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NUTRIRE - Artigo trabalho de nutrição

NUTRIRE - Artigo trabalho de nutrição

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R E V I S T A D A S O C I E D A D E B R A S I L E I R A D E A L I M E N T A Ç Ã O E N U T R I Ç Ã O

Nutrire

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J O U R N A L O F T H E B R A Z I L I A N S O C I E T Y O F F O O D A N D N U T R I T I O N

n. 1, abr. 2011

ISSN 1519-8928

NUTRIRE: REVISTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO Comissão Editorial / Editorial Committee
Célia Colli - Editor Científico / Scientific editor Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Elizabete Wenzel de Menezes - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Fernando Salvador Moreno - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Franco Maria Lajolo - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Hélio Vannucchi - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo

Olga Maria S. Amancio - Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina Ralf Greiner - Federal Research Institute of Nutrition and Food - Germany Regina Mara Fisberg - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Rejane Andréa Ramalho - Universidade Federal do Rio de Janeiro Rui Curi - Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo Semiramis Martins Álvares Domene - Pontifícia Universidade Católica de Campinas Silvia Berlanga de Moraes Barros - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Silvia Eloiza Priore - Universidade Federal de Viçosa Sonia Tucunduva Philippi - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Sophia Cornbluth Szarfarc - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Tasso Moraes e Santos - Universidade Federal de Minas Gerais Thais Borges Cesar - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho Tullia M. C. C. Filisetti - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo

Conselho Editorial / Editorial Board
Álvaro Oscar Campana - Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho Amalia Antezana Valera - Depto de Biologia / Laboratorio de Servicos Academicos Y de Investigacion Universidad Mayor de San Simon, Facultad de Ciencias Y Tecnologia - BOLIVIA Anita Sachs - Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina Dirce Maria Sigulem - Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina Elizabeth de Souza Nascimento - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Elizabeth Aparecida Ferraz Silva Torres - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Emma Witting de Penna - Universidad do Chile Felix Reyes - Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas José Augusto de Aguiar Taddei - Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina José Alfredo Gomes Arêas - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Júlio Cesar Moriguti - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo Júlio Tirapegui - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Lilian Cuppari - Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina Luiz Antonio Gioielli - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Maria de Fátima N. Marucci - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Maria de Lourdes Pires Bianchi- Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo Maria Lúcia Rosa Stefanini - Instituto de Saúde da Secretaria da Saúde de São Paulo Maria Sylvia de Souza Vitalle - Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina Marina Vieira da Silva - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” - ESALQ/ Piracicaba da Universidade de São Paulo

Normalização e indexação / Normalization and indexing
Bibliotecária Maria Cláudia Pestana À Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição reservam-se todos os direitos, inclusive os de tradução, em todos os países signatários da Convenção Panamericana e da Convenção Internacional sobre os direitos autorais. Não nos responsabilizamos por conceitos emitidos em matéria assinada e também não aceitamos matéria paga em nosso espaço editorial. Os pontos de vista, as visões políticas e as opiniões aqui emitidas, tanto pelos autores como pelos anunciantes, nem sempre refletem a orientação desta revista. The SBAN reserves all rights, including translation rights, in all signatory countries of the Panamerican Copyright Convention and of the International Copyright Convention. The SBAN will not be responsable for concepts expressed in signed articles, and do not accept payed articles. The views, political views and opinions expressed here by authors or by advertisers do not always reflect the policies or position of the Nutrire. No articles published here may be reproduced or distributed for any purpose whatsoever without the express written permision. Reproduction of abstracts is allowed as long as the right source is quoted. Revisores: Alvaro Augusto Feitosa Pereira (inglês), Benedita E. S. de Oliveira (português), Maria Oriana del Reyes Figueiroa (espanhol).

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO-SBAN

Nutrire
R E V I S T A D A S O C I E D A D E B R A S I L E I R A D E A L I M E N T A Ç Ã O E N U T R I Ç Ã O J O U R N A L O F T H E B R A Z I L I A N S O C I E T Y O F F O O D A N D N U T R I T I O N
ISSN 1519-8928 Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 36, n. 1, p. 1-197, abril 2011

© Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN Publicação quadrimestral/ Published three times to the year Tiragem/Print-run:1000 Impresso no Brasil/Printed in Brazil Capa: Ademar Assaoka Diagramação: Jotacê Desenhos Gráficos

Nutrire: revista da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição=Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition, São Paulo, SP. v.1, (1990) - São Paulo, SP: SBAN, 2000 Quadrimestral. Resumos em português, inglês e espanhol. Continuação dos Cadernos de Nutrição, a partir do v. 19/20 (2000). A partir do v. 31 de 2006 a revista passou a ter periodicidade quadrimestral. 1. Alimentos e alimentação – Periódicos. 2. Nutrição – Periódicos. I. Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN

ISSN1519-8928

CDD 612.305 664.005

É permitida a reprodução de resumos com a devida citação da fonte/ Reproduction of abstracts is allowed as long as the right source is quoted. A Revista Nutrire é indexada pelas seguintes bases de dados: CAB, Chemical Abstracts, Lilacs (Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde), Peri (Esalq), Periódica e Latindex.

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n. Dayanne da COSTA. Severina Carla Vieira Cunha LIMA. p. Bras.Nutrire: rev. Ana Angélica Henrique FERNANDES. Sergipe Diva Aliete dos Santos VIEIRA. and S. São Paulo. Michele Pereira NETTO. Clélia de Oliveira LYRA. Isabella de Medeiros BARBOSA. Valéria Aparecida Alves LOPES. Alim. Food Nutr. São Paulo Quality of food preparation in restaurants in the district of Cerqueira César. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição Occurrence of Staphylococcus spp. antes e durante a gravidez. Dirce Maria Lobo MARCHIONI Relação do ganho de peso. Valdemiro Carlos SGARBIERI Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. Liana Galvão Bacurau PINHEIRO. Jamille Oliveira COSTA. v. São Paulo Lívia da Cruz ESPERANÇA. Fabiana Maria da COSTA Ocorrência de Staphylococcus spp. Brazilian Soc.= J. abr. Lucia de Fátima Campos PEDROSA 23 37 49 71 85 99 iii . Sergipe Socio-economical characteristics and nutritional status of children and adolescents in rural settlements in Pacatuba. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais Impact of food complement supplied by a food bank on the nutritional status of children aged 1 to 6 years in a daycare center in Ibirité/Minas Gerais Bruna Carla SILVEIRA. Humberto Sadanobu HIRAKAWA. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve Relationship of weight gain before and during pregnancy with fetal macrosomia in gestation complicated by diabetes and mild hyperglycemia Camila Pereira BRAGA. Evandro Leite de SOUZA Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. SP. e S. Nutr. Sandra Aparecida Vieira Neiva NOLASCO. aureus on surfaces used for preparing food in a food service Heloísa Maria Ângelo JERÔNIMO. Ana Caroliny Vieira da COSTA. Rita de Cássia Ramos do Egypto QUEIROGA. Elaine Gomes da SILVA. Raquel Simões MENDES-NETTO Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. 1. Soc. Ana Lúcia MIRANDA. Ricardo Fernando ARRAIS. Fernando Fleury CURADO. Paulo Roberto de Medeiros AZEVEDO. 2011 SUMÁRIO/CONTENTS V Editorial Artigos Originais/Original Articles 1 Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar Impact of different protein sources on the development of hepatic cells in newly-weaned rats submitted to a restriction diet followed by food repletion Denise Aparecida Gonçalves de OLIVEIRA. Maria Lúcia da Conceição. Felipe André dos SANTOS. 36. Iracema de Mattos Paranhos CALDERON Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade Coronary risk in adolescents as estimated by the Conicity index Marcela Pinheiro MARQUES. 1-197.

Dixis Figueroa PEDRAZA Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo Validity of weight and height informed by adult women in the city of São Paulo Maria Fernanda Petroli FRUTUOSO. Rosana Farah SIMONY. Gloria Valeria da VEIGA 163 177 iv . Ana Maria Dianezi GAMBARDELLA Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento Effect of the dietary glycid/lipid calorie ratio on the nitrogen balance and body composition of bodybuilders Raquel Simões MENDES-NETTO. Roberto Carlos BURINI 127 137 Artigos de Revisão/Revision Articles 151 Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1 Metabolic and nutritional aspects of carbohydrate counting in the treatment of type 1 diabetes mellitus Ana Carolina Pereira COSTA. Mariana THALACKER. Ana Carolina Dantas ROCHA. Nailza MAESTÁ. Nathália BESENBRUCH.111 Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba Epidemiological profile of the nutritional status in children assisted in daycare centers in the state of Paraíba Carolina Pereira da Cunha SOUSA. Suélem Aparecida de França LEMES Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas Iron-deficiency anemia and obesity: a new look at old problems Ursula Viana BAGNI. Fernanda Ávila FALSARELLA. Fernanda Castelo BRANCO Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular Effects of wine components on cardiovascular function Daniela Cristina Seminoti Jacques DOMENEGHINI. Mayana Pereira da Cunha SOUSA. Erick Prado de OLIVEIRA.

portanto. incluem o aumento do consumo de carboidratos provenientes de grãos altamente processados e refinados. concomitantemente ao desenvolvimento de cérebros maiores. aqueles que comem alimentos de baixa qualidade nutricional. que teriam o intestino delgado maior. em 2006. tende a ser mínima. Artigo de Santoro S e cols. publicado no periódico São Paulo Medical Journal. os animais herbívoros têm intestinos mais longos do que os carnívoros.EDITORIAL A alteração dos padrões de alimentação. fatores como o aumento da densidade populacional e a distribuição desigual de alimento. os volumes ingeridos. Assim. e sua possível ligação com a exaustão do solo e outros tantos. publicado neste número da Nutrire. Somam-se a esses. traz a anemia ferropriva para a pauta dessa discussão sobre a obesidade e suas causas. na porção proximal do intestino. pobre em fibras e extremamente fácil de ser absorvida. apresentava essa hipótese para a questão da obesidade: os obesos seriam aqueles. têm trato gastrointestinal maior. associadas à desnutrição e às doenças infecciosas. o que pode causar uma falta de produção de hormônios anorexígenos E tem sido descrito que tanto os indivíduos diabéticos como os obesos têm menor produção pós-prandial desses hormônios. Eram grandes. a absorção ocorre rapidamente. um trato gastrointestinal longo e volumoso era necessário para acomodar e processar alimentos volumosos e extrair nutrientes a partir da celulose. A dieta primitiva era crua. no intestino distal. Como a qualidade da dieta melhorou. Após uma refeição com essas características. do ponto de vista da evolução. na população. em sua maioria. houve também uma diminuição do tamanho do trato gastrointestinal. A dieta moderna tornou-se hipercalórica. Em consequência. rica em fibras pouco digeríveis e hipocalóricas. especialmente até o começo do século XX. Assim. o aumento do consumo de açúcar refinado. as mudanças que afetam a saúde da população humana. o uso crescente de pesticidas e fertilizantes.. Sob essa perspectiva evolucionária. em picos. e que vem sendo muito discutidas. culturais e políticas. Célia Colli Editora Científica v . e o aumento da dependência de monoculturas levaram a importantes mudanças sociais. O artigo Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. A absorção. Entre os seres humanos e outros primatas. época em que as questões de saúde eram. a redução do consumo de frutas e vegetais de um modo geral. alguns pesquisadores chamam a atenção para as adaptações do organismo humano a alterações de sua dieta.

.

A. it showed a higher ability for RNA synthesis. p. Keywords: Liver. However. a mixture containing the YA and WPC in the proportion of 64:36 (protein base).RNA. During the repletion period. Bras. Cell Hyperplasia. lower growth of the liver due to a lower growth by cellular hyperplasia (number of cells). Faculdade de Engenharia de Alimentos/ FEA – Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP. whey protein concentrate from bovine milk (WPC). 2011. the development of liver cells (liver weight and growth rates . VALDEMIRO CARLOS SGARBIERI2 1Doutoranda em Alimentos e Nutrição .Faculdade de Engenharia de Alimentos/ FEA/UNICAMP. i. Food Restriction. The protein sources used in this study were: Yeast autolysate (YA). 464 – Eldorado II CEP 13421-650 Piracicaba. weight and number of hepatocytes in the whole organ. Food Nutr. The following parameters were evaluated in this study: the amino-acid profile of the protein sources. E-mail: deneolia@gmail. São Paulo. abr. Brasil). all food treatments showed normal liver development. SP. Especialmente ao Centro de Química de Alimentos e Nutrição Aplicada. setor de bioquímica por permitir a utilização dos seus laboratórios. Impact of different protein sources on the development of hepatic cells in newly-weaned rats submitted to a restriction diet followed by food repletion. Endereço para correspondência: Denise Aparecida Gonçalves de Oliveira Rua Aparecida D’Oeste. cell growth and organ hyperplasia and hypertrophy. a lower development of liver cells. SP. DNA. Cell Hypertrophy. Alim.Artigo original/Original Article Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar Impact of different protein sources on the development of hepatic cells in newly-weaned rats submitted to a restriction diet followed by food repletion ABSTRACT OLIVEIRA. 36. protein). Nutr. 1 . V. DENISE APARECIDA GONÇALVES DE OLIVEIRA1. n. C. lower capacity of cell division and DNA synthesis. Agradecimentos: aos funcionários e pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL/Campinas.e. 1. Brazilian Soc.. = J. G. SGARBIERI. v. thus indicating that growth in the restricted phase was mainly due to increase in the size of hepatocytes (cell hypertrophy).. The results showed that the treatment with (YA) was the most affected by the food restriction.SP. D. 1-21. showing an incomplete (leucine-deficient) amino-acid profile. commercial casein (CC) which was used as the experimental treatment (EC) and control treatment (CP). The aim of this study was to evaluate the effect of different protein sources with different amino-acid profiles on liver cell development in “Wistar” rats submitted to a food restriction and recovery model. Nutrire: rev.com Baseado na tese de doutorado: em Alimentos e Nutrição defendida em 31/05/2004. Soc. 2Professor Titular da Faculdade de Engenharia de Alimentos/FEA/UNICAMP. The food restriction model was based on a 50% ingestion restriction for the rats fed with the control diet (21 days) and “ad libitum” recovery (a period of 21 days).

= J. proteína total). V. Los resultados mostraron que el grupo tratado con (ATL) fue el más afectado por el proceso de restricción de alimentos.neste estudo. Food Nutr. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. crescimento de células e do órgão por hiperplasia e hipertrofia. mistura contendo CSL e ATL na porcentagem de 64:36 (base proteica). sin embargo. el peso y número de hepatocitos en el órgano.OLIVEIRA. Brazilian Soc. G. Nutrire: rev. apresentando um perfil de aminoácido incompleto (deficiência em leucina). El modelo de restricción alimentar consistía en disminuir 50% del consumo de los animales control (periodo de 21 días) y la recuperación con ingestión “ad libitum” (período de 21 días). menor capacidad de división celular y de síntesis de ADN. Restricción alimentícia. ADN y proteína total). Palabras clave: Hígado. menor capacidade de divisão celular e síntese de DNA. ou seja. Durante la fase de recuperación alimentar de todos los tratamientos hubo un desarrollo hepático normal. apresentou menor desenvolvimento celular hepático. Las fuentes de proteínas utilizadas en este estudio fueron: autolisado de levadura (ATL). O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito de diferentes fontes proteicas com diferentes perfis de aminoácidos sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos “Wistar” submetidos à restrição e recuperação alimentar. 2 . D. menor crecimiento del hígado debido a un menor crecimiento por hiperplasia celular (número de células). p. apresentou maior capacidade de síntese de RNA. RESUMEN RESUMO El objetivo de este estudio fue evaluar el efecto que diversas fuentes de proteínas con diferentes perfiles de aminoácidos ejercían en el desarrollo de las células hepáticas en ratas “Wistar” sometidas a restricción y reposición de la ingestión de alimentos. el desarrollo de la célula hepática (peso del hígado y las tasas de crecimiento: ARN. caseína comercial (CC).. n. Os resultados mostram que o tratamento com (ATL) foi o mais afetado pelo processo de restrição alimentar. la proteína presenta un perfil incompleto de aminoácidos (deficiente en leucina). caseína comercial (CC). Palavras-chave: Fígado. peso dos hepatócitos e número de hepatócitos em todo órgão. DNA. 1-21. Hiperplasia celular. SGARBIERI. que fue utilizada como tratamiento experimental (CE) y como estándar (CP). Soc. 2011. Durante o período de restauração alimentar todos os tratamentos apresentaram desenvolvimento hepático normal. As fontes proteicas utilizadas neste estudo foram: autolisado de levedura (ATL). Fueron evaluados el perfil de aminoácidos de las proteínas. o perfil de aminoácidos das fontes proteicas. menor crescimento do fígado em função do menor crescimento por hiperplasia celular (número de células). mezcla de CPL y ATL. São Paulo. 1. Había menor desarrollo de las células del hígado. abr. Alim. e recuperação ad libitum (período de 21 dias). Restrição alimentar.RNA.. SP. Hipertrofia celular. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). Avaliouse. Nutr. o sea crecimiento de las células y del órgano por hiperplasia e hipertrofia. Bras. Entretanto. A. o desenvolvimento celular hepático (peso do fígado e dos índices de crescimento . mostraron una mayor capacidad para sintetizar ARN indicando que el crecimiento en la fase de restricción se debió principalmente al aumento en el tamaño de los hepatocitos (hipertrofia celular). v. en la proporción de 64:36 (base proteica). Hiperplasia celular. concentrado proteico de suero de leche bovino (CPL). Hipertrofia celular. C. 36. a qual foi utilizada como tratamento experimental (CE) e como tratamento padrão (CP). O modelo de restrição alimentar foi baseado na restrição de 50% da ingestão dos animais controle (período de 21 dias). indicando que o crescimento na fase de restrição ocorreu principalmente por aumento no tamanho dos hepatócitos (hipertrofia celular).

essa redução chega até um mínimo e o corpo entra em desequilíbrio proteico. Soc. 1. as proteínas solúveis e a parede celular. desde o momento de sua concepção até a sua morte. A caracterização química do autolisado de levedura proveniente de destilarias de etanol apresenta um teor de proteína na faixa de 40-46%. Nutrire: rev. lisina. Quando a ingestão de proteínas é deficiente. Food Nutr. a biomasssa de levedura. p. Sgarbieri e Alvim (2000).= J. conforme citado por Vilela. Se a deficiência for muito grande e prolongada. Bras. Brazilian Soc. ácido aspártico. resultando do equilíbrio entre ingestão e necessidade de nutrientes. dos carboidratos e dos lipídios. absorção e transporte (PELLEY. serina e treonina.OLIVEIRA. digestão. Partes das moléculas das proteínas funcionam como biocatalisadores (hormônios e enzimas). 2011. por vezes a leucina. v. cinzas entre 7-8% e fibra alimentar total de 24-25% (CABALLERO-CÓRDOBRA. envolvendo múltiplos processos como a regulação do metabolismo das proteínas.5%. Nutr. A ingestão de nutrientes como proteínas. São Paulo. O autolisado de levedura é considerado uma boa fonte de proteína e podemos destacar que os aminoácidos mais abundantes encontrados nessa proteína são: o ácido glutâmico. n. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de cana-de-açúcar. 2008). O fígado é o órgão que desempenha papel fundamental no metabolismo corporal. controlando processos importantes como: crescimento. 2007). G. HISANO et al. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. 3 . 2009). a desnutrição proteica calórica provoca um grande impacto nutricional. Alim. tornou-se um grande excedente desta indústria. SGARBIERI. INTRODUÇÃO O estado nutricional estabelece efeitos importantes na vida de um indivíduo. principais macronutrientes responsáveis pelo fornecimento de energia ao organismo vivo. O estado de desnutrição proteica é caracterizado pela redução das reservas proteicas do organismo e pela alteração do ritmo metabólico dos aminoácidos (MARTÍNEZ. o organismo defende-se reduzindo a eliminação urinária de nitrogênio na tentativa de reequilibrar-se. iniciando-se um processo catabólico proteico. o estado nutricional expressa o grau no qual as necessidades fisiológicas por nutrientes são alcançadas para manter as funções adequadas do organismo. lipídios totais ao redor de 3. incluindo os componentes hidrossolúveis. SP.. C. De acordo com Faria. O autolisado de levedura é um subproduto da biomassa da levedura. Em consequência da grande produtividade da cultura de cana-de-açúcar e do amplo parque sucroalcooleiro. D. alanina. SGARBIERI. 1-21. Franceschini e Ribeiro (2010). A. entretanto dependendo da forma de obtenção do autolisado de levedura ele pode apresentar deficiência nos aminoácidos sulfurados (metionina + cisteína) e. Entre os nutrientes necessários para equilíbrio dinâmico do organismo estão as proteínas. 2001). No fígado. definidas como moléculas de estruturas complexas que constituem cerca de 50% do peso celular. 1997. abr.. lipídios. minerais e vitaminas em quantidade e qualidade adequadas é importante para a manutenção do estado nutricional. prejudicando o seu funcionamento (FERREIRA et al. quando comparados com padrões internacionais como o da FAO/WHO. obtida por indução de autodigestão ou rompimento mecânico e consiste no conteúdo total da célula lisada. V. 36...

7% de cinzas e 3. glicanas e mananas. 4 . D. que irão facilitar a assimilação de nutrientes como: as vitaminas (riboflavina. em comum. 2011. As proteínas do leite possuem propriedades fisiológicas importantes como fornecer peptídios bioativos. abr. 2005).. podemos citar: nucleotídeos e nucleosídeos. Food Nutr.6% pela proteína do soro de leite (LOURENÇO. Os nucleotídeos de pirimidina e purina estão envolvidos em quase todos os processos celulares e desempenham papel muito importante na função estrutural. Nutr. que representam cerca de 20% da proteína do leite.. que utilizavam aminoácidos como precursores. O leite bovino é um fluído biológico complexo cuja composição média apresenta 87% de água. 4. que favorecem a imunorregulação e regulação da microflora intestinal e a regulação da digestão. estruturalmente são componentes de inúmeras coenzimas e também funcionam como efetores alostéricos para as enzimas (ROSSI. os quais são importantes para o crescimento celular e o restabelecimento tecidual (ANTONIONE et al. RUTZ.= J. e atuam como doadores de grupos metilo e sulfato. glicoproteínas e fosfolipídios. XAVIER. energética e na regulação de vários processos metabólicos. acreditava-se que os nucleotídeos não eram necessários para o crescimento e desenvolvimento normal. SP. Alguns anos atrás... A principal propriedade nutricional das proteínas do soro de leite é fornecer energia e os aminoácidos essenciais para o desenvolvimento e crescimento. consumo limitado de nutrientes ou distúrbio endógeno. n. Os concentrados de proteína do soro de leite são considerados uma fonte de proteína de alto valor biológico. 3. SGARBIERI. atuando como moduladores do sistema imunológico. pois disponibilizam bases e nucleosídeos para serem utilizados imediatamente na síntese de nucleotídeos. Soc.5 a 3.9% pela proteína caseína e 0. tanto celular como humoral (SGARBIERI et al. Os nucleotídeos dietéticos participam dos processos de divisão e crescimento celular. tiamina e ácido pantotênico) e minerais (cálcio e fósforo).9% de lactose. os nucleotídeos dietéticos passam a ter uma importância fundamental no organismo. Dentre esses componentes. portanto. 0. As caseínas constituem a classe quantitativa principal do leite.OLIVEIRA. 2008). pois eram sintetizados no organismo pela “via de novo”. a propriedade de proteger o organismo. 1-21. que são divididas em 2. a levedura e seus derivados apresentam alguns componentes com propriedades funcionais importantes. v. 1998). São Paulo. SGARBIERI. minerais (zinco e selênio) e vitaminas (complexo B). a partir da degradação de aminoácidos e nucleotídeos da dieta. SOMMER. 2007. A via de salvamento é extremamente importante em tecidos e órgãos onde a síntese de nucleotídeos é eficiente e. Alim. 2000). pela “via de salvamento” (KEHOE et al. 2002). V. Brazilian Soc. Além do valor nutritivo.7% de lipídios. Nutrire: rev. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. ou ainda pela “via de salvamento”. 36. Bras. p. 1. Essas substâncias têm. A. não eram considerados essenciais no aspecto nutricional. necessária quando se inclui nucleotídeos na dieta. como ativadores intermediários na síntese de glicogênio. Sabe-se que em indivíduos sob situações de crescimento rápido. e são química e estruturalmente mais complexas que as proteínas do soro bovino.5% de proteína. C. 2008. representa 76 a 85% da proteína total.. G.

2005). o que determina. Alim. MATERIAL E MÉTODOS AUTOLISADO TOTAL DE LEVEDURA (ATL) O ATL foi preparado de acordo com Sgarbieri et al. 2011. Food Nutr. Os índices de desenvolvimento celular do fígado avaliados neste estudo foram: RNA. WALZEM. Bras. (2001). Nutr. 2002). DNA. G. GERMAN. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. p.. D. C. v. 1.OLIVEIRA. DILLARD.Campinas. uma rápida disponibilidade de aminoácidos plasmáticos na corrente sanguínea. atuam como alimentos prebióticos por promoverem o crescimento de populações de bactérias benéficas à microbiota intestinal e melhoram as condições de saúde de indivíduos sob estresse nutricional e doenças neuro-degenerativas (LIEN. contendo elevado teor de proteína (30 a 90%) com teores de aminoácidos superiores aos da caseína. n. A. SP. São Paulo. Todo o procedimento para a obtenção do CSL foi realizado na planta piloto do Centro de Tecnologia de Laticínios (TECNOLAT). SGARBIERI. O objetivo deste trabalho foi estudar os efeitos de diferentes fontes proteicas com diferentes perfis de aminoácidos sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos a uma dieta calórica restritiva. Também é considerada uma proteína de digestão e absorção rápida. V.. CONCENTRADO PROTEICO DE SORO DE LEITE BOVINO (CSL) O CSL foi obtido a partir do leite bovino tipo B desnatado e pasteurizado adquirido da Cooperativa dos Produtores de Leite da Região de Campinas. respectivamente. abr.. O processo de produção e desidratação do ATL foi realizado no setor de bioquímica do Centro de Química de Alimentos e Nutrição Aplicada. MISTURA (CSL64: ATL36) A mistura foi obtida pela combinação do concentrado proteico de soro de leite e autolisado total de levedura (64:36g proteína por 100g de dieta) em base proteica. 1-21. Nutrire: rev. 5 . do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL / Campinas. seguida de um período de recuperação. peso dos hepatócitos e número de núcleos em todo o órgão. proteína total. segundo processo desenvolvido por Borges et al. (1999) a partir das células íntegras de levedura (Saccharomyces cerevisae) provenientes de destilaria de álcool etílico. Outras propriedades fisiológicas funcionais importantes das proteínas do leite são: desenvolvimento e proteção do sistema imunológico. Brasil). Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL. SP. SGARBIERI. proteção contra carcinógenos. 36. Brazilian Soc. 2003. Brasil). favorecendo com isso a síntese proteica (LUIKING et al. SP.= J. Soc. 2005.

.Cassab Comércio e Indústria Ltda. Este estudo foi aprovado e certificado pela Comissão de Ética na Experimentação Animal (CEEA/UNICAMP).= J. C. aumentando com isso a confiabilidade do experimento. abr. Alim. 1-21. tempo zero (T0) instituído como animais que não passaram pelo processo de restrição e recuperação. 114-2. São Paulo. As dietas foram preparadas segundo as recomendações do American Institute of Nutrition (AIN-G). Food Nutr. Durante os primeiros 21 dias do experimento.. Os animais escolhidos para o experimento foram ratos albinos da linhagem “Wistar”. Brasil. G. por estar de acordo com os Princípios Éticos na Experimentação Animal adotado pelo Colégio Brasileiro de Experimentação Animal recebendo protocolo no. Nielsen e Fahey (1993) contendo 17g de proteína/100g de dieta. O protocolo nas fases de restrição e de realimentação encontra-se na figura 1. Bras. 2011. O protocolo experimental foi conduzido com 55 ratos recém-desmamados. SP. PROTOCOLO EXPERIMENTAL Os animais experimentais foram adquiridos no Centro de Animais de Laboratório (CEMIB) da Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP . Cinco animais foram sacrificados no início do experimento denominado tempo zero (T0).Campinas. Nutr. Os 50 animais restantes foram distribuídos em 5 tratamentos. SP. n. foram utilizados como controle. 1. 36. V. Brazilian Soc. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. com 10 animais por grupo. Com objetivo de verificar a qualidade proteica da caseína esta também foi incluída como dieta experimental. os animais experimentais receberam dietas com 50% de restrição em relação à dieta padrão (CP) à qual recebeu oferta ad libitum. p. todos os grupos foram alimentados ad libitum. No período de 21 a 42 dias. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36). SGARBIERI. divididos em três tempos. livre de patógenos e parasitas específicos (SPF) que são criados dentro de um eficiente sistema de barreiras que impedem contaminações microbianas. recebendo a denominação de caseína experimental (CE). Utilizou-se como fonte de proteína: caseína padrão (CP) concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). D. como descritas por Reeves. A. Brasil. tempo 21 (animais que sofreram restrição) e tempo 42 (animais em recuperação). 6 . Soc. CASEÍNA A caseína foi adquirida da empresa M. v. Nutrire: rev.OLIVEIRA. SP. localizada no município de São Paulo.

abr. n. Nutr. 55 ratos 05 animais sacrificados (idade 21 dias) T0 50 ratos Dietas com 17% de proteína RESTRIÇÃO ALIMENTAR (50%)/ T2 10 ratos CP 10 ratos CCE 10 ratos CSL 10 ratos ATL 10 ratos CSL64:ATL36 Controle (50%) (50%) (50%) (50%) (25 animais sacrificados. São Paulo. p. coleta do fígado) Dietas com 17% de proteína RESTAURAÇÃO ALIMENTAR (100%) /T42 “ad libitum” 05 ratos CP 05 ratos CCE 05 ratos CSL 05 ratos ATL 05 ratos CSL64:ATL36 (25 animais sacrificados. Alim. V. Soc. 1-21.OLIVEIRA. D. coleta do fígado) Onde: T0 = Início do experimento. Nutrire: rev. C. 05 por tratamento. SP. 1. 05 por tratamento. T21=Amostras coletadas no 21º dia do experimento e T42 = Amostras coletadas no 42º dia do experimento..= J.. Food Nutr. 2011. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. 36. Bras. SGARBIERI. v. Brazilian Soc. G. Figura 1 – Protocolo experimental do processo de restrição e restauração alimentar em ratos recém-desmamados da linhagem “Wistar”. 7 . A.

25) e autolisado de levedura (Nx5. V. 36. COLETA DE FÍGADO E ANÁLISES HEPÁTICAS Os fígados dos animais foram retirados. n. DNA e proteína total. Nutr. 2011.OLIVEIRA.. A quantificação foi realizada com base numa mistura de padrões de aminoácidos (Pierce kit 22). Nutrire: rev. Food Nutr. A extração dos órgãos ocorreu nos tempos zero (T0). congelados e liofilizados para a dosagem de RNA. 1. SP. Alim. conforme expressões abaixo: Número de Núcleos = DNA total no órgão x 1000 = número de células (milhões) 7.3 Peso / Núcleo = Peso do fígado x 1000 = peso de hepatócitos (mµg) Número de Núcleos Onde: 7. com separação em colunas de troca catiônica e reação póscoluna com ninidrina. RNA e proteína total foi realizado o cálculo matemático. A determinação do triptofano foi realizada segundo metodologia descrita por Spies (1967). em espectrofotômetro. para determinar o número de núcleos (número de células em milhões) e peso/ núcleo (peso celular em mµg) no fígado.. Soc. 22h) em aparelho HPLC (Dionex Dx-300). modificado por Munro (1966) e. C. A. 38). Lipídios totais foram determinados pelo método de Bligh e Dyer (1959). Bras.= J.3/9. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DAS FONTES PROTEICAS A determinação da proteína bruta dos tratamentos contendo caseína. período de restrição (0-21 dias/T21) e período de recuperação (21 a 42 dias/T42). D. concentrado proteico de soro de leite (Nx6.3 = conteúdo de DNA por núcleo em animais com idade entre 17 e 34 dias e 9. de acordo com os critérios citados por Enesco e Leblond (1962). Os carboidratos totais foram obtidos por diferença (entre 100% e a soma dos demais macronutrientes). 8) e a determinação das cinzas foram realizadas de acordo com os procedimentos da Association of Official Agricultural Chemists (1998). v. A proteína total foi analisada de acordo com Bradford (1976) e a leitura da absorbância foi a 595nm. pesados. A extração do ácido ribonucleico (RNA) foi realizada de acordo com Schimidt e Thannauser. A composição em aminoácidos foi determinada por hidrólise ácida (HCL 6N. abr. São Paulo. Fibras alimentares. (1983). G. mistura (Nx6. p. SGARBIERI. 1-21. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. Brazilian Soc. a leitura foi realizada a 670nm em espectrofotômetro. 110°C. cuja leitura da absorbância foi a 600nm em espectrofotômetro. A extração do ácido desoxirribonucleico (DNA) foi realizada de acordo com procedimento de Burton (1956). 8 .3= conteúdo de DNA por núcleo em animais com idade entre 35 e 94 dias. solúveis e insolúveis foram identificadas pela técnica de Asp et al. NÚMERO DE NÚCLEOS E PESO DOS HEPATÓCITOS Com os resultados obtidos de DNA.

Tabela 1 – Característica química das principais fontes proteicas utilizadas neste estudo: caseína (CP). observa-se na tabela 2 que as proteínas estudadas (caseína.00d 2. Food Nutr. Soc.01c 3. e o teste de Tukey para diferença entre médias ao nível de significância de 5% (GOMES. as proteínas dos tratamentos experimentais caseína e CSL. Bras.5±0.2±0.9±0.3±0. Brazilian Soc. foi utilizada a análise de variância (ANOVA). confirmando seu elevado valor proteico e não apresentando nenhum aminoácido limitante.01c Lipídios totais (%) 1.4±0. o ATL apresentou o maior teor para cinzas.7±0. CSL.01c 6. RESULTADOS A caracterização química. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). C. O pacote estatístico utilizado foi Statistic (Basic Statistics and tables Program . ATL e CSL64: ATL36). em base seca.6 ±0. SP. Para a análise dos resultados obtidos.01c 3. Entre os tratamentos estudados.6±0. 9 . Nutr. fibras totais e carboidratos diferindo estatisticamente dos demais. v..91).OLIVEIRA. V. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. autolisado de levedura (ATL) e mistura composta por concentrado proteico de soro de leite + autolisado de levedura (CSL64: ATL36) Componentes CP CSL ATL Mistura Proteína (%) 83. A.2±0. n.5±0. resultado esse esperado para proteínas de alto valor biológico que apresentam grande capacidade de promover crescimento e desenvolvimento no organismo vivo. 1. p.0±0.01b 11.3±0. tendo como única exceção o tratamento com ATL que apresentou como aminoácido limitante a leucina (EAE 0.00a 1. observamos que: o CSL apresentou o maior teor de lipídios totais. Em relação ao Escore de Aminoácidos Essenciais (EAE). SGARBIERI.5±0. 1-21. Nutrire: rev.Statsoft. 1995). 2011. CSL e mistura/CSL64: ATL36) apresentaram EAE igual ou superiores a um.02c 20.01a 4.01a 81. Alim.01a 15. das diferentes fontes proteicas (CP.= J.01b Cinzas (%) 3.5 ±0. Para o valor de PDCAAS.03b 39.0±0.00b (*) Cálculo por diferença (somatória dos componentes estudados-100). 36. ANÁLISE ESTATÍSTICA O delineamento experimental estatístico utilizado no ensaio biológico foi o inteiramente ao acaso.2±0. abr.6±0. Os resultados mostraram que o CP apresentou teor de proteína elevado. diferindo estatisticamente dos demais tratamentos experimentais ao nível de 5% de significância.0±0.04d 66. 1982). D. São Paulo. encontra-se na tabela 1.01d 12. nd=não determinado.01c Fibra total Carboidrato* (%) (%) nd nd 32..00a 11. apresentaram os melhores perfis de aminoácidos essenciais. G.

apesar do grupo ATL apresentar a menor taxa de crescimento.82 ≥ 1. seguido de recuperação alimentar (ad libitum) com diferentes fontes proteicas.00 100 EQ (CP) (g/100 g P) 1.Escore químico sem correção.50 1.= J.00 1.47 1.00 95 EQ(ATL) (g/100 g P) 1. EAE = mg de aa/g N da proteína teste mg de aa/g da proteína padrão x 100 PDCAAS (%) = EAE x digestibilidade aparente. Food Nutr.38 1.89 1.05). Durante o período de restrição. enquanto que no período de recuperação alimentar (ad libitum).45 ≥ 1.36 ≥ 1.54 1.54 0. 36. Na figura 2A.6 2.91 (Leu) 82 EQ(mistura) (g/100 g P) 1. G. consequentemente ganho de peso elevado. p.00 91 (+) . C. Nutrire: rev. 10 .18 0.8 6.1 ≥ 1.4 2. A. 1.Aminoácido limitante.53 1. V.8 1.00 1.02 1. SP. 1-21. abr.94 1.OLIVEIRA. v.3 5. (*) . Brazilian Soc.50 2. provocou um aumento da velocidade de crescimento para todos os tratamentos. de ratos submetidos ao período de restrição alimentar (0-21dias).71 1..59 2.21 1. Soc. Nutr. Para o período de recuperação com a liberação da dieta ad libitum. EQ . D.00 1. escores de aminoácidos essenciais (EAE) e PDCAAS para as diferentes fontes proteicas estudadas(+) AAE Treonina Met+cisteína Valina Leucina Isoleucina Fen+tirosina Lisina Histidina Triptofano EAE PDCAAS (%) FAO/WHO (g/100 g P) 3. observamos que o grupo com ingestão ATL apresentou menor poder de recuperação (p ≥ 0.50 2.Amostras em duplicata. Alim.52 1. São Paulo.77 1.91* 1.05 1.04 1.83 1.9 1.71 2.96 1. os tratamentos experimentais não diferiram entre si. o grupo de animais com consumo de caseína padrão (CP) apresentou alta ingestão de dieta e. Em relação ao consumo total de dieta/CD (Figura 2B) observamos que durante o processo de restrição alimentar. observa-se o ganho de peso (GP). 2011.00 1. SGARBIERI. o restabelecimento da ingestão alimentar. n.59 2.. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar.53 1.50 1.60 1.00 97 EQ(CSL) (g/100 g P) 2.5 6. Bras.5 3.20 1. Tabela 2 – Aminoácidos essenciais (AAE).03 1.

caseína experimental (CE). Figura 2 A – Ganho de peso (GP) de ratos submetidos a períodos de restrição (0-21dias) e recuperação ad libitum alimentar (21-42dias) com diferentes fontes proteicas. onde: caseína padrão (CP). Soc. Brazilian Soc. SP. Nutrire: rev. 2011. D. (a. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. v..05) dentro de cada período de tempo.b.c) Médias seguidas por letras distintas (colunas) diferem entre si (p ≤ 0. São Paulo. Figura 2 B – Consumo total de dieta (CD) de ratos submetidos a períodos de restrição (0-21dias) e recuperação ad libitum alimentar (21-42 dias) com diferentes fontes proteicas. G.Consumo Total de Dieta (CD) 500 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 b bc a c bc Consumo (g) a b b b b CD (0-21 dias) CD (21-42 dias) CP CCE CSL ATL Mistura Valores expressos como média (± desvio padrão) de 05 animais por tratamento. n. C.= J. Bras. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36).. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). Nutr. B .c) Médias seguidas por letras distintas (colunas) diferem entre si (p ≤ 0. p. 36. Food Nutr. 11 .Ganho de Peso (GP) 300 250 200 Peso (g) 150 100 b 50 GP (21-42 dias) 0 CP CCE CSL ATL Mistura b b b a GP (0-21 dias) a b bc c bc Valores expressos como média (± desvio padrão) de 05 animais por tratamento. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). A. 1.OLIVEIRA. caseína experimental (CE). (a. A . 1-21. Alim. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36). abr.05) dentro de cada período de tempo.b. V. SGARBIERI. onde: caseína padrão (CP).

caseína experimental (CE). p. Observamos que durante o período de restrição alimentar o conteúdo de RNA (fígado) dos tratamentos com CSL. não houve diferença estatística entre as dietas estudadas. Em relação ao período de restauração. SP. foi restabelecida a capacidade de síntese de DNA e a multiplicação celular. o grupo com ingestão de ATL apresentou maior conteúdo de RNA.. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). não ocorreu diferença entre os tratamentos experimentais. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36). 1. No período de recuperação alimentar (ad libitum). Em relação aos resultados das relações RNA/DNA e PT/DNA (Tabela 4) nos períodos de restrição alimentar e recuperação alimentar (ad libitum).. Na tabela 3. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. (a. Quanto ao teor de proteína total (PT) nos hepatócitos durante o processo de restrição e recuperação. ou seja. 1-21. n. Os tratamentos com ATL e mistura (Figura 3) durante o período de restrição apresentaram um peso do fígado inferior aos demais tratamentos (p ≥ 0.05). observamos que o tratamento com ATL apresentou resultados superiores aos demais tratamentos. São Paulo. G. DNA e PT). abr. encontram-se os resultados referentes ao desenvolvimento celular hepático (RNA.OLIVEIRA. Figura 3 – Peso do fígado (PF) de ratos submetidos a períodos de restrição (0-21dias) e recuperação ad libitum alimentar (21-42dias) com diferentes fontes proteicas. C. o tratamento com ATL apresentou resultado inferior aos demais tratamentos (p ≥ 0. durante o período de restrição. V. Food Nutr. onde: caseína padrão (CP). Nutrire: rev. A.b. v. SGARBIERI. Peso do fígado (Depleção-Repleção calórica) 15 12 Peso (g) 9 6 3 0 CP a b b c ATL cb PF (21-42 dias) CCE CSL Mistura PF (0-21 dias) Valores expressos como média (± desvio padrão) de 05 animais por tratamento. Soc.05). Em relação ao conteúdo de DNA. ATL e mistura foram semelhantes e não diferiram da dieta padrão (CP). D.= J. 12 .05) dentro de cada período de tempo. 2011. todavia durante o período de recuperação não ocorreu diferença entre eles. Nutr. Bras. Brazilian Soc. Alim. O que sugere uma maior capacidade de síntese de RNA e proteína em relação à síntese de DNA.c) Médias seguidas por letras distintas (colunas) diferem entre si (p ≤ 0. a liberação da dieta permitiu a normalização do crescimento e desenvolvimento celular. 36.

0± 0. São Paulo.2±1. 2011.5±9.4a RNA 8.4a 680.5ab 11.0± 93.1b 155.2±0.2ab PT//DNA 167.2b 8.0±1.7±37.1 2.4a 4. 1-21.7±85.4a 707.5b 2.6±1.0±0.6a 8.3±0. abr.5a PT 711.6±1. Nutrire: rev.4±1.0±66.3±52. p.5±0.9±0.3±25.4a 712. 1.8ab 10.b.0a 181. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar.9±0. 13 .3a 3.2b 2.9±0.0±0. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36).8a 717.2a 8.2a 687.9b 261.1b 8.6a (*) Valores expressos como média (± desvio padrão) de 05 animais por tratamento. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL).0a 162.6±0.6a 4. n. não ocorreu diferença estatística entre as variáveis estudadas.1b 2.6±0.0b 9.8a 3. DNA (mg/g) e Proteína total (PT/mg/g) de fígado de ratos submetidos a períodos de restrição (0-21dias) e recuperação ad libitum alimentar (21-42dias) com diferentes fontes de proteínas Período de restrição (0-21 dias) Tratamento RNA TO* CP* CE* CSL* ATL* Mistura* (*) Período de recuperação (21=42 dias) DNA 4.. Médias seguidas por letras distintas (colunas) diferem entre si (p ≤ 0.3b 2.0±1.3±0. Brazilian Soc.3b 4. C.4±0. c) Médias seguidas por letras distintas (colunas) diferem entre si (p ≤ 0.05) dentro de cada período de tempo.7±0. c).5ab 11. Tabela 4 – Relação RNA/DNA e PT/DNA (por grama) de fígado de ratos submetidos a períodos de restrição (0-21dias) e recuperação ad libitum alimentar (21-42dias) com diferentes fontes proteicas Período de Restrição (0-21 dias) Tratamento TO* CP* CE* CSL* ATL* Mistura* RNA/DNA 2.5ab 2.9±0.4±26. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL).5 176.2±0.1±107.8±34.4a 622.2±0.6±0.0a 670.7b 3.8±1.1±37.2±0.1b 12.3± 0.3±20.42 dias) RNA/DNA 2.8a 577.7b 9.3±30.8a 625..6±0.6± 0.5 179.7a 634.0b Período de Recuperação (21. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36).0±110.7a 4. SP.10±0.0±24. (a. G.5±17.4a 4.7 2. A. caseína experimental (CE).3±30.6±113.5b 199.2a 4.3ab 1.3±25.0 ±1.0±0.3b 2. Alim.b. Food Nutr.5a 2.0±49. V.5b 139.1±1.OLIVEIRA. caseína experimental (CE).2a Valores expressos como média (± desvio padrão) de 05 animais por tratamento.5 ±29.8b 140. SGARBIERI.8±0.0a 149.8a 8. v.2±0.5b PT/DNA 167.1±107. onde: caseína padrão (CP). Tabela 3 – RNA (mg/g).= J.0±14. onde: caseína padrão (CP).5a PT 711.3ab DNA 4. 36.7±32. Nutr. (a. Bras.1±0. D.05) dentro de cada período de tempo. Soc.2a 3. No grupo com ingestão de ATL.

. c) Médias seguidas por letras distintas (colunas) diferem entre si (p ≤ 0.4 ± 3. 14 . n. (a. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). p.5c 11.5b Peso/ hepatócitos (mµg)* 3.1 ± 1. No período de restrição alimentar.5a 18. resultados estes de acordo com Santucci et al.7 ab Período de recuperação (21 .9a 18.21 dias) Tratamento Nº hepatócitos (milhões)* T0 CP CE CSL ATL Mistura 686. segundo os critérios de Enesco e Leblond (1962). onde: caseína padrão (CP).5b 416. (2003) e Vilela. 1-21. São Paulo.b. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar.1a 612.8a 7.OLIVEIRA.6ab 550. Brazilian Soc.6ab 353..5 ± 4. D. 36.1b 456.6 ± 52.7 ± 1.9b 557.2b 8. nota-se que os animais do grupo com ATL apresentaram menor número de células diferindo estatisticamente dos demais.3 ± 83.1a 385.0 ± 75. Bras.7 ± 0. ocorreu provavelmente uma normalização na velocidade de divisão celular e na síntese de DNA.3a 18.Determinação de número de hepatócitos (número células/órgão) e peso dos hepatócitos (mµg) de ratos submetidos a períodos de restrição (0-21dias) e recuperação ad libitum alimentar (21-42dias) em diferentes fontes proteicas Período de Restrição (0 . 1.5a Peso/ hepatócitos (mµg)* 3.7b 425.42 dias) Nº hepatócitos (milhões)* 685. G. Nutr.1a 18.0 ± 72. isto ocorreu pela baixa qualidade proteica que interferiu provavelmente com a velocidade de divisão celular e com a síntese de DNA. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36).7± 4.7 ± 0.8 ± 31. v. enquanto que o elevado teor de carboidrato é explicado pela adição de maltodextrina no processo de secagem em spray drier.3b 455. SP.9 ± 1.4 ± 2. DISCUSSÃO Em relação à característica química das diferentes fontes proteicas estudadas. Alim.4ab 11. encontram-se os cálculos para número de núcleos e peso por núcleo.5b 21. com a restauração da ingestão calórica.1 ± 99.7 ± 89.4a 8. abr. Tabela 5 .6 ± 0. caseína experimental (CE). fibra total e cinzas. Food Nutr.8 ± 45. Sgarbieri e Alvim (2000).8 ± 41.05) dentro de cada período de tempo. observamos uma alta concentração de cinzas no ATL devido à adição de cloreto de sódio durante o processo de obtenção do produto. Soc. 2011. A composição da mistura (CSL64: ATL36) apresentou valores intermediários de proteína. Na tabela 5. A.3c 517. No período de recuperação alimentar (ad libitum). SGARBIERI.0 ± 41.1 ± 72. Nutrire: rev.7 ± 53.3b (*) Valores expressos como média (± desvio padrão) de 05 animais por tratamento. C.0 ± 1.= J. com isso observa-se que não houve diferença estatística entre as dietas estudadas.7 ± 1. V.

De acordo com Voltarelli e Mello (2008) e Winick (1970) há três fases de crescimento para todos os órgãos: na primeira fase ocorre um aumento no número de células (hiperplasia) e os tamanhos das células (hipertrofia) permanecem constantes. SP.. São Paulo. neste estudo.= J. sendo que na ausência do aporte calórico eficiente. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. entretanto. apresentou um crescimento reduzido em relação ao peso corporal. a desaminação dos aminoácidos para que possam ser oxidados ou transformados em glicídios ou lipídios. Alim. gelatina e mistura de ambas). SILVA. mas com menor velocidade do que na primeira fase. A qualidade proteica. estão de acordo com os resultados apresentados por Mazeti e Furlan (2008). Nutr. Nutrire: rev. Soc. 1-21.. No período de restrição alimentar. ocorre um crescimento hiperplásico. transformação do excesso de glicídios e proteínas em lipídios. Bras. portanto. (2006). mostrando que o ATL apresenta menor valor biológico em comparação às demais fontes proteicas estudadas por Pádua et al. G. fabricação de várias proteínas do sangue. V. 1. para manutenção dos níveis de glicose sanguínea (GOBATTO.OLIVEIRA. (2006). abr. na segunda fase o número de células continua aumentando. A. O crescimento de qualquer órgão pode ser causado pelo aumento no número de células (hiperplasia). 1991). SGARBIERI. a quantidade e a digestibilidade são de extrema importância para a dieta. Food Nutr. dentre elas podemos citar: o armazenamento de diversas vitaminas. O fígado funciona como um laboratório químico realizando diversas funções vitais do organismo. a partir dos aminoácidos essenciais. ocorrendo nesta fase o crescimento provavelmente por aumento celular (hiperplasia). ocorre um aumento de tamanho das células que é caracterizado por crescimento hiperplásico e hipertrófico. O ATL apresenta um perfil de aminoácidos incompleto. o grupo (CP) mostrou crescimento hepático elevado. por aumento no tamanho das células já existentes (hipertrofia) ou por ambos. liberação de glicose para os vários órgãos. principalmente. v. 15 . os aminoácidos serão utilizados como substrato da via gliconeogênese. MARTINS. que encontraram um peso médio de fígado de 3. deficiência no aminoácido leucina. C. 2011. fabricação dos demais aminoácidos do corpo. Essa deficiência afetou diretamente o valor de PDCAAS (91%). Os valores nutritivos das proteínas dependem principalmente da capacidade destas em suprir as necessidades do organismo de todos os aminoácidos dieteticamente indispensáveis. entre outras (MALAFAIA. 36. D. Nossos resultados são superiores aos apresentados no estudo de Naves et al. baixo consumo calórico e o estado fisiológico do organismo. n.3g em ratos que ingeriram diferentes fontes proteicas (caseína. e ação desintoxicante. por serem indicadores do fornecimento de quantidades significativas de aminoácidos essenciais e retenção nitrogenada. Os resultados apresentados. indicando um catabolismo e anabolismo normal. que mostram que a restrição alimentar reduz a taxa de crescimento ponderal e linear de ratas Wistar. 2009). p. A repercussão da restrição alimentar sobre o fígado depende das condições experimentais no período em que foi provocada a condição de carências e. A eficácia da proteína é afetada por alguns fatores como: baixo consumo proteico. o grupo com ATL. por apresentar deficiência em leucina. o tempo de duração desta condição. (1997) e Pires et al. Brazilian Soc.

Segundo Giacomelli e Natali (1999). não comprometeu drasticamente os constituintes celulares (DNA. funcionaram como uma barreira contra perdas drásticas de tecido muscular. A desnutrição proteica promove uma redistribuição funcional das proteínas musculares. Neste estudo. 1962). fase do crescimento hiperplásico (ENESCO. que observaram que uma restrição calórica (40%) imposta por três semanas em ratos 16 . tanto o tecido adiposo quanto o tecido muscular esquelético são consumidos objetivando a manutenção da homeostase. Portanto. com 21 a 42 dias continua a hiperplasia em todos os órgãos exceto no cérebro e pulmão. que apresentou um perfil dos aminoácidos inferior devido à deficiência no aminoácido leucina. que caracteriza-se 10 dias antes do nascimento e até 17 dias após o nascimento. para disponibilizar nitrogênio necessário para a síntese de proteínas teciduais. ou seja. as fases de crescimento dos ratos estão distribuídas da seguinte forma: de zero a 21 dias de vida ocorre a hiperplasia celular em todos os órgãos. Soc. G. São Paulo. pâncreas e intestino. LEBLOND. Esses resultados estão de acordo com os encontrados por Oliveira.= J. e de 65 a 86 dias ocorre a hipertrofia das células em todos os órgãos.. (1996). talvez porque. um crescimento hipertrófico. SP. Resultados semelhantes foram encontrados por Albanes et al. Nutrire: rev. A. Food Nutr. RNA e proteína total). isso ocorreu provavelmente devido ao aumento na massa muscular. Paulo e Fujimori (2000) e Boza et al. o teor de proteína foi elevado 17g/100g de dieta. SGARBIERI. Neste estudo. 1-21. A restrição energética estimula processos hepáticos de glicogenólise e gliconeogênese na intenção de manter a glicemia e disponibilizar a glicose para órgãos mais nobres como o cérebro. Brazilian Soc. o elevado teor de proteína e a qualidade no perfil dos aminoácidos essenciais apresentados pelas fontes proteicas utilizadas. o fígado utiliza como substrato a glicose (hepática). Na etapa de recuperação (ad libitum) com a normalização da ingestão calórica. V. ela não tenha ocorrido durante o período mais intenso de divisão celular. provavelmente.. (1990). 36. observa-se apenas o aumento no tamanho das células. Bras. D. Os resultados para o desenvolvimento celular hepático indicaram que a restrição alimentar realizada após o desmame. 2011. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. mas o tamanho celular permaneceu constante (hipertrofia). 1. Assim. com a finalidade de serem utilizados por órgãos como fígado. Nutr. Como consequência. A única exceção foi o ATL. observamos que durante o período de restrição alimentar o peso do fígado dos animais experimentais apresentou uma redução por crescimento hiperplásico (número de células). os grupos de animais rapidamente entraram em equilíbrio homeostático aprimorando seu peso e alcançando o peso do grupo (CP). Na terceira fase. p. abr. exceto no tecido linfoide. há liberação de aminoácidos a partir do consumo muscular. v. os lipídios (dos adipócitos) e os aminoácidos provenientes de proteólise da massa muscular esquelética. o grupo com ATL que apresentou deficiência no aminoácido essencial leucina foi o mais afetado pelo processo de restrição calórica. C. Para realizar a gliconeogênese.OLIVEIRA. ou seja. pâncreas e intestino. Alim. que observaram que a restrição calórica interfere e reduz a síntese de proteínas devido à redução na disponibilidade de aminoácidos essenciais e não essenciais. n. fígado.

NADP+) e interferindo na divisão de tecidos aumentando a replicação de DNA e a síntese de RNA. sugere que o crescimento do órgão se deu principalmente pela hipertrofia celular. Os índices de RNA apresentados neste trabalho foram superiores aos resultados obtidos por Barbosa e Santiago (1994). que observaram o efeito da restrição alimentar sob crescimento de ratas adultas (6. diferindo apenas de T0. recém-desmamados resultou em uma redução na síntese de DNA. SGARBIERI. quando comparado com os animais controle. Bras.. A.= J. na passagem da restrição para a recuperação alimentar (ad libitum). MELLO. regeneração de novos tecidos após lesão ou relativa deficiência nutricional é aumentada. e consequentemente menor síntese de DNA e divisão dos hepatócitos. devido à menor capacidade de divisão celular e síntese de DNA. n. D. Sendo assim. G. Os resultados do estudo estão de acordo com os realizados por Carrillo et al. abr. V. NAD+.OLIVEIRA. funcionando como cofatores na reação de oxidação e redução (FAD. Goodman e Ruderman (1980). São Paulo. Neste período. 1-21. SP. Nutrire: rev. por aumento da massa tecidual sem aumento no número de células. De acordo com Rossi. principalmente. Soc.7mg/g). mesmo sendo o ATL uma fonte de nucleotídeos que atuam na replicação de DNA e na síntese de DNA. que o autolisado de levedura (ATL) apresentou bons teores 17 . Xavier e Rutz (2007). a relação PT/DNA não diferiu entre os tratamentos. conforme indicam os resultados dos quocientes RNA/DNA e PT/DNA. O perfil incompleto de aminoácidos na dieta e a escassez de energia durante a fase de restrição alimentar indicou menor divisão celular no grupo com ATL. indicação de uma redução no processo de hiperplasia (aumento no número de células) e um aumento no processo de hipertrofia (aumento no tamanho celular) pela normalização da energia e maturidade dos animais. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. 36. Durante o período de recuperação alimentar (ad libitum). Food Nutr. 2011. Brazilian Soc. o concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL) e a caseína comercial (CC) são excelentes fontes de proteína. C.. O tratamento com ATL apresentou a menor capacidade de crescimento por hiperplasia (multiplicação celular) ou menor número de células. não houve aumento na demanda por nucleotídeos durante a divisão celular e crescimento (VOLTARELLI. o menor conteúdo de DNA e o aumento na síntese proteica indicam que o crescimento do fígado no grupo com ATL ocorreu. observamos uma normalização na velocidade de divisão celular e na síntese de DNA. 1. Nutr. CONCLUSÕES Do presente estudo resultaram os seguintes resultados: – A análise centesimal das fontes proteicas estudadas evidenciou que. os nucleotídeos têm um papel fisiológico importante no organismo como fonte de energia na forma de ATP e GTP. A indicação de que os números de núcleos/órgão diminuíram e o tamanho dos núcleos aumentaram. sendo que a participação dos nucleotídeos na síntese de RNA. Neste estudo. p. 2008). (1996). Lourenço (1975) e Morgan e Peters (1971). Alim. v.

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22 .

A. 2Nutricionista e Mestre em Nutrição pela Universidade Federal de Viçosa.. height. Nutr. 2011. In fact. F. A. The conclusion is that the Food Bank has emphasized the menu variety. Endereço para correspondência: Bruna Carla Silveira Rua Vesta. Keywords: Child. since there was an expressive improvement in the supply of nutrients. MICHELE PEREIRA NETTO2. 1. p. BRUNA CARLA SILVEIRA1. 23 . E-mail: bcsilveira10@hotmail. P. SANDRA APARECIDA VIEIRA NEIVA NOLASCO1. Bras. Belo Horizonte . Nutrients. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais Impact of food complement supplied by a food bank on the nutritional status of children aged 1 to 6 years in a daycare center in Ibirité/Minas Gerais ABSTRACT SILVEIRA. height/ age – were influenced by food donations. S. Brazilian Soc. NETTO.Artigo original/Original Article Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. A. Docente do Curso de Nutrição da Universidade Federal de Juiz de Fora. M. The following parameters were evaluated during three consecutive days: weight. São Paulo. = J. State of Minas Gerais. The objectives of this study are to study the availability of food and the impact of the Food Bank donations on the nutritional status of children aged 1 to 6 years at a daycare center in the city of Ibirité. The indices assessed – weight/height. which aims to take food and redistribute it to registered philanthropic entities. weight/age. since it is believed that in the long term. n. Feeding. V. N. body mass index/age. this is very relevant. 3Nutricionista..and macronutrient adequacy. COSTA. Brazil. SP. v. 36. NOLASCO. B.. Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Minas Gerais. C. making it possible to reach micro. abr.. an outstanding one is Prodal Food Bank. FABIANA MARIA DA COSTA3 1Nutricionista pelo Centro Universitário UNA. VALÉRIA APARECIDA ALVES LOPES1. Bairro Alto dos Pinheiros. LOPES. a positive impact on the nutritional status of the children will be rendered. Coordenadora do Prodal Banco de Alimentos.com Instituição vinculada ao trabalho: Centro Universitário UNA – Belo Horizonte/MG. Alim. Soc.. Nutrire: rev. nº 50. 23-35. Among the existing food and nutrition programs. even as in menu. Food Nutr. Impact of food complement supplied by a food bank on the nutritional status of children aged 1 to 6 years in a daycare center in Ibirité/Minas Gerais.MG. and control of the menu given to the children. Nutritional Status. The research was carried out in a cohort with 45 children. M. V.

V. A. altura y registro de los alimentos ofrecidos a los niños de la institución durante tres días consecutivos.. ya que la oferta de nutrientes sufrió una mejoría significativa. r essalta-se o Pr odal Banco de Alimentos. COSTA. Soc. Os índices avaliados peso/ estatura. El objetivo del estudio fue evaluar la disponibilidad de alimentos y el impacto de la distribución de alimentos por el Banco de Alimentos en el estado nutricional de niños de 1 a 6 años de un jardín infantil en Ibirité. 23-35. Palabras clave: Niños. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. N. uma vez que houve expressiva melhora de oferta de nutrientes. F. C. a longo prazo. La conclusión es que el Banco de Alimentos permitió variar el menú posibilitando el alcance de niveles adecuados de macro y micronutrientes. B.. Alimentação. M. P. S. altura e averiguação do cardápio oferecido às crianças da creche durante três dias consecutivos. que tiene como objetivo aprovechar alimentos y distribuirlos entre instituciones filantrópicas registradas. Alim. Dentr e os pr ogramas de alimentação e nutrição existentes. IMC/edad. n. estatura/edad se modificaron por la distribución de alimentos y también el menú ofrecido. Estado nutricional. Alimentación. assim como no cardápio. A. O objetivo desse estudo foi avaliar a disponibilidade dos alimentos e o impacto das doações fornecidas pelo Banco de Alimentos. Nutrientes. Banco de Alimentos. estatura/idade sofreram interferência após as doações de alimentos. 1. peso/idade. A pesquisa foi realizada em uma coorte de 45 crianças. Nutrimentos. abr. V. que tem como objetivo aproveitar alimentos e distribuí-los às entidades filantrópicas cadastradas. Nutr. seja constatado um impacto positivo no estado nutricional das crianças. puesto que se espera que a largo plazo provoque un impacto positivo en el estado nutricional de los niños. 36. possibilitando atingir a adequação de micro e macronutrientes. Brasil. p. Foram utilizados peso. Conclui-se que o Banco de Alimentos promoveu um cardápio variado. pois acredita-se que.= J. A. LOPES... los datos utilizados fueron peso. São Paulo. Tal fato é de extrema relevância. La investigación fue conducida con un grupo de 45 niños. MG. 2011.. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. SP. Bras. no estado nutricional das crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/MG. Los índices evaluados: peso/estatura. 24 . NETTO. Palavras-chave: Criança. peso/edad. Brazilian Soc. Food Nutr. v. Nutrire: rev. Esta observación es de extrema relevancia. M. índice de massa corporal/ idade.SILVEIRA. RESUMEN RESUMO Entre los programas de alimentación y nutrición existentes sobr esale el Prodal. NOLASCO. Estado nutricional.

