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Introdução aos Recursos Cíveis - Bernardo Pimentel[1]

Introdução aos Recursos Cíveis - Bernardo Pimentel[1]

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  • 3. RAZãO DE SER DOS RECURSOS
  • 4. NATUREZA JURÍDICA DO RECURSO
  • 1. ClASSIfICAçãO
  • 2. SISTEmA RECURSAl CÍvEl
  • 1. CONCEITO
  • 2. EfEITO ObSTATIvO
  • 3. EfEITO SUSpENSIvO
  • 4. EfEITO DEvOlUTIvO
  • 5. EfEITO REgRESSIvO OU DE RETRATAçãO
  • 6. EfEITO TRANSlATIvO
  • 7. EfEITO SUbSTITUTIvO E EfEITO ExTENSIvO
  • 8. CONClUSãO
  • 1. gENERAlIDADES
  • 2. ObJETO DO JUÍZO DE méRITO: errores in pro- cedendo et in iudicando
  • 1. CONCEITOS E ClASSIfICAçõES
  • 2. CAbImENTO
  • 3. lEgITImIDADE RECURSAl
  • 3.1. generalidades
  • 3.2. legitimidade recursal na qualidade de parte
  • 3.3. legitimidade recursal do ministério público
  • 3.3.4. Prazo recursal do Ministério Público
  • 3.4. legitimidade recursal do terceiro
  • 3.4.1. Conceito e exemplos de recurso de terceiro
  • 3.4.2. Recurso de terceiro e perito judicial
  • 3.4.3. Recurso de terceiro e opoente
  • 3.4.4. Recurso de terceiro e recurso adesivo
  • 3.4.5. Prazo do recurso de terceiro e recursos admissíveis
  • 4. INTERESSE RECURSAl
  • 4.1. generalidades
  • 4.2. Hipóteses de ausência de interesse recursal
  • 5. INExISTêNCIA DE fATOS ExTINTIvOS E ImpEDI- TIvOS
  • 5.1. generalidades
  • 5.2. Renúncia ao direito de recorrer
  • 5.2.1. Conceito de renúncia
  • 5.2.2. Espécies de renúncia
  • 5.2.4. Renúncia, desistência e aceitação: diferenças
  • 5.2.5. Validade da renúncia
  • 5.2.6. Renúncia expressa e recurso adesivo
  • 5.3. Aceitação
  • 5.4. Desistência do recurso
  • 5.4.1. Conceito de desistência
  • 5.4.2. Espécies de desistência
  • 5.4.3. Momento da desistência
  • 5.4.4. Validade da desistência
  • 5.4.5. Desistência e posterior interposição de recurso
  • 5.4.6. Desistência e recurso especial repetitivo
  • 5.5. Outros fatos impeditivos
  • 5.5.1. Comprovação do depósito da multa processual
  • 6. REgUlARIDADE fORmAl
  • 6.1. Conceito
  • 6.2. petição recursal: regra
  • 6.3. Interposição oral: exceção
  • 6.4. Interposição mediante fac-símile
  • 6.6. Componentes da petição recursal
  • 6.6.1. Endereçamento ao órgão judiciário competente
  • 6.6.2. Qualificação do recorrente e do recorrido
  • 6.6.3. Exposição do fato e do direito
  • 6.6.4. Motivação: razões recursais
  • 6.6.5. Pedido recursal
  • 6.6.6. Assinatura e instrumento de mandato do advogado
  • 7. TEmpESTIvIDADE
  • 7.1. Conceito
  • 7.2. prazos recursais
  • 7.3. CONTAgEm DO pRAZO RECURSAl
  • 7.3.1. Princípio norteador
  • 7.3.2. Intimação no sábado
  • 7.3.3. Intimação na sexta-feira
  • 7.3.4. Intimação no Diário eletrônico
  • 7.3.5. Quarta-feira de cinzas
  • 7.3.6. Feriados em geral
  • 7.3.7. Intimação e publicação
  • 7.3.8. Destinatário da intimação
  • 7.3.9. Intimação de decisão publicada em audiência
  • 7.3.10. Intimação de decisão publicada em cartório
  • 7.3.11. Intimação de acórdão
  • 7.3.12. Segunda intimação por republicação
  • 7.3.13. Aferição da tempestividade
  • 7.4. Suspensão e interrupção do prazo recursal
  • 7.4.1. Generalidades
  • 7.4.2. Suspensão por superveniência de férias forenses
  • 7.4.3. Suspensão por recesso forense
  • 7.4.5. Suspensão por perda da capacidade processual
  • 7.4.6. Suspensão por oferecimento de exceção
  • 7.4.8. Interrupção por motivo de força maior
  • 7.4.10. Inexistência de suspensão e de interrupção
  • 7.5. perda de prazo recursal e responsabilidade civil do advogado
  • 8. pREpARO
  • 8.1. Conceito
  • 8.2. Regra do preparo imediato
  • 8.3. Exceções à regra do preparo imediato
  • 8.4. Exceções à regra do preparo
  • 1. REgRA DO DIREITO INTERTEmpORAl
  • 2. REgRA DO DIREITO INTERTEmpORAl DOS RE- CURSOS
  • 3. ExCEçõES à REgRA DO DIREITO INTERTEmpO- RAl DOS RECURSOS
  • 4. pUblICAçãO DA DECISãO E INTImAçãO DA DE- CISãO
  • pRINCÍpIOS DO SISTEmA RECURSAl
  • 1. pRINCÍpIOS DO SISTEmA RECURSAl
  • 2. pRINCÍpIO DO DUplO gRAU DE JURISDIçãO
  • 3. pRINCÍpIO DA TAxATIvIDADE
  • 4. pRINCÍpIO DA SINgUlARIDADE
  • 5. pRINCÍpIO DO ESgOTAmENTO DAS vIAS RECUR-
  • 6. pRINCÍpIO DA fUNgIbIlIDADE RECURSAl
  • 6.1. generalidades
  • 6.2. Hipóteses de fungibilidade recursal
  • 7. pRINCÍpIO DA pROIbIçãO DA reForMatio in peius
  • 7.1. generalidades
  • O princípio da proibição da reformatio in peius245
  • 7.2. reformatio in peius e matéria de apreciação oficial
  • 7.3. reformatio in peius e remessa obrigatória
  • 7.4. proibição da reformatio in mellius
  • 7.5. reformatio in peius indireta
  • 8. pRINCÍpIO DA CONSUmAçãO
  • 9. pRINCÍpIO DA DIAlETICIDADE
  • 10. pRINCÍpIO DA vOlUNTARIEDADE
  • 11. pRINCÍpIO DA pERSONAlIDADE OU DA RElATI- vIDADE
  • 2. RECURSO ADESIvO: REQUISITOS DE ADmISSIbI- lIDADE
  • 3. RECURSO ADESIvO: JUÍZO DE ADmISSIbIlIDADE E JUÍZO DE méRITO
  • 4. RECURSO ADESIvO NO pROCESSO TRAbAlHISTA
  • 5. RECURSO ADESIvO NO pROCESSO pENAl
  • 6. RECURSO ADESIvO NO pROCESSO ElEITORAl
  • 2. NATUREZA JURÍDICA
  • 3. AlvO DA AçãO RESCISÓRIA: JUlgADO RESCIN- DENDO
  • 4. HIpÓTESES DE RESCINDIbIlIDADE
  • 4.2. prevaricação, concussão e corrupção
  • 4.3. Impedimento e incompetência absoluta
  • 4.4. Dolo rescisório, processo fraudulento e processo simulado
  • 4.5. Ofensa à coisa julgada
  • 4.6. violação de literal disposição de lei
  • 4.7. prova falsa
  • 4.8. Documento novo
  • 4.9. Confissão, reconhecimento do pedido, renúncia e transação
  • 4.10. Erro de fato
  • 4.11. Ação rescisória de sentença de partilha judicial
  • 5. HIpÓTESES QUE NãO ENSEJAm AçãO RESCI- SÓRIA
  • 5.2. Ação rescisória e processo cautelar
  • 5.3. Ação rescisória e Juizados Especiais Cíveis
  • 5.5. Ação rescisória e ação anulatória
  • 6. AçãO RESCISÓRIA E DIREITO INTERTEmpORAl
  • 7. pRAZO
  • 7.2. Termo inicial
  • 7.3. Termo final
  • 7.4. momentos da pronúncia da decadência
  • 8. COmpETêNCIA
  • 9. lEgITImIDADE
  • 10. AçãO RESCISÓRIA E ExECUçãO DO JUlgADO RESCINDENDO
  • 11. pROCEDImENTO DA AçãO RESCISÓRIA
  • 12. JUlgAmENTO DA AçãO RESCISÓRIA
  • 13. RECORRIbIlIDADE
  • 14. AçãO RESCISÓRIA DE JUlgADO pROfERIDO Em AçãO RESCISÓRIA
  • 1. CONCeITO
  • 2. PRAzO
  • 3. PROCedImeNTO e COmPeTêNCIA
  • 4.1. Ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil
  • 4.3. Ação anulatória do artigo 352 do Código de Processo Civil
  • 4.5. Ação anulatória do artigo 19 da Lei n. 11.101
  • 2. CONCeITO de mANdAdO de seGURANÇA
  • 3. mANdAdO de seGURANÇA CONTRA deCIsÃO JUdICIAL
  • 4. ILeGALIdAde OU AbUsO de POdeR
  • 5. PROCedImeNTO: esPeCIAL
  • 6. dIReITO LíqUIdO e CeRTO
  • 7. PRAzO deCAdeNCIAL dO mANdAdO de seGU- RANÇA
  • 8. mANdAdOs de seGURANÇA RePRessIVO e PRe- VeNTIVO
  • 9. LeGITImIdAde
  • 10. AUTORIdAde COATORA
  • 11. COmPeTêNCIA
  • 12. mANdAdO de seGURANÇA e COIsA JULGAdA
  • 1. NomeN iuris, PReCeITOs de ReGêNCIA, NATU- RezA JURídICA e CONCeITO
  • 2. AÇÃO de COmPeTêNCIA ORIGINáRIA de TRI- bUNAL
  • 4. LeGITImIdAde ATIVA e PeTIÇÃO INICIAL
  • 5. dIsTRIbUIÇÃO, PROCedImeNTO e JULGAmeNTO
  • 6. ReCORRIbILIdAde NO PROCessO de ReCLA- mAÇÃO
  • 1. NomeN iuris e CONCeITO
  • 2. sUbsIsTêNCIA dA CORReIÇÃO (OU ReCLAmA- ÇÃO) COmO sUCedâNeO ReCURsAL
  • 3. CONsTITUCIONALIdAde dAs LeIs esTAdUAIs e dOs ReGImeNTOs INTeRNOs
  • 4. NATURezA JURídICA dA CORReIÇÃO PARCIAL (OU ReCLAmAÇÃO CORReICIONAL)
  • 6. PRAzO
  • 7. LeGITImIdAde
  • 8. PROCedImeNTO e JULGAmeNTO
  • 1. PReCeITOs de ReGêNCIA dA sUsPeNsÃO
  • 2. CONCeITO e NATURezA JURídICA dA sUsPeNsÃO
  • 4. ReCURsOs eXTRAORdINáRIO e esPeCIAL em INCIdeNTe de sUsPeNsÃO
  • 4. COmPeTêNCIA
  • 5. PROCedImeNTO
  • 6. JULGAmeNTO
  • 1. NomeN iuris e NATURezA JURídICA
  • 2.1. Generalidades
  • 2.2. sentenças contrárias aos entes públicos
  • 2.3. sentença de improcedência em embargos à execução fiscal
  • 2.4. Outras hipóteses legais de reexame necessário
  • 2.5. exceções ao reexame necessário
  • 3. PROCedImeNTO e JULGAmeNTO
  • 4. ReCURsOs eXTRAORdINáRIO e esPeCIAL em ReeXAme NeCessáRIO
  • 1. CONCeITO e NATURezA JURídICA dA UNIfOR- mIzAÇÃO de JURIsPRUdêNCIA
  • 2. PRessUPOsTOs dA UNIfORmIzAÇÃO de JURIs- PRUdêNCIA
  • 2.1. “Pronunciamento prévio”
  • 2.2. “Turma, câmara, ou grupo de câmaras”
  • 2.4. “Acerca da interpretação do direito”
  • 2.5. “Verificar que, a seu respeito, ocorre divergência”
  • 3. LeGITImIdAde
  • 5. PROCedImeNTO e JULGAmeNTO dA UNIfORmI- zAÇÃO de JURIsPRUdêNCIA
  • 6. ReCORRIbILIdAde
  • 7. UNIfORmIzAÇÃO de JURIsPRUdêNCIA NOs JUI- zAdOs esPeCIAIs fedeRAIs
  • 8. INCIdeNTe de deLeGAÇÃO de COmPeTêNCIA
  • INCIdeNTe de INCONsTITUCIONALIdAde
  • 2. NATURezA JURídICA dO INsTITUTO
  • 3. ObRIGATORIedAde dA INsTAURAÇÃO dO INCI- deNTe: ReGRA
  • 4. ALCANCe dA eXPRessÃO “LeI OU ATO NORmA- TIVO dO POdeR PúbLICO”
  • 5. LeGITImIdAde
  • 6. PROCedImeNTO
  • 7. efeITOs
  • 8. ReCORRIbILIdAde
  • 6. NomeN iuris e TIPOs de CARTA ROGATÓRIA
  • 7. NATURezA JURídICA dA CARTA ROGATÓRIA
  • 8. ObJeTO dA CARTA ROGATÓRIA
  • 9. ReqUIsITOs PARA A CONCessÃO dO eXequATur à CARTA ROGATÓRIA
  • 10. PROCedImeNTO e JULGAmeNTO dA CARTA RO- GATÓRIA
  • 11. ReCORRIbILIdAde
  • 2. CONCeITO de seNTeNÇA
  • 3. ReGRA dO CAbImeNTO dA APeLAÇÃO CONTRA As seNTeNÇAs em GeRAL
  • 13. TemPesTIVIdAde
  • 14. ReGULARIdAde fORmAL
  • 15. PRePARO
  • 16. PROCedImeNTO dA APeLAÇÃO NO JUízO de ORIGem
  • 17. efeITO ReGRessIVO OU de ReTRATAÇÃO
  • 18. efeITO sUsPeNsIVO
  • 18.1. efeito suspensivo: generalidades
  • 18.5. efeito suspensivo e embargos à arrematação
  • 18.8. efeito suspensivo e apelação contra sentença de interdição
  • 18.12. efeito suspensivo e concessão judicial
  • 18.13. execução e apelação sem efeito suspensivo
  • 20.1. Generalidades
  • 20.2. extensão da apelação e sentença citra petita
  • 20.3. extensão da apelação e sentença terminativa
  • 21. PROfUNdIdAde dA APeLAÇÃO
  • 21.1. Introdução
  • 21.2. questões de fato e de direito decididas na sentença
  • 21.3. questões de apreciação oficial
  • 21.4. questões acessórias
  • 21.5. questões incidentais
  • 21.6. questões de mérito não decididas na sentença definitiva
  • 21.7. Outros fundamentos
  • 22. qUesTões de fATO NOVAs e dOCUmeNTOs NOVOs
  • 23. CONVeRsÃO em dILIGêNCIA PARA CORReÇÃO de NULIdAdes sANáVeIs
  • 24. efeITO sUbsTITUTIVO
  • 1. CAbIMENtO
  • 1.1. Generalidades
  • 1.2. Recurso inominado e recurso adesivo
  • 1.3. Recurso inominado e apelação
  • 1.4. Desistência do recurso inominado
  • 2. tEMpEStIvIDADE
  • 3. REGUlARIDADE fORMAl
  • 4. pREpARO
  • 5. pROCEDIMENtO DO RECURSO INOMINADO NA ORIGEM
  • 7. RECORRIbIlIDADE
  • 2. CONCEItO DE DECISÃO INtERlOCUtÓRIA
  • 3. CAbIMENtO DO RECURSO DE AGRAvO CONtRA DECISõES INtERlOCUtÓRIAS
  • 6. “SENtENçAS” AGRAvávEIS
  • 7. QUEStÃO INCIDENtAl DECIDIDA EM SENtENçA
  • 8. “DESpACHOS” AGRAvávEIS
  • 11. DOS EfEItOS DOS AGRAvOS REtIDO E DE INS- tRUMENtO
  • 11.1. Efeitos devolutivo e de retratação
  • 11.2. Efeitos obstativo e suspensivo
  • 11.3. Efeitos substitutivo e expansivo
  • 12. tEMpEStIvIDADE
  • 13. pREpARO
  • 14. REGUlARIDADE fORMAl DO AGRAvO DE INS- tRUMENtO
  • 16. pROCEDIMENtO DO AGRAvO DE INStRUMENtO
  • 1. NAtUREzA jURÍDICA
  • 2. NomeN IurIs
  • 3. CAbIMENtO
  • 3.1. Generalidades
  • 4. tEMpEStIvIDADE
  • 5. REGUlARIDADE fORMAl
  • 6. pREpARO
  • 7. EfEItOS
  • 8. pROCEDIMENtO
  • 9. MUltA pROCESSUAl E DEpÓSItO RECURSAl
  • 10. RECORRIbIlIDADE
  • 2. O AGRAvO DE INStRUMENtO DO ARtIGO 544 E OS OUtROS AGRAvOS
  • 3. tEMpEStIvIDADE
  • 4. REGUlARIDADE fORMAl
  • 5. pREpARO
  • 6. DO pROCEDIMENtO DO AGRAvO DE INStRU- MENtO NA ORIGEM
  • 7. DO pROCEDIMENtO DO AGRAvO DE INStRU- MENtO NO tRIbUNAl ad quem
  • 1. ACEpçõES DO vOCábUlO “EMbARGOS”
  • 3. NAtUREzA jURÍDICA DOS EMbARGOS DEClA- RAtÓRIOS
  • 4. CAbIMENtO
  • 4.1. Generalidades
  • 4.2. Embargos de declaração e despacho
  • 4.3. Hipóteses de cabimento
  • 4.4. Embargos de declaração e prequestionamento
  • 4.5. Embargos de declaração em embargos declaratórios
  • 4.6. Cabimento e juízo de admissibilidade
  • 6. pOSSIbIlIDADE DA MODIfICAçÃO DO jUlGADO EMbARGADO
  • 7. pRINCÍpIO DA COMplEMENtARIDADE
  • 8. REGUlARIDADE fORMAl
  • 9. tEMpEStIvIDADE
  • 10. pREpARO: DESNECESSIDADE
  • 11. pROCEDIMENtO E jUlGAMENtO
  • 12. REGRA DA INtERRUpçÃO DO pRAzO RECURSAl E EXCEçÃO DA SUSpENSÃO
  • 13. MUltA pROCESSUAl E DEpÓSItO RECURSAl
  • 2. REGUlARIDADE fORMAl
  • 5. EfEItOS
  • 6. pROCEDIMENtO E jUlGAMENtO
  • 2. ESCOpO DO RECURSO
  • 3. CAbIMENtO: GENERAlIDADES
  • 3.1. “acórdão não unânime”
  • 3.2. “em grau de apelação” ou “ação rescisória”
  • 3.3. “reformado”
  • 3.4. “sentença de mérito”
  • 3.5. “Procedente ação rescisória”
  • 4. EMbARGOS INfRINGENtES CONtRA ACÓRDÃO tOMADO pOR vOtO MéDIO
  • 5. EMbARGOS INfRINGENtES E EMbARGOS DE DE- ClARAçÃO
  • 6. EMbARGOS INfRINGENtES EM AGRAvO INtERNO OU REGIMENtAl
  • 7. EMbARGOS INfRINGENtES E MANDADO DE SE- GURANçA ORIGINáRIO
  • 8. EMbARGOS INfRINGENtES E ApElAçÃO EM MANDADO DE SEGURANçA
  • 9. EMbARGOS INfRINGENtES E ApElAçÃO EM pRO- CESSO EMpRESARIAl
  • 10. EMbARGOS INfRINGENtES E AGRAvO REtIDO
  • 11. EMbARGOS INfRINGENtES E AGRAvO DE INS- tRUMENtO
  • 12. EMbARGOS INfRINGENtES E RECURSO ORDI- NáRIO
  • 13. EMbARGOS INfRINGENtES E REMESSA NECES- SáRIA
  • 15. EMbARGOS INfRINGENtES E RECURSO INOMI- NADO
  • 16. EMbARGOS INfRINGENtES E AçÃO DIREtA DE INCONStItUCIONAlIDADE
  • 17. DIREItO INtERtEMpORAl
  • 18. tEMpEStIvIDADE
  • 19. lEGItIMIDADE RECURSAl
  • 21. REGUlARIDADE fORMAl
  • 22. pREpARO
  • 23. EfEItOS DOS EMbARGOS INfRINGENtES
  • 24. pROCEDIMENtO DOS EMbARGOS INfRINGENtES
  • 25. jUlGAMENtO DOS EMbARGOS INfRINGENtES
  • 26. de lege fereNda: EXtINçÃO DOS EMbARGOS INfRINGENtES
  • 1. NOtÍCIA HIStÓRICA E fINAlIDADE DO RECURSO
  • 2. EMbARGOS DE DIvERGêNCIA E INStItUtOS AfINS
  • 2.1. Embargos de divergência e recurso especial pela alínea “c”
  • 2.2. Embargos de divergência e embargos infringentes
  • 2.3. Embargos de divergência e uniformização de jurisprudência
  • 3. DO CAbIMENtO DOS EMbARGOS DE DIvERGêN-
  • 3.1. Do julgado embargado
  • 3.2. Do julgado paradigma
  • 7. INtERESSE RECURSAl
  • 8. EfEItOS
  • 9. pROCEDIMENtO DOS EMbARGOS DE DIvER- GêNCIA
  • 10. jUlGAMENtO DOS EMbARGOS DE DIvERGêNCIA
  • 11. RECORRIbIlIDADE
  • 12. de lege fereNda: EXtINçÃO DOS EMbARGOS DE DIvERGêNCIA
  • 1. NOtíCIa hIStóRICa E lEgISlaçãO DE REgêN-
  • 2. CONCEItO E ESCOpO DO RECURSO ORDINÁRIO
  • 3. RECURSOS ORDINÁRIO, EXtRaORDINÁRIO E ES- pECIal: DIfERENçaS
  • 4. RECURSO ORDINÁRIO E apElaçãO: DIfERENçaS E SEmElhaNçaS
  • 5. RECURSO ORDINÁRIO Em CaUSaS INtERNaCIO-
  • 6. RECURSO ORDINÁRIO Em maNDaDO DE SEgU- RaNça
  • 7. RECURSO ORDINÁRIO Em habeas data E Em maNDaDO DE INJUNçãO
  • RECURSO ESpECIal
  • 3. CabImENtO
  • 3.2. tribunais
  • 3.3. Causas decididas
  • 3.4. prequestionamento
  • 4. RECURSO ESpECIal Em REEXamE NECESSÁRIO: CabImENtO
  • 5. RECURSO ESpECIal pEla alíNEa “a”
  • 6. RECURSO ESpECIal pEla alíNEa “b”
  • 7. RECURSO ESpECIal pEla alíNEa “C”
  • 8. RECURSO ESpECIal REtIDO
  • 8.1. generalidades
  • 8.2. Recurso especial retido e tempestividade
  • 8.3. Desistência tácita
  • 8.4. Recurso especial retido e agravo retido
  • 9. tEmpEStIvIDaDE
  • 9.1. generalidades
  • 9.4. Recurso especial eleitoral
  • 10. pREpaRO
  • 11. REgUlaRIDaDE fORmal E INtERESSE RECUR-
  • 12. EfEItOS DO RECURSO ESpECIal
  • 13. pROCEDImENtO paDRãO DO RECURSO ESpE- CIal
  • 14. pROCEDImENtO ESpECIal DOS RECURSOS RE- pEtItIvOS
  • 1. NOtíCIa hIStóRICa
  • 2. CabImENtO
  • 2.1. generalidades
  • 2.2. prequestionamento
  • 2.3. Esgotamento dos recursos pretéritos
  • 2.4. Causas decididas
  • 2.5. Questão federal de direito constitucional
  • 3. RECURSO EXtRaORDINÁRIO E REpERCUSSãO gERal
  • 3.1. Conceito
  • 3.2. Natureza e origem do requisito da repercussão geral
  • 3.6. preliminar formal e fundamentada de repercussão geral
  • 3.8. Competência
  • 4. RECURSO EXtRaORDINÁRIO pEla alíNEa “a”
  • 5. RECURSO EXtRaORDINÁRIO pEla alíNEa “b”
  • 6. RECURSO EXtRaORDINÁRIO pEla alíNEa “C”
  • 7. RECURSO EXtRaORDINÁRIO pEla alíNEa “D”
  • 8. RECURSO EXtRaORDINÁRIO REtIDO
  • 9.2. protocolo integrado
  • 9.3. Insubsistência do enunciado n. 355
  • 9.4. Recurso extraordinário adesivo
  • 10. REgUlaRIDaDE fORmal
  • 11. pREpaRO
  • 12. EfEItOS
  • 13. pROCEDImENtO E JUlgamENtO
  • apêndice I
  • apêndice II

Introdução aos Recursos Cíveis e à Ação Rescisória

BERNARDO PIMENTEL SOUZA

Introdução aos Recursos Cíveis e à Ação Rescisória

6ª edição atualizada de acordo com as Leis n. 11.672 e 11.697, de 2008 2009

ISBN 978-85-02-07840-6 Rua Henrique Schaumann, 270, Cerqueira César — São Paulo — SP CEP 05413-909 PABX: (11) 3613 3000 SACJUR: 0800 055 7688 De 2ª a 6ª, das 8:30 às 19:30 saraivajur@editorasaraiva.com.br Acesse: www.saraivajur.com.br
Filia i s AMAZONAS/RONDÔNIA/RORAIMA/ACRE Rua Costa Azevedo, 56 – Centro Fone: (92) 3633-4227 – Fax: (92) 3633-4782 – Manaus BAHIA/SERGIPE Rua Agripino Dórea, 23 – Brotas Fone: (71) 3381-5854 / 3381-5895 Fax: (71) 3381-0959 – Salvador BAURU (SÃO PAULO) Rua Monsenhor Claro, 2-55/2-57 – Centro Fone: (14) 3234-5643 – Fax: (14) 3234-7401 – Bauru CEARÁ/PIAUÍ/MARANHÃO Av. Filomeno Gomes, 670 – Jacarecanga Fone: (85) 3238-2323 / 3238-1384 Fax: (85) 3238-1331 – Fortaleza DISTRITO FEDERAL SIG QD 3 Bl. B - Loja 97 – Setor Industrial Gráfico Fone: (61) 3344-2920 / 3344-2951 Fax: (61) 3344-1709 – Brasília GOIÁS/TOCANTINS Av. Independência, 5330 – Setor Aeroporto Fone: (62) 3225-2882 / 3212-2806 Fax: (62) 3224-3016 – Goiânia MATO GROSSO DO SUL/MATO GROSSO Rua 14 de Julho, 3148 – Centro Fone: (67) 3382-3682 – Fax: (67) 3382-0112 – Campo Grande MINAS GERAIS Rua Além Paraíba, 449 – Lagoinha Fone: (31) 3429-8300 – Fax: (31) 3429-8310 – Belo Horizonte PARÁ/AMAPÁ Travessa Apinagés, 186 – Batista Campos Fone: (91) 3222-9034 / 3224-9038 Fax: (91) 3241-0499 – Belém PARANÁ/SANTA CATARINA Rua Conselheiro Laurindo, 2895 – Prado Velho Fone/Fax: (41) 3332-4894 – Curitiba PERNAMBUCO/PARAÍBA/R. G. DO NORTE/ALAGOAS Rua Corredor do Bispo, 185 – Boa Vista Fone: (81) 3421-4246 – Fax: (81) 3421-4510 – Recife RIBEIRÃO PRETO (SÃO PAULO) Av. Francisco Junqueira, 1255 – Centro Fone: (16) 3610-5843 – Fax: (16) 3610-8284 – Ribeirão Preto RIO DE JANEIRO/ESPÍRITO SANTO Rua Visconde de Santa Isabel, 113 a 119 – Vila Isabel Fone: (21) 2577-9494 – Fax: (21) 2577-8867 / 2577-9565 – Rio de Janeiro RIO GRANDE DO SUL Av. A. J. Renner, 231 – Farrapos Fone/Fax: (51) 3371-4001 / 3371-1467 / 3371-1567 Porto Alegre SÃO PAULO Av. Marquês de São Vicente, 1697 – Barra Funda Fone: PABX (11) 3613-3000 – São Paulo

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Souza, Bernardo Pimentel Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória / Bernardo Pimentel Souza. — 6. ed. atual. de acordo com as Leis n. 11.672 e 11.697, de 2008. — São Paulo: Saraiva, 2009. Bibliografia. 1. Ação rescisória — Brasil 2. Recursos (Direito) — Brasil I. Título. 08-11604 CDU-347.922+347.955(81)

Índices para catálogo sistemático:
1. Brasil : Ação rescisória e recursos cíveis : Direito processual 347.922+347.955(81) 2. Brasil : Recursos cíveis e ação rescisória : Direito processual 347.922+347.955(81)

Diretor editorial Antonio Luiz de Toledo Pinto Diretor de produção editorial Luiz Roberto Curia Editor Jônatas Junqueira de Mello Assistente editorial Thiago Marcon de Souza Produção editorial Ligia Alves Clarissa Boraschi Maria Coura Estagiário Vinicius Asevedo Vieira Preparação de originais Maria Lúcia de Oliveira Godoy Eunice Aparecida de Jesus Arte e diagramação Cristina Aparecida Agudo de Freitas Henrique Favaro Revisão de provas Rita de Cássia Queiroz Gorgati Setsuko Araki Ana Beatriz F. Moreira Serviços editoriais Karla Maria de Almeida Costa Carla Cristina Marques Ana Paula Mazzoco Capa Know-how editorial

Data de fechamento da edição: 2-3-2009
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Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora Saraiva. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei n. 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.

Ao meu saudoso pai, VALDINIR COSTA SOUZA, cuja ausência é sentida a cada dia: a homenagem, a gratidão e o amor do filho.

NOTA À sexTA eDIÇÃO
Na esteira das edições anteriores, a presente sexta edição também foi redigida e atualizada à luz dos apontamentos escritos para as aulas de graduação da disciplina Direito processual civil III — recursos lecionada no Centro Universitário de Brasília, de 1998 a 2006, e, em seguida, no Departamento de Direito da Universidade Federal de Viçosa. Passados dez anos de magistério da disciplina, somados aos cinco anos dedicados à assessoria de Ministros do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, muitas opiniões lançadas nas primeiras edições foram atualizadas e até reconsideradas, em virtude de questionamentos e de novas reflexões, sempre na busca da melhoria do compêndio. Não obstante, subsiste a idéia inicial de escrever para os discentes, na esperança de facilitar a compreensão do sistema recursal cível. Tal como nas edições anteriores, as eventuais sugestões e críticas serão recebidas com muitos agradecimentos. Viçosa, fevereiro de 2009. Bernardo Pimentel Souza Departamento de Direito Universidade Federal de Viçosa Minas Gerais

VII

ApreseNTAÇÃO DA TerCeIrA eDIÇÃO
Foi com grande satisfação e, por que não confessar, com certa ponta de orgulho, que recebi o convite de Bernardo Pimentel Souza para apresentar ao público especializado a terceira edição de seu utilíssimo livro Introdução aos Recursos Cíveis e à Ação Rescisória. Em pouco tempo, a segunda edição (outubro de 2001) se esgotou. Uma terceira edição, já com as mudanças pontuais da Lei n. 10.352, de 26 de dezembro de 2001, se fazia premente. Era exigência de seus leitores — estudantes, advogados, juízes —, que descobriram na obra do jovem professor Bernardo Pimentel Souza um roteiro seguro para a interposição de recursos e o ajuizamento de ação rescisória. A Lei n. 10.352 trouxe mudanças profundas na sistemática dos embargos infringentes. Daí a exigência de atualização do livro. Na edição ora apresentada ao público, novos capítulos foram acrescidos. É o caso dos embargos de alçada, do recurso inominado interposto das sentenças dos juizados especiais cíveis estaduais e federais. A terceira edição foi enriquecida ainda mais com novas notas de rodapé. Poucos autores tiveram a sorte de conciliar a prática com a teoria, como o Dr. Bernardo Pimentel Souza. Durante alguns anos, ele assessorou ministros no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal. Vivenciou intensamente o dia-a-dia do processo. Com inteligência, soube, como ninguém, levar essa experiência para as salas de aula e, depois, para as páginas de Introdução aos Recursos Cíveis e à Ação Rescisória. Por tudo isso, o livro de Bernardo Pimentel Souza se tornou uma obra de uso diário. De parabéns, pois, o Autor, a Editora Saraiva e, em especial, seus leitores diários, entre os quais me incluo. Belo Horizonte, janeiro de 2004. Adhemar Ferreira Maciel Ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça Ex-professor da Universidade de Brasília Presidente da Academia Mineira de Letras Jurídicas IX

sUMÁrIO
Nota à sexta edição ........................................................................... Apresentação da terceira edição ....................................................... Tomo I — TEoRIA GERAL DoS RECURSoS CApíTULo I — RECURSoS: ConCEITo E nATUREzA jURíDICA ........................................................................................ 1. 2. 3. 4. Origem e acepções do vocábulo “recurso” ................................... Recurso: espécie do gênero remédio jurídico .............................. Razão de ser dos recursos ............................................................. Natureza jurídica do recurso ........................................................ 3 3 5 8 10 12 12 14 VII IX

CApíTULo II — SISTEmAS RECURSAIS ................................ 1. Classificação .................................................................................. 2. Sistema recursal cível..................................................................... CApíTULo III — AToS SUjEIToS A RECURSo pRoCESSUAL ............................................................................................ CApíTULo IV — EFEIToS DoS RECURSoS .......................... 1. Conceito ......................................................................................... 2. Efeito obstativo .............................................................................. 3. Efeito suspensivo ........................................................................... 4. Efeito devolutivo ............................................................................ 5. Efeito regressivo ou de retratação .................................................. 6. Efeito translativo ............................................................................

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7. Efeito substitutivo e efeito extensivo ............................................. 8. Conclusão....................................................................................... CApíTULo V — jUízoS DE ADmISSIBILIDADE E DE mÉRITo ...................................................................................... 1. Generalidades................................................................................. 2. Objeto do juízo de mérito: errores in procedendo et in iudicando . CApíTULo VI — REQUISIToS DE ADmISSIBILIDADE DoS RECURSoS ....................................................................... 1. Conceitos e classificações .............................................................. 2. Cabimento ...................................................................................... 3. Legitimidade recursal..................................................................... 3.1. Generalidades ......................................................................... 3.2. Legitimidade recursal na qualidade de parte .......................... 3.3. Legitimidade recursal do Ministério Público ......................... 3.3.1. Legitimidade recursal do Ministério Público: generalidades ....................................................................... 3.3.2. Legitimidade recursal do Ministério Público e recurso adesivo ......................................................................... 3.3.3. Desistência do recurso interposto pelo Ministério Público ............................................................................. 3.3.4. Prazo recursal do Ministério Público ........................... 3.4. Legitimidade recursal do terceiro ........................................... 3.4.1. Conceito e exemplos de recurso de terceiro ................. 3.4.2. Recurso de terceiro e perito judicial ............................ 3.4.3. Recurso de terceiro e opoente ...................................... 3.4.4. Recurso de terceiro e recurso adesivo .......................... 3.4.5. Prazo do recurso de terceiro e recursos admissíveis .... 3.4.6. Processos e procedimentos que comportam recurso de terceiro ......................................................................... 4. Interesse recursal ........................................................................... 4.1. Generalidades ......................................................................... XII

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4.2. Hipóteses de ausência de interesse recursal ........................... 5. Inexistência de fatos extintivos e impeditivos ............................... 5.1. Generalidades ......................................................................... 5.2. Renúncia ao direito de recorrer .............................................. 5.2.1. Conceito de renúncia .................................................... 5.2.2. Espécies de renúncia .................................................... 5.2.3. Impossibilidade da renúncia ao direito de recorrer antes da prolação da decisão ........................................ 5.2.4. Renúncia, desistência e aceitação: diferenças ............. 5.2.5. Validade da renúncia .................................................... 5.2.6. Renúncia expressa e recurso adesivo ........................... 5.3. Aceitação ................................................................................ 5.4. Desistência do recurso ........................................................... 5.4.1. Conceito de desistência ................................................ 5.4.2. Espécies de desistência ................................................ 5.4.3. Momento da desistência .............................................. 5.4.4. Validade da desistência ................................................ 5.4.5. Desistência e posterior interposição de recurso .......... 5.4.6. Desistência e recurso especial repetitivo ...................... 5.5. Outros fatos impeditivos ........................................................ 5.5.1. Comprovação do depósito da multa processual .......... 5.5.2. Desistência da ação, reconhecimento do pedido e renúncia ao direito ...................................................... 5.5.3. Ratificação de recurso interposto em conjunto ou na pendência de embargos declaratórios .......................... 6. Regularidade formal ...................................................................... 6.1. Conceito ................................................................................ 6.2. Petição recursal: regra ............................................................ 6.3. Interposição oral: exceção ..................................................... 6.4. Interposição mediante fac-símile ........................................... 6.5. Interposição mediante petição eletrônica (“recurso eletrônico”) 6.6. Componentes da petição recursal .......................................... 6.6.1. Endereçamento ao órgão judiciário competente ..........

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6.6.2. Qualificação do recorrente e do recorrido ................... 6.6.3. Exposição do fato e do direito ..................................... 6.6.4. Motivação: razões recursais ......................................... 6.6.5. Pedido recursal ............................................................. 6.6.6. Assinatura e instrumento de mandato do advogado .... 7. Tempestividade ............................................................................. 7.1. Conceito ................................................................................ 7.2. Prazos recursais ...................................................................... 7.3. Contagem do prazo recursal ................................................... 7.3.1. Princípio norteador ...................................................... 7.3.2. Intimação no sábado ................................................... 7.3.3. Intimação na sexta-feira ............................................... 7.3.4. Intimação no Diário eletrônico .................................... 7.3.5. Quarta-feira de cinzas .................................................. 7.3.6. Feriados em geral ........................................................ 7.3.7. Intimação e publicação ............................................... 7.3.8. Destinatário da intimação ............................................ 7.3.9. Intimação de decisão publicada em audiência ............. 7.3.10. Intimação de decisão publicada em cartório ............. 7.3.11. Intimação de acórdão ................................................. 7.3.12. Segunda intimação por republicação ......................... 7.3.13. Aferição da tempestividade ........................................ 7.4. Suspensão e interrupção do prazo recursal ............................ 7.4.1. Generalidades ............................................................. 7.4.2. Suspensão por superveniência de férias forenses ....... 7.4.3. Suspensão por recesso forense ................................... 7.4.4. Suspensão por obstáculo ao exercício do direito de recorrer ......................................................................... 7.4.5. Suspensão por perda da capacidade processual ......... 7.4.6. Suspensão por oferecimento de exceção .................... 7.4.7. Interrupção por falecimento da parte ou de seu advogado ............................................................................ 7.4.8. Interrupção por motivo de força maior....................... XIV

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7.4.9. Embargos de declaração: regra da interrupção e exceção da suspensão ........................................................ 7.4.10. Inexistência de suspensão e de interrupção ................ 7.5. Perda de prazo recursal e responsabilidade civil do advogado 8. Preparo .......................................................................................... 8.1. Conceito ................................................................................. 8.2. Regra do preparo imediato ..................................................... 8.3. Exceções à regra do preparo imediato .................................. 8.4. Exceções à regra do preparo .................................................. 8.5. Preparo em recurso da massa falida: subsistência do enunciado n. 86 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho ........................................................................... CApíTULo VII — DIREITo InTERTEmpoRAL DoS RECURSoS: ApLICAção DA LEI VIGEnTE nA DATA Do pRoFERImEnTo DA DECISão .................................... 1. Regra do direito intertemporal ....................................................... 2. Regra do direito intertemporal dos recursos.................................. 3. Exceções à regra do direito intertemporal dos recursos ................ 4. Publicação da decisão e intimação da decisão .............................. CApíTULo VIII — pRInCípIoS Do SISTEmA RECURSAL 1. 2. 3. 4. 5. 6. Princípios do sistema recursal ...................................................... Princípio do duplo grau de jurisdição ........................................... Princípio da taxatividade ............................................................... Princípio da singularidade ............................................................. Princípio do esgotamento das vias recursais ................................. Princípio da fungibilidade recursal ............................................... 6.1. Generalidades ......................................................................... 6.2. Hipóteses de fungibilidade recursal ....................................... 7. Princípio da proibição da reformatio in peius .............................. 7.1. Generalidades ......................................................................... 7.2. Reformatio in peius e matéria de apreciação oficial ..............

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7.3. Reformatio in peius e remessa obrigatória ............................. 7.4. Proibição da reformatio in mellius ........................................ 7.5. Reformatio in peius indireta .................................................. 8. Princípio da consumação ............................................................... 9. Princípio da dialeticidade .............................................................. 10. Princípio da voluntariedade ......................................................... 11. Princípio da personalidade ou da relatividade ............................. CApíTULo IX — RECURSo ADESIVo..................................... 1. 2. 3. 4. 5. 6. Generalidades ............................................................................... Recurso adesivo: requisitos de admissibilidade ........................... Recurso adesivo: juízo de admissibilidade e juízo de mérito ........ Recurso adesivo no processo trabalhista ....................................... Recurso adesivo no processo penal ............................................... Recurso adesivo no processo eleitoral........................................... Tomo II — AçÕES ImpUGnATIVAS, SUCEDÂnEoS RECURSAIS E InCIDEnTES pRoCESSUAIS noS TRIBUnAIS INTRODUÇÃO ................................................................................ CApíTULo X — Ação RESCISÓRIA ....................................... 1. Notícia histórica ............................................................................. 2. Natureza jurídica ............................................................................ 3. Alvo da ação rescisória: julgado rescindendo ................................ 4. Hipóteses de rescindibilidade ........................................................ 4.1. Generalidades ......................................................................... 4.2. Prevaricação, concussão e corrupção ..................................... 4.3. Impedimento e incompetência absoluta ................................. 4.4. Dolo rescisório, processo fraudulento e processo simulado .. 4.5. Ofensa à coisa julgada............................................................ 4.6. Violação de literal disposição de lei ....................................... 4.7. Prova falsa .............................................................................. XVI

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4.8. Documento novo .................................................................... 4.9. Confissão, reconhecimento do pedido, renúncia e transação... 4.10. Erro de fato .......................................................................... 4.11. Ação rescisória de sentença de partilha judicial ................... 5. Hipóteses que não ensejam ação rescisória ................................... 5.1. Ação rescisória fundada em correção de injustiça quanto aos fatos, reexame de provas e interpretação de cláusula contratual ......................................................................... 5.2. Ação rescisória e processo cautelar ....................................... 5.3. Ação rescisória e Juizados Especiais Cíveis .......................... 5.4. Ação rescisória e controle concentrado de constitucionalidade ................................................................................. 5.5. Ação rescisória e ação anulatória ........................................... 5.6. Ação rescisória, sentença inexistente, ausência de citação e nulidade da citação ........................................................ 6. Ação rescisória e direito intertemporal ......................................... 7. Prazo .............................................................................................. 7.1. Generalidades ......................................................................... 7.2. Termo inicial........................................................................... 7.3. Termo final ............................................................................. 7.4. Momentos da pronúncia da decadência ................................. 8. Competência .................................................................................. 9. Legitimidade.................................................................................. 10. Ação rescisória e execução do julgado rescindendo .................... 11. Procedimento da ação rescisória .................................................. 12. Julgamento da ação rescisória ..................................................... 13. Recorribilidade ............................................................................ 14. Ação rescisória de julgado proferido em ação rescisória ............ CApíTULo XI — Ação AnULATÓRIA .................................... 1. Conceito ........................................................................................ 2. Prazo .............................................................................................. 3. Procedimento e competência .........................................................

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4. Hipóteses de ação anulatória ......................................................... 4.1. Ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil . 4.2. Ação anulatória do artigo 1.029 do Código de Processo Civil e do artigo 2.027 do Código Civil ........................... 4.3. Ação anulatória do artigo 352 do Código de Processo Civil . 4.4. Ação anulatória de sentença homologatória de transação: artigo 485, inciso VIII, versus artigo 486, ambos do Código de Processo Civil ................................................. 4.5. Ação anulatória do artigo 19 da Lei n. 11.101 ....................... CApíTULo XII — mAnDADo DE SEGURAnçA ConTRA ATo jUDICIAL .......................................................................... 1. Notícia histórica do mandado de segurança .................................. 2. Conceito de mandado de segurança .............................................. 3. Mandado de segurança contra decisão judicial ............................. 4. Ilegalidade ou abuso de poder ....................................................... 5. Procedimento: especial .................................................................. 6. Direito líquido e certo ................................................................... 7. Prazo decadencial do mandado de segurança................................ 8. Mandados de segurança repressivo e preventivo ........................... 9. Legitimidade.................................................................................. 10. Autoridade coatora....................................................................... 11. Competência ................................................................................ 12. Mandado de segurança e coisa julgada ........................................ CApíTULo XIII — RECLAmAção ConSTITUCIonAL ..... 1. Nomen iuris, preceitos de regência, natureza jurídica e conceito . 2. Ação de competência originária de tribunal .................................. 3. Reclamação constitucional, correição parcial, ação rescisória e mandado de segurança: diferenças ................................................ 4. Legitimidade ativa e petição inicial ............................................... 5. Distribuição, procedimento e julgamento ..................................... 6. Recorribilidade no processo de reclamação .................................. XVIII

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CApíTULo XIV — CoRREIção pARCIAL (oU RECLAmAção CoRREICIonAL) ..................................................... 1. 2. 3. 4. 5. Nomen iuris e conceito .................................................................. Subsistência da correição (ou reclamação) como sucedâneo recursal Constitucionalidade das leis estaduais e dos regimentos internos..... Natureza jurídica da correição parcial (ou reclamação correicional) Hipóteses de admissibilidade da correição (ou reclamação) como sucedâneo recursal......................................................................... 6. Prazo .............................................................................................. 7. Legitimidade .................................................................................. 8. Procedimento e julgamento............................................................ 9. Correição parcial e mandado de segurança .................................... CApíTULo XV — pEDIDo DE REConSIDERAção ............ CApíTULo XVI — InCIDEnTE DE SUSpEnSão .................. 1. Preceitos de regência da suspensão................................................ 2. Conceito e natureza jurídica da suspensão..................................... 3. Recorribilidade da decisão monocrática presidencial proferida no incidente de suspensão .................................................................. 4. Recursos extraordinário e especial em incidente de suspensão .... CApíTULo XVII — Ação CAUTELAR oRIGInÁRIA .......... 1. 2. 3. 4. 5. 6. Introdução...................................................................................... Ação cautelar, processo cautelar e medida cautelar ...................... Petição inicial ................................................................................ Competência .................................................................................. Procedimento ................................................................................. Julgamento ....................................................................................

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CApíTULo XVIII — REmESSA oBRIGATÓRIA oU REEXAmE oBRIGATÓRIo .................................................................. 1. Nomen iuris e natureza jurídica .....................................................

342 342 XIX

.. Procedimento e julgamento ................. 4..... Hipóteses de remessa obrigatória ..... Generalidades ... Uniformização de jurisprudência nos Juizados Especiais Federais ...... 2............................. Exceções ao reexame necessário ............ 4...................... “Acerca da interpretação do direito” ... Conceito e natureza jurídica da uniformização de jurisprudência.. 2......................2................................................................... câmara..... Controle jurisdicional de constitucionalidade no direito brasileiro e incidente de inconstitucionalidade .. “Pronunciamento prévio” ....6.................2.. ocorre divergência” ....................2........1.............................. Enunciados da Súmula do Supremo Tribunal Federal: persuasivos e vinculantes ........... Sentença de improcedência em embargos à execução fiscal.... 6............. 1....... câmara.... 2................. 2............................. “No julgamento recorrido a interpretação for diversa da que lhe haja dado outra turma.............................. 2.......... Incidente de delegação de competência ........................................................ 2............... Procedimento e julgamento da uniformização de jurisprudência .... Outras hipóteses legais de reexame necessário ........................ Legitimidade...... 2..........1........ 3........................... XX 345 345 345 346 346 347 348 349 351 351 353 353 354 356 357 358 359 360 361 363 372 374 379 381 384 384 .....5............... a seu respeito........................... Pressupostos da uniformização de jurisprudência ... “Do tribunal” e “outra turma........................... 2............................................................4................... 2.... Recursos extraordinário e especial em reexame necessário ..... “Turma..... 1........................ câmara ou grupo de câmaras” ............................. Recorribilidade ..... 2.................. Suscitação da uniformização de jurisprudência ..................... 8...................3..................... grupo de câmaras ou câmaras cíveis reunidas” .... 7....... ou câmaras cíveis reunidas” .............. 3.. 2........4................. 9... Sentenças contrárias aos entes públicos ...................................................... CApíTULo XX — InCIDEnTE DE InConSTITUCIonALIDADE .............3................. “Verificar que.............. CApíTULo XIX — UnIFoRmIzAção DE jURISpRUDÊnCIA...........5.......................... 2......................................... grupo de câmaras............................. 5.....

.................................... Natureza jurídica do instituto ........................................................ Recorribilidade ........ Recorribilidade da decretação da falência e na liquidação de sentença ........................................... 6............... Recorribilidade.............. 5............ Procedimento ............................... Objeto da carta rogatória ..... 7......... Cabimento da apelação contra sentença que engloba questão incidental . Legislação de regência da carta rogatória .......................... 11.................... 6.. Exceções ao binômio sentença-apelação .......... Requisitos para a concessão do exequatur à carta rogatória ..................... Conceito de sentença .... Execução da carta rogatória .............. Legitimidade......... Notícia histórica ........................... 9.......................... 3....... 6.............. 8.................................. 8......................... Nomen iuris e tipos de carta rogatória ................................... Natureza jurídica da carta rogatória .. 4.. Conceito de sentença estrangeira e objeto da ação de homologação 4. Alcance da expressão “lei ou ato normativo do poder público” ................................. 1....... Efeitos..... Tomo III — ApELAção E RECURSo InomInADo CApíTULo XXII — ApELAção .................................. 387 387 389 393 393 396 399 CApíTULo XXI — HomoLoGAção DE SEnTEnçA ESTRAnGEIRA E CARTA RoGATÓRIA ............. 1........ Procedimento e julgamento da carta rogatória .................. Competência para a homologação de sentença estrangeira..........................................2..... 5........... 4.. 12................................... 3............................................... Obrigatoriedade da instauração do incidente: regra ..................................................................................... 3................................ Execução da sentença estrangeira homologada......................... 2.......... 5................. 7.............................. 401 401 401 402 404 404 406 406 407 409 411 412 412 417 417 418 422 422 424 425 XXI ............ Conceito de homologação de sentença estrangeira ................................................................................................................................................................................................. Regra do cabimento da apelação contra as sentenças em geral ...... 2........................................ 10............................................................................................

. 18............ Preparo ....................................6........9.......... Recorribilidade na objeção de não-executividade (ou “exceção de pré-executividade . 18...................... Efeito suspensivo e apelação contra sentença proferida em ações cumuladas ou conexas .................. 8..... 16............8..............7..... 18................ Efeito suspensivo e apelação contra sentença em embargos à moratória .. Efeito suspensivo e apelação contra sentença condenatória em alimentos ...................................... 9......................................................... Efeito suspensivo ......................... Efeito suspensivo e apelação contra sentença de interdição ............... Tempestividade .................................................................... 18........................ 15............ Inadequação da apelação em processo de competência originária de tribunal ...................................... Apelação contra sentença liminar de manifesta improcedência ...................................................... 17....................... 18... 18..4....... Efeito suspensivo e apelação contra sentença de improcedência... 18.... Apelação contra sentença proferida na Justiça da Infância e da Juventude ..................................................1............... Apelação contra sentença de indeferimento liminar da petição inicial ................................................................. 17.............................................. 18....... Apelação de sentença proferida em justificação judicial ......................................... 18........ 18.2.................... Efeito regressivo ou de retratação ... Efeito suspensivo: generalidades ........... Procedimento da apelação no juízo de origem .......3......................... 14................................. 11.... Apelação e reconvenção .................................................................. Revogação do inciso III do artigo 520 do Código de Processo Civil ..................................... XXII 430 433 434 436 437 439 440 442 446 447 450 451 451 453 453 453 455 456 456 457 457 460 461 461 ............1................... Apelação contra sentença de procedência de instituição de arbitragem ...............................................2......... Efeito suspensivo e embargos à arrematação ................................................................................... com a revogação da tutela antecipada ..... 13........3.. Apelação em argüição de falsidade de documento .................................... Apelação e deunciação da lide ........................ 17....... 17..........................5.................................................. 10...............7..... Regularidade formal .. 12........................................

..........3..........................1... 21..... Apelações sem efeito suspensivo na legislação extravagante ............ 19..................... Procedimento da apelação no tribunal ad quem ...... Generalidades ....................10..... 20............................. Extensão da apelação e sentença terminativa .................................. Questões acessórias .................................... Extensão da apelação ............. 3. Outros fundamentos ................................................................. Recurso inominado e recurso adesivo .......... 23............ Generalidades ....................2. 1................................................................... Questões incidentais ...................... 21... 21.. 2..4.......... Sentença citra petita e o artigo 515............... 20.. Desistência do recurso inominado.. 1... 20..........11........ Questões de apreciação oficial ............... Efeito substitutivo ...... Recurso inominado e apelação ......................3....... 1.1.12................. 461 462 463 465 465 471 471 472 474 477 478 478 478 479 479 480 481 483 486 490 493 495 495 495 497 498 500 500 505 XXIII ..................................18....................6...............................................5....3........................................................ 18... 21.................4.............................................................................. § 3º..................... 22....................................... 1............................... Profundidade da apelação .... Extensão da apelação e sentença citra petita ..... 18......................... Efeito suspensivo nas apelações nos processos empresariais . Regularidade formal ........................................................2.......... Questões de fato novas e documentos novos ........................ Efeito suspensivo e concessão judicial .......... Tempestividade .................. Conversão em diligência para correção de nulidades sanáveis.................................. Questões de mérito não decididas na sentença definitiva .... do Código de Processo Civil ................... 20................ Cabimento ...................................... Introdução ......... Questões de fato e de direito decididas na sentença ... 21............. CApíTULo XXIII — RECURSo InomInADo ............ 1................................................................................................. 21......................7....4.... 21.................... 21. 24.......13.................. 20.................... Execução e apelação sem efeito suspensivo ......... 18......................................................2.......1............

............................... Efeitos substitutivo e expansivo ......... 1............................................................................................................................................................. Modalidades do agravo contra decisão interlocutória: retido e por instrumento .................... 9........................................ 5........................................ Preparo ........................................................... Recorribilidade ................................. 4...... Tomo IV — AGRAVoS noTíCIA HISTÓRICA E pAnoRAmA GERAL DoS AGRAVoS CApíTULo XXIV — AGRAVo ConTRA DECISão InTERLoCUTÓRIA . 6.................3............................... Dos efeitos dos agravos retido e de instrumento........... 7....................................... 11... 10......................... 6.......................................... 13.................................................... 11.............. “Despachos” agraváveis .... 11.................... Questão incidental decidida em sentença ................................ Efeitos devolutivo e de retratação .................................................... 3.......................................................................2..................................... XXIV 508 510 514 517 526 526 527 528 531 536 537 538 540 541 545 547 547 548 550 552 556 556 ................ Regularidade formal do agravo de instrumento .............. Natureza jurídica e recorribilidade do pronunciamento de emenda da petição inicial .............................. 12.. Tempestividade ............................... Procedimento e julgamento do recurso inominado na Turma Recursal ...................4........... 7... Natureza jurídica e recorribilidade do pronunciamento deferitório da citação .................... Cabimento do recurso de agravo contra decisões interlocutórias ......... Preparo .... “Sentenças” agraváveis....................... 5.. Efeitos obstativo e suspensivo ..... 14................................................... Cabimento do agravo retido como regra e do agravo de instrumento como exceção ... 2........1..... Procedimento do recurso inominado na origem .............................................................. Fungibilidade recursal consagrada no inciso II do artigo 527 do Código de Processo Civil ........ 8... Conceito de decisão interlocutória ................................................................................ 11.................................................................

................... Generalidades ......... Tempestividade .............. Tempestividade ......................... 3........................................................... Natureza jurídica ............. Nomen iuris ............................ 2.................................3................................................ 3........................................... 9............... Cabimento ........................ desistência tácita e procedimento do agravo retido ........................................ 3........................2........................................ 4............................. Cabimento ..................................... 6.............................................................. Procedimento do agravo de instrumento............ 6......................................................................................... 5............... 10.................................. Multa processual e depósito recursal ......4.......................................... 2................ Do procedimento do agravo de instrumento na origem ...................................... 7......................................................... Regularidade formal ................................... Agravo interno e decisão monocrática indeferitória de suspensão em mandado de segurança ........... CApíTULo XXVI — AGRAVo DE InSTRUmEnTo Em RECURSoS EXTRAoRDInÁRIo E ESpECIAL ... 4......................... Agravo interno e as decisões monocráticas dos incisos II e III do artigo 527 do Código de Processo Civil .............................................................1............................... Efeitos.............................. Preparo ...................................................... Regularidade formal.......... Preparo ................................. 1............................................................... Recorribilidade .... CApíTULo XXV — AGRAVo InTERno (oU REGImEnTAL) 1....... Procedimento .... 7.. 3..................... 3......... 16................................................. Regularidade formal ........... 8......... O agravo de instrumento do artigo 544 e os outros agravos .......... 5................................................ Do procedimento do agravo de instrumento no tribunal ad quem 565 570 579 581 583 583 586 587 590 593 594 595 597 598 600 602 604 604 607 610 610 616 617 620 XXV ............................... 3.15.................................. Agravo interno e decisão monocrática denegatória ou concessiva de provimento liminar em ação originária de mandado de segurança ...

......................... Embargos de declaração em embargos declaratórios ......... 13........................................ 4.......4.... 10........5............ Preparo ............................................ 4.................. Notícia histórica e nomen iuris ............................................................ 4.... Acepções do vocábulo “embargos” .............................. 4............................................... 6......................................... Possibilidade da modificação do julgado embargado .......................................................... 5................ Procedimento e julgamento .............................2...................................................................................................................................................................................................... 12.............................................. 1.... 2.... 6....................... 3................. Cabimento e juízo de admissibilidade .................... 4................ 4.................. Efeitos. 4....................... Regularidade formal ....6............... Cabimento ....... CApíTULo XXVIII — EmBARGoS InFRInGEnTES DE ALçADA ... 11.... Procedimento e julgamento ..................................................... 2....................................................... 3........................................ 7...3.......... Regra da interrupção do prazo recursal e exceção da suspensão ........ Natureza jurídica dos embargos declaratórios............................... Cabimento ................1............................................................. 4............. Tempestividade ............. Recorribilidade ... 9.................................... Embargos de declaração e prequestionamento ...............Tomo V — EmBARGoS CApíTULo XXVII — EmBARGoS DE DECLARAção............ Tempestividade ...................................... 8... Hipóteses de cabimento ...... 627 627 627 628 629 629 632 633 635 636 637 639 641 646 647 649 651 652 656 664 667 667 674 676 677 677 679 681 XXVI ............. Preparo: desnecessidade .............. Embargos de declaração e despacho .. Multa processual e depósito recursal ............ 1................................................................. Princípio da complementaridade ................................................. Regularidade formal .......... 5................ 7....................................................................................... Exceção ao princípio da singularidade recursal e ratificação do outro recurso específico ................. Generalidades .....

............. Cabimento: generalidades ............. Efeitos dos embargos infringentes .... 3.......................................5.. Escopo do recurso ...... Embargos infringentes e incidentes de inconstitucionalidade............................................ 23................. Embargos infringentes e ação direta de inconstitucionalidade ..... Embargos infringentes contra acórdão tomado por voto médio............1................ 24................................... Tempestividade ......... 7........................................ 11.......... 13........................ 5. Notícia histórica ...2............. Embargos infringentes e remessa necessária ........ 3...... Embargos infringentes e recurso inominado...... 2.............................................. Embargos infringentes e apelação em mandado de segurança................................ “Reformado” ...... 8........... Direito intertemporal............. Embargos infringentes em agravo interno ou regimental....................................................... 15.............................. Legitimidade recursal............................CApíTULo XXIX — EmBARGoS InFRInGEnTES.................................. de uniformização de jurisprudência e de delegação de competência.......... Julgamento dos embargos infringentes . 16........................... 14. 25....................................... Procedimento dos embargos infringentes ............... 19.. Embargos infringentes e mandado de segurança originário ..... “Sentença de mérito” ... Embargos infringentes e agravo retido ....................... 1.................................................................................................................... 9............. 21........ 20. 22.................................. 3.......... 683 683 683 683 684 690 691 694 697 698 700 702 703 704 706 706 708 709 710 712 713 714 718 719 719 720 722 724 726 729 733 XXVII .................................. Preparo ..........3.......................................... Embargos infringentes dos sistemas recursais cível e penal: diferenças acerca do cabimento e da tempestividade ..... Embargos infringentes e apelação em processo empresarial ......................... Regularidade formal...... 3..... Embargos infringentes e agravo de instrumento ....... “Acórdão não unânime” ........ 12.............. 4.............. 10.................................. 17................................................... “Procedente ação rescisória” .4.......................... Embargos infringentes e recurso ordinário .......................... “Em grau de apelação” ou “ação rescisória” ............................ 3............ 3......................... 18.... 6............ Embargos infringentes e embargos de declaração.

............................................... Julgamento dos embargos de divergência .. Recurso ordinário e apelação: diferenças e semelhanças ...................................................................... 4.................. 2.....................................1........................ CApíTULo XXX — EmBARGoS DE DIVERGÊnCIA . 6............................. Interesse recursal . 4.................................... 1...... 5...... 3............................................ Notícia histórica e finalidade do recurso .............. 10............ 9....... Tomo VI — RECURSoS ConSTITUCIonAIS CApíTULo XXXI — CLASSIFICAçÕES DoS RECURSoS ...............2......... 1.............. CApíTULo XXXII — RECURSo oRDInÁRIo .................... 12...... Tempestividade ............ Preparo ....... Embargos de divergência e institutos afins .................2..3. 3.............. extraordinário e especial: diferenças ........... 2... Regularidade formal .... 2................................................................. 11..................... 2.. Embargos de divergência e uniformização de jurisprudência 3. 735 739 739 740 740 741 743 744 744 752 756 757 759 760 761 764 767 769 770 775 780 780 781 783 784 795 798 XXVIII ................... Recursos ordinário.................................................. Do julgado paradigma ............... Recurso ordinário em causas internacionais ..... De lege ferenda: extinção dos embargos infringentes ........ 8...... Embargos de divergência e embargos infringentes ................. Recurso ordinário em mandado de segurança ........................... Do cabimento dos embargos de divergência . Conceito e escopo do recurso ordinário ............................ 3..................... De lege ferenda: extinção dos embargos de divergência ........................ Recorribilidade ... 2... Do julgado embargado .........................26.................................. 7.............. 5.......... Embargos de divergência e recurso especial pela alínea “c” ........ Efeitos...................................................................................................... Notícia histórica e legislação de regência ..................... 6........... Procedimento dos embargos de divergência .............1..................

........................................................................................ 9................................................ Antecedentes históricos do Superior Tribunal de Justiça e do recurso especial ......4........ Recurso especial em reexame necessário: cabimento .. 3............................................. Recurso especial retido e tempestividade ........................ Protocolo integrado e o enunciado n.............................. 3............... Recurso especial pela alínea “b” .... 5.................................... Generalidades ........................................................ 7.................. Generalidades ............. 9..... Recurso especial pela alínea “c” .... 8................................................................................. Recurso ordinário em habeas data e em mandado de injunção ........................... 355 da Súmula do Supremo Tribunal Federal ................. Recurso especial parcial e o enunciado n..... 9....4......6....................... 1.........................1..... 2....................... 3................ 8...............................2..3..............................................1.. Causas decididas ............................. 7. Recurso especial retido . composição e organização do Superior Tribunal de Justiça .. 8.................2.......................... Prequestionamento ...................... 9........ Recurso especial eleitoral ......................... Recurso especial pela alínea “a” ....1............ Cabimento .............4......... 8............................................ 8........... CApíTULo XXXIII — RECURSo ESpECIAL ..2..................................... Tribunais ....................................................... Recurso ordinário em mandado de segurança para o Superior Tribunal de Justiça ........... 3... 6............... 4...................................................2.............................................................................................................. 6................. Notícia histórica do recurso ordinário em mandado de segurança ....... Generalidades ......... 798 799 804 805 806 806 807 810 810 810 813 815 819 821 829 830 834 834 836 836 837 839 839 840 841 844 XXIX ..3...... 6.................................................. Recurso ordinário em mandado de segurança para o Supremo Tribunal Federal ...... Desistência tácita .............................1................................................ 9................3................................. Jurisdição.......................................3.................. Tempestividade . 256 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça .............................. Recurso especial retido e agravo retido . 3.......

.................. Cabimento de recurso extraordinário de acórdão dos Juizados Especiais .. Conceito ................................................ XXX 844 845 848 854 859 864 864 866 866 867 870 872 875 878 879 880 881 882 882 882 883 883 884 885 885 . Cabimento de recurso extraordinário de acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça ........ Cabimento de recurso extraordinário de julgamento proferido por juiz de primeiro grau ...5....................................... 3.....10.........................5...... Procedimento especial dos recursos repetitivos ...............................................................10..................................... 3.................... 1........... 2................ Notícia histórica . 2.....6.. 2.... Generalidades ... Efeitos do recurso especial... Preparo ................................................................. 13........ 11...................................................................................................... Cabimento de recurso extraordinário em incidentes de inconstitucionalidade e de uniformização de jurisprudência 2.......................... 2......... 3..........7. Natureza e origem do requisito da repercussão geral .......... 2......................................................3........ Cabimento .................. Repercussão geral e argüição de relevância: semelhanças e diferenças ...... 3......................... Regularidade formal e interesse recursal ...................................... 2. Procedimento padrão do recurso especial . 2................ 2.............................6................ 2.............2.........8............................ Recurso extraordinário e repercussão geral ..............4............................................... Causas decididas ............2......3................... Prequestionamento ............. 14.. CApíTULo XXXIV — RECURSo EXTRAoRDInÁRIo ........... Questão federal de direito constitucional ...................... 3...................9.................. Preliminar formal e fundamentada de repercussão geral ................................................................. Obrigatoriedade da repercussão nos recursos extraordinários em geral ................ Esgotamento dos recursos pretéritos ................................... Repercussão geral: requisito de admissibilidade específico do recurso extraordinário ...............4....................................1.......... 3............... 3..1...... 12............................ 2...... Cabimento de recurso extraordinário e julgado do Supremo Tribunal Federal ......................

......... Regularidade formal............................ 3....... 9.... 3..................... Efeito erga omnes do acórdão do Plenário que recusa a repercussão geral ............3................ Procedimento e julgamento............................................................................................. Recurso extraordinário pela alínea “c” ..... 12................ 5...............8.................................... 11...............................11.......7............ Preparo ............... Recurso extraordinário retido ........................................................... 6............... Apêndice I ... 9................... 7.... Insubsistência do enunciado n........................ 9........ 4............... Competência ............................3............ Tempestividade ......................................................... Recurso extraordinário pela alínea “a”.. 9..........................12.................................... Generalidades ...................................... 3.2...................................................................................... 355 .......... Efeitos .......................................... Recurso extraordinário pela alínea “b” ............................ Recurso extraordinário adesivo ..............9....................................... 9....................................10..... (Ir)recorribilidade do acórdão do Plenário que recusa a repercussão geral ....................... Recorribilidade das decisões monocráticas presidenciais e dos relatores no Supremo Tribunal Federal ..... Apêndice II ............................................................................................................ Protocolo integrado ....................................... 886 887 888 889 889 890 891 897 898 899 900 902 902 903 904 905 907 911 911 914 919 921 925 XXXI ... 13......... Recurso extraordinário pela alínea “d” ..............................................................4.......... 3........... Possibilidade de sobrestamento dos recursos extraordinários acerca de questão constitucional idêntica ...................... 10.. 3.............................. Critérios para a apuração da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal .......... 8......................................................................................1. Referências bibliográficas ...............

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TOMO I TEORIA GERAL DOS RECURSOS .

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recurso é todo remédio jurídico que pode ser utilizado para proteger direito que se supõe existir. Introdução aos recursos cíveis. p.. JOÃO MONTEIRO. o mandado de segurança. p.. No sentido do texto do parágrafo. 2ª ed. Em sentido conforme ao texto do parágrafo. 1912.. 10ª ed. Volume IV. ª ed. 507. dinheiro2. Novíssimo dicionário latino-português. Também pode significar ajuda. até mesmo institutos que não são verdadeiros recursos (como a ação rescisória. e SANTOS SARAIVA. p. Anotações. o incidente de suspensão. 49 e 72. Volume III.Capítulo I RECURSOS: CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA 1. Theoria. o vocábulo recurso apresenta dois significados: um amplo e outro estrito. FRANCISCO TORRINHA. 8. habilidade. faculdade. Instituições de direito processual civil. p. Não 1. assistência. 1976. 48. 1941. pecúnia. 1999. aptidão. 72. Dicionário latino português.. p. Vocabulário jurídico. proteção. DE PLÁCIDO E SILVA. na doutrina: ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. p. 2. 52. cujo significado (curso retrógrado. p. Por fim.. ª ed. . EDUARDO COUTURE. ARRUDA ALVIM. Curso de direito processual civil. GABRIEL REZENDE FILHO. caminho para trás. 2ª ed. 1976. 1951. Em sentido lato. por exemplo) podem ser assim designados. 1008. 7. socorro. p. 199. ORIgEm E ACEpçõES DO vOCábUlO “RECURSO” O vocábulo recurso provém do latim recursus. 1942. Vocabulario jurídico. Volume III. o vocábulo “recursos” é encontrado com o significado de numerário nos artigos 212 e 21 da Constituição Federal. Na acepção ampla. volta) revela a exata idéia do instituto jurídico: nova compulsação das peças dos autos para a averiguação da existência de algum defeito na decisão causadora do inconformismo do recorrente1. Tomo III.. como sinônimo de dote. 2ª ed. 12. ainda. Pode ser empregado como sinônimo de numerário. p. 85. a reclamação constitucional e os embargos de terceiro. ALCIDES DE MENDONÇA  . Por exemplo. na terminologia jurídica. Pode ser utilizado. auxílio. na doutrina: AFFONSO FRAGA. São múltiplas as acepções do termo recurso no vernáculo.

em prazo peremptório5. 1976. p. 1995. 5ª ed. JOÃO MONTEIRO. 207. É o que também sustenta o Jurisconsulto LINO ENRIQUE PALACIO: “Denomínase recurso al acto procesal en cuya virtud la parte que se considera agraviada por una resolución judicial pide su reforma o anulación. 1976. Daí a importância da definição específica de recurso. 6ª ed.. 11ª ed. o sentido lato.. Theoria. Correição parcial. 6. Vocabulario jurídico. 2ª ed. 85. a cassação.. 2000. A propósito. Ainda no mesmo sentido. e à luz do direito brasileiro. No tocante ao prazo peremptório. p. 48. vale conferir a lição do Professor LINO ENRIQUE PALACIO: “Constituyen requisitos comunes a todos los recursos: omissis. Volume III. 2ª ed. LOPES DA COSTA. dentro do mesmo processo6 em que foi proferido o pronunciamento causador do inconformismo. em linguagem técnica. p. Comentários ao Código de Processo Civil. 1977. 4. p. 1969. 1912. Volume V. 124. 177 e 184. 4 . Como bem ensina o Professor PEDRO ARAGONESES ALONSO. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. 567 e 568). pelo Ministério Público e até por terceiro prejudicado. recursos também poderiam ser o mandado de segurança. 106: “Tomado no seu sentido mais extenso. p. 3º) Su interposición dentro de un plano perentorio” (Manual de derecho procesal civil. 5. Volume III. 1951. Comentários ao Código de Processo Civil. o vocábulo recurso abrangeria todo e qualquer meio de possibilitar a revisão. p. ª ed. p.. Anotações. p. pelo mesmo ou outro juiz. merece ser prestigiada a conclusão n. 1946. p. 2ª ed. se entiende por recurso el acto procesal por el cual una parte solicita del juzgador la modificación de la resolución judicial que la grava dentro del mismo proceso en que aquella resolución fué dictada” (Técnica procesal. Direito processual civil. 11ª ed. DE PLÁCIDO E SILVA. 194. e SERGIO BERMUDES. Volume III. 49 e 70. p. p. apto a ensejar a reforma. o empregado no presente compêndio e nas obras especializadas. 299).. Ainda com a mesma opinião. p. sea al mismo juez o tribunal que la dictó o a un juez o tribunal jerárquicamente superior” (Manual de derecho procesal civil. 85. Em sentido estrito.. pelo próprio julgador ou por tribunal ad quem. 159. Sob êsse aspecto.. De acordo. a integração ou o esclarecimento de decisão jurisdicional. 52. 1995. total o parcial. Vocabulário jurídico. ª ed.. 1999. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos. p.é. por ser a prestigiada na literatura processual. o Professor MANUEL IBAÑEZ FROCHAM ensina que “el recurso es un acto procesal” (Los recursos. ARRUDA ALVIM. Introdução aos recursos cíveis. p. o habeas corpus. p. GABRIEL REZENDE FILHO. 507. todavia.. de sentença ou despacho desfavorável a uma das partes. a ação rescisória e a reclamação”. 2ª ed. 1958. 124 aprovada na Faculdade de LIMA. EDUARDO COUTURE. 199.. 1. e NELSON NERY JUNIOR. o recurso pode ser assim definido: ato processual4 que pode ser praticado voluntariamente pelas partes. 26). também na doutrina: MONIZ DE ARAGÃO. ou seja. Curso de direito processual civil. “en sentido técnico. Volume IV. 569). Volume VII.

4ª ed. já que ambos os remédios jurídicos servem para impugnar decisões jurisdicionais. 8. os recursos e as ações autônomas de impugnação não podem ser confundidos entre si. Dicionário Jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas. BARBOSA MOREIRA. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos. p. Volume V. p. 160. 7 e 8. 2ª ed. Entre os remédios jurídicos. tomo III. Cf. 1988. 179 e 184. destacam-se duas espécies aptas à impugnação das decisões jurisdicionais: as ações impugnativas e os recursos. e VESCOVI. O processo civil no limiar do novo século.. p.. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. Recursos no processo penal. da invalidação. REIS FRIEDE. NELSON NERY JUNIOR. os recursos são interpostos no mesmo processo em que foi proferida a decisão causadora do inconformismo. 126 e 172. do esclarecimento ou da integração da decisão”7. p.. 7. ª ed.Direito da Universidade de São Paulo: “Conceitua-se o recurso como meio voluntário de impugnação de decisões.. 2001. Em sentido semelhante ao texto do parágrafo. nota 1. 1997. enquanto as ações autônomas de impugnação dão ensejo à formação de novo processo. Com efeito. 14. Do duplo grau de jurisdição. utilizado antes da preclusão e na mesma relação jurídica processual. na doutrina: ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. remedium iuris). para a impugnação de decisum prolatado em processo anterior9. 178. 1990. 20. “REMÉDIO JURÍDICO (Lat. 210. Apesar da aparente similitude. Os recursos apenas dão prosseguimento ao mesmo processo no qual foi proferida a decisão causadora do inconformismo. 68). decorrente da reforma. ou não. 9.. 1998. CELSO BASTOS. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume IV. Diz-se de todo meio lícito adequado à consecução de um direito” (OTHON SIDOU. 1999. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Já as ações autônomas impugnativas dão ensejo à formação de novo processo. 5 . Los recursos judiciales. 2000. 7ª ed. 1997. 1976. Introdução aos recursos cíveis. SEABRA FAGUNDES. diverso daquele em que foi prolatado o decisum gerador da insatisfação. p. apto a propiciar ao recorrente resultado mais vantajoso. Comentários à Constituição Federal. Dos recursos ordinários em matéria civil. p. 1946. p. nota 21. 452. RECURSO: ESpéCIE DO gêNERO REméDIO JURÍDICO Os remédios jurídicos são todas as vias processuais disponíveis no ordenamento jurídico para a sustentação de algum direito8. ADA PELLEGRINI GRINOVER. 99 e 100. p. p. 5ª ed. 2. Diferenciam-se pela instauração de novo processo. p.

(Lat. “Assim se denomina o conjunto de tôdas as peças integradas de um processo. apenas um procedimento incompleto”. Tanto quanto sutil. como petições. A respeito do assunto. se a mesma relação jurídica processual se desenvolve em diferentes séries de atos concatenados. formando um todo iniciado pela autuação. Processo é relação jurídica processual que se desenvolve sob determinado procedimento. igualmente merece ser prestigiado o preciso ensinamento do Professor CALMON DE PASSOS: “‘Autos’ é palavra utilizada para significar o processo em sua materialidade. 5 e 6. é importante distinguir termos técnicos essenciais para a compreensão da distinção dos recursos e das ações autônomas de impugnação.A propósito. Conjunto ordenado das peças de um processo judicial” (OTHON SIDOU. 6 . Como bem ensinam os Professores ADA PELLEGRINI GRINOVER. do escrivão. p. V.. Também no mesmo sentido: “AUTOS. grifos aditados). A propósito. sentença. 5). Em contraposição. Dois. 11. Por conseqüência.. etc. 1997. procedimento instrutório etc. Não há lugar para confusão entre os conceitos de processo e autos. a diferença é muito relevante.” (Comentários ao Código de Processo Civil. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. conjunto de peças escritas que formalizam e documentam os atos praticados no processo segundo o procedimento para ele ditado pelo legislador” (Comentários ao Código de Processo Civil. mas um só processo11. representado pelos atos que lhe dão corpo e a relação entre eles (procedimento) e o interno. articulados. 12. Dicionário Jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas. também é possível afirmar que o recurso nem sempre é interposto nos autos em que a decisão recorrida foi prolatada. o processo deve ser “entendido como relação processual mais procedimento” (Recursos. 111). pl. com uma capa em geral de cartolina. 2ª ed. 2004. Proc. p. são os elementos do conceito de processo10: relação jurídica processual e procedimento. actus) Dir. p. nova relação jurídica processual e autonomia procedimental. só existe outro processo quando há. Já o vocábulo autos12 significa o cader- 10. há dois procedimentos. m. 7). 4ª ed. que pode ser vista por dois ângulos: o externo. p. inclusive. 1994.. 2001. procedimento recursal. 9ª ed. Volume III. Repertório enciclopédico. Os autos têm a forma de um caderno. 8). da natureza do feito e os nomes do autor e réu” (CARVALHO SANTOS.. 9ª ed. onde é lavrada a autuação. (1) S. 50 e 51). O Professor JOSÉ ROBERTO BEDAQUE também é preciso ao explicar que “o processo é uma entidade complexa. merece ser prestigiada a didática lição do Professor CALMON DE PASSOS: “Daí afirmar que um processo pode conter um ou mais procedimentos ou. Vol. com as dimensões do chamado papel de ofício. têrmos. Nessa capa são consignadas as designações do juízo. ª ed. p. Volume III. que são as relações entre os sujeitos processuais (relação processual)” (Poderes instrutórios. simultaneamente. portanto.. “Pelo que é correto falar-se em procedimento na primeira instância. Se é certo afirmar que o recurso é sempre interposto no mesmo processo em que foi proferida a decisão impugnada. 2004. p..

Como não há nova citação. O essencial. na verdade. trata-se de ação autônoma impugnativa. mas o processo permanece uno” (Comentários ao Código de Processo Civil. Diante da diversidade dos conceitos. ou não. entretanto. 200. Aliás. são a materialização do processo. Os autos. entretanto. merece ser prestigiada a precisa lição do Professor BARBOSA MOREIRA: “Atente-se bem: dentro do mesmo processo. mas com o prosseguimento da 1. porquanto não há nova relação jurídica processual. Quando a impugnação se dá no mesmo processo. é se o processo é o mesmo. Volume V. Só existe processo diverso. recursos processados em caderno processual independente denominado instrumento (ou traslado). processos diversos. 2). a qual. inciso V. mas sem nova relação jurídica. 11ª ed. conforme revelam o artigo 527. em linguagem metafórica. Não formam. não há a formação de nova relação jurídica processual. por exemplo. se a impugnação da decisão ocorre em outro processo. é possível afirmar que o recurso pode ser interposto fora dos autos do processo. juiz e réu. É certo que a regra reside na interposição dos recursos nos mesmos autos.. todavia. e não nos próprios autos. não necessariamente dos mesmos autos. ou seja. é possível concluir que os agravos de instrumento são interpostos no mesmo processo. § 2º. bifurca-se o procedimento. mas há recursos que não são interpostos nos autos do processo. mas sempre no mesmo processo. Ainda que existentes procedimento próprio e autuação independente. fruto da autonomia procedimental. os agravos de instrumento. e o artigo 544. A interposição do agravo por instrumento dá lugar à formação de autos apartados. embora não nos autos do processo. em virtude da autonomia procedimental dos agravos de instrumento. não são interpostos nos mesmos autos nos quais foram proferidas as decisões agravadas. trata-se de recurso. já que o agravado somente é “intimado”. portanto. o processo continua a ser o mesmo1 — como se dá nos agravos de instrumento dos artigos 522 e 544 do Código de Processo Civil. Os agravos de instrumento previstos nos artigos 522 e 544 do Código de Processo Civil. 7 . ambos do Código de Processo Civil. Em contraposição. se há formação de nova relação jurídica processual com autonomia procedimental. ambas simultaneamente. A propósito.no processual principal que contém os atos processuais que concretizam os direitos e deveres dos sujeitos da relação jurídica processual: autor. é possível afirmar que os autos são o corpo do processo. não é suficiente para a existência de um novo processo. p.

além dos dois remédios jurídicos tradicionais (os recursos e as ações autônomas de impugnação). Volume III. embargos infringentes. recurso especial. artigos 527. embargos de divergência. Com exemplos semelhantes: ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. e JACY DE ASSIS. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 3. eventuais equívocos constantes do julgado podem vir a ser eliminados17. ambos do Código de Processo Civil15. é necessário conceder ao jurisdicionado insatisfeito com a prestação jurisdicional a possibilidade de submeter a decisão que considera viciada à apreciação do próprio juiz que a proferiu ou. 11ª ed. embargos infringentes de alçada e recurso inominado. os embargos de terceiro. o mandado de segurança contra ato jurisdicional. p. 14. Por tal razão. o tomo II do presente compêndio versa sobre as ações autônomas de impugnação. por vía de reexamen. Manual. 8 . 1999. Comentários. p. 1995. e 486. a reclamação constitucional. 1975. como ocorre em regra. a las exigencias de la justicia”. p. De outro lado. institutos que não são recursos. en la mayor medida posible. inciso I.mesma relação jurídica processual. las decisiones judiciales se adecuen. Assim. recurso extraordinário. embargos de declaração. 1976. Fixada a distinção teórica entre os recursos e as ações autônomas de impugnação. retido. 257. Por fim. volume 259. § 2º). como a correição parcial (ou reclamação correicional) e o pedido de reconsideração16. Além das ações impugnativas. De acordo: PALACIO. FREDEDICO MARQUES. mas que os substituem. as quais podem dar ensejo à prolação de decisões defeituosas. já é possível arrolar os recursos que integram o sistema cível: apelação.. 15. estão as ações autônomas de impugnação14: a ação rescisória. o juiz não está isento das falhas e das imperfeições humanas. Introdução. Revista Forense. recurso ordinário. Volume IV. 172 a 175. RAZãO DE SER DOS RECURSOS Como todo homem. e 544. Manual. ao crivo de um órgão colegiado composto por magistrados mais experientes. p. p. O processo civil brasileiro. há os sucedâneos recursais. p. CELSO BASTOS. 570: “La razón de ser de los recursos reside en la falibilidad del juicio humano y en la consiguiente conveniencia de que. Por oportuno. agravos (de instrumento. Sistemática dos recursos. a ação de querela nullitatis e a ação anulatória dos artigos 52. interno). tomo III. pela simples razão de que o agravado é apenas “intimado” (cf. 17. 49. 160. os sucedâneos recursais também constam do tomo II do presente compêndio. inciso V. 16. 1997. 210.

A irresignação que as decisões desfavoráveis causam no espírito do vencido também justifica a adoção de um sistema recursal. 194. Theoria. pelo menos em tese. A propósito. nota 8. 1912. Comentários.. Com efeito. incisos II e III. 1977. Theoria. Com efeito. Daí a conveniência de se conferir ao inconformado algum remédio jurídico capaz de tornar insubsistente a decisão causadora da sua insatisfação. o risco da subsistência de julgados antagônicos diante de casos idênticos seria ainda maior. Dos recursos. 147. 5. OLIVEIRA E CRUZ. não pode ser desconsiderada a utilidade preventiva da adoção de um sistema recursal.. Istituzioni. assim. ª ed. p. Volume I. O recurso também serve para uniformizar a aplicação do direito19. 12. p. p. da Constituição Federal)18. Tomo VI. número 15. é da própria natureza humana não se conformar com a decisão que beneficia o adversário. Aliás... 1998. que a irresignação dê azo a expedientes maléficos ao Estado. especialmente a primeira. nota 18. p. ROGÉRIO LAURIA TUCCI. sob pena de sofrer censuras. 9 . porquanto o instituto recursório nada mais é do que a concretização daqueles princípios20. 199. Volume II. 50. Não se trata de mera coincidência. Código. 1955. 1. Volume VII. 44. 52 e 5. 19. ª ed. o que causaria inegável descrédito em relação ao Poder Judiciário. Se não houvesse o sistema recursal. Evita-se. artigo 9. nos embargos de divergência e nos embargos infringentes. em suma. 1989. 1946. p. Volume III. p. ª ed. 84. Theoria. Em sentido semelhante: ALFREDO BUZAID. e SEABRA FAGUNDES. JOÃO MONTEIRO. os recursos permitem a revisão do decisum pelo tribunal ad 18. p. Ciente da possibilidade de o tribunal ad quem vir a examinar a decisão proferida na instância inferior. 1 e 20. 15 e 16. Revista de Doutrina e Jurisprudência. . De acordo: ANTÔNIO MACHADO. ª ed. a finalidade de uniformização jurisprudencial é marcante no recurso especial pela alínea “c” do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal. Curso. e PONTES DE MIRANDA. Volume I. São. 1968. nota 8. No sentido do texto do parágrafo: JOÃO MONTEIRO. assim como restrições para a ascensão na carreira (cf. 1912. 1912. Dos recursos. Tratado.. p. 147. 20. ª ed. 2ª ed. Volume III. JOÃO MONTEIRO. Comentários ao Código de Processo Civil. p. e SERGIO BERMUDES. 255. também são os motivos que explicam a adoção dos princípios do duplo grau de jurisdição e do duplo exame pelos ordenamentos jurídicos dos países civilizados.Além da finalidade corretiva acima enunciada. LEO ROSENBERG. o magistrado há de ser cuidadoso na prolação do decisum. p. CHIOVENDA. p.. os fundamentos que justificam a instituição dos recursos. como a inaceitável manifestação de inconformismo perante a própria pessoa do juiz. 14. p.

A respeito da natureza jurídica do recurso no direito pátrio. segunda parte. quando há a realização do princípio do duplo exame. a outra corrente tem o recurso como mera extensão do próprio direito de ação exercido no processo em que foi prolatado o decisum causador do inconformismo. o reexame pelo próprio juiz prolator da decisão. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. merece ser prestigiada a conclusão n. Não obstante. ª ed. 2001. a busca da justiça21 e da conformação do sucumbente não pode ser incessante. ADA PELLEGRINI GRINOVER. Assim considerada a correta aplicação do direito objetivo ao quadro fático correspondente. salvo quando decorrido in albis o biênio do artigo 495. Cf. com muitos defensores na doutrina estrangeira. 22. mas ocasiona apenas o prosseguimento do mesmo processo iniciado com a propositura da ação pelo autor. direito a reexame do provimento jurisdicional”2. Por fim. pois enquanto não houver preclusão tem a parte.quem. com a formação da coisa soberanamente julgada. com inconveniente insegurança jurídica. p. somente as ações autônomas de impugnação dão causa à inauguração de processo distinto daquele no qual foi proferida a decisão desfavorável. À vista do direito brasileiro. Duas correntes antagônicas partem do direito de ação para identificar a natureza do instituto: a primeira corrente. 4. sob pena de os litígios se eternizarem. NATUREZA JURÍDICA DO RECURSO Não há unanimidade na doutrina acerca da natureza jurídica do recurso. a decisão protegida pela coisa julgada ainda está sujeita à ação rescisória. § º. 21. ambos do Código de Processo Civil22. 45. É a corrente prestigiada pela doutrina pátria. Daí a necessidade da limitação do número de recursos. diversa daquela que deu ensejo à formação do processo em que foi proferida a decisão recorrida. 14 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “O direito de recorrer constitui modalidade do próprio direito de ação. ao menos. com a materialização do princípio do duplo grau de jurisdição. 2.. no mesmo processo. segundo o qual a interposição de recurso não conduz à instauração de novo processo. considera o recurso verdadeira ação autônoma. ou. a fim de que em determinado momento o conflito de interesses seja solucionado mediante decisão jurisdicional protegida pelo manto da coisa julgada. Recursos no processo penal. nos termos dos artigos 01. o que é explicável à luz do direito positivo brasileiro. e 467. 10 .

“O ônus é a atribuição de certa conduta a uma parte. pratica o ato imposto por lei. Foi o entendimento que restou consolidado na precisa conclusão n. p. 407. Comentários ao Código de Processo Civil. mas. Volume I.Sob outro prisma. representando uma faculdade que. p. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. com prejuízo àquele que se conformou com a decisão contrária.. Mas se não se desincumbe dele. 24. 252). sofrerá um prejuízo” (CELSO AGRÍCOLA BARBI. 2001. Em síntese. 11 .. Se ela observa essa conduta. e a que considera o recurso verdadeiro ônus processual. se não o fizer. ª ed. Cf. nada lhe acontece. porquanto o legitimado25 pode recorrer se assim desejar. 10ª ed. Recursos no processo penal. o recurso configura ônus processual 24. n. artigo 499 do Código de Processo Civil. 1998. o decisum adverso subsistirá. ADA PELLEGRINI GRINOVER. 26. 45. não exercida. 25. pode acarretar conseqüências desfavoráveis”26. 15 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “O recurso é um ônus processual. duas teses prevalecem na doutrina brasileira sobre a natureza jurídica do recurso: a que tem no recurso uma continuação do direito de ação exercido no processo no qual foi proferida a decisão recorrida. Cf.

entretanto.Capítulo II SISTEmAS RECURSAIS 1.. 2007. ainda que de forma reflexa. Os sistemas recursais criminal (ou penal). Há. Por conseqüência. Na verdade. o sistema recursal cível tem aplicação subsidiária em relação aos sistemas 27. por força do artigo 189 da Lei n. falimentar. Cf. a Lei n.101 é omissa quanto aos prazos recursais. Por exemplo. 11. apesar de seguir.101 é omissa em relação ao procedimento dos recursos no juízo de origem e no tribunal ad quem. do artigo º do Código de Processo Penal e do artigo 4 do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral. criminal. algumas peculiaridades próprias do sistema recursal falimentar. em grande parte28. o qual é verdadeiro sistema recursal comum. 29.101. de 2005. além de alcançar os diversos processos e procedimentos previstos no Código de Processo Civil (e nas leis processuais civis extravagantes sem disposição em sentido contrário). trabalhista. trabalhista e eleitoral podem ser denominados especiais. Volume I. do artigo 769 da Consolidação das Leis do Trabalho. criminal e eleitoral. ClASSIfICAçãO Há cinco sistemas recursais no direito brasileiro: cível. FÁBIO ULHOA COELHO. quando omissos os diplomas específicos. Outro exemplo: a Lei n. porquanto são regidos por normas específicas. geral. todos os sistemas recursais são influenciados pelo sistema cível. Curso de Direito Comercial. o disposto no sistema recursal cível. incide o disposto no Código de Processo Civil. Com efeito. o sistema recursal cível tem incidência subsidiária em relação aos sistemas falimentar. O sistema recursal falimentar (ou empresarial) também é considerado um sistema próprio27. especial. como a impossibilidade de retenção do agravo cabível contra decisão interlocutória e a inexistência de preparo em relação aos recursos interpostos pela massa falida. trabalhista e eleitoral. 11. também incide o disposto no Código de Processo Civil. 12 . 7ª ed. 11. 28. com a indicação de doutrina em abono à tese sustentada pelo autor. p.

Recurso ordinário. Por exemplo. o enunciado n. O Código de Processo Civil é fonte subsidiária. Também em prol da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil no processo penal: HC n. 2005. vale conferir o enunciado n. 26. obscuridade ou contradição. pouco importando que o processo esteja em fase de apelação interposta pelo querelante e que a legitimidade lhe diga respeito — aplicação subsidiária do § 3º do artigo 267 do Código de Processo Civil” (grifos aditados). o artigo 557 do Código de Processo Civil”.. 7ª ed.recursais falimentar29. 2007. Assim também sustenta autorizada doutrina: “Quando a Lei de Falências for omissa. a determinar a interrupção do prazo (nova redação do caput do art. 29. 1 . era expressa no sentido da suspensão do prazo (art. 69 da Súmula do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro: “Aplica-se ao processo penal. 19299: “LEGITIMIDADE — QUEIXA-CRIME — APRECIAÇÃO DE OFÍCIO EM GRAU RECURSAL. ainda que não renovado em contra-razões.. Mas a verdade é que. transfere automaticamente ao Tribunal a apreciação de fundamento da defesa não examinado pela sentença. De modo que.51/RS. A propósito. 11. 4ª ed. Até mesmo em matéria de recorribilidade das decisões proferidas pelo juízo falimentar tem lugar a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil. sem os grifos). ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES: “É certo que a lei processual penal não é expressa nesse sentido. Art. diversamente do que ocorre com o art. p.950/94 não viesse. Profundidade. razão pela qual é verdadeiro sistema recursal comum e supre as lacunas dos demais. Volume I.101/2005). Ainda em sentido conforme. p. 538 CPC. 538). porém. merece ser prestigiado o correto enunciado n. também expressamente. Diário da Justiça de 5 de agosto de 1994. § 1º. a despeito de a Lei de Falências ter consagrado um sistema recursal próprio” (FÁBIO ULHOA COELHO. aplicável aos embargos em matéria criminal. “A regra original do CPC. trabalhista0. 25 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça e os respectivos precedentes jurisprudenciais revelam a adoção do Código de Processo Civil no processo falimentar. p. 0. criminal1 e eleitoral2. se a sentença declaratória da falência contiver omissão. Curso de Direito Comercial. 1. ao caso de pedido não apreciado na sentença” (grifos aditados). 515 do CPC. merece ser prestigiada a lição dos Professores ADA PELLEGRINI GRINOVER. enquanto a decisão não surgir clara. O processo falimentar está disciplinado na Lei de Falências (Lei n. não poderá configurar resposta jurisdicional que possa ser impugnada por outros recursos. 538 encontra aplicação analógica”. 29). do CPC. atualmente. 535). que se extrai do § 1º do art. por analogia. coerente e completa. no qual o art. 2ª Turma do STF. se pode entender que o prazo para os outros recursos fica interrompido também no campo penal. Não se aplica. O efeito devolutivo em profundidade do recurso ordinário. Aplicação. 538). As razões que inspiraram a regra do processo civil também incidem no processo penal. art. caberá o recurso indicado no CPC. Por exemplo. o prejudicado pode manejar o recurso de embargos de declaração (CPC. todavia. As condições da ação são apreciáveis de ofício. até que a Lei 8. 69. recomeçando a contar em sua inteireza a partir da intimação da decisão que julga os embargos” (Recursos no processo penal. aplicável nas lacunas da legislação falimentar. A respeito de tema. 515. 9 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Efeito devolutivo.

Diário da Justiça de 26 de abril de 2002: “AGRAVO DE INSTRUMENTO EM MATÉRIA ELEITORAL E COMPOSIÇÃO DO TRASLADO. 75. 1994. 544. 2ª ed. na hipótese de não-admissão de recurso extraordinário interposto em processo eleitoral. 282. aliás. Volume V. 4. 190. § º. foi alvo de acertada crítica da doutrina4. incisos II. na formação do traslado. ressalvadas as exceções expressamente previstas na legislação processual (por exemplo. Na verdade. 541 a 546. 6. 2. 481.. por analogia e subsidiariamente. subsidiariamente. como.. § 2º). destinado ao processo de conhecimento. parágrafo único. Recursos. o Código Eleitoral (art.2. Com efeito. 2ª ed. artigos 519. 2ª Turma do STF. propriamente. 10 do Tribunal de Contas da União: “Na falta de normas legais regimentais específicas. não só ao que dispõe. no que couber. 279. em caráter irredutível. . As disposições a ele referentes. o Código de Processo Civil também é aplicado subsidiariamente na esfera administrativa. 15: “No processo eleitoral. mais especificamente nos artigos 496 a 565. 8ª ed. também. A inclusão da matéria no bojo do Livro I. Por oportuno. Comentários ao Código de Processo Civil. são aplicáveis. atender. 558 e 598. mas. p. que não se limita à órbita do direito civil. 4 e 5. não só as decisões proferidas em processo de conhecimento são recorríveis. ao eliminar as hipó- 14 . 19ª ed. p. 198. também são passíveis de recurso as decisões prolatadas nos processos de execução e cautelar5. sem prejuízo da observância. § 2º). o parágrafo único proposto também reveste a tramitação de agravo de racionalidade e celeridade. 527. p. 5. 520. III e parágrafo único6. “Por fim. p. com redação da Lei 8. ª Turma do STJ.950/1994 e a Lei 10. De acordo. A propósito. p. Cf. — Impõe-se à parte agravante. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume VII. todos do Código de Processo Civil vigente. 110. aplicam-se. Em sentido semelhante: GALENO LACERDA.006..352/2001). 1999. SISTEmA RECURSAl CÍvEl Os recursos cíveis estão previstos no Título X do Livro I do atual Código de Processo Civil. as disposições do Código de Processo Civil”. na doutrina: TITO COSTA.124/MG — AgRg. contidas no CPC (arts. na composição do traslado. defere ou indefere pedido de efeito suspensivo ou de antecipação dos efeitos do recurso” (REsp n.. c/c o art. 6ª ed.088/SC. é cabível o recurso extraordinário. no processo eleitoral”. 111 e 112.187/2005 tornou irrecorrível decisão de Relator que. tomo I. vale conferir o seguinte precedente jurisprudencial: Ag n. 1. Volume VIII. como bem revela o enunciado n.. p. 1). inciso IV. ao que estabelece o Código de Processo Civil (art. “A Lei 11. 2004. Diário da Justiça Eletrônico de 5 de março de 2008. em agravo de instrumento nos Tribunais de segundo grau. das exigências fundadas no magistério jurisprudencial firmado pelo Supremo Tribunal Federal” (grifo e destaques constam do original). a Juízo do Tribunal de Contas da União. Comentários ao Código de Processo Civil. e 54. 1977. e Processo de execução. e HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. revelam os artigos 475-M. SERGIO BERMUDES.

12 e 127. em virtude da regra de que tanto o processo quanto o procedimento em que foi lançado o decisum são irrelevantes para a recorribilidade. na jurisprudência: EREsp n. 2ª ed. p.. Volume VII. 15 . o sistema recursal cível norteia todos os demais sistemas recursais. com incidência direta em relação a todos os processos e procedimentos disciplinados no Código de Processo Civil e. 2005. p.51/MG. 1977. Volume IV. Comentários ao Código de Processo Civil. A rigor. inclusive aos processos regidos por leis especiais. diploma que tratava dos recursos em livro específico (Livro VII). 8. 11. Assim. todos do Código de Processo Civil). De acordo. aos processos cíveis regulados por leis especiais. sem os grifos no original).187. Na verdade.§§ 2º e º. teses de recorribilidade de decisão liminar proferida nos casos dos incisos II e III” (Exposição de Motivos da Lei n. teria sido melhor preservar a estrutura do antigo Código de Processo Civil de 199. como fonte subsidiária8. com o suprimento das omissões dos mesmos. 4 e 5. solução mais adequada à vista do amplo alcance do sistema recursal cível7. 7. toda decisão jurisdicional pode ser impugnada por meio de recurso. de 2005. Reforma infraconstitucional. Diário da Justiça de 7 de agosto de 2006: “A sistemática recursal prevista no Código de Processo Civil é aplicável subsidiariamente a todo o ordenamento jurídico. na doutrina: SERGIO BERMUDES. como estudado no tópico anterior. sempre que não houver disposição especial em contrário”. 471. Corte Especial do STJ.

Capítulo III ATOS SUJEITOS A RECURSO pROCESSUAl No direito processual brasileiro. os atos de cunho administrativo e legislativo podem ser combatidos por outras vias processuais (por exemplo. O laudo do perito também não gera sucumbência a nenhuma das partes. A propósito. são administrativos os atos praticados no exercício das atividades previstas no artigo 96. porquanto pode não ser prestigiado pelo juiz da causa. letra “a”. e só os atos do Judiciário no exercício da função jurisdicional 16 . Apenas os atos jurisdicionais são passíveis de impugnação por meio de recurso propriamente dito. respectivamente). inciso I. Por conseguinte. só os atos praticados por juiz ou por órgão coletivo judiciário podem ser impugnados por meio de recurso processual. Os demais atos praticados no processo não podem ser impugnados por meio de recurso. do Código de Processo Civil). inciso I. “d”. apenas os atos de autoria de magistrado ou de órgão colegiado judiciário são passíveis de recurso. porquanto estão sujeitos ao imediato controle dos juízes. é igualmente correta a asserção de que nem todos os atos provenientes do Judiciário podem ser impugnados mediante recurso processual. na qualidade de fiscal da lei: o parecer ministerial não ocasiona gravame a litigante algum. Por tudo. muito menos para formar a coisa julgada. É o que ocorre. Se é certo afirmar que os recursos processuais são cabíveis apenas contra atos oriundos do Poder Judiciário. artigo 162. porquanto pode não ser acolhido pelo magistrado (cf. alíneas “b”. Em contraposição. “c”. artigos 46 e 47 do Código de Processo Civil). por exemplo. “e” e “f”. da Constituição Federal. nem todos os atos provenientes do Poder Judiciário são jurisdicionais. ação de mandado de segurança e ação direta de inconstitucionalidade. conforme o disposto no artigo 96. razão pela qual não têm força para causar prejuízo às partes. mas não pela via recursal. Já a competência conferida aos tribunais para elaboração de regimento interno configura exemplo de atividade legislativa. até mesmo quando o escrivão atua por delegação (cf. da Constituição de 1988. com o parecer oferecido pelo Ministério Público. pois os respectivos atos são passíveis de revisão pelo juiz. § 4º. Os atos do escrivão igualmente são irrecorríveis.

decisão monocrática e acórdão) e podem ser alvo de impugnação por meio de recurso processual. 1999. artigo 440 do Código de Processo Civil. 2006. NERY JUNIOR e ROSA NERY.são passíveis de impugnação por meio de recurso processual. p. os demais atos jurisdicionais. os despachos) são irrecorríveis. Assim. n. Com efeito. 2006. e 1. artigo 1. p. a tentativa de conciliação40 e a inspeção judicial41. Tomo VII. Comentários ao Código de Processo Civil. os pronunciamentos jurisdicionais podem ser divididos em razão da existência de conteúdo decisório e de gravame. 2006. DALL´AGNOL. Volume V. considera-se despacho o pronunciamento por meio do qual o magistrado4: a) concede vista à parte para 9. 1998. nem todos são impugnáveis por meio de recurso processual. Por tudo. inciso IV. 152 e 15. artigo 504). 42. 2ª ed. In Reforma do CPC.142 do Código de Processo Civil... Com efeito. sem solucionar controvérsia alguma. comentário 10. O novo conceito de sentença. 246. os pronunciamentos sem conteúdo decisório e que não causam prejuízo às partes são intitulados despachos e não estão sujeitos a recurso algum (cf. e DANIEL AMORIM ASSUMPÇÃO NEVES. ou seja. Cf. despacho é o pronunciamento jurisdicional ordinatório. Em contraposição. p. Por exemplo. Mesmo entre os atos jurisdicionais provenientes dos órgãos do Poder Judiciário. Resta examinar os atos jurisdicionais que nem são pronunciamentos. É o que revela o artigo 504 do Código de Processo Civil: “Dos despachos não cabe recurso”. Volume II. ambos do Código de Processo Civil.. aqueles que não são pronunciamentos. não são passíveis de impugnação por meio de recurso42. 17 . 1996. os atos jurisdicionais podem ser classificados em pronunciamentos e outros atos jurisdicionais. e PONTES DE MIRANDA. 2000. Em síntese. Só os pronunciamentos com conteúdo decisório e que causam gravame estão sujeitos a recurso processual. 4.. só os atos do Poder Judiciário no exercício da função jurisdicional ensejam a interposição de recurso processual. p. Por sua vez. e 1ª ed. 260. Já os pronunciamentos sem conteúdo decisório e que não ocasionam prejuízo (ou seja. Comentários ao Código de Processo Civil. sentença. Alguns exemplos semelhantes são encontrados na doutrina mais abalizada: BARBOSA MOREIRA. 240 e 241. Código de Processo Civil comentado. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. como a arrecadação de bens9. p. 7ª ed. 1ª ed. 41. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume V.. 19. Os pronunciamentos com conteúdo decisório e que causam gravame são denominados decisões lato sensu (decisão interlocutória. p. Cf. 591. 76 e 77. ª ed. por meio do qual o magistrado apenas dá andamento ao processo. 40. por exemplo. 47. p. artigos 125. Cf. Comentários ao Código de Processo Civil.

f) determina a remessa dos autos ao Ministério Público. Em contraposição. bem como a anotação do nome do novo procurador e da respectiva inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. as decisões interlocutórias e sentenças são pronunciamentos com conteúdo decisório e que ocasionam prejuízo a. decisão interlocutória é o pronunciamento por meio do qual o juiz de primeiro grau resolve questão incidental. os juízes de primeiro grau podem proferir outros pronunciamentos: as decisões interlocutórias e as sentenças. Como as decisões interlocutórias e as sentenças têm conteúdo decisório e causam gravame. a Lei n. 269 e 463. para a realização de futuras intimações. § 1º. d) fixa o prazo para a apresentação do laudo pericial. controvérsia que surge no curso do processo. c) ordena a anotação pelo distribuidor da propositura de reconvenção e da intervenção de terceiro. b) determina a juntada de substabelecimento. uma vez que a sentença não mais põe fim ao processo”. caput. o § 1º do artigo 162 estabelece que sentença é o pronunciamento proferido por juiz de primeiro grau com esteio nos artigos 267 e 269 do Código de Processo Civil. e 269. g) fixa prazo para as partes apresentarem as respectivas alegações finais. Já o artigo 269 versa sobre a sentença definitiva. outro é o critério descritivo das aludidas decisões. 18 . caput.22. ou seja. e h) determina à parte que apresente fotocópia autenticada do documento ou o próprio original. consoante o disposto no parágrafo único do artigo 25 do Código de Processo Civil. Ao contrário dos despachos. Ainda a respeito do conceito de sentença. a diferença é relevante para a identificação da natureza do pronunciamento e da respectiva recorribilidade. Já o pronunciamento por meio do qual o magistrado ordena o desentranhamento de fotocópia ou nega a validade do documento tem natureza de decisão interlocutória. um dos litigantes. até mesmo pelos que compõem os tribunais. Tanto quanto sutil. 11. de 2005. os quais podem ser prolatados por todos os magistrados. 267. Além dos despachos. de mérito. O artigo 267 trata da sentença terminativa. modificou a redação dos artigos 162. e) apenas concede prazo às partes para especificação de provas a serem produzidas. processual. isto é. ao argumento de que “a alteração sistemática impõe a alteração dos artigos 162. no mínimo. à vista dos artigos 421 e 4 do Código de Processo Civil. ou seja. À vista do § 2º do artigo 162 do Código de Processo Civil.manifestação sobre documento apresentado pelo adversário.

44. estar-se-á diante de decisão interlocutória e não de decisão final. Por conseguinte. De acordo. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. com ou sem apreciação do mérito’ ”44. 522 do CPC)” (FREDIE DIDIER JR. “Por outro lado. decisão interlocutória é o pronunciamento de juiz de primeiro grau. a que 19 . artigos 292 e 01. Em contraposição. 2005. Por conseguinte. ii) decisão que reconhece a decadência de um dos pedidos cumulados (art. VI) etc.“‘sentença’ passa a ser o ato ‘de julgamento da causa. “etapa final do processo de conhecimento”. 1). iii) decisão que exclui um litisconsorte por ilegitimidade (art. a sentença pode ser assim redefinida: pronunciamento de autoria de juiz de primeiro grau por meio do qual há a aplicação de alguma das hipóteses arroladas nos incisos dos artigos 267 e 269 do Código de Processo Civil em relação a todas as ações existentes no processo. de decisão interlocutória47. o pronunciamento não tem natureza de sentença. extinta uma delas e prosseguindo o feito. a execução da maioria dos títulos judiciais passou a ser mera “fase processual”. 2005. 22. Volume IV. 46. e não mais um “‘processo autônomo’ de execução”45. ambos do Código de Processo Civil. assim. 20 e 22. ser impugnadas por agravo (art. é preciso ter sempre presente a noção de que um mesmo processo pode comportar várias ações. São exemplos de decisão interlocutória. com conteúdo decisório. 18. “para possibilitar que a execução da sentença ocorra na mesma relação processual cognitiva”. mas que não ocasiona a aplicação integral de nenhuma das hipóteses arroladas nos incisos dos artigos 267 e 269. na doutrina: “Nem toda decisão que tiver por conteúdo uma das hipóteses dos arts. Curso de direito processual civil. agora o processo subsiste até o efetivo cumprimento da sentença de mérito. sim. 47. 45. a desafiar. 267 e 269 do CPC terá por efeito a extinção do procedimento. 269. Reforma infraconstitucional. p. a sentença de mérito deixou de ocasionar a extinção do processo. § 1º. Por tudo. Nesse sentido. Assim sendo. ª ed. Alguns exemplos de decisões que aplicam os mencionados artigos e não encerram o procedimento: i) decisão que indefere parcialmente a petição inicial (inciso I do art. Volume IV. 2007. a decisão que rejeita o litisconsórcio. mas. Exposição de Motivos do Ministro da Justiça.. o recurso de agravo. extraído do atual § 1º do artigo 162: “Sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. 267 e 269 desta Lei”. mas não todas as existentes no mesmo processo46. IV). que podem. p. Volume III. Daí a explicação para o novo conceito legal de sentença. Cf. Com o advento do processo sincrético no direito brasileiro. p. se o juiz de primeiro grau evoca algum inciso do artigo 267 ou do artigo 269 para resolver apenas uma demanda. portanto. 267). Exposição de Motivos do Ministro da Justiça. 267. Reforma infraconstitucional.

alínea “c”. Sob outro prisma. também há doutrina muito respeitável: DANIEL AMORIM ASSUMPÇÃO NEVES.259: recurso inominado. 7ª ed. 11. o respeitável entendimento de que a decretação da falência é proveniente de sentença agravável. assim como a que indefere a reconvenção desafiam o recurso de agravo. como ação do réu. ambos da Lei n. Reforma do CPC. merece ser prestigiada a conclusão n. razão pela qual a hipótese não é exemplo de exceção ao binômio sentença-apelação. de 2005. com o reforço do parágrafo único do artigo 99. as sentenças geralmente desafiam apelação. 2007. Repise-se: é possível cumular-se várias ações no mesmo processo. A propósito. p. Incorre em equívoco os que entendem que à cada litisconsorte corresponde um processo e que à reconvenção. 292 do Código de Processo Civil” (LUIZ FUX. A terceira exceção está prevista no artigo 41 da Lei n.  e 4). da Constituição Federal: recurso ordinário. Cf. 152 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “Embora a lei preveja embargos de declaração impõe o seu desmembramento. já é possível analisar a recorribilidade. todavia. 20 . FÁBIO ULHOA COELHO.099 e nos artigos 1º e 5º da Lei n. p. entretanto. O novo conceito de sentença. 10. Em sentido contrário. A reforma do processo civil. é possível concluir que a decretação da falência ocorre mediante decisão agravável (e não sentença agravável). 6. 2ª ed. em razão do cabimento de agravo de instrumento contra a “sentença” de decretação da falência. à vista do proêmio do artigo 100.. Autorizada doutrina48 sustenta a existência de outra exceção ao binômio sentença-apelação. pertine um processo autônomo. exceções ao binômio sentença-apelação no sistema recursal cível brasileiro. inciso II. Enquanto as decisões interlocutórias são impugnáveis por meio dos agravos — retido e de instrumento — previstos no artigo 522 do Código de Processo Civil. 9. Não obstante. 48. A primeira está inserta no artigo 105. Volume III. 2008.. entretanto. p. 267 e 270. tanto a decisão interlocutória quanto a sentença podem ser impugnadas mediante embargos de declaração. Curso de direito comercial: direito de empresa. Há.80: embargos infringentes de alçada. 2006. recurso cabível contra toda e qualquer decisão.101.Estudadas a decisão interlocutória e a sentença. Prevalece na doutrina. com o destaque para a diferença que separa os dois pronunciamentos com conteúdo decisório em primeiro grau de jurisdição. 79 a 84. A segunda consta do artigo 4 da Lei n. como o permite textualmente o art.

9.. ª ed. “5. ao mandar converter os agravos de instrumento em retidos. de 1999. exceções: ex vi dos artigos 541 e 544 do Código de Processo Civil. Recursos no processo penal. p. 1ª ed. todos do Código de Processo Civil. 11. Há. 21 . e 15. § 1º (na redação da Lei n. da Lei n. 50. da Lei n.756)” (BARBOSA MOREIRA.. como as previstas nos incisos II e III do artigo 527 do Código de Processo Civil. p. todavia. da Lei n. a decisão monocrática presidencial ou vice-presidencial de juízo negativo de admissibilidade de recurso extraordinário ou recurso especial desafia agravo de instrumento. Ao contrário do que ocorre com as decisões prolatadas por juízes de primeiro grau. § º. corregedor. a decisão proferida isoladamente por membro de tribunal é intitulada monocrática e recorrível por meio do agravo interno (ou regimental50) previsto nos artigos 120. 454. com a redação conferida pela Lei n. prevê que.950) e 557. de 200551. 8. Com efeito. os membros dos tribunais também proferem decisões monocráticas. no artigo 4º.868.187. 2001. de 1992. 51. 9. revisor. Volume V. não mais caberá agravo interno”.47. de 1990. enquanto não ocorrer preclusão”49. na qualidade de relator. na prestação jurisdicional singular (por exemplo. Em sentido conforme. nos termos do parágrafo único do mesmo preceito. de 1985. ADA PELLEGRINI GRINOVER. 52 (na redação da Lei n. na doutrina: “os agravos (comumente denominados de ‘regimentais’ ou ‘internos’) previstos nos arts. qualquer decisão judicial pode ser embargada. na qualidade de relator). parágrafo único. no artigo 12. 8. ou ao deferir ou indeferir o chamado efeito ativo. vice-presidente ou presidente. n. Além dos despachos. “Por fim. ao eliminar as hipóteses de recorribilidade de decisão liminar proferida nos casos dos incisos II e III” (Exposição de Motivos da Lei n.47. proferidos pelos magistrados dos diversos graus de jurisdição. e nos artigos 4º.08.apenas de sentença e acórdão. 140. 49. Comentários ao Código de Processo Civil. 2006. 545 e 557. Cf. 8. o parágrafo único proposto também reveste a tramitação de agravo de racionalidade e celeridade. § 1º. 7. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. a recorribilidade de decisão monocrática proferida por magistrado de tribunal não sofre influência alguma dos artigos 267 e 269 do Código de Processo Civil. Importa apenas a autoria do pronunciamento: por magistrado de tribunal. § 1º. no artigo 9 da Lei n. 52. Falta examinar os pronunciamentos jurisdicionais dos magistrados e dos órgãos colegiados dos tribunais. Ademais. parágrafo único. 247 e 248). Há até mesmo decisões monocráticas irrecorríveis por meio de agravo. das decisões dos relatores. parágrafo único.

incisos I e II. com a redação conferida pela Lei n. inciso III. conforme revela o artigo 59. cabem embargos infringentes contra o acórdão de provimento proferido por maioria de votos em julgamento de apelação de sentença definitiva ou de aresto não unânime de procedência em ação rescisória (cf. Existem também os acórdãos passíveis de recurso ordinário. consoante o disposto no artigo 546 do Código de Processo Civil. É ampla — e até complexa — a recorribilidade dos acórdãos. em razão da enorme diversidade existente no direito brasileiro. há outra denominação clássica: aresto. artigo 50. 22 . p. os acórdãos (e também as decisões monocráticas) são passíveis de impugnação mediante embargos de declaração. Já os acórdãos proferidos em julgamento de recursos extraordinário e especial são. alínea “a”. Além de acórdão. ser impugnados por meio de recursos extraordinário e especial (cf. artigos 102. estão sujeitos a recurso os atos judiciais proferidos no exercício da função jurisdicional. Por exemplo. sem os grifos no original). que sejam pronunciamentos com conteúdo decisório e que causam gravame a algum dos litigantes. inciso III.52. da Constituição Federal). 10. e 105. nos termos do artigo 16 do Código de Processo Civil. em tese.187. Volume IV.Já os pronunciamentos jurisdicionais proferidos pelos órgãos colegiados são acórdãos. 11. Outros arestos podem. passíveis de impugnação por meio de embargos de divergência. de 2001). em tese. Por tudo. 12 e 127. Reforma infraconstitucional. Por fim. 2005. de 2005.

