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Coleção Tudo é História Biografias
Waltec Benjamin
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CHARLES BAUDELAIRE UM LÍRICO NO AUGE DO CAPITALISMO
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OBRAS ESCOLHIDAS VOLUME III

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Olgária Matos

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1: Magia e técnica, arte e

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tradução: José Car/os Martins Barbosa Hemerson Atues 'Baptista

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os membros se dividiram em conspiradores casuais ou de ocasião. só com a ordem do chefe. . Ele aí inclui os conspiradores profissionais.. e em conspiradores profissionais.. As condições de vida desta classe condicionam de antemão todo o seu caráter. sua vida desregrada. de que se ocupa na detalhada resenha das Memórias do Agente Policial de Ia Hodde. isto é. Sua existência oscilante e. mais dependente do acaso que da própria atividade.Paris do Segundo Império • Uma capital não é absolutamente necessária ao homem" Senancour A Boêmia A boêmia surge em Marx num contexto revelador. publicadas em 1850 na Nova Gazeta Renana.. nos pormenores. freqüentavam os encontros e ficavam de prontidão para comparecer ao ponto de reunião. que dedicavam todo o seu serviço à conspiração. cujas únicas estações fixas . Marx assim o delineia: "Com o desenvolvimento das conspirações proletárias surgiu a necessidade da divisão do trabalho. operários que só exerciam a conspiração a par de suas outras ocupações e que. Rememorar a fisiognomonia de Baudelaire significa falar da semelhança que ele exibe com esse tipo político. vivendo dela .

Essa frase então deveria ser entendida à luz do trecho final de uma nota que nos foi entregue junto com seus esboços sobre a Bélgica: "Digo 'viva a revolução!' como diria 'viva a destruição! viva a expiação! viva o castigo! viva a morte!'. ou se as oferece à insurreição de 1848. Em sua descrição dos conspiradores profissionais prossegue Marx: "Para eles. mas a discussão. Expedientes desse gênero causavam tão pouca estranheza • O general Aupick era padastro de Baudelaire. alguns anos depois. pp. • Proudhon. Na pior hipótese. quase da noite para o dia e às escondidas do parlamento francês. colocam-nos naquela esfera de vida que.! Por volta de 1850. sua expressão desconhece mediações. O Salão de 1846 ele o dedicou "aos burgueses". no entanto. Todavia esses traços tornam compreensível que a crítica oficial . os vislumbres políticos de Baudelaire não excedem os desses conspiradores profissionais. denomina-se vez por outra "um homem novo . por exemplo em sua invectiva contra a escola do bon sens. Discutir não é a sua seara. um homem que. a derrubada do governo existente e desdenham profundamente o esclarecimento mais teórico dos trabalhadores sobre seus interesses de classe. suas relações inevitáveis com toda a sorte de gente equívoca.com Jules Lemaitre à frente . poderia sentar-se à mesa com o chefe de polícia e ganhar a confiança de todos os De La Hodde do mundo . Daí sua raiva.um homem cujo negócio não é a barricada.10 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPBRIO 11 são as tavernas dos negociantes de vinho . a qual os franceses denominam a boêmia"? Durante seu império. a fim de sentir a revolução pelos dois lados! Todos temos no sangue o espírito republicano assim como a sífilis nos ossos. das quais. invectivas bruscas e ironias impenetráveis constituem a razão de Estado do Segundo Império. tráfico de segredos. Paris 18<n. nunca se conseguem fazer de todo independentes'<. ele expõe opiniões apodicticamente. Se dirige suas simpatias ao reacionarismo clerical. . . cujos quadros. e seu fundamento permanece frágil.f Em princípio. contra os habits noirs (casacas-pretas). Napoleão aperfeicoou hábitos conspirativos.tenha rastreado tão mal as energias teóricas contidas na prosa de Baudelaire. motins que deverão resultar tanto mais miraculosos quanto menos bases racionais tiverem. Seria feliz não só como vítima. L'enjermé. A imagem que apresentou nos dias de fevereiro numa esquina de Paris. Proclamações surpreendentes.os traços do boêmio mais raivoso. diluída e disseminada por toda a parte. como de representantes oficiais do partido. Ele o evita mesmo quando as evidentes contradições em teses que adota sucessivamente exigiriam um debate. Tornamos a achar essas mesmas características nos escritos teóricos de Baudelaire. em Paris. poderia ter feito suas as palavras de Flaubert: "De toda a política só entendo uma coisa: a revolta". Ocupados com esse frenesi de projetos não têm outra meta senão a mais próxima ou seja. máquinas destrutivas de efeito mágico. não proletária mas plebéia. Mais tarde. e seu gesto não é o do advocatus diaboli. defende "I'art pour I'art". é chamada a boêmia'í)" De passagem. Gustave Geffroy. Em tudo isso se esforça tão pouco em se reconciliar com seu público quanto Napoleão III ao passar da tarifa protecionista para o Iivre-carnbismo. o único requisito da revolução é organizar suficientemente sua conspiração. segundo Marx. O mais das vezes.os locais de encontro dos conspiradores -. as pessoas mais ou menos cultas que representam esse lado do movimento. tampouco me desagradaria representar o carrasco. estamos infectados de democracia e de sífilis". Lançam-se a invenções que devem levar a cabo maravilhas revolucionárias: bombas incendiárias. proclama que a arte não deve ser separada da utilidade.s O que Baudelaire assim registra poder-se-ia denominar a metafísica do provocador. aparece como seu porta-voz. haviam empregado "toda a massa indefinida. Na Bélgica. todas as noites. Um dos instrumentos do seu período governamental foi a Sociedade de 10 de Dezembro. encontra para a "'honnête' burguesia" e para o notário a figura do respeito no meio burguês ." (cit. deve-se observar que o próprio Napoleão 111 iniciara sua ascensão num meio que tinha muito em comum com o descrito. onde fez aquele apontamento. agitando uma espingarda e proferindo as palavras "Abaixo o general Aupick"* é convincente. que se quer distanciar dos conspiradores profissionais. teve por algum tempo f~ma de espião da polícia francesa. 180-18t)..

