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Coleção Tudo é História Biografias
Waltec Benjamin
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CHARLES BAUDELAIRE UM LÍRICO NO AUGE DO CAPITALISMO
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OBRAS ESCOLHIDAS VOLUME III

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Olgária Matos

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tradução: José Car/os Martins Barbosa Hemerson Atues 'Baptista

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os membros se dividiram em conspiradores casuais ou de ocasião. cujas únicas estações fixas . isto é. nos pormenores. ..Paris do Segundo Império • Uma capital não é absolutamente necessária ao homem" Senancour A Boêmia A boêmia surge em Marx num contexto revelador. de que se ocupa na detalhada resenha das Memórias do Agente Policial de Ia Hodde. freqüentavam os encontros e ficavam de prontidão para comparecer ao ponto de reunião. Ele aí inclui os conspiradores profissionais. Rememorar a fisiognomonia de Baudelaire significa falar da semelhança que ele exibe com esse tipo político.. As condições de vida desta classe condicionam de antemão todo o seu caráter. só com a ordem do chefe. Marx assim o delineia: "Com o desenvolvimento das conspirações proletárias surgiu a necessidade da divisão do trabalho. Sua existência oscilante e. que dedicavam todo o seu serviço à conspiração. publicadas em 1850 na Nova Gazeta Renana. operários que só exerciam a conspiração a par de suas outras ocupações e que. mais dependente do acaso que da própria atividade. sua vida desregrada.. vivendo dela . e em conspiradores profissionais.

como de representantes oficiais do partido.. Napoleão aperfeicoou hábitos conspirativos. que se quer distanciar dos conspiradores profissionais. um homem que. aparece como seu porta-voz. O mais das vezes. cujos quadros. agitando uma espingarda e proferindo as palavras "Abaixo o general Aupick"* é convincente. invectivas bruscas e ironias impenetráveis constituem a razão de Estado do Segundo Império. Daí sua raiva. onde fez aquele apontamento. tampouco me desagradaria representar o carrasco. Em sua descrição dos conspiradores profissionais prossegue Marx: "Para eles. estamos infectados de democracia e de sífilis". a qual os franceses denominam a boêmia"? Durante seu império. Expedientes desse gênero causavam tão pouca estranheza • O general Aupick era padastro de Baudelaire. Na Bélgica. encontra para a "'honnête' burguesia" e para o notário a figura do respeito no meio burguês . a derrubada do governo existente e desdenham profundamente o esclarecimento mais teórico dos trabalhadores sobre seus interesses de classe. haviam empregado "toda a massa indefinida. colocam-nos naquela esfera de vida que. alguns anos depois. mas a discussão. Discutir não é a sua seara. A imagem que apresentou nos dias de fevereiro numa esquina de Paris. no entanto." (cit.tenha rastreado tão mal as energias teóricas contidas na prosa de Baudelaire. Lançam-se a invenções que devem levar a cabo maravilhas revolucionárias: bombas incendiárias. e seu gesto não é o do advocatus diaboli.f Em princípio. os vislumbres políticos de Baudelaire não excedem os desses conspiradores profissionais. nunca se conseguem fazer de todo independentes'<.! Por volta de 1850. as pessoas mais ou menos cultas que representam esse lado do movimento. o único requisito da revolução é organizar suficientemente sua conspiração. poderia sentar-se à mesa com o chefe de polícia e ganhar a confiança de todos os De La Hodde do mundo . ele expõe opiniões apodicticamente. Gustave Geffroy. suas relações inevitáveis com toda a sorte de gente equívoca. Na pior hipótese. Paris 18<n. Tornamos a achar essas mesmas características nos escritos teóricos de Baudelaire. sua expressão desconhece mediações. Ocupados com esse frenesi de projetos não têm outra meta senão a mais próxima ou seja. a fim de sentir a revolução pelos dois lados! Todos temos no sangue o espírito republicano assim como a sífilis nos ossos. e seu fundamento permanece frágil. . poderia ter feito suas as palavras de Flaubert: "De toda a política só entendo uma coisa: a revolta". 180-18t). motins que deverão resultar tanto mais miraculosos quanto menos bases racionais tiverem. proclama que a arte não deve ser separada da utilidade. Seria feliz não só como vítima. Se dirige suas simpatias ao reacionarismo clerical. quase da noite para o dia e às escondidas do parlamento francês.um homem cujo negócio não é a barricada. . Um dos instrumentos do seu período governamental foi a Sociedade de 10 de Dezembro.os traços do boêmio mais raivoso. das quais. Essa frase então deveria ser entendida à luz do trecho final de uma nota que nos foi entregue junto com seus esboços sobre a Bélgica: "Digo 'viva a revolução!' como diria 'viva a destruição! viva a expiação! viva o castigo! viva a morte!'.com Jules Lemaitre à frente . diluída e disseminada por toda a parte. contra os habits noirs (casacas-pretas). Todavia esses traços tornam compreensível que a crítica oficial . deve-se observar que o próprio Napoleão 111 iniciara sua ascensão num meio que tinha muito em comum com o descrito. O Salão de 1846 ele o dedicou "aos burgueses". L'enjermé. Ele o evita mesmo quando as evidentes contradições em teses que adota sucessivamente exigiriam um debate. denomina-se vez por outra "um homem novo . todas as noites. defende "I'art pour I'art". por exemplo em sua invectiva contra a escola do bon sens.os locais de encontro dos conspiradores -. Proclamações surpreendentes. Mais tarde.10 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPBRIO 11 são as tavernas dos negociantes de vinho . Em tudo isso se esforça tão pouco em se reconciliar com seu público quanto Napoleão III ao passar da tarifa protecionista para o Iivre-carnbismo. máquinas destrutivas de efeito mágico. em Paris. pp. é chamada a boêmia'í)" De passagem. tráfico de segredos. segundo Marx. • Proudhon. não proletária mas plebéia. ou se as oferece à insurreição de 1848. teve por algum tempo f~ma de espião da polícia francesa.s O que Baudelaire assim registra poder-se-ia denominar a metafísica do provocador.

