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ICP Responde

Artigos sobre questões e passagens


bíblicas obscuras, difíceis ou polêmicas,
esclarecidas pelos especialistas do
Instituto Cristão de Pesquisas – ICP

Nota: Estes textos estão disponíveis gratuitamente no site do ICP,


na coluna ‘ICP Responde’. Você pode participar desta seção,
enviando sua pergunta para icp-responde@icp.com.br.
Os mesmos foram aqui compilados sem fins lucrativos, visando
somente a edificar o Corpo de Cristo e a divulgar o trabalho de
excelência que o ICP vem realizando no Brasil. Visite o site do ICP,
e conheça os excelentes recursos que eles oferecem:

www.icp.com.br
Listagem das questões abordadas
Zacarias 14.9 reforça a tese unicista contra a Trindade?
Por que o nome de Jesus não é Emanuel?
Alguns atributos de Deus são inerentes ao ser humano?
Os irmãos literais de Jesus eram, na verdade, seus primos?
O texto de 1Pedro 4.8 pode ser usado para justificar os pecados pelas
obras?
Por que Jesus amaldiçoou a figueira por não produzir figos se o texto
de Marcos 11.13 deixa claro que não era o tempo propício para isso?
Quem é a senhora mencionada em 2João 1,5?
Quem foram os ebionitas?
Como entender a expressão “banco”, em Lucas 19.23?
Em 2Coríntios 11.17, Paulo está contradizendo os ensinos de Jesus?
Por que Daniel não foi jogado na fornalha de fogo ardente com seus
amigos, afinal, não estavam juntos (Dn 3.1-30)?
O que podemos saber a respeito da epístola escrita à igreja de
Laodicéia (Ap 3.14-22)?
É verdade que o apóstolo Paulo escreveu três cartas aos coríntios?
Qual delas se perdeu? Temos algum versículo bíblico que nos
esclareça sobre seu tema ou conteúdo (1Co 5.9-11)?
Há um “capítulo de ouro” no livro do profeta Jeremias? Qual é e por
quê?
O que significa, e de onde provém, a expressão “Leão da tribo de
Judá”, atribuída a Jesus?
Ana teve sete ou seis filhos?
Se a narrativa do rico e Lázaro não é uma parábola, mas história
real, como os evangélicos defendem, gostaria, então, de saber como o
rico pôde sentir sede, tendo em vista o fato de que ele, naquele lugar,
não estava em matéria, mas em alma e espírito?
Há um episódio estranhíssimo na Bíblia, sem paralelo nos demais
textos: a luta entre Jacó e o anjo (Gn 32.24-32). Segundo a Palavra,
os anjos possuem poder, mas em relação ao anjo com o qual Jacó
lutou, pareceu haver quase uma equivalência de forças, visto que
Jacó pôde resisti-lo durante muito tempo. Mais do que isso, Jacó o
deteve (o segurou) e, segundo meu entendimento, até o coagiu a
abençoá-lo. Em minha igreja, os irmãos cantam esse episódio, mas
sem raciocinarem a respeito. Gostaria que fizessem uma exegese do
mesmo, se possível com referências de pensadores cristãos e judeus.
Em João 1.29-34, fica bastante claro que João Batista sabia quem
era Jesus. Por que, então, enviou seus discípulos, conforme Mateus
11.2,3, para que perguntassem a Jesus se Ele era o Messias?
Qual é a diferença entre tribulação, provação e tentação?
Em Gênesis 11.1,6-9, a Bíblia diz que toda a terra tinha uma língua
só. Mas em Gênesis 10.5 há menção de diversas nações, cada qual
com a sua própria língua. Como podemos entender esta
ambigüidade?
O povo da assíria tinha alguma relação com Assur?
A Bíblia registra o ato de “lançar sortes”. O que isso significa?
Quem são os pobres de espírito que herdarão o reino dos céus?
Davi matou Golias com a funda ou usou a espada do próprio gigante
para lhe tirar a vida?
Por que Jesus amaldiçoou uma figueira sem frutos, visto que estava
fora da época de produzi-los?
Jeconias era filho de Jeoiaquim ou de Josias?
Como interpretar os “excrementos humanos” na preparação da
cevada, conforme descrito em Ezequiel 4.12?
O que são binitarismo e diteísmo?
Que animal era/é o “leviatã”, criatura citada em Jó e Salmos?
Deus realmente teve a intenção de matar Moisés, conforme o texto de
Êxodo 4.24?
Qual é o significado da expressão Yeshua Hamachiach Hamelekh
Hamalekhin Kadosh (Ierroshua Hamashia Alamanehin Kadosh)?
Em 2Reis 2.23,24, o profeta Eliseu realmente amaldiçoou os jovens
para que morressem?
Jeremias 7.16 ensina que não devemos orar por certas pessoas?
De acordo com Gênesis 3.16, Eva, a mulher perfeita antes da queda,
teria dores no parto?
O que significa o sufixo “ismo” que encontramos nos nomes de
diversas religiões?
O que é o limbo, segundo os católicos apostólicos romanos?
Quem é o homem vestido de linho mencionado em Ezequiel 10?
O que é fideísmo religioso?
Como explicar “as figuras das coisas que estão no céu”, citadas em
Hebreus?
Por que Apocalipse 7.4 menciona a tribo de Manassés no lugar da
tribo de Dã?
QUAL É O SANTUÁRIO EM QUESTÃO NO TEXTO DE
1CORÍNTIOS 3.17: O NOSSO CORPO, O ESPÍRITO SANTO OU
OUTRA COISA?
COMO ENTENDER A AUTORIDADE CONFERIDA A PEDRO
EM MATEUS 16.19?
EM QUE MOMENTO O BATISMO EM ÁGUAS PASSOU A SER
REALIZADO CONFORME O PADRÃO
NEOTESTAMENTÁRIO?
COMO EXPLICAR A MENÇÃO DA LUZ EM GÊNESIS 1.3 SE O
SOL FORA CRIADO SOMENTE NO QUARTO DIA (GN 1.14)?
Como entender o fato de Paulo mandar entregar dois obreiros da
Igreja a Satanás?
Em Êxodo 25.17-22, Deus está permitindo a adoração de imagens?
Por que não vemos nos evangelhos pessoas pedindo perdão a Jesus?
Segundo o texto de Mateus 27.52, em que momento se deu a
ressurreição dos mortos?
Coisas santas aos cães e pérolas aos porcos. Qual deve ser a nossa
posição acerca deste ensinamento de Jesus?
Zacarias 14.9 reforça a tese unicista contra a Trindade?
“E o Senhor será rei sobre toda a terra; naquele dia um será o Senhor, e
um será o seu nome”.

Monarquianismo, patripassionismo ou sabelianismo são todos conceitos


que expressam o intenso desejo e objetivo, ainda nos primeiros séculos da
Igreja cristã, de combater o que seus defensores chamavam de triteísmo,
referência ao reconhecimento de três deuses. Na tentativa de defender o
monoteísmo, alguns apologistas da Igreja primitiva acabaram
abandonando a doutrina da Trindade Divina: Pai, Filho e Espírito Santo,
três pessoas que subsistem eternamente numa única divindade (unidade
composta).

Foi Teodoto de Bizâncio (cerca de 190 a.D.) quem primeiro ensinou que
Jesus era apenas um ser humano movido e impulsionado pelo Espírito
Santo. Em outras palavras, para ele, Jesus não era essencialmente e
substancialmente Deus ou, sequer, conjugava as duas naturezas (humana
e divina) em si (união hipostática). Esse ensino é chamado de
“monarquianismo dinâmico”.

Outros preferiram reconhecer a divindade de Jesus, mas o identificaram


(o Filho) com o próprio Pai. Essa doutrina é conhecida, ainda hoje, como
“monarquianismo modal” ou “patripassionismo”. A Enciclopédia
histórico e teológica nos informa que “patripassionismo é a doutrina
segundo a qual o Pai se encarnou, sendo Ele quem nasceu de uma virgem
e quem sofreu e morreu na cruz”.

Sabélio, bispo de Roma (séc. 3o), promoveu avanços no sistema modal ao


ensinar a respeito de um Deus “processado”. No caso de sua doutrina,
Deus teria se apresentado à humanidade de três formas: como Pai
(Antigo Testamento), como Filho (Novo Testamento) e como o Espírito
Santo (período da graça), mas esses “três seres” não estão separados em
personalidades. Didaticamente, é como se um único e mesmo ator de
teatro entrasse no palco por três vezes e em cada oportunidade trocasse
apenas a máscara.

Considerando esse brevíssimo panorama histórico, podemos pensar no


texto de Zacarias: “Naquele dia, um será o Senhor”. No idioma hebraico,
existem duas palavras para exprimir a noção de “um” ou “único”.
Quando as expressões bíblicas do Antigo Testamento apresentam “um”
ou “único” no sentido absoluto, fazem uso do termo yachid: “E disse:
Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque...” (Gn 22.2). Note que
Isaque tinha um irmão, Ismael, mas é chamado de único, devido à
promessa está relacionada apenas a Abraão e Sara. Contudo, há uma
unidade que chamamos de composta, expressa pelo termo hebraico
echad: “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à
sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2.24). Pois bem, o que os
unicistas têm de considerar antes de advogarem sua doutrina a partir de
Zacarias é justamente isso: o profeta faz emprego da palavra echad,
unidade composta, e não de yachid, unidade absoluta.

Por que o nome de Jesus não é Emanuel?


“Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem
conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel” (Is
7.14).

O nome Jesus não é apenas um apelativo ou um designativo. Foi


conferido por meio do anjo Gabriel à Maria: “Eis que em teu ventre
conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus” (Lc
1.31). Sendo assim, Maria não poderia ter dado outro nome ao menino
que estava para nascer. Jesus é o nome do Messias.

Quanto à essa questão, há um fator que deve ser esclarecido e


considerado: os orientais são realmente diferentes em diversos aspectos
vigentes na cultura ocidental, e isso ocorre também com o nome. A língua
dos judeus possui alguns hebraísmos, ou seja, “certas expressões e
maneiras peculiares do idioma hebreu que ocorrem em nossas traduções
da Bíblia”.

Então, a intenção do escritor e profeta era manifestar que o Messias não


somente seria o Deus encarnado habitando com e entre os homens, mas
também que estaria realizando a vontade de Deus. A língua hebraica se
vale de formas poéticas para se expressar, e isso exige, de cada estudante
da Bíblia, muito cuidado, para não se confundir. Para citar um outro
exemplo, em Isaías 9.6 temos a afirmação de que Jesus seria chamado
“Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da
Paz”.

Como ser portar diante de tantos nomes? Qual deles deveria ser o nome
do Messias? Na verdade, trata-se de outro hebraísmo. Note-se, também,
que esses “nomes” foram anunciados por profetas, o que exprime o anseio
dos judeus de presenciar e atestar a chegada do Messias. Jesus é a forma
grega do hebraico Yeshua (Josué), que significa “O Senhor salva” (Js 1.1).
O termo define a futura missão do Filho de Maria, que é salvar o seu povo
dos seus pecados (v.21).

Alguns atributos de Deus são inerentes ao ser humano?


Podemos delinear a natureza de Deus da seguinte maneira: natural e
moral; metafísico e físico; imanente e transcendente. É a bipartição de
seus atributos em comunicáveis e incomunicáveis.

Logicamente, partimos do princípio de que o ser humano não tem


capacidade intelectual para compreender a natureza de Deus em sua
plenitude, visto que “Deus é Espírito” (Jo 4.24), podemos e conseguimos
conhecer somente aquilo que a nossa mente alcança. Pois, como afirma o
salmista, “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as
estrelas que preparaste; que é o homem mortal para que te lembres dele?
e o filho do homem, para que o visites?”. Moisés também conhecia
perfeitamente as nossas limitações: “As coisas encobertas pertencem ao
Senhor nosso Deus, porém, as reveladas nos pertencem a nós e a nossos
filhos” (Dt 29.29).

Contudo, Deus “implantou” no ser humano algo de si, conforme


especifica o livro do princípio “Façamos o homem à nossa imagem,
conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26). A pergunta é: em que
consistiria essa semelhança?

Segundo o estudo teontológico, há em Deus a natureza que pode e é


compartilhada com o ser humano, aquilo que chamaremos de “atributos
comunicáveis”. São qualidades como o amor, a santidade, a justiça, a
mansidão, a bondade, etc. É importante, porém, compreender que essas
virtudes foram dadas ao ser humano de forma finita, limitada, o que
equivale a dizer que ninguém, em vida, será plenamente santo, justo,
bom, etc.

A nós, humanos e cristãos, resta-nos a responsabilidade de buscar cada


vez mais as qualidades comunicáveis de Deus, pois, o próprio Jesus
ordenou: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está
nos céus” (Mt 5.48). Todavia, jamais podemos nos esquecer que
caminhamos para a perfeição em Cristo: “... até que todos cheguemos à
unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à
medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13).

Os irmãos literais de Jesus eram, na verdade, seus


primos?
Em Mateus 12.47, na Bíblia católica, na versão dos Monges Maredsous, o
tradutor teceu o seguinte comentário, sobre os “irmãos” de Jesus, no
rodapé da página: “Irmãos: na língua hebraica essa palavra pode
significar também ‘parentes próximos’ ou ‘primos’, como nesse caso.
Exemplo: Abraão, tio de Lot, chama-o com a designação de irmão (Gn
11.27; 13.8)”.

A palavra “irmão”, no hebraico, pode significar primo, mas, mesmo em


tais casos, temos de ser cautelosos. Geralmente, quando a palavra
“irmão” é empregada no sentido de parente próximo, o contexto esclarece
a questão: “Os filhos de Merari: Mali, e Musi; os filhos de Mali: Eleazar e
Quis. E morreu Eleazar, e não teve filhos, porém filhas; e os filhos de
Quis, seus parentes, as tomaram por mulheres” (1Cr 23.21,22). Sem
contar que o Novo Testamento foi escrito em grego e não em hebraico.