numa rua de Paris" . Baudelaire pôde escrever à mãe. de modo impressionante. Nesses locais estavam as barricadasv. . São eles . Vale-se da tradição revolucionária. Diz Charles Proles em Os Homens da Revolução de 1871: "Ao lado de muito sangue-frio. Quero incitar toda a raça humana contra mim. que reencontramos em Georges Sarei e que se tornou componente inalienável da propaganda fascista." Dificilmente a causa dessa fama terá sido apenas a inimizade que Baudelaire manifestou contra o então proscrito Victor Hugo. Mantinha a ordem. em 23 de dezembro de 1865. Responsável pela derrota foi o fato de os operários. Em sua retrospectiva sobre a Revolução de Julho. Na Revolução de Julho. Esses operários preferiram como escreve um dos historiadores modernos da Comuna "a luta no próprio quarteirão ao combate aberto e. adestrados em lutas de barricadas..12 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPbRIO 13 que. O culte de Ia blague. lembra-se de seus "paralelepípedos mágicos que se elevam para o alto como fortalezas't. que. O título sob o qual o espírito com que Céline escreveu Bagatelles pour un massacre remete diretamente a um registro do diário de Baudelaire: "Podia-se organizar uma bela conspiração com o intuito de exterminar a raça judaica". estava na época confinado em sua última prisão.. tu. parece ter tido o mesmo humor macabro. pois.P Naturalmente essas pedras são "mágicas".ê O próprio ideal terrorista que Marx encontra nos conspiradores tem seu equivalente em Baudelaire.. uma vez que o poema de Baudelaire não conhece as mãos que as colocaram em movimento. rainha das barricadas . Traços que se gravaram também em Baudelaire. a rede dessas barricadas.14 Ao fim da Comuna. não encontra nenhum mais próximo que a construção de barricadas. ou seja.diz Marx a respeito desses conspiradores os que erguem e comandam as primeiras barricadas". que encerrou a carreira de conspirador como chefe de polícia da Comuna de Paris. com referência aos literatos de aluguel da polícia: "Jamais meu nome aparecerá em seus registros infames". é para ti que os prisioneiros estendem as mãos acorrentadas" . Olhos que. no entanto. não serem favoráveis ao combate aberto que teria bloqueado caminho a Thiers. a invisível polícia dos revoltosos vigiava. uma aparência indistinta que indicava contornos fragmentados e de traçado arbitrário. Há uma folha de sua autoria em que. facilmente ele mesmo poderia se comprazer em difundi-Ia. Tal qualidade lhe era inseparável. de cima. em 20 de dezembro de 1854.P Na alocução a Paris. em locais dispersos. Nessas ruínas se movia algo semelhante a luminárias. clama o blanquista Tridon: "O força. Rigault tinha em tudo alguma coisa de um gozador depravado. numa carta à mãe. sua devastadora ironia participou na formação desse boato.!' Quando Fourier espreita à sua volta em busca de um exemplo do. até mesmo em seu fanatismov. escreve: "Se alguma vez recuperar o vigor e a energia que já possuí. Marx viu nele. Hugo fixou. a barricada é o ponto central do movimento conspirativo. de modo semelhante. mais de quatro mil barricadas se espalharam pela cidade. de que muito se fala em testemunhos sobre Baudelaire. Por certo. como animal mortalmente atingido. o proletariado retomou tateante para trás das barricadas. Antes de Lênin. que brilhas no clarão e no motim . não houve quem tivesse aos olhos do proletariado traços mais distintos." O blanquista Rigault. o mais importante dos chefes de barricadas parisiense. que permaneceu fragmentária e que deveria fechar As Flores do Mal. .. a noite.. "os verdadeiros líderes do partido proletãrio't.15 Blanqui. . "trabalho não assalariado mas apaixonado".foi a disposição de espírito que alimentou os conspiradores profissionais de Paris durante meio século de lutas em barricadas. Mas precisamente esse palhas poderia ser imputado ao blanquismo. o Fort du Taureau. se preciso.l" Dificilmente se pode exagerar o prestígio revolucionário que Blanqui então possuía e que manteve até a morte. dá em Baudelaire seus primeiros frutos.Ia rogne . então desabafarei minha cólera através de livros horripilantes. a morte atrás do calçamento empilhado como barricada. e em seus companheiros.'? Com efeito. deixando na sombra. tivessem olhado essas sombras amontoadas talvez percebessem. perfis de construções singulares. muito celebrado na Bélgica. Baudelaire não se despede da cidade sem evocar suas barricadas.. Seria para mim uma volúpia que me compensaria por tudo'"? Essa fúria encarniçada . sua guarnição: "Por toda a parte.

tratou-se do imposto sobre o vinho. Marx mostrou que. reduzia o consumo. em geral.000 habitantes alfândegas municipais e transformara cada cidade num país estrangeiro com tarifas protecionistas contra o vinho francês't. Após o aborrecido desfile dos oprimidos. então ele parecerá. Uma testemunha ocular descreve assim o clube blanquista de Les Halles: "Se quisermos ter uma idéia exata da impressão que. compararmos descrições que possuímos de Blanqui. como diz Marx. Certa vez. por um lado.14 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMP~RIO 15 ao lado de outros desenhos improvisados. BJanqui entrou na tradição como "putschista". a expressão tranqüila. erguia-se o sacerdote daquele lugar. A Assembléia Constituinte da República tinha prometido sua abolição. o modo de falar menos dec1amatório que.'? Se. Seu modo de falar era comedido. Seu pretexto era resumir as queixas de seus clientes.ê? "No imposto do vinho . jamais ouvi". "uma vez que estabelecera às portas de todas as cidades de mais de 4. Sua origem pode ser datada em meados do século. como não poderia deixar de ser. que eram pequenos. ele tem. apenas de vez em quando um Jampejo sinistro e selvagem lhe atravessava os olhos. em quem os conspiradores viam os seus malquistos concorrentes. Os sinais de identificação com os habits noirs se confirmam até nas pequenas coisas. improvisar uma revolução sem que haja condições para ela". De modo depreciativo. Na verdade. se mostra a cabeça Os conceitos a que Marx recorre em sua descrição dos ambientes conspirativos em Paris permitem. os trabalhadores. Frégier. Era sabido que o "velho" costumava ensinar de luvas pretas. "Há mulheres que não hesitam em acom• Baude\aire sabia apreciar esses detalhes . H. Em meio a eles se desenvolveu o grande poema intitulado O Vinho dos Trapeiros.'? Com isso." Nesta descrição. Era como estar numa capela consagrada ao rito ortodoxo da conspiração. temas que ressoam nesses versos eram debatidos publicamente. o vinho da barreira.escreve ele os pobres não usam luvas para mendigar? Fariam fortuna. Naquela época. Se se pode crer no chefe de seção na central de polícia. desde o primeiro momento. Seu aspecto era distinto e a roupa impecável. As portas ficavam abertas a todo o mundo. pareciam mais benévolos que implacáveis. que justamente tinham acabado de ser ouvidos. . há boas razões para isso. exibiam então todo o seu prazer. Para a tradição. A. Lá era servido o vinho isento de imposto. vê sua missão no "antecipar-se ao processo de evolução revolucionário." O imposto. se tinha do clube revolucionário de Blanqui em comparação com os outros dois clubes que o partido possuía na época . de Blanqui.diz Marx o camponês prova o bouquet do governo. Em As Lutas de Classe na França. mas só voltava quem era adepto. a imagem de Baudelaire se apresenta como que por si própria: a bade1 de enigmas da alegoria em um. que onerava o vinho de mesa no mesmo nível que o mais fino. * Porém a seriedade comedida e a irnpenetrabilidade próprias de Blanqui aparecem de modo distinto sob a luz em que as coloca uma observação de Marx. Se. por outro lado. comungavam uma exigência do proletariado e uma dos camponeses. "Eles são . Blanqui aparece como doutrinador. Os vapores que aí se precipitavam eram também Iamiliares a Baudelaire. do povo representado pela meia dúzia de imbecis arrogantes e irritados. a cabeça de forma delicada. . como já prometera em 1830. como se fora o único a lhes ser concedido. p.· (I I. prejudicava igualmente o habitante da cidade. junto com o de Thiers. porém.os alquimistas da revolução e partilham inteiramente a desordem mental e a estreiteza das idéias fixas dos antigos alquimistas=.• Por que . o selo de Baudelaire. 424) Atribui o dito a um desconhecido.. um dos habits noirs. paternal e inequívoco. . na remoção desse imposto.. Marx fala das tavernas onde O conspirador subalterno se sentia em casa.. apertados e penetrantes.escreve Marx a respeito desses conspiradores profissionais . ele explicava a situação. cheios de soberba e insolência. O imposto. a mania de segredamento do conspirador em outro. ele representa o tipo de político que. com maior razão. impeli-lo por meio de artifícios para a crise. contudo. forçando-o a se dirigir às tavernas da periferia a fim de encontrar vinho mais barato. antes. reconhecer a posição ambígua que Blanqui ali ocupava. então o melhor será imaginarmos o público da Comédie-Française num dia em que são encenados Racine e Corneille ao lado da massa humana que lota um circo onde acrobatas exibem habilidades de risco.

