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Curso Portugues

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  • HISTÓRIA DE PORTUGAL
  • CONDADO PORTUCALENSE
  • História
  • Portucale
  • Condes de Portucale: a casa de Vímara Peres
  • Fim do govern
  • Condado Portucalense
  • [editar]Condes Portucalenses: Casa de Borgonha
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  • INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL
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  • Cronologia da Reconquista Ordens religiosas e Cruzadas
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  • IMPÉRIO PORTUGUÊS
  • O Golfo da Guiné e o ouro da Mina
  • África Austral e Oriental
  • O Império Colonial Português em África (1890-1975)
  • O Estado Português da Índia
  • O empório comercial
  • Chegada ao Japão e fixação em Macau
  • Dinastia Filipina e guerra luso-holandesa (1580-1663)
  • Apogeu e queda do comércio Macau-China-Japão
  • Restauração e declínio do Estado Português da Índia
  • As Capitanias hereditárias e o primeiro Governo Geral (1532-1580)
  • Domínio Habsburgo, divisão e invasões holandesas (1580-1663)
  • Restauração e capitulação holandesa (1640-1663)
  • Mudança da Corte e Independência do Brasil (1807-1825)
  • A Madeira

HISTÓRIA DE PORTUGAL A história de Portugal tem a sua génese com a chegada dos primeiros hominídeos à Península Ibérica há cerca

de 1.2 milhões de anos atrás. O território entrou no domínio da história escrita com o início das guerras Púnicas. Em 29 a.C. era habitado por vários povos, como os Lusitanos, quando foi integrado no Império Romano como a província da Lusitânia, influenciando fortemente a cultura, nomeadamente a língua portuguesa, na maior parte originada no latim. Após a queda doImpério Romano, estabeleceram-se aí povos germânicos como os Visigodos e Suevos, e no século VIII seria ocupado por árabes. Durante a reconquista cristã foi formado o Condado Portucalense, primeiro como parte do Reino da Galiza e depois integrado no Reino de Leão. Com o estabelecimento do Reino de Portugal em 1139, cuja independência foi reconhecida em 1143, e a estabilização das fronteiras em 1249, Portugal reclama o título de mais antigo estado-nação europeu.[1] Durante os séculos XV e XVI, os portugueses foram pioneiros na exploração marítima, estabelecendo o primeiro império colonial de amplitude global, com possessões em África, na Ásia e na América do Sul, tornando-se uma potência mundial económica, política e militar.[2] Em 1580, após uma crise de sucessão, foi unido a Espanha na chamada União Ibérica que duraria até 1640. Após a Guerra da Restauração foi restabelecida a independência sob a nova dinastia de Bragança, com a separação das duas coroas e impérios. O terramoto de 1755 em Lisboa, as invasões espanhola e francesas que antecederam a perda da sua maior possessão territorial ultramarina, o Brasil, resultaram no desmembramento da estabilidade política e económica, reduzindo o estatuto de Portugal como potência global no século XIX. Após a queda da monarquia, em 1910 foi a proclamada a República, iniciando o actual sistema de governo. A instável Primeira República foi sucedida por umaditadura sob o nome de Estado Novo. Na segunda metade do século XX, na sequência da guerra colonial portuguesa e do golpe de estado da revolução dos cravosem 1974, a ditadura foi deposta e estabelecida a democracia parlamentar, com todos os territórios ultramarinos a obter a sua independência,

nomeadamenteAngola e Moçambique em África; o último território ultramarino, Macau, seria entregue à China em 1999. Portugal entrou, após um conturbado período revolucionário, no caminho da Democracia Parlamentar, ao mesmo tempo que procedia à descolonização de todas as suas colónias. Membro fundador da NATO, o Portugal democrático reforçou a sua modernização e a sua inserção no espaço europeu com a sua adesão, em 1986, à Comunidade Económica Europeia (CEE). Historiografia A compreensão de Portugal e da sua História é uma constante da Historiografia portuguesas pelo menos desde o início do século XIX. As condições que tornaram possível a autonomização de Portugal de Leão e Castela e, depois, lhe permitiram construir e manter uma identidade na Península e no mundo são temas que estiveram no cerne da análise e da reflexão de historiadores e pensadores como Herculano, Oliveira Martins, Antero, Sampaio Bruno, Jaime Cortesão, António Sérgio e Joel Serrão, para citar apenas alguns nomes. Portugal tem, pelas sua posição geográfica, acentuada ainda pelas características geomorfológicas do seu território, uma posição excêntrica relativamente à Europa. A posição atlântica de Portugal, prolongada, desde o início do século XV, pelos dois arquipélagos descobertos e povoados por portugueses, o dos Açorese o da Madeira, foi a chave da sua história e da sua identidade nacional: encravado entre um poderoso vizinho e o mar, os Portugueses souberam tirar partido da sua situação estratégica, quer construindo no mar um poderio militar, quer aliando-se à potência naval dominante (aliança inglesa), assegurando a sua sobrevivência face às pretensões hegemónicas das potências europeias. Escreve Veríssimo Serrão (História de Portugal, vol. 1) : «em face de uma Espanha superior em dimensão cinco vezes, não houve milagre no caso português, mas somente a adequada integração dos seus naturais num quadro político que lhe assegurou a existência autónoma que qualquer periferia marítima amplamente favorece.»

A leitura da História de Portugal em termos de um ciclo de apogeu e queda, de potência mundial à irrelevância geopolítica, é uma leitura marcadamente oitocentista, nascida no contexto da reflexão política de finais do século XIX. Pré-história

Mapa Étnico-Linguístico da Península Ibérica cerca de 200 AC. A região que corresponde actualmente a Portugal começou a ser habitada há cerca de quinhentos mil anos, primeiro pelos Neandertais e, mais tarde, pelo Homem moderno. Entre 20 000 a.C. e 10 000 a.C., a Península Ibérica começou a ser colonizada por grupos humanos Cro-Magnon e, milénios mais tarde, passou a abrigar outros povos, autóctones e sem parentesco aparente com quaisquer outros povos conhecidos. Entre eles, estavam os iberos, na costa mediterrânica de Espanha, os tartessos (relacionados aos turdetanos, túrdulos e cónios), no extremo sul de Portugal (regiões do Algarve e Alentejo) e osaquitanos e vascones (prováveis antepassados dos actuais bascos), na região dos Pireneus. A hipótese de todos serem de origem berbere, do norte daÁfrica (citada na teoria do Vascoiberismo), hoje é amplamente desacreditada, embora o parentesco entre iberos e bascos ainda continue a ser investigado. Porém, segue-se a crença de que todos eram povos distintos etnicamente entre si. No século VII a.C., a região passou a ser habitada por povos indo-europeus, sendo estes tribos proto-célticas e celtas. As tribos iberas e algumas vagas celtas misturaram-se, dando origem aos celtiberos, em partes de Espanha. Outras populações proto-célticas e celtas acomodaram-se em território português, como os lusitanos, os vetões (ou Vettones) e os galaicos (ou

equesos. reorganização da Hispânia deDiocleciano. luancos. pésures.. o exercito romano levou para Roma cerca de 4 toneladas de ouro e 800 toneladas de prata que obtiveram como espólio de guerra retirado dos tesouros das tribos nativas. A conquista total da península pelos Romanos só ocorreu no tempo do imperador Augusto. célticos. conseguiu conter a expansão romana durante alguns anos. que terá iniciado no tempo de Augusto (27 a. tapo ros. seurbos..[3] A exploração mineira. límicos.das maiores do mundo romano.ou das minas do campo de Jales ou da Gralheira[4] era um dos principais factores económicos para o interesse romano na região.C. Romanização As províncias romanas Lusitânia eGalécia. nemetatos. mas a anexação da Ulterior) só se tornou efectiva muito depois. entre outras menos significativas.Gallaeci).C..C. zoelas. narbasos. Erigindo-se em chefe dos Lusitanos após .C. como a das Três Minas . quaquernos. Foram anexadas duas regiões da Península Ibérica por Roma como províncias das Hispânias (a Citerior e a Ulterior). A Citerior foi subjugada e ocupada com relativa facilidade. Viriato. os Romanos penetraram na Península Ibérica no contexto da Segunda Guerra Púnica que mantiveram contra Cartago.coelernos. tamagani. interamici. leunos. Influências menores foram os gregos e os fenícioscartagineses. fazendo com que fosse dos últimos territórios a resistir à ocupação romana da Península Ibérica. gróvios. tais como os brácaros. Entre 209 e 169 a.14 d. o líder lusitano. 298 d. turodos). No século III a.).C.

o imperador Augusto criou a província da Lusitânia. A partir daí. Perpena. No auge da sua carreira. Sertório era um hábil e carismático político. o Senado reconheceu-o e declarou-o "amigo do povo romano". Chaves (Portugal). mas por pouco tempo. foi convidado pelos Lusitanos a chefiá-los contra Roma. Em 74 D. na arte. na rede viária e nas pontes. segundo o modelo habitual de colonização romana. Não obstante. derrotou mais uma vez todos os generais enviados contra ele. a romanização do território que viria a ser português prosseguiu sem dificuldades de maior para Roma. Os Romanos deixaram um importante legado cultural naquilo que é hoje Portugal. como a de Trajano sobre o rio Tâmega em Chaves (Aquae Flaviae) ou a de Vila Formosa (Alter do Chão). os Lusitanos sujeitaram-se ao jugo romano. Perito em tácticas de guerrilha e em iludir o adversário. derrotou sucessivamente os vários generais romanos enviados contra ele. da facção derrotada. Ponte de Trajano sobre o rio Tâmega. já que as terras a norte do rio Dourointegravam a Tarraconense. um outro general romano que se lhe juntou.C. o .C. algumas das quais servem até aos nossos dias. incluindo o célebre Pompeu. o general romano Sertório. nos costumes. veio a assassiná-lo traiçoeiramente.C.) por três companheiros de armas comprados pelos romanos. Desprovidos de chefe. que correspondia a grande parte do actual território português. No fim do século I a. Excelente general. Uma variante do Latim (Latim Vulgar) passou a ser o idioma dominante da região. Na sequência das guerras civis. na arquitectura. Surgiram novas cidades e desenvolveram-se outras. seria morto à traição (140 a. mas pouco terão contribuido para a composição étnica portuguesa actual. uniu à sua volta um número crescente de tribos e travou uma guerra incansável contra os invasores.escapar a uma matança perpetrada à traição pelo romano Galba. embora não à sua totalidade.

a Galiza e as Astúrias. a Bética. Vândalos (Silingos e Asdingos) e Visigodos. compostos principalmente por Suevos (Quados e Marcomanos). os Suevos e os Visigodos seriam aqueles que teriam uma presença mais duradoura no território que é hoje Portugal. que viria a ser atribuída a todos os súbditos (livres) do império pela chamada Constituição Antoniniana. e os Vândalos Silingos. enquanto os Alanos ocuparam as províncias da Lusitânia e a Cartaginense. os Suevos dominam o território da Galécia e chegam a dominar a parte norte e ocidental da Lusitânia.. Em finais do século III d.. Durante o Império Romano o Cristianismo difundiu-se em toda a Hispânia. datando dessa época um importante surto urbano. Estabelecendo a capital do seu reino em Braga. entre as quais se achava a Callaecia. Em 411 estes povos dividem entre si o território: os Vândalos Asdingos e os Suevos ocuparam a Galécia. Em 409 d. Difundiu-se também a cidadania romana.imperador Vespasiano concedeu o "direito latino" (equiparação aos municípios da Itália) a grande parte dos municípios da Lusitânia.C.). de origem persa. De todos estes povos. Invasões bárbaras Visigodos e Suevos(Galécia) na Península Ibérica de 560 d.C. todos de origem germânica. o . os chamados povos bárbaros.C. Algum tempo depois. fixam-se na Hispânia. o imperador Diocleciano subdividiu a Tarraconense em outras províncias. Estabelecidos na condição de federados do Império Romano. ocorre a entrada dos Visigodos na península ao serviço do Império Romano e com o objectivo de subjugar os anteriores invasores. que integrava o norte do actual Portugal. ou édito de Caracala (212 D. além dos Alanos.C. pelo menos a partir do século III.

facilitou a união das duas populações. A partir de 470 crescem os problemas do reino suevo com o vizinho reino visigodo. Durante estes séculos. Recaredo I. enquanto a maioria da população era católica. em pequenos reinos (taifas) com autonomias características. como uma província do império omíada. Em 711 a Península Ibérica foi invadida pelos muçulmanos do Norte de África (basicamente Berberes com alguma componente de Árabes). no sul de Portugal. pois os visigodos eram adeptos do arianismo. pelo que foram obrigados à miscigenação étnica e cultural com esta. mas questões dinásticas reacenderam os conflitos e vieram a estar na origem do colapso final. mais tarde sob a forma de um emirado e califado e. evangelizados finalmente por S. oAl-Andalus. convertendo-se ao catolicismo. controladas pelo Império Bizantino) e zonas do norte controladas pelos vascões) até à queda deste reino em 711. Os povos bárbaros eram numericamente inferiores à população hispanoromana. Muitas cidades foram destruídas durante este período e verificou-se uma ruralização da vida económica.reino suevo foi o primeiro reino da Europa a cunhar moeda própria. hoje Igreja de Santa Maria da Assunção. a única região que resistiu à invasão árabe. devido ao colapso deste. Ocupação Muçulmana Antiga mesquita de Mértola. Martinho de Dume. Estes dominaram partes da península por mais de cinco séculos: inicialmente sobre o controlo do Califado de Damasco. nas Astúrias. tendo sido convertidos ao catolicismo no ano 449. A estabilidade interna deste reino foi sempre difícil. desenvolvia-se um movimento . Em 585 o rei visigodo Leovigildo toma Braga e anexa a Galécia sueva. A partir daqui toda a Península Ibérica fica unificada sob o reino visigodo (com excepção de algumas zonas do litoral sul e levantino.

Os muçulmanos que não foram expulsos ou mortos durante o processo de reconquista. tiveram de aderir aos costumes locais (incluindo o Cristianismo). entregou. Primeiro. talvez por isso. mas que dele tinha grande independência. Este processo gradual originou o nascimento de pequenos reinos que iam sendo alargados à medida que a Reconquista era bem sucedida. o governo dos territórios meridionais. por mérito. Formação do Reino de Portugal Evolução das fronteiras linguísticas dos territórios na Península Ibérica ao longo da Idade Media e Moderna. nasceria o reino de Portugal. que viria a dividir-se entre os filhos de Afonso III das Astúrias quando morreu. . Destes condados. o país explorava o além-mar. a reconquista cristã foi francamente mais lenta. de Navarra e Aragão e Castela. para difundir o Cristianismo. entre os rios Douro e Mondego. Se rápida foi a invasão árabe. em parte sob o pretexto do espírito das Cruzadas. Mais tarde Afonso VI de Leão e Castela (autodenominado Imperador de toda a Espanha). A esta altura. ao seu genro D. soberano e completo e. grosso modo entre os rios Minho e Douro e o Condado de Coimbra. Não se sabe ao certo o grau existente de mescla com estes berberes na população portuguesa actual. o Reino das Astúrias. que faziam ainda parte do reino de Leão. mas há um consenso de que esta mescla existe. culminando no fim do poder político islâmico nesta com a tomada de Granada pelos Reis Católicos (1492). Henrique de Borgonha. o Condado Portucalense. Assim nasciam os reinos de Leão e.de reconquista da Península. já o reino de Portugal estava formado. mais tarde.

no Tratado de Zamora. sempre que possível. em . no entanto. Por morte de D. Afonso Henriques). Afonso Henriques conseguiu uma importante vitória contra os Mouros na Batalha de Ourique. declarando-o principado independente. Afonso Henriques dirigiu-se ao papa Inocêncio II e declarou Portugal tributário da Santa Sé. D. tendo reclamado para a nova monarquia a protecção pontifícia. D. A posição de favoritismo em relação aos nobres galegos e a indiferença para com os fidalgos e eclesiásticos portucalenses originou a revolta destes. D. Henrique (1112). Teresa é expulsa da terra que dirigira durante quinze anos. pois. Só em 1143 é reconhecida independência de Portugal pelo rei de Castela. sucede-lhe a viúva deste. Henrique governou no sentido de conseguir uma completa autonomia para o seu condado e deixou uma terra portucalense muito mais livre do que aquela que recebera. D. com o Rei Afonso I de Portugal (D. Afonso Henriques. e passando a viver em Coimbra a partir de 1130. D. sob chefia do seu filho. O pensamento de D. Teresa foi idêntico ao do seu marido: fortalecer a vida portucalense. Teresa. o Reino de Portugal e sua primeira dinastia. as atenções seguiam. mas os muitos conflitos diplomáticos e a influência que concedeu a alguns nobres galegos (principalmente a Fernão Peres) na gerência dos negócios públicos prejudicou o seu esforço. no governo do condado durante a menoridade do seu filho Afonso Henriques. que o aclamaram como soberano. Aos catorze anos de idade (1125). enquanto paralelamente travava lutas contra os muçulmanos. Continuou. Uma vez vencida. o jovem Afonso Henriques arma-se a si própriocavaleiro – segundo o costume dos reis – tornando-se assim guerreiro independente.D. tendo declarado a independência com o apoio dos chefes portugueses. Em1139. até que em 1128 se trava a Batalha de São Mamede (Guimarães) e D. em 1139. Teresa começou (1121) a intitular-se «Rainha». assinando-se a paz definitiva. a lutar contra as forças de Afonso VII de Leão e Castela (inconformado com a perda das terras portuguesas). Durante o período que se segue. Nascia. Afonso Henriques toma conta do condado. conseguir a independência para o condado. e a cidade de Coimbra como a primeira capital. A luta entre Afonso Henriques e sua mãe desenrola-se.

baseado em boatos que procurou esclarecer. João II. redescobrindo a Madeira. O pretexto inicial da conversão cristã começava a revelar-se agora um verdadeiro espírito aventureiro. o Brasil. os portugueses empenharam-se em descobrir mais e mais território. o gosto por descobrir. e eis queVasco da Gama. para o novo Império Português. Entretanto tomava-se conhecimento. Açores e descobrindo São Tomé e Príncipe. através de Cristóvão Colombo. Manuel I. já no tempo de D. principais rotas no Oceano Índico(azul). E seria a curiosidade de Pedro Álvares Cabral que traria. vê a luz ao Oceano Índico e espalha a presença portuguesa pela costa oriental africana. como Ceuta e Tânger. O projecto passa a empreendimento. territórios portugueses no reinado deD.assegurar essa soberania (que ficou dificultada durante a crise dinástica de 1383) e prolongar o território para Sul. tornando a Península Ibérica a maior potência mundial da altura. Angola e a Guiné até que D. as mais tarde chamadas Índias Ocidentais. Com todas as suas colónias estabelecidas. Portugal tornou-se rapidamente um importante explorador comercial. Vendo a riqueza com que se vivia na região. portanto. O Império Português . Cabo Verde. A partir da conquista de Ceuta em 1415 iniciaram-se várias campanhas além-mar. as Américas. inicia o planeamento de um projecto que iria lançar Portugal entre as potências mundiais: uma rota comercial marítima para a Índia. João III (verde). Portugal inicia uma longa caminhada pela costa Africana. na conquista de praças em África. até à Índia. Os descobrimentos Descobrimentos portugueses de 1415-1543. de novo território a Oeste.

Os confrontos foram iniciados a pretexto daGuerra dos Oitenta Anos. e Portugal foi uma dessas nações. Desde a América do Sul à Ásia. Em 1571 uma cadeia de entrepostos ligava Lisboaa Nagasaki. um rei. escravos da áfrica ocidental e açúcar do Brasil. Entre 1595 e 1663 foi travada a Guerra Luso-Holandesa com as Companhias Holandesas das Índias Ocidentais e Ocidentais.dois reinos. Portugal enfrenta uma crise dinástica cuja análise se mostrou complexa. No entanto. a França e a Holanda. o Prior do Crato. o trono caiu nas mãos dos reis de Espanha. logo após a Segunda Guerra Mundial começou a ruptura das dominações coloniais. Após a perda do Estado Português da Índia. trazendo no processo enormes riquezas para Portugal. A intensidade desta procura. Durante a Dinastia Filipina o império português sofreu grandes reveses ao ser envolvido nos conflitos de Espanha com a Inglaterra. muitas vezes em prejuízo das colónias. iria permiti-las estabelecer vastas colónias em todo o mundo. Portugal espalhava a língua e os costumes. trazendo para o país grandes riquezas. a situação manteve-se relativamente controlada até que. António. com a morte do rei D. Apesar dos esforços de D. que tentavam tomar as redes de comércio portuguesas de especiarias asiáticas. Portugal foi envolvido no conflito por . Dinastia Filipina Em 1580. enquanto se avançava por terra para o centro do continente. estalavam os primeiros confrontos armados em Angola. por várias nações.Mapa anacrónico do Império Português(1415-1999). em 1961. a que se sucederiam intensos combates. Após a descoberta da costa Africana. exploravam-se outras alternativas rumo às especiarias. a que Portugal não escapou. O Império Português foi o primeiro e o mais duradouro dos Impérios coloniais (1415-1999) da Era dos Descobrimentos. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir. cidade fundada no Japão pelos portugueses: o império tornara-se verdadeiramente global. sob a forma de monarquia dual .

foi alvo de um arrocho económico e administrativo. até conseguir aPaz que elevaria D. Os jesuítas. Após 1640 (fim da dinastia filipina). com o objetivo de superar a situação económica enfrentada pela Metrópole.estar unificado sob a coroa dos Habsburgos. Neste contexto. foram naturalmente expulsos. A reconstrução da baixa de Lisboa. Introduziu em Portugal a doutrina do "direito divino dos reis". José I. expressa os conceitos urbanos e estéticos do Iluminismo. João IV ao trono português. o Marquês de Pombal assume o cargo de primeiro-ministro. revelando-se um déspota esclarecido ao serviço de um apagado rei absoluto. Era Pombalina e Iluminismo Marquês de Pombal e a reconstrução de Lisboa após o Terramoto de 1755. a Coroa Portuguesa criou o Conselho Ultramarino. Relativamente ao Brasil. encarregado de uma nova política colonial. defensores do pacto de sujeição do rei à República. Assim. mas os confrontos perduraram vinte anos após a Restauração da Independência em 1640. D. o Brasil. e ao mesmo tempo. As Cortes nunca reuniram. e torna-se responsável por reformas em várias áreas. como a maior e a mais rica das colónias. Face ao ocorrido. Portugal vive um período de guerra interna pela restauração da Independência. caracterizados no localismo político dos “Homens Bons” da Colónia. após o Terramoto de 1755. evidente no processo dos Távora. estimulou-se a busca pelo ouro e pedras preciosas. procurou-se reduzir os poderes das Câmaras Municipais. e à instabilidade social provocada pela quebra de promessas pelos reis castelhanos. Foi muito contestado pela sua crueldade e rigidez. No princípio do século XVIII. Sebastião José de Carvalho e Melo. o Marquês considerava-o uma colónia estritamente dependente de .

que. futuro duque de Wellington. portanto. Junot não tem outra alternativa senão assinar um armistício (Convenção de Sintra. de onde foi prosseguida. no qual previa a divisão de Portugal em três reinos sob a influência da França. pretende substituir pela dinastia Bonaparte. Ao mesmo tempo. [carece de fontes] As Invasões Francesas Com a derrota da Prússia em 1806 e a aliança franco-russa de 1807 (Tratado de Tilsit). Porém. toda a Corte e o Governo. não aderente ao sistema do Bloqueio Continental decretado em 1806 (Decreto de Berlim). deixando margem para a revolta do Porto (7 de Junho de 1808) e para a constituição da Junta Provisional. Napoleão celebra com a Espanha o Tratado de Fontainebleau (27 de Outubro de 1807). mas cuja dinastia Napoleão. com inegável êxito. É neste contexto que se deve situar a invasão de Portugal. o povo brasileiro sentiu-se desprezado. O plano é executado logo no Outono de 1807. perto da Figueira da Foz (1 de Agosto) deitará por terra os planos de ocupação e dissolução de Portugal. A família Real Portuguesa. Napoleão Bonaparte orienta a sua política para a Espanha. Napoleão planeava já apoderar-se do Brasil e das colónias espanholas. à semelhança do que fizera noutros Estados. formalmente um país aliado. em todo o território português alastra um movimento de resistência popular que nem a feroz repressão das forças francesas. sob protesto português. num total de cerca de 15 mil pessoas. Na invasão as tropas francesas foram reforçadas por três corpos do exército espanhol.Lisboa e ao serviço do enriquecimento do Reino de Portugal. partiram para o Brasil. conseguiria debelar. em que se destacou especialmente o general Loison (o famigerado «maneta»). as tropas espanholas abandonam Portugal. Com a rebelião popular espanhola. a política internacional portuguesa. . aliado da Inglaterra e. de 30 de Agosto de 1808). com as suas tropas e o seu saque. lhe permitirá abandonar Portugal em navios britânicos. o que gerou a instabilidade local suficiente para que a colónia se revoltasse e se viesse a tornar independente. Para conseguir os seus intentos. com a invasão de Portugal por um exército comandado pelo general Junot. todos os planos de Napoleão fracassaram. ao mesmo tempo que. que atingiria a fronteira portuguesa da Beira Baixa no final de Novembro. O desembarque de uma força expedicionária britânica comandada por Arthur Wellesley. Derrotado em Roliça e Vimeiro (21 de Agosto).

