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Coleção Tudo é História Biografias
Waltec Benjamin
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CHARLES BAUDELAIRE UM LÍRICO NO AUGE DO CAPITALISMO
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OBRAS ESCOLHIDAS VOLUME III

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Olgária Matos

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tradução: José Car/os Martins Barbosa Hemerson Atues 'Baptista

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freqüentavam os encontros e ficavam de prontidão para comparecer ao ponto de reunião. Rememorar a fisiognomonia de Baudelaire significa falar da semelhança que ele exibe com esse tipo político.. que dedicavam todo o seu serviço à conspiração.Paris do Segundo Império • Uma capital não é absolutamente necessária ao homem" Senancour A Boêmia A boêmia surge em Marx num contexto revelador.. operários que só exerciam a conspiração a par de suas outras ocupações e que.. isto é. Ele aí inclui os conspiradores profissionais. e em conspiradores profissionais. os membros se dividiram em conspiradores casuais ou de ocasião. nos pormenores. vivendo dela . de que se ocupa na detalhada resenha das Memórias do Agente Policial de Ia Hodde. cujas únicas estações fixas . só com a ordem do chefe. sua vida desregrada. Marx assim o delineia: "Com o desenvolvimento das conspirações proletárias surgiu a necessidade da divisão do trabalho. mais dependente do acaso que da própria atividade. As condições de vida desta classe condicionam de antemão todo o seu caráter. Sua existência oscilante e. . publicadas em 1850 na Nova Gazeta Renana.

Proclamações surpreendentes. a derrubada do governo existente e desdenham profundamente o esclarecimento mais teórico dos trabalhadores sobre seus interesses de classe.. haviam empregado "toda a massa indefinida. Ocupados com esse frenesi de projetos não têm outra meta senão a mais próxima ou seja. segundo Marx. Tornamos a achar essas mesmas características nos escritos teóricos de Baudelaire. Seria feliz não só como vítima. todas as noites. Daí sua raiva. Em tudo isso se esforça tão pouco em se reconciliar com seu público quanto Napoleão III ao passar da tarifa protecionista para o Iivre-carnbismo. um homem que. os vislumbres políticos de Baudelaire não excedem os desses conspiradores profissionais. Na pior hipótese. poderia sentar-se à mesa com o chefe de polícia e ganhar a confiança de todos os De La Hodde do mundo . aparece como seu porta-voz. a qual os franceses denominam a boêmia"? Durante seu império.os traços do boêmio mais raivoso. . deve-se observar que o próprio Napoleão 111 iniciara sua ascensão num meio que tinha muito em comum com o descrito. máquinas destrutivas de efeito mágico. encontra para a "'honnête' burguesia" e para o notário a figura do respeito no meio burguês . • Proudhon. pp.tenha rastreado tão mal as energias teóricas contidas na prosa de Baudelaire. que se quer distanciar dos conspiradores profissionais. nunca se conseguem fazer de todo independentes'<.os locais de encontro dos conspiradores -. a fim de sentir a revolução pelos dois lados! Todos temos no sangue o espírito republicano assim como a sífilis nos ossos. suas relações inevitáveis com toda a sorte de gente equívoca. não proletária mas plebéia. e seu gesto não é o do advocatus diaboli. tampouco me desagradaria representar o carrasco.! Por volta de 1850. denomina-se vez por outra "um homem novo . colocam-nos naquela esfera de vida que. por exemplo em sua invectiva contra a escola do bon sens. Expedientes desse gênero causavam tão pouca estranheza • O general Aupick era padastro de Baudelaire. Essa frase então deveria ser entendida à luz do trecho final de uma nota que nos foi entregue junto com seus esboços sobre a Bélgica: "Digo 'viva a revolução!' como diria 'viva a destruição! viva a expiação! viva o castigo! viva a morte!'. proclama que a arte não deve ser separada da utilidade. Lançam-se a invenções que devem levar a cabo maravilhas revolucionárias: bombas incendiárias." (cit. contra os habits noirs (casacas-pretas). Na Bélgica. invectivas bruscas e ironias impenetráveis constituem a razão de Estado do Segundo Império. Discutir não é a sua seara. 180-18t). agitando uma espingarda e proferindo as palavras "Abaixo o general Aupick"* é convincente.10 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPBRIO 11 são as tavernas dos negociantes de vinho . ele expõe opiniões apodicticamente. . Gustave Geffroy.com Jules Lemaitre à frente . onde fez aquele apontamento. Paris 18<n. O mais das vezes. poderia ter feito suas as palavras de Flaubert: "De toda a política só entendo uma coisa: a revolta". L'enjermé. tráfico de segredos. sua expressão desconhece mediações. das quais. O Salão de 1846 ele o dedicou "aos burgueses". Napoleão aperfeicoou hábitos conspirativos. estamos infectados de democracia e de sífilis". Mais tarde. mas a discussão. Um dos instrumentos do seu período governamental foi a Sociedade de 10 de Dezembro. Todavia esses traços tornam compreensível que a crítica oficial . o único requisito da revolução é organizar suficientemente sua conspiração. em Paris. diluída e disseminada por toda a parte. alguns anos depois. Ele o evita mesmo quando as evidentes contradições em teses que adota sucessivamente exigiriam um debate. cujos quadros. Se dirige suas simpatias ao reacionarismo clerical. ou se as oferece à insurreição de 1848. quase da noite para o dia e às escondidas do parlamento francês. no entanto.s O que Baudelaire assim registra poder-se-ia denominar a metafísica do provocador. teve por algum tempo f~ma de espião da polícia francesa. e seu fundamento permanece frágil. é chamada a boêmia'í)" De passagem. as pessoas mais ou menos cultas que representam esse lado do movimento.um homem cujo negócio não é a barricada. defende "I'art pour I'art".f Em princípio. Em sua descrição dos conspiradores profissionais prossegue Marx: "Para eles. como de representantes oficiais do partido. motins que deverão resultar tanto mais miraculosos quanto menos bases racionais tiverem. A imagem que apresentou nos dias de fevereiro numa esquina de Paris.