Daí a possibilidade da reforma e da cassação da decisão recorrida no bojo do mesmo processo. o efeito obstativo consiste no impedimento à formação da preclusão e da coisa julgada. Volume II. p. Em suma. “se algum capítulo da sentença deixa de ser atacado mediante recurso. 2ª ed. segunda parte. por não ser alcançado pelo efeito obstativo do recurso que teve em mira apenas a outra parte da decisão54. 2 . e 467. 06. Cf. se interposto recurso parcial ex vi do artigo 505 do Código de Processo Civil5. artigo 520 do Código de Processo Civil. 2000.Capítulo Iv EfEITOS DOS RECURSOS 1. p. não há preclusão. Embora a legislação trate explicitamente apenas dos efeitos devolutivo e suspensivo52. 2. o capítulo autônomo não impugnado fica desde logo protegido pela res iudicata. todas as espécies recursais do direito brasileiro impedem a formação da preclusão e da coisa julgada. ambos do Código de Processo Civil. 6). muito menos coisa julgada na pendência do prazo recursal e do recurso interposto. Como também bem ensina o Professor BARBOSA MOREIRA. Por força do efeito obstativo. 1960. No mesmo sentido: artigo 599 do Código de Processo Penal. Com a mesma opinião. § º. Em contraposição. conseqüência da recorribilidade e da interposição do recurso. Trata-se do efeito obstativo. À vista dos artigos 01. o pronunciamento aí contido transita em julgado e escapa a toda e qualquer revisão” (Direito Aplicado II. CONCEITO Os efeitos são as conseqüências jurídicas da recorribilidade. 54. EfEITO ObSTATIvO O primeiro efeito é comum a todos os recursos. Código de Processo Penal. há outras diferentes conseqüências jurídicas relacionadas ao instituto recursório. 5.. na doutrina: BENTO DE FARIA. da interposição ou do julgamento dos recursos processuais. Por con- 52.

A despeito de a decisão impugnada mediante recurso com efeito suspensivo não ser passível de execução.Havendo recurso parcial no processo principal. O efeito suspensivo consiste na ineficácia da decisão. a partir do trânsito em julgado da decisão que julgar o recurso parcial”. EfEITO DEvOlUTIvO Já o efeito devolutivo está relacionado à interposição do recurso. ambos do Código de Processo Civil55. o trânsito em julgado dá-se em momentos e em tribunais diferentes. § 2º. § 1º. com a prolação de nova decisão. que é geral. a qual não pode ser objeto de execução. contando-se o prazo decadencial para a ação rescisória do trânsito em julgado de cada decisão. consoante o caput do artigo 515. A posterior interposição do recurso prolonga a ineficácia da decisão recorrida até o término do julgamento daquele (recurso). todavia. Ao contrário do efeito obstativo. nem mesmo provisória.seqüência. de 2005. A produção do efeito suspensivo depende de previsão legal. A respeito do tema. Trata-se. segunda parte. 3.22. salvo se o recurso tratar de preliminar ou prejudicial que possa tornar insubsistente a decisão recorrida. é possível a liquidação da mesma. conforme a combinação dos artigos 497. o biênio da rescisória quanto ao capítulo independente não impugnado corre de imediato. todos do Código de Processo Civil. a ausência do efeito suspensivo pode ser suprida pela concessão judicial. 24 . a liquidação tem lugar “na pendência de recurso”. nem mesmo provisória. de exceção à regra segundo a qual o efeito suspensivo impede a eficácia da decisão recorrida. sob todos os prismas. segunda parte. EfEITO SUSpENSIvO Outro efeito relacionado à recorribilidade e à interposição é o efeito suspensivo. Na verdade. O efeito devolutivo consiste na transferência da matéria impugnada do órgão judiciário a quo para o órgão ad quem: 55. Não obstante. e 521. o julgado não tem eficácia desde a prolação da decisão impugnável por meio de recurso que produz efeito suspensivo. À vista do artigo 475-A. hipótese em que flui a decadência. e não após o julgamento do recurso parcial. acrescentado pela Lei n. tendo em vista o disposto nos artigos 475-I. 520 e 558. nem todos os recursos são dotados de efeito suspensivo. 4. merece ser prestigiado o item II do enunciado n. 11. 100 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “II .

e 54C. os efeitos de retratação e devolutivo não podem ser confundidos. todos do Código de Processo Civil. marcado pela transferência para tribunal ad quem. apenas a matéria recorrida pode ser apreciada pelo órgão ad quem. os efeitos regressivo e devolutivo não são incompatíveis entre si. A propósito. caput. Entretanto. § 2º. 580). 56. in fine. Embora a produção do efeito devolutivo seja a regra no direito brasileiro. p. Ainda que também sejam exceções. É certo que predomina o efeito devolutivo no direito brasileiro. o efeito devolutivo transfere o conhecimento do inconformismo para o tribunal ad quem. 8. § º. mas. efeito regressivo. tendo em vista o disposto no artigo 505 do Código de Processo Civil. A propósito. o efeito regressivo enseja o retorno da matéria impugnada ao próprio órgão judiciário prolator da decisão recorrida. Se parcial a impugnação. todavia. 296. e nos artigos 285-A. alguns recursos produzem efeito regressivo ou de retratação.. já que diferentes as conseqüências jurídicas ocasionadas por cada um deles: enquanto o efeito regressivo enseja a retratação do juízo ou tribunal a quo. § 7º. Ao contrário do devolutivo. inciso VII. 54-B. § 1º. 1995. o que explica a freqüente confusão com o efeito devolutivo. Tanto que todos os agravos e a apelação interposta com esteio no artigo 198. têm ambos os efeitos: regressivo e devolutivo. sim. da Lei n. ambos do Código de Processo Civil vigente. À vista dos artigos 542. de 1990. é possível apontar os embargos de declaração e os embargos infringentes de alçada. 11ª ed. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. outras espécies produzem efeitos de retratação e devolutivo. 25 . também denominado efeito de retratação.069. não produzem efeito devolutivo. há diferença. devolviéndosela en el caso de mediar un recurso de apelación” (Manual de derecho procesal civil. 5. EfEITO REgRESSIvO OU DE RETRATAçãO O efeito regressivo também diz respeito à interposição do recurso. os recursos extraordinário e especial também produzem efeitos regressivo e devolutivo. merece ser prestigiada a lição de LINO ENRIQUE PALACIO: “La expresión ‘efecto devolutivo’ deriva de la época del derecho romano en la que los magistrados inferiores ejercían jurisdicción como delegados del emperador.tantum devolutum quantum appellatum56. Algumas espécies recursais. ainda que sutil. Em suma. inciso II. nem todas as espécies recursais têm efeito devolutivo.

Conhecido o recurso. 7. 1981. portanto. Coimbra. caput. sem valor decisório algum. EfEITO TRANSlATIvO Outro importante efeito recursal é o translativo. parágrafo único. enquanto a decisão recorrida passa a ser mero documento de cunho histórico do processo. § º. Com outra opinião. EfEITO SUbSTITUTIvO E EfEITO ExTENSIvO Outros efeitos estão relacionados ao próprio julgamento do recurso.6. exceções estudadas nos dois capítulos subseqüentes. Por força da regra do artigo 512. o tribunal competente para o julgamento também deve tomar conhecimento das matérias veiculadas naqueles preceitos. Pluralidade das partes na fase dos recursos em processo civil. Em regra. por ter sido substituído pelo julgamento proferido no recurso. 219. o julgamento prolatado no recurso passa a ser o pronunciamento com valor decisório. 7. todos do Código de Processo Civil. p. Já o efeito extensivo ou expansivo consiste na ampliação do julgamento além da decisão recorrida e da pessoa do recorrente. segundo o qual o recurso beneficia 57. com predomínio do interesse público em relação ao interesse pessoal das partes. Daí a conclusão: o efeito translativo diz respeito às matérias de ordem pública. 48 e 49: “A sua resolução pode basear-se em dois princípios teóricos distintos: a) Princípio da realidade — a sua aplicação conduz à extensão máxima 26 . há respeitável doutrina: JORGE NORONHA SILVEIRA. porquanto prevalece o princípio da personalidade57. 267. §§ 1º e 2º. 245. 8. 515. o julgamento proferido no recurso ocupa o lugar da decisão recorrida no processo. ainda que ausente impugnação específica do recorrente. Por exemplo. Livraria Almedina. para atingir outros atos processuais e beneficiar outras pessoas. salvo quando o recurso não é conhecido ou é provido apenas para cassar a decisão. como o substitutivo e o extensivo (ou expansivo). salvo quando não há o ingresso no mérito do inconformismo ou é constatada a ocorrência de error in procedendo. assim como no artigo 210 do Código Civil de 2002. § 5º. O efeito translativo está consubstanciado na apreciação oficial pelo órgão julgador do recurso de matérias cujo exame é obrigatório por força de lei. O efeito extensivo configura exceção no direito brasileiro. entretanto. e 516. O efeito substitutivo está previsto no artigo 512 do Código de Processo Civil: a decisão recorrida é substituída pela proferida no julgamento do recurso. o efeito translativo é encontrado nos artigos 11.

apenas o recorrente58, e só alcança a decisão recorrida. Apenas em casos excepcionais o recurso produz efeito extensivo ou expansivo, quando o julgamento também favorece pessoa que não recorreu59 ou atinge outras decisões além da recorrida60.

8. CONClUSãO
Após a conclusão do julgamento, cessam os efeitos do respectivo recurso: effectus durat, durante causa; cessante causa, tollitur effectus61. Não obstante, a recorribilidade da nova decisão proferida no julgamento do

da eficácia do recurso: os co-interessados não recorrentes aproveitam-se sempre do eventual êxito do recurso; b) Princípio da personalidade ou da relatividade — consagra a solução oposta: restringe o âmbito de eficácia do recurso ao recorrente; a decisão da 1ª instância constitui caso julgado quanto aos co-interessados não recorrentes” (p. 7 e 8). “A legislação brasileira também dá um predomínio acentuado ao princípio da realidade. O CPCB 1939, embora no seu art. 89º estabeleça que ‘os litisconsortes serão considerados em suas relações com a parte adversa como litigantes distintos e os actos de um não aproveitarão nem prejudicarão aos demais’, abre todavia uma excepção quanto aos recursos, consagrando no art. 816º o princípio de que ‘o recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveitará, salvo se distintos ou opostos os seus interesses’. Esta aparente contradição entre os arts. 89º e 816º do CPCB de 1939 foi sublinhada, por exemplo, por Jorge Americano, que considera o art. 816º como ‘um dispositivo fora do sistema do código’. Mas o legislador brasileiro, e a nosso ver bem, manteve-o inalterável no corpo do art. 509º do actual CPCB, que apenas acrescentou um § único em que, exemplificando o princípio já enunciado, se diz que ‘havendo solidariedade passiva, o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros, quando as defesas opostas ao credor lhes forem comuns” (p. 48 e 49). Após o interessante estudo de direito comparado, com a interpretação do artigo 816 do Código de Processo Civil brasileiro de 199 e do artigo 509 do Código de Processo Civil brasileiro de 197, portanto, o douto jurista lusitano concluiu que os Códigos brasileiros revelam a predominância do princípio da realidade, tese contrária à opinião defendida no presente compêndio. Registre-se, por fim, e com muitos agradecimentos, que o acesso à doutrina lusitana só foi possível em virtude da gentileza do Professor RODRIGO MAZZEI. 58. Por oportuno, o posterior item 11 do capítulo VIII do presente tomo I versa sobre o princípio da personalidade. 59. Por exemplo, nas hipóteses do artigo 509 do Código de Processo Civil. Por oportuno, o Professor CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO também prestigia a expressão efeito extensivo e o respectivo exemplo previsto no artigo 509: “efeito extensivo da apelação (art. 509)” (Intervenção de terceiros. ª ed., 2002, n. 67, p. 12). 60. Por exemplo, na hipótese do artigo 11, § 2º, do Código de Processo Civil. 61. O efeito dura enquanto durar a causa; cessada a causa, cessa o efeito.

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recurso, a interposição de novo recurso e o respectivo julgamento também produzem os seus próprios efeitos jurídicos. Por tudo, além dos tradicionais efeitos devolutivo e suspensivo, é possível destacar outros efeitos dos recursos62: obstativo; regressivo ou de retratação; translativo; substitutivo; e expansivo ou extensivo.

62. Em sentido semelhante, na doutrina: MANUEL GALDINO DA PAIXÃO JÚNIOR. Teoria geral do processo. 2002, p. 1 a 5; e NELSON NERY JUNIOR. Princípios fundamentais. 5ª ed., 2000, p. 67 a 422.

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Capítulo v JUÍZOS DE ADmISSIbIlIDADE E DE méRITO 1. gENERAlIDADES
Os recursos só têm o mérito examinado pelo órgão julgador quando são observados determinados requisitos fixados na legislação. À averiguação do cumprimento dos pressupostos necessários à apreciação do mérito recursal, dá-se o nome de juízo de admissibilidade, o qual é obrigatório e anterior ao juízo de mérito, bem como deve ser proferido de ofício, isto é, independentemente de provocação da parte recorrida ou do Ministério Público. A respeito da regra consagrada no direito brasileiro, merece ser prestigiada a correta conclusão n. 57 do 6º Encontro Nacional dos antigos Tribunais de Alçada: “Ao Tribunal compete apreciar de ofício os requisitos de admissibilidade do recurso”6. Sob outro prisma, vigora a regra do duplo juízo de admissibilidade no sistema recursal brasileiro. Primeiro, cabe ao órgão de interposição examinar se os requisitos indispensáveis ao julgamento do mérito do recurso estão preenchidos. O último pronunciamento acerca do cumprimento dos pressupostos de admissibilidade cabe ao órgão julgador, o qual não está vinculado à decisão proferida pelo órgão de origem. Com efeito, o órgão julgador é soberano na prolação do juízo de admissibilidade do recurso. Ainda a respeito da regra do duplo juízo de admissibilidade, alguns recursos (por exemplo, os embargos de declaração e os embargos infringentes de alçada) constituem exceções, em razão da existência de juízo de admissibilidade único. Com efeito, nas espécies recursais previstas no artigo 55 do Código de Processo Civil e no artigo 4 da Lei n. 6.80, de 1980,

6. A regra consubstanciada na apreciação oficial dos requisitos de admissibilidade, todavia, comporta a exceção prevista no artigo 526 do Código de Processo Civil, porquanto o tribunal competente só pode deixar de conhecer do agravo de instrumento mediante provocação do agravado.

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os requisitos de admissibilidade são apreciados apenas pelo órgão julgador. Não há, no particular, juízo de admissibilidade do recurso por outro órgão judiciário que não seja o próprio julgador. Quanto aos agravos, mesmo quando interpostos e processados perante o órgão de interposição, não podem sofrer negativa de seguimento pelo juízo ou tribunal a quo, porquanto também têm juízo único de admissibilidade, apenas no tribunal julgador. Em resumo, se é certo afirmar que a regra está consubstanciada na existência de duplo juízo de admissibilidade, é igualmente correta a conclusão de que existem exceções, marcadas pelo juízo único de admissibilidade, realizado apenas no órgão julgador do recurso. A carência de algum dos requisitos de admissibilidade previstos em lei conduz à prolação de juízo negativo de admissibilidade, o qual fecha o acesso ao juízo de mérito. Negativo o juízo de admissibilidade proferido pelo órgão de interposição, o recurso não é recebido pelo juízo ou tribunal de origem. Por conseguinte, o recurso não é encaminhado ao tribunal ad quem. Cabe, entretanto, algum recurso de agravo, a fim de que o anterior recurso não admitido seja processado e julgado. A espécie de agravo depende da natureza da decisão proferida e também do recurso não recebido na origem. A decisão interlocutória por meio da qual o recurso de apelação não é recebido na origem desafia agravo de instrumento, consoante o disposto no artigo 522, caput, do Código de Processo Civil. Já contra a decisão monocrática por meio da qual não há o recebimento de embargos infringentes ou de embargos de divergência, o agravo apropriado é o interno ou regimental, consoante o disposto nos artigos 51 e 52 do Código de Processo Civil, assim como no artigo 9 da Lei n. 8.08, de 1990. Por fim, cabe agravo de instrumento do artigo 544 do Código de Processo Civil contra a decisão por meio da qual não há o recebimento de recurso extraordinário ou de recurso especial. Em suma, toda decisão de primeiro juízo negativo de admissibilidade é impugnável por meio de agravo, cuja espécie cabível (agravo de instrumento do artigo 522, agravo interno ou regimental, ou agravo de instrumento do artigo 544) depende da natureza da decisão proferida e do recurso não recebido na origem. Já a prolação de juízo de admissibilidade negativo por parte do próprio órgão julgador impede o conhecimento do recurso, com o encerramento do ofício jurisdicional da corte ad quem, sem o julgamento do mérito recursal, consoante o disposto no caput do artigo 560 do Código de Processo Civil. Tal como a decisão de inadmissão, o julgamento de não-conhecimento também enseja a interposição de outro recurso, em razão da possibilidade da existência de algum erro no juízo negativo de admissibilidade proferido 0

pelo tribunal ad quem. O cabimento do outro recurso depende da natureza do julgado. Da decisão monocrática, cabe agravo interno ou regimental, pelo menos em regra. De acórdão, o recurso cabível depende do enquadramento na Constituição Federal e no Código de Processo Civil, conforme o caso. Além dos recursos específicos, o legitimado inconformado também pode interpor embargos de declaração. O juízo de admissibilidade negativo deve ser explícito e fundamentado, a fim de que o recorrente saiba os motivos pelos quais o recurso não teve seguimento, para que possa, se desejar, interpor outro recurso e pleitear a reapreciação do primeiro recurso denegado. Já o juízo de admissibilidade positivo pode ser implícito: se o órgão julgador passou a examinar o mérito recursal, significa que os requisitos de admissibilidade estão satisfeitos e foi proferido juízo de admissibilidade positivo64. Positivo o juízo de admissibilidade no órgão de interposição, o recurso é recebido ou admitido. A admissão do recurso na origem ocasiona a remessa dos autos ao órgão julgador, o qual proferirá outro juízo de admissibilidade. Ausente algum dos pressupostos de admissibilidade, o recurso não é conhecido, com o encerramento da prestação jurisdicional perante o órgão julgador, sem julgamento do mérito do inconformismo. Preenchidos todos os requisitos de admissibilidade, o recurso é conhecido pelo órgão julgador, quando ocorre o imediato ingresso no juízo de mérito, no qual o órgão julgador analisa se o inconformismo do recorrente é fundado, ou não. Na primeira hipótese, o recurso é provido. Improcedente o inconformismo, o recurso é desprovido. Em suma, no primeiro juízo de admissibilidade o recurso é admitido, ou seja, recebido, ou não. Já no juízo de admissibilidade perante o órgão julgador o recurso é conhecido, ou não. Por fim, quanto ao juízo de mérito, o recurso é provido, ou não. São os termos técnicos, nem sempre observados na prática judiciária. Ainda em relação ao juízo de mérito, o órgão julgador examina se o recurso é fundado, ou não, com o seu conseqüente provimento ou desprovimento, respectivamente. É no juízo de mérito que se verifica a procedência do inconformismo do recorrente em relação à decisão impugnada. Fundado o inconformismo, é dado provimento ao recurso. Caso contrário,

64. Em sentido semelhante ao texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume V, 7ª ed., 1998, p. 261 e 262. 

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o recurso é desprovido. Já no juízo de admissibilidade, a regra é a apreciação somente dos pressupostos recursais, ou seja, dos requisitos processuais fixados na legislação como indispensáveis ao posterior julgamento do mérito recursal. Os pressupostos recursais são os seguintes: cabimento, legitimidade para recorrer, interesse em recorrer, inexistência de fato extintivo ou impeditivo, tempestividade, regularidade formal e preparo. A averiguação da procedência ou improcedência do recurso no bojo do juízo de admissibilidade é exceção própria do sistema cível, prevista no § 1º do artigo 518 do Código de Processo Civil. Aliás, até o advento da Lei n. 11.276, de 2006, a regra era absoluta: não era juridicamente possível a análise de procedência ou de improcedência do recurso no juízo de admissibilidade. Não obstante, em razão do § 1º do artigo 518 do Código de Processo Civil, com a redação conferida pela Lei n. 11.276, de 2006, passou a existir julgamento de mérito no primeiro juízo de admissibilidade, qual seja, o realizado na Justiça de origem. Quanto ao objeto do juízo de mérito, reside na ocorrência de error in procedendo e de error in iudicando. A procedência do recurso depende da existência de vício na decisão, o qual pode ser tanto de juízo quanto de atividade. Contaminada a decisão por error in iudicando, dá-se provimento ao recurso para reformar o decisum recorrido. Constatado o error in procedendo, a decisão viciada é cassada, anulada, ressalvada a possibilidade da aplicação do novel § 4º do artigo 515, a ser verificada em cada caso concreto, quando o tribunal passa a ter competência para o imediato julgamento de fundo, a despeito do defeito de forma na decisão recorrida. Quando o mérito recursal envolve suposto error in iudicando, tanto o provimento quanto o desprovimento do recurso conduzem à substituição da decisão recorrida, porquanto não podem coexistir duas decisões em um processo sobre a mesma matéria, ainda que em sentido idêntico65. Por tal razão, a decisão proferida pelo órgão julgador substituirá o decisum impugnado. Aliás, ainda que no tribunal ad quem se afirme que a decisão recorrida é confirmada, mantida, haverá verdadeira substituição66, ex vi do

65. Cf. BARBOSA MOREIRA. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume V, 7ª ed., 1998, p. 266. 66. De acordo: ADA PELLEGRINI GRINOVER, ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. Recursos no processo penal. 4ª ed., 2005, p. 2: “É freqüente, na práxis judiciária, que o acórdão se reporte à fundamentação da decisão ‘confirmada’. Na verdade, mesmo nesse caso a primeira decisão é substituída pela segunda, de igual conteúdo”. Também em sentido semelhante: CHIOVENDA. Istituzioni. 

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artigo 512 do Código de Processo Civil: “O julgamento proferido pelo tribunal substituirá a sentença ou a decisão recorrida no que tiver sido objeto de recurso”. Como é perceptível da leitura do dispositivo, não há distinção entre o provimento e o desprovimento para a ocorrência do efeito substitutivo quando o recurso está fundado em error in iudicando. Em ambas as hipóteses, apenas o último julgado, qual seja o proferido pelo tribunal ad quem, fica protegido pela res iudicata. Por conseguinte, eventual ação rescisória terá como alvo o decisum proferido pelo órgão julgador. O mesmo não ocorre quanto ao error in procedendo. Quando o mérito recursal envolve error in procedendo, só há a substituição do julgado se a alegação da existência do vício é rejeitada, isto é, o recurso é desprovido67. Já a constatação do erro de atividade conduz à anulação, à cassação

Volume II, 194, p. 85 e 86. A lição do Professor da Universidade de Roma restou assim traduzida pelo Dr. PAOLO CAPITANIO: “Obscurecem-se semelhantes princípios quando se atribui à sentença de primeiro grau valor diferente; especialmente quando, em caso de rejeição do recurso, se considera a sentença de primeiro grau como a única e verdadeira sentença da causa. É esse um grave equívoco, devido em parte a certas praxes estrangeiras, capazes facilmente de induzir em erro. É fato que o juiz do recurso toma em exame a sentença de primeiro grau, e parece fazer dela a base de seu julgamento; mas é muito natural que, em seguida ao primeiro exame da causa, o segundo juiz passe a considerar, antes de mais, o trabalho do primeiro; isto lhe simplifica o próprio trabalho; a realidade, porém, é que o segundo juiz, através da sentença de primeiro grau, conhece da causa ex novo. É fato, ainda, que, decidindo o recurso, o juiz usa a fórmula: confirma a sentença recorrida, rejeita o recurso, e quejandas. Isso, entretanto, não significa subsistir a sentença de primeiro grau, quase isenta de qualquer impugnação, como acontecia quando o recurso era apenas uma reclamação ao juiz superior contra o inferior. No direito moderno, a realidade é que o juiz de segundo grau profere uma nova sentença. Somente sob considerações práticas, o julgamento do segundo juiz, quando é conforme ao primeiro, costuma assumir a feição de remessa à primeira decisão, pois a sentença de primeiro grau, tendo, embora, perdido todo valor potencial de sentença, é sempre praticamente a melhor explicação lógica da sentença em grau de recurso”. Arremata o Jurisconsulto italiano: “Sob o rigor lógico dos princípios, título executório seria exclusivamente a sentença de segundo grau”. 67. De acordo com a distinção feita no texto: NERY JUNIOR. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos. ª ed., 1996, p. 414; e Código de Processo Civil comentado. 4ª ed., 1999, p. 996, comentário 2: “2. Substituição. Somente haverá substituição se o recurso for conhecido. O julgamento do mérito substitui a decisão recorrida. Verifica-se a substituição quando: a) em qualquer hipótese (error in judicando ou error in procedendo), for negado provimento ao recurso; b) em caso de error in judicando, for dado provimento ao recurso” (não há os grifos no original). 

da decisão recorrida, a fim de que outra seja proferida à luz das formalidades legais, ressalvada a possibilidade da aplicação do novel § 4º do artigo 515, a ser verificada em cada caso concreto, quando o tribunal passa a ter competência para o imediato julgamento de fundo. Cassada a decisão, entretanto, não há o efeito substitutivo previsto no artigo 512 do Código de Processo Civil. Do preceito também se depreende que não há efeito substitutivo quando o recurso não ultrapassa a barreira da admissibilidade, porquanto o órgão julgador nem ingressa no juízo de mérito, razão pela qual não há julgamento no tribunal ad quem sobre o “objeto do recurso”. Com efeito, a prolação de juízo de admissibilidade negativo conduz à inexistência de efeito substitutivo. Quando não há o conhecimento do recurso, não importa o tipo de vício apontado pelo recorrente, porquanto o mérito do recurso nem sequer é examinado, à vista do caput do artigo 560. Por fim, prevalece o entendimento de que o juízo negativo de admissibilidade tem efeito ex tunc, ou seja, retroativo. Com efeito, hoje predomina a orientação de que a prolação de juízo negativo de admissibilidade não tem o condão de postergar o momento do trânsito em julgado. Segundo o atual entendimento predominante, o biênio legal destinado à ação rescisória nem sempre é contado do último julgamento proferido no processo, mas, sim, da última decisão de mérito. Por conseguinte, se o último julgamento proferido no processo foi de simples juízo negativo de admissibilidade, considera-se que a coisa julgada teve lugar com a anterior decisão de

Contra a distinção, ao respeitável argumento de que jamais há substituição em sede de recurso fundado em error in procedendo, até mesmo quando o tribunal nega provimento ao recurso: REsp n. 744.271/DF, ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 19 de junho de 2006, in verbis: “Contra a referida sentença, o recorrente interpôs recurso de apelação, pleiteando, apenas, a cassação da sentença, que teria levando em conta o depoimento de uma só testemunha, em detrimento do conjunto probatório. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal negou provimento ao apelo e rejeitou os respectivos embargos de declaração, tendo o acórdão transitado em julgado. Por meio deste relato, verifica-se que o recorrente quando interpôs recurso de apelação, contra a sentença objeto da rescisória, apontou apenas ‘error in procedendo’, tanto que requereu fosse cassada a decisão impugnada”. “Assim, aplicando à espécie o entendimento defendido por Barbosa Moreira, conclui-se que, na hipótese, o julgamento colegiado do Tribunal não substituiu a sentença, pois a impugnação do recorrente em seu apelo indicou somente ‘error in procedendo’, sendo, portanto, viável o recorrente apontar a sentença como objeto da ação rescisória” (não há os grifos no original). 

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mérito, a qual é tida como o termo inicial do biênio para a ação rescisória68. O reconhecimento da predominância do entendimento acima exposto na doutrina e na jurisprudência modernas não significa, entretanto, adesão à respectiva tese, a qual, ainda que perfeita sob o prisma teórico, não apresenta resultado satisfatório sob o enfoque pragmático, mas, ao contrário, gera séria insegurança jurídica. Daí a ressalva do ponto de vista sustentado no presente compêndio desde a primeira edição, consoante as razões expostas na nota abaixo69.
68. A tese predominante é sustentada por autorizada doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Ação rescisória. 2007, p. 240 a 252; BARBOSA MOREIRA. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume V, 7ª ed., 1998, p. 26; e PONTES DE MIRANDA. Comentários ao Código de Processo Civil. Tomo VIII, p. 297. Na esteira da respeitável doutrina, decidiu o Plenário do Supremo Tribunal Federal em recente acórdão resumido na seguinte ementa: “DECADÊNCIA — AÇÃO RESCISÓRIA — BIÊNIO — TERMO INICIAL. O termo inicial de prazo de decadência para a propositura da ação rescisória coincide com a data do trânsito em julgado do título rescindendo. Recurso inadmissível não tem o efeito de empecer a preclusão — ‘Comentários ao Código de Processo Civil’, José Carlos Barbosa Moreira, volume 5, Editora Forense” (AR n. 1.472/DF, Pleno do STF, Diário da Justiça de 7 de dezembro de 2007). A atual orientação do Pleno do Supremo Tribunal Federal seguiu a fundamentação do respeitável voto proferido pelo Ministro-Relator: “Esta ação rescisória somente veio a ser ajuizada em 15 de junho de 1999 — carimbo de protocolo de folha 2. O acórdão rescindendo foi publicado em 23 de agosto de 1996. É certo que houve a interposição de embargos de divergência. Todavia, a declaração da impropriedade destes afastou a possibilidade de tê-los como a projetar no tempo o trânsito em julgado, porquanto recurso inadmissível, como os embargos de divergência protocolizados, não obstaculiza o trânsito em julgado. A data em que ocorrida a preclusão fixa o termo inicial dos dois anos para o ajuizamento da rescisória. Assim, assento a decadência”. 69. Ainda que hoje minoritária, sustenta-se no presente compêndio a opinião defendida desde a primeira edição, qual seja a de que a prolação de juízo de admissibilidade negativo tem efeito ex nunc, e não ex tunc. Só há coisa julgada após a irrecorribilidade do julgado negativo de admissibilidade do último recurso interposto no processo, conforme se infere da interpretação dos artigos 01, § º, in fine, e 467, ambos do Código de Processo Civil. Por conseguinte, o prazo decadencial para a propositura de ação rescisória só começa a fluir no momento em que passa a ser inadmissível recurso para impugnar a última decisão proferida no processo, mesmo que o decisum derradeiro não seja de mérito. Prestigia-se, portanto, no presente compêndio, desde a primeira edição, a tese consagrada no inciso I do enunciado n. 100 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “I — O prazo de decadência, na Ação Rescisória, conta-se do dia imediatamente subseqüente ao trânsito em julgado da última decisão proferida na causa, seja de mérito ou não”. Ademais, o argumento de que o provimento jurisdicional de inadmissibilidade recursal produz efeito ex tunc em razão da natureza declaratória não é invencível. O artigo 27 da Lei n. 9.868 e o artigo 11 da Lei n. 9.882 revelam a possibilidade de provimentos jurisdicionais declaratórios com efeito apenas 

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2. ObJETO DO JUÍZO DE méRITO: errores in procedendo et in iudicando
As decisões jurisdicionais podem conter dois tipos de defeitos: — o vício de atividade, também denominado error in procedendo; — o vício de juízo ou vício de julgamento, igualmente intitulados de error in iudicando.

ex nunc, em prol da “segurança jurídica”. Por tudo, ao invés da tese vencedora no Plenário do Supremo Tribunal Federal (cf. nota anterior), defende-se o entendimento sustentado nos votos vencidos, em especial a divergência inaugurada pelo eminente Ministro CEZAR PELUSO: “Senhora Presidente, peço vênia para divergir. É um problema seríssimo o da contagem do prazo, quando há recursos sucessivos. O que a doutrina apreendeu e a jurisprudência consagrou — a meu ver, com inteira razão — é que o único requisito de inadmissibilidade que se pode, sem grave prejuízo para o recorrente, retroagir, é o da intempestividade, porque todos os demais são requisitos cuja discutibilidade cria situação de insegurança ao recorrente, que não pode desistir dos recursos. Ele tem que esgotar todos os recursos, uma vez que há sempre a possibilidade de serem admissíveis. E, se os descarta para entrar com ação rescisória, ele está, eventualmente, sendo antieconômico, porque pode obter o resultado dentro daquele processo, sem correr os riscos da rescisória. Noutras palavras, só admito que retroaja a inadmissibilidade de algum recurso, para efeito de contagem do prazo da ação rescisória, se a causa for intempestividade, porque, nesse caso, o recorrente não pode invocar nenhuma dúvida, já que ele deve ter certeza a respeito da tempestividade, ou não, do seu recurso. Nos demais casos, como este, sobretudo, em que estavam em jogo embargos de divergência que podiam ser conhecidos ou não, penso que se cria dificuldade de ordem prática muito grande. Quer dizer, a parte veio a ser surpreendida, muito tempo depois, com o reconhecimento de que seu prazo de ação rescisória já se teria consumado! Peço vênia, para conhecer do pedido”. Frise-se, por oportuno, que a tese divergente sustentada pelo Ministro CEZAR PELUSO não foi isolada, porquanto contou com o apoio do Ministro GILMAR MENDES: “Senhora Presidente, também peço vênia para acompanhar a divergência instalada a partir do voto do Ministro Cezar Peluso”. Em sentido semelhante ao texto da presente nota, na doutrina: FREDIE DIDIER JR. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. Curso de direito processual civil. Volume III, ª ed., 2007, p. 11; NELSON LUIZ PINTO. Manual dos recursos cíveis. 1999, p. 55 e 56; e Recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça. 2ª ed., 1996, p. 80; e VICENTE GRECO FILHO. Direito Processual Civil brasileiro. Volume II, 11ª ed., 1996, p. 421 e 422. Por fim, também há respeitáveis precedentes jurisprudenciais em prol da tese defendida na presente nota: AR n. 96/CE, Pleno do STF, Diário da Justiça de 2 de novembro de 1979, p. 8777; RE n. 94.055/RJ, 1ª Turma do STF, Diário da Justiça de 4 de dezembro de 1981, p. 1220; RE n. 92.816/SC, 1ª Turma do STF, Diário da Justiça de 12 de agosto de 198, p. 11764; RE n. 87.420/PR, 2ª Turma do STF, RTJ, volume 84, p. 684; REsp n. 18.691/RJ, 1ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 28 de novembro de 1994, p. 2568; e REsp n. 11.106/SC, 2ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 10 de novembro de 1997: “O biênio para a propositura da ação rescisória corre da passagem in albis do prazo para recorrer da decisão proferida no último recurso interposto no processo, ainda que dele não se tenha conhecido”. 

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Abalizada doutrina faz a distinção dos defeitos à luz da diferença entre direito processual e direito material70. Segundo tal corrente doutrinária, o error in procedendo consiste na má aplicação do direito processual71. Já o error in iudicando está relacionado ao vício na exegese do direito material72, assim como na apreciação dos fatos sobre os quais incidirá o direito substantivo.

70. É o critério discretivo adotado pelo Professor UGO ROCCO: “Gli errori, poi, si distinguono in errores in procedendo ed errores in judicando. Gli errores in procedendo sono costituiti dalla ignoranza di una norma processuale, ovvero dalla falsa applicazione o interpretazione di una norma processuale; gli errores in judicando sono costituiti dalla ignoranza di una norma di diritto sostanziale o dalla falsa applicazione o interpretazione di una norma di diritto sostanziale. Vero è che gli errores in judicando possono aver per oggetto anche i fatti e non soltanto il diritto, ma, in sostanza anche l’errore di giudizio sul fatto, si traduce, in ultima analisi, in un errore di diritto” (Trattato. Parte generale, volume II, seconda edizione accresciuta, 1966, p. 280). Ainda na literatura estrangeira, ensina o Professor AMÂNCIO FERREIRA: “A decisão é errada ou por padecer de error in procedendo, quando se infringe qualquer norma processual disciplinadora dos diversos actos processuais que integram o procedimento, ou de error in iudicando, quando se viola uma norma de direito substantivo ou um critério de julgamento, nomeadamente quando se escolhe indevidamente a norma aplicável ou se procede à interpretação ou à aplicação incorrectas da norma reguladora do caso ajuizado” (Manual dos recursos civis. 2000, p. 51). Tal critério distintivo é igualmente prestigiado na literatura brasileira, como revela a autorizada lição do Professor JOSÉ AFONSO DA SILVA: “A distinção fundamental está em que o juiz erra in procedendo, quando viola uma norma de direito processual, destinada a indicar-lhe o modo de regular a sua conduta e a das partes durante o processo; e in iuris iudicando, quando infringe uma norma de direito substancial” (Recurso extraordinário no direito brasileiro. 196, p. 15). Conferir, ainda na doutrina pátria: LÚCIA HELENA FERREIRA PALMEIRO DA FONTOURA. Recurso especial. 199, p. 5. 71. “error in procedendo. Erro no processar, erro no processo. Erro ou omissão na aplicação de lei processual ao caso sub judice” (DE PLÁCIDO E SILVA. Vocabulário jurídico. 1ª ed., 1997, p. 1). “error in procedendo (Dir. Proc.). Erro no processar, ou erro de processo, que consiste na aplicação de regra de direito processual diferente da que deveria incidir, ou na não-aplicação da regra incidente, por dolo processual, malícia, ignorância, desídia, ou interpretação errônea” (JOSÉ NÁUFEL. Novo. 8ª ed., 1988, p. 521). “O juiz erra in procedendo quando viola uma norma de direito processual” (LÚCIA HELENA DA FONTOURA. Recurso especial. 199, p. 5). 72. “error in iudicando. Expressão latina que significa erro de julgamento. Erro cometido pelo juiz relativamente à relação de Direito Material, e que viola as normas jurídicas que a regulam” (CRETELLA NETO. Dicionário. 1999, p. 157). “error in Judicando. Erro no julgar, ou seja, de aplicação da lei de direito material ao caso concreto” (DE PLÁCIDO E SILVA. Vocabulário jurídico. 1ª ed., 1997, p. 1). “error in iudicando. (Loc. Lat.) Dir. Proc. Diz-se do erro do juiz quanto ao julgamento das 

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Apesar de consagrado, tal critério distintivo parece não ser o melhor. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, o vício de juízo também pode ocorrer na aplicação do direito processual. Sem dúvida, a despeito de geralmente versar sobre direito material, o error in iudicando também pode estar relacionado ao direito processual7. Alguns exemplos de errores in iudicando que versam sobre norma processual podem facilitar a compreensão do assunto. Imagine-se a seguinte hipótese74: inconformado com o valor indicado na petição inicial, o réu contesta a ação e impugna o valor atribuído à causa. Intimado, o autor reitera o valor apontado na inicial. Após, o juiz de primeiro grau profere decisão interlocutória e julga improcedente a impugnação. Insatisfeito, o réu interpõe recurso de agravo, ao argumento de que o valor da causa não está em harmonia com o artigo 259 do Código de Processo Civil. A despeito de o alegado equívoco estar relacionado ao direito processual, não há dúvida de que a decisão interlocutória é válida enquanto ato jurídico, já que regular

questões de direito material suscitadas na causa” (OTHON SIDOU. Dicionário jurídico. 4ª ed., p. 20). “error in Judicando (Dir. Proc.). Erro no juízo. Diz-se do erro em que, muitas vezes, incorre o juiz ao aplicar a lei de direito material ao processo, ou interpretando-a mal, ou erroneamente considerando-a revogada, bem como ao deixar de aplicála, por ignorá-la ou por entender que não incide — na — hipótese sub judice” (JOSÉ NÁUFEL. Novo. 8ª ed., 1988, p. 521). Por fim, a Doutora LÚCIA HELENA DA FONTOURA também sustenta que o juiz erra “in iudicando, quando infringe uma norma de direito substancial (material), destinada a ser aplicada na sentença para a decisão do mérito da causa” (Recurso especial. 199, p. 5). 7. À luz da lição de CALAMANDREI, o Professor MONIZ DE ARAGÃO sustenta a correta tese de que “o error in iudicando pode manifestar-se igualmente no que tange ao Direito Processual, pois ‘pode-se ter um error in iudicando consistente na errônea declaração da parte do Juiz de uma concreta vontade de lei puramente processual’” (Correição parcial. 1969, p. 87). 74. O exemplo é originário das didáticas Lições de Direito Processual Civil do Professor ALEXANDRE FREITAS CÂMARA (Volume II, 2ª ed., 1999, p. 44 e 45). Embora tenha sido elaborado antes do advento da Lei n. 11.187, de 2005, subsiste a essência do exemplo do eminente processualista, com a simples atualização à luz da regra imposta pela nova lei, segundo a qual o agravo deve ser retido. A propósito da regra imposta pela Lei n. 11.187, de 2005, reforça a Exposição de Motivos: “4. A proposta tem o escopo de alterar a sistemática de agravos, tornando regra o agravo retido” (Reforma infraconstitucional. Volume IV, 2005, p. 12). A regra, todavia, é afastada pelas seguintes exceções, nas quais o agravo deve ser por instrumento: decisão interlocutória de inadmissão da apelação; decisão interlocutória relativa aos efeitos do recebimento da apelação e decisão interlocutória geradora de lesão grave e de difícil reparação. 

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do ponto de vista estrutural. O suposto vício reside no conteúdo da decisão. Em outras palavras, o alegado erro não diz respeito à forma, mas ao fundo. Por tudo, o eventual erro cometido pelo magistrado é de julgamento, ou seja, de juízo; basta a simples reforma da decisão interlocutória, com a respectiva substituição prevista no artigo 512 do Código. O mesmo ocorre quando, no julgamento do recurso de agravo, constata-se a ocorrência de litispendência, apesar de o primeiro grau ter rejeitado a preliminar prevista no artigo 01, inciso V e §§ 1º e º, do Código de Processo Civil. Sob o ponto de vista formal, a decisão interlocutória está perfeita, razão pela qual é válida. Na verdade, o defeito reside no conteúdo, no fundo da decisão. Daí a necessidade da reforma da decisão. No julgamento do agravo, o recurso deve ser provido para reformar a decisão interlocutória e extinguir o processo. Não há cassação na hipótese, já que o vício está no fundo, e não na forma. Com efeito, a existência de hipóteses nas quais o erro de julgamento diz respeito ao direito processual revela que deve ser adotado outro critério discretivo, já que a tradicional distinção entre direito material e direito processual não permite, com absoluta segurança, a identificação da natureza do vício cometido pelo julgador. Segundo autorizada doutrina75, o error in procedendo consiste no

75. “Questa distinzione, che si riconduce a quella tra errores in procedendo ed errores in judicando, si fonda sul duplice caracttere che avrebbe la sentença, di atto giuridico e di giudizio. Come atto giuridico, la sentenza, alla pari di qualunque altro atto, può presentare difetti di costruzione, dovuti a violazioni di regole processuali, ma essa può presentare anche errori di giudizio, sia di fatto che di diritto, cioè errori in quella che è la funzione propria ed esclusiva del giudice” (SALVATORE SATTA. Diritto. Ottava edizione, 197, p. 5). Também merece ser prestigiada a lição do Professor BARBOSA MOREIRA. Como bem ensina o eminente processualista, “a impugnação da decisão definitiva pode também fundar-se na alegação de error in procedendo e visar à anulação da sentença. Aqui, o que se discute, em primeiro lugar, é a própria validade desta como ato processual. Se o órgão ad quem acolhe a impugnação, dando provimento ao recurso, deixa de existir pronunciamento de primeiro grau sobre o mérito” (Comentários. Volume V, 8ª ed., 1999, p. 48). Então, os “vícios de atividade (errores in procedendo)” estão relacionados a “alegações concernentes à invalidade da sentença, quer por vícios que nela mesma se apontam (v.g., defeitos da sua estrutura formal, julgamento ultra petita ou extra petita), quer por vícios que se apontam no processo e que são suscetíveis de afetar a decisão (v.g., impedimento do juiz, incompetência absoluta, não participação de litisconsorte necessário, não intimação do Ministério Público em caso de intervenção obrigatória)”. Já “os vícios de juízo (errores in iudicando)” dizem respeito a “alegações referentes à injustiça da sentença, em razão de 

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defeito de forma76 que contamina a decisão jurisdicional enquanto ato jurídico, tornando-a inválida. O error in procedendo é marcado pela existência de vício na estrutura, na construção do ato jurídico consubstanciado na decisão jurisdicional77, o que justifica a cassação, ou seja, a invalidação do decisum. É o caso de acórdão proferido sem o cumprimento das formalidades previstas no artigo 552 do Código de Processo Civil, quando o recurso julgado pelo colegiado está no rol das espécies recursais que dependem da prévia inclusão em pauta. A respeito do tema, merece ser prestigiado o enunciado n. 117 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “A inobservância do prazo de 48 horas, entre a publicação de pauta e o julgamento sem a presença das partes, acarreta nulidade”. Do mesmo modo, acórdão proferido em embargos infringentes sem a prévia intimação do embargado para apresentação de contra-razões deve ser cassado. O desrespeito à formalidade prevista no caput do artigo 51 do Código de Processo Civil conduz ao pronunciamento de invalidade do julgado.

erro cometido pelo juiz na solução de questões de fato (por exemplo: passou despercebido um documento, interpretou-se mal o depoimento de uma testemunha, deu-se crédito a outra que não era fidedigna) ou na solução de questões de direito (v.g., entendeu-se aplicável norma jurídica impertinente à espécie, considerou-se vigente a lei que já não vigorava, ou inconstitucional a que não o era)” (p. 41). 76. De acordo: LEIB SOIBELMAN. Dicionário. Volume I, 1974, p. 24. Ao tratar do error in procedendo, o Professor NERY JUNIOR pontifica: “O vício é de natureza formal, invalidando o ato judicial, não dizendo respeito ao conteúdo desse mesmo ato” (Princípios fundamentais. 5ª ed., 2000, p. 218, especialmente a nota 115). Ainda em sentido conforme: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Lições de direito processual civil. Volume II, 2ª ed., 1999, p. 45: “Note-se que não há error in iudicando apenas quando a declaração errônea da vontade da lei refere-se a normas de direito material, mas também quando o erro incide sobre normas de direito processual (como, no exemplo, acima figurado, da norma sobre a fixação do valor da causa). Situação diversa é a que se tem quando o recurso é interposto sob o fundamento de a decisão impugnada ter sido proferida com error in procedendo. Este é um vício de forma, ao contrário do anterior, em que se tinha um vício de conteúdo. O error in procedendo está sempre ligado ao descumprimento de uma norma de natureza processual, e consiste em vício formal da decisão, que acarreta sua nulidade. Nesta hipótese, o objeto do recurso não será a reforma da decisão recorrida, mas sua invalidação”. 77. Também no mesmo sentido do parágrafo: BENTO DE FARIA. Código de Processo Penal. Volume II, 2ª ed., 1960, p. 26: “a) em vício de forma, ou seja da construção do processo (error in procedendo)”.

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Na mesma esteira, aresto proferido em ação rescisória sem a realização da revisão prevista no artigo 551 do Código de Processo Civil está contaminado por vício de atividade, o que enseja a cassação do julgado. Sentença proferida sem fundamentação, ou seja, sem a observância do disposto no artigo 458 do Código de Processo Civil e no artigo 9, inciso IX, da Constituição Federal, também está contaminada de vício de atividade, razão pela qual deve ser cassada, a fim de que o juiz de primeiro grau emita ato jurídico válido. O mesmo ocorre com a sentença proferida sem a observância dos artigos 128 e 460 do Código: tanto a sentença extra petita quanto a ultra petita padecem de error in procedendo. Ainda a respeito do tema, salvo quando o vício é sanado no julgamento de embargos declaratórios, a sentença citra petita também deve ser cassada, já que contaminada por vício de atividade. Também há error in procedendo quando órgão fracionário (verbi gratia, turma, câmara, seção, grupo) de tribunal declara a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, fora das hipóteses excepcionais do parágrafo único do artigo 481 do Código de Processo Civil. O desrespeito à regra da reserva de plenário inserta no artigo 97 da Constituição Federal e nos artigos 480 e seguintes do Código conduz à cassação do julgado. É que há defeito de construção no pronunciamento da corte judiciária. Como é possível perceber dos últimos exemplos apontados, a inobservância de formalidades legais — e, com maior razão, constitucionais — contamina o ato jurídico por meio do qual há a entrega da prestação jurisdicional. Por tal motivo, é necessária a cassação, a fim de que seja praticado outro ato jurídico, que seja válido — ressalvada, entretanto, a possibilidade da aplicação do § 4º do artigo 515, a ser verificada em cada caso concreto, quando o tribunal passa a ter competência para o imediato julgamento da causa. Por fim, salvo o ato jurídico inexistente, os demais pronunciamentos jurisdicionais contaminados por error in procedendo ficam protegidos pela auctoritas rei iudicatae e só podem ser desconstituídos por meio de ação rescisória. Resta estudar o error in iudicando. O vício de juízo está consubstanciado na erronia ocorrida na solução propriamente dita de questões de fato e de direito, ainda que a última seja de cunho processual78. O defeito reside

78. Em sentido semelhante: MARIA HELENA DINIZ. Dicionário jurídico. Volume II, 1998, p. 62: “error in Judicando. Expressão latina. Erro cometido pelo juiz

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no fundo79, no conteúdo da decisão jurisdicional. Como não há vício sob o ponto de vista formal, a decisão jurisdicional é válida; é, no entanto, injusta80, por vício de fundo. Por conseguinte, é passível de reforma, com a modificação do conteúdo do julgado. Em síntese, o error in procedendo consiste em vício de forma, em defeito estrutural, de construção do pronunciamento jurisdicional. O error in iudicando está consubstanciado no vício de fundo, no defeito que reside no próprio conteúdo da decisão. Com efeito, o error in procedendo diz

quanto ao direito material ou quanto ao direito processual”. Ao tratar do vício de juízo, o Professor NERY JUNIOR pontifica: “Se o mérito da causa for questão processual, o erro em que, eventualmente, incidir o juiz ao julgar será in judicando” (Princípios fundamentais. 5ª ed., 2000, p. 220, especialmente a nota 126). Ainda em sentido conforme é a lição de BATISTA MARTINS: “...não se trata mais de distinguir a natureza do êrro de acôrdo com a natureza da regra legal violada, mas de acôrdo com o modo pelo qual se deu a violação. Se é verdade que não se pode conceber que o juiz viole in procedendo uma lei de fundo, é possível, entretanto, que êle viole in iudicando uma lei de processo, o que ocorre naqueles casos em que, interpretando-a, o juiz a aplica mal” (Recursos. 1957, p. 98; sem o grifo no original). Reforça o eminente autor do Código de 199: “O contrôle do Supremo Tribunal não se detém, hoje, no êrro in iudicando, embora possa êle abranger, como se viu, erros de aplicação de lei processual, mas estende-se, ao contrário, aos casos de violação in procedendo dessa mesma lei” (p. 98; não há o grifo no original). Com o mesmo entendimento: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Lições de Direito Processual Civil. Volume II, 2ª ed., 1999, p. 45: “Note-se que não há error in iudicando apenas quando a declaração errônea da vontade da lei refere-se a normas de direito material, mas também quando o erro incide sobre normas de direito processual (como, no exemplo, acima figurado, da norma sobre a fixação do valor da causa)”. Reforça o eminente Professor em outra didática obra: “É de todos conhecida a distinção entre o error in iudicando e o error in procedendo. Enquanto aquele é o erro de julgamento, este é o erro de atividade. No error in iudicando encontra-se uma decisão equivocada, isto é, um provimento jurisdicional em que a conclusão está equivocada. Já no error in procedendo o vício não é da conclusão, mas da atividade de produção da decisão. Assim, por exemplo, a decisão que condena a pagar dívida que já havia sido paga contém error in iudicando, enquanto o provimento jurisdicional não fundamentado contém error in procedendo (ainda que sua conclusão esteja correta)” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Ação rescisória. 2007, p. ). 79. De acordo: LEIB SOIBELMAN. Dicionário. Volume I, 1974, p. 24: “error in Judicando. Erro de juízo, erro na aplicação da norma jurídica, erro de interpretação da lei. Erro de fundo”. 80. A propósito, merece ser prestigiado o pronunciamento do Ministro BENTO DE FARIA: “b) ou em vício respeitante à função lógica do Juízo (error in judicando), isto é, quando a decisão, embora válida, é injusta” (Código de Processo Penal. Volume II, 2ª ed., 1960, p. 26).

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respeito ao vício atinente à forma da atividade jurisdicional, ao defeito quanto ao modo do julgamento, o que explica a necessidade da cassação da decisão inválida, a fim de que outra seja proferida de forma, de modo regular, com a observância das formalidades legais. Já o error in iudicando diz respeito ao julgamento em si, com os olhos voltados não para a forma da prestação jurisdicional, mas, sim, para o conteúdo da prestação jurisdicional, a fim de se saber qual foi o resultado do julgamento e se o mesmo é justo, ou não, para a eventual reforma da decisão injusta. É o critério discretivo prestigiado ao longo do presente compêndio. Convém lembrar que a distinção dos defeitos que podem contaminar as decisões jurisdicionais é muito relevante tanto no plano teórico quanto no prático: enquanto as decisões com vício de juízo são reformadas, os julgados maculados por error in procedendo são cassados, invalidados. A caracterização do vício também é importante para a apuração da substituição prevista no artigo 512 do Código de Processo Civil, já que não há substituição da decisão quando o órgão julgador constata a existência de vício de atividade — há mera cassação, invalidação. Por fim, a despeito das diferenças dos vícios que contaminam as decisões jurisdicionais, é preciso reconhecer um aspecto positivo do direito brasileiro: tanto o error in procedendo quanto o error in iudicando podem ser denunciados nas espécies recursais em geral. Por conseguinte, é admissível a interposição dos recursos pátrios com a alegação de ambos os vícios ou apenas um deles. Daí o aspecto positivo do sistema recursal brasileiro: em regra81, o cabimento de recurso no direito pátrio não leva em consideração a natureza do vício que contamina o julgado.

81. Segundo orientação predominante na doutrina e na jurisprudência, a exceção reside no artigo 50 do Código de Processo Civil, porquanto prevalece o entendimento de que os embargos infringentes são cabíveis apenas quando há error in iudicando, em razão de reforma da sentença definitiva.

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Capítulo vI REQUISITOS DE ADmISSIbIlIDADE DOS RECURSOS 1. CONCEITOS E ClASSIfICAçõES
Estudados os juízos de admissibilidade e de mérito, já é possível realizar o estudo específico dos requisitos de admissibilidade. As “condições de admissibilidade”, os “pressupostos de admissibilidade” ou “requisitos de admissibilidade” são as exigências legais que devem estar satisfeitas para que o órgão julgador possa ingressar no juízo de mérito do recurso. Por terem idêntico significado, tais expressões são igualmente prestigiadas tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência. Aliás, até mesmo o Código de Processo Civil utiliza as três expressões nos artigos 500, parágrafo único, 518, § 2º, e 540, caput, respectivamente. Daí a possibilidade da utilização de todas as expressões, sem ofensa alguma à linguagem técnica. Os escritores contemporâneos classificam os requisitos de admissibilidade em intrínsecos e extrínsecos. Enquanto os primeiros (intrínsecos) estão relacionados à existência do direito de recorrer, os últimos (extrínsecos) estão ligados ao exercício daquele direito. Integram o primeiro grupo: o cabimento, a legitimidade recursal, o interesse recursal e a inexistência de fatos extintivos e impeditivos. Compõem a classe remanescente: a tempestividade, a regularidade formal e o preparo. A propósito, é importante registrar que a doutrina clássica divide os pressupostos de admissibilidade em objetivos e subjetivos. Segundo tal critério distintivo, a legitimidade e o interesse são pressupostos subjetivos. Em contraposição, a recorribilidade, a adequação, a tempestividade, o preparo, a motivação e a regularidade procedimental são pressupostos objetivos. Ainda que muito respeitável a classificação da doutrina tradicional, o critério prestigiado pelos autores modernos parece ser o melhor, por ser mais completo, especialmente em relação aos institutos da desistência, da renúncia e da aceitação (ou aquiescência), previstos nos artigos 501, 502 e 44

50 do Código de Processo Civil, respectivamente. Ademais, a classificação prestigiada pela doutrina contemporânea está em harmonia com a terminologia empregada no Código de Processo Civil, conforme se infere dos artigos 496, 51, 522, 50 e 55, preceitos que versam sobre o cabimento. Mas a escolha da classificação moderna não implica desconsideração da distinção tradicional, até mesmo em razão de certa correlação existente entre os dois critérios diferenciadores dos requisitos de admissibilidade.

2. CAbImENTO
O requisito de admissibilidade do cabimento consiste na exigência de que o recorrente utilize, entre as espécies recursais existentes na Constituição Federal e na legislação federal vigente, aquela adequada para impugnar a decisão jurisdicional causadora da insatisfação. Com efeito, o requisito do cabimento concretiza os princípios da taxatividade, da singularidade e do esgotamento das vias recursais, porquanto o recurso só é cabível quando previsto na Constituição Federal ou na legislação processual em vigor, e for o apropriado para combater o decisum gerador do inconformismo. Aliás, o requisito do cabimento prestigiado pela doutrina moderna corresponde aos pressupostos objetivos da recorribilidade e da adequação da corrente doutrinária clássica. Em primeiro lugar, para ser cabível o recurso, a decisão deve ser recorrível, isto é, passível de impugnação. A segunda etapa do cabimento reside na adequação, já que a decisão jurisdicional só pode ser impugnada por meio do recurso próprio. A falha em qualquer uma das fases do cabimento conduz à prolação de juízo de admissibilidade negativo (salvo se for possível a aplicação do princípio da fungibilidade recursal, quando, de forma excepcional, o recurso incabível é recebido e processado como se fosse o correto). A propósito do cabimento, no direito processual civil brasileiro contemporâneo, a apelação é o recurso cabível contra sentença. Por força do artigo 51 do atual Código de Processo Civil, a apelação é cabível tanto de sentença terminativa quanto de sentença definitiva. A regra consubstanciada no binômio sentença-apelação, todavia, não é absoluta. A primeira exceção consta do artigo 105, inciso II, alínea “c”, da Constituição Federal, assim como do artigo 59, inciso II, alínea “b”, do Código de Processo Civil. Da sentença proferida em causa internacional cabe recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça. A segunda exceção está prevista no artigo 4 da Lei n. 6.80, de 1980, com o reforço do enunciado n. 28 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “Em execução fiscal 45

distritais e federais. § º. 9. qualquer que seja o fundamento da sentença”. decisão interlocutória que rejeitar a impugnação ao cumprimento da sentença. e artigo 100. estaduais. da Lei n. decisão monocrática proferida por magistrado de tribunal é impugnável por meio de agravo interno (também denominado “agravo regimental”). da Lei n. da Lei n. todos do Código de Processo Civil. desde que o valor da causa seja inferior ou igual ao teto legal: 50 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional. ou seja. 10. parágrafo único. primeira parte. porquanto não importa se a decisão unipessoal proferida em tribunal é incidental ou se ocasiona a extinção do processo. de 2005). 9. de 2001. decisão interlocutória de decretação da falência. Em regra. de 2005. de decisão interlocutória cabe recurso de agravo. 6.22. de 1980.259.099.de valor inferior ao disposto no art. ambos do Código de Processo Civil. contra as decisões de juízo negativo de admissibilidade da apelação na origem e quanto aos efeitos do recebimento do recurso apelatório (artigo 522. de 1999. da Lei n. 6. 52. nas quais o agravo deve ser por instrumento: decisão interlocutória geradora de lesão grave e de difícil reparação. in fine).101. 11. consagrou a regra do agravo retido.. da Lei n. À vista do caput do artigo 522 do Código de Processo Civil. decisão interlocutória relativa aos efeitos do recebimento da apelação. Apesar de a regra ser o cabimento do agravo retido. os recursos cabíveis são embargos infringentes e declaratórios. primeira parte.47. A Lei n. 545 e 557. 46 . parágrafo único. acrescentado pela Lei n. bem como dos artigos 1º e 5º. Na verdade. decisão interlocutória proferida na liquidação de sentença. de 1990. § 1º. parágrafo único. de 2005. e dos artigos 4º. bem assim contra outras decisões interlocutórias recorríveis mediante agravo de instrumento por força de lei (artigos 475-H e 475-M. de 1985.08. de 1992. 11.47. a regra do cabimento do agravo retido é afastada nas seguintes hipóteses. do artigo 12. cabe recurso inominado — e não apelação — contra sentença proferida em ação processada perante os Juizados Especiais Cíveis em geral. § 1º. cabe agravo de instrumento contra qualquer decisão interlocutória que causar lesão grave e de difícil reparação (artigo 558). e 15.80. o agravo interno é cabível das decisões monocráticas em geral. 8. 34 da Lei n. do artigo 9 da Lei n. Com efeito. 8. A regra da recorribilidade das decisões monocráticas por meio do agravo interno está prevista nos artigos 120.187. Aliás. 7. decisão interlocutória de inadmissão da apelação. do artigo 4º.830/80. in fine. 11. Com efeito. cabem embargos infringentes de alçada contra sentença proferida em ação regulada pela Lei n. A última exceção ao binômio sentença-apelação consta dos artigos 41 e 42 da Lei n.868. § º. de 1995.

isto é. excepcionalmente. À vista do artigo 102. Registre-se o cabimento do recurso ordinário em habeas corpus no processo penal — e. inciso III. contra a decisão monocrática presidencial ou vice-presidencial de juízo negativo de admissibilidade de recursos extraordinário e especial cabe agravo de instrumento. cabe recurso ordinário contra acórdão denegatório de mandado de segurança de competência originária de tribunal. as decisões monocráticas irrecorríveis por meio de agravo interno ou regimental. inciso III. do Código de Processo Civil. 47 . consoante se infere do artigo 527. ainda. com a redação conferida pela Lei n. Superior Tribunal de Justiça) em ações originárias de habeas data e de mandado de injunção82. de 2005.187.Por força do artigo 544 do Código de Processo Civil. Com efeito. alínea “a”. assim como do artigo 59. LXVII. e do artigo 105. À luz do artigo 102. inciso II. 19 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. e parágrafo único. Trata-se de verdadeira exceção ao cabimento do agravo interno ou regimental contra decisão monocrática. alínea “a”. salvo os arestos impugnáveis mediante embargos infrin- 82. incisos II e III. conforme se infere do artigo 5º. inciso II. alínea “b”. Há. até no processo civil. 10. após o advento da Lei n. de 2001. Ex vi do artigo 50 do Código de Processo Civil. verbete que atesta a inadequação do agravo interno na hipótese em estudo: “Não é cabível agravo regimental de decisão que examina a admissibilidade dos chamados recursos constitucionais — RE. da Constituição Federal. incisos I e II. da Constituição Federal. todavia. e do artigo 105. da Constituição Federal. arestos. do Código de Processo Civil. cabe agravo de instrumento do artigo 544 contra a decisão monocrática presidencial ou vice-presidencial denegatória da admissibilidade dos recursos extraordinário e especial.52. 11. Resta examinar os recursos cabíveis contra os pronunciamentos dos órgãos colegiados dos tribunais: acórdãos. Também cabe recurso ordinário contra acórdão denegatório proferido por corte superior (por exemplo. cabem embargos infringentes contra acórdão de provimento proferido por maioria de votos em julgamento de apelação de sentença definitiva e também contra aresto não unânime de procedência em ação rescisória. REsp e RO”. conforme revela o correto enunciado n.

inciso VIII. qualquer decisão judicial pode ser embargada. merece ser prestigiada a seguinte conclusão n. generalidades O requisito de admissibilidade da legitimidade recursal consiste na exigência de que o recurso seja interposto por quem possui o poder de recorrer ex vi legis. contra os demais acórdãos proferidos por tribunais cabem. ambos do Código de Processo Civil. o Ministério Público e o terceiro prejudicado. 3. 2001. conforme se infere do correto enunciado n. Por fim. é importante estudar cada um dos legitimados por força do artigo 499: as partes. recursos extraordinário e especial. enquanto não ocorrer preclusão”8.. outorga legitimidade para recorrer às partes. Afastada a legitimidade recursal do juiz. legitimidade recursal na qualidade de parte São partes os que compõem os pólos ativo e passivo da relação jurídica processual: autor e réu. 3. p. o magistrado não possui legitimidade recursal à luz do artigo 499. Já contra os arestos proferidos em julgamentos de recursos extraordinário e especial cabem embargos de divergência. cabem embargos de declaração contra todas as decisões jurisdicionais: sentença. em tese. decisão interlocutória e decisão monocrática. o instituto previsto no artigo 475 não tem natureza recursal. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES.1. Recursos no processo penal. 12 da 8. ao Ministério Público e ao terceiro prejudicado. Daí a correta denominação inserta no § 1º do artigo 475: “remessa”. 48 .2. e 546. 454. ª ed. lEgITImIDADE RECURSAl 3. tem legitimidade para recorrer até mesmo quando revel. A propósito. mais especificamente o caput do artigo 499 do Código de Processo Civil. acórdão. 152 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “Embora a lei preveja embargos de declaração apenas de sentença e acórdão.gentes ou recurso ordinário. consoante o disposto nos artigos 496. A legislação processual civil brasileira. Em contraposição. In ADA PELLEGRINI GRINOVER. A propósito. Quanto ao réu. Trata-se de condição à formação da coisa julgada e não pode ser confundido com recurso.

A extensão do julgamento em relação ao outro litisconsorte é indispensável para a subsistência do matrimônio e dos respectivos direitos e deveres. salvo se distintos ou opostos os seus interesses”. o mesmo não ocorre na hipótese de litisconsórcio simples. os quais obtiveram. A propósito da exceção. Não há como preservar a sentença rescindenda e a nulidade do casamento somente em prol do litisconsorte recorrente. Se é certo que o recurso de um litisconsorte beneficia o outro quando há litisconsórcio unitário. as defesas comuns aos litisconsortes devedores solidários também beneficiam os que deixaram de recorrer: “Havendo solidariedade passiva. em razão da natureza da relação jurídica. em suas relações com a parte adversa. Quando o pólo ativo ou o pólo passivo da relação jurídica processual são ocupados por mais de uma pessoa. entretanto. como bem revela o proêmio do próprio artigo 48: “Salvo disposição em contrário”. A regra da personalidade do recurso do litisconsórcio simples. em relação ao qual incide a regra inserta no artigo 48 do Código de Processo Civil: “Salvo disposição em contrário. como litigantes distintos. Com efeito. todos os litisconsortes têm legitimidade recursal individual na qualidade de parte. a declaração de nulidade do casamento em razão de conluio com fraude à lei. quando as defesas opostas ao credor lhes 49 .Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “O prazo recursal para o réu revel corre independentemente de intimação. a partir da publicação da sentença em audiência ou em Cartório”. enquanto o caput do artigo 509 revela que no litisconsórcio unitário o recurso de um favorece até mesmo àquele que não recorreu. ex vi do parágrafo único do artigo 509 do Código de Processo Civil. o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros. em caso de litisconsórcio unitário. Ainda que eventual recurso seja interposto apenas por um dos cônjuges. pode ser afastada. os litisconsortes serão considerados. Tanto que o caput do artigo 509 estabelece que “o recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita. os atos e as omissões de um não prejudicarão nem beneficiarão os outros”. no caso de provimento do inconformismo. o recurso interposto por apenas um dos litisconsortes também beneficia o outro. O provimento do inconformismo de um dos litisconsortes também alcança o outro. em razão da impossibilidade de soluções jurídicas antagônicas para os litisconsortes unitários. marcada pela impossibilidade da existência de soluções diferentes. não há como conferir tratamento diverso na hipótese sub examine. Com efeito. É o que ocorre no julgamento de procedência em ação rescisória movida pelo Ministério Público contra marido e mulher. tal não ocorre no litisconsórcio simples. em ação anterior.

mesmo que o segundo réu não tivesse apelado. todos são considerados partes e têm legitimidade recursal individual em tal qualidade. Tal conclusão é reforçada pelo artigo 281 do Código Civil de 2002: “O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos. o litisdenunciado e o chamado ao processo — que ingressaram no processo. No que tange aos terceiros intervenientes tratados no Capítulo VI do Título II do Livro I do Código de Processo Civil — isto é. em razão da incidência do parágrafo único do artigo 509 do Código de Processo Civil. tudo nos termos do artigo 509. por ser pessoal a alegação de novação. razão pela qual está exonerado. se o recurso do segundo réu for provido. não haverá a extensão do benefício do resultado do julgamento ao primeiro réu. o respectivo recurso também alcança o outro litisconsorte passivo. O juiz de primeiro grau profere sentença de procedência. o opoente. Inconformados. Já o segundo réu contesta a ação. ainda que a respectiva apelação sofra juízo negativo de admissibilidade — e mais. e do artigo 281 do Código Civil de 2002. parágrafo único. Enquanto a apelação do primeiro réu versa sobre defesa comum. Daí a existência de efeito extensivo — ou seja. o segundo réu também será beneficiado. Do mesmo modo. o nomeado à autoria. do Código de Processo Civil. Portanto. imagine-se a seguinte hipótese: o autor propõe ação de cobrança contra os dois réus. nos quais repisam as diferentes alegações de cada uma das contestações. o recurso de um favorece aos demais. do Código de Processo Civil. Na tentativa de esclarecer o assunto. o assistente litisconsorcial (ou qualificado) está habilitado a recorrer sem restrições. Como a argumentação suscitada pelo primeiro réu na sua apelação é comum (objeto ilícito). os réus interpõem os respectivos recursos. a diferença é muito relevante. ao argumento de que houve novação apenas entre o autor e o primeiro réu. efeito extensivo — apenas em decorrência do provimento do recurso do primeiro réu. combinados com o artigo 509. ao argumento de que são devedores solidários. Ao revés.forem comuns”. o mesmo não ocorre quando a defesa é pessoal. condenando ambos os réus. consoante se infere dos artigos 281 e 65 do Código Civil de 2002. não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-devedor”. parágrafo único. quando suscita a ocorrência de objeto ilícito com esteio no proêmio do artigo 814 do Código Civil de 2002. o recurso do segundo réu trata de argumento pessoal. O mesmo não ocorre com a apelação interposta pelo segundo réu. se comum a defesa em prol dos devedores solidários. O primeiro réu contesta a ação. Tanto quanto sutil. porquanto 50 . ex vi do artigo 65 do Código Civil de 2002. Em resumo. se o recurso do primeiro réu for provido.

Comentários ao Código de Processo Civil. de modo que. p. por atuar como auxiliar da parte primitiva84. reforçado pelo § 2º do mesmo artigo.. 1996.. 2. ª ed. Em sentido semelhante ao texto do parágrafo. é inegável que o Código de Processo Civil inseriu o assistente no rol das partes: “O assistente (arts. É certo que o assistente simples não precisa da anuência do assistido para recorrer. 1977. prestigia-se a tese segundo a qual o assistente simples é parte secundária. 58.. Ainda que discutível do ponto de vista acadêmico. mas não pode interpor recurso em divergência com o assistido. OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA. e O novo processo.. 1998. 85. 50 a 55) não é considerado por muitos como parte. NELSON NERY JUNIOR. Volume I. pelo menos do ponto de vista legal. n. Comentários ao Código de Processo Civil. Em resumo. 52. 51 . 102. p. p. 4ª ed. Legitimidade recursal do Ministério Público: generalidades À vista do caput do artigo 499 do Código de Processo Civil. NELSON LUIZ PINTO. 1999. de transação e de renúncia ao direito sobre que se funda a ação85. ª ed. É irrelevante se a atuação ministerial no processo foi como parte ou como fiscal da lei: em ambas o Ministério Público tem ampla legitimidade recursal. 16. Com efeito. o assistente é considerado parte” (CELSO AGRÍCOLA BARBI. Volume III. Princípios fundamentais.. 180. 1999. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume VII.. o assistente simples não tem legitimidade para interpor recurso contra a vontade do assistido. 2ª ed. 7ª ed. BARBOSA MOREIRA. 1956. mas com as restrições previstas no artigo 5 do Código de Processo Civil. 4ª ed. Curso. p. 288. SERGIO BERMUDES. o assistente simples é uma parte secundária que atua como “auxiliar da parte principal” (artigo 52). 18ª ed. 87. Daí a inadmissibilidade de recurso interposto pelo assistente simples contra sentença proferida em razão de desistência da ação do assistido. o Ministério Público tem ampla legitimidade para recorrer. 1996. Curso. 254 e 255. de reconhecimento da procedência do pedido.atua na defesa de direito próprio. Comentários ao Código de Processo Civil. 1999. como parte secundária. p. p. 84. O assistente simples também pode recorrer. 1998. p. Volume I.. CELSO BARBI. Tomo VII. quando muito. 6. 1994.. Mas o Código englobou a assistência no mesmo Título referente às partes..3. 1998. 9ª ed.3. na doutrina: ARAKEN DE ASSIS. Volume V. embora seja entendimento minoritário na literatura especializada. Comentários ao Código de Processo Civil. 10ª ed. 289 e 290. A respeito da séria divergência doutrinária acerca da natureza do assistente simples. e PONTES DE MIRANDA. 82). legitimidade recursal do ministério público 3. Manual. GABRIEL REZENDE FILHO. Volume I. Condições. p.1. 420. 3. p. p. p.

isto é. 226 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “O Ministério Público tem legitimidade para recorrer na ação de acidente do trabalho. A despeito da existência de entendimento contrário. menor absolutamente incapaz. com o reconhecimento da paternidade em favor do menor. 99 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “O Ministério Público tem legitimidade para recorrer no processo em que oficiou como fiscal da lei. 2ª ed. Com efeito. Um exemplo pode facilitar a compreensão do assunto: o autor. 1977. na doutrina: SERGIO BERMUDES. ou seja. jamais será necessário86. O processamento do recurso interposto pelo Ministério Público também não depende da interposição de recurso pela parte vencida. Reforça o enunciado n. ajuizou ação de investigação de paternidade contra o réu. caput e § 2º. é possível evocar o princípio de hermenêutica jurídica segundo o qual o intérprete não deve distinguir quando não há distinção na lei: ubi lex non distinguit. o Ministério Público não está obrigado a recorrer. surge a pergunta: seria admissível recurso interposto pelo Ministério Público? Trata-se de vexata quaestio. recurso do Ministério Público será sempre voluntário. A legitimidade é revelada pelo artigo 499. tudo indica que o parquet tem legitimidade e interesse.. com a 86. De acordo. Em seguida. como defensor do direito objetivo. já que o Ministério Público atua como custos legis. O interesse recursal também é inegável. ou seja. A respeito do assunto. representado por sua mãe. o juiz de direito rejeitou a nulidade suscitada pelo parquet e proferiu sentença de procedência. Daí a resposta afirmativa. não depende da anuência do derrotado. autor da ação. Sob outro prisma. o Ministério Público argüiu a respectiva nulidade com esteio no artigo 247 do Código de Processo Civil. p. Resta saber se o Ministério Público pode interpor recurso contra o julgado favorável à parte cuja presença no processo tornou obrigatória a intervenção do parquet. Volume VII. Além do mais. Como não existe restrição no preceito de regência. a parte cuja presença no processo tornou obrigatória a intervenção do Ministério Público já está devidamente patrocinada por advogado. 6. ainda que não haja recurso da parte”. 52 . nec interpres distinguere. o Ministério Público tem autonomia recursal. Diante do problema. ainda que o segurado esteja assistido por advogado”. Ao constatar vício na citação.A despeito da ampla legitimidade recursal. Comentários ao Código de Processo Civil. merece ser prestigiado o correto verbete n. o qual não ofereceu contestação. tanto na atuação como parte quanto no ofício de fiscal da lei.

a intervenção ministerial como custos legis só autoriza a interposição de recurso independente. Legitimidade recursal do Ministério Público e recurso adesivo A propósito da ampla legitimidade recursal do Ministério Público consagrada no artigo 499 do Código de Processo Civil e no enunciado n. o Ministério Público só pode interpor recurso independente. o mesmo não ocorre no artigo 500.. o parquet atua como fiscal da lei. O Ministério Público não pode ser chamado a defender o mau direito. preceito que restringe o recurso adesivo às partes. 3. Ao revés. p. voluntária e autônoma. 99 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. pois que sua função precípua não é a defesa dos interesses individuais de quem quer que seja. nos processos em que tal intervenção se dá por haver interesse de incapaz. 1999. Parece-nos que sim. Assim.2. mas sim a dos interesses sociais”. 2ª ed.3. o Ministério Público não tem legitimidade para apresentar recurso adesivo como custos legis. Ainda que muito respeitável o entendimento em sentido contrário. Se é certo que o artigo 499 confere ampla legitimidade recursal ao Ministério Público. é possível concluir que a legitimidade recursal do Ministério Público é ampla. 5 . Com efeito. 55 e 56: “Discute-se. ou seja. quando intervém no processo na qualidade de fiscal da lei. em doutrina. a possibilidade de o Ministério Público interveniente. tudo indica que é admissível o recurso do Ministério Público até mesmo contra o julgado favorável à parte que ensejou a intervenção obrigatória do parquet no processo87. ambos do Código de Processo Civil. guardião dos interesses maiores da sociedade. Não se pode admitir que o Ministério Público. até mesmo quando atua como fiscal da lei. Em síntese. De acordo. aquele interposto na primeira oportunidade disponível para 87. A solução da vexata quaestio é extraída da combinação dos artigos 499 e 500. razão pela qual tem interesse na preservação do direito objetivo. e nada justifica a existência de um patrono particular e outro público na defesa do direito subjetivo da parte. em razão da limitação inserta no caput do artigo 500. seja obrigado a calar diante da inadequada atuação da vontade concreta da lei ocorrida num processo onde é chamado a intervir como fiscal desta mesma atuação. Em contraposição. poder recorrer contra decisão favorável aos interesses do mesmo. Volume II. Lições de direito processual civil. o Ministério Público pode interpor tanto recurso independente quanto recurso adesivo. Por tudo. preceito que restringe a via adesiva às partes.missão de defesa do direito subjetivo. quando é parte. há séria controvérsia doutrinária que envolve o recurso adesivo. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA.

p.. e HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 11ª ed. strictae subsunt interpretationi”89. Em sentido semelhante ao ponto de vista defendido no presente compêndio. 4ª ed. Promulgado pelo Papa JOÃO PAULO II. consagrado tanto no Código Canônico de 1917 quanto no Codex de 198. 6. p. e 8ª ed. porquanto o recurso é uma extensão do próprio direito de ação. Não obstante. 3. BARBOSA MOREIRA. 29. 7ª ed. p. em razão do princípio da interpretação estrita das exceções: exceptiones sunt strictissimae interpretationis. Aliás. o artigo 501 do Código de Processo Civil não sofre nenhuma restrição como a existente no artigo 576 do Código de Processo Penal. Trata-se de princípio de hermenêutica jurídica herdado do Direito Romano e do Direito Canônico. p. p. devem ser interpretadas estritamente” (Código de Direito Canônico. p. Desistência do recurso interposto pelo Ministério Público O Ministério Público pode desistir do recurso cível que interpôs. 1999. a regra reside na possibilidade jurídica da desistência dos recursos em geral. Eis o teor do cânon 18 do Código vigente: “Leges quae poenan statuunt aut liberum iurium exercitium coarctant aut exceptionem a lege continent. Revista Forense. Com outra opinião. p.. CARLOS OCTAVIO DA VEIGA LIMA. Condições.. 975 e 976. 89. Sistemática dos recursos. A propósito. em prol da ampla recorribilidade do Ministério Público. Não há no Direito Processual Civil exceção como a prevista no artigo 576 do Código de Processo Penal: “O Ministério Público não poderá desistir de recurso que haja interposto”. e SERGIO BERMUDES. diante da sua importância e da respectiva 88. 10 e 11). 24. também há autorizada doutrina: JACY DE ASSIS. 2ª ed. p. Não há. específico do Direito Processual Penal. Por tudo. p. 1998. “As leis que estabelecem pena ou limitam o livre exercício dos direitos ou contêm exceção à lei. 50. 1999.3. Como o princípio da indisponibilidade da ação penal é específico do Direito Processual Penal. traduzido pelo Padre JOÃO CORSO e pelo Bispo Dom TARCÍSIO ARIOVALDO DO AMARAL. volume 246. Com efeito. na doutrina: ARAKEN DE ASSIS. O Ministério Público. NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY. em razão do princípio da indisponibilidade da ação penal. até mesmo para aviar recurso adesivo como fiscal da lei. 185.. volume 259. 1999. 1998. Comentários ao Código de Processo Civil. é inadmissível recurso adesivo do fiscal da lei88. Código. 1977. 291. o artigo 576 do Código de Processo Penal é exceção exclusiva do sistema recursal criminal.a veiculação de recurso. Comentários ao Código de Processo Civil. o Ministério Público não pode desistir do recurso criminal interposto.. 54 . Volume V. 15 e 16. 292. mesmo no Direito Processual Penal. 80. p.3. O processo civil brasileiro. 1999. e Revista Forense. a aplicação analógica ao Direito Processual Civil. Volume VII. comentário 7. por conseguinte.

BARBOSA MOREIRA. na doutrina: ARAKEN DE ASSIS. no qual o artigo 576 do Código de Processo Penal revela a impossibilidade jurídica da desistência de recurso interposto pelo parquet. 188. quando êle fôr parte.. 101: “o princípio sofre exceção. que não poderá desistir dêle (C. 92. p. 1998. p. art.4. Prazo. Diante do princípio da interpretação estrita das exceções. Volume V. Recurso extraordinário. só abrange os casos. 99. há doutrina muito respeitável: JOSÉ AFONSO DA SILVA. na jurisprudência: RE n. 4ª Turma do STJ. tópico 10 do capítulo VIII do presente tomo I. o Ministério Público tem prazo duplicado por força do artigo 188 do Código de Processo Civil. Condições de admissibilidade. conforme se infere do artigo 6º da antiga Lei de Introdução ao Código Civil: “A lei que abre excepção a regras geraes. regido pelo artigo 501. quanto ao recurso interposto pelo Ministério Público. não há como aplicar o artigo 576 do Código de Processo Penal ao Direito Processual Civil. 7. preceito genérico que não comporta exceção. 94. ou restringe direitos. que especifica”. a desistência encontra sustentação no princípio da voluntariedade90 e na regra permissiva do artigo 501 do Código de Processo Civil. 576). Em sentido semelhante. p. p. Código de Processo Civil. Ao contrário do que ocorre no Direito Processual Penal. Comentários ao Código de Processo Civil. na jurisprudência: REsp n.P.incidência no direito brasileiro. 1ª Turma do STF. o Ministério Público pode desistir do recurso cível interposto na qualidade de parte ou de fiscal da lei. revela a inexistência de restrição à desistência do recurso ministerial no âmbito do Direito Processual Civil91. Cf.064/SP. no Código de Processo Civil não há preceito de igual teor. 217: “Ministério Público. 90.P. Em sentido contrário.. 1999. Em resumo. preceito que. 7ª ed. 196. Se o art.. 2796. Por oportuno. em matéria penal. Diário da Justiça de 2 de junho de 1997.P. 3. combinado com o artigo 499 do mesmo diploma. 91. Prazo recursal do Ministério Público Em relação ao prazo para interposição de recurso. Ademais. achamos que a exceção alcança o recurso do M. entretanto. ou quando a lei lhe permitir o recurso” (não há o grifo no original). 499. Também em sentido conforme. 72. em matéria civil. p.3. Com opinião idêntica. § 2º. A duplicação do prazo recursal ocorre quando o Ministério Público atua como parte e também quando oficia como custos legis92.219/MG. art. do CPC confere ao Ministério 55 . RTJ. Recurso. o princípio da interpretação estrita das exceções já foi até mesmo consagrado na legislação pátria. volume 106.

como naqueles em que oficia como fiscal da lei. DJ de 20/10/2000. Min. quanto ao prazo em dobro. o Ministério Público tem igual prazo recursal em dobro para a interposição de recurso no processo do trabalho.478/MG — EDcl.040/98. em se tratando de matéria penal. 596. p. Min. 465. Min. não possui prazo em dobro para recorrer. o Ministério Público não tem o prazo em dobro para recorrer” (RMS n.o prazo ministerial só começa a fluir no primeiro dia útil após a intimação pessoal exigida pelo § 2º do artigo 26 do Código de Processo Civil. Órgão Especial. Trata-se de exceção prevista no artigo 188 do Código de Processo Civil. p. 61: “O Ministério Público. na exegese do art. Cnéa Moreira. Por oportuno. Diário da Justiça de 10 de outubro de 2005. sendo o termo inicial o primeiro dia útil após sua intimação pessoal”. o Ministério Público não tem o benefício da duplicação dos prazos nos recursos criminais. 6ª Turma do STJ. O Ministério Público. 1. Precedentes: TST-RMA-410. RHC n. Diário da Justiça de 22 de março de 2004. Em contraposição. não é possível. 15. Francisco Fausto. Diário da Justiça de 28 de junho de 2004.644.194/PR. 28. DJ de 9/10/98. p. seja quando sua atuação dá-se na condição de custos legis. Órgão Especial. 56 . De acordo: RMA n. José Luiz Vasconcellos. que nesse dispositivo se garante ao Ministério Público. O mesmo raciocínio alcança os recursos eleitorais. Daí a incidência do princípio de hermenêutica jurídica consubstanciado na interpretação estrita das exceções: exceptiones sunt strictissimae interpretationis.754/98. que confere ao Ministério Público prazo recursal em dobro. “Em matéria criminal. p. TST-RMA-410. Diário da Justiça de 5 de dezembro de 200. 6ª Turma do STJ. 9. entre outros”.607/97. em razão da inexistência de preceito semelhante ao artigo 188 do Código de Processo Civil Público legitimidade para recorrer. conforme seja parte ou assuma a posição de fiscal da lei”. Com igual conclusão: REsp n. 5ª Turma do STJ. 418: “2. estabelecer distinção. Tribunal Pleno. colhe-se do voto do Ministro Relator: “Segundo a jurisprudência pacífica desta Corte. em se tratando de matéria criminal.88/SP — AgRg. 94.512/MS. diante da ausência de preceito similar ao excepcional artigo 188 do Código de Processo Civil no Código de Processo Penal. não há a duplicação dos prazos dos recursos criminais interpostos pelo Ministério Público94. TST-RMA-445. 449. Ainda no mesmo sentido: REsp n. o artigo 188 do CPC. Diário da Justiça de 17 de fevereiro de 200. Pleno do TST. não goza do benefício do prazo em dobro para a interposição de recurso”. do CPC. 5ª Turma do STJ. Com efeito. 05). tem aplicação seja quando este figura como parte. 188. Na mesma esteira. assim nos processos em que é parte. em razão da incidência do artigo 188 do Código de Processo Civil por força do artigo 769 da Consolidação das Leis do Trabalho9. DJ de 10/12/99.

4. o terceiro que tem legitimidade para recorrer é aquele que. 52: “De um modo geral. 427).. o cha- 57 . conforme revelam o caput e o § 1º do artigo 499 do Código de Processo Civil. 1988. pode dizer-se que quem puder intervir no processo como assistente pode recorrer como terceiro prejudicado”. aceitar-se o prazo em dobro do parquet é o mesmo que se opor à celeridade tão almejada” (Ag n.4. Conceito e exemplos de recurso de terceiro O terceiro juridicamente prejudicado também tem legitimidade recursal. poderia ter ingressado no processo como assistente96 — simples e litisconsorcial — e litisconsorte97. 480: “Tem legitimidade para recorrer como terceiro prejudicado aquele que demonstrar interesse jurídico em impugnar a decisão. 1. 3. 197. 106. tomo 4. não há dúvida de que o sublocatário que não ingressou no processo. A rigor. ingressando no processo depois da sentença. Todavia. A aplicação do Código de Processo Civil ao Direito Eleitoral é apenas subsidiária. na ação em que foi vencido o devedor principal. p. e Revista de Jurisprudência do TSE. pode apelar o legatário. p. 147). 4ª ed. p. o terceiro que poderia ter sido assistente simples pode interpor recurso de terceiro prejudicado (CPC 499)” (Código.. durante a tramitação no primeiro grau de jurisdição. Código. 95. Pleno do TSE. volume 11. 96.no Código Eleitoral e por ser a duplicação do prazo recursal incompatível com a celeridade processual. 112. legitimidade recursal do terceiro 3. Além de outros exemplos apontados pela doutrina e pela jurisprudên98 cia . 98. o fiador. Diário da Justiça de 8 de outubro de 1999. p. Vale dizer. De acordo: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. não se pode conceber que o Ministério Público Eleitoral tenha o prazo em dobro. E rematam os eminentes Professores: “Todavia. Com a mesma opinião: ELIÉZER ROSA. p. preenchendo lacunas quando a Lei Eleitoral nada dispuser a respeito. princípio maior do direito eleitoral95. tem legitimidade recursal na condição de terceiro prejudicado aquele que. 2ª ed. O Professor GABRIEL REZENDE FILHO também indica alguns exemplos: “Assim. poderia ter ingressado no processo como assistente ou litisconsorte”. p. Los recursos.945/MG. citando o Professor PALACIO). não pode estabelecer regras confrontantes com os princípios eleitorais. aquele que poderia ter sido assistente (simples ou litisconsorcial)”. O processo civil brasileiro. nota 24. 1999. Cadernos. na ação de anulação de testamento. 178: “Dessa maneira. A doutrina estrangeira indica hipótese em que terceiros têm legitimidade recursal: “la de los socios del marido respecto de la resolución que dispone la intervención de la sociedad en el juicio de separación de bienes iniciado por la mujer” (VESCOVI. 97.1. “Nesse contexto. in casu. 1999. p. Ainda no mesmo sentido: NERY JUNIOR e ROSA NERY. antes. 1996. tal como acredita o Agravante.

1956. Volume III. para o fim de legitimar o direito de recorrer de decisão que ameace crédito seu representado pela cártula comercial. sob o fundamento de que teria sido o bem também adquirido pelo casal. na ação em que. 8. na condição de terceiros. 8. por ser o substituto a parte no processo.682/SP. Trata-se de recurso de terceiro prejudicado. 58 . Recurso de terceiro. 8. como terceiro prejudicado. ª Turma do STJ. como terceiro prejudicado na ação de embargo intentada por um dos outros devedores. p. o último exemplo revela que o substituído pode interpor recurso como terceiro prejudicado. 102 e 10). Diário da Justiça de 1º de abril de 1996. Recurso conhecido e provido” (REsp n. em nome próprio. pode.645/MG. 9908). como terceiro. b) “Os executados não embargantes. mas. 499. sim. c) “Há que se considerar como terceiro prejudicado o endossatário de título de crédito. também. 4788). aos respectivos titulares do domínio” (REsp n. d) “Civil/Processual. não compareceu para substituir a parte” (Curso. na espécie duplicata. porquanto o advogado não atua no processo como parte. impedido de registrar o seu título. Embargos à arrematação ajuizados por um deles. como litisconsorte ou como assistente litisconsorcial. p. ª Turma do STJ. impugnar decisão judicial que versa sobre honorários advocatícios. inequívoco interesse jurídico a legitimar seu apelo. como representante técnico-jurídico da parte. consoante a regra con- mado à autoria. Apelação. 7.185/MG. Diário da Justiça de 28 de março de 1994. p. e e) “Execução promovida contra mais de um devedor. em razão do deferimento de liminar de medida cautelar de seqüestro de bens do casal. 4ª ed. p. ª Turma do STJ. A jurisprudência pátria também oferece vários exemplos de legitimidade recursal de terceiro prejudicado: a) “Avalista — Possibilidade de recorrer. em embargos movidos pelo co-devedor” (Ag n. Com efeito.. Outra hipótese comum de recurso de terceiro prejudicado reside no artigo 2 da Lei n. Legitimação. 1018). apesar de regularmente notificado. Tem legitimidade para recorrer. que não embargou. É cabível apelação do co-devedor que não embargou a arrematação. 48.660/SP. Código de Processo Civil. o adquirente de imóvel. Aliás. podem interpor recursos nos embargos à execução opostos por co-devedor” (REsp n. Recurso especial conhecido e provido” (REsp 19. o condômino que não participou do processo. Na hipótese. tendo como alvo o decisum contrário ao condomínio. Na mesma linha. embora não tendo figurado como parte em ação anulatória de duplicata. de um dos devedores. intentada pela mulher. ª Turma do STJ. art. por ser igualmente atingido pelo decisum. de 1991. ª Turma do STJ. pode interpor recurso na qualidade de terceiro juridicamente prejudicado. consoante o disposto no artigo 15 da Lei n. como terceiro juridicamente prejudicado.906. interpor recurso contra o julgado favorável ao locador em ação de despejo. Cabimento. o advogado tem legitimidade recursal para.na qualidade de assistente simples do inquilino. de 1994. Diário da Justiça de 22 de abril de 1991. Diário da Justiça de 29 de junho de 1992.245. Diário da Justiça de 27 de junho de 1994. p. p. tem o endossatário.87/SP — AgRg — EDcl. 16980). 40. 619).

têm legitimidade para recorrer de decisão que cuida de honorários advocatícios. Cf. Seção . 101. 220. 199: “PROCESSUAL CIVIL. 724. Diário da Justiça. 2 da Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. 614. Ainda que muito respeitável a orientação consolidada no transcrito verbete n. todos os cidadãos alheios ao processo proveniente de ação popular também podem recorrer da sentença e das demais decisões contrárias ao cidadão autor originário.4. 79. p.82/DF. tem legitimidade para recorrer da parte da sentença onde fixados os honorários”. Por fim. tanto a parte propriamente dita quanto o advogado têm legitimidade para recorrer da decisão relativa aos honorários advocatícios. p. Com efeito. in verbis: “Das sentenças e decisões proferidas contra o autor da ação e suscetíveis de recurso. como também autoriza o artigo 6 do Código de Processo Civil. do dia 19 de novembro de 2002. na jurisprudência: REsp n. há interessante exemplo de recurso de terceiro no bojo do § 2º do artigo 19 da Lei n. porquanto o perito judicial não tem 99. No mesmo sentido. parte e advogado. poderá recorrer qualquer cidadão e também o Ministério Público”. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.218/PR. 4. em nome próprio. 2. ambos com esteio no artigo 499 do Código de Processo Civil100. Diário da Justiça de 7 de dezembro de 2006.2. p. . também na jurisprudência: REsp n. Diário da Justiça de 14 de agosto de 2006. à vista da autorização consagrada no § 2º do artigo 19. 2ª Turma do STJ. Ainda em sentido conforme. p. Diário da Justiça de  de agosto de 2006. 1. Recurso de terceiro e perito judicial No que tange ao recurso interposto por perito judicial. o enunciado não está em harmonia com o disposto no § 1º do artigo 499 do Código de Processo Civil. É certo que o advogado pode ser a própria parte em litígio no qual está envolvido pessoalmente. o advogado tem legitimidade na qualidade de terceiro. e REsp n. Tanto a parte quanto seu advogado. De acordo. a um só tempo. na condição de terceiro interessado. Enquanto aquela tem legitimidade recursal na qualidade de parte. 4ª Turma do STJ. 3. 1ª Turma do STJ. 0: “O advogado. Diário da Justiça de 11 de abril de 2005. quando é. 821.867/ MA. de 1965. com sede em Brasília: “PERITO — RECURSO — LEGITIMIDADE — O perito judicial possui legitimidade para recorrer quando o tema recursal guarde pertinência com a fixação/correção dos seus honorários”101. 288.122/PR. 100. Por conseguinte. 4ª Turma do STJ. 59 . Precedentes”. p.717.sagrada no artigo 6 do Código de Processo Civil99. na jurisprudência: REsp n. como bem revela o verbete n. há orientação jurisprudencial em prol da legitimidade recursal.

10. 5ª ed. A atuação do perito subordina-se ao magistrado condutor do feito. 187.01/SP. não têm legitimidade para recorrer porque não são parte nem terceiro prejudicado” (sem os grifos no original).4. Diário da Justiça de 26 de outubro de 1992: “Recurso. Recurso de terceiro e opoente Há séria divergência se aquele que poderia ter ingressado em processo alheio na qualidade de opoente tem legitimidade recursal na qualidade de terceiro. Com efeito. 2000.. De acordo. Diário da Justiça de 8 de agosto de 1994.976/SP. escrevente. 60 . 166. 4ª Turma do STJ. partidor. Falta-lhe. — Nos termos da orientação do Tribunal. Perito. p. preceito que indica a prolação da sentença como marco final para a intervenção de terceiro opoente em 102. na doutrina: NELSON NERY JUNIOR. AUSÊNCIA. o terceiro legitimado a recorrer é aquele que tem interesse jurídico em impugnar a decisão. nem mesmo na qualidade de terceiro10. o perito judicial não possui legitimidade para recorrer. Legitimidade para recorrer. cabendo-lhe manejar o mandado de segurança se presentes os requisitos a esse inerente”. à luz do caput e do § 1º do artigo 499. “Os auxiliares do juízo em geral. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. 12. na jurisprudência: REsp n. ª Turma do STJ. Ainda no mesmo sentido: REsp n. como o escrivão. Em sentido conforme. razão pela qual não pode ser considerado terceiro prejudicado. Princípios fundamentais. ARTS.426/SP. contador. 147. 4ª Turma do STJ. visando ao aumento de sua remuneração”. 2. 26 e 264: “Em suma. Na mesma linha: REsp n. PERITO. O perito judicial não possui legitimidade para recorrer. Prevalece a tese de que o opoente não possui legitimidade recursal na qualidade de terceiro. nem mesmo de forma indireta. devendo buscar a defesa de seus interesses contra atos do juiz por meio de mandado de segurança”. já que o respectivo interesse é apenas econômico. diretor de secretaria. RECURSO DESACOLHIDO.3.“interesse” algum na “relação jurídica submetida à apreciação judicial”. PRECEDENTES DO TRIBUNAL. não guardando qualquer relação com as partes. razão pela qual não pode ser considerado “terceiro prejudicado”.997/MG. CPC. mesmo quando lhe é imposta multa pelo Juízo. em razão da limitação inserta no artigo 56 do Código de Processo Civil. legitimidade para recorrer. portanto. por não sofrer prejuízo jurídico oriundo da “relação jurídica submetida à apreciação judicial”. depositário judicial. perito judicial e os assistentes técnicos. Terceiro prejudicado. o perito não possui legitimidade recursal102. ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 18 de fevereiro de 2002: “PROCESSO CIVIL. 499 E 522. Diário da Justiça de 28 de agosto de 2000: “Perito. Também no mesmo diapasão: REsp n. 3. não um mero interesse de fato ou econômico”.

p. Comentários ao Código de Processo Civil. Assim. Tomo VII. nova reflexão acerca da vexata quaestio ocasionou a reconsideração da opinião anterior. Athos Gusmão Carneiro: ‘A ação de oposição somente poderá ser oferecida (v. Não obstante. ao Ministério Público e também a terceiro. BERNARDO PIMENTEL SOUZA. p. p. 59/60)” (RTJ. p. ª ed. 106. 256. 52 e 5. 2004. o atual Código de Processo Civil. Pleno do STF. 2006. Ademais. e NELSON NERY JUNIOR. ajuizar a demanda que entender adequada contra A. 56 do CPC)”. 197. Volume I. 2. o terceiro opoente pode impugnar a respectiva validade. p. na doutrina: ELIÉZER ROSA. volume 11. 105. RTJ. Mas já não será uma ação de oposição’ (Intervenção de Terceiros. 221 e 222. 1996. 56) até ser proferida a sentença (juízo de 1º grau) no processo pendente (v. ou contra A e B. 3. 980). ª ed.4. não é mais cabível o ajuizamento da ação de oposição. Volume I. correndo o prazo para recurso. art. 61 . ou contra B.4. ou está pendente recurso em Superior Instância). 57. A pessoa interessada no objeto da lide entre A e B deverá. p. Eis o voto condutor proferido pelo Ministro PAULO BROSSARD: “No entanto. na vigência do qual — digase de passagem — a União deduziu sua pretensão interventiva. conclusão n. simplesmente. Foi a opinião também defendida até a terceira edição do presente compêndio105. Lições de direito processual civil. com o retorno do processo à fase anterior ao error in procedendo. 184. São. p. a fim de que a sentença seja cassada. Recurso de terceiro. p. conforme revela o seguinte trecho extraído da ementa: “Oposição. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 2002. FREDIE DIDIER JR. é expresso no particular: a oposição pode ser oferecida ‘até ser proferida a sentença’. 4ª Ed. mesmo em relação à sentença. ª ed. em suma... preceito que confere legitimidade recursal às partes. Recurso de terceiro e recurso adesivo Ao contrário do artigo 499 do Código de Processo Civil. Saraiva. volume 11. na jurisprudência: ACO n. 456). Conferir. Cadernos de processo civil: apelação. o artigo 500 estabelece que só as partes podem interpor recurso 104.. quando também há lugar para a oposição. Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória. Intempestividade (art. De acordo. Se a sentença já foi proferida (e está. 1989. 2ª tiragem. 1999. 971. 15ª ed. porquanto o artigo 56 do Código de Processo Civil não impede que terceiro opoente recorra de eventual decisão interlocutória proferida antes da sentença e da posterior oposição. art. Princípios fundamentais. os argumentos que conduziram à adoção da tese minoritária em prol da admissibilidade do recurso de terceiro na qualidade de opoente106. por exemplo. Dedução após a sentença. Neste sentido basta citar o entendimento do Prof. 44. Cf. 164/SP. pág.processo alheio104.. e PONTES DE MIRANDA.

na jurisprudência: RE n.. embora investido de legitimidade recursal (CPC. Além de prazo recursal igual. ao admitir recurso de terceiro em processo de conhecimento sob o rito sumário. 291. como bem atesta o artigo 280 do Código de Processo Civil. A regra.5. bem assim as existentes na legislação especial. Em sentido conforme.099. 1977.. 2ª ed. p. como a existente no artigo 10 da Lei n. Assim.pela via adesiva. 167. Volume VII. o qual pode interpor todas as espécies arroladas no artigo 496 do Código de Processo Civil.. 3. é possível concluir em prol da ampla legitimidade recursal do terceiro. Com efeito. o terceiro pode interpor os mesmos recursos das partes. não dispõe. 1998. 59 e 18. 7ª ed. 3. o recurso de terceiro só não tem lugar diante de vedação expressa. 58. Processos e procedimentos que comportam recurso de terceiro Em regra. 6: “Não cabe recurso adesivo de terceiro”. independentemente do processo ou do procedimento.4. Comentários ao Código de Processo Civil. art. como é possível imaginar na execução. 9. ou de incompatibilidade manifesta. entretanto. Prazo do recurso de terceiro e recursos admissíveis Quanto ao prazo do recurso de terceiro.. 59 e 60. p. 1999. Diário da Justiça de 0 de junho de 1995. 2002. Com a mesma opinião. 1977. p. 8ª ed. é idêntico ao prazo das partes108.6. 62 . de 1995. 499). Volume V.4. de prazo maior que o das partes”. 109. Com efeito. 72. 107. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. p. Recurso de terceiro. Volume VII. conclusão n. em relação ao procedimento sumaríssimo dos juizados especiais.787/PR — AgRg. p. como o artigo 499 do Código de Processo Civil vigente está no capítulo “das disposições gerais” do título “dos recursos”. reside na ampla admissibilidade do recurso de terceiro. o terceiro não dispõe de prazo superior nem mesmo nas hipóteses excepcionais previstas nos §§ 1º e 2º do artigo 815 do antigo Código de Processo Civil de 199. 1ª Turma do STF. Daí a conclusão: é inadmissível recurso adesivo interposto por terceiro107. na doutrina: FREDIE DIDIER JR. para recorrer. p. Comentários ao Código de Processo Civil. Comentários ao Código de Processo Civil. 61. 20451: “O terceiro prejudicado. 2ª ed. até mesmo as espécies recursais destinadas aos tribunais superiores109. o recurso de terceiro pode ser interposto nos processos e nos procedimentos em geral. 108. De acordo. e SERGIO BERMUDES. na doutrina: SERGIO BERMUDES. Com efeito.

Em todas as hipóteses. puder trazer alguma vantagem sob o ponto de vista prático ao legitimado. ou seja. 2001. Cf. 7ª ed. 28. A regra. É irrelevante se a derrota foi total. INTERESSE RECURSAl 4. como bem revela o parágrafo único do artigo 577 do Código de Processo Penal. do benefício prático almejado pelo legitimado. 6 . correção monetária). Condições. 111. sob o ponto de vista prático. Consoante revela o caput do artigo 499 do Código de Processo Civil. parcial ou até mínima (por exemplo. a “parte vencida” tem interesse recursal. O recurso é útil se. no mesmo processo. 18 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “O interesse em recorrer configura-se como resultado prático mais vantajoso que o recorrente possa obter por intermédio do recurso”110. em relação ao que deixou de obter em seu favor. 1998. 5ª ed. Sem dúvida. recurso da parte que não tiver interesse na reforma ou modificação da decisão”. o recurso deve sofrer juízo negativo de admissibilidade. todavia. o vencido tem interesse recursal nos limites da sucumbência. 269. em relação aos capítulos acessórios. juros. Como regra. 297. Comentários. 1999. com aplicação analógica em prol do sistema recursal civil: “Não se admitirá. Ausente a utilidade ou a necessidade. Basta que. 2000. p. generalidades O requisito de admissibilidade do interesse recursal está consubstanciado na exigência de que o recurso seja útil e necessário ao legitimado. ADA PELLEGRINI GRINOVER et alii. em busca da simples modificação da fundamentação da decisão que lhe foi favorável. 45. a decisão do órgão julgador do recurso possa ser ainda mais vantajosa ao vencedor. merece ser prestigiada a conclusão n. e NERY JUNIOR. Volume V. p. A respeito da possibilidade da existência de interesse recursal até mesmo do vitorioso. Cf. Recursos no processo penal. Até mesmo o vencedor pode ter interesse recursal em impugnar decisum favorável.. É necessário se for a única via processual hábil à obtenção. ARAKEN DE ASSIS.. p.4. há didático exemplo formulado pela doutrina111: diante de sentença de improcedência por defi110. tem-se que é inadmissível recurso interposto pela parte vitoriosa.. não é absoluta. A propósito. p. em tese. como honorários advocatícios. a “parte vencida” tem interesse em recorrer da decisão na qual sofreu a derrota.1. entretanto. em tese. Resta saber se o vencedor também tem interesse em interpor recurso. Princípios fundamentais. ª ed. BARBOSA MOREIRA.

64 . 21. a pretensão prevalente da autora é de obter o deferimento do primeiro pedido. Com efeito. Diário da Justiça de 12 de junho de 2006. porquanto o artigo 268 permite ao autor ajuizar nova ação em muitas hipóteses. Pelo mesmo motivo. Por conseguinte. Volume III. o réu ainda pode alcançar resultado prático mais vantajoso no plano recursal. porquanto o tribunal pode julgar procedente o pedido principal. Para ficar livre de futura ação do autor. 289 do Código de Processo Civil.ciência de prova. de 1965. para a eventualidade de o pedido principal ser julgado improcedente. na forma do art. 9ª ed.104/RS — AgRg — EDcl. “4. veicula dois ou mais pedidos. 289 do CPC. 11. Ainda a respeito do interesse recursal do vencedor. como dito. o réu vencedor em ação civil pública também pode recorrer da sentença de improcedência por insuficiência de provas. o réu pode recorrer.829/DF. Comentários ao Código de Processo Civil. proferida em ação popular. No mesmo sentido do texto. Diário da Justiça de 28 de fevereiro de 2005. 646. p. subsiste o interesse recursal do autor. porquanto também está sujeito ao ajuizamento de nova ação. conforme o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 01. Precedente” (REsp n. Precedentes” (REsp n. Daí o interesse recursal do réu vitorioso em impugnar a sentença. à vista do artigo 289 do Código de Processo Civil. o réu pode ter interesse em impugnar sentença terminativa proferida à luz do artigo 267 do Código de Processo Civil. fundada no artigo 18 da Lei n. Tendo sido formulado pedido em ordem sucessiva. p. apesar de vencedor em virtude da prolação de sentença terminativa. desde que baseada em nova prova..717. já que apenas a coisa julgada material impede a propositura de nova ação idêntica. 7.47. 60). existindo interesse em recorrer quando da sua sucumbência. 584. a fim de ter a seu favor decisão protegida pela coisa julgada material. de 1985. na busca da resolução do processo com julgamento do mérito. em razão da possibilidade da obtenção de vantagem prática ainda maior do que a obtida em primeiro grau de jurisdição. Cf. 112. na jurisprudência: “II — Subsiste o interesse recursal quanto aos pedidos sucessivos não deferidos. pode sofrer nova ação popular. p. o réu vencedor pode ter movida contra si outra ação popular. tendo em conta a ordem de preferência veiculada pelo autor11. 2004. 1ª Turma do STJ. na busca da prolação de julgamento definitivo em seu favor. Do contrário. JOSÉ JOAQUIM CALMON DE PASSOS. 49). Também há interesse recursal quando o autor. formulados nos termos do art. Daí a existência do interesse em recorrer. 4. 5ª Turma do STJ. fundada no artigo 16 da Lei n. ainda que procedente o pedido eventual ou subsidiário112.

depende de iniciativa do autor. Pedido certo.Em síntese. p. o réu não tem interesse recursal. o réu não tem interesse recursal para questionar a nulidade da sentença ilíquida proferida em demanda na qual o autor formulou pedido certo e determinado na petição. do CPC. O reconhecimento do vício condiciona-se a alegação do autor.85/SP. também tem interesse recursal. o requerimento de pedido indeterminado é faculdade conferida somente ao autor (artigos 286 e 459. consoante o disposto no caput do artigo 499 do Código de Processo Civil. Assim. Outros exemplos de carência de interesse recursal são encontrados no enunciado n. 4. até mesmo o vencedor pode ter interesse em recorrer da decisão que lhe foi favorável.2. ainda que mínima. ª Turma do STJ. a quem preponderantemente interessa a observância da norma”. Diário da Justiça de 29 de maio de 1995. seja pela desnecessidade de recurso. evitando-se deva-se concluir pela improcedência da ação. ambos do Código). 56. 28 da Súmula do Supremo Tribunal Federal e no enunciado 114. o litigante vencido apenas em parte. 10005. 18 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Formulado pedido certo e determinado. Recurso não conhecido” (REsp n. parágrafo único. na jurisprudência: REsp n. 459.566/MG. somente o autor tem interesse recursal em argüir o vício da sentença ilíquida”. 15509: “Pedido de condenação em quantia determinada — Sentença ilíquida — C. p. Sentença ilíquida.C. 50. p. 2. porquanto não obtém vantagem prática alguma com a anulação da sentença ilíquida. razão pela qual o réu não pode recorrer da sentença ilíquida proferida em demanda com pedido certo e determinado. Diário da Justiça de 24 de maio de 199. o que revela o cumprimento do pressuposto de admissibilidade do interesse recursal é a satisfação do binômio utilidade-necessidade. Com efeito. embora evidenciada a existência de danos a serem ressarcidos. A decretação de nulidade decorrente da inobservância da regra inserta no parágrafo único do art. parágrafo único do C.P. 9275). seja pela inutilidade. Acomoda-se aos fins visados pelo processo. A regra reside na existência de interesse recursal da “parte vencida”. Diário da Justiça de 10 de abril de 1995.P.56/MG. Aliás. Um exemplo de falta de interesse recursal consta do enunciado n. parágrafo único. já é possível indicar algumas hipóteses de ausência de interesse recursal. Hipóteses de ausência de interesse recursal Exposta a teoria. Em tese. Por tudo. Na verdade. ª Turma do STJ. “Processo Civil. e REsp n. ª Turma do STJ.C. artigo 459. e a mera possibilidade de o vitorioso obter julgamento mais vantajoso conduz à admissibilidade do recurso por ele interposto. ter-se como simplesmente anulável a sentença que contravenha o disposto no artigo 459. 65 . para que seja proferida sentença líquida114.

a Turma Julgadora do Tribunal deu provimento ao recurso de apelação interposto pelo contribuinte. A conclusão do julgado permaneceria intacta. como o fundamento remanescente (a inconstitucionalidade formal) é suficiente para preservar a conclusão do aresto. Como o despacho não possui conteúdo decisório. Indicadas hipóteses comuns de recursos inúteis. Como o acórdão está sustentado por dois fundamentos autônomos e independentes entre si. a inconstitucionalidade material). e o legitimado não interpõe recurso extraordinário. a conclusão do acórdão recorrido não seria abalada. o recurso especial é inútil quando a conclusão do acórdão recorrido está sustentada por dois fundamentos autônomos e independentes entre si. Com efeito. um de índole infraconstitucional e outro de cunho constitucional. dispõe o enunciado n. para mantê-lo. por estar sustentada pelo fundamento constitucional. quando a conclusão do julgamento está sustentada por dois ou mais fundamentos. autônomos entre si. é inútil o recurso extraordinário que impugna apenas um dos fundamentos (por exemplo. Com efeito. Em reforço. por força do fundamento remanescente. Imagine-se o seguinte caso hipotético: na esteira do acórdão proferido pelo Pleno no incidente de inconstitucionalidade. e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário”.n. quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional. qualquer deles suficiente. o recurso extraordinário é inadmissível por ausência de interesse recursal. os quais igualmente conduzem à prolação de juízo negativo de admissibilidade. nem mesmo em tese é possível imaginar o sucesso do recurso especial interposto isoladamente contra acórdão sustentado por fundamentos constitucional e legal autônomos e suficientes. com a respectiva dispensa do pagamento da exação. não gera 66 . em razão da inconstitucionalidade formal e da inconstitucionalidade material da lei que instituiu o tributo. falta apontar exemplos de recursos desnecessários. Do mesmo modo. por si só. 126 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “É inadmissível recurso especial. Ainda que fosse provido o recurso especial. 28 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “É inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles”. 126 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Com efeito. E a razão é simples: o eventual provimento do recurso quanto ao fundamento impugnado não traria nenhuma vantagem prática ao recorrente. Reforça o enunciado n. Não há necessidade de interposição de recurso contra despacho (propriamente dito). não impugnado. é inútil o recurso que não combate todos eles.

é desnecessária a interposição de recurso. ao apreciar a argumentação inserta na petição avulsa. até mesmo o cumprimento do requisito do preparo já apreciado. por ser desnecessária a impugnação de despacho mediante recurso. 45 e 84: “Contra despachos de mero expediente também cabem embargos de declaração”. contra-razões) ao recurso apelatório. independentemente da interposição de recurso (de agravo) contra a decisão interlocutória de admissão da apelação na origem. Só aí. 4. Por conseguinte. Resta saber qual a medida a ser adotada diante de despacho equivocado. Por conseguinte. 1990. o vencedor tem prazo para apresentação de resposta. Com efeito. se o recorrido desejar alertar o tribunal ad quem acerca da inexistência de justo impedimento. não cabe recurso contra despacho em razão da ausência de interesse recursal. É certo que. diante de decisão superveniente. além da impossibilidade jurídica imposta por força do artigo 504. pode o magistrado lançar pronunciamento com conteúdo decisório e que causa gravame. é possível 115. sob pena de formação de preclusão ou até mesmo de coisa julgada. a interpretação do artigo 504 permite a conclusão de que a apresentação de simples petição com a notícia do erro cometido pelo magistrado já é suficiente para a correção do equívoco. Reforça o parágrafo único do artigo 519 do Código de Processo Civil: “A decisão referida neste artigo será irrecorrível. porquanto o tribunal ad quem deve reexaminar de ofício a observância dos pressupostos de admissibilidade da apelação. à vista do artigo 504 do Código de Processo Civil: “Dos despachos não cabe recurso”. 67 . até mesmo de embargos declaratórios. Também não há necessidade de interposição de recurso de agravo contra decisão interlocutória de relevação da pena de deserção no primeiro juízo de admissibilidade. Autorizada doutrina sustenta o cabimento de embargos declaratórios115. e relevado. Não obstante. não é admissível agravo contra a decisão interlocutória prevista no caput do artigo 519 do Código de Processo Civil. Após a admissão da apelação. consoante o disposto no caput do artigo 518. Em síntese. 15. basta suscitar a preliminar de deserção na resposta (isto é. o tribunal pode deixar de conhecer da apelação. Além do mais. há a ulterior necessidade da interposição de recurso. pelo juiz de primeiro grau. Por tais motivos. VICENTE MIRANDA. p. Embargos de declaração. conforme o caso. Cf. cabendo ao tribunal apreciar-lhe a legitimidade”.sucumbência nem dá ensejo à formação de preclusão. 44. Daí a justificativa para a impossibilidade jurídica de recurso contra despacho.

interposta apelação pelo adversário derrotado. ficou “prejudicado”. para que o tribunal ad quem aprecie o fundamento que não foi prestigiado pelo juiz de primeiro grau. 5. oportunidade na qual pede a reconsideração da decisão ao juiz prolator. No exemplo. ainda que por só um dos fundamentos suscitados (por exemplo. a retratação tornou o agravo de instrumento totalmente desnecessário. com o deferimento da antecipação da tutela em ação demolitória. INExISTêNCIA DE fATOS ExTINTIvOS E ImpEDITIvOS 5. generalidades O requisito de admissibilidade da inexistência de fatos extintivos e impeditivos consiste na exigência de que não tenha ocorrido nenhum fato 68 . ou seja.1. bem como cumpre o disposto no artigo 526. Daí a superveniente ausência de interesse recursal. mas alcançou a procedência total por apenas um dos fundamentos). A superveniente ausência de interesse recursal ocasiona a prolação de juízo negativo de admissibilidade. Por conseguinte. o vitorioso não tem interesse recursal em interpor apelação. o autor obteve o despejo em processo movido pela falta de pagamento e por outra infração contratual. na linguagem do artigo 529 do Código de Processo Civil. o fundamento remanescente é transferido de ofício à apreciação do tribunal ad quem. Ao proferir o juízo de retratação. porquanto o tribunal deverá tomar conhecimento de ofício do fundamento não prestigiado pelo juiz a quo. Por fim. Em suma. Imagine-se a seguinte hipótese: diante da prolação de decisão interlocutória in limine litis. o juiz de primeiro grau reconsidera a decisão interlocutória agravada e denega a antecipação da tutela. porquanto a decisão interlocutória de deferimento deu lugar à decisão de denegação. o interesse recursal deve estar presente no momento da interposição até o momento do julgamento do recurso. não basta a existência do interesse recursal no momento da interposição do recurso.concluir pela desnecessidade de recurso de agravo (tanto retido quanto por instrumento) contra a decisão interlocutória de relevação da pena de deserção no primeiro juízo de admissibilidade. Por força do § 2º do artigo 515. o réu interpõe agravo de instrumento com urgência. que o recurso perdeu o objeto. A ocorrência de fato superveniente que retire a utilidade ou a necessidade do recurso também enseja a prolação de juízo negativo de admissibilidade. É igualmente desnecessária a apelação interposta pela parte que obteve vitória integral.