Tendo a cidade de Lisboa aderido ao movimento. formou-se uma Junta Provisória cujo objectivo era organizar as eleições para eleger as Cortes. o que desagradou às Cortes Constituintes que entendiam que a soberania só . e de toda a família real. João VI foi intimado pelas Cortes a regressar a Portugal. Antes de voltar nomeia o seu filho. Ao mesmo tempo. Madeira. acabando por comprometer toda a política imperial da França. pelo domínio dos ingleses sobre Portugal e pela abertura dos portos do Brasil ao comércio mundial. Açores. quebrou as asas à política imperial e aos sonhos de domínio sobre a Península Ibérica. no cais de Belém. o que tinha provocado a ruína de muitos comerciantes portugueses. oriundos de todo o território controlado por Portugal (Brasil. O rei D. o Governo português. a de Soult (1809) e a de Massena (1810). pelas consequências destrutivas das Invasões Napoleónicas. em 27 de novembro de 1807. Conde de Linhares. dependências da África e Ásia) formaram as Cortes Constituintes. Nas duas invasões subsequentes. Nos inícios do século XIX Portugal vivia uma crise motivada pela partida da família real para o Brasil. D. No Rio de Janeiro. João VI. Esta revolução não encontrou oposição. Rodrigo de Sousa Coutinho. só restituída à França após o Congresso de Viena.1815) a partir de óleo de Nicolas Delariva. A Revolução Liberal de 1820 Embarque para o Brasil do Príncipe Regente de Portugal. a ideologia liberal implantava-se em pequenos grupos da burguesia.Estava concluído o fruste domínio de Napoleão Bonaparte sobre Portugal. chefiado por D. ao mesmo tempo que a guerra alastrava a toda a Península. a resistência lusobritânica. ao mesmo tempo que mandava tomar a Guiana Francesa. o príncipe D. obtinha da Inglaterra o cumprimento do Tratado de Londres de 1807. que culminou nas batalhas do Buçaco (27 de Setembro de 1810) e das Linhas de Torres Vedras. regente do reino do Brasil. Gravura feita porFrancisco Bartolozzi (1725 . Pedro. No dia 24 de Agosto de 1820 eclodiu no Porto uma revolução cujo objectivo imediato era convocar Cortes que dotassem Portugal de um texto constitucional. Os deputados eleitos.

As cortes ordenaram também que D. e impõe-se. Maria II. Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) Com a morte de D. conhecido como o grito de Ipiranga. Entretanto. Maria II subia ao trono por legitimidade. executivo e judicial). colocando o poder no governo e num parlamento unicamaral eleito por sufrágio directo. Este acto. Isso mostrava a forte influencia iluminista na época. foi nomeado regente do Reino. pela força. consagra a divisão tripartida dos poderes (legislativo. Pedro deixasse o Brasil para se educar na Europa. D. que deixam o país em direcção ao Brasil. Maria dando início a seis anos de conflitos armados com intervenções da política internacional. Pedro abdica do trono para o seu filho Pedro II do Brasil. levantava-se um problema de sucessão. e permitir a restauração da Carta Constitucional de 1826 e do trono de D. Na tentativa de impor o seu regime absolutista. D. limitava o papel do rei a uma mera função simbólica. Pedro IV ter sido forçado a abdicar do trono de Portugal em favor do trono do Brasil. Maria seria arranjado. Pedro recebe mais uma mensagem das Cortes. João VI. Para resolver a situação. exclamando: "Independência ou morte!". Estas atitudes geraram o descontentamento dos 65 deputados brasileiros nas Cortes Constituintes. marcaria a data da independência do Brasil. Miguel iriam forçá-lo a desistir da luta no [Convenção de Évora Monte]. Após D. depôs o regime monárquico-constitucional de D. No dia 7 de Setembro de 1822 o princípe D. Miguel. que já se revoltara pelo menos duas vezes e estava exilado. que rasga diante dos seus companheiros. Inspirada na Constituição francesa de 1791 e na Constituição de Cádis de 1812 . D.poderia residir em Portugal continental. e o casamento com D. Primeira República . As derrotas sucessivas de D. No mesmo ano as Cortes aprovaram a Constituição.

em Lisboa. António de Oliveira Salazar. foram assassinados no Terreiro do Paço (Praça do Comércio). Nesse ano foi chamado ao governo um professor de Finanças da Universidade de Coimbra. caracterizado pela existência de um único partido (a União Nacional). mas também as tradições do liberalismo político e económico. Por volta de 1928 tornara-se premente a situação financeira do Estado português. Profundamente conservador e nacionalista. com o de presidente do Conselho de Ministros para o qual é nomeado. Em 1932 Salazar passa a acumular o cargo de ministro das Finanças. encabeçado por Teófilo Braga. alimentava uma nostalgia pelo meio rural. A 3 de Outubro de 1910 estalava uma revolta que provocaria a deposição de D. naquele que ficou conhecido como o primeiro momento do período das Três Repúblicas. Constituía-se o primeiro Governo Provisório. . por um sistema económico regulador da economia (condicionalismo industrial) e pelo antiparlamentarismo. considerado ideal. que teria os destinos de Portugal nas suas mãos durante as próximas quatro décadas. Quando regressavam de Vila Viçosa. o príncipe herdeiro D. O seu pensamento político rejeitava o comunismo. Manuel II e a criação da República Portuguesa. Luis Filipe. A partir daqui dedica-se a montar as estruturas do novo regime político. o Rei D.O Republicanismo acentuou-se de tal forma na primeira década do século XX que em 1 de Fevereiro de 1908 se dá o regicídio. A ditadura e o Estado Novo António de Oliveira Salazar. Carlos e o seu filho mais velho.

Em 1933. Nos anos sessenta Portugal registou um forte fenómeno de emigração. a Assembleia Nacional foi ocupada por apoiantes do regime e o poder concentrou-se na figura de Salazar. restabelecida em 1926. na 10 de Novembro de 1961. usado para o fábrico de material bélico. Guerra do Ultramar . Em 1936 o regime cria aMocidade Portuguesa. Os antigos partidos políticos portugueses desaparecem. De cariz presidencialista. tendo beneficiado com a venda de volfrâmio. o presidente da República foi uma figura apagada. Damão e Diu. entrou em vigor a nova Constituição Portuguesa. Os destinos principais dos portugueses. foram a França e a Alemanha Ocidental. Agricultores beirões (c.1950). motivados pelo desejo por melhores condições de vida. foi consolidada e todas as greves proibidas. No dia 19 de Dezembro de 1961 tropas da Índia invadem os territórios portugueses de Goa. Foi a primeira acção do género no Mundo e serviu para distribuir panfletos anti-salazaristas. Na prática. Em 1949 Portugal ingressa na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN/NATO) e em 1955 na Organização das Nações Unidas. Durante a Segunda Guerra Mundial Portugal manteve-se neutro no conflito. cujo propósito era incutir à juventude do país as ideias do regime. cujos dirigentes foram duramente perseguidos pela polícia política (PVDE e depois. com excepção do Partido Comunista Português (fundado em 1921). No mesmo ano estala a guerra de indepedência em Angola. A Operação Vagô envolveu o desvio de um avião entre Casablanca e Lisboa. PIDE). A censura. admitia a existência de uma Assembleia Nacional e de uma Câmara Corporativa composta por elementos ligados às profissões.

as colónias em todo o Mundo revoltavam-se contra os colonizadores. A insustentabilidade de uma guerra de três frentes (desprezando Timor Português. dava-se início ao um conflito armado que ficou conhecido na historiografia portuguesa como Guerra do Ultramar.Embarque de tropas portuguesas. num movimento apoiado pelas Forças Armadas. Primeiro em Angola. No contexto político-social do pós-Segunda Guerra Mundial. . e em 1964 em Moçambique. Revolução dos Cravos Manifestação do 25 de Abril de 1983 na cidade do Porto. cuja distância tornou inviável a intervenção portuguesa). exigindo a independência. fariam o país revoltar-se contra o governo e. agora designadas províncias ultramarinas não foram excepção. ou uma forma de governo equiparável à metrópole. As possessões portuguesas. depois na Guiné Portuguesa e Cabo Verde. libertava-se o país do regime opressor que se vivia. em que subsistiam os princípios de autodeterminação e independência. com a designada Revolução dos Cravos. aliado a um contexto político-social ditatorial. e entre 1961 e 1964 estalam uma série de tumultos violentos contra as forças coloniais portuguesas exigindo a libertação dos povos. e na historiografia das antigas colónias como Guerra de Libertação.

por não ser violento. realizaram-se as primeiras eleições democráticas. cujo objectivo era formar uma Assembleia Constituinte que elaborasse uma constituição para o país. No dia 11 de Março de 1975 o país viveu a ameaça de um golpe de estado direitista encabeçado por militares próximos a Spínola. No mesmo dia o governo provisório tomou medidas socialistas na economia. órgão que seria substituído pelo Conselho da Revolução (19751982). o Exército Português consegue ser bem sucedido num golpe de estado que. decretando a nacionalização da banca e dos seguros. assumiram como prioridades o fim da polícia política. que pôs um fim ao regime autoritário do Estado Novo. presidido porPalma Carlos. o restabelecimento da liberdade de expressão e pensamento. a liberdade de expressão garantida.António de Spínola foi designado Presidente da República. tendo entrado em funcionamento o primeiro de uma série de governos provisórios. os prisioneiros políticos libertos e as maiores . constituída por militares. apesar de ter sido revista em várias ocasiões. Essa constituição seria promulgada no dia 2 de Abril de 1976 e é a constituição que rege Portugal até hoje. descontente com aquilo que consideravam ser uma deriva esquerdista na vida política nacional tinha partido para Espanha. Foi caracterizado inicialmente por constante instabilidade e possibilidade de guerra civil durante os primeiros anos pós-revolucionários. passado justamente um ano sobre a revolução. que entretanto. Foi elaborada uma nova constituição. se tratou de designar historiograficamente de Revolução dos Cravos e que ocorreu no dia 25 de Abril de 1974. O poder seria assumido pela Junta de Salvação Nacional. Os dirigentes do movimento (os "Capitães de Abril"). III República A Terceira República Portuguesa é o período da história de Portugal que corresponde ao actual regime democrático implantado após a Revolução dos Cravos do dia 25 de Abril de 1974. a censura foi proibida. No dia 25 de Abril de 1975. o reconhecimento dos partidos políticos existentes ou a criar e a negociação com os movimentos de independência das colónias.Numa conspiração militar.

O I Governo Constitucional de Portugal teve o seu início a 23 de Setembro de 1976. após a morte do conde Nuno Mendes (e que embora gozando de certa autonomia. recebendo a cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa. fundado por Vímara Peres após a presúria de Portucale (Porto) em 868 e incorporado no reino da Galiza em 1071. dois Condados Portucalenses ou Condados de Portucale distintos: um primeiro. . Passam a funcionar todas as instituições democráticas. iniciando o processo de abertura do país que levou à adesão de Portugal à CEE (actual União Europeia) em 1986.[6] e ainda nesse ano. no actual território de Portugal.instituições do Estado Novo foram extintas. a última das quais em 2007. o país presidiu o Conselho Europeu por três vezes.[5] Em 1999. Portugal entra para o Conselho da Europa. ao longo do processo de reconquista. um dos oficiais do Grupo dos Nove. Para aderir à União Europeia Portugal saiu de EFTA em 1986. As primeiras eleições democráticas para a presidência da República foram realizadas por sufrágio directo. Portugal aderiu à Zona Euro. entregou a soberania de Macau à República Popular da China. Venceu Ramalho Eanes.[8] CONDADO PORTUCALENSE Presumível bandeira do condado portucalense. sendo sensivelmente equivalente ao actual Entre-Douro-e-Minho). Subsequentemente foi concedida às colónias africanas a independência. A 12 de Novembro do mesmo ano realizaram-se as primeiras eleições autárquicas. derivada do pendão do condeHenrique da Borgonha. sob a chefia de Mário Soares. Um segundo. Houve. constituiu sempre uma dependência do reino das Astúrias/Leão/Galiza).[7] Desde a sua adesão à União Europeia.

. tendo também recebido a mão de sua filha Teresa de Leão. na Irlanda. e ao sul pelo rio Vouga. De notar que Condado é um termo genérico para designar o Território Portucalense. 1095 em feudo do rei Afonso VI de Leão e Castela e oferecido a Henrique de Borgonha.[1] Ainda outra teoria propõe que Cale deriva de Caladunum. suprimido em 1091. já que abarcava também os territórios do antigo condado de Coimbra. com o qual desde o século IX se designava uma cidade situada perto da foz do Douro.constituído c.os Callaeci. "belo").[2] Data assim desse período a expressão terra portucalense ou província portucalense para designar um território distinto que era limitado ao norte pela terra bracarense. e implicava a existência de um porto celta mais antigo. Este último condado era muito maior em extensão. seria celta e significava "porto". Outra explicação é de que o nome deriva dos povos de cultura castreja que habitariam a área de Cale nos tempos pré-romanos . um burguinhão que veio auxiliá-lo na Reconquista de terras aos Mouros. numa invasão celta proveniente da Galécia e que teria nesses primórdios invadido a actual Irlanda. Dux (duque) ou Princeps (Príncipe). e ao segundo como Condado Portucalense. designada de Portus Cale. "Porto de Cale". História O nome do condado vem do topónimo Portucale. dado serem essas as expressões mais consagradas. Por uma questão de comodidade. transl. partes deTrás-os-Montes e ainda do Sul da Galiza (mormente da diocese de Tui). Uma outra teoria afirma que a palavra cale ou cala. donde qualquer coisa como "Porto Belo". kalós. uma "enseada" ou "abrigo". e tinha por centro e cabeça a povoação de Portucale. que se julga ser um nome híbrido formado por um termo latino (Portus. Uma explicação alternativa é a de que o nome deriva da deusa venerada pela tribo e que poderia historicamente relacionar-se com a palavra Cailleach (definida como "deusa ancestral"). aludir-se-á ao longo deste artigo ao primeiro condado portucalense como Condado de Portucale. já que os seus chefes eram alternativamente intitulados Comite (conde). "porto") e outro grego (καλός.

Portucale era já. no século IV. na margem esquerda. um dos nomes mais importantes da diplomática portuguesa. Condado de Portucale . estudado pelo cônego Pierre David após a sua identificação pelo também cônego Avelino de Jesus da Costa. situada na província da Galécia. a revolta do seu governador Agiulfo. oParoquial Suévico de São Martinho de Dume. Quando da invasão muçulmana da península Ibérica. as "Histórias de Salústio" referem uma "Cales civitas" localizada na Gallaecia. vencido por Leovigildo. e tendo por metropolita o bispo de Braga. contando-se entre eles o aprisionamento de Requiário durante a invasão deTeodorico (457). no século V. na direita. Quando do domínio dos Suevos.[3] Portucale Embora a existência da povoação na foz do Douro durante o período romano se encontre confirmada. Após a invasão. Portucale foi palco de vários acontecimentos. tendo sido apenas restaurada após a reconquista do Porto. o Portucale Castrum Novum.C. a sede da diocese Portucalense.[4] refere-se. Idácio de Chaves escreve sobre um "Portucale castrum". o mesmo não acontece para a sua localização exacta. Cale teria também sido conquistada por Perpena. último rei suevo. fala-se de uma povoação chamada de Cale ou Calem. a diocese não sobreviveu. desde a segunda metade do século VI. e outro. a um povoado que designava como Portucale Castrum Antiquum.No século I a. no "Itinerário de Antonino". e a última batalha (585) de Andeca. que pretendia ser aclamado rei e foi executado. em 868. séculos depois.

um moçárabe valido do . quer ao norte do rio Ave. confinava com outros territórios (Braga. As campanhas do Almançor. para além dos limites da antiga diocese nela sediada. como ainda as terras de Lamego. e nalguns casos de repovoamento. tendo os bispos de Portucale sido instalados numa pequena povoação chamada Magneto (a qual os especialistas fazem corresponder com a actual Meinedo. Viseu eFeira). A reconquista permitiu também a restauração diocesana. Terras da Feira e Coimbra). a partir de então. Lamego. o território designava-se já de Terra Portugalense. Por esta altura. Na segunda metade do século XI. quer ao sul do rio Douro. reconstituiu-se ao sul o condado de Coimbra (que incluía não só a cidade do Mondego. em finais do século X. bem sucedida. fizeram recuar a linha de fronteira de novo até ao Douro. Pouco a pouco são alargadas as fronteiras do território que. a sua posição de charneira entre os mundos cristão e muçulmano permitiu uma vivência de maior paz no Entre-Douro-e-Minho. um próspero período da sua história: daí partiu toda a acção de reorganização. no concelho de Lousada). vivendo. segundo outros documentos coevos) Sesnando Davides. Viseu. em 868.A reocupação e possível reconstrução ou fortificação de Portucale verificouse após a presúria de Vímara Peres. porém. Apenas dez anos decorridos sobre a reconquista definitiva de Portucale tivesse sido tomada a cidade de Coimbra e erigida em condado independente às mãos deHermenegildo Guterres. sendo entregue ao conde (ou alvazil. neste sentido.

nos quais surge a referência expressa a terras situadas em Portugal. Onega Lucides 3 (com Diogo Fernandes) 4 Mumadona Dias (com Mendo ? antes de 924 Filha de Lucídio Vimaranes. .rei Fernando I de Leão e Castela. sob o governo de Vímara Peres e seus descendentes. e que então pertenciam. na Galiza. repovoada durante o reinado de Ordonho I. 924 950 Filha de Onega Lucides e Diogo Fernandes. Condes de Portucale: a casa de Vímara Peres Foram condes da casa de Vímara Peres (nem sempre em linha recta. Governa conjuntamente com o esposo. Governa conjuntamente com o esposo. que conquistara definitivamente a cidade em 1064 (este condado viria mais tarde a ser incorporado no Portucalense). ao sul do rio Lima. O repovoamento da Terra Portugalense ocorreria no tempo de Afonso Magno. Paulo Merêa refere a existência de documentos comprovadamente encontrados na província de Ourense. Diogo Fernandes. no âmbito da organização eclesiástica deTui. e vieram ainda a pertencer durante algum tempo. mas recorrendo às vezes à sucessão congnática): Início Fim do do govern governo o # Nome Notas 1 Vímara Peres 868 873 2 Lucídio Vimaranes 873 ? Filho de Vímara Peres. ou seja.

em 1071. Governa conjuntamente com o esposo. o Condado de Portucale e a Galiza fizeram parte do território atribuído por Fernando I para o seu filho mais novo Garcia II. Sancho. que se tornou o primeiro monarca a usar o título de "Rei de Portugal e Galiza". filho de Alvito Nunes. Gonçalo I 5 Mendes 950 999 6 Mendo II Gonçalves Alvito Nunes 999 1008 7 1008 1015 Ilduara Mendes 8 (com Nuno I Alvites) Mendo III Nunes 1015 1028 Filha de Mendo II Gonçalves. Com a sua vitória em 1071. Na primavera seguinte. No entanto. os seus irmãos Afonso VI e Sancho II tomaram o reino de Portugal e Galiza. ele lutava por controlar os seus nobres irascíveis. na Batalha de Pedroso. Nuno I Alvites. Em 1065. Em 997 intitula-semagnus dux portucalensium. Filho de Mumadona Dias e Mendo I. Mais tarde. expulsando Garcia. o Condado de Portucale é extinto. onde derrota Nuno II Mendes. derrotado pelo rei Garcia da Galiza na batalha de Pedroso. Filho (ou neto?) de Gonçalo I Mendes. por .I Gonçalves) Mendo I Gonçalves. 9 1028 1050 1 Nuno II 0 Mendes 1050 1065 Último conde da família de Vímara Peres.

expulsou Afonso. Porém. em 1092 — pôde impedir. 790-1300. Sancho aparece identificado como rei num documento português de 1072. os territórios na sua posse passaram para . no mesmo ano. que tentava conseguir maior autonomia face a Garcia II da Galiza. Fernando Magno. Condado Portucalense Evolução das fronteiras dos territórios na Peninsula Ibérica ao longo da reconquista. permitiu a supremacia nortenha. mas suprimido com a conquista da cidade por Almançor no final do século X. prolongada pelos seus descendentes — embora nem sempre segundo uma linhagem perfeita — até à morte do último conde. o de Portugal e Galiza e o de Castela. quando Garcia acabou por morrer. que nem mesmo a reconstituição de uma autoridade equivalente à do conde — em benefício de Sesnando Davides.sua vez. Com o assassinato de Sancho. em 1091. voltando a juntar os três reinos. Afonso VI sucedeu na coroa de Leão (que abrangia os três reinos). a ambição de Afonso VI de Leão e Castela reconstituiu novamente a unidade dos Estados paternos e. depois de preso. Entretanto. Henrique — com o condado de Portucale. e prolongada até à sua morte. o de Leão. Não se deve confundir o Condado Portucalense — concessão dos dois territórios de Coimbra e de Portucale ao conde D. mais tarde. a atrofia do condado de Coimbra. na batalha de Pedroso. criado em 878. em 1071. que governava o Reino da Galiza e Portugal de seu pai. que começou a existir desde a presúria de Vímara Peres. em 1064. D.

entre elas Guimarães. A esta altura. o vigor das investidas Almorávidas recomendava a distribuição dos poderes militares. e o terceiro a ocidente. casado com D. Urraca. A fim de aumentar a população e valorizar o seu território. Henrique deu foral e fez vila (fundou uma povoação nova) em várias terras. Teresa começa (1121) a intitular-se «Rainha». D. em paços próprios. sistematicamente afastados. os condes ou governadores tinham amplos poderes administrativos. . mas os conflitos com o alto clero e sobretudo a intimidade com Fernão Peres. judiciais e militares. com várias regalias. que fora cedida aos Leoneses pelo rei taifa de Badajoz. Teresa. Henrique a sua habitação. no caso português. D. entregue a Raimundo.as mãos de Raimundo de Borgonha. introduz-se ambiciosamente na política do Reino. Henrique. passa a viúva deste D. por estranhos. este último não conseguiu defender eficazmente a linha do Tejo — tendo já perdido Lisboa. atraindo ali. não oficial. para a aquisição de uma completa autonomia quando. muitos francos seus compatriotas. O conde D. entregando a mais exposta a Henrique de Borgonha. Vendo-se na condição de subordinados ao rei. outro. e o seu pensamento orientava-se. para melhor reforçar o território: um comando na zona central. entregue ao próprio rei Afonso VI. da gerência dos negócios públicos. naturalmente. a governar o condado durante a menoridade do seu filho Afonso Henriques. apoiado pelos interesses políticos clunicenses. Em Guimarães fixou D. trouxeram-lhe a revolta dos Portucalenses e do próprio filho. Henrique (1112). Falecido o conde D. dividindo em duas a zona atribuída inicialmente a Raimundo. que estava também prestes a cair nas mãos dos Almorávidas — e essa será uma das razões que atribuem alguns historiadores modernos à decisão tomada por Afonso VI[5] de reforçar ainda mais a defesa militar ocidental. na qual fez vila de burgueses. conquistando poder junto das cortes. exercido por El Cid em Valência. juntamente com Santarém. fidalgo galego a quem entregara o governo dos distritos do Porto eCoimbra. as condições lhe eram propícias. dentro do castelo que ali fora edificado no século anterior.