. higienizados. Minas Gerais. estatura/idade. a alimentação equilibrada possui um papel expressivo para o crescimento e desenvolvimento adequados (GIUGLIANI. C. pois visam à prevenção de deficiências alimentares. De acordo com o Tribunal de Contas da União.. NETTO. 36. ressalta-se a avaliação dietética que pode revelar as inadequações de micro e macronutrientes (CRUZ et al. SCHOEPS. 2000). emprega-se a referência da Organização Mundial de Saúde (OMS) (2006/2007). O presente trabalho tem como objetivo avaliar a disponibilidade dos alimentos e o impacto da complementação alimentar fornecida por um Banco de Alimentos no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/MG. 2011.. Soc. Brazilian Soc. LESSA. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. 2000). Betto (2003) e Brasil (2005). v. 2009). N. Na infância. CAMPOS. V. P. estes são selecionados.. n. pela facilidade e baixo custo (SIGULEM. 2008). 25 . COSTA. 1. Nesta idade..= J. entre outras. presença ou ausência de enfermidades. o método mais utilizado é a antropometria. 2007). abr. 2001).. Dentre os demais métodos de avaliação nutricional. Na avaliação nutricional de determinada população ou grupo social.SILVEIRA. que tem como objetivo aproveitar os alimentos sem valor comercial. 2008. peso/estatura e IMC/idade na avaliação de crianças e IMC/idade e estatura/idade para adolescentes (LEONE. A adequação do estado nutricional é reflexo do equilíbrio da alimentação e para que seja avaliada necessita-se conduzir uma investigação nutricional (ARAÚJO. VASCONCELOS. p. o Banco de Alimentos é um dos programas de alimentação e nutrição existentes. Food Nutr. VICTORA. 2005. utilizando-se os índices peso/idade. LOPES. M. A. Atualmente. VELHO et al. o estado nutricional também está relacionado com as características socioeconômicas. São Paulo. é importante que esta seja adequada tanto do ponto de vista energético quanto na quantidade de macronutrientes e micronutrientes. visam oferecer alimentos seguros e acessíveis em quantidade e qualidade suficientes (BRASIL. no ano de 2009. V. A. M. NOLASCO. principalmente na faixa etária infantil (MARTINS et al. METODOLOGIA Realizou-se um estudo experimental do tipo coorte em uma creche filantrópica em Ibirité. BERTOLI. 2005). Brasil. Nutrire: rev. os programas de alimentação do Governo Federal destinados ao grupo infantil. Alim. além de uma alimentação segura. condições ambientais.. Bras. embalados e distribuídos gratuitamente às entidades filantrópicas cadastradas. DEVINCENZI. 23-35. S. Cabe destacar ainda que. Diante da magnitude das deficiências nutricionais e da importância da alimentação adequada na infância. INTRODUÇÃO Os programas de alimentação e nutrição são extremamente relevantes. SP. que por sua vez determinam agravos à saúde das populações mais vulneráveis. instituição selecionada para receber doações pelo Prodal Banco de Alimentos. A.. mas que ainda são próprios para o consumo. Nutr. F. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. assim como em todo o ciclo vital. Para tal. B.

A. n. V. 2000. Alim. Bras. 26 . foram utilizados os parâmetros da OMS 2006/2007. 1997. Na verificação da melhoria do cardápio após a doação do Banco de Alimentos. NETTO. quarenta dias após o início das doações. de todas as refeições (desjejum. por meio do programa WHO ANTRHO versão 3. A participação das crianças. Utilizou-se o teste de Wilcoxon para verificar as diferenças antes e após as doações de alimentos e o teste de Qui-Quadrado para avaliar mudanças nas frequências de inadequação do estado nutricional nos diferentes momentos do estudo. proteínas. Utilizou-se as DRIs como referência (INSTITUTE OF MEDICINE. p. vitamina C. marca Welmy®. LOPES. 36. almoço. V. foi utilizado o Software Avanutri® para quantificar vitamina A. acompanharam-se em período integral. já para estatura/idade. durante três dias consecutivos e com registro fotográfico. As crianças foram pesadas descalças (com o mínimo de roupa possível) por meio de uma balança digital. marca Sanny® com as crianças em pé. Nutr. Para a análise dos dados dietéticos. Os dados antropométricos foram apresentados em escore-z. Soc. São Paulo..= J. encostadas na parede e com a postura ereta. 2004).SILVEIRA. P. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário UNA – União de Negócios e Administração.. lipídios e energia de todas as refeições presentes no cardápio. foram determinados os percentuais de aumento dos nutrientes entre o primeiro e último dia de avaliação. COSTA. N. lanche e jantar) oferecidas às crianças da creche. no estudo. correspondendo a um total de 45 crianças. Na avaliação dos dados antropométricos.. C. As medidas das crianças menores de dois anos foram obtidas com a mesma na posição horizontal (BRASIL. 2011. O registro fotográfico das porções foi realizado com objetivo de facilitar. a inadequação foi caracterizada quando os valores eram inferiores a -2 escore-z. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. a conversão da porção de medidas caseiras para os valores em gramas ou mililitros de alimentos. NOLASCO. peso/estatura e IMC/idade. As análises estatísticas foram feitas nos programas Epi Info 6 e Sigma Stat. Para análise dietética. Para os parâmetros peso/idade. 2002). visto que não se procedeu à avaliação individual da dieta e sim a avaliação do cardápio da creche. O levantamento de dados ocorreu em duas etapas. M. no momento em que eram servidas as porções em medidas caseiras. sendo a primeira antecedente às doações de alimentos e a segunda. 2001. S. Food Nutr. F. em momento posterior. A. ferro. por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. aproximadamente. ocorreu após autorização e consentimento dos pais ou responsáveis.0. abr.. 23-35. 1. B. carboidratos. Brazilian Soc. marca Sony®. Nutrire: rev. Os dados antropométricos coletados foram peso e altura. M. consideraram-se inadequados os valores inferiores a -2 ou superiores a +2 escore-z. cálcio. por meio da câmera digital. Todas as crianças de um a seis anos presentes no dia da avaliação antropométrica foram avaliadas. Cabe destacar que foram feitas avaliações de disponibilidade e não consumo de alimentos pelas crianças. v. SP.. A.1. A estatura foi medida através da fita inextensível.

84 -3.6 1. Comparando a evolução das medianas entre a primeira e a segunda avaliação pelo teste de Wilcoxon. peso/idade. Antes = valores antes do recebimento das doações. Após = valores após recebimento das doações do Banco de Alimentos.21 1. abr.01 0. após todo processo de higienização. O recebimento e distribuição das doações são realizados diariamente pelo Banco de Alimentos. 2011. *Apenas para as crianças menores de 5 anos. Bras. Ao analisar os indicadores peso/estatura.6 1. V. na faixa etária de um a seis anos. Dentre as 51 crianças matriculadas. São Paulo.09b Antes 0. Por se tratar de um Banco de Alimentos da Central de Abastecimento de Minas Gerais . peso/estatura e IMC/idade. Food Nutr..16 0.28 Antes -1. Alim. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais.23 Após 0.32 0.= J. P.42 Após 0. B.90 1.27 0. apesar da permanência dos desvios nutricionais. COSTA. a≠b: teste de Wilcoxon. sendo 19 (42.08a Após 0. N.93 5. Nutrire: rev.02 Antes 0.10 0. 36.15 -0.28 0.4 -1. as principais categorias de gêneros recebidas pelo banco são as doações de frutas e hortaliças − recebidas em sua maioria dos doadores do entreposto da CEASAMINAS. A. evidenciou-se que houve melhoria das médias. Soc. índice de massa corpórea (IMC)/idade. entretanto.. peso/idade. n. pois. M.47 0. A. Nutr. SP. Já a baixa estatura esteve presente 27 . C. A.7 5.54 2.42 0.2%) do gênero feminino e 26 (57.38 Mediana DP Min Máx DP = Desvio padrão. 45 (88.CEASAMINAS.. RESULTADOS As doações fornecidas pelo Prodal Banco de Alimentos são baseadas em alimentos não perecíveis e perecíveis. A tabela 1 mostra que as médias e medianas encontram-se na faixa de eutrofia (valores entre -2 e +2 escore-z) dos índices peso/estatura. embora os valores mínimo e máximo tenham apresentado desvios nutricionais como: baixo peso e sobrepeso.4 -2..16 Após 1. de acordo com os índices peso/idade. 23-35.8%) do gênero masculino.43 -1.SILVEIRA. M.05 2.008).12 Após -1. pode-se observar as frequências de inadequação encontradas. com boa qualidade. 1.2%) participaram da pesquisa.14 -0. NOLASCO. inclusive nos valores mínimos e máximos de escore-z.88 1.53 1. p. IMC/ idade e estatura/idade após o recebimento das doações e compará-los com os valores iniciais. v.26 Antes 2. mas sem valor comercial – posteriormente distribuídas às entidades cadastradas.55 0.18 0. percebeu-se que houve uma mudança significativa no índice estatura/idade (p = 0. A participação das crianças na pesquisa não foi integral. para os demais índices não se encontraram diferenças estatísticas. Na tabela 2. F. Brazilian Soc.10 0.65 -2. S. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. Máx = Valor máximo. nem todos os pais assinaram o Termo de Livre Consentimento. Tabela 1 – Medidas de tendências centrais dos índices antropométricos estabelecidos em escore-z nas crianças de 1 a 6 anos. V.26 0. LOPES.. NETTO. Min = Valor mínimo.17 -5. antes e após o recebimento de doações pelo Banco de alimentos Média Índice Antes P/E* P/I IMC/I E/I 0.

2011. v.3% para 726. 36.2 97. Tabela 2 – Estado nutricional segundo índices antropométricos das crianças de 1 a 6 anos antes e após o recebimento das doações pelo Banco de Alimentos Estado nutricional Baixo peso (%) Eutrofia (%) Sobrepeso (%) Peso/idade Antes 2. Food Nutr.. Soc. É importante ressaltar que as recomendações nutricionais estabelecem valores diários de referência.3%. Após = valores após recebimento das doações do Banco de Alimentos. S.3% e proteínas de 220.2 95. F. após o recebimento das doações de alimentos. 1. NETTO. Verificou-se que o percentual de adequação de vitamina C passou de 114. Em relação ao percentual de adequação de vitamina A. destaca-se que para os nutrientes vitamina A e C. em 4. desta forma.6% para 131. apontando uma melhora significativa..3% para 204. espera-se que a criança tenha sua alimentação complementada em casa.EER.EAR após as doações de alimentos. as diferenças foram estatisticamente significantes.AI. V. Nutr.2 Após 0 93. respectivamente.8 0 Após 0 100 0 Antes = valores antes do recebimento das doações.= J. A.1% para 291. p. as diferenças nos valores oferecidos antes e após a doação do Banco de Alimentos foi estatisticamente significante. o ferro de 143. Para os nutrientes: vitamina A.6%. apresentaram valores abaixo do recomendado.3%. cálcio.9%. Bras. após o recebimento das doações de alimentos. A. proteína de 123.4%. 23-35. para todos os índices antropométricos. porém para as crianças de 1 a 3 anos é acrescida a mamadeira. vitamina C e ferro. COSTA. n. B. C.8% para 275. a adequação ultrapassou satisfatoriamente as recomendações estabelecidas pela EAR. vitamina C de 97. P. Nutrire: rev. segundo Ingestão Adequada . A tabela 4 demonstra que os valores referentes à vitamina A passou de 83. Necessidade Média Estimada . N.. M. permanecendo acima das recomendações da Necessidade Média Estimada . Brazilian Soc.5%. A tabela 3 evidencia que houve uma melhora expressiva no percentual de adequação. LOPES. Observou-se também que o VCT do cardápio das crianças de 1 a 3 anos apresenta valor superior em relação ao cardápio das crianças de 4 a 6 anos. já a alimentação oferecida na creche não objetiva atender ao mesmo período. abr.7%. constatou-se uma mudança de 91. demonstrando claramente que a inclusão dos alimentos doados obtiveram impacto positivo.4 6. Já os nutrientes. pois os alimentos oferecidos são os mesmos para ambas as faixas etárias.7% para 567. ferro de 105. São Paulo.6 Peso/estatura Antes 0 97 3 Após 0 100 0 IMC/idade Antes 2.. M. A inadequação do estado nutricional não diferiu estatisticamente entre as duas avaliações e nem entre os sexos.13% para 165.EAR e Estimativa da Necessidade Energética . NOLASCO.6 2. SP. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. 28 . o que confirma que. A.8% para 229.. tanto antes quanto após as doações. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. carboidrato e aporte energético. V. Tais resultados são semelhantes aos representados na tabela 3.4% (n=2) das crianças tanto antes quanto após a doação de alimentos.SILVEIRA. Alim. como demonstrado na tabela 4.

Tabela 4 – Análise do valor nutricional do cardápio oferecido às crianças de 4 a 6 anos referente a média de três dias consecutivos..1** ND 68.4 24. Após = valores após recebimento das doações do Banco de Alimentos.29 88.13 62.8 68.67** 204.05 25.43d 293.46# %Adequação Antes 91.31 103.= J.26b 124. a≠b.6** %Adequação Após 291. c≠d.46 4.14 ND 50. Bras. p.000. A. Após = valores após recebimento das doações do Banco de Alimentos.8# %Adequação Antes 83. c≠d: teste de Wilcoxon. NETTO. Nutr. 23-35. a≠b. A.80** 105. 36. B. Alim.26** ND 76.42 Média Após 611.43 4. e≠f: teste de Wilcoxon.3 726.86c 250.47 81.13f 30. * = AI (Ingestão Adequada). A (µg/d) Vit.3 50. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. Nutrire: rev. Food Nutr. ND = Não determinado.378...2** Antes = valores antes do recebimento das doações.36 6. A.66 Média Após 632.Estimativa da necessidade energética (obtido com os valores médios de idade. antes e após o recebimento das doações de alimentos Nutrientes Vit. S.64 26. peso e altura).7 165. SP. Brazilian Soc. M.Estimativa da necessidade energética (obtido com os valores médios de idade. # = EER. São Paulo.83 5.53a 21.5** ND 41. ND = Não determinado.5c 238.8** 97.33 18.93b 94.6 123. COSTA.3 275.9 567. # = EER. Soc.4 37. v. peso e altura).6** 79. M. 1.89** %Adequação Após 229.89 20. NOLASCO.3 58. * = AI (Ingestão Adequada). P. C (mg) Ca (mg) Fe (mg) PTN (g) CHO (g) LIP (g) VCT (Kcal) Média Antes 191. C (mg) Ca (mg) Fe (mg) PTN (g) CHO (g) LIP (g) VCT (Kcal) Média Antes 230.SILVEIRA.86 577. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. ** = % de Adequação abaixo da EAR.36** Antes = valores antes do recebimento das doações. 2011. abr.3 19. F.. C. Tabela 3 – Análise do valor nutricional do cardápio oferecido às crianças de 1 a 3 anos referente à média de três dias consecutivos.52 EAR 210 13 500* 3 11 130 ND 1.7 29.1 15 130 ND 1.46 762.60** 131.84 102. N.08** 143.39 694.4a 14. 29 . ** = % de Adequação abaixo da EAR..83d 300.3 220. n. antes e após o recebimento das doações de alimentos Nutrientes Vit. V. A (µg/d) Vit.44 EAR 275 22 800* 4.3e 24.1** 114. V. LOPES.07 686.5 79.

peso/idade. É importante ressaltar que todos os programas voltados para a segurança alimentar do país devem estar interligados devido à alta complexidade destas ações (PESSANHA.. abr. sofreram pouca interferência após as doações de alimentos. 2007. Os resultados obtidos no estudo mostram que os índices antropométricos. 2006). é de extrema importância estudos que versem sobre a ingestão de nutrientes adequados e 30 .. houve um aumento significativo tanto de macro e micronutrientes. Apesar da pouca interferência. é importante lembrar que os índices antropométricos podem ser considerados indicadores benéficos para a saúde. pois a primeira ocorre mais precocemente que a segunda. p. V. 2006). TAKAGI. Brazilian Soc. 2006. P.SILVEIRA. NETTO. O conjunto de ações de tais políticas implica também a melhoria do aspecto social... M. sendo as mudanças ponderais mais significativas que as estaturais. Embora não tenham sido notados valores estatisticamente significativos para todos os índices antropométricos. contribuindo para a melhoria da alimentação e do estado nutricional e de saúde da população beneficiada. COUTINHO. SCHIMITZ. SUBAR. 2006. COSTA.. Destaca-se a importância da avaliação dietética na detecção de situações de risco alimentar e nutricional para grupos populacionais (TUMA.. IMC/idade e estatura/idade. COSTA. esse fato não assegurou o desaparecimento da fome e da desnutrição. SILVA. provavelmente devido ao curto tempo entre as avaliações. Nutr. A. Bras. a fim de obter resultados satisfatórios para os beneficiários (BELIK. por lei. fato esperado. LOPES. 36. peso/ estatura. v. et al. o direito humano à alimentação. o que pode impactar positivamente no estado nutricional das crianças e diminuição dos problemas nutricionais. São Paulo. visam à segurança alimentar e nutricional das pessoas que vivem em situação de maior vulnerabilidade social. ADVÍNCULA. apesar de o crescimento mundial da produção de alimentos. garantindo-se. SOARES et al. B. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. Nutrire: rev. Food Nutr. existentes no Brasil. HIRAI. A. 2001. O Banco de Alimentos é um dos programas de alimentação que tem por finalidade evitar o desperdício e combater a fome (BELIK. n. DISCUSSÃO De acordo com Batista Filho (2003)... MELNIK et al. Soc. pois possibilitam analisar a evolução física alcançada (FERNANDES. conduzindo ao bem estar. no Brasil. NOLASCO. F. qualidade e a regularidade. 2011. 2005). A. 2003).= J.. perceberam-se pequenas diferenças como a melhora nos percentuais de inadequação e das médias de escore-z. 2004). Apesar de não terem sido avaliados os parâmetros bioquímicos nas crianças da creche. SP. ANJOS. Já na avaliação do cardápio oferecido pela creche. 23-35. S. 1998. As políticas públicas de combate à fome. A acessibilidade alimentar deve ser baseada em três pilares: quantidade. 1. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. Alim. Outros estudos também relatam o papel relevante da averiguação do consumo dietético na infância. N. GALLO. V. 1992). LUCATELLI. C. pois a alimentação influencia de forma expressiva na promoção da saúde e na prevenção de doenças (BARBOSA et al. M.

Food Nutr. metabolismo. SP. S. evidenciam-se consideráveis desigualdades sociais e econômicas.. e a partir desta evidenciou-se aumento no aporte de vitamina C. Na análise do cardápio oferecido às crianças da creche. No presente estudo. C. 2004. nesta fase da vida. Bras. fato que pode justificar a ocorrência da deficiência da vitamina C (COSTA et al. B. V. estima-se que existam 2. 2006). A.. N. v. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. COSTA.= J. formação dos ossos e dentes (GERMANO. o que contribui.. SOARES. São Paulo. LANZILLOTTI. na faixa etária de 1 a 3 anos. tanto em quantidade quanto em qualidade. As crianças em idade pré-escolar estão entre as populações de risco com mais probabilidade de deficiência de ferro. houve uma melhora expressiva na disponibilidade média de ferro. Soc. SZARFARC.UNICEF (1998) e Tonete.. torna-se importante a presença desse nutriente na alimentação da população (BRUNKEN. desenvolvimento cognitivo e fisiológico. 2004). Nutrire: rev. M. 1999).SILVEIRA. crescimento. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. Brazilian Soc. HENN. importante para o sistema imunológico. auxilia no crescimento. fato que contribuiu para o aumento significativo de vitamina A e vitamina C e que pode acarretar um papel relevante para o desenvolvimento das crianças. 2011. NOLASCO. A. Alim. atingindo principalmente crianças (ODORIZZI. A vitamina A é um nutriente essencial. Carvalhaes e Trezza (2003). LOPES. além de favorecer o sistema imunológico promovendo a saúde nesta faixa etária.. verificou-se que. A deficiência desse nutriente é considerada um dos principais distúrbios nutricionais presentes em grande parte da população dos países subdesenvolvidos. 36. CANNIATTI. Nutr. visão. 2005. que o fornecimento de uma alimentação adequada na infância. além de outros benefícios.. Diante da importância do ferro na alimentação das crianças. 31 . a deficiência. 2008.. (2000) no qual se aponta. 2005). A. p. implica a imunossupressão do sistema imunológico e limita a capacidade de aprendizagem e a socialização. BRAZACA. a deficiência de ferro é considerada de maior prevalência entre as carências nutricionais existentes. No Brasil. em longo prazo. o que contribui para prejuízos no seu desenvolvimento e propicia um problema de saúde pública (CASTRO et al.. observou-se um aumento relevante de vitamina A. Tal afirmativa é demonstrada no estudo de Silva et al. M. é preocupante porque poderá ter como consequência a anemia. mesmo sendo um país rico em frutas. PAIVA et al. n. houve uma variabilidade na ingestão de frutas e hortaliças no cardápio da creche.2 milhões de crianças brasileiras. após o recebimento das doações de alimentos. com níveis inadequados de vitamina A.. a fim de prevenir deficiências nutricionais. abr. V. E mais. Além disso. a alimentação. consiste em fornecer inovações ao paladar (BARBOSA et al. sua deficiência. reprodução. RAMALHO et al. 1. MATOS. SCHIMITZ et al.. mesmo em quantidade moderada. vegetais e hortaliças. F. os benefícios que estes representam à infância. sendo assim. acarretando prejuízos ao crescimento e desenvolvimento cognitivo (BARBOSA. Conforme revelado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância . ao comparar a primeira avaliação com a segunda. A distribuição de frutas e hortaliças é foco principal do Banco de Alimentos relatado neste estudo. 23-35. P. levando a inacessibilidade a estes alimentos. em idade pré-escolar. NETTO. 1998). para uma melhor biodisponibilidade de ferro. Com o recebimento das doações. Segundo Ramalho (2008).. 2001). 2007).

A. 2011. 5. n. v. LOPES. 36. De acordo com Fidelis e Osório (2007) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (1977) esses valores de proteína acima do recomendado.. FRANCO. reforçam os dados do Brasil que apontam a deficiência de energia mais constante do que a deficiência proteica. D. 1. n. Isso confirma os dados obtidos neste estudo. A. Soc. J.. e. SP. coagulação sanguínea e pressão arterial (FELIPE et al. 2. S. 159-166. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. S. bem como para a contração muscular. 7. M. 2001). além de ser importante para o funcionamento correto do sistema nervoso e imunológico. E. G. para todas as faixas etárias. a creche disponibilizava pouca variedade de alimentos no cardápio. C.. V. 19. p. R. R. 2. C.. FRANCO.. saúde matern. 23-35. v. n. Subsídios para a avaliação do estado nutricional de crianças e adolescentes por meio de indicadores antropométricos. p. E. Brazilian Soc. na dieta das crianças menores de dois anos no Brasil. São Paulo. já que os alimentos doados pelo Prodal Banco Alimentos não são fontes ricas desse componente. P. A ingestão de proteína. CONCLUSÃO O Banco de Alimentos teve um papel relevante na alimentação oferecida às crianças da creche. R. BRIGHENTI. SOARES. Consumo alimentar de crianças com base na pirâmide alimentar brasileira infantil. SALLES-COSTA. Nutr. 2008. A. C. constatou-se assim. 2006. Na análise do cálcio oferecido às crianças. Alim.. SALLES-COSTA. visto que. E.. Do ponto de vista antropométrico. M. bras. M. p.. REFERÊNCIAS/REFERENCES ARAÚJO.. BARBOSA. R. Bras. C. F. V. CROCCIA. V. S. CARVALHO. SALADO. BARBOSA. que avaliou a oferta desse mediador celular em seis creches. Brasil. também demonstrou que as crianças ingerem quantidades inadequadas do mineral. C. 2006). entretanto percebeu-se diminuição nos índices de distrofia. N. nutr. S. em que se observou um consumo proteico acima das necessidades recomendadas. v. NOLASCO. p. como mostrado no estudo multicêntrico de consumo alimentar (BRASIL. S. C. 32 . assim. FERNANDEZ. corroborando. B. G. Rio de Janeiro. A. Food Nutr. NETTO. v. infant.. a manutenção dos níveis de cálcio abaixo do recomendado. SOARES. B.. uma vez que o cálcio é um mineral essencial para o organismo. Rev. SOARES. p. após as doações de frutas e hortaliças houve uma melhora nos valores dietéticos... o pequeno aumento proporciona benefício para essas crianças. Porém. Outro estudo. Alim. 219-225. Nutrire: rev. 127-134. 1.. infant. 18. M. N. no início da pesquisa. 2005. H. LANZILLOTTI.= J.. n. CARVALHO.. a evolução foi pequena.. A. 633-641. saúde matern.. N. evidenciou-se que não houve um aumento entre as avaliações. C. nutr. 2003). 2007. R. com o impacto positivo no estado nutricional das crianças assistidas. Rev. A. CAMPOS. v. A.. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. devido ao seu papel no fortalecimento de ossos e dentes. V. abr.SILVEIRA. 2002. 6. M. Avaliação da ingestão de nutrientes de crianças de uma creche filantrópica: aplicação do consumo dietético de referência. T. é superior à recomendada. BARBOSA. o que prejudica a formação de sua massa óssea (SANTOS et al. bras. n.. COSTA... Avaliação do consumo alimentar de crianças pertencentes a uma creche filantrópica na Ilha de Paquetá. A.. Rev.

L. 1. 2002. L. 18. 2005. I. Perfil nutricional e consumo alimentar de crianças atendidas em creche filantrópica da cidade de Londrina . M. A... C. 17. Rev. p. p. F. F. 2001.. 21-32. Q. COSTA. C. S. p. v. v. Soc. Ferro: metabolismo. Sisvan: orientações básicas para a coleta.. S.. LEAL. G... p. M. 253-62. 7.. v. LUCATELLI. Rev. M.. BELIK. BRASIL. Alim. 6. G. n.. V. M. M. M. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. A. Brasília: Ministério da Saúde. Padrões de Alimentação nos primeiros dois anos de vida. F. nutr. B. saúde pública. ANJOS. Estud. (Série A normas e manuais técnicos. v. p. Rev. Produção científica em nutrição e percepção pública da fome e alimentação no Brasil. 36. A. 2003... 12.. v. v.. W. Nutr. 2001. Nutr. Avaliação do Programa Banco de Alimentos/Tribunal de Contas da União. 1. p. M. MOITA. Textos Contextos. 19. ADVÍNCULA. São Paulo. p. A. LOPES. B. F. A. 12-20. nutr. Brasília: Ministério da Saúde.. R. COSTA. Rev. SANTOS. G. SILVA. C. p... 2004. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. Secretaria de Fiscalização e Avaliação de Programas de Governo. 15. Brasília: UNICEF. p. Suplemento 3. Vigilância alimentar e nutricional. G. FUNDO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A INFÂNCIA. Número especial. 2007. F. FRANCESCHINI. M. CANNIATTI BRAZACA. R. Avaliação da qualidade de parâmetros minerais de pós-alimentícios obtidos de casca de manga e maracujá. p. Bras. Situação mundial da infância 1998: nutrição em foco.SILVEIRA. Alimentação complementar.. infant. ambiente socioeconômico e estado nutricional de pré-escolares de creches municipais. G. 14.. 2011. um estudo multicêntrico em universidades brasileiras. FIDELIS. 1998. São Paulo perspect. BRASIL. n. F. J. C. Da fome à Segurança Alimentar retrospectiva e visão prospectiva. Rev. FERNANDES. v. FELIPE. E.. R... G. B. saúde matern. A.. n. R. v.. p. BRIGHENTI. p. In: BRASIL. BRUNKEN. Cad. OSÓRIO. nutr.. 321-330. saúde matern... 2003 BELIK. G. M. 86-92. BATISTA FILHO. p. v. W. N. VICTORA. R. TERTO. 94-102.PR. O.. C. Saúde Soc. v. V. 1. nutr. 40. p.. Consumo alimentar de macro e micronutrientes de crianças menores de cinco anos no Estado de Pernambuco. n. S. n. FERNANDEZ. 76. bras. T. A. Rev. Efeito da suplementação com acerola nos níveis sanguíneos de Vitamina C e de hemoglobina em crianças pré-escolares. SP. M. 23-35. J. 2001. n.. SILVA. 2006. C. Perspectivas para a segurança alimentar e nutricional no Brasil. bras.. GALLO. 23-34. 63-74. 17. 2003. saúde pública. 119-129. Ministério da Saúde. Rev. A. p. Políticas de combate à fome no Brasil. G. 2003. RIVERA. excesso e toxicidade e recomendações. G. A. 4. Alim. F. 33 . G. Brazilian Soc. 217-222. M. Relator Ministro Ubiratan Aguiar. P. M. nutr.. Bras. BRASIL. Vitamin A – significance for human nutrition.. G.. n. 55-68. p... J. MAIA. 2000. n. P. L. Rev. SZARFARC. 1. E. P. Soc. 4. p. v. n. COSTA. CRUZ. v. HERNANDEZ.. C. Tribunal de Contas da União. 2. n. 14. A. S. A. n. v. COUTINHO. H. A. Brasília: TCU. M. 18. 2004. Caracterização do consumo alimentar. 335-353.. CARVALHO. C. análise de dados e informação em serviços de saúde. CASTRO. 1999. H. 29. NETTO.. HIRAI. 79-83. A.. C. J. n. Aliment. M. G. F. Ministério da Saúde. terra cultura. Rev. F. 1. A fome como questão política. 2006. GIUGLIANI. M. 107). 13-20. GERMANO. TAKAGI. SANTOS. v. 48. BETTO. av. n. v.. 53-61. M. NOVAES. 2007. abr. S. M. NOLASCO. processamento. 2006. São Paulo: subsídio para políticas públicas de saúde.. J.. COSTA. MOURA. Avaliação dietética em creches municipais de Teresina. 872-873.. Nutrire: rev.= J. M. 2. Food Nutr. F. M. L. v. v.. Brasil. pediatr. F. 1. p. J. S. TINÔCO. Avaliação antropométrica de pré-escolares do município de Mogi-Guaçú. Nutrire. P. Rev. 3. p. Estado e segurança alimentar: alcances e limitações de políticas públicas no Brasil. R. N. 2005. infant. 27. SALADO. 6. C. 19. T. Guia Alimentar para Crianças menores de dois anos. S. W. S. 37.

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36 .

75%) from surfaces used for handling ready-to-eat food items. Cidade Universitária. Nutr. aureus.5%).4.25%) and 105 CFU/cm2 (7. Contamination. São Paulo. ranged from < 101 (15%) from > 106 CFU/cm2 (13. ANA CAROLINY VIEIRA DA COSTA1. HELOÍSA MARIA ÂNGELO JERÔNIMO1.0 x 101 . Brasil. while for S. In the 48 surface samples collected in three food services at different times on the same day.. aureus the counts oscillated between <1. R. Soc. abr. L. 36.. V.87%) from surfaces used for preparing vegetables. 2011. and 14 (8. and S.CEP 58051-900.. M. p. the highest counts for Staphylococcus spp. CONCEIÇÃO. 1. L. Brazil. Bras. Generally. E-mail: evandroleitesouza@ ccs. (< 101 . 67 (41.Artigo original/Original Article Ocorrência de Staphylococcus spp.. COSTA. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição Occurrence of Staphylococcus spp. R.75%). respectively. and S.ufpb. Brazilian Soc. C. BARBOSA. Universidade Federal da Paraíba 2Laboratório de Bromatologia. E. QUEIROGA. RITA DE CÁSSIA RAMOS DO EGYPTO QUEIROGA2. João Pessoa. these counts were in a range from <101 . E.3.br 37 . Alim.0 x 105 CFU/cm2 to <1. H. n. aureus on surfaces used for preparing food in a food service ABSTRACT JERÔNIMO. EVANDRO LEITE DE SOUZA1 1Laboratório de Microbiologia de Alimentos. 37-48. A. Centro de Ciências da Saúde.5%) were collected from surfaces used for preparing meat. MARIA LÚCIA DA CONCEIÇÃO1. Centro de Ciências da Saúde. as well as the need for more adequate recommendations regarding the microbiological control of food-processing surfaces. SOUZA. M.. A. e S. Nutrire: rev.5. Out of 160 samples collected from ten different food services. 100% were contaminated by Staphylococcus spp. = J. C. M. aureus on surfaces used for preparing food in a food service. v. The counts of Staphylococcus spp. Universidade Federal da Paraíba Endereço para correspondência: Evandro Leite de Souza Universidade Federal da Paraíba Centro de Ciências da Saúde Departamento de Nutrição Campus I . Paraíba. These results show a possible inefficacy of the hygiene methods in the food production environment. I. Departamento de Nutrição.6 x 103 CFU/cm2 on surfaces used for preparing vegetables and meat over the day. State of Paraíba. Food and Nutrition Services. aureus on surfaces used for preparing foods in ten food services in the city of João Pessoa.0 x 101 CFU/cm2). Food Nutr. This study aimed to assess the occurrence and population kinetics of Staphylococcus spp. For S. Keywords: Staphylococcus. Occurrence of Staphylococcus spp.. aureus over a day were found on surfaces used for preparing vegetables. Departamento de Nutrição. 70 (43. and S.0 x 101 (81. SP. ISABELLA DE MEDEIROS BARBOSA1. and S.

También fueron recogidas 48 muestras de superficies de preparación de carnes y vegetales en diferentes momentos de un mismo día y que presentaron 100% de contaminación por Staphylococcus spp (<101 – 2.75%) de superficies de pr eparación de alimentos variados y 9 (5. das quais 100% apresentaram contaminação por Staphylococcus spp.4. L. 38 . QUEIROGA. A contagem de Staphylococcus spp.0 x 105 UFC/cm2 y < 101 e 3. Nutrire: rev. Contaminação.75%) foram de superfícies de preparo de carnes.. la necesidad de recomendaciones más adecuadas para lo control microbiológico de superficies en que se manipulan alimentos. R. abr. Paraíba.. e S. aureus la variación del conteo estuvo entre < 101 e 4.6 x 103 UFC/cm2. Do total de 160 amostras coletadas de 10 diferentes unidades de alimentação e nutrição. Este trabalho objetivou avaliar a ocorrência e dinâmica populacional de Staphylococcus spp. 37-48. L.63%) de superfícies de alimentos prontos. variou entre < 101 (15%) e > 106 UFC/cm2 (13. aureus fueron encontrados en las superficies de preparo de vegetales. Estos resultados muestran una posible ineficacia dos procedimientos de higienización del ambiente y también. 14 (8.0 x 10 5 UFC/cm 2 em superfícies de preparo de vegetais. Brazilian Soc..75%) fueron de super ficies de preparación de carnes.5%). contaminación. C. V. 67 (41.6 x 103 UFC/cm2.25%) e 10 5 UFC/cm 2 (7.87%) de superfícies de preparo de vegetais. 14 (8. Nutr. durante el día.JERÔNIMO. Soc. SOUZA. COSTA. aureus en superficies de unidades de alimentación y nutrición de la ciudad de João Pessoa. Ocorrência de Staphylococcus spp.87%) de superficies de preparación de vegetales. Food Nutr. CONCEIÇÃO. aureus estuvo entre <101 (81. A. Palavras-chave: Staphylococcus.9 x 105 UFC/cm2). H. 70 (43. I. Bras. 2011. Brasil. y S. M. M.0 x 105 UFC/cm2 e < 101 e 3. Estes resultados evidenciam uma possível ineficácia dos procedimentos de higienização do ambiente. 67 (41. Paraíba. Servicios de alimentación y nutrición. Alim. mientras que el conteo de S. Para S.. n. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição.75%). A.5%). 1. p. As mais altas contagens de Staphylococcus spp. 36. (< 101 – 2. C. Unidade de alimentação e nutrição.0 x 105 UFC/ cm2 en superficies de preparo de vegetales y para las superficies de preparación de carnes < 101 e 4. E.= J. enquanto que a contagem de S. De 160 muestras r ecogidas en diez unidades distintas de alimentación y nutrición. El conteo de Staphylococcus spp osciló entre < 101 (15%) y > 106 UFC/cm2 (13. bem como a necessidade de recomendações mais adequadas para o controle microbiológico de superfícies de processamento de alimentos. RESUMEN RESUMO Este trabajo ha evaluado la ocurrencia y la dinámica poblacional de Staphylococcus spp.9 x 105 UFC/cm2). 70 (43. enquanto para as superfícies de preparo de carnes as contagens oscilaram entre < 101 .25%) e 105 UFC/cm2 (7. v.75%). Para S. SP. aureus em superfícies de preparo de alimentos de unidades de alimentação e nutrição da Cidade de João Pessoa. BARBOSA. aureus as contagens variaram entre < 10 1 e 4. E. São Paulo.75%) de superfícies de preparo de alimentos em geral e 9 (5. M. e S.. R.. Também foram coletadas 48 amostras de superfícies de preparo de vegetais e carnes em diferentes momentos do mesmo dia. e S.63%) de alimentos procesados. aureus foram encontradas nas superfícies de preparo de vegetais. Los más altos niveles de contaminación por Staphylococcus spp y S. aureus oscilou entre < 10 1 (81. Palabras clave: Staphylococcus.

aureus se encontra amplamente disseminado nos ambientes de circulação do ser humano. LOVATTI. fazendo do homem seu principal reservatório devido à colonização das vias nasais. O deslocamento da população para os grandes centros urbanos. abr. INTRODUÇÃO Com o passar do tempo. tem sido citado como a terceira mais importante causa de doenças microbianas transmitidas por alimentos notificadas em todo o mundo (ARAGON-ALEGRO et al..= J. e permanecerem viáveis mesmo após a limpeza e desinfecção (AMMOR et al. 37-48. Ocorrência de Staphylococcus spp. e por equipamentos e superfícies dos ambientes de produção de alimentos onde estes indivíduos realizam suas funções de trabalho (CHMIELEWSKI. Assim. teve como repercussão a mudança de hábitos alimentares com a introdução de refeições rápidas (BENEVIDES. 2005).. já que S. 2005). Por apresentar características ubiquitárias. 2004. L. aureus aos alimentos se torna facilitada por meio de manipuladores assintomáticos ou não (STAMFORD et al. BARBOSA. 2004. cujo crescimento é de cerca de 20% ao ano.. A. BRABES. COELHO. dificuldade de locomoção para casa. I. A. COSTA. ROSSI et al.. 2007). aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. 2007. atingindo de forma persistente 20 a 30% dos indivíduos saudáveis (NORMANNO et al. CONCEIÇÃO. aumentam também as perspectivas de ocorrência de doenças de origem microbiana transmitidas por alimentos. pele e cabelos. sendo responsável por quase 45% de todas as toxinfecções registradas (NORMANNO et al. 39 . M. Soc. a vida moderna imprimiu um ritmo acelerado no cotidiano dos indivíduos. a transmissão de S. garganta. M. 1. 2000). SOUZA.. VASSEUR et al. de modo que tal controle pode ser alcançado através da implantação de um adequado programa de sanitização (REIJ. V. 2001. torna-se essencial que ocorra um rigoroso controle das condições higiênico-sanitárias nos locais onde os alimentos são manipulados para o consumo humano (ZACCARELLI. Bras. Alim. 2005.. PELES et al. observa-se que os alimentos tornaram-se mais expostos a uma série de perigos ou oportunidades de contaminação em decorrência da utilização de práticas incorretas de manipulação e processamento de alimentos (ALMEIDA et al. QUEIROGA. SHALE et al. 2003). e S. SP.. SILVA.. 2006).. n. p. São Paulo. E. ALMEIDA. R. aureus é reconhecido como sendo o microrganismo patogênico mais comumente isolado de superfícies de serviços de alimentação (KUNIGK.. em especial a espécie Staphylococcus aureus. 2004. C. Food Nutr. Em Serviços de Alimentação é bem estabelecida à relação do potencial de transmissão de microrganismos patogênicos para os alimentos durante o seu processamento e distribuição. E. DEN AANTREKKER. C. LIMA. e no que diz respeito à alimentação.. Com o aumento do número de empresas no setor de refeições coletivas. FRANK. 1995. provocaram mudanças no estilo de vida dos indivíduos.. Nutrire: rev. O gênero Staphylococcus. jornadas de trabalho contínuas. 2011. L. Diante do conhecimento desta realidade. SILVA.. 2001). RODE et al. 2007). S.. OLIVEIRA. H.. 2005). ANDRADE. a ocorrência de surtos é favorecida.. M. 36. pois. 2003). 2007). R. A rota de contaminação através das superfícies é reconhecida como de grande necessidade de controle nas atividades rotineiras dos serviços de alimentação. v. Muitas bactérias patogênicas e deteriorantes de importância em alimentos são capazes de aderir a superfícies de ambientes de preparo e distribuição de alimentos.JERÔNIMO.. Nutr. Brazilian Soc.

. compostas por cinco tipos: EEA. Fundamentado em planos de amostragem bem definidos. H... Paraíba. aureus é reconhecido como possuidor de destacável virulência. As amostras foram obtidas através da utilização de swabs (02 por superfície) umidificados em solução salina 0. e S.85% estéril. A. Após esta etapa. As amostras das superfícies de preparo de alimentos das diferentes unidades de alimentação e nutrição foram coletadas sempre durante o período da manhã. Por suas características inerentes. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição.= J. EE1R. BARBOSA. os quais foram friccionados em quatro pontos distintos (área de 25 cm²) de cada superfície. Brasil. 2000. STEVENSON. L. A. BRABES. EEH. EE1J. compreendendo o horário de preparação de refeições (almoço). EE1O. p. R. CAKIROGLU. QUEIROGA. 2003). e as novas. em bacteremia primária ou em intoxicação em decorrência da ação de suas enterotoxinas (AYCECEK. M. dos utensílios e dos manipuladores pode melhorar sensivelmente a qualidade dos alimentos servidos aos comensais (ANDRADE. 1. SANDEL. atualmente são reconhecidos 20 tipos de EE. n.. E. 40 . aureus em superfícies de preparo de alimentos de origem animal e vegetal de diferentes unidades de alimentação e nutrição da Cidade de João Pessoa. 3. Food Nutr. Brazilian Soc. SOUZA. EED e EEE. Soc. EE1U. Paraíba. C.. METODOLOGIA COLETA DE AMOSTRAS Um total de 160 amostras de superfícies de preparo de alimentos de dez unidades de alimentação e nutrição. formadas por EE e toxinas semelhantes à enterotoxinas (EE1). foram identificados os tipos EE1U2 e EE1V e seus genes correspondentes descritos (KÉROUANTON et al. M. McKILLIP. visto que a sua estabilidade ao calor se constitui em uma das propriedades mais importantes em termos de segurança alimentar (BALABAN. 2007). COSTA. EEB. E. EE1L. M. RASOOLY. EE1Q. 2004). R. Recentemente. aureus. São Paulo. v. e S. 37-48. e S. este estudo teve como objetivo avaliar a ocorrência e dinâmica populacional de Staphylococcus spp. dos equipamentos. Alim. EE1N. A atuação dos profissionais responsáveis pela qualidade dos alimentos produzidos em unidades de alimentação e nutrição deve ser eminentemente preventiva. Ocorrência de Staphylococcus spp. EE1K. C. utilizando-se bisturi esterilizado. as porções finais dos swabs que entraram em contato com as superfícies foram assepticamente cortadas. desencadeando ampla gama de enfermidades que podem resultar em invasão direta dos tecidos. SP. SILVA. abr. As enterotoxinas termoestáveis estão entre os mais notáveis fatores de virulência associados a S. EE1M.. I. EE1P. CONCEIÇÃO. 2011. a saber: EEG. De acordo com Lawrynowicz-Paciorek et al. aureus. 36. da cidade de João Pessoa. EEC1.. L. Considerando a importância da qualidade higiênico-sanitária na alimentação diária e a grande utilização de estabelecimentos de alimentação coletiva por parte da população. o monitoramento por meio da avaliação microbiológica do ambiente. Bras. S. foram analisadas para o grau de contaminação por Staphylococcus spp. Nutr. (2007). 2005). os quais se subdividem em dois grupos: as clássicas. 2. V. Nutrire: rev. EEI. incluindo serviços públicos e privados.JERÔNIMO.

. Ocorrência de Staphylococcus spp. V. aureus nas superfícies de preparo de carnes e superfícies de preparo de vegetais de três diferentes unidades de alimentação e nutrição em diferentes momentos de um mesmo dia. SOUZA. p. I. Para tal. Alim. Para a coleta e transporte das amostras. E S. foram submetidas aos testes de identificação de S. v. L.= J. Em seguida. C. teste de fermentação do manitol positivo e teste de fermentação de glicose positiva).. A. isolamento das colônias características do gênero Staphylococcus (colônias circulares. AUREUS A metodologia empregada para a contagem de Staphylococcus spp. RESULTADOS Na tabela 1. pequenas. R. e S. DINÂMICA POPULACIONAL DE STAPHYLOCOCCUS SPP. C. O sistema foi transportado em recipiente isotérmico até o local de realização das análises microbiológicas. CONTAGEM DE STAPHYLOCOCCUS SPP. apresentando massa de células esbranquiçadas nas bordas. bem como para a realização das análises microbiológicas foi utilizada a mesma metodologia citada no item anterior. rodeadas por uma zona opaca e/ou halo transparente se estendendo para além da zona opaca) em tubos inclinados contendo ágar Nutriente.JERÔNIMO. BARBOSA. AUREUS NAS SUPERFÍCIES Neste estudo. lisas. Nutrire: rev.. aureus através de provas bioquímicas (coloração de Gram positiva. as quais perfizeram um 41 ..1% esterilizada como diluente. E. M. plaqueamento (alíquota de 100µL) das diluições seriadas em ágar Baird-Parker (meio seletivo diferencial para o gênero Staphylococcus) adicionado de telurito de potássio a 1% e emulsão de gema de ovo (50mL para cada 1L de ágar). São Paulo. com bordas perfeitas. abr. teste de produção de termonuclease positivo. pretas. SP. foi realizada a contagem de Staphylococcus spp. Os resultados foram expressos em Unidades Formadoras de Colônia por centímetro quadrado (UFC/cm2). é apresentada a distribuição das amostras das diferentes superfícies de preparo de alimentos das dez unidades de alimentação e nutrição. 2011. COSTA. e S. que consistiu em: preparação de diluições seriadas (10-1 – 10-4) das amostras das superfícies utilizando-se água peptonada 0. 36.. M. Bras. n. Food Nutr. convexas. atividade de catalase positiva. A. 1. e S. fez-se a coleta de amostras antes do início das atividades de preparo de alimentos. a fim de se verificar as alterações de carga microbiana ao longo de um período de atividades. durante o período das atividades de preparo (dividido em dois subperíodos) e após a execução do procedimento de higienização próprio de cada unidade. L. e acondicionadas em tubos de ensaio adicionados de 9mL de solução salina esterilizada. E S. M. sendo os resultados das contagens nos diferentes períodos expressos em UFC/cm2. Brazilian Soc. Soc. E. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. H. Nutr. CONCEIÇÃO. O início das análises microbiológicas ocorreu dentro de um período máximo de 6 horas após a coleta das amostras. QUEIROGA. reação de coagulase positiva.. 37-48. R. aureus a partir das amostras de superfícies foi a descrita por Downes e Ito (2001).

São Paulo. E. Nutr. e S. que a contagem de Staphylococcus spp. A. C. apresentou uma variação entre < 101 (81. Número de superfícies 24 2 12 36 28 36 22 160 Representação percentual 15 1. CONCEIÇÃO..= J. Soc. variou entre < 101 (15%) e > 106 UFC/cm2 (13.. V. Tabela 1 – Distribuição das amostras de superfícies coletadas em unidades de alimentação e nutrição da Cidade de João Pessoa-PB. n. M. I.75%) foram de superfícies de preparo de carnes. e S.. BARBOSA. Food Nutr.5 22. A. Os resultados relativos à distribuição de frequência das contagens de Staphylococcus spp. aureus em 160 amostras de superfícies de preparo de alimentos de unidades de alimentação e nutrição estão apresentados na tabela 2..75 5.25 0. 14 (8. COSTA. 37-48. 36. H. Ocorrência de Staphylococcus spp. L.25%) e 105 UFC/cm2 (7.5 22. abr. Brazilian Soc. E.5 0 0 100% 106 Total 42 . Bras. Dentre estas. C. Nutrire: rev.5 13.5 17..62 5 7. total de 160 amostras.75%). L. Observa-se. Alim. e Staphylococcus aureus em superfícies de preparo de alimentos em diferentes unidades de alimentação e nutrição da Cidade de João Pessoa-PB Intervalo de contagem (UFC/cm2) < 101 101 – 102 102 – 103 103 104 105 > – – – 104 105 106 Staphylococcus spp. M.75 41. SOUZA. v.. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. enquanto que a contagem de S. 2011. p.JERÔNIMO. R. 1.63 5.5%). 70 (43. Tabela 2 – Distribuição de frequência das contagens de Staphylococcus spp. QUEIROGA.25 7. SP. 67 (41.88%) de superfícies de preparo de vegetais.88 8.75 100% Staphylococcus aureus Número de superfícies 130 1 9 8 12 0 0 160 Representação percentual 81.63%) de superfícies de manipulação de alimentos prontos. aureus. M. R.63 100% * quando a unidade de alimentação e nutrição não apresentava superfícies de preparo diferentes para vegetais e carnes.75%) de superfícies de preparo de alimentos em geral (incluindo o preparo de alimentos de origem animal e vegetal na mesma superfície) e 9 (5. de acordo com o tipo de alimento manipulado Tipo de superfície (alimento manipulado) Carnes Vegetais Preparo de Alimentos em Geral* Alimentos Prontos Total Número de superfícies 70 67 14 9 160 Representação percentual 43.

37-48. M. M. Alim. são mostrados os resultados da contagem de Staphylococcus spp. I. spp.0 x 101 1. 4.0 x 103 1.0 x 102 4.. Bras. COSTA.3 x 103 2.2 x 103 1. M. v. e S.9 x 102 2. Nutrire: rev. aureus S. C.6 x 102 5. SP. de unidades de alimentação e nutrição em diferentes momentos de um mesmo dia. spp.0 x 102 1. em diferentes momentos em um mesmo dia.9 x 105 5. aureus S.0 x 103 4. 5 x 101 1.0 x 101 3. Food Nutr. respectivamente. em diferentes unidades de alimentação e nutrição da Cidade de João Pessoa-PB Unidade 01 Coleta Períodos Antes Coleta Durante 1 01 Durante 2 Após sanitização Antes Coleta Durante 1 02 Durante 2 Após sanitização Unidade 02 Unidade 03 Staphylococcus Staphylococcus Staphylococcus S.7 x 104 2.0 x 101 1.0 x 103 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 1.6 x 104 4. p. R. aureus em superfícies de preparo de vegetais e carnes. CONCEIÇÃO. e S. 1. C.0 x 101 1.. aureus spp.2 x 103 5.0 x 104 1.0 x 103 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 5. spp.8 x 104 4..4 x 102 2.0 x 104 < 101 1.6 x 103 < 101 < 101 4. SOUZA. aureus S. QUEIROGA. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição.9 x 103 1.JERÔNIMO. e Staphylococcus aureus em superfícies de preparo de vegetais de Unidades de alimentação. 36.0 x 103 4. aureus spp. Soc.3 x 104 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 43 . abr.0 x 102 < 101 1.. L.9 x 104 1.0 x 101 7..0 x 105 2..6 x 102 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 Tabela 4 – Dinâmica populacional (UFC/cm2) de Staphylococcus spp.2 x 103 1.. spp.0 x 104 3.0 x 105 4. Nas tabelas 3 e 4.0 x 101 4. Todas as 48 amostras analisadas apresentaram contaminação por Staphylococcus spp. E. de modo que o período que apresentou as mais altas contagens foi aquele relacionado ao intervalo de manipulação dos alimentos. em diferentes unidades de alimentação e nutrição da Cidade de João Pessoa-PB Unidade 01 Coleta Períodos Antes Coleta Durante 1 01 Durante 2 Após sanitização Antes Coleta Durante 1 02 Durante 2 Após sanitização Unidade 02 Unidade 03 Staphylococcus Staphylococcus Staphylococcus S. e Staphylococcus aureus em superfícies de preparo de carnes de Unidades de alimentação.0 x 102 1.0 x 102 4.1 x 104 1. Tabela 3 – Dinâmica populacional (UFC/cm 2 ) de Staphylococcus spp. V. Brazilian Soc.0 x 102 4. L.4 x 103 < 101 < 101 1. em diferentes momentos em um mesmo dia.6 x 102 1. E.6 x 104 5.9 x 104 6. H.0 x 105 1.7 x 103 2.2 x 103 4. n. Ocorrência de Staphylococcus spp.1 x 104 1.0 x 103 1.5 x 103 4.0 x 102 9. A.5 x 103 7. A. BARBOSA.1 x 103 < 101 < 101 < 101 < 101 3 x 102 3. R.2 x 104 < 101 1.= J. 2011.0 x 105 2.0 x 103 1. Nutr.5 x 103 1. São Paulo. aureus S.

M.= J. V.JERÔNIMO. também foram verificadas contagens de S. M. E. M.6 x 102 UFC/cm2. Na Unidade 02. aureus < 0. Ao analisar as condições higiênico-sanitárias do preparo da merenda escolar em escolas da rede estadual de ensino de Curitiba (Paraná.6 x 102 – 4. A. apresentaram-se inferiores ao longo dos diferentes períodos de coleta durante o dia. 1998.0 x 105 UFC/cm2. onde 07 amostras apresentaram contagens inferiores a 101 UFC/cm2. E. R. Silva (2006) obteve contagem de Staphylococcus coagulase positiva variando entre < 102 e 2. as contagens obtidas para 30 (contagens superiores a 101 UFC de S. apresentaram resultados semelhantes. Considerando a dinâmica populacional de Staphylococcus spp. Outro fato observado. 37-48. as contagens de S. Na Unidade 02. Esses resultados 44 . SOUZA. L. 06 amostras apresentaram contagens variando entre 2. Um estudo de análise de risco desenvolvido em um restaurante universitário por Nascimento (1992). Com relação à dinâmica populacional de S. 2011. que analisando superfícies de preparo de dieta enteral.. Nas demais unidades. a Unidade 01 e a Unidade 03. 2002). aureus por cm2) das amostras analisadas apresentaram resultados superiores àqueles encontrados por Martins et al. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição.. n. Piragine (2005) verificou a ausência de S. 36. São Paulo.6 x 103 UFC/cm2. que a contaminação cruzada tem sido frequentemente relatada como fator responsável pela ocorrência de enfermidades de origem alimentar (BRYAN. nas superfícies de preparo de carnes. aureus nas superfícies de preparo de vegetais. SILVA JÚNIOR. Com relação à ocorrência de S. Soc. e S. 1. H. é que mesmo após a sanitização das superfícies. atingindo contagens de 2.. R. 100% das amostras apresentaram contaminação por Staphylococcus spp. I. Nutr.0 x 103 e 2. abr. aureus foram sempre <101 UFC/cm2 nos diferentes intervalos de análise. 02 amostras de superfícies de preparo de vegetais coletadas na Unidade 02 apresentaram contagens inferiores a 101 UFC/cm2. BARBOSA. Bras.. Ainda. respectivamente. obtiveram contagens de S. C.0 x 103 e 4. em estudo de avaliação da qualidade microbiológica de utensílios e superfícies de manipulação de alimentos de unidade de alimentação.3 x 104 UFC/cm2 para superfícies de vegetais e carnes.3 x 102 UFC/ cm2. Food Nutr. DISCUSSÃO A detecção de microrganismos em altas contagens em superfícies e bancadas dos setores de preparo de alimentos demonstra a importância desses locais como fontes potenciais de disseminação de microrganismos para o ambiente de unidades de alimentação e nutrição. (2007). p. A. a unidade 02 apresentou as mais elevadas contagens (2..0 x 105 UFC/cm2).4 UFC/cm2. Alim. aureus nas amostras analisadas do ambiente (equipamentos e utensílios) de produção. Para as unidades 01 e 03. Brazilian Soc.2 x 104 e 1. Nutrire: rev. Cabe ressaltar.. CONCEIÇÃO. Ocorrência de Staphylococcus spp. L. COSTA. levou a concluir serem as bancadas do setor de pré-preparo de frutas e hortaliças um ponto crítico expressivo na contaminação destes alimentos. respectivamente.. v. QUEIROGA. Brasil). aureus entre <101 e 3. C. principalmente através da contaminação cruzada de alimentos. aureus em superfícies de unidades de alimentação e nutrição (Tabela 2). enquanto somente 01 amostra de cada unidade (01 e 03) apresentou contagem de 5. SP. as contagens de Staphylococcus spp.

Guerra e Pires (1997).) das superfícies de preparo de alimentos analisadas no presente estudo (Tabela 2). 2011. BARBOSA. Silva Júnior (2002) preconiza uma contagem menor ou igual a 50 UFC/cm2 de bactérias aeróbias mesófilas como limite para equipamentos e utensílios. Segundo Silva Júnior (2002). A contaminação de alimentos vegetais por S. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. e S. H.. p. R. R. I.. particularmente aquelas de origem microbiana. M. existem critérios que refletem a realidade de alguns países economicamente desenvolvidos e que servem como base para determinar valores relativos às condições de manipulação que se aproximem da realidade brasileira. e tomando como base o fato de bactérias do gênero Staphylococcus serem aeróbias facultativas mesófilas. SOUZA. Silva e Cantanozi (2003). superfícies ou mesmo diretamente os alimentos durante a manipulação. v. L. 37-48.JERÔNIMO.. M. V. corroboram àqueles relatados por Rêgo. que as condições inadequadas de higiene dos manipuladores e do ambiente de produção favorecem. E.. nos quais se evidenciou que dentre as áreas que apresentaram elevados graus de contaminação por bactérias aeróbias mesófilas destacaram-se as áreas de preparo de frutas e hortaliças. C. De acordo com Silva Júnior (2002). Nutr. n. Germano. em razão principalmente das condições de temperatura ambiental do Brasil. As superfícies de preparo de vegetais apresentaram maiores contagens de Staphylococcus spp. Soc.. os pontos de perigo na produção quando o produto é consumido in natura. Ressalta-se também. aureus pode ocorrer principalmente naqueles que sofrem intensa manipulação durante o seu pré-preparo e preparo. Bras. De acordo com Nascimento.. CONCLUSÃO Considerando-se os valores de contagem para Staphylococcus spp. CONCEIÇÃO. 1. E. QUEIROGA. No entanto. Brazilian Soc. e Staphylococcus aureus quando comparadas às superfícies de manipulação de carnes. aureus obtidos no presente estudo. verifica-se uma inadequação de mais de 70% (contagem superior a 102 UFC/cm2 de Staphylococcus spp.= J. SP. com vistas a evitar ou diminuir os riscos de doenças transmitidas por alimentos. por meio da qualidade e segurança dos alimentos. C. pois o homem é direta ou indiretamente responsável por contaminar matérias-primas. abr. a higiene pessoal é um dos fatores mais importantes relacionados à higiene dos alimentos. em particular. enquanto que contagens acima desse valor são reconhecidas como insatisfatórias. e que os avanços tecnológicos na produção e o aumento no consumo resultaram na mudança dos padrões sanitários de toda a cadeia. Food Nutr. 36. São Paulo. L. suas limitações de aplicação. A. Germano e Karnei (2000) ressaltam que saúde e alimentos estão estritamente relacionados. ou naqueles que são produzidos em ambientes que possuem equipamentos e utensílios não devidamente higienizados. constata-se uma possível ineficácia das práticas higiênico- 45 . COSTA. e S. Nutrire: rev. os vegetais apresentam potencial de risco na transmissão de agentes patogênicos relacionados a surtos de doenças transmitidas por alimentos. Considerando este último padrão. A American Public Health Association (1984) estabelece que contagens até 2 UFC/cm2 de bactérias aeróbias mesófilas são consideradas satisfatórias. Ocorrência de Staphylococcus spp. M. A. Alim.

Risks of practices.. ANDRADE. C. 4. Washington: APHA. 2000. AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. Washington: APHA. LAMARDO. SP. V. SOUZA. CHESNEAU. p.= J. J. v.. p. T. ARAGON-ALEGRO. V. R. P. C. AYCECEK. Soc. De BUYSER. M. E. I. C. BRYAN. n. C. SERRANO. E. Y. Staphylococcal enterotoxins... n. n. 61. M. RASOOLY. 6.. BARBOSA. KÉROUANTON.. Regulamentar? Será preciso? Hig. C. M. M. 1. v. BRABES. tais achados repercutem em uma necessidade de conscientização dos gestores de serviços de alimentação em formular e colocar em prática estratégias eficazes de capacitação dos manipuladores de alimentos produzidos em seus estabelecimentos. C. n. RALL. 2000. 663-673.. 369-375. V. Food Nutr. E. e consequentemente a ocorrência de surtos de intoxicação alimentar estafilocócica. SILVA. n. L. J. H. Ainda. 51. 18.. TALON.. A.... 1-10. L. FRANK. CAKIROGLU. n. E. L. 590-596.JERÔNIMO. L. 1. I. A. A. 29. p. R. Cienc... M. 2001. p. S. BALABAN. ITO... Characterization of Staphylococcus aureus strains associated with food poisoning outbreaks in France. ABREU. S. Brazilian Soc. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. 2007. Investigation of the selective bactericidal effect of several decontaminating solutions on bacterial biofilms including useful.. São Paulo. Rev. 125. v... I. Bras. 630-634. F. L. 46 . K.. I. QUEIROGA. Technical committee on micr obiological methods for foods. C.. F. p. sanitárias adotadas pelas unidades de alimentação e nutrição em estudo. 24-27. Brazil and detection of toxins from food and strains isolated. p.. spoilage and/or pathogenic bacteria.. p. JÚNIOR. p. 2003. AMMOR. Manipuladores de alimentos: capacitar? É preciso. V. KONTA. A.. BENEVIDES. Compendium of methods for the examination of foods. A. F. v. G. DUFOUR. M. CHEVALLIER. 16. P.. p. A. A. v. de. SILVA. Food Control. n. CONCEIÇÃO. RALL. 27. 18-22. C. Food Control. 2004. R. H. Int J Food Microbiol. J. p. agrotec. 37-48... 115. L. Incidence of Staphylococcus aureus in ready-to-eat meals from military cafeterias in Ankara... 1.. K. LOVATTI.. M. KAWASAKI. R. A. aliment. ROCHA. L. R. LETERTRE. A. A. STEVENSON. 676 p.. M. C. Food Microbiol. KUAYE. K. 531-534. 2004. M. R. 2005. S. C. A. 14. evitando assim à contaminação cruzada dos alimentos. v. p. Biofilm formation and control in food processing expression off polysaccharide intercellular adhesin in Staphylococcus aureus and facilities. R. Avaliação e controle da qualidade microbiológica de mãos de manipuladores de alimentos... VIEIRA. E. GERMANO. PETIT. L. da. R. Nutr. S. C. Alim. Comprehensive Rev Food Microbiol. M. abr. n. v. 18. 21. BRISABOIS. Hig. Segurança alimentar em estabelecimentos processadores de alimentos. 6. K. 8. A. Ocorrência de Staphylococcus spp. E. J Food Prot. n. 36.. M. 1984. M. p.. v. DOWNES. n. M. A. Compendium of methods for the microbiological examination of foods. S. R. SUZUKI. v.. saúde pública.. F. G. 2003. 38-45. 2007. 1995. N. aliment. 2. K. SILVA. 1.. Int J Food Microbiol. GERMANO. M. v. Nutrire: rev.. REFERÊNCIAS/REFERENCES ALMEIDA. 22-32. SP... J. procedures and processes that lead to outbreaks of foodborne diseases. O. 11-17. C... L. Avaliação das condições microbiológicas em Unidades de Alimentação e Nutrição.. 78/79. 4. 2011. J. 4th ed.. P. v. e S. KAMEI. K.. M. CHMIELEWSKI. ALMEIDA. COSTA. LABADILE. LAGUE. H. HENNEKINNE. S. v. 1998. 3. n. C. M.. Occurrence of coagulasepositive Staphylococcus in various food products commercialized in Botucatu. n. RIBEIRO. Turkey.. F.

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como prática educativa. p. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. L. 1442-1445. abr. SP.. M. 1. SILVA. E. RIGAUD. F... E. O jogo. 41-45. 2001. S.JERÔNIMO. M. M. E. STAMFORD. v. 3. Ciência tecnol. and biocides (monolurin and lauric acid) on inactivation of Listeria monocytogenes and Pseudomonas spp. Nutrire: rev..... 26. isolados de leite in natura. NETO. A. SILVA. Hig. P. v. F... aliment. ZACCARELLI. Rio Grande do Sul. 2011. M. C. MOTA. CONCEIÇÃO. R. A. A. n. 37-48. Aprovado em 03/12/10. M. C. L. L. n. BARBOSA. p. Nutr. Enterotoxigenicidade de Staphylococcus spp. N. 2000. SOUZA. Dissertação (Mestrado) Universidade Federal de Santa Maria. Bras. 64. NaOH.. C. C. LABADIE. São Paulo.= J. n. E. 623 p. n. 23-26. e S. Brazilian Soc. A.. 14. aliment. COSTA. São Paulo: Varela. 36. A. Combined effects of NaCl. 2002. em Unidades de Alimentação e Nutrição. v. J. p. ed. JÚNIOR. 2006. M. L. HÉBRAUD. T. C. Recebido para publicação em 27/01/10. no treinamento para controle higiênico-sanitário. R. Ocorrência de Staphylococcus spp. 2006.. 5. VASSEUR. Soc. J Food Prot. H. G. I. COELHO H. p. 70. 48 .... V.. Food Nutr. M. SILVA. v.. 1. M. Manual de controle higiênico-sanitário em alimentos. SILVA. D. Pr ocedimento operacional padronizado de higienização como requisito para segurança alimentar em unidade de alimentação. 2006. L. Alim. QUEIROGA. R. E.

