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Ex-empresária fica pobre doando dízimo

Cristovaldo Rodrigues
Publicado no Jornal A Tarde em 07/05/2001
"Eles tomaram tudo de mim: casa, carro, emprego, e, por fim, o meu filho". Este
desabafo foi feito anteontem, no Cemitério da Quinta dos Lázaros, pela ex-
empresaria Marion Terra, mãe do adolescente Lucas Vargas Terra, assassinado,
alem de ter o corpo carbonizado em um terreno na Avenida Vasco da Gama, em
Salvador, referindo-se aos pastores da Igreja Universal do Reino de Deus.
A mulher que frequentava a IURD, no Rio de Janeiro, disse ter sido iludida e
acabou dando tudo que tinha, a titulo de dízimos, na "Fogueira Santa do Monte
Sinai" e outras reuniões da "prosperidade". "De média empresaria, fui obrigada a
me tornar uma cozinheira no restaurante de minha amiga na Itália, para tentar
sobreviver. Para tomar esta decisão, praticamente me separei de minha família. o
meu marido e meus filhos vieram morar em Salvador. Estávamos fugidos, diante
das d[ividas que constituímos. Quando Lucas foi assassinado, eu estava na Itália",
disse Marion.
O sepultamento de Lucas foi marcado por muita dor e emoção. A família e amigos
se encarregaram de distribuir uma carta, com o cabecalho "Servo de Deus
assassinado e carbonizado." Nesse documento, os pais de Lucas traçam o perfil
do filho e extraiu do seu diário algumas frases: "Não posso passar um dia sequer
sem evangelizar, preciso ganhar almas para Jesus, pois, quando Ele voltar não
posso estar de mãos vazias!!!"
"Sou feliz porque tenho Jesus, por isto, viver para mim e Cristo e morrer e lucro!!!",
Lucas era um jovem feliz, calmo, equilibrado, e obediente. Ele amava a vida, tinha
muitos sonhos. O maior deles era ser obreiro e pastor", relata a carta dos pais do
adolescente.
Lucas desapareceu na noite de 21 de marco, após a saída do culto do Esp[irito
Santo, na Igreja Universal do Reino de Deus, no bairro Santa Cruz. Segundo as
testemunhas, ele foi visto na companhia do pastor Silvio Roberto Santos Galiza,
que o chamou "vamos, Lucas", porem não mais o garoto foi visto.
Telefonema
Naquela mesma noite, Lucas ligou para o celular do pai e pronunciou a seguinte
frase: "Meu pai, estou com o pastor Silvio na igreja do Rio Vermelho num
propósito de oração, depois vou para casa". Uma mãe de família que foi ao
enterro do estudante, mostrando-se emocionada, disse que "Lucas foi um anjo
que passou por aqui, fazendo o trabalho com os adolescentes."
Os pais do garoto pretendem aguardar que o delegado Carlos Alberto, da 6a.
delegacia, conclua o inquérito, indiciando o pastor Silvio galiza como responsável
pelo assassinato do filho.