adestrados em lutas de barricadas. lembra-se de seus "paralelepípedos mágicos que se elevam para o alto como fortalezas't. que.P Naturalmente essas pedras são "mágicas"." Dificilmente a causa dessa fama terá sido apenas a inimizade que Baudelaire manifestou contra o então proscrito Victor Hugo. sua devastadora ironia participou na formação desse boato. até mesmo em seu fanatismov. Antes de Lênin.15 Blanqui.12 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPbRIO 13 que. o proletariado retomou tateante para trás das barricadas. a barricada é o ponto central do movimento conspirativo. ou seja.14 Ao fim da Comuna.. numa carta à mãe. de modo semelhante. a invisível polícia dos revoltosos vigiava. no entanto.. Diz Charles Proles em Os Homens da Revolução de 1871: "Ao lado de muito sangue-frio. Em sua retrospectiva sobre a Revolução de Julho. . o Fort du Taureau. de modo impressionante. Hugo fixou. tivessem olhado essas sombras amontoadas talvez percebessem. Há uma folha de sua autoria em que. dá em Baudelaire seus primeiros frutos. com referência aos literatos de aluguel da polícia: "Jamais meu nome aparecerá em seus registros infames". em 20 de dezembro de 1854. Marx viu nele. a noite.ê O próprio ideal terrorista que Marx encontra nos conspiradores tem seu equivalente em Baudelaire.l" Dificilmente se pode exagerar o prestígio revolucionário que Blanqui então possuía e que manteve até a morte. Rigault tinha em tudo alguma coisa de um gozador depravado. não houve quem tivesse aos olhos do proletariado traços mais distintos. . sua guarnição: "Por toda a parte. Na Revolução de Julho.. que reencontramos em Georges Sarei e que se tornou componente inalienável da propaganda fascista. uma aparência indistinta que indicava contornos fragmentados e de traçado arbitrário. Olhos que. perfis de construções singulares. Vale-se da tradição revolucionária. a rede dessas barricadas. Esses operários preferiram como escreve um dos historiadores modernos da Comuna "a luta no próprio quarteirão ao combate aberto e. em 23 de dezembro de 1865. Baudelaire não se despede da cidade sem evocar suas barricadas. que encerrou a carreira de conspirador como chefe de polícia da Comuna de Paris. Nessas ruínas se movia algo semelhante a luminárias. de que muito se fala em testemunhos sobre Baudelaire. clama o blanquista Tridon: "O força. é para ti que os prisioneiros estendem as mãos acorrentadas" . se preciso. "trabalho não assalariado mas apaixonado". São eles . que permaneceu fragmentária e que deveria fechar As Flores do Mal. o mais importante dos chefes de barricadas parisiense. Nesses locais estavam as barricadasv. Mantinha a ordem. pois.diz Marx a respeito desses conspiradores os que erguem e comandam as primeiras barricadas". não encontra nenhum mais próximo que a construção de barricadas. uma vez que o poema de Baudelaire não conhece as mãos que as colocaram em movimento. de cima. Mas precisamente esse palhas poderia ser imputado ao blanquismo.. O título sob o qual o espírito com que Céline escreveu Bagatelles pour un massacre remete diretamente a um registro do diário de Baudelaire: "Podia-se organizar uma bela conspiração com o intuito de exterminar a raça judaica". como animal mortalmente atingido..!' Quando Fourier espreita à sua volta em busca de um exemplo do. parece ter tido o mesmo humor macabro. então desabafarei minha cólera através de livros horripilantes. escreve: "Se alguma vez recuperar o vigor e a energia que já possuí. que brilhas no clarão e no motim . "os verdadeiros líderes do partido proletãrio't.'? Com efeito. a morte atrás do calçamento empilhado como barricada. Responsável pela derrota foi o fato de os operários.. em locais dispersos. tu. mais de quatro mil barricadas se espalharam pela cidade. estava na época confinado em sua última prisão. e em seus companheiros.P Na alocução a Paris. Seria para mim uma volúpia que me compensaria por tudo'"? Essa fúria encarniçada .foi a disposição de espírito que alimentou os conspiradores profissionais de Paris durante meio século de lutas em barricadas." O blanquista Rigault. não serem favoráveis ao combate aberto que teria bloqueado caminho a Thiers. facilmente ele mesmo poderia se comprazer em difundi-Ia. Quero incitar toda a raça humana contra mim. deixando na sombra. Por certo. muito celebrado na Bélgica. . Tal qualidade lhe era inseparável.Ia rogne . Baudelaire pôde escrever à mãe. numa rua de Paris" . O culte de Ia blague. Traços que se gravaram também em Baudelaire. rainha das barricadas .

na remoção desse imposto. Naquela época. mas só voltava quem era adepto. o vinho da barreira. que justamente tinham acabado de ser ouvidos..000 habitantes alfândegas municipais e transformara cada cidade num país estrangeiro com tarifas protecionistas contra o vinho francês't. Seu aspecto era distinto e a roupa impecável. reconhecer a posição ambígua que Blanqui ali ocupava. comungavam uma exigência do proletariado e uma dos camponeses. antes. a imagem de Baudelaire se apresenta como que por si própria: a bade1 de enigmas da alegoria em um. junto com o de Thiers. prejudicava igualmente o habitante da cidade." Nesta descrição. Era como estar numa capela consagrada ao rito ortodoxo da conspiração.escreve ele os pobres não usam luvas para mendigar? Fariam fortuna. . se mostra a cabeça Os conceitos a que Marx recorre em sua descrição dos ambientes conspirativos em Paris permitem. um dos habits noirs.· (I I.14 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMP~RIO 15 ao lado de outros desenhos improvisados. o selo de Baudelaire. tratou-se do imposto sobre o vinho. que eram pequenos. 424) Atribui o dito a um desconhecido. reduzia o consumo. exibiam então todo o seu prazer. Os vapores que aí se precipitavam eram também Iamiliares a Baudelaire. p. pareciam mais benévolos que implacáveis. Em As Lutas de Classe na França. Seu modo de falar era comedido. Para a tradição. impeli-lo por meio de artifícios para a crise. erguia-se o sacerdote daquele lugar. ele explicava a situação. como já prometera em 1830. Em meio a eles se desenvolveu o grande poema intitulado O Vinho dos Trapeiros. Lá era servido o vinho isento de imposto.'? Com isso. Blanqui aparece como doutrinador.os alquimistas da revolução e partilham inteiramente a desordem mental e a estreiteza das idéias fixas dos antigos alquimistas=. com maior razão. "uma vez que estabelecera às portas de todas as cidades de mais de 4.. o modo de falar menos dec1amatório que. Uma testemunha ocular descreve assim o clube blanquista de Les Halles: "Se quisermos ter uma idéia exata da impressão que.'? Se. a cabeça de forma delicada. como diz Marx. O imposto. de Blanqui. há boas razões para isso. improvisar uma revolução sem que haja condições para ela". Seu pretexto era resumir as queixas de seus clientes. que onerava o vinho de mesa no mesmo nível que o mais fino. vê sua missão no "antecipar-se ao processo de evolução revolucionário. apenas de vez em quando um Jampejo sinistro e selvagem lhe atravessava os olhos. Certa vez. BJanqui entrou na tradição como "putschista". ele tem. por um lado. Os sinais de identificação com os habits noirs se confirmam até nas pequenas coisas. Na verdade. em quem os conspiradores viam os seus malquistos concorrentes. como não poderia deixar de ser. por outro lado. apertados e penetrantes. se tinha do clube revolucionário de Blanqui em comparação com os outros dois clubes que o partido possuía na época .• Por que . paternal e inequívoco. desde o primeiro momento.. Marx mostrou que.escreve Marx a respeito desses conspiradores profissionais . . a mania de segredamento do conspirador em outro. como se fora o único a lhes ser concedido.diz Marx o camponês prova o bouquet do governo. H. "Há mulheres que não hesitam em acom• Baude\aire sabia apreciar esses detalhes . do povo representado pela meia dúzia de imbecis arrogantes e irritados. então o melhor será imaginarmos o público da Comédie-Française num dia em que são encenados Racine e Corneille ao lado da massa humana que lota um circo onde acrobatas exibem habilidades de risco. De modo depreciativo. cheios de soberba e insolência. contudo. então ele parecerá. forçando-o a se dirigir às tavernas da periferia a fim de encontrar vinho mais barato. compararmos descrições que possuímos de Blanqui. os trabalhadores. temas que ressoam nesses versos eram debatidos publicamente. "Eles são ." O imposto. A Assembléia Constituinte da República tinha prometido sua abolição. Sua origem pode ser datada em meados do século. . ele representa o tipo de político que.ê? "No imposto do vinho . jamais ouvi". em geral. * Porém a seriedade comedida e a irnpenetrabilidade próprias de Blanqui aparecem de modo distinto sob a luz em que as coloca uma observação de Marx. As portas ficavam abertas a todo o mundo. Frégier. Marx fala das tavernas onde O conspirador subalterno se sentia em casa. A. porém. Se se pode crer no chefe de seção na central de polícia. Se. Era sabido que o "velho" costumava ensinar de luvas pretas. a expressão tranqüila. Após o aborrecido desfile dos oprimidos.