3 D. Em 1128. Teresa 1112 1128 Regente na menoridade do filho (r. Henrique 1096 1112 Pai de D. em 1139. [editar]Condes Portucalenses: Casa de Borgonha Início do govern o # Nome Fim do Cognome governo (s) Notas 1 D. Afonso Henriques toma conta do condado e dele vai fazer o reino de Portugal.Aos catorze anos de idade (1125). Nascia. Afonso Henriques conseguiu uma importante vitória contra os Mouros na Batalha de Ourique. com o rei Afonso I de Borgonha (Afonso Henriques). D. Esta é vencida. pois. Mãe de D. Afonso Henrique s 1128 27 de O Conde de Portucale e Julho de 11 Conquista depois primeiro Rei de 39 dor Portugal O Fundador . em 1139. com o título de regina(«rainha»). Afonso Henriques. trava-se a Batalha de São Mamede (Guimarães) entre os partidários do infante Afonso e os de sua mãe. Lutando contra os cristãos de Leão e Castela e os muçulmanos. 2 D.1128). Afonso Henriques. 1112 . o reino de Portugal e sua primeira dinastia. e declarou a independência. o jovem Afonso Henriques arma-se a si próprio cavaleiro – segundo o costume dos reis – tornando-se assim guerreiro independente.

o Reino da Galiza. sob chefia do seu filho. Deste condado. descontente com as políticas bélicas do conde Raimundo de Borgonha. Henrique de Borgonha. Teresa foi obrigada a abdicar das suas pretensões. D. Henrique (1112). . com o apoio da nobreza portuguesa da época. Primeiro. o jovem Afonso Henriques. Aquando a morte de D. D. arma-se a si própriocavaleiro – segundo o costume dos reis – tornando-se assim guerreiro independente. no governo do condado durante a menoridade do seu filho Afonso Henriques de Borgonha. e mudar de política.. sucede-lhe a viúva deste. passando Henrique a ser conde de Portucale. Henrique governou no sentido de conseguir uma completa autonomia para o seu condado e deixou uma terra portucalense muito mais livre do que aquela que recebera. e a reconquista pelos visigodos foi francamente mais lenta. Assim nasciam os reinos de Leão e. o rei Afonso VI de Leão e Castela entrega o governo do Condado Portucalense a um primo de Raimundo. Teresa foi idêntico ao do seu marido: fortalecer a vida portucalense. Portugal e de Castela. Aos catorze anos de idade (1125). mais tarde.O Grande INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL Foi rápida a ocupação muçulmana da Península Ibérica no ano 711 d. Inicialmente.C. em 1096. mas os muitos conflitos diplomáticos e a influência que concedeu a alguns nobres galegos (principalmente a Fernão Peres) na gerência dos negócios públicos prejudicou o seu esforço de tal maneira a que D. Teresa começou (1121) a intitular-se rainha. nasceria o reino de Portugal. Alguns anos mais tarde. A posição de favoritismo em relação aos nobres galegos e a indiferença para com os fidalgos e eclesiásticos portucalenses por parte de sua mãe. de Navarra e Aragão. Este processo gradual originou o nascimento de pequenos reinos que iam sendo alargados à medida que a reconquista era bem sucedida. D. Teresa. juntamente com a sua outra filha. que viria a dividir-se entre os filhos de Afonso III da Galiza quando morreu. D. Afonso Henriques. o conde D. a infanta D. originou a revolta destes. conseguir a independência para o condado. Teresa. o pensamento de D. D. Teresa.

dado que ele era neto de Afonso VI. Afonso Henriques e sua mãe desenrola-se. D. Em 1139. após conquistar Santarém no dia 15 de março com o auxílio de uma poderosa esquadra com 160 navios. D.A luta entre D. passando a assinar todos os documentos oficiais não como conde. confirma e reconhece a Portugal como país independente e soberano protegido pela Igreja Católica. o rei Afonso VII de Leão e Castela (inconformado com a perda das terras portuguesas. é aclamado como rei soberano. Em 1179 o papa Alexandre III. povoado. data em que o rei Afonso VII assinou o Tratado de Zamora. o rei Afonso I de Portugal. depois de uma estrondosa vitória na batalha de Ourique contra um forte contingente mouro. por Mouros e. mas sim como rei. e com o apoio dos nobres portugueses. Desde então. declarando-o reino independente. no entanto. pois. Imperador de toda a Hispânia. a lutar contra as forças do seu primo. pois à semelhança de seu pai. Continuou. Uma vez vencida. após ver malograda a primeira tentativa de conquistar Lisboaem 1142. D. tendo reclamado para a nova monarquia a protecção pontifícia. Teresa é expulsa da terra que dirigira durante 15 anos. que assinalaria a separação entre os reinos. ele também se intitulava como Imperador). Afonso Henriques (Afonso I) procurou consolidar a independência por si declarada. através da Bula Manifestis Probatum. Afonso VI. o qual só foi feito por parte do Reino de Leão e Castela a 5 de Outubro de 1143. em 1139. Afonso Henriques. Nascia. e um contingente de 12 a 13 mil cruzados que se dirigiam para a Terra Santa. D. Afonso Henriques afirma-se como rei de Portugal. RECONQUISTA . Contudo. Fez importantes doações à Igreja e fundou diversos conventos. até então. torna-se rei. feito que só conseguiu realizar em 24 de Outubro do mesmo ano. Afonso Henriques toma conta do condado. até que a 24 de Junho de 1128 se trava a batalha de São Mamede (em Guimarães) e D. Na continuação das conquistas procurou também terreno ao sul. o Reino de Portugal e a sua primeira dinastia e Casa Real: os Borgonha. enquanto paralelamente travava lutas contra os muçulmanos. Dirigiu-se ao papa Inocêncio II e declarou Portugal tributário daSanta Sé. o estatuto de independência carecia de reconhecimento.

como uma continuação da Reconquista. a expansão marítima portuguesa. aí surgiria Pelágio (ou Pelaio) que se pôs à frente dos refugiados. iniciando imediatamente um movimento para reconquistar o território perdido. A ideia de «cruzada» só veio a surgir na época das Cruzadas (1096). na Península Ibérica. isto é. pela presença de governantes muçulmanos. colocava grandes dificuldades ao domínio muçulmano. visto terem como objectivos conquistar todos os territórios à volta do Mediterrâneo. em 1253. Em Portugal. entre outros fatos. Além disso. Os muçulmanos não conseguiram ocupar a região montanhosa das Astúrias. Precedentes Por volta do ano 711 toda a Península Ibérica seria invadida por hordas berberes.Reconquista (também referenciada como Conquista cristã) é a designação historiográfica para o movimento cristão com início no século VIII que visava à recuperação dos Visigodos cristãos das terras perdidas para os árabes durante a invasão da Península Ibérica. onde resistiram muitos refugiados. em parte. resultando finalmente na completa reconquista do território por parte dos cristãos. . os muçulmanos estavam mais interessados em atravessar osPirenéus e derrotar os Francos. comandadas por Tarik ibn-Ziyad. com o toque das trombetas e a bandeira desfraldada. uma região no Norte da Península. o que acabou por não acontecer. A ocupação das terras conquistadas fazia-se com um cerimonial: cum cornu et albende de rege. Afonso III. Mais tarde. O período compreendido entre 711 e 1492 foi marcado. A reconquista de todo o território peninsular vai durar cerca de oito séculos. que. precedida pela conquista das praças africanas foi considerada. pelas suas características naturais. ocorreu um longo processo de lutas. a reconquista terminou com a conquista definitiva deSilves pelas forças de D. A guerra tinha um objectivo: reapoderarem-se das terras e de tudo o que nelas existia. considerado por alguns como parte do movimento de cruzadas. obrigando os visigodos a recolher-se principalmente nas Astúrias. só ficando concluída em 1492 com a tomada do reino muçulmano de Granada pelos Reis Católicos. pois foram derrotados pelos Francos. Em nome da recristianização da região.

que se acantonavam nas terras mais ao norte. refugiados nas montanhas quase inacessíveis das Astúrias. A revolta Estátua dePelágio das Astúrias Antes de 750. Pelágio seria então o chefe daquele heróico grupo de montanheses (ástures e cántabros) que escaparam à dominação árabe da Península. para estabelecerem uma relação entre os guerrilheiros montanheses e a «restauração» do Cristianismo em Espanha. os soldados berberes. chefe dos Visigodos. até hoje ainda existem movimentos separatistas. revoltaram-se contra os árabes: estes eram pouco numerosos e chamaram tropas sírias. .Durante esta fase. Um escritor árabe coevo diz que se tratava de umgalego. dá-se o nascimento do Reino de Portugal e de diversos outros reinos na Península Ibérica. aproveita a desorganização muçulmana e dá início a um processo de reconquista dos territórios hispânicos. Em 718 Pelágio. Não se sabe muito sobre Pelágio: o nome não é gótico: os autores de pequenas crónicas escritas pelo fim do século IX e no X procuram relacionálo com os antigos reis visigodos. cada um querendo «gizar» um reino para si. outros autores consideram que Pelágio era duque da Cantábria. Enquanto Portugal já em 1250 tinha seus limites muito próximos dos atuais. um outro considera-o um nativo das Astúrias. parente. O domínio muçulmano na Península levava os guerreiros cristãos a porfiadas pelejas. do rei Rodrigo. segundo a tradição. Um historiador moderno supõe que seria um servo que se conseguiu impor aos companheiros no período de crise que seguiu a queda da monarquia. a unificação da Espanha deu-se de forma gradual. que dominaram a revolta. que iria durar cerca de oito séculos.

A oportunidade Os cristãos esperavam esses combates na esperança de um avanço na reconquistas cristã. atribuindo ao temor esta fuga simulada. fez recuar o Corão para as praias de África e restituiu a Península ao Cristianismo. os cristãos recuaram e os primeiros. precipitaram-se em sua direcção. marcharam para o sul para . cerca de novecentos anos antes: ainda que muito a custo. do cimo dos rochedos surgiram guerreiros que dizimaram os africanos e os renegados godos com tiros e lançando rochedos. dos invasores. Pouco a pouco. que lá estavam. os cavaleiros enviados em cilada para a floresta à esquerda das gargantas de Covadonga. capitaneados por Pelágio. puderam chegar aí sem serem sentidos pelos árabes. prolongando-se através de quase oito séculos. o duque da Cantábria atraiu-os para a entrada da gruta de Covadonga.É em 722 que ocorre a primeira grande vitória dos Cristãos contra os mouros. e que seria o primeiro elo dessa cadeia de combates que. Alexandre Herculano considera que o ardil de guerra que deu a vitória a Pelágio tem muito de comum com aquele que Viriato pusera por vezes em prática. Na batalha de Auseba foram vingados os valentes que pereceram nas margens do Chrysus. que infligiria aos sarracenos uma formidável derrota na batalha de Cangas de Onís (cerca de722). e encontravam nas montanhas das Astúrias um campo propício. Aquando da aproximação dos árabes. dá-se assim a derrota dos muçulmanos. pela morte de vinte mil sarracenos. Seguiu-se uma prolongada guerra civil. ou quase livres. em consequência da qual as terras para o norte do Douro ficaram livres. porque os berberes. Das Astúrias desceu um dia um grupo de godos. Ao som da trombeta de Pelágio. a cerca de 740. na Batalha de Covadonga.

seguia o curso do Mondego por Talavera. E estas dificuldades iam fortalecendo o poder popular. Este ponto de vista foi depois corrigido. Os ataques As razias eram feitas nos lugares onde os saques podiam ser compensadores. Toledo. por Coimbra. É essa a origem da teoria do ermamento: se todos os mouros foram mortos e todos os cristãos levados. há sempre alguns que escapam. divididos por guerras internas. Rezam as crónicas que foi Afonso I (um chefe asturiano) quem reconquistou uma enorme região. levantar cabeça e colocaram-se do lado dos cristãos contra os mouros. Algumas sés (entre elas as do Porto e Braga) foram abandonadas pelos bispos. onde a vida social parou e só veio a renascer a partir da sua incorporação nos novos reinos cristãos. cujo limite passava. Apesar disso. E. À aproximação dos soldados(umas vezes mouros. entre eles Alexandre Herculano. por efeito do recuo dos mouros. A Galiza foi uma zona onde essa luta foi mais renhida e devastadora. passando os mouros a fio de espada e levando consigo. Os cristãos levados para o norte pode explicar-se pela necessidade de mão-deobra. tomaram à letra algumas frases dos cronicões da reconquista. então.fazer guerra aos árabes. o Minho. mas o culto cristão nunca foi interrompido. Alguns historiadores. As populações não estavam submetidas a nenhuma organização definida permanente. Antes de terminar o século VIII. e o facto de se repetirem várias vezes mostra que as populações estavam enraizadas. Tudela e Pamplona. As populações hispano-góticas dessas regiões puderam. que incluía toda a Galiza. outras vezes cristãos). para norte. . entre os mortos e os feridos. os aldeões faziam como em Coimbra: refugiavam-se nos montes e voltavam depois para construir novas choupanas e continuar as sementeiras. todos os cristãos que encontrou no território. em especial o atribuído a Sebastião. a Península Ibérica tinha duas zonas. As condições sociais desta época são pouco conhecidas. a não ser ao clero. a terra transformou-se num grande deserto. bispo de Salamanca. aproximadamente. há indicações de conflitos sociais violentos entre os servos e os senhores. o Douro e parte da actual Beira Alta.

Santiago Mata-Mouros De acordo com outras tradições. altura em que o seu brado foi substituído pelo de São Jorge. apelidado deSantiago Matamouros. as populações revoltavam-se após a incorporação dos territórios em que habitavam no domínio cristão. Essas revoltas não eram de carácter religioso: não existem indícios de uma profunda adesão dos povos ao credo islâmico. entretanto.Os Cristãos consideravam que o seu protector era Santiago (ainda hoje patrono da Espanha). Santiago y cierra España foi desde então o grito de guerra dos exércitos espanhóis. se tinham enraizado. descendentes de antigos escravos. sendo a partir de então apelidado de Matamoros (Mata-Mouros). Santiago foi também protector doexército português até à crise de 1383-1385. Em alguns casos. Sebastião de Salamanca e o cronicão Albeldense falam-nos de uma revolta de libertinos. Santiago teria aparecido miraculosamente em vários combates travados em Espanha durante a Reconquista Cristã. isto é. Diz que se revoltaram contra os senhores mas foram vencidos e «reconduzidos à escravidão». Mas os «reconquistadores» não aceitavam as organizações dos vizinhos que. Os reinos cristãos .

Navarra). a amarelo a formação do território português. e mais tarde de Reino de Leão. e. Aragão. Cronologia da reconquista cristã da Península Ibérica (790 . os territórios sob domínio muçulmano.900 . fundado por Pelágio. O primeiro reino cristão foi o das Astúrias.1150 1300). outros tons para os reinos cristãos da Península (Leão.Mapa da evolução da conquista cristã. Os reis ásturo-leoneses foram alargando os domínios cristãos que atingiram o rio Mondego (Afonso III de Leão. Castela. ao mesmo tempo. iam repovoando terras e reconstruindo igrejas e mosteiros. A verde. ficando célebre na parte ocidental . formando o Reino de Navarra. Nos princípios do século X a provínciade Navarra tornou-se independente.

tornando-se assim rei de Leão. e estes. notabilizou-se na luta contra os muçulmanos recuperando muitas terras. mas este em breve se apoderou também do reino de Leão. aproveitando as lutas entre os principados muçulmanos após a desagregação do califado de Córdova (1031). Afonso com Leão e Astúrias. transformado em reino independente. em 1110. anexou o condado de Castela e.o Mosteiro de Guimarães – com grandes muitos castelos por todo o norte do país. Contudo. de Castela e de Galiza. o Magno. os seus estados foram divididos pelos três filhos. propriedades rústicas e Porém. e Almançor tomou a ofensiva destruindo Leão. a capital. já no século X. morto Sancho e destronado Garcia. estendendo assim a reconquista até ao Tejo. repartiu os seus domínios pelos filhos: Sancho ficou com Castela. e Garciacom a Galiza (e portanto com o condado de Portugal). vindo à Península. diminuindo de extensão o poder dos leoneses. e reduzindo o reino cristão ao último extremo. os nobres galegos e do condado portucalense. prosseguiu a guerra contra os infiéis e conquistou Toledo. No século XI. Depois de varias lutas entre os irmãos. os emires pedem auxilio aos Almorávidas da Mauritânia. Porém. Sancho de Navarra. O reino de Castela coube aFernando I. sendo nessa altura os condados de Aragão e de Castela elevados à categoria de reinos. por sua morte. alargando assim definitivamente os limites da reconquista até ao Mondego. Fernando I. o qual aparece designado por Portucale. Santarém permanece então . derrotam os exércitos cristãos na Batalha de Zalaca (1086). Este monarca desenvolveu o território entre o Douroe Mondego. onde fixou a capital. Face ás vitórias cristãs. separadamente dos outros territórios da Galiza. rei de Navarra. a oeste. uma reacção mais forte dos Sarracenos trouxe-os de novo até junto de Santarém e após um longo assédio a cidade rendeu-se. Afonso VI de Castela reúne novamente todos os estados de seu pai. ao falecer (1065). Afonso VI. Fernando. as discórdias entre os chefes cristãos enfraqueceram o reino. com dois distritos ou condados – Portugal e Coimbra – gozando de autonomia administrativa. entre as quais Coimbra(1064). com magistrados próprios. rei de Leão e Castela. tomam Santarém e a seguirLisboa e Sintra (1093).

filho do conde de Borgonha. Assim. o último grande reconquistador espanhol até aos reis católicos. ficando.terra que seu filho Afonso Henriques (revoltandose contra ela e o seu padrasto Fernão Peres de Trava) alargou e tornou em reino independente. Acudindo aos apelos de Afonso VI. que casaria com D. o governo da província portucalense que fazia parte do Reino da Galiza . conseguimos documentar as seguintes batalhas: Reinado Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Acontecimento Local Ano 113 5 113 9 114 Fundação do Castelo Leiria Batalha de Ourique Ourique Tomada do Castelo Santarém . No ano seguinte chega à PenínsulaD. entre os cavaleiros de além-Pirenéus. Afonso VI de Leão. mais dependente do poder do Reino de Castela — limitada por Leão a Este e por Portugal a Sul. Aragão e peloscondes de Barcelona. a Galiza assumia assim a sua fronteira e Portugal seria o único a constituir um estado independente do poder castelhano. Portugal na Reconquista D. conquistando a Independência de Portugal e iniciando a reconquista portuguesa autonomamente. Teresa. Desde o início do seu reinado. vem Raimundo. iria revoltar-se contra a sua mãe. Henrique. Urraca. irmão do Duque de Borgonha e primo de Raimundo. Depois de D. Afonso Henriques em 1147. filho do conde de Portucale. depois. com o tempo. filha do rei de Leão e recebe deste (1093) o governo de toda a Galiza até ao Tejo. a formação do reino de Portugalfoi uma frutuosa consequência das cruzadas do Ocidente. Afonso Henriques. filha ilegítima de Afonso VI e recebe. Castela.no poder dos mouros até ser reconquistada definitivamente por D. que recebe a mão de D. O reino da Galiza passou a ser unicamente aquele ao norte do rio Minho. a reconquista contra os Almóadas foi prosseguida pelos reis de Portugal.

Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques 7 114 7 114 7 114 7 114 7 do 115 8 115 9 115 9 115 9 116 2 116 5 Conquista de Lisboa Lisboa Batalha de Sacavém * Sacavém Tomada do Castelo Almada Tomada do Castelo Palmela Conquista Alcácer Sal Conquista do Castelo Tomar de Cera Conquista Évoramonte de Évoramonte Conquista de Beja Beja Reconquista de Beja Beja Conquista de Évora Évora .

Sancho I Rendição da Cidade Silves D. Afonso IV Batalha do Salado Salado * . das quais se destaca a Ordem dos Templários. tendo estas desempenhado um papel importantíssimo na tomada de algumas cidades portuguesas e subsequente expansão.Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Tomada de Serpa Serpa 116 6 116 6 116 9 118 9 de 121 2 134 0 Tomada de Moura Moura Batalha de Badajoz Badajoz D. viria a beneficiar das Cruzadas em trânsito para o Médio Oriente. Portugal. especialmente. bem como na fundação do próprio Reino de Portugal.Considerada lendária pela historiografia moderna Cronologia da Reconquista Ordens religiosas e Cruzadas Todos os reinos ibéricos puderam beneficiar do apoio de várias Ordens Militares. Afonso II Batalha Tolosa Navas de Navas Tolosa D. O fim do domínio árabe . uma Ordem militar e religiosa instituída com o propósito da cristianização.

paralelamente. Leão. Com estas descobertas os portugueses iniciaram a Era dos Descobrimentos europeus que durou do século XV até ao XVII e foram responsáveis por importantes avanços da tecnologia e ciência náutica. DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES Os descobrimentos portugueses foram o conjunto de viagens e explorações marítimas realizadas pelos portugueses entre 1415 e 1543 que começaram com a conquista de Ceuta na África. para a fase inicial dosDescobrimentos. Juntamente com o reino independente de Portugal. . sob o pretexto da cristianização. Ainda com o apoio da Igreja. cartografia e astronomia. Caminhava-se. Castela. Em 1492. Navarra e Aragão iniciavam uma relativa unificação ao possuir um único rei (embora mantendo a autonomia económica. desenvolvendo os primeiros navios capazes de navegar em segurança em mar aberto no Atlântico. ambos os reis estavam agora de olhos postos no Norte de África. Os descobrimentos resultaram na expansão portuguesa e deram um contributo essencial para delinear o mapa do mundo. impulsionados pela Reconquista e pela procura de alternativas às rotas do comércio no Mediterrâneo. com a conquista do reino de Granada. Já os reinos da Galiza.Granada — entrega das chaves da cidade pelo próprio rei Boabdil à rainha Isabel I de Castela. administrativa e comercial). debatiam-se estes dois Estados pelas conquistas marítimas. que posteriormente recebeu o nome de reino de Espanha. a Reconquista chegava ao fim. nas praças comerciais de renome. como Ceuta e Tânger.

João I. desde as explorações na costa africana impulsionadas pelo Infante D. navegando no extremo da Ásia chegaram à China em 1513 e ao Japão em 1543. nomeando-o primeiro almirante da frota real com privilégios comerciais com seu país. Os portugueses importavam armaduras e munições. Afonso IV.Embora com antecedentes no reinado de D. Vinho e frutos secos doAlgarve eram vendidos na Flandres e na Inglaterra. Em 10 de Maio de 1293. As expedições prolongaram-se por vários reinados. passaram o Cabo da Boa Esperança e entraram no Oceano Índico movidos pela procura de rotas alternativas ao comércio Mediterrânico. além de couro e Kermes. em troca de vinte navios e suas tripulações. organizando a exportação para países europeus. altura em o Império Português ficou estabelecido. um corante escarlate. filho de D. de onde tinham vindo os mouros que se haviam estabelecido na Península Ibérica. instituiu um fundo de seguro marítimo para os comerciantes portugueses que viviam no Condado da Flandres. Dinis fez um acordo com o navegador e mercador genovês Manuel Pessanha (Emanuele Pessagno). que pagavam determinadas quantias em função da tonelagem. até ao projecto da descoberta de um caminho marítimo para a Índia de D. simultaneamente exploraram o Atlântico Sul e aportaram nas costas do Brasil em 1500. Os portugueses dirigiram-se então para oNorte de África. o espírito de conquista e Cristianização dos povos muçulmanos subsistia. culminando no reinado de D. Henrique. Avançando progressivamente pelo Atlântico ao longo das costas do continente africano. João III. que Portugal inicia o projecto nacional de navegações oceânicas sistemáticas[1] que ficou conhecido como "descobrimentos portugueses". sal das regiões de Lisboa. Setúbal e Aveiro eram exportações rentáveis para o Norte da Europa. roupas finas e diversos produtos fabricados da Flandres e da Itália. D. Dinis (1279) e nas expedições às Ilhas Canárias do tempo de D. Antecedentes Com a Reconquista concluída. com o objetivo de defender as . Chegaram à índia em 1498. João II. é a partir da conquista de Ceuta em 1415.[2] Em 1317 D. que revertiam em seu benefício se necessário. Terminada a Reconquista.Dinis interessou-se pelo comércio externo.

azeite (também fonte de energia) e ouro .[3] Obrigados a reduzir suas atividades no Mar Negro. com a maioria da população fixada nas zonas costeiras de pesca e comércio. concedendo-as ao castelhano D. Afonso IV de Portugal concedeu o financiamento público para levantar uma frota comercial e ordenou as primeiras explorações marítimas. os mercadores da República de Génova tinham-se voltado para o comércionorte Africano de trigo.navegando até aos portos de Bruges (Flandres) e Inglaterra. Genoveses e florentinos estabeleceram-se então em Portugal. Só o mar oferecia alternativas. . o Navegador. O Infante D. com apoio de genoveses. que lucrou com a iniciativa e experiência financeira destes rivais da República de Veneza. já conhecidas dos genoveses. Luís de la Cerda. surtos de peste bubónica levaram a um grave despovoamento: a economia era extremamente localizada em poucas cidadese a migração do campo levou ao abandono da agricultura e ao aumento do desemprego nas povoações. sob o comando de Manuel Pessanha. foram oficialmente descobertas sob o patrocínio do rei Português. mas em 1344 Castela disputou-as. Em 1341 as ilhas Canárias.[6] A sua exploração foi concedida em 1338 a mercadores estrangeiros.costas do país contra ataques de pirataria (muçulmana). [5] Entre 1325 e 1357 D. lançando as bases da Marinha Portuguesa e para o estabelecimento de uma comunidade mercante genovesa em Portugal. Henrique. personifica a gesta dos descobrimentos[4] Na segunda metade do século XIV.

[7] O motivo religioso. por João de Barros. Há unanimidade dos historiadores em considerar a conquista de Ceuta como o início da expansão portuguesa. se não sentisse que em alguma maneira era serviço de Deus”. João I emite uma lei para regular o comércio dos mercadores estrangeiros. ainda que soubesse cobrar todo o mundo por meu. Foi uma praça conquistada com relativa facilidade. . sobrepondo-se a todos os outros. tipicamente referida como os Descobrimentos. no final. Luís de Camões. os letrados as suas. Henrique reconhecido internacionalmente como o seu grande impulsionador. D. abrindo assim caminho para o futuro Tratado de Windsor em 1386. João I: “Eu não o teria por vitória. João I. Em 1370 é criada a Bolsa de Seguros Marítimos e em 1387 há notícia do estabelecimento de mercadores do Algarveem Bruges. foi como tal apontado. a vontade do rei de Castelasobre estas ilhas. sucessivamente renovadas pelos dois povos. por uma expedição organizada por D. O cronista Gomes Eanes de Zurara refere que os Infantes tinham as suas razões. Em 1395. Afonso IV enviou uma carta ao Papa Clemente VI referindose às viagens do portugueses às Canárias e protestando contra essa concessão.No ano seguinte. Em 1353 é assinado um tratado comercial com a Inglaterra para que os pescadores portugueses pudessem pescar nas costas inglesas. prevaleceu. Gil Vicente. A aventura ultramarina ganharia grande impulso através da acção do Infante D. entre outros. em 1415. Nas reivindicações de posse. nem o faria em boa verdade. mas a decisão cabia ao rei D. [editar]Motivações Até ao século XIX. considerava-se que a principal motivação para as conquistas africanas em Marrocos tinha sido de ordem religiosa.

porém. (2ª) trazer ao reino mercadorias.As importantes rotas comerciais da sedae das especiarias. & Chave de toda Hespanha." O inimigo muçulmano dominava o Estreito e era poderoso em Granada. como David Lopes. Baluarte da Cristandade. Ceuta era uma base naval que podia servir de apoio à navegação entre a península itálica e Portugal. vieram a dar lugar aos descobrimentos. Pela sua posição geográfica. No século XX. (3ª) saber até onde chegava o poder dos muçulmanos. houve historiadores que julgaram o passado com as preocupações do presente. Mas houve também historiadores. Henrique. começou a conquista de África. rebatendo essa tese: "Ainda que Ceuta tivesse importância como centro de comércio. as expedições organizadas pelo Infante tinham cinco motivações: (1ª) conhecer a terra além das Canárias e do cabo Bojador. de ouro ou de escravos no norte de África.“El-Rei Dom João o primeiro. (4ª) encontrar aliados que o pudessem ajudar numa guerra que durava há trinta . tomãdo Septa. contornando a África Mapa das rotas comerciais portuguesas de Lisboa à Nagasaki em 1580-1640 Mas havia também outras razões para a conquista de Ceuta. mais de um século depois resumidas pelo carmelita Frei Amador Arrais. sob o impulso do Infante D. permitindo também reprimir ou tolher a pirataria dos mouros nas costas do Atlântico. considerando a primazia do interesse económico: procurar acesso directo a fontes de fornecimento de trigo. bloqueadas pelo Império Otomano em 1453 com a queda de Constantinopla. Porta do comércio do poente para levante. ligando-as à acção deD. a sua conquista por cristãos desviaria dela o tráfico muçulmano" [8] As conquistas de Marrocos. Segundo Gomes Eanes de Zurara. foi o que motivou a procura de um caminho marítimo pelo Atlântico. naCrónica do descobrimento e conquista da Guiné (Capítulo VII). Afonso IV na Batalha do Salado .