a fronte inquieta. Assim. desde o literato até o conspirador profissional.66 F. Correspondência com parentes: cartas para o irmão do trabalhador. também à sua volta há o cheiro de barris. como um dossel suspenso. Rente às paredes a esgueirar-se como um poeta. vol. (Frédéric Le Play.aparece da seguinte maneira: "Instrução das crianças: a mensalidade escolar é paga pelo empregador da família: 48 F. . vêm-lhe ao encontro os mouchards. Derruba os maus. . brinquedos e outros presentes para as crianças: 1 F . _ Adicional: em caso de reveses. A quarta seção deste orçamento de um trapeiro . Juramentos profere e dita leis sublimes. na terça-feira de Carnaval." Um observador contemporâneo escreve: "Uma coisa é certa: o vinho da barreira poupou ao governo muitos choques't. diante de um amanhã mais ou menos precário. o que lhe importa. presumivelmente aquele em que nasceu o poema de Baudelaire. podia simpatizar com aqueles que abalavam os alicerces dessa sociedade. refeições consistindo de macarrão preparado com mano teiga e queijo. de modo que a todo o mundo fique claro que beberam e que não foi pouco. batata frita: 8 F. o recurso mais importante para a família consiste na caridade privada. 1855.) • E fascinante acompanhar como a rebelião vagarosamente abre caminho nas diferentes versões dos versos conclusivos do poema. Em sua ronda. E.. Com a ambição de não deixar nenhuma de suas desumanidades sem o parágrafo que deve ser observado a respeito. os agentes secretos sobre quem os sonhos lhe dão supremacia. Acompanham-no camaradas. * Naturalmente.. e mais vinho. De Ia misêre des classes laborieuses en Angleterre et en France.. graças aos novos métodos industriais. alheio aos guardas e alcagüetes mais abjetos. pão. Economia anual (o trabalhador não possui nenhum tipo de previsão. proíbe que se deixem morrer os homens como animais. Trabalhavam para intermediários e representavam uma espécie de indústria caseira situada na rua.". no Natal. num protesto mais ou menos surdo contra a sociedade. mas ainda * Este orçamento é um documento social. p. mas gasta dia a dia tudo o que ganha)·. Em boa hora. Encantados. O trapeiro fascinava a sua época. como se pode presumir aqui. Abrir seu coração em gloriosos projetos. perdoa as vítimas dos crimes. cada um que pertencesse à boêmia podia reencontrar no trapeiro um pedaço de si mesmo. 1840. o trapeiro não pode ser incluído na boêmia. Eugêne Buret. Les ouvriers européens. O trapeiro não está sozinho no seu sonho. Cada um deles se encontrava. recreações e higiene . os olhares dos primeiros investigadores do pauperismo nele se fixaram com a pergunta muda: "Onde seria alcançado o limite da miséria humana?" Frégier lhe dedica seis páginas do seu As Classes Perigosas da População. Mas. compra de livros: 1. põem-se todos a caminho de casa meio embriagados e se fingem de mais bêbados do que estão na verdade. Le Play fornece para O período de 1849 a 1850. os filhos imitam o exemplo dos pais". não tanto pelos levantarnentos realizados numa família definida quanto pela tentativa de fazer a mais profunda miséria. residente na Itália: na média. representando de 5 a 34 F. Nele representavam uma conquista da poesia lírica. e ele também encaneceu em batalhas. E sob o azul do céu. já dormitava num estádio remoto do capitalismo. Assistência social e esmola (os trabalhadores desta camada geralmente não dão esmolas). os Estados totalitários fizeram brotar um gérmen que. Paris. os rejeitos ganharam certo valor. é proporcionar à mulher e à filha pequena todo o bem-estar compatível com sua situação. O bigode lhe pende como uma bandeira velha. junto com os filhos já em idade de trabalhar. acima de tudo.. Em seguida. Na primeira versão diziam: .. na Páscoa e em Pentecostes: essas despesas estão registradas na primeira seção. não faz economia. 166. o orçamento de um trapeiro parisiense e dependentes. parecer menos escandalosa. ou mesmo o decoro. Embriaga-se na luz de seu talento imenso.RIO 17 p anhar o marido até a barreira. em O Vinho dos Trapeiros: "Vê-se um trapeiro cambaleante..16 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPf. por ser cuidadosamente recenseada. festas e solenidades: refeições tomadas por toda a família numa das barreiras de Paris (8 excursões anuais): vinho. 274-5. * Temas sociais do cotidiano parisiente se encontram já em Sainte-Beuve. rapé para a mulher (comprado) . Paris. pp. I.necessidades culturais.. então não se lhes pode negar a esmola de um ataúde.) O espírito de semelhante levantamento é ilustrado por uma observação sarcástica de Buret: "Como o sentimento humanitário. fumo de mascar do marido (tocos de cigarro juntados pelo próprio trabalhador) .45 F.ê? O vinho transmite aos deserdados sonhos de desforra e de glórias futuras.. Muitas vezes. 18.. "2~ Maior número de trapeiros surgiu nas cidades desde que. uma por ano .

