RESUMO DO LIVRO “O CRIME DO PADRE AMARO”, DE EÇA DE QUEIRÓS

O Crime do Padre Amaro

AUTOR DO RESUMO: Samuel Hunsche SUMÁRIO 1.0. DADOS DO AUTOR.................................................................................. Principais obras........................................................................................ 2.0. RESUMO “O Crime do Padre Amaro”.................................................... 3.0. PERSONAGENS E CARACTERÍSTICAS DA OBRA.............................. Contexto da obra..................................................................................... Narrador.................................................................................................. Tempo e espaço...................................................................................... Enredo..................................................................................................... 4.0. FONTES....................................................................................................

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1.0 . DADOS DO AUTOR Eça de Queirós

José Maria de Eça de Queirós nasceu no dia 25 de novembro de 1845, na cidade de Póvoa de Varzim, em Portugal, e faleceu em 16 de agosto de 1900, em Paris, na França. Eça de Queirós é um dos mais conhecidos escritores portugueses, e suas obras mais populares são “Os Maias” e “O Crime do Padre Amaro”, sendo este último considerado por muitos especialistas a melhor obra do Realismo Português. Esse escritor, que morreu aos 54 anos, passou por duas escolas literárias: o Romantismo e o Realismo, ocupando-se como romancista e contista. Filho de José Maria Teixeira de Queirós, nascido no Rio de Janeiro em 1820, e de Carolina Augusta Pereira d’Eça, nascida em Monção em 1826, Eça foi batizado na Igreja Matriz de Vila do Conde. José Maria era magistrado e vivia regularmente com Camilo Castelo Branco. Eça foi registrado como filho natural de José Maria de Almeida de Teixeira de Queirós, e com mãe desconhecida, já que os pais do escritor só se casaram quando este tinha quatro anos. Isso foi explicado pelo fato de a mãe de Carolina Augusta Pereira de Eça não ter aceitado o casamento. Por isso, Eça foi entregue a uma ama, e depois foi para a casa de sua avó paterna, em Aradas, Aveiro. Depois que esta faleceu, em 1855, foi internado no Colégio da Lapa, no Porto. Depois foi para a Universidade de Coimbra, com dezesseis anos, onde estudou direito. Além do escritor, seus pais tiveram mais seis filhos. Seu pai era formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi juiz instrutor do processo de Camilo Castelo Branco e do Supremo Tribunal de Lisboa, presidente do Tribunal de Comércio, deputado, fidalgo cavalheiro da Casa Real, par do Reino e do Conselho de Sua Majestade, além de escritor e poeta. 3

até fundar a “Revista de Portugal”. O topo da sua carreira literária foi entre 1874 e 1878. póstumo) 4 . Em 1866 Eça terminou Licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra e se mudou para Lisboa. Suas obras foram traduzidas para mais de vinte línguas. Eça não chegou a participar diretamente da Questão Coimbrã de 1865. Manteve ainda sua profissão de jornalista. que fala sobre um fidalgo do século XIX. póstumo) Ecos de Paris (1905. que até então somente Almeida Garett adotara.Eça de Queirós foi amigo de Antero de Quental em Coimbra. Em 1869 o escritor fez uma viagem de seis semanas pelo Oriente Médio. “O Crime do Padre Amaro” (1875). O protagonista é Gonçalo Mendes de Ramires. chamado “Prosas Bárbaras”. Principais Obras: • • • • • • • • • • • • • • • • • • • O mistério da estrada de Sintra (1870) O Crime do Padre Amaro (1875) A tragédia da rua das flores (1877-78) O Primo Basílio (1878) O mandarim (1880) As minas de Salomão (1885) A relíquia (1887) Os Maias (1888) Uma campanha alegre (1890-91) O tesouro (1893) A Aia (1894) Adão e Eva no paraíso (1897) Correspondência de Fradique Mendes (1900) A Ilustre Casa de Ramires (1900) A cidade e as serras (1901. Em 1870 ingressou na Administração Pública. e em 1888 foi nomeado cônsul em Paris. póstumo) Prosas bárbaras (1903. liderada pelo amigo Antero de Quental. póstumo) Contos (1902. Foi diretor do jornal “Distrito de Évora”. passando a ser administrador do Concelho de Leiria. Mais tarde esses artigos foram juntados e publicados em um livro. Ele chegou a ser acusado de confrontar a Igreja Católica. virou diplomata e se tornou cônsul de Portugal em Havana. mas continuou elaborando artigos para jornais ocasionalmente. onde publicou seus primeiros trabalhos na revista “Gazeta de Portugal”. e está sepultado em Santa Cruz do Douro. póstumo) Cartas de Inglaterra (1905. mas aos poucos ele foi deixando o Romantismo e passou a usar as novas características literárias do Realismo. Nessa época Eça escreveu a primeira novela Realista. como “A Capital”. Seu último livro foi “A Ilustre Casa de Ramires”. Na Inglaterra escreveu obras importantes. Essa jornada serviu de inspiração para algumas obras como “O mistério da estrada de Sintra” (1870) e “A relíquia” (1887). em Paris. Morreu em 16 de agosto de 1900 em sua casa de Neuilly. onde trabalhou como advogado e jornalista. Após isso.

póstumo) A Capital (1925. póstumo) Notas contemporâneas (1909.• • • • • • • • • • Cartas familiares e bilhetes de Paris (1907. póstumo) O conde de Abranhos (1925.Cartas íntimas (1949. 5 . póstumo) Alves & Companhia (1925. póstumo) O Egipto (1926. póstumo). póstumo) Últimas páginas (1912. póstumo) Correspondência (1925. póstumo) Eça de Queirós entre os seus . póstumo) Cartas inéditas de Fradique Mendes (1929.

A carroça de esterco o levou e José de Miguéis foi esquecido. com a qual pedia ao cônego que lhe arranjasse um cômodo confortável e barato. A diligência demorou. Se o pároco se hospedasse em sua casa. Dias era comentado por sua antiga amizade com a Sra. e quando já era noite finalmente chegou. Possuía apenas uma velha empregada e um cão. já que era extremamente rude. Seu único amigo era o chantre Valadares. Nos últimos anos de vida era tomado de uma vida sedentária. repudiado. Acabara de receber uma carta sua direto de Lisboa. O cônego Dias se mostrava bastante contente com a nomeação de Amaro Vieira pra a Sé. o Joli. Tinha pêlo no ouvido. Joaneira. Joaneira. Era um moço muito jovem. Os dois amigos se recolheram e. 6 . vindo do seminário. o qual fez seu enterro. pagaria um bom aluguel e daria um alivio aos bolsos de Dias. Depois de um tempo Leiria foi tomada por rumores de que outro padre assumiria a paróquia. Ela era viúva e. a quem chamava de S.0. Eram fins de agosto. vitima de uma apoplexia. em alusão a sua cidade de origem. Seu nome era Amaro Vieira. Dias conversou com o coadjutor Mendes a possibilidade de hospedar Amaro na casa de S. o amigo não aceitou imediatamente a ideia temendo por Ameliazinha. A empregada também faleceu e a casa fechada. A escolha do novo padre foi atribuída a questões políticas. Joaneira. Tudo isso fez com que grande parte das devotas recorressem ao educado padre Gusmão. enquanto subiam as escadarias da Sé concordaram em hospedar Padre Amaro na pensão de S. Dias e Mendes começaram a trocar ideias sobre a beleza de S. arrotava no confessionário e era muito comilão. desde a morte do marido. Augusta Caminha. Ele morrera no domingo de Páscoa. Depois disso.2. RESUMO O Crime do Padre Amaro I Em Leiria havia um pároco chamado José de Miguéis. morreu. O único da cidade que o conhecia era o cônego Dias. era Dias que a sustentava. Joli ficou abandonado e. Porém. em frente ao chafariz. Dias e Mendes esperaram-no desde as seis horas na praça. Contudo acabou convencido. Augusta possuía uma espécie de pensão e tinha ainda uma bela filha. levando em conta que o padre Amaro era muito novo. Ela tinha 23 anos e era linda. contudo sua morte não foi lamentada. Seu enterro passou praticamente em branco. Gabava-se dos excelentes costumes do jovem padre. II Uma semana depois soube-se que o novo pároco chegaria com a diligência do correio. Joaneira. pois este já fora professor de Moral do rapaz. chamada Ameliazinha.

