou até a amiga rasgando o saco plástico forte e transparente que lhe vest ia a cabeça onde foi colado e apertado com larga fita adesiva em torno do pescoço. Acho bom você dar um jeito de pular esse portão! Não gostei do jeito dela. . A. cortou as fitas. mas não tinha forças.

. Como machucou o rosto? Acho que bati na mesa. abraçando as pernas e ficando encolhida. Algum tempo depois. Sérgio a abraçou com carinho piedos o.. escondeu o rosto no abraço e chorou. Sérgio.. expressando grande tristeza: Estou mal. mas há solução. em minha opinião.s. Rita parecia mais calma. dessa falta imensa que m e consome. ele continuou: Rita. mas respondeu oferecendo várias pausas como se refletisse antes: Enrolei a fita no saco plástico sobre o pescoço. ela praticamente murmurou: Tentei me matar. procurou curvar-se para olhar em seus olhos e dizer: Minha amiga. Nem vonta de alguma.. e o amigo tornou ex plicando: Preciso saber o que aconteceu aqui. Por que a faca estava sobre a mesa? Rita abraçava as pernas encolhidas e balançava vagarosamente o corpo exibindo um sinal de nervoso. Rita. indiscutível em curto prazo. esse pode ser um caso de polícia. de sligando em seguida. Quando você tenta sobreviver à solidão. Enrolei a fita adesiva em meus pulsos com as mãos para trás para não desistir e rasgar o plástico. Ele deu-lhe uma desculpa convincente de qu e Rita teve uma crise de choro. expressando muita tranqüilidade. Sérgio a observou melhor verificando um machucado em seu rosto. mantendo o olhar perdido. Sérgio sabia que ela mentia escondendo alguma coisa.. Depois lhe afagou o rosto até que. não achou? Não. . Retornando ao quarto.. Eu sei que rupturas drásticas de relações amorosas significativas.... cheguei do merc e tive a idéia de colocar um fim a todo esse desespero. ela cont ou com breves pausas e voz baixa entre os soluços e as lágrimas. Não sei.. Sem encará-lo. fez com que o encarasse. A senhora agradeceu a satisfação...... Não tenho mais nada. Peguei o saco plástico grosso que trouxe do mercado.. Não tenho esperança nem energia. Erguendo-a para que se sentasse. cuidadosamente. o telefone tocou insistentemente e o rapaz decidiu atende r.tornou calmo. o que aconteceu? .chorou... E não é fácil sair dele. como a de seu irmão e de seu noivo.Vendo as lágrimas corre rem em seu rosto. instintivamente. sem fixar em ponto algum. . encarando-o firme. não é fácil.. Não suportando a troca de energias salutares. sentada na cama. choro u como nunca tinha feito antes. A amiga o fitou por um segundo e fechou os belos olhos negros num gesto de fu ga ou vergonha. num gesto de amizade.. trazem um impacto doloroso e i rremediável. Pode me explicar como conseguiu se amarrar daquele jeito? . pois o modo como a encontrei é bem es tranho e suspeito.. Afagando-lhe os cabelos. Não consigo explicar o aumento dessa dor.... perguntou vagarosamente: Qual é a solução? Como eu posso levar uma vida normal? Principalmente agora. Cortei com a faca e depois de dar voltas nos pulsos com o rolo adesivo eu. Conte como foi. Estou errado? Com voz rouca pelo choro. Sofreu pela falta de ar tempo o suficiente para desfalecer.. Tem muita coisa que você desconhece. Sérgio a confortou num acalento silencioso enquanto a e mbalava preocupado com o que deveria fazer. Era a vizinha que desejava notícias.. Primeiro.Lágrimas rolaram em sua face pálida. perguntou: Rita.. Rita o apertou forte.... Prudente. Não o encarava. essa dor. Sentando ao seu lado. um estad o mental de depressão extrema a domina. Seus braços estão machucados com espécies de pancadas. vendo-a mais tranqüila . porque você precisa de ate ndimento médico. Então. Não tenho ninguém. Preci sei ressuscitá-la! Segundo. Peço isso como amigo. Não sou útil ou necessária a alguém. Isso foi bem difícil de fazer. a amiga se e ncolheu. momento em que. coloquei na cabeça e o prend i com a fita adesiva em volta e. Nesse momento ela ergueu a face banhada pelas lágrimas onde exibia grande angústi a. Demorou um pouco. Sérgio lhe fez u m afago no braço com as costas da mão.. amigáveis e reconfortantes que lhe invadiram a alma. Após algum tempo. Porém não era o momento certo para exigir-lhe nada. mas estava bem. Puxando-a para um abraço.. você não está sozinha.

. Sérg io decidiu que a colega não poderia ficar só. experimentando um pranto doloroso e triste. Vendo-a balançar a cabeça negativam ente a fim de não responder.. Só vou tomar um banho e me trocar. Fitando-a com piedade. . Entretanto o telefone do apartamento só chamava e o celu lar não era atendido. Rita.. Deixando recado na caixa postal para que a namorada entrasse em contato com ele o mais rápido possível. De repente.falou calmo. viu-a com a respiração alterada.. A fastando-se dele. Como especialista. Algo o intrigava. no q ual passará por um médico que vai examiná-la. Per manecendo em silêncio por um tempo ao lado da amiga. ele contou: Sabe. pois.. sendo a melhor amiga de Rita ela poderia ajudar muito. ofereceu-lhe carinho e atenção.. ela reagiu rapidamente ao pedir: Não chame a polícia. não o encarava. mas não está em condições de decidir . Pensa que sou amador?! ..Sem espe rar que ela dissesse algo. Vocês me disseram que a vida não mina com a morte do corpo físico. Não vou deixá-la sozinha. Vou solicitar ao delegado uma perícia técnica em sua casa pelos fatos duvidoso s. Ou você vem comigo ou eu ligarei para a polícia e iremos para a delegacia registr ar essa ocorrência. talvez por p ressentimento ou pelas experiências que possuía como policial.perguntou diante da demora. Mais de duas h oras haviam passado e Débora não telefonou. Como.negou de imediato e bem firme. O quê? O que disse? .Após propositais segundos. Após olhar cômodo por cômodo e observar meticulosamente cada detalhe. Não chorava mais como antes. chorando de modo compul sivo.. ele t inha conhecimento de que aquele ocorrido merecia muita atenção e ajuda imediata. considerou em t om brando: Rita. Você não pode ficar sozinha e virá comigo para ha casa.... decidiu telefonar para Débora. . quase ofegante. Quer um pouco? Não. Depois disso. Desculpe-me. só lhe restava aguardar. Pondo-se frente a ela. Não vou! . Não! .. por que não chegou antes?. O quê? . isso não aconteceu por acaso.. como psicólogo. a Débora não me ligou até agora. exibindo uma estranha preocupação e medo no olhar... porém firme...Pequena pausa e fa lou: Considero-a uma pessoa tão espiritualizada. vou levá-la ao hospital de seu convênio onde pedirei que um médico psiquiatra a atenda e. tão elevada! Você e o João me deram tan ta noção para entender as experiências de uma encarnação. H oje. Rita o encarava firme. Assim que Sérgio desfechou. Só. . trancada no banheiro. Sem que ele espe rasse. relacionando a série de lesões que você apres nta. não?. pediu para que Rita se sentasse e foi obedecido de imed iato. Retornando ao quarto. Sérgio avisou: Vou tomar água. Foi uma coisa tão estranha. Não faça nada disso. Certamente vão encaminhá-la para um exame de corpo de delito.alterou-se ela. senti uma dor no peito e pensei que ia enfartar. tornou no mesmo tom: Preciso saber de uma coisa: por . o rapaz olhou por toda a volta. Entregando-lhe uma xícara de chá em suas mão fracas e trêmulas. . eu saí do apartamento da Débora e ia para minha casa. parecia se controlar. certo? Não. ele indagou: Diga-me uma coisa.. exatamente agora você t entaria contra a própria vida? Sérgio se surpreendeu ao vê-la abraçá-lo forte e rapidamente. Diante do profundo silêncio que reinou.murmurou. Então. Aí eu decidi vir aqu i para conversarmos um pouco.perguntou por não entender. . ela tornou a deitar e abraçou o travesseiro encolhendo-se sobre a cama. Humilhada e abatida.. Rita. nos quais não p arou de pensar. pois a situação em que a encontrou era bem estranha. Sabia que ela escondia alguma coisa. Chegando à sala. argumentou: Eu me considero seu amigo. preciso relatar tudo o que houve e pedir su a internação para sua segurança. Além do mais..Soluços entrecortaram sua voz quando dec diu: Eu vou com você. Fiquei surpreso e assustado ao chegar aqui e. Você foi e continua sendo uma pessoa muito important e para mim..sussurrou entre o choro. Só. ele notou que a jo vem apresentava grande desânimo. chorando. há detalhes estranhos nesse acontecim ento. Vou ficar aqui.

. Sem esperar que o filho respondesse. Aquele dia parecia longo demais. Sérgio sentia-se tomado de esquisitos perturbadores sentimen tos.cumprimentou alegre.. Dando alguns passos. Foi nesse instante que escutou um barulho na porta da sala. Como você está. Posso ficar aqui na sala? Claro! Fique à vontade.. Cheguei quase agora. obedecendo exatamente ao que espíritos mórbidos exploravam em seu coração e a faziam usar. . Dona Marisa olhou para o sofá com ar de reprovação e repudiou ver Rita sentando-se rapidamente. Só não feche a porta. É que.Pediu com gesto educado: Contudo perceb ia-se que algo estava errado com Sérgio.. Não tem mas . mãe! Oi.. Tiago lembrou-o brincando: Acorda. Mas. ele não reparou que uma delas. Vendo-a apoiar a cabeça sobre algumas almofadas.. parecendo assustada com a visita. Mas pensei que a Débora estivesse aqui. Tive alguns compromissos hoje e acabei me atrasand o. Sérgio havia passado o dia sem comer. Virando as costas rapidamente. pensando que fosse sua namorada. inclinou-se para o lado e se encolheu.disse Sérgio sem conseguir disfarçar certa surpresa . quando a Débora chegar.. levou-as para seu quarto. Eu já arrumei a por ta dos fundos e a tranquei por dentro. cobrindo as perna s com a própria saia longa. a jovem respondeu: Estou com vergonha. E aí.. Oi. Não quero ser humilhada. pensava em alguma alternativa. viu Tiago entran do em companhia de sua mãe. vou chamar uma viatura! Cabisbaixa obedeceu.. Sente-se. Tiago! Tudo bem? .cumprimentou a jovem com timidez. Não acreditou que estivesse dormindo. mãe! . Percebendo-o confuso . Pegando as duas sacolas com as roupas da moça.tentou mentir. Essa é a Rita.que não quer a polícia aqui? Chorando. Sérgio pe gou o telefone e foi para outro cômodo a fim de ligar para Débora... procurou dar uma entonação mais terna e amigável a o tom de voz e pediu: Rita. Ela sentou-se no sofá. Prazer. meu irmão! Você pediu para eu trazer a mãe e o pai aqui hoje para verem sua casa e conhecerem melhor a Débora. * * * Chegando à sua casa. mãe . Rita. vá para o meu quarto e descanse um pouco até eu encontrar a Débora. que parecia nervoso.avisou Tiago em socorro do irmão. Você vai par a minha casa e. uma amiga nossa! . pode ir para o apartamento dela. enquanto olhava detalhadamente tudo a . mas sim em profunda reflexão. deixando expostas e caídas algumas peças íntimas que pertenciam à amiga. Pegue somente as roupas de que precisar. encontrou Rita com os olhos fechados. Sem dar atenção ao filho. Sairemos pela porta da frente. essa é a dona Marisa.Viran o-se para a colega. Não quero me sujeitar a uma série de perguntas e investigações. Temos algumas horas para pensar e decidir o que fazer. mas estranhou ver Sérgio petrificad o. mas não conseguiu. Não vamos mexe r em nada nesta casa.. apresentou: Rita.. Prazer. nossa mãe. pois não sabia o que fazer. O sol do verão quente não queria se pôr apesar da hora. havia tombado. levou o telefone par a tentar falar com Débora ao mesmo tempo em que pensava em preparar uma refeição. Indo para a cozinha. dona Marisa permaneceu em pé com postura orgulhosa e pens amentos malignos. mas. Preocupado. Sérgio? Nunca mais foi lá em casa!. Teve a sensação de segundos de alívio. Rita! Se não fizer como estou sugerindo. Tudo bem. cara?! Tudo bem? . Sérgio olhou-a surpreso como se sua memória tivesse apagado. Disfarçando o que experimentava. coloca ndo-as sobre a cama. esqueceu? Não! . comentou: Mas você não é a Débora! Não.falou a mulher de um modo arr ogante. . Fez várias tentativ as.. ao se aproximar. Voltando à sala.

Como assim?. dominado por um mal-estar que não o deix ava organizar as idéias nem os pensamentos com soluções.. Sempre que tento me reconciliar com minha mãe. A amiga de vocês traz roupas íntimas e deixa em seu quarto! E você.exigiu com frieza. Foi tão grave que resultou naquele acidente.. agress . mostrava-lhe tudo. Mas o pior não foi isso. perguntou rude: O que significa isso?! Ele sentiu o rosto queimar.sua volta. Queria colo.pediu Sérgio que mesmo atrapalhado.. repreendend o inclusive Tiago que não sabia o que acontecia. abrindo a porta ao comentar: Este é o meu quarto. É uma suíte. E olhando para Rita petrificada. Então marqu ei com o Tiago para trazê-los aqui hoje. aqui tem um banheiro. espere aí! Primeiro. preciso de você.. Sérgio! . Bem cedo eu estava mal. Atordoado e com os pensamentos desorganizados. pois estava na sala sentado ao la do de Rita. a sua reconciliação com seus pais. pois sei que o Tiago está enfrentando acusações e ofensas injus tas por sempre estar comigo. Sérgio estava incrédulo com o que acabava de acontecer.. entende? Daí.. colocando-a novamente na sacola.Pegando a peça de roupa da mão de sua mãe. tentou dizer: Eu e a Débora somos os melhores amigos da Rita e ela passa por uma situação difícil e . sem que Sérgio pudesse replicar...A mulher saiu do quarto reagindo gravemente. vejo essa cama de casal e você é solteiro. mas deve chegar daqui a pouco. Você. Neste fiz um escritório e. a mulher foi para perto da cama de casal e pe gou com as pontas de dois dedos uma das peças de roupa íntima que estava no chão.. ele sentou-se ao lado de Rita. Eu gostaria de desaparecer agora. Mãe. Lembra quando eu falei o quanto minha mãe era fria e injusta? Lembro. ... Planejei para a Débora vir a fim de melhora r o clima entre todos. ofendeu-os: É por causa dessas orgias que você vive socado aqu i?! Espere aí.. mas trocou olhar com o irmão e correu atrás de sua mãe a fim d levá-la embora.mostrou... Rita caiu numa crise de choro e curvou-se sobre uma almofada. mãe! .. Sentia-se estranho. Já entendi por que quis sair de casa. mas não pos so. . fui ao apartamento da Débora e nós brigamos. Mas hoje. fez com que a amiga se erguesse e o encarasse.. Contudo disse a verdade: Isso é da Rita.. Rita! Sabe. Ti ago não entendeu a situação.Ela foi parando de chorar e fico u mais atenta à medida que ele falava. Aconteceu o seguinte: fiquei sabendo que ela e meu pai reclamavam a minha falta e o fato de não conhecerem esta casa. Pode parar. avisando com voz bondosa: Preciso da sua ajuda. Depois iremos lá. Por favor. Estou longe de compreender o sentido de amizade quando vejo uma vadia sem-vergonha como você! Após as graves ofensas. com essa cara de assustado porque esqueceu que nós viríamos para cá hoje! Ainda be m que seu pai não veio! . Sonhou novamente? . mãe . Rita. Sua namorada não está. T ive uma noite difícil. É bem espaçosa. Tem uma lavanderia e um quintal. humilhando-a: E você! Não tente se apresen tar como amiga. Nada disso! Espere. dona Marisa gesticulou com desdém e pouco caso. a mãe saiu porta afora.. É.gritou Sérgio. Arrancando forças do fundo da alma.respondeu agressiva. Por essa razão. Vira ndo-se para Sérgio e exibindo repugnância ao mostrar-lhe..pediu ao ser seguido . Ao entrar para observar melhor. mais do que qualquer pessoa acompanhou tudo o que ela armou para a Débora.. aqui um dos quartos.Contou com a voz que imprimia cansaço: Esto u passando por um período de dúvidas com algumas decisões definitivas em minha vida. escuta-me .. Sem trégua. A senhora não sabe o que está acontecendo! Nem quero saber! . comentou num tom amargo: É uma boa casa! Venha conhecer melhor . pois qualquer explicação seria inútil. Foi exigente.perguntou mais interessada em ajudá-lo. a situação fica difícil. Aqui é a cozinha... Ela gritou comigo. V enha .. Eu acabei destruindo o seu dia.

Pronto. enquant conversamos... Não quero que chore por causa do que aconteceu aqui.. como se não bastasse minha mãe fazer isso. Nunca me importei em fazer determinados serviços domésticos nem de cozinhar.. 16 . em uma emergência. mas is so não me impede de me virar bem na cozinha. . Não foi sua culpa. enfrenta os desafios. isso para não admitir que não cozinha nada. Está calor e eu queria primeiro tomar um banho. por isso não me atende. procurando c nversar: Foi isso o que te contei. mas continua tentando até aprender. Sérgio? . ajude-me a supera r essa angústia. Se você não estivesse aqui. ela a charia outro motivo para brigar. Conheço a Dé e sei o quanto ela é esforçada.. pelo amor de Deus! Ele sorriu satisfeito por induzi-la com agilidade e. Mas.iva com as palavras. mas me cont rolei e.. Pelo fato de ela ver e acompanhar o que faço. preparamos um sanduíche natural. Ela sempre foi ponderada. ela falou em voz baixa... Esqueci completament e que o Tiago traria meus pais aqui. deixar-me magoado e encontrou. Como eu falei. é questão de necessidade e de ter ajuda.. acho que é questão de tempo.. gritar e reclamar. Sérgio demonstrou-se alegre. Tive vontade de gritar.. estendeu-lhe a mão e sorriu ao convidá-la: Venha! Estou morrendo de fome! .afirmou bondoso.. eu estou com remorso po r ter falado um monte de coisas para a Débora e. ofereceu meio sorris o e a chamou: Já é noite e não comemos nada até agora. Existem momentos em que a Débora fica atordoada.. Não é o que parece. oferecendo-lhe algumas t arefas. . Visivelmente con strangida e tentando esconder certo nervosismo. Sentado à sua frente.. Foi o que ela queria! Foi por minha causa . Quando sair do banho terá de me socorrer. já seria um bom começo .. A não ser quand o os irmãos a perturbavam muito. Estou me sentindo péssimo. Preciso que compreenda que a don a Marisa é orgulhosa. entonando na fala uma súplica e expressando no rosto uma exaustão triste.. tem iniciativa. Dê um tempo para ela. era raro. Pensando rápido e agindo de forma dissimulada. Espere um pouco. disse algumas coisas para el a e fui embora.. Não se sinta humilhada pelas acusações da minha mãe e. Vamos lá para a cozinha e. Mesmo assim. ambiciosa. é independente. Rita. Entendo que veio de uma família rica. conseguiu distraí-la. Veja. Sérgio.. Sérgio? Você é minha amiga .Levantando -se. Não!. Eu já esperava que minha mãe fosse procurar alg uma coisa para me criticar. forçando-se ao ânimo para convencê-la.. Aceitando a mão amiga. decidir-me.. apre ido.dis se. tudo be m se ela não sabe cozinhar. Como foi difícil. não passar apuros. Se pudesse me ouvir. Por favor. Não. Pegou -a pelos ombros como se brincasse e a conduziu ligeiramente para a cozinha enqua nto falava: Ah!. estarei desmaiado! Prime iro vamos comer alguma coisa.. Sérgio disfarçava suas preocupações. ela me disse que não cozinhava direito. Tem tanta coisa acontecendo comigo. Jamais gritou. Como posso ajudá-lo. não precisou apre nder. Acho que ela está magoada comigo. Por favor. Puxa! Hoje tem uma outra vida! Mora sozinha. E. Passei na sua casa e. Creio que o fat o de ficar sem emprego a afetou. Isso é muito estranho..falou sentida. Nada foi por acaso.perguntou esmorecida. sem ação.. des culpe-me por fazê-la passar por uma situação como essa. mas... Ela pode errar... quebrar alguma coisa. Rita .. olhando-a nos olhos. afagando-a no rosto.. Diante do silêncio. Rita ofereceu leve sorriso e se ergueu. mas. deveria aprender e prestar atenção para.. mas não se esforça para aprender o básico. A Dé não é assim.pediu. às vezes. Procurei manter a calma.. frustrada e.falou. Nunca vi a Débora reagir agressiva assim.Rita tentada pelo suicídio Ainda abatida e tomando somente pequenos goles de refrigerante. Rita deixou o sanduíche intacto. Está sendo difícil e u controlar minha vida. Em que eu poderia ajudá-lo... mas nítida : Eu te ajudo sim.. Sou homem.. Está calor e é bem saudável..

Essa influência é da Yara. Virando-se para a amiga. Mas isso não é errado.. Como assim.. eu acho. mas.. pois é necessário assumirmos responsabilidad es. Fica procurando motivos para reclamações.. A Dé gosta da irmã e acaba dando ouvi dos.. através do espelho. Mas teve uma tarde que notei a Yara no banheiro com a porta meio abert a e. covarde... com problemas. Acho que vou fazer como o Sérgio. Eu esqueci completamente que marcamos para você trazê-los hoje aqui. analisando os fatos. Discreto. Precisamos desse tipo de atividade.Estou sendo paciente ao máximo. Havia um pó esbranquiça do em seu nariz... a Ya ra começou a ir lá com muita freqüência. Era totalmente contra. Principalmente quando e la começa a se comportar agressiva. a Yara reagia.. . Cadê a Débora? . não damos notícias. Ele havia trocado algumas palavras com a jovem enquanto o irmão mostrava a casa para sua mãe. Porém não conversaram o suficiente. Por que o pai não veio? . levando recados de que ele queria vê-la.. mas pode se dar mal por causa da irmã.. O que a Yara falava que a deixou intrigada? Sair.. tirou-o das reflexões.. E lógico que não dev emos nos dedicar só a diversões e passeios. argu mentou: Rita.. A Débora não é boba. Deixei vários recados na caixa postal. aproveitar a vida. Creio que a irmã começou a influenciá A Yara era uma pessoa bacana. Eu não sei o que é. Ele ficou chateado e não veio. Nem sabia por que ela estava ali.... Não sei reconhecer.. mas. mas fiquei inquieta quando estava lá e. Rita? Não posso afirmar. Mas de vez em quando. De repente ela ficou alegre. discussões acaloradas e brigas. Parec e que ela não gosta de nos ver progredir.. Dizia que você queria uma emp regada.. Parec e que a Yara perde a noção de responsabilidade.quis saber Tiago. que é um lugar legal. Não entendo por que. brincando e sorrindo aliviado com a presença do irmão. O Marcílio e a Ana brigaram e a mãe queria que o pai fosse se meter. Sérgio. Rita. a té agora a Débora não retornou minhas ligações...... porém a Dé não percebeu. Tiago foi até o banheiro. como se pedisse a opinião da irmã. pa ra te falar a verdade.indagou o irmão. Ela não tem preocu o futuro nem responsabilidade e está tentando influenciar a Dé para esse tipo de com portamento.. Você sabe. Deixei vários recados. menos com alguém da nossa família. Isso pelo fato de já terem conversado antes sobre a história da Débora não saber cozinhar. mas mudou muito. na se . A idéia de diversão da Yara é outra. Algumas vezes.. Não sei.. Não tolero.. E ntretanto a inesperada chegada de Tiago. Não esquenta! Você sabe como ela é! Os olhos negros de Rita brilharam. Tiago sentiu que algo mais sério acontecia. A Débora é ingênua para essas coisas e sabe. Não é como você pensa. A mãe o chamou de irresponsável. Por exemplo. eufórica e queria que eu e a Dé fôssemos com ela a uma casa noturna. Parece que isso a deixa feliz.perguntou preocupado. quando a Dé comentou o fato de vir morar com você.. de comportamento adequado e... vou sair daquela casa. transmitindo certa amargura. Eu não queria dizer isso a você. Você viu alguma coisa? A Yara não fuma e nem faria isso no apartamento porque a Débora detesta cheiro de cigarro. mas.. acho que a vi cheirando alguma coisa. Não. lavou as mãos. Só fica satisfeita e chorando preocupa da quando nós estamos doentes. sentou-se à extremidade da mesa e foi se s ervindo. Ainda bem que nós já havíamos comentado o q uanto ela é indelicada e agressiva quando quer. exigente e nervosa. Rita percebeu o amigo apreensivo e decidiu omitir que Yara sempre falava de B reno para Débora.disse Sérgio. Sérgio mergulhou em profundos e torturantes pensamentos. Acreditamos que pode aco ntecer com todo o mundo. Tentei falar com ela a tarde toda. acredite... O pai não foi e então. Sabe. Acho que a Yara faz uso de drogas. mas. enquanto Sérgio perguntava: E a mãe? Ah. E a Débora sabe disso?! .. Bem. Oba! Tem lanche pra mim?! Não senhor! . divertir-se. mas tem algo errado.. Quando eu estava no apartamento da Dé. não gosta de paz.. estou envergonhado com a nossa mãe.

Mesmo na cozinha. forçou-se a comer um pedaço do sanduíche. Se demorar muito e não responder ao meu chamado. Tiago! . Não tem mas . O rapaz se levantou. Rita. assustado com o que ouvia. que escondia entre os longos cabelos. Sérgio ficou alerta todo o tempo. Depois de todos os detalhe s. pedindo baixinh o: Com licença. falou sem trégua. A situação é delicada. . Tiago sentiu-se mal.. Ficou louco?! .. Nós discutimos hoje cedo e acho que ela está magoada comigo. .exclamou Sérgio também apreensivo. contrariado e incrédulo.murmurou Tiago. E o fato de ela confessar que tentou suicídio. encarando-a firme: Apesar de saber e compreender m uito bem essa postura de pensamentos. Nem se f or só uma parte do lanche. ver melhoria na vida. Deve ser isso . por isso sou responsável por não tomar qualquer providênc ia ainda! Ou você me obedece. por favor.. Puxando uma cadeira para p erto do sofá onde Rita sentava. certo?! Ficarei aq ui! Pode ir! Com lágrimas correndo no rosto.indagou Sérgio. Sérgio. apes ar da fala mansa: Eu gostaria que a Débora estivesse aqui. mas somos amigos e o Tiago não é um estranho.Vendo-a obedecer. a jovem a baixou a cabeça e foi para o banheiro. . enxergar o fim de uma dor insuportável pela perda de pessoas queridas. Aonde você vai? . a jovem desatou a chorar.. Tiago. Rita levantou-se. considerando o imp acto sofrido. Entendo que esse estado de depressão extrema não a deixa ter esperança. franzindo a testa em sinal de desaprovação. aqui e agora. Após o ocorrido de hoje. eu. e mbora brando. vagarosamente. O que você está fazendo?! Por que isso?! Ao vê-la sair do banheiro com uma toalha nas mãos.. Fragilizada. Tiago os seguiu e perguntou nervoso com a situação: O que está acontecendo aqui?! Dê um tempo.. Fica na sua! Depois conversamos! . Sérgio p ediu: É melhor se sentar. andando de um lado para o outro. Você vai usar o banheiro do corredor e a porta deverá ficar aberta dez centíme tros. Preciso que me conte tudo. vou entrar lá..Voltando -se para a jovem. por isso começaram a falar sobre assuntos corriqueiros. Sérgio! O que é isso?! . Rita! Tenho inúmeras razões para crer nisso e uma perícia técnica em sua casa.. Acreditando que não seria notada. .. Estava perplexo. S . Rita. fui eu quem a tirou de sua casa. para eu saber que decisão tomar. Sérgio perguntou: Tudo bem? . Tiago. Sérgio explicou a Tiago exatamente tudo o que aconteceu na casa de Rita. Rita! Somos amigos e não vou correr o risco!.. Não é fácil mudar esse estado mental como um passe de mágica. ele pediu com bondade: É melhor comer.. petrificado. Pode acreditar! Se fechar a porta. o amigo pediu em tom brando: Desculpe-me por agir assim com você. ou farei o que deveria ter feito. Sérgio finalizou de forma mansa: Eu sei que a Rita está passando por um momento desesperador. observando-os. eu não acredito que tenha feito àquilo sozinha . terá de agir conforme vo dizer. . Mas já que não está. É sim. pediu com gentileza: Olhe para mim. Estou com medo e preocupado de que tente de novo. A moça abaixou a cabeça e. Isso é necessário? .Virando-se para a amiga. Preciso ir ao banheiro. Mas o irmão não lhe r espondeu de imediato.Virando-se pa ra a amiga.. suavemente.cretária. Ei. Você não sabe o que aconteceu. Inconformado. O tempo está passando e precisamos ter uma boa conversa.. ele foi até ela. tornou firme: Sou seu amigo.murmurou ela entre o choro. um exam e de corpo de delito comprovariam minhas suspeitas. Os irmãos se entreolharam e Tiago entendeu que não era um bom momento para qualqu er pergunta ou comentário. minha amiga. Nada de banho..Vendo o irmão inquieto e exaltado. de ixou-o perturbado.Breve pausa e tornou: Eu gostaria muito que a Déb ora estivesse aqui. lançou-lhe um olhar autoritário e praticamente ordenou.Percebendo que a amiga foi para a sala chorando e usava a toalha para secar o rosto.. vou arrombá-la e sabe que sou capaz disso! Ent endeu? Mas.protestou o irmão.. Perdoe-me Rita.

. o rapaz permaneceu imóvel e socorreu-se em uma prece. Era uma rede de laticínios. Não houve resposta.. Teve a intenção de fazerlhe um afago. de repen te. por que fo i ao mercado e comprou frutas. Apesar de policial em atividade..implorou a moça.. Não tenho mais nada. permanecendo em rigoroso silêncio. O Rogério dependia de mim!. Sentia-se esfriar como se fosse desma iar. Sérgio! Tanto faz morrer ou não!. Ficamos noivos duas semanas atrás. ainda é tempo de eu tomar uma providência a r espeito. Tiago se sobressaltou. Afastando-se do abraço de Tiago.. O choro a interrompeu e a fez esconder o rosto na toalha.. . mas ele não deu trégua e fazia perguntas após p erguntas: Seus cabelos são bem compridos e quando você os prende é com uma presilha ou o que vocês mulheres chamam de bico de pato . perguntou tranqüilo: E então. estou certo? .. O que aconteceu? Não tenho razão para viver. Tratava-se de uma amiga pela qual tinha respeito.Alguns minutos e a jovem relatou: Meu pai e o irmão dele abr iram uma sociedade há muito tempo. Mesmo sen tado. mas não guardou.. Por que não tentou se sui cidar na cozinha. Então decidiu se asfixiar com um saco plástico.. concatenando as idéias do irmão. Mesmo sendo seu ami go. Perdi meus pais em um acidente e stúpido. pegou a fita.chorou. a inquietude e a apreensão o dominava. abraçou-a num gesto amigo.. Pouco depois. eu tenho de tomar uma providência.. mesmo gostando muito de você. Sérgio permaneceu firme e calmo... e ele não sabia o que dizer. Sérgio falou em tom piedoso: Não posso ser cúmplice e responsável por algo tão evidente. Então pegou a mesma fita e enrolou os pulsos com os braços nas costas para não tentar rasgar o saco plástico no desespero da asfixia? . Enquanto Sérgio permanecia atento ao encará-la. Só quero entender. teve a idéia de se asfix iar e voltando até a cozinha pegou o saco plástico e a faca. Mais tranqüilo... Tudo ia bem.perguntou firme. ela se recompôs e falou ao erguer o co rpo novamente: Eu queria sumir. rapidamente. Tiago acomodou-se melhor para ouvi-la. falando pausadamente. Não tenho nada a perder. Rita. mas Sérgio sinalizou. Pre ciso de um tempo. morrer. dando-se ao trabalho de colocar a faca sobre a mesa? Como teve essa agili dade de contorcionista? Não! Chega! .. Ontem telefonei e soube que minha tia morreu. ela pediu: Espere. O Gust avo me deu muita força e. Pensei em me matar e. captou um brilho estranho nos olh os de Rita que se esforçava para dizer algo. mas ainda restava o meu irmão! .. Saberia esperar. consideração e afetividade.. relaxando o corpo e fechando os olh os. . Se tanto faz morrer ou não. Meu pa ... Não era uma estranha. decidiu se matar. Encostando a cabeça no sofá. e Sérgio continuou: Eu olhei tudo.. Somente um choro forte e compulsivo sufocado na toalha que ela apertava contra o rosto.. Aquele foi o momento. em vez de se fazer um rabo de cavalo e torcê-los para cima ou prender com a presilha? Por que o tapete da sala estava r emexido? Por que tem essas marcas no pescoço e nos braços? Por que o hematoma no ros to? Como você explica ter amarrado as mãos nas costas com a fita e tê-la cortado com a faca. Rita. Por que ligou o rádio? .. não vai se importar em ter alimentos em casa. só observando. Tiago não suportou...Ela chorava. impedindo-o e o irmão obedeceu. Não.Ela não res pondia... inclinando-se sobre os próprios joelhos. Tentando ajudá-la. Se queria morrer.a jovem implorou com um grito de lamento. Por que eles estavam soltos e como se estivessem empurrados para dentro do saco.e não me convencer. aquele era um conjunto de circunstâncias e condições bem diferentes por se envo lver emocionalmente.. Planejo u se matar daquele jeito? Mas.. Você chegou. Ao lado dela. Ligou o rádio bem alto.. por que optou em tentar? . Depois.perguntou Sérgio. sem oferecer crédit o. acostumado com as situações mais difíceis e infe lizes. Rita? Por que foi até a sala? Não sei!. desembrulhou as compras. O rosto belo e agradável de Tiago parecia terrivelmente transtornado. Eu pensei que poderia ter novamente uma família. Não tenho ninguém. O silêncio e a demor a pareciam eternos. ovos e outras coisas para sua provisão? Quem planej a se matar. mas. prendendo-o com uma fita adesiva larga daquelas que se cola ou prende caixas de papelão? Depois cortou a fita que e nrolou no pescoço com uma faca que encontrei sobre a mesa.. e conforme os fatos.... Não conseguiram me avisar por eu estar no apartamento da Dé e. Sem diz er nada.

.. Falava de um jeito dominador. me jogou contra a parede. Meus pais morreram no acidente.. O advogado moveu uma ação contra meu tio e foi fácil provar as suas falcatruas. Mas?... po is era maior e receberíamos mais. Mas. E depois?. Gan hamos à causa. N as vezes que nos encontrávamos.. frio! Suas palavras pareciam me dominar.. começou a beijar meu pescoço.tornou Sérgio em voz baixa. continuou: Não foi fáci l eu me inteirar dos assuntos de negócios...indagou Sérgio.. Logo respirava fundo. A amiga chorou... recostou-se no ombro de Tiago e contou: Não vou negar que quero morrer! Minha vida não tem mais razão.perguntou Sérgio. receber o dinheiro e saber que eu não tinha mais ninguém para me amar .. aquela angústia.. Não sei como encontrei aquela fita e dei para ele. aquela que moro.. Rita? .. Depois que amarrou minhas mãos nas costas. afagando-a ao imagi nar seu desespero.. .. Pouco depois. murmurou. Ele me bateu. Parece que me u pai.. tornando-se sócio majoritár io.questionou Sérgio. teríamos de esperar anos até um novo julgamento. O dinheiro das cas as vendidas sumiu.murmurou desalentada e sem chorar.. Nós brigamos. Ele ligou o rádio bem alto. Me beijou a força.... Não sei direito. Então.Apesar do choro.Chorou. Meu irmão não suportava nosso tio.. que não entendia nada. Convenci o Rogério p ara nos mudarmos para uma que era menor.. como se quisesse recuperar as forças. mas ajudav a. Eu enlouquecia a cada minuto! Então ped i que me matasse de uma vez! .... se eu quisesse. M as.. e prosseguia: O Rogério se revoltava às vezes. Aqueles de quem gostei estavam embaixo da terra. insensível e de sumano com as palavras. . Minha sorte foi ter um emprego. Procurando esconder o rosto no peito do amigo.perguntou sério e bem direto para ajudá-la. . sempre secando as lágrimas que rolavam.... Essa era a opinião do Rogério.i confiava demais no meu tio e. Ele foi cruel. prosseguiu demonstrando repulsa: Mandei que fosse embora. Sua respiração ficou alterada e seu coração acelerado. pois meu pai o depositou na conta da empresa de laticínios.. O quê? . Assim.... .. Decidiu vendê-las e injetar dinheiro nos negócios. .. .. convencido por minha mãe. Não agüentei tanta coisa!. Com o a justiça é lenta..... Era uma fo rça. a dor da solidão e as lembranças acabaram comigo.. Com o que. Rita fazia uma pausa vez ou outra.. Não me recordo bem.. mas.contava com a voz entrecortada pela dor.. Disse que não tinha dinheiro.. Foi severo e me atormentou quando disse que não adiantaria eu ganhar a ação. ele não devolveu o que nos pertencia por direito.. Uma vontade imensa de morrer.. Restavam ainda os aluguéis de três casas que não foram vendidas. F iquei atordoada.. Principalmente?. porque não parava de falar.... Isso foi me dominando conforme ele falava e f alava!. Não parava de dizer coisas que me deixavam desesperada ! Eu gritei! Briguei!. mas os negócios foram caindo e os prejuízos apareceram. Eu não . mas meu tio teve direito de apelar para instâncias superiores. Insinuando-se com olhares e mo dos.tornou ele... Mas minha mãe começou a desconfiar do meu tio. hoje. com minha vida. cheguei do merca do e me surpreendi com meu tio entrando na cozinha.. Seu irmão não gostava de ver o tio de vocês olhando-a como se a desejasse sexualmen te? ..Alguns segundos e continuou: Ele propôs me ajudar. queria comprar a parte do meu tio na sociedade e se livrar dele..... a jovem revelo u: Era muita dor! Fiquei fora de mim e. É. Ele dizia que nosso tio me olhava com audácia. Alugamos a outra. Estranhos.. o Rogério cismava. o que esse passado tem a ver com o que aconteceu hoje? ..tornou o amigo. E a sua? Acho que aquele crápula nojento só queria nos provocar! Rita. Meu pai tinha mais de cinco casas muito boas e devidamente alugadas.. . O contador cuidava dessa separação. Eu queria acabar com aquele vazio. Quando voltei para casa.. Principalmente.. . sendo comidos pelos vermes. . Aconteceu algo muito estranho com meus sentimentos. Não ganhava muito. Eu o emp urrei com o ombro e ia correr quando ele me segurou..Ela chorou e Tiago recostou a testa em sua cabeça. Con tratei um advogado com o dinheiro que meu pai deixou em depósito numa aplicação para e u fazer a faculdade..

esse caso é grave! Seu tio se aproveitou de s ua dor.. falando bem firme . de seus sentimentos de angústia... Não lembro. É o seguinte...chorou. Caí e fiquei tonta porque minha cabeça pareceu arrebentar no chão. mas na verdade ele tentou matá-la! Quando cheguei e a ressuscite i. Por um instante. Após longos minutos. e u acho. encarou o irmão parecendo indignado e irritado ao perguntar sem que a jovem ouvisse: Ela está em choque! E agora? Era isso o que queria? Fique calmo você também . seu tio abusou sexualmente de você?! . o que aconteceu? Não sei. Chega! Por favor. E le espiou e acho que o viu e. que é bem compri da e.. Suas mãos pequenas e geladas tremiam e ele a ajudou levar o copo aos lábios pálidos.. pode ter alguma resposta através do seu corpo ou nas suas roupas. iremos à delegac . sei lá. e o amigo ajudou-a a se sentar. Tentei agredi-lo e correr..perguntou sem piedade.. agarrando-se a Tiago. enojando-se com a sordidez de criaturas mentalmente enfermas. . Ela vai melhorar. Isso pôde aco ntecer. Tiago! . a jovem ganhou cor na face e nos lábios. Apesar de completamente calado. espiritualmen te atormentadas e obscenas. você estava vestida com essa mesma saia modelo. Rita não sabia o que fazer. abandonando-se sem reação... Rita entregou-se ao esmoreciment o.. e segurando-a. sufocava e perd ia as forças sem conseguir me soltar.. Rita . Sérgio foi rápido e a segurou pelos braços.tornou.. perguntou: Depois de bater com a cabeça no chão. Estamos diante de um crime.murmurou após minutos. pelo fato de você não saber o que aconteceu ..pediu Sérgio em tom brando. ele a mantinha em seus braços. sentindose espiritualmente escravizada por uma sombra desconhecida. pediu p ara pegar o copo e beber a água. Indiano.. exibem que chegou a um estresse extremo e seu corp o reagiu reduzindo incrivelmente sua sensibilidade. . lembro de você entrando. no rosto. Sentando-se direito . tirando-a das mãos do ir mão. Levantando-se. Eu estava sem ar... Tiago levantou-se e interferiu.. suspirou fundo e. Se formos omissos. Rita. Para que se sinta menos constrangida. mas se podia perce bê-lo contraído e sisudo enquanto mantinha os olhos cerrados. Tiago acomodou-se a seu lado sem dizer nada e Sérgio p areceu impiedoso ao continuar: Vejo que está melhor. Não! Sérgio! Pare com isso! . Quase imóvel e silencioso. ..intimou Tiago. que a dominou. Seu belo rosto estav a desfigurado como se perdesse os nobres traços de antes. Rita bebeu alguns goles e em seguida recostou a ca beça no sofá. não a suportando ver em desespero. como se quisesse se refugia r dentro dele.. será cov ardia e cumplicidade! Isso não vai ficar assim e eu vou tomar as providências! Ele foi interrompido por um grito desesperador de Rita que se levantou com a intenção de sair correndo. mas ele me bateu forte no rosto. vendo-a abrir os olhos. Mais nada.. Ach o que só acordei no quarto. chamou-a para que reagisse. Rita. mesmo quando desmaiou. usou sua fragilidade momentânea e a induziu à prática do suicídio. mas não conseguia. Depois. Rita não percebeu a força que usava para abraçar Tiago. Características típicas de esferas bem inferiores. seus movimentos e atividades psíquicas.. nós iremos à delegacia agora. Sérgio pensou que ela fosse desmaiar. Mesmo tendo desmaiado e não se recordando. A in diferença ou inércia. tentando lh e oferecer algum conforto.. mesmo sent indo o coração disparar.falou nervoso. Desligando a música. largou o corpo e fechou os olhos. Ele só me olhava e ria. Com fala mansa e cuidado sa. tentou envolvê-la para acalmá-la. Ela tentava se livr ar dele. Na breve pausa... neste caso. Essa falta de ação mostra que ela não tem uma consciência exata do que se passa ao seu redor. Não! Você apresenta marcas de agressão nos braços. Você me chamou. remoia seus pensa-men tos. mas.. Tiago chegou trazendo um copo com água adoçada e. Com entonação normal na voz... parecendo exausto. queria u sar somente a razão e não a emoção. Sérgio!. Saiu pela porta da cozinha e trancou por fora. Sérgio esfregou o rosto com as mãos.conseguia soltar minhas mãos. Parecia entorpecida. Ele p ermanecia com um lado de seu rosto encostado na cabeça de Rita. concentrou-se para não se envolver sentimentalmente.

Sérgio. .implorou. Com suave sorriso. Sérgio! .. Só vou pedir ma coisa . protestou em tom moderado: Não acredito no que você fez..expressou-se com doce compreensão no olhar e no tom de voz . Ajoelhou-se ao seu lado e a abraçou com carinho fraterno. continuam livres! Estou assustado com você. queria morrer.ela falou com a voz sufocada.. afastando-a do abraço. O que é mais importante para você: prender o vagabundo em flagrante ou o bem-esta r psicológico da nossa amiga? . mas vejo que não está muito bem e pode se sentir mal. minha querida.. Eu queria morrer e ele ia me ajudar!. O que te deu? Fiquei revoltado com o cara.. Mas ele me bateu. ... vendo-a chorar.. Além disso.. Não! O que ele fez foi tentativa de homicídio! Isso é crime! Entendeu?! . Foi aí que reagiu?! . abraçada aos próprios joelhos.o irmão se impôs com olhar furioso. Ao ficar soz inho com o irmão...O irmão ficou pensativo e Tiago comentou: Você foi mui to duro com ela.tornou ele em tom bondoso. mas não tranque. Não há do que se envergonhar. Pare e pense.interrompeu-o de imediato... impiedoso. Não! .. Virando-se para ela... acariciá-la.. exames e tudo mais é vio lentar a vontade dela! É constrangimento ilegal! Já não basta a Rita querer morrer?! O que acha que ela está pensando?! Mas esse infeliz precisava ser preso em flagrante! ..... Tiago aconsel hou: Então vá para o quarto do Sérgio. Depois contou com um brilho lacrimoso no olhar: Logo vi que seria impossível ela se amarrar daquele jeito e sozinha! Peguei . Sérgio! . lágrimas rolaram em sua face enquanto acenou positivamente com a cabeça.tornou ela chorando. E deixá-lo sem uma punição? . Sérgio não conseguiu manter a firmeza que apresentava. . Não. Está sozinha no mundo! Forçá-la a prestar queixa. Você foi vítima..vociferou Tiago.disse Sérgio em tom piedoso. chorando por longos mi nutos um pranto doloroso e triste. Pressionou-a tanto! Inquiriu de modo rígido.. Estou com nojo de mim. Foi.tornou Sérgio nervoso com a situação. Sérgio. Há.. Você não pode obrigá-la a denunciar um cr de estupro. Se você visse como eu a encontrei!. chega! .interrompeu Tiago firme. Fiquei tonta.. Não quero falar disso! Não quero lembrar isso... Tiago! O que aquele desgraçado fez foi um crime! Sérgio. Deixe-a fazer como quer! Você não entende que. Qualquer coisa. Se é meu amigo como diz. A vítima precisa dar queixa por vontade própria! Não é um crime de ação públic As vítimas têm vergonha e é por isso que. ta? Ta. Ela passou por muita pressão.Sérgio se de teve por um sentimento de indignação e ódio. .. ajudou-a a levantar e perguntou com brandura e delicadeza: Você está cansada. Por favor. . trocar de roupa e relaxar um pouco? .. depois murmurou: Não tenho nada.. desmaiar.insistiu Sérgio.decidiu firme ao encará-lo. chorando em desespero.. sim! Vão pensar ou o advogado dele vai falar: se ela queria morrer qual o pro blema de ele a usar? Rita.. Não tenho ninguém.reclamou Sérgio.confessou... Confio em você.... Rita aceitou o ombro amigo. mas não vou passar pela humilhação de contar essa história novamente. feche a por ta do quarto e do banheiro. Acho que o vi.. Quer tomar um b anho. não vai me forçara nada.. pode tê-la violentado! Não! Estou falando como seu amigo! Eu a considero como uma irmã! Você não sabe dizer o q ue aconteceu! Ou não quer admitir?! Não.ia da mulher e. .murmurou indo para a suíte. desgraçados como ele.Imediatamente. pegue suas roupas e fique à vontade. Sérgio andou de um lado para outro da sala. Não vou! Não quero ir! Eu queria me matar. não! . Nem por exames!. Não quero falar mais nada. Não importa... Rita. chama. Contrariado e nervoso. passar por interrogatório.. Mas não pensou que ele fosse beijá-la. pára! .. .. Precisamos tomar um a providência. Chega..

Está tudo bem? . Acomodando-se.. Você dorme por aqui? Claro. Desculpe-me por ter sido tão cruel com você. Você ficou violento com as palavras. Eu não o reconheci! Toma c uidado! O outro ficou pensativo por alguns minutos.-a no colo e a levei para o quarto para acomodá-la na cama e. O calor estava forte. mas não é por isso que vou agredir. No entanto..... imaginando o motivo de ela não telefonar ou ir até lá depois de tantos recados que ele deixou na caixa postal do celular e na se cretária eletrônica do apartamento. Algo típico de violência e luta. Apesar de longa... Aguçando os ouvidos. Beijando-lhe a testa. Sentou-se e deu-lhe um abraço apertado e demorado. Eu sei. Rita .disse Tiago com tranqüilidade. Acendendo a luz. Boa noite! Boa noite . Não quer que eu fique no sofá? .. Não. Agora durma. magoar e maltratar mais ainda a minha amiga. Tiago prontificou-se em arrumar a cama no quarto de Sérgio. os irmãos conversaram um pouco até Tiago sentir-se dominado pelo s ono e ir para o outro quarto. Mas fiquei.tornou Tiago... Em vez de nos desesperarmos e desistirmos devemos cavar uma saída. obrigada.. estarei aqui na sala. Quero matar o desgraçado. Não deixe o Sérgio fazer qualquer denúncia . Ficou refletindo sobre seu irmão reclamar da sua agressividade com a amiga e preocupou-se com isso. murmurando. por ser alguém que considero. Estou preocupado com ela e sem sono. gentil e algo arrependido. por isso não vai ficar soz inha. enquanto Sérgio tomou um banho e deitou-se no sofá.disse Sérgio em tom brando. Não vou deixar. Qualquer coisa. fazendo com que a amiga se deitasse. despertou-a de um sonho ruim... Não... teve certeza de que era Rita em seu quarto e correu até lá.respondeu. mas nós estaremos com você. Que bom! Sabe. e la falou baixinho: Quero pedir desculpas a vocês dois. Não conseguia parar de pensar em Débora. Não tem motivos para pedir desculpas. Tirando a camiseta úmida de suor. Tiago a cobriu com leve lençol e perguntou: Está calor. Vendo Rita à porta a conversa foi interrompida.. Sua vida não será como antes. pois foi um golpe duro. Parecia que tudo o irrita va.murmurou triste. A jovem quase gritou ao respirar fundo acordando rápido e sentando-se bem ligei ra. Aman hã conversamos. o rapaz a jogou no sofá e foi até a cozinha beber água.. Rita. muitas vezes nós nos vemos em um túnel escuro e sem recurso. escutou um choro. a saia que usava subiu e não pude deixar de notar marcas fortes na região interna das pernas. comentando baixinho: Acreditei que nada iria mais me derrubar nesta vida. Sempre te admirei por ser uma pessoa firme. Sem problemas! Então ela dorme no meu quarto e eu fico aqui no sofá. Ainda na sala. Segundos depois. 17 . Ela se emocionou.Débora flagra Sérgio dormindo com Rita Por horas Sérgio ficou completamente insone e ligou várias vezes para a namorada. Está mais calma? Acho que consigo pensar melhor. Tudo é recente e você vai s uperar. Não admito violência contra uma mul er e. Puxa! Nunca pensei que fosse tão difícil. Quero matar aquele desgraçado! Eu também quero . Quero que sa iba de uma coisa: você tem amigos que a querem muito bem. Talvez a Débora me ligue e. mas logo perguntou: Não posso levar a Rita embora e deixá-la sozinha. Rita.. ofereceu brando sorriso antes de apagar a luz e saiu do quarto. por isso decidiu abrir a janela da sala para que a br isa da noite refrescasse o ambiente. Ao seu lado.. É só me chamar. Sérgio falou generoso: Calma. . Quer que ligue o ventilador? Não. Sérgio...

ele se aproximou da namorada. cuidadoso. Vou fazer uma surpresa! . Rita ainda exibia medo. Sent ou-se ao seu lado e percebeu que Rita não queria se recostar.pediu com bondade. e u. ela o encarou com forte .A princípio. rapidamente afastou-se dela. Coitado! Deve ter se cansado de me esperar . Alguns segun dos e a jovem abraçou-o com força chorando muito.tent ou terminar a frase.. incrivelmente amedrontada. Sérgio tentou explicar: Débora. foi interrompido. Horas haviam passado quando. Vou pegar alguns travesseiros aqui no armário para que fique quase sent ada . Sérgio pensou em ajeitá-la e se levantar. sobre as dificuldades enfrentadas desde quando perdeu os pais. Olhando para o lado viu Rita dormindo. reclamar e desabafar como se precisasse contar sobre sua vida. ele... lentamente. Tirando o braço da amiga que o envolvia. Além de vingar-se dele por não ter sido comparsa das maldades praticadas por alguns daq uele grupo no passado. enquanto colocava as sandálias.dizia Sérgio com generosidade. Tire suas mãos de mim! . O rapaz ajeitou os travesseiros para que ela se sentisse mais confortável. impressionantemente voltados para o mal. A amiga teve outra crise de choro e se abraçou a ele. Entrando na sala . secando as lágrimas no lençol. dando-lhe as costas e indo para a sala. Ela tirou as sandálias deixando-as na sala para não fazer ruídos e foi para a suíte. Tive um pesadelo horrível! Espere. Débora sorriu ao ver a janela aberta e a suave luz que vinha do quarto do namora do. A postura estava incômoda para sua coluna e Sérgio se ajeitou. mas reagiu furiosa e deu-lhe forte tapa no rosto. e sussurrou em desespero: Débora! Não julgue! Pelo amor de Deus! Você não sabe o que aconteceu! Vamos. Olhe para você! Sem ca misa. Estou com medo! Não quero dormir! . Eu confiava em vocês dois como nunca confiei em alguém! Ao vê-la abrir a porta para sair. O objetivo era atrapalhar o máximo possível à vida de Sérgio a fim de que ele não cumprisse sua proposta reencarnatória. O verdadeiro propósito era desequilibrá-lo e a primeira coisa a fazer era deixar o rapaz sem estrutura emocional. Você está segura aqui. Eu fico aqui. mas acabou adormecendo sobre o ombro do amigo.. . que estava paralisada à porta em verdadeiro choque pelo as sombro. vagarosamente. Ah! Não?! . sobrepondo o braço n os ombros da amiga que recostou o rosto em seu peito. O que quer que eu pense?! Ela é minha amiga. me ouça! Débora estava em pranto. Sérgio acordou e reconheceu a namorada perplexa fitando-o de for ma incrédula. Algum tempo depois. Parando à porta. Correndo atrás dela. Sem se conter. Depo is de vê-lo pôr a mão na face.suplicou humilhantemente. No entanto energias pesadas arrebataram o rapaz num sono irre sistível e ele adormeceu ali mesmo. a porta da sala foi aberta com delic ado cuidado para não fazer barulho e fechada com a mesma cautela. atuavam com incrível fervor. Encoste-se aqui . Sabia entender o valor e a importância daquele desabafo. Rita entrou em pânico.. ao virar para olhá-la novamente. Levantando-se às pressas. Na espiritualidade Sebastião e sua equipe de companheiros. moveu-se para acender um abajur na cômoda ao lado e apa gou a luz forte do quarto no interruptor perto da cabeceira da cama. colocando ambas as mãos para tampar a própria boca a fim de segurar um grito e o choro. Não me deixe sozinha! Não apague a luz! Tudo bem. Débora respirou fundo.exigiu. não é nada disso que está pensando! . mas sem machucála e pediu em tom de desespero: Por favor. ela c omeçou falar. pensava. ela olhou para os lados como se não recordasse de tudo.. Imediatamente. mas ao tocá-la.gritou chorando. mas decidiu demorar um pouco temendo que ela acordasse.. deitado na cama abraçando-a!. Vem. Débora ficou petrificada ao ver Rita deitada naquela cama e sobr e o ombro de Sérgio. Fique tranqüila. Sérgio a segurou firme pelo braço. Abraçava-o pela cintura. Está tudo bem. enquanto ele inclinava a cabeça sobre a moça ao envolvê-la com o braço. Olhand o-a.disse chorando. Não foi fácil o amigo conseguir acalmá-la.. Aos poucos Rita se acalmou e com a intenção de vê-la ador mecer.

pegou suas roupas e saiu do recinto sem atender aos chamados de Tiago que confortava Rita. Meu Deus. mas ficou à distância sem ser visto para não se envolver. eram indiscutíveis. algozes do passado e outros que não queriam ver realizadas as tarefas às quais ele se propôs e ajudariam a muitos . Ao olharem. fazendo-o tomar uma postura incomum à sua personalidade ao produzir extremo sofrimento moral à amig a. Ela não acreditaria e m sua palavra ou em qualquer explicação. ela saiu e foi embora sem olhar para trás.. Não sabia o que fazer. Repentinamente um assomo de idéias e de lembranças terríveis invadiu seus pensament os. Depois os mesmos espíritos inspiraram Sérg io a revoltar-se com os fatos e as condições que ocorreram com Rita. Lentamente foi se acalmando e. Em seguida. Assim não foi difícil o espírito Sebastião atormentar a moça. ele só viu aquela cena e não sabia o que estava acontecendo. Sentado na sala. murmurou perplexo: Tentei explicar. medo e estado atônito. Atraído pela conversação. principalmente pelo seu amor por Débora. sob o e feito de horrível pesadelo. Sérgio não percebia ou admitia que os estranhos acontecimentos eram facilitados e os sentimentos de angústia impostos por espíritos maus. Sérgio não disse nada e saiu. gritou e chorou agindo de forma quase insana. No quarto. Naquele dia tudo se repetiu. . esvaído de força e ânimo. induzindo-a a decisão de ir até a casa de Sérgio e ver o namorado deitado ao lado de sua melhor amiga. Sérgio i ria se desequilibrar. momento em que esses companheiros espirituais envolver am dona Marisa para reagir abruptamente no quarto do filho e ofender a jovem Rit a já bem abalada com suas particularidades. obrigando-a contar à verdade que nem lembrava pelo choque. pois as condições e o conjunto de acontecimento s.mágoa intimando-o ao exigir entre os dentes cerrados: Tire suas mãos imundas de mim e nunca mais me procure! . excessivamente abalada. * * * . dominá-los pelo sono e p elo efeito de energias pesadas. Trocando-se rápido. ela o abraçou forte e chorou muito. fazendo os pensamentos do rapaz se ocuparem com outras coi sas a fim de ele não olhar para trás após o barulho sutil da sacola tombando. contou tudo pausadamente. só vir am rapidamente Rita se virar e correr. Sérgio permanecia paralisado fazendo uma retrospectiva do pass ado em que a ex-namorada Sueli o encontrou em situação quase semelhante.. Tiago chegou à sala no momento em que Débora estapeou o namor ado. atraindo Sérgio.. afinal. a jovem teve uma forte crise de nervos e. Tanto ódio. vagarosamente. D epois. parecendo em choque. Enquanto tudo acontecia.. Por se encontrar em uma situação em que o passado parecia bater-lhe à porta. percebendo o irmão desolado e incrédulo aproximou-se e indagou ligeiro: O que aconteceu?! O outro.. diante das circunstâncias. quando esta dormia. Com a ajuda do espírito Sebastião. foi até o quarto. Os irmãos estavam sentados no sofá e um vulto chamou-lhes a atenção. que deixou seu coração piedoso envolver a a miga tão carente e. o espírito Lúcia se comprazia imensamente com os últimos a contecimentos. Sérgio ficou atordoado. que a namorada presenciou.dizendo isso. não foi difícil inspirá-lo a m ostrar a casa para sua mãe. Rita! Rita! . Por que o destino lhe estava sendo tão cru el? Ele amava Débora com toda a força de sua alma. Aproximando-se. Tiago tentou segurála e ao envolvê-la com cuidado foi vítima de vários murros e tapas que Rita desfechava em seu peito. mas ela não quis me ouvir. Parecia sentir tanto nojo de mim. mesmo com o coração opresso que palpit ava amargosa dor..gritou Tiago correndo atrás da amiga. ela fez com que Sérgio se distraísse a o colocar as sacolas com as roupas de Rita sobre a cama sem os cuidados necessário s para que não virasse. Perceben do Sérgio confuso e inquieto com os últimos acontecimentos. mas com sua própria irmã. Tomado de súbita revolta. Mas o auge do sucesso das más influências e inspirações desses espíritos tão inferioriza os foi o envolvimento de Débora.murmurou Sérgio sem acreditar no que acontecia.

meu filho. pegou em seu braço e comentou com brandura: Venha. Agradeci tanto a Deus por tê-lo encontrado e deixado que seus primeiros passos dentro do Espiritismo fossem sob a luz do pou co entendimento que tenho. você é uma criatura tão boa.riu a senhora. Sabe. dona Antônia o abordou com delicada generosidade: Já reparou que eu gosto muito de chamá-lo de filho? Sim.. mas. por isso fico muito feliz quando vem aqui em casa.afirmou. . sentindo o coração oprimido. quase marejados. A mulher se aproximou. Dona Antônia.. Por que a senhora não é a minha mãe? Você é meu filho de coração. Sérgio sentiu-se desesperado e foi até a casa do amigo João. Como assim? Perdoe-me. ele sentiu amarg o gosto de decepção ao saber que o amigo não estava. Apreensivo diante da colocação. que te deu a vida.Após não encontrar Débora em seu apartamento nem conseguir falar com ela através de l igações para o celular.Pequena pausa para ele refletir e continuou: Sérgio. seus trabalhos dete rminados no auxílio. pouco entendimento.. o rapaz se deixou conduzir como se algo envolvesse seus sentimentos e nublasse seus pensamentos conflitantes. a impaciência. . Já reparei . Porque não podemos colher uvas de espinheiros . Vós sois a Luz do mundo! . tão elevada espiritualmente. com toda a certeza. Obrigado. Acredito que converso mai s com a senhora do que com a minha mãe. É que. dona Antônia . Você está sem rumo. Não demorou e lá estava ele sentado à mesa tomando uma xícara de chá com dona Antônia... dona Antônia preocupou-se e avisou: Posso não saber detalhes do que está te fazendo sofrer. Entendo. Sérgio comentou vacilante: A senhora conhece muitas coisas sobre a minha vida. Emanando indescritível tranqüilidade. Ah!. bom e justo deixou-me adotá-lo como filh o do coração. Tantas coisas aconteceram repentinamente. dona Antônia. mas nunca deixe de amar a mãe que te trouxe ao mundo . Antecipando a retomada do assunto. mãe de João. Eu já esperava por isso. P me adotar como sua mãe do coração. Sérgio.. Desculpe-me se não consigo ficar tão. em dete rminado tempo. tribulações aconteceriam e o inevi tável sofrimento tentaria desgostá-lo de tudo. mas de prática cristã..riu com gosto. Está com a mente longe. Sei que iss o está sendo insuportável. a mulher observou sem alarido: Você está abatido.. a aflição pelo fu turo indeterminado sejam as ferramentas de uma espécie de ataque espiritual invest ido contra você com a finalidade de atrapalhar os seus feitos. meu filho . q e oferecia: Aceita mais um pedaço de bolo? Não. Sérgio. Não entendi. E sei também que não é por acaso que está aqu agora. o desassossego queimaria sua alma. entre. mas pareceu desorientado e seus olhos estavam brilhantes.. filho. Sentia vontade de chorar. Recebido pela agradável dona Antônia.. mas se continha.o rapaz sentiu um trav o na voz e lágrimas quentes brotando em seus olhos. Eu o adotei bem crescidinho! ..tentou dizer. mas eu sinto. Sérgio. .Percebendo que o rapaz não compreendia. Sem entender o que acontecia consigo. . que eu gostaria que f osse meu filho legítimo.. Vem. Para não chorar fez-se firme e s uspirou fundo levantando a face para o teto e circunvagando o olhar para se dist rair. Acho que precisamos conversar.. Sérgio ficou p aralisado e novamente a senhora o chamou: Entre! Ele não vai demorar. porque toda árvore boa dá bon rutos .. mas não sou tão bom e e evado como à senhora imagina.. Aind a estou sob o impacto de um choque.Deu leve sorriso e confessou: Já me pergun tei: por que a minha mãe não é como à senhora? Ou. Talvez a incerteza. É sim! Desde quando o João te trouxe aqui nesta casa. eu sabia que. dona Antônia.falou desanimado. meu filho. mas. Em seguida falou bem séria: Você é e uz. Obrigado. . Sinto-me lisonjeado pela consideração.. Mas como Deus é sábio.. Obrigado. filho.exclamou sorrindo. . Ora! Entre. Atento c omo de costume. Não sei se posso afirmar que sofro algum tipo de influência dos espíritos maus ou s . pois não sabia o que fazer.. a senhora não sabe o que estou passando. eu soube o quanto você era bom. sorrindo com brandura.pediu a dona da casa com agradável prazer.

e somente se . mas sei que você. a questão 192. com a mudança de pensamento e comportamento você provará ao es pírito obsessor que quer perturbá-lo que não será mais possível enganar e abalar você. Com erteza. O João comentou isso com a senhora? Não. Mas agindo pacificamente. Não! Os e spíritos têm a invisibilidade a seu favor e agem nos pensamentos dos encarnados quan do encontram um terreno fértil. mudarmos e nos reformarmos intimamente. Como se procurasse refúgio naquele coração materno atento a o que o castigava. Pessoas que são importantes.Os dois sorriram e el continuou: Então ao adquirir conhecimento através de cursos e estudos sérios e sob a Luz da Doutrina Espírita. você mantiver o caráter. ele contou-lhe tudo o que aconteceu nos últimos tempos. Sérgio experimentou-se esv aído de forças e alternativas. perder a paciência. algum hábito ruim.. Você acredita? Lógico! Acho que sei como é. Adquirir conhecimento através da Doutrina Espírita é fácil. as energias e ele sairá da sua v ida ou será retirado por entidades mais elevadas para ser encaminhado a lugar propíc io.em instrução. nos últimos tempos. Não. mas as principais variedades são: a obsessão simple s. é porque a pessoa já passou pelos outro s estágios de obsessão e o seu orgulho é o principal instrumento do espírito obsessor qu e pode arrastá-la à obsessão por subjugação. mas é bom lembrar que o espírito é a alma da criatura humana na espiritualida de.Olhando-a nos olhos. esmurrou mesa. Quem. Temos tantas deficiên ias que não é fácil admiti-las. Por isso não pense que. Difícil é mudar verdadeira te o comportamento. Daí vem o seu medo de sair da polícia e perde oportunidades de trabalho. vivi experiências espirituais quando morava na casa dos meus pai s. e depois o preveniu : Você passa por uma obsessão. Você é médium. você fará esse espírito se cansar. dona Antônia. Esse sofrimento. todos somos em maior ou menor grau. É bom que você admita seus erros. Veja.. po rém para o paciente a situação era um bicho de sete cabeças. não é? . além disso . Depois que me mudei. Alguns com tarefas ost ensivas outros não. magoá-lo e angustiá-l o. O espírito obsessor é o único que consegue t a nossa máscara. essa angústia ue vive agora é por coisas que aconteceram para você. Não é só isso! Não é tão simples assim! . Como comentei. Depois desfechou: Então. Disseram isso agora nos meus pensamentos. tem gente que não admite ter o defeito de sempre acr . eu reagi de maneira muito e stranha do meu modo de ser. Sim. como psicólogo. Não sei o que fazer.A senhora riu ao comentar: Vejo que l ivros que te dei! Agora fica mais fácil conversarmos. Sei que já estu ou isso. diz: Aquele que se julga perfeito está longe da perfeição . gritou. Mas isso se aprende com o tempo. segurou a Débora como se a agredisse. algum a falta de caridade? Quem?! . pois já superou sua prova. Isso acontece com médiuns que nem sabem que sã iuns. filho! Existem vários tipos de obsessão. quando alguém morre. a obsessão pelo estado de fascinação e a obsessão de subjugação. A influência e a inspiração salutar de seu anjo da guard a ou mentor podem afastar esses espíritos ignorantes e inferiores se. Tem que rez ar. mas sim com aqueles que es tão à minha volta. Sérgio. . Não pode negar isso. É o que eu sinto. A mulher ficou pensativa e silenciosa por longos minutos. Aliás.Alguns segundos de reflexão e falou: Quando se chega ao ponto de fascinação. vira santo ou vai para o céu. o pensamento elevado e a fé constante. . Só a mudança de pensame comportamento pode nos livrar de qualquer tipo de obsessão. para atingi-lo e deixá-lo aflito usam situações à sua volta com a intenção de perturbá-lo e cegá-lo para o q rto. provocando situações irreversíveis.. usam sua preocupação ou o seu medo para te atormentar. Como contei. Mas uma coisa é certa: a aquisição de informações e instruções através dos livros da icação Espírita é uma atitude de grandioso valor em caso de obsessão. as quai considero mais que alguns parentes acabam tendo problemas graves e ao tentar aj udar me envolvo em situações difíceis. pois o corpo físico é o disfarce que usamos quando encarnados. a moral. Sérgio. já esteve diante de casos simples demais. E m O Livro dos Espíritos. demonstr ando calma com tudo que parece acontecer a fim de desiludi-lo. pode dizer que não tem algum defeito.. Isso é coisa bem fácil de ser feita por espíritos maus e sem evolução. esse espírito será persistente e teimoso. Sérgio. É lógico que reagiu. dos encarnados. Não tenho muito estudo. É isso. Até porque nada aconteceu comigo diretamente.Ele ficou pensativo e silencioso e dona Antônia expr essou-se melhor: Por exemplo. tudo ficou mais calmo até a Débora ficar sem emprego.

concordando positivamente ao acenar a cabeça. O rapaz sorriu levemente. por favor.Breve pausa e advertiu bem séria: Se você sufocou suas verdadeiras reações até hoje. respirou fundo e foi até a sala como proposto. .tornou ela com paciência peculiar. a irmã dela. maldizem sobre a vida alheia. nossos vícios se identificarem com os fluid os dos espíritos inferiores.. E eles acreditam que nenhum ma l fazem com a língua enquanto ferem o próprio espírito por suas más tendências. não julgue. O que você quer? Yara.editar que tem razão em tudo ou que conhece tudo. Não conseguia organizar as idéias e. pensamentos e reações. quem acr edita estar ao seu lado? O seu anjo da guarda ou um espírito sem evolução que quer seu mal? Sérgio riu e comentou: Meu mentor ou anjo da guarda deve ir para bem longe! Não. Em alguns não faltam somente à caridade material.. mas poucos ficam alerta. não desligue .. Nos momentos em que se irrita. E agora? Ainda não tenho qualquer solução.. ele ligou para o celular de Yara e foi atendido: Eu já esperava por sua ligação. Depois ele prossegui u: Eu preciso falar com a Débora.. Vá! Fique à vontade. Mas. sendo vi gilante nas atitudes. depois comentou: Cheguei aqui com os pensamentos fervilhando. mas a empregada avisou que a jovem havia saído. Logo anunciou: Vou novamente até o apartamento da Débora e se não estiver lá vou para casa e ligarei para a Yara. Como últ ima alternativa. Apontando para a sala como se pressentisse algo. Sérgio telefonou para a casa dos pais de Débora e pediu para falar com Yara.. Muitos rec ebem advertências por seus defeitos e vícios. Se não encontrá-la. deixe-me falar com a Débora! Longos segundos e escutou: Alô?. pois precisaremos manter o controle. rogar. E se não encontrar a moça como pretende? Você tem que pensar em todas as pos sibilidades. Quem sabe ela tem alguma informação. preste atenção e. Respeitando sua reflexão no semblante preocupado. mas sinto que posso organizar as prioridades. Temos que mudar nossa forma de pensar e agir.disse a moça friamente. criticam a atitude dos companheiros de jornada... mas se não tiver escolha. como se estivesse com febre. do desejo de que um conhecido não tenha sucesso. Até para situações imprevistas. jamais nos elevaremos para que as boas entidades nos inspirem.. Rendendo-se ao seu maior temor. Ele levantou o olhar parecendo beber-lhe os elevad os conselhos.. Ela está com você? Está sim. a senhora sabe! Às vezes nossos planos não seguem conforme queremos. mas enquanto nossos pensamentos. Sérgio sentiu-se estremecer. por isso devemos nos prepara r para tudo. O que vai fazer? . Ele só se afasta e observa a sua inclinação às inspirações do espírito inferior. nossas más tendências. do ciúme. . Débora! Precisamos nos ver! Você não sabe o que aconteceu. fazer nossa ref orma íntima para nos afastarmos das más inspirações. Não sei. o espírito obse r produziu impressões em seus pensamentos e você não suportou o tormento. coma ndar as emoções. suplicar para que os espíritos bons e evoluídos se liguem a nós..puro silêncio. Isso significa que o espírito obsessor arrancou a minha máscara? Sim... mas a caridade por não demonstrar pieda de com a língua afiada que comenta o que não se deve.. dona Antônia serviu-lhe mais chá e aguardou. E eu não sei como tem coragem de tentar s e explicar depois de tudo o que ela viu! É muita cara-de-pau! Yara. Preciso encontrar a Débora e esclarecer tudo. ou seja. pois não sabe de nada. Não é um assunto para ser conversado por tel efone. Por favor. Sérgio .. Sentia minha cabeça literalmente q uente. O tele fone do apartamento da namorada não era atendido e o mesmo acontecia com o celular . O rapaz tomou alguns goles.. Isso mostra q ue você é um ser humano em evolução e necessita ter bom-senso diante dos fatos. Adoro a Débora. a senhora ofereceu: Ligue daqui mesmo... chegando ao extremo de agir e reagir como você realmente é. Outros o hábito ruim do mau pensam ento. Não fique apreensivo até chegar lá. do desrespeito. Mas nem quer ouvir a sua voz. pois provocou seus sentimentos e o deixou se ridicularizar.

seu irmão estará lá e tudo mais calmo.. não é.disse dona Antônia. O que aconteceu com a Rita? . Por que não a traz para cá hoje para me visitar? Dona Antônia. Me atraiu até sua casa para vê-lo com a Rita..quis saber João. Sei sim! .. Mais de uma hora havia passado quando o amigo João chegou. Vamos conversar junto do Tiago e da Rita para esclarecermos tudo. fechou os olhos dese jando sumir. Sérgio se deixou guiar e.. * * * Após o almoço.. Sérgio bebia vagarosamente o c fé oferecido quando dona Antônia comentou: Eu estive pensando. Obrigado... Preciso ir para. Convide os dois .. Mas.. Não estou pensando nada. menino!. Essa menina. . Ela trabalha..Ah!.. Sérgio! O que precisa resolver pode ser adiado e é até melhor que seja assim.. Eu te imploro.. pois minha vontade é morrer! Não temos nada para conversar. pois terá mais tempo para pensar sem perturbar a menina . Eu mesma vi! Não precisa me contar! Débora. . ainda sob o efeito de sérias preocupações. O que vou dizer para ela? ... Largando-se ao recostar no sofá.. mas está de férias. ergunte para alguma mulher o que significa ser trocada por outra.. Dona Antônia olhou para o filho e aconselhou: O almoço está quase pronto. ser enganada. A Rita não deve ficar sozinha... a Rita. Estou arrasado. Débora desligou..tornou a senhora. deixando-o imerso em seus pensamentos.. ... Minha melhor amiga! Como fui idiot a ao me deixar enganar! O que vai inventar agora? Que a Rita estava se sentindo só?! Que ela queria morrer?! Que ela apareceu no meio da madrugada pensando em sui cídio e por isso foi dormir com você e na nossa cama?! Não fale assim. Ora.exclamou João conduzindo-o para o quarto.Levantando-se.chorava. . após algum tempo..... na sec retária eletrônica de seu apartamento?! Eu estava desesperado atrás de você para que fos se até a minha casa! Depois da forma como me tratou em meu apartamento?! Não poderia se vingar de mi m de forma mais cruel pelo fato de eu gritar com você! Você foi insensível. Dona Antônia explicoulhe abreviadamente o acontecido e. Não tem mas .. Assim que chegar a sua casa. Sentindo-se atordoado. A senhora não está pensando em. Não.. João o chamou: Sérgio?.pedia. Débora! Por favor. Depois de tudo não será bom que ela fique em sua c asa. pediu: Descul pem-me por incomodar.afirmou com voz de choro. Pobre moça. Você acabou com a minha fé. Ora. com fala mansa e meticulosa. Sim.. Como quer que eu fale. Não poderia ser mais cruel. contou: A Débora não quer me ver mais.. parecendo suplicar.. Cabisbaixo. . Mas. desumano. Não tem idéia de como me fez sofrer. desaparecer. acomodou-se corretamente e esfregou o r osto com as mãos. O colega abriu os olhos avermelhados. vamos conversar pessoalmente! Meu irmão estava na m inha casa!.. Sérgio? Esse é o meu problema.perguntou Sérgio. Sérgio?! Eu te amo.. De pois vocês vêm para almoçar.. Sérgio? ... . bem mais à vontade contou ao ami go tudo o que havia acontecido. Sérgio! . Sérgio se sentiu derrotado... . Justamente quando eu passo por um momento tão difícil.. Dona Antônia espiou a distância e decidiu não incomodá-lo com perguntas.tentou argumentar. com a minha esperança em algo melhor. não tem ninguém e pelo que entendi não é b om que fique sozinha. Essa menina é simpática e eu gosto de comp anhia. pense! Quantos recados deixei em seu celular.. Você não sabe o que fez comigo. pelo amor de Deus. Preciso ir. Leve o Sérgio para o seu quarto e ele te conta tudo. mas saiba que você acabou com a minha vida! No segundo imediato.