respondeu à sua teoria racial. Deus já lhes dera o doce sono. A litania intitulada Abel e Caim mostra sobre que substrato repousa a noção mais livre e mais compreensiva que Baudelaire tinha dos deserdados. B a raça dos que não possuem outro bem que não a sua força de trabalho. Caim. As. que saudou em Granier de Cassagnac o "pensador" da reação bonapartista. nele aparece como fundador de uma raça que não pode ser senão a proletária. frui. O Homem o Vinho fez. Em 1838. Em Marx. só encontra (p. Como o homem pode cair assim? pensava Enquanto me recolhia ao outro canto do assento. resultante do cruzamento de ladrões e prostitutas. três partes que o compõem mantêm um tom blasfemat6rio. Para esquentar o coração e acalmar o sofrimento De todos esses infelizes que morrem em silêncio. no lado informe Roja-te e morre amargamente. Granier de Cassagnac publicou sua História das Classes Operárias e das Classes Burguesas. Em seu remorso Deus o sono havia criado. "Raça de Abel. é desse modo que se entende o proletariado. O satanismo de Baudelaire não deve ser tomado demasiadamente a sério. 381) sua forma mais • Ao título se segue uma nota prévia. Faz do conflito duas raças eternamente irreconciliáveis. e também as sucessoras assim o entendem.v-" Assim é o começo do poema. do 50) filho sagrado!" Percebe-se nitidamente como a estrofe segura com o conteúdo blasfemo. Sainte-Beuve pergunta a si mesmo se sua alma não estaria igualmente abandonada como a do cocheiro de aluguel. verdadeira máquina. Ajuntou o vinho." Por fim. Raça de Caim. que contém os seguintes versos: . Deus te sorri bondosamente. filho do 50). Grandeza da bondade daquele que tudo batiza. Obviamente. come e dorme. "25 dos irmãos bíblicos o de • E assim que o vinho reina por seus benefícios. em edições posteriores suprimida. cujo início é alternadamente igual ao dos anteriores. ao fixar o conceito de "uma raça de peculiares proprietários de bens"." Exatamente nessa acepção aparece em Baudelaire a raça originária de Caim. Hediondo. A miséria e o álcool contraem no espírito do ilustrado capitalista uma relação essencialmente distinta daquela em Baudelaire. diziam: • Para amansar o coração e acalmar o sofrimento De todos esses inocentes que morrem em silêncio. "Neste cabriolé de aluguel examino O homem que me conduz. A Ne· gação de São Pedra. é como a única atitude na qual Baudelaire era capaz de manter por muito tempo uma po- • E para o ódio afogar e o ócio ir entretendo Desses malditos que em silêncio vão morrendo. E quis ajuntar o vinho. O poema de Baudelaire se encontra no ciclo intitulado Revolta". Declara os poemas deste ciclo uma cópia altamente literária • dos sofismas da ignorância e da raiva". não se pode falar de cópia. ele não teria podido defini-Ia. filho sagrado do Sol. o que se segue é uma interpretação edificante.18 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPERIO 19 não do discernimento. Que já nos dera o doce sono. barba espessa. Na verdade. o ancestral dos deserdados." Em 1852. A Procuradoria de Estado do Segundo Império assim o entendeu. O barão Seilliêre o revela com muito desleixo em sua interpretação do poema introdutório. O certo é que foram encontradas por Marx. Esta obra soube proclamar a origem dos proletários: formavam uma raça de homens inferiores. E canta suas façanhas pela goela do homem. O Capital. longos cabelos emplastrados: Vício e vinho e sono carregam seus olhos bêbados. soam em 1857 com uma mudança radical no sentido: o poema consiste de 16 dísticos. Se tem algum significado. Terá Baudelaire tomado conhecimento dessas especulações? B bem possível.

?" Satã aparece em sua coroa de raios luciferinos como depositário do saber profundo. Para ele. Na classe alta. faz com que se diga uma missa do ágio e que se cante um salmo da renda. Vigny homenageara. o anjo caído. o cardeal Pierre d'AilI trovejou contra eles: . p. o irônico intérprete percebe as autocensuras ." Essa dupla face de Satã é. a quem outros poemas chamam pelo nome de "Satã Trismegisto".29 Só fazemos formular o problema diferentemente se lançamos a questão: "O que terá forçado Baudelaire a dar uma forma teológica radical à sua rejeição aos dominadores?" Após a derrota do proletariado na Campanha de Junho.v'" Esse Satã. Este é o verdadeiro móvel do conflito que Baudelaire teve de sustentar com sua descrença. Lemaitre chamou a atenção para a dualidade que faz do diabo "ora o autor de todo o mal. Aos vendilhões do templo açoitavas o dorso. Foi essa a imagem que Os Castigos. B a ele que devem a força sutil de. Os que se declaravam partidários da liberdade e do direito não viam em Napoleão 111 o imperador-soldado que pretendia ser a emulação de seu tio.diz em O Dezoito Brumário protestaram contra a vida depravada dos papas . do conspirador". por outro lado. de Victor Hugo. mesmo no protesto desesperado. Em que tu foste o mestre enfim? Dize: o remorso Teu flanco não rasgou mais fundo do que a lança?" (pp. Caim tem a supremacia sobre o manso Abel . mas também pelos superiores. Satã não fala apenas pelos inferiores. 1931..33 Essa ° . Paris. o cinismo era de bom-tom. a bastardia à família. e as peças em prosa pelo de "Vossa Alteza". 8audelaire.. As Litanias de Satã. o selvagem Caim. familiar a Baudelaire. Em que. de quem se está à mercê. Por seu turno.. Marx teria podido encontrar um leitor melhor para as seguintes linhas: "Quando os puritanos . o faminto. Não quer que lhe tirem o seu Satã. A última parte do ciclo. Com sua amizade por Pierre Dupont. por seu conteúdo teológico. como patrono dos impenitentes e inquebrantáveis. seguindo os rastros de Byron. é.S6 o Diabo em pessoa ainda pode salvar a Igreja católica. mas da ressalva luciferina de difamar o Satã. a argumentação rebelde. em sentido gn6stico. é diferente do intrigante infernal.. 193.20 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPtRIO 21 não-conformista. Em E/oa. Barthélemy. Dificilmente. e vós exigis anjos! Assim bradava a burguesia francesa após o golpe de Estado Só o líder da Sociedade de 10 de Dezembro ainda pode salvar a sociedade burguesa! Só roubo à propriedade.) tes festejos da corte dos quais ele se rodeava. Baudelaire quis fazerse conhecido como poeta social. que se foi para as cidades a fim de sorver o fermento do rancor que aí se acumula e de participar das falsas idéias que aí vivem o seu triunfo" . admirador dos jesuítas. dele fixou. o invejoso. Não se trata de sacramento e oração. romper de todo e para sempre com esse salvador. em sua Nêmesis associara o satanismo aos dirigentes. como instrutor das habilidades prometéicas. Entre as linhas lampeja a cabeça sombria de Blanqui. s ição "Tu que dás ao proscrito esse alto e calmo olhar Que leva o povo ao pé da forca a desvairar.-por ter perdido uma oportunidade tão boa de implantar a ditadura do proletariado". Os textos críticos de d' AureviIly dão um esboço desse autor: "Nesse talento e nessa cabeça. de "Demônio". o miserere de uma liturgia of ídica. de ponta a ponta. B por isso que Satã aparece neles. o perjúrio à religião. não abjurarem totalmente de sua obediência àquele que causou indignação ao discernimento e à humanidade. 417 e 419) Nesse remorso. a boêmia dourada via seus sonhos de uma vida "livre" se tornarem realidade nos estontean- "Pensavas tu nos dias .o rude. a grande vítima" . . mas sim o impostor favorecido pela sorte. Seus versos se resguardaram do que sua prosa não se proibira. Lúcifer. que tem sua moradia subterrânea nas proximidades do bulevar. . Quase sempre a confissão religiosa brota de Baudelaire como um grito de guerra. que a série de invocações do poema conhece também como "confessor. ora o grande vencido. a revolta contra os conceitos de ordem e honestidade estava mais bem preservada junto aos dominadores do que junto aos oprimidos.. a alma pródiga de audácia e de esperança. na baixa. As mem6rias em que o conde Viel-Castel descreve a companhia do imperador permitem que uma Mimi e um Schaunardê? pareçam até honestos e tacanhos. a desordem à ordem! "32 Mesmo em suas horas rebeldes não quis Baudelaire. (Ernest Seilliere.

