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Bioética

Geni Maria Hoss – 2005.

- Um pouco da história A terminologia Bioética aparece pela primeira vez num artigo de Fritz Jahr, em 1927, quando fala sobre as relações éticas do ser humano para com os seres vivos. Mais conhecida, no entanto, é uma obra publicada em 1971 pelo oncologista americano Van Rensselaer Potter Bioethics: a bridge to the future, - Uma ponte para o futuro – consolidou o termo Bioética, já presente em algumas publicações e exposições da época, chamando a atenção para a urgência de se refletir sobre questões novas decorrentes das novas descobertas e tecnologias. A pesquisa de natureza diversa também carecia de qualquer instrumento que assegurasse os valores da pessoa e ao mesmo tempo permitisse que se pudessem encontrar novos resultados em prol da saúde humana. A pesquisa com seres humanos também foi regulamentada, fruto de reflexões sobre esta questão tão delicada, que antes disto conheceu caminhos tenebrosos, expondo voluntários, especialmente de classes excluídas, e por isso mais vulneráveis, a verdadeiras atrocidades. O Código de Nuremberg, de 1948 surgiu como resultante do julgamento dos crimes cometidos contra a humanidade pelo regime nazista, especialmente através de pesquisas em seres humanos, sem consentimento e indefesos. A Assembléia Geral da Associação Médica Mundial em 1965 ao analisar este documento, a partir dele publicou a Declaração de Helsinque, referência internacional que estabelece diretrizes para as pesquisas em seres humanos no intuito a preservar a integridade física e moral dos voluntários. Em 1992 foi criada a Associação Internacional de Bioética, instituição que promove debates sobre a bioética em nível mundial. As Diretrizes Internacionais para pesquisa biomédicas envolvendo seres humanos, publicada pela Organização Mundial da Saúde estabeleceram que os projetos de pesquisa tinham de ser submetidos a um comitê de bioética composto por profissionais de diversas áreas. O Comitê Internacional de Bioética, de 1993, está vinculado à Unesco, com o objetivo de garantir o respeito aos valores da liberdade e dignidade humana. No Brasil, a primeira referência nesta área é a norma sobre ética de pesquisa em seres humanos é a Resolução número 1 do Conselho Nacional de Saúde, 1988. Ela estabelece a constituição de Comitês de Ética para acompanhar pesquisas envolvendo seres humanos. A Resolução 196, 1996, do Conselho Nacional de Saúde, que conta com a contribuição de diversos setores da sociedade, cria o Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e estabelece as Diretrizes de pesquisa em seres humanos, hoje de vital importância para garantir a pesquisa em condições humanas dignas. – sua importância na vida de cada um O desenvolvimento traz consigo desafios novos que requerem respostas novas, especialmente no campo dos valores e da vida humana. Desenvolvimento a qualquer custo? Há muito pouco tempo a humanidade se deu conta que o desenvolvimento desenfreado traz em seu bojo a morte: Morte da natureza, dos

São situações bem próximas. E então é preciso questionar se o que é possível tecnologicamente é também bom para a humanidade? A Bioética é um nome mais ou menos complicado também para refletir questões bem presentes em nossa vida. o Papa fez uma importante opção no final da vida – de não voltar para o hospital .animais. Então surgem muitas questões delicadas. Amparado por amigos. Geni Maria Hoss .e com este exemplo talvez tenha escrito a sua maior encíclica em favor da vida: Viver a morte como presente de Deus e fazendo uso dos avanços tecnológicos enquanto promotores de qualidade de vida. A Bioética suscita uma série de questões cujas respostas nem sempre podem ser aplicadas igualmente a todas as situações. dos seres humanos. precipitadas contra o curso normal da vida. aparentemente incapaz de contato com o mundo? E agora? Com a moderna tecnologia é possível quase tudo. "Deixem-me ir ao Pai!" (João Paulo II) Este é um testemunho eloqüente de um homem que soube viver e morrer segundo o plano de Deus. que são bemvindas à medida em que ajudam a viver melhor. mas podem contribuir para que não tomemos decisões subjetivas. Acrescenta-se ainda que o desenvolvimento trouxe consigo um acelerado avanço tecnológico que permite quase tudo. Quem já não viveu o conflito de ter um familiar ou amigo preso a um leito de CTI num hospital. prometida por Cristo. Até que ponto é razoável fazer uso da tecnologia. simples e complicadas ao mesmo tempo. querido por Deus. entre tubos. inclusive de criar vida artificial. Oxalá sejamos sempre capazes de empenhar-nos pelos valores maiores da vida para que tenhamos a vida em abundância. quando a doença vai definhando forças. capacidade intelectual? São todas questões – entre muitas outras – que a Bioética deve fazer refletir para que a sociedade possa orientar-se por valores e não por meras imposições tecnológicas. quando a medicina já sabe que chegou a hora? É possível ver um sentido de vida nesta fase? Como encarar os últimos dias. em casa. Quem esteve atento percebeu. talvez seja esta a morte mais digna que alguém possa ter.