Rural Settlements. n..8%.. AGROSALUD. O. R. Bras. Food intake was assessed by a 24-hour recall method and analyzed using Dietary Reference Intakes. A. 49 . F.05). 7. The analysis of micronutrients showed a high probability of inadequate consumption of iron. Keywords: Nutritional Status. DAYANNE DA COSTA1. p. 14. 49-69. s/n Jardim Rosa Elze São Cristóvão – SE CEP 49100-000 E-mail: raquel@ufs. abr. 36. Nutrire: rev. D. D.EMBRAPA/CPATC Depto. SEIDS/GOVERNO DO ESTADO DE SERGIPE. and teenagers. of the daily value recommendation). These findings indicate that the socioeconomic and nutritional status are factors which determine the nutritional situation of this population. also 35% of the participant’s mothers had attended school for less than 3 years. J. São Paulo.Artigo original/Original Article Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. According to BMI/age and height/ age indexes. P>0. Sergipe ABSTRACT VIEIRA. Brazil). Marechal Rondon. Sergipe. the girls presented a higher prevalence of weight deficit (P>0. Sergipe Socio-economical characteristics and nutritional status of children and adolescents in rural settlements in Pacatuba. The participants included 145 children and teenagers. onde foi realizado: Núcleo de Nutrição – Universidade Federal de Sergipe Endereço para correspondência: Raquel Simões Mendes Netto Núcleo de Nutrição da Universidade Federal de Sergipe Cidade Universitária Prof. 1. Nutritional evaluation is an essential tool for the measurement of population health status.. HAVERST PLUS. S. COSTA. Brazilian Soc. 2011. COSTA. Alim. thus justifying the relevance of the scholar’s nutrition surveillance.6% and 63. DIVA ALIETE DOS SANTOS VIEIRA1. the studied population presented a weight and growth deficit (children. “José Aloísio de Campos” Av. = J. RAQUEL SIMÕES MENDES-NETTO1 1Núcleo de Nutrição – Universidade Federal de Sergipe 2Centro de Pesquisa Agropecuária dos Tabuleiros Costeiros . v. Food Consumption. S. According to gender. respectively.1%. vitamin A and calcium in both studied groups. SP.. CURADO.9%. Socio-economical characteristics and nutritional status of children and adolescents in rural settlements in Pacatuba. The aim of the present study was to point out the socio-economic. F.. Food Nutr. dietary and anthropometric profiles in school-age residents of rural settlements in Pacatuba (State of Sergipe. JAMILLE OLIVEIRA COSTA1.05).br Agradecimentos: os autores agradecem o apoio da EMBRAPA. Soc. FERNANDO FLEURY CURADO2. MENDESNETTO. zinc. The energy intake of children and teenagers was considered inadequate (72. Nutr. whose legal guardians had informal jobs (79%) (agriculture and handicraft) and received less than a minimum wage per month (82%). Nutritional status was assessed through Body Mass Index (BMI)/age (weight evaluation) and height/age (growth evaluation) using z-score.

1% em crianças e 14.. D. Os resultados apresentados indicam que as condições socioeconômicas e o perfil alimentar sejam fatores determinantes da situação nutricional desta população. respectivamente. sendo 7. las niñas presentaron mayor prevalencia de déficit ponderal (p <0. La evaluación del consumo alimentar se llevó a cabo por medio de la aplicación del recordatorio de 24 horas que fue analizado según las Ingestiones Dietéticas de Referencia. Asentamientos Rurales. 82% recebiam menos de um salário mínimo por mês e 35% das mães tinham menos de três anos de escolaridade.05). utilizando a classificação por escore Z. O consumo de energia foi insuficiente para crianças e adolescentes. Foram avaliadas 145 crianças e adolescentes em que 79% dos seus responsáveis tinham trabalhos informais (roça e artesanatos). Quando avaliados os micronutrientes houve uma alta probabilidade de inadequação de consumo para ferro. 36. Quando os dados foram analisados quanto ao gênero. dietético y antropométrico de estudiantes de una región de asentamientos rurales en la ciudad de Pacatuba. 2011. Fueron evaluados 145 niños y adolescentes y cuyos responsables: 79% tenían trabajos informales (jardinería y artesanía).. zinc. El consumo de energía fue insuficiente para los niños y adolescentes que mostraron respectivamente solo el 72. Palavras-chave: Estado nutricional. S. p. O. SP. Assentamentos rurais. Segundo os índices IMC/I e A/I. Brazilian Soc. D. Food Nutr. foram adotados os índices IMC/I (avaliação ponderal) e Altura/ idade (avaliação do crescimento). justificando assim a importância da vigilância do estado nutricional de escolares. R. A avaliação da situação nutricional é um parâmetro essencial para aferição das condições de saúde de uma população.. Los resultados indican que las condiciones socio-económicas y el perfil alimentar son factores determinantes de la situación nutricional de esta población. S. F. CURADO. v. vitamina A y calcio en los dos grupos estudiados. justificando así la importancia de vigilar el estado nutricional de los estudiantes. siendo el 7. Na avaliação do estado nutricional. Cuando analizamos en relación al género. Soc. F. COSTA. Bras. vitamina A e cálcio para os dois grupos analisados.9% das necessidades diárias.3% de la población estudiada presentaba déficit ponderal y de estatura. Nutrire: rev. Alim. Para la evaluación del estado nutricional se adoptaron los índices IMC/I (evaluación ponderal) y talla/edad (evaluación del crecimiento) y para la clasificación.05). Brasil. Consumo de alimentos. J. São Paulo. Nutr. O presente estudo tem como objetivo caracterizar o perfil socioeconômico. Sergipe. apresentando.05). Este estudio tuvo como objetivo caracterizar el perfil socio-económico. Palabras clave: Estado nutricional. el 10. 10.9% de las necesidades diarias suplidas. Consumo de alimentos.6% e 63. as meninas apresentaram maior prevalência de déficit ponderal (p<0. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba.8% em adolescentes (p>0. 1.= J.. 50 . 49-69.VIEIRA. A. SE. el escore Z. MENDES-NETTO. Según el índice IMC/A y T/E. dietético e antropométrico de escolares de uma região de assentamento rural no município de Pacatuba-SE. 72.6% y 63. RESUMEN RESUMO La evaluación del estado nutricional es un parámetro clave para medir la salud de una población.1% en los niños y el 14.3% da população estudada apresentou déficit ponderal e estatural..05). 82% recibía menos de un salario mínimo al mes y 35% de las madres tenía menos de tres años de escolaridad. n. A avaliação do consumo alimentar foi realizada através da aplicação do recordatório de 24h e analisada segundo as Ingestões Dietéticas de Referência. abr. zinco.8% en los adolescentes (p> 0. Cuando evaluamos los micronutrientes se percibe una alta probabilidad de inadecuación de consumo de hierro. COSTA.

2008-2009 percebeu-se que houve uma melhora no estado nutricional das crianças e adolescentes residentes na zona rural em relação à zona urbana. higiênico. tecnológico e da ausência de produtos nocivos à saúde (agrotóxicos. 36.. tais resultados ainda carecem de fundamentação. 2011. F. Sendo importante relatar que apesar de a região Nordeste ser a mais acometida pela desnutrição no país. São Paulo. Nutrire: rev. 2010. 1994). 2002). v. de base familiar. biológico. notadamente. ganha visibilidade as discussões sobre a abordagem do direito humano à alimentação adequada. 1989. ESTERCI. Soc. realizados em 1974-1975. Bras. INTRODUÇÃO A investigação sobre estado nutricional de crianças e adolescentes é um importante instrumento que reflete as condições de saúde e vida da população. BURLANDY. 1. A luta pela reforma agrária no País remonta os anos 50 do século passado. quando uma nova situação de vida se desenvolve com o ingresso nos assentamentos rurais. carecem de informações sobre o quadro nutricional das crianças.)” (VALENTE. etc. Sergipe. porém. D. o que intensificou as desigualdades entre as regiões Sul e Sudeste em relação ao Norte e Nordeste. Nesta reflexão acerca do urbano e do rural encontra relevância o debate sobre o papel da reforma agrária e os aspectos da alimentação e nutrição da população de assentamentos rurais na compreensão sobre a segurança alimentar das famílias beneficiadas pela política de terras no Brasil. MENDES-NETTO. n. Apesar da queda na prevalência de desnutrição infantil nos cinco estudos.. desenhando um quadro nutricional mais desfavorável do que o observado na zona urbana. 1996 e 2002-2003. especialmente no que se refere à “qualidade dos alimentos ingeridos do ponto de vista nutricional. D. No Brasil.. aditivos. Nutr. a nutrição infantil evoluiu de forma particularmente favorável no meio rural (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 1996). 2001). Brazilian Soc. o que pode ter ocorrido devido a um maior acesso dessa população ao serviço básico de saúde. O Assentamento Rural é definido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária . a definição de assentamento rural 51 . F. Alim. abr.. autônoma e gerida pelos trabalhadores. J. adolescentes e gestantes no sentido de orientar ações de políticas públicas com estratégias bem definidas no sentido de se assegurar a segurança alimentar e nutricional nestes novos espaços de vida e produção. As diversas situações que se descrevem na conformação de assentamentos rurais. esta redução se deu de forma diferenciada no território nacional. VEIGA. No entanto. Em uma análise de cinco estudos sobre a situação nutricional da população brasileira.. 49-69. COSTA. foi nos anos 80 que os assentamentos rurais ganham expressividade no cenário nacional (MEDEIROS. hormônios. A. p.VIEIRA. que visa o desenvolvimento econômico e social do conjunto de assentados (INSTITUTO NACIONAL E REFORMA AGRÁRIA. O. Tal discussão aponta para a importância de estudos que permitam uma melhor compreensão sobre as transformações ocorridas na realidade alimentar e nutricional de famílias em diferentes localidades no País. 1989. MEDEIROS. S. moldadas pelos diferentes contextos socioeconômicos e ambientais que se pode observar nas regiões brasileiras. COSTA.= J. Food Nutr.INCRA como uma unidade empresarial associativa. SP. S. R. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. entre os anos de 1996 e 2008-2009. Neste sentido. as condições de vida na zona rural são piores. pois. CURADO.

SP. D. 1994). MENDES-NETTO. Esse tipo de alimento visa complementar as intervenções em nutrição existentes. foram criados. De acordo com Paulilo (1994). por outro lado. sendo considerado o maior do Estado (MORAIS. Em Sergipe. S. Variedades biofortificadas apresentam o potencial de fornecer 52 . 2008)... 2008). não se observa uma uniformidade entre a comunidade assentada do país apresentando grande variabilidade nas condições socioeconômicas entre eles e entre as famílias residentes em um mesmo assentamento (GUANZIROLI. são escassos os estudos de avaliação nutricional. 49-69. F. 2001). ainda. S. 131 assentamentos rurais pelo INCRA. sendo assentadas 6. Brazilian Soc. O. Estes dados descrevem a necessidade de se traçar medidas emergenciais e permanentes na recuperação do estado nutricional desta população. p. para combater estas carências (BRASIL. com a conquista do primeiro assentamento de reforma agrária a partir do conflito social envolvendo posseiros e a Seragro Serigy Agroindustrial Ltda no povoado Santana do Frades. Soc. R. Food Nutr. “esteve atrelada a uma atuação estatal direcionada ao controle e à delimitação do novo ‘espaço’ criado e. Em relação às carências nutricionais de micronutrientes. Bras. 2009). Nutrire: rev. o estudo realizado pelo governo do Estado de Sergipe em 1998. Os assentamentos rurais vêm crescendo no Brasil. D. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. mostrou que a anemia acometia cerca de 31. São Paulo. 2011. porém um levantamento feito a partir dos dados disponíveis no DATASUS (Tecnologia de Informação a Serviço do SUS) mostrou cerca de 9% de desnutrição em Sergipe e de 20. COSTA. CURADO.7% no município Pacatuba. F. A introdução de produtos agrícolas biofortificados. abr.1% (SERGIPE. município de Pacatuba (RAMOS FILHO. transformando-o em seu meio de sobrevivência.. têm sido as estratégias mais utilizadas na maioria dos países em desenvolvimento. proporcionando uma maneira sustentável e de baixo custo para as populações com limitado acesso aos sistemas formais de mercado e de saúde.. No período de 1986/2005. numa amostra representativa de crianças de 0 a 5 anos. sendo neste local onde ocorrem as atividades dos trabalhadores rurais que conquistaram esse espaço e transformam em um território com identidade própria.329 famílias (LOPES. v. O assentamento rural representa um espaço que expressa conteúdos históricos. no qual se materializam relações sociais. 1..= J. MENDES-NETTO. 36. A. 2006). as famílias assentadas possuem melhores condições de vida se comparadas aos marginalizados urbanos. encaminhados pelos trabalhadores rurais” (LEITE. No entanto. COSTA. como o Brasil. Em Sergipe. 32. somente em Sergipe. Outro método que vem recebendo a atenção e o desenvolvimento de pesquisas para sua aplicação é o de biofortificação de alimentos.4% das crianças e a hipovitaminose A. JAGUAR. Nutr. às características do processo de luta e conquista pela terra. J.VIEIRA. bem como a distribuição de suplementos destes micronutrientes para a população alvo. a ação dos movimentos sociais de luta pela terra teve início no começo dos anos 80. nada mais é do que variedades de plantas obtidas em programas de melhoramento genético vegetal e que foram selecionados por apresentarem maiores concentrações de micronutrientes. Sergipe. Alim. especialmente nas últimas décadas. A fortificação de alimentos com Vitamina A e Ferro. 2005). n.

sob a coordenação da EMBRAPA Agroindústria de Alimentos (no âmbito nacional) e EMBRAPA Tabuleiros Costeiros (âmbito regional) e parceria com a Universidade Federal de Sergipe e instituições estaduais (Secretarias de Educação. É essencial para o planejamento e execução de estratégias de intervenção eficazes o conhecimento prévio das condições socioeconômicas. abr.. 53 . saúde e nutrição dos assentados. v. COSTA. 49-69. zinco e vitamina A (WELCH. 1. particularmente da região de Sergipe. Inclusão Social . Nutr. D.. bem como da situação nutricional e alimentar da população. D.. milho. feijão e mandioca já estão sendo melhorados geneticamente para altas concentrações de ferro. SP. Os assentamentos rurais são: 1) Santana dos Frades (93 famílias assentadas). Nutrire: rev. S. Sergipe. benefícios contínuos em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Food Nutr. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba.. MENDES-NETTO. visando a prevenção do desenvolvimento de carências nutricionais de crianças e adolescentes.VIEIRA. CURADO. 2) Independência Nossa Senhora do Carmo (90 famílias assentadas).. trigo. está dividido em duas fases complementares e simultâneas: a primeira etapa envolve um levantamento do estado nutricional e de consumo e hábitos alimentares da população a ser estudada. n. METODOLOGIA A INSERÇÃO DO PROJETO EM UMA PESQUISA MULTIDISCIPLINAR Este estudo é do tipo transversal e faz parte de um projeto de pesquisa intitulado: “Combatendo a Fome Oculta na América Latina: Cultivos Biofortificados com Melhor Qualidade Proteica e Maiores Teores de Vitamina A e Minerais Essenciais”.SEIDES e a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário do Estado de Sergipe . F. 2002). A. COSTA. a um custo recorrente inferior ao da suplementação e da fortificação pós-colheita. Brazilian Soc. no qual o presente estudo está inserido. J.EMDAGRO). 3) Nossa Senhora Santana (36 famílias assentadas) e Cruiri (35 famílias). S. A falta de dados sobre as condições de vida. São Paulo. O presente trabalho servirá como base para a introdução dos produtos biofortificados na alimentação dentro de uma estratégia de intervenção nutricional. matriculados no ano corrente em duas escolas da rede pública de ensino e pertencentes a 95 famílias de quatro assentamentos rurais do município de Pacatuba. Alimentos como arroz. Saúde. p. Alim. especialmente no que se refere à qualidade e quantidade de alimentos consumidos. O projeto piloto em Sergipe. Sergipe. Soc. R. levou a realização do presente estudo que teve como objetivo descrever características socioeconômicas das famílias e avaliar o estado nutricional das crianças e adolescentes filhos de agricultores residentes na área de assentamento rural no município de Pacatuba. e a segunda referente à validação das cultivares e a produção dos alimentos biofortificados em Sergipe.= J. F. 2011. 36. O. Bras. CASUÍSTICA A amostra foi composta por 84 crianças (faixa etária de 3 a 9 anos e 11 meses) e 61 adolescentes (faixa etária de 10 a 18 anos e 11meses).

no movimento de luta pela terra em Sergipe. escolaridade do responsável. foi conduzida a aferição das medidas antropométricas nas crianças e adolescentes. Estes assentamentos surgiram. Nesta pesquisa. S. Na análise das frequências destas variáveis. A coleta dos dados ocorreu no período de junho a setembro de 2008. número de moradores em cada domicílio e a participação em algum tipo de programa de transferência de renda do governo. São Paulo. CURADO. a partir da experiência dos posseiros de Santana dos Frades no início dos anos 80. A. 2009). historicamente com alta concentração fundiária. durante o período de aula. Food Nutr. Brazilian Soc. R. Soc. graças ao apoio da Igreja Católica e do Movimento Sindical dos Trabalhadores Rurais. D. v. SP. 36. num total de 75 municípios nesta Unidade Federativa (SECRETARIA DE PLANEJAMENTO DO ESTADO DE SERGIPE. os quais foram convocados a comparecer na escola em dias pré-estabelecidos e de acordo com a sua disponibilidade de horário. Tornou-se. Sergipe. Pacatuba dispõe de uma rica flora e fauna. F. CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA Na aplicação do questionário socioeconômico foram obtidas informações referentes à renda mensal familiar.. com características semelhantes àquelas do Pantanal do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. sendo 21. MENDES-NETTO.96% da população residente na zona urbana e 78. Bras. J. destacou-se. Devido à sua localização.. 1. possuindo atratividade turística devido à existência de lagos que fazem com que a região seja considerada o “Pantanal de Pacatuba”. COSTA. Nutr. em diferentes momentos. os percentuais foram calculados sobre o total de resposta dos pais e não 54 .04% na zona rural (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. os pais/responsáveis das crianças dessas comunidades foram convidados a participar de uma reunião na qual receberam informações sobre os objetivos do estudo. portanto. Possui uma área de 364km². 2001). nesse sentido. COSTA. a 116km de Aracaju. F. Em paralelo. com 11. O Índice de Desenvolvimento Humano .= J. antes de assinarem o Termo de Consentimento Livre e Informado. Nutrire: rev. foi assegurado aos participantes o anonimato nos achados levantados e que a recusa à participação no projeto não implicaria em nenhum prejuízo para a criança e para a família.. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. abr. e outro relativo ao consumo alimentar das crianças. Alim. n. Os entrevistadores aplicaram dois questionários. grau de parentesco (em relação à criança ou adolescente). 2011. o município ocupa a 61ª posição. O IDH é um dos índices que avaliam o grau de desenvolvimento econômico e a qualidade de vida oferecida às populações. um território que tem passado por mudanças socioculturais e econômicas que refletem este processo. os benefícios e os possíveis efeitos não desejáveis das avaliações. Em relação ao Estado de Sergipe. A área desapropriada em 1982 era de 1. um para avaliação socioeconômica. Pacatuba está localizada no litoral Norte do Estado de Sergipe.IDH deste município em 2000. p.536 habitantes.VIEIRA.584. S. Assim. de forma que estes não ficassem prejudicados quanto ao conteúdo dado em sala. 2002). O. por meio de entrevistas com as mães ou responsáveis. segundo dados da Confederação Nacional de Municípios é de 0. D..201 hectares e foi destinada a 93 famílias (SILVA. 49-69.. O Município de Pacatuba.

SICHIERI. composto de desenhos de alimentos nas três dimensões normais: pequena. Sergipe. sobre o número de crianças ou adolescentes.. os alimentos foram transformados em gramas e mililitros. já que na aplicação de outros métodos como o questionário de frequência alimentar é necessário ter um conhecimento anterior dos hábitos alimentares da população afim da elaboração do questionário a ser aplicado (PEREIRA. 36. São Paulo. registrando a quantidade de cada alimento relatado em medidas caseiras. com as merendeiras o detalhamento da receita/preparação e a quantificação do porcionamento da alimentação escolar para 55 . v. D. Brazilian Soc. com o auxílio de uma tabela para avaliação de consumo alimentar apropriada para esse fim (FISBERG. Food Nutr. Nutr. mas requer um nutricionista ou entrevistador bem treinado para realização de coleta de dados (FISBERG.. frequentemente utilizado em estudos epidemiológicos. A aplicação do método recordatório 24 horas consiste em obter informações escrita ou verbais sobre a ingestão alimentar das últimas 24 horas. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. com dados sobre os alimentos atualmente consumidos e informações sobre peso/tamanho das porções. buscou-se as informações referentes ao cardápio do dia anterior e.. enquanto que para os adolescentes com dez anos ou mais a entrevista foi feita diretamente com eles. Registraram-se primeiro a hora e o lugar referido as refeições. capaz de avaliar a ingestão atual de indivíduos. O registro fotográfico.= J. A. intercaladas pelos lanches. 2011. 1996). Assim. n. pelo fato de a aplicação ser feita em uma população a qual os investigadores não tinham tido contatos prévios. COSTA. R. F. VIANNA. Alim. já que algumas vezes existiam mais de uma criança ou adolescente pertencente a uma mesma família. abr. O. dietético. o tipo do alimento e a forma de preparo.. S. Para as crianças menores de dez anos. Em seguida. As informações dos alimentos consumidos foram anotadas seguindo a ordem das refeições principais. MARTINI. D. Para quantificação da alimentação realizada na escola. 2005). de baixo custo e não demora muito tempo na aplicação. em geral. 1. MARTINI. MENDES-NETTO. O método recordatório 24 horas é um instrumento de avaliação da ingestão de alimentos e nutrientes de indivíduos e grupos populacionais. p. média e grande – utensílios e medidas – foi utilizado como recurso padrão para auxiliar o entrevistado a recordar-se da porção do alimento servido à criança ou adolescente. 49-69. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL A avaliação nutricional das crianças e adolescentes foi realizada com base nos dados antropométricos (na aferição das medidas antropométricas de peso e estatura) e dietéticos (recordatório de 24 horas). Dessa forma. bem aceito pelos entrevistados. É um instrumento validado. Bras. visando a coleta de informações sobre o consumo alimentar da criança na sua residência. F. SP. o recordatório foi determinado em entrevista com o responsável. incluindo a primeira até a última refeição. Nutrire: rev. S. 2005). optou-se por esse método. J.VIEIRA. em seguida. aumentando assim a confiabilidade das informações fornecidas (ZABOTTO. perguntou-se o que a criança comeu e bebeu. CURADO. GIL. Soc. COSTA. 2007)..

A avaliação de ingestão dietética foi realizada com base nas Ingestões Dietéticas de Referência (Dietary Reference Intakes . SP. 2011. proteínas. fixo na parede com parafuso. considerando o nível de atividade física pouco ativo. (3) acima da RDA: provável adequação. COSTA. Já o cálcio por não apresentar a EAR não foi possível fazer a avaliação de ingestão desse micronutriente. v. Os cálculos para quantificar o consumo de energia. e as preparações quando não encontradas foram adicionadas ao software e analisadas pelo mesmo. A avaliação dietética do consumo dos micronutrientes foi realizada por meio de comparação da ingestão individual contra valores de referências de nutrientes que compõe a DRI. 49-69.= J. (2) entre EAR e RDA (Recommended Dietary Alowances): risco de inadequação. zinco e vitaminas A foram realizados com o auxílio do software Nutwin versão (3. (2007)..0) (PROGRAMA DE APOIO A NUTRIÇÃO.. 2008b).VIEIRA. Soc. apesar de o banco de dados do Nutwin ser proveniente da tabela norte-americana de composição de alimentos (USDA). Assim.TACO (NEPA-UNICAMP. Nutrire: rev. A análise qualitativa dos nutrientes foi classificada em três grupos: (1) abaixo da EAR (Estimated Average Requirement): provável inadequação do consumo. Estes valores foram somados ao recordatório de 24h sendo considerado o consumo completo da refeição servida. S. São Paulo. D. 36. F. n. 56 . Segundo Salles-Costa et al. afinal segundo as DRI. Em seguida. R. J. utilizou-se as equações preditivas proposta pelas Institute of Medicine (2005). estimando a ingestão alimentar de indivíduos e grupos populacionais (PADOVANI. as crianças e adolescentes. com capacidade de 150kg. Para aferição da altura foi utilizado um estadiômetro portátil SECA. o parâmetro de referência utilizado por esse mineral é a Ingestão Adequada (AI). Para o cálculo das necessidades energéticas estimadas (NEE). o valor energético total da dieta (VET) foi comparado em relação às NEE em porcentagem das necessidades.. Bras.. Food Nutr. 1. e apresentar valores de ferro. de PVC rígido com fita métrica metálica retrátil. 2005).. resolução de 0. et al. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. lipídios.1. F. As crianças e adolescentes foram pesados e medidos segundo técnicas preconizadas pelo Ministério da Saúde (BRASIL. 2006). são utilizados no planejamento e avaliação das dietas. visor em cristal líquido. cálcio. 2005). As DRI são valores de referência de ingestão de nutrientes que reúnem conceitos e conhecimentos científicos mais atualizados e. D. os alimentos inexistentes no banco de dados foram acrescentados e os com valores superestimados foram corrigidos com base na análise da composição de alimentos da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos . O. O peso foi medido utilizando uma balança digital da marca Plenna.DRI). abr. S. basicamente. tendo em vista que as atividades diárias das crianças e dos adolescentes do estudo eram caracterizadas por reduzida locomoção e escassas atividades de lazer. Sergipe. COSTA.. 2004). Nutr. do tipo digital futura. CURADO. a qual não deve ser utilizada para avaliar adequação de consumo (INSTITUTE OF MEDICINE. MENDES-NETTO. carboidrato. Brazilian Soc. vitamina C e zinco superiores a outras tabelas brasileiras. Alim. graduação de 100g. p. bateria de litium interna. uma vez que era o observado por todas as merendeiras e professoras. escala de 0 a 220cm. Ambos os equipamentos foram previamente calibrados. ferro. respectiva para cada faixa etária e sexo. este é o mais adequado para estimar o consumo alimentar de crianças. A.

Bras. S.VIEIRA. Foram calculadas as frequências absoluta e relativa das respostas e aplicado o teste de qui-quadrado para análise das associações entre as variáveis. F. MENDES-NETTO.. pertencentes a 95 famílias de assentados da zona rural do município de Pacatuba. Os pontos de cortes adotados para baixo peso foi o índice IMC/idade menor que escore-z -2. SP. 57 . S. sendo o primeiro estudo da região. Brazilian Soc. 2006. v. COSTA. ANÁLISES ESTATÍSTICAS Os dados socioeconômicos e antropométricos foram processados e analisados em banco de dados criado por meio do software Epi Info versão 6. foram calculadas a média e o desvio padrão. Além disso. A. 49-69. eutrófico escore-z entre -2 e 1 e excesso de peso escore-z acima de 2. O. como o trabalho no campo e o artesanato. Soc.04.= J. D. n. feitas da fibra da taboa (Typha domingenis). Nutr. 36. Os índices antropométricos IMC/idade e altura/idade foram adotados para avaliar o estado nutricional das crianças e adolescentes sendo expressos em escore-Z ou unidades de desvio padrão de afastamento da mediana da população de referência da World Health Organization (WORLD HEALTH ORGANIZATION. 62. Na análise descritiva dos dados de consumo alimentar. COSTA. 2007). A maior parte da renda familiar é advinda de trabalhos informais que representaram 78. Já para a avaliação estatural utilizou-se os valores menores que escore-z -2 para classificar baixa estatura para idade e os maiores que escore-z -2 para classificar estatura adequada para idade.63%). Por meio do Teste “t” Student foram verificadas as diferenças entre as médias do consumo de energia e nutrientes entre crianças e adolescentes.2% das famílias são constituídas por mais de cinco pessoas. RESULTADOS Os resultados obtidos referem-se a dados preliminares de um estudo piloto realizado junto a 145 indivíduos.9% das famílias. Vale ressaltar que programas de auxílio do governo como bolsa família é a base da renda de 78.. Food Nutr. porém as mães têm uma grande representatividade com 40%. 2011. no Estado de Sergipe.00 (66. F. J. sendo complementado pelos trabalhos informais.95% das atividades desenvolvidas por essas famílias. entre crianças e adolescentes.. Alim. O nível de rejeição da hipótese de nulidade foi 0... um recurso natural que coletam de forma sustentável nas lagoas próximas ao assentamento. CURADO. Analisando estes dados pode-se observar que existiu uma maior proporção de homens como chefes de família (52.05 ou 5%. abr.31%). através da confecção de redes de pesca (tarrafas) e bolsas. a maioria apresentando também renda inferior a R$250. R. O uso dos dois documentos da WHO é recomendado pelo Ministério da Saúde (BRASIL. 2008a). 1. p. Nutrire: rev. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. As características socioeconômicas das famílias das crianças e adolescentes estão descritas na tabela 1. Sergipe. sendo que parte dessas são viúvas ou separadas. São Paulo. D.

79 15.. v. J. COSTA.00 Não sabe Número de moradores por domicílio < 4 pessoas 5 a 8 pessoas > 9 pessoas n 50 38 6 1 11 75 9 33 25 7 3 16 11 29 34 15 10 7 36 51 8 % 52.4% apresentaram baixa estatura para meninas e meninos respectivamente.00 251. são apresentados dados do estado nutricional das crianças e adolescentes.00 – 250.05). Quanto à escolaridade materna. S.3% e 13.00 6.74 26. Nutr. 49-69. Bras. COSTA. 2011. 36.32 7. R. SE Variáveis Chefe da família Pai Mãe Avós Sem informação Ocupação do chefe de família Trabalhos formais Trabalhos informais Não sabe Escolaridade materna (anos) 0–3 4–7 8 – 10 11 ou + Não sabe Sem informação Total de rendimentos (R$) < 100.05) respectivamente.95 9.37 3. p. D. D. Soc. S.9% (p<0.8% das mães declararam não saber a sua escolaridade. porém sem diferença estatística entre os grupos (p>0.32 1.. n. Nutrire: rev. cerca de 35% das mães tinham escolaridade inferior a 3 anos.. Food Nutr. 16.8% em adolescentes para ambos os índices.00 – 415. os meninos apresentaram um déficit ponderal significativamente superior às meninas.63 40. Já em relação ao índice estatura/ idade. 1. 17.79 10. CURADO. SP. São Paulo.37 38. O. A. Alim.. F.58 78. MENDES-NETTO. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba.50 Na tabela 2.7 8.84 11. abr.47 34.00 > 415.52 7. Vale destacar também que. 58 . sendo 7. o que pode refletir em nenhum ou poucos anos de estudo.16 16. porém sem diferença estatística entre os grupos.= J. Tabela 1 – Características socioeconômicas de 95 famílias assentadas de povoados da zona rural de Pacatuba. A população estudada apresentou déficit ponderal (segundo IMC/I) e estatural (segundo A/I). Brazilian Soc.5% e 4.1% em crianças e 14.51 30.05 11.VIEIRA. verificou-se que 6. F.3 53.52 35. Sergipe..00 100. Quando os dados foram comparados em relação ao gênero.

VIEIRA, D. A. S.; COSTA, D.; COSTA, J. O.; CURADO, F. F.; MENDES-NETTO, R. S. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba, Sergipe. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 36, n. 1, p. 49-69, abr. 2011.

Tabela 2 – Frequência absoluta e relativa de crianças e adolescentes escolares de acordo com a classificação ponderal (baixo peso, eutrófico e com excesso de peso) e estatural (déficit e adequação). Pacatuba, SE Estado nutricional IMC/Idade Baixo Peso Eutrófico Excesso de peso Altura/Idade Déficit estatural Estatura adequada Crianças (n=84) n 6 75 3 6 78 % 7,14 89,30 3,57 7,14 92,86 Adolescentes (n=61) n 9 51 1 9 52 % 14,75 83,61 1,64 14,75 85,25 Todos (n=145) n 15 126 4 15 130 % 10,34 86,90 2,76 10,34 86,65

As análises descritivas do consumo atual de energia, macro e micronutrientes, estimadas pela aplicação de um recordatório de 24hs, são descritas na tabela 3. Tendo em vista os resultados apresentados, observou-se maior consumo de macro e micronutrientes entre os adolescentes em relação às crianças, porém sem diferença significativa entre os grupos e gênero (p>0,05). Tabela 3 – Média (X) e desvio padrão (DP) do consumo energético, macro e micronutrientes de crianças e adolescentes escolares da zona rural de Pacatuba, SE Nutrientes Energia (kcal) %NEE Proteínas g totais %VET Carboidratos g totais %VET Lipídios g totais %VET Ferro (mg/d) Cálcio (mg/d) Zinco (mg/d) Vit. A (µgER) Crianças (n=84) X (DP) 1116,65 (373,59) 72,56 (22,46) 77,41 (33,90) 28,00 (10,29) 172,49 (65,04) 60,68 (10,36) 30,55 (26,45) 25,44 (26,57) 6,99 (2,78) 194,58 (86,83) 5,10 (3,89) 347,74 (417,60) Adolescentes (n=61) X (DP) 1219,19 (376,95) 63,92 (20,57) 80,64 (33,93) 26,26 (9,21) 191,42 (66,88) 61,77 (12,02) 29,85 (14,67) 21,55 (7,32) 7,59 (2,90) 215,56 (128,67) 5,25 (3,19) 498,98 (582,67) Todos (n=145) X (DP) 1167,43 (372,06) 69,10 (21,65) 79,11 (33,73) 27,36 (9,73) 181,62 (65,80) 61,58 (10,11) 30,30 (21,95) 23,79 (20,40) 7,29 (2,82) 204,98 (107,86) 5,17 (3,59) 413,43 (503,89)

NEE = Necessidade Energética Estimada, VET = Valor Energético Total, g totais = gramas totais.

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A classificação qualitativa da ingestão de micronutrientes em relação às DRIs foi descrita na tabela 4, esses valores representam as frequências absolutas e relativas de crianças e adolescentes que apresentaram consumo de micronutrientes menor que a EAR, entre a EAR e a RDA e acima da RDA. Para o cálcio, considerou-se apenas a classificação segundo a AI. Em relação a este mineral todos os indivíduos estão abaixo da AI e para os demais nutrientes a maioria destes encontra-se abaixo da EAR, com exceção para o ferro, no qual a maioria das crianças (61,9%) está entre a EAR e a RDA, estando porém, numa área de incerteza da avaliação. Tabela 4 - Frequência absoluta e relativa de crianças (n=84) e adolescentes (n=61) escolares de acordo com a interpretação qualitativa de ingestão em relação à EAR. Pacatuba, SE < EAR Nutrientes* n Ferro Criança Adolescente Zinco Criança Adolescente Vitamina A Criança Adolescente 16 25 % 19,05 40,99 n 52 14 % 61,90 22,95 n 16 22 % 19,05 36,06 EAR-RDA > RDA

48 47 55 44

57,14 77,05 65,48 72,13

16 3 16 4

19,05 4,92 19,05 6,56

20 11 13 13

23,81 18,03 15,48 21,31

DISCUSSÃO
Quando analisada a situação econômica das famílias, verificou-se que 82% destas, possuem renda inferior a um salário mínimo, vale destacar que 30,5% recebem menos que cem reais por mês (Tabela 1). Esse dado é preocupante, visto que em estudo realizado em escolas públicas de Salvador, adolescentes que proviam de famílias que recebiam menos do que um salário mínimo tinham maior probabilidade de serem anêmicos (BORGES et al., 2009). Segundo Castro et al. (2004), em um estudo realizado em um assentamento rural do Vale do Rio Doce (MG), foi observado que a escolaridade materna foi inferior a média nacional, que é de 6,8 anos. Da mesma forma, no presente estudo, foi verificada uma baixa escolaridade dos responsáveis das crianças e adolescentes investigados, o que pode estar relacionada ao abandono precoce da escola, já que há uma necessidade de mão de obra no trabalho rural, pois é deste que advém o sustento da família, além da falta de incentivo do governo em tempos passados.

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A baixa escolaridade materna pode representar implicações severas no estado nutricional dos filhos. Em um estudo de revisão realizado por Wachs (2008), no qual relaciona a educação materna com o consumo alimentar de crianças, observou-se que quanto maior a escolaridade materna melhor a qualidade e a quantidade da dieta infantil. Já Guimarães, Latorre e Barros (1999), em investigação sobre a situação nutricional de pré-escolares, em Cosmópolis, São Paulo, verificaram que crianças cujas mães possuíam apenas o primário incompleto apresentaram mais chance (OR= 2,1; IC=95% = [1,1-3,8]) de ter desnutrição, em relação àquelas cujas mães possuíam maiores níveis de escolaridade. Em relação ao estado nutricional, pode-se observar elevada proporção de adolescentes e crianças com déficit estatural (10,3%) e ponderal (10,3%) (Tabela 2). A condição socioeconômica dessas famílias pode responder a situação nutricional das crianças e dos adolescentes. Segundo Monteiro et al. (2000), variações estaturais podem refletir problemas nutricionais associados às diferenças socioeconômicas entre grupos populacionais, sendo comum a presença de déficit estatural em adolescentes brasileiros de classes econômicas menos favorecidas. Eisenstein (1999) considera que, no Brasil, o diagnóstico de desnutrição é diferencial obrigatório para a avaliação de adolescentes com problemas de crescimento e atraso puberal. Dessa forma, analisar o crescimento linear implica considerar, além dos fatores hereditários, a história nutricional (desnutrição pregressa) e alimentar, doenças, atividade física e estresse, principalmente quando essa influência é exercida nos períodos de maior velocidade de crescimento (PRIORI, 1998; WATERLOW, 1976). A comparação do estado nutricional entre os gêneros indicou que os meninos foram mais comprometidos do que as meninas, especialmente em relação ao baixo peso. A inserção destas crianças no trabalho rural é uma prática comum e os meninos normalmente são os que mais exercem estas atividades enquanto que as meninas, envolvem-se mais com os trabalhos manuais e artesanais. Desta forma, pode-se inferir que a maior demanda energética das atividades realizadas pelos meninos esteja contribuindo para o não acompanhamento do canal de crescimento. Muitos são os estudos conduzidos com o objetivo de avaliar o estado nutricional de crianças menores de 5 anos, visto que é o grupo de maior vulnerabilidade às deficiências nutricionais. No entanto, o mesmo não acontece com os escolares, tornando limitado o número de estudos, principalmente, no Nordeste brasileiro. Considerados sobreviventes daquela fase, sofrerão alterações no crescimento, tornando-se adultos com baixa estatura (ANJOS, 1989; LAURENTINO; ARRUDA; ARRUDA, 2003) e, conforme afirmam Corso, Buralli e Souza (2001), a idade escolar é o estágio da vida em que melhor se avalia a desnutrição pregressa, nos últimos 7 a 8 anos. Estudo conduzido em São Luís (MA) com 1.130 crianças e adolescentes entre 6 e 16 anos mostrou que a prevalência de desnutrição atual resultou em 14,8%, e o déficit estatural de 4,2%, atingindo mais os estudantes da rede pública de ensino (CONCEIÇÃO, 2006). Resultados semelhantes foram observados em outros estudos, como o realizado por Burlandyr e Anjos (2007), no qual 1.177 crianças na faixa etária de 7 a 10 anos

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foram avaliadas no Nordeste e Sudeste do Brasil e observou-se que 13,2% apresentaram desnutrição pregressa, sendo a maior prevalência no Nordeste Rural (21,9%), e a menor no Sudeste Rural (8,4%). Outro estudo feito em um assentamento do Rio de Janeiro com 273 crianças e adolescentes entre 0 e 17,9 anos, mostrou que oito crianças (4,0%) apresentaram inadequação estatural, sendo que sete eram adolescentes, correspondendo a 6,7% do total de adolescentes (VEIGA; BURLANDYR, 2001). Para todas as crianças e adolescentes, o consumo de energia e de nutrientes foi insuficiente em atingir as necessidades energéticas e recomendações diárias, respectivamente (Tabela 3). No Brasil, principalmente na Região Nordeste, o déficit energético sempre se revelou como um importante marcador dos problemas nutricionais da população (ROMANI; AMIGO, 1986). A avaliação do consumo energético em relação às necessidades estimadas pelas equações propostas pelas DRI mostrou que a maioria das crianças (76,2%) e dos adolescentes (80,3%) encontra-se abaixo do recomendado para a sua faixa etária (Tabela 3); o que implica em um déficit energético na maior parte dos indivíduos estudados, sendo mais um fato que confirma o comprometimento do desenvolvimento estatural dos mesmos. Resultado semelhante pode ser encontrado no estudo de Castro et al. (2005), no qual ao avaliar pré-escolares de Viçosa (MG) encontrou que 75,7% apresentaram déficit energético. Sabe-se que, durante a puberdade, ocorrem os processos de crescimento e maturação sexual. Para que estes ocorram de maneira ideal é importante que os fatores ambientais sejam favoráveis, e a nutrição destaca-se nesse processo. Cerca de 50% do peso e 20-25% da estatura de um indivíduo são adquiridos na adolescência, e o papel da nutrição em nível populacional serve como determinante altamente significativo da variabilidade desse processo. A secreção dos hormônios gonadais pode ser inibida por quantidades insuficientes de nutrientes, retardando o início do desenvolvimento da puberdade, o que pode comprometer o ganho estatural (SIGULEM; DEVINCENZI; LESSA, 2000). Quando avaliados os micronutrientes (Tabela 4) houve uma grande probabilidade de inadequação de consumo para ferro, zinco, vitamina A e cálcio entre as crianças e adolescentes (Tabela 4), visto que poucos foram os indivíduos que apresentaram ingestão satisfatória destes nutrientes (> RDA ou AI). A ingestão diminuída de cálcio torna-se preocupante, considerando a sua importância na adolescência. A menor ingestão desse mineral pelos adolescentes pré-púberes merece ainda maior destaque, tendo em vista a maior necessidade de cálcio nessa fase, para garantir o crescimento adequado. Segundo Jackman et al. (1997), a reduzida ingestão desse mineral nesta fase resulta em menor mineralização óssea, quando comparada a indivíduos da mesma faixa etária que tiveram ingestão adequada de cálcio. Observa-se, com base na tabela 4, que cerca de 69% das crianças e adolescentes apresentaram consumo de vitamina A insuficiente (< EAR), sendo a maior prevalência de inadequação entre adolescentes (72,1%). As necessidades vitamínicas estão aumentadas em período de anabolismo intenso. A vitamina A é um nutriente essencial ao funcionamento normal do sistema visual, sistema imunológico, crescimento e desenvolvimento, proliferação

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é atualmente um dos mais graves problemas nutricionais mundiais em termos de prevalência.. sendo a maior parte do sexo masculino (52. é evidente em outros estudos que existe uma associação entre a maior prevalência de baixo consumo de ferro com as classes sociais mais desfavorecidas (GARCIA. sendo determinada. SOUZA. no qual 59. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. pode refletir. S. no qual houve um consumo abaixo da porcentagem de adequação entre ambos os sexos. 36. haja vista a hipovitaminose A ser considerada como um problema de saúde pública no Brasil. Soc. Os resultados da tabela 4 apontam que 30% das crianças e adolescentes apresentaram consumo alimentar de ferro insuficiente (<EAR). alterações dermatológicas e menor resistência a infecções (BRASIL. perda da visão. Sua deficiência pode desencadear cegueira noturna. v. verificou-se que 63. Nutrire: rev. no entanto. D. A. n. com 153 adolescentes. as manifestações clínicas da doença expressam a privação alimentar ostensiva. SP. matriculadas em escolas rurais do município de Novo Cruzeiro. CURADO.. junto ao grupo em estudo. quase sempre. Segundo Borges et al. caju amarelo e vermelho e goiaba. a carência no consumo de ferro pode representar também sérias complicações para estes indivíduos em consequência da maior velocidade de crescimento e da menstruação nesta fase (GAMBARDELLA. Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL. 2007) essa carência. 63 . FRUTUOSO. em estudo realizado em escolas públicas de Salvador (BA). 2003). e na reprodução. 2002 ). abr. (2009). COSTA. Dados semelhantes foram encontrados em estudo realizado no Centro de Juventude da cidade de São Paulo. 1999). GAMBARDELLA. ALBUQUERQUE. D. com 241 crianças de 6 a 14 anos. MONTEIRO.. o baixo consumo de alimentos fonte da vitamina. FRUTUOSO. Em estudo desenvolvido por Santos et al. p. R. MENDES-NETTO. e divisão celular. que desencadeia a anemia. com 95 alunos entre 6 e 13 anos. Por ser uma vitamina de depósito. Bras. sobretudo na região Nordeste. Assim também. F.. São Paulo. Food Nutr.93%) (RUVIARO.6% das mulheres estavam com o consumo de ferro inadequado (GARCIA.1% dos estudantes investigados apresentaram consumo de vitamina A abaixo das recomendações preconizadas. MOREIRA. pela ingestão deficiente de alimentos ricos em ferro que são muitas vezes substituídos por carboidrato e gordura. 2001. 2007.. GAMBARDELLA.31%) possuía consumo inadequado de ferro. COSTA. Resultados semelhantes foram obtidos em estudo realizado com adolescentes matriculados na rede pública de ensino de Guarapuava (PR). Alguns estudos conduzidos entre crianças e adolescentes apontam resultados satisfatórios na ingestão deste nutriente (ALBANO. o estudo realizado no assentamento rural do município de Promissão no Estado de São Paulo. 2008). (2005). O consumo insuficiente. mostrou resultado semelhante no qual o consumo de vitamina A encontravase abaixo da adequação (entre a EAR e RDA) para todas as faixas etárias (SILVA. O. É preocupante a situação encontrada nas crianças e adolescentes de Pacatuba. 49-69. 2007). FRANCHI.8% dos homens e 83. a maioria dos adolescentes (54.= J. F. Sergipe. Brazilian Soc. provavelmente. Para crianças e adolescentes. Alim. 2003). 2006). 1. 2011. QUINTILIANO. Nutr. além das frutas e hortaliças regionais como abóbora. manga. S. como o fígado e ovo.VIEIRA. NOVELLO. FRUTUOSO. em Minas Gerais. J.

49-69. que é à base de arroz com feijão. das crianças e adolescentes estudados apresentavam consumo inadequado (<EAR) deste micronutriente. Os principais alimentos utilizados na troca pelo coco foram o pão. Estes possuem concentrações maiores de ferro e custo mais elevado que os demais produtos alimentícios básicos. Já as hortaliças e as carnes bovinas tiveram um consumo representativo apenas quando fornecidos pela alimentação escolar.05%. O. Um aspecto importante identificado na subsistência desta população foi a existência de um sistema de troca direta de coco por certos gêneros alimentícios. Nutrire: rev. pão e açúcar. A provável hipótese para a elevada prevalência da baixa ingestão de ferro pelas crianças e adolescentes da zona rural deve-se ao baixo poder aquisitivo para a compra de alimentos proteicos de origem animal (carnes. São Paulo. referentes aos dias da avaliação dietética. J. portanto pobre em proteína de origem animal. A. na qual há um baixo consumo de frutas e hortaliças e um alto consumo de açúcares e produtos industrializados. A população estudada tem um consumo alimentar baseado na sazonalidade da produção local ou nos alimentos obtidos a partir da troca de alimentos como o coco. Como fonte de origem animal apenas o peixe adquirido da própria pesca no Rio Poxim. sendo a oferta da carne vermelha observada principalmente na alimentação escolar. No que diz respeito ao zinco. v. os alimentos mais consumidos pelas crianças e adolescentes foram particularmente o feijão. vísceras). tal comportamento reflete uma “dieta ocidental”. Food Nutr. ARRIVILLAGA. D. a fonte proteica principal era o feijão.. arroz. que atravessa o Assentamento Santana dos Frades. os quais apresentaram uma frequência relativamente constante na alimentação. n.= J. p..12% consumiam carnes. 2008). Tal alimento tem uma ampla distribuição pelos povoados. Na população do presente estudo. já que quando analisado qualitativamente a dieta das crianças e adolescentes percebeu-se que somente 27. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. MENDES-NETTO. Segundo Fisberg et al. F. respectivamente. assim como para comercialização dos frutos. Por meio da análise qualitativa dos recordatórios de 24h.. Nutr. Resultados semelhantes foram encontrados no estudo de Urbano (2002). S. não sendo relatado consumo de outras fontes. presente quase que diariamente no almoço. F. que avaliou a adequação do zinco durante o estirão do crescimento. Sergipe. mineral que está envolvido em etapas metabólicas relevantes para o bom funcionamento do sistema imune e para o crescimento (DOMENE. a mortadela e o geladinho (picolé). COSTA. uma das principais fontes deste micronutriente. O consumo insuficiente de hortaliças fontes de ferro e de feijão também pode contribuir para esta condição nutricional. Soc. SP. caracterizando uma monotonia alimentar. observou-se que 57. antiga fazenda de produção de coco para industrialização. Brazilian Soc. PEREIRA. o que caracteriza uma baixa variabilidade nos alimentos consumidos. abr. 64 . A avaliação dietética em uma amostra de 47 adolescentes atendidos em ambulatório de adolescência clínica mostrou que a maioria apresentou ingestão inadequada sendo justificado pelo autor pela composição da dieta brasileira. Essa justificativa também pode ser vista nesse estudo. R. CURADO. Bras. Alim. COSTA.14% e 77.. em detrimento dos sucos naturais. No momento da estruturação do assentamento Santana dos Frades.. 1. observando um maior consumo de sucos industrializados ou em pó. 2011. As frutas e o leite tiveram baixo consumo por essa população. 36. D. (2004). S. o INCRA destinou a cada família de agricultores assentados o número de 80 plantas para gerenciamento da produção.VIEIRA.

SP. 77. COSTA.299. nutr.3% de zinco. com maiores conteúdos de ferro e zinco. 15. n. Ingestão de alimentos e adequação de nutrientes no final da infância.. MENDES-NETTO. 22. p. CONCLUSÕES Verificou-se que as famílias dos assentamentos rurais estudados estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica e que as crianças e adolescentes destas famílias apresentam déficit antropométrico e dietético. irá estimular também a agricultura familiar. Sergipe. Verificou-se que a alimentação escolar contribuiu com 17. REFERÊNCIAS/REFERENCES ALBANO. O. São Paulo. J. v. O presente estudo também avaliou a participação da alimentação escolar na alimentação das crianças e adolescentes e confirmou sua importância na oferta de nutrientes diários. SOUZA. 54. p.. 291. Destaca-se a inadequação na ingestão dos micronutrientes como ferro. Rev. pediatr. CURADO. 2011. O programa de biofortificação de alimentos no Brasil vem sendo desenvolvido com o objetivo de melhorar geneticamente alimentos tipicamente regionais como a macaxeira. nas quais muitas vezes se torna a única ou a principal refeição realizada pelo estudante. e 11. Nutr. A introdução dos produtos biofortificados na alimentação escolar. 49-69.. Bras. COSTA. a batata-doce e a abóbora com maior conteúdo de carotenoides e.= J. n. constata-se a importância da realização de ações destinadas a esse grupo para que este tenha oportunidade de expressar todo seu potencial de crescimento.VIEIRA. Alim. S. Diante disto. v. A. Em relação aos micronutrientes. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. 16% da ingestão de carboidrato. R. D. ferro e zinco. 36. o feijão. arroz. dentro de uma perspectiva alimentar. ainda. Soc. representaria mais uma estratégia a se somar nas intervenções em andamento. Nutrire: rev. zinco e vitamina A. Brazilian Soc. D.. a alimentação escolar desempenha um papel essencial principalmente em comunidades carentes. B. F.3% de ferro. M. S. D. 65 . F. abr. p. S.6% de vitamina A. O melhoramento destes produtos tem como meta aumentar em pelo menos 50% do conteúdo original que. sendo um meio viável de geração de renda. 512-516.. Assim.. v. Além disso. J. além de auxiliar na melhora do estado nutricional das crianças pela oferta de alimentos como maior teor de vitamina A. 36. Ingestão de energia e nutrientes por adolescentes de uma escola pública. n.1% do valor energético total (VET) diário e 16. 3. MONTEIRO. F.4% de cálcio também eram fornecidos pela mesma. R. A. 2002.. proporcionando uma maneira sustentável e de baixo custo para alcançar as populações carentes e incentivar a agricultura familiar e a oferta de produtos biofortificados para alimentação escolar. contribuindo para que estes percentuais não sejam ainda mais baixos do que os encontrados.. M. 2001 ALBUQUERQUE. 1. lipídios e proteína respectivamente. a alimentação escolar é representativa na quantidade de energia e micronutrientes consumidas por estas crianças e adolescentes.9%.5%. Food Nutr. M. 6.. 22.

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70 .

M. 715 Cerqueira César São Paulo/SP E-mail: marchioni@usp. Food Nutr. tests of correlation were made (Pearson and Spearman). Soc. ESPERANÇA. was 0. number of employees and number of meals served. da Universidade de São Paulo.FSP/USP Avenida Dr. while the “Pest Control” was best scored. v. The restaurants were ranked according to the scores obtained: excellent (91-100). which corresponds to the poor rating. 36. No restaurant was rated as good or excellent. Nutrire: rev. 22 commercial restaurants were analyzed in the region of Cerqueira Cesar.. Keywords: Quality Control. MARCHIONI.Artigo original/Original Article Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. São Paulo ABSTRACT LÍVIA DA CRUZ ESPERANÇA1. abr. good manufacturing practices and management. Recebeu o “3º Prêmio de Incentivo à Pesquisa” categoria Iniciação Científica. A check list based on the existing health legislation was used for scoring the following items: the sanitary-hygiene conditions.2%. Brazilian Soc. 2011. n. processes and products. D. 91% were classified as poor and 9% as regular. p. Quality of food preparation in restaurants in the district of Cerqueira César. SP. For the verification of differences regarding the final score in these categories. The results demonstrate the poor quality of services offered by the restaurants evaluated. L. The restaurants were categorized according to the distribution of prices into tertiles.br Observação: trata-se de trabalho de Iniciação Científica. DIRCE MARIA LOBO MARCHIONI1 1Faculdade de Saúde Pública – Universidade de São Paulo Endereço para correspondência: Dirce Maria Lobo Marchioni Departamento de Nutrição . The intense urbanization and industrialization started in the second half of the twentieth century has stimulated growth and development of the market segment that provides meals outside home. verified by Cronbach’s alpha statistic. São Paulo. To evaluate the management of quality for the production of commercial meals in restaurants. C. The average score achieved was 41. 71-83. and suggest the need for interventions to improve the sanitary-hygiene quality in the production of meals. Restaurants. To investigate the relationship between variables. 71 . 9. em 2007. realizado com Bolsa do Programa “Ensinar com Pesquisa”. da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade de São Paulo. The item which had the worst scores was “Good Manufacturing Practices”. L. Bras. Sao Paulo. good (81-90). da Faculdade de Saúde Pública. Nutr. 1. Alim. the test of the KruskalWallis was used. Arnaldo. Sanitary Profiles. São Paulo. São Paulo Quality of food preparation in restaurants in the district of Cerqueira César. = J. regular (61-80). pest control.. poor (up to 60). The validity of internal constructs (items).73. 71%.

São Paulo. 22 restaurantes fueron analizados en la región de Cerqueira César. Para verificar las diferencias en la puntuación final fue utilizada la prueba de Kruskal-Wallis. 91% foram classificados como deficiente e 9% como regular. enquanto o “Controle de Pragas” foi o que obteve melhor pontuação. Brazilian Soc. Food Nutr. regular (61-80). 9. Brasil. utilizou-se a prova de Kruskal-Wallis. 2011. abr. 36. pontuando-se os seguintes itens: condições higiênico-sanitárias. Los restaurantes fueron clasificados en función de los resultados obtenidos: excelente (91-100). La puntuación media obtenida fue 41. foram feitos testes de correlação (Pearson ou Spearman).. Para a verificação das diferenças quanto à pontuação final nestas categorias. Nutrire: rev. Palabras clave: Control de calidad. n. Perfile sanitario.ESPERANÇA. Restaurantes. Alim. L. condiciones de higiene. verificada por medio del alfa de Cronbach. 1. 72 . Nenhum restaurante foi classificado como bom ou excelente. Ningún restaurante fue clasificado como bueno o excelente. Soc. Para verificar a relação entre as variáveis. Para evaluar la gestión de calidad en la producción comercial de comidas. Nutr. regular (61-80). foram analisados 22 restaurantes. MARCHIONI. RESUMEN RESUMO La intensa urbanización y el cr eciente desenvolvimiento industrial que acontecieron en la segunda mitad del siglo XX provocó aumento del número de personas que hacen sus comidas fuera del hogar con el consiguiente crecimiento el mercado de oferta. p. Restaurantes. 71%. que corresponde à classificação deficiente. foi de 0. Sao Paulo. la calidad de los alimentos vendidos. A pontuação média obtida foi 41.= J. 71-83. processos e produtos.2%.2%. D. sugiriendo la necesidad de intervenciones para mejorar la gestión y de esta forma. Fue utilizada la guía basada en la legislación sanitaria vigente. Os restaurantes foram categorizados segundo tercis da distribuição dos preços praticados. El atributo con peor puntuación fue el de “Buenas Prácticas de Manufactura”. Palavras-chave: Controle de qualidade. bueno (81-90). Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. buenas prácticas de fabricación y gestión. deficiente (até 60). Os restaurantes foram classificados segundo a pontuação obtida: excelente (91-100). verificada pelo α de Cronbach. 71%. boas práticas de fabricação e gestão. bom (81-90). se realizaron pruebas de correlación (Pearson y Spearman). L. Bras. Los resultados permiten evidenciar la baja calidad de los servicios ofrecidos por los restaurantes evaluados. 9. São Paulo. 91% eran malos y 9% regulares. A intensa urbanização e industrialização ocorridas a partir da segunda metade do século XX estimularam o cr escimento e desenvolvimento do segmento do mercado que oferece refeições fora do lar. e sugerem a necessidade de intervenções para que se melhore a qualidade higiênico-sanitária da produção das refeições vendidas. de acordo com a legislação sanitária vigente no país. procesos y productos. Para investigar la relación entre las variables.73. controle de pragas. O item que apresentou pior pontuação foi “Boas Práticas de Fabricação”. control de plagas. situados na região de Cerqueira César. número de empleados y número de comidas servidas. Perfis sanitários. SP. v. que corresponde a clasificación deficiente. Utilizou-se roteiro baseado na legislação sanitária vigente. Com o objetivo de avaliar as condições do processo de produção de refeições em restaurantes comerciais. con destaque para los siguientes temas: instalaciones sanitarias. La fidelidad de los atributos. Los restaurantes fueron clasificados conforme los terciles de distribución de precios. A consistência interna dos constructos (itens). número de funcionários e número de refeições servidas. mientras que “Control de Plagas” fue el que mostró mejor resultado.73. malo (hasta 60). fue 0. M.. C. Os resultados encontrados demonstram a qualidade deficiente dos serviços oferecidos pelos restaurantes avaliados.

Segundo Benevides e Lovatti (2004). OLIVEIRA. que possuem ambiente. 2005. são de responsabilidade de restaurantes. v. de acordo com a legislação sanitária vigente no país. uso de produtos clandestinos. Assim. 36. Pode-se incluir nas falhas de processos e produtos. 2005. a globalização da economia. São Paulo. sendo pelo menos 2. GENY. entre outros. Soc. utilização de sobras. Bras. alimentos contaminados.ESPERANÇA. 2005). Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César..5 mil restaurantes somente na capital paulistana. exacerbou-se a necessidade de refeições práticas. manipuladores. o uso incorreto do binômio tempo-temperatura. processamento. o acelerado desenvolvimento tecnológico. L. 73 . conferem normas e procedimentos técnicos que devem ser seguidos rigorosamente. podem-se incluir as más condições de higiene na manipulação dos alimentos. abr. Nesse contexto.8 bilhões de reais (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE REFEIÇÕES COLETIVAS. Os principais fatores relacionados à ocorrência de surtos e doenças de origem alimentar estão relacionados às falhas múltiplas e peculiares no controle de qualidade na produção da refeição. além de más condições de armazenamento e de conservação dos alimentos. 2005. com um faturamento de 9. este tipo de serviço está relacionado à ocorrência de enfermidades relacionadas à alimentação (MORAES et al. manipuladores infectados ou contaminados. armazenamento. 2011. criando uma demanda por locais que ofereçam este tipo de serviço (AKUTSU et al. este trabalho tem como objetivo avaliar as condições do processo de produção de refeições em restaurantes comerciais. No entanto.. para a garantia da higiene e segurança de todo o processo de produção de alimentos. 2005).5 milhões de refeições por dia. INTRODUÇÃO A alimentação do indivíduo e da população sofreu intensas modificações a partir da segunda metade do século XX. Entretanto. SP. M. ainda é escassa a literatura sobre a adequação dos restaurantes comerciais à legislação sanitária. mais de 50% dos surtos de toxinfecções alimentares de origem bacteriana. C. São Paulo. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (2007) – há cerca de 800 mil restaurantes por peso no Brasil. L. n. de baixo custo e de fácil aquisição.= J. órgãos governamentais como o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Alim. grande intervalo entre o preparo e o consumo... Brazilian Soc. LIMA. situados na região de Cerqueira César. distribuição e consumo.. Nutr. Já nas falhas de higiene. SILVA FILHO. que contribuem para a ocorrência de contaminação cruzada (NOLLA. a inserção da mulher no mercado de trabalho e a distância entre o domicílio e o local de trabalho. em virtude de fatores como a intensa urbanização. 71-83. desde o recebimento. 1. no uso de suas atribuições. p. destacam-se os restaurantes de autosserviço. falta de adequação e conservação da estrutura física dos estabelecimentos. refrigeração inadequada. Em 2009. e a opção à la carte. Nutrire: rev. [2010]). 1996). D. que podem ser bufê ou por peso. equipamentos e utensílios inadequados. MARCHIONI. Food Nutr. este mercado serviu cerca de 8. DE DEUS et al. Para minimizar tais problemas. No segmento de refeições fora do lar. no Brasil.

São Paulo. D. Boas Práticas de Produção (boas práticas) e Gestão (gestão operacional e recursos humanos). a fim de padronizar e garantir a qualidade dos dados. SP. Controle de Pragas (controle). O critério de seleção dos restaurantes foi não possuir como responsável técnico o nutricionista. enquanto as respostas “não aplicadas” e “não verificadas” fora desconsideradas. cada subitem teve quatro opções de resposta: “conforme” – quando o restaurante apresentou conformidade ao item observado. atribuíram-se um peso e uma constante. “não verificável” – quando não foi possível verificar se o item estava em conformidade. Nas visitas. biomédico ou veterinário. L. “não aplicável” – quando o item observado não se aplicava à realidade do restaurante. p. Processos e Produtos (recebimento de matéria-prima. foram consideradas as respostas “conformes” e “não conformes”. São Paulo. e a Resolução RDC nº 216/2004 (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. n. Nutr. C. Foram analisados 22 restaurantes (18 de autosserviço por peso e 4 à la carte). 1. Alim. Neste bairro. devidamente treinados. A coleta dos dados foi feita em 2007 por acadêmicos do curso de Nutrição de uma universidade pública. 1993).= J. Bloco Higiene Processos e produtos Controle de pragas Gestão Boas Práticas de Fabricação B1 B2 B3 B4 B5 Constante (nº de questões) 58 23 5 11 7 Peso 25 30 10 10 25 Quadro 1 – Peso de cada bloco e constante. Brazilian Soc. a avaliação das condições foi observacional e as informações necessárias ao preenchimento do roteiro foram prestadas pelo gerente ou responsável técnico. 36. das instalações. adaptado do proposto pela Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE REFEIÇÕES COLETIVAS. abr.. 2004). Para a pontuação final de cada item. Soc.. M. das sobras e coleta de amostras). localizados em Cerqueira César. MARCHIONI. v. previamente agendadas. 2003). METODOLOGIA Trata-se de um estudo descritivo transversal. da água utilizada. Nutrire: rev. especialmente a Portaria nº 1428/1993 (BRASIL. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. higienização e distribuição e botijões de gás). 74 . “não conforme” – quando não atendeu ao item observado. a atividade econômica é caracterizada pela prestação de serviços e é grande a utilização diária dos restaurantes. de acordo com seu número de questões. armazenamento de matériaprima e de pós-manipulados. Food Nutr. L. 71-83. conforme quadro 1. dos utensílios e equipamentos. no Município de São Paulo. Foi aplicado um roteiro padronizado. Para o cálculo da pontuação de cada item.ESPERANÇA. 2011. tendo por base a legislação da área. O roteiro avaliou os seguintes itens: Higiene (dos manipuladores. Bras.