1558. adversário da Cristandade (uma estratégia militar e diplomática tributária do espírito das Cruzadas). que a partir de então dirigiu e impulsionou as primeiras expedições no Atlântico. Henrique. as trocas comerciais no Mediterrâneo de Veneza e de Génova ficaram muito reduzidas. ao avançar pela costa de África na direcção do sul. como investimento do seu património pessoal.e um anos. a crescente intervenção dos "cavaleirosmercadores" (Magalhães Godinho) nos reinados de D. Quando se firma o projecto da descoberta do caminho marítimo para a Índia. Afonso V e D. Além dos interesses materiais. o príncipe ambicionava estabelecer . com a tomada de Constantinopla pelos Otomanos.Museu Britânico A conquista de Ceuta em 1415 é geralmente referida como o início dos "descobrimentos Portugueses". parece haver sobretudo a intenção de envolver pela rectaguarda o grande poderio islâmico. mapa da África oriental no Queen Mary's Atlas. O proveito de uma rota comercial alternativa mostrava-se recompensador. Se. (5ª) e trazer para a fé de Cristo todas as almas que se quisessem salvar. com o Infante. Portugal iria ligar directamente as regiões produtoras das especiariasaos seus mercados na Europa. Nela participou o Infante D. As primeiras navegações estão associadas à sua figura a partir da base que estabeleceu em Lagos e na Sagres. João II. acabará por levar a expansão portuguesa até ao Oriente em busca das especiarias. Diogo Homem. Em 1453. a expansão portuguesa está já dominada pelo interesse comercial. astrónomos e pilotos. [editar]Primeiras expedições no Atlântico Imagem de Preste João no trono. onde foi acompanhado por um grupo de cartógrafos.

D. Henrique pensava expulsar os Muçulmanos da Terra Santa e recomeçar as Cruzadas.uma aliança com o Preste João das Índias. ofereciam possibilidades de povoamento aos Portugueses e reuniam condições para a exploração agrícola. responsáveis por uma série importante de iniciativas a que o Navegador aderiu. pelo seu clima. principalmente em mapas italianos e catalães. e sob comando do Infante D. interessados e participantes nas navegações e. como dirigente governativo. no Saara Ocidental. Graciosa. representavam fortes potencialidades económicas e estratégicas. João I. após a derrota portuguesa . Graças a essa aliança. mas numa escala planetária. por serem vizinhos da costa africana. São Miguel e Santa Maria. Pico e Faial). No ano seguinte. dão-se os primeiros contactos com o arquipélago dos Açores por Diogo de Silves. ainda no reinado de D. Os arquipélagos da Madeira e das Canárias despertaram. Ainda nesse ano é descoberto o grupo oriental dos Açores. Trata-se de um redescobrimento pois já havia conhecimento da existência das ilhas da Madeira noséculo XIV. segundo revela a cartografia da mesma época. Entretanto. [editar]A ilha da Madeira Em 1418. navegando com Afonso Gonçalves Baldaia descobriram Angra de Ruivos e este último chegou ao Rio de Ouro. o infante D. Em 1452 o grupo ocidental (Flores e Corvo) é descoberto por Diogo de Teive. Henrique dá-se o redescobrimento da ilha de Porto Santo por João Gonçalves Zarco e mais tarde da ilha da Madeira por Tristão Vaz Teixeira. Por trás deste movimento estava um grupo vasto de mercadores e armadores profissionais. Pedro. A disputa destes territórios deu origem ao primeiro conflito ibérico motivado por razões expansionistas que só terminou com a assinatura do Tratado das Alcáçovas-Toledo em 1479. o interesse tanto dos Portugueses como dos Castelhanos. um príncipe cristão que governaria as terras da Etiópia. Segue-se o descobrimento do grupo central -Terceira. São Jorge. Tratava-se de ilhas desabitadas que. desde cedo. [editar]Os Açores Em 1427. dissipando o terror que este promontório inspirava. [editar]A costa oeste de África Em 1434 Gil Eanes contornou o Cabo Bojador.

se fazia sentir. o Infante D.[10] Em 1455 é emitida a bula Romanus Pontifex do Papa Nicolau V confirmando as explorações portuguesas e declarando que todas as terras e mares descobertos a sul do Bojador e do cabo são pertença dos reis de Portugal.de Tânger em 1437. de onde foi obtido ouro em pó. Juntamente com Antão Gonçalves fizeram incursões ao Rio do Ouro. independentemente de novos avanços. A partir de então ficou generalizada a convicção de que essa área da costa africana poderia.[9] Já na regência de D. a missão é atribuída temporariamente ao seu sobrinho.Pêro de Sintra atinge a Serra Leoa. No ano seguinte chegava a Bristol o primeiro carregamento de açúcar provindo da ilha da Madeira. os portugueses adiaram o projecto de conquistar Marrocos no Norte de África. Em 1460. Henrique. como em toda a Europa. sustentar uma actividade comercial capaz de responder às necessidades denumerário que. Nesse ano faleceu o Infante D. em 1441 Nuno Tristão chegou ao Cabo Branco. em Portugal. que poderá cobrar impostos sobre a navegação e comércio.Duarte). da costa oeste africana Golfo da Guiné e "A mina" . Após a sua morte. Diogo Gomes descobre Cabo Verde e segue-se o povoamento das ilhas ainda no século XV. Afonso V. Mapa do século XVI. Em 1456. Fernando (filho de D.

teria começado a partir da Serra Leoa. a organização das explorações por terras africanas. Este fez o reconhecimento de toda a costa até à região do Padrão de Santo Agostinho. Seguiram-se outros navegadores como Soeiro da Costa (que deu nome ao rio Soeiro). atingindo a «minha de ouro» de Sama (actualmente Sama Bay). a do Calabar e a do Gabão e as ilhas de São Tomé e Príncipe e de Ano Bom. Afonso V. João. Com a colaboração de navegadores como João de Santarém. em 1481. contra uma renda anual de 200. ficava aquele «honrado cidadão de Lisboa» com a obrigação de continuar as explorações. o rei confirmou a missão do príncipe em novo diploma: «…sabemos certo que ele dá. [11] Segundo João de Barros. que ficou conhecida posteriormente pelo seu nome). Fernão Gomes fêlo mesmo para além do contratado. Rei de Portugal dadas as poucas receitas da exploração. Diogo Cão levou a . D. pois o exclusivo era garantido com «condição que em cada um destes xinco anos fosse obrigado a descobrir pela costa em diante cem léguas. Fernão do Pó (que descobriu a ilha Formosa (em África). Em 1485.[14]encontraram um florescente comércio de ouro.000 réis. João Vaz Corte-Real. do qual não há grandes pormenores. Pedro Escobar. o príncipe D. e per seus oficiais. mui boa ordem à navegação destes trautos e os governa mui bem. a de Benin. Lopo Gonçalves. e em 1473 Lopo Gonçalves (cujo nome se transmitiu ao Cabo Lopo Gonçalves. Assim que lhe foi entregue a política de expansão ultramarina. Em 1474. per si. D. com apenas dezanove anos. onde haviam já chegado Pedro Sintra e Soeiro da Costa.Em 1469.. Com o seu patrocínio. Afonso V entregou ao seu filho. Fernão do Pó e Pedro de Sintra. hoje conhecido por Cabo Lopez) ultrapassou o Equador. João II. futuro D. já no Hemisfério Sul. de maneira que ao cabo do seu arrendamento desse quinhentas léguas descobertas[12]». João organizou a primeira viagem de Diogo Cão. concedeu o monopólio do comércio no Golfo da Guiné ao mercador de LisboaFernão Gomes. João de Santarém e Pêro Escobar exploraram a costa setentrional do Golfo da Guiné. os portugueses chegaram ao Cabo de Santa Catarina.[13] Quando as expedições chegaram a Elmina na Costa do Ouro em 1471. a costa da Mina. Mais tarde.». Este avanço. que em 1472 descobriu a Terra Nova.

Fernão Gomes auxiliou o monarca na conquista de Arzila. definindo-se. e a sul. os interesses de ambas as Coroas. Alcácer Ceguer e Tânger. estabelecendo a paz e concertando a política externa Atlântica dos dois reinos rivais: Portugal obtinha o reconhecimento do seu domínio sobre a ilha da Madeira.cabo uma segunda viagem até à Serra Parda. pelo qual a Coroa portuguesa garantia o seu progresso para o sul e o Oriente. dividindo o mundo em dois hemisférios: a norte. para a Coroa de Portugal. do Paralelo 27 no qual se encontravam. o comércio escravagista oferecia boas perspectivas de lucro. A pedra de Dighton na Terra Nova. para oeste até ao Novo Mundo.[15] Com os lucros deste comércio. no ano seguinte. O tratado dividia as terras descobertas e a descobrir por umparalelo na altura das Canárias. pelo qual Castela se aventurou no oceano Atlântico. Além da aquisição do ouro e malagueta. renunciando a navegar ao Sul do cabo Bojador. Portugal negociou com Castela o Tratado das Alcáçovas-Toledo. desse modo. o Arquipélago dos Açores. enquanto que Castela recebia as ilhas Canárias. A Fortaleza de São Jorge da Mina e a cidade foram construídos em 1482 em redor da indústria do ouro. os dois ciclos da expansão: o chamado ciclo oriental. buscando proteger o investimento resultante das descobertas. ou seja. para a Coroa de Castela. e o que se denominou posteriormente de ciclo ocidental. evidência da descoberta por João Vaz Corte-Real Em 1479. contornando a costa africana (o chamado "périplo africano"). a partir de então. Em 1482 dá-se a construção da Fortaleza de São Jorge da Mina e. Preservavam-se. Há notícias de carregamentos de açúcar da Madeira serem entregues em Rouen (1473) e Dieppe (1479). o de Cabo Verde e a costa da Guiné. Diogo Cão chega ao rio Zaire.[16] [editar]A ligação do Atlântico com o Índico .

o empreendimento não seria realizado durante o seu reinado. . Porém. Seria o seu sucessor. Nas Cortes de Montemor-o-Novo de 1495 era bem patente a opinião contrária quanto à viagem que D. Estabelecia-se assim a ligação náutica entre o Atlântico e o Oceano Índico. pelo custo implicado na expedição e manutenção das rotas marítimas que daí adviessem. Bartolomeu Dias. D. João II tão esforçadamente havia preparado. atinge o Cabo da Boa Esperança. a opor-se ao embarque da armada. João II envia Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã em busca do Preste João e de informações sobre a navegação e comércio no Oceano Índico. João II como medida de redução dos custos nas trocas comerciais com a Ásia e tentativa de monopolizar o comércio das especiarias.Viagem de Bartolomeu Dias (1487–88) Em 1487. este empreendimento não era bem visto pelas altas classes. Contentavam-se com o comércio da Guiné e do Norte de África e temia-se pela manutenção dos eventuais territórios além-mar. Nesse mesmo ano. n'Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões. A juntar à cada vez mais sólida presença marítima portuguesa. comandando uma expedição com três Caravelas. D. embora mantendo o plano original. Porém. Manuel I que iria designar Vasco da Gama para esta expedição. O projecto para o caminho marítimo para a Índia foi delineado por D. D. Esta posição é personificada na personagem do Velho do Restelo que aparece. João almejava o domínio das rotas comerciais e expansão do reino de Portugal que já se transformava em Império.

Este tratado estabelecia a divisão do Mundo em duas áreas de exploração: a portuguesa e a castelhana.que concediam ao reino de Espanha o domínio dessas terras.770 km) a oeste das ilhas de Cabo Verde.as Bulas Alexandrinas . sem a intervenção do Papa. essencial para a manobra náutica então conhecida . Abraão Zacuto é expulso da Espanha por ser judeu. mas só entre os dois Estados. trazendo consigo as tábuas astronómicas que ajudariam os navegadores portugueses no mar. Reuniram-se então os diplomatas em Tordesillas.[17] Em princípio. D. João II consegue uma renegociação. [editar]Tratado de Tordesilhas e o domínio do Atlântico Sul Ver artigo principal: Tratado de Tordesilhas Meridiano de Tordesilhas demarcando os territórios a explorar por Portugal e por Castela Face à chegada de Cristóvão Colombo à América no mesmo ano 1492. mas prestaram-se a discutir o caso.Em 1492. propondo estabelecer um paralelo das Ilhas Canárias. o tratado resolvia os conflitos que seguiram à descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Colombo e garantia a Portugal o domínio das águas do Atlântico Sul. os cosmógrafos portugueses argumentaram que a descoberta se encontrava em terras portuguesas. segue-se a promulgação de três bulas papais . cabendo a Portugal as terras "descobertas e por descobrir" situadas antes da linha imaginária que demarcava 370 léguas (1. Como resultado das negociações. Os castelhanos recusaram a proposta inicial. Cientes da descoberta de Colombo. e à Espanha as terras que ficassem além dessa linha. foi assinado em 7 de Junho de 1494 o Tratado de Tordesilhas entre Portugal e Castela. vindo viver para Portugal.

Neste dia parte do Restelo a armada chefiada por Vasco da Gama. Nos anos que se seguiram à assinatura do Tratado de Tordesilhas (1494) Portugal prosseguiu no seu projecto de alcançar a Índia. Mantendo o plano de D. D. Segundo o plano original. [editar]A chegada à Índia Ver artigo principal: Descoberta do caminho marítimo para a Índia Vasco da Gama chega à Índia. empregada para evitar as correntes marítimas que empurravam para norte as embarcações que navegassem junto à costa sudoeste africana. permitindo a ultrapassagem do cabo da Boa Esperança. A 8 de Junho de 1497 iniciou-se a expedição semi-planetária que terminaria dois anos depois com a entrada da nau Bérrio rio Tejo adentro. É a partir da viagem de Vasco da Gama que se introduzem as naus.como volta do mar. Manuel I mandou aparelhar as naus e escolheu Vasco da Gama. mas a esta altura já ambos tinham falecido. o rei D. para chefiar a armada. trazendo a boa-nova. o que foi finalmente alcançado pela frota de Vasco da Gama. na sua primeira viagem de 14971499. João II. Estêvão da Gama. Tratava-se de uma expedição comportando três embarcações. João II teria designado seu pai. A 20 de . para capitão desta armada. cavaleiro da sua casa. a 20 de Maio de 1498.

A 24 de abril. tendo partido de Lisboa a 9 de março de 1500. fundeando na atual baía de Santa Cruz Cabrália. houve o contato inicial com os indígenas. retornando com o máximo de mercadorias. promovendo a imagem de Portugal e instalando um entreposto comercial ou feitoria.200 a 1. Estabelecia-se assim o caminho marítimo para a Índia. No dia seguinte. à qual compareceu o Rei e toda a Corte. entre funcionários. nos arredores de Porto Seguro. seguiu ao longo do litoral para o norte em busca de abrigo. integrada por dez naus e três caravelas. A sua missão era a de estabelecer relações diplomáticas e comerciais com o Samorim. Tendo-se afastado da costa africana.500 homens. . por alturas de Cabo Verde. avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. Manuelescrita por Pero Vaz de Caminha descrevendo as terras brasileiras achadas na expedição de Pedro Álvares Cabral. após quarenta e três dias de viagem. [editar]Chegada ao Brasil Ver artigo principal: Descobrimento do Brasil Carta a El Rei D. onde permaneceu até 2 de maio. transportando de 1. A sua foi a mais bem equipada armada do século XV. a 22 de abril de 1500. Pedro Álvares Cabral foi nomeado capitão-mor da armada que se dirigiria à Índia. após missa solene na ermida do Restelo. como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho. Mas Pedro Álvares Cabral. desvia-se da rota. Era integrada por navegadores experientes.Maio de 1498 Vasco da Gama chega a Calecute. após o retorno de Vasco da Gama. Em 1499. soldados e religiosos.

Retomou então a rota de Vasco da Gama rumo às Índias. onde ocorrem confrontos com o Samorim. após ter dobrado o cabo da Boa Esperança. a qual denominou de "Ilha de Vera Cruz" (mais tarde Terra de Santa Cruz e finalmente Brasil . 1519). actualmente na Biblioteca Nacional de França. entre os quais o de Bartolomeu Dias. Diogo Dias contava entre os navegadores experientes da frota de Pedro Álvares Cabral na segunda armada à Índia. É citado na Carta do Achamento do Brasil de Caminha como «homem gracioso e de prazer». A armada de Pedro Álvares Cabral chega a Calecute em 1501. inclusive a Carta de Pero Vaz de Caminha. e descobriu uma ilha a que deu o nome de São Lourenço. mais tarde designada Madagáscar. onde chegou com apenas sete homens. A 10 de Agosto de 1500. e enviou uma das embarcações menores com a notícia. dirige-se para Sul e estabelece uma feitoria em Cochim.Detalhe do mapa "Terra Brasilis" (Atlas Miller. e acabou sendo o primeiro capitão português a viajar pelo mar Vermelho. separou-se do resto da expedição devido aos ventos. navegador que o descobrira em1488. com o qual acaba por romper relações. Sua embarcação se perdeu durante a tormenta. em nome da Coroa portuguesa. Incapaz de prosseguir rumo à Índia.face à abundante existência de madeira pau-brasil). da nova terra. Assim. [editar]Explorações secretas e Duarte Pacheco Pereira Ver artigo principal: Duarte Pacheco Pereira . Cabral tomou posse. retornou a Portugal. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança. de volta ao reino. perderam-se quatro dos navios.

Estes são os primeiros europeus a chegar às Ilhas . comandado pelo seu homens de confiança António de Abreu e por Francisco Serrão. China e ao Japão Carraca Portuguesa em Nagasaki. estabelecendo relações amigáveis entre os reinos de Portugal e do Sião. Embora não existam evidências concretas a sustentar qualquer das hipóteses. [editar]A chegada às Molucas. como os chineses. Painel japonês do período Nanban. Simultaneamente investiu esforços diplomáticos com os mercadores do sudeste asiático. ordenou a partida dos primeiros navios portugueses para o sudeste asiático. guiados por pilotos malaios. Note-se que uma das testemunhas que assinaram o Tratado de Tordesilhas por Portugal foi Duarte Pacheco Pereira. imediatamente enviou Duarte Fernandes em missão diplomática ao Reino do Sião (actual Tailândia). na Malásia. na Índia e pouco depois. um dos nomes ligados a um suposto descobrimento do Brasil pré-Cabralino.[18] Ainda em Novembro desse ano. cidade fundada pelos portugueses no Japão em 1570. o conhecimento da existência de terras a leste da linha do Tratado de Tordesilhas. onde foi o primeiro europeu a chegar viajando num junco chinês que retornava à China.A expedição de Pedro Álvares Cabral viria a abrir uma polémica historiográfica acerca do "acaso" ou da "intencionalidade" da descoberta. na esperança de que estes fizessem eco das boas relações com os portugueses. Malaca. século XVII Em 1510 Afonso de Albuquerque conquistou Goa. Conhecendo as ambições siamesas sobre Malaca. certo é que por esta data já se tinha. ao tomar conhecimento da localização secreta das chamadas "ilhas das especiarias". em 1511. na Europa.

Banda nas Molucas. A nau de Serrão encalhou próximo a Ceram e o sultão de Ternate, Abu Lais, entrevendo uma oportunidade de aliar-se com uma poderosa nação estrangeira, trouxe os tripulantes para Ternate em 1512. A partir de então os portugueses foram autorizados a erguer uma fortificaçãofeitoria na ilha, na passagem para o oceano Pacífico: o Forte de São João Baptista de Ternate. Em 1513, partindo de Malaca (actual Malásia) Jorge Álvares atinge o Sul da China. A esta visita seguiu-se o estabelecimento de algumas feitoriasportuguesas na província de Cantão, onde mais tarde se viria a estabelecer o entreposto de Macau. De acordo com os registos disponíveis, foi o primeiroeuropeu a alcançar e visitar o território que actualmente é Hong Kong. Em 1543, Francisco Zeimoto, António Mota e António Peixoto são os primeiros portugueses a atingir o Japão. Terão aportado ao Japão a 23 de Setembro, tendo sido este primeiro contacto de europeus com o Japão, relatado pelo cronista Fernão Mendes Pinto. Segundo este, a ilha de Tanegashima teria sido o primeiro lugar visitado pelos portugueses, que espantaram os autóctones não só com o relato de terras e costumes que tinham visto como com a novidade das armas de fogo, visto que o conhecimento da pirobalística ainda não tinha chegado ao Japão. A chegada dos portugueses deu origem ao período de comércio Nanban (sendo Nabanjin, a denominação que atribuiam aos bárbaros do sul), durante o qual uma intensa interação com os poderes europeus ocorreu tanto a nível econômico como religioso. [editar]Descobrimentos e explorações portuguesas

Descobrimentos, viagens e explorações portuguesas: datas e primeiros locais de chegada de 1415-1543, principais rotas no Oceano Índico (azul), territórios portugueses no reinado de D. João III (verde) [editar]Países actuais Os descobrimentos Portugueses marcaram a primeira presença dos europeus, chegando pelos Oceanos, entre os primórdios do Século XV e a primeira metade do Século XVI, em muitos dos actuais países. Os portugueses foram os pioneiros nos países:
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América do Norte - Canadá (Terra Nova e Labrador) América do Sul - Brasil Oceania - Austrália, Papua-Nova Guiné, Vanuatu África (litoral atlântico e ilhas) - Marrocos (e Saara Ocidental), Mauritânia, Senegal, Gâmbia, Cabo Verde, GuinéBissau, Guiné, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Gana, Benim, Nigéria,Camarões, Guiné Equatorial, Gabão, São Tomé e Príncipe, Angola, Namíbia, África do Sul. África (Litoral índico e ilhas) - Moçambique, Madagascar, Tanzânia, Maurícia, Comoros, Quênia, Som ália

Ásia - Iêmem (Kamaran, Socotra), Omã, Bahrein, Irão (Ormuz), Índia (G oa, Damão e Diu, Dadrá e Nagar-Aveli, Calicute, etc.), SriLanka (antigo Ceilão), Maldivas, Tailândia (Sião), Malásia,Indonésia, Ti mor-Leste, Ilha Formosa (Taiwan), China, Japão. Ilhas diversas pertencentes a países europeus - Canárias (ESP); Açores e Madeira (POR); Ascensão, Santa Helena e Tristão da Cunha (RU)

As Filipinas, as possessões Marianas Setentrionais (EUA) e a Polinésia Francesa (FRA) foram descobertas por um português a serviço da Espanha, Fernão de Magalhães, durante a sua viagem de circumnavegação. [editar]A ciência náutica portuguesa Ver artigo principal: Ciência Náutica Portuguesa

A Caravela Vera Cruz nos 150 Anos da A.N.L. As sucessivas navegações e a experiência acumulada dos pilotos levaram a uma evolução bastante rápida da ciência náutica portuguesa, tendo a investigação criado uma elite de astrónomos, navegadores, matemáticos e cartógrafos, entre os quais se destacaram Pedro Nunes com os estudos sobre a forma de determinar as latitudes por meio dos astros e D. João de Castro.

e no litoral africano até Arguim. Livro de Lisuarte de Abreu Com a passagem das navegações costeiras às oceânicas também as naus se desenvolveram de forma assinalável em Portugal. Madeira e Açores.Navios Até ao século XV os portugueses praticavam a navegação de cabotagem utilizando a barca e o barinel. "Nau" era o sinónimo arcaico de navio de grande porte. passaram a ser utilizadas na marinha de guerra. os ventos fortes e as correntes marítimas desfavoráveis. na actual Mauritânia. resultando do aperfeicoamento de embarcações já usadas na faina da pesca. usadas nas primeiras viagens às ilhas Canárias. Entre as caravelas famosas estão a Bérrio e a Caravela Anunciação. como os baixios. Armada portuguesa de 1507. A caravela foi o navio que marcou os descobrimentos portugueses. Era e ágil e de navegação mais fácil. Devido à pirataria que assolava a costa. mas que não obstaram ao seu sucesso. que levaram à classificação das naus segundo o poder de artilharia. destinado essencialmente a transportar mercadorias. com uma tonelagem entre 50 a 160 toneladas e 1 a 3 mastros com velas latinas triangulares que permitiam bolinar. Mas que não conseguiam dar resposta às dificuldades no avanço para Sul. À medida . A pouca capacidade de carga e tripulação eram os seus principais inconvenientes. sendo substituídas pelas caravelas. Foram introduzidas as bocas-de-fogo. embarcações pequenas e frágeis de um mastro com velaquadrangular fixa.

foram sendo modificadas as suas características. Navegação astronómica Padrão dos Descobrimentosrepresentando muitos dos seus intervenientes. Henrique. A capacidade aumentou das duzentas toneladasno século XV até às quinhentas. em geral. Na carreira da Índia no século XVI foram também usadas as carracas. Lisboa . As naus eram imponentes e tinham. castelos de proa e depopa. inaugurado em 1960 nos 500 anos da morte do Infante D.que se foi desenvolvendo o comércio marítimo. naus de velas redondas e borda alta com três mastros que atingiam 2000 toneladas. dois a quatro mastros e velas sobrepostas. duas cobertas.Belém.

o que obrigava a correcções.Tábua astronómica do Almanach Perpetuum de Abraão Zacuto. aproveitando os . para obter no mar a altura do sol e outros astros. juntamente com o seu astrolábio melhorado. Inventaram outros. se poder calcular a latitude do lugar. Quando se introduziram na náutica as observações astronómicas que a revolucionaram. Mas os resultados variavam conforme longo do ano. em particular a observação de alturameridiana do Sol para com o conhecimento da declinação solar. por Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral. No século XIII era já conhecida a navegação astronómica através da posição solar. Para isso os portugueses utilizaram tabelas de inclinação do Sol. permitiu a descoberta da melhor rota oceânica de regresso de África: cruzando o Atlântico Central até à latitude dos Açores. as Tábuas astronómicas. Técnicas de navegação Mapa mostrando a localização das principais correntes e ventos oceânicos giratórios Além da exploração do litoral foram feitas também viagens para o mar largo em busca de informações meteorológicas eoceanográficas (foi nestes trajectos que se descobriram os arquipélagos da Madeira e dos Açores. publicadas em Leiria em 1496. recorreu-se às tábuas Almanach Perpetuum. preciosos instrumentos de navegação em alto-mar. o Mar dos Sargaços). que iniciaram a navegação guiada por esta constelação. O conhecimento do regime de ventos e correntes do Atlântico e a determinação da latitude por observações astronómicas a bordo. como o astrolábio e o quadrante. do astrónomo Abraão Zacuto. que aligeiraram e simplificaram. recorriam a instrumentos de navegação árabes. como o Cruzeiro do Sul descoberto após a chegada ao hemisfério Sul por João de Santarém e Pêro Escobar em 1471. que foram utilizadas. como a balestilha. Para a navegação astronómica os portugueses. 1496. como outros europeus. que conheceram uma notável difusão no século XV.

ventos e correntes permanentes favoráveis, que giram no sentido dos ponteiros do relógio no hemisfério norte devido à circulação atmosférica e ao efeito de Coriolis, facilitando o rumo directo para Lisboa e possibilitando assim que os portugueses se aventurassem cada vez para mais longe da costa, manobra que ficou conhecida como "volta da Mina", ou "Volta do mar". Cartografia Pensa-se que Jehuda Cresques, filho do cartógrafo catalão Abraão Cresques terá sido um dos notáveis cartógrafos ao serviço do Infante D. Henrique. Contudo a mais antiga carta de marear portuguesa assinada é um portulano de Pedro Reinel de 1485 representando a Europa Ocidental e parte de África, que reflecte as explorações efectuadas pelo navegador Diogo Cão ao longo da costa africana. Reinel foi também autor da primeira carta náutica conhecida com uma indicação de latitudes em 1504 bem como da primeira representação da rosa-dos-ventos. Com o seu filho, Jorge Reinel e o cartógrafo Lopo Homem, participou na elaboração do atlas conhecido por Atlas de Lopo Homem-Reinés ou Atlas de Miller, de1519. Foram considerados dos melhores cartógrafos do seu tempo, a ponto do imperador Carlos V os desejar a trabalhar para si. Em 1517 o rei D. Manuel I de Portugal passou a Lopo Homem, cartógrafo e cosmógrafo português, um alvará que lhe dava o privilégio de fazer e emendar todas as agulhas (bússolas) dos navios. Na terceira fase da antiga cartografia náutica portuguesa, caracterizada pelo abandono da influência de Ptolemeu na representação do Oriente e por uma melhor precisão na representação das terras e continentes, destacase Fernão Vaz Dourado (Goa ~1520 — ~ 1580), cuja obra apresenta extraordinária qualidade e beleza, conferindo-lhe a reputação de um dos melhores cartógrafos de seu tempo. Muitas de suas cartas são de grande escala.