escreveu poemas sobre a miséria na Inglaterra e na J rlanda. o jornal de Girardin. Recomendava-se pela sua utilidade mercantil. E a folha de louro que Karl Marx reclamara então para a "sombria e ameaçadora fronte'<" dos combatentes de Junho. Por sorte. mas tanto por suas ilusões quanto por sua causa. Em 1824 havia em Paris 47 mil assinantes de jornal. a atividade revolucionária que.. La Presse. em 185 I. Com isso se torna evidente que ele se situava acima do meio literário que o circundava . na véspera ou naquele mesmo número. a atividade literária cotidiana se movera em torno dos periódicos. paga pelo editor e com a qual. mais adiante. Durante a Restauração. Tinha um ouvido para os cantos da revolução e outro para a "voz superior" que fala através do rufar dos tambores das execuções. Dupont compôs o seu Canto do Voto. a própria paixão. quanto ele imaginava. só quem fosse assinante podia receber um exemplar. essa brusca ruptura com a "I'art pour I'art" tinha valor apenas como postura. tinha para se mover. se lê que é a maravilha da época? Impunha- . autônoma na aparência. muitas vezes. "Depois. Sainte-Beuve lamentava seus efeitos desmoralizantes: "Como se pode condenar na parte crítica um produto. por um momento Baudelaire fica indignado."?" Dupont sentiu chegar a crise da poesia lírica com a progressiva desintegração entre cidade e campo. as conquistas da Revolução. grupos de várias pessoas rodeavam um exemplar. Faz ver. na seção redacional. a questão estava de uma vez por todas liquidada.. Dupont estava em todas as bocas. em 1854. na época. Quando Bonaparte chega ao poder através do golpe de Estado. Ao mesmo tempo. O República! a esses perversos. com versos igualmente flamejantes. As alterações trazidas para a imprensa pela Revolução de Julho se resumem na introdução do folhetim. Não demorou muito.. fora objeto de anúncio. contempla os acontecimentos 'do ponto de vista providencial' e se su- jeita como um monge. escreve: "E à graça e à delicadeza feminis de sua natureza que Dupont deve as suas primeiras canções. tornou-se necessariamente estéril". desse modo. Um de seus versos admite isso desairosamente.. Trouxera três importantes inovações: a redução do preço da assinatura para 40 francos. apesar de algumas faltas ocasionais.. sem excluir os maiores.. o anúncio e o romance-folhetim. mesmo a singela romança. em 1836 eram 70 mil. . e doravante a arte ficou inseparável da moral. O assim chamado "réclame" abria passagem. por esse termo se entendia uma nota. do qual. Na poesia política da época. arrastava todo o mundo consigo não o desviou totalmente de seu caminho natural".22 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPERIO 23 característica exprime com exatidão o que fez Baudelaire solidário a Dupont. Tal como Caim. Dupont "se foi para as cidades e abandonou o idílio". As massas recompensaram-no por sua atenção. assim como da utili dade't. Já em 1839. a informação curta e brusca começou a fazer concorrência ao relato comedido. onde. mas. Durante um século e meio. depois de uma série de anos. Por volta de 1830. mas insinuações que disputavam entre si o seu ouvido: uma nem tão seráfica. duas polegadas abaixo.200 mil. Aí se encontram os seguintes juízos curiosos: "A ridícula teoria da 'arte pela arte' excluiu a moral e. as belasletras lograram um mercado nos diários. quase sempre se revelou grande. e em 1846. Quem não pudesse pagar a elevada quantia de 80 francos pela assinatura anual ficava na dependência dos cafés. em seguida. está muito afastada dele. Era a sua vantagem sobre os escritores do seu tempo. E. . surgiu e proclamou a santidade da Revolução de T ulho e. frustrando o ardil. tivera papel decisivo nesse aumento. . e Baudelaire abandonara seu manifesto revolucionário e. "A canção como era entendida pelos no ssos pais . Tua grande face de Medusa Em meio a ru bros clarões! "36 A introdução com que. Quando se perderam. muitas vezes. Baudelaire contribuiu para um fascículo de poemas dupontianos foi um ato de estratégia literária. uma a uma. diz que o poeta "empresta ouvidos alternadamente às matas e às massas".?" "Teocracia e cornunismo'P" não eram para ele convicções.ê? Isso nada tem da profunda duplicidade que dá asas à poesia do próprio Baudelaire. outra nem tão luciferina. pouca coisa há que possa rivalizar com seu refrão. números avulsos de jornais não podiam ser vendidos.40 Para Baudelaire. . numa clara referência a Auguste Barbier: "Quando um poeta que. na verdade. como literato. que se interessava pelos oprimidos. se chamava a atenção para um livro que. Permitia-lhe proclamar o espaço que.