P – Peso de cada bloco. construída a partir de n variáveis observadas. L. foi feito teste de correlação de Pearson. 71-83. 77% possuíam de 11 a 32 funcionários. foi feita a soma da pontuação dos cinco itens. o que corresponde a 91% da amostra analisada. 1.00 a R$20. São Paulo.9. Para a verificação das diferenças quanto à pontuação final nestas categorias. deficiente (até 60). TNV – Total de respostas “não verificável”. como é o caso do roteiro elaborado para este estudo. única variável que não apresentou distribuição normal.2. e teste de Spearman. 2011. A pontuação máxima em cada bloco foi. regular (61-80). Nutr. MARCHIONI. 25. 25 e 10. Aproximadamente. Soc. A consistência interna dos constructos (itens) foi verificada pelo α de Cronbach. M. 30. A maioria dos restaurantes analisados (82%) servia a refeição na modalidade por peso. D.. TNA – Total de respostas “não aplicável”. correspondente à classificação deficiente. Dos 22 restaurantes analisados. 10. L. e 2 foram classificados como regulares (9%). SP. no item “controle de pragas”. v. pode ser verificada na tabela 1. 75 .. RESULTADOS A descrição dos restaurantes.3). utilizou-se a prova de Kruskal-Wallis. Bras. C. São Paulo.= J. segundo categorização em tercis. respectivamente. na ocasião da pesquisa situou-se entre R$14. os restaurantes foram classificados em: excelente (91-100). Para o cálculo da pontuação total.00. Os dados foram tabulados no programa Epi data e as análises estatísticas foram feitas no programa Stata.70 denotam boa confiabilidade do instrumento. Brazilian Soc. O nível de significância considerado foi de 5%. a 70. A Pontuação de cada bloco foi calculada de acordo com a equação: PB = TS X P TQ – (TNA + TNV) Onde: PB – Pontuação do Bloco. n. A pontuação total média encontrada foi de 41 (dp=14.ESPERANÇA. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. A mediana da pontuação no item “boas práticas” foi zero. os dados foram descritos em medidas de tendência central e dispersão. 75% dos estabelecimentos serviam até 300 refeições. abr. TQ – Total de questões. para as variáveis com distribuição normal. medida que permite quantificar o nível de confiabilidade de uma escala criada a partir de uma dimensão não observável. TS – soma das respostas “sim” obtidas. 36. O preço por quilo da refeição. para Boas Práticas de Produção. Alim. O percentual de adequação variou de 9. no item “boas práticas”. número de funcionários e número de refeições servidas. p. nenhum restaurante foi classificado como excelente ou bom. Os restaurantes foram ainda categorizados segundo tercis da distribuição dos preços praticados. A pontuação média de cada um dos itens e do total pode ser observada na tabela 2. com pontuação máxima de 100. Em contrapartida. bom (81-90). Valores superiores a 0. Para verificar a relação entre as variáveis. Food Nutr. Nutrire: rev. A seguir. 20 restaurantes foram classificados como deficientes.

2008 Variável Número de refeições até 200 de 201 a 300 de 301 a 600 Número de funcionários <10 11 a 13 14 a 32 Preço por quilo da refeição* R$14. C.9 41.7 41. SP.3 Ao analisar a correlação do item Gestão com a pontuação total e os demais itens.0 0.5 52.9 9.00 a R$17. 1. segundo seus tercis. Tabela 1 – Categorização das variáveis. 76 . L. Soc. 36.00 a R$20. Bras.0 2. 2011.0 .15. Nutr.0.14.= J.99 R$18.3 2.2 % de Intervalo Interquartil Adequação 11. São Paulo.0 5. Nutrire: rev.00 Tipo de serviço à la carte Por peso Total *18 restaurantes neste sistema de serviço. São Paulo.5 .6 5. abr.8.00 acima de R$20. v. conforme apresentado na tabela 3.9 70.6 14. Brazilian Soc..0 .6.1 14.0 38..7 . Food Nutr.0 0.ESPERANÇA.1 2.1 7.1 . M.7 6.0 .3 Mediana 13. 71-83.0 13.3 dp 3. São Paulo 2008 Item Higiene Processos e Produtos Controle de Pragas Boas Práticas Gestão Total Média 13.3 4.4 46. p.5 2. n.9 8.0 32. Frequência 9 7 6 5 11 6 7 7 4 4 18 22 (%) 41 32 27 23 50 27 39 39 22 18 82 100 Tabela 2 – Pontuação média dos itens que compõe o Índice e do Total dos restaurantes avaliados. encontrou-se uma correlação positiva. Alim.53. São Paulo. L.8 5. MARCHIONI.7 11. porém não significativa estatisticamente.2 46. D. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César.

verificou-se que 90% dos estabelecimentos foram classificados como deficientes. A média encontrada. verificaram que. MARCHIONI. A pontuação total não diferiu nas categorias de preço. D. L. Alim. no bloco sobre as condições de manipulação e manipuladores de alimentos. Torres e Ueno (2010).18 0. com exceção da variável Boas Práticas que se utilizou Coeficiente de Correlação de Spearman. (2005) sobre as condições higiênico-sanitárias de panificadoras. analisando buffets na região do ABC paulista relatou que 85% foram classificados como parcialmente satisfatórios ou 77 . correspondendo a uma área com intensa atividade comercial.43 0. número de funcionários e número de refeições servidas quando estas foram divididas em tercis. em sua maioria como “deficiente” e “regular”. (2004) ao caracterizar as condições higiênico-sanitárias dos restaurantes tipo fast food de dois shopping centers em diferentes regiões do município de São Paulo.. Food Nutr.45 p 0. Nutr. demonstra a deficiente qualidade higiênicosanitária dos restaurantes avaliados. Ferraz (2010). C. Nutrire: rev. Soc. avaliaram 119 pontos de venda de comida de rua em Taubaté. v. relataram pontuação média igual a 68. DISCUSSÃO Neste trabalho. 36. ambas as investigações retratam situação inadequada às exigências da legislação. São Paulo.30 0. Da mesma forma. L. 41 pontos. que correspondeu à classificação regular. relatando que tanto as condições ambientais e edificações quanto as condições higiênico-sanitárias de utensílios e equipamentos eram insatisfatórias. que objetivou avaliar as condições higiênico-sanitárias em restaurantes comerciais em região central do Município de São Paulo. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. No entanto. Franco e Ueno (2010). M.18 0. Bras. Na análise de confiabilidade da escala. São Paulo.73. Brazilian Soc. Resultados semelhantes aos do presente estudo foram encontrados por Yamamoto et al. foram considerados satisfatórios apenas 33% dos estabelecimentos. n.ESPERANÇA. SP. (2010) em um restaurante universitário do Rio de Janeiro. São Paulo. Tabela 3 – Correlação entre o item Gestão e os demais componentes do roteiro padronizado. Situação semelhante foi observada por Carrijo et al.21 Coeficiente de correlação de Pearson. foi obtido um α de Cronbach de 0.= J. 71-83.61 0.. superior ao presente estudo.12 0. Também em Taubaté. pois os restaurantes localizados na periferia apresentaram-se classificados. abr. 2008 Variável Higiene Processos e Produtos Controle de Pragas Boas Práticas 1 r1 0. em estudo observacional realizado em restaurantes self-service. 2011. Estudo feito por Cardoso et al. p. 1.

Os dados de Rossi (2006). O item que apresentou a pior pontuação foi o de Boas Práticas (9. Ferraz. Akutsu et al. além de 20% contaminados por salmonela. 47% dos estabelecimentos classificados como deficientes. pois o item controle de pragas apresentou 90% de eficiência na adequação. 2010).9. Bras.349 surtos de DTAs. Os maus hábitos de higiene dos manipuladores foram a maior causa de contaminação das carnes e é o segundo maior motivo de DTA notificadas no Rio Grande do Sul. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. Os blocos que apresentaram percentuais médios de adequação foram “Processos e Produtos”. Nutrire: rev. Cavalli e Salay (2004) ao avaliarem a segurança do alimento e recursos humanos em restaurantes comerciais.3% das amostras fora do padrão para Estafilococos e 80% fora do padrão para coliformes. 2007. São Paulo. O item que obteve maior adequação foi “Controle de Pragas” com 71%. SPINELLI. 71-83. a fim de garantir a qualidade das refeições servidas. 36. C. 47%. em estudo citado anteriormente. MG estão de acordo com os encontrados nessa pesquisa.= J. pois os mesmos podem apresentar um risco potencial à saúde pública. com 123. 52%. o que reafirma a necessidade da capacitação dos manipuladores (BARROS et al. ao analisar salpicão de frango e salada de maionese com ovos. PINTO.4 a 76. De acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) (BRASIL.2%). São Paulo. MARCHIONI. 47% e “Higiene”. que a presença do nutricionista foi essencial para adequação dos itens imprescindíveis da verificação proposta. 2011. v. que avaliou as condições higiênicosanitárias de restaurantes do tipo self-service de Belo Horizonte.. p. D. Alim. abr. roedores ou qualquer tipo de animais. L. Os resultados para os itens “Processos e Produtos” e “Higiene” guardam relação com os obtidos por Bricio. SP. Barreto e Sturion. verificou no item fluxo de produção. 2010. e. Esses dados refletem a importância de melhorar a qualidade dos restaurantes. insatisfatórios. 2010. Nutr. é fundamental para prevenção da ocorrência de surtos de toxinfecções 78 . Soc. ao avaliarem a adequação às boas práticas de fabricação em serviços de alimentação. 2007). Este quadro pode ajudar a justificar o número de surtos que ocorrem no Brasil. (2005) também encontraram qualidade insatisfatória ao avaliar preparações alimentícias à base de carne em restaurantes de autosserviço em Natal (RN). que compreendia basicamente a presença e implantação de Boas Práticas. 73.. Leite e Viana (2005) que encontraram. além da saúde do consumidor (ABREU. L. 2009). obtiveram que 33% dos restaurantes de autosserviço analisados desconheciam as Boas Práticas de Fabricação e Produção. “Gestão”. n.ESPERANÇA. O Manual de Boas Práticas de Produção contém processos que servem para garantir a qualidade e a identidade dos alimentos e dos serviços. SILVA JR. verificaram que os surtos ocorreram em locais nos quais a média percentual de itens não conformes às boas Práticas de Higiene variou de 30. Brazilian Soc. O treinamento de pessoas sobre procedimentos de higiene e conservação dos alimentos.. M. Food Nutr. São Paulo. entretanto. 85% dos restaurantes avaliados não o possuíam. (2005) concluíram. de 1999 até 2009 foram notificados 6. uma vez que mostra os problemas identificados nos diversos segmentos de estabelecimentos produtores de alimentos. o controle adequado desse item tem como finalidade garantir a ausência de insetos.917 doentes e 70 óbitos. tendo em vista as características semiartesanais da produção de refeições em restaurantes. De Deus et al. ao traçar o perfil epidemiológico dos surtos de toxinfecções em Limeira. 1.

é investigado a existência de fichas técnicas ou receituário padrão. MARCHIONI. 71-83. n. v. aproveitamento energético e destino apropriado para o lixo. Brandão e Silva (2010) observaram melhoras progressivas nas avaliações semestrais. Kraemer. Pansa et al. o momento atual exige dos trabalhadores de alimentação coletiva. podendo ser determinante para sua sobrevivência em longo prazo. São Paulo. SP e Porto Alegre.. é exigido um novo tipo de trabalhador. 2011. No primeiro. L. incluindo a gestão de pessoas e gestão dos processos produtivos de forma a garantir a sanidade da refeição e preservação da saúde e satisfação dos clientes. A sustentabilidade. Trabalhos recentes apresentando propostas de check-list. poucos estudos têm considerado outras dimensões da gestão. Portanto. capaz de compreender e participar de um ambiente no qual as decisões são mais complexas e as interações sociais mais numerosas. de modo a favorecer as condições de segurança alimentar para a população consumidora. 2010). Soc. mas monitorar a segurança alimentar. (2006) verificaram um aumento de 13% dos itens em conformidade com a legislação. 36.. não somente preparar refeições. o que ressalta a importância das empresas buscarem conhecer as competências que devam ser desenvolvidas. não apresentando bloco específico para avaliar as dimensões de gestão de pessoas e sustentabilidade. L. No entanto. MONTEIRO. Dessa forma. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. devem 79 . 2009). AGUIAR. p. desenvolver seu potencial cognitivo para preencher as condições necessárias ao desempenho de suas funções e suas interações sociais entre sujeitos de diferentes mundos. C. alimentares. Food Nutr.= J. implantado em cantinas de uma universidade pública.. culturas e práticas alimentares e sociais. 2003.ESPERANÇA. São Paulo. M. A implantação de um sistema de controle higiênicosanitário também pode ser um diferencial para a prevenção das doenças transmitidas por alimentos. A gestão de um restaurante comercial. habilitar-se em novas tecnologias. focam na verificação e classificação higiênicosanitária de restaurantes (AVEGLIANO et al. que é necessário qualificar a gestão de pessoas no segmento de restaurantes comerciais. ao analisarem os resultados de três anos de programa com estas características. O bloco sobre gestão diz respeito à gestão operacional e de recursos humanos. também concluem. é um aspecto fundamental para o sucesso do negócio. a política de compras e de acompanhamento de custos e existência de metodologia para aferir a satisfação do cliente. como adequação da cozinha ao uso racional da água. Alim. O segundo engloba itens como política de gestão de pessoas e existência de Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (NR-9). além da conformidade dos processos higiênico-sanitários com a legislação. Nutrire: rev. BRUNA. abr. RS. No entanto. Brazilian Soc. 2004). refere-se aos esforços e movimento em prol de ações voltadas para o meio ambiente e para a qualidade de vida (LIMA. e não somente no treinamento para operação (KRAEMER. A preocupação com as questões ambientais. 1. por sua vez. como pontuam Kraemer e Aguiar (2009). D. o gerenciamento de pessoas deve se basear na formação profissional segundo o conceito de desenvolvimento sistemático de habilidades. Cavalli e Salay (2007). Bras. Nutr. após o treinamento. em trabalho desenvolvido em Campinas. Southier e Novello (2008) verificaram expressiva melhora na higiene e manipulação de higiene em um serviço de alimentação. operar novos equipamentos. reunidas sob o nome de competências. SP. após treinamento em restaurante comercial.

RS. Tal situação denota que. M.= J. manipulados e distribuídos de acordo com as boas práticas de manipulação e fabricação de alimentos. com ênfase particular na divulgação dos textos da lei e na educação dos atores envolvidos no processo de produção e comercialização de refeições. e que 72. Bras. 1. D.ESPERANÇA. O controle sanitário dos alimentos se constitui em um conjunto de normas e técnicas utilizadas para verificar se os produtos estão sendo produzidos. (2006) ao fazerem a avaliação higiênico-sanitária de estabelecimentos da rede fast food no município de São Paulo. CONCLUSÃO Destaca-se que nenhum restaurante foi classificado como bom ou excelente.73. Brazilian Soc. Delevati e Saccol. independente da classe social que atendem. v. São Paulo. 80 . Entretanto. as condições higiênico-sanitárias encontradas. o que sugere a necessidade de intervenções para que se melhore a gestão da qualidade na produção das refeições vendidas. n. Uma vez que o coeficiente obtido foi igual a 0. No presente estudo. São Paulo. MARCHIONI. e a checagem da consistência interna é um dos passos da validação de um instrumento. apesar dos inegáveis avanços que foram alcançados no país desde a década de 80. abr. o que pode apontar que maiores investimentos nos processos de gestão resultem em melhoria do desempenho dos demais aspectos. verificaram em Santa Maria. C. pode-se concluir que o roteiro utilizado no presente estudo possui boa consistência interna e boa confiabilidade. Baltazar et al.. decorrente de falhas no processamento e manipulação. de acordo com os princípios do Sistema Único de Saúde. Food Nutr. que relataram que restaurantes analisados em Taubaté se assemelham em relação à higiene dos manipuladores. visando à proteção à saúde da população. Alim. No Brasil.. As condições higiênico-sanitárias dos restaurantes analisados no presente estudo não diferiram de acordo com características de atendimento. p. uma vez que os resultados sugerem risco potencial de ocorrência de doenças transmitidas por alimentos (DTA) tendo em vista. garantiria a melhoria na qualidade dos serviços encontrados. 71-83. resultado similar ao de Torres e Ueno (2010). SP. se traduzir em ações programáticas e contínuas.5% dos estabelecimentos não haviam sido fiscalizados em relação a esta resolução. são ainda necessárias ações e programas para redução dos riscos de doenças transmitidas por alimentos. 2011. os aspectos de gestão correlacionaram-se positivamente com os demais itens analisados. Soc. encontraram que as condições socioeconômicas dos estabelecimentos interferiram nas suas condições higiênico-sanitárias. A confiabilidade dos dados é resultado da qualidade dos instrumentos de coleta de dados. 2008. com a definição do papel da ANVISA em intervir nos riscos decorrentes da produção e do uso de produtos e serviços sujeitos à vigilância sanitária. os Municípios e o Distrito Federal. Nutrire: rev. falta de conhecimento dos responsáveis em relação a RDC 216/04. Stargarlin. 36. fundamentais para garantia da qualidade sanitária dos produtos. Nutr. especialmente. L. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. possivelmente. em ação coordenada com os Estados. a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é o órgão que considera a necessidade constante de aperfeiçoamento das ações de controle sanitário na área de alimentação. A presença efetiva de um responsável técnico devidamente capacitado. L.

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n. Hig aliment. D. Aprovado em 03/12/10. 166/167.. SP. 20-23. 24. 162. em diferentes regiões do município de São Paulo. p. F. Nutr. Alim. Caracterização das condições higiênico-sanitárias dos restaurantes “fast-food” de dois “shoppings centers”. p. 83 .. MARLET. 2007. NOVELLO. n. L. Análise dos riscos de contaminação em restaurantes self-service na cidade de Taubaté.. D. 14-19.. ed. p. aliment. 2008. São Paulo. L.ESPERANÇA.. 2010. F. SACCOL. Food Nutr. 2011. L. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. Bras. MARCHIONI. 186/187. E. 18. N. 1. 2008. Soc. A. 6. Hig. PR. Recebido para publicação em 26/02/10. L. Treinamento. E. 60-63. n. V. SP. 22. n. p. V. A. D.. v.. v. F. p. UENO. SILVA. C. L. C. T. n. M.. L. SOUTHIER. São Paulo. SILVA JR. avaliação e orientação de manipuladores sobre práticas de higiene e nutrição na cidade de Guarapuava. Manual de controle higiênicosanitário em serviços de alimentação. Hig. 22. aliment. R. Brazilian Soc. abr.= J. Nutrire: rev. aliment... STARGALIN. Hig. S. A.. C. C. Vigência da RDC 216/04 para Serviços de Alimentação do centro de Santa Maria. TORRES.. RS (1ª Parte). DELEVATI. São Paulo: Varela. v. 45-50. 71-83. 2004. SANTOS. 122. YAMAMOTO. v. M. 36.. v.

84 .

4Professora Doutora do Departamento de Química e Bioquímica .. 3Pós-graduando do Programa de Pós-graduação em Ginecologia.Instituto de Biociências . H. A. Food Nutr.com. Keywords: Weight gain. v. We conducted a retrospective. S. whereas the curve recommended by the Institute of Medicine (IOM) revealed a higher percentage of women with weight gain below the recommended levels and a lower percentage of pregnant women in the range of appropriate-gain curve and the curve of the Latin American Centre for Perinatology (CLAP) detected a higher percentage of pregnant women with adequate weight and a lower percentage of women with obesity and overweight. M. Endereço para correspondência: Camila Pereira Braga Av. G. n.. Soc. Trabalho foi desenvolvido: no Hospital das Clínicas de Botucatu da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP. Camilo Mazzoni. where the curves were analyzed for weight gain of pregnant women who were diagnosed with diabetes or gestational mild hyperglycemia and received prenatal care in the service of Obstetrics at the Botucatu Medical School in 2005 and 2006. FERNANDES.. H 22.Artigo original/Original Article Relação do ganho de peso.UNESP.51%) of the women were obese before the beginning of pregnancy. 1. 2Pós-graduando do Programa de Biologia Geral e Aplicada do Instituto de Biociências . 36. ap. braga_ca@ibb.. HIRAKAWA. FELIPE ANDRÉ DOS SANTOS2. I. The highest rate of overweight and obese women (adding up the two ratings) and a lower rate of low weight were detected by the Atalah’s curve. descriptive study. antes e durante a gravidez. SILVA.. SANTOS. Botucatu/SP CEP 18610-285 E-mail: braga_ca@yahoo. São Paulo.21% as compared with other populations of concern in the study. = J. HUMBERTO SADANOBU HIRAKAWA3. p. 2011.UNESP. and Body Mass Index (BMI) before pregnancy was the only index that was related to the weight of the newborn at birth. 5Professora Doutora da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP. 85-98. Gestational diabetes.br. The aim of this study was to evaluate the nutritional status of pregnant women complicated by gestational diabetes mellitus (GDM) and mild hyperglycemia and associate them to the diagnosis of fetal macrosomia. IRACEMA DE MATTOS PARANHOS CALDERON5 1Graduanda do Curso de Nutrição da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”Campus de Botucatu – UNESP. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve Relationship of weight gain before and during pregnancy with fetal macrosomia in gestation complicated by diabetes and mild hyperglycemia ABSTRACT BRAGA. SP. A. Hyperglycemia.unesp. Nutr. CALDERON. abr. Nutrire: rev. the pre-pregnancy weight and weight gain during pregnancy of the diabetic patients or patients suffering from mild hyperglycemia were above the recommended levels. Half (49. The prevalence of macrosomia was 11. Alim. ANA ANGÉLICA HENRIQUE FERNANDES4. Relationship of weight gain before and during pregnancy with fetal macrosomia in gestation complicated by diabetes and mild hyperglycemia. A. However. Bras. Brazilian Soc. P. 1055. F. Obstetrícia e Mastologia da Faculdade de Medicina de Botucatu. E. CAMILA PEREIRA BRAGA1. H. and the pre-pregnancy weight affected the weight of the newborn at birth.br 85 . P.. Fetal macrosomia. C. ELAINE GOMES DA SILVA3. Pregnancy.

São Paulo. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve.BRAGA.. Soc. M. 85-98. E. Bras. A. já a curva recomendada pelo Instituto de Medicina (IOM) detectou maior porcentagem de gestantes com ganho de peso abaixo do recomendado e menor porcentagem de gestantes na faixa de ganho adequado e a curva do Centro Latino Americano de Perinatologia (CLAP). descritivo. HIRAKAWA. P. 86 .. 36. H. P. n. Macrossomia fetal. Gravidez. O objetivo do presente estudo foi avaliar o estado nutricional de gestantes que sofreram complicações pelo diabetes mellitus gestacional (DMG) e por hiperglicemia leve e associálas ao diagnóstico de macrossomia fetal. Brazilian Soc.. reveló mayor porcentaje de mujeres con aumento de peso abajo de los niveles recomendados y un menor porcentaje de gestantes en el rango de ganancia apropiada y el Centro Latinoamericano de Perinatología (CLAP) detectó un mayor porcentaje de mujeres embarazadas con peso adecuado y un menor porcentaje de mujeres con obesidad o sobrepeso. Palabras clave: Aumento de peso. y el Índice de Masa Corporal (IMC) pregestacional fue el único que estaba relacionado con el peso del recién nacido. La prevalencia de macrosomía fue 11. Macrosomía fetal. v. SILVA. SANTOS. p. SP. Alim. A.21%.51%) eran obesas antes del comienzo del embarazo. que fizeram pré-natal no serviço de Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu. F.. Foi realizado um estudo retrospectivo. el peso pregestacional y el aumento de peso durante el embarazo de gestantes diabéticas o portadoras de hiperglucemia leve están por sobre la recomendación siendo que el peso pregestacional influye en el peso del recién nacido. 1. Sin embargo. CALDERON. sendo que o peso pré-gestacional interferiu no peso do recém-nascido. A prevalência de macrossomia foi de 11. La curva de Atallah fue la que demostró la tasa más alta de mujeres con sobrepeso y obesas (suma de las dos clasificaciones) y menor tasa de peso bajo.. nos anos de 2005 e 2006. abr. onde foram analisadas as curvas de ganho de peso de gestantes que tinham o diagnóstico de diabetes gestacional ou hiperglicemia leve. Hiperglucemia. Nutr.= J. ya la curva recomendada por el Instituto de Medicina (IOM). G. A curva de Atalah foi a que detectou maior índice de gestantes obesas e sobrepeso (somando-se as duas classificações) e menor índice de baixo peso. Food Nutr. Embarazo. o peso pré-gestacional e o ganho de peso durante a gestação das portadoras de diabetes ou de hiperglicemia leve apresentaram-se acima do recomendado.. RESUMEN RESUMO El objetivo del estudio fue evaluar el estado nutricional de mujeres embarazadas complicado por diabetes mellitus gestacional (DMG) o hiperglucemia leve y asociarlos con el diagnóstico de macrosomía fetal. FERNANDES. Metade (49. e o Índice de Massa Corporal (IMC) pré-gestacional foi o único que se relacionou com o peso do recém-nascido.51%) das gestantes apresentaram obesidade antes do início da gestação. I. Hiperglicemia. C. detectou maior porcentagem de gestantes com peso adequado e menor porcentagem de gestantes com obesidade/sobrepeso. en el que se analizaron las curvas de ganancia de peso de las mujeres embarazadas que fueron diagnosticadas con diabetes o hiperglucemia gestacional leve y recibian atención prenatal en el servicio de Obstetricia de la Escuela de Medicina de Botucatu en 2005 y 2006. Contudo. S. Se realizó un estudio retrospectivo descriptivo. Diabetes gestacional. Relação do ganho de peso. Nutrire: rev. La mitad de las mujeres (49. 2011. dado preocupante comparado com outras populações em estudo. antes e durante a gravidez. Diabetes gestacional. H. Palavras-chave: Ganho de peso. A.21% en comparación con otras poblaciones de interés en el estudio.

2002) ou ainda o peso ao nascer igual ou superior a 4. O diagnóstico antenatal de macrossomia fetal é difícil porque. asfixia. Além disso.. fratura umeral e clavicular. obesidade. 2001). CAMPOS.500g (INSTITUTE OF MEDICINE. SP. além da presença de antecedentes familiares de diabetes e obstétricos de macrossomia fetal. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. Este indicador influencia o crescimento e o desenvolvimento da criança e a longo prazo pode repercutir nas condições de saúde do adulto (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. 2007). abr. resistência à insulina e diabetes mellitus. MAHONY et al. assim como alterações do metabolismo antioxidante (EVANGELIDOU et al. Essas alterações parecem ter importante papel no desenvolvimento da doença aterosclerótica na idade adulta (HALAC et al. De forma alternativa. a 1% da população geral. P. a acurácia do peso fetal estimado permanece em torno de 38 e 67% (HACKMON et al. reflete as condições nutricionais do recém-nascido e da gestante.. de intolerância à glicose ou diabetes. H. no pós-datismo e nos fetos do sexo masculino (CHAUNHAN et al. A. 2006). recém-nascidos macrossômicos ou grandes para a idade gestacional também podem apresentar importantes efeitos em longo prazo. A. Nutrire: rev. a associação de conhecidos fatores de risco maternos (peso pré-gestacional... INTRODUÇÃO O peso obtido na primeira hora após o nascimento. Deste modo. 2005).500g ou mais. dislipidemia. porém há estudos que a define como o peso ao nascer superior a 4. mas esse risco está associado à presença ou não de diabetes (KERCHE et al. C. I. H. 1. CALDERON. 2011. A. 2006). 2008). São Paulo. com sequelas neurológicas.. classificando como macrossômicos os recém-nascidos de peso para idade gestacional superior ao percentil 90 (ABRAMS. SANTOS. 2008). SILVA. distocia de ombro. M. hipoglicemia e hiperbilirrubinemia neonatal. P.BRAGA. 2000). ALTMAN. PICKETT. n.. E. crescente importância vem sendo dada à macrossomia. O risco parece ainda maior com peso ao nascer superior a 4. SILVÉRIO. com idade mínima de 30 anos. A definição clássica para macrossomia é o peso ao nascimento igual ou superior a 4. Alim. antes e durante a gravidez... Fetos macrossômicos apresentam maior risco de morte intrauterina.500g ou ao percentil 97 (GOLBERT.. Os recém-nascidos com peso igual ou superior a 4. pode ser considerado o peso fetal relacionado à idade gestacional. A macrossomia pode aumentar o risco de complicações tanto para a mãe como para o concepto. apesar dos avanços na área da ultrassonografia obstétrica. devido aos riscos de mortalidade e morbidade materno-infantil dela decorrentes e ao incremento da sua incidência no Brasil (BRASIL. sendo considerado um indicador apropriado de saúde individual. Soc. cardiomiopatia hipertrófica e uso da unidade de terapia intensiva por tempo prolongado (CROMI et al. v. Bras. Brazilian Soc.000g correspondem a 10% e aqueles com 4. 36. Relação do ganho de peso. 2005). maior estatura e índice elevado de massa corporal (IMC).. Sugere-se. G. F. A prevalência da macrossomia depende do critério utilizado e da população estudada. FERNANDES. paralisia facial e do plexo braquial. CAMARGO. 1990). A macrossomia é a característica mais comum entre mulheres multíparas. 2007.000g (independente da idade gestacional ou de outras variáveis demográficas) (BRASIL. aspiração de mecônio. Food Nutr.000g (GROSS. ganho 87 ..= J. HIRAKAWA. 2004).. Nutr. S. 85-98. 2007). p. para aumentar a acurácia..

= J. abr. Independente do IMC. ponderal durante a gravidez). o ganho de peso superior a 16kg (OR=1.. 2005).8% (SCHWARCZ et al. Nutr. A. HIRAKAWA.5 até 48. H. nos anos de 2005 e 2006 e possuíam gestação única. FERNANDES. S.1) e a obesidade materna (OR=2. Em estudos populacionais. H. Com isso. com um adequado exame clínico e corretas mensurações ultrassonográficas (incluindo. o antecedente pessoal de diabetes (OR=1. indicativos da síndrome metabólica. retrospectivo. confirmou como fatores de risco independentes para a macrossomia o diabetes prévio (OR=4. 2008). n. incluindo 1000 gestantes com intolerância à glicose.79). G. SANTOS. 2000). Brazilian Soc.. E.075 gestações de fetos com peso adequado para o termo da gestação. Neste contexto. CALDERON. Nas gestações complicadas por diabetes ou hiperglicemia diária. 1. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve.. pode-se aumentar o valor preditivo positivo para até 85% (PATES et al. I.. Soc. ensaio clínico randomizado. em 15. M. o pós-datismo (OR=3. A.BRAGA.83)..6). além dos parâmetros biométricos. 2011.6) ou gestacional (OR=1. evidenciou que o não-tratamento de qualquer grau de hiperglicemia materna representa risco de peso fetal aumentado. o objetivo do presente trabalho foi avaliar o estado nutricional de gestantes que sofreram complicações pelo diabetes mellitus gestacional (DGM) e por hiperglicemia leve e associá-las ao diagnóstico de macrossomia fetal. o IMC superior a 25kg/m2 se relacionou a risco aumentado de macrossomia fetal e diabetes gestacional (DAS. São Paulo. A presença destes marcadores. HDL e LDL-colesterol. as cifras variam de 28. Alim.. v.. o IMC 25kg/m2 (OR=1. em gestações associadas ou não ao diabetes materno. P. Relação do ganho de peso. a hiperinsulinemia e os níveis anormais das frações do colesterol. Na população de gestantes brasileiras.78) também foram identificados como risco independente para o crescimento fetal exagerado (DAS. em 05 de março de 2007 (OF. análise do índice de líquido amniótico e da área seccional do cordão umbilical). METODOLOGIA Foi realizado um estudo observacional. Estudo recente.37) e a média glicêmica no terceiro trimestre 120mg/dL (OR=1. além de outros resultados perinatais adversos (BRASIL.0). Bras..56) e de macrossomia (OR=2. comparando 886 gestações de fetos macrossômicos com 26. SP. deverá alertar para o risco perinatal e destacar a importância do diagnóstico de macrossomia ainda na gestação. o antecedente de feto macrossômico (OR=3. C. a prevalência de macrossomia foi confirmada em 5. A. p. 2002). 88 . F. Com esta abordagem. 85-98.4% das gestações pós-termo e em 10% dos casos de obesidade mórbida (EVERS et al. descritivo. antes e durante a gravidez. SYSYN. SILVA. 2004). onde foram analisados os prontuários de gestantes com diagnóstico de DMG ou hiperglicemia leve que fizeram pré-natal no serviço de Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu. 1996). P. 36. Nutrire: rev. SYSYN.1). 2004). 20/2207-CEP). Food Nutr. também foram relacionados ao risco aumentado de macrossomia fetal (CLAUSEN et al. O presente trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu.3% da população geral... Especificamente associadas ao diabetes.

calculado o seu IMC e preenchidas as curvas do CLAP (ATALAH. 1997). SP. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. 1. v. Alim. calculado em relação ao peso prégestacional. P. Foram consideradas como anormal quando a curva foi ascendente. em anos completos. por trimestre e total. relacionada ao número de partos anteriores. p. PARÂMETROS MATERNOS ANALISADOS Em relação aos parâmetros maternos foram analisados: a idade materna. 85-98. n. Brazilian Soc. Nutrire: rev. calculado em kilogramas (kg). CASTRO.. SANTOS. M. ganho de peso (GP) gestacional. Bras. CASTRO. nulípara ou multípara. o grau de escolaridade (ausente ou ensino: fundamental. quando se manteve sempre acima do percentil 90. H. 1990)... I. E a cada consulta a gestante: era pesada. 1996). quando manteve um platô ou houve perda de peso. SCHWARCZ et al. 36. HIRAKAWA.BRAGA. P. Food Nutr.. 1996). CASTILHO. sendo consideradas como de comportamento normal quando esta foi ascendente e se manteve dentro dos limites determinados para sua faixa de IMC. negra ou parda). Com base na avaliação do estado nutricional na primeira consulta foram calculados os ganhos de peso durante a gestação segundo preconização da IOM (INSTITUTE OF MEDICINE. a paridade. isolados ou em associação. São Paulo. respectivamente). H. A. mas ultrapassava os limites determinados para sua faixa de IMC.. SILVA. 2011. 1997) e foram classificadas em: baixo-peso. os antecedentes de 89 . peso adequado. CASTRO. quando esta não apresentou incremento mantendo um platô durante a gravidez e quando a curva foi decrescente. sendo consideradas como de comportamento normal quando ficou ascendente e não ultrapassou o percentil 90. estado nutricional pré-gestacional de sobrepeso e obesidade (IMC acima de 25 e 30kg/m2. C. O comportamento da curva foi considerado anormal. normal. G. médio ou superior).= J. sobrepeso e obesa) e calculada em cima do IMC atual e idade gestacional. DEFINIÇÃO DAS CURVAS DE PESO • Curva de Ganho de Peso padronizada pelo Centro Latino Americano de Perinatologia (CLAP) – o ganho de peso. E. Foram obtidos os primeiros dados de peso materno na primeira consulta de pré-natal. As curvas foram construídas e analisadas. FERNANDES. Relação do ganho de peso. a idade gestacional no parto. A. Nutr. ultrapassou o percentil 90. calculada pela data da última menstruação (DUM) e confirmada pela ultrassonografia. CASTILHO. F.. CALDERON. presença de tabagismo (quantos cigarros/dia). que indicará o estado nutricional atual através de faixas de IMC (ATALAH. As curvas foram construídas e analisadas. abr. Foram obtidos os antecedentes de diabetes – considerados os pessoais e obstétricos. A.. • Curva de IMC (Atalah): curva baseada na classificação do estado nutricional na primeira consulta do pré-natal (baixo peso. CASTILHO. sobrepeso e obesa. 1997. S.. onde as gestantes tiveram seu estado nutricional avaliado pelo IMC (Atalah) (ATALAH. a raça (branca. é colocado em um gráfico de percentis (SCHWARCZ et al. Soc. antes e durante a gravidez.

n. G.87kg/m2. HIRAKAWA. 36. RESULTADOS Foram analisados 150 prontuários de gestantes com diagnóstico de diabetes gestacional ou hiperglicemia leve... Nutr.19 ± 7. prévio (diabetes clínico) ou durante a gestação (diabetes gestacional). 85-98. como mostra a tabela 2.9% com baixo peso.= J. a idade gestacional média do parto foi de 37. As características gerais da população estudada estão apresentadas na tabela 1.20kg. M. SP. 1963). Alim. E. P. com escolaridade primária. entre o período de janeiro 2005 a dezembro 2006.. S. A. não tabagistas e multíparas. casadas. FERNANDES.63±7. Foi constatado que 73% das gestantes receberam pelo menos uma orientação nutricional pelo nutricionista do serviço durante o pré-natal. Bras. H. SANTOS. SILVA. 90 . 1. quando entre os percentis 10 e 90 e Grandes para a Idade Gestacional (GIG) os que se encontravam acima do percentil 90 (LUBCHENCO et al. A idade média encontrada das gestantes foi de 30. v.. H. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. profissão do lar. p. Adequado para a Idade Gestacional (AIG). abr. A análise estatística foi feita com orientação do Grupo de Apoio à Pesquisa (GAP) da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP. sendo a idade mínima apresentada de 15 anos e a máxima de 54 anos. Relação do ganho de peso.18 anos.000g na anamnese de admissão do pré-natal. macrossomia – confirmação (sim) ou negativa (não) de recém-nascido com peso superior a 4. Food Nutr. São Paulo. PARÂMETROS NEONATAIS ANALISADOS Em relação aos parâmetros neonatais: os recém-nascidos foram classificados quanto à adequação do peso ao nascimento com os valores normais esperados pela idade gestacional. A. C. P.18±7. CALDERON. Apenas 24. verifica-se o predomínio de mulheres de raça branca. ANÁLISE ESTATÍSTICA Foram realizadas análises descritivas das características demográficas da população do estudo. Soc. Foram classificados como Pequenos para a Idade Gestacional (PIG) aqueles recém-nascidos com peso abaixo do percentil 10. A. Brazilian Soc.. e ganho de peso total médio durante a gestação de 10. O IMC pré-gestacional médio foi de 30.42 semanas. F.3% apresentavam-se sobrepeso.71±2. o tipo de diabetes – relacionado ao momento do diagnóstico. Nutrire: rev. 2011.. Verificou-se que quase metade das gestantes apresentavam obesidade antes do início da gestação e 23.27% das gestantes estavam eutróficas e 2. I.BRAGA. Em relação ao ganho de peso foi observado maiores médias em kg no 2º e 3º trimestre gestacional. antes e durante a gravidez.. e calculado os respectivos intervalos de confiança (considerado intervalo de confiança de 95%) das curvas de ganho de peso de CLAP e de IMC.

abr. n. C.08 56.42 7.BRAGA. G.= J.42 31.. 91 .. SP.20 5.56 8.88 39. v. 85-98. segundo classificação do estado nutricional. 36. p. CASTILHO. Bras. avaliados pelo IMC (ATALAH.59 82. Relação do ganho de peso. levando em conta a avaliação do estado nutricional na primeira consulta de pré-natal. E. 1. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve.07 30.. SILVA. FERNANDES.69 47 11 42 19.23 Raça Estado Civil Escolaridade Profissão Tabagistas Paridade Tabela 2 – Caracterização das médias de ganho de peso total e ganho de peso por trimestre gestacional Ganho de Peso (kg) Ganho de peso total Ganho de peso no 1º trimestre Ganho de peso no 2º trimestre Ganho de peso no 3º trimestre Média e Desvio Padrão 10. H.20±2.46±7.84 52.31 A tabela 3 mostra valores de ganho de peso recomendados durante o 1º. CALDERON.73 75. Alim. Nutr.92±5. I.7 11.56 17. P.. A. HIRAKAWA. Food Nutr.63±7.44 80.08 13. 2011.84 64. Nutrire: rev. Tabela 1 – Características gerais das gestantes estudadas (n=107) Variáveis Idade (anos) <20 20-35 >35 Branca Negra Parda Solteira Casada União estável Primário (completo/incompleto) Secundário (completo/incompleto) Universitário (completo/incompleto) Do lar Empregada doméstica Outras Sim Não Primíparas Multíparas (%) 3. 1997) e o ganho de peso apresentado pelas gestantes do estudo. CASTRO. A.. Soc.18 11. Brazilian Soc. H. S. SANTOS.. A. 2º e 3º trimestre da gestação pela preconização do IOM. M. antes e durante a gravidez. São Paulo. P. F.21 13.

temos que a curva de CLAP foi a que detectou maior número de gestantes obesas quando comparada com a de Atalah.Pequeno para a Idade Gestacional). FERNANDES.55kg (n=46) 2. Em relação às curvas de ganho de peso.56 58.22% com o peso acima de 4. SANTOS. Nutrire: rev. Nutr. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. P.000 gramas (AIG . H. SILVA.20g (n=24) 0.22 5. Bras. CALDERON.92% com o peso entre 2.33g (n=26) 0. Soc... Dos resultados perinatais.3g – 0.500 gramas (PIG .. n. diabéticas gestacionais.. 92 . observou-se que a média de peso dos recém-nascidos foi de 3200 ± 720.03 x 13%) no 1º trimestre.53g (n=13) 0. Brazilian Soc.18 55. e a de IOM no decorrer dos trimestres: (34. 77.22% com peso menor que 2.32g (n=40) 0. C.76 IB IIB IIA Cesárea Tipo de parto Vaginal Classificação dos recém-nascidos PIG AIG GIG Óbito Fetal A tabela 5 apresenta a correlação entre o IMC pré-gestacional nos trimestres gestacionais (14ª.6Kg 0.BRAGA. deve-se considerar que a curva de Atalah apresenta uma classificação diferenciada para sobrepeso.. 1. Tabela 3 – Comparação do ganho de peso durante a gestação de 107 gestantes. p.18kg (n=18) 4. Relação do ganho de peso. S..9Kg 0. São Paulo.61% x 24. A. 28ª e 37ª semana) e o peso do recém-nascido.76%.4 gramas.= J.21 44.22 77.92 11.07% x 13.46% no 2º trimestre e 26% x 19. 2011. abr. 85-98. SP. verifica-se que em relação ao tipo de parto.5g 1.46% no 3º trimestre. Porém.Grande para a Idade Gestacional) (Tabela 4). M. e a recomendação de ganho de peso para gestantes saudáveis segundo preconizado pela IOM7 Estado Nutricional pré-gestacional Baixo peso Peso adequado Sobrepeso Obesidade Ganho de peso observado no 1º trimestre 3. HIRAKAWA. Alim. antes e durante a gravidez.4g 0. H. I.500 e 4.21% das gestantes tiveram parto tipo cesárea e a incidência de óbito fetal foi de 5. 55.3g Dentre as características obstétricas e perinatais.79 10.71kg (n=26) 1.3 Kg 0. A. 36. Food Nutr.Adequado para a Idade Gestacional) e 11. 23% x 13. E. G. F.6kg (n=13) Recomendação Recomendação Ganho de peso de ganho de de ganho de observado nos peso nos peso no 2º e 3º trimestres 2º e 3º trimestres 1º trimestre (semanal) (semanal) 2. Tabela 4 – Características perinatais e obstétricas das gestantes diabéticas estudadas Variáveis Diabetes Frequência (%) 39. Observa-se que o IMC pré-gestacional foi o único que influenciou significativamente no peso do recém-nascido.000 gramas (GIG . P. a distribuição do peso ao nascer das crianças foi de: 10. v. A.24 13.23 x 13.

09 34. Nutrire: rev. apresentando as seguintes frequências (CLAP e IOM respectivamente): 34% x 51.18±7.191 0. E. abr. SANTOS. 2011.04% x 17.5% no 3º trimestre. Para baixo peso. SILVA. P. 85-98.71 0. C. antes e durante a gravidez.05 30. A. P.23 33. segundo as curvas de Clap.7 x 28..162 0. 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre CLAP ATALAH IOM Gráfico 1 – Porcentagem de gestantes com diabetes gestacional ou hiperglicemia leve.3% 1º trimestre. n.2% x 70. São Paulo. 36. Alim. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. HIRAKAWA..131 Comparando a curva de CLAP com a de IOM.8% no 3º trimestre (Gráficos 1.75% x 25% no 2º trimestre e 39. G. 23% x 11. 44.BRAGA. S. classificadas em baixo peso.31±8.003 0..77±8. Food Nutr. Brazilian Soc. Atalah e IOM 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre CLAP ATALAH IOM Gráfico 2 – Porcentagem de gestantes com diabetes gestacional ou hiperglicemia leve. p. FERNANDES. a curva de CLAP e IOM foram as que detectaram maior número de gestantes com baixo peso quando comparada com a de Atalah: 24. CALDERON.= J. segundo as curvas de Clap. Tabela 5 – Média e desvio padrão dos Índices de Massa Corporal em cada trimestre gestacional e correlação com o peso do recém-nascido Índice de Massa Corporal (kg/m2) IMC pré-gestacional IMC 14ª semana gestacional IMC 28ª semana gestacional IMC 37ª semana gestacional Média e Desvio Padrão Correlação p<0.87 32. A. M. A.3% no 2º trimestre e 26% x 24. Atalah e IOM 93 . I.. Nutr. apenas no 1º trimestre a curva do IOM indicou maior frequência de obesidade. H. H. F. v. Relação do ganho de peso. Bras. Soc. SP.88% no 1º trimestre.03% x 22. 1. 2 e 3).77±7...4% x 54. classificadas em adequadas.

C. RODRIGUES et al.. No presente estudo.. F. No Brasil. A. (2001) para uma amostra de mais de 3.. CALDERON. 85-98. A. p. n. segundo as curvas de Clap. Esses valores são coincidentes com os reportados por Nucci et al. multiparidade. E. H.. 2009).= J.. M. FERNANDES. Relação do ganho de peso.BRAGA. Nutrire: rev. Brazilian Soc. G. 1. I. a média de ganho de peso por trimestre gestacional foi acima do recomendado. CAMPOS. 2011. aumento acentuado no 2º trimestre e aumento mais lento no terceiro trimestre. No presente estudo. 2009). S. P. SANTOS. Alim. Bras. A.. antecedentes de diabetes e de recém-nascidos grandes para a idade gestacional também podem contribuir para este desvio do crescimento fetal (RUDGE. 2008). As novas recomendações do Institute of Medicine publicadas em 2009 levaram em conta o aumento da prevalência de obesidade e sobrepeso. 36. baseando-se principalmente em dados de coortes de gestantes americanas (INSTITUTE OF MEDICINE. 2010). São Paulo. assim como o ganho de peso excessivo na gravidez. tais como: idade.. o ganho ponderal gestacional excessivo configura-se também como um problema de saúde pública (DREHMER et al. Nucci et al. Tal condição é geralmente associada a controle glicêmico inadequado. Atalah e IOM e sobrepeso pela curva de Atalah DISCUSSÃO A literatura aponta que a gravidez e o pós-parto são períodos do ciclo reprodutivo associados com o excesso de peso (CASTRO et al.. HIRAKAWA. abr. P. classificadas em obesas. 2010. 2000). com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. obesidade. SILVA. CALDERON.. A macrossomia é o resultado adverso mais comumente observado nas gestações complicadas por diabetes ou hiperglicemia diária (GOLBERT. antes e durante a gravidez. a variável 94 . 60 50 40 30 20 10 0 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre CLAP ATALAH (sobrepeso e obesas) IOM Gráfico 3 – Porcentagem de gestantes com diabetes gestacional ou hiperglicemia leve. v. Food Nutr. (2001) sugerem que fatores psicossociais e estilo de vida podem estar associados ao maior ganho de peso semanal durante a gestação entre as gestantes com maior IMC inicial e associa esta ocorrência às mulheres com menos atitudes favoráveis ao ganho de peso e menor conhecimento sobre a importância de não ganhar peso excessivo durante a gravidez. mas algumas características maternas. quando comparadas às mulheres com ganho de peso adequado ou abaixo do recomendado. Nutr. H. Soc.000 mulheres estudadas em seis capitais brasileiras. SP. levando-se em conta que o perfil das gestantes era de obesidade e o ganho trimestral observado nos mostra ganho de peso menor no 1º trimestre.

2009). macrossomia (>4. H. São Paulo. Nutrire: rev. 2011.. Na literatura. como a Alemanha (10. Food Nutr. 95 . Bras. As principais críticas ao método baseiam-se no pequeno número de observações do estudo original e na recomendação de peso final de 8 a 16kg. 1996).0%).. CASTRO.. Atalah. esse valor pode ser considerado baixo se comparado a estudos com populações nativas americanas.= J. 85-98. Soc. ou mesmo representativo quando comparados à população americana em geral. diabetes gestacional. PADILHA et al. SANTOS.. A. SILVA. são encontradas associações consistentes entre o IMC pré-gestacional e os desfechos maternos e fetais. com o objetivo de restabelecer os estoques de gordura corporal em mulheres desnutridas e minimizar os ganhos de gordura em mulheres obesas. a partir de uma pequena casuística de 43 gestantes uruguaias. Relação do ganho de peso. n. Castilho e Castro propuseram um novo método de avaliação antropométrica de gestantes baseado no IMC por idade gestacional entre as semanas 12 e 42 de gravidez. CASTILHO.003. macrossomia e prematuridade (INSTITUTE OF MEDICINE. sem doenças crônicas que afetam o crescimento fetal. I. além de levar em conta aspectos específicos do pré-natal. Porém. As faixas de recomendação de ganho de peso estão associadas a menores prevalências de baixo peso ao nascer (<2.. 25. G. No Brasil. Em 1997. E. ambas em 1999 (20. A frequência observada de macrossomia foi de 11. FILHO. A. S. como por exemplo. antes e durante a gravidez. sem considerar o estado nutricional pré-gestacional (COELHO. Nutr. elaborou recomendações para o ganho de peso na gestação. P. FERNANDES.1%) e a Dinamarca. Alim. Brazilian Soc.000g) e recém-nascidos pequenos ou grandes para a idade gestacional.21%. 1996). abr. com paridade menor do que quatro. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. essas relações parecem ser mais evidentes em mulheres com baixo peso pré-gestacional e eutróficas do que em mulheres com sobrepeso e obesidade pré-gestacional (DAVIS.. SOUZA. Essa curva foi elaborada com uma amostra de 665 gestantes uruguaias com idades entre 18-35 anos. cesária. v. p. 1990). M. onde a incidência atinge valores altos. a relação entre excesso de peso pré-gestacional e risco de pré-eclâmpsia. A. estado nutricional materno e curso gestacional (crescimento fetal e peso ao nascer) (INSTITUTE OF MEDICINE. 1. A avaliação do IMC por semana gestacional tem a vantagem de realizar o diagnóstico nutricional diretamente através da tabela com valores correspondentes e fazer o monitoramento através da visualização direta do traçado dos valores de IMC no gráfico (ATALAH. H. que apresenta taxas da ordem de 10% (CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. HIRAKAWA. 2009). 50 e 90. Essas recomendações são diferenciadas segundo o estado nutricional pré-gestacional. o CLAP propôs um modelo de avaliação nutricional da gestante. utilizando o aumento de peso a partir da 12ª semana gestacional através de quatro curvas correspondentes aos percentis 10. E em países europeus. OLSON.. 1997. 2002.500g). entre 16 e 31%. que se correlacionou positivamente com a presença de recém-nascido macrossômico foi o IMC pré-gravídico com p=0. CASTRO et al.BRAGA. Em meados da década de 1990. 2009). 36. órgão americano. a partir de inúmeras evidências.. C. F. o IOM. P. Na década de 90. 2009). SP. ainda são escassos os estudos sobre a magnitude ou mesmo sobre os determinantes da macrossomia fetal (CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. CALDERON.

BRAGA. HIRAKAWA. A. as recomendações do MS geram muitas controvérsias. como a macrossomia que é o resultado adverso mais comumente observado nas gestações complicadas por diabete ou hiperglicemia diária. Diabetes Care. 5 Suppl.. 71.3% sobrepeso/obesidade. sendo que o peso pré-gestacional interferiu no peso do recém-nascido. REFERÊNCIAS/REFERENCES ABRAMS. Castilho e Castro (1997) e Institute of Medicine (1990). A. Por associar duas metodologias distintas. a curva de Atalah foi a que detectou maior índice de gestantes obesas e sobrepeso (somando-se as duas classificações) e menor índice de baixo peso. entre o ganho de peso final entre os dois métodos. 88-90. H. Já a curva de CLAP detectou maior porcentagem de gestantes com peso adequado e menor porcentagem de gestantes com obesidade/sobrepeso.. 96 . Soc. SP.. 1. antes e durante a gravidez. M.. São Paulo. p. Atualmente. Gestacional Diabetes Mellitus. SANTOS. A. Pernambuco. H. A.= J. 11. CABRAL-FILHO. p. PICKETT. M. v. saúde pública.. K. CALDERON. S. que consideram diferentes indicadores. E. FIGUEIROA. Bras. ALTMAN. F. Relação do ganho de peso. n. SILVA. com origem em duas populações internacionais de mulheres grávidas. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. 85-98. J. 2000. Algumas discordâncias podem ser verificadas. p. 22.. (2006). diferentemente dos resultados obtidos no estudo de Andreto et al. Food Nutr. P. Brasil. 2011. Am J Clin Nutr. p.. ANDRETO. para prevenir e controlar o aparecimento de condições indesejáveis materno-fetal. 27. L. n. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) publicou em 2004 as normas para classificação do ganho de peso gestacional de grávidas brasileiras mediante combinação entre o modelo proposto por Atalah. 2401-2409. Nutr. C. onde aproximadamente metade destas apresentou estado nutricional adequado para a idade gestacional e 26. O controle de ganho de peso é adequado para acompanhar as mulheres grávidas. Nutrire: rev. n. Fatores associados ao ganho ponderal excessivo em gestantes atendidas em um serviço público de pré-natal na cidade de Recife. SOUZA. Em nosso estudo. Brazilian Soc. 1990). L. Pregnangy weight gain: still controversial. Castilho e Castro (1997) e as recomendações propostas pelo IOM (INTITUTE OF MEDICINE. Alim. 36. FERNANDES. 2004. I. J. v.. E. G. com gestantes de baixo risco obstétrico. 1233S-1241S. 1. B. v. A curva recomendada pelo IOM detectou maior porcentagem de gestantes com ganho de peso abaixo do recomendado e menor porcentagem de gestantes na faixa de ganho adequado. CONCLUSÃO O peso pré-gestacional e o ganho de peso durante a gestação das portadoras de diabetes ou de hiperglicemia leve apresentaram-se acima do recomendado. N. Cad. S. abr. 2006.. P... I. A M E R I C A N D I A B E T E S A S S O C I AT I O N . n. o Ministério da Saúde (MS) associa duas metodologias para a avaliação do ganho de peso gestacional: Atalah. E. v.. por exemplo..

I. p. CAMY. K. 45. abr. CAMARGO. GHEZZI. B.. E . M. 51. R. 2. 2009. 2. n. GIACOMELLO.. KIORTSIS.. BRASIL.. J. U. bras. M. C. v. p. GROSS.BRAGA. H. 2010.. M. S. A. DE VALK. n. J. OYEN. 30. Diabetes Melito: Diagnóstico. E. L. P. v. RAIO. 2002. p. E. and obesityanthropometric markers in macrosomic offspring of nondiabetic mothers. B. CHAUHAN. M. GOLBERT. J. n. v.. E. v. S. A. BRASIL. N.. 1484-1489. Gestação de alto risco. K. Arq. Lipid profile. A. E. large for gestational age. T. E. n. C. 2001.. M.. CALDERON. 29. MAGANN. NUNES. Abnormal fetal growth: intrauterine growth retardation. 1024-1034. 125.. FILHO. D.. 6. p. MANZOLI.. n. HACKMON.. small for gestational age. LEON. p. HORANI. SICHIERI. HOFFMAN. 1-2. A. P. W. Obesity in pregnancy. G.. CHAUHAN. Classificação e Avaliação do Controle Glicêmico... 11. 36. P. GIAPROS.. 2000. v.. Diabetes melito tipo 1 e gestação. R. v. CLAUSEN. 52. CASTRO. 1197-1201. endrocrinol. p. Propuesta de un Nuevo estándar de evaluación nutritional de embarazadas. n.. Combined analysis with amniotic fluid index and estimated fetal weigth for prediction of severe macrosomia at birth. Cad. T E R .. GHERMAN. 2005. T. SHIMIDT. Norma e Manual Técnico.. S. p. 4. 2011. S. Pré-natal e puerpério. blood pressure. 2009. Diabetes Care. S. TZALLAS. BOLLERSLEV. Avaliação antropométrica do estado nutricional da gestante: visão retrospectiva e prospectiva. BUSS. Relação do ganho de peso. 2006... p. 1. R. 2007.. SOUZA. BURSKI. H. V. A. n. n.. OLINTO. Rev. Brazilian Soc. L. antes e durante a gravidez. Brasília. ATALAH. R. M. 153. H. Nutrire: rev. 2002. bras. V.. V..= J. results of a nationwide study in The Netherlands. L. v. G. SILVA. BORNSTEIN. 4.. CROMI. 85-98... CASTRO. Norma e Manual Técnico. v.. 3. J. 2004. W. v. 1997.. v. F. Suspicion and treatment of the macrosomic fetus: a review. T.. 1. BAIRAKTARI. saúde pública. HENRIKSEN... P. p. bras. W. A. A. v. 861-866. 193. p. 25. MELERE C. Large cross-sectional area of the umbilical cord as a predictor of fetal macrosomia. T. n. p. 6. saúde mater. med. CAMPOS. Rev. CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. SYSYN. OLSON. Chile. P. O’REILLY GREEN. 1. DIVON. I. G. 1996. S. P.. 1. 1. Socioeconomic.. BRASIL. HIRAKAWA. Brasília. Am J Obstet Gynecol. 1-4. 341-356.. Alim. SANTOS. 2002. 12. W. v. DAS. T. n.. 2. n.. DI NARO. 6. GROBMAN. M. n. Amparo Aldea P. metabol. Assistência Pré-natal.. C. A. N. Ultrasound Obstet Gynecol. 2007.. v. K. Ministério da Saúde.. A. P. Resolução nº 196/96 sobre pesquisa envolvendo serem humanos.. 415-425. C. 2006. L. 2005.... 2008.. S. SIESTO. F. E. Arq. 26. EVERS. DAVIS. A. L. 57-61. metabol. V. Am J Obstet Gynecol. A. CHANG. infant. Y.. 307-314. p. p.. B. SOARES R. G.. MOL. I.. CASTILHO. Eur J Endocrinol.. n. K. E. v. Bioética.. Nutr. 36. DREHMER. M. 3. p. COELHO.. B. 887-894.. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve.. 639-654. glucose homeostasis. GODANG.. I.. Ministério da Saúde. C. Soc. v. Pediatr Clin North Am. High-protein diet promotes a moderate postpartum weight loss in prospective cohort of Brazilian women. M. I. FERNANDES. M. BERGAMINI. demographic and nutritional factors associated with maternal weight gain in general practices in Southern Brazil.. n. T. SP. Food Nutr. 1120-1128... 332-346.. São Paulo. D. SILVEIRO. p. M a c r o s o m i a d e s p i t e g o o d glycaemic control in type I diabetic pregnancy. 196. M. FERBER. Brasília. Manual Técnico. S. J. Ministério da Saúde. 46. G. C. Diabetologia. E. Maternal anthropometric and metabolic factors in the first half of pregnancy and risk of neonatal macrosomia in term pregnancies. A. F. CHOLEVAS. v. 97 . N. G. EVANGELIDOU. Primary Care. endocrinol. 1429-1436. Nutrition. p. n. A.. KAC. Bras.

D. M. Femina. F.. v. OLIVEIRA. v. 1963.. ABBADE. n. G... J. S. H. L. M. B. LIBERA. COSTA. p.. SCHIMDT. Montevidéu: Centro Latino-Americano de Perinatologia e Desenvolvimento Humano (CLAP). FOLEY. v. Aprovado em 01/03/11.. C. J. M. Macrossomia fetal: correlação clínica-6. DE MUCIO. argent. J Ultrasound Med. T. R.BRAGA.. (DC): National Academy Press.. bras. L. Washington. J. 6. P. DRESSLER. CALDERON. 1. R. 469-476. 10. DUNCAN.. M. D. 1996. I. I. P.. p. n. L. 5. 85-98. I.. KAC. M. 2. São Paulo. LEVENO. MCINTIRE. M. BRITO. v. PAISANI. F. G. E. v. 2010. A. FERNANDES. P. H. Weight gain during pregnancy: reexaminig the Guidelines. I. O. INSTITUTE OF MEDICINE. 2008. MCAULIFFE. Washington. ginecol obstet. Nutrition. R. C. 1990. p. J. El dilema del hijo de madre diabética: evolución. Nutr. Aust N Z J Obstet Gynaecol. Report of the Subcommittee on Nutritional Status and Weight Gain during Pregnancy.. p. E. P.. M. C. P. p.. n. 2005. K.. HANSMAN. HIRAKAWA. NUCCI. DÍAZ. C. SCHWARCZ... v. KERCHE.. PATES. 32. SANTOS.. p. Fatores de risco para macrossomia fetal em gestações complicadas por diabete ou hiperglicemia diária. A. L. OLMAS. DELGADO. A.. Brazilian Soc. Relação do ganho de peso.. CALDERON. Food Nutr. n.. L. O. Rev. Normalização do cuidado da saúde materno-infantil. 27.. Rev. Alim. CHAGAS. 2008. 25. C. Nutritional status of pregnant women: prevalence and associated pregnancy outcomes. abr. A. P. SP. Anthropometric assessment of nutricional status en Brazilian pregnant women. v. p. J. MAHONY. 2009. Panam Salud Publica. Saúde reprodutiva materna perinatal. Nutrire: rev. INSTITUTE OF MEDICINE. M. RODRIGUES. RUDGE. CASEY. presente y futuro. Anexo 1. Maternal weight characteristics influence recurrence of fetal macrosomia in women with normal glucose tolerance.793-800. p. B. v... R. M. H. pasado. G. 171-178. n. C.. Nutrition during pregnancy. R. HALAC. A. BODY. v.. E. RUDGE. FESCINA. S. 5.. v. 580-587. 2000. SAUNDERS. Pediatrics. E. OTTINO. C.. SILVA.. ROSELLÓ. PADILHA. B. Soc. R. n. C. V. experimental. p. BRITTO. A.. (DC): National Academy Press. 25. FUCHS.. Bras. M. 4. J. 36-39. 502-507. D. Organização Pan-Americana da Saúde. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. M.. V. C.. A... Intrauterine growth as estimated from liveborn birth-weight data at 24 to 42 weeks of gestation. B. CALDERON. 98 . 617-623. Rev. FLECK. 47. 399-401.. 1. saúde publica.= J. C. E.. 36. 35. M. L. C. n... Determinant factors of inssuficient and excessive gestacional weight gain and maternalchild adverse outcomes. B. 2001.. S.. 26. BELITZKY. Arch.. 27. T. Recebido para publicação em 01/04/10. O’HERLIHY. LUBCHENCO... 2009. ACIOLLY. n. R. B. p. L. 106. 1. Predicting macrosomia. D. pediatr. antes e durante a gravidez. A. S. M. F. 39-43. 2007. weight gain and nutrient supplements. n. 2011.