Espécies de renúncia A renúncia pode ser total ou parcial. Ao revés. 5.2.2.2.que conduza à extinção do direito de recorrer ou que impeça a admissibilidade do recurso. a desistência da ação. é o único. Sob outro prisma. o reconhecimento da procedência do pedido. preceito que assegura a liberdade de escolha do legitimado entre a impugnação total da decisão e a impugnação apenas parcial. Trata-se. assim como oralmente. A renúncia consta do artigo 502 do Código de Processo Civil. De outro lado estão os fatos impeditivos: a desistência do recurso. preceito que indica a principal característica do instituto jurídico: ausência de interposição de recurso. conclusão compatível com o disposto no artigo 505 do Código de Processo Civil. como a própria denominação revela.1. a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação e a ausência do depósito de multa processual de pagamento imediato. O legitimado simplesmente abdica do direito de recorrer. 5.2. a rigor. de requisito de admissibilidade de cunho negativo. Renúncia ao direito de recorrer 5. a renúncia dá-se em relação ao “direito de recorrer”. o recurso precisa ser cabível. se o julgado pode ser impugnado no todo ou em parte. em relação ao requisito da inexistência. Com efeito. Aliás. o qual ainda não foi consumado pela prática do ato processual de recorrer. a ausência de fatos extintivos e impeditivos é essencial para a prolação do juízo positivo de admissibilidade. a renúncia pode ser expressa e tácita. assim como 69 . já que os demais pressupostos recursais são de natureza positiva (por exemplo. A renúncia expressa está consubstanciada na explícita declaração de vontade de não exercer o direito de recorrer. é perfeitamente possível abdicar do direito de recorrer contra parte da decisão contrária. Conceito de renúncia Há a renúncia quando o legitimado a recorrer revela a sua vontade de não exercer o respectivo direito. A renúncia expressa pode ser feita por meio de petição. Com efeito. o recorrente necessita ter legitimidade e interesse) para a prolação de juízo positivo de admissibilidade. A renúncia ao direito de recorrer e a aceitação da decisão desfavorável são fatos extintivos do direito de recorrer. A renúncia expressa oral pode ser efetuada quando o decisum contrário é proferido em audiência.

70 . Ex vi do artigo 50. a renúncia tácita é implícita. por parte do magistrado.em sessão em tribunal. razão 116. a aceitação ocorre com a prática de ato revelador de conformação. a desistência pressupõe recurso já interposto. caput e parágrafo único. A conclusão em relação à impossibilidade de renúncia diante da inexistência de decisão não é abalada pelo fato de o autor poder renunciar ao direito sobre o qual se funda a ação e de o réu poder reconhecer a procedência do pedido. a qual poderá ser tanto ultra petita quanto extra petita. por desrespeito. ocorre quando o derrotado deixa o prazo recursal correr in albis. O mesmo não ocorre na renúncia: na expressa. Tanto que o artigo 501 fala em “desistir do recurso” que foi interposto. A renúncia. após o presidente do colegiado anunciar o resultado desfavorável do julgamento. não há coincidência entre o direito sobre o qual se funda a ação e a prestação jurisdicional dada pelo juiz. desistência e aceitação: diferenças Ao contrário da renúncia. Ao contrário. Volume V. Outro é o critério distintivo que separa a renúncia da aceitação. p. dos limites em que foi proposta a ação116.4. 5. direito de recorrer já consumado. pressupõe ausência de interposição de recurso. o direito já existe e está devidamente delimitado na petição inicial. 5.. a renúncia expressa sempre depende de poder especial na procuração. 1998. Em ambas as hipóteses. prevalece a orientação de que a renúncia ao direito de recorrer pressupõe a existência de decisão.2. Daí a conclusão: na renúncia expressa há um ato específico. 140).2. 1). p. também prestigiado pelo Professor ARAKEN DE ASSIS (Condições. ocorre a abdicação explícita do direito de recorrer por qualquer outro motivo que não seja a concordância em relação ao julgado contrário.3. 7ª ed. Renúncia. Impossibilidade da renúncia ao direito de recorrer antes da prolação da decisão A despeito da divergência existente acerca do tema. Em ambas as hipóteses. enquanto na renúncia tácita há omissão durante o prazo recursal. O argumento sustentado no presente compêndio é de autoria do Professor BARBOSA MOREIRA (Comentários. O mesmo não ocorre em relação ao direito de recorrer enquanto não proferida a decisão. ao contrário. À luz do artigo 8 do Código de Processo Civil. 1999.

Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. a validade da renúncia não está condicionada à anuência do adversário. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. não importa se o recurso seria interposto pela via principal ou pela adesiva. a forma do exercício é o que menos importa. Nada impede. o recurso adesivo não é uma espécie recursal autônoma. Trata-se de forma secundária de exercício do direito de recorrer. se houve renúncia expressa ao direito de recorrer. na tácita.3.. é irrevogável”117. a qual é admitida em nosso direito. não há ato algum. Renúncia expressa e recurso adesivo A renúncia expressa ao direito de recorrer impede a posterior interposição de recurso adesivo. ADA PELLEGRINI GRINOVER. 145 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “A renúncia produz efeitos preclusivos e. Porém.6. 454.que não precisa e geralmente não é declarada no ato por meio do qual o legitimado manifesta a sua vontade de não exercer o direito de recorrer. por isso. diante da inexistência de direito a ser exercido. 71 . p. com a ressalva em relação ao recurso adesivo. Cf. é irrevogável. É um caso de renúncia parcial. também intitulada aquiescência. 5.5.2. só pode ser manifestada por advogado com poder especial para tal (cf. que a parte renuncie. Também não depende da concordância dos litisconsortes. sem reserva alguma. Portanto. 2001. Se o derrotado renunciou pura e simplesmente ao direito de recorrer. 5. mas apenas a omissão consubstanciada em permitir a fluência in albis do prazo recursal. artigo 8 do Código de Processo Civil).2. 117. merece ser prestigiada a conclusão n. Quando manifestada validamente. consiste na prática de ato capaz de demonstrar a conformação em relação à decisão desfavorável. não sobra nem mesmo o acesso pela via adesiva. ª ed. Não obstante. 5. se houve a renúncia ao direito. sem deixar margem para a discussão acerca da ausência de vontade do legitimado de exercer o direito de recorrer. Aceitação A aceitação. Recursos no processo penal. todavia. Validade da renúncia Por força do artigo 502 do Código de Processo Civil. A propósito.

A aceitação expressa pode ocorrer tanto por petição quanto oralmente. 2796). a aquiescência expressa é revelada por ato com explícita declaração de conformação em relação ao julgado contrário. FREITAS CÂMARA. sem reserva alguma. caso a concordância seja integral ou limitada. Comentários ao Código de Processo Civil. tanto que o le- 118. dispõe o parágrafo único do artigo 50. Resta saber se há lugar para a aceitação depois da interposição do recurso. BARBOSA MOREIRA. Com efeito. a aceitação também pressupõe a existência de decisão. 1999. 1999. 6.. A utilização do verbo no futuro no bojo do artigo 50 revela a ausência de interposição de anterior recurso. qualquer manifestação contrária ao recurso após a respectiva interposição deve ser entendida como desistência120. Lições de direito processual civil. ª ed. Em contraposição. Curso de direito processual civil. Segundo entendimento predominante na doutrina118. de um ato incompatível com a vontade de recorrer”. Cf. e HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. só há possibilidade jurídica da aceitação realizada após a prolação da decisão. PONTES DE MIRANDA. 4ª Turma do STJ. p. Tomo VII. p. nota 41. a tese restritiva merece ser prestigiada. 99. A aceitação também pode ser expressa ou tácita. 120. com a interposição de recurso. Comentários ao Código de Processo Civil. p.A aquiescência pode ser total ou parcial. A propósito da aceitação tácita. 19ª ed. Não conhecimento” (REsp n. 119.219/MG. Volume I. 72 . merece ser prestigiado o seguinte precedente jurisprudencial: “RECURSO. Cf. Por conseguinte. até mesmo em homenagem ao princípio de hermenêutica jurídica segundo o qual as leis não contêm palavras inúteis: verba cum effectu sunt accipienda. 89. Ao revés. Tal como a renúncia. ainda que a declaração posterior seja de conformação em relação ao julgado recorrido. Ainda que muito respeitável a orientação predominante na doutrina. 28 e 44. A propósito. Manifestação posterior equivalente à desistência.. razão pela qual não é válida quando manifestada antes do pronunciamento jurisdicional. Volume V. 559. 1999. “Considera-se aceitação tácita a prática. 1997. já que o artigo 50 revela que após a aceitação o legitimado “não poderá recorrer”.. p. a aceitação pode ocorrer antes ou depois da concretização do direito de recorrer. doutrina igualmente abalizada defende a inexistência da interposição de recurso para que possa ocorrer a aquiescência119. p. Diário da Justiça de 2 de junho de 1997. Volume II. 8ª ed. a aquiescência contamina o próprio direito de recorrer — que ainda não foi exercido — e acarreta a sua extinção.

Há desistência expressa quando o recorrente declara explicitamente a ausência de vontade em ver o objeto do recurso julgado. Há desistência tácita quando o recorrente deixa de praticar ato essencial à subsistência do inconformismo. é inadmissível o recurso interposto por quem aceitou a decisão contrária. Espécies de desistência A desistência pode ser total ou parcial. Tal conclusão é sustentada à luz do artigo 505. desde que cindível o recurso.4.gitimado que aceitou o julgado contrário “não poderá recorrer”. 5.4. demonstra o desinteresse em relação ao inconformismo manifestado em momento anterior. No tocante à desistência tácita. a aceitação não está condicionada à anuência do adversário. Conceito de desistência A desistência é o ato pelo qual o recorrente abre mão do recurso interposto. É igualmente desnecessária a concordância de litisconsorte em relação à aquiescência: incide a regra do artigo 48 do Código de Processo Civil. Por força do artigo 50. é possível indicar alguns exemplos freqüentes na prática forense. Na mesma esteira.1. O que distingue a desistência da renúncia é exatamente a existência de recurso interposto. Outro exemplo de desistência tácita de recurso reside no artigo 88 do Código de 7 . A desistência também pode ser expressa ou tácita. a aquiescência impede tanto a admissibilidade de inconformismo independente quanto a de recurso adesivo.2. Desistência do recurso 5. Outra hipótese reside no § º do artigo 542 do Código de Processo Civil: há desistência tácita dos recursos extraordinário e especial retidos quando o recorrente não efetua a reiteração no prazo recursal final. 5. A renúncia alcança o próprio direito de recorrer. Por fim. marcada pela ausência da prática de ato indispensável à subsistência do recurso. Um consta do § 1º do artigo 52 do Código de Processo Civil: há desistência tácita do agravo retido quando o agravante deixa de reiterar o inconformismo nas razões ou na resposta da apelação.4. Se o julgado pode ser impugnado no todo ou em parte. O artigo 501 do Código revela que a desistência pressupõe a existência de recurso já interposto. o qual ainda não foi consumado com a interposição do inconformismo. também é possível abrir mão de parcela do recurso que alcançou a totalidade da decisão contrária — desde que divisível o inconformismo.

RE 121. como nas hipóteses do artigo 555 do Código121.387-RJ (RTJ 90/402). a desistência expressa pode ser formulada a “qualquer tempo” após a interposição do recurso. o resultado do julgamento pelo presidente do órgão colegiado julgador do recurso. prevalece o entendimento favorável à possibilidade da desistência no curso do julgamento. a desistência do recurso não está condicionada à anuência do adversário. No mesmo sentido. o recorrente pode desistir independentemente da concordância do recorrido. 5. No mais das vezes. REsp n. também há desistência tácita quando o recorrente que interpôs o inconformismo por meio de fac-símile deixa de cumprir o disposto no artigo 2º da Lei n. Precedentes citados: RCR 1. à vista do artigo 556. ainda que 121.791-PE (DJU de 27.800. Diário da Justiça de 26 de agosto de 1996. na jurisprudência do STF: “Admite-se a desistência de recurso extraordinário cujo julgamento já se iniciou mas estava interrompido em virtude de pedido de vista. 5. 74 . Proclamado. Com efeito. 29688: “PROCESSO CIVIL. entretanto. Momento da desistência Por força do artigo 501 do Código de Processo Civil. homologa-se a desistência do recurso”. não há mais lugar para desistência. julgado em 0 de agosto de 2001). em razão da ocorrência de desistência tácita.11. 9. p. DEFERIMENTO.682/ SP — QO. desde que antes do respectivo julgamento. 6. 4ª Turma do STJ. homologou a desistência manifestada pelo recorrente após a interrupção do julgamento. 11. Já em relação à possibilidade da desistência até mesmo após o início do julgamento do recurso. resolvendo questão de ordem. a desistência ocorre por meio de petição. Aliás.Processo Civil. JULGAMENTO INICIADO E ADIADO POR PEDIDO DE VISTA. a ausência da apresentação da petição original no qüinqüídio posterior ao término do prazo do recurso interposto via fac-símile impede a prolação de juízo positivo de admissibilidade. porquanto há a ficção jurídica de que o recorrente que deixa de efetuar o reforço da caução cautelar no prazo assinado pelo juiz também desiste do recurso interposto no processo principal. de 1999. Cf.4. Com esse entendimento.702/SP.4. Por fim.92)” (RE n. o Tribunal. Validade da desistência À vista do artigo 501 do Código de Processo Civil.3. A desistência também pode ser feita na sustentação oral prevista no artigo 554 do Código de Processo Civil. apesar de alguns votos já terem sido proferidos.4. — Sem embargo de já iniciado o julgamento e proferido o voto do relator. DESISTÊNCIA MANIFESTADA. HOMOLOGAÇÃO REQUERIDA PELA RECORRENTE.

AGRAVO DE INSTRUMENTO. 11. DESISTÊNCIA.4. INTERPOSIÇÃO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Portanto. 4ª Turma do STJ. esta deve ser entendida como desistência ao recurso em si mesmo. será admitida a sua interposição por instrumento. no Código de Processo Civil não há dispositivo excepcional de igual teor. no ordenamento recursal civil brasileiro. o qual. o terceiro prejudicado e até mesmo o Ministério Público podem desistir dos respectivos recursos. prevalecem o princípio da voluntariedade e a regra permissiva da desistência consagrada no artigo 501 do Código de Processo Civil. 1. Ao interpor o primeiro recurso de agravo. espécies distintas de agravo. aquelas hipóteses em que. do Código de Processo Civil. ou nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida.006/PR. preceito que combinado com o artigo 499 do mesmo diploma revela a inexistência de restrição à desistência do recurso ministerial no processo civil. não pode ser novamente exercido contra a decisão já recorrida. 866. após a reforma introduzida pela Lei n. a impossibilidade de conhecimento do segundo agravo. Entretanto. na jurisprudência: “RECURSO ESPECIAL. na forma retida. caput. Desistência e posterior interposição de recurso À luz do princípio da consumação. PROCESSO CIVIL. as partes. p. a regra geral contida no artigo 522. determina seu processamento na forma retida. 28. 2. OCORRÊNCIA. AGRAVO RETIDO. convém registrar que. por estar consumado. 122. agora de instrumento” (REsp n. No mesmo sentido.187/2005. todavia. Excepcionou-se. não quanto à sua forma. tem-se. conforme o disposto no artigo 8 do mesmo Código. Do mesmo modo. Daí a conclusão: o recorrente que desistiu do respectivo recurso não pode interpor outro. A propósito. por que. no qual o artigo 576 do Código de Processo Penal revela a impossibilidade jurídica da desistência do recurso interposto pelo Ministério Público. Não se conhece. a validade da desistência pressupõe a existência de poder especial para tal fim no instrumento de mandato.apresentada resposta ao recurso. o recorrente que desistiu expressamente do recurso interposto não pode recorrer novamente. Daí. diversas formas ou modalidades quanto à sua interposição. sem os grifos no original). correta é a conclusão de que se operou preclusão consumativa relativamente à recorribilidade da decisão interlocutória que se pretendia modificar. Hoje. se tratando de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação. Ao contrário do que ocorre no processo criminal. 75 . concretizado no instituto da preclusão consumativa. isto sim. a desistência do recurso não depende da concordância de litisconsorte. mesmo ocorrendo a desistência. Portanto. Com a interposição do recurso o inconformado exaure o respectivo direito de recorrer. 5. ainda que dentro do prazo recursal122.5. Diário da Justiça de 0 de abril de 2007.

Trata-se de forma secundária de interposição de recurso. o preceito confere ao recorrente total liberdade de escolha acerca da desistência. Cumpridas as formalidades do artigo 8 do Código de Processo Civil. Após ampla discussão. a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça recusou a incidência do artigo 501 do Código de Processo Civil em relação aos recursos especiais repetitivos admitidos e processados sob o rito especial do artigo 54-C. ao exposto no parágrafo anterior. Porém.6. 1. merece ser prestigiado o voto-vencido em favor do deferimento do pedido de desistência. Por fim. houve a respectiva consumação. conforme o disposto no inciso III do artigo 500. tendo em vista os termos do artigo 501 do Código de Processo Civil. Ainda que muito respeitável o acórdão paradigma proferido pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n. é conveniente lembrar que a desistência do recurso principal conduz à prolação de juízo de admissibilidade negativo também em relação ao adesivo. não parece ser admissível recurso adesivo interposto pelo recorrente que desistiu do inconformismo veiculado pela via principal. evidenciada pela prolação de votos divergentes. Some-se.06. ou não.Pelo mesmo motivo. no todo e em parte. o recorrente que desistiu não pode interpor recurso adesivo. Desistência e recurso especial repetitivo A despeito do disposto no artigo 501 do Código de Processo Civil. o novel artigo 54-C do mesmo Código ocasionou a releitura daquele preceito. 5. Com efeito. Não obstante. o argumento de que o recurso adesivo não configura espécie recursal autônoma. à vista do precedente da Corte Especial.4/RS. O fato de o recorrente ter desistido do recurso interposto na primeira oportunidade prevista na legislação processual não tem o condão de ressuscitar o direito de recorrer. exercido o direito de recorrer no primeiro momento. Em síntese. o artigo 501 não incide em recurso especial repetitivo processado sob o rito do artigo 76 . por meio da qual a parte tem uma segunda oportunidade de exercer o direito de recorrer. o recorrente é livre para desistir do recurso.4. em prol da desistência do recurso à vista apenas da vontade do recorrente. especialmente em relação ao recurso repetitivo processado sob o rito do artigo 54-C e pendente de julgamento no Superior Tribunal de Justiça. sem necessidade de autorização nem anuência alguma. ao fundamento de que o interesse público na pacificação da questão federal objeto da controvérsia é superior ao interesse privado das partes em litígio.

Outros fatos impeditivos 5. parágrafo único. o autor não poderá. previstos nos artigos 267. Daí a conclusão do Superior Tribunal de Justiça: o novel artigo 54C deve ser interpretado como exceção ao artigo 501. ao conferir nova redação ao parágrafo único do artigo 58 do Código de Processo Civil. Não obstante. A exigência da imediata demonstração do pagamento da multa processual diz respeito apenas aos recursos previstos nos artigos 58. sem o consentimento do réu. 5. assim como a renúncia ao direito sobre o que se funda a ação. configuram fatos impeditivos da admissibilidade do recurso. e 269. instituíram novo fato impeditivo: ausência do depósito de multa processual. inciso VIII. Comprovação do depósito da multa processual A Lei n. o reconhecimento da procedência do pedido. A propósito da desistência da ação. § 2º.5. a falta da imediata comprovação do depósito da multa processual também impede a prolação de juízo de admissibilidade positivo em relação ao recurso interposto após a condenação.950. a cobrança da sanção pecuniária ocorre em ulterior execução — e não imediatamente para a interposição de recurso contra a decisão condenatória. 8. Por força do artigo 8. desistir da 77 . e 18. por ter acrescentado o § 2º ao artigo 557 do mesmo diploma. e a Lei n. inciso VII. Nas demais hipóteses de imposição de multa em razão da interposição de “recurso com intuito manifestamente protelatório”.1.54-C. 9. 5. “depois de decorrido o prazo para a resposta. a apreciação do mérito do recurso subseqüente fica condicionada ao prévio recolhimento da verba fixada pelo juiz ou tribunal recorrido. e 557.2. imposta multa em razão da reiteração de embargos declaratórios protelatórios. de 1994. Além da ausência do anterior pagamento. ambos do Código de Processo Civil. Desistência da ação. bem assim da interposição de agravo interno (ou regimental) manifestamente inadmissível ou infundado. de 1998.756. incisos II e V. respectivamente.5. segunda parte. só podem ser efetuados por advogado com poderes especiais.5. a admissibilidade do recurso subseqüente não depende do prévio recolhimento da sanção pecuniária. Com efeito. reconhecimento do pedido e renúncia ao direito A desistência da ação. se a multa processual foi aplicada com esteio nos artigos 17.

inciso II. artigo 267.265/SC. 124. 78 . § 1º. no particular. § 4º). Ratificação de recurso interposto em conjunto ou na pendência de embargos declaratórios Quando há interposição conjunta ou o recurso é interposto na pendência de embargos de declaração.3. 2ª Turma do STF. da Constituição Federal. o recorrente pode desistir sem a concordância do recorrido. não há mais lugar para discussão: tollitur quaestio. a desistência do recurso não está condicionada à anuência do recorrido. REgUlARIDADE fORmAl 6. Ag n. A propósito.5. o requisito da regularidade formal apontado 12. sob pena de sofrer juízo negativo de admissibilidade12. Diário da Justiça eletrônico n. 6.527/PA — AgRg. O Supremo possui orientação pacífica no sentido de ser extemporâneo o recurso extraordinário protocolado antes da publicação do acórdão que julgou os embargos de declaração. sem posterior ratificação”. como o Supremo Tribunal Federal também exige a posterior ratificação do recurso interposto em conjunto ou na pendência de embargos declaratórios124. finalizado em 18. e 542. Daí a duvidosa constitucionalidade da obrigação imposta à margem do artigo 5º. Ainda que apresentada resposta ao recurso. independentemente de quem os opôs e do acolhimento ou não do recurso. 690. No julgamento do REsp 776. Não obstante.404/SP — EDcl.04. e não ex vi legis. REsp n. a Corte Especial firmou a orientação de que é prematura a interposição de recurso especial antes do julgamento dos embargos de declaração.1. declarando a necessidade de ratificação do especial porventura já interposto. Conceito O requisito de admissibilidade da regularidade formal consiste na exigência de que o recurso seja interposto de acordo com a forma estabelecida em lei. Diário da Justiça eletrônico de 29 de outubro de 2008: “2. Existe importante diferença entre a desistência da ação e a do recurso. 959. porquanto não há.2007. 70. 2ª Turma do STJ. preceito similar aos artigos 52. aquele outro recurso só é considerado admissível se for ratificado logo após a intimação do julgamento dos declaratórios no juízo ou tribunal de origem. 5. Cf. ambos do Código de Processo Civil. À luz do artigo 501. Trata-se de obrigação imposta por força da jurisprudência. de 17 e 18 de abril de 2008: “2. Cf. § º.ação” (cf. sob pena de não conhecimento pelo STJ” (não há o grifo no original).

da Lei n. 6. em razão da impossibilidade da aferição da tempestividade.099. § 2º. Sob ambos os prismas.099. § º. também não é permitida a interposição oral de recurso. 540. 525. recurso cível manifestado por simples cota nos autos deve sofrer juízo negativo de admissibilidade. 525. o recurso manifestado oralmente deve sofrer juízo de admissibilidade negativo. quando prevista a última forma (petição eletrônica) na norma interna do tribunal competente. peça autônoma escrita. 9. a interposição de recurso por cota nos autos também é incompatível com o proêmio do parágrafo único do artigo 506 do Código de Processo Civil.80. e artigo 49 da Lei n. petição recursal: regra À luz dos artigos 506. caput. 9. 9. de 1980.099. todos do Código de Processo Civil. comporta duas exceções: artigo 52. de 1995. de 1980. 6. é irregular recurso interposto por simples cota nos autos. 514. à vista da classificação doutrinária tradicional. e do artigo 42 da Lei n. ou seja. 541 e 542. A regra. e do artigo 42 da Lei n.187. embora os declaratórios orais sejam admitidos apenas contra julgado proferido em ação processada nos Juizados Especiais. o § º do artigo 52 estabelece a exigência da interposição imediata do agravo retido oral 79 .3. 6. 524. Interposição oral: exceção Por força da regra da necessidade de petição recursal. § 2º. parágrafo único. 6. impressa ou até mesmo eletrônica. de 2005. ou seja. só é admissível a interposição “oral” de agravo retido e de embargos de declaração.pela doutrina moderna corresponde aos pressupostos recursais da regularidade procedimental e da motivação. 11.80. com a redação conferida pela Lei n. todavia. de 1995. caput. manuscrito lançado nos próprios autos. De volta à exigência da manifestação do inconformismo por meio de “petição”. 56. Além da irregularidade formal por força da exigência de “petição” pelos artigos 514. porquanto a ausência do ingresso no protocolo do órgão judicial competente impede a contagem do prazo recursal. do artigo 4. datilografada. Ainda a propósito das exceções da interposição oral. do artigo 4. 524.2. Fora das duas hipóteses excepcionais. 56. do Código de Processo Civil. de 1995. Com efeito. 540. os recursos cíveis devem ser interpostos por meio de “petição”. 541 e 542. da Lei n. todos do Código de Processo Civil. razão pela qual o recurso deve sofrer juízo negativo de admissibilidade.

nos termos do artigo 2º da Lei n. conforme se infere do artigo 1º: “É permitida às partes a utilização de sistema de transmissão de dados e imagens tipo fac-símile ou outro similar. 9. confere ao embargante a opção entre a interposição oral dos embargos desde logo ou a interposição por petição no prazo de cinco dias. A inteligência do parágrafo único do artigo 4º da Lei n. Não obstante. 9. não deve ser considerada a data da interposição do recurso quando ocorre antes do dia do término do prazo. se esta se deu antes do termo final do prazo”. que prestigia o princípio da consumação ao atribuir importância ao 80 .800 revela que a peça transmitida via fac-símile deve corresponder com exatidão ao original apresentado no qüinqüídio subseqüente ao término do prazo recursal. consoante revela o caput do artigo 2º da Lei n. Após o advento da Lei n. especialmente o inciso II do verbete: “A contagem do qüinqüídio para apresentação dos originais de recurso interposto por intermédio de fac-símile começa a fluir do dia subseqüente ao término do prazo recursal.800. pois. de 2005. 9.099. Assim. de 1999. tornou-se admissível a interposição de recurso (cível. Após o advento da Lei n. porquanto o artigo 49 da Lei n. 11. A propósito. Com efeito.800. sob pena de juízo de admissibilidade negativo. 9. o agravo retido deve ser interposto oralmente na própria audiência de instrução e julgamento. Interposição mediante fac-símile Resta saber se é possível a apresentação de recurso por meio de facsímile. A inobservância de tal exigência conduz à prolação de juízo negativo de admissibilidade. O mesmo não ocorre nos embargos de declaração nos Juizados Especiais. 6. 9.800. merece ser prestigiado o enunciado n. Não é só. de 1999. nos termos do art. e não do dia seguinte à interposição do recurso. 2º da Lei 9. para a prática de atos processuais que dependam de petição escrita”.187. trabalhista. eleitoral) mediante fac-símile. Ainda a propósito do recurso interposto mediante fac-símile. 87 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. ao contrário do caput do artigo 511 do Código de Processo Civil. a petição original deve ser apresentada no respectivo protocolo até cinco dias após o término do prazo recursal. de 1995. À vista do § º do artigo 52 do Código de Processo Civil vigente. de 1999. sob pena de preclusão. criminal. o qüinqüídio para a apresentação da petição recursal original tem como dies a quo do “término” do prazo recursal. a resposta é afirmativa.800/1999.contra decisão interlocutória proferida em audiência de instrução e julgamento. o agravante já não tem a opção entre a imediata interposição oral do agravo retido e a interposição por petição no prazo de dez dias.4.

isto é. 81 . tem-se que o termo inicial do qüinqüídio previsto no caput do artigo 2º da Lei n. desde a primeira instância até o Supremo Tribunal Federal (artigos 1º e 10). 44. deve-se adotar a exegese que favorece o recorrente: appellatio admittenda videtur in dubio. e não na data da interposição do recurso. No mesmo sentido do texto do presente compêndio. de 2007: “A petição enviada para atender prazo processual relativo ao e-stF será considerada tempestiva quando transmitida até 125. de 1999. de exceção explícita ao princípio da consumação. 640. o mesmo não ocorre no caput do artigo 2º da Lei n. em 19 de dezembro de 2007. 11.419.800. Por tudo.5. Corte Especial do STJ. o legislador optou expressamente pelo “término” do prazo recursal.“ato de interposição do recurso”.419 autoriza a realização da intimação das decisões judiciais e a interposição dos respectivos recursos processuais por meio eletrônico nos processos civil. o advogado cadastrado passa a ser identificado mediante a respectiva assinatura eletrônica. a qual permite a interposição de recursos processuais também de forma eletrônica. Não obstante.80/RS. Em reforço ao disposto na Lei n. portanto. até mesmo a interposição de recursos. 9. em caso de dúvida. é admissível o envio da petição eletrônica ao sistema do Poder Judiciário durante as vinte e quatro horas do último dia do prazo (artigo º). em todos os graus de jurisdição. estabelece o artigo 8º da Resolução n. segundo princípio de hermenêutica jurídica. tanto a intimação das decisões judiciais quanto a interposição de recursos dependem do prévio credenciamento voluntário dos advogados das partes perante os órgãos competentes do Poder Judiciário (artigo 2º). tendo sido elaborada em prol do recorrente. à luz dos métodos literal. Não incide o disposto no artigo 172 do Código de Processo Civil. Trata-se. Além do mais. Interposição mediante petição eletrônica (“recurso eletrônico”) A novel Lei n. 6. até mesmo quando a interposição ocorre antes do dies ad quem125. histórico e teleológico de interpretação. Para incentivar o cadastro voluntário dos advogados e facilitar a prática dos atos processuais em geral. 11. 9. Realizado o credenciamento prévio. penal e trabalhista. há recente precedente jurisprudencial: EREsp n. quando estipulou o termo inicial do qüinqüídio para o oferecimento da petição original. Na verdade.800 reside no “término” do prazo recursal. em virtude da existência de preceito específico em prol da tempestividade do recurso interposto mediante petição eletrônica até o último minuto do dia final do prazo (artigos º e 10).

909. subsiste na jurisprudência128 a exigência da juntada da petição recursal 126. Diário da Justiça eletrônico de 25 de abril de 2008. combinado com o artigo 2º). 2º Os prazos processuais para as primeira e segunda instâncias iniciar-se-ão no primeiro dia útil seguinte àquele considerado como data da publicação”. Imagine-se. tendo em vista a combinação do artigo 4º da Lei n. Diário da Justiça de 24 de agosto de 2007. que a decisão judicial foi veiculada no Diário da Justiça eletrônico em uma terça-feira. Pleno do STF. se for dia útil. Cf. 128.405/RJ — AgRg. 4.419 com os artigos 184 e 240 do Código de Processo Civil. p. 11. 4º da Lei n. quinta-feira (ainda no mesmo exemplo). do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. considera-se efetuada a intimação no primeiro dia útil seguinte ao da veiculação no Diário eletrônico126. da Resolução STF n. 119. 1). No mesmo sentido do texto do parágrafo. 2. 287/04. Apresentação da 82 . Intempestivo o presente recurso interposto por meio eletrônico. 11. 629. p. Considera-se realizada a intimação na quarta-feira.as vinte e quatro horas do seu último dia. caput. 127. porque os originais somente ingressaram formalmente no Tribunal após o qüinqüídio previsto nos artigos 2º. Fixado o dia do início do prazo (quarta-feira. Agravo regimental não conhecido” (Ag n. “1. Além da interposição do recurso pela via eletrônica. tem-se que o início da fluência do prazo ocorre no dia útil seguinte. de 2008.419/06. na jurisprudência: “II — Nos exatos termos do § 3º do art. por exemplo.972/RS — AgRg. §§ º e 4º)127. caput. considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico” (Ag n.800/99 e 5º. da Lei 9. in verbis: “§ 1º O primeiro dia útil subseqüente à data em que se disponibilizar o Diário Judiciário Eletrônico será considerado como sendo a data da publicação.87). De acordo. vale conferir o disposto no artigo 4º da Portaria Conjunta n. salvo quando há a necessidade de intimação pessoal ex vi legis (artigos 4º e 5º). bem assim com o envio da comunicação ao respectivo endereço eletrônico dos advogados previamente cadastrados (artigo 5º. considerada a hora legal de Brasília”. ª Turma do STJ. e o início da fluência do prazo só ocorre no dia útil subseqüente (artigo 4º. A intimação eletrônica dispensa a realização por outra forma. os advogados também podem ser intimados pela só publicação das decisões e dos atos em geral no Diário da Justiça eletrônico (artigo 4º). “Recurso interposto por meio eletrônico. no exemplo imaginado). o qual não é computado à luz do princípio dies a quo non computatur in termino. Realizada a intimação mediante o Diário da Justiça eletrônico. No que tange à interposição de recurso processual por meio eletrônico.

os órgãos do Poder Judiciário também devem efetuar a regulamentação da Lei n.419 permitem a conclusão de que a admissibilidade do recurso eletrônico não depende da posterior juntada da respectiva petição impressa no qüinqüídio previsto no artigo 2º da Lei n. 9. Intempestividade” (RE n. a fim de que a via eletrônica seja utilizada cada vez mais para os atos processuais em geral. 9. a Lei n. resoluções. a Portaria n. 44. Diário da Justiça de 1 de agosto de 2007.original no qüinqüídio previsto no artigo 2º da Lei n. “Inviável a análise de recurso interposto por meio eletrônico sem correspondência com o original apresentado à Secretaria desta Corte.969/RN — AgRg. § 1º. o artigo 2º da Lei n.800 não deveria ser aplicado ao recurso eletrônico. do Presidente do Supremo Tribunal Federal.04.419. 9. a fim de que os atos processuais praticados pela via eletrônica sejam válidos e tenham eficácia jurídica. tal como revela a Resolução n. 44 e a Portaria n. especialmente para as intimações das diversas decisões judiciais e para a interposição dos recursos processuais. Pleno do STF. e a Resolução n. apesar de proferidos após o advento da Lei n. 11. instruções. da Resolução STF n. 9. 7. os supervenientes atos normativos regulamentadores (como a Resolução n.419. os quais. o que impede o prosseguimento do presente recurso” (Ag n. 9. 7 e a Resolução n. conforme o disposto nos artigos 4º da Lei n. de 2006. além da Lei n. de 1999. 647.419. 287.04. 129. de 2007. emendas regimentais. 11. Por fim. 2ª Turma do STF. 9. Além dos preceitos da Lei n. de 2007. ambas de 2007. como a Resolução n.10/MG — EDcl. estão sendo aprovados atos normativos internos (por exemplo. p. todas de 2007) também devem ser observados pelos jurisdicionados e seus advogados. em razão da existência de legislação específica. 52. 6). 9. 11. p.800.419 mediante atos normativos internos (artigo 18).419.800/99 e 5º. 8 . com as normas gerais relativas aos atos processuais eletrônicos em geral. Ainda que muito respeitável o entendimento jurisprudencial acerca da necessidade da posterior juntada dos originais impressos pelo recorrente que utilizou a via eletrônica para efetuar a interposição do respectivo recurso. sob pena de o recurso sofrer juízo negativo de admissibilidade129. de 14.800. do Presidente do Superior Tribunal de Justiça.800. não prestigiaram o diploma de dezembro de 2006. do Presidente do Superior Tribunal de Justiça. 9. 504. portarias) nos diversos órgãos do Poder Judiciário. de 2006. A despeito da jurisprudência colacionada na anterior nota de rodapé. os artigos 11 e 12 da Lei n. Diário da Justiça de 9 de novembro de 2007. 11. 11. Daí a defesa de opinião contrária aos respeitáveis precedentes jurisprudenciais apontados na nota anterior. ou seja. sobre as intimações e os recursos por meio eletrônico. com a regulamentação da Lei n.419. 11. 11. Com efeito. cujos artigos 11 e 12 permitem interpretação diversa da extraída do artigo 2º da Lei n. petição original fora do prazo legal.

a petição deve ser dirigida ao órgão de interposição. É o que estabelecem os artigos 524 e 56 do Código. e O novo. 56. inciso I. conforme se extrai do disposto nos artigos 514. Comentários. todos do Código de Processo Civil. 117.. BARBOSA MOREIRA. ª ed.2. Na hipótese de juízo único de admissibilidade. 540 e 541 do Código. 1999. Conferir: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. de 1980. p. caput. 6. p. assim como o artigo 4. em regra. Com efeito. p. Volume V. e PONTES DE MIRANDA.1. é dirigida ao próprio órgão julgador do recurso. 168. 6. §§ 2º e º. Como no direito processual civil brasileiro vigora a regra do duplo juízo de admissibilidade. consoante o disposto no artigo 514. ARAKEN DE ASSIS. 15ª ed. as petições recursais do agravo de instrumento contra decisão interlocutória — ou seja. tratando-se de recurso sujeito a duplo juízo de admissibilidade. No recurso interposto por terceiro. p. a petição recursal. 72. 524. nota 5. Componentes da petição recursal 6.6. 1999. Código. dos embargos de declaração e dos embargos infringentes de alçada devem ser endereçadas diretamente aos respectivos órgãos julgadores. Comentários. petição eletrônica). Qualificação do recorrente e do recorrido A petição recursal deve conter os nomes e a qualificação do recorrente e do recorrido. do artigo 522 —. 51. caput. Endereçamento ao órgão judiciário competente Independentemente da forma de interposição utilizada pelo recorrente (petição impressa. 1999.. Tomo VII. 419. 42. 1999. É o que se infere dos artigos 514. 20ª ed. Não obstante a literalidade do inciso I do artigo 514. p. 8ª ed. p. 1999. a exigência da qualificação completa do recorrente deve ser cumprida por inteiro na própria 10. 84 .6. a peça de interposição é geralmente endereçada ao órgão competente para realizar o primeiro juízo de admissibilidade (juízo ou tribunal a quo). 1999.. do Código de Processo Civil. 999. Primeiras linhas. todavia... caput. da Lei n. 4ª ed. a petição de interposição deve conter inicialmente a indicação do órgão judicial ao qual é dirigida.. Volume III. Volume II. a doutrina10 ensina que não há necessidade de nova qualificação completa na petição recursal quando o recorrente e o recorrido já foram identificados nos autos.6. Ao revés. 2ª ed.80. 1995.6. caput.. AMARAL SANTOS. NERY JUNIOR e ROSA NERY. 540 e 541. 1. Condições de admissibilidade. p. Lições.

a petição deve ser acompanhada das razões recursais. conforme determinam os artigos 524.4. 182 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça trata do tema: “É inviável o agravo do art. Com efeito.petição recursal. há princípio de hermenêutica jurídica contra a admissibilidade de recurso em termos gerais: appellatio generalis respectu causae non valet11. até mesmo para que seja aferida a existência de prejuízo jurídico do inconformado. É necessária a impugnação específica dos fundamentos da decisão recorrida. Apelação geral não vale com respeito a uma causa. Aliás. inciso I. inciso II. deve o recorrente indicar desde logo os motivos do inconformismo.6. bem como a discussão jurídica travada perante o juízo ou tribunal a quo. Não há no Direito Processual Civil brasileiro recurso isento de fundamentação. 56. em razão da irregularidade formal. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada”. 540. inciso I. o inconformado deve registrar na petição recursal os contornos da espécie dos autos. 524. que devem indicar os vícios que contaminam a decisão impugnada. A propósito. Até mesmo os recursos que podem ser interpostos oralmente estão sujeitos à exigência da imediata apresentação das razões recursais. de nada adianta o inconformado veicular no recurso alegações dissociadas das razões de decidir. do Código. que concretizam o princípio da dialeticidade.80. como se infere do § º do artigo 52 do Código de Processo Civil. Com efeito. os recursos cíveis devem ser motivados.3. Exposição do fato e do direito O recorrente ainda deve efetuar “a exposição do fato e do direito”. da Lei n. 9. e 541.6. 85 . e do artigo 42 da Lei n. que teve fim com a prolação da decisão causadora do inconformismo. Motivação: razões recursais À vista dos artigos 514. com a demonstração dos motivos que justificam a cassação. do artigo 4. Ainda que sucintamente. 11. inciso III. 6.099. 541. § 2º. inciso II. o verbete n. 6. todos os recursos cíveis dependem de fundamentação. a reforma ou a integração do julgado recorrido. 6. preceito que trata do agravo retido oral. Em respeito a tal exigência. sob pena de juízo negativo de admissibilidade. do Código. Com efeito.

é tão freqüente na praxe judiciária a interposição dos recursos mediante apresentação conjunta de duas peças autônomas. 524. as quais também podem ser veiculadas em peça anexa12. 25ª ed. Aliás. diante da legislação processual civil vigente. todos os recursos cíveis devem ser fundamentados. A propósito. a possibilidade de que as razões do recurso. merece ser prestigiado o correto enunciado n. sejam oferecidas em anexo”. que até pode parecer equivocada a interposição por meio de petição recursal única. 2007. em vez de constarem da própria petição.Por ser a motivação necessária ao cumprimento do requisito da regularidade formal. não há irregularidade formal alguma na interposição de recurso por meio de petição única. Em sentido conforme. Em resumo. os artigos 514. Resta saber se as razões recursais podem estar insertas na própria petição do recurso ou se há necessidade de petição autônoma para as razões recursais. a interpretação dos preceitos de regência indica que o recurso deve ser interposto “por petição escrita. É comum na prática forense o oferecimento simultâneo de duas peças: a petição de interposição e a peça de razões recursais. 56 e 541. 86 . revelam que a petição “conterá” as razões recursais. com as razões recursais no seu interior. Aliás. convém ressaltar que não convence o argumento de que são necessárias duas petições. É o que também dispõe a precisa conclusão n. p. por ser a petição de interposição dirigida ao juízo ou tribunal a quo. com as razões recursais no seu bojo. O novo processo civil brasileiro. desde que contenha as razões recursais em seu bojo.099. instruindo a petição de interposição do recurso. da qual constarão as razões”. a ausência das razões recursais conduz à prolação de juízo negativo de admissibilidade. todos do Código de Processo Civil. Portanto. Embora muito respeitável. 9. porquanto o juízo de 12. com maior autoridade: BARBOSA MOREIRA. todavia. enquanto as razões recursais são destinadas exclusivamente ao órgão julgador. não fica excluída. basta uma petição.. 62 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Não se conhece de apelação desacompanhada dos fundamentos”. 4 da Súmula do Primeiro Tribunal de Alçada Civil de São Paulo: “Não se conhece de apelação quando não é feita a exposição do direito e das razões do pedido de nova decisão”. Sem dúvida. o argumento não merece ser prestigiado. Não obstante. 144: “omissis. sob pena de juízo negativo de inadmissibilidade por irregularidade formal. ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Antes de passar para o próximo tópico. reforçados pelo artigo 42 da Lei n.

Pedido recursal Todo recurso deve conter pedido de nova decisão.5. § º. Direito processual. vedada.. inciso VII. Não configura irregularidade formal. Sob outro prisma. especialmente após a análise das razões recursais. desde que apresentadas simultaneamente1. 6. inciso III.099.6. também não é admissível recurso sem pedido algum. p. 2006. inciso III. Por força da regra do duplo juízo de admissibilidade. de 1995. “A intenção da lei. 524. da Lei n. nos termos dos artigos 514. Assim. pelos artigos 128 e 460. De acordo.6. porém. 87 . uma para a interposição e a outra referente às razões recursais. 540. como já salientado. o recebimento do recurso no juízo ou tribunal a quo depende da observância de todos os pressupostos recursais.069. até mesmo o juízo de origem pode reconsiderar a decisão recorrida. até mesmo da regularidade formal. Volume II. é a de que se apresente uma peça formalmente uma” (VICENTE GRECO FILHO. 8. 52. 6. 2). inciso II. na doutrina: “É hábito forense separar a petição dirigida ao juiz das razões nas quais estão contidos os fundamentos de fato e de direito e o pedido de nova decisão. A ausência de requerimento recursal conduz à inevitável prolação de julgamento extra petita. apresentado de uma só vez”. 52. os recursos cíveis podem ser interpostos por petição única. Não bastasse estar inserta nos mencionados preceitos. Assinatura e instrumento de mandato do advogado A petição recursal deve ser datada e assinada por advogado devidamente identificado e com instrumento de mandato já nos autos ou apresentado no ato da interposição do recurso.origem também examina a admissibilidade do recurso. 17ª ed. por outro lado. desde que tudo forme um conjunto único. conforme se infere da combinação dos artigos 6 e 159 do Código de Processo Civil com o caput do artigo 14 1. que deve conter os motivos da irresignação. requisito que só é cumprido quando o recorrente apresenta a respectiva motivação do inconformismo. todos do Código de Processo Civil. assim como no artigo 198. e do artigo 42 da Lei n.6. 9. nas hipóteses excepcionais previstas nos artigos 296. e 541. § 2º. 529. que agasalham o princípio da correlação entre a decisão e o pedido. tal exigência é justificada pelo disposto nos artigos 128 e 460 do Código. a manifestação do recurso por meio de duas peças autônomas. todos do Código de Processo Civil. Essa prática não é ilegal. quando deve verificar se foram apresentadas as razões com impugnação específica. Por tudo.

a procuração apud acta já é suficiente para a interposição do recurso. Com o advento da Lei n. Municípios e Distrito Federal. Com efeito. Estados. Embora o novel preceito esteja inserto em capítulo (ou seja. inclusive para o recurso”. a qual acrescentou o § 4º ao artigo 515 do Código de Processo Civil. 77 do Fórum Nacional dos Juizados Especiais — FONAJE: “O advogado cujo nome constar do termo de audiência estará habilitado para todos os atos do processo. Sem duvída. Quando o recorrente é representado em juízo por procurador com mandato legal. 52 da Primeira Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “Mandato. Dispensável a juntada de procuração”. nem há a necessidade de juntada de procuração alguma. a procuração apud acta é suficiente para demonstrar a regularidade da representação. o poder de recorrer é inerente ao patrocínio da causa.276. razão pela qual não necessita de outorga especial na procuração. Resta saber se o vício de representação e a falta de assinatura da petição recursal conduzem ao imediato juízo negativo de admissibilidade do recurso. os procuradores dos Estados e do Distrito Federal e demais procuradores públicos que exercem a representação judicial ex vi legis. no exercício de sua atividade”. suas autarquias e fundações públicas. consoante revela o artigo 8 do Código de Processo Civil. de norma aplicável aos recursos em geral. Aliás. porquanto o poder de recorrer não é especial. conforme se infere do correto enunciado n.da Lei n. de 2006. Na esteira do preciso enunciado n. 11. 8. não há necessidade de poder especial para a interposição de recurso. Capítulo II do Título X do Livro I do Código de Processo Civil) destinado ao recurso de apelação. como se dá com os membros do Ministério Público. merece ser prestigiada a proposição n. 644 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. os advogados da União. a fim de 88 . ficou evidente a opção do legislador em prol da instrumentalidade também na fase recursal. basta a indicação do nome e do respectivo número de inscrição do procurador público: “Ao titular do cargo de procurador de autarquia não se exige a apresentação de instrumento de mandato para representá-la em juízo”. in verbis: “É obrigatória a indicação do nome e do número de inscrição em todos os documentos assinados pelo advogado. os procuradores da Fazenda Nacional. Procurador da União. Em reforço. de 1994. Ainda a respeito do instrumento de mandato. nem mesmo para a interposição de recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. trata-se. na verdade. Daí a justificativa para a concessão de prazo adicional em prol do recorrente.906.

ainda prevalece a orientação jurisprudencial consolidada no enunciado n. o reconhecimento da extemporaneidade do recurso não está condicionado à prévia alegação do recorrido ou do Ministério Público. o recurso deve ser desde logo admitido. de 2006. Por fim. Na hipótese. como bem revela o novel § 4º. Portanto. entretanto. 115 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Na instância especial é inexistente recurso interposto por advogado sem procuração nos autos”. à medida que não existe erro a ser sanado. apresente o instrumento de mandato que lhe foi outorgado. é sanável. 7. caso o mérito da causa tenha sido solucionado. TEmpESTIvIDADE 7. 11. também aplicável na fase recursal. sob pena de operar-se a preclusão temporal e. acrescentado ao artigo 515 do Código de Processo Civil pela Lei n. mediante a incidência do novel § 4º do artigo 515 do Código de Processo Civil. diante da absoluta inexistência de assinatura na petição recursal. em homenagem ao princípio da instrumentalidade. extraordinário e de embargos de divergência. O juízo negativo de admissibilidade por irregularidade formal só pode ser proferido (seja no primeiro juízo de admissibilidade na origem.276. a qual. formar-se a coisa julgada material.1. 89 . se o advogado subscreveu somente a folha de rosto da petição ou lançou a respectiva assinatura apenas na última folha das razões recursais que a acompanharam. seja no juízo definitivo de admissibilidade no tribunal ad quem) após o decurso in albis do prazo adicional concedido para a regularização da representação. só há irregularidade formal se não existir assinatura alguma na petição recursal. Porém. por intermédio do respectivo advogado. Com efeito. Na mesma esteira. a ausência de assinatura do patrono do recorrente só impede a admissibilidade do recurso se o advogado deixar de sanar o vício no prazo adicional concedido para a respectiva correção. A tempestividade deve ser averiguada de ofício pelos órgãos de interposição e julgador. no que tange aos recursos especial. o advogado do recorrente deve ser intimado para sanar o defeito. Conceito O requisito de admissibilidade da tempestividade repousa na exigência de que o recurso seja interposto dentro do prazo peremptório estabelecido em lei.que. nem há a necessidade de conversão em diligência.

todos do Código de Processo Civil). de 1995. parágrafo único. também é de dez dias o prazo para a interposição de agravo de instrumento contra decisão de inadmissão de recursos extraordinário e especial. 9. também é de cinco dias o prazo para a interposição de embargos de declaração até mesmo contra as decisões proferidas por juiz togado ou por Turma Recursal de Juizado Especial Cível. À luz do artigo 56 do Código de Processo Civil. Completam o sistema recursal cível brasileiro os embargos infringentes de alçada e o recurso inominado. resta examinar os agravos. 8.950. recurso especial. Também é quinzenal o prazo para a apresentação de resposta aos mencionados recursos.80. recurso extraordinário e embargos de divergência. Com efeito. 6. é de cinco dias o prazo para a interposição de embargos de declaração. de 1994. de 1980. é de cinco dias o prazo para a apresentação de agravo interno (ou seja. 545 e 557. recurso ordinário. Completam o sistema recursal cível codificado os embargos de declaração e os agravos.069 também preservou o qüinqüídio para a apresentação de embargos de declaração contra decisão proferida em ação regida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. 8. À vista do caput do artigo 544.7. o inciso II do artigo 198 da Lei n. Por força do § 2º do artigo 4 da Lei n. unificou em parte os prazos dos recursos que compõem o sistema recursal cível codificado. § 1º. deu nova redação ao artigo 56 do Código e pôs fim à dicotomia anteriormente existente em relação ao prazo para a apresentação de embargos declaratórios. 90 . Hoje. À vista do artigo 49 da Lei n. sem a necessidade da apuração do órgão prolator da decisão embargada. em razão da autoria da decisão impugnada de juiz de primeiro grau ou de órgão colegiado de tribunal. Segundo o caput do artigo 522 do Código de Processo Civil. os embargos de declaração devem ser interpostos no prazo de cinco dias. embargos infringentes. 8. com a redação dada pela Lei n. Por fim. agravo regimental) contra decisão monocrática proferida por magistrado de tribunal (artigos 120. Para fechar o sistema recursal cível codificado. prazos recursais O artigo 508 do Código de Processo Civil. Segundo o preceito. é de quinze dias o prazo para a interposição de apelação. é de dez dias o prazo para a apresentação de embargos infringentes de alçada. 52. a Lei n. Do mesmo modo. conforme estabelece o artigo 42 da Lei n. é de dez dias o prazo para a apresentação de agravo contra decisão interlocutória: retido ou por instrumento. A propósito.950.2.099. o prazo para a interposição de recurso inominado é de dez dias. de 1994.

no dia 14 de maio de 2007). e o artigo 4º. Estudados os prazos à luz das espécies recursais. é importante não confundir o recurso inominado com a apelação. Por força do artigo 22 do Código de Processo Civil.47. Quanto ao sistema recursal nas ações da competência do Juízo da Infância e da Juventude14. como o réu revel sem 14. aprovado pela Seção Cível. de 1990. o agravo interno (ou regimental) ainda é regulado por leis especiais. e veiculado na órgão oficial de imprensa. É de dez dias o prazo para a interposição do recurso cabível contra a sentença proferida nos Juizados Especiais Cíveis.099. o artigo 12. merece ser prestigiado o correto enunciado n.08. preceitos que igualmente tratam do agravo interno contra decisão monocrática proferida por magistrado de tribunal. 91 . 8. também fixam em cinco dias o prazo para a interposição do recurso. de 1995. 2 da Súmula do Tribunal de Justiça de Pernambuco. as quais reforçam a regra prevista no Código: prazo de cinco dias. de 1992.9. o artigo 9 da Lei n. não há necessidade da intimação no órgão de imprensa. 8. 7. da Lei n. A propósito da competência do Juízo da Infância e da Juventude. § º. é de dez dias o prazo para interpor qualquer outro recurso contra decisão proferida em ação submetida ao rito da Lei n. de 1985. a tempestividade é aferida pela publicação da decisão em audiência ou em cartório. resta examinar os prazos recursais com a consideração do recorrente.47. 12 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “O prazo recursal para o réu revel corre independentemente de intimação. de 1990. recursos que devem ser interpostos no prazo de cinco dias. da Lei n. a partir da publicação da sentença em audiência ou em Cartório”. à exceção dos embargos de declaração e do agravo interno (ou regimental). Os embargos infringentes de alçada não se confundem com os embargos infringentes do Código de Processo Civil. enquanto a apelação cível pode ser aviada em quinze dias. Quanto ao réu revel. em  de maio de 2007. Com efeito. os embargos infringentes do Código podem ser veiculados em quinze dias. 8. § 1º. A propósito. É o que se infere do disposto no inciso II do artigo 198 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Com efeito. Enquanto aqueles embargos podem ser interpostos em dez dias. Da mesma forma.069. Além de estar previsto no Código de Processo Civil. merece ser prestigiado o seguinte verbete sumular: “Compete ao Juízo da Infância e da Juventude processar e julgar os pedidos de guarda e de tutela de criança ou de adolescente em situação de risco” (enunciado n.

O prazo recursal do terceiro prejudicado é idêntico ao das partes. o Distrito Federal. os Estados. a expressão “Fazenda Pública” diz respeito à atuação em juízo da União. os Municípios.80. o Código de Processo Civil confere à expressão “Fazenda Pública” alcance bem maior. de 1980). as autarquias e as fundações públicas sempre têm prazo em dobro para recorrer. E a duplicação do prazo recursal em favor do Ministério Público ocorre quando o parquet atua como parte e quando oficia como custos legis. 192 da Primeira Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “É em dobro o prazo para a interposição de embargos declaratórios por pessoa jurídica de direito público”. a União. p. de 1997. dos Estados-membros.advogado constituído nos autos nem curador especial não precisa ser intimado à vista do artigo 22 do Código de Processo Civil.. publicado no Aviso n. reforça a correta proposição n. o terceiro não possui prazo superior nem mesmo nas hipóteses excepcionais tratadas nos §§ 1º e 2º do artigo 815 do antigo Código de 199. É o que dispõem o artigo 188 do Código de Processo Civil e o artigo 10 da Lei n. 6. há didática obra de autoria do Professor LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA (A Fazenda Pública em juízo. dispõe o enunciado n. não são beneficiadas com a duplicação dos prazos recursais.9. É certo. 15). 2007. A propósito da regra e da exceção. Não obstante.7 dos Juizados Especiais e das Turmas Recursais do Estado do Rio de Janeiro. 116 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “A Fazenda Pública e o Ministério Público têm prazo em dobro para interpor agravo regimental no Superior Tribunal de Justiça”. Ainda a respeito do tema. porquanto 15. independentemente da espécie recursal interposta. que eventual terceiro prejudicado favorecido pelo artigo 188 do Código vigente tem o prazo recursal duplicado. com o mesmo significado de União. Distrito Federal e Municípios. porém. salvo o de intimação da sentença quando houver patrono nos autos”. o respectivo prazo recursal corre da publicação da decisão na audiência ou com a respectiva entrega em cartório. 9. A respeito do tema — e também do conceito de “Fazenda Pública” —. 11. 5ª ed. A propósito da duplicação dos prazos recursais. as respectivas Fazendas Públicas15. Já o Ministério Público. 9. merece ser prestigiado o preciso verbete n. a execução fiscal da Lei n. do Distrito Federal e dos Municípios em causas fiscais (por exemplo. A rigor. Com efeito. em todas as causas. 92 . de 2007: “Contra o revel correm em Cartório todos os prazos.469. No que tange às empresas públicas e às sociedades de economia mista. à luz do Código de Processo Civil vigente. Estados-membros.

estão sujeitas ao regime jurídico privado (artigo 17.259. os prazos recursal e para responder são duplicados quando há litisconsortes com diferentes patronos. Também é singelo o prazo até mesmo para a interposição de recurso contra decisão proferida nos Juizados Especiais Cíveis. 7. Por conseguinte. Ainda em relação ao artigo 188 do Código de Processo Civil. Já os litisconsortes com procuradores diferentes têm prazo em dobro tanto para recorrer quanto para responder a recurso. 9. 9. as respectivas Fazendas Públicas.469 atenta contra o princípio da celeridade. 9. e 128. inciso II e § 2º. e não apenas um deles. entretanto. Portanto. razão pela qual não são alcançadas pelo artigo 188 do Código de Processo Civil. 10. ambos da Lei Complementar n. a qual revela a duplicação dos prazos para recorrer e para responder.099 e do artigo 1º da Lei n.871. e no artigo 5º. da Lei n. 10. A regra do prazo recursal em dobro prevista no artigo 188 Código de Processo Civil e no artigo 10 da Lei n. mas não para apresentar resposta a recurso. distritais e federais. É o que se infere do disposto nos artigos 44. Os defensores públicos e os que ocupam cargo com atribuição de defensoria pública também têm prazo em dobro tanto para recorrer quanto para responder. quando só um dos litisconsortes haja sucumbido”. os Estados. a regra da duplicação do prazo recursal inserta no artigo 188 Código e no artigo 10 da Lei n.469 não resiste ao confronto com o preceito específico do proêmio do artigo 9º da Lei n. parágrafo acrescentado pela Lei n. os Municípios. da Constituição Federal). o Ministério Público. 80. É que a expressão “falar nos autos” constante do artigo 191 do Código de Processo Civil abrange o oferecimento de resposta a recurso. as autarquias e as fundações públicas têm apenas prazo simples para oferecer resposta a recurso. conforme se infere do artigo 2º da Lei n. in verbis: “Não haverá prazo diferenciado para a prática de qualquer ato processual pelas pessoas jurídicas de direito público. inciso I. os preceitos contêm a expressão “todos os prazos”. inciso I. inclusive a interposição de recursos”. Ademais. 9 . 641 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Não se conta em dobro o prazo para recorrer. 1. o preceito confere prazo em “dobro para recorrer”. Com efeito. a União. A excepcional duplicação dos prazos prevista no artigo 191 pressupõe. § 5º. de aplicação expressa aos processos nos Juizados Especiais Cíveis estaduais. de 2001. o Distrito Federal.259. que os litisconsortes tenham interesse recursal.060. É o que revela o enunciado n.

por maioria.9. Não se conhece de apelo intempestivo”. que davam provimento ao agravo regimental. 7. no caso.871/89 e LC 80/94). Princípio norteador A contagem do prazo recursal é efetuada segundo os artigos 184. A propósito. Conferir: Apelação n. negou provimento a recurso interposto contra decisão que não conhecera de agravo regimental — interposto contra decisão que concedera exequatur a carta rogatória —. Sepúlveda Pertence e Néri da Silveira. 7. mas sim.1. Vencidos os Ministros Marco Aurélio. 5º.060/50. 18. 219: “Não se estendem aos defensores dativos as prerrogativas processuais da intimação pessoal e do prazo em dobro asseguradas aos defensores públicos em geral e aos profissionais que atuam nas causas patrocinadas pelos serviços estaduais de assistência judiciária (Lei 7. CONTAgEm DO pRAZO RECURSAl 7.Em contraposição. Precedentes citados: Pet 932-SP (DJU de 14. os advogados autônomos que patrocinam causas sob o pálio da assistência judiciária também não têm a vantagem da duplicação dos prazos recursais. 9. Diário da Justiça de 4 de fevereiro de 2004. o defensor vinculado a núcleo de assistência judiciária que não é organizada nem mantida pelo Estado.5. Informativo STF.060/50 art. § 5º — não alcançando. 17. na forma do art. Diário da Justiça de 14 de agosto de 2000: “A contagem em dobro dos prazos processuais. por faculdade de direito. 2002. reforça o enunciado n. Os preceitos indicam que o dies 16. porque intempestivo (RISTF. os advogados dativos não são beneficiados pelo prazo recursal duplicado. Intempestividade. Por fim. Pleno do STF.3. ou quem exerça cargo equivalente.180/SP. Conferir: RHC n. da Lei 1.870 — AgRg. 1. § 5º. p. 25 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “O disposto no art. 5º.716-RS (DJU de 25.002040-2.1. todos do Código de Processo Civil. por conseguinte emalgrado a relevância do serviço que presta. não se incluindo nessa condição o mero advogado dativo (Precedentes)”. é restrito a serviço da Assistência Judiciária mantido pelo Estado”. 51: “Prazo Recursal. Com base nesse entendimento. somente é aplicável nos feitos em que atua Defensor Público. 227. Na mesma esteira.94) e Ag 166. 5ª Turma do STJ. conforme já assentaram o Supremo Tribunal Federal16 e o Superior Tribunal de Justiça17. Assistência judiciária organizada e mantida por faculdade de direito. 1ª Turma Criminal do TJDF. 94 . o Tribunal. 242 e 506. da Lei 1. art.95)”. O prazo dobrado para recorrer é concedido ao defensor público ou ocupante de cargo público equivalente — Lei 1. 5º. Conferir: CR n. parágrafo único).0. Lei 1. § 5º. 2.3. prevalece na jurisprudência o entendimento de que os advogados dos Núcleos de Assistência Judiciária das Faculdades de Direito também não têm o benefício do prazo recursal em dobro18.060/50. n.060/50.

É o que estabelece o § 2º do artigo 184 do Código de Processo Civil. Em síntese. o princípio é igualmente adotado no Direito Processual Penal. conforme se infere do § 1º do artigo 798 do Código de Processo Penal: “Não se computará no prazo o dia do começo. Em resumo. com horários normais tanto em relação ao início quanto para o término das atividades judiciárias. “o dia final é computado no prazo” (Código de Direito Canônico. o início do prazo (dies a quo). incluindo-se. É o que também estabelece o artigo 12. o termo final do prazo recursal coincide com dia útil. Com efeito. embora o dia do início não seja computado. o cômputo do prazo só é efetuado a partir do primeiro dia útil seguinte à intimação. preceito que dispõe sobre o dia da contagem. Do mesmo modo. “O dia inicial não é computado no prazo”. em razão da prorrogação determinada pelo § 1º do artigo 184 do Código de Processo Civil. “dies ad quem computatur in termino”19. reforça o proêmio do caput do artigo 775 da Consolidação das Leis do Trabalho: “Os prazos estabelecidos neste Título contam-se com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento”. e comentado pelo Padre JESÚS HORTAL. o dia da fluência do prazo. o termo inicial não é computado na contagem do prazo. traduzido pelo Padre JOÃO CORSO e pelo Bispo TARCÍSIO ARIOVALDO DO AMARAL. o termo inicial do prazo recursal coincide sempre com dia útil. p. tanto as fontes quanto a legislação brasileira consagram a regra de que o dia do início não é considerado na contagem. Promulgado pelo Papa JOÃO PAULO II.a quo do prazo recursal é o dia da intimação. Em contraposição. o termo final é incluído na contagem do prazo. 88 e 89). in fine. Não obstante. Da mesma forma. Trata-se de princípio jurídico também encontrado no Código de Direito Canônico. 95 .. excluído o dia do começo. porém. À luz do parágrafo único do artigo 240 do Código de Processo Civil. Na mesma esteira. De volta à legislação pátria. o dia da contagem do prazo e o respectivo término (dies ad quem) — são sempre encontrados em dias úteis. mas o último dia é computado no prazo. isto é. os três marcos — ou seja. ainda que a intimação tenha sido realizada “em dia em que não tenha havido expediente forense”. 11ª ed. assim considerados os dias com expediente forense regular. 1998. e incluído o do vencimento”. o do vencimento”. consoante as regras consagradas nos §§ 1º e 2º do cânon 20: “dies a quo non computatur in termino”. do Código Civil de 2002: “computam-se os prazos. o dia do fim é considerado na contagem do prazo. 19. pelo § º do artigo 798 do Código de Processo Penal e pelo parágrafo único do artigo 775 da Consolidação das Leis do Trabalho.

razão pela qual o dia não é considerado útil para a fluência dos prazos processuais. PARÁGRAFO ÚNICO. merece ser prestigiado o verbete n. primeiro dia com expediente forense normal. o artigo 178 do Código de Processo Civil e do caput do artigo 798 do Código de Processo Penal estabelecem que os dias situados entre o dia da fluência e o dies ad quem são sempre incluídos na contagem do prazo. na segunda-feira subseqüente. o agravo de instrumento). 2ª Turma do STJ.2. Um exemplo pode facilitar a compreensão do assunto: imagine-se um recurso com prazo de dez dias (por exemplo. primeiro dia útil após a intima- 140. em regra). ou seja. PRAZO RECURSAL. o prazo para recorrer só começa a ser computado a partir do primeiro dia útil após a intimação. no mais das vezes) é que há de ser considerado no cômputo do prazo recursal como dia inicial de sua fluência” (REsp n. só será considerada realizada na segunda-feira seguinte. 96 . no caso. 25628). Em abono. “I — As intimações efetivadas no sábado consideram-se realizadas no primeiro dia útil seguinte. ainda que não sejam úteis. quando não há expediente forense. 50.à vista da legislação de organização judiciária específica prevista no § º do artigo 172 do Código de Processo Civil. como o problema da intimação no sábado. Por força das leis de organização judiciária e das normas internas dos tribunais. 7. da terçafeira seguinte. p. CPC. 151/PB. o dies a quo se dá na segunda-feira. Diário da Justiça de 26 de setembro de 1994. AGRAVO. Diário da Justiça de 29 de agosto de 1994. Em contraposição. no subseqüente”140. 22202). Nessa hipótese. o início do prazo se dará no primeiro dia útil imediato e a contagem. Feita a intimação no sábado.48/AL. os dias intermediários são computados independentemente da ocorrência de dia útil. Intimação no sábado Assentado o princípio norteador da contagem dos prazos. A respeito do assunto. disso decorrendo que apenas o segundo dia útil após a publicação (terça-feira. INTELIGÊNCIA CONJUGADA DO DISPOSTO NOS ARTS. DECISÃO AGRAVADA PUBLICADA EM UM SÁBADO. Já a respectiva contagem ocorrerá na terça-feira. em concreto. Por conseguinte. já é possível ingressar no estudo dos pontos polêmicos. Tendo a decisão sido publicada em finalde-semana (sábado). especialmente o inciso I: “Intimada ou notificada a parte no sábado. Com efeito. RECURSO PROVIDO. E 184. 4ª Turma do STJ.3. considera-se realizada a intimação respectiva no primeiro dia útil subseqüente (segunda-feira. vale conferir as ementas de dois precisos acórdãos específicos acerca da contagem do prazo recursal proveniente de intimação no sábado: “PROCESSO CIVIL. caput E § 2º. feita a intimação no sábado. 262 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. não há expediente forense regular aos sábados. 240. Preliminar de intempestividade do recurso afastada” (RMS n. dia útil posterior ao início do prazo. p.

De acordo. vale conferir o disposto no artigo 4º da Portaria Conjunta n. salvo se não houver expediente. inclusive. Imagine-se. 10 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira. Eis um exemplo: imagine-se o mesmo recurso com prazo de dez dias. caso em que começará no primeiro dia útil que se seguir”. Já a contagem do prazo começa na segunda-feira. Intimação no Diário eletrônico Realizada a intimação mediante o Diário da Justiça eletrônico. §§ º e 4º)142. 11. o termo final do prazo recursal reside na quartafeira da semana seguinte. merece ser prestigiado o enunciado n. salvo se não houver expediente. 4º da Lei n. Então. considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico” (Ag n. 97 . primeiro dia útil após o dies a quo. resta analisar o problema da intimação efetuada na sexta-feira. 909.4. do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. desde que também seja dia útil. No mesmo sentido do texto do parágrafo. Diário da Justiça eletrônico de 25 de abril de 2008. por exemplo. Feita a intimação na sexta-feira. a fluência começa efetivamente na terça-feira. caso em que fluirá do dia útil que se seguir”. primeiro dia útil após a intimação.419/06. in verbis: “§ 1º O primeiro dia útil subseqüente à data em que se disponibilizar o Diário Judiciário Eletrônico será considerado como sendo a data da publicação.3. p. Com a contagem a partir da terça-feira. A respeito do assunto.972/RS — AgRg. § 2º Os prazos processuais para as primeira e segunda instâncias iniciar-se-ão no primeiro dia útil seguinte àquele considerado como data da publicação”. considera-se efetuada a intimação no primeiro dia útil seguinte ao da veiculação no Diário eletrônico141. o prazo judicial terá início na segunda-feira imediata. ou a publicação com efeito de intimação for feita nesse dia. É o que também dispõe o verbete n. se dia útil. Como o dia do início é excluído da contagem. ª Turma do STJ. 142. 7. na jurisprudência: “II — Nos exatos termos do § 3º do art. o dies a quo se dá na própria sexta-feira. Intimação na sexta-feira Estudada a intimação realizada no sábado. 119. e o início da fluência do prazo só ocorre no dia útil subseqüente (artigo 4º. 1).3.ção.3. o termo final do prazo reside na quinta-feira da semana subseqüente. ou a publicação com efeito de intimação for feita nesse dia. por ser dia útil. de 2008. 1 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira. 7. que a deci- 141. o prazo judicial será contado da segunda-feira imediata.

são judicial foi veiculada no Diário da Justiça eletrônico em uma terçafeira. o desate do problema depende da interpretação da expressão “dia útil”. Pouco 98 . tendo em vista a combinação do artigo 4º da Lei n. Segundo a communis opinio doctorum.408 autoriza a existência de outros feriados forenses indicados pela legislação estadual. “os dias de segunda e terça-feira do Carnaval” são feriados na Justiça e nos Tribunais Federais. ao contrário do que pode parecer. Ao tratar do parágrafo único do artigo 240 do Código de Processo Civil. 7.419 com os artigos 184 e 240 do Código de Processo Civil. A lição da doutrina merece ser prestigiada. da Lei n. tem-se que o início da fluência do prazo ocorre no dia útil seguinte. À primeira vista. 11. inciso III. na prática forense é freqüente o expediente na quarta-feira de cinzas com início retardado. Quarta-feira de cinzas O artigo 5º da Lei n. o artigo 172. aí indicado como aquele em que há expediente forense. Por conseguinte. prevista nos §§ 1º e 2º do artigo 184. Por sua vez.010. trata-se de vexata quaestio.3. o mesmo artigo 5º da Lei n. de 1966. o Professor MONIZ DE ARAGÃO ensina: “O primeiro problema a equacionar e resolver referese ao conceito de dia útil. o qual não é computado à luz do princípio dies a quo non computatur in termino. com o início e o término dos prazos recursais. pois é comum a ausência de expediente na quarta-feira de cinzas. 1. com horários normais para o início e o término das atividades judiciárias14.5.408 estabelece que a terça-feira de Carnaval é feriado forense nacional. Considera-se realizada a intimação na quarta-feira. só é considerado útil o dia com expediente forense integral. no exemplo imaginado). Em primeiro lugar. há expediente forense regular na quarta-feira de cinzas. Só pode 14. Por força do artigo 62. 5. se for dia útil. Não obstante. Fixado o dia do início do prazo (quarta-feira. § º. quinta-feira (ainda no mesmo exemplo). Sem dúvida. Quid iuris: incidem os §§ 1º e 2º do artigo 184 e o parágrafo único do artigo 240 do Código de Processo Civil quando não há expediente forense regular na quarta-feira de cinzas? Tudo indica que sim. do Código de Processo Civil estabelece que o “horário de expediente” será “nos termos da lei de organização judiciária local”. 1. bem assim a ocorrência de expediente forense não integral. tendo em vista a combinação determinada pelo caput do artigo 506.

pois. 122. ª ed.. p. se não houve expediente forense não foi útil para o processo. PRAZO. Igualmente não há o término do prazo recursal na quarta-feira de cinzas quando as atividades judiciárias têm início retardado. grifos aditados). É indispensável que tanto a abertura quanto o fechamento do protocolo judiciário sejam normais. o Tribunal a quo. grifos aditados). 98/99). integral. na correta interpretação do Tribunal de Alçada do Paraná. comentário 2. consoante a legislação de organização judiciária específica. No mesmo sentido. ocorre a prorrogação para o primeiro dia útil integral importa.. No mesmo sentido é a lição do Professor NERY JUNIOR: “Nenhum prazo se inicia ou extingue em dia não útil.1997. merece ser prestigiado o seguinte precedente: “PROCESSO CIVIL. dies a quo) na quarta-feira de cinzas quando o expediente forense começou com atraso. contado dessa data. e nessa data o expediente forense só começou à tarde. É o que também ensina o Professor GALENO LACERDA: “Parece evidente que. isto é. Também não há início da contagem (ou seja. 184. § 1º. e sim. Naturalmente o fato será apurado em relação ao juízo no qual tramita a causa. regulares. Foi publicada. mas é necessário que se dê em dia integralmente útil (Moniz de Aragão. para efeitos forenses. postergando-se o termo ad quem para o dia seguinte” (REsp n. Não basta que seja dia útil para ter-se início ou término do prazo. 99 . Se no dia 12 de fevereiro (quarta-feira de cinzas). que não reputou útil dia em que o expediente forense limitarase a meio período (o da tarde) — Acórdão no Agravo de Instrumento 96/85 (Rev.. encerrandose em 27. o prazo de recurso não seria de quinze dias. conforme os horários previstos na legislação pertinente de que trata o § º do artigo 172. não há o grifo no original).. da fluência) do prazo recursal na quarta-feira de cinzas quando a abertura do protocolo judiciário ocorre após o horário normal144. p. Com efeito. RECURSO. 219). se o dia foi útil para outra atividade. 294. o expediente forense só teve início na parte da tarde. é necessário que tenha sido normal. Se o prazo de recurso iniciava na quarta-feira de cinzas. Coment. não se tem início nem término de prazo naquele dia” (Código. parece evidente que. Não tendo havido expediente forense nos dias 10 e 11. 600/200)” (Comentários. em 07 de fevereiro de 1997 (sexta-feira. mas quatorze dias e meio. repelida a alegação de intempestividade. Quando o expediente forense for anormal (início retardado ou encerramento antecipado). anterior aos feriados de Carnaval). dos Tribs. vale a pena conferir o didático fundamento do voto do relator: “Sobre o primeiro ponto.628/SP. volume II. quando foi protocolizado o apelo’ (fl. 8ª ed. lê-se no julgado: ‘Conhece-se do recurso. o conceito de dia útil coincide com o de expediente integral” (O novo direito. 100. como deflui do disposto no art. 24. a parte não teve quinze dias para apelar. 144. não há início do prazo recursal (ou seja. 1974. 1995. Com razão.ser considerado útil para o direito processual o dia com expediente forense regular. e tendo sido reduzido o do dia 12 de fevereiro (quarta-feira de cinzas). Mas não basta haver expediente forense. a sentença. de quatorze dias e meio” (grifos aditados). Em reforço. o prazo para apelar começou a fluir do dia 13. Diário da Justiça de 1 de maio de 2002).02.

na semana do carnaval. relator Ministro MARCO AURÉLIO. O recurso é tempestivo se o prazo para sua interposição vence em dia que foi feriado de carnaval e no dia que se segue é quarta-feira de cinzas (sem expediente forense) e no próximo dia útil dá-se entrada na petição” (Apelação n. INAPLICABILIDADE DO ART. 575. Ainda no mesmo sentido do texto: “1. há outro respeitável precedente jurisprudencial: REsp n. Recurso especial não conhecido” (REsp n. RECURSO DESACOLHIDO”. julgado em 4 de março de 2004. não há o início do prazo. a começar por esta própria Corte — Diário da Justiça de 27 de fevereiro de 1992 e comunicado do Diretor-Geral da Secretaria do Superior Tribunal de Justiça datado de 20 de fevereiro de 1992. No mesmo sentido: RMS n. Por oportuno. 146. 547. § 1º.010/66 somente são feriados. O fato de começar fora do horário normal. 184. Termo final. II. nem o término quando nem há expediente forense na quarta-feira de cinzas146. não provoca a aplicação do art. 1. unânime quanto ao conhecimento. grifos aditados). mas ainda em sentido contrário ao defendido no ensaio. Portanto. tratando-se de quarta-feira de cinzas. QUARTA-FEIRA DE CINZAS. 259. quanto à quarta-feira de cinzas. 1142. Pleno do STF.subseqüente145. quarta-feira de cinzas. 100 . 2. Diário da Justiça de 27 de maio de 2002). Embargos conhecidos e providos” (ERR n. 18. § 1º. 184. 40.9/PI — AgRg. Diário da Justiça de 5 de fevereiro de 200: “PROCESSO CIVIL.088/PR. Diário da Justiça de 1º de junho de 2001. pode e deve ser aferida pela informação lançada no despacho proferido pelo Vice-Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região. 44. Diário da Justiça 12 de dezembro de 2000: “AGRAVO DE INSTRUMENTO — TEMPESTIVIDADE — RECURSO ESPECIAL — TERMO ad QueM — EXPEDIENTE FORENSE DO ÚLTIMO DIA DO PRAZO RETARDADO EM TRÊS HORAS — NÃO HÁ PRORROGAÇÃO”.678/ RJ. 1ª Subseção do TST. Diário da Justiça de 1º de julho de 199. APELAÇÃO. da fluência. apenas. pelo teor do artigo 62 da Lei n. a segunda e a terça-feira. Com maior razão. 5ª Turma Cível do TJDF. 21. merece ser prestigiado o voto proferido pelo Relator: “O Ministério Público assevera. A tempestividade do Recurso de Revista. segundo a qual consta expressamente ter sido feriado o dia 17-2-99. na hipótese dos autos.647. 5. II. CPC. INÍCIO RETARDADO DO EXPEDIENTE FORENSE. Todavia. do Código de Processo Civil. PRECEDENTES. Diário da Justiça de 9 de setembro de 1999. p. 47.000449-6. que alcança. constata-se que o Recurso de Revista interposto em 25-2-99 o foi dentro do prazo. p. há recente precedente muito respeitável: Ag n. Diário da Justiça de 14 de novembro de 2001.485/DF. sem o grifo no original).2. do Código de Processo Civil. assim. p. 1999. Ainda com igual entendimento: Ag n. Art. TEMPESTIVIDADE. 1ª Turma Cível do TJDF. que. O mesmo raciocínio merece ser aplicado quando há ponto faculta- 145. silenciando o preceito. com inegável razão.412/SP. tenho como improcedente a intempestividade evocada” (grifos aditados). há respeitável orientação jurisprudencial: “Prazo. Precedentes da Corte. Destarte. há autorizado precedente: Ag n. Ainda em sentido contrário ao entendimento sustentado no texto. Por fim. Também em sentido conforme: “PRAZO — RECURSO DE REVISTA. ao se entender que o referido despacho goza de fé pública. Também contra o entendimento sustentado no texto. aqueles casos em que o expediente termina antes da hora prevista em lei.184-II.00.520/98. 50. Em sentido contrário. os Tribunais Superiores não funcionam nesse dia.

p. 6: “I — Os embargos de declaração devem ser opostos em cinco dias da publicação do acórdão embargado. são computados normalmente. ao dia da contagem (ou seja. Diário da Justiça de 15 de agosto de 200. A quarta-feira de cinzas não se insere dentre os feriados previstos no Regimento Interno do Tribunal.2001.3. APELAÇÃO. 2ª Turma do TRF da 1ª Região. conforme o horário previsto na legislação de organização judiciária específica da respectiva Justiça ou Tribunal competente. e 506.2001. 2001. quando os feriados ocorrem em dias intermediários. No mesmo sentido: Ag n.11/00. incidem os artigos 184.02. 95. não abrangeu a Quarta-feira de cinzas. os artigos 184. há o início do prazo recursal. tendo em vista o feriado forense referente a Carnaval. com prazo vencendo naquela data. Incidem.01525-4/MG — EDcl.02. caput.2001. conforme se infere do artigo 178 do mesmo diploma: “O prazo. por oportuno. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. distritais e municipais). só Registre-se. Diário da Justiça de 12 de abril de 2002. não merecendo censura a decisão que reconhece intempestivo o recurso que. parágrafo único. 240. estabelecido pela lei ou pelo juiz. 240. em relação ao dies a quo. mas apenas no período da tarde. 147.01. em todas as hipóteses. nos termos do art. é contínuo. da fluência) e ao dies ad quem. Como os presentes embargos foram opostos apenas em 01. No caso em tela. que atualmente os tribunais com sede no Distrito Federal geralmente funcionam. tampouco dentre os nacionais. 148. da contagem. ª Turma do TRF da 1ª Região. 81: “PROCESSUAL CIVIL. todos do Código de Processo Civil. caput e parágrafos. 101 . muito menos o término de prazo recursal em feriados federais e locais (ou seja. veio a ser interposto no dia seguinte” (não há o grifo no original). com início retardado do expediente forense. Com efeito. FERIADO. Em contraposição. e 506. 1.6. que. p. 67. como o acórdão foi publicado em 19.01. 536 do CPC. Por conseguinte. §§ 1º e 2º. bem como o respectivo término148. no entanto. se houve expediente forense absolutamente normal na quarta-feira de cinzas. dia de expediente forense normal neste Tribunal no corrente ano.0 — EDcl. não se interrompendo nos feriados”. Feriados em geral Não há o início. 2ª Turma do TST. 7. Diário da Justiça de 9 de novembro de 2001. nem da fluência. Daí a necessidade da verificação da existência de expediente forense integral em cada caso. todos do Código de Processo Civil.03. Assim: Apelação n.019925-9/MG.00. Em contraposição. assim. o prazo para oposição dos embargos findou em 28. estaduais. caput. em razão da ausência de expediente forense. NÃO OCORRÊNCIA. são. manifestamente intempestivos” (grifos aditados). De acordo: AIRR n.tivo na quarta-feira de cinzas147. parágrafo único.

STJ. à vista da jurisprudência dominante. Diário da Justiça de 20 de outubro de 200. STJ.070/MG — AgRg. à luz do artigo 7. 2 de maio de 2006. REsp n. prevalece nos tribunais a tese da necessidade de que o recorrente demonstre a respectiva existência já no momento da interposição do recurso. não há necessidade da comprovação. Ag n. Ag n. 522.498/RS — AgRg. da fluência e do término do prazo que caem em feriados federais e locais. também há precedentes jurisprudenciais: RE n. Ag n. 504. Diário da Justiça de 1 de agosto de 200. É o que determina o enunciado n. Ag n. Em prol da tese minoritária sustentada na presente nota. Em relação aos feriados locais. Diário da Justiça de  de maio de 2004. Ainda que muito respeitável o entendimento jurisprudencial consubstanciado no verbete n. a existência de feriado local ou de dia útil em que não haja expediente forense. Com efeito. 500. os feriados previstos em dispositivos municipais. o recorrente tem o direito subjetivo de demonstrar a respectiva existência da norma municipal. STF. 149. Com efeito. 85 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho não se coaduna com o artigo 7. consoante revela o artigo 7 do Código de Processo Civil. O princípio jura novit curia aplica-se inclusive às normas do direito estadual e municipal. 572. Na verdade.780/MG — AgRg. Ausência de expediente forense. Prorrogação. STJ. Com efeito. o enunciado n. Diário da Justiça de 14 de maio de 2004. estaduais e distritais também são alcançados pelo princípio iura novit curia.022/RJ — AgRg. merece ser prestigiado didático acórdão da relatoria do Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI: “1. o princípio também alcança os feriados locais. A parte não está obrigada a provar o conteúdo ou a vigência de tal legislação 102 . todavia.554/RS — AgRg. que justifique a prorrogação do prazo recursal”149. STJ.28/RJ — AgRg. se o feriado está previsto em legislação local. mas com a exceção de que o juiz e o tribunal podem exigir da parte a posterior demonstração das respectivas normas locais. Quanto aos feriados federais. STJ. Diário da Justiça de 6 de agosto de 200. 491. posteriormente. Necessidade. à vista do artigo 7 do Código de Processo Civil.há prorrogação em relação aos dias do início. Diário da Justiça de 9 de fevereiro de 2004. 452. Ag n. Por conseguinte. Prazo recursal. estadual ou distrital no prazo adicional fixado pelo juiz ou tribunal. Comprovação. cabe ao recorrente comprovar a ocorrência do feriado local no ato da interposição do recurso. o artigo 7 do Código de Processo Civil permite outra solução para a vexata quaestio. Cabe à parte comprovar. 509. quando da interposição do recurso. preceito que deve prevalecer quando há dúvida acerca da tempestividade do recurso. com a conseqüente possibilidade da posterior comprovação da existência de norma local instituidora de feriado. Ainda na mesma esteira da proposição sustentada na presente nota. 85 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho.226/MS — AgRg. isto é. em razão da incidência do princípio jurídico segundo o qual o juiz conhece o direito: iura novit curia. 85 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Feriado local.

excluído da contagem (artigos 184 e 506). nem ela foi previamente exigida da parte. Tal regra é decorrência do princípio geral segundo o qual o juiz conhece o direito — o qual não depende. 8. Diário da Justiça de 19 de setembro de 2005). Intimação e publicação Outro importante assunto relativo ao requisito da tempestividade reside na diferença entre intimação e publicação.7.81/RJ — AgRg — EDcl — AgRg. 659. Por oportuno. Não se podia exigir que a parte comprovasse a existência de feriado local no momento da interposição do recurso se isso não lhe foi exigido na oportundide” (cf. de prova. Não é só. para que faça ou deixe de fazer algo (por exemplo. provarlhe-á o teor e a vigência. Se o conhecimento do preceito normativo estadual não dependia de prova. que o legitimado. interponha recurso mesmo antes da intimação solene.7. para que o inconformado recorra. por força do artigo 11 da Lei n. porquanto prevalece a orientação jurisprudencial consubstanciada no enunciado n.3. 337)” (Ag n. em princípio. de 1990). 10 . nos termos do art. 337 do CPC. é preciso reconhecer que a tese defendida na presente nota é minoritária nos tribunais. o presidente do colegiado determina o imediato cumprimento da decisão. À luz do artigo 24 do Código de Processo Civil. se assim determinar o juiz’. Tanto que logo após a prolação de decisão em processo de mandado de segurança. deve ser imediatamente expedido ofício à autoridade impetrada. especialmente na prática forense. não há como impor sanção processual de intempestividade ou de preclusão. a intimação é o ato pelo qual se dá oficialmente ciência a alguém dos atos e termos do processo. estrangeiro ou consuetudinário. institutos jurídicos diversos. que alegar direito municipal.5 e do artigo 206 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal de 1980. Não obstante. Da mesma forma. reforça o voto condutor proferido pelo Ministro Relator: “Ora. Nada impede. É à luz da data da salvo quando o juiz o determinar (CPC. 85 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho.08. logo após o julgamento em processo de reclamação constitucional. portanto. com a posterior lavratura do acórdão (artigo 18 da Lei n. a distinção é muito relevante. é a publicação — e não a intimação por meio da publicação no órgão oficial de imprensa — que marca a existência da decisão no mundo jurídico. ainda não cientificado oficialmente da prolação da decisão. Diário da Justiça de 19 de setembro de 2005). Enquanto a intimação marca o dia do início do prazo recursal.81/RJ — AgRg — EDcl — AgRg. estadual. Tanto quanto sutil. no entanto. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. se assim desejar). mas confundidos com bastante freqüência. 1. ‘a parte. art. a publicação marca a existência jurídica da decisão. 659. Ag n.

com maior autoridade: VESCOVI. não há razão lógica nem jurídica para condicionar o exercício do aludido direito à espera da intimação solene. 104 . como bem anota ABÍLIO NETO: “I — A interposição prematura (antes da notificação da decisão) do recurso constitui tão-só uma irregularidade processual mas desprovida de sanção por inclusivamente não se enquadrável no art. 1988. a inadmissibilidade de recurso prematura também é ilegal à luz do Código nacional. inclusive. Com efeito. O direito de recorrer.publicação do decisum que deve ser aferida a tempestividade de recurso interposto pelo réu revel. p. Civil” (Código de Processo Civil anotado.. 15ª ed. si la parte tuvo conocimiento del acto. tanto na redação original quanto na atual. o respectivo prazo recursal corre da publicação da decisão. à vista dos artigos 9º. a qual. 46: “No creemos. a partir da publicação da sentença em audiência ou em Cartório”. é perfeitamente admissível o recurso antecipado152. ambos do Código de Processo Civil. sin embargo. No mesmo sentido. 151. Daí a existência de correto precedente jurisprudencial em prol do conhecimento de recurso antecipado. citado o revel por edital ou com hora certa. 11. Assim revela o artigo 22 do Código de Processo Civil. 920. em conclusão. nasce com a publicação do decisum. Tal como o Código brasileiro. À vista do Código de Processo Civil. é irrelevante em relação ao legitimidado recorrente.280. 201º do Cód. tal como o Código português. há a nomeação de curador especial. Los recursos. Proc. 1999. Por tudo. Diante da inexistência de sanção explícita no Código vigente. incorrecto que la impugnación (el recurso) se presente antes de la notificación. inciso II. ocorre na audiência ou com a entrega da decisão pelo juiz em cartório. 152. aliás. a qual. o qual deve ser intimado dos atos processuais em geral (como as decisões judiciais). y entendemos que representa exceso de formalismo rechazar el recurso por esa razón (si no se reiteró luego de la notificación)”. de 2006. conferida pela Lei n. A respeito da matéria. Por exemplo. O legitimado só não pode deixar de recorrer até o último dia do prazo recursal. e 22. nota 6). A interposição de recurso antes da intimação oficial também é aceita no direito italiano. não há no Código brasileiro preceito algum com sanção processual de não-conhecimento do recurso antecipada. 12 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “O prazo recursal para o réu revel corre independentemente de intimação. Por conseguinte. nada impede que a interposição do recurso anteceda à intimação oficial. o Código de Processo Civil de Portugal também não veda a interposição de recurso antes da intimação oficial. não há como considerar inadmissível recurso interposto antes da intimação oficial151. 150. Além de draconiana. como o réu revel sem patrono150 nos autos não precisa ser intimado (cf. em primeiro grau de jurisdição. artigo 22 do Código de Processo Civil). p. merece ser prestigiado o enunciado n. Com efeito.

p. Volume II. Com efeito. à luz dos métodos de interpretação teleológico. em suas clássicas Istituzioni. 492. nada impede o recurso anterior.. em 17 de novembro de 2004. 229: “RECURSO PROTOCOLIZADO ANTERIOR. não pode ser punido com a intempestividade dos embargos se quis dar celeridade ao processo”. merece ser destacada a lição do Professor ARRUDA ALVIM: “Nada impede que o recurso seja manifestado antes da intimação. Por conseqüência. à vista do artigo 242 —. 29 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada. a Corte Especial do STJ já bem decidiu em prol da admissibilidade do recurso interposto antes da intimação. 69. conforme se infere de autorizado precedente jurisprudencial: EREsp n.3. e 242. e RE n. sentença ou acórdão” (Manual. Não obstante. A Corte Especial por maioria deu provimento ao agravo regimental entendendo que o recurso de embargos de divergência protocolizado em data anterior à publicação do acórdão embargado não é intempestivo. protocolizando o recurso. caput. 105 . caput. nota 2). 2. Diário da Justiça de 11 de fevereiro de 1997. Se o advogado tomou ciência inequívoca da decisão e se antecipou à publicação na imprensa oficial. Entre os autores pátrios. a intimação pode ser dirigida às próprias partes. § 1º. merece ser prestigiado o acórdão proferido à unanimidade de votos pela 5ª Câmara Civil do TJSP na Apelação n. 194. 19). do mesmo diploma. 27. aprovada à unanimidade de votos: “A intimação é ao advogado e não à parte. 295. Informativo n. inciso II. 0ª ed. PUBLICAÇÃO.090-5 — EDcl. segundo revela a correta conclusão n. Trata-se. a despeito da fixação do termo fatal. 6ª ed. aliás. consoante ensina o Professor CHIOVENDA. pelo legislador especial.8. salvo quando a lei determinar o contrário”. não há necessidade da constituição de procuradores. Não obstante. Afastada a tese proveniente da interpretação literal do artigo 506.7.411-1: “Contudo. do Código de Processo Civil. 1999. em 22 de fevereiro de 2001. 1997. TEMPESTIVIDADE.461/MG — AgRg. parte final. de orientação consagrada na jurisprudência pátria. No mesmo sentido é o ensinamento do Jurisconsulto THEOTONIO NEGRÃO (Código.. 28. salvo nas causas com valor superior a vinte salários mínimos e. na fase recursal. p. 4). 1ª Turma do STF. última parte. p. 500.075/RJ — EDcl. em ação processada nos Juizados Especiais. Pleno do STF. volume 102. Por oportuno. p. se a oportunidade se apresenta” (RJTJSP. independentemente do valor da causa. caso elas não estejam representadas por advogados. 194. conduz à conclusão de que a intimação deve ser feita aos advogados das partes. tem-se que a exegese dos artigos 26. sistemático — e até mesmo do literal. há precedentes jurisprudenciais contrários ao conhecimento de recurso interposto antes da intimação oficial: ADIn n. Destinatário da intimação Outro assunto importante é o do destinatário da intimação da decisão. Por oportuno. desde que o advogado se dê por ciente da decisão.

o termo inicial do prazo recursal é re106 . caso estejam sendo patrocinadas por advogados. A respeito do tema. 9. a intimação aos advogados ocorre desde logo.3. o prazo recursal deve ser considerado tendo em conta a ulterior intimação. Sem dúvida. Ainda a respeito da intimação em audiência. ainda que algum advogado não tenha comparecido à audiência.099.9. a intimação é dirigida aos próprios litigantes. o mesmo ocorre em ação processada nos Juizados Especiais. com a posterior ausência do respectivo advogado.10. Com efeito. 7. Intimação de decisão publicada em audiência Publicada a decisão em audiência. regular a intimação para a audiência. do Código de Processo Civil. 9. merece ser prestigiado o enunciado n. oportunidade na qual será possível manifestar o inconformismo em razão do error in procedendo. as partes ficam desde logo intimadas. 7. Na hipótese. todavia.3. afasta-se a exceção da intimação diretamente à parte. 197 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “O prazo para recurso da parte que. É o que se infere dos artigos 9º. assim como os seus procuradores. de 1995. aplicando-se a regra da intimação ao procurador. o não-comparecimento à audiência não tem o condão de modificar o termo inicial do prazo recursal para a impugnação de decisão nela publicada. tratando-se de decisum publicado em cartório ou secretaria. 10. assim como da interpretação a contrario sensu do artigo 8º da Lei n. conta-se de sua publicação”. a regra é a seguinte: devidamente intimados os advogados. inciso I. intimada. 19 e 41. estando a parte representada por advogado. Com efeito. A regra. e não havendo necessidade nem estando voluntariamente as partes patrocinadas por causídicos. a intimação da decisão proferida na audiência não ocorre desde logo. tendo sido publicado o decisum em audiência.tratando-se de sentença proferida em ação da competência dos Juizados Especiais. da Lei n. É o que se infere dos artigos 242 e 506. isto é.099. Intimação de decisão publicada em cartório Não proferida a decisão em audiência. § 2º.259. nos termos do § 1º do artigo 19 da Lei n. Em contraposição. não comparecer à audiência em prosseguimento para a prolação da sentença. salvo se a intimação da audiência não tiver sido prévia e regular. o dies a quo (excluído da contagem) coincide com a data da audiência na qual a decisão é proferida. O causídico irregularmente intimado e que não compareceu à audiência deve ser intimado da decisão nela proferida. comporta exceção: na eventualidade de vício na intimação para a audiência.

à vista da regra extraída do artigo 26 do Código de Processo Civil. primeira parte. artigo 6º da Lei n. da Lei n. Tratando-se de intimação pelo correio. 9. 6. o termo inicial coincide com a data em que foi concretizada a intimação pelo escrivão ou pelo chefe de secretaria. especialmente para a intimação das decisões proferidas nos juízos das comarcas de interior. caput. 10. o dies a quo também pode ser revelado pela intimação das partes.910. Como a intimação marca o dies a quo (excluído da contagem do prazo à vista do caput do artigo 184). 8.271 e artigos 17 e 19 da Lei n. do mesmo diploma. do Código de Processo Civil. inciso II. do Código de Processo Civil. artigo 44. artigo 8 da Lei Complementar n. 107 . 1.028. todavia.625. caput. § 2º. a comprovação da existência de diferença entre a data da edição estampada no Diário da Justiça e o dia da efetiva circulação. afasta-se a regra. artigo 25 da Lei n. caso não tenham procuradores. e 506. do Código de Processo Civil. segundo estabelecem os artigos 242. 9.060. Ausente. 7. Com efeito. A intimação dos patronos das partes pode ocorrer por meio da veiculação da decisão no órgão oficial de imprensa. o dies a quo do prazo recursal coincide com a juntada aos autos do aviso de recebimento. artigo 41. a intimação deve ser realizada em cartório. a intimação ocorre na data estampada no próprio Diário da Justiça. Comprovada a circulação em data diversa mediante certidão lavrada pelo escrivão nos autos do processo. 80. artigo 5º. caput. Em primeiro lugar. Lei n. inciso I. e 27. inciso IV. exigida a intimação pessoal pela legislação. conforme indica o artigo 241. § 5º. da Lei Complementar n. Em regra. Em tal hipótese. conforme estabelece a última parte do artigo 28 do Código de Processo Civil. a intimação pessoal pode ser efetuada diretamente pelo escrivão ou pelo chefe de secretaria. com a consideração da data da efetiva circulação. O problema surge quando há diferença entre a data da edição do órgão oficial de imprensa e o dia da efetiva circulação. prevalece aquela (data da edição). prevista na primeira parte do artigo 28 do Código de Processo Civil. inciso I. A regra da intimação por meio do órgão oficial de imprensa não incide quando é exigida a intimação pessoal ex vi legis: artigo 26. pelo correio ou por mandado. Já em relação aos feitos de competência dos Juizados Especiais. da Lei n. a precisão na identificação daquela (intimação) é fundamental para a aferição da tempestividade do recurso.80.velado pela data da intimação dos advogados dos litigantes. nas hipóteses dos artigos 26.

conforme o caso”. especialmente nos Juizados Especiais Cíveis. Com efeito. Na mesma esteira. a carga dos autos com decisão neles exarada marca o dies a quo do prazo recursal.  das Turmas Recursais do Rio Grande do Sul: “RECURSO — PRAZO — TERMO INICIAL — O decêndio legal para interposição de recurso conta-se a partir da ciência da sentença e não da juntada aos autos do mandado ou AR”. inciso III. prevalece a orientação de que o termo inicial se confunde com a intimação de fato. 108 . com a fluência do prazo no dia útil subseqüente. observando-se as regras de contagem do CPC ou do Código Civil. o Fórum Nacional dos Juizados Especiais — FONAJE aprovou enunciado com igual redação: “Os prazos processuais nos Juizados Especiais Cíveis. tem-se por efetuada a intimação na data em que são retirados pelo advogado com carga do cartório ou da secretaria. no enunciado n. quando há decisão lançada nos autos.. Com efeito. Com efeito. Por fim. Assim também assentaram os juízes dos Juizados Especiais e das Turmas Recursais do Estado do Rio de Janeiro. de 2007: “Nos Juizados Especiais os prazos são contados da data da intimação. e não no dia da juntada do mandado ou do aviso de recebimento aos autos. predomina o entendimento de que o dies a quo ocorre na data da intimação real.No que tange à intimação pessoal efetuada por meio de oficial de justiça. e 564. e não da juntada do comprovante da intimação. inciso II. O disposto no artigo 241.3. o termo inicial do prazo para a interposição de recurso contra acórdão corresponde à data da veiculação das conclusões do aresto no órgão oficial de imprensa. de verdadeira intimação em cartório. no que tange às ações processadas nos Juizados Especiais Cíveis. Intimação de acórdão À luz dos artigos 506. ambos do Código de Processo Civil. 9. os vocábulos “dispositivo” e “conclusões” insertos nos artigos 506. 11. nem sempre é prestigiado na prática forense. 7. e não da juntada do respectivo expediente aos autos”. respectivamente. incisos I e II. do Código de Processo Civil. publicado no Aviso n. inciso III. a qual ocorre na própria data da retirada dos autos pelo advogado. como revela o enunciado n. têm idêntico significado. entretanto. contam-se da data da intimação ou ciência do ato respectivo. É o que revela o artigo 241. e 564. do Código de Processo Civil. à luz do artigo 28 do Código. Trata-se.11. considera-se realizada na data da juntada aos autos do mandado cumprido. Sem dúvida.9.

a simples notícia do resultado do julgamento não tem o condão de dar início à fluência do prazo recursal. pela nova publicação no órgão oficial de imprensa ou no Diário da Justiça eletrônico. marcada pela nova veiculação no órgão oficial de imprensa ou no Diário da Justiça eletrônico. Não obstante. Tanto quanto sutil. Por fim. tanto o dispositivo (resultado do julgamento do órgão coletivo) quanto a ementa (resumo da tese jurídica que foi prestigiada pelo colegiado) devem constar da publicação no órgão oficial de imprensa.3. por carta com aviso de recebimento. a mera veiculação da ata do julgamento no órgão oficial de imprensa não serve como intimação do acórdão. porquanto o prazo recursal só começa a fluir da veiculação do dispositivo (ou seja. nem marca o dies a quo do prazo recursal. a diferença é muito relevante. O relatório e a fundamentação. fica igualmente afastada a regra do artigo 26. do acórdão ou da decisão monocrática.Na verdade. Segunda intimação por republicação O Código de Processo Civil não contém preceito específico acerca do termo inicial do prazo quando ocorre segunda intimação da sentença. o prazo para a interposição do recurso tem como 109 . 506 e 564. consubstanciada na intimação via publicação no órgão oficial de imprensa. Quando for exigida a intimação pessoal do acórdão. Do contrário. a atual exigência da ementa revela bem a intenção do legislador: permitir o imediato conhecimento por parte do advogado do resumo do julgado. todos do Código de Processo Civil permite a conclusão de que a primeira intimação deve ser desconsiderada. deve ser realizada por uma das seguintes formas: a) diretamente na secretaria do órgão colegiado competente. não haveria motivo para a imposição do artigo 56: “Todo acórdão conterá ementa”. com a prevalência da segunda intimação. por meio de oficial de justiça. conclusões) e da ementa do acórdão no órgão oficial de imprensa. 7. 242. O mesmo raciocínio deve ser aplicado quando a segunda intimação é desnecessária. b) pelo correio. a combinação dos artigos 26. Na verdade. Ainda que julgada desnecessária a republicação. Em contraposição. e c) via mandado. da decisão interlocutória.12. não constam da intimação do acórdão. por determinação errônea do juiz ou por publicação repetida por erro do escrivão ou até da imprensa oficial. caput e § 1º. todavia. Com efeito. 247. quando há a necessidade de intimação pessoal do acórdão.

marca o novo termo inicial do prazo recursal. REPUBLICAÇÃO DE SENTENÇA. a republicação de decisão judicial no órgão oficial de imprensa tem o condão de reabrir o prazo recursal. Diário da Justiça de 8 de setembro de 1998). Em sentido conforme: “Especificamente com relação aos recursos e à sua tempestividade.597/RS — EDcl. Diário da Justiça de 16 de dezembro de 2002). 110 . 280. Com essas razões. que a jurisprudência da Corte entende razoável que em caso de republicação de sentença.887/SP — AgRg. p. 2ª Turma do STJ.590/MG. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. ainda que desnecessária. com a desconsideração da primeira intimação para a aferição da tempestividade154. Entendimento pacificado nesta Corte de que havendo a republicação da sentença. em razão de republicação da decisão judicial. Diário da Justiça de 2 de maio de 2006. AGRAVO REGIMENTAL. p. 255. 4ª ed. III — Recurso especial conhecido e provido” (REsp n. 2005. qual seja. ª Turma do STJ. Em sentido conforme: “PROCESSUAL CIVIL. dela começa a correr o prazo para o recurso” (REsp n. PRECEDENTES. 2ª Turma do STJ. ainda que desnecessária. na dúvida. no órgão oficial de imprensa ou no Diário da Justiça eletrônico. “PROCESSUAL CIVIL. a de que a republicação da sentença no órgão oficial de imprensa. o recurso deve ser admitido15: appellatio admittenda videtur in dubio. I — Ainda que desnecessária. de modo ser assegurado o reexame da decisão impugnada” (ADA PELLEGRINI GRINOVER.206/SP. REsp n. Em suma. impondo que qualquer dúvida a respeito da tempestividade seja sempre dirimida em favor da admissibilidade. 549. 286). 15. p. REPUBLICAÇÃO EFETUADA. 00). 17. portanto. não obstante. INCAPAZ DE INVALIDÁ-LA. 98 e 99). RECURSO ESPECIAL.27/RJ — AgRg. ª Turma do STJ. REPUBLICAÇÃO EFETUADA.termo inicial o dia da segunda intimação. em prol da preservação da segurança jurídica. reabre o prazo para o recurso” (REsp n. CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL DA NOVA PUBLICAÇÃO. o prazo dela se conta. e também em homenagem ao princípio jurídico segundo o qual. indispensável ao ato processual que marca o dia do início do prazo recursal. PUBLICAÇÃO COM ERRO MATERIAL. 76. Ainda que desnecessária. fora protocolizado dentro do prazo. p. 5ª Turma do STJ. eu conheço do especial e lhe dou provimento para afastar a intempestividade” (cf. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. a ocorrência de segunda intimação. Com igual orientação: “PROCESSUAL CIVIL. 1. o princípio da interpretação em favor do recorrente visa a preservar a garantia do duplo grau e do controle das decisões judiciais. ainda que desnecessária.. Diário de 1 de maio de 2004. Daí a correta conclusão: “Vê-se. ainda que desnecessária. PRECEDENTE DO STF. Recursos. 154. merece prosperar o recurso especial que sustenta tese sufragada pela jurisprudência desta Corte. Também no mesmo sentido: “II — Considerado intempestivo o recurso de apelação que.063/MG. a republicação de decisão judicial no órgão oficial de imprensa tem o condão de reabrir o prazo recursal” (Ag n. 51). CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL: DA NOVA PUBLICAÇÃO. II — Precedente do STF: RE n. AGRAVO DE INSTRUMENTO. Diário da Justiça de 28 de junho de 2004. 651.

conforme a espécie recursal.7. para a averiguação da tempestividade do recurso. 9. Interposto o recurso mediante fac-símile. a data da juntada da petição recursal aos autos. e 525. a regra é a de que a tempestividade do recurso é aferida à vista da data da apresentação da petição recursal no protocolo do órgão judiciário competente. e 544. Em síntese. Da mesma forma. a tempestividade deve ser averiguada à vista da data da recepção da cópia da petição 111 . Ainda no tocante à aferição da tempestividade. Não obstante. § 1º.800. caput. conforme revelam os artigos 557. nem o agravo de instrumento contra decisão de inadmissão de recursos especial e extraordinário. É o que estabelece o proêmio do parágrafo único do artigo 506 do Código de Processo Civil. Por exemplo. Por ser exceção à regra consagrada no proêmio do parágrafo único do artigo 506. respectivamente. há outra exceção. consoante autoriza o § 2º do artigo 525. bem como por estar inserto no capítulo que versa sobre o agravo contra decisão interlocutória.13.3. a regra cede à exceção prevista na segunda parte do mesmo parágrafo único do artigo 506. Com efeito. a tempestividade à luz da data da postagem não alcança o agravo retido. à vista da regra. o disposto no § 2º do artigo 525 não alcança o agravo interno (ou regimental). portanto. sob registro com aviso de recebimento. passou a ser possível a interposição de recurso por meio de fac-símile. segunda parte. Com o advento da Lei n. a petição recursal do agravo de instrumento contra decisão interlocutória pode ser protocolizada na secretaria do tribunal competente. Como a exceção (da averiguação da tempestividade à luz da data em que a petição recursal foi postada) alcança apenas o agravo de instrumento dos artigos 522. mas também pode ser postada (vale dizer. 216: “A tempestividade de recurso interposto no Superior Tribunal de Justiça é aferida pelo registro no protocolo da Secretaria e não pela data da entrega na agência do correio”. o Superior Tribunal de Justiça aprovou o enunciado n. Aferição da tempestividade Em regra. a tempestividade é aferida à luz da data em que a petição do recurso foi apresentada no protocolo do cartório judicial ou da secretaria de tribunal. a regra consagrada no proêmio do parágrafo único do artigo 506 não é absoluta. espécies de agravo regidas por normas próprias. A combinação do parágrafo único do artigo 506 com o § 2º do artigo 525 revela que a aferição da tempestividade pela data da postagem é exclusiva do agravo de instrumento contra decisão interlocutória. É irrelevante. ambos do Código de Processo Civil. “no correio”).

em caso de dúvida. § 2º. quando o inconformismo é interposto por fac-símile antes do termo final155. 2º DA LEI N. O prazo de cinco dias. Por oportuno. 87 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. histórico e teleológico de interpretação. segundo princípio de hermenêutica jurídica. em 19 de dezembro de 2007. todavia. e não na data da interposição do recurso. se esta se deu antes do termo final do prazo”. 9. consoante estabelece o caput do artigo 2º da Lei n. INADMISSIBILIDADE. 2º da Lei n. Conferir: “AGRAVO REGIMENTAL OFERECIDO VIA Fac-siMiLe. Com efeito. Ademais. para a apresentação 112 . 9. mesmo que o inconformismo tenha sido interposto antes do dia do término do prazo.800. Trata-se. 156.800. A propósito do recurso interposto via fac-símile. o qüinqüídio para a apresentação da petição recursal original tem como dies a quo do “término” do prazo recursal.1999. DE 26.800. portanto. 9. nos termos do art.800 reside no “término” do prazo recursal.1999. de 1999.80/RS. deve apresentar a petição recursal original dentro de cinco dias. O descumprimento da exigência contida no artigo 2º conduz à prolação de juízo negativo de admissibilidade. do Código de Processo Civil156.800. deve-se adotar a exegese que favorece o recorrente: appellatio admittenda videtur in dubio. de exceção explícita ao princípio da consumação. Resta saber como deve ser feita a contagem do qüinqüídio previsto no artigo 2º da Lei n. Por tudo. conforme revela o caput do artigo 2º da Lei n. de 1999. ART.recursal no órgão judiciário competente. PRAZO DE RECURSO FINDO NA SEXTA-FEIRA. 640. há recente precedente jurisprudencial: EREsp n. 9.5. e 240. tem-se que o termo inicial do qüinqüídio previsto no caput do artigo 2º da Lei n. especialmente o inciso II: “A contagem do qüinqüídio para apresentação dos originais de recurso interposto por intermédio de fac-símile começa a fluir do dia subseqüente ao término do prazo recursal. Prevalece a orientação jurisprudencial pela continuidade do prazo. A propósito. O recorrente. No mesmo sentido do texto do presente compêndio. 9. à luz dos métodos literal. PRETENSÃO DE CONTAR-SE O PRAZO DE CINCO DIAS PARA A JUNTADA DO ORIGINAL A PARTIR DA SEGUNDA-FEIRA IMEDIATA. Corte Especial do STJ. não deve ser considerada a data da interposição do recurso. Sem dúvida. reforça a 155. de 1999. merece ser prestigiado o enunciado n. o legislador optou expressamente pelo “término” do prazo recursal.800/1999. 2º da Lei 9. 9. previsto na parte final do art. contados do “término” do prazo recursal.5. quando estipulou o termo inicial do qüinqüídio para o oferecimento da petição original. de 26.800. e não do dia seguinte à interposição do recurso. parágrafo único. sem a incidência dos artigos 184.

Diário da Justiça de 24 de junho de 2002). porquanto o verbete sumular aprovado em da peça original. explicitou que a mencionada lei alterou o parágrafo único do art. 158. 159. 09. 476. atenta contra a lógica 11 . in fine: “Ademais. por maioria. de 26. 10. lei de organização judiciária. Diário da Justiça de 16 de junho de 2006. 10. o qual é contínuo. Instituído o protocolo integrado pela legislação pertinente158. O Min.6/SE — AgRg. ADMISSIBILIDADE.proposição n. caput. Assim já bem decidiu o Plenário do Supremo Tribunal Federal: “AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. Esta nova regra processual.352. de aplicação imediata. não se interrompendo nos feriados” (Ag n. 56: “Ao apreciar o agravo regimental no agravo de instrumento no qual o agravante sustentava que deve prevalecer o entendimento da Lei n. pela celeridade de tramitação e pelo mais facilitado acesso das partes às diversas jurisdições. 547 do CPC visando a permitir que. regimento interno. deu provimento ao agravo regimental e revogou a Súmula n. 5). e não da chegada da petição recursal no tribunal ad quem159. pudesse a parte interpor sua irresignação por meio do protocolo integrado. segunda parte. 256 deste Superior Tribunal. não se tratando. afastou o obstáculo à adoção de protocolos descentralizados.” 161. de dezembro 2001. ao prosseguir no julgamento. de ato que dependa de notificação. parágrafo único. em virtude da “delegação” autorizada pela Lei n. se orienta pelo critério da redução de custos. vale conferir o disposto no Informativo n. Agravo regimental provido para determinar a subida do recurso extraordinário e assim possibilitar melhor exame do feito” (AI n. em seu voto-vista. não só no agravo de instrumento (art. § 2º. a Corte Especial.12. Por fim. podendo coincidir com sábado. RECURSO EXTRAORDINÁRIO INTERPOSTO PELO SISTEMA DE PROTOCOLO DESCENTRALIZADO. resolução. Daí a justificativa para o correto cancelamento do enunciado n. não se aplica a regra do art. parágrafo único. 542. 256160 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça pela respectiva Corte Especial161. 160. em todos os recursos.352/2001. A Lei n. Luiz Fux. “O sistema de ‘protocolo integrado’ não se aplica aos recursos dirigidos ao Superior Tribunal de Justiça. Por exemplo. os atuais artigos 506. permitem a instituição de protocolo descentralizado157 tanto por meio de lei de organização judiciária quanto por norma interna de “tribunal”. Também denominado protocolo integrado e protocolo unificado. p. todos do Código de Processo Civil. já tem ciência de seu ônus processual. 10. pois a parte. 184 do CPC quanto ao dies a quo do prazo. 525. mas mera prorrogação do primeiro. 4ª Turma do STJ. não constitui um prazo novo. 7 da Primeira Subseção do Tribunal Superior do Trabalho. Luiz Fux.01.260/SP — AgRg. a juntada dos originais. e 547. ao alterar os artigos 542 e 547 do CPC.52. 157. ao interpor o recurso. Por oportuno. domingo ou feriado”. do CPC). Para o Min. a tempestividade deve ser aferida à vista da data do primeiro protocolo.