ê O próprio ideal terrorista que Marx encontra nos conspiradores tem seu equivalente em Baudelaire.Ia rogne . tu. Na Revolução de Julho. no entanto. O título sob o qual o espírito com que Céline escreveu Bagatelles pour un massacre remete diretamente a um registro do diário de Baudelaire: "Podia-se organizar uma bela conspiração com o intuito de exterminar a raça judaica". que. escreve: "Se alguma vez recuperar o vigor e a energia que já possuí. "os verdadeiros líderes do partido proletãrio't. que reencontramos em Georges Sarei e que se tornou componente inalienável da propaganda fascista. perfis de construções singulares. numa carta à mãe. Rigault tinha em tudo alguma coisa de um gozador depravado. Antes de Lênin. a noite. Por certo. Traços que se gravaram também em Baudelaire. de modo impressionante. deixando na sombra.15 Blanqui. clama o blanquista Tridon: "O força. não houve quem tivesse aos olhos do proletariado traços mais distintos." O blanquista Rigault.. não serem favoráveis ao combate aberto que teria bloqueado caminho a Thiers. uma vez que o poema de Baudelaire não conhece as mãos que as colocaram em movimento. até mesmo em seu fanatismov. que permaneceu fragmentária e que deveria fechar As Flores do Mal. São eles . em 23 de dezembro de 1865. em locais dispersos.P Naturalmente essas pedras são "mágicas". que encerrou a carreira de conspirador como chefe de polícia da Comuna de Paris. Nesses locais estavam as barricadasv.foi a disposição de espírito que alimentou os conspiradores profissionais de Paris durante meio século de lutas em barricadas.!' Quando Fourier espreita à sua volta em busca de um exemplo do. é para ti que os prisioneiros estendem as mãos acorrentadas" . Diz Charles Proles em Os Homens da Revolução de 1871: "Ao lado de muito sangue-frio. . a morte atrás do calçamento empilhado como barricada. em 20 de dezembro de 1854. então desabafarei minha cólera através de livros horripilantes. rainha das barricadas . Vale-se da tradição revolucionária. .diz Marx a respeito desses conspiradores os que erguem e comandam as primeiras barricadas". .14 Ao fim da Comuna. com referência aos literatos de aluguel da polícia: "Jamais meu nome aparecerá em seus registros infames". dá em Baudelaire seus primeiros frutos.12 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPbRIO 13 que. o proletariado retomou tateante para trás das barricadas. Há uma folha de sua autoria em que. que brilhas no clarão e no motim . Baudelaire pôde escrever à mãe. "trabalho não assalariado mas apaixonado". sua devastadora ironia participou na formação desse boato.. o mais importante dos chefes de barricadas parisiense. facilmente ele mesmo poderia se comprazer em difundi-Ia.P Na alocução a Paris. O culte de Ia blague. Hugo fixou. uma aparência indistinta que indicava contornos fragmentados e de traçado arbitrário. o Fort du Taureau. numa rua de Paris" . como animal mortalmente atingido. estava na época confinado em sua última prisão. ou seja. não encontra nenhum mais próximo que a construção de barricadas. a rede dessas barricadas.. parece ter tido o mesmo humor macabro. tivessem olhado essas sombras amontoadas talvez percebessem. de que muito se fala em testemunhos sobre Baudelaire. Mas precisamente esse palhas poderia ser imputado ao blanquismo.. Em sua retrospectiva sobre a Revolução de Julho. muito celebrado na Bélgica." Dificilmente a causa dessa fama terá sido apenas a inimizade que Baudelaire manifestou contra o então proscrito Victor Hugo. Marx viu nele. Tal qualidade lhe era inseparável. Responsável pela derrota foi o fato de os operários. adestrados em lutas de barricadas. Baudelaire não se despede da cidade sem evocar suas barricadas.. a invisível polícia dos revoltosos vigiava. pois. de cima. Olhos que. e em seus companheiros. a barricada é o ponto central do movimento conspirativo.l" Dificilmente se pode exagerar o prestígio revolucionário que Blanqui então possuía e que manteve até a morte. sua guarnição: "Por toda a parte. se preciso. Quero incitar toda a raça humana contra mim. Seria para mim uma volúpia que me compensaria por tudo'"? Essa fúria encarniçada . de modo semelhante. Nessas ruínas se movia algo semelhante a luminárias.. mais de quatro mil barricadas se espalharam pela cidade. Mantinha a ordem.'? Com efeito. Esses operários preferiram como escreve um dos historiadores modernos da Comuna "a luta no próprio quarteirão ao combate aberto e. lembra-se de seus "paralelepípedos mágicos que se elevam para o alto como fortalezas't.

em quem os conspiradores viam os seus malquistos concorrentes. comungavam uma exigência do proletariado e uma dos camponeses.'? Se. BJanqui entrou na tradição como "putschista".14 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMP~RIO 15 ao lado de outros desenhos improvisados.diz Marx o camponês prova o bouquet do governo.. se mostra a cabeça Os conceitos a que Marx recorre em sua descrição dos ambientes conspirativos em Paris permitem. * Porém a seriedade comedida e a irnpenetrabilidade próprias de Blanqui aparecem de modo distinto sob a luz em que as coloca uma observação de Marx. então ele parecerá. do povo representado pela meia dúzia de imbecis arrogantes e irritados. Lá era servido o vinho isento de imposto. Se se pode crer no chefe de seção na central de polícia. o modo de falar menos dec1amatório que. tratou-se do imposto sobre o vinho. os trabalhadores. Sua origem pode ser datada em meados do século. que eram pequenos. como não poderia deixar de ser.escreve ele os pobres não usam luvas para mendigar? Fariam fortuna. Os sinais de identificação com os habits noirs se confirmam até nas pequenas coisas. Em meio a eles se desenvolveu o grande poema intitulado O Vinho dos Trapeiros. De modo depreciativo. porém.." O imposto. jamais ouvi". de Blanqui. .os alquimistas da revolução e partilham inteiramente a desordem mental e a estreiteza das idéias fixas dos antigos alquimistas=. há boas razões para isso. antes. Blanqui aparece como doutrinador. a imagem de Baudelaire se apresenta como que por si própria: a bade1 de enigmas da alegoria em um. erguia-se o sacerdote daquele lugar. desde o primeiro momento. . Para a tradição. que onerava o vinho de mesa no mesmo nível que o mais fino. em geral." Nesta descrição. ele representa o tipo de político que.. "Há mulheres que não hesitam em acom• Baude\aire sabia apreciar esses detalhes . p. . a expressão tranqüila. Os vapores que aí se precipitavam eram também Iamiliares a Baudelaire. como se fora o único a lhes ser concedido. um dos habits noirs. Se. temas que ressoam nesses versos eram debatidos publicamente. Era sabido que o "velho" costumava ensinar de luvas pretas. impeli-lo por meio de artifícios para a crise.· (I I. Seu pretexto era resumir as queixas de seus clientes. ele explicava a situação. na remoção desse imposto. "Eles são . Na verdade. reconhecer a posição ambígua que Blanqui ali ocupava.ê? "No imposto do vinho . O imposto. "uma vez que estabelecera às portas de todas as cidades de mais de 4. exibiam então todo o seu prazer. como já prometera em 1830. Seu aspecto era distinto e a roupa impecável. a mania de segredamento do conspirador em outro. reduzia o consumo. Em As Lutas de Classe na França.000 habitantes alfândegas municipais e transformara cada cidade num país estrangeiro com tarifas protecionistas contra o vinho francês't. pareciam mais benévolos que implacáveis. As portas ficavam abertas a todo o mundo. compararmos descrições que possuímos de Blanqui. como diz Marx. Marx mostrou que. o vinho da barreira. Após o aborrecido desfile dos oprimidos. Naquela época. contudo.• Por que . Seu modo de falar era comedido. Frégier. por um lado.escreve Marx a respeito desses conspiradores profissionais . A Assembléia Constituinte da República tinha prometido sua abolição. Era como estar numa capela consagrada ao rito ortodoxo da conspiração. se tinha do clube revolucionário de Blanqui em comparação com os outros dois clubes que o partido possuía na época . forçando-o a se dirigir às tavernas da periferia a fim de encontrar vinho mais barato. apertados e penetrantes. paternal e inequívoco. então o melhor será imaginarmos o público da Comédie-Française num dia em que são encenados Racine e Corneille ao lado da massa humana que lota um circo onde acrobatas exibem habilidades de risco. prejudicava igualmente o habitante da cidade. Certa vez. a cabeça de forma delicada. cheios de soberba e insolência. junto com o de Thiers. que justamente tinham acabado de ser ouvidos. mas só voltava quem era adepto. com maior razão. por outro lado. Marx fala das tavernas onde O conspirador subalterno se sentia em casa. ele tem. vê sua missão no "antecipar-se ao processo de evolução revolucionário. H. o selo de Baudelaire. apenas de vez em quando um Jampejo sinistro e selvagem lhe atravessava os olhos. 424) Atribui o dito a um desconhecido. A.'? Com isso. improvisar uma revolução sem que haja condições para ela". Uma testemunha ocular descreve assim o clube blanquista de Les Halles: "Se quisermos ter uma idéia exata da impressão que.

