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Leitura e Produção de Texto

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura
Tema 5 –A influência do contexto histórico na interpretação

Profª Almerinda Tereza Bianca Bez Batti Dias

38

Profª Mary Neiva Surdi da Luz

Passemos, acadêmico, à análise de outro exemplo. A charge, a seguir, resgata
contextos históricos de quatro governos passados do nosso país. Quando o personagem
(Lula) diz que não fará igual ao Getúlio Vargas, afirma que não se suicidará como este;
nem igual ao Jânio Quadros, ou seja, que não renunciará alegando pressão; nem igual ao
Jango – João Goulart – que não se exilará. No segundo balão, um personagem oculto
aparece: “Se não fizer igual ao governo Collor, já tá bom!”, é necessário saber que este
presidente teve seu governo cassado em função de escândalos com desvio de dinheiro
público. O entendimento de que o Presidente Lula, segundo a charge, corria risco de a
sociedade não o aceitar mais, somente é possível com o resgate histórico da política
brasileira.

Com o propósito de vermos gêneros diferentes, examinemos agora uma música
composta por Chico Buarque e Francis Hime.

(Diário Catarinense, 26/08/2005)

Saiba Mais

Charge

A charge é um gênero considerado temporal, porque, de forma muitas vezes irônica, trata
de temas da atualidade, sempre fazendo uma reflexão sobre questões de política,
economia e sociedade que estão na mídia no momento de sua publicação. Para entendê-la,
é preciso estar a par desses assuntos. É um texto argumentativo, pois pretende convencer o
leitor acerca da opinião do autor sobre o tema abordado.

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura
Tema 5 –A influência do contexto histórico na interpretação

Profª Almerinda Tereza Bianca Bez Batti Dias

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Profª Mary Neiva Surdi da Luz

Considerando apenas a letra, entendemos que ela trata da saudade de
um amigo, a quem ele desejava fazer uma visita, mas não pôde (1ª estrofe). Na
segunda estrofe, ele conta que consegue levar a vida porque é teimoso, pois ela
está difícil. Ele – o autor - quer colocar o amigo a par das novidades. Também
fala que os obstáculos são muitos, então, tem que ter habilidade para continuar.
Ele não consegue telefonar, mandar cartas. Apesar das dificuldades, ele continua
a viver, continua amando, divertindo-se, bebendo, fumando. Por fim, ele se
despede como em uma carta que se manda para um amigo e sua família.

Dica

O “pra” é uma palavra usada em situações menos formais de comunicação, como a fala, as
músicas, os poemas.

Meu caro Amigo

Disponível em:. Acesso em: 22.abr.2007.

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um
portador
Mando notícias nessa fita

Refrão

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e
de pirraça
E a gente vai tomando que, também,
sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo
provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Refrão

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só
de sarro
E a gente vai fumando que, também,
sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Refrão

Muita careta
pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no
caminho
E a gente vai se amando que,
também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe
escrever
Mas o correio andou arisco
Se permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Refrão

A Marieta manda um beijo para os
seus
Um beijo na família, na Cecília e nas
crianças
O Francis aproveita pra também
mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus

Aqui na terra tão
jogando futebol
Tem muito
samba, muito
choro e

rock'n'roll

Uns dias chove,
noutros dias
bate sol

Mas o que eu
quero é lhe dizer
que a coisa aqui
preta

A expressão a par
significa ter
conhecimento
sobre algo; já ao
par
é ter paridade
monetária, por
exemplo: o real não
está ao par do
dólar, ou seja, não
tem o mesmo valor.

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura
Tema 5 –A influência do contexto histórico na interpretação

Profª Almerinda Tereza Bianca Bez Batti Dias

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Profª Mary Neiva Surdi da Luz

Já a interpretação, levando em conta o contexto histórico, acrescenta
informações que influenciam na leitura da música, como a época em que ela foi escrita.
Bem, precisamos pensar que, naquele período – durante a ditadura militar –, as pessoas
eram exiladas contra a sua vontade, não tinham acesso a informações, tinham seus
direitos pessoais transgredidos, enfim, eram vigiadas e tolhidas em seu meio. Passamos,
então, a perceber que, na letra da música, há mais informações: como o fato de só ter
aparecido um portador e ainda correndo risco de não conseguir transmitir a mensagem
(“se permitirem”), ou seja, não foram enviadas notícias por falta de oportunidade, já que
não era possível telefonar ou mandar carta, pois havia vigilância, censura, nesses meios
de comunicação.

As dificuldades tratadas na carta estão ligadas ao regime de governo
estabelecido na época, isto é, as pessoas tinham de “concordar” com o que o governo
determinava, por isso os autores falam em “mutreta pra levar a situação”, já que não
podiam dizer o que pensavam e eram obrigadas a demonstrar concordância com a
ditadura. Isso fica claro nos versos: “Muita careta pra engolir a transação. E a gente tá
engolindo cada sapo no caminho”. Para finalizar, realmente se trata de uma carta, mas
com fim específico de colocar um amigo exilado a par dos acontecimentos da sua cidade
e país.

Caro acadêmico,
vamos pesquisar um
pouco?

Atividade

Pesquisar, em duplas, uma música que contenha uma denúncia e que precise do
conhecimento histórico para resgatar o fato que a gerou. Publique-a, na pasta referente ao
contexto histórico, juntamente com sua análise (identifique a tese (tema), contexto histórico
em que foi produzida e a interpretação concisa dessa música).

Profª Almerinda Tereza Bianca Bez Batti Dias

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Profª Mary Neiva Surdi da Luz

Na constituição da própria palavra, pode-se observar que intertextualidade
significa relação entre textos. Julia Kristeva (1974, p. 64) nos dá um conceito clássico de
intertextualidade: “[...] todo texto se constrói como mosaico de citações, todo texto é
absorção e transformação de um outro texto”. De acordo com Silva (2002), a
intertextualidade é um fenômeno que pode ser expresso por diferentes linguagens no
texto.

Lygia está certa! Ao fazermos essa relação, que pode
ser explícita ou implícita, compreendemos o texto lido na sua
profundidade e, por conseqüência, somos capazes de refletir
sobre o recurso adotado pelo autor quando formos compor
textos. A nossa compreensão de um texto depende, assim, de nossas experiências de
vida, de nossas vivências, de nosso conhecimento de mundo, de nossas leituras. Essa
lembrança do outro texto pode ocorrer no que diz respeito à forma ou ao sentido, ou,
ainda, resgatando os dois: forma – quando percebemos a imagem, versos, estrutura etc.
do texto original – e sentido – a relação, nesse caso, é com o conteúdo da obra
resgatada.

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