A. LYRA.16 and 1.764). como parte integrante do projeto “Fatores de risco para doenças cardiovasculares entre adolescentes beneficiários do PNAE-Natal/RN”. Soc. the prevalence of high coronary risk rates was considerable.com. UFRN. S. Coronary risk in adolescents as estimated by the Conicity index. Brazil. C. de Pediatria. Measures of central tendency and dispersion (mean. 2Depto. 99 . F..Depto. UFRN. F. aos alunos do Curso de Graduação em Nutrição e aos residentes do Hospital de Pediatria da UFRN pela colaboração na coleta de dados. The low/medium and high categories of coronary risks were respectively 1. n.Centro de Ciências da Saúde . UFRN. regardless of sex (p=0. = J. L. 3Depto. clelialyra@ufrnet. for the median values of conicity index concerning both sexes.. P. V. M. Fonte de Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). abdominal circumferences. C. PAULO ROBERTO DE MEDEIROS AZEVEDO3. Alim. C. The objective of this study was to estimate the prevalence of coronary risk using the conicity index and to compare this index with other indicators of body adiposity in adolescents. The corporal adiposity was assessed using conicity index. The correlation between conicity index and other variables of the corporal adiposity was performed using Pearson’s partial correlation.732).. CLÉLIA DE OLIVEIRA LYRA2. 4Depto. G. sex and sexual maturation. de Nutrição Rua General Gustavo Cordeiro de Farias. SP.. Risk Factors. LIMA. considering the two health districts of the city. pelo acesso às escolas. p. R. 99-109. Adolescent.br Agradecimentos: Secretaria Municipal de Educação. Bras. processo nº 478287-06-2. LUCIA DE FÁTIMA CAMPOS PEDROSA2 1Curso de Nutrição. s/nº Petrópolis Natal – RN CEP 59012-570. This was a cross-sectional study with 185 adolescent students from public schools in Natal. Nutrire: rev. Natal-RN. Endereço para correspondência: Clélia de Oliveira Lyra Universidade Federal do Rio Grande do Norte . 36. P. B. This index can be used in adolescent coronary disease screening. waist-height ratio and body mass index. Sexual maturity was clinically assessed according to Tanner. R. ANA LÚCIA MIRANDA1. v. Strong correlations were found between conicity index and the waist-height ratio (0. Food Nutr. MARCELA PINHEIRO MARQUES1. selected by random sampling in two stages. L. median and standard deviation) and percentiles distribution of the corporal adiposity are compared according to sex. O. L. The conicity index is strongly correlated with the waist-height ratio. SEVERINA CARLA VIEIRA CUNHA LIMA2..Artigo original/Original Article Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade Coronary risk in adolescents as estimated by the Conicity index ABSTRACT MARQUES. UFRN. AZEVEDO. São Paulo.0001). PINHEIRO.. Brazilian Soc. E-mail: clelia_lyra@yahoo. ARRAIS. S. followed by moderate correlations with abdominal circumferences and the body mass index. C. PEDROSA. Anthropometry. Therefore. de Nutrição. 2011. RICARDO FERNANDO ARRAIS4. Nutr.6% of adolescents have high coronary risk. These findings verified that 27. considering age.. Keywords: Conicity Index. MIRANDA. All correlations were significant (p < 0. de Estatística.20. 1. M.. abr.br. LIANA GALVÃO BACURAU PINHEIRO2.

Todas as variáveis relacionadas à adiposidade corporal foram analisadas por medidas de tendência central e de dispersão. todas estadísticamente significativas (p <0. razão cinturaaltura e índice de massa corporal.. Palavras-chave: Índice de conicidade. el alto riesgo coronario estimado por el índice de conicidad mostró elevada correlación.. Trata-se de um estudo transversal. Objetivou-se estimar a prevalência de risco coronariano em adolescentes.. 99-109. F. RESUMEN RESUMO El objetivo de este estudio fue estimar la prevalencia de riesgo coronario en adolescentes mediante el índice de conicidad y evaluar su relación con otros indicadores antropométricos de grasa corporal.. O. C. independientemente del sexo (p = 0. S. positiva y significativa. A maturação sexual foi avaliada conforme classificação de Tanner. ARRAIS. ajustadas por idade.764). o risco coronariano avaliado pelo índice de conicidade apresentou alta magnitude e mostrou correlação positiva e significante com a razão cintura-altura. v. em dois estágios. Brazilian Soc. Os resultados indicaram que 27. B. Factores de riesgo. Food Nutr. las circunferencias de la cintura. La adiposidad corporal fue evaluada por el índice de conicidad. p.. Los resultados mostraron que 27. Adolescente. Los valores promedio de este índice.. Todas las variables r elacionadas con la adiposidad se analizaron mediante medidas de tendencia central y de dispersión. LYRA. Soc. todas significantes estatisticamente (p<0.= J. A correlação parcial de Pearson foi utilizada para verificar a relação entre o índice de conicidade e as demais variáveis antropométricas. 2011. n. según el sexo. AZEVEDO. Se observó una elevada correlación entre el índice de conicidad y el de cintura-altura (0. La madurez sexual fue clínicamente evaluada de acuerdo a Tanner. Palabras clave: Índice de conicidad. Antropometría. selecionados por amostra estratificada.20. 36. realizado com 185 adolescentes de escolas públicas municipais de dois distritos sanitários de Natal. ajustado por edad. PEDROSA. Alim. M. por categoría de riesgo: bajo/medio y alto fueron 1. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. sem associação com o sexo (p = 0. A adiposidade corporal foi avaliada pelo índice de conicidade. respectivamente para ambos os sexos. Brasil..6% dos adolescentes apresentaram risco coronariano elevado.20. Antropometria. con el de cintura-altura. RN. Nutr.0001).MARQUES.16 e 1. S. LIMA. Destaca-se. sexo e maturação sexual. C. 1. MIRANDA.0001). P.764). R.6% de los adolescentes presentan alto riesgo coronario. que este índice pode ser utilizado na triagem para a detecção precoce de eventos cardiovasculares em adolescentes. C. Fatores de risco. PINHEIRO. L. SP. abr. G. Es un estudio transversal con 185 adolescentes de escuelas públicas en dos distritos de salud de la ciudad de Natal. respectivamente para ambos sexos. sexo y madurez sexual. P. segundo as categorias de risco baixo/médio e elevado foram 1. L. circunferências abdominais. L. R.732) e correlações moderadas com as circunferências abdominais e o índice de massa corporal. Por lo tanto. 100 . Constatou-se uma forte correlação entre o índice de conicidade e a razão cintura-altura (0. M. A.16 y 1. V. relación cintura / talla e índice de masa corporal. Este índice puede ser utilizado en adolescentes para detección de enfermedades coronarias. utilizando o índice de conicidade e avaliar sua relação com outros indicadores antropométricos de excesso de adiposidade corporal. Bras. 732) y correlaciones moderadas con la circunferencia de la cintura y el IMC. São Paulo. El coeficiente de correlación parcial de Pearson fue utilizado para verificar la relación entre el índice de conicidad y otras variables antropométricas. C. Nutrire: rev. Adolescente. Os valores médios deste índice.. F. segundo o sexo. portanto. seleccionados mediante muestreo estratificado en dos etapas. Dessa forma.

99-109. KLEIN et al. M. devido estar fortemente relacionado com as alterações das concentrações séricas de lipídios e lipoproteínas. SOROF. 2005.. 1991). os indicadores antropométricos utilizados nesta fase da vida são o Índice de Massa Corporal (IMC). 2006. LESSA. R. devido às variações corpóreas próprias da fase puberal (PEREZ. O Índice C está baseado no princípio que o corpo humano muda do formato de um cilindro para o de um “cone duplo”. TAYLOR et al. que favorecem a intolerância à glicose. SAVVA et al. JANSSEN et al. Alim.. 1999. DANIELS.. Bras.. A. Classicamente.. P. hiperinsulinemia. Em adultos. Brazilian Soc.. maior comparabilidade entre pessoas com mesmo peso e altura. FREEDMAN et al. Food Nutr. C.. estando as últimas mais associadas às doenças cardiovasculares (ALVAREZ et al. como marcadores de obesidade central. MONEGO. L. tais como informações da adiposidade geral e central.. 2001. INTRODUÇÃO As doenças cardiovasculares (DCV) representam a primeira causa de mortalidade no Brasil (BRASIL. diabetes.. como indicativo de obesidade generalizada e as circunferências da cintura (CC) ou do abdômen (CA) e razão cintura/ altura (RCA). n.. 2011. 2007. C. C. 2005). 2009). 2000. bem como de diferentes biótipos e etnias (VALDEZ et al. 2008. S.. 2008). M. Nutr. P. O.. Esta medida apresenta vantagens.. 2009. VELDHUIS et al. 2007)... São Paulo. ARRAIS. F. F. Muitos destes fatores estão associados à obesidade e ao excesso de adiposidade abdominal. O processo aterosclerótico tem início na infância. Nutrire: rev. verifica-se que o Índice C constitui-se em um indicador mais específico para avaliar fatores de risco coronariano.. S. glicemia e pressão arterial (PITANGA. Em adicional. R.. JARDIM. PINHEIRO. MENDES et al. 1. V. L. hipertensão e alterações nas concentrações de lipídios e lipoproteínas plasmáticas (BOZZA et al. PEDROSA. 2006.MARQUES. VASQUÉZ. LYRA. B. com gravidade proporcional ao número de fatores de risco apresentados pelo indivíduo durante a vida (FREEDMAN et al. 2007). 1993). SP. L.. p. como uma medida independente da circunferência do quadril. 2000.. 36. Poucos estudos têm avaliado o risco coronariano por meio do índice de Conicidade (Índice C) em adolescentes. Soc. 2009. LANDAETA-JIMÉNEZ. KLEIN et al. Configura-se então. com subamostra de adolescentes na faixa etária de 10 a 16 anos. com o acúmulo de gordura ao redor da cintura (VALDEZ. provenientes de escolas municipais dos 101 . 2002). MÉTODOS DELINEAMENTO DA POPULAÇÃO DE ESTUDO Estudo transversal realizado no período de 2007 a 2008.= J. AZEVEDO.. trata-se de uma ferramenta antropométrica de baixo custo e de fácil padronização. C. BOZZA et al. MIRANDA. o estudo teve como objetivo estimar a prevalência de risco coronariano em adolescentes utilizando o índice de Conicidade e avaliar sua relação com outros indicadores de adiposidade corporal.. v. aspecto importante em se tratando de adolescentes. LIMA. G. Neste sentido. abr. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. 2010) e no mundo (WORLD HEALTH ORGANIZATION.

C. p. Nutrire: rev. São Paulo. MIRANDA.= J. Para determinação do número de escolas. modelo HS301.5cm entre as duas primeiras mensurações. 99-109. O tamanho da amostra resultou em 12 escolas e. B.. S. Foram incluídos os adolescentes que frequentavam regularmente a escola. A. C. V. G. Bras..MARQUES.. LIMA.29cm a -0.28cm. gestantes e os que apresentavam necessidades especiais. contemplando informações de identificação e dados antropométricos. abr. Food Nutr. O. L. L. Soc. com capacidade de 150kg e precisão de 100g. Brazilian Soc. A pressão arterial elevada foi utilizada para o cálculo amostral por ser o fator de risco cardiovascular de menor prevalência nesta população.0016±0. resultando no tamanho de amostra n = 224 alunos e amostragem estratificada com alocação de Neyman para definição dos tamanhos de amostra por distritos. R. do tipo solar. O plano amostral foi determinado por amostragem aleatória estratificada em dois estágios. no Sul. PEDROSA. M.. com amostra distribuída de forma proporcional aos totais de alunos das escolas sorteadas. Para registro dos dados foi preenchido um formulário padronizado. v. supondo-se aproximadamente igual a variância desse número nos distritos. conforme estudo piloto com ˆ ˆ oito escolas (ρ Norte = 14.Natal/Rio Grande do Norte”..0281±0. Todos os participantes ou seus responsáveis apresentaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido. quando houve diferença superior a 0.. SP. Nutr. A reprodutibilidade das medidas antropométricas foi verificada e a diferença média entre cada uma das duas medidas variou de -0. 36. F.128. resultando em: nNorte = 192 .270 alunos no distrito Norte e 4.6% e ρ Sul = 8. A seleção das escolas foi feita por sorteio aleatório sistemático. distritos sanitários Norte e Sul. com base na população alvo de 19. PINHEIRO. n.5% e 20% de previsão para perdas amostrais. 1. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. e representa 52% da amostra total pesquisada. L. de acordo com a alocação proporcional por distrito obteve-se nove escolas no distrito norte e três no sul. foi considerado o número médio de alunos por escola.8%). 2011. Na aferição da altura. C. ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (IMC) O IMC foi calculado a partir da relação do peso (em kg) e da altura (em metros) ao quadrado. a estatura foi obtida com 102 . no âmbito do projeto “Fatores de risco para DCV entre Adolescentes Beneficiários do Programa Nacional de Alimentação Escolar . ANTROPOMETRIA As medidas antropométricas foram aferidas em duplicata por estudantes de Nutrição devidamente capacitados... Alim. F. AZEVEDO. e prevalências estimadas de pressão arterial elevada. nSul = 33. P. M. e excluídos aqueles com síndromes genéticas associadas à obesidade ou a outras doenças. ARRAIS. Esses dois distritos sanitários foram escolhidos por se tratar de localidades dispares do ponto de vista de infraestrutura urbana e populacional. C. conforme protocolo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (nº 112/06). R. O limite de erro de estimação foi de 2. da CC e da CA. LYRA. P. realizou-se uma terceira medida e considerou-se a média das duas mais próximas. S. O peso foi aferido com o auxílio de uma balança Tanita®. na faixa etária de interesse definida no momento da primeira coleta de dados.

Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. G. optou-se em utilizar a nomenclatura padronizada na literatura. circunferências da cintura e do abdômen e razão cintura/altura. DESENVOLVIMENTO PUBERAL Uma equipe de pediatras procedeu a avaliação da maturação sexual. considerando o desenvolvimento das 103 . com o auxílio de uma fita antropométrica de material não elástico. ARRAIS. C. p.. R. Bras. quando maior ou igual ao percentil 75 (P≥75) e baixo e/ou médio quando apresentou valores inferiores ao percentil 75 (P<75). C.. 2011.. S... utilizada como variável controle. Food Nutr. R. 1991): Índice C = 0. Alim.. L. A circunferência do abdômen (CA) foi aferida no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca. Abdômen (m) Peso Corporal (kg) Altura (m) O risco coronariano avaliado pelo Índice C foi categorizado em elevado.. 99-109. n. 1. LYRA. segundo Savva et al. Nutr.= J. S. peso corporal e altura. Ambas as medidas foram mensuradas conforme as técnicas recomendadas pela World Health Organization (1995). Optou-se pelo P75 da distribuição do Índice C da população estudada considerando que a partir deste centil foi possível identificar diferença entre médias de IMC. Brazilian Soc. V. L. RAZÃO CINTURA / ALTURA A razão cintura/altura (RCA) foi avaliada a partir da divisão entre a circunferência do abdômen (cm) e a altura (cm). entre a última costela e a crista ilíaca. MIRANDA. Soc. C. indicadores antropométricos clássicos relacionados ao risco cardiovascular. M. abr. um estadiômetro portátil do tipo altura exata (precisão de 1mm). segundo método de Tanner. P. A. O Índice C foi calculado a partir da fórmula (VALDEZ. C. L. AZEVEDO. SP. São Paulo. O. PEDROSA. v. Foi realizada uma adaptação metodológica em relação ao uso da medida de circunferência abdominal. F.MARQUES. B.. Nutrire: rev. Enquanto que a circunferência da cintura foi mensurada na parte mais estreita do tronco. 36. M. (2000).109 C . com precisão de 1mm. F. LIMA. considerando que seria a mais próxima do referencial anatômico proposto originalmente para o cálculo do Índice C. P. CIRCUNFERÊNCIAS ABDOMINAIS As circunferências corporais foram medidas conforme as técnicas recomendadas pela World Health Organization (1995). Apesar de ter sido utilizada a circunferência do abdômen. ÍNDICE DE CONICIDADE O Índice C foi calculado a partir da circunferência do abdômen. PINHEIRO.

TANNER. Observou-se que não houve diferença estatística dos valores médios das variáveis antropométricas (IMC. A análise foi realizada nos softwares Microsoft Office Excel 2007 e SPSS 9.8% (n=94) eram do sexo masculino e a média da idade. CC. C. CC.. As características antropométricas da população estudada estão representadas na tabela 1. nos estágios 4 e 5 de maturação sexual. CA e RCA. L. S. C. Nutr. C. A. Todas as análises estatísticas foram consideradas significantes quando o p-valor foi menor que 5%. V.0cm. no qual as variáveis foram pré-codificadas. B. R. M. 36. respectivamente). TANNER. L. sexo e maturação sexual revelaram que o Índice C se relacionou de 104 . 39. Alim. A correlação entre o Índice C e variáveis de adiposidade corporal foi verificada pelo coeficiente parcial de Pearson.04.. ajustado por idade (como variável contínua). mamas (MARSHALL. S. ANÁLISE ESTATÍSTICA O banco de dados foi construído no software EPI-INFO versão 6.. a maioria dos meninos (71. LIMA. A prevalência de elevado risco coronariano medido pelo Índice C foi de 27. C. G. Todas as variáveis antropométricas foram apresentadas por meio de medidas de tendência central e de dispersão (média.= J... abr.. Conforme avaliação do desenvolvimento puberal. ajustados pela idade.4 kg e 146. peso e altura dos adolescentes estudados foi de 11. v. 1969) e genitais (MARSHALL. PINHEIRO. 1. RESULTADOS Participaram efetivamente do estudo 185 adolescentes. sexo e maturação sexual (cinco estágios).764) (dados não apresentados em tabelas).4% de perda do universo amostral inicial. M. Para comparar as médias entre as circunferências abdominais nos dois pontos anatômicos aferidos (cintura e abdômen). A associação do risco coronariano elevado com o sexo foi verificada pelo teste de qui-quadrado (χ2). sem diferenças entre médias em relação ao sexo (p=0. RCA e Índice C) entre os sexos.7%) encontrava-se nos estágios 1 e 2. P. Nutrire: rev. 99-109. R. p=0. n. SP. utilizou-se o teste t-pareado. São Paulo. sem associação com o sexo (p = 0.8 anos.0. já prevista no cálculo do tamanho da amostra. F. PEDROSA. Destes. AZEVEDO. 50. LYRA. mediana e desvio padrão) e distribuição em percentil considerando o P75. p=0. p. CA. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade.6%. P.. ao passo que 50% das meninas. O. ARRAIS. As diferenças entre as médias das variáveis antropométricas em relação ao sexo e ao risco coronariano medido pelo Índice C (elevado e baixo/médio) foram verificadas pelo teste t-Student.175. F. 2011. A análise dos coeficientes de correlação parcial entre o Índice C e IMC. respectivamente para meninas e meninos.. Soc.MARQUES. 1970) em estágios do 1 ao 5. L. Food Nutr. resultando em 17.630. MIRANDA.135. Brazilian Soc. Bras.

R.84 66.. Os valores médios e desvio padrão das variáveis antropométricas..17±0.05 1.17±0. como mostra a tabela 2.2 65.43 1.43 1.0001 Índice C 0. Brazilian Soc.. S. v.3 63. abr. A. M.2±9.350 0.9±3.45±0.47 1. PEDROSA.05 1. L.96 67. 99-109. V.20 x ±DP 18.4±3.5 68. AZEVEDO. Tabela 2 – Coeficientes de correlação parcial* entre o Índice C e as variáveis antropométricas de adolescentes.20 p-valor* 0.1 0..05 P50 17.0001). 36. Natal (RN). Nutr. F. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. C.16 P75 18. F.624 0.65 61. Food Nutr.2±7.. G.5 70.685 0. ARRAIS. p. L..0±9. Soc. RN (2007-2008) Masculino Variáveis x ±DP IMC (kg/m2) CC (cm) CA (cm) RCA Índice C 17.10 61.1 0. ajustados por idade. RCA: Razão cintura-altura. C. S. MIRANDA.3 0. maneira positiva e significativa com todas as variáveis (p<0. L.7 63.16 P75 19.673 Feminino *p-valor refere-se a diferença entre masculino e feminino. C.4 0.06 P50 17.907 0..0 0.423 0. R. CC: circunferência da cintura. de acordo com as categorias de Índice C foram semelhantes entre os sexos e significativamente maiores nos adolescentes que apresentaram elevado risco coronariano (Tabela 3). SP.4 0.917 0. Nutrire: rev.45±0.3±8. Bras.732 para todos os coeficientes de correlação. 1. Índice C: índice de conicidade. C. Alim.290 0. CA:circunferência do abdômen..MARQUES. P. P. 105 . 2011.6 63.= J. São Paulo. sendo mais forte para a RCA. PINHEIRO. M.2 63.4 66. LYRA. LIMA. B. n. Índice C: índice de conicidade. sexo e maturação sexual.46 1. O. Tabela 1 – Características antropométricas de adolescentes de escolas municipais de Natal. 2007-2008 Variáveis Antropométricas Índice de Massa Corporal (kg/m2) Circunferência da Cintura (cm) Circunferência do Abdômen (cm) Razão Cintura-Altura *p<0.

06* n=51 20.5 0.6±5. denominando o risco como coronariano. PEDROSA.1±4. LYRA. A maturação sexual foi utilizada neste estudo como variável de ajuste.0* 0.7±12.2±2.5 60.06* < P75 Baixo/moderado n=69 17. 2011. M.2 0. Nutrire: rev.7±4. 2005). segundo o sexo. PITANGA. 2006.8±4.1 60. O. L. (1993). C.0±8. LESSA.4* 0.9 0.= J. L. P. O Índice C tem sido utilizado como alternativa para avaliar distribuição da adiposidade em adolescentes (PEREZ.0001.3±5.0* 70.1* 75.. F.0±11. FRANCESCHINI. Natal.. que verificou a relação deste índice e o perfil lipídico em adultos.02 n=65 17. A. Soc.5* 0. 106 . No presente estudo.7 60. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. C.43±0.0±1.. Nutr. V. 1.50±0. p < 0.43±0. Brazilian Soc.50±0. RN. Alim. Pitanga e Lessa (2007) realizaram estudo de validação utilizando o escore de Framingham. C. G. S.2* 72. p. abr. portanto. n.06* n=26 21. 2007-2008 Índice C Variáveis Masculino Índice de Massa Corporal (kg/m2) Circunferência da Cintura (cm) Circunferência do Abdômen (cm) Razão Cintura-Altura Feminino Índice de Massa Corporal (kg/m2) Circunferência da Cintura (cm) Circunferência do Abdômen (cm) Razão Cintura-Altura Total Índice de Massa Corporal (kg/m2) Circunferência da Cintura (cm) Circunferência Abdômen (cm) Razão Cintura-Altura *Teste ≥ P75 Elevado n=25 20. B. 2007).6±5.. em população de adultos de Salvador..2±5. Food Nutr.9 62.4±5. F. ARRAIS.50±0. DISCUSSÃO O estudo pioneiro relacionando o índice C e o risco cardiovascular foi realizado por Valdez et al. LIMA. L. Tabela 3 – Valores médios (±DP) das variáveis antropométricas de adolescentes. R. LANDAETA-JIMÉNEZ.0 62.9* 70. AZEVEDO. 99-109.1 62. deve ser considerada na avaliação do estado nutricional..6* 74. 2002.03 t-Student. P.8* 70. optou-se em utilizar a nomenclatura deste último autor. M.43±0. Bras. São Paulo.3± 9. PRIORE. C. MIRANDA.3±2. conforme risco coronariano medido pelo Índice C. SP. S. No Brasil. uma vez que a puberdade desencadeia modificações antropométricas e de composição corporal.MARQUES. R.4±5..0±9. v. e não somente quanto à idade cronológica e sexo (BARBOSA. VASQUÉZ. VELDHUIS et al. Bahia.. 36.03 n=134 17. PINHEIRO.1±11..

. 107 . Bras. para então escolher o referencial anatômico adequado para a pesquisa.... high-density lipoprotein cholesterol . B. a prevalência do elevado risco coronariano foi preocupante e superior ao observado em adolescentes venezuelanos. Alim.. 2004. JANUS. Verificou-se como limitação a escassez de estudos utilizando o Índice C em adolescentes. G..25cm (p<0. que resultou em diferença média de 2.0001. FERNÁNDEZ et al. P. São Paulo..14) (PEREZ. VASQUÉZ. No entanto. AZEVEDO. 99-109. Brazilian Soc.99 – 1. Além disso.. PEDROSA. YOSHINAGA. HSIEH. Além disso. Food Nutr. ARRAIS. MUTO. Além disto.. triglicérides. M.. 36. 2000). S. Neste estudo. Cuidados também foram direcionados quanto ao conhecimento da variação da CA e da CC. Os resultados mostraram que todos os valores obtidos foram mais elevados do que os encontrados na presente pesquisa. t-pareado). os meninos apresentaram valores mais elevados de Índice C (1. F. LYRA. C. apresentaram valores médios mais elevados de outros fatores de risco cardiovascular (colesterol total. dificultando a interpretação dos resultados fundamentada em análises comparativas. esses autores verificaram que os adolescentes que excederam o percentil 75 para esses três indicadores. LANDAETA-JIMÉNEZ. 1999).02 – 1. para identificar a obesidade central a partir das circunferências abdominais é necessário primeiramente definir o critério de classificação a ser utilizado. F.18) que as meninas (0. Uma pesquisa realizada na ilha de Chipre com adolescentes de 10 a 14 anos também investigou a média dos indicadores IMC. e pressão arterial sistólica e diastólica) (SAVVA et al. O Índice C forte e positivamente relacionado à RCA reflete a pertinência desta medida pelo fato da RCA estar relacionada com a predição de vários fatores de risco cardiovasculares (HO. Recomenda-se que outras investigações sejam realizadas. 2003. LAM. FREEDMAN et al. 2002). O. 2008. p.. que foi de 14% no sexo masculino e 15%. CC e RCA. MIRANDA. 2011. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. também foi observado que as circunferências abdominais estão mais relacionadas aos fatores de risco cardiovasculares do que o IMC (ALVAREZ et al. visando a determinação de pontos de corte mais adequados para a avaliação do Índice C em adolescentes. A forte correlação entre este índice e a RCA reforça a predição de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares nesta população.. Nutrire: rev.MARQUES. LIMA. no feminino. CONCLUSÕES O Índice C indicou uma relevante prevalência de elevado risco coronariano nos adolescentes avaliados.= J. estas limitações não comprometem os achados diante do embasamento conceitual e metodológico explorados. C. 2000). Nutr. v. 1. 2003.. para as distintas idades. S. M. Portanto. PINHEIRO. pesquisas de delineamento transversal não permitem identificar a precedência no tempo entre a exposição e o desfecho. L. Apesar de estas medidas serem aferidas em pontos anatômicos distintos. L.35±2. Em outros estudos. R. V. A. C. P.HDL-C. C. SP. segundo os percentis 50 e 75 da distribuição. A mediana do Índice C foi semelhante em ambos os sexos e seu valor diminuiu à medida que a idade aumentou. tem sido frequentemente utilizadas para compor os critérios de classificação de obesidade central. especialmente para os meninos. Soc. low-density lipoprotein cholesterol . L.LDL-C. abr. n. com o mesmo termo técnico ou significado. LIN et al. R.

MARQUES, M. P.; LYRA, C. O.; LIMA, S. C. V. C.; PINHEIRO, L. G. B.; AZEVEDO, P. R. M.; ARRAIS, R. F.; MIRANDA, A. L.; PEDROSA, L. F. C. S. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 36, n. 1, p. 99-109, abr. 2011.

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Artigo original/Original Article

Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba Epidemiological profile of the nutritional status in children assisted in daycare centers in the state of Paraíba
ABSTRACT

SOUSA, C. P. C.; SOUSA, M. P. C.; ROCHA, A. C. D.; FIGUEROA PEDRAZA, D. Epidemiological profile of the nutritional status in children
assisted in daycare centers in the state of Paraíba. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr. = J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 36, n. 1, p. 111-126, abr. 2011. This was a cross-sectional study to evaluate the nutritional status of children younger than 6 years old from daycare centers in the state of Paraíba and its association with food intake and health condition. The nutritional status was evaluated by height-for-age and weight-for-height anthropometric indices. Children presenting such ratios with values of 2 z scores below the standard population according to the World Health Organization were diagnosed with malnutrition. In the case of overweight/obesity, children presenting values of 2 z scores above the standard population were considered overweight/obese. The food consumption was monitored through a 24-hour dietary recall. The health condition of children was analyzed, considering the presence of signals and symptoms of infection. Statistical analyses were carried out using software SPSS-8.0, considering a significance level of 5%. The prevalence of stunting, wasting and overweight/obesity, from a total of 353 children, were 7.36%, 1.13% and 6.23%, respectively. The variables vaccination schedule, birth weight, blood in the feces, number of rooms at home, per-capita income and maternal stature were statistically associated with stunting. The weight-for-height index was associated with the variables child’s age vaccination schedule, supplementation with vitamin A, the participation of macronutrients in the total-energy value and the mother’s age. Expressive prevalence of stunting and overweight/obesity was verified, thus justifying the need for a nutritional intervention in order to prevent and control these problems. Keywords: Nutritional Status. Child Malnutrition. Daycare Centers.

CAROLINA PEREIRA DA CUNHA SOUSA¹; MAYANA PEREIRA DA CUNHA SOUSA²; ANA CAROLINA DANTAS ROCHA¹; DIXIS FIGUEROA PEDRAZA³ 1Estudante de Iniciação Científica PIBIC/CNPQ/UEPB, Curso de Enfermagem da Universidade Estadual da Paraíba. 2Estudante Colaboradora de Iniciação Científica, Curso de Fisioterapia da Universidade Estadual da Paraíba. 3Doutor em Nutrição. Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública e Núcleo de Estudos e Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Estadual da Paraíba. Endereço para correspondência: Carolina Pereira da Cunha Sousa Rua Dorinha de Vasconcelos, 155, Santa Rosa. Campina Grande-PB. CEP 58416-340. E-mail: carolina_pcs@ hotmail.com Agradecimentos: aos dirigentes da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano por viabilizarem o desenvolvimento da pesquisa. Às estudantes, dos cursos da área de saúde da Universidade Estadual da Paraíba, pela colaboração no estudo. Aos pais, crianças e funcionários das creches, que participaram do estudo.

Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (FAPESQ). N° do Processo: 35.0210/2007-1.

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As prevalências de baixa estatura. Para o caso do sobrepeso/ obesidade.SOUSA. déficit de peso e sobrepeso/obesidade. C. respectivamente. Foram realizadas análises estatísticas para proporções com o programa SPSS-8. El peso/estatura mostró relación con las variables edad del niño. adequação da participação de macronutrientes no valor energético total da alimentação e idade da mãe. peso ao nascer.36%. considerando-se com déficit nutricional. P. Soc. suplementação com vitamina A. ponderando um nível de significância de 5%. Para la evaluación del estado nutricional fueron analizados los índices estatura/edad y peso/estatura.13% e 6. Las variables esquema de vacunación. déficit de peso y sobrepeso/obesidad en un total de 353 niños estudiados. considerándose con déficit nutricional los niños que presentaron índices con puntaje z abajo del valor mediano del patrón de crecimiento infantil de la Organización Mundial de la Salud. abr. Food Nutr. número de cômodos no domicílio. SOUSA. P. suplementación con vitamina A. 1. 1. Brazilian Soc. Creches.36%. justificando la necesidad de intervenciones nutricionales para la prevención y control de estos problemas. justificando a necessidade de intervenções nutricionais para a prevenção e controle destes agravos. renta familiar per cápita y estatura materna se relacionaron estadísticamente con el déficit de estatura. de um total de 353 crianças estudadas. As variáveis esquema de vacinação. Jardines infantiles. La condición de salud de los niños fue analizada considerando la presencia de señales y síntomas de infección. esquema de vacunación. Fueron realizadas análisis estadísticas para proporciones con el programa SPSS-8. A avaliação do consumo de alimentos foi realizada por recordatório de 24 horas. adecuación de macro nutrientes en el valor energético total de la dieta y edad materna. p. A. FIGUEROA PEDRAZA.0. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. Fueron detectadas prevalencia expresiva de déficit de estatura y sobrepeso/obesidad.13% y 6.. Palavras-chave: Estado nutricional. y su asociación con el consumo de alimentos y las condiciones de salud. 2011. RESUMEN RESUMO Estudio transversal con el objetivo de evaluar el estado nutricional de niños menores de 6 años que frecuentan jardines infantiles del Gobierno de Paraíba. Realizou-se estudo transversal com o objetivo de avaliar o estado nutricional de crianças menores de seis anos assistidas nas creches do Estado da Paraíba e sua associação com o consumo de alimentos e as condições de saúde. n. Bras. C. sangre en las heces. Verificaram-se prevalências expressivas de déficit de estatura e sobrepeso/obesidade.23% respectivamente. renda per capita e estatura da mãe se associaram estatisticamente com o déficit de estatura. 1. 36. A condição de saúde da criança foi analisada considerando a presença de sinais e sintomas de infecção. Para el caso de sobrepeso/ obesidad fue considerado el índice peso/ estatura con puntaje z sobre la referencia. sangue nas fezes.0. 112 . Palabras clave: Estado nutricional. fue de 7. C. v. foram de 7. La prevalencia de déficit de estatura.. as crianças que apresentaram índices dois escores z abaixo do valor mediano do standard de crescimento infantil da Organização Mundial da Saúde. Desnutrición infantil. Desnutrição infantil. Brasil. D. São Paulo. C. Alim. peso al nacer. Nutr.. SP. O peso/estatura mostrou-se associado com as variáveis: idade da criança.. M. La evaluación de la ingestión de alimentos fue realizada por recordatorio de 24 horas.= J. Para a avaliação do estado nutricional. Nutrire: rev. ponderando un nivel de significancia de 5%. 111-126. número de cuartos en el domicilio. esquema de vacinação.23%. foi considerado o índice peso/estatura dois escores z acima da referência. ROCHA. D. foram analisados os índices estatura/idade e peso/estatura.

.. biótico e social.. pela interação sinérgica dessas duas vertentes (RISSIN et al. se o consumo energético excede as exigências biológicas acima dos níveis toleráveis. D.. convive com a transição nutricional. de gorduras trans. O sobrepeso/obesidade apresenta principalmente fatores biológicos e comportamentais de risco. coabitação com o pai da criança. C. 2008). OSORIO. pré-natal.. Segundo Romani e Lira (2004). 2004). número de equipamentos domésticos no lar. atualmente. ferro. LIRA. abr. Ao mesmo tempo em que se assiste à redução contínua dos casos de desnutrição. a característica antropométrica mais representativa do quadro epidemiológico do crescimento de crianças no Brasil e no mundo. nas disfunções relacionadas com o aproveitamento biológico de energia e nutrientes ou. D. Soc. SP.= J. SOUSA. a desnutrição e o excesso de peso são representações de dois modelos bem distintos e até antagônicos. ROCHA. internações hospitalares. assim como outros países em desenvolvimento. C. 2011. TORAL. são observadas prevalências crescentes de excesso de peso. De forma simplificada. iv) acesso aos serviços de saúde: imunizações. justificando a conduta de enfoques clínicos e epidemiológicos diferenciados (BATISTA FILHO et al. FIGUEROA PEDRAZA.. 2006). Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. vii) nutricionais: estado nutricional de micronutrientes (zinco. Alim. tipo de moradia. Entre esses fatores. 2008). quer pela elevada prevalência. M. ao lado do sedentarismo crescente. 36.SOUSA.. Brazilian Soc. no Brasil (VITOLO et al. Bras. representadas pela alimentação hipercalórica e seus desvios específicos: consumo excessivo de açúcares simples. Diversos estudos têm demonstrado que o Brasil. Dados resultantes 113 . o que é mais comum. C.. 2007). é ainda um dos principais problemas de saúde enfrentados pelos países em desenvolvimento.. escolaridade materna. P. uso imoderado de bebidas alcoólicas e outras práticas de vida não saudáveis (BATISTA FILHO et al. n. peso e estatura da mãe. Food Nutr. número de irmãos pequenos. expressa pelo comprometimento do crescimento linear e/ou ponderal. São Paulo. vi) socioeconômicas: renda per capita familiar. determinada frequentemente pela má-alimentação. vitamina A) (ROMANI. A desnutrição na infância. A. A natureza multicausal do crescimento infantil. Nos últimos anos. destino do lixo e esgotamento público. quer pela carga de morbidade que se associa a esse evento (OLIVEIRA et al. Ao contrário. ii) maternas: idade. v. a tendência é a instalação da chamada patologia dos excessos nutricionais (FIDELIS. p. INTRODUÇÃO O estado de nutrição. além de estar centrada na interação sinérgica entre o consumo inadequado de alimentos e o desenvolvimento de enfermidades infecciosas. de ácidos graxos saturados. peso e comprimento ao nascer. 2008). poucos estudos de base populacional sobre o estado nutricional e fatores associados têm sido realizados. o retardo estatural constitui. as deficiências nutricionais expressam um desequilíbrio na relação hospedeiro/habitat mediado por restrições no consumo de alimentos. GENTIL. compreende outras variáveis que devem ser destacadas pela sua relevância: i) biológicas: sexo. iii) condições de saneamento ambiental: abastecimento e tratamento da água. ocupação/trabalho feminino fora do lar. 2008). de gorduras animais. C. destacam-se as variáveis nutricionais. contribuindo com o aumento das doenças crônicas não transmissíveis (COUTINHO. 2007). P. reflete mais do que qualquer outra condição do espectro saúde/doença o processo de ajustamento de indivíduos e populações ao seu ambiente físico. particularmente no caso das crianças. tabagismo. 111-126. 1. Nutrire: rev. Nutr. Sob essa perspectiva.

v. Soledade e Umbuzeiro (cada uma delas com uma creche). Campina Grande. Alim. FISBERG. n.. geralmente. É nesta perspectiva que o presente estudo se propõe a avaliar o estado nutricional de crianças assistidas nas creches do Governo da Paraíba e sua associação com o consumo de alimentos e as condições de saúde. outros municípios). Ao todo funcionam 45 creches em bairros distintos das cidades beneficiadas. SP.. o aumento de episódios de doenças infectocontagiosas e de outras doenças de maior gravidade associado à institucionalização. O universo é de 4. Na segunda etapa de amostragem. A opção para determinar o tamanho da amostra do estudo foi através do procedimento de amostragem para proporções: 114 .000 crianças beneficiadas. P. 36. 750 no município de Campina Grande e 450 nos outros municípios. Para garantir a representatividade dos municípios. a utilização das creches por crianças em condições socioeconômicas menos favorecidas é considerada uma das estratégias dos países subdesenvolvidos para garantir o crescimento e desenvolvimento das mesmas. da avaliação do Programa Bolsa Alimentação. possibilitando a obtenção de um tamanho amostral apropriado para cada estrato. em 2. Com base no supracitado. em áreas carentes que abrigam crianças de famílias de baixa renda (percebem uma renda familiar entre um e dois salários mínimos).. e considerando a influência decisiva do estado nutricional nos riscos de morbi-mortalidade. ROCHA. Entretanto. Nesse contexto.800 no município de João Pessoa. 2006).7%) e sustentam também o diferencial da distribuição dos déficits do crescimento na infância entre as regiões. São Paulo. 2011.= J. especialmente nas populações de baixa renda (BRASIL. Brazilian Soc. é de fundamental interesse investigar a etiologia da desnutrição infantil em crianças assistidas em creches. Nutr. Soc. 111-126. Food Nutr. p. o sistema de referência para a primeira etapa de amostragem foi ordenado segundo estratos (João Pessoa. O estudo foi desenvolvido em creches da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano do Governo da Paraíba. A. Nutrire: rev. M. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. distribuídas. C. O benefício está presente em oito municípios paraibanos: João Pessoa (30 creches). 2004). SOUSA. Mamanguape. ao estudar crianças menores de sete anos de idade de municípios do Nordeste do Brasil. nas 14 creches selecionadas de forma aleatória na primeira etapa. aproximadamente. 1. C. integrado a um projeto mais amplo intitulado “Desnutrição crônica e deficiência de zinco em crianças pré-escolares de similar vulnerabilidade social do Estado da Paraíba. P. MÉTODOS Realizou-se estudo transversal. FIGUEROA PEDRAZA. além das cidades de Areia.SOUSA. Bras.. utilizando-se um procedimento de amostragem por conglomerados em duas etapas. as crianças a serem avaliadas. D. Bayeux. D. demonstrado associação positiva entre a permanência de crianças em creches e seu estado nutricional. situadas. pode repercutir negativamente no estado nutricional das crianças (ZÖLLNER. Considerou-se também o porte da creche (número de crianças por creche). Campina Grande (9 creches).1%) e ponderal (10. C. Brasil”. Itaporanga. foram sorteadas. C. abr. indicam a tendência de manutenção das altas prevalências de déficit no crescimento linear (15. a fim de subsidiar a formulação e/ou reformulação das ações nutricionais correspondentes. Foi selecionada uma amostra probabilística de creches da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano do Governo da Paraíba.

foi permitida apenas uma peça íntima leve. foi utilizada a informação fornecida na ficha da criança.. sangue nas fezes. 111-126.. A mensuração do comprimento das crianças menores de 24 meses foi realizada na posição deitada com antropômetro infantil de madeira (construção própria) com amplitude de 130cm e subdivisões de 0. e cuidados durante a gravidez (suplementação com sulfato ferroso. Brazilian Soc. previamente testado incluíram: sexo. p. condições de saúde e consumo de alimentos) e sobre outras variáveis de interesse (características ambientais e antecedentes maternos). remessas e programas assistenciais). Zα = 1. Para a obtenção do comprimento e da estatura. 1.895 = 364. D.= J. Para obter os dados sobre a data de nascimento. Nutrire: rev. 1995). SOUSA. Alim. ROCHA. totalizando 365 crianças entre 6 e 72 meses que foram sorteadas de forma aleatória no momento do trabalho de campo. D. estas foram retiradas. Eles foram treinados pelo coordenador do projeto para aplicar um questionário. peso ao nascer e situação vacinal durante o primeiro ano de vida foi utilizado o cartão de saúde da criança. de forma transversal. foram removidos enfeites e prendedores de cabelo e os indivíduos foram colocados na posição certa (pernas e pés paralelos.65 2 onde N é o total da população. O processo de pesagem das crianças menores foi por verificação de diferenças: o adulto era pesado. q = 1 – p. M. Para os dados socioeconômicos. P. C. A. mediante entrevista realizada com as mães ou responsáveis pelas crianças. O treinamento também incluiu a obtenção do peso e estatura das crianças e das mães. febre ou problemas respiratórios nos 15 dias anteriores à entrevista.105 * 0. P. PNDS 1996) (SOCIEDADE CIVIL BEM-ESTAR FAMILIAR NO BRASIL. devendo a pessoa estar em pé e descalça. Utilizou-se balança eletrônica do tipo plataforma com capacidade para 150kg e graduação em 100g (Tanita UM-080®).0009 * 3999 + 3. C. ocorrência de diarreia. p é a proporção esperada.895 0. Considera-se p = 10.5 (média do déficit de altura para o Brasil.1cm. v.962 (se a confiança é do 95%). SP. Nutr. corpo encostado na superfície vertical do 115 . Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. d é a precisão arbitraria (erro de estimação). C. seguindo as recomendações de padronização da Organização Mundial da Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION. C. pesava-se a criança no colo daquele adulto. As informações obtidas. abr.8416 * 0. contendo informações sobre as crianças (características biológicas. braços relaxados ao lado do corpo. 1997) e d = 3%. Soc. A coleta de dados foi realizada nas creches. Bras. n. através do questionário. No caso de crianças que usavam fraldas. Food Nutr.SOUSA. A estatura das crianças entre 25 e 72 meses e das mães foi realizada utilizando estadiômetro (WCS®) com escala em milímetros (mm). 2011.. A renda familiar foi estimada considerando a soma dos salários dos membros da família com outros benefícios (doação ou pensão alimentícia. 36. Para obtenção do peso corporal das crianças.105 * 0. São Paulo.. N * Z2 * p * q α n= d2 * (N – 1) + * q Z2 α * p = 4000 * 3. a balança eletrônica era zerada e. O cartão de saúde da criança e a ficha da criança são de uso obrigatório em todas as creches. O salário da família sempre foi conferido com aquele fornecido na ficha da criança. exceto a dos dados sobre a renda. por entrevistadores treinados (estudantes da área de saúde e três professores pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba). FIGUEROA PEDRAZA.8416 * 0. em seguida. imunização antitetânica e realização de três ou mais consultas de pré-natal).

a adolescência corresponde às idades de 10 a 19 anos) (NATIONAL CENTER FOR HEALTH STATISTICS. São Paulo. 2011.04b (NATIONAL CENTER FOR HEALTH STATISTICS. considerando a alimentação no dia anterior em casa e o consumo de alimentos na creche. abr. Bras. C. C. ROCHA. onde idade é igual a 20 anos do National Center for Health Statistics (2000). SOUSA. considerando o preconizado pelo Ministério da Saúde (BRASIL 2002. estes também foram avaliados para estimar sua adequação às recomendações. Nutrire: rev. D.SOUSA. 2006). FRANCESCHINI.. 36. tamanho de medidas caseiras e estimação das porções) e obter resultados mais confiáveis (CAVALCANTE. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. 111-126. 2007). ponderando que a alimentação nas creches deve suprir.= J. WORLD HEALTH ORGANIZATION. segundo a faixa etária da criança em cada creche. considerando os parâmetros da Organización de las Naciones Unidas para la agricultura y la Alimentación (2001). Foi estimada a adequação das recomendações de energia. A digitação dos dados foi realizada com dupla entrada e após o término da digitação. D. foram considerados os índices estatura/idade e peso/estatura. utilizando o programa WHO Anthro 2005 versão beta. 1. Durante a aplicação do recordatório de 24 horas foi utilizado o álbum de registros fotográficos com o fim de diminuir erros (viés de memória. 2000). Para o caso do sobrepeso/obesidade. As medidas de peso e estatura foram tomadas nas creches no momento em que as mães deixavam ou pegavam as crianças. 2000. A. No caso dos cardápios oferecidos nas creches. v. C. Os cálculos para quantificar o valor energético total da dieta e de macronutrientes foram realizados com o auxílio do software Virtual Nutri. calculado pela razão entre a massa corporal (em kg) e a estatura (em metros) ao quadrado. Para a avaliação do estado nutricional. 2004). P. Food Nutr. 6. A avaliação do consumo de alimentos na creche baseou-se no cálculo do valor nutricional dos cardápios do dia da avaliação oferecidos nas creches (sugeridos pelo núcleo de creches: um cardápio para cada dia da semana.. estadiômetro e cabeça no plano de Frankfurt). 2004). p. FIGUEROA PEDRAZA.. PRIORE. Esse valor corresponde ao percentil 5 da relação estatura para idade. assumindo que a essa idade perde-se a capacidade de crescer (segundo a OMS. visto que nas mesmas as crianças recebem duas refeições (desjejum e almoço) e um lanche diariamente. considerando a quantidade de alimento pronto servido. os dois bancos de dados foram cruzados com a utilização do aplicativo Validate do programa Epi Info v. Foram consideradas com déficit nutricional todas as crianças que apresentaram índices dois escores z abaixo do valor mediano da população de referência (<-2 escores z como ponto de corte para classificar déficit nutricional).0cm. 50% das necessidades nutricionais diárias. Nutr. 116 . no mínimo.. P. Soc. O índice de massa corporal (IMC). também foi utilizado para a classificação do estado nutricional materno empregando os pontos de corte indicados pela World Health Organization (1995).. Alim. SP. n. A baixa estatura materna foi definida pelo ponto de corte 155. e a adequação da distribuição percentual dos macronutrientes em relação ao valor energético total. M. C. foi considerado o índice peso/ estatura dois escores z acima da referência. mudando de um mês para outro). Brazilian Soc. A avaliação do consumo de alimentos foi realizada por recordatório de 24 horas. comparados com o standard de crescimento infantil da OMS (ONIS et al.

condições de saúde e consumo de alimentos. α = 0. baixo peso e sobrepeso/obesidade) e a associação com as características biológicas das crianças. respectivamente. A perda de peso e os estados febris foram os outros sintomas de maior importância em relação aos processos infecciosos. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. Alim.1%).7%) e adequação da participação dos macronutrientes no valor energético total.133-07.1%) quando comparado com as meninas (5.= J. C.05.SOUSA. SOUSA.2%) meninas. 117 . P. A tabela 1 apresenta a distribuição das crianças segundo o estado nutricional (déficit de estatura.1% das mães tinham menos de 20 anos. D. 111-126. para a maioria das crianças. M.. O percentual de meninas e meninos que apresentaram déficit de crescimento linear foi de 7.2%). protocolado sob o número 4232. n. ROCHA. adequação energética (71.6% e 7.4%). Por sua vez. Nutrire: rev..9% com déficit de estatura e 35. 2011.6% da população afetada. 1. abr. sendo devido ao não comparecimento das mães ou pessoas responsáveis pelas crianças. Todas as diretrizes éticas da Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde foram contempladas e o projeto maior foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba.0. A maior parte das mães entrevistadas obteve expressos percentuais no que se refere a cuidados durante a gravidez: suplementação com sulfato ferroso (84. 36. Bras. como variável dependente. RESULTADOS Da amostra de 365 crianças. Food Nutr. os resultados evidenciaram. possibilitando assim verificar a consistência dos dados e gerando o banco final que foi usado para análise estatística. C.1%. D.23% de sobrepeso/obesidade.. A avaliação do estado nutricional segundo os índices antropométricos apontou prevalências de 7.9% com sobrepeso/obesidade.9%) e três o mais consultas de pré-natal (91. p. os pais foram contactados para esclarecimentos acerca do estado de saúde das crianças e correspondentes orientações nutricionais.05).. referindo o consumo de alimentos. Os dados que abordam aspectos relacionados com a situação de saúde da criança revelaram que os problemas respiratórios apresentaram destaque no contexto dos processos infecciosos. A distribuição por sexo foi de 197 (55.13% de baixo peso e 6. SP. no momento da coleta de dados ou por recusas para participar. FIGUEROA PEDRAZA. Brazilian Soc. Nutr. <-2z = 1).36% de déficit de estatura. Para o caso do índice peso/estatura. A. Para analisar a influência das variáveis no estado nutricional (déficit de estatura. Soc. A identificação de diferenças entre proporções foi realizada através do teste de qui-quadrado de Pearson. v. As análises estatísticas foram realizadas utilizando-se o programa SPSS. O nível de significância estatística considerado foi de 5% (p< 0. sendo 68.8%) meninos e 156 (44. a prevalência de sobrepeso/obesidade foi maior entre os meninos (7. registrou-se um total de 12 perdas. Quanto aos antecedentes maternos (Tabela 2). sobrepeso/obesidade) foi considerado (y) = estatura/idade ou peso/ estatura (≥ -2z = 0. imunização com vacina antitetânica (88. nota-se que 5. P. São Paulo. o baixo peso só foi encontrado em crianças do sexo feminino. 1. Após o resultado do estado nutricional. 43. C.000. C.

3 92.6 6. C.148 0.3 6.0 14.1 85. v.4 71.9 87.5 89.4 55.6 0.1 8.9 7.4 92.9 0.4 95. P.9 6. D.5 7.2 85. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. p.5 84.8 7.8 5. Paraíba.021 50.4 5.0 92.6 0.106 93. São Paulo.7 5.4 94. 1.1 <0.9 0.004 93.476 89.7 0.7 4.9 92.0 10.2 0.1 47.303 91.7 8. condições de saúde e consumo de alimentos).7 <0.8 44.6 6.1 4.9 0.0 82.3 94.6 0.3 0.9 14.1 10.183 1.0 0.0 5.5 10. FIGUEROA PEDRAZA.0 8.0 10.4 36. P. 111-126.8 2. segundo o estado nutricional e características das crianças (biologia humana.0 92.365 93. Soc.841 0.0 0.1 93.0 0. abr.2 15.9 91.3 50.923 3.8 85.362 0.0 85.6 6.544 0.0 22.5 14.9 14. C.2 9.7 3.0 0.3 7.8 4.0 7.3 0.4 28.5 95.5 24..1 92.5 9.7 18.1 10.5 92.0 89.1 10.4 93.2 95.0 1.4 3. Alim.0 41.2 1.2 5.0 1.7 68.8 11.5 7.0 0.6 6.1 0.2 24.0 0.6 99.1 8.6 93.3 0.6 92.4 7.0 94.8 0.2 27.324 100.0 0.0 4.9 0.0 8.4 0.0 11.7 0.1 78. 2008 ESTATURA/IDADE Déficit de Estatura Total estatura adequada (n = 26) (n = 327) (N=353) % % % 197 156 9 85 259 321 25 7 248 98 7 32 304 17 50 303 2 351 128 225 242 111 100 253 64 247 42 39 166 148 51 253 49 55. A.1 94.5 7.1 6.8 6. 2011.7 5.5 0.7 13.0 100.6 100.3 93. ROCHA.2 93.6 7.4 3.0 70.853 92.004 PESO/ESTATURA Baixo Peso Sobrepeso/ peso adequado obesidade (n = 4) (n = 327) (n = 22) % % % 0.2 0.0 18.3 90.8 0. n.8 0.9 91.0 14.1 2.5 0.9 6.001 1.0 92.215 90.1 86. 118 .9 0.3 96.596 89.4 11.0 91.8 87.1 5.003 0.9 12.0v 2.2 7. Food Nutr.4 90. D.3 63.1 0.1 73.1 70.2 2.0 14.2 0.002 22.3 95.0 93.6 94.6 89.0 6.0 79.1 9. Brazilian Soc.6 0.7 94..0 7. C.2 0.1 0.0 0.0 9.9 11.365 1. 36..4 6.869 93.9 7.1 93.3 0.0 92. Nutrire: rev. C.8 76.2 89.004 1.021 81. SP.. VET: Valor Energético Total.1 1. Tabela 1 – Distribuição das crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba.3 93.3 71.061 * Condição referida nos 15 dias anteriores à entrevista.2 0.6 7.8 1. SOUSA.= J.001 VARIÁVEIS p p Sexo Masculino Feminino Idade da criança (meses) 6 – 12 13 – 36 37 – 72 Esquema de vacinação Completo Incompleto Sem informação Suplementação com vitamina A Sim Não Sem informação Peso ao Nascer Baixo (<2500 g) Normal Sem informação Diarreia* Sim Não Sangue nas fezes* Sim Não Febre* Sim Não Problemas respiratórios* Sim Não Adequação de energia Inadequado Adequado Participação dos Carboidratos no VET Inadequado abaixo Adequado Inadequado acima Participação das Proteínas no VET Inadequado abaixo Adequado Inadequado acima Participação dos Lipídios no VET Inadequado abaixo Adequado Inadequado acima 0.4 0.8 100.0 0.4 4. Nutr.5 93.6 31.7 5.9 90. M.6 4. Bras.4 100.SOUSA.6 0.

3 9.3 9.0 1. 1.7 0.0 93.6 91.0 5.0 0.843 121 120 89 18 5 155 190 8 33 94 199 19 8 34.9 0.3 80.6 95.415 1.0 66.214 1.6 5. abr.0 100.2 100.1 7.4 43.0 cm) Normal Sem informação IMC da mãe (Kg/m2) Obesidade (≥ 30) Sobrepeso (25 |– 30) Normal (20 |– 25) Baixo peso (< 20) Sem informação * Condição referida durante a gravidez.4 0.1 1.8 6.5 0.2 75.0 7.0 100.5 72.3 25.5 0. v. Bras.3 0.4 13.0 % 0.0 91.072 87.0 0. C.9 0.8 9.2 100.0 1.6 94.5 91. P.0 84.4 5.701 93.9 53.0 1. Brazilian Soc.007 0.0 85. 36.5 % 0.7 94.8 2.7 13.0 5.4 100.2 0.8 93.8 8.0 94.0 95.0 8.0 96.4 2.0 0.1 0.2 83.5 94.0 0.8 90.695 92.9 92.9 0.5 100. Tabela 2 – Distribuição das crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba.0 5.0 91.9 8.3 26.4 3.0 1.3 5.1 0.0 12.3 91.0 0.521 1.0 3.0 0. C.0 10.5 92.0 0.9 7.609 95.0 0.6 93.1 0.2 7. p. A.3 0.00). ROCHA.= J.0 15.0 11. P.3 4.1 83.0 0.8 2.2 6.2 5. Nutrire: rev.7 4. C.9 7.5 0. Nutr.3 34.894 0.3 0.0 6.5 84.044 87.1 88.3 5.0 4.0 33.4 8.0 93.8 5.2 100.1 7.0 94.0 84.9 5. 111-126.4 1.0 6.9 11.0 4.0 15.320 0.3 7.1 0.0 14. FIGUEROA PEDRAZA.2 1. 119 ..0 0.3 88.1 92.6 0.147 0.5 0.6 1.8 0.1 0...8 91.0 1.0 25.0 92. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. SM: Salário Mínimo.0 0.0 1.6 20.950 p PESO/ESTATURA Baixo Peso Sobrepeso/ peso adequado obesidade (n = 4) (n = 327) (n = 22) % % % 0.2 7.321 p (N=353) Renda familiar per capita1 >= 1 SM 1/2 SM ≤ Renda/pessoa < 1 SM < 1/2 SM Sem informação Número de cômodos no domicílio <3 >= 4 Nº de indivíduos por domicílio >= 6 <6 Bolsa família Não recebe Beneficiário Sulfato ferroso* Sim Não Sem informação Vacina antitetânica* Sim Não Sem informação Três o mais consultas de pré-natal* Sim Não Sem informação Idade da mãe (anos) >= 30 25 ≤ Idade < 30 20 ≤ Idade < 25 < 20 Sem informação Estatura para idade da mãe Baixa (< 155.3 0.9 100. 1 Considerando o valor do salário mínimo da época (R$416.7 75.5 7.0 0.7 92.8 25.4 95.0 94. Alim.0 6.0 8.0 0. D.4 0.0 6.2 90.6 56.4 0. segundo o estado nutricional e outras variáveis de estudo (características ambientais e antecedentes maternos).0 4.5 6.4 6.SOUSA.696 97 256 189 164 298 47 8 314 31 8 322 24 7 27.233 94.5 80.0 92.5 92.046 89.2 91.001 4 50 296 3 69 284 100.6 94.0 0. D.8 92. São Paulo. n.2 6.5 100.0 92. 2011.8 92.8 19.2 7.7 94.3 100. Soc.0 86.8 92. SOUSA. Food Nutr.1 14.5 46.0 0.0 0.0 0. M.0 0. 2008 ESTATURA/IDADE VARIÁVEIS Total Déficit de Estatura estatura adequada (n = 26) (n = 327) % 1.3 2.901 0.4 5.3 87.5 53. SP.0 0.8 2.5 100.5 0.0 4. Paraíba.. C.

004). Em seu estudo.044) e renda familiar per capita (p = 0.2%) seguido pelo sobrepeso (5. adequação dietética de proteínas (p= 0. D. 11. p. P. esquema de vacinação (p = 0.0%).021). Estes resultados manifestam a tendência de outros estudos em contextos similares. 1.004). 2008) indicam que 7.9%). DISCUSSÃO Avaliar o estado nutricional de crianças implica na análise da situação alimentar.001).046). Nutr.0% e 0. C.004) e adequação dietética de lipídios (p = 0. D.001).. FIGUEROA PEDRAZA. comprimento/idade e peso/comprimento. Alim. abr. Nutrire: rev. sendo baixa a prevalência de crianças com emagrecimento (0. C. respectivamente. Alencar et al. No presente estudo. sangue nas fezes (p = 0.. A média da renda familiar foi de 2. C. A. peso ao nascer (p = 0. Os dados referentes à Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (CENTRO BRASILEIRO DE ANÁLISE E PLANEJAMENTO. SOUSA. Na análise estatística (Tabelas 1 e 2). foram encontradas nas variáveis: idade da criança (p<0. assim como variáveis indiretas da capacidade das mães ou responsáveis pelas crianças para prestar cuidados. 2000). estatura materna (p = 0. 36. SP. idade da mãe (p = 0. A população estudada apresentou uma alta prevalência de má nutrição. de saúde e dos cuidados.5 salário mínimo. suplementação com vitamina A (p = 0.8%. São Paulo.SOUSA.6% para os índices peso/idade. 2011. sendo que 83. Nesse esquema. de cuidados inadequados da mãe para com a criança. Em relação às variáveis para medir as condições socioeconômicas.001). sendo a mais importante manifestação da desnutrição energético-proteica na população brasileira infantil. Soc. descrevem-se variáveis relacionadas com as condições de saúde e adequação energética que influenciam o estado nutricional de crianças. C.5%). Bras. os fatores que se associaram de forma estatística ao déficit de estatura foram: esquema de vacinação (p = 0.9% das crianças pertenciam a famílias com renda familiar per capita abaixo de 0.5%) e com menos de seis pessoas por domicílio (72. Sugere-se que o esquema “alimento-saúde-cuidados” seja utilizado como instrumento analítico da interação dos vários determinantes da desnutrição. 111-126. 120 . P. v. ROCHA. assim como em outros estudos locais e nacionais.. adequação dietética de carboidratos (p<0. (2003) constataram que a avaliação do estado nutricional das crianças aos 12 meses de idade revelou percentual de déficit de 6.002). Lira et al. M. (2008) obtiveram em seu estudo sobre a desnutrição infantil no Estado do Amazonas percentuais superiores de inadequação no índice estatura/idade (17%). n. e de serviços de saúde deficientes (MONTE. a desnutrição infantil é mostrada como resultado de dieta inadequada e doenças que resultam de falta de segurança alimentar. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. os dados destacaram que a maior parte das crianças residia em ambientes favoráveis indicado por frequências maiores de moradia com quatro cômodos ou mais (80. Food Nutr.= J. número de cômodos no domicílio (p = 0.. Os resultados encontrados no estudo de Zöllner e Fisberg (2006) evidenciaram que o déficit nutricional mais prevalente foi o estatural (5.0% das crianças brasileiras apresentam déficit de estatura.76 salários mínimos.021). Para o caso do baixo peso e o sobrepeso/ obesidade diferenças estatisticamente significativas. Brazilian Soc.007). sendo o déficit linear e o sobrepeso/obesidade os mais prevalentes.003).

C. 2007. reduzindo-se progressivamente nas idades posteriores.. Food Nutr. A distribuição das crianças por sexo evidenciou uma maior proporção de déficit de peso entre as meninas quando comparado com os meninos.. pois neste observou-se associação estatística entre a idade da criança e o déficit linear. 2007). Nutr. Bras. em geral. Outros estudos corroboram com os resultados encontrados. 2004). ROMANI. a faixa etária da criança esteve associada estatisticamente com o índice peso/estatura.SOUSA. quando comparado com o peso adequado ao nascimento em crianças menores de dois anos do Estado da Bahia (OLIVEIRA et al. Alim.. Diversos autores apontam resultados similares. Da mesma maneira que o peso ao nascer pode repercutir no crescimento infantil. as maiores prevalências de déficit de estatura foram encontradas nas faixas etárias de 12-35 meses com valores de 19. respectivamente.. 1. ações preventivas como as imunizações também repercutem no crescimento e desenvolvimento infantil por sua importância no sistema imune e na resistência às infecções (ROMANI. mais susceptíveis que as meninas às condições desfavoráveis de vida. atingindo especialmente as crianças menores de 24 meses.8% para meninos e meninas.5%. (2008). O estudo de Fisberg. Para o caso do sobrepeso/obesidade a pesquisa apontou a faixa etária de 36-59 meses com valores mais prevalentes (14.. LIRA. A condição de nascer com peso inferior a 2500 gramas se constitui um expressivo fator de risco relacionado ao crescimento e desenvolvimento. e em crianças pré-escolares da Bahia e de São Paulo (OLIVEIRA et al. A Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (CENTRO BRASILEIRO DE ANÁLISE E PLANEJAMENTO. Na Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (CENTRO BRASILEIRO DE ANÁLISE E PLANEJAMENTO. Constatou-se que a maioria das crianças (90. 2004). SP. a frequência do retardo de crescimento mais do que duplicou do primeiro para o segundo ano de vida. Brazilian Soc. 111-126.. C. 2011. Soc. diferente do encontrado no presente estudo. dificultando a amamentação dessas crianças e tornando-as mais vulneráveis à ocorrência de doenças infecciosas frequentes (principalmente diarreia e infecções respiratórias). Com relação à faixa etária. D. O baixo peso ao nascer mostrou-se altamente associado com o déficit no crescimento linear. por ser um fator associado com o desenvolvimento de doenças infecciosas. P. com respeito ao retardo do crescimento linear. 2010). P. observou-se que o déficit de estatura e o sobrepeso/obesidade ocorreram com maior frequência em crianças cujas idades variaram entre 13-36 meses para o caso da estatura e entre 6-12 meses para o sobrepeso/obesidade.= J. O contrário aconteceu para o sobrepeso/obesidade e para o déficit de estatura que resultou em maiores prevalências no sexo masculino. 2008) indicou prevalência de déficits de estatura/idade de 8..5%). em crianças de 4 meses a 6 anos de idade residentes em favelas da cidade de Maceió (SILVEIRA et al. LIRA. 36. repetidas e prolongadas com sequelas de fundamental importância.7%). FIGUEROA PEDRAZA. quando alcançou seu pico (12. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. C. C.. D. v.1% e 5. 2006). Similar resultado ocorreu no estudo de Vitolo et al. sendo a chance de baixa estatura maior para a faixa etária de até 36 meses (10. Marchioni e Cardoso (2004) encontrou associação entre a idade da criança e o déficit de crescimento linear.3%). os meninos são. n. conduzindo à morte (ROCHA et al.9%) tinha completado o esquema de vacinação 121 . p. Nutrire: rev. abr. Além disso. M. 2008). O peso ao nascer se mostrou estatisticamente significante para o índice estatura/idade. São Paulo. Guimarães e Barros (2001) referem que. muitas vezes. SOUSA. A. Assim. ROCHA.