. os Estados totalitários fizeram brotar um gérmen que. os agentes secretos sobre quem os sonhos lhe dão supremacia. rapé para a mulher (comprado) . o recurso mais importante para a família consiste na caridade privada. 18. . em O Vinho dos Trapeiros: "Vê-se um trapeiro cambaleante. festas e solenidades: refeições tomadas por toda a família numa das barreiras de Paris (8 excursões anuais): vinho. Assim. recreações e higiene . 1855. p. ou mesmo o decoro. Em boa hora. Rente às paredes a esgueirar-se como um poeta. Mas." Um observador contemporâneo escreve: "Uma coisa é certa: o vinho da barreira poupou ao governo muitos choques't. 274-5. Paris. como um dossel suspenso. O trapeiro fascinava a sua época. junto com os filhos já em idade de trabalhar. proíbe que se deixem morrer os homens como animais. Paris. Correspondência com parentes: cartas para o irmão do trabalhador. brinquedos e outros presentes para as crianças: 1 F .. refeições consistindo de macarrão preparado com mano teiga e queijo. diante de um amanhã mais ou menos precário.) O espírito de semelhante levantamento é ilustrado por uma observação sarcástica de Buret: "Como o sentimento humanitário. o trapeiro não pode ser incluído na boêmia. não tanto pelos levantarnentos realizados numa família definida quanto pela tentativa de fazer a mais profunda miséria. os rejeitos ganharam certo valor. os filhos imitam o exemplo dos pais". Abrir seu coração em gloriosos projetos. podia simpatizar com aqueles que abalavam os alicerces dessa sociedade. a fronte inquieta.66 F. acima de tudo. Le Play fornece para O período de 1849 a 1850.. batata frita: 8 F.. põem-se todos a caminho de casa meio embriagados e se fingem de mais bêbados do que estão na verdade. alheio aos guardas e alcagüetes mais abjetos. O trapeiro não está sozinho no seu sonho. Les ouvriers européens. o que lhe importa.45 F. * Temas sociais do cotidiano parisiente se encontram já em Sainte-Beuve.. I. por ser cuidadosamente recenseada. e mais vinho.aparece da seguinte maneira: "Instrução das crianças: a mensalidade escolar é paga pelo empregador da família: 48 F.". uma por ano . O bigode lhe pende como uma bandeira velha. pp. cada um que pertencesse à boêmia podia reencontrar no trapeiro um pedaço de si mesmo. mas ainda * Este orçamento é um documento social.. Acompanham-no camaradas. graças aos novos métodos industriais.ê? O vinho transmite aos deserdados sonhos de desforra e de glórias futuras. já dormitava num estádio remoto do capitalismo. Eugêne Buret. fumo de mascar do marido (tocos de cigarro juntados pelo próprio trabalhador) . compra de livros: 1.RIO 17 p anhar o marido até a barreira. Na primeira versão diziam: . pão. A quarta seção deste orçamento de um trapeiro . 166. Nele representavam uma conquista da poesia lírica. presumivelmente aquele em que nasceu o poema de Baudelaire. Muitas vezes. E sob o azul do céu. Assistência social e esmola (os trabalhadores desta camada geralmente não dão esmolas). * Naturalmente. Em seguida. "2~ Maior número de trapeiros surgiu nas cidades desde que. Com a ambição de não deixar nenhuma de suas desumanidades sem o parágrafo que deve ser observado a respeito. então não se lhes pode negar a esmola de um ataúde. perdoa as vítimas dos crimes. E. de modo que a todo o mundo fique claro que beberam e que não foi pouco. Derruba os maus. Juramentos profere e dita leis sublimes. De Ia misêre des classes laborieuses en Angleterre et en France.) • E fascinante acompanhar como a rebelião vagarosamente abre caminho nas diferentes versões dos versos conclusivos do poema. vêm-lhe ao encontro os mouchards.necessidades culturais.. desde o literato até o conspirador profissional. na terça-feira de Carnaval.. Encantados. não faz economia. Trabalhavam para intermediários e representavam uma espécie de indústria caseira situada na rua. no Natal. _ Adicional: em caso de reveses. . 1840. Economia anual (o trabalhador não possui nenhum tipo de previsão. mas gasta dia a dia tudo o que ganha)·. Em sua ronda. o orçamento de um trapeiro parisiense e dependentes. (Frédéric Le Play. e ele também encaneceu em batalhas. vol.. representando de 5 a 34 F. na Páscoa e em Pentecostes: essas despesas estão registradas na primeira seção. parecer menos escandalosa. como se pode presumir aqui. residente na Itália: na média. Embriaga-se na luz de seu talento imenso.16 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPf. os olhares dos primeiros investigadores do pauperismo nele se fixaram com a pergunta muda: "Onde seria alcançado o limite da miséria humana?" Frégier lhe dedica seis páginas do seu As Classes Perigosas da População. Cada um deles se encontrava. também à sua volta há o cheiro de barris. num protesto mais ou menos surdo contra a sociedade. é proporcionar à mulher e à filha pequena todo o bem-estar compatível com sua situação.

