UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS CENTRO DE ENSINO E PESQUISA APLICADO À EDUCAÇÃO

PLANO DE AULA 1. TEMA Iluminismo: Revolução Científica do Século XVII e o debate sobre o uso da Razão como emancipação política e autonomia humana. 2. CONTEÚDO O Iluminismo é um movimento intelectual que tinha como fundamento a “crença” na razão e a idéia de progresso do homem. Com a constituição da noção de razão herdada do Racionalismo Científico do século XVII, o Iluminismo buscou conceber uma nova concepção de mundo, essencialmente racionalista e baseada na existência de leis naturais que regem a dinâmica do Universo. Vinculados a esse objetivo os pensadores iluministas criticaram o fundamento das antigas tradições, do conhecimento metafísico (escolástico), da estrutura social religiosa da Idade Média e dos imperativos normativos das instituições do Antigo Regime, portanto, o Iluminismo se afirmou no século XVIII com a intenção de propagar através do conceito de Razão, uma nova maneira de compreender ações do homem a noção de liberdade nas. 3. OBJETIVOS Objetivo Geral: Meu objetivo é explicar o conceito de Razão no Iluminismo (século XVIII). Levando em conta isso, pretendo dividir o conteúdo citado em três momentos; primeiro: esclarecer o conceito de Razão na Revolução Científica do Século XVII; Segundo: expor a maneira como os pensadores iluministas do século XVIII, efetuaram no plano político o uso da razão, com o intento de tornar o homem autônomo de suas próprias decisões (Aufklärung)1. Terceiro: discutir com os alunos o conflito atual sobre os fracassos e sucessos do projeto iluminista, elaborando uma distinção do conceito de Razão. Explicando a sua dualidade na compreensão do conceito de Razão no mundo
1

A resposta de Kant explicita, como princípio definidor de Aufklärung, o pensar por si mesmo e a ousadia de fazê-lo: “A saída do homem da sua menoridade, pela qual ele é responsável. Menoridade, isto é, incapacidade de servir-se do próprio entendimento sem a orientação de outrem, menoridade pela qual ele é o responsável porque a causa dessa incapacidade não está numa deficiência do seu entendimento, e sim na falta de decisão e de coragem para dele servir-se sem a direção de outrem. Sapere Aude! Tem coragem de servir-te do teu próprio entendimento! Eis a divisa das “Luzes”. Pereira, M. B. Op. Cit, p. 467-70.

. uma idéia de Libertação. . ou seja. . ora como conhecimento e ora como instrumento humano (Razão Instrumentalizada).Explicitar as condições de possibilidade que tornaram possível inferir no mundo da experiência sensível as regras da exatidão matemática. a Razão seria a luz que ilumina o mundo e desvela a verdade das trevas na qual ela. por razões matemáticas. parte dos princípios formulados por Newton acerca da Lei natural para defender a Idéia de que os homens nascem num “estado de Natureza” que todos são livres e exercem os “direitos naturais” essenciais da vida (liberdade e propriedade). portanto os fenômenos naturais percebido pela nossa experiência não dizem nada a não ser que sejam interpretados por um outro processo. . em relação a maneira pela qual pensadores. uma experiência controlada pela teoria. no sentido de demonstrar como a racionalidade existe tanto em um contexto de um racionalismo puro (matemático). que aglutine experiência e razão. se encontrava. segundo os críticos pós-modernos2.Pretendo fazer uma caracterização do conceito de Razão opondo. Jean-Jacques Rousseau. pois os comerciantes não teriam motivação para desenvolver os negócios. seguindo os dois últimos objetivos específicos. para a filosofia do Iluminismo o principal instrumento de Liberdade e emancipação política. a verdade. na verdade é um experimentum.Demonstrar que a experiência dos fenômenos físicos.Desse modo. .A Idéia da existência de uma Lei natural que explicaria fenômenos. Adorno em a dialética do Esclarecimento. . A Razão seria assim colocada como o eixo central de todo os níveis de pensamento. tornou ela própria um instrumento de escravização3.contemporâneo. ou seja. Experiência aqui entendida como percepção sensível. o comportamento humano. razão à experiência. o esclarecimento tem perseguido sempre o objetivo de livrar os . quanto em um contexto de um racionalismo aplicado. tais como o movimento planetário. “No sentido mais amplo do progresso do pensamento. A concentração dos poderes na figura do governante impedia a existência da liberdade e da igualdade e levava à paralisação da economia. A Razão seria nesse sentido. como John Locke.A Razão. analisaremos como a filosofia iluminista critica o absolutismo como uma forma de poder corrupta por natureza. Objetivos específicos . explicitarei aos alunos a não 2 3 Segundo Max Horkheimer e Theodor W. que seria para a filosofia do Iluminismo. entendida.elaborar uma explicação relacionando as Leis da Física no interior do discurso político do século XVIII. Diderot. a economia e política e que em última instância explicariam. a Razão. pelo livre exercício da razão. gravidade elaboradas por Isaac Newton contribuiu para que outros pensadores também procurassem as leis naturais que regem a religião.