IMPÉRIO PORTUGUÊS Império Português é a designação comum dada ao conjunto dos territórios ultramarinos ocupados e administrados por Portugal a partir do início século

XV até ao século XX. O termo "Império Português", no entanto, nunca foi usado oficialmente. A designação oficial mais utilizada para o conjunto dos territórios ultramarinos portugueses foi simplesmente "Ultramar Português". Já a designação "Império Colonial Português" foi oficial, mas apenas durante um breve período, de 1930 a 1951. O Império Português foi o primeiro império global[1] da história, com um conjunto de territórios repartidos por cinco continentes sob soberania portuguesa, resultado das explorações realizadas na Era dos descobrimentos. Foi o mais duradouro dos impérios coloniais europeus modernos, já que a presença portuguesa fora da Europa abrangeu quase seis séculos. Foi governado pela Casa de Avis por cerca de cento e cinquenta anos, depois por sessenta anos, pelaCasa de Habsburgo, posteriormente pela Casa de Bragança por trezentos anos, e a partir de 1910 foi governado pelaRepública Portuguesa. Convenciona-se o início do Império como sendo a conquista de Ceuta em 1415. Já o final do Império, consoante o critério utilizado, pode ser considerado o ano de 1975 - independência da maior parte dos territórios -, o ano 1999 - fim da administração portuguesa de Macau, o último território ultramarino ainda administrado de facto por Portugal - ou o ano de 2002 data da independência de Timor-Leste, último território ultramarino considerado de jure sob soberania portuguesa.[2] História

Infante Dom Henrique, o Navegador, (1394-1460), impulsionador das primeiras explorações[3] O expansionismo português foi movido inicialmente pelo espírito militar e evangelizador, de continuação da reconquista no Norte de

África e, depois, pelo interesse comercial, primeiro nas prósperas capitanias das ilhas da Madeira e dos Açores, seguindo-se a busca de um caminho marítimo para a Ásia, alternativo ao Mediterrâneodominado pelas repúblicas marítimas italianas, pelos otomanos, pelos mouros e por piratas, no lucrativo comércio de especiarias. Os portugueses começaram por explorar sistematicamente a costa de África a partir de 1419, com o incentivo do Infante D. Henrique e navegadores experientes servidos pelos mais avançados desenvolvimentos náuticos e cartográficos da época, aperfeiçoando a caravela. Em 1471 chegaram ao Golfo da Guiné, onde em 1482 foi estabelecida a feitoria de São Jorge da Mina para apoiar um florescente comércio de ouro de aluvião. Partindo da Mina Diogo Cão estabelece o primeiro contacto com oReino do Congo. Após sucessivas viagens exploratórias para sul, em 1488 Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, entrando pela primeira vez no Oceano Índico a partir do Atlântico. A chegada de Cristóvão Colombo à América em 1492 precipitou uma negociação entre D. João II e os Reis Católicos de Castela e Aragão. Como resultado foi assinado em 1494 o Tratado de Tordesilhas, dividindo o Mundo em duas áreas de exploração demarcadas por um meridiano situado entre as ilhas de Cabo Verde e as recém descobertas Caraíbas: cabiam a Portugal as terras "descobertas e por descobrir" situadas a leste deste meriadiano, e à Espanha as terras que ficassem a oeste dessa linha. Pouco depois, em 1498, Vasco da Gama chegou à Índia, inaugurando a Rota do cabo. Em 1500, na segunda viagem para a Índia, Pedro Álvares Cabral desviou-se da rota na costa Africana e aportou no Brasil. [4] Em Lisboa foi então estabelecida a Casa da Índia para administrar todos os aspectos do monopólio régio do comércio e da navegação além-mar. Seis anos após a viagem de Gama foi nomeado o primeiro vice-rei sediado em Cochim e a sua vitória na Batalha de Diu afastou mamelucos e árabes, facilitando o domínio português do comércio no Índico. Em 1510 é constituído o Estado Português da Índia com capital em Goa, primeira conquista territorial na Índia. Malaca foi conquistada em 1511 e os portugueses continuaram a exploração e conquistas de portos nas costas e

de 1415 até 1534. cuja acção central é . o império português foi uma talassocracia. o Japão e a Europa via Malaca e Goa. e a China um ano depois. três anos após regressar do Oriente. incluindo com o Reino do Sião. Em 1572. João III (verde) Durante a expansão. data em que foi ordenada a colonização do interior nas capitanias do Brasil[5] por D. Safávidas da Pérsia. Descobrimentos e viagens portuguesas entre 1415-1543: principais rotas (azul). com o apoio de numerosas relações diplomáticas e alianças. Em 1529 o Tratado de Saragoça demarcou as explorações portuguesas e espanholas no oriente: as Molucas são atribuídas a Portugal e as Filipinas a Espanha.[6][7] abrangendo os oceanos Atlântico e Índico. cidade então fundada pelos portugueses: o império tornara-se verdadeiramente global. Em 1543 comerciantes portugueses aportam no Japão estabelecendo-se inicialmente em Hirado. era completado pela acção das missões religiosas em terra ao abrigo do Padroado. defendida por uma cadeia de fortificaçõescosteiras protegendo uma rede de Feitorias. Em 1557 as autoridades chinesas autorizaram os portugueses a estabelecerem-se em Macau. que depressa se tornou a base de um próspero comércio triangular entre a China. estabelecendo-se na ilha deSanchoão. trazendo no processo enormes riquezas para Portugal. Em 1571 uma cadeia de entrepostos ligava Lisboa a Nagasaki. os cartazes. Reino de Bisnaga e Etiópia.ilhas da Ásia oriental. alcançando as ambicionadas "ilhas das especiarias" (as ilhas Molucas) em 1512. Luís Vaz de Camões publicaria a epopeia "Os Lusíadas". reforçada por um sistema de licenças de navegação. um acordo da coroa portuguesa com a Santa Sé. João III. império sob D.

protegendo-se dos exércitos de Napoleão I. Moçambique e São João Baptista de Ajudá. como política para evitar ser considerado uma potência colonial nos fóruns internacionais. que tentavam tomar as redes de comércio portuguesas deespeciarias asiáticas. Após a perda de numerosos territórios. reforçada pela descoberta de grandes quantidades de ouro no fim do século XVII. a designação "Império Colonial Português" foi abolida. Durante a Dinastia Filipina o império português sofreu grandes reveses ao ser envolvido nos conflitos de Espanha com a Holanda. escravos da África ocidental e açúcar do Brasil[9]. . Durante o Estado Novo. embora tendo perdido para sempre a proeminência na Ásia. com a designação de Reino Unido de Portugal. o Estado Novo passou a designar as colónias por províncias ultramarinas. passou a ser considerado um associado ao Reino.1951). Apesar dos formidáveis ganhos no Oriente. e a partir de 1870 teria que enfrentar as potências europeias para conservar o resto do seu fragmentado Império. do Estado Português da Índia e de Timor Português. pelas colóniasasiáticas de Macau. o interesse pelo Marrocos manteve-se. Em 1951. Com o reconhecimento da declaração de independência do Brasil em 1825. Em 1578 o rei D. O Brasil ganhou assim importância no império. a França e a Inglaterra. Brasil e Algarves.a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama.[11] sendo então composto pelas colónias africanas de São Tomé e Príncipe. Com a chegada da Corte portuguesa em 1808. Em 1654 conseguiu recuperar o Brasil e Angola. [8] Entre 1595 e 1663 foi travada a Guerra Luso-Holandesa com as Companhias Holandesas das Índias Orientais (VOC) e Ocidentais (WIC). imortalizando os feitos dos portugueses. o que terminou na derrota em Alcácer-Quibir. que tentavam estabelecer os seus próprios impérios. Portugal acentuou a expansão territorial no interior da África.[10] Portugal restaurou a independência em 1640. Guiné Portuguesa. Na esperança de preservar um Portugal intercontinental. seguindo-se uma crise sucessória que resultou na união com a coroa espanhola em 1580. em que esteve em vigor o Acto Colonial (1930 . Cabo Verde. o Ultramar Português teve a designação oficial de "Império Colonial Português". Sebastião procurou conquistar os territórios interiores. Angola. Cabinda.

que duraria até à Revolução dos Cravos em (1974). e em 1961 iniciam-se confrontos generalizados no Oriente e em África: a Índia independente conquistou Goa. A resistência à dominação portuguesa manifestou-se no contexto da descolonização europeia. a União Indiana anexou os territórios de Dadrá e Nagar Haveli. Pode dividir-se a história do império português em períodos distintos:  "Primeiro Império" (1415-1580): Descobrimentos e expansão em África e no Oriente. a África domina as atenções no Império Colonial Português. quando Macau. o Brasil ganha importância. "Segundo Império" (1580-1822): Com a perda de influência no Oriente. quando Portugal reconheceu a independência de Timor-Leste. que terminaria com a ocupação espanhola. "Terceiro Império" (1822-1975): Após a independência do Brasil. Pode-se ainda considerar que este ocorreu em 2002.considerando que esses territórios não eram colónias. último território sob a sua administração. foi devolvido à República Popular da China.[12]   Presença portuguesa em África . Em 1954. Em 1961 iniciam-se também os confrontos da Guerra Colonial Portuguesa em África. libertada da ocupação indonésia em 1999. resultando na independência das colónias em 1975. O "fim" de jure do Império Português terá sido em 1999. como uma "Nação Multirracial e Pluricontinental". numa acção armada com pouca resistência e pouco depois a Ilha de Angediva. mas sim parte integrante e inseparável de Portugal.

construída sob as instruções do próprio Infante: visava atrair as rotas percorridas por mercadores muçulmanos no norte de África: tentava-se implantar um mercado para monopolizar a actividade comercial da zona. Impulsionado pelo Infante Dom Henrique. Movidas de início pela busca de privilégios de fidalguia conquistados em batalha e. fortalezas (azul). foram tomadas medidas para proteger os interesses de Portugal. Os navios passam a ser licenciados por Portugal em troca de parte dos lucros obtidos. E em 1445 é criada a primeira feitoria comercial da ilha de Arguim. À medida que os resultados se mostravam mais compensadores. territórios de colonização e exploração agropecuária. depois. pela iniciativa privada que buscava riqueza fora do território conseguindo-a nas prósperas capitanias dos arquipélagos da Madeira e dos Açores. cada vez mais para sul.[13] Em 1444. é decretado o monopólio da navegação na costa oeste Africana em 1443. na costa da Mauritânia.Possessões portuguesas em Marrocos entre 1415-1769: cidades (vermelho). o Infante estabelece um consórcio de navegação em Lagos. o que motivou o investimento em viagens de exploração por portugueses e estrangeiros.[13] [editar]África Ocidental As expedições passaram o cabo Bojador em 1434. como os genoveses e venezianos. "o Navegador". como governador do Algarve. marcam o início da expansão territorial marítima portuguesa.as viagens prosseguiram pela costa africana. A tomada de Ceuta em 1415 e a descoberta das ilhas da Madeira em 1418 e dos Açores em 1427. .

reforçando a anteriorDum Diversas de 1452. foram pontoschave de apoio logístico e material às navegações portuguesas e um entrave à pirataria praticada pelos mouros. O Golfo da Guiné e o ouro da Mina Após a morte do infante. tomada pelos Otomanos. O exclusivo do comércio da então chamada "malagueta".Cisterna Manuelina da Fortaleza de Mazagãoconstruída entre 1513-1541. Marrocos Em 1453 dá-se a queda de Constantinopla. que viria a investir em numerosas viagens portuguesas.[17] . legitimando a política portuguesa de mare clausum no Atlântico e a ainda incipente escravatura. mas o problema era a necessidade de mão de obra e o trabalho pesado: a solução foi trazer escravos da África.[15] Neste comércio prosperou o florentino Bartolomeu Marchionni. A partir de 1458. e dados os magros proveitos da exploração. Em 1455 iniciara-se na Madeira uma florescente indústria de açúcar. A acessibilidade das ilhas atraiu comerciantes genoveses e flamengos interessados em contornar o monopólio Veneziano. em 1469 o Rei Afonso V concedeu o monopólio do comércio na parte do Golfo da Guiné ao mercador Fernão Gomes contra uma renda anual de 200 000 reais. um golpe para o cristianismo e para as relações comerciais estabelecidas no Mediterrâneo. a pimenta-daguiné (Aframomum melegueta) popular substituto da pimenta preta. Pouco depois o Papa Nicolau V emite a bula Romanus Pontifex[14] a favor do rei Afonso V de Portugal. declarando que as terras e mares descobertos além do Cabo Bojador são pertença dos reis de Portugal. com as suas guarnições militares. Gomes tinha que explorar 100 léguas da costa da África por ano durante cinco anos.[16] foilhe também concedido por 100 000 reais anuais. e autorizando o comércio e as conquistas contra muçulmanos e pagãos. Ceuta e Arguim.

Com o seu patrocínio. que só cessaram as pressões para se apossarem da região após a assinatura do Tratado das Alcáçovas-Toledo em 1479. despertando a cobiça dos Reis Católicos. O tratado reconhecia o domínio português das descobertas a Sul das Canárias. actual Gana. e encontraram também as ilhas do Golfo da Guiné. Com a colaboração de navegadores como João de Santarém. incluindo São Tomé e Príncipe e Elmina em 1471. estes com intensidade crescente a partir do século XVI. enviada como lastro nos navios. Aquele trecho do litoral passou a ser designado Costa do Ouro.Fortaleza de São Jorge da Minaconstruída em 1482 em redor da indústria de ouro da então chamada Costa do Ouro. Ali passaram a ser trocados trigo. [18] onde encontrou uma florescente indústria de ouro de aluvião. Afonso V na conquista de Arzila. fê-lo mesmo para além do contratado. tecidos. determinando a construção de uma feitoria para o comércio do ouro. Com os lucros deste comércio Fernão Gomes auxiliou D. Fernão do Pó e Pedro de Sintra. João II centralizou na coroa a exploração e comércio. cavalos e conchas ("zimbo"). em 1482. por ouro (até 400 kg/ano) e escravos. Lopo Gonçalves. O reino do Congo e a fundação de Angola . D. desempenhando um papel de enorme influência na economia do reino. os portugueses chegaram ao Cabo de Santa Catarina. Alcácer Ceguer e Tânger. incluindo os direitos sobre a costa da Mina e o Golfo da Guiné e o prosseguimento da exploração na costa. Pedro Escobar. Pouco depois de subir ao trono. Sob o comando de Diogo de Azambuja foi rapidamente construído o "Castelo de São Jorge da Mina" [19] com pedra previamente talhada e numerada em Portugal. já no Hemisfério Sul. Ao abrigo da fortificação-feitoria desenvolveu-se a povoação de São Jorge da Mina que recebeu Carta de Foral em 1486. sistema de construção depois adoptado para numerosas fortificações.

João I" em honra do rei português. Jorge da Mina para explorar o estuário do Rio Congo e terá subido 150 km a montante até às cataratas de Ielala. A penetração para o interior era limitada. os quais acabariam por fundir-se. Diogo Cão. em particular os escravos. que estabeleceu o cristianismo como religião oficial do reino. Em 1576 fundam São . Paulo Dias de Novais. João I do Congo governou até cerca de 1506 e foi sucedido pelo filho Afonso I Mvemba um Nzinga. assumindo o nome "D. data desconhecida Desde a assinatura do Tratado das Alcáçovas que as costas da Guiné eram cuidadosamente patrulhadas. O primeiro passo foi o estabelecer de uma aliança com o influente "Manicongo" (do Kikongo "mwene kongo" ). João II nestas patrulhas. que em 1491 se converteu ao cristianismo e foi baptizado. sendo vedadas a castelhanos e outros europeus. para dar origem ao reino de Angola (c. 1559). partiu de S. bem como vários nobres. procurou delimitar o vasto território e explorar os seus recursos naturais. Aí ergueu o primeiro padrão de pedra. na segunda metade do século XVI os portugueses instalam-se na região de Angola. iniciando os primeiros contactos europeus[20] É a partir daqui que se inicia conquista da região que se tornaráAngola.Audiência do rei do Congo. e enviou uma embaixada portuguesa ao Reino do Congo. A sul deste reino existiam dois outros. que dominava toda a região: Diogo Cão levou alguns nobres de visita a Portugal e ao retornar em 1485 faz um acordo com o rei Nzinga a Nkuwu. o de Ndongo e o de Matamba. que fora investido por D. Explorando as rivalidades e conflitos entre estes reinos. O primeirogovernador de Angola. substituindo as habituais cruzes de madeira.[21] Os primeiros sacerdotes católicos e soldados descrevem a capital M'Banza Kongo como uma grande cidade do tamanho de Évora. Entre 1482 e 1486. ou "Manicongo" (do Kikongo "mwene kongo" ) a navegadores portugueses e súditos africanos.

com D. ao proselitismo da Reconquista adicionam-se a curiosidade científica e omercantilismo. mediante um acordo com um chefe local e progressivamente reforçado. a actual cidade de Luanda. Para impor o monopólio do comércio de especiarias no Índico. África Austral e Oriental A ilha de Moçambique foi uma importante escala de navegação da carreira da Indiainiciada em 1498: mapa do percurso seguido pelas naus na ida (vermelho) e rota de regresso (verde) Com a passagem do cabo da Boa Esperança por Bartolomeu Dias em 1488. e fez também o reconhecimento de Sofala em Moçambique. A partir de então as explorações perderam o carácter privado. Após esta descoberta oséculo XVI tornar-se-ia o "século de ouro" para Portugal e o seu apogeu como nova potência europeia. Manuel I a determinar que todos os anos. passando a efectuar-se sob iniciativa da Coroa. saísse uma armada para a Índia.[22] . na Tanzânia. Na sua segunda viagem em 1502. Vasco da Gama usou as cartas marítimas até então traçadas para estabelecer uma rota marítima para a Índia. Foi então estabelecido o Forte de São Caetano de Sofala. Angola tornar-sehá mais tarde o principal mercado abastecedor de escravos para as plantações da cana-de-açúcar do Brasil. Vasco da Gama tornou tributário de Portugal o porto árabe da ilha de Quíloa (actual Kilwa Kisiwani).Paulo da Assunção de Luanda. partiu no início de 1505 a armada de D. entre Fevereiro e Março. Francisco de Almeida. nomeado primeiro de Vice-rei da Índia Portuguesa.

Afonso de Albuquerque conseguiu desembarcá-los em Filuk. na entrada do Mar Vermelho. enviado pela rainha regente Eleni da Etiópia ao rei D. a Armada das ilhas protegia as naus carregadas a caminho de Lisboa dos ataques de piratas e corsárioseuropeus. o rei informou o Papa Leão X em 1513 e Mateus viajou para Portugal em 1514. perto do Cabo Guardafui. Os portugueses só compreenderam a natureza da sua missão ao chegarem à Etiópia em 1520.[23] Aí. porto estratégico de apoio à carreira da Índia que ligavaLisboa a Goa. Aí foi construída mais tarde uma poderosa fortificação. que então se pensava ser mais próxima. a Fortaleza de São Sebastião (1558) e um hospital.[24] Na sequência desta expedição. Ilha de Moçambique. que ajudaram a restabelecer o governo[28] na guerra Etíope-Adal.[25] de onde regressou com uma embaixada portuguesa. foi conquistada. Sem conseguir atravessar por Melinde. após a morte de Mateus.[26] Contudo iniciou as primeiras relações contínuas de um país europeu com a Etiópia[27] e em 1517 Portugal ajudou o imperador Lebna Dengel. Confrontos com os holandeses em África (1597-1663) . Manuel I de Portugal e ao Papa. Como escala de navegação era o ponto de encontro das embarcações desgarradas na viagem de ida e das que aguardavam a monção. em busca de uma aliança para fazer face ao crescente poder otomano na região.Igreja de Santo António. Nos Açores. Visto como o muito esperado contacto com o lendário Preste João e com Pêro da Covilhã. juntamente com Francisco Álvares. Património Mundial da UNESCO Em 1507 os portugueses ocuparam a ilha de Moçambique. facto que complicou os contactos com o imperador etíope. enviando armas e quatrocentos homens. chegou a Goa em 1512 o embaixador Mateus. a ilha de Socotra. Tristão da Cunha enviou uma expedição para a Etiópia. Em Agosto de 1507.

o interesse da coroa por Marrocos não enfraqueceu. [8] Portugal seria arrastado. com o objectivo de tomar as redes de comércio portuguesas de especiarias asiáticas.Mapa do Império Espanhol-Português em 1598. o que resultou na derrota em Alcácer-Quibir em 1578 seguindo-se uma crise sucessória que acabou na união com a coroa espanhola em 1580. sem verbas e sem capacidade para enviar exércitos para as regiões atacadas por forças bem preparadas.[29] A Guerra Luso-Holandesa começou com um ataque a São Tomé e Príncipe em 1597. atacavam por mar colónias e navios. vulneráveis a ser tomados um a um. O século XVI é uma sucessão de conquistas e de abandonos de fortalezas costeiras até que o rei D. ██ Territórios administrados pelo Conselho de Castela ██ Territórios administrados pelo Conselho de Aragão ██ Territórios administrados pelo Conselho de Portugal ██ Territórios administrados pelo Conselho da Itália ██ Territórios administrados pelo Conselho das Índias Apesar dos formidáveis benefícios gerados pelo império colonial no Oriente. envolvidos na Guerra dos Oitenta Anos com Espanha desde 1568. constituído sobretudo de assentamentos costeiros.[30] Após vários confrontos no oriente e no Brasil. tornou-se um alvo fácil. que tentavam estabelecer os seus próprios impérios. Sebastião(1557-1578) investiu na conquista dos territórios interiores. começaram os . Os holandeses. Foi travada pelas CompanhiasHolandesas das Índias Orientais e Ocidentais. O império português. escravos da África ocidental e açúcar do Brasil. a França e a Holanda. No contexto da Dinastia Filipina. o império português sofreu grandes reveses ao ser envolvido nos conflitos que a Espanha travava com a Inglaterra.

permitindo aos holandeses dominar a rota do cabo. cuja guarnição foi enviada para Mascate (Omã). A escravidão era realizada entre chefes tribais. por 3 gerações transmitidos por via feminina. Em 6 de Abril de 1652. temendo perder os territórios já conquistados. Portugal restaurou a independência. visando assegurar escravos para a produção de açúcar em territórios conquistados no Brasil. Em 1622. Em 1638 os holandeses tomaram o Forte de São Jorge da Mina. determinou-se que as terras pertenciam à coroa e eram arrendadas pelos chamados prazos. a frota de Salvador Correia de Sá e Benevides conseguiu recuperar o Brasil e Luanda. e Luanda em 1641. acabariam por selar definitivamente a paz do Tratado de Haia em 1663. o mercador da VOC Jan van Riebeeck estabelece perto do Cabo da Boa Esperança um posto de reabastecimento que se tornaria na Cidade do Cabo. forçando a recuar para o sul até Moçambique. prosseguiu o combate aos portugueses na costa oriental africana. Os Holandeses. uma força anglo-persa tomou o forte de Ormuz. Portugal perdeu para sempre a proeminência na Ásia. após um cerco de dois anos. vencendoos em Zanzibar e Pemba até que. O mapa cor-de-rosa (1822-1890) .ataques nos postos comerciais da costa oeste africana. defendidos por grandes exércitos de escravos conhecidos como “chicundas”.[10] Em 1640. de comércio para o oriente. é tomado o Forte Jesus de Mombaça em 1698 [31] (Quénia). Na tentativa de consolidar as posições na África Oriental. em 1654. restabelecendo a aliança com a Inglaterra que pouco depois viria a desafiar os Holandeses. Com a vitória omani sobre Mascate em 1650. Contudo através de casamentos mistos estas propriedades tornaram-se verdadeiros “estados” afroportugueses ou afro-indianos. que invadiam tribos guerreiras e vendiam os prisioneiros aos prazeiros. seguindo-se Axim (1642) no golfo da Guiné. mas.