vol. Assistência social e esmola (os trabalhadores desta camada geralmente não dão esmolas). compra de livros: 1. uma por ano . proíbe que se deixem morrer os homens como animais. Em sua ronda. I. junto com os filhos já em idade de trabalhar. pão. os Estados totalitários fizeram brotar um gérmen que. podia simpatizar com aqueles que abalavam os alicerces dessa sociedade. graças aos novos métodos industriais.aparece da seguinte maneira: "Instrução das crianças: a mensalidade escolar é paga pelo empregador da família: 48 F. Embriaga-se na luz de seu talento imenso. fumo de mascar do marido (tocos de cigarro juntados pelo próprio trabalhador) . "2~ Maior número de trapeiros surgiu nas cidades desde que. O trapeiro não está sozinho no seu sonho. desde o literato até o conspirador profissional. não faz economia. o recurso mais importante para a família consiste na caridade privada. refeições consistindo de macarrão preparado com mano teiga e queijo. Correspondência com parentes: cartas para o irmão do trabalhador. 1855... recreações e higiene . A quarta seção deste orçamento de um trapeiro .. Em seguida. * Temas sociais do cotidiano parisiente se encontram já em Sainte-Beuve. O trapeiro fascinava a sua época. p. acima de tudo.. Mas. brinquedos e outros presentes para as crianças: 1 F . Les ouvriers européens. Encantados. no Natal. mas ainda * Este orçamento é um documento social. 1840. Paris. Assim. ou mesmo o decoro. Rente às paredes a esgueirar-se como um poeta. Nele representavam uma conquista da poesia lírica. 18. Trabalhavam para intermediários e representavam uma espécie de indústria caseira situada na rua. E.) O espírito de semelhante levantamento é ilustrado por uma observação sarcástica de Buret: "Como o sentimento humanitário. diante de um amanhã mais ou menos precário. vêm-lhe ao encontro os mouchards. residente na Itália: na média. é proporcionar à mulher e à filha pequena todo o bem-estar compatível com sua situação.. parecer menos escandalosa. o trapeiro não pode ser incluído na boêmia. e mais vinho. perdoa as vítimas dos crimes.66 F. * Naturalmente. rapé para a mulher (comprado) . Com a ambição de não deixar nenhuma de suas desumanidades sem o parágrafo que deve ser observado a respeito. Economia anual (o trabalhador não possui nenhum tipo de previsão. em O Vinho dos Trapeiros: "Vê-se um trapeiro cambaleante. Le Play fornece para O período de 1849 a 1850. não tanto pelos levantarnentos realizados numa família definida quanto pela tentativa de fazer a mais profunda miséria. O bigode lhe pende como uma bandeira velha. Muitas vezes. num protesto mais ou menos surdo contra a sociedade.RIO 17 p anhar o marido até a barreira.16 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPf. 274-5. pp. Abrir seu coração em gloriosos projetos. por ser cuidadosamente recenseada. o orçamento de um trapeiro parisiense e dependentes. a fronte inquieta. .. como se pode presumir aqui. Juramentos profere e dita leis sublimes. Na primeira versão diziam: . mas gasta dia a dia tudo o que ganha)·.. como um dossel suspenso. (Frédéric Le Play. na terça-feira de Carnaval. Em boa hora. alheio aos guardas e alcagüetes mais abjetos. Derruba os maus. De Ia misêre des classes laborieuses en Angleterre et en France. representando de 5 a 34 F. cada um que pertencesse à boêmia podia reencontrar no trapeiro um pedaço de si mesmo. Eugêne Buret. Paris. E sob o azul do céu. na Páscoa e em Pentecostes: essas despesas estão registradas na primeira seção.) • E fascinante acompanhar como a rebelião vagarosamente abre caminho nas diferentes versões dos versos conclusivos do poema.45 F.ê? O vinho transmite aos deserdados sonhos de desforra e de glórias futuras. 166. Acompanham-no camaradas. presumivelmente aquele em que nasceu o poema de Baudelaire. os filhos imitam o exemplo dos pais". também à sua volta há o cheiro de barris. os rejeitos ganharam certo valor. de modo que a todo o mundo fique claro que beberam e que não foi pouco. os agentes secretos sobre quem os sonhos lhe dão supremacia. o que lhe importa. os olhares dos primeiros investigadores do pauperismo nele se fixaram com a pergunta muda: "Onde seria alcançado o limite da miséria humana?" Frégier lhe dedica seis páginas do seu As Classes Perigosas da População.". festas e solenidades: refeições tomadas por toda a família numa das barreiras de Paris (8 excursões anuais): vinho. _ Adicional: em caso de reveses. . já dormitava num estádio remoto do capitalismo..necessidades culturais. então não se lhes pode negar a esmola de um ataúde.. e ele também encaneceu em batalhas. põem-se todos a caminho de casa meio embriagados e se fingem de mais bêbados do que estão na verdade. Cada um deles se encontrava. batata frita: 8 F." Um observador contemporâneo escreve: "Uma coisa é certa: o vinho da barreira poupou ao governo muitos choques't.