Às escondidas fumava cigarros e emagreceu ainda mais. mas esquecia da santidade. e por isso a filha mais velha D.O cônego Dias e o coadjutor Mendes conduziram o novo pároco aos seus aposentos. Depois de se instalar. ele sentia-se bem por estar ali. Suas irmãs foram morar com a avó paterna e Amaro foi enviado para Estrela. sem ter que cumprir jejuns. Ela ficara viúva com 43 anos e desde então se dedicava aos interesses da Igreja. raramente ria. Nos sábados limpava a capela e cuidava dos santos. Luisa ensinava-lhe francês e geografia. onde seus pais eram criados. Quando tinha onze anos. Joaneira. 7 . III Amaro Viera nascera em Lisboa na casa do marquês de Alegros. No início sentia-se sozinho. Ela encontrou-se com o novo padre em casa. Suas duas outras filhas também viraram beatas. Ele também possuía uma irmã mais velha que vivia com a avó em Coimbra. o novo pároco e Dias passaram a beber vinho e recordar das antigas histórias do seminário. Desde pequeno era muito medroso e quieto. Aos poucos. apenas cumprimentando-o de cabeça baixa. Seu pai morrera quando ele tinha seis anos e sua mãe acabou pegando uma laringite. Ele ia crescendo. ele passou a trabalhar como balconista no boteco do tio. a senhora marquesa o adotou e concedeu a ele educação. mas conseguiu amizades. Cumpria muito bem os horários e chegou a ter boas notas. trazendo sempre as mãos nos bolsos. Quando a marquesa saía as empregadas o feminizavam. onde passou a viver com o tio. ele ia reparando cada vez mais nas mulheres. pensando no suicídio. Quando tinha treze anos a senhora marquesa morreu vitima de um derrame. Ficava quase nu e não demorou muito para que fosse o centro das intrigas. Via apenas uma linda mulher loura e começava a imaginar formas para a carne branca. Contudo. o tio o fez frequentar aulas de latim. Sentia-se infeliz. já que não abandonara coisas boas com seu tio. começou a ajudar na missa. O tempo passou e finalmente entrou no seminário. Contudo. Enquanto todos se queixavam da liberdade abandonada com a entrada no seminário. a Sra. que eram cada vez maiores. Sua vida era péssima e mal podia esperar completar os quinze anos e poder ingressar no seminário. enquanto que o capelão da casa lhe dava lições de latim. Diante disso. continha suas tentações. Marquesa fez com que Amaro entrasse na vida religiosa. Tratavam-no bem. Ela temia coloca-lo num colégio. Mas algo lhe afligia: seu desejo por mulheres. Ameliazinha havia saído. A profissão de padre lhe agradava pelo fato de poder estar entre as beatas e ter uma confortável vida cheia de presentes. Gonçalves. Tornou-se preguiçoso. Logo se tornou mentiroso. mas retornou na mesma noite. o Sr. Quando completou quatorze anos. no desejo do cigarro e nas tantas outras coisas. fazendo cócegas e vestindo-o de mulher. Desde que ingressou nos estudos eclesiásticos se dedicou. Ele lhe rezava. Lá. Em seu quarto havia uma imagem da Virgem. Pensava na bela vida fora do claustro. na casa de S. Em seu testamento deixou um legado para que Amaro entrasse num seminário e se tornasse padre. porém não teve grande contato com ele.

Apenas a imagem sensual de Amélia ficava em sua cabeça. para jantarem com ele. com muita insistência. um vilarejo pobre e praticamente desabitado. Conversaram sobre a cidade e suas belas paisagens. segundo as velhas. IV Amaro saíra da casa de S. Nesse dia Amaro olhou pela primeira vez para Ameliazinha. pela qual Amaro sentiu forte atração. À noite. Foi-lhes informado que era Leiria e. Porém. Depois de cantar uma música. informaram ao padre que depois que comungava levitava com os olhos voltados para o Céu. porém não conseguiu mais dormir. Uma delas era a condessa Joana e a outra se chamava Teresa. Recomendou-lhe também que fosse a casa de um conde recorrer. À noite. Ela prometeu que o marido falaria com um superior da Igreja. direito. Depois disso surgiu João Eduardo. amigas da hospedeira. Amaro sentiu cede e subiu até a sala. O número saiu e os dois receberam a aposta de dez reis por pessoa. Gonçalves havia morrido. já que ficou mais robusto. Nesse momento Teresa e Joana pediram qual era a melhor paróquia vaga. Após isso. Amaro se retirou da conversa e foi para outro aposento. foram para lá afim de se entrosar no assunto. que estava casada com o conde de Ribamar. passaram a jogar loto. o qual lhe enviaria a uma paróquia melhor. 8 . Amaro ficou feliz e começou a sonhar com o vilarejo bonito e com os doces recebidos das devotas ricas. estavam novamente lá. Logo foi designado para ser pároco em Feirão. Maria Assunção e Joaquina Gansosos. Ele partiu imediatamente. Além disso. sendo que dessa forma ambos iriam quinar. Quando chegou ao fim o ministro entrou na sala batendo palmas. Luísa. de onde partiria ao destino final. conseguiram com que Amaro fosse enviado para lá. quando voltou. O Sr. Já em Lisboa. foi à casa da irmã D. ela sabia rezas para tudo e estava viva pelas Graças de Deus. onde encontrou duas mulheres e um rapaz. Lá. Na semana seguinte ele viajou até Santa Apolônia. viu Ameliazinha de pijamas. Joaneira às nove horas. D. Quando chegou lá ele estava tentando convencer o ministro da Justiça a colocar Amaro numa boa paróquia. ele reencontrou a velha tia Gonçalves. Logo se puseram a bisbilhotar o quarto do jovem padre. Ela lhe enviou algum dinheiro para poder viajar a Lisboa requerer. Amélia ofereceu ao novo pároco um lugar ao seu lado. Eles passaram a conversar. sendo que isso fez muito bem a ele. Mais tarde. Quinze dias depois foi para a casa do Conde de Ribamar. Teresa se dirigiu até o piano e começou a tocar. simpático e com uma boa cor de pele. Era uma mulher que estava entrevada na cama por mais de vinte e cinco anos e. Depois chegou um moço chamado Arthur. que foi descrito no livro com uma bela voz. Eles começaram a comentar sobre uma Santa da cidade. Depois de algum tempo faltava o número trinta e seis tanto para Amélia quando para Amaro. Escreveu para a sua irmã contando o fato. mas este dizia que para isso cada padre teria que mostrar qualidade nos serviços prestados. lhe faltavam dentes e possuía uma doença crônica.Amaro finalmente se ordenou padre. Ambos se assustaram. sendo que pároco pegou seu copo de água e voltou para o quarto.

Seu pai fora militar e morrera novo. Com isso. Maria Assunção. informando-a sobre um casamento justo com uma rapariga de lá.V No cômodo acima. Em outra ocasião. Seu marido tinha deixado-a com um bebê pequeno e outro filho na barriga. Desde então. Uma moça. Na casa de S. Joaneira. Escrevia-lhe poemas e coletava conchas na areia da praia. Passou o inverno. Tudo isso fazia Amélia pensar na sua infância. Contudo. Admirava o rapaz e sentia que ele olhava-a com um jeito especial. Joaneira criaram a Associação das Servas da Senhora da Piedade. era apaixonada pelo rapaz e percebendo o interesse dele por Amélia desmaiou. Josefa e S. e ali haviam monopolizado o comércio de hóstias. Lembrou de uma história de Tio Cegonha em que um moço se tornou padre por amor. mas já possuía altura e belas formas. Tio Cegonha. No entanto. Joaneira. Na casa ao lado uma criança não parava de chorar e sua mãe lhe embalava no berço. Nessa época que o cônego Dias e sua irmã D. Desde cedo gostou de música e foi ensinada a tocar piano pelo organista da Sé de Évora. Joaneira. Ela pensava em ser madre. mas outros rabugentos. Alguns eram simpáticos. Amélia também não conseguia dormir. Aproximou-se e falou com ela. Em seguida. Quando voltaram. Amélia chorou durante dois dias. Agostinho encontrou Amélia sozinha. Algum tempo depois. a moça tentava não mostrar interesse. tudo para agradá-la. Lia muitos livros de rezas e encheu o quarto de imagens santas. a fim de ela esquecer a morte do amigo. Josefa se tornaram amigos da família. Pediram para Agostinho recitar um poema. Amélia começou a pensar que nunca mais seria feliz. sendo que Agostinho. chamada Juliana. o Tio Cegonha caiu morto vitima de uma apoplexia. o rapaz seguia a rapariga por aonde ela ia. A sua filha o abandonara para fugir com um homem. se tornou muito amigo de Amélia. com o véu branco. Amélia corava. um dia Agostinho informou a Amélia que iria partir para estudar. Assistia a todas as missas. coveiros e ajudantes da sacristia. D. que se dedicava à música. Lhe deu uns beijos vorazes afim de se despedir. A amiga de S. D. ofereceu-lhe o braço e foi almoçar com as duas. D. querendo comungar toda a semana. Nesse tempo. sua mãe era muito visitada por padres. Era ali que se nomeavam os sineiros. Toda casa cheirava a incenso e cera. Amélia reparou que os olhos do rapaz estavam fixados nela. em outra casa. 9 . tinha quinze anos. levou a menina para a praia. As duas amigas de Joaneira se associaram e sua casa se tornou um centro eclesiástico. Ela voltou a sentir vontade de ser freira. sentada numa cadeira. Maria foi visitada por um rapaz. Era inverno e muitas famílias não tinham o que comer. muito conhecido por saber conversar com as senhoras. Maria Assunção contou que Agostinho lhe escrevia de Alcobaça. Por isso. e o pedido foi atendido. Agostinho Brito. muito galante. a mãe de Amélia apareceu. como era conhecido. e desde então ele viveu muito solitário. nos dias de lição Tio Cegonha almoçava e jantava na casa de S. na praia.