. A alta prevalência de déficit de estatura encontrada nas mães do presente estudo e a forte associação encontrada entre a baixa estatura da mãe com a da criança. quanto com o índice peso/estatura. v.. n. se mostrou estatisticamente significante tanto com o índice estatura/idade.. Apesar de que a adequação energética e o aporte de macronutrientes no valor energético total da alimentação não mostraram associação estatística com o índice estatura/ idade. OSÓRIO. 2007). P. o patamar de renda per capita situado em <1/2 do salário mínimo. São Paulo. FIGUEROA PEDRAZA. associou-se ao déficit do índice estatura/idade. entretanto sem associação estatística. OLIVEIRA et al. encontraram resultados similares ao avaliar a associação entre o déficit de estatura e a presença de morbidade nos 15 dias anteriores à entrevista. 1. A. faz-se necessário o desenvolvimento de pesquisas que possibilitem o fornecimento de dados suficientes para a avaliação de impacto do programa (VIANNA. Alim. colocando as crianças que vivem nesse nível de pobreza em condição de alta vulnerabilidade para o déficit estatural. O crescimento infantil é um evento altamente sensível às condições do ambiente social e econômico em que vive a criança e sua família. constituindo..= J. A condição de pobreza. Food Nutr. o que explica a produção do déficit no crescimento linear das crianças no presente e em outros estudos (OLIVEIRA et al. a inadequação dos carboidratos. também 122 . (2006) e Oliveira et al. C. SOUSA. os resultados apontam maior frequência do benefício entre as crianças que apresentaram déficit de crescimento linear. D. (2007). Oliveira et al. C. Esse patamar de renda limita também o acesso a bens e a situação de moradia. abr. seguramente restringe o poder de compra e a satisfação das necessidades materiais de vida. O número de cômodos no domicílio foi a variável que expressou de forma significativa esta associação no estudo em questão. avaliada pela renda per capita das crianças envolvidas neste estudo. M. Brazilian Soc. 36. proteínas e lipídios no valor energético total da alimentação se mostraram associados estatisticamente com o índice peso/estatura. 2007). Nutr. Para um melhor entendimento. as intercorrências infecciosas (especialmente diarreia e as infecções respiratórias) pertencem ao grupo de fatores conhecidamente associados à desnutrição e quanto maior a frequência e a gravidade dos episódios. Bras. SEGALL-CORRÊA. mesmo que seja indicadores indiretos do estado nutricional. Esses resultados reforçam a importância do padrão alimentar de energia e de macronutrientes no desencadeamento dos déficits ponderal e estatural.SOUSA. indicando a importância epidemiológica destes determinantes básicos na conformação do estado de saúde e nutrição na infância.. C. Isto pode ser analisado de duas maneiras diferentes: o direcionamento não adequado dos recursos envolvidos ou reduzida efetividade das ações. 111-126. 2011. (2008). (2007). Referente aos programas sociais de complementação de renda. aos doze meses de idade e que a variável em questão. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. p. 2008).. D. especificamente o benefício da bolsa família. P. o primeiro indicador de risco nutricional (MENEZES. da mesma forma que o estudo de Oliveira et al. Soc. maior o efeito deletério sobre o estado nutricional da criança. C. Para Santos et al. Nutrire: rev. ROCHA. SP. 2006. Assim. Maiores prevalências de desnutrição foram encontradas nas crianças do presente estudo com problemas respiratórios e que apresentaram episódios de diarréia.

2010). p.. TORAL. 2008. foram resultados de outros estudos com populações em risco de fome crônica (MARINHO et al. centrado no ciclo da desnutrição infantil. SILVEIRA et al. obesidade e comorbidades na vida adulta. 2010). 2007. MARINHO et al. Food Nutr. levando à desnutrição fetal. é evidente que tanto a informação genética e as condições socioeconômicas e ambientais oferecidos por parte dos pais são transmitidas e têm impacto sobre o estado nutricional de seus filhos. P. FIGUEROA PEDRAZA. São Paulo. A correlação positiva quanto ao estado nutricional de pais e filhos. pois o crescimento e desenvolvimento infantil é um processo dinâmico e de rápidas mudanças. C. 2007. C. M. D.= J. É importante ressaltar que estes estudos também coincidem na ausência de associação entre a obesidade da mãe e o déficit estatural das crianças. no intuito de ter resultados que pudessem expressar melhor a alimentação da criança (o rejeite insignificante da 123 . como importante indicador de maior severidade de déficit estatural entre as crianças. a alternativa encontrada foi avaliar também os cardápios da alimentação que a criança recebe na creche. Nutr. Brazilian Soc. D. condicionada por compartilharem tanto informações genéticas quanto condições socioeconômicas e ambientais. a principal limitação do presente estudo. processo iniciado ainda no período intrauterino (COUTINHO. Estudos prospectivos representam uma melhor possibilidade de proporcionar elementos para um entendimento mais adequado e concepção mais consistente das possíveis ações a serem implementadas.. sejam um dos principais determinantes desta observação. no Brasil. cabe ressaltar que os resultados de estudos descritivos conformam uma linha de base para a análise do crescimento infantil... Do ponto de vista metodológico. Alim. mais especificamente da mãe. 2011. torna-se importante a complementação dos dados com estudos longitudinais. Destarte. Considerando os resultados acerca dos agravos nutricionais mais prevalentes nas creches do Estado. v. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba.. Esses resultados enfatizam a estatura dos pais.. C.. abr. 1. Porém. n. GENTIL. SILVEIRA et al. SOUSA. A necessidade de maior quantidade de estudos e de forma continuada sobre o déficit de estatura e o sobrepeso/obesidade centra-se no fato desses agravos constituírem as características antropométricas mais representativas das afecções do crescimento infantil. esteve coligada com as atividades correspondentes à avaliação do consumo de alimentos. Porém. baixa estatura. ROCHA. permitem presumir que os agravos nutricionais na gestação. a distribuição e principais fatores de suscetibilidade. C.. Bras. Soc. fato que foi totalmente impossível por questões financeiras e pela não disponibilidade das mães para um segundo encontro. P. destacando a magnitude do problema. SP. 111-126. estas instituições podem estabelecer um sistema simples de vigilância alimentar e nutricional que forneça subsídios para promover intervenções nutricionais adequadas. Esse representa um dos principais dilemas da saúde pública contemporânea.SOUSA. deve ser considerado que as creches oferecem a possibilidade das crianças desnutridas ou em risco nutricional serem facilmente identificadas e monitoradas. A proposta inicial era de aplicar o questionário de recordatório de 24 horas por três vezes. Nutrire: rev. importante a ser considerada no desenvolvimento de outros similares. Assim. espera-se contribuir com as discussões e o conhecimento sobre o processo de crescimento infantil. Portanto. Sendo assim. 36. A.

Considerando que. Nutr. SILVA. segundo Menezes e Osório (2007). Soc. método que garante melhores resultados do consumo alimentar de crianças assistidas em creches (CAVALCANTE. de. FRANCESCHINI. 2004). SOUZA.= J.. C. implicando em longos tempos de trabalho de campo e em altos custos financeiros.. Guia alimentar para a população brasileira.. E. A. PRIORE. ESTEVES. fica evidente a necessidade de contar com questionário de frequência de consumo alimentar validado para crianças menores de cinco anos (CAVALCANTE. C. M. sendo utilizado como alternativa a avaliação dos cardápios. 2004. M. REFERÊNCIAS/REFERENCES ALENCAR. constituindo condições que devem ser consideradas na formulação e/ou reformulação das ações de saúde e nutrição correspondentes e no monitoramento dos principais fatores de risco. Ministério da Saúde. B. K. 1.. 111-126. p. T. Brasília: Ministério da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde. saúde pública. Assim. dez. SP. 124 . p. A pesagem direta dos alimentos.. C. a avaliação da ingestão de alimentos por um único recordatório de 24 horas tende a subestimar em até 30% o consumo de energia. 36. 38. A. F. L. MENDONÇA... C. FIGUEROA PEDRAZA. SLATER. F. A. Magnitude da desnutrição infantil no Estado do Amazonas/AM . M. Nutrire: rev. D. Acta amaz.. atribuindo-se isso à importância da alimentação nas creches de crianças cuja família apresenta problemas de acessibilidade aos alimentos). v. Anemia e obesidade: um paradoxo da transição nutricional brasileira. Brazilian Soc. posteriormente conferido pelos entrevistadores por observação durante o trabalho de campo. SANTOS.SOUSA. 2008. 2002. Suplemento 2. C. Acredita-se que este fator somado à avaliação da alimentação oferecida nas creches (cardápios) possa ter contribuído de maneira positiva na diminuição de possíveis vieses. Avaliação do pr ograma bolsaalimentação: primeira fase. W. M. MIGLIOLI. 2011. v. M. F. V. alimentação oferecida nas creches foi referido pelas diretoras e merendeiras das creches e. Cad.. H. ROCHA. não foi utilizado no presente estudo devido à grande quantidade de dados a serem coletados. CONCLUSÕES Baixa estatura e sobrepeso/obesidade foram os principais desvios antropométricos observados neste trabalho. BRASIL. FRANCESCHINI. dos. 2004). 4. Bras. O. v. 701-706. em comparação com outros métodos. BATISTA FILHO. Departamento de Atenção B á s i c a . PHILIPPI. abr. P. principalmente de cunho transversal e em população infantil. Food Nutr. 2006. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba.Brasil.. p. YUYAMA. conduzido e supervisionado por uma nutricionista. SOUSA. Alim. _______. Guia alimentar para crianças menores de dois anos. Brasília: Ministério da Saúde. A. RODRIGUES. S247-S257. Secretaria de Atenção à Saúde. P.. n. PRIORE. 24. Considerando que existem poucos estudos que indicam o questionário de frequência de consumo alimentar para estudos em crianças. o recordatório de 24 horas continua representando o mais apropriado para estudos populacionais. n. 2004.. São Paulo. COLUCCI. _______. I. houve preocupação em preservar a qualidade dos dados através da padronização do trabalho. 2008. D. C.

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FALSARELLA.. ANA MARIA DIANEZI GAMBARDELLA3 1Docente do curso de Nutrição da Universidade Federal de São Paulo – campus Baixada Santista.Artigo original/Original Article Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo Validity of weight and height informed by adult women in the city of São Paulo ABSTRACT FRUTUOSO.br Departamento de realização do trabalho: Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo 127 . SP. 1. Validity of weight and height informed by adult women in the city of São Paulo. F.Brasil CEP 11060-001 ffrutuoso@yahoo. M. 2011. as the values present high agreement and validity. Nutr. The analysis of maternal education and per-capita income showed no differences for the nutritional status classification. abr.com. thus showing a high correlation between BMI values. Food Nutr. n. p. Anthropometry. GAMBARDELLA.. MARIA FERNANDA PETROLI FRUTUOSO1. Nutrire: rev. Body Mass Index. D. with a high sensibility and specificity. Height. Endereço para correspondência: Maria Fernanda Petroli Frutuoso Departamento de Ciências da Saúde da Universidade Federal de São Paulo – campus Baixada Santista Av. 36. P. A. This study aimed to evaluate the validity of weight and height values selfreported by women in the city of São Paulo. FERNANDA ÁVILA FALSARELLA2.SP . 2Universidade de São Paulo Faculdade de Saúde Pública – Departamento de Nutrição. A. Alim. Brazilian Soc. Soc. F. Ana Costa. The study used weight and height values which were self-reported by 167 mothers of public and private schools’ students in the city of Sao Paulo. M. Bras. São Paulo. Pearson coefficient of correlation and Bland-Altman analysis were used. 3Docente do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. It is possible to use the self-reported information of weight and height in similar populations.. The correlation between measured and informed weight and height values was 0. v. 95 Santos . A high agreement was found for overweight and obesity. 127-136.99. = J. To evaluate the differences between measured and self-reported values. Keywords: Body Weight. Sensitivity and specificity were used for agreement between self-reported and measured nutritional status according to the Body Mass Index (BMI).

127-136. v. La correlación entre los valores medido e informado. Palabras clave: Peso corporal. não apresentou diferenças.= J. n. GAMBARDELLA. abr. A. Es posible utilizar el peso y estatura autorreferidos en poblaciones similares. segundo escolaridade e renda per capita maternas. M. RESUMEN RESUMO El objetivo del estudio fue evaluar la validez de la información autorreferida de peso y estatura de mujeres en el municipio de São Paulo. Soc. madres de alumnos de escuelas públicas y privadas. porque los datos presentaron elevada concordancia y validez. 36. del municipio de São Paulo. utilizou-se coeficiente de correlação de Pearson e análise gráfica. em populações semelhantes. tanto de peso como de estatura fue 0. Estatura. São Paulo. Para avaliar as diferenças entre valores medidos e autorreferidos. evidenciando elevada concordância entre valores de IMC. Índice de Masa Corporal. Palavras-chave: Peso corporal. Brasil. A correlação entre valor aferido e informado. Os dados apontaram elevada sensibilidade e especificidade para o diagnóstico tanto de excesso de peso quanto de obesidade. mostrando una elevada concordancia entre los valores de IMC. Antropometría. Food Nutr.99. M. Estatura. 2011. Para evaluar las diferencias entre el valor medido y el valor autorreferido. P. SP. para a classifi cação do estado nutricional. no mostró diferencias para la clasificación del estado nutricional. D. p.. O estudo objetivou avaliar a validade das informações autorreferidas de peso e estatura em mulheres no município de São Paulo.. Fueron utilizadas informaciones autorreferidas de peso y estatura de 167 mujeres. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo. Nutrire: rev. se utilizó el coeficiente de correlación de Pearson y análisis gráfico. do município de São Paulo. Fue utilizada la sensibilidad y especificidad para evaluar el estado nutricional por medio del índice de masa corporal (IMC). Foram utilizadas informações autorreferidas de peso e estatura de 167 mães de alunos de escolas públicas e privadas. Índice de Massa Corporal.. Brazilian Soc. A análise. F. 128 . pois os valores apresentam elevada concordância e validade. Los datos mostraron alta sensibilidad y especificidad para el diagnóstico de sobrepeso y obesidad. F. SP. É possível utilizar as informações autorreferidas de peso e estatura. Antropometria. Utilizou-se sensibilidade e especificidade para avaliar a classificação nutricional a partir dos valores de índice de massa corporal (IMC). El análisis de la escolaridad y renta per cápita materna.FRUTUOSO. A. FALSARELLA. Alim. Bras.99. 1. Nutr. tanto de peso como estatura foi igual a 0.

da idade e das condições socioeconômicas do grupo estudado (FONSECA et al. p. A. Food Nutr. Fonseca et al. (2000) trabalharam com indivíduos idosos e adolescentes e detectaram maior diferença entre valores informados e aferidos nestas populações. superestimam a estatura (NIEDHAMMER et al.183 funcionários de um banco. geralmente. VILLANUEVA. GAMBARDELLA. quando comparadas aos adultos. Coutinho e Laurenti (1999) com 1. mesmo em ambientação anônima. em ambos os sexos. 2000.FRUTUOSO. Não observaram diferenças entre os valores aferidos e informados de acordo com idade. De acordo com Jeffery (1996).IMC. No entanto. Os extremos de idade parecem influir nos dados de peso e estaturas corporais. tendo encontrado elevada correlação entre valores aferidos e informados de peso (0. Bras. simplificando o trabalho de campo e favorecendo a economia de recursos em estudos epidemiológicos (CHOR. indivíduos com menor nível socioeconômico apresentariam menor acesso a obtenção desses dados e. verificou que homens e mulheres tenderam a subestimar o peso. em decorrência prestariam informações menos precisas. 1999).. com diferenças significativas segundo faixas etárias e escolaridade (FONSECA et al. segundo Nakamura et al. Em relação à estatura.= J. n.977) e de estatura (0. v. INTRODUÇÃO O peso e a estatura autorreferidos podem ser obtidos facilmente. além de tendência leve e uniforme à subestimação do peso e à superestimação da estatura informados. sendo sua validade dependente do gênero. Nível de renda e escolaridade podem limitar a informação correta sobre peso e estatura. São Paulo. A. SP. sugerindo limitação na sua utilização para idosos.. muitas parecem desconfortáveis e se negam a informar tal dado.713 indivíduos. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo. (1999). Soc. analisando dados de indivíduos norteamericanos acima de 20 anos de idade que participaram do NHANES III. o peso e estatura autorreferidos apresentam limitações. Alim. Kuczmarski. sendo 129 . Gunnell et al.. para utilização no monitoramento do estado nutricional. 2004). No que se refere ao diagnóstico nutricional a partir de informações de peso e estatura referidos. COUTINHO. 2001). os homens. 2011. verificaram elevada sensibilidade e especificidade. no que diz respeito à técnica e custo. renda e categorias de índice de massa corporal . Pesquisa realizada por Chor. selecionados entre funcionários nas carreiras técnico-administrativas de uma universidade. Brazilian Soc. Kuczmarski e Najjar (2001). esses mesmos estudos mostram concordância elevada entre os valores informados e referidos. F. as mulheres tendem a subestimar o peso. M.. Nutr. Nutrire: rev. F. D. abr.943). 1. 2004). P. com tendência de subestimar o valor do peso e superestimar o valor da estatura. M. estudos indicam elevada concordância entre peso corporal informado e aferido. escolaridade. 127-136. associadas inversamente à idade.. independente de idade e nível de escolaridade. Entretanto. porém. com maior concordância entre as mulheres do que entre os homens. FALSARELLA. LAURENTI. De fato. Em contrapartida. 36.. (2004) estudaram 3. o que pode ser corroborado pelo resultado de várias pesquisas.

v. 2006). Os autores afirmam. M. e participaram da validação dos dados referidos. solicitavam-se informações sobre a renda familiar. as diferenças médias entre medida e informação foram menores do que no caso isolado do peso.944 indivíduos que participaram do US Third National Health and Nutrition Examination Survey.FRUTUOSO. ainda. Ao se considerar o IMC. Brazilian Soc. O conhecimento da validade de informações referidas de peso e estatura. 2011. escolaridade.. escolaridade e IMC associam-se a valores não concordantes de peso aferido e informado. peso e estatura dos pais.= J. altura e IMC. tendo observado subestimação somente para mulheres. METODOLOGIA Este trabalho é parte de projeto (Fatores associados ao sobrepeso e obesidade de indivíduos de 8 a 18 anos de idade). JARDIM. estudo com população adulta da região Centro-Oeste verificou superestimativa da estatura tanto para homens quanto mulheres. quando necessários.. com sensibilidade e especificidade do IMC elevadas (PEIXOTO. para ambos os sexos. BENÍCIO. participantes da investigação. 127-136. Em relação à estatura. M. encaminhado junto ao termo de consentimento. Não foi possível validar as informações paternas dado ao baixo comparecimento da população masculina nas reuniões. Villanueva (2001) analisou dados disponíveis de 15. que as medidas aferidas e relatadas apresentaram alto grau de concordância. 167 estiveram presentes em reunião realizada nas próprias escolas. São Paulo. Dos 660 questionários. Nesse questionário. Food Nutr. SP. Todas as mães (n=660) foram convidadas pela escola para reunião de pais e destas.. para obtenção de estimativas aproximadas sobre o estado nutricional de populações e monitoramento de fatores de risco. bem como a criação de modelos de correção. Entretanto. P. em estudos epidemiológicos. D. Devido à escassez de estudos sobre a concordância de dados colhidos e informados referentes à população adulta brasileira. que teve como objetivo avaliar os fatores associados ao excesso de peso e obesidade de adolescentes. Soc. A. n. 36. Alim. Os dados para este estudo foram obtidos por meio de questionário enviado para as mães de todos os 660 adolescentes matriculados em uma escola pública e uma privada do Município de São Paulo. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo. GAMBARDELLA. fato influenciado pela idade. abr. Bras. as diferenças entre informação e medida foram irrelevantes. escolaridade. retornaram 499 completamente respondidos. verificaram melhor concordância para o peso que para estatura. investigando a validade do IMC. verificando que a idade. 130 . calculado por intermédio do peso e estatura informados para predizer o estado nutricional de adultos do Sul do país. este comportamento mais marcante entre os homens de peso mais elevado. Silveira et al. Nutrire: rev. F. o presente estudo teve como objetivo avaliar a validade da informação auto-referida de peso e estatura. p. A. FALSARELLA. é imprescindível para sua utilização. F. No Brasil. (2005). sugerindo a necessidade de correção destes valores referidos. 1. Nutr.

M.21) para referida e medida.4 salários mínimos. v. Comparando os dados das mães. respectivamente 66. Calculou-se a sensibilidade e especificidade do índice de massa corporal referido para classificação de mulheres com excesso de peso e obesidade. Conforme nota-se na tabela 1. ser o peso referido inferior ao medido. Para a mensuração do peso corporal. P.8cm (6. M.. Após a reunião foram realizadas as medidas de peso e estatura das mulheres para comparação com as medidas informadas. A. IMC ≥ 30kg/m2 obesidade. em relação ao IMC medido. (1988). que regulamenta as pesquisas envolvendo seres humanos e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo com protocolo número 421. Para estatura.0 ≥ IMC < 30. Foi calculado o teste t de Student pareado para análise das médias entre os grupos. Com base no valor do IMC calculado (peso/estatura 2 ) procedeu-se a classificação nutricional das mulheres de acordo com os critérios recomendados pela World Health Organization (1990).227kg. fixado em suporte de madeira. A correlação entre valor aferido e informado foi de 0. respectivamente. as médias (desvios padrão) do peso materno referido e medido foram.3cm (6. SP.24) e 66.99). 25. 2011. Na análise utilizou-se o programa Stata® 9. A figura 1 ilustra a elevada correlação entre as medidas aferidas e informadas. RESULTADOS A mediana de escolaridade das mães estudadas e a renda per capita familiar foi de 11 anos e 1. adotando metodologia proposta por Gordon et al.000). abr. A comparação dos valores referidos e medidos foi realizada por meio do coeficiente de correlação de Pearson e análise gráfica por Bland e Altman (1986). Realizou-se análise de variância para determinar as diferenças entre valores referidos e medidos segundo renda e escolaridade. no geral. Alim. Brazilian Soc. Nutr.0kg (10. Bras.. Todos os participantes assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido concordando com a participação neste estudo. com escala em milímetros. o que sugere. A diferença média observada foi 0.0kg/m 2 eutrofia. FALSARELLA. 131 . tanto para peso como estatura corporal das mulheres estudadas. A.5 ≥ IMC < 25.5kg/m 2 baixo peso. p. Soc. Food Nutr. GAMBARDELLA. foi utilizada balança eletrônica do tipo plataforma (Tanita®). sendo IMC < 18.99. as médias das variáveis apresentaram valores semelhantes entre os dados medidos e referidos para todas as variáveis estudadas.= J. 1. 36. 18. 127-136.53) e 160. O projeto de pesquisa está de acordo com as normas da Resolução 196 de 10/10/1996 do Conselho Nacional de Saúde. com capacidade para 150 kg e graduação em 100g e para a da estatura foi utilizado antropômetro (Seca®). sendo a diferença de estatura e IMC estatisticamente significantes (p<0. respectivamente. F. F. as médias foram de 161. Nutrire: rev. São Paulo. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo.0kg/m 2 excesso de peso.0.FRUTUOSO. D..3kg (9. n.

2011. São Paulo.0 161.0 (10.9 36. Alim.2 66. São Paulo (2009). F.4 160.0 103. indicando estatura aferida inferior à informada. v. M. GAMBARDELLA. São Paulo (2009) Variável Peso referido (kg) Peso medido (kg) Estatura referida (cm) Estatura medida (cm) IMC . M..7 (3. A.0 185.21) 24.8 0 0.99) 161.55) 25.53) 160.2 Valor máximo 105. D.3 (9.1 25.dados referidos (kg/m2) IMC . Food Nutr.2 145. P. Brazilian Soc. Conforme pode ser observado na figura 2.3 (6. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo..1 43.8 (6.0 66. abr.. SP.6 (3. 132 . 127-136. n.4 37.6 12 9 4. Bras. FALSARELLA. Nutr. Nutrire: rev.3 Diferença (peso aferido – peso referido) -5.53) 11 1. p. 1.4 18. Soc. F.0 145.= J.24) 66.0 183.dados medidos (kg/m2) Escolaridade (anos) Renda per capita (salários mínimos) Mediana Média (desvio padrão) 65. foi detectada elevada correlação entre a estatura medida e referida com diferença média de .9 18.468cm. 36.6 Média (peso aferido + peso referido)/2 104 Figura 1 – Diferença entre peso aferido e peso informado.9 24. A.0.FRUTUOSO. Tabela 1 – Distribuição das médias (desvio padrão) das variáveis estudadas.4 Valor mínimo 45.0 42.

F.7239 Figura 3 – Diferença entre IMC aferido e IMC informado. 2011. 133 .. Food Nutr. São Paulo (2009). 1. sendo maior em mulheres com dois salários mínimos ou mais (p = 0. tendem a subestimar o peso e superestimar a estatura. Bras. São Paulo. FALSARELLA.FRUTUOSO. Análise segundo a renda e escolaridade aponta que as mulheres com menor escolaridade (até ensino fundamental). Alim.04). F. sendo a diferença média entre valores aferidos e medidos de 0.. 2.04124 Diferença (IMC aferido – IMC referido) -2. Soc. Nutrire: rev. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo. M.30661 18. 36.2 Figura 2 – Diferença entre estatura aferida e estatura informada. Brazilian Soc.6904 Média (IMC aferido – IMC referido)/2 36. v. completo ou incompleto) superestimam tanto o peso quanto a estatura. 3 Diferença (estatura aferida – estatura informada) -3. enquanto as com maior nível de escolaridade (nível superior. 127-136. evidenciou-se elevada concordância entre valores de IMC (Figura 3). M.45 Média (estatura aferida – estatura informada)/2 184. São Paulo (2009). Os valores referentes à estatura foram superestimados em todas as classes de renda. abr. SP. n. Nutr.10001 145. A. P. Seguindo os achados para peso e estatura. Mulheres com renda per capita menor ou igual a um salário mínimo subestimam o peso em comparação àquelas que recebem dois salários mínimos ou mais.= J. A. D. p..234kg/m2. GAMBARDELLA.

(2000) estudando indivíduos de 56 a 78 anos. Brazilian Soc. v. F.5 40.0 Quanto ao baixo peso. Nutr. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo.2% de mulheres obesas segundo IMC informado e 11. Resultado semelhante foi encontrado por Fonseca et al. (2004) que detectaram elevada concordância entre a aferição e a informação do peso e da estatura em adultos de ambos os sexos.3 – 47. FALSARELLA. A. Para obesidade. medidos e referidos.5 38.7% de mulheres com excesso de peso segundo IMC referido e medido.= J. apontando. Conforme observa-se na tabela 2. São Paulo.4 n 86 64 17 167 % 51.2%) foram classificadas segundo IMC referido e nenhuma segundo IMC medido. respectivamente. p. uma vez que a diferença média entre os valores medidos e referidos foram de 0.3 88. 1. Food Nutr. abr. respectivamente. SP. baseado em peso e estatura autorreferido. P. DISCUSSÃO A comparação gráfica entre os valores de peso e estatura.3%. a sensibilidade e especificidade foram.FRUTUOSO. em ambos os sexos. apenas 2 mulheres (1. respectivamente. D. A análise.468.8 84.7 Total Obesidade n – 3 16 19 % – 15.2 100. 36.3% e 40. Nutrire: rev. verificou-se 38. GAMBARDELLA. Verificaram ainda. de modo geral.2 1. 88. São Paulo (2009) Medido Referido Baixo peso e eutrofia n Baixo peso e eutrofia Excesso de peso Obesidade Total 79 1 – 80 % 98.2% e especificidade de 99.9 Excesso de peso n 7 60 1 68 % 10. Gunnell et al. Alim. segundo escolaridade e renda per capita maternas.4% segundo o aferido. verificaram que a estatura autorreferida foi superestimada e o IMC.7 1.. F. Para o excesso de peso. para a classificação do estado nutricional. Tabela 2 – Distribuição (%) das mulheres estudadas com excesso de peso e obesidade segundo valores de índice de massa corporal referidos e medidos.227 e -0. 127-136.. M. não apresentou diferenças.3 10. 2011. A. n.2 11. tendência leve e uniforme à subestimação da informação do peso e a superestimação da estatura.2% e 96%. observou-se sensibilidade de 84. Bras. M. Soc. tendência de subestimar o peso e superestimar a estatura. Os achados apontaram 10. 134 . sugere elevada concordância entre as medidas informadas e aferidas na população estudada..

. De acordo com Jeffery (1996). n. Tal proposta consiste na apresentação gráfica da diferença entre as medidas contra sua média. sugerindo a possibilidade de utilização de informações referidas de peso e estatura para estudos populacionais. São Paulo. F. M. 2004). os dados apontaram elevada sensibilidade e especificidade para o diagnóstico tanto de excesso de peso quanto de obesidade. sendo a equação para peso: Peso referido = -0. FALSARELLA. v. possibilitando a verificação de tendências entre as duas medidas. estudos indicam elevada concordância entre peso corporal informado e aferido. 1. quando comparadas com suas respectivas aferições. F. Food Nutr.97 + 1. em decorrência. de peso e estatura das mães. Em relação à classificação nutricional. pelo fato de incluir apenas mulheres em idade adulta. os participantes não sabiam do objetivo de comparação entre os dados informados e mensurados. Apesar da boa concordância. 135 . Soc. Segundo Bland e Altman (1986). Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo. Uma das limitações deste estudo é a impossibilidade de extrapolação dos resultados para a população geral.. 127-136. além de depender do tamanho da amostra. P. A. Os autores sugeriram que os mais baixos e mais velhos tendem a superestimar a estatura. uma vez que esta pode ter influência nas variáveis antropométricas. M.= J. prestar informações menos precisas. tendência de subestimar o peso e superestimar a estatura. os dados antropométricos referidos e aferidos. A. Não houve fonte de erro importante neste estudo. uma vez que no momento de preenchimento do questionário. Entretanto.04 x estatura medida. Nutrire: rev. enquanto indivíduos com excesso de peso subestimam o peso. Em relação à estatura. com diferenças segundo escolaridade (FONSECA et al. sendo que a especificidade foi maior que a sensibilidade para ambas as classificações. 2011. Outra limitação consiste na falta da variável idade. o coeficiente de correlação aponta somente a força da relação entre duas variáveis e não sua concordância. indivíduos com menor nível socioeconômico poderiam apresentar menor acesso à obtenção desses dados e. especialmente na detecção das mulheres eutróficas.. estudos mostram concordância elevada entre os valores informados e referidos. Alim. 36.01 x peso medido e para a estatura: Estatura referida = -6. p.FRUTUOSO.07 + 1.. D. Bras. abr. no caso aferida e referida. Nutr. ressalta-se. GAMBARDELLA. pode-se concluir que as informações referidas de peso e estatura podem apresentar boa concordância e validade. foi subestimado. bem como no seu relato. de modo geral. independente do nível de escolaridade. A título de ilustração. CONCLUSÃO Com esses resultados. Brazilian Soc. com alta concordância especialmente entre as mulheres. foram utilizados para a formulação de modelos de correção. SP. fato que levou a utilização da proposta gráfica destes autores para a avaliação da concordância entre os dados.

2000. CHUMLEA. JEFFERY. HOSHINO. 3. G. LIMA. Rev. C. BONENFANT.. Recebido para publicação em 21/05/10. p. M. Alim. 8. 235-245. n. KUCZMARSKI. 34-76. 2011. YAMAMOTO. n. Geneva: World Health Organization. M.. 40. A. J. BLANE. M. 1111-1118. Nutr. I.. KUCZMARSKI. LAURENTI. PEIXOTO. FONSECA. D. ROCHE. BERNEY. P. F. 1986.. p. n.. p. saúde pública. F..FRUTUOSO. J.. E. Reliability of self-reported weight and height among state bank employees in Rio de Janeiro. L. D. L. D. Bias in reported body weight as a function of education. R. Diet. Validação do peso e altura referidos para o diagnóstico do estado nutricional em uma população de adultos no Sul do Brasil.. n.. J. Statistical methods for assessing agreement between two methods of clinical measurements. ant the prevention or chronic diseases. 1990. Lancet. B.. MARTORELL... 38. saúde pública. v. S...= J. BUGEL. p. R.. n.. A. Reliability of self-reported body height and weight of adult Japanese women. 6. GAMBARDELLA.. I. 2004. 31.. 1996. Bras. M. C. 11. M. recumbent length. A.. MAYNARD. GUNNELL.. 21. n. K. M. 4. LECLERE. 1065-1072. v. Rev. 136 . p. p. FRANKEL. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo. 1. weight and leg length reported by the elderly. FALSARELLA. H. E. n. D’A. and how closely are they related to measurements recorded in childhood? Int J Epidemiol. v. p. A.. SILVEIRA. Validade de peso e estatura informados e índice de massa corporal: estudo pró-saúde. Int J Obes Relat Metab Disord. 307-310. M. 392-398.. weight and body mass index: findings from the Third National Health and Nutrition Examination Survey. 16-23. J. D. 1999.. G. Addict Behav.. M. M. Y. A. R. ALTMAN. E. S. G. p. p. P. p. R. VILLANUEVA. LOPES. v. ROCHE. 2000. SMITH. and weight.. GORDON. 2001. SP. 1988. G. WORLD HEALTH ORGANIZATION. In: LOHMAN. S. D. C. health and weight concern. 3-8. p. p. Aprovado em 04/02/11. S. n. 2001. BENÍCIO. C. v. 2. BMC Public Health. n. 127-136. v. v. 2006. V. A. Validade do peso e da altura auto-referidos: o estudo de Goiânia. Effects of age on validity of selfreported height. F. v. saúde pública. 1. Anthropometric standardization reference manual. ARAÚJO. v. HOLLAND.. NAKAMURA. 2005. 101. T. J Biosoc Sci. M.. F.. BARROS.. v. D. 28-34. 36. Rev. The validity of self-reported weight in US adults: a population based crosssectional study. 1. 1988-1994.. M. 555-558. 217-212. GIGANTE. F. Champaign: Human Kinectis Books. NIEDHAMMER. 1. R. F. n.. CHOR. A. Soc. v. 24. p. 21. W. n. FAERSTEIN. Validity of self-reported weight and height in French GAZEL cohort. saúde pública. K.. Brazilian Soc. 456-464. CHOR. nutrition. São Paulo. 29. JARDIM. Stature.. C. P. Nutrire: rev. REFERÊNCIAS/REFERENCES BLAND. 1. 33. D. How accurately are height.. 3. KODAMA. COUTINHO. abr. Cad. C. J Am Diet Assoc. occupation. E. v. D.. P. 1999. W. 9.. M.. S. NAJJAR.. D. Food Nutr.

Alim. D2 showed a higher muscle mass gain. Both diets promoted weight and fat mass gain and positive nitrogen retention. both groups receiving a high-protein diet (1. muscle mass and nitrogen retention in young bodybuilders. abr. N. p. n. s/nº CEP 18618-970 Botucatu (SP) E-mail: burini@fmb. Nutrire: rev.. However. ROBERTO CARLOS BURINI2 1Universidade Federal de Sergipe. Muscle mass.. DE OLIVEIRA. 36. Brazilian Soc.unesp. Nitrogen Balance.Departamento de Saúde Pública. Núcleo de Nutrição 2Centro de Metabolismo em Exercício e Nutrição (CeMENutri) – Departamento de Saúde Pública – Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP) 3Pós-graduação pelo Departamento de Patologia – Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP) Endereço para correspondência: Roberto Carlos Burini UNESP Faculdade de Medicina .0 (D2). body weight. SP.3. R. Nutr.. Energy Intake. Thus. E. Food Nutr. ERICK PRADO DE OLIVEIRA2. Soc.br 137 . 1.. S. CeMENutri Distrito de Rubião Jr.0 (D1) and the other one receiving a dietary carbohydrate/fat ratio of 8. 137-150. nitrogen retention and biochemical analyses were assessed. P. 2011. one receiving a dietary carbohydrate/ fat ratio of 4. C. fat mass. R.Artigo original/Original Article Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento Effect of the dietary glycid/lipid calorie ratio on the nitrogen balance and body composition of bodybuilders ABSTRACT MENDES-NETTO. This was a prospective. MAESTÁ. BURINI. the higher carbohydrate/fat ratio resulted in a greater muscle mass gain. v. The aim of this study was to determine the effect of the carbohydrate/fat ratio on body composition. RAQUEL SIMÕES MENDES-NETTO1. São Paulo. randomized cross-over study with eleven voluntary males undergoing bodybuilding training. Effect of the dietary glycid/lipid calorie ratio on the nitrogen balance and body composition of bodybuilders. Protein Intake. Centro de Ciências Biológicas e da Saúde.5g protein/ kg/d). Bras. = J. Keywords: Resistance Exercise. NAILZA MAESTÁ2. The volunteers were randomly divided in two groups.

Brazilian Soc. Balance nitrogenado. sin embargo.5g/kg/d). R. abr. Ingestão de energia. SP. no entanto. 2011. Nutr. Palavras-chave: Treinamento de força. E.. MAESTÁ.MENDES-NETTO. sobre la composición corporal y retención de nitrógeno en jóvenes practicantes de entrenamiento de fuerza. p. ambos con dieta hiperproteica (1. Bras. R. randomizado cruzado. Balanço nitrogenado... 36.0 (D1) o 8.0 (D2). Soc. con 11 culturistas jóvenes del sexo masculino. 138 . Ingestión de energia. v. massa gorda.= J. randomizado cruzado. Massa muscular. P. S. El estudio fue prospectivo. N. Ambas as dietas promoveram ganho de peso e massa adiposa e positivação do balanço nitrogenado. ambos com dieta hiperproteica (1. retenção nitrogenada e análise bioquímica foram avaliadas. São Paulo. Foram formados dois grupos diferenciados por receberem relação calorias glicídicas/lipídicas de valor 4. Ingestión proteica. masa gorda. Palabras clave: Entrenamiento de fuerza. DE OLIVEIRA. O objetivo do estudo foi comparar os efeitos de duas dietas isopr oteica-isocalóricas diversificadas na proporção carboidratos e lipídios sobre a composição corporal e retenção nitrogenada de jovens praticantes de treinamento de força.0 (D1) ou 8. com 11 culturistas jovens do sexo masculino. O estudo foi prospectivo. retención de nitrógeno y análisis bioquímico.. Nutrire: rev. BURINI. Ingestão proteica. Alim.0 (D2). Se evaluaron masa muscular. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. 137-150. Fueron formados dos grupos diferenciados por recibir relación calorías glúcidos/lípidos de valor 4. Ambas dietas promovieron aumento de peso y de masa adiposa y el balance nitrogenado positivo. n. C. a dieta D2 resultou em maior ganho de massa muscular. Se concluye que la mayor relación calórica glúcidos/lípidos promovió un mayor aumento de masa muscular. RESUMEN RESUMO El objetivo del estudio fue comparar los efectos de dos dietas isoproteicas e isocalóricas. 1.5g/kg/d). con diversas proporciones de carbohidratos y lípidos. la dieta D2 provocó mayor aumento de masa muscular. Food Nutr. Conclui-se que a maior relação calórica glicídica/lipídica promoveu maior ganho de massa muscular.

p. DI MARCO.. Nutrire: rev. Isto porque a proteólise decorrente do esforço. 1992).. anabólicos como hormônio do crescimento (GH). 2011. em decorrência do aumento da glicose e insulina plasmáticas. 1997. DE OLIVEIRA. A combinação de carboidrato e proteína. 1999). 2001). VOLEK.= J. ROY et al. BURINI. 2000). 2009). insulin like growth factor 1 (IGF-1). O predomínio da síntese em relação ao catabolismo proteico muscular representa a base metabólica da hipertrofia. INTRODUÇÃO As necessidades proteicas e energéticas de praticantes de treinamento de força. Nutr. O aumento da síntese proteica ocorre em resposta ao catabolismo aumentado durante o esforço exaustivo (WAGENMAKERS.. (2008) sugerem a ingestão de 1. HULMI et al.. massa muscular e retenção nitrogenada de praticantes de treinamento de força.. Adicionalmente.. além de facilitar a entrada de nutrientes (glicose e aminoácidos). C. abr. P. 2008. antes e após a sessão do exercício. seguida do aumento da síntese de proteína. 2010. 137-150. avaliando ganho de peso corporal. E. 2003. Os carboidratos são maiores poupadores de proteínas do que as gorduras (ROY et al. LANGLEY. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento.. Soc.. 2003). aumentando a transcrição gênica. n. 139 . A oferta de calorias provenientes de carboidrato (calorias não proteicas) influencia a positivação do balanço nitrogenado. 2004). promove a liberação de hormônios. é determinante para força e desencadeamento da hipertrofia muscular (WOLFE. sexo masculino. v. N. como a ingestão proteico-energética. 2005. Estes mediadores interagem com os receptores celulares do músculo esquelético. níveis de leucina e o exercício físico podem alterar o turnover proteico (BIOLO et al. 1... com 11 jovens saudáveis em treinamento com pesos. Vários fatores. idade entre 18 e 35 anos. o objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da relação das calorias glicídicas/ lipídicas sobre a composição corporal.. mas desconhece-se a melhor proporção da relação glicídica/lipídica sobre o ganho de massa muscular. R. são maiores do que as de sedentários (MAESTÁ et al. SP. Alim. O ganho muscular ocorre pela positivação do balanço proteico durante a recuperação. Bras.. S. principalmente para hipertrofia muscular. com aumento da síntese proteica muscular (BISSCHOP et al. 36. insulina e testosterona. ZAWADZKI et al.MENDES-NETTO. RODRIGUEZ. CASUÍSTICA E MÉTODOS O estudo foi prospectivo. diminuição do catabolismo proteico miofibrilar e excreção da ureia urinária. R. randomizado cruzado. particularmente de carboidratos (BORSHEIM et al. São Paulo.5g de proteína/kg de peso/dia com ajuste do consumo energético para 30kcal/g de proteína para síntese proteica ideal em atletas culturistas. 1997. promovendo a redução do catabolismo e o aumento da síntese proteica (GLYNN et al. o efeito hipertrófico do exercício (intensidade de 75 a 85% 1RM) apresenta associação com a ingestão energética. 2004).. Maestá et al. Portanto. MAESTÁ. Food Nutr.. Brazilian Soc. TIPTON et al. com mais de dois anos de experiência em treinamento de força.

A contribuição dos carboidratos foi estimada em 70-80% do consumo calórico total. 1997). São Paulo. a relação calorias de carboidratos/calorias de lipídios foi de 4... versão 1. SP. R. Nutrire: rev. aquele que estava com a dieta D1 recebeu a D2 e quem estava coma D2 recebeu D1.= J. enquanto que na D2 essa relação foi de 8. 2002). 140 .0. 60-70% de carboidratos e 20-30% de lipídios. A duração total do estudo de intervenção dietética foi de 28 dias (M0/M2).0. R.MENDES-NETTO. C. por período de quatro semanas. por mais 2 semanas (Figura 1). ingeridos na forma de amido (45%). As calorias lipídicas correspondiam aproximadamente a 18% do total da dieta D1. jantar. Todos foram informados sobre a proposta do estudo. Foram selecionados adultos jovens. n. Food Nutr. 2011. Bras. Alim. p.. usuários de esteroides anabolizantes. com ingestão de água ad libitum. P. vegetarianos. ambas com conteúdo proteico fixo de 1. nº 269/98). v. pois os indivíduos consumiam dieta adaptada para hipertrofia muscular para ambos grupos e por se tratar de estudo cruzado. O diferencial das dietas foi a razão energética carboidratos/lipídios. após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa em 03 de abril de 2000 (Of. por meio do registro alimentar de três dias. Após este período.5g/kg/dia e isoenergéticas. abr. As análises nutricionais foram realizadas por meio do software de nutrição NutWin. foram realizadas as avaliações (M0) e oferecidas aos atletas.5 (ANÇÃO et al. Foram prescritas dietas individuais para o período de pré-experimento (D0 2 semanas de duração). os procedimentos a que seriam submetidos e assinaram a declaração de consentimento esclarecido. Estes indivíduos foram recrutados em academias da cidade de Botucatu (SP). BURINI. foi realizada investigação dos hábitos alimentares. com duração de 2 semanas. Não houve dieta controle (normocalórica. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento... PROTOCOLO DIETÉTICO Inicialmente. 137-150. Nutr. Brazilian Soc. 1. Na primeira dieta (D1).5g de proteína/kg/dia. DE OLIVEIRA. aleatoriamente. duas dietas (D1 e D2) em sequência alternada (2 semanas cada dieta). Os atletas foram distribuídos.. maltodextrina (40%) e carboidratos simples (15%). compostas por 1. N. 36. E. S. houve a troca do tratamento dietético entre os grupos. em dois grupos. três lanches e ceia). lipídica e normoglicídica). O estudo teve duração de seis semanas em que as duas primeiras foram de adaptação à dieta e ao treinamento e as 4 últimas com intervenção dietética associada ao treinamento para hipertrofia. aproximadamente. Soc. Encerradas estas duas semanas. ou seja. e cerca de 9% das calorias lipídicas da dieta D2. duas semanas antes do início da intervenção nutricional. um recebendo a dieta D1 (n=5) e o outro a dieta D2 (n=6). sendo dois no meio da semana e um no final de semana para análise das quantidades relativas de macronutrientes e total de calorias ingeridas (CINTRA et al. fumantes e elitistas. 34kcal não proteicas/g proteína/dia. As dietas continham. saudáveis e excluídos os indivíduos que ingeriam suplementos (com exceção de maltodextrina). MAESTÁ. A dieta foi fracionada em sete vezes ao dia (desjejum. almoço.

os jovens fizeram aquecimento com carga subjetiva e 15 repetições para cada exercício. v.0 (D2) relação carboidratos/lipídios = 8. Para a panturrilha. panturrilha e abdome. Alim. utilizando o método de cargas variáveis conhecido como pirâmide. intercalados por um de descanso. abr. FRY. FRY..0 Figura 1 – Delineamento do estudo e ingestão da dieta D1 e D2. A segunda sessão 141 . 2 semanas PROTOCOLO DE EXERCÍCIO FÍSICO O protocolo de treinamento utilizado constou de duas fases. A segunda fase visou a hipertrofia muscular. P. Cada programação constou de três exercícios para cada grupamento muscular. com exceção dos grupamentos dos braços. pois como já eram praticantes há mais de dois anos. com a primeira fase (2 semanas) correspondendo ao pré-experimento (sem tratamento dietético). Foram realizadas quatro sessões de treinamento (A e B). DE OLIVEIRA. A primeira sessão (A) de treinamento foi composta por exercícios para os grupamentos musculares do peitoral. Antes de iniciar o teste de RM. envolvendo programação de quatro dias não consecutivos. tendo como finalidade a equiparação do protocolo de treinamento físico. 1995). Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. O número de repetições utilizadas em cada série foi 12/10/8/6. costas. 2011. essas duas semanas foram suficientes para nivelamento do treino. Após a pausa de um minuto foi iniciado o teste de 1RM com adição de carga subjetiva e individual. 1. 137-150. foram realizadas 15-20 repetições e abdome 20-30 (KRAEMER. Nutrire: rev.= J. p. 1. Bras. Brazilian Soc. As cargas utilizadas foram compatíveis com o número de repetições máximas estipuladas para cada exercício.MENDES-NETTO. E. repetida no primeiro e quarto dia da semana. Food Nutr. N. São Paulo. MAESTÁ.5g/kg/dia de proteína e isoenergéticas D1 (n=5) D1 (n=6) 2 semanas 2 semanas D2 (n=6) D2 (n=5) 2 semanas (D1) relação carboidratos/lipídios = 4.. 36. C.. n.. Nutr. SP. com maior número possível de repetições. S. R. Soc. 1995). correspondendo em 75-85% de uma repetição máxima (1 RM). com dois exercícios cada. com quatro séries para cada exercício. Foram realizadas de três a cinco tentativas para obtenção da carga máxima com pausa de três a cinco minutos entre as elas (KRAEMER. R. ombros e pernas. BURINI.

A insulina e a testosterona total e livre foram analisadas por radioimunoensaio (DWENGER. (1990). O intervalo de recuperação entre os exercícios para grupamentos musculares diferentes nunca foi inferior a cinco minutos. e entre os exercícios de um mesmo grupamento muscular. MD) (HEYWARD. MAESTÁ.. subescapular (DCSE). Alim. durante cada exercício. Brazilian Soc. 1984). colesterol total. que leva em consideração a estatura (cm). Foram determinadas no plasma as proteínas totais. utilizou-se equação (JACKSON. 36. DICH. por método colorimétrico. Foram dosadas ureia urinária (método urease). E. Cambridge. albumina. (B) envolveu exercícios para os grupamentos musculares do braço (anterior e posterior). abr. Soc. 1. glicose. coxa (DCC) e panturrilha (DCP) foram utilizadas o cálculo da massa gorda e massa muscular do corpo.. p. circunferências (cm) do antebraço. biciptal (DCB). P. ácido úrico. amônia (extração em Conway) e nitrogênio total pelo método micro-Kjeldahl para o cálculo do balanço nitrogenado (BN) (DICH. N. abdominal (CA). com quantidade de 10mL de sangue.MENDES-NETTO. quadril (CQ). 2000). STOLARCZYK. coxa e panturrilha e as dobras cutâneas da coxa e da panturrilha (MARTIN et al. creatinina e ácidos graxos livres. STOLARCZYK. ombros e coxas. As medidas foram realizadas por um único avaliador com adipômetro científico da marca Lange (Cambridge Scientific Instruments. S. R. 2011. n. BURINI. FRY.. 1961). com precisão de 0.1kg para peso e 0. 142 . 137-150. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. BURINI. 2000). foi de sessenta a noventa segundos. repetida no segundo e quinto dia (KRAEMER. com o indivíduo descalço e mínimo de roupa (HEYWARD. suprailíaca (DCSI). Para a avaliação do peso corporal e altura. 1997). R. AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA As amostras de sangue venoso foram colhidas após repouso e jejum de 8-12h. DE OLIVEIRA.. ao final dos primeiros 14 dias (M1) e no final dos 28 dias (M2). ureia. 1990). Nutrire: rev. em tubo seco com gel separador. As circunferências do braço (CB). 1978) e com a densidade foi calculado o percentual de gordura corporal (%G) (SIRI. coxa (CC) e panturrilha (CP). SP. Bras. O intervalo de recuperação entre as séries. AVALIAÇÃO DO BALANÇO NITROGENADO O período de coleta de urina foi de 24 horas.. São Paulo. 1995). C. Para o cálculo da densidade corporal. Brasil).= J. HDL-colesterol por método enzimático. v. Food Nutr. triacilglicerol.1cm para altura. utilizou-se a equação proposta por Martin et al. abdominal (DCA). POLLOCK. antebraço (CAT). AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL A avaliação da composição corporal foi realizada antes do início do estudo dietético (M0). e as dobras cutâneas triciptal (DCT). Para o cálculo da massa muscular (kg). foi utilizada balança antropométrica provida de estadiômetro (Filizola®. de dois a três minutos. Nutr.

O período de coleta foi de 24 horas. E. O tratamento estatístico foi realizado com software STATISTICA 5.. Para cada indivíduo foi calculada a variação relativa das variáveis. SP. RESULTADOS Os indivíduos eram jovens. Foi dosada ureia (método Urease) para o cálculo do balanço nitrogenado (BN): nitrogênio ingerido (NI) – (0. 1.= J. Tabela 1 – Características basais da idade e da composição corporal dos praticantes de treinamento com pesos Variáveis Idade (anos) Estatura (m) Peso (kg) Gordura (%) Massa Muscular (kg) n = 11 24. definida por: D1 = X15 dias – X0dias X0dias X30dias – X15dias X15dias D2 = Foi aplicado o teste de Kolmolgorov-Smirnov para verificar a homogeneidade da amostra.5 16. BURINI. MAESTÁ. C.d-1 (DICH. 1997). DICH. Para comparação entre os dois tratamentos dietéticos (D1 e D2) foi aplicado teste t de Student pareado.. com percentual de gordura e massa muscular (kg) adequados para a idade (Tabela 1).07 76.0. Bras. O nível de significância adotado foi de p<0.9 1. com NI expresso em g de N. Food Nutr. As amostras de urina foram coletadas em frasco contendo solução de HCl 1N (para manter o pH < 2) e conservadas em refrigerador.8+7.MENDES-NETTO. R.1 143 . p. 36. 137-150. Alim. Nutrire: rev. seguida de teste post hoc HSD de Tukey. efeito dos tratamentos (dietas D1 e D2) foi feita análise de variância (ANOVA – one way). Brazilian Soc. ANÁLISE ESTATÍSTICA Os resultados estão apresentados como média ± desvio padrão. Nutr. Para comparação entre dieta habitual. Soc. v.2+6. 2011. P. N.05 (5%). abr.79+0. São Paulo.5+4. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. S. DE OLIVEIRA..46 x ureia urinária (g/24h) +4). n.. R. BURINI.1+2.5 47.

0±0. p.1 44.01* 117.7 34.0±6.2 24.9±5. como esperado.7 518. respectivamente) (Tabela 3).3 124. 144 .6 24.2 3.0±48.0±0.5±0.6±0.0±0.8 1. 2011.05) no ganho de massa muscular apenas na dieta D2 (Delta MM (kg) = -0. decorrentes do consumo das dietas D1 e D2 foram semelhantes.MENDES-NETTO.0 1.05) de participação no valor calórico total da dieta (VCT) de 8%.3±2. resultando em diferença (p<0. Assim. S. a diferença entre as dietas D1 e D2 ocorreu na proporção carboidratos/gorduras. por unidade de peso. DE OLIVEIRA.0±70. Alim. C. P. Brazilian Soc. n..0±0.0).7 e 1.02 * p<0.0±4.463±319.5±0.0±39. E. D1 e D2. foi semelhante nos dois grupos dietéticos.0 6.0±174. R.5 89.2±0.0±9.0 88.0±0.0±0.6±0. R.5±1.15 10.0±9. assim como a ingestão calórica (não-proteica) por grama de proteína (Tabela 2). Tabela 2 – Consumo proteico-energético habitual.0 1. 1.05 10.0±11.0±0. v. 137-150.0±12.14 883. SP.01 (D2). A oferta proteica diária. São Paulo. As variações de peso e gordura corporal.= J. D2 (CHO/GORD: 8.21 49.5±0.04 (D1) e 8. D1 (CHO/GORD: 4.5±0. Soc.0 10.0±4. dietas D1 e D2 dos praticantes de treinamento com pesos (n=11) Dietas Habitual Calorias totais kcal/kg kcalNP/g ptn kcal CHO/kcal GORD Proteínas totais (g) Proteínas/kg (g/kg) % Proteína Carboidratos totais (g) CHO/kg (g/kg) % CHO Gorduras totais (g) Gorduras/kg (g/kg) % Gorduras 3.0 11.0 0. 36.. N. Food Nutr.05 (diferença entre D1 e D2).0±1. Nutr.6±0.0±4.0±53.0±0.7±0.7±2.1 D2 4.55 8.5 1. a ingestão energética.2±0.75 14.0 59.0).5 1. abr.9 80.1±1.04 118..1 4.14 10.2 D1 4. MAESTÁ.0±11. por unidade de peso corpóreo.1 18.7 72. BURINI.0±0.0±10.372±715.2 34. foi semelhante entre os grupos nas duas dietas.3 803. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. Bras. O tratamento dietético mostrou-se efetivo (p<0..393±357. kcalNP/g ptn: calorias não proteicas por grama de proteína. Apesar das diferentes proporções glicídicas/lipídicas de 4.0 61.5. Nutrire: rev.0 58.

D1 e D2.47 0. A dieta de maior proporção lipídica (D1) promoveu aumento dos ácidos graxos livres (AGL). C. A oferta de proporções glicídicas/lipídicas diferentes em dietas isoproteicas não resultou em alterações significativas dos outros parâmetros bioquímicos em ambas as dietas (Tabela 5).0). p. S.4 -1.6±0.0). mas sem diferença estatística entre as dietas (Tabela 4). com variação na razão calorias glicídicas/lipídicas Variação absoluta D1 (kg) Peso MM Gordura 1.5 -13. com variação na razão calorias glicídicas/lipídicas Variação absoluta D1 (g/d) NI NU BN 2.1 D2 (kg) 1. p<0. Fato inverso foi verificado para a colesterolemia total (Delta = -3. D2 (CHO/GORD: 8. respectivamente).33 P<0.9±1.3±0.9±6. DE OLIVEIRA.3 -3.6 p 0.65 0. Nutrire: rev..8mg/dL.5* 0.= J..3±1.0 Variação Relativa D2 (%) 28.44±8.0).05 0. Soc. onde o estímulo hipercolesterolêmico foi da dieta D2. SP. 2011.8mg/dL.2±10. Nutr. MM: massa muscular.1±1.6 191. 145 .4 Variação Relativa D2 (%) 2.0).01 6.MENDES-NETTO. D1 e D2.9 1. N. Bras. n. P.0 8. Ambas as dietas promoveram redução na excreção do nitrogênio urinário e apresentaram balanço nitrogenado positivo.05 (diferença entre D1 e D2). D1 (CHO/GORD: 4.91±16. São Paulo.0 p 0. D1 (CHO/GORD: 4.05 (diferença significativa). respectivamente) e fração LDL (p<0.6 e 12. Alim. R.9 4. Food Nutr.7 0. Brazilian Soc.4±6.1 3.05: diferença significativa.3 34. E..5±1.1±5. D2 (CHO/GORD: 8..1±5. nitrogênio ureico (NU) e balanço nitrogenado (BN) dos praticantes de treinamento com pesos submetidos à dietas isoenergéticas. MAESTÁ.16 0.9 e 12. 137-150. 1.29 * p<0.8 D1 (%) 1.05) (Delta = -6.0 2.1 -0. v.0±11.3 -4.1±6. 36. BURINI.0±10.3 D2 (g/d) 3.4 D1 (%) 41.7 0. abr. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. Tabela 4 – Variação absoluta (g/d) e relativa (%) do nitrogênio ingerido (NI). R. Tabela 3 – Variação absoluta (kg) e relativa (%) da composição corporal dos praticantes de treinamento com pesos submetidos à dietas isoenergéticas.

4±40. Bras. BURINI.05 -0.2 11.0 13.6 3.0±145 1. S.8 p 0.0 mostrou maior ganho de MM quando comparada a D1 (relação CHO/GORD:4.8 D2 0.42±0.52 0.05 0.6 6.6 0.35 0. Soc.09 0. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. SP. N.0 1.05 -1.4±9. Nutr.3 14.91±16.05±0.7 16.0 3. Assim. No presente estudo. P. DE OLIVEIRA.6 1. a alta ingestão de carboidrato melhora o balanço proteico.1±0..9 6.2±8.6 37.13±4.4 -3. 2003.3 3. U: ureia.5 0. U: ácido úrico. p.56 0. p<0. AGL: ácidos graxos livres.6 D1 (%) -1.26 Prot: proteínas totais.3 0. TIPTON et al. RENNIE.0 53 4.1±0.6 12.85±4. MACDOUGALL.9 19. Tabela 5 – Variação absoluta e relativa (%) dos parâmetros bioquímicos e hormonais dos praticantes de treinamento com pesos submetidos à dietas isoenergéticas..8±5.9 0.10 0. R.45±6. Sabe-se que a oferta concomitante de substratos energéticos é necessária para melhorar a síntese proteica muscular (TARNOPOLSKY. Brazilian Soc.0 -39.5±0. ATKINSON.96 0.6 -4. Food Nutr.9 -3.7±9.2 0..U (mg/dL) Gli (mg/dL) TGL (mg/dL) CT(mg/dL) HDL(mg/dL) LDL(mg/dL) AGL(mm/L) Insulina (µUI/mL) GH (ng/mL) TT (ng/mL) TL (pg/mL) -0. Alim. abr.2 25. 2000).03±0.7 3.11±0.1±0.03±0..2 0. alb: albumina. gli: glicose.11 0. a introdução proteica 146 . DISCUSSÃO O principal achado do estudo foi que a maior relação CHO/GORD resultou em maior ganho de massa muscular e positivação do balanço nitrogenado em atletas culturistas.9 1.4±4. creat: creatinina. 1.40 0.1±0.7±52.34 0.05: diferença significativa. A associação de aminoácidos essenciais com carboidrato estimula o balanço proteico (aumento da síntese e redução do catabolismo proteico) (DORRENS.15 26.0 -0.004 0.25±0.54 0. C. CT: colesterol total.7 0.2 32.9 1. MAESTÁ. 2004).2 10.3±0.8 -0.= J.1 1. 137-150. Alguns estudos mostram que nos exercícios com levantamento de pesos.1±6.1 -4.0).0±11.9 -1.3 12. VOLPI et al.0). a D2 que apresentava relação CHO/GORD:8. 2011.8 -2.60 0.. com variação na razão calorias glicídicas/lipídicas Variação absoluta D1 Prot (g/dL) Alb(g/dL) Creat (mg/dL) U (mg/dL) Ac. D2 (CHO/ GORD: 8. possivelmente por redução do catabolismo proteico (BORSHEIM et al.8±7. 36. v. TGL: triglicerídios.0 Variação Relativa D2 (%) 1.9 25.13 0.75±148 -0..19 0.2±10.4 -6. R. ac.33 0.3 -3.01 0.35 1. D1 (CHO/GORD: 4. Nutrire: rev.6 535.5 7. E.0).. n. São Paulo. 1988.2 2.6 3.0±9. 2001).MENDES-NETTO.

2008). DRINKWATER.MENDES-NETTO. que compara culturistas com outras modalidades esportivas e não atletas (SPENST. indesejável para estes atletas (MENDES-NETTO. DE OLIVEIRA. C. 2006). As necessidades proteicas-energéticas de praticantes de musculação são maiores que dos sedentários (MAESTÁ et al. 2003).0) reduziu a excreção nitrogenada e promoveu aumento do BN em 191%. os dados antropométricos são confiáveis desde que as equações sejam adequadas ao grupo estudado. abr. a equação utilizada para quantificação da massa muscular utilizada no estudo é específica para o sexo masculino (MARTIN et al. Apesar de ser utilizado método duplamente indireto para avaliação da massa muscular e adiposa do corpo. Além disso. com calorias glicídicas entre 72% (D1) e 80% (D2) e lipídicas entre 18% (D1) e 10% (D2). Food Nutr. Nutr. BURINI. 1993). MAESTÁ. No presente trabalho. S. Brazilian Soc. Sabe-se que a excreção de nitrogênio aumenta com exercício e quando a ingestão proteica e energética (principalmente de carboidrato) é reduzida.01). BURINI. MARTIN..04 e D2 8. 1988). A massa muscular dos atletas do presente estudo correspondia a aproximadamente 62% do peso corporal.0) foram selecionadas por se enquadrarem dentro de variação que poderia ser aplicada às dietas destes atletas e que permitiria ampla variedade de alimentos com melhor palatabilidade. foi mostrado neste estudo com praticantes de treinamento com pesos em fase de treinamento (Tabela 5). 137-150. Bras. no presente estudo a equação para densidade corporal (JACKSON. R. O efeito significante e mensurável da troca isoenergética de gordura por carboidratos sobre o metabolismo proteico... A maior oferta de calorias glicídicas por lipídicas (8. Como o desempenho físico é dependente de diversas funções musculares. 1. o balanço torna-se negativo. o balanço nitrogenado pode ser utilizado para avaliar o metabolismo proteico (TARNOPOLSKY. 2002). O consumo proteico associado ao de carboidratos resulta em aumento da síntese proteica muscular nos períodos de uma hora e duas horas após o treino (MILLER et al. 2011. No entanto. 2003. período que coincide com o pico da síntese e catabolismo proteico muscular nas condições de repouso (pós-treino) (PITKANEN et al. 36. com diferença significativa somente entre a razão de calorias glicídicas por calorias lipídicas (D1 4. v. ATKINSON.. 1978) é específica para pessoas fisicamente ativas (REZENDE et al. MACDOUGALL. 2000).= J. a suplementação exclusivamente glicídica ou associada com proteínas estimula a resposta favorável ao crescimento muscular em função do aumento das concentrações 147 . sem diferença significativa da dieta D1... BURINI. POLLOCK. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. valor semelhante ao encontrado em atletas culturistas observado em outro estudo. R.0±0. o consumo proteico de ambas dietas foi em média 1. n.0±0. P. WOLFE. A insulinemia não apresentou maior resposta à oferta de calorias glicídicas (D2). entretanto. 1990). N. SP. São Paulo. Nutrire: rev..0 e 4. Alim. Soc.0) dobrou a retenção nitrogenada (pela menor excreção de nitrogênio ureico). p. A dieta com maior razão CHO/GORD (8.5g por kg de peso por dia.. 2000). associada à ingestão de carboidrato potencializa a resposta anabólica do treinamento físico (MENDES-NETTO. As razões energéticas de CHO:GORD (8.. E.