O barão Seilliêre o revela com muito desleixo em sua interpretação do poema introdutório. Obviamente. não se pode falar de cópia. Em 1838. Deus já lhes dera o doce sono. "25 dos irmãos bíblicos o de • E assim que o vinho reina por seus benefícios. três partes que o compõem mantêm um tom blasfemat6rio. Como o homem pode cair assim? pensava Enquanto me recolhia ao outro canto do assento. A miséria e o álcool contraem no espírito do ilustrado capitalista uma relação essencialmente distinta daquela em Baudelaire. Raça de Caim. ele não teria podido defini-Ia. soam em 1857 com uma mudança radical no sentido: o poema consiste de 16 dísticos. O Homem o Vinho fez. A Procuradoria de Estado do Segundo Império assim o entendeu. Terá Baudelaire tomado conhecimento dessas especulações? B bem possível. filho do 50). filho sagrado do Sol. As. Caim. come e dorme. O satanismo de Baudelaire não deve ser tomado demasiadamente a sério. e também as sucessoras assim o entendem. longos cabelos emplastrados: Vício e vinho e sono carregam seus olhos bêbados. resultante do cruzamento de ladrões e prostitutas. "Neste cabriolé de aluguel examino O homem que me conduz. "Raça de Abel. frui. ao fixar o conceito de "uma raça de peculiares proprietários de bens". Sainte-Beuve pergunta a si mesmo se sua alma não estaria igualmente abandonada como a do cocheiro de aluguel. Faz do conflito duas raças eternamente irreconciliáveis.v-" Assim é o começo do poema. Na verdade. Deus te sorri bondosamente. respondeu à sua teoria racial. O poema de Baudelaire se encontra no ciclo intitulado Revolta". Ajuntou o vinho. no lado informe Roja-te e morre amargamente. Se tem algum significado. B a raça dos que não possuem outro bem que não a sua força de trabalho. 381) sua forma mais • Ao título se segue uma nota prévia. Esta obra soube proclamar a origem dos proletários: formavam uma raça de homens inferiores. do 50) filho sagrado!" Percebe-se nitidamente como a estrofe segura com o conteúdo blasfemo. barba espessa. E quis ajuntar o vinho. diziam: • Para amansar o coração e acalmar o sofrimento De todos esses inocentes que morrem em silêncio. E canta suas façanhas pela goela do homem. em edições posteriores suprimida. Hediondo. o ancestral dos deserdados. Em Marx. Declara os poemas deste ciclo uma cópia altamente literária • dos sofismas da ignorância e da raiva". cujo início é alternadamente igual ao dos anteriores. só encontra (p." Em 1852. Que já nos dera o doce sono. Para esquentar o coração e acalmar o sofrimento De todos esses infelizes que morrem em silêncio." Por fim. verdadeira máquina. Grandeza da bondade daquele que tudo batiza. que contém os seguintes versos: .18 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPERIO 19 não do discernimento. nele aparece como fundador de uma raça que não pode ser senão a proletária. O certo é que foram encontradas por Marx. O Capital. A litania intitulada Abel e Caim mostra sobre que substrato repousa a noção mais livre e mais compreensiva que Baudelaire tinha dos deserdados. Em seu remorso Deus o sono havia criado. Granier de Cassagnac publicou sua História das Classes Operárias e das Classes Burguesas. é como a única atitude na qual Baudelaire era capaz de manter por muito tempo uma po- • E para o ódio afogar e o ócio ir entretendo Desses malditos que em silêncio vão morrendo. o que se segue é uma interpretação edificante." Exatamente nessa acepção aparece em Baudelaire a raça originária de Caim. é desse modo que se entende o proletariado. que saudou em Granier de Cassagnac o "pensador" da reação bonapartista. A Ne· gação de São Pedra.

por seu conteúdo teológico. como instrutor das habilidades prometéicas. o perjúrio à religião. a argumentação rebelde. mas também pelos superiores. Na classe alta.. As mem6rias em que o conde Viel-Castel descreve a companhia do imperador permitem que uma Mimi e um Schaunardê? pareçam até honestos e tacanhos. Os que se declaravam partidários da liberdade e do direito não viam em Napoleão 111 o imperador-soldado que pretendia ser a emulação de seu tio. a revolta contra os conceitos de ordem e honestidade estava mais bem preservada junto aos dominadores do que junto aos oprimidos.33 Essa ° . Dificilmente.. Entre as linhas lampeja a cabeça sombria de Blanqui. e as peças em prosa pelo de "Vossa Alteza". A última parte do ciclo. a boêmia dourada via seus sonhos de uma vida "livre" se tornarem realidade nos estontean- "Pensavas tu nos dias . de "Demônio". é diferente do intrigante infernal.. em sentido gn6stico. do conspirador".20 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPtRIO 21 não-conformista. de Victor Hugo.o rude.29 Só fazemos formular o problema diferentemente se lançamos a questão: "O que terá forçado Baudelaire a dar uma forma teológica radical à sua rejeição aos dominadores?" Após a derrota do proletariado na Campanha de Junho. por outro lado. dele fixou. o invejoso. As Litanias de Satã. Paris. Com sua amizade por Pierre Dupont. o cinismo era de bom-tom.. o anjo caído. mas sim o impostor favorecido pela sorte. familiar a Baudelaire. Barthélemy. de quem se está à mercê. como patrono dos impenitentes e inquebrantáveis. 417 e 419) Nesse remorso. a alma pródiga de audácia e de esperança. Caim tem a supremacia sobre o manso Abel . 1931. mas da ressalva luciferina de difamar o Satã. é. Em que tu foste o mestre enfim? Dize: o remorso Teu flanco não rasgou mais fundo do que a lança?" (pp. o miserere de uma liturgia of ídica. Por seu turno.?" Satã aparece em sua coroa de raios luciferinos como depositário do saber profundo. romper de todo e para sempre com esse salvador. não abjurarem totalmente de sua obediência àquele que causou indignação ao discernimento e à humanidade.. a bastardia à família. mesmo no protesto desesperado. B por isso que Satã aparece neles. 193. Não quer que lhe tirem o seu Satã. que tem sua moradia subterrânea nas proximidades do bulevar. . 8audelaire. faz com que se diga uma missa do ágio e que se cante um salmo da renda.v'" Esse Satã. Aos vendilhões do templo açoitavas o dorso. . Baudelaire quis fazerse conhecido como poeta social. a quem outros poemas chamam pelo nome de "Satã Trismegisto". ora o grande vencido." Essa dupla face de Satã é. em sua Nêmesis associara o satanismo aos dirigentes. s ição "Tu que dás ao proscrito esse alto e calmo olhar Que leva o povo ao pé da forca a desvairar. Marx teria podido encontrar um leitor melhor para as seguintes linhas: "Quando os puritanos . Os textos críticos de d' AureviIly dão um esboço desse autor: "Nesse talento e nessa cabeça. (Ernest Seilliere.diz em O Dezoito Brumário protestaram contra a vida depravada dos papas . p. admirador dos jesuítas. a desordem à ordem! "32 Mesmo em suas horas rebeldes não quis Baudelaire. Seus versos se resguardaram do que sua prosa não se proibira. de ponta a ponta. a grande vítima" . na baixa.-por ter perdido uma oportunidade tão boa de implantar a ditadura do proletariado". e vós exigis anjos! Assim bradava a burguesia francesa após o golpe de Estado Só o líder da Sociedade de 10 de Dezembro ainda pode salvar a sociedade burguesa! Só roubo à propriedade. B a ele que devem a força sutil de. que se foi para as cidades a fim de sorver o fermento do rancor que aí se acumula e de participar das falsas idéias que aí vivem o seu triunfo" .S6 o Diabo em pessoa ainda pode salvar a Igreja católica. Foi essa a imagem que Os Castigos.) tes festejos da corte dos quais ele se rodeava. o selvagem Caim. Este é o verdadeiro móvel do conflito que Baudelaire teve de sustentar com sua descrença. Para ele. o irônico intérprete percebe as autocensuras . seguindo os rastros de Byron. Quase sempre a confissão religiosa brota de Baudelaire como um grito de guerra. que a série de invocações do poema conhece também como "confessor. Em E/oa. Vigny homenageara. o cardeal Pierre d'AilI trovejou contra eles: . Em que. Não se trata de sacramento e oração. Lúcifer. Satã não fala apenas pelos inferiores. Lemaitre chamou a atenção para a dualidade que faz do diabo "ora o autor de todo o mal. o faminto.