respondeu à sua teoria racial. que contém os seguintes versos: ." Em 1852. Em seu remorso Deus o sono havia criado. o ancestral dos deserdados. Deus já lhes dera o doce sono. Deus te sorri bondosamente. não se pode falar de cópia. Hediondo. As. do 50) filho sagrado!" Percebe-se nitidamente como a estrofe segura com o conteúdo blasfemo. filho sagrado do Sol." Exatamente nessa acepção aparece em Baudelaire a raça originária de Caim. O satanismo de Baudelaire não deve ser tomado demasiadamente a sério. Em 1838. O Capital. resultante do cruzamento de ladrões e prostitutas. Se tem algum significado. é como a única atitude na qual Baudelaire era capaz de manter por muito tempo uma po- • E para o ódio afogar e o ócio ir entretendo Desses malditos que em silêncio vão morrendo. come e dorme. Na verdade. Em Marx. Declara os poemas deste ciclo uma cópia altamente literária • dos sofismas da ignorância e da raiva". no lado informe Roja-te e morre amargamente. Que já nos dera o doce sono. Para esquentar o coração e acalmar o sofrimento De todos esses infelizes que morrem em silêncio. Grandeza da bondade daquele que tudo batiza. O Homem o Vinho fez. nele aparece como fundador de uma raça que não pode ser senão a proletária. que saudou em Granier de Cassagnac o "pensador" da reação bonapartista. O certo é que foram encontradas por Marx. Ajuntou o vinho. três partes que o compõem mantêm um tom blasfemat6rio. O barão Seilliêre o revela com muito desleixo em sua interpretação do poema introdutório. ele não teria podido defini-Ia. A Ne· gação de São Pedra. E canta suas façanhas pela goela do homem. Sainte-Beuve pergunta a si mesmo se sua alma não estaria igualmente abandonada como a do cocheiro de aluguel. ao fixar o conceito de "uma raça de peculiares proprietários de bens"." Por fim. em edições posteriores suprimida. A litania intitulada Abel e Caim mostra sobre que substrato repousa a noção mais livre e mais compreensiva que Baudelaire tinha dos deserdados. Como o homem pode cair assim? pensava Enquanto me recolhia ao outro canto do assento. A Procuradoria de Estado do Segundo Império assim o entendeu. "Raça de Abel. "Neste cabriolé de aluguel examino O homem que me conduz. 381) sua forma mais • Ao título se segue uma nota prévia. só encontra (p. barba espessa. longos cabelos emplastrados: Vício e vinho e sono carregam seus olhos bêbados. Faz do conflito duas raças eternamente irreconciliáveis. e também as sucessoras assim o entendem. "25 dos irmãos bíblicos o de • E assim que o vinho reina por seus benefícios. verdadeira máquina. Terá Baudelaire tomado conhecimento dessas especulações? B bem possível. E quis ajuntar o vinho. O poema de Baudelaire se encontra no ciclo intitulado Revolta". Caim. Obviamente. soam em 1857 com uma mudança radical no sentido: o poema consiste de 16 dísticos. cujo início é alternadamente igual ao dos anteriores. Granier de Cassagnac publicou sua História das Classes Operárias e das Classes Burguesas. filho do 50). é desse modo que se entende o proletariado. frui.18 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPERIO 19 não do discernimento. o que se segue é uma interpretação edificante.v-" Assim é o começo do poema. B a raça dos que não possuem outro bem que não a sua força de trabalho. diziam: • Para amansar o coração e acalmar o sofrimento De todos esses inocentes que morrem em silêncio. A miséria e o álcool contraem no espírito do ilustrado capitalista uma relação essencialmente distinta daquela em Baudelaire. Raça de Caim. Esta obra soube proclamar a origem dos proletários: formavam uma raça de homens inferiores.

1931. o anjo caído. Lemaitre chamou a atenção para a dualidade que faz do diabo "ora o autor de todo o mal. a bastardia à família. mas também pelos superiores. Este é o verdadeiro móvel do conflito que Baudelaire teve de sustentar com sua descrença. Vigny homenageara. o faminto. que se foi para as cidades a fim de sorver o fermento do rancor que aí se acumula e de participar das falsas idéias que aí vivem o seu triunfo" . dele fixou. Entre as linhas lampeja a cabeça sombria de Blanqui. As mem6rias em que o conde Viel-Castel descreve a companhia do imperador permitem que uma Mimi e um Schaunardê? pareçam até honestos e tacanhos. mesmo no protesto desesperado. Seus versos se resguardaram do que sua prosa não se proibira. em sentido gn6stico. Com sua amizade por Pierre Dupont. de quem se está à mercê. p. Dificilmente. Os textos críticos de d' AureviIly dão um esboço desse autor: "Nesse talento e nessa cabeça. na baixa. admirador dos jesuítas. o cinismo era de bom-tom. s ição "Tu que dás ao proscrito esse alto e calmo olhar Que leva o povo ao pé da forca a desvairar.) tes festejos da corte dos quais ele se rodeava. seguindo os rastros de Byron. B por isso que Satã aparece neles. Marx teria podido encontrar um leitor melhor para as seguintes linhas: "Quando os puritanos . ora o grande vencido. romper de todo e para sempre com esse salvador. o cardeal Pierre d'AilI trovejou contra eles: .... por outro lado. Quase sempre a confissão religiosa brota de Baudelaire como um grito de guerra. As Litanias de Satã. e as peças em prosa pelo de "Vossa Alteza". Satã não fala apenas pelos inferiores. mas da ressalva luciferina de difamar o Satã. (Ernest Seilliere. a argumentação rebelde. que tem sua moradia subterrânea nas proximidades do bulevar.-por ter perdido uma oportunidade tão boa de implantar a ditadura do proletariado". Barthélemy. Para ele. é. a desordem à ordem! "32 Mesmo em suas horas rebeldes não quis Baudelaire. o irônico intérprete percebe as autocensuras .diz em O Dezoito Brumário protestaram contra a vida depravada dos papas . de "Demônio".20 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPtRIO 21 não-conformista. a boêmia dourada via seus sonhos de uma vida "livre" se tornarem realidade nos estontean- "Pensavas tu nos dias . Em que tu foste o mestre enfim? Dize: o remorso Teu flanco não rasgou mais fundo do que a lança?" (pp. do conspirador". de Victor Hugo. . 193. faz com que se diga uma missa do ágio e que se cante um salmo da renda. A última parte do ciclo. Aos vendilhões do templo açoitavas o dorso. 417 e 419) Nesse remorso.o rude. a revolta contra os conceitos de ordem e honestidade estava mais bem preservada junto aos dominadores do que junto aos oprimidos. como instrutor das habilidades prometéicas. é diferente do intrigante infernal.S6 o Diabo em pessoa ainda pode salvar a Igreja católica. Em que. não abjurarem totalmente de sua obediência àquele que causou indignação ao discernimento e à humanidade. Foi essa a imagem que Os Castigos. Não quer que lhe tirem o seu Satã. Na classe alta. Paris. a quem outros poemas chamam pelo nome de "Satã Trismegisto". .29 Só fazemos formular o problema diferentemente se lançamos a questão: "O que terá forçado Baudelaire a dar uma forma teológica radical à sua rejeição aos dominadores?" Após a derrota do proletariado na Campanha de Junho. o selvagem Caim. como patrono dos impenitentes e inquebrantáveis. de ponta a ponta. Em E/oa. Não se trata de sacramento e oração. o invejoso. o miserere de uma liturgia of ídica. o perjúrio à religião. Os que se declaravam partidários da liberdade e do direito não viam em Napoleão 111 o imperador-soldado que pretendia ser a emulação de seu tio. 8audelaire. mas sim o impostor favorecido pela sorte.33 Essa ° .. por seu conteúdo teológico." Essa dupla face de Satã é. Por seu turno. familiar a Baudelaire. Lúcifer.v'" Esse Satã. Baudelaire quis fazerse conhecido como poeta social. em sua Nêmesis associara o satanismo aos dirigentes. a alma pródiga de audácia e de esperança. Caim tem a supremacia sobre o manso Abel . e vós exigis anjos! Assim bradava a burguesia francesa após o golpe de Estado Só o líder da Sociedade de 10 de Dezembro ainda pode salvar a sociedade burguesa! Só roubo à propriedade.. B a ele que devem a força sutil de.?" Satã aparece em sua coroa de raios luciferinos como depositário do saber profundo. que a série de invocações do poema conhece também como "confessor. a grande vítima" .