Sérgio ficou relutante.anjos da guarda. por não vê-l ia saindo quando olhou sem pretensões sobre a mesa do amigo e viu um cartão escri com uma bela letra e sobreposto em um suporte que chamou sua atenção. pois eles são os olhos de De e não os podeis enganar! . amando e valorizando o que o p róprio Mestre Jesus exemplificou. é o desígnio que Ele traçou para mim de ac ordo com as minhas forças. Preocupado com a Rita. porém em total bênção do esquecimento na presente encarnação. explicações e criações me is construtivas.. São as frases do dia. simpáticos aos encarnados e seus re . Conseguiu falar com a Débora? . mas é preciso aguardar e isso é o mais doloroso.repetiu reforçando. Após a conversa com a sábia senhora.. João adentrou na sala onde Sérgio clinicava e. Logo explicou: Acho q ue ao identificar o número que está ligando. pois. to e: us Na tarde do dia seguinte. Sérgio! Desculpe-me a invasão e por xeretar sua mesa. Essas forças energéticas que se fizeram em torno de Sérgi o foram alimentadas por sua postura mental peculiar que veio do âmago de seu ser e foi aprimorada através de diversas existências corpóreas nas quais se empenhou para e voluir. . ela não atende.perguntou o amigo. Nele.. Sérgio saboreava uma conscientização espi ritual e moral bem elevada no caminho a seguir. mas João o encorajou e ele fez o proposto quase mecanicam ente. . Como entendi em O Livro dos Espíritos eu tenho uma meta à qual não posso fa ltar. Se o que te aconteceu é uma prova ou uma expiação.. João sorria admirado. Aceite os desafios com r esponsabilidade. pois se ele e stá ao meu lado é por ordem de Deus. ou seja. Em momentos difíceis lembramos qu e Deus vê tudo. Se tenho instrução. lia-s ..para me visitarem e venham para cá. Após longo silêncio. Isso atraiu entidades nobres que os envolveram em um círculo de e nergias balsâmicas e elevadas. Meu espírito protetor jamais me aban donará se eu me sustentar com coragem e prece para as provações da vida.. Tenho várias para meditação e a que casualmente peguei hoje é es a.Sérgio fez breve pausa e desabafou: Eu adoro a Débora. . surpreendendo-o: Olá! E aí? Tudo bem? Oi. quando Sérgio entrou.. abaixando o olhar. pois não estamos aqui por mero acaso. A única criatura que pode tirar a sua coragem é você mesmo...Encarando João. Estou aflito com o que não consegui explic ar a ela. Não penseis em lhes ocultar nada. João completou: Mas não pode parar sua vida por conta de tudo. por amor e a fim de que eu não pare. é uma mensagem de considerável reflexão. a união de bons espíritos. Realmente. Não. mas sei que tenho um a njo da guarda ou mentor e entendi que não estou só. mas humilde. apesar das circunstâncias. apesar das preocup ações. é seu dever crer em Deus e segu ir humilde. Ent endi melhor o que vivo. devo instruir. porque somente assim estarei sendo Cristão. eu não me contentei só com o trecho. É que o suporte ostentand o o cartão me chamou a atenção. Sua mente ficou receptiva ao ambiente vibratório elevado e à linguagem simples so bre temas e aconselhamentos tão importantes em busca de soluções..O Livro dos Espíritos. Um profundo silêncio reinou naquela sala com as palavras que ofereceram um gost o de coragem. devo educar. coragem e fé dentro dos conceitos Cristãos a fim de cumprir com seu propósito nesta existência terrena.respondeu Sérgio em tom triste. pois essa meta é o próprio Deus. o rapaz sentia-se melhor. No plano espiritual. Se tenho talentos. mas. a letra é bonita e a frase de profunda reflexão. longa e sem propósitos. resposta da questão 495. novamente comentou: Ao pegar essa frase para meditação hoje. Adorei e fiquei admirado. Parar para lamentar só fará a minha jornada mais tri ste. se está pagand por algum débito do passado ou sofrendo uma obsessão. Desde quando a vi pela primeira vez!. Então busquei socorro na questão e na resposta completa de O Livro dos Espíritos. Não vou dizer que deixei de sofrer. siga adiante e evolua. não humilhado. ele parecia se desprender do que o segurava para a realização de seus propósitos na atual encarnação: a obsessão. 18 . Mesmo com o sofrimento íntimo.Os olhos de Deus o. Apesar da dor posso reagir com o s seus conselhos sábios se eu não ficar em crise. Siga os ens inamentos do Mestre Jesus.

Senti como se estivesse abandonando a minha amiga quando a deixei lá.Pequena pausa. Incapaz de reconhecer-se mau. .. explicou Sérgio.. Eles não podiam ver. Nunca pens ei que pudesse existir um sentimento tão forte como esse. Enfraquecido. Fiquei completamente insone.. tentando fazê-la acreditar no que ela não quer. Mas!. Não podia ver a presença das entidades mais el evadas que estavam ali por ligarem-se aos encarnados pela postura mental e disce rnimento. busca ndo estruturação e referências para prosseguir com minha vida até tudo se acertar. Diga..Suspirou fundo. E. Você sabe como a dona Antônia é! Logo cedo. O conhecimento que tenho sobre o mundo espiri tual. E seguindo em frente.. João.spectivos mentores. A ausência de espíritos inferiores deixou o ambiente mais leve e sereno. como a Rita está? Apresenta-se bem. Como ser humano e como psicólogo eu sei que não somos e não estamos preparados para as per das. verdadeiros escravos.exclamou Sérgio repentinamente. com aquele jeitinho que só minha mãe tem. não nego. torturava e c ulpava por não conseguir atormentar Sérgio nem aproximar-se dele a fim de absorver-l he as energias físicas e espirituais para enfraquecê-lo e atacá-lo mentalmente.. . . Quase me esqueci. Estou vendo! . Por isso elaborei uma postura mental na qual reconheço minhas def iciências e busco equilíbrio constante que me ajude a viver sem ela. Só os que experimentam o mais alto grau de esquizofrenia não sentem n em sofrem. fazend o-o sofrer e vampirizando suas forças. sorriu e comentou: Nossa! C omo você e a dona Antônia me ajudaram. educada e mudou muito de ontem para hoje. Ele os afligia.. Sebastião desapareceu seguido por seus acompanhant es como um aglomerado das mais profundas trevas. sem o sofriment o aflitivo. Entretanto não posso continuar vivendo em função de uma pessoa qu e despreza ouvir a minha versão dos fatos. inesperadamente. mas tud o é recente e sei que com o tempo encontrarei recursos para não me torturar tanto co m as lembranças. contou: Ah!.. mas ao mesmo tempo em que defendiam a resignação.. É um período de dor. Mas eu posso vivenciar as condições desse sofrimento sem desespero. de sofrimento. É. desgraçado! Mas tenha certeza de que eu voltarei para acabar com você! Se não consigo te abalar. eu as vi fazendo planos de saír em para comprar nem sei o quê! Minha mãe envolve as pessoas de um modo impressionant e! Parece que a Rita mora lá em casa há meses! Depois a dona Antônia avisou que o Tiag o se comprometeu em passar lá e levar a Rita à universidade. atuavam neutralizando a ação dos maus. o pobre e ignorante Sebastião agredia e golpeava os que permaneciam como que escravos de sua mente. da sublime energia do ambiente. Mostra-se sociável. sei como vou te enlouquecer! Após outro urro repleto de ódio. o espírito Sebas protestava e enfrentava uma energia que o repelia dali.. na maldade e tantos outros vícios. após milênios endurecido no orgulho. Não conseguimos passar pelo sofrimento sem sofrer.. para as separações.murmurou João satisfeito. os esclarecimentos obtidos na Codificação Espírita me ajudaram imensamente. Seus gritos repetitivos como os de um verdadeiro louco estremeciam os que se uniam a ele. com leve tristeza no olhar e falou em voz baixa: Eu adoro a Débora. Berros em onda s vibratórias que causavam terror e gemidos de medo entre alguns de seus seguidore s. decidi levantar e ler. olhando para Sérgio. rosnou feito um bicho enquanto se levantou e.. Sebastião recuou sob o e feito de um choque que lhe penetrou nas fibras mais íntimas do ser.. o respeito às leis de harmonização e o amor aos propósitos abraçados com todo o coração. mas em vez de deixar meus pensamentos e m brasa e me revirando na cama. Vamos lá! .. por c onseqüência. Está sendo difícil. Peguei O Livro dos Espírito s. O espírito Sebastião estava revoltado. João sorri u e perguntou: O que aconteceu com você de ontem para hoje? Não dormi. Sabe. avisou em vibrações cavernosas: Não sei o que te aconteceu.Depois de rir. O Livro dos Médiuns e comecei a ler.. Apre ndi a orar de todo meu coração e a ter mais fé. Senti-me muito melhor depois. Por insistir nos objetivos de má influência nos pensamentos do encarnado e.. E pela primeir a vez. o espírit o Sebastião sentiu-se enfraquecido e algo como que uma vertigem o fez dobrar os jo elhos que pareceram forçados a forte pancada no chão. . Não pos so ficar parado lamentando nem correndo atrás da Débora. Senti o quanto à postura mental nos faz adquirir resistência e imunidad e psíquica contra pensamentos que nos doem na alma. as recordações. Uma questão ou ensinamento me levava a busca r outro e.

Parabéns! Queira Deus que nesse período você consiga seu pedido de demissão aprovado! Já pensou?! Quem sabe? Hoje entrei com nova solicitação. Isso é verdade! . encontramos alternat ivas. Somos amigos dela e amigos de verdade não se abandonam. E se ela vier conversar sobre isso comigo? Eu duvido. com lágrimas correndo pela face. Foi incrível! O melhor! Que exagero. A dona Antônia é maravilhosa! Ei! Você não tem pacientes agora à tarde? Não..... Levando a mão na cabeça e franzindo o rosto em sinal de lamentação. mas achei que estava com paciente e.. João! O Nivaldo é testemunha! . Mas.Subitam ente avisou: Ah! Consegui minhas férias para daqui a uma semana! Quase ia me esque cendo de contar! Sabe. montamos a clínica! .... . Eu te prejudiquei muito com a Débora. na habilidade adquirida com o exercício constante na profissão.. sempre damos um jeito. chamou-o olhando-o firme.. E quando reclamamos da supervisão re comendada. Sérgio! Esqueci! O doutor Edison pediu para falar com você. Mas vou dar um jeito nisso. implorei!. As duas pacientes eram mãe e filha e cancelaram por luto na família. João avisou: Nossa. Eu não tinha alternativa. Muito me admira. abraçou-a com generosidade. coisas qu e se encontram somente na prática. Veja.disse rindo. Rita... Em seguida. Em todo caso.. Certo? Mas. você não é ingênua e sabe que estou sofrendo sim. Não sabíamos que era e é a cois a mais importante em nosso trabalho e o que mais nos ajuda. Nossa! Como me lembro de seu trabalho de conclusão de curs o..sorriu..admirou-se Sérgio. *** Mais tarde Sérgio decidiu ir até a casa de dona Antônia para saber como Rita estava .perguntou Sérgio. Depois. Além de simples. . Desculpe-me. Sérgio. quando piscamos . que estava pronta para ir à universidade e Tiago a esperava. É fácil desistir.. beijando-a no rosto. Não podia deixá-la morando com você nem que voltasse para ca a e ficasse sozinha.. Quase não acre ditei que conseguiria fazer aqueles estágios para licenciatura docente. a supervisão é importante e oferece segurança ao Psicólogo muito mais ao paciente. ele pôde ver seus olhos lacrimosos. Durante o trajeto João comentou: O tempo passa tão rápido! Outro dia estávamos prestando vestibular. se insistimos. de ver alguns profissionais psicólogos clinicarem sem f azer a supervisão acompanhada por um Doutor Psicólogo ou Psiquiatra mais experiente e que nos leva a outro mundo completamente fora.murmurou com voz fraca.riu... Eles continuaram conversando até chegarem ao destino.. eu tentei falar com a Débora nem sei quantas vezes! Pedi.Sérgio elogiou.. vo cê e o Tiago. Prometo! Hoje mesmo. Vamos deixar a situação esfriar. na sala de aula. Agora vai! .. Ei! Ei! Ei! .. Comovido... Eles riram e saíram juntos da sala. Fiquei tão surpreso. Depois falou sério: Você vai até lá para e tudar e não conversar sobre o que não é conveniente num local como aquele. Afastando-se. Não é fácil obter aprovação do pedido de féri tão rápido assim.. ela. Rita! Tudo bem? . Chegará à hora ce rta. Em seguida. minha miga. Oi. E como ajuda! E de repente. não posso mentir. eu.defendeu-se rindo. Quase desi sti do curso universitário por causa do serviço na polícia. Entrando na casa do amigo. . Explique que houve uma situação delicada e que na universidade não é o local . sussurrando.. A supervisão com o doutor Edison é excelente! . É. embalando-a co m gesto afetuoso. tornou a perguntar: Você está bem? Estou. por cinco anos. sentindo-se envergonhada: Sérgio. fazíamos os estágios e. pa ra não dizer que me assusta.interrompeu-a. peça para que conversemos nós quatro juntos: eu. É ela q uem não quer saber a verdade.concordou João.Nada é por acaso.. Sem problemas . Vou até lá dizendo que você propositadamente não me deu o recado e ficou me enrolando. de fazer terapia?. Faz teorias e suposições. esse foi atender ao telefone e Sérgio logo se deparo u com Rita.

. que é pensar e repensar.. sempre com o desejo de instruir e elevar a moral dos encarnados.. Somente assim será capaz de reconhecer uma mistificação. Desistiu? Você gosta dessa moça e ela de você! . . isso é po sível somente uma vez por semana. Em um centro Espírita sério. chegando a novas conclusões que o elevarão como ser.. uma espécie de professor. ligue para mim.. Ou ela não gosta de mim o suficiente para ouvir minhas explicações e depois tirar s uas conclusões ou então está se deixando influenciar pela opinião da irmã ou sei lá mais de quem!. mas quero ampliar meus conhecimentos. com basta nte conhecimento e sendo uma pessoa bem flexível. levando o rapaz para o sofá.. Uma vez por semana não é pouco para o estudo? O Espiritismo é uma filosofia e uma ciência...brincou sorrindo. Em alguns momentos. Mas deve ir assistir às palestras evangélicas que servirão de com plemento aos conhecimentos adquiridos. Ela forçou um sorriso e se despediu rapidamente. às prática s não dignas. Por exemplo: os espíritos superiores gostam de reuniões. Está bem assim? Rita pendeu com a cabeça concordando.adequado para ela saber de tudo. Se a Débora quiser.. p ensei que não fosse suportar... mistificam. nada radical. mentem adotando falsamente o nome de espíritos que. Sou eu que deve agradecer sua confiança. O tempo entre uma aula e outra é bom e necessário para filosofar. Sérgio sentou-se direito e falou de mod o mais animado: Eu quero aprender mais sobre Espiritismo. Sabe. do efeito individual e social justific ado pelo Espiritismo.. Fechou os olhos enquanto a bondosa senhora afagava-lhe o rosto de belo contorno e sussurrou: Tanta coisa aconteceu na minha vida em tão pouco tempo. paixões inferiores. abraçou-a. Bem. Só uma vez por semana?! Pára o estudo. Ela é um amor de menina! Curvou e recostou o rosto carinhosamente no ombro da mulher e murmurou: Se não fosse à senhora.. intuitos.. foram pessoas veneráveis e importantes. beijoua no rosto e agradeceu: Obrigado por tudo. Ao contrário dos espíritos inferiores que se atraem em torno de encarnados que fazem r euniões e evocações por curiosidade e sem responsabilidade para terem conselhos e info rmações que os agradem ou lhes prometam ajuda. freqüentemente brinc am. mas ito necessários. prazeres. Assim como as pessoas. as manifestações fúteis. Obrigado por cuidar da nossa amiga. é muito importante.distúrbio de personalidade. Li e reli os livros qu e a senhora me deu. levando os encarnados ao erro. inúteis de espíritos baderneiros e médiuns mentirosos ou orgul osos.chamou-o. O que. de estudos e co municações sérias. fazem acusações indevidas. Sinto como se tivesse uma faca fincada em meu peito. Não queira correr e aprender tudo de uma ve z. Tem gente que leu um ou dois romances espíritas e acha que já sabe tu do. quando encarna dos. Não! . dão falsas esperanças e comume te elogiam os encarnados ressaltando-lhes o orgulho e a vaidade.correspondeu ao sorriso.. É uma dor de verdade.. Tiago estapeou as costas do ir mão e se foram. Tiago se aproximou e lembrou: Vai chegar atrasada se não formos agora. No início poderão parecer água com açúcar..admirou-se dona Antônia.murmurou ele. Sérgio se aproximou. Então desisti. Esses espíritos inferiores que se dis põem a essas reuniões de comunicações para futilidades de encarnados. irei buscá-las e conversaremos na minha casa.Mudando rapidamente de assunto.. Fazendo-o se sentar. Sérgio se deixou ficar no abraço materno do qual tanto carecia. O melhor é você fazer os cursos.. Sérgio? . por duas horas mais ou menos. com grupos de estudo r espeitáveis que se dispõem ao conhecimento mais profundo da Codificação Espírita. Olhando para dona Antônia que os observava. Cientificamente o tempo é importante para que se possa estudar a parte experimental das manifestações gerais. Liguei para a Débora várias vezes e ela não atendeu. Ignoram os livros da Codificação Espírita e confundem tudo! Não admitem que o estudo da Codificação feito em grupo e com um expositor. Devo voltar às carteiras primárias da escola! . ac omodou-se e o puxou com generosidade materna ao falar: Já sei que você quer colo. vem! . sim. uma far sa. os espíritos se atraem por simpatizarem com a naturez a moral do ambiente ou da criatura humana que tenha os mesmos gostos. Vem aqui. .

. Comecei a entender que muitos estados de consciência. De uma forma geral ela parece bem. .Comentou a sábia senhora. Eu sabia. porque a m ente está encarcerada na falta de convicção. Vou até a casa da Nilza ... Tendem a ser arrogantes. o luto. Essas são as características de espíritos inferiores. Esse foi o maior impacto. Não é uma doença.. Não.. filho? . é porque ela quer ajuda...interessou-se Sérgio curioso. Sua tarefa nesta enca rnação não é correr atrás de bandido. Qualquer pessoa psicologicamente sa udável ocasionalmente tem ou passa por momentos de tristeza. como te falei hoje. Depois de sorrir. depressão e muitos outros distúrbios apresentados pelos paciente s. Eu não sabia que ra uma doença. transtornos. é um distúrbio de personalidade que necessita de mento terapêutico... Em outras palavras... com sua evolução na escala espírit registro de suas experiências em outras encarnações. Puxa! Isso abre um grande leque de ligações entre encarnados e desencarnados.. A elevação moral é força viva! Vejo pessoas inseguras. aparentemente frágeis. pois precisam entender e tratar a saúde espiritual para conseguir que o paciente tenha progresso... eu e minha mãe conversamos com a Rita ontem à noite e. sua ligação mental com desencarnados que possuem as mesmas necessidades. Suspirou fundo. extr emamente importante. . têm uma incrível relação com ele mesmo como espírito. precisa d e colo e de um ombro amigo.. Sinto que esse é o c aminho para seguir a fim de alcançar uma finalidade útil em um trabalho que eu adoro . sua vontade de libertar-se do dis túrbio ou problema que o afeta e. Entro de férias na próxima semana e espero que minha saída da polícia aconteça durante esse tempo. É. Nossa! Tem tanta coisa!... No fundo não posso dizer q ue estou tranqüilo com o seu estado emocional. dependências de diversos tipos. É. mas explora os que a rodeiam. Acho que os dois são melhores do que nós! ...disse João sorrindo. principalmente.Fez-se ligeira pausa em que os dois amigos se entr . O assunto requer estudo. Bem. ela precisa ser ouvida. Vai sair. Percebi isso. Ela é uma boa menina. Agradeça à dona Antônia e ao Tiago! . quer entender o que aconteceu com ela e pede uma explicação. a mulher explicou bondosa: Se uma pessoa está pensando em morte.. Só é preciso saber conversa r direitinho com a Rita. Eu estava associando certos problemas de personalidade com o que a se nhora me falou. que advertiu: Vocês dois falam tudo difícil e certinho..brincou Sérgio. observação e pesquisa para.. masc aram a inveja e não dão importância verdadeira às necessidades dos outros. João comentou: Sérgio.respondeu referindo-se à noiva. como disse a Rita. é ouvir problemas dos outros. mas. É um dos tipos de distúrbio no qual a pessoa se acha grandiosa. Sérgio! Você é uma luz! Fará alerta aos profissionais que cuidam da saúd e mental.. presa a fantasias inúteis que as arrastaram a conflitos íntimos. Nossa amizade dificulta a minha atuação.Sérgio parecia ter uma imens a interrogação na testa. Você tem de sentir o que a pessoa sente do mesmo jeito que ela sente e não só saber o que ela pensa sobre o que está sentindo. Entendeu? . Isso eu sei fazer e o Tiago também tem es se dom! Como assim.perguntou a mãe vendo-o arrumado. meu filho! Eu sempre senti que você tem um dom especial. Quanto a ouvir os problemas das pessoas.. Fiquei triste com o que aconteceu. dona Antônia. dona Antônia? . a olidão. desesperador durante essa fas e. mas teve a atenção roubada pelo amigo João que chegou à sala. quer ser entendida. E o acontecimento mais humilhante. mas esse não é o caso del a. fobias. confl itos íntimos. Fiquei admirad o quando soube que ela decidiu retornar à faculdade. mas ela vai superar. Virando-se para o amigo . estresse. um a justificativa para isso.Sérgio teve uma avalanche de pensamentos incrivelmente ligei ros. A Rita pode entrar num quadro de depressão mais extremo e que está procurando dis farçar.Nada. Eu assisti a dois congressos realizados pela Associação dos Psicólogo s Espíritas e falaram sobre esse distúrbio do encarnado que atrai espíritos com os mes mos comportamentos.. Há de se levar em consideração à dupla perda dos entes queridos. Eu conheço bem as pessoas quando as vejo algumas vezes e. brincalhões. Sérgio a encarou trazendo um brilho especial nos belos olhos verdes e leve sorr iso como se inúmeras idéias reluzissem em sua mente. às vezes eu nem entendo nada! Na verdade é preciso sentir o q ue se passa nos sentimentos das pessoas.

Sérgio ficou admirado. Ela sentiu-se humilhad a em todos os sentidos. Naquele dia. repentinamente.sua voz travou novamente.falou. . dona Marisa se aproximou trazendo o rosto endurecido ao exibir insatisfação. mas não somente como profissionais. Mas quando o astro rei brilhou radiante. Olhando o relógio. pois essa menina precisa de um amigo.riu de modo gostoso. Dona Marisa ficou intrigada e puxou quase automaticamente a alça da mala que Débo ra colocava em suas mãos. Mesmo assim. mas contendo o travo de amargura na voz quase vacilante. A companhando a senhora. João preocupou-se: Nossa! Vou. falou que p ensou em morrer quando perdeu os pais. E o que a senhora disse?! . Débora. mas ela silenciou totalmente ao ouvir Débora contar: Nessa mala tem algumas coisas que pertencem ao Sérgio. Débora contou : No sábado pela manhã. Bom dia. deixando as rodinhas deslizarem portão adentro. E absurdo dizer para alguém que suas dores e preo cupações são passageiras. . olhando para o rapaz a troux e para cá.eolharam surpresos e a senhora prosseguiu: Quando uma pessoa pensa em morte é preciso que tenha a ajuda de um profissional com urgência. Sem imaginar de quem se tratava.. contou: A Rita disse que se sente culpada pelo que a Débora. Reconhecendo-a dis tância. eu sabia que a senhora e o senhor Inácio iriam até a casa dele para ver onde mora e nós nos conhecermos melhor.falou bem séria. o noivo a apoiava em tudo e ela teve uma grande amiga. A Rita é uma ótima Conversamos muito e ela contou toda a sua vida.. não quero vê-lo mais. a Débor a. Além disso. ela é ma criatura importante e querida pelos amigos. E quando você . lá no apartamento. Mas ele . Agora ela está sozinha! Extremamente sozinha e sem propósitos na vida.. É provável que a senhora acredite que eu deva entregar na casa dele. O que aconteceu de tão grave para não querer ver o Sérgio? Educada. Palavras difíceis e pouca atenção só pioram as coisas.Fotos contra Sérgio destroem o romance com Débora O dia seguinte exibia um pálido nevoeiro pela manhã encobrindo o sol. Débora estava frente à casa da mãe de Sérgio. Descendo do carro. ou a Nilza ficará preocupada. que com o tempo passa ou são traumas não reso dos na infância. Sérgio. Que você. 19 . a jovem tocou a campainha e aguardou ser atendida. É uma menina carente. concluiu: Depois do que presenciei. a pouca distância.. Débora não se importou e foi direto ao assunto: Bom dia. Desculpe-me vir sem avisar. o Sérgio foi até meu apartamento. Em que posso te ajudar? Os olhos de Sueli se arregalaram. mas.perguntou preocupado.. Preocupem-se com ela. . dona Marisa. ma s ela foi firme e não chorou. Mas eu não poderia adiar o qu e tenho a fazer . é um amigo de verdade e procurou pessoas de sua total confiança par a ficar junto dela quando você não poderia. Seus olhos a mendoados traziam a expressão de tristeza com misto de revolta e desilusão. . sua melhor amiga . ela sentiu-se um estorvo e a pior das criaturas.. Disse-me coisas f rias e calculistas mesmo quando eu pedi desculpas pelo que havia falado. Só que. Eu conversei um pouquinho com o Tiago enquanto a Rita se arrumava para ir pra faculdade e disse a ele que precisaria muito da sua ajuda. acreditou ao vê-la com o Sérgio. mas aqueles que a rodeiam devem entender o seu sofrimento e lhe dar esperanças para um futuro melhor. eu estava precisando de companhia e falei mais outras coisinhas. Aproveitando a saída do amigo. Sem conter a curiosidade a mulher perguntou: Mas.Após suspi rar. estava Sueli irradiando curiosidade imen sa. Sérgio despediu-se e agradeceu à mãe de seu amigo e ta mbém se foi. o Sérgio teve uma crise de intolerância com o que eu aconselhava.. que não são graves. Fez um aceno de cabeça e não teve palavras para explicar o q ue aprendia.sua voz embargou. E apesar de toda situação não resolvida. mas tinha o irmão para tomar conta e ele pr ecisava muito dela. São roupas e objetos pessoais que ele deixou no meu ap artamento. .

.Leve sorriso forçado e falou: Até um dia. Olhando para dona Marisa. .. Tenho outra idéia. ela avisou antes que chorasse: Então é só isso. Você é?. Só q ue teve uma condição: a Yara me obrigou a deixar o celular no apartamento.concordou a mulher. Quando olhei. Sou eu quem peço desculpas por pensar que você fosse de outro jeito e estivesse d e acordo com aquilo. mas longe da dona Marisa . entrei sem chamar e o encontrei em seu quarto.avisou com brandur a. Não .. mas se me ouvir irá compre er totalmente. pois tinha outros plano s. Por isso meu filho não me aceita.Débora suspirou fu ndo antes de prosseguir: Não sei o que a senhora pensa sobre isso. Eu amo o Sérgio. aceitando os pensa-mentos rápidos que lhe surgiram e disfarçando sua s verdadeiras intenções e venenoso pretexto. Nem ouvi os outros recados e mal falei com a minha ir mã que estava ao telefone. Espero que me entenda e desculpe-me pelo incômodo. solicitou gentilmente: Feche seu carro e vamos caminhar um pouco. Sueli usou um tom carinhoso na voz leve pa recendo humilhar-se ao pedir: Por favor. Era madrugada quando retornei ao meu apartamento. não gostei de ver essa Rita estendida no sofá.. Ao ouvir o primeiro. Tinha esquecido que iríamos lá..pediu Sueli sob a influência de espíri tos inferiores.. pediu com jei to macio na voz: Eu gostaria de conversar com ela a sós. . Assim que cheguei. lágrimas corr eram.. Ela ligou para alguns amigos e amigas. Débora .. Eram as pessoas em quem mais eu confiava neste mundo. Chorei muito. Agor a preciso ir. Sei exatamente o que está sentindo.Olhando novamente para dona Marisa. a jovem ouviu: Débora! Por favor. Não suporto traição e é por isso que não quero vê-lo. Adoro a Rita mais do que as minhas irmãs.questionou Débora.. e saímos todos para nos divertirmos. Não demorou e minha irmã. Por ter as chaves. Por um instante Débora se sentiu atordoada pelo efeito de energias espirituais inferiores deixando-se conduzir. estavam sob uma árvore bem frondosa quando pararam e a moça pegou as pálidas mãos da outra ao revelar: . primeiro quero que me perdoe. Entre. havia recado s em meu celular. praticamente abraçando-a ao repousar a mão em seus ombros e a conduzindo.pediu aproximando-se. Ao estender a mão para se despedir de dona Marisa. Estive lá naquela noite como comb inamos.. Aquele relato deixou Débora mais perplexa e amargurada. Fi quei indignada quando fui até a suíte dele e vi as roupas íntimas da moça jogadas no chão. trocar-me e sair com ela. Decidi não telefonar. eu preciso falar com você . Pode ser? Sim. Sem trégua.. . Fiquei preocupada. para conversarmos. dormindo e abraçado com a Rita. dona Marisa..planejou tudo. Não estou entendendo. . mas não conseguia. Entrei em desespero. rolaram na face da moça que parou frente à Débora e explicou: Eu fiz algo muito errado.. Não desejo qualquer mal a você e. dignas de uma representação te atral. mas não imaginava conseqüências tão sérias contra você. . foi me visitar.Imediatamente lágrimas falsas. porém eu não conseg uia deixar de pensar no Sérgio. O que dizia era pensando em seu benefício. achei o Sérgio aflito quando pediu para eu entrar em contato com ele. Eu estava chorando e implorando para que ficasse. A Débora está muito sentida por tudo o que aconteceu e eu sei o que é isso. a Yara me fez tomar um banho. avisou com um s orriso: Depois conversamos. quem é você? Nesse ponto da conversa. esforçando-se para expressar algum tom de lamento. Não existem desculpas ou explicações para o que eu vi.disse Sueli. pois achou que eu não merecia aquilo. A Yara foi direto para o telefone. Aproveitando a pausa. Confie em mim . Nem sei o que dizer. Quanta d esilusão.. . Vi que o Sér gio estava embaraçado.. . inquieto com a minha presença. Tudo bem. pois passei pela mesma situação ou talvez pior. Débora + falou dona Marisa com voz fria. Andando a passos lentos foram se distanciando d o veículo enquanto Sueli falava de modo educado: Eu quero conversar com você. peguei meu carro e fui até a casa dele. experimentando uma dor indizível do enorme ferimento que cravava em sua alma bondosa e generosa. pois iria dormir lá. mas o Sérg io virou as costas e saiu. Minha melhor amiga.. Fez algo contra mim? Mas. Quando contei o que tinha acontecido.Quando Débora ia fazer uma pergunta. mas. a Yara.Nesse instante. Acho que agora entende por que sou rigorosa com ele.

. Fui namorada do Sérgio e ainda sou muito amiga da família. a Lúcia t . entregou-lhe as três fotografi as.exclamou murmurando. Isso é um absurdo! Como pode pensar que vou acreditar em algo assim?! Eu disse que posso provar! . Ele não quer nem que eu tenha amizade com a dona Marisa... zendo-a alongar a conversa ao desejar provas e ficar enojada com Sérgio antes de o uvir sua versão. ele já está livre.. e pediu calmamente ao bater a mão sobre sua cama: Sente-se aqui.Revirando a caixa. Sueli a envolveu com fa la meiga. Olhando-as. que parecia nervosa. As inspirações de sua mentora Olívia e de espíritos amigos prov ocavam-lhe repulsa àquela conversa e vontade de ir embora. sim! Primeiro preciso que saiba. Envolvida por intensas energias inferiores dos espíritos vingativos. assombrada e incrédula.Meu nome é Sueli. por isso estávamos sempre juntas e freqüentáv a casa uma da outra. que fechou a porta e caminhou até um armário. em um tom quase frio e palavras vagarosas. demorava-se tempo demais e recebia influências de desencarnados que pretend iam prejudicar e desequilibrar Sérgio através dela. se não tiver c mo provar. Eu o peguei dormindo com a própria irmã.. A traição é a pio coisa que alguém pode fazer. apanhou um saco de tecido avel udado.indagou Débora. me perdoe! Se não puder me perdoar. Sueli! Será sua palavra contra a dele. Su eli atraiu sua atenção ao dizer: Eu sei o quanto é horrível ver quem amamos deitado ao lado de outra. Ao atender a sua ligação ao celular naquele dia. Vamos até lá e eu te mostro as provas. Eu e o Sérgio começamos a namorar. eu pensei em poupá-la de cair nas armações do Sérgio. Não! Não é nada disso! . Ficou pálida. mas. Completando em seguida: Se queria me separ ar do Sérgio. mas desejava ver as evidentes demonstrações que a ouvira afirmava: Essa é uma acusação muito grave. Isso aconteceu entre você e o Sérgio? Por acaso o pegou com outra mulher? Foi pior do que isso. Ela não sabe que o Sérgio e a Lúcia se relacionavam.Ao vêla franzir a testa como um sinal de desagradável surpresa. E?. que não sabia quantas dores. O quê?! Eu moro ali. O quê? Ele tem seus motivos. . Será melhor. Foi estupidez minha inventar aquela hi stória e representar daquela forma. O quê?! .exclamou bem firme. eu tenho muita coisa para fazer hoje e não há qualquer razão para continuarmos com essa conversa inútil.. olhando-a firme nos olhos. Nós éramos muito amigas.. Com o tempo percebi. tamanha era a humildade que represen tava. É verdade e eu posso te provar! . Logo propôs: Eu não poderia dize r isso perto da dona Marisa. Venha comigo. Jamais poderia imaginar que e stivesse dirigindo e fosse bater o carro. talvez por educação. Débora ficou vacilante. Na casa de Sueli a jovem se encontrava no quarto da moça. Há. ultra jes e rebaixamento moral sofreria. O Sérgio provavelmente disse coisas te ríveis a meu respeito. Débora não con seguia refletir e. Débora suspeitou. aceitou o convite. Veja bem.. naquela segunda casa. Enquanto S ueli. Sueli . Com a respiração ofegante e modos inquietos. Se ao menos não tivéssemos mais compromisso. contou: Essa é a Lúcia. Voltando-se para a outra com frieza e impiedade. Acho que essa pobre mulher morreria pelo incesto. e quase sussurrando: Pelo amor de Deus. Não su porta me ver e.. ao se deixar envolver por aquela conversa. abrindo-o e tirando uma caixa que colocou sobre a cama. mas não são verdadeiros.. Débora começou a tremer.Débora tentava relutar . Sinta-se à vontade. Vir ou-se para Débora. tirou de dentro uma máquina fotográfica e algumas fotos impressas em papel ap ropriado. ao menos. Não pude pensar em outra coisa. sem pensar. parecendo rebaixar-se na postura.afirmou..gritou Débora indignada e incrédula. me ouça! O que quer de mim? . A mentora Olívia e espíritos amigos perderam o alcance das vibrações da pupila que se inclinou às inspirações de espíritos inferiores com suas sugestões e vibrações tenebrosas. Mas a jovem.

O Sérgio não deixa marcas aparentes nem bate no rosto. Tirei a segunda e na terceira ele acordou. A Lúcia estava animada. Eu estava sozinha. Pelas fotos acho que já pode deduzir que tipo d e homem ele é. muita cólica e só queria ficar na cama. Sueli! O que a Lúcia contou? Ela confessou muitas coisas a respeito do irmão. chacoalhando-a e a empurrando em segu ida. Sueli se virou.tornou a outra em desespero.. Tirei a primeira foto e ele se remexeu. Fiq uei em choque.pediu Débora com a vo z entrecortada. incrivelmente. completamente nua. Débora lembrou-se de Sérgio pedir que evitassem ter um filho. O Sérgio sabe disso?! Ele já viu isso?! Sabe e viu. . Dormi um pouco. Era o an iversário de um grande amigo. E você deixou por isso mesmo?! Contou para alguém? Dias depois conversei com a Lúcia e contei tudo. mas ela não falava.Sempr e com o auxílio das vibrações do espírito Sebastião. sem camiseta. abraçando-o com um braço e com uma das pernas sobre as pernas dele. O Tiago não foi por causa do serviço e o Sérgio também. . Ele perdeu o controle. o Sérgio está com o corpo mal coberto por um lençol na altura da cintura e com as pernas despidas. e Sueli continuou: Passei muito mal e.riste.. ganhando a credibilidade de Débora. mas assim que levantei fui ver as fotos na própria máquina. O que ele fez?! ... Comovida pelo choro de Sueli.. deitada de lado e sobre o ombro d o irmão. Por outro lad o... eu chorava exigindo uma explicação. Contou que no início ele bateu n ela e.. Um dia toda a família estava viajando. Mas tive a idéia de fotografar.. Eu preciso saber. O Sérgio queria a máquina para destruir essas provas. Me agrediu até.Longa pausa proposita l. Co m lágrimas rolando pelo rosto disse: O Sérgio é um homem forte e como policial aprende u a ser agressivo. Por isso calou-se e sofri . pois eu esperava um filho dele. tenho as mesmas imagens aqui. Para minha mãe. depois me empurrou enquanto exigia e. Bem mais tarde. aflita e olhando-a com grande expectativa. ela era ameaçada por ele e temia sofrer mais agressões. Não vale a pena falar sobre isso. Ele mes o me levou para um pronto socorro onde o médico confirmou que eu já havia perdido o bebê. Eu levei minha câmera fotográfica digital e tiramos mu itas fotos. Gritou e exigiu a máquina. Ela.. pegou a máquina fotográfica digital e mostrou-lhe as mesmas fotos na própria câmera. Sueli representava... Débora. deprimida e quase não falava mais comigo. É o que você vê. Eu estava no chão e o Sérgio me chutou...quis saber Débora muito nervosa.. Pelo amor de Deus.. Resumindo. voltamos para casa de madrugada . Fui medicada e passei horas em observação.Impiedosamente Sueli foi capaz de inventar as mais horríveis mentiras c ontra Sérgio. Tentei saber o que era... O Sérgio me chacoalhou. me bateu muito forte e. religioso e ela pensou que o pai mataria o Sérgio. eu não lhe entreguei e ele me bateu. Com a voz estremecida. Por que a Lúcia não contou aos pais?! Aos irmãos?! Não contava por medo de que o pai deles cometesse uma loucura. Ele veio até aqui em casa.. Alguma s ficaram engraçadas e decidi ir até a casa do Sérgio para mostrar a ele e à Lúcia. Brincamos bastante e. Fui até o quarto e o que vi foi inacreditável. Porém o que ouvi dela foi ainda pior. Imediatamente indag ou: E sua família ou a dele não a viu machucada?! Lógico que não. Veja. O Sérgio reagi u como nunca. Débora a afagou enquanto lembrou do dia em que Sérg io a segurou firme pelos braços apertando-a. Ele acordou quando eu saía do quarto e me viu. eu diss e que tive uma enxaqueca forte. O senhor Inácio é um homem moralista. O Sérgio e a irmã ormindo na mesma cama. Sueli! Diga que isso aqui não é verdade! .. Tive medo dele. . pois eu lhe mostrei só as fotos. Apesar disso. Por um momento pareceu insano .. Como pode confirmar. Sueli acrescentou cinicamente: Foi quando implorei que parasse..perguntou a outra. O que aconteceu?! O que ele fez?! . Então insisti para irmos a uma festa. Confusa. Eu tin ha as chaves e entrei sem chamar. Como assim?! . Eu perdi meu bebê.

Sua ligação com aqueles espíritos trevosos lhe oferecia grande malícia e uma força inte rior tão perversa que era difícil acreditar em sua coragem para fazer tantas maldade s sem pensar nas conseqüências. Mas ele não me d ava sossego. sem moral.. Faça como quiser.. Às vezes acho que a dona Marisa desconfia de alguma coisa. Esquecia-se de que atraía extremas perturbações e a lei do retorno por tudo o que semeava. pegava recados com a secretária e verificava alguma novidade ou relaxava por minutos a fim de estar bem recomposto para a próx ima consulta. Ouvir promessas de casamento. Sussurrando no ombro do amigo. Eu não q ueria que outra pessoa sofresse o que sofri. Obrigada.. Eles riram. por suas agressões. Talvez acreditasse que estivesse só. pediu : Posso ficar com essas fotografias? Vai mostrá-las ao Sérgio? Não sei. . Por isso ele me odeia tanto. Pensando bem. um dia. ele terá medo de fazer algo contra você.. E propôs para não alongar: Depois conversamos.. . ofereceu-lhe um abraço. algumas coisas começam a fazer sentid o. Havia dois homens em uma moto e já tinham pego o que queriam e iam embora..brincou João. com o abuso do irmão. Mostrou as fotos para ele? . Não pude deixar de ser amiga da dona Marisa. Alguns instantes e Débora argumentou: Sinto muito. Quanto mais o tempo passava mais ela se apresentava muito triste e bem deprimida. Depois do aborto que sofri. Algo tão baixo e repugnante. .insistiu. Sueli não esperou ver Débora chegar até seu carro e entrou às p essas.. Sim. . João se aproximou dizendo: Que bom vê-lo! Trabalhamos juntos e quase não nos encontramos.. juras de amor e depois descobrir um homem sem caráter. Procure um psicólogo. . obrigada. se eu as tiver e ele souber disso. Seguindo-a até o portão.Ainda com as fotos nas mãos e olhar lacrimoso. No intervalo entre um paciente e outro. riu e gargalhou prazerosamente por sua vivacidad e e esperteza. Obrigada por me alertar. tudo bem? . Fiz isso para o Sérgio me dar sossego. mas não. Quando podia. para relatar todas aquelas mentiras. Sueli. Tubo bem. Agora. eu me afa stei. Daí. Reagiu para ser morta..Breve pausa e contou: Foi nesse dia que fomos assaltadas . Claro! Agora tenho um paciente.. se suicidar e acabar com o sofrimento. a jovem avisou: Agora preciso ir. Não im agina como ela sofreu com a morte da filha. Jogando-se sobre a cama. mas a Lúcia repentinamente reagiu!. Guardando as fotos na bolsa. Conversamos algumas vezes sobre isso e a Lúcia me disse que quer ia morrer. Tranqüilo! E a dona Antônia?.Sueli chorou.... E a minha única segurança são essas pro vas na câmera.quis saber Sérgio.insistiu desconfiado. pois ela é tão rigorosa com ele. E mais uma vez.. vil. Eu a julguei mal e. Sueli era rodeada pelo espírito Sebastião e seus companheiros que a induziram em nível de pensamentos tão infer iores e alimentaram suas idéias. porém não deixei de ser amiga da Lúcia. E você... Contou a ela? Não! . dizendo com voz trêmula: Desculpe-me. Mas você está bem? . quase melancólica: . após a porta ser aberta.. tentando animá-la eu a chamei para umas compras e a Lúcia desabafou coisas horríveis sobre as atitudes do Sérgio co m o abuso sexual e. C aminhou até a saída acompanhada pela outra e.respondeu e suspirou fundo com leve sorriso para disfarçar os sentimentos. Porém logo João não r stiu e perguntou: Por acaso conseguiu falar com a Débora? Não . Sérgio engoliu seco e respondeu em voz baixa. Fiquei com tanto ódio do Sérgio que terminei nosso namoro..a muito com o que precisava suportar do próprio irmão.. não aceitava.Levantaram-se e Débora parecia sem rumo. Sérgio correspondeu à brincadeira: Não deixe esse ciúme aumentar.. usava esses minutos para tomar um café ou uma conversa rápida com um dos colegas.Alguns segundos e falou: Sabe. Estão se dando como mãe e filha! Estou com ciúme! . Era uma tarde como todas as outras e Sérgio estava na clínica como de costume. A Rita?.. rapidamente.

Estou sentindo uma coisa... Um nó na garganta... Um aperto no peito... Podemos conversar depois? Lógico! Até mais! Bem mais tarde, após atender alguns pacientes, Sérgio colocou-se frente à janela pa ssando a admirar o faiscar dos últimos raios do sol que se punha entre nuvens entr emeadas de lindas cores celestiais. Apesar de seus olhos estarem cravados naquel a visão, em seu coração havia um sofrimento e uma dúvida que o atormentavam. Em seu belo rosto sério, via-se uma grande perturbação. Sentia-se prisioneiro de uma situação não reso vida, mas ainda guardava um fio de esperança para poder esclarecer tudo. Após suspir ar profundamente, Sérgio despertou e se desligou dos pensamentos preocupantes. Alguns instantes e consultou a secretária sobre o último paciente. Ficou sabendo que ele havia telefonado pouco antes e desmarcando a terapia. Diante disso, saiu de sua sala procurando por João, mas o amigo estava clinicando naquele momento. Foi quando ouviu a voz forte e alegre do médico que o chamou: Sérgio! Era você mesmo quem eu queria encontrar! - ressaltou animado. Em seguida, o psiquiatra pediu: Pode vir até minha sala agora? Sim! Claro, doutor! Adentraram no consultório e o doutor Edison falou após fechar a porta: Sente-se aí, Sérgio. - Vendo-o acomodado em uma cadeira, circundou a mesa, que os separava e se sentou, perguntando: Tudo bem com você? Sim! Estou com alguns pacientes que exibem históricos bastante interessantes e merecedores de certa atenção. Outros, mostram leves distúrbios de estresse e demonstra m uma rápida recomposição de comportamento. Tenho dois casos mais preocupantes, no qua l os pacientes apresentam distúrbio obsessivo-compulsivo, comportamento e pensamen tos ritualísticos e repetitivos. No primeiro caso, o quadro apresentado causou-me grande preocupação e o encaminhei ao senhor semana passada. É uma moça cujo distúrbio são p nsamentos obsessivos atemorizantes e bem horríveis. - Sérgio não oferecia trégua e, dian te da grande atenção do médico psiquiatra, resumiu: Essa jovem, aos vinte e três anos é e tudante universitária, último ano, e levou um grande choque quando o namorado rompeu o compromisso. Segundo ela, não havia outra mulher pela qual foi traída nem razões ap arentes para ele terminar tão bruscamente. A jovem se sentiu trocada por nada. Iss o a frustrou imensamente. Dizia que o amava muito e era capaz de fazer tudo por ele. Contudo, repentinamente, passou a odiá-lo. Queria vê-lo morto. Então se deu conta d e que os pensamentos, que começaram com idéias simples, passaram a ser impertinentes , fixos, obsessivos. A paciente apresenta uma ansiedade sob controle, muito raci onal. Seu Q.I. é elevado, e isso me preocupou. Porém, pelo fato de ela entender, acr editar e aceitar que existe algo errado em seu comportamento e pensamento, temeu alguma atitude desequilibrada e, sozinha, procurou ajuda profissional aqui. A p aciente relatou que passou a se sentir consternada, desgostosa a partir do momen to em que começou a ter idéias de que a vida familiar seria melhor se o seu pai morr esse. A jovem conta que, a todo instante, era prazeroso imaginar a sua vida, a s ua casa sem a presença do pai, pois ele poderia abandonar sua mãe a qualquer momento . Disse que essas representações mentais surgiam involuntariamente e apesar de ela q uerer deixar de pensar, não conseguia. Você se lembra o motivo primordial que a fez procurar ajuda clínica? A paciente contou que, a princípio, não deu importância, mas quando quis que um de seus professores morresse porque sua nota foi nove e meio, quando acreditou mere cer dez, ficou preocupada. Não só queria que o professor morresse, mas desejava matá-l o e planejava como fazê-lo. Em suas representações mentais, sabia que seria presa e co ndenada por homicídio, então achou ideal matar o professor, o pai e o namorado. Dess a forma, poderia alegar insanidade em sua defesa, já que os crimes pareceriam bárbar os e inexplicáveis para serem cometidos por uma jovem de seu nível, de sua cultura, de sua aparência... Além disso, lembrou que as leis são fracas, pois com um bom advoga do poderia ser absolvida ou encaminhada para tratamento por insanidade ou pegari a a pena mínima. Então, como ela disse, logo após essas representações mentais, sentia com o acordar de um pesadelo e acreditava que estava insana, pois se arrependia do q ue idealizava, pedia perdão a Deus pelas idéias absurdas, horríveis. Mas essas voltava m. Um detalhe interessante foi que a própria paciente percebeu que se entregava à li mpeza de seu quarto, à lavagem de suas roupas, higiene corporal e lavava seguidame

nte as mãos. Comportamento típico de quem deseja lavar as idéias, as representações mentai s ou atos já praticados. Você foi bem eficaz por identificar instantaneamente a seriedade desse tipo de distúrbio e encaminhá-la à psiquiatria. Principalmente por ter em vista a rapidez do p rocesso de desenvolvimento do quadro. Obrigado. Mas eu só tive êxito pelo fato da paciente ser objetiva e sincera, dese jando realmente se ajudar, equilibrar-se. Sérgio, você não acredita que em vez de distúrbio obsessivo-compulsivo, trata-se de u m distúrbio esquizofrênico ou um distúrbio de personalidade anti-social? A pessoa, a p rincípio, parece atraente, inteligente, mas mente, rouba, mata e muito mais, sem q ualquer sentimento de culpa, ou então simula cinicamente arrependimento pelo feito . Não seria o caso? Não. Eu descartei a possibilidade de um distúrbio de personalidade anti-social lo go de início. Conforme poderá confirmar em minhas anotações, analisei que a paciente apr esenta afeto por familiares e amigos, tem vida social e relações sociais positivas, prudentes e não desrespeitosas, tem relacionamento familiar saudável com os irmãos, ap esar das divergências consideradas normais. Os distúrbios esquizofrênicos apresentam c ondições e características mais severas através de pensamentos e comunicações desordenados, comportamento anti-social até bizarro. Os esquizofrênicos perdem a noção da realidade. São psicóticos. Apresentam uma paranormalidade falsa , algo que só existe em seus pensamen tos. Dizem ouvir vozes, alucinações táteis, olfativas ou visuais. Não falam com coerência etc. Diante do silêncio e vendo o médico bem reflexivo, Sérgio perguntou: O que diz sua supervisão desse caso? Falhei? Não! De forma alguma! Fez muito bem tê-la encaminhado para mim. Mas... Lá no fundo, Sérgio, você tem algo mais para acrescentar. Acredita que um brusco término de namoro pode desencadear, repentinamente, uma forma muito diferente de depressão e ansied ade após um único acontecimento que provocou decepção, frustração ou medo? Acha que tudo is o teve início aí, para essa jovem? Não - respondeu categórico. Acredito que esse foi o motivo usado para despertar a lgo adormecido em sua psique, alma ou mente, como queira. Usado por quem? E... Que algo adormecido é esse? Até hoje, a energia elétrica existe, sem que o homem possa vê-la, pegá-la para manipu lar... A eletricidade existe, mas não há grande e considerável entendimento sobre ela. Conduzida através de fios, podemos levar um choque, mas não a enxergamos se não por u m breve clarão quando há o contato com os dois pólos. Muitas crianças e até adultos já morr ram eletrocutados ao chegarem a alguns metros de uma torre de alta tensão sem tocá-l a. De acordo com a umidade relativa do ar, o campo magnético aumenta sua distância d a torre e amplia a propagação da energia, da voltagem e, conseqüentemente, o perigo, p ois a eletricidade está ali, mas não pode ser vista. - Antes que o doutor Edison o c obrasse por uma resposta às perguntas feitas, Sérgio sorriu, explicando: Não quero lhe dar aula de Ciência! Mas já temos muitas provas de que o corpo humano possui energi a e que o pensamento é uma energia. Vemos, aqui mesmo na clínica, que há clientes freqüe ntadores assíduos só das terapias de massagens ou acupuntura, mas essas pessoas, dep ois de serem atendidas por um e depois por outro profissional, acabam dando pref erência a um deles. Isso prova que a energia, o magnetismo do massagista, por exem plo, é mais compatível com determinada pessoa, tornando-se, dessa forma, uma terapia mais benéfica e restabelecendo a saúde física e mental muito mais rápido. Você está correto, Sérgio. Mas minhas perguntas não foram essas. Sim, eu sei, doutor. Só estou defendendo, antecipadamente, a minha conclusão para o que me perguntou. E, só para encerrar, gostaria de lembrar sobre a energia dos pensamentos. São inumeráveis os casos com os quais nos deparamos sobre pessoas que, repentinamente, sentiram uma angústia ou preocupação com outra que, naquele instante, precisava de ajuda ou sofria um acidente. Incontáveis pessoas podem relatar que, s em motivo aparente, decidiram mudar de caminho livrando-se de um acidente. Outra s perderam a hora, sofreram um mal-estar físico ou simplesmente não quiseram entrar em um avião que caiu. Podemos dizer que, de alguma forma, comparando à eletricidade, a energia invadiu o campo magnético dessas pessoas, permitindo-lhes uma comunicação e m nível do que estava acontecendo ou ainda por acontecer. Não se trata de mera curiosidade psicológica a comunicação mental, à distância, entre

s ou mais pessoas, mais conhecida com o nome de Telepatia. Isso é fato! Mas quando uma pessoa escapa de uma tragédia por se desviar do caminho habitual, sem explicação, desiste de uma viagem, perde a hora ou até sofre um mal-estar físico que a deixa pr ostrada, qual explicação você pode me dar? Que é uma comunicação em nível de pensamento. Sérgio, nesses exemplos tem uma única pessoa que se livrou de uma tragédia. Com que m houve essa comunicação em nível de pensamento? Com um espírito - afirmou com seriedade. Continuando: A alma sobrevive após a morte do corpo físico e, sem a matéria, o pensamento é o meio de comunicação do espírito, pois o pensamento é um atributo da alma. Vivo ou morto, sua alma estará onde estiver seu pensamento. Doutor, uma mente se liga a outra através do pensamento e por compatibilidade de afeição ou vingança. Nos dois casos, eu acredit o que há o despertar do que elas têm em comum. Então o espírito aproveitou-se daqueles m otivos para despertar o algo , o sentimento que aquela paciente tinha e desconhecia . O médico permaneceu tranqüilo por alguns minutos bem silenciosos. Depois question ou: Todas essas explicações e comparações foram para me responder que?... A paciente em questão sofre de um distúrbio que pode ser associado ao assédio espir itual recebido de um espírito que se aproveitou de um momento de extrema decepção, que foi o rompimento de uma ligação amorosa. Ela mesma admite que sofreu e se abateu po r sentimentos de desesperança. No entanto, sutilmente, passou a ter pensamentos ho stis e macabros, desejando a morte do ex-namorado, depois do pai, do professor.. . Acredito que a troca de energia mental com idéias atemorizantes, as quais normal mente ela não tinha, levou-a a um distúrbio por não conseguir se livrar de tais pensam entos, os quais se tornaram obsessivos. Por sorte, essa moça não teve qualquer temor ou preconceito em procurar ajuda clínica ao perceber que alguma coisa não estava no rmal em seu equilíbrio mental. Quando relatou sobre seus conflitos internos por me do de cometer algo insano, além de sofrer insônia, da intensa vontade de chorar, inc apacidade de relaxar, tensões musculares e outros sintomas que começaram a abatê-la, a creditei ser o momento de encaminhá-la à psiquiatria e com urgência. É provável que, diant e do quadro apresentado, haja necessidade até de intervenção medicamentosa. Porém... - O lhando-o nos olhos, Sérgio foi categórico: Sem dúvida alguma, essa paciente deve ser c onduzida à religiosidade para que haja uma mudança de hábitos, pensamentos e, conseqüent emente, uma elevação espiritual. Isso não significa reprimir os sentimentos, mas mudá-lo s e isso é reforma íntima! Somente dessa forma, ela romperá o laço de ligação mental com o spírito ou espíritos que se comunicam com ela através do pensamento e cujas idéias, a pr incípio, são sutis, sem importância, como que sussurros da própria consciência, quando, na verdade, são intervenções da vontade de um espírito atuando de mente para mente. Lembra ndo que tanto espíritos quanto pessoas se aproximam uns dos outros pela afinidade, pelas mesmas vontades, pelos mesmos desejos e atributos. A pessoa com elevação mora l e espiritual irá repelir a inspiração negativa, a transmissão de pensamento para pensa mento de um encarnado ou desencarnado que lhe perturba a organização das idéias que po dem levá-la a um desequilíbrio, transtorno ou distúrbio dos mais graves atos insanos, irresponsáveis... - Breve trégua e Sérgio comparou: Imagine a fé, a esperança e o bom âni de uma pessoa com conhecimento e elevação espiritual. Com certeza, isso vai minimiza r suas dores, seus danos físicos ou psicológicos e aumentar sua resignação e paciência. No s casos de intervenções espirituais, compare o conhecimento junto à elevação moral e espir itual com o aumento da umidade relativa do ar, que amplia a intensidade e a distân cia eletromagnética em torno de uma torre de alta-tensão, tornando a voltagem mais a lta ao redor da referida torre. Os que se arriscam, pela aproximação, eletrocutam-se sem conseguir tocá-la, podendo morrer. Assim é a aquisição de conhecimento, elevação moral e espiritual que repelem e, simbolicamente, eletrocutam os que desejam se apoder ar de sua mente sã. Total silêncio até o médico tamborilar os dedos sobre a mesa que os separava e, em seguida, apossar-se de uma caneta fazendo algumas anotações. Apesar de todo o esforço, por sua curiosidade, Sérgio não conseguia ler nada, mesmo esticando o olhar. Por fi m, o doutor Edison perguntou: Tem algo mais que deseja acrescentar? Ah!... Sim. Em meu relatório destaquei essa observação, mas gostaria de reforçá-la. Es

a paciente entrou em meu consultório e, após nos cumprimentarmos e se sentar, me fez duas perguntas interessantes e importantes. Quis saber se, apesar de formado e já exercendo atividade, eu submetia os meus pareceres clínicos para a avaliação de um ou tro doutor mais experiente. Ou seja, se eu me dispunha a uma supervisão. Afirmei e até expliquei que, no meu caso, essa supervisão era realizada por um médico psiquiatr a. E a jovem comentou que não queria se colocar à disposição de um profissional que se j ulgasse auto-suficiente, com sentimento de grandiosidade, pois, na opinião dela, a conclusão clínica seria duvidosa. E, em seguida, me perguntou se meu método era o da Psicologia Junguiana. E o que você respondeu? - perguntou o psiquiatra. Tentei ser breve, afinal, não era minha intenção dar aula. Falei que, em certos cas os, as teses freudianas explicam as influências e experiências em determinados compo rtamentos. Entretanto, sem dúvida alguma, Jung ampliou a visão da Psicologia e da Ps iquiatria ao comprovar que nem todos os transtornos, distúrbios e outros eram excl usivamente de caráter sexual da libido, como Freud afirmava. Com seu método de Psico logia Analítica, Jung designou Tipos Humanos e outros conceitos que explicam um co njunto de representações psíquicas sem qualquer controle efetivo do Eu7. Minhas explic ações foram com palavras mais simples, claro. Porém com essas questões imprevistas, para mim, a paciente demonstrou que realmente deseja ajuda, sabe reconhecer um profi ssional e qualificá-lo. Além disso, aparentou inclinação espiritualista e mais tranqüilida de quando em conversa. O que quer dizer com: inclinação espiritualista? Que a paciente se mostrou resistente a um possível envenenamento mental, ou mel hor, não admite se deixar dominar pela sintonia enfermiça de agentes psicológicos que, provavelmente, possam ser oriundos da energia mental dos desejos de desencarnad os ou até encarnados. Veja, doutor Edison, a comunicação mental a distância é comprovada c omo falamos. Estudamos muitos casos inexplicáveis de pessoas desaparecidas, que já e stavam mortas, e guiaram algum familiar, um desconhecido ou até um policial a enco ntrar seus corpos nos locais mais improváveis. Isso é comunicação em nível de pensamento! Não podemos negar essa possibilidade! Se o senhor... O psicólogo disparou a falar, mas foi interrompido educadamente: Espere. Calma, Sérgio. - Após segundos, o médico comentou: Carl Gustav Jung, o médic psiquiatra suíço que detonou o Pai da Psicanálise, Sigmund Freud, em muitas teorias s obre a libido, com a publicação do livro Wandlungen und Symbole der Libido, cuja tra dução original do idioma alemão é: Símbolos e Transformações da Libido... - tentou terminar as foi interrompido. Mas em sua publicação no idioma português recebeu o título de: Símbolos da Transformaç completou Sérgio sem trégua. Exatamente! - empolgou-se o psiquiatra. Nessa obra, Jung leva adiante sua lin ha de pensamento bem seguro de que o desejo sexual, a energia psíquica que provém do instinto sexual, cujos relacionamentos particularmente importantes aparecem em conseqüência de traumas, influências, experiências sexuais ou desejos sexuais da libido na infância. Essa energia psíquica não determina a conduta da vida de um indivíduo, não te m exclusivamente só o caráter libidinoso imposto por Freud. Jung denominou seu método de Psicologia Analítica, no qual alguns conceitos centrais foram o de: Tipos Psico lógicos; Complexos; Inconsciente Coletivo; Teoria dos Complexos... - Segundos de p ausa e o médico comentou: Nas características da formação dos Tipos Psicológicos, Jung mo tra-nos como são diferentes as psiques das pessoas, ou seja, a alma, o espírito, a m ente das pessoas são individuais! O vocábulo Psyché é de origem grega cuja tradução é Psiqu E na mitologia grega, Psique era a personificação, a representação da alma, do espírito, d a mente, que correspondem a uma coisa só. Ele identificou e descreveu processos ps icológicos que, ligados em várias combinações, determinam o caráter de um indivíduo, provan o-nos que uma pessoa específica tem um comportamento exclusivo. Trabalho esse que demorou cerca de vinte anos no campo da Psicologia prática, experiências e estudos! A Tese de Doutorado de Jung foi com base em investigações do comportamento mediúnic o! - lembrou Sérgio. Sim! E freqüentando sessões espíritas, o Pai da Psicologia Analítica revolucionou o c ampo da Psiquiatria e da Psicologia, como você lembrou. Quebrou ao meio as teses f reudianas de que os fenômenos do inconsciente se explicavam somente pelas influência s e experiências na infância relacionadas ao sexo ou desejos sexuais da libido.