Não devemos nos esquecer de que quando o Novo Testamento faz


referências aos irmãos de Jesus, os contextos não trazem nenhum tipo de
esclarecimento adicional, como acontece no Antigo Testamento. Além
disso, os escritores sabiam a diferença entre os termos “irmão”
(adelphós), “primo” (anepsiós) e “parentes” (sunggenes). Mesmo Paulo,
que usava muitas metáforas, sabia usar com distinção essas palavras.
Tanto é que escreveu sobre os “irmãos” de Jesus sem deixar nenhuma
dúvida quanto ao laço carnal entre o Senhor e seus irmãos. Vejamos:
1Coríntios 9.5
Português “Não temos nós direito de levar conosco esposa
crente [irmã], como também os demais apóstolos, e
os irmãos do Senhor, e Cefas?”
Grego transliterado “mê ouk ekhomen exousian adelphên gunaika
periagein ôs kai oi loipoi apostoloi kai oi adelphoi
tou kuriou kai kêphas”
Septuaginta mh ouk ecomen exousian adelfhn gunaika periagein
wV kai oi loipoi
apostoloi kai oi adelfoi tou kuriou kai khfaV

Gálatas 1.19
Português “Mas não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a
Tiago, irmão do Senhor”
Grego transliterado “eteron de tôn apostolôn ouk eidon ei mê iakôbon
ton adelphon tou kuriou”
Septuaginta eteron de twn apostolwn ouk eidon ei mh iakwbon
ton adelfon tou kuriou

Não havia motivo de confusão. O apóstolo empregava os termos sem


problemas: “Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos,
o primo (anepsiós) de Barnabé...” (Cl 4.10).

“Saudai a Herodião, meu parente (sungene)” (Rm 16.11).

Caso a tese católica estivesse correta, o apóstolo poderia muito bem ter
usado a expressão hoi anepsiós Kyriou (primos do Senhor) e não adelphói
tou Kyriou (irmãos do Senhor), até porque os irmãos de Jesus estavam
vivos quando o apóstolo escreveu as duas epístolas.

Diante do exposto, a única conclusão plausível a que podemos chegar é


que os “irmãos” de Jesus eram realmente seus irmãos legítimos,
queremos dizer, nascidos do ventre de Maria.

Preparado por Gilson Barbosa


Participantes desta edição:
Eliseu Camilo
Doris Stalschus
Marcos Lima
Rodolfo Santos Cunha

Referências bibliográficas:

Bíblia Apologética de Estudo Ampliada. Instituto Cristão de Pesquisas,


2005.
ELWEL, Walter A. Enciclopédia histórico e teológica da Igreja Cristã,
Vol. II. São Paulo: Editora Vida Nova, 1ª ed., 1990, p. 543.
LUND, E & NELSON, C. Hermenêutica. São Paulo: Editora Vida, 1968.
GRUDEM, Wayne. Teologia sistemática.São Paulo: Edições Vida Nova,
1999.

O texto de 1Pedro 4.8 pode ser usado para justificar os


pecados pelas obras?
“Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor
cobrirá a multidão de pecados”.

Antes de mais nada, é bom deixar claro que as obras são de extrema
importância para o cristão, que não pode deixar de exercê-las. As obras são
importantes por, no mínimo, duas razões: 1) demonstram para as pessoas
como os crentes que imitam a Cristo procedem; 2) glorificam a Deus: “Assim
resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas
obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16).

É importante notar que as obras, em si mesmas, não são objetos de


preocupação e ênfase soteriológica, até porque há pessoas que perdem a
essência do que é desenvolver, segundo o padrão de Cristo e das Escrituras, as
boas obras: “E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois
trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes” (Mt 23.5).

Para Deus, somente após a pessoa ingressar em seu reino celestial é que as
obras que pratica passam a ter valor, não antes. Além disso, a Bíblia fala de
obras mortas: “Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo,
prossigamos até a perfeição, não lançando de novo o fundamento do
arrependimento de obras mortas e de fé em Deus” (Hb 6.1). Em matéria de fé
e salvação, o projeto de Deus antagoniza os ideais humanos que se baseiam
em obras: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de
vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef
2.8,9). Mas, embora não sejamos salvos pelas obras, a bondade e a
benignidade devem ser buscadas pelos salvos: “Porque somos feitura sua,
criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que
andássemos nelas” (Ef 2.10), e isso, mais intensamente do que quando não
éramos salvos em Cristo, porque noutro tempo éramos gentios na carne, “mas
agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cris
to chegastes perto” (Ef 2.13b).

A expressão que causa dúvidas em 1Pedro 4.8 é a que diz que “o amor cobrirá
a multidão de pecados”. Segundo interpretações indoutas, se o texto afirma
claramente que há pecados que são perdoados com o envolvimento desse
sentimento afetivo, então há algo nas obras que pode trazer salvação à
humanidade à parte de Cristo. Sendo assim, conclui-se que uma pessoa que
dispense amor à outra poderia se salvar. Mas isso não é bíblico. A salvação
está em Cristo: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do
céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser
salvos” (At 4.11), e em sua obra vicária: “Sabendo que não foi com coisas
corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira
de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso
sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1Pe
1.18,19).

Não vamos amar o próximo por esta causa? De maneira nenhuma! O


instrumento aferidor para saber se alguém é discípulo de Cristo é o amor:
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos
outros” (Jo 13.35).
Por que Jesus amaldiçoou a figueira por não produzir
figos se o texto de Marcos 11.13 deixa claro que não era o
tempo propício para isso?
“E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia
alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era
tempo de figos”

Pelos relatos bíblicos, notamos que Jesus entrou no templo num dia de
domingo, à tarde, e observou tudo ao seu redor. Logo depois, foi para Betânia,
onde passou a noite, possivelmente na casa de Lázaro, irmão de Marta e
Maria. No dia seguinte, no caminho, Jesus teve fome e foi procurar fruto em
uma figueira que encontrou à beira da estrada. Não encontrando fruto, o
Senhor amaldiçoou a figueira, que, Imediatamente, ficou seca. Alguns ficam
consternados com essa narrativa, pois vêem nesse episódio uma atitude
subjetiva e inexorável de Jesus. Afinal, por que Ele teve essa atitude? Estaria
Ele irado? Estaria Ele exibindo seu poder?

O historiador Marcos (11.13) faz algumas observações interessantes.


Acompanhe o relato.

Passando pela estrada, Jesus observou “de longe uma figueira que tinha
folhas”, e, ao presenciar as folhas, “foi ver se nela acharia alguma coisa”. Esse
detalhe é importantíssimo, visto que, “quando ocorre a primeira maturação, as
folhas ainda não estão completamente formadas (Ct 2.13)”. Mas ocorreu que
“chegando a ela, não achou senão folhas”. Como havia folhas se ainda não
havia acontecido a maturação? O fruto deveria preceder as folhas! Notemos
que se trata de uma exceção. Não avistando frutos, Jesus lança uma sentença
contra a figueira: “nunca mais alguém coma fruto de ti”. Mateus 21.19 encerra
dizendo que “a figueira secou imediatamente”.

Apesar de ter uma abundância de folhas, “aquela figueira, entretanto, fora um


ludíbrio”. Em outras palavras, aquela figueira evidenciava ser o que não era.
Mostrava ser uma coisa quando, na realidade, era outra.

Podemos extrair duas lições desse episódio. Primeira, pertencemos a Cristo


para darmos frutos para Deus (Rm 7.4). Segunda, a inexistência de frutos
espirituais no crente comprova que não pode permanecer no meio do povo de
Deus, portanto, é desarraigado de Cristo (Jo15.2).

Já Gleason Archer observa que “pode muito bem ter acontecido que Jesus viu
naquela figueira estéril que ele encontrara pelo caminho de Jerusalém, naquela
segunda-feira de manhã, da semana santa, um lembrete vívido da falta de
frutos em Israel, como nação de Deus. Por essa razão, usou aquela árvore
como ilustração dramática de sua lição aos discípulos”.

Quem é a senhora mencionada em 2João 1,5?


“O presbítero à senhora eleita, e a seus filhos, aos quais amo na verdade, e não
somente eu, mas também todos os que têm conhecido a verdade [...] E agora,
senhora, rogo-te, não como se escrevesse um novo mandamento, mas aquele
mesmo que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros”.

Devido à complexidade do assunto, é importante recorrer à língua original do


Novo Testamento para amenizar a dificuldade. No original grego, tanto no
primeiro como no quinto versículo, a (kuria). Entre os vários pontos de
dificuldades, está αιρυκpalavra “senhora” é a questão relacionada à
derivação da palavra “igreja”, que é kuriake. A Enciclopédia explicativa de
dificuldades bíblicas nos esclarece que “entre os romanos e os atenienses esta
palavra significava o mesmo que (ekklesia), termo utilizado para designar uma
assembléia de igreja”. ναισηλκκε Um importante Léxico Grego acrescenta
que “´senhora` pode se referir ou a uma pessoa ou, mais provavelmente, a uma
congregação de importância”.

Contudo, alguns não apóiam essa defesa e dizem tratar-se de uma irmã
influente na igreja, ou uma senhora. Sendo assim, essa pessoa era eleita e se
chamava Kyria. Ou era uma senhora e se chamava Eleita. Russel Champlin
julga ser incomum alguém se dirigir à igreja com a expressão “senhora eleita”.
Ele diz que o texto faz alusão a “alguma dama bem conhecida pela sua
piedade, em cuja casa a igreja se reunia, ou que exercia grande influência em
certas congregações da Ásia Menor, talvez como diaconisa”.
Uma das maiores questões quanto à possibilidade de essa senhora ser a Igreja
é perceber na essência da carta certo elemento condizente com a expressão
“filhos”. Estaria João tratando apenas com os filhos dessa senhora? Seria
possível isso? Sim. Mas tais filhos também poderiam ser os membros da
Igreja de Cristo. Essa incógnita se estabelece por causa da ambigüidade que
permeia o texto, interpretado hoje por nós a séculos de distância de sua
produção original.

Se o nome dessa senhora fosse Eleita, existiriam, então, duas irmãs com o
mesmo nome, o que, ainda que não seja impossível, é incomum: “Saúdam-te
os filhos de tua irmã, a eleita. Amém” (2Jo 1.13). Se o nome fosse senhora ou
Kyria, não seria adequado dogmatizar a questão, pois em 1Pedro 5.13 a Igreja
é chamada de eleita: “A vossa co-eleita em Babilônia vos saúda, e meu filho
Marcos”.

Se não podemos fechar de forma categórica o assunto, até porque não é tão
prioritário assim, resta-nos ponderar que o objetivo da carta escrita é muito
mais importante, pois é artigo de fé. De que trata a epístola?

A carta é uma exortação para se guardar das falsas doutrinas, desviando-se


delas e dos que a professam. Há um alerta sério para aqueles que deixaram a
sã doutrina e passaram a professar algo diferente daquilo que foi ensinado.

Referências bibliográficas:

ARCHER, Gleason. Enciclopédia de dificuldades bíblicas. São Paulo: Editora


Vida, 1997.
COLEMAN, William L. Manual dos tempos e costumes bíblicos. Minas
Gerais: Editora Betânia, 1991.
GINGRICH, F. Wilbur & DANKER, Frederick W. Léxico do N.T.
Grego/Português. São Paulo: Edições Vida Nova, 2003.
VILA, Samuel. Enciclopédia explicativa de dificuldades bíblicas. Barcelona:
Libros Clie, 1981.

Preparado por Gilson Barbosa

Participantes desta edição:

Marcelino Freitas
Eliabe Bernardo
Sandro Marcus Sá

Quem foram os ebionitas?


Os ebionitas podem ser incluídos no grupo dos judaizantes, facções
dissidentes e presentes no judaísmo-cristão do século 1o, notadamente em
Jerusalém. O grupo insistia em guardar a lei de Moisés como uma observância
não só para si, mas para todos os que se convertessem entre os gentios.
Elementos como circuncisão, guarda do sábado e vegetarianismo faziam parte
da ética ebionita. Tudo indica que obtiveram esse designativo, ebionitas, do
termo hebraico ebyônîm, uma referência aos “pobres”. A princípio, era um
predicado honroso para os cristãos em Jerusalém. Mas, geralmente, quando se
faz referência aos ebionitas como comunidade religiosa, trata-se de uma seita
herética que emigrou para a região Leste do Jordão e misturou, de forma
inadequada, elementos judaicos e cristãos. Passagens bíblicas, como, por
exemplo, Mateus 5.3 e Lucas 4.18, eram advogadas pelo ebionismo para
sustentar suas crenças, porque seus adeptos observavam um estilo de vida
baseado no ascetismo.

Sobre a origem ebionita, a Enciclopédia histórico-teológica da Igreja cristã


informa que “Epifânio foi o primeiro dos pais da igreja a dizer que se
originaram [os ebionitas] depois da destruição do templo, em 70 d.C.”. A
atribuição da fundação do grupo é conferida, pelos estudiosos, a um líder da
comunidade judaica conhecido como Ebion.

No que concerne ao cânon bíblico, aderiram apenas à Tanach (Bíblia Judaica)


e ao evangelho de Mateus. Pregavam que as epístolas paulinas deviam ser
rechaçadas por conterem ensinos antiebionitas. Aceitavam, também, o
Evangelho dos hebreus, sendo que esse livro é apócrifo. Segundo alguns
pesquisadores, o Evangelho dos hebreus é uma literatura comumente
empregada pelos nazarenos e pelos ebionitas. Epifânio, bispo de Constância,
faz menção de um outro evangelho, o dos ebionitas.