Joaneira. o passar do tempo fez o grupo se dispersar. sempre lamentando a “falta de vergonha”. Por quantos braços ela já 10 . João Eduardo se interessou por Amélia. Se ele. Só conseguiu dormir quando já era dia. não tendo mais toda a devoção de antes. Ela tinha delírios e invocava Jesus. quando João Eduardo vinha passar a noite em família. sendo que seus olhos se encontravam. Além disso. o que faria um jovem padre. Amaro não podia deixar de observá-la e. Ele se retirou sem que o vissem. Os piores dias para Amaro eram segundas e quartas-feiras. Amaro saiu. Amélia perdera mais um dos seus pretendentes. o que não ocorreu. enquanto que a mãe de Amélia usava uma breve saia branca. O rapaz visitava Amélia todos os dias. Joaneira lia o jornal pelos anúncios amorosos. se arriscava até a espionar seu quarto entreaberto. Amélia crescera e mudara. O jovem pároco não conseguia ver Amélia sentada ao lado do moço. e gostava quando o cônego Dias comparecia trazendo o Diário Popular. Ele tinha conhecimento do pecado que estava cometendo. com a experiência que tinha. Inicialmente. deixava-se envolver dessa forma. quando podia. Tinha admiração pelo moço e percebia que este poderia se tornar um bom marido. Agora. seus pensamentos se levaram a outros caminhos. Mais tarde. Conheceu João Eduardo numa procissão. que aceitou desde que a filha tivesse a mesma atitude. a quem consideravam santa. perto da Sé. mas agora já estava habituado. contudo não poderia amá-lo. Usava a Sé para mostrar seus talentos na música. começando a suspeitar da honestidade de Joaneira e Amélia. Frequentemente percebia o ranger da cama de Amélia. Depois da refeição. lembrava fragmentos de seu passado. e surpreendeu-se ao ver que o cônego Dias estava lá. mas mesmo assim não fazia muita questão de resistir. De vez em quando ficava a sós com a moça. Assim. Dessa maneira. Amaro lia castigos em favor de Cristo. Já S. Nos domingos de missa se vestia com belas roupas e se perfumava. gostava mais do lado festivo da Igreja. Antes de dormir. Quando voltou. onde Amélia e sua mãe esperavam-no com quitutes. Amélia interessava-se pelos romances. pensava como um homem que nem o Cônego Dias poderia se levar de tal forma pelos desejos carnais. celebrava a missa com terna devoção. Joaneira. Joaneira. Entrou e se dirigiu ao quarto da S. A partir disso. iam visitar a velha entrevada. Certo dia. como próprio dizia. sentado à beira da cama recuperando o fôlego. Enquanto caminhava pelas ruas. Ele apressava-se em acabar as aclamações para poder retornar a casa. Na data tinha vinte e três anos.Contudo. Certa vez falou em casamento com S. VI Amaro estava feliz com a vida em Leiria. João Eduardo foi nomeado amanuense do governo civil e prometido pelo doutor Godinho. Tudo foi influenciado pela morte do padre Miguéis e a estranha ligação do cônego Dias com a S. no cômodo que se localizava um andar acima. mas ela sentiu o coração adormecido. encontrou a porta da pensão entreaberta.

Amaro foi falar com o cônego Dias. Ela sentia-se triste por ele não perceber em seus olhos as confissões de amor. Dormiu pensando nos seus beijos. o cônego Dias. D. Não poderia ficar lá depois do atrevimento que tivera com Amélia. Lá. que lhe mostrou o sítio. Por momentos desejou que a rapariga por quem estava apaixonado fosse uma prostituta. a moça clamava que Amaro gostasse dela. Mesmo arrependido com sua decisão. e então os dois tiveram que pular uma cancela. Usavam certos meios. filhos e felicidade. Amaro foi o primeiro. VIII Amaro chegou em casa aterrorizado. e dessa forma o cônego poderia desfrutar melhor dos carinhos da mulher. que a beijou no pescoço. ele mudou-se. perto da fazenda pertencente a S. 11 . Estava preocupado com a possibilidade de ela contar o fato para sua mãe. ele poderia até ser enviado novamente para a pobreza da serra. essa resolução de Amaro era bem-vinda. Lá. onde a D. João Eduardo também estava lá. pois dessa forma ela diminuiria a mesada paga por ele regularmente. enquanto ele poderia apenas causar o terror do pecado. Quando não tinha hospedes. Maria Assunção estava. falando como conseguir votos e dessa forma adquirir o apoio de deputados. João Eduardo poderia oferecer a moça um casamento. Amélia se desprendeu e correu ao caseiro. onde pensou em Amélia. mas percebeu que Amélia não havia contado sobre o beijo à sua mãe. Ao som da Ave-Maria da Sé. Depois da reunião. a velha dormia somente no primeiro andar. Maria Vicência. causando a ira do mesmo. que vinha vindo. A porteira estava fechada. Depois retornou a pensão. e depois entraram numa conversa insinuando um caso do padre Brito com uma mulher. Decidido em mudar de casa. como por exemplo dizer que haviam recebido cartas dos céus em favor de um candidato ou usavam até mesmo a confissão para dirigir as pessoas. Com Amaro hospedado na casa. Conversaram também sobre eleições. Para o cônego. Ele começou a criar possibilidades de Amélia ter tido amantes. Amaro foi a uma quinta. Dias trouxera o novo pároco à casa de S. Joaneira. Amaro. Joaneira. procurou marcas de beijos no pescoço do cônego. Todas as manhãs via certa tristeza nos olhos do amado. Amaro logo se recolheu ao quarto. deveria haver uma série de combinações para que pudesse ter seus prazeres: o pároco e Amélia deveriam estar fora de casa e a criada tinha que estar trabalhando. Somente a noite D. Isso seria um escândalo. assim como a mãe.passara? E hoje vivia à custa de um cônego. encontrou Amélia. e em seguida Amélia. sem saber nada sobre seu passado. Dias achou uma casa para Amaro e acertou uma criada para ele. VII Algum tempo depois. Ele prometeu que procuraria uma casa barata. Sentia que deveria sair dali o mais breve possível. mas logo se arrependeu. Logo foi aos fundos da quinta. o padre Brito e mais alguns clérigos foram se reunir na casa do abade de Cortessa. fizeram uma boa refeição. Maria e Amélia chegaram a cidade. Ela saltou em cima do padre. Nervoso. Amélia estava apaixonada por Amaro. Na sala de jantar.

pois ela sentia sua falta. Ele era uma pessoa extremamente suja. Ela decidiu que iria se interessar por João Eduardo. e aproveitava para ler 12 . Novamente uma raiva tomou conta dele. Ela também havia se apaixonado por um padre. com os móveis velhos. Com isso. Hoje estava bêbada sem ter um pedaço de pão para comer. X João Eduardo ficou muito triste. onde trabalhava o redator Agostinho Pinheiro. No domingo de missa. Arrependeu-se de ter saído da casa da S. Amaro. que fora suspenso e abandonara-a. O olhar dos dois era terno. Amélia e sua mãe foram para a igreja da Sé. em que Amélia sempre se sentava ao lado de Amaro. mas a ideia logo saiu de sua cabeça. já que o casamento dos dois estava próximo. mas esta garantiu que era apenas um tratamento de carinho com um amigo da casa. amaldiçoava a marquesa de Alegros. ao final da celebração. O escrevente percebeu a relação de Amélia para Amaro e decidiu repreendêla. pois sabia que Amélia estava apaixonada por Amaro. A própria rapariga pediu que ele fosse até sua casa. Joaneira novamente. Este. mas sabia escrever muito bem e por isso fora contratado. mas tudo lembrava a amada. De vez em quando o cônego vinha visitálo. foi falar com as duas e acabou aceitando um convite para ir jantar lá. Isso fez com que o pároco tivesse a certeza de que a moça gostava dele. ele passou a frequentar a casa da S. assim como a Igreja. Dessa forma. ou ia até a Voz do Distrito. Já Amélia se exaltava toda quando a campainha tocava. que proibia os sacerdotes de terem os desejos comuns até aos animais. Amaro não comia direito. com jogos de loto. Ele foi para lá à noite. de modo que ninguém desconfiasse. As noites passaram a ser animadas. Por baixo da mesa. mas ela ficou brava e jurou que não havia nada. O redator costumava cantar e tocar guitarra. passou a andar sem rumo pelas ruas até tarde. Ele trabalhava ao lado do bacharel Prudêncio. Não era justo que um homem tivesse o dever de transmitir a palavra de Deus sem ter direito às riquezas e desejos humanos. mas tudo isso parecia muito perigoso. como se jurassem o amor. que começou a planejar meios secretos de se amar com Amélia. IX No novo lar. Essa paixão passou a ser impaciente para o jovem padre. estava sempre mais apaixonado. Quando estava sozinho procurava ler. mal encarada. Esse exemplo a assustara. a moça pediu a Amaro que parasse com os olhares insinuantes. Ela saiu à rua e encontrou uma antiga amiga. roçavam os joelhos. João Eduardo gostava de conversar com Agostinho.A nova casa era pequena. Os talheres eram imundos e ele sentia falta da comida e da presença de Amélia. um moço muito educado. e em seguida começou a refletir sobre sua profissão. João Eduardo estava mais desconfiado do que nunca. por sua vez. chamada Joaninha. A moça passou a ter febres. Na primeira oportunidade. e certo dia resolveu falar com Amélia. mas esses encontros eram secretos. que o fizera padre. Joaneira. e sempre se decepcionava quando percebia que era outro a não ser Amaro.