Não obstante. pela celeridade de tramitação e pelo mais facilitado acesso das partes às diversas jurisdições. julgado em 21 de maio de 2008. a interrupção ocasiona a paralisação do curso do prazo. posteriormente restituído por inteiro. DJ 16/6/2006” (AgRg no Ag 792. regimental ou regulamentar alguma em prol da aferição da tempestividade pelo sistema de protocolo unificado no âmbito da competência do juízo ou tribunal recorrido.4. 114 .1. Há a imediata suspensão do prazo recursal: a) em razão da superveniência de férias forenses coletivas. aos Tribunais Superiores. a fortiori. demonstrada. prevalece a regra inserta no proêmio do parágrafo único do artigo 506: a tempestividade do recurso é aferida à luz da data da apresentação da petição recursal no próprio protocolo do órgão judiciário competente. 7.352/2001. tendo em vista as novas redações dos artigos 542. mas o lapso decorrido é computado na contagem final do prazo.52. A tendência ao efetivo acesso à Justiça. parágrafo único. À vista dos artigos 179 e 180 do Código de Processo Civil. do CPC. Suspensão e interrupção do prazo recursal 7. de dezembro do mesmo ano. se não existir norma legal. desde que o sistema esteja previsto em norma legal. quando menos. Corte Especial do STJ. sem os grifos no original). 10. Este Tribunal Superior já assentou que a Lei n. afastou o obstáculo à adoção de protocolos descentralizados. de aplicação imediata. orienta-se pelo critério da redução de custos.agosto de 2001 restou incompatível com a superveniente Lei n. Em contraposição. Daí a conclusão: a aferição da tempestividade de todos os recursos pode ser feita à vista do protocolo integrado. Precedente citado do STF: AgRg no AI 476. Os dias anteriores ao advento da suspensão são levados em consideração após o retorno da contagem do prazo. regimental ou regulamentar com incidência perante o juízo ou tribunal competente. onde há mais comodidade oferecida às partes do que com relação aos recursos endereçados aos tribunais superiores. pela própria possibilidade de interposição do recurso via fax. revela a inequivocidade da ratio essendi do artigo 547. ao alterar os artigos 542 e 547 do CPC.260SP. a suspensão ocasiona a paralisação do curso do prazo. Generalidades Antes de ingressar no estudo das hipóteses de suspensão e de interrupção do prazo recursal. desconsiderando-se o lapso decorrido. aplicável aos recursos em geral e. e 547. parágrafo único. ambos do Código de Processo Civil. 10. caput.4. Essa nova regra processual. só existentes no âmbito nos tribunais jurídica conceder o referido benefício aos recursos interpostos na instância local. é importante diferenciar a suspensão da interrupção.846-SP.

Apontadas as hipóteses de suspensão e interrupção. 5.2. de suspeição ou de impedimento. de 1979. 115 . Tribunal Superior do Trabalho). inciso XII. é automático. b) em decorrência de obstáculo ao exercício do direito de recorrer. portanto. Ocorre a imediata interrupção do prazo recursal: a) pelo falecimento da parte ou de seu advogado. 45. de 2004. Resta saber qual o período das férias forenses no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais Superiores. Suspensão por superveniência de férias forenses Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. porquanto a vedação constitucional das férias forenses alcançou apenas os juízos de primeiro grau e os tribunais de segundo grau (ou seja. d) em razão do oferecimento de exceção de incompetência relativa. c) em razão da interposição de embargos declaratórios admissíveis. Reforça o artigo 81 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça: “O ano judiciário no Tribunal divide-se em dois períodos. Já no caso de superveniência de férias forenses. Subsiste. o término da suspensão ocorre ipso facto. Superior Tribunal de Justiça. com o imediato reinício do prazo no primeiro dia útil seguinte ao encerramento das férias judiciais coletivas. tribunais regionais e locais). já é possível estudar cada uma delas. Houve somente a limitação das férias coletivas em prol do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores (por exemplo. de perda da capacidade processual e de apresentação de exceção. 7. com a redação determinada pela Emenda Constitucional n. conforme dispõe a parte final do artigo 179 do Código de Processo Civil. da Constituição Federal. Nas hipóteses de obstáculo ao exercício do direito de recorrer. as férias coletivas compreendem os períodos de 2 a 1 de janeiro e 2 a 1 de julho. o artigo 9. recaindo as férias dos Ministros nos períodos de 2 a 31 de janeiro e de 2 a 31 de julho”. c) em virtude da perda da capacidade processual.superiores. independentemente da intimação das partes. A contagem do prazo recursal é retomada logo no primeiro dia útil após o término das férias forenses. a suspensão dos prazos recursais nas férias coletivas dos ministros da Corte Suprema e dos Tribunais Superiores. o prazo recursal somente volta a fluir no primeiro dia útil após a intimação do término do fato gerador da suspensão. À vista do § 1º do artigo 66 da Lei Complementar n.4. b) por motivo de força maior. não aboliu as férias forenses do direito brasileiro. ou seja.

010.3. além das ações mencionadas no próprio Código de Processo Civil. Com efeito.Não obstante. conforme o disposto no inciso I do artigo 58 do diploma que trata das “locações dos imóveis urbanos”. o recesso forense passou a receber o mesmo tratamento jurídico conferido às férias forenses. conforme se infere do inciso III do artigo 174. inclusive. de 20 de dezembro a 6 de janeiro. 174 e 179 do Código de Processo Civil revelam que o prazo recursal para a impugnação de decisão proferida em ação submetida ao procedimento sumário não é atingido pela superveniência das férias forenses. As ações submetidas ao rito especial da Lei n. 9. Com efeito. é possível concluir que as férias coletivas subsistem no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais Superiores. também têm curso durante as férias judiciais coletivas as ações previstas em leis especiais que afastam a suspensão. 105 da Súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos. há recesso forense na Justiça Federal de 116 . como revela o inteiro teor do verbete sumular: “Aos prazos em curso no período compreendido entre 20 de dezembro e 6 de janeiro. as quais são reconhecidas no artigo 105 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. 5.4. nas quais os prazos recursais correm até mesmo na Corte Suprema e nos Tribunais Superiores. não há suspensão do prazo recursal em ação sujeita ao rito sumaríssimo consagrado no inciso I do artigo 98 da Constituição Federal e no artigo 2º da Lei n. inciso I. 7. algumas merecem destaque. pelo artigo 179 do Código de Processo Civil. à vista do artigo 62. em causa sujeita ao rito sumário do artigo 275 do Código. a suspensão dos prazos recursais por superveniência de férias coletivas no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais Superiores comporta exceções. aplica-se a regra do artigo 179 do Código de Processo Civil”. da Lei n. com expressa remissão às “hipóteses previstas em lei”. com a igual suspensão dos prazos. Os artigos 17. Com maior razão. de 1995. o prazo para a interposição de recurso não é suspenso durante as férias coletivas.245 também tramitam durante as férias forenses. Por força do enunciado n. salvo nas hipóteses dos artigos 17 e 174 do Código de Processo Civil e das leis especiais. A propósito das exceções. na Justiça Federal. de 1966. em razão da importância na prática forense.099. Suspensão por recesso forense O período compreendido entre o dia 20 de dezembro e o dia 6 de janeiro é denominado “recesso forense”. Por tudo. com a suspensão dos respectivos prazos recursais. Assim. 8.

4. cujo artigo 1º dispõe: “Art.primeiro grau e nos Tribunais Federais em geral (ou seja. conforme a combinação dos artigos 1º e 2º da Resolução n. o Tribunal de Justiça do Distrito Federal aprovou o Ato Regimental n.010. 15. o Conselho Nacional de Justiça confirmou a possibilidade da suspensão do expediente forense “na primeira e segunda instâncias” da Justiça local. porquanto o prazo é comum e os autos devem permanecer no cartório do juízo ou na secretaria do tribunal.4. de 1966. de 5 de setembro de 2005. por meio do qual alterou o parágrafo único do artigo 5 do Regimento Interno e determinou a aplicação do artigo 62 da Lei n. Na mesma esteira. tanto na Justiça do Distrito Federal quanto no Tribunal de Justiça do Distrito Federal. do Código de Processo Civil). Outro exemplo: o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul aprovou a Resolução n. artigo 40. Por exemplo. os Tribunais Regionais. 1. À luz da resolução do Conselho Nacional de Justiça. 61. Quanto à Justiça e ao Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. os Tribunais Superiores e o Supremo Tribunal Federal). 8. § 2º. Daí o recesso forense de 20 de dezembro a 6 de janeiro. com a consagração do recesso forense. a suspensão do expediente forense durante os dias 20 de dezembro a 6 de janeiro ocorre por força da Lei Complementar Estadual n. com a suspensão dos prazos recursais. 1º FICAM SUSPENSOS OS PRAZOS PROCESSUAIS NO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE 20 DE DEZEMBRO DE 2007 E 6 DE JANEIRO DE 2008”. quando há carga (ilegal) dos autos pelo advogado de uma parte em caso de sucumbência recíproca. 7. Último exemplo: o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás aprovou a Resolução n. com a igual determinação de suspensão dos prazos no período de 20 de dezembro a 6 de janeiro. muitos Tribunais de Justiça162 já aprovaram atos normativos específicos (resolução ou ato regimental) destinados aos respectivos Estados-membros. consoante a interpretação do proêmio do artigo 180 do Código de Processo Civil. Suspensão por obstáculo ao exercício do direito de recorrer Há suspensão do prazo recursal em decorrência de obstáculo criado pela parte contrária ou pelo respectivo advogado. de novembro de 2007. à Justiça e ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal. de novembro de 2007. Além do obstáculo criado pela parte contrária. de 29 de novembro de 2005. É o que ocorre. também há o obstáculo judicial (como são exemplos a conclusão dos autos ao magistrado e o 162. 1º Ficam suspensos os prazos processuais no período compreendido entre 20 de dezembro de 2007 e 06 de janeiro de 2008”. inclusive. por exemplo. para consulta dos advogados das partes (cf. 117 . 85. inclusive. 5. de 2005. cujo artigo 1º dispõe: “ART.

porquanto o § 2º do artigo 105 do Regimento Interno estabelece apenas que não corre prazo quando há obstáculo judicial. Na verdade. A capacidade de estar em juízo. tendo em vista a combinação dos artigos 7º. do Código de Processo Civil. tanto a perda da capacidade processual16 quanto a perda da capacidade postulatória164. Daí a distinção entre a capacidade de ser parte e a capacidade de estar em juízo. por motivo 16. Os advogados têm capacidade postulatória (cf.4. Não obstante. 164. A capacidade postulatória ou ius postulandi é o pressuposto processual consubstanciado na possibilidade jurídica de ingressar em juízo. porquanto não têm capacidade civil plena. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. 118 . nas referidas hipóteses de obstáculo ao exercício do direito de recorrer. mas não têm capacidade processual. O Código de Processo Civil não contém preceito específico acerca do obstáculo judicial. o prazo recursal só volta a fluir no primeiro dia útil após a intimação do término do fato gerador da suspensão.desaparecimento dos autos do cartório ou da secretaria durante o prazo recursal). todos do Código de Processo Civil. Por fim. Suspensão por perda da capacidade processual Há a suspensão do prazo recursal diante da “perda da capacidade processual de qualquer das partes. A capacidade processual depende da capacidade de ser parte. de patrocinar causa em juízo. legitimatio ad processum) é o pressuposto processual consubstanciado na possibilidade jurídica de praticar de atos válidos em juízo. todos do Código Civil. artigos 6 e 7 do Código de Processo Civil): tanto os advogados autônomos quanto os públicos. O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal contém dispositivo sobre o obstáculo judicial. com os artigos º. nem todo aquele que pode ser parte pratica atos válidos no processo. aplicável à vista do artigo 126 do mesmo diploma. mas não esclarece se há suspensão ou justa causa. Assim. capacidade processual ou legitimação para o processo (no latim. para que possam praticar atos válidos em juízo. inciso I. É o que se infere dos artigos 180 e 265. segunda parte. o obstáculo judicial ocasiona a suspensão do prazo recursal. por exemplo. em virtude da interpretação analógica do proêmio do artigo 180 do Código de Processo Civil. de seu representante legal ou de seu procurador”. segundo orientação predominante na doutrina e na jurisprudência. conforme o caso (cf.5. assim considerados os defensores públicos e os procuradores das pessoas jurídicas de direito público interno. os membros do Ministério Público também têm capacidade postulatória. artigo 8º do Código de Processo Civil). Daí a necessidade da assistência ou da representação. em virtude da capacidade civil plena. 7. 8º e 12. os menores podem ser partes. mas também da capacidade civil plena. Além dos advogados em geral. 4º e 5º.

Com efeito. Já as exceções veiculadas nos tribunais devem ser processadas e julgadas à luz dos respectivos regimentos internos (cf. de suspeição ou de impedimento do artigo 05. de 1994. e 06.6. inciso II) e em todos os graus de jurisdição. Por exemplo. Por exemplo. § 1º. inciso III. 8. Já o artigo 180 estabelece que a veiculação de alguma das exceções ocasiona a suspensão do prazo recursal. parte final). artigo 1. de suspeição e de impedimento. artigo 265. à vista dos artigos 4º. 167. 7. O prazo recursal só volta a correr após a intimação do pronunciamento judicial de declaração da correção do vício processual. há a imediata suspensão do processo e do prazo recursal. de 1994. p. Protocolizada a exceção no juízo ou tribunal competente. todos do Código de Processo Civil. Só há suspensão quando há perda de capacidade do único advogado de alguma das partes167. independentemente do resultado 165. 8. Com efeito. caput). Diário da Justiça de 5 de outubro de 1992. e 42. 17104. As exceções de incompetência relativa. Por conseguinte. § 4º. parágrafo único. também há a suspensão do prazo recursal diante da veiculação de exceção de incompetência relativa. 10. à vista dos artigos 8 e 42 da Lei n. à vista do artigo 791. exclusão do advogado. de suspeição ou de impedimento podem ser suscitadas em todos os processos (até mesmo em execução. na jurisprudência: REsp n. o inciso I do artigo 265 não incide quando foram constituídos dois ou mais advogados para atuação conjunta. Em sentido semelhante.271/SP.4. 4ª Turma do STJ. 265.transitório165 ou definitivo166. o inciso III do artigo 265 versa sobre a suspensão do processo por força do oferecimento de exceção de incompetência relativa. suspensão do advogado.906. 7. Suspensão por oferecimento de exceção À vista dos artigos 180. todos da Lei n. Por fim. ocasionam a suspensão do prazo recursal durante o lapso marcado pelo juiz para o defeito ser sanado (cf. 119 .906. 166. não há suspensão quando as partes estão patrocinadas por mais de um advogado. o § 4º do artigo 265 estabelece que as exceções veiculadas em primeiro grau de jurisdição devem ser processadas e julgadas à luz dos artigos 04 a 14 do Código de Processo Civil.

É o que se infere da primeira parte do artigo 507 do Código de Processo Civil. sobrevier o falecimento da parte ou de seu advogado”. p. não resistem ao confronto com o dispositivo específico do artigo 507. Só então o processo volta a ter seguimento. Interrupção por motivo de força maior Também há a interrupção do prazo recursal por motivo de força maior que suspenda o curso do processo. inciso I. p. É certo que os artigos 180 e 265. é possível concluir que o artigo 507 prevalece em relação aos artigos 180 e 265.4. Interrupção por falecimento da parte ou de seu advogado Ocorre a interrupção do prazo recursal “se. 790. 7. TERMO INICIAL. SUSPENSÃO DO PROCESSO. artigos 180.7. o prazo para contestação fica suspenso. incide o princípio da especialidade: norma especialis derogat generalem. 111. 169. parecem conduzir à conclusão de que o falecimento da parte e a morte do advogado ocasionam mera suspensão do prazo recursal. inciso I.8. com a incidência do artigo 18 do Código de Processo Civil. 120 . Os preceitos genéricos. Diário da Justiça de 14 de maio de 2007.do julgamento do incidente processual168. na jurisprudência: “1. fluindo. entretanto.4. 285). após o julgamento da exceção” (REsp n. Com efeito. Diário da Justiça de 18 de novembro de 2002. Força maior é o evento coletivo que 168. A suspensão subsiste até o julgamento da exceção. inciso III. A simples oposição da exceção de incompetência suspende o processo. pelo tempo restante. III. razão pela qual a superveniência do falecimento da parte e a morte do advogado ocasionam a interrupção (e não simples suspensão) do prazo recursal. tendo em vista a interpretação do artigo 06 do Código de Processo Civil. Em sentido semelhante. 7. ª Turma do STJ. Em sentido conforme.404/ES. e 06)169. tema objeto do próximo tópico. 218). E 306 DO CPC. INTELIGÊNCIA DOS ARTIGOS 265. durante o prazo para a interposição do recurso. Em suma. com o conseqüente retorno da fluência de eventual prazo recursal igualmente suspenso (cf. com a intimação da respectiva decisão. 4ª Turma do STJ. Oposta exceção de incompetência. Por conseguinte. a interrupção do prazo para a interposição de recurso só ocorre quando há falecimento. Já a doença do advogado pode configurar justa causa.567/RS. até o julgamento definitivo do incidente” (REsp n. 265. na jurisprudência: “EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA.

o § 1º do artigo 18 do Código de Processo Civil fornece o conceito de justa causa: “Reputa-se justa causa o evento imprevisto. Volume V. 121 .618/SP. DOENÇA. e que impede a prática do ato processual171. Por exemplo. QUESTÃO DE ORDEM. as revoluções que conturbam a vida normal da Nação etc. 14974). de preparar. § 1º. p. 4ª Turma do STJ. consoante revela a combinação dos artigos 265. § 1º. § 2º. PARALISAÇÃO DOS ADVOGADOS PÚBLICOS FEDERAIS. Diário da Justiça de 14 de setembro de 1992. 4ª Turma do STJ. Recurso especial conhecido e provido” (REsp n. na doutrina: ARAKEN DE ASSIS. há do juiz relevar a intempestividade. p. Comentários. 41. também denominada “justo impedimento”. os arts.impede o exercício regular da atividade forense. na jurisprudência: “Há de se interpretar o art. inciso V. De acordo. 105. força maior não se confunde com justa causa. 1998. “PRAZO. 8. § 1º. por motivo de saúde. tomo I. p. A propósito. e BARBOSA MOREIRA. 0). peça recursal. SUSPENSÃO DOS PROCESSOS.48/MG — AgRg.” (PEDRO BARBOSA RIBEIRO e PAULA RIBEIRO FERREIRA. 98). ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 2 de março de 1998). 7. 183. 589. JUSTA CAUSA. no prazo. do CPC. do RISTF” (RE n. as tempestades que alagam o Ofício de Justiça. c. Considera-se tempestivo o presente agravo regimental interposto por advogado que ficou impossibilitado de exercer suas atividades profissionais. Também no mesmo sentido. Diário da Justiça de 5 de setembro de 2005. principalmente. Assim. com a compreensão voltada para o laço de confiança firmado entre cliente e advogado. 107). 5. em razão da gravidade do acontecimento que atingiu determinada coletividade170. Volume V. V. no prazo recursal” (Ag n. se este adoece e fica impossibilitado. em razão de greve do funcionalismo. do interesse público. A justa causa é o evento individual alheio à vontade da parte ou do seu advogado. 183. na jurisprudência: “A doença do advogado pode constituir justa causa para os efeitos do art. 183. 11. p. Ainda em sentido conforme: “1) TEMPESTIVIDADE. p. A recente greve dos advogados públicos federais coloca em risco a defesa do erário e. Diário da Justiça de 4 de junho de 2004. Curso. suas autarquias e fundações. Daí a interrupção do prazo recursal. p.600/SC. 265. na jurisprudência: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. do CPC. e que a impe- 170. 1. considerando a excepcionalidade da situação” (RMS n. 68 e 69. e 507 do CPC. Aplicação do art.c. p..478/PR — QO. A parada dos serviços judiciais. FORÇA MAIOR. V do CPC e do art. Pleno do STF. PARALISAÇÃO DOS SERVIÇOS JUDICIAIS. principalmente quando ele for o único procurador constituído nos autos” (REsp n. Em conseqüência. 1999. revelando-se motivo de força maior suficiente para determinar-se a suspensão dos feitos que envolvem a União. os sismos. “São exemplos de força maior os terremotos. Condições de admissibilidade. 1ª Turma do STJ. as guerras. 171. À vista do direito processual. ambos do Código de Processo Civil. n. alheio à vontade da parte. Diário da Justiça de 1 de dezembro de 2004. face ter sido internado em hospital.852/RJ — AgRg. 69). e 507. 7ª ed. constitui obstáculo ao curso regular do prazo recursal. 265. Inteligência do art. 1998. ADVOGADO.

é indispensável a alegação e a comprovação mediante petição protocolizada até cinco dias após o término do justo impedimento. com sede em Brasília: “EMBARGOS DECLARATÓRIOS — NÃO-CONHECIMENTO — HIPÓTESES — EFEITOS. Com efeito. finda a justa causa que impediu a interposição do recurso. 1 da Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. de irregularidade de representação ou quando a parte sequer alega omissão. Em suma. isto é. todavia. A força maior gera a interrupção do prazo recursal. força maior e justa causa são institutos jurídicos distintos. do justo impedimento. Os significados de força maior e de justa causa são extraídos da interpretação do Código de Processo Civil. Embargos de declaração: regra da interrupção e exceção da suspensão O caput do artigo 58 do Código de Processo Civil consagra a interrupção do prazo recursal em razão da interposição de embargos declaratórios por qualquer uma das partes. vale 122 .9. 7. Na verdade. inciso V. já a justa causa é um evento individual. § 2º). No mesmo diapasão. e 507 tratam da força maior. como ocorre com a força maior. Em tais casos. a justa causa gera o afastamento da preclusão temporal. por irregularidade formal).diu de praticar o ato por si ou por mandatário”. a justa causa não pode ser incluída no rol das hipóteses de suspensão. não sendo vinculativa a decisão originária que tenha concluído diversamente”. Porém. I — Os Embargos de declaração não devem ser conhecidos nas hipóteses de intempestividade. não gera a interrupção do prazo recursal.4. À luz dos artigos 18 e 185 do mesmo diploma. sendo negativo o juízo de admissibilidade (verbi gratia. o magistrado afasta a preclusão temporal e concede prazo adicional para a interposição do recurso. por intempestividade. só há interrupção quando o recurso de declaração é conhecido. Enquanto os artigos 265. a fim de que a parte possa praticar o ato processual não realizado em razão do justo impedimento (cf. artigo 18. cujo prazo correu in albis em razão do evento individual que impediu a prática do ato processual. A força maior é um acontecimento coletivo. muito menos de interrupção do prazo recursal. É a regra que atualmente norteia o direito brasileiro. os artigos 18 e 519 cuidam da justa causa. contradição ou obscuridade. não interrompem o prazo recursal. com a concessão de prazo adicional fixado pelo magistrado. os embargos declaratórios não acarretam a interrupção dos prazos dos outros recursos. Em contraposição. A justa causa. É o que revela o preciso verbete n. reconhecido o justo impedimento. O mesmo não ocorre quando há justa causa.

Tanto a doutrina quanto a jurisprudência ensinam que o simples pedido de reconsideração não ocasiona a interrupção nem a suspensão do prazo recursal.099.  da Súmula do Tribunal de Justiça de Pernambuco: “O pedido de reconsideração não interrompe nem suspende o prazo para interposição do competente recurso”. Há.4. houve a inclusão do preciso verbete n. computando-se os dias decorridos. de 1995: “Quando interpostos contra sentença. Com efeito. Além da regra da interrupção inserta no artigo 58 do Código de Processo Civil. Tal exceção à regra da interrupção do prazo recursal consta do artigo 50 da Lei n. Inexistência de suspensão e de interrupção Estudados os casos de suspensão e de interrupção. interrompido. não interrompem o prazo para a interposição de recursos”. 48 na Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “Os embargos de declaração. Em abono ao raciocínio sustentado. 27 do Centro de Estudos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. não interrompem o prazo para a interposição de recursos”. A primeira hipótese está consubstanciada no pedido de reconsideração. por acordo das partes. Por ser peremptório. na esteira do enunciado n. Também não há suspensão nem interrupção do prazo recursal nos feriados. Com efeito. 27. os embargos de declaração suspenderão o prazo para recurso”. É o que se depreende do disposto no proêmio do artigo 182 do Código de Processo Civil. a concessão de prazo adicional para a interposição de recurso pelo legitimado que deixou de recorrer em razão de “justa causa”.10. Posteriormente. aprovado à unanimidade de votos: “Os embargos de declaração. a teor do § 1º do artigo 184. convém lembrar que há exceção. consoante o disposto no artigo 18. após a intimação do julgamento proferido nos embargos declaratórios. Então. Há. mero pedido de reconsideração não tem o condão de interromper nem de suspender prazo recursal. apenas a prorrogação do prazo recursal quando o vencimento do prazo ocorre em feriado. vale a pena conferir alguns casos que não interferem na fluência do prazo recursal. vale a pena conferir o preciso enunciado n. 9. reduzido. o prazo recursal volta a fluir. quando intempestivos. 7. a interposição de embargos de declaração contra sentença proferida em ação da competência dos Juizados Especiais apenas suspende o prazo para a apresentação de outro recurso. quando intempestivos. conforme estabelece o artigo 178 do Código de Processo Civil. como já estudado. o prazo recursal também não é suspenso. 12 .conferir o correto enunciado n. dilatado ou prorrogado. entretanto. caput e parágrafos.

em razão de imperícia. 8. dos aludidos encargos é fixada. das provas produzidas. Trata-se de responsabilidade civil subjetiva.1. Os encargos recursais englobam: a) as custas judiciais do processamento do recurso nos órgãos judiciários a quo e ad quem.2. razão pela qual não pode ser responsabilizado pela omissão na interposição do recurso. e b) os portes de remessa e de retorno. desde que o respectivo constituinte acione e comprove a culpa do advogado. os regimentos internos dos tribunais e as tabelas de custas judiciais dos tribunais. inciso VII. pREpARO 8. quer da totalidade quer de parte. 8. quando há a exigência do preparo “pela legislação pertinente”. do teor da decisão judicial proferida no caso concreto. A expressão legal “legislação pertinente” alcança as leis de custas federais e estaduais. Se.7.5. do Código de Processo Civil. Regra do preparo imediato Por força do caput do artigo 511 do Código de Processo Civil. a ausência do recolhimento dos encargos financeiros do recurso conduz à aplicação da pena de deserção. a responsabilização civil do advogado só pode ser aferida à vista da espécie. A necessidade do depósito. a qual também é imposta pelo simples fato de o recorrente não comprovar o recolhimento do preparo no ato da interposição do 124 . porquanto a responsabilização civil depende da demonstração dos danos causados por culpa do advogado no caso concreto. Sem dúvida. segundo o caput do artigo 511 do Código de Processo Civil. porquanto o reconhecimento da culpa depende da análise do quadro fático. o causídico observou o disposto no artigo 17. o advogado deixou de recorrer em razão da prolação da sentença em conformidade com jurisprudência sumulada do tribunal competente para o eventual recurso. negligência ou imprudência no patrocínio da causa. Conceito O requisito de admissibilidade do preparo consiste na exigência de que o recorrente efetue o pagamento dos encargos financeiros que dizem respeito ao recurso. bem assim da jurisprudência predominante acerca da quaestio iuris objeto do julgamento contrário ao constituinte. por exemplo. “pela legislação pertinente”. perda de prazo recursal e responsabilidade civil do advogado A perda de prazo recursal torna o advogado responsável pelos danos causados à parte.

mesmo que a petição recursal não tenha sido protocolizada no último dia do prazo. sob pena de deserção. Ainda a respeito do assunto. que é mera repetição do anterior parágrafo único do mesmo artigo. 8. A falta do pagamento do preparo ou da demonstração do depósito no ato da interposição dá ensejo à aplicação ex officio da sanção de deserção e. de nada adianta o recorrente apresentar a guia comprobatória do preparo após a interposição do recurso. reforçado pelo princípio da consumação. 19 da Súmula do Tribunal de Justiça do Distrito Federal: “O preparo do recurso há de ser comprovado no momento de sua interposição. resta examinar as respectivas exceções. por conseguinte. ainda que remanesça parte do prazo para seu exercitamento. inspirada na seguinte orientação 125 . ao não-conhecimento do recurso por parte do órgão julgador. caput. sob pena de deserção”. 1 aprovado pelo Centro de Estudos do extinto Tribunal de Alçada do Paraná: “O preparo deve ser realizado de modo concomitante à interposição do recurso. o caput do artigo 511 fixou a regra de que o recurso deve estar regular em sua totalidade no momento da interposição. artigo 500. à luz do princípio da consumação. determina deserção”. artigo 6º. 2 do 9º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “O não preparo do agravo. se recebido sem razão. Ao contrário do § 1º do artigo 511 do Código. reforça o enunciado n. cada um deve ser acompanhado do comprovante do pagamento do preparo. Nem poderia ser diferente: interposto o recurso. concomitante à sua interposição. ainda que seja adesivo de outro.recurso. à inadmissão do recurso pelo juízo ou tribunal de origem ou. 11. está consumado o direito de recorrer. consagrada no caput do artigo 511 do Código de Processo Civil.3. o § 2º do aludido dispositivo constitui importante inovação legislativa. do Código de Processo Civil). da Lei n. ainda que dentro do prazo legal de interposição do recurso”. quando há mais de um recurso contra a mesma decisão. A propósito. Com efeito.66. merece ser prestigiada a precisa conclusão n. O raciocínio serve tanto para os recursos independentes (cf. Exceções à regra do preparo imediato Estudada a regra do preparo imediato. embora feito dentro do prazo recursal. declarando-se a deserção se feito em data posterior. À luz do caput do artigo 511 do Código. Com efeito. parágrafo único. Assim estabelece o correto enunciado n. cada recurso deve ser instruído com a respectiva guia do preparo. de 2007) quanto para os recursos adesivos (cf. Na mesma esteira. ainda que tenha efetuado o pagamento.

Não sendo completado o preparo ou ausente a comprovação do recolhimento adicional no qüinqüídio. Todavia. o decurso in albis do qüinqüídio conduz à aplicação da pena de deserção. § 1º. que hoje tem amparo legal. Depreende-se. conforme revelam os artigos 26. caput. 28. a Comissão Revisora do Código de Processo Civil agasalhou a tese. Trata-se. todos do Código. Como o novo § 2º do artigo 511 não exige a intimação pessoal da parte. Sem dúvida. de orientação consagrada na jurisprudência pátria. e 242. o recurso não deve ser admitido no juízo ou tribunal a quo. conforme se depreende da conclusão n. que o preceito só alcança recorrente que depositou parte do preparo. É que o § 2º do artigo 511 condiciona a abertura do qüinqüídio à “insuficiência no valor do preparo”. 29 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “A intimação é ao advogado e não à parte. o recurso não deve ser conhecido pelo tribunal ad quem. no qüinqüídio após a intimação da deficiência no recolhimento dos encargos financeiros. Com efeito. 9. fixou apenas a exigência da prévia intimação para a efetuação do depósito da verba não recolhida. parte final. A inexistência — que não pode ser confundida com a insuficiência — do recolhimento do preparo dá ensejo à imediata imposição da pena de deserção. Já o que nada recolheu não é beneficiado com a concessão de prazo para o pagamento dos encargos financeiros do recurso. 27. antes da imposição da pena de deserção.756 não proibiu a aplicação da pena de deserção em caso de insuficiência do preparo. já que a Lei n. Ainda que recebido sem razão. o órgão judicial competente para averiguar a observância dos requisitos de admissibilidade desde logo não recebe o recurso ou dele 126 . Na verdade. por força do § 2º do artigo 511. do disposto no § 2º do artigo 511 do Código. aliás. última parte. Com efeito. o que é vedado ao órgão judicial é impor a pena ao recorrente sem a prévia concessão do prazo para a correção do recolhimento do preparo. Atenta à evolução da jurisprudência. caput. salvo quando a lei determinar o contrário”. salvo se o recorrente não depositar o valor necessário à integralização do preparo. diante da total ausência do pagamento dos encargos financeiros do recurso.jurisprudencial assentada no Superior Tribunal de Justiça: o recorrente que depositou parte do valor do preparo não pode ser liminarmente apenado com a aplicação da sanção de deserção. a insuficiência do preparo não conduz à aplicação da pena de deserção. tem-se que a intimação é ao advogado do recorrente. ainda.

Sob ambos os prismas. as normas referentes à apelação incidem por analogia aos recursos em geral. e 519. não há dúvida de que. converte-se o julgamento em diligência.não conhece. em qualquer caso. a concessão do prazo para a integralização do preparo não depende de provocação do recorrente. compete a ele determinar a intimação do recorrente para a regularização do preparo. o recorrente pode recolher e demonstrar o pagamento do preparo. É o que se infere do artigo 18 do Código. Consoante o § 1º do artigo 18. é possível depositar e comprovar o recolhimento do preparo após a interposição de qualquer recurso. Além da possibilidade da complementação do preparo recolhido a menor. devendo o órgão judicial determinar a intimação de ofício. observando-se o disposto no parágrafo único do artigo 560 do Código. Por fim. qualquer recorrente que deixar de comprovar o preparo por justo impedimento (isto é. alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário”. imediatamente é concedido o qüinqüídio ao recorrente. não há dúvida de que tanto o responsável pelo primeiro juízo de admissibilidade quanto o órgão julgador têm competência para tanto. caso se trate de juízo primeiro ou definitivo de admissibilidade. Apesar de o artigo 519 do Código tratar especificamente da apelação. o que permite a aplicação do preceito em prol de todos os recursos. Entretanto. “reputa-se justa causa o evento imprevisto. conforme indicam os artigos 18. a fim de que o recorrente possa depositar o valor necessário à integralização do preparo. respectivamente. justa causa) é beneficiado pelo artigo 519. o órgão judicial fixa de imediato o prazo para a realização do preparo. averiguada a deficiência pelo relator. Com efeito. § 2º. combinado com o artigo 18. porquanto não há restrição alguma no genérico artigo 18. reforçado pelo artigo 519 do mesmo diploma. em razão de justa causa reconhecida pelo órgão judicial. excepcionalmente é permitido até mesmo o efetivo suprimento da total ausência do depósito dos encargos financeiros referentes ao processamento do recurso. Reconhecido o justo impedimento. Apesar de o § 2º do artigo 511 não especificar o órgão judicial competente para conceder prazo — de cinco dias — ao recorrente para complementação do preparo. Verificada a insuficiência apenas pelo órgão colegiado. Constatada a insuficiência pelo órgão de interposição. Além do mais. diante de justa causa devidamente demonstrada. 127 . É o que indica o parágrafo único do artigo 560.

128 . o vencedor pode apresentar resposta ao recurso interposto pelo derrotado. do CPC. 183. deixando de efetuar o preparo em virtude do fechamento do banco em horário anterior ao do funcionamento do protocolo judicial. merece ser prestigiada a seguinte conclusão do Centro de Estudos do antigo Tribunal de Alçada de Minas Gerais: “Pode ser aceito sem decretação da deserção. o atrelamento estrito do prazo forense ao expediente bancário”. se foi o apelo protocolado após o encerramento do expediente bancário. DO CPC — DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Com efeito. Diário da Justiça de 7 de fevereiro de 2000. A decisão do órgão de interposição que afasta a pena de deserção e fixa prazo para a efetuação e a demonstração do preparo é irrecorrível. 17: “RESP — PROCESSUAL CIVIL — AGRAVO — EMBARGOS INFRINGENTES — PREPARO — RECURSO PROTOCOLADO NO PRAZO FORENSE — EXPEDIENTE BANCÁRIO ENCERRADO — CARACTERIZAÇÃO DE JUSTA CAUSA — DESERÇÃO AFASTADA — APLICAÇÃO DO ART. É o que se infere da segunda parte do parágrafo único do artigo 519. A respeito do tema. falta ao recorrido interesse recursal em impugnar a decisão de relevação da pena de deserção. Além do mais. 519 do CPC”. já que o órgão julgador do recurso deve reexaminar de ofício a ocorrência da justa causa evocada pelo recorrente. 5ª Turma do STJ. interposto o recurso após o horário bancário. 1 — Verificando-se que a parte interpôs recurso no último dia do prazo forense. Trata-se de justa causa amparada nos artigos 18 e 519. a configurar o justo impedimento a que se refere o art. há justo impedimento que afasta a regra do preparo imediato. oportunidade na qual pode demonstrar o 172. § 2º. a teor do proêmio do parágrafo único do artigo 519 do Código. Com efeito. ainda que o juiz de primeiro grau tenha relevado a pena de deserção. ocorre quando o inconformado interpõe o recurso no último dia do prazo. oportunidade em que o expediente bancário já se encontrava encerrado. combinados com o § º do artigo 172 do Código de Processo Civil. assim. nada impede que o recorrente efetue e comprove o pagamento do preparo no primeiro dia útil seguinte. o preparo do recurso feito no primeiro dia útil. O tribunal ad quem pode pronunciar a ausência do preparo. basta suscitar a preliminar de deserção na resposta. Cf. 198.467/RS. p. na hipótese. Inviável. já reconhecida pela jurisprudência172.Hipótese de justa causa. deixando de conhecer do recurso. § 2º. REsp n. Realmente. Aplicação do artigo 183. se o recorrido desejar alertar o tribunal ad quem acerca da inocorrência de justo impedimento. resta afastada a deserção quando restar demonstrado o respectivo recolhimento do preparo no primeiro dia útil subseqüente. mas dentro do expediente forense. A rigor.

§ 1º. a decisão interlocutória por meio da qual o juiz de primeiro grau deixa de relevar a deserção é passível de impugnação mediante agravo de instrumento. de 1995). 9. Na mesma esteira. o § 2º do artigo 511 do Código é incompatível com o princípio da celeridade processual consagrado no artigo 2º da Lei n. da Lei 9. de 1995. de 1995.099/95)”. da lei n. a pena de deserção só pode ser aplicada após o decurso do prazo fixado no § 1º do artigo 42 da Lei n. A propósito do dies ad quem. A comprovação do recolhimento pode ser efetuada nas quarenta e oito horas seguintes à interposição do recurso. § 1º. É o que também estabelece a correta conclusão dos Encontros dos Juizados Especiais Cíveis do Rio de Janeiro: “O não recolhimento integral do preparo do recurso inominado. Não há necessidade do preparo imediato em relação ao recurso inominado interposto contra sentença prolatada em ação de competência dos juizados especiais cíveis. com a redação conferida pela Lei n.099. 9. Portanto. § 1º. 80 do Fórum Nacional dos Juizados Especiais — FONAJE: “O recurso Inominado será julgado deserto quando não houver o recolhimento integral do preparo e sua respectiva comprovação pela parte. caput. da Lei n.187.099. não há a incidência do artigo 511. § 1º. dispõe o enunciado n. independentemente de intimação do advogado. Como o preparo do recurso inominado é regido por preceito específico (artigo 42. de 2005. porquanto não é admissível a ulterior complementação fora das quarenta e oito horas posteriores à interposição do recurso inominado. no particular. Falta examinar as exceções previstas na legislação processual civil extravagante. Em contraposição.9.4 dos Encontros dos Juizados Especiais Cíveis do Rio de Janeiro: “O prazo para o pagamento do preparo do recurso inominado vence no final do expediente bancário do dia em que se completam as 48 (quarenta e oito) horas de que trata o Art. inadmitida a complementação a destempo”. Por tais motivos. Ainda 129 . 42. previsto no Art. 42.desrespeito ao requisito do preparo. 42. importa em deserção. consoante a inteligência do artigo 522. do Código de Processo Civil. 9. do Código de Processo Civil. da Lei 9099/95”. 11. Daí a conclusão: a insuficiência do preparo do recurso inominado enseja a imediata aplicação da pena de deserção.099. Sob outro prisma. vale a pena conferir o enunciado n. 9. 11. não admitida a complementação intempestiva (art. é possível concluir pela desnecessidade de recurso contra a decisão por meio da qual é relevada a pena de deserção no primeiro juízo de admissibilidade. § 2º.099/95. no prazo de 48 horas.

nos Juizados Especiais não há a necessidade de pagamento de custas.no mesmo sentido. 9. 8. 9. salvo quando já estiver sob o pálio da assistência judiciária no momento da interposição. É o que se infere do parágrafo único do artigo 54: “O preparo do recurso. 9. 42 desta Lei compreenderá todas as despesas.P. Trata-se de peculiaridade do recurso inominado. o recorrente também arca com as verbas dispensadas na primeira instância. O inciso II do artigo 14 da Lei n.289 confere ao recorrente o prazo de cinco dias para a demonstração do preparo. conforme revela o caput do artigo 54 da Lei n. parágrafo único. nos demais recursos cíveis as despesas referentes ao primeiro grau de jurisdição não integram o preparo. o mesmo não ocorre com o recurso inominado. sendo inaplicável o artigo 511 do Código de Processo Civil”. Todavia. Exceções à regra do preparo Além das exceções à regra do preparo imediato. reforça o preciso enunciado n. também não há necessidade de preparo imediato em recurso cabível contra sentença proferida em ação processada perante a Justiça Federal. 56 do 6º Encontro Nacional dos antigos Tribunais de Alçada: “O preparo previsto no art. além dos encargos financeiros relativos ao processamento do inconformismo.099. refere-se apenas às despesas do recurso e não às até então vencidas no processo”. sob pena de deserção.4.099/95. 519 do C. Porém. o agravo retido e os embargos de declaração não estão sujeitos a preparo. também há as exceções ao próprio preparo. Aliás. 12 do Primeiro Colégio Recursal de São Paulo: “Na hipótese de não se preceder ao recolhimento integral do preparo recursal no prazo do artigo 42 da Lei n. ambos do Código de Processo Civil. Por fim. À vista dos artigos 522. quando o recurso simplesmente não depende de preparo. na forma do § 1º do art. o recurso será considerado deserto. taxas ou despesas em primeiro grau de jurisdição. Realmente. inclusive aquelas dispensadas em primeiro grau de jurisdição. convém lembrar que o recorrente também deve recolher as despesas dispensadas na primeira instância.C. ressalvada a hipótese de assistência judiciária gratuita”. e 56. Ainda a respeito do preparo do recurso inominado. 10 . além dos encargos financeiros específicos do recurso inominado. de 1995. conforme revela a correta conclusão n.

86 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho Consoante a jurisprudência consolidada no Tribunal Superior do Trabalho sob a égide do artigo 208 do Decreto-lei n. nos termos do inciso I do artigo 198 do Estatuto da Criança e do Adolescente. preparo em recurso da massa falida: subsistência do enunciado n. 8. todos os recursos interpostos em processos regidos pela Lei n.Ainda a respeito do assunto. 1. Os que gozam de isenção legal também estão dispensados do preparo. 9.069 também não dependem de preparo. pelo vocábulo “autarquias”. as demais entidades da administração indireta devem recolher os encargos financeiros dos recursos por elas interpostos. Salvo quando dispensadas por lei específica. com a redação dada pela Lei n. o que ocorre com os que estão sob o pálio da assistência judiciária. Com efeito. à vista dos artigos º e 9º da Lei n.756. pela União. É o que estabelece o § 1º do artigo 511 do Código de Processo Civil. A rigor. que dispensava do preparo as “entidades da administração indireta”. no particular. a Lei n. de 1945. pelos Estados. os recursos interpostos pela massa falida não estão sujeitos à regra do preparo imediato. Na verdade. o artigo 208 do Decreto-lei n. a despeito da regra do preparo no sistema recursal cível.060.950. estabelece que apenas as autarquias não estão sujeitas a preparo. 7.661. É. conforme revela o proêmio do enunciado n.661 ensejava a efetuação do “preparo” 11 . pelos Municípios e pelas autarquias. 7. ao contrário da redação original do artigo 511 do Código de 197. o § 1º do artigo 511. 9. o qual foi acrescentado ao artigo 511 por força da Lei n. constante do texto primitivo do Código. que substituiu a expressão “entidades da administração indireta”. Em suma. 8. o atual § 1º do artigo 511 do Código equivale ao anterior parágrafo único. Por outro lado.5. 86 da Súmula daquela Corte Superior: “Não ocorre deserção de recurso da massa falida por falta de pagamento de custas ou de depósito do valor da condenação”. 8. nas quais há a dispensa da comprovação do recolhimento de encargos financeiros para a admissibilidade do recurso. 8. pelo Distrito Federal. há várias exceções. Portanto. das entidades da administração indireta. apenas as autarquias estão dispensadas do preparo à luz do artigo 511 em vigor.950.756 apenas preservou a alteração efetuada pela Lei n. Do mesmo modo. não precisam de preparo os recursos interpostos pelo Ministério Público.

APELAÇÃO. de 2005. À vista dos incisos III e IV do artigo 84 da Lei n. ART.101. 208 da Lei de Falências só incide sobre o processo principal da falência. de 1945. 86 do TST)” (JÚLIO CÉSAR BEBBER. p. FALÊNCIA. 147). com o conseqüente afastamento da pena de deserção. Massa falida. 208 do Decreto-Lei n. 214. também na jurisprudência: “MASSA FALIDA — AÇÃO ORDINÁRIA — APELAÇÃO — ART. 208 DO DECRETO-LEI N. 1ª Câmara Cível do TJMG. Deserção. Diário da Justiça de 24 de novembro de 200.661/45.661. de 2005.42/MG. Diário da Justiça de 20 de maio de 2005). 254. Por conseguinte. NÃO INCIDÊNCIA. não há o grifo no original). 7. em razão da dispensa provisória17. o Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência em favor da dispensa provisória do preparo apenas em relação aos recursos interpostos pela massa falida no processo falimentar propriamente dito174.661/45 ao autorizar o pagamento de preparo em momento oportuno. 12 . p. 7. Recursos no processo do trabalho. somente se aplica ao processo falimentar propriamente dito. AÇÃO REVOCATÓRIA. 7. 174. é possível concluir que a orientação consagrada no proêmio do enunciado n. sendo excluída a sua aplicação em ações autônomas de que a massa seja parte. O art. Assim. 11. Não efetuado o preparo quando do recurso de apelação em ação de indenização.101. 7. como por exemplo. ª Turma do STJ. 11. somente se aplica ao processo falimentar propriamente dito. entretanto. a regra prevista no caput do artigo 511 do Código de Processo Civil não alcança os recursos 17. Revogado o antigo Decreto-lei n.558/SP. ao autorizar o pagamento de preparo em momento oportuno. “COMERCIAL. PREPARO. O art. a ação revocatória.: “Processual civil. na espécie. 400. não alcançando as demais ações em que a Massa Falida litiga” (Apelação n. 1. 4ª Turma do STJ. grifos aditados). Diário da Justiça de 17 de maio de 2004. depois da realização do ativo e das restituições. À luz do mesmo artigo 208 do Decreto-lei n. a deserção se impunha” (REsp n. MASSA FALIDA. 208 do Decreto-Lei n.661/45 — NÃO INCIDÊNCIA — PREPARO — NECESSIDADE — PENA DE DESERÇÃO — APELAÇÃO ADESIVA — NÃO CONHECIMENTO. 208 DO DECRETO-LEI N. Precedente desta Corte” (REsp n.661/45. porquanto os incisos III e IV do artigo 84 e o caput do artigo 149 revelam que o pagamento das custas processuais relativas às ações em geral da massa falida só é feito ao final do processo falimentar.661. na doutrina: “Também goza do privilégio da dispensa provisória do pagamento de custas a massa falida (Súmula n. com o advento da Lei n. não alcançando os incidentes a ele correlatos.98. Custas. No mesmo sentido. p. 08. 7. Cf. 7. 1 — O art.“oportunamente”. 86 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho subsiste à luz da atual legislação. a vexata quaestio agora deve ser solucionada à luz da nova legislação que versa sobre a recuperação empresarial e a falência.077804-7/001.0024. de 1945. Ação de indenização.

diante da existência de legislação específica em prol da massa falida (cf. e 149. o caput do artigo 511. caput. de 2005). incisos III e IV. 1 . Com efeito.interpostos nos processos em geral nos quais a massa falida é vencida. artigos 84.101. 86 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Não ocorre deserção de recurso da massa falida por falta de pagamento de custas ou de depósito do valor da condenação”. qual seja. 11. Daí a dispensa do preparo recursal imediato em favor da massa falida nas ações em geral. não há lugar para a incidência do preceito genérico do Código de Processo Civil. na mesma linha do proêmio do enunciado n. da Lei n.

p.. Dos recursos. 1978. Em sentido conforme. iniciados na vigência da lei anterior. 1978. Volume VII. Volume X. p. 22. Comentários ao Código de Processo Civil. 1999. GALENO LACERDA.. Princípios fundamentais. Comentários ao Código de Processo Civil. 1974. Já os processos findos e os atos processuais concluídos sob a égide da lei antiga não são atingidos pela lei processual superveniente176. 19ª ed. Volume VII. De acordo. 75. 4ª ed. na doutrina: CASTRO FILHO. NERY JUNIOR. Assim.. REgRA DO DIREITO INTERTEmpORAl O princípio geral de regência do direito intertemporal em matéria processual é o da aplicação imediata das leis175. Princípios fundamentais. 1999. 425 e 426. 1974. na doutrina: HAROLDO VALADÃO. p. Comentários ao Código de Processo Civil. p. NERY JUNIOR. p. 12. 5ª ed. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. 64. 22 e 2. 1.. 1995. a norma processual nova incide desde logo sobre os processos em curso. 75 e 76. EDSON PRATA. consagrado na segunda parte do artigo 1. 19 e 20. Curso. Volume I.. 1974.211 do Código de Processo Civil. 19ª ed. p. O novo direito processual. 1946. O novo direito processual. p. 25 e 26. p. 425 e 426. Curso. p. Com efeito. Segundo o princípio.. 1997. 14 . 64 e s. Volume XIII. p. 5ª ed. e NERY JUNIOR. 1974. Dos recursos. HAROLDO VALADÃO. 425. Volume XIII.. a lei processual nova não pode prejudicar o direito adquirido. 175. 1997. e SEABRA FAGUNDES. 176. na doutrina: EDSON PRATA. 5ª ed. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p. Volume I. p. 1946. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 19 e 20. 1999. p. Comentários ao Código de Processo Civil. Princípios fundamentais. e SEABRA FAGUNDES. GALENO LACERDA. Comentários ao Código de Processo Civil.Capítulo vII DIREITO INTERTEmpORAl DOS RECURSOS: AplICAçãO DA lEI vIgENTE NA DATA DO pROfERImENTO DA DECISãO 1. 177. p. consoante o disposto no inciso XXXVI do artigo 5º da Constituição Federal177.

Com efeito. salvo quando se trata de alteração de ordem constitucional. e não pelos preceitos em vigor quando do julgamento”. Em matéria de recursos. GALENO LACERDA. o recurso se rege pela lei vigente à data em que publicada a decisão. Diário da Justiça de 2 de março de 1998. 5040: “Os recursos são regidos pelas regras em vigor ao tempo da publicação da decisão causadora da insatisfação. prolatada. Em sentido conforme: REsp n. 62. ª ed. 7ª ed. 179. p. 1998. 2ª Turma do STJ. 1ª Turma do STJ. 28.862/RS. 2ª ed. 140. da interposição do recurso e do julgamento do recurso interposto. na jurisprudência: REsp n. p. p. Recursos. 171. BARBOSA MOREIRA. e SEABRA FAGUNDES. 12859: “O direito ao recurso rege-se pela lei vigente na data em que se publicou a decisão”. ª ed. p. Em sentido semelhante. Nem poderia ser diferente. . p. ROBERTO ROSAS. PONTES DE MIRANDA. Ainda no mesmo sentido: REsp n. importa saber qual a lei vigente no momento da prolação da decisão. Diário da Justiça de 19 de outubro de 1998. A respeito do mesmo entendimento defendido no ensaio. na doutrina: ADA PELLEGRINI GRINOVER et alii. porquanto o direito de recorrer pertence ao legitimado recursal e é preservado mesmo 178. 4ª Turma do STJ. 149. p. Diário da Justiça de 4 de junho de 1990. ª ed. Diário da Justiça de 20 de outubro de 1997.518/SP. 148: “Em matéria recursal. volume 246. p. 1974. 1974. 68. 16. Direito intertemporal. o princípio norteador é o da aplicação da lei processual vigente ao tempo do proferimento da decisão178. e não pelos preceitos que posteriormente venham a entrar em vigor”.. Os recursos.65/SP. p. 181. 1946. Também na mesma linha: REsp n. 266. 68: “Os recursos são regidos pelas regras em vigor ao tempo da publicação da decisão causadora da insatisfação. Comentários. 25. 2001. Na verdade.. 5ª Turma do STJ. já é possível tratar da problemática que envolve o direito intertemporal dos recursos.2. Tomo VII. p. Volume V. proferida a decisão. CARLOS MAXIMILIANO. que tem incidência imediata”.. p. Dos recursos. 278.. Aspectos. a lei regente é aquela em vigor na data da publicação do decisum atacado”. p. p. p. 15 . isto é. ANTONIO GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES: “A matéria é regida pelo princípio fundamental de que a recorribilidade se rege pela lei em vigor na data em que a decisão foi publicada”. p. 8/SP. 2ª Turma do STJ. porquanto o direito de recorrer nasce no momento em que a decisão causadora da insatisfação é proferida. Também no sentido do texto. 1955. Diário da Justiça de 28 de junho de 199. Direito processual. e O novo direito processual. No mesmo diapasão: RMS n.. ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. vale a pena conferir a didática lição dos Professores ADA GRINOVER. 1999. razão pela qual são irrelevantes os momentos da intimação da decisão. nasce desde logo o direito de recorrer. REgRA DO DIREITO INTERTEmpORAl DOS RECURSOS Estudada a regra da incidência imediata da lei superveniente em direito processual. 1998.79/RS. Revista Forense. 5061: “Segundo princípio de direito intertemporal. Comentários.

19. Diário da Justiça de 7 de maio de 1990.. Mais complexo é o caso se a lei processual entra em vigor quando o ato processual ainda não foi praticado. que esteja correndo o prazo para as partes interporem agravo de instrumento contra uma decisão quando entra em vigor uma lei processual nova suprimindo essa possibilidade. Há um direito adquirido processual de que o recurso possa ser interposto sob a forma de instrumento. porquanto isto tudo constitui direito adquirido processual. por exemplo. sob pena de ofensa à proteção que a Constituição assegura a todo e qualquer direito adquirido” (O novo direito processual. 829).após o advento da lei superveniente. Volume I. e aplicáveis ao extraordinário. p. II/278). p.. surgiu para as partes o direito de interpor recurso na forma prevista no ordenamento jurídico vigente. pois que agora só pode ser retido. cit. 4ª ed. Isto porque. a regra básica no assunto é que a lei do recurso é a lei do dia da sentença. Estamos. 2007. vale conferir a lição do Professor MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES: “Os problemas mais sérios de direito intertemporal são os relacionados ao direito processual adquirido. mas já estava em curso o prazo para a sua realização. Direito subjetivo do recorrido a não ver admitido o recurso em termos mais amplos. sem retroatividade. afirma. Aquelas decisões proferidas durante a vigência da lei antiga poderão ser objeto de agravo de instrumento.. em presença de verdadeiro direito adquirido processual. 278). O direito do favorecido pela decisão judicial também fica protegido em relação à lei nova180. Incidência dos óbices à admissibilidade. porquanto o vencedor tem igualmente direito 179.622/MT. o direito ao recurso autorizado pela lei vigente nesse momento. a partir desse momento nasce o direito subjetivo à impugnação. peremptório. 1974. 180. mesmo que o recurso seja interposto na vigência da lei nova” (Novo curso de direito processual civil. desde o momento em que a decisão foi proferida. sem os grifos no original). os remédios contra o julgado. o Ministro CARLOS MAXIMILIANO pontificou: “Os postulados imperantes na data da Sentença resolvem sôbre a sua impugnabilidade. existentes à época em que publicada a decisão recorrida. a admissibilidade de qualquer recurso. assim. Em obra clássica destinada ao Direito intertemporal. citando. 68). p. que ‘os recursos não podem ser definidos senão pela lei em vigor no dia do julgamento: nenhum recurso existente contra uma decisão poderá ser suprimido. conforme se depreende da ementa do acórdão: “Recurso extraordinário convolado em especial. por se tratar de direito adquirido processual179. MERLIN e GABBA. dentre outros. p. Na literatura moderna. por lei posterior’ (ob. O Professor GALENO LACERDA também defendeu a tese em excelente monografia: “Em direito intertemporal. Parece-nos que. não se usa um novo. ROUBIER. a ª Turma do STJ também preservou o direito do recorrido. Imagine-se. por superveniência de direito novo” (REsp n. nem elimina um velho” (2ª ed. 16 . Conduzida pelo preciso voto proferido pelo Ministro EDUARDO RIBEIRO. 1. que não pode ser ferido por lei nova. ou seja. 1955. A lei nova não atinge situações consolidadas nem prejudica atos já realizados. proferida a decisão.

29. Tanto que o Jurisconsulto PONTES DE MIRANDA destacou que se a decisão “era irrecorrível. uma vez que a data da decisão embargada é anterior à Lei 9. 1999.adquirido processual181. mas sim garantir a ordem jurídica” (sem os grifos no original). a despeito da superveniência da lei nova. que aboliu os embargos infringentes em tal hipótese. 292: “Embargos Infringentes e Direito Intertemporal. 17 . a data a ser considerada pelo Tribunal é a do julgamento. No mesmo sentido do texto. Com efeito. A legislação superveniente que cria nova espécie recursal. E remata o eminente processualista: “Em todo caso. que dispensa o recorrente do preparo. que não conhecia dos embargos por entender que o controle concentrado de constitucionalidade não visa direito subjetivo. mas minha preocupação é a de não enxergar apenas a posição do recorrente. porque. a matéria como disse é difícil. conheceu de embargos infringentes contra decisão não unânime proferida pelo STF em ação direta. Em suma. que implicou abolição dos embargos infringentes previstos no art. o vencedor também tem assegurado o direito à preservação da decisão segundo o disposto na legislação anterior. p. Tomo VII. ª ed. por exemplo. preliminarmente. RISTF: inaplicabilidade. Ademais. da lei nova que abole recurso aos casos em que o acórdão. a conclusão em prol da igual proteção do direito do vencedor é reforçada pela necessidade da observância do princípio constitucional da isonomia.868/99. seja proferido em data anterior ao do início da sua vigência: análise e aplicação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal” (ADIn n. 333. Ainda a respeito do precedente jurisprudencial. IV.. colhe-se do Informativo n. sem o grifo no original). sob pena de ferir direito adquirido processual do recorrido. por força da aplicação da lei vigente ao tempo do proferimento da decisão. na verdade. Pleno do STF. 2). O Tribunal. Considerou-se que. 26 da L. que dilata o prazo recursal. por maioria. porque seria atribuir-se à regra jurídica retroeficácia. 1. para a aplicação imediata de inovações processuais.868/99. uma vez que a partir dessa decisão nasce o direito subjetivo ao recurso autorizado pela lei vigente no momento. porém. Carlos Velloso. na jurisprudência: “I. não devemos considerar apenas o direito adquirido do recorrente. p. 182. 29). 1974. A correta lição do Professor GALENO LACERDA é ainda mais explícita: “O problema dos recursos é extremamente delicado em matéria de direito transitório. infringindo-se princípio constitucional” (Comentários.591/RS — EI. ). então recorrível. enquanto o derrotado tem preservado o direito à impugnação recursal consoante a legislação antiga. Ação direta de inconstitucionalidade: irrecorribilidade da decisão definitiva declaratória da inconstitucionalidade ou constitucionalidade de normas. p. Vencido o Min. por força do art. não alcança decisão proferida sob a égide da lei revogada. Diário da Justiça de 12 de setembro de 200. apesar de a publicação do acórdão ter ocorrido quando de sua vigência. não se faz recorrível com a lei posterior. contrabalançar esta posição também com os direitos adquiridos inequívocos do recorrido” (p. 9. Devemos considerar também o direito adquirido do recorrido” (Aspectos. que amplia o cabimento de espécie já existente. a recorribilidade 182 e o respectivo cabimen- 181.

2ª ed. 115. 85. 25. e SEABRA FAGUNDES. p. 8. como bem alertou o Jurisconsulto PONTES DE MIRANDA. Recursos. p. p. 184. 19ª ed. 9 e 94. 1974. 54788). 115. ª ed. Curso. 1997. nem da interposição do recurso. conforme revela a ementa: “Recurso. 100. 1999. 1946. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. De acordo. Diário da Justiça de 27 de outubro de 1997. Tomo VII. regula-se pela lei do tempo em que proferida a decisão” (REsp n. p. Comentários. o legitimado que recorreu tem 18. não há o grifo no original). o prazo recursal184. 4. 1999. PONTES DE MIRANDA. O cabimento do recurso. ª ed. Volume I. do momento em que a decisão foi prolatada. A propósito da regra consubstanciada na incidência da lei vigente na data do proferimento da decisão. “o art. PONTES DE MIRANDA. volume I. Cabível é o da lei vigente ao tempo em que foi proferida a decisão recorrida” (RE n.276/RS... 1946. Por conseguinte. 608. 608 e 609. RTJ. todos são regidos pela lei em vigor quando do proferimento da decisão (ou seja. 27 e 28. Ainda a respeito dos pressupostos de admissibilidade. dentre eles se inclui o preparo. O novo direito processual. 185.. a legitimidade recursal e os demais pressupostos de admissibilidade186. p. Direito intertemporal. p. 1ª Turma do STF. aí incluídas as respectivas condições de admissibilidade.. e SEABRA FAGUNDES. 1997. No mesmo sentido é a jurisprudência da Suprema Corte. Recursos.. 1999. ª ed.to18 do recurso. Comentários. p. 1955. aí incluídas as respectivas condições de admissibilidade. 1. Em sentido contrário. na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. segundo o princípio de direito intertemporal” (REsp n. a exigência e o momento da realização do preparo185.18/GO. quanto aos seus efeitos. não há de ser interpretado como regra de direito intertemporal que apanha os recursos.  e 4. publicada). aplica-se a lei vigente ao tempo da decisão recorrida. 862). regula-se pela lei do tempo em que proferida a decisão” (REsp n. Dos recursos. 1997. A propósito da regra consubstanciada na incidência da lei vigente na data da prolação da decisão.. ª Turma do STJ. 2ª parte. 279. Curso. p. 19ª ed. também merece ser prestigiado precedente da relatoria do Ministro EDUARDO RIBEIRO: “Direito intertemporal.. Volume I. merece ser transcrita a ementa do seguinte precedente: “Em matéria de recurso. Tomo VII. na doutrina: CARLOS MAXIMILIANO. assim como os efeitos187 do recurso.211. isto é. Assim. na doutrina: PONTES DE MIRANDA. entretanto. 608. p. Dos recursos. se ao tempo da prolação a decisão judicial era impugnável mediante algum recurso processual. p. 186.169/PR. . Comentários. ª ed. A respeito do tema. O cabimento do recurso. p. também há respeitável doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Curso. 1999. e não pela norma processual vigente ao tempo da respectiva intimação. volume 81. p. não há o grifo no original). 187. p. Tomo VII..18/GO. GALENO LACERDA. 19ª ed. No mesmo sentido do texto. merece ser prestigiado precedente da relatoria do Ministro EDUARDO RIBEIRO: “Direito intertemporal. 18 . não há o grifo no original). Tomo VII. muito menos pela lei em vigor no momento do julgamento do recurso. 4. em seus pressupostos e processo” (Comentários.

ainda que o início da vigência da lei nova ocorra durante a fluência do prazo para a interposição do inconformismo. houve significativa restrição ao cabimento do recurso de embargos infringentes. de 1994.950. assim considera- 19 . São irrelevantes as datas da intimação do acórdão. em virtude de lei superveniente. reforça o artigo 915 da Consolidação das Leis do Trabalho: “Não serão prejudicados os recursos interpostos com apoio em dispositivos alterados ou cujo prazo para interposição esteja em curso à data da vigência desta Consolidação”. 10. Art. na jurisprudência: “Embargos infringentes. também deve receber a prestação jurisdicional. a qual deu nova redação aos artigos 511 e 519 do Código de Processo Civil. A ampla admissibilidade do recurso à luz do anterior artigo 50 do Código de 197 depende apenas do dia da prolação do julgamento por maioria em apelação ou ação rescisória. são admissíveis embargos infringentes. De acordo. No mesmo sentido: REsp n. com a superveniência da Lei n. tinha dez dias adicionais para efetuar o preparo. em nada prejudicou o direito do legitimado que. O recurso rege-se pela lei do tempo em que proferida a decisão. da interposição dos embargos e do julgamento dos infringentes. 10. e passou a exigir a imediata demonstração do preparo no ato da interposição do recurso.52.150/MA. Direito intertemporal. 530 do Código de Processo Civil. de 2001. Não obstante. com o amplo cabimento previsto no original Código de 1973. no que tange aos acórdãos proferidos por maioria de votos em apelações e ações rescisórias antes do início da vigência da Lei n. mas ainda não o utilizou. ainda que a espécie recursal utilizada tenha sido eliminada do sistema recursal. para a verificação da admissibilidade dos embargos infringentes importa somente o dia em que o presidente do colegiado competente tornou pública a decisão na forma do artigo 556 do Código de Processo Civil189. o recurso é regido pela lei antiga. Sem dúvida.o direito de receber a respectiva prestação jurisdicional. ao tempo da prolação do julgado contrário. A propósito. 240. não é só o legitimado que interpôs o recurso antes do advento da lei nova que tem direito à entrega da prestação jurisdicional. 8.352/01. Aquele que adquiriu o direito de recorrer. 10. Alteração pela Lei n. o advento da Lei n. Da mesma forma. julgado em 8 de fevereiro de 2000. desde que interponha o recurso no prazo previsto na lei revogada. Com efeito. 4ª Turma do STJ. 189. Precedentes da Corte. Na verdade. após a intimação da respectiva conta188. A posterior demora na redação do respec- 188.52. Diante do exposto. 1.

p. 649. Embargos de divergência conhecidos e providos” (EREsp n. 1998. 1997. 1. ExCEçõES à REgRA DO DIREITO INTERTEmpORAl DOS RECURSOS Estudada a regra consubstanciada no princípio da aplicação da lei vigente ao tempo do proferimento da decisão. também merece ser prestigiado preciso precedente jurisprudencial: “2. Comentários. p. p. por força da extinção do órgão judiciário anteriormente competente. De acordo. Diário da Justiça de 15 de outubro de 200. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. por isso. 200. Curso. resta estudar as exceções. 6ª ed. Tomo VII. não sendo aplicável na hipótese. da nos órgãos colegiados a data da sessão de julgamento em que anunciado pelo Presidente o resultado. p.. p. 2. e PONTES DE MIRANDA..526/MG. ADIn n. 2ª Câmara Cível do TJDF. ª ed. Comentários. 458 e 56 em nada altera a recorribilidade do anterior julgamento proferido por maioria de votos em apelação e ação rescisória190. 1999. vale a pena conferir a lição do Professor ERNANE FIDÉLIS: “Mudando a competência do órgão — digamos que se passou a atribuir competência de determinada causa ao Tribunal de Justiça. 22). 1999. 556 do Código de Processo Civil. 191. acórdão registrado sob o n. 1998.352/01. 4. 190. porque tal resultaria em inaceitável prejuízo à parte. É nesse momento que nasce o direito subjetivo à impugnação. dá ensejo à aplicação do princípio da imediata incidência da legislação superveniente191. 179. 267. Diário da Justiça de 12 de setembro de 200. p. independentemente da data em que o acórdão embargado foi veiculado no órgão oficial de imprensa: cf.2. 140 . p.825. O preceito revela que a alteração da competência recursal. quando era do Tribunal de Alçada — há o deslocamento instantâneo do recurso em andamento” (Manual. Regula-se o cabimento dos embargos infringentes pela lei vigente ao tempo em que se deu o julgamento da apelação. a nova redação dada ao art. Volume V. A propósito. que não pode ser prejudicada pela demora na confecção do acórdão na apelação” (AgRg nos EI n. p. 7ª ed. Pleno do STF. Em caso similar.tivo acórdão à luz das formalidades dos artigos 165. Ainda a respeito do tema. não há o grifo no original). nos termos do art. Volume I. 64. 608. oportunidade em que foi proclamada a decisão por maioria de votos. e O processo civil. Corte Especial do STJ.002959-4. o Plenário da Corte Supremo também prestigiou o princípio da aplicação da lei vigente no momento do proferimento da decisão. A primeira exceção reside na segunda parte do artigo 87 do Código de Processo Civil. 29. 3. 530 do Código de Processo Civil pela Lei 10. Volume I. 205. 16).. Diário da Justiça de 1 de fevereiro de 2006. 19ª ed. ou da modificação da competência em razão da matéria ou da hierarquia.00. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR.591/RS — EI..

Um exemplo da incidência da exceção consagrada na segunda parte do artigo 87 do Código de Processo Civil ocorreu com o advento da Emenda Constitucional n. 45. Volume I. p.Se a lei nova suprimir o órgão judicial competente para julgar o recurso à luz da lei anterior. cujo artigo 4º extinguiu os Tribunais de Alçada até então existentes nos Estados de Minas Gerais. 194. artigo 275 do Código de Processo Civil). o mesmo será julgado pelo órgão judiciário instituído pela lei superveniente em substituição ao órgão extinto. e O processo civil. por força do artigo 87. Por exemplo. 279.18/GO). 774/PE. 1955. Assim. São Paulo e Paraná. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. serão as da lei nova. Os Tribunais de Alçada eram verdadeiras cortes de segundo grau. com competência para o julgamento das apelações. p. Diário da Justiça de 25 de novembro de 1991. 2ª Turma do STJ. e SEABRA FAGUNDES. dos agravos retidos e de instrumento interpostos nas causas processadas sob o rito sumário (cf. não existe direito adquirido no tocante às formas processuais. os Tribunais de Alçada foram extintos e todos os recursos interpostos e pendentes passaram a ser da competência dos Tribunais de Justiça dos respectivos Estados. Direito intertemporal. de 2004.. Curso. Conferir: BARBOSA MOREIRA. Comentários. 45. entretanto. 2ª ed. “As regras procedimentais. Pontes de Miranda sustentou a impossibilidade da incidência da lei nova também 192. 608. Segundo a corrente majoritária. p.. do Código de Processo Civil. in fine. além de outras competências previstas nas Constituições estaduais. pois a modificação não atinge direitos adquiridos” (REsp n. 19. 141 . Com a superveniência da Emenda Constitucional n. p. 1946. de 2004. p. foram remetidos ao Superior Tribunal de Justiça. CARLOS MAXIMILIANO. e que versavam sobre contrariedade à lei federal. 205. entretanto. 7ª ed. 1999. 20 e 28. 1997. Dos recursos. logo após a instalação da Corte instituída pela Constituição de 1988192. na jurisprudência: REsp n. os recursos interpostos para o Supremo Tribunal Federal sob o império do ordenamento constitucional pretérito. 19ª ed. Outra exceção consagrada na doutrina19 e na jurisprudência194 é a de que o procedimento recursal também é regido pelo princípio da aplicação imediata da lei processual nova. Diversamente.. 267. p. Volume V. O mesmo ocorre quando a lei nova altera a competência recursal em razão da matéria ou da hierarquia: o recurso deve ser julgado pelo órgão judiciário incumbido da nova competência. 1998. 115. 17046.

do Código de Processo Civil). Ora. Comentários. Tomo VII. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 5ª ed. não se diga que se tem de submeter à lei nova. o § º do artigo 542 do Código de Processo Civil enseja aplicação imediata. de 1998.756 não pode ser aplicada aos recursos pendentes no início da respectiva vigência. No caso sob comento. sob pena de ofensa a direito adquirido processual197. § º. Assim estabeleceu a Resolução n. Autorizada doutrina ratificou a orientação majoritária de que as regras de natureza procedimental têm incidência imediata. 61: “Segundo a orientação do STJ. 9. “Quanto ao procedimento do recurso. e SÁLVIO DE FIGUEIREDO. a qual defende a tese de que os recursos pendentes não devem seguir o procedimento fixado pela lei superveniente. em virtude do direito adquirido processual. 4). a aplicação imediata da Lei n.. ou sobre a documentação e as exigências de serem ouvidas pessoas apontadas pela lei da data do julgamento” (PONTES DE MIRANDA. De acordo: JOSÉ SARAIVA. a Lei n. concluiu-se pela imediata aplicação da lei nova em relação aos recursos pendentes.756/98 é de aplicação imediata.756 obrigaria o recorrente a reiterar o recurso interposto. do Presidente do Superior Tribunal de Justiça. Segundo a corrente majoritária. A Lei 9. 417. ª ed. de 1999. a orientação majoritária tem sido questionada por autorizada doutrina. O recurso especial retido. 142 . 428 e 429. p. 1. ª Turma do STJ. mesmo em relação aos recursos já admitidos no tribunal de origem196. p. 197.668/SP — AgRg — EDcl. alcançando inclusive os recursos já admitidos e que se acham aguardando julgamento”. na jurisprudência: MC n. Princípios fundamentais.756. Por conseguinte.quanto ao procedimento do recurso195. Cf. 2000. Daí o dilema: qual princípio deve ser adotado em relação ao procedimento recursal? Tal discussão foi ressuscitada com o advento da Lei n. p. 9. Não obstante. A impossibilidade da aplicação imediata da lei nova que versa sobre procedimento é confirmada quando os olhos são voltados para hipóteses comuns na prática forense. o legitimado cujo direito de recorrer nasceu sob a égide da legislação pretérita não pode ser obrigado a cumprir exigência inserta na lei nova. artigo 542. e NERY JUNIOR. a Lei n.. Assim. 1999. 1999. sob pena de prolação de juízo negativo de admissibilidade (cf. Diário da Justiça de 1 de setembro de 1999. p. 9. 1.756/98. Os recursos. 9. nem mesmo aos recursos que têm como alvo julgado proferido sob o império da antiga legislação. 196. Item 5. Um exemplo pode facilitar a compreensão do 195. Não se confundam com as regras jurídicas sobre competência as regras jurídicas sobre pressupostos naturais e formais dos atos do recorrente e dos atos do recorrido ou de terceiro que intervenha. À vista da asserção.

porquanto desrespeita direitos (à inclusão em pauta e à sustentação oral) assegurados pela anterior legislação. 20ª ed.problema: imagine-se que a lei superveniente dispense a inclusão de determinada espécie recursal em pauta. A pesquisa da legislação nacional revela a existência de dispositivo específico na Lei de Introdução ao Código de Processo Penal. 14 . entretanto. examinar o significado do vocábulo publicação. Daí a necessidade da aplicação do princípio da incidência da lei vigente ao tempo da prolação da decisão também em relação ao rito do recurso. Como não há preceito específico no Código de Processo Civil acerca do direito intertemporal dos recursos.91 consagra a regra da incidência da lei antiga até mesmo em relação ao procedimento. 4. a aplicação da nova lei em relação a recurso interposto com esteio na lei em vigor na data do proferimento da decisão recorrida fere direito adquirido processual. em prol da escorreita compreensão do direito intertemporal dos recursos. . p. com a igual eliminação da sustentação oral. Eis o teor do preceito que reforça a conclusão em favor da aplicação da legislação pretérita quanto ao procedimento recursal: “Já tendo sito interposto recurso de despacho ou de sentença. a forma e o julgamento serão regulados pela lei anterior”. O artigo 11 do Decreto-lei n. submeter o procedimento recursal à legislação superveniente pode ocasionar grave ofensa a direito adquirido processual. aciona-se o artigo 126 do próprio Código de Processo Civil e o artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil. pUblICAçãO DA DECISãO E INTImAçãO DA DECISãO Resta. o entendimento que predomina na doutrina e na jurisprudência. 86). 48. Ainda com a mesma opinião: REsp n.991/ES. a publicação da decisão não se confunde com a intimação da decisão198.. Não é. É o que também sustenta o Professor BARBOSA MOREIRA: “Da publicação distingue-se conceptualmente a intimação da sentença” (O novo processo. 198. 2000. Em síntese. prevalece. as condições de admissibilidade. a orientação da incidência imediata da lei nova quanto ao procedimento recursal. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Há outro argumento em favor da aplicação da legislação anterior em relação ao procedimento recursal. ao contrário. À evidência.

Publicada decisão libera- 199. acórdão n. devemos distinguir a publicação que resulta do anúncio público da decisão pelo Presidente do Órgão julgador.021. artigo 206 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e artigo 11 da Lei n. designando para redigir o acórdão o relator. p. na jurisprudência: REsp n. Nos tribunais. Por fim. no instante em que a entrega à Secretaria ou quanto é juntada aos autos” (Apelação n. isto é. o presidente do colegiado também deve determinar o imediato cumprimento da decisão. a precisa lição do Professor NERY JUNIOR: “Por ‘dia do julgamento’ deve-se entender a data em que foi efetivamente publicada a decisão impugnável. o decisum passa a ter existência no mundo jurídico200. quer seja em audiência. julgando a ação de competência originária. artigo 18 da Lei n. publicada decisão em processo de mandado de segurança. em segunda instância. ainda. isto é.A publicação é o ato processual por meio do qual o magistrado singular ou o presidente do órgão colegiado externa oficialmente a decisão199. quer em cartório. anuncia a decisão.08. E o novo Código assim também dispõe. p. eficaz — da publicação do julgado no órgão oficial. vale a pena conferir o seguinte trecho da ementa de acórdão didático: “Considera-se a sentença publicada no momento em que o juiz lhe dá existência legal. Confira-se. 8. por oportuno. 69 e 71). quando colegiadas. cit. 86). de 1990). independentemente de intimação (cf. provendo ou improvendo o recurso. 1. ª Turma Cível do TJDF. O Código revogado era explícito a respeito: ‘Proferido o julgamento. § 2º). quase com as mesmas palavras (art. quando não mais pode alterá-la (CPC 463). O dia em que a decisão é publicada no órgão de imprensa — o dia da intimação — apenas serve de parâmetro para aferir-se a tempestividade de eventual recurso. a qual pode tornar esta já. 5ª ed. É o que também ensina o Professor GALENO LACERDA: “As de segundo grau. de público. Publicado. ‘no momento em que o presidente. são proferidas na sessão de julgamento. no momento em que o presidente. De acordo. 144 . conhecendo ou não conhecendo do recurso. de 1951). com a posterior lavratura do acórdão (cf. 556). 1974. p. de público. Isto significa que. Após o julgamento de reclamação constitucional. ou. 68). 14. de si. o ‘dia do julgamento’ é aquele em que o órgão colegiado proferiu o julgamento. Diário da Justiça de 27 de junho de 2001. O novo direito processual. na presença das partes e seus procuradores..5. mas não para a fixação do ‘dia do julgamento’. 427).. o revisor’ (art.28/96. deve ser expedido ofício à autoridade impetrada. 875. anuncia a decisão’ (Lacerda. ou vencido este. como condição ou termo inicial de fluência do prazo de recurso” (O novo direito processual. 4. p. o presidente anunciará a decisão. O ‘dia da sentença’ é aquele em que o juiz a publicou. 48. nas mãos do escrivão. Tanto que o artigo 46 do Código de Processo Civil proíbe a alteração ex officio do conteúdo da decisão publicada. a decisão existe a partir desse momento”. 2000. que é o parâmetro para a fixação da recorribilidade e do regime jurídico do recurso que vier a ser interposto” (Princípios fundamentais. “Aliás. 200. Na mesma esteira. 68.991/ES. mesmo que as partes ainda não tenham sido intimadas. No primeiro grau a decisão é publicada quando o juiz a entrega ao escrivão.

tomo I. isto é. A lição do Professor NERY JUNIOR também merece ser prestigiada: “Por ‘dia do julgamento’ deve-se entender a data em que foi efetivamente publicada a decisão impugnável. 5ª ed. É o que também ensina o Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO: “A publicação da sentença se dá com a formalidade da sua entrega ao cartório” (REsp n. Já os acórdãos dos órgãos judiciários coletivos são publicados no momento em que o presidente do colegiado anuncia o resultado do 201. 1998. do Código de Processo Civil. quando ele a recebe das mãos do juiz e certifica nos autos. p. e 665. 217). No primeiro grau a decisão é publicada quando o juiz a entrega ao escrivão. p. Diário da Justiça de 22 de junho de 1998. Assim. Com efeito. os sinônimos de publicação: prolação. ª Turma Cível do TJDF. Comentários ao Código de Processo Civil. 4ª Turma do STJ. nos termos dos artigos 242. deve ser imediatamente expedido ofício às autoridades competentes. Volume III.81/GO. para que faça ou deixe de fazer alguma coisa”. O ‘dia da sentença’ é aquele em que o juiz a publicou. em mãos do escrivão. 2000. inciso I. quer seja em audiência. p. 1980. no instante em que a entrega à Secretaria ou quando é juntada aos autos” (Apelação n. proferimento. E a razão é simples: publicada. Na segunda.. segundo o disposto no artigo 5º. quando não mais pode alterá-la (CPC 463). Na primeira hipótese. e 506. na doutrina: ERNANE FIDÉLIS. A partir de tal momento. p. como se infere do inciso II do artigo 506. a intimação é o “ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e termos do processo. Em suma. Também no mesmo sentido do texto: “Considera-se a sentença publicada no momento em que o juiz lhe dá existência legal. § 5º. o juiz cumpre e acaba seu ofício jurisdicional. portanto. do Código de Processo Penal. isto é. inciso LXV. quer em cartório. 463)” (Manual. À vista do artigo 24 do Código de Processo Civil. a publicação e a intimação não são concomitantes: a intimação é ulterior à publicação da decisão. Eis. nas mãos do escrivão” (Princípios fundamentais. ainda que não tenha sido realizada a intimação oficial. não podendo mais alterá-la (art. por vezes a lei determina o cumprimento da decisão logo após a respectiva publicação. 8). 145 . p.. e nos artigos 660. “a sentença pode ser publicada na própria audiência. 4. 86). a publicação e a intimação ocorrem no mesmo instante. Diário da Justiça de 27 de junho de 2001. então. Volume I. 268 e 269.28/96. ou. a decisão já existe para o Direito. na presença das partes e seus procuradores. 427). da Constituição Federal.tória da prisão civil. 6ª ed. As decisões dos juízes de primeiro grau podem ser publicadas em dois momentos diversos: em audiência ou em mãos do escrivão ou do chefe de secretaria201. 9. julgamento — mas não intimação. § 1º.

por conseqüência. ou. a norma em vigor na data da publicação. A intimação. 2000. 202. 5ª ed. 1974. 556 do Código de Processo Civil. nos processos de competência originária dos tribunais. p. O novo direito processual. o ‘dia do julgamento’ é aquele em que o órgão colegiado proferiu o julgamento. especialmente na prática forense. volume 251. Corte Especial do STJ. 20. conforme se infere do disposto nos artigos 242 e 506. 14: “No que respeita às decisões proferidas em segundo grau de jurisdição ou. 427). de si. na jurisprudência: “1.julgamento202. isto é. “nos tribunais. 2000. Em suma. 1974. isto é. O recurso rege-se pela lei do tempo em que proferida a decisão. não há o grifo no original). ainda. concretizadas a publicação e a intimação em datas diferentes. como condição ou termo inicial de fluência do prazo de recurso” (GALENO LACERDA. nos termos do art. entretanto. “Então. provendo ou improvendo o recurso. ou seja. a qual pode tornar esta já. julgando a ação de competência originária. Julgamento colegiado. Não nos convencem as razões apresentadas por aqueles que tomam como proferida a decisão na sessão de julgamento”. 1). Aspectos. p. p. somente ocorre após a publicação da decisão. devemos distinguir a publicação que resulta do anúncio público da decisão pelo Presidente do Órgão julgador. que é o parâmetro para a fixação da recorribilidade e do regime jurídico do recurso que vier a ser interposto” (NERY JUNIOR. Tanto quanto sutil. do proferimento. é irrelevante para a solução de problema relacionado ao direito intertemporal dos recursos: vale a data do julgamento. eficaz — da publicação do julgado no órgão oficial. Na verdade. 71). 146 . porquanto o direito ao recurso nasce no primeiro momento. É o que se extrai do artigo 556 do Código de Processo Civil. prevalece.. p. há autorizada doutrina: WELLINGTON PIMENTEL. 40). ‘no momento em que o presidente. O novo direito processual. cit. para efeito de fixação da lei reguladora do recurso. A doutrina pátria tem prestigiado o mesmo entendimento defendido no texto. Com efeito. proclamado o seu resultado pelo presidente do tribunal” (GALENO LACERDA.526/MG. da prolação da decisão. a diferença é muito relevante. ou seja.. A data da intimação. Princípios fundamentais. É nesse momento que nasce o direito subjetivo à impugnação” (EREsp n. é claro que a regra fundamental em matéria de recurso é esta: A lei aplicável é a do dia em que o acórdão foi proferido. ainda. p. Em sentido contrário. de público. Diário da Justiça de 1 de fevereiro de 2006. p. conhecendo ou não conhecendo do recurso. e não quando ocorre a intimação oficial. De acordo. a intimação serve apenas para fixar o termo inicial para a contagem do prazo recursal. 68). O dia em que a decisão é publicada no órgão de imprensa — o dia da intimação — apenas serve de parâmetro para aferir-se a tempestividade de eventual recurso. a questão oferece maiores dificuldades. “Aliás. mas não para a fixação do ‘dia do julgamento’. da prolação da decisão. do proferimento20. anuncia a decisão’ (Lacerda. Questões de direito intertemporal. 649. Revista Forense. assim considerada nos órgãos colegiados a data da sessão de julgamento em que anunciado pelo Presidente o resultado. conforme revelam as didáticas lições da doutrina: “Convém precisar que a decisão do tribunal está juridicamente publicada com o próprio anúncio coram populo do resultado” (BARBOSA MOREIRA.

pRINCÍpIOS DO SISTEmA RECURSAl Os princípios jurídicos são os principais e originais alicerces do ordenamento jurídico. porquanto influenciam e direcionam tanto o legislador. Além de outros tantos princípios jurídicos de sustentação do ordenamento jurídico brasileiro. é o “mandamento nuclear de um sistema. alguns princípios são específicos do sistema recursal pátrio. sob o ponto de vista jurídico. p. 1964. 186). disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo. 11ª ed. 1996. portanto. Princípio. 545 e 546). p. 1ª ed. no momento da aplicação e da interpretação delas. así como el de los que rigieron en otras épocas. quanto o julgador.. durante a elaboração das leis. verdadeiro alicerce dele. “São os princípios. fundamentalmente. pRINCÍpIO DO DUplO gRAU DE JURISDIçãO O princípio do duplo grau de jurisdição está consubstanciado na exigência de que uma mesma causa seja submetida à apreciação de dois órgãos 204. nos processos sob julgamento204. 8ª ed. orientações normativas integrantes da lei ou de seu espírito e que ajudam a expansão lógica do direito” (HERMES LIMA. no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico” (BANDEIRA DE MELLO. 147 . 1995. 6). las seguientes funciones: 1º) Sirven de bases previas al legislador para estructurar las instituciones del proceso en uno u otro sentido.Capítulo vIII pRINCÍpIOS DO SISTEmA RECURSAl 1. Introdução. p. 2. razão pela qual merecem destaque em compêndio destinado ao estudo dos recursos. 3º) Constituyen instrumentos interpretativos de inestimable valor” (LINO ENRIQUE PALACIO. Manual.. Curso. 2º) Facilitan el estudio comparativo de los diversos ordenamientos procesuales actualmente vigentes. é possível concluir: “Los principios procesuales cumplen. Do exposto..

2ª Turma do STF. entretanto. 80. p. 199. como se chegou a imaginar. Diário da Justiça de 11 de dezembro de 1998. ª ed. consagrado pela Revolução Francesa. 8 e 84: “O princípio do duplo grau de jurisdição. 64). pois não foi introduzido no elenco dos direitos e garantias constitucionais dos indivíduos e da sociedade” (não há o grifo no original). o duplo grau de jurisdição. Diante do disposto no inciso III do artigo 102 da Carta Política da República. com o segundo de grau hierárquico superior ao primeiro205. omissis. Ainda em sentido conforme: RE n. as inúmeras ações cíveis e criminas de competência originária208 do Supremo Tribunal Federal revelam que o princípio do duplo grau de jurisdição não pode ser considerado absoluto. o conhecimento e decisão das causas por dois órgãos jurisdicionais sucessivamente. à evidência. todavia. p. por exemplo.80. Primeiras linhas de direito processual civil. Cf. 206. 7: “JURISDIÇÃO — DUPLO GRAU — INEXIGIBILIDADE CONSTITUCIONAL. O posterior capítulo XXVIII versa sobre o recurso de embargos infringentes de alçada. no âmbito da recorribilidade ordinária. p. a ação 205. Diante da omissão da Constituição vigente. 207. 6. já que a Constituição Federal é omissa no particular. razão pela qual são legítimas as restrições existentes na legislação processual. referente ao recurso de embargos infringentes de alçada da competência de juiz de primeiro grau207. consiste em admitir-se. de nossa tradição infraconstitucional. não tem explícita previsão constitucional. letras “a” a “r”. como regra. No mesmo sentido. por exemplo. como. no que revela cabível o extraordinário contra decisão de última ou única instância. na doutrina: MOACYR AMARAL SANTOS. na jurisprudência: “No ordenamento jurídico-brasileiro não existe a garantia do duplo grau de jurisdição” (RHC n. o segundo de grau hierárquico superior ao primeiro”. 208. Cadernos de processo civil. Diário da Justiça de 14 de setembro de 2001.. O duplo grau de jurisdição continua a fazer parte. 60 e 61: “O duplo grau de jurisdição. Não há. não constitui garantia constitucional. como. 148 . não consubstancia garantia constitucional”. O princípio do duplo grau de jurisdição. De acordo. da Constituição Federal. de 1980. a exceção prevista no artigo 4 da Lei n. na doutrina: MANOEL ANTÔNIO TEIXEIRA FILHO. artigo 102. 1999.jurisdicionais distintos. Ademais. p. 2ª Turma do STF. a ação direta de inconstitucionalidade.919/SP. conseqüentemente. previsão de recurso algum para outro tribunal que configurasse grau superior para o reexame dos julgamentos proferidos pelo Supremo Tribunal Federal nas ações de competência originária. é possível afirmar que o princípio do duplo grau de jurisdição não é constitucional206. Em sentido semelhante. inciso I.257/SP — AgRg. 216. na Constituição Federal vigente.

toda pessoa tem direito.76/RJ. a combinação do § 2º do artigo 5º da Constituição Federal com a alínea “h” do número 2 do artigo 8º da Convenção Americana de Direitos Humanos garante a existência do duplo grau de jurisdição apenas no plano infraconstitucional e. às seguintes garantias mínimas: omissis h) direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior”. ratificado pelo Brasil em 1992: “Garantias judicias: omissis 2. em dois turnos. Ainda a respeito do tema. Volume III. mesmo assim. Eis o que dispõe o preceito do Pacto de São José da Costa Rica. Em sentido semelhante: MOACYR AMARAL SANTOS. a regra reside na incorporação dos tratados internacionais pelo ordenamento jurídico nacional com a estatura de lei federal209. Tanto que a letra “a” do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal equipara o tratado à lei federal para o cabimento do recurso especial. Primeiras linhas de direito processual civil. além das várias outras ações arroladas no inciso I do artigo 102 da Constituição Federal. Ainda em relação ao § 2º do artigo 5º da Constituição Federal. 45 dispõe que os tratados e acordos internacionais podem passar a ter natureza de norma constitucional derivada. Lei ordinária. o mandado de segurança. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência. a fim de que os mesmos passem a ter força de emenda constitucional. Com efeito. “os tratados e as leis se equiparam.declaratória de constitucionalidade. Hierarquia. em plena igualdade. a Emenda Constitucional n. Daí a conclusão: não há previsão constitucional do duplo grau de jurisdição nem mesmo em relação ao processo penal. também não há quanto ao processo civil. Os tratados são leis”. ª Turma do STJ). Sob outro enfoque. merece ser prestigiado acórdão da relatoria do eminente Ministro e Professor EDUARDO RIBEIRO: “Tratado Internacional. com maior razão.. enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. somente em relação ao direito processual penal. 15ª ed. desde que submetidos às duas Casas do Congresso. à evidência. e desde que alcançada a maioria qualificada de três quintos em todas as votações. 149 . Durante o processo. 7. 1995. Trata-se. Embora seja possível a conversão dos tratados e dos acordos internacionais 209. 159. de preceito destinado apenas ao direito processual penal. a ação rescisória. Na precisa lição do eminente Ministro e Professor. O tratado internacional situa-se formalmente no mesmo nível hierárquico da lei. É certo que o § º do artigo 5º da Constituição Federal permite a conversão dos tratados e acordos internacionais relativos a direitos humanos. a ela se equiparando” (REsp n. p.

porquanto nem existe o óbice do Pacto de São José da Costa Rica em relação ao processo civil. art. Aliás. 211. Em sentido semelhante.80. p. 88. os casos de competência originária do Supremo Tribunal Federal e os embargos infringentes da Lei de Execução Fiscal. existem diversas hipóteses.. Podem-se citar. o princípio do duplo grau de jurisdição não tem previsão constitucional. sem o grifo no original). em prol da aquisição de força de emenda constitucional. a legitimidade das exceções relacionadas ao direito processual civil é ainda maior. cuja ratificação pelo Brasil deu-se em 1992. 6. que permite ao tribunal determinar a realização ou renovação de ato processual que contenha nulidade sanável. pRINCÍpIO DA TAxATIvIDADE De acordo com o princípio da taxatividade. nem é absoluto. 3. sem os grifos no original). sendo vedado o uso de recursos e expedientes inexistentes no direito positivo brasileiro vigente. Em sentido semelhante. 6. ainda que a primeira instância não o tenha feito. no nosso ordenamento. § 3º. na doutrina: “Todavia. entre outros. trata-se de garantia prevista na Convenção Interamericana de Direitos Humanos. 515. Então. os insatisfeitos não podem criar recursos. de 1980. Volume I. que permite ao tribunal apreciar o mérito. 515. 1ª Turma do STF. na jurisprudência: “V — Ainda que não se empreste dignidade constitucional ao duplo grau de jurisdição. julgados pelo mesmo órgão que proferiu a sentença. data posterior à promulgação Código de Processo Penal. Nem no art. e nos §§ º e 4º do artigo 515 do Código de Processo Civil vigente211. Por tudo. em razão das várias exceções na própria Constituição Federal. mesmo em relação ao processo penal o princípio do duplo grau de jurisdição não pode ser considerado de estatura constitucional. Daí a legitimidade das exceções consagradas no artigo 4 da Lei n. devendo utilizar apenas os 210. 150 .420/PR. quando haja nos autos elementos suficientes para tanto. os inconformados só podem utilizar os recursos previstos na legislação federal. 4ª ed. nem por isso. 2007. § 4º. como não há exigência expressa na Constituição de que sempre se obedeça ao duplo grau. antes de prosseguir no julgamento da apelação” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. porquanto da Convenção Americana de Direitos Humanos ainda não passou pela aprovação qualificada prevista no § º do artigo 5º da Constituição vigente210. Aliás.sobre direitos humanos. VI — A incorporação posterior ao ordenamento brasileiro de regra prevista em tratado internacional tem o condão de modificar a legislação ordinária que lhe é anterior” (HC n. Novo curso de direito processual civil. em que ele não ocorre. a alínea “h” do número 2 do artigo 8º do Pacto de São José da Costa Rica versa sobre o processo penal. Diário da Justiça de 8 de junho de 2007. podem ser qualificadas de inconstitucionais. Também não há inconstitucionalidade na atual redação do CPC. mas que.

10. e) recurso ordinário. c) embargos infringentes. consoante o exposto nos respectivos capítulos do tomo II do presente compêndio.. pois aponta as espécies recursais que compõem o sistema recursal codificado. e h) embargos de divergência. Já o recurso adesivo. g) recurso extraordinário. 2000. Realmente. qual seja. a correição parcial (ou reclamação correicional).previstos na legislação em rol taxativo. está consubstanciado na exigência de que cada decisão seja atacada por apenas um recurso. b) agravos. a uniformização de jurisprudência. a homologação de sentença estrangeira. Porém. a reclamação constitucional. o que é confirmado pela existência do vocábulo restritivo “seguintes”212 no bojo do caput do artigo 496 do Código de Processo Civil. Cf. d) embargos de declaração. exaustivo. o pedido de reconsideração. também denominado princípio da unicidade e da unirrecorribilidade. o incidente de inconstitucionalidade. 4. os quais também podem ser utilizados nas hipóteses estabelecidas pelo legislador. CARLOS MAXIMILIANO. Princípios fundamentais. mas apenas institutos afins. a remessa necessária (ou reexame obrigatório). p. p. 6. e NERY JUNIOR. o artigo 496 do Código de Processo Civil é o preceito que arrola os recursos existentes no sistema recursal codificado: a) apelação. além das espécies arroladas no artigo 496 do Código. e 5ª ed. pRINCÍpIO DA SINgUlARIDADE O princípio da singularidade. 44 e 45.. f) recurso especial. que é o repositório das espécies que compõem o sistema recursal codificado.80. Hermenêutica. Com efeito. O Código de Processo Civil de 199 tratava expressamente da singularidade recursal na segunda parte do artigo 809: “A parte poderá variar de 212. como o recurso inominado inserto no artigo 41 da Lei n. p.099 e no artigo 5º da Lei n. 1996. o mandado de segurança. o previsto na legislação como adequado à impugnação do decisum causador do inconformismo.. Tal dispositivo revela a adoção do princípio da taxatividade. o incidente de suspensão. a cautelar originária. a carta rogatória e a ação rescisória não são recursos. ª ed. 2 e 24. 9. 24. 151 . há outros recursos previstos em leis federais especiais. 16ª ed. e os embargos infringentes de alçada previstos no artigo 4 da Lei n. São essas as espécies que integram o sistema recursal cível brasileiro.259. 1996. a legislação processual civil esparsa estabelece outras espécies recursais.

1998.. Ainda que implicitamente. 41). 1999. p. todavia. p. usar. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. 10. em algumas hipóteses excepcionais expressamente previstas na legislação. O processo. a regra é a de que não “há a interponibilidade de dois ou mais recursos. nos termos do artigo 105. nem a interposição de outro recurso o preexclui” (Comentários. à luz do diploma atual. Realmente. A primeira reside na possibilidade da interposição de embargos declaratórios e de outro recurso contra uma mesma decisão21. conforme a escolha do agravante e. de mais de um recurso”. é cabível o agravo de instrumento previsto no artigo 544 do Código. De acordo. Tomo VII. § 1º. 247. passível de ataque por meio de recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça. a decisão interlocutória pode ser atacada por meio de agravo — que terá processamento retido ou por instrumento. não podendo.099 e do artigo 5º da Lei n. Tratando-se de decisão de inadmissão dos recursos extraordinário ou especial. Decisão de Presidente de Tribunal que inadmite recurso especial. pois fixa um recurso para cada tipo de decisão. o Código vigente também prestigia a singularidade recursal. que não afasta outro recurso. Admissibilidade. 545.. 7ª ed. mas há exceção: o recurso de embargos declaratórios. Comentários. conforme se depreende do disposto nos artigos 120. 1999. 52. Já a sentença lançada em ação processada perante os Juizados Especiais Cíveis pode ser impugnada por meio do recurso inominado previsto no artigo 41 da Lei n. 8. É que em cada uma das hipóteses estudadas cabe uma determinada espécie recursal contra a sententia. Volume V.08. bem como no artigo 9 da Lei n. ª ed. parágrafo único. alínea “c”. Já a decisão monocrática proferida por magistrado de tribunal judiciário é passível de ataque por meio de agravo interno. na jurisprudência: “Embargos Declaratórios. Mas as exceções ao binômio sentença-apelação não configuram ofensa ao princípio da unicidade. contém exceções ao princípio da singularidade. A circunstância de ser 152 . da Constituição de 1988. 6. Como bem ensina PONTES DE MIRANDA. Porém.80 está sujeita a ataque via embargos infringentes de alçada. 9. todavia. de 1990. A sentença de que cuida o artigo 4 da Lei n.recurso dentro do prazo legal. em alguns casos. 167. Além de 21. p. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. inciso II. À luz do artigo 51 do Código de Processo Civil. a apelação é o recurso apropriado para impugnar sentença. todos do Código de Processo Civil vigente. ao mesmo tempo. Em sentido conforme. e 557. que é o pronunciamento de autoria de juiz de primeiro grau que põe termo ao processo. O sistema recursal cível. É o caso da sentença proferida nas causas internacionais. a sentença deve ser combatida por meio de outros recursos. segundo a exigência legal.259.

568/SC — AgRg — EDcl. tratando-se de acórdão com capítulos denegatório e concessivo em mandado de segurança originário de cabível agravo de instrumento não afasta a possibilidade do pedido de declaração” (Ag n. o decisum embargado. veda. entretanto. A possibilidade da interposição simultânea de recursos especial e extraordinário contra um mesmo acórdão configura outra exceção ao princípio da singularidade. Em sentido contrário. 248: “PROCESSUAL CIVIL. pois a mesma decisão jurisdicional fica exposta à impugnação por mais de um recurso. há autorizada jurisprudência: Ag n. recursos que podem ser interpostos até mesmo em conjunto214. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Portanto. 48.poder ser impugnada por recurso específico. Diário da Justiça de 2 de dezembro de 2002. vigente no sistema processual civil brasileiro. 1. Por oportuno. 15 . em regra. conforme o disposto no artigo 105. quando a conclusão do acórdão recorrido está sustentada por dois fundamentos autônomos e suficientes per se. Realmente. toda decisão jurisdicional pode ainda ser atacada por meio de embargos declaratórios. convém lembrar que o julgamento proferido por corte regional ou local em mandado de segurança originário pode ocasionar sucumbência recíproca. É o que estabelece o verbete n. p. e 105. 22. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE DOS RECURSOS. inciso III. um de índole constitucional e outro de cunho infraconstitucional. inciso III. da Constituição Federal. o recurso apresentado isoladamente não ultrapassa a barreira da admissibilidade. já que ambos têm como alvo o mesmo julgado. qual seja. é necessária a interposição simultânea de recursos extraordinário e especial. a interposição simultânea de vários recursos contra a mesma decisão judicial. alínea “b”. Do contrário. nem mesmo a regra da interposição do recurso específico após os declaratórios descaracteriza a exceção estudada. É certo que geralmente o recurso específico é interposto após o julgamento dos embargos de declaração. A parte do acórdão concessiva da ordem pode ser combatida por meio de recursos extraordinário e especial — desde que atendidas as exigências previstas nos artigos 102. Embargos de declaração não conhecidos”. 126 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. 2. Porém. 1ª Turma do STJ. O princípio da unirrecorribilidade. 214. inciso II. tendo em vista a permissão do caput do artigo 58 do Código de Processo Civil. Já a parte do aresto na qual houve denegação da segurança só pode ser impugnada via recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça. Na verdade. ambos da Constituição de 1988.207/RS — AgRg). por ausência de utilidade. tratase de exceção ao princípio da unicidade.

o primeiro recurso também está sujeito ao crivo do juízo de admissibilidade. Por conseguinte. Por último. É outra exceção existente no sistema recursal cível quanto ao princípio da singularidade. nem mesmo exceção ao princípio em estudo. Em resumo. ressalvadas as exceções já estudadas (verbi gratia. a sucumbência recíproca e a permissão da interposição de um recurso por cada uma das partes não contrariam o princípio da singularidade. Em primeiro lugar. convém lembrar que a sucumbência recíproca enseja a interposição de mais de um recurso contra o mesmo pronunciamento jurisdicional. É certo que os litigantes simultaneamente sucumbentes que desejam a interposição imediata também devem aviar a mesma espécie recursal. 154 . a interposição de dois recursos contra um mesmo decisum conduz à prolação de juízo de admissibilidade negativo do interposto por último. são cabíveis recursos ordinário. o direito de recorrer é exercido com o oferecimento do primeiro recurso. Tal possibilidade. extraordinário e especial. Ausente algum dos pressupostos recursais. com a impugnação da decisão na parte em que foi proferido o julgamento desfavorável. com as mesmas exceções da sucumbência unilateral. cada sucumbente parcial interpõe apenas um recurso. Com efeito. apenas o litigante que ainda não recorreu pode exercer o respectivo direito de acionar. quando ocorre a consumação do respectivo direito de recorrer.tribunal regional ou local. No que toca especificamente à admissibilidade da interposição de recursos principal e adesivo contra o mesmo julgado. recursos especial e extraordinário). a mesma espécie recursal interposta pelo adversário. Por força do instituto da preclusão consumativa. Ao revés. o primeiro recurso também não ultrapassa a barreira da admissibilidade. não configura afronta ao princípio da singularidade. entretanto. Com efeito. efetuado normalmente tanto pelo órgão de origem quanto pelo órgão julgador. o princípio da unicidade prevalece até mesmo na sucumbência recíproca. o fato de um recurso ter sido apresentado em primeiro lugar não significa que o mérito do inconformismo deve ser apreciado pelo órgão julgador. Porém. por vezes um principal e o outro adesivo. salvo quando for possível a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. convém registrar que o recurso adesivo não configura espécie recursal autônoma. Fora das exceções estudadas. não é admissível a interposição de recursos principal e adesivo pelo mesmo litigante. pela via adesiva. mas mero procedimento recursal secundário.

Com efeito. “Recurso per saltum.08. 592). Não há. em prejuízo do impetrante. conforme exigem os artigos 102. bem como o artigo 9 da Lei n. pois pode ser atacada por meio de agravo interno (ou regimental) para a própria corte de origem. 545 e 557. Uma das mais freqüentes está prevista no artigo 50 do Código de Processo Civil. É que decisum monocrático de membro de corte judiciária pode ser impugnado por meio de agravo interno (ou regimental). inciso III. Decisão monocrática de autoria de relator também não está sujeita a imediata apreciação por tribunal ad quem. da Constituição Federal. 155 . no direito brasileiro a figura do recurso per saltum215. parágrafo único. p. E a ausência da interposição de recurso cabível na justiça de origem conduz à inadmissibilidade do recurso subseqüente. reparação judicial buscada em instância superior. portanto. É que só há julgado proferido “em única ou última instância” após a utilização do último recurso cabível perante o tribunal a quo. ª ed. e 105. todos do Código de Processo Civil. Não cabe recurso ordinário contra decisão de magistrado de tribunal que julga isoladamente mandado de segurança.. com preterição da instância própria” (OTHON SIDOU. A propósito. 52. sem a prévia interposição do agravo regimental não há julgado proferido “em única ou última instância”. vale conferir o enunciado n. 4ª ed. 207 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “É inadmissível recurso especial quando cabíveis embargos infringentes contra o acórdão proferido no tribunal de origem”. de 1990. 8. “Recurso per saltum — é aquele em que se salta sobre o tribunal normalmente competente para conhecer dos recursos” (JOÃO MELO FRANCO e ANTÓNIO HERLANDER ANTUNES MARTINS. pRINCÍpIO DO ESgOTAmENTO DAS vIAS RECURSAIS O princípio do esgotamento das vias recursais está consubstanciado na exigência de que o vencido utilize todos os recursos cabíveis perante o juízo ou o tribunal a quo antes de interpor recurso para corte ad quem. Dicionário jurídico. 72). Só cabe recurso ordinário após o julgamento do 215. § 1º. 8.5.08. Nosso ordenamento jurídico contempla várias hipóteses que dão ensejo à aplicação do princípio do esgotamento. 1995. inciso III. de 1990. Com efeito. Dicionário de conceitos e princípios jurídicos. p. É o que estabelecem os artigos 120. é inadmissível recurso para tribunal superior quando cabíveis embargos infringentes na corte de origem. 1997.. nos termos do artigo 9 da Lei n.

por mais notório que seja o dissídio jurisprudencial. Na verdade. Já os embargos de divergência só podem ter como alvo “decisão da turma”. na Justiça de origem. 6. Tratando-se de ação processada nos Juizados Especiais.80. decisão monocrática proferida por relator em sede de recursos extraordinário e especial não é passível de impugnação via embargos de divergência. ou seja. À luz dos artigos 102. porquanto. de 1980. 281 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “É inadmissível o recurso extraordinário. nada impede a apresentação de embargos de divergência. ambos da Constituição Federal de 1988. Já o posterior acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso ordinário em mandado de segurança pode ser atacado via recurso extraordinário. É o que se infere do caput do artigo 546 do Código de Processo Civil. o cabimento dos recursos extraordinário e especial depende de decisão “em única ou última instância” sobre a matéria submetida à apreciação da corte ad quem. Reside aí a tradicional exigência do 156 . estão em julgamento os próprios recursos extraordinário e especial.agravo regimental — e desde que a segurança também seja denegada pelo colegiado. a sentença não pode ser impugnada diretamente via recurso extraordinário. acórdão denegatório de segurança proferido em única instância por tribunal regional ou local é passível de impugnação por meio de recurso ordinário. Com efeito. O acesso à Suprema Corte está condicionado ao prévio oferecimento de recurso inominado para turma recursal dos juizados. É o que estabelece o verbete n. inciso III. não cabe recurso extraordinário contra julgado sujeito a recurso ordinário. e 105. recurso ordinário da decisão impugnada”. A rigor. em última instância. Do mesmo modo. Igualmente. Também não cabe recurso extraordinário contra a sentença de que cuida o caput do artigo 4 da Lei n. a decisão monocrática está sujeita a ataque por meio de agravo interno (ou regimental). quando couber. inciso III. acórdão. no que tange ao acórdão proferido em agravo regimental interposto contra decisão monocrática prolatada em recursos extraordinário ou especial. ainda que a corte de origem tenha solucionado questão exclusivamente de direito constitucional federal. Só o decisum proferido no julgamento dos embargos infringentes de alçada pode ser combatido por meio de recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Com efeito. Só o acórdão proferido pelo colegiado desafia recurso extraordinário. só após o julgamento do agravo interno (ou regimental) pelo órgão colegiado é admissível o recurso de embargos de divergência.

56 da Súmula do Supremo Tribunal Federal e os enunciados 98 e 211 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Igual raciocínio serve para o recurso ordinário. Com efeito. O silêncio do tribunal de origem acerca do tema tratado no recurso interposto para a corte superior conduz à prolação de juízo negativo de admissibilidade. Por força do artigo 515. Daí a necessidade da prévia interposição de embargos de declaração. sem o esgotamento das vias recursais anteriores. é possível concluir que a ausência da prévia interposição de embargos de declaração na origem não torna inadmissível a imediata apelação interposta para o tribunal ad quem. por faltar o requisito do prequestionamento”. É o que esta157 .prequestionamento. à luz do sistema recursal cível brasileiro. Por fim. sem a prévia interposição do cabível na justiça de origem. a regra consubstanciada no princípio do esgotamento das vias recursais comporta exceções. a questão federal suscitada”. não pode ser objeto de recurso extraordinário. Em síntese. ou seja. na decisão recorrida. 56 da Súmula da Corte Suprema reforça: “O ponto omisso da decisão. conforme revelam o verbete n. O acesso ao tribunal superior via recursos extraordinário e especial depende da prévia utilização do recurso — de embargos declaratórios — cabível contra o decisum omisso. O enunciado n. e do artigo 516. a fim de que o tribunal de origem solucione explicitamente o assunto a ser submetido à apreciação da corte ad quem. quando não ventilada. A precipitação na interposição de recurso. sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios. o acesso aos tribunais e aos órgãos colegiados superiores depende do prévio esgotamento dos recursos cabíveis perante a justiça de origem. mesmo que o recurso apelatório tenha como único objetivo a cassação da sentença. princípio que geralmente prevalece até mesmo em relação ao recurso de declaração. contraditório ou obscuro. §§ 1º e 2º. Aliás. Realmente. a apelação e o ordinário são exceções à regra do esgotamento das vias recursais. a admissibilidade da ação rescisória não está condicionada ao esgotamento das vias recursais cabíveis contra o decisum proferido no processo originário. conduz à prolação de juízo negativo de admissibilidade. “é inadmissível o recurso extraordinário. a ausência de prévios embargos declaratórios não impede a admissibilidade da apelação. nos termos do artigo 540. segundo o verbete n. Todavia. o princípio norteia apenas o sistema recursal. ambos do Código de Processo Civil. considerada a regra da inadmissibilidade de recurso endereçado a tribunal ad quem. não tem aplicação no que tange à ação rescisória. convém lembrar a existência de exceções. 282 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. Porém. Com efeito.

6. o princípio da fungibilidade só tem aplicação se o recorrente não comete erro grosseiro ao interpor o recurso contra a decisão desfavorável. em virtude da compatibilidade do instituto com o disposto nos artigos 154.1. a parte não será prejudicada pela interposição de um recurso por outro. generalidades O Código de Processo Civil de 199 consagrou o instituto da fungibilidade recursal no artigo 810. é possível concluir que o princípio da fungibilidade também norteia o sistema recursal cível. pRINCÍpIO DA fUNgIbIlIDADE RECURSAl 6. cujo teor era o seguinte: “Salvo a hipótese de má-fé ou erro grosseiro. diante da existência de dúvida objetiva acerca do recurso cabível. A fungibilidade recursal consiste na admissibilidade da troca de um recurso por outro. desde que o recorrente. a que competir o julgamento”. Por tudo.657 e do artigo 126 do Código de Processo Civil. A respeito do tema. 1 do 5º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Continua vigorante em nosso Direito Processual Civil o princípio da fungibilidade dos recursos”. prevalece na doutrina e na jurisprudência o correto entendimento de que a fungibilidade subsiste no atual sistema recursal cível. 4. 244 e 250 do atual Código de Processo Civil. conforme revela o artigo 579. 55 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Admite-se a fungibilidade dos recursos 158 . ainda que sem a interposição de recurso algum contra o decisum rescindendo. o Código de Processo Civil vigente não contém dispositivo específico em prol do instituto. como bem atesta o proêmio da conclusão n.belece o correto enunciado n. Não obstante. a fungibilidade recursal subsiste no sistema recursal cível vigente. Com efeito. devendo os autos ser enviados à Câmara. A conclusão da subsistência do instituto da fungibilidade é reforçada pelo artigo 579 do Código de Processo Penal. Em contraposição. Escoado o prazo recursal. tem-se o acesso à ação rescisória. o Código de Processo Penal de 1941 também prestigiou a fungibilidade recursal. merece ser prestigiada a conclusão n. Com efeito. preceito também aplicável ao sistema recursal cível à luz do artigo 4º do Decreto-lei n. ainda que contra ela não se tenham esgotado todos os recursos”. não tenha cometido erro grosseiro ao impugnar o pronunciamento jurisdicional causador do inconformismo. Na mesma esteira. ou Turma. 514 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Admite-se ação rescisória contra sentença transitada em julgado.

desde logo. merece ser prestigiada a melhor doutrina: “Nessas hipóteses. por exemplo. o recurso interposto deve ser processado com a observância do procedimento do recurso correto. Sem dúvida. tem-se por satisfeita a exigência da dúvida objetiva.desde que inocorrente o erro grosseiro. No mesmo sentido. revela-se razoável que se exonere a parte de eventual inadequação do recurso interposto. o que torna escusável a troca no oferecimento do recurso correto pelo inadequado. Assim. É o que ocorre. apesar da prolação de verdadeira decisão interlocutória. porquanto o jurisdicionado foi conduzido em falsa pista216. 159 . A fungibilidade recursal. reconhecer a impropriedade do recurso interposto pela parte. Trata-se de princípio jurídico cuja incidência está condicionada à observância da técnica processual desenvolvida na vigência do Código de 199. Daí a conclusão: o erro grosseiro na interposição de recurso não pode ser sanado por força do princípio da fungibilidade. quando o juiz confere o título “sentença”. diante de divergência na doutrina ou na jurisprudência acerca do recurso cabível. O eventual erro na interposição do recurso deve ser sanado mediante a fungibilidade recursal. mandará processá-lo de acordo com o rito do recurso cabível”. se o próprio julgador categoriza equivocadamente o seu ato judicial. Há erro grosseiro quando o inconformado interpõe recurso em total desconformidade com o texto legal e em desacordo com a orientação uniforme dos doutores e dos tribunais. o recurso incabível passa a ser processado como se fosse o recurso adequado. denominá-los de sentença. razão pela qual gera dúvida razoável sobre a via recursal a ser utilizada. Inexiste este quando há acentuada divergência doutrinário-jurisprudencial sobre qual seria o recurso próprio”. tanto o juiz a quo quanto o tribunal ad quem devem aplicar — e de ofício — o princípio da fungibilidade recursal. v.. é comum na decisão dos incidentes processuais os juízes. após a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. Ausente o erro grosseiro. Com efeito. com o recebimento do recurso inadequado como se fosse o cabível. como bem revela o parágrafo único do artigo 579 do Código de Processo Penal: “Se o juiz. Em contraposição. em relação ao recurso adequado. todavia. ou quando a própria legislação conduz ao cometimento do equívoco na interposição. 216. ao iniciarem o ato. não é panacéia. e aperfeiçoada pela doutrina moderna. Também é aceitável o erro na interposição quando o próprio julgador confere ao respectivo pronunciamento título incompatível com o conteúdo da manifestação jurisdicional.g.