Os ebionitas não aceitavam a cristologia ortodoxa, pois rejeitavam


completamente a divindade de Cristo, colocando-o no mesmo nível dos
demais profetas do Antigo Testamento. Para eles, Cristoe nada mais era do
que o novo Moisés. Negavam sua preexistência, sua encarnação e seu
nascimento virginal. No conceito ebionita, embora Jesus fosse o Messias, era
puramente humano. Somente no batismo Jesus foi ungido como Messias, ou
seja, adotado como Filho de Deus. Em sua opinião, Jesus era um judeu fiel,
piedoso, profeta e mestre inigualável.
Apesar da reconhecida importância da teologia e ética judaica no contexto
cristão, todavia, cristianismo e ebionismo são mutuamente excludentes. Se o
cristianismo, em sua origem, não fosse delineado conforme a teologia
evangélica e paulina, não basearia seus ensinos nos de Cristo: “Estai, pois,
firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos
debaixo do jugo da servidão” (Gl 5.1).

Como entender a expressão “banco”, em Lucas 19.23?


“Por que não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o
exigisse com os juros?”.

Os bancos surgiram da necessidade de se guardar as moedas em lugar seguro.


Uma informação importante é que “os primeiros bancos reconhecidos
oficialmente surgiram na Inglaterra, e a palavra bank veio da italiana banco,
peça de madeira que os comerciantes de valores, oriundos da Itália e
estabelecidos em Londres, usavam para operar seus negócios no mercado
público londrino”.

Quando analisamos as palavras bíblicas, devemos considerar alguns fatos.


Entre eles, o mais importante é observarmos a palavra no idioma original. As
versões portuguesas interpretaram como “banco” o que a língua grega traz
como “mesa”. No original, o termo é trápeza. As palavras “banqueiros” e
“banco”, devem ser entendidas à luz do contexto sociológico da época, o que
nos causa estranheza hoje, pois as instituições bancárias, na atualidade, são
verdadeiros monumentos de multiforme processo financeiro.

Havia cobranças de juros, em caso de empréstimos no período


veterotestamentário, aos que fossem estrangeiros (Dt 23.19,20). Contudo, nem
todos os judeus consentiam no processo de empréstimo a juros na antiga nação
judaica: “Não lhe darás teu dinheiro com usura, nem darás do teu alimento por
interesse” (Lv 25.37). Na verdade, os “verdadeiros bancos e negócios
bancários foram estabelecidos em Israel somente após o exílio babilônico”.
Em uma de suas parábolas, Jesus narra a parábola do “tesouro escondido”, que
trata de um homem que, ao encontrar um portentoso tesouro em um campo,
vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele terreno, para depois tomar posse
do tesouro (Mt 13.44).

Quem, no seu perfeito senso de responsabilidade, esconderia um tesouro, algo


de inestimável valor, debaixo da terra? Devido às pilhagens, às guerras ou às
incertezas políticas, os prósperos sempre procuravam ser precavidos. Os mais
abastados financeiramente guardavam suas riquezas sob os cuidados de uma
guarda, na “casa do tesouro” (2Rs 20.13). Os demais tinham de esconder seu
tesouro em algum lugar, motivo pelo qual o homem da parábola em questão
encontra o tesouro enterrado. Deve ficar entendido que havia o sistema
“bancário” da época, no qual as pessoas investiam suas moedas e bens para
que pudessem, mais tarde, usufruir os juros. Esse dado é importante para
evidenciar a situação ainda precária do que é chamado na Bíblia de “banco”
ou “banqueiros”: “Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e,
quando eu viesse, receberia o meu com os juros” (Mt 25.27; Lc 19.23; Mt
25.27).

Champlin, comentando sobre esse texto, diz que havia um “antigo costume
dos cambistas efetuarem seus comércios em público, diante de uma mesa onde
o dinheiro era lançado. Esses cambistas negociavam o dinheiro em troca de
uma taxa, e pagavam juros aos investidores”. Portanto, nos dias de Jesus, esses
cambistas é que eram considerados e chamados de “banqueiros”.

Em 2Coríntios 11.17, Paulo está contradizendo os ensinos


de Jesus?
“O que digo, não o digo segundo o SENHOR, mas como por loucura, nesta
confiança de gloriar-me”.

É de salutar importância que a pessoa aceite e entenda que a Bíblia é a


inerrante e infalível Palavra de Deus. Se ela, porém, desqualifica a Bíblia
diante de qualquer coisa, então passa a procurar e a enxergar tão-somente as
“contradições” bíblicas. O diabo foi o primeiro a dizer o que Deus não disse,
porque sentia ódio por Deus e por sua criatura, o homem.
O que as pessoas chamam de “contradições bíblicas” não passam de
dificuldades em entender a Palavra de Deus. Contudo, essa dificuldade não é o
mesmo que impossibilidade, obscuridade em compreendê-la. Há, para isso,
escolas teológicas, cursos bíblicos para obreiros e leigos em geral, muitos
livros de hermenêutica, conhecimento indutivo, etc. Agostinho, prontamente,
disse: “Se estamos perplexos por causa de aparente contradição nas Escrituras,
não nos é permitido dizer que o autor desse livro tenha errado; mas ou o
manuscrito tinha falhas, ou a tradução está errada, ou nós não entendemos o
que está escrito”. É bom que se entenda que manuscrito é uma coisa e cópia
original das Escrituras é outra.

Uma das coisas que aprendemos no estudo bibliológico é que a convicção e a


certeza da autoridade da Bíblia provêm do estudo interno do Espírito Santo na
vida da pessoa. Alguém que não tem em si o Espírito Santo (Jo 14.17) não foi
regenerada (Jo 3.6). Portanto, é natural (1Co 2.14) e não tem capacidade para
entender as coisas espirituais (1Co 2.14). As dificuldades são dirimidas
quando há o testemunho interno do Espírito Santo em nosso coração.

O apóstolo Paulo tinha a Palavra de Deus com reverência e reconhecia que ela
era singular, única: “Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus, pois,
havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não
como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus,
a qual também opera em vós, os que crestes” (1Ts 2.13).

Em outro texto, Paulo reconhece que o evangelho que pregava lhe fora
revelado por nosso Senhor Jesus Cristo: “Mas faço-vos saber, irmãos, que o
evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o
recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo” (Gl
1.11,12).

O apóstolo Pedro, ao mencionar o cuidado que Paulo tinha com os irmãos,


refere-se aos seus escritos como tendo autoridade escriturística, tanto quanto
os demais livros bíblicos: “E tende por salvação a longanimidade de nosso
Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a
sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas epístolas,
entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes
torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2Pe
3.15,16).
Quando Paulo afirma: “Digo, porém, isto como que por permissão e não por
mandamento” (1Co 7.6); ou: “O que digo, não o digo segundo o SENHOR”
(2Co 11.17), não quer dizer, com essas expressões, que a Palavra de Deus está
em contradição com outros textos, como, por exemplo, o de 2Timóteo 3.16,
que diz: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar,
para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça”.

No mínimo, entendemos que Paulo está tratando de um assunto que, segundo


seu ponto de vista, não fere, em nada, a sã doutrina de nosso Senhor Jesus
Cristo e das Escrituras em geral. Associar 2Timóteo 3.16 com 1Coríntios 7.6 e
2Coríntios 11.17 e afirmar que isso é contradição, implica em pelo menos dois
erros: associação indevida de textos e desconhecimento das regras de
interpretação bíblica. Devemos tomar “cuidado com a Bíblia na boca do
diabo”.

Referências bibliográficas:

Bíblia Apologética. Instituto Cristão de Pesquisas, 2005.


GEISLER, Norman & HOWE Thomas. Enciclopédia manual popular de
dúvidas, enigmas e “contradições da Biblia”. Editora Mundo Cristão, 1999.
ELWEL, Walter A. Enciclopédia histórico-teológica da Igreja cristã. Editora
Vida Nova, 1998.
MARSHALL, I.Howard. Atos: introdução e comentário. Editora Vida Nova,
1982.
CHAMPLIN, Russel Norman. Novo Testamento interpretado versículo por
versículo. Editora Candeia, 1995.
CHAMPLIN, Russel Norman. Enciclopédia de teologia e filosofia. Editora
Candeia, 1995.
http://www.engetecno.com.br/chourico.htm

Preparado por Gilson Barbosa

Participantes desta edição

Antônio Porto Rosa Filho


João Batista Freire
Reynaldo dos Santos
Por que Daniel não foi jogado na fornalha de fogo
ardente com seus amigos, afinal, não estavam juntos (Dn
3.1-30)?
O reino de Babilônia era dividido em províncias. Daniel foi nomeado
governador sobre todas as províncias e permaneceu na capital do império.
Atendendo a um pedido seu, o rei concordou que seus companheiros
assumissem cargos políticos importantes no reino e, por isso, separaram-se: “E
pediu Daniel ao rei, e constituiu ele sobre os negócios da província de
Babilônia a Sadraque, Mesaque e Abednego; mas Daniel permaneceu na porta
do rei” (Dn 2.49). A imagem do rei Nabucodonosor foi levantada no campo de
Dura, distante cerca de dez quilômetros da Babilônia. Tudo indica que Daniel
não estava presente ou foi dispensado de ter de demonstrar sua lealdade ao rei
devido à sua elevada posição.

Como José, filho de Jacó, conseguiu guardar alimentos durante sete anos e
onde? Teria utilizado um método milagroso para conservá-los (Gn 41.1-37)?

Naquela época, os cereais, plantas cujos grãos serviam de base à alimentação,


especialmente o trigo, eram a principal fonte do sustento humano. O método
de conservação era mediante os recursos naturais: os silos (fossos cavados na
terra para depósito e manutenção dos cereais e das forragens verdes) e os
celeiros (que permitiam a preservação dos alimentos por um longo período de
tempo). A Bíblia narra que José abriu todos os celeiros: “Havendo, pois, fome
sobre toda a terra, abriu José tudo em que havia mantimento, e vendeu aos
egípcios; porque a fome prevaleceu na terra do Egito” (Gn 41.56). Todavia,
não diz nada que houve milagre neste processo de armazenamento, embora o
próprio Faraó tivesse reconhecido que em José havia o “espírito de Deus” e
que não existia ninguém tão sábio e ajuizado quanto ele: “E disse Faraó a seus
servos: Acharíamos um homem como este em quem haja o espírito de Deus?
Depois disse Faraó a José: Pois que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há
tão entendido e sábio como tu” (Gn 41.38,39).
O que podemos saber a respeito da epístola escrita à
igreja de Laodicéia (Ap 3.14-22)?
Diferentemente das cidades vizinhas de Hierápolis, que possuíam fontes
térmicas medicinais (quentes) e Colossos, que se abastecia de água fria da
montanha, Laodicéia, apesar de ser uma cidade próspera e rica, recebia seu
suprimento de água de uma fonte distante que chegava à cidade por meio de
tubos. Em conseqüência disso, a água era morna e pouco potável. Cristo
utiliza essa situação e, por analogia, orienta a igreja a abandonar a sua
mornidão espiritual. Após um terremoto na região, enquanto outras cidades
estavam aceitando a ajuda imperial, o povo de Laodicéia a rejeitou, porque,
segundo seus moradores acreditavam, eram ricos e não tinham necessidade de
nada: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não
sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”(Ap 3.17).

Essa cidade também era muito conhecida pela sua fabricação de lã macia e
preta, por seus vestidos caros feitos desse material, por sua escola de medicina
e por um “pó frígio”, do qual se fazia um colírio bem conhecido. Daí a
importância do versículo 18: “Aconselho-te que de mim compres ouro
provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas,
e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio,
para que vejas”.

Como podemos ver, há um padrão nas mensagens enviadas a cada uma das
igrejas: uma mensagem de louvor; uma mensagem de repreensão; um título
simbólico de Cristo, adaptado às necessidades da igreja; uma promessa
àqueles que vencem; e uma referência histórica que esclarece um pouco a
mensagem. Laodicéia é a única que não recebe elogios, porque era uma igreja
“nem quente, nem fria”, chamada de “infiel testemunha”, e para quem Cristo
se apresenta como o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira.
É verdade que o apóstolo Paulo escreveu três cartas aos
coríntios? Qual delas se perdeu? Temos algum versículo
bíblico que nos esclareça sobre seu tema ou conteúdo
(1Co 5.9-11)?
Paulo visitou pela primeira vez a cidade de Corinto quando de sua segunda
viagem missionária: “E depois disto partiu Paulo de Atenas, e chegou a
Corinto” (At 18:1). Quando já estava em Éfeso, ouviu falar das desordens
cometidas naquela igreja. Supõe-se que, nessa época, tenha feito uma visita
apressada à cidade: “Eis aqui estou pronto para pela terceira vez ir ter
convosco, e não vos serei pesado, pois que não busco o que é vosso, mas sim a
vós: porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os
filhos” (2Co 12.14). Portanto, a última visita foi feita depois de escrever a
segunda carta aos coríntios. A primeira carta, por sua vez, foi escrita quando o
apóstolo estava em Éfeso, durante sua terceira viagem missionária, em 55
d.C., aproximadamente.

Podemos supor que houve uma carta anterior que não chegou até nós. Seu
conteúdo instruía os crentes daquela cidade a se separarem dos irmãos que
praticavam atos imorais: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis
com os que se prostituem” (1Co 5.9); fazia um pedido de oferta para os
cristãos da Judéia que estavam padecendo necessidades, talvez em virtude das
perseguições: “Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós
também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia” (1Co 16.1-4); além de
tratar de outros assuntos relacionados a problemas na congregação.