As alterações trazidas para a imprensa pela Revolução de Julho se resumem na introdução do folhetim. as belasletras lograram um mercado nos diários. E. a questão estava de uma vez por todas liquidada. Recomendava-se pela sua utilidade mercantil. se chamava a atenção para um livro que. a atividade literária cotidiana se movera em torno dos periódicos. Permitia-lhe proclamar o espaço que. mais adiante. Por volta de 1830. Baudelaire contribuiu para um fascículo de poemas dupontianos foi um ato de estratégia literária. onde. pouca coisa há que possa rivalizar com seu refrão. autônoma na aparência. o anúncio e o romance-folhetim. com versos igualmente flamejantes. Tinha um ouvido para os cantos da revolução e outro para a "voz superior" que fala através do rufar dos tambores das execuções. e doravante a arte ficou inseparável da moral. Um de seus versos admite isso desairosamente. e Baudelaire abandonara seu manifesto revolucionário e. "Depois.?" "Teocracia e cornunismo'P" não eram para ele convicções. Tal como Caim. Na poesia política da época."?" Dupont sentiu chegar a crise da poesia lírica com a progressiva desintegração entre cidade e campo. frustrando o ardil. Durante a Restauração. como literato. na véspera ou naquele mesmo número.. em 1836 eram 70 mil. que se interessava pelos oprimidos. La Presse. paga pelo editor e com a qual. numa clara referência a Auguste Barbier: "Quando um poeta que. Trouxera três importantes inovações: a redução do preço da assinatura para 40 francos. depois de uma série de anos. quase sempre se revelou grande. e em 1846. Quando Bonaparte chega ao poder através do golpe de Estado. Não demorou muito.. está muito afastada dele. na época. Quando se perderam. do qual. O assim chamado "réclame" abria passagem. a própria paixão. diz que o poeta "empresta ouvidos alternadamente às matas e às massas".. desse modo. Por sorte.22 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPERIO 23 característica exprime com exatidão o que fez Baudelaire solidário a Dupont. quanto ele imaginava. em 185 I. tinha para se mover. mas tanto por suas ilusões quanto por sua causa. grupos de várias pessoas rodeavam um exemplar. Quem não pudesse pagar a elevada quantia de 80 francos pela assinatura anual ficava na dependência dos cafés. duas polegadas abaixo. a informação curta e brusca começou a fazer concorrência ao relato comedido. Dupont compôs o seu Canto do Voto. mas. Sainte-Beuve lamentava seus efeitos desmoralizantes: "Como se pode condenar na parte crítica um produto. Já em 1839. Era a sua vantagem sobre os escritores do seu tempo.. O República! a esses perversos. . arrastava todo o mundo consigo não o desviou totalmente de seu caminho natural". Ao mesmo tempo. muitas vezes. Em 1824 havia em Paris 47 mil assinantes de jornal. fora objeto de anúncio.ê? Isso nada tem da profunda duplicidade que dá asas à poesia do próprio Baudelaire. muitas vezes. escreveu poemas sobre a miséria na Inglaterra e na J rlanda. Com isso se torna evidente que ele se situava acima do meio literário que o circundava . em seguida. Tua grande face de Medusa Em meio a ru bros clarões! "36 A introdução com que. na seção redacional. por um momento Baudelaire fica indignado. . . surgiu e proclamou a santidade da Revolução de T ulho e. Dupont estava em todas as bocas. Aí se encontram os seguintes juízos curiosos: "A ridícula teoria da 'arte pela arte' excluiu a moral e. E a folha de louro que Karl Marx reclamara então para a "sombria e ameaçadora fronte'<" dos combatentes de Junho. outra nem tão luciferina. As massas recompensaram-no por sua atenção. se lê que é a maravilha da época? Impunha- . na verdade. Dupont "se foi para as cidades e abandonou o idílio". "A canção como era entendida pelos no ssos pais .200 mil. contempla os acontecimentos 'do ponto de vista providencial' e se su- jeita como um monge. só quem fosse assinante podia receber um exemplar. em 1854. apesar de algumas faltas ocasionais. Faz ver. assim como da utili dade't. mas insinuações que disputavam entre si o seu ouvido: uma nem tão seráfica. . uma a uma. números avulsos de jornais não podiam ser vendidos. sem excluir os maiores. escreve: "E à graça e à delicadeza feminis de sua natureza que Dupont deve as suas primeiras canções.. a atividade revolucionária que. o jornal de Girardin. tornou-se necessariamente estéril". por esse termo se entendia uma nota. Durante um século e meio.40 Para Baudelaire. essa brusca ruptura com a "I'art pour I'art" tinha valor apenas como postura. as conquistas da Revolução.. tivera papel decisivo nesse aumento. mesmo a singela romança.