A proibição da incidência do princípio quando o recurso incabível não é apresentado no prazo do apropriado configura restrição inaceitável. em caso de erro grosseiro e excesso do prazo previsto para o recurso cabível”. Sob outro prisma. na qualidade de relator. 2ª ed. como ocorre quando o juiz confere denominação equivocada ao respectivo pronunciamento. de decisões interlocutórias.Do exposto é possível concluir: o escopo do instituto da fungibilidade recursal é evitar o perecimento do direito do recorrente. inaplicável. a qual traz prejuízos irreparáveis na prática forense. A melhor orientação está consagrada no proêmio da proposição n. — Embargos de declaração contra decisão monocrática: há séria divergência em relação ao cabimento de embargos declaratórios contra decisão monocrática proferida por magistrado de tribunal. induzida em erro pela lei ou pelo tribunal. 160 . 6. v. 74 da Segunda Subseção do quando. 15).2. como. a rejeição da reconvenção. a que resolve a impugnação ao valor da causa. todavia. em razão da existência. a parte.. faz jus à chancela da fungibilidade” (LUIZ FUX. o jurisdicionado não pode ser prejudicado pelas falhas do sistema recursal ou do próprio Judiciário. Em qualquer caso. 2008. em verdade. não há legislação alguma acerca da obrigação da interposição de um recurso no prazo estabelecido para o oferecimento de outro. 1 do 5º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Continua vigorante em nosso direito processual civil o princípio da fungibilidade dos recursos. vice-presidente ou presidente. por vezes ameaçado por lacunas. na essência. Pelo mesmo raciocínio. p. A reforma do processo civil. prevalece outro entendimento na jurisprudência. Não obstante. contradições e impropriedades existentes na legislação ou perpetradas pelo próprio prolator do provimento jurisdicional. se trata. Hipóteses de fungibilidade recursal Existem várias hipóteses que ensejam a fungibilidade recursal. o indeferimento do litisconsórcio. porquanto a quase totalidade dos recursos é apresentada nos últimos dias dos respectivos prazos legais. conforme se infere da última parte da conclusão n. as impugnações quanto à penhorabilidade no curso da execução e as liminares em geral.. Nesses casos. conforme o caso. na prática judiciária.g. não parece acertada a orientação de que o princípio da fungibilidade só pode ser aplicado quando o recurso impróprio é interposto no prazo do adequado. Alguns exemplos podem facilitar a compreensão do tema. de muitos casos de dúvida objetiva acerca do recurso apropriado.

o cabimento dos declaratórios contra decisão monocrática218. do RISTF. 2ª Turma do STF. qualquer decisão judicial pode ser embargada. com o aproveitamento do recurso de declaração como agravo interno ou regimental219. p.. 704: “PROCESSUAL CIVIL. 1171: “Não cabem embargos de declaração contra decisão monocrática proferida. que. Cabimento”. calcada no art.Tribunal Superior do Trabalho: “Embargos declaratórios contra decisão monocrática de relator. Recursos no processo penal. 24. — Apelação e agravo na argüição de falsidade: o artigo 95 do Código de Processo Civil estabelece que o “incidente” de argüição de falsidade é julgado mediante “sentença”. 2. no entanto. Fundamentos não afastados. Diário da Justiça de 27 de maio de 1994. até mesmo a corrente contrária ao cabimento dos embargos de declaração reconhece a existência de entendimento doutrinário e jurisprudencial em favor da adequação dos declaratórios. 242. 21. porquanto os incidentes são resolvidos por meio de decisões interlocutórias 217. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INTERPOSTOS DE DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. o que enseja a aplicação do princípio da fungibilidade. Agravo regimental desprovido” (não há o grifo no original). ª ed. ADA PELLEGRINI GRINOVER et alii. omissis. Conferir: RE n. 337. Embargos de declaração que se examinam como agravo regimental. Diário da Justiça de 9 de junho de 2000. 454. Na mesma esteira. 161 . 218. 557 do CPC. ao argumento de que o agravo interno ou regimental é o único recurso cabível. 219. 152 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito de São Paulo: “Embora a lei preveja embargos de declaração apenas de sentença e acórdão. conforme revela a precisa conclusão n. Diário da Justiça de 27 de setembro de 2002. Não obstante. Diário da Justiça de 15 de outubro de 1999: “Recurso extraordinário inadmitido. Igualmente: AI n.979 — EDcl. pelo Ministro Relator”. no Supremo Tribunal Federal. entretanto. nos termos do art. Autorizada corrente jurisprudencial nega.210/CE — EDcl. 690: “Embargos de declaração que se convertem em agravo regimental. p. Conferir: MS n.717/DF — AgRg — EDcl. 1ª Turma do STF. — Embargos de declaração interpostos de decisão singular do Relator. Cf. a doutrina sustenta o cabimento do recurso de declaração contra qualquer decisão jurisdicional. I. p. 2ª Turma do STF. Também assim: RE n.885 — EDcl. Interposição de Embargos de Declaração. Conversão dos embargos em agravo regimental”. podem ser convertidos em agravo regimental” (não há o grifo no original). 2001. Pleno do STF. enquanto não ocorrer preclusão”217. p. 5. — Esta Corte já firmou entendimento de que contra decisão monocrática do relator não cabem embargos de declaração. Recurso incabível contra despacho singular de relator. 05. 4. com verdadeira contradictio in terminis. 3.

o chamado ‘princípio da fungibilidade recursal’. 1” (CÁSSIO SCARPINELLA BUENO. 5a ed.. Volume IV. tendo em vista as declarações dos votos vencedores e vencido.992/RS. 5. 400. Rio de Janeiro. p.18/PR. 247. ou tem natureza de ação e forma um processo diverso do denominado “processo principal”. 2000. de que se ocupa o n. PONTES DE MIRANDA e SERGIO BERMUDES. na doutrina: ANTÔNIO CARLOS DE ARAÚJO CINTRA. 162 . 19. Daí a incidência do princípio da fungibilidade dos recursos22. Em prol do cabimento do recurso de apelação. Também em prol da fungibilidade recursal. na doutrina: CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO. na espécie.. A favor do cabimento do agravo. ª ed. São Paulo.agraváveis. Saraiva. também em favor da aplicação da fungibilidade recursal. 400. p. 1ª ed. n. porque ela corresponde com precisão aos conceitos de direito processual colocados pelo próprio Código de Processo Civil”. sobre qual é o recurso dela cabível. Curso sistematizado de direito processual civil. 290). 2005. 1996. 8 e nota 186.. Igual contradição há no artigo 94 do Código de Processo Civil. 1996. Tomo IV. porquanto as expressões “incidente de falsidade” e “processo principal” são incompatíveis entre si. Comentários ao Código de Processo Civil. Instituições de direito processual civil. Comentários ao Código de Processo Civil. mas apenas quando a argüição de falsidade é resolvida no curso do processo. p. nos mesmos autos: REsp n. ª ed. na doutrina: MOACYR AMARAL SANTOS. tem ampla incidência. in verbis: “Entretanto. p. 2007. Diário da Justiça de  de março de 1997. Em prol do cabimento do recurso agravo de instrumento. a 220. p. 4ª Turma do STJ. 221. O Professor SERGIO BERMUDES também reconhece a divergência doutrinária e jurisprudencial.. havendo pronunciamentos que consideram decisão interlocutória o ato que julga a argüição de falsidade. Diante das contradições nos termos dos artigos 94 e 95 do Código de Processo Civil. conseqüentemente. Volume III. conseqüentemente agravável” (Comentários ao Código de Processo Civil. p. com a demonstração da séria divergência jurisprudencial acerca da interpretação do artigo 95 do Código de Processo Civil. tomo l. 0. à luz dos artigos 162 e 522. tanto a doutrina quanto a jurisprudência estão divididas220 acerca do cabimento dos recursos de agravo221 e de apelação222. Tomo IV. Comentários ao Código de Processo Civil.21/RS. nota 186). 5889. p. também merece ser conferido o inteiro teor do acórdão proferido pela ª Turma do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n. No mesmo sentido. ainda na doutrina: “Como há acirrada discussão da doutrina quanto à natureza da decisão que declara a autenticidade ou a falsidade do documento para os fins do art. tendo em vista a regra consagrada no artigo 51. ou a argüição de falsidade é incidente do processo único. 395 e. 1ª ed. Volume II.1 do Capítulo 2 da Parte IV do vol.. p. Volume IV. Diário da Justiça de 4 de maio de 1992. A favor do cabimento da apelação quando a argüição é julgada em autos apartados: REsp n. A propósito. 582: “De todo modo — e inclusive porque a jurisprudência é extremamente insegura a respeito — jamais seria grosseiro o erro consistente na escolha do agravo em todos os casos. 4ª Turma do STJ. 22. 4657. 1976. 222. Forense. doutrina e jurisprudência oscilam. Com efeito. 70. enquanto as sentenças são apeláveis. 10.

Cf. sim. O novo conceito de sentença. n. Não obstante. com a formulação de pedido próprio contra o autor.. § 1º. artigo 18). 2ª ed. a reconvenção é a resposta por meio da qual o réu pode contra-atacar. de sentença apelável. — Apelação em reconvenção: ao ser citado. também é 224. de impedimento e de suspeição). mas. 80 a 84. 2006. Em contraposição. Comentários ao Código de Processo Civil. decisão interlocutória agravável. reconvenção. 127 e 128. tendo em vista a combinação dos artigos 162. o problema também pode ser solucionado sob outro prisma. conforme o caso. ação declaratória incidental. Daí a conclusão: a recorribilidade do indeferimento da petição inicial da reconvenção não pode ser solucionada apenas à luz dos artigos 162. À vista do artigo 18 do Código de Processo Civil. 16 . 1996. o mesmo processo passa a ter duas demandas: “a ação principal” (artigo 15) e a reconvenção. quando o juiz resolve apenas uma delas. Volume VII. e 51. 267. demanda) incidental no mesmo processo. À vista do artigo 15. Por conseguinte. constata-se que a reconvenção é veiculada “no mesmo processo”. o réu pode oferecer várias respostas (contestação. Recursos cíveis. e nota 4-a. impugnação ao valor da causa. MARCOS AFONSO BORGES. Não há divergência na doutrina nem na jurisprudência acerca da perfeita incidência do artigo 51: cabe apelação contra a sentença por meio da qual o juiz resolve. Trata-se. 14 e 15. p. não há sentença apelável. Enquanto a contestação é a resposta defensiva do réu. Há sentença. A divergência surge quando o juiz indefere a petição inicial da reconvenção em pronunciamento específico. Com efeito. Com efeito. e SERGIO BERMUDES. DANIEL AMORIM ASSUMPÇÃO NEVES. todos do Código de Processo Civil. p. a demanda originária e a reconvenção. Reforma do CPC. a interpretação literal dos preceitos conduz à conclusão do cabimento da apelação também quando há o indeferimento da petição inicial da reconvenção em pronunciamento específico. Volume I. a um só tempo.. a reconvenção é a resposta por meio da qual o réu pode ajuizar ação (melhor dito. 267 e 51. § 1º. inciso I. p. portanto. exceções de incompetência relativa.fim de que tanto as apelações quanto os agravos sejam recebidos e conhecidos. a regra é o julgamento conjunto da demanda originária e da reconvenção na mesma sentença. com o cabimento do recurso de apelação. quando o juiz resolve “a ação e a reconvenção” (cf. 101. 2ª ed. Autorizada doutrina224 sustenta o cabimento da apelação. sem dúvida. 1977.

000452-2. caput e parágrafo único. p. Volume I. A rigor. 470. Lições de direito processual civil. em dez dias (cf. a interposição da apelação não pode ser considerada erro grosseiro. 5ª ed. Daí a incidência do princípio da fungibilidade.22. 2007. NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA INTEMPESTIVIDADE. FREDIE DIDIER JR. 2008. CÁSSIO SCARPINELLA BUENO. n. Diário da Justiça de 1 de agosto de 2004. na jurisprudência: “AGRAVO DE INSTRUMENTO. p. a despeito de não haver este reproduzido norma semelhante à 164 . preceitos específicos acerca da reconvenção. 2006. 226. Volume I. 2004. 48. Curso de direito processual civil.2... 62. FUNGIBILIDADE DOS RECURSOS. A combinação de todos os preceitos conduz à conclusão de que o indeferimento liminar da petição inicial da reconvenção se dá mediante decisão interlocutória passível de agravo de instrumento225.. 2007. p. respectivamente. Volume I. p. aplica-se na hipótese o princípio da fungibilidade dos recursos. sem o grifo no original). PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE DOS RECURSOS. DECISÃO QUE INDEFERE in LiMine RECONVENÇÃO. 2ª Turma Cível do TJDF. Ante a inexistência de erro grosseiro ou má-fé. MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. n. p. tendo em vista o prisma utilizado pelo intérprete e a aparente contradição dos artigos 162. p. Volume I. 129. A resposta é encontrada nos artigos 126 e 579. Com efeito. eis que tal princípio subsiste no sistema do CPC de 1973. 15ª ed. de 2005: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. diante da dúvida objetiva existente acerca do cabimento de recurso contra o pronunciamento de indeferimento da petição inicial da reconvenção. tomo I. 9ª ed. Resta saber se a interposição da apelação conduz ao juízo negativo de admissibilidade do recurso. O recurso cabível da decisão que indefere liminarmente a reconvenção é o agravo. 2008. § 1º. RECURSO RECEBIDO COMO AGRAVO.. mesmo na literatura publicada após o advento da Lei n. p. 2 — Aplica-se o princípio da fungibilidade recursal para receber a apelação como agravo de instrumento desde que interposta no prazo do agravo. 18ª ed. 3 — Deu-se provimento” (AI n. o Código de Processo Civil enseja duas conclusões. artigo 522). Direito processual civil brasileiro.7. 45 e 46. 29. Em sentido conforme. 149 e 150. 95 e 96. 11ª ed. e VICENTE GRECO FILHO. Volume II. De acordo. APELO INTERPOSTO. a fim de que eventual apelação interposta seja recebida e processada como se fosse o verdadeiro recurso cabível: agravo de instrumento226.. 1 — Não configura hipótese de erro grosseiro ou má-fé a interposição de apelação ao invés de agravo de instrumento no caso de indeferimento liminar em reconvenção. 267 e 51 com os artigos 15 e 18. 2006. APELAÇÃO RECEBIDA COMO AGRAVO. Volume II. 225. “PROCESSUAL CIVIL. 11.importante considerar o disposto nos artigos 15 e 18. Curso sistematizado de direito processual civil. Manual de direito processual civil.00. ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. 176. dos Códigos de Processo Civil e Penal. Novo curso de direito processual civil.

No mesmo sentido: Ag n. Somente são cabíveis os embargos infringentes e de declaração da sentença. em execuções fiscais de valor igual ou inferior a 50 (cinqüenta) ORTN. conforme dispõe o artigo 34 e § 1º da Lei 6.830/80. o recurso específico cabível é o de embargos infringentes de alçada — e não o de apelação. mas. 34 da Lei 6. Inadmissível o recurso de apelação nos autos da execução quando o valor do débito relativo a esta for inferior ou igual a 50 OTN ou 283. o que equivale a 283. Diário da Justiça de 24 de maio de 2002: “Execução Fiscal — Embargos — Valor ínfimo — Não conhecimento — Valor de Alçada — Artigo 34 da Lei de Execuções Fiscais.80. qualquer que seja o fundamento da sentença”.754-4/00. Conferir: Apelação n. se o valor da dívida supera o teto de alçada. Trata-se de vexata quaestio. com valor da causa igual ou inferior a 50 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional convertidas. Há precedentes jurisprudenciais do Tribunal de Justiça de Minas Gerais227. Em contraposição. Apelo não conhecido”. com o retorno à regra da apelação. 34 da Lei n. 227. 6. de 1980. É o que se infere do artigo 4 da Lei n. mas sempre com valor da causa inferior ou igual ao teto legal. que trata de exceção ao binômio sentença-apelação consagrado no artigo 51 do Código de Processo Civil. essencial para fixar o cabimento da apelação ou do recurso de embargos infringentes do artigo 4 da Lei n. 1ª Turma Cível do TJDF. 2000.1. Em face da intempestividade.01. O problema reside na quantificação do teto de alçada.43 UFIR. porquanto há diferentes valores acerca do teto de alçada. Com efeito.80. não se conhece do recurso” (Apelação n. recurso de apelação.— Apelação em execução fiscal: cabem embargos infringentes de alçada contra qualquer sentença proferida em execução fiscal ou na correspondente ação de embargos. 6ª Câmara Cível do TJMG. sem os grifos no original). Com efeito. fica afastada a exceção dos embargos infringentes do artigo 4 da Lei n. porém.248. não são cabíveis embargos de alçada.830/80. p. quando o valor da dívida ultrapassa o teto legal. 000. os recursos cabíveis são embargos infringentes e declaratórios. 6. além dos embargos de declaração. 6. contra sentença proferida em ação de execução fiscal ou nos respectivos embargos. merece ser prestigiado o verbete n. 810 do Código de 1939.255.43 UFIR’s no momento da distribuição. 28 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “Em execução fiscal de valor inferior ao disposto no art. Diário da Justiça de 6 de junho de 2001.80. 6. 6ª Câmara Cível do TJMG. 000.830/80”. do Tribunal de Justiça do do art.289-1/00. 165 . conforme já proclamou o STF.021516-5. Diário da Justiça de 22 de março de 2002: “Execução Fiscal — Petição inicial indeferida — Apelação — Art. 18. A propósito. sim.

662. Descabe também o reexame necessário ou o recurso de ofício. 21. À luz da doutrina. II.43 UFIR)”. 229. p. 34 DA LEI N.43 UFIR. 6. a fim de verificar se a causa atingiu o valor de alçada (qual seja. nota 1. correspondente hoje a 283.007742-2. 34 da Lei Federal n. julgado em 29 de novembro de 2000: “Tributário. 34 da Lei 6. 48.. 66: “II — A forma correta de se obter o valor das 50 ORTNs e se saber o correto valor de alçada é fazendo a atualização pela seguinte fórmula: 50 ORTN = 50 OTN = 440. p. os quais 228. ART. a importância executada deve ser convertida em UFIR. 279: “Ficam limitados a valor de alçada (50 ORTN ou 283. Conferir: Reexame necessário n. Diário da Justiça de 18 de dezembro de 2002. 51: “PROCESSUAL CIVIL. 2002. 0ª ed. 82: “2) Tendo sido a ORTN. e SÉRGIO SHIMURA.001244-9.Rio Grande do Sul228 e do Tribunal Regional Federal da 2ª Região229 em prol da tese de que as 50 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional eqüivalem a 28. 6.02.85 UFIRS. chegou a outro montante: as 50 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional são iguais a 50 Obrigações do Tesouro Nacional.2. 50 ORTNs. ª Turma Cível. que equivalem a 440.830/80. e cabalmente demonstrado que o valor da execução fiscal é inferior a este. 200. de 1995.1 do segundo capítulo: “Nas execuções fiscais será anotado na capa. Conferir: AI n. ª ed. há lição no mesmo sentido21. Ainda na jurisprudência do Tribunal de Justiça do Distrito Federal: AI n. Conferir: Ag n. Processo n.0 Bônus do Tesouro Nacional. p. 2ª Turma do TRF da 2ª Região. o valor em reais que. p. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal22. MAURY ÂNGELO BOTTESINI. Código. 2000. Embargos infringentes.2.. p. 283. 20. 7ª ed. entretanto. Lições de direito processual civil.. Diário da Justiça de 5 de fevereiro de 200. Das sentenças de primeira instância proferidas em execuções fiscais e valor inferior a 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional — ORTN. MANOEL ÁLVARES.5744-8/RJ. 200. Extinção de ofício.830/80. Conferir: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. nos termos do art. 1998. 1205.43 UFIR)” (o trecho grifado está em itálico no original). 0.830/80 ‘só se admitirão embargos infringentes e de declaração’. Reexame necessário não conhecido”. 170. para fins do art. na data da distribuição. p. 70001162692. Execução fiscal. Vol.870. 56. p. Recurso improvido”. 2002. 166 . especificamente no tópico 45. 1999. Execução Fiscal. o qual corresponde a 444. Valor de Alçada. II — Estando esclarecida a dúvida quanto ao valor atualizado das 50 ORTNs.00.85 UFIR”. 22. 98.00.43 UFIR”20. 4ª Turma Cível. EXECUÇÃO FISCAL. a BTN extintas. I — Das sentenças de primeiro grau proferidas em execuções de valor igual ou inferior a 50 ORTNs só se admitirão embargos infringentes ou de declaração. In THEOTONIO NEGRÃO. Lei de Execução Fiscal. nota 201. p. 290. acórdão registrado sob o n. 2ª Câmara Cível do TJRS. equivaler a 283. relator Desembargador ARNO WERLANG. VALOR DE ALÇADA. a OTN.4 Unidades Fiscais de Referência. Diário da Justiça de 9 de abril de 200.30 BTN = 444. Reexame necessário. 8 da Corregedoria-Geral da Justiça de São Paulo. da decisão proferida em primeira instância não caberá apelação. É o que também estabelece o Provimento n.

no primeiro precedente. R$ 28. 70015706526. quando foi extinta a UFIR e desindexada a economia. ou R$ 328.50 UFIR = R$ 328. significando que as 50 ORTNs correspondem a 308. a melhor solução reside no padrão de conversão fixado nos mais recentes julgados do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: 08. Conferir: REsp n. Por tudo. para evitar a perda do valor aquisitivo. 3. 609.27 (trezentos e vinte e oito reais e vinte e sete centavos). 34 DA LEI 6. 2.193. deve corresponder àquelas 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional convertidas.541/MG. de 1980.17 = 308. 2ª Turma do STJ. Por fim. o Superior Tribunal de Justiça fixou. 34 da LEF. também decidiu o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul em julgamento recente: “A ORTN foi substituída pela OTN.85 Unidades Fiscais de Referência. Recurso especial provido em parte” (não há o grifo no original). Com a conversão para a moeda corrente. Diário da Justiça de  de agosto de 1998. o Superior Tribunal de Justiça indicou outro parâmetro24: 08. VALOR DA CAUSA.27.830. 5.correspondem a 444.27”25. O valor de alçada deve ser auferido. Segundo o art. somente é cabível o recurso de apelação para as execuções fiscais de valor superior a 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional — ORTN.052/DF.50 Unidades Fiscais de Referência.01)” (não há o grifo no original). 2ª Turma do STJ. quando julgou a quaestio iuris. Com a extinção da ORTN. ALÇADA.50 BTN’s = 311. 22ª Câmara Cível.27 (trezentos e vinte e oito reais e vinte e sete centavos) a partir de janeiro/2001. 24. em BTN’s e em UFIR’s”. p. 85. efetivamente. ou seja. R$ 28. 34 da Lei n. e posteriormente pela BTN e UFIR.50 UFIRs. julgamento em 27 de abril de 2004: “PROCESSO CIVIL — EXECUÇÃO FISCAL — ALÇADA RECURSAL (ART. que manteve seu valor histórico quando foi extinta e houve a desindexação da economia. 175: “PROCESSO CIVIL. de indexador já extinto. Apelação n. no entanto. levando em conta o valor da causa.59 UFIR’s = Cr$ 184. 2. observada a paridade com a ORTN.50 BTN = 308.50 Unidades Fiscais de Referência. isto é. 1. sem efetuar a conversão para moeda corrente. o valor de alçada. 6.830/80). Conferir: REsp n. 4. Para que a respectiva função seja cumprida. sucessivamente. fixa o valor de alçada nas execuções fiscais em 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional — ORTN. Em julgamento posterior. mantendo-se a paridade das unidades de referência. que as originais 50 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional equivalem a 11. hoje. o Tribunal de Justiça do Distrito Federal chegou ao total de R$ 47. 167 . o valor de alçada era de Cr$ 184.42. julgado em 20 de junho de 2006. 25. sucedido por outros. o valor da alçada deve ser encontrado a partir da interpretação da norma que extinguiu um índice e o substituiu por outro. O art. no momento da propositura da execução. 50 ORTN = 50 OTN = 308. Na mesma esteira.193. Colhe-se do voto condutor: “Nessa data. Trata-se.59 Unidades Fiscais de Referência2. em OTN’s. EXECUÇÃO FISCAL.01 (50 OTN’s x 6.

observada a paridade com a ORTN. 2. ALÇADA. há séria divergência quanto ao valor do teto de alçada: o Superior Tribunal de Justiça adotou como parâmetros 08. Para que a respectiva função seja cumprida.50 Unidades Fiscais de Referência28. Apelação n. Conferir: REsp n. Segundo o art. 609. 34 da LEF. no momento da propositura da execução. o princípio da fungibilidade sempre deve ser aplicado. sucessivamente. sem efetuar a conversão para moeda corrente. o Tribunal de Justiça de Minas Gerais e o Tribunal Regional Federal da 2ª Região assentaram o limite de alçada em 28. efetivamente. não há dúvida de que o princípio da fungibilidade recursal deve ser aplicado.27 (trezentos e vinte e oito reais e vinte e sete centavos) a partir de janeiro/2001. de indexador já extinto. para evitar a perda do valor aquisitivo.01)” (não há o grifo no original). o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul prestigiou o padrão de correção consubstanciado em 08. hoje. O valor de alçada deve ser auferido. 85.50 BTN = 308. p.830.5927 Unidades Fiscais de Referência. sucedido por outros. 2ª Turma do STJ.59 UFIR’s = Cr$ 184.193.01 (50 OTN’s x 6.85 Unidades Fiscais de Referência. levando em conta o valor da causa. 70015706526. somente é cabível o recurso de apelação para as execuções fiscais de valor superior a 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional — ORTN. o valor de alçada.Diante da evidente dúvida objetiva existente quanto ao valor correspondente ao teto de alçada. mantendo-se a paridade das unidades de referência. 27.4 Unidades Fiscais de Referência. o valor da alçada deve ser encontrado a partir da interpretação da norma que extinguiu um índice e o substituiu por outro. Colhe-se do voto condutor do eminente Ministro ARI PARGENDLER: “Nessa data. Com efeito.541/MG. 6. Conferir: REsp n. em OTN’s. 1. 34 DA LEI 6. 168 . VALOR DA CAUSA. o valor de alçada era de Cr$ 184. fixa o valor de alçada nas execuções fiscais em 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional — ORTN. 34 da Lei n. 22ª Câmara Cível.830/80). julgado em 20 de junho de 2006. deve corresponder àquelas 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional convertidas.5026 e 11. porquanto o erro na interposição na hi- 26. 50 ORTN = 50 OTN = 308. quando foi extinta a UFIR e desindexada a economia. Diário da Justiça de  de agosto de 1998. EXECUÇÃO FISCAL. Trata-se. 5. O art. 4.17 = 308. julgamento em 27 de abril de 2004: “PROCESSO CIVIL — EXECUÇÃO FISCAL — ALÇADA RECURSAL (ART. em BTN’s e em UFIR’s”.50 UFIR = R$ 328. Recurso especial provido em parte” (não há o grifo no original).193. 3. Com a extinção da ORTN. tanto na errônea interposição de apelação ao invés dos embargos infringentes de alçada quanto na equivocada interposição de embargos de alçada no lugar do recurso apelatório. ou seja. o Tribunal de Justiça do Distrito Federal fixou o teto em 444. 2ª Turma do STJ. no entanto. 175: “PROCESSO CIVIL.052/DF. a fim de que o recurso inadequado seja recebido como se fosse o correto. de 1980. 28.50 BTN’s = 311. Diante do dissenso em razão da existência de quatro diferentes valores.

186. Diário da Justiça de 22 de março de 1999. Além do mais. e não o de agravo de instrumento. de 1950. que será autuada em separado. na doutrina: ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS.060. ARTIGO 17 DA LEI 1. p. Enquanto o artigo 6º revela a natureza jurídica de “incidente”.281/AM. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL.. Diário da Justiça de 11 de dezembro de 2000. deve-se adotar a exegese favorável ao recorrente: appellatio admittenda videtur in dubio. doutrina e jurisprudência fixaram um critério para distinguir as hipóteses de cabimento da apelação e do agravo. 6ª Turma do STJ. na tentativa de solucionar a dificuldade gerada pela confusão terminológica existente na Lei n.549/SP. Manual.060/50. 240. “Contra a decisão que julgar a impugnação cabe apelação (art. INDEFERIMENTO. 2ª Turma do STJ. Ainda no mesmo sentido. RECURSO CABÍVEL. ainda na jurisprudência: REsp n. 6ª Turma do STJ. 1. 261. sem suspensão do curso da ação (art. 1755). Diário da Justiça de 27 de agosto de 2001.465/RS. 152. por via de incidente próprio. cabível é o recurso de apelação. APELAÇÃO. 2. Por tudo.. Quando a postulação de assistência judiciária gratuita é resolvida pelo juiz de primeiro grau em autos apartados. o instituto da fungibilidade recursal merece ser utilizado. Conferir. p. na jurisprudência: “ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA. 241. a fim de que tanto a apelação quanto o recurso de agravo do artigo 522 sejam aproveitados29.890/MG. Inteligência do artigo 17 da Lei 1. 1. tanto que são proferidas “decisões”. 118. Em contraposição. tem-se que cabível o recurso de agravo241. 1. p. De acordo: REsp n. 256. segundo princípio de hermenêutica jurídica. p. Da decisão que indefere pedido de assistência judiciária gratuita. O agravo de instrumento é o recurso cabível contra a decisão que inde- 169 . PRECEDENTES. RECURSO CABÍVEL. p.pótese não pode ser considerado grosseiro. 28. 9ª ed. 776: “A impugnação deve ser formulada em petição própria. quando a solução do juiz se dá nos próprios autos. parágrafo único)”. o artigo 17 fixa o cabimento de “apelação” da “sentença”.060. 17)”. em homenagem ao princípio da fungibilidade recursal. — Apelação e agravo em assistência judiciária: outro importante exemplo de aplicação do princípio da fungibilidade reside na Lei n. Diário da Justiça de 18 de setembro de 2000. 2002. Ainda que 29. INDEFERIMENTO NOS AUTOS PRINCIPAIS DO BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA. 165). Diante da confusão terminológica existente na Lei n. 1999. Por fim. Volume I.060/50” (REsp n. e REsp n. Também na doutrina: NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY: “O LAJ 17 prevê o recurso de apelação para a hipótese de o benefício ser postulado em procedimento à parte” (Código. ª Turma do STJ. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. de 1950. o equívoco na interposição deve ser relevado. 7º. sustenta-se a adequação do recurso apelatório240. em caso de dúvida. 175. Conferir. p. Conferir. 1. 4ª ed.060.

Diário da Justiça de 12 de abril de 1999. p. 195. AUTOS PRINCIPAIS. Recurso cabível. o juiz ouvirá os interessados no prazo de dez dias. A concessão ou não. Diário da Justiça de 29 de outubro de 2001. o recurso próprio é o agravo” (Manual. de pedido de assistência judiciária. Trata-se. Revista de Processo.. o pronunciamento por meio do qual o juiz decide sobre a verificação dos créditos na insolvência civil não é real “sentença”. 21). AGRAVO DE INSTRUMENTO. No mesmo diapasão. para após decidir. p.. o juiz deverá determinar que se retifique o mesmo. 1999. 2002. PEDIDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA. RECURSO CABÍVEL. DEFERIMENTO. Em sentido conforme. 21: “1. Ainda a respeito do pedido de assistência judiciária. 242. porquanto há julgamento de simples incidente processual existente no bojo do processo de insolvência civil. 1755). o indeferimento do mesmo enseja a interposição de agravo de instrumento por se cuidar de decisão interlocutória”. ainda mais quando os preceitos são combinados com o artigo 162. tal como também existe no processo de falência. de decisão interlocutória passível de agravo de instrumento242. 156. Ainda no mesmo sentido: Ag n. fere o pedido de assistência judiciária nos autos principais” (REsp n. também na doutrina: NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY: “Se o pedido é feito no meio de outro processo. 1. volume 5. Contra decisão interlocutória que a concede nos próprios autos da ação. p. a solução pragmática não afasta a contradição existente entre os artigos 6º e 17 da Lei n. 1. Precedentes” (REsp n. do Código de Processo Civil vigente. na verdade. mas que em verdade é uma decisão interlocutória. 775). Havendo alguma impugnação fundada ao quadro elaborado pelo contador judicial. p. 158. Daí a justificativa para a aplicação do princípio da fungibilidade recursal em ambas as hipóteses. p. Também no mesmo diapasão: “PROCESSUAL CIVIL. 4ª ed. acórdão da relatoria do Desembargador Professor GALENO LACERDA: “Assistência judiciária. Volume I. 6ª Turma do STJ.247/MG — AgRg. processado o pedido de justiça gratuita nos autos principais.791/DF — AgRg. que o Código de Processo Civil chama de sentença (art. 4ª Turma do STJ. “ocorrendo de o juiz indeferi-lo no curso do processo. o Professor ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS igualmente sustenta que. o recurso cabível é o agravo de instrumento. 1.060/50 não acolhida. Conferir. ª Câmara Cível do TJRS. na doutrina: “Uma vez apresentado o quadro de credores pelo contador judicial. para só então proferir sua decisão. 17 da Lei n. e não a apelação” (AI n. 58605911. Conforme tem decidido esta Corte. o deferimento ou indeferimento da postulação se dá por decisão interlocutória. Violação ao art. Nesta decisão. de 1950. 771. de plano. Diário da Justiça de  de agosto de 1998. — Apelação e agravo na verificação dos créditos na insolvência civil: A despeito da literalidade dos artigos 771 e 772 do Código de Processo Civil (“sentença”).060. que desafia o recurso de agravo de instrumento” (Código. § 2º. 215).084/PA. in fine). 208). o juiz se limita a aprovar o quadro de credores. nos autos principais.muito respeitável. p. ª Turma do STJ. desafia a interposição de agravo de instrumento e não apelação. 9ª ed. Deci- 170 .

ex vi do art. de 2005. 558. escapa à moldura de sentença constante do art. 11. o ideal seria o legislador voltar os olhos para os artigos 771 e 772 ainda do original Código de 197. Extinguirá a relação das habilitações? Tampouco parece crível que as ações executivas dos credores concorrentes.101. O novo processo civil brasileiro. Lições de direito processual civil. se não houve impugnação. 1999. sem dúvida. § 2º) e. o provimento que aprova o quadro de credores pode ser impugnado por agravo (art. de 2005.. 286. Volume III. 772. graças ao princípio do recurso indiferente” (ARAKEN DE ASSIS. Já o Código de Processo Civil (de 197) utiliza o vocábulo “sentença” nos artigos 771 e 772. Manual do processo de execução. § 1º. na hipótese de resolução da(s) impugnação(ões) apresentada(s). VICENTE GRECO FILHO. parte final. 381). 0ª ed. in fine. a hipótese é igual à prevista nos artigos 9º a 17 da Lei n. antes da satisfação dos créditos (infra. a fim de que tanto o agravo de instrumento (recurso cabível à vista da interpretação teleológica e também da sistemática) quanto a apelação (recurso cabível à luz da interpretação literal) sejam admitidos e recebidos. p. caput. em razão da dúvida objetiva244. 520). a execução coletiva continuará até o pagamento. 522 do Código de Processo Civil)” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. a fim de atualizar os preceitos à luz do moderno artigo 17 da Lei n. de resto defendida por vozes autorizadas. Como se nota.. de vexata quaestio. 25ª ed. possam se encerrar nesta prematura ocasião. art. o que explica a respeitável tese de que há sentença apelável24. Neste sentido: JTAERGS 92/97”. nota 1 ao artigo 772: “Da sentença cabe apelação. 771. portanto. na hipótese. aliás dotado de efeito suspensivo. 162. preceito que revela a real natureza do provimento jurisdicional exarado no incidente são interlocutória que é. 14ª ed. p. 2005. 11. 162. Cf. 771 se afeiçoa à regra definidora da decisão interlocutória (art. em ambos os efeitos (cf. 2007. Ainda no mesmo sentido. 98 e 99). poderá ser conhecida na condição de agravo.Com efeito. Código de Processo Civil e legislação processual em vigor. THEOTONIO NEGRÃO. 2007.. mas a novel lei tem a vantagem de reconhecer o cabimento do recurso de agravo de instrumento. Trata-se. se mostra inadequada à tipologia do art. p. outra vez a terminologia da lei. Configurando-se. Que relação processual extinguiria? Por óbvio. De lege ferenda. ou no art. conferir a lição do Professor ARAKEN DE ASSIS. Daí a presente opção em prol da aplicação da fungibilidade recursal. p. 244. 15 a 18. a apelação porventura interposta. cuja importância reside na correlação obrigatória entre o tipo de provimento e o recurso cabível.. transcrita na posterior nota 244. 1089 e 1090). enfeixadas no concurso. Volume II. 8ª ed. 171 . p. O ato decisório previsto no art. 17ª ed.101. 162. na doutrina: “O provimento contemplado no art. Direito processual civil brasileiro. rende agravo de instrumento.. 24. a chamada dúvida objetiva. 78. No mesmo sentido do texto. BARBOSA MOREIRA. 2002.

Apenas R apela. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. o pedido formulado pelo recorrente. é o princípio inquisitório que determina a apreciação oficial de algumas matérias: verbi gratia.00 ou minorá-la. sob pena de ofensa ao princípio da vedação da reforma para pior.da verificação dos créditos em execução concursal (falência ou insolvência civil. Reforma para pior. piorar a situação do único recorrente.1. reformatio in peius e matéria de apreciação oficial Tema interessante reside no confronto do princípio da proibição da reforma para pior e da obrigação da apreciação oficial de determinadas matérias indicadas na lei.2. Com efeito. que inspira o instituto recursório. jamais aumentá-la. condenando R a pagar R$ 70. o juiz de primeiro grau julga parcialmente procedente a demanda.00. não há incompatibilidade no particular. 7. a prolação de julgamento fora do requerimento recursal.000. É o que revelam os artigos 2º. É vedada. Em tal hipótese. na prática. pa- 245. 245.000. conforme o devedor seja empresário.000. Não obstante. 505 e 515. 7. que cause. ou não). 128. 460. o órgão julgador deve lançar decisão levando em consideração a matéria impugnada no recurso. todos do Código de Processo Civil. artigos 11. generalidades O princípio da proibição da reformatio in peius245 consiste na impossibilidade de o órgão julgador do recurso proferir decisum em prejuízo do único recorrente.00. É que a vedação da reformatio in peius está atrelada ao princípio dispositivo. Após a contestação e a instrução probatória. então. Um exemplo pode facilitar a compreensão do princípio em estudo: o autor A propõe ação contra o réu R. por estar tal princípio vinculado ao princípio dispositivo. gravame ao inconformado. objetivando a condenação do réu no pagamento de indenização de R$ 100. pRINCÍpIO DA pROIbIçãO DA reForMatio in peius 7. 172 . pleiteando a improcedência do pedido formulado por A. o tribunal de segundo grau não pode aumentar a condenação imposta a R. A corte de apelação só pode manter a condenação de R$ 70.

ª ed. Comentários.. na doutrina: “Assim.. já que eventual reforma para pior não se dá em contrariedade direta ao próprio recurso. Eventual prejuízo ao recorrente não se dá em virtude do seu próprio recurso.. pode ocorrer por força do efeito devolutivo. por força do princípio inquisitório. todos do Código de Processo Civil.3. portanto. Referida modificação decorre do chamado efeito ‘translativo’ dos recursos” (LUIZ FUX. o órgão julgador pode (melhor dito. 10). Prevalece a tese da impossibilidade da reforma para pior em remessa obrigatória. Os institutos são diferentes. a proibição da reforma para pior diz respeito apenas à matéria submetida ao tribunal pelo próprio recorrente. salvo o acolhimento de matérias conhecíveis de ofício. não há reformatio in pejus se o acórdão pronuncia a ilegitimidade passiva. mas. agravar a condenação imposta à Fazenda Pública”247. 17 . bem como o artigo 210 do Código Civil de 2002. 7. 2008. em razão do efeito translativo. Código. não pode o tribunal piorar a situação do único recorrente. Já as matérias passíveis de apreciação oficial são transferidas por força de lei. § º. 1999. é defeso. Por conseguinte.rágrafo único. e 01. à vista do enunciado n. reformando sentença que havia julgado a ação no mérito. assim como em virtude do efeito translativo. mas. p. § 4º. 2ª ed. 45 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: BARBOSA MOREIRA. 427 e 428. ao qual está vinculado o efeito translativo. deve) apreciar de ofício as matérias de ordem pública. 141. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p. Autorizada doutrina também prestigia a tese consagrada no enunciado n. Com igual conclusão. sim. A transferência da matéria ao conhecimento do tribunal ad quem. 7ª ed. Conseqüentemente. 176. pela improcedência. 1998. p. A reforma do processo civil. 1975. em razão da exigência do julgamento ex officio previsto na legislação. Volume V. reformatio in peius e remessa obrigatória Outra vexata quaestio reside na discussão que envolve a reformatio in peius em reexame necessário. 246. 45 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “No reexame necessário. p. e não podem ser confundidos. sim. Tomo III. não há a incidência do princípio da proibição da reformatio in peius. atrelado ao princípio dispositivo. portanto. em virtude da obrigatoriedade da apreciação oficial quando assim a lei dispuser246. vinculado ao princípio inquisitório. e SÉRGIO SAHIONE FADEL. 267. O processo. Sob o ponto de vista estritamente jurídico. ainda que para proferir julgamento desfavorável ao único recorrente. 247. Em resumo. ao Tribunal.

4. 249. Com efeito. resta a reformatio in mellius250. pois apenas submete a eficácia da sentença à apreciação do tribunal. NELSON NERY JUNIOR.. mas reapreciação apenas daquilo em que a Fazenda sucumbiu. ele não o ofende. 460. Em si. proibição da reformatio in mellius Estudada a proibição da reformatio in peius. Aliás. “Mellius (cf. nec interpres distinguere. 128.. Dicionário latino português. interpretação diversa não se coaduna com o princípio constitucional da isonomia249.). p. 157 e 158. Princípios fundamentais. 45 é alvo. 29). Cf. superada a orientação que considerava a remessa obrigatória uma espécie de recurso de ofício. 7. O princípio dispositivo e os artigos 2º. Trata-se de princípio norteador dos recursos. Na verdade. 250. Sob outro prisma. in verbis: “O reexame necessário também merece análise à luz do princípio da igualdade. A despeito das críticas que o enunciado n. Volume I. 174 . 1942. obs. O que constitui injustificável privilégio é a impossibilidade de se agravar a situação da Fazenda (Súmula 45 do STJ). mais felizmente” (FRANCISCO TORRINHA. ª ed. o verbete subsiste na Súmula do Superior Tribunal de Justiça. portanto. A procedente crítica ao enunciado n. conceder além do pedido do recorrente. compar. há apenas a exigência do “duplo grau de jurisdição”. não há no artigo 475 nenhum indício de que o “duplo grau de jurisdição” é limitado em favor dos entes públicos. com a vedação à prolação de julgamento ainda mais prejudicial à pessoa jurídica de direito público favorecida pela remessa obrigatória. Daí a impossibilidade da aplicação do princípio da irreformabilidade para pior ao reexame necessário. p. tem-se atribuído ao instituto do reexame necessário a natureza jurídica de condição à formação da coisa julgada. 45 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça é veiculada pelo Professor MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. 4ª ed. próprio dos recursos. De bene: melhor. quando não há recurso independente do particular nem do Ministério Público. o que não se sustenta à luz do princípio da isonomia” (Novo curso de direito processual civil. melior. p. 505 e 515 do Código de Processo Civil revelam a impossibilidade jurídica do julgamento 248. Não há. 1996. merece ser prestigiada a tese segundo a qual a proibição da reformatio in peius alcança apenas os recursos propriamente ditos248.Não obstante. um reexame necessário de toda a decisão. 2007. em melhor estado. Reforma para melhor. por estar atrelado ao princípio dispositivo. 511). o qual deve ser integral. 156. tendo em vista a inexistência de restrição no preceito de regência: ubi lex non distinguit.

5ª Turma do STJ. Infere-se do sistema processual penal que a reformatio in mellius deve ser admitida. 281). pode o Juiz Federal condenar o réu em montante superior ao imposto na primeira sentença? Tudo indica que sim. porquanto o primeiro julgamento foi anulado por não ser ato jurídico válido. 386. também. a reformatio in mellius. reformatio in peius indireta A denominada reformatio in peius indireta consiste na prolação de posterior decisão mais desfavorável ao recorrente cujo recurso permitiu a anulação da primeira decisão. O art. POSSIBILIDADE. Com efeito. pois não pode o tribunal melhorar a situação do recorrente além dos limites por ele mesmo fixados em seu recurso”. sendo admíssivel a reformatio in mellius na hipótese sob exame. a nulidade deve ser reconhecida de ofício pelo Tribunal ad quem. 25. Manual dos recursos cíveis. todavia. não apenas a reformatio in pejus é proibida. porquanto o artigo 617 do Código de Processo Penal veda apenas a reformatio in peius25. prevalece a orientação jurisprudencial de que a reformatio in mellius é admissível252. tanto em prejuízo quanto em favor do recorrente. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. 44). 75. Ao proferir a respectiva sentença. a rigor. 7.fora das raias do pedido recursal. Diário da Justiça de 8 de maio de 2006. Um exemplo pode facilitar a compreensão do assunto: imagine-se que apenas o réu apelou da sentença proferida por Juiz de Direito. desta forma. nem mesmo indireta. 84: “Ainda segundo o princípio dispositivo. em que o Tribunal a quo. PROCESSUAL PENAL. Ainda que apenas uma parte tenha recorrido. tão-somente. p. podendo. reconheceu a insubsistência do conjunto probatório e absolveu o Réu. 252. inciso VI. 251. ao julgar o recurso da Acusação. Conferir: “RECURSO ESPECIAL. a prestação jurisdicional deve ser prestada nos precisos limites do respectivo requerimento. Precedentes” (REsp n. 175 .96/RS. p. do Código de Processo Penal. De acordo: NELSON LUIZ PINTO. 1. 5ª Turma do STJ. Quanto ao processo penal.5. pois em recurso exclusivo do Ministério Público toda a matéria resta devolvida. não há como atribuir valor jurídico algum ao primeiro julgamento. que igualmente não pode ser ultrapassado até mesmo em prol do recorrente251. Daí a razão pela qual não há. reformatio in peius alguma. 75. ser analisada a existência de ilegalidades na condenação pelo Tribunal de Origem. 2.215/SP. p. 1999. Conferir: “1. com fulcro no art. como. Por conseguinte. a qual restou anulada de ofício pelo Tribunal de Justiça. Diário da Justiça de 20 de março de 2006. ao fundamento de que a ação é da competência da Justiça Federal. OCORRÊNCIA DA reForMatio in MeLLius. a reformatio in pejus. RECURSO EXCLUSIVO DA ACUSAÇÃO. 617 do Código de Processo Penal veda. Recurso especial desprovido” (REsp n.

INTIMAÇÃO PESSOAL. 254. 176 . Por conseqüência. realizar ato já praticado. RECURSO DESPROVIDO. as partes têm a oportunidade de praticar os diversos atos processuais no tempo previamente designado. IMPOSSIBILIDADE. Conferir: “CRIMINAL. a fim de que a paz social afetada pelo litígio seja restabelecida o quanto antes. 225. agravar a sua situação. à luz do artigo 501 do Código de Processo Civil. DECISÃO POSTERIORMENTE ANULADA. exercido o direito. Diário da Justiça de 6 de março de 2006. sendo vedadas a interposição de outro recurso e a correção do inconformismo. há a respectiva consumação. poderia ocorrer perda de tempo e de atos processuais. ainda. proferir uma decisão mais severa contra o réu’” (REsp n. exercido o direito com a concretização do ato processual. o aditamento ou a correção do recurso anteriormente já interposto. Como o Ministério Público se conformara com a primeira decisão. Por tal razão. É que o recorrente poderia corrigir erro apontado pelo recorrido na resposta ao recurso. não é possível. com a vedação da denominada reformatio in peius indireta254. Com efeito. não apelando dela.248/MG. 5ª Turma do STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. dá-se início à prática dos atos ulteriores. I. não é possível exercer direito já consumado. No entanto. há a consumação do direito de recorrer. Então. Porém. prevalece entendimento contrário em relação ao processo penal. ‘Anulada uma decisão em face de recurso exclusivo da defesa. O princípio da consumação consiste na impossibilidade de o legitimado oferecer novo recurso — ainda que da mesma espécie do anterior — contra a decisão atacada. se o vencido pudesse complementar o recurso após a interposição. vedação que igualmente impede a correção e a complementação do recurso interposto. após a anulação daquela. É possível apenas a desistência do inconformismo. não pode o Juiz. CONDENAÇÃO EM SEGUNDO GRAU. pRINCÍpIO DA CONSUmAçãO O legitimado tem o direito de impugnar a decisão causadora do gravame mediante recurso. mesmo que dentro do prazo recursal previsto na legislação. nem a complementação. 427). 8. PRECLUSÃO. A adoção do princípio é justificada pela necessidade de o processo demorar o menos possível. ainda que no primeiro dia do prazo recursal. p. não é admissível a interposição de novo recurso contra o decisum recorrido.Não obstante. em novo julgamento. E por força do instituto da preclusão consumativa. ou. MINISTÉRIO PÚBLICO. assim como prejuízo irreparável ao recorrido que já tivesse apresentado resposta. geralmente pela lei. reForMatio in peJus INDIRETA. interposto o recurso. RESP. substituí-lo por outro.

aliás. sob pena de deserção”.099 e o § 2º do artigo 4 da Lei n. 524.80. embora feito dentro do prazo recursal. moral e estético. na busca da reforma da sentença em relação ao dano moral. o autor apela. A propósito. 9. o réu também apela. o preparo de recurso cível deve ser comprovado no próprio ato da interposição. ainda que remanesça parte do prazo para seu exercitamento. Em suma. O princípio da consumação também incide em relação ao recurso adesivo. Ex vi do caput do artigo 511 do Código de Processo Civil. 96 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. assim como o caput do artigo 42 da Lei n. por força do princípio da consumação. Por tal motivo. 1 aprovado pelo Centro de Estudos do extinto Tribunal de Alçada do Paraná: “O preparo deve ser realizado de modo concomitante à interposição do recurso. comporta as exceções estudadas no tópico específico destinado ao requisito do preparo. Na mesma esteira. ou seja. Por oportuno. 19 da Súmula do Tribunal de Justiça do Distrito Federal: “O preparo do recurso há de ser comprovado no momento de sua interposição. Imagine-se a seguinte hipótese: o autor propõe ações cumuladas a fim de que o réu seja condenado a pagar danos material. determina deserção”. A regra do preparo imediato consagrada no caput do artigo 511 do Código de Processo Civil. reforça o enunciado n. 6. os artigos 514. o juiz de primeiro grau condena o réu apenas no tocante ao dano material. 2 do 9º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “O não preparo do agravo. é irrelevante se o direito de recorrer foi exercido no primeiro ou no último dia do prazo recursal. merece ser prestigiado o enunciado n. O princípio da consumação também impede que a guia relativa ao preparo seja apresentada após a interposição do recurso. as razões recursais devem acompanhar desde logo a petição de interposição. concomitante à sua interposição. vale a pena conferir a precisa conclusão n. quando o mesmo recorrente interpõe recursos independente e adesivo. Ainda a respeito do tema.Como o sistema recursal cível pátrio é norteado pelo princípio da consumação. não é possível posterior alteração ou aditamento do inconformismo. declarandose a deserção se feito em data posterior. Em ambas as hipóteses o direito foi consumado. Inconformado. ainda que dentro do prazo legal de interposição do recurso”. entretanto. Ao proferir a sentença. 56 e 541 do Código de Processo Civil. Por sua vez. É o que dispõem. à vista do enunciado n. o recurso deve estar completo no ato da interposição. a demonstração do depósito dos encargos financeiros que dizem respeito ao recurso deve ser efetuada no momento da interposição. a fim 177 . sob pena de deserção. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça e do enunciado n.

correta é a conclusão de que se operou preclusão consumativa relativamente à recorribilidade da decisão interlocutória que se pretendia modificar. O recurso adesivo não é um recurso autônomo. ou nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida. no ordenamento recursal civil brasileiro. será admitida a sua interposição por instrumento. Hoje. mas simples forma secundária de processamento recursal. ainda que desista do anterior agravo interposto. o recurso de agravo cabível contra decisão interlocutória é um só. 866. 178 . esta deve ser entendida como desistência ao recurso em si mesmo. quanto ao dano material). espécies distintas de agravo. o vencido que interpôs recurso independente não tem acesso à via adesiva. o qual versa sobre o dano estético? No plano teórico: a parte parcialmente vencida. Diário da Justiça de 0 de abril de 2007. e que já recorreu. O recurso é um só. porquanto. Excepcionou-se. PROCESSO CIVIL. aquelas hipóteses em que. Daí por que a impossibilidade de conhecimento do segundo agravo. AGRAVO DE INSTRUMENTO. do Código de Processo Civil. Não se conhece. AGRAVO RETIDO. DESISTÊNCIA. Ao interpor o primeiro recurso de agravo. Não é possível interpor mais de uma vez o mesmo recurso. todavia. como já dito. o princípio da consumação também impede a admissibilidade do segundo recurso de agravo interposto contra a mesma decisão interlocutória. 2. De acordo. Se o inconformado já recorreu na primeira oportunidade mediante apelação.187/2005. agora de instrumento” (REsp n. determina seu processamento na forma retida. Portanto. sob pena de violação ao princípio da consumação. o respectivo direito restou consumado. isto sim. pode interpor recurso adesivo em relação ao recurso principal interposto pelo adversário? Tudo indica que não. interposto o agravo. diversas formas ou modalidades quanto à sua interposição. tem-se. p. Com efeito.006/PR. Por fim. o direito de recorrer restou consumado com a interposição do primeiro agravo255. seja por uma modalidade. 28. se tratando de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação. na jurisprudência: “RECURSO ESPECIAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. na forma retida. 1. o legitimado consuma o direito de recorrer. INTERPOSIÇÃO. sem os grifos no original). caput. seja pela outra. as formas de processamento do agravo é que são duas: por instrumento ou retido nos autos.de que seja dispensado da condenação imposta pelo juiz de primeiro grau (vale dizer. 11. agora pela via adesiva. 4ª Turma do STJ. a regra geral contida no artigo 522. OCORRÊNCIA. As formas de interposição é que são duas: independente e adesiva. razão pela qual não pode agravar novamente contra a mesma decisão interlocutória. Por conseguinte. após a reforma introduzida pela Lei n. 255. Surge a pergunta: o autor pode interpor recurso adesivo acerca do terceiro pedido. não quanto à sua forma. Em suma. mesmo ocorrendo a desistência. independentemente da modalidade utilizada. razão pela qual não pode acionar a mesma espécie recursal.

9. p. O oferecimento das razões recursais é imprescindível para que o órgão julgador possa apurar a matéria que foi transferida ao seu conhecimento por força do efeito devolutivo. 10. 52. Dos recursos. o porquê do pedido de prolação de outra decisão256. 4 da Súmula do antigo Primeiro Tribunal de Alçada Civil de São Paulo: “Não se conhece de apelação quando não é feita a exposição do direito e das razões do pedido de nova decisão”. Em síntese. ª ed. exercendo as garantias previstas no inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal. A ausência das razões recursais impede a prolação de juízo positivo de admissibilidade do recurso. p. § º. 1946. 1996. Aqueles preceitos devem ser observados na elaboração da peça recursal. mutatis mutandis. e SEABRA FAGUNDES. NELSON NERY JUNIOR. a petição recursal deve. p. Por tais motivos. 56. pRINCÍpIO DA DIAlETICIDADE O princípio da dialeticidade está consubstanciado na exigência de que o recorrente apresente os fundamentos pelos quais está insatisfeito com a decisão recorrida. merece ser conferido o enunciado n. no sistema recursal cível todos os recursos devem conter razões. as quais devem ser apresentadas desde logo no momento da interposição. A apresentação das razões recursais também é fundamental para que o recorrido possa oferecer resposta ao recurso. 1999. 524. ser formulada nos moldes da petição inicial. aliás. os artigos 514. 179 . A conclusão n. 169.. sob pena de o inconformismo não cumprir o requisito de admissibilidade da regularidade formal. Princípios fundamentais. pRINCÍpIO DA vOlUNTARIEDADE O princípio da voluntariedade consiste na exigência de que não haja dúvida acerca da vontade do recorrente em impugnar o decisum recorrido. todos do Código de Processo Civil. 14. É o que revelam. e 541. em muito similares ao artigo 282 do mesmo diploma. na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Em sentido semelhante. O processo civil brasileiro. 256. 101. consoante a combinação dos princípios da dialeticidade e da consumação. 62 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Não se conhece de apelação desacompanhada dos fundamentos”. Por refletir a jurisprudência predominante acerca do assunto.

que o acesso à doutrina lusitana só foi possível em virtude da amizade com o Professor RODRIGO MAZZEI. Cadernos de processo civil: apelação. b) Princípio da personalidade ou da relatividade — consagra a solução oposta: restringe o âmbito de eficácia do recurso ao recorrente. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 197. Critério observado no campo recursal. 460. quem recorreu. 55. 197. a vedação prevista no artigo 2º do Código de Processo Civil também vale para o recurso. constata-se o elo entre os princípios da personalidade. p. há didática obra específica na literatura portuguesa: “A sua resolução pode basear-se em dois princípios teóricos distintos: a) Princípio da realidade — a sua aplicação conduz à extensão máxima da eficácia do recurso: os co-interessados não recorrentes aproveitam-se sempre do eventual êxito do recurso.. na doutrina: ELIÉZER ROSA. Proc. Assim. 258. p. Ainda a respeito do tema. p. 196. Pluralidade das partes na fase dos recursos em processo civil. p. Dir.. Volume I. p. p. Cadernos de processo civil: apelação.sobre a insatisfação do vencido em relação à decisão atacada257. p. se procedente. Em sentido conforme. Assim. Princípios fundamentais. Civ. todos do Código de Processo Civil vigente. Livraria Almedina. Dicionário jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas. segundo o qual o meio impugnativo (apelação) só beneficia. 48. o recurso nem sequer ultrapassa a barreira da admissibilidade. Registre-se. e NELSON NERY JUNIOR. 11. pRINCÍpIO DA pERSONAlIDADE OU DA RElATIvIDADE O princípio da personalidade significa que apenas o recorrente pode ser beneficiado no julgamento do recurso. 4ª ed. 99. Do recurso extraordinário. 170. 128. por oportuno. 624: “PRINCÍPIO DA PERSONALIDADE. 1999. 1981. a decisão da 1ª instância constitui caso julgado quanto aos co-interessados não recorrentes” (JORGE NORONHA SILVEIRA. e OTHON SIDOU. Por tal razão. na doutrina: ELIÉZER ROSA. 146 e 147. quem deixou de recorrer não é favorecido pelo recurso alheio258. Volume I. Bem examinados os preceitos. É que o direito de recorrer está inserto no direito de ação. O processo civil brasileiro. da voluntariedade e da vedação da reformatio in peius: apenas o legitimado que manifestou sua vontade de recorrer é favorecido pela decisão proferida pelo órgão julgador do recurso. 180 . não podendo a decisão reapreciadora favorecer o recorrido”. 257. 1997. 60. JOSÉ AFONSO DA SILVA. quando há desistência do recurso. 505 e 515. Coimbra. A regra da personalidade é extraída da combinação dos artigos 2º. 7 e 8). 1996. renúncia ao direito de recorrer ou aceitação do julgado. ª ed.

entretanto. com a interpretação do artigo 816 do Código de Processo Civil brasileiro de 199 e do artigo 509 do Código de Processo Civil brasileiro de 197. Pluralidade das partes na fase dos recursos em processo civil. p. tendo em vista a extensão do julgamento do recurso também em favor de quem não recorreu259. 48 e 49). 1981. como sustentado no texto principal presente compêndio): “A legislação brasileira também dá um predomínio acentuado ao princípio da realidade. 259. Mas o legislador brasileiro. 509º do actual CPCB. O artigo 509 consagra exceção. O CPCB 1939. o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros. 181 . consagrando no art. por exemplo. o respeitável jurista português concluiu de forma diversa.O princípio da personalidade. salvo se distintos ou opostos os seus interesses’. e a nosso ver bem. 816º como ‘um dispositivo fora do sistema do código’. que apenas acrescentou um § único em que. 816º o princípio de que ‘o recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveitará. abre todavia uma excepção quanto aos recursos. que considera o art. quando as defesas opostas ao credor lhes forem comuns” (JORGE NORONHA SILVEIRA. exemplificando o princípio já enunciado. Livraria Almedina. Após interessante estudo de direito comparado. Coimbra. ao sustentar a tese de que os Códigos brasileiros revelam a predominância do princípio da realidade (e não do princípio da personalidade. se diz que ‘havendo solidariedade passiva. por Jorge Americano. Esta aparente contradição entre os arts. manteve-o inalterável no corpo do art. 89º estabeleça que ‘os litisconsortes serão considerados em suas relações com a parte adversa como litigantes distintos e os actos de um não aproveitarão nem prejudicarão aos demais’. embora no seu art. não é absoluto. 89º e 816º do CPCB de 1939 foi sublinhada.

admite-se a manifestação do inconformismo por via subsidiária. À vista do inciso III do artigo 500. apelação adesiva) fica subordinada ao conhecimento do recurso principal (no exemplo.Capítulo Ix RECURSO ADESIvO 1. recurso especial e recurso extraordinário. às várias espécies recursais arroladas no artigo 500 do Código de Processo Civil: apelação. além da via principal da interposição independente prevista na primeira parte do caput do artigo 500. a apreciação do mérito do recurso adesivo (por exemplo. o recurso adesivo não tem lugar no rol das espécies recursais. Trata-se. gENERAlIDADES Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. apelação principal). Isso significa que. não são todas as espécies que dão ensejo à interposição de recurso adesivo. apenas a apelação. o juízo negativo de admissibilidade no recurso 182 . Com efeito. consoante se depreende do disposto no artigo 500 do próprio Código. pelo órgão julgador. os embargos infringentes. embargos infringentes. o recurso extraordinário e o recurso especial podem ser interpostos pela via adesiva. de forma exclusiva. a uma só espécie recursal. mas. À vista do inciso II do artigo 500. o instituto pertence à teoria geral dos recursos. o intitulado “recurso adesivo” não é uma espécie recursal autônoma. quando há sucumbência recíproca dos litigantes e a parte contrária interpõe recurso independente (por exemplo. de apelação). o recurso ordinário. Como já anotado. os embargos de declaração e os embargos de divergência não são passíveis de interposição pela via adesiva. razão pela qual somente são admissíveis no prazo imediatamente posterior à intimação da decisão judicial recorrida. Tal conclusão é confirmada pela ausência do instituto no rol taxativo inserto no artigo 496 do Código de Processo Civil. Em contraposição. sim. porquanto não está relacionado. os agravos. de procedimento recursal secundário. Na verdade. o recurso inominado. Sob outro enfoque.

74. Em sua obra Código de Processo Civil e legislação processual em vigor. e d) ausência de interposição de recurso independente pelo recorrente adesivo. 1997. Com efeito. no lugar da que consta do artigo 500 do Código de Processo Civil: “recurso adesivo”. contra-atacar (e não apenas responder ao recurso do adversário. 18 . 2ª ed. tendo como alvo o decisum naquilo em que foi favorável à parte contrária. p. p. 1998. c) interposição de recurso principal pelo adversário. que interpôs recurso pela via principal. a expressão utilizada pelo legislador brasileiro causa a falsa impressão de que há adesão na apresentação do recurso adesivo.. recurso especial e recurso extraordinário. segundo o qual é inadmissível recurso adesivo interposto por quem já exerceu o direito de recorrer. 67. MARCOS AFONSO BORGES. Anotações. Código. p. Cf. BARBOSA MOREIRA. e THEOTONIO NEGRÃO. ARRUDA ALVIM.. A dependência em relação ao recurso principal levou autorizada doutrina260 a sugerir a adoção das expressões “recurso dependente” e “recurso subordinado”. NERY JUNIOR. Por tudo. que não interpôs recurso na primeira oportunidade. p. 75. Dicionário jurídico.. nota 2a. recurso contraposto é outra expressão que traduz a exata idéia do instituto261.. 261. Recursos cíveis. Comentários. ª ed. nota 2a). 1996. OTHON SIDOU. 7ª ed. o Jurista THEOTONIO NEGRÃO também opta pela expressão recurso contraposto. o que não condiz com o real escopo do instituto: possibilitar ao vencido em parte. embargos infringentes.principal no juízo de admissibilidade conduz ao mesmo resultado no julgamento do adesivo: igual juízo negativo de admissibilidade. Tal conclusão é reforçada pelo princípio da consumação. p. 1999. Volume V. 46. apoiando-se inclusive em precedente jurisprudencial que indica (25ª ed. ainda que o principal não tenha alcançado a totalidade da sucumbência proveniente da decisão. 25ª ed. 11. E é exatamente esse escopo do instituto que impede a interposição de recurso adesivo pela parte que já apresentou recurso independente. Além das exigências apontadas. 4ª ed. 1995. Por tal razão.. o recurso adesivo só passa pelo juízo de admissibilidade quando o mesmo e o principal preenchem todos os pressupostos recursais: a inobservância de algum requisito de um ou de 260.. o que se dá com a apresentação de contra-razões). b) recorribilidade por meio de apelação. 74. é possível concluir que o recurso adesivo está condicionado à existência das seguintes exigências: a) sucumbência recíproca. Cf. porquanto há a consumação do direito com a apresentação do primeiro recurso. 1995. p. 06. 1996. p. Princípios fundamentais.

porquanto a remessa obrigatória não tem natureza recursal nem pode ser confundida com a apelação. inciso I. De acordo. Daí a manifesta inadmissibilidade de recurso adesivo contraposto a reexame necessário. e 506. Recurso especial provido” (REsp n.826/DF. por exemplo. 3. Por fim. RECURSO ADESIvO: REQUISITOS DE ADmISSIbIlIDADE À vista do caput do artigo 500 do Código de Processo Civil. e 508. consoante o disposto no parágrafo único do artigo 500 do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 9 de maio de 2006.outro acarreta a prolação de juízo negativo de admissibilidade quanto ao recurso adesivo. O prazo para a interposição do adesivo pelo vencido em parte que não apresentou recurso independente é o mesmo para a apresentação da resposta: quinze dias. 124). A matéria objeto do recurso adesivo não precisa guardar correlação temática com a do principal. as peças recursal adesiva e de resposta podem ser apresentadas em momentos distintos. o adesivo está sujeito aos mesmos pressupostos de admissibilidade do recurso principal. No mesmo sentido. Precedentes. p. incisos I e II. na jurisprudência: “2. Não obstante. conforme se infere da combinação dos artigos 500. os quais são exatamente aqueles da espécie recursal utilizada na via principal: apelação. consoante se depreende 262. 2008. 2ª Turma do STJ. a admissibilidade do recurso adesivo depende da prévia interposição de recurso pela parte contrária (ao recorrente adesivo). que o recurso adesivo verse sobre a reconvenção apesar de o recurso principal tratar apenas da demanda originária. o recurso adesivo deve ser interposto por petição autônoma apresentada à autoridade judiciária competente para admitir o recurso principal. primeira parte. Recurso adesivo: um exame à luz da teoria geral dos recursos. embargos infringentes. ambos do Código de Processo Civil. na doutrina: “A matéria a ser impugnada no recurso adesivo independe daquela que é objeto do principal” (MÔNICA BONETTI COUTO. o adesivo também deve preencher os respectivos requisitos de admissibilidade. 20). recurso especial ou recurso extraordinário. 184 . 2. 659. Tal como o recurso principal. parágrafo único. conforme o caso. Aliás. desde que respeitado o prazo de quinze dias. p. À luz dos artigos 500. o artigo 500 do Código de Processo Civil não exige correlação temática entre a matéria veiculada no recurso adesivo e a matéria impugnada no recurso principal262: é perfeitamente possível.

como custos legis. alcance apenas pedido acessório. o prazo recursal do adesivo é duplicado nas hipóteses dos artigos 188 e 191 do Código e do artigo 5º da Lei n. preservar o direito de recorrer daquele que optou (ainda que implicitamente) por não recorrer na primeira quinzena. tanto que interpôs. Antes de passar ao estudo da legitimidade para a interposição de recurso adesivo. por terceiro prejudicado ou pelo Ministério Público. Ainda em relação à tempestividade. A via adesiva só é aberta quando o legitimado deixa de apresentar recurso principal. e 508. ao Ministério Público e a terceiro prejudicado. Ainda acerca da legitimidade recursal.060. como juros. mas. honorários advocatícios). 185 . é possível a utilização da via adesiva. no ofício de fiscal da lei. embora tardio. Se o fez. como bem revela o preciso enunciado n. Ademais. sendo desnecessário que a matéria nele veiculada esteja relacionada com a do recurso interposto pela parte contrária”. houve a consumação do direito de recorrer. é inadmissível recurso adesivo quando o recurso independente não foi interposto pela parte contrária. é importante solucionar uma última pergunta relativa ao requisito da tempestividade: é possível tomar como adesivo o recurso principal extemporâneo? Tudo indica que não. sim. sim. ainda que a derrota seja mínima (por exemplo. a inteligência do artigo 500 conduz ao raciocínio de que não há lugar para o recurso adesivo quando o independente foi interposto por terceiro prejudicado ou pelo parquet. Quanto ao interesse recursal. do que aviar recurso independente. última parte. na esperança de que o adversário adotasse igual atitude. in verbis: “omissis. ainda que intempestivamente. não pode ser beneficiado por instituto que tem como escopo a salvaguarda do litigante que preferiu arcar com o julgado que impôs a sucumbência recíproca. inciso I. o respectivo recurso. 28 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. Com efeito. que confere legitimidade recursal às partes. correção monetária. mas. só as partes podem apresentar recurso pela via adesiva. nem há necessidade de que a matéria veiculada no recurso adesivo tenha correlação alguma com a matéria objeto do recurso principal. cuja parte final tem perfeita aplicação ao recurso adesivo em processo civil. Por conseguinte. tanto o terceiro prejudicado quanto o Ministério Público no ofício de custos legis não têm legitimidade recursal adesiva. Diversamente do artigo 499 do Código de Processo Civil. Já o legitimado que revelou explicitamente a vontade de recorrer na primeira oportunidade pela via principal. 1.do disposto nos artigos 500. O escopo do instituto não é salvar aquele legitimado que perdeu o prazo para aviar recurso principal. de 1950.

40. mas o recurso especial não) e são julgados por tribunais diversos (enquanto o recurso extraordinário é julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Daí a inadmissibilidade do denominado “recurso adesivo cruzado”. o resultado do juízo de mérito do recurso independente normalmente não interfere no juízo de admissibilidade do adesivo. RECURSO ADESIvO: JUÍZO DE ADmISSIbIlIDADE E JUÍZO DE méRITO Como o recurso principal. 4927. Então. comporta exceção. 1. se o recurso principal é extraordinário. todavia. o adesivo também depende de preparo. o adesivo deve cumprir os pressupostos de admissibilidade atinentes à espécie recursal utilizada. o recurso extraordinário depende do cumprimento do requisito da repercussão geral.747/DF. Ainda à luz do parágrafo único do artigo 500 do Código de Processo Civil. 11. A regra.Tal como o recurso principal. à vista do parágrafo único do artigo 500 do Código de Processo Civil e do artigo 6º da Lei n.66. O inconformismo só não fica sujeito a preparo quando a respectiva espécie recursal está dispensada pela legislação pertinente ou quando o próprio recorrente adesivo é isento por força de lei (por exemplo. p. a apreciação do mérito do recurso subordinado geralmente não está condicionada ao resultado do juízo de mérito do recurso principal. Por conseguinte. não há lugar para recurso especial adesivo de recurso principal extraordinário26. bem assim ao preenchimento dos requisitos por parte do próprio adesivo. em contrariedade ao disposto no parágrafo único do artigo 500. o recurso especial é da competência do Superior Tribunal de Justiça).060. de 1950). Com efeito. o mérito do recurso adesivo só pode ser apreciado se estiverem cumpridos os pressupostos de admissibilidade de ambos os recursos. na jurisprudência: REsp n. 3. Um exemplo serve para demonstrar que 26. Diário da Justiça de 9 de dezembro de 1996. só é admissível a interposição de recurso adesivo que seja da mesma espécie do recurso principal. porquanto os recursos extraordinário e especial têm requisitos de admissibilidade diferentes (por exemplo. Com efeito. o juízo positivo de admissibilidade do adesivo está condicionado não só à satisfação dos pressupostos recursais por parte do principal. o adesivo também deve ser (recurso extraordinário). 186 . 2ª Turma do STJ. Em contraposição. Em sentido conforme. de 2007. Lei n.

Diante da ausência de preceito específico acerca do recurso adesivo no processo do trabalho. 28. onde cabe. Após. 175 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “O recurso adesivo. o réu R apela imediatamente. mas na mesma esteira do enunciado n. com o conseqüente afastamento da regra da independência no tocante ao juízo de mérito. no recurso ordinário. Em resumo. prevalece na quase totalidade dos casos. preceito que sugere a aplicação do processo comum no silêncio do diploma de 194. o autor A interpõe apelação adesiva. houve a evolução da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. no prazo de 8 (oito) dias. 500 do Código de Processo Civil. previsto no art. o efeito extensivo do recurso principal pode ocasionar superveniente ausência de interesse recursal em relação ao recurso adesivo. é incompatível com o processo do trabalho”. conforme o requerimento de 20% formulado na petição inicial. em prol da adoção do recurso adesivo trabalhista à luz do artigo 796 da Consolidação das Leis do Trabalho. interfere diretamente no desate do apelo adesivo. a turma julgadora do tribunal dá provimento ao apelo principal. 4. 196. Ora. Após a contestação e a instrução probatória. o Tribunal Superior do Trabalho confirmou o cabimento de recurso adesivo no processo trabalhista. Após regular processamento dos recursos. 196 revela a mudança da orientação daquela Corte: “O recurso adesivo é compatível com o processo do trabalho. o verbete n. com a aprovação do enunciado n. RECURSO ADESIvO NO pROCESSO TRAbAlHISTA A Consolidação das Leis do Trabalho e a legislação de regência não cuidam do recurso adesivo no processo trabalhista.o juízo de mérito do principal pode interferir no desate do recurso adesivo. nos embargos para o Pleno e no agravo de petição”. para reformar a sentença e julgar improcedente o pedido de ressarcimento. não há como deixar de reconhecer que o julgamento do mérito do recurso principal é relevante. o juiz de primeiro grau profere sentença. Intimado. na hipótese imaginada. Por tal razão. Daí a importância do exame do caso concreto. todavia. insista-se. a qual restou prestigiada no enunciado n. na qual requer a majoração dos honorários advocatícios. verbete sumular que também assentou a irrelevância da existência de relação entre as matérias versadas no recurso 187 . na revista. a qual. a fim de que eventual relação de subordinação seja considerada. com a condenação do réu R a pagar a indenização pleiteada. A propósito. Por fim. Inconformado. ainda que excepcionalmente: o autor A propõe ação de indenização contra o réu R. os ônus da sucumbência são invertidos. bem como verba de patrocínio equivalente a 10% do valor atribuído à causa. houve a inicial sustentação da tese da incompatibilidade.

Com efeito. Eis o que dispõe o preciso enunciado n. é admissível recurso adesivo no processo trabalhista. todavia. consoante o disposto no artigo 769 daquela Consolidação. Com efeito. como ocorre. quando um trata de dano moral e o outro de dano material. não impediu que o artigo 500 do Código de Processo Civil vigente também fosse aplicado por analogia ao processo trabalhista. poderá ser promovida analogia com lei que disponha sobre fato semelhante. por exemplo. entretanto. nas hipóteses de interposição de recurso ordinário. é de se firmar no artigo 3º do CPP. o qual deve ser interposto no prazo de oito dias. 28. Em suma. Com efeito. não há a previsão do recurso adesivo no Código de Processo Penal de 1941. merece ser prestigiada a lição do Professor LÚCIO SANTORO DE CONSTANTINO: “Como o artigo 500 do CPC que fundamenta o recurso adesivo é diploma formal civil. 283 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. o instituto só surgiu no direito brasileiro com o advento do Código de Processo Civil de 197. tal como no recurso adesivo cível. e que informa que a lei processual admitirá a aplicação analógica. A omissão da Consolidação das Leis do Trabalho. 5. também no processo trabalhista é possível que o recurso adesivo verse sobre matéria diversa da veiculada no recurso principal. Veja-se que a aplicação analógica é fonte formal do direito processual penal e serve para perfectibilizar a sistematização processual. tanto que a Corte Superior Trabalhista consagrou a admissibilidade do recurso adesivo no preciso enunciado n. sendo desnecessário que a matéria nele veiculada esteja relacionada com a do recurso interposto pela parte contrária”. atual verbete de regência do recurso adesivo no processo trabalhista: “O recurso adesivo é compatível com o processo de trabalho e cabe. de revista e de embargos. A propósito. No processo 188 . de agravo de petição. a despeito de o artigo º do Código de 1941 e de autorizada doutrina264 autorizarem a interpretação analógica e a conseqüente conclusão 264. para traçar um liame com a utilização do aludido recurso na esfera penal. cujo artigo 500 incorporou o recurso adesivo ao Direito Processual Civil pátrio. sem restrição nem vinculação alguma em relação à matéria veiculada no recurso principal. Havendo lacuna legal.principal e no adesivo. no prazo de 8 (oito) dias. após inicial resistência revelada pelo enunciado n. houve a evolução da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. 175. RECURSO ADESIvO NO pROCESSO pENAl Tal como no Código de Processo Civil de 199 e na Consolidação das Leis do Trabalho de 194. No processo penal.

ainda prevalece na jurisprudência o entendimento contrário ao instituto265. julgado em 19 de outubro de 2000). Com efeito. 282. 112084. RECURSO ADESIvO NO pROCESSO ElEITORAl Em razão da existência de diploma específico. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO. Conferir: “RECURSO ADESIVO. os recursos eleitorais seguem o disposto no Código Eleitoral. 1190807/5. p. § 2º).” (Apelação n. em caráter irredutível. A propósito. atender. de natureza eminentemente criminal. As disposições a ele referentes. na hipótese de não-admissão de recurso extraordinário interposto em processo eleitoral. não só ao que dispõe. p. o recurso adesivo. 266. 6. Porém. processo penal e processo civil. 189 . ao que estabelece o Código de Processo Civil (art. 1214164/6. 15ª Câmara do TACRimSP. MANIFESTAÇÃO ESTRANHA AO PROCESSO PENAL. tal situação é viável junto ao processo civil. 8ª Câmara do TACRimSP. 15: “No processo eleitoral. 8ª ed. 21. ementa n. principalmente face ao aspecto de ambos. sem prejuízo da observância. das exigências fundadas no magistério jurisprudencial firmado pelo Supremo Tribunal Federal” (grifo e destaques constam do original). É impossível o conhecimento de inconformismo apresentado intempestivamente e manifestado através de ‘recurso adesivo’. são aplicáveis. 265. tem lugar a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil de 197. como o Código Eleitoral é omisso em relação ao recurso adesivo. CONHECIMENTO. A Lei de Imprensa e o Código de Processo Penal não prevêem. forma estranha ao processo penal. 2004.352/2001). 114655. IMPOSSIBILIDADE. com aplicação apenas em processo civil” (Apelação n. mas. em procedimento do direito de resposta. 544. Recursos. não há o grifo no original). raiz da sistemática processual pátria” (Recursos criminais. que não se limita à órbita do direito civil. no processo eleitoral”. 541 a 546. 279. 2ª Turma do STF. c/c o art.. na doutrina: TITO COSTA. subsidiariamente. na formação do traslado. residirem no mesmo sistema processual e serem corolários da mesma teoria geral do processo. julgado em 16 de março de 2000). contidas no CPC (arts. § 2º). OCORRÊNCIA. ementa n. vale a pena conferir o seguinte precedente jurisprudencial: Ag n. Diário da Justiça de 26 de abril de 2002: “AGRAVO DE INSTRUMENTO EM MATÉRIA ELEITORAL E COMPOSIÇÃO DO TRASLADO. tanto a doutrina quanto a jurisprudência sustentam a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil para suprir as omissões do sistema recursal eleitoral266.950/1994 e a Lei 10. é cabível o recurso extraordinário. o Código Eleitoral (art. na composição do traslado. “RECURSO ADESIVO. propriamente. 75. cujo artigo 500 versa sobre o instituto. De acordo.124/MG — AgRg. com redação da Lei 8. Impõe-se à parte agravante. também.favorável à incorporação do recurso adesivo também ao sistema recursal criminal. Daí a justificativa para a correta aplicação do re- penal. 2004.

a jurisprudência mais recente desta Corte é no sentido de reconhecer a possibilidade de utilização de insurgência na forma adesiva. vale citar o seguinte julgado deste Tribunal: ‘RECURSO CÍVEL — CONDUTA VEDADA AOS AGENTES PÚBLICOS E CAPTAÇÃO DE SUFRÁGIO — CABIMENTO DO RECURSO ADESIVO EM SEDE ELEITORAL — PRELIMINAR REJEITADA — UTILIZAÇÃO DE CAMINHÕES DA PREFEITURA MUNICIPAL PARA TRANSPORTAR MUDANÇA DE MUNÍCIPES — NÃO CARACTERIZAÇÃO DA PRÁTICA DE CONDUTA VEDADA AOS AGENTES PÚBLICOS OU DE CAPTAÇÃO DE SUFRÁGIO — LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ NÃO CARACTERIZADA’ (Acórdão n. 264. 190 .50. Relatora Juíza Suzana de Camargo Gomes. 1052002.02.01. ao qual foi corretamente incorporado. todos do Código Eleitoral. 206)” (grifos aditados). o instituto do recurso adesivo é compatível com o direito eleitoral. v. Possibilidade de aplicação subsidiária do art. o prazo recursal de três dias previsto nos artigos 258. p.391.05. prolatado nos autos do Recurso Cível n. Diário do Judiciário de Minas Gerais de 15 de fevereiro de 200. 23. julgado em 2 de fevereiro de 2006). 71). 154. Acórdão n. No mesmo sentido: “RECURSO ADESIVO — PRELIMINAR DE NÃOCABIMENTO PERANTE A JUSTIÇA ELEITORAL AFASTADA” (TRE/SP. 152. 276. 2128. publicado no DOE de 1º. vale a pena conferir o didático voto do Relator BARBOSA PEREIRA: “Esclarecido esse ponto. Em suma. julgado em 20. a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil à hipótese é plenamente aceitável.curso adesivo ao sistema recursal eleitoral267. 267. cabe asseverar que. Nesse sentido. § 1º. de fato..u. 500 do Código de Processo Civil ao direito eleitoral” (TRE/MG. por exemplo. 728 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 25. e 281. embora não haja previsão no Código Eleitoral acerca da modalidade adesiva para interposição de recurso. com as adaptações próprias dos recursos eleitorais. RAIME n. como. Acórdão n. na jurisprudência: “Recurso adesivo. p. bem assim no enunciado n.489 — Classe 2. visto que a admissão dessa forma de interposição não colide com os princípios que regem o Direito Eleitoral. Ademais. Recurso n. Por oportuno.669. De acordo.05.

SUCEDÂNEOS RECURSAIS E INCIDENTES PROCESSUAIS NOS TRIBUNAIS .TOMO II AÇÕES IMPUGNATIVAS.

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ou seja. Em sentido semelhante.INTRODUçãO Antes de iniciar o estudo de cada uma das espécies recursais. Daí a justificativa para o estudo do pedido de reconsideração. por esta razão. n. podem fazer as vezes destes e. Código de Processo Civil comentado. as ações autônomas impugnam as decisões judiciais mediante a formação de processo novo. na doutrina: VICENTE GRECO FILHO. 7. Não obstante. 51). Tal como os recursos. Existem alguns remédios processuais que. do incidente de suspensão. Já os sucedâneos recursais são verdadeiros incidentes processuais que produzem algum efeito similar aos recursos. 1999.. da correição parcial (isto é. por absoluta falta de previsão legal. 1219. 19 . as ações autônomas de impugnação também têm como alvo decisões judiciais. a reclamação correicional) e da ação cautelar originária. Daí a conclusão: as ações autônomas são impugnações externas em relação aos processos anteriores nos quais foram proferidas as decisões judiciais impugnadas. Direito processual civil brasileiro. não são considerados como recursos. p. 2007. Volume II. 4ª ed. os sucedâneos recursais e os institutos afins (como os previstos no Capítulo IX do Livro I do Código de Processo Civil). p. da remessa obrigatória. quer em relação à ineficácia da decisão (efeito suspensivo). internamente. 268. instaurado para o fim específico de impugnação da decisão judicial prolatada em processo anterior.. são denominados de seus sucedâneos (Nery. e NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY. é conveniente estudar as ações autônomas de impugnação. Recursos. quer em relação à própria subsistência da decisão (efeito substitutivo). institutos que não têm natureza recursal. para evitar possível confusão com os recursos propriamente ditos. 18ª ed. mas são sucedâneos recursais268. mas tendo em vista a finalidade para qual foram criados. 52 e 5. Dentre eles está a medida cautelar inominada (CPC 797 e 798)”. comentário 2: “Sucedâneo de recurso. enquanto os recursos impugnam as decisões judiciais no bojo do mesmo processo no qual foram proferidas.

submetidos a procedimento similar ao dos recursos. ambos do mesmo Livro I do Código de Processo Civil. os institutos afins constam de capítulo (IX) contíguo ao capítulo (X) dos recursos.Por fim. Finda a exposição dos aspectos gerais acerca das ações impugnativas. já há lugar para o exame específico de cada uma das ações autônomas de impugnação. 194 . por conseguinte. há uma ação autônoma (homologação de sentença estrangeira) e incidentes processuais (uniformização de jurisprudência e incidente de inconstitucionalidade) sem escopo impugnativo algum. mas da competência originária de tribunais e. Aliás. dos sucedâneos recursais e dos institutos afins. dos sucedâneos recursais e até mesmo dos institutos afins. em razão da semelhança procedimental.

especialmente nos institutos da querela nullitatis e da restitutio in integrum. à vista dos anteriores Código Canônico de 1917 e Código de Processo Civil de 199. § 2º. conforme se infere de sua clássica obra Da ação rescisória dos julgados. Já o número  trata da restitutio in integrum por motivo de dolo processual. Com efeito. número 1. Ainda a respeito da origem da ação rescisória. daquele Codex dispõe sobre a restitutio in integrum fundada em prova falsa.Capítulo x AçãO RESCISÓRIA 1. hipótese de rescindibilidade prevista no inciso III do artigo 485 do Código de Processo Civil. especialmente da página 21. Com efeito. Já o cânon 1645. a ação rescisória. por exemplo. O número 4 cuida de hipótese que encontra alguma semelhança com a prevista no inciso V do 269. enquanto o inciso VI do artigo 485 do Código de Processo Civil cuida da ação rescisória pelo mesmo fundamento. número 1. Ainda no cânon 1645. no Direito Processual Civil brasileiro. o cotejo do atual Codex Iuris Canonici com o Código de Processo Civil brasileiro revela que ainda hoje existem traços comuns comprobatórios das raízes históricas269. do Código de Direito Canônico. o número 2 versa sobre a mesma hipótese prevista no inciso VII do artigo 485 do Código pátrio. O cânon 1620. a querela nullitatis e. Há muito o Professor BUENO VIDIGAL já tinha registrado a influência do direito canônico no brasileiro. a origem da ação rescisória reside nos dois institutos encontrados tanto no Direito Romano quanto no Direito Canônico. no Direito Canônico. a incompetência absoluta enseja. NOTÍCIA HISTÓRICA Os antecedentes históricos da ação rescisória repousam no Direito Romano e no Direito Canônico. trata da mesma hipótese de rescindibilidade prevista na segunda parte do inciso II do artigo 485 do Código de Processo Civil. § 2º. publicada em 1948. 195 .

Trata-se de ação apropriada para desconstituir julgado protegido pela res iudicata e que. classe na qual são incluídos institutos semelhantes aos recursos. 2. Aliás. 7ª ed. a ação rescisória é uma derivação dos antigos institutos da querela nullitatis e da restitutio in integrum existentes no Direito Romano e no Direito Canônico. Com efeito. Enquanto todos os recursos pátrios (até mesmo os recursos extraordinário e especial) são interpostos antes da formação da coisa julgada. enquanto as ações autônomas de impugnação ocasionam a formação de um novo processo. É o que se infere dos artigos 467 e 485 do Código de Processo Civil. e o eventual novo julgamento da causa primitiva é realizado no juízo rescisório (iudicium rescissorium). A diferença entre os remédios jurídicos reside na instauração de novo processo. Em síntese. 1998. NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY. com maior autoridade: BARBOSA MOREIRA. dá ensejo à prolação de novo julgamento da causa solucionada por meio do decisum impugnado na rescisória. p. merece destaque a ação rescisória. nos termos do artigo 495. os recursos são interpostos no mesmo processo em que foi proferida a decisão causadora do inconformismo271. Código de Processo Civil comentado. o prazo decadencial da rescisória é contado “do trânsito em julgado da decisão”. Com efeito. p. 1999. Em contra- 270. Além dos recursos propriamente ditos. 99 e 100. 4ª ed. diverso daquele em que foi proferido o decisum gerador da insatisfação. Volume V... p. 196 . a correição parcial ou reclamação correicional). mas sem todos os elementos necessários para a inclusão na classe dos verdadeiros recursos. há dois remédios jurídicos tradicionais aptos à impugnação das decisões jurisdicionais: as ações autônomas de impugnação (ou ações impugnativas) e os recursos270. e não recurso. em regra. Comentários ao Código de Processo Civil.artigo 485 do Código brasileiro. Por fim. De acordo. a rescisória pressupõe a existência da res iudicata. o número 5 do § 2º do cânon 1645 e o inciso IV do artigo 485 versam sobre a ofensa à coisa julgada. 942. 0. a rescisória é ação. CALMON DE PASSOS. o incidente de suspensão. comentários 4 e 5. o reexame necessário. Rescisória. há os sucedâneos recursais (por exemplo. NATUREZA JURÍDICA No direito processual civil brasileiro. Sem dúvida. ou não. Entre as ações autônomas de impugnação. 271. a desconstituição do julgado ocorre no juízo rescindendo ou rescindente (iudicium rescindens). o pedido de reconsideração.

Com igual opinião. 1975. o artigo 491 reforça a tese de que a rescisória tem natureza jurídica de ação. Código. Rescisória. na doutrina: CALMON DE PASSOS. con- 272. 0. declaratória ou constitutiva. Critério científico para distinguir a prescrição da decadência. Manual. 275. e SÉRGIO RIZZI. sob todos os prismas. outra terminologia que também pode ser prestigiada274. na doutrina: SÉRGIO GILBERTO PORTO. com o reforço dos artigos 488 e 490. Por fim. Tanto que os artigos 527. Conferir: CALMON DE PASSOS. Resta saber em que classe de ação pode ser incluída a rescisória. Ao contrário. 2 e 7. 27. com o conseqüente prosseguimento do mesmo processo no qual foi proferida a decisão recorrida. Daí a explicação para a expressão “ação desconstitutiva”. p. 71. À luz do iudicium rescindens. 274. p. Assim. nem do Título X (“Dos recursos”). e NERY JUNIOR e ROSA NERY. tem-se a repetição da natureza jurídica da ação primitiva: condenatória. 551 e 55 classificam a rescisória como “ação”. 197 . própria das ações. Rescisória. é possível concluir que a ação é constitutiva272. destinado aos incidentes e às ações de competência originária dos tribunais judiciários. Em síntese. Quanto ao iudicium rescissorium. o que revela a instauração de nova relação jurídica processual. p. Aliás. autorizada doutrina ensina que é ação constitutiva negativa27. Sob outro prisma. Em sentido semelhante ao texto do parágrafo. nos recursos. porquanto a rescisória busca a desconstituição do julgado protegido pela res iudicata. tudo nos termos dos artigos 467 e 510. 9. 2000. volume 00. a rescisória está inserta no Título IX (“Do processo nos Tribunais”). temse que a rescisória é ação. 296. 5ª ed. os artigos 489. p. E a ausência da interposição de recurso no prazo legal conduz à formação da coisa julgada. 2001.posição. a qual não pode ser confundida com recurso. com a posterior baixa dos autos do respectivo processo. p. Volume III. Por oportuno. É que a parte contrária é citada. o prazo recursal tem como dies a quo a intimação da decisão. p. segundo os quais a rescisória é ajuizada por meio de “petição inicial”. Volume VI. 495. Com maior detalhamento. p. a natureza constitutiva da ação rescisória já revela que o respectivo prazo é decadencial275. inciso III. e 542 indicam que o recorrido “será intimado”. há mera intimação. 257. consoante o disposto no artigo 506.. a rescisória não consta do rol de recursos do artigo 496. Diversamente. 1979. Revista dos Tribunais. JOSÉ FREDERICO MARQUES. na doutrina: AGNELO AMORIM FILHO. Comentários. Ação rescisória. 7.

276. é possível concluir que a ação é constitutiva. No mesmo sentido: RCL n. de nada adianta ajuizar outra ação autônoma de impugnação. tendo em vista a característica essencial da rescisória: desconstituição de decisão protegida pela res iudicata. como. A despeito da diversidade de soluções à luz de cada um dos juízos. como bem assentou o Supremo Tribunal Federal nos enunciados 268 e 74.forme a natureza da ação originária276. p. “Não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado o ato judicial que se alega tenha desrespeitado decisão do Supremo Tribunal Federal”. Em sentido conforme: MS n. 1979. Ação rescisória. 2. art. são inadmissíveis as ações impugnativas de mandado de segurança277 e de reclamação constitucional278. 7. não podendo ser utilizada como meio de desconstituição de decisões já transitadas em julgado. que não pode ser utilizada contra ato judicial que se tornou irrecorrível. na doutrina: CALMON DE PASSOS. CELSO DE MELLO) — não constitui sucedâneo de ação rescisória. Sem dúvida. 56: “RECLAMAÇÃO — ALEGADA USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL — INOCORRÊNCIA — DECISÃO RECLAMADA QUE TRANSITOU EM JULGADO — OCORRÊNCIA DO FENÔMENO DA res Judicata — INVIABILIDADE DA VIA RECLAMATÓRIA — RECLAMAÇÃO DE QUE NÃO SE CONHECE. diante da adequação específica da ação rescisória contra decisum sob o manto da coisa julgada. 277. e SÉRGIO RIZZI. há o juízo de admissibilidade da ação. p. quando a decisão por ela impugnada já transitou em julgado. Rel.975/DF — AgRg. Antes de ambos os juízos. Pleno do STF. por exemplo. 198 . quer seja negativo. o mandado de segurança e a reclamação constitucional. A EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA IMPEDE A UTILIZAÇÃO DA VIA RECLAMATÓRIA — Não cabe reclamação. 1. 102. Precedentes”. ‘e’) — não se qualifica como sucedâneo processual da ação rescisória. Diário da Justiça de 22 de novembro de 2002. 278. eis que esse meio de preservação da competência do Supremo Tribunal Federal e de reafirmação da autoridade decisória de seus pronunciamentos — embora revestido de natureza constitucional (CF. De acordo. quer seja positivo. Precedentes”. 41: “A AÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA NÃO CONSTITUI SUCEDÂNEO DA AÇÃO RESCISÓRIA — A ação de mandado de segurança — que se qualifica como ação autônoma de impugnação (RTJ 168/174-175. p. I. Por ser a rescisória a ação impugnativa apropriada para desconstituir julgado protegido pela res iudicata. A inocorrência do trânsito em julgado da decisão impugnada em sede reclamatória constitui pressuposto negativo de admissibilidade da própria reclamação. Diário da Justiça de 5 de outubro de 2001. p. Min. Rescisória. o qual tem natureza declaratória. Pleno do STF. respectivamente: “Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado”.48/DF. entretanto. 0 e 71.

o vocábulo “decisão” é genérico. contados do trânsito em julgado da decisão”. o Supremo Tribunal Federal tem competência para processar e julgar “a ação rescisória de seus julgados”. cujo teor é o seguinte: “O direito de propor ação rescisória se extingue em 2 (dois) anos. também abrange o acórdão. alínea “e”. A exata compreensão do texto codificado é obtida pela interpretação sistemática. o Superior Tribunal de Justiça tem competência para processar e julgar “as ações rescisórias de seus julgados”. alínea “j”. 3. a decisão monocrática e a decisão interlocutória. À vista do método de interpretação. no Simpósio da Associação dos Magistrados ocorrido em 1974. p. fixa a competência dos tribunais regionais federais para o processamento e o julgamento das ações rescisórias “de julgados seus ou dos juízes federais da região”. a exegese do caput do artigo 485 não deve ser feita à luz do método de interpretação literal. pelo Juiz VIVALDE BRANDÃO COUTO. substituindo-se o vocábulo “sentença” pelo termo “decisão” (cf. observa-se que o capítulo do Código de Processo Civil que versa sobre a ação rescisória termina no artigo 495. Ora. recomendou a pertinente alteração do caput do artigo 485 do Código. ou seja. a correta interpretação do Código de Processo Civil também — e principalmente — é obtida à luz da Constituição Federal. não só a “sentença” é passível de impugnação por meio de ação rescisória. o texto constitucional revela que a ação rescisória pode ter em mira não apenas sentença. JORGE DUARTE DE AZEVEDO. IVO SELL. Volume I. HERMANN ROENICK. Na verdade. 1974. o qual conduz à inaceitável conclusão de que a ação rescisória só pode ter como alvo apenas “sentença”279. inciso I. inciso I. a Segunda Comissão. Com efeito. AlvO DA AçãO RESCISÓRIA: JUlgADO RESCINDENDO Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. já é possível indicar o alvo da ação. alínea “b”. Revista da Associação dos Magistrados do Paraná. 20). n. I.Estudada a natureza jurídica da rescisória. Com efeito. o julgado rescindendo. Na mesma esteira. e pelo Procurador de Justiça CARLOS OCTÁVIO DA VEIGA LIMA. pronunciamento de autoria de juiz de 279. o vocábulo “decisão” revela que não só a “sentença” pode ser desconstituída por meio de ação rescisória. 199 . inciso I. porquanto. À vista do artigo 105. DOMINGOS SÁVIO BRANDÃO LIMA. O artigo 108. composta pelos Desembargadores BRUNO AFFONSO ANDRÉ. à vista do artigo 102. Tanto que. ao contrário do termo “sentença”. ou seja.

4/SC. No sentido do texto. 15. Na verdade. Volume V. n. Em sentido semelhante. até mesmo as decisões interlocutórias282 são 280. Imagine-se. Em síntese. com evidente julgamento de mérito. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. tem-se que o pronunciamento jurisdicional é mera decisão interlocutória. Revista de Processo. Com a mesma opinião. e SÉRGIO RIZZI. porquanto o juiz resolve sobre o valor devido. 19ª ed. 282. as decisões monocráticas e até mesmo as decisões interlocutórias podem estar contaminados pelos vícios previstos nos incisos do artigo 485 do Código de Processo Civil. também os acórdãos.52/RJ — AgRg. 200 . Os “julgados” dos tribunais são igualmente passíveis de impugnação por meio de ação rescisória. tal como as sentenças. Não há dúvida de que. 2001. NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY. Diário da Justiça de 25 de setembro de 1992. Ação rescisória. e 9ª ed. as decisões monocráticas281 proferidas pelos magistrados dos tribunais também são passíveis de impugnação por meio de ação rescisória. e passou a ser mera fase processual a ser resolvida mediante decisão interlocutória. p. 1999. 1999. 4ª ed. Do mesmo modo. 114. Código de Processo Civil comentado. p. Outra não é a conclusão tirada à luz da interpretação teleológica. Pleno do STF. e AR n.. 1. 281. 2005. Outro exemplo de decisão interlocutória de mérito reside no artigo 475-H do Código de Processo Civil. na jurisprudência: AR n. p. 41.. 945. 1997. Cf. 172. além das sentenças. A finalidade do instituto da ação rescisória é a eliminação do mundo jurídico de pronunciamento jurisdicional maculado por vício de extrema gravidade. Como o processo segue em virtude da demanda remanescente relativa ao outro litisconsorte. por exemplo. Como a atual liquidação deixou de ser processo autônomo. A conclusão é reforçada pelo artigo 259 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Comentários ao Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 7 de maio de 199. Volume I. na doutrina: ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. BRUNO FREIRE E SILVA. 656 e 657. nos casos previstos na lei processual”. Curso. passível de sentença. p.primeiro grau de jurisdição. os acórdãos também desafiam ação rescisória. p.. Ação rescisória. p. p. Pleno do STF. a hipótese de o juiz de primeiro grau pronunciar a decadência ou a prescrição apenas em relação a um dos litisconsortes ativos. 8ª ed. apesar de ter versado sobre matéria de mérito280. 6. 1979. segundo o qual a ação rescisória pode ter como alvo acórdão e decisão monocrática: “Caberá ação rescisória de decisão proferida pelo Plenário ou por Turma do Tribunal. 1. bem assim pelo Presidente. 1. 115 e 647. há lugar para ação rescisória.. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. 116. Ação rescisória.

Ação rescisória. ainda que sem a interposição de nenhum recurso contra o decisum rescindendo. também há respeitável doutrina: SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. desde que versem sobre mérito (objeto da demanda. 1998. Volume I. 2ª ed.. 280. Comentários. 28. 514 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Admite-se ação rescisória contra sentença transitada em julgado. 85 e 90. 86. O labirinto da ação rescisória. nos termos do artigo 268 do Código. 282. p... p. 1992. decadência. 512 do CPC. Ação rescisória. Volume VII. 1976. p. ainda que contra ela não se tenham esgotado todos os recursos”. 1991. p. Princípios fundamentais. Assim estabelece o correto enunciado n. Com a substituição da sentença. 4ª ed. p. A respeito do tema. p. Escoado o prazo recursal. 1996.. 247. p. Volume VI.. entretanto. a admissibilidade da ação rescisória não está condicionada ao esgotamento das vias recursais cabíveis contra o decisum proferido no processo originário28 — mas. e Código. ª ed. Volume V.. sim. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA.. Comentários. 1992. 2000. é inadmissível ação rescisória enquanto estiver pendente prazo recursal ou for juridicamente possível a propositura de outra ação. p. p. 115 e 116. 201 . merece ser prestigiado o item III do enunciado n. p. 97 e 98. 7ª ed. Contra. 66. À vista do artigo 512 do Código de Processo Civil. SERGIO BERMUDES. 279. p. e 5ª ed. a admissibilidade da ação rescisória está sempre condicionada à impossibilidade jurídica da interposição de recurso (o que geralmente ocorre com o término dos prazos recursais) e do ajuizamento de outra ação. 261. 192 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “III — Em face do disposto no art. do prazo recursal. Com efeito. Comentários. e Código. COQUEIJO COSTA. é juridicamente impossível o JOSÉ RIBAMAR MORAES. Sob outro prisma. A ação rescisória. nota 261. Curso. independentemente do decisum tido em mira. prescrição. 1997. e não o pronunciamento do juiz de primeiro grau. 1991. A ação rescisória. o conhecimento de recurso pelo tribunal conduz à substituição da sentença pelo acórdão — salvo quando há a constatação de error in procedendo no juízo de mérito. 1977.impugnáveis mediante ação rescisória. por exemplo). p. o que acarreta a cassação do decisum recorrido. Com efeito. 25. e SÉRGIO RIZZI. 1986. 4ª ed. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. que deixou de existir no plano jurídico após o julgamento do tribunal. a ação rescisória deve ter como alvo o acórdão. 1979.. No sentido do texto: BARBOSA MOREIRA. BUENO VIDIGAL. tem-se o acesso à ação rescisória. 27. 19ª ed. 2ª ed. 2: “Cumpre observar que não há necessidade de esgotamento das vias recursais para a propositura da ação rescisória”.. p. 4ª ed. e NERY JUNIOR.

É o que revela o enunciado n. e RCL n. Diário da Justiça de 0 de abril de 199: “RECLAMAÇÃO. 249). conseqüentemente. Pleno do STF. a substituiu (art. quando. embora não tendo conhecido do recurso extraordinário. A propósito. É importante não esquecer que os acórdãos da Corte Suprema foram proferidos após a publicação do enunciado n. estando sujeita a ataque por meio de rescisória. tiver apreciado a questão federal controvertida”285-286. o que demonstra a subsistência da proposição n. tiver apreciado a questão controvertida (Súmula n. CONQUANTO DESTE NÃO TENHA CONHECIDO. O Supremo Tribunal Federal é competente para a ação rescisória quando. 285. Com efeito. JÁ QUE DIRIGIDAS CONTRA ACÓRDÃOS QUE HAVIAM SIDO APRECIADOS POR ESSA CORTE. conquanto houvessem impugnado apenas a decisão local. nem incompatíveis entre si. Os enunciados não são antagônicos. são harmônicos. proferindo juízo de admissibilidade negativo. independentemente da natureza da questão federal apreciada. Em sentido idêntico: AR n. AÇÕES RESCISÓRIAS PROCESSADAS PERANTE O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ. ao julgar o recurso. 515. quando o tribunal não conhece do recurso. 515. Diário da Justiça de 1 de agosto de 1984. para o fim de tornar sem efeito as decisões impugnadas e julgar extintas as rescisórias. Evidenciado que. 77/PR. é fora de dúvida a incompetência da Corte Estadual para as ações rescisórias que. por impossibilidade jurídica do pedido”. embora não tendo conhecido284 do recurso extraordinário. tirando a exceção anotada. 202 . nos precedentes indicados na nota anterior. razão pela qual um enunciado completa o outro. ou havendo negado provimento ao agravo. decidiu o STF questão federal nele suscitada. Reclamação acolhida. 512 do CPC). o respectivo acórdão substitui o proferido na corte de origem. A expressão “não tendo conhecido” deve ser interpretada como “não tendo provido”. Do mesmo modo. Competência que se afirma.151/RJ. 249. Com todo o respeito. 284. Aliás. porquanto cuidam de assuntos diferentes. 249.pedido explícito de desconstituição de sentença quando substituída por acórdão Regional”. 1. conhecido o recurso pelo tribunal ad quem. quando ela profere juízo de admissibilidade positivo. a sentença originária subsiste. não é rara na literatura pátria a afirmação de que o enunciado n. na verdade investem contra os efeitos do acórdão do STF que a confirmou e que. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Muito pelo contrário. 249 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “É competente o Supremo Tribunal Federal para a ação rescisória. há a substituição do acórdão proferido no tribunal a quo pelo prolatado na corte superior. o entendimento não parece ser o melhor. e em seguida passa ao juízo de mérito — sem pronunciar a existência de error in procedendo. 249 restou superado pelo advento do verbete n. Contudo. 286. COM ALEGADA USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Pleno do STF. o Supremo Tribunal Federal prestigiou expressamente o verbete n.

o réu R interpõe apelação total. apreciada no recurso extraordinário ou no agravo de instrumento. seja diversa da que foi suscitada no pedido rescisório”. O Superior Tribunal de Justiça conhece do recurso. A segunda parte do § º do artigo 01 reforça: “há coisa julgada. é inadmissível ação rescisória enquanto estiver pendente prazo recursal ou for possível a propositura de outra ação. Com efeito. a ação rescisória que versar sobre a dívida Y deve ser proposta perante a corte de segundo grau. Exemplo tradicional pode facilitar a compreensão do assunto: o juiz de primeiro grau extingue o processo sem julgamento do mérito. merece ser prestigiado o verbete n. o autor constata que a sentença está contaminada por vício arrolado no artigo 485. Um exemplo pode facilitar a compreensão do assunto: o autor A propõe ações cumuladas de cobrança das dívidas X e Y contra o réu R. nos termos do artigo 268 do Código de Processo Civil. “denomina-se coisa julgada material a eficácia. o que ocorre raramente. a admissibilidade da ação rescisória está sempre condicionada à impossibilidade jurídica da interposição de recurso e do ajuizamento de outra ação. o autor não 20 . não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário”. Como já estudado. a ação rescisória que trata de tema alheio ao recurso especial deve ser processada e julgada no tribunal a quo. O legislador optou por sintetizar tal asserção na seguinte fórmula. Em regra. mas nega provimento ao especial. quando se repete ação que já foi decidida por sentença. reconhecendo a existência de coisa julgada. Realmente. A respeito do tema. o réu R interpõe recurso especial apenas acerca da dívida X. transitada em julgado”. o julgamento é da competência do tribunal a quo.Entretanto. Na hipótese. 515 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “A competência para a ação rescisória não é do Supremo Tribunal Federal. de que não caiba recurso”. Insatisfeito em parte. quando a questão federal. Decorrido o prazo recursal in albis. Quando são inconciliáveis as conclusões tiradas a partir da asserção e da fórmula legal. O tribunal de segundo grau nega provimento ao apelo. Todavia. transitada em julgado”. À vista do artigo 467. inserta no caput do artigo 485 do Código: “sentença de mérito. quando o tema decidido pela corte superior não está em discussão na ação rescisória. que torna imutável e indiscutível a sentença. há compatibilidade entre a asserção e a fórmula utilizada pelo Código de Processo Civil. Inconformado com a sentença de procedência. O Superior Tribunal de Justiça só tem competência para processar e julgar a ação rescisória que tratar da dívida X. a doutrina e a jurisprudência têm temperado cum grano salis a cláusula legal “sentença de mérito.

muito embora a decisão não seja de mérito.. órgão composto de desembargadores mas com atribuições apenas administrativas. em tal hipótese. p. 267. e SÉRGIO RIZZI. já que a propositura de outra ação e a interposição de recurso são juridicamente impossíveis287. 1997. Ação rescisória. a fundamento de existir coisa julgada.. Também é muito elucidativa a ementa do voto vencedor declarado pelo Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO: “Reconhecida a existência de coisa julgada. Em grau de recurso. p. 619. Assim. V). não há possibilidade de renovar-se a causa em primeiro grau. 4ª ed. Ainda em sentido semelhante: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR.. ª ed. 1998. ERNANE FIDÉLIS. 1997. p. p. Volume I. 1998.. 0. art. partindo-se da premissa segundo a qual onde quer que haja um direito violado há de existir um meio judicial de debater a ofensa”.. levada por uma má redação do Regimento Interno. a magistrada não teve outra solução senão manejar a ação rescisória. 144). quando menos por eqüidade. Reitera o Jurisconsulto a tese em seus Comentários. Daí ser cabível a rescisória”. a Câmara Civil isolada.501/RJ. ainda na doutrina: OTHON SIDOU. De acordo. uma juíza obtivera ganho de causa sobre adicionais de tempo de serviço. 4ª ed. em primeiro grau.056/GO. p. a exemplo do que se deu em Minas Gerais. apesar de a sentença não ser de mérito. Com outra opinião. onde. Ação rescisória. a ação rescisória deve prevalecer”. mas pode ocorrer. na jurisprudência: AR n. extingue o processo sob o fundamento de coisa julgada (CPC. A única solução é o ajuizamento de ação rescisória. pode-se admitir a ação rescisória em se tratando de acórdão que. Manual. Volume I. a ação não poderá ser renovada. Curso. 162 e 166. 1. 1986. ao entendimento de haver coisa julgada (CPC. 6ª ed. 19ª ed.pode ajuizar nova ação. 268 do CPC. na doutrina: COQUEIJO COSTA. p. por força do disposto no art. na jurisprudência: AR n. extinguiu o processo sem julgamento do mérito. p. 268 do CPC. uma vez que.. 1979. 1976. Diário da Justiça de 10 de abril de 1989. p. por equívoco. que faz expressa remissão ao inciso V do artigo 267. e. Em seu clássico Tratado da ação rescisória. Tomo VI. tendo em vista o óbice previsto no artigo 268 do Código. 260 e 261. 29 e 0. 204 . Embora não se trate de sentença de mérito. nota : “Em alguns casos. 267. art. Pleno do STF. 2ª Seção do TFR. tem-se como admissível a rescisória na hipótese. V). pois há casos em que o processo é extinto sem julgamento do mérito. Dicionário jurídico. Em suma. enseja a ação rescisória já que inadmissível seja novamente intentada a ação (CPC art. 5004: “Ação rescisória — Impugnação de sentença que extinguiu o processo. 287. 268)”. admitida pelo Tribunal para não inviabilizar a tutela jurisdicional. assim como de perempção e de litispendência. em face do disposto no art. PONTES DE MIRANDA também sustenta que “não só as sentenças de mérito são rescindíveis” (5ª ed. que anteriormente lhe haviam sido negados pela Comissão Permanente do Tribunal. De acordo. Impedida de retornar com a mesma ação em primeiro grau. 1991. Também em sentido oposto. 19: “A expressão sentença de mérito deve ser tomada com reserva (admitindo portanto interpretação ampla). na doutrina: SÁLVIO DE FIGUEIREDO. A ação rescisória. 1. julgado em 26 de novembro de 1997. p. A hipótese é rara. 66.

embora de natureza simplesmente processual. entendo que. É certo que a decisão do Tribunal não enfrentou o mérito da causa. Assim. Porém. ª Turma do STJ. e 467. 1997. sob pena de aprovar-se flagrante violação da ordem jurídica. se houve o error in iudicando no acórdão. Quando o recurso não ultrapassa a barreira da admissibilidade. na jurisprudência: REsp n. o Tribunal recusou conhecer de recurso mediante decisão interlocutória que violou disposição literal de lei. afetou diretamente uma solução de mérito. Volume I. em síntese. Curso. se. embora não sendo de mérito. ainda que nele não tenha sido resolvida a matéria de mérito. importou tornar preclusa a questão de mérito decidida no julgamento precedente. em razão da combinação dos artigos 268. De acordo. se o vício previsto no artigo 485 diz respeito à última decisão. 66: “Por outro lado.41/GO. É que nem sempre é possível fazer-se o enquadramento da sentença nos permissivos do art. cujo conteúdo teria sido meramente terminativo. Tendo-se em vista a instrumentalidade do processo e considerando-se que o error in iudicando. se possa completar o julgamento de mérito da apelação. é o decisum recorrido que adquire a auctoritas rei iudicatae. mas foi por meio dela que se operou o trânsito em julgado da sentença que decidiu a lide e que deveria ser revista pelo Tribunal por força da apelação não conhecida. pode ter em mira até mesmo julgado irrecorrido que não tratou de matéria de mérito. nessa hipótese excepcional. Assim. Não é juridicamente possível a interposição de outro recurso. cujo trancamento se deveu a flagrante negação de vigência de direito expresso”. cassada a decisão ilegal do Tribunal. a fim de que. a mens legis deve ser interpretada como autorizadora da ação rescisória. que é muito mais ampla do que a da rescisória. § º. pela via normal da apelação. contaminado pelo 288. dizer que se na sentença existir motivo para a rescisória esta deveria ser requerida contra a decisão de primeiro grau e não contra o acórdão do Tribunal. a ação rescisória deve ter como alvo o julgamento derradeiro.. Não se pode. de nada adianta atacar o primeiro decisum. Com efeito. 01. solucionada apenas na decisão recorrida? Tudo indica que a resposta afirmativa é a melhor288. 485. 205 . na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p. por exemplo. 122. julgado em 20 de junho de 2000. não é difícil responder à seguinte pergunta: é admissível ação rescisória contra o último julgado proferido no processo. pode acontecer a necessidade de recorrer-se à rescisória. nem o ajuizamento de nova ação de procedimento comum. excepcionalmente. outrossim. já que o mesmo não está contaminado por defeito que autoriza a rescisão. todos do Código de Processo Civil. quando a decisão última (rescindenda). após o decurso in albis do prazo recursal para a impugnação do último julgado proferido no processo. tem geralmente como alvo decisum de mérito protegido pela res iudicata. Mas. não se pode negar à parte prejudicada o direito de propor a rescisória. o apelante sofreu violento cerceamento do direito de obter a revisão da sentença de mérito. 19ª ed. se o vício reside no último julgado. Assim.A ação rescisória.

291. reside na inteligência restritiva para todos os incisos do art. Estudado o alvo da ação rescisória. Daí a necessidade da propositura da ação rescisória contra o último julgado. em se tratando de rescisória. p. 00. 562. De acordo: REsp n. CORREÇÃO DO ERRO PELA VIA RESCISÓRIA. 1979. HIpÓTESES DE RESCINDIbIlIDADE 4. VIABILIDADE. ainda que só a primeira decisão tenha sido de mérito. 290. 50). 42. p. 19ª ed. 485 do CPC. o seu inciso IX admite rescisória fundada em erro de fato”. O labirinto da ação rescisória. porque basta que a primeira decisão tenha sido de mérito para que ocorra a coisa julgada obstativa da propositura de nova ação de procedimento comum. por via reflexa. Como bem ensina o Professor SÉRGIO RIZZI. Direito. a res iudicata do julgamento do meritum causae ocorrido na primeira decisão. embora o vício resida na última decisão. 2000.4/SP. ACÓRDÃO RESCINDENDO FUNDADO EM ERRO DE FATO (CONSIDEROU-SE INTEMPESTIVO RECURSO PROTOCOLIZADO EM COMARCA DO INTERIOR OPORTUNAMENTE).. 4.defeito previsto em algum dos incisos do artigo 485. Há de ser reformado acórdão que entendeu não ser cabível a via rescisória com intuito de desconstituir julgado que não apreciou o mérito da demanda (apenas declarou a intempestividade do agravo de instrumento interposto). p. IX. 1996. 11ª ed. já é possível analisar as hipóteses de rescindibilidade. AÇÃO RESCISÓRIA. De acordo: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. não sendo possível interpretação extensiva291. “a melhor hermenêutica. Na verdade. p. 9 e 4. 206 . gera. Porquanto o acórdão rescidendo não tenha enfrentando o mérito. 2000. INTERPRETAÇÃO DO ART.. 485. 485 do Código” (Ação rescisória. 1. Volume VI. generalidades A ação rescisória só é admissível nas hipóteses de rescindibilidade taxativamente previstas na legislação de regência290. Diário da Justiça de 1 de maio de 2004: “PROCESSUAL CIVIL. Comentários. ex vi do artigo 268. Volume I. Também com a mesma opinião. JOSÉ RIBAMAR MORAES. 267 e 269. DO CPC. p. 1997. Curso. e VICENTE GRECO FILHO. Volume II. p. contaminado por vício previsto em algum inciso do artigo 485 do Código289. consoante pressupõe o caput do art.1. 64 e 67. Manual. SÉRGIO GILBERTO PORTO. 1ª Turma do STJ. a despeito de não versar sobre o mérito. 289. na doutrina estrangeira: AMÂNCIO FERREIRA. Mais uma vez a cláusula inserta no caput do artigo 485 deve ser temperada cum grano salis. a qual.