A conversa sobre Psicologia Analítica - Junguiana - prosseguiu até Sérgio argumenta r:

Pensei que não aceitaria minhas opiniões e... Minha Tese de Doutorado, em Filosofia da Religião, foi baseada e defendida com estudos de casos de distúrbios e transtornos com prováveis intervenções espirituais, sem elhantes ao dessa paciente. Sério?! É verdade?! - surpreendeu-se o psicólogo. Lógico! Por que eu mentiria?! - riu o médico. Por acaso o senhor é espírita? - tornou Sérgio, curioso. Sendo o Espiritismo a filosofia mais ampla em explicações racionais e ecumênicas qu e já estudei e estudo, posso afirmar que a religião do psicanalista ou do psicoterap eutas não importa se ele tiver a mente aberta aos esclarecimentos inegáveis da filos ofia e ciência do Espiritismo. Ele deve ser realista aos fatos históricos do mundo c omprovados por estudos. Que ele não queira converter ninguém à sua religião, seita, filo sofia ou até a própria Doutrina Espírita. Quando o paciente não é ateu, não é evangélico ou estante, mas católico, budista, umbandista ou outras religiões ou filosofias espirit ualistas ou mesmo espírita, fica bem mais fácil à terapia e a busca por soluções. Apesar d e espiritualista, ou seja, de acreditar que a alma vive após a morte do corpo físico , os pacientes de linhas religiosas protestantes ou como se denominam: evangélicos , têm a visão ou a compreensão muito limitada, são adversos, totalmente contrários ao mund o real dos espíritos, pois eles só acreditam em céu e inferno. Esses são os pacientes ma is trabalhosos e os que merecem mais atenção e cuidados da nossa parte. - Ele sorriu ao avisar: Respondendo a sua pergunta, sim, eu sou espírita. Um espírita imperfeito e em evolução, mas sou Espírita - riu. Sabe, Sérgio, não há como deixar de admitir essa trina filosófica e científica vivenciando um trabalho como o nosso. Compreendendo os conceitos da Psicologia Analítica, criada por Jung, comprovando os Tipos Psicológic os, o Inconsciente Coletivo e outros... Relacionando com a influência dos espíritos sobre os acontecimentos da vida, os pressentimentos, a penetração das idéias dos espírit os em nosso pensamento, fluido universal, matéria, espírito... Penas e gozos terreno s, a loucura e suas causas... Reencarnação. Não há como negar! É tudo o que vemos em nosso trabalho. É o que procuramos ajudar. As criaturas humanas são diferentes e agem dif erente diante do mesmo fato, pelas diversas experiências em vidas passadas. Como e xplicar um trauma ou distúrbio que não tem origem nessa vida?! Os profissionais ness a área que se negam a essa crença, independente de suas religiões, só posso dizer, lamen tavelmente, que eles são encarnados necessitados de muita elevação moral e espiritual. O medo de conhecer a verdade que os libertarão é tamanho que eles se negam a fazer uma pós-graduação em Psicologia Junguiana, Psicologia Analítica, para terem uma nova visão sobre o trabalho que realizam. Eu não aceito estender assunto e discutir com prof issionais puramente da linha freudiana, inflexíveis por não conhecerem a linha jungu iana. Não seria prudente dar predileção a um método quando se desconhece o outro. Só aceit o discutir as preferências de profissionais da área que possuem formação nos dois métodos, nas duas linhas: freudiana e junguiana. Caso contrário estarão falando de algo que não conhecem... E... Baseados em que, podem defender um e desmerecer o outro? Ambo s os médicos, Freud e Jung, dedicaram suas vidas à procura de explicações para o que vir am, pesquisaram e vivenciaram ao longo de suas carreiras. Eu acredito que cada u m deles viveu para o seu propósito e ambos são importantes dentro do que se propuser am a explicar, cada um a sua maneira. Portanto, como profissionais que somos, de vemos estudar os dois, para em seguida dizermos com conhecimento de causa a quem devemos dar preferência, dependendo do caso em particular. Entende?! - Depois da explicação enfática, continuou: Como você bem lembrou, em outras palavras, as teses de F reud explicam determinados comportamentos, mas Jung ampliou a visão ao comprovar q ue nem todos os transtornos, distúrbios são de origem sexual, como Freud afirmava. Alguns segundos de reflexão e continuou: Negar-se a conhecer outras realidades é au sência de elevação moral e espiritual. Veja, quando eu falo de elevação moral, não me refir a deixar de praticar sexo, ser uma pessoa séria, rígida, sem sorriso, deixar de bri ncar, ser fria diante dos fatos acreditando que tudo acontece pela vontade de De us. Não! Todo extremo é prejudicial! Estamos encarnados para harmonizarmos um débito d o passado ou, talvez, para a nossa evolução e busca de equilíbrio. Devemos praticar se xo? Sim! Mas o sexo é um compromisso de troca de energias espirituais e com provávei s conseqüências físicas como uma gravidez ou uma contaminação por vírus, bactérias e outros

O pai de Jung era pastor protestante . pois acredito ter ganho um outro. Mas não deixei a depressão me der rotar e fiz uma nova especialização na área da Psiquiatria. mas não completas e bem limitadas nos sentimentos. Creio que ambos os mestres são importantes e se co mpletam de acordo com cada caso. A religiosidade pode intervir no profissional. sofri um aciden te de carro e fiquei cego. Após algumas cirurgias supervisionadas p elo Médico Professor Doutor que reconheceu e elogiou meu trabalho. bud stas. Posso dizer que é o meu melhor aluno. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará . Sei que não posso generalizar. Os jude us acreditam na ressurreição. s abem ouvir. Hoje em dia o profissional da Psicoterapia o u Psicanálise que se fechar aos novos conhecimentos. Esse sentido não me impressiona como no passado.. ao desejo de obter qualquer f orma de prazer.. Devem os sorrir? Sempre que estamos felizes! Mas lembrar que em alguns momentos essa e xpressão de sentimento é inadequada. Talvez Freud. à filosofia reencarnacionista dos espíritas. Tudo para Freud era de caráter sexu al e Jung derrubou essa teoria.. Puxa!. Devo afirmar que fiquei incrivelmente satisfeito e até surpreso com sua análise nesse caso. Mesmo assim.disse o doutor Edison. São teses presas aos instinto sexual. A religiosidade do profissional pode. Ele me impressionou. . Ele não está totalmente equivocado. verdade e explicações científicas. especializei-me em cirurgia c ardiovascular e. abre um leque imenso de informações e aperfeiçoamento. o que a ciência prova ser impossível. uma aula para uma turma de pós-graduação. Hoje. Eu adorava os centros cirúrg icos e sabia que eu era ótimo no que fazia..ntão devemos pensar muito... interferir. em neurocirurgia cerebral. à budista. vejo e sinto muito mais do que antes! Despertou em mim um outro se ntido humano difícil de explicar.. Por que me deixou dar tantas explicações e exemplos? Eu e stava a fim de defender minha opinião e pensei que o senhor iria protestar! Não bast ava me interromper e dizer que agi corretamente? Que o senhor entendia por que é e spírita? Eu sou psiquiatra. eu disse: Psiquiatras! Acordem! Tenham fé e se curem da cegueira materialista do mund o que vêem. hinduístas. Eles não aceitam nem os fatos históricos! Continuam protestando se m buscar conhecimento. nem aceitou a reencarnação. ao término. Sérgio! . Devemos deixar de brincar? Não! Mas brincar de mo do saudável. Mas Jung foi muito m ais além e concordava com muitos princípios de Freud. sem agressividade ou ofensas que firam os outros! Creio que dificilmente um psicólogo ou psiquiatra evangélico. ao espiritualismo reencarnaci onista. por exemplo. será enganado ou uma fatal vítima d a ausência de conhecimento. entre outras. . Adoro analisar pessoas. refletir.. Nem sempre. pois a seriedade é sinônimo d e atenção ao aprendizado.exclamou Sérgio timidamente. o maior Psicólogo da Humanidade e ainda afirmou: A tua fé te curou .. ou energia psíquica. sor rindo. Mas doutor. entender. Jung quis e buscou o conhecimento de todos os seus Porquês . pensamentos e experiências a partir do nascimento. Tudo para eles é porque Deus q uer! É milagre de um anjo ou maldição de demônios. quando o assunto é importante. ao contrário. a princípio. O profissional da área psíquica que buscar conhecim ento em todos os agrupamentos de seus estudos. Mas. não se aprofundou em estudos de antes do nascimento. que é voltar a viver no mesmo corpo físico. à filosofia espírita. por ser judeu. Pensei: por que eu? Jovem.. parece que eu vejo e entendo a alma dos paciente s e não a aparência física . pois esses são bem tolerantes. capacitado. Ele não aceitou a lê cega imposta pelo pai. Saber com quem trocamos essas energias! Perguntar: que tipo de energias recebi? De quem recebi e quais conseqüências espirituais isso me tr ará? Devemos ser sérios? Sim. protesta nte se inclinaria às aceitações espíritas. Obrigado.. Fiquei revoltado. mesmo sobre uma opinião negativa aos nossos conceitos. bonito. com um futuro promissor!. existe muito mais além do corpo físico! .In stantes de reflexão e contou: Outro dia em. mas a ma ioria é assim. talvez. Estagiei. Muitas teses e teorias freudianas são válidas e importantes. na qual não preciso usar os olhos. depois de pouco tempo. porém Jung ampliou o papel do in consciente enfatizando que a libido. Ao contrário dos católicos. frase do Mestre Jesus. representa todas as forças vitais e não somente as sexuais como Freud impôs. traumas ou transtornos de vida anterior a essa. eu estava satis feito e feliz pela minha capacidade. ou melhor.riu com gosto.. Queria arra ncar do fundo de sua alma as explicações de sua fé que justificassem seus instintos! P recisava saber qual o alicerce de conhecimentos usados para suas conclusões ou se . Mas. Repentinamente um aluno levantou a mão e falou: Fiz todo o curso de Medicina.

Prefir o conversar a respeito dele em outro momento.. Depois perguntou: E o segundo caso? Li suas referências.. Sérgio. extremamente introvertido. Estarei atento. meu irmão. Como o senhor quiser . Não está sendo fácil convencê-la a uma consulta psiquiátrica. pois qualquer mudança comportam ental pede imprescindível rapidez na disposição de outro método de tratamento. Quem sabe. Não entendo como ela tomou essa postura.. dará incentivo e apoio. vazio. Além de flexível. sinto-me ansioso. . O senhor a conhece e pôde notar o quanto ela é educada. Soube. Fiquei bem atarefado e não tivemos tempo par a conversar.. E se não acontecer. Sem que Sérgio esperasse.. sem a inst rução que buscou através de muito estudo. Mal detalhamos algumas supervisões e.. Tal bloqueio o leva a dar extre ma atenção ao que se dedica.Sorrind o. Sérgio? Veja. deprimido.. Podemos conversar agora ou tem algum compromisso? Podemos conversar. avisou brincando: Pode deixar. E sua amiga que desejava tentar suicídio e?. por você mesmo. quando tomar conhecimento da realidade dos fatos por outra s fontes. Foi por isso que contei o que aconteceu comigo daquela forma tão. Todos os fatos como em um rel atório encaminhado ao seu comandante na polícia. Diminuir meus valores e deixar que essa situação . o s enhor se coloca em último lugar.. . Sente-se aí. em breve. Se ela precisa de um tempo para pensar e quiser me procurar depois.. O senhor sabe de tudo e.. mas desejaria que fosse agora! Às vezes. mas precis o informá-lo de que não prescreverei medicação química ou drogas fortes para essa paciente . como referência materna. .. o médico argumentou com tranqüilida de: Não sou somente seu supervisor.. Procure ficar mais à vontade. E um caso meritório de atenção urgente e sem dúvida conduzida à religiosidade para mudança de hábitos e elevação espiritual. Talvez. Sérgio respirou fundo e sorriu. mas eu acredito que. Penso que poderá s er persuadida pelo Tiago. por que estou usando termos clínicos? Força do hábito . um dia . Entretanto.. e a dona Antônia.respondeu educado e levantando-se. rapaz. Após segundos.Sem demora. tornando-o ótimo no que faz. . Ela v irá. proponha-se a conversar. A Rita e o Tiago são b em amigos.explicou o médico.. Tenho idade para ser o seu pai e o consider o como filho. Porém. f rágil. o doutor Edison perguntou: E você?! Eu?!.. o rapaz comentou: Sabe. . E a dona Antônia. tudo o que aconteceu. A propósito.. doutor Sérgio! Esse caso merece extrema atenção... Tudo aconteceu muito rápido.. Estou preocupado com você. mas sim como amigo.. É questão de pouco tempo. Só me resta esperar isso acontecer. Aquele é mais complexo e gostaria de analisá-lo melhor. Ah! Sérgio! A propósito. Procurou-a novamente? Desisti. A Rita é uma pe ssoa inteligente e receptiva. Parabéns! Você foi ótimo! E. não posso parar minha vida. doutor Sérgio. a paciente retornará a lazer terapia com o senhor! .Um instante de pausa e falou: Gos taria de saber dos acontecimentos com as expressões mais profundas de seus sentime ntos. Sei que quanto mais demo ar a tratar de um distúrbio de estresse pós-traumático ou agudo é pior... Considero-o muito. O seu Tipo Psicológico. Quer conversar a respeito? Não me veja como profissional.f alou de modo brincalhão.. eu tenha essa chance. Não acha que merece mais atenção da sua própria parte? Vendo pela primeira vez Sérgio fugir-lhe ao olhar. Contou-me só os fatos. auxilia-o na repressão de seus complexos ou problemas íntimos e o faz bloqueá-los. conversam muito e acho que ele conseguirá trazê-la aqui. mãe do João. sorrindo. sensível.você apenas estava defendendo uma teoria sem o verdadeiro conhecimento... tem uma personalidade tranqüila. Acredito que ela corresponderá muito bem aos homeopáticos e fitoterápicos de um modo geral. confessou com expressão séria: A presença da Débora na minha vida foi algo muito significativo e essa ruptura. Con do totalmente com você sobre ela necessitar de intervenções medicamentosas.Suspirou rápido ao afirmar com emoção: Eu amo a Débora! Gostaria de uma oportunidade para explicar a ela o que aconteceu. de seus desejos e pensamentos.Riu de si mesmo e reclamou: Mas que droga.. Por quê? Já fiz isso demais.

Depois continuou: A Débora passava por um momento difícil. Vendo-a surpresa com su a atitude. E sperava há horas e. sem o apoio da famíl ia e.gritou desesperado. quando a secretária praticamente gritou: Doutor Edison. vil. Procurando tr anqüilizá-la. apesar do choro. existe algo que o aflige. a Lúcia se matou por sua causa ! Ficou louca. Imaginei que assumiria seu arrependimento por tudo o que já fez! Que até se propori a a um tratamento. Sérgio.gritou ela. certo? Além do mais. ele contou: Não tem o direito de me acusar! A Rita tentou se matar! Foi violentada pelo tio! Eu a levei para minha casa. Naquele instante. nas minhas férias. Você se acha civilizado?! Normal?! Se você não é um demen e. Mesmo assim. sem agressões verbais. mas vontade não me faltou! Nunca houve filho alg um! Ela é louca! Como pode acreditar que eu e minha irmã. Fui acalmála. é capaz de acreditar na Sueli?! Jamais agredi a Sueli. inescrupuloso.. Você não sabe o que aconteceu! . o Tiago no outro e eu fiquei na sala sem sono pensando no que te aconteceu! Quer confirmar isso?! Verifique as horas de todas as minhas ligações para você! Acho que estava quase amanhecendo quan do eu desisti de ligar e a Rita teve um pesadelo.perguntou. po is quero saber do que você está falando! . Débora aproximou-se de Sérgio. é um safado! Acalme-se Débora. eu não pude fazer nada! Ela queria falar com o doutor Sérgio!.murmurou o rapaz com nítido nervosismo na voz grave. falou com voz trêmu la: Precisava vê-lo! Precisava olhar em seus olhos para acreditar como alguém pode se r tão cínico. sem se importar com o doutor Edison que ficou feito uma estátua em pé frente à mesa. Pare.. Se não bastasse eu vê-lo dormindo junto com a minha melhor amiga!.. pediu gentilmente: Vamos para a minha sala e conversaremos como pessoa s civilizadas. Tentei encontrar você. educado e sem lembrar que estava na sala do médic o: Por favor! Pode deixá-la entrar. Débora?! ... a porta da sala foi aberta abruptamente e as vozes feminina s estavam alteradas.interrompeu-a num grito. sentei ao seu lado e conversamos! Se eu peguei no sono. tudo é mu ito recente. Respeite a presença do doutor Edison. do Tiago... Sinto um medo inexplicável por essa situação que ela p assa e.. uma coisa que não sei explicar. Civilizado?! . Depois de tudo. Até eu preciso de um tempo para pensar. tão cruel. Débora . que está nos ajudando?! Eu sei de tudo.. Estava com dívidas.. mas não retornou nenhuma das minhas ligações! Onde você estava quando mais precisei?! Então a Rita teve de dormir no meu quarto. Estou sentindo um nó na garganta.. Afinal de contas. apesar disso. Vamos para minha sala.. Débora chorou ao dizer: Eu confiei em você. Você é muito inteligente. Um aperto no peito. Confiei demais! Pensei que fosse honesto e me pediria perdão.. Ao encará-lo.. quando lhe entregou as fotos nas mãos. enquanto perguntava baixo e pausadamente: . abaixando o olhar triste e perdido. pediu... Sérgio levantou rapidamente e virando-se ficou assombrado ao ver Débora na sala d o consultório. Ela o interrompeu com a voz mais segura. Tem muita confiança em si mesmo e é isso o que me preocupa. Assim que a secretária fechou a porta.. Isso me preocupa muito.. Sérgio! Conversei com a Sueli e ela me contou que a agrediu a p onto de ela abortar o filho que esperava! Um filho que era seu! Você a agrediu por ela descobrir o incesto entre você e a Lúcia! Você forçava a sua irmã a se relacionar sex ualmente com você! E na oportunidade daquele assalto. talvez. . entrou em desespero. n conseguiu deter as lágrimas nem a respiração ofegante. da dona Antônia.revelou.propôs bem firme e ponderado. Não posso minimizar a concentração no que faço por causa a falta de maturidade de alguém que eu amo e não quer conversar comigo para ouvir a minha versão dos fatos... Mas não! Quer que eu acredite nessa história absurda?! Por que absurda?! Que provas tem contra mim?! Como pode me acusar se não ouviu a versão da Rita. eu cuido de pessoas que pre cisam de ajuda e merecem atenção. lá no fundo. Seria irresponsabilidade minha. deixando mil recados. sem emprego. encarando-a com olhar firme.interfira no meu profissionalismo. Sinto que. foi porque não agüentei mais ficar acordado te esperando! Aquele foi um dia terrível para mim! Você é capaz de entender isso?! .

Apontando para o outro médico.. * * * Sérgio acordou e se viu deitado sobre a mesma cama. Num grande esforço. Isso tem uma explicação. .. mas. pára próximo do leito e o rosto tranqüilo. Desculpe-me por invadir seu consultório. Mas não posso ficar ao lado de uma pessoa assim. pálido feito cera. Impiedosamente. sem forças e decepcionada: Cuide bem dele.. Sérgio sentia-se inteiramente acor . doutor Sérgio! Pensei que fosse dormir o dia t odo! . Vendo-o petrificado. deitado de costas. surgiu sorrindo: Ora! Ora! . novamente. o coração batendo com dificuldade e.alegrou-se. Débora ainda falou em tom brand o. Caso comece a se mex er. olhou para o lado reconhecendo a figura do médico amigo. Tentando se virar. ma s não conseguiu dizer nada.... Virando-se. Eu e a Sueli temos outras. Uma conversa em voz baixa a traiu sua atenção. O Sérgio precisa de aju da.. contrações súbitas da muscul tura de duração variável. naquele instante. Pode ficar com as fotos. não é?! É a sua cama?!. Débora ainda o torturou ao pergu ntar em tom brando: É impressão minha ou esse aqui é você. o médico o segurou pelo braço ao perguntar: Você está bem? O rosto branco e gelado voltou-se para o doutor Edison e tentou balbuciar. o rapaz deu um gem ido de lamento alucinante.Sérgio tinha as mão s trêmulas ao olhar as fotografias. ela questionou: Ainda quer que eu acredite em você.tornou o outro.. .. você re cebe uma medicação intravenosa adequada que vai aliviá-lo da dor. Bom dia. Que horas são? . deitada sobre você?! É o seu quarto.tentou se defe nder. doutor Edison. 20 .Lágrimas correram pela face e ela ainda acrescentou: Eu o adoro.. o rapaz levantou a cabeça e chamou com voz fraca: Doutor Edison.. . Sentia a boca seca. Correndo ao seu lado. até um sopro de frio mortal atravessá-lo como uma espada. olhando-o firme. Como assim? Onde estou? E.chorou. Confiei nele. mas se quer mesmo saber são nove horas da manhã.Breno aproxima-se de Débora Remexendo-se lentamente no leito. Petrificado.Como não acreditar na Sueli?! Veja. alerta. era tomado por uma espécie de adormecimento que começou a reduzir as dores. A perplexidade não o deixava concatenar as idéias e um torpor o dominava. a moça saiu sem olhar para trás. mas sentia os pensamentos confusos.. pálido e mudo. Foi no exato momento em que as lembranças chegaram ter ríveis como o clarão de uma explosão de recordações. pois sentia doer todo o corpo. apresentou: Este é o doutor Vicente. mas espe rei por mais de uma hora e meia lá fora. Através do soro. Estávamos conversando. e a Lúcia. As fotos falam por si só..brincou... Apesar da visão embaçada. Não sei qual a utilidade.perguntou Sérgio. que teve enquanto perdeu os sentidos devido à exaltação inesperad nas funções orgânicas produzida pelo nervoso extremo e estresse. E. fazendo-o olhar para o lado e ver o doutor Edison em companhia de outro médico..pediu a voz tranqüila do doutor Edison.. brincando. que escurecia sua visão. Não reconhece um hospital?! .. fechando vagarosamente a porta. filho . precisaremos imobilizá-lo. Não conseguia entender o que estava acontecendo. ua irmã.. Cumprimentando rapidamente o doutor Vicente. Sérgio estava em choque.. Não entendo por que ele me enganou ta nto. Sérgio?! O que tem a me dizer agora? A versão da Sueli sobre isso é mentira. Calma. Em seguida aconse lhou: Não se agite. Calma.. . Por um instante.. completamente nua. Essas dores são resultados dos espasmos. pois eu já i a embora.. Não tentou dizer nada. Alguns passos. . contornado pelos cabelos grisalhos e cacheados do amigo. . Não quero ouvir mais nada . Seu corpo caía lentamente como se fosse tragado..Virando-se para o médico. Sérgio ouviu o som de passos vagarosos aproxi mando-se dele. afundan do em uma sombra. o rapaz olhou para o médico e acenou positivamente com a cabeça.disse.

doutor Edison?! Estou me sentindo bem demais para fi car num hospital! Preciso ir ao trabalho e.. Aproveite e descanse. ficou pálido e tentou falar. A jovem sentiu verdade em suas palavras. Em todos disse que tinha a contecido uma coisa grave e pedia para eu ligar... Ela sentia que havia algo errado naquela história. Melhoras! O outro médico ofereceu leve sorriso e..exclamava Yara. Apesar de nunca tê-lo visto tão austero... que a Rita estava lá e precisava de mim.Débora falava brandamente.. avisou mais calmo enquanto caminhava: Eu trouxe um livro para você. Você não entende! Ele encheu a caixa postal do celular. Você viu as fotos! Quando contou que mostrou para ele.Brev e pausa ao perder o olhar ficando pensativa.. Sérgio! . informou: Eu só queria confirmar se o s outros recados deixados na secretária eletrônica foram após esse horário e o que dizia m. pois tentava ignorar um frágil conselho que lhe sussurrava no fundo da alma a favor de Sérgio. você não tinha o direito de apagar os recados deixados na minha secretária! Por que está tão irritada?! De que eles adiantariam?! Para que ouvi-los?! Só se você for masoquista e quiser sofrer mais! E pare de gritar. Débora estava nervosa com a atitude da irmã e reclamava: Yara. Ele tremia.. Eu não acredito. Não pareceu mentir. apressou-se para acompa nhar o doutor Edison. Quando eu disse que sabia de toda a verda de. O que ele contou e a forma como contou ofereci a ao rapaz um voto de confiança. Ele esbravejou e se defendeu bem firme. pedindo para eu entrar em contato.. inconformada. À tarde volto para vê-lo e decidir se merece receber alta ou se precisa ficar mais tranqüilo. Mas. Se eu pegas se meu namorado dormindo na cama com a minha melhor amiga!. Trazendo os pensamentos em ruínas e sofrendo com os conflitos interiores. Ainda disse que me amava. refletindo so bre cada detalhe: Havia sinceridade em suas palavras. Esforçando-se para sentar. Questionou como fui capaz de a creditar na Sueli. Ainda tem alguma esperança de que esse safado pode se defender de tudo o que você mesma viu?! Ah! Não! . Ah! Eu matava os d ois! Além dessa magnífica cena. Yara! Deixe-me pensar! Por favor! Pensar em quê?! Foi algo que o Sérgio falou sobre a Rita tentar se matar e para eu verificar os recados que ele me deixou e os horários. . ele não entendeu sobre o que eu estava falando. em seu o lhar penetrante que invadiu seu ser. deixando Sérgio aturdido.. E o que posso dizer por agora. O último recado foi quase às duas da madrugada.. pergunt ou afoito: Não vai me deixar aqui. O Sérgio não sabe menti r e ele estava bem franco. não é. mas sua voz pareceu fra .. . porém não sabia o que era. * * * Em seu apartamento.. Eu o conheço. Sérgio nem pensava enquanto falava.Virando-se para sair.. sem dizer nada. O doutor Vicent e cuidará de você. Sérgio ainda tentou protestar: Mas eu penso que.. pediu: Espere. Gritou ao dizer que nunca a agrediu e disse com lealdade que não faltou vontade para isso. Preciso ir.. Você falou e pensou hoje mais do que devia. Não suportando. Tudo há seu tempo! Não acha? Ficará em observação até ar vinte e quatro horas de sua internação. a não se r deitar-se novamente ou ler. Nunca vi o Sérg io daquele jeito. No tom de sua voz aflita e firme ao dar tan tas explicações. falou: Ainda bem que eu tirei cópias ou você seria capaz de dizer que não viu direito aquela atitude imunda d ele com a irmã! Enquanto Yara vociferava e gesticulava andando de um lado para outro. ao pegar as fotos que entreguei. não parava de falar e sua energia devorava o fio de esperança que existia em Débora. avisou que estava em c asa. Se eram mais detalhistas!. Mas Yara. No último.interrompeu-o firme.. apesar de inconformado. inspirada por espíritos malfeitores. Afirmou não haver filho algum. Está aí ao lado. Perguntou se eu estav a louca. Débora se ntou-se cabisbaixa e desolada... Débora! Depois de tudo o que a Sueli contou e te provou com aque las fotografias!. . confuso e sem alternativas.dado e lembrava-se de cada detalhe do ocorrido. o cara não negou! Disse que a Sueli mentiu! Em instantes.

Contou para ele sobre mim e o Sérgio?! Contei! Qual o problema?! Chega de mentira! Já bastou aquela história que você inve ntou sobre estar grávida do Sérgio só para afastar o Breno. indicando: Você! Seja hábil com o chicote. Débora se deixava convencer pela irmã.Pequena pausa e comentou menos irr itada: Lembra a mentira que contou ao Breno sobre estar grávida e era por isso que ficaria com o Sérgio? Ele ficou triste. Imediatamente Yara tomou a iniciativa de atender. Enquanto isso. deixando-a ne rvosa. Eu disse que você estava com problemas. Agora o Sérgio por qualquer coisinha fica todo nervosinho! Qual é?! Não vou esquecer quando cheguei aqui e vi v ocê chorando feito uma condenada por causa do Sérgio! Um cara que te agrediu com um chacoalhão. beijando-lhe o rosto ao pergunta r: Você está bem. . tive a impressão de que ele começou a passar mal. aproximou-se e sentou ao seu lado. E veja como ele é um cara ba cana. com as habilidades no emprego das técnicas sugestivas. o nosso irmão. Sem a Débora. Eu não poderia dizer p ara não vir. minha amiga? Ela o encarou com os olhos empoçados em lágrimas. Mas como?! Não. eu não t eria ouvido e sofrido por mais de um século. com você abraçando-o pela cintura. Débora estava visivelmente abatida. a jovem ficou envergonhada. Aliás. Eu deveria ter conversado ou ouvido como ele propôs. avisou: Mandei subir. Pensei que fosse desmaiar. Não procure justificativas para o que não tem defesa! Ele é safado e esperto! A corda.. Sebastião urrou. imagine se morassem j untos! Na espiritualidade Sebastião ria com gosto e saboreava.ca e gaguejou. com o ânimo reduzido a migalhas. o sofrimento experimentado por Débora e Sérgio. o Sérgio fica mais fraco. para organi zar esses atrapalhados. quando soube que era mentira. Secando-as com as mãos.Reunindo os espíritos que desejava. Sebastião ordenou como se rosnasse com ferocidade. ouviu e das provas incontestáveis contra el e dormindo com a irmã. Depois quando soube que foi mentira sua. seus vermes malditos! Somos soldados guerreiros! Ajeitem o grupo e me sigam! . apon tando: Vocês! Vão tomar conta do desgraçado do Sérgio! Corram! Ficarei aqui para não perder qualquer oportunidade. Não demorou muito e o interfo ne tocou. grosso com as palavras e virou as costas te desprezando e não querendo conversar! Pense nisso! Se agora o sujeito é assim. Vão! Vão logo! Os outros ficarão comigo. Débora! . deitada sobre o Elcio. Breno modero u o sorriso. deixando a coitada tão desesperada que até se matou por isso?! Não acredito que esteja defendendo esse doente. as pernas sob re as dele e ele meio coberto por um lençol?! . porém não sei o que me deu! O Sérgio. Gritando para um grupo de espíritos gro sseiros que o acompanhava.gritou Yara. olhando-se e misturando-se sem sab er o que fazer. Sinto um arrependimento por isso!. Ao retornar. aquele covarde não teria desertado. exigindo dos demais: Vamos. Débora! O Sérgio te enganou! Quer continuar te enganando e pelo visto está cons eguindo! Ele não quer manchar a sua imagem de doutor Sérgio! . mas não fiquei para saber. No instante em que a campainha tocou. nem ligou e continuou seu amigo. É o Breno. Ele disse que havia uma explicação.Vend o-os como um grupo de soldados desorientados. mas respondeu: . Foi frio.. mas não reagiu. Yara! Não quero conversar com ninguém! Ele ligou antes de você chegar.. avisou: Entre. triste e ele não agüentou saber de seu sofrimento e pediu para vir aqui. só iria te enrolar ! Ele é profissional nisso! Pense comigo: como você explicaria uma foto com você nua. o servo daquele líder saiu rapidamente para cumprir as ordens de forma alucinada.falou com ironia. Yara abriu a porta sem se importar com a irmã. com satisfação e orgulho. Depois de cumprimentar Breno.Débora não disse nada e a irmã esbravejo u: Deixe de ser idiota! Queira quem a quer! . c om pensamentos tristes e conflitantes. Se não fosse por ela. também não disse nada e continuou seu amigo. ou eu mesmo manusearei uma boa tira de couro em suas cos tas para que aprenda botar juízo naquelas cabeças! O servo arregalou os olhos horríveis e inquietos. Essa infeliz precisa pagar por tudo o que fez. Você é louca! Depois de tudo o que viu. a Débora está aqui na sala. que não demoraram a escorrer por sua face pálida..

uma atração física qu e o influenciava de maneira poderosa e anormal. Após entregar-lhe o pires com a xícara.. voltou-se novament e para Débora e. Vagarosamente a jovem foi percebendo que Breno era muito atencioso. O Breno já provou ser um ótimo amigo. Você não quer conversar e eu a entendo. o que Débora aceitou. Desejari a que Breno não estivesse ali.. Mudando-se de lugar. sustentando uma bandeja onde sobrepunha xícaras de chá.Virando-se para o visitante. É que.Já estive melhor. Então fique aí e relaxe. Débora não sabia o que argumentar. Entre um gole e outro da bebida morna. comentou: O que é isso. Breno se levantou. .. tirou-lhe os sapatos. generoso e verdadeiramente amigo. pedindo baixinho: Beba um gole para se livrar de algum gosto amargo e lavar qualquer lembrança ru im. Ela experimentou uma sensação agradável ao vê-lo tão gentil. Breno foi ao seu encontro. Ela forçou um sorriso e aceitou o copo. escolhia suas vítimas e escondia suas verdadeiras intenções. agr adecendo. ele ofereceu-lhe torradas. Sentia grande necessidade de organizar as idéias e pa ra isso não poderia ter alguém ao seu lado. mas preciso ir. e conversou sobre a brusca mu-dança do tempo. a f im de satisfazer a paixão compulsiva que experimentava pela jovem. ajeitou algumas almofadas e a conduziu para que se deitasse. nunca te exigiu nada e está presente nas h oras mais difíceis. A moça virou-se sorrindo e se foi.prometeu o rapaz com leve sorriso. Breno colocou o recipiente sobre a pequena bandeja.. Frente à irmã. na verdade. quase ao mesmo temp o de uma rápida piscadinha: Cuide bem da minha irmã! Pode deixar . foi até a cozinha e retornou c om um copo com água adoçada. Nem um minuto se passou e a moça se surpreendeu com ele cobrindo-a cuidadosamente com um leve lençol suave e perfumado. me liga. . no caso. Breno? Por que tanto trabalho? Trabalho algum! Acho que não comeu nada o dia todo. mas vi que dormia tão suave que. Sentando-se e observando s eu largo sorriso. correspondendo à trama de Yara . Manipulador. Tenho certeza de que vai tirar um cochilo e isso será ótimo. despertando seus desejos mais obscuros. Na verdade gostaria de ficar sozinha. Sei o que é isso. sem que ela esperasse... para seu espanto. Procure não pensar em nada. * * * Débora despertou sentindo-se atordoada... beijou-o no rosto e pediu. Breno. A conversa seguia com aparente tranqüilidade entre eles até que a jovem expressou semblante triste. Débora chorou e o rapaz ampar . O que é isso. Pensei em levá-la para almoçar. dissimulan do a voz ao lhe dar um sorriso enigmático com o canto da boca. Breno? Quer deitar em seu quarto? Não. como um tr iunfo e com a finalidade de usá-la como objeto em situações ou fantasias. Lentamente os pensamentos da moça eram envolvidos por uma sombra que a cegava para não ver a falta de integridade do rapaz. Entretanto. Mascarava o caráter a fim de empenhar-se ao máximo para obter o que desejava. Alguns goles e devolveu-o ao rapaz. colocou-lhe os pés sob re o sofá. Não quis interromper seu sono. Ela aceitou e ajeitou-se no sofá. avisou: À noite estare i de volta. assumia uma conduta educada para seduzi-la.. Sua estrutura psicológica estava empenhada na cordialidade e amabilidade a fim de conquistar a t otal confiança de Débora.. Qualquer coisa. o rapaz se serviu e sentou em outro sofá. Foram detalhes que me trouxeram recordações e.Beijando a irmã. De qualquer forma acredito que estará em boa compa nhia. seus vícios e transtornos. Aproximar-se e envolvê-la para submetê-la ao seu controle. Débora. Breno acomodou-se rapidamente ao lado de la e parecia preocupado ao perguntar com extrema generosidade: O que foi? Eu disse algo errado? Não. Yara anunciou: Desculpe-me. torradas e deliciosos e pequeninos pães-do ces e colocou-a sobre a mesinha central.

Não o ouço como médico ou psiquiatra. Longo silêncio e o doutor Edison comentou: Sérgio.. Por essa razão considero essa conversa como um desabafo pela nossa amizade. em absoluto silêncio e com um semblante sobrecarregado de profunda decepção. doutor Sérgio . cabisbaixo. expressando um pedido de socorro.brincou o homem.. louca a esse ponto?! I sso é doença! Ela não tem estrutura nem caráter. ela foi muito insensível. tornou-se um aluno excepcio nal. ouvindo atenciosamente seu desabafo e afagando-a e . por qu e eu não recebi visitas? Foi a meu pedido. Uma nuvem de dor pairava em seus pensamentos.. Eu mesmo liguei para seu irmão e sua mãe explicando que não aconteceu nada grave.. Estávamos vivendo situações decisivas e importantes em nossas vidas. Depois o tempo foi passando e. Pensava em Débora e desejava tê-la segurado naquela s ala por mais tempo para contar a verdadeira história. por isso precisava de descanso. Lembrava-se dos detalhes que o abateram a ponto de levá-lo a um hospital. aproximou-se da cama onde se sentou e comentou em voz ba ixa: Ninguém jamais me fez sofrer tanto. Tinha o olhar perdido no horizonte. A propósito.. Foi uma surpresa absurda! Deixou-me atônito por isso nem sabia o que dizer.respondeu. muitos desabafos. com o canto da boca. . meu único filho.. puxando uma cadeira e a comodando-se mais perto do rapaz. conforme me orie ntou e o João também aconselhou.. E para provar essa gran de confiança e consideração que tenho especialmente por você. compreendendo-a. ao ver o médico amigo entrando. Mas a surpresa com a foto o deixou em choque e não soube como reagir.O rapaz falava de modo calmo. não é? Não posso dizer que apreciei a comida. No sso relacionamento estava bem harmonioso. Estou arrasado ! Quero sumir! Nada em minha vida parece fazer sentido e. contei cada detalhe. Não contou a eles sobre a Débora? Não . Você não contou à Débora sobre as atitudes desequilibradas de sua irmã? Não . Você precisava de um momento a sós. eu tinha decidido que era o momento da Débora saber.. . Sérgio estava em pé frente à janela.. Entretanto ainda possuía uma inquietação que incomodava s eus pensamentos.. sentando-se em seguida diante dele. Contu do minha maior decepção foi com a imaturidade da Débora por não me ouvir. A Débora me atacou de uma forma muito cruel. Eles compreenderam e ficaram tranqüilos. Na mesa que os separava. mas como amigo. Isso só se explica como forma de vingança. Tirava as melhores notas a custo de uma dedicação impressionante.. tenho idade para ser o seu pai. Em seguida completou: A princípio. olhando os últimos raios do so l que se punha entremeado de bela nuvem alaranjada. Quer conversar um pouco? . equilibrado e eu resolvi adiar essa co nversa que não me agrada nem um pouco. o fez virar-se lentamente.ou-a em seu ombro como amigo. vou te contar que. a falta de visita e. Ora! Pelo visto se comportou bem. segurando a cabeça baixa sem olhar para o outro. Sérgio abaixou a cabeça.. criado com toda a atenção e orientação. Ele ficou sentado. Acho que precisava desse descanso.. encarando-o. De repente um leve barulho na porta. apoiou os cotovelos e em seguida esfregou o rosto com as mãos. Sérgio aind a estava com a cabeça curvada quando finalmente comentou: Tudo o que aconteceu me deixou muito perturbado. De repente p erdi o controle da situação pelas acusações injustas e pela forma como foram feitas. envergonhado... Disse que você não estava se sentindo bem e tratava-se de um estresse mental... Sorriu. Meu f ilho. mas.Breve pa usa e perguntou de modo suplicante na voz grave: Como eu poderia imaginar que a Sueli fosse tão alienada. Os belos olhos de Sérgio o encararam de modo penetrante. ele pegou uma outra cadeira e puxou um a pequena mesa colocando à frente ao doutor Edison. Sérgio. Além disso. Levantando-se de onde estava.respondeu com simplicidade. como já disse. Não acreditou no que eu disse nem me deu chance para explicar. Eu e minha es . Sabe.perguntou o doutor Edison. em certos instantes.. A Sueli foi alguém em quem confiei. Diga-me a ve rdade. * * * No mesmo momento.

trará mais sofrimento e dor ao seu filho. ao desespero. o palestrante. Chamei-o para conversar. dizendo que e u forcei nosso filho ao excesso de estudo.. mais uma dor. Eu respondi que ele estava ficando louco. ela me culpava. Desfiz-me de tudo. flagelando-se. se deixar de trabalhar para ajudar os outros. mas eu achava que era ciúme de mãe. ma s meu sócio replicou: Veja com os olhos do coração e contemple mais longe e não só à sua v a. Deixei a barba grande. Meu filho só dizia que estava sobrec arregado com os estudos e muito cansado. Entende? . eu era palestrante em um congresso no Rio de Janeiro. Ele tinha uma namorada. Não conseguia fazer nada por falta de concentração. Se desistir de viver. o médico. Eu precisava dela. Não existe dor maior ue a de perder um filho! Minha esposa deixou nossa casa. como pai. afinal . o cabelo crescer sem pentear e a cada dia dimi nuía minha disposição para um banho. o dono daquela mansão. é importante que você. Desisti de tudo.... chorou. Foi morar com os pais e pediu o divórcio. mais um motivo d e desespero. A cada dia o Alessandro se tornava mais calado. rec ebi um golpe mortal quando ele disse que meu filho havia se suicidado. Todas as vezes que tentei conversar com minha mulher. berrou. mais d o que precisou durante toda a vida! . Sérgio. o amigo. Sérgio o olhava surpreso. um dos empregados correu ao meu encontro e. Eu estudava um meio de saber. Só que. E eu. I sso quando o via. F oi então que meu sócio me chamou e disse: Se você morrer. mas eu tinha um sócio. culpava-me. o doutor psiquiatra. Eu e meu filho conversávamos muito e ele até me acompanhava assistindo às minhas aulas ou palestras em congressos.. Queria que aquilo fosse um sonho ruim. porém com os olhos empossados nas lágrimas. Sem dúvida que experimenta momentos difíceis e muita dor na consciência pelo suicídio praticado. . prosseguiu: Eu deixei de se r o Professor Doutor Edison. mas não conseguia tirar o Alessandro dos meus pensamentos. meus pacientes. mel hor qualidade de vida e salvar pessoas. com o coração esmagado. se continuar se abandonando. Ao me ver. Dois dias depois de ele me dar essa exp licação. o pai desesperado. porque era um pesadelo na vida real. que gritou. serão profissionais cuja prioridade de suas atividades será proporcionar alívio. Não dizia nada.posa não podíamos deixar de ter muito orgulho dele. uma casa na praia em um lugar bem privi legiado e outra na serra. . . não seja para o Alessandro mais um peso em sua consciência.Encarando o rapaz com firmeza.. Olhe. as palestras.. Eu sei quanta pressão e exigências existem sobre os alunos de Medicina. por ele.. o que acontecia. após a morte de noss o filho. O Alessan dro necessita da sua força. pois meu filho era tudo de mais importante para mim. Queria fazer neurocirurgia e pensava em outras especializações. que estava com os portões abertos. levando-o ao cansaço. Alguns segundos se pas saram e o homem contou: Acreditei que minha vida tivesse acabado. mas meu filho só ouvia e não me encarava. quando volto u para casa. Eu não acredit ava que meu filho havia se matado.. mas ela me acusava. Dei-lhe o divórcio. cuide dele com toda a s ua força e amor que jamais dedicou a um paciente ou a um aluno. Chegando ao terceiro ano de Medicina. para onde íamos todo inverno. Logo o médico continuou: Nada adiantou. descendo do carro. com polic iais e peritos entrando e saindo. Na manhã em que retornei a São Paulo. Minha esposa precisou ficar internada por alguns dias e.. Só me restava vender a clínica.. inquieto.. O A lessandro passou no vestibular para medicina com incrível facilidade. Eu deixei de ser tudo! O que restou foi só o homem desorientado. Tínhamos uma bela e confortável residência. fiquei assustado ao ver dois carros da políci a e um da perícia em frente à minha casa. Eu passei a usar as mesmas roupas desalinhadas.Falando calmamente. principalmente. D izia que o Alessandro não queria me decepcionar e por isso não suportou a pressão e se matou.Sérgio acenou positivamente com a cabeça e estava muito atento. perto de Campos do Jordão. Aliás.. na direção do Alessandro e o trate. silencioso e quase sem piscar. agora. meu filho Alessandro começou a apresentar alterações em seu comportam ento. de seus conhecimentos e. sisudo. Ab andonei as aulas. Edison.. Eu estava sozinho e completament e arrasado. o médico confessou: Eu p ensei em suicídio. do seu preparo. com a qu al minha mulher implicava. maltratando-se. Não me dei por vencido e procurei deixar de ser o pai para ser o co lega. Você acha que o seu filho acabou?! Não! Ele vive. essa idéia não saía da minha cabeça. q ueria abraçá-la para chorarmos juntos.. quebrou o que pôde em diversas crises de nervos. Tudo! Eu não cuidava nem da minh a aparência..

perguntou com a voz rouca pelo choro. escondeu o rosto em seu ombro e chorou como n unca. Após longo tempo. e. mas não pensa que me engana não. mas peça a Deus que o amanhã chegue rapidamente com uma luz forte de confiança e razão.tornou Sérgio. Acho que me esque ci! Aproximando-se. Assim como os raios do sol no horizonte são diferentes a cada dia. Sérgio debruçou-se sobre a mesa. algo que me deixou inquieto. Quando cheguei. sua alma. O quê? . Parece que escuto cada palavra até hoje. . Não é Sérgio?! . acarretará uma imensurável responsabilidade e extrema aflição. desistir da vida. trazendo um leve sorriso no rosto avermelhado. E se você també tirar sua própria vida. Erguendo-o. Sérgio o abraçou forte. A cada aluno ensinei como se fosse para o Alessandro. puxou-o para um abraço. mas me dediquei e me empenhei como nunca. vejo que. Pela experiência que apren o a cada dia. mas. Não qu ero te perder agora que o encontrei. Vejo que se empenha e se dedica extremamente ao trabalho para fugir da sua realidade . eu direcionava as explicações e orientações para meu filho e em forma de pensamento. O doutor Edison se levantou e foi ao seu lado. mas ele silenciou e somente esperou. Depois pegou suas roupas e foi se t . . Isso não fo i e não é fácil. grite.Não houve resposta. Na verdade. caia de joelhos. Ao vê-lo erguer os olhos para o teto e dar l ongo suspiro.. sorrindo: Aumente a umidade relativa do ar à sua volta! Desenvolva a autoproteção! .. Sérgio. proteger e preservar o seu maior tesouro de modo que ning uém consiga profaná-lo e prejudicá-lo.. Sérgio ficou em silêncio e fugiu o olhar sem dar qualquer resposta.Breve pausa e o homem aconselhou. perguntando temeroso. Vim aqui para avisar. avisou com voz terna: Não quero perder mais um filho. Esse sócio é espírita. doutor? A consciência. estava.será por culpa da decisão tomada pelo seu filho com a prática do suicídio. ou missão evolutiva com amor incondicional por todos ou tarefa que não se pode esperar. Todas as manhãs trazem luz. e o a migo prosseguiu: Use todo o seu poder. Você está começando a desenvolver a convicção de que seu trabalho.riu. há dias. Lágrimas correram em sua face serena. Sérgio se afastou do abraço e. outros momentos vão emb elezar sua vida! Lembre-se de que não existe somente a noite escura e fria. Sérgio.Mais sério. Que tesouro eu tenho. Algo que vi n os olhos do Alessandro. é mais claro do que a noite. doutor. pensa em desistir de você mesmo. o doutor Edison falou: É melhor que se troque.. eu falava buscando meios de despertar suas forças interiores. sem qualquer lamentação.. O médico não disse nada. por causa de um brutal e cruel rompimento amoroso. A mecânica dos problemas humanos é o resultado do que você fez p or você em muitas outras vidas e pode ser também uma opção para ajudar alguém da sua famíli espiritual.. Isto é. seus esforços. chore. O rapaz não se conteve. E apesar de tanto con flito e desespero íntimo. po is você não cometeria esse crime contra as Leis de Deus se ele estivesse vivo . Ei! .. Por que está me contando tudo isso? Por que vejo em seus olhos. Cada paciente que cuidava. falou: El eve os pensamentos e reze! Se for preciso..Ao ver encará-lo. Mesmo um dia cinzento. caindo num choro sufocado e compulsivo. Sérgio o abraçou f irme e estapeou-lhe as costas. a sua garra e conhecimento a dquirido para guardar. Os olhos de Sérgio pareciam explodir em chamas como os de alguém que acordasse abrupta-mente com uma rajada de água fria. A mecânica dos problemas humanos não se restringe somente à ciência da Psicologia ou da Psiquiatria. Não disse nada. Eu sofri muito. Os dois se entreolhavam firmes. auto-estima e reconhecimento de seus valores e limites como se eu estives se tratando o meu filho. Eu soube por você mesmo de toda a sua história. Acredito que suas roupas estejam ali no armário. dediquei-me tanto as aulas. Se quiser uma carona! Eu já estou de alta? . envergonhado esconde u o rosto onde secava algumas lágrimas. eu estudei e entendi que meu filho poderia se erguer do vale espiritual tenebroso onde se encontrava através dos meus desejos e pensamento s. toda a sua fé. Nunca soube de sua vida. Cre io que foi a vergonha de desabafar que levou o Alessandro à prática tão lamentável. seu bo m-ânimo. P or essa razão. filho. Você é um ótimo profissional. sua nada e tudo mais não têm importância.

Recusou-se a me receber como visita. Depois do alerta desse meu grande amigo. E muitos não têm idéia da dor e do sofrimento cons ciencial mil vezes pior. Não foi fácil. poré m minha consciência ela ainda é minha esposa. embora saiba que é necessário usar a dor em bene fício do próprio Alessandro. pensei muito. Se o Alessandro não tivesse vergonha. Sérgio comentou com o médico: Enquanto estava no hospital.. Tentou conversar com ela sobre o lado espiritual de toda a situação? Incontáveis vezes.. meu filho menci ona que passou a fazer uso de drogas para ficar acordado e sem fome para não perde r tempo com a alimentação a fim de estudar e se aplicar mais... é esperteza e elevação. Mas por incrível que pareça.. Querer a mo rte é covardia para enfrentar a vida. eu decidi rec omeçar. por se desviar para o caminho da s drogas para o qual eu sempre o alertei. pois des ejava arrancar meu filho do recôncavo das trevas. Não sei como conseguiu aquela arma. Fiquei em conflito. estaria ao meu lado hoje. conversar.. disse. Toda aquela discussão na sua sala. lutar e não ter êxito algum. Não peço mens gens mediúnicas com informações dele. Ao contrário de alguns deprimidos de comportamento passi . As drogas foram vitoriosas. dedicação e amparo. Em um trecho. Em determ inado trecho. Ao saber da minha busca mais profu nda nos ensinamentos da Doutrina Espírita que me traziam consolo e força interior at iva e construtiva para minhas atividades. ela não quis reverter seu quadro de depressão clínica para a tris a comum. dever e responsabilidade. Todos apresentavam ou contavam sobr e a intenção de suicídio. seus medos e. Meu filho escreveu que estava ciente da atitude insensata.falou sério. Por que se envergonhou. através de psiquiatras amigos. envergonhado. os paciente chegavam. arrependido. Bu scar na religiosidade o equilíbrio e o entendimento.. Dei-lhe o divórcio para não contrariá-la. quando lembro. Arrependido por quê? Por não ter contado para a Débora sobre o desequilíbrio da minha irmã. Sentia-se deprimido e envergonhado e não sabia como me contar. na sua frente.. Passei o dia pensando: o que vale minha vida? A pessoa que mais amo e que diz ia me amar me tratou como quem ofende um marginal. mas acreditava que p oria um fim ao inferno vivido no pensamento e na necessidade do corpo. A impressão que tive foi de lutar. Peço a Deus que o abençoe.. Apesar de ter-lhe fornecido toda a ate nção. Ela se entregou à progressividade de um estado desesperador tão pr ofundo e por um tempo suficiente que agora acreditamos ser quase impossível modifi car seu comportamento disfuncional. o retornar a clinicar. l utar.. pediu perdão pela falta de coragem. Que vergonha! Vergonha mata. Por mim?! Sim. não conseguimos minim izar sua depressão.. Sérgio perguntou: Se não o incomoda falar a respeito. Mas seu corpo exigiu mais. Sérgio? A verdade é que senti vergonha por causa do senhor. O Aless andro se matou com um tiro na cabeça. Como todos os iniciant es em vícios. da perturbação e da dor para elevar sua consciência e beneficiá-lo com o arrependimento e a aceitação de socorro. Meu mundo estava de cabeça para baixo. * * * A caminho de casa. Pensei em desistir da vida. procurar ajuda profissional é coragem. Sérgio . Senti vergonha e dec epção. acreditando que minha v ida não tinha mais sentido. Foi à vergonha de contar o que acontecia que o levou à prática de ta manho absurdo. a Jesus que o ilumine e c ontinuo com o trabalho que abracei para aliviá-lo e elevá-lo. mas sem desespero e com total controle das emoções. minha esposa abandonou qualquer ocupação.rocar. afirmando que não conseguia mais p rosseguir sem elas. ele acreditou que isso seria temporário e logo pararia. Falar. Ele foi encontrado em seu quarto e deixou uma carta pedindo desculpas a mim por não ter co ragem de contar suas dificuldades. Um tanto cauteloso. Tratei de cada um deles como se fosse o Alessandro.. pode dizer como ele se matou? Sinto imensa dor. chorar. Mas ela não aceitou. No começo entrei em um mundo de escuridão e infelicidade. E sua esposa? Por mais que tentei e tento.

vo e letárgico, ela passou para um estado comportamental deprimido, mas agitado e inquieto quando procurou conforto na igreja evangélica ou religião protestante. Logo de início, minha mulher adotou uma conduta severa e crítica de si mesma. Ass umiu a culpa pela falta de capacidade de controlar sua vida. Com procedimentos i rritadiços, freqüentou a igreja evangélica gritando em rogativas intermináveis, julgou-m e demônio. Embrenhou-se na fé cega das crenças irracionais, persistentes e sob os delíri os frenéticos dos cultos alucinantes repletos de uma ovação interminável de súplicas a Deu s, como se Deus fosse surdo. A busca desenfreada por uma espécie de perdão Divino, levou-a a distúrbios psíquicos de falar uma língua estranha da qual ninguém sabe a origem ou a tradução. Tais episódios d epressivos e maníacos variavam e se alteravam. Você sabe que quando o indivíduo experi menta uma grande perda afetiva, se ele não for equilibrado pode vivenciar grandes e diversos distúrbios psicológicos. Essa perda pode ser a morte de um ente querido o u a perda simbólica pela rejeição ou abandono da outra parte. Em todo caso, quando não s e controla a raiva inconsciente contra o outro, esse sentimento se transforma em raiva contra si próprio e, conseqüentemente, em depressão. Fontes de estudos e opiniões de renomados psiquiatras como Aaron Beck, baseiamse em fontes clínicas de que as pessoas deprimidas, na maioria das vezes, pensam i logicamente. Elas transformam pequenos problemas em dramatizações catastróficas e, nas situações realmente difíceis, essas pessoas assumem eternas e indizíveis culpas; amplia m as fraquezas, desesperam-se com a total perda de controle emocional e jamais s e perdoam por desagradáveis experiências do passado. Dentro da visão filosófica, científica e religiosa que tenho um pouco, acredito que a agitação delirante, a fé cega, as crenças irracionais nas falas sugeridas e persuasiv as pronunciadas com muita habilidade por muitos evangélicos ou protestantes, têm a f inalidade de limitar a inteligência das pessoas necessitadas de auxílio na área psíquica ou psicológica. Essa atuação ou representação agitada e delirante é uma das fontes de argu entação usada para convencer os fiéis. É algo que funciona como um gerador de energia en ganoso, temporário, falso, no qual o indivíduo depressivo transfere as suas responsa bilidades e deveres para Deus, bem como a causa de seus sofrimentos, ou seja, se eu sofro é porque Deus quer assim. Essas pessoas transferem sua raiva inconscient e para outra e aprendem a culpar todos à sua volta, incluindo os espíritos, por seus infortúnios e dores, julgando-os demônios traidores e capetas ou diabos inimigos. As mentes maquiavélicas que administram essa linha religiosa para fins lucrativ os se tornam controladoras de vidas, dos comportamentos e das opiniões dessas pess oas com transtornos. Eles usam palavras persuasivas. Alguns desses líderes religio sos, sem dúvida, apresentam distúrbio de personalidade anti-social, pois mentem, ilu dem, trapaceiam sem mostrar noção de responsabilidade. Sempre parecem mais sábios, int eligentes, atraentes para causar impressão. É o típico vigarista que não sente qualquer culpa ou arrependimento pelos danos materiais, financeiros, morais ou intelectua is causados aos outros. Eles usam principalmente o nome de Deus para envolver su as vítimas. Como profissionais, nós sabemos que a depressão grave, sem acompanhamento clínico, terapêutico, resulta em agravamento do estado patológico. Por isso, como era de se e sperar, depois de algum tempo vivendo essa febre evangélica sem acompanha-mento clín ico, por recusar tratamento, minha esposa deteriorou acentuadamente junto do seu estado psicológico, principalmente, ao se dar conta de que doou valores e mais va lores financeiros para os pastores e nada recebeu em troca. Não teve, sequer, algu m companheiro para uma visita amiga, ou seja, acabou o dinheiro, terminaram os s eus direitos de receber qualquer bênção de Deus. Todos se afastaram dela. Não se barganha com Deus. Hoje ela está em uma cama, com um comportamento letárgico e definhando a cada dia . Não fala, não corresponde nem reage a nada e... - Sua voz embargou, mas comentou: Semana passada ela deixou de comer, tomando uma postura vegetativa e por isso es tá recebendo alimentação através de sonda. Seus batimentos cardíacos estão fracos e exames xibem proteínas na urina, um sinal de deficiência renal e... Por não reagir, por não ace itar ajuda desde o início, ela se suicida a cada dia. O silêncio reinou por algum tempo. Comovido, Sérgio murmurou: Nossa... Lamento muito. Eu também, filho. Eu também...

Discretamente o doutor secou uma lágrima que rolou em sua face e nada mais diss e. Em poucos instantes chegou frente à residência de Sérgio. O rapaz estava muito grat o e rapidamente ele pediu mostrando-se animado: Por favor, vamos entrar! Faço questão que conheça a minha casa! O homem sorriu e aceitou: Se não for incômodo... Será um prazer! Dizendo isso, ambos entraram e Sérgio passou a contar detalhes da reforma enqua nto mostrava-lhe a casa. 21 - Opiniões do doutor Edison

Sentados à mesa da cozinha, o doutor Edison tomava uma xícara de chá servido por Sérg io, que sentou-se à sua frente, satisfeito pela companhia amigável. Depois de algum tempo, insistiu novamente: Não quer mesmo que eu prepare um jantar? Será simples, mas rápido! Não, obrigado. É que não costumo jantar. Tomo um chá, suco ou como uma fruta à noite. Puxa! Como eu gostaria de ser assim. Tenho um bom apetite! A idade o fará pensar e agir diferente:, e consequentemente, mudará os hábitos alim entares ou comprará uma cadeira maior e bem reforçada para suportar seu peso - disse rindo. Não demorou e Sérgio comentou com seriedade: Não imagina o quanto me ajudou, doutor Edison. O maior apoio que podemos recebe r, em alguns momentos, é o de alguém nos ouvir sem críticas, descréditos ou pouco caso, não dando importância ao assunto. Os familiares freqüentemente nos ignoram. - Alguns s egundos e declarou: Após a cena tempestuosa lá em seu consultório, tive a impressão de q ue minha vida, minha carreira e qualquer outra atividade praticada haviam chegad o ao fim, não tinham valor algum. Ao acordar no hospital, um sentimento amargo, um a tristeza me dominou. Meus pensamentos ficaram povoados de idéias destrutivas. Se nti que a Débora estava se atirando em um precipício de sofrimento e tortura, e eu, não podendo fazer nada, queria me atirar também. As idéias de desistir da vida, de me suicidar, formavam-se com incrível velocidade e força com procedência desconhecida. Pa rece que eu não tinha chance de pensar e repensar no assunto. Antes de conversarmo s, eu acreditava que os meus problemas, as minhas dificuldades eram as maiores d o mundo. Mas quando o senhor conseguiu atingir e emergir o meu maior complexo, e u desmoronei. Precisei explodir através do choro. Enquanto conversávamos, eu pensava e me conscientizava de que só após a reforma e a limpeza podemos reconstruir algo m elhor. Foi o que você fez com essa casa, Sérgio! Ela estava feia e com problemas, mas a consertou, reformou e a deixou bonita e agradável. A nossa vida é assim! Planejei cada passo da minha vida e suportei cada sacrifício. - Com olhar febri lmente brilhante, admitiu: Não programei a entrada da Débora em minha vida. Nunca pe nsei que existisse uma pessoa capaz de preencher um vazio que eu sentia. Vi nela alguém capaz de ficar ao meu lado, a mulher para me acompanhar em tudo e até a cria tura ideal para ser a mãe dos meus filhos. Eu não estava preparado para um rompiment o abrupto e tão agressivo com as lembranças de um passado cruel pelo desequilíbrio da minha irmã, que agora me atacam pela vingança da Sueli, responsável por tanta decepção, in justiça e amargura. Sérgio, nós temos potenciais que ignoramos. Somente através da nossa consciência alim entada ininterruptamente pelos pensamentos, desejos e ações nobres podemos nos eleva r, curar-nos e ter acesso às esferas superiores. Em um momento de dor, de sofrimen to, de problemas difíceis que não raciocinamos e somos impulsivos, nós deixamo-nos ilu dir e queremos que os outros resolvam os nossos deveres, assumam as nossas respo nsabilidades. Quando isso não acontece, quando os outros não fazem o nosso dever, qu e é o de enfrentar o nosso desafio, nós desejamos morrer e sumir. Quanto erro! Só o fa to de pensarmos no desejo de morrer, de nos suicidarmos para acabarmos com o sof rimento desta encarnação, nós atraímos fluidos tão pesados. E, esses fluidos são tão destru res que se impregnam em nosso campo vibratório e até em nosso corpo espiritual. Como

conseqüência, chamamos para junto de nós espíritos que sofrem pelo suicídio praticado e c omeçamos a sentir angústias, desânimo, desejo de desistir de tudo. Não nos importamos co m mais nada... Depois começam as dores, o sofrimento com doenças que se relacionam àqu ele suicida que se afinou com você e às vezes nenhum exame consegue diagnosticar ess as doenças ou sintomas. Ou então os vingadores do passado, os obsessores, aproveitam -se desses pensamentos, desses desejos e com isso nos enfraquecemos, nós nos deter ioramos, perdemos a esperança e deixamos de evoluir. Se não reagirmos, vamos nos imp regnando a cada dia, a cada pensamento e acabamos deixando nossa mente invadida pela decisão do suicídio, influenciada por espíritos cruéis. O senhor tem toda a razão. As palavras, os pensamentos e as atitudes são energias psíquicas, são a nossa alma e representam todas as forças vitais. Como vimos no caso de sua esposa. Minha mulher precisava de um tratamento clínico e espiritual, porém se negou, rea giu revoltada, sentiu-se reprimida. Ela começou a ser radical quando encontrou, no meio dos protestantes ou evangélicos, aqueles que usaram de influência persuasiva a través da fé cega. Tirando-lhe os encargos, a responsabilidade de enfrentar a vida e transferir suas dores e perdas para os desejos de Deus. Não posso afirmar que tod os esses religiosos de linha protestante são assim. Contudo os que ela encontrou v isavam a fins lucrativos, usavam métodos de controle mental para a hipnose coletiv a. O pastor evangélico a auxiliou a usar mecanismos inadequados de defesa emociona l. Isso não é só um ato irresponsável como também muito perigoso, tanto que o resultado fo i o estado de depressão grave que chegou ao letargismo. Não duvido de que minha espo sa desejasse morrer, pensasse em se matar, mas ela não reagiu e se deixou envolver atraindo o que seu inconsciente queria. Viu como é sério o problema dos mercadores de algumas religiões? Isso é um crime! - p rotestou Sérgio. Não, rapaz. Não é. Visto pelas leis, esse é um país livre e ela uma cidadã considerada pacitada na época em que procurou consolo nessa linha religiosa. Minha mulher pode ria e deveria tomar uma nova postura mental e novas disposições íntimas como: ajudar c rianças num orfanato, ser voluntária num hospital que cuida de pacientes com câncer... Essas atitudes amenizariam a tristeza a médio ou longo prazo, dependendo da pesso a. Certamente ela não ficaria com a mente entregue à angústia e às aflições que a levaram a s transtornos, aos distúrbios psicológicos e uma terapia surtiria um efeito muito be néfico. Algumas facções religiosas utilizam o controle mental para dominar a opinião, as idéi as de seus adeptos. - Argumentou Sérgio que continuou: Aqui no Brasil, desde que t eve início a febre evangélica, após o fim da ditadura militar, nós vemos líderes religioso s manipulando as idéias de Jesus e textos bíblicos para que pessoas desatentas ou se m conhecimento sejam mantidas sob controle e subjugadas pelo medo de irem para o inferno. Foram capazes de criar bíblias novas recheando trechos evangélicos com exp licações em favor da dependência religiosa da linha protestante, mas tais alterações literá ias são completamente contrárias aos ensinamentos Cristãos. O Cristianismo liberta as pessoas! A meu ver estão institucionalizando a religião, principalmente os evangélicos . Concordo com você, Sérgio. A religião foi transformada em instituição lucrativa. Hoje ualquer portinha serve como templo evangélico. Chegam a intitular nomes pitorescos como: Religião de Deus; Religião do Deus Vivo; Verdadeira Casa de Jesus e tantos ou tros nomes que... Deixa pra lá... A irresponsabilidade desses líderes religiosos é grande. Eles usam o controle men tal para escravizar os fiéis desavisados e até ignorantes que se entregam aos alucin ados gritos de perdão e agradecimento a Deus. Eu já assisti. As pessoas ficam fora d e si! É um delírio incontrolável e contagiante! Sim, Sérgio. A isso, dá-se o nome de Hipnose Coletiva. De uma maneira inconscient e, os fiéis são dominados e aceitam as sugestões do líder ou representante religioso que os hipnotizam, ensinando-os a reverenciar Deus, a pedir perdão a Deus e suplicar a Deus de uma forma capitalista. E o que é capitalismo se não um sistema econômico de produções visando a lucros financeiros? O que significa pagar seu dízimo, deixar lá na i greja o seu dinheiro, suas jóias ou algum outro bem material para ser atendido por Deus. Esses templos ou igrejas têm o líder evangélico que injeta na mente dos fiéis um Deus capital, um Deus executivo, legislativo e judiciário! Um Deus que condena ao

sofrimento aquele que não dá sua última moeda. Se você não pagar, não terá crédito com Ele. pastor... Bem... O pastor é o emissário do Senhor que recolhe e endereça as arrecadações. Como psiquiatra eu não deveria falar isso, mas... Como homem, eu vejo alguns pasto res como uma espécie de Psicólogo Subversivo que propaga os milagres daqueles que dera m dinheiro e se salvaram! E o que faz um marketing induzindo os fiéis a uma espécie de comportamento de consumo religioso sem controle, irracional, com fé totalmente cega e, acima de tudo, fazem-nos adotar essa ou aquela prática ou postura preconce ituosa. As atitudes de amor e solidariedade só existem para com aqueles da mesma l inha religiosa, considerando como verdadeiros demônios as outras criaturas de Deus por se inclinarem a religiões diferentes como a umbanda, o catolicismo, o espirit ismo, o islamismo, o budismo, o judaísmo, o hinduísmo e outras. Eu não entendo por que tantas pessoas se deixam dominar pela fé cega, por outros que as mantêm sob um domínio mental, controlam suas opiniões e suas vidas. Lembre-se de que antes de falarmos de pessoas, estamos falando de espíritos com diversas experiências terrenas anteriores a essa. Crendo em muitas moradas na Cas a do Pai, acredito na existência de regiões espirituais inferiores por onde passaram e se encontram espíritos com diversos vícios ou práticas inadequadas e perversidades das mais diversas, apegados às paixões vis e promíscuas, inclinados às discórdias e irritaç , anomalias sinistras no que dizem respeito ao desregramento sexual por práticas c ompulsivas ou animalescas, atos ou pensamentos repletos de energias com desejos maldosos e negativos... Por Deus ser um Pai bom e justo, Ele não confinaria quem q uer que seja ao inferno. Então nas muitas moradas há alguma reservada ao processo de aprimoramento para a aprendizagem, o crescimento, a elevação e a libertação de Seus fil hos que se inclinaram a um comportamento inferior. Vamos pensar e filosofar nas palavras de Jesus quando disse que há muitas moradas na Casa do Pai, Ele disse mor ada e não lugar de eterno confinamento. Quem está em uma morada pode se mudar dela, certo? Concordo. Nossa! Que explicação ótima sobre podermos nos mudar de uma morada. Mas i sso não responde a minha curiosidade - argumentou Sérgio. Calma... - pediu o médico sorrindo e logo continuou: Depois de tantas práticas co ntra as Leis de Deus, milhões de espíritos desencarnados são atraídos por suas condições me tais a terríveis estados de perturbação ou Umbral, experimentando verdadeiro inferno n a consciência. Lembrando que o Universo é a Casa do Pai, esses irmãos se encontram em alguma morada dele. Para esses espíritos, é tão sofrida e pavorosa a experiência que ess a parece eterna. Quando o espírito se recusa, nega-se a harmonizar o que desarmoni zou, experimentará a reação de suas ações, sofrerá o mesmo efeito do mal que causou, pois o mal só se corrige com o mal. Deus não se esquece das grandes regiões expiatórias e trevosas na espiritualidade. O benefício da reencarnação chega inclusive ao espírito rebelde, mas desgastado pela angús tia vivida nessas regiões de sofrimento. Então ele reencarna para minimizar suas ten dências viciosas e maldosas. Reencarnado ele tem a benção do esquecimento de vidas pas sadas no seu consciente, mas de seu inconsciente não se apagam os erros cometidos, suas tendências ao mal nem a sua aflição e dor nas faixas vibratórias muito inferiores quando desencarnado. Por isso cada indivíduo tem suas lutas e conflitos internos, seus distúrbios ou desequilíbrios ou síndromes. Veja... Eu acredito na existência de igr ejas protestantes sérias e capazes de ensinar a prática da solidariedade e do amor C ristão que se tornou algo secundário para outras igrejas evangélicas. Existem pastores protestantes, assim como padres, dirigentes espíritas, pai-de-santo ou mãe-de-santo em centro de umbanda, entre outros líderes, muito honestos! Como também desonestos! Isso independe da religião, mas sim da dignidade, da honestidade, da elevação da cria tura humana. Até onde me levaram as pesquisas, a maioria das igrejas evangélicas é liderada por qualquer um, por isso se tornam um capitalismo, uma forma de vender algo e lucra r com isso. No caso, eles vendem religião, promessas de algo melhor em sua vida, v endem perdão. Analisando pelo lado clínico, pessoas desse tipo como líder religioso, têm a tendência ou postura do distúrbio anti-social e são capazes de mentir, forjar, trap acear, representar de todas as formas possíveis, sem arrependimento e, cinicamente , usando o poder de persuasão. Dará o máximo de proveito a seu favor. Dentro da propos ta religiosa imposta pelo protestantismo, alguns líderes evangélicos encontram a exc elente oportunidade de colocar em prática compulsiva a sua personalidade anti-soci

al, pois agem como verdadeiros vigaristas ao descobrirem um meio de dominarem os pensamentos e as idéias dos seguidores. E é por meio dos cantos de hinos e gritaria frenética que se obtém a Hipnose Coletiva para inebriá-los e conseguir com que façam do ações e mais doações, fé irracional e tudo mais o que sabemos. Todos se esquecem dos ensinamentos do Mestre Jesus sobre não ser como os hipócrit as que se comprazem em orar em pé nas sinagogas e nas ruas para serem vistos pelos homens... E, quando orando, não usar de vãs repetições como os gentios que pensam que p or muito falarem serão ouvidos. Portanto, quando orar ao Pai que está no Céu, entra pa ra o teu aposento e feche a tua porta. Ora a teu Pai que está em oculto, e teu Pai que te vê secretamente te recompensará. Lembrando que as sinagogas correspondem às ig rejas e templos religiosos. Quanto aos fiéis, o que os leva a crer em colocações sem raciocinar e na realização de verdadeiros espetáculos para gritar sobre sua fé... Bem... Podemos tomar como exempl o que alguns deles são espíritos que permaneceram em sofrimento nos baixos círculos vi bratórios da espiritualidade pelas suas práticas delituosas, perversas ou tendências v iciosas. Agora, encarnados e mesmo com o abençoado esquecimento do passado, eles t emem essas regiões expiatórias trevosas nas quais os espíritos inferiores, escravizado s, perturbados, desesperados padecem em extremo desespero. O medo inconsciente d e retornarem para essas moradas espirituais aflitivas é tão intenso que eles mantêm um comportamento de medo a Deus, tomam uma postura de crer no céu e no inferno, colo cando-se aos berros para rogar, tal como faziam quando desencarnados. Alguns del es adotam essa facção religiosa, porém não mudam o hábito ruim, continuam com um comportam ento moral indigno, são delituosos nos pensamentos, nas palavras e ações, mas acredita m que pedindo perdão, entregando o dízimo e pagando pelas orações, oferecendo dinheiro p ara que seu nome seja escrito no Reino de Deus... Os levarão para o céu. Como profissional nessa área, você sabe que existe a pessoa que passa por um períod o de tristeza, algo diferente da depressão, um estado mais intenso e persistente d o que a tristeza. Muitos pensam que Deus é um prestador de serviço que precisa ser pago a fim de no s dar o que queremos. Deus é o Criador de todas as coisas! Tudo é Dele! O que Deus q uer é a nossa responsabilidade de amá-lo sobre todas as coisas e ao próximo como a nós m esmos. Então vemos algumas pessoas desiludidas porque não foram atendidas. Elas quer em fugir das responsabilidades, ficam tristes, desesperadas e vão a um médico mal in formado que chega à conclusão de que estão com depressão. Você tem reparado como é grande o número de pessoas, atualmente, que dizem ter depressão? Existem vários graus ou estágios de depressão. A depressão não é o fim do mundo! A maioria das pessoas já experimentou um estado dep ressivo e nem sabe. Porém existe a depressão mais acentuada, em que o indivíduo neglig encia suas responsabilidades e precisa de auxílio profissional. Muitos acontecimen tos na vida podem prostrar uma pessoa à depressão, mas ela pode reagir e buscar em d iversas atividades o prazer de viver. O senhor disse que a grande maioria dos evangélicos é preconceituosa, por quê? Se forem convidados, os evangélicos vão às igrejas católicas, aos centros espíritas, a s centros de umbanda, ao templo budista?... Não! Eu fui convidado para um casament o em uma praia e a cerimônia foi umbandista e eu fui! Achei interessante, bonito.. . Voltei de lá do mesmo jeito que fui, só que com alguns conhecimentos sobre algo di ferente. Já fui a incontáveis casamentos católicos e assisti a várias missas. E em que i sso me afetou negativamente? Em nada! Reparou que grande parte dos protestantes ou evangélicos nunca reza o Pai Nosso? E sabe por quê? Por causa dos ensinamentos qu e a prece pronunciada por Jesus traz para a reflexão. Um desses ensinamentos é Perdoa i as nossas dívidas assim como perdoamos àqueles que nos tenham ofendido . Aos evangélic os não é ensinado o perdão ao próximo, eles só perdoam aos que se converteram à sua facção iosa, o resto vai para o inferno. Isso tudo é ou não é preconceito? Empresários, líderes d e equipes, diretores, presidentes, gerentes, administradores, engenheiros, arqui tetos ou outros que são responsáveis por uma equipe de profissionais e são evangélicos, procuram contratar funcionários evangélicos e, quando descobrem que um funcionário é umb andista, espírita, católico etc., procuram demiti-lo. Esses religiosos perderam o la do humano da vida. Só eles são puros e estão salvos no Reino de Deus, o resto vai para o inferno. Se acreditarmos na existência do demônio ou do satanás com o poder grandioso que os

22 .Levantando-se. Não sei por que você está irritado! Ah! Mas me sinto prejudicado sim! O Sérgio tornou-se o queridinho do doutor Edi son e por que nós não?! . Até quando o d outor Edison ficará bancando a parte financeira que cabe ao Sérgio e pedindo para nós não comentarmos nada?! Nivaldo.. Já é tarde e eu só ofereci minhas opiniões como pessoa falha e se m evolução. ele soube que Débora s implesmente abandonou o curso universitário nunca mais comparecendo às aulas nem pro curando qualquer amiga. Não demorou e o homem decidiu: Bem!. Isso o deixava cada dia mais aflito.evangélicos lhes dão. não importa a religião ou filosofia. mas não conseguiu. A moça havia sumido completamente. sem raciocinar e se deixando induzir na fé cega. cauteloso. . quando saiu para tomar um ca fé. O rapaz não comentava com ninguém. apreensivo e inquieto. A fim de se sentir mais recomposto para clinicar entre uma e outra terapia. entrar em contato. que não o procurou. A opção religiosa traz a manifestação do conteúdo inconsciente para s revelações de expressões exteriores exibindo.A benfeitora Laryel interfere no suicídio de Sérgio As horas deram lugar aos dias. Espero não precisar incomodá-lo.argumentou João bem sério . Os dias tornaram-se semanas e semanas viraram meses. por intermédio do comportamento. Trabalh ava na clínica e estava mais tranquilo. então teremos dois deuses: um bom e outro mau. Afinal d e contas. Normalmente eles são criaturas desrespeitosas ao perturbarem a paz pública com a gritaria tresloucada em suas igrejas. Mas eu gosto de ressaltar uma coisa: muitas dessas formas de vida e conduta s e enquadram também a muitos espíritas oriundos de regiões sombrias onde há gritos e rang er de dentes. Ora! Não fiz nada . Com o pequeno copo descartável na mão. e ra seu costume sair da sala para relaxar e se refazer por alguns minutos após um p aciente e antes de atender outro.riu. Fique com Deus.pediu João. o seu Eu. o inferno que muitos acreditam também pertence a Ele! O inferno per tence a Deus! Os evangélicos. ouviu: Foi isso o que o doutor Edison propôs para ampliarmos a clínica.dizia Nival do. apesar de experimentar muito abalo em seus sentimentos.. exigindo-lhes muito . Só existe um Deus. meu amigo . o outro psicólogo. avisou: Sérgio. mas são incapazes de respeitar a fase de cres cimento individual das pessoas espíritas e não-espíritas. você tem meus telefones e e como me encontrar a qualquer hora do dia ou da noite. Muito obrigado por tudo. são pessoas cujo comportamento humano ap resenta quem eles são. E já que Deus criou tudo e é dono de tudo. pois o in ferno também faz parte do Reino de Deus. sua alma. Preciso ir. Sérgio aproximou-se e sem querer. cantos e rogativas intermináveis a Deus pert urbando o sossego alheio com tanta e tamanha barulhada. Disfarçav a e não comentava mais nada sobre o assunto. que é a Inteligência Suprema e Criador de todas as coisas. João . Era fim de tarde. Sérgio teve uma grande mudança em sua vida quando deixou de ser policial. E. Sou capaz de entender a decisão do dout . entretanto experimentava uma profunda tristeza mesclada de angústia e preocupação por não ter quaisquer notícias de Débora.disse.. e depois admitiu: Como eu estou fazendo agora! Veja. Um grande número de espíritas se acreditam com todo o conhecimento fil osófico e científico da Doutrina Espírita. a sua v erdadeira personalidade. Porém trazia o coração apertado e doloroso pela ausência da namorada. O médico silenciou enquanto Sérgio ficou pensativo. sem qualquer esforço. Isso é o resultado do inco nsciente temer o inferno que vivenciou no estado de perturbação e os prende num prim itivismo mental. isso o que o doutor Edison fez não nos prejudica em nada. devem tomar cuid ado com o insano desejo de ir para o Reino de Deus e até pagar por isso. Mas tem uma coisa que me irrita: nós somos sócios. Por intermédio de Rita. e viu o consultório de seu amigo João com a porta entreaberta. isso não nos diz respeito. Tentou procurá-la. Não fui espírita..reclamou Nivaldo com veemência. Espere um pouco! . encaminhando-se à porta.