Posteriormente, uma família de Corinto visitou Paulo, para informá-lo sobre


algumas divisões que estavam surgindo na igreja daquela cidade.
Provavelmente, também lhe trouxeram uma carta da igreja fazendo certas
perguntas relativas à conduta cristã: “Ora, quanto às coisas que me
escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher” (1Co 7.1). Para
corrigir as desordens e responder às perguntas foi que Paulo escreveu aquela
que conhecemos como sua primeira epístola aos coríntios.
Há um “capítulo de ouro” no livro do profeta Jeremias?
Qual é e por quê?
Jeremias profetizou mensagens de condenação ao povo de Israel, que tinha
abandonado a fé. Cobre um período que vai desde o décimo terceiro ano do
reinado de Josias até a primeira parte do cativeiro da Babilônia e é um último
esforço para salvar Jerusalém do cativeiro babilônico, que acabou acontecendo
em, aproximadamente, 600 a.C.

Não há uma ordem cronológica em seus relatos. Algumas mensagens de


tempos posteriores aparecem perto do início do livro, enquanto outras,
consideradas as primeiras, aparecem no final. Todavia, podemos dizer que
seus capítulos estão assim distribuídos:

Cap. 1 – Trata da chamada e da comissão de Jeremias.


Caps. 2-25 – Uma mensagem geral de repreensão à Judá.
Caps. 26-39 – Mensagens detalhadas de exortação, juízo e restauração.
Caps. 40-45 – Mensagens para depois do cativeiro.
Caps. 46-51 – Profecias referentes às nações.
Cap. 52 – Traz um retrospecto do cativeiro de Judá.

O capítulo mais conhecido do livro de Jeremias, o de ouro, e também o mais


citado em pregações, é o 18, uma mensagem da casa do oleiro: “A palavra do
Senhor, que veio a Jeremias, dizendo: Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá
te farei ouvir as minhas palavras. E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava
fazendo a sua obra sobre as rodas. Como o vaso, que ele fazia de barro,
quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que
pareceu bem aos olhos do oleiro fazer. Então veio a mim a palavra do Senhor,
dizendo: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel?
diz o Senhor. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha
mão, ó casa de Israel” (Jr 18.1-6).

O elemento descritivo desse capítulo nos mostra que o poder de Deus em


tratar as nações segundo a sua soberana vontade pode ser simbolizado pela
formação dos vasos pelo oleiro. Da mesma forma como o oleiro fazia com o
vaso, Deus podia moldar Israel. Se continuassem em sua rebeldia, o Senhor
poderia destruí-los como a um vaso; se, porém, demonstrassem
arrependimento, Deus poderia tornar a construí-los. Como Israel persistiu em
sua apostasia, Deus o rejeitou. Isso está simbolizado pela quebra do vaso.

Bibliografia

Bíblia de Estudo de Genebra


PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia livro por livro. 26ª ed., São Paulo,
Editora Vida, 2005.
HALLEY, Henry Hampton. Manual bíblico de Halley (NVI), Edição revista e
ampliada, São Paulo, Editora Vida, 2001.

Preparado por Marcos Heraldo Paiva

Participantes desta edição

Rogério Fortunato de Lima


Rodinei Dias
George Gonçalves
Naor Marques
Adriana Silvano

O que significa, e de onde provém, a expressão “Leão da


tribo de Judá”, atribuída a Jesus?
E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá,
a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos”
(Ap 5.5).

O emprego desse título, pelos membros da tribo da qual Jesus descendeu,


era metafórico. A figura do leão decorava o emblema do estandarte que
representava a tribo de Judá, tanto em viagens quanto em incursões
militares.

Em todas as épocas (e também nos dias atuais), o leão representa a força e


o poder que, nos tempos antigos, eram atribuídos, ou pelo menos
desejados, pelas linhagens reais e guerreiras.
A esperança judaica, neste aspecto, não era diferente, porque o Messias
que os judeus esperavam viria, segundo sua carnal compreensão, na
pessoa de um grande guerreiro, de um grande monarca que, ao derrotar
todos os inimigos de Israel, daria completa libertação ao povo.

Não é provável que a tribo possuísse um animal desse porte como um


bichinho de estimação, uma vez que a força do leão e a ameaça que
representa o tornam um perigo para todos.

O próprio Deus, pela palavra de seu profeta, assemelha-se a um leão,


manifestando, dessa maneira, o tamanho do seu poder, para que o homem
pudesse mensurar (Os 5.14). Em Apocalipse 5.5, esta metáfora, agora em
referência a Cristo, é novamente destacada, quando da ocasião em que o
ancião descrevia a visão a João, na ilha de Patmos.

O texto apocalíptico surge como um fragmento correlato de Gênesis 49.9,


empregado pelo autor inspirado, Moisés, para enumerar as
características de cada uma das doze tribos de Israel. E, ao manifestar-se
a respeito da tribo de Judá, diz tratar-se de um “leãozinho que subsiste da
presa”; isto é, daquele cuja presença e ação os inimigos não podem
escapar.

Ana teve sete ou seis filhos?


Os fartos se alugaram por pão, e cessaram os famintos; até a estéril deu à
luz sete filhos, e a que tinha muitos filhos enfraqueceu” (1Sm 2.5).

Visitou, pois, o SENHOR a Ana, que concebeu, e deu à luz três filhos e
duas filhas; e o jovem Samuel crescia diante do SENHOR” (1Sm 2.21).

Ana, em seu cântico, procedido segundo o costume das mulheres judias


que alcançavam ventre frutífero, quando diz que teve sete filhos, não se
refere à prole que ainda estava por gerar, mas, sim, ao número que
representa a totalidade e a perfeição de Deus.

É interessante notar que não há qualquer profecia anterior a este cântico


relacionada ao número de filhos que Ana teria. Logo, Ana não poderia
adivinhar a quantidade exata de sua prole. Por isso, como já foi dito,
menciona um número de extrema representatividade na cultura hebréia.

Ana inicia seu período maternal com a concepção de Samuel (1Sm 1.9-
20). Depois, concebe mais três filhos e duas filhas (1Sm 2.20,21).

Fora de qualquer comparação mística, temos na numerologia judaica


uma série de correlações entre números e acontecimentos, como, por
exemplo, o número “3”, que não era simbólico, mas, às vezes, era repetido
em uma frase que alguém desejava que fosse conhecida como verdade.

O número “4” dava a característica do que era completo. Vejamos:


“quatro” letras constituíam o nome de Deus (YHWH), “quatro” braços
do rio Éden (Gn 2.10), “quatro” reinos mundiais (Ez 37.9).

O número “7” relacionava-se efetivamente ao sagrado. Podemos ver isso


em vários exemplos, como quando Cristo orienta Pedro sobre quantas
vezes ele deveria perdoar os pecados de seu irmão contra si, ou seja,
“setenta vezes sete” (Mt 18.22), que seria o mesmo que “completamente”.

Se a narrativa do rico e Lázaro não é uma parábola, mas


história real, como os evangélicos defendem, gostaria,
então, de saber como o rico pôde sentir sede, tendo em
vista o fato de que ele, naquele lugar, não estava em
matéria, mas em alma e espírito?
E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a
Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua,
porque estou atormentado nesta chama” (Lc 16.24)

Em primeiro lugar, é necessário esclarecer que nem todas as correntes


atestam que esta parábola é uma história verídica, narrada por Jesus em
conseqüência de seus atributos sobrenaturais.

Por outro lado, ainda que assim se defina o enredo anotado em Lucas
16.19-31, não devemos, da mesma forma, ignorar que a linguagem
neotestamentária se acha repleta de simbolismos, usados por Deus para
mostrar, de forma compreensível, as expectativas para o homem no
mundo post-mortem.

Assim, a descrição do desejo arrogante do rico, que pleiteava de Abraão


que determinasse a Lázaro que lhe refrescasse os lábios com um pouco de
água, parece nos esclarecer os reais tormentos que aguardam os homens
no hades, conforme é chamado o lugar de tormento para todos aqueles
que rejeitaram o nome de Jesus para que fossem salvos.

Tal questionamento, no entanto, é compreensível, visto que, efetivamente,


um corpo material não carece de alimento, água, descanso ou de qualquer
outro suprimento que, normalmente, necessitaríamos para que
pudéssemos transpor a nossa existência na terra. Todavia, é importante
que saibamos distinguir quais as regras de interpretação aplicáveis a cada
contexto das Escrituras.

Para este caso, o que ocorre é uma metáfora do sofrimento que se dá no


outro plano. Tal tormento é tão insuportável, que seria o mesmo que
sermos submetidos às brasas de uma pira incandescente ou trancafiados
no interior de um forno de panificação em plena atividade.

Essa figura de linguagem aparece nos discursos cristãos sempre que o


Mestre se referia aos danos sofridos pelas almas no inferno (Mc
9.44,46,48).

Há um episódio estranhíssimo na Bíblia, sem paralelo nos


demais textos: a luta entre Jacó e o anjo (Gn 32.24-32).
Segundo a Palavra, os anjos possuem poder, mas em
relação ao anjo com o qual Jacó lutou, pareceu haver
quase uma equivalência de forças, visto que Jacó pôde
resisti-lo durante muito tempo. Mais do que isso, Jacó o
deteve (o segurou) e, segundo meu entendimento, até o
coagiu a abençoá-lo. Em minha igreja, os irmãos cantam
esse episódio, mas sem raciocinarem a respeito. Gostaria
que fizessem uma exegese do mesmo, se possível com
referências de pensadores cristãos e judeus.
É realmente complexo dirimir esta questão em poucas palavras. Algumas
posições expostas até aqui têm sua razoabilidade, como, por exemplo, a
que afirma o seguinte: embora Jacó tenha ficado enfraquecido por ter
sido tocado no nervo da coxa, ele se agarrou de tal forma em seu opositor
que o anjo, para não lhe ferir mais do que havia ferido, se permitiu ficar
detido.

Já no aspecto físico da “luta” em referência, temos que o pedido do anjo


— “Deixa-me ir” — foi um reconhecimento do sucesso de Jacó, conforme
lemos nos versículos 25 e 28. Ou seja, o anjo teve de ferir Jacó para se
desvencilhar dele e, em seguida, trocou o seu nome para Israel.

Como se observa em todo o restante do contexto bíblico, a intenção de


Jacó, quando empreendeu aquele ato, não era outra senão ser abençoado
e, provavelmente por isso, sua vida fora poupada. Deus, obviamente,
poderia ter fulminado Jacó sem misericórdia, mas a insistência do hebreu
revelava seu interesse na ação divina e na salvação.

Ao requerer a bênção, Jacó, em verdade, atua como um vencedor diante


daquele embate insólito, não deixando, porém, de reconhecer o caráter
divino e sobrenatural do ser que se encontrava em sua presença. Por isso,
pede: “Abençoa-me”. E fora miraculosa a forma como o anjo, apenas por
tocar em Jacó, o deixou aleijado.

Uma lição que Deus provavelmente quis ensinar a Jacó seria aquela que
destaca as limitações dos homens em relação a Deus, o que, até então,
Jacó não havia compreendido.

Por último, resta, ainda, o pensamento que mostra Jacó diante de uma
circunstância que predizia sua condição sobre as coisas espirituais, ou
seja, que ele granjearia vitória nesta parte, desde que aprendesse a se
submeter e a orar. E esse último aspecto ficou demonstrado na cena final
do episódio, quando Jacó brada, dizendo: “Tenho visto a Deus face a face,
e a minha alma foi salva”, o que significa que Jacó agradeceu por ter
sobrevivido a tal embate, por não ter perecido de morte.
Preparado por Marcos Heraldo Paiva

Participantes desta edição:

Waldir Sabino
Juliano B. Dantas
Divalcir da Silva
Daniel Soares Meuer
Rodolfo Nascimento

Em João 1.29-34, fica bastante claro que João Batista


sabia quem era Jesus. Por que, então, enviou seus
discípulos, conforme Mateus 11.2,3, para que
perguntassem a Jesus se Ele era o Messias?
Vejamos, respectivamente, os textos bíblicos em referência:

“No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o
Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo [...] E eu não o conhecia,
mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele
que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o
Espírito Santo [...] E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus”.

“E João, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos
seus discípulos, a dizer-lhe: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos
outro?”.

Pois bem, uma primeira avaliação da dúvida de João Batista pode ser
dirimida pelo fato de o precursor do Salvador do mundo, predestinado
para tal missão, estar encarcerado. Ou seja, a dúvida estaria motivada
pela incompreensão do revés que lhe sobreveio.

O fato de Mateus pouco usar a expressão Cristo é outro fator relevante no


esclarecimento da questão. O texto diz: “E João, ouvindo no cárcere falar
dos feitos de Cristo...” (Mt 11.2), e isso soava como uma revigorante
esperança de que, afinal, Cristo estava entre os homens. E essa esperança
apontava para um Cristo cujo perfil seria de um nobre guerreiro, com
poder para libertar Israel de seus opressores. Assim, presumia-se que o
Cristo prometido jamais poderia ser assediado pelos homens, seria
intocável. Mas este não era o testemunho de vida de Jesus, o carpinteiro
de Nazaré.

A resposta dada por Jesus aos emissários de João Batista, versículos 4 e 5,


tranqüiliza o nosso coração quanto à identidade de Jesus como sendo o
Cristo de Deus.

O que Paulo estava querendo dizer quando perguntou, em Romanos 3.7:


“Se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para glória sua,
por que sou eu ainda julgado também como pecador”?

Em verdade, Paulo não estava admitindo que era mentiroso ou que tinha
proferido alguma mentira. Nos versículos 5 e 7, vemos que ele está
apontando para situações hipotéticas empregando a partícula condicional
“se” em seus questionamentos. Assim, constatamos que o apóstolo
discursava com um suposto inquiridor judeu que tentava atribuir um
caráter injusto a Deus, o que não procede. A referida situação é apenas
uma proposta hipotética. Neste caso, Paulo lança mão de um mero
recurso discursivo, empregado por ele para evangelizar os romanos. Ao
usar este argumento, Paulo estava contrastando a postura do judaísmo,
que nega a eficácia da lei pelo seu não-cumprimento, e defendendo a fé,
que justifica sem que haja lei para estatuí-la.