Curso. se comprovado. Volume II.. O que importa para a admissibilidade da ação rescisória é a observância dos permissivos legais. acarretando verdadeira cumulação de ações rescisórias294. ainda que julgada improcedente a rescisória por alguma delas. concussão ou corrupção do magistrado que o profe- 292. Comentários ao Código de Processo Civil. 2000. Com a mesma opinião. 7ª ed. volume 164. o decisum pode ser desconstituído por meio de ação rescisória quando se verificar prevaricação. caput e inciso I. 1997. 66. p. Sem dúvida. COQUEIJO COSTA. 29. Direito. 61. 1998. 1998. 870/RJ — EI. 108 e 117.2. SÉRGIO GILBERTO PORTO. 294. na doutrina: JOSÉ RIBAMAR MORAES. Ação rescisória.. comentários 6 e 7. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. o autor pode ajuizar nova ação rescisória com esteio em outro permissivo que não foi suscitado.Consoante revelam as hipóteses de rescindibilidade insertas no Código de Processo Civil. Não é só. já que é possível suscitar mais de um. p. p. Comentários. Convém ressaltar que os permissivos de rescindibilidade são autônomos entre si. 1991. Comentários. na jurisprudência: AR n. p. 15. e REsp n.. é causa eficiente para a rescisão de sentença”. Volume I. Volume V. 7ª ed. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Em sentido conforme. e VICENTE GRECO FILHO. 1974. letra “j”: “A autonomia dos casos de rescisão ocorre porque cada uma das hipóteses de cabimento.. há também autorizada doutrina: MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA. 1ª Seção do TFR. 19ª ed. p. 1986. 1996. concussão e corrupção À vista do artigo 485. 1999. Em virtude da autonomia das hipóteses de rescindibilidade. Código. Volume VI. Em sentido contrário. 4ª ed. 4ª Turma do STJ. desde que no biênio fixado no artigo 495 do Código295. 9. Volume V. De acordo. 207 . 11. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. 4ª ed. 11ª ed. isoladamente. p. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. NERY JUNIOR. p. o autor pode formular os pedidos rescindendo e rescisório com esteio em mais de uma causa de pedir.. O labirinto da ação rescisória. e não o tipo de vício apontado pelo autor. na doutrina: JOSÉ RIBAMAR MORAES. 425. De acordo. a ação rescisória pode ser proposta tanto para sanar vício de juízo (error in iudicando) quanto vício de atividade (error in procedendo)292. Na mesma linha. p. p. 4. 25. prevaricação. A ação rescisória. p. O labirinto da ação rescisória. p. sendo suficiente a procedência de apenas um deles para a desconstituição do julgado29.290/AM.. do Código de Processo Civil. RTFR. 267. Do processo nos tribunais. p. per se. 11. Diário da Justiça de 7 de junho de 199. 164. 19. 295. 942.

do crime imputado ao magistrado que proferiu a decisão impugnada298. 297.. Volume I. Ao revés. MÁRIO GUIMARÃES. 9. 1979. 1976. a ocorrência. na doutrina pátria: SÉRGIO RIZZI. 9. para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”. ato de ofício. 1999. Ação rescisória. NERY JUNIOR.. É o que dispõe o artigo 17 do Código Criminal. 1996. Volume VI. não é fundamento de revisão”. 262. 1997. Volume VI. SÉRGIO RIZZI. 19ª ed. Ação rescisória. 85.. BUENO VIDIGAL. Volume II. Os conceitos das mencionadas infrações são fornecidos pelo Direito Penal296. Curso. p. 68. Manual. 11ª ed. 94. p. Volume I. 1975. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. 1997. 208 . De acordo. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. 67 e 68. ou praticá-lo contra disposição expressa de lei. mediante as provas produzidas no próprio processo da rescisória. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. 49. Comentários. 2001. Em síntese. SÉRGIO GILBERTO PORTO.. vantagem indevida”. Volume III. não sendo possível o enquadramento específico da conduta do magistrado em qualquer dos tipos dos artigos 16. indevidamente. 1958. 1991. Também é irrelevante para a admissibilidade da ação rescisória a existência de processo criminal contra o juiz. JOSÉ FREDERICO MARQUES. 56. 14. Em sentido semelhante ao texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. 54. Código. mas em razão dela. 16. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. O crime de concussão está tipificado no artigo 16: “Exigir. LUIZ FUX. p. 2000. O juiz. 2000. Volume III. p. 260. SÉRGIO GILBERTO PORTO. Comentários.. ou aceitar promessa de tal vantagem”. 7ª ed. CALMON DE PASSOS. Lições. Manual. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p.. 42. Volume VI. que só pode ser a passiva. 1998. comentário 11. O delito de prevaricação está previsto no artigo 19 do Código Penal: “Retardar ou deixar de praticar. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. Direito. Curso. p. 298. Curso. A ação rescisória. p. 17 e 19 do diploma penal. 05. Comentários. p. 26. e VICENTE GRECO FILHO. p. A ação rescisória. 2ª ed. Já a corrupção. e SÉRGIO RIZZI. Ação rescisória. Primeiras linhas. vantagem indevida. 51. 1991. p. ao contrário 296. LUCIANO LEMOS. A admissibilidade de ação rescisória com esteio no inciso I do artigo 485 não está condicionada à prévia condenação criminal do magistrado que proferiu o decisum rescindendo. Manual. direta ou indiretamente. 04. 1975. p. a rescisória não pode prosperar297. p. 2ª ed. ou não. mas em razão dela. Rescisória. 2000. Cabe ao órgão colegiado julgador averiguar. p. 260. 1979. Assim. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. p.riu. direta ou indiretamente. 2000. 270: “Se o dolo do juiz não se integrar num dos tipos de crimes referidos. 4ª ed. para si ou para outrem. Comentários. p. Assim. consiste em “solicitar ou receber. 1999. na literatura estrangeira: AMÂNCIO FERREIRA.. para si ou para outrem. p. Volume V. p. p. JOSÉ FREDERICO MARQUES. p. 1979. 119. p. p. 19ª ed. Volume II.

Manual. bem assim no campo civil. além de admissível. comentário 11. a regra reside na independência do juízo civil em relação ao juízo criminal. o Código de Processo Civil brasileiro não exige a condenação penal do juiz em anterior processo criminal. Em sentido conforme. Volume III. todos do Código de Processo Civil. até mesmo em razão do caráter unipessoal do julgado. Volume II. a rescisória deve ser julgada procedente no juízo rescindendo. 2000. e 475-N. inciso II. 265. não só na esfera penal. inciso IV. A ação rescisória. A prática da infração penal por membro de tribunal também dá ensejo à ação rescisória. Em sentido contrário. e SÉRGIO RIZZI. 260. NERY JUNIOR e ROSA NERY. Cf. AMÂNCIO FERREIRA. do Código Civil. Não há necessidade da existência de juízes infratores em número suficiente para compor a maioria. A despeito da ausência da necessidade de prévia condenação em processo criminal. É o que também se infere da combinação dos artigos 110.. p.do que ocorre no direito português299. Lições. há coisa julgada. que fica irremediavelmente contaminado pela prevaricação. p. Com efeito. 1999. p. concussão ou corrupção do respectivo prolator. a ação é admissível desde que o infrator tenha proferido voto que conduziu à maioria ou que simplesmente a compôs no julgamento do colegiado. segunda parte. Em suma. 270. letra “a”. 2ª ed. há também autorizada doutrina: SÉRGIO GILBERTO PORTO. Enquanto não há dúvida em relação à admissibilidade da rescisória tendo em mira decisão monocrática. Volume VI. resolvidas. Código. 1979. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. Ação rescisória. é admissível a rescisória amparada em sentença criminal irrecorrida condenatória do juiz prolator da decisão cível. 209 . e no artigo 65 do Código de Processo Penal. 1991. 56. 06. 00. p. p. já que não é possível garantir que os demais votos vitoriosos não foram contaminados pelo defeituoso00. a solução não é tão simples no que tange ao julgamento de órgão coletivo. Tratando-se de acórdão. p. 4ª ed. 94. consoante o disposto na segunda parte do artigo 95 do Código Civil de 2002. Aliás. 1999.. 10. p. que pode ser proposta tendo como alvo tanto decisão monocrática como acórdão. 299. a autoria e a materialidade no juízo criminal. entretanto. nada impede que a rescisória seja instruída com a respectiva sentença penal passada em julgado. Basta um voto vencedor viciado para que o acórdão seja rescindido. pelo que a conduta dolosa do magistrado pode ser aferida na própria ação rescisória. 2000. 26. 1975. Comentários. Manual. tendo em vista o disposto no artigo 95. JOSÉ FREDERICO MARQUES.

p.. de idêntico teor ao da sentença desconstituída)”. Comentários. 7ª ed. dar nova decisão. comentário 12. Impedimento e incompetência absoluta A ação rescisória também pode ser ajuizada contra decisum proferido por magistrado impedido ou “absolutamente incompetente”. Volume VI. 2000. p. 4. só a absoluta acarreta a desconstituição do decisum. o julgado rescindendo deve ser desconstituído. 0. não é demais lembrar que a admissibilidade da rescisória não está condicionada à prévia argüição de exceção no processo originário. No tocante à incompetência. 1999. p. 260. FREITAS CÂMARA. Lições. 94. nos termos do artigo 114 do Código de Processo Civil0. 1999. p. A ação rescisória. em seguida. Em sentido conforme. 61. é admissível a ação rescisória ainda que o tribunal julgue improcedente a exceção de impedimento02. a fim de que a causa primitiva receba novo julgamento. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. Com o mesmo entendimento. Manual.. pois a ausência da formulação da exceção de incompetência relativa no prazo da resposta acarreta a prorrogação da competência. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 2ª ed. A ação rescisória. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. deverá o tribunal julgar novamente a causa (e. constatado o fato delituoso em anterior processo criminal ou na própria ação rescisória. 1997.. Já a mera suspeição — de que cuida o artigo 15 — não dá ensejo à rescisão do julgado. Comentários. 1979. Do mesmo modo. 10: “A sentença deverá ser rescindida e. 26. Curso. se o infrator proferiu voto divergente que não foi prestigiado pelos pares e não teve nenhuma repercussão prática. Ação rescisória. 01. 1998. p. Volume V. Por fim. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. Código. nada impede que se chegue — no juízo rescisório — ao mesmo resultado indicado no julgado rescindido01. 02. 11. 08. 122. Lições. Volume I. Volume II. 1991. p. 69. p. Já a relativa não permite a rescisão do julgado. JOSÉ FREDERICO MARQUES. No mesmo sentido do texto. NERY JUNIOR. no juízo rescisório. se for o caso. e SÉRGIO RIZZI. p. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista.. p. tendo em vista a ausência de interesse processual. a rescisória é inadmissível por carência de ação. 4ª ed. do Código de Processo Civil. Volume III. Volume II.3. caput e inciso II. 264. e 210 . As hipóteses de impedimento estão previstas nos artigos 14 e 16.. Ainda a respeito do permissivo consubstanciado no impedimento. p. 1991. É o que estabelece o artigo 485. SÉRGIO GILBERTO PORTO. 19ª ed. 2ª ed. 1975.Ao revés. na doutrina: SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. 1999.

Não há a possibilidade da prolação do juízo rescisório. 64. anulando. a regra em caso de rescisória fundada em incompetência absoluta é a ausência do iudicium rescissorium. o decisum pode ser rescindido “quando resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida. do Código de 19705. Tendo o próprio tribunal competência para julgar a ação primitiva. vale conferir o didático acórdão proferido pelo Pleno do Tribunal Regional Federal da 5ª Região no julgamento da AR n. ao Tribunal Federal de Recursos. quando a parte vencedora age voluntariamente em desacordo com o estabelecido nos VICENTE GRECO FILHO. caput e inciso III. Em sentido semelhante: SÉRGIO RIZZI. Assim. a sentença do seu juiz. a fim de fraudar a lei”. ‘se for o caso’ (arts. 777/RJ. O que ocorrerá então? Evidente que não se poderia pedir. Em sentido semelhante: MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA. O que se fará então? O Tribunal Estadual formulará o ius rescindens. p. Veja-se o caso da AR fundada na incompetência absoluta do juiz que prolatou a sentença. Julgada procedente a rescisória e desconstituído o decisum. Volume II. também denominado dolo processual. Pleno do STF. 211 . 11ª ed. 04. é possível a realização do imediato julgamento da causa anterior06. Ação rescisória. Dolo rescisório. desconstituindo a sentença proferida por juiz federal.4. 168: “Uma questão surge: por que diz o Código que haverá cumulação desses juízos de mérito (rescindens e rescissorium). Mas este. Diário da Justiça de 28 de março de 1980. § 2º. não poderá apreciar a matéria que é da exclusiva competência da Justiça da União. a desconstituição daquela coisa julgada emanada de Judiciário de Estado. 1996. Do processo nos tribunais. e 494). O interessado deverá propor ação ante o Tribunal Estadual. 1979. É que pode haver ocasiões em que tal cumulação seja totalmente impossível. Suponha-se que um juiz estadual tenha julgado matéria da exclusiva jurisdição da Justiça Federal. p. ao contrário do que pode parecer à primeira vista. 05. mas em hipóteses excepcionais é possível a existência de juízo rescisório. por incompetência absoluta. publicado no Diário da Justiça de 6 de novembro de 1998. Há dolo rescisório. II. Em síntese. 1974. por sua vez. 7. 424. 488. processo fraudulento e processo simulado À vista do artigo 485. A propósito.. nos termos do artigo 11. Todavia.Característica importante da ação rescisória fundada em incompetência absoluta é a regra da inexistência de juízo rescisório04. os autos do processo originário devem ser encaminhados à justiça competente. na jurisprudência: AR n. p. 06. nem sempre há o óbice à prolação do juízo rescisório. Mas o ius rescissorium estará logicamente vedado à sua cognição”. 4. Basta imaginar a hipótese de o tribunal regional federal reconhecer a incompetência da justiça federal. Direito. p. ou de colusão entre as partes. 974/CE.

Comentários. 19ª ed. à produção de prova que sabia vantajosa para o adversário. Na mesma esteira. 264 e 265. 6ª ed. III. p. p. falsifica-o ou altera-o. ART. 80 e 81. Comentários. o simples fato de a parte vencedora haver silenciado a respeito de fatos contrários a ela. desvie o juiz de uma sentença não-condizente com a verdade”07. 76. Volume VI. 485. com os fatos tidos por verdadeiros (art. 261. III. 12). A ação rescisória. e 17. Resolução n. 72. não constitui ardil do qual resulte cerceamento de defesa e. e SÉRGIO RIZZI.artigos 14. caput e inciso II. Manual.. 2ª ed. o do seu advogado também dá ensejo à rescisão do julgado. a inércia da parte vitoriosa não gera a rescisão do julgado. 319). 1997. A parte suborna o advogado da outra. Ao revés. Tal como o ato doloso da parte vencedora. por si só. Na mesma linha. Volume III.Não caracteriza dolo processual.. fazendo petição conjunta de transação com o réu. p. provocando revelia. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. 17. 9). BUENO VIDIGAL. nota n. p. iludindo o juiz no julgamento. Cf. O Professor BARBOSA MOREIRA apresenta elucidativo exemplo de decisum passível de desconstituição por ocorrência de dolo rescisório: “O litigante vitorioso criou empecilho. p. subtraiu ou inutilizou documento por este junto aos autos” (p. Uma das partes rasura documento. É igualmente admissível ação rescisória tendo como alvo decisão proferida em processo marcado pela colusão das partes para fraudar a lei. 1976. reforça o enunciado n. 212 . ERNANE FIDÉLIS. Volume V. Ação rescisória. 8. 1975. DO CPC. 122 e 12. p. com prejuízo à atuação da parte contrária ou induz o juiz a erro. p. 1998. O Professor ERNANE FIDÉLIS também formula exemplos didáticos: “Os exemplos são os mais variados: o advogado do autor. Aliás. Volume I. 265. o Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO indica como exemplo a hipótese “em que se inutilizou ou extraviou prova de relevo constante dos autos” (p. 1979. e o prazo de contestação se escoa. 1998. previsto no art. 617. Em todas as hipóteses. consoante se infere do artigo 14. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. do CPC. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. de caso pensado.. DOLO DA PARTE VENCEDORA EM DETRIMENTO DA VENCIDA. em conseqüência. 77.. I . 1991. JOSÉ FREDERICO MARQUES. Considera-se fraudulento o processo quando as partes fazem uso dele em 07. deixa de juntá-la. para que este pratique ou deixe de praticar ato que possa influenciar na decisão”. ambos do Código de Processo Civil. 69 e 640. 485. a rescisão do julgado está condicionada à existência de nexo de causalidade entre o dolo e o pronunciamento do juiz08. até mesmo o ato doloso do representante legal da parte autoriza a desconstituição do decisum. inciso II. porque o procedimento. 7ª ed. Manual. Volume I. 40 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. 08. Curso.

6ª ed. o Professor BARBOSA MOREIRA agasalha tese diversa. 1998.. e SÉRGIO RIZZI. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. Volume I. 11. a aviltá-lo” (HÉLIO TORNAGHI. em detrimento do erário” (cf. e NERY JUNIOR e ROSA NERY. p. o julgado pode ser desconstituído por meio de ação rescisória. para fraudar os credores. A propósito. à ação de execução de Semprônio. segunda parte. 125). p. 2ª ed. Ação rescisória. 2ª ed. SÉRGIO RIZZI e BARBOSA MOREIRA). Embora exista séria divergência entre os doutores acerca da admissibilidade de ação rescisória para desconstituir julgado proferido em processo simulado. 1979. considerando inadmissível a ação rescisória na hipótese (Comentários. porque um e outro entendem valer-se dos efeitos da sentença” (cf. Ação rescisória. querendo subtrair um bem do primeiro. Outro “exemplo típico que bem ilumina o assunto é o do devedor que. 401).. 55. p. e b) “ação de alimentos de mãe contra filho. Tem-se por simulado o processo quando as partes em conluio fazem uso dele para prejudicar terceiro10.conluio para obter fim proibido por lei. entre eles. 96 e 97) defendem a tese da admissibilidade de rescisória para desconstituir julgado proferido em processo simulado. Código. 554. 1979. 1998. p. 1976. prevalece a orientação pela afirmativa11. p. Código. fazem crer um vício do matrimônio que não existe. 94 e 95). 1996. 1996. No sentido do texto: BARBOSA MOREIRA. 1998. NERY JUNIOR e ROSA NERY). que recebe o reforço do artigo 129 do próprio Código de Processo Civil09. 1996.. Volume I.. 21 . credor de Tício. Comentários. Os Professores ERNANE FIDÉLIS (Manual. p. em conluio. 1979. p. 2ª ed. Ainda que muito respeitável a tese contrária. p. Volume V. Comentários. em favor do qual assina promissórias. simula débito a um comparsa. Em contraposição.. p. 2ª ed. p. Volume V. pelo menos. comentário 2) e SÉRGIO RIZZI (Ação rescisória. Se é certo afir- 09. Volume V. inciso III. simulam uma reivindicação de Caio contra Tício para opor a sentença que a acolha. Resta saber se é admissível ação rescisória tendo em vista decisão proferida em processo simulado. NERY JUNIOR e ROSA NERY (Código.. 1998. nesse caso. mas. Exemplos de processos fraudulentos passíveis de ação rescisória: a) “quando marido e mulher. 125 e 126. sempre com o entendimento que. O processo para a cobrança do débito simulado. 7ª ed. 125. a Semprônio.. Havendo nexo de causalidade entre a colusão e o pronunciamento do juiz. aquela sentença não terá qualquer eficácia” (SÉRGIO RIZZI. NERY JUNIOR e ROSA NERY. visaria a frustrar o pagamento dos credores ou. 618 e 619). 554. 10. O processo simulado também é marcado pela fraude à lei (fraus legis). Comentários. 95 e 97. p. 7ª ed. com o objetivo de criar dedução ilegal do imposto de renda. 7ª ed. vale a pena conferir o seguinte exemplo de processo simulado elaborado por CARNELUTTI: “Tício e Caio.. para conseguir que o juiz declare a nulidade. o entendimento predominante parece ser o melhor. nos termos do artigo 485.

quando se repete ação que já foi decidida por sentença. na legislação pátria a petição inicial da ação não precisa ser instruída com sentença proferida em anterior processo de reconhecimento da simulação. p. que torna imutável e indiscutível a sentença. Então.5.mar que a característica essencial do processo simulado é o prejuízo a terceiro. cumprindo a ação rescisória sua missão apenas com a prolação do juízo rescindendo12. na doutrina: SÉRGIO RIZZI. o que já basta para a admissibilidade da rescisória com esteio no inciso III do artigo 485. Por tudo. consoante se infere do artigo 129 do Código de Processo Civil e dos artigos 167 e 168 do Código Civil de 2002. já que a exigência consta do artigo 779. “há coisa julgada. o terceiro prejudicado também tem legitimidade para ajuizar ação rescisória. do Código lusitano. 4. a fraus legis parece ser uma característica secundária do processo simulado. Daí a regra proibitiva inserta no proêmio do artigo 471: “Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas. é possível concluir pela ausência de juízo rescisório. Há mais. tendo em vista a ofensa aos artigos do Código de Processo Civil e do Código Civil que tratam do instituto. nos termos do artigo 485. na hipótese de julgamento de causa já solucionada por decisum protegido 12. O enquadramento da decisão proferida em processo simulado no inciso V também parece ser inevitável. Em sentido semelhante. O artigo 467 reforça: “Denomina-se coisa julgada material a eficácia. é possível concluir pela admissibilidade de ação rescisória que tem em mira julgado proferido em processo simulado. 214 . Com efeito. Ofensa à coisa julgada Decisum que ofende a coisa julgada também é passível de desconstituição por meio de ação rescisória. além da marca principal do prejuízo a terceiro. não mais sujeita a recurso ordinário e extraordinário”. 1979. Por fim. Ação rescisória. À vista do artigo 01. número 1. Consoante o inciso II do artigo 487 do Código de Processo Civil. caput e inciso IV. § º. Por conseqüência. O mesmo não ocorre no direito português. a fraude à lei parece ser uma conseqüência inexorável. Convém salientar que a simulação pode ser demonstrada na própria rescisória. segunda parte. como o processo fraudulento e o simulado são marcados pela inexistência de litígio verdadeiro. o que reforça a conclusão pela resposta positiva. relativas à mesma lide”. do Código de Processo Civil. 7. de que não caiba recurso”.

1976. Quanto aos enunciados das súmulas dos tribunais. os decretos. p. 215 . 46. as leis complementares. as medidas provisórias.pelo manto da coisa julgada. Manual. 128 e 129. Outra é a solução no direito português: AMÂNCIO FERREIRA. 10 e 12. 619. 256. violação de literal disposição de lei Por força do artigo 485. BUENO VIDIGAL. as leis ordinárias. as leis processuais. Tratado da ação rescisória. 6ª ed. as leis estaduais. 1998. as resoluções e até mesmo os regimentos internos dos tribunais. p. Volume V. Ação rescisória. A ação rescisória. Por fim. as leis materiais. Volume I. 1979. 19ª ed. o vocábulo “lei” deve ser interpretado em sentido lato. 87. Do contrário. p.. 266.. Volume I. 1998. por suscitada no processo em que foi proferida”. os regulamentos. p. ainda que rejeitada a preliminar. em virtude da adoção da acepção ampla do termo “lei”. 4. Com efeito. as leis municipais. Não tem nenhuma importância para a admissibilidade da ação rescisória se a preliminar de coisa julgada foi. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA.. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. as leis federais. No que tange à ação rescisória por ofensa à coisa julgada. a prestação jurisdicional do tribunal se esgota no iudicium rescindens. Curso. alcançando a Constituição. apenas os da Corte Suprema. No sentido do texto do parágrafo. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Comentários. 7ª ed. solucionada no decisum rescindendo. p. Volume VI. ao julgar a ação rescisória. 1991. é admissível ação rescisória tendo como alvo a segunda decisão.. PONTES DE MIRANDA. julgado que contraria “literal disposição de lei” também pode ser desconstituído. 641.. 2000. ERNANE FIDÉLIS. Manual. as emendas à Constituição. É a hipótese de rescindibilidade mais acionada na prática forense. e SÉRGIO RIZZI. 1997. desde que aprovados após o disposto na Emenda Cons- 1. do Código de Processo Civil. proferida em afronta à res iudicata da primeira. p. caput e inciso V. as leis delegadas. 5ª ed. 2ª ed.6. é possível ressuscitar a ofensa à coisa julgada em ação rescisória1. se a decisão revidenda não se tiver pronunciado sobre a excepção de caso julgado. p. Com efeito. 277: “Só pode verificar-se o motivo de revisão de que ora cuidamos. Comentários. não há iudicium rescissorium quando a ação rescisória é proposta com esteio no inciso IV do artigo 485. a ofensa à coisa julgada passaria a ser perpetrada pelo próprio acórdão proferido pelo tribunal. p. 1976. ou não.

do Codex de 198 só admite a restitutio in integrum por violação de preceito de direito material. Subsiste. os enunciados dos demais tribunais pátrios e também os verbetes da Súmula do Supremo Tribunal Federal aprovados antes da Emenda n. Aliás. pois os verbetes normalmente não têm força normativa em nosso direito. a despeito da revogação do artigo 800 do Código de 199. o número 4. QUESTÃO PROCESSUAL. A propósito. inciso V. EXPRESSÃO ‘LEI’ DO ART. DESCABIMENTO. ao contrário. § 2º. merece ser prestigiada a proposição n. 485. Pode uma questão processual ser objeto de rescisão desde que consista em pressuposto de validade de uma sentença de mérito”. O cânon 1645. DO CPC. A respeito da regra. 485. reforça o enunciado n. Daí a possibilidade da discussão da ofensa direta a dispositivo de direito material e também a preceito de índole processual. a orientação doutrinária e jurisprudencial consubstanciada no antigo preceito: “A injustiça da sentença e a má apreciação da prova ou errônea interpretação do contrato não autorizam o exercício da ação rescisória”. a ação rescisória pode ser proposta para sanar error in iudicando e também error in procedendo. em razão da combinação do caráter genérico com o abstrato e o obrigatório. com indicação de contrariedade a súmula. já que o novel artigo 10-A da Constituição Federal consagrou o “efeito vinculante”. INDICAÇÃO DE CONTRARIEDADE A SÚMULA OU ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO TST. O inciso V do Código brasileiro. 45.titucional n. 45 não autorizam a rescisória. Em contraposição. 118 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. Não prospera pedido de rescisão fundado no art. SENTENÇA DE MÉRITO. não faz nenhuma restrição em relação ao cunho do direito contrariado. do CPC. Também não é admissível ação rescisória fundada em contrariedade a cláusula contratual. Sob outro enfoque. Daí a regra: a ofensa a enunciado de súmula de tribunal geralmente não enseja ação rescisória. não há no direito brasileiro restrição como a existente no direito canônico. tudo indica que a ofensa literal a tais verbetes poderá ser objeto de ação rescisória. uma vez que a jurisprudência consolidada dos tribunais não corresponde ao conceito de lei”. 216 . V. de 2004. 412 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. Como os enunciados da Súmula do Supremo Tribunal aprovados à luz do artigo 10-A da Constituição Federal terão verdadeiro conteúdo normativo.

do CPC. a ação rescisória não merece vingar. 1ª Seção do STJ. sob pena de tornar-se “recurso” ordinário com prazo de “interposição” de dois anos”. na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR.  da Súmula do antigo Primeiro Tribunal de Alçada Civil de São Paulo: “Descabe o ajuizamento de ação rescisória. 1997. RTJ. V. é o que também dispõe a proposição n. 217 . 14. Matéria constitucional. 78. Ação Rescisória. de interpretação controvertida nos Tribunais”. ainda que não seja a melhor.O vocábulo “literal” inserto no inciso V do artigo 485 revela a exigência de que a afronta deve ser tamanha que contrarie a lei em sua literalidade14. Diário da Justiça eletrônico n. Trata-se de orientação tradicional no direito pátrio. o acórdão rescindendo elege uma dentre as interpretações cabíveis. 641. É o que também estabelece o verbete n. quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais”. 14 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos: “Não cabe ação rescisória por violação de literal disposição de lei se. Se. ainda na jurisprudência: AR n. 489: “A má interpretação que justifica o judicium rescindens há de ser de tal modo aberrante do texto que eqüivalha à sua violação literal”. Com efeito. a interpretação era controvertida nos Tribunais. não é possível desconstituir o julgado proferido à luz de qualquer uma das interpretações plausíveis15. ao contrário. volume 77. 15. Em contraposição. 4 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei. 19ª ed.. p. a orientação consolidada nos enunciados acima transcritos não é observada pelo Supremo Tribunal Federal e pelos demais tribunais quando está em discussão o texto constitucional16. Diário da Justiça de 7 de março de 1994. na jurisprudência: REsp n. 9. quando o texto legal dá ensejo a mais de uma exegese. Cf. Volume I. Pleno do STF. 8 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Não procede o pedido formulado na ação rescisória por violação literal de lei se a decisão rescindenda estiver baseada em texto legal infraconstitucional. 485. 6ª Turma do STJ. embora posteriormente se tenha fixado favoravelmente à pretensão do autor”. Inaplicabilidade da Súmula 343/STF”.086/SP. Curso de direito processual civil. Pleno do STF. Também no mesmo sentido. RE n. 259/SP. De acordo. Assim: ERE n. Reforça o enunciado n. quando fundado em nova adoção de interpretação do texto legal”. ao tempo em que foi prolatada a sentença rescindenda. que viole o dispositivo legal em sua literalidade. No sentido do texto. Por fim. Diário da Justiça de 5 de agosto de 1996: “Para que a ação rescisória fundada no art. prospere é necessário que a interpretação dada pelo decisum rescindendo seja de tal modo aberrante. 78. publicação em 2 de maio de 2008: “4. p. 16. Não obstante.812/AM — EDcl.14. como bem revela o enunciado n. 28.

343 do STF. 6. seção 2. sob pena de tornar-se um mero ‘recurso’ com prazo de ‘interposição’ de dois anos”. Quando isso ocorre. foi prestigiada a precisa tese defendida pelo Ministro ADHEMAR MACIEL: “O respeito à coisa julgada não pode ficar condicionado a futuro e incerto julgamento do STF sobre a matéria. Diário da Justiça de 9 de abril de 2001. Se. 6ª Turma do STJ. em prol da aplicação do enunciado n. 485. 83 do TST e Súmula n. 83 do TST e 343 do STF. AR n. 29 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “Ação rescisória. O labirinto da ação rescisória. 657. 6 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e na orientação jurisprudencial n. No mesmo sentido do enunciado n. 6. há autorizada corrente em sentido contrário. Diário da Justiça de 2 de março de 1998. Cf. o condão de possibilitar a desconstituição dos julgados. ao exercer o controle difuso na estreita via do recurso extraordinário. na doutrina: JOSÉ RIBAMAR MORAES. há respeitável precedente jurisprudencial: AR n. 29. Para que a ação rescisória fundada no art. A despeito da orientação predominante consolidada no enunciado n. não se aplica o óbice das Súmulas ns. quando se tratar de matéria constitucional”. 1ª Turma do STF. REsp n. a ação rescisória não merece vingar. é necessário que a interpretação dada pelo decisum rescindendo seja de tal modo aberrante que viole o dispositivo legal em sua literalidade. não pode ser tida como absurda a ponto de abrir a angusta via da ação rescisória aos insatisfeitos. Diário da Justiça 2 de março de 1998. Diário da Justiça de 6 de abril de 2001. Inaplicáveis. Súmula n. proferidos pelos tribunais de apelação à luz da jurisprudência prevalecente antes do julgamento proferido pelo STF”. seja por parte dos tribunais. ao exercer o controle difuso em recurso extraordinário. ao contrário.592/RS. Diário da Justiça de 16 de março de 1998. entretanto. do CPC prospere. Matéria constitucional. Trata-se. ainda que não seja a melhor. 18. Remata o Ministro e Professor: “Como qualquer norma jurídica. do CPC. seja por parte da doutrina. Na oportunidade. 6 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “Não é aplicável a Súmula 343 do Supremo Tribunal Federal nas ações rescisórias versando matéria constitucional”17. p. 808/DF. Também em conformidade com o verbete n. Diário da Justiça de 18 de junho de 2001.178/RN. Diário da Justiça de 9 de maio de 2000. 6. V. p.929/SC. 2ª Turma do STJ.prevalece na jurisprudência o entendimento consubstanciado no verbete n. 122. 485. REsp n. 343 da Súmula do Supremo Tribunal Federal também em relação aos preceitos constitucionais18. inciso V. a tese rejeitada pelo STF. não tendo o ulterior pronunciamento daquela Corte. ª Seção do STJ. No julgamento de ação rescisória fundada no art. 156. o acórdão rescindendo elege uma dentre as interpretações cabíveis. 49. 05. de tese minori- 17. 10.890/RS. as regras insertas na Constituição Federal não estão isentas de interpretação divergente. Contra a orientação consubstanciada na proposição n. Reforça a orientação jurisprudencial n. ª Seção do STJ. 1.477/DF. 1ª Turma do STJ. 218 . p. 29 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho. na jurisprudência: AI n. e REsp n.

a proposição n. prova falsa À vista do artigo 485. há na jurisprudência entendimento contrário. Não há. ou seja. própria dos recursos extraordinário e especial.7. 9. erga omnes e ex tunc. 219 . quando há superveniente julgamento do Pleno da Corte Suprema em controle de constitucionalidade concentrado. inciso III. Não obstante. os julgamentos proferidos pelo Supremo Tribunal Federal em recursos ordinário e extraordinário não são dotados dos efeitos previstos no § 2º do artigo 102 da Constituição Federal e no parágrafo único do artigo 28 da Lei n. do Código de Processo Civil. 6 e na proposição n. 298 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “A conclusão acerca da ocorrência de violação literal de lei pressupõe pronunciamento explícito. a admissibilidade da ação rescisória não depende do prequestionamento do tema inserto no preceito tido por violado. Em todas as hipóteses. marcado pelos efeitos vinculante. A falsidade da prova tanto pode ser material quanto ideológica. se o vício que contamina a prova é de construção ou de conteúdo. pelo que a garantia da coisa julgada deve prevalecer quando a questão constitucional foi resolvida apenas em controle difuso. Em contraposição. é possível desconstituir julgado fundado “em prova. a admissibilidade da ação rescisória por violação de literal disposição de lei não está condicionada à prévia apreciação da respectiva matéria jurídica no julgado rescindendo. Com efeito. Com todo o respeito aos que sustentam a tese predominante. Diante da inexistência do requisito na legislação de regência da ação rescisória. pelas razões veiculadas na nota abaixo19. Sem dúvida. a exigência prevista nos artigos 102. Também não importa se a prova falsa é documental. mas sempre prestigiada no presente compêndio. sobre a matéria veiculada”. Porém. 4. em relação à rescisória. cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou seja provada na própria rescisória”. e 105. caput e inciso VI. da Constituição Federal. o entendimento consubstanciado no verbete n. Por fim. o julgado contaminado deve 19. sem a necessária observância das diferenças existentes entre os controles de constitucionalidade concentrado e difuso. Com efeito.868.tária. inciso III. conforme se infere do enunciado n. pericial ou testemunhal. decisum apoiado em prova falsa é passível de desconstituição por meio de ação rescisória. é irrelevante se a falsidade reside na forma ou no fundo. 29 tem sido aplicado indistintamente. na sentença rescindenda. não há como cobrar o prequestionamento da quaestio iuris. 6 só pode ser aplicada em caso de modificação da jurisprudência até então prevalecente.

ser rescindido. inciso II. 2000. O inciso VI do artigo 485 permite que a demonstração da falsidade da prova seja efetuada na própria ação rescisória — ao contrário do que ocorre no direito português. De acordo: AMÂNCIO FERREIRA. 1 e 14. do Código de Processo Civil. Comentários. onde a combinação do artigo 771. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. e 475-N. p. Comentários. SÉRGIO GILBERTO PORTO. 1998. 268 e 269.. 147 usque 15. inciso IV. com o artigo 77 revela a exigência de prévio julgado irrecorrido de reconhecimento da falsidade20. 2000. 1 e 14. cuja existência ignorava.8. A ação rescisória. comentário 17. Volume V. 2001. A ação rescisória também pode ser proposta quando a falsidade já foi reconhecida por decisum condenatório irrecorrido exarado em processo criminal21. p. depois do decisum. p. 21. Código. 8 usque 55. e SÉRGIO RIZZI.. Documento novo Consoante o disposto no inciso VII do artigo 485 do Código de Processo Civil. p. Com a mesma opinião: EVARISTO ARAGÃO FERREIRA DOS SANTOS. A influência da decisão condenatória passada em julgado no iudicium rescindens é extraída da segunda parte do artigo 95 do Código Civil de 2002. p.. NERY JUNIOR e ROSA NERY. A ação rescisória. 2. 265. capaz. 8ª ed. p. p. letra “a”. Volume VI. se a prova viciada não teve nenhuma importância para o desate do processo primitivo. a inteligência do artigo 4º. 19ª ed. Volume VI. a ação rescisória também prospera quando. 2000. Comentários. Em sentido contrário. Volume V. 1979. do Código de Processo Civil permite a conclusão de que o julgado proferido em ação declaratória autônoma igualmente vincula o juízo rescindendo da ação rescisória proposta com base em prova falsa22. p. 4ª ed. 1999. e SÉRGIO GILBERTO PORTO. 2. 220 . SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. Ação rescisória. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. ou de que não pôde fazer uso. 4. 7ª ed. p. por si só.. há também autoriza doutrina: BARBOSA MOREIRA. porquanto o dispositivo do julgado impugnado subsiste independentemente da prova considerada falsa. 944. 275. Curso. 20. Por fim. 1997. 642. 1999. alínea “b”. p. inciso II. de lhe assegurar pronunciamento favorável”. a rescisória não prospera. o autor obtém “documento novo. Manual. Porém. Comentários. 22. 1991. bem assim da combinação dos artigos 110. Volume I.

Em contraposição. p. 1998. não prosperando quando o autor busca o mero reexame da prova ou a simples correção de injustiça. Realmente. Manual. p. ou b) por não ter sido possível ao autor da rescisória juntar o documento aos autos do processo primitivo. em virtude de motivo estranho a sua vontade. 221 . 276. 402 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Documento novo é o cronologicamente velho. já existente ao tempo da decisão rescindenda. A rescisória está condicionada ao desconhecimento da existência do documento ou à impossibilidade de acesso. AMÂNCIO FERREIRA.. Comentários. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. Volume I. Por conseguinte. a doutrina lusitana admite a revisão com esteio em documento cuja formação se deu após o trânsito em julgado da decisão. a despeito da semelhança do inciso VII do artigo 485 do Código pátrio com a alínea “c” do artigo 771 do Código português. não é possível a rescisão. além das duas hipóteses que ensejam a rescisória brasileira. ou seja. e HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. “documento novo” é aquele que já existia ao tempo da prolação do julgado rescindendo. 7ª ed. Curso. Em suma. merece ser prestigiado o proêmio do enunciado n. Saliente-se que. 24. 19ª ed. dispositivo que serviu de inspiração para o preceito nacional. O vocábulo “novo” diz respeito ao conhecimento e ao acesso ao documento. documento que não existia quando da prolação do decisum rescindendo não conduz à desconstituição do julgado.. tratando-se de documento cuja própria existência é nova.Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. 2. mas ignorado pelo interessado ou de impossível utilização. 1997. Cf. Volume V. 15 e 17. Manual. 6ª ed. a novidade reside no conhecimento do documento ou na possibilidade da utilização. p. é possível concluir pela necessidade do perfeito enquadramento no permissivo de rescindibilidade. 624. posterior ao julgamento impugnado. 64. a revisão portuguesa também pode ser amparada em documento superveniente24. p. 2000. A propósito. no processo”. e não na existência em si do documento2. À luz do inciso VII do artigo 485 do Código nacional. mas que não foi apresentado em juízo: a) por não ter o autor da rescisória ciência da existência do documento ao tempo do processo primitivo. A cláusula “depois da sentença” — inserta no inciso VII do artigo 485 — reforça a idéia de que o documento tenha sido obtido pelo autor da rescisória quando já não podia fazer uso dele no processo originário. 1998. à época.. Volume I. A inteligência do inciso VII do artigo 485 revela a necessidade da prévia “existência” do documento. ERNANE FIDÉLIS.

apesar de não ensejar a rescisória à luz do inciso VII do artigo 485. Todavia. 141 e 142. alcança a confissão propriamente dita. renúncia e transação O artigo 485. do mesmo diploma. Volume V. quando emanar de erro. com o que fica afastada a possibilidade da rescisória com esteio em testemunha nova25. prevista nos artigos 48 e seguintes do Código de Processo Civil. p.Não é só. da qual constituir o único fundamento”. 7ª ed.9. observe-se que o preceito alcança apenas “documento”. o rol de vícios previsto no caput do artigo 52 é exemplificativo. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. depois de transitada em julgado a sentença. 26. bem como o reconhecimento do pedido. Manual. o reconhecimento do pedido e a transação homologados por decisum ainda não passado em julgado também podem ser impugnados com êxito por meio de ação anulatória. inciso II. desistência ou transação. 2000. poderia. Com a mesma opinião: AMÂNCIO FERREIRA. a ação rescisória é admissível com fulcro em prova testemunhal a ser produzida. ou seja. 1998. Assim: BARBOSA MOREIRA. Confissão. o inciso VII só permite a rescisória com base em “documento”.. No tocante à confissão propriamente dita. é necessário ter em mente a distinção fixada no artigo 52 do Código de Processo Civil: “A confissão. p. pode ser revogada: I — por ação anulatória. ter alterado a formação do convencimento do juiz. Porém. II — por ação rescisória. se pendente o processo em que foi feita. por si só. dolo ou coação. Convém salientar que o documento novo deve ser de tal modo relevante que se tivesse sido anteriormente juntado aos autos do processo primitivo. Em síntese. 4. do Código de Processo Civil permite a desconstituição do julgado “quando houver fundamento para invalidar confissão. Documento novo irrelevante ao desate do processo originário não conduz à rescisão do julgado. Como a confissão. nos termos 25. 222 . 277. nas hipóteses dos incisos I. O vocábulo “confissão” deve ser interpretado em sentido amplo. o dolo processual do vencedor e a existência de processo fraudulento ou simulado. a testemunha pode revelar a falsidade da prova. e não taxativo26. o dolo do juiz. tratado no artigo 269. em que se baseou a sentença”. Comentários ao Código de Processo Civil. a renúncia à pretensão. caput e inciso VIII. III e VI. reconhecimento do pedido. jamais em testemunha. Por fim.

Por oportuno. posteriormente ao trânsito em julgado da decisão que os homologou” (Ação rescisória.. Volume V. Comentários ao Código de Processo Civil. FREITAS CÂMARA. 1975.. 1979. SÉRGIO GILBERTO PORTO. 626. 7ª ed. e não à confissão ficta resultante de revelia”. fruto de erro. FUNDAMENTO PARA INVALIDAR CONFISSÃO. 141 e 142. do Código. Comentários. nota ). 17 e 18. dolo ou coação. Volume V. Volume III. à luz do artigo 269. Lições. 22 . VIII. LUCIANO LEMOS. Manual. INADEQUAÇÃO DO ENQUADRAMENTO NO ART. p. VIII. Como bem ensina o Professor SÉRGIO RIZZI. Aspectos. p. p. Ao revés. 1998. 2000. 159 e 160. p. 7. Já após o trânsito em julgado. 1974. 1986. 485. e não pela ação anulatória28. COQUEIJO COSTA. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. O art. No sentido do texto do parágrafo: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 485. p. apenas a prevista no artigo 48 do Código de Processo Civil enseja ação rescisória. p. p. inciso VIII.. como bem revela o enunciado n. ao tratar do fundamento para invalidar a confissão como hipótese de rescindibilidade da decisão judicial. 28. De acordo: BARBOSA MOREIRA. Por tal razão. conforme o disposto no artigo 267. o subseqüente Capítulo XI versa sobre a ação anulatória. do CPC. o decisum homologatório só pode ser desconstituído via ação rescisória. Curso. mera desistência da ação conduz apenas à extinção do processo sem julgamento do mérito. 404 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. 1991. 1998.. VIII. É que.. ERNANE FIDÉLIS. Volume I. CONFISSÃO FICTA. não estão sujeitos à ação anulatória. 19ª ed. BARBOSA MOREIRA. A ação rescisória. já que o inciso VIII do artigo 485 cuida apenas da confissão real. de forma específica. 644. p.. o autor pode ajuizar outra ação. p. inciso V. p. 245 e 262. 6ª ed. 270. Manual de direito processual civil. Lições de direito processual civil. 2ª ed. e JOSÉ FREDERICO MARQUES. refere-se à confissão real. 27. 21. 1999. 29. 4. 1998. previstos no art.do artigo 486 do Código27. 2ª ed. Volume II. nos termos do artigo 268. p. 1999. a confissão ficta proveniente do artigo 19 não autoriza a desconstituição do julgado. 4ª ed. Volume I. DO CPC. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. “os atos homologáveis. O termo “desistência” deve ser entendido como renúncia.. Ainda a respeito da confissão. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Ao revés. 7ª ed. Ação rescisória. Daí a explicação para a inadmissibilidade de ação rescisória que objetiva a desconstituição de julgado que extinguiu o processo com base em desistência da ação29. 485. 18. 1997. p. há julgamento de mérito “quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação”. Comentários. Primeiras linhas. 25. Volume II.

É o que se infere da conclusão n. Não há incompatibilidade entre os arts. é possível imaginar um exemplo1 que alcança todas elas. que tratam de hipóteses distintas”. 426. 486 e 485. A admissibilidade da ação rescisória não está condicionada à prévia invalidação da confissão.059/SP. 2 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “A transação homologada em juízo pode ser rescindida como os atos jurídicos em geral. Inspirado em exemplo da literatura portuguesa: AMÂNCIO FERREIRA. inciso VIII. 14. p. Após o trânsito em julgado. 485. 1979. do reconhecimento do pedido. porquanto não há formação de coisa julgada material. Prevalece a orientação de que a ação apropriada na hipótese é a prevista no artigo 486. Não obstante. 8. 1. 1996. VIII. Volume II. 0.Já o vocábulo “transação” foi bem empregado pelo legislador. Diante de processo litigioso. É o que revela a interpretação sistemática do Código. a ação apropriada é a rescisória. e 486. 46 e 88. a ação anulatória só poderia ser proposta antes da formação da coisa julgada. 224 . Diário da Justiça de 25 de abril de 1994. p. o reconhecimento do pedido.44/SP. do CPC. O mesmo não ocorre quando há prolação de sentença homologatória de transação em processo contencioso. 271. A confissão. p. e REsp n. REsp n. especialmente dos artigos 52. p. Diário da Justiça de  de novembro de 1997.. 10. tudo indica que a ação anulatória tem serventia quando ocorre homologação de transação em jurisdição voluntária. Direito. p. 4ª Turma. da renúncia ou da Volume VI. Cf. 5626. 2. a renúncia e a transação efetuados por advogado sem os poderes especiais do artigo 8 do Código de Processo Civil ensejam a propositura de ações rescisórias contra as respectivas sentenças definitivas que adquiriram a auctoritas rei iudicatae. Estudadas as hipóteses de rescindibilidade. Não obstante a literalidade do texto codificado. há séria divergência acerca da admissibilidade de ação rescisória tendo como alvo sentença que extingue processo contencioso em virtude da transação. não assim mediante ação rescisória. 2000. p. . Ação rescisória. Manual. e VICENTE GRECO FILHO. estando em consonância com o disposto no inciso III do artigo 269. 11. Ainda que muito respeitável a orientação consubstanciada na conclusão n. 2000. SÉRGIO RIZZI. n. 4ª Turma. 9260. predomina na jurisprudência outro entendimento0. 11ª ed. segundo o qual a ação apropriada até mesmo em processo contencioso com decisão já protegida pelo manto da coisa julgada é a ação anulatória do artigo 486.

119). 1979. o inciso IX indica que só o erro de fato perceptível à luz dos autos do processo anterior pode ser sanado em ação rescisória. 2116: “Ação rescisória — Erro de fato.. 108. a produção de novos títulos ou documentos para fornecer a prova do erro em que o juiz caiu”. além das limitações gerais insertas no caput do artigo 485. p. Portanto. 118. 644. reconhecimento do pedido. Trata-se de exceção à regra de que a injustiça do julgado em virtude de erro na apreciação da quaestio facti não pode ser corrigida em ação rescisória. Tomo VI. Código. inciso IX e §§ 1º e 2º. Erro de fato O erro de fato também dá ensejo à ação rescisória. 1998..10. 272. 22. Câmara Cível do TJDF. Volume I. Comentários. 7ª ed. “não se pode admitir. SERGIO BERMUDES. p. Por tudo. De acordo. cuja constatação depende da produção de provas que não figuram nos próprios autos do processo primitivo. 170. e SYDNEY SANCHES. p.transação em processo anterior. 1998. Realmente. p. O erro que justifica o pedido de rescisão há de evidenciar-se do exame dos elementos constantes dos autos em que proferida a decisão que se intenta rescindir”. No sentido do texto do parágrafo: BUENO VIDIGAL. 1997. a inteligência do inciso VIII do artigo 485 conduz à conclusão de que a ação rescisória é admissível quando houver fundamento para invalidar confissão. renúncia ou transação cuja regularidade é discutida pelo autor da ação rescisória. Ação rescisória. . 248. servirá para evidenciar o erro” (p. ª ed. COQUEIJO COSTA. 944. 1986. na rescisória.. Comentários. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p. Revista dos Tribunais. A ação rescisória. SÉRGIO RIZZI. a desconstituição do julgado ocasiona a insubsistência do ato defeituoso. Da ação rescisória. Comentários. 4. Ação rescisória. como bem ensina o Professor BUENO VIDIGAL. 142 e 144. 4ª ed. 119 e 120. 225 . Curso. em que se baseou a decisão. 2ª ed. na jurisprudência: AR n. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA.. Daí a conclusão: é inadmissível ação rescisória por erro de fato. p. comentário 20. 2 e 1. 7. 1976. 4ª ed. Com efeito. Volume V. p. 79. merece ser prestigiada a conclusão do Professor SÉRGIO RIZZI: “Somente o que se contém nos autos do processo anterior.. 2. Diário da Justiça de 7 de março de 198. p. do Código de Processo Civil. nos termos do artigo 485. 19ª ed. reconhecimento do pedido. volume 501. NERY JUNIOR e ROSA NERY. nota n. p. renúncia ou transação. A excepcionalidade da hipótese de rescindibilidade por erro de fato é revelada pelas restrições gerais e específicas previstas no artigo 485. 1991. p. No entanto. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. Por óbvio. 107. 1999.. que é invalidado2. o julgado rescindendo só é desconstituído quando fundado em confissão. Volume VI. especialmente a conclusão n.

3º) afirmar que uma prova foi produzida. é do juiz. 1976. 944. como aparenta). justificador da rescisão. 4ª ed. 1986. de raciocínio. decorre de inadvertência do juiz. e SYDNEY SANCHES. é precisa a lição do Ministro SYDNEY SANCHES: “O erro de fato a que alude o texto brasileiro (art. 485 do CPC brasileiro só há um requisito. 4ª ed.. p. apesar disso.. quando. p. de percepção. Volume II. mas nunca de interpretação ou valoração da prova. Com a mesma opinião: COQUEIJO COSTA. NERY JUNIOR e ROSA NERY. Código. Ação rescisória. 1979. de sua desatenção na leitura dos autos e não de má interpretação ou valoração da prova” (Da ação rescisória. A expressão “erro de fato” tem significado técnico-processual. e não dois. hipótese em que descaberia a rescisória por erro de fato)”. 6. p. e. vale dizer. Revista dos Tribunais. BUENO VIDIGAL. ou não vê o que está. e não das partes”. A existência de controvérsia entre as partes acerca do fato impede a desconstituição do julgado4. SÉRGIO RIZZI. 1986. Comentários. Ação rescisória. apenas o erro relacionado a fato que não foi alvo de discussão pode ser corrigido em ação rescisória. que. apesar disso. 119 e 122. na verdade. 26. p. ou quando considerar inexistente um fato efetivamente ocorrido”. De acordo: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. no caso. p. A respeito do tema. discussão ou debate. ao afirmar a ocorrência ou a inocorrência de um fato. eventualmente de reflexão. 5. neles vê o que não está. no § 2º do n. Já a equivocada interpretação da prova 4. Volume III. 485. colhido do italiano. IX do art. lendo os autos. Volume VI. 1975. e não o erro de fato a que a lei se refere” (FREDERICO MARQUES. Revista dos Tribunais. Da ação rescisória. JOSÉ FREDERICO MARQUES. “Esse erro deve decorrer de inadvertência do juiz. comentário 20.. que consta do § 1º do artigo 485: “Há erro. como tema de julgamento. p.. 1 e 2: “É absolutamente necessário que não tenha havido entre as partes controvérsia em torno do fato sobre o qual o juiz. n.. volume 501. 19. Ou inexistente um fato existente”. p. Ação rescisória. 79. Erro dos sentidos. Exemplo típico de erro de fato é o ocorrido em sentença de procedência proferida tendo em conta prova pericial que não foi produzida na ação de investigação de paternidade6. 26). p. existiu erro de julgamento. não foi. IX). Inspirado em exemplo apontado pelo Ministro SYDNEY SANCHES: “Butera recolheu da jurisprudência italiana vários casos em que se considerou ocorrido o erro de fato: omissis. o juiz não se estava pronunciando sobre questão suscitada pelas partes. ou 226 . 1999. 1999. Em suma: “Se houve controvérsia. Lições. 2ª ed.À vista do § 2º do artigo 485. não cabe a rescisória. isto é. pois. 2ª ed. E remata o eminente Ministro: “O erro de fato. “Esse erro há de consistir em ter a sentença considerado ocorrido um fato inocorrido ou vice-versa”. 4ª ed. Manual. 80. se manifestou (assim. 25 e 1). o erro se registrou. p. o erro que pode ser corrigido na ação rescisória é o de percepção do julgador. Assim. de má percepção dos fatos. p. não o proveniente da interpretação das provas5. o juiz considera existente um fato inexistente. volume 501. COQUEIJO COSTA. 108. quando a sentença admitir um fato inexistente. Por causa dele.

NERY JUNIOR e ROSA NERY. 19 e 20. Da ação rescisória.não configura erro de fato à luz do § 1º do artigo 485. Lições. p. Revista dos Tribunais. Ação rescisória. Código. volume 501. é necessário que o juiz não tenha emitido juízo expresso sobre a existência. e SÉRGIO RIZZI. se o juiz reconheceu explicitamente a existência ou a inexistência do fato é inadmissível ação rescisória contra o decisum. 944. No entanto. Comentários. conforme revela a didática propo- afirmar que não foi produzida. 2ª ed. ª ed. Conferir: REsp n. e não ao fato em si. 79. Volume II. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. 108. Tudo indica que a restrição quanto ao pronunciamento judicial diz respeito à controvérsia envolvendo o fato. Tomo VI. Cf. em sentido oposto. 1999. PONTES DE MIRANDA. 29. Em síntese.. ou não. p. Diário da Justiça de 7 de agosto de 1995: “AÇÃO RESCISÓRIA. Revista dos Tribunais. 249. Erro de fato irrelevante não dá ensejo à desconstituição do julgado. cabe a resci- 227 . p. 9. 4ª ed. à luz da legislação e da doutrina italianas. 272.. COQUEIJO COSTA. 121 e 126. Cf. Na verdade. volume 501. Apenas o erro de fato relevante permite a rescisão do decisum. Erro de fato. 29.. quando. não dando ensejo à desconstituição do julgado. Para tal corrente. p. 7ª ed. p. Ação rescisória. 1986. 25 e 1). 57. Volume VI. A ação rescisória. Da ação rescisória. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. há doutrina9.. p. comentário 20. COQUEIJO COSTA.. tanto que é prestigiada pela jurisprudência40. Sem dúvida. Comentários. ou julgado inexistente fato que evidentemente existiu. O processo civil. 1998. 79. É necessária a existência de nexo de causalidade entre o erro de fato e a conclusão do juiz prolator do decisum rescindendo7. p. que o pronunciamento sobre fato incontroverso não impede a rescisão do julgado. 4ª Turma do STJ. e SYDNEY SANCHES. Ação rescisória. Da ação rescisória. volume 501. 2ª ed. Apud SYDNEY SANCHES. 1986. 4ª ed. 1976. 40. Revista dos Tribunais. defendendo. Admitido sem controvérsia fato que os autos evidenciam inexistente. 149. Resta examinar se o “pronunciamento judicial” sobre fato incontroverso veda a desconstituição do julgado. CARLOS ORTIZ. p. p. p. volume 501. BARBOSA MOREIRA. 1999. e vice-versa.. o erro é geralmente perceptível quando há o pronunciamento acerca da existência de fato que não ocorreu. igualmente abalizada. Tal orientação parece ser a melhor. Autorizada doutrina defende que sim8. 7. 25 e 1.501/RS. 4ª ed. 8. Revista dos Tribunais. foi” (Da ação rescisória. do fato. 119. 1998. Comentários. na verdade. Assim: BUENO VIDIGAL.. p. Volume V. 1979. 1991. e SYDNEY SANCHES. 1 e 2. p. p. o pronunciamento judicial acerca do fato é até importante para a verificação da ocorrência do erro de fato. 0.

4.00 do Código de Processo Civil não se confunde com a prevista no artigo 1. ao reservar a ação anulatória (art. Ação rescisória de sentença de partilha judicial Além das hipóteses gerais de rescindibilidade arroladas no artigo 485 do Código de Processo Civil. o capítulo subseqüente (Capítulo XI) versa de forma específica sobre a ação anulatória. na doutrina: “O Código foi claro e obedeceu a bom sistema. há os motivos deste art. e não como simples estado da consciência do juiz. não aquele que se apresenta ao final desse mesmo silogismo. Em sentido conforme. 1. 42. coação. O fato afirmado pelo julgador. adequada para impugnar a sentença homologatória de partilha amigável42.027 versam sobre a ação anulatória41. como conclusão decorrente das premissas que especificaram as provas oferecidas. Além desses casos. erro essencial ou intervenção de incapaz e ao dizer que é rescindível a partilha julgada por sentença nos casos que menciona neste art. 485 do CPC. 16 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “A caracterização do erro de fato como causa de rescindibilidade de decisão judicial transitada em julgado supõe a afirmação categórica e indiscutida de um fato. que não corresponde à realidade dos autos.00 do mesmo diploma: ação rescisória de sentença de partilha judicial. 41.029) para as partilhas amigáveis viciadas por dolo. “A sentença de partilha pode ser objeto de ação rescisória.11. 485. na decisão rescindenda. admissível contra a sentença de partilha judicial.030” (HAMILTON 228 . há uma hipótese específica de rescindibilidade prevista no artigo 1. Por oportuno.029 do mesmo diploma e no artigo 2. embora constando esse enunciado da sentença. enquanto os artigos 1.00 dispõe sobre a ação rescisória. 1.029 e 2. A importância da distinção pode ser aferida sob dois sória fundada no inciso IX. ao exigir que não tenha havido controvérsia sobre o fato e pronunciamento judicial esmiuçando as provas”. Esta última hipótese é afastada pelo § 2º do art. é apenas aquele que se coloca como premissa fática indiscutida de um silogismo argumentativo. Em primeiro lugar. o artigo 1. 1. O que a lei considera imprescindível é que não tenha havido pronunciamento judicial a respeito da controvérsia sobre ponto relevante para a solução da causa”.030”. Com efeito. é preciso registrar que a hipótese inserta no artigo 1. se nasceu com qualquer um dos vícios taxativamente enumerados no art. que pode ensejar ação rescisória calcada no inciso IX do art. 485 do CPC. pois tal pronunciamento é indispensável para o reconhecimento da existência do erro como um fato do processo.sição n. para se concluir pela existência do fato.027 do Código Civil.

1. poderá ser rescindida (art. p.029). quando a sentença se limita a julgar os termos do esboço organizado. 1999. simplesmente homologada.00 é de índole didática. 495)”. No mesmo sentido. DE MORAES E BARROS. Bem examinadas as hipóteses legais..00. 1991.030)”. coerente com sua posição de se ter o inventário e partilha como de jurisdição contenciosa. porquanto a ação rescisória de sentença de partilha judicial pode ser acionada à vista dos vários incisos do artigo 485. 1. não se há de cogitar de rescisória. ainda que indiretamente (cf.030) no prazo decadencial de dois anos. art. homologada pelo juiz. De acordo. em situações como as de partilha contenciosa. ainda na doutrina: “Destarte. na conformidade do art. incisos V e VIII). Esta é reservada às hipóteses de sentença de mérito. não passa de homologatória. p.773). estabeleceu apenas uma distinção. a fim de evitar confusão com a ação anulatória prevista no artigo 1. art. A partilha será amigável ou julgada por sentença. 1. da partilha judicial. que pode ser objeto de ação anulatória (art. contados do trânsito em julgado da decisão (art. etc. se a partilha for amigável (CC. 1. A amigável. 4: “O Código de 1973. 1974. coação.029.prismas: a ação rescisória de partilha judicial é da competência originária de tribunal e está sujeita a prazo decadencial de dois anos. 2ª ed. pois. sendo de um ano o prazo para a propositura da ação. os atos e negócios jurídicos. como visto (CPC. art. 262 e 26). sem que haja litigiosidade entre os herdeiros. cujo inciso I faz remissão aos três incisos do artigo 1. Ainda em sentido conforme.029) no prazo decadencial de um ano. em geral..0129)” (SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. distinguindo a partilha amigável. é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam. direcionamento de quinhões em disputa. “A partilha pode ser. a ação anulatória de partilha amigável é da competência de juiz de primeiro grau e está sujeita a prazo decadencial de um ano. 544 a 546). alcançam os arrolados no artigo 1. Recursos no Superior Tribunal de Justiça. dolo. não estando sujeita à rescisória. 1. exclusão de herdeiros etc. por sua vez. Se julgada por sentença. entretanto. Volume VIII. com impugnação ao seu conteúdo decisório. julgada por sentença. decidida por sentença.” (CARLOS ROBERTO GONÇALVES. que é passível de ação rescisória (art. p. Direito civil brasileiro. 2008. 1. mas sim de ação anulatória. Volume IX. artigo 485. Se amigável.029 do Código de Processo Civil. Comentários ao Código de Processo Civil.. anulada ou rescindida. A ação rescisória no Superior Tribunal de Justiça. p.00. ª ed. 486. com referência ao Código Civil de 1916). Daí a conclusão: a maior finalidade do artigo 1. os quais. Dos procedimentos especiais do Código de Processo Civil. também na doutrina: ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. na doutrina: “O Código de Processo Civil é mais minucioso no tocante à invalidade da partilha. a ser ajuizada no prazo de um ano (CPC. poderá ser simplesmente anulada por ação ordinária. 229 . constata-se que as mesmas estão insertas nos amplos incisos V e VIII do artigo 485 do mesmo diploma. “Desse modo. 27. A ação rescisória de partilha judicial é admissível nos casos arrolados no artigo 1. como erro. nota 8. como já dito. é rescindível”. A partilha judicial.

Volume VII. a fim de afastar uma hipótese não inserta no preceito: a do herdeiro terceiro ao processo de inventário. 547 e 548. cujo caráter reivindicatório é incontestável”. p. 10740. para atacar a partilha. na doutrina: CARLOS ROBERTO GONÇALVES. p. se a sentença proferida se enquadrar em um dos nove incisos do art. se devidamente representados. é importante examinar o inciso III do artigo 1. o qual foi acompanhado pelo Ministro ALFREDO BUZAID. qualquer dos herdeiros. Se algum interessado não participou do processo de inventário e foi prejudicado na partilha. com ampla fundamentação doutrinária no voto condutor do Ministro Relator RAFAEL MAYER. 25ª ed. 2002. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. sem o grifo no original). Direito das sucessões. entretanto. Em suma. Com igual opinião. 1991. 27). tem ele ação de petição de herança. só diz respeito àqueles que participaram do inventário. se foram partes nos autos do inventário. 1ª Turma do STF. ainda que em parte: apesar de reconhecer que “própria seria a ‘ação de petição de herança’”. a petição de herança ou petitio hereditatis é a ação adequada em prol de herdeiro que busca o reconhecimento do respectivo direito sucessório e a restituição da herança ou da respectiva parte contra o atual possuidor da mesma (artigo 1. o herdeiro que não participou do processo de inventário tem ação própria: ação de petição de herança44. Volume IX. como no caso de herdeiro dela afastado injustamente. 1974. p. a ação rescisória só pode ser ajuizada por herdeiro (e também pelo legatário) que participou do inventário e foi preterido ou prejudicado no respectivo processo45. na doutrina: “Não é a ação rescisória o remedium iuris apropriado de que dispõem os herdeiros que não participaram do inventário. a rescisória não é a ação adequada para a impugnação da partilha que não contemplou herdeiro alheio ao inventário4. é preciso registrar a existência de respeitável opinião contrária. de ação rescisória de partilha. Por fim. Com efeito.00 do Código de Processo Civil. 485 do Código de Processo Civil. “Isso. 48. 20 .Por fim. admissível nas hipóteses antes enumeradas”.. e SILVIO RODRIGUES e ZENO VELOSO. 2008. Tal remédio é a ação de petição de herança” (HAMILTON DE MORAES E BARROS. contados do trânsito em julgado da decisão” (ANTÔNIO JOSÉ TIBÚRCIO DE OLIVEIRA. o eminente Ministro e Professor SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA vai além. 2ª ed. Também em sentido conforme. Diário da Justiça de 22 de outubro de 1982. Volume VIII.700/GO. Direito civil brasileiro. cabente àqueles que foram parte no inventário. p. tal como defendido no presente compêndio. p. no caso. Recursos no Superior Tribunal de Justiça.. De acordo. 44. 4. A ação rescisória no Superior Tribunal de Justiça. autor do projeto que deu origem ao Código de Processo Civil de 197. na jurisprudência: RE n. 0: “Trata-se. dos legatários ou o cônjuge supérstite.824 do Código Civil). 2005. No mesmo sentido. 9. 45. Comentários ao Código de Processo Civil. Na verdade. p. Direito civil. na doutrina: “Em se tratando de partilha judicial julgada por sentença. 26). em prol da admissibilidade também da ação rescisória (cf. têm legitimidade para propor ação rescisória da sentença dentro do prazo de dois anos. ou seja.

VII e IX do artigo 485. salvo quando há a pronúncia — no próprio processo cautelar — da prescrição ou da decadência do direito do autor. A despeito da ausência de preceito similar no Código de Processo Civil vigente. INVIABILIDADE. a interpretação sistemática e a teleológica do diploma atual conduz à conclusão de que a orientação moderna é exatamente a mesma da legislação processual pretérita. não é possível a desconstituição do julgado. Fora delas. HIpÓTESES QUE NãO ENSEJAm AçãO RESCISÓRIA Ainda que de forma perfunctória. a sentença proferida em cautelar não pode ser impugnada por meio de ação rescisória.3. 5. A ação rescisória calcada em violação de lei não admite reexame de fatos e provas do processo que originou a decisão rescindenda”. consagrada no caput do artigo 800 do anterior Código de 199: “A injustiça da sentença e a má apreciação da prova ou errônea interpretação do contrato não autorizam o exercício da ação rescisória”.2.5. Ação rescisória fundada em correção de injustiça quanto aos fatos. 410 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. analisadas nos tópicos subseqüentes. 5. merece ser prestigiado o enunciado n.1. Ação rescisória e Juizados Especiais Cíveis As sentenças e os acórdãos proferidos nos Juizados Especiais Cíveis e nas respectivas Turmas Recursais também não podem ser impugnados por 21 . 5. Como a mera correção de injustiça quanto aos fatos e o simples reexame das provas não estão entre as hipóteses excepcionais que dão ensejo à rescisória. Ação rescisória e processo cautelar À vista do artigo 810 do Código de Processo Civil. já é possível retomar o estudo das hipóteses que não autorizam ação rescisória. REEXAME DE FATOS E PROVA. na verdade. Estudados os permissivos de rescindibilidade. reexame de provas e interpretação de cláusula contratual As hipóteses excepcionais de rescindibilidade em matéria probatória estão taxativamente previstas no Código de Processo Civil. Trata-se. especialmente nos incisos VI. foram escritas algumas linhas acerca da impossibilidade da rescisória no tópico inicial dedicado às generalidades do instituto. de orientação tradicional em nosso direito.

Enquanto a rescisória é ação de procedimento especial de competência originária de tribunal.868. consoante o disposto no artigo 59 da Lei n.5. Com efeito. prazos e os órgãos judiciários competentes para os respectivos julgamentos. a rescisória não pode ser proposta no lugar da anula- 46. Sob todos os prismas. o capítulo subseqüente (Capítulo XI) versa de forma específica sobre a ação anulatória. Enquanto a ação rescisória está sujeita a prazo decadencial de dois anos (artigo 495 do Código de Processo Civil). do Presidente do Conselho da Justiça Federal: “Nas causas de que trata a Lei n.882. 10. 9. de 1995: “Não se admitirá ação rescisória nas causas sujeitas ao procedimento instituído por esta Lei”. Ação rescisória e controle concentrado de constitucionalidade Por força do artigo 26 da Lei n. 9.4. Também é inadmissível ação rescisória contra julgado proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ação de argüição de descumprimento de preceito fundamental. É o que estabelece o artigo 12 da Lei n.099.meio de ação rescisória. 5. 9.099 e 10. é inadmissível ação rescisória contra julgado proferido em ação direta de inconstitucionalidade e em ação declaratória de constitucionalidade. são diferentes os campos de incidência das ações rescisória e anulatória. Também há a carência da ação anulatória que tem como alvo decisão de mérito sob o manto da res iudicata.259. 22 . 5. Reforça o artigo 41 da Resolução n. Ação rescisória e ação anulatória Não é admissível a ação rescisória quando a via apropriada for a ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil46. não haverá rescisória de seus julgados”. o prazo decadencial da ação anulatória é de quatro anos (artigos 52 e 486 do Código de Processo Civil combinados com o artigo 178 do Código Civil de 2002). de 12 de julho de 2001. 27. Por oportuno. cuja via impugnativa apropriada é a ação rescisória do artigo 485. a ação anulatória é da competência de juiz de primeiro grau e segue o procedimento comum. de 1999: “A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em argüição de descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível. as decisões proferidas nas ações que seguem o rito sumaríssimo instituído pelas Leis 9. Em suma.259 não são passíveis de impugnação por meio de ação rescisória. bem assim os procedimentos. não podendo ser objeto de ação rescisória”.

consoante a combinação dos artigos 267. “Quando há interposição de embargos do devedor. p. na doutrina: JOSÉ FREDERICO MARQUES. 1975. por meio da ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil. 14 do 8º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Incabível é a ação rescisória contra sentenças homologatórias de adjudicação. a diferença é muito relevante 47. merece ser prestigiada a conclusão n. a questão é simples.tória. que devem ser atacadas por ação ordinária”48. Assim. Revista Forense.982/PI. 48. não prospera ação rescisória ajuizada contra decisum proferido em jurisdição voluntária. por carência de ação. 264. ajuizada a respectiva ação de embargos do artigo 746 (ou seja. 22 e 25. Tanto quanto sutil. 1ª Turma do STF. 295 e 490. Definitiva a sentença proferida na ação de embargos. e SÉRGIO RIZZI. realizada com simulação e fraude. Assim. há a formação da res iudicata49. embargos à adjudicação. Reforça o inciso I do enunciado n. com a possibilidade da prolação de sentença de mérito. Em contraposição. Diário da Justiça de 1º de julho de 1970. Legitimidade da ação anulatória. Descabimento da ação rescisória” (RE n. As decisões homologatórias irrecorridas de adjudicação (artigos 685A e 685-B). Porto Alegre. Manual de direito processual civil. Anais do VIII Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada. 1988. todos do Código de Processo Civil. p. acaba por gerar a coisa julgada” (Execução forçada e coisa julgada. sendo a medida um procedimento de cognição. razão pela qual é admissível ação rescisória após o trânsito em julgado50. nem a ação do artigo 486 pode ser ajuizada quando for apropriada a rescisória47. 1979. Ação rescisória. “há consenso entre os doutores a respeito da inexistência de coisa julgada no processo de execução”. 49). sob pena de extinção liminar dos respectivos processos. incisos I e VI. mas. Como bem ensina o Professor HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. alienação (artigo 685-C) e arrematação (artigos 69 e 694) em processo de execução também não são passíveis de impugnação mediante ação rescisória. 49. Também em sentido conforme. na jurisprudência: “Anulação de cessão de herança. Com a mesma opinião do texto do parágrafo. 66. 229. volume 256. 50. porque. na jurisprudência: “Processo 2 . p. Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul. sem o grifo no original). A propósito. há a instauração de processo de conhecimento. embargos à alienação ou embargos à arrematação. 99 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “É incabível ação rescisória para impugnar decisão homologatória de adjudicação ou arrematação”. sim. p. eventual vício pode ser denunciado na ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil. arrematação ou remição. conforme o caso).

conforme se infere da combinação do artigo .054/SP.. sentença inexistente. Volume I. 24 . Diário da Justiça de 16 de maio de 1994. 2ª Turma do STJ. p. a exarada por quem não exerce o ofício judicante. Por fim. porém. como os atos jurídicos em geral. Arrematação. 2007. o que reforça a inadmissibilidade da ação rescisória no particular. Em tais hipóteses. Novo curso de direito processual civil. Resta saber se é admissível ação rescisória contra sentença proferida em processo de conhecimento contaminado por ausência ou nulidade de citação. 5. a impugnação da decisão arbitral viciada só pode ser feita em ação anulatória de procedimento comum. considerados inexistentes os atos processuais praticados por juiz que já estava aposentado ou não tinha tomado posse de suas funções” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. Ainda no mesmo sentido: “Processual civil. Ação rescisória. na doutrina: “Serão. I — A arrematação é anulável por ação ordinária. Arrematação. Anulação. já que a inexistência jurídica da sentença pode ser suscitada no bojo de qualquer processo. a decisão arbitral também não enseja ação rescisória. 11746). a ação rescisória é inadmissível.07. Além do mais. Além da ação de embargos. a prolatada sem assinatura do magistrado. ausência de citação e nulidade da citação Por fim. será necessária ação rescisória para anular a decisão neles proferida” (REsp n.6. Desconstituição. 108). a sentença juridicamente inexistente não passa em julgado. forem apresentados embargos à arrematação.para a separação dos campos de incidência da ação rescisória e da ação anulatória. § 1º. 51. Só quando há sentença de mérito. p. 486 do CPC. a atividade jurisdicional51. podendo até mesmo ser declarada em ação autônoma. A despeito da existência de civil. p. 1762). como a proferida sem dispositivo. na forma prevista no art. quando apresentados embargos à arrematação. 0. ª Turma do STJ. Em sentido semelhante. 4ª ed. A arrematação é anulável por ação ordinária. nos termos do inciso I do artigo 4º do Código de Processo Civil. com a conseqüente revelia do réu. Diário da Justiça de 21 de novembro de 1994. da Lei n. vale dizer. por exemplo. 9. 5. com o artigo 486 do Código de Processo Civil. se. também é inadmissível ação rescisória contra sentença inexistente. é que a desconstituição exige ação rescisória” (REsp n.956/SP. como os atos jurídicos em geral.

109). Novo curso de direito processual civil. nota 17). Cf. 1999. na jurisprudência: RE n. O labirinto da ação rescisória. RTJ. “Em tôdas as circunstâncias estudadas. com a declaração de inexistência do julgado” (p. a rigor. volume 42. 8ª ed. Em embargos. do Código de Processo Civil português.. Rescisória. Comentários. Em primeiro lugar. Estudos. denominada querela nullitatis insanabilis. que indica a hipótese como ensejadora do instituto similar do direito lusitano: “A decisão transitada em julgado só pode ser objecto de revisão nos seguintes casos: omissis. pois faltaria interesse de agir. Volume II. Sob outro prisma. 107. 1995. 7). p. 259. p. pois nada haverá a rescindir. 49 usque 51. 8ª ed. na hipótese. nada obsta a que ela possa ser oposta em outra oportunidade qualquer” (p. Volume II. por inexistência da necessidade da tutela jurisdicional)”. Comentários. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. De acordo. e MONIZ DE ARAGÃO. na oposição que se ofereça à pretensão que nela procure ter assento. deve ela ser repelida liminarmente. na execução. 8ª ed. 29. e LIEBMAN. 7. Já diziam as Ordenações que era nenhuma a sentença dada sem a parte ser primeiro citada. Em qualquer tempo a ela se pode opor a argüição de ser nenhuma. 826: “Desnecessidade da ação rescisória”. na doutrina: CALMON DE PASSOS. Lições.. Também no mesmo sentido do texto: “Como o vício de citação gera inexistência e não nulidade. 2007. embora reconheça que “seria. alínea “f”. por falta absoluta de intervenção do réu. JOSÉ RIBAMAR MORAES. 259. 46. E se sua inexistência pode ser argüida nos embargos do executado. p. tanto que não adquire a auctoritas rei iudicatae e pode ser impugnada até mesmo 52. AJURIS. independe a sentença de ser rescindida. que não tem prazo para ser aforada” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. p.. 5. 8). p.. volume 104. O Professor BARBOSA MOREIRA igualmente defende que “a rescisória é. 7 e 8: “Igualmente sustentamos que é inexistente a sentença dada contra quem não foi citado. ADROALDO FURTADO FABRÍCIO. 1999. pelo que o suposto réu se coloca fora da jurisdição do magistrado e liberto da sujeição da coisa julgada. p. na doutrina: CALMON DE PASSOS. Volume II. 141 usque 146: “Primeiro e fundamental requisito para a existência de um processo 25 . portanto. tendo corrido a acção e a execução à revelia. p. Com a mesma opinião. 2ª ed.autorizada doutrina em prol da admissibilidade52. será impróprio o ajuizamento de ação rescisória. desnecessária (e. 2001. Volume I. f) Quando. desnecessária admitir-se a possibilidade de rescisão dessa sentença (o que tornaria a ação rescisória inadmissível. 54. a rigor. de sentença inexistente54. 4ª ed. O correto será a ação declaratória de inexistência por falta de citação. E hoje ainda é nenhuma a mesma sentença. Rescisória. 1ª Turma do STF. 96. Assim. A ausência de citação impede a formação da relação processual em ângulo.696/RJ. inadmissível)” (Comentários. se mostre que faltou a sua citação ou é nula a citação feita”. MONIZ DE ARAGÃO. p. 1995. p. Volume V. não há em nosso direito preceito similar ao artigo 771. p.. tudo indica que a resposta negativa é a melhor5. trata-se. p. E se acaso rescisória fôr proposta.

a citação do réu.696/RJ. 2004. p. nem pode valer a sentença que vai ser proferida” (p. “Não se lhes pode impor a propositura de ação rescisória. nunca em tempo algum passa em cousa julgada. ainda que de hierarquia inferior à do juiz que proferiu a sentença exeqüenda. 4ª ed. que torna radicalmente nulo. 12ª ed. A nulidade pode ser alegada em defesa contra quem pretende tirar da sentença um efeito qualquer. 145). “a falta de citação. voto. Volume I. volume 104. 11). Min. Novo curso. p. e sim de reconhecer simplesmente como de nenhum efeito um ato juridicamente inexistente” (p. 96. é. porque contra eles não há sentença nem coisa julgada” (RTJ. merece ser conferida a conclusão do Professor ALFREDO BUZAID. Neste caso a sentença. Com esteio na lição do eminente processualista italiano. em tempo algum. 1997. 146). Porque não se trata de reformar ou anular uma decisão defeituosa. 179. em verdade. Portanto. Nunca. vícios radicais. estando correto o enunciado no particular” (Código de Processo Civil comentado. “Qual seria. para que possa ser ouvido em suas defesas”. “E a razão é que a falta de citação infringe de tal modo os supremos princípios do processo. assim como pode ser pleiteada em processo principal. é ainda hoje motivo de nulidade absoluta ou de inexistência da sentença” (p. juridicamente inexistente o processo. embora se tenha tornado formalmente definitiva. 82). Alfredo Buzaid. existem “vícios maiores. e também à vista da lição de LIEBMAN e do voto proferido pelo Ministro BUZAID. pois nada haverá a rescindir. Volume III. daí a possibilidade de o juiz da execução obstar as medidas constritivas do devedor independentemente de ação rescisória. Também no mesmo sentido do texto: “Como o vício de citação gera inexistência e não nulidade. p. Como inexistente. que sobrevivem à coisa julgada e afetam a sua própria existência.. 1999. in RT 573/289). o processo é para eles juridicamente inexistente. “Sem esse ato essencial não há verdadeiramente processo. 141). 145 e 146). 826). é coisa vã. a sentença pode atingi-los e a fortiori a coisa julgada”.. e sempre será. o processo adequado para a declaração de tal nulidade? Não há outra resposta que esta: todo e qualquer processo é adequado para constatar e declarar que um julgamento meramente aparente é na realidade inexistente e de nenhum efeito. que é nenhuma e de nenhum efeito’” (p. A falta ou nulidade da citação do réu e a circunstância de que o processo tenha corrido à sua revelia impediram a própria formação da relação processual. ela pode ser desconhecida por qualquer juiz. p. que não tem prazo para ser aforada” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. os Professores NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY sustentam a tese prestigiada no presente compêndio: “A ausência de citação acarreta inexistência da relação processual relativamente ao réu (existe entre autor-juiz) (Liebman. lançada no voto proferido no RE n. mas em todo tempo se pode opor contra ela. vícios essenciais. Ainda a respeito do tema. e daí ser a sentença um mero simulacro ou aparência de ato jurisdicional” (Direito Processual Civil brasileiro. denominada querela nullitatis insanabilis. STF. Est. que conduziu a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal: “Se aqueles em cujo nome está transcrito o título de domínio não foram citados para a ação de usucapião. igualmente nula e inexistente a sentença proferida. ofende tão profundamente o direito reconhecido a todo cidadão de defender-se perante o juiz que vai julgá-lo. o Professor VICENTE GRECO FILHO também sustenta a tese defendida no texto: “Liebman classificou a sentença proferida sem a citação do réu ou com nulidade desta como sentença inexistente. 26 . Por todos. É este o único caso que sobrevive nos nossos dias de sentença ‘que é per Direito nenhuma. O correto será a ação declaratória de inexistência por falta de citação. 142). será impróprio o ajuizamento de ação rescisória. 106).sempre foi. função esta reservada privativamente a uma instância superior. mera aparência e carece de efeitos no mundo jurídico” (p. Como bem sustentou o eminente processualista italiano. meramente declaratório.

Volume V. AJURIS. Rescisória. ajuizada contra Terceiros Interessados. conforme se infere do artigo 4º. 3. Volume II. objeto da Ação Declaratória de Outorga de Consentimento Presumido de Doação. p. 214 do CPC e Art. AÇÃO DE DECLARAÇÃO DE NULIDADE INSANÁVEL (QuereLa nuLLitatis insanaBiLis). Diário da Justiça de 28 de maio de 1999. A ação declaratória de nulidade insanável — querela nullitatis insanabilis. também há abalizada doutrina: ADROALDO FABRÍCIO FURTADO. por ser depositária dos bens. nota 17. 7 da Súmula do Tribunal de Justiça de Santa Catarina: “Ação declaratória é meio processual hábil para se obter a declaração de nulidade do processo que tiver corrido à revelia do réu por ausência de citação ou por citação nulamente feita”55. A CEF. se não há o trânsito em julgado. para que seja examinado o mérito do pedido”. 106 e 107. 1999. 4. Uniformização de jurisprudência n. INEXISTÊNCIA DE res Judicata. bem como o título executivo dela resultante. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 5º. da CF). EXISTÊNCIA NO DIREITO PROCESSUAL BRASILEIRO. E. isto é.após o biênio que geralmente enseja a formação da denominada coisa soberanamente julgada. 214 do CPC e Art. A ausência de citação impede a formação da relação processual em ângulo. É a intitulada querela nullitatis. LIV e LV. nem enseja a formação da coisa soberanamente julgada. não é admissível ação rescisória. Diário da Justiça de 20 de agosto de 1986. 29. podendo ser ajuizada a qualquer tempo57. p. 18. 55. por ser inválido o processo. Câmaras Cíveis Reunidas do TJSC. inexistente. seu foro natural. merece ser prestigiado o verbete n. DECLARAÇÃO DE NÃO OPONIBILIDADE DOS EFEITOS DA SENTENÇA PARA O RÉU NÃO CITADO. Lições. p. A sentença proferida contra réu não citado para a ação. 525: “PROCESSUAL CIVIL. é possível concluir que a ação declaratória autônoma também não está sujeita a prazo. LIV e LV. e BARBOSA MOREIRA. 10. Com a mesma opinião: CALMON DE PASSOS. inciso I. além Em sentido contrário.0019-1/DF. conforme se infere do artigo 485 do Código de Processo Civil vigente. p. tem interesse processual em ver declarado. pela Justiça Federal. De acordo: AC 94. A propósito. 2ª ed. volume 42. na qual não foi citada. 6.. 8ª ed. da CF) não lhe é oponível. 57. CONCEITO. 7 e 8: “Igualmente sustentamos que é inexistente a sentença dada contra quem não foi citado. APELAÇÃO PROVIDA. p. que subsiste em nosso direito56. apesar de ter tido origem no direito medieval. 5º. ª Turma do TRF da 1ª Região. tornando inválido o processo contra ele (Art. Apelação provida. 2. Comentários. pelo que o suposto réu se coloca fora da jurisdição do magistrado e liberto da sujeição da coisa julgada. 1. não transita em julgado.01. p.. Então. 45 e 46. Como a referida sentença juridicamente inexistente jamais adquire a auctoritas rei iudicatae. subsiste no direito processual brasileiro. 27 . 56. para declarar a não oponibilidade dos efeitos da sentença proferida contra réu não citado para a ação. 1999. como ação ordinária autônoma. que a relação jurídica decorrente da sentença proferida em processo inválido (Art. do Código de Processo Civil.

“E mais. Em sentido semelhante. p. p. é inadmissível ação rescisória que tem como alvo sentença proferida em processo de conhecimento que correu à revelia. se o caso (CPC. Em qualquer tempo a ela se pode opor a argüição de ser nenhuma. pois nada haverá a rescindir. 210: “Para a hipótese prevista no art. que não tem prazo para ser aforada” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. 2004. no direito positivo brasileiro — a querela nullitatis. em ação com esse objetivo. em rigor. no direito positivo brasileiro — a querela nullitatis. art. o ato inexistente é impugnável em qualquer tempo e em qualquer processo” (p. RTJ. RTJ. volume 110. independentemente do prazo para a propositura da ação rescisória. havendo revelia — persiste. na jurisprudência: REsp n. o que implica dizer que a nulidade da sentença. ou em embargos à execução. Por tudo. Também em sentido semelhante. p. o que implica dizer que a nulidade da sentença. pois não há necessidade da utilização da via derradeira da rescisória para o réu revel obter o resultado prático desejado. será impróprio o ajuizamento de ação rescisória. O correto será a ação declaratória de inexistência por falta de citação.74/GO. não é a cabível para essa hipótese”. E se sua inexistência pode ser argüida nos embargos do executado. Novo curso. 8). na execução. ser declarada nula. Ainda em sentido semelhante. podendo a nulidade ser argüida no recurso. I. 7. diante da possibilidade de o revel propor ação declaratória autônoma de procedimento comum. 118: “Por outro lado — é uma conseqüência necessária da natureza dessas nulidades —. se causada pela inexistência ou pela nulidade da citação do réu58. 97. havendo revelia —. do atual CPC — que é a da falta ou nulidade de citação. pode ser declarada em ação declaratória de nulidade. a rigor. com a declaração de inexistência do julgado” (p. 7). 58. 96. na oposição que se ofereça à pretensão que nela procure ter assento. a omissão não impedirá o exercício da ação de nulidade. I. do atual CPC — que é a de falta ou nulidade de citação. Revista Forense. na jurisprudência: RE n. E hoje ainda é nenhuma a mesma sentença. 741. 778: “Para a hipótese prevista no art.da impossibilidade jurídica ex vi do caput do artigo 485. não estará sujeita a nenhum prazo preclusivo. Volume I. volume 107. 6). “Em tôdas as circunstâncias estudadas. I)”. pode ser declarada em ação declaratória de nulidade. na doutrina: OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA. 106). Também em sentido semelhante: RE n. nesse caso. caso não o seja. Pleno do STF. Em tais casos. E se acaso rescisória fôr proposta. Sobrevivência da querela nullitatis. a utilização da ação autônoma declaratória (ou desconstitutiva) da nulidade. 741. Com efeito. 28 . nada obsta a que ela possa ser oposta em outra oportunidade qualquer” (p. a qualquer tempo.550/RO: “Nula a citação. Em embargos. Já diziam as Ordenações que era nenhuma a sentença dada sem a parte ser primeiro citada. persiste. independe a sentença de ser rescindida. que. deve ela ser repelida liminarmente. podendo. p. não há necessidade da ação rescisória. denominada querela nullitatis insanabilis. a rescisória igualmente não cumpre outra condição da ação: interesse de agir. independentemente do prazo para a propositura da ação rescisória. nesse caso.589/SC. volume . não se constitui a relação processual e a sentença não transita em julgado. Também no mesmo sentido do texto: “Como o vício de citação gera inexistência e não nulidade. não é a cabível”. em qualquer tempo”. 741. 2ª Turma do STF. que.

1. preceito que fixava o prazo em cinco anos. o artigo 178. decorrido in albis o biênio previsto no artigo 495. se faltar exata correspondência”. Por força do artigo 495 do Código de Processo Civil de 197. ou no imediato. foi revogado pelo artigo 495 do Código de Processo Civil de 197. Revista dos Tribunais. a rescindibilidade é aferida à luz da legislação vigente quando da formação da coisa julgada. Assim. A propósito. ex vi dos artigos 207 e 210 do Código Civil de 2002. O prazo decadencial é apreciável de ofício e não enseja interrupção nem suspensão. Não corre. generalidades Assunto importante em matéria de ação rescisória é o que diz respeito ao prazo para o exercício do direito de rescisão. já que a rescisória tem natureza de ação constitutiva e versa sobre direito potestativo59. p. conforme revela o § º do artigo 12: “Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início. De acordo: AGNELO AMORIM FILHO. § 10. AçãO RESCISÓRIA E DIREITO INTERTEmpORAl Tema interessante em matéria de ação rescisória é o relativo ao direito intertemporal. O direito à rescisão é regido pela lei em vigor na data do trânsito em julgado do decisum. Trata-se de prazo decadencial. A criação de novo permissivo de rescindibilidade não atinge os julgados já protegidos pela res iudicata. inciso I. todavia. dispositivo que atualmente rege o tema. do anterior Código Civil de 1916. Em síntese. 7. a ulterior eliminação de hipótese de rescindibilidade também não alcança as decisões já passadas em julgado. ocorre a extinção do direito à rescisão. Pelo mesmo motivo. Portanto. trata-se de regra tradicional em nosso 59. O Código Civil de 2002 igualmente indica como deve ser feita a contagem do prazo. Aliás. conforme se infere da interpretação sistemática dos artigos º. 207 e 208. 2 e 7. 29 . 198. pRAZO 7. Critério científico para distinguir a prescrição da decadência. volume 00. a decadência em relação aos absolutamente incapazes.6. o direito à desconstituição do decisum extingue-se “em dois (2) anos”. que podem ser desconstituídas à luz de permissivo posteriormente eliminado pela lei nova. inciso VIII. ficam preservados os direitos adquiridos processuais dos litigantes. todos do Código Civil de 2002.

Com efeito. já que prevista no artigo º da Lei n. Na esteira da respeitável doutrina. sim. merece ser conferido o correto verbete n. O termo inicial de prazo de decadência para a propositura da ação rescisória coincide com a data do trânsito em julgado do título rescindendo. Editora Forense” (AR n. volume 5. É o que se infere dos artigos 219 e 220 do Código de Processo Civil.direito. Termo inicial Após décadas de divergência na doutrina e na jurisprudência. p. 2007. hoje predomina a orientação de que a prolação de juízo negativo de admissibilidade de recurso não tem o condão de postergar o momento do trânsito em julgado.472/DF. 1998. A resposta negativa se impõe. a qual é tida como o termo inicial do biênio para a ação rescisória60. o Plenário do Supremo Tribunal Federal assentou que o juízo negativo de admissibilidade de recurso tem efeito ex tunc. Resta saber se deve ser pronunciada a decadência quando a citação não é concretizada por morosidade do próprio Poder Judiciário. se o último julgamento proferido no processo foi de simples juízo negativo de admissibilidade do recurso. 297. 1. Ação rescisória. O reconhecimento da 60. por motivos inerentes ao mecanismo da Justiça. Segundo o atual entendimento predominante na Corte Suprema. o biênio legal destinado à ação rescisória nem sempre é contado do último julgamento proferido no processo. Comentários ao Código de Processo Civil.. Tomo VIII. considera-se que a coisa julgada teve lugar com a anterior decisão de mérito. Volume V. este findará no primeiro dia subseqüente”. mas. José Carlos Barbosa Moreira. A tese hoje predominante é sustentada por autorizada doutrina: BARBOSA MOREIRA. Por conseguinte. A propósito. a demora na citação. da última decisão de mérito. não justifica o acolhimento da argüição de prescrição ou decadência”. decidiu o Plenário do Supremo Tribunal Federal em recente acórdão resumido na seguinte ementa: “DECADÊNCIA — AÇÃO RESCISÓRIA — BIÊNIO — TERMO INICIAL. p. p. 106 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício. 7ª ed. 810.2. 7. Comentários ao Código de Processo Civil. ou seja. Por fim. 240 a 252. A atual orientação do Pleno do Supremo Tribunal Federal seguiu a fundamentação do respeitável voto proferido pelo Ministro Relator: “Esta ação 240 . Pleno do STF. Recurso inadmissível não tem o efeito de empecer a preclusão — ‘Comentários ao Código de Processo Civil’. 26. retroativo. FREITAS CÂMARA. Diário da Justiça de 7 de dezembro de 2007). de 1949: “Quando no ano ou mês do vencimento não houver o dia correspondente ao do início do prazo. e PONTES DE MIRANDA. convém lembrar que a citação válida evita a consumação da decadência.

portanto. ele está. conta-se do dia imediatamente subseqüente ao trânsito em julgado da última decisão proferida na causa. se a causa for intempestividade. o recorrente não pode invocar nenhuma dúvida. E. sem grave prejuízo para o recorrente. 61. defende-se o entendimento sustentado nos votos vencidos. retroagir. em prol da “segurança jurídica”. rescisória somente veio a ser ajuizada em 15 de junho de 1999 — carimbo de protocolo de folha 2. 9. qual seja. no presente compêndio.868 e o artigo 11 da Lei n. sim. 9. Ainda que hoje minoritária. Por conseguinte. não obstaculiza o trânsito em julgado.predominância do entendimento acima exposto não significa. já que ele deve ter certeza a respeito da tempes- 241 . para efeito de contagem do prazo da ação rescisória. mesmo que o decisum derradeiro não seja de mérito. Por tudo. consoante as razões agora deslocadas para a nota abaixo61. 100 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “I — O prazo de decadência. a de que a prolação de juízo de admissibilidade negativo tem efeito ex nunc. Ademais. Ele tem que esgotar todos os recursos. mas. não apresenta resultado satisfatório sob o enfoque pragmático.882 revelam a possibilidade de provimentos jurisdicionais declaratórios com efeito apenas ex nunc. se os descarta para entrar com ação rescisória. eventualmente. quando há recursos sucessivos. entretanto. O artigo 27 da Lei n. Prestigia-se. nota anterior). ambos do Código de Processo Civil. só admito que retroaja a inadmissibilidade de algum recurso. e 467. Assim. Noutras palavras. sustenta-se no presente compêndio a opinião defendida desde a primeira edição. § º. sem correr os riscos da rescisória. in fine. ainda que perfeita sob o prisma teórico. porque todos os demais são requisitos cuja discutibilidade cria situação de insegurança ao recorrente. como os embargos de divergência protocolizados. insegurança jurídica. o prazo decadencial para a propositura de ação rescisória só começa a fluir no momento em que passa a ser inadmissível recurso para impugnar a última decisão proferida no processo. conforme se infere da interpretação dos artigos 01. com inteira razão — é que o único requisito de inadmissibilidade que se pode. porquanto recurso inadmissível. a qual. É um problema seríssimo o da contagem do prazo. na Ação Rescisória. é o da intempestividade. porque pode obter o resultado dentro daquele processo. porque. adesão à respectiva tese. que não pode desistir dos recursos. assento a decadência”. o argumento de que o provimento jurisdicional de inadmissibilidade recursal produz efeito ex tunc em razão da natureza declaratória não é invencível. O acórdão rescindendo foi publicado em 23 de agosto de 1996. em especial a divergência inaugurada pelo eminente Ministro CEZAR PELUSO: “Senhora Presidente. sendo antieconômico. a tese consagrada no inciso I do enunciado n. Só há coisa julgada após a irrecorribilidade do julgado negativo de admissibilidade do último recurso interposto no processo. A data em que ocorrida a preclusão fixa o termo inicial dos dois anos para o ajuizamento da rescisória. É certo que houve a interposição de embargos de divergência. O que a doutrina apreendeu e a jurisprudência consagrou — a meu ver. uma vez que há sempre a possibilidade de serem admissíveis. nesse caso. desde a primeira edição. seja de mérito ou não”. e não ex tunc. Daí a ressalva do ponto de vista sustentado no presente compêndio desde a primeira edição. peço vênia para divergir. ao invés da tese vencedora no Plenário do Supremo Tribunal Federal (cf. Todavia. a declaração da impropriedade destes afastou a possibilidade de tê-los como a projetar no tempo o trânsito em julgado.

8777. Curso de direito processual civil. com a fluência do prazo decadencial da rescisória desde logo. 100. 11ª ed. 1ª Turma do STF. por alcançar apenas uma das ações. 80. portanto.691/RJ.816/SC. Com igual opinião. 421 e 422. 55 e 56. cujo inciso II versa sobre o tema: “II Havendo recurso parcial no processo principal. 11764. e LUIZ FUX. Volume II. Por fim. RE n. p. sobretudo. com o reconhecimento de que seu prazo de ação rescisória já se teria consumado! Peço vênia. Com efeito. Diário da Justiça de 28 de novembro de 1994. tem-se o imediato trânsito em julgado da decisão em relação ao julgamento irrecorrido da outra ação. em que estavam em jogo embargos de divergência que podiam ser conhecidos ou não. 505 e 512. Diário da Justiça de 2 de novembro de 1979. à tividade.055/RJ. Diário da Justiça de 12 de agosto de 198. RTJ. Volume III. Nos demais casos. penso que se cria dificuldade de ordem prática muito grande. como este. 2007. Diário da Justiça de 4 de dezembro de 1981. 1996. se o processo contém ações cumuladas (por exemplo. 11. para conhecer do pedido”. 684. o prazo para propositura da rescisória. p. 2ª Turma do STJ. NELSON LUIZ PINTO. Pleno do STF. 2568. e REsp n. na doutrina: FREDIE DIDIER JR. 1996. que a tese divergente sustentada pelo Ministro CEZAR PELUSO não foi isolada. 1ª Turma do STJ. iniciando-se. do seu recurso. p. porquanto contou com o apoio do Ministro GILMAR MENDES: “Senhora Presidente. Direito Processual Civil brasileiro. ainda que dele não se tenha conhecido”. 62. Ação rescisória. p. muito tempo depois. RE n. Quer dizer. Frise-se. na doutrina: FREITAS CÂMARA. hipótese em que flui a decadência. p. 87. 11. Diário da Justiça de 10 de novembro de 1997: “O biênio para a propositura da ação rescisória corre da passagem in albis do prazo para recorrer da decisão proferida no último recurso interposto no processo. Curso de direito processual civil. 1999. e VICENTE GRECO FILHO. RE n. 242 . volume 84. ou não. contando-se o prazo decadencial para a ação rescisória do trânsito em julgado de cada decisão.. Em sentido semelhante ao texto da presente nota. Manual dos recursos cíveis. ª ed.420/PR. 18. e Recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça. por oportuno. p. a partir do trânsito em julgado da decisão que julgar o recurso parcial”. 1ª Turma do STF. 727: “Se a impugnação à sentença foi parcial (arts. indenizações por danos material e moral) e o recurso interposto é parcial. p. 94. 96/CE. in fine). p. também há respeitáveis precedentes jurisprudenciais em prol da tese defendida na presente nota: AR n. p. 2ª ed. quanto a esta parte”. a parte veio a ser surpreendida. 2007..106/SC. REsp n. com a edição do enunciado n. p. 252 a 262. p. É a melhor solução62. salvo se o recurso tratar de preliminar ou prejudicial que possa tornar insubsistente a decisão recorrida. 1220. 2ª Turma do STF. forma-se a coisa julgada sobre o que não fora objeto do recurso. 92. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. também peço vênia para acompanhar a divergência instalada a partir do voto do Ministro Cezar Peluso”.Outro problema relativo ao termo inicial do biênio previsto no artigo 495 do Código de Processo Civil reside na interposição de recurso parcial. o trânsito em julgado dá-se em momentos e em tribunais diferentes. 2001.. A vexata quaestio foi bem resolvida pelo Tribunal Superior do Trabalho.

Diário da Justiça de 11 de abril de 2005). Na sua contagem é de observar-se a regra geral do art. 495 do CPC. dies ad quem.. feriados. 1 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “Ação rescisória. contra cinco vencidos): “PROCESSUAL CIVIL — EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL — AÇÀO RESCISÓRIA — PRAZO PARA PROPOSITURA — TERMO INICIAL — TRÂNSITO EM JULGADO DA ÚLTIMA DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS — CPC. Não obstante. Com o mesmo entendimento. Aplicação do art. 184. 6. 163. 1996. o que afasta a possibilidade do seu trânsito em julgado parcial — Consoante o disposto no art. o direito de propor a ação rescisória se extingue após o decurso de dois anos contados do trânsito em julgado da última decisão proferida na causa — Embargos de divergência improvidos” (EREsp n. ARTS. a lide. §§ 1º e 2º. 269 E 495 — A coisa julgada material é a qualidade conferida por lei à sentença/acórdão que resolve todas as questões suscitadas pondo fim ao processo. Aplicável. todos do Código de Processo Civil. Decadência. não há que se falar em fracionamento da sentença/acórdão. Ação rescisória. 775 da CLT. devendo os dias. 505.3.vista da combinação dos artigos 292. finais de semana ou em dia em que não houver expediente forense. na esteira da proposição n.777/DF. p. Corte Especial do STJ. extinguindo. 162. conforme o disposto no artigo 207 do Código Civil de 2002. Termo final No que tange ao prazo decadencial da rescisória. 7. Porém. Art. conforme entendimento jurisprudencial predominante. Prorroga-se até o primeiro dia útil imediatamente subseqüente o prazo decadencial para o ajuizamento de ação rescisória quando expira em férias forenses. 404. 24 . por escassa maioria (seis votos vencedores. quando há a formação da coisa julgada “total”6. pois. na doutrina: FRANCISCO ANTONIO DE OLIVEIRA. computando-se o prazo com a exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. Eis a ementa do acórdão proferido pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. coincidirem com dias úteis” (não há o grifo no original). — Sendo a ação una e indivisível. 267. ocorre a prorrogação do prazo quando o biênio termina em dia em que não há expediente forense normal. do CPC. a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça consagrou outro entendimento. do início e do término. 512 e 515. 775 da CLT”64. 104: “Cuida-se de prazo decadencial e que tem início ao dia seguinte ao trânsito em julgado. 2ª ed. incide a regra da inexistência de interrupção e de suspensão. em prol da fluência do biênio legal somente após o julgamento final do recurso parcial. 64.

e não há incompatibilidade alguma na aplicação do preceito ao processo da rescisória. pronunciando a decadência no momento tratado no artigo 29. momentos da pronúncia da decadência A decadência pode ser pronunciada em várias fases processuais: a) liminarmente. Em todos os casos. também pelo relator. inciso I. ou não. pelo órgão colegiado. É que o artigo 491 faz remissão ao capítulo onde está inserido o artigo 29. convém estudar cada um deles em separado. o autor pode interpor agravo interno contra a decisão monocrática extintiva do processo da rescisória. inciso IV. Não é só. b) após as “providências preliminares” dos artigos 2 usque 28. como. dependendo da existência. primeira parte. também são cabíveis embargos declaratórios. nas duas primeiras hipóteses. ad exemplum. COmpETêNCIA Os artigos 102. Já o acórdão proferido pelo colegiado pode ser impugnado via embargos infringentes. pelo relator. pronunciada a decadência pelo próprio relator isoladamente. nos quais pode ser suscitada omissão. em sede de embargos declaratórios.4. já que a decadência deve ser pronunciada de ofício.7. a petição inicial da ação rescisória deve ser liminarmente indeferida pelo relator se consumada a decadência. Em suma. inciso I. c) na sessão de julgamento da ação rescisória. ambos do Código de Processo Civil. e 108. 105. inciso I. o que impede a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. alínea “e”. Apontados os momentos de pronúncia da decadência. de voto divergente e da procedência da rescisória. recurso especial e recurso extraordinário. consoante a regra do artigo 210 do Código Civil de 2002. É bom não esquecer que a interposição de apelação contra a decisão monocrática do relator configura erro grosseiro. Consoante o disposto nos artigos 295. O próprio relator ainda pode extinguir o processo por meio de decisão monocrática após as providências preliminares. alínea “b”. bem como o artigo 494 do Código de Processo Civil estabelecem que a ação rescisória será julgada 244 . ou seja. da Constituição Federal. Quanto aos recursos cabíveis. inciso I. alínea “j”. a decadência também pode ser pronunciada na fase recursal. e d) no julgamento dos recursos cabíveis. e 490. O órgão colegiado julgador da ação rescisória também tem competência para averiguar de ofício a ocorrência da decadência. 8.

assim como das próprias decisões. É o que estabelece o inciso I do artigo 487. passa aos seus herdeiros”. Volume III. Tal regra comporta exceção. o próprio Título IX. no qual o Capítulo IV da rescisória está inserto. trata-se de ação de competência originária de tribunal. o sucessor da parte a título universal ou singular também tem legitimidade ativa. 245 . inciso I. uma vez iniciada. Os textos constitucional e codificado revelam que as cortes de segundo grau têm competência para processar e julgar as ações rescisórias dos julgados proferidos pelos juízes de primeiro grau. De acordo: CALMON DE PASSOS. 9. Já ao Superior Tribunal de Justiça compete processar e julgar originariamente apenas as ações rescisórias dos julgados do próprio tribunal. Por fim. 469 até 474. alínea “c”. recebeu denominação didática. 2004. É terceiro legitimado aquele não participou 65. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. o artigo 6º. 9ª ed. Do mesmo modo. e tirando as hipóteses excepcionais marcadas pela inexistência de juízo rescisório. mas. o mesmo tribunal que tem competência para o juízo rescindendo também é o competente para proferir o iudicium rescissorium. Do mesmo modo. “cabe ao confitente o direito de propor a ação. p. Em síntese. A propósito. que afasta qualquer dúvida acerca da competência para o processamento e o julgamento da ação: “Do processo nos tribunais”. O inciso II do artigo 487 confere legitimidade ativa ao terceiro juridicamente interessado.por “tribunal”. Aliás. o Supremo Tribunal Federal tem competência para processar e julgar originariamente tão-somente as ações rescisórias dos julgados da própria Corte Suprema.. Em primeiro lugar. quem foi parte no processo primitivo tem legitimidade para ajuizar a rescisória. Consoante o disposto no parágrafo único do artigo 52. confere ao “Plenário” competência para “processar e julgar originariamente” “a ação rescisória de julgado do Tribunal”. pelo que não pode ser julgada por juiz de primeiro grau. nos casos de que trata este artigo. lEgITImIDADE O artigo 487 do Código de Processo Civil traz o rol dos legitimados à propositura de ação rescisória. Comentários ao Código de Processo Civil. ainda que tenha sido réu revel65.

Então. parágrafo único. III. Comentários ao Código de Processo Civil. 1998. vale a pena conferir a didática lição do Professor SÉRGIO GILBERTO PORTO: “Por terceiro juridicamente interessado entenda-se aquele que é titular de relação jurídica que. Volume VI. quando a empresa já tiver sido extinta. merece ser prestigiado o seguinte precedente jurisprudencial: “Ação Rescisória — Legitimidade ativa ad causam. ‘i’. 2000. A propósito. venha a ser atingido pela sentença rescindenda. Em sentido semelhante: JOSÉ FREDERICO MARQUES. 487. NERY JUNIOR. tais como: o adquirente. 7ª ed. p. Volume V. Rescisória. Igualmente tem legitimidade na qualidade de terceiro o substituído processualmente nos termos do artigo 6º. o sócio da sociedade. evidentemente. os herdeiros.627/40. 1998. por exemplo. reforçado pelo § º. 69. e VICENTE GRECO FILHO. 1996. À luz do § 2º do artigo 42. Volume II. 260. ainda que indiretamente67. Volume I. II do CPC e arts. Por fim. p. Com a mesma opinião: JOSÉ RIBAMAR MORAES. 487. é possível que terceiros interessados. p.. 5. 71. Código de Processo Civil comentado. 61. Volume III. já que atingido diretamente pela coisa julgada formada no processo primitivo que teve como parte o substituto processual70. Manual de Direito Processual Civil. Negativa de vigência aos arts. 68. 1975. 67. Manual. o sublocatário na ação de despejo promovida. têm legitimidade ativa na condição de terceiro prejudicado os que poderiam ter ingressado no processo primitivo como assistente — simples ou litisconsorcial — e litisconsorte68. mas foi prejudicado do ponto de vista jurídico pelo decisum nele proferido. ERNANE FIDÉLIS. 87. c/c o art. do CPC”. na dicção do art.do processo originário66. 66. 69. p.. e JOSÉ FREDERICO MARQUES. não há como negar a legitimatio ad causam do terceiro prejudicado por julgado proferido em processo simulado71. 94 e 105 do DL 2. o substituído. 4ª ed. têm legitimidade processual para propor ação rescisória. 246 . 11ª ed. o espólio. p. Manual. que não foi parte em processo falimentar. 420. p. sem prévia autorização da assembléia geral. 248. 42. O labirinto da ação rescisória. p. II. RE conhecido e provido”. comentário 16.. O labirinto da ação rescisória. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. Volume III. 70. o adquirente e o cessionário também têm legitimidade para ajuizar ação rescisória69. p. Com a mesma opinião: CALMON DE PASSOS. 6ª ed. 1999.. que não foi parte no processo e o substituto processual. 1975. conforme se infere dos artigos 167 e 168 do Código Civil de 2002. 169. 299). II. tal como. o cessionário. Ad exemplum. direta ou reflexamente. p. Direito Processual Civil brasileiro. JOSÉ RIBAMAR MORAES. § 2º. 5: “Excluindo-se as partes. 90. tem legitimidade ativa ad causam para propor ação rescisória contra sentença que declarou a autofalência da referida empresa. contra o locatário” (Comentários. O sócio majoritário da empresa. p.

É o que se depreende do artigo 168 do Código Civil de 2002. Volume II. LEGITIMIDADE ad causaM PREVISTA NO ART. CITAÇÃO. O Ministério Público também tem legitimidade para propor ação rescisória quando o julgado resulta de colusão entre as partes para fraudar a lei. 74. a fim de desconstituir julgado proferido em processo que não teve a participação do parquet. Volume III. 420. 1975. réu na ação anulatória de venda de bem imóvel. Cf. A legitimidade ad causam do Ministério Público para propor ação rescisória. 487. Volume V. além da legitimidade como parte. Volume II. não está limitada às alíneas ‘a’ e ‘b’ do inciso III do art. De acordo. 172 e 17. apesar de a lei (verbi gratia. DO CPC. Lições. AS HIPÓTESES SÃO MERAMENTE EXEMPLIFICATIVAS.. o que enseja o ajuizamento da ação rescisória com esteio no inciso I do artigo 487. 259. 2ª ed. p. 21. p. 1975. Em síntese. ‘A’ E ‘B’. na jurisprudência: “AR. consoante o disposto na letra “b” do inciso III. Comentários. Além do julgado proferido em processo fraudulento. prevalece a orientação jurisprudencial de que são apenas exemplificativas as hipóteses previstas no inciso III do artigo 487. Assim. o que também permite a propositura da ação com fulcro no inciso III. Eis o enunciado n. p. 407 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. 72. JOSÉ FREDERICO MARQUES. com maior autoridade: JOSÉ FREDERICO MARQUES. LITISCONSORTE NECESSÁRIO. 7ª ed. III. 1996.Resta examinar o inciso III do artigo 487 do Código de Processo Civil. Direito. Com efeito. o Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação rescisória. MINISTÉRIO PÚBLICO. artigo 82 do Código) exigir a intervenção ministerial. o parquet tem igual legitimidade ativa como custos legis. todos aqueles que participaram da relação 247 . p.. Por força da alínea “a” do inciso III do artigo 487. p. a regra é a de que quem figurou como parte no processo originário também deve participar do processo da ação rescisória74. 11ª ed. Volume III. No tocante à legitimidade passiva. e VICENTE GRECO FILHO. deve ser citado como litisconsorte passivo necessário na ação rescisória daquele julgado. 17. O marido. Manual. Em sentido semelhante. Manual. 7. BARBOSA MOREIRA. uma vez que traduzem hipóteses meramente exemplificativas”7. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. 265. 1998. Ainda em sentido semelhante. 487 do CPC. Resolução n. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. na esteira dos artigos 105 e 146 do antigo Código Civil de 1916. Não é só. 1999. ainda que não tenha sido parte no processo que deu origem à decisão rescindenda.. o decisum prolatado em processo simulado também pode ser alvo de rescisória movida pelo Ministério Público72.

não é compatível com a moderna leitura da dicção do ordenamento processual” (MC n. por muitos anos prevaleceu na jurisprudência a orientação consubstanciada no enunciado n. é cabível o pleito liminar formulado na petição inicial de processual da ação em que se proferiu o acórdão rescindendo devem ser citados. 234 do extinto TFR que. DJ 24/8/1998” (REsp n. e 489. em caso de fraude ou erro material comprovado”. como litisconsortes necessários. a propositura de ação rescisória não impede a execução definitiva do julgado rescindendo. Diário da Justiça de 29 de agosto de 1994. especialmente após o advento das Leis 8. número . § 7º. reputava como inadmissível a suspensão dos efeitos da coisa julgada via medida cautelar preparatória de ação rescisória.10. 24 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos: “Não cabe medida cautelar em ação rescisória para obstar os efeitos da coisa julgada”.02. 46860). 75. p. Com efeito. Instituto dos Magistrados do Distrito Federal. e REsp 162. A propósito. § 1º. 8. p. primeira parte. À luz da literalidade do anterior artigo 489 do Código de Processo Civil original de 197. p. 689. a doutrina e a jurisprudência passaram a sustentar a admissibilidade da suspensão da execução via decisão jurisdicional. 266. Ano 1. 66/CE. merece ser prestigiado o inciso I do recente enunciado n. consoante o disposto nos artigos 475-I. A primeira introduziu o instituto da tutela antecipada em nosso direito. 2001.069/DF. respectivamente. Tanto que hoje é possível afirmar que a orientação consolidada no enunciado n. DJ 3/5/2004. outrora. Com a mesma opinião: ELIANA CALMON.009-PR. O Magistrado.21/DF. com nova redação ao artigo 27 do Código de Processo Civil. 24 da Súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos está ultrapassada75. para suspender a execução do julgado rescindendo ou revisando. para a ação rescisória sob pena de nulidade. AçãO RESCISÓRIA E ExECUçãO DO JUlgADO RESCINDENDO O ajuizamento de ação rescisória não tem o condão de retirar a eficácia do julgado rescindendo. Em idêntico sentido: “A Súm. A segunda acrescentou o seguinte parágrafo único ao artigo 71 da Lei n. Tutelas de urgência nos tribunais. do Código de Processo Civil vigente. n. do CPC. Houve. Informativo de Jurisprudência STJ. 2).212: “Será cabível a concessão de liminar nas ações rescisórias e revisional. importante evolução jurisprudencial. de 1994 e 1995. Em seguida. Precedentes citados: AR 2. 4ª Turma do STJ.952 e 9. 405 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “I — Em face do que dispõe a MP 1. não obstante. 16.984-22/00 e reedições e o artigo 273. primeira parte. 248 .