o jornal de Girardin. a atividade revolucionária que.. quanto ele imaginava. Recomendava-se pela sua utilidade mercantil. Por volta de 1830. o anúncio e o romance-folhetim. . Já em 1839. tivera papel decisivo nesse aumento. contempla os acontecimentos 'do ponto de vista providencial' e se su- jeita como um monge.. e Baudelaire abandonara seu manifesto revolucionário e. Ao mesmo tempo. muitas vezes. a própria paixão. e doravante a arte ficou inseparável da moral. a questão estava de uma vez por todas liquidada. Durante um século e meio. onde. O assim chamado "réclame" abria passagem. apesar de algumas faltas ocasionais. tinha para se mover. por um momento Baudelaire fica indignado. mais adiante. . tornou-se necessariamente estéril". a atividade literária cotidiana se movera em torno dos periódicos. numa clara referência a Auguste Barbier: "Quando um poeta que. se lê que é a maravilha da época? Impunha- .. Trouxera três importantes inovações: a redução do preço da assinatura para 40 francos. Dupont "se foi para as cidades e abandonou o idílio". em seguida. diz que o poeta "empresta ouvidos alternadamente às matas e às massas". E a folha de louro que Karl Marx reclamara então para a "sombria e ameaçadora fronte'<" dos combatentes de Junho. Em 1824 havia em Paris 47 mil assinantes de jornal. Não demorou muito. em 1854. arrastava todo o mundo consigo não o desviou totalmente de seu caminho natural". as belasletras lograram um mercado nos diários. Tinha um ouvido para os cantos da revolução e outro para a "voz superior" que fala através do rufar dos tambores das execuções. Dupont estava em todas as bocas. mesmo a singela romança. .. Tal como Caim. mas insinuações que disputavam entre si o seu ouvido: uma nem tão seráfica. Por sorte. La Presse. e em 1846. Um de seus versos admite isso desairosamente.. autônoma na aparência. só quem fosse assinante podia receber um exemplar. quase sempre se revelou grande. mas. . na verdade.ê? Isso nada tem da profunda duplicidade que dá asas à poesia do próprio Baudelaire. Permitia-lhe proclamar o espaço que. Dupont compôs o seu Canto do Voto.40 Para Baudelaire. na seção redacional. E. sem excluir os maiores. números avulsos de jornais não podiam ser vendidos. Quando se perderam. uma a uma. se chamava a atenção para um livro que. que se interessava pelos oprimidos. O República! a esses perversos. com versos igualmente flamejantes. Baudelaire contribuiu para um fascículo de poemas dupontianos foi um ato de estratégia literária. as conquistas da Revolução.200 mil. Na poesia política da época. escreve: "E à graça e à delicadeza feminis de sua natureza que Dupont deve as suas primeiras canções. "A canção como era entendida pelos no ssos pais . As massas recompensaram-no por sua atenção. como literato. assim como da utili dade't. Com isso se torna evidente que ele se situava acima do meio literário que o circundava . Tua grande face de Medusa Em meio a ru bros clarões! "36 A introdução com que. Era a sua vantagem sobre os escritores do seu tempo. depois de uma série de anos. em 185 I.?" "Teocracia e cornunismo'P" não eram para ele convicções. na véspera ou naquele mesmo número. está muito afastada dele.. desse modo. Sainte-Beuve lamentava seus efeitos desmoralizantes: "Como se pode condenar na parte crítica um produto. surgiu e proclamou a santidade da Revolução de T ulho e. do qual. essa brusca ruptura com a "I'art pour I'art" tinha valor apenas como postura. outra nem tão luciferina. duas polegadas abaixo. fora objeto de anúncio. paga pelo editor e com a qual. a informação curta e brusca começou a fazer concorrência ao relato comedido. As alterações trazidas para a imprensa pela Revolução de Julho se resumem na introdução do folhetim. frustrando o ardil. na época. por esse termo se entendia uma nota. Quando Bonaparte chega ao poder através do golpe de Estado. Faz ver. escreveu poemas sobre a miséria na Inglaterra e na J rlanda. Aí se encontram os seguintes juízos curiosos: "A ridícula teoria da 'arte pela arte' excluiu a moral e. pouca coisa há que possa rivalizar com seu refrão. muitas vezes. mas tanto por suas ilusões quanto por sua causa. Durante a Restauração.22 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPERIO 23 característica exprime com exatidão o que fez Baudelaire solidário a Dupont. "Depois. Quem não pudesse pagar a elevada quantia de 80 francos pela assinatura anual ficava na dependência dos cafés."?" Dupont sentiu chegar a crise da poesia lírica com a progressiva desintegração entre cidade e campo. em 1836 eram 70 mil. grupos de várias pessoas rodeavam um exemplar.