o telégrafo elétrico entrou em uso. Daguerre. isto é. o valor de sua própria força de trabalho adquire alguma coisa próximo ao fantástico em face do dilatado ócio que.'? A satisfação com o estilo folhetinesco não foi tão rápida nem tão universal. Les filles publiques de Paris. Portava-se como se tivesse aprendido de Marx que o valor de cada bem é definido pelo tempo de trabalho socialmente necessário para sua produção. era ela.. voI. A informação precisava de pouco espaço. em suas Cartas Parisienses. precisava ser vista pelo maior número possível de assinantes. Foi necessária uma isca que se dirigisse a todos sem considerar opiniões pessoais e que tivesse o seu valor no fato de pôr a curiosidade no lugar da política. os acidentes e os crimes podiam ser recebidos de todo o mundo. Doravante. No bulevar. a assimilação do literato à sociedade em que se encontrava se consumou no bulevar. Dessa forma. às dez. o bulevar perdera o seu monopólio.t'P A atividade dos cafés treinou os redatores no ritmo do serviço informativo antes mesmo que sua maquinaria estivesse desenvolvida. De fato. e estava tão dependente de seus efeitos quanto as coquetes de sua arte de se transvestir. que proporcionava ao jornal o aspecto a cada dia novo e inteligentemente variado da paginação. do barão Gaston de Ia Flotte. é fácil reconhecer que uma moça que. passava suas horas ociosas. Em 1845. ela foi por demais explicada't. .. I. p. et Ia police qui les régit. Tomaram para si a incumbência de lutar contra a leviandade das informações históricas. saúda desse modo a fotografia: "Hoje em dia. Uma vez dado o ponto de partida. intrigas do meio teatral e mesmo "curiosidades" constituíam suas fontes prediletas."44 E exatamente isso que explica a alta cotação desses artigos. para obter muitos anúncios. pelo qual lhe foram prometidos durante cinco anos honorários mínimos de 63 mil francos por uma produção mínima anual de 18 vclumes. O Sr. no qual residia uma parte de seu encanto. Calculou-se em 5 milhões de francos os honorários de Lamartine para o período entre 1838 e 1851. às nove.'! O "réclame" se encontra nos primórdios de uma evolução cujo final é a notícia da boba publicada nos jornais e paga pelos interessados. Era nos cafés. existia uma conexão entre a redução da taxa de' assinatura." No bulevar. A alta remuneração do folhetim de então mostra que essa opinião se alicerçava nas relações sociais. como carnponesa.-F. chegou-se quase forçosamente ao romance-folhetim por via do anúncio. que se recheava a informação. O público não estava sozinho em tal avaliação.. Béraud. representa uma montanha magnética que desvia a bússola't. Era no bulevar que ele tinha à disposição o primeiro incidente. que apareceu primeira- • "Com um pouco de perspicácia. e não o editorial político nem o romance-folhetim. quando só havia os grandes e sérios jornais. aos olhos do público. 51. sua descoberta é maravilhosa. a página quatro. o preço da assinatura a 40 francos.-A. chiste ou boato. as pessoas se ocupam muito com a invenção do Sr. não se conhecia a hora do aperitivo.a redução da taxa de assinatura o jornal tem de viver dos anúncios . Antes. Quando.P Eugêne Sue recebeu por Os Mistérios de Paris um sinal de 100 mil francos. é necessário para seu aperfeiçoamento.24 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPf. Paris. às oito. surge como costureirinha e.. por volta do fim do Segundo Império. 1839.) . exibindo-as às pessoas como parcela de seu horário de trabalho. Assim. Girardin. Dumas fechou contrato com Le Constitutionnel e com La Presse. Por História dos Girondinos. Desde o início é notável sua peculiar elegância barata e que se torna tão característica do folhetim.RIO 25 se a força atrativa das letras crescentes do anúncio. "O hábito do aperitivo." (F. Dificilmente a história da informação pode ser escrita separando-a da história da corrupção da imprensa. que se voltara para a publicidade. desdobrava os ornamentos de suas relações com colegas e boasvidas. Daguerre pode ficar descansado: o seu segredo não lhe vai ser roubado . "Devido ao novo arranjo . Precisava ser constantemente renovada: mexericos urbanos. durante o aperitivo.. e nada é mais engraçado que as sérias explicações que os nossos eruditos de salão sabem dar a respeito. o incremento dos anúncios e a crescente importância do folhetim. apareceu com o advento da imprensa do bulevar. De fato. que é conseqüência lógica da 'crônica parisiense' e dos mexericos urbanos. Em 1860 e em 1868 aparecem em Marselha e em Paris os dois volumes das Revistas Parisienses. se apresenta ricamente vestida num elegante costume é a mesma que. .. mas as pessoas nada entendem dela. . A Sra. sobretudo as do folhetim da imprensa parisiense.

As Meditações e As Harmoa urna época em que a clase dos agricultores franceses detinha o usufruto dos campos de cultura conquistados. devido ao sucesso de Os M istérios de Paris. Os exuberantes honorários da mercadoria literária nos diários levavam necessariamente a inconvenientes. A expedição fracassou. Acontecia de o editor. aquela prescrição deixou de vigorar pouco depois. por seu turno. . Dumas? Será que ele próprio os conhece? Se não mantiver um diário com 'débito' e 'crédito'. em 1855. está sentado um homem sombrio. Isso pressupunha que alguns romancistas bem-sucedidos não tivessem melindres com a própria assinatura.ernbriagado por sua carestia.47 Corria o boato de que Dumas empregava em seus porões toda uma companhia de literatos pobres. às custas do governo a empreitada custava 10 mil francos -. Amplas informações sobre o assunto são dadas por um panfleto. mais graves que o abuso de nome de autores conhecidos. . Com isso se acha num pequeno gabinete mal iluminado e bastante sujo. não só elevou o número de assinantes de Le Constitutionnel de 3. Em 1846. sob meu pé que a pisa. Nele se reconhece a uma milha de distância o verdadeiro romancista de estirpe. Dez anos após as constatações da grande revista. na compra do manuscrito. Com a reacionária Lei da Imprensa que. Fábrica de Romances. capítulo por capítulo. de olhar submisso e cabelos emaranhados. urna viagem a Túnis para fazer propaganda na colônia. Se a literatura podia assim abrir uma carreira política aos privilegiados. recebera 600 mil francos.26 WAL TER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPBRIO 27 mente como folhetim. o poeta equipara sua obra à de um viticultor: "Todo homem com orgulho pode vender seu suor! Vendo meu cacho de fruta como vendes tua flor. Casa Alexandre Dumas e Cia. certamente esquecerá de mais de um dos filhos de que é pai legítimo. Nos meus tonéis numerosos como riacho de âmbar corre. mesmo que se trate apenas de um ex-funcionário de ministério.48* Durante a Segunda República. Feliz quando seu néctar. Muito ouro para pagar muita liberdade! "30 Essas linhas. ofereceu a Alexandre Dumas. que aprendeu a arte de Balzac através da leitura de Le Constitutionnel. Tendo sido despertada a ambição política do literato. Taxava-se a continuação do romance. era natural que o regime lhe indicasse o caminho certo. Não estava fora do alcance do indivíduo a possibilidade de estabelecer sua fama em combinação com seus recursos financeiros: a carreira política abria-se-lhe quase por si mesma.000. nias remontam Êxitos decisivos de Lamartine.versos ingênuos a Alphonse Karr. O verdadeiro autor da 'Câmara dos Crânios' é ele. intensificou o valor do folhetim. fecha a porta à chave cuidadosamente. onde Lamartine louva a própria prosperidade como se fosse rural e se gaba dos honorários que seu produto lhe proporciona na feira. . Marx chama a eleição de um "comentário sentimental que enfraquece'"? os ganhos do mandato anterior. que o autor chama de Sr. Salvandy. através de restrições à liberdade de opinião. Com isso se verificaram novas formas de corrupção. e abre uma pequena porta atrás de sua biblioteca. valiosa na consideração crítica de seus escritos. encontra-se num pequeno órgão da boêmia a seguinte representação pitoresca da vida de um romancista de sucesso. Larnartine oferece um exemplo disso. Scribe empregava para os diálogos de suas peças uma série de colaboradores anônimos. com um imposto de um centime. Produzindo para seu dono. Ministro das Colônias. A alta cotação do folhetim os escritores que o forneciam aliada à sua grande saída ajudou a fazer nome junto ao público. com uma longa pena de ganso na mão. o parlamento procurou combater a predominância do folhetim. é ele o romancista". são esclarecedoras se as consideramos • O uso do 'negro' não se limita ao folhetim. Ali. essa carreira é.46 A Revista dos Dois Mundos escreveu na época: "Quem conhece os títulos de todos os livros assinados pelo Sr. como também foi eleito deputado com 130 mil votos do operariado de Paris. reservar para si o direito de tê-lo assinado por um autor de sua escolha. Mais sorte teve Sue que. Em . Os eleitores proletários não ganhavam muito com isso.. devorou muito dinheiro e acabou numa pequena interpelação na Câmara. natural ou adotivo" . de Santis: "Chegando à casa.600 para 20.

