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Processo Penal Comum Ordinário

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resumo processo penal rito comum ordinário
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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PELOTAS CURSO DE DIREITO DISCIPLINA DE PRÁTICA JURÍDICA II PRÁTICA PENAL SIMULADA

PROCESSO PENAL PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO

Sandra Regina Bergmann Schneider

PELOTAS/RS, SETEMBRO DE 2011. Processo Penal – Procedimento Comum Ordinário
A Lei 11719/2008 alterou os procedimentos a serem seguidos no julgamento da lide. O art. 394 CPP determina que o procedimento seja comum e especial. O procedimento comum é aquele pelo qual não há procedimento especial previsto em lei para que seja solucionado o conflito. O procedimento especial, portanto é aquele disciplinado em lei. São exemplos o mandado de injunção, habeas data, ação civil pública, Tribunal do Júri. O procedimento comum divide-se em: a) Ordinário – crime cuja sanção máxima cominada for igual ou superior a 4 anos de pena privativa de liberdade, salvo se não se submeter a procedimento especial; b) Sumário – crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a 4 anos de pena privativa de liberdade, salvo se não se submeter a procedimento especial; c) Sumaríssimo – infrações penais de menor potencial ofensivo, na forma da Lei 9099/95, ainda que haja previsão de procedimento especial. Enquadram-se nesse conceito as contravenções penais e os crimes cuja pena máxima não exceda a 2 anos. Estes apontamentos versam sobre o procedimento comum ordinário, que tem sua previsão nos arts. 394 – 405 do Código de Processo Penal. A instrução criminal é uma das fases do procedimento penal na qual se produzem as provas tendentes ao julgamento final do processo. De regra, inicia-se com a inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, estendendo-se até a fase anterior às alegações finais. Nesse sentido, Mirabete define a instrução criminal como sendo "o conjunto de atos ou a fase processual que se destina a recolher os elementos probatórios a fim de aparelhar o juiz para o julgamento". Num sentido lato é possível englobarmos as alegações da partes na instrução criminal, esta é a posição defendida por Tourinho Filho. Assim este autor divide a fase instrutória em fase probatória e fase das alegações finais. O procedimento penal inicia-se com o oferecimento da denúnica ou queixacrime. Denúncia

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É o nome da peça acusatória inicial oferecida pelo Ministério Público, no convencimento de que há suficientes indícios de materialidade e autoria e de que não há causa de exclusão da antijuridicidade ou que extingam a punibilidade. O artigo 46, primeira parte, do Código de Processo Penal dispõe que o prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu preso, será de 5 dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 dias, se o réu estiver solto ou afiançado, salvo lei específica que diferentemente normatize. O oferecimento da denúncia fora do prazo legal constitui mera irregularidade sem conseqüências para o processo, segundo atual jurisprudência do STF (HC 72254 / CE). São requisitos da denúncia (art. 41 do CPP). • • • • A exposição do fato; A qualificação do acusado; A classificação do crime; Quando necessário o rol de testemunhas (quando depender de prova testemunhal. Queixa-crime É a peça acusatória inicial em casos de ação penal privada, cuja titularidade é do ofendido ou de seu representante, e não deve ser confundida com a notícia do crime, dada por qualquer pessoa, pois o prazo de decadência só é suspenso com a sua efetiva apresentação, ao juiz criminal. Em caso de queixa-crime oferecida em ação penal privada, o MP funciona como fiscal da lei, zelando para que a legalidade seja observada. A queixa-crime oferecida como subsidiária da denúncia, o MP retoma a titularidade da ação penal normalmente, caso esteja convencido da legalidade da acusação. Deve conter a breve descrição do fato e ser feita por advogado com procuração e poderes especiais (art. 44CPP). O prazo para o oferecimento da queixa-crime é decadencial e contado 6 meses do conhecimento da autoria do fato, devendo ser apresentada em juízo. Este prazo não interrompe, tampouco suspende. Antes de receber a queixa-crime o juiz dá vistas ao MP para que se manifeste a cerca dos fatos. O MP pode aditar para incluir agravante ou outra informação ( o prazo 3

neste caso é de 3 dias). A ausência da manifestação do MP não acarreta nulidade absoluta, mas relativa (art. 564, II, c/c art. 572 CPP). São requisitos da queixa-crime: • • • • A exposição dos fatos com todas as suas circunstâncias; A qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais seja possível identificá-lo; A classificação do crime; Rol de testemunhas, quando necessário.