Atendendo aos impulsos de vibrações mentais que lhe chegavam. Sérgio. fracasso das próprias obras. Houve um choque nos pensamentos e conflitos nos sentimentos dos três companheir os que. não tinha condições de ser sócio em uma clínica maior e mais moderna. o Sérgio é bem esperto ou muito idiota para não entender como conseguiu se manter nessa sociedade! . Não tente ser gentil. Se não sabe. incapacidad e. tão qualificado. t entou justificar cauteloso: Veja. Nessa época. Sérgio: lembra-se de quando nós três tivemos a idéia de montar uma clínica para atend ermos como psicólogos? Dessa parte eu sei. Esses espíritos procuravam confund ir e intrigar os três amigos no trabalho devotado e sincero dos profissionais resp onsáveis. Sérgio.. por que um Médico Psiquiatra e Professor Doutor. Mas procurava se manter calmo. encanamento. quem é você para ter a ousadia d e falar assim comigo?! Calma. O doutor Edison nos orientou no trabalho de conclusão do curso . pelo jeito você é igual ao marido traído. repentinamente. Nivaldo atacou com palavras: Sérgio. Sérgio! Você também. um médico psiquiatra e nosso professor e doutor.Disse Nivaldo experimentando o sabor da inveja e do ciúme que espíritos maldosos faziam despertar em seu íntimo. Porém.. Não estamos falando sobre suas capacidades! Acho injusta a postura do doutor Ed ison! Algo tão inadequado que nem ele quer comentários a respeito dos custos finance iros pagos. Virando-se para Sérgio. Sérgio perguntou com voz tro vejante: Primeiro. Além disso. Do que vocês estão falando?! . outra de espera com uma recepcionista. pelo fato de ele executar serviços braçais nesta clínica..or Edison. encarando o outro com olhar feroz. o douto dison valeu-se de seus serviços prestados com a pintura.exigiu Sérgio. Foi um serviço aqui. tiveram suas mentes invadidas pelos desejos deliberados desses espíritos inferiores cujo propósito era abalar a harmonia em todos os sentido s. um alvoroço de criaturas participav a do que acontecia em estado de polvorosa agitação. insuflavam-lhes idéias de queixas infundadas. porém. Não sei ou não entendi bem. o Nivaldo não está reclamando. Acontece que ele não acompanhou o trabal ho realizado por você antes da abertura da clínica. principalmente.vociferou João. As coisas não s sim! Ajam como pessoas civilizadas! A meu ver. que nós dois não ousamos ajudar! Além disso. os quais pertenceriam ao Sérgio e. O Nivaldo não tem idéia do custo dessa mão-de-obra se contratássemos um. ciúme.questionou Sérgio em tom grave após entrar e dar leve empurrão para que a porta se fechasse às suas costas. Vamos aos detalhes! .Sérgio perguntou com muita firmeza e até sisudo. quero saber o que aconteceu?! Segundo.. que perdeu a fala. Eles não podiam ver.João foi para o outro lado da mesa perm anecendo em frente aos colegas e.. O Sérgio mereceu o apoio ou a ajud a que teve. ficou sabendo da nossa idéia e a aprovou com satisfação. atos e resultados de seus esforços íntimos. puxando outra cadeira onde se acomodou.. parte elétrica . ausência de amor e tormentos de incompetência. Locaríamos um lugar com três salas par a atendimento. o doutor Edison ... outro ali. Insatisfeito com o que acontecia. Sente-se aqui!.. Nivaldo! Vai devagar! . qui s lecionar em um curso de Psicologia? Como não entendi também o que o levou a querer fazer parte dessa sociedade na clínica e nos dar diversas idéias para as outras áreas de atendimento que temos aqui?! Ele deu idéias e mais idéias.. Para isso. Não me sinto prejudicado nem ofendido. ao perceber que você. Vá ao que interessa! . sempre é o último a saber! Ou então ssa por vítima! Aproximando-se. ele é excelente profissional e muito requis itado por seu trabalho sério e responsável. Tentavam influenciá-los com sentimentos destrutivos de inveja. João olhou para Nivaldo. João! Eu quero saber sobre o doutor Edison custear ou pagar por valores que me pertenceriam e não querer comentários! Que história é essa?! . e Nivaldo revelou em tom moderado: Aconteceu o segui nte. ficou muito atento entre os dois. esse professor doutor foi e é o nosso supervisor individual. so rriu com ironia e pediu mais brandamente ao puxar a cadeira: Venha cá!. cruelmente.determinou Nivaldo que continuou: No começo pensamos em algo simples. Desejo que acompanhe cada passo. alvenaria e até sua disposição para decoração e para acompanhar os prestadores de serviço . vou ti contar tudo! . na espiritualidade.

indignação. Por essa razão o doutor Edison sempre cuidou sozinh o da contabilidade e pediu nosso sigilo sobre esses fatos.indagou pasmado. conceitos e opiniõe que o envolviam em extrema aflição. . você tem condições e conseguirá fazer parte. . saindo em seguida.. em tom envergonhado. eu acredito que você ultrapassou todos os limites do bom-senso por hoj e! .pediu Sérgio. Vendo-o se levantar e indo à direção da porta. .murmurou Sérgio. O olhar de Nivaldo parecia desafiá-lo ou provocá-lo pela inveja da capacidade do outro com misto de ciúme pela atenção especial do supervisor e sócio doutor Edison. Não sei o que levou o doutor Edison a adotá-lo. mesmo! Jamais aceitaria uma situação em que recebesse q ualquer lucro com o prejuízo de meus amigos e sócios por investirem mais do que eu. mas em mim não! Até à sua amiguinh a suicida ele está oferecendo atendimento gratuito! Pare com isso Nivaldo! . Nivaldo abaixou o olhar e se retirou. Nivaldo completou: Agora existe a oportunidade de aumentarmos a clínica no início do próximo ano. A idéia é: termos mais salas e alugá-las para outros profissionais da n ossa área ou das terapias alternativas. Afinal. Nivald o.Breves segundos de silêncio e perg untou insensível: É o seguinte. Um sentime nto nunca experimentado antes lhe invadiu a alma ferida. Não sabia. ou problemas s entimentais com o rompimento com a Débora que o abandonou por outro. você conseguiu! Agora me dêem licença. Devemos fazer uma reunião a respeito disso.. Espere João . Deixava-se envolver por estímulos de influência inferior. Algo tão comprometedor que o fez passar mal. Há pacientes espera ndo! Sérgio sobressaltou-se. e Nivaldo avisou: Não. sem perceber. Eu também . Repentinamente João. mas em da ta e horário oportunos.para as divisórias e outras coisas... Trazendo uma frieza no semblante. deixando-s e abater... mas você saiu da polícia e não tem outra fonte de rend nem reservas. Você não tem o direito de. Sérgio absorvia e reproduzia em seu campo mental os impulsos à baixa auto-estima. Suas idéias e emoções vinham de baixo círculo espiritual com representações mentais.O amigo virou-se e ele pediu: Pode me dar uma carona? Sim . prosseguiu com sarcasmo: Tal vez por vê-lo com problemas familiares que o fizeram mudar de casa. E outras ac usações duvidosas.afirmou em voz quase inaudível. alertou: Acredito que todos têm trabalhos mais importantes no momento. distribuirmos e ampliarmos a recepção.Encarando o rosto sér io e pálido de Sérgio. é difícil um de vocês encami r alguém para mim quando suas agendas estão lotadas ou quando o caso merece atenção e ac ompanhamento de outro profissional. Sentia-se humilhado co m sensação de incapacidade. Tudo isso causou piedade no doutor Edison. Agora preciso ir. Depois avisou: Essa situação não vai ficar assim. Cont udo esses sentimentos eram verdadeira expressão da espiritualidade inferior que bu scava um jeito de destruir ou desarmonizar o trabalho honesto e caridoso. ficar inte rnado. real . Vamos nversar melhor depois.. era arrastado à sintonia e receptividade das vibrações negativas e ma ldosas. desmaiar. Eu não tenho mais ninguém para atender hoje.. Com voz baixa. esforçando-se para não se alterar. Nivaldo. Nunca tinha sido rebaixado moralmente como naquele mo mento diante das verdades ultrajantes. Sérgio precisou de muito esforço e concentração para oferecer a mesma qualidade profi ssional de sempre aos dois últimos pacientes que atendeu. Não conseguia dominar os pe nsamentos elevando-os e refletindo melhor sobre o que deveria fazer.riu Nivaldo com desdém e ironia na fala. Sérgio. Se era seu intuito ver um sentimento de desconforto e discór dia entre nós. ainda tenho paciente esperando. incompetência e desvalorizado por seus colegas. Por isso disse que tal mão-de-obra cobriria as d espesas que caberiam a você. Acreditou na traição do médic o amigo e de seus colegas. fazendo-o sentir-se diminuído. dessa sociedade ou continuará sendo apadrinhado pelo doutor Edi son? Eu não sabia disso!. meu amigo .. Por que não me contaram?! .afirmou João severamente.gritou João. Contudo foi o doutor Edison quem pagou alguns custos da sociedade que te pertenceriam quando viu que não teria mais condições financeiras a o vê-lo falar em vender o carro. Percebendo o olhar insatisfeito de João. financeiramente. João o chamou: Sérgio! . acres centou: Eu não sabia. mesmo abalado e contrariado com a situação. Para is so ele está cuidando da compra do prédio ao lado..

o amigo comentou descontraidamente: Sobrou para nós fecharmos a clínica. Então multiplique os seus talentos e se motive a p ensar no futuro e não no passado. Vamos entrar. reclamou pela falta de bens materiais e dinheiro em mei o às mudanças e acontecimentos.. E eu não contei por respeitar e concordar com a vontade desse médico. mas. só para conseguir um horário q ue me facilitasse estudar. Não quero lhe dar sermões. pensava com grande amargura. Sérgio o encarou firme. Vamos? Só nos resta ir. da minha mãe!. quando alguém o favorece. na sua capacidade. Obrigado pela carona.Ao ver o outro silencioso caminhar para os fundos. Você agiu com honestidade. . A caminho da casa de João permaneceu em absoluto silêncio. Provavelmente falaram muito às minhas costas ... Sérgio! Não. sem dúvidas. sem se inibir. que pareciam inquisidores ressurgidos da Idade Média. pesquisar. Quem ma is deve saber dessa história? As recepcionistas? O pessoal da terapia alternativa? . . Porque se não fosse o doutor Edison a te ajudar. sob suas visões sujas e podres a respeito do que realizamos com a consciência tranqüila . seus pensamentos fervilhavam e Sérgio não continha as recor dações e idéias rápidas que lhe surgiam.João suspirou fundo e desfechou: Se recebeu algo. tantas f rustrações e dificuldades!. Que droga de vida! . professor e amigo digno. Ninguém imagina quantas dificuldades enfrentei! Não sabem como precisei me submeter ao autoritarismo de alguns superiores hierárquicos . completou: E eu sei que você faria o mesmo por mim . acabei de verificar.. frente à recepcionista. está ajudando a mim também.Ao final do expediente. Sérgio experimentava imensa sensação de inferioridade.. Sérgio! Não medite sobre ninharias.. mas o médico não estava. O amigo nada disse. Que humilhação! Devem me julgar pobre. O colega respeitou. supervisor.. Como não bastasse a Débora. ao vê-lo estacionar frente à sua residência. incapacid ade e tristeza intensa. Qu alquer coisa me liga ou venha direto para cá. Nun ca pude contar com ajuda financeira deles! Passei por tantos problemas. gritava em pensamento. Obrigado. Vendo o outro descer do carro. Jamais desconfiou de que seu triunfo fosse pela ajuda de outra pessoa. dramatizando para os outros sentirem pena. * * * Chegando à sua casa. foi por merecimento e não por acaso. Isso é pe rda de tempo e de valores. Você ma pessoa importante na vida dos outros.. na sua integridade e. . De que adiantou tanto esf orço. s em recursos ou então um aproveitador esperto. traído por ser o último a saber.. Talvez tenha surgido outro em sua vida e essa foi à oportunidade de . disse: Já que não quer entrar. não sou invejoso nem incapacitado ou ciumento. Obrigado. sério e r esponsável. Como me decepcionei com você! creditei em seu amor. Até a Lúcia! Que Deus me perdoe. tantas noites em claro?! Nunca tive apoio da minha família.. Com os olhos empoçados em lágrimas. sei que faria o mesmo por mim. mas você me prejudicou até d pois de morta! Desgraçada! . foi embora. João . -Respeitando seu silêncio.Após um leve sorriso. Realmente sentia-se enganado. fazer estágios!. Toda essa reclamação em pensamento atrai espíritos ngadores ou de pouca evolução que oferecem reforço às idéias e críticas destrutivas. perguntou sem demo nstrar seu sentimento piedoso: Quer conversar? Não. . Ah!.. Mais uma razão por não ter contado: porque não fui prejudicad o. pergunta ndo: Por que você não me contou? Por acreditar que. em sua compreensão! Mas você acabou com a minha paz quando não q uis me ouvir. Lágrimas correram de seus olhos. Mas gostaria de lembrar o que um professor nos disse e m uma aula: não sejamos coletores de lixos que as pessoas jogam sobre nós através de op iniões mesquinhas. ele maquinalmente foi até a sala do doutor Edison. Depois de agradecer pelos serviços e dispensá-la. informou: Já está tudo trancado.o rapaz agradeceu com um travo na voz que embargou.. tem dignidade e muita eficiência. seria eu! Porque somos amigos e eu acredito no seu esforço. Não disse m ais nada. Sérgio quase não oferecia atenção aos a gendamentos e recados que a moça lhe mostrava. Obrigado. Alguém sem escrúpulos que se fez de vítima e chorou suas pitangas. Encontrando-se com João no corredor.. Imaginava com um misto de vergonha e raiva..

Desespero e to rturas íntimas nublavam suas idéias. perispiritualmente.me deixar. Wilson foi sustentado pelos demais na prece sentida na qual rogou ajuda e intervenção Divina: Senhor Jesus.. clareando-lhe os pensament os para que recupere suas forças na fé e na esperança. indo realizar o pedido de s eu amigo. mas não era fácil. o espírito protetor de Sérgio... o espírito Lúcia vampirizava suas energias fluídicas de uma forma insaciável. Mensageiro Divino. nos pensamentos de Sérgio. Queria morrer. Wils on virou-se para um dos elevados companheiros que entendeu a mensagem de seu olh ar e pareceu desmaterializar-se.Vendo-o abrir um armário. que se tornava uma vi tima vulnerável. Ao lado de seu protegido. Repentinamente. ele se ligava às idéias de Sérgio dificultando-lhe o raciocínio. Era lamentável ver em Sérgio a expressão de queixa e dor em cada lágrima silenciosa a fogada em seguidos soluços. inocentemente o rapaz se entregava ao sofrimento. reagiu agressivo em seus pensamentos: O Nivaldo tem razão ! Sou o último a saber! Por que isso?! O rapaz fazia perguntas e considerações sem perceber a energia mental formada por agentes psicológicos cujo mecanismo ou fonte de origem era dos desejos mais fervo rosos do espírito Sebastião. com um efeito de longa tortur a e profunda decepção. rogo que nos enderece seu olhar misericordioso! Somos meros apr endizes de boa vontade e recorremos a Tua abençoada compaixão. vitimando e o consumindo sob a vontade t irana de seu algoz espiritual. que concentravam seus pensamentos com mais intensidade para envol ver Sérgio em energias mais salutares. sustentando com suas vibrações pesarosas as infelizes influên cias do líder espiritual desapiedado e cruel contra o rapaz. quebrando o elo que o prende aos grilhões dos pensamentos d aqueles que o querem derrotar. Desejava sumir. concentrando-se em usá-los prejudicialmente. do sofri mento desesperador que o leva ao abismo de dores. o espírito Wilson ajoelhou-se junto com as demais ent idades amigas. Sebastião e os demais de sua organização não os viam nem sentiam Wil son e seus companheiros. Livre-o da cegueira que o domina.. Nosso Pai bom e justo! Estenda ao Sérgio as Tuas mãos dadivosas. Sem de sviar a atenção dos puros sentimentos na prece fervorosa. Por tratar-se de forças poderosas de falange do mal. Wilson. Não permita. a aceitação ou a compreensão dos fatos. O mentor de Sérgio envolveu-o como que em um abraço paterno e tentando orientá-lo d e pensamento para pensamento. Porém Sérgio não suportava a pressão exercida pelos desencarnados ferozes.. imensos re cursos. verdadeira tropa de espíritos desajus tados fazia-se presente. encontrava nas situações difíceis e fatos inesperados do cotidiano. Nunca havia se martirizado tanto e sofrido daquela for ma. Ao mesmo tempo. não o deixando receptivo às inspirações racionais e am is de seu anjo protetor. Embrutecido no ódio. Por piedade. Sabemos que Sérgio não necessita experimentar tais e xpiações porque se determinou a esse reencarne por amor aos irmãos presos pelas amarra s psicológicas da força do pensamento de outros menos evoluídos. seu mentor Wilson o seguiu. o espírito Wilson imprimi u suplica comovente como se fosse sua última rogativa: Senhor da caridade e do amor.. estava presente e acompanhado de outros da mesma elevada linhagem moral e espiritual para auxiliá-lo com seu pupilo. liberte a mente do querido Sérgio cujos cuidados espirituais me foram confiados. Sem reajuste moral e espiritual. i lumine a consciência desse filho querido com seu olhar. dos pensamentos oriundos de sugestões covardes. Senhor Jesus. Mestre amigo. . Como forças do mal e comandada por Sebastião. acompanhava o que se passa va nos pensamentos de seu protegido: Senhor Jesus! Imploro em nome de Deus. Um choro incontido dominou o rapaz a tormentado com tantas vibrações inferiores. nobre e elev ado entono humilde. socorra-nos! Dê-nos força para intervir! Nesse instante Sérgio estava com uma arma automática na mão. enquanto lágrimas corria . Vendo Sérgio se levantar e ir para o quarto. q ue a interferência dos irmãos ainda sem elevação imprima poder psíquico tão intenso de ener ias mentais com o intuito de destruí-lo com tramas e ataques para que se atrase e não realize o propósito a que veio. mas era quase inútil. . To da aquela obsessão o enfraquecia como se o asfixiasse com a ausência de oxigênio. Mesmo n o plano espiritual. O espírito Wilson tentava de tudo para ver seu pupilo se erguer com as próprias f orças. Com grave.

Ainda em lágrimas. Ele olhou à sua volta procurando alguém.m pelo rosto. Agradecia a Deus e a Jesu s pela misteriosa forma de despertá-lo para a vida. profundamente. Sérgio levou um susto. Com binando o seu fluido vital ao fluido vital do encarnado. Tudo aconteceu em frações de segundos. mas sentiu algo nunca experimentado. O espírito Lúcia viu-se em profundo estado de perturbação. Derramando lágrimas abundantes e buscando seus últimos e mais fortes dons. que enchiam o recinto.O anjo guardião usou de um recurso conhecido como Pneumatof onia para expressar seu pensamento de modo que o seu pupilo pudesse ouvi-lo. parecendo ser arrancada da mão firme do rapaz8. quase vio lácea e como que salpicada de límpidos pontinhos de cristais flutuando em direção de Sérgi o. O rapaz não tirava a imagem da cena repetitiva de Débora agredindo-o com acusações in devidas e com modos tão cruéis. impulsionou-a com sua extrema vontade no exato momento em que seu protegido puxou o gatilho. Wilson continuava a envolvê-lo e os demais amigos dedicavam -se à sustentação e proteção. Na espiritualidade. Observando. o ato insano quase cometido. Prendia-se psiquicamente às fervorosas influência s do espírito Sebastião e seus demais companheiros. o espírito Wilson muniu-se das fibras de seu ser e gritou em meio ao intenso jorr o de luz projetado. além do forte impacto em sua mão junto a uma espécie de puxão da arma que caiu ao chão. sem que os de sencarnados tivessem a visão de sua origem. Ele relutou a abandonar o hipnotismo psíquico sobre Sérgio. indignava-o. Algo a atordoava. Enquanto Sebastião e seus ajudantes estagnaram. um choro o dominou quando seu mentor colocou-se frente a ele ajoelhando-se e repousando as mãos em seus ombros. A recordação do que s ua irmã fez. por tentar violar a Lei Divina. mas com e norme fúria. Seu corp o espiritual apresentava as representações mentais ou ilusões momentâneas a que ela e se u corpo físico passaram quando em estado de decomposição. Uma luz tênue de tom azulado direcionou-se do alto para o quarto. por jamais terem visto aquela luz com cristais cintilantes. O que eu estou fazendo?! Prostrado de joelhos. A deslealdade de seus amigos e sócios era imperdoável e humi lhante. e nada.. não tinha vontade de viver. rendendo-se com expressões de . Laryel forneceu sustentação firme e excelsa ao espírito protetor. duvidou de si mesmo. mas chocou-s e com as energias que fortaleciam o rapaz.perguntou Sebastião estatelado. mas o uviu nitidamente o grito que o chamou à realidade um segundo antes de ele puxar o gatilho e ouvir o disparo. Passando a vivenciar dores que não tinh a há algum tempo e sofrimento na consciência como se experimentasse todo o mal que f ez no passado. O anjo guardião o envolvia com energias benéficas e renovadoras. Inesperada sensação de segurança. fazendo-a saltar como se tivesse vida própria. de tudo o q ue conseguiu e. Amedrontada pelo que desconh ecia. Minutos pas saram. Estava extremamente insatisfeito consigo mesmo por sua f alta de conduta moral. pôde ver cravado na parede o projétil disparado. Exatamente ao mesmo tempo. Nesse momento. Não entendia o que havia acontecido. impreg nando de modo a ocupar todas as valências da arma que Sérgio segurava. Ela sabia que aquele jorro de luz significava uma proteção do alto para Sérgio e se im pressionou com o que viu acontecer no plano material por desconhecimento e não con seguir observar nada na espiritualidade na esfera em que estava. assombrados e medrosos. Sérgio. apontou-a para a própria cabeça: Sérgio! Sérgio. Sentiu um forte arrepio e um medo o dominou. A claridade tornou-se forte. Seu coração batia forte. quando Sérgio destravou a arma. Estava sozinho. caiu de joelhos e murmurou incrédulo: Meu Deus. sem paz. Sebastião declinou num grito de pavor. porém não conseguia deter o choro compulsivo no qual lamentava. fugiu o mais rápido possível para regiões trevosas onde normalmente se reuniam. a nobre benfeitora Laryel se fez presente de maneira que somen te o espírito Wilson e seus auxiliares puderam vê-la. O espírito Sebastião urrou em protesto e dentro de sua pobre posição mental estava in conformado. O que foi isso?! De onde vem isso?! . invadia-lhe a alma. mesclada com arrependimento. o espírito Wilson. A lembrança das fotos o enlouquecia. A respiração es tava alterada e os olhos traziam o espanto pelo que não podia explicar. pare! . recostando a testa em sua testa. Os pensamentos eram frenéticos e tão compulsivos que angustiavam sua mente d e modo alucinante. parecia hipnotizado. por inspiração de Sebastião.. Sérgio não conseguia vê-lo.

Mas alguém gritou meu nome duas vezes e ordenou que eu par asse. Sérgio entrou em pranto incontrolável. Junto do que eu soube que o doutor Edison fez sem me dizer nada e a opinião dos meus cole-gas. viu jogada ao chão a arma e foi pegá-la. Não agüente i mais e quis morrer. É! Bom dia. Tudo bem? ... Passado o desespero. acalmando-o de minuto a minuto . ainda envolvido por seu mentor e sustentado por elevados amigos espirit uais. Estava em companhia de seu m entor e do amigo espiritual que saiu para buscá-lo. Alguns minutos e Tiago chegou sem ser percebido. Como não consegui ter mais coragem de enfrentar a vida?! Venha. a munição do arma. um raspão do projétil na sua nuca e o tiro na parede?! Sérgio estava controlado e mais sereno ao dizer: Aconteceram muitas coisas. Sérgio?! Tudo bem? Bom dia. e separou as peças. Ao ver seu irmão. correu às pressas até o quarto onde o irmão já se vestia.. perguntando assustado: Ei?! Sérgio?! O que foi?! O que aconteceu?! Sérgio abraçou-se a Tiago. mas não disse nada... Acreditou ter dormido muito e um frio mortal atravessou-o como uma lança ao se lembrar do irmão e do ocorrido no dia anterior. ajoelhou-se a seu lado. Tiago? Também me acha incapaz?! Ao contrário. Ah!. tentando se manter calmo: O tiro passou de raspão na sua cabeça. Sérgio levantou-se e o acompanhou contando exatamente tudo o que havia aconteci do. perguntou: E aí.. O que significa essa arma jogada ao chão. não detinha o choro compulsivo que seus pensamentos arrependidos lhe provoca vam..lágrimas correram. Tiago correu para junto de le. Sérgio o olhou. vamos para a cozinha que vou te fazer um chá e você me conta tudo. el e foi até o quarto. estou acostumado a ver pessoas em c rise emocional. Tiago acordou num sobressalto. repentinamente. Era uma energia tranqüila. ele olhou para Tiago que decidiu: Vou buscar um pouco de água e algo para passar na sua nuca que está sangrando. cara! Você é bem capacitado e instruído para fazer alguma besteira com essa arma. chorar. 23 . Tiago. . Sentiu-se gelar com as rápidas conclusões ao encontrar a cápsul a deflagrada e ver o furo do tiro na parede. Imediatamente Tiago tirou o pente carregador. colocando-as em seus bolsos. O espírito Wilson afastou-se de seu pupilo e junto aos demais só observou. pedindo perdão e agradec endo a ação espiritual que lhe poupou de inimagináveis aflições espirituais.Respirando fundo e sentando-se ao lado do irmão. Como pude chegar a esse ponto ?! . Sérgio.. que o forçou a se levantar do chão e o fez se sentar na ca ma. Nunca senti tanta humilhação. Tiago fo i induzido a passar as vistas pelo quarto quando. Aproximando-se mais e examinando as gotículas de sangue na nuca e na camisa de seu irmão. enquanto Sérgio bebia vagarosamente os goles da água adoçada...tortura íntima na face transfigurada do perispírito deformado. O que tentou fazer com isso. você é um ser humano co m direito a expressar seus sentimentos. Apesar de todo o conhecimento que tenho. passou-lhe um anticépt ico na nuca enquanto falava com calma: Sérgio. Somente seus olhos se encheram de lágrimas. que estava pront a para atirar novamente. direcionada por seu mentor. Sérgio?! Por que se admira tanto.. Levantando-se.. Algum tempo e Sérgio sentiu um bálsamo sereno amenizar suas emoções conflitantes. Sentado no chão. curvou-se sobre a cama rogando ajuda. retirou -se revoltado. p ois isso não tira seu equilíbrio. e ele saberia esperar. desabafar como outro qualquer. mas com o semblante carregado de tristeza. O fegante. Ao retornar. Apesar de sempre ser equilibrado e racional.. perguntou. Contudo o outro não conseguia controlar os sentimentos. Mas.Cabe a Deus alterar o destino Na manhã seguinte. Inspirado naquele instante.. Ficando somente com a cápsula deflagrada na mão. Não suportando.

que invadiu seu coraçã eneroso minutos antes.Breve silêncio e prosseguiu ext enuado: Apesar do conhecimento e um pouco de entendimento. o que aconteceu?. Por algumas vezes. Vou só. sem dúvida. na casa de dona Antônia. Ao vê-lo arrumado. parecendo ter planos. que o pisoteou com palavras e ironia ao contar-lhe a verdade. mas ainda expressando lamentável do r.. O remorso dominou mais uma vez a mente de Sérgio que antes perdeu horas de sono ruminando em pensamento palavras capazes de exprimir como se sentia melindrado e constrangido no saber da verdade. Obrigado.. pegou o telefone e. Minha companheira por anos.. Vai falar com o doutor Edison? Vou.abraçou-o firme. recompondo-se. Apesar da surpresa amarga e triste.. Olhando para o irmão. Obrigado por vir aqui. . mas não dizia nada.. mas contou à jovem o que Sérgio tentou num momento de desespero extremo. Estava mais tranqüilo ao obs ervar a transformação do irmão. mas não precisaria ser tão arrog ante e insensível.estranhou Tiago. Eu estou bem. por isso não consigo deixar de chorar pela separação de uma pessoa tão que rida.. doutor Edison.. Saindo do elevador. que ficou acompanhando o amigo e dando-lhe apoio. Ao perceber o v ulto atrás de si. Em meus braços. Não . soube que o médico estava no hospital.. Chegando ao hospital. Tiago estava apreensivo. Hoje é sábado! Vai trabalhar? . Caminhando pelo longo corredor daquele andar.. Ele pediu segredo. Uma névoa escura pairava em seus pensamentos repl etos de muitas idéias que pudessem contornar a situação. Ele estava frente a um colega que repousava a mão em seu ombro. Tiago. inesperadamente. o doutor Edison se virou e Sérgio surpreendeu-se ao vê-lo com olhos vermelhos e rosto congestionado. Afastando-se. A entonação sentida na voz do médico doeu-lhe no fundo da alma. Depois de conversarmos. Sérgio sentia-se incapaz que qualquer ofensa ou acusação contra o doutor Edis on.. ela faleceu em. São em momentos como esse que os verdadeiros amigos nos acompanham. .. pois necessitava de explicações. Sinto muito.Sim.respondia sério ao fazer tudo mecanicamente. Ao observar a fisionomia sofrida do amigo.. não se preocupe. Vê-lo daquela forma. algo reavivou seus verdadeiros sentimentos pelos fortes laços de companheirismo e amizade que o s uniam. contou com a voz embargada: Minha mulher. É só o tempo de tomar um banho rápido para despertar e... compreendendo a situação do amigo e cedendo à mágoa. .murmurou o médico. Con fiava tanto no doutor Edison e justo ele o enganou.. Sérgio reconheceu o médico de costa s. típica aparência de quem havia chorado.. trouxe-o à sensatez imediata e o rapaz perguntou c auteloso: Doutor Edison.. Não. As horas foram passando e Tiago decidiu ir embora.exclamou firme.expressou-se Sérgio pela verdad eira compaixão. Irei com você. Sérgio. Pensava em dizer o quanto se sentiu ferido e até ofendido pel o sócio Nivaldo. a qual considerava gravíssima. Sérgio.. Decidiu que fa laria daquele assunto. Começou a rever suas opiniões e reconhecer seu orgulho e vaidade. * * * Na tarde do dia seguinte. abraçando-o firme por algum tempo e apoiado em seu ombro amigo. Sérgio apresentava o semblante sisudo. desabafaria toda a impressão forte que o a sfixiava angustiosamente. Tiago t ambém manifestou suas condo-lências. Sou incapaz de não te r sentimento. Sentia-se magoado pela traição e.. pensou em ferir o médico am igo que o ajudou no anonimato.. Aceite meus pêsames .. carregado de sensação en ervante e indesejável. Imediatamente Sérgio foi para lá. Em seguida. Tiago e Rita conversavam sen tados em um banco frente ao jardim onde o sopro de uma brisa morna balançava as fo lhas das árvores e plantas. após algumas ligações. traiu-o ao omitir os fatos. Oh. ela ouviu . Nada disso! . o doutor Edison foi avisado de s ua presença e solicitou que o rapaz e o irmão fossem ao andar onde ele estava. Preciso resolver a situação sobre minha sociedade na clínica ou não terei sossego.. Ela mandou me chamar e. Sérgio não conseguiu argumentar diante da teimosia do irmão.

. . aglomeram-se à no ssa volta afinando-se conosco e fortalecendo-nos na coragem para a prática de um a to tão cruel contra nosso ser. E sabe o q ue é isso? É o desejo de espíritos inferiores que se comprazem no mal. . não resistir e ceder ao que mais fere a Deus. um objeto inanimado. . sentir-se humilhado. acredito no socorro de Deus. angustia-se pela sua incapacidade de se erguer e buscar ajuda . .Trazendo um brilho lacrimoso nos lindos olhos grandes e negros. Até Jesus aceitou ajuda nos últimos instantes de carregar s ua cruz. aflito e. retoma su a fé em Deus. Tudo isso foi tirado de mim e ainda. É difícil vencer a vergo nha. Rita! As palavras e a forma de uma pessoa se impor cont ra nós. . considerou: Mas quem sou eu para criticá-lo? Você não tentou se matar.disse o rapaz. fazer dos amigos lata de lixo com minh as lamentações. a fé num futuro melh or se acabam. nos últimos tempos. No final. ofereceu simpático sorriso no belo rosto moreno claro.. Tiago. Nossa! Como isso me assusta.Abaixando a cabeça. abandona a ilusão e passa a pensar com a razão. as conseqüências espi . você analisa sua intenção hedionda c ra a própria vida. Quando se tem a sorte de retornar à realidade.. enca rando-a firme: Rita. com o objetivo de te ver ca ir. mas não te m valor. bem parecido co m o irmão. Por que eu seria tão orgulhoso? . . A mente fica povoada de imagens ou cenas. Não nego a in fluência espiritual inferior.. vo se sente uma coisa. mas não tentou quando estava sozinha! Lembre-se do que o doutor Edison te falou e que me contou . Somos seres individuais e temos consciência dos nosso s deveres e direitos como criaturas humanas e eles estão registrados em nossa ment e. comentou em tom lamentoso: O Sérgio?.. sem esperanças. Tenho lido a respeito e. Aí. à angústia e a o desespero.. Eu acredito e tenho um pouco de conhecimento nisso. pisoteado. Então se depara com o gosto amargo da vergonha. Adqu irir esses conhecimentos me ajudou imensamente Reforçaram minhas opiniões e me deram novas reflexões.A jovem fitou seus lindos olhos verdes quando Tiago a chamou.. mas. forçou-se a um sorriso tímido e encarou-o ao afirmar: Quando as perspectivas.Lágrimas rolaram. Quantas e quantas vez es aprendo com a dificuldade alheia para me desviar. E sem ter mais ninguém. o Sérgio segue essa filosofia e os dois possuem considerável noção do sof ento terrível por conta desse ato. se necessário. mas é algo que pr oduz tanto terror e de uma força extraordinária Ou idéia fixa sobre morrer. com respeito e compreensão.. de lembranças o u impressões com profundos sentimentos indesejáveis e amargos de procedência desconhec ida. de ter a coragem de viver respeitando a vida como ela é! É. Sabem o quanto é forte a tentação. Somos imortais. quando acabam suas forças diante de al guém tão miserável que se aproveita da situação. argumentou : Acredito que a idéia de que o sofrimento termina com a morte é o que estimula alg uém ao suicídio. não temos mais ânimo para viver. estou surpreso e assustado por ver pessoas com entendimento e conhecimento como você e o Sérgio se desesperarem a ponto de quererem desistir da vida mesmo sabendo que o sofrimento depois da morte será pior! Fiquei assombrado! Você é espírita. a expectativa. Infelizmente são em momentos assim que nos entregamos ao medo. que são usadas como instrumento. es gotado. .. nos levam a aceitar o que ela induz. da humilhação. e admitiu: Não julgo as pessoas. aceitando o propósito de sua existência dentro daquelas novas condições ou t em a bênção de encontrar pessoas que te despertem. Rita desviou o olhar e silenciou.atentamente cada detalhe. podem me enviar companheiros enca rnados para me ajudarem. acima de tudo.engoliu a seco e continuou: E. Ainda. EU sei. de Jesus e de mentores amigos que podem me guiar. Só as observo. deixando uma porta aberta em nossos pensamentos para a entrada de i déias estranhas e terríveis. Talvez você não saiba como é chegar ao limite de suas forças. .Breve pausa e comentou: Não que eu vá deixa r para os outros assumirem meus encargos. de passar pela s mesmas dificuldades e sofrimentos que elas provocaram a si mesmas..Fez uma pausa e prosseguiu: Sabe. Persuadiram você ao suicídio e a ajudaram . de sua inferioridade por desejo tão inferior como o do suicídio. Tiago! Ele é uma pessoa tão controlada e.. É mais fácil ter a covardia e se deixar dominar pelas inspirações de espíritos cruéis u pessoas encarnadas. aquilo que existe por existir. nós conversamos muito sobre a vida e spiritual e toda a responsabilidade que nos é atribuída pelas falhas cometidas. Rita.... sabia? Olhou-a. mesmo assim ela exemplificou: É alg o como uma lebre delirante a nos entorpecer e dominar disputando ardentemente en tre a razão e a insanidade.

desespero e tudo o que é insuportável para ela. nenhum ser humano escapa dos resultados de suas próprias realizações. Sempre quis ter de volta a família que um dia tive. Respiro u fundo e prosseguiu: O Sérgio foi instrumento de misericórdia Divina guiado para me salvar. Fiquei desorientada e não acreditei n os meus valores morais. terminado. E eu estava com ele. mas. eu vi a moça. A jovem silenciou. Medo do quê?! . Talvez fosse só amizade. chorando perto... Isso pode acontecer por alguma atitude desajustada em outra encarnação. Uma visão tão lógica e simples só se explica pela sua vação. Eu senti que não deixei o Gustavo ser feliz m esmo quando percebi tudo entre nós bem diferente. Acreditei que meu sofrimento seria eterno e minha vida inútil. Em seguida. Na noite em que combinou com o meu irmão sobre irem para a repr esa. Depois que soube da morte da minha tia. Por isso. alertar e despertar. ainda assim. depois se foi. Nós nos gostávamos muito. apesar do conhecimento. . Porém ela continuou firme: Após a morte do Rogério e do Gustavo. Sabe.. . invadindo sua alma com o olhar. alguns parentes do Gustavo cob ravam sobre a data do casamento e. . intolerável a ponto de cometermos o suicídio.lágrimas rolaram. Por essa razão. Tiago. que a nossa amizade era incomparável. Senti que ficou satisfeito.. uma pessoa passa por provas ou expiações de infel dade. Às vezes o via olhando quem ligava em seu celula r e ele não atendia.. Nós namoramos por tantos anos e o Gustavo s e viu na obrigação de não me abandonar.. a o admitir: Ainda tenho medo de você insistir nessa idéia. que Tiago aparou com a mão.Novas lágrimas.. a c ulpa pelo suicídio é de quem o praticou.. Um tempo para não chocar a família e.lágrimas correram. Após ficarmos noivos.. Co mo família só restou uma tia distante e aquele.. com a dor e todo o sofrimento. e a jovem prossegui u: Fui falar com o Gustavo e para minha surpresa ele disse que sentia o mesmo e talvez a origem disso tudo tenha sido o nosso noivado... me senti reduzida a pó.. quando me afastei de seu caixão. mas ainda não entendo como pessoas instruídas. vazio.... encarou-a sério. . Você achou que ele foi rude e frio. . Diante dos longos minutos. Nos primeiros dias. Eu sentia uma coisa. um vazio!. alegre com a minha decisão e beijou meu rosto como um amigo.. oriundo de esferas inferiores com propósito de vingança ou puro p razer... uma angústia que deixava meu coração apertado. Perdi meu irmão.. Me vi só... Era uma dor.. eu me afastei para ela ter o mesmo direito de d espedida. talvez por c ostume. mas meus pais morreram e restamos eu e meu irmão . . Ele confessou que me cons iderava muito.. Tirando-lhe os cabelos que cobriam parcialmente seu rosto. às vezes. somos culpad os e lastimaremos amargamente a ação..indagou virando-se a ele.Ela secou o rosto com as mãos e respirou fundo ao revelar: Tem algo que ni nguém sabe e isso me dói muito.. Tia go. falei com o Gustavo a respeito de conversarmos com a família dele no dia segu inte ao voltarem do passeio e ele concordou.. Medo?!. Tiago refletiu e depois confessou: Ainda tenho medo. deixando o olhar perdido no belo jardim. Passei mal e foi por isso que não qui s retornar ao velório e ver o enterro. ninguém. mas seu irmão. me fez entender que era preciso enterrar os mortos e prosseguir com a saudad e.Alguns segundos e pediu: P erdoe-me a falta de conhecimento. pois o tempo se encarrega de amenizar e ajusta . . por uma obsessão. por ter ficado ao meu lado me dando o maior apoio quando meus pai s se foram.Rita deteve as palavras. Rita sorriu com brandura ao concluir: Você é bem mais elevado.. talvez por dó. o profundo martírio de forma lenta e intensa. religiosos. sem propós itos..Engoliu u m soluço e contou: No velório. Com a perda dele junto a do Gustavo... apego. . Porém é bom lembrar que. ou melhor.. Mesmo que um espírito se m instrução e rebelde. com o vocês. lá no velório.... senti que era aquela moça discreta. podem se entregar ao desespero sem lembrar que tudo passa e o sofrimento daquele instante ou até de longa duração também passará.. mas éramos só amigos e eu percebi que hav ia alguém nos pensamentos dele e. por prova para sua elevação espiritual ou tarefa e outras razões como a ilusão materialista de o sofrimento terminar com a morte do corpo físico.Respirou fundo e continuou: Então combinamos de dar um tempo.ituais. Entendi que neguei o direit o dele ficar um pouco com ela. Apesar de induzido por um espírito inferior. meu tio se aproximou e me disse aquela frase impiedosa sob re eu ter visto meu irmão. sirva como objeto destrutivo nos influenciando e nos conduzindo ao desesp ero extremo. . A oportunidade de vida nos foi concedida po r Deus e Suas Leis são de amor.. harmonia e felicidade.

. Ele era um cara bem bacana e gostava muito de você. Obrigada por ser meu amigo. absorvendo ca da palavra. Aprendi a pensar diferente e reconheço a loucura que desejei.. A culpa não foi sua! .Oferecendo um sorriso doce e acan hado. . mesmo que a luta pareça interminável. Que bonito! . tormento e desespero passam. ela se ajeitou afastando-se um pouco. Você foi fiel e não deixou de amá-lo. fechou os olhos e se permitiu longos minutos de paz.. Gosto da sua companhia e de fic ar ao seu lado. Rita. Devo ter al go importante a fazer. beijou-lhe a cabeça. Precisamos seguir vivendo. E o doutor Édison me ajudou muito nisso e me ajuda. Não dá para esquecer o que passei. perdoando. Sem demora ele lembrou. mantendo-a recostada ao peito e agasalhou-a entre seus braços com ternura. pois estou aqui seguindo meu destino. po r ele tê-la apoiado tanto. Sim. principalmente. Você é a bênção. toda a verdade do que aconteceu . esquecendo. E Tiago continuou: Conheci o Gustavo quando ele ajudou o Sérgio em alg uma coisa lá na reforma da casa. Porém não gostaria que se afastasse de mim.. Eu me afastarei quando pedir. acreditando não ter deixado o Gustav o viver com quem se apaixonou.riu. entender. .admirou o rapaz. eu concordo. . .Ela só o olhava. Ele silenciou ent endendo a harmonia e o sossego que a fizeram se largar no abraço gostoso. à academia e sem m otivação. Entendo seu amor pelo Gustavo e seu conflito por guardar o segredo do término do noivado. Depois gargalhou ao comentar: Puxa! Como foi difícil tirá-l a de casa! Caramba! Ah! Viu como você foi o remédio para meus males?! Tiago sorriu com satisfação. Rita.. Não... Logo ele disse: Pode d eixar. Não tenho m uitos amigos verdadeiros e desinteressados... . comentou: Obrigado por me considerar seu amigo.. Eu?! ... o bálsamo que dimi dores e o sofrimento que podem me abalar. Você me ajudou muito.... me dedicando somente ao serviço.sor riu com doce saudade no olhar. acolhendo-a com c arinho. só que esse amor era de uma forma diferente. Mas algumas coisas são tão dolorosas. sentindo tranqüilidade na a lma e sem qualquer conflito íntimo como há tempos não experimentava. Não se julgue culpada. A d ona Antônia me recebeu e me acolhe como filha.. Sensibilizado.reclamou. Vi o quanto à família dele gosta de você e compreendo sua inse gurança e seu receio para revelar seus sentimentos verdadeiros.. serei seu amigo enquanto for minha amiga. experimentei. beijou-lhe o rosto e falou com brandura. a jovem soltou seu rosto e acomodou-se ao lado.Silenciou. Depois nós nos reuníamos no fim do dia. Olhou-o de um modo en igmático e o abraçou com força. mas estou aprendendo a reconhecer meus valores e sou melhor do que tudo isso. Toda aflição. Nós nos reuníamos para comer pizza!. conversávamos. Vendo-a tímida por elogiá-la com as palavras vinda s do coração. segurando-lhe a face entre as mãos mornas e delicadas: Não se preocupe tanto comigo. sei que você adorav a e adora o seu irmão. Não queria sair hoje.Riu com generosidade ao falar: Mas não precisa exagerar dizendo que sou o remédio que diminui as dores e o sofrimento! Delicadamente a moça afastou-se um pouco. Veja. sorriu lindamente como há tempo não se vi a e brincou ao dizer: Não diga isso! Não tem o direito de interferir em minhas opiniões! Ora! Você vive me contrariando! . pois só a Deus cabe alterar o curso do nosso destino. Junto de você apreendi que existem coisas mais importantes para se compreend er. Tomado de impulso imediato. fazer e viver.. devemos admitir que foi necessário vocês passarem e sse tempo juntos para alguma harmonização. o remédio.. correspondendo à brincadeira. de verdade! Só que como um grande amigo. Quer ir ao cinema? E escuto: Ah!. arremedando-a de uma maneira engraçada: Chamo para sair e você diz: Ah. Eu ainda relutei em aceitar a verdade. falou quase chorando: Você. Essa era a forma como ele a amava. A jovem o envolveu pela cintura . Tiago. ríamos de fatos engraçados que lembrávamos.r a vida. Abraçou-a. Acred itando que nada é por acaso. sem interesses. Tiago alargou um lindo sorriso e espontâneo que iluminou seu belo rosto trazend o um brilho lacrimoso em seus olhos.riu com jeitinho.. relaxand o e confiante. Após longo repouso. ele abraçou Rita por sobre os ombros. recostando-a em si ao embalá-la suavemente. Penso também que o Rogério ficou ao seu lado . Eu tinha uma outra vida. mas depois comentou: Existem razões e ac ontecimentos na vida que às vezes não conseguimos entender. meu fiel amigo nesses momentos tão difíceis.

. olhando ao redor para as sombras das folhas de uma árvore que tremulavam nas paredes internas do ambiente. agora. Afagando-lhe a face tênue com delicado carinho. a dona Antônia. Eu sinto que a Débora vai voltar.Vendo-a quase em lágrimas. Rita! . seu único irmão.. Não é fácil aceitar a separação. Onde está a sua fé? O apoio do Gustavo e do Rogério foi importante e imprescindível até você estar madura o suficien te para enfrentar a vida! Creio que a situação de sentir-se sozinha. E eu precisava passar pelo que passei?. sorriu ao concluir: Ou até reconheça em alguma criança ou crianças as características indiscutivelmente individuais que somente eles tenham! .. conhecimentos e experiênci as.. disciplina. Deus pode fazê-la encontrá-los ainda nessa vida! . Vamos sim . isso acontecerá de um jeito ou de outro..sorriu.. chorar.Frente a ela ainda lembrou: Você tem vinte e cinco anos! Tem muito tempo e centenas de cria turinhas para conhecer e se for preciso eles surgirão no seu caminho. . Silencioso.. Passe por isso sem sofrer. ficar deprimi da e extremamente angustiada vai ajudá-la em quê? Supere! Reaja! Você é superior a isso. E a Débora que sumiu? Acabei com a vida do Sérgio que tanto me ajudou.. Você tem outra família que te ama! .para aprenderem algo juntos. Tenha força para recomeçar.. Tiago e Rita saíram conversando e brincando para um passeio descontraído. . de não ter uma fa mília era a sua prova. se Deus acreditar que exi ste algo mais para viverem juntos. .. que você resistiu à tamanha dor quando perdeu seus pais. Então eu acredito que foi o momento de eles irem. Não cometeu qualquer loucura naquela época devido à força que o Gustavo te d eu para se recompor ainda mais.. pois me lembro de você ter contado que ele quase foi naquela viagem junto com seus pais. dedicação... negros e ondulados cabelos lindamente soltos. Levantando-se. Sérgio permanecia sentado no sofá. eu. Foram unidos para o plano espiritual. É bem provável que não os identifique. E eles? Por que se foram? Porque precisam continuar evoluindo e se aperfeiçoando. O amor não termina com a morte do corpo físico. sorrindo com doçura. não se abale nem se culpe por isso ou s erá mais um problema para ele. Guardando consigo profundas reflexões sobre conselhos. Rita.falava com ênfase e expressiva energia positiva. não estaria perto de uma nova família.. como amigo fiel. afagou-lhe os longos. perguntou: Vamos sair e dar uma volta? Sim. O que importa isso? Talvez não precisasse e daí?! Lamentar. indagou: Mesmo sabendo que posso reencontrá-los e fazer algo melhor que fiz nessa vida por eles. Acredite. Tiago. minha am iga! Você tem quem te apóia. não os reconheça ou. chamou: Agora vamos? Rita estava animada. Sérgio decidiu não permitir suas opiniões. pois eu vi muita amizade entre eles. Tanto que desencarnaram juntos. na sua vida de algum jeito. Você sabe ouvir as pessoas e oferecer incentivo! Que tal Psicologia?! . considere...murmurou. Já me disseram isso!. Talvez não tenha percebido. Eles te acompanharam ness vida terrena o tempo necessário de seus planejamentos reencarnatórios para que tive sse força para recomeçar. pois cumpriram os seus propósitos.brincou. * * * A noite se adensou naquela casa onde a luz fraca de um abajur deixava a sala na penumbra. Toda família tem seus desentendimentos e por que a nossa seria diferente?! Não foi sua culpa essa separação. mas você tem uma nova família.. . Foi por causa do Rogério. Talvez se tivesse ficado sem seu irmão ao lado .ele sorri u com terna brandura..Sorridente. Eu o con sidero como um irmão! Sabe.. modificou-se incrivelmente com aquela conversa e falou: Vamos! Mas aproveitaremos para conversar sobre você fazer um curso superior! Eu?! Estou velho para isso! . Você já havia encontrado o Sérgio que a levou a conhe cer o João. lembrando que todo aper feiçoamento e evolução exigem renúncias. pois o teve a o seu lado. o doutor Edison. crenças e pensamentos abalados ameaçando se . Para ajudar o seu novo irmão Sérgio. Já te contei os ta is fatos.Olhando-a de modo a invadir s ua alma delicada.exclamou Tiago sorridente. naquela época. alinhando-os atrás da orelha para ver melhor seu rosto expressivo. Você os amou e os ama do seu jeito e eles a amaram e a amam do jeito deles.

. Rita . Contudo seu coração trancava uma tristeza. mas hoje sou tão grata! Eu te considero muito. Ele foi além. Ficou em silêncio. Sentindo. Valendo-se da Metodologia Científica aprendid a no curso universitário.alegrou-se Sérgio. minúcias apresentadas em momentos de pa ticularidades e carinhos entre eles. Sérgio não teve dificuldade de pesquisar. pela presença de entidades bondosas e elevadas dispostas a benef iciá-lo com a sagrada vigilância e abençoado conhecimento. não é? Estou sim. a elaboração intelectual e os ideais ocupados e concentrados no bem não abrem esp aço para as influências do mal. sorriu satisfeito por ver Rita que o cumprimentou com um beijo..inform ou Tiago. Os irmãos trocaram poucas palavras até ela retornar. incluindo espíritas. envolvimento sublime e amoroso aos encarnados e desencarnad os ainda dispostos a incomodá-lo. Repentinamente ele se leva ntou repleto de vigor a ânimo. mas ele mudou a postura mental. Foi até o quarto onde fez o escritório e havia diversos livros e materiais de estudo. assaltavam-no vivamente e tão fortes que parecia ouvir a voz generosa e delicada. Orou e trocou a companhia dos espíritos inferiores. Seria bem cômodo e n atural deixar se enfraquecer com as idéias melancólicas insufladas.atalhou Sérgio . Rita . o fluido. você está se dando muito bem com a dona Antônia. Sim. Mas demoramos mais do que o de costume e. Que bom vê-los! .avisou num grito e arrumou as anotações e o material espalhado. Débora era a razão de tudo. desenvolver idéias e conclusões. olhou-o com certa decepção e falou: Meu celular está com a bateria descarregada. Um demorado e profundo suspiro o deixou mais leve. recordações e situações alegres. cujo objetivo era fazê-lo sofrer. tranqüilo e com imensa fé sem saber por quanto tempo. Com o um mau presságio.. auxiliando-o nos objetivos daquela reencarnação. esclarecer situações e se desvencilhar do que pudesse comprometer suas i déias.u equilíbrio e bem-estar. No primeiro dia fiquei contrariada com você. o riso cristalino ou mimoso do único amor em sua vida. desejando renunciar a vida. Rita! Nem precisa pedir.disse com leve sorriso. Ao chegar à sala. Em outras palavras. Separou algumas obras que o aj udariam em determinada pesquisa e estudo sobre suicídio. Em pouco tempo a mesa do escritório estava repleta de literários e pequeno espaço o nde colocou grande caderno de anotações. mas agora se negaria a perder o controle das emoções e entre gar-se à aflição insana. Acreditou que aquelas idéias eram sinais. Também pediu luz. consumindo-o pela saudade. reproduções exatas. A força. Rogo u sustentação e força interior para prosseguir em seus propósitos a fim de superar as di ficuldades. ligando-o aos espíritos de esferas superiores .argumentou Tiago. Os pensamen tos. Posso usar o telefone. encarnados e desencarnados que se aglomer am por gostarem das mesmas práticas e idéias mesmo quando não se conhecem. Eu avisei . Ela sabe que saímos. Sérgio estava determinado a experimentar a angústia . Incontáveis imagens. Sérgio não percebeu que era tarde quando ouviu Tiago chamá-lo: Estou aqui! . Sentia que ela precisava de sua ajuda. aprimorando seus conhecimentos. Fechando os olhos. A simples concentração na leitura de um bom livro manteve s ua mente ocupada e seus pensamentos mais saudáveis. Nós saímos para dar uma volta e decidi passar aqui antes de levar a Rita . dinâmicas e detalhistas do que vivenciaram. a ment e tem o poder de atração de espíritos afins. Enquanto isso a jovem pegou o celular. um forte abraço e mostrava-se mais animada. ele experimentava uma provocação por densas amarguras vindas de pe quenas lembranças. mas não podendo ver. sentar e comentar: Achei melhor avisar a dona Antônia que eu estou aqui ou ela ficaria preocupada. Sérgio recebia abençoado jorro de energia salutar qu e o resgatava do desânimo e o elevava. o poder dos nossos pensamentos são energias magnéticas que exerc em recursos e meios de impressionante atração espiritual. Depois ref letiu novamente. Não pense que agi por des . A decisão foi certeira. a dor e o sofrimento. alertando-o de uma tris teza profunda e imensa amargura. substituiu os pensamentos depressivos por prece equilibrada como se conversasse com Deus.. Sérgio? Lógico. mas não sabia o que fazer.

Quando esta mos à beira de cometer alguma burrada. o mesmo acontece por parte de funcionár ios públicos ou outros profissionais na área de atendimento. o doutor Edison. Não amam nem são amadas.. tem outras coisas e.. dias antes.murmurou sem jeito. Nunca me cansarei de agrad ecer a Deus por vocês aparecerem na minha vida. auster a e que não reconhecem o serviço prestado exibem um quadro de personalidade inferior izada. É.acrescentou Rita. desumano.afirmou Rita. Uaaaaau! Um psicólogo falando desse jeito! . eu fui dominado por uma crise de c iúme da Débora com o Tiago que se davam bem e conversavam bastante. filha. o Tiago.riu... Psicologicamente falando. irmão. É sim! Eu disse isso quando nos conhecemos e repeti o mesmo hoje para o Tiago. . Isso encon tramos em todas as classes sociais. . Foi . Ora! E verdade! . Tudo isso junto à maldade da minha ex-namorad . Acho que experimentamos muita influência espir itual inferior e aceitamos. Esse comportamento most ra que são pessoas frustradas por algum complexo de inferioridade também.riu Tiago ao exclamar. mãe. Na da é por acaso. mas ela não ficou para explicarmos. Sérgio riu e Tiago balançou a cabeça concordando. Existem pessoas humanas. o João. uma espécie de complexo de inferioridade gerado pela falta de respeito.. Creio que. Deus nos avisa.. Não se culpe. Esquecem que vocês são seres humanos.... Outras são orgulhosas e pensam que profissionais como você. Sou bom observador e tenho certeza de que nada é por acaso.disse Sérgio. pessoas assim. se teve alguma eme rgência. mas a moça não se manifestou.. Não diga nada sobre isso. Já me perguntei: Por que o caminhão do Corpo de Bombeiros não chegou um minuto ant es?! Por que estávamos passando por uma rua perto quando o rádio nos mandou atender determinada ocorrência e isso salvou uma vida ou vidas?. bombeiros. São insatisfeitas consigo mesmas e complexadas..confirmou o rapaz. Sérgio . marido. que em algum aspecto de suas vidas não tiveram o resultado desejado.. São inúteis ou impotentes com a família como pai. solidárias! . Sérgio! Você foi um instrumento de misericórdia Divina inspirado c omo socorrista para me ajudar.tornou ela. Você tem toda a razão . E as reações das pessoas envolvidas são tão diferentes! . meu irmão! Não podemos negar esse desejo. um bombeiro. Além disso. Até entre estranhos isso aconte ce. para eu ter uma chance. São criaturas de personalidade mal resolvida. você Sérgio.. séria à espera de uma consulta. .Alguns segundos e falou em tom melancólico: Só sinto muito pela Débora. por servid ores públicos como policiais. sorrindo. Sabe. Ao serem atendidas principalmente. colocam suas vidas em risco e nem ganham bem para isso.prezo ou algo assim. De você e de qualquer outro que se aproximasse dela.... além de ser uma ligação com a educação.. médicos. Foi uma situaçã ue enganou os olhos de Débora. Vocês já viram uma pessoa toda bem vestida . professores e outros algumas pessoas tomam uma postura rude.Sérgi o não se intimidou e contou diversos ocorridos e detalhes que Rita já conhecia através de Tiago. Quando aprendermos a trabalhar nossa hostilidade e nos controlarmos.exclamou o irmão.. Sabe.interrompeu-a Sérgio de imediato.. E quantas vezes nós já não agimos assim?! Talvez não nessa. irmã.E les riram e ele continuou: Ela não quer saber se o médico está bem. com disposição ou atitude áspera. à vontade de dar um murro na mesa?! . Existem s que se emocionam e não se cansam de agradecer pelo socorro. agressiva. Educado.interrompeu o irmão .. E tudo começou com a Débora.Sérgio garg alhou. Mas suportei calado.. Mas veja bem. .. mas. Ciúme de mim?! . a dona Antônia.. intolerante e são até desrespeito sas.. Você é meu novo irmão! Ora. educação. De forma alguma. filho. nos dá sinais!. Precisamos uns dos outros. mas em outr s situações semelhantes?! Quantas vezes fomos tratados de modo vulgar. mul her.. falou ignorando que ela sabia: Você não conhece toda a história. Rita . sobressaltando-se. Só tenho que agradecê-lo.. enfermeiros.disse Sérgio. o comportamento faz parte da evoluç ral e espiritual de cada um . estaremos alcançando a evolução e o equilíbrio. me alertar. mas que repentinamente se transforma em alguém animalizada e que só falta rosnar porque o médico não a atendeu no horário?! . por exemplo. É q uase impossível resistir ao impulso. cul tura. não fazem mais do que suas obrigações . Mas nem sem pre estamos alerta.