Por que Deus, em Êxodo 7.1, disse a Moisés que ele seria colocado como
deus diante de Faraó? Este versículo não dá margem para justificar que o
ser humano é deus?

“Então disse o SENHOR a Moisés: Eis que te tenho posto por deus sobre
Faraó, e Arão, teu irmão, será o teu profeta”.

A intenção de Deus era que houvesse uma representatividade visível de si


mesmo diante de Faraó. E Moisés seria este representante, a quem Deus
usaria para manifestar seu poder ao governante do Egito, como quando
derramou as dez pragas que assolaram os egípcios e seu monarca.
Quanto à fértil imaginação dos sectários acerca desta ou de outras
incalculáveis passagens bíblicas (Cf. Bíblia de Estudo Apologética), não
devemos, de forma alguma, considerá-la. Caso contrário, teremos de
viver retificando os textos sacros para evitar que os detratores continuem
corrompendo a Bíblia.

Além disso, a interpretação das Escrituras segue algumas regras básicas


costumeiramente observadas pelos cristãos evangélicos. Por outro lado, os
sectários não estão interessados na real e correta interpretação dos textos
bíblicos, querem apenas fazer valer suas conveniências, criando
interpretações e até versões bíblicas que atendam aos próprios interesses
doutrinários, como no caso das testemunhas de Jeová e a TNM (Tradução
do Novo Mundo).

Qual é a diferença entre tribulação, provação e tentação?


Existe uma certa sinonímia entre estes termos, mesmo nos textos bíblicos.
E, por conta disso, uma definição sobre os três ocorreria numa linha
muito tênue, por meio da qual tentaremos empregar a distinção dos três:

Tribulação. Pode ser resumida pela ocorrência de qualquer situação


adversa que cause dano, dor, angústia, tristeza, além de outros
sentimentos negativos.

Provação. É outra situação aflitiva que impele sua vítima a superar


alguma dificuldade pela qual esteja passando. No contexto bíblico, a
provação tem um objetivo espiritual importante no exercício da fé e no
conseqüente amadurecimento do crente.

Tentação. Parece ser uma atribuição exclusiva do diabo (1Co 7.5; Tg


1.13). O objetivo dessa investida é fazer que o cristão desista de sua
caminhada na fé. Ou, quando não, macular o nome do cristão e o seu
testemunho, macular a Igreja e até mesmo o nome de Cristo.

Se analisarmos a situação vivenciada pelo justo Jó, veremos que os três


termos estão adaptados, já que Satanás pediu para “tentá-lo”, no que
Deus permitiu, vindo sobre o inocente Jó grande “tribulação”. Mas, ao
final de tudo, por sua resistência à sua “provação”, Jó foi galardoado.

Em Gênesis 11.1,6-9, a Bíblia diz que toda a terra tinha


uma língua só. Mas em Gênesis 10.5 há menção de
diversas nações, cada qual com a sua própria língua.
Como podemos entender esta ambigüidade?
“E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala” (Gn
11.1).

“Por estes foram repartidas as ilhas dos gentios nas suas terras, cada qual
segundo a sua língua, segundo as suas famílias, entre as suas nações” (Gn
10.5).

Antes de qualquer coisa, é preciso distinguir dialeto (ou melhor,


expressões regionais) de língua, como se comparássemos o paulista ao
baiano, e este ao carioca. Todos falam o mesmo idioma: o português, mas
cada um tem as suas expressões regionais distintas. Uma frase carregada
de cultura nordestina pode soar ininteligível ao mineiro, e vice-versa.

O mesmo ocorria naquela época, portanto, dependendo da região em que


se estava, algumas expressões soariam com sentido diferente daquela que
normalmente o visitante utilizava em sua região de origem.

Um prático exemplo disso é aquele que atesta diferenças na pronúncia


dos efraimitas e dos gileaditas, conforme Juízes 12.6. Os efraimitas não
eram capazes de pronunciar a palavra “chibolete”, e essa dificuldade
estava relacionada à cultura desse povo e à adaptação de sua língua, o que
os denunciava: “Então lhe diziam: Dize, pois, Chibolete; porém ele dizia:
Sibolete; porque não o podia pronunciar bem; então pegavam dele, e o
degolavam nos vaus do Jordão; e caíram de Efraim naquele tempo
quarenta e dois mil”.

Outro aspecto referente ao idioma do Antigo Testamento é o fato de o


hebraico ser uma língua limitada quanto ao vocabulário. Assim, onde
lemos “línguas” em trechos que se referem aos períodos em que o
hebraico predominava, podemos ler, inequivocamente, “dialetos”. (Veja
foto da Pedra Roseta, considerada uma chave para decifração dos
hieróglifos egípcios – Museu Britânico, Londres).

O povo da assíria tinha alguma relação com Assur?


“Desta mesma terra saiu à Assíria e edificou a Nínive, Reobote-Ir, Calá
[...] Os filhos de Sem são: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã” (Gn
10.11,22).

Assur era um dos netos de Noé, mas não possuía a mesma piedade do avô.
Os assírios empregavam uma expressão referente a seu país cujo
significado é: “a terra do deus Assur”. Conseqüentemente, está claro que
os assírios são descendentes de Assur, neto de Noé.

A Assíria está situada na região da parte mais alta do rio Tigre, e seu
nome deriva das ruínas da cidade de Assur, instalada às margens do
mesmo rio, que, por sua vez, herdou o nome do próprio Assur, provável
neto de Noé.

Referência bibliográfica:

GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas,


enigmas e “contradições” da Bíblia. Editora Mundo Cristão, 1999.
CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por
versículo. Editora Candeia, 1998.
ARCHER, Gleason. Enciclopédia de dificuldades bíblicas. Editora Vida,
1997.
Bíblia Apologética. Instituto Cristão de Pesquisas, 2000.
HALLEY, Henry Hampton. Manual Bíblico de Halley. Editora Vida,
2001.

Preparado por Marcos Heraldo de Paiva

Participantes desta edição:

Dionísio Galvino Filho


Sergio L. Foganholli
Delberto Lyrio Rodrigues
Elizabeth Barreto
Reinaldo dos Santos
Denilson da Silva Roque

A Bíblia registra o ato de “lançar sortes”. O que isso


significa?
No mundo antigo, o ato de “lançar sortes” era uma forma comum de
adivinhação ou também de se conhecer a vontade dos deuses. Havia
várias maneiras de se lançar sorte, porém, a mais utilizada era a que
empregava flechas de cores diferentes. A Bíblia relata vários casos em que
Deus se valeu desse método para fazer prevalecer sua vontade, uma vez
que é Senhor até mesmo sobre as sortes: “A sorte se lança no regaço, mas
do SENHOR procede toda a determinação” (Pv 16.33).

Somente como ilustração, transcrevemos dois textos bíblicos que


encerram o assunto. No Antigo Testamento, no livro do profeta Jonas,
Deus utiliza um grupo de marinheiros pagãos, com grande sentimento
religioso, para fazer prevalecer sua vontade divina, culminando com a
conversão de todos após o mar se acalmar: “E diziam cada um ao seu
companheiro: Vinde, e lancemos sortes, para que saibamos por que causa
nos sobreveio este mal. E lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas”
(1.7). No Novo Testamento, no livro de Atos, esta prática também é citada
uma vez, quando os apóstolos utilizaram o método para escolher o
substituto de Judas Iscariotes, ato precedido de deliberação e oração: “E,
lançando-lhes sortes, caiu a sorte sobre Matias. E por voto comum foi
contado com os onze apóstolos” (1.26).

Quem são os pobres de espírito que herdarão o reino dos


céus?
Os “pobres de espírito” ou “humildes de espírito” são aqueles cuja
necessidade espiritual é maior (Mt 5.3); ou seja, aqueles cujo coração não
é altivo ou soberbo e que têm consciência da necessidade de buscar a
retidão de Deus. Em Lucas 6.20, aparece apenas a expressão “os pobres”,
sem a palavra “espírito”, o que nos leva a crer que Jesus está-se referindo
aos materialmente pobres. Em Salmos 9.18, temos que estes dois tipos de
necessidades convivem habitualmente, mesmo não sendo idênticas:
“Porque o necessitado não será esquecido para sempre, nem a expectação
dos pobres perecerá perpetuamente”. Em detrimento de tudo isso, o
apóstolo Paulo deixa claro que a graça de Deus está disponível àqueles
que buscam o Senhor com fé (Rm 5.15).

Davi matou Golias com a funda ou usou a espada do


próprio gigante para lhe tirar a vida?
“Assim Davi prevaleceu contra o filisteu, com uma funda e com uma
pedra, e feriu o filisteu, e o matou; sem que Davi tivesse uma espada na
mão. Por isso correu Davi, e pôs-se em pé sobre o filisteu, e tomou a sua
espada, e tirou-a da bainha, e o matou, e lhe cortou com ela a cabeça;
vendo então os filisteus que o seu herói era morto, fugiram” (1Sm
17.50,51).

Golias já estava morto quando Davi tomou-lhe a espada e lhe cortou a


cabeça. Há uma diferença nos verbos empregados no original hebraico. O
verbo “matou” do versículo 51 tem o sentido de liquidar.

Por que Jesus amaldiçoou uma figueira sem frutos, visto


que estava fora da época de produzi-los?
“E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia
alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era
tempo de figos. E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma
alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto” (Mc 11.13,14).
A figueira sem frutos representava o Israel infrutífero. O profeta
Jeremias (cap. 24), utiliza os figos para representar o juízo sobre
Jerusalém. A maldição foi lançada sobre a figueira, não só pela falta de
frutos, mas, principalmente, por causa de sua aparência enganosa.
Podemos fazer um paralelo prático para compreender por que Jesus
amaldiçoou a figueira que se achava infrutífera em decorrência da época.
Em João 7.6, Jesus afirma que o tempo dos discípulos “sempre está
pronto”; ou seja, após a conversão, todos estamos aptos a produzir frutos
para o reino de Deus em qualquer tempo. Mas, muitas vezes, nos
preocupamos tão-somente em demonstrar (de forma aparente) que somos
cristãos. E isso apenas, para Deus, não basta! Aqui, temos, ainda, uma
correlação com o texto de João 15.1-5, que diz: “Eu sou a videira
verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá
fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.
Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. Estai em mim, e
eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na
videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira,
vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque
sem mim nada podeis fazer”.

Jeconias era filho de Jeoiaquim ou de Josias?


“E os filhos de Josias foram: o primogênito, Joanã: o segundo, Jeoiaquim;
o terceiro, Zedequias; o quarto, Salum. E os filhos de Jeoiaquim:
Jeconias, seu filho, e Zedequias, seu filho” (1Cr 3.15,16).

“E Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos na deportação para Babilônia”


(Mt 1.11)

A palavra “filho”, na Bíblia, pode significar “neto” ou até mesmo


“bisneto”, da mesma forma que a palavra “gerou” é usada relativamente
a um pai ou avô. Isto acontece porque, no original, a palavra “gerou”
pode ser entendida como “tornou-se ancestral de”, e aquele que foi
gerado é entendido como “o descendente de”. Jeconias, também
conhecido como Joaquim ou Conias, reinou em 597 a.C., durante a
primeira grande deportação para Babilônia, sob o comando de
Nabucodonosor. A Bíblia cita Jeconias em várias passagens como sendo
filho de Jeoaquim (ou Eliaquim), segundo filho de Josias (V. tb. 2Cr
36.9,10; 2Rs 24.8-16; Jr 24).

Como interpretar os “excrementos humanos” na


preparação da cevada, conforme descrito em Ezequiel
4.12?
“E o que comeres será como bolos de cevada, e cozê-los-ás sobre o esterco
que sai do homem, diante dos olhos deles”.

A utilização de esterco animal como material combustível era natural


naquela época. Entretanto, o esterco humano era considerado impuro: “E
entre as tuas armas terás uma pá; e será que, quando estiveres assentado,
fora, então com ela cavarás e, virando-te, cobrirás o que defecaste” (Dt
23.13). No texto do profeta Ezequiel, Deus pretendia fazer uma ilustração
dramática para Israel acerca de suas desobediências para com Ele. Israel
seria disperso e não mais poderia observar os mandamentos mosaicos
quanto à alimentação, passando a comer coisas que, para o povo, eram
impuras. Após o protesto do profeta, de que nunca havia se contaminado,
o Senhor reconsiderou sua decisão permitindo que fosse utilizado esterco
bovino: “E disse-me: Vê, dei-te esterco de vacas, em lugar de esterco de
homem; e sobre ele prepararás o teu pão” (v.15).

O que são binitarismo e diteísmo?


Diteísmo. Doutrina filosófica aceita por diversas religiões e seitas que
admitem a existência de dois princípios opostos e distintos, como, por
exemplo, bem e mal, corpo e espírito, essência e existência, entre outros.
Os adeptos dessa filosofia pregam, ainda, uma forma de politeísmo, uma
vez que acreditam que existem apenas dois deuses.

Binitarismo. Essa doutrina não classifica o Espírito Santo como uma


pessoa da Trindade, antes, crê somente em duas pessoas na Divindade: o
Pai e o Filho. Esta era a crença defendida pelos monarquianos, nos dias
anteriores ao Concílio de Nicéia. Os binitarianistas criam que o conceito
de deidade atribuída ao Filho deveria incorporar a idéia de Espírito
Santo.

