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Vivenciando valores na educação infantil

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VIVENCIANDO VALORES NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Jadir Alves dos Santos A infância é algo que sempre existiu. Contudo, o conceito de infância é recente. Até o século XII não foram encontrados registros sobre a infância, o que nos remete a conclusão de que esse conceito não existia, não sendo atribuído destaque a esta fase da vida em tempos remotos. Na Idade Média, por exemplo, não havia diferenciação entre adulto e criança, sendo esta considerada um “adulto em miniatura”. (CORDEIRO & COELHO, s/d).
Ao serem representadas, principalmente através de pinturas, geralmente aparecia numa versão miniatura do adulto. Seus trajes não diferiam daqueles destinados aos já crescidos. Notamos trata-se de crianças pelo fato dessas figuras se apresentarem em tamanho reduzido, embora com rostos e musculatura de pessoas maduras. (CORDEIRO & COELHO, s/d, p. 884)

A organização social da família tradicional nesse período praticamente excluía a fase que hoje denominamos “infância”, pois era muito curta, restringindo-se à etapa de fragilidade física somente e quando adquiriam independência, por assim dizer, iniciavam o convívio frequente com os adultos, fazendo parte dos seus trabalhos e jogos, sem, no entanto, estarem preparados física e psicologicamente para isso. (CORDEIRO & COELHO, s/d). O sentimento presente nesta fase do adulto pela criança era denominado “pararicação”, sentimento este que durava pouco tempo, apenas os primeiros meses de vida, onde a criança era como um “instrumento de diversão”, assim como um animal de estimação. Tanto que quando uma criança falecia (o que era comum na época devido às péssimas condições de higiene e recursos insuficientes para sobrevivência), a família não era tomada por uma tristeza profunda como vemos atualmente, mas sim por um “sentimento de substituição”, uma vez que logo seria substituída por outra criança. (CORDEIRO & COELHO, s/d). O conceito de infância se fez presente mesmo no século XIII e XIV, entretanto, foi nos séculos XVI e XVII que este evoluiu e ganhou espaço, alterando consideravelmente os sentimentos e as relações em relação à infância e, claro, ao tratamento à criança. (CARVALHO, 2003) O século XVIII foi marcante em muitos aspectos. Dentre eles as revoluções burguesas (Revolução Industrial e a Revolução Francesa, especialmente) e o

aprende.Iluminismo. Todavia. Com o apogeu da Revolução Industrial. buscando distanciar da definição literal de infância. não teria condições de falar de expressar seus pensamentos e sentimentos”. Estas passaram a ser vista como tendo um valor econômico a ser explorado. Por muitos anos era vista com “maus olhos”. relegando-lhes uma condição subalterna diante dos membros adultos. E precisamos conhecer como é o desenvolvimento infantil para que possamos contribuir para potencializá-lo. como no meio social e ainda dentro das instituições de ensino. P. que vem do latim. da incompletude perante os mais experientes. tudo tem seu lado positivo e negativo. ao seu pleno crescimento saudável. Walon. infantia. dormindo e se alimentando. psicológicas. Acreditava-se que “a criança antes dos 7 anos de idade. inserindo-as na trajetória . (CORDEIRO & COELHO. Porém. que pesquisaram a fundo e hoje temos uma visão completamente diferente a respeito da criança e da infância. sociais. afetivas. visando libertar o homem da ignorância. 885) Foram muitos e muitos anos de luta para dar à criança seu lugar de merecimento tanto no seio familiar. e a partir da demanda social. ou seja. enfim. Vygotsky. que significa “incapacidade de falar”. sente. produz conhecimento. A criança então carregava consigo “o estigma da incapacidade. A urgência por mão-de-obra provoca o não cumprimento dos direitos infantis de acesso à escola. ela pensa. esta visão está se modificando. abrangendo a faixa etária de zero a seis anos e tem como função “apresentar” o mundo do conhecimento às crianças. submetidas às explorações em nome dos ditames econômicos. dentre tantos outros. que trouxeram à tona novas ideias e novos ideais à humanidade. Instalou-se uma posição de respeito às suas peculiaridades e o direito ao desenvolvimento de suas capacidades físicas. (CORDEIRO & COELHO. sabendo-se que a criança é sujeito de suas ações. brincando. onde as creches se resumiam a um espaço único e exclusivamente para se deixar a criança no período de trabalho dos pais. um “depósito de crianças”. A Educação Infantil é a primeira etapa da educação básica. levando as crianças novamente ao mercado de trabalho. Foram muitas as lutas para que a Educação Infantil tivesse sua importância reconhecida. s/d. p. onde o conhecimento se expande e nunca cessa. Era um ser anônimo sem um espaço determinado socialmente”. foi direcionado um novo olhar sobre a infância. ocorrido entre os séculos XVIII e XIX. 884) Graças à evolução da humanidade. s/d. cognitivas. abrindo um horizonte de conhecimento e liberdade. tivemos contribuições valiosas de diversos estudiosos sobre o desenvolvimento infantil como Piaget.