Se o destino armou esses ataques. não se abala va.. Sérgio permanecia em pé. pois ele me machuca mui to porque eu adoro a Débora. Eu sei o que aconteceu . por isso não quis me ouvir. Fui até sua casa e me disseram que ela não está morando lá. formando uma cortina nevoenta . apesar de inocente. Então veio a chuva de granizo batendo forte.murmurou Tiago. Então me desculpe. Algo não resolvido entre nós. Vi nossa irmã.. Isso mesmo . Conhecia bem a Débora e sei que nunca fugiu de nada! De repente sumiu! Abandonou tudo. Não atende às ligações. Desculpe-me.surpreendeu-se. Olhando no relógio.respondeu Tiago..lamentou Tiago. .Discussão entre Sérgio e o médico Trovões rosnavam a distância. a chuva caia pesada. estou sem defesa. Sérgio! A Dé não aceitaria isso! Ela jamais iria se corromper. Sérgio ficou com seus próprios pensamentos e. levantando-se rápido. disse: Nossa! Já é essa hora?! Puxa vida! .afirmou Sérgio com tranqüilidade. e novamente. Ei! Já passou! Quanto à Débora.Tiago abaixou a cabeça e comentou constr angido: Você era um moleque e eu não saberia como conversaríamos sobre esse assunto pelo fa to dela ser nossa irmã..perguntou afoita. Será mesmo?! Se isso é verdade. Eu me lembro de vocês brigarem! Mas não sabia o motivo! . muitas vezes. o tratan do de uma forma bem estranha.questionou Rita.assustou-se Rita.disse Tiago. Não suportei e dei-lhe um tapa.. brando. . o céu começou a escurecer rapid amente. distração. me deixou em desespero.. Ela te adora.. Meu Deus. Tiago parecia em choque ao ouvir as conclusões do irmão. acreditando que existia uma razão para tudo.. A Yara.. . Depois brincou: Hoje a don a Antônia me bate ou me expulsa de casa! Vamos Tiago?! Eles se despediram e foram embora. Não posso acreditar. pois a Lúcia parecia possuída e começou a me agredir ostensivamente. 24 . Acho que trocou os números dos tel efones. em plena tarde...tornou o irmão. Vamos parar com esse assunto. Por que não conversei com você. . O Breno se aproximou da Débora através da Yara e lhe deu toda assistência no momento em que mais precisava. A mãe se meteu.. lembrando-se de algumas situações. Provavelmente não sentia por mim o mesmo que sinto por ela. Ficou um vazio. Sérgio! . Eu sabia . Sobre o quê?! . Meus sentimentos dizem que a irmã man ipulou a Débora. Sobre os assédios da Lúcia . apesar de muito sentido.Alguns minutos e Sérgio afagou -lhe as costas. Às vezes chego a pensar que ela usou essa situação c um motivo para romper comigo. dizendo com mais ânimo: Ei! Acabou! Aconteceu o que precisava acon tecer. Mas juro que eu não s abia sobre a Lúcia continuar com aquele comportamento insano . que é muito manipulável. Frente à janela de seu consultório. preocupada e.. Ela é uma moça sem responsabilidades. nós discuti mos. O pai morreria! Porém deveria ter falado comigo. Disse que se a visse novamente. olhando os filetes de água escorrendo pelo vidro. O Breno?! . Suas manifestações de carinho eram carícias provocantes só com você. Por isso eu fui conversar com ela e lhe dei uma bronca. dizendo que agi a como se estivesse tentando seduzi-lo. cara! Você era menor e eu deveria te defender.. Havia algo incomum nos meus pensamentos frenét icos.. a Sueli. Na verdade.. O Breno se aproveitou da fragilida de da Débora quando tudo aconteceu entre nós e a proveu com trabalho.a. Não demorou e. nós brigamos feio.disse Sérgio. forrando de branco o chão da rua e as calçadas. Não entendo o que acon teceu! Ela estava sem emprego. mas. c nforto e tudo mais o que sentia falta desde que saiu da casa e da proteção do pai.afirmou Rita. Se fosse outra garota. Eu ameacei a Lúcia. ao interrompê-la. O quê?! . Ao chamar a atenção da Lúcia.. atenção. por que não me procurou depois desse tempo todo? Po r que não te procurou após eu explicar a situação no consultório do doutor Edison? Vocês er m tão amigas! É isso o que eu estranho. com o pai..

mas o médico o puxou para um forte abraço. o médico não consegui u decifrá-lo e isso o fez perder as palavras. conforme o caso. Voltou. Então me esforcei e superei a dor por ter outras atividades importantes para fazer. decidi vir conversar com você. O senhor sabe explicar mel hor do que eu o resultado do sentimento de abandono num caso como o meu. a rejeição. Apesar de experiente. o rompimento dos laços de afeto e.. Sabemos que muitas pessoas respondem ou reagem às bruscas perdas e separações. Por conta disso e pelas dificuldades já enfrentadas na minha vida.. Espere. o médico contou: A secretária disse que a m aioria dos pacientes desmarcou na última hora por causa do dilúvio que está caindo. a plicando-se e ampliando mais a sua carreira. Um assomo de acontecimento s desagradáveis invadiu minha vida repentinamente e eu acordei em um hospital para me recompor. Iria me dedicar a especializações. Mas vai entender .. O doutor Edison ficou longe de entender o significado do olhar expressivo de Sérgio que se fixou nele de modo enigmático. mantendo cons igo mesmo um diálogo mental sobre situações e fatos a esclarecer até que se lembrou do d outor Edison. Permanecendo em silêncio.Ao olhar. . Sérgio! Como você está? Tudo bem? . acho que eu sofreria se ela decidisse me deixar. Valorizei minha resistência e me agarrei ao reforço de exercer uma atividade profissional que eu am o e muita coisa melhorou quando saí da polícia. respirou fundo e deu alguns passos sem encará-lo. Correspondendo muito educado.pediu educado.. saber como estão as coisas.Breve pausa. Eu acompanhei tudo o que aconteceu com você. doutor Edison? Descobri que os créditos pelo sucesso não eram meus. ele pensava em dar novos rumos à sua vida. Confesso que naquele dia e u queria morrer.. cuja fo nte habitual de sustentação para planos futuros desapareceu de repente. pós-graduações. Se nós t ivéssemos conversado por mais tempo e de outra forma.. Agora entendo o que o senhor me contou sobre entrar em um mun do de escuridão e infelicidade no qual a vida não tem mais razão dizia calmamente. Aquela demora o torturava.a situação mal resolvida entre mim e a Débora. o rapaz estapeou-lhe as costas ao mesmo tempo e m que lhe pegou a mão. Bem. Est ou consciente de não ter superado . ou seja. Mudava de pensamento. mas seria diferente. Sérgio comentou: Estou surpreso em vê-lo! O senhor está bem? Sim. que não via desde o enterro de sua esposa.. pois cheguei onde estava com meus próprios esforços e depois de tanta luta..afirmou calmo e com seu olhar típico de invadir a alma do ou tro. Olá. Eu cheguei à cerca de uma hora e.. mas não uma depressão. Como psicólogo.perguntou o doutor Edison aproximando-se e e stendendo a mão para cumprimentá-lo. eu primeiro me analiso antes de determinada opinião. mas me recuperei por conta da nossa conversa. Devo admitir que o senhor me ajudou muito. Aond e quer chegar? Não estou te entendendo. No entanto.Enquanto observava a ação da natureza. Foi nesse instante que poucas batidas à porta chamaram Sérgio à realidade e ele per mitiu em voz alta: Pode entrar! . Eu experimentava uma tristeza. Sérgio . quando contou sua vida e os fatos desagradáveis que enfrentou. faço questão de diferenciar d epressão de tristeza. Mas eu estava enganado. Pensou e prosseguiu: É difíc il apagar da memória a injustiça que resultou na perda simbólica de uma pessoa querida . mas estava inseguro pelo período de luto do médico e deveria respeitá-lo. em sua sala e na sua presença. amp arou as mãos nas costas da poltrona vazia onde antes havia se sentado e frente ao médico. Certo! Pode falar! Sérgio se levantou. principalmente. porém controlou a surpresa e a ansiedade. encarou-o fi rme até o rapaz argumentar: Foi bom o senhor me procurar para conversarmos.. não é. Sentando-se em uma poltrona e vendo o psicólogo acomodar-se à sua frente.. Preciso retornar à ativa e o quanto antes. Temos um assunto muito import ante para esclarecer. experimentou um sentimento indefinido. di minuindo suas atividades. falou mostrando firmeza e tranqüilidade na voz: Um dia antes do falecimento de sua esposa eu experimentei momentos extremamen te desesperadores. . Precisava arrumar um jeit o de abordá-lo sobre tudo o que Nivaldo contou. Ao se afastar. Fui traído.Breves segundos e continuou: Tenho certeza de que o senhor acompanhou atentamente o meu último encontro com a Débora aqui nesta clínica.

Aliás. voltou-se de cost as para o médico e olhava os relâmpagos fortes que se faziam seguidos de trovões que r oncavam. por favor! Sérgio o fitava de modo indefinido. doutor Edison . isso aconteceu comigo. foi como se alguém desse um soco na minha mão e arrancado à arma. o doutor Édison o encarou falando com segurança: Sérgio. ouvi uma voz estrondosa ecoar por todo o quarto gritando meu nome duas vezes e ordena ndo que eu parasse. Algo dardejante parecia escapar de seu olha r. quanto mais estudo. no segundo seguinte.gritou Sérgio. tive a certeza de que Deus tem misericór dia e envia um anjo da guarda para nos vigiar.comentou em baixo tom. Eu dei um tiro para estourar a mi nha cabeça. Encontrei em O Livro dos Médiuns. O senhor me traiu ao omitir que pagou parte do que caberia a mim como sócio para a montagem desta clínica! Pediu sigilo aos outr os para eu não me sentir ofendido! Fez-me acreditar que os meus serviços prestados f oram relativos aos custos e valores do que foi investido pelos outros! O homem exibiu um olhar triste. em outros livros da Codificação e nas obras de relatos das pesquisas cie ntíficas feitas por Allan Kardec publicadas na Revista Espírita de 1858 a 1869.gritou o médico assustado. Isso mesmo! . O rapaz contou-lhe exatam ente tudo. a capacidade de ouvir que nos dá c . fui à busca de explicações científicas e razão para isso ter acontecido comigo. imprestável. Eu só vi que fracassei em tudo! Eu estava em casa sozinho quando entrei em desespero.. eu nunca lhe pedi nada. Que ninguém tente Deus. perdi completamente o controle e não vi razão para continuar vivendo e quer saber?! Quer saber o que me fez viver após pegar a pistola automática. Aproveitando-se da pausa. Apesar disso. me smo vendo o outro com expressão apavorada: . Porém isso não é razão para se torturar dessa forma! Use a situação para autotransform observação. É impossível eu co ntinuar me sentindo acolhido e respeitado por meus colegas e sócios da mesma forma que os acolho e respeito quando um sentimento de injustiça os incomoda pela sua p redileção por mim. Sabe. mas. o doutor Edison falou de maneira ponderada. falou sem rodeios: Gostei da idéia que teve para ampliar a clínica. pensando que Ele irá intervir no momento crucial de tamanha insanidade! Estou estudando e apren dendo muito e. fracassado. precisamos esclarecer muitas coisas. mas bem firme: Sérgio. A automática caiu no chão. falou: Quero que seja mais claro. Olhei em volta e não tinha ninguém. . Com a postura de quem adquiriu equilíbrio íntimo. Entendi a necessidade de adquirir energias novas para mudar meus defeitos. Não foi por acaso. reflexão e ação! Você não é nenhum menino e tem muito potencial! Tem grandes v s humanos e imensos valores morais! Meus valores morais foram pro inferno! . quer você acredite ou não eu ia te contar.O que quer dizer. quase exigindo. Bem. cada detalhe do que escutou de Nivaldo. fazendo o tiro pegar na parede após passar de raspão na minha n uca.Bem calmo. de seus sentimentos penosos d e insegurança..falou com leve sorri so. Ofereceu uma pausa.continuou calmo. Um segundo antes ou no instante em que apertei o gatilho.expressou-se menos agressivo. culpa e seus valores humanos.defendeu-se em tom suave . Nessa fração de segundo.. contou: Acredite ou não. amor e caridad e a cada dia para conseguir cumprir um pouco da minha tarefa de planejamento par a essa encarnação.. nos proteger e. direto e objetivo. mais vejo que nada sei . t rabalhar a minha Sombra a fim de efetuar uma tarefa de utilidade.perguntou o médico bem sério.. Suspirando fundo. E ncarava Sérgio sem se manifestar. É por isso que estou decidido a deixar de trabalhai aqui. Lembrando . tanta vergonha!. sei o quanto você é racional. Mas não houve te mpo.. ouvindo-o normalmente. falou veemente e irritado: Porém me senti um inútil. contudo sua fisionomia era firme e tranqüila. Só esperava uma oportunidade melho r tendo em vista as dificuldades em diversos setores de sua vida. sem capacidade e um pobre coitado por não ter recurs os financeiros e fazer parte de uma sociedade que não está a minha altura! Nunca sen ti tanta humilhação. adorei . Depois. por isso vamos usar a única coisa que nos difer encia dos animais: a comunicação! É o poder de falar. O qu e aconteceu comigo não é comum. Sérgio?! . As rajadas da chuva forte batiam nas vidraças. colocá-la na minha cabeça e apertar o gatilh o?! O quê?! . Entretanto. Os clarões repelidos dos relâmpagos e os estouros dos trovões repercutiam sem trégua.

pois todos os pacientes com tendências suicidas que já tratei ou ain da cuido. Sérgio. Olhando Sérgio nos olhos.. Olhou para o chão. O médic o prosseguiu: Clínica ou cientificamente falando. Sabe por quê? .gritou. mas uma dureza permanecia em seu olhar firme e rosto sério. espíritos bons e sábios. Nenhum fardo é tão pesado.. medo de castigos e agressões. E Jesus fal ou quando tentado a se jogar do penhasco: Não tentarás ao Senhor teu Deus! Mas exist e algo curioso. principalmente. A partir de análises de casos clínicos leva-se a crer em diversas razões para o suicídio. Etc. fechou os olhos esprem endo-os e respirou fundo.Depois de esbravejar.. Está me dando aula por acreditar que eu não entendi ou perdi alguma coisa no curs o de Psicologia? . Depende somente d a pessoa escolher de que lado quer ficar. A quem muito é dado. que todo e qualquer motivo que leva alguém à tentativa ou à prática do suicídio existe a atração de u influência espiritual. quando s trata de cientistas americanos uma vez que a religião protestante lidera naquele país e não aceitam por ceticismos ou por orgulho e não sabem. O desejo oposto e conflitante de não quer er morrer.. remorso. seguem inúmeras explicações pelas tent ativas mal sucedidas de suicídio e milhares de suicídios consumados anualmente. por ignorância.. Entre elas a solidão. vendo-o brando e pensativo. Não. relatam que receberam pequeno alerta o u sinais para não cometerem esse ato. O que te aconteceu não foi por acaso.. isso com a finalidade de chegarmos a um entendimento just o e viável. A prova da intervenção de espíritos inferiores para que você não tenha êxito e se detenh caindo em ruínas. estupidamente. mas avisei aos outros que eu iria conversar depois com você! Veja.O rapaz obedeceu. o médico se leva .lareza e objetividade. Etc. d epressão crônica. esperando um momento oportuno ? Não teve tempo e agora quer que a Débora acredite nas suas explicações e não nas acusaçõe njustas e provas falsas! Da mesma forma. . apontam como causa às tentativas ou aos suicídios os distúrbio s. dois valores opostos! Ao mesmo tempo a pessoa deseja uma situação que é a morte. Por quê? Não sei. que vai acabar com tudo vêm de inspirações de espíritos inferiores. contra o Criador. o médico ainda falou: Eu acredito na intervenção dos espíritos. não abuse da proteção Divina. muito será pedido. Você tem a liberdade de escolha e os espíritos bons não ficarão interferindo na sua von tade. mas sente que não quer aquilo! É um grito de soc orro! Ninguém estuda ou pensa: de onde vem um e outro desejo que são tão diferentes ao me smo tempo? A vontade de se matar e acreditar. Pare com isso! Não preciso das suas desculpas por ter minhas opiniões formadas. cientistas. Não é necessário você se torturar! . você não é capaz de acreditar em mim nem dese ja ouvir minhas justificativas e me agride com acusações. assustando-o. O suicídio e o aborto são os maiores crimes que podemos praticar contra a vida. pois isso é raro. com todas as su as pesquisas e estudos.. é que eu ia te contar. A prova da atuação dos bons espírito s é que você está aqui. parecendo envergonh ado. pediu: Desculpe-me. Eu. Por isso não tome decisão alguma. Você sabe que todos os que tentaram ou se suicidaram e todos os que falam em co metê-lo apresentam caráter de dois aspectos. certamente. É mais fácil confiar na palavr a de um outro e não na de seu amigo que o considera como um filho! Sérgio sentiu-se desarmado de palavras. virou para o senhor e. todos. Só tenho uma coisa a te dizer . reação impulsiva por perdas. Quero dizer que especialistas renomados.falou de modo rigoroso . Sérgio. mas você ficou sabendo por i ntermédio de palavras fortes ou cruéis que o feriram. a vergonha por algum fracasso. Em seguida. é inspiração do guardião. Mas o senhor me enganou.O rapaz ficou em silêncio e o do utor Edison respondeu: Porque todos são importantes para Deus. Peço gentilmente que se sente e me ouça. Tem os o que merecemos e conseguimos suportar. desejo de manipular ou controlar os outro s etc. como a situação se repete! Acorde! Lembra-se de que não con tou para sua namorada sobre o problema com sua irmã. Enganei?! . as síndromes ou condições específicas e situações do cotidiano. culpa. O índi ce é muito alto e se eleva a cada dia.perguntou sério. Você ouviu e sentiu a atuação d s. nesta reencarnação. Não! Eu omiti. de um jeito ou de outro.. apesar de a indagação parecer irônica. Orai e vigiai. fuga de situação insuportável. no seu caso.

perguntou o médico sem rodeios. remorsos ou reações impulsivas tomarão espaço em sua me nte junto à autopunição. O temporal atrapalhou a vinda de todos à clínica . . O caminho profissional que escolheu foi por um ideal inconsciente. posicionand o-se melhor quando Sérgio acomodou-lhe o braço e o cobriu.Voltando-se para Sérgio. Entraram na sala de J oão. exibindo-se asso . O único remédio para uma pessoa como Sérgio. S orriu e completou: Está cansado mesmo! . pois ouviu isso anteriormente . Você tem um objetivo espiritual para isso e talvez ainda o ignore. Algum tempo na cozinha. Eu quero conversar com vocês três. São forças vivas que fazem e farão diferença na vida das pessoas e dos espíritos. é a Terapia da Oração e a vigilância com hábitos físicos e mentais na ética Cristã nisso. a todos os recursos exteriores à su a volta e neles centralizam os sentimentos e as idéias magnetizando-os com fluidos conflitantes e deploráveis que serão aceitos lentamente por você com uma visão errada d a verdade. lembre-se de que nem todos são merecedores de tamanho empr ego de forças ou energias fluídicas vitais do plano espiritual! . que estava sem pacientes e lia um livro. * * * Alguns dias depois. enquanto o doutor Edison falava sério e firme: Sérgio. Quando digo que é o sal. né? Saindo em seguida. a ilusão de fracasso. .justificou João. Não. Sem titubear.. Faz tempo que não o vejo assim. mas deduziu tratar-se do assunto sobre a sociedade daquela clínica. Ao vê-los. Resgatando-o das reflexões.. Não é um mero psicólogo preso às terapias. ded uziu que Tiago estava lá. pense muito sobre nossa conversa. falou: Acho que a Rita deu jeito em você. Depois olhou pela janela certificando-se de a chuva ter diminuído de intensidad e. A rigor. mas. mas tem um grande descrédito pessoal. explicaria a situação. João permaneceu em total silêncio. Podemos d eixar para amanhã. é por você fazer a diferença no sabor da vida daqu eles que seguem o caminho que você aponta. Indo até o quarto onde o irmão sempre dormia. viu-o largado de bruços sobre a cama e o braço caído com a mão encostada no chão. como estudioso e capacitado às pesquisas metodológicas. autotortura. Sérgio: você não tem perso nalismo. Em pouco tempo. Somente olhava para um e para outro sem entend er nada. autoflagelação. para nada servirá. Sem demora.ntou e pediu: Venha comigo! Vamos resolver esse assunto agora mesmo! Veremos se o Nivaldo e o João estão livres. É preciso desenvolver o auto-amor par a não deixar seus pensamentos servirem de brinquedos. Rindo ao ver que o irmão não acordou. travando um diálogo mental.falou o homem insatisfeito. Já foi. Sérgio o acompanhou. Como o senhor quiser. hein?! falou normalmente sem acordar o outro. sentindo-se atordoado. Sabia dos fortes laços de amiza de verdadeira entre João e Sérgio que. instrumentos aos espíritos vul gares que se apegam a tudo o que lhe acontece.Leve sorriso enigmát ico e falou com ar de satisfação: Isso só aconteceu porque você é o sal da terra. com um ar de vitória em seu semblant e. meu caro! Você vai muito além do profissionalismo e dos ensinamentos ac adêmicos. relembrou muitos acontecime ntos em sua vida. Suas qualidades morais e virtudes espirituais não são exibições mascaradas com a titudes ou palavras. vagarosamente. perguntou: Pode ser assim? Claro. Sérgio tomou um banho demorado para relaxar e só depois foi preparar algo para o jantar. o médico se despediu deixando-os a sós. provavelmente. a solidão. ao ver uma camisa sobre o sofá. Uma pitada de tortura o feria quando pensava em Débora. hein?! A cidade está alagada! E o Nivaldo?! . Meses ha viam passado e nenhuma notícia. fechou a porta do quarto para o outro descansar. João sorriu e os cumprimentou dizendo em seguida: Que chuva. O que o senhor quer dizer? questionou surpreso. Tiago se aproximou. João ficou calado e observando. o sentimento de culpa e outros tipos de arrependimentos. Só lhe dou um aviso. Se o sa for sem sabor.Tiago resmungou e se remexeu. Sérgio chegou à sua casa e. O doutor Edison o encarou. quase sorrindo.

.. eu te ajudo! Para não ficar parado. Sérgio gargalhou com muito gosto e atirou-se para trás da cadeira. entendendo a necessidade de melhorar minha vida. terá tranqüilidade e todos meus livros à disposição! Se precisar de algo mais. Sérgio falou sério. Ninguém consegue se concentrar direito no que faz se não dormir bem .. Você não me incomoda em nada.murmurou com voz rouca. pela comid a .Sem deixá-lo falar mais. A Ana só grita.titubeou. não é organizada e quando o Marcílio chega.perguntou brincando. Olhando-o firme. como se isso resolvesse seus problemas. e stou um pó! Um dia é enchente. vendo-o se sentar e esfregar o rosto.. e u te ajudo! .sorriu. Eeeeeeh! Vai querer me cobrar aluguel pelas noites que durmo aqui.indagou empolgado.tornou Sérgio.. Tiago.. fa lou rindo: Eu sabia! Ta tirando uma com a minha cara?! Lógico que não! Eu sempre falei da sua capacidade e paciência para ouvir pessoas e. pois lá não consigo descansar tão pouco rmir. Trabalhou muito.. no outro desabamento. Puxa! Meu serviço exige atenção. ..gritou. Sabe. Sérgio! Você se mudou para ter seu canto! Eu me mudei para ter paz. o doutor Edison quer ampliar a clínica e logicamente precisará de profissi onais nessa área. o irmão falou: Boa noite! Não sabia se deveria acordá-lo. Ei! Ei! Ei! Espere! Não pense muito. mas estou preocupado com o horário na polícia. depois incêndio. . cara! É. Sérgio. Tiago! Saia da PM..De repente.murmurou Tiago. Gostaria de conversar um pouco com você. Eu sei bem o que é isso! .. estava na academia ou nas baladas? Depois de mais de trinta e seis horas de extremo trabalho tenso e delicado.norentado. Oi!. dê aula em alguma academi a. Ao vê-lo. Estou pensando em fazer um curso superior e já me in screvi para o vestibular. Que horas são? Quase oito da noite. E o que vai fazer?! . poderá estudar e. Psicologia .Sérgio deteve-se por ins tantes espremendo os olhos como quem tivesse uma idéia relâmpago e perguntou: Você ter minou de fazer aquele curso de massagem?! Sim. mude-se para cá e. A Rita vem me convencendo há tempo e só agora acordei. Agora com mais uma criança chorando. É... os irmãos jantaram e conversavam tranqüilos Como está lá na casa do pai? .. né?! Sempre aquela briga! E a mãe se metendo. . Gosto de crianças.. Em seguida.. Sério?! . vamos dar um jeito nessa situação.aconselhou Sérgio. Olha. Entram no arto me acordam com gritos. Pouco depois.. ma s está insuportável e é por isso que venho para cá. mora ndo aqui.. O salário quase se equipara ao seu. lembrou: Nossa! Fiquei de ligar para a Rita e... Por quê? A clínica! . Ela é uma mulher que não tem disciplina. informou: Recuso-me a receber um não como resposta. levantando-se. os meninos não têm educação nem limite. E aí? . parecendo ordenar: Peça baixa! Saia da polícia! O quê? Ficou louco?! Como vou pagar o curso?! No que for preciso. boa forma e muita dispo sição mental e física. Ali nada muda. Já viu.. Riram.. Além disso.brincou.. Vai tomar um banho para nós jantarmos . Venha morar aqui de uma v ez por todas! O que está esperando? É que. levantando-se. Mais tarde você telefona . Pegue suas coisas e se mude para cá! Não.alegrou-se o outro num grito. . Daí você sabe. Ei?! Sabe que me deu uma boa idéia! .quis saber. . O quê? Tiago. Puxa! Como estou contente! Que legal. ..

disse Tiago. Sei lá! Fiquei hipnotizado pela Rita! . tão arrependido! . eu. seu modo de andar. Eu. não perca a oportunidade! Tenho certeza de que a Rita vai concordar comigo e vai te incentivar! .enfatizou.Breve pausa e lamentou: Que absurdo! Nossa! Ao saber como ele morreu... eu a entendo e respeito.. Mas.. Parece que ele tinha outra. Ela contou que gostava dele. por não te r muitos amigos verdadeiros.. . Não começa! Por quê? Não quer admitir que gosta dela? Ou não quer que ela saiba ou tenha certez a de seus sentimentos? . fazendo-o pensar! Mas... Nossa! Nunca me senti tão mal. E eu. O cara era legal...disse. seu jeito travesso. seu riso.sorriu. Onde está aquela jovem assombrada. pois comparti lhou tantas coisas pessoais. Mas e quanto aos seus sentimentos pela Rita? Ei.revelou um pouco constrangido. íntimas que não fez com ninguém! A Rita aceitou sua compa nhia até para ir ao doutor Edison! Já a vi abraçando-o pela cintura.. Posso usá-los no curso e não t erei tantos gastos. se torn ou noivo. Não temos nada além de uma sincera amizade e respeito . Que pensamentos? . A Rita falou muito no ex-noivo e. Logo que a conheci. Tiago.Vendo o irmão em dificuldade para se explica r. Sérgio perguntou propositadamente: Você e a Rita. . mas havia se acostumado e. de repente. Ela me considera um amigo.Tiago quase chorou ao dizer: Pedi tanto perdão a Deus por aquelas i déias. em dese spero que vimos aqui?! ... observando suas reações. Claro! Não pense muito. brincando e rindo ao encostar-se em você. Depois explicou: Por essa razão. Tentei ser profissional.. Bem. terminarem não fazia sentido. quase nervoso. Sérgio.. às vezes me arrependo por alguns pensamentos.. fixando olhar tranqüilo no irmão. sem qualquer outro envolvimento. Veja bem. sugestões.tornou preocupado e curioso. E se ela gostar de você com a mesma intensidade e tiver o mesmo medo seu? Não creio. meu modo de pensar e de ver o mundo... Ela era uma mulher carente e falou no ex-noivo por não ter outra referência. parecendo uma resp osta afirmativa às ou.. implorei perdão ao Gustavo e prometi cuidar da Rita mesmo se fosse só pela amiz ade. respondeu: Está sorridente ao seu lado! Só fal ta criarem coragem para assumir. . Eu prometi ser seu amigo e só me afast aria se ela pedisse! Você entende?! . Adorei toda aquela espontaneidade... Eu gostava dele.Sorriu ao repetir Como vocês estão? Em que pé está o envolvimento de vocês? Ora. mas não deixava de pensar em afogar a quele sujeito se eu fosse designado a salvar sua vida. de se vestir.indagou Sérgio com brandura.. medrosa. ela pode se afastar de mim caso não seja isso o que queira.... Sérgio! É uma situação difícil. o perfume. Não termina ram o noivado para não causar um choque na família que os apoiava.Logo revelou: Só fiquei com a consciência ma is tranqüila quando ela disse que o compromisso deles não estava indo bem. Fi quei enciumado ao saber que havia um outro. cara. Sérgio sentou-se à sua frente. A Rita se lembrou dos seus livros e. Eu e a Rita somos amigos! Isso eu sei. Como assim?! Entendeu muito bem a minha pergunta. Será?! .. Não quero afastá-la de mim! De modo algum! be.. porque você é essa referência.!-. Depois de tantos anos de namoro e pouco tempo de noivado. Mas além da amizade?! . Lógico! A Rita me pediu com todas as letras para eu não me afastar dela.Ao ver o irmão sorrir. Foi por causa da Rita qu e mudei radicalmente minha vida. .Eu não sei. esfregou o rosto com as mãos e admitiu: Gosto muito da Rita. Sei o quan to ela ainda ama o Gustavo e. mas não suportou e disse de uma vez: Agora eu entendi melhor por que aconselham que não é viável terapia com parentes e amigos. . .. ela confia em você. Ela só me quer como amigo! Sérgio contorceu o rosto tentando segurar o riso.... um namorado que.gaguejou. Pare com isso! Ela está livre de recordações e isso dá pra ver em seus olhos quando e stá com você! Já falou sobre seus sentimentos por ela? Não posso.. Agor a ela não fala.. Seu jeito.Sem esperar. Breves segundos e Tiago suspirou fundo.. acuada.. Sérgio!. c omo estão?! É.. Eu sei disso. Muito mesmo! .. de falar. Certo.riu gostoso.

Não entendeu nada. a Rita abandonou o passado! Se ela pede para não se afastar dela é porque g osta de tê-lo ao lado! Admitiu total confiança em você pela amizade verdadeira! Sim! E eu prometi ser seu amigo! Oh! Mas que irmão gênio! .. é por sua causa.exclamou com ironia ao rir. sem contar com os incentivos positivos que trocam em meio às idéias.. Teve somente um filho e é uma mãe carente.. o trata. o incômodo. Bem que ela poderia ser minha mãe! Opa! Eu disse isso primeiro! .gargalhou. Reparo u nisso? Não conseguem ficar muito tempo sem se ver. Não posso negar que adoro ficar com a dona Antônia. . Explique o que vem acontecendo nos últimos tempos. 25 . Mas eu entendi. pois não a deixam contribuir co m nada. Afeiçoou-se demais e chegou a falar comigo a respeito.. Tiago e Rita . Nunca dei valor à coisa fácil e não encontrei alguém por quem me interessasse.perguntou sério. Tiago! Ela reconhe ceu a amizade verdadeira e pediu que continuasse ao seu lado! Entendeu? A Rita não mencionou que o quer exclusivamente só como amigo. Tiago sentia o coração acelerado. Recordando-se rapidamente de detalhes. Além disso. Aquela casa tem tanta paz! Su as conversas são tranqüilas.Juntos. Sérgio riu e disse: . você está me ofendendo! . A Rita pensou em sair da casa da dona Antônia.Além de cego. comentou: A dona Antônia percebe u que ela quer voltar a morar em uma das casas do pai e eu a vi chorando. Sabia que a conversa dos dois seria longa. Não que o João deixe de lhe dar atenção ou carinho. um afago. Acorda.. você não namorou não?! E aquela mulherada que vivia te telefonando?! Sérgio.brincou Sérgio.Pequena pausa e comentou: Existem mulheres e mulh eres.. esclareceu: Aquelas eram diferentes. Geralmente segura a sua mão como se não quisesse que tirasse o braço de seus ombros. baladas!. Escuta. Não acho uma boa idéia... ela transf eriu sua afetividade às crianças que cuida voluntariamente na creche. recostando-se em você. Como se pudesse ler seus pensamentos. se preocupa com você. você.. pr otegida. pois a vi passando a mão em seu rosto com gesto de carinho. mas. um abraço... ficou pe nsativo. aos filhos que adotou crescidos como eu. É para você! É a Rita! Deixe de ser engraçadinho! . teme ver sua vida íntima invadida pelas possíveis opiniões da senhora que praticamente a adotou. Quando parou de rir. conversam diariamente por tel efone. Você tem certeza? . na verdade..retrucou o irmão brincando ao se levantar para atend er ao telefone. Ela quer liberdade. pela falta do marido.Nesse in stante o telefone tocou. Não tenho medo do João. Tiago. . Sérgio voltou a falar de modo mais esclarecedor: Cara.protestou o irmão de modo ingênuo.S orrindo apaixonado. pois tenho m edo de pensar que estará sozinha e. ficou triste. certo? É. Ela gosta muito da Rita.. Eles estão bem estabilizados financeiramente.Pode atender.. aceita o seu braço sobreposto em seu ombro e parece se sentir abrigada.Preocupado. a Rita. A Rita sabe disso e. A Rita é especial! Acredito que vocês dois tenham o mesmo medo: admitir os sentimentos e achar que um vai se afastar do outro porque era só uma amizade. Não acredito que você é meu irmão mais velho! Não acredito que estou falando com aquel cara chegado a festas. Tiago! Tenho observado como ela o olha. o amor te deixou burro! . Ei! Qual é?! . A Rita está preocupada com as despesas. A dona Antônia ficou viúva cedo. Realmente era Rita. vou ter de você?! Como é? Vai encarar?! Eles riram e o irmão avisou mais sério: Se a Rita quer sair de lá. Sérgio sorriu e foi arrumar a cozinha. Sérgio argumentou: Vocês estão tão ligados que passaram a ser dependentes um da opinião do outro.. que é filho le gítimo. ..

não se esqueça. Estavam todos sentados em sua sala. como já disse.inquiriu Nivald o sério. junto de vocês. Olhando para Sérgio. Cuidado. Eu não cobro os atendimentos clínicos que faço aqui nem dos pacientes que vocês me encaminham. a parte que cabe ao Sérgio investir! Fui eu quem pagou e pagarei. Foi por essa razão que o ajude i! Além do que. reclamou ao João sobre o meu protecionismo financeiro ao Sérgio. O doutor Édison continuo u firme e sério: Lá na universidade. Então chamei o João e o Nivaldo e avisei sobre eu custe ar a parte do Sérgio. palestras. . É algo parecido! Você teve ajuda de seu pai e isso não nos prejudicou. bem com o a tolerância. vocês três sobr essaíram. a caridade e a socialização. faço o maior empenho para conseguir os medicamentos necessários.tornou o médico com fala firme. Sérgio calou-se com o susto e João quase riu. sua dedicação. Es perei por um período de trégua.. não seria o mesmo? É o seguinte . percebi que isso aconteceu porque eu mudei as idéias simples que tive ram e ampliei os horizontes..admitiu Nivaldo severo. pediremos ao contador para calcular o que devo a vocês e. orientador e amigo. viu Nivaldo?! Não adianta trabalharmos aqui com má vontade. q uando o médico falou: Assim que comecei a dar aula na graduação para a turma de Psicologia. não eram e não ascaradas por ele. Sua ética moral. ficar duas ou t rês horas por semana no centro espírita e depois passar de cinco a dez horas nas bal adas. fiquei de olho no Sérgio. rapaz! Vigie seus pensamentos e suas palavras! O que sai da boca vem do coração.. Se alguém aqui tem a ilusão de que ir ao centro espírita. Nivaldo . sua humildade e aceitação. Não nego! . Chamou-nos aqui para ressaltar seus atos caridosos. Sérgio fique quieto. advertiu: Espero que não seja orgulhoso. Nivaldo. que encontrei um meio de ser o simples médico humano. Precisamos de decisões e soluções maleáveis para termos um melhor relacionamento aqui dentro! . Ao vê-los com planos de montar uma simples clínica em so ciedade e focados em valores humanos. nem sairá do seu lso. eu quis me unir a vocês. É primordial selecionarmos os lugares que freqüentamos.O quanto antes o doutor Édison marcou a reunião com os três psicólogos sócios da clínica pois por inúmeros motivos precisaram adiá-la. Tenho consideráve l salário por meu trabalho em congressos. rec eber passes. Aos sem condições. Deixei claro que eu conversaria com ele a respeito disso. a idéia de ampliar a clínica foi minha e o prejudiquei. Nivaldo?! Qual prejuízo terá?! Não saiu. tomar água fluidificada e fazer o Evangelho no Lar é o bastante para se r recolhido em uma Colônia Espiritual como Nosso Lar . Acontecimentos em minha vida me desvendaram um novo mundo onde eu deveria a tuar e não preciso dar detalhes. Acompanhei seu sacrifício . mas irônico. psicoterapias em meu consultóri o particular e outras tarefas. Logo percebi que ele precisava e precisa se harmonizar com a sombra do descrédito pessoal. que é o mais difícil de fazer.. doutor? . Sou um professor doutor renomado. Nessa ampliação da clínica. Em outras palavras. quem o ajudou finance iramente para fazer parte dessa sociedade na clínica e quem também pagou a sua facul dade. O rapaz sentiu-se aquecer.reforçou João com nítida tranqüilidade. E também. mas não sabia o que argumentar. mas não tive tempo e soube que o Nivaldo.Breve pausa e continuou: Q uando vi logo de início que o Sérgio não teria total condições financeiras de arcar com al guns gastos. Mas foi aqui. insatisfeito .. Vamos lembrar que outor Édison assumiu tudo. Foi o seu pai. por favor! Não fale besteiras! pediu o médico com um jeito eng raçado e incomum. E se o do utor Édison fosse o pai do Sérgio. Lembre-se de que Jesu s aceitou ajuda para carregar a cruz! Você não deve nada aos sócios ou à clínica! Eu fiz o que eu quis! Dê de graça o que de graça recebeu! Entendeu. É necessário crescermos e cuidarmos da vida mental.interferiu Sérgio que estava inquieto ao ver Nivaldo com o rosto v ermelho e olhar colérico . ficarei no prejuízo sua proteção ou auxílio financeiro ao Sérgio! Mas qual prejuízo você teve. e não você ou o João! Isso é verdade. mas não foi por dinhe iro.falou bravo. Sérgio?! . seus esforços. ele não é falso. evangélicos ou protestantes por que basta p . chamando minha atenção. Todos aqui são espíritas e essa filosofia Cristã nos chama para uma auto-avaliação. Estamos reunidos para uma avaliação de nossos feitos e se você aprende com o exemplo alheio aprenderá a duras penas. os hábitos inferiores que temo s.. está muito enganado! Quem imagin ar isso está pensando igual aos crentes. agora resolvi inúmeros problemas e posso arcar com a parte que me cabia e o doutor Édison omitiu. assistir a palestras.

suicídio. A gora. sabiam? Eles sabem que são sere s humanos e permitem a ajuda de alguém ou simplesmente desabafam ou ainda permitem -se à orientação. mas o outro não respondeu . Nivaldo?! . imagens ou mensagens pornôs.. praticando bate-papos inúteis. Saibam que vou custear toda a reforma para a ampliação desta clínica.. Não paga remos mais aluguel. sites pornográficos. Tudo o que fizermos p recisará ser de boa vontade ou criaremos um ambiente hostil e isso é muito ruim. Perdoe-me. vamos ao que interessa. mas procurar ajuda! Os melhores psiquiatras e Psicólogos são aqueles que faz em terapias com outros profissionais qualificados. Isso eu vou discutir em particular com o Nivaldo. De onde acham que vem n energia excitante? De espíritos que se com prazem com o sexo promiscuo.. doutor. Você não imagina as conse qüências do que fez! João! . O que pensam que acontece?! Ah! Fico excitado! . inferiores à elevação moral. Doutor Édison .Avisou sem demora: Eu já comprei este prédio.exclamou João. . escondendo um sentimen to rancoroso: Peço desculpas ao Sérgio por eu ter me precipitado e. meus querid os! Porque a energia que o envolve pela compulsividade sexual. Iss o inclui os trabalhos não remunerados. hospitais. Preparem-se. atencioso ou bonzinho não significa dedicado e afetivo. Sérgio!. di a após dia. Pensa que correr toda sema na ao centro espírita e receber passe vai ajudar a ir para Nosso Lar ? Não. É bom aceitarmos ou admitirmos nossos defeitos e começarmos a nos transformar. eu não me sinto bem com a decisão de ficar isento de arte dos custos para a formação da sociedade desta clínica. mesmo que esse pro fissional venha a alugar uma sala. corrigindo pensamento após pensamento e conter os comentários venenosos re sponsáveis por grandes crueldades e geradores de fracasso. Somos seres humanos e. Os futuros médicos o u psicólogos terão seus espaços individuais e pagarão aluguel pelo que ocuparem.respondeu à própria pergunta.Interrompeu o médico. pois são eles que m vão recebê-los na espiritualidade quando desencarnarem. eu gostaria de me en carregar da seleção dos profissionais que trabalharão aqui na área da saúde mental. um tarefeiro ou dirigente do centro. Abalou-o de alguma forma?! . psicoló ica. Nesse período. Nós vamos nos centrar nos valores humanos a começar por nós. Não vamos nos castigar po r isso. Na internet . meus qu eridos! Vocês estarão se afinando e recebendo energias de espíritos beberrões. Se alguém não se opuser.advertiu o doutor Édison. Então penso na possibilidade de pagar uma porcentagem maior na ampliação e. excelsas. de prevenções ou terapias para alívio de transtornos diversos. Sejamos honestos uns com os outros! Vamos acabar com o personalismo e a menti ra! Não estamos juntos por acaso. zombeteir os. mas devemos ser sinceros.interrompeu o médico. Só e stou aguardando a documentação. realizados aqui ou instituições como c asas de repousos. comprei o prédio ao lado para ampliarmos a clínica. que é uma pessoa boazinha. Vou dar um exemplo que todos conhecemos. Parecer educado.. alterando-se. fofocar com os amigos. Fui claro?! Nossa sociedade continuará com o percentual cabível a cada um.chamou Sérgio . contar piadas indec entes ou ficar olhando para o bumbum das mulheres serve para relaxar! Não. Quanta s vezes fomos a uma casa espírita para uma palestra ou uma atuação caridosa e vemos um trabalhador.. Talvez eu o tenha abalado de alguma forma. doenças.. fumar. O Nivaldo tem seus defeitos de c aráter ou de comportamento. pelo prazer em ve r filmes pornôs são mais densas e impregnam no corpo espiritual e não dão espaço aos passe s de bênçãos sublimes. Mas ele precisa se controlar! João! . Não é. . promíscuos e bem inferiores. Nivaldo disse sem encarar ninguém..perguntou. se estamos aqui encarnado s. quando passam horas e horas vendo beste iras.. desânimo.. nada equilibrado.. não pagos.edir perdão e só! Não! E preciso seletividade das ações físicas e mentais! Deixar de ir aos barezinhos pensando que beber. . gesticulando de modo singular e falando com um tom irônico e voz baixa: Faça um favor para mim?! Pare de pensar! O imóvel me pertenc e e para que não achem que estou protegendo alguém..tornou o doutor Edison . é por termos a necessidade de mudar algo inferior em nós. Além disso. assim como nós. creches etc. iniciaremos a seleção de profissionais bem qualificados para as áreas alternativas. com . Aproveitando a pausa.

um psiquiatra. eu converso com eles. porque veio chamar os pecadores ao arrependimento e não os justos. Trata-se de pess oas de diversas religiões e por isso me vigio para não destacar o Espiritismo e resp eito às outras crenças. . a falsidade. um médium ou passista no centro espírita. Não dou uma palestra. Ótimo! Parabéns! João se levantou e pegou um dos papéis. doutor! Aquele sujeito é desequilibrado! Aquela outra ali é um fardo! Ai! Dá um jeito naquela ali que tem mau hálito! Aquele outro sempre está suado. provavelmente pela falta de afetividade em casa com os pais ou responsáveis. mas eu diria que a s reuniões se transformaram em um reforço moral. mostrando a importância da tarefa de cada um. Jesus só não admitia a hipocrisia. Não posso chamar de terapia em grupo. .falou o médico firme.enfatizou. mas sim os doentes. Só que depois esse tarefeiro bonzinho cheg a até nós reclamando: ai. muitas com comportamentos preocupantes de agressividade . min imizaram o comportamento à medida que as professoras e Voluntárias passaram a recebe r orientação de como tratá-las. na verdade. Sérgio fez o mesmo e Nivaldo o acompanhou.. mas dou-lhes um reforço moral. Só duas horas! E me diga já obteve algum resultado? Sim. ou seja. psicológico e sugestões de uma forma ge ral. sorridente e gentil. Fico cerca de uma hora com as crianças e depois peço a alguns funcionários e voluntários para se reunirem no refeitório. deixar de usar a máscara. um psicólogo. perguntou: O que acha. é ser perfeito! . A diretora da creche me disse que o número de voluntários vem aumentando por ca usa dessas reuniões em grupo. As pessoas voluntárias relatam sentirem-se úteis no serv iço de caridade e melhoraram consideravelmente a auto-estima. dos doutores das leis. Qual o tempo gasto para isso? . um tarefeiro do centro . transformaram o quadro clínico. do trabalho amoroso. também. O Mestre falou sobre querer misericórdia e não sacrifício. pois alguém precisa ficar ativo no serv iço. Vamos abandonar o personalismo. O que faremos com essas pessoas. o persona lismo dos sábios.. de problemas. publicanos e muitos outros. Há alguns meses eu faço esse tipo de assis tência em uma creche e uso o seguinte método: primeiro observo as crianças. Fez alguns ou todos os cursos existentes sobre a Doutrina Espírita e ac reditam serem sábios o suficiente! Vamos lembrar de Jesus sentado com os publicano s e pecadores dizendo que os sãos não precisam de médico. senhor. Vira ndo-se para o outro.. a camuflagem de um comportamento calmo.fala angelical. está pensando cobras e lagartos a respeito de todos ou de alguns à sua v olta. Comecei com esse traba lho para ocupar o tempo e os pensamentos. dos sãos. por ser um médico. um advogado. ensinando-lhes o Evangelho. Lá. Vamos trabalhar dentro de princípios Cristãos. É preciso fazer com que os trabalhadores e voluntários sejam beneficiados psicologicamente para que se sintam mais disposto s na prática da tolerância. repentinamente. a vaidade e a hip ocrisia. do acolhimento fraterno e todas as ét icas Cristãs. Sorrindo.. Não reclamou das queixas que ouviu. elev ando a auto-estima.falou parecendo envergonhado. Tiremos primeiro a trave dos no ssos olhos para depois tirarmos o argueiro do olho do nosso irmão. pois sou ser humano. O personalismo é acreditar que. . Resultados bem positivos. Jesus sentou-se com pecadores. avisou: Mas não só para as crianças. daremos palestras? Ora! Nivaldo! Você é psicólogo e deveria ter a resposta! . intimamente. ter essa ou aquela profissão. ouvindo pacientemente pessoas simples ou intelectuais comentando de alguma dificuldade. .quis saber o médico. Cerca de duas horas por semana. Apesar de poucos meses. um dirigente. Registrei dois casos de voluntários depressivos que. acho que nem toma banho. faço algumas perguntas aos funcionários e até dou orientações especificas a determinada criança. confo rme o caso. ele pegou alguns papéi s e mostrou-lhes: Aqui tenho três instituições que precisam de assistência psicológica. aparentemente passivo.o médico deu uma pausa e continuou: Acho que leram dois ou três livrinhos espíritas e pensam sabe r de tudo.Sem demora. cerca de seis. quando. por exemplo. O que o senhor quer dizer com tudo isso? perguntou Nivaldo.Sér gio pensou um pouco e revelou: Eu fui o mais beneficiado. as crianças... por isso dá para o senhor falar de higiene? . ser um voluntário. do hálito de alguém n em falou da falta de banho de um outro. Sérgio?! Bem. É aquele que sabe de tudo! Mas. cultiva o orgulho.

Eu pens ei que nunca conseguiria. Sérgio estava em sua casa.disse Sérgio. Você já realiza trabalho s lhante. foi à procura do irmão. * * * À noite.Ao tempo em que os observava.aceitou João. pois você é a prova do benefício que isso trás. mas sim sugerindo. Que pena. Não os estou obrigando a esse tipo de tarefa. T iago!.. Podemos ir? Quase não consigo te ouvir! ...prontificou-se o médico. perguntand o: O que está fazendo aqui no meu quarto. sim. *** O Tempo não parou. encolhendo as pernas num forte abraço quand o ele a sustentou e sorriu por saber do que se tratava. Cairá um dilúvio amanhã na cidade! Não estou vendo suas coisas espalhadas! Ah!. eu soube que se inscreveu para fazer pós-graduação. A mãe só resmungou que eu era bem grandinho e de via saber o que queria da vida. Mas. Sentado a seu lado o rapaz se virou para olhá-la e perguntou: Eu?! Não fiz nada! Os méritos são seus! .exclamou Tiago.. Ei! .. fica fácil cuidarmos dele! Ta! .gritou Sérgio. Havia tomado banho e debruçou-se sobre os literár ios estudando e pesquisando. E eu com essa aqui . expressando ime nsa alegria ao atirar-se em seus braços. Eu gostaria que você trouxesse o Tufi para cá! Com nós dois aqu . eu gostaria de conversar com o s enhor. Depois o aviso . onde Rita comentou: Ai!. lembrou: A Débora se graduaria junto comigo. mesmo! Tiago a abraçou com carinho e beijou-lhe o rosto antes de colocá-la em pé. Eu fico com essa . Tiago corria o olhar entre os estudantes b uscando Rita. Rita! Parabéns.correspondeu. Um ano havia se passado..concordou. João e Sérgio se despediram e saíram da sala. vendo a luz acesa. o doutor Édison comentou: Sérgio.minimizando o sorriso.. Se não fosse você. Embora o vozeio e muito barulho se misturavam nos portões da universidade. Eufórica ela gritou em seu ouvido: Ah! Consegui! Parabéns! Estou tão feliz quanto você. Sérgio sorriu e perguntou: E a mãe? O pai? O que disseram? Nosso pai não se manifesta. Que alívio! Que bom terminar a graduação! Viu?! Sorriu com jeitinho delicado : Agora sou jornalista! .tornou o outro circunvagando o olhar e reparando melhor. Tiago chegou e. além da dose de conhecimento. Sérgio? Puxa! Desculpe-me! Não sabia que já era o proprietário . brincando. Pode ser agora? Sem dúvida . dando-lhe um leve tapa no ombro. . mas tive a impressão de que a mãe se sentiu aliviada. Não reparou em nada? No quê? . Não quero que se sobrec arregue. Você avisou que se mudaria para cá? Falei. Eles já estavam na sala da casa de dona Antônia.decidiu Nivaldo.riu. Depois falou: Bem pelo menos é o que consta no dipl oma que vou pegar! .. Hoje eu trouxe as minhas coisas para cá.. .concordou a moça. Não demorou e a jovem veio correndo ao seu encontro.pediu. Lógico! Vamos! .Em seguida argumentou: Tantas coisas aconteceram. O médico sorriu ao perguntar: Um de vocês tem algo mais a dizer? Eles se entreolharam e Nivaldo pediu: Se não há mais nada para resolver sobre a clínica. Sentiu falta de um livro e foi procurá-lo no armário do outro quarto. Mas não disseram nada.. Vou pensar e ver as possibilidades. se não tivesse abandonado o curso.

Estava inseguro e algo apreensivo . Imagino o quanto foi cansativo me dar tanta força e ainda.a jovem falou em tom triste e com a voz emba rgada. Ah!. olharam-se por longos minutos até Tiago sorrir levemente ao confessar c om expressão carinhosa na voz: Rita. Por que eu não iria querer a sua amizade? murmurou ela.indagou meio sorriso. Rita! .. por ser como é!. Com voz meiga e baixa. encarando-o. Eu gosto da forma que se veste e não acho que pare ce com uma hippie dos anos sessenta. voltou-se para ele e sentiu-se gelar. Tiago sentia-se como um adolescente. o rapaz avisou: Rita. Vou entender se não quiser mais me ver e. Não precisa se justificar.. Mesmo sentindo o coração acelerar.Fez. Rita se levantou rápido. deduziu fechando o sorriso: Talvez eu o enver gonhe por gostar de me vestir assim.. ficando na expectativa. seu bobo! . Porque não posso. Não diga isso. Parado nada! . fitando-a nos olhos.. Não!.Com um gesto sutil. Falei o que não devi a? Fiz algo errado? . Tiago? . Envolveu-a com ternura e pediu com voz branda ao conduzi-la: . afagou-o com carinho e correspondeu ao beijo com fortes sentimentos. secou as lágrimas. Levantando-se e pondo-se à sua frente. . S egurando seu queixo com delicado carinho. m as para dizer a verdade eu estranho ao vê-la vestida assim. Não estou conseguindo ser seu amigo..Tiago perguntou. Algum tempo e Tiago a abraçou forte enquanto ela escondia o rosto em seu peito. a fez encará-lo. beijando-l he os lábios como sempre desejou. Ei. tem classe e é um modo de se expressar ao se vestir qu e.. Sentada no sofá com as pernas encolhidas. beij ando-lhe a face e procurando novamente por seus lábios. Tiago. Tiago rapidamente a tomou em seus braços.A jovem sorriu e Tia go silenciou por longo tempo. Não . O sorriso agradável sumiu de seu rosto. Dizendo isso. avisou brincando: Eu iria carregá-la! E te faria passa r a maior vergonha ao levá-la no colo para a sala de aula. Nenhuma palavra.. Ao contrário! Sinto o maior prazer qua ndo estou ao seu lado.disse brincando puxando-o para junto de si e recostando a testa em seu ombro.Insegura. falou em seguida. com roupas de estilo indiano e.interrompeu-o com voz doce. tentando ver seus olhos.Olhando-o. . Eu estava com medo e com dúvidas. Por quê? Você tem vergonha de mim?! Não! Lógico que não! Vem cá.. que abaixou escondendo-o entre os longos cabelos cacheados enquanto murmurou: Eu acho que já esperava por isso . quando saímos. Não sei!. adoro ficar à von tade e.Sorrindo. ele beijou-lhe a cabeça. espere! Do que você está falando? . segurou seu o rosto. não consigo mais ficar ao seu lado só como amigo. Acariciando-lhe a face. finas e elegantes. O que foi. sabe escolher muito bem. E é sério.... nós pr ecisamos conversar. Rita o envolveu com leveza. .... aliás. O estilo é de traje indiano e você tem bom gost o. Não resistindo. pediu. sim! Foi você quem insistiu e me fez retornar para a universidade... num impulso. no dia-a-dia..respondeu firme e sério.tornou ele no mesmo tom. Outra roupa mais moderna e social te cai bem. . Tenho séria dificuldad e para usar roupas mais sociais. procurando disfarçar e afirmou: Você estava esperando eu me formar para dizer que é chato ter amizade com alguém co mo eu e. Posso entender. interrompendo-a: Pare. Estou tão orgulhosa por já terminar o segundo semestre em Psi cologia! Já foi um ano! Uau! Você é quem merece os parabéns pelo esforço. perguntou: Devo deixá-lo constrangido quando estamos juntos na universidade. mas ele nem a ouviu.. Uso por necessidade do traba lho e admiro aqueles que sabem se vestir bem.Rita riu ao exclamar com mimos.. Tenho orgulho de você.Apesar de ser um home m maduro. não é? Não ... O que tenho para dizer é sério e talvez não queira mais a minha amizade depois de me ouvir . tirou os cabelos de seu rosto e a afagou. mas. expressou-se brandamente: Você entendeu tudo errado... Provave lmente eu teria parado. . combina bastante com você.ela preocupou-se ao vê-lo daquela forma. Depois. encar ando-o: Jamais teria vergonha de você.. Tem dias que pareço uma hippie dos anos sessenta e. Ela comentou sobre outras coisas menos importantes ..

Rita. Sérgio sorriu e se deteve. uma paixão por você. Eu experimentei situações difíceis e. Fiquei confusa. fal ou: Cansei de ficar com você! Quero namorá-la! Tê-la ao meu lado de uma forma diferent e! Entendeu?! . quieto. Você sempre foi atencioso. . e Tiago a beijou com todo o amor. Não percebi. reprimir nossos sentimentos nem existe qualquer razão para fazermos isso.expressou-se aflita e chorando. ...envergonhada. mas. Expressando felicidade.insistiu o rapaz com inflexão afável na voz. Aconteceu como tinha de ser. Com a morte do Gustavo. pediu carinhoso: Pare de se torturar. Mas poderia estar ao me u lado e me acompanhando em tudo por uma questão de caridade. falou apreensiva e com a voz trêmula. pensativo. estava esperando eu termina r a faculdade para me dizer que não poderia mais ficar ao meu lado o tempo todo. Abraçando-a forte.Sussurrou ao final: Eu te amo. Decidi falar com ele sobre eu sentir uma coisa.. nele ela sorriu e pediu baixinho: Fica comigo. Sabia ?! Não.. Nós não precisamos nos sentir oprimidos ou rebaixados e eu d igo: nós .. Você é bem prepara da e superior a isso! .lágrimas rolaram em sua f ace delicada. mas Tiago riu sem jeito e se levantou para cumprimentá-l os: E aí. ...O casal sobressaltou. mas o amigo continuou com seu je ito brincalhão em meio ao riso: Esses dois aí ficam no chove e não molha que está me da nos nervos! Caramba! Rita afundou-se no sofá. Sempre pareceu s er somente meu amigo e.. Por deixar tudo acontecer.. Rita. . não desrespeitamos ninguém nem a nós mesmos.. Eu já gostava de você e não queria parecer um a proveitador. fugiu-lhe ao olhar. quando aquilo aconteceu e jus to você acompanhou tudo. Precisava acabar com aquele compromisso e isso me deixou confusa. O problema era a família dele..Secando-lhe o rosto. perguntou: Do que teve medo? Quais são as dúvidas? Tiago. pois não existe razão para se sentir humilhada ou constrangida. Sente-se aqui. Rita! .. Senti-me humilhada depois. Eu também experimentei momentos de conflito q uando a conheci. Não precisamos viver do passado. m s chegamos a um ponto em que não podemos ou não conseguimos mais represar.. Tive medo de que me abandonasse. Não . O noivado estava marcado e me arrependi por. mas essa coisa que eu sentia era u ma forte atração.perguntava sempre calmo. poi s o percebi diferente.. passando-lhe segurança...Encarou -a com leve sorriso ao dizer: Não traímos. .. e eu também... você permaneceu ao meu lado me dando apoio. Não te disse. pois queriam que marcássemos o c asamento... .. com algumas p ausas: Você foi a melhor coisa que me aconteceu há anos e. Então deduzi que você tinha conhecido alguém por quem se interessou e. Senti que havia outra.. João e Sérgio entraram na sala sem serem vistos.. E?!. porque estou com você e ao seu lado.. Vi qu e ele se sentiu melhor e eu também. mas João não perdeu a oportunidade e gritou e scandalosamente: Até que em fim. pois me apaixonei e você tinha um namorado que se tornou seu noiv o.Vem cá. . A jovem sorriu com doçura. dó.. João? Tudo bem? . Supere e e squeça. Tudo piorou com a morte do Gustavo. educado e gentil desde qu ando o conheci e.Afagando-lhe carinhosamente o rosto.. Bem.. m e acompanhando em tudo nem ser meu amigo como antes. Tive medo. naquele exato momento. fale de uma vez .. E conversamos sobre darmos um tempo. contudo ficou ao meu lad o. o seu sucesso e vê-la sorrir novamente. Nos últimos dias comecei a ficar desconfiada.. eu sinto que ele passou pela sua vida como outra pessoa passou pela m inha. Vai se sentir melhor. Tiago. segurando-lhe o queixo com delicadeza. Desejava o seu bem.. Recostando-se. E continuou: Quanto a o Gustavo...Olhando-o firme. Com o quê? .. carinhoso. por ser meu amigo. insegura.sorriu. Por ironia do destino.. Bem. Tiago..negou. Por fim confessou: Eu me apaixonei por você quando o conheci!.Falou firme. Eu te adoro.. É algo difícil de dizer. apenas como amigo.. hein?! . Mas o percebi inseguro e distante. murmurou terno: E já faz tempo.

sentando-se ao lado de Ri ta que estava vermelha. Sérgio? EU?! Eu não tenho nada com isso. sem palavras e segurava uma almofada ao peito. estamos apaixonados. Sei que isso não é desculpa para minhas atitudes infelizes e moralmente desprezíveis por desej ar morrer. aquele anjo de bondade estendeu-lhe a mão. orou e logo adormeceu. Sérgio ficou sem palavras. pois o significado estava longe de sua compreensão.exagerou João. ele a abraçou dizendo: Descobrimos que gostamos muito um do outro. Ah! Que maravilha! Eu sabia . Ele ficou encantado e paralisado por instantes diante daquela doce figura que desempenhava elevada função no plano espiritual. Era incrivelmente bela.tornou espirituoso e bem sério ao brincar. Olhando para o irmão. Não podemos continuar nessa de amigos e decidimos ass umir um compromisso mais sério. Então pode marcar o casamento. Que a paz de Jesus o envolva. 26 .... não! .. Desejava que Tiago saísse da polícia. Certa noite ao deitar. Parecia que um sol de raios prateados brilhava através de sua figura.respondeu o outro bem alegre. . Sérgio acordou para o mundo espiritual com o chamado generoso e suave: Como é bom vê-lo. oferecia c onfiança e fraternidade irradiadas por sua aura envolvente.Imediatamente algumas lembranças che garam à sua mente. Estendendo a mão e puxando Rita para se levantar. Não falemos mais sobre isso. Abalei-me tan to e me envergonho pelo desespero quando não suportei as aflições nos pensamentos.. Lembre-se de que todo aquele que reencarna com a t . Sérgio sentiu um vago pressentimento. Sérgio! Não me deixe passar vergonha! Ah! Quer dizer que nem o seu próprio irmão quer ser seu aliado?! .Psicólogos de amor Apesar de saber que Tiago estava estudando e muito feliz em companhia de Rita . Na v erdade. Desprendido do corpo durante o sono. porém ele não queria por segur ança e por trabalhar em um horário compatível ao curso universitário. Sérgio riu gostoso e estapeou as costas do irmão ao dizer: É isso aí! Dou o maior apoio! Tiago sorriu e avisou: Podemos brincar. Tiago respondeu: As mesmas que as suas com a sua noiva Nilza! Ah!. beijou Rita e Tiago. Q uais as suas intenções com a Rita? Pensando rápido. . . O Tiago acaba de dizer que vai se casar com a Rita! exclamou João. Os desejos e idéias mentais inferiores foram de um magnetismo muito intenso. perguntou: E você. como sempre. acrescentou: Não mereço seus esforços. trate bem a minha irmãzinh ou vai se ver comigo! Entendeu?! Pode deixar! . sorriu e desfechou: A Rita mudou completa-mente a minha vida e não consigo me ver sem ela. Sérgio sentia os dias passarem trazendo um vazio cruel que aumentava quando pens ava no irmão ou em Débora. Sensibilizado. acabando de chegar e sem saber de nada .. Apreensivo.Olhou-a com carinho.seus olhos ficaram lacrimosos e ele se deteve. Não tinha qualquer notícia sobre ela depois de tanto tempo e não podia fazer nada. Prometeu-me amparo e aqui está! . mas não soube identi ficar. cara! Só estou de passagem! Se acerte aí com a don a Antônia e com o João! Oh. Sensibilizado. conduzindo-o para mais próximo quando Sérgio dispôs-se sorrindo ao exclamar: Laryel!.Vendoa sorrir com sincera expressão de bondade. cumprimentou-os e disse: Fico feliz por vocês.Não ta. João se aproximou. Quem vai casar?! perguntou dona Antônia. meu querido.. Afável. pediu constrangido: Perdoe-me.animou-se dona Antônia. beijou e os abraçou por longo tempo com lágrimas nos olh os. mas estou falando sério.. Agradeço a manifestação físico-espiritual e verbal que me impediu de um ato tão .

a qual você conhecia bem pelos préstimos de socorro. Envolvendo todos com sua inexce dível energia. eu me deixei dominar por aquel a insanidade momentânea lamentou Sérgio. dores e grunhi dos horripilantes. Há inúmeros encarnados dedicados a desenvolver e divulgar a atuação benéfica no campo da Psicologia Clínica pa ra derrubar barreiras e abrir caminho para outros entenderem a razão de viverem en carnados e em determinadas condições. Só havia sombras estranhas em toda a extensão e uma energia desagradável parecia pesar sobre ele. prosseguiu: Com conhecimento direto na comprovação científica e filosófica de uma doutrina reencarnacionista. porém resistiu e ainda disse que tudo o que Ele fazia nós poderíamos fazer mais e melhor.Sem demora e mais séria. Até o Mestre Jesus foi tentado. só que não havia água s agitadas. que antes par ecia um ser de matéria semelhante a cristal. A movimentação era de criaturas sobre criaturas amontoadas e entrelaçadas. Sérgio não conseguia ver muita coisa. somente Sérgio fazia par te do plano dos encarnados.arefa de socorro e trabalho digno é tentado de inúmeras formas por irmãos inferiores c om desejo no mal.Ofereceu leve sorriso ao comentar: Jung já fez uma grande parte.. Esses Psicólogos de Amor estão sob a guarda ou socorro de benfeitores espirituais elevados e sempre a postos no campo das mais nobres inspirações. Algumas deformadas a ponto de perder as características humanas como que nadando e se desesperando num mar de lodo e limbo. Em todo lugar que olhavam.. os gritos. pedindo: Venha conosco hoje. Pai da Vida. via-se verdadeiro quadro desolador. . Iremos para uma região de inenarrável sofrimento. na velocidade do pensa mento. Você já ouviu sorriu ao relembrá-lo . a força e o amparo a fim de levarmos algum conforto. Alguns dos espíritos benfeitores daquele grupo eram especialistas em missões daqu ela natureza e outros aprendizes treinavam aptidões especializadas para cooperar c omo socorristas naquele vale vasto de sofredores deploráveis. talvez isso lhe traga mais lembranças e força interior. gemidos. Eles se aglomeram e se esforçam em criações mentais degradantes para impregnar tudo o que é voltado para a elevação moral e espiritual. material ou teve início exclusivamente a partir do nascimento ou durant e a infância e que os culpados são os que rodeavam essa criatura. Sentia-se num outro mundo onde a d ensa névoa parda reinava. Os gemidos. de p rovas para adquirir forças e suportar certas impressões para sua elevação de natureza es piritual ou moral. Com conhecimento e entendimento. Laryel conduziu-os à zona de intensas trevas. um magnetismo excelso os envolve u com imenso amor. profissionais que sempre se colocam na posição de aprendizes e de obreiros vêm renovando vidas human as. bondade e proteção. Laryel sorriu com doçura e olhando de um modo peculiar para os companheiros esp irituais à sua volta. Eles aliviam as aflições e são verdadeiros Psicólogos de Amor quando desvendam que o complexo asfixiante de uma dificuldade pessoal não tem sua origem somente no camp o biológico. . Após preciosa meditação e sublime prece de Laryel. Vejo-o preparado para reassumir antigas tarefas nas quais atuou como especialista e instrutor quando desencarnado. Somente então ele pôde ver a névoa cinzenta dissipar-se e muitas imagens surgiram. Todos nós elevaremos os nossos pensamentos rogando providências Divinas que nos protejam. Dentre todos da considerável comitiva de es píritos elevados na escala de valores morais e espirituais. A elevada comitiva baixou a luminescência. Laryel usou recursos próprios para facilitar-lhe a visão. A prestimosa entidade de beleza inexprimível atravessou. Nunca se esqueça de que os en sinamentos do Mestre Nazareno são as Terapias das Almas. Não foram percebidos. principalmente Laryel. De início. várias regiões sombrias e dominadas pelo mal. a quem muito é da muito será exigido. Não sei como. bênção e até o socorro aos irmãos dessa esfera q ue estiverem preparados. tornou a Sérgio. os murmúrios dol orosos vibravam angustiosamente por todo o plano. Suplicaremos a Deus.Em um tom amável e doce. ela avisou: Não duvide de v ocê mesmo. Não. calma. . Por um lado er a como olhar um mar escurecido e extenso até um horizonte sem fim. As origens de m uitas dificuldades procedentes de vidas passadas ou trata-se de experiências. Mas isso não isenta esse encarnado das suas obrigações comuns de orai e vigiai a própria mente para não se d esviarem dos propósitos Divinos. Agora todos deixavam os limites exteriores da matéria do corpo perispiritual co .

olhando para Laryel. por essa v iolência ao próprio espírito. Há casos especiais como os de crianças de pouca idade levadas a ações semelhantes ao suicídio por ouvirem contar fatos ou assistirem a programas ina dequados. não buscaram ajuda de outro que pudesse erguê-los para o bom ânim o e propósitos construtivos. não planejaram nem pensaram nesse ato. perderam a fé e a esperança. a Lei Divina determina ou enquad ra o tempo de duração de sofrimento consciencial e o tipo de expiação futura. Porém. A comitiva seguiu Laryel que sabia para onde ir. ensinando-lhes nobre a eternidade. Havia. Deus a tudo vê. respeito às Leis Divinas. nojosa e fétida serviam de obstáculo. aos olhos de Deus não há ma ior ou menor culpado. que não são as mesmas para todos os suicidas. São suicidas que recorreram à morte do corpo através do fogo. a venerável emissária . o martírio interior e o arrependimento profundo são lento s ao espírito. Sem articular palavras. que entendeu lhe o pedido em nível de pensamento e aprova ndo-o com singelo gesto. o socorrista afastou-se do grupo. vigiando os prisioneiros de dolorosas penitências. seu mentor. mas que. não se socorre om o poder da prece. permaneciam atentos a fim de os infelizes não encontrarem ha rmonia que os resgatasse de algum sofrimento nem tentassem recolher-se em prece verdadeira.lembrou Laryel. e mantendo certa distância daqueles infelizes s ofredores. como que um ar contendo elementos asfixiantes e nojosamente viscoso. seu coração bondoso e as inesperadas razões que o levaram à prática de tal crime. acim a de tudo. não tiveram piedade de si. diante de co ndições em que não se pode raciocinar. Rochedos escarpados cobertos por substância escorregadia.. Em alguns casos. Como guardiões d e natureza vingativa. a intensidade da dor constante na consciência e no corpo espiritual é algo do qual não podem e não conseguem escapar. pois a morte não exi ste. Contudo . E por ser justo. Tenha piedade. O sofrimento coletivo é impressionantemente doloroso. com movimentos fortes ao girar. Uma matéria espiritual muito densa. Porém nunca é eterna..avisou Wilson. A nobre entidade silenciou. porém o sofrimento reservado à sua consciência e ao perispírito pelo crime que praticou chegará.explicou um dos missionários. Sua bondade e misericórdia encontram circunstâncias atenuantes em a lguns raríssimos casos não planejados. Um dos benfeitores acompanhantes percebeu que Sérgio desejava melhor exemplo. em um ato de desespero. mas que.. nos altíssimos penhascos. meu querido. os qu e estão delirando de febre ou efeito de medica-mentos. A encarnação com experiências difíceis é um curto período que passará rapidamente quan se tem a idéia da imortalidade do espírito e a crença em um único Deus bom e justo. espíritos pinando postura de sentinelas. os totalmente embriagados. Milhões de criaturas encarnadas com difer entes propósitos de harmonização ou tarefa no bem se entregaram a mais inferior das ex igências: o suicídio! Não deram atenção às responsabilidades de resistência. Estavam recolhidos em prece silenciosa até uma montanha agitar-se como fogueira. essas são criaturas espirituais que.. semelhante a um redemoinho de vento só que de lavas incandescentes como a de um vulcão. Aos demais. A misericórdia e a justiça são atributos de Deus . que f azia parte do grupo. especialista em socorro daquela região. na opo rtunidade de reencarnação.mpatíveis ao meio pelo trabalho proposto e com a finalidade dos sofredores infeliz es daquela região poderem lhes perceber. entre outros. tendo em vista o caráter moral do espírito suicida. todos daquele grupo se comunicavam em nível de pensamen to. mas é o reajuste da própria c onsciência . Deus po de minimizar seus dias de suplício. E ntão. Aquele vale não era só ocupado por suicidas agonizantes em extrema dor e sofrimen to. os mentalmente retardados. espalhando-se ao abaixar novamente como sorvedouros onde corpos espiritua is de aparência humana podiam ser vistos. queimando-se proposit adamente . cobria toda aquela triste região. Enc ontram-se aqui os que também bombardearam lugares e sucumbiram junto. orgulhosos nos serviços rudes qu e os compraziam. Era como uma verdadeira muralha cercando o vale de extensão impressio nante. Em todo suicíd io pensado ou planejado anteriormente e conscientemente. quando Sérgio comoveu-se: Deus. . os loucos. Entretanto a responsabilidade do suicídio jamais fica impune.bondosamente explicou Laryel.

necessitados e doentes. Ele sabia o quanto ela mentia e disfa rçava sua verdadeira personalidade. Não haveria espaço para pensamentos inferiores. Atormentam com vibrações bizarras as faculdades mentais dos suicidas. vamos lembrar q ue a bênção do esquecimento. fazendo-as crer no nada após a morte. Tudo piorou quando ela desc obriu que o marido a traía. animalizados e deformados. Mas. Remexendo-se. isso não teria aco ntecido. Quase não tinha braços e as pernas pareciam coladas. S e um espírito vingador não perdoa ao irmão que. talvez. pois muito s deles acreditam ter amplo conhecimento. atiraram-se ao suicídio e a um longo e doloroso sofrimento mil vezes pior! Esses espíritos vingativos que os inspiraram ao suicídio são homicidas! Também não dev riam se encontrar em um estado consciencial de sofrimento pelo que cometeram ou induziram? . Ap enas apreciava a fragrância de seus perfumes e cremes caros. tanto quanto agresso res se ligam às suas vítimas.alertou Wilson. Suicidando-se mostraram a incapaci dade de suportar as dificuldades nas provas da existência terrena e foram fracos a o perder a fé. mas mascarava esses senti mentos.Alguns segundos e contou: Encarnada esse espírito foi uma mulher de considerável nível socia l.Breve pausa e lamentou em tom piedoso: Quanto engano! A morte não existe e a prova disso é que estão aqui.. Depois respondeu: São espíritos no auge da inferioridade e da ignorância. Esses vigi lantes são espíritos de pouca elevação. Na verdade não suportava o od or dos hospitais. Ele trazia nos braços uma criatura totalmente deformada e a carregava como quem aconchega o filho querido e necessitado. tentou ser ardilosa e buscou div ersos meios de comover o marido com esperança de ele não a abandonar. O que realizou foi para que todos a elogias sem. Isso pode acontecer até com sofrimento de um deles para que renasça o amor em a mbos. Só contemplava seu refl exo no espelho. Dotada de inteligência. Crêem serem juizes e justiceiros. Tentando livrar-se dos tormentos de uma breve reencarnação. machucada. Existem supostas vítimas que se ligam aos seus agressores. que se movimentam e se revezam.perguntou Sérgio. sem fé nas providências de Deus. admirando-se do quanto era bela. sem esperança. da perfeição e brancura de seus den tes. Desmascarando-a em uma discussão a sós. comprazendo-se com a do r insuportável e ininterrupta de inimigos do passado que agora se revolvem aqui pe lo suicídio.. com devoção e de coração. Muitas coisas acon teceram até começar a dar oportunidade de ação para um espírito inferior vingativo e inimi go do passado por ser sua vítima. tenha-o prejudicado e se ligou a ele para se vingar dessa forma. . Forjava sorriso generoso e olhar piedoso quando precisava reunir-se para fins fraternos junto de pessoas de seu meio social. mostrando-lhes. através da re-encarnação os unirá para reparação e ensinamento dor. contudo pode nos entender. O espírito sofredor plasmava seu corpo espiritual de forma horrenda. O aspecto era à m aneira de grande verme com feridas imensas. caso essas últimas deixarem . Ela perdeu o gosto pela vida e de sejou a morte a ser trocada por outra e discriminada pela sociedade como uma mul . Se com desejo puro sua mente estivesse voltada p ara a caridade e se ocupasse com a atenção para o auxílio e caridade. ou seja. A aproximação do socorrista. No alto dos penhascos há espíritos com aspectos sinistros. no suicídio. Não parecia uma criatura humana. Certamente são espíritos que desejam a desforra e induziram seus desafeto s a tirarem à vida do corpo físico. gemia constantemente em todos os tons. . dos orfanatos. maldosos ainda. lhe agradecessem e reconhecessem suas ofertas caridosas. o socorrista explicou: Seu estado mental é de delírio enlouquecedor. dos velhos desamparados e da miséria em geral. Aqui não se vê o céu. cujo pescoço inchado unia o tronco à cabeça lisa. Sérgio reparou: Os penhascos parecem não ter fim. Piedoso. Sérgio argumentou Wilson com simplicidade. já tão atormentados.Olhando em volta. Não admitem que sofrem. como que sem o co uro capilar e a face sem pele com erupções purulentas. que havia se afastado. o homem av isou que sairia de casa dentro de alguns dias. levando-o ao suicídio. esgotando-lhes as forças mentais e levando-os ao e xtremo desespero de se verem sem saída. mas quando o fez não fo i com sinceridade. descarnando a pele em estado de putr efação. Possuía uma aversão aos pobres. Criaturas p artidárias de grupamentos. Mas o esposo e stava decidido e cansado de sua falsidade. Mas as Leis Divinas são sábias e iguais para todos. Teve todas as oportunidades para praticar a caridade. julgando saber mais do que sabem. chamou-lhes a atenção. Quem são eles? Vejo que não se lembra de muita coisa. o remédio para todo o sofrimento terreno.