que se voltara para a publicidade. isto é." (F. Por História dos Girondinos.-F. Daguerre pode ficar descansado: o seu segredo não lhe vai ser roubado . como carnponesa. p. Em 1860 e em 1868 aparecem em Marselha e em Paris os dois volumes das Revistas Parisienses.. que apareceu primeira- • "Com um pouco de perspicácia. Em 1845. pelo qual lhe foram prometidos durante cinco anos honorários mínimos de 63 mil francos por uma produção mínima anual de 18 vclumes. intrigas do meio teatral e mesmo "curiosidades" constituíam suas fontes prediletas.a redução da taxa de assinatura o jornal tem de viver dos anúncios . saúda desse modo a fotografia: "Hoje em dia. Portava-se como se tivesse aprendido de Marx que o valor de cada bem é definido pelo tempo de trabalho socialmente necessário para sua produção. De fato.) . . A informação precisava de pouco espaço.P Eugêne Sue recebeu por Os Mistérios de Paris um sinal de 100 mil francos. o valor de sua própria força de trabalho adquire alguma coisa próximo ao fantástico em face do dilatado ócio que. Dificilmente a história da informação pode ser escrita separando-a da história da corrupção da imprensa. Paris.t'P A atividade dos cafés treinou os redatores no ritmo do serviço informativo antes mesmo que sua maquinaria estivesse desenvolvida. precisava ser vista pelo maior número possível de assinantes. às oito. existia uma conexão entre a redução da taxa de' assinatura.. Antes. Era nos cafés. . os acidentes e os crimes podiam ser recebidos de todo o mundo. às dez.. Uma vez dado o ponto de partida. em suas Cartas Parisienses. e nada é mais engraçado que as sérias explicações que os nossos eruditos de salão sabem dar a respeito. e estava tão dependente de seus efeitos quanto as coquetes de sua arte de se transvestir.-A. a assimilação do literato à sociedade em que se encontrava se consumou no bulevar. No bulevar. I.'? A satisfação com o estilo folhetinesco não foi tão rápida nem tão universal. quando só havia os grandes e sérios jornais. para obter muitos anúncios. sua descoberta é maravilhosa. Era no bulevar que ele tinha à disposição o primeiro incidente. chegou-se quase forçosamente ao romance-folhetim por via do anúncio. Calculou-se em 5 milhões de francos os honorários de Lamartine para o período entre 1838 e 1851. o bulevar perdera o seu monopólio. representa uma montanha magnética que desvia a bússola't. não se conhecia a hora do aperitivo.RIO 25 se a força atrativa das letras crescentes do anúncio. "O hábito do aperitivo. Dessa forma. durante o aperitivo. aos olhos do público. era ela. A Sra. Assim. se apresenta ricamente vestida num elegante costume é a mesma que. exibindo-as às pessoas como parcela de seu horário de trabalho.24 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPf. é fácil reconhecer que uma moça que.'! O "réclame" se encontra nos primórdios de uma evolução cujo final é a notícia da boba publicada nos jornais e paga pelos interessados. O Sr. desdobrava os ornamentos de suas relações com colegas e boasvidas. De fato. Doravante. et Ia police qui les régit. Les filles publiques de Paris. às nove. por volta do fim do Segundo Império. as pessoas se ocupam muito com a invenção do Sr."44 E exatamente isso que explica a alta cotação desses artigos. Tomaram para si a incumbência de lutar contra a leviandade das informações históricas. Foi necessária uma isca que se dirigisse a todos sem considerar opiniões pessoais e que tivesse o seu valor no fato de pôr a curiosidade no lugar da política. Béraud. no qual residia uma parte de seu encanto. e não o editorial político nem o romance-folhetim. ela foi por demais explicada't. O público não estava sozinho em tal avaliação. 1839. passava suas horas ociosas. . A alta remuneração do folhetim de então mostra que essa opinião se alicerçava nas relações sociais. sobretudo as do folhetim da imprensa parisiense. surge como costureirinha e. que é conseqüência lógica da 'crônica parisiense' e dos mexericos urbanos. 51. chiste ou boato. Precisava ser constantemente renovada: mexericos urbanos. que se recheava a informação. apareceu com o advento da imprensa do bulevar. Quando. voI. é necessário para seu aperfeiçoamento. o incremento dos anúncios e a crescente importância do folhetim. mas as pessoas nada entendem dela. que proporcionava ao jornal o aspecto a cada dia novo e inteligentemente variado da paginação. do barão Gaston de Ia Flotte. o preço da assinatura a 40 francos. a página quatro. "Devido ao novo arranjo ." No bulevar.. Daguerre.. Desde o início é notável sua peculiar elegância barata e que se torna tão característica do folhetim. o telégrafo elétrico entrou em uso. Girardin.. Dumas fechou contrato com Le Constitutionnel e com La Presse.

versos ingênuos a Alphonse Karr. Tendo sido despertada a ambição política do literato. devido ao sucesso de Os M istérios de Paris. Nele se reconhece a uma milha de distância o verdadeiro romancista de estirpe. e abre uma pequena porta atrás de sua biblioteca. sob meu pé que a pisa. capítulo por capítulo. valiosa na consideração crítica de seus escritos. intensificou o valor do folhetim. Amplas informações sobre o assunto são dadas por um panfleto.000. Ministro das Colônias. é ele o romancista". Com a reacionária Lei da Imprensa que. Scribe empregava para os diálogos de suas peças uma série de colaboradores anônimos. às custas do governo a empreitada custava 10 mil francos -. como também foi eleito deputado com 130 mil votos do operariado de Paris. o parlamento procurou combater a predominância do folhetim.. Fábrica de Romances. o poeta equipara sua obra à de um viticultor: "Todo homem com orgulho pode vender seu suor! Vendo meu cacho de fruta como vendes tua flor. Casa Alexandre Dumas e Cia. . Taxava-se a continuação do romance. Mais sorte teve Sue que. na compra do manuscrito. Larnartine oferece um exemplo disso. . onde Lamartine louva a própria prosperidade como se fosse rural e se gaba dos honorários que seu produto lhe proporciona na feira. urna viagem a Túnis para fazer propaganda na colônia. está sentado um homem sombrio. com uma longa pena de ganso na mão. de olhar submisso e cabelos emaranhados. Dumas? Será que ele próprio os conhece? Se não mantiver um diário com 'débito' e 'crédito'. natural ou adotivo" . Feliz quando seu néctar. aquela prescrição deixou de vigorar pouco depois. A expedição fracassou. ofereceu a Alexandre Dumas. que aprendeu a arte de Balzac através da leitura de Le Constitutionnel. Produzindo para seu dono. recebera 600 mil francos.47 Corria o boato de que Dumas empregava em seus porões toda uma companhia de literatos pobres.26 WAL TER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPBRIO 27 mente como folhetim. não só elevou o número de assinantes de Le Constitutionnel de 3. são esclarecedoras se as consideramos • O uso do 'negro' não se limita ao folhetim.600 para 20. Os exuberantes honorários da mercadoria literária nos diários levavam necessariamente a inconvenientes. Em 1846. Não estava fora do alcance do indivíduo a possibilidade de estabelecer sua fama em combinação com seus recursos financeiros: a carreira política abria-se-lhe quase por si mesma. O verdadeiro autor da 'Câmara dos Crânios' é ele. Com isso se verificaram novas formas de corrupção. de Santis: "Chegando à casa. com um imposto de um centime. certamente esquecerá de mais de um dos filhos de que é pai legítimo. essa carreira é.ernbriagado por sua carestia. As Meditações e As Harmoa urna época em que a clase dos agricultores franceses detinha o usufruto dos campos de cultura conquistados. Acontecia de o editor.46 A Revista dos Dois Mundos escreveu na época: "Quem conhece os títulos de todos os livros assinados pelo Sr. . Se a literatura podia assim abrir uma carreira política aos privilegiados. Com isso se acha num pequeno gabinete mal iluminado e bastante sujo. através de restrições à liberdade de opinião. encontra-se num pequeno órgão da boêmia a seguinte representação pitoresca da vida de um romancista de sucesso. A alta cotação do folhetim os escritores que o forneciam aliada à sua grande saída ajudou a fazer nome junto ao público. Marx chama a eleição de um "comentário sentimental que enfraquece'"? os ganhos do mandato anterior. Dez anos após as constatações da grande revista. Salvandy.48* Durante a Segunda República. Isso pressupunha que alguns romancistas bem-sucedidos não tivessem melindres com a própria assinatura. fecha a porta à chave cuidadosamente. Em . por seu turno. que o autor chama de Sr. mesmo que se trate apenas de um ex-funcionário de ministério. nias remontam Êxitos decisivos de Lamartine. mais graves que o abuso de nome de autores conhecidos. era natural que o regime lhe indicasse o caminho certo. em 1855. reservar para si o direito de tê-lo assinado por um autor de sua escolha. Muito ouro para pagar muita liberdade! "30 Essas linhas. Ali. Os eleitores proletários não ganhavam muito com isso. Nos meus tonéis numerosos como riacho de âmbar corre. devorou muito dinheiro e acabou numa pequena interpelação na Câmara.