Oferecida a denúncia ou queixa-crime, caberá ao juiz recebê-la ou rejeitá-la. Se o juiz rejeitar a denúncia, o MP pode recorrer (Recurso em Sentido Estrito no processo comum. cf. apelação no procedimento do juizado especial criminal), previsão também para a queixa-crime (art. 581, I CPP). Caso não recorra, os autos serão arquivados assim que transitar em julgado a decisão que rejeitou a inicial acusatória. Se a denúncia ou queixa-crime for recebida, pelo juiz ou por força de decisão em recurso, instaura-se o processo-crime, devendo o juiz, no mesmo despacho que recebe a denúncia, mandar citar o réu para que apresente a defesa prévia no prazo de 10 dias (art. 396 CPP). Citação É o chamamento do réu para defender-se, noticiando-lhe que há uma pretensão processual contra si. É ato formal e deve ser realizado conforme previsão legal, não se admite forma substitutiva, salvo o art. 570 CPP. Portanto imprescindível e pode ser real ou ficta. A citação real é a realizada por mandado, pelo oficial de justiça, a que se faz mediante requisição e a que se faz por precatória ou rogatória, enquanto que a citação ficta é a que se realiza por edital. No caso da citação por edital, o prazo para defesa começa a partir do comparecimento do acusado ou do defensor constituído (CPP, art. 363, §4º). A citação por hora certa é realizada em caso de ocultação do réu, o oficial de justiça fará a citação conforme estabelece os arts. 227 a 229 do CPC, o não comparecimento do réu, após a citação por hora certa, justificará a nomeação de defensor dativo para que o processo tramite sem a sua presença (CPP, art. 362, § único).

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Regra geral, a citação deve ser dada na pessoa do réu, salvo réus em razão de sua função como o militar que tem sua citação vinculada ao seu comandante, assim como o funcionário público em que seu superior deve ser notificado, o preso mediante requisição ao diretor do estabelecimento em que esteja recolhido. O réu sendo devidamente citado terá 10 dias para apresentar a Defesa Prévia ou Resposta à acusação por escrito (art. 396 CPP). Resposta à Acusação Trata-se de peça típica da defesa, na qual deverá o acusado argüir preliminares e alegar tudo mais que interesse à sua defesa ou lhe favoreça neste sentido, sendo-lhe ainda possível oferecer documentos, justificações, especificar provas pretendidas (tais como produção de laudos e exibição de documentos que por quaisquer motivos não possam ser juntados neste momento). É este o momento próprio para que sejam arroladas testemunhas até o máximo de oito. Caso não se proceda desta forma, ocorrerá preclusão consumativa, ficando o acusado sem a possibilidade de fazê-lo em outro momento processual (art. 396-A CPP). Atualmente se trata de peça obrigatória, pois antes da Lei nº. 11.719/08, a intitulada “Defesa Prévia” ou “Defesa Preliminar” era facultativa, sendo apenas imprescindível que lhe fosse aberto o prazo para o oferecimento de tal peça. Não apresentada a defesa no prazo legal, ou se o acusado não constituir defensor, o juiz nomeará defensor, concedendo-lhe vistas ao processo por 10 dias. A não-nomeação de defensor gerará nulidade absoluta. Absolvição Sumária O art. 397 do CPP estabelece que uma vez oferecida a resposta à acusação pelo réu o juiz poderá absolver sumariamente o acusado desde que estejam presentes alguma dessas circunstâncias: existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato; existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; atipicidade do fato; e extinção da punibilidade do agente. Em caso de inimputabilidade comprovada por exame de insanidade mental, o CPP não autoriza a absolvição sumária do agente, pois esta implicará em aplicação de medida de segurança,

