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FRAUDE CONTRA CREDORES E FRAUDE À EXECUÇÃO
Antonio Valentin da Silva1 RESUMO Afigura-se no direito processual civil brasileiro dois artifícios maliciosos utilizados constantemente por fraudadores contra os negócios em geral e os sistemas comercial e financeiro: a fraude contra credores e a fraude à execução. Mediante esses dois artifícios os devedores buscam ludibriar o credor a fim de tornar-se insolvente com o fito de não pagar o débito, desfazendo-se de seus bens, gerando, no primeiro caso a anulabilidade do negócio jurídico e no segundo caso a nulidade do ato praticado contra a execução.
PALAVRAS-CHAVE: Fraude contra credores. fraude à execução. ação pauliana. Má-fé. Devedor insolvente. Anulabilidade. Nulidade.

É bastante comum, nos dias de hoje, notadamente no seio da atividade comercial haver casos em que determinada pessoa adquire bens ou direitos, da forma que mais lhe convier o negócio, porém, no momento do adimplemento, opõe resistência ao credor para a não satisfação do débito mediante vários artifícios maliciosos. Duas dessas modalidades de resistência consistem, primeiramente, em adquirir dívida, às vezes, propositadamente com a intenção de não quitá-la, inclusive por já ter outros compromissos, entretanto utilizando-se de meios que aparenta ao credor haver uma garantia do adimplemento, sendo que posteriormente, na iminência de uma ação de
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Antônio Valentin da Silva é acadêmico do 5º Período Curso de Direito da Universidade Federal do Acre – UFAC, em Rio Branco-Acre.

bens já penhorados no curso da execução. desfazendo-se de bens e direitos. ainda que o ignore. cit.” Como pode observar o conceito citado está em sintonia com a direito material concretizado no caput do art. p. com o intuito de esquivar-se da obrigação e prejudicar o próprio Estado de levar a cabo o processo executório para a total satisfação da dívida. 159. o qual dispõe que “Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida. poderão ser anulados pelos credores quirografários. praticado por quem está em condição de insolvência – criada por fato anterior ou pelo próprio negócio jurídico – em prejuízo de seus credores.2 execução para satisfação da dívida. artifício malicioso. do mesmo codex estabelece que “serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente. 158 do Código Civil. o direito ou os interesses de terceiro. ou por eles reduzido à insolvência. preleciona que “A fraude contra credores é instituto de direito material.” . em sentido genérico. Por fraude. 2009).” (op. tornando-se também a parte devedora insolvente por vontade própria. ou houver motivo para ser reconhecida do outro contratante. representando defeito do negócio jurídico que importa alienação ou oneração patrimonial. temas que são pormenorizadamente analisados a seguir. o devedor transfere esses bens ou direitos para outrem. como por exemplo. se os praticar o devedor já insolvente. quando a insolvência for notória. como lesivos dos seus direitos. com a finalidade de tornar-se insolvente.” E logo em seguida o art. vendendo e transferindo a terceiros. Outra forma consiste em opor resistência à ação de execução em andamento. Esses dois artifícios maliciosos utilizados pelo fraudador são conhecidos no mundo jurídico como fraude contra credores e fraude à execução. Já especificamente em relação à fraude contra credores Guimarães também conceitua resumidamente como sendo a que “visa a impedir que os credores possam ter seu crédito satisfeito. conceituando mais amplamente o tema. entende Guimarães “Fraude – Má-fé. A lei dispõe que todo ato jurídico fraudulento é passível de nulidade” (Guimarães. usado para prejudicar dolosamente. 354) Já o Professor Marinone.

quando .3 Infere-se das normas supramencionadas que a fraude contra credores constitui hipótese de anulabilidade do negócio jurídico. há a necessidade de especificar os seus elementos ensejadores. A ação pauliana é a ação competente para se anular o negócio jurídico eivado de anulabilidade. p. a ação pauliana. para que não se realize. cit. nela incide a alienação de bens. pessoa que com ele celebrou o negócio. Conforme consta da Enciclopédia Wikipédia: A ação pauliana consiste numa ação pessoal movida por credores com intenção de anular negócio jurídico feito por devedores insolventes com bens que seriam usados para pagamento da dívida numa ação de execução. Quanto à fraude à execução. A ação pauliana pode ser ajuizada sem a necessidade de uma ação de execução anterior. a preexistência de credores. qual seja. quando sobre eles existir ação real ou reipersecutória. terceiro adquirente que agiu de má-fé. Seguindo a doutrina mais atual. A ação pauliana é movida contra todos os integrantes do ato fraudulento:    devedor insolvente. o prejuízo a estes acarretado pelo ato e a insolvência do devedor. O seu reconhecimento depende da competente ação autônoma. seja em decorrência do ato inquinado ou por razão anterior a ele. Marinone menciona que para caracterizar a fraude contra credores costumase apontar dois requisitos básicos: a existência de dano aos credores (eventus damni) e o propósito de fraudar os créditos por meio do negócio jurídico com a ciência do terceiro beneficiário (consilium fraudis). para caracterizar a fraude contra credores. (op. 263). Guimarães conceitua amplamente afirmando que é a: praticada na iminência de execução ou no curso dessa. tais como: a necessidade de que haja ato de disposição que implique redução do patrimônio ativo do devedor.

A fraude à execução só se configura se houver ação cível. a fraude contra credores e a fraude à execução são institutos distintos que não se confundem pela característica que cada um apresenta. Já para Marinone “a fraude à execução é o vício muito mais grave. nesse caso o crime seria falimentar. em concretizar de forma exitosa a ação de execução.. afetando diretamente a autoridade do Estado concretizada no exercício jurisdicional”. . nos casos expressos em lei. Delito de ação privada que consiste em artifício lesivo que o devedor aplica contra o credor. conforme estabelecido no artigo 600. demanda contra o alienante capaz de modificar-lhe o patrimônio. a seguir transcrito: “Considera-se atentatório à dignidade da justiça o ato do executado que: I – frauda a execução. e configura-se. Em outras palavras. quanto a vontade do próprio Estado. segundo o entendimento da jurisprudência majoritária. ao tempo da alienação. I. Esses são exemplos de características bens distintas entre os dois institutos. onerando bens ou simulando dívidas. 354). concretizados pelos serventuários da justiça do respectivo órgão jurisdicional. quando transcrita a alienação depois de decretada a falência. se a lei processual civil não considerar o ato fraude à execução. a fraude contra credores é instituto do direito material tratada pelo Código Civil como defeito do negócio jurídico. do Código de Processo Civil.4 pendia. (. sobre os bens da parte devedora. a fraude à execução ataca tanto a pretensão da parte credora de reaver o seu patrimônio. Já a fraude à execução é instituto processual e configura ato atentatório à dignidade da justiça. alienando-os e praticando todos os demais atos com o intuito de impedir e prejudicar a o êxito dos atos executórios do Estado. que não atinge apenas os interesses dos credores. p. reduzindo-o à insolvência. cit. momento em que este toma conhecimento da ação executória do Estado sob seu patrimônio. O sujeito ativo não pode ser o comerciante.. a partir da citação da parte devedora. seja doando-os. seja ocultando-os. quanto à penhora. alienação e adjudicação dos bens do devedor para a satisfação integral da dívida. Sendo assim. ou seja. pois. não se aplica a lei penal. (op.)”. e inicia-se o processo fraudulento de descaminho de seus bens.

gerando a anulabilidade do negócio jurídico. emerge por configurar ato atentatório à dignidade da justiça. 37). submerge como defeito do negócio jurídico. enquanto que o segundo. a partir da citação da parte devedora. Assemelham-se. é instituto do direito material. segundo a jurisprudência dominante. a fraude à execução. O primeiro. apesar de serem institutos do mundo jurídico semelhantes. porque em ambos a alienação é ineficaz perante o credor. “assemelham-se os institutos porque em ambos o devedor aliena bens. a nulidade. gera a nulidade do ato praticado contra a execução e. são totalmente distintos em suas características peculiares. CONCLUSÃO Concluiu-se neste ensaio que a fraude contra credores e a fraude à execução. a fraude contra credores. o segundo. Enquanto o primeiro. 2009. tornando-se insolvente. superado já o entendimento de que a fraude contra credores gera anulabilidade e a fraude de execução. configura-se. na lição de Gonçalves. mais grave. p. é instituto do direito processual.5 Quanto à semelhança entre ambos. .” (Gonçalves. ainda.

wikipedia. GONÇALVES. 2008. Carlos Roberto. 12) GUIMARÃES. 2009. 2009. 2009. Disponível em <http://pt. v. GONÇALVES. MARINONE. – São Paulo: Rideel.org/wiki/A%C3%A7%C3%A3o_Pauliana> . Marcus Vinícius Rios. III: Execução – São Paulo: Revista dos Tribunais.12ª ed. vol. Dicionário Técnico Jurídico . 2010. III – São Paulo: Saraiva. – São Paulo: Rideel. Direito Civil Brasileiro. Vade Mecum: acadêmico de direito. Deocleciano Torrieri. – 10ª ed. Anne Joyce. – (Coleção Sinopses Jurídicas. – vol.6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANGHER. Processo de Execução e Cautelar – São Paulo: Saraiva. Curso de Processo Civil. Luiz Guilherme. Wikipédia.

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