[34] Prepararam então as primeiras expedições científico-geográficas. de Hermenegildo Capelo. como testemunhou Silva Porto. Durante a chamada "partilha de África". Após a perda do Brasil. Entre 1840 e 1872 David Livingstone explorou a África central. Congo eZambeze. financiadas por subscrição nacional.[32] A partir da década de 1870 ficou claro que o direito histórico não bastava: à intensa exploração científica e geográfica europeia seguia-se muitas vezes o interesse comercial. onde vigoravam acordos de protecção com governantes locais e cujo interior não fora ocupado. c.1886. A crescente presença inglesa. Portugal reclamou vastas áreas do continente africano baseado no "direito histórico".Mapa Cor-de-Rosa reclamando a soberania de Portugal nos territórios entreAngola e Moçambique. . que em 1876 criou uma associação para colonizar o Congo. Portugal teve de enfrentar as potências europeias para conservar o resto do seu fragmentado império: as possessões nas Índias. Em 1874 Henry Morton Stanley explorou a bacia do rio Congo e foi financiado pelo rei Leopoldo II da Bélgica. ignorando os interesses portugueses na região. francesa e alemã no continente ameaçavam a hegemonia portuguesa. Roberto Ivens e Serpa Pinto. entrando em colisão com as principais potências europeias.[33] Em 1875 setenta e quatro subscritores fundaram a Sociedade de Geografia de Lisboa para apoiar a exploração. tal como as congéneres europeias. Esta decisão seria rapidamente contrabalançada por uma legislação trabalhista insistindo na necessidade do trabalho indígena nos campos de algodão ou nas obras públicas. Pretendiam fazer o reconhecimento dos rios Cuango. Macau e Timor-Leste. as costas da África Ocidental (depois Angola e Guiné) e Oriental portuguesas (depois Moçambique). onde se instalaria a Companhia Britânica da África do Sul. que entre 1877 e 1885 mapearam o território. alicerçado na primazia da ocupação. concluindo a carta da África centro-austral (o famoso Mapa cor-de-rosa) para manter "estações civilizadoras" portuguesas no interior. comerciante sedeado no planalto do Bié. Em 1842Portugal pôs fim ao tráfico negreiro no Império e em 1869 aboliu a escravidão sob pressão da Grã-Bretanha. com a independência em 1822. as ilhas de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe.

proteger estrangeiros e controlar nativos". o ministro dos negócios estrangeiros João de Andrade Corvo reafirmou a tradicional aliança Luso-Britânica. pelo qual aceitavam ser um protectorado da coroa portuguesa. cuja resistência era combatida pelas Campanhas de Conquista e Pacificação conduzidas pelas forças armadas. propondo abrir Moçambique e Goa ao comércio e navegação britânicos[35] em troca do reconhecimento no Congo. a Moçambique. reclamando uma faixa de território de Angola à contra-costa ou seja.Entretanto. a caminho do Barotze para tentar obter a "avassalamento" do soba Levanica. Enquanto os britânicos criavam a Rodésia do Sul. as forças de Serpa Pinto arreavam as bandeiras inglesas. o primeiro-ministro britânico Lord Salisbury avisou que não reconheceria territórios "não ocupados com forças suficientes para manter a ordem.[39] que então nomeou colónia. Em 1887. Para sustentar esta reclamação foram feitas campanhas de exploração e avassalamento dos povos do interior. Nascia assim o Mapa Cor-de-Rosa. [35] mantendo apenas Cabinda. Portugal perdeu o controlo da foz do Congo. . numa faixa que isolava as colónias britânicas. O estado português diversificou então os contactos internacionais. em Moçambique. ao saber dos planos portugueses. Portugal tentou fechar o Rio Zambeze à navegação e reclamou o vale do Niassa. em Angola. cedendo à França na Guiné. num espaço monitorizado pelo Reino Unido. e à Alemanha no Sul de Angola.[40] Em Janeiro de 1890 Paiva Couceiro estacionou com 40 soldados no Bié. cujos notáveis assinaram o Tratado de Simulambuco em Fevereiro de 1885. para dirimir os conflitos . junto ao Lago Niassa. Em 1883 Portugal ocupou o norte do rio Congo e no ano seguinte firmou um acordo com os ingleses reconhecendo o direito a ambas as margens.[37] A exigência de uma ocupação efectiva determinada pela Conferência de Berlim[38] obrigou Portugal a agir. em troca do reconhecimento às terras interiores. O acordo foi de imediato denunciado pelas restantes potências. levando à convocação da Conferência de Berlim (1884– 1885) [36] por Bismarck. Contudo a aliança decepcionou: sob pressão da Alemanha e da França.incluindo a oposição LusoBritânica à expansão de Leopoldo II. [41] Simultaneamente. tornado público em 1886.

referente ao estabelecimento das fronteiras de Angola foi resolvida entre Portugal e a Grã-Bretanha com a arbitragem de Vítor Emanuel III da Itália. Um ano depois a Questão do Barotze. Em Outubro de 1890 Cecil Rhodes obtém uma aliança[42] para concessão de exploração e acesso ao mar ao arrepio do acordo de 1885. Portugal terminou.que o camponês já não tem a opção de pagar o "mussoco" em géneros: ". mas ao jogar no conflito entre Londres e Lisboa Gungunhana é surpreendido quando.A 11 de Janeiro de 1890. então. britânicas e a ameaça dos pretendentes ao trono. Em 1890 António Enes decretou uma revisão do Código de Trabalho Rural de 1875 . ao pedir a protecção britânica. de imediato a expansão colonial africana que Lord Salisbury considerara baseada em "argumentos arqueológicos" de ocupação[40]. fica sem resposta: os governos tinham acordado a delimitação dos territórios em Junho de 1891. a Companhia de Moçambique (1891) e a Companhia da Zambézia (1892): todos procuravam atrair Gungunhana para os seus interesses. investindo em "campanhas armadas de pacificação" e no derrube dos régulos menos cooperantes. o Ultimato britânico exigiu a retirada imediata das forças militares portuguesas no território entre Moçambique e Angola (actuaisZimbabwe e Zâmbia). É intimado assumir-se como súbdito de Portugal.O arrendatário [dos Prazos] fica obrigado a cobrar dos colonos em trabalho rural. A província de Gaza e o porto de Lourenço Marques (actual Maputo) eram cobiçados pelos britânicos da British South Africa Company e Cecil Rhodes para escoar as matérias-primas do Transvaal. O Império Colonial Português em África (1890-1975) Na sequência do ultimato britânico de 1890 a administração colonial portuguesa endureceu a actuação. O ultimatum causou sérios danos à imagem do governo monárquico português. e Gaza fica no interior de Moçambique. a pretexto do incidente Serpa Pinto..que estabelecia a obrigação "moral" dos colonos [camponeses indígenas] de produzirem bens para comercialização. entre os rios Zambeze e Limpopo. Em 1885 aliara-se a Gungunhana. Entre 1891-1892 Mouzinho de . Após o ultimato foram autorizadas três grandes concessionárias para explorar imensos territórios em Moçambique: a Companhia do Niassa (1890). que aceitara o acordo num balanço precário entre forças portuguesas. pelo menos metade da capitação de 800 réis".. imperador do Império de Gaza na África oriental.

que definiu novamente a fronteira ao longo do rio Rovuma. foi condenado ao exílio nos Açores. O Acto Colonial centralizador aprovado em 1930.Albuquerque. uma rebelião reúne milhares de guerreiros e cerca Lourenço Marques (Maputo) durante mais de dois meses. O governo reagiu energicamente reforçando a presença militar em Moçambique. por forças portuguesas e foi reintegrado oficialmente em Moçambique em 1919 pelo Tratado de Versalhes. Este Acto definiu durante muito tempo o conceito ultramarino português tendo sido revogado na revisão da Constituição feita em 1951. e até 1895. Conhecido da imprensa europeia. restringindo a já limitada autonomia financeira e administrativa. obtendo o controlo da desembocadura no oceano Índico. A cidade foi saqueada. durante a Primeira Guerra Mundial. mas também influenciados pelos franceses. emprestando dos britânicos um método de administração indirecta. os republicanos deram às possessões d'além-mar o nome de colónia às quais atribuem uma certa autonomia financeira e administrativa. durante a Ditadura Militar (1926-1933) que antecedeu o Estado Novo. até 1961. governador do distrito de Lourenço Marques (Maputo) endureceu as relações com os povos circundantes. O trabalho forçado. que o modificou e integrou no texto da Constituição. o pagamento de impostos. A 28 de Dezembro de 1895 Gungunhana foi preso por Mouzinho de Albuquerque. Em Lisboa a rebelião era atribuída a Gungunhana e a interesses britânicos. como o Imposto de palhota. após o fim da monarquia. em Agosto. em Junho de 1894 uma força naval alemã ocupou o triângulo de Quionga na foz do rio Rovuma. Desde 1926 as pessoas afectadas pelo Estatuto do indígena estiveram excluídas da categoria de cidadãos ao qual pertenciam os africanos integrados e os colonos europeus. Entre os cada vez mais frequentes incidentes. na fronteira entre a África Oriental Alemã (atual Tanzânia) e Moçambique. O Triângulo de Quionga foi reocupado em 1916. sendo a queda impedida por navios de guerra. re-definiu as formas de relacionamento entre a metrópole e as colónia. o alarme foi grande. e a violência contra as populações levaram à revolta. Em 1911. . O conjunto dos territórios administrados passou a então a denominarse Império Colonial Português.

a mais antiga da Índia. Vasco da Gama conseguiu uma carta de concessão ambigua para as trocas comerciais com o samorim de Calecute. mais tarde designada Madagáscar. Francisco emCochim. falecido em 1524 foi aqui sepultado inicialmente. como uma "Nação Multirracial e Pluricontinental". mas sim parte integrante e inseparável de Portugal. Pouco depois.[46] foi ponto de partida da implantação portuguesa na costa oriental africana e na Índia.. como forma política de evitar que Portugal fosse considerado uma potência colonial nos fóruns internacionais. várias fortalezas e feitorias comerciais. e na esperança de preservar um Portugal intercontinental. o Estado Novo passou a designar as colónias por províncias d'além-mar ou províncias ultramarinas. [44][45] Vasco da Gama. comandada por Pedro Álvares Cabral. considerando que esses territórios não eram colónias. foi criada em Lisboa a Casa da Índia para administrar o monopólio régio da navegação e comércio com o Oriente. os portugueses estabeleceram. O objectivo de Portugal no Oceano Índico foi o de assegurar o monopólio do comércio de especiarias. construída em1503. A viagem comandada por Vasco da Gama até Calecute. Após alguns conflitos com mercadores árabes que detinham o monopólio das rotas de especiarias. onde Diogo Dias descobriu a ilha a que deu o nome de São Lourenço.[43] [editar]Presença portuguesa no Oriente Igreja de S. Em 1500 a segunda armada à Índia que vinha de descobrir o Brasil explorou a costa oriental africana. Jogando continuamente da rivalidade que opunha hindus e muçulmanos. aí deixando alguns portugueses para estabelecerem uma feitoria. O primeiro contacto deu-se a 20 de Maio de 1498. chegou a Calecute em Setembro.A partir de 1946. Esta armada. entre 1500 e 1510. onde .

[47] Em 1502 Vasco da Gama tomou a ilha de Quíloa. O Estado Português da Índia Beneficiando da rivalidade entre o marajá de Cochim e o samorim de Calecute. conquistam Socotorá na entrada do Mar Vermelho. onde descobre a origem da canela. fundando em Cochim o forte (Forte Manuel) e posto comercial que seria a primeira colónia europeia na Índia. estende o controlo nas áreas costeiras. erguido entre 15071515. Aí construiram em 1503 a Igreja de São Francisco.assinou o primeiro acordo comercial na Índia.actual Sri Lanka. onde em 1505 foi construída a primeira fortificação portuguesa da África Oriental para proteger as naus da carreira da Índia.[50] Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz. Irão. explorando as rivalidades internas. Em 1506 os portugueses. nela pereceram vários portugueses. estabelece um pacto de defesa com o reino de Kotte e. entre os quais o escrivão Pero Vaz de Caminha. em . Encontrando-o dividido em sete reinos rivais. onde em 1517 seria fundada a fortaleza de Colombo. Após bombardear Calecute. Cabral seguiu para Cochim. os portugueses foram bem recebidos e vistos como aliados na defesa. na costa da Tanzânia. Sedeada em Cochim iniciou-se a governação portuguesa no oriente. Em 1505 o rei D. sob o comando de Tristão da Cunha e Afonso de Albuquerque. Manuel I nomeou D. Nesse ano os portugueses tomaram Cananor onde fundaram a fortaleza de Santo Angelo e Lourenço de Almeida chega a Ceilãoa lendária Taprobana. Francisco de Almeida[48] primeiro Vicerei da Índia[49] por um triénio. A feitoria portuguesa aí instalada teve contudo efémera duração: atacada pelos muçulmanos em 16 de dezembro.

marcando o início do domínio europeu no Índico.[52][53] [editar]Malaca e o Sudeste Asiático Ternate. Goa tornou-se a sede da presença portuguesa. Albuquerque iniciou nesse ano em Goa a primeira cunhagem de moeda portuguesa fora do reino. Cobiçada por ser o melhor porto comercial da região. mostrando a feitoria-Forte de São João Baptista de Ternate iniciada em 1522. Em 1509 é travada a batalha de Diu contra uma frota conjunta do Sultanato Burji do Cairo. os Portugueses conquistaram rapidamente localidades costeiras. onde Albuquerque inicia a construção do Forte de Nossa Senhora da Vitória. concessões e locais para fortificar. Com o poder dos otomanos seriamente abalado. na costa queniana. seguindo a estratégia que pretendia fechar as entradas para o Índico. sob nome de Estado Português da Índia. entreposto de cavalos árabes para os sultanatos do Decão.[51] A vitória portuguesa foi determinante. oferecendo alianças.1507Mascate e temporariamente Ormuz. Apesar de ataques constantes. no arquipélago das Molucas. Desenho holandês de 1720 . aproveitando a oportunidade para anunciar a conquista. do samorin de Calecute e do Sultão de Gujarat. Já sob o governo de Albuquerque Goa foi tomada aos árabes em 1510 com o auxílio do corsário hindu Timoja. do Sultão Otomano Beyazid II. permitia cumprir a vontade do Reino de não permanecer eterno hóspede de Cochim. Nesse mesmo ano foram construidas fortalezas na Ilha de Moçambique e em Mombaça. com o apoio naval da República de Veneza e da República de Ragusa. com a conquista a desencadear o respeito dos reinos vizinhos: Guzerate e Calecute enviaram embaixadas.

Manuel I e o conselho do reino tentaram distribuir o poder a partir de Lisboa. onde chegaram no início de 1512. enchendo os seus navios com noz moscada e cravinho. enviou uma expedição comandada por António de Abreu para as encontrar. Diogo Lopes de Sequeira fora enviado para o sudoeste asiático. [57] Aí permaneceram. na Indonésia. aportando na foz do Rio das Pérolas na Ilha de Lintin. a península de Malaca tornou-se então a base estratégica para a expansão portuguesa na Índia Oriental. onde é o primeiro europeu a chegar.[55] Placa contornante do comércio com a China e com o sudeste asiático. que se tornou plenipotenciário. chegando a Timor em 1514. ficando a saber a localização das chamadas "ilhas das especiarias" nas Molucas. as Pequenas Ilhas da Sonda e da ilha de Amboíno até Banda. sob o Estado Português da Índia cuja capital era Goa. Pilotos malaios guiaram-nos viaJava. ainda subsiste. dadas as pretensões siamesas em Malaca. Duarte de Lemos presidiam à área entre o Cabo da Boa Esperança eGuzerate. denominada a "A Famosa".[56] Em Novembro desse ano. que conseguiu negociar com as autoridades de Cantão o seu envio a Pequim e uma feitoria em Tamau.[58] Abreu partiu por Ambão enquando o seu vice-comandante Francisco Serrão se adiantou para Ternate. Manuel I à China. a embaixada ficou retida. com uma força de cerca de 1 200 homens e 17 ou 18 navios. como primeiros europeus a chegar às ilhas.[54] Contudo estes cargos foram centralizados por Afonso de Albuquerque. Em1517 Tomé Pires foi enviado como embaixador de D. os portugueses tomam Macáçar. depois. na Malásia. Nesse mesmo ano. Inicialmente bem sucedida. criando três áreas de jurisdição no Índico: Albuquerque seguira com a missão de tomar Hormuz. e assim permaneceram. Vencido o sultanato de Malaca. Aden e Calecute assegurando o domínio no mar Vermelho.[61] Seguiu-se a chegada a Cantão e Sanchoão por Rafael Perestrelo. Jorge Álvares chegou ao Sul da China. Para defender a cidade foi erguido um forte cuja porta. com a missão de tentar um acordo com o sultão de Malaca. partindo de Malaca.Inicialmente D. Jorge de Aguiar e. na frota de Fernão Peres de Andrade. as ilhas Banda.[59][60] Em 1513. Em Abril de 1511 Albuquerque zarpou para Malaca. Afonso de Albuquerque envia imediatamente Duarte Fernandes em missão diplomática ao Reino do Sião (Tailândia).[62] Comerciantes portugueses sedearam-se então na ilha de .

o Bahrein em 1521. na sequência da viagem de circumnavegação de Fernão de Magalhães. a cerca de 50 km de Bombaim. a leste das ilhas Molucas. Tamau onde em 1521 e 22 foram combatidos pelas forças chinesas e Lampacau. convidando-os a construir uma fortaleza no porto de Kalapa (actual Jacarta).000 ducados de ouro. mas os portugueses não conseguiriam cumprir a promessa de voltar no ano seguinte: nesse ano torna-se governador da Índia Duarte de Meneses que. João III e Carlos I de Espanha selaram o Tratado de Saragoça. No Golfo Pérsico os portugueses conquistam Ormuz em 1515 e. Guzerate foi ocupada pelos mogóis e o sultão Bádur Xá de Guzerate foi forçado a firmar o tratado de Baçaim. cedidas pela Espanha mediante o pagamento de 350. O Tratado de Sunda Kalapa (1522) foi selado com um padrão. subornando mandarins locais.Sanchoão.[63]. devido à posição estratégica na região. Fortaleza de Diu. cedendo em . mais tarde em Liam Póque seria destruída. os castelhanos contestaram o limite Este do Tratado de Tordesilhas. Guzerate. após uma administração desastrosa. é enviado sob prisão para o reino e substituído por Vasco da Gama. que veio a falecer em Cochim em 1524. Em 1522 o rei hindu de Sondana Indonésia procurou selar uma aliança com os Portugueses em Malaca para se defender do aumento de poder muçulmano no centro de Java. que definia a continuação do meridiano de Tordesilhas no hemisfério oposto. Em 1534. [64] Em 1533 Portugal conquista Baçaim. uma pequena ilha na baía de Guangzhou (Cantão). disputando as valiosas Molucas "berço de todas as especiarias" e as Filipinas com os portugueses. onde estabelecia uma aliança para recuperar o seu país. Em 1529 D. Entre 1522 e 1529. Índia. a mais importante fortificação da Índia Portuguesa (15351536).

O empório comercial A Casa da Índia situada noPaço da Ribeira frente ao rio Tejo. mantendo a Coroa como reguladora. Bombaim e Baçaim. o desembarque de mercadorias orientais e a sua venda em Lisboa. O monopólio régio incidia sobre as principais especiarias . .[66] Em 1538 a fortaleza de Diu é novamente cercada por 54 navios otomanos.cobrando uma taxa de 30% no lucro dos restantes produtos. da seda e da porcelana. localizado em regiões costeiras. Desenho de Braun e Hogenberg . como a Casa da Guiné e a Casa da Mina. na então chamada Cochinchina (actual Vietname). A distribuição na Europa era feita através daFeitoria Portuguesa de Antuérpia. A Casa da Índia administrava as exportações para Goa.[67] reforçadas pela acção das missões religiosas em terra. tentou estabelecer um posto comercial em Faifo. para acompanhar a expansão comercial no oriente. Diu.1572 O Império Português em África e no Oriente foi essencialmente marítimo e comercial.troca Damão.pimenta. centro do império oriental. confirmando a hegemonia portuguesa. cravinho e canela e exportação de cobre. onde os portugueses tinham aportado em 1516. vendo-se o estaleiro naval (Ribeira das Naus). Lisboa era o "empório" da Europa. de pedras preciosas. Criada entre 1500 e 1503. permitiram aos portugueses controlar e dominar o comércio de especiarias.[68] foi sucessora de instituições semelhantes. partindo de Da Nang.[65] Em 1535 o capitão António de Faria. Em Lisboa a "Casa da Índia" administrava o monopólio da navegação e do comércio com o oriente. o que falhou.Civitates Orbis Terrarum . com grande procura na Índia. A vasta rede de feitorias e fortalezas facilmente abastecíveis por mar. Um outro cerco falhado em 1547 poria fim às ambições otomanas.

confiando em serviços exteriores para suportar as suas actividades comerciais. Financiado em grande parte pelos lucros do comércio de especiarias. fazendo com que grande parte da receita se dissipasse no processo.Em 1506 cerca de 65% dos proveitos do reino vinham de taxas sobre as actividades além-mar. no reinado de D. de 1503 a 1535. encomendado pelo reiD.[72] O trono confiava crescentemente no financiamento externo e em 1560 a receita da Casa da Índia não era suficiente para cobrir as suas despesas: a monarquia tinha entrado em ruptura. [71] projectando Antuérpiacomo grande centro comercial da Europa. Ao longo de cerca de 30 anos. "o rei merceeiro". João III. Em 1549. devido aos custos da presença em Marrocos e a gastos perdulários. No oriente desde 1510. permitindo o aparecimento de uma comunidade euroasiática em Goa. a Feitoria Real de Antuérpia faliu e foi encerrada.[70] o que levaria Francisco I de França a apelidar D. o chamado galeão de Manila(branco) A receita começou a declinar em meados do século. que por sua vez apoiava a administração e as actividades comerciais e de construção naval. (A política portuguesa de monopólio . após um pico especulativo. Manuel I de Portugal "le roi épicier". Em 1518 só o lucro das especiarias[69]representava 39% da receita da Coroa. Manuel I e iniciado em 1502. grande parte da sua construção seria realizada até 1540. O estilo Manuelino atesta ainda hoje prosperidade do reino em obras como o Mosteiro dos Jerónimos. E a rota comercial espanhola estabelecida em 1565. Rotas comerciais portuguesas de Lisboa a Nagasaki entre 1580-1640 (azul). a política do governador-geral Afonso de Albuquerque encorajou os casamentos mistos. os portugueses conseguiram ultrapassar o comércio de especiarias veneziano do Mediterrâneo. Portugal não desenvolvera as infraestruturas domésticas para acompanhar a actividade. ou seja. pouco depois de Vasco da Gama ter regressado da Índia.

que aconselhou o rei a chamar os jovens cultos da recém-formada Companhia de Jesus. Francisco Xavier viajaria no Japão em 1549. nanban-bōeki. na sequência de um naufrágio. [74][75] Em 1542 um grupo de comerciantes. ao abrigo do Padroado português. que terá participado nesta viagem. O arcabuz foi fabricado pelos japoneses em grande escala[76] e teria um papel determinante no curso das batalhas do período Sengoku que então travavam entre daimyos. o açúcar refinado e o cristianismo seriam outras das novidades de grande aceitação. . passando a Casa da Índia a ter um carácter de alfândega). Nesse mesmo ano. (japonês:南蛮貿易. entre os quais Francisco Zeimoto aportou no Japão pela primeira vez. No Japão os portugueses estabeleceram-se no porto de Hirado. Segundo Fernão Mendes Pinto. tinham sido autorizados a aportar na península de Macau e a exercer as suas actividades comerciais. iniciando de imediato uma intensa interação tanto a nível económico como religioso.[73] Desde 1535. Fora enviado por D. com a crise sucessória e após dinastia filipina. João III após sucessivos apelos ao Papa pedindo missionários para espalhar a fé e ajudar a manter a ordem na Ásia portuguesa.real seria atenuada em1570 e abandonada em 1642. e recomendado entusiasticamente por Diogo de Gouveia. chegaram à ilha deTanegashima. o missionário Francisco Xavier co-fundador da ordem jesuíta chegou a Goa para ocupar o cargo de Núncio Apostólico. Chegada ao Japão e fixação em Macau Os portugueses encontraram também uma lucrativa fonte de rendimento no comércio triangular China-Macau-Japão. "Comércio com os bárbaros do sul"). no que ficou conhecido como período de "Comércio Nanban". onde espantaram os autóctones as armas de fogo e o relógio. fazendo numerosos convertidos. embora sem permanecer em terra. viajando com o novo vice-rei.

ganhando o monopólio de um comércio que atingiria o seu auge entre o final do século XVI e o início do século XVII. as autoridades chinesas deram finalmente autorização para os portugueses se estabelecerem permanentemente.[75] concedendo-lhes um considerável grau de autogovernação mediante um pagamento anual (cerca de 500 taéis de prata). retomando a política isolacionista Hai Jin (literalmente "proibição marítima"). Em apenas uma década. Desde a sua fundação.Carraca Portuguesa em Nagasaki. Por sua vez. carente da prata. Nestas circunstâncias. os portugueses tornaram-se os intermediários naturais. tornou-se o intermediário-chave no comércio entre a China e o Japão. Painel japonês do período Nanban do Japão. Em 1549 foram autorizadas missões comerciais anuais de Sanchoão e em 1554 Leonel de Sousa obteve um acordo para negociar em Cantão. que levaria a avançar para Macau.[77] Por volta de 1555 Macau tornara-se já um importante centro do comércio entre a China e o Japão e entre estes e a Europa. quando as autoridades chinesas proibiram o comércio directo entre a China e o Japão devido à pirataria. com os portugueses a embolsar enormes lucros. a China. precisava de acesso às reservas do Japão. os japoneses eram grandes consumidores de sedas e porcelana chinesa. mas deixando os portugueses como únicos intermediários: apesar da proibição. Em 1557. O comércio português local tornou-se particularmente lucrativo a partir de 1547. Para tal instalaram-se em Macau. Tornarse-ia rapidamente um nó importante no desenvolvimento do comércio ao . Macau cresceu à custa do lucrativo comércio baseado na troca de sedas chinesas por prata japonesa.