Preparado por Marcos Heraldo de Paiva

Participantes desta edição

Moisés Silva
Norberto Guimarães
Renato Sallas
Vanderlei Ferreira
Reynaldo Santos
Jacione Pereira de Araújo

Gostaria de obter informações sobre o “leviatã”, criatura


citada em Jó e Salmos
“Poderás tirar com anzol o leviatã, ou ligarás a sua
língua com uma corda?” (Jó 41.1).
“Fizeste em pedaços as cabeças do leviatã, e o deste por
mantimento aos habitantes do deserto” (Sl 74.14).
O termo é hebraico: liwjathan, cujo significo é “animal que se enrosca”, sendo
modificado pelo latim bíblico para leviathan. Também é conhecido como “o
monstro marinho” do caos primitivo e cujas origens remontariam à mitologia
fenícia, na qual encarna a resistência oposta a Deus pelos poderes do mal.
Trata-se do nosso popular crocodilo, um réptil de grande porte que vive quase
que constantemente na água.

Por inferência, a criatura também é citada em Ezequiel 29.3 e 32.2, como


sendo um “dragão”. É interessante notar que fósseis já identificaram
crocodilos de até 15 metros que viveram sobre a terra na antiguidade.
Atualmente, os maiores representantes da espécie não excedem os sete metros.
Deus realmente teve a intenção de matar Moisés,
conforme o texto de Êxodo 4.24?
“E aconteceu no caminho, numa estalagem, que o Senhor
o encontrou, e o quis matar”.
A rigidez da disciplina divina parece ser excessiva neste caso, todavia, como
ocorre na seqüência de Gênesis 17.9-14, vemos, bem enfatizada, a ordenança
de Deus que todo o macho (homem), que estivesse envolvido com sua aliança
deveria ser circuncidado. O versículo14, mais especificamente, prescreve
morte para aqueles que não se submetessem a este rito, tanto os judeus quanto
os seus escravos. Neste caso, a omissão de Moisés em circuncidar o seu
primogênito, Gérson, teria atraído a ira divina pela desobediência. Infere-se, a
partir do contexto, que Moisés teria sido tomado por uma enfermidade (“e o
quis matar”), e, antes que a doença lhe tirasse a vida, o próprio Moisés
determinou a Zípora, sua esposa, que efetuasse o rito (v. 25,26), granjeando
dela o protesto que se lê no texto.

Qual é o significado da expressão Yeshua Hamachiach


Hamelekh Hamalekhin Kadosh (Ierroshua Hamashia
Alamanehin Kadosh)?
Resposta: “Jesus; o Messias; o Rei dos reis e Santo”.

Em 2Reis 2.23,24, o profeta Eliseu realmente amaldiçoou


os jovens para que morressem?

“Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da
cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo! E, virando-
se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do Senhor; então duas ursas
saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos”.
O fato de aquele grupo não estar acompanhado pelos pais, denota, em
primeiro plano, não se tratar de crianças, mas de jovens com idades entre 12 e
16 anos. O escárnio promovido contra o profeta parece ter tido um fundo
espiritual blasfemo, a começar pela expressão “sobe”, que se referia ao altar
mais alto de Betel, destinado aos sacrifícios idólatras (1Rs 13).

Os jovens, ainda, chamaram o profeta de “calvo”, palavra que, na verdade,


identificava a pessoa enlutada. Mas, no caso de Eliseu, talvez estivesse sendo
acusado da morte de seu irmão de ministério, Elias. Assim, o que esperava por
Eliseu em Betel não seria uma recepção digna de um profeta de Deus, mas a
execução de um criminoso. E, pelo fato de Eliseu ter sido comissionado pelo
próprio Deus, o qual lhe atribuiu poderes espirituais, a rejeição advinda da
rebeldia daqueles jovens não lançava o profeta apenas na desonra, mas,
também, classificava seus poderes como “malignos”, o que era uma clara e
intensa blasfêmia contra o Espírito de Deus. Por derradeiro, o texto bíblico
declara que Eliseu apenas amaldiçoou aqueles jovens pela blasfêmia proferida.
Foi a providência divina que estabeleceu um desagravo mais rigoroso.

Jeremias 7.16 ensina que não devemos orar por certas


pessoas?
“Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele
clamor ou oração, nem me supliques, porque eu não te
ouvirei”.
Em primeiro lugar, é necessário separar a dispensação da lei da dispensação
da graça. Na lei, erros e pecados sucessivos eram reputados como impeditivos
da assistência divina, conforme Deus explicita pelo profeta Isaías (Is 59.2).
Judeus de todas as partes de Judá e Jerusalém (7.1-15) andavam cometendo
toda a sorte de transgressão sem qualquer escrúpulo para com a lei de Deus. E,
para a época e o povo em questão, esse comportamento não seria admitido
pelo Senhor, ainda que o profeta intercedesse, desde que, é claro, não
houvesse arrependimento. O advento da graça, no entanto, não herdou este
rigor, principalmente no que tange aos gentios, uma vez que é exatamente para
que os gentios venham ao arrependimento que o próprio Senhor Jesus nos
conclama a rogar a Deus por estas pessoas (Cf. Mt 5.44; Lc 6.28).

De acordo com Gênesis 3.16, Eva, a mulher perfeita antes


da queda, teria dores no parto?
“E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor,
e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu
desejo será para o teu marido, e ele te dominará”.
Esta é uma questão de profundidade e, dependendo da tradução, não fica claro
que as dores multiplicadas seriam as do parto, como ocorre na versão Almeida
Revista e Corrigida (ARC). No texto em análise, a frase “com dor darás à luz
filhos” é a única que identifica aflição na geração de filhos, não na modalidade
“multiplicação”. Ou seja, a partir da queda, a mulher sofreria cada vez que
desse à luz um filho. Com isso, podemos inferir que, antes da desobediência,
não haveria dor.

A questão da “multiplicação das dores”, outrossim, não está exaurida, posto


que, efetivamente, existe esta previsão para a mulher em alguma área de sua
vida, não especificada na ARC. A submissão ao marido é uma das sugestões
teológicas para explicar a reprimenda imposta por Deus à mulher, ou seja, que
uma suposta independência feminina estaria prevista na criação. Mas,
considerando que foi a mulher quem induziu o homem a erro, ela deixou de
possuir qualquer autoridade, pelo contrário, passou a ser dominada pelo
homem.

O que significa o sufixo “ismo” que encontramos nos


nomes de diversas religiões?
A partícula é extraída da raiz grega ismós, surgindo no português como sufixo
nominal, que designa uma doutrina; escola; teoria ou princípio artístico,
filosófico, político ou religioso ou qualidade característica de um grupo. Daí
encontrarmos o cristianismo e o paganismo (religião); o impressionismo
(arte); o empirismo (filosofia) e o governismo (política). Deve ser distinto do
também sufixo dade, que define elemento formador de substantivos abstratos
derivados de adjetivos, que, por sua vez, faz menção ao indivíduo e não ao
grupo, como em homossexualidade (do indivíduo) e homossexualismo (do
grupo); cristandade (do indivíduo) e cristianismo (do grupo).

Preparado por Marcos Heraldo Paiva

Participantes desta edição:

Daniel Duran
Michelle Santos
Antonio Cássio
Milton Souza
Maurício Pitta Cruz
Paulo Moreira Correia
Roberto Bock

Referências bibliográficas:

GEISLER, Normam & HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas, enigmas


e “contradições” da Bíblia, Editora Mundo Cristão, 1999.
GEISLER, Norman. Enciclopédia de apologética, Editora Vida, 2001.
CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo,
Editora Candeia, 1997.
CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo,
Editora Candeia,1998.
ARCHER, Gleason. Enciclopédia de dificuldades bíblicas, Editora Vida,1997.
Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, 1995.
Bíblia de Estudo de Genebra, Editora Cultura Cristã, 1999.
Bíblia de Estudo Plenitude, SBB, 2002.
O que é o limbo, segundo os católicos apostólicos
romanos?
A Igreja Católica descobriu quatro lugares no além: céu, inferno,
purgatório e limbo. Restringiremos este comentário ao limbo, objeto do
questionamento.

A palavra é oriunda do latim, limbus, cujo significado é “fronteira”. Este


lugar foi arquitetado por Roma, a fim de solucionar um problema
teológico em que a Bíblia não se expressa abertamente: o destino eterno
das crianças que morrem sem adquirir consciência de seus pecados.
Segundo o catolicismo, o limbo seria a “fronteira do inferno”, isto é, um
lugar preparado para aqueles que não fazem jus ao céu, mas que também
não merecem o inferno.

A grande maioria das pessoas que possui alguma noção conceitual deste
lugar limita-se a relacioná-lo às crianças. O limbo seria, portanto, o
destino das pobres crianças que morrem sem batismo e que, por isso, são
classificadas pela igreja romana como pagãs. Entretanto, o entendimento
católico deste lugar envolve algo além disso, pois, conforme tal
interpretação, há pelo menos dois tipos de limbo:

• Limbo dos pais: também designado limbus patrum, o que seria


equivalente ao “Seio de Abraão” (Lc 16.22). Trata-se de um local no
mundo dos mortos (hades) onde habitariam as almas dos justos do Antigo
Testamento. Com a morte e ressurreição de Cristo, este local teria sido
abolido, devido ao traslado das almas dali para o céu. De certa forma,
esta idéia usufrui de algum amparo bíblico e encontra paralelo na
interpretação evangélica (guardando as devidas proporções).

• Limbo dos infantes: também designado limbus infantum. Além das


crianças, esse lugar receberia a alma das pessoas mentalmente
incompetentes para que possam decidir pela aceitação ou rejeição a
Cristo. A idéia reclamada para justificar este local é a de que “almas
excepcionais mereceriam lugares excepcionais como destino”.

Jesus, por sua vez, menciona apenas dois caminhos, duas portas, dois fins
(Mt 7.13,14; 25.34-46). Não há referências bíblicas além desses dois
lugares depois da vida: céu e inferno. Nas línguas originais bíblicas, céu e
inferno são chamados da seguinte maneira: Seol, Hades, Geena (Lc 16.19-
31; 12.4-5). Devemos, no entanto, nos contentar com isso. Existem
algumas correntes teológicas que se esforçam por explicar a fortuna das
crianças que falecem antes da idade da razão, porém, esse assunto
envolve muitas especulações e já não é alvo do questionamento aqui
proposto. Para saber mais sobre o assunto, o leitor deve consultar a
edição de nº 39 de Defesa da Fé, que traz a matéria intitulada “Inferno: é
possível crer nesta doutrina em pleno século 21”.

Quem é o homem vestido de linho mencionado em


Ezequiel 10?
“Depois olhei, e eis que no firmamento, que estava por cima da cabeça
dos querubins, apareceu sobre eles uma como pedra de safira, semelhante
a forma de um trono. E falou ao homem vestido de linho, dizendo: Vai
por entre as rodas, até debaixo do querubim, e enche as tuas mãos de
brasas acesas dentre os querubins e espalha-as sobre a cidade. E ele
entrou à minha vista...” (Ez 10.1,2).

Para entendermos melhor o texto em análise, precisamos submeter todo o


seu contexto a uma avaliação. Os capítulos 8 a 11 de Ezequiel tratam de
um mesmo assunto, isto é, a visão profética que Ezequiel contempla
acerca do julgamento de Judá e Jerusalém. No capítulo 8, o profeta
descreve os rituais abomináveis que eram procedidos no templo. No
capítulo 9, temos a aniquilação dos ímpios, as punições inevitáveis que se
seguiriam devido à apostasia do povo, castigo que seria efetuado por meio
do exército babilônico. O capítulo 10, em que há menção do “homem
vestido de linho”, refere-se à segunda visão dos querubins. O texto se
detém em apresentar o abandono de Deus a Jerusalém por causa da
idolatria praticada pelos judeus. O significado da visão é comprovar que
Deus partiria do templo antes que a cidade fosse queimada. O “homem
vestido de linho tão branco e brilhante quanto o Sol” não é uma
referência a Jesus, mas uma espécie de “anjo-escriba”. Este homem é
mencionado antes em Ezequiel 9.2: “E eis que vinham seis homens a
caminho da porta superior [...] e entre eles um homem vestido de linho,
com um tinteiro de escrivão à sua cintura...” (Ez 9.2). O texto é expresso
por meio de muitos símbolos. Esse anjo resplandecente tem como
principal função ser o agente do julgamento, pois lhe é dito: “... Enche as
tuas mãos de brasas acesas dentre os querubins e espalhe-as sobre a
cidade” (Ez 9.2), identificando, assim, a forma com que a cidade haveria
de ser destruída. Finalmente, o capítulo 11 revela o desfecho do assunto
com o juízo de Deus especificamente dirigido aos líderes do povo.

O que é fideísmo religioso?


O fideísmo é um sistema de doutrinas que rejeita o emprego da razão
para o exercício da fé, ou seja, prega que a crença religiosa não deve ser
apoiada pela razão. O único atributo de que necessitamos é a fé, nada
mais. Os fideístas procuram se esquivar de qualquer tipo de
argumentação para que possam apoiar sua fé em Deus. Mas esta corrente
teológica é flagrada em explícita contradição quando utiliza a própria
razão para expor sua doutrina e depois negar seu emprego em questões
de fé. Como diz Norman Geisler, “Se alguém não tem razão para não
usar a razão, então essa posição é indefensável. Não há razão para que se
aceite o fideísmo”.

Encontramos na Bíblia textos em que Deus nos convida ao raciocínio


franco: “Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR...” (Is 1.18) e “... Estai
sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer
que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1Pe 3.15). Será que
Deus criaria seres racionais para depois exigir deles que ignorassem o
emprego da razão em questões relativas à sua fé? É claro que não!
Devemos assentar que a fé não milita contra a razão nem a razão contra a
fé. É fato que um desequilíbrio em quaisquer desses elementos redundará
por ofuscar o outro. Assim, o ideal é buscarmos uma moderação saudável
entre ambos e vivermos a nossa vida cristã apresentando o nosso culto
racional a Deus (Rm 12.1).
Como explicar “as figuras das coisas que estão no céu”,
citadas em Hebreus?
“De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no
céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios
melhores do que estes” (Hb 9.23).