mas vira insulto tão logo seja imposto ao minifúndio como cornpensação. f I' fi I' li ~ I I I ti I menos pelo seu lado moral" do que como expressão do sentimento de classe de Lamartine. o então embaixador russo em Paris. ela tem antes de tudo . lançado para além de sua própria limitação. parece.. A observação de Lamartine de que precisaria aproximadamente de dez dias para a concentração das tropas lança efetivamente uma luz ambígua sobre aquelas demonstrações. O grande poema introdutório de As Flores do Mal. ele estava endividado. Em 6 de abril de 1849. Pages Choisies. Ao Leitor. não tenha ganho mais do que 15 mil francos." "Baudelaire . a burguesia procurou justificar com as demonstrações operárias de 16 de abril. Desde cedo. Põe o mesmo manuscrito à disposição de várias redações.escreve Ernest Raynaud tinha de contar com a prática de vigaristas. O céu era um adendo muito formoso para a minguada região recém-conquistada. para obter essa espécie de liberdade que se compra com ouro.com a puta lhe era habitual. em sua dependência das forças naturais e em sua submissão à autoridade que. ti I ~ I. autoriza reimpressões sem caracterizá-Ias como tais.I. e o arquiteto literário cujo simples nome não promete lucros tem de vender a qualquer preço" . 1928. A situação do minifundiário se tornou crítica na década de 40. até certo ponto. O minifúndio "já não se encontrava na assim chamada pátria. (Cf. indisposto contra a sociedade e contra as autoridades. o senhor produz seus livros do mesmo modo comercial que seus legumes ou que seu vinho!" (Louis Veuillot. e cujos manuscritos só aceitavam se eles conseguissem assinaturas. ele não pensara . escreve o ultramontano Louis Veuil\ot: ·0 senhor realmente não sabe que 'ser livre' significa. E. Porché é de opinião que Baudelaire. il 'i 'i :! . "Balzac se arruína com café."'''' "Provavelmente. mas sim no certificado de hipoteca". porém. o protegia..Y'? Exatamente nesse céu os poemas de Lamartine haviam sido formações de nuvens. a si mesmo .escreve Sainte-Beuve sobre seu papel • Numa carta aberta a Lamartine. Assim também é a literatura. o minifúndio arruinado pelas dívidas. como ainda há pouco Baudelaire. Pokrowski. desprezar o ouro. numa casa de saúde.) * * Segundo relatórios de Kisseliov.) na revolução que estivesse destinado a se tornar o Orfeu que. Nisso se encontra uma parcela da história da poesia de Lamartine. em primeiro lugar.. é. pp.I I 28 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPfRIO 29 'I I li 1" 1. a paisagem sobre a qual Lamartine estendeu o céu" . e não incluído em As ! . 1906. tanto mais porque determina o bom e o mau tempo. Escreve em 1846: "Por mais bela que seja uma casa. Disso fala o soneto A Musa Venal.e antes que nos detenhamos em sua beleza tantos metros de altura e tantos de comprimento. do minifundiário." Com isso. Nem por isso. tinha de lidar com editores que especulavam com a vaidade das pessoas mundanas. contemplou sem ilusões o mercado literário. Confrontá-lo . mais tarde. antes de tudo um enchimento de linhas. própria da poesia de Lamartine . II '. "Se o recém-formado minifúndio era naturalmente religioso em sua concordância com a sociedade.ss Dificilmente alguém possuía olhar mais penetrante que Baudelaire para os aspectos problemáticos desse fenômeno brilhante. antes. 108-9. Calcula-se que. do alto. pelo conjunto de sua obra. apresenta o poeta na posição desvantajosa de quem aceita moedas sonantes por suas confissões.1 II il I. não teve escolha na negociação de seus manuscritos. Murger morre . torna-se naturalmente irreligioso. Paris.53 Esse céu desmoronou para sempre quando os camponeses franceses votaram em 1848 pela presidência de Bonaparte. dos amadores e dos principiantes. Lamartine colaborara na preparação de seus votos. Sem dúvida. Baudelaire permaneceu mal colocado no mercado literário.58 Até o fim da vida. Lamartine garantira ao embaixador que as tropas se concentrariam na capital . Historische Aujsãtze. o secretário particular de Sainte-Beuve..uma medida que. E nenhum desses escritores foi socialista! "59 escreve [ules Troubat. p_ 31. Baudelaire merece a apreciação que a última frase lhe quer imputar.e. lhe faltou entendimento da verdadeira situação do literato. como já em 1830 escrevera Sainte-Beuve: "A poesia de André Chénier . deveria conduzir e moderar aquela invasão dos bárbaros. Pokrowski provou que os eventos se desenrolaram como Marx já previra em As Lutas de Classes na França. com seu áureo arco.Y" Baudelaire o chama secamente de "um pouco devasso. um pouco prostituído" . o Sr. o otimismo rural fundamento da transfigurante contemplação da natureza. Viena. talvez por ter ele sempre sentido pouco brilho sobre si mesmo. que reproduz a substância mais difícil de avaliar.começou a desmoronar. "S7 O próprio comportamento de Baudelaire corresponde a esse estado de coisa. Um dos primeiros poemas de Baudelaire. Musset se embota com o absinto.