Guangzhou-MacauNagasaki e mais tarde Macau-Manila-México. aliando-se por sua vez com os dirigentes locais. Ao longo do século XVII. porcelana chinesa e presas de elefante entre outros. cravo da Índia. Quando Raleigh restaurou a ordem já só . uma frota inglesa interceptou ao largo dos Açores uma frota vinda da Índia. noz-moscada. Dinastia Filipina e guerra luso-holandesa (1580-1663) A captura de Cochim e victória da V. Em 1580. após um acordo com o daimyo cristão Omura Sumitada (baptizado "Dom Bartolomeu") os portugueses mudar-se-iam fundando a cidade portuária de Nagasaki.C. cochonilha. E o maior tesouro: um documento impresso em Macau em 1590. holandesa sobre os portugueses em 1656. damasco. considerando suspenso a aliança Luso-Britânica de 1373 e em plena guerra com Espanha. na guerra LusoHolandesaos holandeses tomaram sistematicamente possessões portuguesas. 425 toneladas de pimenta. benjamim. sedas. Em 1571. Atlas van der Hagen A morte de Dom Sebastião em Alcácer Quibir. no Japão [78] e criando assim um centro comercial que durante muitos anos seria a porta do Japão para o mundo. Quando Isabel I de Inglaterra foi informada do sucedido enviou Sir Walter Raleigh para reclamar o seu quinhão. capturando a Nau portuguesa Madre de Deus de grande tonelagem. Em 1592. Entre as riquezas estavam jóias. pouco antes do início da união Ibérica. 1682.O. Com 1600 toneladas (das quais 900 de mercadorias) tinha 3 vezes o tamanho do maior navio inglês e uma tripulação de 600 a 700 homens. canela. Omura Sumitada cedeu a jurisdição sobre Nagasaki aos Jesuitas. Durante este período. ouro e prata. o império do Oriente viu-se envolvido nas guerras que a Espanha travava com os ingleses e os holandeses. âmbar. sem descendência. O valor estimado da carga equivalia a metade do tesouro inglês na altura. contendo informação sobre o comércio português na China e no Japão.longo de três eixos principais: Macau-Malaca-Goa/Lisboa. Havia ainda incenso. rolos de tecido e tapeçaria. tecido de ouro. Richard Hakluyt relatou-o tratado como a mais preciosa das jóias. fez passar a coroa em 1580 para os Habsburgos da Espanha. e desmantelando o monopólio comercial português na Ásia. ébano.

Os confrontos com os Holandeses no oriente iniciaram-se em 1603. gerou protestos internacionais mas serviu de pretexto para contestar a política ibérica de Mare Clausum. carregada de valiosas mercadorias. utilizando a sua potência naval para estabelecer o seu próprio monopólio. nas ilhas Molucas. Goa Velha. fundaram Batávia (actual . após ter viajado extensamente na Ásia ao serviço dos portugueses. seguindo-se Ternate. quando a carraca portuguesa "Santa Catarina". com a missão de recolher tanta informação sobre as Ilhas das Especiarias. quanto pudesse. construída entre 1594-1605 onde se encontra o túmulo de S. advogando o "Mare Liberum". Basílica do Bom Jesus. O interesse despertado nos Países Baixos e na Inglaterra por estas informações esteve na origem do movimento de expansão comercial que levou à fundação da Companhia Neerlandesa das Índias Orientais em 1602 da Companhia Britânica das Índias Orientais em 1600. ou VOC. Francisco Xavier. galvanizando o interesse inglês na região. A Madre de Deus seria um dos maiores saques da História. Em 1595 o mercador e explorador holandês Linschoten. um saque que duplicava o capital inical da VOC. uma sustentação ideológica para que os holandeses quebrassem os monopólios comerciais. permitindo a entrada dos seus compatriotas nas então denominadas Índias Orientais. foi capturada ao largo deSingapura pela recém criada Companhia Holandesa das Índias Orientais. Em 1619. A obra continha cartas e indicações sobre como navegar entre Portugal e as Índias Orientais até ao Japão.sobrava cerca de um quarto. Em 1605 mercadores da VOC capturaram o forte português de Amboina. O feito. publicou em Amsterdão o relato "Reys-gheschrift vande navigatien der Portugaloysers in Orienten" ("Relato de uma viagem pelas navegações dos portugueses no Oriente"). Património Mundial da UNESCO Nesse mesmo ano Cornelis de Houtman fora enviado por mercadores de Amesterdão para Lisboa.

Macau atingiu a sua "idade de ouro" durante a união espanhola. (Mais tarde. a sua posição estratégica permitia beneficiar das rotas comerciais portuguesas e espanholas. e tornarase fulcral quando os Holandeses começaram a perturbar as rotas de Goa e Malaca. Devido à crescente prosperidade foi elevada a cidade em 1586 por Filipe II. Macau Os portugueses de Macau viram com preocupação a subida de Filipe II ao trono. como o Galeão de Manila. passando esta cidade a ser designada por Cidade do Santo Nome de Deus de Macau. de 1595 a 1602. Os espanhóis sedeados em Manila tentaram sem sucesso acabar com a posição privilegiada portuguesa: em 1589.Jacarta) na Indonésia. e Batávia batalharam incessantemente entre si. . No médio oriente os Persas. com a ajuda dos ingleses. D. tornando-a capital do seu império no Oriente. temendo perder o monopólio no comércio ou a expulsão do território pelos chineses. a rota alternativa que ligara Manila a Acapulco e a Espanha desde 1565. chegaram a pedir a destruição de Macau e transferência do comércio de prata e de seda entre o Japão e a China para Manila. a Europa e o Japão. sob cercos desde 1603. João IV recompensaria a lealdade de Macau com o título Não Há Outra Mais Leal. como capitais rivais dosEstado Português da Índia e da VOC. Não Há Outra Mais Leal). Nos vinte anos seguintes Goa. expulsaram os portugueses do Bahrein em 1602 e de Ormuz em 1622. a primeira universidade ocidental no Oriente. com a criação de uma rota comercial Macau-Acapulco. Apogeu e queda do comércio Macau-China-Japão Ruínas de São Paulo. igreja construída em 1565 e Colégio Jesuíta de São Paulo de 1594. Além da exclusividade portuguesa do comércio com o Japão. Em 1583 criaram o Senado para garantir a autonomia e mantiveram a bandeira portuguesa. Fulcral no comércio entre a China.

estabelecendo uma trégua de dez anos entre o Reino de Portugal e a Holanda. Foi um Tratado de Aliança Defensiva e Ofensiva entre ambas as partes. único ponto de comércio externo do Japão após decretado o sakoku. ao mesmo tempo que o cristianismo no Japão passou à clandestinidade (os Kakure Kirishitan). Em 6 de Abril de 1652. que entrou rapidamente em declínio. no culminar da guerra. Reprimida com o auxílio dos holandeses. prejudicando seriamente a economia de Macau. O comércio com o Japão terminaria abruptamente: confinados à ilha de Dejima no porto deNagasaki desde 1636. a trégua firmada para todos os territórios de ambos impérios. afectando seriamente a economia de Macau. Na prática. ao privar o império português do controlo do estreito. os portugueses e o catolicismo foram vistos como uma das causas da rebelião de Shimabara de 1638. ano em que resistiu a uma tentativa de conquista após dois dias de combate. limitou-se ao continente europeu. O rei enviou embaixadores a França. sendo expulsos do Japão em 1639. o mercador da VOC Jan van Riebeeck estabeleceu um posto de reabastecimento próximo do Cabo da Boa Esperança que evoluiu . sendo ignorada por ambas as partes no resto do mundo: Malaca foi conquistada pelos holandeses da VOC em 1641.A ilha de Dejima na baía de Nagasaki.a rebelião reforçou as políticas de isolamento Sakoku do xogum Tokugawa Iemitsu. Inglaterra e à holanda. que se haviam estabelecido em Hirado. Foi firmado o Tratado de Haia (1641). Dejima passou para os holandeses da VOC. constituindo o maior golpe. que ganharam o exclusivo do comércio. 1820. British Museum Macau sofreu ataques holandeses desde 1603 a 1622. visando formar parcerias na luta contra a Espanha. Com o fim do dominio Habsburgo João IV de Portugal ascendeu ao trono. Restauração e declínio do Estado Português da Índia Em 1640 começou a Guerra da Restauração em Portugal. construida em 1634 para confinar os portugueses e sede Holandesa desde 1641.

Diu. na Indonésia. o Tratado de Haia de 1661.para se tornar na Cidade do Cabo. perdidos para os maratas até 1739. com novas rotas de transporte dos produtos orientais (as "Rotas do Levante"). Ceilão foi perdida em 1658. num grupo de sete concelhos. Macau e Timor Português. Do seu império fragmentado. sobretudo o aumento da capacidade económica. quebrando um segundo acordo de paz. militar e naval de potências europeias como a Inglaterra e a Holanda. Em 1787 dá-se a chamada "Conjuração dos Pintos". a reorganização do comércio por parte dos Turcos e dos Árabes. Na Índia vários territórios foram. Entre 1713 e 1788. Mapa mostrando a posição possessões europeias na Índia e Sri Lanka (Ceilão). permitindo aos holandeses dominar a rota do cabo. a falta de recursos humanos. económicos e militares para uma efectiva ocupação. a pirataria e o corso. ao sul. ao norte e a leste. Cochim em 1662 e a costa de Malabar em 1663. a superfície de Goa triplica com a incorporação dasNovas Conquistas: Portugal apoderou-se de Dadrá e Nagar-Haveli. uma tentativa de derrubar o regime . Portugal só conseguiu conservar não muito mais do que Goa. que estabelecera o seu império sobre os territórios conquistados aos portugueses com vastas rotas comerciais.[79] Ano em que Bombaim e Tânger foram cedidas à Inglaterra como dote do casamento entre a princesa Catarina de Bragança e Carlos II de Inglaterra. quatro concelhos de Goaincorporados no Estado Português da Índia desde o início do domínio português. entretanto. Damão. ditaram do monopólio Português no Oriente. mantendo-se as designadas "Velhas Conquistas". e. A desactualizada administração do império. fazendo a navegação directa desde o Cabo da Boa Esperança até ao estreito de Sunda. entre 1501 e 1739. que foram acrescentados ao Estado Português da Índia.

que os tupis chamavam ibirapitanga e a que foi dado o nome paubrasil. que movia mais para oeste o meridiano que separava as terras de Portugal e de Castela. de que "Nela até agora não podemos saber que haja ouro nem prata. Houve dois curtos períodos de dominação britânica (1797-1798 e 18021813) e poucas outras ameaças externas após este período. adotando uma política de concessões de três anos: os concessionários deveriam descobrir 300 léguas de terra por ano. a conspiração foi reprimida pelas autoridades portuguesas. João II firmou o Tratado de Tordesilhas em 1494. Oficialmente tida como acidental. [81] Confirmando a descrição de Pero Vaz de Caminha. naturais da região.português em Goa. Nesse mesmo ano o rei D. Pedro Álvares Cabral afastou-se da costa africana. sentiam-se discriminados nas promoções de suas carreiras. O Abade Faria escapou para a França. por motivos raciais. quando D. nem alguma coisa de metal nem de ferro lho vimos. com vários clérigos e militares. a descoberta do Brasil originou a especulação de ter sido preparada secretamente. assi frios e temperados como os d'antre Doiro e Minho". O padre Divar conseguiu escapar e viria a morrer emBengala.[80] O território conseguira fazer parte dos domínios portugueses renegociando a demarcação inicial da Bula Inter Coetera de 1493. onde alcançaria a fama.000 quintais de pau-brasil. O grupo dos conspiradores era liderado pelo padre José António Gonçalves de Divar. Denunciada.. Presença portuguesa no Brasil Em 1499 na segunda armada à Índia.[82] . A 22 de abril de 1500 avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. a Coroa portuguesa enviou duas expedições de reconhecimento. e incluía o nome de José Custódio Faria. valiosa para a tinturaria europeia. a mais bem equipada do século XV. Manuel I decide entregar a exploração a particulares. encontrou-se como principal recurso explorável uma madeira avermelhada. conhecido como "Abade Faria". instalar aí uma fortaleza e produzir 20. pero a terra em si é de muitos bons ares. Até 1501.

[80] O litoral servia fundamentalmente como apoio à carreira da Índia. então centrada no comércio com a Índia e para o Oriente. todo o território foi arrendado pela coroa para exploração do paubrasil aos comerciantes que financiaram a expedição. Comerciantes de Lisboa e do Porto enviavam embarcações à costa para contrabandearem pau-brasil. para aprofundar o conhecimento sobre os recursos da terra. atual Fernando de Noronha. Em 1502 um consórcio de comerciantes financiou uma expedição. em troca de pequenas mercadorias como roupas. como reconhecimento. Em 1504. que terá sido comandada por Gonçalo Coelho. em especial a Baía de Todos-os-Santos onde as frotas se abasteciam de água e lenha. O arrendamento foi renovado duas vezes. jardim botânico de São Paulo. junto à foz do rio foi erguida uma construção inspirou o nome que os índios deram ao local: "cari-oca". aves de plumagem colorida . Nas três primeiras décadas o Brasil teria um papel secundário na expansão portuguesa. Em 1503. colares e espelhos (prática chamada "escambo").Pau-brasil (Caesalpinia echinata) florido. Manuel I doou a Fernão de Noronha a primeira capitania hereditáriano litoral brasileiro: a ilha de São João da Quaresma. cujo preço elevado tornava a viagem lucrativa. aproveitando para fazer pequenos reparos. por isso pertencente à coroa portuguesa. o rei D. em 1505 e em 1513. No Rio de Janeiro. que vinha financiando viagens portuguesas à Índia. casa dos brancos. Em 1506 produzia cerca de 20 mil quintais de pau-brasil.5 metro de comprimento e 30 quilogramas de peso. Cada nau carregava em média cinco mil toras de 1. entre eles Fernão de Noronha.[83] Os navios ancoravam na costa e recrutavam índios para trabalhar no corte e carregamento. estabelecer contactos com os ameríndios e principalmente fazer o mapeamento da parte situada aquém do Meridiano de Tordesilhas. que seria representante do banqueiro Jakob Fugger. com crescente demanda na Europa.

desencadearam um esforço de colonização efectiva do território. Foram criadas quinze faixas longitudinais que iam do litoral até o Meridiano das Tordesilhas. peles. 1574) com a divisão do Brasil em 12 capitanias e a linha de Tordesilhasdeslocada dez graus para oeste. dada a contestação do Tratado de Tordesilhas por Francisco I de França. assim. que incentivava a prática do corso. os portugueses apercebem-se que a região corria o risco ser disputada. raízes medicinais e índios para escravizar. A cultura da cana-de-açúcar foi introduzida a partir de 1516 e as grandes plantações na Bahia e em Pernambuco exigiriam um número crescente de escravos negros da Guiné. como se fizera com sucesso nas ilhas da Madeira e de Cabo Verde. promovendo o povoamento através das sesmarias. João III instituiu o regime de capitanias hereditárias. Surgiram. as primeiras feitorias. Este sistema . O aumento do contrabando de pau-brasil e outros géneros por corsários.. Entre 1534-36 D. araras). As Capitanias hereditárias e o primeiro Governo Geral (1532-1580) Mapa de Luís Teixeira (c. Desde as expedições de Gonçalo Coelho que se assinalavam incursões de franceses no litoral brasileiro.(papagaios.[84] A partir de 1520. do Benim e da Angola.

enviando como primeiro governador-geral Tomé de Sousa. Tomé de Sousa fundou a primeira cidade. Esquema do ataque de Mem de Sá aos franceses na baía de Guanabara em 1560 (autoria desconhecida. a Coroa decidiu centralizar a organização da Colónia. 1567). sede do Governo Geral. . doadas a capitães-donatários que possuíssem condições financeiras para custear a colonização. transformando-a na primeira capitania real. Percebendo o risco que corria o projeto de colonização. apesar dos problemas comuns às demais. embora não fosse proprietário: podia transmiti-la aos filhos. os donatários Duarte Coelho e os representantes de Martim Afonso de Sousa. Das quinze capitanias originais (a dois meses de viagem de Portugal) apenas as capitanias de Pernambuco e de São Vicenteprosperaram. Cada capitão-donatário e governador deveria fundar povoamentos. conceder sesmarias e administrar a justiça. ficando responsável pelo seu desenvolvimento e arcando com as despesas de colonização. conseguiram manter os colonos e estabelecer alianças com os indígenas. como João de Barros e Martim Afonso de Sousa. Ambas se dedicaram à lavoura de cana-de-açúcar e. mas não vendê-la. Esta medida não implicou a extinção das capitanias hereditárias. o rei criou em 1548 o Governo Geral. O governador-geral passou a assumir muitas funções antes desempenhadas pelos donatários.envolvia terras vastíssimas. Resgatou dos herdeiros de Francisco Pereira Coutinho a Capitania da Baía de Todos os Santos. altos funcionários da corte. Os doze beneficiários eram elementos da pequena nobreza de Portugal que haviam se destacado nas campanhas da África e na Índia. Salvador (Bahia). Com a finalidade de "dar favor e ajuda" aos donatários.

A ocupação francesa perduraria até 1567. reforçaram a defesa das capitanias. as "entradas". sobretudo a prata abundante na América espanhola e indígenas para escravização. Com . Trouxe três ajudantes para ocupar os cargos das finanças. da justiça e da defesa do litoral.1557) e Mem de Sá (1557 . Foram também instaladas as Câmaras Municipais. estabelecendo-se em definitivo a hegemonia portuguesa. compostas pelos "homens bons": donos de terras. resultante da crise de sucessão de 1580 em Portugal. De início trabalharam na construção da cidade de Salvador e. e com os próprios jesuítas que se opunham à escravidão indígena. Foram então realizadas expedições ao interior tanto por ordem da Coroa. onde tentaram estabelecer uma colónia. e entre antigos e novos colonos. ano em que foram definitivamente derrotados. para catequese dos indígenas. Domínio Habsburgo. como a Holanda. A economia da colónia gradualmente passara à produção da cana-de-açúcar e do cacau em grandes propriedades. terminaram os limites do meridiano de Tordesilhas. com o engenho de açúcarcomo peça principal especialmente na Bahia.1572). na instalação de engenhos na região. divisão e invasões holandesas (1580-1663) Com a união ibérica sob o domínio Habsburgo. Duarte da Costa (1553 . a França Antártica. foi criado o 1º Bispado do Brasil. Em 1595 iniciou-se a guerra Guerra Luso-Holandesa. que em 1555 trazidos por Nicolas Durand de Villegagnon ocuparam o território o Rio de Janeiro. Esta união colocou contudo o império português em conflito com potências europeias rivais de Espanha. Estas expedições exploratórias duravam anos. membros das milícias e do clero. e mais tarde no Rio de Janeiro. como por particulares. Os governadores seguintes. permitindo expandir o território do Brasil para oeste. Surgiram ainda conflitos com o bispo. em busca de riquezas minerais. Vieram também padres jesuítas. Pernambuco. especialmente os franceses. depois.capital do estado. Inicia-se então um grande desenvolvimento da agricultura. os "bandeirantes". Em 1551. fizeram explorações de reconhecimento e tomaram medidas no sentido de reafirmar a colonização. enfrentando choques com índios e com invasores. Sob o governo de Tomé de Sousa que chegou ao Brasil um considerável número de artesãos.

Roterdão. o velho.uma produção muito superior à das ilhas Atlânticas. Em 1624 a recentemente criada Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. perpetuando a situação. com capelas magníficas e refeições emlouça da Índia. conhecida como Jornada dos Vassalos. "Planta da restituição da Bahia" (João Teixeira Albernaz. ou WIC. Em ambos os estados. 1631). atravessavam o Atlântico em navios negreiros. começaram a importar-se africanos como escravos. O Governador é capturado e o governo passa para as mãos de Johan van Dorth. resultado do destacado papel como ponto de apoio para a colonização do norte e nordeste. A resistência portuguesa reorganiza-se a partir do Arraial do rio Vermelho. enfraquecendo a participação portuguesa. o açúcar brasileiro supria quase toda a Europa e no início do século XVII era exportado para Lisboa. Nas senzalas os seus filhos também eram escravizados. Em 1625 a Coroa espanhola envia uma poderosa armada luso-espanhola. Esta bloqueia . por vezes com a conivência de chefes rivais. de Pernambuco à atual Santa Catarina. Antuérpia. os chamados de "portugueses do Brasil" estavam sujeitos às mesmas leis que regiam os residentes em Portugal: as Ordenações manuelinas e as Ordenações filipinas. Gabriel Soares de Sousa comentava o luxo reinante na Bahia. holandeses e ingleses entraram no negócio. Hamburgo. Até então os portugueses possuíram o monopólio do tráfico de escravos. Capturados entre tribos em África. Para sustentar a produção a partir de meados do século XVI. em péssimas condições. que servia de lastro nos navios. capital do Estado do Brasil. mas com o crescimento das suas colónias franceses. Em 1621 o Brasil é dividido em dois estados independentes: o Estado do Brasil. conquista a cidade de Salvador (Bahia). Amsterdão. do atual Ceará à Amazônia. e o Estado do Maranhão.

e a segunda em 19 de Fevereiro de 1649. expulsaram-nos do Brasil e recuperaram Recife. No entanto. A primeira batalha ocorreu em 19 de Abril de 1648. A guerra recomeçou. terminando assim o período do domínio Habsburgo [85] e D. João IV de Portugal ascende ao trono. No mesmo ano começou a Guerra da Restauração. a maior parte do Brasil permaneceu em mãos portuguesas. sendo destruída perto de Itamaracá. Este "submundo" foi destruído por bandeirantes portugueses comandados por Domingos Jorge Velho. Entre 1645 e 1654. consegue a rendição holandesa e a recuperação da Bahia. João Maurício de Nassau-Siegen foi nomeado Governador da colônia. de São Jorge da Mina (1637). As forças lideradas pelos senhores de engenho André Vidal de Negreiros e João Fernandes Vieira. Restauração e capitulação holandesa (1640-1663) Em 1640 uma armada luso-espanhola falhou o desembarque em Pernambuco. Entre 1648-1649 são travadas as Batalhas dos Guararapes. vencidas pelos luso-brasileiros no Estado de Pernambuco. 1645 eclode a Insurreição Pernambucana de luso-brasileiros descontentes com a administração da WIC. Nessa época foram fundados os quilombos. O território ocupado é renomeado Nova Holanda. que congregava milhares de negros fugidos dos engenhos de cana do Nordeste brasileiro e alguns índios e brancos pobres ou indesejáveis. que foram uma constante ameaça ao domínio holandês. Em 1642. comandados por Salvador Correia de Sá. abrangendo sete das dezenove capitanias do Brasil à época. embora a guerra continuasse noutras partes do império. . de Arguim (1638) e de São Tomé (1641). Portugal concedeu à Inglaterra a posição de "nação mais favorecida" no comércio colonial. os colonos recifenses(também chamados leões do norte) luso-brasileiros. Nesse ano o Brasil foi elevado a Principado. terminam as invasões holandesas do Brasil.o porto de Salvador. Os holandeses apoderaram-se sucessivamente do Recife (1630). O avanço holandês nas duas costas do Atlântico Sul a partir do fim doséculo XVI ameaçou fortemente as possessões portuguesas. liderado por Zumbi. como o Quilombo dos Palmares. Em 1630 a capitania de Pernambuco é conquistada pela WIC. pelo africano Henrique Dias e pelo indígena Felipe Camarão.

dando seguimento a uma ideia já avançada por padre António Vieira.[86] D. obtendo ainda as possessões de Tânger e Bombaim.Em 1648. ao longo de quarenta anos e sob a ameaça de invasão da Marinha de Guerra. comprometendo-se a pagar oito milhões de Florins. em carácter de exclusivo. A campanha prolongou-se de 1648 a 1652. recuperando Angola e ailha de São Tomé para os portugueses. Nesse ano é assinado o segundo Tratado de paz de Haia com os holandeses: Portugal aceitou as perdas na Ásia. Em 1661 a Inglaterra comprometeu-se a defender Portugal e colônias em troca de dois milhões de cruzados. A sua principal função era a de fornecer. Em meados do século. no Rio de Janeiro. Este valor foi pago em prestações. Salvador Correia de Sá e Benevides preparou uma frota de 15 navios sob o pretexto de levar ajuda aos portugueses sitiados pelos guerreiros da rainha Nzinga em Angola. exNova Holanda. Os holandeses tinham aperfeiçoado a técnica no Brasil. O Ciclo do Ouro (1693-1800) . cedidas como dote do casamento entre a princesa Catarina de Bragança e Carlos II de Inglaterra. escravos africanos para a região nordeste do Brasil e garantir o transporte do açúcar em segurança para a Europa. de onde partiram os últimos navios holandeses. Em 26 de Janeiro de 1654 é assinada a capitulação holandesa no Brasil. que poderiam negociar diretamente vários produtos do Brasil com Portugal e vice-versa. para coadjuvar a resistência ao invasor. a Capitulação do Campo do Taborda. equivalente a sessenta e três toneladas de ouro. como compensação pelo reconhecimento da soberania portuguesa do Nordeste brasileiro. Em 1649. conseguiram reconquistar Luanda em 15 de Agosto. Partiu do Rio de Janeiro a 12 de Maio e. e dominavam o transporte e distribuição em toda a Europa. João IV autoriza a criação da Companhia Geral do Comércio do Brasilpara fomentar a recuperação da agromanufatura açucareira. através de contactos com Jesuitas. Portugal foi obrigado a recorrer à Inglaterra e nesse ano aumentou os direitos ingleses. o açúcar produzido nas Antilhas Holandesas começou a concorrer fortemente com o açúcar do Brasil. no Recife.