" (F.-F. De fato. do barão Gaston de Ia Flotte.P Eugêne Sue recebeu por Os Mistérios de Paris um sinal de 100 mil francos. Dificilmente a história da informação pode ser escrita separando-a da história da corrupção da imprensa. e não o editorial político nem o romance-folhetim.-A. De fato. Desde o início é notável sua peculiar elegância barata e que se torna tão característica do folhetim. é fácil reconhecer que uma moça que. que proporcionava ao jornal o aspecto a cada dia novo e inteligentemente variado da paginação. era ela. às nove.. precisava ser vista pelo maior número possível de assinantes. Foi necessária uma isca que se dirigisse a todos sem considerar opiniões pessoais e que tivesse o seu valor no fato de pôr a curiosidade no lugar da política. surge como costureirinha e. que apareceu primeira- • "Com um pouco de perspicácia. Daguerre pode ficar descansado: o seu segredo não lhe vai ser roubado . .. pelo qual lhe foram prometidos durante cinco anos honorários mínimos de 63 mil francos por uma produção mínima anual de 18 vclumes. sua descoberta é maravilhosa. o valor de sua própria força de trabalho adquire alguma coisa próximo ao fantástico em face do dilatado ócio que. por volta do fim do Segundo Império.t'P A atividade dos cafés treinou os redatores no ritmo do serviço informativo antes mesmo que sua maquinaria estivesse desenvolvida. Girardin. não se conhecia a hora do aperitivo. mas as pessoas nada entendem dela. 51. o preço da assinatura a 40 francos. "Devido ao novo arranjo . chegou-se quase forçosamente ao romance-folhetim por via do anúncio. "O hábito do aperitivo. sobretudo as do folhetim da imprensa parisiense. quando só havia os grandes e sérios jornais. desdobrava os ornamentos de suas relações com colegas e boasvidas. é necessário para seu aperfeiçoamento. e nada é mais engraçado que as sérias explicações que os nossos eruditos de salão sabem dar a respeito. Paris. ela foi por demais explicada't. passava suas horas ociosas. . Uma vez dado o ponto de partida.24 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPf. Dessa forma. Daguerre.a redução da taxa de assinatura o jornal tem de viver dos anúncios ... durante o aperitivo. Era no bulevar que ele tinha à disposição o primeiro incidente. A informação precisava de pouco espaço. intrigas do meio teatral e mesmo "curiosidades" constituíam suas fontes prediletas. Portava-se como se tivesse aprendido de Marx que o valor de cada bem é definido pelo tempo de trabalho socialmente necessário para sua produção. Quando. aos olhos do público. saúda desse modo a fotografia: "Hoje em dia. Tomaram para si a incumbência de lutar contra a leviandade das informações históricas.) . o incremento dos anúncios e a crescente importância do folhetim. No bulevar.'? A satisfação com o estilo folhetinesco não foi tão rápida nem tão universal. voI.'! O "réclame" se encontra nos primórdios de uma evolução cujo final é a notícia da boba publicada nos jornais e paga pelos interessados. Béraud.RIO 25 se a força atrativa das letras crescentes do anúncio. o bulevar perdera o seu monopólio. Dumas fechou contrato com Le Constitutionnel e com La Presse. Les filles publiques de Paris. no qual residia uma parte de seu encanto. et Ia police qui les régit. para obter muitos anúncios. p. os acidentes e os crimes podiam ser recebidos de todo o mundo."44 E exatamente isso que explica a alta cotação desses artigos. que se voltara para a publicidade. Em 1845. 1839. Calculou-se em 5 milhões de francos os honorários de Lamartine para o período entre 1838 e 1851. Em 1860 e em 1868 aparecem em Marselha e em Paris os dois volumes das Revistas Parisienses. apareceu com o advento da imprensa do bulevar. se apresenta ricamente vestida num elegante costume é a mesma que. que se recheava a informação. o telégrafo elétrico entrou em uso. em suas Cartas Parisienses. I. que é conseqüência lógica da 'crônica parisiense' e dos mexericos urbanos. representa uma montanha magnética que desvia a bússola't. existia uma conexão entre a redução da taxa de' assinatura. a página quatro. A alta remuneração do folhetim de então mostra que essa opinião se alicerçava nas relações sociais. chiste ou boato. as pessoas se ocupam muito com a invenção do Sr. às dez. . Assim. exibindo-as às pessoas como parcela de seu horário de trabalho. Antes. O Sr." No bulevar.. como carnponesa. isto é. às oito. Precisava ser constantemente renovada: mexericos urbanos. Era nos cafés. Por História dos Girondinos. a assimilação do literato à sociedade em que se encontrava se consumou no bulevar. A Sra. O público não estava sozinho em tal avaliação. Doravante.. e estava tão dependente de seus efeitos quanto as coquetes de sua arte de se transvestir.

não só elevou o número de assinantes de Le Constitutionnel de 3.versos ingênuos a Alphonse Karr. valiosa na consideração crítica de seus escritos. são esclarecedoras se as consideramos • O uso do 'negro' não se limita ao folhetim. devorou muito dinheiro e acabou numa pequena interpelação na Câmara. essa carreira é. Se a literatura podia assim abrir uma carreira política aos privilegiados. de olhar submisso e cabelos emaranhados. aquela prescrição deixou de vigorar pouco depois. o poeta equipara sua obra à de um viticultor: "Todo homem com orgulho pode vender seu suor! Vendo meu cacho de fruta como vendes tua flor. devido ao sucesso de Os M istérios de Paris. Ministro das Colônias. . Com isso se verificaram novas formas de corrupção. Ali. . que o autor chama de Sr. Larnartine oferece um exemplo disso. através de restrições à liberdade de opinião. . Scribe empregava para os diálogos de suas peças uma série de colaboradores anônimos. Dumas? Será que ele próprio os conhece? Se não mantiver um diário com 'débito' e 'crédito'. ofereceu a Alexandre Dumas. Tendo sido despertada a ambição política do literato. Acontecia de o editor. que aprendeu a arte de Balzac através da leitura de Le Constitutionnel. Taxava-se a continuação do romance. Nele se reconhece a uma milha de distância o verdadeiro romancista de estirpe. A alta cotação do folhetim os escritores que o forneciam aliada à sua grande saída ajudou a fazer nome junto ao público. Em .000. O verdadeiro autor da 'Câmara dos Crânios' é ele. As Meditações e As Harmoa urna época em que a clase dos agricultores franceses detinha o usufruto dos campos de cultura conquistados. Salvandy.ernbriagado por sua carestia. reservar para si o direito de tê-lo assinado por um autor de sua escolha. A expedição fracassou. sob meu pé que a pisa. por seu turno. capítulo por capítulo. na compra do manuscrito. era natural que o regime lhe indicasse o caminho certo. Os eleitores proletários não ganhavam muito com isso. com um imposto de um centime. recebera 600 mil francos. Amplas informações sobre o assunto são dadas por um panfleto. Em 1846. Com isso se acha num pequeno gabinete mal iluminado e bastante sujo. como também foi eleito deputado com 130 mil votos do operariado de Paris. nias remontam Êxitos decisivos de Lamartine. Muito ouro para pagar muita liberdade! "30 Essas linhas. onde Lamartine louva a própria prosperidade como se fosse rural e se gaba dos honorários que seu produto lhe proporciona na feira. mais graves que o abuso de nome de autores conhecidos. às custas do governo a empreitada custava 10 mil francos -. o parlamento procurou combater a predominância do folhetim. com uma longa pena de ganso na mão..46 A Revista dos Dois Mundos escreveu na época: "Quem conhece os títulos de todos os livros assinados pelo Sr.47 Corria o boato de que Dumas empregava em seus porões toda uma companhia de literatos pobres. Feliz quando seu néctar. Casa Alexandre Dumas e Cia. e abre uma pequena porta atrás de sua biblioteca. Nos meus tonéis numerosos como riacho de âmbar corre.48* Durante a Segunda República. Fábrica de Romances. está sentado um homem sombrio. natural ou adotivo" . em 1855. certamente esquecerá de mais de um dos filhos de que é pai legítimo. encontra-se num pequeno órgão da boêmia a seguinte representação pitoresca da vida de um romancista de sucesso. Mais sorte teve Sue que. Não estava fora do alcance do indivíduo a possibilidade de estabelecer sua fama em combinação com seus recursos financeiros: a carreira política abria-se-lhe quase por si mesma. intensificou o valor do folhetim. Os exuberantes honorários da mercadoria literária nos diários levavam necessariamente a inconvenientes. é ele o romancista". mesmo que se trate apenas de um ex-funcionário de ministério. Produzindo para seu dono. Dez anos após as constatações da grande revista.26 WAL TER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPBRIO 27 mente como folhetim. Marx chama a eleição de um "comentário sentimental que enfraquece'"? os ganhos do mandato anterior. urna viagem a Túnis para fazer propaganda na colônia. de Santis: "Chegando à casa. fecha a porta à chave cuidadosamente. Isso pressupunha que alguns romancistas bem-sucedidos não tivessem melindres com a própria assinatura.600 para 20. Com a reacionária Lei da Imprensa que.