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sendo esta a melhor tutela do réu, podendo este comprovar por outros meios sua inocência sem ter aplicado as penas restritivas de direitos. Recurso cabível em caso de absolvição sumária do réu é a apelação, com exceção da hipótese prevista art. 397, IV CPP, quando cabe Recurso em Sentido Estrito (art. 581, VIII, CPP). Audiência de Instrução, Debates e Julgamento A reforma no processo penal visou uma celeridade processual, aprimorando a colheita e provas e o princípio da oralidade dos quais decorrem vários desdobramentos, quais sejam: concentração dos atos processuais em audiência única, imediatidade e identidade física do juiz, mesmo que instruiu a audiência deve julgar o feito. Desta maneira, em não sendo o réu absolvido sumariamente, o juiz deve designar audiência no prazo máximo de 60 dias, para que possa ouvir o ofendido, inquirir as testemunhas da acusação e defesa, os esclarecimentos dos peritos, às acareações e o reconhecimento de pessoas e objetos, por final o interrogatório do réu, é o que prevê o art. 400 CPP. A audiência tem por princípio a concentração dos atos processuais, ou seja, todos os atos e provas serão realizados em audiência única. A oitiva de testemunhas dá-se em número não superior a 8 (oito) para ambas as partes, começando-se pelas de acusação. Pela reforma processual o juiz deixa de ser o intermediário na interrogação, passando o interrogatório ser direto do representante das partes no processo, o juiz interferirá apenas em caso de indução à resposta, perguntas não relacionada ao processo e questões repetidas (art. 401 CPP). O interrogatório do réu ocorre antes da possibilidade de requerimento de diligências, sendo um dos últimos atos da audiência. Havendo requerimento de diligências possíveis de serem realizados no interregno da audiência esta será realizada para então ocorrerem os debates orais, no qual os advogados das partes e o Ministério Público dispõem, cada qual, de vinte minutos, prorrogáveis por mais dez, para analise crítica das provas e exposição dos argumentos visando o convencimento do juiz, nos casos de haver a figura do assistente de acusação este terá dez minutos para suas explanações, tempo este que será acrescido à defesa (art. 403 CPP). Se o requerimento de diligências exigir a sua realização em período superior ao tempo da audiência esta será finalizada sem as alegações finais (art. 404 CPP). Após a

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realização da diligência terão as partes cindo dias para a apresentação das alegações finais escritas, sendo o prazo sucessivo, primeiro a acusação e depois a defesa. É possível que as alegações finais sejam escritas também nos casos em que o juiz julgar o caso complexo ou numero excessivo de réus (art. 403 § 3º CPP). O juiz terá 10 dias para prolatar a sentença. A seguir organograma do Rito Comum Ordinário no Processo Penal.
PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO (Alterado pela Lei 11.719/2008)

Arquivamento – Cabe RESE

Art. 581, I CPP, ou apelação em casos específicos Pessoal

Alega preliminares, apresenta provas e arrola testemunhas (art. 396-A CPP) Juiz pode absolver sumariamente neste momento (art. 397 CPP)

Oferecimento da Denúncia ou Queixa Crime

Rejeitada liminarmente (art. 395 CPP) Citação

Hora Certa

Defesa apresenta Resposta a Acusação (prazo 10 dias)

Denúncia pzo 5 ou 15 dias; Queixa-Crime – 6meses

Recebida (art. 396 CPP)

Edital

Art. 396 § único, CPP

Não absolve

Audiência de Instrução , Debates e Julgamento (art. 400 CPP)

O juiz tem prazo de 60 dias para marcar a audiência

Inquirição do Ofendido (vítima )

Inquirição das testemunhas de acusação

Inquirição das testemunhas da defesa

Peritos (se necessário )

Acareação (se necessário )

Reconhecimento (se necessário )

Máximo de testemunhas por parte são 8(oito) (art. 401 CPP)

Interrogatório do Acusado Art.403 CPP

Fim da audiência (art.404CPP)

sim

Novas Diligências (art.402 CPP)

não O tempo é prorrogável por +10min. Havendo assistente de acusação, este terá 10min para manifestação, aumentando este tempo na defesa. (art. 403, caput CPP)

Alegações finais da acusação (orais – 20 min) Os debates orais podem ser substituídos por memorais- prazo 5dias sucessivos (art. 403 § 3º CPP) Alegações finais da Defesa (orais – 20 min)

Realização da diligência

Alegações da acusação (escrita – 5 dias)

Alegações da Defesa (escrita – 5 dias)

Sentença

Havendo mais de 1 réu, o tempo será individual (art. 403 § 1º CPP)

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