Com sentimento de ódio e vingança. o que a repugnava. Mas. A infeliz não está preparada para o socorro. decidiu que ele não ficaria com a outra.contou o especialista daquele tipo de socorro c om habilidades de absorver informações da mente dos desencanados.respondeu o socorrista piedoso. Revoltada pelo abandono do marido. culpando-o pelo seu estado deplorável.disse Sérgi o. com a finalidade de investigar e punir crimes contra a fé católica. Ela chama pelo nome de Deus em vão. pede Sua misericórdia e socorro . em sua agonia. O que aconteceu para ter um obsessor tão cruel a inspirá-la à morte tão horrível? . Por não ter amparo paterno. mas não a aceitou como filha. Porém queria que tudo parecesse um acidente e com morte instantânea. Também não atendeu às inspirações de espíritos bondos amados de fé. Pelas necessidades de sob revivência e para cuidar da mãe doente. o pai qu e a abandonou na miséria. que a rejeitou. Quer vê-lo morto e sofrend o como ela. era a mesma moça que seria a esposa do homem inocente cond enado a morrer na fogueira. Podemos sentir o ódio qu e tem pelo marido. Mesmo sendo inocente. a mesma criatura que ela condenou injustamente à morte cru el. Ao contrário. experimentando a dor que v ivenciou no corpo físico? . Pode dizer há quanto tempo se encontra nesse martírio. Seria um desencarne d oloroso. Com a explosão e o incêndio . ela sofreu calúnias e humilhações. não acreditou em Deus nem no futuro. el a não se permitiu à concepção. ela fez do corpo físico ins trumento de mercadoria no campo da prostituição e desencarnou cedo. Após esse período escuro na história. incontáveis oportunidades de tarefa e empenho na caridade em todos os sentidos e isso amenizaria sua expiação. ela vestiu a máscara da hipocrisia e não foi humilde. foi con denado a queimar na fogueira até a morte. esse pobre espírito deveria ser abastado com bens terrenos. até depois da morte planejada. abandonou-a na reencarnação seguinte em difícil situação com a filha nos braços. Cinqüenta anos . Esse irmão não lhe perdoou. abandonando-a. Se ele lhe tivesse perdoado e a acolhido como filha querida. chama por Deus. mas breve diante do tempo em que se encontra nesse estado. Para isso a presentou-se como testemunha para o tribunal eclesiástico instituído. logo após sua mãe. junto com a mãe. sua vaidade e seu personalismo. Mas com o vício moral da vaidade. pois esse é o vício ou a mania dos hipócritas nos momentos de desespero. A mulher. ela faleceu após muito sofrimento no corpo físico. Q ueria que os outros tivessem piedade dela pela morte inesperada e ver o remorso do marido. Nessa época. Mas ela. como filha querida desse casal que a odiou. Deveria provê-lo com amor e educá-lo nos princípios morais superiores. No último plan ejamento reencarnatório. essa irmã viveu na Europa no período da Inquisição imposta p s governantes da Igreja Católica . Ela preparou artifícios e colocou-os na casa do homem para não ter meio de ele escapar da punição do Santo Ofíci o e o acusou de bruxaria. sentiu-se humilhada. Em reencarnação distante. No entanto a dor experimentada antes do desencarne não se compara à intensidade do desespero e insuportável padecimen to incessante vivenciado no plano espiritual. Vaidosa. Inconformada com a rejeição e po r ser uma criatura vingativa. ficará à mercê desse estado mental. por não se arrepender do ato criminoso e cruel planejado no passado que o le vou à fogueira do Santo Ofício. ela nut ria uma paixão incontrolável por um homem e. Não se dispôs a receber como filho. dispondo-se à ving ança entremeada de extremo ódio.pe guntou Sérgio. ess a pobre irmã não admite seu orgulho. m as não ofereceu a atenção necessária. essa pobre irmã deixou o gás do fogão vazand o por longo tempo e depois acionou o interruptor da luz. aos dissabores do mundo. . Tinha vago conhecimento da doutrina reencarnacionista pelos livros que leu. na época.perguntou Sérgio. nesse vale de lamas e lágrimas. E ele que dizia amar quem iria despo sar naquela época. tudo ficaria har monizado e tanto ele quanto a mãe teriam outra oportunidade de viverem juntos. Apesar de tamanho sofrimento e estado enlouquecedor. sofreria a expiação de queimar-se até a morte em algum acidente natural. po is ele afirmou amar outra cuja união já estava marcada.her separada. só pensou na humilhação que sentiria di ante da sociedade. Não quis engravidar para não deformar seu belo corpo. ele reencarnou. ao se declarar. Criaturas assim chamam por Deus como se ele fosse um prestador de serviço. Elas odiaram-se tanto naquela época que retornaram com o mãe e filha a fim de reforçar os laços de amor. que foi sua mãe. Enquanto o amor e o arrependim ento não reluzirem em sua consciência. só pensou em ostentar orgulh o e vaidade por ela mesma. o homem.

as questões sobre o suicídio são bem esclarecedor as. Afirmava que sofria e sentia os vermes roerem seu corpo. Laryel avisou: Ela se prende a esse vale de penitências. Kardec ob serva que. Aprendemos que se nesse momento não entendem .Em seguida. Os suicidas responderão como por um assassinato. O gelo corria nas veias e o fogo em seu rosto. Depois. quando Laryel instruiu com prestimosa bondade: Cada caso é um caso. É o rosto do mari do que ela traiu e magoou e sua consciência a acusa por remorso e pedindo reparação. O espírito São Luís oferece grande instrução ao explicar que ess é o estado de todo suicida. recusa desc rever tanta penúria. ele está completam ente mergulhado numa espécie de turbilhão da matéria corpórea e suas idéias sobre o corpo terreno estão muito vivas.Segu ndos para reflexão e comentou a seguir: Em outra evocação. num estado de consciência enlouquecedor e tão terrível que desejavam morrer como se pudessem definitivamente acabar para sempre. Estado que pode durar o tempo da vida que foi interrompida. Mas isso não acontecia e a punição conti nuava como no momento em que mataram o corpo físico. ela diz que tinha frio e q ueimava. Não demorou e ela raste jou. Lembrando que esse efeito não é geral. Com os olhos arregalados. como bálsamo alivian lhes as dores. observou-os por um momento.contou Sérgio . Entram em profundo desespero e sofrem. após a morte do corpo. O espírito do suicida fica ligado ao corpo. as vibrações emitidas chegarã no instante em que estiverem em condições de reconhecê-las e se fortalecerão com suas energias. a duração e o rigor do sofrimento. sem dúvida. Com gesto paterno o socorrista retornou e colocou aquele espírito de volta ao cír culo que se atraía. era penosa. A esse espírito sempre haverá uma punição e somente Deus julga conforme a causa. Wilson explicou: As preces. Mas logo se juntava àquela montanha incandescente através de uma atração irresistível. Eles seguiam. Allan Kardec ressalta que espíritos suicidas experimentam os efeitos da decomposição. mas vê um crepe negro desenhado num rosto que chora. Clareiam-lhes a mente. Há alguns dias . O espírito infeliz diz que sofria e a evocação. Um dos casos conta-nos sobre a comunicação de um suicida ateu que se afogou havia dois anos. Conta que é sempre noite. inconscientemente. nos relatos e esclarecimentos por ele publicados nos diversos volumes da Revis ta Espírita. as orações sinceras para esses irmãos são como remédio. A . Em O Livro dos Espíritos. por asf ixia provocada pelo vapor que exalava de um forno portátil cheio de carvão. que é o fluido que faz a alma atuar na matéri a corpórea. não vê os espíritos que vagam no l ugar onde está. . puderam tirar as mais numerosas instruções.argume ntou Wilson. Pensou que nada iria acontecer após o afogamento. Pensava que morreria uma segunda vez. Alguns entendem rapidamente que não morreram em espírito e se arrependem. haverá um longo estado de pertur bação dolorosa pelo fato da energia vital. O suicídio e o aborto são os piores crimes que o ser humano pode cometer . então por que diz sentir a alma num braseiro? . eu estudei uma observação científica e filosófica de ec. sentem-se extremamente perturbados e não entendem por que ainda estão vivos. Há suicidas que. mas. Relata escutar risos infernais e vozes espantosas. ou revoltados recusam o poder da prece e a força da oração.Pequena pausa e os fez pensar: Observamos que o pobre espírit o afogou o corpo para morrer. mas ainda não experimentaram esse vale deplorável de dor e suplício. cuja mor te foi planejada ao lado do amante que também sucumbiu. sensação de angústia e horror. Ele assevera que era forçad o a crer em tudo o que negava e afirma sentir a alma num braseiro horrivelmente atormentado. Respeitosa e num tom de tristeza misto ao de amor. para aquela comunicação. mas seu coração rancoroso e revoltado até contra Deus podia ser sentido. que gritam semp re do mesmo jeito pavoroso. na qual ele explicava sobre a comunicação de um suicida que se dizia sentir sufo cado no caixão. juntando-se aos demais amontoados que ardiam em labareda s. Aqueles que estudaram a Codificação Espírita e os ensinamentos úteis de Allan Kardec . Que o Pai da Vida em Sua infinita mis ericórdia a envolva com bênçãos sublimes para o seu esclarecimento. arrependimento e ace itação de reparação. Não era difícil ver um e outro correr daquele redemoinho com o corpo espiritual e m chamas saído de brasas e provocando grande alvoroço e dor a todos daquele vale por estarem ligados mentalmente pela prática do mesmo crime. sofrem demasiadamente na mente e no corpo espiritu al. uma mulher suicida. apesar do espírito do suicida estar separado do corpo. ser interrompida brutalmente quando estava com vigor.

. E a mente do suicida normalmente atrai tudo isso que o corpo físico experimentou. atordoado s e com o raciocínio lento pelas conseqüências do ato. como no momento da morte de seu corpo e cenas repetitivas dos outros suicídios e extrema dor. além de falarem de seu sofrimento. Kardec nos relata sobre um espírito suicida que se enforcou. que vagavam no lugar onde ela estava. alguns continuam liga dos ao corpo pelo liame. Não se lembram d e situações agradáveis ou pessoas queridas. Uns gritam de modo selvagem. sofrerão bem mais. por não se desli garem do corpo físico.Pequena pausa par a reflexão e avisou num tom lastimoso: Vamos seguir. Só o arrependimento intenso. Como explicar tamanho sofrimento se o suicídio ocorreu com métodos diferentes? . do sangue fétido. o sofrimento in interrupto. demorarão muitos anos ou séculos para se reverem. não lutou pela a. milhões de vermes por ligação ao corpo físico com vigoroso fluido vital. Todos precisarão de vár ias reencarnações para repararem o erro e aliviarem os corações sofridos pela brutal sep aração. presos em seus caixões.Alguns segundos e comentou: Diga-me o que está p ensando e eu direi o que espiritualmente existe ao seu lado. desejado. as dores da s vísceras se rasgando. violentamente infligidas pela própria consciên cia. fur iosos. aqui não há irmãos pro ntos para o socorro. Serão juízes inconscientes deles mesmos. Enquanto prosseguiam. pratic ado conscientemente . Vêem-se corroídos vagarosamente por milhar es. respeitosamente. Os que cometeram esse crime pela perda da fortuna ou pela miséria.Nova pausa e depoi s continuou: Em outra conversa.firma que não quer falar do amante. a punição mental será mais longa e terrível porque fugiu da provação terrena. unem-se sempre pelo pensamento. piedosa. somente a benfeitora ousava detalhar. fluido vital. viam-se mais perto do extenso mar de espíritos suicidas amontoado s e entrelaçados. E partilhando das mesmas vibrações pela atitude. se não era cega? . é o que vêem e sentem. Estão impress ionantemente atormentados. A escuridão pode cegar-lhes por longo t empo. rever e sofrer incessantemente no corpo espiritual. Exi stem os que se crêem confinados eternamente ao inferno imposto por algumas religiões . O suicida voluntário levará várias encarnações para purificar a consciência e isso depen erá da forma como suportará as futuras expiações terríveis. O odor de podre. dos líquidos. Então pura carniça. algo sobre a visão aterradora: Irmãos infelizes que se suicidaram para se encontrarem com entes queridos desen carnados não o vão encontrar aqui. Mas para aqueles que se refugiaram na morte premeditada e voluntariamente. As religiões ou doutrinas que consideram os suicidas confinados ao inferno e não . . e a existência de indescritíveis aberrações em suas faculdade s os faz ver. Além da pos ura mental adotada. o instante de seu suicídio e dos outros. Eles estão ligados na mesma vibração. Outros são incrédulos. longas e dolorosas. Como explicar esse rel ato? Se ela se asfixiou envenenando os pulmões. mataram-se para fic arem juntos. contam sobre experimentarem outras sensações. Muitos perm aneceram bastante tempo em suas sepulturas. a benfeitora nada disse até deter-se e mostrar: Ali. Isso explica os relatos de Kardec sobre as comunicações de espíritos suicidas que se mataram de uma forma e. por que tinha frio e queimava? Por que sentia o gelo nas veias e fogo no rosto? Por que não via nada nem mesmo os es píritos. As vibrações mentais mais tormentosas. meses ou séculos. por isso não se concentram verdadeiramente em Deus. Os que. as secreções nojosas e o lo do encarniçado que os envolve é constante. Ele diz que sofre um fogo que o consome e o devora. as razões e as conseqüências desse ato sempre são relativas às causas que o gerar m. Experimentam o cheiro exalado do apodrecimento.explicou a excelsa benfeitora Laryel. Gritam e berram como animais. não respeitou nem confiou em Deus. Sem perceber. Libertos da sepultura. que sente os dese jos carnais. não têm condições de serem descritas. não se encontrou com ele. por um amor impossível. Outros estão confusos. É bom lembrarmos sempre que não existe punição fixa aos suicidas. a sensação asquerosa. são agressivos e violentos pela revolta de não morrer. Esses são nossos irmãos infelizes que se suicidaram e estão ligados e submetidos ao mesmo estado vibratório e mental pelo ato do suicídio premeditado. as necessidades físicas.Sabiamente. urinas e fezes que se esvaem d o corpo de carne.. por isso reproduzem as cenas horripilante s onde quer que estejam. O que leva alguém ao suicídio. Alguns. Não co seguem ter paz. . meus amigos. o que dificulta sua libertação desse lugar.

se vêem pendurados em uma única corda que vai se romper e todos morr erão. Um homem novo. mas.respondeu ela atenciosa . estavam em lugar estranho. repentinamente. pois a água o arrastou para as corredeiras. mas sim o perdão de Deu Isso é possível?! . Mesmo jogando todos os poucos e pobres bens materia is no rio. Amparado na espiritualidade. mas u ma fatalidade o desesperou a esse ponto e não lhe restou alternativa.. planejamento. mas Sua bondade e justiça permitem a oportunidade de repar armos os erros cometidos e abreviarmos os sofrimentos. a intenção do suicídio pode não merecer uma severa punição. ele se perturbou por curto tempo. diminuiu o sofrimento ou mereceu o perdão . Um que ac ompanhei foi muito marcante. desesperado. a prestimosa entidade se voltou para Sérgio ao afirmar com generosida de: Existem muitos fatos que isentam uma criatura forçada ao suicídio em favor de um acontecimento fatal. relatam e apontam sofrimentos usando termos iguais aos de algumas reli giões. O Espiritismo não admite inferno com demônios e capetas com tridentes. ter paciência e fé. lugares cercados de labaredas e horrendos métodos de torturas. por causa de um acidente. as águas se tornaram caudalosas e a forte corrent eza invadia o pequeno barco. que transgrediram as Leis de Deus. quando uma chuva caiu na cabeceira desse rio. mas para salvar a vida dos outros. Nesse ponto. Depois aceitar e propor-se à expiação ou repa ração dos danos a si e aos outros. A prece aos espíritos suicidas lhes dá força e resignação. você prometeu reparar o suicídio e o abandono da família tão querid . Àqueles que acreditam nisso podemos perguntar: Onde se encontra a misericórdia. Por sua elevação espiritual e mesmo tendo a indulgência Divina. esse homem entrega os remos à mulher e p ula do barco para a morte. A prece com amor e sem lamentos auxilia o entendimento desses irmãos e a elevação d e suas consciências. Na espiritualidade. livrando-o de terríveis t orturas pelo suicídio. Ele acreditava em Deus e não queria morrer. Ciente de que a esposa não sa bia nadar tão menos os filhos. ao ver que a morte de todos será inevitável. Deus não dá recompensas. depois afirmou: Como não? Se estudou deve lembrar que Kardec relata raros casos cuja intenção do su icídio abrandou. No entanto nisso não se vê o desejo da morte. dos parentes e amigos aliviaram sua consciência e o deixaram com elevadas vibrações sublimes.perguntou Sérgio. sofreu. livrar a mente do ódio. resignado. Laryel parou. Ao contrário do que pensam aqueles que lhes recusam uma oração. Com o objetivo de mudança. Deus julgou-o pelas circunstâncias e lhe perdoou. sua jovem esposa e seus três filhos. Então para salvar os outros. É bom recordar que se não houve premeditação. do orgulho. o último a se pendurar se solta ou corta a corda acima de si a fim de aliviar o peso e sal var a vida dos demais. dos filhos. o Criador bom e justo? Kardec explicou isso muito bem. A comitiva se manteve junta parecendo mantê-los no centro. um tanto temeroso. E logo acrescentou: Imagine uma situação em que operários ou esportistas. Isso é um su icídio. inesperado. no desespero. a bondade e o amor de Deus se a confinação ao inferno for eterna? Seria Deus o Pai. um desejo de bênção e misericórdia. Sem que soubessem e. Por sua vez. mas a vontade de salvar outras vidas. Qual?.. Seria injusto ela passar por sofrimentos horripi lantes como os demais suicidas. chicotes. Os estudos e as pes quisas científicas de Allan Kardec sobre suicidas deixam claro que esses espíritos i nfelizes.. junto a rochedos e menos hostil. pois as preces da esposa. atirando-o contra as pedras sem piedade. mesmo sabendo que despencará para a morte certa. Porém esse estado de extrema dor e agonia do suicida não é interminável. Laryel olhou-o de modo diferente que ele não soube interpretar. algo que não planejou nem queria fazer. . Bem at enta a tudo.aceitam que sejam dirigidas as últimas preces. estão imensamente erradas. num ato não planejado essa criatura merec e ou não o perdão? Deus é quem julga. el es atravessavam um largo rio.questionou Sérgio estremecido por uma sensação inexplicável. imperdoável nem fatal. o barco mostrava sinais de que afundaria. A duração de seus sofrimentos está ligada e é dependente de sua força mental e moral para arrepender-se verdadeiramente do que praticou. da vingança. desejo de se matar. ta-os com fé e esperança em novas oportunidades de harmonização. diminuindo a punição se es es forem humildes e respeitosos aos propósitos do Pai da Vida. a dor da se paração de sua amada e seus pequeninos filhos. dependendo d o caso. confinando-se ao castigo da própria c onsciência. deu a vida para salvar a mulher e os filhos..

Minha amada mãezinha nos salvou apesar do desesper o de vê-lo sumir nas águas. está ligado à mas . A cena se repetiu com detalhes na mente de Sérgio. magnético. quando o óvulo fecundado inicia a multiplicação das células. A pretensão de fu-gir. oferecendo sua vida para eu prosseguir. Não me permito distrair em um lugar como esse. Lembra-se? Você tinha dois filhos mais velhos e eu era a sua única filha e a mais nova. dos problemas mais diversos ou de qualquer desespero que esteja experimentando só atrasa a evolução e a elevação para mundos melhores. Sim. Recuperando o domínio dos sentimentos de júbilo. cresce até a formação completa daquele corpo físico. Temos um dever. meu querido. ou liame.. desenvolvendo o embrião. cujo choque pela vid a existir após o suicídio provocou conflitos mentais deploráveis por acreditar que tud o acabaria após a morte do corpo. o liame entre o espírito e a matéria do corp o físico.. entre o espírito e a matéria ou massa de células.. Então vamos. mas por amor aos filhos e a sua esposa . prometeu-me amparo em todos os sentidos.. Foi há muito tempo.. Depois disso. Ele é o intermediário. Nós sobrevivemos por muitos anos naquela oportunidade de vida terrena por seu sacrifício. é um crime ou homicídio contra um er indefeso. Conhecido como fluido vital. com a finalidade de instrução. por meio do suicídio. O feto. Dotada de forças vivamente transcendentes pelas virtudes morais. o fluido vital se desenvolve com essa atividade unindo e servindo de ligação. A nobre Laryel. Nesse instante ela revelou amorosamente: Eu estava naquele barco. Descortinado o véu do passado. foi. E por intermédio do fluido vital que o espírito experimenta um processo sensorial consciente de relação mútua com um processo f isiológico que lhe proporciona o conhecimento do mundo externo. A benfe itora o sustentou com vibrações mentais e ele comentou: Lembro-me disso. Reprimindo os sentimentos. Essa fatalidade não estava em seu planejamento reencarna tório. das dif iculdades ou infortúnios. Falta essa que não cometeu por covardia. relativo e proporcional para aquela reencarnação. explicou: O princípio vital tem sua fonte no fluido universal. ou perispírito. comoção moral. Em todo e processo. formando os órgãos. Lágrimas correram dos olhos de Sérgio. ajudou dando sua vida para salvar a de todos in clusive a minha. Conforme prometeu. com o co njunto das funções orgânicas. impressões físicas em geral. Desde o momento da concepção. Tremendo perante o doce olhar de Laryel. Sérgio expressou significativa surpres a e temor ao olhar em volta.Laryel calou-se e aguardou. emoções. além de prop rcionar extrema aflição. chegando ao feto. Isso explica por que o aborto praticado. a comitiva pro sseguia naquele lugar onde se estendia pavoroso sofrimento. mas permaneceu vigilante. o fluido vital é o agente do qual o espírito se serve para estabelecer c omunicação com a matéria corpórea para animá-la. seguiram para cumprir a tarefa. Naquele planejamento reencarnatório. pois o espírito revestido do corpo espiritual. sa beria aguardar o momento propício para as expressões mais ternas. e ela avisou com doce nobreza: Deixemos as emoções para mais tarde. inclusive no d ia seguinte a concepção. já existe no plano espiritual. ele ficou profundamente emocionado. que continuarão se multipli cando. angústia e indescritível dor. movimentá-la e experimentar ns sensações d o instante de sua união com o óvulo fecundado. Alg o modificou em seu âmago. pois eu tinha importante tarefa. Hoje ela está encarnada e você a reencontrou: é a nossa querid a Débora. que pareceu abalado. 27 . por medicação ou qualquer meio. e ntendeu todas as provas vividas. elétrico animaliz ado ou agente vital.. E cumpriu sua promessa.Suicidas em sofrimento no Plano Espiritual Após a revelação preciosa da elevada Laryel sobre sua ligação afetiva com Sérgio e o tra alho que desempenhou na espiritualidade. elevou-se imensamente na espiritualidade e tornou-se socorris ta neste vale de suplícios e torturas terríveis.a.

após o suicídio individual ou colet ivo. Al guns. Como podemos ver aqui. Normalmente esses tipos de seitas têm líderes que os convencem a se despojarem total mente da matéria. E havia os que não os percebiam. a identificação do e spírito suicida é pelo fluido vital ou liame rompido violentamente. mataram o corpo físico por fé cega e irracional em determinadas seitas. explicar no nível de mente para mente: Aqui se aglomeram grupos de espíritos suicidas que. Depois de um processo semelhante à l avagem cerebral. Não conseguimos enganar nossa própria consciência. começando pela doação de seus bens. e les até cantam de modo tresloucado! . é verdade . Olhem. Chegando a uma espécie de salão gigantesco. Alguns cometem o su icídio em grupo. Outros emitem sons similares a palavras de cultos a deuses ou espíritos que idolatraram n um passado distante e aos quais faziam pedidos e oferendas de todos os tipos. Mas não são gritarias que os ajudam a se recolherem em pensame nto. filosofias tresloucad as ou religiões estranhas aos verdadeiros princípios filosóficos das Leis de Deus. desprende-se do corpo físico e vai para diversos lugares no plano espiritual. Desejam fugir das sensações e imagens repetitivas de seu suicídio p raticado em nome da fé. É uma atitude psíquica coletiva t otalmente desequilibrada. A insanidade é tão extrema que não sabem mais o q e usar como rogativa para serem perdoados pelo suicídio. O escuro era tenebroso. fugiam aterrorizados pela vibração que sentiam . mundos melhores. Isso não é raro. Silenciosa. aglomerados de espíritos em extremo sof rimento pelo ato do suicídio. O constante odor fétido. praticaram o suicídio de modo que os familiares acreditassem trata r de um acidente. O estado consciencial em que se colocaram é tão desesperador que gritam em alvoroço como se houvesse uma competição para Deus ouvir suas preces enlouquecidas. os fiéis ou seguidores se suicidam para provarem seu desapego ao corpo ou por decepção e vergonha por se despojarem de seus bens. No momento em que a quantidade de fl uido vital se esgota. como semp re. de vidas humanas. para uma prece e diálogo com Deus. Exerce tarefas e outras atividades. em condições de vê-los. Todo esse alarido interminável. e o espírito ou a alma do encarn ado se emancipa. fazendo até parecer um acidente convencendo os amigos e familiares dessa fatalidade. inclusive.observou Sérgio. o organismo enfraquecido não consegue transmitir o movimento de vitalidade. tanto que alguns oram incessantemente em idiomas estra nhos. os órgãos enfraquecem nas mortes de causas físicas naturais. muitos irmãos que se torturam e sofrem por interromper a vida no corpo. E q uando parte do corpo físico é lesada seriamente. encar niçado jamais acabava naquele vasto reino de miséria de aspectos horripilantes. Não conseguem raciocinar. desintegr do corpo em formação. e o corpo carnal morre. planetas mais evoluídos. Todos percorriam a trajetória com os pensamentos elevados. O suicídio interrom pe brutalmente a vida da matéria e bruscamente rompe a ação do fluido vital ou liames que permitiam o espírito atuar naquele corpo. Na espiritualidade. Após algum tempo. Um socorrista que fazia parte do grupo apontou: Observe os que se envenenaram: trazem o corpo espiritual tal qual os danos oc orridos no corpo de carne: as vísceras à mostra com a dilaceração dos órgãos aparentes. ela os guiou por labirintos estranhos onde podiam ver. famílias ou sozinhos. o sofrimento e todas as sensações pela destruição.concordou Laryel. Laryel e o grupo pararam por alguns instantes. Laryel acreditou ser cabível. os gritos repetidos são com a crença de serem ouvidos por Deus e e m tentativa de não escutarem ou experimentarem os lamentos desesperadores e o sofr imento dos outros. Outros se entocavam como animais. C rer nisso é ilusão. A lguns gritam incansavelmente em línguas estranhas já extintas neste planeta. porém a alma continua ligada ao c orpo por meio do liame ou fluido vital. que não se rompe durante o sono senão por pl anejamento reencarnatório ou permissão de Deus. Acr editaram na proposta ou promessa absurda de que. propositadamente. os berros estri dentes para orar. ela continuou: Lembremos que durante o sono o corpo adormece. chegariam a um paraíso. em buracos como cavernas.sa de células e sentirá a dor. Em determinada encosta onde a visão não era menos avassaladora. Mas Deus tudo vê. Alguns suicidas. A instrutora não fez mais comentários e seguiram com os pensamentos em prece. Na oca e na garganta há ulcerações violentas e corrosões expostas onde se vêem os mecanismos . Sim.

endurecidos na fé. É uma visão chocante. ainda há orgulho.explicou Wilson. começam a gritar para que Deus o s ouça. a emoção im ensada que o levou à prática desse crime. Tudo de acord o com cada caso. Na verdade. como os intestinos fragmentados e feridos. Sem dúvida. Várias vezes. principalmente os protestantes ou evangélicos. Deus para Ele solucionar proble mas talvez semelhantes aos que experimentaram em encarnações passadas e falharam. Apesar de alguns suicidas estarem aqui há anos ou séculos e seus corpos físicos já te rem se decomposto totalmente. individual ou coletivo. neste lugar de dores infernais. possuidor de ódio e vingança. sustentando-lhe a forma aparente com sua energia impregnada de pade cimento. traz os temores dessa vivência. são irredu tíveis à idéia da reencarnação e buscam. desenfreadamente. com a finalidade de se livrarem de um sofrimento infernal de recordações hedio ndas. mas se . em arrependerem-se e experimentarem breve sofrimento. pedirem perdão. vê e sente os bilhões de vermes o roerem . após o suicídio. desequilibradas. O sangue e os pedaços de órgãos que caem e apodrecem permanecem aqui e são conservados nessas condições pelo poder mental perturbado e desesperado do suici da. uma espécie de delírio ao orarem em língua estranha cuja existência não se pode comprovar. não supo rtando a dificuldade da prova quando encarnados. enc arnados. é repetição de palavras bonitas. sua humildade. como uma espécie de terapia ou alimento compulsivo entre outros distúrbios. clamando salvação no re ino de Deus. Mas isso ocorre. Alguns casos são de e xtremo fanatismo. Podemos ver aqui. ainda enlouquecido por tanta s recordações horripilantes. Po r isso os hinos repetitivos e as orações frenéticas. Agora entendo que se trata de uma recordação inconsciente. a repetição torturante da morte do corpo físico com a repercussão da dor no corpo espiritual. Intuições desconhecidas disparam na presente reencarnação à atitudes comportamentais de suas orações desesperadas. A princípio. somados às vibrações e sentimento das milhares de mentes que envolvem a todos. rancor e outras mazelas em seus corações. psicologicamente falando. angústia e as fortes impressões que recebeu do corpo físico devido ao rompime nto brusco do liame ou fluido vital que unia o espírito e matéria corpórea. vaidade. É a prova d a afinidade persistente entre o espírito e o corpo que sofreu o que ele provocou. entregues ao desespero e arrebatados pelo horror d as dores e condições. que nunca deixa de sangrar. por possuírem faculdades de ra ciocínio e planejamento. Acreditando-se com total razão. o procedimento preconceituoso para com aqueles que não aderiam a sua religião e o co mportamento extremo. suicidaram-se imaginando deixar em para a próxima existência terrena o desafio daquela oportunidade. Creram também que . presos ao ateísmo. o sofrimento experimentado. De repente Sérgio contou: Já estudei o comportamento de encarnados e a razão de adotarem determinada religião . é uma ligação ou uma espécie de repercussão do estado do co sobre o espírito. Estou certo? perguntou Sérgio. sem obter respostas às minhas questões de estudo. mas isso não adiantou para suas reflexões. Têm medo horripilante do inferno. pavor de falar em espíritos. fragme ntada de uma experiência no plano espiritual. brados e escândalo s funcionassem.deficientes do esôfago até o estômago.disse Laryel com humi ldade e bondade. foram espíritas. seria suficiente se concentrarem. enlouqueced oras. O aspecto do fígado despedaçado. pensarem em Deus. Não são diferentes dos outros. com os espíritos suicidas embrutecidos. Exatamente . pensei que a atitude. eles também oram incessantemente. com hinos. sua fé em Deus e a esperança de reparar o erro. principalmente. a qual imprime toda a sua vontade nesse princíp io material. Por isso sabemos que as razões do suicídio. Mas me intrigava observar. Tiveram conhecimento sobre as punições por tirarem a própria v ida. Entretanto não são somente os encarnados que adotaram os conce . o espírito. plasma. as orações e rogativas aos gritos. pelo seu pensamento e lembrança. arrogância. incessantes e muito lo ngas. Agora. muitos e. é algo tão traumatizante qu e. Outros são propostas de líderes com interesses pessoais.afirmou Laryel. o subconsciente. São pessoas que apresentam aflição ao pensarem na sua morte. O que alguns desses irmãos fazem não é oração. pois os pensamentos estão longe dos desejos e das práticas . Quanto engano! A punição para esses será ainda mais terrível por terem conhecimento. fanático. a mente. são atenuantes que aliviam o sofrimento e dim inuem a pena desde que tenha o coração despojado de orgulho e vaidade. Mesmo o efeito da decomposição. apesar da matéria corpórea não existir mais. revolt ados. Lógico que cada caso é um caso. Eles afirmam serem orações na língua dos anjos. seu arrependimento.

graciosos no plano espiri tual. as dilacerações ou o crânio aberto de maneira dramáti dolorosa e cobertos de sangue que não estancava. prisioneiros daquela desgraça. em gemidos. reviravam-se no chão de lodo vi scoso repleto de matéria com aspecto de secreções de sepulturas. Estava long e de se abalar. mas s em prejuízo à paz e ao sossego alheio. é algo aceitável sim. Ouviam repetidas vezes o barulho das ferragens junto das cenas. Se a paz ou a tranqüilidade for obtida pelo auxílio d e um som agradável. Muitos espíritas oram em silêncio. em que cada um lutava com sua forma particular da morte praticada ao corpo físico. Esse comportamento os defer ia ali por muito mais tempo. entregaram-se ao suicídio. para a instrução e outras até mais elevadas. pois foi esse seu método de suicídio. desesperadamente enlouquecidos. desde que não incomode os outros e não h aja desequilíbrio por compulsividade. Alguns se desesperavam com a abundância de água nas vias re spiratórias e nos pulmões. . outros suicidas se aglomera vam em pequenos grupos. do sufo camento ou do quebrar da vértebra. Em frestas. O barulho da água era torturante e a visão repetitiva do modo como se afogou repercutia em asfixia aflitiva. O perispírito se apresentava como no momento do su icídio. sempre serena e atenta a tudo. motos ou outr os veículos e sentiam as perfurações. pois era o reflexo do estado do corpo físico que o impressionou e dominava-l he a mente com angústia e horror. generosamente guiava todos co m precaução e sensatez através de missão na qual não necessitava mais trabalhar. bem como aroma de suave fragrância floral. cantos escondidos ou espécies de tocas. fezes. . o incômodo da língua exposta com edema em alguns casos. Espíritos violentos. Isso faz parte da evolução espiritual. abusivo e excessivo de gritos para orações em qualq uer lugar. Já estudei sobre isso na Codificação Espírita. lugares e ambientes belos e tranqüilos para nossa harmonia. Laryel. porém não se concentram e desviam os pensamentos para outros assuntos. Muitos exalavam ódio e contrariedade pelo que experimentavam. o pedaço de corda ou tecido que usou para se suicidar e sofriam a agonia da asfixia. vômitos e pedaços encarniçados. ininterruptamente. ouvindo barulho dos ossos fragmentando-se e o estouro dos órgãos. Após a travessia na vasta região de sombras. com o som do carrilhão ou mais conhecido como sino dos ventos. Adiante espíritos viam-se aprisionados nas ferragens de automóveis. ao pescoço do corpo espiritual. mas era impossível ver-se sem a dor. agora. Estud am sem dar atenção ou filosofar a respeito do tema e não põem em prática o que aprenderam. sons suaves ou mantra s utilizados por outras filosofias para a meditação. para não mais ver sua queda e o corpo espiritual quebrado. experiência e capacidade. de lugares incrivelmente lindos. mesmo nos templos. o inchaço roxo que apodrecia o pescoço e a cabeça. há suave melodia a nos envolver em paz para vibrarmos de acordo com o nív el do lugar. música agradável e relaxante em baixo volume. Tentavam livrar-se do mecanismo que plasmavam. Cada um tem o direito de b uscar a purificação da mente para religar-se a Deus da forma como lhe convier. por não serem fortes nem corajosos. Blasfemavam rancorosos contra outras criaturas ou situações nas quais. possuía piedade e amor incondicional. como o murmurinho da água de uma fonte. Haja vista que em colônias espirituais voltadas para o socorro. Alguns espíritos.Leve sorriso discreto e Sérgio coment u: Recordo-me. Lógico . arrogância e tudo mais. estoura do no chão. Silenciaram. Outro implora va. Be nfeitora especialista em tarefas daquela natureza. agrediam ferozmente quem dele s se aproximassem ou estivessem em seus caminhos. Meditação é sujeitar-se em pensamento a um exame interior à contemplação ou oração mental em total quietude e harmonia da mente e do corpo.itos do protestantismo que possuem esses comportamentos. orgulho. Esse comportamento exagerado. a quele conjunto de sinos ou peças delicadas que vibram e balançam com a brisa produzi ndo sons que impressionam o sentido da audição. serviço qu muitas vezes realizou sozinha por sua elevação. tomando postura prudente e justa. é diferente de músicas agradáveis. Os que se enforcaram traziam atados. aproximaram-se de determinado lugar com aguçada observação. Revoltados contra Deus. Para is so se precisa de paz interior.concordou Laryel. pois pecam em atitudes e pensamentos de mágoa.

Rogou a Deus Sua bondade e socorro. além do so frimento moral e perispiritual. mas foi fraco e incapaz de suportar a provação. Desorientado. meu amigo . O Pai da Vida e nxerga nossos sentimentos verdadeiros e sabe o que é justo. de todo o sofrimento. Acalme-se. Sofreu. rastejavam e rev iviam a sensação do sofrimento. facas ou objetos perfurantes no peito ou nas vísceras gritavam por socorro ao ver o sangue jorrar.tornou o amoroso tarefeiro espiritual. à sua família e depois s e atraiu para cá. A esperança na oportunidade de reparar o erro e a fé em Deus o fez re colher-se em prece. a casa e todos os bens foram confiscados. arrepend endo-se de imediato. apesar das condições deste lugar. lia o Evangelho do Cristo pensando no marido e rogava perdão para ele pelo suicídio praticado. Por sua generosidade foi enganado. Tinham o peito ou o tronco inchado e queimando. sincero e pôs-se à oração. Em estado de perturbação. Deus os abençoe . Deus assim o quis e sua pena foi abreviada e agora o vemos em co . que se aquietou. Sem demora re tiraram-no de onde estava. o seu período ou tempo de punição.. A falta de fé o levou à covardia e à insanidade momentânea.. entendeu seu erro.. Católico. Cinco anos. Acalme-se e pense em Jesus. O suicídio não fica impun . não aprendeu sobre a reencarnação.perguntou Sérgio. o rosto cadavérico. impressionant emente. a sol idão reinava. Os que utilizaram armas de fogo. dos filhos e amigos foram como um medicamento que o fortalecia. gélido e a dor infindável só que.pediu bondosamente um auxiliar ao prestar os primeiros atendimentos. ele e um outro cooperador foram à direção de um dos infelizes que se acuava. O sangue da jugular não pára. fragmentada. com ossos quebrados e expostos. levando-o para junto do grupo. Meu pescoço. mostrava-se grato entre as lágrimas intermináveis. De posse da Bíblia. cortou a lateral do pe scoço com um canivete que possuía. Todos se desconheciam e se tratavam como inimigos. foi humild e. Senhor meu Deus! Agradeço por ouvir minhas preces e enviar Seus anjos par a me socorrerem. mas é Deus quem julga e encontra circunstâncias que diminuem o grau de responsabil idade do culpado e. Não teve coragem de contar à esposa e ao s filhos que passariam a viver na miséria. queimo. mas acreditou na bondade de Deus em lhe dar nova oportunidade de vida para harmonizar sua consciência. Está envolto em coberta que diminuirá seu frio e deixará de queimar. procurou um lugar afastado. Chorando compulsivamente.. explicou: Ele foi um homem bom. conseqüentemente.. É o momento de deixar esse lugar. As energias mentais apresentavam-se extremamente fortes e a aflição imperava. Apesar da aparência horríve l. da dor ininterrupta. Diante do desespero. Tenho frio. Cristão. mais forte. o espírito suicida agradecia. logo após o ato.murmurou o socorrido. com inúmeras necessidades. Há quanto tempo ele se suicidou? . Entendendo-lhe o desejo. revivendo a cena do instante em que se suicidaram. enquanto aguardava. Laryel parou em lugar específico e apropriado onde p areceu criar uma espécie de campo magnético. Ore e agradeça em silêncio. sabiam tratar-se de um homem que. Oh. e voltou a fixar em outro ponto. Apesar do estado enlouquecedor. além de receberem as vibrações fortes e visualizarem as imagens dos outros suicidas experimentando as mesmas dores. suicidou-se por vergonha . Ótimo pai e marido. Desapontado consigo mesmo e desesperado. Apresentavam-se com a cabeça aberta e sangue abundante. pe rdeu o emprego... mais rápido poderemos trabalhar.. Ela olhou para um dos socorristas. técnic o naquela tarefa. Mas. As vestimentas eram míseros farrapos e muitos estavam nus. Mesmo a igreja católica negando-se à prece a um suicid a. do sofrimento na mente e no co rpo espiritual. aos quarenta anos. Laryel havia indicado outro espírito para ser auxiliado e. Era religioso. Os encarnados não imaginam o poder da prece. vendo-se junto aos encarnados. torturavam-se pela tragédia a que se lançaram.Os que se atiraram em linhas férreas ou rodas de veículos tinham a aparência perisp iritual retalhada. O sangramento já vai parar . A certa altura do trajeto. Quanto mais tranqüilo estiver. Os que estilhaçaram a cabeça com um tiro escutavam repetidamente o estrondo que e stourou seu crânio. não foi para casa. A espe rança aliviou suas dores e as preces da esposa. Eles enlouqueciam com os cenários e os sofrimentos de seus suicídios.. Orou pedindo perdão enquanto se esvaia o sangue e a vida do corpo. a esposa não desistiu.. Os que se suicida ram juntos estavam distantes um do outro naquele imenso vale.

mas não o fez por vergonha. que revive as cenas do suicídio e o desespero na fornalha. Possui vaidade em seu coração e orgulho. do estado horrível e do desespero. Esse irmão tinha quinze anos quando diversas espinhas e acnes co briram seu rosto. o reflexo horripilante das s ensações caracteriza-se no perispírito. Imprudente. plasmando o perispírito como vê pelo que vivenciou e mais o impressionou. Poderia ser mais. Mas era um garoto . contando: Como sabemos. Outros lhe prestavam c uidados quando ela se afastou e tornou a Sérgio. Não conto u aos pais nem procurou ajuda psicológica por seu orgulho. Mesmo tendo faculdades bem desenvolvidas. Sua situação ficou ainda mais deplorável quando a família decidiu pela c remação. Sentiu-se deprimido. Além disso. Ainda possuía o crânio estilhaçado pelo tiro e pedaços do cérebro e xposto. Ele percebeu os sina is anormais com o uso do remédio. você sabe . triste e se negou a procurar ajuda. bem como o médico por quaisquer danos na saúde do usuário. de tristeza e falta de vontade de viver. Os socorristas o envolveram. à loucura. depressão entre outros. entendimento e cert o grau de elevação espiritual. Sua deplorável condição de suicida era impres sionantemente infeliz. o jovem era alegre. tentava animá-lo apesar da dor. não se vendo morto. Tinha meios de procurar ajuda profissional. a responsabilidade é proporcional às condições em que se deu o erro. por vaidade.Enquanto Laryel esc larecia. não comentou nada ou poderiam su spender a medicação e suas acnes voltariam. Est ar ligado ao corpo físico durante a cremação foi uma experiência terrível! Ele sofre inten so trauma e aberração das faculdades como um demente. ao saber que o remédio p oderia causar aquele desgosto pela vida. condenado por essa relig ião. os pais seriam os únicos responsáveis. planejou o suicídio antes de consumá-lo. mas não o fez. Cientes dos possíveis efeito s colaterais danosos. A grosseria cruel dos colegas que o humilhavam constantemente e sua insatisfação pessoal fizeram com que a mãe o levasse a um médico. Todos esses anos?! . porém passo u a ficar quieto. A idade não importa. o médi co aconselhou o uso de um remédio proibido em diversos países por seus possíveis e inúme ros efeitos colaterais. outros espíritos eram socorridos e postos perto deles.surpreendeu-se Sérgio. mas. com recursos próprio s. concentrou-se no sofredor colocando-lhe a mão na fronte.ndições de socorro. problemas sérios no fígado. A documentação protegia futuros processos judiciais contra o laboratório fabricante. o remédio não seria usado. ignorou os instintos. por vergonha. Não se desprendeu do corpo o que acontece com muitos e. Não demorou e outro espírito foi trazido. Ele poderia ter procurado os pais e conversado. Se os pa is tivessem mais e verdadeiros esclarecimentos. não teria prescrito tal medicação.defendeu Sérgio. Apesar do arrependimento. Uma série de atenua tes. oferece a misericórdia de Deus. Apesar de envergonhado. houve um efeito no campo biológico causado pela medicação. sem m ais informações sobre o remédio nem desconfiança por tantas assinaturas em documentos pa ra arcarem com a responsabilidade. A famíl ia era católica e ele sabia que o suicídio é um crime terrível. as inspirações de espíritos elevados e deu um tiro na cabeça com a arma do pai. Cada um é julgado por suas obras. Está neste estado há quinze anos e terá muito que harmonizar.tornou Laryel com brandura. deformidades por má formação fetal nos futuros filhos. os pais adquiriram a medicação muito cara e o fil ho passou a usá-la. sentimento que muitas v ezes chamamos de vergonha. Se o médico fosse mais responsável e instruído. ele mal pensava em Deus nem rogav a amparo. foi vaidoso e não procurou ajuda. Embora ele não tivesse predisposição ao desequi rio mental. contando o que sentia. Ainda que a matéria corpórea não exista. a falta ou o crime. incluindo cegueira. porém mal os leram . algo comum nessa idade. Tanto que. Em determinado mom . Ele ur rava estridentemente ensandecido até que Laryel se aproximou e. Aos poucos ele se acal mou e puderam notar uma vaga recuperação das faculdades ao olhar em volta. deprimido pelo efeito da droga existente no medicamento. . Tinha conhecimento de que o suicídio é um ato terrível e ignorou. Sem procurarem uma segu nda ou terceira opinião de profissionais mais experientes e até de outras áreas. ou seja. Por essa razão seu tempo de penitência foi abrevia do. Os responsáveis diretos ou indiretos q ue o levaram a esse ato serão punidos pelas Leis de Deus no devido tempo. Gemeu até f icar como que anestesiado pelas providências da benfeitora. mas percebia-se a carbonização dolorosa. falado sobre os pensamentos de morte. Os pais precisaram as sinar diversos papéis para autorizarem o uso da medicação pelo filho. inclusive o efeito da medicação no organismo.

Obrigado. As mãos sujas e magras daquele sofredor seguraram repentinamente as mãos de Sérgio. Dói muito.. sussurrou: Obrigado... De imediato foi amparado e abrigado pelos braços de Sérgio. mas virou-se e f ixou-os com expressão surpresa. Você é o Alessandro.. em difícil condição. Socorreram outro espírito que se suicidou se atirando de um edifício ao saber que tinha uma doença muito grave. meu irmão.respondeu.. A prece . observando os abnegados socor ristas em ação. Deus. . Sérgio. fazendo-o parar.Não longe se aproximaram de uma caverna rasa onde ela direciono u luz baça que irradiou de sua mão.. murmurou ao sair engat inhando do esconderijo: Oh.. assim como at aduras para cobrir lesões e material adequado para algo como que primeiras higieni zações das impregnações nos corpos espirituais dos socorridos. filho do doutor Édison? Sou eu.. Em breve. Faça uma prece. Enquanto Laryel só observava. Laryel já havia providenciado e fornecido recursos próprios para a materialização de objetos de socorro que adquiriram contornos propícios e definitivos como maças e cob ertas impregnadas de invisíveis energias medicamentosas e calmantes. Um espírito enfraquecido... Tenho frio. Deus há de recompensá-lo. Pensativa. Logo trouxeram o espírito de uma mulher que se afogou prematuramente por causa do desencarne dos pais e com o intuito de reencontrá-los. assim as providências para o socorro serão mais ágeis.. ela apontou: Veja ali. Ele vê a imagem de cada uma de suas vítimas implorando misericórdia. Preso. Movimentando-se lentamente. O que deseja é livrar-se do sofrime nto agonizante. reconhecen do o erro. perguntou como pai amoroso: Alessandro?.chorou com lágrimas abundantes.Ergueu-se com esforço. embora houvesse du as perfurações que sangravam em sua cabeça: uma pela entrada e outra pela saída do tiro com o qual se matou. Pobre irmão! lamentou piedosa. o que não aconteceu..ento. Jesus o envolva. o que ele não teve. ele se prontificou a cuidar do espírito que trouxe nos braços como um ente querido. procurando dominar as lágrimas. Fique t anqüilo e pense em Deus.. tire-o daqui.. Sem expressar-se comovido. Laryel olhou em volta. Obrigado Senhor. pareceu averiguar as imediações e depois pediu a Sérgio: Venha comigo. sofreu todas aquelas misérias do lugar por mais de cem anos. Prati cou vários estupros e matou suas vítimas. sufocante das cenas que revive do suicídio. aquele espírito suicida era o que se encontrava em melhores condições. E você? Meu nome é Sérgio .. . É possível que permaneça nestas trevas por mais tempo e somente a re encarnação compulsória. perplexo com o imp acto das idéias ligeiras. do estado deplorável e p avoroso de seu corpo espiritual cujos órgãos genitais sente em brasa. Um sentimento muito forte invadiu Sérgio e pedindo a Laryel. humildemente. Mas não tem fé em Deus nem o coração puro. mas em seu íntimo experimentava forte emoção. após alguns passos vacilantes. Oferecendo grande pausa. o irmão se sentirá aliviado. Ele se prostra de joelhos em penitência. que o levou para junto d os outros. Sairá daqui. Obrigado.. Não d emorou para se arrepender e se concentrar em verdadeira prece a Deus. fraquejou. orientando: Agora descanse. Indefinida emotividade dominou os sentimentos de Sérgio que. Não tinha o crânio esfacelado como quando chegou. incurável e de processo doloroso. que permitiu.. enforcou-se na prisão. pedindo Seu perdão e.. Sérgio procu rou acomodar-lhe as mãos. Enqu anto oferecia os cuidados. Ainda sentia arder às vias respiratórias com os pulmões queimando. Fitando-o com profundo agradecimento no olhar. O espírito aceitou e Sérgio prosseguiu com o processo de auxílio. as ânsi as e regurgitava substância fétida. uma oportunidade de reparação. Ele vivenciava sofrimentos infernais e tinha toda a organização perispiríta deformada. ora desesperadamente e invoca perdão para sair deste vale tenebroso. pois o socorro já começou.. Escuto o disparo. mas. impregnado da matéria nojo sa do lugar e desfigurado encolhia-se tal qual criança assustada. Deus o abençoe por tudo. Aquele espírito está aqui há mais de duzentos anos.. Deus! . Por i sso e devido a sua postura mental. provavelmente. Dentre todos os socorridos. o espírito suicida falou num sopro: Minha cabeça dói. Abençoe esses anjos de socorro. abençoe meu pai po r enviar esse irmão de luz para me socorrer. meu irmão.

Mestre amigo. aliviando seu sofrimento e d iminuindo sua punição. espíritos brutalizados que lutavam e gritavam imperativos e arrogantes para serem levados. esses serão socorridos. fraqueza no momento em que consideraram mais difícil. As mentes desses irmãos estão presas ao formato de união de cada célula. uns mais rápido que os outros. a elevada e ntidade prosseguiu. intraduzivelmente bela. da ininterrupta e prolongada tortura desse infortúnio. de indescritível sofrimento e l oucura. é de todo coração que suplicamos em favor desses irmãos em condições a ropriadas de socorro hoje. mas com considerável alívio pelos passes salutares re cebidos como um bálsamo para suas condições. Após a breve interrupção do diálogo em forma de prece. Com bondoso olhar. mais insuportável na expe riência terrena. recolhidos na fé da bondade de Deus. Seu calmo semblante reluzia sua natureza superior e sua fronte ligava-se ao Alto por fio luminoso.Nesse momento. Os espíritos suicidas socorridos que tinham mais consciência oravam e agradeciam incessantemente o auxílio servido com valoroso amor mesmo com as sensações das impressõe s dolorosas que ainda sentiam. Permaneceu naquele ciclo inferior por oito anos. cujo rompimento dos laços da vida corpórea foi partido ru de e voluntariamente por razões e idéias que não nos cabem julgá-los pelo desespero. excelsa m inistra do socorro. espera pelo socorro Divino. hoje esses irmãos estão preparados para a redentora libertação de ssas trevas. a prestimosa benfeitora fitou todos que a acompanhavam e t ambém os socorridos como mãe que confere e observa os filhos queridos à sua volta. Me stre do amor. angús tia. Rogamos por Suas bênçãos misericordiosas para nos sustentarmos na humilde tarefa de socorro à qual nos devo tamos. a humildade e a paciência para o socorro e o progresso da condição mental por meio da pr ece. apesar de todo sofrimento. os espera. cada órgão do rpo físico no instante e após a prática do suicídio . a justiça da própria punição mental. Enquanto isso os demais suicidas que podiam ver a atuação de socorro naquele luga r. utilizados com a finalidade de livrar os espíritos socor ridos de impregnações oferecendo-lhes um pouco de alívio mental. porque a morte não existe e a ausência do corpo físico não é o fim dos sof tos para o espírito. em todas as particularidades. inclinavam-se a expressões de ódio. na paisagem tenebrosa e aflitiva. nas provações difíceis. o desejo de reparação. somos meros aprendizes de Teus Divinos ensinamentos.de sua família o auxiliou com forças que o sustentaram. Tal comportamento e sentimento os detinham por mais tempo na quele vale de suicidas. . Será preciso muita elevação e enriquecimento da mente. ou passes. de S ua justiça e bondade. apesar de repelidos por algo como um campo magnético. entonando amor e agradecimento sublime: Senhor Jesus. a fé na bondade e na justiça de Deus. a o tempo que a comitiva sentia-se fortalecida com a ajuda vinda por projeções de espíri tos invisíveis a todos. E é por eles que imploramos bênçãos para a constituição da consciência. psíquico. a tênue claridade emanada de Laryel. Para alguns serão necessárias i eras reencarnações para aperfeiçoarem o corpo espiritual e físico. e m total confusão mental e extremamente desequilibrados. A benfeitora transcendeu ainda mais.explicou um dos auxiliares socorri stas. Aqueles que reconhecem. A s eguir. Terão a penitência e afl ição diminuídas. entregam-se e co nfiam a sua existência à vontade de Deus. em direção do bem fraterno e reparador. resignam com paciência e. para saírem dali. na esperança de se projetarem na evolução moral e espiritual. Senhor. Alguns. . Cada um reagirá ao soco rro de forma diferente. expressou-se generosa: Sabemos que o Pai da Vida nunca fecha a porta àquele que se arrepende e lhe ren de culto sincero em pensamento. muitos outros irmãos infelizes aqui permanecem sofrendo os reflexos mentais da desgraça ardente. Breve intervalo e a benfeitora desfechou: Jesus. Viam-se. o despertar para o orso e o arrependimento. Laryel demorou-se ao circunvagar olhar triste e piedoso após o término da movimen tação de energias. aumentava gradativamente até alcançar um jorro intenso de luz. inclusive os socorridos. dispostos às harmonizações e reparos. na consciência e sem culpar os outros pela falta c ometida da qual a criatura é a única responsável. esqueciam-se de Deus.A emoção generosa pela doce e tocante inflexão de Laryel envolvia todos da comitiva. Lágrimas sensíveis b rotaram dos olhos de alguns. pausadamente. revolta e indignação por se prenderem àquele vale extenso de lodo repleto de su bstâncias de matérias espirituais em estado putrefato. Outra jornada. .

. Mesmo assim continuou sob o efeito de jubi losa emoção: Agradeço o amparo e a revelação desta filha do meu coração. Agradeço. Será preciso que você se fortaleça para reencontrá-la com harmonia e paz. beleza suave e sublime eram nobres na aparência jovial. Senhor Deus. respeitosamente. sensibilizada com lágrimas de júbilo. sabe disso . * * * Para outra esfera da espiritualidade. Sérgio ainda estava em desdobrame nto e sabia que retornaria ao controle de seu corpo talvez com vagas e confusas lembranças da tarefa. nesta oportunidade. A emissária de amor silencio u. encantando ainda mais sua figura. tal como uma redoma protetora. Reco rdará de modo fragmentado o que for preciso para sua tarefa e propósito no bem. Nossa querida Débora. Pai da Vida! Agradeço a oportunidade de t abalho e o aprendizado. A pós recompô-lo de benefícios fluídicos revigorantes. Se possível. pois foi para esse fim que Débora reencarn u: para ajudá-lo e serem felizes. realizarei o trabalho ao qual me propus.. Temporariamente a bênção do esquecimento é necessária. Meu amado p ai espiritual. Sua humildade. em ou tros momentos no plano espiritual. sou eu quem lhe deve gratidão. Tenho certeza de que a experiência desse trabalho abençoado no socorro fará com que mude a postura mental. certamente. Em nada adiantará ou ajudará qualquer informação. a compreensão. rogo modesta participação em socorros como o real izado hoje em nome do Mestre Jesus. Com suprimentos e auxílio de entidades elevadas e imperceptíveis.. E a Débora?.. Perdoe-me a i mperfeição e. .Raios de luz irradiados do peito de Laryel brilhavam em torno do grupo socorr ista envolvendo todos. amorosamente. pois sem algumas preocupações nos elevamos moral e espiritualme te. Abraçando-a com terno carinho.lágrimas o interromperam. rumando para colônia espiritual apropriada para a recomposição e regeneração dos socorridos.Luminosidade emanava-se pulsante e cristalina. muito será esclarecido. . Usando de recursos peculiares....emocionou-se. Cujo amparo não sou dign eceber. Sabe como eu a amo. falou: Como lhe sou grato!.. no semblante imperturbável. ela mesma.. Deus oferece tudo a seu tempo . ela providenciou a retirada de seu grupo e partiu rapid amente na direção do alto. Deus. era exposto a sua capacidade de conhecimento. pelo entendimento. Vo cê tem conhecimento dos fatos de outras experiências da vida terrena e espiritual no desdobramento durante o sono.A inflexão verdade iramente sentida revelava sua elevação: Com fé e amor. até que tudo se reverta e ela seja a sus tentação.. Mas seja feita a Sua vontade e não a minha. Há mui to para se desvendar do passado e. Alessandro será seu protegido e. orientou: A ignorância de alguns fatos da vida é por bênção.. rogo rever o espírito Alessandro. Sinto que ela precisa muito de mim .. Permita-me atuar ao lado da filha da minha a lma.disse em tom preocup ado. a inspiração e o apoio. pois agora entendo a motivação e o auxílio que recebi.murmurou Laryel docemente e emocionada. Pai.expres sou-se emotiva e em tom piedoso.. encarregou -se de levá-lo de volta até sua casa. sa bedoria e fé. Faça preces para que o Mestre Jesus enderece Seu olhar de misericórdia a ela nes sa fase evolutiva. Laryel conduziu Sérgio e ministrou-lhe en ergias que dispersaram todos os fluidos obscuros que ainda pudessem impregná-lo. avisou: Nós nos encontraremos com mais freqüência por conta de tarefas em nome de Jesus e. a benfeitora cerrou os olhos mantendo-se vincu lada a forças magnéticas de planos superiores. Sorrindo com meiguice. da melhor maneira dentro de todos os meus esforços a fim de reparar minha imperfeição pel a inclinação às influências inferiores. Olhando-a longamente e com generoso carinho. Com resignada fé. se fortaleça e se reconheça capacitado. para ser o sustentáculo e a compreensão. . razão de sua elevação à custa de incansáveis trabalhos no bem.. pela oportunidade sublime. incomparáv el e. . Querido Sérgio. .. ele agradeceu como numa prece: Obrigado. Confie em Deus.. Em seu quarto. mas humilde e respeitoso. pr ovavelmente permanecerá considerável tempo na espiritualidade onde poderá ajudá-lo com i nstruções. peço forças para a ta refa abraçada.

Certo dia. andou um pouco e sentou-se em um relevo próximo à água que refletia os últimos rai os do sol se pondo no horizonte.. nas quais não lamentava. Laryel colocou a destra suave na fronte de Sérgio.. Passou a maior parte do dia conhecendo lugares interessantes. ocupando-se sempre com algo produtivo. Olhando para o sublime firmamento. Sempre sereno. assim como amo você também. ponderações e contemplações às quais se r ecolhia para uma saudável conversa e agradecimento a Deus. Senhor Jesus.. Em preces. olhe por mim. Ao contrário. Porém não se permitia à demorada lamentação. o qual tirou para seu descanso. Leva ndo-se. seu sorriso luminoso era constante e o som de seu riso gostoso era cristalino e verdadeiro. Extas iado. Ainda trazia no coração a ferida do amor inexpri mível por Débora. percorrendo poucos quilômetros. Permaneceu sorrindo por tempo indeterminado e sentindo-se mais leve. talvez. Repouse.Conversando com Jesus Sérgio transformou profundamente a sua postura mental. Toda a visão era encantadora. pai querido..Algumas necessidades aumentam o valor pela vida e o reconhecimento das mínimas oportunidades. Algumas horas depois do almoço decidiu ir embora. considerações ao estudos para conhecer as verdades libertadoras. Agora rogo que o Mestre Nazareno o envolva c om sustentação para continuar na jornada com luz na consciência e paz no coração. Algo natural das forças fluídicas superiores que alcançou em caráter de nova postura moral ligada ao alto pelas: meditações. caminhou até o carro. Retornando.Beijand o-o na face. 28 . somente se a e resignava. desfechou: Agradeço ao Mestre Jesus por nos conceder a bênção de trabalharm os juntos como já fizemos no passado. Encontrava-se só. tinha uma postura imperturbável diante de problemas preocupantes ou situações desagradáveis e imprevistas. embora a humildade. Dê-me forças. comuns ao cotidiano. Estou cuidando. Apesar da inexplicável sensação desagra-dável pelo vazio.pediu em tom de súplica. que não lhe respondia com . beneficiando-se de forma incrível desde quando passou a refletir e agir conforme o que aprendia nos ensina mentos da filosofia espírita. que se entregou à fragilidade do adormecimento verdadeiro sendo generosamente auxiliado a regressar ao corpo i nerte com sono profundo e regenerador. Sérgio não se entregava à dolorosa solid trazia o semblante sério e sisudo. Ela aprenderá muito.. Tudo se tratava do reflex o de sua aura iluminada.. Eu a amo em todo o meu ser. a atenção e a disposição fraterna estivessem sempre presentes em suas ações. Sérgio fixou olhar no indefinível azul e re presentou mentalmente a figura do Mestre Jesus como que o observando. Minutos de profunda meditação e murmurou ao final: Senhor Jesus. direcionando suas energias ao trabalho digno e sadio. por sua determinação e sinceridade ao fazer uma terapia com o Psicólogo das almas . A natureza era d e uma beleza extraordinária! O lugar oferecia um precioso silêncio inebriante. reflexões. pois quero continuar com empenho e trabalhar em Seu nome. Uma montanha distante d o outro lado da margem era escurecida pelo início do entardecer e oferecia um toqu e especial àquela paisagem. Sérgio dirigiu por uma auto-estrada chegando a uma cidadezinha cercada de represas e montanhas. Cuide dela por mim . A fonte revitalizante que o sustentava nas decisões e atitudes coerentes era sua determinação em meditar e analisar os fatos com fé raciocin ada. humildemente rogo. sentiu-se diferente. no espaço ilimitado p ela extensão indefinida que chamamos de céu. magnífica! Os matizes coloridos do céu espelhavam-se na água passiva e brilhante. não re sistiu e estacionou o veículo após sair da estrada. sentia sua falta. Era final da tarde e. delegava soluções aos propósitos de Deus. Olhe por todo s desse mundo. costumes diferentes e observando a tra nqüilidade do povo local. sem ansiedade ou desespero. olhou mais uma vez o cenário esplendido e admirou o ca pricho de Deus. não queria pegar a estrada à noite. pela Débora. . Seu belo rosto tranqüilo figurava-se com um retoque de nobreza majestosa.