E nenhum desses escritores foi socialista! "59 escreve [ules Troubat. Viena. antes de tudo um enchimento de linhas. apresenta o poeta na posição desvantajosa de quem aceita moedas sonantes por suas confissões. 1906. ele estava endividado. o minifúndio arruinado pelas dívidas. a burguesia procurou justificar com as demonstrações operárias de 16 de abril. e cujos manuscritos só aceitavam se eles conseguissem assinaturas.. Murger morre .) na revolução que estivesse destinado a se tornar o Orfeu que. deveria conduzir e moderar aquela invasão dos bárbaros. Lamartine colaborara na preparação de seus votos. lhe faltou entendimento da verdadeira situação do literato.I I 28 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPfRIO 29 'I I li 1" 1. a paisagem sobre a qual Lamartine estendeu o céu" . Em 6 de abril de 1849.com a puta lhe era habitual. Calcula-se que. Pages Choisies. Nem por isso. mas vira insulto tão logo seja imposto ao minifúndio como cornpensação. II '." Com isso. ele não pensara . até certo ponto.. Paris. em primeiro lugar. contemplou sem ilusões o mercado literário. Escreve em 1846: "Por mais bela que seja uma casa. do minifundiário.. mas sim no certificado de hipoteca". não teve escolha na negociação de seus manuscritos. Baudelaire merece a apreciação que a última frase lhe quer imputar. é. il 'i 'i :! . Assim também é a literatura.escreve Sainte-Beuve sobre seu papel • Numa carta aberta a Lamartine. p_ 31. que reproduz a substância mais difícil de avaliar. do alto. ti I ~ I. dos amadores e dos principiantes. Disso fala o soneto A Musa Venal."'''' "Provavelmente. o secretário particular de Sainte-Beuve. o otimismo rural fundamento da transfigurante contemplação da natureza. Sem dúvida. a si mesmo . Lamartine garantira ao embaixador que as tropas se concentrariam na capital . "Se o recém-formado minifúndio era naturalmente religioso em sua concordância com a sociedade. em sua dependência das forças naturais e em sua submissão à autoridade que.e. o então embaixador russo em Paris.Y" Baudelaire o chama secamente de "um pouco devasso. O grande poema introdutório de As Flores do Mal. Confrontá-lo .I. lançado para além de sua própria limitação. antes. E. desprezar o ouro. 108-9. tinha de lidar com editores que especulavam com a vaidade das pessoas mundanas. Nisso se encontra uma parcela da história da poesia de Lamartine. Baudelaire permaneceu mal colocado no mercado literário. Pokrowski. A situação do minifundiário se tornou crítica na década de 40. A observação de Lamartine de que precisaria aproximadamente de dez dias para a concentração das tropas lança efetivamente uma luz ambígua sobre aquelas demonstrações. não tenha ganho mais do que 15 mil francos. escreve o ultramontano Louis Veuil\ot: ·0 senhor realmente não sabe que 'ser livre' significa. ela tem antes de tudo . Pokrowski provou que os eventos se desenrolaram como Marx já previra em As Lutas de Classes na França. o protegia. Põe o mesmo manuscrito à disposição de várias redações. f I' fi I' li ~ I I I ti I menos pelo seu lado moral" do que como expressão do sentimento de classe de Lamartine. e o arquiteto literário cujo simples nome não promete lucros tem de vender a qualquer preço" . Porché é de opinião que Baudelaire. mais tarde." "Baudelaire .Y'? Exatamente nesse céu os poemas de Lamartine haviam sido formações de nuvens. com seu áureo arco. "S7 O próprio comportamento de Baudelaire corresponde a esse estado de coisa. porém. um pouco prostituído" . e não incluído em As ! . numa casa de saúde. Um dos primeiros poemas de Baudelaire.1 II il I.) * * Segundo relatórios de Kisseliov. "Balzac se arruína com café. pp. autoriza reimpressões sem caracterizá-Ias como tais. Ao Leitor. (Cf.uma medida que. Historische Aujsãtze..e antes que nos detenhamos em sua beleza tantos metros de altura e tantos de comprimento.ss Dificilmente alguém possuía olhar mais penetrante que Baudelaire para os aspectos problemáticos desse fenômeno brilhante. parece. própria da poesia de Lamartine . o Sr. indisposto contra a sociedade e contra as autoridades.escreve Ernest Raynaud tinha de contar com a prática de vigaristas. o senhor produz seus livros do mesmo modo comercial que seus legumes ou que seu vinho!" (Louis Veuillot. para obter essa espécie de liberdade que se compra com ouro. Desde cedo.58 Até o fim da vida. como já em 1830 escrevera Sainte-Beuve: "A poesia de André Chénier .53 Esse céu desmoronou para sempre quando os camponeses franceses votaram em 1848 pela presidência de Bonaparte. tanto mais porque determina o bom e o mau tempo. O céu era um adendo muito formoso para a minguada região recém-conquistada. torna-se naturalmente irreligioso. talvez por ter ele sempre sentido pouco brilho sobre si mesmo.começou a desmoronar. 1928. O minifúndio "já não se encontrava na assim chamada pátria. pelo conjunto de sua obra. Musset se embota com o absinto. como ainda há pouco Baudelaire.