convivendo e aprendendo sobre sua cultura mediante diferentes interações com seus pares. Luta-se para universalizá-la a partir dos quatro anos. 1994. a educação infantil é oferecida em creches e préescolas municipais e particulares. um período extremamente fértil para o aprendizado e para o desenvolvimento da criança. como nos lembra Paschoal & Machado. vem tendo um maior destaque no cenário nacional. 02). Na sociedade contemporânea. O que antes era papel dedicado a família. emocional. porque era no convívio com os adultos e outras crianças que ela participava das tradições e aprendia as normas e regras da sua cultura. p. 02). a criação e atuação de uma Coordenadoria de Educação Infantil ligada ao Ministério da Educação e a incorporação da educação infantil ao sistema de ensino são exemplos atuais de um processo de reconhecimento e de construção de uma nova identidade dessa modalidade de prática social que. recentemente. s/d. pois além . “A Educação Infantil é uma das mais complexas fases do desenvolvimento humano. agora reconhecida como um direito fundamental. mas não é obrigatória. atualmente. educativo. (PIAGET. 79) É um momento de euforia. (SILVA & COSTA. Piaget coloca que a criança pré-escolar vive uma fase de transição essencial entre a ação e a operação. tais como intelectual. pois se entende ser essencial à formação do indivíduo. p. a educação da criança esteve sob a responsabilidade exclusiva da família durante séculos. em seus diversos aspectos. além de ser uma fase preparatória para o próximo estágio que é o operatório concreto. Enfim. a criança tem a oportunidade de frequentar um ambiente de socialização. O aumento no número de pesquisas (Rocha. seguro e afetivo. citado por SILVA & COSTA. s/d. 1974) No Brasil. sendo um fator determinante que a separa da fase adulta. Por isso. ansiedade. s/d. Do ponto de vista histórico. durante a sua história. a brincadeira. passa a ser da alçada pública (e também privada). 02). (SILVA & COSTA. com pessoas qualificadas para acompanhar as crianças nesse processo de descoberta e conhecimento”. social e motor”. a educação infantil deve ser um período “estimulante. por sua vez. KRAMER. de curiosidade. interação com outras crianças. caraterizando um momento bastante diferenciado e de razoáveis modificações na área. pois dessa forma a criança aprende mais e melhor. 1999). 1999. A educação infantil. Para suprir as expectativas das crianças. p. assumiu um importante papel no processo de socialização para a subalternidade das classes pobres (ROSEMBERG. p. É.escolar. que conta com uma energia física e mental peculiar a essa faixa etária. é um momento recheado de novidades que são essenciais ao desenvolvimento do indivíduo. (2009. Continua sendo um espaço onde se prioriza o lúdico. portanto. que sonham com o dia de irem para a escola.

34). sociedade) são os objetos centrais de estudo da Psicopedagogia.). hoje tem o compromisso de desenvolver plenamente as capacidades e habilidades das crianças. citado por Bossa. mais. à higiene e a sua faixa etária. De um ser humano. Por isso que a preocupação central do professor deve ser a utilização da ludicidade na sua prática pedagógica. procurando colocar em pé de igualdade os aspectos cognitivos. escola. É falar da criança. à alimentação. as crianças aprenderão brincando. pequenino. através do foco em dois eixos inseparáveis. que referem às diferenças individuais como o tempo e ritmo de cada um. O processo de ensino e aprendizagem. como as relacionados ao repouso. 1998) Além do mais. É importante ensinar à criança os conteúdos disciplinares inerentes a essa faixa etária. procura desenvolver suas potencialidades e habilidades. As necessidades biológicas. . citado por SILVA & COSTA. (DIDONET. procurando estudar a construção do conhecimento em toda a sua complexidade. (BRASIL. voltando o foco para o trabalho do psicopedagogo nas instituições infantis. 2001. da sua necessidade social ou da sua importância educacional. (BARBOSA. “Falar da creche ou da educação infantil é muito mais do que falar de uma instituição. a partir disso. A psicopedagogia estuda o ato de aprender e ensinar. p. pois esta se preocupa com o cuidado com a valorização da individualidade. A educação infantil que antes tinha função assistencialista. tendo como objetivo o seu bem e o bem da sociedade. 2000) Neves. levando sempre em conta as realidades interna e externa da aprendizagem. assim como a influência do meio (família. 2000. afetivos e sociais que lhe estão implícitos. 19) De um ponto de vista mais específico. E. de suas qualidades e defeitos. tomadas em conjunto. é fundamental ter em mente que. pois assim. s/d. p. as necessidades sociais e históricas que dizem respeito à cultura e ao estilo de vida. coloca que. p. (BOSSA.de ser um período de aprendizado não somente de questões que desenvolvem o potencial cognitivo. da percepção das diferenças dos sujeitos que é o que nos torna únicos e. o cuidar e o educar. E criança gosta de brincar. mas sem se esquecer que está lidando com crianças. as necessidades psicológicas. mas exuberante de vida”. É nesse ponto que entra a Psicopedagogia. mas também o desenvolvimento do comportamento social. (2000.