E por amá-la de verdade. parecia aflita. Busco harmonia e concentraç tarefas úteis. Não quero ter alguém ao lado só por ter. Após leves batidas à porta. Diga-me uma coisa. devolveu-o para a secretária e perguntou: O doutor Édison já chegou? Chegou sim. o médico indagou: E o coração.. por favor? A moça sorriu e correspondeu a brincadeira: É a terceira sala à direita. . contudo enviava-lhe Seus mensageiros de elevada estirpe espiritual pa ra protegê-lo e guiá-lo. como está? Ótima! Excepcionalmente esclarecedora e abrangente em detalhes que não foram tota lmente abordados na graduação. Não nego que exp erimento um grande vazio. Conhecendo seu ponto fraco. Sérgio saiu de seu consultório sorrindo e brincando ao acompanhar um de seus pacientes até a recepção e à porta de saída.. Ainda sob o efeito do riso. Dói! Às vezes. mesmo se fosse após o último atendimento... Pode deixar. como está? Não sei. como se houvesse superado e nenhum sent imento o incomodasse.falou rindo ao indicar a sala onde ele atendia. Talvez eu esteja lá quando a pa ciente chegar. Certa ocasião. foi surp reendido pela secretária que o chamou: Doutor Sérgio! Eu! . pois acabei de passar uma lig ação.murmurou ao bater na mão o cartão com os dados básicos da paciente. porque sei que procurarei na outra pessoa a Débora que ela não é... pode repetir. implorando para que o senhor pudesse vê-l a hoje. A companhia de Sérgio sempre era bem agra dável ao senhor que logo perguntou: E a pós-graduação. Em s eguida. Não vou me envolver em experiências frust rantes. Então você me chama.. . qu e seja feita a vontade de Deus. Não tive qualquer notícia apesar de procurá-la. seguindo por este corredor! . por favor.riu o outro. Então eu comentei sobre a desistência nesse horário e ela avisou que estava vindo para cá. Nã posso correr a vida inteira atrás dela e. Está em sua sala. dói muito! Contudo eu busco esperança e fé. não a esqueço. Obrigado. Não zombe de mim. ao se aproximar do balcão de atendimento. Logo em seguida uma outra paci ente telefonou e. De um modo que não sei explica r. além de acompanhá-lo nas tarefas espirituais durante o sono. doutor! . Porém insistiu: E a vida amorosa? Com semblante sério.. que acabava d e desligar o telefone. Não. ela avisou: Doutor. Você tem a ficha dela para eu pegar a pasta lá em minha sala e dar uma olhada? Está aqui! Observando o nome. Vou até a sala do doutor Édison. pois ela sabe como fazê-lo. o que você sente pela Débora? Amor . Sérgio.palavras. . Não namorou outra moça ou?. Silvana. Bem. se quisesse me ver novamen te. Penso que. Não sinto nada. Talvez se atrasasse um pouco. mas imperturbável o rapaz respondeu: A Débora desapareceu completamente. menino! ... o próximo paciente ligou a visando que não poderá comparecer e agendou novo dia...prontificou-se a moça. E até agora não chegou. Em nome desse sentimento tão intenso. doutor. você fala de um modo bem tranqüilo. Levantando-se e cumprimentando-o o médico indicou uma cadei ra frente à sua mesa para que se sentasse. Talvez ao telefone. Sérgio a abriu e entrou a pedido do médico. se essa é a vida planejada para essa etapa evolutiva. daria um jeito de me encontrar.brincou Sérgio. eu respeito à decisão dela e não vo incomodá-la com minha simples presença se voltarmos a nos encontrar. perguntou: Sou o próxi mo?! Não ouvi o número da sala. mas acho que vou procurar um cardiolog ista. O trabalho. a clínica e o curso de pós-graduação prosperavam e ele prosseguia sentind o-se mais estabilizado.respondeu firme.Brincando. Certo. Sérgio recordou-se imediatamente da paciente e perguntou: Sabe me dizer se a mãe virá junto? Ela não disse nada a respeito. Primeiro por estar muito ocupado e segundo por não aparecer ninguém que me int eresse. Após rirem.

. pediu para que ela se acomodasse e ligou determinado equipamento que a jov em não percebeu.. Não queria machucá-la. rapidamente. perguntando em tom amigável e tranqüilo: O que a deixa angustiada e nesse desespero? Se eu souber. deixou-o perplexo.. perguntou: Como você está.Ela não obedecia e curvava a cabeça.pediu enquanto tentava livrar-se de suas mãos delicadas. Eu quero ajudá-la! Olhe para mim.. Por favor. Idéias!. mas tudo me irrita. Para sua surpresa. farei tudo para aju dá-la. Procurando se manter inalterável. doutor! Antes que eu faça uma besteira. Preciso de você.. Quero morrer. puxou uma cadeira e sentouse ficando à altura da paciente. São pensamentos!. viu-a tra nstornada e com o rosto inchado pelo choro. ela o segurou pelas vestes na altura do colarinho. Tinha um corpo bonito. encostando-se nele sobre as mãos que o seguravam com força. Sérgio pediu licença ao médico e foi para sua sala. sem ma chucar a jovem. Dissimulando o susto. Dete stava o meu rosto deformado com aquelas espinhas! Mas agora você está bem. porém sereno: Marina.. A inesperada atitude.desatou a chorar. Isso me faz pensar coisas erradas!. a jovem murmurava entre os soluços algo que ele não consegui a entender. O que a incomoda agora? Estou confusa. cabelos loiros. que o envolviam: Calma.murmurou entre o pranto desesperado. Deixe-me ver suas mãos? Marina o encarou e ainda com voz de choro. Abafand o o rosto em seu peito. Sérgio respirou fundo. por isso apertou-lhe cada uma das mãos que o agarrava. Mil idéias passavam rápidas por seus pensamentos. longos e cacheados e fazia terapia com Sérgio há cerca de um ano. no entanto tentou calmament e controlar a situação. Usando de força controlada. deixando-o inquieto. Deixando-se cair de joelhos diante dele. mas não me restou outra opção por você perder o controle. Sérgio jamais imaginou vivenciar tal situação.. aqui você está segu ra. Levante-se e se acomode nesse divã para conversarmos. Não a diantava ser educado... . Em seguida.. ao segurá-la pelos ombros: Venha. Tratava-se de uma bela jovem de dezessete anos. Marina? Que pensamentos são esses? Morte. me ajude pelo amor de Deus! Tire isso de mim! Sérgio sentiu seu peito doer e um mau pressentimento rodeava seus pensamentos. me revolta. Isso não foi nada. pele e olhos claros. vamos! . disse: Minha cabeça dói e está fervendo! Parece que existe um buraco no meu peito! Um furo enorme que gira e me vara de lado a lado! Não sabe o que é isso. . Marina. Não imagina como é. mas a certa distância. Subitamente Marina se levantou e abraçou Sérgio com toda a força que possuía. mas alguns começaram a me achar estranha e por isso choro escondida. Estava desacompanhada e em extremo desespero. Era al ta. ao chegar ao seu consultório e olhar para a jovem. eu sei que você pode se controlar.. Não! Não! . tranqüilamente. Ele permaneceu equilibrado e sereno. Curvando-se. solte a minha camisa. Consegui esconder de todo mundo o que sinto. Era a secretária avisando sobre a chegada da paciente. Não sei se me entende. Preste atenção.gritou. a moça esfregava as mãos doloridas ao ch orar.Naquele instante o telefone tocou. Veja como sua pele mudou? Já aumentamos o tempo entre as s essões de terapia por se sentir ótima.. Marina. doutor! Quanto às mi nhas mãos. Mas. Pode me soltar! Seja lá o que aí estiver abalando. Me ajude! Só confio em você! Então me solta! . ele fechou a p orta. Marina era menor. Não sei! .. Aca lme-se um pouco para eu entender o que está acontecendo. Com voz firme. espre mendo-lhe os dedos até ela soltá-lo depois de um gemido de dor. o psicólogo livrou-se do abraço. sofro muito! Tenho medo e vergonha! Por que. Tentou saber. desculpe-me.. . pediu. Marina? O que a trouxe aqui tão de repente? Pondo-se a chorar compulsivamente. pediu enquanto puxava-lhe os braços.Ela se deixou co nduzir e o psicólogo pediu: Por favor. Eu me odiava. não respondia às perguntas. segurou seus pulsos e novamente falou firme. Marina. Que tipo de pensamentos? Quais são as idéias? Só confio em você! Não imagina como me ajudou a ter auto-estima. Mas me solte para conversarmos melhor.

afirmou absoluto. Tudo fica pior a cada dia.gritava.. Mas preciso de um médico para confirmar is so.. Eu não estou assim porque te amo. Marina. você foi ao médico recentemen te. passando a mão na altura do estômago. Sonhar acordada te desejando ao lado foi o que me prendeu a algum tipo de esperança e por isso não cometi uma loucura! Entendeu?! Sim.. Mas disse que confiava em mim. Algo. fisiot erapeuta..gritou.falava com naturalidade . É um sentimento de gratidão confundido com algo mais fort e.revoltou-se. Na verdade. Você não entendeu! . pediu: Por favor. Sente-se. Acredito que descobri a razão do que sente. Você não vai sair da clínica. espere..respondeu calmo. desde quando vem sentindo isso? Começou aos poucos. .. Deixe-me explicar. Sérgio suspirou fundo e elevou o pensamento em rápida oração pedindo a mparo espiritual. psicólogo.. Eu entendi . avise-o de que vou à sala dele com minha paciente. então está tudo normal. Ouça. mas. Cauteloso. Está desorientada e sem acompanhante. Muitas alunas se apaixonam por seus professores.. É um remédio importado. Você acredita no sofrimento do suicida? Acredito ... realizou algum tipo de exame ou sente sintomas estranhos em seu corpo como a lguma dor? Vou periodicamente à dermatologista que ajudou com o tratamento contra as acnes . mas sentindo certo temor em seu íntimo.. Mas não poss o imaginar sofrimento maior do que o meu.Ela não atendeu ao pedido e ele orientou : Psiquiatras não são médicos de loucos. não é raro o paciente ter sentimentos fortes por um médico. Fiz exames de sangue há uns três meses e fiz ultra-som de fígado. Por que não me contou? Não queria que você se decepcionasse comigo. mas aquilo nunca lhe tinha acont ecido. Te nho esperança de ficar com você. Insistiu e sentando-se.. Mas?. Ofendida. perguntou: Você está se alimentando direito? Não . Mesmo assim.balbuciou. entregou nas mãos da jovem um copo com água que ela be beu. Parecia ter vivido caso parecido. Estou viva por sua causa. Foi até sua mesa.tornou ele.. Vou explicar a razão desse seu estado depressivo e pe nsamentos. andando de um lado para outro. mas sentiu um punhal cravar em seu peito.. orientou: Marina.. A vida continua após a morte do corpo. Mas sinto uma dor atravessada aqui .. é uma transferência. . Sinto uma tristeza. por favor. naquele acontecimento. Não quero falar com mais ninguém! Desejo sumir! Marina. É pecado. Não tenho depressão! Você me traiu! Quer me encaminhar para um psiquiatra porque as sumi que te amo! . Qu ero gritar e chorar sem motivo. reclamou chorando e falando muito alto: Confiei em você! O doutor Édison é médico para louco! Não pense que vou falar para ele t do o que te contei! Acalme-se. . Não! . O psicólogo levantou-se rápido e preocupado. para minha pele. Obrigado. ela pegou sua bolsa quando Sérgio se aproximou avisando : Marina. pegou o telefone e p erguntou à secretária se o doutor Édison estava livre. bem agitada. Mas ela não disse nada. me diz uma coisa . Li em livros que a morte não existe e o suicida sofre muito.Levantando-se. Isso acontece por c ausa da ajuda que recebem. porque sonho em ficar em teus braços.. V . Não agüento mais e p efiro morrer.disse. Não tenho fome nem sono. Ao ouvir a resposta. Sérgio teve um relampejo nas idéias e perguntou: Está tomando algum remédio? Sim.Breve pau sa e indagou em tom educado: Mas me conta. Em seguida. levantando-se. não sei dizer.. trazia-lhe uma impressão de semelhança que não conse guia lembrar. Sérgio! Você é a única coisa que me prende a esse mundo. Por que me decepcionaria? Lágrimas rolaram em seu rosto quando disse: Eu te amo! Sérgio não se alterou nem se demonstrou surpreso.. Ess e estado de angústia é pela medicação que toma. Não! Você não quer me ver! Não entende que te amo! Caminhando até a cadeira.. Mas.

murmurou em pranto. Fica esperto . talvez.correspondeu Sérgio. e o doutor Édison surgiu em meio à surpresa. Não tente falar nada. Então vem! . Marina se revoltou. Marina . Sérgio estava de volta à clínica e usava uma band agem sobre os pontos no pescoço. Quando estava na sala do doutor Édison. Puxa.Vendo-o tentar falar al go ainda. que sangrava.argumentou o psicólogo . deixe-me ver isso! João prostrou-se ao lado e viu o instrumento afiado cair ao chão num gesto como s e o corpo se largasse. O rapaz aper tava o próprio pescoço.. Sérgio parecia entorpecido. Não precisava falar sobre isso. tentando estancar o sangue. Colocando o estilete na lateral do próprio pescoço.. quem sabe. pediu: Calma. Desculpe-me . Ao vê-los à porta. Sérgio.gritou de posse de um estilete que tirou da bolsa. Eu sei o que está sentin do e prometo te ajudar. E a resistia. Fora! . Vamos. Sérgio. Mas posso sair ou. doutor Édison . sorrindo engraçado. Vamos socorrê-lo! Não é melhor chamar uma ambulância? Talvez demore e não podemos esperar... É. Ele só ria.Olhando para João falou: Não ac edito que tenha atingido alguma artéria importante. Pensei que o senhor res peitasse a ética profissional. Você me decepcionou. mas nunca se sabe.. Calma . Não tenho mais nada de útil.ou detê-la e chamar seus pais para explicar seu estado. Que joelhada?! .disse o médico em tom suave. ele puxou-lhe a mão para tirar o estilete de seu poder. desequilibrando-o. agredindo-o e se jogando sobre ele. . .resmungou Sérgio. vamos fazer o seguinte: você me entrega esse est ilete.. foi à joelhada . quase impensado. Ele precisa de socorro urgente. Niva ldo e outros trabalhadores da clínica. lamuriando em choro int erminável: Confiei em você. Sérgio. numa ação quase involuntária. Venha me deter e eu me mato! Corto seu pescoço e depois o meu! Sem tirar os olhos da paciente. Marina .João e Nivaldo perguntaram num coro. Não a desejando agredir. sentia-se bem. . quando os viu no chão.exigiu a jovem com voz fraca. Achei que ela tivesse cortado sua veia jugular! Cara. pois ela não parou de falar. e o médic não conseguia ver o ferimento. O doutor Édison aproximou-se. * * * No dia seguinte ao acontecimento. a porta do consultório foi aberta.revelou o dou tor Édison..disse o doutor Édison. Vim aqui porque demoraram. Não. o doutor Édison vai embora e nós dois vamos conversar. Sérgio! Por que chamou esse homem?! Minha vida é um inferno e inútil e você ainda me desprezou! Calma. A jovem leva ntou-se rápido e começou a berrar horrorizada ao ver Sérgio de joelhos tendo uma mão seg urando o estilete e a outra na garganta. . Sérgio estava atento e viu quando a ponta do estilete fincava o pescoço da jovem determinada a cortar a jugular. esperando que o cansaço a dominasse. Inesperadamente.. Olhando a própria mão ensangüentada. Uma conversa tran qüila seria bem útil. ajoelhando-se para examiná-lo. Porém a jovem aproveitou-se da oportunidade.pediu o psicólogo. apressadamente. Os gritos atraíram João. entendendo a gravidade da situação. Quero morrer. João e Nival do o viram lá e entraram para conversar: Eu não poderia imaginar que em uma profissão tão tranqüila corrêssemos risco de morte brincou Nivaldo. Não queria se render nem largar o instrumento. ele mostrou-se calmo. Sérgio foi à direção de Marina e segurou-lhe a mão. Num gesto rápido. após poucas batidas.. sou eu . Minha esperança acabou e ele. contorcendo o rosto para não rir. Pensei que fosse desmaiar e morrer! Mas não foi o cortinho que o deixou daquele jeito. gritou: Segurem-na! O Sérgio está ferido! Levem-na daqui! Nivaldo tomou a frente e João ficou na sala.. Esse é um caso em que podemos removê-lo.pediu o médico. deixe-me examinar esse corte. Muitas brincadeiras e piadas foram feitas pelos a migos. você não falava nem nada! disse João.

Mas não pe nsem que só esse medicamento causa essa alteração comportamental. A menina precisará de acompanhamento terapêutico até se reestruturar do que fez e vão fazer um acompanhamento clínico dos possíveis efeitos que podem ocorrer. Mas não vou apresentá-la aos pais. Ela estava segura ao assumir o que aconteceu. Há dias não vejo a dona Antônia e ela está ocupada comigo. Por isso o pa ciente deve exigir o máximo de informações sobre o que lhe foi prescrito e os psicólogos procurarem saber com o que seu paciente se medica. Eu tenho ética profissional. Sérgio.quis saber Nivaldo. Nem vi ou senti quando ela me cortou a garganta. No entanto se a moça mudar de idéia e acusá-lo de algo que não fez. Bem. Você não comentou mais nada. por isso perguntei. mediante a solicitação do juiz. e os pesadelos? Sabe que já faz tempo que eu não os tenho! Tinha até me esquecido. Pensei que fosse desmaiar.pediu o médico com jeito maroto. Só sinto um cansaço pelos efeitos dos remédios que tomei.comentou Nivaldo. completou: Com t odo esse tamanho. Mas que joelhada foi essa?! .disse o doutor Édison.Espere! .brincou Nivaldo. É uma droga muito cara e não é vendid a em farmácias convencionais nem de manipulação.. Amanhã retorno normalmente. Qu sabe. pois esses remédios não alteram a saúde física ou mental dos pacientes. Por isso uma série de documentação para os responsáveis assinarem.. Quero sim! Só que vou para a casa do João. Sérgio? . mas sim testemunhando fatos que precisei depo r na delegacia onde registramos a ocorrência. precisará apresentar a gr avação.correspondeu Sérgio. mas.admirou-se João.. Existem ou ros medicamentos muito eficientes contra espinhas e acnes. Rindo. Lógico! . Vou colocar um detector de metais na porta . sem dúvida.. Então vamos lá! Eu quero conhecer a dona Antônia! . O senhor contou aos pais da moça? .perguntou o médico.afirmou o médico. Nada de termos de responsabi lidade. desde depressão profunda. Sérgio e o médico foram para a casa de dona Antônia e os outros retornaram ao serviço. o caso foi grave . 29 . mas foi liberado novamente. mas adotou um bando de marmanjos! Se está revoltado. não dominou uma menina e ainda apanhou dela?! Sérgio ria ao tentar esclarecer: Não é correto dizer que eu apanhei. Lógico. o doutor Édison perguntou: Você gravou a sessão de terapia da Marina? Sim. má formação fetal dos filhos e outras c onseqüências.Reflexões de um Psicólogo . É bom fic armos atentos a isso. Por causa de um medicamento. Bem.. Virando-se para sair da sala. Isso é culpa de médicos irresponsáveis . pois o fígado da jovem está muito prejudicado.. aos pais. Aí sim isso será necessário. por ética. Esse medicamento já proibido no Brasil.. Trazem efeitos sérios para grande parte dos usuários. existem muitos outro s. serei adotado! Em meio ao riso. Apresentarei ao juiz. Quer uma carona. para diversos fins. rindo. Ao puxar sua mão la se jogou sobre mim e. São medicamentos simple s ou fórmulas manipuladas somente com receituário médico. Sim.. João reclamou: Minha mãe só teve um filho. Acertou-me com uma joelhada tão forte que caí pros trado pelo golpe baixo. procure um psicólogo e faça terapia . Também estou indo. Já?! .riu Sérgio. E os dois seguiram conversando sobre esse e outros assuntos. Já estou bem.exclamou o médico brincalhão. Estamos brincando. cegueira. aos advogados. responsáveis por essa mudança de comportamento.informou Sérgio. mas naque le momento eu não estava clinicando. Amanhã você desarma seus pacientes antes da terapia! . Eles não sabiam desses efeitos e já suspenderam o medica ento. uma jovem daquele nível tomou a titudes descontroladas. Nossa.. despediram-se. à promotoria. Temi machucá-la e não usei força. No caminho. Estou cansado e preciso ir. O senhor sabe. ..tornou Nivaldo curioso.

Eles estavam sequiosos e eu chamei o Sérgio para oferecer uma apresentação ou palavras de incentivo. é por termos fé e esperança na evolução da mente. a princípio. à qual o profissional resp onsável se dedica e busca a fim de dilatar sua sabedoria. Isso deixava o espírito Sebastião furioso. n o plano invisível. mas devemos admitir que ninguém tem a r azão absoluta das coisas. orgulhosos e revoltados. O espírito Sebastião sentia imensa interferência invisível no grupamento de desencarn ados que o seguiam como fiéis soldados à disposição de seu comandante. Vejam só. mente. Percebendo que Sebastião enfraquecia seu domínio s obre os encarnados. As perturbações. que é a judar! A Psicologia é simbolizada pela figura de um tridente. por essa ser a grafia da vigésima terceira letra do alfabeto grego Psi. auxiliada por sua ligação. nós sempre rogamos condições mentais repletas de vivac idade. Seu ódio desequilibrava sua organização peri spiríta. também vingativos. Talvez alguns não concordem. dando im tância ao ser humano. o doutor Édison comentava empolgado em uma reunião n a clínica: Era uma turma nova naquela pós-graduação. precisa ter o dom d . Eu posso errar ou vocês poderão tirar algum proveito se busc arem conhecimento Alguns segundos e continuou. Psicologia! Estudo da alma. em português Psique relativo à Psíquico que significa alma. inclinando-nos aos profundos estudos nessa área valoros a de uma ciência tão abrangente. indo servir out ros líderes. viram Sérgio cumprimentar os alunos co m indefiníveis boas-vindas. A seguir temos Psico. mas que se entregariam às expiações dos próprios crim es. que sig nifica estudo ou ciência. Não passavam de espí itos rebeldes que.. a entidades excelsas pel o poder da oração. ou só se desgarravam e acabavam escravizados por outros espíritos de grup os hostis rivais. de alguma forma. valor à vida!. costumes etc. não admitiam o profundo lamento pela o portunidade reencarnatória perdida. eram em vão contra Sérgio ant e seu vigoroso equilíbrio mental e o poder da prece. Ele perdia o controle e suas forças ficavam cada vez mais rarefeitas em sua mente confusa. alcançava magnitudes inatingíveis aos espíritos inferiores que desejava m atormentá-lo. eu só vou tentar dizer algumas palavras sobre a minha humilde Ref lexão de Psicólogo. dizendo em seguida: Caros colegas. no estudo da estrutura e formação da palavra. e quaisquer enigmas desse terreno não delimitado. gradativamente. Psi corresponde à primeira divisão silábica da palavra Psi-co-lo-gi-a. no inconsciente de nosso s ancestrais. Ações que são comprovadas nas mais remotas eras pré-históricas. sublime claridade azul-radiante a envolvê-lo. Por fim. A sua luminescência espiritual.As vibrações constantes pelas preces verdadeiramente sentidas e consagradas. Ampliando sua visão nessa bela ciência. esperteza e possibilidades profissionais para atingirmos os nossos objeti vos de auxílio! Comparado. Todos atentos às cenas gravadas pelo médico. ao glorioso dom da centelha Divina. Para nos ajudar na caminhada de elevadas conq uistas morais. * * * Em determinada oportunidade. inclusive durante o sono. originário do grego Psyché.. a não ser pela Psicologia. do espírito. temos lógica. Se nós estamos aqui hoje. mas não conseguiam pela incompatibilidade. não são desvend ados por outras ciências inábeis. Ela explica o motivo que levou a mente de nossos ancestrais a certas crenças. a el evada condição mental assumida e praticada por Sérgio. da mente! E uma ciência. impostando a voz de modo a atrair atenção e consideráv el respeito pelo silêncio: É praticamente inconcebível um Psicólogo ateu! A crença em um Criador e em muitas questões sobre os 'porquês' da vida é um sentiment o inerente ao ser humano e associado à sua crença de 'algo' que sobrevive após a morte . Esses. humildemente. dentro do conju nto de disciplinas de um grande leque de conhecimentos. Ninguém escapa aos débitos da consciência. comportamentos. Ele nos emocionou e nos fe z refletir com o que falou. ou seja. espírito. ofereceu-lhe. seus seguidores o abandonavam vagarosamente. o psicólogo. Na morfologia.

com o que vemos acontecer. Um sábio Nazareno. despertando para a atmosfera de misericórdia e bondade ao nosso alcance. ao absolutismo pessoal e infl exibilidade. Os matizes colorido s aos cegos de emoções sublimes. E o auxílio dos que suplicam entendimento. nós fazemos a diferença quando. Ele precisa sim. É a estrela celeste c apaz de iluminar o caminho. A alegria aos qu e estão desgostosos e angustiados. foi meditando sobre tal filosofia que eu posso afi rmar: Psicólogo. E a fortale za que impede muitas criaturas aos despenhadeiros das sombras. Não podemos ser indiferentes e virarmos as costas para as desgraças do mundo! Nem nos desesperarmos. Nós podemos fazer a diferença! Todos nós podemos fazer a diferença diante das catástrofes da vida tomando uma postura equilibrada nos vendavais das paixões terren as.e auxiliar sem se prender ao seu próprio dogmatismo. abnegados colegas. Você é a liberdade para os prisioneiros da própria mente. É a ajuda que ampara os feridos da jornada. E o elo radioso àqueles que dão os 'primeiros passos'. Você é a pessoa especial que faz a diferença na vida de muitos.. Você é o bom ânimo aos que se encontram sem vontade. tresloucados e desgostosos. O recurso aos que implora m por forças íntimas. É o mensageir o de bondade dos que se prendem nas ilusões. É o suprimento dadi voso que regenera e salva. É o vento que faz o pássaro vôo. ou seja. Por isso. quem sabe. A paz para os desalentados da sorte. para centenas de criaturas. de dedicação.. perde ndo a esperança e a fé.. pois se formos capazes de fazer a diferença para uma pessoa. Você é a bondade que compreende e ajuda os incapazes de amar. É a luz que conduz ao caminho do equilíbrio. para um grupo ou. teremos o dom de fazer um pedacinho de o mundo ser um lugar melhor! Não importa o nome renomado ou não da universidade que nos graduou. cabe-nos conhecer primeiro a nós mesmos e nos devo tarmos aos chamados do mundo.. A instituição não garante nosso profissionalismo . E o dia para os que vivem na e scuridão da noite. independente do tempo. secamos as lágrimas do desespero e descortinamos as influenciações dolorosas das ilusões.. O bálsamo m edicamentoso aos feridos da jornada.. e aprendei de mim que so u manso e humilde de coração. de amor f raterno!. É a fonte geradora de valores à vida. O alívio aos que se abalam com os traumas da vida. A influência benéfica aos que se afli gem pelos erros. como nos ensinou e exemplificou o sensato e prudente Nazareno. também chamado de 'Psicólogo das almas'. apontando o caminho para o cam po da liberdade! Mansos e humildes de coração. de intuição. É o coração repleto de dádivas. A compreensão aos carentes de amor e paz. levando descanso para suas almas. 'Eu tenho razão em tudo!' Nem se entregar ao marasmo de sua alma desanimada. O equilíbrio para os que não se sustentam soz inhos. Essas nobres palavras não são as mais adequadas às reflexões e ao silencioso jurament o moral de um Psicólogo?! Queridos amigos e colegas. Você é o caminho que conduz muitos à paz.. nós podemo s nos melhorar para minimizarmos e aliviarmos as dores dos fatigados e oprimidos .. Você é a porta de liberdade dos aprisionados nos velhos cárceres do Eu. Eternos aprendizes. A resposta aos que pedem entendimento e socorro. O benfeitor nos cenários atribulados das criaturas. O amparo aos necessitados de apoio.. Você é o orientador às mentes confusas carentes de equilíbrio. Você é a energia aos que se sentem atrofiados pela própria imprevidência.. de sensibilidade. E o futuro aos que se relegaram aos precipícios do passado. há mais de dois mil anos!. A claridade aos carentes de luz. afirmou: Vinde a mim todo s os que estão cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. Mesmo como aprendizes. É a esperança para os que pe rderam a fé. aliviamos os corações sofridos. no dia-a-dia. sempre. A força para os que se enfraquecem no caminho. ca az de ofertar esperança e fé. Você é a direção para o aperfeiçoamento suave e edificante. e encontrareis descanso para vossas almas . Todo extremo é prejudicial! Mas. A fé aos que perderam a esperança. Você é a fonte de água para o viajante sedento no deserto. O sorriso que socorre os corações feridos. O abrigo aos que padecem assustados e tristes. dotados de d ignidade e compaixão. cuja filosofia e exempl o de amor são aceitos por incontáveis religiões e filosofias.

descobriu a cabeça erguendo o rosto para vê-lo melhor. atrás de seu carro. O coração de Sérgio estava aos saltos.Curvando-se. tomar um banho e retornar ao h ospital. O que Débo ra queria. viu melhor seu rosto pálido e lágrimas a correr por ele. Foi então que Sérgio quase gritou ao mesmo tempo em que corre u em sua direção: Débora! . não nos dá diploma de ser humano. ela o abraçou com toda a força. Não sabia o que pensar nem como agir. Com amor.. encosta va-se nele.. . Vamos! Ele abriu o portão social. Assim c . Ao posicionar o veículo para entrar na garagem. convidou com voz generosa: Vamo s entrar? Fique calma. Reparando em detalhes. pedindo que telefonasse depois. encolhida.falou receoso. Posso te ajudar? Lentamente a pessoa se moveu e. Sérgio se foi. viu um vulto de uma pessoa enca puzada com a própria blusa. O médico mostrou-se preocupado. Nesse momento. Após deixar Rita na casa de dona Antônia sob os cuidado s maternais da amorosa senhora e também do doutor Édison. Contornou o carro para saber quem era e o que queria. a secretária os interrompeu chamando Sérgio pa ra atender uma ligação urgente. Talvez transmitindo algumas sementes de bons-frutos. sem que esperassem. cada um de nós pode fazer a diferença por intermédio das aquis ições e aperfeiçoamentos de conhecimentos novos! E com as dádivas abençoadas da nossa alma .. . chorando compulsivamente.. Esse Mestre Nazareno sabiamente disse: 'Onde estiver o vosso tesouro. O médico interrompeu a gravação. trêmula pelo frio. mas bem sujo. ali. Baseando-nos nessa filosofia de sensata reflexão. depois à porta da sala e conduzindo-a pediu que se sen tasse no sofá e o esperasse. Desconfiado. mas p ermaneceu imperturbável e. que se prontificou a cuida r da jovem.. Boa noite. Levante-se. novas reflexões e nos reformamos intimamente deixando de ser preconceituosos. Ele estava comovido. esclarecimentos de possíveis dificulda des ou encontro de soluções para alguns assuntos. Sérgio estava enganado.. está tudo bem. como deixou aquele 'Psicól ogo das almas'. mas não conseguiu identificar. fina e fria começou a molhá-lo p orque ele demorava observando a distância. ele não abriu o portão da garagem e desceu vagarosamente do veículo. temendo um assalto.Em pé.. O médico orientador e amigo valia-se dessas reuniões periódicas com a finalidade de promover afinidade entre os profissionais. Nivaldo levantou-se e puxou para um abraço e os demais profissionais da área presentes e que prestavam serviços na clínica. Sérgio sentia-se sem jeito. olhando atentamente para os lados. humilde e responsável! Um diploma não tem ta nto valor como o que somos e em que nos transformamos diariamente quando admitim os novos conceitos corretos. ajudou-a e pediu em voz baixa: Venha. naquelas condições depois de tanto tempo? Ao retornar. Ele retorn ou um tanto inquieto e conversou rapidamente com o doutor Édison avisando-o sobre que não poderia ficar. Estava angustiado e a preocupação corroia seus pensamentos enquanto ia para sua residência. pois precisava guardar o carro na garagem.. João estapeou-lhe as costas. há mais de dois mil anos!. * * * A surpresa desagradável de sérios acontecimentos tomou todo o tempo de Sérgio naque la tarde e princípio de noite. mas não disse nada.honesto. da nossa mente. sentada no degrau do portão social e. Pensava em chegar. viu-a tremendo e abraçada a uma almofada onde sufocava um choro tr iste. cumpriment aram-no com grande reconhecimento e satisfação. afagando-a com ternura. A garoa forte. Os outros continuaram conversando a respeito apesar de sua ausência. ele pode ver o tênis de qualidade. Viu que se tratava de uma silhueta feminina. Usaremos tudo isso para o que escolhemos ser na vida: Psicólogos! O silêncio na sala era absoluto. Imaginou que nenhum outro acontecimento inesperado poderia surgir. ali est ará também o vosso coração'. usando toda a força de vontade e todo o desejo de coração. Pro curando conter as emoções.

Só a deixo en trar aqui quando eu ou o Tiago estamos em casa. Abaixando e pondo-se de joelhos frente a ela. não é barulhenta . pegou-a pela mão fria. Não. .perguntou. Observando se us cabelos molhados. Fazendo-a olhá-lo. Débora olhou-o e largo sorriso moldurou seu rosto on de pareceu acender uma chama de energia.Vendo-a concordar. Abaixando-se frente a ela. admirou e pediu com mimo de alegria na voz frágil : Ai! Que coisinha linda! Posso pegar? . Não queria incomodá-lo. Débora.. Estava inquieto e queria organizar os pensamentos para saber quais providênci as tomar. Eu t ambém preciso de um banho.. Acho que.respondeu com voz fraca..ela sussurrou.. Débora tomou várias colheradas da sopa quente e comeu alg umas torradas. sentados à mesa arrumada por ele.. Depois comeremos algo e convers aremos o que for preciso. com bondo sa tranqüilidade... deixando-a encolhida e re costada nas almofadas amontoadas..interrompeu-a com inflexão suave. dizendo: Venha logo! Vamos encontrar uma roupa lá no armário e depois nos falamos. .tentou dizer. Desta vez. Mas quando cheguei. ajudou-a com firmeza levando-a para a sala pa ra que se sentasse no sofá. esqu ecendo-se de outras roupas que ela havia deixado lá e ele guardou em um canto do a rmário. Será melhor secar bem os cabe los ou pegará um resfriado. no meio das costas. perguntou em voz baixa e tom comovido ao observá-la: Débora. Ela se adaptou bem. era Sérgio quem não conseguia comer pelo excesso de preocupações e surpresa. Eu gostaria de. Pedindo que se levantasse. viu-a pálida como nunca. seu sorriso era anuviado por uma tristeza. ap resentando vergonha no olhar lacrimoso. Uma camiseta simples e uma blusa de lã fi na que quase não aquecia. tremia de frio. Débora! Tudo bem? . . Você toma um banho e se agasalha porque pegou muita friagem. sugeriu com tranqüilidade: Pegue o secador lá no armário. Ao vê-la sair do quarto ele ligou a televisão para distraí-la. Estendendo os braços para Sérgio. essas roupas molhadas te farão muito mal. Percebendo-o em pé à sua frente. Ele comentou sobre assuntos sem importância como a mudança brusca do tempo.. Débora não trazia qualquer bolsa. avisou: Vou tomar um banho e já vol to para jantarmos. Desculpe-me. cobriu-a. Débora . levantando e ficando ao seu lado ao vê-la segurar a testa com as mãos.riu. Toda molhada p ela garoa fria do início do inverno. ele propôs com paciência: Vamos fazer o seguinte: pegaremos roupas l impas e quentes. Vendo-a desorientada e com visíveis nece ssidades físicas. Vez e outra. Sérgio a fez encará-lo e. Não us ava maquiagem e estava muito magra. Está no lugar de sempre. Colocando a mão em seu rosto.a voz da moça enfraqueceu e um suor gotejou rapidamente em seu rosto. Ele a levou até seu quarto e procurou por um agasalho quente que servisse.explicou. Apesa r de delicada como sempre. Você quer trocá-las? Tomar um banho quente? Desculpe-me. é uma cachorrinha .. Seus cabelos estavam compridos. ainda estava claro . perguntou: Há quanto tempo ficou me esperando? Não sei.. Pegando uma manta. como diz? Oferecendo-lhe generoso sorriso estimulante. mas estava esmorecida. Adaptei para ela uma entradinha do qu intal para a lavanderia e com uma cama melhor do que a minha! . . Enquanto Débora se demorava no banho.. Tudo bem para você? Você ainda é capaz de permitir que eu use a sua casa e tuas coisas..omo o jeans que parecia usar há vários dias. Mas eu não tinha a quem procurar e. há quantos dias você não come? Vendo-a abaixar a cabeça e chorar. pois estou bem cansado. sobre a cachorrinha que ele adotou e Débora se interessou: Você tem um cachorro? Na verdade.. Não demorou e os dois estavam na cozinha. ele preparou uma sopa e fez algumas torra das. grande preocupação e i ncontáveis perguntas. sentiu-a gelada. ele se levantou e retornou sem muita demora.

Ou. Ele era bem treinado e não desceria da gaiola. . Podia-se trocar a água. quando meu irmão chegou à casa dos meus pais. Ele não precisou olhar muito para descobrir e me m ostrar uma espécie de picada onde havia um endurecimento pelo acúmulo de algum líquido injetado. esta é a Débora! Tratava-se de uma cachorrinha d e pequeno porte. ela abanava o rabinho curto com tanta força que se remexia toda p ara exibir sua felicidade ao olhar para a moça. ela pegou um a caixa de sapato enorme. Jurou que não o soltou. Ele era muito esperto. encanta da e generosa como se o animalzinho pudesse entender o significado de suas palav ras. coloquei o Tufi como minha mãe havia fe ito e o enterrei aí no jardim. A princípio. Foi até o jardim. O Tiago não perguntou o que ocorreu? Lógico. Acho que foi doloroso. sub ia por sua roupa e corria em seu braço até pegar a recompensa em sua mão. apanhou algumas marg aridas e arrumou em volta dele e pediu para o Tiago trazê-lo para mim. Aquele ratinho que treinei. pe nsei que fosse pela idade. os doi s só o deixavam passear do lado de fora da gaiola. arrumando-a como um co lchão e. Ela olhava o Tu fi morto e chorava. colocou uma toalha fofa dentro. Uma espécie de autópsia? Sim. esta é a Princesa! Princesa. E foi justamente naquela manhã. Não pensei duas vezes e o levei na hora lá na universidade..exclamou Sérgio sorrindo. Eu não podia trazê-lo para cá e deixá-lo sozinho. Você gostava muito dele disse em tom triste enquanto aca riciava a cachorrinha que se aquietou em seu colo. estava bem inch ado.. vi que alguém afastou as grades aumentando a abertura.. Princesa parecia se contorcer de satisfação pelos carinho s que recebia. na polícia e não teria tempo para cuidar dele. orelhinhas triangulares e dobradas. Somente o Tiago e meu pai sabiam o segred o. o Tufi obedecia.. Lembro que me contou que.Ele sorriu com gosto e apresentou: Débora. algo que fazia sem ir para o chão. Procurei um profess or da área de graduação em Veterinária. mas gostava dele! C oitadinho! . Não. Isso mesmo. Você disse que iria trazê-lo para cá. Eu estava trabalhando n a clínica. Mas eu não deixei. pois era ensinado e não ia para o chão. Talvez seus sobrinhos. ao chamá-lo. Será que não pisaram nele? Fiquei triste sim. eu coloquei um cadeado de segredo na portinha po r onde ele saía.. Por essa razão ele ficou na ca sa dos meus pais. Muito alegre. comida. O que me intrigou foi o Tufi estar fora da gaiola e. O Tiago e meu pai pegavam e brincavam com o Tufi sem deixá-lo ir para o chão. Limpavam e escovavam os brinquedos dele. sem raça definida. Ela é um amor! Onde a conseguiu? Eu tinha o Tufi. ele passeava por toda parte. quando o colocava f ora da gaiola. morto há poucas horas. Bem. Acho que. curtos e acastanhados com pequena mancha branca na garganta. Achei interessante saber que minha mãe chorou por ele e. A jovem conversava com a cachorrinha exprimindo voz doce. O professor queria fazer uma análise mais profunda e exames mais apurad os. Voltei para casa.. então. mas descartei essa idéia por estar bem ativo. É! Ela gostou de você! . enquanto ele andava por fora da gaiola. Ele disse que nossa mãe não conseguiu disfarçar quando o viu. Depois pedi ao Tiago que me trouxesse a gaiola. mas não sabia explicar como ele foi para r no chão. E o Tufi saiu por essa abertura? Com certeza. brinquedos de que o Tufi mais gost ava e os ajeitou na caixa. Apesar de receosa e até com medo. deixando a cabeça de fora como se estivesse dormindo.. ele contou que ela chorava enquanto recolhia o Tufi do chão com uma pá. Depois o colocou lá e o cobriu com um paninho. certamente. pois minha mãe tinha o maior pavor. Ela é enorme! Examinando-a. Mas. Sabe. pelos lisos. mas não o soltava. a cachorrinha entendia a entonação do carinho na voz. mas. Para eles não fazerem isso. jornal da bandeja do fundo e a arei a por fora sem que ele saísse da gaiola. Então pedi a ele que trouxesse o Tufi. minha mãe cuidava dele. Nossa mãe falava sozinha lamenta ndo: Meu Deus! O que aconteceu? Eu tinha medo desse bichinho. e sem que nossa mãe o visse.. Entregando-a para Débora. alguém o pegou e aplicou-lhe uma injeção. pois dav a um trabalho enorme para voltar quando eu não estava para chamá-lo. Tivemos alguns problemas e o Tiago decidiu estudar e veio morar aqui. Ela mesma pegou a bolinha e a corda.

Talvez a Rita não aceite e. ela reclamava. Ela não viu o meu irmão e estava chorando. Vendo-a atenta ao ol há-lo. Isso f oi ótimo. espere um pouco! .Ele sorri u ao revelar: Jurei que depois do Tufi não teria mais animal algum! Porém aconteceu que essa madame aí .falou rindo.pediu. que fica cuidando do estaciona mento. Enfim.interrompeu-a educado. Após a morte do Rogério. Deixa pra lá. eu e a Rita não temos nada! A propósito. apareceu lá na frente da clínica e ficou rondando em torno do estacionamento. Você não está sabendo.Rindo.Quem faria isso? . Foi até lá fora e deu-lhe água e resto de lanche para a pobre cadelinha. Eu pensava que fosse minha mãe. mas. ao abrir a porta.disse com simplicidade. . levei ao veterinário e ela tomou todas as vacinas de que precisava e ainda o vermífugo. contou: Fora uma grande amizade e consideração. nada satisfeita com as injeções. Foi o suficiente para el a continuar rodeando a porta da clínica.. como se soubesse o significado! O rosto de Débora anuviou o sorriso. Não agüentei! Peguei o bichinho. eu. Esta é minha casa. parecendo entender. Ah! O Tiago ficou todo feliz! Mesmo sendo de noite.. Coitadinha! . pois me olhou de jeito estranho por uns três dias. preocupada com um bich inho de que tinha medo e. enfiei no carro e trouxe para casa. como falei e cursando Psicologia. dando lugar a uma expressão de constrangimen to e melancolia. comentou: Sérgio. quase pisei essa coitad a! Parecia uma bolinha marrom molhada. deu um jeito de fazer um acordo e foi demitida da revista na sema na passada.apiedou-se Débora. Depois de alguns anos. Enquanto agradava a cachorrinha. Foi jogada para o lado e caiu estonteada ao chão. depois de um ano ele também s umiu.. A Rita veio aq i no dia seguinte às vacinas. Fiquei até bem tarde na clínica e o segurança da noite estava olhando pelo vidro da porta impressionado com a chuva que caía. Agora tenho certeza de que não. um out ro cachorro de rua me seguiu até em casa e o adotamos. Ho uve um dia em que caiu uma tempestade de granizo muito forte. acabou sendo adotada! E você lhe deu o nome de Princesa? Não. Ninguém tem o direito de me criticar por você estar aqui. começou a chamá-la de Princesa e a cachorrinha atendeu p or esse nome. A Rita se formou em jornalismo. Pelo que o Tiago contou. peguei a cachorra. O segurança. pois a cachorrinha o viu apontar para ela e abanava o pequ eno rabinho. . Ela conhecia os funcionários e fazia a maior festa quando o doutor Édison. toda simpática. Você desconfia de alguém? . nunca.riu.Breve pausa e contou: Quando eu era pequeno. o João ou o Nivaldo chegávamos ou saíamos. pois o aroma que ela exalava estava difícil de suportar. Não tínhamos idéia de qual nome dar. contou : Não ficou nada. entendeu? Nunca tivemos nada além de amizade e respeito. A secretária viu a cena e ficou com dó. eu não quero atrapalhar sua vida. dos cachorros.. Não satisfeita com o que o trabalho e com o que ganhava. Entrei às pressas. Coitadinha mesmo! Assim que acordamos. deu comida e a enrolou em uma pequena manta. também ajudou a alimentar essa moça e arrumou uma caixa de papelão para ela dormi r num cantinho . Despedi-me dele e. rodeada do gelo do granizo que estava por toda parte. sentando-se ao seu lado. mas gostava. sem dúvida. mas aconteceram tantas coisas. por causa da a titude com o Tufi. não foi minha mãe. A Ri ta está morando na casa da dona Antônia e se tratam como se fossem mãe e filha.. Era engraçado. Namoraram e ficaram noivos há um mês. mas um dia ele sumiu. tornou-se seu melhor amigo. . como se ela fosse minha irmã mais nova. minha mesmo! Acabei co mprando-a. Fui até a r ua. aconteceram outras coisas e ela passou por momentos difícei s e o Tiago a acompanhou. Aquecida. pois estava atrasado. Mas ainda é bombeiro e trabalha à noite . secou com o seu secador. coloquei embaixo do braço... Teve um dia que eu estacione i o carro. referindo-se à cachorrinha . mesmo debaixo da cobertura da entrada. ficou f eito uma bolinha e só no dia seguinte deu sinal de vida. A minha presença pode causar problemas en tre você e a Rita e. mas está com um emprego praticamente garantido em um jornal. O Tiago está mor ando aqui. Débora.tornou Débora.. Por quê?! .. Sim.. . ele deu-lhe um banho quen te. tive u m cachorro que não me largava. Há pouco tempo alugou a casa onde morava com o irmão e está com a dona Antônia.perguntou em tom de lamento. quase a atropelando. . desci e olhei para a rua e gelei ao ver o pneu de um carro bater nela . tirei-a de lá para outro carro não atropelá-la e a coloquei em um cantinho. Aliás.

que também trazia os olhos úmidos e forçava-se para segurar as lágrimas. mas. em uma casa de r epouso para idosos e. puxando-a para junto de si.. não precisa.expressou-se sorrindo e com modos simples. Aconteceu que um balão aceso e ainda com fogos de artifícios estourando caiu sobre uma favela..chorou e os soluços embargavam sua voz. Bem.. posso saber o que aconteceu de tão sério para precisar sair a e ssa hora? Por que de repente você pode ter alguém que pode chegar aqui e. Deixe-me explicar.. Respirando fundo. D orme na suíte. contou: Não ia dizer nada para não te preocupar. Com a ação ininterrupta dos bombeiros para apagar as chamas.. . Sérgio . ta? . ela entr aria nas chamas para pegar o filho. fechando os olhos por não acredit ar no que acontecia. Você está cansada e a cama é bem confortável. secando o rosto com as mãos. puderam se aproximar e escutaram seu chamado e. mas te devo sat isfações. Só que. se não a segurassem.concordou e sorriu. Débora! . .. Destelhado. pois. posso ir! Eu darei um jeito e.pediu como se implorasse. tudo cedeu e ele ca iu.. Mesmo assim.. ta! Eu preciso sair.. Ela escondeu o rosto e chorou em silêncio. dizendo: Se eu for atrapalhar.. Débora afastou-se lentamente do abraço. Conversando com um dos colegas que estava com o meu irmão. mais de uma hora dep ois. Disseram que ou viam o rádio com fones de ouvido quando souberam do incêndio onde moravam e correram para lá. Claro que pode. Contaram que a mulher estava em desespero e. Foi com o Tiago. e stou terminando uma pós-graduação.. Ele sabia dos riscos. Breves segundos.sugeriu com gen erosidade na voz grave.. e ela falou sem encará-lo: Eu não queria te incomodar. pulsando fortemente ao debruçar suavemente o rosto sobre a cabeça da jovem. Posso ficar aqui? Não tenho para onde ir .pareceu suplicar . Só não gosto que a Princesa suba em a cama. uma mulher gr itava desesperada porque seu filho de seis meses estava no quarto quando os três i rmãos saíram correndo por causa do fogo. Se não for inva dir sua privacidade. .sorriu. Poderá fazer isso amanhã . humilhada. Aconteceu algo bem sério e não posso ficar. O fogo se propagou rapidamente. Ao mesmo tempo. ficou m ais perigoso e ninguém conseguia chegar até lá.. guardados com todo o amor.. a garoa só chegou hoje à tarde e o incêndio foi durante essa madrugada. Espere. ele contou que. Não queria falar nisso. Os bombeiros encharcaram o local onde ele estava. Quando o Tiago tentava levantar as telhas. O outro quarto é do Tiago e não gosto de invadir a privacidade e. Enquanto ele sentia o coração apertado. Tenho uma tarefinha em uma creche. Foi assim: para estudar ele conseguiu um horário para trabalhar de noite até de manhã. prosseguiu: Quase não acreditaram. . Por favor . quero encontrá-la aqui quando eu voltar.... Pode ser? ! Posso dormir aqui no sofá. principalmente por causa dos balões soltos pelas festas juninas e dos c ampeonatos de futebol. como viu.perguntou aturdida. sem encarar Sérg io. Não... O lu gar tornou-se de difícil acesso por causa das chamas em volta. por favor. Ela o interrompeu. Mas.. Os bombeiros ficam de prontidão e bem atentos nessa épo ca do ano. Mas!..Sérgio engoliu seco e quase em lágrimas.. mas não foi suficiente. Sérgio tinha vividos os sentimentos latejante s. Aconteceu tanta coisa na minha vida.. Se não quiser conversar hoje. sentindo-se envergonhada.. e a mulher que o via de longe gritava apontando onde era o local do quarto qu e o filho estava. . Por que ela não pegou a criança? Ela e o marido são faxineiros em um hospital e trabalham à noite. O Tiago enrolou a criança em sua jaqueta . Disseram que o Tiago a acalmou e prometeu tr azer o menino.avisou piedoso. não tem problema. no local. andou sobre os muros e telhado s. O Tiago era um dos bombeiros que foi para o local.Ela silenciou e ouviu: Eu só peço que você durma lá na suíte. Sérg io sobrepôs o braço em seus ombros..E você? .. Tudo bem . porém estava preocupado e curioso para obter mais de talhes. O ar estava sem umidade. Estou levando a vida! Mais nada! Penso em fazer Mestrado no próximo ano! Lágrimas surgiram nos olhos de Débora e não demoraram a correr em sua face pálida.. Trabalho na clínica..Sérgio chorou. Eu?! ..

E pediu com ce rta preocupação: Por favor. Em decorrência disso.. Espero você ligar se puder.. beijou-lhe a testa. Não quero atrapalhar. retiro u-se e retornou em segundos. em nível psíquico inferior por se prender ao primitivismo da mágoa e da vingança.e a protegeu com o seu corpo. Energias mentais do espírito Sebastião criavam vibrações aos que o auxiliavam e os im pregnavam de idéias pouco elevadas. Qualquer coisa. parecendo festejar uma vitória. Despedindo-se de Débora. tribal cuja matéria fétida e nojosa plasmava-se pelas linguagens de co municação mental de palavreados obscenos e indecorosos. arrebanhados por suas práticas indignas quando encarnados.. temia algo desconhecido aos seus sentidos limitados. a vulgaridade. Meu Deus! Como ele está?! .. o que equivale ao ódio e a falta de perdão. 30 . Seu estado é grave e ainda corre o risco de perder a perna devido às queimadur as. Muitos eram mutilado s. Sérgio chorava ao responder: Mais de sessenta por cento do corpo com queimaduras de segundo e terceiro gra us.. O menininho de seis meses sofreu leve queimadura em um pezinho e um pouco de intoxicação. apresentando-se com o corpo espiritual no qual plasmavam deformid ades por seus vícios e milhões de vermes a corroer-lhes com violentas manifestações de t error.. Pode deixar... Muitos o aban donaram desde que o viram ficar sem poderes para subjugar Sérgio como vítima. Alguns grunhiam como animais.. Sérgio recebia orientação e amparo provide ncial do Alto. Ele estava nervoso e preocupado. me liga no celular. Sua perna ficou presa entre as vigas e os escombros.. que assumiu nova at itude mental ao orar. Débora. Era impossível fazer o encarnado tornar-se vítima daquela inteligência perversa. à hipocrisia. Só vou pegar alguns documentos e.O rapaz se levantou. vários se guidores se afastaram daquela falange. Estarei te esperando. Você já o viu? . que cederam novamente de pois de ele pegar o menininho. o espírito Sebastião compr zia-se. Não se preocupe comigo e. Então. Não se sabe como conseguiu tirar a jaqueta e envolver o garotinho.A elevada Laryel intervém na obsessão injusta Na espiritualidade.perguntou chorando. seguiam-no por propensão ou vontade própria na inclinação ao mal.. mesmo sem saber ao agir intuitivamente. idéias inferiores e todos os atributos de espíritos imperfeitos. Todo aquele festejo de compo . Em compensação.. Vai me ajudar se ficar aqui e me esperar. E o Tiago?! . Por isso Sebastião temia. Fui onde está internado e quero acompanhar os procedimentos bem de perto. Reservava-se. Por isso não saiu. re pleta de vinganças e injustiças. Naquele lugar da crosta terrestre. entende? Claro! Se eu puder ajudar. Só se for muito urgente. Debruçando-se sobre ele e. Soube hoje pela manhã.perguntou aflita diante da pausa. O grupo que acompanhava aquele líder não era tão grande quanto antes.. suas queimaduras foram mais graves.quis saber entre as lágrimas e os soluços. secou o rosto e procurou se controlar. observando a movimentação eufórica de festejo horripilante. por sua nova postura mental. vigiar-se e dedicar-se ao bem. recomend ou que fechasse bem a porta e saiu rapidamente.. Outros grita vam enlouquecidos. dando forma às cenas prazerosas de suas inclinações à promiscuidade... pulando em comemoração.. e usavam para aterrorizar os outros apesar de intimamente serem infelizes .. aos vícios degradantes. Sebast ião perdeu as forças quando não ofereceu mais perigo ao encarnado... mas controlando as emoções. você pode me esperar aqui? Preciso ir ao hospital no vamente. Alguns espíritos que o acompanhavam. Os espíritos se aglom eravam. à crueldade e a ta ntas outras práticas efetuadas quando encarnados. desequilib rados. deformados. . De longe. o quadro era deplorável... E sem aquela rou pa. cuidarei da Princesa. Era algo como que um alimento fluíd ico que lhes dava energia inferior limitada e ânimo agressivo. Dizendo isso. Outros se ligavam ao grupo tal qual escravos cativos.

com base na Revolução. insensíveis e tiranos do co-mandante Sebastião. Entretanto o estranho espetáculo de horrenda comemoração pelo ocorrido com Tiago não tinha fundamento. Já possuía essa personalidade no passado . ele desejou tratar de procurar uma n ova vida ao lado de Débora e longe dali. elevando-se cada vez mais. Algumas vítimas desenc arnaram pelas infecções das queimaduras. outras ficaram deformadas e houve as que mo rreram9. Tiago solicitou experimentar o que fez muitos sofrerem e requereu desencarnar com a prova do fogo. N a espiritualidade. Sérgio. Na atual encarnação. Em outros tempos. criaram Leis para a não div são do Brasil. na presente encarnação. Tiago era um homem de caráter espiritual bom e benevolente. mas se desviou. prova ou expiação na Terra. ferindo pessoas com os incêndios que provocou. Quando Sérgio percebeu que havia traição e ntre companheiros confiáveis e. Nas lutas. graduados dos Revolucionários Farroupilhas. Por piedade e proteção a uma jovem que conheceu naquele massacre. é prudente o arrependimento sincero. depois de ajudar muitas pes soas em sua tarefa. mas não lhe deram crédito. No momento em que Tiago tomou conhecimento das opiniões de Sérgio. Sérgio sempre seguia com a tropa. com moral que lhe dava o direito de pedir em seu planejamento reencarnatório. Entretant o nem todas as vitórias são verdadeiramente vitórias. mas Tiago muitas vezes ficava para reforçar a segurança na estância. fizeram falta aos revolucionários quando Bento Gonçalves foi traído e fico u sem a ajuda de companheiros nos quais confiava. pois a jovem atrasar ia os demais. comandados pelo Marechal Sebastião durante a Guerra dos Farrapos. Eles e os companheiros se separaram. aprendeu ainda mais. bom e justo. As mortes dos farroupilhas. Deus. rancor. tentou a visar. Conforme a humildade e a determinação de cada um pa ra corrigir os erros. que havia se unido a Débora. Sérgio a levou co nsigo quando desertou. a disposição sincera e sem queixumes para cumprirmos determinada missão. Tiago juntou-se aos Revolucionários Farroupilhas.rtamento bizarro era pelo acidente ocorrido com Tiago. inspirado a deixar aquela guerra. Tiago tornou a encontrar Sérgio. Aqueles espíritos acreditavam ter sido o rapaz fortemente lesado com queimaduras pelo empenho de Sebastião. Sérgio serviu de instrumento para. em sua vida. Não tinha ódio. creram que Sérgio e os desertores eram culpados por suas do res e pesares na espiritualidade. Intuído. a fim de c orrigirmos o que desarmonizamos. inveja. nas considera das vitórias. Por não estarem em acordo co m os atos desumanos e abomináveis de seu líder. antes de conhecer as opiniões de Sérgio. oferece condições de harmonização com as nossas falhas. Muito rancor e ódio foram criados por Sebastião. Humildemente. No passado distante. Tiago e outro desertaram ao as sistirem um ataque cruel num vilarejo indefeso. solicitou as possibilidades de a judar os semelhantes e passar por dolorosa provação para proporcionar mais harmonização na sua consciência e continuar auxiliando com bondade e amor. . Tiago serviu ao Exército Imperial ao lado de Sérgio. e refugi aram-se em uma estância. Lúcia e outros espíritos daquele gru po e que. Tiago se deixou influencia r pelas energias vibratórias dos companheiros em meio aos gritos de vigor para os ataques na guerra. Enfrentar as situações mais diversas e difíceis principalmente às ocorrências para defrontar o fogo em razão de salvar vidas. Estrategi sta. Deixou-se influenciar por encarnados e desencarnados e ateou fogo em casas. A traição ocorreu conforme Sérgio previu. ele passou a r efletir sobre suas ações desnecessárias contra pessoas indefesas e mudou de atitude. apesar de vencerem. naquela época. pois. No planejamento reencarnatório. eles não admitiam experimentar as mesmas sensações de suas vítimas em grande estado de perturbação. Somente assi m a consciência se alivia do remorso e o espírito se purifica e caminha para a perfe ição. Na realidade. Um anônimo na história pôde mudar o curso dos rápidos acontecimentos e foi a isso que Sérgio veio naquela reencarnação. Por isso. guiar a tropa para grandes conquistas. decidiu ser bombeiro e salvar vidas. orgulho ou egoísmo. Seu estado não se tratava da atuação de espíritos levianos e imperfe itos. contrárias aos atos d esumanos. o que não era verdade. perdia-se grande número de vidas farroupilhas. com suas estratégias militares e bem informado sobre as ações do Exército Imperial.

E foi chegado o momento do esclarecimento e intervenção de espíritos prudentes, dot ados de bondade, sabedoria e capacidade de julgar com justiça, atuar em favor dos que trabalham, esforçando-se para o bem, o adiantamento dos semelhantes e a elevação e spiritual. No lugar onde a agitação comemorativa ocorria em uma espécie de adoração ao espírito Seb stião, lentamente um fio de luz azulada se fez rompendo as trevas. A música e a cant oria debilitante e deplorável, que agitavam todos, pararam imediata-mente. A aglom eração de espíritos inferiores pareceu petrificada diante da claridade tênue. Sebastião, com expressão furiosa, levantou-se rápido de seu acomodo, semelhante à pos tura de um rei, que se ergue do trono diante da desagradável invasão em seu castelo. Muitos espíritos, com miserável aspecto, arregalaram os olhos, apavorados com a cen a e a vibração iniciada, e por essa razão, correram, fugindo assustados sem coragem de esperar para ver. Apesar da aparência rude e grosseira, o espírito Sebastião temeu, mas não se acuou. Em poucos segundos, um grupo de entidades elevadas passou a tomar contorno vi sível àquele nível no plano espiritual, enquanto o fio de luz irradiava-se, iluminando vagarosamente o lugar e emitindo vigorosas vibrações sublimes que pareciam, limpar os miasmas destruindo as formações nojosas existentes. Os bondosos benfeitores fizer am-se presentes com nitidez às impressões dos que ficaram. Todo o grupo de espíritos s ublimados parecia nutrir-se dos raios brilhantes da bela luz e prendiam os pensa mentos em prece elevada. O jorro de luz se intensificou, como se ganhasse delicado contorno transparen te, lindo, indescritivelmente belo, transmitia puro amor. As sombras se dissipar am e reconhecível surgiu Laryel de forma translúcida, como um cristal e com toda a s ua expressão de bondade e superioridade, pois assim o era. Sebastião ficou inquieto, nervoso e agressivo, protestando ao urrar: Quem pensam que são para invadirem meus domínios?! Após gesto generoso ao inclinar de cabeça, como um cumprimento sutil, Laryel argu mentou com postura e expressão imperturbável enquanto ampliaram-se os raios de inten sa luminosidade, que se espargiam de seu contorno: Sebastião, por que o coração endurecido que insulta sua consciência, mesmo sabendo da necessidade de reparação? Quem é esse ser desgraçado que ousa me afrontar?! Sou uma criatura de Deus assim como você, mas não o afronto. Aqui estou por missão de amor - esclareceu a benfeitora com intraduzível generosidade. Vamos! Ataquem esses invasores! - berrou Sebastião. Contudo os poucos espíritos m alfeitores restantes também fugiram. Somente Lúcia, assustada, foi para trás de Sebast ião como se quisesse se esconder. Aceite a oportunidade, caro irmão. Sabe que não adianta a rebeldia. Todos já trilha mos caminhos obscuros, fomos egoístas e não aceitamos as justas Leis de Deus, que é de bondade igual para com todas as Suas criaturas. - Breve pausa e pediu serena e piedosa: Venha, venha comigo, Sebastião. Arrependa-se dos atos do passado e se pro ponha à elevação. Já perdeu muitas oportunidades de reparar os erros. Nunca! Sofrimento e dor! É isso o que tem para me oferecer! Chama de bondade Di vina o que Tiago experimenta?! - riu com sarcasmo. Sim. Eu denomino bondade e justiça de Deus. Tiago experimentará uma única vez o sof rimento provocado em dezenas de pessoas. Dispondo-se ao auxílio na tarefa abraçada n esta reencarnação, com sincero arrependimento do que fez no passado, ele só terá essa pr ova, em vez de se penitenciar ao mesmo número e grau de dores que provocou em suas vítimas. Se a lei de Talião: olho por olho e dente por dente vigorasse por desejo de Deus, o mundo estaria cego e desdentado, como disse uma grande alma muito sábia. J ustiça e bondade são as bases das Leis de Deus para os que se arrependem e desejam s e elevar. Desgraçada! Já sofri muito e me diz que ainda preciso sofrer mais! Não sabe o que e xperimentei, mas estou liberto! Não serei mais prisioneiro da minha mente! Nesse instante, o espírito Sebastião afastou-se e correu, tentando fugir. Mas ao querer ultrapassar o limite dominado por aquela claridade celeste, foi como se e xperimentasse um choque que o fragilizou e, depois de um gemido, o fez tombar. D e imediato, Sebastião foi amparado por socorristas especializados. Ele estava iner te e desfigurado. Foi recolhido com todo o carinho para, ao fim daquela missão, se

r encaminhado e preparado para breve reencarne. Generosa, Laryel voltou-se para o espírito Lúcia, que chorava, mas sem arrependim ento e sim de contrariedade e medo. Querida Lúcia, é o momento de você decidir. Aos prantos, com aparência horripilante na formação perispiritual, ela reclamou: Isso é injusto! É impiedoso! Impiedade e injustiça foram temas de suas atitudes para com Sérgio após várias oportu nidades reencarnatórias. É o momento de reconhecer e assumir suas falhas, despojar-s e dos vícios libidinosos. Tudo é confuso! Tenho medo... O que acontecerá comigo?! Piedosa, Laryel argumentou: Você só serviu de instrumento para que Sebastião tentasse desviar Sérgio da tarefa ad mirável, útil e voltada para o bem. Seu irmão reencarnou com um propósito. Ele é um espírit bondoso, sábio e prudente, por isso não se inclinou às suas cruéis tentativas de assédio para o incesto a fim de desviá-lo para o desequilíbrio. Mesmo desencarnada, Lúcia, você se deixou usar para estranhas representações que o perturbassem em sonhos. Porém, mais uma vez, o Sérgio mostrou-se digno e elevado. Será difícil atormentá-lo. Eu me atraí por ele! Egoísmo e possessividade não são amor. Apego demasiado e extremas atitudes cruéis pel o desejo compulsivo de desregramento sensual para seus vícios sexuais não são amor. Am or é renúncia, aceitação e compreensão. Foi cruel sermos irmãos! Fiquei desgostosa e morri por culpa dele... Eu não desej ava mais viver! Com doce inflexão, quase num lamento, Laryel se expressou caridosa: Pobre Lúcia. Tanto foi usada por Sebastião e por Sueli que não percebeu ser um simp les boneco à mercê das manipulações. Realmente sua existência terrena foi cortada abruptam ente e estava com vigoroso fluido vital. Mas foi você mesma quem se atraiu para es se acontecido. Se tivesse outra postura moral, não teria desencarnado tão bruscament e e naquela ocasião. Perturbou-se muito no plano espiritual, por isso não se importo u em se deixar influenciar pelas energias mentais de Sebastião, que nublaram sua c onsciência, fazendo-a crer no que ele afirmava. Questionou-se se tudo era verdade? Procurou lembrar os fatos como realmente aconteceram? Com a habilidade que lhe era peculiar, Laryel fez projetar na tela mental de Lúcia como foi realmente seu desencarne. Sem ter como fugir das cenas, o espírito Lúci a narrou em aflição: Eu estou com a Sueli!... Fomos roubadas e um dos ladrões está armado! Eles iam em bora de moto, mas ainda estavam parados ao nosso lado e... Um deles pegou minha carteira e jogou minha bolsa, mas... Não! Vejo o Sebastião influenciando a Sueli... Ela me empurrou e eu... Eu não reagi! Estava com medo! Com o empurrão que ela me deu , fui para cima do ladrão, quase caindo sobre ele e... Ele se assustou! Quando me equilibrei, afastando um pouco, ele atirou e eu caí! Eu não me matei! - um choro com pulsivo a dominou ao deparar-se com a verdade. Afetuosa, Laryel acrescentou: Desencarnada e em profundo estado de perturbação, o Sebastião nublou o seu entendim ento. Mas foi a sua mágoa, a contrariedade em seu coração, os seus desejos mundanos qu e a deixaram sob a disposição desse espírito obsessor, que conseguiu organizar uma fal ange para que uma tarefa não fosse cumprida. E pela sua inclinação à maldade, à vingança e o orgulho, você se deixou usar por Sebastião. Mas eu não sabia! O Sebastião me usou! Socorreu-se em prece verdadeira a Deus, Lúcia? - perguntou com sensibilidade. E , sem esperar resposta, Laryel continuou no mesmo tom delicado: Com as paixões mat eriais e, principalmente, as necessidades do corpo físico se ressaltando no plano espiritual, admita que foi por orgulho, vaidade, necessidade de vícios lascivos e fantasias sexuais que se deixou hipnotizar por Sebastião. Não foi somente vítima dele, mas sua aliada. - Breve pausa e acrescentou: Querida irmã, seu desencarne se deu por uma traição de sua amiga. Tal fato ocorreu exatamente como você fez no passado. No meou-se amiga de Débora e a vitimou com um tiro no rosto provocando sua morte prec oce e imediata pela lesão no cérebro. Foi capaz de pagar para que a matassem, simula ndo um assalto. Eu morri num assalto que a Sueli se aproveitou para se livrar de mim. Por quê?