Manual. No mesmo sentido. JOSÉ RIBAMAR MORAES. p. formou-se respeitável corrente doutrinária e jurisprudencial em favor do instituto da tutela antecipada77. 911/MG — AgRg. especialmente a parcial. já que proposta antes do ajuizamento da principal: ação rescisória. 127. Assim. 6ª ed. existe corrente igualmente abalizada que sustenta a adequação da cautelar. Volume I. p. Comentários. 79. 10. 4ª ed.. Suplemento. 2ª Turma do STJ.42/PB. 76. na doutrina: BRUNO FREIRE E SILVA. Com efeito. Conferir. Com efeito. 2007.. BRUNO NOURA DE MORAES RÊGO. 1999. e AR n. Comentários. 4ª Turma do STJ. 12: “Não obsta.ação rescisória ou na fase recursal. Defendo a admissibilidade de cautelar para suspensão da execução. ª ed. apenas para sustar a execução do julgado rescindendo. 1998. p. visando à suspensão dos efeitos práticos da sentença rescindenda”78. 1998. especialmente a antecedente. no entanto. visando a suspender a execução da decisão rescindenda”76. 177 e 178. 750. há na doutrina e na jurisprudência entendimento em prol da admissibilidade de ação cautelar para obstar a execução do julgado rescindendo79. p. 612 e 61. p. Sob outro enfoque. Ação rescisória. p. GALENO LACERDA. Volume VIII. p. é fâmulo”. 11 e 115. também chamada de preparatória. 78. na jurisprudência: Petição n. 1999. na jurisprudência: REsp n. Diário da Justiça de 27 de março de 2000. Cf. p. e p. 2005. ERNANE FIDÉLIS. Código. Boletim da AASP. 954. noticiado no Informativo de Jurisprudência STJ. Cf. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. ou b) ação cautelar.. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. número 92.47/SP. p.027. comentário 17. julgado em 19 de abril de 2001. Resolução n. o artigo 27 não proíbe a antecipação da tutela em ação rescisória. p. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. instituída a fim de assegurar a eficácia prática da providência jurisdicional demandada. e SERGIO BERMUDES. que desencadeia um processo de conhecimento do qual o cautelar. 5774. p. Tomo VI. 12. 120 e 121. Diário da Justiça de 10 de novembro de 1997. 81. 6ª ed. O processo civil brasileiro. 29 usque . Assim.. preparatório ou incidente. 6 do 9º Encontro dos Tribunais de Alçada: “É cabível a concessão de tutela na ação rescisória. LUCIANA DINIZ NEPOMUCENO. 77. a discussão passou a residir na via processual adequada para a obtenção da paralisação da execução do julgado rescindendo: a) requerimento de antecipação de tutela na própria ação rescisória. 17. e NERY JUNIOR e ROSA NERY.529/PI. 5 usque 8. Ação rescisória. comentário . REsp n. 2002. 150. inclusive na ação rescisória. É a orientação predominante e que restou consolidada na conclusão n. n. O labirinto da ação rescisória. A antecipação da tutela na ação rescisória. À luz do novo artigo 27 do Código de Processo Civil. julgado em 249 . Ação rescisória. 1. 2. 1994. Pleno do STF. p. à concessão de medida cautelar. 1999.

quando perde o caráter de liminar. p.02 que permitiram o afastamento da orientação consubstanciada no antigo enunciado n. Petição n. O instituto da tutela antecipada é marcado pelo adiantamento do provimento jurisdicional que o magistrado vislumbra como o provável ao final do processo. O primeiro diploma instituiu a antecipação da tutela. p. em verdade antecipa-se a providência cautelar” (CALMON DE PASSOS. A tutela cautelar pode igualmente ser liminar. Ainda sobre as diferenças entre a tutela antecipada e a tutela cautelar. número 22. cautelares e liminares. isto é. 82.A solução do problema da via processual adequada depende do estudo — ainda que perfunctório — dos provimentos antecipatórios. ou não82. 81. sim em decorrência do momento de seu deferimento” (CALMON DE PASSOS. A respeito das diferenças entre a tutela antecipada. Breves notas. numa ação cautelar. e REsp n. portanto. de liminar de natureza cautelar. 9ª ed. 2004. 7). e (c) a antecipação de tutela pode ser ou não cautelar” (ADROALDO FURTADO FABRÍCIO. a antecipação da tutela in initio litis configura provimento liminar. cautelares e liminares80.. 75 usque 109). Então. 1999. 2004. assim. 7 e 74). 1999. Por conseguinte. quando liminarmente se defere a medida. pois. Volume III. Informativo STF. 80. 9ª ed. Diário da Justiça de 26 de agosto de 2002. pois foram as Leis 8. permitiu a concessão de “liminar” para suspender a execução de julgado impugnado via ação rescisória. publicado nos justos Estudos de direito processual civil em memória de LUIZ MACHADO GUIMARÃES. Já o segundo. Realmente. “Ficou visto. Volume III. julgado em 12 de junho de 2001. que (a) toda liminar é antecipatória de tutela. intitulado Breves notas sobre provimentos antecipatórios. p. Já o vocábulo “liminar” diz respeito ao momento da prestação jurisdicional. não é liminar em função do seu conteúdo. como liminar que se configura como verdadeira antecipação da tutela”.766/SP. De acordo: “Liminar é o nome que damos a toda providência judicial determinada ou deferida initio litis. 24 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos. ª Turma do STJ.952 e 9. antes de efetivado o contraditório. vale a pena conferir os didáticos ensinamentos do Professor HUMBERTO THEODORO JÚNIOR (O processo civil brasileiro. o que pode ocorrer sem citação do réu ou com sua ciência para acompanhar a justificação exigida para apreciação da liminar“. em 1994. “A liminar. 51. 214: “Cabe medida cautelar em ação rescisória para atribuição de efeito suspensivo à sentença rescindenda”. p. o termo “liminar” inserto no novo pa- 17 de setembro de 1997. “Pode-se falar. de 1995.. a tutela cautelar e a liminar. Comentários. É liminar o provimento lançado in limine litis81.4/ES. Mas a tutela antecipada também pode ser ulterior. vale a pena conferir o excelente trabalho de autoria do Professor ADROALDO FURTADO FABRÍCIO. “as medidas cautelares têm presente a 250 . 2. A tutela cautelar tem como característica essencial a preservação do resultado útil do processo principal. p. (b) nem toda antecipação de tutela é liminar. 25). “Outrossim. 1ª Turma do STF. Comentários.

Trata-se. 251 . A carga antecipatória é revelada pelo parcial adiantamento de conseqüência importante da procedência da rescisória. por exemplo. 84. 215). conceitos que não podem ser tratados como absolutamente distintos. o das medidas urgentes” (REsp n. é a existência das cargas antecipatória e cautelar no provimento jurisdicional de suspensão da execução do julgado impugnado pela rescisória que explica a divergência doutrinária e jurispru- preocupação com a urgência. com os artigos 154. da Constituição Federal. 8. 11).. sem suspensão da execução?” (Manual. Imagine-se a hipótese de a ação rescisória ter como alvo sentença de procedência proferida em ação demolitória84.212 não esclarece se a suspensão da execução do julgado rescindendo deve ser objeto de requerimento de antecipação de tutela na própria ação rescisória ou de ação cautelar. 9. 244 e 805 do Código de Processo Civil reforça a conclusão de que o periculum in mora ocasionado pela execução definitiva do decisum pode ser amparado tanto por meio de tutela antecipada como via ação cautelar. “nem sempre é fácil distinguir se o que o autor pretende é tutela antecipada ou medida cautelar. Portanto. A combinação do artigo 5º. pois a única preocupação do legislador foi instituir um provimento “liminar nas ações rescisórias” “para suspender a execução do julgado rescindendo”. inciso XXXV. 202. p. Se é certo que os dois institutos não podem ser confundidos8.rágrafo único do artigo 71 da Lei n. Na prática forense. 1998.740/PB. Após sustentar a “possibilidade de medida cautelar inominada para suspensão da execução”. Tutela. Diário da Justiça de 7 de junho de 2004. pelo seu trâmite normal. qual seja. diversamente. 6ª ed. nada impede a prolação do referido provimento liminar em virtude de requerimento de antecipação da tutela rescindenda e via ação cautelar. Volume I. p. daí normalmente verificar-se a concessão de uma liminar que nada mais é do que uma antecipação de cautela que. obstar a execução do julgado rescindendo. A carga cautelar é revelada pela preservação da utilidade do processo principal da rescisória. 2000. Com efeito. só seria obtida com a sentença no processo cautelar” (WILLIAM SANTOS FERREIRA. 612 e 61). p. parece ser igualmente correto afirmar que o provimento jurisdicional de suspensão da execução do julgado rescindendo possui cargas antecipatória e cautelar. de duas categorias pertencentes a um só gênero. Aliás. a rescisória de sentença que determinasse a demolição de prédio. 8. lança a seguinte pergunta: “De que adiantaria. ª Turma do STJ. O exemplo é de autoria do Professor ERNANE FIDÉLIS.02 parece permitir as duas soluções. o artigo 2º da Lei n. no entanto.

2006. 1999. em prol da efetividade da prestação jurisdicional. bastando formular simples requerimento de medida cautelar ao relator da ação rescisória” (RODRIGO DA CUNHA LIMA FREIRE. não precisará ajuizar uma ação cautelar autônoma perante o tribunal. § 7º. formulado nas mesmas condições. 252 . como assentou o Tribunal Superior do Trabalho no enunciado n. Tal evolução legislativa parece estar relacionada com a preocupação dos excessos teóricos na separação das tutelas de urgência. passou a ser admissível a concessão de tutela cautelar no bojo do próprio processo de conhecimento. realmente. com notório prejuízo para o jurisdicionado. O processo civil brasileiro. p. cada vez menos voltado para o dogmatismo e cada vez mais preocupado com os resultados práticos capazes de criar nesse limiar de um novo século um processo que mereça. a Lei n. Em reforço. Reforma do CPC. preceito originalmente destinado ao instituto da antecipação de tutela. o epíteto do devido processo legal. visando a suspender a execução da decisão rescindenda. é cabível o pleito liminar formulado na petição inicial de ação rescisória ou na fase recursal. II — O pedido de antecipação de tutela. Tutela de urgência na ação rescisória. em nada contribuem para a implementação das metas instrumentais do moderno direito processual. LIMINAR. esforçar-se para fugir de tecnicismos estéreis na separação dos terrenos da tutela cautelar genérica e da antecipação de tutela. vítima de discussões acadêmicas que acabam contaminando a prestação jurisdicional. 10. então. ou mais precisamente. 50). se podem satisfazer vaidades acadêmicas.444 reforçou a tese da fungibilidade das tutelas de urgência.984-22/00 e reedições e o artigo 273. porque ambas produzem rigorosamente o mesmo efeito —. caso a parte opte pela tutela cautelar — esse é um caso em que a distinção entre a tutela cautelar e a tutela antecipada é meramente acadêmica. 10. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. Também em sentido semelhante. por não se admitir tutela antecipada em sede de ação rescisória”. na doutrina: “Vale ressaltar que. 91 usque 95: “Ao aplicador da lei processual incumbe. de um processo justo”. será recebido como medida acautelatória em ação rescisória. 85. de 2002. a qual acrescentou o § 7º ao artigo 27 do Código de Processo Civil.444. do CPC. Com a mesma opinião. com o advento da Lei n. Mas a interessante discussão acerca do meio processual mais adequado à luz da carga predominante não deve comprometer um valor que ambos os institutos buscam proteger: o perigo da demora85. ainda na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. que.dencial que envolve a via processual. Volume I. 405 da Súmula da Corte: “AÇÃO RESCISÓRIA. Sem dúvida. I — Em face do que dispõe a MP 1. p.

para o juízo de retratação ou a apresentação do agravo na mesa 86. ª Turma do STJ. 11.280. 51.280.740/PB. 111). ambos do Código de Processo Civil. Também em sentido conforme. é importante registrar que a fungibilidade89 entre as tutelas de urgência restou consagrada nos artigos 27. em atendimento ao princípio da economia processual” (REsp n. p. ainda na jurisprudência: REsp n. ª Turma do STJ. 66 usque 68. 25 . respectivamente. pode o juiz. de 2002 e 2006. Com o mesmo entendimento defendido no texto. na jurisprudência: “Processual Civil. 2005. Em reforço. 2000. Por tudo. ‘Fungibilidade’ das medidas urgentes. especialmente a antecedente88. Por fim. pelo que não nos parece haver óbice a sua aprovação” (Exposição de Motivos do Ministro da Justiça. Inocorrência. ou seja. p. 215. no prazo de cinco dias. Fumus boni iuris. A nova redação apresentada ao art. Também denominada preparatória. 88. deferir a medida cautelar em caráter incidental no processo ajuizado. 87. Diário da Justiça de 26 de agosto de 2002. Comentários. p. permitindo a suspensão da execução do julgado rescindendo tanto por meio de requerimento de tutela antecipada como via ação cautelar: SÉRGIO GILBERTO PORTO. Em sentido semelhante. houve a adoção da tese de que a execução do julgado rescindendo pode ser suspensa tanto em virtude de pedido de antecipação da tutela quanto em cautelar. diploma que conferiu nova redação ao artigo 489 do Código de Processo Civil86. a título de antecipação de tutela requer providência de natureza cautelar. tanto o pleito de antecipação de tutela quanto o pedido cautelar in limine litis podem ser decididos pelo relator da ação rescisória. Diário da Justiça de 7 de junho de 2004. 89. Ação rescisória. mediante decisão monocrática. Volume 4. 489 do CPC apenas incorpora ao ordenamento jurídico positivo o entendimento dominante na jurisprudência quanto à possibilidade de concessão de medidas de urgência concomitantes com o ajuizamento de demanda rescisória. Volume VI. e 489. Cabimento. “8. § 7º.Com o advento da Lei n. endereçado ao próprio relator. Tutela antecipatória para conferir efeito suspensivo à sentença rescindenda. 202. Reforma infraconstitucional do processo civil. de 2006. p. 214).766/ SP. é possível concluir pela admissibilidade da suspensão da execução do decisum rescindendo por meio de requerimento de tutela antecipada na própria ação rescisória como também via ação cautelar87. Violação a literal disposição de lei. 10. a qual pode ser impugnada por meio de agravo interno (ou regimental). alterado pelas Leis n.444 e 11. Interpretação controvertida nos Tribunais — Cabe medida cautelar em ação rescisória para atribuição de efeito suspensivo à sentença rescindenda — Se o autor. presentes os respectivos pressupostos. cujo pleito pode ser feito de forma incidental ou mediante ação cautelar antecedente à rescisória.

como ocorre de regra. grupo de câmaras. por fim. respectivamente. o autor deve indicar o valor da causa na petição inicial da ação rescisória. Na verdade. ao invés do valor atualizado da causa primitiva. Nada impede. conforme estabelece o inciso I do artigo 488. requerer. É o que revela a seguinte conclusão do 7º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “O valor da causa na ação rescisória é o mesmo da ação originária. e 489. a petição inicial da ação rescisória deve ser elaborada com a observância do disposto no artigo 282.280. pROCEDImENTO DA AçãO RESCISÓRIA À vista do artigo 488 do Código de Processo Civil. § 7º. quando a ação rescisória não alcança todas as ações solucionadas no decisum anterior. com correção monetária na data da inicial”. o autor da rescisória pode formular pedido de antecipação — parcial — da tutela para suspender a execução do julgado rescindendo liminarmente já na petição inicial da rescisória. conforme o caso).do órgão colegiado competente indicado no regimento interno do respectivo tribunal (seção. antecedente). que o relator submeta o pedido ao órgão colegiado competente. férias. e 488. Com efeito. Com efeito. o autor também pode formular o pedido de imediato sobrestamento daquela (execução) no bojo da própria petição inicial da ação rescisória. 11. na primeira sessão subseqüente à conclusão dos autos do processo da ação rescisória. caso não ainda esteja em condições de ajuizar desde logo a rescisória. o autor pode requerer a tutela de urgência tanto antes (por meio de cautelar antecedente) quanto no bojo da própria inicial da ação rescisória. licença). Por força dos artigos 282. compete ao presidente do tribunal. Na ausência do relator (por exemplo. ambos do Código de Processo Civil. Na falta também do revisor. o valor da causa deve ser proporcional. o novo julgamento da causa primitiva (pedido rescisório). Porém. bem como pode ajuizar prévia ação cautelar preparatória (rectius. quando a rescisória tem como alvo apenas parte do julgado proferido 254 . câmaras reunidas. se for o caso.444 e 11. Se a execução do julgado rescindendo causar lesão grave e de difícil reparação. cabe ao revisor da ação rescisória decidir o pedido de imediata suspensão da execução do julgado rescindendo. o autor deve. Ao formular o pedido. ex vi dos novos artigos 27. órgão especial ou plenário. A regra é a de que o valor da ação rescisória é o atualizado atribuído à causa primitiva. além da rescisão do julgado impugnado (pedido rescindente). da qual a rescisória será a ação principal. inciso V. com as redações conferidas pelas Leis 10.

conforme revela o artigo 24-A da Lei n. a União. mas apenas uma parte. cujo aresto se pretende rescindir” (AR n. Comentários ao Código de Processo Civil. sob pena de indeferimento da petição inicial — desde que o autor não comprove o recolhimento no decêndio para a emenda da inicial. inciso VI. Em sentido semelhante: JOSÉ RIBAMAR MORAES. 9. são isentas de custas e emolumentos e demais taxas judiciárias. já que não existe tal restrição no artigo 8 do Código. Com a mesma opinião: EDSON PRATA. o valor da causa não deve ser mera atualização do inserto na primitiva petição inicial90. Todavia. a União. Impugnação ao valor da causa. as autarquias e fundações federais igualmente estão isentas do depósito prévio e até mesmo da própria multa na ação rescisória.112/SP — AgRg.. 92. A petição inicial da ação rescisória deve ser subscrita por advogado. inciso I. não há necessidade de poder especial na procuração para a propositura da ação rescisória92.028: “A União. Porém. Entretanto. a importância equivalente a cinco por cento sobre o valor da causa deve ser recolhida in limine litis. cujo voto foi prestigiado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal e restou sintetizado na seguinte ementa: “1 — Ação rescisória. Agravo regimental. basta a “procuração geral para o foro”. 91. de regra. a regra do valor da causa originária como referência para a ação rescisória não é absoluta e pode ser objeto de impugnação ao valor da causa91. 1987. O autor deve instruir a petição inicial com a guia do depósito da verba exigida no inciso II do artigo 488. suas autarquias e fundações. bem como do 90. O labirinto da ação rescisória. inciso I e parágrafo único. 17. o valor da ação. e 490. Aliás. 99 e 192: “Conforme se passa com a rescisória no cível. que o autor não busque desconstituir integralmente a sentença rescindenda. 2 — O valor da causa na ação rescisória é. há autorizada doutrina: COQUEIJO COSTA. vale a pena conferir acórdão da relatoria do Ministro ALFREDO BUZAID. A propósito da regra e também da possibilidade de exceção. Com efeito. 255 . 4ª ed. 26: “Todavia. o valor da causa na ação rescisória de um modo geral deve ser o mesmo da ação originária. na prática. a teor do parágrafo único do artigo 488. os Municípios e o Ministério Público estão livres do depósito. entretanto. Sem dúvida. Em suma. 295. pode ocorrer. devendo o valor corresponder apenas a esta parte”. cuja decisão deseja o autor desconstituir. Com outra opinião. 9. p. ainda que a rescisória vise apenas a um dos capítulos da decisão rescindenda”. 1. os Estados. Ação rescisória. p. o Distrito Federal. Diário da Justiça de 4 de fevereiro de 198).no processo originário. Volume I. o valor da causa é o da ação cuja sentença se quer desconstituir. p. 1986. É o que se infere da combinação dos artigos 6. todos do Código de Processo Civil. conforme revela o proêmio do artigo 8.

consoante o disposto no artigo 28 do Código de Processo Civil. petição avulsa acompanhada da guia comprobatória do recolhimento das custas iniciais. Além do pagamento imediato dos 5% (cinco por cento) sobre o valor da causa a título de multa processual destinada ao réu em caso de julgamento unânime de inadmissibilidade da ação rescisória ou de improcedência do pedido rescindendo. entretanto. No Supremo Tribunal Federal. conforme o caput do próprio artigo 7. merece ser prestigiada a orientação consubstanciada no proêmio do verbete n. e no prazo previsto na legislação pertinente. Reforça o enunciado n. nos termos do parágrafo único do artigo 488. O particular sob o pálio da assistência judiciária também está dispensado do recolhimento da verba prevista no inciso II do artigo 488. e a Resolução n. da respectiva Resolução de Custas do Supremo Tribunal Federal. merece ser prestigiado o enunciado n. É possível. o autor deve protocolizar. o autor também deve efetuar o recolhimento e a respectiva demonstração das custas iniciais. item III. em quaisquer foros e instâncias”.66. dentro do decêndio posterior ao protocolo da inicial. o instrumento de mandato outorgado ao advogado subscritor da petição inicial também deve acompanhá-la. 1. A propósito. A petição inicial também deve ser instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação.depósito prévio e multa em ação rescisória. 11. do Regimento Interno de 1980. caso não apresente desde logo com a petição inicial da ação rescisória. segundo as quais o autor deve instruir a petição inicial com a guia comprobatória do recolhimento das custas previstas no inciso II da Tabela “B” (ou 256 . 175 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Descabe o depósito prévio nas ações rescisórias propostas pelo INSS”. incidem a Lei n. fora das hipóteses de dispensa estudadas. tendo em vista o disposto no artigo 7 do Código de Processo Civil. de 2008. combinado com a Tabela “B”. prevalece a regra de que a petição inicial deve estar acompanhada da guia reveladora do pagamento do depósito de cinco por cento. a apresentação posterior da procuração. 299 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “É indispensável ao processamento da demanda rescisória a prova do trânsito em julgado da decisão rescindenda”. de 2007. No mais. inciso II. É o que se infere do artigo 59. Por fim. A propósito. 108 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “A gratuidade de justiça abrange o depósito na ação rescisória”. quando exigidas. A certidão comprobatória do trânsito em julgado do decisum rescindendo e a certidão de inteiro teor ou fotocópia do julgado impugnado são documentos que devem acompanhar a petição inicial da rescisória. No que tange ao Superior Tribunal de Justiça. vale dizer.

00). 11. É o que se depreende do disposto no artigo 490. os magistrados que atuaram como relator e revisor no processo primitivo devem ser excluídos da distribuição das ações rescisórias em geral. Em seguida. É o que também estabelece a segunda parte do preciso enunciado n. cujo Regimento Interno contém preceito específico excluindo da distribuição da ação rescisória apenas o ministro que atuou como relator no processo originário. é igualmente necessária a intimação do autor para regularizar a petição inicial no decêndio do artigo 284. artigos 2º. Em suma. A distribuição segue o disposto no artigo 548 do Código e nos artigos 76 e 77. 257 . do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Por força dos artigos 126 e 548 do Código de Processo Civil e dos preceitos do Regimento Interno de 1980.66). como o artigo 28 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. bem como o prazo para a demonstração do respectivo recolhimento são fixados na legislação pertinente. a petição inicial deve ser indeferida pelo próprio relator. Em síntese. nos termos do artigo 284 do Código de Processo Civil. os autos sobem à conclusão do relator. Diante da ausência ou da insuficiência do depósito exigido pelo inciso II do artigo 488. 299 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Verificando o relator que a parte interessada não juntou à inicial o documento comprobatório. a regra parece ser a da exclusão do relator e do revisor originários da distribuição da ação rescisória. Havendo irregularidade sanável. Por oportuno. abrirá prazo de 10 (dez) dias para que o faça.seja. consoante o disposto no artigo 547 do Código de Processo Civil. que exclui apenas o relator primitivo. ressalvada a existência de preceito regimental específico em sentido contrário. R$ 200. vale a pena conferir o artigo 28 do Regimento do Superior Tribunal de Justiça: “À distribuição da ação rescisória não concorrerá o Ministro que houver servido como relator do acórdão rescindendo”. a ação rescisória é distribuída. que deve verificar desde logo a regularidade da petição inicial. 5º e 9º da Lei n. Após. autuação e distribuição do tribunal competente. no momento da distribuição da ação rescisória (cf. A petição inicial da ação rescisória deve ser apresentada na seção de registro. salvo disposição em contrário no respectivo regimento interno. ocorre o registro e a autuação. como as leis de custas e os regimentos internos dos tribunais. Não sendo sanado o vício pelo autor. caput. É o que ocorre no Superior Tribunal de Justiça. a necessidade do pagamento de custas iniciais na ação rescisória. sob pena de indeferimento”. o relator deve conceder ao autor dez dias para que emende a petição inicial. Feita a distribuição.

entretanto. 189. Não importa. para finalizar. em cinco dias. 1991. Decorrido in albis o decêndio. deduz como causae petendi circunstâncias fáticas que encontram correspondência normativa na disciplina dos incisos V e IX. 488. 485. embora fazendo menção aos incisos III e VI do art. dabo tibi ius e iura novit curia9. a decisão monocrática de indeferimento da petição inicial da ação rescisória pode ser impugnada por meio de agravo regimental (melhor dito. Já a petição inicial contaminada por vício insanável deve ser indeferida desde logo pelo relator. 8. Enquadramento legal. p. Tudo indica que não. concluiu o eminente Ministro: “Consigne-se. Ação rescisória. Recurso especial — Algumas questões de admissibilidade. oportunidade na qual estabelece o prazo para a apresentação 9. III — Se o postulante. 1687). p. atribuindo correta qualificação jurídica às razões expostas na inicial. tenha invocado erradamente. 284. o que impede o aproveitamento do recurso inadequado. CPC. Consoante o artigo 9 da Lei n. No mesmo sentido. agravo interno). Em tópico destinado ao princípio iura novit curia. devem-se prestigiar os princípios da mihi factum. o relator também deve determinar a emenda da petição inicial da ação rescisória sem pedido específico de novo julgamento da causa primitiva.08. Se os fatos estão devidamente esclarecidos na petição inicial e permitem a incidência de algum permissivo de rescindibilidade que não foi evocado pelo autor. 258 . Diário da Justiça de 15 de fevereiro de 199. nos termos dos artigos 295 e 495 do Código de Processo Civil.Por força dos artigos 282. incumbindo ao juiz conferir-lhes adequado enquadramento legal. Recurso desacolhido. e 490. IV — O que não se admite é o decreto de procedência estribado em fundamentos distintos dos alinhados na peça vestibular” (REsp n. na jurisprudência: “Processo civil.958/SP. 4ª Turma do STJ. acolha a pretensão rescisória. inciso I. de 1990. o relator deve determinar a citação do réu. Resta saber se a petição inicial com irregularidade no enquadramento dos fatos narrados às hipóteses de rescindibilidade previstos nos incisos do artigo 485 é inepta e deve ser indeferida pelo relator. II — Ao autor cumpre precisar os fatos que autorizam a concessão da providência jurídica reclamada. ou deixado de invocar o inciso pertinente do art. 485 do Código de Processo Civil”. quando indispensável o iudicium rescissorium. Se o autor pretende ter havido violação da lei deve indicá-la. I — Os brocardos jurídicos iura novit curia e da mihi factum dabo tibi ius são aplicáveis às ações rescisórias. Também em sentido conforme. nada obsta que o julgador. inciso IV. Se a petição inicial estiver em ordem. cabe ao relator proferir decisão monocrática de indeferimento da petição inicial. na doutrina: EDUARDO RIBEIRO DE OLIVEIRA. iura novit curia. Causa de pedir. que raciocínio análogo aplica-se à ação rescisória. A interposição de apelação contra a decisão monocrática indeferitória da inicial configura erro inescusável. 7.

Por oportuno. Há respeitável doutrina em sentido contrário: JOSÉ RIBAMAR MORAES. 95. Código. já que. E. Resta saber se o artigo 188 do Código alcança a contestação à ação rescisória. comentário 1. Pelos mesmos motivos. p. Ainda em matéria de resposta. Portanto. Na verdade. p. AR 78. Comentários. em última análise. O labirinto da ação rescisória. 67. º Grupo de Câmaras do 2º TACivSP. Revista dos Tribunais.018-1 — AgRg. dentre eles o previsto no artigo 491. 5º Grupo de Câmaras Civis do TJSP. 190. Tudo indica que não94. Diário da Justiça de 6 de agosto de 1990. Com a mesma opinião. sob pena de o prazo máximo previsto no artigo 491 poder ser ultrapassado.das respostas (contestação. 1ª Turma do STF. impugnação ao valor da causa. 2ª Seção do STJ.960-7/RJ. 90. p. 45. e AR n. Volume V. na jurisprudência: AR n. 2º Grupo de Câmaras Civis do TJSP. 955. RJTJSP. 19. 94. Revista dos Tribunais. É que o artigo 188 não pode ser estendido aos prazos judiciais. pág. não seria observado o prazo máximo de trinta dias nele fixado. 177. na jurisprudência: RE n. Contra. uma das justificativas para a possibilidade da fixação do prazo da contestação em trinta dias parece ser a existência de litisconsórcio passivo. 250/MT — AgRg. p. 4ª ed. 259 . não se presumem. 286. e NERY JUNIOR. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. na lei. p. se o relator já tem tal competência à luz das peculiaridades do caso concreto. o eminente processualista defendeu a tese em acórdão do qual foi redator: AR n. Registre-se que o relator deve efetuar em relação à petição inicial da recon- 94. consoante o proêmio do artigo 491 do Código de Processo Civil. e AR n..79. Também em sentido contrário. palavras inúteis: verba cum effectu sunt accipienda. 16. o réu só pode ajuizar verdadeira ação rescisória reconvencional. volume 571. 4º Grupo de Câmaras do TJRJ. exceções e reconvenção). p. Diário da Justiça de 8 de outubro de 1982. 1999. parece não ser possível a incidência do artigo 191 do Código de Processo Civil95. é admissível reconvenção. segundo princípio de hermenêutica jurídica. A adoção da tese — em prol da aplicação do artigo 188 — conduz à inutilidade do artigo 491. 80. volume 547.. Também no mesmo sentido. O labirinto da ação rescisória. volume 60. 1998. Realmente. Revista dos Tribunais. p. 45. de quinze a até trinta dias.528-2 — AgRg. na doutrina: JOSÉ RIBAMAR MORAES. 7ª ed. nada justifica a duplicação do prazo para os litisconsortes com advogados diferentes. desde que o réu tenha como alvo capítulo do julgado rescindendo favorável ao autor. volume 104.

. Por tal razão. 1998. em cinco dias. a coisa julgada é direito indisponível. 167. deve ser observado o disposto nos capítulos destinados às “providências preliminares” e ao “julgamento conforme o estado do processo”. Já a exceção de incompetência relativa parece ser de difícil ocorrência na ação rescisória. na literatura estrangeira: AMÂNCIO FERREIRA. na jurisprudência: AR n. Civ. “no que couber”. 319 do C. Com efeito. e JOSÉ RIBAMAR MORAES. ao contrário do que ocorre na maioria das ações. tanto que enseja a apreciação oficial em qualquer grau de jurisdição. volume 256. Volume V. p. p. a ausência de contestação à rescisória não gera a presunção — nem mesmo relativa — da veracidade dos fatos narrados na petição inicial96. Manual. É imaginável a ocorrência de vícios em razão da matéria e da hierarquia. Diário da Justiça de 22 de abril de 1996. não se aplica no juízo rescisório”. 7ª ed. Por tudo. e AR n. reforça o enunciado n. p. consoante o disposto no artigo 267. onde se afirma que. 16. 98 da Súmula do Tribunal Superior 96. os fatos afirmados pelo autor reputar-se-ão verdadeiros. p. Também com a mesma opinião. 0: “A norma do art. Também em relação às respostas possíveis. Por fim. AR n. p. De acordo. 260 . p. o rito ordinário só é aplicável apenas no que for compatível com o instituto da rescisória. Pr. o relator pode proferir decisão de indeferimento liminar da petição inicial da ação reconvencional. Câmaras Cíveis Reunidas do TJMS.596/RS. Com efeito. já que a ação rescisória versa sobre direito indisponível. º Grupo de Câmaras do 2º TACivSP.  e 7. do Código de Processo Civil. volume 571. Incide. 1. p. Revista dos Tribunais. À luz da segunda parte do artigo 491 do Código de Processo Civil. ª Turma do STJ. nos termos do artigo 490 do Código de Processo Civil. 12566. inciso V e § º. Comentários. a ser suscitada como preliminar na contestação.79. pois o artigo 19 e o inciso II do artigo 0 são incompatíveis com o instituto da rescisória. Da aludida decisão monocrática também é cabível agravo regimental (melhor dito. Assim. Diário da Justiça de 5 de março de 1990. 286. com o cabimento de agravo regimental (ou agravo interno) contra a respectiva decisão monocrática proferida pelo relator. o réu ainda pode aviar as exceções de impedimento e suspeição. O labirinto da ação rescisória. 19/SP. 1ª Seção do STJ. que ocasionam a incompetência absoluta. Com efeito. REsp n. 2000. agravo interno). incontestada a ação. findo o prazo para a apresentação das respostas do réu.95. o inciso II do artigo 320. Revista Forense.venção o mesmo controle da petição inicial da ação rescisória principal. 2. o réu ainda pode apresentar impugnação ao valor da causa à luz do artigo 261 do Código de Processo Civil.. na doutrina pátria: BARBOSA MOREIRA. ao revés. 192. 19.

De acordo: CALMON DE PASSOS. Apresentado o parecer. o relator pode delegar a juiz de primeiro de grau a competência para a respectiva instrução probatória. 259 e 264.. conforme dispõe o artigo 55. 1975. Assim sendo. 261 . a secretaria do tribunal expedirá cópias autenticadas do relatório e as distribuirá entre os juízes que compuserem o tribunal competente para o julgamento”. INAPLICÁVEIS OS EFEITOS DA REVELIA. Recursos. reforçado pelo artigo 262 do Regimento Interno de 1980. Resta saber se o relator pode determinar de ofício a produção de provas que entender necessárias. cada uma das partes tem dez dias para a apresentação de razões finais. o que se ataca na ação é a sentença. p. é possível concluir que o parquet atua na ação rescisória no mínimo como custos legis. p. p. Volume III. volume 246. p. Direito. 29. 429. O labirinto da ação rescisória. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. p. 1996. O Ministério Público. do Código de Processo Civil. No prazo fixado pelo relator à luz do artigo 492.do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. Volume II. IVAN DE HUGO SILVA. Não é demais lembrar que a delegação de atos instrutórios a juiz a quo configura faculdade atribuída ao relator da ação rescisória. Sendo necessária a produção de outras provas além das já carreadas aos autos. “Devolvidos os autos pelo relator. Curso. 1978. A interpretação do artigo 10 conduz à resposta afirmativa. já que também pode intervir como parte. cuja intervenção é obrigatória97. inciso III. Após. p. 651. 11ª ed. Porém. Aide. ato oficial do Estado. Rescisória. 252. a revelia não produz confissão na ação rescisória”. combinado com os artigos 52. do Código de Processo Civil. e VICENTE GRECO FILHO. É o que revela o artigo 49 do Código de Processo Civil. caput e parágrafo único. o juiz de primeiro grau deve determinar a remessa dos autos ao tribunal. 19ª ed. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 70. 6. AUSÊNCIA DE DEFESA. inciso X. JOSÉ FREDERICO MARQUES.. 2ª ed. Finda a instrução probatória. É o que se infere do artigo 82. Em suma. p. conforme o disposto no parágrafo único do artigo 261 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Volume I. nos termos do artigo 549. JOSÉ RIBAMAR MORAES. CARLOS OCTAVIO DA VEIGA LIMA.. e considerando que a coisa julgada envolve questão de ordem pública. cabe agravo interno para o colegiado contra a respectiva decisão monocrática. e 262. Na ação rescisória. Revista Forense. Manual. o relator lança o relatório nos autos. os autos são remetidos ao Ministério Público. 97. 1997. acobertado pelo manto da coisa julgada.

até mesmo — e especialmente — ao relator da ação rescisória. “será revisor o juiz que se seguir ao relator na ordem descendente de antigüidade”. caput e § 2º. caput e § 2º. a pauta é afixada na entrada da sala do colegiado competente.À vista do caput artigo 551 do Código de Processo Civil. Cabe ao presidente designar a data do julgamento. assim como pelo artigo 40. os autos sobem à conclusão do revisor. Por fim. a secretaria do tribunal deve remeter cópias da emenda aos outros juízes que compõem o órgão julgador. inciso I. ocorre a publicação no órgão oficial de imprensa. por turma ou pelo Pleno da própria Corte Suprema. do Código). do Código de Processo Civil. se o revisor efetuar aditamento ao relatório. que. II . 12. “na ação rescisória. 8. À luz do enunciado n. após o pedido de dia para julgamento da ação rescisória pelo revisor. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. caput. reforçado pela compatibilidade do artigo 25 com o § 2º do artigo 551. Por força do § 1º do artigo 551. letra “c”. determinando a inclusão da ação rescisória em pauta.pedir dia para julgamento dos feitos nos quais estiver habilitado a proferir voto”. tendo em vista o disposto no artigo 126 do Código de Processo Civil. É o que dispõe o artigo 552 do Código de Processo Civil. da Lei n.sugerir ao Relator medidas ordinatórias do processo que tenham sido omitidas. Realmente. artigo 551. conforme o disposto no artigo 552. completar ou retificar o relatório. JUlgAmENTO DA AçãO RESCISÓRIA A ação rescisória é julgada por órgão colegiado de tribunal judiciário. após a revisão do relatório. 252 da Súmula do Supremo Tribunal Federal.confirmar. pede dia para julgamento (cf. A teor do artigo 6º. os autos devem ser apresentados ao presidente do órgão colegiado competente. última parte. pelo presidente.08. III . reforçado pelo artigo 262. compete ao Plenário processar e julgar originariamente a ação rescisória de julgado proferido por relator. as ações rescisórias são julgadas pelos órgãos coletivos indicados nos regimentos internos dos tribunais e nas leis de organização judiciária. Por força do artigo 49. Após a inclusão da ação em pauta. parte final e incisos. não estão impedidos juízes que participaram do jul262 . As atribuições do revisor constam do didático artigo 25 do Regimento Interno de 1980: “Compete ao Revisor: I . Em seguida. inciso I. Posteriormente. o presidente do colegiado designa dia para julgamento. de 1990. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Tudo indica que o preceito alcança os demais tribunais. do Código de Processo Civil.

MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA. e NERY JUNIOR e ROSA NERY. Curso. com a observância dos artigos 556. p. Em sentido conforme. 167. 652. 7ª ed. 1979. estando o artigo 554 inserto no capítulo que cuida “da ordem dos processos no tribunal”. p. 42 e 45. p. O artigo 14. o relator faz a exposição da causa. 4ª ed. a regra é a de que o julgamento da ação rescisória é dividido em três etapas. 1974.. comentários 1. após as sustentações orais. Volume I. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 1999. Sem dúvida. 560 e 561. a ação rescisória dá ensejo à formação de novo processo. 2 e . 99. os advogados das partes podem sustentar oralmente as razões finais. p. tudo indica que o preceito deve ser aplicado. O labirinto da ação rescisória. resta tratar da sessão de julgamento.. o julgamento da ação rescisória é geralmente realizado em três etapas consecutivas99. o presidente concede novamente a palavra ao relator para a prolação do primeiro voto. Após. 59. assim como que os magistrados que proferiram decisão ou voto no processo anterior não estão impedidos. Depois. diverso daquele em que prolatado o decisum rescindendo. do Código de Processo Civil proíbe o exercício da atividade judicante apenas no mesmo processo em que o magistrado proferiu decisão. o tribunal verifica se em tese há o 98. Ação rescisória. Portanto. rescindendo e rescisório —. Porém. A primeira está consubstanciada no juízo de admissibilidade da ação rescisória. e a ação rescisória no título que trata “do processo nos tribunais”. Do processo nos tribunais. inciso III. na doutrina: SÉRGIO RIZZI. Nela. os vogais passam a votar. Sem dúvida. Noticiado que o julgamento ocorre em órgão coletivo. 957. 20 e seguintes. vota o revisor. tem-se a realização do julgamento propriamente dito.. É o que revelam os artigos 55 e 554. p. p. 26 . o magistrado que proferiu a decisão impugnada ou que participou da votação no colegiado não está impedido de participar do julgamento da ação rescisória98. Em seguida. Código. Volume V. Realmente. Em seguida. 1998. Os votos devem ser proferidos em relação a cada juízo — de admissibilidade.gamento rescindendo”. Diante do silêncio da legislação de regência. Em primeiro lugar. nos termos dos artigos 560 e 561. 19ª ed. 1997. JOSÉ RIBAMAR MORAES. aplica-se o artigo 554 no particular. Sem dúvida. Assim: BARBOSA MOREIRA. Comentários. até mesmo em respeito do artigo 126 do Código de Processo Civil. geralmente com a leitura do relatório que já foi distribuído aos demais componentes do órgão colegiado julgador.

Curso. p. 491. enquanto no juízo de admissibilidade da rescisória ocorre uma análise em tese da possibilidade jurídica em sentido amplo. 652. que trata do julgamento do instituto lusitano similar: “o tribunal conhecerá do fundamento da revisão. o órgão julgador ingressa de 400. número 1. Antes de passar ao estudo do iudicium rescissorium. conduzem à resposta afirmativa.. 167. Sendo positivo. é importante definir se o tribunal pode. é no juízo rescindendo que o colegiado julgador verifica se houve na espécie o vício apontado pelo autor. p. 491. tudo indica que os artigos 10. É certo que não há em nosso Código preceito idêntico ao artigo 775. Portanto. 71).enquadramento em permissivo legal de rescindibilidade. 6ª ed. 42 e 45. ERNANE FIDÉLIS. 492 e 560. ou não. p. que é eliminado do mundo jurídico. 1974. É no iudicium rescindens que o tribunal decide se o julgado impugnado deve. 19ª ed. no caso concreto401. há a desconstituição do julgado. p. quando o juízo rescindendo tem resultado positivo. 264 . ou não. extinguindo o processo com julgamento de mérito. p. o órgão julgador passa à segunda etapa do julgamento: o juízo rescindendo. Sendo negativo o juízo rescindendo. e tendo em vista o disposto no artigo 126 do Código nacional. Porém. 1998. Em regra. 401. o colegiado julga improcedente a rescisória. parágrafo único. p. Sendo negativo o juízo de admissibilidade da ação. A interpretação sistemática dos artigos 10. ou não. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. segunda parte. O Professor CALMON DE PASSOS resumiu com perfeição o que ocorre na segunda etapa da ação rescisória: “Examina-se. 66. o colegiado julga inadmissível a rescisória. ou seja. converter o julgamento em diligência. Sendo positivo. O labirinto da ação rescisória. precedendo as diligências que forem consideradas indispensáveis”. do diploma português. bem como se estão satisfeitos os pressupostos processuais e as condições da ação400. 492 e 560. também denominado juízo rescindente. 1997. 70. com a desconstituição do julgado rescindendo. do Código de Processo Civil brasileiro permite a resposta afirmativa. Realmente. do vício que autoriza a rescisão.. ser desconstituído. Do processo nos tribunais. tendo em vista a existência. Em sentido semelhante: CALMON DE PASSOS. parágrafo único. já agora em sua existência concreta” (Rescisória. Volume I. determinando de ofício a produção de provas. Rescisória. Volume I. Manual. no juízo rescindente tal verificação se dá in concreto. JOSÉ RIBAMAR MORAES. extinguindo o processo sem julgamento do mérito. e MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA.

p. p. p. À vista dos artigos 488. 6ª ed. Ainda com o mesmo entendimento: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA.. inciso II. Manual. 265 . pode manter a condenação. rescindendo e rescisório sejam tomados em separado. A nova decisão. Também em sentido conforme. a rescisória é admissível e deve ser julgada procedente. na rescisória. Tendo sido o julgamento de inadmissibilidade ou de improcedência proferido por maioria de votos. ou soma de votos sobre teses diferentes”. absoluta. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. 10. 2000. 66: “O novo julgamento pode perfeitamente coincidir com o da sentença rescindida. 64). apreciando o conjunto probatório remanescente. 287. que ficou pendente após a desconstituição do julgado que o extinguiu402. É no juízo rescisório que ocorre o novo julgamento do processo primitivo. Por ser didático. mas. chegar a conclusão idêntica à do juiz de primeiro grau. à unanimidade de votos. “no juízo rescisório. perfeitamente admissível que o Tribunal. haverá somente rejulgamento da demanda apreciada pela decisão rescindida” (Ação rescisória. rejulgue o mérito. Volume II. o resultado do juízo rescisório pode ser o mesmo do julgado desconstituído40. 1999. com efeitos a partir dela própria”. É importante que os votos acerca dos juízos de admissibilidade. 1979.. merece ser prestigiado o artigo 61 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais: “Sempre que o objeto da decisão puder ser decomposto em questão ou parcelas distintas. também merece ser prestigiada a correta lição do Professor SÉRGIO RIZZI: “O vício da incompetência. quando cabível. p. o depósito é levantado pelo autor. através de decisão de igual teor àquela proferida no juízo absolutamente incompetente” (Ação rescisória. Lições. pois. Tal coincidência é perfeitamente possível. 40. porém. Manual. 1998. a fim de que não sejam somados votos acerca de juízos diversos. Com a mesma opinião: ERNANE FIDÉLIS. p. será extrínseco ao julgado. cada uma será votada separadamente para se evitar dispersão de votos. Juiz impedido profere sentença condenatória contra a parte.imediato na terceira etapa do julgamento: iudicium rescissorium. após desconsiderar a prova falsa reconhecida no juízo rescisório. A propósito. 1979. em princípio. A importância de cinco por cento também 402. na literatura portuguesa: AMÂNCIO FERREIRA. no juízo rescisório. Como bem ensina o Professor SÉRGIO RIZZI. sendo. e 494. julga inadmissível a ação rescisória ou improcedente o pedido rescindendo. 7). ou seja. o depósito exigido naquele preceito é destinado ao réu quando o tribunal. Por tal motivo. Basta imaginar a hipótese de o tribunal. em votação específica. quando ocorrente. ambos do Código de Processo Civil. 2ª ed. Volume I.

. ou se não tinha. dever dos juízes. Tais verbas não podem ser confundidas. no juízo rescisório404. sendo irrelevante o teor do julgamento proferido.. 1998. Ou a ação rescisória é julgada procedente. pelo vogal prolator do primeiro voto vitorioso. 494 que a restituição ocorrerá quando se julgar procedente a ação. 7ª ed. Tratado da ação rescisória. Após os votos dos magistrados que compõem o órgão julgador da rescisória. Volume V. favorável ou desfavorável — pouco importa — ao autor”. o autor fica livre da multa prevista no inciso II do artigo 488. Volume I. as palavras procedente e improcedente referem-se ao pedido de rescisão. mas não dos honorários advocatícios e das custas processuais tratados no artigo 20. 1976. aí. a regra é que o redator do acórdão seja o relator da ação rescisória. Consoante o disposto no artigo 20 do Código de Processo Civil. 66. ou a falta de razão. ou se não tinham. nem estão relacionadas à multa prevista no inciso II do artigo 488. p.. Também no mesmo sentido: PONTES DE MIRANDA. No texto comentado. tem-se de decidir quanto ao depósito de cinco por cento do valor da causa. sendo o revisor igualmente vencido. e não o iudicium rescissorium”. 209 e 210: “Diz o art. o acórdão é redigido pelo revisor ou. isto é. tudo nos termos do artigo 556. Há. ou das partes. p. 266 . pois não é preciso que tenha havido qualquer requerimento da parte. Está em causa o iudicium rescindens. no iudicium rescissorium. que o autor fizera. havendo julgamento de inadmissibilidade ou de improcedência da rescisória por maioria de votos. Resta saber qual o magistrado responsável pela redação do acórdão quando o relator reconsidera o seu voto anterior para acompanhar a diver- 404. e portanto ao resultado do iudicium rescindens. a parte vencida deve arcar com o pagamento dos honorários advocatícios e das custas processuais. ou aos autores. se tinha razão o autor. cabe ao relator redigir o aresto. 5ª ed. Manual. ou dos réus. e que a importância será entregue ao réu quando a ação for declarada inadmissível ou improcedente. 6ª ed. o presidente do colegiado anuncia o resultado do julgamento. ou improcedente. Ou a quantia é restituída ao autor. Sem dúvida. Convém lembrar que a condenação relativa às verbas de sucumbência não está condicionada à unanimidade de votos no julgamento realizado pelo tribunal. p. Geralmente. 548: “Ao julgar-se a ação rescisória. Portanto. independentemente do resultado do novo julgamento do processo primitivo. se for o caso. Mas quando o relator fica vencido. ou reverte em benefício do réu. a razão para a rescisão. 1998. Comentários. É o que se depreende do disposto na segunda parte do artigo 494. ou se tinham razão os autores.é devolvida ao autor quando o pedido de rescisão é julgado procedente. O presidente também designa o redator do acórdão. Ainda em sentido conforme: ERNANE FIDÉLIS. Em sentido idêntico: BARBOSA MOREIRA.

Não importa se o dissídio ocorreu no juízo rescindendo ou no juízo rescisório. Como o mérito da rescisória pode ser separado nos dois juízos. inciso III. Há orientação jurisprudencial em favor da redação do acórdão pelo próprio magistrado que suscitou a divergência. 1 da Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. RECORRIbIlIDADE O acórdão que soluciona a ação rescisória pode ser impugnado por meio de embargos declaratórios. basta a alegação — de algum dos defeitos arrolados no artigo 55 do Código de Processo Civil. ou não. pois o término do julgamento só ocorre — e. só é possível aferir se o relator é vencedor — quando o presidente do colegiado anuncia o resultado coram populo. o artigo 556 parece revelar que o redator do acórdão será o relator até mesmo quando ocorre reformulação do anterior voto para acompanhar posterior divergência. Em suma. Lavrado o acórdão. É irrelevante para o cabimento do recurso de declaração se o aresto foi proferido por unanimidade. por conseqüência. Com efeito. tudo indica que o artigo 556 do Código de Processo Civil enseja outra solução. Antes da proclamação do resultado do julgamento pelo presidente só existem votos que ainda podem ser reformulados. a regra da redação pelo relator merece ser prestigiada até mesmo quando há retratação. o acórdão também é passível de ataque por meio de embargos infringentes. Ainda que muito respeitável a orientação jurisprudencial consubstanciada no verbete. ou não. Os embargos declaratórios são cabíveis quando há a veiculação — insista-se. para o cabimento. há a publicação da ementa e do dispositivo no órgão oficial de imprensa. 13. ainda que ocorra retratação pelo relator. É o que se infere do verbete n. não retira do Juiz que apresentou a divergência a redação do acórdão”.gência inaugurada pelo revisor ou por vogal. a procedência exigida pelo artigo 50 do Código de Processo Civil pode se 267 . derivada de voto divergente. Diante de divergência no julgamento de procedência da rescisória. com sede em Brasília: “ACÓRDÃO — REDATORIA — REFORMULAÇÃO DE VOTO — A reformulação de voto por parte do Relator ou Revisor. pelo que não há como afirmar se o relator é vencedor. não tendo nenhuma importância se reconsiderou o seu voto. É o que dispõem os artigos 506. ou não. a exegese do artigo 556 permite a conclusão de que o relator será o redator do acórdão sempre que for vencedor. Realmente. 56 e 564.

primeira parte. não pode haver recurso extraordinário na relação jurídica processual em que se pede a rescisão quanto ao que se passou na relação jurídica processual em que foi proferida a sentença rescindenda. desde que por maioria. Conforme leciona Pontes de Miranda. 212. p. 268 . Ao contrário. entrarse-ia. Novas vicissitudes dos embargos infringentes. conforme se infere do artigo 50 do Código de Processo Civil. os embargos não são cabíveis quando ocorre inadmissibilidade e improcedência. Ao revés. Basta a existência de um voto vencido para a interposição dos embargos infringentes.. 295 da Súmula da Corte Suprema reforça: “São inadmissíveis embargos infringentes contra decisão unânime do Supremo Tribunal Federal em ação rescisória”. de 2001. a combinação dos artigos 488. Se isso acontecesse. 7ª ed. p. 48: “Em se tratando de recurso extraordinário contra decisão proferida em ação rescisória. p.. quando a Corte Especial reexaminou a vexata quaestio e evoluiu. 2002. não pode o Supremo Tribunal Federal apreciar a matéria julgada na decisão rescindenda. A doutrina ensina que os recursos para as cortes superiores só podem versar sobre vício surgido no próprio processo da rescisória. Assim também decidiu o Superior Tribunal de Justiça até 2004. não é possível ressuscitar defeito relativo ao processo primitivo406. pois. 1977. 21 e 214. com a redação conferida pela Lei n. conforme se infere do atual artigo 50. Comentários. desde que o dissídio tenha ocorrido no iudicium rescindens ou no iudicium rescissorium. indevidamente. a fim de permitir o conhecimento do recurso especial para interpretar não apenas os artigos 485 a 495 do 405. 188: “Concebem-se. 2ª ed.dar tanto no juízo rescindente como no rescisório.52. em tese. O enunciado n. da Constituição Federal de 1988. Volume V. e 494. desde que satisfeitas as exigências previstas nos artigos 102. Realmente. Com opinião conforme: BARBOSA MOREIRA. e 105. ou seja. Em sentido semelhante: BARBOSA MOREIRA. Os demais arestos proferidos por maioria ou por unanimidade de votos em rescisória podem ser impugnados desde logo por meio de recursos extraordinário e especial. inciso I. Em resumo. Volume VII. Comentários. acórdão tomado por unanimidade de votos não enseja recurso de embargos infringentes. relativos ao iudicium rescissorium e referentes a ambas essas etapas do julgamento do mérito da rescisória”. na relação jurídica processual extinta”. 406. com o artigo 50 permite a conclusão de que os infringentes são adequados quando o dissenso reside no juízo rescindendo e no juízo rescisório405. embargos do réu concernentes ao iudicium rescindens. os embargos infringentes são cabíveis apenas contra acórdão de procedência proferido por maioria de votos em julgamento de ação rescisória. 1998. 10. inciso III. inciso III. e SERGIO BERMUDES.

deveria o recorrente apontar objetivamente quais as violações a Lei Federal ocorridas no julgamento da própria rescisória. alterou tal procedimento.2000).665/PÁDUA. DJ de 20. também na jurisprudência do STJ: “A Corte Especial.665/SP. e não apenas repetir as supostas ofensas cometidas pelo acórdão rescindendo (exemplificativamente. a Corte Especial. Recurso especial.81/PR. 485. no recurso especial). p. V. não acolher a pretensão deduzida na ação rescisória fundada no art. Humberto Gomes de Barros. Diário da Justiça 4 de setembro de 2006). naquela via (ou seja.. no REsp 476. 485. 4ª Turma.º 6. III — Recurso conhecido e provido para se julgar procedente o pedido da ação rescisória” (REsp n. do Código de Processo Civil. Min. decidiu que não há óbice para o conhecimento de recurso especial interposto em ação rescisória que se fundamenta em ofensa a literal disposição de Lei quando.665/SP.)” (não há os grifos no original). Min.04.2006.2005. 580. porquanto não há como separar a interpretação dos artigos 485 407. no REsp n. revendo posição anterior. Colhe-se do preciso voto vencedor da Ministra Relatora: “Inicialmente. em recurso especial interposto contra acórdão proferido em ação rescisória proposta com fundamento no art. ficando decidido que não há óbice para o conhecimento de recurso especial interposto em ação rescisória que se fundamenta em ofensa a lei dispositivo de Lei se. 660. o acórdão estará contrariando aquele mesmo dispositivo ou a ele negando vigência. ORIENTAÇÃO DA CORTE ESPECIAL. Diário da Justiça de 20 de junho de 2005. Ação rescisória. deve ser citado como litisconsorte passivo necessário.03. AgRg no Ag n. No mesmo sentido.724/MA. (. relatado pelo i. o recorrente reproduz os artigos violados pelo acórdão rescindendo” (REsp n. mas também os preceitos legais referentes ao processo primitivo e que foram evocados na ação rescisória407. A nova orientação da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça merece ser prestigiada. é de se verificar que a jurisprudência do STJ havia se consolidado no sentido de que. do CPC. Contudo. Fundamentos do acórdão recorrido. Assim decidiu. DJ de 20. a Corte Especial do STJ. 269 . AÇÃO RESCISÓRIA.. a 3ª Turma já teve oportunidade de acompanhar esse entendimento. Rel. QUESTÃO DE DIREITO. Rel. MOMENTO DA FLUÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS. sem os grifos no original). I — Quando existir violação de literal disposição de lei e o julgador. Antônio de Pádua Ribeiro. no AgRg no Ag n.. 112. Aldir Passarinho Junior. assim ementado: ‘AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSO CIVIL.015/73 pode ser alcançado pela coisa julgada. SÚMULA 514/STF. ª Turma do STJ. (.06.) — O Recurso Especial pode vir calcado nos mesmos dispostivos que ensejaram a Ação Rescisória por violação literal a disposição de Lei. 476. mesmo assim.Código de Processo Civil. 167 da Lei n. alterando entendimento anterior. o recorrente reproduz os artigos violados pelo acórdão rescindendo. Corte Especial do STJ. II — Se terceiro que adquire bem a respeito de cujo litígio não há o registro exigido pelo art. AUSÊNCIA DE ARGUMENTO CAPAZES DE INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. DESNECESSIDADE DO ESGOTAMENTO DAS VIAS RECURSAIS. naquela via.. “Direito Processual Civil. DJ de 03. 476. Min. 113.596/ SP. Em recente julgamento. V. com o que dará ensejo à interposição de recurso especial com base na alínea ‘a’ do permissivo constitucional.

As decisões monocráticas proferidas desafiam agravo regimental. Por fim. Como já estudado. a interposição de apelação em sede de rescisória configura erro grosseiro. Ao revés. nos termos do artigo 9 da Lei n. decisão monocrática é o pronunciamento jurisdicional com conteúdo decisório proferido isoladamente por magistrado de tribunal. Realmente. é possível a prolação de decisão monocrática no processo da rescisória. Em síntese. agravo interno. de 1990. Quanto ao agravo retido. O que marca a decisão monocrática não é o conteúdo.08. É certo que há decisão monocrática de conteúdo interlocutório. o que torna impossível a reiteração exigida pelo § 1º do artigo 52. Aliás. 270 . mas a autoria. a interposição de agravo de instrumento ou de agravo retido configura erro inescusável. Na verdade. sob o ponto de vista técnico-processual. sentença é o pronunciamento de autoria de juiz de primeiro grau por meio do qual o processo é extinto. some-se o argumento de que não é cabível apelação em sede de ação rescisória. Tanto quanto sutil. a diferença é relevante. terminativa e interlocutória. Com efeito. ou seja.a 495 do Código de Processo Civil dos preceitos legais referentes ao processo primitivo. especialmente para a fixação da recorribilidade. não é cabível agravo de instrumento nem agravo retido. a decisão monocrática também pode ser impugnada por meio de embargos declaratórios. melhor dito. tanto a decisão monocrática de indeferimento da petição inicial da rescisória como o acórdão proferido pelo colegiado no julgamento da ação não estão sujeitos a ataque por meio de apelação. decisão interlocutória é o pronunciamento de autoria de juiz de primeiro grau que não provoca a extinção do processo. A propósito. o que impede a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. seja retido ou de instrumento. 8. também não cabe agravo do artigo 522. tendo em vista a inexistência de sentença em ação rescisória. pelo que é capaz de causar prejuízo a algum dos legitimados a recorrer. É que não há decisão interlocutória no processo da rescisória. não há prolação de sentença em tribunal. não é cabível apelação. Assim. o relator pode proferir decisão monocrática de natureza definitiva. como a lançada pelo relator ao apreciar pedido de tutela antecipada formulado na petição inicial da ação rescisória. agravo interno. Como todas as decisões jurisdicionais. tratando-se de ação rescisória. Sem dúvida. como bem revela o disposto no inciso V do artigo 485. Contra decisão monocrática cabe agravo regimental. mas possui conteúdo decisório. Realmente.

de 1890.. 156. 157 e 158. e SÉRGIO RIZZI. PONTES DE MIRANDA. Curso. ou c) com base em prova cuja falsidade tivesse sido apurada posteriormente em juízo criminal. não havia norma que versasse sobre a possibilidade de ação rescisória de julgado proferido em anterior ação rescisória. ao contrário do Código de Processo Civil italiano de 1865. Tratado da ação rescisória. p. ODILON DE ANDRADE. 19. 1947. 19ª ed. Volume V. outra ação rescisória quando a decisão prolatada na rescisória antecedente tivesse sido proferida contra literal preceito de lei411. b) com ofensa à coisa julgada. p. 1976. Em razão da matéria. 411. p. 65. Daí a explicação para a formulação de teses divergentes acerca do assunto.. 77. Cinque Codici. 111. p. Por fim. 1946. do Decreto n. 172. É o que se inferia da interpretação a contrario sensu do artigo 799. 10 e 104. 69). FRANCHI. e PONTES DE MIRANDA. 1949. Volume VI. outros. da Consolidação Ribas. não havia em nosso direito norma proibindo a rescisão de julgado proferido em ação rescisória409. Comentários. de 1850.. Volume IV. quando o julgado prolatado na rescisória antecedente tivesse sido proferido: a) por juiz peitado. Com a mesma opinião: ADA PELLEGRINI GRINOVER. o Código de 199. e Tratado da ação rescisória. AçãO RESCISÓRIA DE JUlgADO pROfERIDO Em AçãO RESCISÓRIA Ao tempo das Ordenações Filipinas — aplicáveis ao Império do Brasil por força do artigo 1º da Lei de 20 de outubro de 182 —. prevaleceu a tese da admissibilidade. Volume I. 2ª ed. 5ª ed.14. 1998. 7ª ed. BARBOSA MOREIRA. no entanto. Comentários. 271 . p. 1976. de 1898. p. . Volume IX. No sentido do texto do parágrafo: CARVALHO SANTOS. 1974. Direito processual civil. p. 574. 85. do Decreto n. do Regulamento n. 1998.. 5ª ed. 180. p. p. Código. 1979. 1946. p. e dos Códigos de Processo estaduais. Uns defendiam a sua admissibilidade.. Comentários.084. O artigo 509 do Codice di Procedura Civile de 1865 dispunha: “La domanda di rivocazione non è ammessa contro le sentenze pronunziate in giudizio di rivocazione” (cf. no artigo 799. ODILON DE ANDRADE. de 1876. ao argumento de que. 1975. 76. 92. a sua impossibilidade. 410. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR.. 90. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. 2ª ed. p. p. a propositura de ação rescisória impugnando decisão proferida em anterior ação rescisória. 409. que vedava a propositura de rivocazione contra julgado prolatado em anterior rivocazione408. 222. Volume IX. Volume IX. 1976. impedido ou incompetente ratione materiae410. Ação rescisória. L. BUENO VIDIGAL. Não admitia. O Código de Processo Civil brasileiro de 199 admitiu expressamente. 85. 408. p. Comentários. Aspectos. Comentários.

p. 4ª ed. Volume II. 1945. p. 289). p. Código. 1976. Registre-se que a própria doutrina italiana reconhece “ser difícil de justificar logicamente esta norma” (AMÂNCIO FERREIRA. p. 272 . “com formulazione più generale” (VIRGILIO ANDRIOLI. No mesmo sentido: BUENO VIDIGAL. Volume II. Repetindo. nota 458). Ao não repetir a regra inserta no artigo 799 do diploma pretérito. 2000. pois não admitia ação rescisória para afastar violação a literal disposição de lei praticada em decisão proferida em anterior rescisória. prevalecia a tese da admissibilidade. ficando silente sobre a possibilidade da desconstituição de decisão proferida em ação rescisória. na literatura portuguesa: “Por a nossa lei nada dizer em contrário.º 771” (AMÂNCIO FERREIRA. o Código de Processo Civil brasileiro de 197. 414. 156 e s. Manual. Assim. p.. 1976. 412. 2ª ed. Volume VI. 1974. 1998.. Commento. p. 5ª ed. Comentários. com base numa das anomalias das alíneas a) a g) do art. E não havia norma limitando os casos de rescisão do decisum proferido em ação rescisória412. Antes do diploma de 199. e PONTES DE MIRANDA. Código. Já o Código de 199 impôs restrição à desconstituição de decisão prolatada em ação rescisória. 46). 2ª ed. De acordo: CARVALHO SANTOS. 1982. 19ª ed. 222. Sob outro prisma. 415. 121. Manual. 41. Com o mesmo argumento. nec interpres distinguere. há autorizada doutrina: SÉRGIO SAHIONE FADEL. 2000. p. Com outra opinião.O Código de Processo Civil de 197 retornou às origens do direito brasileiro. Aspectos.. Curso. e à luz do princípio de hermenêutica jurídica consubstanciado no brocardo ubi lex non distinguit. desde que constatado algum dos vícios que autorizam a rescisão das decisões proferidas nas demais ações415. 172. a solução do problema da sua admissibilidade passa pelo estudo do nosso direito sob o ponto de vista histórico.. 90. 289. não proíbe a rescisão de decisão proferida em ação rescisória414. nas mesmas hipóteses em que é possível a desconstituição das decisões proferidas nas ações em geral. p. o Codice di Procedura Civile de 1940 estabeleceu em seu artigo 40: “Non può essere impugnada per revocazione la sentenza pronunciata nel giudizio di revocazione”.. a sentença proferida em substituição da que foi rescindida poderá igualmente ser objecto de um novo recurso de revisão. 1947. o disposto no artigo 509 do diploma de 1865. Volume IX. ao contrário dos Códigos italianos de 1865 e de 194041. Tratado da ação rescisória decisões. p. 65. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. o Código de 197 optou pela orientação original do direito pátrio: a admissibilidade da rescisão de julgado prolatado em ação rescisória. Assim. é possível desconstituir julgado prolatado em ação rescisória. Volume I. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE.

p. e SÉRGIO SAHIONE FADEL. 1. Volume IX. p. Aspectos. p. 8. 2ª ed. Pleno do STF. 1982. 1974. No sentido do texto. p. 5ª ed. p. em nova rescisória. 96. De acordo. 1946. 7ª ed. 1979. Comentários. e AR n. Volume I. 111. 417. 2ª ed. 627. 22 e 172. faz-se necessário fixar o limite a ser observado na propositura de ação rescisória de decisão prolatada em anterior rescisória.019400-6. como todas as decisões jurisdicionais.. chegou-se a afirmar que com o advento do Código de 197 as decisões proferidas em ação rescisória se tornaram irrescindíveis417. O labirinto da ação rescisória. 2ª ed. p. 8ª ed. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR.00. até mesmo em caso de violação a literal disposição de lei perpetrada em decisão proferida em anterior rescisória418. 462. 274. 1 e 2. p. Cf. Curso.10/GO. BARBOSA MOREIRA. volume 110. Código. volume 110. Só é possível discutir. MARCOS AFONSO BORGES. 19ª ed.Além do mais.01.. Volume VI. p. p. 2ª Seção do STJ. 6ª ed. PAULO LÚCIO NOGUEIRA. vícios atinentes ao decisum proferido na rescisória antecedente. 180. Ação rescisória. p. 2ª Seção do STJ.10/GO. Diário da Justiça de 27 de novembro de 1989. 27 .. 1998. 19. 9 e 94. RTJ. Ação rescisória. Comentários. p. o inconformado. Direito. Volume VI. ALFREDO BUZAID. 1998. em quaisquer das hipóteses do artigo 485 do Código vigente. 0.. AR n. 65. 4ª ed. p. Comentários. Volume I. p. Com a mesma opinião: BUENO VIDIGAL. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. p.. Diário da Justiça de 19 de outubro de 1998. 120. p. 121 e 122. portanto. repetir em outra rescisória a mesma causa de pedir que deu ensejo à propositura da antece- 416. 1991. 1. BUENO VIDIGAL. RTJ. 1974. p. PONTES DE MIRANDA. 172. e ODILON DE ANDRADE. RTJ. p.. e SÉRGIO RIZZI. p. 9. na doutrina: ADA PELLEGRINI GRINOVER. tal orientação não prevaleceu entre os doutrinadores. 418. p. 1975. tampouco logrou êxito nos tribunais. 1986.. 1975. 1976. Direito processual civil. 92. ERNANE FIDÉLIS. 85. 104. 1997. na jurisprudência: AR n... 206. p.. 1. as proferidas em ação rescisória também podem estar contaminadas pelos vícios que possibilitam a rescisão dos julgados em geral416. Volume II. Comentários. Pleno do STF. 219. 1994. 5ª ed. Comentários. 2ª Seção do TRF da 1ª Região. Vingou a tese da possibilidade da rescisão de decisum prolatado em ação rescisória. 7. Volume V. 192/SP. Afastada a tese da irrescindibilidade dos julgados proferidos em ação rescisória. 22. AR n. No entanto. Manual.. 4ª ed.168/GO. volume 110. 510 e ss. 7. 222. p. Volume II. Não pode. 1976. AR n. 1. Diário da Justiça de 11 de outubro de 199. Não obstante os argumentos acima apresentados. A ação rescisória.. 7/RJ. 1998. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. Tratado da ação rescisória. 1998. p. JOSÉ RIBAMAR MORAES. Aspectos. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. voto vencido proferido na AR n. 91. Curso. COQUEIJO COSTA. 1976. SERGIO PINTO MARTINS.

400 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA DE AÇÃO RESCISÓRIA.. 9. Tratado da ação rescisória. 1998. sendo certo que este. 1946. por má aplicação dos mesmos dispositivos de lei. COQUEIJO COSTA. numa ação rescisória de cujo julgamento tenha participado juiz peitado. 8ª ed. AR n. bem como para argüição de questões inerentes à ação rescisória primitiva”420. 7. o eminente Professor ALEXANDRE FREITAS CÂMARA indica didático exemplo de ação rescisória contra julgado proferido em anterior ação rescisória: “Nada impede que se proponha ação rescisória com o objetivo de rescindir o julgamento proferido em ação rescisória. não se admite rescisória calcada no inciso V do art. então. 420. Em reforço. não se admitindo a rediscussão do acerto do julgamento da rescisória anterior. 1976. 19 e s.. Curso de direito processual civil. 92.. 9 e 94. 104. p. Por oportuno. Na tentativa de facilitar a compreensão do limite a ser observado na propositura de ação rescisória de julgado proferido em anterior ação rescisória. com a eternização do conflito de interesses e a instabilidade nas relações jurídicas. p. 485 do CPC para discussão. Diário da Justiça de 27 de novembro de 1989. Volume V. Se assim não fosse. Resolução n. Volume I. De acordo. 1999. volume 110. nota 4). p. por exemplo. Pleno do STF. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. p. 1976. Direito processual do trabalho. e SERGIO PINTO MARTINS. 627. 1. VIOLAÇÃO DE LEI. 17. 5ª ed.. 65. PONTES DE MIRANDA. há o enunciado n. Comentários ao Código de Processo Civil. 7/RJ. 8. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. RTJ.. 7ª ed. 19ª ed. p. o que poderia permitir alteração daquele julgado original. 2ª ed. p. p. Pleno do STF. Ação rescisória. 96. 85 e 86. o vício apontado deve nascer na decisão rescindenda. volume 110..dente419. seguem dois exemplos421: 1º) O autor A ajuizou ação sob o rito ordinário contra o réu R.10/GO. 24. Requereu a condenação do réu R ao pagamento de indenização por dano moral. 6ª ed. permitirá que se julgue novamente a matéria objeto daquele primeiro processo” (Lições de direito processual civil. Cf. 419. p.. p. tidos por violados na rescisória anterior.. 2ª Seção do STJ. Basta pensar. 2ª Seção do STJ. com voto vencedor. 4ª ed. BUENO VIDIGAL. Volume I. o vício alegado na primeira rescisória poderia ser ressuscitado em outras ações rescisórias. p. 14. 1998. RTJ. 1998. Diário da Justiça de 11 de outubro de 199. 192/SP. 421. 2ª ed. ERNANE FIDÉLIS.. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 1. ODILON DE ANDRADE. 274 . 216 e 217. 1998. Manual de direito processual civil. ao ser rescindido. na jurisprudência: AR n. No sentido do texto. Volume II. e AR n. Volume IX. Comentários ao Código de Processo Civil. Comentários ao Código de Processo Civil. 1986. Volume VI. 510. Em se tratando de rescisória de rescisória.168/GO. o julgamento da ação rescisória. INDICAÇÃO DOS MESMOS DISPOSITIVOS LEGAIS APONTADOS NA RESCISÓRIA PRIMITIVA. Rescindível será. AR n. p. Assim.

Tanto que a 1ª Seção do TFR. à unanimidade de votos. A Seção Cível do Tribunal. julgou improcedente a ação rescisória. inciso X. o autor A propôs ação rescisória para desconstituir a sentença. inciso V. A 1ª Turma Cível do Tribunal. do Código de Processo Civil. mais uma vez. Posteriormente. do Código de Processo Civil. decidiu que “tendo o julgamento sido proferido com infringência ao disposto no art. inciso VI. o réu R verificou que o julgamento ocorreu apenas vinte e quatro horas depois da publicação da pauta. “A inobservância do prazo de 48 horas. o réu R apelou. Bateu-se. A reiteração da primeira rescisória é revelada pela identidade das causas de pedir: ofensa ao artigo 186 do Código Civil e ao artigo 5º. 552. pois se trata de mera repetição da rescisória antecedente. Na 422. Em seguida. inciso V. Não se dando por vencido. caput e § 2º. 551. sem a participação do seu advogado. inciso X. ainda. julgou improcedente a ação rescisória. O acórdão passou em julgado.O juiz de primeiro grau julgou improcedente a demanda. O juiz de primeiro grau julgou procedente a demanda. Na hipótese. O aresto transitou em julgado. em ambas as ações rescisórias foi suscitado vício referente ao processo primitivo. Com efeito. Reiterou o argumento de que houve violação à literalidade do artigo 186 do Código Civil. o réu R ajuizou outra ação rescisória. que os autos não foram conclusos ao revisor. Apoiando-se nos artigos 485. à unanimidade de votos. O acórdão transitou em julgado. entre a publicação de pauta e o julgamento sem a presença das partes. propôs ação rescisória com fulcro no artigo 485. Constatou. Apoiando-se no inciso V do artigo 485 do Código de Processo Civil. do Código de Processo Civil. apoiando-se na prova pericial referente ao DNA. da Constituição de 1988. O prazo recursal decorreu in albis. o autor A ajuizou nova ação rescisória com fulcro no artigo 485. e 552. Inconformado. 2º) O autor A ajuizou ação de investigação de paternidade contra o réu R. pela condenação do réu R ao pagamento de indenização por dano moral. vez que a violação de literal disposição de lei pode ocorrer tanto de error in iudicando como de error in procedendo” 275 . tendo o próprio relator pedido dia para julgamento. ao fundamento de que houve ofensa ao artigo 186 do Código Civil de 2002 e ao inciso X do artigo 5º da Constituição Federal. o réu R constatou a falsidade da prova pericial. cabe ação rescisória para desconstituir o acórdão dele resultante. § 1º. Por tal razão. negou provimento ao recurso. § 1º. da Constituição Federal. acarreta nulidade” (verbete n. a nova ação rescisória é inadmissível. A Seção Cível do Tribunal. o que explica a inadmissibilidade da nova rescisória. bem como do artigo 5º. 117 da Súmula do STJ). todos do Código de Processo Civil422. à unanimidade de votos. à unanimidade de votos. surgida no processo originário.

volume 164. O que não é permitido é repetir em outra ação rescisória a causa de pedir que deu ensejo à antecedente. o direito brasileiro admite ação rescisória de decisão proferida em anterior ação rescisória. RTFR. Além do mais. 24. 665). Recurso extraordinário conhecido e provido” (RE n.hipótese.218/RS. p. volume 96. p. e não da ação originária. 551. nos casos em que exigida em lei — CPC. § 2º” (REsp n. 4ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 28 de setembro de 1992). 276 . No mesmo sentido é a jurisprudência. A nova ação rescisória só pode versar sobre vício diretamente ligado ao processo da anterior rescisória. 552 do Código de Processo Civil. 1ª Turma do STF. 11). art. e não no da ação de investigação de paternidade. (AR n.440/RJ. 85. RTJ. a nova ação rescisória é admissível. 870/RJ — EI. Julgamento nulo por não observado o prazo previsto no § 1º do art. já que os alegados vícios ocorreram no processo da anterior rescisória. conforme se depreende da ementa do seguinte precedente: “Ação rescisória. “é nulo o julgamento sem revisão. Em síntese.

todos do Código de Processo Civil424. 424.029 e 1. que não dependem de sentença. 2ª ed.Capítulo XI AÇÃO ANULATÓRIA 1. 545.029. À vista do artigo 485 do Código de Processo Civil. Na verdade. excludente da anulatória. prescreve que ‘os atos judiciais.. a ação anulatória não é admissível contra as decisões judiciais de mérito. nos termos da lei civil’. marcadas pela resolução definitiva do litígio gerador do processo contencioso. bem assim nos artigos 178 e 2. 277 . ambos do Código Civil de 2002. inciso I.030 do mesmo diploma. CONCeITO A anulatória é a ação de conhecimento cujo escopo é a desconstituição de atos jurídicos viciados praticados pelas partes423 em processos judiciais e de decisões judiciais de simples homologação daqueles (atos jurídicos viciados). sem o grifo no original). podem ser rescindidos. trata-se da ação prevista nos artigos 352. a ação própria é a rescisória. cuja hermenêutica há de ser conjugada com os arts. mas também os atos praticados por terceiros intervenientes no processo igualmente são passíveis de ação anulatória. Direito civil brasileiro. em virtude da atuação judicial na solução do conflito de interesses. 2. na doutrina: “O art. como os atos jurídicos em geral. PRAzO Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Em contraposição. não protegidas pela coisa julgada material. ou em que esta for meramente homologatória. Também em prol da interpretação sistemática. 486 do Código de Processo Civil. 1. Sob o prisma legislativo. Volume VIII. não só das partes originárias. consoante apontado pela doutrina” (CARLOS ROBERTO GONÇALVES. a ação anulatória 423. 486 e 1. que deve ser entendida como ‘anulados’. 2008.027. Tal dispositivo incide em impropriedade terminológica quando usa a palavra ‘rescindidos’. p.

na doutrina: HAMILTON DE MORAES E BARROS. 3ª ed. 2007. p. o qual é próprio para a ação rescisória425. PROCedImeNTO e COmPeTêNCIA Ao contrário da ação rescisória. Ação rescisória. 87. Ainda em sentido conforme. na doutrina: CARLOS ROBERTO GONÇALVES. a exceção de um ano) do Código Civil de 2002. 426. 2007. é preciso afirmar que não se aplica à ação anulatória o disposto no art. 278 .. Dos procedimentos especiais do Código de Processo Civil. 546 e 547. De acordo. p. p. 2007. Também no mesmo sentido. Na verdade. 273). Em virtude da natureza constitutiva426 da ação anulatória. são decadenciais os prazos previstos no artigo 178 (ou seja. 1999.2 do presente capítulo. Assim.027 (isto é. Com efeito. 1974. 2008.não está sujeita ao prazo previsto no artigo 495 do Código de Processo Civil. a regra de quatro anos) e no artigo 2. a ação anulatória não segue procedimento especial e nem reside na competência originária de tribunal. 273). 1ª Turma do STF. Comentários ao Código de Processo Civil. 262. a regra consagrada no artigo 178 do Código Civil não é absoluta. 334. 495 do CPC” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. constitutiva negativa. 8729. Melhor dito. 105 e 106). 2ª ed. a ‘ação anulatória’ é de competência originária dos juízos de primeira instância” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. desconstitutiva. parte final.. p. é do juízo de primeira instância” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. p. 425. isto é. p. Volume IX. Ação rescisória.651/RS. do Código de Processo Civil. Com efeito. Volume VIII. 428. com transcrição em nota de rodapé inserta no posterior tópico 4. porquanto a ação anulatória de partilha amigável tem prazo específico previsto no artigo 1.027 do Código Civil: um ano. aqui. na jurisprudência: RE n. Direito civil brasileiro. 427. na doutrina: “A ação anulatória não leva a que se instaure processo de competência originária dos tribunais. na doutrina: “Além disso. De acordo. a ação anulatória segue o procedimento comum ordinário427 e reside na competência de juízo de primeiro grau de jurisdição428. e ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. Não obstante. 3. Ação rescisória. “enquanto a ação rescisória é de competência originária dos tribunais. o prazo geral para a ação anulatória reside no artigo 178 do Código Civil: quatro anos. A competência. Diário da Justiça de 1º de junho de 1984.029 do Código de Processo Civil e no artigo 2. p. A regra do artigo 178 do Código Civil é aplicada por força do artigo 486.

p. Assim. p. Diário da Justiça de 23 de agosto de 2007. AÇÃO ANULATÓRIA. remição e adjudicação são impugnáveis através da ação anulatória. Diário da Justiça de 21 de março de 1985).4. AÇÃO ANULATÓRIA E AÇÃO RESCISÓRIA: QUANDO TEM CABIMENTO.1. 1ª Turma do STJ. SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA DE ADJUDICAÇÃO. Diário da Justiça de 7 de junho de 1993. 486. p. 4ª Turma do TFR. Anulação. não tendo sido oferecidos embargos à adjudicação. sendo inadmissível a exigência de ser movida Ação Rescisória”. 245). Para a desconstituição de ato de arrematação. 1. de sentença de mérito com trânsito em julgado. anulatória.105/RJ. porém. II — No caso. 6ª Turma do TFR. 279 . cabível era a ação anulatória” (REsp n. Anulação. CPC). como os atos jurídicos em geral. 86. Apelação provida” (Apelação n. será necessária ação rescisória para anular a decisão neles proferida. se. 486. Recurso especial provido” (REsp n. Por fim. “PROCESSUAL CIVIL. 2. 3ª Turma do STJ. 4ª Turma do STJ. A arrematação pode ser desfeita através de ação de anulação. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. 2ª Turma do STJ. A pretensão de desconstituição da arrematação não pode ser examinada nos autos do processo de execução quando já houve a expedição da respectiva carta e sua transcrição no registro imobiliário. 430.255/BA. na jurisprudência: REsp n. Diário da Justiça de 5 de junho de 1995. Diário da Justiça de 13 de junho de 2005. e não a ação rescisória. Diário da Justiça de 18 de abril de 1994: “A arrematação é anulável por ação ordinária (art. no caso. ARREMATAÇÃO. 33. contra os atos jurídicos viciados praticados pelas partes nos processos judiciais e as decisões judiciais de simples homologação dos mesmos. 11245). Adjudicação. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. HIPÓTeses de AÇÃO ANULATÓRIA 4. mas em ação autônoma. em face da inexistência. 486 DO CPC. prevista no art. 1ª Turma do STJ. cabe a via ordinária e não a ação rescisória. DESCONSTITUIÇÃO. 755. Aplicação do art.260/SP.553/RJ.155/PR. I — A ação adequada para anular a arrematação de bem imóvel. 16670). 146. Diário da Justiça de 15 de maio de 1986). 3. como os atos jurídicos em geral.123/MG. ART. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. 49. Ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil O artigo 486 do Código de Processo Civil versa sobre duas hipóteses gerais de ação anulatória. De acordo. Ainda em sentido conforme. II — Agravos retidos não conhecidos. sua respectiva carta e sua matrícula e registro no cartório competente é a ação anulatória. DESCONSTITUIÇÃO. p. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. ARREMATAÇÃO. Também no mesmo sentido: “ARREMATAÇÃO. EXECUÇÃO FISCAL. forem apresentados embargos à adjudicação.694/RS. e não de ação rescisória” (REsp n. é adequada a ação anulatória contra os atos e as respectivas decisões homologatórias de adjudicação429. 486 do CPC. Precedentes jurisprudenciais. I — A adjudicação é anulável por ação ordinária. 286). 486 do Código de Processo Civil. sendo incabível o ajuizamento da ação rescisória” (REsp n. 90. nos termos do art. As sentenças homologatórias de arrematação. de arrematação430 e 429. ART. 486 do CPC. III — Apelação provida” (Apelação n. Ainda em sentido conforme: “Processual civil. À luz do artigo 486.

para invalidar arrematação. A propósito. Só quando há sentença de mérito. na jurisprudência: “Processo civil. A arrematação é anulável por ação ordinária. p. na doutrina: JOSÉ FREDERICO MARQUES. Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul. ARREMATAÇÀO E REGISTRO IMOBILIÁRIO. não há o grifo no original).de alienação (artigo 685-C) em processos judiciais. Ação rescisória. Desconstituição. p. como os atos jurídicos em geral. p. Porto Alegre. porquanto as respectivas decisões não são de simples homologação. Anulação. AÇÃO ANULATÓRIA. como os atos jurídicos em geral. e SÉRGIO RIZZI. Arrematação. desde que não tenham sido oferecidos os embargos respectivos. na forma prevista no art. 486 do CPC. 280 . 432. em ordem a ensejar a sentença pertinente. Diário da Justiça de 21 de novembro de 1994. Diário da Justiça de 16 de maio de 1994. p. se. a rescisória só é adequada contra sentença de mérito. é inadmissível a ação anulatória contra as sentenças (e os posteriores acórdãos) provenientes de embargos à adjudicação. 1979. de verdadeira resolução do mérito do litígio veiculado na ação de embargos. Com a mesma opinião do texto do parágrafo. à arrematação e à alienação (artigo 746). 22 e 25. não há o grifo no original). 5ª Turma do TFR. 11746. razão pela qual a ação apropriada é a rescisória433. é que a desconstituição exige ação rescisória” (REsp n. Reforça o novo inciso I do enunciado n. quando apresentados embargos à arrematação. 1988. vale dizer. p. Precedentes desta Corte e do Alto Pretório” (Apelação n. porém. 264. 229. 433. sim. Diário da Justiça de 25 de setembro de 1986. 3ª Turma do STJ. Também em sentido conforme: “PROCESSUAL CIVIL. Também em sentido conforme. Ainda no mesmo sentido: “Processual civil. 486 do CPC).041/SE. 399 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “É incabível ação rescisória para impugnar decisão homologatória de adjudicação ou arrematação”432. INTIMAÇÃO PRÉVIA. que devem ser atacadas por ação ordinária”431.956/SP. Anais do VIII Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada. mas. Cf. a ação anulatória tem lugar contra as sentenças homologatórias proferidas nos processos de jurisdição volun- 431. 35. Em contraposição. 1975. Resolução n. 31762. Na sistemática processual atual. arrematação ou remição. 14 do 8º Encontro dos extintos Tribunais de Alçada: “Incabível é a ação rescisória contra sentenças homologatórias de adjudicação.054/SP. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. 30. será necessária ação rescisória para anular a decisão neles proferida” (REsp n. Ainda à vista do artigo 486. I — A arrematação é anulável por ação ordinária. forem apresentados embargos à arrematação. merece ser prestigiada a antiga conclusão n. 2ª Turma do STJ. 137. Arrematação. Manual de direito processual civil. 83. não há o grifo no original). Idoneidade da ação anulatória (art.

435. Na jurisdição voluntária não há processo. Código de Processo Civil de 1939. mas. 1979. não é meio idôneo para desfazer decisões proferidas em processos de jurisdição voluntária e graciosa. A declaração de nulidade de aditivo à inicial. para julgar a autora carecedora da ação” (não há o grifo no original). 1ª Turma do STF. Por fim. 1979. as sentenças — ainda que homologatórias — proferidas em processos contenciosos são impugnáveis mediante ação rescisória437. Doutrina da matéria. No mesmo sentido. por exemplo. De acordo. mormente quando a pretensão é formulada por quem não foi parte do feito administrativo. “Ação rescisória. O juiz e a função jurisdicional. em virtude da ausência de litígio e da inexistência de coisa julgada material435. A ação rescisória. Exceção ao princípio. não há lide. não assinado pelo casal. p. 271). p. Por exemplo. e.348/CE. na jurisprudência: “1. É anulável. MÁRIO GUIMARÃES. Código de Processo Civil de 1973. art. não suscetíveis de trânsito em julgado. 486. 5. 436. Ainda em sentido conforme. 422: “Não cabe ação rescisória de sentença homologatória de separação consensual. por exemplo. 800. deve ser perseguida em ação ordinária (art. Ação rescisória. 404 e 405. sim. pelo advogado. 434. na jurisprudência: RE n. Recurso extraordinário provido” (RE n. face à inexistência de lide. por ser aquêle processo de jurisdição contenciosa” (RE n. também merece ser prestigiada a seguinte lição: “A ação anulatória será cabível sempre que houver fundamento para impugnar sentença homologatória que não seja apta a alcançar a autoridade de coisa julgada material. Manual de direito processual civil. Tratando-se de ratificação necessária à homologação da fase executória da divisão e demarcação. não há sentença de mérito. Diário da Justiça de 27 de março de 1981. RSTJ. Em contraposição. através de ação anulatória (art.tária434. na jurisprudência: “SENTENÇA — ANULAÇÃO — JURISDIÇÃO GRACIOSA — A anulação de sentença simplesmente homologatória proferida em processo de jurisdição graciosa há de ser intentada como a dos atos jurídicos em geral.625/SP. volume 256. incabível é a ação anulatória. a sentença homologatória proferida em processo de separação consensual436 é passível de impugnação mediante ação anulatória (quando não há mais tempo hábil para a interposição de recurso processual). 1958. na jurisprudência: REsp n. Com o mesmo entendimento. 2007. p. na sentença que homologa divórcio consensual)” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. com as sentenças de jurisdição voluntária (pense-se. sem o grifo no original). 1975. 62: “As sentenças proferidas em procedimentos de jurisdição voluntária são anuladas como os atos jurídicos em geral. 30 e 31: “Todas as sentenças proferidas em procedimentos de jurisdição voluntária são irrescindíveis.810/RJ. volume 17. p. É o que se dá. 1ª Turma do STF. Diário da Justiça de 15 de setembro de 1978: “AÇÃO RESCISÓRIA — PRESSUPOSTO. 3ª Turma do STJ. através de ação anulatória. e SÉRGIO RIZZI. Revista Forense. De acordo. 437. Diferença entre a anulatória e a rescisória. 2. 2. 286). mas. a rescisória. Ação rescisória. não. independentemente de ação rescisória” (Apelação n. 71. 1ª Turma do STF. na doutrina: SÉRGIO RIZZI. Ainda na doutrina. Recurso extraordinário conhecido e provido. p. p. rescindível. 2ª Câmara do TJMG. em virtude da formação da coisa julgada material. 486)”. na doutrina: JOSÉ FREDERICO MARQUES. 486 do CPC)” (grifos aditados). tendo por finalidade elidir a coisa julgada. não há coisa julgada material”. parágrafo único. Sentença homologadora de desquite amigável ou separação consensual dos cônjuges. Diário da Justiça de 26 de novembro de 1971. p. sem o grifo no original). 74.833/PR. art.070. 281 . Assim: “2. 86. apenas. 259.

Ação rescisória. 2008. art. Direito civil brasileiro.029) no prazo decadencial de um ano. a ser ajuizada no prazo de um ano (CPC.. erro essencial ou intervenção de incapaz e ao dizer que é rescindível a parti- 282 . “O do Código de Processo Civil é mais minucioso no tocante à invalidade da partilha. distinguindo a partilha amigável. A sentença proveniente de partilha judicial é impugnável mediante ação rescisória440. exceção à regra do artigo 178 do Código Civil. mas sim de ação anulatória. ao reservar a ação anulatória (art.312/SC.029)” (SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. porquanto a mesma não se confunde com a simples partilha amigável do artigo 1. 30019. 1. 32. homologada pelo juiz. 1991. 1.029) para as partilhas amigáveis viciadas por dolo.027 do Código Civil Hipótese especial de ação anulatória contra sentença homologatória proferida em processo de jurisdição voluntária reside no artigo 1.030) no prazo decadencial de dois anos. ou ação de anulação. Diário da Justiça de 7 de novembro de 1994. que é passível de ação rescisória (art. Volume IX. que pode ser objeto de ação anulatória (art. Comentários ao Código de Processo Civil. 1. na jurisprudência: REsp n. em que não houve contestação. 438. No mesmo sentido. ainda na jurisprudência: REsp n. Ação anulatória do artigo 1. p. contados do trânsito em julgado da decisão (art. 439.773). Em sentido conforme. 273.306/RS. Por outro lado. 260: “Inventário. A ação rescisória no Superior Tribunal de Justiça. Recursos no Superior Tribunal de Justiça. 544 e 545). A competência para as ações de anulação de partilha amigável é do juiz de primeira instância” (HAMILTON DE MORAES E BARROS. 2ª ed.027 do Código Civil: ação anulatória de sentença homologatória de partilha amigável438. a ação anulatória só pode ter em mira sentença homologatória de partilha amigável. Trata-se de hipótese especial em razão do prazo inferior de um ano. p. com referência ao Código Civil de 1916). p. 3ª Turma do STJ. Volume VIII. Diário da Justiça de 16 de agosto de 2004. não se há de cogitar de rescisória. 1. art. Assim. o meio impugnativo cabível da sentença proferida é o da ação rescisória e não o da ação de anulação”. Comportabilidade. p.029 do Código de Processo Civil439. decidida por sentença. 495)” (CARLOS ROBERTO GONÇALVES. na doutrina: “O Código foi claro e obedeceu a bom sistema. 586. Tratando-se de partilha judicial.029 do Código de Processo Civil e do artigo 2. coação. se a partilha for amigável (CC. 262).4. 440. não é admissível ação anulatória contra sentença em inventário com partilha judicial. é a anulatória. 1.2. Em suma. e não a ação rescisória propriamente dita. p. 1974. da partilha judicial. Partilha judicial. De acordo. Herdeiro menor. 3ª Turma do STJ. “Destarte. nota 38.029 do Código de Processo Civil e no artigo 2. na doutrina: “A ação para anular sentenças homologatórias de partilha ou de divisões. face à existência no inventário de interesse de menor.

1974. mas contaminados por algum dos defeitos jurídicos (como o erro. Comentários ao Código de Processo Civil. na conformidade do art. é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam. é importante levar em consideração a distinção fixada no artigo 352 do Código: “A confissão. p... sem que haja litigiosidade entre os herdeiros. julgada por sentença. 1. art.030)”. Esta é reservada às hipóteses de sentença de mérito. Volume V. a renúncia ao direito. 2000. 442. em situações como as de partilha contenciosa. mas homologados por sentença ainda não passada em julgado. o rol de vícios previsto no caput do artigo 352 é exemplificativo. Imagine-se a hipótese de confissão realizada por advogado sem o poder especial exigido pelo artigo 38 do Código442. 262). e não taxativo441. Dos procedimentos especiais do Código de Processo Civil. também podem ser lha julgada por sentença nos casos que menciona neste art. p. Ainda no mesmo sentido. 3ª ed. etc.” (CARLOS ROBERTO GONÇALVES. Direito civil brasileiro. coação. Comentários ao Código de Processo Civil. dolo ou coação. 2ª ed. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. em processos judiciais pendentes.. é rescindível”. depois de transitada em julgado a sentença. se pendente o processo em que foi feita. dolo.. 141 e 142. em geral.3. poderá ser simplesmente anulada por ação ordinária. por sua vez. como erro. não estando sujeita à rescisória. 1. poderá ser rescindida (art. 283 . simplesmente homologada. 1. da qual constituir o único fundamento”. pode ser revogada: I — por ação anulatória. SÉRGIO GILBERTO PORTO. Volume IX. 7ª ed. Comentários ao Código de Processo Civil.4. Tal como a confissão. sendo de um ano o prazo para a propositura da ação. p. direcionamento de quinhões em disputa. p. Cf. 1998. com impugnação ao seu conteúdo decisório. os atos e negócios jurídicos. estabeleceu apenas uma distinção. o reconhecimento do pedido e a transação com defeito jurídico. exclusão de herdeiros etc. Volume VIII. a coação). Ação anulatória do artigo 352 do Código de Processo Civil O artigo 352 do Código de Processo Civil também autoriza a ação anulatória. 486. 334: “O Código de 1973. quando emanar de erro. II — por ação rescisória. anulada ou rescindida. Ainda em relação à confissão. 545 e 546). 441. também na doutrina: ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. pois.029). não passa de homologatória. ainda que contenciosos. A partilha será amigável ou julgada por sentença. a fim de desconstituir atos jurídicos praticados pelas partes (como a confissão).030” (HAMILTON DE MORAES E BARROS. A partilha judicial. coerente com sua posição de se ter o inventário e partilha como de jurisdição contenciosa. Assim: BARBOSA MOREIRA. 1999. “A partilha pode ser. “Desse modo. Volume VI. p. 2008. 332. Se julgada por sentença. Se amigável. quando a sentença se limita a julgar os termos do esboço organizado. como visto (CPC. A amigável. o dolo.

Após o trânsito em julgado. que tratam de hipóteses distintas”. 2 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “A transação homologada em juízo pode ser rescindida como os atos jurídicos em geral. Comentários ao Código de Processo Civil. a sentença homologatória exarada em processo contencioso só pode ser desconstituída mediante ação rescisória443. Não há incompatibilidade entre os arts. Com efeito. segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Diário da Justiça de 8 de março de 1993. 9. 3119. 1979. “os atos homologáveis. p. 7ª ed. 1998. o artigo 486 do Código de Processo Civil. 444. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 4ª Turma do STJ. divórcio consensual). a divergência reside apenas no processo contencioso. 4. 486 do CPC” (AR n. Diário da Justiça de 23 de setembro de 1991). 486 do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 3 de dezembro de 2007. Manual de direito processual civil. É o que se infere da conclusão n. 143. De acordo. 648.102/SP. e REsp n. Diário da Justiça de 18 de setembro de 2007. VIII. do Código. p. p. Ação rescisória. 2006.4. 3ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 3 de novembro de 1997. 486 e 485.00. n. No mesmo sentido.impugnados por meio de ação anulatória do artigo 486. nota 3). NÃO CABIMENTO. 2007. posteriormente ao trânsito em julgado da decisão que os homologou” (Ação rescisória. previstos no art. 443. inciso VIII. 109 a 113. 1ª Câmara Cível do TJDF. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. p. 159 e 160.651/SP. REsp n. 485. 1. No que tange à sentença homologatória de transação em processo de jurisdição voluntária (por exemplo. SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA DE ACORDO. 445. 56326. Ação anulatória de sentença homologatória de transação: artigo 485. p. 4. JOSÉ FREDERICO MARQUES. Volume III. pode ser desconstituído na forma do art. não assim mediante ação rescisória. Daí a inadequação da ação rescisória.059/SP. 284 . separação consensual. inciso VIII. p. nos termos do art. p. ainda na jurisprudência: REsp n. 4ª Turma do STJ.365/MS. mas. não há o grifo no original).2. BARBOSA MOREIRA. não há dúvida de que não incide o artigo 485. Prevalece a orientação de que a ação apropriada é a prevista no artigo 486: anulatória445. ambos do Código de Processo Civil Há séria divergência acerca da admissibilidade de ação rescisória contra sentença homologatória de transação em processo contencioso444. “A ação cabível para atacar sentença homologatória de transação é a ação anulatória e não a rescisória” (REsp n. porquanto é admissível a ação anulatória. De acordo. 4ª Turma do STJ. sim. dada a ausência de conteúdo decisório”. do CPC. 1975. Volume V. versus artigo 486. Como também ensina o Professor SÉRGIO RIZZI. Não cabe ação rescisória de sentença homologatória de acordo em separação consensual. VIII. não estão sujeitos à ação anulatória.014344-4. 245 e 262. 309: “Acordo judicial. homologado pelo Juiz.. 103. p. AÇÃO RESCISÓRIA. 13.

485. Em sentido semelhante. 2 e na jurisprudência dos tribunais pátrios. Agravo no recurso especial.. 16. A ação anulatória. segundo o qual é a anulatória do artigo 486 a ação apropriada contra sentença irrecorrida homologatória de transação. Transação homologada judicialmente. 226: “Processual civil. Após o trânsito em julgado. predomina outro entendimento jurisprudencial448. 1997. p. Volume I. Ação rescisória. volume 558. MÁRIO GUIMARÃES. inciso VIII. E a transação julgada por sentença é representativa de que houve julgamento de mérito”. 485. do art. p. 646 e 647. e 486. Curso de direito processual civil. p. até mesmo em processo contencioso com decisão já protegida pelo manto da coisa julgada. p. Revista dos Tribunais. Diário da Justiça de 17 de maio de 2004. 1997. O juiz e a função jurisdicional. 30 e 31. a ação anulatória só poderia ser proposta antes da formação da coisa julgada. e HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Ação anulatória. 485 endereça a ação rescisória contra sentença de mérito. homologado judicialmente. Precedentes”. 485 do CPC. do CPC. a ação apropriada é a rescisória. p. FREITAS CÂMARA. p. p. e SÉRGIO RIZZI. do CPC. Ação rescisória.. É o que revela a interpretação sistemática do Código. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 1979. 4ª ed. 14ª Câmara Civil do TJSP. 109 a 113. enquanto que o alvo da ação rescisória. prevista no art. 4ª ed. Com a mesma opinião. p. Ação rescisória. inciso III. 109 a 113. é a sentença transitada em julgado. que faz coisa julgada material. 447. A rescisão de sentença que homologa transação. 1986. 448. Não obstante. 245 e 262. p. 2007. inciso III. Ação rescisória. porquanto não há formação de coisa julgada material446. p. é sede própria para a discussão a respeito dos vícios na transação homologada judicialmente. há didático acórdão da relatoria do Desembargador ARRUDA ALVIM: Apelação n. 19ª ed. 2007. Volume I. 646 e 647. 19ª ed. Diante de processo litigioso. 3ª Turma do STJ. à vista do artigo 269. 486 do CPC. é importante reconhecer que prevalece a tese em prol da ação anulatória contra sentença homologatória de acordo em processo contencioso: REsp n. à luz dos artigos 269.. “2. 352. p. a ação anulatória tem serventia quando ocorre homologação de transação em jurisdição voluntária. 1958. 404 e 405.. na doutrina: COQUEIJO COSTA. 446. No mesmo sentido. Ação rescisória. Curso de direito processual civil.Ainda que muito respeitável a orientação predominante consubstanciada na conclusão n. do Código de Processo Civil. 596. O mesmo não ocorre quando há prolação de sentença homologatória de transação em processo contencioso447. O efeito pretendido pela primeira é a anulação do ato enquanto que na 285 . 1975. prevista no art.9592. na doutrina: COQUEIJO COSTA. 82 e 83. 1986. 66: “TRANSAÇÃO — Ação anulatória de homologação — Improcedência — Inteligência do art. O art. FREITAS CÂMARA. Ressalvado o ponto de vista sustentado no bojo do texto.271/RS — AgRg. 486. FREDERICO MARQUES. — A ação anulatória. 74 e 82. e Manual de direito processual civil. Volume III. tem por finalidade desconstituir o ato processual.

p. 4. ou seja. erro essencial. a ação do artigo 19 da Lei n. em razão da descoberta de falsidade. mas. 7ª ed. 11. dolo. 450. tem lugar não só na hipótese do inciso III do artigo 269. Em regra. e 486 do Código de Processo Civil. Ação anulatória do artigo 19 da Lei n. bem assim de documentos ignorados no momento do julgamento do crédito ou da respectiva inclusão no quadrogeral de credores. 1ª Turma do STJ. inciso VIII. posto ausente requisito primordial da rescindibilidade do julgado. outra classificação ou a retificação de qualquer crédito. 286 . A ação rescisória somente é cabível quando houver sentença de mérito propriamente dita. incabível a ação rescisória do art. 485.431/PR. fraude. 11. VIII. Ainda que muito respeitável a denominação sugerida pela melhor doutrina. a ação do artigo 19 da Lei n. do CPC. A ação anulatória tem como escopo a exclusão. fulcrada no art. porquanto tem como alvo a decisão homologatória do quadro-geral de credores do artigo 18 da Lei n.101. adstrita aos aspectos formais da transação. 485. Diário da Justiça de 20 de outubro de 2003. mas.101 O artigo 19 da Lei n. do CPC” (REsp n. a mesma discussão. Volume III. Curso de direito comercial: direito de empresa. é desconstituível por meio de ação rescisória fulcrada no art.101 não tem ligação com a ação rescisória do artigo 485 do Código de Processo Civil. 11. sim. 486. A sentença que homologa a transação fundamentando-se no conteúdo da avença. “ação de rescisão” (FÁBIO ULHOA COELHO. p. rescisória é a prolação de nova sentença no judicium rescissorium. § 1º).101 não é a rescisória449 do artigo 485 do Código de Processo Civil. 4.101 versa sobre a ação anulatória sob o procedimento comum ordinário perante juiz de primeiro grau. 11. Não obstante. com a ação anulatória do artigo 486.. 344). simulação. 449. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. VIII. salvo quando o crédito for de natureza trabalhista ou proveniente de ação por quantia ilíquida. 3. se faz por meio de ação anulatória. do CPC. 5. sim. Não obstante. autorizada doutrina chama que a ação prevista no artigo 19 de “rescisória”.5. com igual solução. em sendo a sentença meramente homologatória do acordo. pelos defeitos dos atos jurídicos em geral. mas também nos casos dos incisos II e V do mesmo artigo 269. a ação anulatória deve ser proposta perante o juízo de primeiro grau competente para o processo de recuperação judicial ou de falência.Por fim. 11. que é aquela em que o magistrado põe fim ao processo analisando os argumentos suscitados pelas partes litigantes e concluindo-a com um ato de inteligência e soberania. a desconstituição da transação. hipóteses nas quais a ação anulatória deve ser proposta no juízo de origem (artigo 19. consoante a interpretação dos artigos 485. Nestes casos. 185). a anulatória do artigo 486. 2007.

§ 2º). Proposta a ação anulatória. 11. 287 . a ação anulatória pode ser ajuizada pelo Ministério Público.101. tudo à luz dos artigos 19. 63 e 156. o titular do crédito questionado somente pode levantar o pagamento da respectiva importância mediante caução no mesmo valor (artigo 19. pelo administrador judicial.Quanto aos legitimados. pelo Comitê e por qualquer credor. até o encerramento do processo de recuperação judicial ou da falência. todos da Lei n.

071.348. 2. e hoje é regido pelo artigo 5º.533. ação popular. habeas data. desde que a omissão e o ato comissivo contaminados por ilegalidade ou abuso de poder não possam ser impugnados por outra via processual específica (habeas corpus. bem assim de atos de particulares no exercício de delegação pública. a omissão ou a ameaça não sejam impugnáveis por meio de habeas 288 .014. desde que o ato.259 (embora as duas primeiras sejam as principais leis de regência do mandado de segurança). de atos omissivos e comissivos de autoridades públicas em geral. NOTíCIA HIsTÓRICA dO mANdAdO de seGURANÇA O mandado de segurança foi instituído pela Constituição de 1934. o mandado de segurança é a ação de rito especial apta à proteção de qualquer pessoa ou grupo de pessoas em face de ato e omissão contaminados por ilegalidade ou abuso de poder.038 e 9. recurso processual específico).Capítulo XII mANdAdO de seGURANÇA CONTRA ATO JUdICIAL 1. bem como pelas Leis 1. 6. em procedimento especial marcado pela celeridade e pela produção de prova apenas documental. 3. 8. mANdAdO de seGURANÇA CONTRA deCIsÃO JUdICIAL No que tange à admissibilidade. no prazo decadencial de cento e vinte dias. ação rescisória. 4. 5. incisos LXIX e LXX. ação direta de inconstitucionalidade.021. da Constituição Federal de 1988. 6. assim como contra ameaça de lesão praticada por autoridade pública ou por agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições públicas. CONCeITO de mANdAdO de seGURANÇA O mandado de segurança é a ação de estatura constitucional adequada para a impugnação. especificamente pelo inciso XXXIII do artigo 113.

também denominado agravo regimental). 24. 102 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “Descabe a impetração de mandado de segurança perante o Órgão Especial contra as decisões das Câmaras isoladas. Não é admissível. 121 da Súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos: “Não cabe mandado de segurança contra ato ou decisão. a interpretação do artigo 5º. Em sentido conforme. na jurisprudência: RMS n.038. reforçado pelos artigos 1º e 5º. conforme revela o enunciado n. presidente de tribunal — pode ser impugnada por meio do recurso de agravo interno (ou regimental). da Lei n. revela que o alcance do mandado de segurança é obtido por exclusão. Quando a decisão judicial. como nas hipóteses dos incisos II e III do artigo 527 do Código de Processo Civil. 4 do Primeiro Colégio Recursal de São Paulo: “Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso”. presidente de turma. Na verdade. reforça o preciso enunciado n. de 1951. 1. ex vi do artigo 5º. diante da irrecorribilidade das decisões monocráticas 450.corpus ou habeas data. da Lei n. Com efeito. da Constituição Federal. 1. presidente de seção. por conseguinte.533. inciso II. 1. de natureza jurisdicional. é admissível a ação de mandado de segurança.533. não é admissível o mandado de segurança quando cabe algum recurso processual específico contra a decisão jurisdicional. nem por outra ação própria ou algum recurso processual específico. emanado de relator ou presidente de turma”. consoante a interpretação a contrario sensu do próprio inciso II do artigo 5º da Lei n. inciso II. de 1951.533. a ação de segurança quando há outra ação específica para a impugnação da decisão jurisdicional. como bem revela o enunciado n. inciso LXIX. de 1990. é inadmissível a ação de segurança. Colhe-se da didática ementa do precedente 289 . Com efeito. A propósito. decisão monocrática — proferida por relator. É a regra consagrada no artigo 39 da Lei n. nos casos em que a lei prevê recursos para os Tribunais Superiores”. a regra reside na inadmissibilidade da ação de segurança contra decisão judicial. não comporta recurso processual específico.654/PA. bem assim no § 1º do artigo 557 do Código de Processo Civil. é admissível mandado de segurança contra a decisão judicial450. entretanto. Diante da existência de recurso processual específico (agravo interno. Em contraposição. 3ª Turma do STJ. 8. Na mesma esteira. de 1951. quando não há recurso específico para impugnar a decisão. Diário da Justiça de 19 de dezembro de 2007. Um exemplo muito freqüente na prática forense pode facilitar a compreensão do assunto: em regra.

nasce para o impetrante a pretensão de obter segurança para afastar o ato coator”. Mandado de Segurança contra ato judicial. 2001. que atribuiu efeito suspensivo em agravo. sendo. órgão especial.044260-1/MG — AgRg. Indeferimento liminar da inicial de Mandado de Segurança interposto contra decisão de relator. 24. Provimento do regimental. 1. por disposição expressa de lei. Em sentido conforme. Iminência de prejuízos irreparáveis. mandado de segurança” (não há o grifo no original). 1. Também em sentido semelhante: MS n. número 12. Diário da Justiça de 19 de dezembro de 2007. 293 do Regimento Interno deste Tribunal Regional Federal. Turma Recursal de Férias do TRF da 1ª Região: “CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. porquanto o pedido de reconsideração não tem natureza recursal. Colhe-se da precisa ementa do precedente jurisprudencial: “O pedido de reconsideração não tem.025040-9/DF — AgRg. 527. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO RECURSAL. DO MANDADO DE SEGURANÇA. a decisão que determina a conversão de agravo de instrumento em agravo retido. Agravo Regimental. 2002.01. § 1º. Nos termos do artigo 5º. 451. Sendo irrecorrível. 452.arroladas nos incisos II e III do artigo 527 mediante agravo interno ou regimental. não é possível restringir o cabimento de mandado de segurança. Com a violação. é cabível. dezembro de 2002.654/PA. Corte Especial do TRF da 1ª Região. da Lei 1.533/51. II.00. De acordo com o § 1º do art. turma especial de férias) do próprio tribunal451. DECISÃO DE RELATOR. 5º. nem aciona órgão colegiado com competência para reforma e cassação. 2. A possibilidade da formulação do pedido de reconsideração previsto no parágrafo único do mesmo artigo 527 não impede a impetração da segurança.01.533/51. ano 14. REFORMA DA DECISÃO. CABIMENTO. quando haja recurso previsto nos leis processuais ou possa ser modificado por via de correição’. em tese. p. não cabe qualquer recurso contra decisão de Relator que confere ou denega efeito suspensivo em agravo de instrumento. na jurisprudência: MS n. não se dará mandado de segurança contra ‘despacho ou decisão judicial. tal decisão impugnável por via de mandado de segurança. 1. não cabe mandado de segurança contra despacho ou decisão judicial quando haja recurso previsível nas leis processuais ou possa ser modificado por via de correição. INDEFERIMENTO DA INICIAL. EM TESE. Daí a conclusão: a regra da jurisprudencial: “Por ser garantia constitucional. logo. pois. a contrario sensu do citado dispositivo. pleno. 293. A teor do art. INDEFERIMENTO DE EFEITO SUSPENSIVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. 2. ou na iminência de prejuízos irreparáveis ou de difícil reparação dela decorrentes” (não há o grifo no original). Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Assim. “Já com a retenção do agravo pode haver violação a direito líquido e certo do impetrante. da Lei n. é admissível a ação de segurança para o colegiado competente (verbi gratia. em casos teratológicos. na jurisprudência: RMS n.00. parágrafo 290 . ou de manifesta ilegalidade. 71: “Processual Civil. ela somente é impugnável pela via do remédio heróico”. do Regimento Interno). II. 3ª Turma do STJ. na hipótese do art. mas apenas a competência do próprio relator que proferiu a decisão monocrática causadora do inconformismo452. Da decisão de relator sobre efeito suspensivo em agravo de instrumento não cabe agravo regimental (art.

1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. de 1951.03. inciso II. À parte reconhecidamente hipossuficiente deve ser estendido o benefício da gratuidade na degravação da fita magnética.71. 2007. nas quais a impetração da ação de segurança encontra sustentação no artigo 5º. Diário da Justiça de 13 de setembro de 2004. É admissível a impetração de Mandado de Segurança contra decisão interlocutória proferida por magistrado do Juizado Especial Cível.113/MG. de 1951. sendo ambos voltados à sentença. CPC. Volume I. Daí a admissibilidade da ação de mandado de segurança454.inadmissibilidade de mandado de segurança contra decisão monocrática comporta exceções. consoante a interpretação a contrario sensu do artigo 5º. Com efeito. 17. máxime quando capaz de inviabilizar sua defesa” (MS n. na doutrina: “Nos procedimentos do Juizado Especial. em que a oralidade é observada de forma mais intensa. que não desafia recurso.533. 1. merece ser prestigiado recente precedente jurisprudencial: ”MANDADO DE SEGURANÇA — ADMISSIBILIDADE NO JUIZADO ESPECIAL. A Lei de Regência dos Juizados Especiais — Lei n.1. 42). Por fim. em razão da inadequação do agravo interno ou regimental. na falta de recurso específico para a hipótese de negativa de transcrição para meio impresso dos depoimentos das testemunhas. 142). Novo curso de direito processual civil. diante da restrição contida no artigo 865 do Código de Processo Civil. é admissível a impetração de mandado de segurança contra sentença proferida em justificação judicial. Também de acordo. 1. 9. inciso II.099/1995 — prevê apenas duas espécies de recurso: inominado e embargos declaratórios. as decisões interlocutórias são irrecorríveis” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. Informativo n. p. Assim. da Constituição Federal e no artigo 5º. A possibilidade de haver retratação pelo relator indica apenas que a legislação afastou a preclusão pro judicato. 454. 2005. o pedido de reconsideração é simples decorrência lógica do sistema de preclusões processuais” (não há o grifo no original). Outro exemplo reside na impossibilidade jurídica de recurso de agravo de instrumento contra decisão interlocutória proferida em processo da competência dos Juizados Especiais Cíveis453. 5ª Turma do STJ. como nas hipóteses dos incisos II e III do artigo 527. Assim. Da mesma forma. 453. ainda na jurisprudência: “É cabível mandado de segurança contra ato ilegal ou abusivo de juiz federal com jurisdição nos Juizados Especiais Federais (JEFs)” (Processo n.95. natureza recursal. 291 . Assim. além de se caracterizar como meio de oportunizar ampla defesa ao litigante. na jurisprudência: “Cabível a impetração do mandado de segurança contra decisão irrecorrível de Juiz singular do Juizado Especial” (RMS n.10117234. cabível se mostra a impetração do Mandado de Segurança. a fim de impedir lesão a direito líquido e certo. LXIX. p. 264). 2004. Assim. da Lei n. abre-se a via excepcional do mandado de segurança como sucedâneo recursal. da Lei n.533. a fim de único. devendo tal custo ser suportado pelo Estado.006166-0/RS).

não é toda decisão irrecorrível que enseja mandado de segurança. 2. 6ª Turma do STJ. não há lugar para o mandado de segurança. tem-se a impossibilidade jurídica da ação de segurança. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. É o que ocorre com decisão de mérito sob o manto da coisa julgada. é inadmissível o mandado de segurança. o raciocínio pode ser assim resumido: se for cabível algum recurso processual específico. 19. ATO IRRECORRÍVEL.afastar eventual ilegalidade (por exemplo. 268 da Súmula do Supremo Tribunal Federal reforça: “Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado”. o campo de incidência do mandado de segurança é residual. 267. quase sempre. Ao contrário. em desacordo com o disposto no artigo 866 do Código de Processo Civil)455. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA SENTENÇA PROFERIDA EM JUSTIFICAÇÃO JUDICIAL.247/CE. 292 . a prolação da sentença com juízo de mérito acerca das provas produzidas na justificação judicial. se a decisão não for — nem em tese — impugnável por recurso específico. enunciado de n. conforme a natureza do processo no qual houve o julgamento originário). grifos aditados). 267 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. Há outra via processual de impugnação específica: ação rescisória (ou revisão criminal. não incidindo. 33 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial passada em julgado”. 1. Não obstante. Se existe outra ação própria.533 e do enunciado n. A ação de segurança é admissível apenas quando não for cabível recurso processual específico algum e também não for adequada outra ação própria. 267 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição”. 1. Por tudo. Reforça o enunciado n. em razão da inadmissibilidade — e da conseqüente carência — da ação de segurança. a ação de segurança é admissível. procedimento de jurisdição voluntária destinado. NÃO INCIDÊNCIA. CABIMENTO. conforme revela a interpretação a contrario sensu do inciso II do artigo 5º da Lei n. Com efeito. consoante o disposto no verbete n. SÚMULA 267/STF. Recurso provido” (RMS n. a produzir princípio de prova quanto à existência e veracidade de um fato ou de uma relação jurídica. Em sentido conforme ao raciocínio sustentado no texto. É o que se infere do preciso verbete n. Sem dúvida. como a rescisória é a ação cível impugnativa apropriada para desconstituir julgado protegido pela res iudicata. Diário da Justiça de 7 de novembro de 2005. É possível o manejo de mandado de segurança contra sentença proferida em justificação judicial. pois se trata de decisão irrecorrível. assim. Daí a asserção de que só excepcionalmente o mandado de segurança tem em mira decisão jurisdicional — e como alvo tradicional ato de 455.