e assim começar a se questionar sobre as regras e papéis sociais. Como nos coloca Lucchetti (2009). (FERNÀNDEZ. Caso não goste. A hora do jogo. mas que é repleto de seu imaginário. como também permite a interação com ela. já será indício de que há algum problema. Através dela a criança se comunica com os adultos. principalmente na prevenção de futuros problemas de aprendizagem. e com isso estará contribuindo para a constituição do processo da organização psíquica. pois permite à criança (re)viver ativamente as situações dolorosas que viveu passivamente. Ao brincar. podendo assim apontar direções para o planejamento de atividades a serem realizadas com as crianças. Pois a brincadeira é uma forma de expressão utilizada pela criança. podendo assim interiorizar. O jogo em especial. O brincar é o primeiro experimentar do mundo que a criança tem. oferecendo meios para que seja melhor trabalhado o desenvolvimento infantil. Bossa. nem mesmo um desperdício. assim como sinalizar eventuais dificuldades que as crianças dessa faixa etária podem apresentar. a imitação a imaginação. modificando os enlaces dolorosos e ensaiando na brincadeira as suas expectativas da realidade”. explicita bem a importância do jogo na prática psicopedagógica. citando Freud. permite a aquisição de regras naturalmente pela criança. o brincar não é uma perda de tempo. exercita a imaginação. 111) Brincar é sinônimo de experimentar. afetivo e físico. o BRINCAR vai muito mais além. 1991) . uma estratégia muito utilizada na Psicopedagogia.A Psicopedagogia pode cooperar com o trabalho realizado na Educação Infantil. aproximando do “mundo” que essa criança cria a partir do meio em que está inserida. a atenção. (2000. pois é um momento não somente de observar as atitudes e o comportamento da criança. pois esta deve ser uma “atividade privilegiada na infância”. como também pode utilizar como refúgio para momentos de medo. emocional. moral. a criança passa a ter condições de explorar e refletir sobre a realidade e a cultura na qual está inserida. pois muito pelo contrário. pois envolve um conjunto de fatores que ajudam no desenvolvimento da linguagem. p. ou seja. além de possibilitar ao psicopedagogo visualizar comportamentos sociais sem que a criança perceba sua intenção explicitamente. desconforto ou dor. que “o jogo é uma atividade criativa e curativa. ( ) A Psicopedagogia reconhece a importância dessa “intervenção” no processo de ensino-aprendizagem através da brincadeira. pois através do brincar desenvolvem-se capacidades importantes como a memória. contribui na investigação do psicopedagogo. imita. Toda criança gosta de brincar. dizendo.

fazendo uma ponte com várias outras disciplinas. Há uma articulação entre o corpo filosófico. jovem ou adulto. A Psicopedagogia tem ampliado os horizontes. compreende em um trabalho em conjunto com o professor. visando sempre o sucesso no processo ensino-aprendizagem do sujeito. 2009) Trabalha-se. Seu foco está na prevenção e correção de problemas relativos à aprendizagem humana. juntamente com a família. Na gestão pedagógica. pois é uma relação de cumplicidade. o desejo de aprender do sujeito. assim como instrumentos que permitam ao professor ter a resposta pedagogicamente mais adequada na sala de aulas. . s/d). novas maneiras de se trabalhar esses “problemas” ou dificuldades de aprendizagem (ou até mesmo de “ensinagem”). (SILVA e COSTA. físico e emocional. abrindo novos caminhos. onde são divididos os problemas da criança em busca de ajuda. então. portanto.O estabelecimento de laços afetivos é necessário para criar uma relação de confiança entre as partes. investir nas contribuições que a Psicopedagogia tem a oferecer quanto a formação dos educadores de creches e préescolas. sejam eles de caráter normal ou patológico. que é a modalidade que estamos associando a Psicopedagogia. São novos espaços na área da Educação. a comunicação e o apoio individualizado. O psicopedagogo na escola pode contribuir no que se refere a gestão pedagógica. Deve-se. pois estes serão os reais intermediários entre a criança e o conhecimento. seja ele criança. uma vez que a criança está iniciando sua trajetória escolar e é nessa fase que irá adquirir hábitos que irão lhe acompanhar a vida inteira. buscando subsidiar uma nova prática escolar tendo como meta o sucesso pedagógico. alterando a dinâmica das relações que o sujeito vivencia em seu meio sócio-cultural e afetivo. E para manter a qualidade se faz necessário desenvolver juntamente com o professor instrumentos que possibilitem tanto uma adequada avaliação dos alunos. o caráter preventivo é ainda mais latente. A Psicopedagogia emerge para contribuir nas questões relativas a problemas na área tanto da psicologia quanto da pedagogia. com a finalidade de manter uma melhor qualidade pedagógica. apresentando a ele uma nova maneira de enxergar o processo de aprendizagem. motivando-o. de modo a oferecer e a orientar estratégias a esse profissional. (LUCCHETTI. Na Educação Infantil.

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