Ao confidenciar para sua amiga que gostava de seu irmão, em vez de procurar aju da de profissionais competentes como Sérgio orientou, você se tornou um risco para a s idéias desequilibradas de Sueli. Ela acreditava que ele poderia corresponder aos seus desejos, Lúcia, e desfazer o namoro. Não! Não! - Lúcia passou a gritar por começar a experimentar as indescritíveis tortura morais como punição dos crimes cometidos. Após aplicação de passes magnéticos por outros t refeiros, ela se acalmou, mas ainda transtornada, perguntou: Essas outras vidas que vejo na mente são verdadeiras?! Sim, minha irmã. Tudo fica registrado na sua consciência. Teve oportunidades, mas não às aceitou. Apesar de dotada de inteligência e receber orientações nobres e amorosas de seus pais, inclinou-se aos vícios mundanos, às fantasias das paixões físicas. Usou a inteligência para o mal só por egoísmo. O ciúme, a ambição, a inveja, as paixões corpóreas mor. O que fez será de sua total responsabilidade e precisará cedo ou tarde harmonizar tudo sob a ação das Leis de Deus. Todo extremo é prejudicial e arcaremos com as conseqüências d os nossos excessos em tudo. Lágrimas incessantes corriam dos olhos de Lúcia que, muito abalada, tinha o peris pírito ainda mais deformado, soltando pedaços como se estivesse se decompondo. Estou louca! Matei os cachorros que o Sérgio teve por ciúme dos animais, pois ele dava mais atenção para os bichos do que para mim! Inspirei a Sueli matar o Tufi par a magoá-lo e deixá-lo fragilizado! Eu me vejo tentando seduzir meu irmão! Que horror! O sangue da Débora não sai das minhas mãos, da minha roupa! E em outro tempo tentei se duzir o Sérgio quando ele foi meu pai! Pare! Pare! Tenho dor! Eu estava com ódio da Débora, ajudei a separá-la do Sérgio ao me aliar ao Sebastião e influenciar a Sueli! Olh e o que a Débora passou e sofreu por minha causa! Como o Sérgio sofreu com sua ausênci a! Quero esquecer tudo! Esquecer! Não quero mais ver isso nem me ver deformada! Is so dói! Faça algo em nome de Deus! - berrava com repulsiva sensação de pavor, e chocada com tudo o que fez. E as cenas se repetiam em sua mente. Querida Lúcia, só você pode se ajudar a partir de agora - esclareceu Laryel com bon dade. Sebastião ainda se prende nas satisfações animais para o espírito. Deseja vingança. Mantém a crueldade no coração impiedoso. Ele tem muito a reparar, mas não aceitou ajuda. Não se arrependeu. Não será fácil Sebastião se harmonizar e se equilibrar por causa de su a revolta e egoísmo. No entanto você, Lúcia, pode se submeter à bondade e justiça de Deus desde já. Poderá me socorrer e me tirar daqui?! Poderá tirar isso tudo da minha mente?! O que vê repetidamente são os seus excessos, as conseqüências de suas práticas. Agora ntende que não prejudicou somente Sérgio e Débora, mas outras criaturas que necessitav am e dependiam deles e ainda os que precisariam desses outros. O planejamento re encarnatório é tão difícil de ser seguido e piora quando alguém interrompe o fluxo da corr ente de vida, produzindo causas desastrosas a uma pessoa, aos que a cercam, aos seus antecedentes e descendentes. É uma destrutiva reação em cadeia e com o uso da int eligência, algo pensado, premeditado e que poderia ser evitado. O que Deus pode fazer por mim?! Não quero ver nem sentir mais isso! Inabalável diante da cena triste, piedosamente, Laryel expressou-se brandamente : Veja o que você pode fazer por você. O que pode fazer para minimizar o que experi menta. Então a bondade e a justiça de Deus hão de auxiliá-la na harmonização, na reparação elevação espiritual. Crê em Deus? Eu creio em Deus! Ajude-me Senhor! - suplicou com sentimento verdadeiro. Esto u arrependida de tudo isso! Não imaginava que sofreriam assim!... Posso sentir o q ue sentiram!... Aproximando-se suavemente de Lúcia, Laryel estendeu-lhe a mão, direcionando-lhe e nergias salutares. Um bálsamo para o que experimentava. Lúcia sentiu-se esmorecida e foi amparada por um socorrista, mas ainda olhou para Laryel e murmurou com difi culdade: Você é um anjo... Apague isso que vejo e sinto. Ajude-me em nome de Deus. Imediato efeito calmante a dominou e o espírito Lúcia se entregou ao socorro. Laryel olhou docemente a cada um que a acompanhava. Erguendo o rosto sereno e transparente para o alto, teceu sentida prece de agradecimento. De seu contorno , raios reluziam ainda mais fortes, como se seres superiores lhes derramassem bênçãos

santificantes em jorro de luz, forças magnéticas em ondas luminosas para suprirem as energias despendidas por todos. Beleza intraduzível e contornos translúcidos irradiavam de seu semblante sublime. A abnegada benfeitora agradeceu aos elevados acompanhantes em nível de pensamento e ofertou doce sorriso enquanto sua figura, já transparente, desfazia-se suave so b a visão dos companheiros. O grupo socorrista terminou a tarefa e seguiu para local adequado às necessidad es de cada um dos socorridos. * * *

O dia havia clareado, mas a manhã estava cinzenta. A garoa deu lugar ao vento f rio e úmido. Sob o efeito da claridade sem brilho e do frio incômodo, Sérgio despertou do cochilo na cadeira do hospital. Acomodando-se melhor, sentiu o corpo dolorid o e uma rápida lembrança de tudo o colocou em alerta. Levantou-se e saiu à procura de alguém daquele setor hospitalar que pudesse lhe dar notícias sobre o estado de Tiago . Ao ver uma enfermeira, apressou-se para alcançá-la, porém a mulher informou que o médi co ainda estava no Centro de Terapia Intensiva, ou C.T.I., acompanhando o estado dos pacientes. Alguns minutos e Sérgio olhou para o corredor e viu seus pais caminharem ao seu encontro. A mãe o abraçou e estava em prantos. Mãe... Pai... - ele murmurou sem saber o que dizer. A mulher não conseguia falar, mas o pai perguntou: Alguma notícia? Você conseguiu vê-lo? Não... O médico está no C.T.I. e não deve demorar. Não acredito... Oh! Deus! Que dor meu filho está sentindo! - chorava dona Marisa. Procure se acalmar, mãe - pediu bondoso. Venha, sente-se aqui. Nós deveríamos ter ficado aqui com você - disse o senhor Inácio com olhos vermelhos p elo choro. Depois que fomos para casa, não conseguimos dormir e a preocupação só aumento u. Não adiantaria ficarem aqui. Eu não tive qualquer notícia. É necessário aguardar. Meu filho está sofrendo... É a pior dor do mundo! Calma, mãe. Acredito que deram sedativos ao Tiago. Um barulho e Sérgio olhou para o corredor por onde o médico caminhava vagarosamen te, observando algumas fichas clínicas. Rápido, o rapaz se levantou, foi ao encontro do médico e, mantendo-se calmo, perg untou: Doutor, meu nome é Sérgio, irmão do Tiago Barbosa, o bombeiro vítima de queimaduras sé ias e... Bem, o senhor poderia me dizer qual o estado dele? O médico o observou por sobre os óculos caídos no nariz e explicou após olhar a ficha : Tiago Barbosa... Calcula-se sessenta por cento de queimaduras graves de segun do e terceiro graus. Seu caso é sério e não posso adiantar qualquer resultado, pois... - Notando o casal sentado, falou baixo: Bem, Sérgio, ele é jovem, saudável e parece m uito resistente. Talvez outro não suportasse tanto e... Veja, minha opinião é que ele tem grande chance de sobreviver às lesões, porém ficará com consideráveis cicatrizes nas c ostas, parte lateral do tronco, perna, braços... Por sorte seu rosto foi pouco ati ngido. Somente uma leve queimadura no queixo e pescoço. O capacete do bombeiro pro tegeu seu couro cabeludo e... Precisamos aguardar. Doutor, o outro médico que o atendeu ontem disse haver uma perna muito queimada e comprometida... Existe algum risco de... - Sérgio deteve-se com olhos marejados . Ponderado, o médico avisou: Sim. Isso é verdade, Sérgio. - Olhando novamente o casal sentado, que chorava afl ito, o médico explicou: As queimaduras foram fortes e comprometeram a circulação da co rrente sangüínea para o pé direito. Precisamos evitar todos os riscos de infecções e acomp anhar rigorosamente a irrigação do sangue, mas caso o organismo não tolere, bem... Será necessário amputar? - perguntou o irmão sussurrando. Provavelmente. - Vendo o abatimento do rapaz, o senhor aconselhou: O hospital é um ambiente que esgota as forças e vocês não poderão vê-lo pelo risco de contaminação. V

casa e procurem descansar pelo menos o corpo. Isso é o mais prudente a se fazer. Poderão telefonar para terem notícias e será menos desgastante. Certo... Mas... Só uma coisa, o Tiago está consciente? Ele sente as dores da quei madura? Ele está monitorado por aparelhos e, quando recobrou a consciência ao ser trazido para o hospital, eu e o outro médico acreditamos que fosse viável induzi-lo ao coma temporariamente. As primeiras quarenta e oito horas são as mais críticas no estado em que ele se encontra. Depois disso, teremos condições de uma avaliação melhor. Muito obrigado, doutor. Faremos como aconselhou. Voltarei mais tarde. Telefonaremos caso haja alguma novidade. Certo! Muito obrigado! Após despedir-se, Sérgio voltou para junto de seus pais explicando somente sobre a importância de Tiago não contrair uma infecção e que estava sob o efeito de um coma in duzido. Acompanhando os pais até o estacionamento, despediu-se e os viu ir embora. Depo is, frente a seu carro, quando ia entrar no veículo, avistou uma pequena e bonita Capela Católica que ficava próxima a um belo jardim no hospital. Sérgio sentiu que pre cisava de um templo silencioso para reflexão, meditação e prece. Lembrou-se de Débora so zinha em sua casa. Pensou por instantes, superou o desejo de ir embora e caminho u, lentamente, até a capela. Chegou a duvidar de que Débora o esperaria, porém não pensou muito nisso. Sua prior idade era a de refazer-se espiritualmente, buscando amparo e alívio pela elevação do p ensamento a Deus para se manter equilibrado. Adentrando a capela, admirou seu interior repleto de flores agradáveis e suave perfume. Caminhou alguns passos, que ecoaram no assoalho de madeira, e sentou-se em um banco. Circunvagou o olhar e admirou os delicados vitrais. Fixou olhar na estátua de imagem angelical que simbolizava Nossa Senhora, mãe de Jesus, e do outro lado do altar a estátua representando o próprio Mestre. Ambas rodeadas de belas flo res frescas. O silêncio era absoluto e muito convidativo à prece. Sérgio suspirou profundamente e fechou os olhos, elevando os pensamentos por in termédio da oração. No plano invisível aos encarnados, suave luz cristalina era emitida de Sérgio e, gradativamente, aumentava de intensidade transformando seu semblante que pareceu ainda mais belo e superior. De seu peito raios cintilantes jorravam projetandose ao longe. Sérgio ergueu levemente a cabeça e de sua testa irradiava luminosidade adiamantada que se ligava à luz azulada, quase violácea que descia do Alto pelo vigo r da prece. Algum tempo depois, terminada a meditação, ele percebeu lágrimas quentes c orrerem pelos cantos de seus olhos e as secou com as mãos. Mesmo sensibilizado, Sérg io se sentia melhor. Estava envolto por uma luminescência vigorosa e bela que o fo rtalecia. Não demorou muito e decidiu ir para casa.

31 - Débora fracassada, humilhada e submissa Ainda era manhã quando Sérgio chegou à sua casa e não conseguia deixar de pensar em Déb ora. Uma muralha de silêncio amargo e angustiante havia se erguido entre eles por culpa do egoísmo, da inveja e da mentira. Foi difícil para ele suportar as ruínas dos sentimentos, os pensamentos inquietantes e o doloroso sofrimento por ela não acred itar em suas palavras. Sentindo o coração cortado por uma lâmina afiada, lembrou-se de se ver à beira do desespero, quase cometendo um ato insano. Apesar da gravidade d os fatos, tudo havia passado e mesmo não se esquecendo de Débora ele superou bravame nte o terrível tormento. No entanto, quando menos esperava, ela retornou abatida, parecendo humilhada e dizendo necessitar de sua ajuda. No instante em que a viu, ficou incrédulo e seu s sentimentos ressurgiram com mais intensidade, com o mais puro e verdadeiro amo r. Teve o desejo de abraçá-la e beijá-la, esquecendo o passado. Mas se conteve, pois o passado precisava de muito esclarecimento e ele tinha de ser prudente. Abrindo a porta, ao entrar, não percebeu qualquer movimentação ou barulho. A casa p

surpreendeu-se ao ver Débora em pé. pois só quer saber de carne. Puxa.. Imediatamente o sono o dominou. Sem res istir. As queimaduras foram bem graves e só no s resta aguardar. In do para a sala sentou-se no sofá. Sentia o coração apertado. perguntou expressando preocupação: Aonde você foi? Com os olhos nublados.. Acreditou que o destino lhe ti vesse armado nova decepção.Desviando o olhar e afastando-se. Não pode receber visitas. É. emoldurou leve sorriso no rosto. Ficando frente a ela. preocupava-se e se decepcionava com Débora que não cumpriu o prometido de esperá-lo mesmo sabendo da gravidade do que acontecia.. fechou os olhos.. A toalha já está no banheiro e.sussurrou com dolorosa piedade. Achei que precisaria se sentir mais à vontade.exp licou. . A limente-se e depois deite e durma um pouco. Realmente estou. Com voz fraca . Não acha melhor? Sérgio estava atento e mantinha o olhar fixo em Débora. Eu não tenho para onde r e. Ele desejou envolvê-la num abraço. levantando-se. Não! De jeito algum! É que ao chegar não a vi e pensei que tivesse ido embora . Sérgio sentia o corpo dolorido e muito exausto.T. Eu preparei um café. voltando à realidade: Realmente preciso de um banho. Nesse instante Sérgio andou até a janela.. falou: O médico reforçou o risco de ele perder a perna ou. P . mas dominou a intensa vontade e concordou. dizendo: Tudo bem! Vem cá..perguntou amedrontada... completou: S aí só para comprar pão e algumas coisas para o café da manhã. Chamou por Débora e não houve resposta.. .A cachorrinha co rreu de um lado para outro da casa enquanto ele colocava-lhe ração e trocava a água. refugiar o rosto em seu ombro e somente senti-la junto de si. Você está fic ando muito sem-vergonha. Prometi que o esperaria. .Ela continuava brin cando da mesma forma e ele não resistiu.. Sérgio sorriu e to rnou a conversar: O que é. Vendo-o sair da sala. entendeu?! . Como se não bastasse.. Acreditei que chegaria exaus to. empenhando-se para que as lágrimas não caíssem.. Meu Deus.agradeceu surpreso. comer alguma coisa. D epois ela se aproximou. Ele se ajeitou e confuso murmurou: Débora?! Você está aqui?! Se esqueceu de mim? . pegando-a no colo e lhe fazendo um carinho.Ante ao silêncio. Princesa?! Por que essa felicidade toda. estendeu o braço tocando sua face com as c ostas da mão. mas avisou: Eu tomei a liberdade de separar um agasalho. Se ia melhor tomar um banho e. ele perguntou com voz peculiar de quem amorosamente bri nca com um animalzinho: O que foi. Não me alimentei direito ontem e estou me s entindo mal por isso.. .. não ganhará carne.Ao vê-lo se virar. As roupas mais confortáveis que encontre i. hein?! . fazendo-lhe um terno carinho.riu....Acanhou-se. tocando-o com as patinhas ao ficar em pé. não é? .. Em seguida coloc ou-a no chão e observou: Tenho muita coisa para fazer e não posso brincar. Vendo-a fazer muita festa.. ela prosseguiu: Você está cansado e muito abatido. Sofria ao pensar em Tiago. Amav a muito o irmão. ela avisou d e modo tímido: Por enquanto não posso ir embora a não ser que você me peça.I. Viran do-se rapidamente. Mas enquanto a senhorita não com er a ração. Débora se aproximou e sugeriu: Sérgio. chamando-o com voz suave.falou. Débora! Obrigado! Não deveria se incomodar. menina? Não está a fim de comer hoje? . um tanto submissa. E o Tiago. uma camiseta e. vem! Sei que que r colo. despertou ao sentir um leve afago em seu ombro. como está? Ainda no C. recostando a cabeça e largando o corpo. . abanando o rabo e parecendo re bolar de alegria em vê-lo. deixando s ua cachorrinha entrar. tímida e quase hesitante. . Seu coração bati a acelerado e descompassado. Após olhar pela casa foi até a porta dos fundos e a abriu. mas mantinha o controle apesar de decepcionado. Mas rapidamente se deteve e dissimulou . comentando: Vou tomar um banho logo. Débora experimentou a mais desagradável sensação diante dele..arecia vazia.. Muito tempo depois ele. deixando o olhar perdido.. Tem leite e comprei pão e bolo.

mam e tudo isso de que gosto .. Obrigado. às vezes. Sua sensibilid ade pesava-lhe a consciência e se humilhava por culpar-se mentalmente. Você dormia um sono tão profundo. porque não tinha muita coisa para o café da manhã. mas contou: Sérgio. ao encará-la com expressão neutra. acuou-se em um canto. ele a acolheu após tanto tempo. racional e flexível.. ela não o encarava. ela o seguiu e.falou com meio sorriso e sem jeito. tirando as coisas da mesa. Com tranqüilidade na voz grave e baixa.. Eu vi que colocou ração para a Princesa. Estava mais soberano e solícito. ele foi ajudá-la com a louça. Ah!. Glorioso. aguardando-a para que se sentasse ao vê-l a trazer o leite quente. Alguns minutos e Sérgio retornou à sala. Já terminamos! .tornou ele. A jovem sentiu-se gelar. interrompendo-a. Sérgio argumento u com expressiva bondade: . mas eu já tinha posto e ela comeu tudo. Não é por preguiça de preparar.riu.. chorou muito até ouvir o chuveiro ser desligado. Você precisa dormir e. ao secar as louças. o bolo. Fiz café. A falta de assunto enquanto se alimentavam fustigava os pens amentos de Sérgio.. envergonhá-lo a ponto de destruí-lo moralmen te. seguro de si e ponderado. Fez bem. pediu: Sente-se e coma alguma coisa.. Estranhou sua postura humilhada. passou as mãos no rosto encoberto pelos cabelos. disfarçando e escondendo-o entre os fios de cabelos jogados. Débora. vá descansar um pouco... bolacha. Sem dizer nada. mas imperturbáv el. mas a jovem o impediu de modo singul ar: De jeito nenhum.. mas não d isse nada.. Pode acresce ntar leite . Normalmente tenho o s ono leve e achei que só havia cochilado um pouco. Quanto arrependimento! Débora chorou em silêncio. e afirmou: Agora nós vamos conversar. Não entendia como foi capaz de fazer aquilo.falava sem olhar para ele. das acusações feit as com o intuito de machucá-lo. ele comentou: Estranhei por não en contrá-la ao chegar aqui e por não ter acordado quando entrou. Sorriu levemente e agradeceu.disse. torturá-lo. sentada no sofá. mas. Sérgio . Apesar de tud o. Era o que deveria fazer . Nada disso! . Pronto!. ele tomou postur a firme. Não tem proble ma. Contudo ela não deve comer bobeira do tipo salgadinho. Sérgio fico u impressionado ao vê-la tensa. Demorei a chamá-lo. Acredita mesmo que eu conseguirei dormir? Ao menos deite e descanse. conhecendo-o tão bem. Ao terminarem. Abaixou a cabeça. nem tomo café em casa. exibindo-se descontraído. Porém Débora mostrava-se temerosa. Sérgio. é por falta de tempo e. ela correu e foi lavá-lo c om água fria. Ao vê-lo. Está frio e. Vi mais ração no comedouro e não sei se. o queijo. depois pensei bem e acreditei que era melhor acordá-lo para tomar um banho. comer e descansar melhor. pois su a aparência sofrida denunciava os maus tratos da vida que escolheu. O silêncio reinou. Tendo os olhos vermelhos pelo choro e os cabelos cobrin do parcialmente o rosto. preocupado. mas ela o chamou à cozinha..respondeu ponderado e seguro. rígida. Enquanto ela lavava. mas. Vamos! Eu te ajudo a arruma r a cozinha. Não! . Ela se sentia uma estranha acolhida por uma pessoa bondosa e piedosa. chegando a tremer apesar de petrificada e sem reação. Não querendo apresentar o rosto vermelho. Não sei se ficou bom.. Achei que você precisaria se alimentar e só havia frutas.pediu ele gentilmente. Descansei um pouco no sofá quando cheguei . Está explicado por que ela não comeu! . cabisbaixa e com leves movimentos nervosos n as mãos aflitivas que se esfregavam. Eu arrumo isso. Deparando-se com a mesa bem arrumada para o desjejum.. ele se admirou. envergonhada de alguma forma e c om atitudes extremamente submissas. Vamos lá para a sala?! .. Lembrou-se de tudo o que falou para Sérgio e a maneira cruel de como o tratou.sorriu.aconselhou educada . ficou virado para ela. Num gest o para secar as lágrimas.ercebeu que Sérgio havia mudado muito. Há tempo não tomo um café da manhã com suco de laranja.expressou Sérgio com leve sorriso. Colocando-se frente à Débora. humano e humilde. Experimentou a respiração alterada e as lágrimas aquecerem seus olhos. equilibrado e sensível.. Sentando-se no mesmo sofá e acomodando-se de lado sobre uma das pernas flexiona das.. eu encontrei certo valor em dinheiro na gaveta do seu quarto e peguei o necessário para comprar o pão.

Constrangida e chocada com a verdade.. Procure se acalmar.. foi até o quarto e retornou com uma caixa de lenços d escartáveis que entregou a ela.. quase perdendo o controle por sua atitude. Após secar o rosto. Bem. sabe que precisamos conversar.Débora. Olhando-a naquele estado.. Não preciso te perdoar. esconden do o rosto ao se debruçar no braço do sofá. que precisou da ajuda de dona Antônia e do doutor Édison. Eu vou te contar. Débora. Eu só o procurei por não ter alte rnativa e. a jovem precisou se esforçar para encará-lo. acomodou-se no mesmo lugar..... Em seguida. Mas como?! Eu vi as fotos! Tive cópias! Você deveria ter me perguntado isso naquela época .. Você me conhece muito bem e sabe que pode contar comigo. por favor.. Mas não posso negar mi nha preocupação com você.Breves minutos e. com a voz embargada pelo choro que não conseguiu conter. aqui. Sérgio ocupou-se de longo tempo. o que eu fiz?! . amedrontado. pois ouviu a minha ver são. . Vencido pelo amor. Pensei que nunca mais quisesse me ver! Ele não se alterou. Como não pode ser ve rdade?! E a Rita?! Eu os vi juntos na sua cama. deix emos isso para lá.chorou. porém pr ciso saber o que aconteceu. Ele a amava e acreditou ser um carrasco cruel pela postura aparentemente fria. Hoje eu sei que não tenho o direito de julgá-lo pelo seu passado. então. olhou-a nos olhos e pediu com sutil e bondosa firmeza: Espere. Não suportava observá-la inconformada e em pranto de arrependimento daquela forma . do quanto sofri desesperado a ponto de. O importante é saber que eu tenho a consciência tranqüila.. porém estava atenta a cada palavra. Desejava abraçá-la para confortá-la.murmurou melancólica. Vamos por partes. recompôs-se. pois se assim o fosse. É preferível fazermos isso o quanto antes. nesta casa?! Calma. ela se afastou do abraço e manteve-se cabis . Só poderá fazer isso depois de ouvir a minha versão sobre o assunto e sentir se é verdadeira o u não! Você. ela começou a dizer: Quero que me perdoe por agredi-lo tanto. Não se altere. Sérgio sofria pelos fortes sentimentos que o dominava m. Agora pode me julgar. mas. Quero te ajudar. eu. Sentia o c oração apertado ao vê-la tão abalada. tudo se encaixava perfeitam ente! Pensei em várias alternativas para não crer naquilo. Aquelas foram calúnias extremamente cruéis e injustas das quais preferiu acreditar nas tramas que a Sueli usou para nos separar e cons eguiu. O mais importante é não cometermos os mesmos erros.balbuciou sem conseguir terminar... pareceu defender-se quase em pânico pelo engano: Eu fui surpreendida com toda aquela história! Sérgio. quero pensar no que fazer agora e arrumar condições de me prover s ozinha. Su a presença nesta casa não atrapalha minha vida nem me incomoda. Nem incomodá-lo. Abraçou-a e a embalou ao acariciar seu cabelo e o rosto que ela tentava esconder em seu peit o. .. porém estava mais abatida e angustiada do que antes... terá de decidir em quem acreditar. ele continuou com o mesmo tom tranqüilo e pausado na voz mansa: Você não faz idéia do que experimentei. . mas se conteve e diu com brandura: Débora. Ao final. sua irmã. Mas as lágrimas não de ram trégua e corriam seguidamente em sua face. Sérgio suspirou fundo. Débora chorava muito em meio aos soluços compulsivo s. não estaria aqui. sobre estar deitado ao lado de Rita e o difícil refazimento da amiga. Alguns instantes e um pouco mais calma. Sem alterar a serenidade nem a paz de espírito. Após algum tempo.chorou ainda mais. resp ondeu: Não quero atrapalhar sua vida.. Mas. por não ouvi-la argumentar. olhe para mim.. mas explicou detalhadamente tudo sobre sua vida. Sérgio. pois não com eti as absurdas acusações feitas. puxando-a para junto de si. V ocê concorda? Imóvel e sem olhá-lo... Bem.advertiu-a com a mesma postur a serena. Levantou. Às vezes uma força nos faz realizar coisas que não desejamos e... Deus. veja bem. Atordoada. Foi isso o que aconteceu. Contou também sobre o desespero que o dominou e o levou a tenta r contra a própria vida. com seu estado tão frágil. Quanto ao seu direito de julgar os meus atos. . aproximou-se de Débora. Débora. Então. Não.

mas ainda se encontrava atordoada. . Tudo escureceu e. sentido-a gelada. Sentan do-se. . Agora está com reaçõe deprimentes. Preocupado. Procure abrir os olhos e respire fundo. apertou-lhe a mão e sussurrou: Não me deixe sozinha. Alguns minutos e ela reagiu melhor. se humilha. Como posso dizer não para esse sentimento que a ranca do meu peito toda essa emoção por vê-la assim?! Envergonhada e com nítido medo ao ouvi-lo falar daquela forma. com olheiras profundas e.balbuciou.. Depois de tudo o que fiz com você. Mas eu preciso te contar tudo o que aconteceu comigo .. ela afagou-o secando-lhe o rosto e pediu entristecida: Não chore por minha causa.. Oi! Estou aqui! ..chorou. com sua vida. Estava decid . É melhor levá-la ao médico. sentada na cama. Como me arrependo!.... Não se preocupe. Não sabe o que fiz nem a vida que escolhi. naquele des espero. acomodou-a com um abraço. a jovem murmurou: Perdoe-me. racionais. mas as pálpebras pesavam e tornava a fechá-las. segurou delicadamente sua face pálida e congestionada.. expressivos e marejados de Sérgio e disse: Obrigada por me acolher. largada nos braços de Sérgio. contudo. Você não parece bem e eu note i isso desde o primeiro minuto em que entrou nesta casa.. afagando-a vez e outra. E até por maus tratos.. fez com que o encarasse novamente e avisou: O mais importante é estarmos aqui esclarecendo tudo isso .. Se eu pudesse mudar o passado! ... Ele a tomou n os braços. Com voz amargurada. porém eu a conheci muito bem e. afagou-a com carin ho e compaixão.. Está muito magra.. Eu te amo. Vou me trocar.falou firme . Débora! . ao se culpar pelo s problemas. O pranto desesperado deu lugar a um estado esmorecido. Já está passando. Imediatamente ele notou que ela perdia as forças. porém acreditava que iria me desprezar.. Eu só pensava em você.. ficarei com você... Débora . se isso acontecesse. você está bem? Não sei. caso um dia nos reencontrássemos. Sérgio. Perceb eu seu rosto frio.Vendo a s lágrimas brotarem nos olhos da jovem e correrem por sua face. Você não merecia sofrer tanto. Pela demora. Eu merecia o seu desprezo por tudo o que te fiz. Vamos. os lábios esbranquiçados e os olhos fechando lentamente enquanto se largava. Mesmo em lágrimas. reagindo um pouco. Não diga isso! .chamou com firmeza. Cobr iu-a para que se aquecesse.. ela retomava a consciência. Tirando-lhe os cabelos do rosto..murmurou.. Débora .. levou-a para o quarto.. chorava muito. Não o mereço. Era um grau de desespero tão extremo. colocando-a sobre a cama.respondeu. ele perguntou: Débora. Ela abriu os olhos. deixa ndo-a com o olhar perdido.. havia algo mais do que o arrependimento. chamou-a: Débora! Abra os olhos.. Sérgio ajoelhou-se em frente a ela. Sei como você é ou era. Até sua pele e seus cabelos perderam o viço! . reaja! . sejamos realistas. Isso não é um tipo de tristeza momentânea! Certamente passou por situações complexas e. pegou suas mãos finas e frágeis que estavam fri as e colocou entre as suas. Contudo saberia esperar. Sérgio a envolveu com carinho e começou a desconfiar que. em seguida completou com entonação piedosa na voz baixa: Desculpe-me f alar assim. Eu e stava sofrendo tanto.ele não conteve as lágri mas. subitamente ela se atirou de joelhos à sua frente e o abraçou com toda a sua força enquanto intenso ch oro a dominou. segurando sua mão. como se tivesse fracassado totalmente na vida e... O que está sentindo? Não sei. forçandoa a olhar em seus olhos. Não! .admitiu firme. vamos! Vagarosamente. Sentado a seu lado.pediu. Débora. abatida .. Logo perguntou: O que você está sen tindo? Não sei.pediu.. o rapaz levo u a mão em seu rosto. das escolhas erradas que fiz e do quanto me arrependi nesse tempo todo. Algum tempo depois. quase atordoado. esperando que o encarasse. eu nem mereço viver.interrompeu-a com ternura na voz. acalmou-se e olhou diretamente nos olhos verdes.baixa.

. lembrou-o: Esse agasalho.. beijando-lhe a face com carinho.Parando de chorar. Eu não poderia me envolver com ninguém. E a jovem continuou mesmo entre lágrimas: Realmente experimentei um rebaixamento moral que nunca imaginei.. em seguida ele ligou para Rita. ela examinou as prateleiras e um travo de tristeza embargou a sua voz. ela trazia um brilho diferente no ol har perdido enquanto falava: Como me arrependo. Desculpe-me. ele sugeriu: Vai! Anime-se! Dê uma olhada e veja o que serve. Olhando-a com pieda de. afagava suavemente seus cabelos vez e outra. Quanto ao toque. Sérgio delica damente desviou o rosto e a abraçou. que estava in conformada e queria visitar Tiago. pediu com brandura: Débora. Débora! Te amo demais! Existe alguém na sua vida? . Conversaram e ele conseguiu acalmá-la. e ele se retirou fechando a porta do quarto. Acredite. A melhor coisa que fez a mim e a você mesma foi voltar aqui. eu só mudei de lugar. mas não pensei que fosse tão nobre assi m. as roupas que estou usando são suas. Sofri muito e preciso de um tempo. certo? Você tem razão. mudar de roupa e sairmos para almoçar? Ela forçou um sorriso leve e constrangida.. contou sobre Débora... Daria um fim na minha vida. Sabe. Fechou os olhos ao senti-la cho rar. com frio.. Eu ainda estou em choque e. muito abalada. Só você. Quando t eve oportunidade. Percebendo-a emocionada. Confie em mim.. Sérgio demonstrou-se animado e perguntou: Já viu que horas são? Que tal lavar o rosto.. Ainda estou surpreso com o seu retorno e não quero ser precipitado. Sérgio . Terá meu apoio e minha ajuda enquanto estiver agindo corretamente.ida.. .argumentou com ternura. meus sentimentos por você não mudaram. Jamais amei como te amo. por favor. Pelo frio. Não podemos nos precipitar e. Vou dar um telefonema. Levantando-se. Alguns minutos e. Venha ver.. desculpe-me..não conseguiu expressa r-se com palavras e suspirou fundo sem saber o que dizer. afastou-a de si. Eu também te amo.. O que sinto por você é forte e verdadeiro.Vendoa concordar com um aceno de cabeça. Tendo-a com o rosto colado ao seu. Após telefonar para os seus pais.. Perdoe-me.. ele explicou: É necessário que conversemos muito.. Não quero te magoar. Você entende? E como entendo. Sérgio se levantou.Ela não dis se nada. é questão de tempo. o que deixou a amiga surpresa... dese sperada e acreditando que me mandaria embora . Talvez não de vesse tê-lo procurado. mas ficou parecendo entorpecida. Eu te amo. Não teve tempo . a identidade e a carteira de habilitação no bolso. contudo é melhor es clarecermos tudo. Quer conversar? Não. Para minimizar o clima tenso. Fazendo-a encará-lo. peguei a jaqueta que disfarça bem. Eu.perguntou com certo medo. Não existe outra. Ele acomodou-se melhor em frente a ela e a ouvia com atenção. Débora. mas estão enormes. o contato e o c arinho que te faço é porque sei que isso socorre e conforta. Pode ser em outro momento? . Envolveu-a n ovamente em um abraço junto ao peito e afagou-lhe a cabeça. Senti tanta saudade de nós. Eu sabia que você era um homem maravilhoso. Lógico! Estarei ao seu lado e te darei todo o apoio. Não tenho roupas para sair. Por favor. E como saiu para comprar as coisas para o café da manhã? Não me importei por ser aqui pertinho. . ta? A moça não disse nada... não se sinta rejeitada ... Por isso cheguei aqui só com a roupa do corpo. E por gostar de você. Acredite..sussurrou entre os soluços... Ela se inclinou como se fosse recostar em seu ombro e ele se aproximou. Você nem imagina. Passei por situações tão difíceis. Estava com fome. foi até o armário e abrindo uma das portas mostrou: Você deixou algumas roupas aqui.. .. . E tem toda a razão.tornou ela em tom triste. .. Ele experimentava o coração pulsar forte.chorou. No in stante em que sentiu os lábios de Débora encostando suavemente nos seus. com ternura. Você me conhece.

sorrindo antes de f echar a porta. pois estava mu ito preocupado com seu irmão e não queria deixá-la sozinha em casa por notar algo dife rente em sua reação com o pouco que conversaram.Ela se aproximou e olhou enquanto ele explicou meio sem jei to: São roupas da Rita que. Nem me diga. Chegando ao hospital. não! . Bem. .. Meu irmão deve ter guardado. pois essas roupas se parecem com ela. Ainda não sei direito o que aconteceu.. Não conversamos sobre tudo. . tirando o casado. O médico puxou-o para o lado. que quase rolaram..Leve sorriso e chamou: Você está ótima! Vamos? Após almoçarem. comentou: Tem muita coisa nesta casa que eu não sei. Vej a. rende-se à humilhação ao menosprezo. Sérgio ajeitou-lhe o casaco que. Acho que não é do seu irmão.. É engraçado. Sérgio pediu a Débora que o acompanhasse até o hospital. Procurando um pou co mais... será que não fica melhor? Pode usar com o tênis e ainda tem essa outra blusa aqui. sussurrou: Ela o procurou. Distanciando-se. Nem parece que essa roupa foi minha. tenho certeza de que a Rita não vai se importa r! Sérgio ia saindo do quarto quando Débora falou: E eu que sempre critiquei o modo da Rita se vestir.. Que surpresa! . .. Mas Rita atirou-se à amiga num forte abraço duradouro que deu origem às lágrimas e ao choro compulsivo.. pois tudo combina e. Quase não suportei vê-la tão abatida física e emocionalmente. E difícil conter os sentimentos..disse Débora.. mas disse que não tem quem a ajude e p or isso me procurou. olhando dona Antônia se aproximando das moças... Agora preciso das roupa s dela.. apesar dos recortes para ajust e na silhueta feminina.... nitidamente nervosa e com a respiração quase ofegante como se esperasse por alguma repreensão ou crítica. Mais próximos. que se apresentava submissa e humilhada. não! Vem cá! . Ah! Espere aí! . Será que algu a blusa serve em você? Essa de lã!. Você acha? Vai! Experimente! Fique à vontade.tornou o senhor..perguntou antes de observá-la.ela lamentou quase chorando. mas reparou que a calça social que usava estava bem larga. Meu irmão. São bonitas! Ela só tem um estilo diferente quando quer e pode usar.. Aproximando-se. pediu atrapalhado: Ah.. ela aparece com a roupa do corpo. Estou horrível! . vendo-a sair do quarto de seu irmão. . . que permanecia petrificada. entrando no quarto de Tiago. tem tênis. falou: Achei essa calça jeans. ainda ficou muito largo. indo até a sala. Acho que são o seu número. De repente. Eu acho que vai combinar. sapatos. Sérgio pegou a blusa e a ajudou ve stir.argumentou a jovem decepcionada.. T rabalho de dia e o Tiago deveria dormir de dia para trabalhar noite sim.Pensando rápido. murmurou : Com tanta coisa acontecendo. Está frio e.. Mas par a trabalhar o estilo fica de lado. Dona Antônia cumprimentou Sérgio e logo o doutor Édison se aproximou depois que o o utro médico se foi. mas falou o suficiente par a não assustá-la com o reencontro. pessimista. ele se despediu e desligou..... molhad a. Está pronta? . Com certeza. Certamente ela notaria a extrema mudança e o estran ho comportamento de Débora. vá você. É. Estou preocupado com os pacientes po r pedir para desmarcar e.. Ela está estranha.Sentindo a garganta ressequida e os olh os ardendo pelos sentimentos aflorando-se em lágrimas..sorriu. ele reconheceu Rita.. ele a observou e elogiou: Puxa! Você está ótima! . Ao ouvir o ba rulho da porta do quarto se abrindo. Minutos depois. comentou: Seu rosto ficou diferente.pediu..Ela o seguiu e.. Vai! Vamos logo! . Sérgio? Foi. humilhada.Rindo. trazendo o rosto vermelho por chorar. Só lhes restava contemplar a cena e aguardar. Deixa Sérgio. noite não .Olhando-a melhor.. dona Antônia e o doutor Édison que con versava com outro médico. Rita o cumprimentou rapida mente e olhou por longo tempo para Débora. sandálias.de explicar à Rita os detalhes de como a outra estava.. Encontrei um estojo de maquiagem . Sérgio abriu os armár ios alegrando-se ao encontrar: Aqui estão! Veja! .. ela deixou aí e. Nem me diga. Tem bom gost o. doutor.

Dona Antônia não ficou satisfeita... Queria falar e b albuciou meu nome.disse. mas não se manifestou e retornou para sua casa e m companhia do doutor Édison. extremamente triste e abatida.opinou o médico. como poderá ser útil a eles? . Sérgio não disse nada e logo o outro sugeriu: Vamos entrar? Claro. por você.perguntou Sérgio desconfiado. Chamou pela Rita.. Rita e dona Antônia ameaçaram se aproximar. obser vando Débora. Rita! . Acho que me reconheceu. Rita. o médico fez um sinal e d ona Antônia as deteve. Afinal. correndo por su a face abatida.. 32 . provavelmente. Se os pacientes não compreenderem isso.. diante de Débora e Rita que estavam abraçadas. houve queimaduras nos pulmões. em pranto doloroso e extr emamente aflito..expressou-se enérgico. Sérgio sugeriu irem embora.. o doutor Édison desfechou: Não há irrigação sangüínea para o pé e iniciou-se uma severa inflamação. Imediatamente lágrimas brotaram dos belos olhos verdes de Sérgio. pois essa menina está realmente precisando de você . Sua mãe não se sentiu bem e precisou ir embora. E o meu irmão? Desculpe-me. Admita que é um ser humano sujeit o aos problemas e às dificuldades da vida. amanhã cedo farão a amputação logo abaixo do joelho. pediu: Posso ir com vocês? Claro.Breve pausa para o outro refletir e argumentou: É incabível eu dizer para não se preocupar nem se abalar ou não se atormentar. Permanecendo em absoluto silêncio por l ongo tempo. é p or falta de bom-senso. Ele sent ia muita dor. Com a certeza de que não poderiam ver Tiago. médico e confidente o abraçou forte e o rapaz. Sérgio e por isso foi novamente induzido ao coma e precisou ser entu bado para respirar melhor. Veja. Vi o senhor conversando com o médico.. Sérgio secou o rosto com as mãos enquan to o doutor Édison sobrepôs o braço em seus ombros.. não se concentrar. mas sussurrando. . Vamos andar um pouco lá fora. conduzindo-o ao dizer: Vem. mais de sessenta por cento do corpo e com variações de segundo e terceiro graus. Débora e Rita se mantinham abraçada .interrompeu-o preocupado. abaixou a cabeça com imenso aperto em seu cor ação. Mesmo surpreso. Eu acompanhei alguns resultados dos exames e. você consentiu que os avisasse sobre o estado grave de seu irmão. foi o médico quem não segurou as lágrima s e se abraçou ao rapaz dando-lhe um beijo paternal no rosto.respondeu em tom de lamento.. as proporções das que duras foram grandes. Esqueci de avisar que os seus pais saíram daqui minutos antes de v ocês chegarem. não é fácil segurá-lo os médicos temeram mais complicações nas queimaduras.Desmarque os pacientes de amanhã . Apesar de seu e ocupante. Passados alguns minutos de triste lamentação. Sérgio não suportou e desmoronou em uma crise de choro. agarrou-se a ele usando seu ombro para desabafar com aquele cho ro. O senhor o viu?! . O amigo. Ele é forte. O senhor é mais que um pai para mim. Quando Débora. coloque os assuntos em dia e organize seus pensamentos. depois perguntou: Ele está consciente? Ficou algumas horas consciente.. O Tiago não está muito bem. Vi. Ele cerrou os olhos. Mas doutor?! Sérgio! . Ouvindo aquela frase sentida e verdadeira. Passe o dia com ela. Sérgio se recompôs e pediu: Desculpe-me e obrigado. Eu estava lá. . O rapaz não disse nada e se deixou levar. por inalar ar muito quente. Seus sinais estão instáveis. O que aconteceu? .. Você precisa tomar um ar. mas agitou-se e.Muito emocionado e triste.aceitou Sérgio.Tiago sofrendo na prova do fogo e mutilação Era quase noite quando chegaram à casa de Sérgio. mas procure se concentrar em não perder o equilíbrio. Se emocionalmente não estiver bem.

. Então faremos um lanche aqui mesmo. . servindo-as e se servindo depois. Débora o seguiu encontr ando-o cabisbaixo com as mãos apoiadas na mesa. Vai lá . foi? Débora também afagou-a no colo de Rita quando. Rita se foi e ele desligou a TV. certo? Certo . ele se sentirá culpado pelo seu sofr imento. que parecia incomodar. você pode ficar com ela? Lógico! . levantando-se desalentada.. vou me deitar e.. arrastava uma camiseta do corpo de bombeiros q ue pertencia a Tiago e brincava com a roupa.. Claro. . Sérgio. . envolveu-a num abraço e chorou em seu ombro. .acariciando-a argumentou: Você ficou sozinha hoje. avisou com voz br anda: Se não se importarem.. vou te ajudar...exclamou Sérgio atencioso.. Ao se erguer.. Sentando-se. não é? Lógico. por favor.Ela acenou positivamente com a cab eça concordando.. você me ch ama. Rita cambaleou e ia cair quando Sérgio a segurou firme. Vem! A cachorrinha obedeceu e tornou ao seu colo. correu e pulou no colo de Rita e a jovem falou com expressão de imensa d or: Oi. qualquer coisa.. Débora.murmurou com voz chorosa.Conduzindo à amiga.... Mas eu quero ficar na cama dele. Posso ficar no quarto do Tiago.perguntou preocupada. Estava velha.. * * * Após um lanche que Sérgio preparou com a ajuda de Débora. os lábios brancos. após ingerir a bebida. Rita! . mas consciente. exibiu-se com mais equilíbrio e ele pediu: Débora. certo? .Pedindo ao animalzin ho... Sérgio se virou.. preparou um chá e levou para a sala. Princesa. Levantando-se novamente. já ao seu lado.. vendo Rita triste e abatida afagou-a ao pedir educado: Toma um banho e nós três sairemos para jantar. Rita tinha lágrimas empoçadas nos olhos e.s e em total silêncio. ela afastou-se de Sérgio e Débora. Não vou conseguir vê-lo sofrer. Você não sabe. Olhar para você é como ver o Tiago. Acho que foi minha pressão. Não quero sair... falou: Vem Rita... E sozinha. os três retornaram à sala e l igaram à televisão. Quer que eu fique com você? . Sentando-se ao seu lado. mais refei to.. Não me leve a mal. Não podemos nos enfraquecer.respondeu compreensiva. Algum tempo depois. Rita começou a chorar compulsivamente ao ver a cena e Sérgio correu para pegar a camiseta quando a moça o chamou quase num grito: Não!.. encarando-o. ele retornou à sala. E. e ele propôs. Sérgio percebeu que Rita não tinha se alimentado direito e por isso voltou à cozinh a. imedi atamente. seus olhos. .. Rita. Sérgio. Não comi nada nesses dois dias e. . Não agora! Veja como está abalada e exausta. ela acariciou-o nas costas percebendo-o tenso.. murmurando depois que Sér gio a fez se sentar: Está tudo bem. Nem ima ina como estou.. Não havia o que dizer. passando as mãos pelo r osto. Uma angústia pairava no ar. . inesperadamente...perguntou à amiga.lamentou entre os soluços que embargaram sua voz. Princesa. Ao voltar. Não conversavam nem estavam atentos ao f ilme. Também em lágrima s. E.. O que acha? Não tenho fome. Débora corr eu ao encontro dela e a chamou: Rita! O que foi?! .. ao vê-lo daquela forma. Ele significa muito para mim e.. Débora e Sérgio se entreolharam por longos minutos ininterruptos até e la não suportar e abaixar a cabeça por algo oprimir violentamente seu coração. Foi o Tiago quem deu para ela. a cachorrinha pul ou para o chão e correu. Tod a a dor pelo que aconteceu com o Tiago está te castigando e.avisou.chorou.. A amiga estava pálida. Sérgio não conteve as lágrimas e se afastou indo até a cozinha. levantando-se: Tome um banho bem quente e. Já estavam na sala quando ele soltou a cachorrinha que... Rita chamou: Vem.concordou. que suava frio.. . puxou-a para um abraço e aconselhou: Quando o Tiago se recuperar e a vir assim.

colocou-a na f rente da jovem e se sentou. porém logo co ntinuou: Sérgio. Sérgio se manteve atento. Vendo-a se acomodar com modos nervosos. Com a voz entrecortada pelos fortes soluços. Ao mesmo tempo. Débora exibia-se aflita. pediu com educação e generosidade: Vem cá. por favor.. Retornando à sala. eu o pegu ei ao lado da Rita aqui nesta cama. Eu sei. falamos sobre toda a minha vida e até o que gerou nossa separação. . Débora. a Yara telefonava e. Assim que perdi o emprego e me vi em uma situação difícil.Vendo-a cabisbaixa e lágrimas correre m em seu rosto. falando com brandura: Expliquei tudo a me u respeito.. o que você não sabia era que o Breno me procurava com freqüência.Sem pensar ela levantou. . perguntou com voz vacilante: Você está exausto. Como não acreditar em tudo o que vi?! ..chorou.sussurrou temerosa.... provavelmente.... você lembra. Mesmo a ssim. buscou forças interiores. a Sueli fez aquele inferno com aquelas fotos!.. present es. obedeceu e ele explicou murmurando: Nós precisamos conversar e aqui na sala não é um bom lugar. Em seguida. Como assim? . como pôde ser tão vil!. Sérgio a encarou por longos minutos.. Fiquei quieta e sofria calada. pensamentos esquisitos e não entendia.Fixan do-lhe olhar penetrante. Você significa m uito para mim. encarou-o mostrando-se acanhada e com a voz trêmula iniciou: Não imagina como estou envergonhada e com medo. incomod avam-me. Por isso quero ouvir exatamente tudo o que tem para me contar. A Rita me incomodava quando morou comigo depois da morte do Rogério e do noivo por eu achar que você dava mais atenção a ela...Chorou. Mas não te contei tudo. revelou: O Breno manteve amizade com a minha irmã e sempre mandava notícias. caminhou até a porta do quarto onde Rita havia apagado a luz e deixado à porta um pouco aberta.admitiu arrependido.. Débora.. eu est ava decepcionada! Pensei que minha vida tivesse acabado! Meu mundo desmoronou! E u não tinha um emprego nem como me manter.. fiquei preocupado. Por que não me procurou antes? Ela ergueu o rosto banhado de lágrimas. ele se deteve sem que Débora o p ercebesse e ficou observando-a com olhar perdido e melancólico na face triste e ab atida. Não parava de imaginar como você pôde me en ganar. tantas preocupações e muita angústia. Não é melhor dormir e conversarmos amanhã? Não vou conseguir dormir... Você me contou .. Eu te amava e fiquei enfurecida com aquelas mal ditas fotos e depois de te falar tudo aquilo no consultório do doutor Édison. . Débora. Eu sabia sim. A Rita. por você relutar em sair da polícia. trêmula e envergonhada. Comentei isso com a Yara. ela sobressaltou surpreendendo-se ao vê-lo a sua frente. a Yara ia me visit ar.Sérgio se levantou. Apesar de todo o cansaço. Mas meus pensamentos ferviam. flores ou me ligava. . Então ela prosseguiu: Desde quando saí da casa dos meus pais. ele pegou uma cadeira. que sofre u o que não imagino e sentiu saudade de nós. Comecei a ter um ciúme quase doentio! Eu não podia vê-lo perto da Rita e até a presenç do Tiago junto de você me incomodava muito. Às vezes. Não tinha como pensar diferente! Tudo se voltava cont ra você! E.. todos que passaram a freqüentar esta casa.. minha melhor amiga me traiu com você e ai nda descobri aquelas fotos.. Aproximando-se. minha irmã não me dava um tempo para pensar. quando estava reformando. Ao entrarem. você sabe . mas minha irmã não me dava bons conselhos quanto ao nosso namoro e.perguntou com brandura. o rapaz comentou cauteloso: Não pense que pretendo ser superior ou algo assim. Eu reconheço que agi muito mal . não está dormindo e eu prefiro mais privacidade. Sérgio apontou a cama pedindo gentil enquanto fechava a porta: Sente-se. passava a ligação para ele. A Yara passou a infernizar mi . Tenho fortes sentimentos por você e. Era algo repugnante! Eu te procurei para conversarmos.falou calmo.. tivemo s problemas com nosso namoro pelo seu ciúme. . Sabe.. Quando me disse que não tinha para onde ir nem a quem procurar.. A falta de confiança é a pior coisa que pode haver entre duas pessoas.. Fa lando baixo e estendendo-lhe a mão. Importa-se de conversarmos no meu quarto ? Não. Mas você precisa saber. Mas ela se mudou. passei a ter sentimentos estranhos.respondeu com jeito compreensivo e controla do. silencioso e com semblante sere no. ao saber que você não estava comigo. Na ver dade.

. além de pagar às pessoas certas para o contrabando dos produtos. mas. mas quando me dava conta da situação já tinha aceita do. O Breno me ameaçou dizendo que se eu contasse algum a coisa para alguém. Seu carinho. explicou: Em outras pal avras. Eu só pensava em você. Isso não saía da minha cabeça. Por que acha isso? Eu não queria determinada coisa. Vivendo..Mais calma. confessou: Só que com isso. Sérgio! Às vezes parecia que não era eu! Não conseguia pensar! Calma . fazerem lavagem de dinheiro ou depósitos fraudulentos fora do país . como estava. O Breno parecia sempre solícito. no que se ntia... Muita gente importante.. Fui conversar com o Breno a respeito e fiquei abismada ao descobrir que ele e o cunhado estavam envolvidos em negociações muito mais sujas e junto com o meu pai. armas. Sofria e estava muito nervoso.. mas não a deixava perceb er. Entretanto o Breno me envolveu de tal modo!. Você exigia algumas coisas de mim. ela continuou: Então. Eu estav a deprimida e decepcionada por sua causa. inf luente. Mas nunca. mas . por um único dia. Pode explicar melhor? Bem nervosa.. prostitut a.. com s uas palavras.. pois algo me dizia para não aceitar aq uele emprego. Sérgio sentiu como se uma espada atravessass e seu peito. invadidos po r opiniões estranhas e comecei a fazer comparações. eu acabei indo morar com ele. Débora chorou um tempo pelo grande remorso. Mesmo entre os soluços. Mas eu estava longe de saber como é imundo o vício ou os prazeres de alguns grupos da alta sociedade. Não entendi. uma angústia. isso quer dizer que os contrabandistas que negociavam com meu pai para so negarem impostos. políticos e alguns religiosos usavam esses serviços de tráfico. falindo financeiramente e não arrumava e mprego.. Sérgio permanecia calado. dinheiro e outras coisas em suas caixas ou contêineres para gr andes carregamentos. dentro ou fora do país. Surgiu um romance entre nós... lembrando seu respeito po r mim. ele denunciaria o meu pai e meus irmãos pelas porcentagens subt raídas de todos os serviços ilegais prestados. desde religiosos até políticos. eu escutei uma conversa e descobri que meu pai estava envolvido com tráfico de diversos produtos. Mas a culpa foi minha por deixar as c oisas irem longe demais entre mim e o Breno. Sei lá.. Polícia Federal e tudo mais. lavar louça e roupa.. amigo e me contratou para trabalhar em um a de suas empresas junto a ele. deixei de pensar em você. contou: Você lembra que eu não queria deixar meu apartamento para morar com você.. Durante os acontecimentos eu não me importava. meu pai e meus irmãos faziam até lavagem de dinheiro.. um vazio imenso e uma saudade mortal me dominavam. feito ou participado.Exibia-se exausta. me distraía. desfrutando todos os confortos da mansão do Breno. mas revelou: Muitas vezes. lamentou: Foi à escolha que eu fiz.. Perdi a vontade de ir à universidade e nem tranquei a matrícula.... eu quase não ia mais trabalhar e passei a ser servida por empregados. A rica e prest igiada empresa do Breno e do Lucas era uma das que aceitavam fazer o carregament o de drogas.pediu. De repente me vi às voltas em festas luxuosas. para saírem ou entrarem no país. Comparecia a algumas das festas e até nos visitava.. mas continuou: Nessas alturas meu pai se reconciliou comigo.. O tempo que me deu quando não me via preparada para um rom ance mais íntimo. o Breno foi se aproximando como amigo e me tratava mu ito bem. Chorando.. Chegava a suar frio e passava discretamente a mão no rosto para disfarçar. Débora. quando deitava. contendo as emoções. eu me sentia mal. . . Vivendo lá com ele. mord omos e motoristas. Ao mesmo tempo. e nquanto ele me tratava como uma rainha. Um dia e por acaso.. Meus pensamentos eram conflitantes. Comecei a crer em sua integridade. eu ficava furiosa ao me lembrar de vê-lo ao lado da Rita e das fo tos com sua irmã.chorou. de alto nível. com pessoas influentes. Ela parou de falar e chorou muito.nhas idéias. Eu desabaf ava com o Breno e ele me ouvia. Foi a única saída que encontrei para me manter.. me sentia leviana. . Usando de fachada sua grande companhi a advocatícia. Viagens e passeios. O que eu exigia de você? Você queria que eu aprendesse a cozinhar... . que também prestava serviço como uma espécie de despachante alfandegário que lida com a documentação da alfândega.. Foi então que ele se revelou. Bem. As coisas estavam difíceis e pelo modo como o Breno me cativava com seu jeito.Entre o choro arrependido.

Por que não o denunciou? . Longa pausa e pr osseguiu: Como um ser humano pode ser tão cruel?! Depois de rasgar meu vestido. parceiro.. naquelas pessoas repugnantes. não sabiam que meu pai ficava com uma fração bem maior além do que eles pagavam..... mandou eu me vestir b em e aprender a me comportar... ma s me seguraram. . o rapaz pergun tou: O Breno mandou ou permitiu que os seguranças fizessem o mesmo com você?. Ele me violentou! Os dois seguranças viram e ficaram olhando! Rindo! Sérgio não suportou. mas seu coração apertava.. fui obrigada a me produzir para uma da s festas a bordo... Eu não o queria! E. Como não estava. de festas..questionou parecendo tranqüilo.. vamos dizer assim. continuou: Na noite seguinte. Isso seria morte certa para mim e para você! Você não imagina as ameaças que me fez c aso eu fugisse e te procurasse! Mesmo agredida. Sérgio argumentou: Isso é crime. c ontou: Quando terminou. Ama rgurado. algo e m grupo. asquerosas.. Não consegui e perto de outras pessoas eu ag redi o Breno com palavras.Chorou. O Breno m e levou para perto e eu vi amarrarem algo em sua cintura e jogarem ao mar. Totalmente alucinada pelo uso de entorpecen te.. Discretament e os seguranças a tiraram de onde estava e a levaram para outro lado.. com a cabeça baixa. nus na piscina ou. Foi um homicídio! Eu sei. algo preocupado. Toda aquela gente. viu-a se encolher e esconder o rosto. afagando-a com carinho. Na frente de todos daquele cr uzeiro. ele me bateu... Ele me bateu! Ficou furioso por eu tê-lo arranhado e m e agrediu muito! Entrei em desespero e não sabia o que fazer.. Sérgio se levantou rápido e. vil.. ele me beijava e me abraçava como se nada tivesse acontecido. Não. a festa começou a ficar diferente. Não.. Logo minha irmã caiu e foi puxada por aquele peso. Ele era doente! Em pensar que faziam parte do alto nível social. el e me bateu ainda mais. ele socou meu estômago e eu não conseguia reagir. Parecia algo comum! Quando retor namos. conforme andávamos pelo convés.. práticas de sexo coletivo promíscuo. sem caráter. disfarçando o meu ódio.Afastando-se de Sérgio. Seu rosto estava expressivo...Breve pausa e ainda chorando.exclamou com a voz sufocada. Ele sobrepôs um braço em se us ombros e. E isso fo i só o começo! . Puxou-a para si e Débora agarrou-se a ele. Ela desapareceu! Tentei correr. o Breno me contou que aquilo era só um aviso e que a Yara estava lhe dando muito gasto no trato que fizeram.. Parecia que o meu desespero. o Breno narrava os detalhes que percebia nos atos. Quando gritei. Se o Breno denunciasse meu pai. o meu sofrim ento servia de prazer para eles! Isso é sadismo! . Minutos depois. Era uma orgia! Algo nojento! Ele a obrigou a participar dessas orgias? Não!.. A Yara estava nesse cruzeiro e. nesse navio.Débora se de teve com olhar perdido. Algum tempo e o Breno fez um sinal. meus irmãos poderiam se considerar mortos por esses cri minosos. perguntou com piedade: Além da agressão. comportamento sujo.. No início da noite. eu não podia falar nada. me levou para o camarote e me agrediu! Agrediu violento com. o B reno verificou se meu rosto estava marcado.. Ele só go stava de assistir e. Comovido. Coisa que ninguém pode imaginar. chorando muito. Bem mais tarde. estavam embriagados. E ela conseguiu. E todos que viram não se importaram. Os homens só riam e assistiam. cada ocupante daquele navio era amigo... Ele aceitou providenciar e abastecê-la com entor pecentes... E só e ntão.... Foi então que Débora chorou novamente enquanto contava: Briguei com o Breno e. Isso é uma máfia! Um submundo nojento! Sérgio ouvia calado. com vícios deg radantes. além de festas daquele tipo.. Depois falou: Ela estava nua como a maioria. conheci um outro mundo mais podre.. Mal respir ava. pedia sussurrando para que se acalmasse. Só que morreu por isso! Ele ameaçou fazer o mesmo com você. negociant e ou comparsa do Breno. Com medo eu obedeci. despiam-se e se relacionavam uns com outros. entrando em desespero. Percebi que a maioria usava drogas.. Vendo-a chorar em desespero e quase gritando. Sempre estávamos vestidos com trajes elegantes. Ele sorriu. o que mais aconteceu para você reagir assim? Quanta humilhação! Quanto horror! . . Em meio aos soluços. pois s . caso minha irmã conseguisse aproximá-lo de mim. prosseguiu: Uma v ez ele me obrigou a ir a um cruzeiro que ele patrocinou. envolvia-se com um e outro.... sentan do-se ao seu lado..

ele gritou e berrou por saber que meus irmãos. .. pe rguntou: Você lembra que eu usava um implante e... aceitou meus limites.. . .Olhando de relance para Sérgio. mas ela se recusou.. Geralmente me agredia... conside rados mais fiéis. Não! Não queria aquilo! Preferia morrer! Nova crise de choro a dominou e Sérgio a envolveu em seus braços. Com isso você se refere à agressão física ou sexual? Chorando e experimentando imensa humilhação.tornou Sérgio. a proteção do Breno e não sei o motivo. . . Eu não conversava mais com ele e por isso me batia. eles me viram e eu apanhei.gritou em desespero.Entre os soluços contou: Ele queria um filho e chamou um médico para ir lá... Procurava se manter aparentement e calmo.. mãe da Cris. Após algum tempo. porém seus pensamentos e a indignação fustigavam sua mente.Breve pausa e lamentou em choro: Naquela mansão maravilhosamente rica. O Br eno me agredia muito! Paguei um preço alto demais por uma escolha errada. Não agüento mais. os meus pais viajavam de carro para o Rio de Janeiro e morreram em um acidente por excesso de velocidade. O Lucas e o Breno estavam com medo e passaram a se reunir várias vezes trancado s no escritório. mas através das câmeras de segurança. Não quero te torturar. Sérgio amargurava-se com os relatos. Sérgio! Tudo bem. não sei bem o que era... beijando-lhe a cabeça enquanto a embalava vagarosa-mente. a Emy e o Élcio. Pode falar . Agora. apertava os dentes sem perceber e fechava os punhos com força pela .Ela chorou ao dizer: Foi quando. mas. que eram fixos. Eu não tinha ninguém para pe dir ajuda! Era vigiada o tempo todo! Algumas vezes o Breno chegava e me agradava. O Breno chegava furioso. Não engravidava e não menstruava?. Fiquei presa naquela casa como prisão domiciliar. contou qu e os dois deram um golpe e avisou que meu pai era um homem morto.. afastando-se do abraço. Acariciando-a vez e outra.. mas te devo muitas explicações. mas meu pai estava envolvido . abandonaram a casa. Nessa época muitos foram demitidos e empresas prestadoras de serviços vinham a ca sa.. eu era agredida quase todo dia e. porém não dizi a nada. pois eles têm uma filha. Outros for am contratados.. Bebia e se drogava. Tentei me matar. No dia seguinte me torturava. Ele delicadamente tentou segurá-la ... esperou. Ele cismou que queria um filho e. vexatório! Sérgio! . Então perdi toda a liberdade. Eu me lembrava de você! P edi a Deus que me encontrasse! Você me respeitou. Quis morrer. Seu prazer era o de me machucar! Ele er a um monstro! E os empregados? .. Quer um pouco de água? Vou pegar.. Alguns empregados. contou que ele a agredia. lu xuosa e onde havia o maior grau de requinte que já vi...Com voz frágil contou: Algu s negócios começaram a dar errado.. Sentia-se mal. Não.concordou com voz ponderada e olhos vermelhos. Mas nos viram conversando e não a encontrei mais. . Ficava alterado e era um inferno. inclusive dentro da casa e em lugares que eu ignorava. O médi co foi e tirou esse implante.. Não podia sair sozinha e até os telefones foram gramp eados. sentindo os olhos se aquecerem pelas lágrimas que brotavam: Quando você falou em agressão na primeira vez. Outras vezes as duas.sussurrou com voz fraca. ela respondeu: Às vezes uma. ele perguntou.. Orgulhav a-se do que fazia e se comprazia com os seguranças olhando! Fui tão ultrajada. cauteloso. Ela chorou e Sérgio estava atordoado com o que ouvia... carinho!. fazia carinhos e literalmente be ijava meus pés. Eram doentes! Sádicos! Eu não podia sai r mais. mas ela disse para eu me acostumar. pois o marido dela não era dif erente.. Mas os seguranças eram os mesmos e. Mesmo embriagado. humil hada! Era obsceno. Débora pareceu não ter mais lágrimas e quis se sentar.. Percebi que alguma coisa os amedrontava. por me d eixar levar. Alguns seguranças. Às vezes. Sentia prazer nisso.. Perplexo... isso foi seguido de violência sexual . Um dia. Após quinze dias . .. viajaram para o exterior e não voltaram.abia que eu não o tirava dos pensamentos! Fiquei apavorada! Procurei falar com a E lza. Me tratou com tanto amor. Seus olhos se encontraram e Débora falou com pr ofundo lamento na voz: Preciso te contar tudo. depois de determinado horário deveriam ir embora. O caso dela era pior do que o meu. O Breno começou a agir de modo desequilibrado.. . sempre com medo de ser perseguid o.

. Como alguém pode ser tão falso? E e u tão ingênua? As requintadas festas. Ainda em pranto.. Deu-me água e depois falou num tom revoltado que não suportava mais ver aq ueles maus-tratos. acabar com essa minha vida desgraçada. pegou uma porção grande de entorpecente e colocou no copo de uísque. Mais serena. acomodou-a n a cama e a cobriu. Ele permaneceu acariciando-a com delicadeza. Como viver com isso?! Entretan to fui covarde. angustiado e indignado. Era um doente! Mas naquele dia chamou o segurança e mandou que me se gurasse. Sua feição mudava e às vezes falava coisas sem sentido. eu jurei me matar. Sérgio a abraçou forte e Débora correspondeu..afirmou... havia cheirado cocaína e começou a me bater. Saí sem rumo.. Olhou para mim e gritou: Cor re mulher! Suma daqui! Estava tonta e sem saber o que fazer...fal ou sentida. ela adormeceu.Débora ofereceu uma pausa.aflição. segurou Breno pelos cabelos e bateu seu rosto contra um móvel várias vezes. . *** . exibindo exaustão. Débora contou em desespero: O Breno me forçou! Eu não o queria! Tinha nojo dele. Sentando novamente a seu lado.. luxuoso. Um dos seguranças novos me viu desmaiad a e me levou para o quarto.. Parecia que se transformava.. e scondendo o rosto em seu peito. permanecendo a seu lado afagando-lhe o rosto abatido.. Ele era sádico e gostava de ser visto. Meu orgulho. não tive coragem de me matar. mas esse.. Outro segurança aparec eu e avisou que já tinha colocado fogo nas gravações.. virou um monstro! Ele estava bêbado. falou: Nós somos bandidos! Já matamos homens safados. por um calçado e trocar a b lusa rasgada.. ao me bater. Meu erro é impe rdoável. se você me mandasse embora quan do chegou e me encontrou em seu portão. Rezei tanto! . Esse homem era d iferente.. Vai logo! Some daqui! . Sérgio. Ele não suportou e choraram juntos por longo tempo . Foi até a cozi nha bebeu alguns goles de água e retornou ao quarto. chorando copiosamente. sofisticado. havia muita atenção. a preguiça da minha parte para lutar..observando suas mãos frágeis e trêmulas. extremamente nervoso.. pegar meus documentos. Ape sar de não te esquecer. as roupas... Ele o levou par a a sala e eu o acompanhei a distância e assisti a tudo. eu aceitei o que era mais fácil e conveniente... não tinha mais nad a a não ser os pensamentos em você.. E. levantou-se. Não tinha mais família. sem saber para onde ir e acabei entrando em uma igreja. Em outras palavras. Um dia. Tive medo e não disse nada. rasgou e o fez cheirar. Sua voz ficava estranha! Certa vez. o rapaz não disse nada. ele afagou seus cabelos e as costas e Débora des fechou com impressionante inflexão dolorosa na voz: Eu lembrei de ir até o quarto. para a criança nascer em outro país e ele ganhar direito à cidadania. Ele passou a me espancar!. delicadeza e as melhores generosidades. mas tomava água e me sentia cada vez mais fraca. ajudou-a a segurar o c opo para que bebesse a água. Fugi. e depois de meses eu não engravi dei. quando o Breno percebeu que eu não me alimentava. dizendo que se fosse você talvez permitiriam que eu engravi dasse! Era horrível! Entrei em um estado no qual não me importava com mais nada. O Breno estava tonto. dificultando uma extradição. minha vaidade.... A princípio. a refinada casa.. Esse homem avisou que o Breno queri a que eu engravidasse para sair do Brasil... Apanhei como nunca.. Orei!. O homem se aproximou. levando um copo com água adoçada e pediu com bondade: Toma um pouquinho . Vendo-a exaurida de forças. Até que aconteceu algo estranho. mas não desmaiado e o homem o fez beber tudo aquilo . e ele me arrastou pelos cabelos até o quarto e... usou o seu nome. Virando-se para mim. mas não c oncordamos com isso que esse cara faz com a senhora. carinho.Chorou. Fiquei por quatro dias ali e pensei muitas coisas... Eles nunca conversavam.. Vi quando o segurança o s entou à força em uma cadeira. . mas não! Ele queria um filho. mas. mas tentava não interromper o desabafo angustioso. Mais recomposto. Mordomias.. acom odando