antecipação que o uso da razão teria como instrumento de destruição e escravidão na filosofia do Iluminismo. 5.. Quem é o autor desta fonte? 2. METODOLOGIA Aula expositiva e dialogada com a análise de documentos pertinentes ao tema da aula. sem os instrumentos de análise gerados pela modernidade não podemos reagir contra as patologias da sociedade moderna.(Theodor W. Quais as principais características que o autor confere a estes povos? Qual o objetivo ao homens do medo e de investi-los na posição de senhores. Relacione as idéias levantadas com os objetivos da colonização espanhola. portanto ao paradoxo que a constituição da razão teria com o projeto de emancipação humana. a razão assim seria usada como objetivos que lhe são estranhos..Com o objetivo de concluir um debate sobre o conceito de razão pretendo discutir a maneira como alguns passadores contemporâneos resolvem esse embate contraditório da razão a serviço do homem. a razão como um fim. Resgate porque sem a razão não podemos combater as forças que asfixiam a vida. estabelece as normas de Uso dela própria 4. trechos da obra História de Las Índias.” O Conceito de Esclarecimento . e sem os valores da ilustração não podemos transformar o mundo nem criar condições para uma liberdade concreta. Identifique as principais idéias citadas pelo autor em relação aos indígenas. uma coisa é a razão como um fim outra coisa é a razão como um meio. porque segundo ele a negação ou mesmo a crítica da razão feita por eles. Identifique o autor desta fonte. A Razão serviria nesse sentido como princípios irracionais. leva ao irracionalismo radical que pode levar a própria dissolução na ordem da relações humnas. A quais povos o autor se refere no texto? 4. Em que contexto histórico o autor escreve? 3. Adorno e Max Horkheimer 1944). de Frei Bartolomé de Las Casas e a iconografia de Theodore de Bry para a edição latina de Breve relação da destruição das Índias. Roteiro de Análise da Fonte Histórica 1 1. . em a Razão Iluminista. Qual a data de escrita deste documento? 3. para isso diferenciarei razão no seguinte sentido. . Mas a terra totalmente esclarecida resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal. Qual é o principal assunto de seu texto? 4. O autor assume uma posição de contra ao discursos pós-modenos. 3. 4 Sérgio Paulo Rouanet. do projeto da modernidade e do legado da ilustração. Os documentos a serem trabalhados são: A Lei de Inércia de Isaac Newton um fragmentos do Diário de Bordo de Cristóvão Colombo. Portanto a razão como fim deve elaborar uma crítica própria aos seus fundamentos e limites. Rouanet propõe um resgate crítico do conceito de razão. 2. Roteiro de Análise de Fonte Histórica 2 1. a razão como meio é chamada de razão instrumental.

que deverá ser realizada em casa para posterior debate e correção. O que elas têm de semelhante e de diferente? Roteiro de Análise de Fonte Histórica 3 1. livro didático. Relacione a imagem com as denúncias que Frei Bartolomé de Las Casas fez em relação ao modo como os espanhóis tratavam os indígenas.SILVA. Da & GRUPIONI. Descreva a imagem.). Quinhentos anos depois. REFERÊNCIAS . . São Paulo: FTD. . O Saber histórico na sala de aula. São Paulo. Petrópolis: Vozes. 6. . L. e GRUZINSKI. 2005. S. Qual o período histórico em que ela foi feita? 3. M. São Paulo: Escala Educacional. 4. sociedade e cidadania. (Org.B (orgs) A temática indígena na escola. . retroprojetor e documentos escritos e iconográficos. 4. destacando as pessoas retratadas e o que estão fazendo. São Paulo: Atual. São Paulo: Edusp. .descrevê-los assim? 5. Atual. J.BERNAND. 1984. giz. 2. A.D.C. C.AMADO. ed. apagador.CAMPOS. 2006 (Coleção História: Sociedade & Cidadania). Navegar é preciso: grandes descobrimentos marítimos europeus. 5. AVALIAÇÃO A avaliação será realizada a partir da atividade proposta pela professora. 1991.BOULOS JÚNIOR.livro didático . Quem é o autor desta imagem? 2. História do Novo Mundo. Colombo e a América.AMADO. mais e incas. RECURSOS Quadro. Compare a descrição feita por Colombo no documento anterior com a descrição feita por Frei Bartolomé de Las Casas. L. 1989. História. Figueiredo. J. .LÉON – PORTILLA. C. A escrita da história: ensino médio: volume único: livro do professor. Novos subsídios . São Paulo: Contexto. A conquista da América Latina vista pelos índios: relatos astecas.BITTENCOURT. F. A. 1997. 1998. .L.

J. . São Paulo: Scipione. 1998. 1994. São Paulo: Martins Fontes. A conquista da América: a questão do outro. 1992. exploradores e mercadores. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. América 1492: Encontro ou Desencontro? Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. São Paulo: Global/MEC/Mari/Unesco. 1993. R. T. . . . Pensadores. ______________________ América em tempo de conquista.TODOROV. 1983.VAINFAS.para os professores de 1º e 2º graus.THEODORO.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful