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a missão sinopse

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Published by: Fernando Carlos on Nov 06, 2011
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11/06/2011

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Os acontecimentos desta história são verdadeiros e ocorreram nas fronteiras da Argentina, Paraguai e Brasil no ano de 1750″ é a frase que

abre A Missão. E é num tom realista que o filme aborda um fato relacionado com nossa história. O pano de fundo aqui é a colonização da América do Sul pelos espanhóis e portugueses no século 18, mostrando as missões jesuítas da Igreja Católica ocorridas nesse período. Temos um pedaço da nossa história retratada. E muito bem retratada. Numa das cenas iniciais, vemos um grupo de índios jogando num rio um corpo de um padre amarrado numa cruz. Isso já simboliza o tema principal: A civilização dos índios da América do Sul através do cristianismo. Se por um lado, isso foi um meio de um grupo (os missionários jesuítas da Igreja Católica, especificamente falando) tentar defender esse povo da colonização, por outro pode se julgar o mal que isso poderia ter sido na cultura dos índios, que praticamente foram obrigados a abandonar seus ritos e tradições em troca de uma “civilidade”, que era o que o cristianismo significava na época. Civilidade esta, que era imposta pelos colonizadores tanto espanhóis como portugueses, justamente quem devastava as terras indígenas e escravizavam os índios. A Missão relata através da história da Missão de São Carlos comandada pelo Padre Gabriel (Jeremy Irons) todos os meandros da colonização desenfreada da América do Sul. Podemos ver no filme a discriminação que os índios sofriam dos colonizadores que os tratavam como meros “animais selvagens”; a escravidão que foi imposta a uma enorme quantidade deles; a luta pelo controle de terras indígenas colonizadas; a Igreja que praticamente os abandonou quando viu que estava perdendo o controle (leia-se poder) na região, e simplesmente deixou acontecer os massacres; e, claro, os jesuítas que acabaram se voltando contra os colonizadores e contra a própria Igreja, na busca pela proteção dos índios e de suas terras. Depois dessa cena com o padre sendo jogado no rio, somos apresentados ao personagem de Jeremy Irons, padre Gabriel. Um missionário jesuíta que vai tentar um contato com uma tribo de índios guaranis. Começamos vendo a dificuldade que ele tem para chegar ao local onde está a tribo, quando tem que atravessar um rio, escalar uma cachoeira e depois adentrar a floresta. E é quando Gabriel encontra os índios que temos uma cena onde já se destaca um dos elementos chaves do filme: A Música. Tendo a dificuldade de comunicação com eles, pela falta de conhecimento de seu dialeto, Gabriel apela para uma flauta. Ele toca uma música que desperta a curiosidade dos índios, que mesmo após a ira de um deles (um índio mais velho da tribo quebra a tal flauta) acabam por aceitar a presença dele. O problema de comunicação que poderia haver, não existe mais; e esse é o primeiro elo que se forma entre o padre e os índios. A importância que a trilha sonora tem nessa cena é a mesma que tem no filme como um todo. Sendo de assinatura do mestre Ennio Morricone, temos nessa pequena cena como essa trilha é importante para se contar essa história, ou melhor, para se fortalecer as estruturas dessa história. O Padre usa a música para se mostrar aos índios como um “igual” e assim eles passam a confiar em alguém de fora por causa dessa música. E em outras cenas, o inverso é feito. Gabriel muitas vezes para tentar mostrar ao “povo civilizado” (tanto os colonizadores, como o representante da Igreja) que os índios não são “animais” como eram taxados, ele novamente usa a música. Numa dessas cenas, ele coloca em frente de uma platéia um pequeno índio cantando, e logo se vê como algumas pessoas ficam maravilhadas ao ouvir um índio cantando de tal forma. São cenas como essa que o filme mostra a música como sendo uma linguagem universal que ultrapassa barreiras culturais, de linguagens, de idiomas e dialetos. A trilha sonora é um dos alicerces d’A Missão. Outro alicerce é o personagem Capitão Rodrigo Mendonza, perfeitamente interpretado pelo ator Robert DeNiro. Já com um rol de personagens marcantes, tanto antes desse filme como depois dele, De Niro tem mais um personagem forte em mãos que, como de costume, ele realiza muito bem. No início, Rodrigo é um mercenário, um mercador de índios. Ele os captura na floresta e os vende como escravos para colonizadores. Aqui o vimos como um homem que faz seu trabalho com muita frieza, sem demonstrar muita emoção. Ele simplesmente cumpre a função, sem se preocupar com as conseqüências ou com a uma suposta moralidade no que faz, mas que, ao mesmo tempo, se mostra muito apegado a sua família, no caso, sua mulher Carlotta (Cherie Lungh – a única personagem feminina com

temos um belo diálogo entre Rodrigo e Gabriel. Rodrigo. E ao chegar ao topo da cachoeira. que não tomou uma decisão feliz ao “lavar as mãos” em relação ao conflito. Temos então a cena da redenção dele. mas ao mesmo tempo vê que devido aos vários interesses em jogo não conseguiria evitar o conflito. o filme optou por não se por com um olhar isento. as armas de fogo. Afinal. Isso tudo está bem trabalhado na trama. principalmente para aquele povo. Não consegue viver com a dor. A Igreja Católica comparece no meio dessa disputa. Rodrigo não busca vingança ou algo que o valha. assumindo certas posições extremas. aquele homem que se mostrava frio – pelo menos perante os índios que capturava – aqui mostra sua humanidade. Tanto que a primeira e a última imagem do filme é justamente o olhar de reprovação desse personagem para com a história. os mesmos . coisa que a colonização desenfreada que ocorria por aqui não poderia permitir. mas acaba tendo um duelo de vida e morte. Rodrigo e todos os outros jesuítas formam com os homens da aldeia um exercito para tentar enfrentar os soldados colonizadores. e com ele se tornando um dos padres jesuítas da Missão de São Carlos. E até a Igreja Católica. Rodrigo quer deixar de ser padre para poder enfrentar a luta armada junto com os índios. O jeito que Rodrigo chora e ri ao mesmo tempo quando se livra do peso pelas mãos dos índios é comovente. A Missão se posiciona como um “filme denúncia”. crianças e idosos da tribo. não os confronta. A situação dele começa a se desenvolver quando sua mulher assume que se apaixonou pelo seu irmão. e aí que o Padre Gabriel o encontra novamente. como tratar os jesuítas sendo os heróis – não vemos ninguém ruim no lado deles – e os colonizadores sendo os vilões – não vimos ninguém bom no lado deles. Rodrigo passa a se martirizar. em que ele. e acaba por “lavar as mãos”. Ele o convence a ir para a Missão de São Carlos ajudar os índios. Antes das cenas de batalhas. Um deles (interpretado pelo ator Liam Neeson – aqui no início de sua carreira) até tenta o livrar desse peso. mas para se colocar assim. principalmente. Tudo ali está sendo visto com um olhar bem específico de alguém que participou de tudo e que reprova tudo que aconteceu ali. principalmente. cachoeira e uma floresta densa pelo caminho. por outro lado. tenta ir embora. Rodrigo. e não soa como “novela mexicana”. Colonizadores portugueses e espanhóis. quando vemos que tudo é contado por um dos personagens. E mesmo depois de ver a mulher e seu irmão juntos na cama. forma o melhor momento do filme. pelo amor que sente do irmão. da culpa que ele carrega pela vida que levava e também pela morte do irmão.fala do filme) e seu irmão mais novo Felipe (Aidan Quinn). Ele simplesmente tenta a todo custo não se deixar cair qualquer sentimento negativo. Os índios contando com poucos recursos. através de um representante vindo da Europa. ele continua a carregar o tal peso. as missões davam voz e terra aos índios. mas ainda sim se mostra bem cruel. Vemos juntos os desempenhos de Robert DeNiro com a trilha de Morricone. também é poupada. Para chegar à tribo de guaranis. acontece a conclusão do seu martírio quando ele se depara com os índios. Uma autoridade da Igreja que vem incumbido de dar uma solução para o conflito. e Gabriel se recusa a entrar em guerra ou dar permissão para que Rodrigo faça isso. o massacre que ocorreu com eles. Ele vê a importância das Missões para o povo indígena. Depois dessa redenção de Rodrigo. e com a música de Ennio ao fundo. tentando acabar com as missões Jesuítas. que é ótima e com uma bela conclusão. o que se segue no filme é a disputa que tomou conta da região. Assim o massacre dos índios começa. já que enquanto Gabriel vai simplesmente realizar mais uma missa tendo como platéia mulheres. o que resulta na morte de Felipe. mesmo com reprovação por parte dos outros Padres jesuítas que o acompanham. ele leva consigo um peso amarrado ao corpo. sempre condenou no passado. essa batalha não é tão violenta. Daí surge uma quebra entre os jesuítas. Com a condução correta do diretor Roland Joffé e a interpretação de De Niro tudo fica num patamar bem superior. teve aqui uma engenhosa manobra narrativa. Mas como o foco seria a situação dos índios. Comparado com filmes atuais. Esse peso representando o peso do passado. Após a morte do irmão. com rio. As cenas de batalha ilustram bem a covardia em que ocorriam nesses confrontos. e fazer algo por alguém. enquanto os soldados colonizadores tinham toda uma estrutura e. O personagem mostra certa dualidade. mas Rodrigo se nega a deixá-lo para trás. Ou seja. Mesmo com toda dificuldade de chegar à tribo. Só que se por um lado a situação dos índios era o foco.

O diretor Rolland Joffé resolveu não usar atores profissionais para interpretá-los. Assim não temos um personagem dentre eles que chame maior atenção. se tem a impressão que os índios são “parte do cenário”. Embora como “cinema” cometa deslizes. cumpre muito bem a função. evasão escolar seria algo que não existiria mais. direção de arte caprichada. do sudoeste da Colômbia – para interpretarem os índios guaranis. mas pouco se consegue nesse sentido. Talvez pelo fato do diretor Rolland Joffé não ter feito nada relevante depois dele. Se toda aula de história fosse assim. ganhando até a Palma de Ouro de Cannes. Para finalizar: O filme. No geral. Isso acabou se voltando a favor do filme. é pouco lembrado. e um outro que comanda a tribo. já que como disse. o foco era a situação dos índios e situação deles era essa na época: Eles não tinham importância. principalmente nós. Tem uma tentativa com um pequeno índio que segue o Robert De Niro. Belas imagens. e sim essa disputa que acontecia em nome deles e das suas terras.índios não demonstraram muita empatia na tela. ótimas interpretações. uma boa narrativa. já que conta uma história envolvendo a colonização do nosso continente. então aqui foi usado uma tribo de verdade – os Waunana. Atualmente. já citado. . – como. mas precisamos prestar atenção em A Missão. Como era o realismo que ele buscava. não olhar para essa história com um olhar mais isento – mas como “aula de história”. com uma trilha de Ennio Morricone no fundo e interpretação de Robert De Niro. trilha sonora inesquecível. na época de lançamento chamou atenção.

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