. CD-ROM... p. 14. 148 .SPDM . v. S. DICH. J Appl Physiol. J.. GUARNIERI. MAESTÁ. E. promoveu maior ganho de massa muscular. sem alteração da adiposidade corporal e ambas positivaram o balanço nitrogenado.. HEYDE... BURINI. 2003. R. 1.. A. Food Nutr. com objetivo de hipertrofia muscular. L. 839-845.. Cad. S. R. Soc.. R.= J. AARSLAND. v. IVY. Brazilian Soc. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. 76. BYRNE. 2. 1994. A.MENDES-NETTO.. abr. E. 8. Dietary supplements affect the anabolic hormones after weight-training exercise. R. 2011.. 2003. M. C. SIGULEM. G. favorecer a formação de partículas de LDL pequenas e densas e reduzir as concentrações de HDL plasmático. Metabolismo protéico global em humanos mediante técnicas de isótopos estáveis. P. T. M. SCHMITZ. com maiores proporções de calorias glicídicas/lipídicas (D2). MEIJER. Dietary carbohydrate deprivation increases 24-hour nitrogen excretion without affecting postabsorptive hepatic or whole body protein metabolism in healthy men. E. J Clin Endocrinol Metab. p. de insulina e GH durante o período de recuperação após exercício de força (CHANDLER et al. ZANETTI. TADDEI. v. J.. 1. M. H. V.. M. p. P. D. B.5. CONCLUSÃO A oferta de dietas isoenergéticas e isoproteicas. CHANDLER. R. D. SP. 55-63.. C. no grupo dos praticantes de treinamento com pesos que recebeu essa dieta. F. Effect of carbohydrate intake on net muscle protein synthesis during recovery from resistance exercise. 1997. J. n.. K. H. 2. BORSHEIM. ROMIJN. Curr Opin Clin Nutr Metab Car e. CREE. A. A. BIOLO.. principalmente pelo aumento da síntese de triglicerídios. versão 1. Dietas hiperglicídicas podem induzir dislipidemias. 6. Sendo assim. F.. v... Bras.. 674-678. v. S.. FRANCHESCHINI. BURINI. p. WOLFE. 13. J Appl Physiol. J. DE OLIVEIRA. STELLAARD.. São Paulo: Departamento de Informática em Saúde . A. I. ELLIOTT. e consequente produção e liberação aumentadas de LDL e VLDL (PARK... PATTERSON.. S. CUPPARI. Como a dieta D2 é mais hiperglicídica (80%) e menos lipídica (9% das calorias da dieta). P. DRAIBE.. N. p. apresentam maior efeito anabólico que dietas hiperlipídicas. nutr. C. 3801-3805. Cad. M. S..... B. C. p. v. Métodos de inquéritos dietéticos. 1994). 137-150. nutr. M. R. n. SAUERWEIN. KUIPERS. TIPTON. DE SAIN-VAN DER VELDEN. SIGULEM. isso pode explicar o maior aumento da LDL e a redução dos ácidos graxos livres. n. Nutrire: rev. R. A. I. São Paulo. 1997. G. v. L. D. 2010). D. p. BISSCHOP.. K. BARAZZONI. Alim. G. Mechanisms of altered protein turnover in chronic diseases: a review of human kinetic studies. P. A. ANTONIONE. n. 2002. 11-23. 96. as dietas hiperglicídicas para praticantes de treinamento com pesos. J. CINTRA. PARK. M. REFERÊNCIAS/REFERENCES ANÇÃO. R. 2004. G... J. H. n.UNIFESP/EPM. 36. C. A... Programa de apoio à nutrição Nutwin. DICH. Nutr. LEE. 13-22.. 88. G.

YARASHESKI. W. 3-8. ROY. 1995... POLLOCK. 149 . FRY. v. 2005. S. L. A. P. p. 3. American College of Sports Medicine position stand. v. Muscle protein breakdown has a minor role in the protein anabolic response to essential amino acid and carbohydrate intake following resistance exercise.. T. Washington. J.. A. D. D. 234-240. MARTIN. 1.... R. p. Radioimmunoassay: an overview. 497-504. CLARYS. n. v. BURINI. M. IL: Human kinetics. A. S. 223-244. C.. S. R. 2011. v. MARTIN. p. Int J Cardiol. v. 3. J. Free amino acid pool and muscle protein balance after resistance exercise. RODRIGUEZ. B.. HANSCHEL. 11. DRINKWATER. DI MARCO. R. n. Rev. TARNOPOLSKY. T. 139. 129-144. R. FOSTE. J Appl Physiol. L.. O. J Clin Chem Clin Biochem. KRAEMER. v. F. R. B. J. Am J Physiol Regul Integr Comp Physiol. abr. A.. n. 11.. 5. PRIORE. S. n. Strength testing: Development and evaluation of methodology. Bras. A. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. H. R. H. p. Effect of glucose supplement timing on protein metabolism after resistance training. MENDES-NETTO.. 5. E. M.. J. 19/20. E.. 41. v. Y.. (Ed. D. Med Sci Sports Exerc. 19. A. J.. MAESTÁ. Med Sci Sports Exerc. K.. J. HULMI. S. 449-455. J Sports Sci. 40. P. R. R533-R540. 1990-1997. S. LEE. Avaliação da composição corporal aplicada. Protein ingestion prior to strength exercise affects blood hormones and metabolism. Med Sci Sports Exerc. 12.. N. E. n. p. A. n. M. KEINANEN. PARK. Anthropometric estimation of muscle mass in men. Body composition from fluid space and density. n. 2003.. 37. M. ALEN. A. v. 215-220. MERO.. L. CYRINO. E. 22. 2009. C. 883-894. Nutr. KOMI..MENDES-NETTO. p. F.. DC: National Academy of Science. Muscle mass of competitive male athletes.. RASMUSSEN. p. JACKSON. BURINI.. N.. Nutrition and athletic performance.. n. n.. N. REZENDE. V. F. 13. Med Sci Sports Exerc. F. N. L. p.. B.. D. J. E. S. n. n. 1993. DRINKWATER. H. 1990. DREYER. p. 26-33. L.. C. 6.. J. SP.. K. A. NYKANEN. 1. CHINKES.. 299. p.. P. 36. V. WOLF. p. DE OLIVEIRA. FRANCESCHINI. Independent and combined effects of amino acids and glucose after resistance exercise. 2000. A. FRY.. v. p. S. p... WOLFE. SIRI.. VOLPI. SELANNE. E. DWENGER... C. D. Nutrire. PARK.. Brazilian Soc. S. n.. 2003. p. L. ROSADO. S. 3. 2. C. H. MACDOUGALL. PITKANEN. p. S. J. In: MAUD. n.). M. LAHTI. 2010. v. L. Rev.. 2000. v. R. 729-733.. 138-155. med. T.. Aplicabilidade de equações na avaliação da composição corporal da população brasileira. E.. RENNIE. K. Efeito da oferta e do balanço de energia sobre o metabolismo protéico. C. W. C. Effects of ageing and human whole body and muscle protein turnover. v.. STOLARCZYK. D. C. SPENST. balanço nitrogenado e cinética da 15N-glicina de atletas em treinamento de musculação. 35... FOWLES. H. P. VOLEK. DRUMMOND. MAESTÁ. C. 3. A. L. 3. 82. Generalized equations for predicting body density of men. DHANANI.. 35. 1984. J. 22. J. n. p. Y.. 2003. In: BROZER. DORRENS. D.. O. n.. 357-367. 1961. v. MERO. J. p. D. 3. v. Nutrire: rev. S. Food Nutr. M. S.. 137-150. Med Sci Sports Exerc. S. LANGLEY. K. H. Efeito da oferta dietética de proteína sobre o ganho muscular. 1882-1888. A. ANGELELI. M. 2006. TIPTON. São Paulo. 1.. nutr. P. C. p.. GLYNN. Techniques for measuring body composition. Scand J Med Sci Sports. T. Physiological assessment of human fitness. 1997. Br J Nutr. 2010.. bras. 1978. esporte. J. Dietary carbohydrate intake is associated with cardiovascular disease risk in Korean: analysis of the third Korea National Health and Nutrition Examination Survey (KNHANES III). São Paulo: Manole. A.. HEYWARD. MILLER. 2008.. v. v. 709-731. E. 14. Soc. Champaign.. E. L. 784-792. Alim.. SPENST. KNUUTINEN.= J. BURINI.

2. B. S.MENDES-NETTO. J. 132.. 5. p.. S. WOLFE. L. MILLER. v. R. Nutrire: rev. n. A. S. PETRINI.. A. 539-544. 4. 689-696. 1992. R. 137-150.. 2. Timing of amino acid-carbohydrate ingestion alters anabolic response of muscle to resistance Exercise. v. 1. E. Med Sci Sports Exerc.. Bras. E. B. p. v. WOLFE. 1988. 85. J. S. Alim. p. MITTENDORFER. 3RD. 36. 2000. n. M. 2004. TIPTON. J Nutr. TARNOPOLSKY. R. São Paulo. K. 4481-4490.. Am J Physiol Endocrinol Metab. Aprovado em 14/12/10. p. IVY. J. K. WOLF. 12. 187-193. 281. n. R.. 3... 2000. MAESTÁ. BURINI. v.. A. v. Food Nutr. 67-71... Recebido para publicação em 29/07/10. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. J Appl Physiol. abr. L. B. MACDOUGALL. Brazilian Soc. R. M. v. WOLFE. v. 64.. 1999. VOLPI. K. RASMUSSEN. n. E. P. n. p. R. VOLEK. S. N. v.. 6. C. n. Influence of protein intake and training status on nitrogen balance and lean body mass. 1. 150 . S. 1.. B. ATKINSON. v. p.. Amino acid supplements to improve athletic performance. 2002. OWENS-STOVALL.. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. n. J Clin Endocrinol Metab. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento.. Soc. D. R. Influence of nutrition on responses to resistance training. ZAWADZKI.= J. p. YASPELKIS. R. B. R... n. DE OLIVEIRA. R. 10. D. J Appl Physiol. p. Carbohydrate-protein complex increases the rate of muscle glycogen storage after exercise. B. 2001.. SP. 2011. The response of muscle protein anabolism to combined hyperaminoacidemia and glucose-induced hyperinsulinemia is impaired in the elderly.. B. WAGENMAKERS. E197-206. 1854-1859. n.. RASMUSSEN. Effects of insulin on muscle tissue. E. WOLFE. 72. p. Nutr. B. Regulation of muscle protein by amino acids. 3219S-3224S. 36. J.

FERNANDA CASTELO BRANCO3 1Nutricionista pelo Centro Universitário São Camilo. 1. 44. In this context. n.com 151 . Therefore.. is characterized by the deficiency in the production and secretion of insulin by the pancreas. C. São Paulo. Type 1 diabetes mellitus. Brazilian Soc. the incidence of which has been considerably increasing in the world. The goal of this study was to review the literature for the nutritional aspects of this dietary method. F. p. Nutrire: rev. which has been used with patients with type 1 diabetes. Soc. it is known that the presence of the nutritionist in the health-care team that deals with diabetic patients is essential for the maintenance of a good metabolic control. Metabolic and nutritional aspects of carbohydrate counting in the treatment of type 1 diabetes mellitus. as it allows more flexibility in the food choices. N. ANA CAROLINA PEREIRA COSTA1. 3Nutricionista da Associação de Diabetes Juvenil. BRANCO. MARIANA THALACKER1. 2011. resulting in hyperglycemia and disorders in the metabolism of the macronutrients. apto. = J. encouraging modifications in the eating habits and the practice of physical activity. carbohydrate counting is a dietary method that allows the patients to choose the food they wish to eat in each meal. Studies verified a decrease in the levels of glycosylated hemoglobin and a higher compliance with the treatment in patients using carbohydrate counting. A. Carbohydrates. Alim. F. Diabetes mellitus. SP. Evidences show that the amount of carbohydrate may be more important than its quality in determining the postprandial glycemic levels. Endereço para correspondência: Ana Carolina Pereira Costa Rua Tucuna. THALACKER. SP. Pompéia.Artigo de Revisão/Revision Article Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1 Metabolic and nutritional aspects of carbohydrate counting in the treatment of type 1 diabetes mellitus ABSTRACT COSTA. The nutritionist’s role in the education of the patient who chooses to start counting carbohydrates is further discussed.. Type 1. NATHÁLIA BESENBRUCH1. São Paulo. ROSANA FARAH SIMONY2.. abr. 36. Bras. P. M. v. 270. BESENBRUCH. Nutr. SIMONY. 2Docente dos Cursos de Nutrição do Centro Universitário São Camilo e da Universidade Presbiteriana Mackenzie. C. Food Nutr. R.. 151-162. and adjust the insulin doses according to the sum of the carbohydrate grams ingested.. CEP 05021010. E-mail: carolpcosta@gmail. Keywords: Nutritional Therapy.

ajustar la dosis de insulina regular o ultra rápida. O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) caracteriza-se pela deficiência na produção e secreção de insulina pelo pâncreas. 1. ajustar as doses de insulina regular ou ultrarrápida. através do incentivo de alterações nos hábitos alimentares e da prática de atividade física. usado atualmente no controle do DM1. El objetivo de este trabajo fue hacer una revisión bibliográfica de los aspectos nutricionales de este método. En este contexto el cálculo de los carbohidratos es un método que permite al paciente seleccionar los alimentos que desea consumir en cada comida. Carboidratos.. Palavras-chave: Terapia nutricional. Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1. n. Su incidencia mundial ha aumentado considerablemente y se sabe que la actuación del nutricionista en el cuidado de los portadores de DM1 es esencial para la mantención de un control metabólico adecuado. Diabetes mellitus tipo 1. 2011. Nutr.COSTA. Soc. abr. Brazilian Soc. p. Discute-se a participação do nutricionista na educação do paciente que deseja iniciar a contagem. 151-162. resultando em hiperglicemia e distúrbios no metabolismo dos macronutrientes. THALACKER.= J. C. Food Nutr. P. C. Se plantea la participación de nutricionistas en la educación de los pacientes que deseen comenzar este cálculo. BESENBRUCH.. SIMONY. F. BRANCO. F. R. y de acuerdo con los gramos de carbohidratos contenidos en cada alimento. Estudos verificaram diminuição nos níveis de hemoglobina glicosilada e maior adesão ao tratamento em pacientes utilizando a contagem de carboidratos. por medio del estimulo a cambio de hábitos alimentarios y a la práctica de actividad física. Los estudios encontraron una disminución en los niveles de hemoglobina glucosilada y una mejor adherencia al tratamiento en pacientes que utilizan el cálculo de carbohidratos. M. Nutrire: rev. A. Hay evidencias mostrando que la glucemia pósprandial es más afectada por la cantidad total que por el tipo de carbohidratos ingeridos en una comida. e sabe-se que a atuação do nutricionista no cuidado de pacientes com DM1 é essencial para a manutenção de um bom controle metabólico. e a partir da soma dos gramas de carboidrato contidos em cada alimento. São Paulo. debido a que permite una mayor flexibilidad en la elección de alimentos. 36. Nesse contexto. Palabras clave: Terapia nutricional. já que ela permite maior flexibilidade nas escolhas alimentares. Sua incidência vem aumentando consideravelmente no mundo. 152 .. lo que resulta en hiperglucemia y alteraciones en el metabolismo de macronutrientes. N. v.. Bras. a contagem de carboidratos é um método dietético que permite ao paciente escolher os alimentos que deseja consumir em cada refeição.. Diabetes mellitus tipo 1. Evidências relatam ser mais importante a quantidade de carboidratos ingeridos numa refeição do que seu tipo na determinação da resposta glicêmica pós-prandial. Alim. SP. RESUMEN RESUMO La diabetes mellitus tipo 1 (DM1) se caracteriza por una deficiencia en la producción y secreción de insulina por el páncreas. utilizado actualmente en el control de la DM1. Hidratos de carbono. O objetivo deste trabalho foi fazer uma revisão bibliográfica dos aspectos nutricionais desse método dietético.

conduzindo os indivíduos à 153 . Brazilian Soc. provocava desnutrição grave. R. Até o advento da terapia insulínica. P. além de aumento no risco de morte por doenças cardiovasculares (DCCT RESEARCH GROUP. polidipsia.6/100. BROWNLEE. C. a incidência anual de DM1 entre jovens com até 14 anos foi de 7. Estudo com humanos identificou que o valor de hemoglobina glicada (que reflete a média de glicemia mantida num período de três meses) define somente 25% o risco de intercorrências microvasculares em pacientes com DM1.COSTA. A. Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1.000 (FERREIRA et al. 2008). e tipo 1B (origem idiopática. que é mais comum... a nutrição desempenha importante papel no seu controle. ressaltando que um bom controle metabólico deve apresentar redução na variabilidade glicêmica (DCCT RESEARCH GROUP. HIRSCH. v.= J. 151-162. 2006). Sabe-se que a atuação do profissional nutricionista no cuidado de pacientes com DM1 é essencial para a manutenção de um bom controle metabólico. LEITE et al. Em São Paulo. Nutrire: rev. O diagnóstico se traduz clinicamente pelo aparecimento de sintomas como poliúria.000 na Coréia e no México a 35. São Paulo. p.. 1993). 2005). com maior incidência (6. O tipo 1 da doença pode ser dividido em tipo 1A (origem autoimune). N. resultando em hiperglicemia e distúrbios no metabolismo dos macronutrientes. porém. NERY. Tal variação ocorre por conta de fatores genéticos e ambientais. pois preveniria a elevação glicêmica. 2009). apenas o tratamento dietético viabilizava o controle da doença. 2005). TSCHIEDEL.3%) entre crianças de 0 a 4 anos (EISENBARTH. Nos próximos dois anos... Food Nutr. através do incentivo de alterações nos hábitos alimentares e da prática de atividade física (BATISTA et al. abr. 2008. 2000). C. 1993). Outro autor chegou a afirmar que a variação glicêmica é um fator de risco independente para complicações do diabetes (BROWNLEE. entre os anos de 1987 e 1991. HIRSCH.. SP. THALACKER. Estudos in vitro indicam que constantes variações glicêmicas parecem danificar mais as células do que a hiperglicemia por si só (HANEFELD. especialmente associada à doenças renais. Nutr. SIMONY.. 1. as consequências comuns de um mau controle metabólico incluem danos neurológicos.000 na Finlândia (KARVONEN et al. A incidência do DM1 no mundo vem aumentando cerca de 3% ao ano e pode ser bastante variável.. 1995). Observa-se o aumento da frequência da figuração da doença nas estatísticas de mortalidade. Tais associações representam uma enorme sobrecarga para a Saúde Pública (FONTBONNE. Tal conduta. polifagia. macro e microvasculares. INTRODUÇÃO O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) caracteriza-se pela deficiência na produção e secreção de insulina pelo pâncreas. Pelo fato de o DM1 estar diretamente relacionado ao metabolismo dos macronutrientes. n. Em ambos os casos..6/100. 2005). cardiovasculares e cerebrovasculares. pela ausência de outros recursos disponíveis. astenia e perda de peso (COSTA. e dentre estes podemos citar a dieta como fator de risco importante (DIB. 2011. FRANCO. F. BESENBRUCH. 1997). F.. 2008). BRANCO. BORNSTEIN. 1993. Soc. tanto como causa básica ou contributiva. JEFFREY. Bras. M. 36. Dados do estudo multicêntrico DIAMOND revelam incidências anuais variando de 0. ausência de anticorpos) (IMAGAWA et al.3/100. PISTROSCH. Acreditava-se que a restrição de diversos alimentos seria a melhor forma de tratamento. Alim. a incidência deverá ser 40% superior à do ano de 1997.

devendo ser aplicadas imediatamente antes ou após a refeição (PIRES. contagem de carboidratos/carbohydrates counting. 151-162. O esquema basal/bolus consiste na aplicação alternada de insulinas de longa e curta duração... M. de ação intermediária. usado atualmente no tratamento e controle do DM1. carboidratos/carbohydrates. p. que mimetiza com mais precisão a liberação fisiológica do hormônio pelas células beta (PIRES. Um dos marcos na terapêutica em diabetes ocorreu a partir do clássico estudo Diabetes Control and Complication Trial (DCCT RESEARCH GROUP. ou até previnem. SP. THALACKER. Os descritores usados na busca foram: terapia nutricional/nutritional therapy. BRANCO. glargina. as complicações decorrentes do DM1. F. que apresentam picos de ação após aproximadamente uma hora de aplicação. ALBUQUERQUE. n. CHACRA.. 2004). a partir de bactérias ou de células de outros tecidos. diabetes mellitus. Brazilian Soc. e detemir.. Nutr. SIMONY. que apresenta pico de ação após 3 horas de aplicação. v. Este é o fundamento básico da contagem de carboidratos. As insulinas de longa duração são utlizadas a fim de se manter a glicemia nos períodos de jejum (madrugada) e entre as refeições. com pico de ação cerca de 8 a 10 horas após a aplicação. C. que não apresenta pico de ação. Soc. N. devendo ser aplicada meia hora antes da refeição. além do custo maior associado à sua operacionalização. Foi feita uma revisão de artigos científicos publicados entre 1991 e 2010 e indexados nas bases de dados Lilacs. (ação ultrarrápida). Estudos 154 . Food Nutr. F.. que demonstrou que níveis de glicemia próximos da normalidade diminuem drasticamente. Assim sendo. Alim. morte precoce (HISSA. As mais conhecidas são: regular (ação rápida). Estas insulinas sintéticas não apresentam impurezas e possuem uma menor ação antigênica (COSTA. HISSA.COSTA. lispro. Bras. possibilitando ao paciente ajustar sua própria insulina baseando-se no conteúdo ingerido desse nutriente. dieta/diet. 2008). 36. 1. num esquema chamado de basal/bolus. A insulinoterapia no DM1 pode ser realizada através de múltiplas injeções diárias. As recentes diretrizes publicadas pela American Diabetes Association (2010) refletem uma abordagem mais flexível em relação às intervenções nutricionais e ao conteúdo de carboidratos da dieta. o objetivo deste trabalho foi verificar os aspectos nutricionais desse método dietético. asparte e glulisina. CHACRA. INSULINOTERAPIA NO DM1 As primeiras insulinas comercializadas eram extraídas de porcos e bois. Já as insulinas de curta duração são responsáveis pela metabolização dos carboidratos consumidos nas refeições e pela correção de glicemias elevadas. A. SciELO e PubMed. de maneira individualizada para cada paciente. 2011. que é semelhante à anterior e possui pico de ação pouco pronunciado. mas com o desenvolvimento da bioengenharia genética passou-se a produzir quimicamente insulinas humanas sintetizadas por técnicas de recombinação de DNA. abr. São Paulo. R. ALMEIDA NETO. 1998). São três os tipos mais utilizados: NPH. Nutrire: rev. P. O uso da bomba de insulina requer treinamento mais elaborado por parte dos pacientes e profissionais.= J. ou através do uso de bombas de infusão contínua de insulina subcutânea. Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1. 1993). BESENBRUCH. C. 2008).

COSTA, A. C. P.; THALACKER, M.; BESENBRUCH, N.; SIMONY, R. F.; BRANCO, F. C. Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 36, n. 1, p. 151-162, abr. 2011.

colocam que seu uso é mais eficaz do que as múltiplas injeções diárias de insulina no controle glicêmico a longo prazo, bem como na prevenção da hipoglicemia em diabéticos do tipo 1. Ainda assim, a indicação para o uso do equipamento deve ser avaliada individualmente pela equipe responsável pelo cuidado do paciente (SCHEINER et al., 2009; SILVERSTEIN et al., 2005). É importante que os profissionais de saúde e pacientes conheçam bem os tipos de insulina e seus mecanismos de ação, já que estes relacionam-se intimamente com o método da contagem de carboidratos.

CONTAGEM DE CARBOIDRATOS
Os carboidratos são os principais nutrientes que influenciam os níveis glicêmicos de indivíduos saudáveis e com diabetes. Evidências relatam ser mais importante a quantidade de carboidratos ingeridos numa refeição do que seu tipo na determinação da resposta glicêmica pós-prandial (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2010; WOLEVER et al., 1999). A contagem de carboidratos ganhou destaque a partir de um estudo realizado pelo DCCT Research Group (ANDERSON et al., 1993), que comparou a eficácia de quatro métodos dietéticos no controle do DM1 – Healthy Food Choices, sistema de substituições, glicose total disponível e contagem de carboidratos – e verificou que este último era uma alternativa inovadora e motivadora para os pacientes. A contagem permite que o paciente, com o auxílio de um nutricionista, escolha os alimentos que deseja consumir em cada refeição e, a partir da soma dos gramas de carboidrato contidos em cada alimento, realize o ajuste do chamado bolus prandial, isto é, a dose de insulina rápida ou ultrarrápida a ser utilizada para metabolizar os carboidratos contidos naquela refeição. Há também o bolus de correção, que é uma dose extra de insulina rápida ou ultrarrápida utilizada nos casos em que a glicemia pré-prandial excede o limite desejado. O cálculo do bolus prandial e do bolus de correção, bem como os horários de aplicação de insulina, devem levar em consideração os seguintes itens: nível de glicose pré-prandial; meta glicêmica (prescrita pelo médico); fator de sensibilidade (também determinada pelo médico, representa quanto uma unidade de insulina rápida ou ultrarrápida reduz a glicemia do indivíduo); realização de atividade física posterior à refeição; experiências alimentares prévias e quantidade de carboidratos ingeridos na refeição. Geralmente, uma unidade de insulina é capaz de metabolizar de 10 a 20g de carboidratos em adultos, dependendo do peso corporal, do horário do dia, da resistência à insulina e do grau de atividade física. Em crianças, como a sensibilidade ao hormônio é maior, a relação insulina:carboidrato é normalmente considerada como sendo 1:30 (AHERN et al., 1993; GILLESPIE; KULKARNI; DALY, 1998; HISSA; ALBUQUERQUE; HISSA, 2004; LOTTENBERG, 2008; SCHEINER et al., 2009). Uma estratégia interessante para nutricionistas que trabalham com diabéticos é possuir em consultório manuais fotográficos ou mesmo instrumentos culinários (colheres,

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tigelas, copos, xícaras) para exemplificar e auxiliar o paciente no controle das porções alimentares (GILLESPIE; KULKARNI; DALY, 1998).

O IMPACTO DA CONTAGEM NO TRATAMENTO DIETÉTICO DO DM1
Um estudo inglês acompanhou durante doze meses 169 adultos diabéticos do tipo 1, com idade média de 40 anos, e mostrou diminuição nos valores de hemoglobina glicada (HbA1c) e aumento na satisfação em relação ao tratamento após um período de seis meses utilizando a contagem de carboidratos (DAFNE STUDY GROUP, 2002). De forma análoga, um estudo brasileiro de oito meses com dez adolescentes diabéticos realizando contagem de carboidratos revelou ser possível a redução dos níveis de HbA1c, mesmo com a introdução da sacarose no lanche da tarde, consumida na forma de um doce (COSTA; FRANCO, 2005). A American Diabetes Association (ADA), após a análise de diversos estudos clínicos, concluiu que a sacarose pode ser utilizada por indivíduos diabéticos do tipo 1 em substituição aos carboidratos da dieta (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2010). Entretanto, é recomendável que seu consumo não ultrapasse 10% do total calórico diário da dieta, segundo recomendação da OMS para indivíduos saudáveis (LOTTENBERG, 2008). Um estudo brasileiro (HISSA; ALBUQUERQUE; HISSA, 2004) usou um questionário para verificar a aceitação da contagem de carboidratos, que foi respondido por 50 pacientes entre 9 e 59 anos, que vinham utilizando a técnica havia seis meses. Os resultados indicaram boa aceitação, principalmente nos quesitos relacionados à escolha do número de refeições, comer fora de casa, horário das refeições, planejamento das atividades sociais e diárias, realização de testes de glicemia e leituras de rótulos dos alimentos. Um estudo italiano com 48 adultos portadores de DM1, com idade média de 27 anos, revelou que a educação nutricional em contagem de carboidratos melhorou a reação e a conduta frente aos episódios de hipoglicemia (BRUTTOMESSO et al., 2001). Tais episódios podem ser sintomáticos ou não e normalmente são identificados através de um valor de glicemia capilar abaixo de 70mg/dL (MAIA; ARAÚJO, 2008), constituindo fator limitante para a adequação e adesão terapêuticas, especialmente em crianças. A correção ideal, caso o indivíduo esteja consciente, é a ingestão de 15g de carboidrato de rápida absorção (balas de goma, refrigerante normal, mel, água com açúcar), que tende a aumentar a glicemia em 40 a 50mg/dL em até 15 minutos. Após esse período, é recomendável a realização de novo teste de glicemia capilar e a repetição do processo caso haja necessidade (NERY, 2008). Na prática clínica, sabe-se que também as proteínas e gorduras da dieta podem ser transformadas em glicose, num período que varia de 4 a 6 horas, influenciando os níveis glicêmicos. O estudo americano de Ahern et al. (1993), com amostra de oito pacientes diabéticos com idade média de 35 anos, verificou que episódios de hiperglicemia tardia após a ingestão de pizza estavam relacionados à sua composição dietética, e não

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somente ao consumo exagerado desse alimento. A importância da monitoração glicêmica frequente é justamente identificar as possíveis reações individuais ao consumir esses nutrientes e servir de embasamento para possíveis alterações dietéticas medicamentosas e no padrão de atividade física do paciente. A monitoração glicêmica é comumente realizada através da medição da glicemia capilar (GILLESPIE et al., 2009). Um estudo australiano com 31 crianças e adolescentes entre 9 e 16 anos revelou que a insulina pré-prandial (bolus) calculada individualmente para um lanche contendo 60g de carboidrato conseguiu manter a glicemia pós-prandial em níveis adequados quando o mesmo lanche continha 50 ou 70g, indicando que uma quantidade fixa de insulina ultrarrápida é capaz de cobrir uma determinada faixa glicêmica (SMART et al., 2009). Ainda assim, a contagem de carboidratos trata-se de um planejamento alimentar que requer certa precisão na quantificação de porções dos alimentos e, por isso, pode aumentar a ansiedade e a obsessão por comida, fazendo com que os pacientes sintam que o diabetes controla suas vidas. A adoção de práticas como omitir a aplicação de insulina e restringir severamente a alimentação é comum em pacientes adolescentes, tanto do gênero feminino como masculino, e sabe-se também que a prevalência de transtornos alimentares é alta na população diabética, tanto nos portadores do tipo 1 quanto do tipo 2 da doença. Atitudes alimentares inadequadas e práticas errôneas de controle do peso têm um impacto negativo sobre o controle metabólico do diabetes, especialmente do tipo 1. É importante, portanto, atentar às atitudes alimentares dos pacientes, especialmente daqueles que apresentam muita dificuldade no controle glicêmico, a fim de se detectar precocemente sinais de um possível transtorno alimentar (AZEVEDO; PAPELBAUM; D’ELIA, 2002; JONES et al., 2000; NEUMARK-SZTAINER et al., 2002; PAPELBAUM et al., 2004; PEREIRA; ALVARENGA, 2007; WALDRON, 1996). Já existe um questionário específico para detectar a presença de atitudes alimentares inadequadas em crianças com DM1; entretanto, este ainda não foi traduzido e validado (MARKOWITZ et al., 2010). Faz parte da educação nutricional, dentro do contexto da contagem de carboidratos, incentivar o consumo diário de 20 a 35g de fibras, segundo recomendação da ADA (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2010). As fibras da dieta retardam a absorção de glicose, melhoram a sensibilidade à insulina e estão associadas à diminuição nos níveis plasmáticos de colesterol (GARG; SIMHA, 2007; O’KEEFE; GHEEWALA; O’KEEFE, 2008). O uso do índice e carga glicêmicos, segundo a ADA, fornecem benefícios modestos no controle e tratamento do DM, por conta de variações inter e intraindividuais (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2010). Gilbertson et al. (2001) obtiveram resultados interessantes ao avaliar a aplicabilidade do índice glicêmico no controle metabólico de pacientes diabéticos. Ao longo de um ano, comparou-se o uso da contagem de carboidratos versus uma orientação nutricional baseada na pirâmide, com ênfase em alimentos de baixo índice glicêmico (IG), em 104 crianças com DM1. Aquelas do grupo de baixo IG reduziram de forma significante os níveis de HbA1c e obtiveram redução nos episódios de hiperglicemia. Entretanto, não foram

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feitos ajustes de insulina em ambos os grupos, que é justamente uma das vantagens da contagem de carboidratos, e os próprios autores colocaram que não se poderia atribuir os baixos valores de HbA1c somente ao uso da dieta com baixo IG. É importante orientar os pacientes quanto aos exageros alimentares que podem surgir com a quebra dos antigos mitos relacionados à alimentação do diabético, já que tais exageros também podem gerar danos à saúde. O estudo multicêntrico e multiétnico de Liu et al. (2009), nos Estados Unidos, analisou 3.953 jovens diabéticos e 7.666 não-diabéticos, com idades entre 3 e 19 anos. Houve maior prevalência de obesidade em jovens com DM2 e em jovens não diabéticos, mas em jovens com DM1 a prevalência de sobrepeso ultrapassou a de jovens saudáveis. Sabe-se que indivíduos diabéticos do tipo 1 também podem apresentar resistência insulínica e síndrome metabólica, o que implica na piora do controle metabólico e da qualidade de vida do paciente (BÁEZ et al., 2009). Entretanto, um grande estudo de coorte realizado nos EUA, que acompanhou 655 indivíduos com DM1 durante 20 anos, obteve resultados interessantes. O primeiro deles é que a relação entre índice de massa corpórea (IMC) e mortalidade não foi linear nem no baseline e nem durante o follow-up. O segundo achado do estudo é que o ganho de peso ao longo dos anos se mostrou protetor nos indivíduos diabéticos, e a faixa de IMC associada à mortalidade mínima foi entre 20 e 29kg/m2. Já valores altos de HbA1c representaram fator de risco importante para mortalidade (CONWAY et al., 2009; SHANKAR et al., 2007). O estudo qualitativo de Mehta et al. (2009) avaliou a percepção de alimentação saudável e a influência do controle do diabetes na escolha alimentar apresentada por 35 crianças e adolescentes com DM1 e suas famílias. Todos os participantes reconheceram que frutas e vegetais são saudáveis, enquanto que fast food e outros alimentos que tendem a aumentar mais a glicemia pós-prandial não são. Muitos pais e jovens admitiram a importância da determinação da quantidade de carboidratos dos alimentos para um controle adequado do diabetes, e relataram preferir muitas vezes alimentos industrializados pela facilidade nessa determinação, através da leitura de rótulos. Importante ressaltar que alguns pais e poucos jovens associaram a maior flexibilidade de um regime insulínico basal-bolus a um pior comportamento alimentar, como por exemplo maior tendência a “beliscar” alimentos durante o dia e corrigir com insulina depois. Já as famílias que seguiam um regime fixo de aplicação de insulina apresentaram a visão equivocada de que não é saudável consumir lanches para prevenir hipoglicemia nos momentos de pico de ação do hormônio. As crenças e mitos acerca da alimentação saudável para diabéticos também devem ser abordadas no processo de educação nutricional dos pacientes e familiares. No contexto da contagem de carboidratos, o uso de produtos diet deve ser avaliado, pois grande parte deles apresenta maior teor de gorduras (FARIA et al., 2007) e quantidades semelhantes de carboidrato, alterando a glicemia do paciente da mesma forma que um produto convencional. Confirmando que alimentos dietéticos são bastante usados por indivíduos com diabetes, Castro e Franco (2002) encontraram que somente 24,2% de uma amostra de 389 pacientes não utilizavam produtos diet.

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RS 2Nutricionista. 1665. São Paulo. but the effects are not the same because of the difference in the absorption of these polyphenols. Original articles and reviews were used in this essay which aims to investigate the effects of wine consumption. Marcolino Pereira Vieira. DANIELA CRISTINA SEMINOTI JACQUES DOMENEGHINI1. 163 . 2011. Brazilian Soc. Doutoranda do Programa de PósGraduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT. CEP 78060-900 Cuiabá. Phenolic Compounds. In regular and moderate doses. = J. Studies highlight that the Sangiovese. C. Cardiovascular diseases. F. Bairro Boa Esperança. Departamento de Química. Nutrire: rev. but further studies must be conducted to clarify questions like which is the ideal amount of resveratrol recommended and what are other possible effects of its consumption. n. SUÉLEM APARECIDA DE FRANÇA LEMES2 1Nutricionista. Bairro Centro. such as wine. Av. a substance which is mainly present in red grapes. The benefits of wine consumption to the cardiovascular system cannot be denied. reduces platelet aggregation and helps in the prevention of atherosclerosis. Keywords: Wine. LEMES.. Flavonoids. D. The types of grapes also contain different amounts of this substance. abr. MT. Brasil. which may bring benefits to the body and the cardiovascular system. Merlot and Tannat varieties have higher concentrations of resveratrol and consequently a greater cardio-protective effect. The consumption of wine must be regular and moderate to avoid risks to health. Among polyphenols. André da Rocha . S. J. Departamento de Química. Wine is an alcoholic beverage obtained from the processing of organic grapes. Av. SP. 36. wine can act beneficially in the body. though. Cardiovascular diseases are among the leading causes of death around the world. it has substances called polyphenols which are the major compounds responsible for these beneficial effects. especially on the cardiovascular system.. Laboratório de Bioquímica Pesquisa. Laboratório de Bioquímica Pesquisa.Artigo de Revisão/Revision Article Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular Effects of wine components on cardiovascular function ABSTRACT DOMENEGHINI. n. Like the wine. 163-176. Food Nutr. Soc.com Trabalho de conclusão de curso apresentado à Faculdade de Nutrição da Universidade de Cuiabá-MT em 2009. the grape juice also contains these substances. Nutr. Bras. p. v. E-mail: suafranca@hotmail. CEP 95310-000. S. Fernando Corrêa da Costa. The prevention of these diseases is directly related to the consumption of certain foods. Effects of wine components on cardiovascular function. A. we can emphasize resveratrol. Alim. 2367. Endereço para correspondência: Suélem Aparecida de França Lemes Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT. 1.

Nutr. que puede producir efectos benéficos al organismo y al sistema cardiovascular. Merlot e Tannat com maiores concentrações de resveratrol e. Entre os polifenóis destaca-se o resveratrol. São inegáveis os benefícios do consumo de vinho ao sistema cardiovascular. Doenças cardiovasculares. que pode produzir efeitos benéficos ao organismo e ao sistema cardiovascular. Estudos destacam as variedades Sangiovese. como é o caso do vinho. 164 . responsáveis pelos efeitos benéficos. como es el caso del vino. Compostos fenólicos. J. El vino es una bebida alcohólica resultante de la transformación biológica de la uva. Os tipos de uvas também possuem quantidades diferentes desta substância. Bras.DOMENEGHINI. RESUMEN RESUMO Las enfermedades cardiovasculares están entre las principales causas de óbito en el mundo. Possui substâncias denominadas polifenóis. maior efeito cardioprotetor. Flavonoides. LEMES. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. 36. C. sustancia presente principalmente en las uvas tintas y que actúa previniendo la ateroesclerosis por disminuir la agregación plaquetaria. Alim. Entre los polifenoles se destacan el resveratrol. pero más estudios deben ser realizados para aclarar las dudas acerca de la cantidad ideal recomendada de resveratrol así como otros efectos del consumo. O consumo de alguns alimentos está diretamente ligado à prevenção dessas doenças. en dosis regulares y moderadas el vino puede actuar benéficamente en el organismo. Soc. mayor efecto en la protección cardiovascular. posee sustancias denominadas polifenoles que son los grandes responsables por los efectos benéficos. abr. consecuentemente. el jugo de uva posee estas sustancias. O consumo de vinho deve ser regular e moderado para que não traga riscos para a saúde. Food Nutr. D. p. Pero el consumo de vino debe ser regular y moderado para que no traiga riesgos a la salud. Brazilian Soc. Flavonoides. F. y el objetivo fue pesquisar los efectos causados por el consumo de vino. substância presente principalmente nas uvas tintas e que age prevenindo a aterosclerose por diminuir a agregação plaquetária. dessa forma o vinho pode atuar beneficamente no organismo. 1. Palabras clave: Vino. Assim. S. porém mais estudos devem ser realizados para esclarecer dúvidas em relação à quantidade ideal recomendada de resveratrol. principalmente en el sistema cardiovascular. consequentemente. Nutrire: rev. Los estudios destacan las variedades Sangiovese. foram utilizados artigos originais e de revisão com o objetivo de abordar os efeitos causados pelo consumo de vinho. O vinho é uma bebida alcoólica resultante da transformação biológica da uva. 163-176. como o vinho. As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no mundo. diferenciando-se na absorção dos polifenóis. SP. A. Palavras-chave: Vinho. porém os efeitos não são os mesmos. o suco de uva possui tais substâncias. v. pero los efectos no son los mismos porque la absorción de los polifenoles es diferente. assim como outros efeitos do seu consumo. Merlot y Tannat con mayores concentraciones de resveratrol y. Los tipos de uvas también poseen diferentes cantidades de estas sustancias. S. São Paulo. Enfermedades cardiovasculares. Compuestos fenólicos. principalmente ao sistema cardiovascular. Así como el vino. Neste levantamento bibliográfico.= J. Son innegables los beneficios del consumo de vino al sistema cardiovascular.. n. 2011.. El consumo de algunos alimentos esta directamente ligado a la prevención de estas enfermedades. En este análisis fueran utilizados artículos originales y de revisión.

Uma dieta rica em vegetais como a Dieta Mediterrânea. Uma das características dessa dieta. dando origem ao vinho. há um consenso de que o consumo moderado de vinho tinto está inversamente associado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares (ANDRADE. Nutrire: rev. 2009). procuraram demonstrar os possíveis efeitos benéficos do consumo do vinho em relação a acidentes cardiovasculares.). 2002. Muitas dessas pesquisas. v. Merlot e Tannat apresentam as maiores concentrações de substâncias benéficas (FREITAS. naturalmente. S. MONFRÓI. 2004). A quantidade de polifenóis também é variada em diferentes tipos de uva. Existem vários estudos que abordam dados relativos à ação de vinho no sistema cardiovascular. 2006. 2005). J. Nutr. PASTORE.) e o acidente vascular cerebral (A. Durante a fermentação um conjunto de reações químicas provocadas por leveduras age sobre os açúcares da uva. SP. Essas substâncias exercem uma forte ação antioxidante em humanos e animais. 2006. LEMES. além de outros efeitos (ANDRADE. 163-176.. GIEHL et al. n. 1997). Food Nutr. 165 . Estudos demonstram que variedades como Sangiovese. 2006). A.C. transformando-os em álcool. F. 2011. Elas são responsáveis por 29% do total de óbitos e. é incluir o vinho como elemento fundamental na promoção de saúde. na população francesa que consumia uma dieta rica em gordura saturada. C. MARTINEZ.. Em algumas vinícolas as leveduras utilizadas são selecionadas e cultivadas em laboratório (NASCIMENTO. São Paulo. 2007).C. a arterial coronariana (D. em especial o tinto (GIEHL et al. 2009). Os flavonoides e não-flavonoides são grupos de polifenóis que têm um importante papel na prevenção e tratamento da aterosclerose. Brazilian Soc. porém existem controvérsias quanto à sua eficácia. WORLD HEALTH ORGANIZATION.C. Como o vinho. 2005). mas apresentava também um alto consumo de vinho. pode trazer benefícios ao organismo e diminuir fatores de risco.V. Esta propriedade foi descoberta a partir do Paradoxo Francês. 2006.. O suco de uva também é um antioxidante poderoso. abr. curiosamente. o qual possui melhor absorção de polifenóis. DA LUZ. Alim. Entre os fatores de risco para as D. WORLD HEALTH ORGANIZATION.C. D. Dentre essas doenças. 2006. Soc. entre outras doenças (ANDRADE. 2006.C. a insuficiência cardíaca (I. está a má qualidade da alimentação (CERVATO et al.) estão entre as principais causas de morte no Brasil. Contudo. 36.. assim como de outras.V.) são as causas principais de mortalidade no mundo segundo dados da Organização Mundial da Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION. onde foi observada baixa taxa de mortalidade por D. pois atuam como agentes antiaterogênicos (ANDRADE. 2007). 2009). SOUTO et al. inicialmente protetoras da uva e da videira conhecidas como polifenóis ou compostos fenólicos. MAMEDE. 2006.= J.A.DOMENEGHINI. representando 30% dos óbitos para todas as faixas etárias (SANTOS FILHO. longevidade e proteção ao sistema cardiovascular. melhorando a função endotelial e reduzindo a pressão arterial..A. 80% desse total ocorre em países em desenvolvimento (ANDRADE. O vinho é uma bebida alcoólica resultante da transformação biológica da uva. porém os efeitos não são os mesmos do vinho.C. que acompanham a fermentação do vinho e até são acentuadas neste processo.. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular.C. SOUZA FILHO. Bras. GIEHL et al. O vinho possui substâncias.V. S. INTRODUÇÃO As doenças cardiovasculares (D. o suco de uva possui polifenóis que agem na prevenção de D.. p. 1.V.. 2006). 2007.

resveratrol. Há também uma série de determinantes de doenças crônicas. 2004. outros fatores tem influência sobre os benefícios causados pela ingestão de vinho ao sistema cardiovascular. 2008). flavonoides. WORLD HEALTH ORGANIZATION.= J. 1994. 36. LEMES. SOUZA. hiperglicemia. Ela seria responsável pela redução da viscosidade do sangue além de prevenir a aterosclerose.. cardiopatia congênita e insuficiência cardíaca (SANTOS FILHO. HECKTHEUER. ANDRADE. Alim. Uma substância benéfica presente na uva que tem sido estudada recentemente é o resveratrol. a urbanização. SOUSA NETO.. S. cerebrovascular. red wine e cardiovascular disease. J. Brazilian Soc..C. Nutrire: rev. SIPP.. v. arterial periférica.DOMENEGHINI. bem como o envelhecimento da população. São Paulo. n.A. vinho tinto. (BRASIL. cardíaca reumática. Para a busca. Food Nutr. da mesma forma que os outros compostos fenólicos. estão relacionados ao estilo de vida. Os fatores de risco modificáveis são responsáveis por cerca de 80% das doenças coronarianas e cerebrovasculares. Nutr.. BERTAGNOLLI et al. utilizando livros. 2011. Além disso. 2004). ou as chamadas “causas das causas”. COSENZA. D. 2005. 2009). PENNA. hipertensão arterial. Estes são chamados de fatores de risco modificáveis e podem levar a fatores de risco intermediários como: hipertensão arterial sistêmica (H. dislipidemias. Bireme. sobrepeso e obesidade. 2009). polifenóis. no período de fevereiro a junho de 2009. vino. DUDLEY et al. 2009). teses. VINHO E SAÚDE Segundo a Organização Mundial de Saúde. Os tipos mais comuns incluem doenças coronárias. Bras. A. as doenças cardiovasculares são consideradas uma das principais causas de morte (WORLD HEALTH ORGANIZATION. WORLD HEALTH ORGANIZATION. 2009. A hipertensão arterial é considerada um dos principais fatores de risco de morbi-mortalidade cardiovascular e um dos principais agravantes à saúde no Brasil (BRASIL. C. Estudos afirmam que o resveratrol. SAUTTER et al. 2002. 2007. como os fatores socioeconômicos e culturais entre eles a globalização..C. Os fatores de risco para as D. no período de 1994 a 2009. inglês e espanhol. S. vinho. SANTOS. 163-176. 1. hipertensão arterial. compostos fenólicos. 2001). Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. Além dessas substâncias.V. abr. maus hábitos alimentares. Foram incluídos estudos realizados em seres humanos (adultos e idosos) e estudos experimentais envolvendo animais (ratos e coelhos) publicados nos idiomas português. os termos de indexação utilizados foram: doenças cardiovasculares. 166 . Diante disso.).S. atuam como agente antioxidante prevenindo fenômenos aterogênicos e trombogênicos (ABE et al. 2004. Trata-se de um levantamento bibliográfico. artigos originais e de revisão selecionados em bases de dados como Lilacs. assim como os seus efeitos sobre o sistema cardiovascular. SP. 2006. a pobreza e o estresse também estão relacionados ao surgimento das D. Pubmed e Scielo. F. Soc. consumo excessivo de bebida alcoólica e tabagismo (CERVATO et al. uva. p.. SOUTO et al. 1997. 2007..V. MARTINEZ. este artigo tem por objetivo fazer um levantamento bibliográfico sobre os benefícios do consumo de vinho para a saúde humana.

até o ano de 2015. SANTOS. GIEHL et al. HECKTHEUER.C. Soc. C. reduzindo o risco de aterosclerose e de infarto (ANDRADE. F. contribui para a saúde do organismo humano.= J. 2011. 2002).C. S.A. A.C..V. várias estratégias são sugeridas. v. HECKTHEUER. SOUTO et al. 2007). COSENZA. sendo as de maior incidência as doenças cerebrovasculares (31. As mortes por doenças do aparelho circulatório passam dos 60% segundo dados do Ministério da Saúde de 2004. no ano de 2005. 2009). 2007. Nutr. SOUSA NETO.. MEIRELLES.A. isquêmicas do coração (30.A.. em 29% e a mortalidade cardiovascular em 28%..V.M. MONFRÓI.. (SPOSITO et al.V. No Brasil.S. pois ajudam a remover o colesterol já depositado. PENNA. Alim. Bras. MEIRELLES.. DUDLEY et al. Estima-se que 20 milhões de pessoas morrerão de D.C. 2009.M. São Paulo. DUDLEY et al. 2008. 2002. SPOSITO et al. 2002). LEMES. Segundo a Organização Mundial de Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION . 2007. 2004. em 33%. SOARES. GIEHL et al. n. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. melhorando a qualidade e aumentando o tempo de vida (ABE et al.V.C. MARTINEZ.V. Nutrire: rev.DOMENEGHINI. 2007. 2008). Já as lipoproteínas de alta densidade (HDL) são de extrema importância.A. principalmente as de origem cardiovascular. ingestão de uma dieta saudável e inclusão do consumo de vinho. 2002. Se não houver mudanças. especialmente o tinto...C. SANTOS FILHO. cerca de 40% e a doença isquêmica do coração em 15% (SANTOS FILHO. J. PENNA. SP.S. 1. SIPP.4%) e I.C. Food Nutr.. 2004. sobre modificar o estilo de vida através da prática de atividades físicas. 163-176. 17.C. 2004). 2009.C. D.. 2007). 2006. principalmente por infarto agudo do miocárdio (I..9%) (BRASIL. Estudos prospectivos indicam que o controle de alguns dos fatores de risco independentes pode reduzir de forma importante a morbi-mortalidade secundária à aterosclerose (RIQUE. 2006. cabe destacar o resveratrol. SOARES..V. 36.C. NASCIMENTO. SOUZA. Pode-se dizer que as dislipidemias são distúrbios do metabolismo lipídico que podem contribuir para o desenvolvimento das D.V. a redução do LDL em cerca de 30% diminuiria o risco de I. as estimativas não são diferentes. (SIPP. reduziria o A. que é classificado como a substância que mais beneficia o organismo com proteção à doenças (ANDRADE. SANTOS. 2007). ingerido em quantidade moderada. abr. (22.. 2006.. redução do tabagismo. SOUTO 167 . Desses óbitos 43% foram devido a ataques cardíacos e 32% devido a A.V. Estudos desenvolvidos no mundo todo comprovam que o vinho.A. as D. Os compostos aos quais foram atribuídas as possíveis ações terapêuticas do vinho são conhecidos como compostos fenólicos ou polifenóis. representando 30% de todas as mortes no mundo. O controle de dislipidemias é um fator importante na prevenção de D. Segundo Santos Filho e Martinez (2002). 2007.M. 2001). 1994. A lipoproteína de baixa densidade (LDL) tende a se depositar nas artérias e está associada ao início e à aceleração do processo aterosclerótico. BERTAGNOLLI et al. assim como o de H.) e A. BERTAGNOLLI et al. 2004.5 milhões de pessoas morreram de D. p. Para prevenir doenças. SOUZA. 2005). Da mesma forma.. tendem a continuar sendo a principal causa de morte (GIEHL et al. a diminuição da H. Brazilian Soc. PENNA. HECKTHEUER. As pesquisas relacionam o consumo moderado de vinho a benefícios à saúde humana no que diz respeito às D.V.V. S. 2007. Dentre estes compostos. à quimio-prevenção de vários tipos de câncer e outras doenças (ANDRADE. SOUZA FILHO. o A. Cerca de 80% destas mortes ocorreram em países de rendas média e baixa. 2005.8%). MARTINEZ.

Dados do Projeto MONICA levaram ao surgimento do famoso “Paradoxo Francês”. RIQUE. anti-inflamatória. 2005. URQUIAGA et al. Nutrire: rev. 2006. PASTORE. Food Nutr. MAMEDE. mostram potencial para modificar o metabolismo humano de maneira favorável à prevenção do câncer e de outras doenças degenerativas. frutos secos e vinho tinto regularmente e com moderação. 2006. PENNA. NASCIMENTO. 2007.. Diferentes bebidas alcoólicas também foram avaliadas em algumas pesquisas epidemiológicas na prevenção das D. (ANDRADE. 2002. MAMEDE. quando ingeridos diariamente em determinadas quantidades. 2006. têm a metade dos problemas cardiocirculatórios (ABE et al. PASTORE. HECKTHEUER. S... Vários outros estudos surgiram a partir desta descoberta exaltando o vinho como uma bebida com atividades antioxidante. são mais sedentários. URQUIAGA et al. 163-176. 2004).C.C.. 2004). Essas substâncias bioativas presentes nas uvas.. em comparação a outras regiões. Diante desse resultado pode-se observar que a ingestão moderada de bebidas alcoólicas. SOUZA FILHO. COSENZA. J. 2004). 2011.V. legumes.. 1994. Durante os anos de 1985 a 1993.A. (ANDRADE. MONFRÓI. Possuem compostos fitoquímicos bioativos que.. ARAÚJO et al. MAMEDE. 2004.= J. A baixa incidência de doenças em alguns povos chamou a atenção para a sua alimentação. SOUSA NETO. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. 2007. 36. O vinho é considerado um alimento funcional (AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION.C. DA LUZ. observaram uma diminuição no percentual de ácidos graxos saturados e aumento no percentual de ácidos graxos monoinsaturados (MUFA) e polinsaturados (PUFA) no plasma. Nutr. Bras. no entanto. GIEHL et al. 2006. ISHIMOTO. 2005.DOMENEGHINI. SP. Este projeto demonstrou menor incidência de D. anticarcinogênica e vasodilatadora (ABE et al..A. p... São Paulo. Populações que consomem dietas ricas em frutas. antimicrobiana. 2004. v. 2004). FERRARI. devido ao consumo de álcool (ANDRADE. 1994). 2001). fumam mais e consomem mais gorduras saturadas e. MAMEDE. inclusive a prevenção e o tratamento de doenças. SOUSA 168 . Bélgica e Espanha. na França. 2007. A. TORRES. 2006. Soc. MEIRELLES. Estudos intervencionais realizados em seres humanos objetivando comparar os efeitos de dietas mediterrâneas e ocidentais. 2004). também podem ser encontradas em frutas e verduras (ANJO. PASTORE. onde afirma que os franceses.. 2005). ANDRADE. 2007. GIEHL et al. Brazilian Soc. 2006. F. C. COSENZA. 2004. 2004). têm uma vida mais longa e com menos doenças crônicas do que outras populações ocidentais (MEZZANO. LEMES. 2005. quando comparados com outros povos do mesmo nível socioeconômico-cultural. regionais e temporais de 37 países. 2004. Alim. sobretudo vinho tinto. 2009. ANJO. PASTEN. D. PASTORE. SOUSA NETO. 2006. Alimentos funcionais são definidos como qualquer substância ou componente de um alimento que proporciona benefícios para a saúde. Isto sugere que o vinho tinto reduz o risco de doença cardiovascular (URQUIAGA et al. S. GRENETT. SOARES. et al. n. 1. suplementadas com vinho tinto. reduzia o risco de morbi-mortalidade cardiovascular em 40 a 60% (ARAÚJO et al. 2004). Estudos posteriores surgiram evidenciando uma relação benéfica entre álcool e D.. Esse tipo de alimentação é característica da Dieta Mediterrânea. a OMS desenvolveu o Projeto MONICA (“MONItoring system for CArdiovascular disease”) com o objetivo de estudar as características populacionais. abr.

TORRES.. 2006. ARAÚJO et al. 36. NETO. PASTORE. S. A eles cabe proteger essas plantas dos ataques físicos como a radiação ultravioleta do sol e dos ataques biológicos por fungos. de leve a moderado. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. FALLER.. COSENZA. porém menor foi sugerida com o consumo de cerveja por Di Castelnuovo et al. Além disso. 2001.V. 2004). Uma série de pesquisas sugeriu que os compostos fenólicos..C. Em uma metanálise envolvendo 209. S. Alim. abr. Nos vinhos. MAMEDE. 2006. PASTORE. 2005. A. SOUSA NETO. Nutr. n. Acredita-se que a ingestão de quantidades moderadas de álcool. LEMES.. DA LUZ. MAMEDE.. 2007. Brazilian Soc. 2002)..418 indivíduos mostrou que o risco relativo para o desenvolvimento de D. FIALHO. DA LUZ. de até 30 gramas por dia (DA LUZ.000 tipos desses compostos químicos presentes nos vegetais (ARAÚJO et al. Ainda neste mesmo estudo foi encontrada uma associação benéfica significativa com o consumo diário de 150mL de vinho. 2007. o que é considerado benéfico do ponto de vista de risco cardiovascular (MEZZANO. DI CASTELNUOVO et al. principalmente em função da elevada capacidade antioxidante (ABE et al. como Alzheimer e demência (BERTAGNOLLI et al. Polifenóis são substâncias que tornam o vinho uma bebida diferente de todas as outras. v. Estes dados corroboram a associação inversa entre o consumo frequente. MAMEDE. os compostos fenólicos apresentam comprovados efeitos anticarcinogênicos in vitro e in vivo. entre outras. 2007).. 2005. O consumo moderado de vinho tinto melhora a função cardíaca no miocárdio isquêmico através da proteção da função endotelial (ANDRADE. COIMBRA. 2011. NASCIMENTO. DAS.C. 2006. reduz a interação plaquetária com a parede vascular. constituindo promissores alimentos funcionais para a prevenção do câncer (FERRARI. 2004. SP. PASTORE.. Uma associação semelhante. 2007.= J. 1994. Soc. GIEHL et al. Food Nutr. D. foi menor no consumo de vinho do que para o consumo de cerveja quando comparados aos abstêmios. tenha efeito protetor nas coronariopatias. SOUZA FILHO. MONFRÓI.. DHALLA. MONFRÓI. 2005). C. O vinho tinto demonstrou ter um benefício maior entre as bebidas alcoólicas nesta prevenção (ANDRADE. vírus e bactérias. câncer. já foram identificados cerca de 200 polifenóis com importantes efeitos antioxidantes (ANJO. 163-176. 2006. GRENETT. p. 2006. COSENZA.. 2002). 1. 2006). As ações fisiológicas exercidas pelos polifenóis foram relacionadas à prevenção de D. 2006). PASTEN. São conhecidos mais de 8. 2004). neurodegenerativas. DI CASTELNUOVO et al. 2002). 2002). (2002). 1994. 2006). Bras. SOUZA FILHO. 169 . 2005). 2007) e. F. 2006. COMPOSTOS FENÓLICOS DO VINHO Outros estudos pormenorizaram os benefícios do vinho e descobriram uma série de substâncias que teriam maiores e melhores efeitos do que o álcool ao organismo (ANDRADE. GIEHL et al. através do aumento da HDL e redução do fibrinogênio (ANDRADE.V.DOMENEGHINI. também tem sido relacionado à redução da ocorrência de câncer e doenças degenerativas. O álcool age no fígado e assim aumenta os níveis de HDL (ANDRADE. SANTANI. 2006. Nos vinhos. 2009. 2004. J. DI CASTELNUOVO et al. DA LUZ. de vinho com o risco de doença vascular.. São Paulo. Nutrire: rev. presentes no vinho tinto associados com o álcool eram os responsáveis por limitar o início do processo aterosclerótico (ANDRADE.. 2005.