A expressão “as figuras das coisas que estão no céu” nos remete ao templo
do Senhor (ou à tenda da congregação, utilizada antes do templo) e seus
utensílios.

Inspirado pelo Espírito Santo, o autor aos hebreus desenvolve a idéia de


que o templo terreno era uma espécie de modelo do templo celestial.
Assim, o templo e seus elementos carregavam consigo representações
capazes de nos fazer compreender melhor a adoração do mundo invisível.
Tudo simbolizava uma realidade superior. Em Hebreus 8.5, temos uma
referência a esse assunto, quando o autor declara que os sacerdotes que
“ofereciam sacrifícios segundo a lei” serviam de exemplo e sombra das
coisas celestiais. Essa analogia é traçada resgatando o imperativo do livro
de Êxodo, que ordena: “Atenta, pois, que o faças conforme ao seu modelo,
que te foi mostrado no monte” (25.40). Cristo é o sumo sacerdote do
santuário celeste e não do terrestre, como se dava com os sacerdotes
aarônicos. Assim, o ministério de Cristo ab-rogou o sacerdócio terreno,
conduzindo-nos a uma nova lei, a um novo sacerdócio, a um novo pacto
superior ao anterior e que exigiu um sacrifício melhor do que aqueles
ministrados pelos levitas.

Por que Apocalipse 7.4 menciona a tribo de Manassés no


lugar da tribo de Dã?
No capítulo em apreço, o profeta João descreve um grupo seleto de 144
mil crentes divididos em doze grupos de doze mil. Há controvérsias em
relação à melhor maneira de interpretar esse número: se devemos fazê-lo
espiritualmente (figurativo) ou literalmente (este último, usufrui de maior
número de apoiadores). A questão é que, independente disso, a lista
realmente substitui a tribo de Dã, filho do relacionamento de Jacó com
uma criada de Raquel, sua esposa legítima (Gn 30.6), pela tribo de
Manassés, filho do relacionamento de José com uma egípcia. José era neto
de Jacó (Gn 41.51). Os prováveis motivos para isso não estão diretamente
declarados nas Escrituras, todavia, conhecendo-se um pouco da história
de Dã, é possível tecer uma suposição razoável. Temos na Bíblia
testemunho de que Dã associou-se a um dos pecados mais abomináveis: a
idolatria, dando-nos a inferir que, por este motivo, teriam sido seus
descendentes substituídos pelos de Manassés: “E os filhos de Dã
levantaram para si aquela imagem de escultura; e Jônatas, filho de
Gérson, o filho de Manassés, ele e seus filhos foram sacerdotes da tribo
dos danitas, até o dia do cativeiro da terra” (Jz 18.30). Uma outra
hipótese foi aventada por Irineu, importante pai da igreja que viveu no
final do segundo século, cuja proposição foi a de que o anticristo proviria
dessa tribo (Contra heresias, v. 30.2), o que, aliás, já era cogitado em uma
obra judaica pseudepígrafe (O testamento de Daniel 5.6). É possível que
João tivesse consciência disso, embora esse fato em nada altere o valor de
inspiração divina no texto em esclarecimento.

Preparado por Elvis Brassaroto Aleixo

Participantes desta edição:

Renata Florin
Sandro Emanuel
Ivo Figueiredo
Lázaro Vicente
Roberto Coutinho

Referências bibliográficas:

GEISLER, Normam & HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas,


enigmas e “contradições” da Bíblia, Editora Mundo Cristão, 1999.
GEISLER, Norman, Enciclopédia de apologética, Editora Vida, 2001.
CHAMPLIN, R. N., O Novo Testamento interpretado versículo por
versículo, Editora Candeia, 1997.
CHAMPLIN, R. N., O Antigo Testamento interpretado versículo por
versículo, Editora Candeia, 1998.
ARCHER, Gleason, Enciclopédia de dificuldades bíblicas, Editora Vida,
1997.
Bíblia de Estudo Pentecostal, Editora CPAD, 1995.
Bíblia de Estudo de Genebra, Editora Cultura Cristã, 1999.
Bíblia de Estudo Plenitude, SBB, 2002.

QUAL É O SANTUÁRIO EM QUESTÃO NO TEXTO


DE 1CORÍNTIOS 3.17: O NOSSO CORPO, O
ESPÍRITO SANTO OU OUTRA COISA?
Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo
de Deus, que sois vós, é santo” (1Co 3.17)

Em 1 Coríntios 6.19, está escrito que o nosso corpo é o templo do Espírito


Santo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo”.
Ratificamos isso também no versículo 16: “Não sabeis vós que sois o
templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”.

Mas se o nosso corpo é o templo do Espírito Santo e o Espírito Santo


habita em nós, como entender o texto de 1Coríntios 3.17? Ambos serão
destruídos? Ou um ou outro?

Cada crente, individualmente, possui o Espírito Santo: “Se alguém não


tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). Entretanto, a
igreja como comunidade, no sentido coletivo, é também templo, habitação
do Espírito Santo (2Co 6.16). É exatamente a esse segundo aspecto que
Paulo está-se referindo. Nem o membro da igreja, no sentido individual,
nem o Espírito Santo seriam destruídos, mas os que estavam instigando a
inveja, as contendas e as dissensões na igreja de Corinto, que, no texto em
apreço, é vista como sendo o “templo de Deus”. A Bíblia de Estudo
Almeida, ao comentar o texto em estudo, diz o seguinte: “Analisando o
capítulo 3 de 1Coríntios, vemos que a jactância filosófica de alguns era
indício de infantilidade espiritual, produzindo facções e com tendências a
destruir a igreja de Corinto. Visto que a comunidade de crentes é o
santuário de Deus (v.16), os causadores da sua divisão (v. 3,4) a profanam
e a destroem, por isso serão destruídos como castigo pelos seus atos de
sacrilégio”.
O verbo destruir no grego, usado no texto em análise, é phtheirei, que
pode significar “destruir”, “arruinar”, “corromper”, “estragar”. Ou seja,
os tais, que estavam “profanando” o templo de Deus – a igreja em
Corinto – não serão poupados de condenação por ocasião do juízo divino.

COMO ENTENDER A AUTORIDADE CONFERIDA A


PEDRO EM MATEUS 16.19?

E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra


será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos
céus” (Mt 16.19).

Analisaremos e dividiremos o texto em referência em duas partes.

A primeira pode ser ilustrada pela figura do mordomo que recebe de seu
senhor a responsabilidade de cuidar de sua casa e dos seus bens (Mc
13.34). Em Isaías 22.22, Deus diz de Eliaquim: “E porei a chave da casa
de Davi sobre o seu ombro, e abrirá, e ninguém fechará; e fechará, e
ninguém abrirá”. Então, podemos concluir que a quem é conferido tal
atribuição exige-se responsabilidade, delega-se autoridade e reclama-se o
cumprimento de deveres. A igreja romana, por exemplo, apossando-se, de
forma autoritária e arbitrária, desses textos, segundo suas próprias
interpretações, quer convencer que a autoridade foi dada a Pedro [e seus
sucessores] e à igreja Católica Romana. Inclui, também, segundo seus
teólogos, o poder de perdoar pecados, doutrina que não usufrui de
nenhum amparo bíblico.

Analisemos, agora, a questão das “chaves” dadas a Pedro.

Não negamos que Cristo tenha dado, naquele momento, a incumbência, a


responsabilidade e autoridade aos discípulos para “abrir” ou “fechar” a
porta do reino dos céus. Mas como isso aconteceu? Como seria feito?

No versículo anterior, Jesus disse: “Edificarei a minha igreja”. Entende-


se, habitualmente, que o evangelho seria pregado primeiramente ao povo
judeu: “Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10.7).
Dada a ordem imperativa de Cristo (Mc 16.15), os discípulos foram
impulsionados a pregar o evangelho “tanto em Jerusalém como em toda a
Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8). O apóstolo Paulo
disse que “por ele [Jesus] ambos [judeus e gentios] temos acesso ao Pai em
um mesmo Espírito” (Ef 2.18). Podemos presenciar com alegria a
abertura das portas do evangelho aos judeus (At 2.41) e aos gentios (At
10). Esta é a interpretação correta da primeira parte do texto: Pedro teve
a responsabilidade primária de pregar o evangelho [o uso das “chaves”]
tanto aos judeus quanto aos gentios. Também, é interessante saber que
essa autoridade não foi restrita apenas a Pedro, mas aos demais
apóstolos: “Naquela mesma hora chegaram os discípulos ao pé de
Jesus...” (Mt 18.1); “Em verdade vos digo que t
udo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na
terra será desligado no céu”.

Quanto à segunda parte do texto, observamos muito seu uso nas igrejas
em decorrência da aplicação da disciplina eclesiástica. A Bíblia de Estudo
de Genebra diz: “As ‘chaves do reino’, dadas primeiro a Pedro e
definidas como poder de ‘ligar’ e ‘desligar’ (Mt 16.19), têm sido
entendidas comumente como a autoridade para supervisionar a doutrina
e impor a disciplina. Essa autoridade foi dada por Cristo à Igreja em
geral e à sua liderança ordenada em particular”. Assim, devemos
entender que quando a igreja, devida e justamente, aplica a disciplina ao
membro faltoso, antes a sanção já fora aplicada pelo próprio Deus no céu,
a igreja apenas ratifica o fato.

EM QUE MOMENTO O BATISMO EM ÁGUAS


PASSOU A SER REALIZADO CONFORME O
PADRÃO NEOTESTAMENTÁRIO?
E eram por ele [João] batizados no rio Jordão” (Mt 3.16)

Não existe na Bíblia nenhuma menção do batismo em águas antes da


aparição de João Batista no deserto da Judéia pregando o
arrependimento para perdão dos pecados por meio deste rito (Mt 3.1,2).
Logo, de onde João teria extraído exemplo para tal prática?

Não trataremos aqui das fórmulas batismais, dos modos de se batizar, do


batismo de crianças, etc, pelo fato de o objetivo ser outro: o momento em
que surge o batismo em águas segundo o padrão do Novo Testamento.

No Antigo Testamento, presenciamos a água sendo utilizada como ritual


de iniciação e purificação. O sumo sacerdote Arão, antes de entrar no
compartimento Santo dos santos do Tabernáculo, banhava-se com água
(Lv 16.4). Naquele contexto, a purificação era efetuada com água nos
seguintes casos: depois da relação sexual (Lv 15.18); da menstruação (Lv
15.19-24); do contato com a lepra (Lv 13) ou com algum cadáver (Nm 5).

Alguns estudiosos supõem que João fazia parte do grupo dos essênios.
Segundo o Dicionário Teológico, os essênios eram “partidários da seita
judaica que, florescendo no segundo século antes de Cristo, caracterizou-
se pelo ascetismo, separatismo e meticulosidade de seus membros”. De
acordo com Collin Brown, “o convertido ao judaísmo, no início da era
cristã, tinha de receber a circuncisão, submeter-se a um banho ritual e
oferecer sacrifícios”. Desta forma, João teria incorporado o batismo em
águas dos grupos judaicos, especialmente dos essênios. Isto não quer dizer
que João dava o mesmo sentido de batismo conforme agiam os sectários.
Diz Russel Champlin que “o batismo judaico de prosélitos (os que não
eram judeus de nascimento) [...] requeria imersão em água,
representando a purificação da anterior vida pecaminosa. Enquanto a
pessoa se imergia na água, trechos da lei eram lidos, dando a entender
que ele tencionava fazer da lei o guia da nova vida na qual a pessoa estava
entrando”. João antecipou a obra ministerial de Cristo e, assim, seu
batismo constituiu-se uma espécie de ingresso a um “novo movimento”,
apesar de ser muito mais apropriado classificá-lo como um ato precursor
que apontava as diretrizes para o ritual que seria observado
posteriormente pela igreja cristã.

A validade do batismo de João observa-se pelo fato de o próprio Jesus se


submeter a ele: “Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do
Jordão, para ser batizado por ele” (Mt 3.13). O batismo cristão, levado a
efeito pela igreja primitiva, diferente do sentido dado pelos grupos
judaicos, foi ordenado por Jesus (Mt 28.19); praticava-se o batismo em
águas após a pregação e conversão das pessoas a Jesus Cristo (At 2.38;
8.38); simboliza a identificação com Cristo na sua morte e ressurreição
(Rm 6.3,4).

COMO EXPLICAR A MENÇÃO DA LUZ EM


GÊNESIS 1.3 SE O SOL FORA CRIADO SOMENTE
NO QUARTO DIA (GN 1.14)?
E disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Gn 3.1).

Antes de respondermos, é necessário considerarmos a premissa de que a


Bíblia é a verdade revelada por inspiração divina, portanto, é infalível,
inequívoca e o árbitro final em todas as discussões. Sua autoridade é derivada
do seu Autor e não das opiniões dos homens (Rm 15.4; 2Tm 3.15,16; 2Pe
1.21). Tendo em mente estas ponderações, podemos nos direcionar para a
solução do suposto problema.

Primeiramente, precisamos ter em mente que toda a criação se deu de forma


repentina e proveniente do nada, ou seja, não derivam de elementos criados já
existentes, mas apenas de Deus. É o que os estudiosos denominam de creatio
êx nihilo, não sendo assim procedente de uma cadeia evolutiva. Houve um
tempo em que a luz não existia, porém, a Bíblia nos afirma que, em
determinado tempo, ela veio a existir. O mesmo se deu com todas as coisas
criadas por Deus (Sl 33.6-9; Hb 11.3). Mas o que era então essa luz que existia
antes do Sol e demais luminares celestes? Dar uma resposta definitiva a esse
respeito não é uma tarefa simples, até mesmo para os mais peritos no assunto.
Entretanto, podemos inferir algumas conclusões. Há dois posicionamentos
principais entre os estudiosos quanto a esta questão. O primeiro destaca a
relevância de Deus ter criado a luz antes do Sol. Os defensores desta corrente
apontam para a importância de se notar que o nome “sol” fora dado a essa
estrela apenas em Gênesis 15.12, o que para estes estudiosos significaria uma
resposta antecipada de Deus contra a adoração desse ser inanimado. Muitos
povos pagãos da Antiguidade, principalmente os egípcios, adoravam o Sol
como uma divindade, porém, antes de sua existência, Deus já existia em toda a
sua glória (Sl 90.2; 102.25-27; 1Tm 1.17; 6.16).