) 28. 27. 3. 728. loco cit. P. Des classes dangeureuses de Ia population dans les grandes villes. p. von AdoIphe Chenu. 11. Pierre Larousse. 1895." edição. em verdade. 33. 522-3. Os demais poemas citados nesta obra foram gentilmente traduzidos por Angela C. Ajasson de Grandsagne e Maurice Plaut. 13. 2. 18. 19. 666. La crise de l'Etat moderne. Les otages. Les contemporaines. (Les hommes de Ia révolution de 1871). 14. (Os poemas de As Flores do Mal foram extraídos desta edição. 37. 2. p. Berlim. Baudelaire sabia como se situava. cit. Karl Marx e Friedrich Engels. i! ilj r~ {l I~ '!. Plan des combats de Paris au 27. vol. 1862.) 4.° ano. p. pp. 5. do T. voI.-r. Paris. 11. 39. !4. 423. 1850. Charles Baudelaire. 242. 9. La préjecture de police sous Ia Commune. p. 278. Oeuvres. • Les conspirateurs". p. VI. 532. 86. s/do 12. Paris. Auguste-Marseille Barthélémy. Karl Marx. Charles Baudelaire. 419.t"? A última estrofe . 9. 34. Mas o bom Deus riria se. 40. 1928. 35. Personagens de Scênes de Ia vie de bohême. tomo 14. Diz a segunda estrofe: I·~ " \ Ili Ir 1'1 "It "Para ter sapatos. p. p. Raoul Rigault. Cf. 346-8.. Edouard Foucaud. 1928. 415. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. 555. a fazia um símbolo do Messias. cito Gustave Geffroy. Etudes et portraits littéraires. Paris. Paris.413. 73. p. 1897. . 1985.24. 403-5. p. 16. p. Némésis. p. Pierre Dupont. 1840. Paris. Karl Marx e Friedrich Engels. 8. 659. 10. perto dessa infame. 124. p. Le • mythe" de Ia "classe ouvriêre".) 24. 556. vol. Trata-se de uma seita gn6stica do século 11 que. 173.1 30 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPeRIO 31 1: Flores do Mal. p.j:' . loco cit. vol. pp. et des moyens de Ies rendre meilleures. 29. 6. 8. p." edição. loco cit. 1887. Georges Laronze. n. Histoire de Ia Commune. 25. Paris. 32. 31. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. Bespr.. 7. o literato: como jlãneur ele se dirige à feira. Les poêtes.-A. p. von Adolphe Chenu. 1932. 1. Lettres à sa mêre. segundo Die Neue Zeit. Karl Marx. Nova Fronteira. 1850.° vol. von Adolphe Chenu. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. na verdade. p. 555. 26. loco cit. Charles Proles. Die Klassenkiimpfe in Frankreich 1848 bis 1850. 1. ela vendeu sua alma. 11. 30. Charles Baudelaire. I. Charles Baudelaire. do T. Révolution de 1830. cit. Victor Hugo. p. Bibliothéque de Ia Pléiade.ela é tudo para mim" inclui despreocupadamente essa criatura na irmandade da boêmia. 36. 28 et 29 juillet. Charles Baudeloire.. 19. in: Revue bleue. Dem Andenken der [uni-Kãmpjer. Cf. Karl Marx. Paris. Viena e Berlim. mas. Paris. Paris. Frégier. p. loc. 1844. M. Karl Marx. p. lI. 10.. Viena.) (N. 11.° semestre. Les Misérables. Jules Lemaitre. dedica da ao culto da serpente. lI. p.. pensa que é para olhar. Paris.. 1. Berlim. P. Karl Marx e Friedrich Engels. lI. Karl Marx e Friedrich Engels. 2. loco cit. 10'\. Karl Marx. Eu bancasse o Tartufo e fingisse altivez. I. 1834. Paris inventeur. ~~ 15. 22. já é para procurar um comprador. doravante só serão indicadas as páginas. Physiologie de l'industrie [rançaise. 229. Eu. Paris. p. Karl Marx. 1898. Ivan [unqueira. 30. ~. trad. I. 379. de Murger (1848). Roman. 1870. Le chant du vote. 1932. [ules-Amédée Barbey D'Aurevilly. La justice. Paris. 40. p. Guerra. 225. 2 volumes. 1850. p. 1931/1932.'1 i."Essa boêmia . 23. 17. que vendo meu pensamento e quero ser autor. 83. As Flores do Mal. loc. 556. H. 38. cit. Paris. 21. (N. 1927. Paris. 4 (1886). Paul Desjardins. 556. Paris. Informe de J Weiss. Bespr. . Satire hebdomadaire. 1932. Paris. 1881. La naissance de Ia République en [évrier 1848. Paris. Charles Augustin Sainte-Beuve. 87. Cito Charles Benoist. 20. p. Pensées d'aoüt. Grand dictionnaire universel du XIX' Siêcle. Das Kapital. Karl Marx e Friedrich Engels. p. Rio de Janeiro. Lettres à sa mére. p.. pp.0 de março de 1914. in: Revue des deux mondes. Les consolations. Oeuvres completes. p. p. p. L'enjermé. 28. Poêtes contemporaines.. Bespr. e Lucien de La Hodde. 556. Notas I. (Doravante s6 serão indicados o volume e a página desta edição. é dirigido a uma mulher de rua." 1. Les oeuvres et les hommes. p.

Paris. 1839. 11. CL François Porché. Cf. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. loco cit. p. Cit. 50. essas coletâneas são sedimentos do mesmo trabalho beletrístico coletivo para o qual Girardin inaugurara um espaço no folhetim. La vie douloureuse de Charles Baudelaire.32 WALTER BENJAMIN 41. 122. simultaneamente com os panoramas. loc. por assim dizer. B uma literatura panorâmica. loe. Paris. Paris. chamados de "fisiologias"." 5. Ernest Lavisse. p. 196-7. Etude biographique. François Porehé.' Um gênero literário específico faz suas primeiras tentativas de se orientar. KarI Marx. p. 58. com seu estilo anedótico. Vie. 156.. p. cit. 52. 248. 1. Charles Baudelaire.. rses. o primeiro plano plástico e. tomo 11. Physionomies parisiennes. abril 1855. Fabrique de romans. 209. 57. Paris. 47. Du roman en général et du romancier moderne en particulier. Charles Augustin Sainte-Beuve. Cit. p. Desse modo. poésies et pensées de losepn Delorrne. Numerosos autores forneceram contribuições para esses volumes. Cf. pp. in: Revue des deu x mondes. 42. p. p. Eugene Crépet. Gabriêl Guillemot. e em formato de bolso. Les Consolation«. Esses livros consistem em esboços que. 1863. 1921. 72. com seu fundo informativo. Histoire de Ia littérature [rançaise sous le Gouvernernent de [uillet. p.. Paris. pp. Etude biographique. Ocupavam-se da descrição dos tipos encontrados por quem visita a feira. 59. Ernest Raynaud. 385. Os Franceses Pintados por si Mesmos. in: Revue des deu x mondes. 301-2. 953-4. p. 1860. pp. in: Le bohême. 54. p. Du roman actuel et de nos romanciers. Maison Alexandre Dumas et Compagnie. vol. Alphonse de Lamartine. 46. Paris. Paris... Desde o . Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. Oeuvres poétiques completes. 1922. loco cit. 1963.506. Charles Augustin Sainte-Beuve. 352. Charlc: Augustin Sainte-Beuve. 1906. Alfred Nettement. Paris. De Ia littérature industrielte. imitam. pp. Histoire de France contem poraine: La monarchie ele [uillet (1830-1848). Id. Emile de Girardin.68. 1859. 2. 55. KarI Marx. pp.. (" Letlre à Alphonse Karr". Le bohême. pp. 1845. n. 118. 682-3. 53. 45.) 51. p. I. O Livro dos Cento e Um. Paul Saulnier. 159-60. O Diabo em Paris. 319. as graças da capital. Paris. o Flâneur Uma vez na feira. Charles Baudelaire. o segundo plano largo e extenso dos panoramas. 122-3. A Grande Cidade gozavam. 44. 1845. p. 1926. Oeuvres completes. Paris. o escritor olhava à sua volta como em um panorama. 49. 60. 43. Nesse gênero ocupavam lugar privilegiado os fascículos de aparência insignificante. 289-90. pp. ibid. Lettres parisiennes 18361840. Os trajes de gala de uma escritura por natureza destinada a se vender nas ruas.'e não por acaso. cit. Eugêne Mirecourt. 48. 56. I. Paulin Limayrae.

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