mas este não fez nada. era de serventia ao governo. dono do jornal. a fim de provocar ciúmes em seu amado. contudo o conteúdo era “forte demais” e atingia diretamente Amaro e mais alguns clérigos. Contudo. Joaneira. pois essa era uma forma de impedir o casamento. pois ele assistia a cena e fazia comentários sarcásticos. Disse também que o senhor chantre. A S. Desse jeito poderia se declarar sempre que quisesse. mesmo que ele não gostasse dela impediria o casamento. dono do jornal. Novamente pensava no amor que sentia por ele. que comunicou que o padre Brito fora transferido para a serra. e pensava com naturalidade na possibilidade dele ser seu confessor na igreja. Natário descobre que João Eduardo é o escrevente que publicou o Comunicado e decide contar isso para Amaro. Depois de alguns dias. estava feliz. pois o doutor Godinho. um superior da igreja. Diante disso. desejava escrever também para Amaro. despertando dessa forma o interesse do moço. Lá estavam também João Eduardo e Amélia. Enquanto isso Amaro convencia a si próprio que isso era um dever seu. Agostinho supôs que João Eduardo. deveria dizer a Amélia que João Eduardo estava de caso com outra mulher. Os padres se sentiram caluniados e recorreram ao Secretário Geral. O padre Natário foi falar com Gouveia. Era um bom moço. que era Amélia. uma pequena rapariga. se casasse com um ateu. Nisso veio padre Natário. A moça começou a se roçar com o escrevente. já que Amaro fora acusado de seduzir uma rapariga. Decidiram então que o cônego Dias ficaria encarregado de contar a história para a Sra. normalmente textos que iam contra o clero. por frequentar a casa das beatas. Eles acabaram acusando o padre Natário de ter feita a publicação. Já João Eduardo. Joaneira também aconselhou que a filha se casasse logo a fim de se livrar dos comentários que o Comunicado havia causado. por meio de uma carta. Ele ia cedo ao jornal e conversava com o doutor Godinho. O Comunicado havia feito com que a edição fosse muito vendida e. poderia se casar com Amélia. dessa forma. No entanto. por sua vez. numa paróquia considerada ruim. 13 . não poderiam deixar que Amélia. Gouveia Ledesma. Ela. aceitou o pedido de casamento de João Eduardo. ganhou um emprego no jornal. o Sr. segundo ordens do doutor Godinho. tinha uma estranha amizade com outro padre. estava disposto a fazer reformas nos costumes dos padres para que estes deixassem de tentar moças jovens. soubesse de algum segredo dos padres e sugeriu que ele escrevesse um artigo que seria publicado no nome de Agostinho. e tinha o problema da mulher do deputado Novais estar doida por ele. isso foi publicado como um comunicado. isso graças ao Comunicado publicado pelo liberal que até então desconheciam. e acabou surtindo um grande escândalo. o rapaz trouxe algumas páginas. Além disso. XI O padre Natário ficou falado entre a população. porém detestava Leiria. padre Amaro foi à casa de S.seus artigos. Em uma noite. A primeira consequência foi uma discussão entre os padres e as senhoras beatas. Joaneira e Amaro. Passado algum tempo. Agora ganhando um salário. chamado Silvério.

era inimigo declarado da Igreja. Contudo. já que ao ver das beatas ele realmente era um patife que tinha sujado a reputação da Igreja ao escrever o Comunicado. dizendo que o moço não estava sendo caluniado. o moço queria se vingar de Amaro. e João Eduardo estava sendo considerado um ateu. ele lhe garantiu que comentara sobre o Comunicado apenas com a sua esposa. quando viu que pessoas faziam uma procissão dentre a qual estava Amaro. onde a moça dava fim ao relacionamento e dizia que sabia ser ele o autor do Comunicado. Deu–lhe um sermão. Falou como se o escrevente fosse um homem ruim. dono do jornal. os dois se beijaram por um longo momento. sob o argumento que não poderia mais difamar os clérigos tão importantes na sociedade. Logo teve certeza que estavam levando a extrema-unção para a velha entrevada. era o peso da sua consciência pelo pecado que estava cometendo. Josefa foi a principal responsável por espalhar a história. Na mesma noite. João Eduardo foi para a casa de S. e que depois do casamento ele voltaria a ter mulheres e maltrataria Amélia. e aconselhou João Eduardo a não se deixar dominar por paixões. Desesperado. Amaro ficou a sós com Amélia. e certamente lhe ajudaria a retomar o noivado com Amélia. XIII À noite. e foi direto ao jornal Voz do Distrito para saber quem havia contado sobre o artigo contra o clero. D. Ele era um médico que tinha muito apreço por João Eduardo. quase certa. pois o padre tinha o apoio do clero. foi falar com o chefe. Agostinho garantiu que não fora ele. e seu casamento com Amélia já estava praticamente desfeito.Amaro pensava na carne de Amélia e também sonhava de noite. Ela lhe entregou uma carta escrita por Amélia. no qual desabafaria. Joaneira. que fora escrito por João Eduardo. estava a criada Ruça. O médico ouviu-o com atenção. Logo achou uma possível solução: o doutor Gouveia. mas não o ajudou. Foi para o consultório do médico. impediria o casamento. Em seguida. Só não sabia como. e que a única pessoa que sabia do fato era o doutor Godinho. e Amaro passaria a receber as confissões da moça. XIV 14 . porém foram interrompidos pela morte da entrevada. que por luto seria adiado. que estava seduzindo Amélia e levando-a ao caminho do Inferno. onde estavam muitos doentes. João Eduardo voltava para casa à noite. Além disso. O moço pediu que Godinho ao menos publicasse outro artigo. porém o desejo não foi consentido. Apesar das palavras duras de Godinho. Diante da porta. sendo demorou para que chegasse a hora de falar com Gouveia. e aproveitou para lhe contar sobre o Comunicado. e também tratava as mulheres beatas da casa da S. XII Praticamente todos os íntimos dos padres já sabiam que o autor do Comunicado era João Eduardo. Joaneira. e pensou que a sua morte. Normalmente eram pesadelos. João Eduardo ficou furioso.

Essa atitude fez Amaro ser tratado como um santo. Amélia e S. onde lancharam. 15 . o moço perdera Amélia e agora se fazia de vítima. de vinte páginas. Amaro também foi chamado para depor. Natário informou que quem agredia um sacerdote sabendo que era sacerdote estava automaticamente excomungado. Gustavo sugeriu que se publicasse um folheto. Porém. as beatas estavam adorando Amaro. Joaneira também foram rezar. com relíquias da igreja. estava doente. o escrevente se atirou e deu um murro no jovem pároco. observou que Amaro e o padre Silvério vinham conversando lado a lado. e então Dionísia tinha assumido o posto. e disse que era pecado manter em casa objetos referentes a esses expulsos da igreja. e um tumulto se iniciou. demitira João Eduardo. João Eduardo foi preso. que derrubaria a Igreja. Os dois foram juntos para uma espécie de bar. já falavam que havia sido uma facada. Vicência. dizendo que o jovem padre reconhecia que sofrera um ataque brutal. onde colocariam todas as verdades mortais aos padres. foi à repartição onde estava João Eduardo. Amparo e seu marido. Lá. contudo era parte da religião perdoar as ofensas e pedira que soltassem o agressor. Contudo. e ela mostrava as peças somente a pessoas íntimas. a igreja da Sé estava fechando e só se ouvia o barulho de martelos numa casa em construção.João Eduardo andou. João Eduardo foi para a casa de Amélia. tipógrafo do Voz do Distrito. e por isso surgiu a proposta de Amaro voltar à casa de S. Os homens se reuniam em grupos e observavam as mulheres que iam para a missa. ela pensou em hospedar o pároco em sua casa. que segundo ele. Um tumulto tomou conta da pensão. essa compra havia sido ilegal. pois ele havia perdoado uma ofensa tão grande. Gustavo ainda contou que estavam próximos de uma revolução social. digna de um padre. e ficaram sabendo por Libaninho que Amaro estava sem criada. Logo veio a notícia de que Nunes. que por sua vez havia contado ao padre Natário. Logo depois o administrador saiu. e a fim de presenciar o “julgamento” do réu. pertencente a Osório. Joaneira. também conversaram sobre o jornal e sobre a Igreja. logo o plano esbarrou na falta de dinheiro. Carlos estava curioso e achava que era um grande escândalo. encontrou com Gustavo. Maria Assunção. ela não tinha boa reputação. mas Ruça atendeu e disse que as senhoras haviam saído. O chantre também reconheceu paternalmente tal atitude. Ela tinha um altar. pensando que não havia mais o que fazer. XV Era dia de feira. dono do cartório. as quais comprara de um sacerdote. pois o papel sairia caro. e pensando um pouco chegaram a conclusão que a mulher de Agostinho soubera disso pelo marido e contara ao padre Silvério. que trabalhava para ele. levaram Amaro para sua casa. o farmacêutico Carlos. Ao dobrar a esquina. Logo em seguida. João Eduardo contou sobre o Comunicado. Na rua. já que as velhas procuravam atordoadas qualquer objeto referente a João Eduardo para em seguida dar fim. Contudo. estava bêbado. Na casa de S. Com isso. Quando contaram o fato a D. A agressão foi um escândalo momentâneo. Os dois embebedaramse e depois saíram da taberna do tio Osório. Sem falar uma palavra. Joaneira. Leiria parecia deserta.

Aos poucos. o eclesiástico e Dionísia iam se “familiarizando”. diriam que estavam indo à casa do sineiro para educar sua filha paralítica. havendo dessa forma “duas damas e dois cavalheiros”. Joaneira ficara de buscar Amélia na casa do cônego. possuía uma filha de quinze anos. Na noite. Amélia contou para o casal de farmacêuticos. Contudo. que ia ensinar Totó. ela não falava nada. Ele voltou acompanhado da empregada Dionísia. Eles estavam mais preocupados em subir ao quarto e terem seus momentos de prazer. já que se recusava a aprender e era mal-educada com eles. mas uma chuva grossa caiu. Enquanto isso. o ato deveria ficar em segredo. que não sabia ler. Carlos e Amparo. e lesse durante ao menos uma hora para a paralítica.O cônego Dias ofereceu um jantar a Amaro. a menina deveria voltar com outra pessoa. Josefa Dias. Josefa deveria cuidar dele. que se chamava Antônia mas era conhecida como Totó. Os dois jovens foram para o quarto. sabendo de tudo. O sineiro era Esguelhas. não haveria lugar melhor que a casa do sineiro. O pároco conversou com as beatas e propôs que Amélia fosse à casa do sineiro uma ou duas vezes por semana. Ele era viúvo e tinha uma perna amputada. Ele levou Amélia. Dionísia o observava com olhos cínicos. como se referiam a Amélia. mas a dor já havia passado. toda essa mal-educação da paralítica não incomodava os jovens. Amaro conversou com tio Esguelhas sobre a possibilidade de se encontrar com Amélia em sua casa. Amélia agora fazia muitas visitas a menina. e por isso a empregada Dionísia deveria voltar em meia hora. Amaro correu para casa buscar uma erva. O pároco estava pensando que meia libra manteria sua felicidade e seu silêncio. mas mandara a notícia de que não poderia vir. Além disso. Mandaram a empregada de Dias. A S. e assim os dois não desconfiariam de nada. Como Dias estava mal. Para a obra ser mais “valiosa” aos olhos de Deus. e que S. Para isso. o único que sobrou foi Amaro. Eles admiravam-na por ela passar a flor da idade cuidando de uma entrevada ao invés de se ocupar com namoros. Logo depois do jantar. e D. Joaneira e as outras beatas. ela parecia não gostar da presença de Amaro e Amélia. XVI No dia seguinte. paralítica das pernas. Para a S. apenas roçava seus pés aos do pároco. XVII 16 . e por isso convidaram também Amélia. o cônego foi afligido por uma terrível dor de estômago. também participaria. A empregada disse que se ele quisesse tornar a ver a pequena. Amaro estava com a consciência pesada sobre o pecado que cometera. Joaneira não aceitava que a filha se tornasse freira. a qual todos achavam estar dominada pelo demônio. D. Disse a ele que pretendia preparar a rapariga para uma vida religiosa. Gertrudes. e dessa forma os encontros deveriam ser secretos. ir chamar um médico. irmã do cônego. doença que ele tinha há algum tempo. e por isso os três foram para a casa do pároco que ficava no caminho afim de aguardar a chuva cessar. O jovem padre disse que tinha uma confissão urgente para fazer com Amélia. Porém.