Baudelaire permaneceu mal colocado no mercado literário. Ao Leitor." "Baudelaire . f I' fi I' li ~ I I I ti I menos pelo seu lado moral" do que como expressão do sentimento de classe de Lamartine. e o arquiteto literário cujo simples nome não promete lucros tem de vender a qualquer preço" . própria da poesia de Lamartine .. o protegia. é. tinha de lidar com editores que especulavam com a vaidade das pessoas mundanas. O céu era um adendo muito formoso para a minguada região recém-conquistada. O grande poema introdutório de As Flores do Mal. o secretário particular de Sainte-Beuve. Em 6 de abril de 1849. desprezar o ouro. que reproduz a substância mais difícil de avaliar. do alto. escreve o ultramontano Louis Veuil\ot: ·0 senhor realmente não sabe que 'ser livre' significa. antes. a paisagem sobre a qual Lamartine estendeu o céu" ." Com isso. do minifundiário."'''' "Provavelmente. o minifúndio arruinado pelas dívidas. dos amadores e dos principiantes. Viena. em primeiro lugar. "S7 O próprio comportamento de Baudelaire corresponde a esse estado de coisa. mas vira insulto tão logo seja imposto ao minifúndio como cornpensação. 108-9. e não incluído em As ! . ti I ~ I. ele não pensara . p_ 31.ss Dificilmente alguém possuía olhar mais penetrante que Baudelaire para os aspectos problemáticos desse fenômeno brilhante. O minifúndio "já não se encontrava na assim chamada pátria. numa casa de saúde.com a puta lhe era habitual. Historische Aujsãtze.e antes que nos detenhamos em sua beleza tantos metros de altura e tantos de comprimento.. pp. Murger morre . parece.) na revolução que estivesse destinado a se tornar o Orfeu que.escreve Sainte-Beuve sobre seu papel • Numa carta aberta a Lamartine. A observação de Lamartine de que precisaria aproximadamente de dez dias para a concentração das tropas lança efetivamente uma luz ambígua sobre aquelas demonstrações. A situação do minifundiário se tornou crítica na década de 40. E. o otimismo rural fundamento da transfigurante contemplação da natureza. o Sr. talvez por ter ele sempre sentido pouco brilho sobre si mesmo. porém. até certo ponto. "Balzac se arruína com café. o senhor produz seus livros do mesmo modo comercial que seus legumes ou que seu vinho!" (Louis Veuillot. lhe faltou entendimento da verdadeira situação do literato. para obter essa espécie de liberdade que se compra com ouro.e. Paris. Assim também é a literatura.58 Até o fim da vida. antes de tudo um enchimento de linhas. a burguesia procurou justificar com as demonstrações operárias de 16 de abril.uma medida que.I I 28 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPfRIO 29 'I I li 1" 1. Musset se embota com o absinto.. autoriza reimpressões sem caracterizá-Ias como tais.1 II il I. Confrontá-lo . Sem dúvida. torna-se naturalmente irreligioso. Nem por isso. como já em 1830 escrevera Sainte-Beuve: "A poesia de André Chénier .I. o então embaixador russo em Paris.) * * Segundo relatórios de Kisseliov. ele estava endividado. Põe o mesmo manuscrito à disposição de várias redações. 1928. Calcula-se que.53 Esse céu desmoronou para sempre quando os camponeses franceses votaram em 1848 pela presidência de Bonaparte. a si mesmo . pelo conjunto de sua obra. mas sim no certificado de hipoteca".escreve Ernest Raynaud tinha de contar com a prática de vigaristas.Y'? Exatamente nesse céu os poemas de Lamartine haviam sido formações de nuvens. Escreve em 1846: "Por mais bela que seja uma casa. deveria conduzir e moderar aquela invasão dos bárbaros. um pouco prostituído" . indisposto contra a sociedade e contra as autoridades. Baudelaire merece a apreciação que a última frase lhe quer imputar. mais tarde. como ainda há pouco Baudelaire. II '. Pages Choisies. Desde cedo. 1906. Porché é de opinião que Baudelaire. il 'i 'i :! . apresenta o poeta na posição desvantajosa de quem aceita moedas sonantes por suas confissões. contemplou sem ilusões o mercado literário. E nenhum desses escritores foi socialista! "59 escreve [ules Troubat. Nisso se encontra uma parcela da história da poesia de Lamartine. e cujos manuscritos só aceitavam se eles conseguissem assinaturas. Disso fala o soneto A Musa Venal.Y" Baudelaire o chama secamente de "um pouco devasso. não tenha ganho mais do que 15 mil francos. com seu áureo arco. Lamartine colaborara na preparação de seus votos.. lançado para além de sua própria limitação. ela tem antes de tudo . Pokrowski provou que os eventos se desenrolaram como Marx já previra em As Lutas de Classes na França.começou a desmoronar. Um dos primeiros poemas de Baudelaire. Lamartine garantira ao embaixador que as tropas se concentrariam na capital . tanto mais porque determina o bom e o mau tempo. (Cf. Pokrowski. não teve escolha na negociação de seus manuscritos. em sua dependência das forças naturais e em sua submissão à autoridade que. "Se o recém-formado minifúndio era naturalmente religioso em sua concordância com a sociedade.