Diante disso, entender-se-ia que a luz a que se refere Gênesis 1.4 é a


manifestação da glória de Deus em forma de luz (1Jo 1.5), antes mesmo da
criação dos seres animados e inanimados. Assim, Deus revela ao homem que
Ele é superior a tudo quanto existe e se move sobre a terra. Isso também serve
para mostrar que as coisas criadas não são divindades, portanto, não são
divinas (doutrina conhecida como “panteísmo”), embora a criação atue como
prova suficiente e cabal da existência de Deus (Sl 19.1-6; Rm 1.20).

Outro posicionamento, representado pelo apologista Norman Geisler, lembra


que “o Sol não é a única fonte de luz no Universo. Além disso, é possível que
ele já existisse desde o primeiro dia, tendo somente aparecido ou se feito
visível (com a dissipação da neblina) no quarto dia. Vemos luz num dia
nublado, mesmo quando não nos é possível ver o Sol”.

Referências bibliográficas:

GEISLER, Normam & HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas, enigmas


e “contradições” da Bíblia. Editora Mundo Cristão, 1999.
GEISLER, Normam & RHODES, Ron. Resposta às seitas. CPAD, 2000.
ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário teológico. CPAD, 1996.
CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo.
Editora Candeia, 1997.
Bíblia de Estudo de Genebra. Editora Cultura Cristã, 1999.
Bíblia de Estudo Almeida. SBB, 1999.

Preparado por Gilson Barbosa

Participantes desta edição:

Edmar Valente
Fábio Godoy
Ivonete Ribeiro
Isaías Mendes
Como entender o fato de Paulo mandar entregar dois
obreiros da Igreja a Satanás?
“E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para
que aprendam a não blasfemar” (1Tm 1.20).

Timóteo, um obreiro ainda bem jovem, estava enfrentando sérios problemas


na igreja de Éfeso. Por conta disso, o apóstolo Paulo lhe escreveu uma carta
encorajando-o a manter a ordem entre os irmãos. Os falsos mestres estavam
deturpando os ensinos originais nos quais a igreja tinha sido instruída e, entre
os tais, Paulo cita dois nomes: Himeneu e Alexandre.

Quando recebeu o ministério eclesiástico pela imposição das mãos do


presbitério, o jovem Timóteo recebeu juntamente a responsabilidade de
combater as heresias que possivelmente surgiriam no seio da igreja (1Tm
1.18; 4.14; 6.12).

Não há menção específica a respeito das heresias com as quais aqueles dois
falsos obreiros se envolveram. Entretanto, parece que a carta de Paulo a
Timóteo visava tratar problemas de crenças religiosas e idéias filosóficas. O
contexto sugere que esses obreiros estavam envolvidos com questões
pertinentes ao gnosticismo, sendo que Himeneu é citado por Paulo em
2Timóteo 2.17,18 como que ensinando que a ressurreição já tinha acontecido,
alegorizando-a e minando a esperança futura dos irmãos.

A sentença para esses obreiros seria que fossem “entregues a Satanás”, o que a
maioria dos teólogos entende como uma espécie de disciplina ou exclusão da
comunhão com a Igreja, o Corpo de Cristo. Este procedimento visava tanto a
correção como a punição. Quanto a este fato, a Bíblia de estudo de Genebra
afirma o seguinte: “Portanto, foram devolvidos ao mundo – domínio de
Satanás (Jo 12.31; 14.30; 16.11; 2Co 4.4; Ef 2.2)”. No mesmo sentido, a
Bíblia de estudo Pentecostal considera: “Ser desligado da Igreja; por outro
lado, deixa a vida da pessoa aberta aos ataques destrutivos e satânicos (Jó
2.6,7; 1Co 5.5; Ap 2.22)”.
Em Êxodo 25.17-22, Deus está permitindo a adoração de
imagens?
“Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas
extremidades do propiciatório” (Êx 25.18).

Segundo os apologistas do catolicismo romano, o texto em referência


comprova a liberação para a adoração de imagens. Dizem que se Deus
ordenou que se fizessem esculturas de querubins, logo, isso significaria que
eles podem e devem ser adorados. Perguntam: “Por que Deus mandaria
construir aquelas imagens se não fosse com o objetivo de serem adoradas?”.

Um dos mais importantes conselhos que a hermenêutica nos confere, a fim de


nos auxiliar na correta interpretação textual, é que nunca devemos interpretar
um texto sem observar seu contexto. No caso em questão, como Deus poderia
permitir a adoração de imagens, considerando que em todo o contexto bíblico
Ele a proíbe? (Êx 20.23; 34.17; Dt 9.12; Hc 2.18; 1Jo 5.21, etc). Ou Deus está
se contradizendo ou o catolicismo romano está vendo no texto bíblico algo
que não existe (eixegese). Logicamente, Deus não se contradiz, pois sua
natureza é divina e o Senhor não é como o ser humano (Nm 23.19; Is 45.12;
Os 11.9). Resta-nos, então, a segunda alternativa.

É importante entender que não há nenhuma oposição bíblica quanto a alguém


possuir em casa uma escultura, uma obra de arte, e utilizá-la para fins
decorativos. Ou, ainda, quanto a alguém carregar consigo a foto de um
parente. Absolutamente. Mas daí a venerar ou adorar tais objetos há uma
distância abissal e constitui idolatria, o que é terminantemente proibido por
Deus (Êx 20.4,5).

Algumas imagens que Deus mandou confeccionar não tinham por objetivo
elevar a piedade de Israel e tampouco serviam de modelo para reflexão ou
conduta. Eram apenas símbolos decorativos e representativos. Deus mandou
fazer a Arca da Aliança; mandou confeccionar figuras de querubins no
Tabernáculo e no Templo (Êx 25.10-16; 1Rs 6.23-29), além de outros
ornamentos (1Rs 7.15-50). Essas figuras, porém, jamais foram adoradas ou
veneradas, ou vistas como objetos de devoção ou adoração. Se os filhos de
Israel tivessem adorado, cultuado ou venerado esses objetos, Deus, sem
sombra de dúvida, teria mandado destruí-los, como aconteceu com a serpente
de bronze (2Rs 18.4).

Por que não vemos nos evangelhos pessoas pedindo


perdão a Jesus?
É importante notar que o povo em geral dirigia-se ao batismo de João
confessando seus pecados (Mt 3.6; Mc 1.5). As pessoas da época de Cristo já
tinham uma religião, eram criadas e instruídas segundo os preceitos do
judaísmo, cuja base doutrinária firmava-se na lei que fora entregue a Moisés.
Os judeus acreditavam que a obediência rigorosa das leis de sua religião era o
suficiente para a obtenção da salvação eterna. Entendiam que não precisavam
pedir perdão a ninguém, pois não tinham Jesus como Deus, e tampouco Jesus
era reconhecido pelos judeus como o Messias (Mc 2.7; Lc 7.19).

Os judeus não necessitavam clamar que queriam ser perdoados por Jesus,
precisavam tão-somente crer, para a salvação de seus pecados, que Cristo era
o enviado de Deus! (Jo 8.24). A Bíblia informa que os judeus rejeitaram a
Jesus (Jo 1.11), o que, por si só, comprova que não pediriam perdão a um
mero homem. De fato, a preocupação evangelística de Jesus, acima de tudo,
era com os judeus (Mt 10.5; 15.24), porém, esta atitude não excluía os gentios
(aqueles que não eram judeus), pois sobre estes fora profetizado a revelação
do evangelho (Sl 2.8; Is 49.6; Ml 1.11; Mt 12.21). Alguns episódios bíblicos
indicam que várias pessoas reconheceram ser pecadoras e receberam o perdão
de Jesus. Confira alguns exemplos: Pedro (Lc 5.8); Zaqueu (Lc 19.1-10); a
mulher adúltera (Jo 8.1-11); o paralítico (9.2), entre outras.

Sobretudo, no amplo contexto do Novo Testamento temos aprendido que


devemos pedir perdão a Jesus pelos nossos pecados (At 2.38; At 4.12; Rm
10.13, 1Co 15.3; etc).
Segundo o texto de Mateus 27.52, em que momento se
deu a ressurreição dos mortos?
“E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram
ressuscitados” (Mt 27.52).

Se não houver atenção na interpretação do texto bíblico mencionado, pode


haver confusão quanto ao momento em que se deu essa ressurreição, pois,
aparentemente, os mortos citados ressuscitaram antes do próprio Jesus.
Entretanto, em 1Coríntios 15.20 lemos que Cristo foi feito as primícias dos
que dormem (os mortos salvos), o que está em acordo com a seqüência de
ressurreições apontada por Paulo: “Mas cada um por sua ordem: Cristo, as
primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda” (1Co 15.23).

Por ocasião da morte de Jesus, o véu do santuário se rasgou em duas partes, a


terra tremeu e as rochas de fenderam. Vejamos o que a Bíblia afirma a
respeito: “... Abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam
foram ressuscitados” (v. 52). Esse versículo aparentemente indica que Cristo
ressuscitou logo após a ocorrência desses fatos. Mas observando o texto
seguinte, chegamos à outra conclusão: “... Saindo do sepulcro depois da
ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos” (v. 53;
grifo nosso). Esta declaração joga mais luz sobre o texto e nos esclarece que
Jesus ressuscitou primeiro e, em seguida, houve a ressurreição das pessoas
mencionadas. Essa foi a ordem dos acontecimentos. Unanimemente, os
estudiosos entendem que essas pessoas morreram novamente, o que indica que
ressuscitaram em corpos naturais.

Sobretudo, este episódio prenuncia profeticamente que, assim como Cristo


morreu, mas ressuscitou, da mesma forma nós, os que estivermos vivos na sua
vinda, e os mortos salvos, teremos o nosso corpo mortal transformado (1Co
15.13-23; 1Ts 4.13-17).

Outra dúvida que paira nas mentes é: “Quem seriam essas pessoas?”. Russel
Norman Champlin afirma que “muitas conjecturas têm sido feitas acerca da
identificação dos membros desse grupo, tais como os patriarcas, Abraão,
Isaque, Jacó, e outros de tempos mais recentes, como João Batista, Simeão,
Ana, Zacarias, etc.; mas acerca disso não temos qualquer informação”.
Coisas santas aos cães e pérolas aos porcos. Qual deve ser
a nossa posição acerca deste ensinamento de Jesus?
“Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas,
não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem” (Mt
7.6).

Logicamente, não está em pauta aqui o deixar de evangelizar ou cumprir uma


tarefa missionária, pois, caso fosse, haveria contradição bíblica (Mt 28.19; Mc
16.15; etc.).

É necessário lembrar que, para os judeus, os dois animais alistados (cães e


porcos) são considerados impuros e, no caso dos porcos, mais
especificamente, o Antigo Testamento condena até mesmo seu uso como
alimentação (Lv 11.7). A expressão “não deis aos cães as coisas santas”
parece ser uma alusão ao ato do sacerdote de lançar a carne do sacrifício
(holocausto) para que os cães a comessem. Por seu turno, a expressão “deitar
aos porcos as pérolas” aludiria à atitude de um homem rico que joga as
“pequenas pérolas”, que tinham aparência semelhante às ervilhas e milhos,
para que os porcos as comessem.

Por esse contexto (e atualizando sua mensagem), entendemos que Jesus se


referia às pessoas que apreciam levantar dúvidas a respeito da fé cristã e da
inerrância das Escrituras: “as pérolas”, as “coisas santas”. São os incrédulos
ou os ateus, ou até mesmo meros zombadores do evangelho. A estes, a
conversão ao evangelho de Jesus Cristo, a não ser pela atuação do Espírito
Santo (Jo 16.7,8), é quase impossível. Logo, depreendemos que, para algumas
pessoas, este evangelho do reino está limitado, restrito, pelo fato de elas não
crerem. E não somente isso. Mas também por propagarem abertamente, de
forma escarnecedora e por todos os meios possíveis, que o evangelho não
passa de uma farsa e que a religião é um grande mal à sociedade, semelhante
ao que disse Karl Marx, quando declarou que “a religião é o ópio do povo”.
Em nosso caso, o protestantismo evangélico, pois não estamos tratando
meramente de religião, mas do evangelho puro e genuíno de Cristo Jesus, cujo
poder pode salvar a humanidade pecadora (Mt 1.21; At 4.12).

O precioso evangelho de Cristo, entendido claramente por aqueles que o


aceitam como Salvador, não deve estar suplantado debaixo dos pés dos
incrédulos, cuja intenção é zombar da fé cristã. Russel Champlin, acerca da
continuação do versículo em questão, comenta de forma equilibrada:
“Precisamos usar de cautela com tais pessoas [os zombadores], não evitando
ajudá-las quando isso for possível, mas sem fazer da nossa religião verdadeiro
motivo de zombaria da parte deles”.

Referências bibliográficas:

GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas, enigmas e


“contradições” da Bíblia. Editora Mundo Cristão, 1999.
CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo.
Editora Candeia, 1998.
ARCHER, Gleason. Enciclopédia de dificuldades bíblicas. Editora Vida,
1997.
Bíblia Apologética. Instituto Cristão de Pesquisas, 2000.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Editora CPAD, 1995.
Bíblia de Estudo de Genebra. Editora Cultura Cristã, 1999.

Participantes desta edição:

Celina Lopes Hoffmann


José Carlos
Márcia Bin
Michelle Santos

Preparado por Gilson Barbosa