e trocaram apertos de mão. A paralítica então relatou ao cônego tudo que ouvia. seria obrigado a denunciar também a infâmia do colega. Na igreja. e foi logo dizendo que era o dia de visitas a rapariga e que talvez o pároco estivesse lá. Os dois sacerdotes acabaram se entendendo. Totó havia adoecido. quando a moça voltou. acordando aos gritos e ataques de nervos. XVIII Algo estava estragando a felicidade dos dois: era a presença de Totó. Aos poucos estava cortando sua comunicação com o mundo. Juraram que esse segredo morreria com eles. o pároco estava cada vez mais com ciúmes de Amélia. um padre tinha poder superior até de um anjo. dizendo que ser amada por um padre era um grande privilégio. e chegou até a dar indícios de loucura. mas a moça disse que nesse dia não. Além dos prazeres carnais. Joaneira ir para casa. o roçar dos dois corpos e o ranger da cama. um manto para a santa. Contudo. se ele se atrevesse a fazer isso. Como se não bastasse o peso que aliviara da consciência. não a acalmavam mais. assegurando o perdão de Deus. De noite. Preocupada. viriam dois anjos buscá-la e levá-la aos céus. O cônego foi para a casa de tio Esguelhas. Afinal. Totó pediu onde estava o outro. falou que tinha que sair para resolver uns negócios e foi direto para a botica. Quando ficou a sós com o cônego. havia vindo um presente de uma beata rica. S. Essa perspectiva incomodava Amélia. com gritos que pareciam vir do inferno. Amaro experimentou a vestimenta em Amélia. ela uivava. ou de Nossa Senhora. dizendo que Nossa Senhora pousava-lhe sobre o pescoço. que já ia ao quarto sem nem ver a paralítica. voltou para a presença de Totó. com se estivesse de fato possuída pelo demônio. Assim que encontrou Amaro. Ele lhe contava histórias horrorosas de quase todos os rapazes da cidade. muito nervoso. a fim de examinar melhor a história. já que sabia que Amaro estava lá também. Dias ficou surpreso e. disse furioso que sabia de tudo e iria dar parte ao vigário-geral. que rejeitava de forma incisiva a presença de Amélia. Amaro quis ir à casa do sineiro. sendo que agora os dois poderiam desfrutar de horas de prazer sem ter que entrar nas pontas dos pés na casa do sineiro. Tudo isso iludiu Amélia. As palavras de Amaro. Contudo. e encontrou com Amélia no caminho. Amélia começou a ter pesadelos.Aquele foi o período mais feliz da vida de Amaro. Quando viu a filha de S. nem ler romances e livros. 17 . mas esta ficou horrorizada. Joaneira pediu que o cônego fosse examinar pessoalmente a filha do sineiro. Falava bem somente do sacerdócio. Ela era mal-educada. A partir desse dia Amaro passou a viver mais tranquilo. Ela ficou surpreendida. que há dez anos mantinha relações com a S. Dias foi diretamente a igreja. o jeito como subiam e se trancavam no quarto durante uma hora. Josefa Dias havia lhe contratado uma excelente cozinheira por um preço baixo. D. Ela estava cada vez mais ciente de estar cometendo um pecado irremissível. espumando pela boca. Amaro foi ao encontro do cônego e disse que. Falava também que quando ela morresse. e que ele próprio tinha o visto sair da cama da velha. Seu nome era Escolástica. e que a virgindade não era estragada nos braços de um religioso da sua altura. que beliscava Amélia e a levava para o quarto. o bonito. Joaneira. Não deixava-a ir sozinha a lojas.

Via sua felicidade acabar. tudo bancado pela D. Josefa. que não gostava do escrevente. e desta forma se livrariam de um escândalo. deveriam casar Amélia com o escrevente. estava preocupada com o castigo divino. Além das manhãs na casa de tio Esguelhas. estava com a perna quebrada e por isso mantinha-se “fora de ação”. Pensava em cessar suas relações com o pároco. Estava tudo resolvido: João Eduardo. o doutor Gouveia declarou Josefa livre de perigo. nervoso. e chegaram a discutir. que estava perto da morte. o pároco conseguia comprar presentes para Amélia. que também procurou pelo escrevente. D. XIX Amaro foi até a casa do cônego Dias. tinha roupas novas de linho e trocara toda a sua mobília. sendo que ela pagaria cinco tostões cada. afinal era o castigo de Deus. No outro dia. amigo do escrevente. Com esse dinheiro. e esta demonstrou alegria. Maria Assunção. comia bem. pois ao menos assim as senhoras não se preocupavam com ela. O jovem padre ficou furioso e lhe deu um tapa. Maria Assunção declarou ao cônego que certos batismo eram “de rir”. Natário. Era a D. poderia voltar à igreja sob alegação de que Natário e o cônego haviam interpretado mal as escrituras. Os dois sacerdotes estavam muito nervosos. O jovem padre vivia uma bela vida. amigo de João Eduardo. mas logo se arrependeu e deu um longo abraço na moça. João Eduardo. Um desastre havia ocorrido: Amélia estava grávida. e por isso ela estava fora da Igreja. Depois deles terem uma longa hora de prazer. com uma pneumonia aguda. Na casa do sineiro. a velha beata correu aos pés de Amaro e pediu que ele rezasse trezentas missas. contudo João Eduardo viajara ao Brasil. ocupando-se apenas em fazer promessas e rezar. Dionísia estava atrás de João Eduardo. Outro fato inesperado surgiu. mas amava-o. Dionísia trouxe uma desagradável notícia: tinha descoberto o paradeiro de Gustavo. Dias achou uma solução. Porém. Amélia jurou que mesmo depois do casamento seria a mesma para o pároco. Contudo. Amaro contou à moça sobre o plano. procurando-o em todos os cantos. Porém. 18 . XX Amélia sentiu-se desesperada quando soube da notícia. que estava excomungado. O pároco contou isso a Amélia. ele não conseguiu informações precisas e cobrou um alto preço. a empregada de Amaro lhe trouxe a notícia de que estavam na pista do ex-escrevente. e lhe serviria sempre que pudesse. Inicialmente ela negou. Esse foi um período de alívio para Amélia. mas acabou aceitando. Numa manhã. No dia seguinte. e agora se arrependia pela asneira cometida. mas o tipógrafo havia saído do jornal. Dias disse a ela que quem falasse uma blasfêmia dessas estava automaticamente excomungado.Já Amélia. A única solução seria encontrar Gustavo. Amaro contatou um delegado de polícia na cidade de Lisboa.

e com o argumento de que Amélia estava pensando em se matar e que se isso acontecesse a responsável seria ela. Joaneira. XXI Amaro estava sozinho na cidade. passou a dormir junto dela e as vozes não apareceram mais. já que possuía uma boa cozinheira. o Fernandes. onde ninguém vivia. mas D. não teve mais dúvidas e aceitou. Alugaria uma casa ao lado da de S. O cônego deveria passar as férias na praia. com a S. Amaro também convencera Amélia. Gertrudes. O pomar estava mal tratado. Joaneira e o cônego Dias foram para Vieira. De noite. Amélia e D. o sineiro. que a ameaçava. e agora só tinham que pensar em um fim para a criança. Certa vez revelou a ele que cometia pecados 19 . como meio de se prevenir. chorando a morte da filha. amaldiçoando a vida. D. Ele ficou até tarde da noite rezando com o Breviário aberto na casa do sineiro. Amélia. e os caseiros eram pessoas mal encaradas. tendo o seu filho lá. dizendo que seu fim havia chegado. dizendo que apesar de ser cúmplice no plano jamais a perdoaria ou teria qualquer amizade com ela. começou a ouvir vozes. em ir para a praia. Não conseguia dormir. Ela estava fraca do juízo. e serviria-a como enfermeira. A paralítica havia morrido. Todos deveriam ficar fora de Leiria durante os meses necessários para que Amélia tivesse a criança e depois voltasse normalmente. Josefa comprou duas pinturas: a Morte do Justo e a Morte do Pecador. chorar frente à sepultura de Totó. Joaneira. Voltava tristemente para casa. Amaro falou com D. e quase sempre via Esguelhas. Amélia acompanharia D. mas agora com a doença da irmã deveria se enterrar em Ricoça. pensou que Nossa Senhora havia mandado um vendedor ali para mostrar o seu fim. A casa estava caindo aos pedaços e cães uivavam durante toda noite. Josefa. um vendedor de pinturas passou por Ricoça. Amaro teve uma ideia. Nos primeiros tempos não deveria visitar Amélia. Joaneira. não aguentava por muito tempo o mau cheiro em que ele vivia. Diante disso. Envelhecia de forma visível. Josefa. Contudo. Num dia. Ferrão era um bom homem. De vez em quando ia à casa de Natário. Dias achou que era um bom plano. pensando somente no Inferno que a esperava. Amélia estava muito triste. A moça entrou em uma histeria profunda. Josefa lhe tratava mal. Diriam a irmã do cônego que Amélia fora seduzida por um homem casado. D. que concordou com que a filha fosse como enfermeira até Ricoça.O cônego já pensava nas suas férias de verão. Josefa partiram para Ricoça. Josefa a ser cúmplice do parto. que já estava com a imaginação aterrada. O pároco tentava dar voltas pela cidade. o que aumentava sua tristeza. Lembrava os dias felizes com Amélia. Amélia teria ficado doente se não fosse o abade Ferrão tê-la visitado de tempos em tempos. a fim de cuidar dela. e S. que tratava sua perna quebrada. a empregada. Passava pelo cemitério. Josefa não gostava dele e tratava-o com certo desprezo. mas só se distanciava do movimento. e por isso ocupava seu tempo escrevendo versos ou comendo. da loja de panos. os dois subindo a escada para o quarto onde hoje estava o sineiro a dormir. Somente Amaro ficou na cidade. sendo chamado depois para fazer a despedida de Totó. que com muita dificuldade consentiu. O cônego falou com S. Tinham que convencer D.