Na verdade. Se o ato lesivo ou intimidador proveniente do Executivo. além dos atos provenientes do Poder Executivo. 266 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. Como não há restrição alguma na Constituição Federal e na legislação de regência acerca da natureza da autoridade pública. ação rescisória. recursos processuais específicos). porquanto a inconstitucionalidade do ato também pode ser impugnada mediante mandado de segurança. Daí a conclusão: o vocábulo “ilegalidade” deve ser interpretado em sentido amplo. ação direta de inconstitucionalidade. o mandado de segurança foi inicialmente idealizado como ação pessoal contra os atos da Administração Pública. a inconstitucionalidade do ato comissivo ou omissivo também autoriza a impetração.autoridade administrativa. o mandado de segurança é a ação constitucional que tem como alvo ato comissivo ou omissivo do Poder Público. A ação de segurança só é admissível contra atos dos Poderes Públicos específicos ou delegados e que não sejam impugnáveis por outra via processual. não há dúvida de que. ação declaratória de constitucionalidade. vale dizer. 4. a diferença é muito relevante. não há a admissibilidade do mandado de segurança. o mandado de segurança não é admissível na primeira hipótese. 2ª) declaração de inconstitucionalidade de ato administrativo em mandado de segurança. mas geram lesão ou ameaça a direito subjetivo. lesivo a direito subjetivo ou que coloque em risco o mesmo. habeas data. a despeito da natureza vinculada do ato. Com maior razão. A propósito. a autoridade pública é omissa ou pratica o ato contra o disposto na lei. em razão de ilegalidade ou abuso de poder. habeas corpus. Já na segunda 293 . desde que não seja admissível recurso processual ou ação específica. Com efeito. os atos dos outros poderes (Judiciário e Legislativo) também podem ser impugnados mediante mandado de segurança. é comum a confusão entre duas hipóteses bem distintas sob o ponto de vista jurídico: 1ª) mandado de segurança para declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. A utilização do mandado de segurança como sucedâneo recursal é excepcionalíssima. Tanto quanto sutil. por não ser a ação adequada para a declaração de inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo em tese. Na esteira do enunciado n. mas sem a respectiva proteção por outra via processual. ILeGALIdAde OU AbUsO de POdeR A ilegalidade consiste na prática de ato ou omissão contra texto de lei. Legislativo ou Judiciário pode ser impugnado por outra via processual (verbi gratia.

o alvo do mandado de segurança é o ato administrativo. Há o abuso de poder quando a autoridade pública conta com margem de discricionariedade.636 e o inciso XIII da respectiva Tabela “B”. Além da ilegalidade. PROCedImeNTO: esPeCIAL No que tange ao procedimento. Ainda a respeito da petição inicial da ação de mandado de segurança. conforme o caso) recebe a lista tríplice com as indicações do Tribunal competente e deixa transcorrer in albis o prazo de vinte dias para a respectiva escolha prevista no parágrafo único do artigo 94 da Constituição Federal. com a posterior concessão da segurança. cuja norma geral e abstrata na qual está fundamentado pode ser declarada inconstitucional incidenter tantum. como bem revela o artigo 5º. 5.533. especialmente se comparado o rito do mandado de segurança com o procedimento comum seguido pela maioria das ações. 11. incidem os artigos 39. até mesmo por ser permitida apenas a produção de prova documental. mas não pratica o ato dentro dos parâmetros nos quais pode exercer o livre juízo de conveniência e oportunidade. os artigos 2º e 5º da Lei n. o mandado de segurança também é admissível para a impugnação do ato e da omissão contaminados por abuso de poder. a prova documental comprobatória dos fatos deve acompanhar desde logo a petição inicial. no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Há abuso de poder. Não há dúvida de que o Chefe do Executivo pode escolher qualquer um dos três nomes indicados pelo Tribunal competente. 6. todos do Código de Processo Civil. Ressalvada a hipótese prevista no parágrafo único do artigo 6º da Lei n. dIReITO LíqUIdO e CeRTO A proibição de dilação probatória no mandado de segurança nasceu da interpretação dada pela jurisprudência e pela doutrina à expressão “di294 . 282 e 283. o rito da ação de mandado de segurança é especial. inciso LXIX. da Constituição Federal. por exemplo. Daí a possibilidade de impetração de mandado de segurança contra ato inconstitucional. só não pode deixar de fazê-lo (ato omissivo) ou escolher um nome que não conste da lista (ato comissivo). Também incidem o artigo 257 do Código de Processo Civil e. em virtude da celeridade que marca o procedimento. quando o Chefe do Poder Executivo (Presidente ou Governador. 258. o que explica a celeridade. é admissível a declaração da inconstitucionalidade incidental da lei ou do ato normativo na qual reside a sustentação jurídica do ato administrativo. Com efeito. 1.hipótese.

complexa e intrincada no mandado de segurança é a matéria de direito. Pedido de reconsideração não suspende ou interrompe o prazo para impetrar mandado de segurança. na jurisprudência: RMS n. no entanto. resta saber se a veiculação de simples pedido de reconsideração tem o condão de suspender ou interromper o prazo previsto no artigo 18 da Lei n. Diário da Justiça de 19 de dezembro de 2007. bem assentou o Plenário do Supremo Tribunal Federal no enunciado n. 7.reito líquido e certo”. Em suma. devem ser comprovados de plano. Nada impede. 1. a resposta é negativa. O decurso in albis do prazo previsto no artigo 18 da Lei n. Não obstante. A respeito da exegese da cláusula constitucional “direito líquido e certo”. 632: “É constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a impetração de mandado de segurança”. de 1951. 24. e não uma nova violação a direito líquido e certo. tanto na esfera administrativa quanto na judicial456. que o insatisfeito proponha ação de procedimento comum para impugnar o ato tido por coativo. À vista do artigo 207 do Código Civil. inicia-se o prazo decadencial para a impetração do mandado de segurança. De acordo. Por oportuno. o prazo decadencial não diz respeito ao suposto direito material sustentado pelo prejudicado por ato de autoridade pública. 1. Ainda em relação ao prazo de impetração do mandado de segurança. 456. 625 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Controvérsia sobre matéria de direito não impede a concessão de mandado de segurança”. A rejeição do pedido de reconsideração é mero desdobramento do ato coator anterior. Tal cláusula indica que os fatos narrados na petição inicial não podem ser duvidosos. mas nunca a de fato. 295 .654/PA. correta é a solução consagrada no enunciado n. 3ª Turma do STJ.533.533 apenas fecha a via especial do writ. 430 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o mandado de segurança”. Ademais. O que pode ser confusa. Colhe-se da precisa ementa do precedente jurisprudencial: “Com a publicação da decisão que retém o agravo de instrumento. PRAzO deCAdeNCIAL dO mANdAdO de seGURANÇA O direito ao rito especial do mandado de segurança deve ser exercido dentro dos cento e vinte dias posteriores à data em que o prejudicado atingido pelo ato teve ciência da sua concretização. vale a pena conferir o correto enunciado n. Precedentes” (não há o grifo no original).

Como tal legitimidade reside no artigo 5º. a entidade. assim como por partido político com representação no Congresso Nacional. a omissão ou a ameaça atingir um grupo de pessoas. conforme revela o preciso enunciado n. medo do impetrante de que o ato e a omissão sejam perpetrados. LeGITImIdAde O sujeito ativo no processo de mandado de segurança é a pessoa física ou jurídica ameaçada ou prejudicada pelo ato — comissivo ou omissivo — de autoria da autoridade pública ou delegada. É necessário que haja ameaça real e atual de o ato — comissivo ou omissivo — vir a ser realizado por parte da autoridade pública. pode ser impetrado mandado de segurança coletivo por organização sindical. O mandado de segurança preventivo não está sujeito ao prazo decadencial previsto no artigo 18 da Lei n.8. Também em relação ao sujeito ativo e ao mandado de segurança coletivo. a impetração preventiva exige apenas a existência de ameaça. 9. Aliás. a associação e o partido figuram no pólo ativo da relação processual como substitutos processuais das pessoas integrantes da coletividade prejudicada. 1. pela qual se combate ato ou omissão já perpetrados. da Constituição de 1988. o mandado de segurança pode ser preventivo. Ao contrário do mandado de segurança repressivo.533. não há necessidade de autorização 296 . mas apenas indícios de que o ato será perpetrado. mANdAdOs de seGURANÇA RePRessIVO e PReVeNTIVO Além da forma tradicional de impetração repressiva. inciso LXX. 630 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria”. No entanto. o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado até mesmo em favor apenas de uma parcela da coletividade. Se o ato. quando impetrado com o fito de impedir a concretização de ato ou omissão ofensivos a direito do impetrante. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. a organização. não basta o mero receio. já que na impetração preventiva não existe um ato coator já concretizado a ser impugnado.

da Constituição Federal. interpor recurso em nome próprio na qualidade de terceiro prejudicado. O interesse jurídico que permite a interposição de recurso está 297 . entretanto. como nos casos dos incisos do caput do artigo 103 da Constituição Federal. após a concessão da segurança. do Código de Processo Civil. a fim de que a ordem concedida seja cumprida. dos associados e filiados. A pessoa física cujo ato ou omissão foi alvo da impetração pode. E a razão é simples: quem sofre as conseqüências jurídicas da sucumbência na ação de segurança. da coisa julgada. merece ser prestigiado o enunciado n. § 1º. órgão de pessoa jurídica não pode ser parte. como bem revela o enunciado n. como bem revela o enunciado n. 114 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “Legitimado passivo do mandado de segurança é o ente público a que está vinculada a autoridade coatora”. conforme o disposto no artigo 499. pela associação ou pelo partido político. e não a autoridade coatora. fica evidente que só aquela (pessoa jurídica) tem legitimidade para recorrer como parte. o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado sem que a petição inicial esteja acompanhada com a relação nominal dos substituídos. Já a parte passiva no processo de mandado de segurança é a pessoa jurídica da qual a autoridade coatora é órgão. pode ser necessária a posterior apresentação da relação nominal dos associados e filiados. só haverá a necessidade da identificação dos substituídos no momento do cumprimento da decisão concessiva da segurança. Só então. da litispendência é a pessoa jurídica. porquanto não é dotado de personalidade jurídica. Além do mais. inciso LXX.específica dos associados e filiados. Ainda em razão da substituição processual prevista no artigo 5º. em virtude da substituição processual. Como o pólo ativo do mandado de segurança coletivo é ocupado pela organização. 629 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “A impetração do mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe de autorização destes”. A propósito. que passam a ter capacidade para ser parte. pela entidade. ou seja. 27 da Súmula do Tribunal de Justiça de Pernambuco: “A legitimidade para recorrer em mandado de segurança é da pessoa jurídica e não da autoridade apontada como coatora”. Fixada a premissa de que o pólo passivo da relação jurídica processual é ocupado pela pessoa jurídica da qual a autoridade coatora é órgão. nem ao menos de personalidade judiciária — conferida ex vi legis em hipóteses excepcionais a órgãos de pessoas jurídicas.

Em tais hipóteses. do Tribunal de Contas da União e do próprio Supremo Tribunal Federal. AUTORIdAde COATORA A petição inicial do mandado de segurança deve conter a indicação da autoridade coatora com precisão. inciso I. da Constituição). É o didático exemplo indicado pelo Ministro EDUARDO RIBEIRO (Recursos em mandado de segurança. da Mesa do Senado Federal. da Constituição Federal. inciso I. 298 . conforme o caso. 3ª ed. todos da Constituição Federal. Por conseguinte. COmPeTêNCIA A competência do juízo ou tribunal para o processamento e o julgamento do mandado de segurança está diretamente relacionada à autoridade coatora. letra “b”. a ação de segurança deve ser impetrada desde logo no Supremo Tribunal Federal. 10. o mandado de segurança pode ser da competência originária de tribunal. mas também pode ser da competência de juízo de primeiro grau (artigo 109. inciso I.consubstanciado na possibilidade de a pessoa física poder vir a sofrer ação regressiva. a qual é imediatamente conhecida pela só indicação daquela (autoridade coatora). consoante o disposto nos artigos 102. Daí a exigência de que a petição inicial da ação de segurança deve conter a indicação precisa da autoridade coatora. ex vi do artigo 102. tudo conforme a autoridade coatora. letra “d”. a qual também está relacionada à perfeita indicação da autoridade coatora. do Procurador-Geral da República. alínea “c”. p. p. 1990. inciso VIII. 108. há o problema da legitimidade passiva. como bem revela o 457. 290) e pelo Professor SÉRGIO FERRAZ (Mandado de segurança. nos termos do § 6º do artigo 37 da Constituição Federal457. inciso I. 105. portanto.. Portanto. Aliás. 186). 11. a correta indicação da autoridade coatora é até mais importante do que a da parte passiva. Sob outro prisma. a precisa indicação da autoridade coatora é essencial para a fixação da competência do órgão judiciário para processar e julgar a ação de mandado de segurança. alínea “d”. Na verdade. A competência é originária do Supremo Tribunal Federal quando a impetração tem como alvo ato ou omissão do Presidente da República. o erro na indicação da autoridade coatora pode gerar a incompetência absoluta do juízo ou tribunal. da Mesa da Câmara dos Deputados Federais.

No que tange aos tribunais intermediários. prevalece o entendimento jurisprudencial de que compete à Turma Recursal dos Juizados Especiais processar e julgar mandado de 299 . originariamente. inciso I. conforme revela o enunciado n. o writ refoge à competência da Corte. do Exército e da Aeronáutica. ainda que judiciários. À luz do artigo 105. A propósito. o Superior Tribunal de Justiça tem competência para processar e julgar originariamente mandado de segurança contra ato do “próprio Tribunal”. Em contraposição. quanto aos demais tribunais. o Supremo Tribunal Federal. compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar os mandados de segurança contra ato e omissão de Ministro de Estado. para mandado de segurança contra ato do Tribunal de Contas da União”. Com efeito. não compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar mandado de segurança contra ato unipessoal ou colegiado proveniente de tribunal local. originariamente. reforça o enunciado n. 248 da Súmula da Corte Suprema: “É competente. letra “b”. inciso I. a alínea “c” do inciso I do artigo 108 da Constituição Federal versa sobre a competência originária dos Tribunais Regionais Federais para o processamento e o julgamento dos mandados de segurança contra atos do próprio tribunal e dos juízes federais de primeiro grau. de tribunal regional federal e até mesmo de outro tribunal superior. mandado de segurança contra ato de outros tribunais ou dos respectivos órgãos”. os Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal têm competência originária para o processamento e o julgamento das ações de segurança impetradas contra atos do próprio tribunal e dos juízes de direito. Trata-se.enunciado n. Ao revés. todavia. como bem revela o enunciado n. aliás. ex vi do artigo 105. não compete ao Supremo Tribunal Federal processar nem julgar os mandados de segurança contra atos — unipessoais e coletivos — de outros tribunais. 330 da Súmula da Corte Suprema: “O Supremo Tribunal Federal não é competente para conhecer de mandado de segurança contra atos dos Tribunais de Justiça dos Estados”. Por fim. 41: “O Superior Tribunal de Justiça não tem competência para processar e julgar. da Constituição Federal. de orientação jurisprudencial tradicional. alínea “b”. bem assim do próprio Superior Tribunal de Justiça. Com efeito. da Constituição Federal. dos Comandantes da Marinha. O mesmo raciocínio alcança os Tribunais de Justiça ex vi do caput do artigo 125 da Constituição Federal. 624: “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer originariamente de mandado de segurança contra atos de outros tribunais”.

300 . 1.segurança contra atos emanados de juízes dos Juizados Especiais. o decisum — concessivo ou denegatório da ordem — fica protegido pelo manto da coisa julgada após o decurso in albis do prazo recursal e só pode ser desconstituído por meio de ação rescisória. Embora seja discutível o acerto de tal orientação jurisprudencial. Se o fez. anotar que as decisões de mérito proferidas em processos de mandado de segurança também adquirem a auctoritas rei iudicatae. 12. 304 da Súmula do Supremo Tribunal Federal asseguram apenas a possibilidade da propositura de ação de procedimento comum.533 e o enunciado n. caso a decisão proferida no mandado de segurança não tenha versado sobre o mérito da causa. mANdAdO de seGURANÇA e COIsA JULGAdA Resta. Os artigos 15 e 16 da Lei n. para concluir o capítulo destinado ao mandado de segurança. o Superior Tribunal de Justiça e o Fórum Nacional dos Juizados Especiais — FONAJE assentaram que a competência é sempre da Turma Recursal dos Juizados Especiais: “Cabe exclusivamente às Turmas Recursais conhecer e julgar o mandado de segurança e o habeas corpus impetrados em face de atos judiciais oriundos dos Juizados Especiais”.

dos artigos 6º. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. e 105. de 2006. Ainda que muito respeitáveis todas as diferentes correntes existentes na doutrina e na jurisprudência. letra “l”. na jurisprudência: Rcl n. 156 até 162. 1969. caput e §§ 1º e 2º. Também em sentido contrário. e MARCELO NAVARRO RIBEIRO DANTAS. há a autorizada lição do Professor EGAS DIRCEU MONIZ DE ARAGÂO em favor da natureza jurídica de incidente processual: “A reclamação. Diário da Justiça de 20 de março de 1998. inciso I. letra “c”. um recurso. 301 . 187 usque 192.038. p. alínea “f”. ao revés. 110). a reclamação estaria nos incisos 458. inciso III. respeitável pronunciamento do Ministro MOACYR AMARAL SANTOS em prol da natureza recursal: “E entendo que a reclamação do nosso Regimento é recurso criado pelo Supremo” (RCL n. § 3º. Além dos dispositivos constitucionais. da Lei n. Pleno do STF. 707/SP — AgRg.. é incidente processual” (A correição parcial. inciso I. além da previsão constitucional nos artigos 102. há outros preceitos de regência da reclamação. NATURezA JURídICA e CONCeITO A reclamação também é denominada reclamação constitucional. do artigo 7º. do artigo 13 da Lei n. Com efeito. 12. Em sentido semelhante. 374 a 377.882. em virtude da previsão do instituto na Constituição Federal. inciso III. longe de ser uma ação. inciso I. inciso X. 3ª ed. a reclamação não é recurso nem incidente processual. 12. ação458. mas. alínea “g”. 103-A. 461. a reclamação também consta dos artigos 13 usque 18 da Lei n. p. 11. assim como dos artigos 11. Há. Há séria controvérsia acerca da natureza jurídica da reclamação. p. inciso I.417. sim. 9º. Se fosse recurso. de 1999. em 11 de novembro de 1970). 831/DF. 149. NomeN iuris.Capítulo XIII ReCLAmAÇÃO CONsTITUCIONAL 1. todos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. PReCeITOs de ReGêNCIA. p. 2000. Reclamação constitucional no direito brasileiro. Curso de direito processual civil. na doutrina: FREDIE DIDIER JR. de 1990. 2007. 9. De acordo. portanto. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. 8. Volume III.

ou pela autoridade administrativa responsável pelo cumprimento da decisão ou pela prática do ato omitido.480/PB. Aliás. 459. tanto o recurso quanto o incidente processual pressupõem a existência de processo em curso. Pleno do STF. 2. alínea “a”. Por tudo. ao lado dos recursos ordinário. Não obstante. 2. da Constituição Federal”. AÇÃO de COmPeTêNCIA ORIGINáRIA de TRIbUNAL A reclamação é ação constitucional de competência originária de tribunal. entretanto. a reclamação pode ter lugar depois do término do processo originário. e 125. A reclamação. a fim de que o respectivo julgamento seja respeitado. 20: “Ação direta de inconstitucionalidade: dispositivo do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba (art. inciso I. o artigo 125 revela a adoção do princípio da simetria. tal como bem assentou o Plenário da Suprema Corte459. 302 . § 1º). p. Em sentido conforme. e 22. ao lado das ações e dos incidentes processuais. a reclamação é mais do que compatível. Diário da Justiça de 15 de junho de 2007. Daí a admissibilidade da reclamação perante os Tribunais de Justiça. caput e § 1º. § 1º). artigos 102. não depende da existência de processo em curso. mas até necessária para que aqueles tribunais (de Justiça) garantam a autoridade dos respectivos julgamentos.II ou III dos artigos 102 e 105 da Constituição Federal. 357). No que tange aos Tribunais de Justiça. na jurisprudência: ADIn n. extraordinário e especial. com a aplicação analógica das disposições da Constituição Federal. A Constituição Federal é explícita acerca da admissibilidade da reclamação perante o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça. que admite e disciplina o processo e julgamento de reclamação para preservação da sua competência ou da autoridade de seus julgados: ausência de violação dos artigos 125. Resta saber se ação é admissível perante todos os tribunais. a reclamação consta do rol do inciso I. Como os Tribunais de Justiça ocupam no plano estadual papel similar ao do Supremo Tribunal Federal (cf. Sob outro prisma. a reclamação pode ter lugar até mesmo sem a existência de anterior processo. I. como os proferidos no controle concentrado de constitucionalidade (125. é possível concluir que a reclamação é a ação constitucional originária de tribunal ad quem cuja competência foi usurpada ou teve julgado não observado por juiz ou tribunal a quo. Com efeito. tanto no artigo 102 quanto no artigo 105.

porquanto a função precípua do instituto reside no controle previsto no artigo 96. 374. 91). embora conhecida pelo mesmo nome que lhe dão em alguns Estados. Revista Forense. a correição é apta à impugnação de decisão judicial irrecorrível contaminada por error in procedendo. Aquela (reclamação) é a ação constitucional cuja admissibilidade encontra sustentação em alguma das duas causas de pedir: a) preservação da competência do tribunal. p. in fine. alínea “b”. 460. 2005. da Constituição Federal. inciso II. p. Recursos no processo penal. 254 e 255. Volume III. com o artigo 498. consoante revela a combinação do artigo 5º. Já a correição parcial (ou reclamação correicional) tem outras duas funções: a) como remédio administrativo-disciplinar. n. FREDIE DIDIER JR. Considerações. volume 246. p. a correição tem como alvo ato de magistrado na qualidade de servidor público. 168. Com igual opinião. alínea “a”.3. cuja natureza e finalidade não coincidem com as da correição parcial” (MONIZ DE ARAGÃO. de 1951. da Consolidação das Leis do Trabalho. do Código de Processo Penal Militar. nota 11). e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. com o artigo 709. a despeito da semelhança terminológica e de por vezes atuarem como sucedâneos recursais. e b) garantia da autoridade das decisões do tribunal. 1969. também na doutrina: ADA PELLEGRINI GRINOVER. existente no Regimento Interno do Supremo Tribunal” (Correição parcial. Curso de direito processual civil. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. para a apuração de falta perante a corregedoria do respectivo tribunal. 2007. inciso I. Em suma. na doutrina: MONIZ DE ARAGÃO: “Bem distinta da correição parcial. ReCLAmAÇÃO CONsTITUCIONAL. inciso II. 66. todos aplicáveis ao processo civil por força do artigo 126 do Código de Processo Civil. 1. CORReIÇÃO PARCIAL.533. correição parcial). AÇÃO ResCIsÓRIA e mANdAdO de seGURANÇA: dIfeReNÇAs Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. 3ª ed. é a reclamação. porquanto têm previsões e finalidades constitucionais. Reforça o Eminente Professor: “Não confundir com a reclamação prevista no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Ainda no mesmo sentido. da Lei n.. com o artigo 265 do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. 4ª ed. b) como sucedâneo recursal. com o artigo 184 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. a reclamação (constitucional) não se confunde com a reclamação correicional (vale dizer. a reclamação constitucional não pode ser confundida com a correição parcial460.. 303 . legais e regimentais distintas. p.

11. nem proposta lugar da última (rescisória). Diário da Justiça de 8 de maio de 2000. Diante de hipótese específica da reclamação constitucional.A reclamação também não pode ser confundida com a ação rescisória. A decisão que nega seguimento a agravo de instrumento interposto contra decisão que não admite recurso especial deve ser atacada por reclamação. confor- 461. Quanto ao mandado de segurança. 51). de 2006). Diário da Justiça de 28 de abril de 1989. 4. terceiro juridicamente prejudicado também tem legitimidade ativa. 1ª Seção do STJ. da Lei n. No que tange aos atos e omissões das autoridades administrativas. a admissibilidade da reclamação constitucional é específica e não enseja fungibilidade com outros institutos jurídicos. Mandado de segurança denegado” (MS n. de 2006). caput. Aliás. O reclamante deve comprovar o respectivo recolhimento das custas iniciais eventualmente devidas. é inadmissível mandado de segurança461. além da propositura da ação de reclamação. até mesmo por força dos enunciados 330 e 624 do Supremo Tribunal Federal. é admissível a interposição prévia. LeGITImIdAde ATIVA e PeTIÇÃO INICIAL A reclamação constitucional pode ser ajuizada pelo Ministério Público. 304 . também há precedente da Corte Suprema que merece ser conferido: MS n. Por tudo.507/DF.417. a propositura da ação só é admissível após o esgotamento das vias administrativas (artigo 7º. não há lugar para dúvida acerca da adequação de cada ação. p. embora seja admissível a reclamação constitucional. 20. 11. p.417. da Lei n. 6295. RECLAMAÇÃO. Por ser verdadeira ação. 4. do qual era parte. Embora não seja específico. simultânea ou posterior do recurso processual cabível contra a mesma decisão judicial reclamada (artigo 7º.875/RO — QO. Pleno. a reclamação constitucional deve ser proposta mediante petição inicial. caput e § 1º. ambos do Código de Processo Civil. De acordo: “PROCESSO CIVIL. a despeito de ser uma das fontes da reclamação constitucional. bem como pelo litigante prejudicado em razão da usurpação da competência ou do desrespeito ao julgado proferido no processo primitivo. conforme revela o enunciado n. com a completa observância dos artigos 282 e 283. 734 da Súmula da Corte Suprema: “Não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado o ato judicial que se alega tenha desrespeitado decisão do Supremo Tribunal Federal”. Não obstante.

a reclamação é distribuída ao mesmo relator do processo primitivo. 11. também as turmas e até mesmo os relatores têm competências próprias. os artigos 552 e 554 do Código de Processo Civil. por analogia. 9º. conforme o disposto nos artigos 6º. qualquer interessado pode impugnar a reclamação constitucional. O relator também pode proferir decisão monocrática liminar de suspensão do processo anterior ou do ato impugnado. 10. inciso III. A reclamação é julgada pelo órgão coletivo indicado no regimento interno. Satisfeitas as condições da ação e os pressupostos processuais. nos termos do artigo 70 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. de 2001 e 2004. 5. compete ao próprio relator proferir decisão monocrática de indeferimento da petição inicial. Em seguida. os autos são remetidos à presidência do tribunal para a distribuição da reclamação. inciso X. Por força do artigo 16 da Lei n.038. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.me o disposto no artigo 59. compete ao relator pedir dia para julgamento ao presidente do colegiado competente. os autos sobem conclusos ao relator. com as redações alteradas pelas Emendas Regimentais números 9 e 13. letra “c”. de 1990. caput e parágrafo único. inciso II. alínea “g”. Após. cabe ao relator requisitar informações da autoridade reclamada. PROCedImeNTO e JULGAmeNTO Quando possível. Incidem. dIsTRIbUIÇÃO. 8. todos do Regimento Interno de 1980. inciso III. 149. é obrigatória a intervenção do Ministério Público como custos legis. Já no Supremo Tribunal Federal. especialmente a parte contrária no processo primitivo. e 12. todavia. ambos do Regimento Interno de 1989. Se procedente a reclamação constitucional. é impugnável mediante agravo interno (ou regimental). No que tange ao Superior Tribunal de Justiça. o tribunal cassa a decisão exorbitante do seu julgado ou determina a providência necessária à preser305 . Após o oferecimento do parecer ministerial. de 1990. Se manifestamente inadmissível a reclamação constitucional. salvo se for o próprio autor da reclamação constitucional.636 e no inciso XVI da respectiva Tabela “B”. e no artigo 2º da Lei n. respectivamente. além do plenário. a qual. tanto a corte especial quanto as seções têm as respectivas competências fixadas nos artigos 11. inciso I. conforme o disposto no artigo 14 da Lei n. Após a distribuição.038. 8. inciso I. e 161.

A propósito dos acórdãos prolatados pelos Tribunais de Justiça. inciso III. nas férias. de 1990. da Constituição Federal. “c” ou “d”. desde que proposta com a observância do artigo 485 do Código de Processo Civil. Além dos recursos cabíveis. de 1990. pelos presidentes. 368 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Não há embargos infringentes no processo de reclamação”. nas hipóteses do artigo 102. cabe ao presidente do colegiado determinar o imediato cumprimento da decisão. Com efeito. alíneas “a”. Aliás. no casos do artigo 105. licença ou afastamento. não há o cabimento de embargos infringentes contra acórdão em reclamação.038. As decisões monocráticas proferidas pelos relatores (e. “b”.038. letras “a”. Por fim. tanto as decisões monocráticas quanto os acórdãos proferidos na reclamação são passíveis de embargos declaratórios. vice-presidentes ou substitutos regimentais) são impugnáveis por meio de agravo interno (ou regimental) à vista do artigo 39 da Lei n. É o que estabelece o correto verbete n. 306 . ReCORRIbILIdAde NO PROCessO de ReCLAmAÇÃO Resta estudar a recorribilidade no processo de reclamação constitucional. Já os acórdãos desafiam recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Também são inadmissíveis embargos de divergência contra aresto prolatado em julgamento de ação de reclamação. 6.vação da respectiva competência. “b” e “c”. tendo em vista o disposto nos artigos 17 e 18 da Lei n. da Constituição Federal. também é admissível ação rescisória de julgado proferido em processo de reclamação. com a posterior redação do acórdão. os acórdãos proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça e pelos Tribunais de Justiça em processo de reclamação são passíveis de recurso extraordinário. inciso III. também há o cabimento de recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça. Ainda que proferido por maioria de votos. 8. Sem dúvida. salvo quando prolatados na própria Corte Suprema. não há previsão da reclamação no artigo 530 nem no artigo 546 do Código de Processo Civil. 8.

no Estado do Rio de Janeiro. 4ª ed. p.. omissis” (BARBOSA MOREIRA. já que. tem lugar contra atos omissivo e comissivo provenientes de desvio administrativo-disciplinar do juiz na condução de processo judicial463.Capítulo XIV CORReIÇÃO PARCIAL (OU ReCLAmAÇÃO CORReICIONAL) 1. 307 . e com a apontada finalidade de coibir erros ou abuso que importassem a tumultuação da marcha do processo” (ROGÉRIO LAURIA TUCCI.. a providência passou a ser regulamentada nas leis locais de organização judiciária. Volume II. “Foi a correição adotada por quase todos os Estados.. aliás. conservando a denominação inicial de ‘correição parcial’. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. bem assim contra omissão e decisão irrecorríveis con462. p. Recursos no processo penal. n. 352). “Foi exatamente por isso. Volume III.. 1969. Correição parcial. 426). 73. 13ª ed. “Correição parcial como é chamada em alguns Estados ou Reclamação segundo a denominam em outros” (MONIZ DE ARAGÃO. 9ª ed. na doutrina: “A correição parcial não é recurso no sentido processual. “convém esclarecermos que a ‘reclamação’. 1997. contra decisões interlocutórias. com o tempo. e foi referida na Lei do Mandado de Segurança e na lei que disciplinou a Justiça Federal” (VICENTE GRECO FILHO. Curso de direito processual civil. A correição parcial é recurso de natureza puramente administrativa e serve para. onde se denomina reclamação. nas leis de organização judiciária ou nos regimentos internos dos tribunais. sob a denominação de correição parcial ou reclamação. 18ª ed. mencionada no aludido artigo. Volume V. 395). Direito processual civil brasileiro. é oportuno registrar que. Em sentido conforme. 1989. a lei prevê apenas o agravo. Comentários ao Código de Processo Civil. p. ou adotando a que lhe sucedeu: ‘reclamação’” (ADA PELLEGRINI GRINOVER. é a correição parcial. p. “Quanto à correição parcial. e. 17). “A correição parcial nasceu nas leis estaduais de organização judiciária. 463. como veremos adiante. Sistema dos recursos trabalhistas. sendo chamada em alguns Estados de reclamação. 254). 2006. que a prática se cristalizou. 2005. 491). p. 2007. p. NomeN iuris e CONCeITO A correição parcial. Por oportuno. pois era sob essa denominação que alguns textos do passado se referiam à medida” (MANOEL ANTÔNIO TEIXEIRA FILHO. também denominada “reclamação correicional” ou apenas “reclamação”462.

GILSON DELGADO MIRANDA e PATRÍCIA MIRANDA PIZZOL. p. p. dilatação de prazos) que o impeçam de alcançar os seus fins. paralisação. Volume III.. 26ª ed. Eminentes processualistas sustentam a respeitável tese da impossibilidade da utilização da correição parcial ou reclamação correicional como sucedâneo recursal: FREDIE DIDIER JR. Nova no processo. O direito à correição é de natureza processual.. 3ª ed. afastando os obstáculos (inversão tulmutuária. p. Em sentido conforme. p.. nas três primeiras edições do compêndio Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória. 5. 465. 2. p. Diário da Justiça de 12 de junho de 1995. Manual de direito processual civil. Código de Processo Civil e legislação processual em vigor. quando cometidos com ilegalidade ou abuso de poder. 396 e 397. na jurisprudência: “1. Foi a opinião também defendida em publicações anteriores466. 384. LOURI GERALDO BARBIERO. A propósito. Manual de direito processual civil. exercitável subsidiariamente. portanto. sUbsIsTêNCIA dA CORReIÇÃO (OU ReCLAmAÇÃO) COmO sUCedâNeO ReCURsAL Autorizada doutrina sustenta a respeitável tese de que a correição parcial não subsiste como sucedâneo recursal465. 11ª ed. 1995. 466. 374. Volume VII. com error in procedendo. SERGIO BERMUDES. JOSÉ FREDERIDO MARQUES. há outra finalidade igualmente importante. Volume I. ano VII. 17627). a correição parcial atua como sucedâneo recursal. número 26. 868. n. 2002. Abusiva seria a designação de audiência para data longínqua. 15. p. e THEOTONIO NEGRÃO. São duas. houve a defesa do entendimento consubstanciado na insubsis- 308 .. por exemplo. à falta de recurso previsto em lei.taminadas por error in procedendo464. nota 10. p. como custos legis” (RMS n. 464. como verdadeiro sucedâneo recursal admissível contra omissões e decisões jurisdicionais irrecorríveis. sem justificativa” (ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. 1977. 197 e nota 3. corrigir atos de administração ou despachos de mero expediente. 666). Processo civil: recursos. mas apenas como remédio administrativo-disciplinar cabível contra eventuais desvios funcionais dos juízes. Na última hipótese. Volume III. 2ª ed. 3ª ed. 2007.. Curso de direito processual civil. a simples negativa do juiz em despachar petições da parte. p. 1975. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. A correição parcial é providência destinada a ordenar a administração do processo. porquanto visa à impugnação de decisão proferida em processo judicial. 2006. Administrativamente ilegal seria. por erro ou abuso de poder. Correição parcial: subsiste ou não em nosso sistema processual civil? LEX. as finalidades da correição parcial no direito brasileiro contemporâneo: ao lado do escopo tradicional como remédio administrativo-disciplinar. construída na praxe forense e hoje já reconhecida em muitas leis federais. 4ª Turma do STJ. em decorrência de omissão ou ação do juiz. 57. Comentários ao Código de Processo Civil.272/ES. pelas partes ou pelo Ministério Público.

113 e 124. 3ª ed. 11.. de 1966). Nova reflexão sobre a vexata quaestio. 18ª ed. 19ª ed. desde que ambas (omissão jurisdicional e decisão) não sejam recorríveis467. tanto uma quanto outro ainda subsistem em algumas hipóteses que o agravo não pode corrigir” (grifos aditados). para a impugnação tanto de omissão jurisdicional quanto de decisão contaminada por error in procedendo. Também em prol da subsistência da correição parcial. da Lei n. Volume I. alínea “a”.. com os artigos 1º. O mandado de segurança contra atos jurisdicionais. 229. p. BERNARDO PIMENTEL SOUZA. 467. 11. permitiu a reconsideração da primeira opinião. inciso I. inciso I. 1ª ed. com o artigo 709. de 1967). ocasionou a reconsideração da opinião de outrora. entretanto. com o artigo 22. e § 1º. Diário da Justiça de 5 de setembro de 1994. 1. com o artigo 709. p. e VICENTE GRECO FILHO. p. Direito processual civil brasileiro. penal. inciso II. inciso I. alínea “a”. Volume II. e 498. Curso de direito processual civil. Em sentido conforme. 352: “Com a amplitude que o Código de Processo deu ao cabimento do agravo de instrumento pareceu. p. alínea “l”. 3. à luz do artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil e do artigo 126 do Código de Processo Civil. Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória. da Lei n. 4. com a adoção da atual conclusão em prol da subsistência da reclamação correicional como sucedâneo recursal nos processos em geral (civil. da Lei n. tal como sustentado no presente compêndio. da Consolidação das Leis do Trabalho (com a redação conferida pelo Decreto-lei n. 549 e 550.697.reflexão sobre a vexata quaestio.. 132 a 137). 2007. p. que não mais haveria campo para a correição parcial e para o mandado de segurança contra ato judicial. 2004. do Código Eleitoral (alínea acrescentada pela Lei n. letra “i”. eleitoral e militar).533. combinados com o artigo 8º. na doutrina: CALMON DE PASSOS. do Código de Processo Penal Militar. num primeiro momento. 2000. na jurisprudência: RMS n. 103. 100 a 104. 23028. 309 . 1. § 2º. 1ª Turma do STJ. com o artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil e com o artigo 126 do Código de Processo Civil. e com o artigo 498. 1996. entretanto. de 2008. CONsTITUCIONALIdAde dAs LeIs esTAdUAIs e dOs ReGImeNTOs INTeRNOs Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. de 2008 (com o reforço do artigo 184 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Distrito Federal). 1997. p. à luz da combinação do artigo 5º. com o artigo 8º.961.. Todavia. n. de 1951. inciso II. do Código de Processo Penal Militar. e O processo civil no limiar do novo século. 73. em razão da ausêntência da correição parcial no direito processual civil posterior ao Código de 1973 (cf. inclusive em relação ao processo civil. 174 e 175. p. alínea “l”. inciso II. da Consolidação das Leis do Trabalho. 1999. trabalhista. com a adoção do novo entendimento favorável à subsistência da correição parcial (ou reclamação) no direito brasileiro em geral.807/RJ.697. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR.

artigo 22. inciso II. 469. sim. os diplomas que versam sobre a correição parcial ou reclamação correicional não incluem o instituto no rol dos recursos. 310 .533. a correição parcial não é recurso469. não há inconstitucionalidade alguma nas leis estaduais e nos regimentos internos que versam sobre o instituto. ainda que muito respeitável a doutrina contrária468. 1ª Turma do STF. quer sob a denominação “reclamação correicional” ou. simplesmente. alínea “a”. p. De acordo: HC n. quer sob o título “correição parcial”. de 2008 (artigo 8º.. sob o vocábulo “reclamação”. o que a torna inconstitucional”. alínea “l”. mas apenas sucedâneo recursal. 11. alínea “a”). artigo 498. artigo 8º. p. A rigor.429/SP. inciso I. e 96. de 1951. 1. 21. da Consolidação das Leis do Trabalho.697. Daí a observância da exigência constitucional inserta no artigo 22. que perturbem a ordem legal do processo”. O verdadeiro silêncio daqueles Códigos não significa que o instituto não tem previsão em lei federal. a regulamentação do procedimento da correição parcial por meio das leis estaduais e dos regimentos internos dos tribunais também tem assento constitucional (artigos 24. letra “i”. Assim: RE n. conforme revelam o artigo 709 da Consolidação das Leis do 468. 3779: “A correição parcial de autos não é recurso. Em primeiro lugar. com o reforço da Lei n. p. de 2008. inciso XI. inciso I. mas. Sob ambos os prismas. 2002. artigo 709. as normas estaduais e regimentais de regência da reclamação correicional encontram sustentação na Constituição Federal e em leis federais.697. a correição parcial não é recurso”. da Lei n. 2ª Turma do STF. do Código de Processo Penal Militar. inciso I. 3ª ed. e § 1º). alínea “l”. mas simples emenda de erros ou abusos. Cf. Por sua vez. já é possível estudar a natureza jurídica do instituto. 78. porquanto a reclamação correicional está consagrada em vários preceitos de leis federais: artigo 5º. NATURezA JURídICA dA CORReIÇÃO PARCIAL (OU ReCLAmAÇÃO CORReICIONAL) Reconhecidas a existência e a constitucionalidade da correição parcial no direito brasileiro. da Constituição de 1988. 11. inciso II. inciso I. inciso I. do Código Eleitoral. Processo civil: recursos. da Lei n.cia de previsão nos Códigos de Processo Civil e de Processo Penal. em capítulos alheios ao destinado ao sistema recursal. 5: “No sistema do processo militar. Diário da Justiça de 14 de dezembro de 1953. Diário da Justiça de 26 de março de 1999.039/MG. Trata-se de vexata quaestio. 4. 57: “A elasticidade imposta pela legislação estadual à correição parcial descaracteriza-a como instrumento destinado a verificar a regularidade dos serviços forenses. GILSON DELGADO MIRANDA e PATRÍCIA MIRANDA PIZZOL.

de 470. Volume III. ou reclamação. 4ª ed. da Lei n. de 1951. “Ainda que. de modo algum. Volume II. inciso II. com a melhor inserção do instituto no quadro dos sucedâneos recursais471. 2005. alínea “l”. sempre que. não há identidade entre a legitimidade recursal (cf.697. os obtáculos existentes em relação à taxatividade. da Consolidação das Leis do Trabalho. e na esteira de ensinamento de José Frederico Marques. também há dessemelhança quanto ao objeto. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. inciso II. ainda que omissa. na forma como vem regulada no Estado de São Paulo. 1989. p. 18ª ed. artigo 499 do Código de Processo Civil) e a legitimidade correicional. p. 256 e 462). como precedentemente visto. 73.. e ROGÉRIO LAURIA TUCCI. 397 e 399: “E. Em sentido conforme. artigo 498. Direito processual civil brasileiro. e lhe faça. 5. 352. de decisão interlocutória irrecorrível. Não obstante. como providência de natureza processual assemelhada a recurso e destinada a fazer-lhe as vezes. definiu-se a correição parcial. ou. resulte ou possa resultar dano irreparável para o litigante”. n.533. concebida como sucedâneo de recurso. Ainda que muito respeitável o entendimento. porquanto a correição pode ter como alvo simples omissão. 1. na doutrina: VICENTE GRECO FILHO. Curso de direito processual civil. 11. da Lei n. como recurso”. enquanto os recursos sempre têm em mira decisão. Sob outro prisma. não pode ser considerada. as vezes. Por outro lado.. 311 . à legitimidade e ao objeto impedem a inclusão da correição parcial no rol dos recursos. do Código de Processo Penal Militar.Trabalho e o artigo 498 do Código de Processo Penal Militar. até recurso supletivo. realmente. HIPÓTeses de AdmIssIbILIdAde dA CORReIÇÃO (OU ReCLAmAÇÃO) COmO sUCedâNeO ReCURsAL No que tange à admissibilidade da correição parcial como sucedâneo recursal. inciso I. a combinação dos preceitos legais e regimentais de regência do instituto revela que a reclamação correicional depende da inexistência de recurso processual específico contra a decisão exarada no processo judicial: artigo 5º. 2007. autorizada doutrina sustenta a tese de que a correição parcial tem natureza recursal. Súmula 160 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (ADA PELLEGRINI GRINOVER. Cf. desse modo. artigo 8º. ou reclamação. a correição parcial. p. 471. Recursos no processo penal. alínea “a”. artigo 709. tem natureza jurídica de recurso”470. Eminentes Professores da respeitável Faculdade de Direito de São Paulo chegaram a tal conclusão: “A correição parcial.

óbice insuperável ao uso da correição parcial” (ROGÉRIO LAURIA TUCCI. 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. PREVISÃO.0000. inciso IX. na doutrina: “Nos procedimentos do Juizado Especial. 474. acórdão registrado sob o n. De acordo. as decisões interlocutórias proferidas pelos juízes dos Juizados Especiais Cíveis também são irrecorríveis474. p. Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Quando as alegações do reclamante aparentam razoabilidade. 543 e 865 do Código de Processo Civil versam sobre decisões irrecorríveis. No sentido do texto. na jurisprudência: “ATO JUDICIAL. recurso processual específico na legislação pertinente. Novo curso de direito processual civil. Assim. artigo 184 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. ARGUMENTAÇÃO RAZOÁVEL. há farta jurisprudência de ambas Turmas dos Juizados Especiais do Distrito Federal: “JUIZADOS ESPECIAIS. Em sentido conforme. Assim. Reclamação provida para determinar o processamento do recurso” (RCL n. Diário da Justiça de 19 de maio de 2004). Em regra. Daí a admissibilidade da reclamação correicional contra as decisões irrecorríveis proferidas nos Juizados Especiais475. Nos Juizados Especiais tem cabimento a reclamação para que sejam corrigidos os atos judiciais à ausência de outro recurso para esse fim. p. 1989. Curso de direito processual civil.2008. Volume I. destarte. Diário da Justiça de 9 de maio de 2005. incisos II e III. O inconformismo ministerial deduzido em desfavor de ato judicial contra o qual inexiste recurso ordinário previsto e que. artigo 24.03. 420. ausente. de 2003.019. 6ª Turma do STJ. INEXISTÊNCIA. p. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. na doutrina: “A recorribilidade do ato decisório constitui. há muitas decisões jurisdicionais irrecorríveis passíveis de correição parcial ou reclamação correicional. as decisões interlocutórias são irrecorríveis” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. 198. DEFERIMENTO. do Regimento Interno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Correição parcial que se defere” (CPar n. assim se revela plausível. 472.403671-5. 475. 42). Diário da Justiça 312 . há lugar para a veiculação da reclamação correicional473. confirma-se a liminar concedida para que o recurso considerado intempestivo pelo juiz da causa tenha a sua admissibilidade examinada pela Turma Recursal ao qual for distribuído. todavia. em que a oralidade é observada de forma mais intensa. RECLAMAÇÃO. 145. 473. 401). artigo 265 do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. 1. Daí a conclusão: não há lugar para a correição parcial quando cabe algum recurso processual472. autoriza a sua apreciação em sede de correição parcial. PLAUSIBILIDADE. os artigos 527. Volume III. 20040160002753. 2004.550/RJ. 480). Por exemplo. RECURSO ORDINÁRIO. CORREIÇÃO PARCIAL. com a redação conferida pela Resolução n. INCONFORMISMO MINISTERIAL. na jurisprudência: “A correição parcial não é cabível quando houver recurso para impugnar a decisão” (REsp n.

cabe em face de ‘omissões do juiz’ (Código de Organização e Divisão Judiciárias. as omissões jurisdicionais não sujeitas a recurso processual (ou seja. de 2008. pois omissão não é decisão” (BARBOSA MOREIRA. e do artigo 498. Ausência de identidade entre o objeto dessas ações. Diário da Justiça de 3 de maio de 2005.06. Diário da Justiça de 25 de novembro de 2005). alínea “a”. 1.0000. 491. do Código Eleitoral. na doutrina: “Quanto à correição parcial. 13ª ed. eis que pendente de julgamento uma ação civil pública manejada pelo Ministério Público. No mesmo sentido: “1. 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal.434761-0. Ainda no mesmo sentido: CPar n. 219). do artigo 22. sob alegação de litispendência. para determinar o prosseguimento da ação manejada perante o Juizado Especial Cível” (CPar n. Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. 476. p. 2006. Cabe em Juizado Especial a reclamação prevista no artigo 184 do Regimento Interno do TJDFT. Feito suspenso no Juizado Especial Cível. Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. evitando-se. do Código de Processo Penal Militar. p. “1. em defesa de direitos coletivos. p. Diário da Justiça de 10 de agosto de 2005.400. de 9 de setembro de 2004.417122-8. 220. onde se denomina reclamação. inciso I.0000.. alínea “l”. por analogia. Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. não há o grifo 313 .697. acórdão registrado sob o n. da Lei n. 1. inciso I. 20040660003709. Ainda no mesmo sentido: “CORREIÇÃO PARCIAL. p.05. e aí não existe agravo de instrumento que a substitua.0000. art. 211. por analogia. Diário da Justiça de 1º de abril de 2005. 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. 89). Comentários ao Código de Processo Civil. 20050460004351.420920-0. 110).836. 167. Diário da Justiça de 1º de novembro de 2006. Cabe em sede de Juizado Especial Cível a reclamação prevista no artigo 184 do Regimento Interno do TJDFT. Diário da Justiça de 23 de novembro de 2005). letra “i”. que a parte que entenda estar havendo prejuízo a direito seu fique sem possibilidade de o impugnar. Em sentido conforme. 1. assim. 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. Volume V. p. é oportuno registrar que. “CONSELHO DA MAGISTRATURA — CORREIÇÃO PARCIAL — TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL — RECURSO NÃO CONHECIDO EM RAZÃO DA DESERÇÃO — NÃO PAGAMENTO DE PREPARO — BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA EXPRESSAMENTE CONCEDIDOS À REQUERENTE APÓS A PROLAÇÃO DA SENTENÇA — AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO HÁBIL DE INCONFORMISMO CONTRA A DECISÃO MONOCRÁTICA — LEGÍTIMA EXPECTATIVA DE DIREITO DA POSTULANTE. CORREIÇÃO acolhida.À vista do artigo 8º. e RCL n. SURPREENDIDA PELA REVOGAÇÃO eX oFFiCio DA BENESSE — INCIDÊNCIA DA VEDADA reFormATio iN PeJus — OFENSA AO PRINCÍPIO DEVOLUTIVO DOS RECURSOS — AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA PAGAMENTO DO PREPARO — VIOLAÇÃO À GARANTIA CONSTITUCIONAL DO AMPLO ACESSO AO JUDICIÁRIO — PEDIDO CORRECIONAL DEFERIDO” (CPar n. 20050160003373. no Estado do Rio de Janeiro.05. 11. Suspensão indevida do feito. 124). embargos de declaração) também são passíveis de correição parcial ou reclamação correicional476. para evitar que direito da parte fique sem possibilidade de impugnação. por falta de recurso próprio” (RCL n. acórdão registrado sob o n. por falta de recurso próprio” (RCL n.

296 do Código de Processo Civil. Em contraposição. a abertura de vista à parte contrária para apresentação de contra-razões e ao Ministério Público para parecer” (CPar n. não há o grifo no original). ou seja. por erro ou abuso constituírem inversão tumultuária da ordem legal dos atos processuais (error in procedendo)” (MS n. 1. 24. requerido nos autos. também na jurisprudência: “CORREIÇÃO PARCIAL. Diário da Justiça de 18 de maio de 2001). praticando um ato pelo outro.697. letra “a”. Diário da Justiça de 26 de abril de 2006). Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. do RITJMG. DESÍDIA DO MAGISTRADO NA CONDUÇÃO DO PROCESSO. Volume II. Em sentido conforme. 1. deverá ostentar error in procedendo. CORREIÇÃO PROVIDA.0000.05. Assim. da Consolidação das Leis do Trabalho. De acordo. inciso IX. 270. com redação oferecida pela Lei n. sem exteriorizar decisão agravável” (VICENTE GRECO FILHO. em virtude de erro. p. p. 314 . 15. 18ª ed. da Lei n. Volume III. a correição parcial só pode veicular error in procedendo. grifos aditados).Em relação ao objeto. de medida de caráter processual. com as características de recurso. inciso II. erro ou abuso tal.952/94. Magistrado. que dele decorra a inversão tumultuária da marcha do procedimento” (ROGÉRIO LAURIA TUCCI. erro de procedimento cometido pelo juiz (artigo 8º. não há o grifo no original). os autos serão encaminhados imediatamente ao tribunal. evidenciada nas sucessivas aberturas de vistas totalmente desnecessárias. error in iudicando não enseja no original). inciso I. pois. Diário da Justiça de 24 de junho de 1991. p.00. é de se dar provimento à correição parcial que visa atacar desídia de Magistrado na condução do processo. destinado a coibir a inversão tumultuária da ordem processual.. que estão causando evidente tumulto processual. 477. 91. n. portanto. Correição parcial provida para que o d. chame o feito à ordem” (CPar n. não sendo reformada a decisão recorrida. abuso ou omissão de juiz de primeiro grau. de que resulte ou possa resultar dano irreparável para o litigante” (ROGÉRIO LAURIA TUCCI. 8. e tendente a resguardar as formalidades extrínsecas do processo — autêntico incidente procedimental. ABERTURA DESNECESSÁRIA DE SUCESSIVAS VISTAS. artigo 709. assemelhada ao recurso.04048-0/DF.01. alínea “l”. isto é. Curso de direito processual civil. Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. p. Nos termos do art. após a interposição da apelação em face da sentença que indefere liminarmente a petição inicial. “Nos termos do parágrafo único do art. do Código de Processo Penal Militar)477. 401). Diário da Justiça de 30 de junho de 2003. 2007. p. Corte Especial do TRF da 1ª Região. Volume III. sendo indevida. na doutrina: “Além do que. sem decidir formalmente. 1989. consistente no não-julgamento definitivo de pedido de restituição de numerário. “Trata-se. 11. De acordo. na jurisprudência: “A correição parcial é instrumento jurídico destinado a corrigir atos dos juízes que. “A correição pode ser necessária se o juiz se omite no decidir questão controvertida durante o desenvolvimento do processo ou inverte tumultuariamente a ordem processual. TUMULTO PROCESSUAL EVIDENCIADO.218211-1. Curso de direito processual civil. e artigo 498. 1989.0000. 400. 73. de 2008. oportuna a manifestação de correição parcial e não a impetração de mandado de segurança” (RMS n.422528-9. Direito processual civil brasileiro. 14681).856/RJ. na jurisprudência: “I — Contra suposto ato omissivo imputado a juiz de primeira instância. 5ª Turma do STJ. 352.

533.. alínea “l”. Diário da Justiça de 6 de março de 2006. 428. 3ª Turma do TRF da 1ª Região. 11. artigo 8º.379/SP. a reclamação correicional deve ser veiculada dentro de cinco dias da ciência da decisão a ser impugnada (artigo 8º. na jurisprudência: “O prazo para requerer correição parcial é de cinco dias. Em sentido conforme. 94.01. § 1º.reclamação correicional. alínea “l”. REsp n. mandado de segurança contra a decisão irrecorrível (artigo 5º. da Lei n. 6. e artigo 265. já a decisão com error in iudicando irrecorrida é passível de impugnação por meio de ação rescisória (artigos 485 e 495 do Código de Processo Civil) ou revisão criminal (artigo 621 do Código de Processo Penal) — e não mediante mandado de segurança (enunciado n. do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 1ª Região)478.697. § 1º. inciso I. artigo 265. inciso I. 604.35709-9/MT. é de cinco dias a contar da ciência da decisão ou despacho impugnado” (ADA PELLEGRINI GRINOVER. de 1951. 267 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. p. de 2008. PRAzO Quanto ao prazo. 4ª ed. e enunciado n. na doutrina: “O prazo para interpor correição parcial. do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 1ª Região). p. § 1º. a correição parcial pode ser veiculada pela parte prejudicada no processo judicial. o assistente da acusação479 e o terceiro prejudicado não têm legitimidade para veicular correição parcial. e artigo 498. no Estado de São Paulo. § 2º. De acordo. 478. 5ª Turma do STJ. a contrario sensu). 1. 315 . Por exclusão. 11. 479. do Código de Processo Penal Militar. de 2008. Recursos no processo penal. 7612). combinado com o artigo 184 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Cf. Lei n. bem assim pelo Ministério Público. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. da Lei n. 261).697. 11. 268 da Súmula do Supremo Tribunal Federal). 7. p. 2005.697. contados da ciência do ato do juiz de que não caiba recurso” (CT n. sim. Diário da Justiça de 15 de fevereiro de 1996. inciso II. da Lei n. LeGITImIdAde No que tange à legitimidade. de 2008. mas. na qualidade de fiscal da lei (artigo 8º.

PROCedImeNTO e JULGAmeNTO Quanto ao procedimento da reclamação correicional nos tribunais. o competente para exercer o controle administrativo-disciplinar dos atos omissivos e comissivos do juiz reclamado (artigo 96. n. p. alínea “b”. p. de 2003: “observando-se a forma do processo do agravo de instrumento”. inciso I. inciso I. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES.697. conforme revela a conclusão n. 11. Curso de direito processual civil. 316 . alínea “a”. deve ser adotado o procedimento do agravo de instrumento previsto nos artigos 524 e seguintes do Código de Processo Civil. 4ª ed. na doutrina: ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. da Consolidação das Leis do Trabalho. é o que determina a última parte do inciso IX do artigo 24 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. inciso I. artigo 709. da Constituição). endereçada sempre a tribunal. 1989. incidem as leis estaduais (artigo 24. artigo 8º. e ROGÉRIO LAURIA TUCCI. de 1991. e artigo 498. 402. ADA PELLEGRINI GRINOVER. artigo 184 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e artigos 265 a 268 do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 1ª Região). de 2008. do Código de Processo Penal Militar). de 2008. cujos preceitos são aplicáveis por analogia481. 667. e § 1º. 462. artigo 709. inciso I.185. 868. alínea “l”. inciso I.. 165 aprovada por Professores Titulares da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “O procedimento a ser adotado na correição parcial é o do agravo de instrumento. 481. Vale dizer. Aliás. Volume I. da Constituição Federal) e os regimentos internos dos respectivos tribunais (artigo 96. Cf. Recursos no processo penal. Trata-se de orientação predominante também na doutrina. 11. Quando as leis estaduais e os regimentos internos forem omissos em relação ao procedimento. do Código de Processo Penal Militar. inciso II. qual seja. da Lei n. da Lei n. 482.. 2006. 2005. na forma prevista no vigente Código de Processo Civil” 482. 8. da Constituição Federal. inciso XI.697. p. artigo 8º. da Lei n. além das regras gerais previstas nas leis federais480. inciso I. com a redação conferida pela Resolução n. Volume III.8. alínea “l”. Em sentido conforme. 11ª ed. inciso 480. alínea “a”. Manual de direito processual civil. alínea “l”. 420. bem assim a revisão jurisdicional das decisões irrecorríveis contaminadas por error in procedendo (artigo 8º. A correição parcial deve ser veiculada mediante petição fundamentada (artigo 498.

artigo 498. inciso IX. cabe agravo interno-regimental quando há o indeferimento liminar da própria correição parcial pelo corregedor ou pelo relator. A reclamação correicional é processada à vista da lei estadual de organização judiciária e do regimento interno do tribunal competente. 484. Se a reclamação correicional for manifestamente inadmissível. de 2008).038.697. 229. a correição parcial é distribuída à vista do disposto na lei estadual de organização judiciária e do regimento interno do tribunal. artigo 24. recurso a ser interposto no prazo de cinco dias (artigo 709. Em qualquer caso. 420. Volume III. Protocolizada a petição no tribunal competente. conforme o disposto no regimento interno). de 1990). Turma. Curso de direito processual civil. 402. Em sentido conforme. o corregedor e o relator também têm competência para a prolação de decisão monocrática de indeferimento liminar da petição. no prazo de cinco dias. cabe agravo interno (ou regimental) contra a decisão monocrática do corregedor ou do relator da reclamação correicional (artigo 709. do Regimento Interno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. antes do julgamento da correição pelo órgão colegiado competente indicado no regimento interno do respectivo tribunal (por exemplo. regular e tempestiva. com a posterior conclusão dos os autos ao corregedor ou a outro relator. 229. com a redação conferida pelo Decreto-lei n. mediante decisão monocrática (artigo 8º. Se a correição for adequada. § 1º. da Consolidação das Leis do Trabalho. p. inciso I. com a oitiva obrigatória tanto do juiz reclamado quanto do Ministério Público483. Conselho da Magistratura484. da Lei n. conforme o caso. 483. de 1967). Não obstante.II. 11. e § 1º. de 2003. com a redação conferida pela Resolução n. Aliás. alínea “a”. 317 . tanto o corregedor quanto outro relator também têm competência para suspender liminarmente o ato do juiz ou a decisão reclamada. combinado com o artigo 39 da Lei n. na doutrina: ROGÉRIO LAURIA TUCCI. de 1967. é admitida pelo corregedor ou pelo relator. com a redação conferida pelo Decreto-lei n. Tribunal Pleno Administrativo. alínea “l”. 1989. § 1º. da Consolidação das Leis do Trabalho. Cf. 8. do Código de Processo Penal Militar). da Consolidação das Leis do Trabalho. conforme o disposto na legislação estadual e no regimento interno.

Não obstante.9. 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. concomitantemente486. da Lei n. 318 . O rigor da tese predominante seria aceitável se não houvesse séria divergência acerca da subsistência487. 5ª Turma do STJ.01. 485. Diário da Justiça de 24 de maio de 2000. 487. Cf. Diante das inúmeras divergências encontradas na doutrina e na jurisprudência. 486. de 1951.533. 13939. in fine.511/PE. Cf. Cf. 1. 490. p. Cf. 2ª Turma do STJ. 91. caput e parágrafo único. bem assim do enunciado n. 4ª Turma do TRF da 1ª Região. RMS n. CORReIÇÃO PARCIAL e mANdAdO de seGURANÇA À vista da parte final do inciso II do artigo 5º da Lei n. considerando-se a alegação de suposta ilegalidade na condução do trâmite processual. p.000005-0. p. Súmula 267/STF”. há jurisprudência em prol da admissibilidade das duas vias. sem o aconselhável tempero cum grano salis. não é admissível mandado de segurança contra ato judicial passível de correição parcial ou reclamação correicional. no que se torna inviável a utilização do mandado de segurança. Diário da Justiça de 3 de fevereiro de 2003. 64. 489. Cf. 488. 267 da Súmula do Supremo Tribunal Federal.802/RJ. prevalece o rigor da literalidade do artigo 5º. Diário da Justiça de 17 de junho de 1991. Não obstante. 1. tópico número 4 do presente capítulo. todas com reflexo no desate do problema da admissibilidade do mandado de segurança. e RMS n. tópico número 5 do presente capítulo. 1. com o reforço do artigo 250. cabível seria o ajuizamento da correição parcial. de 1951.533. do mesmo diploma. 1999.03.02173-7/MT. Cf. Ag n. 14. inciso II. Diário da Justiça de 5 de setembro de 1994. 322: “Na espécie. à vista do disposto na parte final do caput do artigo 154 do Código de Processo Civil. 23028. É a tese predominante na jurisprudência pátria485. anterior tópico número 2 do presente capítulo. e Ag n. da constitucionalidade488.6. da natureza jurídica489 e da adequação490 da correição parcial ou reclamação correicional. tópico número 3 do presente capítulo. p. a melhor solução reside na possibilidade da utilização de ambas as vias (correição parcial e mandado de segurança).

Em sentido conforme. com o pedido de reconsideração. Trata-se de categoria que engloba todas as outras formas de impugnação da decisão. como bem estabelece o enunciado n. mero pedido de reconsideração não impede a formação da preclusão e da coisa julgada. Por oportuno. na verdade. 24. na jurisprudência: RMS n. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. art. houve a posterior inclusão do enunciado n. Assim.437/1992. na doutrina: “Sucedâneo recursal é todo meio de impugnação de decisão judicial que nem é recurso nem é ação autônoma de impugnação. 6. 475) e a correição parcial” (FREDIE DIDIER JR. não submetido a prazo peremptório. p. 2007. 492. 4º. trata-se de orienta- 491. também merece ser prestigiado o verbete n. art. de sucedâneo recursal492 sem forma prevista em lei. Colhe-se da didática ementa do precedente jurisprudencial: “O pedido de reconsideração não tem. 46 na Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “Não se suspende. Aliás. São exemplos: pedido de reconsideração. Lei Federal n. Curso de direito processual civil. art. Diário da Justiça de 19 de dezembro de 2007. parágrafo único. nem tem o condão de suspender — muito menos interromper — prazo para interposição de eventual recurso cabível. natureza recursal. Por conseguinte. o pedido de reconsideração é simples decorrência lógica do sistema de preclusões processuais” (não há o grifo no original). 3ª Turma do STJ. 4º). 6 do Centro de Estudos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “Não se suspende. acionado mediante simples petição. não há os grifos no original). A propósito. com o pedido de reconsideração.654/PA.Capítulo XV PedIdO de ReCONsIdeRAÇÃO O pedido de reconsideração não é recurso491. o prazo para interposição de qualquer recurso”.348/1964. Volume III. A possibilidade de haver retratação pelo relator indica apenas que a legislação afastou a preclusão pro judicato. na hipótese do art. na esteira do verbete n. 3ª ed. o prazo para interpor recurso de agravo”. 527. a remessa necessária (CPC. 8. Em sentido semelhante. 33 da Súmula do Tribunal de Justiça de Pernambuco: “O pedido de reconsideração não interrompe nem suspende o prazo para interposição do competente recurso”.. 319 . CPC. 27. Trata-se. pedido de suspensão da segurança (Lei Federal n. 4.

conforme o caso. inicia-se o prazo decadencial para a impetração do mandado de segurança. o pedido de reconsideração tem utilidade em algumas hipóteses excepcionais. Em suma. o pedido de reconsideração não pode ser aproveitado no lugar do recurso processual cabível que deixou de ser interposto. o pedido de reconsideração não é recurso nem produz os efeitos jurídicos gerais dos recursos. a inexistência de prazo legal é outro importante motivo pelo qual o pedido de reconsideração não tem natureza recursal. Precedentes”. Sob outro prisma. é importante registrar que o pedido de reconsideração também não produz efeito devolutivo para o colegiado ad quem. Pedido de reconsideração não suspende ou interrompe o prazo para impetrar mandado de segurança. 61 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Pedido de reconsideração não suspende o prazo para interposição do recurso próprio. como se infere do parágrafo único do artigo 527 do Código de Processo Civil. e não uma nova violação a direito líquido e certo. O recurso cabível e a ação impugnativa admissível só não são extemporâneos se veiculados dentro dos respectivos prazos legais para a impugnação da decisão primitiva. Daí o acerto do enunciado n. Estudadas a natureza jurídica (sucedâneo recursal acionado mediante simples petição) e a ausência de efeito obstativo (da preclusão e do trânsito em julgado). agravo) ou da ação autônoma de impugnação (por exemplo. mandado de segurança 493). E não se pode transformar mero pedido de reconsideração em agravo”. 25 da Súmula do extinto Tribunal de Alçada Cível do Estado do Rio de Janeiro: “Não cabe agravo contra despacho que denega reconsideração de outro. Não fosse assim. como bem revela a precisa conclusão n. porquanto todo recurso está sujeito a prazo peremptório. na jurisprudência: RMS n. 320 . a qual é o verdadeiro alvo do recurso processual (por exemplo. os eventuais recurso processual e ação autônoma de impugnação veiculados após o indeferimento do pedido de reconsideração. por conseguinte. quando o inconformismo versa sobre a controvérsia solucionada na primeira decisão. Colhe-se da precisa ementa do precedente jurisprudencial: “Com a publicação da decisão que retém o agravo de instrumento. se já ultrapassado o prazo legal”. São tardios. Não obstante. 3ª Turma do STJ. 24. Diário da Justiça de 19 de dezembro de 2007. 493.ção tradicional em nosso direito. Por tudo. o inconformado poderia ressuscitar matéria preclusa. De acordo.654/PA. A rejeição do pedido de reconsideração é mero desdobramento do ato coator anterior.

É o que ocorre quando o pedido de reconsideração é formulado para acelerar o desate de recurso que produz efeito de retratação. É o que se infere do artigo 296 do Código de Processo Civil. o requerimento de retratação ainda pode ser utilizado para que o juiz reconsidere a decisão que versa sobre tutela antecipada. Sob outro prisma. com a redação conferida pela Lei n. O pedido de reconsideração também pode ser formulado após a interposição de recurso de agravo. Aliás. Em suma. nada impede que o agravante formule pedido de reconsideração após a interposição do recurso ou no bojo da própria petição recursal. Daí a possibilidade do pedido de reconsideração tanto da decisão monocrática de conversão do agravo de instrumento em retido (inciso II) quanto da decisão referente ao efeito suspensivo e à antecipação da tutela no agravo de instrumento (inciso III). do Código de Processo Civil. em razão do efeito regressivo produzido pelo recurso. 60 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Interposto agravo retido. O § 2º do artigo 523 do Código de Processo Civil revela que o juiz poderá reformar sua decisão. o requerimento de reconsideração pode ser apresentado ao prolator de decisão monocrática impugnada via agravo interno. ao juiz é facultado reexaminar sua decisão”. Do mesmo modo.187. há outras hipóteses ensejadoras do pedido de reconsideração. vale dizer. É o que há muito estava assentado na conclusão n. § 4º. é admissível nas duas hipóteses previstas no único preceito do Código de Processo Civil destinado ao pedido de reconsideração: parágrafo único do artigo 527. de 2005. Além das duas remissões existentes no parágrafo único do artigo 527 do Código de Processo Civil. É que o § 1º do artigo 557 trata expressamente da possibilidade da retratação em sede de agravo regimental. como os agravos produzem efeito regressivo. Aqui também o pedido de reconsideração pode ser isolado. 15 do Simpósio de Curitiba de 1975. o pronunciamento referente à antecipação de tutela pode ser reexaminado a qualquer tempo. desde que antes da prolação do julgado final. O pedido de reconsideração igualmente pode ser formulado para que o juiz reexamine decisão interlocutória que versa sobre questão de ordem pública. nos termos do artigo 273. apresentado sem a prévia interposição de agravo. É que. na hipótese. o pedido de reconsideração pode ser apresentado independentemente da interposição do recurso de agravo. Com efeito. ou seja. “a preclusão não se opera quanto às matérias enume321 .Em primeiro lugar. de retratação. segundo a correta conclusão n. 11. É que. a ser formulado perante o relator do agravo de instrumento no tribunal. o pedido pode ser apresentado em seguida à interposição de apelação contra sentença de indeferimento liminar de petição inicial.

NERY JUNIOR e ROSA NERY. A parte poderá. ou não.P. o pedido de reconsideração é dirigido ao próprio magistrado prolator da decisão (por exemplo. 322 . art. 267 do CPC”. o pedido de reconsideração igualmente pode ter êxito. já que a inexistência de preclusão revela a possibilidade de o juiz de primeiro grau proferir outro pronunciamento em sentido contrário ao primeiro. 4ª ed. Código de Processo Civil comentado. § 3º)”. em razão da inexistência de preclusão. o presidente do tribunal. pedir reconsideração ao juiz”. “em se tratando de condições da ação não ocorre preclusão. o relator no tribunal. o pedido de reconsideração desemboca na regra da inutilidade do expediente. mesmo existindo explícita decisão a respeito (C. É o que estabelece a conclusão n. Com efeito. no particular. o juiz de primeiro grau. Em todas as hipóteses arroladas. Em síntese. IV. as decisões interlocutórias prolatadas nos Juizados Especiais ensejam pedido de reconsideração por meio de simples petição. todavia. 267. É o que revelam as conclusões 6 e 7 do Encontro dos Magistrados dos Juizados Especiais do Estado da Bahia: “Não há recurso contra decisão interlocutória. Fora das hipóteses excepcionais apontadas. “Não há preclusão em relação às decisões interlocutórias”494. 2260. p. como não estão sujeitas à preclusão. por ser o mesmo o competente para reconsiderar a respectiva decisão. Cf. As decisões interlocutórias proferidas nas ações da competência dos Juizados Especiais também ensejam pedido de reconsideração. todavia.radas nos ns. 9 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada. diante de questão de ordem pública solucionada em decisão interlocutória. conforme o caso). V e VI do art... 494. 1999.C. Com efeito.

Volume III. por não gerar a reforma. da Lei n. apenas. a Medida Provisória n. à suspensão. nem é sucedâneo de recurso”. 2007.. o artigo 4º da Lei n. trata-se de incidente proces- 495. Assim. p. o artigo 12. de 1985. § 1º. Agravo e suspensão de liminar ou de sentença. Princípios fundamentais. Código de Processo Civil. 404 e 405). de sua execução”. 512 do CPC” (Curso de direito processual civil. 2. 323 . p. p. CONCeITO e NATURezA JURídICA dA sUsPeNsÃO Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. 4ª ed.038.437. 286: “Vê-se que se trata de medida especialíssima que não há de ser confundida ou equiparada a recurso”. comentário 1: “Não se trata de recurso”. 2. a suspensão não tem natureza recursal 495.. 2443. o artigo 4º da Lei n. caracterizando incidente autônomo” (NERY JUNIOR. igualmente. não é recurso autêntico. de 1990. na acepção processual. Também com igual opinião. Na verdade. também na doutrina: BARBOSA MOREIRA.357. Recorribilidade. 8. Recursos em mandado de segurança. si et in quantum. 7.348. e os incisos XIX e XX da Tabela “B” da Lei de Custas Judiciais do Superior Tribunal de Justiça. de 1951. “Esta medida. PReCeITOs de ReGêNCIA dA sUsPeNsÃO O instituto da suspensão está previsto em muitos preceitos legais. 8. pois não visa à reforma da decisão. III: “Convém observar que o procedimento em foco não constitui recurso. também na doutrina: NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY. o artigo 25 da Lei n. Com a mesma opinião. Desse modo.533. 3ª ed. de 1992. na doutrina: FREDIE DIDIER JR. p. o requerimento de suspensão não contém o efeito substitutivo a que alude o art. de 1964. por não estar previsto em lei como recurso e. 1989. Em sentido conforme. anulação nem desconstituição da decisão liminar ou antecipatória.180-35. de 2001. p. 1999. 4. ainda na doutrina: EDUARDO RIBEIRO. 222: “A suspensão por ato do presidente não tem a natureza de recurso. Em sentido conforme. 250).. Merecem destaque o artigo 13 da Lei n. 1. na doutrina: ARNALDO ESTEVES LIMA.Capítulo XVI INCIdeNTe de sUsPeNsÃO 1. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA: “O pedido de suspensão não detém natureza recursal. mas. 5ª ed. 2000. entretanto. porque ajuizada diretamente no tribunal ad quem.

Com maior autoridade. p. entretanto. constitui o reconhecimento de que ao ato impugnado não merece ter inteira eficácia. na doutrina ARNALDO ESTEVES LIMA. há respeitável precedente jurisprudencial: AgRg no MSG n. p. não é menos certo que sua decisão o atinge frontalmente. Se o Presidente do Tribunal não chega a cassar o ato. Também em sentido contrário. Com efeito. para fazê-lo”. Também com entendimento semelhante. Unânime” (não há o grifo no original). não há o grifo no original).2. p. Diário da Justiça de 2 de maio de 2001. Em fase desse óbvio hibridismo. 8. determinando a suspensão da execução da liminar. Manual. legalmente fixado. pois que assim voltados para os dois aspectos que nela estão presentes: o requerimento e o recurso” (grifos aditados). p. ao contrário dos recursos. Em primeiro lugar. 496. 569: “Constituyen requisitos comunes a todos los recursos: omissis. o recurso denominado Suspensão de Segurança. Em contraposição. 31: “PROCESSUAL CIVIL — AGRAVO INTERNO CONTRA DESPACHO CONCESSIVO DE LIMINAR EM MS — LEI N. 8. 498. Agravo e suspensão de liminar ou de sentença. Ação civil pública. 137. Vários são os motivos que impedem a inserção da suspensão de segurança no rol taxativo dos recursos.00. p. 2007. 497. 11ª ed. na doutrina: JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO. não há na legislação de regência do instituto da suspensão prazo peremptório para a formulação do requerimento 498. também na doutrina: MARCELO ABELHA RODRIGUES. 406. pois que lhe retira a idoneidade de produzir efeitos jurídicos. Não conhecido.. 280: “Ocorre que o atendimento do pedido. Suspensão de segurança.000398-8. parece-nos cabível caracterizar a medida como sendo requerimento de natureza recursal. não Em sentido contrário. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA também sustentam a tese de que “não restam dúvidas de que o pedido de suspensão constitui incidente processual” (Curso de direito processual civil. por conseguinte. Com a mesma opinião. os Professores FREDIE DIDIER JR. 1995. conclusão 33. p. 237.038/90 — REGIMENTO INTERNO — IMPOSSIBILIDADE — NÃO CONHECIMENTO. Há. eis que o Regimento Interno desta Corte preconiza. não se presta a atacar decisão concessiva de liminar em mandado de segurança. Assim: LINO ENRIQUE PALACIO. Conselho Especial do TJDF. Volume III. interposto com fulcro no art. um interesse revisional do postulante. acórdão registrado sob o n. 2001. a possibilidade da interposição do recurso propriamente dito cabível contra o decisum cuja eficácia se pretende suspender por meio do incidente em estudo. com o que a medida passa a guardar semelhança com os recursos em geral. 3: “Não há contraditório e nem mesmo prazo.sual 496 de competência exclusiva de tribunal (mais especificamente. 2002. 1995. 324 . o instituto recursório é marcado pela existência de prazo peremptório para o exercício do direito de recorrer 497. para a presente hipótese.038/90. sem afastar. 3º) Su interposición dentro de un plano perentorio”. O Agravo Regimental dito interno.316. 39 da Lei n. do respectivo presidente).

esta parece ser a tendência jurisprudencial no tocante ao conceito de pessoa jurídica de direito privado legitimada a requerer a suspensão de segurança”. à vista do artigo 512 do Código de Processo Civil. § 1º. Ainda que controvertida500 a extensão dos preceitos que tratam da suspensão. em casos excepcionais. 8. 160. possam fazer uso da medida”. até mesmo os cometidos contra os interesses dos entes públicos. Conclusão oposta configuraria verdadeira contradictio in adiecto. 499. 4.348 e 8. artigo 4º da Lei n. a suspensão não enseja a cassação. p. A rigor. 2003. 222. respectivamente. não é possível reformar ou cassar a própria decisão jurisdicional na angusta via da suspensão499. Suspensão de segurança. Agravo e suspensão de liminar ou de sentença. como o próprio nome do instituto revela. Recorribilidade. 3. 4ª ed. No incidente de suspensão. porquanto não há a substituição da decisão. BARBOSA MOREIRA.437). MARCELO ABELHA RODRIGUES. Em sentido conforme. quando exercendo atividade delegada do Poder Público. e artigo 4º da Lei n. Código. 4. p. o recurso pode ensejar a reforma. 2443.. 269: “Tem-se admitido. da Lei n. segurança pública e saúde pública (cf. 2002. e NERY JUNIOR.357. a cassação ou a integração da decisão jurisdicional impugnada. economia pública. p. Em relação à legitimidade. 241. Em contraposição. Sob outro prisma. 2ª Turma do STJ.217/SC. 155: “mutatis mutandis. comentário 1. que empresas públicas e mesmo pessoas jurídicas de direito privado. os recursos podem veicular qualquer error in procedendo e error in iudicando.038. Diário da Justiça de 28 de setembro de 1998. A suspensão de segurança. na doutrina: ARNALDO ESTEVES LIMA.há no instituto da suspensão o requisito da tempestividade. 1999. p. p.348. conclusão 61. De acordo. só é possível alegar a ocorrência de grave lesão aos bens jurídicos consubstanciados na ordem pública. p. 500. conseqüências jurídicas só possíveis nos verdadeiros recursos. 325 . Em favor da tese liberal: MARCELO ABELHA RODRIGUES. sem restrição. em virtude da ausência de previsão legal de prazo peremptório para o respectivo exercício. artigo 12. 7. Por outro lado. o instituto da suspensão tem como finalidade específica “suspender” “a execução” do decisum concessivo do provimento liminar ou final. Em prol de solução intermediária: ELLEN GRACIE NORTHFLEET. Suspensão de sentença e liminar. entretanto. p. conforme o caso. na jurisprudência: REsp n. muito menos a reforma da decisão. 39. não há como negar a existência de diferença entre o disposto no artigo 499 do Código de Processo Civil e o que estabelecem os artigos 4º e 25 das Leis n.

com o artigo 12. O artigo 4º da Lei n. o artigo 12. conforme revelam os artigos 506. além de não ter natureza recursal. a suspensão não substitui nem impede a interposição do recurso processual cabível contra o decisum concessivo do provimento liminar ou final. os preceitos revelam que a suspensão não dispensa o julgamento do posterior recurso interposto contra a decisão suspensa. p. a única conclusão possível é a de que a suspensão não tem natureza recursal. da Lei n. no artigo 12. sob pena de verdadeiro bis in idem. 509. Mandado de segurança: da suspensão de segurança. Com opinião similar. de 1990. o artigo 25 da Lei n. 4.038 e o artigo 4º da Lei n.348. embora saibamos ser nossa posição minoritária”. 8. conforme o caso501. Em favor da tese restritiva: LÚCIA VALLE FIGUEIREDO. 1989. p.357. da Lei n. O proêmio do § 3º do artigo 25 da Lei n. a regra na suspensão reside na legitimidade ativa exclusiva da parte que seja pessoa jurídica de direito público e pelo Ministério Público. não poderia ser feito pelos entes privados. Já a legitimidade para requerer a suspensão não é tão ampla como a legitimidade recursal: enquanto o recurso pode ser interposto por qualquer uma das partes.348. 7. § 1º.038 conduz ao mesmo raciocínio: “A suspensão de segurança vigorará enquanto pender o recurso”. e. 8. 541 e 559. de 1964. nos termos do artigo 499. ao que se nos afigura. na doutrina: EDUARDO RIBEIRO. de 1992. 511. se há o respectivo recurso contra a mesma decisão. p. 8.357. 507. 8. A legislação de regência da suspensão ainda fornece outros argumentos que demonstram a ausência da natureza recursal do instituto. 146: “O pedido de suspensão deverá ser examinado com a maior detença. Recursos em mandado de segurança. conforme se infere da combinação do artigo 4º da Lei n. 1997. raciocínio incompatível com o princípio da singularidade. da Lei n. 8. 113. delegados ou concessionários do serviço público. 8. 501.357. 4. 286: “Ademais. o recurso é “interposto”. Mandado de segurança. e no artigo 4º da Lei n. 7. Também a favor da interpretação estrita: ANA LUÍSA CELINO COUTINHO. de 1985. com o artigo 25 da Lei n. Ademais. 508.038. 7. todos do Código de Processo Civil. a expressão “respectivo recurso” inserta no artigo 4º da Lei n. § 1º.437 utilizam o vocábulo “requerimento” ao tratar da suspensão. Aliás. presta-se a finalidades estritas que não se confundem 326 .a legitimidade recursal tem alcance superior.437 também reforça a conclusão de que o instituto da suspensão não pode ser confundido com o recurso próprio. Em contraposição.348.437. e com o artigo 4º da Lei n. pelo Ministério Público e até por terceiro prejudicado. 1998. § 1º. Ora. 4. Como é perceptível primo ictu oculi. embora a jurisprudência seja em sentido contrário.

é possível concluir que o instituto da suspensão não tem natureza jurídica de recurso.348 e do § 2º do artigo 25 da Lei n. 506. 160. de 26. 3. como nas excepcionais hipóteses dos artigos 540 e 544 do Código de Processo Civil). 217: “Não cabe agravo de decisão que indefere o pedido de suspensão da execução da liminar. Revista de Processo. a conclusão extraída da interpretação literal do artigo 4º da Lei n. Diário da Justiça de 28 de setembro de 1998. é indispensável. p. 39. É amplo o alcance do artigo 39 da Lei n.038.348. somente. A propósito. dos respectivos presidentes. p. não do que a denega”. 4. ReCORRIbILIdAde dA deCIsÃO mONOCRáTICA PResIdeNCIAL PROfeRIdA NO INCIdeNTe de sUsPeNsÃO Durante muitos anos prevaleceu a tese da inadequação do agravo interno contra decisão monocrática presidencial denegatória da suspensão. vale a pena conferir o preciso pronunciamento da Ministra ELLEN GRACIE NORTHFLEET: “Para que a preclusão não ocorra. cabe. Aliás. 8. volume 97. com o conseqüente amplo cabimento de agravo interno contra toda decisão monocrática (salvo quando adequado outro recurso de agravo ex vi de preceito específico.1964. 4.038 não resiste ao confronto com a extraída da exegese teleológica do artigo 39 do último diploma. de incidente processual de competência exclusiva dos tribunais. Não obstante. 188). que ademais do requerimento de suspensão seja aviado o recurso cabível na espécie. conforme revela o enunciado n. 2ª Turma do STJ. o Supremo Tribunal Federal chegou até mesmo a tratar da vedação do agravo interno contra a decisão presidencial denegatória. 506 da Súmula da Suprema Corte: “O agravo a que se refere o art. do despacho do Presidente do Supremo Tribunal Federal que defere a suspensão da liminar. em mandado de segurança. na doutrina: MARCELO ABELHA RODRIGUES. Com orientação similar.217/SC.6. Diante da inexistência de outro recurso na legislação processual. 2002. p. mais especificamente. na jurisprudência: REsp n. ou da sentença em mandado de segurança”. seja o agravo contra a liminar ou a apelação contra a sentença de mérito” (Suspensão de sentença e de liminar. Também com entendimento semelhante. Na esteira do verbete n. a decisão monocrática indeferitória de suspensão também enseja agravo interno ou com as que podem ser buscadas com o agravo”. 8. mas. o Superior Tribunal de Justiça editou o enunciado n.Por tudo. sim. 4º da Lei n. Suspensão de segurança. 327 . conclusão 63. 241.

2005. preliminarmente. ao cancelar o verbete n. 217-STJ)” (SS n. Com a mesma opinião. entendeu. n. a natureza jurídica da suspensão e 502. 15). Suspensão de segurança. no prazo de 5 (cinco dias)”. 504. restou superada a orientação contida na Súmula 506 do Supremo Tribunal Federal. apreciando o AgRg na SS. noticiado no Informativo n. 4.945/AL — AgRg. Em suma. 328 . resolvendo questão de ordem suscitada pelo Min. o artigo 4º da Lei n. como no de denegação de suspensão da segurança (vide Súm.038. reafirmada em diversas decisões da Corte” (GILMAR MENDES. portanto.regimental502. A Súmula 506 do Supremo Tribunal Federal. 1. também cabe agravo interno contra decisão monocrática denegatória de requerimento de suspensão. 8. 506 da Súmula da Corte Suprema503. p. caberá agravo. 217 pelo Superior Tribunal de Justiça504. decidiu pelo cabimento de agravo regimental contra despacho do Presidente do Supremo Tribunal Federal que indefere o pedido de suspensão de segurança. 217. 177). 15). p. À vista da regra da ampla recorribilidade das decisões monocráticas consagrada no artigo 39 da Lei n. já que da decisão do presidente “que conceder ou negar a suspensão. de 1990.10. no julgamento do AgRg na SS n. noticiado no Informativo n. ReCURsOs eXTRAORdINáRIO e esPeCIAL em INCIdeNTe de sUsPeNsÃO Estudadas a legislação de regência. além da decisão monocrática presidencial de deferimento. como bem reconheceu o Pleno do Supremo Tribunal Federal. a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça deliberou pelo cancelamento da Súmula n. a Corte Especial cancelou o enunciado n. a fim de que o órgão colegiado competente do tribunal possa efetuar o controle jurisdicional da atividade judicante do respectivo presidente. 8. “O Tribunal. 2000.204-AM” (GILMAR MENDES.437 assegura o cabimento do agravo interno. 217 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Também. em sessão de 23. Conferir: “A Corte Especial. 2005. por maioria. A Súmula 506 do Supremo Tribunal Federal. Posteriormente. Em reforço. 503. 295). no dia 23 de outubro de 2003. 1. cabe agravo interno em ambas as hipóteses. o Verbete 506 da Súmula do STF” (SS n. 193 e nota 195.166/SP — AgRg. ser cabível agravo regimental tanto no caso de concessão. p. “Dessa forma. cabe agravo interno contra toda decisão presidencial proferida em suspensão. cancelando. julgado em 16 de junho de 2003. na doutrina: MARCELO ABELHA RODRIGUES. 1. Não importa se houve o deferimento ou a denegação da suspensão na decisão presidencial.03. Pleno do STF. por maioria. com o igual posterior cancelamento do enunciado n. julgado em 19 de dezembro de 2002. Gilmar Mendes.

§§ 1º e 2º. Com efeito. e 105. não se sujeitando a recurso especial. e do artigo 4º da Lei n. julgado em 26 de fevereiro de 2004: “2. 8. 4º da Lei 4.348/64. § 1º. em mandado de segurança. 545 e 557. 7. 2ª Turma do STJ. 506. Há. resta saber se o acórdão prolatado pelo pleno ou órgão especial do tribunal competente para o julgamento do agravo interno enseja recursos extraordinário e especial. em sede de Agravo Regimental em Suspensão de Segurança. ART. Conferir: REsp n. todavia. da Lei n. e no artigo 4º da Lei n. a tese favorável merece ser prestigiada. em razão da natureza política do respectivo juízo505. 531. 116.832/MG. da Constituição Federal. à segurança e à economia públicas. desafia recurso especial ou extraordinário com possibilidade de concessão de efeito suspensivo pelo relator. a suspensão é suscitada sempre em processo judicial (por exemplo. Recurso não conhecido” (grifos aditados). é. Assim: MS n. Diário da Justiça de 28 de fevereiro de 2000: “PROCESSUAL CIVIL — MANDADO DE SEGURANÇA — PEDIDO DE SUSPENSÃO FUNDADO NA LEI 4. quer como antecipação de tutela recursal. conforme revelam os artigos 496. 1ª Seção do STJ. a que o juiz que a proferiu está vinculado. 8.357. 4. em que as controvérsias são decididas à base do juízo de legalidade. O acórdão proferido pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. no artigo 12. 8. quer via cautelar” (não há o grifo no original).a recorribilidade da decisão monocrática presidencial proferida à luz do artigo 4º da Lei n. de 1990.433/PR — AgRg. 329 . 4º — DECISÃO DE TRIBUNAL LOCAL — PRECEDENTE — A decisão suspensiva da execução de medida liminar. todos do Código de Processo Civil. Diante da natureza jurisdicional do julgamento proferido pelo 505. do artigo 12. na forma do art.348.437. inciso II. 9.038. de ação cautelar). Prevalece a orientação jurisprudencial contrária ao cabimento dos recursos extraordinário e especial contra o acórdão proferido em agravo interno interposto contra decisão presidencial prolatada em incidente de suspensão.348.357. à saúde. o que revela a natureza jurisdicional do incidente previsto no artigo 4º da Lei n. de mandado de segurança.348/64 é resultado de Juízo político a respeito da lesividade do ato judicial à ordem. diploma que igualmente cuida de “normas procedimentais para os processos que especifica”. desde que satisfeitas as demais exigências dos artigos 102. da Lei n. 4. com o reforço dos artigos 25 e 39 da Lei n. recurso tipicamente processual.437. pois. inciso III e alíneas. da estrita competência do Tribunal (Presidente e Plenário). 7. de ação civil pública. § 1º. inciso III e alíneas. Ainda que muito respeitável a orientação predominante contrária ao cabimento dos recursos. Tanto que contra a respectiva decisão monocrática presidencial cabe agravo interno. entendimento jurisprudencial em prol do cabimento506.

a diferença entre reexame de provas e qualificação jurídica dos fatos é muito relevante: naquela hipótese. da Constituição Federal507. a incidência dos enunciados 7 e 279 das Súmulas do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal e de outros tantos verbetes sumulares depende da espécie sub examine. em única ou última instância”. Autarquia Federal. a recorrente interpôs agravo regimental. deve ser entendido em sentido amplo’ (REsp n. 507.867/RJ. O Plenário do TRF da 2ª Região negou provimento ao agravo. dos artigos 102. porquanto o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal podem encontrar no bojo do próprio acórdão todos os elementos fáticos necessários à verificação da correta interpretação da lei federal e da Constituição Federal.659-0/SP). 38. 4. 5. Não se dando por vencida. e 105. fica aberta a angusta via recursal. p. Com efeito. Na eventualidade de o quadro fático narrado no próprio acórdão proferido pelo tribunal dispensar o reexame do conjunto probatório. conforme o caso.tribunal no recurso processual de agravo interno interposto contra a decisão monocrática prolatada em incidente de suspensão. 330 . ambos os recursos (extraordinário e especial) são cabíveis. o recurso é incabível. em tese. Volume 732. Tanto quanto sutil. interpôs recurso para suspender a execução de liminar concedida em writ (art. pois ‘o vocábulo causa. é perfeitamente possível o enquadramento na expressão “causas decididas. Daí o cabimento dos recursos extraordinário e especial. Aplicação do enunciado n. O presidente do tribunal a quo denegou a suspensão. pelo menos em tese. Irresignada. inserto no inciso III do artigo 105 da Constituição Federal. inciso III. De acordo: REsp n. a despeito da predominância do entendimento contrário ao cabimento no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça. o recurso é próprio e adequado. Por tudo. 187: “II — A UFFRJ. já que a adequação à espécie depende do disposto no acórdão proferido no julgamento do agravo interno ou regimental. 6ª Turma do STJ. do caso concreto. O STJ já decidiu que cabe recurso especial em hipóteses como a dos autos. já na última. 4º da Lei n. ou seja. a autarquia interpõe o presente recurso especial. Revista dos Tribunais. 86 da Súmula da Corte” (grifos aditados). inciso III.348/64).

caput e parágrafo único. Há. ou a execução 508. há precedentes jurisprudenciais em sentido semelhante ao exemplo indicado: “CAUTELAR. EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL. o recorrente pode correr risco de dano irreparável ou de difícil reparação. mas permitem a produção mediante simples requerimento na própria petição recursal e até em petição avulsa (por exemplo. que mesmo o provimento do recurso especial não teria o condão de reparar. JÁ QUE EVIDENTE O PeriCuLum iN morA E RELEVANTES OS FUNDAMENTOS INVOCADOS” (MC n. p. quando não produz o efeito suspensivo imediato — artigo 558. 54784). causará sem dúvida. INTROdUÇÃO Alguns recursos produzem efeito suspensivo ex vi legis (por exemplo. Outros recursos não têm o efeito automático. caput. o agravo de instrumento de decisão interlocutória e a apelação. Por oportuno. MEDIDA CAUTELAR. RECURSO ESPECIAL. a apelação. a ela e à coletividade de seus empregados. II — Defere-se efeito suspen- 331 . recurso extraordinário. do Código de Processo Civil). com a lacração do estabelecimento da requerente e a paralisação de suas atividades. após o provimento unânime da apelação interposta contra a anterior sentença de improcedência da falência508. embargos de divergência). os recursos que não produzem efeito suspensivo e que também não têm previsão legal de outorga mediante simples requerimento na própria petição recursal (por exemplo. “PROCESSUAL CIVIL. em contraposição. pelo menos em regra — artigo 520. I — A execução do decreto de quebra. Diante da falta de efeito suspensivo imediato e da ausência de previsão legal para a concessão do mesmo mediante requerimento na petição recursal. 3ª Turma do STJ. FALÊNCIA DECRETADA — LIMINAR CONCEDIDA. Dois exemplos freqüentes na prática forense podem facilitar a compreensão do problema: imagine-se a execução imediata do acórdão de decretação da falência. 873/SP. Diário da Justiça de 27 de outubro de 1997. do Código de Processo Civil).Capítulo XVII AÇÃO CAUTeLAR ORIGINáRIA 1. CONCESSÃO DE LIMINAR PARA SUSTAR OS ATOS DECORRENTES DA DECRETAÇÃO DA FALÊNCIA. graves danos. recurso especial.

18ª ed. III — liminar concedida e referendada pelo colegiado” (MC n. Por exemplo. a fim de que seja concedida medida cautelar perante o tribunal competente. 14422). Diário da Justiça de 22 de maio de 1995. a parte sucumbente pode sofrer sérias conseqüências em razão da imediata execução dos respectivos acórdãos. com a atribuição de efeito suspensivo ou o deferimento de outra providência urgente para garantir o resultado útil daqueles recursos e dos respectivos processos principais510. pode ser necessária a imediata apreensão de bens do devedor para garantir a sa- sivo a especial quando. 5ª Turma do STJ. 834/PR. Volume II. n. p. para garantir o êxito de um processo. pode ser indispensável alguma providência imediata de proteção. há lugar para a propositura de ação cautelar originária. 332 . Direito processual civil brasileiro. 2007. há precedente jurisprudencial semelhante ao exemplo indicado: “AÇÃO CAUTELAR INOMINADA. na concessão de liminar para tal. Liminar parcialmente deferida” (MC n. Também reconhece que a cautelar pode ser utilizada como real sucedâneo recursal. Em ambas as hipóteses. p. 73. na doutrina: “Outra medida que tem sido utilizada e tende a ser cada vez mais aplicada é a da utilização de medida cautelar para obter providências urgentes durante a tramitação de recursos sem efeito suspensivo. 1. verifica-se que dos fatos documentalmente comprovados e contidos nos autos da cautelar. 54784). art. até 30 de junho/95 — Lei 8.. Por exemplo. denominada medida cautelar. afiguram-se presentes os pressupostos fumus boni juris e periculum in mora. p. A propósito. 193/SP. evitar o prejuízo à instrução probatória para processo no qual será discutido o direito material. 510. pela ausência da oitiva de testemunha com doença em estado terminal. 63. ESTABELECIMENTO DE ENSINO. 3ª Turma do STJ.do acórdão de despejo imediato em conseqüência do provimento unânime do recurso apelatório interposto contra a anterior sentença de improcedência proferida na ação de despejo509. 509. 2. Suspende-se a execução do despejo de estabelecimento de ensino. 352 e 353). § 2º. Diário da Justiça de 27 de outubro de 1997. 511.245/91. especialmente no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça” (VICENTE GRECO FILHO. DESPEJO. Diante do risco de dano iminente e da probabilidade do provimento dos eventuais recursos especiais interpostos (ou a serem interpostos) nos respectivos processos principais de falência e de despejo. 2. Com efeito. PROCessO CAUTeLAR e medIdA CAUTeLAR A medida cautelar é a providência urgente a ser tomada para evitar prejuízo jurídico de natureza processual511. AÇÃO CAUTeLAR.

todavia. petição avulsa). Se pleiteada no curso do processo principal. a mesma medida cautelar pode ser obtida independe do exercício do direito de ação específica (ação cautelar) e da existência de processo próprio (processo cautelar). a ação cautelar é o direito de provocar a atuação do Poder Judiciário. Cf. mas também por simples petição (vale dizer. Não obstante. a medida cautelar é denominada antecedente (ou preparatória) e só pode ser requerida mediante a propositura de ação cautelar própria. de arresto). Em síntese. aquela providência urgente protetiva da execução é denominada medida cautelar (no exemplo. ajuizada por meio de petição inicial. a proteção consubstanciada na medida cautelar é obtida mediante o exercício da ação cautelar. a medida cautelar é denominada incidental e pode ser requerida por meio de ação cautelar própria. Com efeito. Quando pleiteada antes do processo principal. e 489. em razão da existência de relação jurídica processual específica que se desenvolve em procedimento próprio. § 7º. petição avulsa. caput. 333 . denominado principal. É certo. também é admissível a concessão de medidas cautelares 512. do Código de Processo Civil. artigos 273. a medida cautelar é a providência em si. a fim de obter a prestação jurisdicional diante de alguma situação de risco iminente ao êxito de outro processo. veiculada no bojo do próprio processo principal. ambos do Código de Processo Civil. com a instauração de processo cautelar. após a provocação da prestação jurisdicional mediante ação específica (denominada ação cautelar). A medida cautelar pode ser requerida tanto antes quanto no curso do processo principal. Em regra. que a regra ainda é a medida cautelar requerida em processo próprio (denominado processo cautelar). O exercício do direito consubstanciado na ação cautelar provoca a instauração do processo cautelar. porquanto já há preceitos legais512 que autorizam a concessão daquela providência urgente de proteção no bojo do mesmo processo já em curso. a fim de que seja prestada a medida cautelar.tisfação do crédito em futura execução por quantia certa. Além da medida cautelar antecedente e da medida cautelar incidental no curso do processo principal consagradas nos artigos 796 e 800. mediante requerimento veiculado em simples petição. ambas de competência de juiz de primeiro grau de jurisdição. o ato indispensável a ser praticado para a proteção de algum suposto direito.

a ação pode ser proposta antes ou depois da interposição do recurso cabível. 3. com o reforço dos artigos 21. Cf. todos do Código de Processo Civil. incisos IV e V. 156. 258 e 282. artigos 800 e 809 do Código de Processo Civil e artigo 288. inciso I. como bem autorizam os artigos 489. a respectiva petição inicial deve conter a exposição da ação principal. § 1º. 67. 257. PeTIÇÃO INICIAL A ação cautelar (tanto a antecedente quanto a incidental. Não obstante. Consoante o disposto no inciso II do artigo 801. todavia. bem assim dos artigos 34. No que tange à ação cautelar em sede recursal. § 2º. com a demonstração do nexo de interdependência daquela em relação à ação principal513. inciso XVIII. do Código de Processo Civil). 514. do Código de Processo Civil. parágrafo único. 130. na petição inicial da ação cautelar. Por conseguinte. 334 . do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. porquanto a mesma tem natureza incidental. a petição inicial deve conter a indicação do juízo ou do tribunal competente para a concessão da medida cautelar (artigo 801. 796 e 800.— antecedente e incidental — de competência originária de tribunal. 513. Cf. o autorrequerente deve indicar o número do registro do processo principal. a petição inicial da ação cautelar também deve conter as qualificações completas tanto do autorrequerente da medida cautelar quanto do réu-requerido. bem assim dos artigos 39. a ação cautelar tem natureza incidental em relação ao processo no qual foi prolatado o julgamento recorrível ou já recorrido. e 304 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Quando preparatória a ação cautelar. tanto a de competência de juiz de primeiro grau quanto a originária de tribunal) deve ser proposta mediante petição inicial elaborada com a observância do artigo 801 do Código de Processo Civil. todos daquele diploma. incisos V e VI. Em ambas as hipóteses. inciso III e parágrafo único. Em primeiro lugar. em razão da necessária distribuição por dependência e da posterior apensação dos autos514. a exigência prevista no inciso III do artigo 801 não alcança a ação cautelar em sede recursal. 131. inciso I. 159 e 288 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. artigos 796 e 801.

o artigo 21. Ainda em relação aos pedidos. mas que é evitável mediante a concessão da medida cautelar pleiteada. incisos IV e V. consoante autorizam o artigo 804 do Código de Processo Civil. a da ação cautelar também deve conter a indicação do valor da causa. O valor da causa da ação cautelar tanto pode ser igual quanto pode ser diferente do valor da causa da ação principal. ambos do Código de Pro335 . cabe ao autor-requerente demonstrar o risco de dano iminente que está sujeito a sofrer. incisos V e VI. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. do Código de Processo Civil). do Código de Processo Civil. O valor da causa da ação cautelar deve refletir a eventual vantagem econômica proveniente da concessão da medida cautelar. o autor-requerente pode pedir a concessão da medida cautelar in limine litis. Com efeito. é que a petição inicial da ação cautelar deve cumprir o disposto no artigo 258 do Código de Processo Civil. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e o artigo 34. inciso VII. perigo da demora). diante da iminência do dano. proferida in limine litis. inciso IV. para que possa exercer o respectivo direito de defesa (artigo 802 do Código de Processo Civil). consoante a possível repercussão patrimonial do deferimento da medida cautelar. diante de risco de dano iminente. Após a fundamentação do fumus boni iuris e do periculum in mora. inciso V. e 801. os quais formam o mérito do processo cautelar. mediante simples decisão monocrática. consoante determina o artigo 282. a petição inicial da ação cautelar deve conter a indicação do pedido de concessão da medida cautelar (típica ou atípica) necessária para evitar o risco de dano. basta o autor-requerente demonstrar a simples probabilidade de sucesso do processo principal com o qual há a relação de interdependência. O certo. Como toda petição inicial. a medida cautelar pode ser concedida pelo relator no tribunal. Com efeito. No que tange ao fumus boni iuris (vale dizer. inciso VI. o autor-requerente deve arrolar os respectivos pedidos. No que diz respeito ao periculum in mora (ou seja. Aliás. a petição inicial deve conter o requerimento de citação do réu-requerido (artigo 282. O autor-requerente também deve especificar as provas que pretende produzir (artigos 282. fumaça do bom direito). todavia.A petição inicial da ação cautelar também deve conter a fundamentação referente ao fumus boni iuris e ao periculum in mora.

A petição também deve ser instruída com a procuração outorgada pelo autor-requerente ao advogado subscritor da inicial (artigo 37. no momento da distribuição da ação rescisória (cf. 11. Cf. Não obstante. 8. de 2007. R$ 200. o qual deve declarar na inicial o respectivo endereço profissional e inscrição perante a Ordem dos Advogados do Brasil. tal como revela o artigo 41-B da Lei n. A Resolução n. mas há a possibilidade de posterior juntada do instrumento de mandato. de 1950. para que possa ser intimado dos diversos atos processuais mediante publicação no órgão oficial de imprensa ou até pessoalmente. segundo a qual o autor-requerente deve instruir a petição inicial com a guia comprobatória do recolhimento das custas previstas no inciso XIV da Tabela “B” (ou seja. ambos da novel Lei de Custas Judiciais no Superior Tribunal de Justiça. até mesmo quando é ação originária de tribunal515. incide a respectiva Lei n. em caso de urgência (artigo 37. à vista dos artigos 5º. a cautelar também está sujeita à regra do pagamento das custas iniciais. do Código de Processo Civil). de 1990. primeira parte. artigos 2º. artigos 113 a 121 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e artigos 139 a 147 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. quando fica dispensado do pagamento. a petição inicial da ação cautelar deve ser desde logo instruída com os documentos disponíveis (artigo 283 do Código de Processo Civil).060. segunda parte). de 1950. tal como autoriza a Lei n.cesso Civil). primeira parte. Como toda ação judicial. caput. A petição inicial da ação cautelar deve ser subscrita por advogado. No que tange às ações cautelar de competência originária do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. prevista no artigo 257 do Código de Processo Civil. 515.038. tal como autoriza a Lei n. e 13. consoante o inciso I da Tabela “B”. No que tange ao Superior Tribunal de Justiça. 1. a cautelar também enseja instrução probatória. 336 . o autor-requerente também pode pedir a concessão de assistência judiciária. 1. 5º e 9º). de 2007.636. quando fica dispensado do pagamento.00). o autor-requerente pode pedir a concessão de assistência judiciária. também incidem os respectivos regimentos internos e resoluções internas. em reforço à regra do pagamento das custas iniciais em ação cautelar.060. 333 dispõe sobre as Tabelas de Custas referentes ao Supremo Tribunal Federal. Não obstante. Como as ações em geral. No que tange à prova documental.

Isto se deve ao fato de a lei processual (art. Com efeito. ainda aqui. não é tão simples a identificação do tribunal competente para processar e julgar aquela (ação cautelar). parágrafo único. a hipótese prevista no artigo 489 do Código de Processo Civil não apresenta dificuldade alguma. Tanto a antecedente (isto é. a despeito da literalidade do parágrafo único do artigo 800 do Código de Processo Civil (“Interposto o recurso. basta a mera interposição do recurso. Volume III. Consoante os enunciados 634 e 635 da Súmula do Supremo Tribunal Federal519. tão logo interposto o recurso. 11ª ed. 800. por exemplo. mais do que a mera interposição. 64).. 518. para deslocar a competência da Justiça de origem para o tribunal superior518. mediante o simples protocolo da petição recursal. quando o processo principal é uma ação rescisória. Há. do Código de Processo Civil. COmPeTêNCIA A ação cautelar originária pode ter como principal um processo já da competência do próprio tribunal. do CPC) ser clara ao estabelecer. quando não há dificuldade alguma na aferição da competência: o mesmo tribunal. “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem. é necessária a admissão do recurso na origem para que o tribunal superior seja 516. Lições de direito processual civil. 517. as exceções previstas nos artigos 853 e 880. todavia. a interposição do recurso contra a sentença” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. mas a nosso sentir será competente.” “Cabe ao Presidente do Tribunal de origem decidir o pedido de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade. compete ao tribunal ad quem processar e julgar a ação cautelar517. Com efeito. a jurisprudência predominante segue outro critério distintivo da competência. ex vi legis. o tribunal a que couber a competência para apreciar o recurso já interposto. p. É o que ocorre. À vista do parágrafo único do artigo 800 do Código de Processo Civil. ainda é controvertida a competência para a concessão de medida cautelar. entretanto. 519.4. parágrafo único. 2006. a medida cautelar será requerida diretamente ao tribunal”). Quando a ação cautelar originária tem como principal um processo em fase recursal.” 337 . como fato determinante da fixação da competência do tribunal. No mesmo sentido. a ação cautelar516 originária será da competência do mesmo tribunal competente para a ação rescisória. na doutrina: “Não é pacífica a solução do problema. Não obstante a literalidade do parágrafo único do artigo 800 do Código de Processo Civil. preparatória) quanto a incidental.

8. houver tempo hábil para a apreciação do pedido de concessão da medida cautelar liminar pelo órgão coletivo competente. deixar o decêndio legal correr in albis.038. 8. Cf. o pleito acautelatório ainda deve ser formulado perante a Justiça de origem. PROCedImeNTO Se a petição inicial da ação cautelar contiver algum vício sanável520. e artigos 34. em dez dias. ausência de valor da causa. mediante decisão monocrática521. e 804. artigo 21. com a prolação de decisão monocrática a ser submetida ao órgão colegiado competente segundo o regimento interno do tribunal523. artigos 801. e 288. incisos IV e V. de 1990. § 2º.038. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. preceito também aplicável à petição inicial da ação cautelar. o autor-requerente deve ser intimado para a emenda daquela. Por exemplo. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Cumpridas as formalidades arroladas nos artigos 282. Cf. 338 . do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. a petição inicial deve ser indeferida pelo relator do tribunal competente. artigo 21. 5. § 2º. 523. o 520. em caso de urgência. incisos V e VI. Se o autor-requerente. 522. todavia. 524. § 2º.competente para conhecer de requerimento de medida cautelar. Além de determinar a citação do réu-requerido. inciso XVIII. Formulado o pedido de concessão liminar na petição inicial da ação cautelar. Cf. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. o relator também deve de imediato verificar se há pedido específico de concessão liminar da medida cautelar522. Se. inciso VI. artigo 317 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e artigo 258 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. e artigos 34. artigo 39 da Lei n. compete ao próprio relator decidir desde logo o pleito. antes. artigo 21. entretanto. 295 e 801 do Código de Processo Civil. em cinco dias524. falta de requerimento de citação do réu-requerido. consoante estabelece o artigo 284 do Código de Processo Civil. Tanto a decisão monocrática de concessão liminar quanto a denegatória são impugnáveis mediante agravo interno ou regimental. de 1990. para que possa apresentar contestação. 521. parágrafo único. artigo 38 da Lei n. Cf. inciso V. e 288. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e artigo 34. ambos do Código de Processo Civil. o relator deve admitir a petição inicial e determinar a citação do réu-requerido.

Cf. o relator também pode indicar preferência para o julgamento do processo cautelar. artigo 21. artigos 126 e 129 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e artigos 153 e 156 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. II e VIII. o Ministério Público pode requerer preferência de julgamento (artigo 130 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). a qual incompatível com o processo cautelar. consoante autoriza a interpretação do artigo 804 do Código de Processo Civil. Se necessária a intervenção ministerial. para o órgão colegiado competente: Turma. Turma. Solucionado o pleito liminar pelo relator ou pelo órgão colegiado competente. em relação às respostas previstas no Código de Processo Civil. Contestada a ação. Compete ao presidente do colegiado incluir o processo cautelar em pauta. 339 . do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.relator deve submeter o pleito à apreciação do colegiado. incisos I. em cinco dias. Corte Especial ou Plenário. e artigo 34. 527. inciso V. compete ao relator decidir sobre as provas a serem produzidas526. em regra. artigo 809 do Código de Processo Civil. Aliás. ao qual compete decidir sobre o deferimento ou a denegação da medida cautelar525. de suspeição e de incompetência relativa. o réu-requerido é citado para responder aos termos da ação cautelar. A despeito de o artigo 802 do Código de Processo Civil versar apenas sobre a contestação. cabe ao relator pedir dia para julgamento perante o órgão colegiado competente indicado no regimento interno: em regra. os autos devem ser remetidos ao Ministério Público. em cinco dias. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. só não há lugar para reconvenção. para parecer. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Diante da urgência do julgamento do processo cautelar. porquanto eventual pedido de contracautela pode ser veiculado tanto na contestação quanto em petição avulsa. incisos I. a qual deve ser publicada no órgão oficial de 525. excepcionalmente. II e VII. Cf. bem assim as exceções de impedimento. inciso IV. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Da respectiva decisão monocrática do relator cabe agravo interno ou regimental. Findo o processamento da cautelar. conforme a urgência do caso. 526. Cf. e artigo 34. artigo 21. sempre no prazo de cinco dias do artigo 802. Com efeito. o réu-requerido também pode veicular impugnação ao valor da causa. Seção. bem como a realização de julgamento conjunto dos processos cautelar e principal527.

porquanto o § 2º do artigo 131 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e o artigo 159 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça estabelecem que não há sustentação oral no processo cautelar. 340 . não há lugar para embargos de divergência nem para embargos infringentes.imprensa. Decorrido o prazo legal de quarenta e oito horas da publicação da pauta no órgão oficial de imprensa. 528. ambos do Código de Processo Civil). §§ 2º e 3º. mas há a possibilidade de pedido de vista (artigo 555. já não há lugar para sustentação oral pelos advogados das partes. em regra. razão pela qual não há lugar para o aproveitamento do recurso mediante fungibilidade. os demais ministros presentes proferem os respectivos votos. a ementa e as conclusões devem ser veiculadas no órgão oficial de imprensa. do Código de Processo Civil). Com efeito. JULGAmeNTO Após a exposição do relator. com a leitura do respectivo relatório. há o imediato julgamento do processo cautelar pelo colegiado competente. até para que possam recorrer (artigos 506. com a observância do artigo 556 do Código de Processo Civil. 8. Aliás. só há o cabimento de embargos de declaração. Em seguida. o presidente do colegiado anuncia o resultado do julgamento e designa o redator do acórdão. Em seguida. de 1990. inciso III. Ao contrário da decisão monocrática proferida por relator. artigo 39 da Lei n. Cf. a interposição de agravo interno contra o acórdão proferido no processo cautelar significa erro grosseiro. o artigo 554 do Código de Processo Civil não alcança o processo cautelar de competência originária de tribunal. Proferidos todos os votos. e 564. 458 e 563 do Código de Processo Civil. O acórdão deve ser lavrado com o cumprimento do disposto nos artigos 165. O relator do processo cautelar é o primeiro a proferir voto perante o colegiado. 6. Na verdade. a qual é impugnável mediante agravo interno ou regimental528. a fim de que os advogados das partes sejam intimados do acórdão. o acórdão proferido no processo cautelar não enseja recurso de agravo algum. o processo já pode ser julgado perante o órgão colegiado competente (artigo 552 do Código de Processo Civil). artigo 317 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e artigo 258 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.038.

ainda que o acórdão esteja em divergência com algum precedente do próprio tribunal ou tenha sido proferido por maioria de votos. além dos embargos de declaração. o outro recurso cabível contra o acórdão proferido em processo cautelar é o recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal — salvo. 341 . entretanto. quando não cabe outro recurso algum senão os embargos declaratórios. Em tese. se o processo cautelar já é da competência da Corte Suprema.

Em sentido conforme: ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. comentário 1. NERY JUNIOR. 2ª ed. Admissibilidade. Volume I. em prazo determinado. 1974. PINTO FERREIRA. p. 2000. decorrido o prazo para a interpo- 529. 310. 2000. p. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. Curso de direito processual civil. 479 e 480. Comentários. 1999. 1999. 131 e 134. 5ª ed. há autorizada doutrina: ARAKEN DE ASSIS. a “remessa” obrigatória ocorre independentemente da manifestação de quem quer que seja. Volume II. e PONTES DE MIRANDA. 1998. 93.. Lições. p.. 1977. Em primeiro lugar. o reexame necessário não está sujeito à observância do requisito de admissibilidade da tempestividade. Princípios fundamentais. 192. Sob outro enfoque. e Código. Vocabulário jurídico. 3ª ed. já que o artigo 499 do Código de Processo Civil conferiu apenas às partes. Por tal razão. Curso. 342 . e o magistrado não pode ser considerado terceiro prejudicado em relação ao julgamento por ele mesmo proferido. JOSÉ AFONSO DA SILVA. 4ª ed. e SERGIO BERMUDES. p. p. 2001. Volume 3. p. 1974. Volume 246. Os recursos.. 245. p.. Comentários. ao Ministério Público e ao terceiro prejudicado legitimidade para recorrer. Aspectos e inovações. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. NomeN iuris e NATURezA JURídICA A “remessa” obrigatória. 130. 226.. p. diferentemente dos recursos. p. ARAÚJO CINTRA. Volume IV. o juiz não tem legitimidade recursal. 339. p. 3ª ed. p. p.Capítulo XVIII RemessA ObRIGATÓRIA OU ReeXAme ObRIGATÓRIO 1. Com efeito. 1999. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. p. 43. Volume VII. 2ª ed.. 53 e 254. 31 e s. Já os recursos são manifestações de vontade e estão condicionados à interposição dentro de prazo peremptório previsto em lei. 849. Revista Forense. p. 2ª ed. 102. 1996. Comentários. bem assim “duplo grau de jurisdição”. 174 e 175. não tem natureza recursal529. FREDIE DIDIER JR. São várias as razões que conduzem a tal conclusão. Em sentido contrário. nem tem interesse de impugnar pronunciamento de sua autoria. Tomo VII. também denominada “reexame necessário”.. 2006. OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA. 1996. Dos recursos.

como já reconheciam até mesmo os comentadores do diploma pretérito530. convém lembrar que no original Código de Processo Civil de 1973 havia a palavra “voluntária”. poderá o presidente do tribunal avocá-los”. a doutrina bem sustenta a erronia da denominação legal. o Código de Processo Civil vigente tratou da “remessa” obrigatória fora do título destinado ao sistema recursal (Título X). Com efeito. 125 das Mesas de Processo Penal da Universidade de São Paulo: “O denominado ‘recurso necessário’ não é recurso. Eis o primitivo parágrafo único do artigo 475 do Código de 1973: “Nos casos previstos neste artigo. a combinação do caput do artigo 475 com o § 1º conduz à c