é dirigido a uma mulher de rua. 31. p.t"? A última estrofe . 34. Berlim. Karl Marx e Friedrich Engels. voI. Des classes dangeureuses de Ia population dans les grandes villes. Paris inventeur. (Les hommes de Ia révolution de 1871). 556. 10. . Viena e Berlim. 17. 1895. pp. p. cit. 86. e Lucien de La Hodde.° vol. 8. Charles Baudelaire. Karl Marx e Friedrich Engels. em verdade. Histoire de Ia Commune. La naissance de Ia République en [évrier 1848. Os demais poemas citados nesta obra foram gentilmente traduzidos por Angela C. cit. Paris. M. p. 22. Charles Augustin Sainte-Beuve. Les contemporaines. Victor Hugo. Oeuvres completes. dedica da ao culto da serpente."Essa boêmia . 556.) (N. 19. Berlim. loco cit. cito Gustave Geffroy. 11. p.° ano. Les oeuvres et les hommes. 26. 87. et des moyens de Ies rendre meilleures. Les consolations. 9. i! ilj r~ {l I~ '!. Paris. Paris. Mas o bom Deus riria se. Rio de Janeiro. Charles Baudelaire. Les poêtes. 9. já é para procurar um comprador.. 30. in: Revue bleue. Dem Andenken der [uni-Kãmpjer. P. Charles Baudelaire. Karl Marx. Viena. Bespr. Le • mythe" de Ia "classe ouvriêre". VI. Révolution de 1830. Informe de J Weiss. 28 et 29 juillet. loc.-r.. Physiologie de l'industrie [rançaise. 242." 1.-A. Ivan [unqueira. 38.ela é tudo para mim" inclui despreocupadamente essa criatura na irmandade da boêmia. 11. Grand dictionnaire universel du XIX' Siêcle. p. Karl Marx. 33. 555. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. Paris. 27.. 2. 1897. • Les conspirateurs". Eu. 229.'1 i. loc. 419. 32. doravante só serão indicadas as páginas. 30.. Eu bancasse o Tartufo e fingisse altivez. p. p. 522-3. 29. p. Notas I. 556. 21. Baudelaire sabia como se situava. p. Auguste-Marseille Barthélémy. La justice. 20.. Némésis. pp. 1. Karl Marx e Friedrich Engels. de Murger (1848). Frégier. Diz a segunda estrofe: I·~ " \ Ili Ir 1'1 "It "Para ter sapatos. I. . 36. [ules-Amédée Barbey D'Aurevilly. segundo Die Neue Zeit. 1985. lI. p. p. p. 28. 532. Charles Baudeloire. 556.) 28.. p. 4 (1886). p. Die Klassenkiimpfe in Frankreich 1848 bis 1850. Pierre Larousse. 1850. 16.) 4. 1881. Oeuvres. p. p. Paris. 5. Bibliothéque de Ia Pléiade. 39. 25. p. Paris. Paris. 40. p. Guerra.413. Karl Marx e Friedrich Engels. Poêtes contemporaines. ela vendeu sua alma. Nova Fronteira. L'enjermé. 1932. 2 volumes. na verdade. a fazia um símbolo do Messias. cit. 1927. Karl Marx. 379. As Flores do Mal. Personagens de Scênes de Ia vie de bohême. 19. loco cit. von AdoIphe Chenu. p. Raoul Rigault. do T. I. do T. 2. pp. Karl Marx. 1931/1932. 1. 555. Les Misérables. 1834. Le chant du vote. Das Kapital. Charles Baudelaire. p. 6.. 1862. 10. 423. p. Lettres à sa mêre. Cf. 13. Paris. 3. ~~ 15. 11. von Adolphe Chenu. 1928. (Os poemas de As Flores do Mal foram extraídos desta edição. Paris. 666. (N. 1887. Paris. trad.0 de março de 1914. La crise de l'Etat moderne. mas. lI. Karl Marx. 1844. 1932. p. Pierre Dupont. p. I. in: Revue des deux mondes. Cf. (Doravante s6 serão indicados o volume e a página desta edição." edição. 1932. Paris. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. Ajasson de Grandsagne e Maurice Plaut. Georges Laronze. 18. Paris. 83. p. p. 1870. 2. s/do 12. 11. ~. Charles Proles.j:' . 7. von Adolphe Chenu.. 14. Roman. 10'\. Bespr. H. La préjecture de police sous Ia Commune. 659. 278. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. Karl Marx." edição. Paris. 1928. Edouard Foucaud. vol. lI. Satire hebdomadaire. loco cit. Paris. vol. 346-8. Cito Charles Benoist. que vendo meu pensamento e quero ser autor. 1850. p. 37. Paris. 1850. n. p. p. p. 1840. P.° semestre. Plan des combats de Paris au 27. Les otages. Paris. tomo 14. 23.1 30 WALTER BENJAMIN PARIS DO SEGUNDO IMPeRIO 31 1: Flores do Mal. 8. Pensées d'aoüt.24. 403-5. Lettres à sa mére. Etudes et portraits littéraires. perto dessa infame. 1. loco cit. 728. 225. Bespr. 124. 1898. Jules Lemaitre. o literato: como jlãneur ele se dirige à feira.) 24. Paris. !4. 173. 415. 40. vol. loco cit. 73. Paul Desjardins. Karl Marx e Friedrich Engels. 35. pensa que é para olhar. p. Trata-se de uma seita gn6stica do século 11 que.

122-3. KarI Marx. O Diabo em Paris. I. Paris. p. 1963. in: Revue des deu x mondes. as graças da capital. Histoire de Ia littérature [rançaise sous le Gouvernernent de [uillet. p. Oeuvres completes. Alphonse de Lamartine." 5. B uma literatura panorâmica. o Flâneur Uma vez na feira. 1860. pp. Cf. 53.506. KarI Marx. Lettres parisiennes 18361840. 11. 1906. Ernest Raynaud. 57. A Grande Cidade gozavam. o primeiro plano plástico e. Gabriêl Guillemot.68. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. 289-90.. 196-7. pp. Os trajes de gala de uma escritura por natureza destinada a se vender nas ruas. essas coletâneas são sedimentos do mesmo trabalho beletrístico coletivo para o qual Girardin inaugurara um espaço no folhetim. 301-2. Paris. Ernest Lavisse. Os Franceses Pintados por si Mesmos. loco cit. pp. Eugene Crépet. o escritor olhava à sua volta como em um panorama. Paris. Desse modo. Cit. Paris.. cit. 44. 1845. por assim dizer. François Porehé. loc. Charles Augustin Sainte-Beuve. Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte. Charlc: Augustin Sainte-Beuve. in: Le bohême. Paris. Paulin Limayrae.. p. Etude biographique. Cit. Charles Baudelaire. 1921. Du roman en général et du romancier moderne en particulier.) 51. Esses livros consistem em esboços que. pp. 1. 159-60. I. 52. 1926. Charles Baudelaire.'e não por acaso. Histoire de France contem poraine: La monarchie ele [uillet (1830-1848). loco cit. Cf. n. Du roman actuel et de nos romanciers. 1839. 59.32 WALTER BENJAMIN 41. poésies et pensées de losepn Delorrne. p. 953-4. p. Emile de Girardin. 58. Id. 60. in: Revue des deu x mondes. 385. Fabrique de romans. 1845. pp. 46. 47. Maison Alexandre Dumas et Compagnie. 118. o segundo plano largo e extenso dos panoramas. Paris. 1922. p. abril 1855. 45. 50. 42. Paris. Eugêne Mirecourt. p. pp. 56. O Livro dos Cento e Um.. Paul Saulnier. ibid. p. 48. Paris. loe. imitam. com seu fundo informativo. p. 1863. pp. Les Consolation«. 209.. 156. Nesse gênero ocupavam lugar privilegiado os fascículos de aparência insignificante. 122. 2. simultaneamente com os panoramas. 54. 55. chamados de "fisiologias". (" Letlre à Alphonse Karr". p. 682-3. 319. p. Paris. 43.. Charles Augustin Sainte-Beuve. CL François Porché. Alfred Nettement. cit. Ocupavam-se da descrição dos tipos encontrados por quem visita a feira. Oeuvres poétiques completes. La vie douloureuse de Charles Baudelaire. p. rses. com seu estilo anedótico. Etude biographique. 248. Le bohême. e em formato de bolso. 352. Vie. 1859. 49. Physionomies parisiennes. vol. Paris. 72. Desde o . tomo 11. De Ia littérature industrielte. Numerosos autores forneceram contribuições para esses volumes.' Um gênero literário específico faz suas primeiras tentativas de se orientar.

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