mas quando a moça o viu deu um grito e saiu correndo. ela se sentiu confortável para lhe relatar as vozes que ouvia. antes de D. e depois ia falar com Amélia. ela não estava em casa. XXII Amaro estava em casa.medonhos. Ela não queria mais cometer esse pecado. que trazia uma notícia: João Eduardo estava em Portugal e estava trabalhando perto de Ricoça. dessa vez levando um buquê de flores. num dia. A partir daí D. dizendo que alguém esperava por ele na cozinha. Esta se divertia com histórias de caça do abade. Joaneira. Ele agarrou-a pelo braço. apenas havia comprado a velha propriedade dos Poiais e recebera esse titulo da população. viu João Eduardo passar em frente a residência. O abade falou que esses “pecados” eram somente pensamentos que as pessoas tinham por medo de Deus. Queria. Era Dionísia. Amaro usou o nome de Deus para que a velha passasse a tratar melhor a menina. Na despedida. Ele só vinha ver seu estado de saúde. na presença do coadjutor. A empregada entrou e chamou pelo pároco. Josefa. Josefa. desde que a moça continuasse sendo dele. mas Amélia se trancava no quarto e só vinha se a velha a chamava. tinha ido até o abade Ferrão. Dias depois. Essas vozes vinham da consciência de cada um. A empregada levou-o até a presença de D. o pároco. afirmando que estava arrependida de seus pecados e não tornaria a cometê-los. No outro dia. e que se deveria servir ao Senhor por amor. mas a moça só respondia pedindo que lhe deixasse em paz. contudo ela negou. Contudo. O religioso lhe respondeu que Deus não vinha até a Terra para assombrar pecadores e nem permitia que o Demônio fizesse isso. e disse também que o abade Ferrão tinha ajudado-a muito. mas teve certeza que este não era o amante da moça. o pároco tinha certeza que a sua amada contara tudo na confissão. Aos poucos. e depois nas vésperas do embarque ao Brasil. Ele disse que concordava com isso. João Eduardo passava de dia ou de noite na frente da casa contemplando a sua janela. e por isso passou a rondar a casa de noite. topou com o abade Ferrão. Amaro saiu rapidamente e foi a caminho da casa do abade. Amaro foi novamente à casa de D. Amaro foi diretamente para Ricoça. que ficou feliz em vê-lo. visitar Amélia. Josefa acordar. O homem não era nem Morgadinho nem de Poiais. e não por medo. foi novamente a Ricoça. e a fez dizer que estava se confessando a Ferrão. O jovem padre. Pensava nos dias felizes na casa da S. Ele contratara o 20 . reconquistar a moça. Amélia foi se confessar com o velho Ferrão. que lhe disse que era melhor para todos não vir mais a residência. quando estava a sós com Amélia. A velha beata também informou que a rapariga se confessara a ele. expectorar na reza com o nome de Deus na boca e imaginar santos nus. e que poderia topar com Amélia a qualquer hora. Josefa não contou mais sobre seus pecados a Ferrão. quando Morgadinho de Poiais o encontrara e lhe contratara. No outro dia. Agora. Depois que o religioso foi embora. mas esta recuou e disse que tudo havia acabado. dessa forma. como por exemplo. a velha disse a Gertrudes que o mesmo era um “pedreiro-livre”. e encontrou com Amélia que vinha no sentido oposto. tentou beijá-la. Em uma delas. Esperava por declarações de amor. começou a ficar desconfiado de que Amélia tinha outro homem. Depois de algum tempo. O pároco tentou conquistá-la por meio de longas cartas. sem capacidade de ser abade.

contudo o mesmo estava em Vieira e só viria a duas semanas. O religioso passou a conversar com João Eduardo. O abade falava de uma forma maternal. Os dois se dirigiram ao quarto e começaram a discutir sobre o enxoval e a ama. como era o nome da ama. sem medo. Ela lhe escreveu uma carta. Quando apareceu. O abade Ferrão apareceu no outro dia e disse que arranjaria o perdão de João Eduardo e faria o casamento. Ele lhe falava de forma carinhosa. apenas seu marido era um sujeito estranho. Mais tarde. E por que não se casar com o escrevente? Se João Eduardo a amasse ainda e a perdoasse. Amaro disse que tudo se arranjaria antes dele voltar a Vieira. Dionísia também falou de outra ama. não querendo o impossível. Josefa queria a presença do pároco. dizendo que Deus era capaz de perdoar todos os pecados. Amélia estava sozinha em casa. e dessa forma deveriam voltar. ia esquecendo o amor pelo pároco. o Morgado recebia o abade Ferrão. pois já havia tomado seus banhos. O pároco pediu a Dionísia que arranjasse uma ama que criasse a criança. mas prometeu que não diria nada na cidade. mas esqueceu dos cães do caseiro. e aconselhou-a a se casar com o escrevente. que ela o esquecesse de uma hora para outra. mas a moça falou que ele não voltaria para lá e se entregou como em outras vezes. com a ajuda de Ferrão. poderiam viver felizes ali mesmo. e por isso mandara chamá-lo. em que o homem teria adoecido e a mulher 21 . em Ricoça. Josefa dormia e Gertrudes fora para a cidade. mas quando chegou lá viu que Carlota. Mesmo sendo contra a padraria. sem lhe falar nada sobre a ama que ficaria com a criança ou sobre o enxoval. XXIII Amaro estava com mais um problema: S. O cônego escrevia que iria ficar frio em poucos dias. Amélia se trancava no quarto na hora da consulta. Pensava no parto. já que D. e que com a ajuda do doutor Gouveia seriam apenas algumas horas de dores. Esta última era boa. Ele apenas respondeu que iria para lá na quinta-feira. quase anão. Amaro estava a caminho de Joana Carreira. Na quinta-feira. Amélia aos poucos. D. mas como cavalheiro. Imaginava uma verdadeira bruxa. A moça disse que ia pensar. mas mudou de ideia e foi ver a tal tecedeira de anjos. A empregada lhe contou de uma mulher. dizendo que o escrevente cometera uma falta grave ao publicar o Comunicado. O médico percebeu a gravidez da moça. o ladrar da matilha começou e o fez correr. mas que pagara com lágrimas e com fome. Agora a moça já vivia de forma tranquila. O padre elaborou uma história de um casal. ignorou Amélia. Amélia dera a chave do portão do jardim para que o pároco viesse à noite. Joana Carreira. ameaçando denunciar-lhe ao vigário-geral. pois todas as crianças entregues a ela com um ano de criação pago de forma adiantada morriam. O doutor Gouveia começou a frequentar Ricoça. mas teve que sair para receber as instruções sobre dietas e remédios. Assim que o jovem padre pôs os pés no pomar.escrevente como professor dos seus dois pequenos filhos apenas para ofender o clero. e depois poderia voltar para a cidade. conhecida com tecedeira de anjos. A princípio. era uma mulher simpática e de boa aparência. Joaneira queria voltar para a cidade. e a admirá-lo. o que enternecia a moça. começou a falar bem dele para Amélia. D. não como religioso. já que odiava padres. Josefa piorara.