TORRES. 2004). o resveratrol pertence ao grupo de nãoflavonoides. e foi apontado em estudos científicos como o principal fator de proteção à saúde encontrada em vinhos (GIEHL et al. 1994). v. todavia é consenso de que são responsáveis também pelo sabor e cor do vinho (FREITAS. violeta e todas as tonalidades de vermelho presente em flores e frutos. 2007. são subdivididos em duas categorias: flavonoides e não-flavonoides. Apesar de a classe de flavonoides ser a mais estudada e possuir mais de 5. 2004). GIEHL et al. Apesar de os vinhos brancos possuírem polifenóis em menor número.. INOUE. 2007). estão limitados ao vinho. para a coloração do vinho. 2006. não há consenso na literatura. Os que apresentam alto peso molecular são responsáveis pelo sabor adstringente. 2006. induzindo a liberação de óxido nítrico e promovendo a vasodilatação. 1. 2002. Nutr.= J. Estudos apontam que os taninos estão inseridos na classe de flavonoides (MALACRIDA. porém. SOUSA NETO. S. FIALHO. já os de baixo peso molecular tendem ao sabor amargo (ANJO. MAMEDE.. PASTORE. COSENZA.. Estes efeitos. presentes no vinho tinto. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. FERRARI. mesmo assim influenciam no aroma e gosto dos vinhos brancos (ABE et al. 1994). 2007.. 2006). As mesmas são responsáveis pelo sabor. 2005. FIALHO. outros mostram que eles pertencem à classe de não-flavonoides (SOUSA NETO. (2007). Dentre a classe dos flavonoides podemos encontrar a antocianina. F. nas sementes e principalmente na casca das uvas. sendo subdivididos em classes de acordo com a estrutura química de cada substância (FALLER. HECKTHEUER. As antocianinas. D. 2009). 2009). autores afirmam que esses têm uma ação antioxidante mais potente (SAMUEL et al. as antocianinas contribuem para os atributos sensoriais e. 2005. principalmente. 170 . PENNA. Food Nutr. MIWA.. que são fermentados na presença das cascas e sementes. epicatequina e a quercetina. fermentados na ausência delas. 2004) e estão distribuídos nas folhas da videira. são os principais compostos fenólicos responsáveis pelo sabor e adstringência de vinhos e sucos de uva. 2006. p. PASTORE. Alim. 2008). cor e adstringência de vinhos e sucos de uva (ABE et al. A. São Paulo. Soc..DOMENEGHINI. catequina. são responsáveis pela maioria das cores azul. atribuindo ao tinto melhores benefícios para a saúde (ANDRADE. SP. GIEHL et al.000 compostos identificados (FALLER. para a coloração do vinho. abr. Sobre sua classificação. O tanino é outra substância polifenólica presente no vinho.. Os compostos fenólicos representam um constituinte importante para a produção de vinhos tintos porque contribuem para os atributos sensoriais e. Os polifenóis compreendem o maior grupo dentre os compostos bioativos nos vegetais. em especial. 2011. S. Brazilian Soc. 2004). Os compostos fenólicos também são encontrados em uvas brancas. Todas essas substâncias são antioxidantes derivadas geralmente das sementes e da casca da uva (ANDRADE. LEMES. É por isso que os vinhos tintos. COSENZA. 2004. têm cerca de 10 vezes mais polifenóis que os vinhos brancos. porém em baixas concentrações. MOTTA. C. SOUSA NETO.. já que não são claros em estudos com sucos de uva (ANDRADE. 2007). 163-176. MOTTA. J. Bras. 36. inibindo agregação plaquetária. Em uvas tintas. 2007. Estes polifenóis. COSENZA. os polifenóis do vinho tinto apresentam vários efeitos antiaterogênicos atuando como antioxidantes no colesterol LDL. MAMEDE. principalmente. sobretudo em sementes de uvas. 1997). MIYAGI. Nutrire: rev. MALACRIDA. n. As catequinas e epicatequinas presentes. Segundo Giehl et al. 1994).

o resveratrol é produzido como uma defesa. são indispensáveis ao organismo.. 2001). 2007. B3. conhecidas como uvas finas como Cabernet Sauvignon. HECKTHEUER. vitamina C e vitaminas do complexo B (B1.. ANDRADE. porém existem diferenças nas quantidades de resveratrol (ABE et al. Em alguns países da Europa. PENNA. Tannat. Herbemont. KROGH et al. 2004. As concentrações de resveratrol encontradas nos diferentes tipos de vinhos variam em função da infecção fúngica. 2006. 2001). a síntese de resveratrol é concentrada na casca e está ausente ou presente em baixíssima quantidade na polpa da fruta (BERTAGNOLLI et al. No grão de uva. D. origem geográfica. 2011.. 171 ... SOUTO et al. de vinhos comuns. HECKTHEUER. Nutrire: rev. Quanto mais intensa a coloração da uva. 2007. 2004). 2001). O RESVERATROL Dentre todas essas substâncias polifenólicas destaca-se uma em especial: o resveratrol. TORRES. SAUTTER et al. amora. Merlot. 2004). PENNA. essa substância é sintetizada na casca como resposta ao estresse causado por ataque fúngico na videira. cultivo da uva. A. C. 1994). e também em Vitis labrusca que são uvas rústicas. BERTAGNOLLI et al. FERRARI. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular... 163-176. O resveratrol (3. HECKTHEUER. Os compostos fenólicos são encontrados em espécies Vitis vinifera. zinco. SAUTTER et al.. 2004). Isabel e Niágara. diferente dos demais (ANDRADE. por dano mecânico ou por irradiação de luz ultravioleta (ABE et al. magnésio. SAUTTER et al.. 2007. vitaminas e minerais. HECKTHEUER. cobre. abr. flúor. 2004. Alim. sempre que a planta sofrer agressões. v. SOUTO et al. PENNA. pois na produção de vinhos tintos a casca participa do processo de fermentação. pois contém carboidratos. o vinho é considerado um complemento alimentar. É por isso que em vinhos provenientes de uvas tintas. 2009. Pinot Noir. DUDLEY et al. PENNA.. J.5. 2004. GUTIÉRREZ MAYDATA.. HECKTHEUER. boro e silício que. PENNA. SOUTO et al. SOUTO et al. 2005. B5 e B8) (DAUDT. Estudos recentes mostraram que os efeitos benéficos do vinho provêm principalmente desta substância (ABE et al. PENNA. Sangiovese e outras produtoras de vinhos finos. LEMES. Soc. Ou seja. Bras. Concord. Nutr. 2007). Entre os minerais presentes destacam-se potássio. mesmo em quantidades pequenas. O resveratrol da uva aumenta no processo de transformação em vinho pela ação de contato com a casca (BERTAGNOLLI et al.DOMENEGHINI. 1. HECKTHEUER. 2004.. 2001).... 2004. p. SAUTTER et al. 2005). maior conteúdo de compostos fenólicos e capacidade antioxidante ela apresenta (ABE et al. Brazilian Soc. como glicose e frutose. PENNA. SOUSA NETO. S. S. Na uva. iodo. Food Nutr. 2004. 2005. tipo de vinho e práticas enológicas (BERTAGNOLLI et al. n. 2007.. SAUTTER et al. alumínio.= J. amendoim. 2005.. 2002. 2007. 36.. provenientes da uva (PENNA. 2007. 2006. 2005)..4’-triidroxiestilbeno) é uma substância natural produzida por diversas plantas como eucalipto. F. São Paulo. COSENZA. Possui em sua composição de 80 a 85% de água e de 10 a 13% de álcool dependendo da variedade. porém a principal fonte são as uvas e seus derivados (ABE et al. O vinho ainda fornece energia na forma de açúcares. 2002. 2007. as quantidades que aparecem são maiores do que em sucos de uva ou em vinhos brancos e rosados. 2007.. pois o mesmo é formado a partir de açúcares presentes na uva. SP. HECKTHEUER...

p. Entre eles o vinho que apresentou maior teor de compostos fenólicos e intensidade de cor foi o Tannat. diminuindo assim riscos de aterosclerose (BERTAGNOLLI et al. 36.. como anticoagulante e vasodilatador. Estudos confirmam que o resveratrol diminui a agregação plaquetária.75mg/L) e Merlot (5.. 2007. 2001). São Paulo. 2001 avaliou os teores de resveratrol de vinhos brasileiros comparados aos importados. juntamente com outros polifenóis o que inibe certos fatores de risco para D. SP. S. Grécia.43mg/L). comparado ao controle (DUDLEY et al. Japão. PENNA. 2009). HECKTHEUER. Ou seja. e atividade anti-inflamatória (BERTAGNOLLI et al.. A. C. Brazilian Soc.. inibição da atividade dos receptores de hormônios andrógenos em células tumorais prostáticas (DUDLEY et al.. GUTIÉRREZ MAYDATA. 1994. 2009. 2008). SOUSA NETO.. J... 2001). podendo posteriormente mudar esta classificação atual. Apresenta também capacidade antitumoral através da indução da morte de células neoplásicas. F. Portugal. 2006). Os vinhos brasileiros analisados com maiores concentrações de resveratrol foram Sangiovese (5. realizado também no Brasil. Um estudo inédito no Brasil realizado por Souto et al. além de haver uma diminuição quando comparados somente com a dieta. 2002. PENNA.V. 2004). HECKTHEUER. 2007. analisando vinhos tintos avaliou quantidade de compostos fenólicos e quantificação de cor das variedades Vitis vinifera: Cabernet Sauvignon. o mesmo não sendo confirmado no suco de uva (ANDRADE. Nutrire: rev. ANDRADE.A. FERRARI. 2007.DOMENEGHINI.M. TORRES. Esta propriedade se deve pela identificação do tirosol em vinhos brancos.. PENNA. Estudo realizado com ratos alimentados com resveratrol por 14 dias mostrou uma melhor recuperação pós-isquêmica e redução de I. Tannat e Merlot. Canadá. o vinho branco é considerado tão cardioprotetor quanto o tinto (SAMUEL et al. GUTIÉRREZ MAYDATA. 2004). Esta proteção dada inicialmente à videira é transmitida pelo vinho e beneficia o organismo através do consumo regular e moderado (ABE et al. devido ao maior teor de antocianina presente nessa variedade de uva (FREITAS. GIEHL et al.. n. Os efeitos benéficos do resveratrol vão além do sistema cardiovascular. Chile e Argentina.= J. Food Nutr. Apesar de possuir quantidades menores de resveratrol. BERTAGNOLLI et al. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. 163-176. abr. S. 2011. LEMES. D. esta substância é capaz de induzir proteção contra isquemias e prolonga a longevidade de substâncias benéficas (SAMUEL et al. SOUTO et al. através da interferência na síntese das prostaglandinas. v. Outro estudo. O resveratrol também seria responsável pela redução da viscosidade do sangue. Soc. além do resveratrol. 2007..C. 2004. 2002. HECKTHEUER. ou com a dieta mais produtos não alcoólicos do vinho. Nutr. 2006. Bras. 1. Alim. Este estudo verificou também que as concentrações de resveratrol em vinhos Merlot e Cabernet Sauvignon vêm aumentando nas últimas safras.. SOUTO et al. o vinho tinto 172 .. que são mediadores inflamatórios. 2002. 2008). Estudo realizado com coelhos demonstrou que o vinho tinto diminuiu placas ateroscleróticas macroscopicamente nos animais alimentados durante 3 meses com dieta hipercolesterolêmica. Foram analisadas 36 amostras de diferentes variedades de vinhos e observou-se uma média superior aos valores apresentados na literatura para vinhos da Califórnia. COSENZA. Assim. 2007).. 2006.

VINHO: OUTROS BENEFÍCIOS X MENOR RISCO DE D. parece fornecer maiores benefícios do que qualquer outro tipo de bebida alcoólica.. relaxante com alteração do humor e alívio do estresse. Provenientes da uva. como na redução da pressão arterial. INOUEL. (MALACRIDA. 2007. para oferecer efeitos benéficos sem comprometer a saúde do organismo e proteger o sistema cardiovascular (ABE et al. 1994). pois previne a precipitação destes no trato digestivo. p. S. 1. 1997). INOUEL. Nutrire: rev. A. como a diminuição da agregação plaquetária. provavelmente devido aos polifenóis. SOUSA NETO. 2005). São atribuídos ao vinho ações como a melhoria da qualidade de vida dos idosos.V. além do prazer sensorial e do seu alto valor nutritivo (SOUSA NETO. Alim. MIYAGI. o vinho pode atuar beneficamente no organismo além dos efeitos relatados ao aparelho cardiovascular. Há controvérsias quanto aos benefícios atribuídos ao vinho serem maiores do que os do suco de uva. os polifenóis estão presentes nos seus derivados. 2005. 2007. 2001). o suco de uva melhora os fatores de risco relacionados ao desenvolvimento da aterosclerose. Diante disso. COIMBRA. Este resultado deve-se à melhor absorção dos flavonoides do vinho pelo intestino do que os do suco de uva (MIYAGI. 2007. pois outros estudos afirmam a maior eficácia do suco aos benefícios à saúde. mostrou uma significativa inibição da oxidação de LDL colesterol com vinho tinto. a presença de etanol no vinho aumenta a absorção de compostos fenólicos. porém em quantidades diferentes. MOTTA. porém não evita a oxidação do colesterol LDL (GIEHL et al. SP. 163-176. São Paulo. abr. Argumenta-se ainda que a menor incidência de D. tais como a expressão endotelial de moléculas de adesão vascular (DA LUZ.C. 1997). o suco de uva pode ser considerado uma boa fonte de compostos fenólicos (MALACRIDA. A presença do álcool atesta benefícios. em consumidores moderados e habituais de vinho pode estar associada a um estilo de vida mais descontraído (GIEHL et al.. MOTTA. mas não com o suco de uva. Além de induzirem o relaxamento vascular os flavonoides e não-flavonoides inibem muitas das reações celulares associadas com aterosclerose e inflamação. J.= J. 1997). C.DOMENEGHINI. 2005. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular.. Os conteúdos de compostos fenólicos totais encontrados para os sucos de uva são semelhantes aos encontrados para o vinho tinto. INOVE. Em doses moderadas. embora o suco tenha apresentado maiores quantidades de flavonoides. v. MOTTA. MIYAGI. 2006.. Nutr. Porém. 173 . 36. Por outro lado. esses são mais facilmente absorvidos pelo organismo quando provenientes do vinho. MOTTA. MALACRIDA. D. Brazilian Soc. Comparando os efeitos do consumo de vinho aos do suco de uva. MIWA.. reduz a pressão arterial e melhora a função endotelial. 2005). COSENZA. o consumo de vinho deve ser regular e moderado de uma a duas taças ao dia (300mL). Miyagi et al. em estudo realizado com 20 voluntários (8 homens e 12 mulheres) que consumiram 300mL de ambas as bebidas.V. LEMES. S. COSENZA. Food Nutr. MALACRIDA. O suco de uva contém mais compostos fenólicos do que o vinho (GIEHL et al. Assim como o vinho. 2007). Soc. MIWA. a outras bebidas alcoólicas e não somente o vinho (ANDRADE. n. Bras. F. 2011. MIWA. 1994).C.

394-400. M.. 2006. SOUZA FILHO. C. v. PASTORE. 145-154. 2001.= J. HECKTHEUER. 2009. COIMBRA. 2004. sendo de complemento alimentar a alimento. MOTA. para menores de idade. ANDRADE. COSENZA. AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION. REFERÊNCIAS/REFERENCES ABE. 2004). L. Ciênc. há risco de oclusão vascular. fibrilação arterial.. Alim. 1994). portanto.S. 2001. crimes sexuais. COIMBRA. p. de sua condição psicológica e de saúde em geral. câncer gastrintestinal. o consumo regular e moderado traz benefícios à saúde e principalmente ao sistema cardiovascular. DA LUZ. A. em casos de alcoolismo. 2004). ANJO.. 2004. 2004. acidentes industriais e de tráfico. FERRARI. p. A. 36. insuficiência hepática e diabetes (DA LUZ. se os riscos forem avaliados. aliment.. C. LAJOLO.V. HECKTHEUER.C.Faculdade de Medicina. v. COSENZA.. v.. Nutr. et al. roubos e psicose. MONFRÓI. assim como de vinho. S. síndrome alcoólica fetal. 2005). 735-746. GENOVESE.. 2006. cirrose hepática. 2. Compostos fenólicos e capacidade antioxidante de cultivares de uvas Vitis labrusca L.DOMENEGHINI. arritmias. MAMEDE. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. F. CONSIDERAÇÕES FINAIS O vinho pode ser considerado mais do que uma bebida alcoólica. 109. Position of the American Dietetic Association: Functional Foods. o vinho pode ser indicado como tratamento e prevenção das D. 2006. TORRES. 2006. p. assassinatos.. ISHIMOTO. a dose recomendada de resveratrol e outros efeitos desta substância se for utilizada de forma isolada e não através do consumo de vinho. V. Na dose correta. Alimentos funcionais em angiologia e cirurgia vascular. n. Em indivíduos que ingerem álcool em excesso. por razões de saúde não deve ser incentivado. SOUSA NETO. Nutrire: rev. 2. Ação do vinho tinto sobre o sistema nervoso simpático e a função endotelial em pacientes hipertensos e hipercolesterolêmicos. 2001. bras. n. 2008. observando as contraindicações que dependem de cada indivíduo. Sugerem-se mais estudos para o esclarecimento de dúvidas como os efeitos do suco de uva. além da dependência alcoólica que é um grave problema de saúde (DA LUZ. PENNA. Bras. n. SANTANI. 163-176.. As características sensoriais atraem o consumo do vinho. PENNA.V. No entanto.A. abr. p. Brazilian Soc. 2006. n. DAS. o consumo excessivo de qualquer bebida alcoólica. Food Nutr. GRENETT. F. D. e. São Paulo. COIMBRA. porém o consumo de doses elevadas e uso indiscriminado de álcool. como todas as outras bebidas alcoólicas são contraindicadas em casos de transtornos no aparelho digestivo. porém são os compostos fenólicos os dignos de mérito quanto aos benefícios à saúde.. 2011. F. 1. Assim o vinho. 4. J Am Diet Assoc. e Vitis vinifera L. 1994. I. estão associados à H. DA LUZ. 174 . Soc.C. Tal como o vinho. J. 2007. T. M. 3. C. O consumo de vinho deve ser cuidadosamente indicado em caso de prevenção à D. o suco de uva traz benefícios. SP. HECKTHEUER. deve ser evitado (DA LUZ. DHALLA. D. tecnol. 2006. Universidade de São Paulo. S. porém menos significativos que os do vinho. 27. v. SAMUEL. PENNA. R. 2007. LEMES. São Paulo. J. PASTEN. Tese (Doutorado) . SOUSA NETO. vasc.. M. inclusive o vinho. Assim.

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URSULA VIANA BAGNI1. However. RJ. V. Cidade Universitária. Carlos Chagas Filho. Ilha do Fundão. Iron-Deficiency. 2º andar. Nutr.com 177 . Av. Universidade Federal do Rio de Janeiro. 177-188. = J. Endereço para correspondência: Ursula Viana Bagni Instituto de Nutrição Josué de Castro. SP. 2011. who tend to gradually reduce their activity level to avoid discomfort arisen from increased cardiac stress. The increased inflammatory activity in the adipose tissue of the obese person favors the production of hepcidin. São Paulo. VEIGA. thus reducing circulating iron and favoring anemia. CEP 21941-590. Rio de Janeiro. which in high concentrations negatively regulates the export of iron in duodenal enterocytes and macrophages.. Obesity. Nutrire: rev. 373. 1. Chronic Disease. U. Furthermore. Bras. n. Food Nutr. Centro de Ciências da Saúde.Artigo de Revisão/Revision Article Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas Iron-deficiency anemia and obesity: a new look at old problems ABSTRACT BAGNI. The complex relationship between anemia and obesity requires professionals to seek new strategies that are effective in coping with the combination of these nutritional problems. Bloco J. Alim. and the second. thus indicating a possible link between these diseases. Universidade Federal do Rio de Janeiro. which favors weight gain. since the first would be associated with nutritional deficiencies. Keywords: Anemia. anemia in obese people could favor the perpetuation of obesity. with excesses. 36. Soc. v. p. abr. Brazilian Soc. recent findings suggest that obesity could predispose to iron-deficiency anemia. since aerobic capacity and resistance to physical efforts are impaired in anemic individuals. G. Iron-deficiency anemia and obesity: a new look at old problems. V.. E-mail: ursulaviana@gmail. GLORIA VALERIA DA VEIGA1 1Instituto de Nutrição Josué de Castro. The coexistence of iron-deficiency anemia and obesity could represent an apparent paradox.

RESUMEN RESUMO La coexistencia de anemia ferropénica y obesidad podría representar un aparente paradojo. Todavia. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. evidenciando possível relação entre estas doenças. Soc. abr. VEIGA. já que anêmicos têm capacidade aeróbica e resistência aos esforços físicos prejudicados e tendem a reduzir. reduzindo o ferro circulante e favorecendo a anemia.= J. 177-188. Por otro lado. ya que la primera estaría asociada con deficiencias alimenticias y la última con excesos. São Paulo. visto que a primeira estaria associada à carências nutricionais e a outra a excessos. Nutrire: rev. descobertas recentes sugerem que a obesidade poderia predispor a anemia ferropriva. Esta compleja relación entre anemia y obesidad requiere que los profesionales busquen nuevas estrategias que sean eficaces para hacer frente a esta combinación de problemas nutricionales. Brazilian Soc. 178 . Por outro lado. hallazgos recientes sugieren que la obesidad puede predisponer a la anemia por deficiencia de hierro. 36. disminuyendo el hierro circulante y promoviendo el aparecimiento de anemia. Palabras clave: Anemia ferropénica. Obesidade. Nutr. seu nível de atividade para evitar desconfortos decorrentes do maior esforço cardíaco. gradativamente. V. 2011. señalizando una posible relación entre estas enfermedades.BAGNI. Obesidad.. A aumentada atividade inflamatória no tecido adiposo do obeso favoreceria a produção de hepcidina. a anemia no obeso favoreceria a perpetuação da obesidade. Enfermedad crónica. Sin embargo. U. Doença crônica. p. Palavras-chave: Anemia ferropriva. n. Food Nutr. v. favorecendo o ganho de peso. que en altas concentraciones regula negativamente la salida de hierro en los enterócitos duodenales y los macrófagos. A coexistência da anemia ferr opriva e obesidade poderia aparentemente representar um paradoxo. V.. Esto provoca más aumento de peso. Bras. 1. Esta complexa relação entre anemia e obesidade impõe aos profissionais buscar novas estratégias que sejam eficazes para o enfrentamento dessa combinação de problemas nutricionais. G. SP. El aumento de la actividad inflamatoria en el tejido adiposo de los obesos favorece la producción de hepcidina. Alim. que em altas concentrações regula negativamente a saída do ferro em macrófagos e enterócitos duodenais. la anemia en los obesos puede favorecer la perpetuación de la obesidad. porque personas anémicas tienen la capacidad aeróbica y resistencia al esfuerzo físico perjudicados y tienden a reducir gradualmente su nivel de actividad para evitar el malestar derivado del mayor esfuerzo cardíaco.

2008). U. tanto em indivíduos adultos (LECUBE et al. tem sido um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento da anemia ferropriva na população. o presente artigo traz uma revisão sobre o tema e discute acerca das possibilidades de que o melhor conhecimento sobre a 179 . a coexistência de obesidade e anemia. SELTZER. México. a associação entre a obesidade e anemia ferropriva foi explicada pela alimentação desequilibrada dos indivíduos acometidos por estes dois problemas nutricionais (NEAD et al.. 2001. Se por um lado a manutenção de uma dieta desequilibrada por longo prazo pode favorecer o aparecimento da anemia ferropriva e outras deficiências nutricionais (COMITÉ NACIONAL DE HEMATOLOGÍA. 2008). 1989. 2006.. 2004. V. Assim. MAYER. a anemia por deficiência de ferro é considerada pela Organização Mundial de Saúde como um problema de saúde pública. 2006. 1963. essa relação também veio sendo observada por diversos outros autores. 1963). outro problema de proporções epidêmicas da atualidade. particularmente no Brasil. p. Já na década de 1960. Marrocos e Tailândia (ZIMMERMANN et al.. MAYER. particularmente durante a gestação e a primeira infância. designada como “dupla carga de problemas nutricionais”. Durante muito tempo. mais expressivo. Food Nutr. Bras. Nutrire: rev. abr. STEVENS. 2008. MENZIE et al. Egito e Peru (ECKHARDT et al. descobertas recentes nos campos da fisiologia e biologia molecular suscitaram a discussão de que a obesidade propriamente dita. VEIGA. WENZEL. 1. 2008). Posteriormente. vitaminas C e A).. 2007) como em crianças e adolescentes (MOAYERI et al. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. Soc. VITALLE. Entretanto. STULTS. 177-188. e não a dieta. A literatura ainda é muito incipiente quanto à relação entre anemia ferropriva e obesidade. meio século depois. 2006. ALBANES. já vem sendo encontrada em diversos países. Brazilian Soc. 2001.. 2003).. 2004. Hoje. As práticas alimentares também exercem importante papel no desenvolvimento da doença. INTRODUÇÃO Desde o final da década de 1950. 2008).BAGNI... Nutr. VITALLE.. NEAD et al. BRAGA. PINHAS-HAMIEL et al. MICOZZI. poderia ser o fator predisponente para o desenvolvimento da anemia ferropriva em diversos indivíduos (ZIMMERMANN et al. MAYER... AMÂNCIO. G. 2008). Nesse sentido. como a obesidade e as alterações metabólicas relacionadas (VASKONEN. Alim. assim como o consumo concomitante de inibidores da biodisponibilidade do ferro (ex.. 2003. SP. WORLD HEALTH ORGANIZATION. n. 36. consumo inadequado de estimuladores da absorção do ferro junto às refeições (ex. cálcio e ácido fítico) (COMITÉ NACIONAL DE HEMATOLOGÍA.. 2001.= J. por outro lado.. Índia. 2011. V. BRAGA. São Paulo. 2008). a doença permanece com elevada magnitude e encontra-se entre as mais graves deficiências nutricionais no mundo (WORLD HEALTH ORGANIZATION. v. especialmente aqueles em transição nutricional como o Brasil (BATISTAFILHO et al. 2006). O aumento na demanda orgânica por ferro. PINHAS-HAMIEL et al. 2003). tais como: consumo insuficiente de ferro. 1962). YANOFF et al. pode também aumentar o risco de desenvolvimento de doenças crônicas. surgiam os primeiros estudos epidemiológicos demonstrando a maior proporção de deficiência de ferro entre indivíduos com obesidade (SELTZER. AMÂNCIO.

Nutrire: rev.3%) e obesidade (6. Foi priorizada a utilização dos descritores obtidos pelo Medical Subject Headings (MeSH) (http://www. 2011. relação entre estes dois distúrbios nutricionais possa influenciar as políticas e ações em saúde pública voltadas para a prevenção e controle dos mesmos.gov/mesh) e Descritores em Ciências da Saúde. (2004) constataram que crianças e adolescentes americanos com sobrepeso e obesidade apresentavam o dobro de chance de ter anemia por deficiência de ferro (OR=2. sobrepeso (overweight). Stults e Mayer (1962) verificaram que o nível sérico de ferro dos jovens obesos era significativamente inferior ao dos eutróficos.9%) (p=0. Nead et al. Albanes e Stevens (1989) verificaram que valores elevados de IMC estavam associados com baixas concentrações de 180 .bvs.2-5. Os descritores utilizados em português (e seus respectivos correspondentes em inglês) foram: ferro (iron).3 IC95%:1. p. e que a prevalência desse agravo aumentava. IC85% 1. tendo sido consultadas também as listas de referências dos artigos encontrados.6) quando comparados aos eutróficos.nlm. n..4-4.6. 177-188.= J. abr.001) (PINHAS-HAMIEL et al. 36. As expressões de pesquisa foram construídas combinando-se os descritores ou utilizando-os de forma isolada. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. Ovid e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Wiley Inter Science. VEIGA. se constatou maior chance de ter anemia ferropriva em crianças e adolescentes com sobrepeso (OR=3.1%) para sobrepeso (5.0 IC95%:1. 2003).5.3%) e obesidade (5. Bras. adiposidade (adiposity). Food Nutr.br).4-3. anemia da doença crônica (anemia of chronic disease). inflamação (inflammation).BAGNI. São Paulo. Soc. hepcidina (hepcidin). respectivamente). Nutr. 1. v.3µmol/L) foi significativamente menor que de crianças eutróficas (15. Science Direct. quando não disponíveis. Brazilian Soc. deficiência de ferro (iron deficiency). Alim.nih. Scielo. significativamente. O ano de publicação não foi utilizado como filtro para seleção dos artigos. U.5%) (p=0.9. Mais recentemente. V. Esta tendência também vem sendo observada em jovens de outras regiões. a concentração de ferro sérico de crianças e adolescentes com sobrepeso (10. termos livres foram aplicados para a realização da busca. DESVENDANDO A RELAÇÃO ENTRE ANEMIA E OBESIDADE Os primeiros estudos epidemiológicos demonstrando a maior proporção de deficiência de ferro entre indivíduos com obesidade surgiram na década de 1960. também. IC95% 2. SP. A maior prevalência de anemia entre indivíduos com excesso de peso e obesidade também vem sendo relatada entre adultos.8µmol/L) (p<0.002).001) (MOAYERI et al. resultado também verificado por Seltzer e Mayer (1963) em um grupo de 321 jovens de 11 a 21 anos de idade. à medida que o IMC se elevava da faixa normal (2.2-3.. Ao avaliar 355 adolescentes de 11 a 19 anos de idade. Em Israel.5 e OR=2..5%) para sobrepeso (5. 2006). Wenzel. (DeCS) (http:// decs. obesidade (obesity). A busca bibliográfica foi realizada no ano de 2010 nas bases de dados eletrônicas PubMed.. G.8) e obesidade (OR=2. Scopus. No Teerã. e que a prevalência de anemia aumentava à medida que o Índice de Massa Corporal (IMC) se elevava da faixa normal (2. Avaliando os dados da primeira edição do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES-I).6µmol/L) e obesidade (13. anemia ferropriva (iron-deficiency anemia). Micozzi. V.

Alim. NEMETH. com a descoberta da hepcidina. 177-188. GANZ. SELA. 1. GROTTO. LÖNNERDAL. Park et al.. a deficiência de ferro em obesos vem sendo demonstrada por outros pesquisadores (GILLUM. 2006). GANZ. 2004. significativamente. 36. tanto em homens quanto em mulheres. 2008. um mecanismo do hospedeiro para limitar a disponibilidade de ferro para micro-organismos invasores (ANDREWS. GANZ. mas no início da década de 2000.. a discussão acerca dessa relação começou a tomar novos rumos. 2006. 2006). potencializando ainda mais o efeito sobre a concentração de ferro circulante. p. 2008. NEMETH. interferindo na regulação da sua absorção intestinal e na sua reutilização pelo sistema reticuloendotelial (GRAF et al. sendo 181 . causando a diminuição no nível de ferro sérico e a instalação do fenômeno conhecido como “Anemia da Inflamação” ou “Anemia da Doença Crônica”. a saída de ferro das células. NEMETH. LÖNNERDAL. U. ZIMMERMANN et al. bloqueando a transferência do ferro que está no citoplasma dessas células para a transferrina no plasma (GANZ.. Citocinas inflamatórias favorecem esse aumento da produção de hepcidina (FLEMING. Ao entrar na circulação. enquanto a concentração de ferro circulante se reduz (FLEMING.. V.. v. 2000. YANOFF et al. 2008). Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. São Paulo. NEMETH. 2006.= J. e que a saturação de transferrina era. 2008. 2008. GANZ.. a hepcidina regula. NEMETH. Food Nutr. Nutrire: rev. VEIGA. No intestino. 2006. que o nomeou como Liver Expressed Antimicrobial Peptide 1 (LEAP-1). Nutr. 2006. V. 2001.. A síntese de hepcidina se reduz em situações de deficiência de ferro e hipóxia.. Bras. 2004. Consequentemente. 2006). G. que é a proteína transmembrana encarregada de exportar ferro das células. A hepcidina age ligando-se à ferroportina. Um ano depois. Mais tarde foi demonstrado que a hepcidina seria um hormônio chave na homeostase do ferro. MENA et al. Brazilian Soc. 2007. a retenção do ferro nos enterócitos leva à redução no aproveitamento do ferro dietético pelas células da membrana apical (FLEMING. GROTTO. a fim de evitar o acúmulo do metal e danos tissulares irreversíveis (LEONG. Sua produção também é aumentada durante infecções e inflamações. 2008). SP. 2006. Além disso. GANZ. mais baixa no maior quartil de IMC. Durante muito tempo. Essa ligação faz com que a ferroportina seja internalizada nos lisossomos citoplasmáticos e degradada. SELA. 2011. e é estimulada em situações de sobrecarga de ferro no fígado. MENZIE et al. A primeira descrição desse peptídio no plasma foi feita por Krause et al. negativamente. (2000). Desde então. A hepcidina é uma pequena proteína de 25 aminoácidos sintetizada principalmente nos hepatócitos e inicialmente caracterizada por apresentar atividade antimicrobiana (KRAUSE et al.. NEMETH. com a perda dessa proteína na superfície da membrana celular. que passou a ser denominado hepatic bactericidal protein (Hepcidin). GANZ.. 2008. abr.BAGNI. n. 2008) inclusive entre mulheres obesas pós-menopausa (LECUBE et al. a hepcidina também causa a internalização da molécula de ferroportina situada na membrana basolateral dos enterócitos. LEONG. PARK et al. 2008). ferro sérico em mulheres. especialmente nos macrófagos reticuloendoteliais envolvidos na reciclagem de ferro a partir de eritrócitos e enterócitos duodenais (FLEMING. Soc. o ferro degradado acumula-se nessas células. NEMETH. a dieta desequilibrada foi única hipótese aventada para explicar a relação entre anemia e obesidade. 2008). 2004). 2001). 2008). 2008. (2001) divulgaram a descoberta desse peptídio na urina.

6%. e consideraram improvável que isto se deva ao consumo alimentar inadequado. 2008).3±28.680.4fL. 36. (2009) também foi verificado que crianças obesas apresentaram menor concentração de ferro sérico (68.002). abr.0±5. 85. V.039.= J.0±9. os obesos tiveram menor concentração média de ferro sérico (72. os níveis séricos de hepcidina mostraram associação com o IMC (β=0.005) e o volume corpuscular médio (85. a massa gorda também afetou negativamente a concentração sérica de ferro (β= -0.6±8.5±34.0015) e inversa com 182 .8±35. 6%. apesar de crianças com sobrepeso e sem sobrepeso apresentarem consumo semelhante de ferro.0mM p=0.012). Alim. 2009). 177-188. Hurrell e Zimmermann compararam os níveis de hepcidina circulante.. p=0.9% vs. FAIN. 2006). é possível que a adiposidade em excesso possa predispor ao aparecimento da “Anemia da Doença Crônica” (McCLUNG.3%. ao verificar que em adultos americanos o ferro sérico (75. ZIMMERMANN.9±1.9%. KARL. 2004. além de maiores níveis de hepcidina (2. 23. HURRELL. p<0. 2006. p=0.3±9. No ano de 2009. n.05). GANZ. 23. 22.0±18.001). Nutr. 86.8±1. que age diretamente nos hepatócitos estimulando sua expressão (ANDREWS. p=0.001) que os indivíduos eutróficos.7µg/dL vs. v.6nmol/L vs. 88. São Paulo. Bras.001) e saturação de transferrina (20.0±61. Marrocos e Índia. a principal delas a Interleucina-6 (IL-6). p=0. Nutrire: rev. Aeberli.7% vs.. SP.3±58.3±6. Soc. A hepcidina sérica teve correlação direta com o IMC (r2=0. p=0. Uma vez que a obesidade está associada com o aumento da atividade inflamatória no tecido adiposo. e se correlacionaram negativamente com o IMC e a massa adiposa. comparados aos eutróficos. No estudo de Del Giudice et al.BAGNI. p=0. U. VEIGA. (2008).004).4 mM vs. NEMETH. Brazilian Soc. tais como características demográfi cas e dietéticas. p<0. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas.0001) foram significativamente menores nos obesos. 2009).02) e ferro corporal (β=0. com particular aumento na produção de IL-6 (BASTARD et al. p=0. p=0. G. sendo essa associação significativa mesmo após ajuste para variáveis de confundimento. Os autores verificaram que.029). p<0..2µg/dL. 2011. 1.10) e até mesmo superior de ferro heme (p<0. Ao investigar a relação entre o IMC e a absorção de ferro alimentar em mulheres e crianças da Tailândia. 2. COPPACK.9±5. V.022).. p=0. p. Zimmerman et al. assim como a quantidade e biodisponibilidade do ferro consumido por crianças de 6 a 14 anos com peso adequado e com sobrepeso. mas sim à ação da hepcidina sobre a redução de ferro absorvido e/ ou aumento da retenção do ferro nas células (AEBERLI. 2001.6nmol/L.1µg/dL. estado nutricional de ferro. Food Nutr. Os autores concluíram que existe uma baixa disponibilidade de ferro para eritropoiese em crianças com sobrepeso. A veracidade dessa afirmativa foi constatada por Yanoff et al. a saturação de transferrina (20.2µg/dL vs.8µg/dL vs.01) do que crianças não obesas. (2007). No estudo de Menzie et al. p=0.33. No modelo de regressão múltipla.02) e menor saturação de transferrina (18. 79. a deficiência de ferro foi significativamente maior naquelas com sobrepeso (20% vs. apontando para um menor aproveitamento do mineral nesse grupo (MENZIE et al.4fL vs. apesar de os indivíduos obesos apresentarem consumo semelhante de ferro total na dieta (p=0. Segundo os autores. 2006). as quais apresentavam níveis séricos de hepcidina significativamente maiores que as crianças não obesas (1.6µg/dL. na Suíça. (2008) também observaram que aqueles com IMC mais elevado apresentaram menor absorção do ferro oferecido em uma intervenção com alimentos fortificados com o mineral.330. 1.1% vs.

n. meninos anêmicos apresentaram a pior performance após serem submetidos ao teste de step (BATHIA. SESHADRI. e durante o tempo de lazer apresentam menor frequência cardíaca. o indivíduo com anemia. quanto pode ser causada por ela. e particularmente entre obesos. atividade aeróbica e gasto energético do que jovens com deficiência marginal de ferro ou com ferro adequado. G. Uma vez que a baixa concentração de hemoglobina no sangue leva à redução da capacidade aeróbica e resistência aos esforços físicos (NELSON. 1987) e teste de corrida de 1. o indivíduo anêmico vai.. 1994). gradativamente.003) (DEL GIUDICE et al. Brazilian Soc. 1993). TRIVEDI. pessoas anêmicas têm um aumento muito mais expressivo na frequência cardíaca durante a atividade física do que aquelas não-anêmicas. poderia também favorecer a manutenção e/ou agravamento da própria obesidade. OSKI. São Paulo. Nutrire: rev.37. 177-188. p. torna-se menos ativo. A recuperação do exercício também foi mais difícil em meninas indianas com anemia. mas sim de eventos correlacionados entre si.BAGNI. Na Índia. Soc. 2011. p=0. RISSIN. assim como apresentam maior dificuldade de se recuperar do exercício. (2009) verificaram que durante atividade física.16.. Nutr. o ferro sérico (r2=0. V. atualmente deixa de ser compreendida meramente pela presença de fenômenos isolados. NELSON. p=0. U. NOVAS DESCOBERTAS. o que poderia favorecer o ganho de peso. Wang et al. tem ficado evidente que a relação entre a anemia e a obesidade é bem mais complexa do que se poderia imaginar. abr.= J. 2001) e a prejuízos na função muscular pela diminuição da capacidade oxidativa mitocondrial para produzir energia a partir do oxigênio (DALLMAN. 1. SP. V. consequentemente. BAKALIOU. A obesidade tanto pode favorecer o aparecimento da anemia ferropriva. E se outrora essa “dupla carga de doença” foi considerada um paradoxo em meio à transição nutricional (BATISTA-FILHO. A influência negativa da anemia sobre a atividade física foi identificada por diversos autores. Food Nutr. É importante considerar que a instalação da anemia ferropriva no indivíduo obeso. TRIVEDI. quando comparados com indivíduos não-anêmicos. 2009). v.04) e com a saturação de transferrina (r2=0. 1994). Bakaliou e Trivedi (1994).. Bras.. 36.600 metros (SATYANARAYANA et al. onde um pode determinar o desenvolvimento do outro. também com o aproveitamento do ferro dietético (r2= 0. Segundo Nelson. jovens com anemia severa apresentam menor tempo máximo de atividade e menor consumo máximo de oxigênio (VO2 máx). maior que as não anêmicas. YIP. SESHADRI. significativamente. BAKALIOU. conforme esquematizado na figura 1. de natureza oposta. 183 . Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. Assim. favorecendo o sedentarismo. Alim. na tentativa de evitar desconfortos como cansaço e palpitações decorrentes do maior esforço cardíaco para garantir a oferta de oxigênio aos tecidos. além de trazer os prejuízos próprios dessa doença. que ocorrem em paralelo. reduzindo seu nível de atividade (BATHIA. WORLD HEALTH ORGANIZATION.005). imediatamente após o teste e também após 1 minuto de repouso após o teste (NELSON. que após realizarem teste de step apresentaram frequência cardíaca. 2003). 1990). 1987. VEIGA. p=0.33. NOVOS DESAFIOS Ao longo dos últimos anos. 1996.

prevenção e tratamento da anemia ferropriva. Essa nova compreensão da relação entre os dois principais problemas de saúde pública da atualidade tem imposto aos profissionais um novo modo de olhar para a sua prática. assim. SP.= J. V. Nutr. OBESIDADE “Inflamação” [↑ citocinas] ↑ produção Leptina ↑ sedentarismo PRÁTICAS ALIMENTARES INADEQUADAS ↑ produção de Hepcidina Ligação da Hepcidina à ferroportina nos macrófagos Acúmulo do ferro degradado dentro dos macrófogos Ligação da Hepcidina à ferroportina nos enterócitos Bloqueio da transferência do ferro absorvido para a transferrina no plasma Redução gradativa do nível de atividade física ↓ concentração ferro circulante ↓ ingestão de ferro ↓ ingestão de facilitadores da absorção de ferro ↓ ingestão de inibidores da absorção de ferro prejuízos na função muscular ANEMIA FERROPRIVA ↓ capacidade aeróbica e resistência a esforços físicos Figura 1 – Modelo esquemático da relação entre anemia ferropriva.. passem a incluir a obesidade como mais um fator de risco a ser controlado (LECUBE et al. uma vez que pode melhorar a adesão a programas de prática regular de atividade física. G.. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. abr. 2009). Food Nutr. Nutrire: rev. v. 177-188.. obesidade e práticas alimentares. já que indivíduos em excesso de peso podem apresentar menor aproveitamento do ferro dos alimentos.. 2011. Soc. (2008). V. o controle da anemia ferropriva em obesos pode ter papel importante no processo de perda de peso. o rápido aumento do excesso de peso e obesidade em países em transição nutricional pode prejudicar os esforços no controle da deficiência de ferro e trazer sérias consequências para a população. n. São Paulo. TUSSING-HUMPHREYS et al. U. 36. Brazilian Soc. produtos fortificados e suplementos nutricionais.BAGNI. É mister refletir em como lidar com a sobreposição da anemia e obesidade de maneira eficaz: as estratégias atuais utilizadas individualmente para o controle dessas doenças são suficientes nesse novo cenário? Segundo Zimmerman et al. Alim. e vice-versa. Alguns autores já recomendam que as diretrizes voltadas à identificação. VEIGA. como o controle da obesidade pode exercer importante papel no avanço do controle da anemia ferropriva. Por sua vez. Bras. Percebe-se. 2006. que têm sido um dos pilares para o 184 . p. 1.

Muitas são as lacunas que demandam respostas na busca do controle da obesidade e da anemia ferropriva. ainda parece um desafio hercúleo frente à íntima relação e interdependência dessas doenças. particularmente em âmbito nacional. Bras. Pesquisas nesse sentido. acerca da relação entre as duas doenças e do prejuízo que a combinação desses dois problemas nutricionais pode trazer. como pedra angular. G. fugindo de uma prática segmentada e reducionista e buscando. Segundo McClung e Karl (2009).. ao mesmo tempo. Brazilian Soc. v. em uma abordagem integral capaz de prevenir. Nutrire: rev.. subsidiar o desenvolvimento de terapias nutricionais e/ou farmacológicas que previnam o desenvolvimento de deficiência de ferro em obesos. n. Para Coutinho. Batista-Filho e Rissin (2003) consideram que “as ações setoriais de saúde ainda não apresentam o grau de agilidade e o nível de eficácia para responder. uma atuação que valorize a multiplicidade de fatores envolvidos no complexo processo saúde-doença. p. proteção e recuperação à saúde implementadas sejam realmente eficazes no enfrentamento dessa dupla carga de problemas nutricionais. a fim de que as medidas de promoção. sucesso dos programas de controle da obesidade. 2011. resultando em redução da prevalência do excesso de peso e das outras doenças crônicas não transmissíveis associadas. as doenças causadas por deficiências nutricionais e aquelas causadas por excessos. Alim. abr. que é lidar simultaneamente com situações aparentemente contraditórias. deve ser enfrentado pautando-se em políticas articuladas numa “agenda única de nutrição”. A redução gradual na atividade física em indivíduos anêmicos também precisa ser melhor investigada. 177-188. Soc. Em meio a tantos questionamentos onde as respostas nem sempre parecem evidentes. VEIGA. V. em longo prazo. serão fundamentais para trazer subsídios à prática profissional e para o fomento de políticas públicas de prevenção e promoção da saúde. 1. CONSIDERAÇÕES FINAIS Se por um lado parecem abundantes as informações sobre a prevalência e as consequências independentes que anemia ferropriva e a obesidade podem trazer para indivíduos e sociedades. Gentil e Toral (2008). U. o primeiro passo é manter um olhar ampliado para o indivíduo. frente a essa redução de atividade. a concretização de ações integradas para o controle da obesidade e anemia ferropriva. no futuro. e para muitos profissionais. a melhor compreensão da relação entre essas doenças poderá também. por outro lado ainda são escassas as investigações prospectivas. Food Nutr.= J. a promoção da alimentação saudável com enfoque no curso da vida. SP. considerando. assim como o possível desenvolvimento da obesidade. na prática. aos desafios que o quadro mutante do cenário epidemiológico brasileiro aconselha e reclama”. V. tais como a influência da concentração sérica da hepcidina sobre o estado nutricional de ferro em indivíduos com excesso de peso nos diferentes ciclos de vida. com presteza. São Paulo. 36. pelo contrário.BAGNI. Nutr. 185 . o dilema atual da nutrição em saúde pública. além de esclarecer e fundamentar a relação entre anemia e obesidade. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas.

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. G... 71 MARQUES. abr. A. M... M. C. Food Nutr. Brazilian Soc. M. 49 CURADO. 99 AZEVEDO.. C. B. A... F. 111 SOUSA. F.... 151 COSTA. A. M. 111 FRUTUOSO. R. A. 163 LIMA. M.. L.= J. D. 37 COSTA. C. 1 PEDROSA. 137 MARCHIONI. M. 1 SILVA. D. P.. 99 MAESTÁ. 37 VEIGA.. 111 189 ... 137 CALDERON. A.. N. C. 85 SGARBIERI.. 23 NOLASCO. 137 DOMENEGHINI. 85 CONCEIÇÃO. 37 ROCHA. A. R.. A. C. 36. H. 99 NETTO. N. J.. S. U. S... 85 THALACKER. D. P. P. 177 BARBOSA. 127 FERNANDES. C. R. 85 BRANCO.. A. I. L. 177 VIEIRA. L. 99 QUEIROGA.. SP. Soc. n. 151 JERÔNIMO. Bras.. 49 COSTA. M. G.. V. D.. 23 COSTA. D... 127 GAMBARDELLA. 99 BAGNI. F. A. 127 HIRAKAWA. M. V. S. E. R.. R. C. R.. C. P. Alim. A. P. P. D. G.. 151 BRAGA. F. 85 SILVEIRA. São Paulo.. B. H.. C. J. I. V. C. D. 99 MENDES-NETTO.. S. 189.... M.. C. V.. p. 111 SOUZA. P. 1. P.. Nutr. F. G. S. 37 LEMES. D. L. N.. F. A. C. 85 FIGUEROA PEDRAZA. A. 99 LOPES.. C. C. 137 MIRANDA. F. V. E. C. A. O. M. L. C. P. L. F. M. P. 49. F.. E... S. V. 99 PINHEIRO. 49 SANTOS.. 37 COSTA. 151 BURINI.. M. 37 BESENBRUCH. F.. A. 2011.Nutrire: rev. ÍNDICE DE AUTOR/AUTHOR INDEX ARRAIS. 23 SIMONY. H. C.. A. V. 23 LYRA. A... S. R. S. 163 ESPERANÇA. v. M. 49 DE OLIVEIRA. 71 FALSARELLA. O. C. 23 OLIVEIRA. L. F... 151 SOUSA. E.

ÍNDICE DE ASSUNTO Adolescente Antropometria. São Paulo. 38 Nutrientes. 24 Desnutrição infantil. Brazilian Soc. 86 Índice de Massa Corporal Estatura. 112 Fígado Hiperplasia celular. 164 Flavonóides. 86 Ganho de peso. 86 Macrossomia fetal. 50 Creches. 2 Hipertrofia celular. 138 Ingestão de energia. Bras. 138 Ingestão proteica. Soc. 72 Terapia nutricional Diabetes mellitus tipo 1. 2 Restrição alimentar. 100 Alimentação Consumo de alimentos. 164 Estado nutricional. 1. 50.= J. p. 100 Índice de Conicidade. 128 Peso corporal. Food Nutr. 36. 128 Fatores de risco. 100. 138 Unidade de alimentação e nutrição.Nutrire: rev. 50 Contaminação Staphylococcus. 86 Hiperglicemia. SP. 178 Doenças cardiovasculares Vinho Compostos fenólicos. abr. 152 Carboidratos. Nutr. 152 Treinamento de força Balanço nitrogenado. 2011. n. 72 Perfis sanitários. 112 Criança.. 38 190 . 128 Restaurantes Controle de qualidade. 24 Assentamentos rurais. 2 Gravidez Diabetes gestacional. 112 Doença crônica Anemia ferropriva. 24. 178 Obesidade. v. Alim.190-191.

Alim. 163 Phenolic compounds. 1 Cell hypertrophy. abr. 71 Rural settlements. 127 Cardiovascular diseases Wine Flavonoids. São Paulo. 49 191 . 85 Weight gain. 1 Nutritional status. Brazilian Soc. 137 Nitrogen balance. n. 111 Chronic Disease Anemia. 111 Nutritional therapy Carbohydrates.190-191. 49.. 99 Body mass index Body weight. v. 137 Restaurants Quality control. Food Nutr. 177 Obesity. 99. 177 Daycare centers. 37 Liver Cell hyperplasia. 111 Feeding Contamination Staphylococcus spp. 1 Food restriction. 36. 137 Protein intake. 49 Nutrients. 163 Child. 71 Sanitary profiles.Nutrire: rev. 151 Pregnancy Fetal macrosomia. Bras. Soc. 23 Food and nutrition services.= J. 99 Risk factors. SUBJECT INDEX Adolescent Anthropometry. 127 Height. 85 Resistance exercise Energy intake. Nutr. 151 Diabetes mellitus. 2011. 23.. 85 Hyperglycemia. 127 Conicity index. 1. 37 Food consumption. SP. Iron-deficiency. 23 Child malnutrition. type 1. 85 Gestational diabetes. p.

de revisão.br. b) indicar título abreviado para legenda. incluindo-se as referências – seguir normas de publicação. filiação à instituição e respectivo endereço. Discussão: deve começar apreciando as limitações do estudo.com. a população estudada. Brazilian Soc. g) se foi apresentado em reunião científica.seguir normas de publicação. 1. versão em inglês e espanhol. exclusivamente. e) são aceitos artigos em inglês e espanhol. utilizando o programa Word. coleta e dados. 192 . Nutr. v. pelo e-mail sban@sban. Resultados: deve se limitar a descrever os resultados encontrados sem incluir interpretações/comparações. SP. 36. 192-197. dentre outros. instituições (apoio econômico. f) se foi baseado em Tese. material e outros). extraindo conclusões. c) nome e sobrenome de cada autor. Alim.= J. n. a fonte dos dados e critérios de seleção.250 caracteres sem espaço). Food Nutr. contribuições (assessoria científica. d) nome do departamento onde o trabalho foi realizado. Introdução: deve ser curta. Artigo original: não tem limite . 2. com margens de 3cm em cada um dos lados e enumeradas em algarismos arábicos no ângulo inferior direito. No item assunto deverá ser colocado: artigo NUTRIRE. RESUMO E PALAVRAS-CHAVE a) português. Não devem ser cortadas as palavras no final das linhas. revisão crítica da pesquisa). em folhas tamanho ofício (A4). O envio deverá ser feito. seguida da comparação com a literatura e a interpretação dos autores. Devem conter conclusões ou comentários. local e data de realização. Material e Métodos. definindo o problema estudado sintetizando sua importância. d) notas e informações: relatos curtos e notas prévias. inglês e espanhol (até 250 palavras). INSTRUÇÕES AOS AUTORES NORMAS PARA PUBLICAÇÃO Os artigos devem ser redigidos em ortografia oficial.. b) descritores (usar o vocabulário) português e espanhol: Descritores em Ciências da Saúde. ano e instituição onde foi apresentada. da Literatura Latino-Americana e do FOLHA DE ROSTO (IDENTIFICAÇÃO) a) título e subtítulo.Nutrire: rev. QUANTIDADE DE PÁGINAS Artigo de revisão: no máximo 30 laudas (cada lauda = 1. indicando novos caminhos para pesquisa. em espaço duplo. indicar o título. c) atualização: baseada na literatura recente. b) revisão: avaliação crítica da literatura sobre determinados assuntos. e) nome e endereço do autor responsável. Soc. O mesmo deverá ser anexado em um único arquivo. nome do agente financeiro e o número do processo. indicar o evento. atualização ou notas e informações: a) originais: divulgam resultados de pesquisas que possam ser replicados ou generalizados. com letras corpo 12. p. descritos e interpretativos da situação em que se encontra determinado assunto. h) se foi subvencionado indicar o tipo de auxílio. Os artigos podem ser: originais. Conclusão: para os artigos originais. São Paulo. i) agradecimentos: 1. abr. 2011. Bras.

Art.1º . Art.inmetro. Legendas à parte.) nas referências bibliográficas (BRITTO e PASSOS. FIGURAS (FOTOGRAFIAS. Soc. J.Periodicidade quadrimestral.= J. da National Library of Medicine. 2º . 2011. 51. índices de autores e assuntos. o Editor-científico e o Conselho Editorial compõem a Comissão de Redação.. b) abreviatura dos periódicos (Index Medicus). c) todos os autores são citados. Bras. GALVES. separados por ponto e vírgula (. Brazilian Soc..br REGULAMENTO DA NUTRIRE: REVISTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO= JOURNAL OF THE BRAZILIAN SOCIETY OF FOOD AND NUTRITION Da Revista. v.O editor-responsável será o Presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN. GRÁFICOS) As figuras deverão vir logo após as referências (enumeradas em ordem consecutiva. M. 192-197. no mínimo. 1929). TORQUATO. f) a exatidão das referências é de responsabilidade dos autores. São Paulo. n.) CORDEIRO. na ordem do texto). Food Nutr. logo após as referências (enumeradas em ordem consecutiva. 4º . ABREVIATURAS E SIGLAS a) forma padrão da língua portuguesa e inglesa.Cj.A Comissão Editorial será composta de 7 membros. Alim. órgão oficial da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição – SBAN. M. Parágrafo 1: a Nutrire: revista Brasileira de Alimentação e Nutrição=Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition contará com as seguintes seções: artigos originais. AGRADECIMENTOS VER FOLHA DE ROSTO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (ABNT NBR-6023. 1930). na ordem do texto) devem ter título breve. Jardim Paulista.Nutrire: rev. Homepage: www. 36. OBS: não usar traços horizontais ou verticais internos. b) não usar no título e no resumo. com mandato de 5 anos 193 . criado em 1985. Parágrafo 2: A Comissão Editorial. abr. Caribe em Ciências da Saúde-LILACS inglês: Medical Subject Headings-MESH. Da Direção e Redação Art. atualização. SP.A Nutrire: revista Brasileira de Alimentação e Nutrição=Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition. Brasil. Art. cartas ao editor.. Sede e Fins Art. TABELAS As tabelas também devem ser incluídas no mesmo arquivo. São Paulo. Normalização e Qualidade Industrial-INMETRO.A revista será editada. R. 2000) a) ordem alfabética. com sede na Rua Pamplona.gov. notas e informações. C. d) indicação do autor e data no texto: citar entre parênteses o nome do autor e data (BRIAN. 1119 . 3º . e) substituir & por e no texto e. p. 1. uma vez por ano. DESENHOS. tem por finalidade publicar trabalhos técnico-científicos nas áreas de alimentação e nutrição. UNIDADES Seguir as normas do Instituto Nacional de Metrologia. por ponto e virgula (. S. 5º . Nutr. de revisão.

e escolhidos dentre seus sócios efetivos.É proibida a reprodução. Art.ed. [4. Os membros da Comissão elegerão o editor-científico pelo mesmo período. no todo ou em parte.126. 1999. Art. p.Nutrire: rev. Uniform requirements for manuscripts submited to biomedical journals.] 3.com. Bras. 12º . Rio de Janeiro.36-47.. São Paulo (SP) CEP: 01405-001 . respectivamente. NBR 6023: Informação e Documentação.Compete à Comissão Editorial e ao Editor-científico julgar todo o material encaminhado para publicação.] 194 . 2011.com.41-53. p. Med. 1997. Elaboração. O mesmo deverá ser anexado em um único arquivo. a cada três (3) anos. salvo as notas prévias. v.A organização e revisão do material a ser publicado compete ao bibliotecário responsável pela normalização técnica e indexação.= J. Nutr. 14º .Compete ao Conselho Editorial a revisão científica dos artigos recebidos. Parágrafo único: O Conselho Editorial não terá número de membros definidos e será composto de especialistas nacionais e internacionais de cada área de Alimentação e Nutrição indicados pela Comissão Editorial. 1.br Referência 1.. Bras. É permitida a reprodução de resumos com a devida citação da fonte. 16º . 17º . São Paulo. 8º . Associação Brasileira de Normas Técnicas. Haverá apenas duas provas gráficas. 2000. 18º . Parágrafo único: a renovação de seus membros será de 4 e 3. Rio de Janeiro.Cj. 7º . 11º . 15º . 51 Jardim Paulista. Art. [updated may. Referência. supl.br. Art. Art. 13º . Dermatol. Alim.Brasil Tel. An. v.Os trabalhos aprovados para publicação deverão trazer o visto do Editorcientífico. Art. 1997. abr. Parágrafo único: os trabalhos serão publicados em ordem cronológica de recebimento. Art.72. No item assunto deverá ser colocado: artigo NUTRIRE. International Committee of Medical Journal Editors.Os artigos poderão ser enviados a qualquer momento. v. 1.Os originais de trabalhos aceitos para publicação não serão devolvidos. n. 36. Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos. Intern.Os autores deverão assinar a declaração de responsabilidade e transferência. Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN Rua Pamplona. Soc. Art. 5th ed. A partir de julho de 2007 o envio de artigos deverá ser feito pelo e-mail: sban@sban./ago. 22p. 192-197. Art.. SP. No caso de mais de um autor deverá expressamente ser indicado o autor responsável pela publicação. Art.A data de recebimento do artigo constará obrigatoriamente no final do mesmo. 9º . Brazilian Soc. 10º . 2. jul.Todo trabalho enviado para publicação deverá trazer endereço para correspondência e endereço eletrônico do autor principal. Requisitos de uniformidade para manuscritos submetidos a periódicos biomédicos. Art. de trabalhos publicados na Nutrire: revista da Socidade Brasileira de Alimentação e Nutrição= Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition sem prévia autorização do autor e do Presidente da SBAN. p.Compete à Comissão Editorial fazer cumprir este regulamento e seu respectivo Cronograma.: (11) 3266-3399 E-mail: sban@sban.A primeira prova gráfica será revisada pelo Editor-científico e conferida pelo autor que a rubricará. 1119 . Ann. Food Nutr. Art.

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INSTRUCTIONS TO AUTHORS
PUBLICATION RULES
Manuscripts must be written in the official orthography, on one side of the sheet and double space, in A4 paper and 12 pt size characters, 3 cm margins on each side and number in Arabic numerals on the lower right side. Words should not be separated at the end of the lines. One (1) original and two (2) copies should be mailed. When accepted for publication, an electronic copy in 3/5 6.0 MS Word must also be included. Manuscripts can be original studies, reviews, updates or notes and information: a) original data: disclosure of results that can be replicated or generalized; b) reviews: critical overview of the literature on specific issues. They must contain conclusions or comments; c) updates: based on recent literature, describing and interpreting the current situation of a chosen issue; d) notes and information: short reports and previews; e) the manuscript can be written in Portuguese, Spanish or English. indicate the type of support, name of the funding agency and grant number. i) acknowledgements: 1. Contributions (scientific consulting, data collection, critical revision of the study); 2. Institutions (financial support, material, etc). Introduction: must be concise, defining the problem under study, summarizing its importance. Methods and materials employed, the population under study, data source and selection criteria, among others. Results: must be limited to description of the results without including interpretations/ comparisons. Discussion: must begin by pointing out the limitations of the study, followed by a comparison with the literature and interpretation of the data, extracting conclusions and indicating new ways of research. Conclusion: for original studies.

SUMMARY AND KEYWORDS
a) in Portuguese, English and Spanish, up to 250 words; b) keywords in Portuguese and Spanish: Descriptors in Science and Health (Descritores em Ciências da Saúde) of Latin-American and Caribean Literature in Health Sciences-LILACS. In English: Medical Subject Headings-MESH of the National Library of Medicine;

FRONT PAGE
a) title and heading; in Portuguese (or Spanish) and English; b) running title; c) name and surname of each author, affiliation, and address; d) department where the study was performed; e) name and address of the principal investigator; f) if based on a Thesis, indicate the title, year and institution where it was carried out; g) if presented in a scientific meeting, indicate the name of the event, place and date; h) if financial supported was provided

TABLES
a) must be in separate sheets (number consecutively, in the order that they appear in the text) with a short title; b) should not contain inner horizontal or vertical borders;

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FIGURES (PHOTOGRAPHS, DRAWINGS, GRAPHICS)
Must be in separate sheets (numbered consecutively, in the order that they appear in the text); captions are apart.

ACKNOWLEDGEMENTS – SEE FRONT PAGE REFERENCES (ABNT NBR 6023, 2002)
a) alphabetical order; b) journal abbreviations (Index Medicus); c) all authors must be cited, separated by semi-colon (;); CORDEIRO, J. M.; GALVES, R. S.; TORQUATO, C. M.; d) citation of author and year of publication in the text: in parenthesis (BRIAN, 1929); e) use e instead of & in the text and ; in the list of references (BRITTO e PASSOS, 1930); f) the authors are responsible for the accuracy of the references.

UNITS
Must follow the guidelines of the Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO, homepage: www.inmetro.gov.br

ABBREVIATIONS
a) Standard pattern of Portuguese and English languages; b) Must not be used in the Title and Summary.

DIRECTIVE OF NUTRIRE: JOURNAL OF THE BRAZILIAN SOCIETY OF FOOD AND NUTRITION
Of the Journal, Headquarters and Purposes Art. 1° - Nutrire, Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition, is the official organ of the Brazilian Society of Food and Nutrition –SBAN, created in 1985, located* at Rua Pamplona, 1119 - cj. 51, São Paulo, Brasil, CEP 01405-001, with the purpose to publish technical-scientific papers in food and nutrition. Paragraph 1: Nutrire, Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition will be composed by the following sections: Original data, Reviews, Updates, Notes and Information, Letters to the Editor, Author and Issue Indices; Paragraph 2: The Editorial Committee, Scientific Editor and Editorial Board compose the Composition Committee. *The headquarters are located at the jurisdiction of the President elected. Art. 2° - The journal will be published, at least, once a year. Art. 3° - Periodicity: semester. Of the Direction and Editorial Art. 4° - The Editor-in-Chief will be the President of the Brazilian Society of Food and Nutrition-SBAN. Art. 5° - The Editorial Committee will be composed of 7 members, with a 5-year mandate to be chosen among the effective members. The members of the Committee will elect the Scientific-Editor for the same period. Single paragraph: renewal of the members will be of four and three, respectively, every three years. Art. 6° - Is the competence of the Editorial

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Committee and of the Scientific-Editor to judge all material submitted to publication. Art. 7° - Is the Editorial Committee’s competence to fulfill this regulation and its timetable. Art. 8° - Is the Editorial Board’s competence to perform the scientific revision of the manuscripts received. Single Paragraph: The Editorial Board will not have a permanent number of members and will be composed of national and international experts in each area of Food and Nutrition, indicated by the Editorial Committee. Art. 9° - The papers approved for publication must be signed by the Scientific-Editor. Single Paragraph: Papers will be published in the order of receipt, except when noted. Art. 10 - Date of receipt will appear at the end of the paper. Art. 11 - Every manuscript submitted for publication must be signed by its author and must contain an address of correspondence. In case of more than one author, the principal investigator must be indicated. Art. 12 - The first galley proof will be revised by the Scientific-Editor and checked and signed by the author. There will be only two galley proofs. Art. 13 - The original versions of the manuscripts accepted for publication will not be returned to the authors. Art. 14 - Total or partial reproduction of papers published by Nutrire, Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition without previous authorization of the author or SBAN’s president is strictly forbidden. Reproduction of the summaries is allowed when appropriately cited. Art. 15 - The authors must sign a Copyright Transfer and a Term of Responsibility.

Art. 16 - Due dates for manuscripts to be received for publication are January 30 and July 30 of each year. Art. 17 - Organization and revision of the material to be published is under the librarian’s responsibility for technical normalization and indexing. Art. 18 - Manuscripts must be mailed to the Scientific-Editor (one original and two copies): Dra. Célia Colli. Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN Rua Pamplona, 1119 - Cj. 51, Jardim Paulista, São Paulo, SP, CEP 01405-001 Brasil.

References 1. [Brazilian Association of Technical Guidelines] Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR 6023: Infor mação e Documentação; Referência, Elaboração. Rio de Janeiro, 2000. 22p. 2. [International Committee of Editors of Medical Jour nals. Unifor mity of requirements for manuscripts submitted to biomedical journals] Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos. Requisitos de uniformidade para manuscritos submetidos a periódicos biomédicos. An. Bras. Dermatol., Rio de Janeiro. v.72, supl. 1, p.41-53, jul./ago., 1997. [4.ed.] 3. International Committee of Medical Journal Editors. Uniform requirements for manuscripts submitted to biomedical journals. Ann. Intern. Med. v.126, p.36-47, 1997. [updated may, 1999, 5th ed.]

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SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO-SBAN

Presidente / President
Sergio Alberto Rupp de Paiva

1ª Vice-presidente / Vice-President
Silvia Maria Franciscato Cozzolino

2ª Vice-presidente / Vice-President
Regina Mara Fisberg

Secretário Geral / General Secretary
Dirce Maria Lobo Marchioni

1º Secretário / Secretary
Semíramis Martins Álvares Domene

2ª Secretário / Secretary
Eliane Fialho de Oliveira

1º Tesoureiro / Treasurer
Thomas Prates Ong

2º Tesoureiro / Treasurer
Marcelo Macedo Rogero

Sócios Mantenedores / Supporting Partners
Bunge Alimentos S.A. Coca Cola Indústrias Ltda. Danone Ltda. Monsanto do Brasil Ltda. Nestlé Brasil Ltda. Unilever Bestfood Brasil Ltda. Wyeth Consumer Healthcare A Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição – SBAN representa no Brasil a IUNS – International Union of Nutritional Sciences

Endereço / Address
Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN Rua Pamplona, 1119 – cj. 51 – Jd. Paulista São Paulo/SP, Brasil – CEP 01405-001 Tel./Fax: (11) 3266-3399 e-mail: sban@sban.com.br www.sban.org.br

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