. já é para procurar um comprador. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. Viena. Paris. loco cit. Paris. vol. 23. P. 87. 16. Roman.t"? A última estrofe . p. Auguste-Marseille Barthélémy. 1850. Paris. pp. Charles Baudeloire.. Die Klassenkiimpfe in Frankreich 1848 bis 1850. 30. . 31. Karl Marx. As Flores do Mal. 1850. 11.. tomo 14. Cf. e Lucien de La Hodde. o literato: como jlãneur ele se dirige à feira. s/do 12. 1932. 1844. Paul Desjardins. 2 volumes. trad. 39. Baudelaire sabia como se situava. Karl Marx e Friedrich Engels. Georges Laronze. Personagens de Scênes de Ia vie de bohême.° vol. p. Karl Marx e Friedrich Engels. Ajasson de Grandsagne e Maurice Plaut. 11.. p. 242. Les consolations. pp. 556. in: Revue des deux mondes. I. Karl Marx. p. Satire hebdomadaire. Plan des combats de Paris au 27. p. 555. a fazia um símbolo do Messias. Das Kapital. (Les hommes de Ia révolution de 1871). 11.° semestre. 33.-r. em verdade. que vendo meu pensamento e quero ser autor. voI. 13. Karl Marx. Karl Marx e Friedrich Engels. von AdoIphe Chenu.° ano. 1862. Edouard Foucaud. 34. Karl Marx. p. Mas o bom Deus riria se. 1985. Les poêtes. Paris inventeur. 1932. Etudes et portraits littéraires.. Paris. lI. 20. L'enjermé. 1850. 7.0 de março de 1914. La naissance de Ia République en [évrier 1848. Charles Baudelaire. p. 73. p. Le • mythe" de Ia "classe ouvriêre". H. p. p. 86. loco cit. Frégier. 8. Karl Marx e Friedrich Engels. do T. 1. p. p. Paris. VI. Charles Augustin Sainte-Beuve.) 28. 3. (Os poemas de As Flores do Mal foram extraídos desta edição. Poêtes contemporaines. Karl Marx. Paris. 1. 415. pp. Victor Hugo. Les oeuvres et les hommes. p. 9. 36. segundo Die Neue Zeit. 346-8. 1840. p. Oeuvres completes. 1881. 10. 40. loc.413. von Adolphe Chenu. Trata-se de uma seita gn6stica do século 11 que.) 4. 9.'1 i.) 24. Nova Fronteira. lI. Paris. na verdade. Paris. 14. pensa que é para olhar. La justice. Paris. 522-3. Grand dictionnaire universel du XIX' Siêcle. M.. 666. loc. 25. 28 et 29 juillet. 1834. 38. Le chant du vote. do T. Paris. . Eu bancasse o Tartufo e fingisse altivez. vol. dedica da ao culto da serpente. Os demais poemas citados nesta obra foram gentilmente traduzidos por Angela C. Paris. Charles Baudelaire. Viena e Berlim. 379. La crise de l'Etat moderne. 1. Jules Lemaitre. Cito Charles Benoist. Ivan [unqueira. 18. p. 6. Paris. ~. Bibliothéque de Ia Pléiade. La préjecture de police sous Ia Commune. 556. 21. Diz a segunda estrofe: I·~ " \ Ili Ir 1'1 "It "Para ter sapatos. p. ~~ 15.24. Informe de J Weiss. Les otages. 19. Némésis." edição. Raoul Rigault.j:' . 403-5. 419. 532.. 10. 40. p. p. Histoire de Ia Commune. 2. 1897. Paris. 728. vol. Lettres à sa mêre. Cf. cit. Bespr. 124. Rio de Janeiro. von Adolphe Chenu. 19. de Murger (1848). 659. 22. Charles Baudelaire. Charles Baudelaire. 8. Révolution de 1830. Karl Marx e Friedrich Engels. p. 1931/1932. 556. 229. 225." 1. é dirigido a uma mulher de rua. 29.) (N. Physiologie de l'industrie [rançaise. 11. p. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. 10'\. 37. Pierre Larousse. 2.-A. 28. loco cit. p. 4 (1886). [ules-Amédée Barbey D'Aurevilly. 1898. p. 30. 1928. Des classes dangeureuses de Ia population dans les grandes villes. 27.. cit. 173. 83. et des moyens de Ies rendre meilleures. 2. Lettres à sa mére. i! ilj r~ {l I~ '!. Karl Marx. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. 35. p. 26. Les Misérables. Paris. P. 423."Essa boêmia . p. I. Berlim. (Doravante s6 serão indicados o volume e a página desta edição. Paris. 5. Pierre Dupont. 1870. Berlim. 17. !4. 1887. Bespr. p. ela vendeu sua alma. doravante só serão indicadas as páginas. Oeuvres. mas. 278. 1895. in: Revue bleue. p." edição. Eu.ela é tudo para mim" inclui despreocupadamente essa criatura na irmandade da boêmia. p. lI. perto dessa infame.1 30 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPeRIO 31 1: Flores do Mal. p. p. Guerra. cito Gustave Geffroy. loco cit. Les contemporaines. I. (N. cit. n. • Les conspirateurs". 32. 1932. Paris. 1928. 1927. p. Pensées d'aoüt. Charles Proles. 555. loco cit. Paris. Notas I. Bespr. 556. Dem Andenken der [uni-Kãmpjer.

chamados de "fisiologias". 352. Paris. Paris. 50. pp. p. 2. p. 319. p.68. p. Du roman en général et du romancier moderne en particulier. Paris. 1922. 159-60. Os Franceses Pintados por si Mesmos. Eugêne Mirecourt. Ocupavam-se da descrição dos tipos encontrados por quem visita a feira. o segundo plano largo e extenso dos panoramas. Lettres parisiennes 18361840. Paulin Limayrae. Id. 58. loe. p. 47. 44. 59. pp. Charles Augustin Sainte-Beuve. Les Consolation«. p. (" Letlre à Alphonse Karr". pp. o primeiro plano plástico e. Histoire de Ia littérature [rançaise sous le Gouvernernent de [uillet. com seu estilo anedótico.'e não por acaso. 1859. loc. in: Le bohême. 289-90. 72. p. 1839. 953-4. I. Paris. Paris. Du roman actuel et de nos romanciers. in: Revue des deu x mondes.' Um gênero literário específico faz suas primeiras tentativas de se orientar. Maison Alexandre Dumas et Compagnie. Cf. Alfred Nettement. abril 1855. Ernest Raynaud. Nesse gênero ocupavam lugar privilegiado os fascículos de aparência insignificante. 54. Oeuvres poétiques completes. Cf. 301-2. Paul Saulnier. Eugene Crépet. Charles Augustin Sainte-Beuve. 196-7. Etude biographique. 1926. Charles Baudelaire. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. Etude biographique. in: Revue des deu x mondes. Le bohême. cit. 45. 248. 56. Oeuvres completes.. Ernest Lavisse. 1. p. rses. Cit. CL François Porché. e em formato de bolso. 118." 5. por assim dizer. 46. B uma literatura panorâmica. Charles Baudelaire. Paris. 682-3. Os trajes de gala de uma escritura por natureza destinada a se vender nas ruas. Charlc: Augustin Sainte-Beuve. Histoire de France contem poraine: La monarchie ele [uillet (1830-1848). pp. Numerosos autores forneceram contribuições para esses volumes.. p. simultaneamente com os panoramas. loco cit. Alphonse de Lamartine. 156. Desse modo. Vie. essas coletâneas são sedimentos do mesmo trabalho beletrístico coletivo para o qual Girardin inaugurara um espaço no folhetim. 48. KarI Marx.32 WALTER BENJAMIN 41. com seu fundo informativo.. pp. La vie douloureuse de Charles Baudelaire. 53. Esses livros consistem em esboços que. Paris. pp. p. A Grande Cidade gozavam. loco cit. poésies et pensées de losepn Delorrne.. Fabrique de romans. 57. 49. as graças da capital. De Ia littérature industrielte. Gabriêl Guillemot. 1906. 60. pp.506. 122-3. 1921. François Porehé. KarI Marx. Physionomies parisiennes. Paris. 1845. 43. 385. Paris. imitam. 122. 1860. O Livro dos Cento e Um. O Diabo em Paris. Emile de Girardin. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. 1863. cit. 52... o Flâneur Uma vez na feira. Paris. Cit. n. vol. p. 1845. Desde o . 11. I. o escritor olhava à sua volta como em um panorama. 1963. ibid. 42.) 51. 55. 209. p. tomo 11.

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