e os dois filhos do Morgado. O abade foi chamado ao quarto. Amaro estava agora com um pensamento na cabeça: havia dito a Amélia que arranjara uma boa ama. ou se continuaria com Carlota. e Amélia não apareceu dizendo que estava com uma enxaqueca. uma mulher que mataria seu filho. Ele pensava se valia a pena contratar outra ama. Gostava de se exibir a todas as pessoas de Leiria. Contudo. O doutor Gouveia pegou seu estojo e foi tratar dela. mas não sabia o que ou quem. O abade disse à moça que faria seu casamento com João Eduardo. se cruzou com Amaro. deixando o abade só na sala. Dionísia foi chamada e o pároco avisado. o doutor Gouveia. e por isso precisava de uma ama. Libaninho já visitara D. que fez o parto. e Gouveia partia em sua égua. que iam acompanhados também de um lacaio. Quando voltou para casa. se este aceitasse. Maria Assunção já voltara para Leiria. Ferrão estava muito nervoso. Joaneira já escrevia queixando-se que o cônego a retinha em Vieira. O nome do filho seria Carlinhos. mas na verdade era Carlota. entregaria seu filho aos cuidados de Carlota. e mais tarde ele sendo levado à cadeia. mudou totalmente as suas ideias. O doutor vinha de tempos em tempos até a sala respirar um ar puro. Dionísia continuava insistindo que a moça queria a criança. Na verdade. e ficou sabendo que esta era má gente.estava grávida. Não poderia entregá-lo àquela mulher. seu ex-chefe. Ele informou a Amaro que o chantre estava investigando uma denuncia vaga sobre um eclesiástico de Leiria. Amélia teria o filho. Enquanto isso. Dionísia interrompeu. Foi até o casebre e disse a Carlota que os planos eram outros. a boa Joana Carreira. e S. Diante dessa afirmação que um religioso estava sob investigação do vigáriogeral. mas não tinha o que fazer. o bebê nasceu grande e forte: um menino. mas não escondia a preocupação. A esperança do pároco era que a criança nascesse morta. Ela disse que sim e saiu na noite. para depois levar o bebê. Na mesma noite. recomendada por Dionísia. Amaro não teve dúvidas e foi para Barrosa acertar um ano adiantado da criação do filho. Carlota esperaria num casebre. pensando que era melhor mesmo que este morresse. XIV 22 . e reparou que ele saía da casa de Carlota. aguardar o nascimento do filho. Amélia estava ansiosa para ter o filho. Assim que Amaro o pegou nos braços. não poderia procurar outra ama a essa altura. e o abade Ferrão estavam discutindo sobre a Igreja. dizendo que a moça acordara e que queria seu filho. ficou imaginando a mulher estrangulando a criança. Josefa. onde duas velas chegavam ao fim. pois dessa forma poderia descansar. D. João Eduardo gostava de passear até a cidade com a égua baia. a não ser em casos extremos. Finalmente chegara a hora. e que ela sentia a cabeça pesada e os olhos faiscarem. Gouveia ordenou que dissessem a ela que o bebê viria no dia seguinte. Na casa de Amélia. Gertrudes e Dionísia se debruçavam sobre o corpo já sem vida. e talvez Amélia também morreria e assim poderia ele se dedicar a Igreja como se nada tivesse acontecido. principalmente do doutor Godinho e do Nunes. Amaro foi a Ricoça. recebeu a visita de Libaninho. que o bebê fosse criado e não morto. e as regras de sacerdote não permitiam que se aproximasse de uma mulher no leito de parto. No caminho de volta. Amélia estava muito mal e as horas se passavam. a ama. e conseguiria que ele assinasse uma escritura adotando o filho de Amélia.

Enquanto Amaro viajava. mas ela não vinha. e sem nenhum transtorno lhe informou que a criança morrera e que ela tinha justamente ido para a aldeia encomendar um caixão. a não ser o ventre rebentado por um rapagão. Josefa cuidava do enterro. a qual diziam ter morrido de um aneurisma. D. tio Esguelhas. o sineiro. O pároco. O padre foi diretamente para a cidade. O Libaninho tinha se envolvido num escândalo com um sargento de um batalhão onde o religioso estava “levando a virtude”. Queria encaminhar sua transferência com o bispo. De repente. Numa taberna. Sentou-se numa pedra. Eles comentaram com muita tristeza a morte de Amélia. que em pouco tempo enriquecera. Lá. Não paravam de vir telegramas noticiando uma guerra por Paris. e pedia dessa forma alguns dias de dispensa para ir lá tratar dela. Carlota apareceu. O pároco se despediu. a ama boa. vendo a situação. XXV Nos fins de maio de 1871. Chegando lá. mas foi tratado muito bem. Já Amaro. Amaro esperava por Dionísia na janela do seu quarto. Era de Amélia. levando consigo a cozinheira Escolástica. ele pediria transferência para Feirão. Quem estava cuidando disso era o conde de Ribamar. Quando voltou. Enquanto que todos rezavam. sendo que dessa forma criaria Carlos como seu sobrinho. informaram que Carlota saíra. pois não aguentava mais olhar a cara das pessoas de Leiria. e S. comentaram que não tinha sido aneurisma nenhum. temia que fosse verdade a história da suspeita sobre algum eclesiástico de Leiria. encontrou a empregada. pensando em levar o bebê para Joana Carreira. que assim que o viu começou a chorar. que o ajudara antes. Deu a Dionísia um crucifixo. encontrou tudo fechado. João Eduardo se juntou em silêncio a romaria. Disse que sua irmã estava prestes a morrer em Lisboa. No encontro com o vigário-geral. Ele contou as novas dos antigos amigos de Leiria. trouxe a ele um brinco de ouro que achara em sua casa. Bibi. enquanto Amaro retornou a casa da ama. Amaro pediu que fossem a estalagem do Cruz e alugassem um cavalo. Inicialmente o pároco 23 . Serafim. o cônego Dias reconheceu Amaro. Posteriormente. No meio da multidão. Ele teve que ir para a igreja realizar um batismo. O caixão foi carregado de Ricoça até a capela dos Poiais. um grande alvoroço tomou conta de Lisboa. entendeu o que havia acontecido e desmaiou. do Sr. e no caminho da estação topou com o secretário-geral. comandada pelo abade Ferrão. sendo acordado mais tarde por Dionísia e Escolástica. que deveria ser posto sob o peito de Amélia. Maria Assunção tinha arrumado um criado novo. pedira transferência para uma aldeia qualquer. mas Amaro não a ouvia mais. No meio do caminho. pedido que foi aceito. o egoísmo das pessoas. devia ter ido à casa de Micaela. Antes de viajar.No outro dia. A população atribuía essas revoluções à busca de riquezas. Ele estava acompanhado de dois lacaios que foram enviados pelo Morgado para honrar o enterro. A dona mandou a filha chamá-la. Pediu ainda que o pároco desse dinheiro para cobrir as despesas e quis devolver o capote que emprestara para proteger o pequeno do frio na noite anterior. restaurantes e edifícios de Paris estavam sendo destruídos aos poucos. Os belos monumentos. Natário estava envelhecendo de tantos desgostos. Já ele foi até a casa de Carlota. Joaneira quase morrera. D. o administrador e um amigo. eles foram para uma taberna. uma vizinha.

o que despertou o olhar do cônego e de Amaro. FIM 24 . Em seguida. e sobre a grandeza de Portugal. Os três ficaram em fila conversando sobre a desgraça na França. Passou uma mulher jovem e outra já com cabelos grisalhos. mas ponderou e decidiu não ir. a qual atribuíam a fé e a honestidade dos sacerdotes.pensara em ir para um convento passar o resto da vida em penitências. veio o Conde de Ribamar.

Lá foi educado. depois que se torna padre. Gustavo (tipógrafo e revolucionário). Dionísia (a mulher que serve Amaro enquanto a empregada está doente e lhe recomenda as amas). D. Josefa Dias (a irmã do cônego). o tio Cegonha. o conflito gira em torno de S. D. o secretário-geral. Carlota (a tecedeira de anjos). era bonito. onde conhece Amélia que se torna sua amante. de modo geral. A marquesa faleceu e deixou escrito por testamento que Amaro deveria ir a um seminário. o doutor Gouveia (médico que faz o parto de Amélia). apelido de Augusta Caminha. Inicialmente foi descrito como franzino e quieto. os hábitos e a linguagem mostram de forma real a parte psicológica de cada. e outras. de Amaro e de Amélia.0. Agostinho. Amaro inicialmente fica com a consciência pesada. mas depois “ganhou cor” e ficou com uma boa aparência. Maria Assunção. João Eduardo (ex-noivo de Amélia e o autor do Comunicado contra os padres). Eça de Queirós. No entanto. ele ficou na casa da marquesa de Alegros. ambicioso e pervertido. mas desta vez toma a precaução de só “atacar” mulheres casadas. Há um grande número de personagens. diferentes do costume do autor. tio Osório. contudo tinha pouco caráter. No entanto. classificado como sem vocação. Amélia engravida e dá a luz a um bebê que Amaro entrega a uma “tecedeira de anjos”. sejam principais. o sineiro Esguelhas e sua filha Totó. Amaro continua sendo conquistador. os farmacêuticos Carlos e Amparo. Depois que Amélia morre. as irmãs Gansosas. ou seja. o cônego Dias o hospeda na casa de S.3. Entre os personagens secundários estão o padre Miguéis (o pároco de Leiria que falece e que tem como sucessor Amaro). o abade Ferrão (que dá apoio a Amélia em Ricoça). a marquesa de Alegros. Gertrudes. o escrivão Domingos. Amaro. onde os eclesiásticos eram funcionários sem vocação para exercê-la. Contudo. AMARO: Amaro é filho de pais pobres e virou órfão muito jovem. Arthur Couceiro. em cada uma das personagens há uma particularidade na vestimenta ou no jeito de falar. Fisicamente. o conde de Ribamar (que faz com que Amaro seja enviado a Leiria). é enviado para a serra. segundo especialistas. Natário e Saldanha. Joaneira. Nunes (o chefe de João Eduardo no cartório). 25 . A criança acaba morrendo. as criadas Ruça. do cônego Dias. que era rica e lhe deu uma boa vida. mas quando vê que o cônego também pratica o pecado da carne fica sem dúvidas. Dessa forma. Lá. Libaninho. Godinho. PERSONAGENS E CARACTERÍSTICAS DA OBRA Os personagens de “O Crime do Padre Amaro” são. secundários ou figurantes. Ele e o cônego Dias eram padres da chamada Regeneração. o Dr. Sempre andava com o rosto raspado. dá uma atenção especial a individualidade de cada um. mas com a ajuda do conde de Ribamar é transferido para a boa paróquia de Leiria. o abade de Cortegassa. o padre Mendes (coadjutor da Sé). Joaneira. o padre Liset. o rapaz acabou sendo taxado com os principais defeitos de um mau padre. os padres Brito. Vicência e Escolástica.