Minas Gerais. No fim dos confrontos com os holandeses. onde bandeirantes paulistas haviam descoberto ouro. na região que ficaria conhecida como Minas Gerais. Brasil.Mato Grosso e Goiás) provocaram uma verdadeira "corrida do ouro".Cidade de Ouro Preto. Talha dourada barroca. para o qual exportava pau-brasil e açúcar. A partir de 1693 as atenções centraram-se na Capitania do Espírito Santo. o Brasil começou a ganhar uma importância crescente no império. embora conseguindo recuperar o Brasil e territórios em África. ao longo do século XVII. . Assim. Portugal perdeu para sempre a proeminência no Oriente. Igreja e Convento de São Francisco (Salvador) (17081752). Património Mundialda UNESCO.[87] As primeiras descobertas importantes na serra de Sabarabuçu e o início da exploração nas regiões auríferas (Minas Gerais.

725 quilos e. O ouro ultrapassou em lucro os outros produtos do comércio e permitiu a prosperidade do Rio de Janeiro. O tratado de Madrid (1750) definiu as fronteiras entre o Brasil e o resto dos territórios espanhóis. o que passou a ser conhecido como "o quinto". descobriram-se também diamante e outras gemas preciosas. em 1699. Os desvios e o tráfico eram frequentes. 78% desta população era formada por negros e mestiços. A população de Minas Gerais rapidamente se tornou a maior do Brasil.785 quilos. pelo que instituiu toda uma burocracia de controlo. A corrida ao ouro aumentou consideravelmente as receitas da coroa.com grande afluxo migratório para estas regiões. no século XVIII. com rápido povoamento e alguns conflitos. João IV a referir-se ao Brasil como a "vaca leiteira do Reino". em 1701. que cobrava um quinto de todo o minério extraído. Em 1696 foi fundada a povoação se tornou a vila de Minas Gerais em 1711. com as condições de vida dos escravizados na região mineira particularmente difíceis. Rouillé. novo centro económico da colónia. importantes no comércio colonial nos povoados em volta de Ouro Preto e Mariana. até que Portugal a renunciou no Tratado de Santo Ildefonso (1777). A produção aurífera terá passado de 2 toneladas por ano em 1701 para 14 toneladas nos anos 1750. mas os conflitos continuam frequentes ao respeito dacolónia do Sacramento.[88] Este Ciclo do Ouro permitiu a criação de um mercado interno e atraiu uma grande quantidade de imigrantes. 1. O século XVIII foi marcado por uma maior centralização e . mas Godinho sem citar a fonte menciona. destacando-se também os cristãos-novos vindos do norte de Portugal e das Ilhas dos Açores e Madeira. há a primeira menção ao ouro chegado na frota em 1697 . contribuindo para o povoamento do interior. teria levado D.[90] No final da década de 1720. Apareceram metais preciosos em Goiás e no Mato Grosso.[89] Na correspondência do embaixador francês em Lisboa.115. Faltam elementos para julgar o ouro entrado no Reino de 1698 a 1703. O ouro abundante nos ribeirões esgotou-se e passou a ser mais penosamente buscado em veios dentro da terra. mas depois começou a declinar fortemente até se esgotar antes do fim do século. A população cresceu 750% entre 1650 a 1770. A importância económica do Brasil para Portugal.2 quilos.

um movimento que partiu da camada humilde da sociedade da Bahia. Os colonos começam a manifestar uma certa insatisfação face às autoridades de Lisboa. que seria detida em 12 de Agosto de 1798. Estes dois movimentos manifestavam já a intenção de proclamar a independência.aumento do poder real por todo o Império Português. um imposto de 20% do valor doouro retirado. eclodiu em Ouro Preto a Inconfidência Mineira. a coroa portuguesa mudou-se para o Brasil. Mudança da Corte e Independência do Brasil (1807-1825) Primeira Carta Régia. por isso também é conhecida como Revolta dos Alfaiates. Dom João VI chegou ao Rio de Janeiro em 1808 com uma comitiva de 15. inspirados nos ideais iluministas da França e na recente independência norte-americana. após uma aliança secreta com a Inglaterra.Tiradentes. o poder dos jesuítas. com oDecreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas. A revolta que partiu da elite de Minas Gerais fracassou e. Em 1774. escoltando os navios no caminho. refugiando-se das tropas de Napoleão Bonaparte. em 1792. com grande participação de negros. mulatos e alfaiates. então protectores dos Índios ante a escravidão. . que pregavam a libertação dos escravos. A decadência da mineração tornou difícil pagar os impostos exigidos pela Coroa. quando se anunciava a derrama. de 1808.[92] Instalaram-se no Paço da Cidade. foi enforcado. um dos seus líderes.[91] Dez anos mais tarde seguiu-se a Conjuração Baiana em Salvador. Em Novembro de 1807. residência dos governadores desde 1743. Em 1789.000 pessoas. que acordou pôr a salvo a família real e o governo português. os dois Estados do Brasil e do Grão-Pará e Maranhão fundiram-se numa só entidade administrativa. foi brutalmente suprimido porMarquês de Pombal com a dissolução desta ordem religiosa católica sob solo português em 1759. a instauração de um governo igualitário com a instalação de uma República na Bahia.

o Príncipe assinou a primeira carta régia com o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas. Nesse ano morreu a rainha Maria I e D. foram instauradas em Portugal as "Cortes Gerais. ainda na Bahia.[95]Em 12 de outubro foi fundado o Banco do Brasil para financiar as novas iniciativas e empreitadas. chegou "a liberdade para a indústria".[93][94] que desde 1540 era fabricada na Fábrica da Pólvora de Barcarena. O Rio de Janeiro tornou-se Corte e capital e as antigas capitanias passaram a ser denominadas províncias. no extremo norte. Como represália à França. D. já presente em moedas da África portuguesa (1770). João VI foi coroado rei. numa tentativa de diminuir. Esta abertura foi acompanhada por uma série de melhoramentos. mas o Uruguai foi mantido sob o nome de Província Cisplatina.Quatro dias após a chegada. a criação da Imprensa Nacional e de uma Fábrica de Pólvora. e da banda oriental do rio Uruguai. decretados por carta régia: depois do comércio.[92] Foi permitida a importação "de todos e quaisquer gêneros. O primeiro território seria devolvido à soberania francesa em 1817. a total dependência de Portugal da Inglaterra. Os portos brasileiros foram então abertos às nações amigas . Brasil e Algarves Em 16 de dezembro de 1815. no contexto das negociações do Congresso de Viena. com a designação "Reino Unido de Portugal. o Brasil foi elevado à condição de Reino dentro do Estado português. Em . Bandeira do Reino Unido de Portugal. após a (revolução liberal portuguesa de 1820). João ordenou a invasão e anexação da Guiana Francesa. no extremo sul. acabando com o Pacto colonial. que estabelecia o monopólio de comércio do Brasil com Portugal. fazendas e mercadorias transportadas em navios estrangeiros das potências que se conservavam em paz e harmonia com a Real Coroa" ou em navios portugueses. Brasil e Algarves". Em Janeiro de 1821.como a Inglaterra). abrindo os portos. Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa" encarregadas de elaborar uma constituição. Deu ao Brasil como brasão-de-armas a esfera manuelina com as quinas.

no "Dia do Fico".[96] em vivo debate. No dia seguinte.[96] No Rio. D. com tropas portuguesas a dissolveram a manifestação. com a declaração de de que iria permanecer no Brasil. deixando seu primogénito Pedro de Alcântara como Príncipe-Regente do Brasil. Esta . Pedro. Agora só tenho a recomendar-vos união e tranquilidade. João VI ordenou que deputados do Brasil. deputados da Junta do Pará e de Pernambuco. D. Em Janeiro de 1822. os primeiros brasileiros a discursar oficialmente na Assembleia. Império Português em 1822. Em Agosto de 1821 as Cortes apresentaram três projetos para o Brasil com medidas que estes se recusavam a aceitar. João VI partiu para Portugal cinco dias depois. com as seguintes palavras: Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação. Madeira e Cabo Verde participassem na assembleia.Fevereiro. a primeira assembléia de eleitores do Brasil resultou em confronto com mortos. com os deputados portugueses Borges Carneiro e Ferreira Borges e Moura. um decreto comunicou o retorno do rei a Portugal e ordenou que. No Rio. O Brasil elegeu 81 representantes para as Constituintes em Lisboa. bem como dos Açores. em 16 de abril de 1821. contra a remessa de mais tropas para Pernambuco e a incômoda presença da numerosa guarnição militar portuguesa na província. fossem realizadas eleições dos deputados para representarem o Brasil nas "Cortes Gerais" convocadas em Lisboa. cariocas afixaram à porta do Paço um cartaz com a inscrição "Açougue do Bragança". «sem perda de tempo». a secessão do Brasil seria impulsionada e anunciada informalmente pelo príncipe herdeiro D. referindo-se ao Rei como carniceiro. Em Abril chegaram a Lisboa Maciel Parente e Francisco Moniz Tavares. estou pronto: diga ao povo que fico.

Dom Pedro II teve sua maioridade declarada.seria declarada no dia 7 de setembro a data do romantizado "grito do Ipiranga". Portugal Insular Durante o reinado de D. o regime estabilizou-se. desde cedo. como D. Trata-se de um redescobrimento pois já havia conhecimento da existência das ilhas da Madeira no século XIV. pelo seu clima. Além de formalizar a paz entre Afonso V de Portugal e os Reis Católicos. Em 7 de setembro de 1822 Dom Pedro proclamou a independência e reinou até 1831. que competiam pelo domínio do Oceano Atlântico e das terras até então descobertas na costa africana: Portugal . No final da primeira década do Segundo Reinado. em especial as Canárias. segundo revela a cartografia da época. quando foi sucedido por seu herdeiro.[97] Aos catorze anos em 1840. sendo coroado imperador no ano seguinte. por serem vizinhos da costa africana. porém. o interesse tanto dos Portugueses como dos Castelhanos. símbolo de orgulho nacional. representavam fortes potencialidades económicas. Os arquipélagos da Madeira e das ilhas Canáriasdespertaram. criou uma imensa onda de choque emocional e material em Portugal. Pedro I. Eram então ilhas desabitadas que. A independência do Brasil. que tinha apenas cinco anos. Henrique dá-se o redescobrimento da ilha de Porto Santo por João Gonçalves Zarco em 1418 e mais tarde da ilha da Madeira por Tristão Vaz Teixeira. Dom Pedro II. mediante pagamento. Portugal fica obrigado a acentuar a sua expansão territorial no interior da África a fim de manter-se a par com as outras potências. em 1825. pois era o baluarte do Império. Com o reconhecimento por Portugal da declaração de independência do Brasil. ofereciam possibilidades de povoamento e reuniam condições para a exploração agrícola. A disputa destes territórios deu origem ao primeiro conflito ibérico motivado por razões expansionistas que terminaria com a assinatura do Tratado das Alcáçovas-Toledo em 1479. principalmente em mapas italianose catalães. a Revolta Praieira. sob comando do Infante D. continha cláusulas concernentes à política externa de dos dois reinos. foi derrotada em 1849. As províncias foram pacificadas e a última grande insurreição. João I. que tinham uma grande importância estratégica.

A acessibilidade da Madeira atraiu comerciantes genoveses e flamengosinteressados em contornar o monopólio Veneziano.rara na Europa e já tentada no Algarve . no Norte de África. cerca do século XVII. Inicialmente a Madeira exportava cedro. A produção cresceu de tal forma que exigiu uma grande necessidade de mão-de-obra. de outras zonas de África. ou seja. o Arquipélago dos Açores. a vinda."[15] Mais tarde. Em 1490 a Madeira tinha ultrapassado Chiprecomo um produtor de açúcar. enquanto que Castela recebia as ilhas Canárias.promovendo. perdidas para Castela. o de Cabo Verde e a costa da Guiné. mais tarde. Com a queda na produção cerealifera. sangue-de-dragão.obtinha o reconhecimento do seu domínio sobre a ilha da Madeira.inicialmente comercializado como "açúcar da Madeira" . A partir de 1455 inicia-se uma florescente indústria de açúcar. a partir de 1450 tornou-se um centro produtor de cereais. com a refinação e distribuição concentrada em Antuérpia. logo em 1424 iniciou-se a colonização da Madeira adoptando um sistema de capitanias. da soca da primeira planta e dos técnicos especializados. para isso. a cultura da cana-do-açúcar iria ser promovida no Brasil . da Sicília. anil e outros materiais tintureiros. Os Açores . Para satisfazer esta carência foram levados para a ilha escravos originários das Canárias. do Paralelo 27 no qual se encontravam. Henrique mandou plantar na ilha da Madeira a cana-de-açúcar .[15] entres os quais pontuou o florentino Bartolomeu Marchionni. "Em 1480 havia cerca de setenta navios envolvidos no comércio de açúcar da Madeira. de Marrocos e. renunciando a navegar ao Sul do cabo Bojador. teixo. Regulamentava também as áreas de influência e de expansão de ambas as coroas pelo Reino Oatácida de Fez. o infante D. A Madeira Para tentar evitar uma situação idêntica à das Canárias.passando a Madeira a investir na produção dovinho.

A presença nas ilhas de flamengos e alemães. Os arquipélagos dos Açores e da Madeira.. Pico e Faial). maioritariamente flamengos e italianos. tal como o sul do Continente Português.". Em 1452 o grupo ocidental (Flores eCorvo) é descoberto por João de Teive."A Cidade de Angra na Ilha de Jesus Cristo da Terceira. cedo canalizado para as então praças portuguesas das conquistas do norte de África. Em 1427. atingindo o seu auge quando a produção de cana-de-açúcar. o cultivo de cereais e a criação de gado foram as actividades predominantes. A exportação de madeiras para produção escultórica e construção naval. entre os quais o cosmógrafo Martin Behaim. territórios desabitados até à altura do seu descobrimento. 1596). Para além do trigo. Ainda nesse ano é descoberto o grupo oriental dos Açores. contribuiu para algum . dão-se os primeiros contactos com o arquipélago dos Açores por Diogo de Silves. Segue-se o descobrimento do grupo central (Terceira. porto de abrigo daarmada das ilhas (Jan Huygen van Linschoten. e de trigo entraram em decadência. maioritariamente por portugueses. A presença de grande número deflamengos nas ilhas do Grupo Central levou a que aquelas ilhas fossem durante muitos anos conhecidas por "ilhas flamengas" (em inglês "Flemish islands") na cartografia oriunda do norte europeu. em especial Mazagão e Ceuta. embora também com alguns estrangeiros europeus. Para que os colonos pudessem cultivar as terras foi necessário desbastar densos arvoredos que proporcionavam matéria-prima para exportação. foram colonizados desde o início do século XV. de que Portugal era cronicamente carente. Graciosa.. tentada sem grandes resultados. com o trigo. São Jorge. em especial com Portugal e a Flandres. a cultura do pastel e a apanha da urzela para tinturaria deram origem a um activo comércio com os portos da costa europeia. (São Miguel e Santa Maria). o cedro-do-mato e o teixo.

Com efeito. ficando a autoridade do Governo centralizada no capitão-general. Posteriormente. passava por Porto Rico e por Angra. no sc. o modo como expulsou os espanhóis entrincheirados na fortaleza do Monte Brasil valeu-lhe o título de "Sempre leal cidade". XVIII. quando extinguiu esse regime senhorial e instituiu as capitanias-gerais. Por essa razão desde as primeiras décadas do século XVI aqui foi instalada a Provedoria das Armadas. Sujeitas desde o início ao regime senhorial. judeus convertidos forçadamente ao catolicismo que emigraram do continente europeu para adquirirem terras e escaparem da perseguição religiosa. as Ilhas foram integradas na estrutura centralizada do Reino pelo Marquês de Pombal. nos Açores as capitanias donatárias haviam sido extintas em 1766. antecessoras dos distritos autónomos do liberalismo oitocentista. apoiando as naus que regressavam na "volta do mar". A cidade teve parte activa à época da Crise de sucessão de 1580 resistindo ao domínio Castelhano. Em 1641. e alcançava Sevilha. em 1976. para apoiar a chamada Armada das ilhas. Estado unitário. apoiando António I de Portugal que aqui estabeleceu o seu governo. No porto de Angra do Heroísmo eram reabastecidas e reaparelhadas as embarcações carregadas de mercadorias. serviu de porto aos galeões espanhóis carregados de ouro e prata. anterioremente ao dos restantes senhorios do Continente. não podendo ser consideradas partes do Império. As ilhas portuguesas tornaram-se constitucionalmente. O progresso das ilhas deveu-se à importância como escala da chamada Carreira da Índia. com sede em Angra. XX) . que tanto aliás ajudaram a colonizar. outorgado por João IV de Portugal. Entre os povos que vieram para os Açores estavam os cristãosnovos. oriundos das "Índias Ocidentais". Descolonização (séc. regiões autónomas de Portugal. numa rota que se estendia de Cartagena das Índias.cosmopolitismo da vivência insular de então. de 5 de Agosto de1580 a 6 de Agosto de 1582. tal como o resto do país. em particular no Grupo Central. A 26 de Janeiro de 1771 os Açores foram oficialmente declarados província de Portugal. no contexto da Dinastia Filipina.

altura em que se deu a Revolução dos Cravos. a resistência à dominação portuguesa manifestou-se no contexto da descolonização europeia. no entanto. o que foi vetado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Damão e Diu. À época.000 soldados a Índia independente conquistou Goa. que desde 1779 faziam parte doEstado Português da Índia. Em Dezembro de 1961.feita por terra. A maioria das nações reconheceram a acção da Índia. em 1947. De 18 para 19 de Dezembro de 1961 uma força de 40. que durou cerca de 36 horas . A atitude era condenada pelo Tribunal Internacional e pela Assembleia das Nações Unidas que se pronunciou a favor da Índia.acabou com o domínio Português de 451 anos em Goa encontrando pouca resistência. após vários protestos pacíficos. Portugal pôde restabelecer as relações diplomáticas com a Índia. Em 1954. a União Indiana invadia os territórios de Goa. A Índia impediu Portugal de deslocar militares para a sua defesa. acabando por anexar formalmente os enclaves. e integrou o Estado Português da Índia no seu território. numa acção armada . as datas representam a perda do território. ar e mar. o Conselho de Segurança da ONU considerou uma resolução que condenava a invasão. Portugal recusou-se a aceder ao pedido da Índia para rescindir a sua posse. Salazar recusava-se a reconhecer a soberania indiana sobre os territórios. a União Indiana anexou os territórios de Dadrá e Nagar Haveli. E no ano seguinte tomava a Ilha de Angediva. após a descolonização francesa Pondicherry. No Oriente.Colônias portuguesas no século XX. começando pelo reconhecimento da soberania indiana sobre o antigo Estado . A partir de então. Após a independência indiana concedida pelos britânicos. com o governo português liderado por António de Oliveira Salazar a recusar-se a negociar. mantendo-os representados naAssembleia Nacional até 1974.

ferro e café. conduzem rapidamente ao despedaçamento e à ruína dum país em pleno desenvolvimento e rico em petróleo. Consequentemente. onde os portugueses se mostram incapazes de travar o aumento das hostilidades e reconheceram rapidamente a independência da Guiné-Bissau(1974) e de Cabo Verde (1975). seguida da administração . Timor-Leste proclamou unilateralmente a sua independência em 1975. Em Moçambique. Em 1961. enquanto a guerra civil angolana. as ilhas de São Tomé e Príncipe acederam igualmente à independência. mas foi anexado no mesmo ano pela Indonésia.[98] Cerimónia da Transferência da Soberania de Macau para a República Popular da China. a situação colonial dos dois países degradou-se rapidamente e os portugueses concordaram em conceder aindependência às suas colónias em 1975. O processo de descolonização é próximo na Guiné. Após a morte de Salazar. um movimento antiportuguês manifestou-se em Angola com o surgimento de dois partidos de luta armada. em 1972. iniciando a Guerra Colonial Portuguesa. que divide as forças de libertação. decorrida nos primeiros momentos da madrugada do dia 20 de Dezembro de 1999. Em Moçambique. diamantes. a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) toma o comando do país. No mesmo ano. esteve sob administração indonésia até ao referendo de 1999. Após a Revolução dos Cravos na metrópole (1974).Português da Índia. No entanto. Portugal aceitou conceder. aos seus habitantes que o pretendessem foi dada a possibilidade de manterem a cidadania portuguesa. a autonomia à Angola e a Moçambique. as operações de guerrilha começaram em 1964. o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a União dos Povos de Angola (UPA).

A título de exemplo. retorno esse rejeitado por aquele grande país comunista.marcado pela independência das possessões coloniais. reconheceram a independência do Brasil. também se pode considerar a data de 29 de agosto de 1825. da soberania sobre Macau. esta colónia passou oficialmente a ter o estatuto especial de "território chinês sob administração portuguesa". No estado da Bahia é comemorado o dia 2 de julho de 1823. Macau passou a ser uma Região Administrativa Especial. administrada por suas gentes. Após o retorno à China. data em o príncipe real D. No entanto. e conceder um elevado grau de autonomia para a população de Macau. Em 1987. Pedro deu o Grito do Ipiranga. Em 1976.provisória da ONU até 2002. é comemorado o 7 de Setembro de 1822 como o dia da independência. oficialmente. dois sistemas". no dia 20 de Dezembro de 1999. é a data de 1 de dezembro de1822 . dando por isso uma Fim do Império Existem várias datas que podem ser consideradas como as do fim do Império Português. existem pelo menos três datas referentes à independência do Brasil. como aIndependência da Bahia. .dia da coroação de D. mas mais concretamente dirigida por um Chefe do Executivo (entretanto eleito por sufrágio indirecto) e uma Assembleia Legislativa (somente menos de metade dos seus membros entretanto são eleitos pelo sufrágio directo. incluindo o seu sistema económico de carácter capitalista.que sela a independência política unilateral do novo Império do Brasil. quando as últimas tropas portuguesas são retiradas do território brasileiro. A descolonização de Macau foi feita de um modo diferente e especial e teve começo após a Revolução dos Cravos. após intensas negociações. Por fim. a maior possessão colonial portuguesa de sempre. na declaração conjunta sinoportuguesa Portugal aceitou a recuperação pela China. No Brasil. seguindo o princípio de "um país.marcado pelo reconhecimento do mesmo . uma vez que foi então quePortugal e a comunidade internacional.e o fim de facto . a China prometeu conservar as especificidades de Macau. quando foi proposta o seu retorno imediato à República Popular da China. Pedro I como Imperador . formalmente. Pode considerar-se o fim de jure . Em contrapartida. quando Portugal reconheceu a sua independência.

Assim sendo. que proclamou unilateralmente nesse mesmo ano a sua independência. pode-se afirmar que o "fim" de facto do Império Português ocorreu em 1975. mais precisamente no dia 20 de Dezembro de 1999. e portanto. possui uma situação colonial peculiar e única no Império Português e por isso. Legado Mapa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Sete das ex-colónias de Portugal. reconheceu a independência. ou ainda quando Timor-Leste. quando Macau. Pode-se ainda afirmar que o verdadeiro "fim" oficial ocorreu em 2002. foi imediatamente invadido e ocupado pelaIndonésia. Macau foi o único que não proclamou a sua independência em 1975. a soberania de Timor-Leste. o seu caso deve ser analisado de uma maneira diferente e especial. o último território sob a sua administração. e seguindo esta lógica. foi finalmente devolvido na sequência da declaração conjunta de 1987 e passou para a soberania da República Popular da China como região administrativa especial. são agora . mas esta possessão colonial. que sempre defendeu que Macau era. Juntamente com Portugal.[99] Mas. que foi libertada da ocupação indonésia em 1999. têm hoje o português como sua língua oficial. quando as suas colónias proclamaram em massa a sua independência e/ou viram a sua independência reconhecida por Portugal. também se pode considerar o "fim" oficial ou de jure do Império Português em 1999. um território inalienável da China. num acto simbólico. encravada em terras chinesas. mas ocupado gradualmente por Portugal desde o século XVI. hoje países independentes. quando Portugal. desde os tempos mais remotos.

Hoje.[101] Em função da sua importância internacional. Além disso. como muitos outros povos. Estados Unidos e Venezuela. estima-se que o português seja a sétima língua mais utilizada da Internet e na Wikipedia. um legado extraordinário. principalmente devido ao Brasil. totaliza de 10 742 000 km². a nona maior quantidade de artigos publicados. mantêm vivo um de várioscrioulos de base portuguesa. [100] A Guiné Equatorial. quando combinada. incluindo o utilizado pela população da Comunidade Cristang em Malaca. No ciberespaço.2 milhão de habitantes.membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. com diversas palavras de origem portuguesa no léxico japonês.[104] . existem inúmeras línguas crioulas de base portuguesa. Além disso. junto com Maurícia e Senegal. que. sendo o 6º idioma mais falado. é atualmente um observador associado da CPLP. antigo Ceilão. Portugal e Brasil estão liderando um movimento para incluir o português como uma das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas. na Malásia.[101] É a terceira língua mais falada nas Américas. embora haja também comunidades significativas de lusófonos em países como Canadá. gastronómica. No Sri Lanka.[103] A presença portuguesa deixou também uma vasta herança humana. doze países ou regiões candidatas solicitaram a adesão à CPLP e estão aguardando aprovação. tem actualmente. o português é uma das principais línguas do mundo. aos chamados Burghers portugueses que. A presença em Malaca. deu origem à comunidade Cristang.[102] É também a língua-franca em muitas antigas possessões coloniais em África e a língua oficial em 8 países. sendo também a língua co-oficial junto com o cantonês na região administrativa de Macau.2% do território da Terra. sabendo-se que o total da população portuguesa era em 1527 de apenas 1. cultural e arquitectónica em vários continentes. com cerca de 240 milhões de falantes em todo o mundo. ou 7. que adoptou o português como seu terceiro idioma oficial. Deixou a sua influência no Japão.

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