Pastores da Universal se pegam no tapa no centro de Cuiabá


Quinta, 14 de junho de 2001, 11h13
Os pastores identificados como "Pedro" e "Leandro" da Igreja Universal do Reino
de Deus largaram a Bíblia em cima do altar e se pegaram no tapa. Os dois
chegaram a rolar no chão porque um teria caluniado o outro. A quebra-pau
aconteceu ontem de madrugada nos fundos da Igreja onde os pastores residiam.
O Bispo Marcos Silva não gostou da briga e determinou a expulsão do pastor
Pedro do Ministério Eclesiástico e a transferência do Pastor Pedro para uma Igreja
do interior do estado.
De acordo com a ocorrência registrada na Delegacia Metropolitana de Cuiabá, os
dois haviam se desentendido por causa de "calúnias". Na briga, Pedro levou um
soco no nariz que chegou a fraturar.
O caso vai ser investigado pela Delegacia Central de Cuiabá onde o delegado
Márcio Pieroni vai instaurar inquérito para apurar os fatos.
Justiça afasta magistrados da Bahia
O Tribunal de Justiça da Bahia afastou de suas funções, os juízes
Gesivaldo Brito, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, acusado de corrupção e
ofensas a desembargadores, e Everaldo Cardoso Amorim da comarca de Camaçari, que
exerce o posto de pastor da seita Igreja Universal do Reino de Deus. A decisão foi tomada
em sessão secreta do Tribunal Pleno, composto por 29 desembargadores.
Brito é acusado de receber um carro Monza em 1983 - para fraudar as
eleições no município de São Felipe -, de aceitar o aval de um candidato a prefeito para
sacar um crédito de Cr$ 1,2 milhão, numa agência bancária, três dias antes da eleição e
de liberar mercadorias apreendidas pelo fisco estadual. Além disso, o juiz Brito passou a
ofender os membros do Tribunal de Justiça logo depois que as denúncias chegaram aos
desembargadores.
Gesivaldo Brito entrou hoje com um mandato de segurança no Superior
Tribunal Federal, em Brasília, pedindo liminar contra sua provável exoneração. Ele
aproveitou para acusar o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, Mário Albiani de
querer demití-lo para abrir vaga especial de desembargador para o Juiz de Menores de
Salvador, Jafeth Eustáquio da Silva. Albiani considerou a denúncia "improcedente e
absurda". Com a decisão do Tribunal pleno, o juiz Brito ficará afastado de suas funções
por 90 dias enquanto durar o processo disciplinar que vai apurar as denúncias contra sua
atuação no cargo. Se estas forem comprovadas, ele será exonerado.
Já o juiz Everaldo Cardoso de Amorim vai responder processo
disciplinar por ter exercido irregularmente o posto de juiz da comarca de Camaçari e
pastor da seita Igreja Universal do Reino de Deus, o que é proibido pela magistratura. Na
função de pastor, Amorim é acusado de liderar um batismo coletivo, em 1990, na Orla
Marítima de Salvador, que resultou no afogamento de duas pessoas, e de manter em
cárcere privado, num templo da seita, duas jornalistas que faziam uma matéria sobre a
Igreja Universal. (Fonte: AE, 19-10-1991)
Pastor acusa Universal de suborno
O pastor dissidente Carlos Magno, que está brigando com a cúpula da
seita "Igreja Universal do Reino de Deus", acusou o secretário-geral da seita, o juiz
Everaldo Amorim de Amorim (titular da Vara Criminal da comarca de Camaçari, na Bahia)
de ter chefiado uma delegação de pastores que tentou suborná-lo com Cr$ 32 milhões. O
magistrado teria inclusive assinado quatro promissórias de Cr$ 8 milhões cada como
garantia do "negócio". Amorim é o mesmo que foi acusado esta semana, na capital
baiana, de manter duas jornalistas em cárcere privado e exercer funções incompatíveis ao
cargo de juiz. Por causa disso, o Tribunal de Justiça da Bahia designou hoje o Juiz
Lourival Ferreira para presidir uma sindicância que objetiva apurar as denúncias. Caso
sejam comprovadas, Amorim pode perder o cargo de juiz.
Falando por telefone de Recife, onde mora, a uma emissora de rádio de
Salvador, o pastor Magno disse que o juiz propôs o suborno para que ele parasse de
fazer denúncias contra a seita e seu líder máximo, o "bispo" Edir Macedo. Entre outras
denúncias, Magno revelou que, para comprar a TV Record de São Paulo, Macedo
recebeu US$ 1 milhão de traficantes colombianos. "O juiz Amorim me procurou dizendo
que a Igreja Universal estava disposta a ajudar a formação de minha própria seita, caso
eu parasse de fazer as acusações", afirmou, acrescentando que o juiz estava
acompanhado do pastor Carlos Rodrigues, coordenador da "Igreja Universal" para o
Nordeste, o pastor Ronaldo, de Goiás, e um sobrinho de Edir Macedo, o pastor Marcelino.
(Fonte: AE, 05-07-1991).

http://www.estadao.com.br/ext/diariodopassado/20011017/000020311.htm
http://www.estadao.com.br/ext/diariodopassado/20010705/000026973.htm