Porém. e desta forma adquiriu com o tempo certa ingenuidade. João da Foz. Essas emoções acabaram prejudicando sua saúde e levaram-na a morte. Ela foi uma adolescente que desde pequena convivia com uma paralisia das pernas. Sendo filha do sineiro. Josefa Dias. longe da cidade. era gordo e barrigudo. Ele acaba descobrindo que Amaro era amante de Amélia. em meio a mulheres beatas e padres sem moral. 26 . amante do cônego Dias e mãe de Amélia. Esse amor nada mais era do que uma devoção compreendida de forma incorreta. até o ponto que diziam que esta estava “possuída” pelo demônio. o único sacerdote decente na história. que faz com que a moça recupere a realidade e a vida normal. sendo que se interessou pelo padre Amaro. D. tenta fugir da vergonha e se esconde em uma quinta. grandes orelhas e beiços espessos. gorda e muito branca. mas teve que se calar e torna-se cúmplice do padre pois este flagrara-o na cama com S. ela se dedicou a uma devoção exagerada. Ali aconteciam os principais encontros dos protagonistas. Joaneira por ser natural de S. com cabelos grisalhos. presenciava os encontros de Amélia e Amaro. O jovem padre acabou não lhe ministrando os sacramentos. não somente ao belo rapaz. ao lado de uma velha beata. Vivia com a irmã. era uma morena atraente. JOANEIRA: Foi uma personagem secundária. Era uma senhora alta. A sua casa servia aos encontros das beatas de Leiria. sendo chamada de S. Quando adulta. e por isso começou a manifestar uma série de comportamentos sinistros. morre logo depois de dar à luz ao bebê que fora levado. CÔNEGO DIAS: Foi mestre de moral de Amaro no seminário e foi ele quem fez o eclesiástico se hospedar na casa de S. Nesse meio tempo surge o abade Ferrão. a mesada dada pelo cônego diminuiria. Joaneira numa casa beata na Rua da Misericórdia. Depois que engravida. os quais incluíam agressividade e infelicidade. D. Com o aluguel que Amaro pagaria a mulher. S. Seu nome era Augusta Caminha. Tinha vinte e três anos e um comportamento muito sentimental e sensual. TOTÓ: É uma das personagens mais estranhas de Eça de Queirós.AMÉLIA: Amélia vive com a mãe S. Joaneira. Josefa Dias. Ela foi educada num ambiente monótono. sua amante. Fisicamente. Joaneira. Fisicamente. se apaixonando por este e odiando aquela.

No final da história ela arruma uma espécie de servo. que “inventavam” pecados e descreviam um Deus severo. o proletariado. que estava acima de qualquer suspeita. Dessa forma. sofre represálias e perde a amada. Dessa forma. “O Crime do Padre Amaro” descreve a corrupção do clero. e depois chora muito sua morte. e por isso escreveu um artigo anônimo publicado em um jornal. Era belo e tinha grande capacidade no trabalho de escrevente. Foi também extorquida pelos padres. assim como outros autores do Realismo.JOÃO EDUARDO: Em parte da história ele foi o noivo de Amélia e esperava apenas por uma melhora no emprego para poder se casar. Há uma critica também aos costumes morais da média burguesia. onde Eça de Queirós acaba com o idealismo romântico. Ela comprara de um clérigo corrupto um conjunto de peças genuínas da Igreja Católica. MARIA ASSUNÇÃO: É uma velha beata muito rica. que manipula a população em favor dos interesses da elite. O Realismo surgiu com a necessidade de se descrever o impacto negativo do desenvolvimento sobre a sociedade. Isso aconteceu porque o autor quis representar as grandes transformações da época. o romance de entretenimento foi substituído pelo romance de tese. Era íntima de S. Nesse artigo denunciava a corrupção do clero de Leiria. Eça de Queirós incluiu em sua história parte de uma revolução que decorria em Paris. É o único clérigo que cumpre sua função sem se corromper. que eram os trabalhadores pobres em regime de exploração. Ele não gostava dos padres e percebia que Amaro atraía a atenção de sua noiva. ABADE FERRÃO: É o religioso de Ricoça e ajuda Amélia quando esta estava muito deprimida. Joaneira e tinha influência sobre a criação de Amélia. atingi-se 27 . Nessa critica da burguesia. Contexto da obra Publicado em 1875. descobre-se que foi ele quem escrevera o Comunicado. No entanto. Ela de certa forma infligiu a santidade de Amaro. procurou retratar a realidade de forma objetiva. que visa criticar a burguesia pelas desigualdades. e desta forma ofereciam missas de perdão por certo valor em dinheiro. D. Surgia uma nova classe social. Ele quem ouve a confissão da moça e aconselha-a a livrar-se de Amaro. como o artigo ficou conhecido. “O Crime do Padre Amaro” é o primeiro romance do autor. entre as quais estavam as revoluções industriais e o desenvolvimento de novas teses e correntes filosóficas por parte de intelectuais. Ele acabou com a subjetividade romântica e. que também servia de “namorado”.

Foi nesse contexto que Eça de Queirós se destacou. Josefa. não ganha a confiança da beata D. Isso disfarça os vínculos do autor com a obra. Dessa forma. 28 . volta ao passado de vez em quando para contar como tal coisa aconteceu. mas mesmo assim percebe-se a antipatia de Eça com os padres e beatas. No final das duas histórias. sempre descrevendo os defeitos e qualidades de forma real. mas que põem em dúvida as leis da Igreja. tais como o Governo e a Igreja. que lê romances e leva as histórias para a vida real. Características Todos os personagens são descritos de forma física e psicológica. Mesmo sendo o único religioso descente. do mesmo autor. que lhe denomina imbecil. NARRADOR A narração ocorre em terceira pessoa e age sob os pensamentos dos personagens. Em algumas partes há um pouco de subjetividade. e sim por ele ser padre. Outra crítica negativa ocorre com a imoralidade dos padres em geral. o autor coloca sua opinião a respeito da Igreja. TEMPO E ESPAÇO A história se desenvolve em Leiria entre 1860 e 1870. Em comparação com “Primo Basílio”. o protagonista homem ignora a morte da “amada” e logo procura outra mulher para saciar suas vontades carnais. não escondendo nada. ela não amava Amaro em si. Essas críticas sobre a religiosidade ocorrem de forma constante na criação de Amélia.também as instituições que apóiam a parte rica da sociedade. Normalmente o autor faz uso de figuras de linguagem. apresentado os fatos de forma cronológica. sem esconder os defeitos ou ressaltar as qualidades. como metáforas e metonímias. praticamente todos os padres são indecentes e os bons não são valorizados pela elite. iludindo-se. criticando a burguesia e tudo o que estava em sua volta. ou seja. Segundo ele. A moça foi cresceu num ambiente tão beato que se dedicou tanto a vida religiosa que se apaixonou por um padre. dos quais apenas um cumpre com o dever. Esses personagens dão uma espécie de “apoio” a opinião do autor. o que era comum entre os realistas. O autor cria uma série de personagens que são ou não ateus. pode-se dizer que Amélia tem o mesmo comportamento de Luisa. Contudo. Portugal há algum tempo deixava de acompanhar o desenvolvimento de outras nações européias. Com isso. mas logo aparecem as descrições mais objetivas. Essa condição excitou-a e fez com que se apaixonasse. e a partir de então jovens portugueses se mobilizaram e iniciaram uma série de mudanças radicais. o abade Ferrão. Durante toda a história aparecem inúmeros clérigos. há uma critica dos costumes da burguesia em “Primo Basílio” e da Igreja em “O Crime do Padre Amaro”.

ele parte para cima de Amélia. A casa do sineiro é a solução. Diante disso. Amélia engravida. Esforçava-se para conter os impulsos sexuais. principalmente de Amaro. Amaro se hospeda na casa de S. o cônego Dias. Não possuía qualquer vocação. O cônego. apesar de ser devoto. Joaneira. 29 . João Eduardo. consegue a transferência de Amaro para uma boa paróquia. não o encontram e acabam levando ela a uma casa afastada.ENREDO Depois que Amaro fica órfão. Eça de Queirós critica mais uma vez a burguesia. Joaneira e logo sente forte atração por Amélia. mas morre no parto. Lá. e mais tarde tem a primeira relação sexual. tem seu bebê. comum à época. João Eduardo. Dessa forma. mas diante de maus exemplos vindos da própria Igreja não consegue se conter. que misturava política e religião naquele tempo. Foi o conde de Ribamar que. Amaro e Amélia se beijam. fica com ciúmes e publica um artigo com fortes acusações sobre o clero. por meio de sua influência política. Amaro e o cônego Dias vão a Lisboa. Descobre-se o fato e João Eduardo sofre. já cúmplice de Amaro. o autor ressalta todo o erotismo dos personagens. No topo do amor. e com a ajuda da condessa de Ribamar é encaminhado para a boa província de Leiria. a marquesa de Alegros o adota e obriga a ser padre. Dionísia aparece e recomenda que o pároco tome cuidado e que procure um lugar secreto para os encontros. Contudo. Amaro se ordena padre. Lá superam “juntos” o remorso do caso. O menino também morre. aconselha que se case a moça com o ex-noivo. vitima de uma “tecedeira de anjo”. na cama de S. noivo de Amélia. Com esse fato. Os medos de Amaro acabam quando vê o seu antigo mestre de moral.

com 30 .shtml http://guiadoestudante.org/wiki/O_Crime_do_Padre_Amaro www.com. FONTES http://pt.abril.wikipedia.shtml http://www.4.br/search?hl=ptBR&source=hp&q=o+crime+do+padre+amaro&aq=f&aqi=&aql=&oq=&gs_rfai= http://pt.org/wiki/E%C3%A7a_de_Queir%C3%B3s http://guiadoestudante.scribd.abril.com.com.google.0.br/estude/literatura/materia_409869.br/estude/literatura/materia_409866.wikipedia.

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